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Numero do processo: 19515.001801/2005-33
Turma: Terceira Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jun 13 00:00:00 UTC 2012
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA - IRPJ Exercício: 2003 SUPRIMENTO DE CAIXA. PRESUNÇÃO LEGAL DE OMISSÃO DE RECEITAS. TERCEIROS. DESCABIMENTO. O suprimento de caixa efetuado por terceiros, estranhos aos quadros societário e administrativo da empresa, não se enquadra na hipótese prevista no art. 282 do RIR/1999, que autoriza a presunção legal de omissão de receitas. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Exercício: 2003 CSLL. PIS. COFINS. DECORRÊNCIA. Ressalvados os casos especiais, igual sorte colhem os lançamentos que tenham sido formalizados por mera decorrência, na medida que inexistem fatos ou argumentos novos a ensejar conclusões diversas.
Numero da decisão: 1803-001.355
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado. Ausente, justificadamente, a Conselheira Meigan Sack Rodrigues.
Nome do relator: SERGIO RODRIGUES MENDES
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PARTICIPAÇÕES E EMPREENDIMENTOS S/A. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Exercício: 2003 SUPRIMENTO DE CAIXA. PRESUNÇÃO LEGAL DE OMISSÃO DE RECEITAS. TERCEIROS. DESCABIMENTO. O suprimento de caixa efetuado por terceiros, estranhos aos quadros societário e administrativo da empresa, não se enquadra na hipótese prevista no art. 282 do RIR/1999, que autoriza a presunção legal de omissão de receitas. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Exercício: 2003 CSLL. PIS. COFINS. DECORRÊNCIA. Ressalvados os casos especiais, igual sorte colhem os lançamentos que tenham sido formalizados por mera decorrência, na medida que inexistem fatos ou argumentos novos a ensejar conclusões diversas. Fl. 655DF CARF MF Impresso em 01/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/06/2012 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 26/06/2 012 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 29/06/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES Processo nº 19515.001801/200533 Acórdão n.º 180301.355 S1TE03 Fl. 202 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado. Ausente, justificadamente, a Conselheira Meigan Sack Rodrigues. (assinado digitalmente) Selene Ferreira de Moraes Presidente (assinado digitalmente) Sérgio Rodrigues Mendes Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Selene Ferreira de Moraes, Sérgio Luiz Bezerra Presta, Walter Adolfo Maresch, Victor Humberto da Silva Maizman, Sérgio Rodrigues Mendes e Viviani Aparecida Bacchmi. Fl. 656DF CARF MF Impresso em 01/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/06/2012 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 26/06/2 012 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 29/06/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES Processo nº 19515.001801/200533 Acórdão n.º 180301.355 S1TE03 Fl. 203 3 Relatório Por bem retratar os acontecimentos do presente processo, adoto o Relatório do acórdão recorrido (fls. 153 e 154): A empresa acima identificada foi submetida a procedimento fiscal que redundou na lavratura de autos de infração de fls. 92/107 para exigir os recolhimentos de IRPJ, CSLL, PIS e COFINS, além dos acréscimos legais devidos. De acordo com o Termo de Verificação Fiscal (fls. 87/91), a empresa contabilizou diversos suprimentos de numerário que teriam sido efetuados em moeda corrente nacional pela Sonol S/A., empresa sediada no Uruguai, a título de adiantamentos para futuro aumento de capital. Assinala a autoridade lançadora que, de acordo com a legislação aplicável, os recursos oriundos do exterior devem ser convertidos em moeda nacional, por meio de contratos de câmbio registrados no Banco Central do Brasil, prova essa não apresentada pela fiscalizada. Assim, os valores correspondentes foram tributados como omissão de receita, pela não comprovação de sua origem. As disposições legais citadas nos autos de infração são as seguintes: TRIBUTO FUNDAMENTAÇÃO LEGAL IRPJ artigos 249, II, 251 caput e parágrafo único, 279, 282 e 288 do Regulamento do Imposto de Renda (RIR/1999) e artigo 24 da Lei 9.249/1995. PIS artigos 1º e 3º da LC 07/1970, artigos 2º, inciso I, 8º, inciso I, e 9º da Lei 9.715/1998, artigos 2º e 3º da Lei 9.718/1998 e artigo 24, § 2º, da Lei 9.249/1995. COFINS artigo 1º da LC 70/1991, artigo 24, § 2º, da Lei 9.249/1995 e artigos 2º, 3º e 8º da Lei 9.718/1998, com alterações da MP 1.807/1999 e suas reedições, com alterações da MP 1.858/1999, e reedições. CSLL artigo 2º, caput e §§, da Lei 7.689/1988, artigos 19 e 24 da Lei 9.249/1995, artigo 1º da Lei 9.316/1996, artigo 28 da Lei 9.430/1996 e artigo 6º da MP 1.858/1999. Em 14/06/2005, a interessada tomou ciência dos autos de infração (fl. 94) e, em 14/07/2005, apresentou defesa (fls. 110/121), resumidamente, nos seguintes termos: ∙ A legislação tributária autoriza a autoridade lançadora a autuar com base na presunção de omissão de receitas, desde que reste comprovado, no mínimo, um ato relevante que possa ser indício de que a sociedade mantinha recursos à margem da tributação. ∙ Em nenhum momento, a fiscalização fez prova do fato imputado. ∙ Na presunção legal, a lei autoriza que, a partir de um fato conhecido e efetivamente ocorrido, possa ser deduzida a existência de outro fato, este, até então, desconhecido ou controvertido. Fl. 657DF CARF MF Impresso em 01/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/06/2012 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 26/06/2 012 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 29/06/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES Processo nº 19515.001801/200533 Acórdão n.º 180301.355 S1TE03 Fl. 204 4 ∙ O tipo legal previsto no artigo 282 do RIR/1999 impõe a presunção de omissão de receita, desde que o numerário seja entregue por administradores, sócios de sociedades não anônimas, titulares de empresa ou acionista controlador. ∙ Caso o suprimento seja feito por pessoa não expressamente citada na norma, o fato conhecido não se ajusta ao tipo consagrado pelo legislador. ∙ Pois a fiscalização sequer empenhou esforços para carrear aos autos os competentes atos societários, necessários para evidenciar que os valores escriturados como suprimentos efetivamente foram incorporados ao capital social, ônus que lhe incumbia, já que esse fato não pode ser inferido pela via indireta da presunção. 2. A decisão da instância a quo foi assim ementada (fls. 152): ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2002 OMISSÃO DE RECEITA. ADIANTAMENTO PARA FUTURO AUMENTO DE CAPITAL. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO. Tributase como omissão de receita o valor dos recursos pretensamente fornecidos para futuro aumento de capital, dos quais a origem não se comprova cabalmente. TRIBUTAÇÃO DECORRENTE. Aplicase aos lançamentos de PIS, COFINS e CSLL o que foi decidido em relação ao lançamento matriz, por serem fundamentados nos mesmos elementos de comprovação. Lançamento Procedente. 3. Cientificada da referida decisão em 29/09/2008 (fls. 158verso), a tempo, em 28/10/2008, apresenta a interessada Recurso de fls. 159 a 171, instruído com o documento de fls. 172, nele reiterando os argumentos anteriormente expendidos e aduzindo mais os seguintes: a) que, por discordar das acusações impostas pela Autoridade Lançadora, a ora Recorrente apresentou a competente Impugnação, em que fora alegado, em síntese, ser o auto de infração, então impugnado, improcedente, por se basear numa presunção sem indícios bastantes para justificála e pela situação descrita na autuação não se enquadrar no dispositivo legal invocado; b) que, malgrado a robustez dos argumentos aduzidos na Impugnação, a Autoridade Julgadora entendeu pela procedência do lançamento de ofício; c) que o acórdão em questão encontrase equivocado, restando imperiosa a reforma da decisão recorrida por essa Colenda Câmara; d) que entendeu a autoridade julgadora de primeira instância administrativa pela legalidade da presunção adotada na autuação, mesmo quando a hipótese tipificada no artigo 282 do RIR/99 prevê expressamente que a receita a ser arbitrada deve ser oriunda de recursos de caixa fornecidos Fl. 658DF CARF MF Impresso em 01/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/06/2012 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 26/06/2 012 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 29/06/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES Processo nº 19515.001801/200533 Acórdão n.º 180301.355 S1TE03 Fl. 205 5 por administradores, sócios de sociedade não anônima, titular de empresa individual ou pelo acionista controlador; e) que, mesmo sem o amparo legal necessário, a decisão ora recorrida insiste que a simples falta de comprovação da origem de recursos de caixa, independentemente de terem sido efetuados por terceiros, autoriza essa presunção descabida; f) que é farta a jurisprudência no sentido de que a presunção que seria autorizada pelo art. 282 do RIR/99, deve restringirse ao disposto na legislação, em homenagem ao princípio da tipicidade cerrada; g) que, na hipótese de os recursos de caixa não serem fornecidos por administradores, sócios de sociedade não anônima, titular de empresa individual ou pelo acionista controlador, a autoridade lançadora deverá aprofundar os trabalhos fiscais, para relacionar tais recursos a uma receita que realmente tenha ingressado no patrimônio da Empresa, não podendo, lançar mão da supracitada presunção; e h) que, dessa forma, como no presente caso a autuação que instrui os autos e a decisão ora recorrida estão lastreadas em uma presunção sem o mínimo amparo legal, tornase evidente a fragilidade do lançamento de ofício, devendo este ser julgado improcedente. 4. É o que importa relatar. Em mesa para julgamento. Fl. 659DF CARF MF Impresso em 01/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/06/2012 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 26/06/2 012 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 29/06/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES Processo nº 19515.001801/200533 Acórdão n.º 180301.355 S1TE03 Fl. 206 6 Voto Conselheiro Sérgio Rodrigues Mendes, Relator Atendidos os pressupostos formais e materiais, tomo conhecimento do Recurso. Suprimentos de caixa 5. É a seguinte a redação do art. 282 do RIR/1999, base legal da exigência fiscal (grifouse): Art. 282. Provada a omissão de receita, por indícios na escrituração do contribuinte ou qualquer outro elemento de prova, a autoridade tributária poderá arbitrála com base no valor dos recursos de caixa fornecidos à empresa por administradores, sócios da sociedade não anônima, titular da empresa individual, ou pelo acionista controlador da companhia, se a efetividade da entrega e a origem dos recursos não forem comprovadamente demonstradas (DecretoLei nº 1.598, de 1977, art. 12, § 3º, e DecretoLei nº 1.648, de 1978, art. 1º, II). 6. Referido dispositivo admite a presunção legal de omissão de receitas quando constatada a existência de suprimentos de numerário fornecidos à empresa “por administradores, sócios da sociedade não anônima, titular da empresa individual, ou pelo acionista controlador da companhia”, sem comprovação de sua origem e efetiva entrega. 7. Tratandose, porém, de terceiras pessoas, estranhas aos quadros societário e administrativo da empresa, essa inversão do ônus da prova não as alcança, cabendo, nesse caso, à fiscalização, a adoção de outros procedimentos a esse respeito (investigação de um possível saldo credor de caixa, por exemplo, ou a busca de prova direta da omissão de receita), por absoluta ausência de subsunção do fato concreto à norma. É que a tipicidade da presunção legal representada por suprimentos de caixa é do tipo cerrado e compreende, unicamente, o fornecimento de numerário pelas pessoas relacionadas na lei. 8. Observo, no presente caso, que, em nenhum momento, nem a fiscalização, no respectivo Termo de Verificação Fiscal (fls. 87 a 91), nem a decisão recorrida, em seu sucinto Voto (fls. 154 a 156), fazem referência ao fato de se tratar, no caso, de “administradores, sócios da sociedade não anônima, titular da empresa individual ou acionista controlador da companhia”. 9. Conforme se verifica de cópia da Declaração de Informações Econômico fiscais da Pessoa Jurídica (DIPJ), a empresa estrangeira Sonol não consta da relação de sócios da Recorrente no anocalendário de 2002 (fls. 60). Também no Contrato Social (fls. 6) e alterações (fls. 16), não é mencionado o nome da referida empresa. 10. Assim, na hipótese de os aportes de numerário não terem sido realizados pelas pessoas discriminadas no art. 282 do RIR/1999, não se configura a presunção legal de Fl. 660DF CARF MF Impresso em 01/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/06/2012 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 26/06/2 012 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 29/06/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES Processo nº 19515.001801/200533 Acórdão n.º 180301.355 S1TE03 Fl. 207 7 omissão de receita por suprimentos de caixa, devendo, pois, ser cancelado o presente lançamento. 11. Menciono, a respeito, os seguintes precedentes administrativos: Acórdão nº 10322.468 Sessão de 25 de maio de 2006 IRPJ/CSLL OMISSÃO DE RECEITA SUPRIMENTO DE CAIXA Os suprimentos de caixa efetuados por terceiros, estranhos ao quadro societário e administrativo da empresa, não se enquadram na hipótese prevista no art. 229 do RIR/94, que autoriza a presunção legal de omissão de receitas. Recurso provido. [...]. Acórdão nº 10322.056 Sessão de 10 de agosto de 2005 OMISSÃO DE RECEITA SUPRIMENTO DE CAIXA EMPRÉSTIMO DE TERCEIROS Não é cabível o lançamento de ofício a título de suprimento de caixa não comprovado, formalizado com fulcro no art. 282 do RIR/99, quando o supridor não se enquadra na condição de administrador, sócio de sociedade não anônima, titular de empresa individual ou acionista controlador. [...]. Acórdão nº 10808.360 Sessão de 15 de junho de 2005 IRPJ OMISSÃO DE RECEITA SUPRIMENTO DE CAIXA – O suprimento de caixa efetuado por terceiros, estranhos ao quadro societário e administrativo da empresa, não se enquadra na hipótese prevista no art. 229 do RIR/94, que autoriza a presunção de omissão de receitas. [...]. Acórdão nº 10808.060 Sessão de 10 de novembro de 2004 IRPJPISCOFINSCSLL OMISSÃO DE RECEITAS SUPRIMENTO DE CAIXA O suprimento de caixa efetuado por terceiros, estranhos ao quadro societário e administrativo da empresa, não se enquadra na hipótese prevista no art. 229 do RIR/94, que autoriza a presunção de omissão de receitas. [...]. Acórdão nº 10194.647 Fl. 661DF CARF MF Impresso em 01/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/06/2012 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 26/06/2 012 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 29/06/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES Processo nº 19515.001801/200533 Acórdão n.º 180301.355 S1TE03 Fl. 208 8 Sessão de 11 de agosto de 2004 PRESUNÇÃO LEGAL – OMISSÃO DE RECEITA – SUPRIMENTO DE NUMERÁRIOS – MÚTUOS – Para que se configure omissão de receita por suprimento de caixa, o numerário deverá ser proveniente de administradores, sócios de sociedade não anônima, titular de empresa individual e pelo acionista controlar da companhia. O suprimento por terceiros ao quadro social da pessoa jurídica não autoriza a utilização da presunção legal estatuída no artigo 282 do RIR/1999. [...]. Acórdão nº 10514.331 Sessão de 18 de março de 2004 OMISSÃO DE RECEITAS CARACTERIZADA POR SUPRIMENTOS DE CAIXA DE ORIGEM OU EFETIVA ENTREGA NÃO COMPROVADA SUPRIMENTO DE CAIXA POR TERCEIROS Não se subsume à presunção de omissão de receita estabelecida no art. 181 do RIR/80 o fato de não se comprovar origem e efetiva entrega de recursos entregues à sociedade por pessoa diversa das mencionadas no aludido dispositivo. [...]. Acórdão nº 101.94.467 Sessão de 5 de dezembro de 2003 IRPJPISCOFINSCSLL OMISSÃO DE RECEITAS SUPRIMENTO DE CAIXA O suprimento de caixa efetuado por terceiros, estranhos ao quadro societário e administrativo da empresa, não se enquadra na hipótese prevista no art. 294 do RIR/94, que autoriza a presunção de omissão de receitas. [...]. Acórdão nº 10320.293 Sessão de 11 de maio de 2000 IRPJ OMISSÃO DE RECEITAS SUPRIMENTO DE CAIXA O suprimento de caixa efetuado por terceiros, estranhos aos quadros societário e administrativo da empresa, não se enquadra na hipótese prevista no art. 181 do RIR/80, que autoriza a presunção de omissão de receitas. Demais exigências 12. Ressalvados os casos especiais, igual sorte colhem os lançamentos que tenham sido formalizados por mera decorrência daquele, na medida que inexistem fatos ou argumentos novos a ensejar conclusões diversas. Fl. 662DF CARF MF Impresso em 01/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/06/2012 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 26/06/2 012 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 29/06/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES Processo nº 19515.001801/200533 Acórdão n.º 180301.355 S1TE03 Fl. 209 9 Conclusão Em face do exposto, e considerando tudo o mais que dos autos consta, voto no sentido de DAR PROVIMENTO AO RECURSO. É como voto. (assinado digitalmente) Sérgio Rodrigues Mendes Fl. 663DF CARF MF Impresso em 01/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/06/2012 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 26/06/2 012 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 29/06/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES
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Numero do processo: 13629.001281/2005-03
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed May 09 00:00:00 UTC 2012
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA - IRPF
Exercício: 2003, 2004, 2005 OMISSÃO DE RENDIMENTOS DE ALUGUÉIS. MULTA QUALIFICADA.
Para que possa ser aplicada a penalidade qualificada prevista, à época do lançamento em apreço, no art. 44, inciso II, da Lei n° 9.430/96, a autoridade lançadora deve coligir aos autos elementos comprobatórios de que a conduta do sujeito passivo está inserida nos conceitos de sonegação, fraude ou conluio, tal qual descrito nos arts. 71, 72 e 73 da Lei n° 4.502/64. O evidente intuito de fraude não se presume e deve ser demonstrado pela fiscalização.
No caso, o dolo que autorizaria a qualificação da multa não restou comprovado, conforme bem evidenciado pelo acórdão recorrido. A pretensa simulação de negócio jurídico suscitada pela fiscalização, isoladamente, sem nenhum outro elemento adicional, não caracteriza o dolo, sendo que tal ato não ocultou a ocorrência do fato gerador do imposto de renda pessoa física, considerando que a Secretaria da Receita Federal tomou conhecimento dos rendimentos por ele percebidos através das DIMOB apresentadas pelas fontes FÍSICA. COMPENSAÇÃO DE OFÍCIO DOS TRIBUTOS PAGOS PELA PESSOA pagadoras. Ademais, diante das circunstâncias duvidosas, tem aplicação ao feito a regra do art. 112, incisos II e IV, do CTN.
RENDIMENTOS ORIGINARIAMENTE TRIBUTADOS NA PESSOA JURÍDICA. TRIBUTAÇÃO NA PESSOA JURÍDICA. POSSIBILIDADE.
A compensação dos tributos já pagos sobre os rendimentos lançados, ainda que pela pessoa jurídica, constitui consequência direta do próprio lançamento, e pode ser determinada de ofício pela autoridade julgadora, se não tiver sido implementada pela Fiscalização.
Agir de modo diverso, acarretaria ou a) na movimentação desnecessária da máquina administrativa, que deveria restituir o imposto pago pela pessoa jurídica, sendo mais racional realizar o procedimento no curso deste processo; ou b) enriquecimento ilícito da Administração Pública, que terá
recebido duas vezes pelo mesmo fato gerador (bis in idem), caso se considere impossível o pedido de restituição, por já ter se passado cinco anos do fato gerador.
Recurso especial negado.
Numero da decisão: 9202-002.112
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
Matéria: IRPF- ação fiscal - omis. de rendimentos - PF/PJ e Exterior
Nome do relator: LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS
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MULTA QUALIFICADA. Para que possa ser aplicada a penalidade qualificada prevista, à época do lançamento em apreço, no art. 44, inciso II, da Lei n° 9.430/96, a autoridade lançadora deve coligir aos autos elementos comprobatórios de que a conduta do sujeito passivo está inserida nos conceitos de sonegação, fraude ou conluio, tal qual descrito nos arts. 71, 72 e 73 da Lei n° 4.502/64. O evidente intuito de fraude não se presume e deve ser demonstrado pela fiscalização. No caso, o dolo que autorizaria a qualificação da multa não restou comprovado, conforme bem evidenciado pelo acórdão recorrido. A pretensa simulação de negócio jurídico suscitada pela fiscalização, isoladamente, sem nenhum outro elemento adicional, não caracteriza o dolo, sendo que tal ato não ocultou a ocorrência do fato gerador do imposto de renda pessoa física, considerando que a Secretaria da Receita Federal tomou conhecimento dos rendimentos por ele percebidos através das DIMOB apresentadas pelas fontes pagadoras. Ademais, diante das circunstâncias duvidosas, tem aplicação ao feito a regra do art. 112, incisos II e IV, do CTN. RENDIMENTOS ORIGINARIAMENTE TRIBUTADOS NA PESSOA JURÍDICA. TRIBUTAÇÃO NA PESSOA FÍSICA. COMPENSAÇÃO DE OFÍCIO DOS TRIBUTOS PAGOS PELA PESSOA JURÍDICA. POSSIBILIDADE. A compensação dos tributos já pagos sobre os rendimentos lançados, ainda que pela pessoa jurídica, constitui consequência direta do próprio lançamento, e pode ser determinada de ofício pela autoridade julgadora, se não tiver sido implementada pela Fiscalização. Agir de modo diverso, acarretaria ou a) na movimentação desnecessária da máquina administrativa, que deveria restituir o imposto pago pela pessoa Fl. 1DF CARF MF Impresso em 31/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/05/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 28/05/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 22/05/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLI VEIRA SANTOS Processo nº 13629.001281/200503 Acórdão n.º 920202.112 CSRFT2 Fl. 827 2 jurídica, sendo mais racional realizar o procedimento no curso deste processo; ou b) enriquecimento ilícito da Administração Pública, que terá recebido duas vezes pelo mesmo fato gerador (bis in idem), caso se considere impossível o pedido de restituição, por já ter se passado cinco anos do fato gerador. Recurso especial negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (Assinado digitalmente) Otacílio Dantas Cartaxo – Presidente (Assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos Relator FORMALIZADO EM: 22/05/2012 Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Otacílio Dantas Cartaxo (Presidente), Susy Gomes Hoffmann (VicePresidente), Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Gonçalo Bonet Allage, Marcelo Oliveira, Manoel Coelho Arruda Junior, Gustavo Lian Haddad, Pedro Paulo Pereira Barbosa (suplente convocado), Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira e Elias Sampaio Freire. Relatório O Acórdão nº 10423.045, da 4a Câmara do 1o Conselho de contribuintes (fls. 776 a 790), julgado na sessão plenária de 05 de março de 2008, por maioria de votos, deu provimento parcial ao recurso voluntário do contribuinte, para desqualificar a multa de oficio, reduzindoa ao percentual de 75%, e admitir a compensação dos tributos pagos na Pessoa Jurídica, cuja receita foi desclassificada e convertida em rendimentos de Pessoa Física. Transcrevese a ementa do julgado: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FISICA IRPF Exercício: 2003, 2004, 2005 RENDIMENTOS DE ALUGUÉIS TRIBUTAÇÃO NA PESSOA FÍSICA Correta a reclassificação dos rendimentos auferidos Fl. 2DF CARF MF Impresso em 31/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/05/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 28/05/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 22/05/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLI VEIRA SANTOS Processo nº 13629.001281/200503 Acórdão n.º 920202.112 CSRFT2 Fl. 828 3 pela pessoa física, quando resta comprovada nos autos a sua real natureza. MULTA QUALIFICADA EVIDENTE INTUITO DE FRAUDE OMISSÃO DE RENDIMENTOS A simples apuração de omissão de rendimentos, por si só, não autoriza a qualificação da multa de ofício, sendo necessária a comprovação do evidente intuito de fraude do sujeito passivo (Súmula 1° CC n°. 14). Recurso parcialmente provido. Cientificada dessa decisão em 25/08/2008 (fl. 791), a Fazenda Nacional manejou, no dia seguinte, recurso especial (fls. 794 a 803): a) por contrariedade às provas dos autos e aos arts. 44 da Lei 9.430/96 e 72 da Lei 4.502/64, pois o acórdão recorrido teria indevidamente desqualificado a multa de ofício, já que o contribuinte praticou atos simulados, ainda que supostamente precários, visando a rechaçar a tributação do IRPF; b) de divergência com relação à compensação de ofício dos tributos pagos na pessoa jurídica, pois essa matéria não foi diretamente impugnada, estando alcançada pelo instituto da preclusão. Para a matéria tratada no item “b”, a recorrente apresentou o seguinte paradigma: Acórdão no 10708.760: MATÉRIA NÃO IMPUGNADA — PRECLUSÃO. O não questionamento de matéria na impugnação implica em preclusão, nos termos do art. 17 do PAF aprovado pelo Decreto n° 70.235/72. Os recursos especiais por contrariedade e de divergência foram admitidos por meio do despacho de fls. 804 a 805. Cientificado do acórdão e do recurso especial da Fazenda Nacional em 07/02/2011 (fl. 807v), o contribuinte apresentou, em 21/02/2011, contrarrazões (fls. 808 a 823), onde defende a manutenção da decisão recorrida, pois sua conduta não foi dolosa, e pela compensação dos tributos pagos na pessoa jurídica ser amplamente utilizada pelo Conselho Administrativo de Recursos Fiscais. É o relatório. Voto Fl. 3DF CARF MF Impresso em 31/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/05/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 28/05/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 22/05/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLI VEIRA SANTOS Processo nº 13629.001281/200503 Acórdão n.º 920202.112 CSRFT2 Fl. 829 4 Conselheiro Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Relator Os recursos especiais por contrariedade e de divergência são tempestivos e atendem aos requisitos de admissibilidade e, portanto, deles conheço. Inicio com a análise do recurso especial por contrariedade à lei e à evidência das provas. A discussão cingese à necessidade de qualificação da multa de ofício. Em análise do Termo de Verificação Fiscal de fls. 11 a 28, verificase que a fiscalização na contribuinte decorreu da ação fiscal desenvolvida no seu cônjuge, o Sr. Lindberg Coelho, CPF 067.876.73604, onde foi constatada a omissão de rendimentos de aluguéis de imóveis comuns do casal, tendo sido tributado 50% dos aluguéis omitidos. Verificouse que o casal constituiu, em 06/07/1996, uma pessoa jurídica cujo capital social seria integralizado com seus bens, e que tinha como domicílio eleito o mesmo de seus sócios. Entretanto, a inscrição no CNPJ se deu somente em janeiro de 2002 e o contrato social somente foi levado a registro em alguns cartórios imobiliários em março de 2004, após o início da fiscalização. Além disso, os imóveis continuaram registrados em nome dos sócios, e a empresa constituída jamais exerceu atividade empresarial, nem mesmo a administração dos imóveis, que era feita por uma imobiliária. Até dezembro de 2001, os aluguéis dos imóveis arrolados no contrato de constituição da empresa foram tributados nas pessoas físicas dos sócios, mas, a partir de 2002, foram considerados como receitas da pessoa jurídica na sistemática do lucro presumido. Por considerar que a contribuinte constituiu, junto com seu cônjuge, uma pessoa jurídica com o intuito único e deliberado de fugir aos tributos devidos, configurouse a ocorrência de simulação e a multa de ofício foi qualificada para o percentual de 150%. O julgador de 1a instância manteve a qualificação da multa, considerando que a simulação estava comprovada pelos seguintes fatos (fls. 722 a 723): a) ação de despejo de imóvel integralizado a capital de empresa, na qual o autor não é a empresa, mas o autuado; b) retiradas diárias a título de distribuição de lucros, correspondentes a cheques compensados e a saques efetuados na conta da empresa; c) distribuição de lucros com imóveis integralizados retornando para os sócios (ora, se a empresa foi constituída, segundo o autuado, para os imóveis serem melhor administrados, incoerente e estranho, no mínimo, a distribuição de lucros mediante imóvel anteriormente integralizado); d) conta corrente em nome da empresa, mas de fato utilizada como conta pessoal dos sócios; e) registros de saídas, subsumindose, na grande maioria, à distribuição de lucros, não havendo registros de saídas relacionados à atividade empresarial; Fl. 4DF CARF MF Impresso em 31/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/05/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 28/05/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 22/05/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLI VEIRA SANTOS Processo nº 13629.001281/200503 Acórdão n.º 920202.112 CSRFT2 Fl. 830 5 f) não haver, desde a constituição, desenvolvimento de atividades empresarias relacionadas com o objeto ou qualquer outra atividade empresarial aliado ao fato de a própria administração dos imóveis caber à administradora diversa; g) parte dos bens integralizados utilizados como residência do autuado e um de seus filhos, não havendo assim nenhum beneficio econômico da integralização para a empresa; h) utilização da casa de praia por familiares. De modo contrário, o acórdão recorrido considerou não estar comprovada a intenção dolosa, uma vez que os fatos foram devidamente declarados pelas pessoas físicas e jurídica e os tributos foram recolhidos, como demonstra o trecho abaixo transcrito (fls. 789 a 790): A decisão recorrida manteve a multa de 150%, alegando estar nos autos presentes circunstância que caracterizaria a fraude. Neste ponto, entretanto, discordo uma vez que os documentos dos autos comprovam, por exemplo, que a empresa Sociedade Muriaense Empreendimentos e Participações Ltda, tempestiva e regularmente, apresentou declarações e pagou os tributos que julgava devidos. Não caracterizo os fatos aqui narrados como sonegação ou fraude. Se assim fosse, não teria a pessoa jurídica mantido contabilidade regular, apresentado suas declarações e pago os tributos que entendida devidos. Da mesma forma, o Contribuinte/Recorrente não teria declarado em sua declaração de rendimentos os valores recebidos a título de distribuição de lucros. Assim, se a intenção fosse a de efetiva sonegação, nada disso teria sido declarado. Ao contrário, ocorreu uma forma equivocada de se estruturar administrativa, contábil e fiscalmente. Nada impede (não há lei que proíba isso) que o sujeito passivo, diante de várias alternativas de procedimento, opte por uma que lhe pareça mais econômica tributariamente, mesmo que tal escolha se mostre, ao longo do tempo, a menos adequada, ou até mesmo errada. Mas, o que é importante destacar, no caso concreto, é que os tributos que, tanto a pessoa jurídica, quanto o Contribuinte/Recorrente, entendiam devidos, à época da ocorrência dos respectivos fatos geradores, foram recolhidos. O trabalho e revisão é ínsito à atividade administrativa. Consoante art. 44 da Lei 9.430/996, à aplicação da multa qualificada de 150% fazse necessário a plena configuração de uma das hipóteses estabelecidas nos art. 71 a 73 da Lei 4.502/1964. In casu, as omissões e propósitos do contribuinte chegaram ao conhecimento do fisco por meio de DIRF, o que descaracteriza a intenção dolosa. Refutando essa decisão, a Fazenda Nacional argumenta estar comprovada a ocorrência de fraude, por considerar que a transferência dos bens para uma empresa com a finalidade exclusiva de reduzir a tributação não revela mero planejamento tributário, mas evidente cadeia de atos fraudulentos. Discordo da recorrente. Apesar de me parecer correta a conclusão de que o planejamento tributário perpetrado pela contribuinte era indevido, não é possível se concluir Fl. 5DF CARF MF Impresso em 31/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/05/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 28/05/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 22/05/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLI VEIRA SANTOS Processo nº 13629.001281/200503 Acórdão n.º 920202.112 CSRFT2 Fl. 831 6 que foi realizado de forma dolosa. Isso porque não há impedimento legal para tributação de aluguéis na pessoa jurídica e, no caso, se o contribuinte tivesse cumprido todas as exigências formais para isso, não haveria sequer razão para qualquer lançamento de ofício. Afinal, como bem argumentado pelo acórdão recorrido, os fatos foram devidamente declarados ao Fisco, e os tributos foram recolhidos de acordo com a declaração, não havendo qualquer intenção de se ocultar o ocorrido. Além disso, há que se considerar que os mesmos fatos já foram analisados por esta 2a Turma, no Acórdão nº 920201.558, julgado na sessão de 10 de maio de 2011, quando da apreciação do lançamento do cônjuge da recorrente, a quem foram atribuídos 50% dos rendimentos omitidos. Naquela ocasião, por maioria de votos, concluiuse estar correta a desqualificação da multa de ofício. Transcrevo a ementa do julgado: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2003, 2004, 2005 IRPF OMISSÃO DE RENDIMENTOS DE ALUGUÉIS MULTA QUALIFICADA. Para que possa ser aplicada a penalidade qualificada prevista, à época do lançamento em apreço, no artigo 44, inciso II, da Lei n° 9.430/96, a autoridade lançadora deve coligir aos autos elementos comprobatórios de que a conduta do sujeito passivo está inserida nos conceitos de sonegação, fraude ou conluio, tal qual descrito nos artigos 71, 72 e 73 da Lei n° 4.502/64. O evidente intuito de fraude não se presume e deve ser demonstrado pela fiscalização. No caso, o dolo que autorizaria a qualificação da multa não restou comprovado, conforme bem evidenciado pelo acórdão recorrido. A pretensa simulação de negócio jurídico suscitada pela fiscalização, isoladamente, sem nenhum outro elemento adicional, não caracteriza o dolo, sendo que tal ato não ocultou a ocorrência do fato gerador do imposto de renda pessoa física, considerando que a Secretaria da Receita Federal tomou conhecimento dos rendimentos por ele percebidos através das DIMOB apresentadas pelas fontes pagadoras. Ademais, diante das circunstâncias duvidosas, tem aplicação ao feito a regra do artigo 112, incisos II e IV, do CTN. Recurso especial negado. Tomo a liberdade de citar alguns dos argumentos do voto vencedor, elaborado pelo Ilustre Conselheiro Gonçalo Bonet Allage, que adoto como razões de decidir: (...) Segundo penso, o fato descrito como simulado, isoladamente, é insuficiente para a qualificação da multa de ofício, pois não configura o evidente intuito de fraude e, ademais, não ocultou a ocorrência do fato gerador do imposto de renda pessoa física, considerando que a Secretaria da Receita Federal tomou conhecimento dos rendimentos por ele percebidos através das DIMOB apresentadas pelas fontes pagadoras. Fl. 6DF CARF MF Impresso em 31/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/05/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 28/05/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 22/05/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLI VEIRA SANTOS Processo nº 13629.001281/200503 Acórdão n.º 920202.112 CSRFT2 Fl. 832 7 Salvo melhor juízo, a autoridade lançadora sequer enquadrou a conduta do sujeito passivo nos conceitos de sonegação, fraude ou conluio, suscitando apenas a ocorrência de simulação de negócio jurídico. O dolo é elemento específico da sonegação, da fraude e do conluio, que o diferencia da mera falta de pagamento do tributo ou da simples omissão de rendimentos na declaração de ajuste anual, ou seja, o intuito doloso deve estar plenamente demonstrado, sob pena de não restarem evidenciados os ardis característicos da fraude, elementos indispensáveis para ensejar o lançamento da multa qualificada. O evidente intuito de fraude, autorizador da aplicação da multa de 150%, não se presume e deve ser demonstrado pela fiscalização. Entendo que para a correta aplicação da multa qualificada, a inobservância da legislação tributária tem que estar acompanhada de prova que o contribuinte, por ato fraudulento, levou a autoridade administrativa a erro, por meio, ilustrativamente, da utilização de documentos falsos, notas frias, etc. Sob minha ótica, nenhum elemento que pudesse justificar a exasperação da penalidade foi coligido aos autos pela autoridade lançadora. No caso, a omissão de rendimentos de aluguéis recebidos de pessoas jurídicas foi detectada pela fiscalização pelas DIMOB apresentadas pela fontes pagadoras. É impossível para o contribuinte esconder estas informações da Secretaria da Receita Federal do Brasil. As circunstâncias dos autos podem evidenciar a omissão de rendimentos de aluguéis, mas não caracterizam o evidente intuito de fraude do contribuinte Lindberg Coelho, previsto ao tempo do lançamento, no artigo 44, inciso II, da Lei n° 9.430/96, por não se enquadrarem em nenhuma das regras dos artigos 71, 72 e 73 da Lei n° 4.502/64. (...) Sob minha ótica, a situação descrita pela fiscalização, isoladamente, sem nenhum outro elemento adicional, não caracteriza sonegação, fraude ou conluio, da forma prevista nos artigos 71, 72 e 73 da Lei n° 4.502/64. Entendo, pois, que tais fatos se amoldam à regra do artigo 112, incisos II e IV, do Código Tributário Nacional – CTN, segundo o qual: “Art. 112. A lei tributária que define infrações, ou lhe comina penalidades, interpretase da maneira mais favorável ao acusado, em caso de dúvida quanto: (...) II – à natureza ou às circunstâncias materiais do fato, ou à natureza ou extensão dos seus efeitos; (...) IV – à natureza da penalidade aplicável, ou à sua graduação.” Tenho como plenamente aplicável ao caso o Enunciado de Súmula CARF n° 14, segundo o qual “A simples apuração de omissão de receita ou de rendimentos, por si só, não autoriza a qualificação da multa de ofício, sendo necessária a comprovação do evidente intuito de fraude do sujeito passivo.” Com esses fundamentos, penso que merece ser mantida a decisão recorrida, na medida em que não pode prevalecer a qualificação da multa de ofício aplicada. (...) Fl. 7DF CARF MF Impresso em 31/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/05/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 28/05/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 22/05/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLI VEIRA SANTOS Processo nº 13629.001281/200503 Acórdão n.º 920202.112 CSRFT2 Fl. 833 8 Dessa forma, nego provimento ao recurso especial por contrariedade à lei e à evidência das provas. Passo à análise do recurso especial de divergência. A recorrente alega não ser possível se permitir que se compense de ofício, do tributo cobrado da pessoa física, os tributos pagos na pessoa jurídica sobre os mesmos rendimentos, pois essa matéria não foi diretamente impugnada, estando alcançada pelo instituto da preclusão. Ressaltese que esse assunto não foi apreciado no recurso especial relativo ao auto de infração lavrado contra o cônjuge da fiscalizada, citado anteriormente neste voto. De imediato, discordo dos argumentos do recurso. A compensação dos tributos já pagos sobre os rendimentos lançados, ainda que pela pessoa jurídica, constitui consequência direta do próprio lançamento, e pode ser determinada de ofício pela autoridade julgadora, se não tive sido implementada pela Fiscalização. Agir de modo diverso, acarretaria em uma das duas alternativas: a) movimentação desnecessária da máquina administrativa, que deveria restituir o imposto pago pela pessoa jurídica, sendo mais racional realizar o procedimento no curso deste processo; b) enriquecimento ilícito da Administração Pública, que terá recebido duas vezes pelo mesmo fato gerador (bis in idem), sem lei específica para tal, caso se considere impossível o pedido de restituição, por já ter se passado cinco anos do fato gerador. Dessa forma, nego também provimento ao recurso especial de divergência. Diante do exposto, voto no sentido de conhecer do recurso para, no mérito, negar provimento aos recursos especiais por contrariedade e de divergência do Procurador da Fazenda Nacional. (Assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos Fl. 8DF CARF MF Impresso em 31/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/05/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 28/05/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 22/05/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLI VEIRA SANTOS
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Numero do processo: 10552.000244/2007-84
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Mar 22 00:00:00 UTC 2012
Ementa: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS
Período de apuração: 01/04/2001 a 30/09/2006
TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. PRAZO DECADENCIAL DE CONSTITUIÇÃO DO CRÉDITO.
O Regimento Interno deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF, através de alteração promovida pela Portaria do Ministro da Fazenda n.º 586, de 21.12.2010 (Publicada no em 22.12.2010), passou a fazer expressa previsão no sentido de que “As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos
543-B e 543-C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF” (Art. 62-A do anexo II).
O STJ, em acórdão submetido ao regime do artigo 543-C, do CPC definiu que “o dies a quo do prazo qüinqüenal da aludida regra decadencial rege-se pelo disposto no artigo 173, I, do CTN, sendo certo que o "primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado" corresponde, iniludivelmente, ao primeiro dia do exercício seguinte à
ocorrência do fato imponível, ainda que se trate de tributos sujeitos a lançamento por homologação” (Recurso Especial nº 973.733).
O termo inicial será: (a) Primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, se não houve antecipação do pagamento (CTN, ART. 173, I); (b) Fato Gerador, caso tenha ocorrido recolhimento, ainda que parcial (CTN, ART. 150, § 4º).
Recurso especial provido.
Numero da decisão: 9202-002.087
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar
provimento ao recurso.
Matéria: Outros imposto e contrib federais adm p/ SRF - ação fiscal
Nome do relator: GUSTAVO LIAN HADDAD
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PRAZO DECADENCIAL DE CONSTITUIÇÃO DO CRÉDITO. O Regimento Interno deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF, através de alteração promovida pela Portaria do Ministro da Fazenda n.º 586, de 21.12.2010 (Publicada no em 22.12.2010), passou a fazer expressa previsão no sentido de que “As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF” (Art. 62A do anexo II). O STJ, em acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC definiu que “o dies a quo do prazo qüinqüenal da aludida regra decadencial regese pelo disposto no artigo 173, I, do CTN, sendo certo que o "primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado" corresponde, iniludivelmente, ao primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível, ainda que se trate de tributos sujeitos a lançamento por homologação” (Recurso Especial nº 973.733). O termo inicial será: (a) Primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, se não houve antecipação do pagamento (CTN, ART. 173, I); (b) Fato Gerador, caso tenha ocorrido recolhimento, ainda que parcial (CTN, ART. 150, § 4º). Recurso especial provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Fl. 1DF CARF MF Impresso em 05/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/04/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 28/05/2 012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 07/04/2012 por GUSTAVO LIAN HADDAD 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso. (Assinado digitalmente) Otacílio Dantas Cartaxo Presidente (Assinado digitalmente) Gustavo Lian Haddad – Relator EDITADO EM: 02/04/2012 Participaram, do presente julgamento, os Conselheiros Otacílio Dantas Cartaxo (Presidente), Susy Gomes Hoffmann (VicePresidente), Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Gonçalo Bonet Allage, Marcelo Oliveira, Manoel Coelho Arruda Junior, Gustavo Lian Haddad, Pedro Paulo Pereira Barbosa (suplente convocado), Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira e Elias Sampaio Freire. Relatório O presente processo decorre de lançamento de contribuições devidas à Seguridade Social, incidentes sobre o valor bruto da nota fiscal ou fatura de serviços prestados por cooperados, por intermédio de cooperativas de trabalho, nos termos do art. 22, IV, da Lei n° 8.212/1991, com redação conferida pela Lei n ° 9.876/1999, relativo às competências de 04/2001 a 09/2006. A contribuinte apresentou sua impugnação (fls. 130 a 149) por meio da qual sustentou (i) a decadência das contribuições lançadas no período de 04/2001 a 11/2001, bem como (ii) a inconstitucionalidade da contribuição social instituída pela Lei n° 9.876/1999. A Quarta Câmara da Segunda Turma Ordinária da Segunda Sessão de Julgamento do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, ao apreciar o recurso voluntário apresentado pela contribuinte, exarou o acórdão n° 240200.799, que se encontra às fls. 253/ e cuja ementa é a seguinte: “CONTRATAÇÃO DE SERVIÇOS DE COOPERATIVA DE TRABALHO. INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÃO. POSSIBILIDADE. A empresa está obrigada a recolher a contribuição previdenciária prevista no art. 22, IV, da Lei n° 8.212/1991, quando contratar prestação de serviço de cooperativa de trabalho. Havendo notas fiscais de prestação de serviços pela cooperativa em nome da empresa notificada, comprovado está o fato gerador de contribuições previdenciárias. INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI. RECONHECIMENTO ÂMBITO ADMINISTRATIVO. IMPOSSIBILIDADE. Fl. 2DF CARF MF Impresso em 05/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/04/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 28/05/2 012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 07/04/2012 por GUSTAVO LIAN HADDAD Processo nº 10552.000244/200784 Acórdão n.º 920202.087 CSRFT2 Fl. 2 3 Impossibilidade de apreciação de inconstitucionalidade da lei no âmbito administrativo. DECADÊNCIA. ARTS 45 E 46 LEI N° 8.212/1991. INCONSTITUCIONALIDADE. STF. SÚMULA VINCULANTE n° 08. De acordo com a Súmula Vinculante n° 08 do STF, os artigos 45 e 46 da Lei n° 8.212/1991 são inconstitucionais, devendo prevalecer, no que tange a decadência, o que dispõe o art. 150, § 40, ou o art. 173 e seus incisos, ambos do Código Tributário Nacional, nas hipóteses de o sujeito ter efetuado antecipação de pagamento ou não, respectivamente. Nos termos do art. 103A da Constituição Federal, as Súmulas Vinculantes aprovadas pelo Supremo Tribunal Federal, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terão efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal. RECURSO VOLUNTÁRIO PROVIDO EM PARTE.” A anotação do resultado do julgamento indica que a Câmara por maioria de votos, deu parcial provimento para excluir da exigência os fatos apurados até a competência 11/2001. Intimada pessoalmente do acórdão em 29/11/2010 (fls. 272) a Contribuinte interpôs o recurso especial de fls. 273/287, em que sustenta, em apertada síntese, que a decadência dos tributos em questão deve observar ao disposto no artigo 150, §4º do CTN e não ao artigo 173, inciso I do referido diploma, conforme divergência jurisprudencial apresentada, razão pela qual pleiteia a exclusão do lançamento da competência 12/2001. Ao Recurso Especial foi dado seguimento, conforme Despacho nº 2400 233/2011, de 03 de maio de 2011 (fls. 309/311). Intimada sobre a admissão do recurso especial interposto pela Contribuinte a Procuradoria da Fazenda Nacional apresentou suas contrarazões de fls. 314/319. É o Relatório. Voto Conselheiro Gustavo Lian Haddad, Relator Examino primeiramente o paradigma invocado pela Recorrente para demonstrar a divergência necessária ao conhecimento do recurso especial quanto ao dispositivo legal aplicável para contagem da decadência (Acórdão n. CSRF/0400.761): "DECADÊNCIA — Sujeitandose o rendimento das pessoas fisicas a incidência na declaração de ajuste anual e independente de exame prévio da autoridade administrativa, o lançamento é por homologação (art. 150, § 4° do CTN), devendo o prazo decadencial ser contado do fato gerador, que ocorre em 31 de dezembro, tendo o fisco cinco anos, a partir dessa data, para efetuar o lançamento. Fl. 3DF CARF MF Impresso em 05/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/04/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 28/05/2 012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 07/04/2012 por GUSTAVO LIAN HADDAD 4 (...) a incumbência de apurar e pagar o imposto, sem prévio exame da autoridade administrativa, diz respeito a espécie de lançamento por homologação, na forma do artigo 150 do CTN (...). Os fundamentos do voto vencedor do acórdão vergastado bem esclarecem a matéria: A natureza do lançamento é determinada pela legislação do tributo, que impõe ao sujeito passivo a obrigação de ocorrido o fato gerador, identificar a matéria tributável, apurar o imposto devido e efetuar o pagamento sem prévio exame da autoridade. Se não houver imposto a pagar, por ter havido prejuízo ou pela operação não estar sujeita a incidência tributária, a natureza do lançamento não se altera. Com efeito, a existência ou não do pagamento é irrelevante para fins de aplicação do prazo decadencial previsto no parágrafo 4° do artigo 150 do CTN, consoante entendimento consagrado neste Conselho: "IRPF — DECADÊNCL4 — GANHO DE CAPITAL A regra de incidência de cada tributo é que define a sistemática de seu lançamento. (..) (Acórdão CSRF/0104.493 de 14/04/2003 — DOU de 12/08/2003). (...) ousamos afirmar que o pagamento antecipado não é da essência do lançamento por homologação. (...) O fato de eventualmente inocorrer a antecipação do pagamento não desnatura o lançamento por homologação (...)" Com efeito, no caso do acórdão apontado como paradigma a referida decisão expressamente reconheceu que a existência ou não de pagamento é irrelevante, sendo aplicável a regra do artigo 150, §4º do CTN para contagem do prazo de decadência, conclusão essa que diverge frontalmente do v. acórdão recorrido. Entendo, assim, que estão presentes os requisitos para o conhecimento do recurso especial. No mérito, a questão a ser enfrentada é a aplicação do §4º do art. 150 do CTN para verificação da ocorrência da decadência ou a aplicação do disposto no art. 173, inciso I, do CTN, o que em termos práticos postergaria o início do prazo decadencial para o primeiro dia do exercício seguinte. Em diversas oportunidades já manifestei o entendimento segundo o qual, para os tributos sujeito ao lançamento por homologação, o prazo decadencial para efetuar o lançamento de tal tributo seria, em regra, o do art.150, §4º do CTN. Dessa forma, o prazo decadencial para o lançamento seria de cinco anos a contar do fato gerador, independentemente da existëncia de pagamento antecipado. Ocorre que o Regimento Interno deste E. Conselho, conforme alteração promovida pela Portaria MF n.º 586/2010 no artigo 62A do anexo II, introduziu dispositivo que determina, in verbis, que: “As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF” E o Superior Tribunal de Justiça, ao julgar o RESP nº 973.733 na sistemática de recursos repetitivos, nos termos do artigo 543C do CPC, consolidou entendimento diverso no que diz respeito à decadência dos tributos lançados por homologação, considerando relevante a existência de antecipação do pagamento para a aplicação do art. 150, parágrafo 4º do CTN. O acórdão em questão encontrase assim ementado: Fl. 4DF CARF MF Impresso em 05/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/04/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 28/05/2 012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 07/04/2012 por GUSTAVO LIAN HADDAD Processo nº 10552.000244/200784 Acórdão n.º 920202.087 CSRFT2 Fl. 3 5 “PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. DECADÊNCIA DO DIREITO DE O FISCO CONSTITUIR O CRÉDITO TRIBUTÁRIO. TERMO INICIAL .ARTIGO 173, I, DO CTN. APLICAÇÃO CUMULATIVA DOS PRAZOS PREVISTOS NOS ARTIGOS 150, § 4º, e 173, do CTN. IMPOSSIBILIDADE. 1. O prazo decadencial qüinqüenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito (Precedentes da Primeira Seção: REsp 766.050/PR, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 28.11.2007, DJ 25.02.2008; AgRg nos EREsp 216.758/SP, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.03.2006, DJ 10.04.2006; e EREsp 276.142/SP, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 13.12.2004, DJ 28.02.2005). 2. É que a decadência ou caducidade, no âmbito do Direito Tributário, importa no perecimento do direito potestativo de o Fisco constituir o crédito tributário pelo lançamento, e, consoante doutrina abalizada, encontrase regulada por cinco regras jurídicas gerais e abstratas, entre as quais figura a regra da decadência do direito de lançar nos casos de tributos sujeitos ao lançamento de ofício, ou nos casos dos tributos sujeitos ao lançamento por homologação em que o contribuinte não efetua o pagamento antecipado (Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 163/210). 3. O dies a quo do prazo qüinqüenal da aludida regra decadencial regese pelo disposto no artigo 173, I, do CTN, sendo certo que o "primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado" corresponde, iniludivelmente, ao primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível, ainda que se trate de tributos sujeitos a lançamento por homologação, revelandose inadmissível a aplicação cumulativa/concorrente dos prazos previstos nos artigos 150, § 4º, e 173, do Codex Tributário, ante a configuração de desarrazoado prazo decadencial decenal (Alberto Xavier, "Do Lançamento no Direito Tributário Brasileiro", 3ª ed., Ed. Forense, Rio de Janeiro, 2005, págs. 91/104; Luciano Amaro, "Direito Tributário Brasileiro", 10ª ed., Ed. Saraiva, 2004, págs. 396/400; e Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 183/199). 5. In casu, consoante assente na origem: (i) cuidase de tributo sujeito a lançamento por homologação; (ii) a obrigação ex lege de pagamento antecipado das contribuições previdenciárias não restou adimplida pelo contribuinte, no que concerne aos fatos imponíveis ocorridos no período de janeiro de 1991 a dezembro de 1994; e (iii) a constituição dos créditos tributários respectivos deuse em 26.03.2001. 6. Destarte, revelamse caducos os créditos tributários executados, tendo em vista o decurso do prazo decadencial qüinqüenal para que o Fisco efetuasse o lançamento de ofício substitutivo. Fl. 5DF CARF MF Impresso em 05/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/04/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 28/05/2 012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 07/04/2012 por GUSTAVO LIAN HADDAD 6 7. Recurso especial desprovido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543 C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008. Dessa forma, com o advento da decisão acima referida, temse que nos casos em que não houve antecipação de pagamento deve este Colegiado aplicar a regra do art. 173, I, do CTN, ou seja, contarse o prazo decadencial a partir do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, sendo este entendido, segundo a ementa acima, como o primeiro dia seguinte à ocorrência do fato imponível. Nos casos em que há recolhimento, ainda que parcial, aplicase a regra do art. 150, § 4º do CTN, ou seja, o prazo iniciase na data do fato gerador. No presente caso, como se verifica do voto condutor do acórdão proferido pelo CARF, a contribuinte deixou de recolher as contribuições previdenciárias incidentes na contratação de serviços prestados por cooperativas. Entendo, no entanto, diversamente do quanto sustentado pelo I. Relator do v. acórdão recorrido, assim como pela Procuradoria da Fazenda Nacional, que o deslocamento da regra de contagem do prazo decadência do artigo 150, §4º, para o artigo 173, ambos do CTN, requer a ausência total de recolhimento de contribuições previdenciárias pelo contribuinte, devidamente comprovada nos autos. De fato, no caso em questão, a ausência de recolhimento só foi demonstrada em relação ao prestador de serviços, como se verifica das cópias do relatório de lançamento de fls. 26/32 e do DAD de fls. 06/17. Ou seja, a fiscalização não demonstrou que não houve recolhimento de contribuições previdenciárias incidentes, por exemplo, sobre a folha de salários da Contribuinte, razão pela qual entendo que não cabe a aplicação do artigo 173, inciso I do CTN. Logo, aplicase no presente caso o disposto no artigo 150, §4º, do CTN, sendo que o início da contagem do prazo de decadência dáse com a ocorrência do fato gerador. Considerando que a ciência do lançamento se deu em 05/01/2007, devese declarar a decadência para a competência de 12/2001, como pleiteia a Recorrente. Destarte, conheço do recurso especial interposto pela Recorrente para, no mérito, DAR LHE PROVIMENTO para reconhecer a decadência relativa à competência 12/2001. (Assinado digitalmente) Gustavo Lian Haddad Fl. 6DF CARF MF Impresso em 05/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/04/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 28/05/2 012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 07/04/2012 por GUSTAVO LIAN HADDAD
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Numero do processo: 10940.002841/2005-16
Turma: Segunda Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jul 03 00:00:00 UTC 2012
Ementa: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2001, 2002, 2003, 2004 Ementa: INADMISSIBILIDADE DO RECURSO DA PESSOA JURÍDICA. LEGITIMIDADE NÃO COMPROVADA. O recurso voluntário deve ser apresentado pelo próprio Contribuinte ou por pessoa que esteja devidamente autorizada por ele a fazê-lo, do contrário não preenche o requisito da legitimidade, necessário à sua apreciação. MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL (MPF). NULIDADE DE AUTO DE INFRAÇÃO. INOCORRÊNCIA. Constituindo-se o MPF em elemento de controle da administração tributária, disciplinado por ato administrativo, eventual irregularidade formal nele detectada não enseja a nulidade do auto de infração, nem de quaisquer Termos Fiscais lavrados por agente fiscal competente para proceder ao lançamento, atividade vinculada e obrigatória nos termos da lei. AUTO DE INFRAÇÃO. NULIDADE. Tendo o auto de infração preenchido os requisitos legais e o processo administrativo proporcionado plenas condições aos interessados de contraditar o lançamento, descabe a alegação de nulidade. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. INTERESSE DE FATO. PESSOAS ESTRANHAS AO VÍNCULO SOCIETÁRIO. Evidenciado o vinculo de fato entre pessoas físicas estranhas ao quadro societário e a empresa autuada, regular é a atribuição de responsabilidade solidária, por interesse comum nas situações que se constituíram em fatos geradores das obrigações infringidas. ARBITRAMENTO. RECEITA CONHECIDA. BINGO. Na hipótese de arbitramento do lucro, a receita bruta conhecida há de prevalecer sobre as demais alternativas de cálculo previstas no artigo 51 da 2 Lei nº 8.981/95, porque a noção de lucro está mais próxima do resultado de vendas ou de serviços, que constituam os objetivos sociais explorados, do que em função das bases previstas no dispositivo legal mencionado. Portanto, somente no caso de impossibilidade de apurar-se a receita bruta, é que se há de buscar sucedâneo para o arbitramento do lucro em outros critérios previstos na legislação. Não havendo documentos e escrituração das receitas a serem apresentadas pela pessoa jurídica, tem-se como conhecida para o arbitramento do lucro, a receita apurada pelo Fisco com base nas cartelas de bingo adquiridas, como comprovado mediante a circularização nas empresas gráficas fornecedoras. Ao contribuinte cabe a contraprova, ou seja, que as cartelas não foram adquiridas nem tampouco vendidas. LANÇAMENTO REFLEXO –CSLL, Decorrendo a exigência da mesma imputação que fundamentou o lançamento do IRPJ, deve ser adotada a mesma decisão proferida para o imposto de renda, na medida em que não há fatos ou argumentos novos a ensejar conclusão diversa.
Numero da decisão: 1802-001.273
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em REJEITAR as preliminares suscitadas e, no mérito, NEGAR provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
Nome do relator: ESTER MARQUES LINS DE SOUSA
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LEGITIMIDADE NÃO COMPROVADA. O recurso voluntário deve ser apresentado pelo próprio Contribuinte ou por pessoa que esteja devidamente autorizada por ele a fazêlo, do contrário não preenche o requisito da legitimidade, necessário à sua apreciação. MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL (MPF). NULIDADE DE AUTO DE INFRAÇÃO. INOCORRÊNCIA. Constituindose o MPF em elemento de controle da administração tributária, disciplinado por ato administrativo, eventual irregularidade formal nele detectada não enseja a nulidade do auto de infração, nem de quaisquer Termos Fiscais lavrados por agente fiscal competente para proceder ao lançamento, atividade vinculada e obrigatória nos termos da lei. AUTO DE INFRAÇÃO. NULIDADE. Tendo o auto de infração preenchido os requisitos legais e o processo administrativo proporcionado plenas condições aos interessados de contraditar o lançamento, descabe a alegação de nulidade. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. INTERESSE DE FATO. PESSOAS ESTRANHAS AO VÍNCULO SOCIETÁRIO. Evidenciado o vinculo de fato entre pessoas físicas estranhas ao quadro societário e a empresa autuada, regular é a atribuição de responsabilidade solidária, por interesse comum nas situações que se constituíram em fatos geradores das obrigações infringidas. ARBITRAMENTO. RECEITA CONHECIDA. BINGO. Na hipótese de arbitramento do lucro, a receita bruta conhecida há de prevalecer sobre as demais alternativas de cálculo previstas no artigo 51 da Fl. 2260DF CARF MF Impresso em 23/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/07/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 20/ 07/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA 2 Lei nº 8.981/95, porque a noção de lucro está mais próxima do resultado de vendas ou de serviços, que constituam os objetivos sociais explorados, do que em função das bases previstas no dispositivo legal mencionado. Portanto, somente no caso de impossibilidade de apurarse a receita bruta, é que se há de buscar sucedâneo para o arbitramento do lucro em outros critérios previstos na legislação. Não havendo documentos e escrituração das receitas a serem apresentadas pela pessoa jurídica, temse como conhecida para o arbitramento do lucro, a receita apurada pelo Fisco com base nas cartelas de bingo adquiridas, como comprovado mediante a circularização nas empresas gráficas fornecedoras. Ao contribuinte cabe a contraprova, ou seja, que as cartelas não foram adquiridas nem tampouco vendidas. LANÇAMENTO REFLEXO –CSLL, Decorrendo a exigência da mesma imputação que fundamentou o lançamento do IRPJ, deve ser adotada a mesma decisão proferida para o imposto de renda, na medida em que não há fatos ou argumentos novos a ensejar conclusão diversa. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em REJEITAR as preliminares suscitadas e, no mérito, NEGAR provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. (documento assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa Presidente e Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, José de Oliveira Ferraz Corrêa, Marciel Eder Costa, Nelso Kichel, Gustavo Junqueira Carneiro Leão e Marco Antonio Nunes Costa. Fl. 2261DF CARF MF Impresso em 23/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/07/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 20/ 07/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10940.002841/200516 Acórdão n.º 1802001.273 S1TE02 Fl. 2 3 Relatório Por pertinente e economia processual adoto o Relatório da decisão recorrida (fls.1889/1894) que a seguir transcrevo: Este processo trata de auto de infração de Imposto de Renda Pessoa Jurídica (fls. 884895), Contribuição para o PIS/PASEP (fls. 896904). Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social COFINS (fls. 905 913), e Contribuição Social sobre o Lucro Líquido CSLL (fls. 914926) por meio do qual se lançou o crédito tributário no importe total de R$ 1.108.116,84, atualizado até 30/11/2005, conforme cálculos espelhados às fls. 02. O lançamento tem por sujeito passivo a pessoa jurídica identificada no frontispício desta peça e, como responsáveis solidários, as pessoas físicas discriminadas nos seguintes termos de sujeição passiva solidária: a) N° 01/2005 (fls. 870871) Marcos Antonio da Silva. CPF n° 470.Í09.40991; b) N° 02/2005 (fls. 872873) Airton José Dias Coradassi, CPF n° 313.166.03920: c) Nº 03/2005 (fls. 874875) Elilton Dias Coradassi. CPF n° 339.695.90949; d) Nº 04/2005 (fls. 876877) Onaireves Nilo Rolim de Moura, CPF n° 034.630.60949; e) N° 05/2005 (fls. 878879) Bento de Oliveira Bueno, CPF n° 183.781.45972; f) N° 06/2005 (fls. 880881) Renato Assis Rolim de Moura, CPF n° 318.016.68949; e g) N° 07/2005 (fls. 882883)Jair Leite, CPF n° 317.805.55920 As ocorrências e circunstâncias que determinaram a feitura do lançamento se encontram minuciosamente relatadas no Termo de Verificação Fiscal de fls. 836868. Os aspectos mais relevantes, que serão analisados com mais vagar no Voto, encontramse sintetizados na seqüência, de forma bastante apertada: a ação fiscal iniciouse por requisição do Ministério Público Federal (fls. 32), cuja autuação fora provocada por auditoria da Caixa Econômica Federal (Fls. 3743), que constatou irregularidades nas prestações de contas dos recursos arrecadados com a exploração de jogos de bingo pela sociedade Bingo Campos Gerais Ltda (Golden Bingo); intimada a apresentar documentação para auditoria, por meio de procurador, a contribuinte relatou, sem apresentar qualquer comprovante do fato, que a documentação fora apreendida por autoridade policial quando se encontrava no interior do ""Las Vegas Bingo Show", em Curitiba (PR), Fl. 2262DF CARF MF Impresso em 23/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/07/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 20/ 07/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA 4 razão pela qual não apresentou qualquer documento. Todavia, o nome da autuada não consta da relação de empresas que, conforme informação prestada pelo MM. Juiz de Direito, Pedro Luis Sason Corat (fls. 1819), tiveram documentos apreendidos na aludida ação policial; inviabilizado o exame da documentação, o Fisco contatou e colheu depoimentos das seguintes pessoas: A) Idema dos Anjos Brizola (fls. 191217) e Ernesto Francisco Silvaltis (fls. 179190), os quais ainda figuram como sócios de Bingo Campos Gerais Ltda; B) Adriana Ferreira, que passou a assinar Adriana de Camargo, em virtude de casamento (fls. 222223 e 224225), que figurou inicialmente como sócia majoritária de Bingo Campos Gerais Ltda; C) Eliane Cristina Pontarolo (fls. 238246), Gislaine Schneider (fls. 259266) e Ailine Moraes, todas funcionárias da empresa autuada; D) Adilson Cardoso (fls. 247258). funcionário que se tornou sócio de fato da sociedade autuada; e E) Nelson Kosinski (fls. 277289), presidente da Liga Esportiva de Ponta Grossa e Campos Gerais (Liga Taekwondo); além das informações prestadas cm seu depoimento, a Sra. Adriana de Camargo (exAdriana Ferreira) apresentou os diversos documentos que se encontram listados no item "2.2.3" do Termo de Verificação Fiscal (fls. 848854); a fiscalização relata que, em 22/01/1999, a empresa Sport House Franquias Lida, sediada em Curitiba (PR) e dedicada ao ramo de importação, exportação comércio de materiais esportivos, abriu filial em Ponta Grossa, sob a denominação de Golden Bingo, oportunidade em que acresceu às suas atividades a exploração de jogos de bingos. Embora o contrato social acusasse como membros dessa sociedade apenas os Srs. Guilherme Augusto Rolim de Moura e Alessandro Henrique Poersch Rolim de Moura, a fiscalização concluiu que seus verdadeiros proprietários seriam os senhores Airton Coradassi, Elilton Coradassi, Jair Leite, Bento Bueno de Oliveira, Renato Assis Rolim Moura, Marcos Antonio da Silva e Onaireves Nilo Rolim de Moura, este último na condição de principal sócio. Concluiu, também, que a filial da empresa Sport House Franquias Ltda. em Ponta Grossa (PR), em realidade, servia apenas como fachada, para que os donos de fato do Golden Bingo pudessem atuar livremente, sem impedimentos de qualquer natureza; após dois anos de funcionamento do Golden Bingo como filial da Sport House, surgiram dificuldades na obtenção de certidões em nome desta empresa. Por essa razão, constituíram outra sociedade, a empresa autuada, Bingo Campos Gerais Ltda. ESTA NOVA SOCIEDADE TAMBÉM NÃO FOI CONSTITUÍDA EM NOME DOS VERDADEIROS PROPRIETÁRIOS , e sim em nome de interpostas pessoas desprovidas de capacidade econômica ou financeira, a saber, Adriana Ferreira e Ernesto Francisco Silvaltis; a manutenção do controle das atividades pelos verdadeiros Fl. 2263DF CARF MF Impresso em 23/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/07/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 20/ 07/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10940.002841/200516 Acórdão n.º 1802001.273 S1TE02 Fl. 3 5 proprietários foi garantida pela assinatura de contrato de sociedade em conta de participação (fls. 108109) no qual figuravam, como sócio ostensivo, a empresa Bingo Campos Gerais Ltda, representada pelos seus sócios formais, e como sócios ocultos os sócios verdadeiros proprietários; a quantificação da receita omitida se fez com base nas cartelas de bingo adquiridas no período de 31/05/2001 a 30/12/2003, em conformidade com a metodologia descrita nos itens: "4.1 Da metodologia de Cálculo Adotada'': "4.2 Dos "Impressos Promocionais Personalizados""; c ""4.3 Das Considerações Finais", constante às fls. 861864; devido à não apresentação dos livros contábeis/fiscais obrigatórios, e em face das notícias de sua inexistência, arbitrouse o lucro da autuada. A forma de apuração das bases de cálculo do IRPJ e da CSLL se encontra discriminada às fls. 865866. As bases de cálculo do PIS e da COFINS são os valores mensais da receita omitida, discriminados no demonstrativo consolidado de fls. 869; a fiscalização aplicou a multa de ofício qualificada, que foi por ela fundamentada nos seguintes termos: "No presente caso. ficou claro que com a utilização de interpostas pessoas no quadro societário da autuada, houve o propósito deliberado de impedir ou retardar o conhecimento por parte da autoridade fazendária dos seus verdadeiros donos. E como se isso não bastasse,restou comprovado que acintosamente inexistia escrituração regular das operações de venda de cartelas e pagamento de prêmios de jogo de bingo, desenvolvidas pela autuada, nem mesmo a correta confissão de débitos ao Fisco Federal nas Declarações de Débitos e Créditos Tributários Federais apresentadas. Em vista do exposto, fica caracterizada a prática de sonegação passível de qualificação da multa, conforme preceitua o art. 44. II. da Lei nº 9.430/1996." também foi imposto o agravamento da multa de ofício, dado o desinteresse da autuada de apresentar os esclarecimentos e documentos a que foi intimada, conforme esclarecimento estampado às fls.866867; tendo em vista a solidariedade passiva instituída pelo art. 124 do Código Tributário Nacional entre as pessoas que tenham interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal, a fiscalização lavrou os sete Termos de Sujeição Passiva Solidária já aludidos (fls. 870883) entre aquelas pessoas físicas e a pessoa jurídica autuada. Os enquadramentos legais respectivos encontramse discriminados no campo próprio de cada auto de infração. A ciência dos lançamentos e dos Termos de Sujeição Passiva Solidária ocorreu nas seguintes datas: a)Jair Leite,em 14/12/2005 (fls.931); b) Marcos Antonio da Silva, Fl. 2264DF CARF MF Impresso em 23/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/07/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 20/ 07/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA 6 em 14/12/2005 (fls.932); c) Onaireves Nilo Rolim de Moura, em 14/12/2005 (fls.933): d) Elilton Dias Coradassi, cm 14/12/2005 (fls. 934); e) Airton José Dias Coradassi, cm 14/12/2005 (fls.935); f) Bento de Oliveira Bueno, em 14/12/2005 (fls. 936): g) Renato Assis Rolim de Moura, conforme edital afixado na DRF/Ponta Grossa, em 14/12/2005 (fls.939); e h) Bingo Campos Gerais Ltda, conforme edital afixado na DRF/Ponta Grossa, em 14/12/2005 (fls. 941942). Em 13/01/2006, foram apresentadas as seguintes impugnações subscritas pelo advogado Edson Aparecido Stadler: a) em nome de Bento de Oliveira Bueno (fls. 943 958); e b) em nome de Airton José Dias Coradassi e Elilton Dias Coradassi (fls.961977). Em 16/01/2006, foram apresentadas as seguintes impugnações, elaboradas pelo escritório Saliba Oliveira e Advogados Associados e subscrita pela advogada Cíntia Alferes Chueire:a) em nome de Jair Lei (fls. 9841.016); b) em nome de Marcos Antonio da Silva (fls. 1.0181.047); e c) em nome de Renato Assis Rolim de Moura (fls. 1.0491.082). Em 20/01/2006, foi apresentada impugnação em nome de Onaireves Nilo Rolim dc Moura(fls.1.0971.106), subscrita pelo advogado Fernando Zenato Negrele, e em 30/01/2006, foi apresentada impugnação em nome da autuada, Bingo Campos Gerais Ltda (fls. 1.1131.140), subscrita pelo advogado Luiz Antonio Pereira Rodrigues, com poderes substabelecidos por Cíntia Alteres Chueire. As alegações vertidas nas peças impugnatórias, em síntese apertada, são as seguintes: 1 Bento de Oliveira Bueno reconhece que. durante pouco tempo, foi sócio de fato do empreendimento denominado Bingo Campos Gerais Ltda., quando ainda se chamava Sport House, e somente auferiu prejuízos dessa participação societária. Argumenta que, na dicção do Código Tributário Nacional, o contribuinte deve ter relação pessoal e direta com a situação que constitua o fato gerador da obrigação tributária, o que não acontece consigo. Aduz que a responsabilidade do sócio, com relação às dívidas fiscais contraídas pela sociedade, ocorre apenas quando aquele, no exercício da gerência ou de outro cargo na empresa, exorbitou do poder ou infringiu a lei, o contrato social ou estatuto. Por isso, na remota hipótese de ser considerado sócio, a responsabilidade da pessoa jurídica não o alcança. Sustenta que a responsabilidade tributária da empresa é exclusivamente sua, não se transferindo aos sócios, a não ser em situações excepcionais; e que, se débitos fiscais existem, estes devem ser cobrados da pessoa jurídica que lhes deu causa. Em sustentação a tal raciocínio, transcreve julgados do Superior Tribunal de Justiça. Argumenta que a empresa tem personalidade jurídica distinta da de seus membros, possibilitando assim que possua capital próprio, que passa Fl. 2265DF CARF MF Impresso em 23/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/07/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 20/ 07/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10940.002841/200516 Acórdão n.º 1802001.273 S1TE02 Fl. 4 7 a responder pelas dívidas por ela contraídas, e que o simples inadimplemento da obrigação tributária, apesar de configurar infração à lei, não implica, pelo art. 135, inciso III, do CTN, responsabilidade tributária do gerente, diretor ou representante de pessoa jurídica de direito privado. Acresce que, para que se verifique a responsabilidade tributária prevista no art. 135, inciso III, do CTN, o gerente, diretor ou representante da sociedade, há que praticar ato doloso ou não, que configure ocultação da obrigação tributária ou da intensidade desta, infração de cláusula do contrato, ou ainda, cometimento de ilícito cuja conseqüência seja hipótese de incidência de norma tributária material; diz, também, que devese investigar quem auferiu benefício com o ilícito praticado, e que a pessoa que auferiu o ilícito é responsável pessoalmente pelo pagamento do tributo, enquanto quem praticou o ato é responsável pessoalmente pelas penalidades decorrentes, previstas em lei; impugna o lançamento, argumentando que sempre cumpriu, enquanto compôs a sociedade, os rigores fiscais e demais controles do Poder Público. Impugna os documentos acostados e relacionados no Termo de Verificação Fiscal, assim como a base de cálculo utilizada, porque as qualifica de inverídicas; referindose às notas fiscais de compra de cartelas, apresentadas pelas gráficas, alega que, mesmo tendo sido impressas, não teriam sido utilizadas, pois o movimento dos bingos não comportava tamanha demanda. Acrescenta que eram inúmeras as devoluções de cartelas, bem como as rodadas gratuitas realizadas, sem falar nas inutilizadas. Por tais razões, a simples impressão de cartelas não pode ser quantificada para a receita presumidamente obtida; 2 Airton José Dias Coradassi e Elilton Dias Coradassi também reconhecem que durante lapsos temporais distintos e variados, mas igualmente pequenos, figuraram como sócios de fato do Bingo Campos Gerais Ltda, quando esta ainda se chamava Sport House, sem, entretanto, jamais integrar seu contrato social. Esclarecem que o Sr. Airton possuiu 13% (treze por cento) e foi sócio até o mês de maio de 2000, período distinto das supostas infrações, que teriam ocorrido a partir de maio de 2001;e o Sr. Elilton, cm outubro de 2000, havia vendido 3% de sua participação, tendo vendido os restantes 10% em junho de 2001, para Onaireves Rolim de Moura e Renato Moura, oportunidade em que “praticamente” saiu da sociedade no período em que começaram as alegadas infrações, razão pela qual deveria ser retirado do processo, pois não seria parte legítima para nele figurar. Alegam, também, que tais participações foram revendidas por preço inferior ao de aquisição, sendo que a sociedade jamais lhes teria propiciado lucros, e que receberam, a título de prolabore, Fl. 2266DF CARF MF Impresso em 23/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/07/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 20/ 07/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA 8 valores irrisórios, que foram reinvestidos na empresa, resultando em prejuízos; reportandose às notas fiscais de compra de cartelas, apresentadas pelas gráficas, argumentam que se referem ao período de 31/05/2001 a 30/12/2003, período distinto àquele em que teriam composto a sociedade, pegando no máximo um mês do período de transição do Sr. Elilton, e que, mesmo tendo sido impressas, não teriam sido utilizadas. No mais, reiteram os mesmos argumentos vertidos na impugnação do Sr. Bento de Oliveira Bueno; 3 Jair Leite relata que o Sr. Onaireves Rolim de Moura era possuidor da empresa Sporl House Franquias Lida, constituída em Io de setembro de 1998 em nome de seus filhos, Guilherme e Alessandro Rolim de Moura, e, em 15/01/1999 abriu uma filial que funcionava como casa de bingo, tendo convidado o impugnante, em fevereiro de 1999, a participar desse empreendimento. Acrescenta que, por ser credor do Sr. Onaireves, devido à prestação de serviços para sua empresa e trabalhos políticos pessoais, concordou em ingressar no negócio, tendo investido a quantia de R$ 80.000,00, integralizados parte com o crédito, e parte com recursos em espécie, além de um parcelamento, cujos valores sairiam do sucesso do empreendimento, através do desconto na participação sobre os lucros, que seria de 16% (dezesseis por cento) sobre o rendimento líquido auferido. Argumenta que, apesar de o negócio lhe parecer promissor na ocasião, jamais propiciou o retorno esperado, tendo acarretado apenas prejuízos, devido à grande concorrência. Aduz que ingressou em um negócio com estrutura montada e dívidas contraídas, de cuja administração jamais participou, tendo recebido apenas alguns relatórios de movimentação; informa que, na condição de investidores, outras pessoas foram trazidas ao empreendimento pelo Sr. Onaireves Moura, e que esses investidores, com exceção do impugnante, elegeram um representante que comparecia ao bingo, aleatoriamente, para verificar o faturamento e a contabilidade, com os registros das despesas gerais c a receita, objetivando uma contabilidade real, da qual resultaria a operação do lucro, do qual seria extraído o rendimento de cada investidor. Entretanto, o resultado quase sempre era negativo, exigindo dos investidores o aporte de mais recursos para a continuidade do empreendimento, de sorte a assegurar o retorno do capital investido. Informa que essa contabilidade com o registro da real movimentação do bingo acabou por se perder, devido às ações da polícia, nada tendo dela restado; assegura que a análise dos autos revela sua total alienação nos negócios da empresa, e que todas as transações para o translado de "Sport Mouse" para "Bingo Campos Gerais" ocorreram à sua revelia, o que se confirma pela ausência de sua assinatura nos contratos de Fl. 2267DF CARF MF Impresso em 23/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/07/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 20/ 07/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10940.002841/200516 Acórdão n.º 1802001.273 S1TE02 Fl. 5 9 fls. 108109 e 110113. Diz, também, que todas as testemunhas ratificam a falta de participação direta ou indireta na administração do bingo, sendo que algumas sequer o mencionam como sócio, enquanto outras o consideram um fornecedor, e que os valores depositados em sua conta pessoal, que qualifica de quantias ínfimas, podem se referir a pagamentos por prestação de serviços, sendo que os recibos sequer contêm sua assinatura, tendo sido esporádicos e escassos, confundindose com o montante investido no empreendimento; reitera que jamais figurou como sócio da empresa, posto que jamais constou do contrato social e jamais participou de sua administração. Por isso, não deve ser tratado como sócio, c sim como um investidor; assegura que, mesmo na condição de sócio, estaria alcançado pela desobrigação tributária, porque o fechamento do bingo se deu contra a vontade dos sócios c não de forma irregular, o que poderia caracterizar a responsabilidade tributária do sócio que o deu causa; mesmo a defesa tendo sido elaborada por advogado distinto, reitera literalmente a argumentação já vertida pelos impugnantes anteriormente relatados a respeito de o sócio somente responder por dívidas da sociedade quando, no exercício da gerência ou outro cargo, exorbitou do poder ou infringiu a lei, inclusive as mesmas citações jurisprudenciais. Acrescenta, todavia, entendimento doutrinário cm sustentação à sua tese; reclama que o cálculo da receita foi aleatório, partindo de meras suposições de rendas; informa que as cartelas de bingo eram impressas de forma seriada, por cores, sendo que cada caixa constitui uma série (cor), com valor unitário de cada cartela e contém 12.000 (doze mil) cartelas. Exemplifica com a série de cartelas vermelhas, com valor unitário de R$ 1,50. Diz que, encerrado o dia, constatase a venda de 8.000 (oito mil) cartelas da série, e uma sobra de 4.000 (quatro mil) cartelas. Argumenta que estas não mais poderiam ser vendidas juntamente com as cartelas da mesma série, retirada de outra caixa, porque haveria o risco de se ter dois acertadores, dada a coincidência de numeração das cartelas. Diz que o mesmo raciocínio se aplica às cartelas de R$ 2,00, de R$ 2,50 e de outros valores. Também acrescenta que a cada cinco rodadas, era promovida uma gratuita, como forma de promoção, e que esse procedimento ocorria em todas as casas de bingo. Conclui, com base nesse raciocínio, que a apropriação das receitas pela metodologia adotada pela fiscalização e totalmente aleatória e viola direito líquido e certo seu; diz que, quando ingressou no empreendimento, constatou que havia o recolhimento regular dos tributos, e que tais recolhimentos não se encontram nos autos e tampouco Fl. 2268DF CARF MF Impresso em 23/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/07/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 20/ 07/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA 10 foram considerados. Alega que, no interesse dos investidores, o bingo sempre se obrigou a manter em dia sua contabilidade, e que essa contabilidade se extraviou quando foram apreendidos lodos os documentos contábeis; e que se tais documentos existiam e nenhuma cópia tiveram a empresa e seus investidores, a responsabilidade é da polícia; argumenta que a empresa possuía conta bancária em três bancos distintos, e que o lançamento deveria estar baseado na movimentação dessas contas e nos relatórios fornecidos pela Caixa Econômica Federal, às fls. 3743. Reclama que as despesas da empresa foram desconsideradas, e que não se levou em conta os períodos em que o funcionamento do bingo foi interrompido por ordem policial, com os investidores suportando todas as despesas sem auferir qualquer renda; na seqüência, argúi a nulidade da prova testemunhal dizendo que as informações dadas pelas testemunhas, comparadas à ilusória quantidade de cartelas, levaram a um hipotético faturamento da empresa. Reclama que as pessoas ouvidas são parte no processo, têm interesse no seu deslinde e foram ouvidas sem qualquer critério de credibilidade. Argumenta, ainda, que não se admite prova testemunhal em processo administrativo fiscal; 4 Marcos Antonio da Silva relata que, em meados do ano 2000. foi convidado por Onairevcs Nilo Rolim de Moura a participar de um empreendimento que funcionava como casa de bingo, tendo investido aproximadamente R$ 100.000,00, pagos à vista, além de um parcelamento, cujos valores sairiam do sucesso do empreendimento, através do desconto na participação sobre os lucros, que seriam de 20% sobre o rendimento. Todavia, esse investimento foi uma total frustração; no mais. reitera as mesmas alegações vertidas pelo impugnante Jair Leite; 5 Renato Assis Rolim de Moura Sua impugnação apresenta duas partes distintas. A primeira delas, intitulada "Breve Resumo Fático Pelo Próprio Autuado", e subscrita pelo próprio impugnante. Seu conteúdo, em resumo, é o seguinte: relata que, em janeiro de 1999, residia em Curitiba e explorava uma loja de vídeolocadora. quando foi convidado a participar da montagem do Golden Bingo, na cidade de Ponta Grossa (PR). Em razão de seus conhecimentos técnicos em informática, som e vídeo, montou uma equipe de eletricistas, pedreiros e carpinteiros, contratou serviços de terceiros e montou as instalações do Golden Bingo, tendo servido de fiador da Sport House junto à imobiliária. Pelos serviços, receberia a importância de R$ 15.000,00, que lhe foram pagos na Fl. 2269DF CARF MF Impresso em 23/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/07/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 20/ 07/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10940.002841/200516 Acórdão n.º 1802001.273 S1TE02 Fl. 6 11 forma da participação de 20% nos lucros mensais do negócio, sendo que ficou incumbido de acompanhar o gerenciamento dos supervisores e gerentes da sala de jogos; adiciona que, após o primeiro ano dc serviços, em razão dos poucos resultados obtidos na participação societária, passou a receber salário mensal no valor de R$ 1.800,00. Em razão do tempo dedicado às suas atividades em Curitiba, passou a administrar apenas parcialmente o Golden Bingo. Uma vez por semana, ou mediante alguns telefonemas diários, obtinha informações c passava as instruções à equipe de funcionários c gerentes em Ponta Grossa. Recebia constantes visitas de todos os investidores, que verificavam os livros e movimentos diários; afirma que o Golden Bingo foi fundado por pessoas de boafé que tinham uma relação de amizade e família. Diz ter conhecimento de que, durante o período em que a Caixa Econômica Federal teve competência para fiscalizar a atividade, ocorreram mais de três auditagens dentro do salão do Golden Bingo, sendo praxe o procedimento de aferição dos relatórios apresentados, confrontando com a planilha do fiscal in loco. Diz que, entre os anos de 2001 e 2002, foram preenchidos c depositados os impostos decorrentes das partidas, e pagamento de prêmios de bingo, segundo relatório apresentado pela empresa Tecplan Consultoria e Auditoria, por eles contratada, a qual teria prestado conta de todo o período em que o bingo esteve subjugado à Caixa Econômica Federal; alega que a concorrência de duas outras casas de bingo, que fecharam antes do Golden Bingo, inviabilizaram a atividade em Ponta Grossa. Também culpa outros fatores pelo insucesso do empreendimento, tais como a constante ingerência do Estado e da União, com imposição de critérios e encargos volumosos e diferenciados. Diz ser verdade que o Golden Bingo mantinha relatórios de movimento mensal e caixa diário. Entretanto, cm duas oportunidades, todos os documentos teriam sido retirados bruscamente de seus arquivos; diz que, em 13/03/2002, apesar de não mais lhe competir sobre aspectos gerenciais do empreendimento, foi chamado às pressas para recompor as instalações do bingo,por liminar do STJ. Informa que encontrou o salão de bingo completamente desmontado, com mesas e cadeiras amontoadas e lixo espalhado pelas diversas dependências, e que ficou atônito com a falta de todos os equipamentos eletrônicos, computadores e aparelhos de som e vídeo, além de fios e cabos de conexão, que pareciam ter sido arrancados às pressas; e que no escritório faltavam arquivos e móveis. Diz que ficou sabendo que a atitude da supervisora havia sido tomada quase trinta dias antes e Fl. 2270DF CARF MF Impresso em 23/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/07/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 20/ 07/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA 12 que, por essa razão, foram coagidos a firmar um contrato de transação e outras avenças com a mesma e seu marido, para a devolução do que fora furtado nas dependências do Bingo, e que foi necessária uma carreta de 25 toneladas para o transporte de apenas parte desses bens,e que foram necessários mais dois dias para recompor as instalações; acrescenta que permaneceu na gerência até o dia 13/03/2002, quando assumiu o Sr. Marcos Antonio da Silva, e que após esse período não mais recebeu salário, limitandose a pequenos recebimentos de prolabore. Exterioriza sua decepção com a atividade de bingo, e diz que sua conta bancária revela que em, momento algum do período de 2001 a 2005, teve situação financeira compatível com grandes ganhos; historia que participou do empreendimento desde a fundação, em janeiro de 1999, até a definitiva cassação, pelo Superior Tribunal de Justiça, da liminar que autorizava seu funcionamento, e diz que, como resultado do seu trabalho no período de 28/01/2000 até 13/03/2002, recebeu o valor bruto de R$ 24.300,00 pelo gerenciamento, e que, a título de prolabore, no período de janeiro de 1999 até a cassação da liminar pelo STJ, recebeu a importância de R$ 30.000,00, e que tais importâncias foram movimentadas em sua conta no Banco Santander; diz que, no período de 2001 ate 2005, não teve qualquer acréscimo patrimonial advindo dos resultados do Golden Bingo; pelo contrário, teve que se desfazer de automóvel e de poupança, em razão de prejuízos; e que nesse período teve que pagar diversos títulos em cartório, já protestados, e que incorreu em atrasos na taxa de condomínio, no financiamento de sua residência e nas mensalidades escolares de seus filhos; declara, também, que todos os seus atos gerenciais foram de pleno conhecimento de seus sócios ocultos, os quais, por nenhuma razão, podem eximirse de suas responsabilidades. Exterioriza seu entendimento de ser falho o arbitramento fiscal, e que este poderia ter se baseado cm documentos de auditagem da CEF, que esteve dentro do bingo e pôde comprovar seu movimento real. Diz, ainda, que não reconhece como seus os recibos de pagamentos de pro labore preenchidos com a letra de Adriana Ferreira e sem sua assinatura; c que tampouco pode afirmar que os recibos de depósitos em sua conta corrente apresentados nos autos se referiam a prolabore, pois diversas vezes se confundiram com remessas para pagamentos de despesas e compra de equipamentos de manutenção ou reembolso de despesas de viagens; diz, também, desconhecer os motivos pessoais que levaram Adriana Ferreira a acusálo pela apresentação de sua DIPJ, e que, na condição de amigo particular e padrinho de seu casamento, não reconhece que suas ações e declarações tenham sido apenas por vontade própria; Fl. 2271DF CARF MF Impresso em 23/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/07/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 20/ 07/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10940.002841/200516 Acórdão n.º 1802001.273 S1TE02 Fl. 7 13 6 Onaireves Nilo Rolim de Moura eximese de qualquer responsabilidade quanto aos atos e fatos, argumentando que jamais teve qualquer parte ou participação na sociedade ou nas atividades da empresa Bingo Campos Gerais Ltda. Por tais razões, diz estar integrando indevidamente o procedimento fiscal; afirma que os próprios auditoresfiscais demonstraram que foi criada a empresa Sport House Franquias Ltda, que recolheu regularmente todos os seus tributos e contribuições, e que nenhum documento comprova qualquer débito dessa para com o Fisco Federal. Acrescenta que sua irresponsabilidade pode ser verificada no Instrumento Particular de Transação apreendido pela fiscalização, do qual constam os nomes de várias pessoas, mas não o seu; alega que os depósitos mencionados no Termo de Verificação Fiscal nada provam em relação à sua pessoa, porque teriam sido efetivados em época anterior a qualquer irregularidade fiscal. Diz que tais depósitos são decorrentes de devoluções de empréstimos aos sócios da empresa Sport House, que eram integrantes de sua família, e que não existe qualquer ilegalidade ou irregularidade no ato de um pai conceder empréstimos aos filhos; diz que a irregularidade fiscal ocorreu somente nos anos calendário 2002, 2003 e 2004, quando não foram apresentadas as respectivas DIPJ, e que a própria fiscalização reconhece que extraiu suas conclusões com base em prova testemunhal, de pessoas que trabalharam na empresa Bingo Campos Gerais Ltda, que foi constituída em 15/02/2001. Entretanto, em análise dos depoimentos, não se encontra qualquer prova de que sua pessoa participasse de tais empresas, apenas meras insinuações; analisando trechos dos depoimentos das diversas testemunhas, procura demonstrar que não teve qualquer participação direta ou oculta na empresa Sport House Franquias Ltda. ou Bingo Campos Gerais Ltda. Diz ser justo c necessário se concluir com base em provas concretas e depoimentos firmes, e não em meras insinuações. Diz que o que ocorreu foram apenas conclusões equivocadas, tomadas por falsas informações de terceiros não identificados, e que tais pessoas, sabendo que seus filhos eram os proprietários da Sport House Franquias Ltda., concluíram equivocadamente que alguma parte poderia lhe pertencer; a segunda parte da impugnação é subscrita pela advogada Cíntia Alferes Chucirc c reproduz as mesmas alegações vertidas nas impugnações de Jair Leite e Marcos Antonio da Silva; 7 Bingo Campos Gerais Ltda Fl. 2272DF CARF MF Impresso em 23/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/07/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 20/ 07/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA 14 a impugnante historia que foi constituída como sucessora da empresa Sport House Franquias Ltda., instaurada por iniciativa de Onaireves Nilo Rolim de Moura, para funcionar como casa de bingo, de cujo contrato social constava o nome de seus filhos, Guilherme Augusto Rolim de Moura e Alessandro Henrique Poersch Rolim de Moura. Acrescenta que, para fomentar o empreendimento, foram atraídos vários investidores que vislumbravam grandes lucros, mas que não obtiveram o êxito esperado e atribui as causas do insucesso à concorrência e a entraves impostos pela administração pública. Diz que existia uma contabilidade com a real movimentação do bingo, mas que esta se perdeu devido a ações policiais; reportandose à metodologia adotada pelo Fisco para quantificar a receita omitida, reproduz literalmente a argumentação constante da impugnação de Jair Leite, já relatada. Diz que sempre houve o recolhimento regular dos tributos, mas os mesmos não se encontram nos autos, e tampouco foram considerados. Acresce que o bingo sempre manteve em dia sua contabilidade para remunerar o capital investido, mas que a mesma foi apreendida pela polícia. Diz que não se pode elaborar o cálculo da receita através de documentos contábeis desaparecidos depois de ação da polícia, e que o cálculo tem que estar baseado na movimentação bancária e nos relatórios fornecidos pela Caixa Econômica Federal. Reclama do cálculo da receita, que qualifica de aleatório, e diz que a realidade é outra, e que sobre essa realidade, a responsabilidade, se houver, deve ser atribuída somente a ela, impugnante; também argúi a nulidade da prova testemunhal em procedimento administrativofiscal; reportandose à base de cálculo do PIS c da COFINS, afirma que, do valor da venda de cartelas de jogos de bingo, devem ser abatidos os valores repassados para as premiações. Acrescenta que, alem do absurdo de se considerar que todas as cartelas de jogos eram vendidas, a norma em que os agentes fiscais se respaldaram (§ 1° do art. 3° da Lei n° 9.718/98), recentemente, foi julgada inconstitucional pelo Supremo Tribunal Federal, conforme matérias publicadas, que reproduz. Argumenta que jamais se pode imaginar que todas as cartelas dos jogos eram vendidas, rendendo lucro para a empresa. A primeira razão é que o número de cartelas vendidas não conferiria com o entendimento equivocado dos agentes. A segunda razão é que os valores das premiações deveriam ser considerados. Pleiteia, portanto, que o cálculo do PIS e COFINS seja refeito, utilizando como base os valores fornecidos pela movimentação bancária da empresa e pelos relatórios da Caixa Econômica Federal, bem como partindo do novo conceito de faturamento, não considerando o total da receita auferido pela empresa, mas sim o lucro sobre a venda; reportandose a suposto lançamento do IRRF, diz que os prêmios distribuídos aos apostadores não podem estar Fl. 2273DF CARF MF Impresso em 23/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/07/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 20/ 07/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10940.002841/200516 Acórdão n.º 1802001.273 S1TE02 Fl. 8 15 baseados no montante das carteias consideradas vendidas. Há que se saber o número de cartelas vendidas e, conseqüente premiação, pelos dados bancários e pelos relatórios fornecidos pela Caixa Econômica Federal, já que os dados contábeis se extraviaram pela ação da polícia; reportandose à multa agravada e qualificada, diz que todas as intimações dirigidas à empresa foram atendidas, dentro dos limites ocasionados pela ausência de documentação, ao passo que as informações bancárias da empresa constam dos autos, da mesma forma que os relatórios da Caixa Econômica Federa], o que tornaria descabida a multa agravada. Diz ser absurdo o entendimento do Fisco de que a empresa teria o intuito dc fraude, c que, pelo contrário, atendeu as intimações fiscais dentro do possível; diz ser absurdo o entendimento fiscal ao considerar a interposição fraudulenta de pessoas na sociedade. Assegura que o fato de alguns sócios não terem patrimônio considerável não indica que foram colocados de modo fraudulento na sociedade, e que o mais absurdo é que se chegou através de tal conclusão por meio dos depoimentos dessas mesmas pessoas, que tentam se eximir de qualquer responsabilidade sobre os débitos da empresa. Diz que esses depoimentos não podem ser considerados, e que é muito cômodo jogar a responsabilidade da empresa para as pessoas que tenham melhor situação financeira: reitera que o bingo jamais rendeu lucro aos sócios e investidores e que não trouxe aumento de patrimônio para ninguém. Questiona como se pode deduzir a interposição fraudulenta de sócios devido à diferença de rendimento entre eles. Ao finalizar sua impugnação, a contribuinte, além de requerer o reconhecimento da improcedência do lançamento, pede o parcelamento do débito com desconto de 40%, e que se intime a Central de Inquéritos de Curitiba para que informe o paradeiro dos objetos e documentos apreendidos pela polícia, em diligência no estabelecimento do Las Vegas Bingo Show, onde se encontrariam os seus documentos contábeis. Foram anexadas as declarações de lis. 1.141 e 1.142 1.143,e demais documentos constantes às fls. 1.1441.176. Pelo despacho de fls. 1.1831.184, determinouse a realização de diligência para que a DRF de origem juntasse documentos, o que foi atendido, como se vê às fls. 1.1861.433, conforme Relatório de Diligencia Fiscal de fls. 1.4481.449. A ciência dessa diligência ocorreu nas seguintes datas: a) Onaireves Nilo Rolim de Moura, em 14/06/2006 e Fl. 2274DF CARF MF Impresso em 23/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/07/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 20/ 07/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA 16 26/06/2006 (fls. 1.450 e 1.5841.585); b) Airton José Dias Coradassi, em 13/06/2006 e 26/06/2006 (fls. 1.452, 1.593 1.594); c) Elillon Dias Coradassi, cm 13/06/2006 e 26/06/2006 (fls. 1.453 e 1.5961.597); d) Bento de Oliveira Bueno, em 14/06/2006 c 26/06/2006 (fls. 1.454 e 1.599 1.600); c) Marcos Antônio da Silva, em 14/06/2006 e 26/06/2006 (fls. 1.455 e 1.5901.591); f) Renato Assis Rolim de Moura, conforme edital afixado na DRF/Ponta Grossa, em 09/06/2006 (fls. 1.587 c 1.588); e Bingo Campos Gerais, em 26/06/2006 (fls. 1.6011.602). Consta às fls. 1.458 1.462, Relação de Bens e Direitos para Arrolamento. Em 03/07/2006, Aírton José Dias Coradassi requereu a juntada de diversos depoimentos judiciais (fls. 1.463 e 1.464), o que é feito às fls. 1.4651.472. Em 11/07/2006, foram apresentadas manifestações de Aírton José Dias Coradassi (fls. 1.4741.491),e Jair Leite (fls. 1.4921.511). Em 17/07/2006, foram apresentadas manifestações da empresa autuada (fls. 1.5421.561) e de Onaireves Nilo Rolim de Moura (fls. 1.5631.571). Em 28/06/2006, foram postadas no correio (fls. 1.646) impugnação a Relação de Bens e Direitos para Arrolamento (fls. 1.6051.608) e manifestação de Renato Assis Rolim de Moura (fls. 1.6091.612, e 1.6131.618) As alegações vertidas nas mencionadas peças, comuns a todas, embora subscritas por diferentes advogados, em síntese apertada, são as seguintes: a) que o Mandado de Procedimento Fiscal Diligência é desprovido de qualquer fundamento legal, contendo vícios que o tornam nulo, por conter lacunas cm suas prorrogações; b) que há falta de delegação de competência para a emissão do MPF pela autoridade; c) que há falta de descrição sumária dos procedimentos de Fiscalização no mencionado MPF; d) que a base de cálculo utilizada como arbitramento está totalmente incorreta, sendo o procedimento empregado não baseado na lei; e) que a Fiscalização efetuou diligência fora do seu horário de trabalho cem completo arrepio às normas internas da Receita Federal, sendo. pois. ilegais as provas colhidas desta forma. f) que a receita bruta não era conhecida com exatidão pela Fiscalização, pelo que deveria ter sido aplicada a regra do art. 535 do RIR/1999 (Base de Cálculo quando não conhecida a Receita Bruta); Fl. 2275DF CARF MF Impresso em 23/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/07/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 20/ 07/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10940.002841/200516 Acórdão n.º 1802001.273 S1TE02 Fl. 9 17 g) que devem ser revistos os valores do arbitramento, na forma dos tópicos 1 a 9 constantes de fls. 1.559 e 1.560; h) que deve ser oficiado à Caixa Econômica Federal para que apresente as prestações de contas efetuadas pela impugnante, no período cm que aquela instituição financeira tinha a competência para exigida; e i) que devem ser juntadas cópias de diversos depoimentos prestados na área penal. Em 13/12/2006, foi proferido por esta DRJ o Acórdão n° 0613.045 (fls. 1.6471.680), pelo qual se manteve o lançamento, com exceção do agravamento da multa, e se entendeu que não cabia à DRJ apreciar os aspectos relativos à responsabilidade solidária pelos créditos tributários. Contra o julgado foram apresentados os seguintes recursos voluntários: a) por Bingo Campos Gerais Ltda (fls. 1.7021.720); b) por Jair Leite (fls. 1.7211.759); c) por Onaireves Nilo Rolim de Moura (fls. 1.761 1.787); d) por Marcos Antonio da Silva (fls. 1.7911.809); c) por Renato Moura (fls. 1.81 ll .855); Em 20/05/2010, a Primeira Turma Ordinária da 2a Câmara da Primeira Seção de Julgamento do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF) proferiu o Acórdão n° 120100.267 (fls. 1.8611.870verso), anulando o Acórdão da DRJ e determinando o retorno dos autos para que novo acórdão seja proferido, conhecendose a matéria relativa à coobrigação solidária e legitimidade dos lançamentos. A 1ª Turma da DRJ de Curitiba, mediante o novo Acórdão nº 0630.056 de 27/01/2011, fls.1.889/1910, decidiu: a) não acolher as preliminares de nulidade; b) indeferir a solicitação de intimação da Central de Inquéritos de Curitiba para que informe sobre o paradeiro de objetos e documentos apreendidos, alegadamente pertencentes à autuada; c) não conhecer da impugnação contra o arrolamento de bens; E, no mérito: a) JULGAR PROCEDENTE EM PARTE a ação fiscal, MANTENDO INTEGRALMENTE as exigências de IRPJ, CSLL, PIS c COFINS lançadas, bem como a multa qualificada, e, REDUZINDO a multa de ofício aplicada Fl. 2276DF CARF MF Impresso em 23/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/07/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 20/ 07/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA 18 no percentual agravado de 225% para o percentual de 150%, por não entender materializadas circunstâncias agravantes; b) EXCLUIR a responsabilidade solidária atribuída aos senhores Airton José Dias Coradassi e Elilton Dias Coradassi, por reconhecer que não compuseram a sociedade à época da ocorrência dos fatos geradores dos tributos lançados, e RECONHECER a responsabilidade das demais pessoas a quem foi atribuída a responsabilidade solidária, nos termos do voto do Relator. A responsabilidade discutida nestes autos se restringe a débitos tributários relativos a fatos geradores ocorridos a partir do terceiro trimestre do ano de 2001. Assim, foi reconhecida pela DRJ a ausência de responsabilidade dos senhores Airton José Dias Coradassi e Elilton Dias Coradassi que transferiram suas participações antes desse período (fl. 963). O mencionado Acórdão possui a seguinte ementa, fl.1.888: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2001, 2002, 2003, 2004 AUTO DE INFRAÇÃO. PRELIMINAR DE NULIDADE. DESCABIMENTO. Só se pode cogitar de declaração de nulidade de auto de infração quando for este lavrado por pessoa incompetente. PROVA TESTEMUNHAL. PRELIMINAR DE NULIDADE. DESCABIMENTO. Todos os meios legais, bem como os moralmente legítimos, ainda que não especificados no Código de Processo Civil, são hábeis para provar a verdade dos fatos em que se funda a ação ou a defesa. DESCUMPRIMENTO DE HORÁRIO DE FISCALIZAÇÃO. PRELIMINAR DE NULIDADE. DESCABIMENTO. A atividade de Fiscalização externa pode se realizar a qualquer hora do dia ou da noite, se à noite estiverem funcionando os estabelecimentos, depósitos, dependências e móveis objeto de ação Fiscal. BINGO. RECEITA OMITIDA. BASE DE CÁLCULO. PIS. COF1NS. Sendo a receita total advinda das apostas a base de cálculo para as contribuições incidentes sobre o faturamento (Pis e Cofins). não são dedutíveis quaisquer parcelas relativas a repasses de valores, mesmo comprovados, ou a premiações. CSLL.PIS e Cofins Dada a identidade existente entre os fatos motivadores da exigência do IRPJ e aqueles relativos às da CSLL.PIS e Cofins e rejeitada a argumentação específica estendemse Fl. 2277DF CARF MF Impresso em 23/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/07/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 20/ 07/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10940.002841/200516 Acórdão n.º 1802001.273 S1TE02 Fl. 10 19 a estas, no que couber, a decisão adotada naquela IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA – IRPJ Anocalendário: 2001, 2002, 2003, 2004 BINGO. QUANTIFICAÇÃO DA OMISSÃO DE RECEITA.PROCEDIMENTO VÁLIDO. Válido o procedimento Fiscal de quantificação da receita omitida na atividade de "bingo"', mediante o levantamento do número de cartelas adquiridas, deduzidas as devolvidas e inutilizadas, e as utilizadas em rodadas gratuitas realizadas por dia de trabalho, e a sua multiplicação pelo valor médio pago pelos apostadores por essas cartelas. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2001, 2002, 2003, 2004 MULTA DE OFICIO AGRAVADA. DESCABIMENTO. Tratandose de falta de apresentação de documentos, declarações c livros comerciais e fiscais, e não de desatendimento à intimação para prestar esclarecimentos, descabe a aplicação da multa de oficio agravada. MULTA DE OFICIO QUALIFICADA. CABIMENTO. Comprovada a utilização de interpostas pessoas (laranjas) no quadro societário da autuada, é cabível a aplicação da multa de ofício qualificada. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. MEMBROS DE SOCIEDADE DE FATO QUE MONTA E EXPLORA BINGO, EM NOME DE SOCIEDADE CONSTITUÍDA POR "LARANJAS". Devem responder pelos débitos tributários as pessoas que, tendo concertado suas vontades e capitais, montaram e exploraram o empreendimento, arcaram com a área do negócio e auferiram os lucros respectivos, durante o período de ocorrência dos fatos geradores. O fato de a exploração ter ocorrido sob a titularidade formal de sociedade constituída em nome de interpostas pessoas (laranjas) não exclui suas responsabilidades pessoais. ARROLAMENTO DE BENS. Os aspectos relativos ao arrolamento de bens constituem matéria estranha ao processo administrativo Fiscal, devendo ser discutidos no âmbito de eventual execução judicial do crédito Tributário. O coobrigado Ailton José Dias Coradassi foi cientificado da r. decisão em 14/02/2011 (fl.1.936).(Afastada a responsabilidade pela DRJ) Fl. 2278DF CARF MF Impresso em 23/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/07/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 20/ 07/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA 20 O coobrigado Elilton Dias Coradassi foi cientificado da r. decisão por edital afixado em 04/03/2011 a 21/03/2011 (fl.1.943). (Afastada a responsabilidade pela DRJ) O coobrigado Bento de Oliveira Bueno foi cientificado da r. decisão em 22/02/2011 (fl.1.938). Sem recurso voluntário. O coobrigado Onaireves Nilo Rolim de Moura foi cientificado da r. decisão por edital afixado em 04/03/2011 a 21/03/2011 (fl.1.943). Sem recurso voluntário. O coobrigado Jair Leite foi cientificado da r. decisão em 16.02.2011 (fl. 1.937) e às fls.1944/1990 está o seu recurso voluntário, protocolizado em 16/03/2011. (Advogado: Gláucio Antonio Pereira). O coobrigado Renato Assis Rolim de Moura foi cientificado da r. decisão em 14.02.2011 (fl. 1.935) e às fls.2.005/2041, está o seu recurso voluntário, com assinatura de próprio punho, protocolizado em 16.03.2011. O coobrigado Marcos Antonio da Silva foi cientificado da r. decisão em 16/02/2011 (fl.1.939) e às fls.2.042/2078 está o seu recurso voluntário, protocolizado em 16/03/2011. (Advogada Luciana Regina dos Reis) A autuada foi intimada por edital (fl.2108), afixado de 11/03/2011 a 29/03/2011, e, às fls. 2.080/2107 e está o seu recurso voluntário, protocolizado em 29/03/2011. apresentado pelo Advogado: Gilberto Luiz do Amaral. A defesa da autuada apresentada pelo Advogado: Gilberto Luiz do Amaral, no essencial, é a seguinte: PRELIMINARES Do Mandado de Procedimento Fiscal e Conseqüente Nulidade do Auto de Infração que o MPF n° 09.1.04.00200400060, é desprovido de qualquer fundamento legal, contendo vícios que o tornam nulo, quais sejam: extinção por decurso de prazo, falta de delegação de competência para emissão do MPF e falta de descrição sumária dos procedimentos de fiscalização; Ferimento ao princípio da ampla defesa Falta de apreciação do pedido de diligências que, pugnou pela realização de diligências, no sentido de ser oficiada a Caixa Econômica Federal para apresentar as prestações de contas efetuadas no período em que aquela instituição financeira tinha competência para exigila. No entanto, a autoridade julgadora deixou de apreciar o pedido do Recorrente, importando em nulidade do julgamento. DO MÉRITO No mérito, alega inocorrência do fato gerador do Imposto de Renda e Vícios Materiais dos Lançamentos Do Arbitramento da Receita e do Lucro, para tanto afirma que: Da não ocorrência do fato gerador para cobrança do Imposto de Renda: que, o fato gerador, ocorre no momento da aquisição da disponibilidade econômica ou jurídica da renda, e não há nos autos indicação e prova de acréscimo patrimonial decorrente da atividade do BINGO. Vícios Materiais dos Lançamentos Do Arbitramento da Receita e do Lucro: que, não merece qualquer guarida a afirmação posta na decisão recorrida (fl. 1896verso) de que observada a natureza jurídica do negócio, poderá a fiscalização adotar a alternativa que lhe parecer mais precisa na busca da verdade material; Fl. 2279DF CARF MF Impresso em 23/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/07/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 20/ 07/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10940.002841/200516 Acórdão n.º 1802001.273 S1TE02 Fl. 11 21 que, o artigo 286 do RIR/99, como fundamento na decisão recorrida, não foi utilizado como parâmetro para apuração da suposta omissão de receita. que o enquadramento legal posto no Auto de Infração, é : "Arts. 249, inciso II, 251, 278, 279, 280, 283, 288, 528, 532, e 537, todos do RIR/99" (fls. 895). Deste modo, aduz que a instância julgadora mudou os contornos postos no AI, tentando de modo temerário justificar o incorreto proceder do AFRF. que, é nulo o lançamento, pois a receita bruta não era conhecida com exatidão pelo Sr. Auditor Fiscal. Deveria ele aplicar a regra do art. 535 do RIR/99 (receita não conhecida), no entanto, foram utilizados critérios subjetivos para a determinação da receita bruta, pois, arbitrou um número de aquisições de cartelas e também arbitrou o valor médio de venda das cartelas, para identificar o valor da receita bruta. A recorrente aduz que mesmo que se considere válido o arbitramento da receita bruta, nos moldes estabelecidos no auto de infração, os valores devem ser revistos, pelos seguintes motivos: o valor médio de venda das cartelas é muito abaixo de R$ 0,25, Deve ser considerada a informação prestada pelas gráficas de que a esmagadora maioria era de R$ 0,17; devem ser excluídas as aquisições da Gráfica São Francisco Ltda., pois não houve a coleta de provas materiais a embasar a afirmativa de que elas se referiam a aquisição de cartelas de bingo; devem ser excluídas as aquisições representadas por notas fiscais da SOUVIC SERVIÇOS GRÁFICOS LTDA, e DLL INFORMÁTICA LTDA., em que os pagamentos não estejam devidamente comprovados no processo; devem ser excluídas as notas fiscais da SOUVIC e da DLL que digam respeito a impressos promocionais ou a serviços de impressão a laser; deve ser excluído o percentual de devoluções e sorteios gratuitos constante dos movimentos diários constantes do processo; deve ser excluído da base de cálculo o montante referente à premiação prevista na Lei 9.615/98, com as modificações da Lei 9.981/00 e do Decreto n° 3.659/00, no percentual de 53,5%, já que a redução do percentual para 51.5% estabelecido pela Lei n° 10.264/2001 determinou que houvesse o repasse de 2% ao Comitê Olímpico Brasileiro, no período de 2001 a agosto de 2002, quando entrou em vigor a Resolução 27 do Governo do Estado do Paraná, a qual determina em seu art. 16, parágrafo 1o que no mínimo 65% (sessenta e cinco por cento) do total arrecadado será destinado ao pagamento de prêmios, taxas e impostos sobre eles incidentes; considerar como receita bruta da empresa autuada o percentual de 28% do montante auferido com a venda de cartelas de bingo, em cumprimento às disposições contidas na Lei 9.615/98, com as modificações da Lei 9.981/00, no Decreto n° 3.659/00 e na Lei n° 10.264/2001; em seu depoimento de fls. 283/verso a exsóciagerente do empresa ADRIANA CAMARGO afirma que houve a utilização das cartelas em outros empreendimentos de bingo... Dessa forma, as cartelas remetidas para outros Bingos devem ser subtraídas do cômputo geral. em face dos argumentos acima, a base de cálculo do Imposto de Renda Retido na Fonte deve ser recomposto, bem como os valores recolhidos a este título (e que encontramse relacionados no processo) devem ser deduzidos da exigência fiscal. Conclui que, caso sejam superadas as alegações expostas em preliminar, bem como na parte inicial de mérito, o que efetivamente não espera, requer seja anulada parcialmente a Fl. 2280DF CARF MF Impresso em 23/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/07/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 20/ 07/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA 22 medida fiscal na forma como lavrada, determinandose que os critérios acima seja respeitados para cálculo da suposta dívida da pessoa jurídica autuada, eis que a realidade fática neste autos não aponta para a ocorrência do fato gerador do imposto de renda. Finalmente requer, sejam acolhidos os fundamentos apresentados pela recorrente, julgandose, por conseguinte, nulo ou improcedente o lançamento constante do presente processo, ou sucessivamente, reduzindose o montante do débito e acréscimos. E ainda, o acolhimento das diligências pleiteadas em momento processual oportuno e a produção de provas admitidas no processo administrativo fiscal. A defesa dos coobrigados, Jair Leite, Marcos Antonio da Silva e Renato Assis Rolim de Moura, que apresentaram recurso, é, no essencial a seguinte: 1) JAIR LEITE (fls.1944/1990). que apenas a Procuradoria Geral da Fazenda Nacional é competente para fazer incluir a pessoa física como solidária pela dívida supostamente devida pela pessoa jurídica, sob pena de restar diretamente violada a norma contida no artigo 124 e incisos seguintes do CTN. que o ato de responsabilizar solidariamente em si, quando lavrado pela Fiscalização, é ato abusivo, ilegal e violador do direito de privacidade e da honra subjetiva do recorrente; e, que nesse sentido dispõe a Lei n° 4.898, de 9 de dezembro de 1965: Art. 4° Constitui também abuso de autoridade: ... h) o ato lesivo da honra ou do patrimônio de pessoa natural ou jurídica, quando praticado com abuso ou desvio de poder ou sem competência legal. que, se envolveu com o Sr. Onaireves Moura por conta de sua atividade profissional como gráfico; que, era credor do Sr. Onaireves, motivo pelo qual procurou recuperar ao tempo em que pretendeu investir na empresa que imaginava ser Sport House; que, por se tratar de atividade lícita à época (exploração de bingo), teve o interesse em investir no projeto do Sr. Onaireves, até porque o mesmo assegurou a possibilidade de retorno financeiro; que, a empresa citada (Sport House) era constituída por familiares de Onaireves e gerida exclusivamente por este, e, que o recorrente, no entanto, nunca participou na condição de sócio nem tampouco sócio oculto, nem “A NOTA FISCAL ora juntada de n° 2243 comprova que a empresa AJIR ARTES GRÁFICAS, de titularidade do ora recorrente, era fornecedora da empresa autuada BINGO CAMPOS GERAIS”; que, a conclusão da autoridade julgadora é contraditória: inicia a exposição narrando que não há provas contratuais firmadas pelo mesmo que prove seu ingresso na sociedade, mas finaliza sua exposição condenando o recorrente; que, a prova existente nos autos caracteriza o recorrente como fornecedor de serviços gráficos à empresa autuada, sendo ainda credor por negócios pretéritos do Sr. Onaireves; que, a testemunha Adriana de Camargo (ou Ferreira), confirmou no processo penal que o recorrente prestava serviços para o Bingo Campos Gerais, como gráfico (fls. 287 verso), como já havia prestado serviços para Onaireves Moura, enquanto titular das empresas mencionadas; Fl. 2281DF CARF MF Impresso em 23/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/07/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 20/ 07/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10940.002841/200516 Acórdão n.º 1802001.273 S1TE02 Fl. 12 23 que, não assinou recibo algum (vide documentos de fls. 984/987) e, portanto, não pode ser punido por indícios e presunções de que tenha participado em quadrilha ou bando da produção de documentos falsos, apontamentos estes levados a efeito no juízo de conhecimento desta autoridade fazendária e sem qualquer fundamento válido; que, o procedimento fiscal em questão revela que os contratos sociais eram elaborados e alterados pelos contadores contratados por Onaireves e não pelo recorrente; que, os documentos de fls. 253/266 e 967 comprovam a dívida que possuía Onaireves Moura para com o recorrente, ao passo que o Laudo de Exame Grafotécnico e Documentoscópico (fls. 968/996), comprovam que o recorrente não assinou nenhum documento objeto das supostas falsidades ideológicas (contratos de constituição de sociedade e de alterações contratuais) e recibos exibidos e juntados nos autos; que, mesmo se fosse considerado sócio, também não teria responsabilidade quanto aos débitos da empresa autuada; e, para o Fisco poder direcionar a responsabilidade tributária ao recorrente, deveria provar que tal situação se encaixava em um dos casos previstos nos artigos 134 e/ou 135 do CTN, sendo ainda imperioso que o fisco deixasse tal situação claramente comprovada dentro dos autos, “o que efetivamente não ocorreu no presente caso”. que, o recorrente não é parte legítima para figurar como solidário da suposta dívida tributária da empresa autuada por dois motivos: 1o) jamais integrou o quadro societário e agiu apenas como investidor de terceira empresa; e, 2o) ainda que seja considerado sócio, não estão demonstradas nos autos deste processo administrativo as situações descritas pelos art. 134 e 135 do CTN que justifiquem tal responsabilização. que, não foi intimado para acompanhamento da fiscalização que estava em andamento para apurar supostos débitos da pessoa jurídica BINGO CAMPOS GERAIS LTDA; que, seria imperioso constar nos autos deste PAF o desmembramento do feito com a finalidade de apurar tal responsabilidade mediante a desconsideração da personalidade jurídica da empresa autuada; que, deveria ter sido direcionado mandado de procedimento fiscal para cada pessoa física fiscalizada após a necessária abertura de procedimento de desconsideração da personalidade jurídica, evitandose o malferimento ao princípio constitucional da ampla defesa e contraditório; que, o crédito tributário foi imposto genericamente à inúmeras pessoas físicas. Não houve a adequada delimitação das condutas e, principalmente, do ônus tributário respectivo em função da necessária prova não produzida pelo agente fiscal sobre o eventual acréscimo valorativo do patrimônio do ora recorrente, no que inviabiliza a defesa e impõe gravame excessivo ao recorrente, nos termos do artigo 59, II do Decreto 70.235/72; a documentação de folhas 651 até 677, com a indicação dos valores pagos pelo recorrente a título de CPMF, dos valores recebidos de PJ e de valores informados em DIRF, não demonstram qualquer acréscimo patrimonial oriundo da alegada atividade do recorrente como sócio da empresa BINGO CAMPOS GERAIS LTDA, inexistindo provas e/ou indícios de que tenha ocorrido o fato gerador do imposto de responsabilidade do recorrente; que, falta delegação de competência para a emissão do MPF pela autoridade; Fl. 2282DF CARF MF Impresso em 23/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/07/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 20/ 07/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA 24 que, falta descrição sumária dos procedimentos de fiscalização: Nos termos do art. 7o da Portaria n° 3.007/2001, deverá constar do MPF a descrição sumária dos procedimentos de fiscalização. Verificase tal omissão, tanto no MPF de fls. 001, quanto no MPF de fls. 003, devendo o Auto de Infração ser julgado nulo. que, há lacunas nas prorrogações do MPF Diligência N° 09.1.04.00200400060, não havendo, portanto, validade destas, e invalidando a obtenção das provas, e, que, o auto de infração é nulo em todos os seus termos; que, importa em nulidade do julgamento, a omissão no acórdão recorrido quanto ao pedido de diligência, no sentido de ser oficiada a Caixa Econômica Federal para apresentar as prestações de contas efetuadas no período em que aquela instituição financeira tinha competência para exigilas; No mérito, alega inocorrência do fato gerador do Imposto de Renda e Vícios Materiais dos Lançamentos Do Arbitramento da Receita e do Lucro, para tanto afirma que: o artigo 286 do RIR/99, como fundamento na decisão recorrida, não foi utilizado como parâmetro para apuração da suposta omissão de receita. o enquadramento legal posto no Auto de Infração: "Arts. 249, inciso II, 251, 278, 279, 280, 283, 288, 528, 532, e 537, todos do RIR/99" (fls. 895). Deste modo, aduz que a instância julgadora mudou os contornos postos no AI, tentando de modo temerário justificar o incorreto proceder do AFRF. é nulo o lançamento, pois a receita bruta não era conhecida com exatidão pelo Sr. Auditor Fiscal. Deveria ele aplicar a regra do art. 535 do RIR/99 (receita não conhecida), no entanto, foram utilizados critérios subjetivos para a determinação da receita bruta, pois, arbitrou um número de aquisições de cartelas e também arbitrou o valor médio de venda das cartelas, para identificar o valor da receita bruta. O recorrente aduz que mesmo que se considere válido o arbitramento da receita bruta, nos moldes estabelecidos no auto de infração, os valores devem ser revistos, pelos seguintes motivos: o valor médio de venda das cartelas é muito abaixo de R$ 0,25, Deve ser considerada a informação prestada pelas gráficas de que a esmagadora maioria era de R$ 0,17; devem ser excluídas as aquisições da Gráfica São Francisco Ltda., pois não houve a coleta de provas materiais a embasar a afirmativa de que elas se referiam a aquisição de cartelas de bingo; devem ser excluídas as aquisições representadas por notas fiscais da SOUVIC SERVIÇOS GRÁFICOS LTDA, e DLL INFORMÁTICA LTDA., em que os pagamentos não estejam devidamente comprovados no processo; devem ser excluídas as notas fiscais da SOUVIC e da DLL que digam respeito a impressos promocionais ou a serviços de impressão a laser; deve ser excluído o percentual de devoluções e sorteios gratuitos constante dos movimentos diários constantes do processo; deve ser excluído da base de cálculo o montante referente à premiação prevista na Lei 9.615/98, com as modificações da Lei 9.981/00 e do Decreto n° 3.659/00, no percentual de 53,5%, já que a redução do percentual para 51.5% estabelecido pela Lei n° 10.264/2001 determinou que houvesse o repasse de 2% ao Comitê Olímpico Brasileiro, no período de 2001 a agosto de 2002, quando entrou em vigor a Resolução 27 do Governo do Estado do Paraná, a qual determina em seu art. 16, parágrafo 1o que no mínimo 65% (sessenta e cinco por cento) do total arrecadado será destinado ao pagamento de prêmios, taxas e impostos sobre eles incidentes; Fl. 2283DF CARF MF Impresso em 23/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/07/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 20/ 07/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10940.002841/200516 Acórdão n.º 1802001.273 S1TE02 Fl. 13 25 considerar como receita bruta da empresa autuada o percentual de 28% do montante auferido com a venda de cartelas de bingo, em cumprimento às disposições contidas na Lei 9.615/98, com as modificações da Lei 9.981/00, no Decreto n° 3.659/00 e na Lei n° 10.264/2001; em seu depoimento de fls. 283/verso a exsóciagerente do empresa ADRIANA CAMARGO afirma que houve a utilização das cartelas em outros empreendimentos de bingo... Dessa forma, as cartelas remetidas para outros Bingos devem ser subtraídas do cômputo geral. em face dos argumentos acima, a base de cálculo do Imposto de Renda Retido na Fonte deve ser recomposto, bem como os valores recolhidos a este título (e que encontramse relacionados no processo) devem ser deduzidos da exigência fiscal. Conclui que, caso sejam superadas as alegações expostas em preliminar, bem como na parte inicial de mérito, o que efetivamente não espera, requer seja anulada parcialmente a medida fiscal na forma como lavrada, determinandose que os critérios acima seja respeitados para cálculo da suposta dívida da pessoa jurídica autuada, eis que a realidade fática neste autos não aponta para a ocorrência do fato gerador do imposto de renda. Reitera o pedido de exclusão do seu nome do pólo passivo do presente processo administrativo fiscal e requer o acolhimento das diligências pleiteadas em momento processual oportuno e a produção de provas admitidas no processo administrativo fiscal. 2) RENATO ASSIS ROLIM DE MOURA (fls.2005/2041) e MARCOS ANTONIO DA SILVA (fls.2042/2078). Sustentam a impossibilidade de figurarem como responsável solidário da dívida da autuada, porque jamais figuraram como sócio da empresa BINGO CAMPOS GERAIS LTDA, tendo apenas atuado como investidor. Que seus nomes nunca constaram do Contrato Social da empresa autuada. E que, na remota hipótese de serem considerados sócios, a responsabilidade tributária da pessoa jurídica não os alcança, pois, a responsabilidade tributária da empresa é exclusivamente sua, não se transferindo aos sócios, a não ser em situações excepcionais. Se débitos fiscais existem, estes devem ser cobrados da pessoa jurídica que os deu causa. Os recorrentes alegam, em síntese, os mesmos fundamentos aduzidos pelo coobrigado JAIR LEITE, portanto desnecessário repetilos. É o relatório. Fl. 2284DF CARF MF Impresso em 23/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/07/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 20/ 07/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA 26 Voto Conselheira Ester Marques Lins de Sousa Conforme relatado, o lançamento tem por sujeito passivo a pessoa jurídica, BINGO CAMPOS GERAIS LTDA, e, como responsáveis solidários, as sete pessoas físicas discriminadas nos seguintes termos de sujeição passiva solidária: a) N° 01/2005 (fls. 870871) Marcos Antonio da Silva. CPF n° 470.109.40991; b) N° 02/2005 (fls. 872873) Airton José Dias Coradassi, CPF n° 313.166.03920: c) Nº 03/2005 (fls. 874875) Elilton Dias Coradassi. CPF n° 339.695.90949; d) Nº 04/2005 (fls. 876 877) Onaireves Nilo Rolim de Moura, CPF n° 034.630.60949; e) N° 05/2005 (fls. 878879) Bento de Oliveira Bueno, CPF n° 183.781.45972; f) N° 06/2005 (fls. 880 881) Renato Assis Rolim de Moura, CPF n° 318.016.68949; e g) N° 07/2005 (fls. 882883)Jair Leite, CPF n° 317.805.55920. A 1ª Turma da DRJ de Curitiba, mediante o novo Acórdão nº 0630.056 de 27/01/2011, decidiu, EXCLUIR a responsabilidade solidária atribuída aos senhores Airton José Dias Coradassi e Elilton Dias Coradassi, por reconhecer que não compuseram a sociedade à época da ocorrência dos fatos geradores dos tributos lançados, e RECONHECER a responsabilidade das demais pessoas a quem foi atribuída a responsabilidade solidária, nos termos do voto do Relator. O recurso em nome da autuada, dele não há condição para se conhecer tendo em vista que o mesmo foi apresentado pelo advogado: Gilberto Luiz do Amaral, sem a devida procuração. Sabese que, o recurso voluntário deve ser apresentado pelo próprio Contribuinte ou por pessoa que esteja devidamente autorizada a fazêlo, do contrário não preenche o requisito da legitimidade, necessário à sua apreciação Assim, não conheço do recurso apresentado em nome da autuada. Já os coobrigados: Jair Leite, Marcos Antonio da Silva e Renato Assis Rolim de Moura apresentaram Recursos Voluntários tempestivos e, preenchem os requisitos de admissibilidade. Deles tomo conhecimento. No essencial os argumentos desses recorrentes/coobrigados, são iguais. Assim, passo a analisálos conjuntamente em face dos argumentos comuns. Inicialmente argumentam que apenas a Procuradoria Geral da Fazenda Nacional é competente para fazer incluir a pessoa física como solidária pela dívida supostamente devida pela pessoa jurídica, sob pena de restar diretamente violada a norma contida no artigo 124 e incisos seguintes do CTN. Sobre a atuação da ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional no tocante à responsabilização de codevedor, a Portaria PGFN nº 180, de 25/02/2010 e alterações posteriores assim dispõe: ... Art. 2º A inclusão do responsável solidário na Certidão de Dívida Ativa da União somente ocorrerá após a declaração fundamentada da autoridade competente da Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB), do Ministério do Trabalho e Emprego (MTE) ou da ProcuradoriaGeral da Fazenda Fl. 2285DF CARF MF Impresso em 23/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/07/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 20/ 07/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10940.002841/200516 Acórdão n.º 1802001.273 S1TE02 Fl. 14 27 Nacional (PGFN) acerca da ocorrência de ao menos uma das quatro situações a seguir: (Redação dada pela Portaria PGFN nº 904, de 3 de agosto de 2010) I excesso de poderes; II infração à lei; III infração ao contrato social ou estatuto; IV dissolução irregular da pessoa jurídica. Parágrafo único. Na hipótese de dissolução irregular da pessoa jurídica, os sóciosgerentes e os terceiros não sócios com poderes de gerência à época da dissolução, bem como do fato gerador, deverão ser considerados responsáveis solidários. ... Art. 4º Após a inscrição em dívida ativa e antes do ajuizamento da execução fiscal, caso o Procurador da Fazenda Nacional responsável constate a ocorrência de alguma das situações previstas no art. 2º, deverá juntar aos autos documentos comprobatórios e, após, de forma fundamentada, declarálas e inscrever o nome do responsável solidário no anexo II da Certidão de Dívida Ativa da União. Como se vê, a inclusão do responsável solidário na Certidão de Dívida Ativa da União é de competência da Procuradoria da Fazenda Nacional, órgão que executa a dívida, mas somente ocorrerá após a declaração fundamentada da autoridade competente da Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB). Assim, é dever da autoridade fiscal apurar os fatos tributáveis e suas circunstâncias e descrever a ocorrência de situações previstas no art. 2º, acima, para que o Procurador da Fazenda Nacional responsável faça juntar aos autos documentos comprobatórios para a inscrição do nome do responsável solidário no anexo II da Certidão de Dívida Ativa da União, se for o caso. Portanto, a descrição dos fatos efetivada pela Fiscalização, na lavratura de autos de infração que apontam à responsabilidade solidária de sócios de fato, não é ato abusivo e ilegal, nem tampouco, violador do direito de privacidade e da honra subjetiva a que alude o recorrente. Argumentação improcedente. O Recorrente JAIR LEITE afirma que se envolveu com o Sr. Onaireves Moura por conta de sua atividade profissional como gráfico; que, era credor do Sr. Onaireves, motivo pelo qual procurou recuperar ao tempo em que pretendeu investir na empresa que imaginava ser Sport House; que, por se tratar de atividade lícita à época (exploração de bingo), teve o interesse em investir no projeto do Sr. Onaireves, até porque o mesmo assegurou a possibilidade de retorno financeiro; que, a empresa citada (Sport House) era constituída por familiares de Onaireves e gerida exclusivamente por este, e, que o recorrente, no entanto, nunca participou na condição de sócio nem tampouco sócio oculto. Os recorrentes afirmam que, não são parte legítima para figurarem como solidários da suposta dívida tributária da empresa autuada por dois motivos: 1o) jamais integrou o quadro societário e agiu apenas como investidor de terceira empresa; e, 2o) ainda que seja considerado Fl. 2286DF CARF MF Impresso em 23/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/07/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 20/ 07/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA 28 sócio, não estão demonstradas nos autos deste processo administrativo as situações descritas pelos art. 134 e 135 do CTN que justifiquem tal responsabilização. As defesas são contraditórias, pois, ao mesmo tempo em que narram o seu envolvimento de fato no “investimento” (exploração de bingo) refutam sua participação na condição de sócio de direito a qual resta indubitavelmente confessadas pelo recorrentes ao “integralizar cotas” chamadas de “investimento”. Quanto a não figurarem no quadro societário, é obvio que em uma sociedade constituída por sócios “laranjas” como demonstrado no Termo de Verificação Fiscal e também declarado pelos sócios “de fachada”, a finalidade é exatamente os sócios apresentados no contrato “de direito”, registrado na Junta Comercial, assinarem todos os documentos e assumirem documentalmente riscos negociais sob o comando dos sócios de fato/ordenadores que se esquivam da exibição de provas materiais das responsabilidades porque assumidas por terceiros (sócios de fachada) sem o affectio societatis, ou seja, sem a materialização da vontade de se constituir uma sociedade. Com efeito, não é a inadimplência tributária, pura e simples, causa que justifique a ampliação da responsabilidade pessoal do cotista de fato, de forma a atingir o seu patrimônio particular, mas, o art. 135, inciso III, do Código Tributário Nacional, frisa que "são pessoalmente responsáveis pelos créditos correspondentes a obrigações tributárias resultantes de atos praticados com excesso de poderes ou infração da lei, contrato social ou estatuto. Sem dúvida restou caracterizada a fraude ao contrato social da pessoa jurídica constituída por interpostas pessoas. Conforme relatado a empresa autuada, Bingo Campos Gerais Ltda, NÃO FOI CONSTITUÍDA EM NOME DOS VERDADEIROS PROPRIETÁRIOS , e sim em nome de interpostas pessoas desprovidas de capacidade econômica ou financeira, a saber, Adriana Ferreira e Ernesto Francisco Silvaltis e que, a manutenção do controle das atividades pelos verdadeiros proprietários foi garantida pelo “Contrato Particular de Sociedade de Fato em Conta de Participação” (fls. 108109) no qual figurava, como sócio ostensivo, a empresa Bingo Campos Gerais Ltda, representada pelos seus sócios formais, e como sócios ocultos os verdadeiros proprietários dentre os quais, os recorrentes, Jair Leite, Marcos Antonio da Silva e Renato Assis Rolim de Moura, embora sem a assinatura de Jair Leite . Consta da cláusula 9ª do mencionado contrato (fl.109) que os sócios de comum acordo definirão os aspectos administrativos, acordando em ata de regimento interno, na qual elegerão o sócio ou sócios administradores cabendo a estes a obrigação de apresentação mensal de balancete aos demais sócios. É certo que tal documento não é por si só, suficiente para qualificar ou afastar as pessoas ali relacionadas, de modo que, se configura em mais um indício que associado às declarações dos sócios de fachada, bem como a própria defesa, de mérito, contra os fatos descritos no auto de infração contra a pessoa jurídica autuada, Bingo Campos Gerais Ltda, conduzem à convicção de que os recorrentes (Jair Leite, Marcos Antonio da Silva e Renato Assis Rolim de Moura) exerciam o poder e atividade de gerência na mencionada empresa, sendo dessa forma impossível afastálos da condição de sócios de capital/investidores e de administrador/responsável tributário nos termos do inciso III do artigo 135 do CTN. Assim, evidenciado o vinculo de fato entre as pessoas físicas estranhas ao quadro societário e a empresa autuada, regular é a atribuição de responsabilidade solidária, por interesse comum nas situações que se constituíram em fatos geradores das obrigações autuadas. Fl. 2287DF CARF MF Impresso em 23/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/07/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 20/ 07/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10940.002841/200516 Acórdão n.º 1802001.273 S1TE02 Fl. 15 29 No tocante às alegadas nulidades relacionadas ao Mandado de Procedimento Fiscal (MPF), vale ressaltar que inexiste ato administrativo normativo que determine sua emissão em relação ao sócio indicado como responsável tributário e sim, em relação à pessoa jurídica sob ação fiscal ou diligência. O Código Tributário Nacional, define “contribuinte”, como o sujeito passivo que tem relação direta com o fato da norma hipotética tributária, e, denomina de “responsável” todo sujeito passivo que responde pela obrigação tributária sem ser “contribuinte”, compondo essas espécies o gênero de “sujeito passivo” – arts. 121 e 128 do CTN. Desse modo, o conceito, de “responsabilidade tributária” não se confunde com o de “sujeição passiva tributária”, haja vista que esta surge com a ocorrência do fato jurídico tributário, enquanto que a responsabilidade somente vem ao mundo jurídico quando a pretensão tributária tornase exigível, salvo no caso da responsabilidade por substituição que se equipara à sujeição passiva tributária, por previsão legal. Assim, razão não há para expedição de MPF em nome do sócio ao qual tenha sido atribuída a responsabilidade tributária em decorrência da ação fiscal exercida na pessoa jurídica autuada. Ainda que se admitisse qualquer irregularidade na expedição do MPF em relação à empresa autuada, em nada invalidaria o auto de infração, pois, é entendimento assentado, nos diversos julgados administrativos que tratam dessa matéria, que todas as autoridades fiscais estão sujeitas às regras aplicáveis ao Mandado Fiscal, e no caso de não ser obedecidas, cabe ao funcionário, autor do feito, punição administrativa, se conveniente. Contudo, a falta de obediência às regras fixadas pela citada portaria não provocam a nulidade do lançamento. Enfim, constituindose o MPF em elemento de controle da administração tributária, disciplinado por ato administrativo, eventual irregularidade formal nele detectada não enseja a nulidade do auto de infração, nem de quaisquer Termos Fiscais lavrados por agente fiscal competente para proceder ao lançamento, atividade vinculada e obrigatória nos termos da lei. Os recorrentes alegam que não houve a adequada delimitação das condutas e, principalmente, do ônus tributário respectivo em função da necessária prova não produzida pelo agente fiscal sobre o eventual acréscimo valorativo do patrimônio do ora recorrente, no que inviabiliza a defesa e impõe gravame excessivo ao recorrente, nos termos do artigo 59, II do Decreto 70.235/72. Conforme explicitado acima, há distinção entre o conceito, de “responsabilidade tributária” que não se confunde com o de “sujeição passiva tributária”. A responsabilidade do administrador infrator inserese em relação jurídica de garantia, portanto, independe de acréscimo do patrimônio do responsável tributário que, acaso verificado, restaria configurada outra relação jurídica com a ocorrência do fato jurídico tributário. Portanto, a alegação não comporta conduta do agente em inviabilizar a defesa dos recorrentes. Havendo o auto de infração preenchido os requisitos legais e o processo administrativo proporcionado plenas condições aos interessados de impugnar o lançamento, descabe a alegação de nulidade. Os recorrentes também alegam que, importa em nulidade do julgamento, a omissão no acórdão recorrido quanto ao pedido de diligência, no sentido de ser oficiada a Caixa Econômica Fl. 2288DF CARF MF Impresso em 23/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/07/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 20/ 07/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA 30 Federal para apresentar as prestações de contas efetuadas no período em que aquela instituição financeira tinha competência para exigilas. Sobre o assunto, consta expressamente do voto condutor do acórdão recorrido (fls.1897/1898) o seguinte fundamento: Com relação à alegação de que o lançamento deveria estar baseado nos relatórios fornecidos pela Caixa Econômica Federal, e nas prestações de contas efetuadas pelaempresa no período em que aquela instituição financeira tinha a competência para exigila, não é de ser aceita. Conforme se observa de fls. 37 a 42, a própria CEF oficiou ao Ministério Público Federal contra a autuada, tendo em vista a existência de indícios de irregularidades nas prestações de contas dos recursos por ela (autuada) arrecadados com a exploração dos jogos de bingo. Abrese um parêntese para uma ligeira reflexão: ora, se havia, na empresa, contabilidade e controles diários, como se quer fazer crer nestes autos, como é que a auditoria da CEF não aceitou a prestação de contas deles decorrente? Por outro lato, lodos os impugnantes afirmam que existia rigorosa contabilidade que permitia apurar o verdadeiro resultado do empreendimento, mas que estão impossibilitados de apresentar essa escrita porque teria sido apreendida pela autoridade policial. Nesse propósito, trazem à colação declarações de Luiz Carlos Lopes (fls. 1.141) e de Celso Valério de Andrade (fls. 1.1421.143), ambos afirmando peremptoriamente que tal apreensão ocorreu no dia 06 de maio de 2003. Ora, e porque não apresentaram, então, os registros contábeis dos períodos posteriores? Cabendo mencionar que o primeiro trimestre de 2004 foi aquele em que o Fisco apurou o maior montante de receitas. Com relação aos dois últimos trimestres de 2003 e primeiro trimestre de 2004, com absoluta certeza a escrituração não foi apreendida pela autoridade policial. Fechado o parêntese, é de se reconhecer que a Fiscalização carreou aos autos consistente conjunto de documentos, evidências e indícios veementes (subitem 2.2.3 do Termo de Verificação Fiscal, fls. 848 e seguintes), todos convergindo na direção de que a autuada ocultou do Fisco o verdadeiro montante das receitas auferidas na venda de cartelas do jogo de bingo, deixando de escriturar e oferecer à tributação parcela se não a integralidade das referidas receitas. Portanto, a alegada omissão é improcedente. Sobre o mérito do auto de infração os recorrentes alegam que, é nulo o lançamento, pois a receita bruta não era conhecida com exatidão pelo Sr. Auditor Fiscal. Deveria ele aplicar a regra do art. 535 do RIR/99 (receita não conhecida), no entanto, foram utilizados critérios subjetivos para a determinação da receita bruta, pois, arbitrou um número de aquisições de cartelas e também arbitrou o valor médio de venda das cartelas, para identificar o valor da receita bruta. Fl. 2289DF CARF MF Impresso em 23/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/07/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 20/ 07/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10940.002841/200516 Acórdão n.º 1802001.273 S1TE02 Fl. 16 31 Para que se possa compreender o contexto em que se deu a apuração da receita bruta vale transcrever partes essenciais do Termo de Verificação Fiscal (fls.137...): (...) Foi então que, em vista da grande dificuldade em se obter os documentos e livros que pudessem servir de base para o cálculo dos tributos e contribuições devidos pela autuada, procurouse localizar os sócios, exsócios e exempregados para se tentar obter algum indício que fosse relevante para a fiscalização tributária. E assim, com a localização das senhoras Idema dos Anjos Brizola e Adriana de Camargo (Adriana Ferreira), e do Sr. Ernesto Francisco Silvaltis, a fiscalização pôde avançar um pouco mais, lançando mão de instrumento de auditoria denominado "circularização", isto é, a confirmação de dados junto a empresas clientes e/ou fornecedoras da fiscalizada. Com base nas informações repassadas pelos "sócios" e "ex sócios" formais da fiscalizada, intimouse as três empresas gráficas fornecedoras das cartelas de bingo, quais sejam: SOUVIC SERVIÇOS GRÁFICOS LTDA, de Barueri/SP; GRAFICA SAO FRANCISCO LTDA, de Campo Grande/MS; e DLL INFORMÁTICA LTDA, de Curitiba/PR. Nas intimações fiscais foi solicitada a apresentação de informações e/ou documentos sobre as vendas de produtos, bem como a prestação de serviços gráficos efetuados para a autuada, durante os anos de 2001 a 2004. Apenas as gráficas SOUVIC SERVIÇOS GRÁFICOS LTDA e DLL INFORMÁTICA LTDA responderam às intimações, e como resultado das circularizações elaborouse demonstrativos de compras de cartelas de bingo série 12.000, que se encontram dispostos no item 2.2.2 deste relatório. No dia 16/06/2005, foi lavrada contra a autuada a intimação fiscal n° 422/05 (fls.25), onde se exigia uma série de documentos, entre os quais os Extratos bancários de contas correntes e os livros Contábeis/Fiscais, e por fim, alertavase a fiscalizada para o fato de que a falta de apresentação dos livros ou documentos da escrituração comercial/fiscal implicaria o arbitramento dos lucros, em conformidade com os art. 529, 530 e 845 do Regulamento do Imposto de Renda RIR/99 (Decreto 3000/99). Após as infrutíferas tentativas de ciência via postal e pessoal,ultimouse a ciência da intimação fiscal n° 422/05 e do Mandado de Procedimento Fiscal Fiscalização n°0910400.2005.001329 por edital, no dia; 07/07/2005 (fls. 26/28). Pelo fato de a fiscalizada encontrarse omissa de entrega das DIPJ e/ou das Declarações Simplificadas de Pessoa Jurídica Inativa referentes aos anoscalendário 2002, 2003 e 2004; e de também não ter comunicado à Receita Federal o início do processo de baixa de sua inscrição ou a interrupção temporária de suas atividades, formalizouse Representação Fiscal para que Fl. 2290DF CARF MF Impresso em 23/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/07/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 20/ 07/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA 32 a inscrição cadastral da empresa fosse declarada inapta por inexistência de fato (fls.44 e 45). 2.1 DA PROVA TESTEMUNHAL. ... 2.2 DA PROVA DOCUMENTAL Como já exposto anteriormente, no início da ação fiscal houve enormes dificuldades para a obtenção dos documentos comerciais do bingo, sejam eles livros contábeis/fiscais, ou mesmo simples comprovantes bancários, registros de apostas, recibos, notas fiscais de compras, séries de carteias, entre outros documentos que permitissem a reescrituração contábil da autuada. 2.2.2 DAS CARTELAS ADQUIRIDAS Na seqüência, procedeuse à circularização nas três empresas gráficas fornecedoras das cartelas de bingo, quais sejam: SOUVIC SERVIÇOS GRÁFICOS LTDA, de Barueri/SP; GRAFICA SAO FRANCISCO LTDA, de Campo Grande/MS; e DLL INFORMÁTICA LTDA, de Curitiba/PR. A empresa DLL INFORMÁTICA LTDA, CNPJ n° 00.464.862/000175, apresentou esclarecimento por escrito em resposta à intimação fiscal n° 544/05, juntamente com cópia das notas fiscais de venda de cartelas de jogo de bingo emitidas contra a fiscalizada nos anoscalendário de 2001 e 2002, que se encontram relacionadas no demonstrativo abaixo (fls.450 a 470): ... Indagada pela fiscalização a respeito da quantidade de cartelas vendidas em cada série 12.000 e sobre o detalhamento da descrição do produto "Serviço de Impressão a Laser" constante em quatro notas fiscais, a DLL INFORMÁTICA LTDA, representada pelo Sr. Antonio Carlos Santoro Martins, complementou por duas vezes sua resposta, através mensagem de correio eletrônico, conforme transcrição abaixo (fls.471/477): ... "Senhor Leonardo, Informamos que as cartelas de bingo sempre foram vendidas em "coleções" composta de 12.000 cartões numerados de 1 a 12.000, portanto, esclarecemos que no exemplo da NF 4828 foram confeccionadas 2 coleções com 12.000 cartões cada de R$ 0,17 centavos por cartão, ou seja 24.000 cartões. A subdivisão de uma coleção de 12.000 cartões é conhecida por "série" ou seja, uma tira contendo 6 cartões, portanto em uma coleção existem 2.000 "séries" ou subdivisões. Normalmente as casas de bingo vendiam "séries" e não cartões, pois neste caso em que o cartão custa R$ 0,17 a série era vendida por R$ 1,00, ou seja R$ 0,17 X 6 = R$ 1,02 que era arredondado para 1 Real. Fl. 2291DF CARF MF Impresso em 23/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/07/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 20/ 07/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10940.002841/200516 Acórdão n.º 1802001.273 S1TE02 Fl. 17 33 Desta forma esclarecemos as quantidades de cartões ou coleções vendidas a referida empresa." "Sr. Leonardo, Complementando as informações solicitadas, informamos que ainda não foi possível fazer o levantamento dos valores individuais das coleções vendidas, pois, como anteriormente explicamos, após a saída dos bingos do controle da Serlopar, não era mais exigido o destaque na NF dos valores das cartelas, desta forma estamos localizando possíveis ordem de produção/pedido do cliente para melhor informalos. Destacamos que foram vendidas as seguintes coleções : NF 4375 11 coleções com 12.000 cartões conforme NF 4381 31 coleções com 12.000 cartões NF 5542 70 coleções com 12.000 cartões NF 4508 31 coleções com 12.000 cartões NF 4957 18 coleções com 12.000 cartões NF 4828 09 coleções com 12.000 cartões conforme NF. " A empresa SOUVIC SERVIÇOS GRÁFICOS LTDA, CNPJ n° 01.671.471/000194, em resposta à intimação fiscal n° 542/05, apresentou: esclarecimento por escrito; cópias das 5as vias (controle) das notas fiscais de venda de cartelas de jogo de bingo emitidas contra a fiscalizada nos anoscalendário de 2002 e 2003; e cópia dos comprovantes financeiros dos recebimentos relativos às citadas vendas. A relação das notas fiscais apresentadas encontrase no demonstrativo abaixo (fls.482/610): ... Já a GRÁFICA SÃO FRANCISCO LTDA, CNPJ 01.423.153/000104, sequer recebeu a intimação fiscal n° 543/05, postada nos Correios (fls.478 a 481). Esta empresa encontrase com situação cadastral "INAPTA" nos sistemas informatizados da Receita Federal, com a indicação "OMISSA NÃO LOCALIZADA". Os sócios também não foram localizados. (...) IV DA APURAÇÃO DAS RECEITAS TRIBUTÁVEIS O crédito tributário constituído no presente auto de infração tem por base omissão de receitas inferidas a partir das compras de cartelas de bingo série 12.000 realizadas pela autuada, e verificadas através de apreensão de documentos e circularizações nas empresas gráficas fornecedoras. (...) Os recorrentes não refutam o arbitramento, apenas o critério adotado, porque nos seus entendimentos a receita é não conhecida. Ora, não havendo documentos e escrituração das receitas apresentadas pela pessoa jurídica, temse como conhecida para o arbitramento do lucro, a receita apurada pelo Fisco com base nas cartelas de bingo adquiridas, como comprovado mediante a circularização nas Fl. 2292DF CARF MF Impresso em 23/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/07/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 20/ 07/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA 34 empresas gráficas fornecedoras. Ao contribuinte cabe a contraprova, ou seja, que as cartelas não foram adquiridas nem tampouco vendidas. Ressaltese que os elementos de prova documental da receita tributável foram corroborados por prova testemunhal dos “sócios de fachada” e/ou empregados, conhecedores das informações reduzidas a termo conforme declarações (fls.222/276). É cediço que, na hipótese de arbitramento do lucro, a receita bruta conhecida há de prevalecer sobre as demais alternativas de cálculo previstas no artigo 51 da Lei nº 8.981/95, porque a noção de lucro está mais próxima do resultado de vendas ou de serviços, que constituam os objetivos sociais explorados, do que em função das bases previstas no dispositivo legal mencionado. Portanto, somente no caso de impossibilidade de apurarse a receita bruta, é que se há de buscar sucedâneo para o arbitramento do lucro em outros critérios previstos na legislação. Assim, não merece reparo ao enquadramento legal disposto no Auto de Infração: "Arts. 249, inciso II, 251, 278, 279, 280, 283, 288, 528, 532, e 537, todos do RIR/99, citados pelos recorrentes, de modo que qualquer alusão feita a outro dispositivo legal mencionado na decisão recorrida não tem o condão de afastar aqueles discriminados no auto de infração nem tampouco mudar os seus contornos. No presente caso,a referencia feita pela DRJ ao artigo 286 do RIR/99, teve como fundamento apenas para esclarecer que embora pudesse a Fiscalização lançar mão de meio indireto para apuração da omissão de receita constatada, qual seja, o da presunção legal (depósitos bancários de origem não comprovada), optou por um método direto de aferir essa omissão, qual seja, o levantamento quantitativo por espécie (aquisição de cartelas de bingo). A quantificação da receita omitida se fez com base nas cartelas de bingo adquiridas no período de 31/05/2001 a 30/12/2003, em conformidade com a metodologia descrita nos itens: "4.1 Da metodologia de Cálculo Adotada"; "4.2 Dos Impressos Promocionais Personalizados”; e "4.3 Das Considerações Finais", constantes de fls. 861 a 864; devido à nãoapresentação dos livros contábeis/fiscais obrigatórios, e em face da notícia de sua inexistência, arbitrouse o lucro da autuada. A forma de apuração das bases de cálculo do IRPJ, da CSLL, do Pis e da Cofins se encontra discriminada às fls. 865 e 866. Sobre a metodologia adotada no cálculo para a apuração da receita omitida consta do Termo de Verificação Fiscal (fls.861 e 862) a seguinte explicação: 4.1 DA METODOLOGIA DE CÁLCULO ADOTADA Diante do exposto, e com base nos documentos, informações disponíveis e depoimentos prestados, foi quantificada a receita omitida da seguinte maneira: 1° passo: De posse das notas fiscais de compra de cartelas apreendidas e daquelas apresentadas pelas gráficas, obtevese o número de cartelas de bingo adquiridas no período de 31/05/2001 a 30/12/2003. 2° passo: A partir dos depoimentos tomados a termo com Sra. Gislayne Schneider, Sra. Ailine Moraes, Sra. Adriana de Camargo e Sr. Adilson Cardoso, corroborados pela informação analítica de Fl. 2293DF CARF MF Impresso em 23/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/07/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 20/ 07/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10940.002841/200516 Acórdão n.º 1802001.273 S1TE02 Fl. 18 35 fornecimento dos vários tipos de cartela de bingo série 12.000 constante nas Notas Fiscais n° 4375 e 4828, emitidas pela DLL Informática Ltda, chegouse ao valor médio de R$ 0,25, para o preço de comercialização de cada cartão individual no salão do bingo. 3° passo: Ainda com base nos depoimentos colhidos, apurouse o percentual médio de devoluções de cartelas e de rodadas gratuitas realizadas por dia de trabalho, que juntos somam 10% do total diário do movimento de apostas; 4° passo: Considerando o período de validade de 3 (três) meses das séries de carteias impressas (vide série de carteias apreendida a fls.420), presumiuse que, após 3 (três) meses da emissão pelas empresas gráficas da respectiva nota fiscal de venda, todas as cartelas adquiridas pela autuada teriam sido comercializadas no salão de bingo. Neste caso, adotouse o último mês de validade dos cartões como mês de referência para apuração dos tributos devidos. 5° passo: Adotandose os parâmetros supracitados, efetuouse a seguinte expressão algébrica para se obter o valor mensal da receita omitida pela autuada: Receita Omitida = nº de quantidades de "coleções" de cartões de bingo x 12.000 (doze mil) cartões x valor médio de comercialização dos cartões (R$ 0,25) 10% do total, relativos às devoluções/sorteios gratuitos. O recorrente argumenta que considerando a informação prestada pelas gráficas de que a maioria era de R$ 0,17, o valor médio de venda das cartelas deveria ser R$ 0,17. Consta da Tabela 4 (fl.869) – Demonstrativo consolidado das receitas omitidas com a venda de cartelas no salão de bingo, no qual se verifica cartelas de bingo série 12.000 nos valores de R$ 0,17, R$ 0,25, R$ 0,34, R$ 0,50, R$ 1,00 e R$ 2,00, do que se depreende que o valor médio seria superior ao aplicado pelo Fisco. Portanto, não se encontra qualquer razoabilidade na aplicação do valor de R$ 0,17. Ademais, conforme o depoimento de Adriana de Camargo, exfuncionária e supervisora geral, fl. 225, item 12 – “Fazia semanalmente os pedidos das cartelas para as gráficas DLL Informática e Souvic Serviços Gráficos. As séries de cartelas mais pedidas eram de R$ 1,00, R$ 1,50 e R$ 2,00, justamente por serem as mais vendidas no salão do bingo”. E de, Adilson Cardoso, exfuncionário e gerente de salão, fl. 250 – depoimento item 7 – “Os valores das séries, conjunto de seis cartõezinhos (cartelas) mais vendidos eram de R$ 1,00, R$ 1,50 e R$ 2,00, e em igual proporção”. O recorrente reclama que das receitas consideradas omitidas devem ser excluídas as aquisições da Gráfica São Francisco Ltda., pois não houve a coleta de provas materiais a embasar a afirmativa de que elas se referiam a aquisição de cartelas de bingo. Fl. 2294DF CARF MF Impresso em 23/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/07/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 20/ 07/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA 36 Consta do Termo de Verificação Fiscal que, apenas “as gráficas SOUVIC SERVIÇOS GRÁFICOS LTDA e DLL INFORMÁTICA LTDA responderam às intimações, e como resultado das circularizações elaborouse demonstrativos de compras de cartelas de bingo série 12.000, que se encontram dispostos no item 2.2.2 deste relatório”. Da descrição dos produtos constantes no mencionado item 2.2.2, fls.846/848 não foi relacionado qualquer aquisição vinculada à Gráfica São Francisco Ltda, ao contrário da afirmação do recorrente, consta a observação transcrita acima e aqui reprisada: Já a GRÁFICA SÃO FRANCISCO LTDA, CNPJ 01.423.153/000104, sequer recebeu a intimação fiscal n° 543/05, postada nos Correios (fls.478 a 481). Esta empresa encontrase com situação cadastral "INAPTA" nos sistemas informatizados da Receita Federal, com a indicação "OMISSA NÃO LOCALIZADA". Os sócios também não foram localizados. Assim, afastase de plano as alegações da defesa. Os recorrentes também pleiteiam as seguintes exclusões: devem ser excluídas as aquisições representadas por notas fiscais da SOUVIC SERVIÇOS GRÁFICOS LTDA, e DLL INFORMÁTICA LTDA., em que os pagamentos não estejam devidamente comprovados no processo; devem ser excluídas as notas fiscais da SOUVIC e da DLL que digam respeito a impressos promocionais ou a serviços de impressão a laser; deve ser excluído o percentual de devoluções e sorteios gratuitos constante dos movimentos diários constantes do processo; em seu depoimento de fls. 283/verso a exsóciagerente do empresa ADRIANA CAMARGO afirma que houve a utilização das cartelas em outros empreendimentos de bingo... Dessa forma, as cartelas remetidas para outros Bingos devem ser subtraídas do cômputo geral. Da metodologia adotada pela fiscalização, acima transcrita, consta que foram deduzidos 10% do total da receita omitida, relativos às devoluções/sorteios gratuitos. Cabe ao contribuinte comprovar outro percentual diverso do aplicado pelo autuante, bem como comprovar que os “impressos promocionais e serviços de impressão a laser” (cartelas de bingo série 12.000) não devem compor a receita bruta e quais cartelas foram remetidas para outros Bingos. Registrese ainda que, o fato de não se identificar os pagamentos relativos às aquisições de cartelas em nada comprova que as mesmas não foram vendidas como pretende a defesa. Enfim, não se justificam as exclusões da receita omitida pretendidas pelos interessados. Assim, havendo o autuante apurado a omissão de receita por um critério baseado em provas e, não havendo a autuada infirmado por outro com documento hábil, prevalece o critério adotado pelo Fisco. Continuando o assunto “exclusão”, os recorrente aduzem que: deve ser excluído da base de cálculo o montante referente à premiação prevista na Lei 9.615/98, com as modificações da Lei 9.981/00 e do Decreto n° 3.659/00, no percentual de 53,5%, já que a redução do percentual para 51.5% estabelecido pela Lei n° 10.264/2001 determinou que houvesse o repasse de 2% ao Comitê Olímpico Brasileiro, no período de 2001 a agosto de 2002, quando entrou em vigor a Resolução 27 do Governo do Estado do Paraná, a qual determina em seu art. 16, parágrafo 1o que no Fl. 2295DF CARF MF Impresso em 23/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/07/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 20/ 07/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10940.002841/200516 Acórdão n.º 1802001.273 S1TE02 Fl. 19 37 mínimo 65% (sessenta e cinco por cento) do total arrecadado será destinado ao pagamento de prêmios, taxas e impostos sobre eles incidentes; considerar como receita bruta da empresa autuada o percentual de 28% do montante auferido com a venda de cartelas de bingo, em cumprimento às disposições contidas na Lei 9.615/98, com as modificações da Lei 9.981/00, no Decreto n° 3.659/00 e na Lei n° 10.264/2001; É certo que, conforme determinado pela Lei nº 9.615/98, alterada pelas Leis nº 9.981/00 e 10.264/2001 deve ser realizado o rateio da arrecadação bruta, repassando os percentuais devidos na forma estipulada no Decreto nº 3.659/2000. Porém a autuada ao sonegar valores arrecadados com os jogos de bingo, está se apropriando de todos os recursos, inclusive os públicos, portanto, razão não há para serem deduzidos valores sem a comprovação efetiva de que os mesmos foram repassados a quem de direito por previsão legal. É importante lembrar que a ação fiscal se desenvolveu exatamente diante da representação feita pela Caixa Econômica ao Ministério Público (Ofício, fls.37/42) em virtude de indícios de irregularidades na declaração de sua movimentação financeira e falta de comprovação de rateio dos recursos. Para a exclusão pretendida é condição essencial que os valores devidos a terceiros (Comitês Olímpico e Paraolímpico Brasileiros, entidade desportiva, União, Caixa Econômica Federal) tenham sido repassados, fato esse que impede sejam efetuadas quaisquer deduções das bases de cálculo do IRPJ e da CSLL que não a do percentual referente à premiação, de 51,5 % (cinqüenta e um e meio por cento). Pelos fundamentos acima deve ser mantida a base de cálculo do imposto de renda na fonte incidente sobre prêmios de sorteios corresponde a 51,5 % da receita total omitida. A partir dos dados do demonstrativo consolidado das receitas omitidas com a venda de cartelas no salão de bingo (Tabela 4) foram obtidos os valores dos prêmios considerados distribuídos aos apostadores (prêmio mais IRRF) sujeitos ao IR Fonte à alíquota de 30%. Os recorrentes requerem finalmente o acolhimento das diligências pleiteadas em momento processual oportuno e a produção de provas admitidas no processo administrativo fiscal. Sobre este pleito genérico, indeferese de plano, pois de acordo com o artigo 16 do Decreto nº 70.235/72 e alterações posteriores que regulam o Processo Administrativo Fiscal, as provas e as diligências com os motivos que as justificam devem ser apresentados com a impugnação, precluindo o direito de fazêlos em outro momento processual, mormente após apresentação do recurso voluntário e sem que sejam expostos os motivos que as justifiquem. No tocante aos coobrigados, tendo em vista a solidariedade passiva instituída pelo art. 124 do Código Tributário Nacional (CTN), a fiscalização lavrou os Termos de Sujeição Passiva Solidária já aludidos (fls. 870 a 883) entre aquelas pessoas físicas (Srs. Onaireves Nilo Rolim de Moura, Airton Coradassi, Elilton Coradassi, Renato Assis Rolim Moura, Jair Leite, Marcos Antonio da Silva e Bento Bueno de Oliveira) e a pessoa jurídica autuada, e demonstrou que as mesmas tinham interesse comum na situação que constitui o fato gerador da obrigação principal, ou seja, tinham interesse econômico na situação: omissão de receitas, sem o conseqüente rateio de arrecadação e, por se constituírem em sócios de fato com interposição de terceiras pessoas, são Fl. 2296DF CARF MF Impresso em 23/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/07/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 20/ 07/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA 38 solidariamente obrigados ao pagamento dos tributos devidos como estabelece o inciso I do artigo 124 do CTN. Todas as considerações relativas à responsabilidade dos coobrigados foram efetuadas no início do presente voto, desnecessário reiterálas, desse modo não há como afastar a responsabilidade solidária atribuída aos recorrentes. LANÇAMENTO REFLEXO –CSLL, PIS e Cofins Decorrendo as exigências da mesma imputação que fundamentou o lançamento do IRPJ, deve ser adotada a mesma decisão proferida para o imposto de renda, na medida em que não há fatos ou argumentos novos a ensejar conclusão diversa. Diante do exposto, voto no sentido de NÃO CONHECER do recurso apresentado pela autuada e, CONHECENDO dos recursos voluntários regularmente apresentados pelos coobrigados, rejeitar as preliminares suscitadas e no mérito, NEGARLHES provimento. (documento assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa. Fl. 2297DF CARF MF Impresso em 23/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/07/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 20/ 07/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA
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Numero do processo: 13852.000448/2007-29
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 14 00:00:00 UTC 2012
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF
Exercício: 2003
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. NULIDADE DA DECISÃO RECORRIDA.
É nula a decisão recorrida que versa sobre fatos e fundamentos diversos daqueles tratados no processo. Flagrante o cerceamento do direito de defesa do contribuinte, que deixou de ver apreciados seus argumentos.
Numero da decisão: 2102-001.901
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em DAR provimento ao recurso para determinar o retorno dos autos para a Turma de Julgamento da DRJ, para que seja proferida nova e específica decisão, como entender de direito, nos termos do voto da relatora. Ausente justificadamente a Conselheira Núbia Matos Moura e presente o Conselheiro Rubens Maurício Carvalho.
Matéria: IRPF- auto de infração eletronico (exceto multa DIRPF)
Nome do relator: ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI
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CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. NULIDADE DA DECISÃO RECORRIDA. É nula a decisão recorrida que versa sobre fatos e fundamentos diversos daqueles tratados no processo. Flagrante o cerceamento do direito de defesa do contribuinte, que deixou de ver apreciados seus argumentos. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em DAR provimento ao recurso para determinar o retorno dos autos para a Turma de Julgamento da DRJ, para que seja proferida nova e específica decisão, como entender de direito, nos termos do voto da relatora. Ausente justificadamente a Conselheira Núbia Matos Moura e presente o Conselheiro Rubens Maurício Carvalho. Assinado Digitalmente Giovanni Christian Nunes Campos Presidente Assinado Digitalmente Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti Relatora EDITADO EM: 14/03/2012 Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros Giovanni Christian Nunes Campos (Presidente), Rubens Mauricio Carvalho, Francisco Marconi De Oliveira, Atilio Pitarelli, Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti e Carlos André Rodrigues Pereira Lima. Fl. 89DF CARF MF Impresso em 11/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/06/2012 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGE, Assinado digitalmente e m 08/06/2012 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGE, Assinado digitalmente em 11/06/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS 2 Relatório Em face do contribuinte acima identificado foi lavrado o Auto de Infração de fls. 04/08 para exigência de IRPF em razão da glosa das despesas médicas deduzidas por ele no ano de 2004. A glosa foi motivada pela edição do Ato Declaratório nº 5, de 27.04.2005, por meio do qual todos os recibos emitidos pelo profissional Ulysses Alahmar (para o qual o contribuinte declarara ter efetuado pagamentos de R$ 5.000,00) foram considerados inidôneos. Cientificado do lançamento, o contribuinte apresentou a impugnação de fls. 01/02, por meio da afirmou que: No ano de 2002 o impugnante realizou tratamentos médicos de acumpultura e fisioterapia para o tratamento de uma hérnia de disco e uma lesão degenerativa no joelho esquerdo, fatos esses que levaram ao actmulo de recibos proferidos pelo Dr. Ulysses Alahmar. A grande quantidade de recibos suscitou a desconfiança da Receita Federal sobre a improcedencia e inveracidade dos mesmos. Porém o impugnado tem documentos médicos que comprovam a existência das referidas doenças e ainda mais documentos do INSS que comprovam sua incapacidade para o trabalho sendo o mesmo afastado do serviço no referido ano. Recebida a Impugnação para julgamento, foi determinada pela DRJ em São Paulo a realização de diligência para que fosse anexado aos autos o Ato Declaratório em que o lançamento está fundamentado. Na análise das alegações suscitadas na Impugnação, os integrantes da DRJ em São Paulo decidiram pela manutenção integral do lançamento, em acórdão do qual se extrai a seguinte ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2001 GLOSA DE DEDUÇÃO DE DESPESAS MÉDICAS. EXISTÊNCIA DE SÚMULA DE DOCUMENTAÇÃO TRIBUTARIAMENTE INEFICAZ. A existência de "Súmula de Documentação Tributariamente Ineficaz" impede a utilização de tais documentos como elementos de prova de serviços prestados, quando apresentados isoladamente, sem apoio em outros elementos. Na falta de comprovação, por outros documentos hábeis, da efetiva prestação dos serviços médicos, é de se manter o lançamento nos exatos termos em que efetuado. TAXA SELIC. Os juros calculados pela taxa SELIC são aplicáveis aos créditos tributários não pagos no prazo de vencimento Fl. 90DF CARF MF Impresso em 11/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/06/2012 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGE, Assinado digitalmente e m 08/06/2012 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGE, Assinado digitalmente em 11/06/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS Processo nº 13852.000448/200729 Acórdão n.º 210201.901 S2C1T2 Fl. 85 3 consoante previsão do §1 do artigo 161 do CTN, artigo 13 da Lei n.° 9.065/95 e artigo 61 da Lei n.° 9.430/96. MULTA DE OFÍCIO DE 75%. A multa de 75% é aplicável sempre nos lançamentos de oficio realizados pela Fiscalização da Receita Federal do Brasil. O contribuinte teve ciência de tal decisão e contra ela interpôs o Recurso Voluntário de fls. 60/61, por meio do qual afirmou ter havido erro no julgamento de seu processo, pois o mesmo não versava sobre a Odontocon, como constava do acórdão recebido. Afirmou que a numeração dos autos estava equivocada e confusa, e ainda que seu CPF fora digitado de forma errada às fls. 42. Pugnou então pela nulidade do processo, tendo em vista que a Receita Federal pretendia lhe cobrar uma dívida que não era sua. Os autos então foram remetidos a este Conselho para julgamento. É o Relatório. Voto Conselheira Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti, Relatora O contribuinte teve ciência da decisão recorrida em 23.10.2009, como atesta o AR de fls. 56. O Recurso Voluntário foi interposto em 23.11.2009 (dentro do prazo legal para tanto), e preenche os requisitos legais por isso dele conheço. Conforme relatado, tratase de lançamento por meio do qual foi glosada despesa médica cuja dedução pleiteou o Recorrente em sua DIRPF 2003. Em sede de Recurso Voluntário, o Recorrente alega que o processo é confuso e trata de outro assunto que não o dele, afirmando que até mesmo seu CPF estaria equivocado, implicando na nulidade do processo. De fato, o CPF que consta da DIRPF de fls. 33 é o 803.195.64800, enquanto que o de fls. 42 é o 809.195.64800. Tal erro, porém, não inquina de nulidade o processo pois este é o único local em que o CPF foi digitado de forma incorreta, já que na decisão proferida pela DRJ consta o nº correto do CPF do Recorrente. Apesar deste equívoco em relação ao CPF não trazer nenhum vício ao processo, existe um outro vício em relação ao qual assiste razão ao Recorrente. Tratase do fato de que a decisão recorrida tratou de fatos absolutamente diversos daquele que foram objeto do lançamento aqui em discussão. Tanto o relatório quanto Fl. 91DF CARF MF Impresso em 11/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/06/2012 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGE, Assinado digitalmente e m 08/06/2012 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGE, Assinado digitalmente em 11/06/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS 4 o voto versam sobre valores, datas e nomes que não guardam relação com o lançamento efetuado em face do Recorrente. Assim, é de se reconhecer que tal decisão é nula, por não ter apreciado as razões (ou mesmo os fatos) suscitados em sede de Impugnação. Releva lembrar o que dispõe o art. 59, inc. II do Decreto nº 70.235/72, verbis: Art. 59. São nulos: I (...); II os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. No caso, houve claro cerceamento do direito de defesa do Recorrente, na medida em que suas razões, em verdade, não foram apreciadas. Por isso, deve ser declarada a nulidade da decisão recorrida, determinandose o retorno dos autos à DRJ em São Paulo para que uma nova decisão seja proferida, agora apreciando todos os documentos e fato envolvidos no lançamento que aqui se examina. Diante de todo o exposto, VOTO no sentido de DAR PROVIMENTO ao Recurso para determinar o retorno dos autos à DRJ em São Paulo, para que seja proferida nova decisão, agora analisando o lançamento efetuado em face do Recorrente, bem como a Impugnação por ele apresentada. Assinado Digitalmente Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti Fl. 92DF CARF MF Impresso em 11/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/06/2012 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGE, Assinado digitalmente e m 08/06/2012 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGE, Assinado digitalmente em 11/06/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS
score : 1.0
Numero do processo: 13808.000073/99-99
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Fri Apr 01 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Fri Apr 01 00:00:00 UTC 2011
Ementa: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL
Ano calendário: 2011
LUCRO INFLACIONÁRIO NÃO REALIZADO: Verificada a correção do
procedimento do contribuinte, visando a neutralidade da correção monetária de balanço e, por conseguinte, a inexistência do lucro inflacionário advindo da falta de contabilização de receita de correção monetária, cancela-se a exigência.
Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 1402-000.519
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. Ausentes momentaneamente os Conselheiros Frederico Augusto Gomes de Alencar e Leonardo Henrique Magalhães de Oliveira.
Matéria: IRPJ - AF - lucro real (exceto.omissão receitas pres.legal)
Nome do relator: Antonio José Praga de Souza
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Recurso Voluntário Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. Ausentes momentaneamente os Conselheiros Frederico Augusto Gomes de Alencar e Leonardo Henrique Magalhães de Oliveira. (assinado digitalmente) Albertina Silva Santos de Lima Presidente (assinado digitalmente) Antônio José Praga de Souza – Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antônio José Praga de Souza, Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo, Frederico Augusto Gomes de Alencar, Moisés Giacomelli Nunes da Silva, Leonardo Henrique Magalhães de Oliveira e Albertina Silva Santos de Lima. Fl. 1DF CARF MF Emitido em 22/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 20/04/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Assinado digitalmente em 22/04/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, 20/04/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Processo nº 13808.000073/9999 Acórdão n.º 140200.519 S1C4T2 Fl. 2 2 Relatório WMJR COM PARTICIP EMPREEND E SERVICOS LTDA recorre a este Conselho contra a decisão proferida pela 5ª Turma da DRJ em São PauloI em primeira instância, que julgou procedente a exigência, pleiteando sua reforma, com fulcro no artigo 33 do Decreto nº 70.235 de 1972 (PAF). Em razão de sua pertinência, transcrevo o relatório da decisão recorrida: O lançamento contestado, decorrente da ação fiscal iniciada aos 28/09/98, fundamentouse no fato de a pessoa jurídica não haver “computado na determinação do Lucro Real o lucro inflacionário realizado no períodobase no importe de Cr$ 6.748.836,00 da empresa CRWW INDUSTRIA COMÉRCIO E PARTICIPAÇÕES LTDA, CGC 47.618.871/000137 da qual o contribuinte autuado é sucessor e responsável na proporção de 25%, conforme o art. 132 do CTN”. 2. Conforme consignado no Termo de Verificação Fiscal de fls. 41/42, o referido feito fiscal constituise “um novo lançamento”, para cuja realização, no prazo de cinco anos a contar da anulação do primeiro, há autorização expressa no art. 173 do CTN. 3. Cientificada da autuação, aos 14/01/1999, a interessada apresentou a impugnação de fls. 51/61, na qual alega as razões de fato e de direito a seguir sintetizados. O lançamento referese ao exercício de 1991, restando “inequívoca a ocorrência da decadência do direito de constituir o crédito tributário em questão, já que o período entre a entrega da declaração de IR do exercício de 1991 (abril/91) e a intimação deste auto (janeiro/99) é superior a 5 anos.” A norma em que se amparou o autuante para efetuar o lançamento “não é aplicável ao caso vertente. Isso porque não é caso de anulação do lançamento anteriormente efetuado, mas sim de nulidade do ato da administração expressamente declarada de ofício pela DRJ/SP”. Explicitando seu argumento, o impugnante alega ser “imprescindível distinguirse os conceitos de ato nulo e ato anulável: (i) nulo é aquele ato que não existe no mundo jurídico e, portanto, não pode sequer produzir qualquer efeito; (ii) anulável é o ato que tem existência jurídica, mas pode ser impedido de produzir efeitos”.Infere, pois, que o lançamento questionado “é inexistente; não produz qualquer efeito”, portanto, o prazo qüinqüenal de decadência, deve ser contado “da entrega da declaração”. “O caso dos autos são os efeitos da correção monetária, na época em que ela existia nas demonstrações financeiras, relativa à amortização do deságio de participações societárias”. Este “foi amortizado com base em laudo de avaliação” (Conta Deságio), sendo registrado no patrimônio líquido, em contrapartida de uma conta retificadora do investimento societário (Provisão de Amortização de Deságio). A correção da amortização e a correção da provisão, por terem idêntico valor, neutralizamse. No entanto, a empresa equivocouse ao “indexar a provisão e seus acréscimos – a partir do mês de sua formação – sem que houvesse a contrapartida da correção monetária devedora enquistada na receita de amortização, que se processou somente a partir do períodobase subseqüente. O resultado foi o desequilíbrio da correção monetária do balanço e a criação de um lucro inflacionário inexistente.” Fl. 2DF CARF MF Emitido em 22/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 20/04/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Assinado digitalmente em 22/04/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, 20/04/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Processo nº 13808.000073/9999 Acórdão n.º 140200.519 S1C4T2 Fl. 3 3 4. Requer, então, que o lançamento seja cancelado por decadência ou pela inexistência de crédito tributário. A decisão recorrida está assim fundamentada: Preliminarmente, a impugnante contesta o lançamento alegando que o art. 173 do CTN não se aplica ao caso, pois, reputa nulo o primeiro lançamento. Todavia, não aponta o vício determinante da aludida nulidade. Compulsando os autos, verificase que a anulação do primeiro lançamento (fls. 03/04) ocorreu por vício formal: a notificação que lhe deu origem encontravase desprovida das formalidades prescritas no inciso IV do art. 11 do Decreto nº 70235 de 06 de março de 1972 (PAF), mais especificamente, faltavalhe a identificação da autoridade responsável por sua emissão. A irregularidade descrita, por ser exclusivamente de forma, preservou íntegro o conteúdo do primeiro lançamento, mantendoo livre de vício insanável, não impedindo, assim, que se procedesse a um novo lançamento, desta feita com observância dos pressupostos formais prescritos em lei. Constatase, então, que a situação delineada nos autos configura a hipótese estatuída no inciso II do art. 173 do CTN, no qual está prevista a realização de um novo lançamento, consoante se lê, verbis: (...) No caso a Decisão DRJ/SPO/SP/Nº 014833/9711.3141 (fls. 94/95), que extinguiu definitivamente o lançamento anulado por vício formal, foi proferida aos 29/10/99. Logo, o direito da Fazenda Nacional constituir um novo lançamento só decairá em 29/10/2004. Destarte, considerando que a anulação, por vício formal do lançamento, cujo conteúdo gerou o lançamento sob exame, ocorreu a menos de cinco anos, rejeitase a preliminar de decadência. Do Mérito Quanto ao mérito, a impugnante argumenta que o lucro inflacionário objeto da tributação teve origem no equívoco ocorrido na escrituração contábil de sua antecessora, a empresa Dixbra S/A, relativamente ao registro das correções monetárias das contas “Deságio” e “Provisão de Amortização de Deságio”, alegando haver procedido à indexação da provisão e seus acréscimos a partir do mês de sua formação, sem efetuar “a contrapartida da correção monetária devedora enquistada na receita de amortização, que se processou somente a partir do períodobase subseqüente”. O lançamento contestado decorreu do procedimento de malha, no qual foi constatada que, no exercício de 1991, período base 1990, a empresa CRWW – Ind. Com. e Part. Ltda, deixou de realizar e, conseqüentemente, de tributar, a parcela mínima exigida por lei para tributação do lucro inflacionário. Nos autos verificase que, de acordo com as fichas do Razão cujas fotocópias foram anexadas às fls. 117 a 126, as contas 10315.0104.1 e 10315.0105, denominadas, até até 08/85 de “Provisão para Amortização dos Deságios Expectativa de Prejuízos” (fls. 117/118) e “Provisão para Amortização dos Deságios – Outras Razões Econômicas” (fls. 122/123) e, a partir daí, intituladas, “Amortização dos Deságios Expectativa de Prejuízos” (fls. 119/121) e, “Amortização dos Deságios Outras Fl. 3DF CARF MF Emitido em 22/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 20/04/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Assinado digitalmente em 22/04/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, 20/04/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Processo nº 13808.000073/9999 Acórdão n.º 140200.519 S1C4T2 Fl. 4 4 Razões Econômicas” (fls. 124/126), foram indexadas desde a sua formação, em 31/12/83, pela UFIR vigente àquela data, Cr$ 7.012,99 /(fls. 117 e 122). Como o investimento foi realizado em 13/05/83, a amortização dos deságios ocorreu a partir do primeiro balanço levantado após àquela data e a sua correção monetária teve início no encerramento do balanço do exercício seguinte, inferese que não houve retardo na amortização nem na correção monetária da amortização dos deságios. Assim, a documentação anexada aos autos, ao invés de comprovar o fato alegado na impugnação, revelou a inconsistência da tese apresentada pela defesa. Destarte, em razão de a impugnação não se fazer acompanhar de prova cabal nem de uma demonstração clara e inequívoca do alegado erro que, segundo a impugnante, se sanado neutralizaria o efeito tributário do qual se originou o lançamento, o auto de infração deve ser mantido.” Cientificada da aludida decisão, a contribuinte apresentou recurso voluntário, no qual contesta as conclusões do acórdão recorrido, repisa as alegações da peça impugnatória e, ao final, requer o provimento. É o relatório. Fl. 4DF CARF MF Emitido em 22/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 20/04/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Assinado digitalmente em 22/04/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, 20/04/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Processo nº 13808.000073/9999 Acórdão n.º 140200.519 S1C4T2 Fl. 5 5 Voto Conselheiro Antonio Jose Praga de Souza, Relator. O recurso é tempestivo e preenche os demais requisitos legais e regimentais para sua admissibilidade, dele conheço. Conforme relatado tratase de exigência do IRPJ em função de lucro inflacionário realizado a menor por empresa antecessora do contribuinte, CRWW – Ind. Com. e Part. Ltda, no ano de 1990, exercício de 1991. Ultrapassada a questão da decadência, que a meu ver foi adequadamente enfrentada pela DRJ, haja vista que o lançamento anterior foi anulado por vicio formal, fl. 94/95, e o novo foi cientificado antes de 5 anos do cancelamento do 1o, no mérito, entendo que o lançamento não pode prevalecer. Aduz a recorrente que o lucro inflacionário objeto da tributação teve origem no equívoco ocorrido na escrituração contábil de sua antecessora, a empresa Dixbra S/A, relativamente ao registro das correções monetárias das contas “Deságio” e “Provisão de Amortização de Deságio”, alegando haver procedido à indexação da provisão e seus acréscimos a partir do mês de sua formação, sem efetuar “a contrapartida da correção monetária devedora enquistada na receita de amortização, que se processou somente a partir do períodobase subseqüente”. Os julgadores de 1a. instancia entenderam não caber razão à recorrente haja vista que o investimento foi realizado em 13/05/83, sendo que a amortização dos deságios ocorreu a partir do primeiro balanço levantado após àquela data e a sua correção monetária teve início no encerramento do balanço do exercício seguinte, logo não houve retardo na amortização nem na correção monetária da amortização dos deságios. Todavia, entendo que cabe razão ao recorrente, quanto afirma que não há reflexo algum quando a provisão é indexada a partir do exercício seguinte ao da sua formação e contabilização. Isso em face da chamada “reserva oculta” formada no patrimônio liquido da pessoa jurídica, que formava uma despesas de montante idêntico à receita de correção monetária da provisão que deixou de ser reconhecida. Logo, correto o procedimento da contribuinte em promover o estorno da indexação realizada a maior. Transcrevo a seguir, o inteiro teor das razões recursais da contribuinte, detalhando o procedimento e seus efeitos. Fiscalmente, o provento da amortização do deságio foi preservado para eventual e ulterior taxação somente no momento da venda das ações da Dixie, quando seria feita a determinação do ganho ou perda de capital na liquidação do investimento (doe. 11 da impugnação LALUR Registro da Amortização do Deságio e do Lucro Inflacionário, e does. 12 a 18 Balanços dos períodos encerrados em 1984 a 1990). Fl. 5DF CARF MF Emitido em 22/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 20/04/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Assinado digitalmente em 22/04/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, 20/04/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Processo nº 13808.000073/9999 Acórdão n.º 140200.519 S1C4T2 Fl. 6 6 Ao contrário do que pensa o colegiado a quo, interessam, aqui, os resultados da correção monetária da provisão para amortização, conta retificadora do ativo. Sem dúvida alguma a amortização do deságio aumenta o valor do investimento, já que elimina uma parte do abatimento do preço de aquisição das ações da Dixie. A sua conseqüência para o desbalanceamento da correção monetária das demonstrações financeiras somente será possível se a sociedade passar a corrigir sem que exista, ou tenha existido, uma lei que obrigasse a tanto a provisão mensalmente a partir do momento de sua constituição. Não há reflexo algum quando corretamente a provisão é indexada a partir o exercício seguinte ao da sua formação e contabilização. Explicase. O valor da amortização é corrigido monetariamente dentro da massa do patrimônio líquido da pessoa jurídica o que representa uma despesa em MONTANTE IDÊNTICO e sentido contrário que anula a indexação da provisão dentro da massa do ativo permanente o que representa uma receita. Com isso, mantémse o PRINCÍPIO DA NEUTRALIDADE da correção monetária de balanço. E, por igual, preservase o contribuinte da taxação dos ganhos puramente nominais, decorrentes de ajustes contábeis durante o período de formação do lucro real. Na hipótese, a Dixbra, e, daí, a Recorrente por sucessão, equivocadamente, passou a indexar a provisão e seus acréscimos a partir do mês de sua formação sem que houvesse a contrapartida da correção monetária devedora enquistada na receita de amortização, que se processou somente a partir do períodobase subseqüente. O resultado foi o desequilíbrio da correção monetária de balanço e a criação de um lucro inflacionário inexistente. Vejase que a Recorrente reconheceu esse erro desde o início, que foi a base de sustentação do acórdão a quo. A Recorrente, com intuito de corrigir esse erro, promoveu o estorno da indexação realizada a mais. Por isso foi autuada, de maneira indevida. Quer dizer, o colegiado a quo constatou o erro, mas a correção dele, por meio do estorno, que, invariavelmente, põe por terra a autuação fiscal, deixou de ser analisado. Ora, o sistema da correção monetária das demonstrações financeiras, enquanto em vigor, trazia para dentro da contabilidade as mutações da moeda, ajustava os valores do patrimônio líquido e do ativo permanente, agregandolhes a substância consumida pela inflação, mas, não era um meio por si só para gerar receita tributável derivada da própria aplicação do sistema. Vejase, a propósito, o entendimento da Câmara Superior de Recursos Fiscais: "Ora, a correção monetária, realmente, não constitui rendimento, porque lhe faltam elementos constitutivos deste, principalmente a reprodutividade. A renda se destaca da fonte sem empobrecêla. Tal não ocorre na correção monetária, onde o capital continua o mesmo; apenas é atualizado para o valor do dia do pagamento. Sem ela, haveria uma diminuição do capital. Procura se, com a correção monetária, apenas dar ao capital o mesmo valor que tinha, quando do negócio. Nada se lhe acrescenta; portanto, nenhuma renda há." Acórdão CSRF/010422 Conselheiro Amador Outerelo Fernández 16.3.84) Fl. 6DF CARF MF Emitido em 22/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 20/04/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Assinado digitalmente em 22/04/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, 20/04/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Processo nº 13808.000073/9999 Acórdão n.º 140200.519 S1C4T2 Fl. 7 7 Em suma, a correção monetária de balanço é neutra. A envergadura maior de despesas e receitas do ajuste de indexação decorria das contas que a ela se submetiam. Assim, uma empresa mais capitalizada tinha maiores perdas com a inflação. Pagava menos imposto de renda, portanto. Isso não aconteceu no caso sob exame. Não existia, à época, nenhuma lei que obrigasse a Recorrente a criar provisões no curso do exercício social. Não havia nenhum diploma legal que impunha a indexação automática da provisão em descompasso com a ausência de indexação da receita que foi gerada em contrapartida. O Parecer Normativo CST n° 7, de 16.08.85, explica que as contas retificadoras do ativo permanente somente podem ser corrigidas a partir do exercício social seguinte ao de sua constituição. Motivo: imparcialidade e preservação da neutralidade da correção monetária do balanço. Diz o item n° 3 do Parecer: No períodobase em que a provisão indedutível perdas prováveis de investimentos for constituída em data diferente da do balanço, a sua correção monetária relativa ao período compreendido entre a constituição e o balanço deverá ser adicionada ao lucro líquido para determinação do lucro real. Leiase, na hipótese e a contrário senso, que a correção monetária da provisão para amortização entre o período compreendido pela sua formação e o balanço patrimonial deverá ser excluída do lucro líquido para determinação do lucro real. Não existe, pois, matéria tributável. Destarte, o acórdão a quo deve ser reformado, pois, não considerou o estorno da indexação realizada a mais pela Recorrente, que manteve a neutralidade da correção monetária do balanço, sendo de rigor, assim, a reforma do julgado. (grifei) Diante do exposto voto no sentido de dar provimento ao recurso e cancelar a exigência. (assinado digitalmente) Antônio José Praga de Souza Fl. 7DF CARF MF Emitido em 22/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 20/04/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Assinado digitalmente em 22/04/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, 20/04/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA
score : 1.0
Numero do processo: 10725.000355/2004-19
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Mar 17 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Thu Mar 17 00:00:00 UTC 2011
Ementa: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física IRPF
Exercício: 2001
Ementa: RENDIMENTOS DE ALUGUEIS. BENS DOADOS COM RESERVA DE USUFRUTO VITALÍCIO PARA OS DOADORES.
CONTRIBUINTE. No caso de bens doados com reserva de usufruto vitalício dos bens pelos doadores, o contribuinte do imposto incidente sobre os alugueis dos bens é o doador. No caso de cláusula prevendo também a doação de parte dos alugueis, os rendimentos recebidos pelos donatários caracteriza-se
como “doação” e não como rendimentos de alugueis.
Recurso negado.
Numero da decisão: 2201-001.020
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por maioria, negar provimento ao
recurso. Vencido o conselheiro Eduardo Tadeu Farah. Ausência justificada da conselheira Janaína Mesquita Lourenço de Souza.
Matéria: IRPF- auto de infração eletronico (exceto multa DIRPF)
Nome do relator: PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA
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BENS DOADOS COM RESERVA DE USUFRUTO VITALÍCIO PARA OS DOADORES. CONTRIBUINTE. No caso de bens doados com reserva de usufruto vitalício dos bens pelos doadores, o contribuinte do imposto incidente sobre os alugueis dos bens é o doador. No caso de cláusula prevendo também a doação de parte dos alugueis, os rendimentos recebidos pelos donatários caracterizase como “doação” e não como rendimentos de alugueis. Recurso negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por maioria, negar provimento ao recurso. Vencido o conselheiro Eduardo Tadeu Farah. Ausência justificada da conselheira Janaína Mesquita Lourenço de Souza. Assinatura digital Francisco Assis de Oliveira Júnior – Presidente Assinatura digital Pedro Paulo Pereira Barbosa Relator EDITADO EM: 18/03/2011 Participaram da sessão: Francisco Assis Oliveira Júnior (Presidente), Pedro Paulo Pereira Barbosa (Relator), Gustavo Lian Haddad, Eduardo Tadeu Farah, Guilherme Barranco de Souza (Suplente convocado) e Rayana Alves de Oliveira França. Fl. 95DF CARF MF Emitido em 01/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 26/03/2011 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA Assinado digitalmente em 28/03/2011 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, 31/03/2011 por FRANCISCO ASSIS DE OLIVEIRA JU 2 Relatório SILVANA PRAZERES DE AZEVEDO NAKED interpôs recurso voluntário contra acórdão da (fls. 45) que julgou procedente em parte lançamento, formalizado por meio do auto de infração de fls. 03/06, que alterou o resultado da declaração referente ao Imposto sobre Renda de Pessoa Física – IRPF, do exercício de 2001, de imposto a restituir de R$ 606,61 para 0,00, isto é, resultado sem imposto a pagar ou a restituir. A infração apurada foi a glosa do valor declarado como imposto retido na fonte (R$ 606,61). A Contribuinte apresentou a impugnação de fls. 01 e 02 na qual relaciona as fontes pagadorase os respectivos valores dos rendimentos pagsos e do imposto retido e diz que os comprovantes estão sendo apresentados juntamente com a impugnação. A DRJJUIZ DE FORA/MG julgou procedente em parte o lançamento para alterar o valor dos rendimentos tributáveis para 6.079,97, senm contudfo alterar o resultado da declaração. Observa a DRJ que os rendimentos sobre os quais teria incidido o imposto na fonte referemse a alugueis supostamente recebidos pelo esposo da Autuada e declarados na proporção de 50% para cada cônjuge. Todavia, constatou a DRJ que os imóveis em questão pertenceriam ao sogro da autuada e não ao cônjuge. Daí, cincluiu a autoridade julgadora de primeira instância: Destarte, por não estarem as informações trazidas pelos comprovantes e rendimentos de fls.r 7/11 respaldadas nos demais documentos acostados, petições — fls. 12/15 e 16/21 e Declaração de bens fls. 43/44 e por não ter a interessada oferecido outros documentos, respectivos escrituras e contratos de locação, por exemplo, para a confirmação a propriedade dos bens envolvidos e a quem de fato e de direito ertenciam os rendimentos e aluguel desses bens, conclui este relator, de tudo o que consta dos autos: 1) ser completamente descabido o pleito da interessada, devendo ser aqui mantida a glosa do IRRF declarado; e 2) que, por coerência, os rendimentos correspondentes aos IRRF glosados devem também ser excluídos da DIRPF/2001 Retificadora Revisada, isso para se ajustar a verdade formal à verdade material da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária. A Contribuinte tomou ciência da decisão de primeira instância em 28/12/2007 (fls. 50) e, em 23/01/2008, interpôs o recurso voluntário de fls. 51/52 no qual reafirma que os rendimentos de referem a alugueis recebidos por seu esposo e declarados na proporção de 50% para cada cônjuge. Referese à juntada de escritura de doação dos bens do sogro, o que demonstraria que “apesar de parte dos bens não pertencerem ao esposo da Recorrente, o mesmo aufere rendimentos de todos eles na proporção que a ele cabe, de acordo com a cláusula 3ª (pág. 15) da referida escritura, 10%, (dez por cento), os quais são partilhados em igual proporção com a esposa”. A Recorrente diz que deixa de juntar os contratos de alugueis “diante do enorme número deles e das despesas que isso acarretaria”. Fl. 96DF CARF MF Emitido em 01/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 26/03/2011 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA Assinado digitalmente em 28/03/2011 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, 31/03/2011 por FRANCISCO ASSIS DE OLIVEIRA JU Processo nº 10725.000355/200419 Acórdão n.º 220101.020 S2C2T1 Fl. 2 3 É o relatório. Voto Conselheiro Pedro Paulo Pereira Barbosa – Relator O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade. Dele conheço. Fundamentação Como se colhe do relatório, cuidase de lançamento pelo qual foram glosados valores referentes a imposto de renda na fonte incidente sobre alugueis. O fundamento para a glosa, mantido pela decisão de primeira instância, foi o de que os rendimentos sobre os quais incidiram as retenções não foram auferidos pela Recorrente, mas pelo seu sogro, legítimo proprietário dos bens. A alegação da Recorrente é de que os bens foram doados aos filhos, entre eles o seu esposo, Ricardo Naked, e que, segundo o instrumento de doação, recebe o equivalente a 10% dos rendimentos de alugueis. De fato, às fls. 70/90 consta escritura de doação de vários bens, lavrada em novembro de 1992, tendo como outorgantes doadores Fuad Naked e Leodréa Dora Naked, sogro e sogra da ora Recorrente, e como outorgantes donatários diversas pessoas, supostamente filhos e filhas dos donatários e os respectivos cônjuges, dentre eles Ricardo Naked e a ora Recorrente. Rezam as cláusulas 2ª e 3ª da referida escritura o seguinte: 2ª Que os outorgantes doadores, neste ato declaram que reservam para si o usufruto vitalício dos bens doados, sendo que na falta de um deles, o usufruto reverterá em benefício do outro, de tal forma que os donatários somente assumirão o domínio absoluto sobre os bens ora doados após a morte do último deles; 3ª que os outorgante doadores declararam, ainda, que a metade dos rendimentos dos bens ora doados, aqueles destinados a rendimentos de aluguel, que ficarão sob a administração do cônjuge varão, enquanto vivo, será partilhado igualmente, entre os outorgantes donatários. Portanto, os doadores reservaram para si o usufruto vitalício dos bens, de sorte que somente com a morte do último dos outorgantes doadores passaria aos donatários o domínio pleno dos bens. Notese que, segundo informado pela Recorrente, seu sogro já é falecido, mas não a sogra, que, pela cláusula 2ª acima, seria então a usufrutuária dos bens. Cumpre verificar, então, diante destes elementos, e considerando ainda a cláusula terceira, acima reproduzida, quem é o sujeito passivo para fins de incidência do imposto de renda. Segundo o art. 121, parágrafo único, inciso I do CTN, o contribuinte do imposto é aquele que tem relação pessoal e direta com a situação que constitui o fato gerador, e Fl. 97DF CARF MF Emitido em 01/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 26/03/2011 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA Assinado digitalmente em 28/03/2011 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, 31/03/2011 por FRANCISCO ASSIS DE OLIVEIRA JU 4 que, no caso, do imposto de renda, é o titular da disponibilidade da renda, nos termos dos artigos 43 e 45 do mesmo CTN. Ora, neste caso, apesar da doação, os doadores reservaram para si o usufruto vitalício dos bens, portanto, alugueis ou quaisquer outros tipos de rendimentos produzidos pelos bens são usufruídos pelos doadores e não pelos donatários. É certo que, neste caso, segundo a cláusula terceira acima reproduzida, foi doado também parte dos rendimentos dos alugueis. Porém neste caso, a natureza dos rendimentos recebidos pelo donatário é a “doação” de valores correspondentes a um certo percentual dos alugueis e não o próprio “aluguel”. Isto é os doadores recebem os rendimentos de alugueis, como usufruto dos bens e, apenas num segundo momento, doam parte desses rendimentos aos filhos. Notese que a cláusula segunda acima poderia existir sem a cláusula terceira e viceversa. Isto é, poderia ter sido feita a doação dos imóveis, com reserva de usufruto, sem a doação de parte dos alugueis, assim como poderia ter sido doado parte dos rendimentos de alugueis sem a doação dos bens. Uma coisa não tem relação com a outra. Portanto, o que se tem aqui, para fins tributários, pelo menos, são dois tipos distintos de doação. E, no caso dos alugueis, vale reforçar, os titulares da disponibilidade econômica e jurídica dos rendimentos, eram os donatários, que reservaram para si o usufruto vitalício dos bens. Ora, se os rendimentos são dos doadores, quem sofreu a retenção do imposto na fonte foram os doadores. Portanto, não há IRRF a ser compensado ou restituído aos donatários. Devese observar, ainda, que, neste caso, os rendimentos declarados estão no limite de isenção, de sorte que esta conclusão implica apenas na glosa da restituição pretendida. Corretos, portanto o lançamento e a decisão de primeira instância. Conclusão Ante o exposto, encaminho meu voto no sentido de negar provimento ao recurso. Assinatura digital Pedro Paulo Pereira Barbosa Fl. 98DF CARF MF Emitido em 01/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 26/03/2011 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA Assinado digitalmente em 28/03/2011 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, 31/03/2011 por FRANCISCO ASSIS DE OLIVEIRA JU
score : 1.0
Numero do processo: 19515.001537/2004-57
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu May 05 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Fri May 06 00:00:00 UTC 2011
Ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE
SOCIAL COFINS
Período de apuração: 01/03/1999 a 31/03/2003
TRIBUTOS E CONTRIBUIÇÕES NÃO DECLARADOS. PAGAMENTO
APÓS INÍCIO DA AÇÃO FISCAL. MULTA APLICÁVEL
Tributo não declarado cujo pagamento tenha se dado após a ciência do início
de procedimento de fiscalização é constituído de ofício, com o acréscimo da
multa punitiva de 75%, ainda que o referido pagamento tenha ocorrido no
prazo de vinte dias do início da ação fiscal.
EXCLUSÕES NÃO EFETUADAS PELA FISCALIZAÇÃO. FALTA DE
COMPROVAÇÃO.
Improcedem alegações que não encontram respaldo em prova material.
BASE DE CÁLCULO. LEI Nº 9.718, DE 1998. RECEITAS
FINANCEIRAS.
A ampliação do conceito de faturamento às demais receitas pela Lei nº 9.718,
de 1998, é inconstitucional, segundo decisão definitivo do Plenário do
Supremo Tribunal Federal.
Recurso Voluntário Provido em Parte
Numero da decisão: 3302-000.983
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar
provimento parcial ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator.
Nome do relator: JOSE ANTONIO FRANCISCO
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ementa_s : ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/03/1999 a 31/03/2003 TRIBUTOS E CONTRIBUIÇÕES NÃO DECLARADOS. PAGAMENTO APÓS INÍCIO DA AÇÃO FISCAL. MULTA APLICÁVEL Tributo não declarado cujo pagamento tenha se dado após a ciência do início de procedimento de fiscalização é constituído de ofício, com o acréscimo da multa punitiva de 75%, ainda que o referido pagamento tenha ocorrido no prazo de vinte dias do início da ação fiscal. EXCLUSÕES NÃO EFETUADAS PELA FISCALIZAÇÃO. FALTA DE COMPROVAÇÃO. Improcedem alegações que não encontram respaldo em prova material. BASE DE CÁLCULO. LEI Nº 9.718, DE 1998. RECEITAS FINANCEIRAS. A ampliação do conceito de faturamento às demais receitas pela Lei nº 9.718, de 1998, é inconstitucional, segundo decisão definitivo do Plenário do Supremo Tribunal Federal. Recurso Voluntário Provido em Parte
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PAGAMENTO APÓS INÍCIO DA AÇÃO FISCAL. MULTA APLICÁVEL Tributo não declarado cujo pagamento tenha se dado após a ciência do início de procedimento de fiscalização é constituído de ofício, com o acréscimo da multa punitiva de 75%, ainda que o referido pagamento tenha ocorrido no prazo de vinte dias do início da ação fiscal. EXCLUSÕES NÃO EFETUADAS PELA FISCALIZAÇÃO. FALTA DE COMPROVAÇÃO. Improcedem alegações que não encontram respaldo em prova material. BASE DE CÁLCULO. LEI Nº 9.718, DE 1998. RECEITAS FINANCEIRAS. A ampliação do conceito de faturamento às demais receitas pela Lei nº 9.718, de 1998, é inconstitucional, segundo decisão definitivo do Plenário do Supremo Tribunal Federal. Recurso Voluntário Provido em Parte Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator. (Assinado digitalmente) Fl. 1DF CARF MF Emitido em 15/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 12/05/2011 por JOSE ANTONIO FRANCISCO Assinado digitalmente em 13/05/2011 por WALBER JOSE DA SILVA, 12/05/2011 por JOSE ANTONIO FRANCISCO 2 Walber José da Silva Presidente (Assinado digitalmente) José Antonio Francisco Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Walber José da Silva, José Antonio Francisco, Fabiola Cassiano Keramidas, Alan Fialho Gandra, Alexandre Gomes e Gileno Gurjão Barreto. Relatório Tratase de recurso voluntário (fls. 777 a 819) apresentado em 1º de março de 2010 contra o Acórdão no 1326.840, de 16 de outubro de 2009, da 4ª Turma da DRJ/RJ2 (fls. 710 a 716), cientificado em 29 de janeiro de 2010, que, relativamente a auto de infração de Cofins dos períodos de março de 1999 a março de 2003, considerou procedente em parte a impugnação, nos termos de sua ementa, a seguir reproduzida: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Data do fato gerador: 31/03/1999, 29/02/2000, 31/03/2000, 30/04/2000, 31/05/2000, 30/06/2000, 30/11/2000, 31/12/2000, 28/02/2001, 31/03/2001, 31/05/2001, 31/07/2001, 31/10/2001, 30/11/2001, 31/01/2002, 28/02/2002, 31/03/2002, 30/04/2002, 30/06/2002, 31/07/2002, 30/09/2002, 31/10/2002, 30/11/2002, 31/12/2002, 31/03/2003 TRIBUTOS E CONTRIBUIÇÕES NÃO DECLARADOS. PAGAMENTO APÓS INÍCIO DA AÇÃO FISCAL. MULTA APLICÁVEL Tributo não declarado cujo pagamento tenha se dado após a ciência do início de procedimento de fiscalização é constituído de ofício, com o acréscimo da multa punitiva de 75%, ainda que o referido pagamento tenha ocorrido no prazo de vinte dias do início da ação fiscal. COFINS. DEVOLUÇÃO DE VENDAS. COMPROVAÇÃO. DEDUÇÃO DA BASE DE CÁLCULO Comprovado pelo contribuinte a existência de devolução de vendas que não foram consideradas pela Fiscalização para efeito de dedução da base de cálculo da Cofins, devem os valores correspondentes ser considerados para efeito de exoneração desta contribuição. Impugnação Procedente em Parte O auto de infração foi lavrado em 13 de agosto de 2004, de acordo com o termo de fls. 341 a 372. Fl. 2DF CARF MF Emitido em 15/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 12/05/2011 por JOSE ANTONIO FRANCISCO Assinado digitalmente em 13/05/2011 por WALBER JOSE DA SILVA, 12/05/2011 por JOSE ANTONIO FRANCISCO Processo nº 19515.001537/200457 Acórdão n.º 330200.983 S3C3T2 Fl. 903 3 A Primeira Instância assim resumiu o litígio: [...] 1. Considerando as bases de cálculo informadas nas Planilhas “INFORMAÇÕES PRESTADAS À SRF” (f1s. 115 a 135), em atendimento à solicitação formulada no Termo de Início de 18/06/02, os valores de receitas escriturados na contabilidade, conforme balancetes mensais apresentados (cópias relativas a 2000 e 2001) e cópias do razão das contas de receita dos anos 2000 a 2002 (todas as cópias no Apenso 1 deste procedimento), os débitos de PIS e COFINS declarados em DCTF e os valores recolhidos através de DARF, foram constatadas diferenças a constituir relativamente aos valores apurados das mencionadas contribuições, conforme os DEMONSTRATIVOS DE SITUAÇÃO FISCAL APURADA JAN/1999 a Dezembro/2003 PIS E COFINS (fls. 368 a 372), parte integrante do presente Termo de Verificação Fiscal, ressaltando que as bases de cálculo informadas pelo contribuinte foram alteradas em decorrência do confronto entre os valores escriturados e os declarados/informados, conforme resume o Anexo “D” (fls. 358 a 361). 2. Cabe esclarecer que o Anexo “D” consolida as divergências apuradas no período em questão, em razão dos débitos efetuados em contas de receita, devoluções de mercadorias a comprovar e outras diferenças apuradas, conforme Anexos “A”, “B” e “C III”, que sintetizam os questionamentos formulados e os argumentos e elementos de prova apresentados pelo contribuinte acerca das referidas divergências. (...) 5. Tendo em vista o exame nos Livros Fiscais e Contábeis, constatamos a ocorrência de lançamentos de débito nas contas de receita (de natureza credora) no período de 1999 a 2001; lançamentos de devolução de mercadorias em valores muito significativos, no período de nov/00 a dez/02; além da divergência entre os valores escriturados nos balancetes mensais apresentados, referentes aos anos calendários 2001 e 2002, (esclarecendo que nesse período a empresa não dispunha dos Livros Razão), intimamos o contribuinte a proceder aos esclarecimentos necessários, apresentando os documentos que respaldassem o procedimento e alertamos que não se encontrava escriturado no Livro Diário a Demonstração de Resultado relativa ao mês de Novembro/01, através do Termo de Intimação Verificações Obrigatórias de 19/02/04. (...) 15. Dessa feita, com base nos lançamentos efetuados nas contas de receita, vendas canceladas, devoluções, outras receitas, conforme cópias anexadas no Apenso 1 deste procedimento, juntamente com os respectivos balancetes, procedemos ao exame das bases de cálculo informadas pelo contribuinte, ajustando Fl. 3DF CARF MF Emitido em 15/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 12/05/2011 por JOSE ANTONIO FRANCISCO Assinado digitalmente em 13/05/2011 por WALBER JOSE DA SILVA, 12/05/2011 por JOSE ANTONIO FRANCISCO 4 conforme demonstram os Anexos “A” Débitos em Contas de Receita não comprovados; “B” Vendas Canceladas / Devoluções não comprovados; e CIII Diferença na Base de Cálculo PIS/COFINS, cuja justificativa da exclusão das receitas não foram comprovadas, sendo essas diferenças consolidadas no Anexo “D” Base de Cálculo PIS/COFINS, apurada cf. Livros Razão e Fiscais, confrontada com a DCTF e INF À SRF. 16. Informamos que as bases de cálculo apuradas no referido Anexo “D” foram inseridas no Sistema Papéis de Fiscalização, conforme planilha denominada “APURAÇÃO DA COFINS” para o período de 1999 a 2002, sendo que para 2003 consideramos as informações do contribuinte na planilha INFORMAÇÕES À SRF, em conjunto com as DCTF’s, sendo que o crédito tributário a constituir encontrase individualizado nas planilhas “DEMONSTRATIVO DE SITUAÇÃO FISCAL APURADA” P.A. 1999 a 2003, cabendo esclarecer que neste procedimento, deixaram de ser considerados os recolhimentos efetuados em 08/07/2003, através de DARF, conforme relacionado no ANEXO “E”, tendo em vista que o contribuinte promoveu o recolhimento durante a ação fiscal, relativamente a débitos não declarados, inclusive fora do prazo previsto pelos artigos 43 e 44 da Lei 9.430/96. 17. Outrossim, ressaltamos que nos períodos correspondentes ao 1 , 2 e 3 Trimestres de 2002 e 3 Trimestre de 2003, não havia declaração de nenhum débito relativo às contribuições ao PIS e COFINS, tendo sido considerados na apuração do crédito tributário somente o recolhimento efetuado à época própria, sendo que o contribuinte procedeu à regularização das declarações, através de DCTF’s Retificadoras, transmitidas em 23/07/04 (1 , 2 e 3º Trimestres de 2002) e 06/08/04 (3 Trimestre de 2003). [...] Alegação 1) Desconsideração de recolhimentos efetuados no período de procedimento espontâneo: O art. 47 da Lei nº 9.430/96 possibilita que o contribuinte submetido à ação de fiscalização, dentro do prazo de 20 dias, pague os tributos em aberto recorrendo ao “procedimento espontâneo”, como forma de se eximir da imposição da multa de ofício. O prazo de 20 dias foi obedecido, uma vez que o procedimento fiscal teve início em 18/06/2003 e os recolhimentos foram efetuados em 08/07/2003. Ao contrário do que afirma o AFRF, a falta de declaração não consiste empecilho para a prática do procedimento espontâneo, uma vez que, mesmo antes da inserção do art. 47 da Lei nº 9.430/96 já era cristalino entendimento que sobre o pagamento de tributos já declarados não recaía multa de ofício. Partindo desta premissa, concluise que, por intermédio do “procedimento espontâneo”, não se pretendeu alcançar os casos em que o débito a ser pago já se encontrava declarado, mas sim se voltou para os casos em que o débito encontravase ainda carente de declaração. Fl. 4DF CARF MF Emitido em 15/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 12/05/2011 por JOSE ANTONIO FRANCISCO Assinado digitalmente em 13/05/2011 por WALBER JOSE DA SILVA, 12/05/2011 por JOSE ANTONIO FRANCISCO Processo nº 19515.001537/200457 Acórdão n.º 330200.983 S3C3T2 Fl. 904 5 Só pode ter sido esta a intenção do legislador ao criar o “procedimento espontâneo” sob pena de se incidir no engodo da impraticabilidade do Direito. Daí dizer que o “procedimento espontâneo” não foi introduzido à toa, mas no sentido de permitir o pagamento de tributos sob fiscalização, independentemente de estarem declarados, excluindose o contribuinte da multa de ofício. Alegação 2) Exclusão de Devolução de Vendas – novembro/2000: A impugnante alega ter efetuado devoluções de vendas no valor total de R$ 3.202.178,84, desconsideradas pelo auditor fiscal. Para fins de prova anexa documentação às folhas 494 a 581. Alegação 3) Não exclusão da “reclassificação de IPI” e recolhimento da Cofins sob código da contribuição para o PIS maio/2001: Alega a impugnante que a fiscal deixou de deduzir da base de cálculo o montante de R$ 118.543,72 referente a “reclassificação de IPI”. Tal dedução consta como “aceita” pelo fiscal, conforme anexo CIII do Auto de Infração (fl. 352), sob o fundamento de que “o crédito foi feito na conta de IPI s/ faturamento, não devendo compor a BC PIS Cofins”. Assim, deduzida a “reclassificação de IPI”, a base de cálculo apurada passa a ser de R$ 2.704.612,84, e conseqüentemente a Cofins devida perfaz R$ 81.138,38. Ocorre que, por equivoco, recolheu a Cofins sob código de PIS, no montante de R$ 75.431,23 (fl. 583). O mesmo erro ocorreu com o PIS, recolhido com código da Cofins, no montante de R$ 16.343,43. Temos assim que o débito de Cofins reduzse a R$ 5.707,15, valor que não será contestado e será pago com redução de multa de ofício (vide fls. 663 a 665). Alegação 4) Exclusão de Devolução de Vendas – julho/2001: A impugnante alega ter efetuado devoluções de vendas no valor total de R$ 2.996.079,92, desconsideradas pelo auditor fiscal. Para fins de prova anexa documentação às folhas 588 a 599. Alegação 5) Exclusão de Devolução de Vendas – janeiro/2002: A impugnante alega ter efetuado devoluções de vendas no valor total de R$ 759.384,40, desconsideradas pelo auditor fiscal. Para fins de prova anexa documentação às folhas 601 a 605. Alegação 6) Receita diferida, variação cambial, receita não identificada – abril/2002: Inicialmente, alega a impugnante erro na apuração do montante devido, uma vez que, nos termos do anexo “CIII” a auditora consente com o fato de que a “Receita Diferida”, no montante de Fl. 5DF CARF MF Emitido em 15/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 12/05/2011 por JOSE ANTONIO FRANCISCO Assinado digitalmente em 13/05/2011 por WALBER JOSE DA SILVA, 12/05/2011 por JOSE ANTONIO FRANCISCO 6 R$ 99.021,21, não é tributada pela contribuição, tendo sido este valor erroneamente incluído na base de cálculo. Com relação à glosa da exclusão de receita de variação cambial, no montante de R$ 26.460,59 (vide anexo CIII, fl.355), alega ter recolhido, em 08/07/2003 o valor de R$ 1.194,65, dentro do prazo para pagamento espontâneo, conforme já abordado na “alegação 1”. O valor recolhido é superior ao devido, considerandose a aplicação da alíquota do tributo sobre o montante glosado, o que resulta em crédito em favor da impugnante. Por fim, alega não ter identificado qual a origem da receita tributada no montante de R$ 324,87. Partindose do montante lançado de R$ 3.774,19, chegase à base de cálculo sobre a qual supostamente deixou de recolher a contribuição, R$ 125.806,33. Deduzindose desta base a “Receita Diferida” e a “Receita de Variação Cambial” abordadas acima obtémse o montante de R$ 324,87, para o qual não há no auto ou em seus anexos qualquer indício de sua procedência, o que atenta ao princípio do contraditório e da ampla defesa. Alegação 7) Receita de variação cambial realizada – junho/2002: A impugnante contesta a apuração efetuada pelo fisco. Alega que da base cálculo sobre a qual teria deixado de recolher a Cofins, R$ 950.474,33, reconhece o débito calculado sobre o montante de R$ 924.265,05, sobre o qual recolheu R$ 27.717,95 durante o período de procedimento espontâneo. Considera indevida, no entanto, a cobrança sobre a diferença de R$ 26.460,59, decorrente de “receita de variação cambial realizada”. Alega não existir, no auto ou em seus anexos, qualquer indício de sua causa, o que constitui flagrante entrave à formulação da defesa. Alegação 8) Devolução de vendas, receita diferida, variação cambial – julho/2002: Inicialmente, a impugnante alega ter efetuado devoluções de vendas no valor total de R$ 1.034.990,52, desconsideradas pelo auditor fiscal. Para fins de prova anexa documentação às folhas 614 a 637. Alega ainda a impugnante erro na apuração do montante devido, uma vez que, nos termos do anexo “CIII” a auditora consente com o fato de que a “Receita Diferida”, no montante de R$ 112.354,54, não é tributada pela contribuição, tendo sido esta importância erroneamente incluída na base de cálculo. Com relação à glosa da exclusão de receita de variação cambial, no montante de R$ 18.169,74 (vide anexo CIII, fl. 355), alega ter recolhido, em 08/07/2003 o valor de R$ 3.013,58, dentro do prazo para pagamento espontâneo, conforme já abordado na “alegação 1”. O valor recolhido é superior ao devido, considerandose a aplicação da alíquota do tributo sobre o montante glosado, o que resulta em crédito em favor da impugnante. Fl. 6DF CARF MF Emitido em 15/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 12/05/2011 por JOSE ANTONIO FRANCISCO Assinado digitalmente em 13/05/2011 por WALBER JOSE DA SILVA, 12/05/2011 por JOSE ANTONIO FRANCISCO Processo nº 19515.001537/200457 Acórdão n.º 330200.983 S3C3T2 Fl. 905 7 Alegação 9) Exclusão de Devolução de Vendas – dezembro/2002: A impugnante alega ter efetuado devoluções de vendas no valor de R$ 413.198,61, desconsideradas pelo auditor fiscal. Para fins de prova anexa documentação às folhas 646 a 655. Conforme ementa reproduzida anteriormente, a DRJ cancelou parte do auto de infração, relativamente às devoluções de vendas comprovadas. Em relação à “reclassificação do IPI”, à “receita diferida” e à “receita de variação cambial realizada”, concluiu o acórdão que já teriam sido considerados na apuração, conforme demonstrativos constantes da decisão. Relativamente aos pagamentos efetuados com outros códigos de recolhimento, considerou não ser possível seu aproveitamento de outro modo que por compensação ou pedido de restituição. No recurso, a Interessada reafirmou a ocorrência de procedimento espontâneo, contestou as conclusões sobre a desconsideração da “reclassificação do IPI” e do recolhimento da Cofins sob código de PIS no período de maio de 2001; afirmou que, no período de abril de 2002, teria havido inclusão indevida de receitas financeiras na base de cálculo; quanto ao período de junho de 2002, alegou que foi incluída na base de cálculo receita de variação cambial, que deveria ser excluída; em relação ao período de julho de 2002, alegou que se trataria de receitas de variação cambial, receitas diferidas e receitas não identificadas. É o relatório. Voto Conselheiro José Antonio Francisco, Relator O recurso é tempestivo e satisfaz os demais requisitos de admissibilidade, dele devendose tomar conhecimento. Não tem razão a Recorrente em relação ao prazo de vinte dias, uma vez, claramente, o art. 47 da Lei no 9.430, de 1996, referese a “tributos e contribuições já declarados”. Isso porque o art. 44 da mesma lei prevê a aplicação de multa de ofício, nos casos de simples “de falta de pagamento ou recolhimento”, além dos casos “de falta de declaração e nos de declaração inexata”. Portanto, é a essa hipótese, e somente a ela, que se aplica a referida disposição. Basta lembrar que, iniciado o procedimento fiscal (art. 7º do Decreto no 70.235, de 1972, e art. 138 do CTN), o contribuinte perde a espontaneidade. Fl. 7DF CARF MF Emitido em 15/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 12/05/2011 por JOSE ANTONIO FRANCISCO Assinado digitalmente em 13/05/2011 por WALBER JOSE DA SILVA, 12/05/2011 por JOSE ANTONIO FRANCISCO 8 Em relação a um valor de PIS que na realidade seria relativo à Cofins, caberia, primeiramente, à Interessada requerer, pelo método próprio, a retificação do Darf, e não à Receita Federal efetuar de ofício tal retificação. Não tomando tal providência, caracterizase eventual recolhimento indevido, que somente seria passível de aproveitamento por meio de compensação. Quanto à reclassificação de IPI e à receita diferida, a Interessada não demonstrou, em seu recurso, estarem incorretas as conclusões do acórdão de primeira instância, que explicitou a apuração da base de cálculo em relação a tal matéria. Ademais, no tocante à alegada receita não identificada, conforme ressaltou o acórdão de primeira instância, “toda a apuração da base de cálculo e do montante da contribuição devida encontramse minuciosamente detalhados, carecendo de sentido a afirmação da existência de “receitas não identificadas” objeto de tributação.” Quanto à receita de variação cambial, tratandose de receita financeira, cabe razão à Interessada. Em relação à inconstitucionalidade da Lei nº 9.718, de 1998, sobreveio, entre a aprovação da diligência e seu retorno, a declaração de inconstitucionalidade da majoração da base de cálculo do PIS e da Cofins. Inicialmente, é preciso esclarecer que o art. 62 do novo Regimento Interno do Carf, Anexo II da Portaria MF nº 256, de 2009, dispõe o seguinte: Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. Parágrafo único. O disposto no caput não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: I que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão plenária definitiva do Supremo Tribunal Federal; ou II que fundamente crédito tributário objeto de: a) dispensa legal de constituição ou de ato declaratório do ProcuradorGeral da Fazenda Nacional, na forma dos arts. 18 e 19 da Lei n° 10.522, de 19 de julho de 2002; b) súmula da AdvocaciaGeral da União, na forma do art. 43 da Lei Complementar n° 73, de 1993; ou c) parecer do Advogado Geral da União aprovado pelo Presidente da República, na forma do art. 40 da Lei Complementar n° 73, de 1993. Dessa forma, se o STF já houver se pronunciado definitivamente pelo seu plenário a respeito da inconstitucionalidade de lei, o parágrafo único, I, do artigo acima citado permite que a aplicação da lei seja afastada. Em 15 de agosto de 2006, publicouse decisão do Pleno do STF no âmbito dos recursos extraordinários 357.950 e 358.273, transitada em julgado em 5 de setembro, que considerou inconstitucionais as alterações das bases de cálculo do PIS e da Cofins promovidas pela Lei nº 9.718, de 1998, art. 3º, § 1º. Fl. 8DF CARF MF Emitido em 15/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 12/05/2011 por JOSE ANTONIO FRANCISCO Assinado digitalmente em 13/05/2011 por WALBER JOSE DA SILVA, 12/05/2011 por JOSE ANTONIO FRANCISCO Processo nº 19515.001537/200457 Acórdão n.º 330200.983 S3C3T2 Fl. 906 9 O Acórdão e a ementa tiveram as seguintes redações: Após os votos dos Senhores Ministros Marco Aurélio (Relator), Carlos Velloso e Sepúlveda Pertence, conhecendo do recurso e provendoo, em parte, e dos votos dos Senhores Ministros Cezar Peluzo e Celso de Mello, provendoo, integralmente, pediu vista dos autos o Senhor Ministro Eros Grau. Falaram, pela recorrente, o Dr. Ives Gandra da Silva Martins e, pela recorrida, o Dr. Fabrício da Soller, Procurador da Fazenda Nacional. Ausente, justificadamente, neste julgamento, o Senhor Ministro Nelson Jobim (Presidente). Presidência da Senhora Ministra Ellen Gracie (VicePresidente). Plenário, 18.05.2005. Decisão: Renovado o pedido de vista do Senhor Ministro Eros Grau, justificadamente, nos termos do § 1º do artigo 1º da Resolução nº 278, de 15 de dezembro de 2003. Presidência do Senhor Ministro Nelson Jobim. Plenário, 15.06.2005. Decisão: O Tribunal, por unanimidade, conheceu do recurso extraordinário e, por maioria, deulhe provimento, em parte, para declarar a inconstitucionalidade do § 1º do artigo 3º da Lei nº 9.718, de 27 de novembro de 1998, vencidos, parcialmente, os Senhores Ministros Cezar Peluso e Celso de Mello, que declaravam também a inconstitucionalidade do artigo 8º e, ainda, os Senhores Ministros Eros Grau, Joaquim Barbosa, Gilmar Mendes e o Presidente (Ministro Nelson Jobim), que negavam provimento ao recurso. Ausente, justificadamente, a Senhora Ministra Ellen Gracie. Plenário, 09.11.2005. CONSTITUCIONALIDADE SUPERVENIENTE ARTIGO 3º, § 1º, DA LEI Nº 9.718, DE 27 DE NOVEMBRO DE 1998 EMENDA CONSTITUCIONAL Nº 20, DE 15 DE DEZEMBRO DE 1998. O sistema jurídico brasileiro não contempla a figura da constitucionalidade superveniente. TRIBUTÁRIO INSTITUTOS EXPRESSÕES E VOCÁBULOS SENTIDO. A norma pedagógica do artigo 110 do Código Tributário Nacional ressalta a impossibilidade de a lei tributária alterar a definição, o conteúdo e o alcance de consagrados institutos, conceitos e formas de direito privado utilizados expressa ou implicitamente. Sobrepõese ao aspecto formal o princípio da realidade, considerados os elementos tributários. CONTRIBUIÇÃO SOCIAL PIS RECEITA BRUTA NOÇÃO INCONSTITUCIONALIDADE DO § 1º DO ARTIGO 3º DA LEI Nº 9.718/98. A jurisprudência do Supremo, ante a redação do artigo 195 da Carta Federal anterior à Emenda Constitucional nº 20/98, consolidouse no sentido de tomar as expressões receita bruta e faturamento como sinônimas, jungindoas à venda de mercadorias, de serviços ou de mercadorias e serviços. É inconstitucional o § 1º do artigo 3º da Lei nº 9.718/98, no que ampliou o conceito de receita bruta para envolver a totalidade das receitas auferidas por pessoas jurídicas, independentemente Fl. 9DF CARF MF Emitido em 15/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 12/05/2011 por JOSE ANTONIO FRANCISCO Assinado digitalmente em 13/05/2011 por WALBER JOSE DA SILVA, 12/05/2011 por JOSE ANTONIO FRANCISCO 10 da atividade por elas desenvolvida e da classificação contábil adotada. Portanto, não estavam sujeitas à contribuição as receitas financeiras, em face da inconstitucionalidade da majoração da base de cálculo pela Lei nº 9.718, de 1998. Por fim, os recolhimentos efetuados pela Interessada no curso da ação fiscal devem ser considerados pela própria Delegacia de origem na apuração do saldo devedor, por imputação proporcional dos pagamentos aos débitos lançados e considerando a redução de 50% da multa de ofício prevista em lei. À vista do exposto e adotando os demais fundamentos, quando cabíveis, do acórdão de primeira instância, com fulcro no art. 50, § 1º, da Lei no 9.784, de 1999, voto por dar provimento parcial ao recurso, para excluir a incidência da contribuição sobre as receitas financeiras e para admitir a alocação dos pagamentos efetuados no curso da ação fiscal, nos termos anteriormente expostos. (Assinado digitalmente) José Antonio Francisco Fl. 10DF CARF MF Emitido em 15/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 12/05/2011 por JOSE ANTONIO FRANCISCO Assinado digitalmente em 13/05/2011 por WALBER JOSE DA SILVA, 12/05/2011 por JOSE ANTONIO FRANCISCO
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Numero do processo: 13985.000173/2007-18
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Fri Apr 15 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Fri Apr 15 00:00:00 UTC 2011
Ementa: Obrigações Acessórias
Período de apuração: 01/02/1999 a 30/09/2006
Ementa: AUTO DE INFRAÇÃO – NÃO LANÇAR EM TÍTULOS PRÓPRIOS DA CONTABILIDADE – Toda empresa é obrigada a lançar, em títulos próprios da contabilidade, de forma discriminada, os fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias.
Recurso voluntário negado.
Numero da decisão: 2301-001.995
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar
provimento ao recurso, nos termos do voto da relatora.
Matéria: Outras penalidades (ex.MULTAS DOI, etc)
Nome do relator: BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS
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ementa_s : Obrigações Acessórias Período de apuração: 01/02/1999 a 30/09/2006 Ementa: AUTO DE INFRAÇÃO – NÃO LANÇAR EM TÍTULOS PRÓPRIOS DA CONTABILIDADE – Toda empresa é obrigada a lançar, em títulos próprios da contabilidade, de forma discriminada, os fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias. Recurso voluntário negado.
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Recurso voluntário negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto da relatora. Marcelo Oliveira Presidente. Bernadete de Oliveira Barros Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcelo Oliveira (Presidente), Bernadete De Oliveira Barros, Damião Cordeiro De Moraes, Mauro Jose Silva, Leonardo Henrique Pires Lopes, Wilson Antonio De Souza Correa. Fl. 1DF CARF MF Emitido em 11/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 05/05/2011 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS Assinado digitalmente em 31/05/2011 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, 31/05/2011 por MARCELO OLIVEIR A 2 Relatório Tratase de Auto de Infração, lavrado em 23/07/2007, por ter a empresa acima identificada deixado de lançar em títulos próprios de sua contabilidade, de forma discriminada, os fatos geradores de todas as contribuições, o montante das quantias descontadas, as contribuições da empresa e os totais recolhidos, infringindo, dessa forma, o art. 32, inciso II, da Lei 8.212/91, c/c o art. 225, inciso II, §§ 13 a 17, do Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto 3.048/99. Conforme Relatório Fiscal da Infração (fls. 06), a empresa não registrou, em contas individualizadas de sua contabilidade, todos os fatos geradores de contribuições sociais de forma a identificar, clara e precisamente, as rubricas integrantes e as não integrantes do salário de contribuição, bem como as contribuições sociais descontadas dos segurados, as a cargo da empresa, os valores retidos de empresas prestadoras de serviços e os totais recolhidos, por estabelecimento, por obra de construção civil e por tomador de serviços, no período de 10/2000 a 01/2004, da matricula CEI n°3.677.001.048/75, de sua responsabilidade. A autoridade autuante informa, ainda, que a empresa também não contabilizou o valor destacado da retenção de 11% para a Previdência Social das notas fiscais de prestação de serviços desde o exercício de 2003 até o exercício de 2006, e pagamento realizado a contribuinte individual. A recorrente impugnou o débito e a Secretaria da Receita Federal do Brasil, por meio do Acórdão 0711.587, da 5a Turma DRJ/FNS (fls. 56), julgou o lançamento procedente. Inconformada com a decisão, a autuada apresentou recurso tempestivo (fls. 95 e seguintes), repetindo basicamente as alegações trazidas na impugnação. Preliminarmente, insiste que houve flagrante extrapolação do prazo legal previsto no parágrafo 3° do art. 117 do Regulamento de Normas Gerais de Direito Tributário do Estado de Santa Catarina, que fixa o prazo de 60 (sessenta) dias para o encerramento da atividade fiscalizatória, o que torna nula a autuação, e reafirma que ocorreu a prescrição da pretensão punitiva quanto às competências mencionadas no auto de infração, por terem ocorrido ainda no ano de 1999, estando todas as demais vinculadas a esta data e, portanto, prescritas. No mérito, destaca que a empresa requerida sempre agiu dentro da legalidade, prestando serviços de terraplanagens para empresas em geral, e administrações públicas, obtendo sempre toda documentação necessária para a regularidade das prestações de serviços, não havendo que se falar em fatos ocorridos ainda nos anos de 1999, 2000 e 2001. Argumenta que o não registro de contas individualizadas não demonstra a ocorrência de nenhum dano aos funcionários ou ao fisco, pois todos foram pagos corretamente, além de terem sido retidos todos os tributos necessários e legalmente devidos, havendo, no caso em questão, ausência de fundamentação para que seja imposta a multa à empresa recorrente, haja vista que essa agiu dentro da coerência, não podendo ser prejudicada por fato que não trouxe nenhuma irregularidade passível de punição. Fl. 2DF CARF MF Emitido em 11/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 05/05/2011 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS Assinado digitalmente em 31/05/2011 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, 31/05/2011 por MARCELO OLIVEIR A Processo nº 13985.000173/200718 Acórdão n.º 230101.995 S2C3T1 Fl. 87 3 Destaca que a empresa recorrente sabe de suas obrigações, e que, embora possivelmente possa ter deixado de registrar as contas individualizadas, certamente o fez seguindo normas direcionadas, afinal, tudo que faziam, era sob o judice de funcionários do INSS, que indicavam diretrizes incorretas e deixavam a empresa incorrer na prática irregular. Insiste na tese de que, se sempre obteve incondicionalmente todas as Certidões Negativas de Débitos Federais e tinha sua matricula efetuada junto ao CEI, não existe qualquer irregularidade por parte da empresa recorrente, considerandose que esta sempre agiu dentro da coerência e da legalidade. Insurgese contra a multa aplicada, asseverando que seu valor é abusivo e possui caráter confiscatório. É o relatório. Fl. 3DF CARF MF Emitido em 11/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 05/05/2011 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS Assinado digitalmente em 31/05/2011 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, 31/05/2011 por MARCELO OLIVEIR A 4 Voto Conselheira Bernadete de Oliveira Barros, Relatora. O recurso é tempestivo e os pressupostos de admissibilidade foram cumpridos. Da análise do recurso apresentado, registro o que se segue. Preliminarmente, a autuada alega nulidade do AI sob o argumento de que houve flagrante extrapolação do prazo legal previsto no parágrafo 3° do art. 117 do Regulamento de Normas Gerais de Direito Tributário do Estado de Santa Catarina, que fixa o prazo de 60 (sessenta) dias para o encerramento da atividade fiscalizatória. Contudo, é objeto do presente processo administrativo fiscal um Auto de Infração por descumprimento de obrigação acessória prevista na legislação Previdenciária, que trata de contribuição social de competência da União e que não se sujeita, portanto, ao citado Regulamento Estadual. O início da ação fiscal, no âmbito da Previdência Social, se dá com a emissão do MPF. A Portaria MPS/SRP N° 3.031/2005, estabelece que: Art. 12. Os MPF terão os seguintes prazos máximos de validade: I cento e vinte dias, nos casos de MPFF e de MPFE; Portanto, como em nenhum momento a legislação que trata das contribuições previdenciárias fixa o prazo de 60 dias para o encerramento da ação fiscal, não há que se falar em nulidade do AI por extrapolação do prazo, como quer a recorrente, por falta de embasamento legal. Por todo o exposto, entendo que o AI não deve ser anulado, mesmo porque o Decreto nº 70.235/72 que dispõe sobre o processo administrativo fiscal, estabelece, em seu art. 59, que são nulos os atos e termos lavrados por pessoa incompetente e os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. No caso presente, não houve a ocorrência de nenhuma das hipóteses de nulidade elencadas acima, já que o AI foi lavrado por autoridade competente e não ficou configurada a preterição do direito de defesa, pois foi dada ciência ao contribuinte do Auto de Infração juntamente com todos os relatórios que o integram, e entre eles o Relatório Fiscal da Infração, que encerra toda informação necessária para proporcionar, à autuada, a ampla defesa. Portanto, rejeito a preliminar de nulidade do Auto. Ainda em preliminar, a autuada entende que ocorreu a prescrição da pretensão punitiva quanto às competências mencionadas no auto de infração, por terem ocorrido ainda no ano de 1999, estando todas as demais vinculadas a esta data e, portanto, prescritas. Fl. 4DF CARF MF Emitido em 11/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 05/05/2011 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS Assinado digitalmente em 31/05/2011 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, 31/05/2011 por MARCELO OLIVEIR A Processo nº 13985.000173/200718 Acórdão n.º 230101.995 S2C3T1 Fl. 88 5 Entretanto, a fiscalização discrimina, no Relatório Fiscal da Infração, todas as irregularidades verificadas nos lançamentos contábeis da empresa, e elas se referem a fatos geradores ocorridos entre as competências 02/99 a 09/06. Dessa forma, nem todas as irregularidades ocorreram no ano de 1999, conforme quer fazer crer a recorrente. Cumpre observar que o auto em tela foi lavrado por descumprimento da obrigação acessória de lançar, em títulos próprios da contabilidade, de forma discriminada, todos os fatos geradores das contribuições previdenciárias, consoante determinação contida no art. 32, inciso II, da Lei 8.212/91: Art. 32. A empresa é também obrigada a I – (...) II lançar mensalmente em títulos próprios de sua contabilidade, de forma discriminada, os fatos geradores de todas as contribuições, o montante das quantias descontadas, as contribuições da empresa e os totais recolhidos; A penalidade pela infração ao dispositivo transcrito acima é a aplicação de uma multa cujo valor independe do número de fatos geradores que foram lançados em título impróprio, ou de forma indiscriminada, ou, em uma mesma conta contábil com outros pagamentos sobre os quais não há incidência de tributo. Portanto, basta a empresa deixar de registrar um fato gerador em título próprio em período não atingido pela decadência para que fique configurada a infração à legislação previdenciária, ensejando a aplicação da penalidade prevista nos dispositivos legais discriminados à fl. 01, e no Relatório Fiscal da Aplicação da Multa. Dessa forma, a decadência não afeta o valor do Auto em discussão, pois engloba competências até 09/06, motivo pelo qual rejeito a preliminar suscitada. No mérito, a recorrente tenta demonstrar que sempre agiu dentro da legalidade, obtendo sempre a CND e que o não registro de contas individualizadas não demonstra a ocorrência de nenhum dano aos funcionários ou ao fisco, pois todos foram pagos corretamente. No entanto, a infração foi cometida e o auto não pode ser cancelado, pois conforme estabelecido pelo CTN em seu art. 136, “Salvo disposição de lei em contrário, a responsabilidade por infração da legislação tributária independe da intenção do agente ou do responsável e da efetividade, natureza e extensão dos efeitos do ato”. Mister lembrar que o descumprimento de obrigações legais, sejam elas acessórias ou principais, sempre prejudica o erário. E é com o objetivo do melhor funcionamento da administração tributária, para que não se faça letra morta à lei e se evite a sonegação fiscal em massa é que o legislador impôs a penalidade pecuniária ao sujeito passivo que vilipendia obrigação legal a todos imposta. Fl. 5DF CARF MF Emitido em 11/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 05/05/2011 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS Assinado digitalmente em 31/05/2011 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, 31/05/2011 por MARCELO OLIVEIR A 6 A empresa tenta imputar a culpa pelos equívocos em seus lançamentos contábeis aos funcionários do INSS, que indicavam diretrizes incorretas e deixavam a empresa incorrer na prática irregular. Todavia, a obrigação de lançar em títulos próprios da contabilidade, de forma discriminada, os fatos geradores de todas as contribuições, o montante das quantias descontadas, as contribuições da empresa e os totais recolhidos está na Lei 8.212/91, e a ninguém é dado o direito de alegar o desconhecimento da lei como justificativa pelo não cumprimento. Portanto a recorrente infringiu obrigação legal a todos imposta e como não é facultado ao servidor público eximirse de aplicar uma lei, a Autoridade Fiscal, ao constatar o descumprimento de obrigação acessória, lavrou corretamente o presente auto, em observância ao art. 33 da Lei 8212/99 e art. 293 do Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto 3.048/99: Art.293. Constatada a ocorrência de infração a dispositivo deste Regulamento, a fiscalização do Instituto Nacional do Seguro Social lavrará, de imediato, autodeinfração com discriminação clara e precisa da infração e das circunstâncias em que foi praticada, dispositivo legal infringido e a penalidade aplicada e os critérios de sua gradação, indicando local, dia, hora de sua lavratura, observadas as normas fixadas pelos órgãos competentes. A autuada insiste em afirmar que pagou a contribuição devida e que sempre obteve a CND. Ocorre que a recorrente confunde multa, penalidade, com contribuição previdenciária. O que a recorrente afirma que sempre pagou é a contribuição previdenciária devida e o que está sendo lançado por meio do AI em tela é a multa de ofício, de caráter punitivo e se refere ao descumprimento de uma obrigação acessória, o que, conforme demonstrado nos autos, ocorreu no presente caso. Portanto, ao se deparar com o descumprimento da obrigação acessória previdenciária, o agente fiscal lavrou corretamente o presente Auto de Infração. A recorrente insurgese, ainda, contra a multa aplicada, alegando que é exorbitante e possui natureza confiscatória. Todavia, verificase que a multa encontra amparo legal na legislação vigente à época do lançamento, discriminada nos relatórios que integram o Auto de Infração, não podendo ser atenuada ou relevada, tendo em vista a não ocorrência das circunstâncias atenuantes previstas no art. 292, inciso V, do Decreto 3.048/99, ou o preenchimento dos requisitos previstos no §1º, do art. 291, do mesmo normativo legal. Cabe destacar, ainda, que a atividade administrativa é plenamente vinculada ao cumprimento das disposições legais. Nesse sentido, o ilustre jurista Alexandre de Moraes ( curso de direito constitucional, 17ª ed. São Paulo. Editora Atlas 2004.314) colaciona valorosa lição: “o tradicional princípio da legalidade, previsto no art. 5º, II, da CF, aplicase normalmente na administração pública, porém de forma mais rigorosa e especial, pois o administrador público somente poderá fazer o que estiver expressamente autorizado em lei e nas demais espécies normativas, inexistindo, pois, incidência de vontade subjetiva. Esse principio coadunase com a própria função Fl. 6DF CARF MF Emitido em 11/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 05/05/2011 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS Assinado digitalmente em 31/05/2011 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, 31/05/2011 por MARCELO OLIVEIR A Processo nº 13985.000173/200718 Acórdão n.º 230101.995 S2C3T1 Fl. 89 7 administrativa, de executor do direito, que atua sem finalidade própria, mas sem em respeito à finalidade imposta pela lei, e com a necessidade de preservarse a ordem jurídica” Portanto, a penalidade aplicada encontra fundamento nos dispositivos legais discriminados nos relatórios que compõem o AI. Também não cabe o entendimento de que a sanção tributária tem a finalidade de desestimular o possível devedor do descumprimento da obrigação a que estiver sujeito, não podendo o direito de propriedade, pois, reiterase, a penalidade pecuniária imposta pelo legislador ao sujeito passivo que vilipendia obrigação legal a todos imposta tem como objetivo o melhor funcionamento da administração tributária, para que não se faça letra morta à lei e se evite a sonegação fiscal em massa. Dessa forma, não pode a legislação dar tratamento igual a um contribuinte que é diligente, cumpre os prazos procedimentais e lança em sua contabilidade, de forma discriminada, todos os fatos geradores da contribuição previdenciária, a um outro contribuinte que não cumpre obrigações acessórias e dificulta a administração tributária ao deixar de registrar, em contas individualizadas de sua contabilidade, todos os fatos relacionados às contribuições sociais, de forma a identificar, clara e precisamente, as rubricas integrantes e as não integrantes do salário de contribuição. Nesse sentido, CONSIDERANDO tudo o mais que dos autos consta; Voto no sentido de CONHECER do recurso para, no mérito, NEGARLHE PROVIMENTO. É como voto. Bernadete de Oliveira Barros Relatora Fl. 7DF CARF MF Emitido em 11/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 05/05/2011 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS Assinado digitalmente em 31/05/2011 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, 31/05/2011 por MARCELO OLIVEIR A
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Numero do processo: 10930.002523/2004-85
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 01 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Tue Mar 01 00:00:00 UTC 2011
Ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP
Período de apuração: 01/04/2003 a 30/06/2003
CRÉDITO. INSUMOS EMPREGADOS NA PRODUÇÃO.
Somente geram crédito de PIS os dispêndios realizados com bens e serviços
utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação
de bens ou produtos destinados à venda, observado as ressalvas legais.
CRÉDITO. MÃODEOBRA.
TRABALHADOR AVULSO. SINDICATO.
CONTRATAÇÃO.
Não geram crédito de PIS os dispêndios realizados com mãodeobra
avulsa,
mesmo tendo sido o trabalho contratado com a intermediação de sindicato da
categoria profissional, com o pagamento realizado ao sindicato para repasse
aos trabalhadores.
RESSARCIMENTO. CORREÇÃO MONETÁRIA.
Por falta de previsão legal, é incabível a incidência de juros pela taxa Selic
sobre os valores recebidos a título de ressarcimento de créditos de PIS na
exportação.
CONSTITUCIONALIDADE. LEIS.
Não cabe à autoridade administrativa julgar os atos legais quanto ao aspecto
de sua constitucionalidade por transbordar os limites de sua competência. Á
ela cabe dar cumprimento ao ordenamento jurídico vigente.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 3302-000.863
Decisão: Acordam os membros do colegiado, pelo voto de qualidade, em negar
provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator. Vencidos os conselheiros
Gileno Gurjão Barreto, Alexandre Gomes e Andréa Medrado Darzé, que reconheciam o direito
ao crédito sobre as despesas com equipamentos de proteção individual.
Nome do relator: WALBER JOSE DA SILVA
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ementa_s : ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/04/2003 a 30/06/2003 CRÉDITO. INSUMOS EMPREGADOS NA PRODUÇÃO. Somente geram crédito de PIS os dispêndios realizados com bens e serviços utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, observado as ressalvas legais. CRÉDITO. MÃODEOBRA. TRABALHADOR AVULSO. SINDICATO. CONTRATAÇÃO. Não geram crédito de PIS os dispêndios realizados com mãodeobra avulsa, mesmo tendo sido o trabalho contratado com a intermediação de sindicato da categoria profissional, com o pagamento realizado ao sindicato para repasse aos trabalhadores. RESSARCIMENTO. CORREÇÃO MONETÁRIA. Por falta de previsão legal, é incabível a incidência de juros pela taxa Selic sobre os valores recebidos a título de ressarcimento de créditos de PIS na exportação. CONSTITUCIONALIDADE. LEIS. Não cabe à autoridade administrativa julgar os atos legais quanto ao aspecto de sua constitucionalidade por transbordar os limites de sua competência. Á ela cabe dar cumprimento ao ordenamento jurídico vigente. Recurso Voluntário Negado
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INSUMOS EMPREGADOS NA PRODUÇÃO. Somente geram crédito de PIS os dispêndios realizados com bens e serviços utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, observado as ressalvas legais. CRÉDITO. MÃODEOBRA. TRABALHADOR AVULSO. SINDICATO. CONTRATAÇÃO. Não geram crédito de PIS os dispêndios realizados com mãodeobra avulsa, mesmo tendo sido o trabalho contratado com a intermediação de sindicato da categoria profissional, com o pagamento realizado ao sindicato para repasse aos trabalhadores. RESSARCIMENTO. CORREÇÃO MONETÁRIA. Por falta de previsão legal, é incabível a incidência de juros pela taxa Selic sobre os valores recebidos a título de ressarcimento de créditos de PIS na exportação. CONSTITUCIONALIDADE. LEIS. Não cabe à autoridade administrativa julgar os atos legais quanto ao aspecto de sua constitucionalidade por transbordar os limites de sua competência. Á ela cabe dar cumprimento ao ordenamento jurídico vigente. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, pelo voto de qualidade, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator. Vencidos os conselheiros Fl. 1DF CARF MF Emitido em 03/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 02/03/2011 por WALBER JOSE DA SILVA Assinado digitalmente em 02/03/2011 por WALBER JOSE DA SILVA 2 Gileno Gurjão Barreto, Alexandre Gomes e Andréa Medrado Darzé, que reconheciam o direito ao crédito sobre as despesas com equipamentos de proteção individual. (assinado digitalmente) WALBER JOSÉ DA SILVA Presidente e Relator EDITADO EM: 02/03/2011 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Walber José da Silva, José Antonio Francisco, Andréa Medrado Darzé, Alan Fialho Gandra, Alexandre Gomes e Gileno Gurjão Barreto. Relatório Trata o processo de Pedido de Ressarcimento de Créditos da Contribuição para o PIS/Pasep Mercado Externo (fl. 01), protocolizado em 30/07/2004, relativo ao 2º trimestre/2003, apurado no regime de incidência nãocumulativa, com fundamento na Lei n° 10.637/2002. Posteriormente, a recorrente apresentou declarações de compensação vinculadas ao seu pedido de ressarcimento. A DRF em Londrina/PR, por meio do Despacho Decisório de fl. 354, deferiu parcialmente o pedido da recorrente, tendo efetuado a glosa de créditos concernentes aos custos/despesas com serviços relacionados às fls. 332/333 e aos pagamentos feitos a Sindicato de Trabalhadores e considerou, para efeitos de base de cálculo da contribuição, receitas financeiras não computadas pela recorrente. Ciente da decisão, a empresa interessada ingressou com a manifestação de inconformidade de fls. 366/389, cujas razões estão sintetizadas no relatório do acórdão recorrido, que leio em sessão. A 3a Turma de Julgamento da DRJ em Curitiba PR indeferiu a solicitação da recorrente, nos termos do Acórdão no 0620.173, de 03/12/2008, cuja ementa abaixo transcrevo: BASE DE CÁLCULO. CRÉDITOS. INSUMOS. No cálculo do PIS, o sujeito passivo poderá descontar créditos calculados sobre valores correspondentes a insumos, assim entendidos os bens ou serviços aplicados ou consumidos diretamente na produção ou fabricação de bens e na prestação de serviços. PIS NÃOCUMULATIVA. DESPESAS COM MÃODEOBRA PESSOA FÍSICA. RESSARCIMENTO. IMPOSSIBILIDADE. •No sistema de nãocumulatividade, não geram créditos passíveis de desconto do PIS, as despesas com mãodeobra Fl. 2DF CARF MF Emitido em 03/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 02/03/2011 por WALBER JOSE DA SILVA Assinado digitalmente em 02/03/2011 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 10930.002523/200485 Acórdão n.º 330200.863 S3C3T2 Fl. 503 3 pessoa física, ainda que pagas por meio de sindicato da categoria, por força da • legislação. TRIBUTAÇÃO. RECEITAS FINANCEIRAS. A contribuição para o PIS incide sobre a totalidade das receitas auferidas pela pessoa jurídica, sendo irrelevantes o tipo de atividade por ela exercida e a classificação contábil adotada para as receitas. As exclusões permitidas da base de cálculo são apenas as listadas de forma taxativa na legislação de regência. RESSARCIMENTO. JUROS EQUIVALENTES A TAXA SELIC. FALTA DE PREVISÃO LEGAL. É incabível a incidência de juros compensatórios com base na taxa SELIC sobre valores recebidos a título de ressarcimento de créditos relativos ao PIS, por falta de previsão legal. A recorrente tomou ciência da decisão de primeira instância no dia 09/02/2009, conforme AR de fl. 460, e, discordando da mesma, ingressou, no dia 04/03/2009, com o recurso voluntário de fls. 461/487, no qual reprisa os argumentos da manifestação de inconformidade, que abaixo resumo no essencial. 1 insumo é uma combinação dos fatores de produção (matériasprimas, horas trabalhadas, energia consumida, taxa de amortização, etc.) que entram na produção de determinada quantidade de bens ou serviço. Portanto, o conceito de insumo alcança tudo aquilo que é consumido em um processo, seja para fabricação de bens ou prestação de serviços e/ou aquilo que é utilizado pela empresa para desenvolver e atingir o seu objetivo social. Por este conceito, são dispêndios financeiros (gastos) com insumos os gastos realizados com a aquisição dos seguintes bens e serviços: Alimentação; Cesta Básica; Vale Transporte; Assistência Médica/Odontológica; Uniforme e Vestuário; Equipamento de Proteção Individual; Materiais de Manutenção/Conservação; Materiais Químicos e de Laboratórios; Materiais de Limpeza; Materiais de Expediente; Lubrificantes e Combustíveis; Outros Materiais de Consumo; Serviço Temporário; Serviços de Segurança e Vigilância; Serviços de Conservação e Limpeza; Serviços de Manutenção e Reparos; Outros Serviços de Terceiros; Exportação e Gastos Gerais. 2 A Delegacia da Receita Federal do Brasil em Londrina/PR reconhece o direito ao crédito da contribuição ao PIS/Pasep sobre os valores dos custos/despesas das seguintes rubricas: Materiais de manutenção, serviços de industrialização, serviços de manutenção, combustíveis e lubrificantes; 3 Discorre sobre a natureza jurídica dos sindicatos, alega que não contratou mãodeobra de pessoa física e, com relação aos serviços prestados pelo Sindicato dos Trabalhadores na Movimentação de Mercadorias em Geral, alega que a Delegacia da Receita Federal do Brasil em Londrina/PR alterou o seu posicionamento para o fim de validar e legitimar os créditos da contribuição ao PIS/Pasep sobre os valores dos pagamentos efetuados ao referido sindicato, conforme transcrição abaixo (Processo Administrativo n° 16366.003268/200779 PIS Nãocumulativo do 2° TR/2007 fls. 363): b.3) Serviço temporário Fl. 3DF CARF MF Emitido em 03/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 02/03/2011 por WALBER JOSE DA SILVA Assinado digitalmente em 02/03/2011 por WALBER JOSE DA SILVA 4 Constatei ainda que em relação ao item "Serviço Temporário", os dispêndios também contemplam insumos cuja aplicação foi feita diretamente na fabricação de produtos destinados à venda, e pagos para pessoas jurídicas estabelecidas no país. Cabe salientar, a título de ilustração e para estabelecer diferenciação dos serviços mencionados nos itens 1 a 15, que os pagamentos relativos ao item "serviço temporário" foram feitos para outra empresa proceder, mediante cessão de sua mãode obra, serviços que implicam no manuseio direto da matéria prima (café) utilizado pela empresa requerente em seu parque industrial. (grifei) 4 é ilegal a inclusão de receitas financeiras na base de cálculo do PIS porque o disposto no artigo 3°, §1º da Lei nº 9.718/98 extrapolou o conceito de faturamento previsto na legislação societária, contábil e fiscal. Discorre sobre o conceito de receita; 5 não prospera a alegação da decisão recorrida de que as receitas financeiras integram a base de cálculo da contribuição social ao PIS em razão da Lei nº 10.637/2002 porque a EC nº 20/2003 acabou por determinar que a legislação infraconstitucional definirá os setores de atividade econômica para os quais a contribuição ao PIS será nãocumulativa. É, portanto, ilegal e inconstitucional a exigência do PIS sobre as receitas financeiras; 6 sobre a forma de apuração da receita decorrente de contratos de renda fixa e renda variável, a recorrente entende que os ajustes diários são marcações diárias dos ativos financeiros e devem ser calculados na forma que exemplifica, apurados no mês, considerando as perdas e os pagamentos efetuados pela outra parte contratante; 7 o valor a ressarcir deve ser atualizado pela Taxa Selic, conforme previsto no art. 39, § 4º da Lei nº 9.250/95. Cita decisão da CSRF sobre aplicação da taxa Selic no ressarcimento de crédito presumido de IPI (art. 1º da lei nº 9.363/96); Na forma regimental, o recurso voluntário foi a mim distribuído. É o relatório do essencial Voto Conselheiro Walber José da Silva O recurso voluntário é tempestivo e atende aos demais requisitos legais. Dele conheço. Como relatado, a empresa recorrente está pleiteando o ressarcimento de PIS não cumulativo, cujo crédito pleiteado foi aproveitado para efetuar a compensação com débitos também da recorrente, devidamente declarados à RFB. A RFB deferiu parte do crédito pleiteado por ter efetuado a glosa de créditos sobre despesas que não se enquadram no conceito de insumo e/ou que não existe previsão legal, além de incluir receita financeiras na base de cálculo da exação. Com relação aos créditos, a RFB efetuou a glosa em relação aos seguintes gastos da recorrente: Fl. 4DF CARF MF Emitido em 03/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 02/03/2011 por WALBER JOSE DA SILVA Assinado digitalmente em 02/03/2011 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 10930.002523/200485 Acórdão n.º 330200.863 S3C3T2 Fl. 504 5 1. Alimentação; 2. Cesta básica; 3. Vale transporte; 4. Assistência médica/odontológica; 5. Uniforme e vestuário; 6. Equipamento de proteção individual; 7. Matérias de manutenção/conservação; 8. Materiais químicos e de laboratórios; 9. Materiais de limpeza; 10.Materiais de expediente; 11.Lubrificantes e combustíveis; (exceto os utilizados na indústria) 12.Outros materiais de consumo; 13.Serviço temporário, contratado com sindicato; 14.Serviços de segurança e vigilância; 15.Serviços de conservação e limpeza; 16.Serviços de manutenção e reparos; 17.Outros serviços de terceiros; 18.Exportação; 19.Gastos gerais. Adoto integralmente os fundamentos da decisão recorrida quando à legitimidade das glosas efetuadas pela RFB, aos quais acrescento os argumentos abaixo. Em sua defesa, a recorrente parte de um equivocado conceito de insumo, tanto do ponto de vista fiscal, como econômico ou fabril. Em termos fiscais, a Lei nº 10.637/2002, em seu artigo 3º, afirma que o contribuinte poderá descontar créditos calculados em relação a “bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda”. Não precisa muito esforço de hermenêutica jurídica para concluir que equivocase a recorrente quando afirma que insumo é tudo “aquilo que é utilizado pela empresa para desenvolver e atingir o seu objetivo social”. Como bem disse a decisão recorrida, os insumos são consumidos ou aplicados diretamente na produção ou fabricação de bens e produtos. Os outros dispêndios não relacionados diretamente com a produção dos bens são custos indiretos e somente geram direito a crédito se houver expressa previsão legal. Fl. 5DF CARF MF Emitido em 03/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 02/03/2011 por WALBER JOSE DA SILVA Assinado digitalmente em 02/03/2011 por WALBER JOSE DA SILVA 6 Nesse passo, as despesas realizadas com os bens e serviços acima listados não geram direito a crédito ou por não se constituírem em insumo ou por existir expressa vedação legal, quando forem insumos, como é o caso de mãodeobra adquirida de pessoa física, inclusive via sindicato de trabalhadores. Esclareçase que não foi realizado glosa de gastos com materiais de manutenção de máquinas industriais, com serviços de industrialização prestado por pessoa jurídica, com serviços de manutenção de máquinas industriais prestado por pessoa jurídica e com combustíveis e lubrificantes utilizados no processo produtivo. Portanto, não há que se falar em mudança de entendimento da DRF Londrina. Sobre os gastos com serviços temporários, realizados via sindicato de trabalhadores, enganas e a recorrente quando afirma que a DRF Londrina admite o crédito para tais gastos. Os gastos admitidos pela DRF em Londrina, a que se refere o processo nº 16366.003268/200779, foram feitos para outra empresa, pela cessão de sua mãodeobra, e não a sindicato, pela contratação da mãodeobra de seus filiados. Quanto à inclusão das receitas financeiras na base de cálculo do PIS, não conheço dos argumentos da recorrente sobre a ilegalidade e inconstitucionalidade da Lei nº 10.637/02, por força do que dispõe a Súmula CARF nº 2, abaixo reproduzida. Súmula CARF nº 2 O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Quanto à forma de contabilização e apuração da receita financeira incluída na base de cálculo do PIS, também não vejo reparos a fazer na decisão recorrida, cujos fundamentos adoto. De fato, o procedimento adotado pela recorrente, abaixo descrito pela autoridade da RFB, teve como conseqüência a não tributação da receita financeira, corretamente incluído na base de cálculo pela RFB. Em relação às receitas acima verifiquei que a empresa requerente contabiliza, incorretamente, tanto os ganhos/rendimentos quanto os prejuízos/perdas na mesma conta contábil, conforme razão contábil às fls. 311 a 326 e balancetes contábeis (fls. 43, 63 e 83). Assim, por exemplo, a conta " Rendimentos de Mercado Futuro" (fis. 315 a 317) registra valores positivos (ganhos) e também valores negativos (perdas). Percebese pelo razão que tais valores (negativos) não se constituem em estornos (que seriam registros devedores) e sim que a requerente realmente escritura tanto os ganhos quanto as perdas na mesma conta. Quando efetua algum estorno, como em 23.06.2003 (fls. 317), o histórico do lançamento espelha esta situação. [...] Assim, novamente no exemplo mencionado anteriormente, a requerente registrou a crédito da conta 85101010 — Rendimentos de Mercado Futuro, no mês de abril de 2003, o valor de R$2.656.932,75. Registrou também a débito, o valor de R$ 413.361,95 como perda com a referida aplicação (fls. 315/316). Não houve registro na conta de perdas de mercado futuro, desta forma o valor registrado a débito reduziu o valor Fl. 6DF CARF MF Emitido em 03/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 02/03/2011 por WALBER JOSE DA SILVA Assinado digitalmente em 02/03/2011 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 10930.002523/200485 Acórdão n.º 330200.863 S3C3T2 Fl. 505 7 oferecido à tributação pela requerente, que foi de R$ 2.243.570,80 (fls. 127). Portanto, para efeitos da legislação comercial, a requerente deveria registrar apenas o valor dos rendimentos na conta 85101010 (R$ 2.656.932,75) e o valor de R$ 413.361,95 na conta 85203003. Ao agir da forma acima, a requerente não ofereceu à tributação da contribuição para o PIS o valor de R$ 413.361,95. Por fim, pretende a recorrente que incida a taxa Selic no valor do ressarcimento pleiteado, pelos fundamentos que cita. Ratifico o entendimento da decisão recorrida de que não há previsão legal para a incidência da taxa Selic no ressarcimento e que este instituto não se confunde com a restituição. O ressarcimento em tela é uma modalidade de aproveitamento de créditos do PIS/Pasep (art. 5º, § 2º, da Lei nº 10.637/02), ao passo que a restituição, prevista no art. 165 do Código Tributário Nacional (CTN), é a devolução, ao contribuinte (de direito) de valores referentes a tributos ou contribuições pagos indevidamente ou a maior que os valores devidos, pelo sujeito passivo, ou seja, de receita que ingressou nos cofres da Fazenda Nacional e que não lhe pertencia de direito. Ambos são despesa pública e, como tal, a sua realização deve obedecer aos estritos limites da lei, independente do tipo de dispêndio. No mais, com fulcro no art. 50, § 1o, da Lei no 9.784/19991, adoto e ratifico os fundamentos do acórdão de primeira instância. Por tais razões, voto no sentido de negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Walber José da Silva 1 Art. 50. Os atos administrativos deverão ser motivados, com indicação dos fatos e dos fundamentos jurídicos, quando: [. . .] § 1o A motivação deve ser explícita, clara e congruente, podendo consistir em declaração de concordância com fundamentos de anteriores pareceres, informações, decisões ou propostas, que, neste caso, serão parte integrante do ato. Fl. 7DF CARF MF Emitido em 03/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 02/03/2011 por WALBER JOSE DA SILVA Assinado digitalmente em 02/03/2011 por WALBER JOSE DA SILVA
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