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Numero do processo: 10980.000386/2002-97
Turma: Terceira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jan 28 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Thu Feb 19 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/01/1997 a 31/12/1997
AUTO DE INFRAÇÃO. REVISÃO DO LANÇAMENTO. ÔNUS DA PROVA.
O ônus da prova recai sobre a pessoa que alega o direito ou o fato que o modifica, extingue ou que lhe serve de impedimento, devendo prevalecer a decisão administrativa não infirmada com documentação hábil e idônea.
NORMAS PROCESSUAIS. ARGUMENTOS DE DEFESA. INOVAÇÃO EM SEDE DE RECURSO. PRECLUSÃO.
Não se conhecem dos argumentos de defesa trazidos apenas em grau de recurso, em relação aos quais não se manifestou a autoridade julgadora de primeira instância, dada a configuração da preclusão processual.
Numero da decisão: 3803-006.857
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
Corintho Oliveira Machado - Presidente.
(assinado digitalmente)
Hélcio Lafetá Reis - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Corintho Oliveira Machado (Presidente), Hélcio Lafetá Reis (Relator), Belchior Melo de Sousa, Carolina Gladyer Rabelo, Paulo Renato Mothes de Moraes e Samuel Luiz Manzotti Riemma.
Nome do relator: HELCIO LAFETA REIS
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REVISÃO DO LANÇAMENTO. ÔNUS DA PROVA. O ônus da prova recai sobre a pessoa que alega o direito ou o fato que o modifica, extingue ou que lhe serve de impedimento, devendo prevalecer a decisão administrativa não infirmada com documentação hábil e idônea. NORMAS PROCESSUAIS. ARGUMENTOS DE DEFESA. INOVAÇÃO EM SEDE DE RECURSO. PRECLUSÃO. Não se conhecem dos argumentos de defesa trazidos apenas em grau de recurso, em relação aos quais não se manifestou a autoridade julgadora de primeira instância, dada a configuração da preclusão processual. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Corintho Oliveira Machado Presidente. (assinado digitalmente) Hélcio Lafetá Reis Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Corintho Oliveira Machado (Presidente), Hélcio Lafetá Reis (Relator), Belchior Melo de Sousa, Carolina Gladyer Rabelo, Paulo Renato Mothes de Moraes e Samuel Luiz Manzotti Riemma. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 98 0. 00 03 86 /2 00 2- 97 Fl. 283DF CARF MF Impresso em 19/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/01/2015 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 16/02/2015 p or CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 29/01/2015 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 10980.000386/200297 Acórdão n.º 3803006.857 S3TE03 Fl. 284 2 Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto em contraposição à decisão da DRJ Curitibia/PR que julgou improcedente a Impugnação manejada pelo contribuinte supra identificado em decorrência da lavratura de auto de infração eletrônico em que se exigiram parcelas da Cofins do período sob comento, no montante de R$ 106.821,08, incluídos os acréscimos legais, tendo por fundamento a não comprovação do processo judicial informado em DCTF para justificar a suspensão da exigibilidade da contribuição. Em sua Impugnação, o contribuinte requereu o cancelamento do auto de infração, alegando que o débito declarado havia sido quitado por meio de um DARF no valor de R$ 145.616,10, bem como por meio de outros DARFs e depósitos judiciais, recolhimentos esses realizados em conformidade com o art. 10 da Medida Provisória nº 18588, de 27 de agosto de 1999, que alterou o art. 17 da Lei n.° 9779, de 19 de janeiro de 1999. Posteriormente, por provocação da DRJ Curitiba/PR, o contribuinte trouxe aos autos cópias de peças processuais da ação judicial que havia sido informada na DCTF, transitada em julgado em 10 de abril de 2000, em que se pleiteara, sem sucesso, o reconhecimento da imunidade prevista no art. 146, inciso VI, alínea “d”, da Constituição Federal, para fins de exoneração da Cofins. Com base na Nota Técnica Conjunta Corat/Cofis/Cosit nº 32, de 19/09/2002, a repartição de origem procedeu à revisão do auto de infração, tendo consignado que os depósitos judiciais referenciados pelo Impugnante já haviam sido convertidos em renda da União, devendo, portanto, os valores correspondentes serem excluídos do auto de infração. Quanto ao valor remanescente do lançamento, o contribuinte alegou que tais débitos haviam sido pagos tempestivamente em 30/09/1999, através um único DARF no valor de R$145.616,10, guia essa emitida com o número do CNPJ do estabelecimentomatriz. Tendo a Fiscalização detectado que o referido DARF havia sido apresentado como prova no bojo dos processos administrativos n° 10980.000.361/200293 e 10980.000.352/200201, em nome de filiais do contribuinte, solicitouse a apresentação de planilha de cálculo demonstrativa do valor recolhido. Após a prorrogação, por mais de uma vez, do prazo para atender a intimação, o contribuinte alegou que, embora tivesse empreendido esforços no sentido de obter os dados necessários para composição dos valores respectivos, não foi possível localizar a documentação necessária, tendo em vista o lapso de tempo transcorrido, o qual atingia então quase 10 anos. Nesse contexto, considerou a Fiscalização que o referido DARF não podia ser acatado como prova da quitação das contribuições relacionadas no auto de infração, sendo mantido o valor do crédito tributário de R$ 102.334,68. O acórdão da DRJ Curitiba/PR restou ementado nos seguintes termos: Fl. 284DF CARF MF Impresso em 19/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/01/2015 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 16/02/2015 p or CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 29/01/2015 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 10980.000386/200297 Acórdão n.º 3803006.857 S3TE03 Fl. 285 3 ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL – COFINS Período de apuração: 01/01/1997 a 30/04/1997, 01/11/1997 a 30/11/1997 AUDITORIA INTERNA DE DCTF. DECLARAÇÃO INEXATA. Presente a falta de recolhimento e a declaração inexata, apuradas em auditoria interna de DCTF, autorizada está a formalização de ofício do crédito tributário correspondente. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Considerou o julgador de piso que, não tendo o contribuinte se eximido de demonstrar os valores compreendidos no pagamento global de R$ 145.616,10, relativamente aos débitos remanescentes após a revisão do lançamento, a exigência correspondente devia ser mantida, não se podendo acatar o pedido genérico de anulação do auto de infração, na medida em que fora lavrado por autoridade competente. Cientificado da decisão em 13 de maio de 2010, o contribuinte interpôs Recurso Voluntário em 14 de junho de 2010 e reiterou seu pedido de cancelamento do auto de infração, alegando a “abusividade da autuação”, a ilegalidade dos juros exigidos com base na taxa Selic e o caráter confiscatório da multa de ofício. Destacou o Recorrente que a autoridade fiscal, mais uma vez, não se atentara para os recolhimentos e depósitos já realizados nos respectivos períodos, fato esse que exigia ampla revisão do lançamento. É o relatório. Voto Conselheiro Hélcio Lafetá Reis O recurso é tempestivo, atende as demais condições de admissibilidade e dele tomo conhecimento. De início, registrese que não se analisarão aqui os argumentos trazidos aos autos somente em sede de recurso, relativos à ilegalidade dos juros exigidos com base na taxa Selic e nem o caráter confiscatório da multa de ofício. Nos termos do art. 17 do Decreto nº 70.235, de 1972, considerase não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante. Tratase de inovação da defesa operada em sede de recurso voluntário, configurandose matéria preclusa em razão de sua não exposição na primeira instância administrativa, não tendo sido examinada pela autoridade julgadora de piso, o que contraria o princípio do duplo grau de cognição, bem como o do contraditório e o da ampla defesa. Fl. 285DF CARF MF Impresso em 19/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/01/2015 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 16/02/2015 p or CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 29/01/2015 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 10980.000386/200297 Acórdão n.º 3803006.857 S3TE03 Fl. 286 4 Humberto Theodoro Júnior1 nos ensina que preclusão é “a perda da faculdade ou direito processual, que se extinguiu por não exercício em tempo útil”. Ainda segundo o mestre, com a preclusão, “evitase o desenvolvimento arbitrário do processo, que só geraria a balbúrdia, o caos e a perplexidade para as partes e o juiz”. Nesse sentido, as inovações devem ser afastadas por se referirem a matéria não impugnada no momento processual devido. Remanesce controvertida nos autos, portanto, apenas a questão relativa à ausência de demonstração e de comprovação dos débitos abarcados pelo pagamento global no montante de R$ 145.616,10. Tendo em vista que referido recolhimento se realizara sob o CNPJ da matriz, mas abarcando débitos de filiais da mesma pessoa jurídica, débitos esses controvertidos no âmbito dos processos administrativos n° 10980.000.361/200293 e 10980.000.352/200201, e não tendo o Recorrente se eximido de demonstrar, período por período, bem como estabelecimento por estabelecimento, os valores englobados pelo recolhimento, temse por prejudicada a sua defesa em razão da fragilidade da prova exigida pelo fato em questão. Destaquese que os débitos dos referidos processos administrativos em nome das filiais encontramse, desde 2010, inscritos na dívida ativa na Procuradoria da Fazenda Nacional do Paraná, conforme pesquisa efetuada no sítio da Receita Federal na internet em 02/01/2015. Mostrase relevante destacar, no presente caso, que o Recorrente, durante a revisão do lançamento de ofício efetuada nos termos da Nota Técnica Conjunta Corat/Cofis/Cosit nº 32, de 19/09/2002, fora intimado a comprovar e demonstrar os débitos abrangidos pelo pagamento global de R$ 145.616,10, não tendo ele se desincumbido desse dever mesmo após duas prorrogações do prazo para atendimento da intimação e nem mesmo na fase de recurso, alegando, de forma genérica, que se tratava de fatos ocorridos havia quase 10 anos, cuja documentação não havia sido localizada. Esse agir do Recorrente não se encontra em consonância com a obrigação legal prevista no parágrafo único do art. 195 do Código Tributário Nacional (CTN), que determina que “Os livros obrigatórios de escrituração comercial e fiscal e os comprovantes dos lançamentos neles efetuados serão conservados até que ocorra a prescrição dos créditos tributários decorrentes das operações a que se refiram.” Como no processo administrativo ocorre a suspensão da exigibilidade do crédito tributário, nos termos do art. 151, III, do CTN, o contribuinte encontrase obrigado a conservar os documentos de interesse fiscal enquanto não configurada a definitividade do lançamento. Salientese, também, que o Recorrente não faz qualquer referência aos débitos controvertidos nos processos administrativos das filiais, em que o mesmo pagamento servira de prova, nem mesmo um demonstrativo discriminando os valores devidos em cada processo, nada acrescentando em seu Recurso Voluntário. 1 HUMBERTO, Theodoro Júnior. Curso de direito processual civil. vol. 1. Rio de Janeiro: Forense, 2003, p. 225 226. Fl. 286DF CARF MF Impresso em 19/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/01/2015 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 16/02/2015 p or CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 29/01/2015 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 10980.000386/200297 Acórdão n.º 3803006.857 S3TE03 Fl. 287 5 De acordo com o art. 16 do Decreto n° 70.235, de 1972, que regula o Processo Administrativo Fiscal (PAF), cabe ao impugnante o ônus da prova de suas alegações contrapostas à decisão administrativa devidamente fundamentada, prova essa que deve ser apresentada na primeira instância administrativa. O referido art. 16 do PAF assim dispõe: Art. 16. A impugnação mencionará: I a autoridade julgadora a quem é dirigida; II a qualificação do impugnante; III os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir; (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) – Grifei (...) § 4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior;(Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) b) refirase a fato ou a direito superveniente;(Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos.(Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) Em conformidade com o excerto supra, temse que o ônus da prova recai sobre a pessoa que alega o direito ou o fato que o modifica, extingue ou que lhe serve de impedimento, devendo prevalecer a decisão administrativa que manteve parcialmente o lançamento, amparada em informações declaradas pelo próprio sujeito passivo, presentes nos sistemas da Receita Federal, informações essas não infirmadas com documentação hábil e idônea. Destaquese que nem mesmo após a Delegacia de Julgamento ter alertado o Recorrente da necessidade de comprovação dos débitos abrangidos pelo pagamento, com base em documentos hábeis e idôneos, ele se predispôs a instruir os autos com qualquer elemento de sua escrita fiscal, nem mesmo a discriminar as parcelas do recolhimento que seriam devidas por período e por estabelecimento. Abrir a possibilidade de produção de novas provas, a meu ver, ainda que em consonância com o princípio da verdade material, configura afronta à obrigatoriedade de atuação da Administração em conformidade com a lei e o Direito e à adequação entre meios e fins (art. 2º, parágrafo único, da Lei nº 9.784, de 1999), assim como ao dever do administrado de apresentar os documentos comprobatórios do direito alegado antes das decisões administrativas e de prestar todas as informações necessárias ao esclarecimento dos fatos (art. 3º, III, e 4º, IV, da Lei nº 9.784, de 1999). Fl. 287DF CARF MF Impresso em 19/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/01/2015 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 16/02/2015 p or CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 29/01/2015 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 10980.000386/200297 Acórdão n.º 3803006.857 S3TE03 Fl. 288 6 Mesmo considerando o princípio da busca pela verdade material, em que a apuração da verdade dos fatos pelo julgador administrativo vai além das provas trazidas aos autos pelo interessado, nos casos da espécie ao ora analisado, a prova encontrase em poder do próprio sujeito passivo, e uma vez tendo sido ele devidamente intimado a esclarecer os fatos, pois que relativo a um direito que ele alega ser detentor, temse por não comprovadas as alegações aqui apresentadas. Destaquese que, em razão da falta de prova que o Recorrente afirma não ter sido localizada, um eventual retorno dos autos à repartição de origem para a reabertura da apreciação do presente feito não encontra respaldo na legislação processual tributária, pois, conforme nos leciona James Marins, “[a] flexibilização generalizada do regime de fases e de preclusões processuais fragiliza a segurança do processo e não pode ser admitida mesmo sob invocação do princípio da formalidade moderada, por atingir axioma ínsito ao conceito ontológico do procedimento e do processo entendido cedere pro” 2 (ir para a frente). Ora, “o poder instrutório das autoridades de julgamento não pode levar a invasão da esfera de responsabilidade dos interessados em provar os fatos necessários à sua defesa. Segundo Bonilha3, “o caráter oficial da atuação dessas autoridades e o equilíbrio e imparcialidade com que devem exercer as suas atribuições, inclusive a probatória, não lhes permite substituir as partes ou suprir a prova que lhes incumbe carrear para o processo” 4. Nesse contexto, voto por NEGAR PROVIMENTO ao recurso. É como voto. (assinado digitalmente) Hélcio Lafetá Reis – Relator 2 MARINS, James. Direito processual tributário brasileiro (administrativo e judicial). 7. ed. São Paulo: Dialética, 2014, p. 293. 3 BONILHA, Paulo Celso B. Da prova no processo administrativo tributário. 2. ed. São Paulo: Dialética, 1997, p. 78. 4 NEDER, Marcos Vinicius; LÓPEZ, Maria Tersa Martinez. Processo administrativo fiscal comentado: de acordo com a lei nº 11.941, de 2009, e o Regimento Interno do CARF. 3. ed. São Paulo: Dialética, 2010, p. 449. Fl. 288DF CARF MF Impresso em 19/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/01/2015 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 16/02/2015 p or CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 29/01/2015 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 10980.000386/200297 Acórdão n.º 3803006.857 S3TE03 Fl. 289 7 Fl. 289DF CARF MF Impresso em 19/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/01/2015 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 16/02/2015 p or CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 29/01/2015 por HELCIO LAFETA REIS
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Numero do processo: 10865.900905/2008-21
Turma: Segunda Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Nov 26 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Tue Dec 02 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL
Ano-calendário: 2003
DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. DIREITO CREDITÓRIO JÁ EXAMINADO EM PEDIDO DE RESTITUIÇÃO QUE FOI OBJETO DE OUTRO PROCESSO. RESTITUIÇÃO JÁ PROCESSADA.
Se em outros autos havia pedido de restituição que tratava integralmente do crédito cuja fração amparava a declaração de compensação objeto deste processo, e se esse pedido já produziu seus normais efeitos no contexto daqueles outros autos, inclusive com restituição de crédito em conta bancária da Contribuinte, resta prejudicada a compensação objeto deste processo, por ausência de crédito que possa ser nele aproveitado.
Numero da decisão: 1802-002.435
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em NEGAR provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
José de Oliveira Ferraz Corrêa Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: José de Oliveira Ferraz Corrêa, Ester Marques Lins de Sousa, Henrique Heiji Erbano, Nelso Kichel e Gustavo Junqueira Carneiro Leão. Ausente justificadamente o conselheiro Luis Roberto Bueloni Santos Ferreira.
Nome do relator: JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA
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DIREITO CREDITÓRIO JÁ EXAMINADO EM PEDIDO DE RESTITUIÇÃO QUE FOI OBJETO DE OUTRO PROCESSO. RESTITUIÇÃO JÁ PROCESSADA. Se em outros autos havia pedido de restituição que tratava integralmente do crédito cuja fração amparava a declaração de compensação objeto deste processo, e se esse pedido já produziu seus normais efeitos no contexto daqueles outros autos, inclusive com restituição de crédito em conta bancária da Contribuinte, resta prejudicada a compensação objeto deste processo, por ausência de crédito que possa ser nele aproveitado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em NEGAR provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) José de Oliveira Ferraz Corrêa – Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: José de Oliveira Ferraz Corrêa, Ester Marques Lins de Sousa, Henrique Heiji Erbano, Nelso Kichel e Gustavo Junqueira Carneiro Leão. Ausente justificadamente o conselheiro Luis Roberto Bueloni Santos Ferreira. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 86 5. 90 09 05 /2 00 8- 21 Fl. 407DF CARF MF Impresso em 02/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/12/2014 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 02/12/2014 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA Processo nº 10865.900905/200821 Acórdão n.º 1802002.435 S1TE02 Fl. 3 2 Relatório Tratase de recurso voluntário contra decisão da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Ribeirão Preto/SP, que manteve a homologação apenas parcial em relação a declaração de compensação apresentada pela Contribuinte, nos mesmos termos que já havia decidido anteriormente a Delegacia de origem. Os fatos que deram origem ao presente processo estão assim descritos no relatório da decisão recorrida, Acórdão nº 1429.156, às fls. 116 a 123: Tratase de Manifestação de Inconformidade interposta em face do Despacho Decisório em que foi apreciada Declaração de Compensação (PER/DCOMP), por intermédio da qual a contribuinte pretende compensar débitos de sua responsabilidade com crédito decorrente de pagamento indevido ou a maior de tributo (CSLLestimativa, código de arrecadação 2484), concernente ao período de apuração 10/2003. Por despacho decisório, não foi reconhecido direito creditório a favor da contribuinte e, por conseguinte, nãohomologada a compensação declarada no presente processo, ao fundamento de que os pagamentos informados foram integralmente utilizados para quitação de débitos da contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. Cientificada, a contribuinte apresentou manifestação de inconformidade alegando, em síntese, de acordo com suas próprias razões: que no anocalendário de 2003 teria apurado saldo negativo de IRPJ e CSLL, no valor de R$ 556.671,88 e R$ 218.360,83, respectivamente, bem como retenções de IRRF sobre aplicações financeiras no valor de R$ 2.452,11, que teriam sido informadas em DIPJ/2004. Os saldos negativos assim apurados teriam sido utilizados para compensação de débitos próprios, mediante transmissão de diversos PER/DCOMP; que teria incorrido em equívoco “quanto ao preenchimento relativo ao campo 'Tipo do Crédito', selecionou 'Pagamento Indevido ou a Maior' ao invés de 'Saldo Negativo de IRPJ', bem como relacionou os DARF's relativos ao pagamento por estimativa mensal, como o presente”. Em que pese o erro, a requerente teria direito ao crédito declarado, como estaria a comprovar a documentação anexa à manifestação de inconformidade; que “desconsiderar os valores recolhidos a maior pela Requerente (apuração de saldo negativo de IRPJ e CSLL ano calendário/2003), seria o mesmo que tributar parcela não Fl. 408DF CARF MF Impresso em 02/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/12/2014 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 02/12/2014 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA Processo nº 10865.900905/200821 Acórdão n.º 1802002.435 S1TE02 Fl. 4 3 correspondente ao conceito de renda e de lucro líquido, hipótese, por óbvio, manifestamente inconstitucional”; que os alegados créditos não teriam sido utilizados em qualquer outra compensação ou restituição, além daquelas informadas; Ao final, requer reconhecimento do direito creditório pleiteado e homologação integral das compensações efetuadas, bem como sejam as intimações dirigidas a seus procuradores (advogados). Como mencionado, a Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Ribeirão Preto/SP manteve a homologação apenas parcial em relação à compensação, expressando suas conclusões com a seguinte ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Anocalendário: 2003 DCOMP. CRÉDITO. INDEFERIMENTO. Pendente, nos autos, a comprovação do crédito indicado na declaração de compensação formalizada, impõese o seu indeferimento. DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA. Incumbe ao sujeito passivo a demonstração, acompanhada das provas hábeis, da composição e a existência do crédito que alega possuir junto à Fazenda Nacional para que sejam aferidas sua liquidez e certeza pela autoridade administrativa. COMPENSAÇÃO TRIBUTÁRIA. Apenas os créditos líquidos e certos são passíveis de compensação tributária, conforme artigo 170 do Código Tributário Nacional. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Inconformada com essa decisão, da qual tomou ciência em 05/08/2010, a Contribuinte apresentou recurso voluntário em 03/09/2010, onde reitera os mesmos argumentos de sua manifestação de inconformidade, conforme descrito nos parágrafos anteriores. Além disso, no intuito de afastar qualquer dúvida acerca do crédito pleiteado saldos negativos de IRPJ e CSLL, informa que está apresentando cópia de toda a documentação contábil mencionada pela decisão de primeira instância administrativa, que os originais destes documentos se encontram à inteira disposição para exame, e que se coloca à inteira disposição acerca de quaisquer outros documentos que venham a ser considerados como necessários. Fl. 409DF CARF MF Impresso em 02/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/12/2014 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 02/12/2014 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA Processo nº 10865.900905/200821 Acórdão n.º 1802002.435 S1TE02 Fl. 5 4 Na sessão realizada em 06/08/2013, esta 2ª Turma Especial da 1ª Seção de Julgamento do CARF proferiu a Resolução nº 1802000.296 (fls. 351 a 359), solicitando realização de diligência à DRF Limeira/SP, para onde os autos foram encaminhados. O Processo foi devolvido ao CARF com a Informação Fiscal de fls. 368 a 369. Na sessão realizada em 05/11/2013, esta 2ª Turma Especial da 1ª Seção de Julgamento do CARF proferiu a Resolução nº 1802000.382 (fls. 371 a 382), solicitando novamente a realização de diligência à DRF Limeira/SP. O Processo retornou ao CARF com a Informação Fiscal de fls. 390 a 391, e também com nova manifestação da Contribuinte, às fls. 394 a 405. Este é o Relatório. Fl. 410DF CARF MF Impresso em 02/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/12/2014 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 02/12/2014 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA Processo nº 10865.900905/200821 Acórdão n.º 1802002.435 S1TE02 Fl. 6 5 Voto Conselheiro José de Oliveira Ferraz Corrêa, Relator. O recurso é tempestivo e dotado dos pressupostos para a sua admissibilidade. Portanto, dele tomo conhecimento. Conforme mencionado, o julgamento do presente recurso voluntário foi iniciado na sessão de 06/08/2013, ocasião em que esta 2ª Turma Especial da 1ª Seção do CARF proferiu a Resolução nº 1802000.296 (fls. 351 a 359), solicitando realização de diligência à DRF Limeira/SP. A Contribuinte questiona decisão que não homologou declaração de compensação por ela apresentada em 26/07/2004, na qual utilizou um alegado crédito decorrente de pagamento indevido ou a maior referente à estimativa de CSLL do mês de outubro/2003, no valor de R$ 28.945,73. A Delegacia de origem homologou em parte a compensação porque o referido pagamento havia sido parcialmente utilizado para a quitação de débito da Contribuinte, restando saldo disponível inferior ao crédito pretendido, insuficiente para a compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. Do recolhimento de R$ 28.945,73, que daria origem ao reivindicado direito creditório, já haviam sido utilizados R$ 26.825,37 (para a quitação da própria estimativa declarada), restando saldo disponível de apenas R$ 2.120,36, conforme o Despacho Decisório de fls. 10. A Contribuinte apresentou manifestação de inconformidade alegando que o tipo de crédito da compensação deveria ser “Saldo Negativo” em vez de “pagamento indevido ou a maior” de estimativa. Informou ter apurado no anocalendário de 2003 saldos negativos de IRPJ e CSLL, nos valores de R$ 556.671,88 e R$ 218.360,83, respectivamente, bem como retenções de IRRF sobre aplicações financeiras no valor de R$ 2.452,11, conforme a Declaração de Informações EconômicoFiscais da Pessoa Jurídica – DIPJ apresentada à Receita Federal. Registrou também que havia vários outros processos e outros PER/DCOMP pendentes de análise, os quais relacionou, consignando que todos eles possuiriam origem no mesmo direito creditório (saldos negativos de IRPJ e CSLL do anocalendário de 2003), e que seria oportuno que todos fossem analisados conjuntamente como saldo negativo. Na seqüência, a Delegacia de Julgamento (DRJ) manteve a negativa em relação à compensação. Em sua decisão, a DRJ fez uma série de considerações e enumerou requisitos para a caracterização de saldo negativo a ser restituído/compensado, concluindo que a Fl. 411DF CARF MF Impresso em 02/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/12/2014 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 02/12/2014 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA Processo nº 10865.900905/200821 Acórdão n.º 1802002.435 S1TE02 Fl. 7 6 Contribuinte não se desincumbiu do ônus de demonstrar a certeza e liquidez do alegado direito creditório. Na presente fase de recurso voluntário, a Contribuinte reiterou os mesmos argumentos de sua manifestação de inconformidade, e juntou documentos contábeis e fiscais, no intuito de ver homologada a pretendida compensação. Ao proferir a referida Resolução nº 1802000.296, em 06/08/2013, esta 2ª Turma Especial da 1ª Seção de Julgamento do CARF esclareceu as razões pelas quais normalmente desconsidera o erro formal de a Contribuinte indicar nos PER/DCOMP (como crédito) os recolhimentos individuais de estimativa em vez de indicar o saldo negativo formado a partir do conjunto destas mesmas estimativas. Além disso, registrou que esse passo já tinha sido dado pela DRJ; que a decisão de primeira instância já havia admitido o exame do crédito sob a ótica de saldo negativo; e que o indeferimento da compensação fora mantido por falta de elementos comprobatórios do saldo negativo (e não mais porque o pagamento da estimativa estava alocado ao próprio débito de estimativa declarado em DCTF). Nesse contexto, e após tecer comentários sobre a dinâmica do PAF quanto à apresentação de elementos de prova, esta Turma julgadora elaborou a referida resolução, com o conteúdo final transcrito abaixo: [...] Na linha, então, do que apontou a Delegacia de Julgamento, a Contribuinte juntou ao recurso voluntário cópias dos seguintes documentos: DARF´s recolhidos ao longo de 2003; Demonstrativo de Rendimentos Financeiros e de Retenções de IR em 2003; Livro Razão contendo lançamentos nas contas “IRPJ pago por Estimativa”, “Contr. Soc. s/ Lucro pg. Estimat.” e “IRRF s/ Aplicação Financeira”; Livro Diário contendo lançamentos referentes aos pagamentos das estimativas de IRPJ e CSLL; Balanço de Suspensão de Novembro/2003; Balancetes de Verificação para cada um dos meses de 2003 (janeiro a dezembro); Balanço Anual de 2003; Demonstração de Resultado do Exercício; e Livro LALUR com registros em novembro e dezembro/2003. Pela DIPJ do anocalendário de 2003 (Ficha 17), às fls. 86, a Contribuinte apurou CSLL anual no valor de R$ 36.839,63 e realizou deduções a título de CSLL mensal paga por estimativa no montante de R$ 255.200,46, o que resultou em saldo negativo de CSLL no valor de R$ 218.360,83. Nos meses de janeiro a outubro de 2003, a Contribuinte realizou recolhimentos de estimativa com base na Receita Bruta e acréscimos. Já nos meses de novembro e dezembro, ela suspendeu o pagamento das estimativas mediante balancetes de suspensão. Fl. 412DF CARF MF Impresso em 02/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/12/2014 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 02/12/2014 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA Processo nº 10865.900905/200821 Acórdão n.º 1802002.435 S1TE02 Fl. 8 7 O quadro abaixo indica os valores das estimativas mensais constantes da DIPJ (Ficha 16) e os valores dos DARF´s apresentados: PA Estimativas de CSLL em 2003 DIPJ DARF jan/03 36.032,06 36.012,82 fev/03 28.466,83 25.613,77 mar/03 25.369,49 25.208,27 abr/03 21.814,26 21.662,03 mai/03 26.174,28 26.141,76 jun/03 16.482,89 16.469,48 jul/03 27.325,85 27.327,01 ago/03 23.516,59 23.517,42 set/03 25.499,72 23.977,77 out/03 26.825,37 28.945,73 Total 257.507,34 254.876,06 Como mencionado, para a apuração do saldo negativo, foram deduzidos R$ 255.200,46 a título de estimativas mensais na Ficha 17 da DIPJ. A solução deste processo demanda uma instrução processual complementar. Embora a indicação seja de existência de saldo negativo, ainda não é possível apurar o seu exato valor, porque há divergências entre as estimativas constantes da Ficha 16 da DIPJ, os DARF´s correspondentes e o montante deduzido a esse título na Ficha 17 da DIPJ. Estas questões não foram dirimidas porque o despacho decisório não tratou do reivindicado crédito sob a ótica de saldo negativo, o que deverá ser feito agora. A condução do exame do PER/DCOMP fez com que a documentação contábil e fiscal só fosse apresentada nessa fase processual. É necessário, portanto, que os autos sejam encaminhados à Delegacia da Receita Federal em Limeira/SP, para que aquela unidade à luz dos documentos contábeis e fiscais apresentados pela Recorrente, e de outros que se entenda necessários: 1) verifique e informe: a base de cálculo e a respectiva CSLL no anocalendário de 2003; Fl. 413DF CARF MF Impresso em 02/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/12/2014 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 02/12/2014 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA Processo nº 10865.900905/200821 Acórdão n.º 1802002.435 S1TE02 Fl. 9 8 o valor a ser considerado como dedução a título de estimativas mensais; 2) apresente relatório circunstanciado esclarecendo se há saldo negativo de CSLL a ser restituído/compensado, e qual o seu valor; 3) cientifique a Contribuinte deste relatório, para que ela possa se manifestar no prazo de 30 dias. Deste modo, voto no sentido de converter o julgamento em diligência, para que a DRF Limeira/SP atenda ao acima solicitado. Em resposta à diligência que lhe foi demandada pelo CARF, a DRF/Limeira/SP prestou a Informação Fiscal de fls. 368/369, nos seguintes termos: Trata este processo da declaração de compensação n.º 31868.73568.260704.1.3.04 0008 em que o contribuinte utilizou o pagamento da estimativa de IRPJ do mês de outubro de 2003, no valor de R$ 28.945,73 para compensação de débito próprio. A compensação foi parcialmente homologada, porque parte do pagamento encontrase vinculada ao débito e esta decisão foi mantida pela Delegacia de Julgamento. O contribuinte entrou com recurso alegando que havia se equivocada e que seu crédito era saldo negativo de CSLL e não pagamento indevido. O argumento foi acatado pela 2ª Turma Especial do CARF que baixou o processo para diligência. Em consulta aos sistemas da RFB, foi verificado que o contribuinte entregou em 23.06.2009, pedido de restituição do saldo negativo de CSLL do anocalendário 2003/exercício 2004, cuja via completa está sendo anexada a este processo. [...] O contribuinte induziu o nobre julgador a erro e provavelmente utilizou de máfé ao manter a alegação de que se tratava de saldo negativo quando já havia solicitado este mesmo crédito em outro procedimento. Não há dúvida de que a conversão do pedido feita pelo CARF implica a concomitância de pedidos do mesmo crédito, o que é extremamente temerário, principalmente porque entendimento semelhante foi proferido em outros processos do mesmo contribuinte ou seja, há o risco de se multiplicar indevidamente o crédito para o contribuinte, ressaltando que há mais processos com esta mesma matéria a ser apreciado pelo CARF. Assim, proponho o retorno deste processo àquela instância de julgamento para que se manifeste sobre a manutenção deste entendimento e a necessidade de realização da diligência, sugerindose que a declaração de compensação n.º 31344.03323.230609.1.6.036500 seja examinada para que se confirme que o próprio contribuinte incluiu o pagamento da Fl. 414DF CARF MF Impresso em 02/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/12/2014 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 02/12/2014 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA Processo nº 10865.900905/200821 Acórdão n.º 1802002.435 S1TE02 Fl. 10 9 estimativa de CSLL do mês de outubro de 2003, no valor de R$ 28.945,73 no rol dos pagamentos que geraram o saldo negativo de CSLL desse mesmo período, o que só vem confirmar que o pagamento não era não é e nunca foi indevido e este processo não pode ser convertido em saldo negativo. Em síntese, a DRF/Limeira/SP registrou: que a Contribuinte apresentou em 23/06/2009 um pedido de restituição do saldo negativo de CSLL do anocalendário 2003 (PER/DCOMP nº 31344.03323.230609.1.6.036500, juntado aos autos); que a decisão do CARF implicava na concomitância de pedidos do mesmo crédito; que a decisão do CARF em converter a compensação de estimativa em compensação de saldo negativo era temerária; e que o pagamento de estimativa não poderia ser convertido em saldo negativo. Com estas considerações, a DRF/Limeira devolveu o processo ao CARF, para que este órgão se manifestasse sobre a manutenção de seu entendimento e sobre a necessidade da realização da diligência. Na sessão realizada em 05/11/2013, esta 2ª Turma Especial da 1ª Seção de Julgamento do CARF se manifestou sobre a necessidade da diligência que havia demandado, proferindo outra Resolução, de nº 1802000.382 (fls. 371 a 382), nos seguintes termos: A resolução proferida por esta 2ª Turma Especial da 1ª Seção de Julgamento do CARF apresenta motivação adequada e suficiente. Quanto à solicitação de diligência, é oportuno relembrar que “na apreciação da prova, a autoridade julgadora formará livremente sua convicção, podendo determinar as diligências que entender necessárias”, e que quando “determinada, de ofício ou a pedido do impugnante, diligência ou perícia, é vedado à autoridade incumbida de sua realização escusarse de cumpri las”, conforme artigos 29 e 37 do Decreto 70.235/1972 (PAF), e artigo 36, § 3º, do Decreto 7.574/2011. Ao proferir a referida Resolução nº 1802000.296, em 06/08/2013, esta 2ª Turma Especial da 1ª Seção de Julgamento do CARF esclareceu as razões pelas quais normalmente desconsidera o erro formal de a Contribuinte indicar nos PER/DCOMP (como crédito) os recolhimentos individuais de estimativa em vez de indicar o saldo negativo formado a partir do conjunto destas mesmas estimativas. Não bastasse isso, esta Turma Julgadora também registrou que esse passo já tinha sido dado pela DRJ; que a decisão de primeira instância já havia admitido o exame do crédito sob a ótica de saldo negativo; e que o indeferimento da compensação Fl. 415DF CARF MF Impresso em 02/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/12/2014 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 02/12/2014 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA Processo nº 10865.900905/200821 Acórdão n.º 1802002.435 S1TE02 Fl. 11 10 fora mantido por falta de elementos comprobatórios do saldo negativo (e não mais porque o pagamento da estimativa estava alocado ao próprio débito de estimativa declarado em DCTF). Não que esse entendimento seja imutável, mas há meios formais para revertêlo, a exemplo dos embargos de declaração da Procuradoria da Fazenda Nacional, ou dos Recursos Especiais apresentados por aquele mesmo órgão. O fato é que ao servidor designado para o cumprimento de diligência não é dada a livre vontade para cumprir ou não as decisões do CARF. De qualquer modo, a resposta dada pela Delegacia de origem, embora não atendendo ao que lhe foi solicitado, trouxe aos autos uma informação adicional relevante, que merece ser analisada no contexto dos fatos que envolvem o presente processo. A Contribuinte ingressou em 2004 com vários PER/DCOMP referentes a pagamentos indevidos ou a maior de IRPJ e CSLL em 2003, entre eles o que configura objeto destes autos. Ela indicou que o crédito utilizado nestes PER/DCOMP decorreria de pagamentos individuais a título de estimativas mensais, em vez de indicar o saldo negativo do período anual (que é formado a partir do conjunto destas mesmas estimativas). Em meados de 2008 foram proferidos os despachos decisórios negando a compensação, porque cada um destes pagamentos já havia sido utilizado para a quitação de débito da Contribuinte (quitação da própria estimativa declarada em DCTF). A Contribuinte apresentou manifestações de inconformidade, pleiteando que seu crédito fosse apreciado como saldo negativo, e não como pagamento indevido ou a maior de estimativa, e os processos vieram caminhando até a presente instância recursal. Nesse interregno, em 22/12/2008, a Contribuinte apresentou o pedido de restituição PER/DCOMP nº 07372.76811.221208.1.2.030666, retificado pelo PER/DCOMP nº 31344.03323.230609.1.6.036500, que foi mencionado na informação fiscal da Delegacia de origem. O fato de a Contribuinte ter apresentado o pedido de restituição acima referido, e continuar alegando que o crédito debatido nestes autos era mesmo referente a saldo negativo (o que implicava na concomitância de pedidos do mesmo crédito), foi entendido como uma provável máfé de sua parte. Mas é preciso considerar que caso não houvesse, nas instâncias de julgamento, a reversão da posição manifestada pela Delegacia de origem, uma nova solicitação do indébito (saldo negativo) somente após a conclusão dos processos de compensação certamente estaria prejudicada pelo prazo prescricional do art. 168, I, do Código Tributário Nacional, ainda que houvesse saldo negativo a ser restituído/compensado. Fl. 416DF CARF MF Impresso em 02/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/12/2014 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 02/12/2014 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA Processo nº 10865.900905/200821 Acórdão n.º 1802002.435 S1TE02 Fl. 12 11 Cabe registrar também que o PER/DCOMP mencionado na informação fiscal é referente a pedido de restituição. A Contribuinte não buscou a compensação de novos débitos com o mesmo crédito. Vêse que no contexto da decisão da Delegacia de origem, não havia outra maneira de a Contribuinte se resguardar da prescrição de seu alegado direito creditório (a não ser mediante a apresentação de um novo PER/DCOMP), principalmente porque depois de proferidos os despachos decisórios, os PER/DCOMP originais não podiam mais ser retificados (IN SRF 600/2005, art. 57). No recurso voluntário, a Contribuinte ainda destacou que havia vários outros processos envolvendo o mesmo crédito (saldo negativo em 2003), e que todos eles deveriam ser analisados em conjunto, sob a ótica de saldo negativo. Não vislumbro a alegada máfé da Contribuinte, e nem óbice de natureza procedimental ao seu pleito. Nesse sentido, cabe ainda mencionar que sempre existe a possibilidade de os contribuintes apresentarem vários PER/DCOMP a partir do mesmo direito creditório, ainda que se trate de saldo negativo. E nos casos em que os contribuintes vão utilizando em partes um único crédito, há sempre o risco de este crédito não ser suficiente para a quitação de todos os débitos, seja em razão de um simples erro matemático na evolução do crédito, ou por um inadequado cômputo dos acréscimos moratórios no encontro de contas, etc. Esta é uma das razões pelas quais a declaração de compensação “extingue o crédito tributário, sob condição resolutória de sua ulterior homologação”, conforme o § 2º do art. 74 da Lei 9.430/1996. Realmente, o ideal é que os PER/DCOMP que utilizam o mesmo crédito sejam examinados em conjunto. De todo modo, na medida em que o crédito vai sendo consumido em várias compensações, o resultado final dos PER/DCOMP posteriores (seja para fins de compensação ou de restituição) está sempre condicionado ao montante do crédito que remanesce dos PER/DCOMP anteriores, após a dedução das parcelas já restituídas ou compensadas. Isso é uma situação comum para o caso de vários PERDCOMP fundados no mesmo crédito. No caso, a DRF Limeira/SP informou que a Contribuinte ingressou com pedido de restituição do saldo negativo de 2003 (apresentado em 22/12/2008, e retificado em 23/06/2009), mas não esclareceu se houve algum exame sobre esse saldo negativo, Fl. 417DF CARF MF Impresso em 02/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/12/2014 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 02/12/2014 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA Processo nº 10865.900905/200821 Acórdão n.º 1802002.435 S1TE02 Fl. 13 12 se ele já foi restituído à Contribuinte, se a DRF está aguardando o desenrolar dos processos referentes às compensações, etc. Havendo algum saldo negativo a ser restituído/compensado, não entendo que a melhor decisão seja a de reconhecer o direito à restituição desse indébito e, por outro lado, insistir na exigência dos débitos que a Contribuinte pretende quitar por compensação com este mesmo direito creditório. Também não seria adequado condicionar a restituição do direito creditório (caso ele seja confirmado) ao pagamento dos débitos que poderiam ser com ele quitados por compensações declaradas pela própria Contribuinte. Por tudo o que já se disse sobre a relação entre as estimativas mensais e o saldo negativo que delas decorre, havendo confirmação de algum saldo negativo em 2003, a melhor solução é promover os encontros de contas pretendidos pela Contribuinte em seus PER/DCOMP, no limite do crédito reconhecido. Diante de todo esse contexto, é necessário que os autos novamente retornem à DRF Limeira/SP, para que aquela unidade: atenda ao já demandado na Resolução nº 1802000.296, proferida por esta 2ª Turma Especial da 1ª Seção de Julgamento do CARF em 06/08/2013; informe se houve algum exame sobre o valor e a disponibilidade do saldo negativo de CSLL em 2003, no contexto do PER/DCOMP nº 31344.03323.230609.1.6.036500; informe se houve restituição do crédito indicado no PER/DCOMP acima referido, relativo ao saldo negativo de CSLL em 2003. No caso de a DRF estar aguardando o resultado final do PER/COMP objeto destes autos (bem como dos demais relacionados à mesma apuração do anocalendário de 2003), para dar encaminhamento ao PER/DCOMP nº 31344.03323.230609.1.6.036500 (que é posterior aos demais), é importante que fique consignada esta informação. Deste modo, voto no sentido de novamente converter o julgamento em diligência para que a DRF Limeira/SP atenda ao acima solicitado. Dando encaminhamento a essa segunda resolução, a DRF/Limeira/SP levantou novas informações, às fls. 390/391, que subsidiaram o despacho de devolução do processo ao CARF: [...] Verificado que a Resolução n.° 1802000.296 requeria a apuração da base de cálculo da CSLL do anocalendário de 2003 bem como o valor a ser considerado como dedução a título Fl. 418DF CARF MF Impresso em 02/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/12/2014 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 02/12/2014 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA Processo nº 10865.900905/200821 Acórdão n.º 1802002.435 S1TE02 Fl. 14 13 de estimativas mensais, o processo foi encaminhado ao Serviço de Fiscalização para cumprimento da diligência. Porém, tivemos conhecimento de que o SCC processou o pedido de restituição do saldo negativo de CSLL do contribuinte e depositou em sua conta corrente o valor de R$474.901,37, no dia 20/05/2014. Diante deste fato e verificado que a diligência ainda não havia sido iniciada por motivo de férias do auditor fiscal designado, foi solicitado o retorno deste processo ao Seort. Respondendo à parte dos quesitos, o crédito foi examinado e a restituição foi paga. O pedido de restituição n.° 31344.03323.230609.1.6.036500 bem como a declaração de compensação n.° 31838.73568.260704.1.3.04008 em que o contribuinte utilizou como crédito para compensação o pagamento da estimativa da CSLL do mês de outubro de 2003, no valor de R$ 28.945,73, objeto deste processo, tiveram sua análise automática pelos sistemas da Secretaria da Receita Federal do Brasil, de forma que não houve sobrestamento do pedido de restituição, pois a regra geral é que todos os documentos sejam processados automaticamente e não há funcionalidade no sistema que permita à DRF/Limeira interromper o ciclo automático para depois retomálo. Quanto aos itens requeridos pela Resolução n.° 1802000.296, o sistema que analisa automaticamente o saldo negativo de CSLL não gera um relatório das verificações feitas por ele para que se possa atendêla, sendo necessária a repetição manual do quanto já realizado por ele, para atender completamente as resoluções do CARF. Considerando a relevância do fato de o contribuinte já ter recebido a restituição e o entendimento do CARF de que “ao servidor designado para o cumprimento de diligência não é dada a livre vontade para cumprir ou não as decisões do CARF”, proponho o encaminhamento deste processo ao Gabinete da DRF/Limeira para que autorize o envio deste processo àquele órgão de julgamento para ciência dos fatos, retornando o processo, caso entendam imprescindível o cumprimento da Resolução n.° 1802000.296. Na seqüência, a Contribuinte ingressou com a petição de fls. 394 a 405, informando: que enquanto aguardava a realização da diligência requerida, em 20/05/2014 teve creditado em sua conta corrente o valor de R$ 474.901,37; que dado o fato de que o aludido saldo negativo já fora utilizado em diversas compensações anteriormente ao pedido de restituição, conforme já constante em suas razões de defesa, a Recorrente no dia seguinte ao crédito realizado em sua conta corrente, Fl. 419DF CARF MF Impresso em 02/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/12/2014 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 02/12/2014 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA Processo nº 10865.900905/200821 Acórdão n.º 1802002.435 S1TE02 Fl. 15 14 diligenciou à Receita Federal para verificar o ocorrido, bem como o procedimento para devolução do valor, tendo sido orientada a requerer a expedição de guia para tal; que tal providência foi adotada já no dia seguinte (22/05/2014), conforme se comprova com a petição anexa; que desde o início pode ser constatada a boafé da empresa em adotar todas as providências que se encontravam ao seu alcance para devolver o dinheiro indevidamente creditado em sua conta; que em 17/06/2014, recebeu Despacho Decisório (doc. anexo) no sentido de que a guia para devolução do dinheiro não seria expedida, sendo o processo suspenso até a decisão final dos processos administrativos de compensação; que a presente petição serve para cientificar e esclarecer os fatos ocorridos neste e em todos os outros processos em que se discute o legítimo direito do contribuinte em ter seu crédito processado como “Saldo Negativo”, afastando qualquer dúvida acerca de sua boafé, consignando expressamente que em nenhum momento pretendeu se aproveitar do crédito em duplicidade, tendo os pedidos de restituição sido efetuados posteriormente às compensações e apenas para resguardar seu direito; que ratifica seu pedido de homologação das compensações efetuadas, e que o valor indevidamente creditado em sua conta corrente será devolvido imediatamente quando da expedição da guia competente por parte da DRF/Limeira. Ao proferir a segunda resolução que reiterou a diligência demandada à Delegacia de origem, esta 2ª Turma Especial da 1ª Seção de Julgamento do CARF não compartilhou do entendimento de que a apresentação do pedido de restituição do saldo negativo, posteriormente às declarações de compensação, poderia configurar máfé da Contribuinte, com tentativa de aproveitamento em duplicidade do mesmo crédito, ou algo semelhante. Mas também é importante registrar que o referido pedido de restituição, embora servindo para evitar uma eventual prescrição do crédito, não tinha seus efeitos limitados a essa finalidade. Desde a sua apresentação, o pedido de restituição poderia produzir seus normais efeitos, especialmente porque indicava corretamente a espécie do crédito reivindicado (saldo negativo), sem incorrer no mesmo erro de preenchimento das declarações de compensação. Nesse passo, cabe destacar que as informações prestadas tanto pela Delegacia de origem, quanto pela própria Contribuinte, noticiam que o pedido de restituição foi processado e que o crédito relativo ao saldo negativo de CSLL de 2003 já foi restituído/ depositado na conta corrente bancária da interessada. Se em outros autos havia pedido de restituição que tratava integralmente do crédito cuja fração amparava a declaração de compensação objeto deste processo, e se esse pedido já produziu seus normais efeitos no contexto daqueles outros autos, inclusive com restituição de crédito em conta bancária da Contribuinte, resta prejudicada a compensação objeto deste processo, por ausência de crédito que possa ser nele aproveitado. Fl. 420DF CARF MF Impresso em 02/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/12/2014 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 02/12/2014 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA Processo nº 10865.900905/200821 Acórdão n.º 1802002.435 S1TE02 Fl. 16 15 Diante do exposto, voto no sentido de negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) José de Oliveira Ferraz Corrêa Fl. 421DF CARF MF Impresso em 02/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/12/2014 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 02/12/2014 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA
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Numero do processo: 10726.000535/2001-48
Turma: Primeira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Sep 17 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed Dec 24 00:00:00 UTC 2014
Numero da decisão: 3801-000.806
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência, nos termos do voto do relator.
(assinado digitalmente)
Flávio de Castro Pontes - Presidente.
(assinado digitalmente)
Paulo Sergio Celani - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flávio de Castro Pontes, Sidney Eduardo Stahl, Paulo Sérgio Celani, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Marcos Antônio Borges e Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira
Nome do relator: Não se aplica
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Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Flávio de Castro Pontes Presidente. (assinado digitalmente) Paulo Sergio Celani Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flávio de Castro Pontes, Sidney Eduardo Stahl, Paulo Sérgio Celani, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Marcos Antônio Borges e Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira Relatório Adoto o relatório do acórdão recorrido, por retratar suficientemente a lide. “Trata o presente processo de pedido de reconhecimento de direito creditório, no valor de R$29.489,70, oriundo de recolhimento da contribuição ao Finsocial, relativo aos períodos de dezembro de 1990 a março de 1992, e da contribuição ao PIS, RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 07 26 .0 00 53 5/ 20 01 -4 8 Fl. 456DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/12/2014 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 22/12/2014 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 24/12/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10726.000535/200148 Resolução nº 3801000.806 S3TE01 Fl. 3 2 pertinente aos períodos de dezembro de 1990 a novembro de 1995, para fins de compensação com a COFINS, PIS e CSLL. Através do Despacho Decisório DRF/SAORT/CAMPOS nº 201(fl. 305/310), a autoridade fiscal deferiu/homologou parcialmente o pedido e a compensação pretendida, tendo em vista a expiração do prazo, convalidada pela prescrição qüinqüenal, reconhecendo o direito creditório, conforme planilha de fls.304, “correspondentes aos saldos remanescentes dos DARF´s originais de fls.141/144, confirmados através da Papeleta de Comprovação de Recolhimento (fls.212/215), após a confrontação dos valores de FINSOCIAL devidos à alíquota de 0,5% com os valores recolhidos com base em documentações constantes do presente processo.” – fls.309. Cientificada da decisão em 11/01/2007 (fl. 312), o contribuinte apresentou Manifestação de Inconformidade em 01/02/2007 (fl. 313/319), alegando, em síntese que: 1. Em 19 de dezembro de 1996, a contribuinte deu entrada na Justiça Federal de Campos dos GoytacazesRJ nas Ações Declaratórias contra a União Federal, solicitando o direito de compensar os valores pagos indevidamente de PIS, recolhido indevidamente sob a vigência dos DLs 2.445/88 e 2.449/88, declarados inconstitucionais pelo STF, processo nº 96.00392552, com débitos do PIS, COFINS e CSL, com amparo da Lei nº 8.383/91. A sentença foi julgada procedente em parte, sendo deferido o pedido declaratório em face da União não declarar o direito da autora de compensar os valores das contribuições recolhidas indevidamente para o PIS sob os DLs 2.445/88 e 2.449/88, com valores vencidos e/ou vincendos do próprio PIS, COFINS e Contribuição Social, observando o prazo prescricional de 10 anos, com trânsito em julgado no dia 23 de junho de 2004; 2. O processo nº 96.00392544, contra a União Federal, solicitando o direito de compensar os valores pagos indevidamente, referentes à majoração de alíquotas do FINSOCIAL em virtude das Leis 7.787/89, 7.894/89 e 8.147/90, com débitos de PIS, COFINS e CSSL, com o amparo da Lei nº 8.383/91. A sentença julgou procedente, em parte, o FINSOCIAL, bem como o direito à compensação dos recolhimentos indevidos a título de FINSOCIAL, atualizado monetariamente, com parcelas vencidas e vincendas da COFINS, PIS e ou CSLL, observandose a prescrição qüinqüenal. O Tribunal reformou a sentença passando a prescrição para 10(dez) anos e permitindo somente a compensação do FINSOCIAL com a COFINS, com sentença transitada em julgado no dia 18 de julho de 2006; 3. Desta forma, resta claro que foi legítima a compensação efetuada pelo contribuinte, registrando em sua escrita fiscal, crédito oponível ao fisco, sem necessidade de antecipar o pagamento de débito da mesma espécie do crédito citado; 4. A solicitação foi deferida em parte por entender a autoridade administrativa que no processo do Finsocial ocorreu à prescrição e no que se refere ao PIS a empresa deveria recolher os tributos dentro dos moldes da Lei Complementar nº 7/70; 5. O “julgador” tomou por base normas criadas após o fato gerador, ou seja, criadas após a data da compensação. A Instrução Normativa nº 600/2005, citada diversas vezes, determina no parágrafo segundo do art. 29, que a RFB tem prazo de cinco anos para homologar a compensação. Devemos entender que se dentro destes cinco anos não houve a homologação expressa ocorreu à tácita; 6. Alertese que no processo do Finsocial, o Desembargador Fernando Marques afastou a prescrição e os embargos infringentes interpostos pela União não foi admitido, desta forma não há o que se falar em prescrição; Fl. 457DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/12/2014 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 22/12/2014 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 24/12/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10726.000535/200148 Resolução nº 3801000.806 S3TE01 Fl. 4 3 7. Desta forma, o parecer conclusivo encontrase eivado de erros e equívocos, devendo ser reformado já que não houve nenhuma prescrição no processo de Finsocial e, ainda, por ter ocorrido à homologação tácita das compensações; 8. A realidade é que, a partir de 1997, o contribuinte compensou valores anteriormente pagos indevidamente, em face à inconstitucionalidade de Leis anteriores, o fazendo em total consonância às leis então vigentes, e acobertada por decisão judicial. Desta forma não pode uma norma criada posteriormente ao ato praticado pelo contribuinte retroagir para punilo; 9. Por todo o exposto, requer que seja reformado, julgado nulo e inconsistente o despacho decisório, protestando por todos os meios de prova admitidos em direito. Inicialmente, o julgamento da presente manifestação de inconformidade foi convertido em diligência – fls.322, com o fito de, em resumo, quantificar o direito creditório parcialmente reconhecido, bem como delinear as compensações homologadas, sendo elaborado o despacho de fls.354/355. Após cientificada da diligência, a interessada foi intimada a apresentar, se assim o desejasse, aditamento à manifestação de inconformidade anterior, juntando aos autos a petição de fls.365/371, onde alega: 1. No dia 18 de setembro de 2001, o contribuinte deu entrada no pedido de compensação dos créditos de PIS e Finsocial, com os tributos administrados pela Secretaria da Receita Federal , tendo como base nas ações ordinárias nºs 96.00392552 e 96.00392544; 2. Após deferida parte da compensação do Finsocial foi apresentada manifestação de inconformidade, sendo o julgamento convertido em diligência, onde a autoridade fiscal alterou sua decisão, deferindo a compensação do Finsocial. Contudo, homologa somente alguns valores compensados, sem apresentar índice utilizado e sequer planilha, não sendo respeitado o contraditório e a ampla defesa; 3. Contudo, toda essa discussão se mostra dispicienda, uma vez que o pedido foi protocolado no dia 18 de setembro de 2001 e o contribuinte só foi intimado da decisão no dia 11 de janeiro de 2007; 4. Verificase que neste caso, a homologação tácita da compensação já ocorrera, cabendo a autoridade administrativa respeitála; 5. A Receita Federal do Brasil tem prazo de 5(cinco) anos para julgar o pedido de compensação, caso contrário ocorre à homologação tácita. Dentro do que determina a INSRF nº 600/2005, o prazo se inicia com o protocolo do pedido de compensação e se encerra com a intimação do contribuinte; 6. Ocorrendo tal fato, não cabe mais analisar os fundamentos fáticos e de direito que possam ensejar o reconhecimento do direito do contribuinte efetuar a compensação ou não. Diante de tal fato, só resta a autoridade homologar a compensação sem adentrar no seu mérito; 7. Por derradeiro, caso não seja acolhido o pedido de homologação tácita, requer a reforma do despacho decisório pela sua obscuridade diante dos índices de atualização do crédito do Finsocial, protestando pela prova pericial para se apurar o valor do crédito.” A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento no Rio de Janeiro II (DRJ/RJOII) indeferiu a manifestação de inconformidade conforme ementa a seguir: Fl. 458DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/12/2014 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 22/12/2014 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 24/12/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10726.000535/200148 Resolução nº 3801000.806 S3TE01 Fl. 5 4 “Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Período de apuração: 01/12/1990 a 30/11/1995 DCOMP/PRAZO/RETIFICAÇÃO. Admitida a retificação da Declaração de Compensação, o termo inicial da contagem do prazo previsto para a homologação será a data da apresentação da Declaração de Compensação retificadora. COMPENSAÇÃO/RECONHECIMENTO JUDICIAL A compensação de crédito reconhecido judicialmente deve obedecer aos limites fixados na decisão transitada em julgado.” Contra esta decisão, a contribuinte apresentou recurso voluntário no qual afirma, preliminarmente, que não apresentou depósito ou arrolamento, com amparo em decisão do STF que julgou inconstitucional sua exigência. No mérito, alega que: i) O pedido de compensação, protocolado em 18/09/2001, só foi julgado mais de cinco anos após, em 11/01/2007, logo, ocorreu sua homologação tácita; ii) O documento que a DRJ/RJOII considerou retificador do pedido de compensação foi apresentado em atendimento à intimação e não modificou a matéria discutida, logo, não se trata de mudança de pedido ou retificação; iii) Na decisão recorrida, a DRJ não observou que a apuração da contribuição para o PIS com base na Lei Complementar nº 7, de 1970, faziase com alíquota que levava em consideração que a base de cálculo era a de seis meses anteriores ao recolhimento, logo, era considerada inflação que à época de sua vigência era muito alta; iv) Devese observar a legislação vigente à época da data do ajuizamento da ação judicial, com base na qual foi feito o pedido, afastandose, assim, a alteração promovida no CTN por meio da Lei Complementar nº 104, de 2001, que veda a compensação antes do trânsito em julgado da ação judicial, sob pena de infração ao contraditório e à ampla defesa. Nada foi dito contra a interpretação que a DRJ deu às decisões judiciais, em especial não foi questionada a adoção do prazo prescricional qüinqüenal pela autoridade administrativa,prazo este que havia sido determinado na decisão judicial de primeira instância e que não foi alterado pelo tribunal de segunda instância. É o relatório. Voto Conselheiro Paulo Sergio Celani, Relator. Sobre a admissibilidade do recurso. Não cabe exigir depósito ou arrolamento prévio de bens e direitos como condição de admissibilidade de recurso administrativo. O recurso voluntário é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade para julgamento nesta turma especial. Diligência Analiso a alegação da recorrente de que a Lei Complementar nº 7, de 1970, não foi devidamente aplicada nos cálculos dos valores que entende ter direito, à luz da decisão judicial que afastou os DecretosLeis nºs. 2.445, de 29/6/1988, e 2.449, de 21/7/1988, e da Fl. 459DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/12/2014 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 22/12/2014 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 24/12/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10726.000535/200148 Resolução nº 3801000.806 S3TE01 Fl. 6 5 Súmula CARF nº 15, de observância obrigatória pelos membros deste Conselho, por força do art. 72 do Anexo II, do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 256, de 22/6/2009, que enuncia ser a base de cálculo do PIS, prevista no art. 6º da Lei Complementar nº 7, de 1970, o faturamento do sexto mês anterior, sem correção monetária. Vejase o seguinte trecho extraído do Despacho Decisório nº 201, de 28/11/2006: “Com relação ao PIS, conforme cópia da sentença (fls. 17/27), foi julgado procedente em parte o pedido declaratório positivo, observandose a prescrição qüinqüenal. 0 contribuinte, de acordo com seu objeto social, era contribuinte do PIS – FATURAMENTO, calculado à alíquota de 0,75% sobre o faturamento, de acordo com a LC 7/70. Se aplicada a sistemática da LC 7/70 para o caso concreto (0,75% sobre o faturamento), resultaria em saldos residuais a pagar, quando comparados com os valores efetivamente apurados pelo contribuinte à alíquota de 0,65% sobre a receita operacional, DDLL 2.455/88, 2,449/88, ficando prejudicada a restituição. Como foi verificado acima, o contribuinte não possui crédito de indébito, com relação aos períodos que ultrapassaram o prazo prescricional de cinco anos, no caso do FINSOCIAL, e, também, com relação aos créditos alegados de PIS, como foi demonstrado acima, onde o contribuinte ,seguindo as regras da LC 7/70, apuraria saldos a pagar do tributo, utilizando a alíquota de 0,75% sobre o faturamento.” Apesar de aplicar a Lei Complementar nº 7, de 1970, justificada pelo afastamento dos DecretosLeis nºs. 2.445 e 2.449, ambos de 1988, a Delegacia da Receita Federal do Brasil apurou que a contribuinte nada tinha a restituir; pelo contrário, teria saldo residual a pagar, o que indica possível erro na interpretação da lei complementar ou nos cálculos. Com base nisto e considerando que o art. 29, do Decreto nº 70.235, de 6/3/1972, estabelece que a autoridade julgadora, na apreciação da prova, formará livremente sua convicção, podendo determinar as diligências que entender necessárias, voto por converter o processo em diligência para que a unidade da RFB proceda à apuração e demonstração nos autos do direito de crédito de contribuição para o PIS/Pasep amparado pela decisão judicial, nos termos da Lei Complementar nº 7, de 1970, considerando o faturamento do sexto mês anterior, sem correção monetária, intimando a contribuinte do resultado da diligência e concedendolhe prazo de trinta dias para se manifestar. Após, que seja juntada a manifestação da contribuinte ou declaração de que não foi apresentada, e devolvido o processo para a 3ª Seção de Julgamento do CARF. (assinado digitalmente) Paulo Sergio Celani Fl. 460DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/12/2014 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 22/12/2014 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 24/12/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES
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Numero do processo: 10972.000200/2010-17
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Sep 10 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Fri Dec 19 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Período de apuração: 01/11/2005 a 31/08/2007
AUTO DE INFRAÇÃO. CFL 78. ENTREGA DE GFIP COM OMISSÕES OU INCORREÇÕES.
Constitui infração à legislação previdenciária a entrega de Guia de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social - GFIP com incorreções ou omissão de informações relativas a fatos geradores de contribuições previdenciárias, sujeitando o infrator à multa prevista no Inciso I do art. 32-A da Lei nº 8.212/91, na redação dada pela Lei nº 11.941/2009, observado o valor mínimo fixado no inciso II do § 3º do mesmo dispositivo.
COMPENSAÇÃO. AÇÃO JUDICIAL. AUSÊNCIA DE TRÂNSITO EM JULGADO. INCONSTITUCIONALIDADE DO TRIBUTO RECOLHIDO. RECURSO REPETITIVO DO STJ.
Nos termos do art. 170-A do CTN e do REsp 1.164.452, "é vedada a compensação mediante o aproveitamento de tributo, objeto de contestação judicial pelo sujeito passivo, antes do trânsito em julgado da respectiva decisão judicial", vedação que se aplica inclusive às hipóteses de reconhecida inconstitucionalidade do tributo indevidamente recolhido, nos termos do REsp 1.167.039-DF. Decisões proferidas na sistemática do artigo 543-C do Código de Processo Civil.
DECISÕES DEFINITIVAS DO STF E STJ. SISTEMÁTICA PREVISTA PELOS ARTIGOS 543-B E 543-C DO CÓDIGO DE PROCESSO CIVIL.
Nos termos do art. 62-A do Regimento Interno do CARF (Portaria nº 256/2009), as decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543-B e 543-C do Código de Processo Civil (Lei nº 5.869/73), deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 2302-003.369
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos em negar provimento ao recurso voluntário do Auto de Infração de Obrigação Acessória, lavrado no Código de Fundamento Legal 78, por ter sido entregue a GFIP com omissões e incorreções relativamente aos fatos geradores de contribuição previdenciária.
(assinado digitalmente)
LIEGE LACROIX THOMASI Presidente
(assinado digitalmente)
ANDRÉ LUÍS MÁRSICO LOMBARDI Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Liége Lacroix Thomasi (Presidente), Leonardo Henrique Pires Lopes (Vice-presidente), Arlindo da Costa e Silva, Juliana Campos de Carvalho Cruz, Fábio Pallaretti Calcini e André Luís Mársico Lombardi.
Nome do relator: ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI
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Fatos Geradores Recorrente MUNICÍPIO DE CARNEIRINHO PREFEITURA MUNICIPAL Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Período de apuração: 01/11/2005 a 31/08/2007 AUTO DE INFRAÇÃO. CFL 78. ENTREGA DE GFIP COM OMISSÕES OU INCORREÇÕES. Constitui infração à legislação previdenciária a entrega de Guia de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social GFIP com incorreções ou omissão de informações relativas a fatos geradores de contribuições previdenciárias, sujeitando o infrator à multa prevista no Inciso I do art. 32A da Lei nº 8.212/91, na redação dada pela Lei nº 11.941/2009, observado o valor mínimo fixado no inciso II do § 3º do mesmo dispositivo. COMPENSAÇÃO. AÇÃO JUDICIAL. AUSÊNCIA DE TRÂNSITO EM JULGADO. INCONSTITUCIONALIDADE DO TRIBUTO RECOLHIDO. RECURSO REPETITIVO DO STJ. Nos termos do art. 170A do CTN e do REsp 1.164.452, "é vedada a compensação mediante o aproveitamento de tributo, objeto de contestação judicial pelo sujeito passivo, antes do trânsito em julgado da respectiva decisão judicial", vedação que se aplica inclusive às hipóteses de reconhecida inconstitucionalidade do tributo indevidamente recolhido, nos termos do REsp 1.167.039DF. Decisões proferidas na sistemática do artigo 543C do Código de Processo Civil. DECISÕES DEFINITIVAS DO STF E STJ. SISTEMÁTICA PREVISTA PELOS ARTIGOS 543B E 543C DO CÓDIGO DE PROCESSO CIVIL. Nos termos do art. 62A do Regimento Interno do CARF (Portaria nº 256/2009), as decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C do Código de Processo Civil (Lei nº 5.869/73), deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. Recurso Voluntário Negado AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 97 2. 00 02 00 /2 01 0- 17 Fl. 491DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/12/2014 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 16/ 12/2014 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 18/12/2014 por LIEGE LACROIX THOMA SI 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos em negar provimento ao recurso voluntário do Auto de Infração de Obrigação Acessória, lavrado no Código de Fundamento Legal 78, por ter sido entregue a GFIP com omissões e incorreções relativamente aos fatos geradores de contribuição previdenciária. (assinado digitalmente) LIEGE LACROIX THOMASI – Presidente (assinado digitalmente) ANDRÉ LUÍS MÁRSICO LOMBARDI – Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Liége Lacroix Thomasi (Presidente), Leonardo Henrique Pires Lopes (Vicepresidente), Arlindo da Costa e Silva, Juliana Campos de Carvalho Cruz, Fábio Pallaretti Calcini e André Luís Mársico Lombardi. Fl. 492DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/12/2014 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 16/ 12/2014 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 18/12/2014 por LIEGE LACROIX THOMA SI Processo nº 10972.000200/201017 Acórdão n.º 2302003.369 S2C3T2 Fl. 492 3 Relatório Tratase de Recurso Voluntário contra decisão de primeira instância que julgou a impugnação do contribuinte improcedente, mantendo o crédito tributário. Consta dos autos que foi lavrado Auto de Infração em razão da recorrente ter efetuado compensação, declarada em GFIP, em ofensa ao art. 170A do CTN, posto que, no período, encontravase discutindo a questão em juízo (ação proposta em 08/06/2005). Cientificada do Auto de Infração e apresentada a defesa, esta foi julgada improcedente pela DRJ, sendo mantido o crédito tributário lançado. A recorrente foi intimada do Acórdão e apresentou o Recurso Voluntário de fls. 74 e seguintes, no qual alega, em apertada síntese a impossibilidade de cominação de multa por descumprimento de obrigação acessória, em razão da não obrigatoriedade de retificação das GFIP´s. É o relatório. Fl. 493DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/12/2014 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 16/ 12/2014 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 18/12/2014 por LIEGE LACROIX THOMA SI 4 Voto Conselheiro Relator André Luís Mársico Lombardi CFL 78. Cabimento da Autuação. A legislação atual estabelece que constitui infração a entrega de Guia de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social GFIP com incorreções ou omissão de informações relativas a fatos geradores de contribuições previdenciárias, sujeitando o infrator à multa prevista no Inciso I do art. 32A da Lei nº 8.212/91, na redação dada pela Lei nº 11.941/2009, observado o valor mínimo fixado no inciso II do § 3º do mesmo dispositivo: Art. 32A. O contribuinte que deixar de apresentar a declaração de que trata o inciso IV do caput do art. 32 desta Lei no prazo fixado ou que a apresentar com incorreções ou omissões será intimado a apresentála ou a prestar esclarecimentos e sujeitar seá às seguintes multas: I – de R$ 20,00 (vinte reais) para cada grupo de 10 (dez) informações incorretas ou omitidas; e II – de 2% (dois por cento) ao mêscalendário ou fração, incidentes sobre o montante das contribuições informadas, ainda que integralmente pagas, no caso de falta de entrega da declaração ou entrega após o prazo, limitada a 20% (vinte por cento), observado o disposto no § 3o deste artigo. § 1o Para efeito de aplicação da multa prevista no inciso II do caput deste artigo, será considerado como termo inicial o dia seguinte ao término do prazo fixado para entrega da declaração e como termo final a data da efetiva entrega ou, no caso de não apresentação, a data da lavratura do auto de infração ou da notificação de lançamento. § 2o Observado o disposto no § 3o deste artigo, as multas serão reduzidas: I – à metade, quando a declaração for apresentada após o prazo, mas antes de qualquer procedimento de ofício; ou II – a 75% (setenta e cinco por cento), se houver apresentação da declaração no prazo fixado em intimação. § 3o A multa mínima a ser aplicada será de: I – R$ 200,00 (duzentos reais), tratandose de omissão de declaração sem ocorrência de fatos geradores de contribuição previdenciária; e II – R$ 500,00 (quinhentos reais), nos demais casos Fl. 494DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/12/2014 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 16/ 12/2014 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 18/12/2014 por LIEGE LACROIX THOMA SI Processo nº 10972.000200/201017 Acórdão n.º 2302003.369 S2C3T2 Fl. 493 5 A recorrente afirma que não se sujeitaria a tal multa, pois estaria dispensada de retificar as GFIP´s para efetuar a compensação pleiteada em juízo. Em primeiro lugar, a é preciso considerar que a recorrente faz confusão entre a GFIP referente à competência em que foi gerado o crédito (retificação da GFIP) e a GFIP relativa à competência em que foi efetuada a compensação (informação incorreta). No caso dos autos, tratase da segunda hipótese, ou seja, da própria compensação. No entanto, para justificar a legitimidade da presente autuação é preciso atestar a correção da glosa efetuada quando do lançamento da obrigação principal. No caso, a recorrente intentou ação pleiteando o direito à compensação dos valores das contribuições previdenciárias incidentes sobre remunerações de agentes políticos, referentes ao período de 01/1998 a 06/2004. Destarte, aplicável, ao caso, o artigo 170A, do CTN, que veda "a compensação mediante o aproveitamento de tributo, objeto de contestação judicial pelo sujeito passivo, antes do trânsito em julgado da respectiva decisão judicial". A vedação contida no referido dispositivo aplicase inclusive às hipóteses de reconhecida inconstitucionalidade do tributo indevidamente recolhido, nos termos do REsp 1.167.039/DF, cuja decisão foi proferida na sistemática do artigo 543C do Código de Processo Civil: TRIBUTÁRIO. COMPENSAÇÃO. ART. 170A DO CTN. REQUISITO DO TRÂNSITO EM JULGADO. APLICABILIDADE A HIPÓTESES DE INCONSTITUCIONALIDADE DO TRIBUTO RECOLHIDO. 1. Nos termos do art. 170A do CTN, "é vedada a compensação mediante o aproveitamento de tributo, objeto de contestação judicial pelo sujeito passivo, antes do trânsito em julgado da respectiva decisão judicial", vedação que se aplica inclusive às hipóteses de reconhecida inconstitucionalidade do tributo indevidamente recolhido. 2. Recurso especial provido. Acórdão sujeito ao regime do art. 543C do CPC e da Resolução STJ 08/08. (REsp 1.167.039/DF, Rel. Ministro TEORI ALBINO ZAVASCKI, PRIMEIRA SEÇÃO, julgado em 25/08/2010, DJe 02/09/2010) (destaques nossos) Notese que, nos termos art. 62A do Regimento Interno do CARF (Portaria nº 256/2009), as decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C do Código de Processo Civil (Lei nº 5.869/73), deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. Regimento Interno do CARF (Portaria nº 256/2009): Art. 62A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C Fl. 495DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/12/2014 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 16/ 12/2014 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 18/12/2014 por LIEGE LACROIX THOMA SI 6 da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. Assim, estando este órgão julgador vinculado à decisão proferida pelo STJ, não há como acatar o pleito recursal no sentido de que a autuação por descumprimento de obrigação acessória seria ilegítima. Pelos motivos expendidos, CONHEÇO do recurso e para NEGAR PROVIMENTO. É como voto. (assinado digitalmente) ANDRÉ LUÍS MÁRSICO LOMBARDI – Relator Fl. 496DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/12/2014 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 16/ 12/2014 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 18/12/2014 por LIEGE LACROIX THOMA SI
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Numero do processo: 36202.002511/2007-11
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jan 20 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Fri Jan 30 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/11/1997 a 30/11/2006
RECURSO DE OFÍCIO. DECADÊNCIA.
O Supremo Tribunal Federal, através da Súmula Vinculante n° 08, declarou inconstitucionais os artigos 45 e 46 da Lei n° 8.212, de 24/07/91. Tratando-se de tributo sujeito ao lançamento por homologação, que é o caso das contribuições previdenciárias, devem ser observadas as regras do Código Tributário Nacional - CTN. Assim, comprovado nos autos o pagamento parcial, aplica-se o artigo 150, §4°; caso contrário, aplica-se o disposto no artigo 173, I. Entende-se como pagamento parcial o recolhimento da contribuição previdenciária sobre outras parcelas remuneratórias que compõem a folha de pagamento da empresa (Súmula CARF nº 99).
RECURSO VOLUNTÁRIO. DESISTÊNCIA.
Em qualquer fase processual, ainda que já proferido acórdão pelas turmas do CARF, é facultado ao recorrente desistir do recurso interposto.
Recursos de Ofício Negado.
Recurso Voluntário Não Conhecido.
Numero da decisão: 2402-004.479
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso de ofício e não conhecer do recurso voluntário por desistência.
Julio Cesar Vieira Gomes Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Julio Cesar Vieira Gomes, Luciana de Souza Espíndola Reis, Lourenço Ferreira do Prado, Ronaldo de Lima Macedo, Thiago Taborda Simões e Nereu Miguel Ribeiro Domingues.
Nome do relator: JULIO CESAR VIEIRA GOMES
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DECADÊNCIA. O Supremo Tribunal Federal, através da Súmula Vinculante n° 08, declarou inconstitucionais os artigos 45 e 46 da Lei n° 8.212, de 24/07/91. Tratandose de tributo sujeito ao lançamento por homologação, que é o caso das contribuições previdenciárias, devem ser observadas as regras do Código Tributário Nacional CTN. Assim, comprovado nos autos o pagamento parcial, aplicase o artigo 150, §4°; caso contrário, aplicase o disposto no artigo 173, I. Entendese como pagamento parcial o recolhimento da contribuição previdenciária sobre outras parcelas remuneratórias que compõem a folha de pagamento da empresa (Súmula CARF nº 99). RECURSO VOLUNTÁRIO. DESISTÊNCIA. Em qualquer fase processual, ainda que já proferido acórdão pelas turmas do CARF, é facultado ao recorrente desistir do recurso interposto. Recursos de Ofício Negado. Recurso Voluntário Não Conhecido. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 36 20 2. 00 25 11 /2 00 7- 11 Fl. 7910DF CARF MF Impresso em 30/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/01/2015 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 29/01/ 2015 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso de ofício e não conhecer do recurso voluntário por desistência. Julio Cesar Vieira Gomes – Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Julio Cesar Vieira Gomes, Luciana de Souza Espíndola Reis, Lourenço Ferreira do Prado, Ronaldo de Lima Macedo, Thiago Taborda Simões e Nereu Miguel Ribeiro Domingues. Fl. 7911DF CARF MF Impresso em 30/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/01/2015 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 29/01/ 2015 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 36202.002511/200711 Acórdão n.º 2402004.479 S2C4T2 Fl. 7.911 3 Relatório Tratamse de recursos voluntário e de ofício interpostos contra decisão de primeira instância que julgou procedente em parte o lançamento com ciência em 13/06/2007 de contribuições previdenciárias sobre participação nos lucros e resultados da empresa. Foram excluídos do lançamento os valores relativos ao período até 05/2002, inclusive, pelo reconhecimento da decadência parcial pelo artigo 150, §4º do CTN. Seguem transcrições de trechos do relatório fiscal e do acórdão recorrido: Relatório Fiscal: I) Convenções Coletivas celebradas com o SINDIMETAL: a) Convenção Coletiva de Trabalho de 2001/2002 com abrangência de 11/2001 a 10/2002: a Convenção Coletiva foi assinada em 07/01/2002, negociada com os representantes do sindicato; vinculação dos valores a serem pagos de PLR ao número de empregados da empresa; o pagamento da PLR referiuse ao período de 01/11/2000 a 31/10/2001, a ser paga em 01/2002; b) Convenção Coletiva de Trabalho de 2002/2003 com abrangência de 11/2002 a 10/2003: a Convenção Coletiva foi assinada em 13/12/2002, negociada com os representantes do sindicato; vinculação dos valores a serem pagos de PLR ao número de empregados da empresa; o pagamento da PLR referiuse ao período de 01/11/2001 a 31/10/2002, a ser paga até o dia 20/12/2002; c) Convenção Coletiva de Trabalho de 2003/2004 com abrangência de 11/2003 a 10/2004: a Convenção Coletiva foi assinada em 08/12/2003, negociada com os representantes do sindicato; vinculação dos valores a serem pagos de PLR ao número de empregados da empresa; o pagamento da PLR referiuse ao período de 01/11/2002 a 31/10/2003, a ser paga até o dia 20/12/2003; d) A partir da Convenção Coletiva de Trabalho de 2004/2005, o sindicato passou a estimular a negociação direta, por critérios próprios, entre a empresa e seus empregados. Síntese: Para o período de 01/11/2001 a 31/10/2004, a assinatura das convenções coletivas celebradas com o Sindimetal ocorreu após o período de apuração, mas antes dos pagamentos. II) Convenções Coletivas celebradas com o SINDIEMBALAGENS/SINTRAEMBALAGENS: Fl. 7912DF CARF MF Impresso em 30/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/01/2015 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 29/01/ 2015 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 4 a) A participação nos lucros e/ou resultados não foi objeto de negociação entre a empresa e seus empregados: nenhuma das Convenções Coletivas de Trabalho celebradas versou sobre a matéria. III) Convenções Coletivas celebradas com Sindicato dos Trabalhadores Marítimos e posteriormente Acordos Coletivos celebrados com o AQUASIND Participação nos Resultados: a) Convenção Coletiva de Trabalho com abrangência de 02/2001 a 01/2002, assinada em 30/03/2001: PLR paga com base no incremento de 2% no número médio de navios atendidos pela empresa no período de 01/01/2001 a 31/12/2001, comparado com o número médio de navios atendidos pela empresa no período de 01/01/2000 a 31/12/2000; 2 (duas) parcelas no valor de 23% da remuneração mensal a serem pagas em 01/07/2001 e 02/01/2002; b) Convenção Coletiva de Trabalho com abrangência de 02/2002 a 01/2003, assinada em 20/03/2002: PLR paga com base no incremento de 5% no número médio de navios atendidos pela empresa no período de 01/01/2002 a 31/12/2002, comparado com o número médio de navios atendidos pela empresa no período de 01/01/2001 a 31/12/2001. Na hipótese de não ser atingido o incremento de 5% no n° de navios o pagamento também seria efetuado, mas em um percentual menor: passaria de 2 (duas) parcelas de 25% do valor da remuneração mensal para 2 (duas) parcelas de 23% da remuneração mensal, a serem pagas em 07/2002 e 01/2003; c) AQUASIND: Acordos Coletivos de Trabalho com abrangência de 01/02/2003 a 31/01/2004, 01/02/2004 a 31/01/2005, 01/02/2005 a 31/01/2006 e 01/02/2006 a 31/01/2007: instituído o pagamento aos empregados da embarcação Cábrea Amapá uma parcela correspondente a 75% / 100% / 100% / 100% da remuneração mensal fixa do empregado referente a Participação nos Lucros a ser paga anualmente, inexistindo a obrigação de se cumprir na integra a Lei n.° 10.101/2000; Síntese: Para o período de 01/02/2001 a 31/01/2003, a assinatura das convenções coletivas com o Aquasind ocorreu no início do período de apuração e antes dos pagamentos. Para o período de 01/02/2003 a 31/01/2007, foram assinados acordos coletivos de trabalho para pagamento de parcelas fixas com base na remuneração do segurado. IV) Acordo Coletivo de Trabalho celebrado com o SINDESNAV, assinado em 12/01/2007, com abrangência de 01/05/2006 a 30/04/2007: PLR equivalente a 1(um) salário, vigente em dezembro/2006, com pagamento a ser efetuado até o dia 28.02.2007, concedido para os empregados que mantenham contrato de trabalho por prazo indeterminado e que tenham sido admitidos antes de 10 maio/2006. Síntese: Para o período de 01/05/2006 a 30/04/2007, foram assinados acordos coletivos de trabalho para pagamento de 1 salário mínimo. Fl. 7913DF CARF MF Impresso em 30/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/01/2015 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 29/01/ 2015 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 36202.002511/200711 Acórdão n.º 2402004.479 S2C4T2 Fl. 7.912 5 10.1. Assim, em breve síntese, esses foram os termos das convenções e acordos coletivos celebrados, entre as entidades sindicais patronais e as representantes dos empregados, para o pagamento da PLR, de onde se depreende que todas as negociações todas as negociações vislumbraram o direito a obtenção de Participação nos Resultados. As convenções e acordos não vislumbraram o direito a participação nos lucros obtidos pela empresa. 11. Como instrumento de formalização da Participação nos Lucros e/ou Resultados, previsto no art. 2°, §§1° e 2° da Lei n.° 10.101/2000, a empresa apresentou um único Acordo de Participação nos Lucros ou Resultados chamado de Participação Independente, assinado em 10/01/2006, pela comissão de representantes da empresa e dos empregados, e pela Entidade Sindical SINTRAEMBALAGENS acordo estabeleceu como regra de pagamento apenas a assiduidade dos empregados, a partir dos indicadores "faltas injustificadas" e "faltas justificadas", a ser paga em parcela única no mês de fevereiro de cada ano. O acordo tem vigência até que as partes se manifestem em contrário. 11.1. Passaremos a seguir à análise desse Acordo, onde demonstraremos que os pagamentos a titulo de Participação nos Lucros e Resultados PLR não observaram os parâmetros legais exigidos para a sua concessão. 12. As irregularidades identificadas no acordo para a concessão da PLR referemse, basicamente, à data de formalização do instrumento, à participação da entidade sindical dos trabalhadores no acordo, e à definição das metas para alcance de resultados. 13. A primeira irregularidade identificada foi quanto à data de formalização do instrumento. Nos termos do art. 2º, §1º , II, da Lei n° 10.101, de 19/12/2000, "dos instrumentos decorrentes da negociação deverão constar regras (...), mecanismos de aferição (...), podendo ser considerados, entre outros, (...) programas de metas, resultados e prazos, pactuados previamente". Portanto, o instrumento pactuado em 10/01/2006, de pronto, não respalda as Participações nos Resultados ocorridas nos anos de 1997, 1998, 1999, 2060,,200,1, 2002, 2003, 2004 e 2005, pois foi pactuado após os pagamentos das mesmas e conseqüentemente após o término do período de apuração dos parâmetros estabelecidos para a sua concessão. A empresa não apresentou instrumentos, formalizados no termos Lei n° 10.101, de 19/12/2000, para a concessão das PLR ocorridas no período de 1997 a 2005. Também, o instrumento pactuado em 10/01/2006, não respalda as PLR ocorridas no ano de 2006, pois os pagamentos foram realizados já no decorrer do ano de 2006, antes mesmo do término do período de apuração dos parâmetros estabelecidos para a sua concessão e, caso os pagamentos de PLR em 2006 refiramse ao período de apuração de 2005, os mesmos foram Fl. 7914DF CARF MF Impresso em 30/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/01/2015 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 29/01/ 2015 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 6 realizados antes do pacto. Ou seja, na celebração do mesmo, preocuparamse, basicamente, em elaborar o documento que a lei exigia para a concessão do beneficio ao empregado, sem observar, entretanto, os objetivos do instrumento. Pelo fato de o instrumento não ter sido pactuado previamente, não se estabeleceu o elo entre as metas definidas e à dedicação dos empregados a alcançálas, conduzindo ao incremento de produtividade, um dos objetivos fundamentais da lei. Afinal, não faz sentido, e há até mesmo uma impossibilidade lógica, estabelecer mecanismos para promover a produtividade se não se estipula previamente as regras e as condições por meio das quais os resultados serão alcançados. Ao estipular as metas, ao definir os parâmetros para obtenção de resultados, devese necessariamente apontar o vetor para o futuro, para as ações que devem ser desencadeadas, os esforços que devem ser empreendidos para a consecução das metas em um determinado período de tempo à frente. Não tem sentido propor uma meta, estabelecer um desafio, para o passado. Os resultados já alcançados no passado são fatos consumados, não podem ser alterados. Portanto, o lucros ou resultados obtidos no passado não podem ser objeto de metas. Assim, a referência, mesmo que indireta, subentendida a resultados passados, como expressa nos acordos celebrados, não se coaduna com os objetivos da lei que regula a PLR. 13.1. Concluise, portanto, que a empresa deveria ter celebrado instrumentos para pagamento das PLR, fixando previamente, mediante negociação com os empregados, as metas e as respectivas regras e parâmetros para alcançálas. 14. A segunda irregularidade identificada no instrumento diz respeito participação das entidades sindicais dos trabalhadores no processo de negociação entre a empresa e os empregados. Estabelece a Lei n° 10.101, de 19/12/2000, que "a participação nos lucros ou resultados será objeto de negociação entre a empresa e seus empregados (...) mediante comissão escolhida pelas partes, integrada, também, por um representante indicado pelo sindicato da respectiva categoria", ou por "convenção ou acordo coletivo", e que "o instrumento do acordo celebrado será arquivado na entidade sindical dos trabalhadores". Pois bem, no caso sob análise, para a definição dos critérios da participação nos resultados, cujo beneficio foi extensivo a empregados de todos os estabelecimentos da empresa, a negociação não foi celebrada por todos os sindicatos representativos dos mesmos, fato recorrente em todo o período em que foi concedida a PLR. Ocorre que a empresa possui empregados representados por sindicatos diferentes dentro do Estado do Espírito Santo, além de possuir estabelecimento em outra unidade da federação e, como prevê o art. 8°, II, da Constituição Federal de 1988, ao estabelecer a base territorial dos sindicatos, os empregados de estados diferentes podem ser representados por sindicatos distintos. E esse é o caso dos empregados do estabelecimento localizado no Rio de Janeiro, que são representados por sindicato distinto. Portanto, para atender aos requisitos da lei, devia a empresa ter celebrado instrumento de concessão da PLR com todos os sindicatos representativos dos empregados. 0 que não aconteceu. Fl. 7915DF CARF MF Impresso em 30/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/01/2015 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 29/01/ 2015 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 36202.002511/200711 Acórdão n.º 2402004.479 S2C4T2 Fl. 7.913 7 15. A terceira irregularidade no acordo diz respeito a falta de regras, definição de metas para alcance dos resultados. O acordo estabeleceu como regra para a premiação, a assiduidade dos empregados, a partir dos indicadores "faltas injustificadas" e "faltas justificadas", não se fala em fatores de avaliação ou resultados, objetivos pretendidos. Outra vez observamos que, para a celebração de alguns acordos da PLR, preocuparamse as partes, basicamente;em elaborar o documento que a lei exigia para a concessão do benefício alegado, sem observar, entretanto, os objetivos do instrumento. Não se fixou metas que estabeleceriam elos com a dedicação dos empregados a alcançá las, conduzindo ao incremento de produtividade, um dos objetivos fundamentais da lei. Afinal, não faz sentido, e há até mesmo uma impossibilidade lógica, estabelecer mecanismos para promover a produtividade se não se estipula previamente as regras e as condições por meio das quais os resultados serão alcançados. Ao estipular as metas, ao definir os parâmetros para obtenção de resultados, devese necessariamente apontar o vetor para o futuro, para as ações que devem ser desencadeadas, os esforços que devem ser empreendidos para a consecução das metas em um determinado período de tempo frente. 15.1. Ainda, sobre a falta de regras, definição de metas para o alcance de resultados, observamos que algumas convenções coletivas prevêem a concessão do beneficio vinculado ao número de empregados da empresa, ou à data de admissão do empregado. Há casos de acordos coletivos, como foram os celebrados com o Sindicato Aquasind, onde foi pactuado que a PLR corresponderia a remuneração mensal "inexistindo a obrigação de se cumprir na integra a Lei n.° 10.101/2000". 16. Em razão do acima exposto, ou seja, por não se tratar o instrumento de negociação apresentado daquele previsto no art. 2 0, §1 0, da Lei n° 10.101, de 19/12/2000, os valores pagos a titulo de Participação nos Resultados foram considerados como componentes da remuneração para fins de incidência das contribuições previdenciárias. Acórdão: PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS OU RESULTADOS. PAGAMENTO EM DESACORDO COM A LEI DE REGÊNCIA. Entendese por saláriodecontribuição a totalidade dos rendimentos pagos, devidos ou creditados a qualquer titulo, inclusive os ganhos habituais sob forma de utilidades (art. 28, I da Lei 8.212/1991). A participação nos lucros ou resultados da empresa paga em desacordo com a Medida Provisória 794/94 e suas reedições, convertida na lei 10.101/2000, integra o salário de contribuição para fins de incidência de contribuição previdenciária, na inteligência do art. 28, § 9º, "j" da Lei 8.212/1991. DECADÊNCIA. Fl. 7916DF CARF MF Impresso em 30/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/01/2015 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 29/01/ 2015 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 8 Transcorrido o prazo decadencial relativamente a parte do lançamento, o Fisco resta impedido de exigir a parte lançada fora do prazo previsto no CTN. CONTRIBUIÇÕES DA PARTE DE SEGURADOS EMPREGADOS. LANÇAMENTO ACIMA DO LIMITE CONTRIBUTIVO. Nos termos do art. 20 da Lei 8.212/1991, a contribuição do segurado empregado é calculada mediante a aplicação da correspondente alíquota sobre o seu saláriodecontribuição mensal, devendo ser respeitado o limite de contribuição. Lançamento Procedente em Parte ... 3. De acordo com o relatório fiscal, fls. 89/97, o lançamento incidiu sobre valores considerados pela empresa como Participação nos Lucros ou Resultados, os quais, entretanto, a Fiscalização constatou integrarem o saláriodecontribuição, uma vez que os acordos coletivos e convenções coletivas de trabalho em que se fundaram não atendiam as determinações da MP 794, de 29/12/1994 e suas reedições, convertida na Lei 10.101, de 19/12/2000, determinando o descumprimento do disposto no art. 28, §9°, alínea "j" da Lei 8.212, de 24/07/1991. ... Quanto a decadência parcial do crédito, a primeira instância recorreu de ofício de sua decisão que aplicara o artigo 150, §4º do CTN: 12.2. Uma vez que o período de referência do presente lançamento, datado de 08/06/2007, vai de 01/11/1997 a 30/11/2006, e que a empresa apresenta recolhimentos em todo o período do lançamento, conforme consulta feita a sua conta corrente no sistema informatizado, forçoso é reconhecer que a impugnante tem razão ao alegar que a decadência ocorreu nos termos do art. 150, § 4 0 do CTN, ou seja, até a competência 05/2002, sendo os valores pertinentes ora excluídos. 12.3. Assim, remanescem apenas os valores lançados nas competências 06/2002 a 11/2006 e, assim, só esses serão objeto de análise. Contra a decisão, o recorrente interpôs recurso voluntário, onde reitera as alegações trazidas na impugnação: 8. As demais empresas do grupo econômico não se manifestaram. 9. Além da tempestividade, são os seguintes os argumentos apresentados: Do prazo decadencial 9.1. O débito estaria parcialmente fulminado pela decadência, nos termos do art. 150, § 4° do Código Tributário Nacional, uma vez que há recolhimentos para todo o período e o art. 146, III, Fl. 7917DF CARF MF Impresso em 30/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/01/2015 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 29/01/ 2015 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 36202.002511/200711 Acórdão n.º 2402004.479 S2C4T2 Fl. 7.914 9 "h" da Constituição Federal reserva o trato da decadência em matéria tributária a lei complementar, do que decorre a inconstitucionalidade do art. 45 da Lei 8.212/1991. Invoca jurisprudência nesse sentido. Do Erro Material no Lançamento 9.2. Os valores que serviram de base de calculo ao lançamento seriam superiores aos efetivamente pagos aos segurados empregados, correspondendo apenas a provisões feitas pela impugnante, cujos valores não foram integralmente pagos por razões diversas, tais como correção salarial, dispensas e afastamentos de empregados. Tal seria evidenciado pela planilha demonstrativa anexa (fls. 510 — vol. III) e pelo confronto entre a conta de provisão no Diário e as folhas de salários das competências respectivas cujas cópias acompanham a impugnação. Do Atendimento aos Ditames Legais 9.3. A impugnante alega que os pagamentos da Participação nos Lucros ou Resultados observaram integralmente ao determinado pela Lei 10.101/2000, dada a periodicidade com que foram efetuados, por terem atendido os empregados As condições legais e por ser contemplada a PLR nos acordos e convenções coletivos de trabalho. Assim, tais pagamentos estariam em conformidade com o art. 28, § 9°, alínea "j" da Lei 8.212/1991, ou seja, ao abrigo da incidência das contribuições previdenciárias. Do Limite de Contribuição para os Segurados Empregados 9.4. Argumenta que o lançamento das contribuições da parte dos segurados empregados abrangeu a todos, não levando em conta que parcela considerável dos mesmos já havia contribuído pelo limite máximo. Do Pedido de Perícia 9.5. Requer a análise da documentação juntada e o deferimento de perícia contábil, previamente nomeando seu perito e formulando quesitos que reproduzem os argumentos acima apresentados. No recurso voluntário também se requereu o sobrestamento do presente processo para julgamento em conjunto com os demais. O julgamento foi convertido em diligência para esclarecimentos acerca da participação nos lucros ou resultados; porém, o contribuinte desistiu de sua recurso voluntário, o que inclui todo o período não excluído pela decadência e objeto do recurso de ofício. Por conseqüência, requer a homologação da desistência e pagamento parcial, reconhecimento da perda do objeto da diligência, fls. 7.892 a 7.895 e 7.908. É o Relatório. Fl. 7918DF CARF MF Impresso em 30/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/01/2015 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 29/01/ 2015 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 10 Voto Conselheiro Julio Cesar Vieira Gomes, Relator Recurso de Ofício: Foram excluídas do lançamento contribuições comprovadamente recolhidas pelo recorrente ou alcançadas pela decadência pelo artigo 150, §4º do CTN. Uma vez que houve recolhimentos parciais em todo o período lançado como informado pela decisão recorrida e que para o período remanescente a recorrente apresentou comprovantes de desconto e recolhimento da contribuição previdenciária, mantenho a decisão recorrida pelos seus fundamentos. Inclusive, este CARF sumulou o entendimento acerca do que se entende por pagamento parcial. De acordo com a Súmula nº 99, considerase que houve pagamento parcial quando os recolhimentos efetuados não se refiram à parcela remuneratória objeto do lançamento: Súmula CARF nº 99: Para fins de aplicação da regra decadencial prevista no art. 150, § 4°, do CTN, para as contribuições previdenciárias, caracteriza pagamento antecipado o recolhimento, ainda que parcial, do valor considerado como devido pelo contribuinte na competência do fato gerador a que se referir a autuação, mesmo que não tenha sido incluída, na base de cálculo deste recolhimento, parcela relativa a rubrica especificamente exigida no auto de infração. Assim, considerando o presente caso, deve ser aplicada a regra no artigo 150, §4º do CTN, como reconheceu a decisão recorrida. Recurso Voluntário: Em conformidade com o artigo 78 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 256, de 22/06/2009, deve ser homologada a desistência do recurso voluntário: Art. 78. Em qualquer fase processual o recorrente poderá desistir do recurso em tramitação. § 1° A desistência será manifestada em petição ou a termo nos autos do processo. § 2° O pedido de parcelamento, a confissão irretratável de dívida, a extinção sem ressalva do débito, por qualquer de suas modalidades, ou a propositura pelo contribuinte, contra a Fazenda Nacional, de ação judicial com o mesmo objeto, importa a desistência do recurso. § 3° Na hipótese de acórdão passível de recurso pela ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional, a desistência de recurso deverá ser precedida de renúncia do requerente ao Fl. 7919DF CARF MF Impresso em 30/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/01/2015 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 29/01/ 2015 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 36202.002511/200711 Acórdão n.º 2402004.479 S2C4T2 Fl. 7.915 11 direito sobre o qual se funda o recurso por ele anteriormente interposto. Em razão do exposto, voto por negar provimento ao recurso de ofício e não conhecer do recurso voluntário por desistência. É como voto. Julio Cesar Vieira Gomes Fl. 7920DF CARF MF Impresso em 30/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/01/2015 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 29/01/ 2015 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES
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Numero do processo: 10675.906292/2009-53
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Nov 13 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Tue Dec 02 00:00:00 UTC 2014
Numero da decisão: 9303-000.039
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em sobrestar o julgamento do recurso especial até a decisão definitiva do Supremo Tribunal Federal em matéria de repercussão geral, em face do art. 62-A do Regimento Interno do CARF. Vencido o Conselheiro Luiz Eduardo de Oliveira Santos.
Luiz Eduardo de Oliveira Santos - Presidente Substituto
Nanci Gama - Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Nanci Gama, Júlio César Alves Ramos, Rodrigo Cardozo Miranda, Rodrigo da Costa Pôssas, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva, Joel Miyazaki, Maria Teresa Martínez López, Susy Gomes Hoffmann e Luiz Eduardo de Oliveira Santos.
Nome do relator: Não se aplica
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Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em sobrestar o julgamento do recurso especial até a decisão definitiva do Supremo Tribunal Federal em matéria de repercussão geral, em face do art. 62A do Regimento Interno do CARF. Vencido o Conselheiro Luiz Eduardo de Oliveira Santos. Luiz Eduardo de Oliveira Santos Presidente Substituto Nanci Gama Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Nanci Gama, Júlio César Alves Ramos, Rodrigo Cardozo Miranda, Rodrigo da Costa Pôssas, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva, Joel Miyazaki, Maria Teresa Martínez López, Susy Gomes Hoffmann e Luiz Eduardo de Oliveira Santos. Relatório Tratase de pedido de restituição de PIS ancorada em ação judicial proposta pela contribuinte, transitada em julgado, na qual foi reconhecida a inconstitucionalidade do § 1º do art. 3º da Lei 9.718/98. Contra a decisão da DRJ de origem, que negou provimento ao recurso, a contribuinte interpôs recurso voluntário, que por sua vez foi julgado improcedente pela Câmara a quo. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 06 75 .9 06 29 2/ 20 09 -5 3 Fl. 304DF CARF MF Impresso em 03/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/12/2013 por CLEIDE LEITE, Assinado digitalmente em 06/01/2014 por LUI Z EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 23/12/2013 por NANCI GAMA Processo nº 10675.906292/200953 Resolução nº 9303000.039 CSRFT3 Fl. 305 2 Nessa oportunidade, a Recorrente interpôs recurso especial e sustentou que a decisão recorrida interpretou equivocadamente a decisão prolatada pelo eg. Supremo Tribunal Federal no RE 401.348/MG, devendo ser reformada para que a base de cálculo do PIS limitese à receita bruta das vendas de mercadoria e da prestação de serviços, sem a inclusão da receita financeira decorrente das operações bancárias. O i. Presidente da 1ª Câmara da 3ª Seção de Julgamento do CARF deu seguimento ao recurso especial por considerar que restou comprovada a divergência jurisprudencial. Pede a Fazenda Nacional, em suas contrarrazões, para que seja mantida a decisão guerreada. É o Relatório. Voto Conselheira Nanci Gama, Relatora Conforme se verifica nos autos, a questão central neste processo é definir a base de cálculo da contribuição para as financeiras. Ainda que o pedido de restituição de PIS esteja ancorado em ação judicial proposta pela contribuinte, transitada em julgado, esta, reconheceu, tão somente a inconstitucionalidade do § 1º do art. 3º da Lei 9.718/98. Então tudo continua na mesma, pois sendo uma empresa financeira, fica a critério dos aplicadores do direito interpretar se as receitas financeiras (remuneração decorrente do pagamento de empréstimos bancários, spreads, prêmios, deságios, juros oriundos da intermediação ou aplicação de recursos financeiros próprios ou de terceiros, financiamentos, colocação e negociação de títulos e valores mobiliários, aplicações e investimentos, capitalização etc) integram ou não o faturamento. A questão das receitas que devem integrar a base de cálculo da contribuição devida por instituições financeiras é objeto do RE nº 609.096 (Tema 372), em relação ao qual o Supremo Tribunal Federal decidiu que existe repercussão geral e sobrestou os demais feitos judiciais em andamento, conforme se depreende do despacho do Ministro Ricardo Lewandowski, que transcrevo a seguir: “RE 609096/RS RIO GRANDE DO SUL RECURSO EXTRAORDINÁRIO Relator(a): Min. RICARDO LEWANDOWSKI Julgamento: 10/06/2011 Publicação DJe115 DIVULG 15/06/2011 PUBLIC 16/06/2011 Partes Fl. 305DF CARF MF Impresso em 03/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/12/2013 por CLEIDE LEITE, Assinado digitalmente em 06/01/2014 por LUI Z EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 23/12/2013 por NANCI GAMA Processo nº 10675.906292/200953 Resolução nº 9303000.039 CSRFT3 Fl. 306 3 RECTE.(S) : MINISTÉRIO PÚBLICO FEDERAL PROC.(A/S)(ES) : PROCURADORGERAL DA REPÚBLICA RECTE.(S) : UNIÃO PROC.(A/S)(ES): PROCURADORGERAL DA FAZENDA NACIONAL RECDO.(A/S) : BANCO SANTANDER (BRASIL) S/A ADV.(A/S):MARCOS JOAQUIM GONCALVES ALVES E OUTRO(A/S) Decisão LibreOffice Petição 73745/2010STF. Federação Brasileira dos Bancos – FEBRABAN requer seu ingresso neste recurso extraordinário na condição de amicus curiae, bem como “a suspensão de todos os processos que tramitam em primeiro e segundo graus de jurisdição, que versem sobre a questão constitucional debatida nestes autos” (fl. 666). No caso, tratase de recursos extraordinários interpostos pela União e pelo Ministério Público Federal contra acórdão que entendeu que as receitas financeiras das instituições financeiras não se enquadram no conceito de faturamento para fins de incidência da COFINS e da contribuição para o PIS. Esta Corte reconheceu a existência de repercussão geral do tema versado neste recurso. Transcrevo a ementa: “CONSTITUCIONAL. TRIBUTÁRIO. COFINS E CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS. INCIDÊNCIA. RECEITAS FINANCEIRAS DAS INSTITUIÇÕES FINANCEIRAS. CONCEITO DE FATURAMENTO. EXISTÊNCIA DE REPERCUSSÃO GERAL” (fl. 1.054). É o breve relatório. Decido. De acordo com o § 6º do art. 543A do Código de Processo Civil: “O Relator poderá admitir, na análise da repercussão geral, a manifestação de terceiros, subscrita por procurador habilitado, nos termos do Regimento Interno do Supremo Tribunal Federal”. Por sua vez, o § 2º do art. 323 do RISTF assim disciplinou a matéria: “Mediante decisão irrecorrível, poderá o(a) Relator(a) admitir de ofício ou a requerimento, em prazo que fixar, a manifestação de terceiros, subscrita por procurador habilitado, sobre a questão da repercussão geral”. A esse respeito, assim se manifestou o eminente Min. Celso de Mello, Relator, no julgamento da ADI 3.045/DF: “a intervenção do amicus curiae, para legitimarse, deve apoiarse em razões que tornem desejável e útil a sua atuação processual na causa, em ordem a proporcionar meios que viabilizem uma adequada resolução do litígio constitucional”. Fl. 306DF CARF MF Impresso em 03/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/12/2013 por CLEIDE LEITE, Assinado digitalmente em 06/01/2014 por LUI Z EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 23/12/2013 por NANCI GAMA Processo nº 10675.906292/200953 Resolução nº 9303000.039 CSRFT3 Fl. 307 4 Verifico que a requerente atende aos requisitos necessários para participar desta ação na qualidade de amicus curiae. Quanto ao pedido de suspensão dos processos que tratam da mesma matéria versada nesses autos que tramitam em primeiro e segundo graus, entendo que não merece acolhida. É que os arts. 543B do CPC e 328 do RISTF tratam do sobrestamento de recursos extraordinários interpostos em razão do reconhecimento da repercussão geral da matéria neles discutida, e não de ações que ainda não se encontram nessa fase processual. Além disso, uma vez que esta Corte já reconheceu a repercussão geral da matéria aqui debatida, os recursos extraordinários que versam sobre o mesmo assunto ficarão sobrestados, na origem, por força do próprio art. 543B do CPC. Isso posto, defiro o pedido de ingresso da FEBRABAN na qualidade de amicus curiae e indefiro o pedido de suspensão requerido. Publiquese. Brasília, 10 de junho de 2011. Ministro RICARDO LEWANDOWSKI” (Grifei) Considerando que houve determinação de sobrestamento por parte do STF dos demais feitos relativos à mesma questão que tramitam no Judiciário, voto no sentido de que este E. Colegiado aplique o art. 62A do Regimento Interno do CARF para sobrestar o julgamento do recurso voluntário até que sobrevenha decisão definitiva do STF no RE nº 609.096 (Tema 372). Nanci Gama Fl. 307DF CARF MF Impresso em 03/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/12/2013 por CLEIDE LEITE, Assinado digitalmente em 06/01/2014 por LUI Z EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 23/12/2013 por NANCI GAMA
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Numero do processo: 11610.008827/2002-70
Turma: Terceira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jan 28 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Thu Feb 19 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 01/01/2002 a 30/06/2002
CONCOMITÂNCIA DA DISCUSSÃO NAS ESFERAS ADMINISTRATIVA E JUDICIAL. PRINCÍPIO DA UNIDADE DE JURISDIÇÃO.
Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial (Súmula CARF nº 1)
COMPENSAÇÃO. CRÉDITO DISCUTIDO JUDICIALMENTE. AUSÊNCIA DE TRÂNSITO EM JULGADO. AUSÊNCIA DE LIQUIDEZ E CERTEZA. VEDAÇÃO.
É vedada a compensação administrativa de crédito objeto de contestação judicial antes do trânsito em julgado da respectiva decisão judicial. A compensação de tributos federais pressupõe a existência de crédito líquido e certo, restando prejudicada a compensação fundada em direito creditório posteriormente denegado pelo Poder Judiciário em decisão transitada em julgado.
Numero da decisão: 3803-006.860
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
Corintho Oliveira Machado - Presidente.
(assinado digitalmente)
Hélcio Lafetá Reis - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Corintho Oliveira Machado (Presidente), Hélcio Lafetá Reis (Relator), Belchior Melo de Sousa, Carolina Gladyer Rabelo, Paulo Renato Mothes de Moraes e Samuel Luiz Manzotti Riemma.
Nome do relator: HELCIO LAFETA REIS
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/01/2002 a 30/06/2002 CONCOMITÂNCIA DA DISCUSSÃO NAS ESFERAS ADMINISTRATIVA E JUDICIAL. PRINCÍPIO DA UNIDADE DE JURISDIÇÃO. Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial (Súmula CARF nº 1) COMPENSAÇÃO. CRÉDITO DISCUTIDO JUDICIALMENTE. AUSÊNCIA DE TRÂNSITO EM JULGADO. AUSÊNCIA DE LIQUIDEZ E CERTEZA. VEDAÇÃO. É vedada a compensação administrativa de crédito objeto de contestação judicial antes do trânsito em julgado da respectiva decisão judicial. A compensação de tributos federais pressupõe a existência de crédito líquido e certo, restando prejudicada a compensação fundada em direito creditório posteriormente denegado pelo Poder Judiciário em decisão transitada em julgado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Corintho Oliveira Machado Presidente. (assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 61 0. 00 88 27 /2 00 2- 70 Fl. 417DF CARF MF Impresso em 19/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/01/2015 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 16/02/2015 p or CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 29/01/2015 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 11610.008827/200270 Acórdão n.º 3803006.860 S3TE03 Fl. 418 2 Hélcio Lafetá Reis Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Corintho Oliveira Machado (Presidente), Hélcio Lafetá Reis (Relator), Belchior Melo de Sousa, Carolina Gladyer Rabelo, Paulo Renato Mothes de Moraes e Samuel Luiz Manzotti Riemma. Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto em contraposição à decisão da DRJ Ribeirão Preto/SP que indeferiu os Pedidos e as Declarações de Compensação formulados pelo contribuinte supra identificado, amparados em crédito de terceiro (Química Industrial Paulista S/A), crédito esse fundado em ação judicial em trâmite na Justiça Federal de São Paulo/SP e assegurado por contrato de cessão de direitos. Anteriormente, submetidos os pedidos à apreciação da autoridade administrativa de origem, foram todos eles considerados como não declarados, em razão do fato de se ampararem em ação judicial não transitada em julgado. Em sua Manifestação de Inconformidade, o contribuinte requereu a homologação das compensações, alegando, em síntese, que o seu direito se fundava em princípios constitucionais, na Instrução Normativa SRF nº 21/1997, bem como em sentença assecuratória do direito do cedente de transferir a terceiros o crédito ficto de IPI reconhecido judicialmente, invalidandose qualquer disposição em contrário prevista na Instrução Normativa SRF nº 41, de 2000. O acórdão da DRJ Ribeirão Preto/SP restou ementado nos seguintes termos: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/01/2002 a 30/06/2002 DCOMP. POSSIBILIDADES. É vedada a compensação administrativa de crédito objeto de contestação judicial, pelo sujeito passivo, antes do trânsito em julgado da respectiva decisão judicial. CRÉDITOS CEDIDOS POR TERCEIRO. COMPENSAÇÃO NÃO HOMOLOGADA. É ilegal a compensação de débitos do sujeito passivo com créditos cedidos por terceiro, antes do reconhecimento, pelo Poder Judiciário, da substituição do pólo ativo no processo judicial de execução, pois só a partir desse momento é que o interessado passa a ter a titularidade do crédito. Solicitação Indeferida Destacou o julgador de piso que (i) o então Manifestante não figurara no pólo ativo da ação judicial, (ii) que o direito concedido na Ação Ordinária e na Apelação Cível só se Fl. 418DF CARF MF Impresso em 19/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/01/2015 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 16/02/2015 p or CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 29/01/2015 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 11610.008827/200270 Acórdão n.º 3803006.860 S3TE03 Fl. 419 3 constituiria após o trânsito em julgado da sentença e (iii) que, por ocasião da entrega da declaração de compensação, já se encontravam em vigência o art. 170A do CTN, introduzido pela Lei Complementar n° 104/2001, o art. 49 da Lei n° 10.637/2002, bem como a Instrução Normativa SRF nº 210/2002, que vedavam a compensação mediante o aproveitamento de tributo objeto de contestação judicial antes do trânsito em julgado da respectiva decisão judicial. Destacou o relator do voto condutor do acórdão recorrido que a cessão de crédito, embora amparada na legislação civil e processual civil, bem como na jurisprudência e na doutrina, é absolutamente ineficaz no âmbito da legislação tributária, pois a compensação, no presente caso, perdera seu contorno genérico, passando a se delimitar pelo princípio maior da legalidade estrita, encontrandose restringido o direito à compensação aos créditos líquidos e certos (art. 170 do CTN). Ressaltouse, também, que o caput do art. 74 da Lei n° 9.430, de 1996, com a redação dada pelo art. 49 da Lei n° 10.637, de 30 de dezembro de 2002, só autoriza compensação de créditos apurados pelos sujeitos passivos com débitos próprios, relativos a tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, comando esse reproduzido no art. 30 da Instrução Normativa SRF nº 210, de 2002. Por fim, em relação às questões argüidas pelo contribuinte, inclusive relativas a princípios constitucionais, elas já se encontravam em discussão na esfera judicial, o que inviabilizava a sua apreciação por parte da Administração Pública, dado o princípio da unidade da jurisdição (art. 5°, inciso XXXV, da Constituição Federal). Cientificado da decisão em 6 de julho de 2009, o contribuinte interpôs Recurso Voluntário em 4 de agosto de 2009, reiterou o seu pedido, repisando os mesmos argumentos de defesa, e argüiu, preliminarmente, cerceamento de direito líquido e certo, bem como a ocorrência de possível crime de desobediência, pelo fato de o julgador de primeira instância haver apregoado a inexistência de pedidos válidos de compensação. Segundo o Recorrente, ao contrário do fundamento da decisão recorrida, a sentença, de cunho declaratório, reconhecera o direito da empresa Química Industrial Paulista ao aproveitamento dos créditos presumidos de IPI relativamente às aquisições de insumos sujeitos à isenção ou à alíquota zero, bem assim o direito ao ressarcimento em espécie ou sob a forma de compensação no recolhimento de outros tributos, exceto o imposto de importação, vencidos ou vincendos, seus ou de outros contribuintes. Destacou, também, o Recorrente, que, nos termos da fundamentação da sentença proferida, até o advento da Instrução Normativa SRF n° 41/2000, publicada no Diário Oficial da União em 10.04.2000, “a parcela do crédito presumido a ser ressarcido que excedesse o total de débitos de um contribuinte era passível de ser utilizado para a compensação com débitos de outro contribuinte a teor do art. 15, §§1° a 6°, da INSRF n°21, de 10.02.1997.” É o relatório. Voto Conselheiro Hélcio Lafetá Reis Fl. 419DF CARF MF Impresso em 19/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/01/2015 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 16/02/2015 p or CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 29/01/2015 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 11610.008827/200270 Acórdão n.º 3803006.860 S3TE03 Fl. 420 4 O recurso é tempestivo, atende as demais condições de admissibilidade e dele tomo conhecimento. De início, registrese, conforme já fizera o julgador de primeira instância, que as questões relativas ao direito ao aproveitamento de créditos presumidos de IPI decorrentes de aquisições de insumos sujeitos à isenção ou à alíquota zero, créditos esses da titularidade de terceiro, foram submetidas ao crivo do Poder Judiciário, não sendo passível de apreciação por parte deste Colegiado em razão do princípio da unidade da jurisdição, cujo reflexo encontrase bem delimitado no súmula CARF nº 1, verbis: Súmula CARF nº 1: Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. Nesse sentido, somente as compensações declaradas pelo ora Recorrente serão objeto de apreciação neste voto. Quanto à preliminar argüida de cerceamento de direito líquido e certo, bem como a ocorrência de possível crime de desobediência, pelo fato de o julgador de primeira instância haver apregoado a inexistência de pedidos válidos de compensação, há que se destacar que nenhum vício da espécie ocorrera no acórdão de primeira instância, tendo o relator apresentado, exaustivamente, todos os fundamentos de sua decisão relativos à ineficácia das compensações declaradas, destacandose os seguintes: a) por ocasião da declaração de compensação, já se encontravam em vigência o art. 170A do CTN, introduzido pela Lei Complementar n° 104/2001, o art. 49 da Lei n° 10.637/2002, bem como a Instrução Normativa SRF nº 210/2002, que vedavam a compensação mediante o aproveitamento de tributo objeto de contestação judicial antes do trânsito em julgado da respectiva decisão judicial; b) o contribuinte não é parte e nem figura no pólo ativo da ação judicial. c) a cessão de crédito, embora amparada na legislação civil e processual civil, bem como na jurisprudência e na doutrina, é absolutamente ineficaz no âmbito da legislação tributária, pois a compensação, no presente caso, perdera seu contorno genérico, passando a se delimitar pelo princípio maior da legalidade estrita, encontrandose restringido o direito à compensação aos créditos líquidos e certos (art. 170 do CTN). Dessa forma, nenhum vício há que possa amparar a preliminar de nulidade argüida. No mérito, há que se destacar que, embora os Pedidos de Compensação presentes às fls. 65 a 72 tenham sido apresentados em 31/05/2002, data essa anterior à vigência da redação do caput art. 74 da Lei nº 9.430, de 1996, com redação dada pelo art. 49 da Medida Provisória nº 66, de 20021, que passou a produzir efeito a partir de 1º de outubro de 20022, as 1 Art. 74. O sujeito passivo que apurar crédito relativo a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios Fl. 420DF CARF MF Impresso em 19/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/01/2015 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 16/02/2015 p or CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 29/01/2015 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 11610.008827/200270 Acórdão n.º 3803006.860 S3TE03 Fl. 421 5 Declarações de Compensação (fls. 61 a 62) foram apresentadas após essa data (em 14/10/2002), encontrandose, portanto, as compensações parcialmente inviabilizadas por força de lei posterior que passou a restringir o direito à compensação a créditos próprios do sujeito passivo. Por se tratar de ação judicial em que o ora Recorrente não figura no pólo ativo, ele não se encontra albergado por eventual decisão definitiva ali proferida, devendo o seu direito se submeter aos ditames da legislação tributária, independentemente de acordos particulares firmados em sentido contrário3. Além disso, conforme já afirmado pela autoridade administrativa de origem e pelo julgador de primeira instância, nas datas de apresentação dos Pedidos e das Declarações de Compensação, já se encontrava vigente, desde 11 de janeiro de 2001, o art. 170A do Código Tributário Nacional (CTN), que passou a vedar, expressamente, a compensação mediante o aproveitamento de tributo, objeto de contestação judicial, antes do trânsito em julgado da respectiva decisão judicial. Ora, o Recorrente formulara sua pretensão quando já vigia uma norma geral impeditiva do procedimento então adotado, encontrandose, portanto, a sua iniciativa eivada de ilegalidade. Nas datas dos pedidos, a ação judicial em que se discutia o crédito de terceiro ainda se encontrava em tramitação, inexistindo, por conseguinte, uma decisão judicial definitiva a amparar as compensações declaradas. Não bastassem tais constatações, temse que, em consulta realizada no sítio do Tribunal Regional Federal da 3ª Região, apurouse que a decisão que a empresa Química Industrial Paulista S/A havia obtido em sentença veio a ser posteriormente reformada em decisão de 2º grau , conforme se verifica do excerto a seguir reproduzido, presente no acórdão do Agravo Regimental em Apelação Civil nº 000305978.1998.4.03.6100/SP: PROCESSUAL CIVIL. AGRAVO REGIMENTAL. PETIÇÃO INTERPOSTA POR PARTE ESTRANHA. DESENTRANHAMENTO. 1. Tratase de ação de rito ordinário ajuizada por Química Industrial Paulista S/A em face da União Federal objetivando fosse reconhecido o direito a créditos do IPI. O pedido de tutela antecipada foi deferido. 2. Na pendência da lide, a autora "cedeu" os supostos créditos reclamados na ação a terceiros, que por sua vez "cederam" a outros. 3. O único terceiro admitido pelo r. Juízo a quo como assistente foi o Banco Rural S/A, tendo constado regularmente na autuação a partir de então, juntamente com o seu procurador. relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados por aquele Órgão. (Redação dada pela Medida Provisória nº 66, de 2002) 2 Art. 63. Esta Medida Provisória entra em vigor na data de sua publicação, produzindo efeitos: I a partir de 1º de outubro de 2002, em relação aos arts. 31 e 49; 3 Código Tributário Nacional (CTN): (...) Art. 123. Salvo disposições de lei em contrário, as convenções particulares, relativas à responsabilidade pelo pagamento de tributos, não podem ser opostas à Fazenda Pública, para modificar a definição legal do sujeito passivo das obrigações tributárias correspondentes. Fl. 421DF CARF MF Impresso em 19/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/01/2015 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 16/02/2015 p or CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 29/01/2015 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 11610.008827/200270 Acórdão n.º 3803006.860 S3TE03 Fl. 422 6 4. O r. Juízo a quo julgou procedente o pedido e condenou a União ao pagamento de honorários fixados em 5% (cinco por cento) sobre o valor da causa. Sentença submetida ao reexame necessário. 5. Apelaram a autora e a União Federal. Em decisão monocrática terminativa, com fundamento no art. 557 do CPC, foi dado provimento à remessa oficial para julgar improcedente o pedido, prejudicadas as apelações, restando condenada a autora ao pagamento de honorários fixados em 10% (dez por cento) sobre o valor da causa. A autora Química Industrial Paulista S/A e o assistente Banco Rural S/A, embora regularmente intimados, não interpuseram recurso dessa decisão. 6. Portanto, a decisão que reconheceu a inexistência de direito aos créditos pretendidos já transitou em julgado, razão pela qual restam prejudicadas eventuais manifestações de terceiros que teriam "adquirido" os créditos hipotéticos. 7. Nem se diga que as ora agravantes poderiam ter recorrido da decisão monocrática terminativa na qualidade de terceiros prejudicados, haja vista que embora sustentem que adquiriram os supostos créditos em fevereiro de 2012, somente se manifestaram nestes autos em 07.05.12, após o trânsito em julgado da referida decisão monocrática terminativa. 8. Não figurando as ora agravantes como partes no processo e nem tendo interposto recurso oportunamente na qualidade de terceiro prejudicado, correta a decisão que determinou o desentranhamento de suas petições. 9. Agravo regimental improvido. (grifei e sublinhei) Com base no excerto supra, constatase o seguinte: a) a sentença em que o direito ao crédito de IPI havia sido reconhecido veio a ser reformada a partir da remessa oficial, julgandose improcedente o pedido da empresa Química Industrial Paulista S/A, decisão essa já transitada em julgado; b) as manifestações de terceiros cessionários dos referidos créditos restaram prejudicadas em razão de sua formulação ter se dado após o trânsito em julgado desfavorável ao cedente. Nesse sentido, além do fato de as compensações terem sido declaradas após a vigência do art. 170A do CTN, quando a ação judicial em que se discutia o crédito ainda não havia transitado em julgado, o mesmo crédito, ao final, restou não reconhecido na mesma ação judicial, que transitou em julgado desfavoravelmente ao cedente e, por conseguinte, aos cessionários do crédito. Por fim, destaquese que, considerando que os Pedidos e as Declarações de Compensação foram formulados, respectivamente, em 31/05/2002 e 14/10/2002, a eles não se aplica o disposto no art. 74, § 12, inciso II, alíneas “a” e “d”, da Lei nº 9.430, de 1996, em que se prevê que será considerada não declarada a compensação em que o crédito seja de terceiro e Fl. 422DF CARF MF Impresso em 19/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/01/2015 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 16/02/2015 p or CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 29/01/2015 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 11610.008827/200270 Acórdão n.º 3803006.860 S3TE03 Fl. 423 7 que seja decorrente de decisão judicial não transitada em julgado, uma vez que tais dispositivos passaram a viger somente a partir de 30/12/2004. Não obstante a autoridade administrativa de origem, amparada em pareceres da ProcuradoriaGeral da Fazenda (PGFN), ter decidido por considerar não declaradas as compensações formuladas pelo Recorrente, tendo em vista que os Pedidos de Compensação de créditos de terceiros não seriam alcançados pela nova sistemática da declaração de compensação(fls. 103 a 108), ela agira como se houvesse decidido por não homologar as compensações, pois abriu ao contribuinte a possibilidade de apresentação de Manifestação de Inconformidade, bem como suspendeu a exigibilidade dos débitos indevidamente compensados (fl. 147). Diante do exposto, voto por NÃO CONHECER DO RECURSO, na parte submetida à apreciação do Poder Judiciário (fundamento legal do crédito), e por NEGAR PROVIMENTO ao recurso, no que tange às compensações declaradas antes do trânsito em julgado da ação em que se discute o crédito. É como voto. (assinado digitalmente) Hélcio Lafetá Reis – Relator Fl. 423DF CARF MF Impresso em 19/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/01/2015 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 16/02/2015 p or CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 29/01/2015 por HELCIO LAFETA REIS
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Numero do processo: 11030.002494/2004-68
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Nov 14 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Thu Dec 18 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 01/07/2002 a 30/09/2002
A exportação de produtos NT não gera direito ao aproveitamento do crédito presumido do IPI, Lei nº 9.369/96, por não estarem os produtos dentro do campo de incidência do imposto.
Recurso Especial do Procurador Provido
Numero da decisão: 9303-002.739
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso especial. Vencidos os Conselheiros Maria Teresa Martínez López (Relatora), Nanci Gama, Rodrigo Cardozo Miranda e Antônio Lisboa Cardoso, que negavam provimento. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Rodrigo da Costa Pôssas.
Luiz Eduardo de Oliveira Santos - Presidente Substituto
Maria Teresa Martínez López - Relatora
Rodrigo da Costa Possas - Redator Designado
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Nanci Gama, Júlio César Alves Ramos, Rodrigo Cardozo Miranda, Rodrigo da Costa Pôssas, Antônio Lisboa Cardoso, Joel Miyazaki, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva, Maria Teresa Martínez López Luiz Eduardo de Oliveira Santos.
Nome do relator: MARIA TERESA MARTINEZ LOPEZ
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EPP ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/07/2002 a 30/09/2002 A exportação de produtos NT não gera direito ao aproveitamento do crédito presumido do IPI, Lei nº 9.369/96, por não estarem os produtos dentro do campo de incidência do imposto. Recurso Especial do Procurador Provido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso especial. Vencidos os Conselheiros Maria Teresa Martínez López (Relatora), Nanci Gama, Rodrigo Cardozo Miranda e Antônio Lisboa Cardoso, que negavam provimento. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Rodrigo da Costa Pôssas. Luiz Eduardo de Oliveira Santos Presidente Substituto Maria Teresa Martínez López Relatora Rodrigo da Costa Possas Redator Designado Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Nanci Gama, Júlio César Alves Ramos, Rodrigo Cardozo Miranda, Rodrigo da Costa AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 03 0. 00 24 94 /2 00 4- 68 Fl. 204DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/11/2014 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 04/12/2014 por MARIA TERESA MARTINEZ LOPEZ, Assinado digitalmente em 20/11/2014 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assina do digitalmente em 18/12/2014 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 11030.002494/200468 Acórdão n.º 9303002.739 CSRFT3 Fl. 205 2 Pôssas, Antônio Lisboa Cardoso, Joel Miyazaki, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva, Maria Teresa Martínez López Luiz Eduardo de Oliveira Santos. Relatório Tratase de exame de recurso especial de divergência interposto pela Fazenda Nacional. A interessada, no exercício de suas atividades sociais, atua no ramo de industrialização de pedras preciosas e semipreciosas. Formalizou pedido de ressarcimento do crédito presumido do IPI (CP), instituído pela Lei nº 9.363, de 13 de dezembro de 1996, para se ressarcir das contribuições da Cofins e do PIS/PASEP, incidentes sobre as aquisições, no mercado interno, de matérias primas, produtos intermediários e materiais de embalagem, empregados na fabricação de produtos exportados, conforme pedido de ressarcimento PER/DCOMP. A verificação prévia do pedido foi feita pela fiscalização que, de acordo com o Termo de Verificação Fiscal, concluiu que o requerente não teria direito ao ressarcimento pleiteado, em razão de que as exportações efetuadas pelo requerente são referentes a produtos classificados no código 7103.10.00 da TIPI, com a notação NT (não tributável) e, portanto, ditos produtos se encontram fora do campo de incidência do IPI, desatendendo a condição para a fruição do benefício fiscal, prevista no art. 1º da Lei nº 9.363, de 1996, ou seja, de que o produto deve ser industrializado sujeito à incidência desse imposto. A interessada apresentou a Manifestação de Inconformidade, que foi indeferida. Também apresentou Recurso Voluntário, que foi provido. Agora, em sede de Recurso especial, devidamente admitido por Despacho do Presidente da Câmara, a PGFN pleiteia a reforma da decisão proferida pela instância ordinária. Defende a d. Procuradoria que a exportação de produtos NT não gera direito ao aproveitamento do crédito presumido do IPI, Lei nº 9.363/96, por não estarem os produtos dentro do campo de incidência do imposto. É o relatório. Voto Vencido Conselheira Maria Teresa Martinez López, Relatora O recurso atende aos requisitos legais e dele tomo conhecimento. A matéria objeto da divergência apontada pelo sujeito passivo diz respeito à questão do direito ou não ao crédito presumido de IPI, como forma de ressarcimento do PIS e da COFINS nas exportações de produtos que constam da TIPI com a notação NT (não tributados). A jurisprudência do CARF está dividida em três correntes: Fl. 205DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/11/2014 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 04/12/2014 por MARIA TERESA MARTINEZ LOPEZ, Assinado digitalmente em 20/11/2014 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assina do digitalmente em 18/12/2014 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 11030.002494/200468 Acórdão n.º 9303002.739 CSRFT3 Fl. 206 3 I) os que entendem que o simples fato de estar classificado o insumo em NT não daria direito ao crédito; II) os que defendem que a Lei n° 9.363/96 não exige para o gozo do incentivo que o produto exportado seja industrializado; e III) produto classificado na TIPI como NT, não significa necessariamente produto não industrializado. É relevante que a interessada tenha exportado produtos industrializados, ainda que esses produtos estejam classificados na TIPI como NT. Defendo a terceira posição. É fato que o insumo/produto classificado na TIPI como NT, não significa necessariamente produto não industrializado. É relevante que a interessada tenha exportado produtos industrializados, ainda que esses produtos estejam classificados na TIPI como NT. É importante salientar não se estar tratando de créditos normais de IPI, mas de um crédito presumido, uma ficção, onde as bases para sua apuração estão contempladas pela Lei 9.363/96. Excertos do voto do Conselheiro JÚLIO CÉSAR ALVES RAMOS (Declaração de voto – Ac. 930300.743) também compartilham desse entendimento mais restritivo, ou seja nem todo insumo classificado como NT daria ao crédito, e sim, o industrializado. Vejamos: O que se define com base na legislação do IPI é pois, o significado de "produção", não de estabelecimento produtor. Produção, como bem se sabe , está definida, desde 1964, pelo art. 3º da Lei 4.502/64, como "qualquer operação que modifique a natureza, o funcionamento, o acabamento, a apresentação ou a finalidade do produto, ou o aperfeiçoe para consumo". Na TIPI as operações que não se enquadram como tal impõem que ao produto se atribua a sigla NT. Nesse sentido, podese utilizar a TIP1 para afastar do beneficio todos aqueles produtos que ali apareçam com a expressão NT devido ao fato de serem produtos não industrializados. Não se pode utilizála, no entanto, para desqualificar para o beneficio todo e qualquer produto NT, pois com tal sigla aparecem também produtos, sem a menor sombra de dúvidas, industrializados. Tais são todos aqueles que o constituinte, por qualquer razão que seja, resolveu excluir do campo de incidência do imposto, a exemplo dos minerais, combustíveis, papel etc; afinal, não fossem eles produtos industrializados, necessidade não haveria de norma constitucional impedindo sua tributação pelo imposto. Destarte, entendo que a melhor interpretação do dispositivo legal que instituiu o beneficio é a que restringe o seu aproveitamento aos produtos industrializados segundo a Fl. 206DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/11/2014 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 04/12/2014 por MARIA TERESA MARTINEZ LOPEZ, Assinado digitalmente em 20/11/2014 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assina do digitalmente em 18/12/2014 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 11030.002494/200468 Acórdão n.º 9303002.739 CSRFT3 Fl. 207 4 legislação do IPI, o que não é o mesmo que impedir o aproveitamento com respeito a todos os NT. No caso em análise, inexistem dúvidas haver sim um processo de industrialização. Nesse sentido extraise das informações trazidas pela interessada: De efeito, a partir destas considerações legais, inferese por qualquer ângulo de visada que a industrialização, segundo o RIPI, caracterizase pela modificação da natureza, funcionamento, acabamento, apresentação ou finalidade do produto, aperfeiçoandoo para consumo, reconhecendo como estabelecimento industrial quem execute qualquer destas operações. Pois bem, no caso da Recorrente, conforme relatório da lavra de geólogo de idoneidade e profissionalismo reconhecimento nacionalmente, Dr.Claudir F. Kellermann, a atividade social : desenvolvida pela Recorrente é considerada industrial, porquanto as pearas passam por processo de beneficiamento singular. Após adquirir as pedras, principalmente ametistas, de garimpos, em seu estado bruto, a Recorrente, através de processo eminentemente industrial, as prepara para posterior comercialização. Consta naquele relatório (em anexo): 3BENEFICIAMENTO/INDUSTRIALIZAÇÃO A ametista produzida no Rio Grande do Sul, bem como a ametista importada, tem finalidade ornamental e para facetamento, sendo industrializada e posteriormente comercializada. O beneficiamento da ametista ornamental resumese ao corte para abrir uma "janela" no geodo, de modo que se obtenha uma visão da sua beleza interna (Foto n° 01), construindose assim, peças denominadas "capela". Também há a necessidade de remoção do excesso de rocha encaixante (basalto) que acompanha a peça e que não foi tirada no garimpo (Fotos n° 02 e 03). A abertura da "janela" no geodo, bem como a retirada da "capa" de rocha encaixante, é efetuada com o auxílio de máquinas específicas de corte, que utilizam disco diamantado para tal fim. O corte deve ser efetuado seguindo uma linha previamente estabelecida e demarcada em giz, na peça. O fluxograma apresentado na Figura 01 mostra a seqüência de beneficiamento das ametistas. A empresa Dijal Gemas Ind. Com. Exp. Ltda., trabalha somente com pedras ametistas e citrinos destinadas à martelação, produzindo pedras para facetamento (Foto n° 06) [...]. Em relação a este processo de industrialização, partese, primeiramente, ao debulhamento, onde os geodos são desmontados, utilizandose marretas de pequeno porte e Fl. 207DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/11/2014 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 04/12/2014 por MARIA TERESA MARTINEZ LOPEZ, Assinado digitalmente em 20/11/2014 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assina do digitalmente em 18/12/2014 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 11030.002494/200468 Acórdão n.º 9303002.739 CSRFT3 Fl. 208 5 martelados para, num trabalho que exige certo cuidado, se separarem os cristais por meio de sucessivas pancadas. Ato contínuo, após a debulhação dos geodos, é efetuada uma análise nos cristais onde é avaliada a necessidade de tratamento término, colocandoas em um forno elétrico, mergulhadas em areia grossa em uma caixa de ferro, outorgandoas tendências alaranjadas, avermelhadas ou amarronadas. Caso não seja necessária a queima, as pedras são encaminhadas diretamente para o martelamento. O martelamento, por sua vez, consiste na retirada das partes não aproveitáveis do cristal para lapidação, posto apresentarem imperfeições, utilizandose de pequenos martelos, removendo as partes imperfeitas, sobrando, ao final, a gema perfeita, límpida e sem trincas. Somente após estas três etapas distintas, típico processo de industrialização, modificando a natureza das pedras, que estas serão comercializadas no mercado interno ou externo. Em conclusão, o Douto Geólogo põe uma pá de cal sobre qualquer dúvida existente acerca do processo industrial da ametista e do citrino, levada a efeito pela Recorrente através da modificação/beneficiamento das pedras: 5 CONCLUSÃO A empresa Dijal Gemas beneficia somente ametistas e citrinos facetáveis. A agregação de mãodeobra nas pedras, está relacionada as diferentes etapas de preparo das pedras, abordadas no item 3.2 deste estudo [acima resumido], o qual descreve os processos de transformação que passam as pedras, desde sua aquisição junto aos garimpos, até a formação da gema apta à comercialização. Tratase de um trabalho elaborado por especialistas que atuam em todas as etapas, desde a compra da matériaprima no garimpo, até o estágio final, que é a comercialização das gemas. Logo, patente o processo de industrialização realizado pela interessada no exercício de suas atividades sociais, recebendo a pedra em seu estado bruto, efetivamente, promovendo, a partir daí, o debulhamento, tratamento térmico e, finalmente, o seu martelamento para encontrar a gema da ametista. CONCLUSÃO Diante do acima exposto, voto no sentido de NEGAR provimento ao recurso especial da Fazenda. Maria Teresa Martinez López Fl. 208DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/11/2014 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 04/12/2014 por MARIA TERESA MARTINEZ LOPEZ, Assinado digitalmente em 20/11/2014 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assina do digitalmente em 18/12/2014 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 11030.002494/200468 Acórdão n.º 9303002.739 CSRFT3 Fl. 209 6 Voto Vencedor Conselheiro Rodrigo da Costa Possas, Redator Designado A matéria objeto da divergência apontada pela Fazenda Nacional diz respeito à questão do direito ou não ao crédito presumido de IPI, como forma de ressarcimento do PIS e da COFINS nas exportações de produtos que constam da TIPI com a notação NT (não tributados). Realmente é uma matéria divergente como demonstrou o contribuinte em seu Recurso Especial. Assim, conheço o recurso e passo a análise do mérito. Visando incentivar as exportações de produtos industrializados, de alto valor agregado, a União criou o crédito presumido de IPI como uma forma de ressarcimento das contribuições sociais do PIS e da COFINS, incidentes sobre as aquisições, no mercado interno (nacionais), de matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem, utilizados no processo produtivo de bens exportados. Tal crédito presumido foi criado pela Lei 9.363/96, que adveio da MP 948/95 e reedições. Para o cumprimento do objetivo a lei criou o ressarcimento ao produtor e exportador do pagamento das contribuições PIS e COFINS, incidentes no processo de produção da mercadoria a ser exportada. Tal discussão tem resultado em interpretações divergentes no Poder Judiciário o no próprio CARF. A depender das composições dos tribunais, tanto administrativos quanto judiciais, o resultado dos julgamentos tem dado soluções divergentes, ora permitindo, ora negando, o direito ao creditamento previsto na referida lei. Isso causa uma insegurança jurídica nos contribuintes. Já é hora de tentar pacificar a questão, mesmo sabendo que não é uma tarefa fácil. Até porque os nossos tribunais superiores ainda não se manifestaram a respeito. Porém já percebemos uma certa tendência dos Tribunais Regionais Federais de negar o aproveitamento do créditos nos casos em que as mercadorias exportação não são consideradas industrializadas (NT). Podemos citar como exemplos de decisões que negaram o aproveitamento do crédito: TRF da 3ª Região, Apelação em MS 309.564/MS, Processo 2005.61.00.0013479, Rel. Juiz convocado Dês.Federal Roberto Jeuken, 3ª T., julg. 04/12/2008, DJ 20/01/2009. Apelação cível 1.245.945/MS, processo 1999.61.00.0019753, Rel. dês. Federal Cecília Marcondes, 3ª T.., julg. 27/11/2008, DJ 09/12/2008. TRF da 5ª Região, AMS 89.109/PE, Processo 000236988.2003.4.058308, Rel. Des. Federal Francisco Barros Dias, 2ª T., julg. 18/08/2009, DJ, 11/09/2009. Apelação em MS93782/PE, Processo 000992245.2005.4.05.8300/03, Rel. Des. Federal Rivaldo Costa, 3ª T., DJ 28/08/2007. Como já dissemos, os Tribunais Superiores ainda não se manifestaram diretamente sobre o tema. Fl. 209DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/11/2014 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 04/12/2014 por MARIA TERESA MARTINEZ LOPEZ, Assinado digitalmente em 20/11/2014 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assina do digitalmente em 18/12/2014 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 11030.002494/200468 Acórdão n.º 9303002.739 CSRFT3 Fl. 210 7 Para continuarmos a discorrer sobre o tema, é essencial ao deslinde da demanda, determinar se os produtos com a classificação “NT” na TIPI, que trata de produtos em que não há a incidência do IPI, por não serem industrializados e, portanto, não estarem no campo de incidência do imposto, podem se caracterizar como produtos originários de empresa produtora e exportadora descrita no art. 1º da Lei 9.363/96, transcrito abaixo. A lei, muita das vezes, apesar de não ser o meio ideal, deve dar definições aos institutos. Tal conduta do legislador serve para dar contornos precisos a alguns termos usados, como, por exemplo, o conceito de produto industrializado. A lei assim o faz. E mais. A Legislação complementar é de suma importância, quando traz a tabela TIPI com informações de quais produtos seriam NT e que tais produtos estariam forma do campo de incidência do IPI, não sendo considerados, portanto, produtos industrializados. Deixo claro aqui que no presente caso nem há que se cogitar de diferentes definições econômicas ou jurídicas de industrialização. A ciência econômica, por vezes, tem uma conceituação diversa da jurídica em alguns aspectos. Nesse caso não há nenhuma diferença, eis que estamos tratando de “produtos” agrícolas, milho e soja. O benefício fiscal chamado “Crédito Presumido de IPI Exportações” consiste em um crédito adicional de IPI para sociedades industriais que diretamente ou indiretamente exportam seus produtos industrializados ao mercado internacional. Tem como objetivo principal desonerar a cadeia produtiva dos produtos a serem exportados do custo econômico da COFINS e do PIS, conforme podemos notar pelo texto do art. 1º da Lei 9.363/96: “Art. 1º A empresa produtora e exportadora de mercadorias nacionais fará jus a crédito presumido do Imposto sobre Produtos Industrializados, como ressarcimento das contribuições de que tratam as Leis Complementares nos 7, de 7 de setembro de 1970, 8, de 3 de dezembro de 1970, e 70, de 30 de dezembro de 1991, incidentes sobre as respectivas aquisições, no mercado interno, de matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem, para utilização no processo produtivo”. “Parágrafo Único O disposto neste artigo aplicase, inclusive, nos casos de venda a empresa comercial exportadora com o fim específico de exportação para o exterior”. Considerandose, então, que o artigo 1° da Lei 9.363/96 autoriza a fruição do beneficio do crédito presumido do IPI às empresas que satisfaçam, cumulativamente, dentre outras, a duas condições – ser produtora e ser exportadora –, não resta dúvida quanto à total impossibilidade de existência e aproveitamento de crédito do IPI para os estabelecimentos cujos produtos fabricados são classificados como NT na TIPI. Isso porque os estabelecimentos que produzem mercadorias NT não são considerados como produtor, para efeitos da legislação fiscal. Com efeito, se nas operações relativas aos produtos não tributados a empresa não é considerada como produtora, ela não satisfaz, por conseguinte, a uma das condições imposta pelo beneficio em análise, qual seja, o de ser produtora. Esta condição está intimamente relacionada à própria natureza do crédito presumido. Ser industrializado o produto exportado é característica essencial da finalidade da lei: estimulo às empresas para que destinem seus produtos com maior valor agregado à exportação, melhorando nossa balança comercial e reduzindo a taxa de desemprego. São justamente os produtos industrializados que agregam Fl. 210DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/11/2014 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 04/12/2014 por MARIA TERESA MARTINEZ LOPEZ, Assinado digitalmente em 20/11/2014 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assina do digitalmente em 18/12/2014 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 11030.002494/200468 Acórdão n.º 9303002.739 CSRFT3 Fl. 211 8 mais fatores de produção, sobretudo mãodeobra. São eles que possuem cadeia produtiva mais extensa e, portanto, de maior influência para o desenvolvimento econômico. Não é a exportação de produtos primários que se procurou estimular, já que esta sempre foi a vocação do país ao longo de toda a sua história. Com efeito, cabe aos intérpretes das leis, trazer o real e correto significado das normas nela contidas. Se a norma é dúbia cabe aos operadores do direito a sua correta interpretação, conforme as técnicas da ciência da Hermenêutica Jurídica, e não fazer a interpretação de modo aleatório e intuitivo. Nem mesmo uma interpretação literal do art. 1º da referida lei poderia levar concluir que a empresa produtora e exportadora também abarcaria àquelas que não são contribuintes do imposto. Porém, como já dito, esse seria o pretenso resultado de uma interpretação meramente literal. Esse tipo de análise somente pode ser feito quando a lei expressamente determinar. Pelo contrário, qualquer tipo de interpretação nos levaria ao mesmo resultado, como acontece com os texto legais bem elaborados. Deve, neste caso, fazer uma interpretação sistemática, que consiste em harmonizar a presente norma de um modo contextualizado com todo o texto da mesma lei e com o arcabouço legal pátrio, principalmente na área tributária. Teremos de fazer a nossa análise em conjunto com toda a legislação que rege o IPI. Em um estudo da lei incentivadora, nos artigos posteriores ao 1º, o legislador já deixa mais claro que a delimitação do benefício se daria somente em relação aos produtos industrializados. Isso nos remete à matriz legal do IPI. A Lei nº 4.502/64 é muito precisa na definição do que seja estabelecimento produtor quando preceitua em ser art. 3º que “considerase estabelecimento produtos todo aquele que industrializar produtos sujeitos ao imposto”. Assim fica claro que tanto na acepção econômica quanto jurídica, não há como se enquadrar empresas não sujeitas ao IPI como estabelecimento industrial ou estabelecimento produtor. É pacífico que os produtos classificados na TIPI como "NT" não estão incluídos no campo de incidência do IPI, conforme dispõe o parágrafo único do artigo 2° do RIPI/98. Decreto 2.637, de 25/06/98: "Art. 2° (...) Parágrafo Único. O campo de incidência do imposto abrange todos os produtos com alíquota, ainda que zero, relacionados na TIPI, observadas as disposições contidas nas respectivas notas complementares, excluídos aqueles a que corresponde a notação NT (nãotributado) (Lei n.° 9.493, de 10 de setembro de 1997, art. 13 )” Logo, quem produz esses produtos, ainda que sob uma das operações de industrialização previstas no artigo 4° do Regulamento do IPI não é considerado, à luz da legislação de regência desse imposto, como estabelecimento produtor ou industrial, de acordo com o artigo 8° do RIP1/98, que prescreve: Fl. 211DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/11/2014 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 04/12/2014 por MARIA TERESA MARTINEZ LOPEZ, Assinado digitalmente em 20/11/2014 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assina do digitalmente em 18/12/2014 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 11030.002494/200468 Acórdão n.º 9303002.739 CSRFT3 Fl. 212 9 Art. 8° Estabelecimento industrial é o que executa qualquer das operações referidas no art. 4°, de que resulte produto tributado, ainda que de alíquota zero ou isento (Lei n.° 4.502, de 1964, art. 3°). Estabelecimento produtor ou industrial é aquele que executa qualquer das operações definidas na legislação do imposto como de industrialização; da qual, cumulativamente, resulte um produto tributado, ainda que de alíquota zero ou isento. Ora, de fato, seu beneficiário necessariamente deve produzir industrializados sujeitos à incidência do IPI e exportálos, diretamente ou através de empresa comercial exportadora, para que lhe seja reconhecido o direito ao crédito presumido, conforme a sistemática instituída pela Lei n° 9.363/96. Se o benefício fosse estendido a todas as empresas produtoras exportadoras, sem a delimitação de ser contribuinte do imposto algumas questões ficariam sem uma solução prevista na lei, como por exemplo, como se daria a escrituração dos créditos para a futura compensação? Não existe previsão de livro registro de apuração do IPI para não contribuintes. Todos sabemos que a apuração do imposto a pagar ou dos créditos devem ser escriturados no referido livro. Ademais a lei não contém palavra inúteis. Se fosse para abarcar os exportadores que não fossem produtores porque a lei traria e expressão “produtora e exportadora”. Bastaria o uso da palavra “exportadora”. Está claro, dessa forma, que há que se interpretar a linguagem legislativa contida no art. 1º da Lei 9.363/96 e cabe a nós, desse tribunal administrativo, elucidar e resolver o presente caso concreto ora apresentado a essa corte. È da interpretação que cuida a hermenêutica jurídica. Primeiramente cabe esclarecer o conceito de hermenêutica “que provém do latim hermeneutica (que interpreta ou explica), é empregado na técnica jurídica para assinalar o meio ou modo por que se devem interpretar as leis, a fim de que se tenha delas o exato ou o melhor sentido. Na hermenêutica jurídica, assim, estão encerrados todos os princípios e regras que devam ser judiciosamente utilizados para a interpretação do texto legal. E esta interpretação não se restringe ao esclarecimento de pontos obscuros, mas toda elucidação a respeito da exata compreensão da regra jurídica a ser aplicada aos fatos concretos. È o que faz a hermenêutica jurídica, interpreta as leis. Deixo claro também que não se trata de lacuna na lei. Caso assim fosse, teríamos que fazer uma integração legislativa e não a interpretação. Mais abaixo deixaremos claro que mesmo àqueles que consideram que a lei é omissa e que há que se fazer a integração,também chegaremos à mesma conclusão: A exportação de produtos NT não gera direito ao aproveitamento do crédito presumido do IPI, lei nº 9.369/96, por não estarem os produtos dentro do campo de incidência do imposto. Podemos concluir que tanto em uma análise econômica quanto jurídica não há como se interpretar o art. 1º da Lei 9.363/96, a ponto de considerar que a empresa produtora e exportadora ali mencionada abarcaria até mesmo àquelas não contribuintes do IPI, ou seja, somente os estabelecimentos industriais é que podem compensar os créditos presumidos de IPI nos casos de exportação. Fl. 212DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/11/2014 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 04/12/2014 por MARIA TERESA MARTINEZ LOPEZ, Assinado digitalmente em 20/11/2014 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assina do digitalmente em 18/12/2014 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 11030.002494/200468 Acórdão n.º 9303002.739 CSRFT3 Fl. 213 10 Economicamente falando, não há porque se incentivar, com desoneração tributária, a produção de produtos não industrializados, como por exemplo, as comodities, pois todos sabem que o Brasil tem expertise nesta área, sendo um dos maiores exportadores mundiais. Em se tratando de uma interpretação meramente jurídica, se fosse a intenção do legislador, a lei teria de ser muito clara, e não deixar nenhuma margem de dúvida quanto à extensão do benefício, conforme preceitua o CTN e várias outras leis tributárias e financeiras. Além do mais a lei que trata de qualquer tipo de exoneração tributária deve ter a sua interpretação restritiva, para abarcar somente os caso expressamente permitidos. É necessária a autorização legislativa para a concessão do beneficio em face do principio da legalidade. Como se sabe, o Princípio Constitucional da Legalidade impõe como dever aos agentes públicos que não somente proceda em consonância com as leis, mas também que somente atue quando autorizado pelo ordenamento jurídico. Melhor dizendo, não tem a liberdade de fazer o que lhe convém apenas pela ausência de norma proibitiva, mas somente fazer o que a lei autoriza ou determina. O princípio da legalidade vale tanto para a exação quanto para a isenção. Sabemos que o crédito presumido é um tipo de isenção parcial. È indiscutível que a lei que trata de isenção deve descrever, pormenorizadamente, todos os elementos da norma jurídica tributária. A descrição deve ser exaustiva para a própria segurança jurídica dos contribuintes. Não pode haver subjetivismos ou interpretações não jurídicas. O art. 1º da lei isentiva faz exatamente isso. Descreve minuciosamente os contornos de quem tem o direito ao crédito presumido para evitar que o intérprete ou aplicador da lei tenha entendimentos contraditórios, gerando incerteza e insegurança para o contribuinte. Com efeito não há outra conclusão que não a constatação que crédito presumido de IPI somente poderá ser efetuado pela empresa exportadora ou, no caso de exportação indireta, pelo fornecedor da comercial exportadora, levandose em conta apenas os insumos adquiridos no mercado interno utilizados na industrialização de bens destinados à exportação. Para corroborar e elucidar todo o exposto, por ser de uma precisão ímpar trago o Presidente Henrique Pinheiro Torres, no Acórdão nº 202.16.066: “A questão envolvendo o direito de crédito presumido de IPI no tocante às aquisições de matériasprimas, produtos intermediários e materiais de embalagens utilizados na confecção de produtos constantes da Tabela de Incidência do IPI com a notação NT (Não Tributado) destinados à exportação, longe de estar apascentada, tem gerado acirrados debates na doutrina e na jurisprudência. No Segundo Conselho de Contribuintes, ora prevalece a posição do Fisco, ora a dos contribuintes, dependendo da composição das Câmaras. Fl. 213DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/11/2014 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 04/12/2014 por MARIA TERESA MARTINEZ LOPEZ, Assinado digitalmente em 20/11/2014 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assina do digitalmente em 18/12/2014 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 11030.002494/200468 Acórdão n.º 9303002.739 CSRFT3 Fl. 214 11 A meu sentir, a posição mais consentânea com a norma legal é aquela pela exclusão dos valores correspondentes às exportações dos produtos não tributados (NT) pelo IPI, já que, nos termos do caput do art. 1º da Lei 9.363/1996, instituidora desse incentivo fiscal, o crédito é destinado, tãosomente, às empresas que satisfaçam, cumulativamente, dentre outras, a duas condições: a) ser produtora; b) ser exportadora. Isso porque, os estabelecimentos processadores de produtos NT, não são, para efeitos da legislação fiscal, considerados como produtor. Isso ocorre porque, as empresas que fazem produtos não sujeitos ao IPI, de acordo com a legislação fiscal, em relação a eles, não são consideradas como estabelecimentos produtores, pois, a teor do artigo 3º da Lei 4.502/1964, considerase estabelecimento produtor todo aquêle que industrializar produtos sujeitos ao impôsto. Ora, como é de todos sabido, os produtos constantes da Tabela de Incidência do Imposto sobre Produtos Industrializados – TIPI com a notação NT (Não Tributados) estão fora do campo de incidência desse tributo federal. Por conseguinte, não estão sujeitos ao imposto. Ora, se nas operações relativas aos produtos não tributados a empresa não é considerada como produtora, não satisfaz, por conseguinte, a uma das condições a que está subordinado o beneficio em apreço, o de ser produtora. Por outro lado, não se pode perder de vista o escopo desse favor fiscal que é o de alavancar a exportação de produtos elaborados, e não a de produtos primários ou semielaborados. Para isso, o legislador concedeu o incentivo apenas aos produtores, aos industriais exportadores. Tanto é verdade, que, afora os produtores exportadores, nenhum outro tipo de empresa foi agraciada com tal benefício, nem mesmo as trading companies, reforçandose assim, o entendimento de que o favor fiscal em foco destinase, apenas, aos fabricantes de produtos tributados a serem exportados. Cabe ainda destacar que assim como ocorre com o crédito presumido, vários outros incentivos à exportação foram concedidos apenas a produtos tributados pelo IPI (ainda que sujeitos à alíquota zero ou isentos). Como exemplo podese citar o extinto crédito prêmio de IPI conferido industrial exportador, e o direito à manutenção e utilização do crédito referente a insumos empregados na fabricação de produtos exportados. Neste caso, a regra geral é que o benefício alcança apenas a exportação de produtos tributados (sujeitos ao imposto); se se referir a NT, só haverá direito a crédito no caso de produtos relacionados pelo Ministro da Fazenda, como previsto no parágrafo único do artigo 92 do RIPI/1982. Outro ponto a corroborar o posicionamento aqui defendido é a mudança trazida pela Medida Provisória nº 1.50816, consistente na inclusão de diversos produtos no campo de incidência do IPI, a exemplo dos frangos abatidos, cortados e Fl. 214DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/11/2014 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 04/12/2014 por MARIA TERESA MARTINEZ LOPEZ, Assinado digitalmente em 20/11/2014 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assina do digitalmente em 18/12/2014 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 11030.002494/200468 Acórdão n.º 9303002.739 CSRFT3 Fl. 215 12 embalados, que passaram de NT para alíquota zero. Essa mudança na tributação veio justamente para atender aos anseios dos exportadores, que puderam, então, usufruir do crédito presumido de IPI nas exportações desses produtos. Diante de todas essas razões, é de se reconhecer que os produtos exportados pela reclamante, por não estarem incluídos no campo de incidência do IPI, já que constam da tabela como NT (não tributado), não geram crédito presumido de IPI”. Também, colaciono parte do voto do Conselheiro Gilson Rosenburg Filho, em voto recentemente proferido neste plenário: Por outra parte, é cediço que os produtos classificados na TIPI como “NT” não estão incluídos no campo de incidência do IPI. Logo, quem fabrica tais produtos, mesmo sob uma das operações de industrialização previstas no Regulamento do IPI (no caso, as operações dispostas no art. 3º, caput e incisos, do Regulamento aprovado pelo Decreto nº 87.981, de 23/12/1982 – RIPI/82), não é considerado, à luz da legislação de regência desse imposto, como estabelecimento industrial. Isso porque, de acordo como o art. 8º do RIPI/82 (abaixo transcrito), estabelecimento industrial é o que industrializa produtos sujeitos à incidência do IPI, ou seja, é aquele estabelecimento que executa qualquer das operações definidas na legislação do imposto como “de industrialização”, da qual, cumulativamente, resulte um produto “tributado”, ainda que de alíquota zero ou isento. Ao contrário, não é estabelecimento industrial para fins de IPI aquele que elabora produtos classificados na TIPI como nãotributado (NT), bem como quem realiza operação excluída do conceito de industrialização dado pelo RIPI. “Art. 8º Estabelecimento industrial é o que executa qualquer das operações referidas no artigo 3º, de que resulte produto tributado, ainda que de alíquota zero ou isento (Lei nº 4.502, art. 3º).” Neste diapasão, Raimundo Clóvis do Valle Cabral em “Tudo sobre o IPI”, 4ª edição, São Paulo, Ed. Aduaneiras, págs. 54/55 e 57, assim assevera: “Estabelecimento Industrial é o que industrializa produtos sujeitos à incidência do imposto, ou seja, aquele que executa operações definidas na legislação do IPI como de industrialização (transformação, beneficiamento, montagem, acondicionamento/reacondicionamento e renovação/recondicionamento) e da qual resulte um produto tributado, ainda que de alíquota zero, ou isento. Tem por base legal o artigo 3º da Lei nº 4.502, de 1964, alterado pelo artigo 12 do DL nº 34/66, que tem o seguinte texto: ‘Considerase estabelecimento industrial todo aquele que industrializar produtos sujeitos ao imposto’(art. 8º). As expressões ‘fábrica’ e ‘fabricante’ são equivalentes a ‘estabelecimento industrial’, como definido acima (art. 487II). Fl. 215DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/11/2014 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 04/12/2014 por MARIA TERESA MARTINEZ LOPEZ, Assinado digitalmente em 20/11/2014 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assina do digitalmente em 18/12/2014 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 11030.002494/200468 Acórdão n.º 9303002.739 CSRFT3 Fl. 216 13 Se o produto por ele industrializado corresponde uma alíquota positiva (diferente de zero) estará ele obrigado a destacar o imposto na nota fiscal emitida, observando as demais obrigações concernentes à escrituração fiscal e ao recolhimento do imposto, assumindo o real papel de contribuinte – sujeito passivo de obrigação principal, salvo se optante pela inscrição no Simples (art. 20I, 23II e 107). Se o produto industrializado estiver sujeito à alíquota zero, ou for isento, embora não haja imposto a ser destacado nem recolhido, ele estará obrigado a emitir nota fiscal e proceder às demais obrigações relativas à escrituração fiscal prevista no Ripi, pois está definido como sujeito passivo de obrigações acessórias (art. 21). Contrario sensu, chegase à conclusão de não ser estabelecimento industrial, para fins do IPI, aquele que elabora produtos classificados na Tipi como NT (nãotributados), bem assim os resultantes de operações excluídas do conceito de industrialização pelo artigo 5º do RIPI.” O texto reproduzido acima traduz a essência da expressão “NT” aposta na TIPI ao lado dos produtos excluídos do campo de incidência do IPI, qual seja: o estabelecimento que dá saída a produtos nãotributados, não se classifica, nessas operações, para fins de incidência do imposto, como estabelecimento industrial, ou seja, como contribuinte do IPI. E o aproveitamento de créditos do IPI está intimamente ligado ao conceito do que seja estabelecimento industrial para a legislação desse imposto, no sentido de que não ser um estabelecimento de tal espécie implica o nãoreconhecimento da existência de créditos ou débitos de IPI, impossibilitando o aproveitamento dos primeiros (dos créditos) ou o surgimento da obrigação tributária principal decorrente dos segundos (dos débitos). Nessa linha, merece citar, especificamente no tocante ao crédito presumido do IPI objeto de análise no presente processo, o preceito do art. 1º combinado com o do parágrafo único do art. 3º, ambos da Lei nº 9.363/96: “Art. 1º A empresa produtora e exportadora de mercadorias nacionais fará jus ao crédito presumido do Imposto sobre Produtos Industrializados (...). Art. 3º (...). Parágrafo único. Utilizarseá, subsidiariamente, a legislação (...) do Imposto sobre Produtos Industrializados para o estabelecimento (...) dos conceitos de receita operacional bruta e de produção, (...).” Lógico que “produção” conformase na atividade do “produtor". E, nos termos da Lei nº 4.502, de 30 de novembro de 1964, matriz legal de grande parte da legislação do IPI, “estabelecimento produtor” é aquele que industrializa produtos sujeitos ao imposto. Estabelece o art. 3º da aludida lei: Fl. 216DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/11/2014 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 04/12/2014 por MARIA TERESA MARTINEZ LOPEZ, Assinado digitalmente em 20/11/2014 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assina do digitalmente em 18/12/2014 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 11030.002494/200468 Acórdão n.º 9303002.739 CSRFT3 Fl. 217 14 “Art. 3º Considerase estabelecimento produtor todo aquele que industrializar produtos sujeitos ao imposto.” Considerandose, então, que o art. 1º da Lei nº 9.363/96 autoriza a fruição do crédito presumido do IPI ao “estabelecimento produtor e exportador”, e que o art. 3º da Lei 4.502/64 é a matriz do Regulamento do Imposto de Produtos Industrializados, não resta dúvida quanto à total impossibilidade de existência e, conseqüentemente, de aproveitamento de crédito do IPI para os estabelecimentos cujos produtos fabricados são classificados como “NT” na TIPI. Pelos fundamentos expostos, é possível arrolar as seguintes conclusões: O estabelecimento industrial é aquele que industrializa produtos sujeitos à incidência do imposto, ou seja, aquele que executa as operações definidas na legislação do IPI como de industrialização e da qual resulta um produto tributado, ainda que de alíquota zero ou isento. Portanto, os produtos exportados que não se encontram no campo de incidência do IPI, por constar da tabela como NT (não tributado), não geram crédito presumido de IPI; A legislação que trata do específico benefício do crédito presumido do IPI determina que as “mercadorias” devam decorrer de “estabelecimento produtor”, o qual, à luz da legislação do IPI, é somente o que industrializa produtos tributados por essa exação. Assim, não há que se falar em questões fáticas, mas meramente jurídicas. Por isso toda a análise se absteve de ilações de fato, mas argumentações meramente jurídicas, como aliás devem ser todas as questões trazidas a interpretação pelos tribunais.. Também não há discussão acerca de os produtos que não tributados – NT, estarem, ou não, no campo de incidência do IPI. Senão teríamos de fazer uma longa explanação sobre outros institutos tributários como isenção, imunidade, não incidência, lançamento, fato gerador, dentre outros. Podemos concluir que tanto em uma análise econômica quanto jurídica não há como se interpretar o art. 1º da Lei 9.363/96, a ponto de considerar que a empresa produtora e exportadora ali mencionada abarcaria até mesmo àquelas não contribuintes do IPI, ou seja, somente os estabelecimentos industriais é que podem compensar os créditos presumidos de IPI nos casos de exportação. Economicamente falando, não há porque se incentivar, com desoneração tributária, a produção de produtos não industrializados, como por exemplo, as comodities, pois todos sabem que o Brasil tem expertise nesta área, sendo um dos maiores exportadores mundiais. Em se tratando de uma interpretação meramente jurídica, se fosse a intenção do legislador, a lei teria de ser muito clara, e não deixar nenhuma margem de dúvida quanto à extensão do benefício, conforme preceitua o CTN e várias outras leis tributárias e financeiras. Fl. 217DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/11/2014 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 04/12/2014 por MARIA TERESA MARTINEZ LOPEZ, Assinado digitalmente em 20/11/2014 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assina do digitalmente em 18/12/2014 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 11030.002494/200468 Acórdão n.º 9303002.739 CSRFT3 Fl. 218 15 Dessa forma, o crédito presumido de IPI somente poderá ser ressarcido pela empresa exportadora ou, no caso de exportação indireta, pelo fornecedor da comercial exportadora, levandose em conta apenas os insumos adquiridos no mercado interno, onerados pelo PIS e COFINS, e utilizados na industrialização de bens destinados à exportação. Mesmo para aqueles que entendem que existe omissão legal e que pretendem fazer a integração prevista no art. do CTN, In verbis: Interpretação e Integração da Legislação Tributária Art. 107. A legislação tributária será interpretada conforme o disposto neste Capítulo. Art. 108. Na ausência de disposição expressa, a autoridade competente para aplicar a legislação tributária utilizará sucessivamente, na ordem indicada: I a analogia; II os princípios gerais de direito tributário; III os princípios gerais de direito público; IV a eqüidade. § 1º O emprego da analogia não poderá resultar na exigência de tributo não previsto em lei. § 2º O emprego da eqüidade não poderá resultar na dispensa do pagamento de tributo devido. Art. 109. Os princípios gerais de direito privado utilizamse para pesquisa da definição, do conteúdo e do alcance de seus institutos, conceitos e formas, mas não para definição dos respectivos efeitos tributários. Art. 110. A lei tributária não pode alterar a definição, o conteúdo e o alcance de institutos, conceitos e formas de direito privado, utilizados, expressa ou implicitamente, pela Constituição Federal, pelas Constituições dos Estados, ou pelas Leis Orgânicas do Distrito Federal ou dos Municípios, para definir ou limitar competências tributárias. Art. 111. Interpretase literalmente a legislação tributária que disponha sobre: I suspensão ou exclusão do crédito tributário; II outorga de isenção; III dispensa do cumprimento de obrigações tributárias acessórias. A ordem de integração é obrigatória, como determina a Lei. Podemos usar a analogia com o caso dos créditos básicos e assim chegarmos à conclusão que não geram direito ao crédito a exportação de produtos NT. Neste caso existe até uma súmula do CARF: Fl. 218DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/11/2014 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 04/12/2014 por MARIA TERESA MARTINEZ LOPEZ, Assinado digitalmente em 20/11/2014 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assina do digitalmente em 18/12/2014 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 11030.002494/200468 Acórdão n.º 9303002.739 CSRFT3 Fl. 219 16 Súmula CARF nº 20: Não há direito aos créditos de IPI em relação às aquisições de insumos aplicados na fabricação de produtos classificados na TIPI como NT. Porém podemos passar também para o segundo critério de integração. Trata se de usarmos os princípios gerais de Direito Tributário. O princípio mais específico em relação ao IPI é o princípio constitucional da não cumulatividade do IPI, transcrito abaixo: Art. 153, § 3º: “O imposto previsto no inciso IV: I – será seletivo, em função da essencialidade do produto; II – será não cumulativo, compensandose o que for devido em cada operação com o montante cobrado nas anteriores”. Fica claro aqui também que tem que haver tributo devido para que possamos aplicar o princípio. Se o produto final não é tributado, não há que se falar em aproveitamento de crédito. Obviamente a lei pode excepcionar e permitir o aproveitamento do crédito, já que não há óbice constitucional como ocorre com o ICMS. Mas, como dito acima a lei tem que ser clara ao permitir o creditamento nessas situações especiais o que não ocorre in casu. O próprio TRF da 3ª Região tem exarado decisões que vedam o direito ao incentivo da lei 9.363 quando não há o recolhimento do IPI na cadeia de industrialização da mercadoria a ser exportada. O Direito Pátrio não autoriza o aproveitamento do crédito presumido de IPI em relação a mercadorias exportadas que figurem como NT na tabela do IPI – TIPI. Essa é a única conclusão juridicamente aceitável ao interpretarmos, por todas as técnicas existentes, os diplomas legais do crédito presumido – Lei 9.363/96, em cotejo com as demais legislações do IPI. Àqueles que defendem que a lei instituidora do incentivo é lacunosa, podemos fazer a integração nos moldes permitidos pelo CTN e chegaremos à mesma conclusão acima exposta. Diante de todo o exposto voto pelo provimento do Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional. Rodrigo da Costa Pôssas Fl. 219DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/11/2014 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 04/12/2014 por MARIA TERESA MARTINEZ LOPEZ, Assinado digitalmente em 20/11/2014 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assina do digitalmente em 18/12/2014 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS
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Numero do processo: 10830.720005/2013-66
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Nov 12 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed Jan 21 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/09/2003 a 31/12/2006
COFINS - ENTIDADE SEM FINS LUCRATIVOS - CONCEITO DE RECEITA PRÓPRIA - ISENÇÃO - ART. 14, INC. X DA MP Nº 2.158-35/01; ART. 46, INC. II DO DECRETO Nº4.524/02; IN/SRF nº 247/02.
O critério legal objetivamente estabelecido para efeitos da isenção de impostos e contribuições federais concedida intuitu personae às instituições e associações civis sem fins lucrativos (art. 14, incs. I e II do CTN; art. 12, § 2º, alíneas b e § 3º da Lei nº 9.532/97), vincula-se fundamentalmente à aplicação e destinação final (e não à produção) dos recursos financeiros por elas obtidos no desempenho de suas atividades institucionais. Ao alterar o critério legalmente estabelecido para a concessão da isenção (vinculado à aplicação e destinação final dos recursos financeiros por ela obtidos no desempenho de suas atividades; cf. art.14, incs. I e II do CTN; art. 12, § 2º, alíneas b e § 3º da Lei nº 9.532/97), através de critério não previsto em lei (critério da produção das receitas), a IN/SRF nº 247/02 incide em manifesta ilegalidade por violação ao disposto nos arts. 96, 99 e 100 do CTN
Recurso Voluntário Provido
Crédito Tributário Exonerado
Numero da decisão: 3402-002.552
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, deu-se provimento ao recurso nos termos do voto do relator. Fez sustentação oral o Dr. Gustavo Froner Minatel OAB/SP 210198.
GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO
Presidente Substituto
FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D'EÇA
Relator
Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros Gilson Macedo Rosenburg Filho (Presidente Substituto), Fernando Luiz da Gama Lobo d'Eça (Relator), Maria Aparecida Martins de Paula, Fenelon Moscoso de Almeida (Suplente), João Carlos Cassuli Júnior e Maurício Rabelo de Albuquerque Silva.
Nome do relator: FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Período de apuração: 01/09/2003 a 31/12/2006 COFINS - ENTIDADE SEM FINS LUCRATIVOS - CONCEITO DE RECEITA PRÓPRIA - ISENÇÃO - ART. 14, INC. X DA MP Nº 2.158-35/01; ART. 46, INC. II DO DECRETO Nº4.524/02; IN/SRF nº 247/02. O critério legal objetivamente estabelecido para efeitos da isenção de impostos e contribuições federais concedida intuitu personae às instituições e associações civis sem fins lucrativos (art. 14, incs. I e II do CTN; art. 12, § 2º, alíneas b e § 3º da Lei nº 9.532/97), vincula-se fundamentalmente à aplicação e destinação final (e não à produção) dos recursos financeiros por elas obtidos no desempenho de suas atividades institucionais. Ao alterar o critério legalmente estabelecido para a concessão da isenção (vinculado à aplicação e destinação final dos recursos financeiros por ela obtidos no desempenho de suas atividades; cf. art.14, incs. I e II do CTN; art. 12, § 2º, alíneas b e § 3º da Lei nº 9.532/97), através de critério não previsto em lei (critério da produção das receitas), a IN/SRF nº 247/02 incide em manifesta ilegalidade por violação ao disposto nos arts. 96, 99 e 100 do CTN Recurso Voluntário Provido Crédito Tributário Exonerado
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, deu-se provimento ao recurso nos termos do voto do relator. Fez sustentação oral o Dr. Gustavo Froner Minatel OAB/SP 210198. GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO Presidente Substituto FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D'EÇA Relator Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros Gilson Macedo Rosenburg Filho (Presidente Substituto), Fernando Luiz da Gama Lobo d'Eça (Relator), Maria Aparecida Martins de Paula, Fenelon Moscoso de Almeida (Suplente), João Carlos Cassuli Júnior e Maurício Rabelo de Albuquerque Silva.
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X DA MP Nº 2.158 35/01; ART. 46, INC. II DO DECRETO Nº4.524/02; IN/SRF nº 247/02. O critério legal objetivamente estabelecido para efeitos da isenção de impostos e contribuições federais concedida “intuitu personae” às “instituições” e “associações civis” sem fins lucrativos (art. 14, incs. I e II do CTN; art. 12, § 2º, alíneas “b” e § 3º da Lei nº 9.532/97), vinculase fundamentalmente à aplicação e destinação final (e não à produção) dos recursos financeiros por elas obtidos no desempenho de suas atividades institucionais. Ao alterar o critério legalmente estabelecido para a concessão da isenção (vinculado à aplicação e destinação final dos recursos financeiros por ela obtidos no desempenho de suas atividades; cf. art.14, incs. I e II do CTN; art. 12, § 2º, alíneas “b” e § 3º da Lei nº 9.532/97), através de critério não previsto em lei (critério da produção das receitas), a IN/SRF nº 247/02 incide em manifesta ilegalidade por violação ao disposto nos arts. 96, 99 e 100 do CTN Recurso Voluntário Provido Crédito Tributário Exonerado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 83 0. 72 00 05 /2 01 3- 66 Fl. 809DF CARF MF Impresso em 21/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/12/2014 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente e m 09/12/2014 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente em 14/01/2015 por GILSON MA CEDO ROSENBURG FILHO 2 ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, deuse provimento ao recurso nos termos do voto do relator. Fez sustentação oral o Dr. Gustavo Froner Minatel OAB/SP 210198. GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO Presidente Substituto FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D'EÇA Relator Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros Gilson Macedo Rosenburg Filho (Presidente Substituto), Fernando Luiz da Gama Lobo d'Eça (Relator), Maria Aparecida Martins de Paula, Fenelon Moscoso de Almeida (Suplente), João Carlos Cassuli Júnior e Maurício Rabelo de Albuquerque Silva. Relatório Tratase de Recurso Voluntário (constante de arquivo em PDF sem numeração de páginas do processo físico) contra o v. Acórdão DRJ/CPS nº 0540.529 de 22/03/13 exarado pela 3ª Turma da DRJ de Campinas – SP (constante de arquivo em PDF sem numeração de páginas do processo físico) que, por unanimidade de votos, houve por bem “julgar procedente” o lançamento original de COFINS no valor total de R$ 10.647.217,66 (COFINS R$ 5.126.273,82; Multa de Ofício R$ 3.844.705,41; e Juros de Mora R$ 1.676.238,43), consubstanciado no Auto de Infração notificado em 08/01/13, que acusa a ora Recorrente de “insuficiência de recolhimento da COFINS” no período de 30/01/08 a 31/12/10 conforme explicitado no Termo de Verificação Fiscal nos seguintes termos: “II – O CONTRIBUINTE 2. Conforme Estatuto Social datado de 28/11/2007, o Contribuinte é uma Fundação autorizada por Lei, pessoa jurídica de direito privado, sem fins lucrativos, com autonomia patrimonial, administrativa e financeira, tendo como objetivo primordial e permanente de preservar a capacidade em pesquisa e desenvolvimento em telecomunicações existente no Centro de Pesquisa e Desenvolvimento da Telecomunicações Brasileiras S/A – TELEBRÁS, conforme previsto na Lei n. 9472 de 16 de julho de 1997, fornecendo soluções científicas e tecnológicas que contribuam para o desenvolvimento, progresso e bem estar da sociedade brasileira. 3. Consta no art. 10 da Lei n. 10.833/2003, " Permanecem sujeitas às normas da legislação da COFINS, vigentes anteriormente a esta Lei, não se lhes aplicando as disposições dos arts. 1° a 8°:" ..., no inc." V " — "os órgãos públicos, as autarquias e fundações públicas federais, estaduais e Fl. 810DF CARF MF Impresso em 21/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/12/2014 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente e m 09/12/2014 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente em 14/01/2015 por GILSON MA CEDO ROSENBURG FILHO Processo nº 10830.720005/201366 Acórdão n.º 3402002.552 S3C4T2 Fl. 3 3 municipais, e as fundações cuja criação tenha sido autorizada por lei, referidas no art. 61 do Ato das Disposições Constitucionais Transitórias da Constituição" ; 4. O artigo 61 do Ato das Disposições Constitucionais Transitórias da Constituição (ADCTF), assim dispõe: "Art. 61. As entidades educacionais a que se refere o art. 213, bem como as fundações de ensino e pesquisa cuja criação tenha sido autorizada por lei, que preencham os requisitos dos incisos I e II do referido artigo e que, nos últimos três anos, tenham recebido recursos públicos, poderão continuar a recebêlos, salvo disposição legal em contrário". 5. A Lei n. 9472 de 16 de julho de 1997 dispõe em seus artigos 190 e 195: "Art. 190. Na reestruturação e desestatização da Telecomunicações Brasileiras S.A. TELEBRÁS deverão ser previstos mecanismos que assegurem a preservação da capacidade em pesquisa e desenvolvimento tecnológico existente na empresa. Parágrafo único. Para o cumprimento do disposto no caput, fica o Poder Executivo autorizado a criar entidade, que incorporará o Centro de Pesquisa e Desenvolvimento da TELEBRÁS, sob uma das seguintes formas: I empresa estatal de economia mista ou não, inclusive por meio da cisão a que se refere o inciso 1 do artigo anterior; II fundação governamental, pública ou privada. Em seu artigo 195 dispõe: " Art. 195. O modelo de reestruturação e desestatização das empresas enumeradas no art. 187, após submetido a consulta pública, será aprovado pelo Presidente da República, ficando a coordenação e o acompanhamento dos atos e procedimentos decorrentes a cargo de Comissão Especial de Supervisão, a ser instituída pelo Ministro de Estado das Comunicações". 6. O Decreto n. 2546 de 14/04/1998 reza em seu Artigo 4° " Fica a Telecomunicações Brasileiras S.A. TELEBRÁS autorizada a instituir uma fundação privada, para incorporar o seu Centro de Pesquisa e Desenvolvimento, nos termos aprovados pela Comissão Especial de Supervisão instituída pelo Ministro de Estado das Comunicações, em conformidade com o disposto no art. 195 da Lei n° 9.472/97" . Diante de todo o exposto, concluímos que todas as Receitas auferidas pelo Contribuinte se enquadram no inciso V do art. 10 da Lei n° 10.833, de 29/12/2003, citado e transcrito anteriormente. Assim, nesta ação fiscal, no período "in casu", objeto deste lançamento, a COFINS TERÁ INCIDÊNCIA CUMULATIVA. 7. De acordo com o art. 14 inciso X combinado com o art. 13 inciso VIII da MP n. 215835 de 24/08/2001, são isentas da COFINS as receitas, relativas às atividades próprias das fundações de direito privado. Nesta ação fiscal, a Receita de Subvenções (conta n. 41.150) foi considerada como Receita Própria da Contribuinte e portanto ISENTA DA COFINS. Ainda, conforme art. 13, deste mesmo diploma legal, esclarece que a contribuição para o PIS/PASEP para fundações de direito privado (inciso VII) será determinada com base na folha de salários, à alíquota de um por cento. Fl. 811DF CARF MF Impresso em 21/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/12/2014 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente e m 09/12/2014 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente em 14/01/2015 por GILSON MA CEDO ROSENBURG FILHO 4 (...) IV ATIVIDADES DESENVOLVIDAS NA APURACÂO DAS RECEITAS 25. No item 3 do TERMO DE INTIMAÇÃO FISCAL n. 02 de 07/11/2011, solicitamos: "detalhamento dos serviços prestados das contas de RECEITAS números – 41110, 41120, 41130, 41140, 41150 e 41160", a Contribuinte apresentou três planilhas (CPqD Receita 2008, 2009 e 2010), anexas, onde se enquadra cada faturamento em cada uma das contas de receitas, descrevendo as atividades desenvolvidas em cada Reconhecimento de Receita ou Emissão de Fatura. Conforme declarado pela Contribuinte, abaixo relacionamos estas atividades desenvolvidas: 26. CONTA N. 41.110 – VENDA DE SERVIÇOS – Constatamos que relativamente a estes Serviços Prestados, as atividades básicas desenvolvidas, são: 0001 – Adaptações; Consultoria; Consultoria específica; Consultoria de Engenharia de rede; Consultoria de gerência de rede; Consultoria de Segurança da; Consultoria Gestão Ambiental; Consultoria de sistemas de Energia; Consultoria de Gestão; Consultoria TV Digital; Serviços Laboratoriais; Ensaios; Cálculo e Medições de RNI; Pesquisas Qualitativas; Projetos e Desenvolvimentos; 0002 – Treinamentos 0003 – Serviços Laboratoriais; Ensaios de segurança; Testes de Conformidade; Qualificação Certificação; Ensaios Laboratoriais e de Campo; Cálculo e Medições; Calibração de Equipamentos; 0004 – Qualificação Intr. Celular; Ensaios; Serv. Laboratoriais; Certificação; Qualificação de Antenas; Experimento Laboratorial; Calibração; 0005 – Suporte e Manutenção de Sistemas; Manutenção Corretiva; Desenvolvimento de SW; Desenvolvimento Evolutivo; Atendimento de Operações; Serv. Técnicos de Manutenção; 0006 – Adaptações; Mapeamento; Serv. Técnicos associados a SW; Operação assistida; Serv. De Instalação; Suporte; Manutenção; 0007 – Desenvolvimento de Projetos Sistemas e SW; Desenvolvimento Evolutivo; Desenvolvimento Tecnológico; Desenvolvimento de aplicações; serv técnicos de Manutenção e Suporte; Serv de Implantação; 0009 – Implantação de Sistemas; Serv de Implantação; Suporte; Manutenção; 0010 Calibração de equipamentos; 0011 – Desenvolvimento de Produtos, de Projetos, de eng de rede; Desenvolvimento evolutivo; Pesquisa e desenvolvimento em tecnologia; Fl. 812DF CARF MF Impresso em 21/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/12/2014 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente e m 09/12/2014 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente em 14/01/2015 por GILSON MA CEDO ROSENBURG FILHO Processo nº 10830.720005/201366 Acórdão n.º 3402002.552 S3C4T2 Fl. 4 5 0012 – Desenvolvimento de Produtos, de Projetos, Aplicativos, Evolutivo; Manutenção evolutiva; LUP; Adaptações; Consultoria em eng de rede; Consultoria de Sistemas; 0099 – Serviços Laboratoriais; Serv Profissionais de Ger de Redes; Serv Técnicos Desenvolvimento e Aplicações; Planejamento SAGRES serv de campo; operação assistida; Instalação Gestão Pública; 27.CONTA N. 41.120 – RECEITAS DE LICENÇA DE USO DE PROGRAMA Conforme explicação fornecida pela Contribuinte, são as Receitas derivadas destas Licenças, na distribuição e uso destes Programas. 28. CONTA N. 41.130 – RECEITAS DE TRANSFERÊNCIA DE TECNOLOGIA – ROYALTIES Conforme explicação fornecida pela Contribuinte, referemse somente aos royalties derivados das transferências de Tecnologia. 29. CONTA N. 41.140 – RECEITAS DOS CONVÊNIOS Referemse a Receitas de Convênios, firmadas basicamente com empresas privadas, para prestação de serviços nos desenvolvimentos de Projetos e Pesquisas, das mais diversas ordens. Vide abaixo amostralmente reproduzido, alguns detalhes destes contratos ou Convênios e as diversas atividades desempenhadas pela CPqD. 30. CONTA N. 41.150 – RECEITAS DE SUBVENÇÃO PARA CUSTEIO – PESQUISA Conforme explicação fornecida pela Contribuinte, referemse a Receitas de Subvenção, firmadas com FUNTTEL e FINEP, com prestação de serviços e desenvolvimentos de Projetos e Pesquisas. Vide abaixo amostralmente reproduzido, alguns detalhes destes Contratos ou Convênios e as diversas atividades desempenhadas pela CPqD. 31. CONTA N. 41.160 – RECEITA POLIS – ALUGUEL DE IMÓVEIS CONDOMÍNIO – OUTRAS RECEITAS – POLIS – Conforme explicação, referemse a receitas de Locação de Imóveis, de condomínios, de Estacionamento, de energia, etc.... V – DO CONCEITO DE RECEITAS DE ATIVIDADES PRÓPRIAS 32. O contribuinte excluiu das bases de cálculo da COFINS diversas receitas, como se fossem receitas de atividades próprias, com base no inciso X do art. 14, da MP 2.158/2001. 33. O inciso X do art. 14 da MP 2.15835/2001 concede isenção da COFINS para as receitas relativas às atividades próprias das entidades a que se refere o art. 13; 34. A Receita Federal já firmou entendimento sobre a matéria, que as entidades sem fins lucrativos estão isentas da COFINS sobre as receitas relativas a suas atividades próprias, assim entendidas suas receitas típicas, como contribuições, doações e Fl. 813DF CARF MF Impresso em 21/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/12/2014 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente e m 09/12/2014 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente em 14/01/2015 por GILSON MA CEDO ROSENBURG FILHO 6 anuidades ou mensalidades de seus associados e mantenedores, destinadas ao custeio e manutenção da instituição, mas que não tenham cunho contraprestacional direto. 35. Neste contexto, para fazer jus à isenção da Cofins não basta que as receitas das entidades relacionadas no art. 13 da MP n° 2.15835/2001 tenham previsão estatutária. É necessário, também, que não decorram de uma contraprestação direta. 36. Entendese como atividades próprias aquelas que não ultrapassam a órbita dos objetivos sociais das respectivas entidades. Estas alcançam as receitas auferidas que são típicas das entidades sem fins lucrativos, tais como: doações, contribuições, mensalidades e anuidades recebidas de profissionais inscritos, de associados, de mantenedores e de colaboradores, sem caráter contraprestacional direto, destinadas ao custeio e manutenção daquelas entidades e à execução de seus objetivos estatutários. Não se sustentaria o argumento de que a receita dizse "própria" pelo simples fato de constar em dispositivo estatutário como fonte de custeio, pois este documento não é forma hábil a definir os limites da isenção da COFINS. A isenção merece escólio restrito para a fixação de seu alcance, conforme determinado pelo inciso II do artigo 111 do Código Tributário Nacional (Lei n. 5.172/66): " Art. 111 — Interpretase literalmente a legislacão tributária que disponha sobre: inciso II — outorga de isenção; " 37. A isenção não alcança as receitas que são próprias de atividades de natureza econômico financeira ou empresarial. Por isso, não estão isentas da Cofins, dentre outras, as receitas da prestação de serviços e/ou revenda de mercadorias. Dessa forma, não se consideram próprias, ou típicas, as receitas provenientes da prestação de serviços e/ou venda bens, cujo caráter é eminentemente contraprestacional, nas quais atuam como qualquer agente econômico, 38. Não se quer aqui estatuir que uma entidade sem fins lucrativos não possa desenvolver, eventualmente, alguma atividade comercial ou de prestação de serviços, com o objetivo de investir os recursos adquiridos no desenvolvimento de sua atividade fim, desde que assuma as mesmas obrigações tributárias aplicáveis às demais empresas. O que não se coaduna com uma entidade sem fins lucrativos é ela ter entre os seus objetivos principais o exercício de atividades típicas das empresas comerciais e prestadoras de serviços, sem recolher os tributos devidos, em total descompasso com o princípio da isonomia, que deve reger os mercados concorrenciais. Se outra empresa prestadora de serviços, concorrente da CPqD, realizasse esses mesmos serviços que a CPqD realiza, não teria esse benefício fiscal pretendido, e estaria sujeita às contribuições da COFINS, contradizendo totalmente o princípio da isonomia. VI DA ANÁLISE DOS SERVIÇOS PRESTADOS EM CONTRATOS E CONVÊNIOS FIRMADOS COM A CPqD: 39. Abaixo resumimos alguns detalhes dos contratos e convênios celebrados com os tomadores de Serviço da CPqD, a saber; Fl. 814DF CARF MF Impresso em 21/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/12/2014 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente e m 09/12/2014 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente em 14/01/2015 por GILSON MA CEDO ROSENBURG FILHO Processo nº 10830.720005/201366 Acórdão n.º 3402002.552 S3C4T2 Fl. 5 7 40. CONTRATO COM A TELEMAR NORTE LESTE SA, CNPJ 33.000.118/000330 – DATA EMISSÃO 07/05/2008 – N. DO CONTRATO 4600019523 – VALOR r$ 320.000,00. Referese a Licença de Uso de software, fornecimento de 4 Licenças de 32 canais, Serviços de preparação do conversor e das chaves de hardware e instalação do CPqD Texto Fala nos servidores da Oi. A CPqD fornece um serviço de atendimento por telefone e Web, para auxiliar na determinação e na resolução de dificuldades encontradas no produto licenciado. Além da Confidencialidade característica do contrato, a propriedade intelectual de qualquer concepção tecnológica inovadora, previamente ou no seu decorrer das atividades da Proposta Comercial, pertencerá exclusivamente ao CPqD, o qual poderá gerilos livremente. 41. PROPOSTA TECNICO COMERCIAL N. 18106/2007 COM A HUAWEI TECHNOLOGIES CO, LTDA., – DATA EMISSÃO 22/06/2007. O Objeto deste processo é a certificação dos produtos Acumuladores ChumboÁcidos, regulados por válvula, 2V, modelo GFM(Z) e 12 V, modelo GFM(X) fabricados pela HUAWEI, tendo várias Atividades: Planejamento das atividades de certificação, Elaboração do contrato visando a manutenção da certificação, Identificação e avaliação de laboratórios para realização dos ensaios, ensaios laboratoriais com acompanhamento pelo OCDCPqD, análise pela comissão de Certificação dos resultados dos ensaios, Elaboração e Emissão de relatório de conformidade, Emissão de Licença para uso de Certificado e Marca de Conformidade do CPpD. O Preço será de R$ 56.881,00 (para duas famílias de produtos). 42. CONTRATO COM A TELEMAR NORTE LESTE SA, CNPJ 33.000.118/000179 – DATA EMISSÃO 10/05/2004 – CONTRATO SAP N. 4600019523 – VALOR R$ 888.998,00. O Objeto deste é o fornecimento perpétuo, irrevogável e irretratável da licença de uso de Programas de Computador, bem como a prestação de serviços de desenvolvimento de sistemas, através das atividades de especificação, implementação e/ou homologação de demandas, em estrita conformidade com as disposições deste contrato e especificações técnicas e funcionais constantes em seus anexos. A propriedade intelectual dos programas e sistemas desenvolvidos pertencerá exclusivamente 'a CPqD. Nas condições comerciais, esclarece que o preço está assim detalhado, Serviços e Licenças de Uso, Desenvolvimento, Treinamento, Despesas de Viagem, Operação assistida, Serviços de Suporte e Manutenção (atendimento 7x24 contact center, suporte remoto a partir do CPqD, manutenção corretiva de problemas apresentados e liberação de versões evolutivas para aplicativos e módulos licenciados. 43. CONTRATO COM A CELESC DISTRIBUIÇÃO SA, CNPJ 08.336.783/000190 – DATA EMISSÃO 05/02/2009 – CONTRATO CTO 3094 – VALOR R$ 584.240,00. O Objeto deste é a PRESTAÇÃO DE SERVIÇO ESPECIALIZADO para execução de Projeto de "Sistema de Gestão de Produtividade das Fl. 815DF CARF MF Impresso em 21/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/12/2014 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente e m 09/12/2014 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente em 14/01/2015 por GILSON MA CEDO ROSENBURG FILHO 8 Equipes de Campo", decorrentes do setor de energia elétrica, determinada pela lei n. 9.991/00. Quanto aos bens adquiridos com recursos liberados pelo projeto, exceto materiais de consumo e bibliográfico, deverão ao final da execução do mesmo, ser incorporados ao patrimônio da CELESC. 44. CONVÊNIO N. 2409 DE 28/11/2006, COM 36 MESES DE VIGÊNCIA COM NIFE BATERIAS INDUSTRIAIS LTDA. CNPJ 61.275.137/000143 – LEI DA INFORMÁTICA . O Objeto deste convênio é a cooperação tecnológica no campo das técnicas e tecnologias de comunicações e informática, cobrindo área de interesse comum. Todas as atividades necessárias para atingir o objeto deste Convênio deverão ser executadas conforme Planos de Trabalho específicos (tem o objetivo de estudar a ação e desempenho de catalisadores da vida útil de bateria chumbo ácida estacionária regulada por válvula, afim de obter produtos com melhor desempenho e maior valor agregado) e firmados pelos convenentes. Cada convenente será responsável pelos recursos humanos, financeiros ou materiais, alocados às atividades deste convênio, conforme especifica os Planos de Trabalho. 45. CONVÊNIO N. 2963 DE 15/09/2008, COM 36 MESES DE VIGÊNCIA COM METROCABLE INDUSTRIA E COMERCIO LTDA. CNPJ 04.183.611/000173 LEI DA INFORMÁTICA. O Objeto deste convênio é a cooperação tecnológica no campo das técnicas e tecnologias de comunicações e informática, cobrindo área de interesse comum. Todas as atividades necessárias para atingir o objeto deste Convênio deverão ser executadas conforme Planos de Trabalho específicos (realizar avaliação de desempenho de protótipos para desenvolvimento dos produtos – cabo CFOA ASF80, Cabo DROP Optico FIG 8 SM, e Cabo CFOA DDRU de propriedade da Metrocable segundo regulamentações da Anatel) e firmados pelos convenentes. Cada convenente será responsável pelos recursos humanos, financeiros ou materiais, alocados às atividades deste convênio, conforme especifica os Planos de Trabalho. 46. CONVÊNIO N. 3252 DE 25/06/2009, COM 36 MESES DE VIGÊNCIA COM FERTRON CONTROLE E AUTOMAÇÃO INDUSTRIAL LTDA. CNPJ 50.391.929/000167 LEI DA INFORMÁTICA. O Objeto deste convênio é a cooperação tecnológica no campo das técnicas e tecnologias de comunicações e informática, cobrindo área de interesse comum. Todas as atividades necessárias para atingir o objeto deste Convênio deverão ser executadas conforme Planos de Trabalho específicos, onde o objetivo do projeto é a realização de ensaios laboratoriais para validação final do desenvolvimento dos novos modelos de produtos Fertron Estação automático/Manual BK 400, Conversor de Doneelly CD400 e Isolador de Sinais IS600) e firmados pelos convenentes. Cada convenente será responsável pelos recursos humanos, financeiros ou materiais, alocados às atividades deste convênio, conforme especifica os Planos de Trabalho. 47. CONVÊNIO N. 3357 DE 30/12/2009, COM 36 MESES DE VIGÊNCIA COM ENERSYSTEM DO BRASIL LTDA. CNPJ 05.260.429/000131 LEI DA INFORMÁTICA. O Objeto deste Fl. 816DF CARF MF Impresso em 21/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/12/2014 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente e m 09/12/2014 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente em 14/01/2015 por GILSON MA CEDO ROSENBURG FILHO Processo nº 10830.720005/201366 Acórdão n.º 3402002.552 S3C4T2 Fl. 6 9 convênio é a cooperação tecnológica no campo das técnicas e tecnologias de comunicações e informática, cobrindo área de interesse comum. Todas as atividades necessárias para atingir o objeto deste Convênio deverão ser executadas conforme Planos de Trabalho específicos (onde o objetivo deste projeto é o desenvolvimento de sistema para acompanhamento do processo de descarga de até seis bancos, de 30 elementos ou monoblocos cada, de acumuladores elétricos, tipo chumboácido, composto por software, interface de conversão A/D sistema de aquisição de dados , e estudo e desenvolvimento de novas garras e/ou métodos de leitura de tensão dos elementos e/ou monoblocas, resistentes a corrosão) e firmados pelos convenentes. Cada convenente será responsável pelos recursos humanos, financeiros ou materiais, alocados às atividades deste convênio, conforme especifica os Planos de Trabalho. 48. CONTA SUBVENÇÕES – CHAMADA PÚBLICA – CONVÊNIO – FINANCIADORA DE ESTUDOS E PROJETOS – FINEP – Código de contrato n. 0107054500 de 07/12/2007, COM 18 MESES DE VIGÊNCIA COM FINANCIADORA DE ESTUDOS E PROJETOS – FINEP, VINCULADA AO MINISTÉRIO DA CIÊNCIA E TECNOLOGIA CNPJ 33.749.086/000109 –VALOR TOTAL R$ 1.055.987,56 – FONTE DE RECURSOS FUNDO NACIONAL DE DESENVOLVIMENTO CIENTÍFICO E TECNOLÓGICO – FNDCT/CTINFO/FVA. A Concedente é a FINEP, a Convenente/Executor é a CPqD e o Coexecutor é o INMETRO O Objeto deste convênio é a TRANSFERÊNCIA DE RECURSOS FINANCEIROS, pela concedente ao convenente, para execução de projeto intitulado "Complementação e atualização tecnológica de laboratórios e pessoal do CPqD e do INMETRO para prestar serviços de calibração e de ensaios para o SBTVD", descrito no plano de trabalho, o qual integra este convênio. A CPqD deverá na conclusão dos Serviços restituir ao concedente o eventual saldo de recursos, incluídos aí, os rendimentos das aplicações financeiras. Aplicamse especificamente aos Convênios os seguintes diplomas normativos e suas alterações, sem prejuízo dos demais que se lhe apliquem direta ou indiretamente: IN STN n. 01/1997: Decreto n. 93.872/1986; Lei Complementar n. 101/2000; Lei n. 8.666/1993; Lei n. 10.520/2002; Decreto n. 5.504/2005; Lei da Diretrizes Orçamentárias; Lei n. 4.320/1964; Lei n. 10.973/2004. 49. CONTA SUBVENÇÕES CONVÊNIO N. 0109010800 DE 20/03/2009, COM 36 MESES DE VIGÊNCIA – CONCEDENTE É A FINANCIADORA DE ESTUDOS E PROJETOS – FINEP, VINCULADA AO MINISTÉRIO DA CIÊNCIA E TECNOLOGIA CNPJ 33.749.086/000109 E A CONVENENTE/EXECUTOR É A CPqD – FONTE DE RECURSOS É A FUNTTEL – VALOR TOTAL R$ 25.541.000,00. O Objeto deste convênio é a TRANSFERÊNCIA DE RECURSOS FINANCEIROS, pela concedente ao convenente, para execução de projeto intitulado "Rede experimental de Alta Velocidade – Projeto GIGA fase 2", descrito no plano de trabalho, o qual integra este convênio. A Fl. 817DF CARF MF Impresso em 21/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/12/2014 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente e m 09/12/2014 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente em 14/01/2015 por GILSON MA CEDO ROSENBURG FILHO 10 CPqD deverá na conclusão dos Serviços restituir ao concedente o eventual saldo de recursos, incluídos aí, os rendimentos das aplicações financeiras. Aplicamse especificamente aos Convênios os seguintes diplomas normativos e suas alterações, sem prejuízo dos demais que se lhe apliquem direta ou indiretamente: Portaria Interministerial 127/08; Decreto n. 6.170/2007; Decreto n. 93.872/1986; Lei Complementar n. 101/2000; Lei n. 8.666/1993; Lei n. 10.520/2002; Decreto n. 5.504/2005; Lei da Diretrizes Orçamentárias; Lei n. 4.320/1964; Lei n. 10.973/2004. 50. CONTA SUBVENÇÕES CONVÊNIO N. 0109062700 DE 30/12/2009, COM 24 MESES DE VIGÊNCIA – CONCEDENTE É A FINANCIADORA DE ESTUDOS E PROJETOS – FINEP, VINCULADA AO MINISTÉRIO DA CIÊNCIA E TECNOLOGIA CNPJ 33.749.086/000109 E A CONVENENTE/EXECUTOR É A CPqD – FONTE DE RECURSOS É A FUNTTEL – VALOR TOTAL R$ 25.541.000,00. O Objeto deste convênio é a TRANSFERÊNCIA DE RECURSOS FINANCEIROS, pela concedente ao convenente, para execução de projeto intitulado "Autenticação biométrica multimodale iconográfica para dispositivos móveis", descrito no plano de trabalho, o qual integra este convênio. Na clausula dos Bens e Serviços, é dito que os bens e serviços adquiridos no mercado, deverá ser registrada no patrimônio do CONVENENTE, como "Bens de Terceiros – Financiadora de Estudos e Projetos FINEP/FUNTTEL/UNIÃO FEDERAL"... A CPqD deverá na conclusão dos Serviços restituir ao concedente o eventual saldo de recursos, incluídos aí, os rendimentos das aplicações financeiras. Aplicamse especificamente aos Convênios os seguintes diplomas normativos e suas alterações, sem prejuízo dos demais que se lhe apliquem direta ou indiretamente: Portaria Interministerial 127/08; Decreto n. 6.170/2007; Decreto n. 93.872/1986; Lei Complementar n. 101/2000; Lei n. 8.666/1993; Lei n. 10.520/2002; Decreto n. 5.504/2005; Lei da Diretrizes Orçamentárias; Lei n. 4.320/1964; Lei n. 10.973/2004; Lei n. 6.938/1981; Dec. N. 99.274/1990; Resolução CONAMA n. 01 de 23/01/1986 e n. 237de 19/12/97; Lei n. 10.052 de 28/11/2000; Dec. N. 3737 de 30/01/01, bem como as Resoluções, Diretrizes e demais Atos normativos do Conselho Gestor do FUNTTEL. 51. CONTA SUBVENÇÕES – CHAMADA PUBLICA MCT/FINEP/FUNTTEL CONVÊNIO N. 0108061600 DE 29/12/2008, COM 36 MESES DE VIGÊNCIA – CONCEDENTE É A FINANCIADORA DE ESTUDOS E PROJETOS – FINEP, VINCULADA AO MINISTÉRIO DA CIÊNCIA E TECNOLOGIA CNPJ 33.749.086/000109 – INTERVENIENTE C FINANCIADOR É A ICA TELECOMUNICAÇÕES LTDA , CNPJ: 47.103.106/000184 – E A CONVENENTE/EXECUTAR É A CPqD – VALOR TOTAL R$ 2.252.209,93. O Objeto deste convênio é a TRANSFERÊNCIA DE RECURSOS FINANCEIROS, pela concedente ao convenente, para execução de projeto intitulado "Terminal Público Multiservicos IP", descrito no plano de trabalho, o qual integra este convênio. A CPqD deverá na conclusão dos Serviços restituir ao concedente o eventual saldo de recursos, incluídos aí, os rendimentos das aplicações financeiras. Os direitos de propriedade intelectual Fl. 818DF CARF MF Impresso em 21/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/12/2014 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente e m 09/12/2014 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente em 14/01/2015 por GILSON MA CEDO ROSENBURG FILHO Processo nº 10830.720005/201366 Acórdão n.º 3402002.552 S3C4T2 Fl. 7 11 sobre os resultados dos projetos ficará a cargo do Conselho Gestor do FUNTTEL, que terá poder de veto e direito da opção, inclusive licenciar outras empresas a usar estas tecnologias, ficando sempre assegurado ao interveniente cofinanciador o recebimento de Royalties. Caso a prestação de contas no final não seja aprovada, em razão de má utilização dos recursos na aquisição produção, transformação ou construção de bens materiais com recursos liberados pela concedente, aos recursos a estes bens relacionados deverão ser devolvidos na forma da legislação vigente. Aplicamse especificamente aos Convênios os seguintes diplomas normativos e suas alterações, sem prejuízo dos demais que se lhe apliquem direta ou indiretamente: Portaria Interministerial 127/08; Decreto n. 6.170/2007; Decreto n. 93.872/1986; Lei Complementar n. 101/2000; Lei n. 8.666/1993; Lei n. 10.520/2002; Decreto n. 5.504/2005; Lei da Diretrizes Orçamentárias; Lei n. 4.320/1964; Lei n. 10.973/2004. 52. CONTA SUBVENÇÕES CONVÊNIO N. 0109005000 DE 03/03/2009, COM 24 MESES DE VIGÊNCIA COM FINANCIADORA DE ESTUDOS E PROJETOS – FINEP, VINCULADA AO MINISTÉRIO DA CIÊNCIA E TECNOLOGIA CNPJ 33.749.086/000109 – VALOR TOTAL R$ 7.999.784,69. O Objeto deste convênio é a TRANSFERÊNCIA DE RECURSOS FINANCEIROS, pela concedente ao convenente, para execução de projeto de pesquisa intitulado "LABORATÓRIO EXPERIMENTAL DE ESTUDOS E APLICAÇÕES EM RFID descrito no plano de trabalho (tem como objetivo geral prover um laboratório experimental de estudos e aplicações em RFID para desenvolver e viabilizar soluções de identificação e rastreabilidade. O laboratório deverá apresentar condições para estudo e desenvolvimento de hardware e software, análise de ambiente e aplicações/serviços. A estrutura do laboratório deverá abranger as diversas tecnologias de rastreabilidade e identificação por radiofreqüência e também outras alternativas tecnológicas), o qual integra este convênio. A CPqD deverá na conclusão dos Serviços restituir ao concedente o eventual saldo de recursos, incluídos aí, os rendimentos das aplicações financeiras. Caso a prestação de contas no final não seja aprovada, em razão de má utilização dos recursos na aquisição, produção, transformação ou construção de bens materiais com recursos liberados pela concedente, os recursos a estes bens relacionados deverão ser devolvidos na forma da legislação vigente. A propriedade intelectual não será da concedente (CPqD), que somente será consultada no caso de transferência , licença ou cessão a terceiros. 53. CONTA SUBVENÇÕES CONVÊNIO N. 0110027200 DE 14/06/2010, COM 24 MESES DE VIGÊNCIA COM FINANCIADORA DE ESTUDOS E PROJETOS – FINEP, VINCULADA AO MINISTÉRIO DA CIÊNCIA E TECNOLOGIA CNPJ 33.749.086/000109 – VALOR TOTAL R$ 5.255.004,83. O Objeto deste convênio é a TRANSFERÊNCIA DE RECURSOS FINANCEIROS, pela concedente ao convenente, para execução de projeto de pesquisa intitulado "FRAMEWORK UTILIZANDO Fl. 819DF CARF MF Impresso em 21/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/12/2014 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente e m 09/12/2014 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente em 14/01/2015 por GILSON MA CEDO ROSENBURG FILHO 12 SÍNTESE DE VOZ PARA DEFICIENTES VISUAIS EM DISPOSITIVOS MÓVEIS", também terão desenvolvidas aplicações dentro do conceito de acessibilidade utilizando framework, possibilitando viabilizar o acesso à informação por pessoas com deficiência visual, descrito no plano de trabalho, o qual integra este convênio. A CPqD deverá na conclusão dos Serviços restituir ao concedente o eventual saldo de recursos, incluídos aí, os rendimentos das aplicações financeiras. Os direitos de propriedade intelectual sobre os resultados dos projetos ficará a cargo da convenente (CPqD). Caso a prestação de contas no final não seja aprovada, em razão de má utilização dos recursos na aquisição produção, transformação ou construção de bens materiais com recursos liberados pela concedente, aos recursos a estes bens relacionados deverão ser devolvidos na forma d legislação vigente. 54. CONTA SUBVENÇÕES – CONVÊNIO MC N. 001/2007 DE 28/12/2007, COM 36 MESES D VIGÊNCIA COM A UNIÃO – MINISTÉRIO DAS COMUNICAÇÕES CNPJ 00.394.437/0003 19 – VALOR TOTAL R$ 16.700.000,00. O Objeto deste convênio é a TRANSFERÊNCIA DE RECURSOS FINANCEIROS, pela concedente ao convenente, para execução de projeto de SERVIÇOS MULTIPLATAFORMA DE TV INTERATIVA, conforme Documento de Projeto, integrante do anexo I onde este anexo I tem como objeto desenvolver serviços e aplicativos interativos multiplataforma e que utilizam receptores de TV como terminal de usuário, bem como avaliar os seus impactos nas redes de telecomunicações, nos equipamentos, nos produtores e distribuidores de conteúdo e, principalmente , nos usuários. O projeto prevê ainda a proposição, o desenvolvimento e a validação de uma metodologia para avaliar a qualidade do serviço, do ponto de vista do usuário, ou seja, a QoE (Quality of Experience). A CPqD deverá na conclusão dos Serviços restituir ao concedente o eventual saldo de recursos, incluídos aí, os rendimentos das aplicações financeiras. Os direitos de propriedade intelectual sobre os resultados dos projetos ficará a cargo da concedente. Caso a prestação de contas no final não seja aprovada, em razão de má utilização dos recursos na aquisição produção, transformação ou construção de bens materiais com recursos liberados pela concedente, ao recursos a estes bens relacionados deverão ser devolvidos na forma da legislação vigente. Convênio este em conformidade com a Lei n. 8.6666/1993; com alterações das Leis ns. 8.883/1994; 9.648/1998; na Lei n. 9.473/1997; no Dec. 93.872/1986, bem como na Instrução Normativa n. 01 de 15/01/1997, da Secretaria do Tesouro Nacional do Ministério da Fazenda, e o constante no processo n. 53000.069602/200702, mediante as clausulas neste convênio. 55. CONTRATO COM A CELESC DISTRIBUIÇÃO SA, CNPJ 08.336.783/000190 – DATA EMISSÃO 05/02/2009 – CONTRATO CTO 3095 – VALOR R$ 535.544,00. O Objeto deste é a PRESTAÇÃO DE SERVIÇO ESPECIALIZADO para execução de Projeto 5697016/2007 de "Sistema de Comunicação de Dados para sensores situados nas redes de transmissão de energia elétrica", decorrentes do setor de energia elétrica, determinada pela lei n. 9.991/00 . Quanto aos bens adquiridos com recursos liberados pelo projeto, exceto materiais Fl. 820DF CARF MF Impresso em 21/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/12/2014 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente e m 09/12/2014 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente em 14/01/2015 por GILSON MA CEDO ROSENBURG FILHO Processo nº 10830.720005/201366 Acórdão n.º 3402002.552 S3C4T2 Fl. 8 13 de consumo e bibliográfico, deverão ao final da execução do mesmo, ser incorporados ao patrimônio da CELESC. 56. CONTRATO COM O GOVERNO DO ESTADO DA BAHIA – SECRETARIA DA EDUCAÇÃO CNPJ 13.937.065/000100 – DATA EMISSÃO 11/02/2010 – CONTRATO N. 351/2010 – VALOR R$ 5.343.946,00 – VIGÊNCIA 12 MESES. O Objeto deste é a PRESTAÇÃO DE SERVIÇO ESPECIALIZADO de tecnologia da informação para adaptação e implantação de sistema de gestão acadêmica e administrativa na rede estadual de ensino, incluindo serviços de instalação, parametrização, conversão, e migração de dados, treinamento, operação assistida, e suporte técnico ao usuário e manutenção. A propriedade intelectual de qualquer concepção tecnológica inovadora, previamente ou no seu decorrer das atividades DESENVOLVIDAS, pertencerá exclusivamente ao CPqD, e no caso de falência da fornecedora, a SEC passa a ter direito de acesso total e irrestrito aos códigos, programas e arquivos para continuidade da solução em TI. 57. CONTRATO COM O GOVERNO DO ESTADO DE SÃO PAULO – SECRETARIA DE ESTADO DOS NEGÓCIOS DA SEGURANÇA PÚBLICA – CNPJ – DATA EMISSÃO 29/09/2008 –CONTRATO N. DTEL002/232/08 – VALOR R$ 3.702.983,90 – VIGÊNCIA 12 MESES (E ADITIVOS ATÉ HOJE) . O Objeto deste é a PRESTAÇÃO DE SERVIÇO ESPECIALIZADO de DESENVOLVIMENTO DE PROJETOS de inovação tecnológica para os Órgãos Policiais do Estado de São Paulo, por meio dos seguintes processos de trabalho, Engenharia de sistemas, Gerenciamento de aquisições, Gerenciamento de Projeto e Processos de suporte. de sistema de gestão acadêmica e administrativa na rede estadual de ensino, incluindo serviços de instalação, parametrização, conversão, e migração de dados, treinamento, operação assistida, e suporte técnico ao usuário e manutenção. A propriedade intelectual de qualquer concepção tecnológica inovadora, previamente ou no seu decorrer das atividades DESENVOLVIDAS, pertencerá exclusivamente ao CPqD, e no caso de falência da fornecedora, a SEC passa a ter direito de acesso total e irrestrito aos códigos, programas e arquivos para continuidade da solução em TI. 58. PROPOSTA TECNICO COMERCIAL N. 22695/2008 COM A CTEL CONSULTORES ASSOCIADOS S/C LTDA., – DATA EMISSÃO 07/01/2009. O Objeto deste processo é a certificação do produto MULTIPLEX SDH, modelo MN4100, fabricado pela NEC, por meio de execução das atividades abaixo relacionadas; Planejamento das atividades de certificação, Elaboração do contrato visando a manutenção da certificação, Identificação e avaliação de laboratórios para realização dos ensaios, ensaios laboratoriais com acompanhamento pelo OCDCPqD, análise pela comissão de Certificação dos resultados dos ensaios, Elaboração e Emissão de relatório de conformidade, Emissão de Licença para uso de Certificado e Marca de Conformidade do CPqD. O Preço será de R$ 24.899,00 (assim definidos R$ 20.880,00 para ensaios e R$ 4.019,00 para Certificação). Fl. 821DF CARF MF Impresso em 21/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/12/2014 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente e m 09/12/2014 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente em 14/01/2015 por GILSON MA CEDO ROSENBURG FILHO 14 59. PROPOSTA COMERCIAL N. 25805/2010 COM A GLOBAL VILLAGE TELECOM LTDA., CNPJ 03.420.926/000205 – DATA EMISSÃO 15/06/2010 – PEDIDO N. 2500077026 – VALOR R$ 337.666,87. Referese a Licença de Uso de Programas SAGRE, VISION e AUTOCAD MAP. 60. PROPOSTA COMERCIAL N. 22532/2008 COM A MOTOROLA INDUSTRIAL LTDA – DATA EMISSÃO 27/11/2008. O Objeto desta Proposta Comercial é a prestação de serviços tecnológicos pelo CPqD, relativos aos ensaios a serem realizados em Transceptor analógico troncalizado base. Os ensaios serão realizados no produto segundo documentos de "Requisitos Técnicos e Procedimentos de Ensaios à Certificação de Produtos para Telecomunicação Categoria II". O Preço será de R$ 9.045,00. 61 CONTRATO COM BANCO BRADESCO SA, CNPJ 60.746.948/000112 – DATA EMISSÃO 23/11/2007 – CONTRATO N. 4700001066 – VIGÊNCIA 01/11/207 A 31/10/2010 VALOR R$ 628.780,00. A propriedade intelectual dos produtos, relatórios e informações gerenciais resultantes da prestação de serviços pertencerá exclusivamente ao Banco Bradesco. Objeto deste é a prestação de serviços a contratante e suas empresas do Grupo, de serviços relacionados na Proposta Técnica n. 16219/2006 versão G de 07/11/2007– Gestão de gastos em Energia e Água. Ainda neste serviço de gestão de economia de energia, incluese a análise do contrato, análise das tendências de desvio de meta da redução de consumo, intermediação com empresas de energia, orientação para tomada de decisão, consultoria sobre legislação e mercado so setor elétrico, evitar cobranças indevidas e conseguir ressarcimento referentes a estas cobranças orientação na tomada de decisão para troca ou ajuste de equipamentos, pessoal, área construída. O Preço deste contrato, do 1°. ao 8°. mês será R$ 138.453,19 mês + R$ 68.673,40 (parcela única relativa a despesas de viagens) e do 9°. ao 36°. mês, será de acordo com a quantidade de UC's (Unidades Consumidoras). Para apuração dos resultados serão computados somente os meses em que a nova sistemática tenha sido efetivamente implantada e serão considerados como satisfatórios os resultados que forem iguais ou superiores aos valores investidos junto a contratada. Na hipótese de serem satisfatórios os resultados, as partes farão novos levantamentos no 24°. e 30°. mês da vigência do contrato para apurar os benefício financeiros obtidos pelo contratante com a execução das atividades objeto deste contrato. 62. CONTRATO COM A FURNAS CENTRAIS ELÉTRICAS SA, CNPJ 23.274.194/000119 –DATA EMISSÃO 30/05/2008 – CONTRATO SAP N. 17941 – VALOR R$ 628.780,00. O Objeto deste é a execução de Projeto de Pesquisa e Desenvolvimento sobre Desenvolvimento de Metodologia para teste de interoperabilidade em equipamentos do Sistema Elétrico segundo novos padrões e protocolos para Redes de Automação de Usinas e substações de Energia Elétrica. Pertencerão a Furnas, em caráter definitivo e exclusivo, todos os direitos de propriedade intelectual resultantes do objeto deste contrato. Fl. 822DF CARF MF Impresso em 21/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/12/2014 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente e m 09/12/2014 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente em 14/01/2015 por GILSON MA CEDO ROSENBURG FILHO Processo nº 10830.720005/201366 Acórdão n.º 3402002.552 S3C4T2 Fl. 9 15 63. CONTRATO COM A SINDITELEBRASIL – SINDICATO NACIONAL DAS EMPRESAS DE TELEFONIA E SERVIÇO MÓVEL CELULAR E PESSOAL CNPJ 06.102.961/000193 – DATA EMISSÃO 18/06/2010 – VALOR R$ 55.900,00 – VIGÊNCIA 07 MESES. O Objeto deste é o fornecimento da prestação de serviços de consultoria voltada para estudo sobre condições de oferta dos serviços de banda larga das empresas associadas ao SINDITELEBRASIL. A propriedade intelectual de qualquer concepção tecnológica inovadora, programa de computador, sistema, metodologia ou ferramenta previamente ou no decorrer das atividades desenvolvidas pertencerá exclusivamente 'a CPqD. 64. CONTRATO COM A ZTE DO BRASIL COMERCIO, SERVIÇOS E PARTICIPAÇÕES LTDA. CNPJ 05.216.804/000146 – DATA EMISSÃO 05/07/2010 – VALOR R$ – VIGÊNCIA 07 MESES. O Objeto deste é o fornecimento da prestação de serviços detalhados no Anexo I, relativo a caracterização de fibras ópticas, onde as atividades serão realizadas em 03 pares (06 fibras) nas rotas dos trechos de atenuação óptica 1550 nm por OTDR, atenuação Optica Fonte de Luz/Medidor de potência em 1550 nm, PMD – Dispersão de Modos de Polarização em 1550 nm, Medições de Dispersão Cromática em 1525, 1530, 1540, 1550, 1560, 1570 e 1575 nm. Caracter perpétuo, por intermédio dos contratos 77, 736, 6170 e 2023. 65. CONTRATO COM A TELEFÔNICA DATA S.A., CNPJ 04.027.547/000131 – DATA EMISSÃO 14/04/2009 – N. DO CONTRATO 09000042.00 – VALOR R$ 2.981.088,00. O Objeto deste é o fornecimento da prestação de serviços de full outsourcinq do processo de obtenção, gestão de contratos e gestão financeira dos recursos de Telecom, adquiridos pela contratante junto a seus fornecedores de links de comunicação de dados e batimento de planta, conforme detalhamento constante dos anexos deste contrato. O processo de gestão, suportado por um sistema da proponente, que tenha a capacidade de gerenciar links de comunicação de dados em todas suas fases, de seu planejamento até seu cancelamento, passando pela viabilidade, cotação e contratação. Aplicação de multas caso contratos não selam atendidos, emitir detalhamentos de suas ocorrências, capacidade de emitir alarmes para controle de SLA, gerar relatórios para acompanhar todo o processo de gestão, gerar arquivos para inserção de informações no sistema ERP. 66. CONTRATO COM A VECTURA SEVIÇOS E SOFTWARE LTDA., CNPJ 08.976.963/000137 –DATA EMISSÃO 04/03/2009 – VALOR R$ 3.945.744,59 – VIGÊNCIA 60 MESES. O Objeto deste é o fornecimento da prestação de serviços descritos e detalhados no anexo I, de acordo com níveis de serviço estabelecidos no anexo II, incluindo o uso pela contratada de todos os equipamentos e recursos necessários lá sua execução e suporte técnico para correção de falhas. Integra ainda, o objeto deste contrato, além da Licença de uso do Fl. 823DF CARF MF Impresso em 21/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/12/2014 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente e m 09/12/2014 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente em 14/01/2015 por GILSON MA CEDO ROSENBURG FILHO 16 programa, o suporte e manutenção do mesmo. Além do Anexo I, os serviços prestados também incluirão as seguintes atividades: (a) gestão de faturamento dos serviços de Telefonia Fixa prestados pela BT Communications do Brasil Ltda., pela qual a contratada fornecerá a contratante as informações sobre as faturas associadas aos clientes: (b) manter arquivo completo com toda documentação referente aos serviços, bem como entregar uma cópia a contratante no final do contrato: (c) treinamento de empregados indicados pela contratante e interagir com equipes da contratante; (d) comunicar imediatamente a contratante sobre qualquer evento ou ocorrência anormal, acordados nesta prestação; (e) fornecimento de dados de Call Detail Record para relatórios de rentabilidade, de acordo com tabela préestabelecida no anexo V. A CPqD está obrigada a usar a mão de obra tecnicamente capacitada, assim como equipamentos, ferramentas, instrumentos, insumos e materiais de consumo, incluindo hardware e software e todos os demais recursos necessários a completa e pontual execução dos serviços , assumindo inclusive as despesas de transporte e instalação dos equipamentos no local de execução dos serviços e a posterior retirada no término deste. 67. CONTRATO COM A SERCOMTEL S.A. TELECOMUNICAÇÕES CNPJ 01.371.416/000189 – DATA EMISSÃO 09/01/2008 – N. DO CONTRATO 004/2008 – VALOR R$ 409.098,00 –prazo validade um ano. O Objeto deste é o fornecimento da prestação de serviços conforme detalhamento constante do anexo II Descrição do Serviço de Suporte e Manutenção SAGRE. As atividades do Anexo II são Suporte técnico (equipe contact Center), Suporte e Manutenção modalidade Standard (atendimento de ocorrências em nível médio de prioridade), Manutenção Corretiva ( a contratada prestará os serviços corretivos corrigindo falhas que forem identificadas e reportadas formalmente pela contratante, como sendo do programa de Computador) e Manutenção Evolutiva (a CPqD disponibilizará a contratante as versões evolutivas do programa de uso corrente, desde que seja informada as características). 68. CONTRATO COM A TELECOMUNICAÇÕES DE SÃO PAULO S.A. TELESP, CNPJ 02.558.157/000162 — DATA EMISSÃO 03/11/2009 — N. DO CONTRATO 08059590.03 — VALOR R$ 679.508,46. O Objeto deste é o fornecimento de equipamentos (outra contratada) e a prestação de serviços para a ferramenta de supervisão óptica "SSRO III", já instalado nas dependências da contratante, incluindo a expansão da supervisão dos enlaces "DWDM", conforme detalhado nos anexos do presente contrato. VII CONCLUSÃO SOBRE SERVIÇOS PRESTADOS, CONTRATADOS E CONVENIADOS: 69. Observase no item IV deste, onde as atividades desempenhadas pela CPqD, na própria descrição dos Serviços constantes nas contas contábeis, ou nos objetos dos Contratos ou Convênios, ou nas Notas Fiscais emitidas, que as Receitas referentes aos trabalhos executados, ou Serviços Prestados, Fl. 824DF CARF MF Impresso em 21/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/12/2014 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente e m 09/12/2014 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente em 14/01/2015 por GILSON MA CEDO ROSENBURG FILHO Processo nº 10830.720005/201366 Acórdão n.º 3402002.552 S3C4T2 Fl. 10 17 pela "CPqD" têm cunho nitidamente econômico e contraprestacional, fugindo ao conceito de Receitas relativas às atividades próprias das entidades sem fins lucrativos. Os Serviços Prestados são de desenvolvimento e pesquisas científicas e projetos nas diversas áreas de influência, como Licenciamento de uso de software, implantação, suporte, atualização e manutenção de sistemas, Serviços de Testes laboratoriais, consultorias diversas, Análises, Configuração, Projetos de Gestão, Projetos de Energia Elétrica, Projetos de Segurança, Royalties, Locação de imóveis, etc... , estando dentro da Sistemática Cumulativa, para os Cálculos da COFINS. 70. Entendemos ainda, que a conta contábil n.: 41.150 – Subvenções para Custeio – Pesquisa, está dentro da isenção dada pelo inc. X do art.14 da MP 2.15835/2001, convênios celebrados entre a UNIÃO, por intermédio do MINISTÉRIO DAS COMUNICAÇÕES, ou mesmo MINISTÉRIO DA CIÊNCIA E TECNOLOGIA, etc...e a FUNDAÇÃO CPqD, com recursos do FINEP (ligado ao MINISTÉRIO DA CIÊNCIA E TECNOLOGIA) ou FUNTTEL (ligado ao MINISTERIO DAS COMUNICAÇÕES), estão isentas da COFINS, nos termos do inc. X do art. 14 da MP. 215835/2001. Sendo que estes Aportes financeiros estão preconizados pelo Decreto n. 3.737, de 30/01/2001, onde em seu artigo primeiro define que o FUNTTEL – Fundo para o Desenvolvimento Tecnológico das Telecomunicações – é de natureza contábil e tem como objetivos estimular o processo de inovação tecnológica, incentivar a capacitação de recursos humanos, fomentar a geração de empregos e promover o acesso a pequenas e médias empresas a recursos de capital, de modo a ampliar a competitividade da industria brasileira de telecomunicações, nos termos do art. 77 da Lei n. 9472, de 16 de julho de 1997. Em seu art. 7°, "o plano de aplicação de recursos da Fundação CPqD constituise na referência para gestão de planejamento e do acompanhamento da execução, bem como para a fiscalização do Funttel, e conterá informações por programas, projetos e atividades, tais como' (redação dada pelo Dec. N. 4.149/2002) . Em seu art. 14° " Os recursos do Funttel serão aplicados pelos agentes financeiros e pela Fundação CPqD exclusivamente nos programas, nos projetos e nas atividades do setor de telecomunicações, consonantes com os objetivos do art. 1° deste Decreto, que assegurem, no País, a pesquisa aplicada e o desenvolvimento do produtos, tais como equipamentos e componentes, além de programas de computador, levandose em consideração, sempre que necessário, a produção local com significativo valor agregado. Em seu art. 17°, "A partir de agosto de 2001, vinte por cento das receitas do FUNTTEL serão alocadas diretamente à Fundação "CPqD", conforme cronogramas Financeiros por ela elaborado, de acordo com as normas do Conselho Gestor." De tal forma, tais aportes estão considerados como receitas relativas a atividades próprias da CPqD, e estão isentas da COFINS, nos termos do inc. X do art. 14 da MP. 215835/2001; 71 Ainda, em relação as demais Receitas da "CPqD", (contas 41.110, 41.120, 41.130, 41.140, e 41.160), neste Auto de Fl. 825DF CARF MF Impresso em 21/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/12/2014 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente e m 09/12/2014 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente em 14/01/2015 por GILSON MA CEDO ROSENBURG FILHO 18 Infração, estão sendo tributadas pelo REGIME CUMULATIVO. Observamos que os Convênios/Contratos são realizados com diversas empresas privadas ou não, que são as provedoras financeiras, ou interveniente, e que tais empresas, provedoras financeiras ou contratantes, usufruem do total Direito da Propriedade Intelectual, que são os resultados apurados nos serviços pactuados. Relativamente a estes aportes financeiros, efetivados pelas Empresas Contratantes, como pudemos verificar nos contratos/convênios analisados, são específicos a cada Plano de Trabalho ou Projeto Contratado, tendo sempre um objeto claro e único. Isto é, enquanto existir o interesse destes objetos almejados, pelas Tomadoras do Serviço, existirá o recurso para a Prestadora do Serviço, ou seja, existe a presença sempre constante da contraprestação econômica. 72. Finalizando, a Receita Federal do Brasil entende que as Receitas realizadas pela "CPqD", que não sejam decorrentes de contribuições, doações, anuidades ou mensalidades fixadas por lei, assembléia ou estatuto, recebidas de associados ou mantenedores, sem caráter contraprestacional direto, destinadas ao seu custeio e ao desenvolvimento dos seus objetivos sociais, ou seja, as Receitas relativas aos Serviços Prestados, no formato destes Contratos e Convênios apresentados e analisados, ou similares, que é o modelo em que está estruturada, tem o cunho nitidamente econômico e contraprestacional, e aí sim, tais Receitas foram indevidamente excluídas das bases de cálculo da COFINS. Pois, Fundação sem fins lucrativos que presta Serviços Mercantis e rotineiros, a Empresas Industriais e Comerciais Privadas, ou mesmo Públicas, exercendo atos de natureza econômica financeira em concorrência com outras organizações sem qualquer isenção ou benefício, não faz juz à isenção pretendida. VIII – DO CÁLCULO MENSAL ELABORADO POR ESTA AUDITORIA: 73. O nosso Cálculo foi iniciado pelo total das Receitas, aproveitamos os Demonstrativos e Balancetes Mensais apresentados pela Contribuinte, partimos da RECEITA BRUTA (operacional e não operacional), fizemos, as exclusões devidas e legais (receitas não tributadas, isentas,com suspensão, etc..) formamos assim a Base de Cálculo Tributada pela CUMULATIVIDADE da COFINS. A partir desta Base de Cálculo, e utilizando a alíquota de 3%, chegamos ao valor do débito da COFINS MENSAL. Ainda, descontando os valores da COFINS RETIDA POR OUTROS CNPJ, e diminuindo também pelo COFINS declarado em DCTF como pagamento, chegamos ao valor mensal que estamos lançando de ofício, mensalmente, a título de COFINS Cumulativa, neste Auto, conforme Demonstrativo anexo da Apuração da Cofins de 2008 a 2010. 74. Ainda, conforme a revogação do parágrafo 1°. do art. 3° da Lei n. 9718/1998 dada pelo art. 79 da Lei nº 11.941 de 27/05/2009, a partir de 28/05/2009, não são mais devidas, pelas empresas tributadas pelo regime Cumulativo, a tributação da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS sobre receitas não decorrentes da atividade da empresa, quando estas atividades não fazem parte do objeto social da pessoa jurídica. Fl. 826DF CARF MF Impresso em 21/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/12/2014 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente e m 09/12/2014 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente em 14/01/2015 por GILSON MA CEDO ROSENBURG FILHO Processo nº 10830.720005/201366 Acórdão n.º 3402002.552 S3C4T2 Fl. 11 19 Assim, nesta ação fiscal, nas competências de 01/2008 a 05/2009 a Base de Cálculo da Cofins, será a Receita Bruta do contribuinte deduzindo, as Receitas Próprias, as Recuperações de Despesas, os Ganhos com Investimentos, as Vendas de Ativos Imobilizados e as de Exportações, enquanto que nas competências de 06/2009 a 12/2010 a Base de Cálculo da Cofins será a Receita Bruta da Contribuinte, deduzindo as Receitas Próprias, as Recuperações de Despesas, os Ganhos com Investimentos, as Vendas de Ativos Imobilizados, as de Exportações, as Receitas Não operacionais, as Receitas Financeiras e as Receitas de Aluguel de imóveis.” Por sua vez a r. decisão da 3ª Turma da DRJ de Campinas – SP (constante de arquivo em PDF sem numeração de páginas do processo físico), houve por bem “julgar procedente” o lançamento original de COFINS, aos fundamentos sintetizados em sua ementa nos seguintes termos: “ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/09/2003 a 30/12/2006 COFINS. ISENÇÃO. SUSPENSÃO. RITO DO ART. 32 DA LEI N° 9.430, DE 1996. A isenção conferida pela MP n° 2.158, de 2001, art. 14, X, c/c art. 13 não é condicionada, sendo inaplicável o comando da Lei n° 9.430, de 1996, art. 32, no que respeita ao rito ali estabelecido para a suspensão de isenções. cofins. isenção. Fundações de Direito Privado. receitas das atividades próprias. conceito. As receitas que têm cunho contraprestacional não são alcançadas pela isenção da Cofins das entidades referidas no artigo 13 da MP n° 2.158, de 2001. PROCESSO ADMINISTRATIVO DE CONTENCIOSO TRIBUTÁRIO. É a atividade onde se examina a conformidade dos atos praticados pelos agentes do fisco frente à legislação de regência em vigor, sem perscrutar da legalidade ou constitucionalidade dos fundamentos daqueles atos. PIS/COFINS. BASE DE CÁLCULO. INCONSTITUCIONALIDADE DECLARADA PELO STF. Os efeitos da declaração de inconstitucionalidade pelo Supremo Tribunal Federal (STF) do § 1o do art. 3° da Lei n° 9.718, de 1998, em sede de Recurso Extraordinário, e de repercussão geral, permanecem restritos às partes dos processos, tendo em vista, por um lado, a ausência de publicação de Resolução do Senado Federal suspendo os efeitos daquele dispositivo legal, e por outro, a ausência de edição de Súmula Vinculante sobre a matéria. Fl. 827DF CARF MF Impresso em 21/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/12/2014 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente e m 09/12/2014 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente em 14/01/2015 por GILSON MA CEDO ROSENBURG FILHO 20 JUROS SOBRE MULTA DE OFÍCIO. Incidem juros sobre a multa de ofício que não for paga até a data de seu vencimento. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido” Nas razões de recurso (constante de arquivo em PDF sem numeração de páginas do processo físico) oportunamente apresentadas, a ora Recorrente sustenta a insubsistência da autuação e da decisão de 1ª instância que a manteve tendo em vista: a) preliminarmente nulidade procedimental sustentada por suposta desobediência do art. 32 da Lei nº 9430/96; no mérito sustenta a inclusão das receitas elencadas pela d. Fiscalização na isenção da COFINS eis que incluídas no conceito de receita própria tal como já proclamado em processo que tramitou em nome da prórpia Recorrente perante esta instância administrativa. É o relatório. Voto Conselheiro FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D'EÇA, Relator O Recurso Voluntário reúne as condições de admissibilidade e, no mérito, merece provimento. Inicialmente rejeito a preliminar de nulidade procedimental sustentada por suposta desobediência do art. 32 da Lei nº 9430/96 eis que como bem evidenciou a r. decisão recorrida não se trata de suspensão de imunidade ou de isenção condicionada por descumprimento de requisitos impostos pela legislação de regência. No mérito inicialmente ressalto, não se pode ignorar a utilidade pública das atividades privadas desenvolvidas pela Recorrente no cumprimento de seu miester institucional de pesquisa e desenvolvimento das telecomunicações, fornecendo soluções científicas e tecnológicas que contribuam para o desenvolvimento, progresso e bem estar da sociedade brasileira. Expressamente reconhecendo a utilidade pública destas atividades essencialmente privadas da espécie, o art. 15 da Lei nº 9.532/97 (DOU de 11/12/97) isentou do IRPJ e da CSLL “as associações civis que prestem os serviços para os quais houverem sido instituídas e os coloquem à disposição do grupo de pessoas a que se destinam, sem fins lucrativos”, assim consideradas as que não apresentem superávit em suas contas ou, caso o apresente em determinado exercício, destinem “referido resultado, integralmente, à manutenção e ao desenvolvimento dos seus objetivos sociais” e desde que atendam aos seguintes requisitos (cf. art. 12, § 2º, alíneas “a” a “e” e § 3º da Lei nº 9.532/97): a) “não remunerar, por qualquer forma, seus dirigentes pelos serviços prestados”; b) “aplicar integralmente seus recursos na manutenção e desenvolvimento dos seus objetivos sociais”; c) “manter escrituração completa de suas receitas e despesas em livros revestidos das formalidades que assegurem a respectiva exatidão”; d) “conservar em boa ordem, pelo prazo de cinco anos, contado da data da emissão, os documentos que comprovem a origem de suas receitas e a efetivação de suas despesas, bem assim a realização de quaisquer outros atos ou Fl. 828DF CARF MF Impresso em 21/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/12/2014 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente e m 09/12/2014 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente em 14/01/2015 por GILSON MA CEDO ROSENBURG FILHO Processo nº 10830.720005/201366 Acórdão n.º 3402002.552 S3C4T2 Fl. 12 21 operações que venham a modificar sua situação patrimonial”; e) “apresentar, anualmente, Declaração de Rendimentos, em conformidade com o disposto em ato da Secretaria da Receita Federal”. Da mesma forma, ao regulamentar a incidência das contribuições sociais para o PIS e a Cofins, os art. 14 da Medida Provisória nº 2.15835 de 24/08/01 (DOU 27/08/01) isentou as atividades das referidas associações civis nos seguintes termos: “Art. 13. A contribuição para o PIS/PASEP será determinada com base na folha de salários, à alíquota de um por cento, pelas seguintes entidades: (...) IV instituições de caráter filantrópico, recreativo, cultural, científico e as associações, a que se refere o art. 15 da Lei nº 9.532, de 1997; (...) “Art. 14. Em relação aos fatos geradores ocorridos a partir de 1º de fevereiro de 1999, são isentas da COFINS as receitas: (...) X relativas às atividades próprias das entidades a que se refere o art. 13. § 1º São isentas da contribuição para o PIS/PASEP as receitas referidas nos incisos I a IX do ‘caput’ O Decreto nº 4.524, de 17 de dezembro de 2002, reproduziu a isenção das atividades das referidas associações civis nos arts. 9º e 46 dispondo que: “Art. 9º São contribuintes do PIS/Pasep incidente sobre folha de salários as seguintes entidades (Medida Provisória nº 2.1535 de 2001. art. 13): (...) IV instituições de caráter filantrópico, recreativo, cultural, científico e as associações, que preencham as condições e requisitos do art. 15 da Lei nº 9.532, de 1997; (...)” “Art. 46. As entidades relacionadas no art. 9º deste Decreto (Constituição Federal. art. 195, § 7º, e Medida Provisória nº 2.15835, de 2001, art. 13, art. 14, inciso X, e art. 17): I não contribuem para o PIS/Pasep incidente sobre o faturamento: e II são isentas da Cofins com relação às receitas derivadas de suas atividades próprias. (...)” Fl. 829DF CARF MF Impresso em 21/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/12/2014 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente e m 09/12/2014 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente em 14/01/2015 por GILSON MA CEDO ROSENBURG FILHO 22 Dos preceitos expostos resulta claro que as isenções de IRPJ, CSLL, PIS e COFINS foram concedidas “intuitu personae” às “instituições” e “associações civis que prestem os serviços para os quais houverem sido instituídas e os coloquem à disposição do grupo de pessoas a que se destinam, sem fins lucrativos”, assim consideradas as que destinem seu “resultado, integralmente, à manutenção e ao desenvolvimento dos seus objetivos sociais” e as que atendam àqueles requisitos previstos na lei (cf. art. 12, § 2º, alíneas “a” a “e” e § 3º da Lei nº 9.532/97), donde cumpre desde logo identificar as pessoas às quais a mesma se dirige. A rigor, a expressão “instituição sem fins lucrativos” utilizada pela Lei é redundante, pois há muito já se pacificaram a Doutrina e a Jurisprudência, no sentido de que o conceito de “instituição” é reservado unicamente àquelas entidades essencialmente “no profit”, que desinteressadamente prestam à coletividade os serviços de utilidade ou interesse públicos que ao Estado cumpre estimular, na sua função institucional de tutelar os direitos individuais e sociais assegurados pela Constituição. Nessa ordem de idéias a Suprema Corte há muito já assentou (cf. RTJ 38/182, 57/274, 111/694), que a cláusula “no profit” não traduz uma proibição ou exclusão ao exercício de qualquer atividade econômica ou financeira pela associação, mas sim a condição de que essas atividades sejam exercidas como instrumentos à consecução de suas finalidades institucionais de interesse público, condição esta cujo adimplemento é, à final, aferido pela comprovação, em cada caso concreto, da integral aplicação no País e nas aludidas finalidades, de todos os resultados líquidos de todas as atividades exercidas. Acolhendo estes preceitos de inegável juridicidade há muito consolidados pela Melhor Doutrina e pela Jurisprudência da Suprema Corte, verificase que o critério legal objetivamente estabelecido para a conceituação de uma entidade como “instituição” isenta de impostos e contribuições (cf. art.14, incs. I e II do CTN; art. 12, § 2º, alíneas “b” e § 3º da Lei nº 9.532/97), vinculase fundamentalmente à aplicação e destinação final (e não à produção) dos recursos financeiros por ela obtidos no desempenho de suas atividades, ou seja, vinculase às cinco condições legalmente estabelecidas e consubstanciadas nas obrigações cumulativas de: a) aplicação final e integral dos recursos financeiros da entidade no país e em prol de suas finalidades institucionais não lucrativas e de interesse público; b) não distribuição qualquer parcela de seu patrimônio ou de suas rendas a titulo de lucro ou participação no seu resultado c) “não remunerar, por qualquer forma, seus dirigentes pelos serviços prestados”; d) “conservar em boa ordem, pelo prazo de cinco anos, contado da data da emissão, os documentos que comprovem a origem de suas receitas e a efetivação de suas despesas, bem assim a realização de quaisquer outros atos ou operações que venham a modificar sua situação patrimonial”, documentos estes capazes de assegurar a exatidão de suas contas, e; e) “apresentar, anualmente, Declaração de Rendimentos, em conformidade com o disposto em ato da Secretaria da Receita Federal”. Entretanto, verificase que ao definir o que seriam as “receitas das atividades próprias” das referidas associações civis isentadas das referidas contribuições, a Instrução Normativa SRF nº 247, de 21/11/2002, veio dispor em seu art. 47 que: “Art. 47. As entidades relacionadas no art. 9º desta Instrução Normativa: I – não contribuem para o PIS/Pasep incidente sobre o faturamento; e II – são isentas da Cofins em relação às receitas derivadas de suas atividades próprias. (...) Fl. 830DF CARF MF Impresso em 21/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/12/2014 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente e m 09/12/2014 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente em 14/01/2015 por GILSON MA CEDO ROSENBURG FILHO Processo nº 10830.720005/201366 Acórdão n.º 3402002.552 S3C4T2 Fl. 13 23 § 2º Consideramse receitas derivadas das atividades próprias somente àquelas decorrentes de contribuições, doações, anuidades ou mensalidades fixadas por lei, assembléia ou estatuto, recebidas de associados ou mantenedores, sem caráter contraprestacional direto, destinadas ao seu custeio e ao desenvolvimento dos seus objetivos sociais”. (destaque acrescido) Em suma, de seus expressos termos retro transcritos, verificase que, desconsiderando totalmente o critério legal (cf. art.14, incs. I e II do CTN; art. 12, § 2º, alíneas “a” a “e” e § 3º da Lei nº 9.532/97) para a concessão da isenção às associações sem fins lucrativos (vinculado à aplicação e destinação final dos recursos financeiros por ela obtidos no desempenho de suas atividades), a referida Instrução Normativa somente considerou isentas as referidas associações, em função do critério da produção das receitas auferidas por aquelas associações (“decorrentes de contribuições, doações, anuidades ou mensalidades fixadas por lei, assembléia ou estatuto, recebidas de associados ou mantenedores, sem caráter contraprestacional direto, destinadas ao seu custeio e ao desenvolvimento dos seus objetivos sociais”). Ao alterar o critério legalmente estabelecido para a concessão da isenção (vinculado à aplicação e destinação final dos recursos financeiros por ela obtidos no desempenho de suas atividades; cf. art.14, incs. I e II do CTN; art. 12, § 2º, alíneas “b” e § 3º da Lei nº 9.532/97), através de critério não previsto em lei (critério da produção das receitas), a referida IN/SRF nº 247/02 incide em manifesta ilegalidade por violação ao disposto nos arts. 96, 99 e 100 do CTN, eis que como há muito já lembrava Aliomar Baleeiro em memorável voto no STF: “... como regulamento em relação à lei (art. 99 do CTN), os atos normativos das autoridades administrativas não podem inovar, indo além do que está na lei ou no regulamento; subordinamse a este e àquele, pois se destinam à sua fiel execução. O mesmo quanto aos atos dos Diretores de Departamento e órgão hierarquicamente colocados abaixo do auxiliar imediato do Poder Executivo.” (...) “... são regras internas endereçadas aos funcionários, que lhes devem obediência, pelo princípio hierárquico até o limite da lei. Mas não suprem a lei nem o decreto regulamentar. Não compelem à obediência o cidadão, salvo na medida que expressam o que já está contido na lei.” (...) “A Portaria do Ministério da Fazenda, segundo os arts. 99 e 100, do Código Tributário Nacional, realmente participa do conceito genérico de ‘legislação tributária’ como norma complementar da lei ou do regulamento. Mas isso apenas para estabelecer pormenores de serviço interno a serem obedecidos pelos funcionários públicos, sem eficácia, todavia, para os cidadãos, salvo quando se limitam a exigir deles o que já está determinada na lei tributária.” (cf. Ac. do STF no A.I. nº 57.279, 1ª Turma, Rel. Min. Aliomar Baleeiro, publ. in RDA vol. 119/32022). A par de desbordar do conceito legalmente estabelecido, a pretendida exclusão da isenção, de receitas decorrentes de Convênios e Contratos realizados com diversas empresas privadas ou não, que comprovadamente têm por objeto os serviços inseridos no mister institucional da Recorrente qual seja, de desenvolvimento e pesquisas científicas e projetos nas diversas áreas de influência, tais como Licenciamento de uso de software, implantação, suporte, atualização e manutenção de sistemas, Serviços de Testes laboratoriais, consultorias diversas, Análises, Configuração, Projetos de Gestão, Projetos de Energia Elétrica, Projetos de Segurança, Royalties e Locação de imóveis , obviamente deturpa a isenção concedida “intuitu personae” às “instituições” e “associações civis,” cuja caracterização como entidades “no profit”, já assentou a Suprema Corte, não pode traduzir uma proibição ou exclusão do exercício de qualquer outra atividade econômica ou financeira para a consecução Fl. 831DF CARF MF Impresso em 21/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/12/2014 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente e m 09/12/2014 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente em 14/01/2015 por GILSON MA CEDO ROSENBURG FILHO 24 de suas atividades institucionais (cf. decisões do STF in RTJ 38/182, 57/274, 111/694), mas muito ao revés, se traduz na condição essencial de que essas atividades (econômicas e financeiras) sejam exercidas como instrumentos à consecução de suas finalidades institucionais de interesse público, cujo adimplemento é, à final, aferido pela aplicação e destinação final dos recursos financeiros por ela obtidos no desempenho daquelas atividades, e comprovado pelo cumprimento das cinco condições legais retro mencionadas (cf. art. 14, incs. I e II do CTN; art. 12, § 2º, alíneas “a” a “e” e § 3º da Lei nº 9.532/97). Nesse sentido enfocando receitas de patrocínio, locação e de outras atividades mercantis, tem entendido a Jurisprudência Administrativa como se pode ver das seguintes e elucidativas ementas: “(...) IRPJ – RESULTADO FINANCEIRO DAS ENTIDADES SEM FINS LUCRATIVOS LUCRO REAL O resultado financeiro, encontrado pela diferença entre as receitas recebidas e as despesas pagas, das entidades sem fins lucrativos não traduz o conceito de lucro real passível de tributação pelo imposto de renda, sistemática que requer a elaboração de demonstrações financeiras segundo as leis comerciais e fiscais, com reconhecimento, inclusive, da variação monetária do poder de compra da moeda (correção monetária de balanço). COFINS – VERBA DE PATROCÍNIO RECEBIDA POR ASSOCIAÇÃO – NÃO INCIDÊNCIA A parcela efetivamente recebida a título de patrocínio, por entidade sem finalidade lucrativa, não se enquadra no conceito de faturamento previsto no art. 2 da Lei Complementar 70/91, não sendo alcançada pela incidência da COFINS, ainda que não registrada na contabilidade.CSSL E ILL – (...) .Recurso provido.” (cf. Acórdão 10805885 da 8ª Câm. do 1º CC, Rec. nº 118538 , Proc. nº 10580.005882/9512, em sessão de 20/10/99, Rel. Cons. José Antônio Minatel) “PIS ENTIDADES DE FINS NÃO LUCRATIVOS As entidades de fins não lucrativos, inclusive aquelas que possuem "departamentos" sem personalidade jurídica própria, que exerçam atividades mercantis, cujos eventuais resultados positivos revertam em seu favor, não se encontram sujeitas ao recolhimento do PIS/faturamento. Recurso provido. (cf. ACÓRDÃO 20213279 da 2ª Câm. do 2º CC, Rec. nº 115047, Proc. nº 10860.001788/9908 em sessão de 19/09/2001, Rel. Cons. Eduardo da Rocha Schmidt) “COFINS. LOCAÇÃO DE IMÓVEL. (...). ENTIDADE SEM FINS LUCRATIVOS. CONCEITO DE FATURAMENTO. ARTIGO 2º LC 70/91. LEI Nº 9718/98. (...). A locação de bem imóvel, realizado por pessoa jurídica que não tenha a negociação de imóveis como atividade, assim a entidade sem fins lucrativos, está fora do âmbito de incidência traçado pelo artigo 2º da Lei Complementar nº 70/91. Recurso parcialmente provido”(cf. ACÓRDÃO 20309296 da 3ª Câm. do 2º CC, Rec. nº 122412, Proc. nº 10580.000823/0005, em sessão de 05/11/03, Rel. Cons. César Piantavigna) Isto posto, voto no sentido de DAR INTEGRAL PROVIMENTO ao do presente Recurso Voluntário para reformar a r. decisão recorrida e julgar insubsistente o Auto de infração vestibular, face a reconhecida isenção das receitas decorrentes de Convênios e Fl. 832DF CARF MF Impresso em 21/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/12/2014 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente e m 09/12/2014 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente em 14/01/2015 por GILSON MA CEDO ROSENBURG FILHO Processo nº 10830.720005/201366 Acórdão n.º 3402002.552 S3C4T2 Fl. 14 25 Contratos realizados com diversas empresas privadas ou não, que comprovadamente têm por objeto os serviços inseridos no mister institucional da Recorrente qual seja, de desenvolvimento e pesquisas científicas e projetos nas diversas áreas de influência, como Licenciamento de uso de software, implantação, suporte, atualização e manutenção de sistemas, Serviços de Testes laboratoriais, consultorias diversas, Análises, Configuração, Projetos de Gestão, Projetos de Energia Elétrica, Projetos de Segurança, Royalties, Locação de imóveis cursos auferidas pela Recorrente, nos termos da legislação de regência retro mencionada. É como voto. Sala das Sessões, em 12 de novembro de 2014 FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D'EÇA Fl. 833DF CARF MF Impresso em 21/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/12/2014 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente e m 09/12/2014 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente em 14/01/2015 por GILSON MA CEDO ROSENBURG FILHO
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Numero do processo: 10907.000651/2002-10
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Sep 16 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Dec 04 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Normas de Administração Tributária
Período de apuração: 14/09/2001 a 06/12/2001
INTEMPESTIVIDADE RECURSAL. PRECLUSÃO CONSUMATIVA.
De acordo com o art. 33 do Decreto nº 70.235/72, o prazo para a interposição de recurso voluntário é de 30 (trinta) dias a contar da intimação da decisão da instância inaugural. Ultrapassado o prazo, o recurso não pode ser conhecido.
Numero da decisão: 3201-001.730
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
(ASSINADO DIGITALMENTE)
JOEL MIYAZAKI - Presidente.
(ASSINADO DIGITALMENTE)
DANIEL MARIZ GUDIÑO - Relator.
EDITADO EM: 10/11/2014
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Joel Miyazaki, Ana Clarissa Masuko Araújo, Luciano Lopes de Almeida Moraes, Daniel Mariz Gudiño, Winderley Morais Pereira e Carlos Alberto Nascimento e Silva.
Nome do relator: DANIEL MARIZ GUDINO
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ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Período de apuração: 14/09/2001 a 06/12/2001 INTEMPESTIVIDADE RECURSAL. PRECLUSÃO CONSUMATIVA. De acordo com o art. 33 do Decreto nº 70.235/72, o prazo para a interposição de recurso voluntário é de 30 (trinta) dias a contar da intimação da decisão da instância inaugural. Ultrapassado o prazo, o recurso não pode ser conhecido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. (ASSINADO DIGITALMENTE) JOEL MIYAZAKI Presidente. (ASSINADO DIGITALMENTE) DANIEL MARIZ GUDIÑO Relator. EDITADO EM: 10/11/2014 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Joel Miyazaki, Ana Clarissa Masuko Araújo, Luciano Lopes de Almeida Moraes, Daniel Mariz Gudiño, Winderley Morais Pereira e Carlos Alberto Nascimento e Silva. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 90 7. 00 06 51 /2 00 2- 10 Fl. 169DF CARF MF Impresso em 04/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/11/2014 por DANIEL MARIZ GUDINO, Assinado digitalmente em 18/11/2014 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 10/11/2014 por DANIEL MARIZ GUDINO 2 Trata o presente processo do Auto de Infração de fls. 0108, por meio do qual foi formalizada a exigência de crédito tributário no valor de R$ 176.005,91, a titulo de Imposto de Importação, acrescido de juros de mora. O presente lançamento foi efetuado em razão de a interessada não haver recolhido integralmente os tributos referentes A importação das mercadorias de que tratam as DI relacionadas às fls. 0708, tendo em vista medida liminar concedida nos autos do processo n.° 2001.70.08.0020283, conforme relato de fls. 07. Cientificada dessa exigência, a interessada apresentou a impugnação de fls. 4857, argumentando em síntese que: a) a exigibilidade do crédito tributário encontrase suspensa por decisão judicial proferida em mandado de segurança, restando claro a improcedência da presente autuação; b) diante da inexistência da obrigação tributária principal, não ha que se falar a existência de seus consectários, tais como a multa de mora; c) é incabível a imposição de juros de mora, tendo em vista a ausência dos requisitos da antijuridicidade e da culpabilidade, conforme entendimento extraído de jurisprudência do Egrégio Segundo Conselho de Contribuintes (fl. 56); Nestes termos, requereu a declaração da improcedência do presente lançamento. A contribuinte juntou aos autos cópia da petição inicial e da decisão judicial de primeira instância que lhe concedeu a segurança (fls. 6873). O processo foi distribuído e sorteado a este Conselheiro, seguindo o rito regimental. É o relatório. Voto Conselheiro Daniel Mariz Gudiño A Recorrente foi intimada da decisão da instância a quo em 13/10/2009 (terçafeira) e interpôs seu recurso em 13/11/2009 (sextafeira), conforme efls. 149 e 151. O prazo para a interposição do recurso voluntário é de 30 (trinta) dias a contar da data da intimação, excluindose da contagem o dia da intimação, nos termos dos arts. 5º e 33 do Decreto nº 70.235, de 1972. Confirase: Art. 5º Os prazos serão contínuos, excluindose na sua contagem o dia do início e incluindose o do vencimento. Parágrafo único. Os prazos só se iniciam ou vencem no dia de expediente normal no órgão em que corra o processo ou deva ser praticado o ato. [...] Fl. 170DF CARF MF Impresso em 04/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/11/2014 por DANIEL MARIZ GUDINO, Assinado digitalmente em 18/11/2014 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 10/11/2014 por DANIEL MARIZ GUDINO Processo nº 10907.000651/200210 Acórdão n.º 3201001.730 S3C2T1 Fl. 170 3 Art. 33. Da decisão caberá recurso voluntário, total ou parcial, com efeito suspensivo, dentro dos trinta dias seguintes à ciência da decisão. Cotejando a situação fática e o comando legal, verificase que a Recorrente excedeu o prazo para a interposição do recurso voluntário, uma vez que o fez no 31º (trigésimo primeiro) dia após o recebimento da intimação. Diante do exposto, NÃO CONHEÇO o recurso voluntário, mantendo o crédito tributário integralmente. (ASSINADO DIGITALMENTE) Daniel Mariz Gudiño Relator Fl. 171DF CARF MF Impresso em 04/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/11/2014 por DANIEL MARIZ GUDINO, Assinado digitalmente em 18/11/2014 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 10/11/2014 por DANIEL MARIZ GUDINO
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