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Numero do processo: 10935.009135/2008-17
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu May 05 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Fri May 06 00:00:00 UTC 2011
Ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI
Exercício: 2008
ISENÇÃO IPI. DEFICIENTE FÍSICO. OSTOMIA. A verificação da
existência de deficiência física, para fins de reconhecimento da isenção de
que trata a Lei n° 8.989/95 (e alterações posteriores) depende dos conceitos
previstos no Decreto n° 3.298/99, conforme disposição expressa no art. 2°, §
1°, inciso I, da Instrução Normativa SRF n° 607/2006, que regulamenta a
isenção em tela.
LAUDO MÉDICO. SUFICIÊNCIA DE PROVAS.
Havendo laudo médico constatando a existência de uma das condições que o
Decreto nº 3.298/99 define como “deficiência física” descabe qualquer
avaliação, por parte da autoridade fiscal, quanto à existência da deficiência.
Aliás, o auditor é incompetente tecnicamente para proceder à avaliação
médica do contribuinte. Pelo princípio da legalidade é de se respeitar o que
determina a norma legal a que a administração tributária está adstrita. É de se
deferir o pedido de isenção quando o laudo médico atesta a presença de
deficiência prevista nas normas pertinentes.
Numero da decisão: 3302-000.987
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar
provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da Relatora
Nome do relator: FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS
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DEFICIENTE FÍSICO. OSTOMIA. A verificação da existência de deficiência física, para fins de reconhecimento da isenção de que trata a Lei n° 8.989/95 (e alterações posteriores) depende dos conceitos previstos no Decreto n° 3.298/99, conforme disposição expressa no art. 2°, § 1°, inciso I, da Instrução Normativa SRF n° 607/2006, que regulamenta a isenção em tela. LAUDO MÉDICO. SUFICIÊNCIA DE PROVAS. Havendo laudo médico constatando a existência de uma das condições que o Decreto nº 3.298/99 define como “deficiência física” descabe qualquer avaliação, por parte da autoridade fiscal, quanto à existência da deficiência. Aliás, o auditor é incompetente tecnicamente para proceder à avaliação médica do contribuinte. Pelo princípio da legalidade é de se respeitar o que determina a norma legal a que a administração tributária está adstrita. É de se deferir o pedido de isenção quando o laudo médico atesta a presença de deficiência prevista nas normas pertinentes. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da Relatora Fl. 74DF CARF MF Emitido em 08/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 20/08/2011 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Assinado digitalmente em 03/1 2/2011 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 20/08/2011 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS 2 (assinado digitalmente) Walber José da Silva Presidente (assinado digitalmente) Fabiola Cassiano Keramidas Relatora EDITADO EM: 01/08/2011 Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Walber José da Silva (Presidente), José Antonio Francisco, Alan Fialho Gandra, Fabiola Cassiano Keramidas (Relatora), Alexandre Gomes e Gileno Gurjão Barreto. Relatório Tratase de Pedido de Isenção de IPI na aquisição de automóvel de passageiro, para deficiente físico, nos termos facultado pela Lei nº 8.989/95 (fls. 01). A Delegacia da Receita Federal do Brasil em Cascavel indeferiu o pedido (fls. 45/47) por entender que o laudo médico emitido (fls. 04/05) apesar de indicar que a Recorrente é portadora de doença grave (ostomia), não confirmaria se é portadora de deficiência física que lhe legitime o aproveitamento do benefício fiscal. Diante da negativa a Recorrente apresentou sua Manifestação de Inconformidade (fls. 49/50), alegando, em síntese, que o indeferimento de seu pleito baseiase em fundamento equivocado, pois “a ostomia descrita no laudo médico é considerada deficiência física”, nos termos do disposto no artigo 4º do Decreto nº 3.298/99 (alterado pelo Decreto nº 5.296/04). A DRJ, ao promover a análise da Manifestação de Inconformidade julgou ser improcedente o pedido da Requerente (fls. 52/59), por fundamento semelhante àquele adotado para indeferir o pedido inicial. A decisão restou assim fundamentada, verbis: “Das referidas descrições não restou atestado o comprometimento da função física de qualquer membro da interessada, e, considerando as reservas interpretativas que a espécie impõe, concluo que, em que pese o seu sério problema de saúde, não é possível caracterizar a deficiência do interessado como passível do reconhecimento da Isenção do IPI. Isto porque a descrição não permite concluir que a COLOSTOMIA nela realizada tenha causado "alteração completa ou parcial de um ou mais segmentos do corpo humano, acarretando o comprometimento da função física", requisito essencial para a fruição do beneficio da isenção nos casos de deficiência física.” Fl. 75DF CARF MF Emitido em 08/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 20/08/2011 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Assinado digitalmente em 03/1 2/2011 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 20/08/2011 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS Processo nº 10935.009135/200817 Acórdão n.º 330200.987 S3C3T2 Fl. 2 3 Cientificada da decisão proferida a Recorrente apresentou seu Recurso Voluntário (fls. 61/70), alegando, em síntese que a deficiência física que possui assim se classifica em razão do conceito de deficiência física estabelecido pelo Decreto nº 3.298/99. Ademais, alega que referido Decreto que é justamente o diploma a que a Receita Federal, em sua página eletrônica, indica ser a norma que define “deficiência física” para fins de fruição do benefício de IPI ora pleiteado. Traz ainda jurisprudência que confirma seu entendimento. Reforça seus argumentos destacando parte do laudo juntado aos autos para concluir que sua deficiência acarretou a perda da função fisiológica, referente ao sistema excretor. Vieramme, então, os autos para decidir. É o relatório. Voto Conselheira FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Relator Tratase de Recurso Voluntário apresentado tempestivamente, com cumprimento dos requisitos de admissibilidade, razão pela qual, dele conheço. A questão central ora sob análise versa sobre a discussão se a ostomia – deficiência comprovadamente sofrida pela Recorrente – é suficiente para justificar a concessão da isenção de IPI pleiteada, com base na Lei nº 8.989/95. Referida Lei estabelece a isenção do IPI nos seguintes termos: “Art. 1º: Ficam isentos do Imposto Sobre Produtos Industrializados – IPI os automóveis de passageiros de fabricação nacional, equipados com motor de cilindrada não superior a dois mil centímetros cúbicos, de no mínimo quatro portas inclusive a de acesso ao bagageiro, movidos a combustíveis de origem renovável ou sistema reversível de combustão, quando adquiridos por: (...) IV – pessoas portadoras de deficiência física, visual, mental severa ou profunda, ou autistas, diretamente ou por intermédio de seu representante legal; (...) §1º Para a concessão do benefício previsto no art. 1º é considerada também pessoa portadora de deficiência física aquela que apresenta alteração completa ou parcial de um ou mais segmentos do corpo humano, acarretando o comprometimento da função física, apresentandose sob a forma de paraplegia, paraparesia, monoplegia, monoparesia, tetraplegia, tetraparesia, triplegia, triparesia, hemiplegia, hemiparesia, amputação ou ausência de membro, paralisia Fl. 76DF CARF MF Emitido em 08/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 20/08/2011 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Assinado digitalmente em 03/1 2/2011 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 20/08/2011 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS 4 cerebral, membros com deformidade congênita ou adquirida, exceto as deformidades estéticas e as que não produzam dificuldades para o desempenho de funções.” (destacamos) Notase que referido dispositivo concede o benefício para pessoas portadoras de deficiência física e, em seu parágrafo primeiro, menciona alguns casos de deficiência, como exemplos que dão direito à isenção. Constatase que se trata de alguns exemplos de deficiência porque o parágrafo primeiro – que os enumera – referese expressamente no sentido de que serão considerados portadores de deficiência também aqueles casos ali mencionados. A definição legal de deficiência física, por sua vez, foi estabelecida pelo Decreto nº 3.298/99, que trata da Política Nacional para Integração da Pessoa Portadora de Deficiência. Referida norma é citada pela Instrução Normativa nº 988/09, que disciplina justamente a isenção de IPI ora sob análise, verbis: “Art. 2º As pessoas portadoras de deficiência física, visual, mental severa ou profunda, ou autistas, ainda que menores de 18 (dezoito) anos, poderão adquirir, diretamente ou por intermédio de seu representante legal, com isenção do IPI, automóvel de passageiros ou veículo de uso misto, de fabricação nacional, classificado na posição 87.03 da Tabela de Incidência do Imposto sobre Produtos Industrializados (Tipi). § 1º Para a verificação da condição de pessoa portadora de deficiência física e visual, deverá ser observado: I no caso de deficiência física, o disposto no art. 1º da Lei nº 8.989, de 1995, com a redação dada pela Lei nº 10.690, de 16 de junho de 2003, e no Decreto nº 3.298, de 20 de dezembro de 1999, com suas alterações posteriores; e (...)” (destacamos) Dos dispositivos em destaque constatase que, para verificação da condição de deficiente físico que faz jus ao benefício de IPI pleiteado pela Requerente, devem ser observadas as disposições contidas no citado Decreto nº 3.298/99. A respeito da verificação da condição de deficiente físico, assim dispõe referido Decreto, verbis: “Art. 3º. Para os efeitos deste Decreto, considerase: I deficiência – toda perda ou anormalidade de uma estrutura ou função psicológica, fisiológica ou anatômica que gere incapacidade para o desempenho de atividade, dentro do padrão considerado normal para o ser humano. (...) Art. 4º. É considerada pessoa portadora de deficiência a que se enquadra nas seguintes categorias: (...) I deficiência física alteração completa ou parcial de um ou mais segmentos do corpo humano, acarretando o comprometimento da função física, apresentandose sob a forma de paraplegia, paraparesia, monoplegia, monoparesia, Fl. 77DF CARF MF Emitido em 08/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 20/08/2011 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Assinado digitalmente em 03/1 2/2011 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 20/08/2011 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS Processo nº 10935.009135/200817 Acórdão n.º 330200.987 S3C3T2 Fl. 3 5 tetraplegia, tetraparesia, triplegia, triparesia, hemiplegia, hemiparesia, ostomia, amputação ou ausência de membro, paralisia cerebral, nanismo, membros com deformidade congênita ou adquirida, exceto as deformidades estéticas e as que não produzam dificuldades para o desempenho de funções.” (destaquei) Dos dispositivos legais em destaque concluise que: a) A legislação tributária confere direito à isenção aos portadores de deficiência física, assim considerados aqueles definidos pelo Decreto nº 3.298/99; b) Referido Decreto estabelece que será considerada deficiência não apenas a perda total de uma estrutura fisiológica, mas também a perda ou anormalidade na função fisiológica que gere incapacidade para o desempenho considerado “normal” para o ser humano; c) Ademais, o Decreto º 3.298/99 estabelece expressamente que será considerada portadora de deficiência física a pessoa portadora de alteração completa ou parcial de um segmento do corpo humano, apresentada, inclusive e em especial, na forma de ostomia; d) Ostomia é justamente a condição apresentada pela Requerente, conforme laudo médico, condição esta que não é questionada pela autoridade fiscal em nenhum momento deste processo. Do exposto é possível constatar que as alegações da DRJ no sentido de que “não é possível caracterizar a deficiência do interessado como passível do reconhecimento da Isenção do IPI” são totalmente descabidas. Isto porque, independentemente de a DRJ ter entendido que tal deficiência não teria causado "alteração completa ou parcial de um ou mais segmentos do corpo humano, acarretando o comprometimento da função física", é evidente que tal alteração ocorre sim nos casos de ostomia. Aliás, é justamente (e expressamente) o que estabelece o citado Decreto nº 3.298/99, que é a norma utilizada pela Receita Federal para definir o que é e quais são as deficiências físicas que dão ensejo ao aproveitamento do beneficio fiscal sob análise. Assim, a norma definidora de deficiência física reconhece que a ostomia é uma delas. Reconhece, ainda, que a ostomia gera o comprometimento de estrutura fisiológica, impedindo seu funcionamento normal. Logo, não poderia a DRJ questionar o que está expressamente estabelecido nas normas que regem a concessão da isenção em tela. Ao proceder desta forma, negando o pleito da Recorrente, a autoridade julgadora ofendeu o princípio da legalidade tributária, na medida em que deixou de cumprir o que determinam as normas regulamentadoras do benefício fiscal em tela, mormente quanto à conceituação legal de deficiência física suficiente à concessão da isenção de IPI pleiteada (ao Fl. 78DF CARF MF Emitido em 08/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 20/08/2011 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Assinado digitalmente em 03/1 2/2011 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 20/08/2011 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS 6 desrespeitar o conceito de deficiência física trazido pelo Decreto nº 3.298/99, o qual a IN 988/09 estabeleceu que deveria ser respeitado, para concessão da isenção). Este posicionamento, inclusive, não é o que vem sendo adotado pelas DRJ’s, que têm reconhecido o direito à isenção aos portadores de ostomia, como se depreende de decisões recentes: “Decisão 1018468 Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Porto Alegre 1ª Turma Imposto sobre Produtos Industrializados IPI ISENÇÃO DE IPI NA AQUISIÇÃO DE AUTOMÓVEL POR DEFICIENTE FÍSICO. DESCABIMENTO. DEFICIÊNCIA FORMAL DO LAUDO DE AVALIAÇÃO. 1. Somente dão direito à outorga da isenção de IPI na aquisição de automóvel por deficiente físico as seguintes condições: paraplegia, paraparesia, monoplegia, monoparesia, tetraplegia, tetraparesia, triplegia, triparesia, hemiplegia, hemiparesia, ostomia, amputação ou ausência de membro, paralisia cerebral, nanismo, membros com deformidade congênita ou adquirida, exceto as deformidades estéticas e as que não produzam dificuldades para o desempenho de funções (art. 1º, § 1º, da Lei 8.989/95, alterada pela Lei 10.690/2003 e art. 4º do Decreto no 3.298/99). 2. São passíveis de usufruir o benefício fiscal, ainda, as pessoas portadoras de (a) deficiência visual, (b) deficiência mental severa ou profunda e (c) autistas (art. 1º, IV, da Lei 8.989/95, alterada pela Lei 10.690/2003). 3. Trombofilia com múltiplos episódios de trombose venosa profunda e insuficiência venosa crônica por síndrome póstrombótica, consubstanciada em edema, anormalidades tróficas e impotência funcional não permite o deferimento da isenção pleiteada. Anocalendário: 01/01/2008 a 31/12/2008 Publicado no DOU em: 20/02/2009” (destacamos) Também é esta a posição deste Conselho, verbis: “ISENÇÃO IPI. DEFICIENTE FÍSICO. A isenção de que trata a Lei n° 8.989/95 e alterações posteriores restringese às hipóteses citadas em seu art,. 1°, bem como àquelas previstas no Decreto n° 3298/99, conforme interpretação expressa no art. 2°, § 1°, inciso I, da Instrução Normativa SRF n° 607/2006. É de se indeferir o pedido quando o laudo médico não atesta a presença de deficiência prevista nas normas pertinentes.“ (Recurso Voluntário n° 240.351, Acórdão n° 340100.628, 3ª Seção, 4° Câmara da 1ª Turma Ordinária , Data de decisão: 17/03/2010) Pelo exposto, DOU PROVIMENTO ao Recurso Voluntário, para determinar seja reconhecida a isenção de IPI pleiteada. É como voto. Fl. 79DF CARF MF Emitido em 08/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 20/08/2011 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Assinado digitalmente em 03/1 2/2011 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 20/08/2011 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS Processo nº 10935.009135/200817 Acórdão n.º 330200.987 S3C3T2 Fl. 4 7 (assinado digitalmente) FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS Fl. 80DF CARF MF Emitido em 08/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 20/08/2011 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Assinado digitalmente em 03/1 2/2011 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 20/08/2011 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS
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Numero do processo: 11020.003148/2004-16
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jul 06 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Thu Jul 07 00:00:00 UTC 2011
Ementa: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE
SOCIAL COFINS
Período de apuração: 01/02/1999 a 31/05/2004
INCONSTITUCIONALIDADE. DECISÃO DEFINITIVA DO STF. APLICAÇÃO.
Tendo o plenário do STF declarado, de forma definitiva, a
inconstitucionalidade do § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98, deve o CARF aplicar esta decisão para afastar a exigência da Cofins sobre as receitas que não representam venda de mercadoria ou de serviço.
COOPERATIVAS. BASE DE CALCULO. EXCLUSÕES.
As exclusões da base de cálculo da Cofins, permitidas pela legislação, devem estar registradas na contabilidade de forma individualizadas e segregadas por operações que representam atos cooperados e atos não cooperados.
Recurso Voluntário Provido em Parte
Numero da decisão: 3302-001.093
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar
provimento parcial ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator. Fez sustentação oral, pela recorrente, o Dr. Laércio Márcio Laner, OAB/RS 46244.
Nome do relator: WALBER JOSE DA SILVA
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DECISÃO DEFINITIVA DO STF. APLICAÇÃO. Tendo o plenário do STF declarado, de forma definitiva, a inconstitucionalidade do § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98, deve o CARF aplicar esta decisão para afastar a exigência da Cofins sobre as receitas que não representam venda de mercadoria ou de serviço. COOPERATIVAS. BASE DE CALCULO. EXCLUSÕES. As exclusões da base de cálculo da Cofins, permitidas pela legislação, devem estar registradas na contabilidade de forma individualizadas e segregadas por operações que representam atos cooperados e atos não cooperados. Recurso Voluntário Provido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator. Fez sustentação oral, pela recorrente, o Dr. Laércio Márcio Laner, OAB/RS 46244. WALBER JOSÉ DA SILVA Presidente e Relator. EDITADO EM: 11/07/2011 Fl. 1DF CARF MF Emitido em 13/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 11/07/2011 por WALBER JOSE DA SILVA Assinado digitalmente em 11/07/2011 por WALBER JOSE DA SILVA 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Walber José da Silva, José Antonio Francisco, Fabiola Cassiano Keramidas, Alan Fialho Gandra, Alexandre Gomes e Gileno Gurjão Barreto. Relatório Contra a COOPERATIVA VINÍCOLA GARIBALDI LTDA foi lavrado auto de infração para exigir o pagamento de Cofins relativa a fatos geradores ocorridos entre 02/1999 e 05/2004, tendo em vista que a Fiscalização constatou que a interessada não pagou ou não declarou em DCTF ou pagou ou declarou a menor a Cofins, conforme apuração feita com base na escrituração fiscal/contábil. Tempestivamente, a contribuinte insurgese contra a exigência fiscal, conforme impugnação às fls. 58/66, cujos argumentos de defesa estão sintetizados no relatório do acórdão recorrido, que leio em sessão. A DRJ em Porto Alegre RS manteve o lançamento, nos termos do Acórdão no 1015.180, de 14/02/2008 – fls. 105/106. Ciente da decisão de primeira instância em 24/03/2008 (AR de fl. 111), a cooperativa autuada interpôs recurso voluntário em 04/04/2008, no qual alega, em apertada síntese, que: 1 não ocorreu o fato gerador da Cofins e não é pessoa jurídica contribuinte da exação. Não tem receita própria. Aplicase ao caso a Lei no 5.764/71. Cita doutrina; 2 a receita da prestação de serviços sobre produtos entregues por não associados está sujeito à tributação da Cofins; 3 existem graves e insanáveis inconstitucionalidade na Medida Provisórias nº 1.8586/99 e suas alterações até setembro de 1999. Afronta aos arts. 246 e 146, III, c, da CF/88; 4 as disposições das Medida Provisória nº 1.8589/99 e 201/2002 foram aplicadas pela Fiscalização sem observância do prazo nonagesimal; 5 a Fiscalização não apresentou demonstrativo de apuração da base de cálculo da Cofins com a identificação das exclusões permitidas pelas Medida Provisória nº 1.8589/99 e 201/2002 (arts. 15 e 1º, respectivamente) e pela IN SRF nº 247/2002. Se o tivesse feito não teria apurado base de cálculo alguma; 6 no lançamento foi incluído nas bases de cálculo da Cofins receitas financeiras, sem que se perquirisse a natureza das mesmas, sendo improcedente o lançamento nesta parte. Na forma regimental, o recurso voluntário foi distribuído a este Conselheiro Relator. Na sessão do dia 06/06/2009 este CARF converteu o julgamento em diligência à DRF de origem, nos termos da Resolução nº 330200.003, para as seguintes providências: Fl. 2DF CARF MF Emitido em 13/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 11/07/2011 por WALBER JOSE DA SILVA Assinado digitalmente em 11/07/2011 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 11020.003148/200416 Acórdão n.º 330201.093 S3C3T2 Fl. 420 3 1 completar o demonstrativo de fls. 21/22 para incluir, uma a uma, mês a mês, o valor das exclusões permitidas legalmente na base de cálculo da Cofins da recorrente; 2 opinar sobre a eventual redução da base de cálculo, e da Cofins devida, e prestar as informações e os esclarecimentos que julgar importantes para o julgamento do recurso voluntário; 3 dar ciência à recorrente do demonstrativo acima, das demais conclusões da diligência e desta Resolução, abrindolhe prazo para, querendo, manifestarse; 4 expirado o prazo para manifestação da recorrente, acima referido, devolver o processo a este CARF. Intimada e reintimada a recorrente para comprovar que as exclusões alegadas tinham registro em separado na contabilidade que demonstram a sua natureza, conforme determina a Resolução CFC nº 920/2001, não atendeu a intimação plenamente, tendo apresentado justificativas para as exclusões pretendidas. As explicações da recorrente ou não tinham registros contábeis em separado ou não se constituíam em parcelas dedutíveis da base de cálculo da Cofins, conforme INFORMAÇÃO FISCAL de fls. 366/387. Ciente da referida informação fiscal, a recorrente manifestase às fls. 393/403 para descrever as características especiais das cooperativas para concluir que o valor repassados aos associados é o valor da matériaprima e que a receita de industrialização do produto entregue pelo associado é igual ao custo dos produtos vendidos, excluída a matéria prima. Defende, ainda, que o critério (princípio contábil da competência) utilizado é o mais justo e uniforme ao excluir o repasse e a receita de industrialização da produção do associado exatamente no período em que elas se realizam, quando da realização da receita de venda e do seu respectivo custo do produto vendido. Sobre a contabilização em separado do valor da uva recebida de associados e de não associados, afirma a recorrente que o critério de rateio adotado (que define para as vendas futuras o percentual de ato cooperativo ou não cooperativo, aplicandoo linearmente até que nova safra seja recebida) é uma metodologia aceita pela RFB e pela legislação instituidora das contribuições aludidas, pois o próprio § 8° do artigo 3° das Leis 10.637 de 2002 e 10.833 de 2003, além do §3° do artigo 6° da mesma Lei 10.833/03, aplica forma semelhante para separar cumulatividade e nãocumulatividade. É o relatório do essencial. Voto Conselheiro Walber José da Silva, relator. O presente recurso voluntário foi submetido a julgamento pelo CARF na sessão do dia 06/07/2009, da 2TO/3C/3SJ, conforme resolução de fls. 147/149. Fl. 3DF CARF MF Emitido em 13/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 11/07/2011 por WALBER JOSE DA SILVA Assinado digitalmente em 11/07/2011 por WALBER JOSE DA SILVA 4 O processo retornou à repartição de origem para, especialmente, a Fiscalização incluir, uma a uma, mês a mês, o valor das exclusões permitidas legalmente na base de cálculo da Cofins que a recorrente alegara não ter sido considerado quando da autuação. Esclareçase que os valores relativos a “repasses” e “sobras” foram excluído da base de cálculo da exação quando da lavratura do auto de infração. Portanto, quando a estas parcelas não há litígio. Intimada a demonstrar, acompanhado dos respectivos lançamentos contábeis, as exclusões pretendidas no recurso voluntário, a recorrente não logrou atender integralmente a solicitação da Fiscalização, especialmente quanto aos registros contábeis comprobatórios das exclusões alegadas, conforme se pode extrair das conclusões da INFORMAÇÃO FISCAL de fls. 374/395, verbis:. As exclusões legalmente permitidas, a que o contribuinte faz jus, estão devidamente identificadas no demonstrativo de fls 21/22 (repasses e sobras). Quanto às demais exclusões pleiteadas pelo contribuinte, neste aspecto não lhe assiste razão, seja por não ter capacidade técnica (entendase registros contábeis segregados) para demonstrar seu efetivo valor, pretendendo utilizarse de critérios de rateio escolhidos a seu bel prazer, e não contemplados pela legislação, e ainda assim, sem a devida comprovação dos parâmetros de rateio utilizados, seja ainda por incluir nestas pretendidas exclusões, valores cuja natureza não encontra previsão legal fim (exclusão da base de cálculo do PIS e COFINS das cooperativas). Tais conclusões encontramse amplamente dissecadas nos tópicos anteriores. [...] Não foi verificada, por este diligenciante, qualquer redução a ser feita na base cálculo obtida pela fiscalização. Destaquese, outrossim, que se verificou que o contribuinte, embora extremamente prolixo em desfilar suas teses (notese que seu recurso voluntário tem mais de 30 páginas), quando chamado a demonstrar os valores de exclusões a que julga ter direito, é extremamente econômico e confuso em suas declarações. Teve de ser intimado e reintimado para que finalmente apontasse as contas contábeis que registram as exclusões pretendidas. Além disso não o fez de forma completa, informando apenas as grandes contas (sintéticas), omitindo, por exemplo, a explicação de que os valores por ele identificados como Repasses aos associados eram obtidos quantificandose os aportes, na conta por ele identificada, advindos da conta 11030100068 MATERIA PRIMA, conclusão esta obtida pela fiscalização após longo estudo da contabilidade apresentada. Também NÃO identificou as contas contábeis que registram segregadamente, ou se for o caso, o critério de rateio pelo qual foram obtidas as exclusões (coluna 100,000% dos demonstrativos apresentados) dos itens identificados pelo contribuinte como (i) Custo de mercadorias Varejo — Grupo Custo Mercadorias Vendidas e (ii) Custo dos produtos vendidos (Refrigerante) Grupo Custo Mercadorias Vendidas. Dessa forma, não sabemos se tais valores têm origem em uma conta Fl. 4DF CARF MF Emitido em 13/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 11/07/2011 por WALBER JOSE DA SILVA Assinado digitalmente em 11/07/2011 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 11020.003148/200416 Acórdão n.º 330201.093 S3C3T2 Fl. 421 5 contábil especifica, ou se foram obtidos mediante algum critério de rateio (talvez tenham sido obtidos em razão da receita com refrigerantes e com varejo??). Lembrese que o contribuinte foi intimado e reintimado a respeito. Por fim, para demonstrar a falta de cuidado e seriedade do contribuinte para com os valores envolvidos, além dos erros apontados em suas planilhas, reiterase o fato de o mesmo pretender transfigurar o conceito legal de "valores repassados aos associados, decorrentes da comercialização de produto por eles entregue à cooperativa (art 15, inciso I, da MP 1.858/7 de 99 e art 33, inciso I da IN 247/02), em valores de produtos entregues pelos associados .5 cooperativa, decorrentes do ato cooperativo por eles empreendido (redação minha). Nas respostas à Fiscalização, a recorrente defende que o valor repassado aos associados é o valor da matériaprima e que a receita de industrialização do produto entregue pelo associado é igual ao custo dos produtos vendidos, excluída a matériaprima. Conforme bem disse a autoridade diligente, não existe nenhum fundamento legal para a pretensão da recorrente. Em primeiro lugar, a recorrente não faz escrituração em separado do valor da uva recebida de associado e o valor da compra de uva de não associados. Em segundo lugar, como ficou provado na diligência, a matériaprima utilizada na fabricação dos produtos vendidos não é unicamente uva; Em terceiro, nos custos dos produtos vendidos estão incluídos custos que não são de venda e que também não há escrituração contábil em separado, sendo que o critério de rateio adotado pela recorrente fere de morte os princípios contábeis, especialmente a Resolução CFC nº 920/2001; Em quarto lugar, nos “repasses” aos associados, excluídos da base de cálculo da Cofins, pode conter tanto valor relativo a aquisição de uva como de comercialização dos produtos. Também é absolutamente improcedente o argumento da recorrente de que a RFB aceita o critério por ela dotado para separar o ato cooperativo do ato não cooperativo, qual seja: um percentual estabelecido pela recorrente que servirá para todo o ano. Como bem disse a autoridade diligente, na fixação de tal percentual não foi utilizado dados registrados na contabilidade da recorrente. Quanto à multa de ofício aplicada, a mesma obedeceu aos estritos termos do dispositivo legal consignado no auto de infração, nada havendo a reformar. Por último, é incontroverso que na base de cálculo da exação foi incluída, pela Fiscalização, as receitas financeiras e outras receitas operacionais (fls. 21/22). E o fez com base, dentre outros, no art. 3º da Lei nº 9.718/98, exceto para o período de apuração de maio de 2004, que foi apurado pela modalidade não cumulativa. Em 09/11/2005, o Plenário do Supremo Tribunal Federal, ao julgar os Recursos Extraordinários nos 357.950, 390.480 e 358.273 (Diário da Justiça da União de 15/08/2006), declarou, incidentalmente e por maioria, a inconstitucionalidade do § 1º do art. 3º da Lei no 9.718/98. Fl. 5DF CARF MF Emitido em 13/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 11/07/2011 por WALBER JOSE DA SILVA Assinado digitalmente em 11/07/2011 por WALBER JOSE DA SILVA 6 Por seu turno, o Regimento Interno do CARF (Portaria MF nº 256/2009), em seu art. 62, Parágrafo Único, inciso I1, autoriza expressamente a este Colegiado afastar a aplicação de tratado, acordo internacional, lei ou decreto “que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão plenária definitiva do Supremo Tribunal Federal”. No caso concreto, não há outra solução a não ser cumprir a determinação regimental e excluir as demais receitas (receitas financeiras e receitas operacionais) da base de cálculo da contribuição apurada pela Fiscalização, reduzindo o valor da Cofins lançada. No mais, com fulcro no art. 50, § 1o, da Lei no 9.784/19992, adoto e ratifico os fundamentos do acórdão de primeira instância. Por tais razões, voto no sentido de dar provimento parcial ao recurso voluntário para excluir da base de cálculo da Cofins o valor das demais receitas (receitas financeiras e outras receitas operacionais), exceto para o período de apuração de 05/2004 (não cumulativo). (assinado digitalmente) Walber José da Silva 1 Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. Parágrafo único. O disposto no caput não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: I que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão plenária definitiva do Supremo Tribunal Federal; 2 Art. 50. Os atos administrativos deverão ser motivados, com indicação dos fatos e dos fundamentos jurídicos, quando: [. . .] § 1o A motivação deve ser explícita, clara e congruente, podendo consistir em declaração de concordância com fundamentos de anteriores pareceres, informações, decisões ou propostas, que, neste caso, serão parte integrante do ato. Fl. 6DF CARF MF Emitido em 13/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 11/07/2011 por WALBER JOSE DA SILVA Assinado digitalmente em 11/07/2011 por WALBER JOSE DA SILVA
score : 1.0
Numero do processo: 19515.001093/2008-83
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Fri Jul 29 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Fri Jul 29 00:00:00 UTC 2011
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF
Exercício: 2003, 2004, 2005
DECADÊNCIA. LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. AUSÊNCIA DE PAGAMENTO.
O imposto sobre a renda pessoa física é tributo sob a modalidade de lançamento por homologação, sendo certo que na ausência de pagamento antecipado, o prazo decadencial encerra-se depois de transcorridos cinco anos, contados do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado.
OMISSÃO DE RENDIMENTOS. LANÇAMENTO COM BASE EM DEPÓSITOS BANCÁRIOS.
Para os fatos geradores ocorridos a partir de 1º de janeiro de 1997, o art. 42 da Lei nº 9.430, de 1996, autoriza a presunção legal de omissão de rendimentos com base em depósitos bancários de origem não comprovada pelo sujeito passivo.
ÔNUS DA PROVA.
Se o ônus da prova, por presunção legal, é do contribuinte, cabe a ele a prova da origem dos recursos utilizados para acobertar seus depósitos bancários.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 2102-001.435
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, NEGAR
provimento ao recurso.
Matéria: IRPF- ação fiscal - Dep.Bancario de origem não justificada
Nome do relator: NUBIA MATOS MOURA
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ementa_s : IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2003, 2004, 2005 DECADÊNCIA. LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. AUSÊNCIA DE PAGAMENTO. O imposto sobre a renda pessoa física é tributo sob a modalidade de lançamento por homologação, sendo certo que na ausência de pagamento antecipado, o prazo decadencial encerra-se depois de transcorridos cinco anos, contados do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. LANÇAMENTO COM BASE EM DEPÓSITOS BANCÁRIOS. Para os fatos geradores ocorridos a partir de 1º de janeiro de 1997, o art. 42 da Lei nº 9.430, de 1996, autoriza a presunção legal de omissão de rendimentos com base em depósitos bancários de origem não comprovada pelo sujeito passivo. ÔNUS DA PROVA. Se o ônus da prova, por presunção legal, é do contribuinte, cabe a ele a prova da origem dos recursos utilizados para acobertar seus depósitos bancários. Recurso Voluntário Negado.
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LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. AUSÊNCIA DE PAGAMENTO. O imposto sobre a renda pessoa física é tributo sob a modalidade de lançamento por homologação, sendo certo que na ausência de pagamento antecipado, o prazo decadencial encerrase depois de transcorridos cinco anos, contados do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. LANÇAMENTO COM BASE EM DEPÓSITOS BANCÁRIOS. Para os fatos geradores ocorridos a partir de 1º de janeiro de 1997, o art. 42 da Lei nº 9.430, de 1996, autoriza a presunção legal de omissão de rendimentos com base em depósitos bancários de origem não comprovada pelo sujeito passivo. ÔNUS DA PROVA. Se o ônus da prova, por presunção legal, é do contribuinte, cabe a ele a prova da origem dos recursos utilizados para acobertar seus depósitos bancários. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, NEGAR provimento ao recurso. Assinado digitalmente Giovanni Christian Nunes Campos – Presidente Fl. 1DF CARF MF Emitido em 20/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 17/08/2011 por NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 17/08/2011 po r NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 17/08/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPO Processo nº 19515.001093/200883 Acórdão n.º 210201.435 S2C1T2 Fl. 372 2 Assinado digitalmente Núbia Matos Moura – Relatora EDITADO EM: 17/08/2011 Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Atilio Pitarelli, Carlos André Rodrigues Pereira Lima, Giovanni Christian Nunes Campos, Núbia Matos Moura e Rubens Maurício Carvalho. Ausente justificadamente a Conselheira Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti. Relatório Contra NESI CURI foi lavrado Auto de Infração, fls. 274/282, para formalização de exigência de Imposto sobre a Renda de Pessoa Física (IRPF), relativa aos anoscalendário 2002 a 2004, exercícios 2003 a 2005, no valor total de R$ 497.547,85, incluindo multa de ofício e juros de mora, estes últimos calculados até 29/02/2008. A infração apurada pela autoridade fiscal, detalhada no Auto de Infração e no Termo de Verificação Fiscal, fls. 270/273, foi omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários com origem não comprovada. Inconformado com a exigência, o contribuinte apresentou impugnação, fls. 287/312, que se encontra assim resumida no Acórdão DRJ/SPOII nº 1731.103, de 15/04/2009, fls. 315/328: 1. O procedimento fiscal foi encaminhado por meio do correio e, conforme aviso de recebimento, teve início em 1° de agosto de 2007. Tendo por norte a prescrição qüinqüenal, estão prescritos os lançamentos referentes aos meses de janeiro de 2002 a julho de 2002. 2. A presunção legal estabelecida pelo art. 42 da Lei 9.430/96 colide com as diretrizes do processo de criação das presunções legais, pois a experiência com casos anteriores evidenciou que entre esses dois fatos não havia nexo causal, vale dizer, constatouse não haver liame absoluto entre o depósito bancário e o rendimento omitido. Este fato se repete no presente Auto de Infração. 3. No caso vertente, o contribuinte Nesi Curi, octogenário, com a viuvez e solidão, passou a vender, a partir de 2001, objetos, utensílios, quadros, obras de arte, móveis, eletrodomésticos, peças de decoração, roupas, pertences, pequenas jóias e demais Fl. 2DF CARF MF Emitido em 20/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 17/08/2011 por NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 17/08/2011 po r NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 17/08/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPO Processo nº 19515.001093/200883 Acórdão n.º 210201.435 S2C1T2 Fl. 373 3 itens que guarneciam a sua residência, ou seja, objetos que foram reunidos durante uma vida de 50 anos de ininterrupto casamento. A MP 252/2005 elevou o valor de isenção em relação ao ganho de capital da pessoa física auferido na alienação de bens e direitos de pequeno valor. 4. Afirma que o ato fiscalizador é nulo, pois deve ser tipificado como ilegítimo, uma vez que algumas obras de arte até então possuídas e posteriormente vendidas possuíam valor significativo que somado às demais pequenas vendas e depósitos trocados de banco em banco fizeram com que a presunção do agente fiscal estimasse números inimagináveis. A DRJ São Paulo II julgou, por unanimidade de votos, procedente o lançamento. Cientificado da decisão de primeira instância, por via postal, em 31/08/2009, Aviso de Recebimento (AR), fls. 332, o contribuinte apresentou, em 25/09/2009, recurso voluntário, fls. 333/363, no qual reitera e reforça as alegações e argumentos trazidos na impugnação. É o Relatório. Fl. 3DF CARF MF Emitido em 20/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 17/08/2011 por NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 17/08/2011 po r NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 17/08/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPO Processo nº 19515.001093/200883 Acórdão n.º 210201.435 S2C1T2 Fl. 374 4 Voto Conselheira Núbia Matos Moura O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade. Dele conheço. No recurso, muito embora, a defesa se reporte à prescrição, verificase que tencionava suscitar a decadência do crédito tributário, relativo aos fatos geradores ocorridos de janeiro a julho de 2002. Para a análise da questão, devese observar o disposto no art. 62A do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recurso Fiscais, aprovado pela Portaria MF nº 256, de 22 de junho de 2009, determina: Art. 62A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. § 1º Ficarão sobrestados os julgamentos dos recursos sempre que o STF também sobrestar o julgamento dos recursos extraordinários da mesma matéria, até que seja proferida decisão nos termos do art. 543B. § 2º O sobrestamento de que trata o § 1º será feito de ofício pelo relator ou por provocação das partes. Nesse sentido, no que se refere à contagem do prazo decadencial de tributos e contribuições devese adotar as conclusões exaradas no Recurso Especial nº 073.733 SC (2007/01769940), cuja ementa abaixo se transcreve: PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. DECADÊNCIA DO DIREITO DE O FISCO CONSTITUIR O CRÉDITO TRIBUTÁRIO. TERMO INICIAL. ARTIGO 173, I, DO CTN. APLICAÇÃO CUMULATIVA DOS PRAZOS PREVISTOS NOS ARTIGOS 150, § 4º, e 173, do CTN. IMPOSSIBILIDADE. 1. O prazo decadencial qüinqüenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o Fl. 4DF CARF MF Emitido em 20/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 17/08/2011 por NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 17/08/2011 po r NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 17/08/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPO Processo nº 19515.001093/200883 Acórdão n.º 210201.435 S2C1T2 Fl. 375 5 mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito (Precedentes da Primeira Seção: REsp 766.050/PR, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 28.11.2007, DJ 25.02.2008; AgRg nos EREsp 216.758/SP, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.03.2006, DJ 10.04.2006; e EREsp 276.142/SP, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 13.12.2004, DJ 28.02.2005). 2. É que a decadência ou caducidade, no âmbito do Direito Tributário, importa no perecimento do direito potestativo de o Fisco constituir o crédito tributário pelo lançamento, e, consoante doutrina abalizada, encontrase regulada por cinco regras jurídicas gerais e abstratas, entre as quais figura a regra da decadência do direito de lançar nos casos de tributos sujeitos ao lançamento de ofício, ou nos casos dos tributos sujeitos ao lançamento por homologação em que o contribuinte não efetua o pagamento antecipado (Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 163/210). 3. O dies a quo do prazo qüinqüenal da aludida regra decadencial regese pelo disposto no artigo 173, I, do CTN, sendo certo que o "primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado" corresponde, iniludivelmente, ao primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível, ainda que se trate de tributos sujeitos a lançamento por homologação, revelandose inadmissível a aplicação cumulativa/concorrente dos prazos previstos nos artigos 150, § 4º, e 173, do Codex Tributário, ante a configuração de desarrazoado prazo decadencial decenal (Alberto Xavier, "Do Lançamento no Direito Tributário Brasileiro", 3ª ed., Ed. Forense, Rio de Janeiro, 2005, págs. 91/104; Luciano Amaro, "Direito Tributário Brasileiro", 10ª ed., Ed. Saraiva, 2004, págs. 396/400; e Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 183/199). (...) No presente caso, cuidase de omissão de rendimentos, caracterizada por depósitos bancários de origem não comprovada, cujos fatos geradores ocorreram nos anos calendário 2002, 2003 e 2004. O contribuinte apresentou sua Declaração de Ajuste Anual (DAA), exercício 2003, anocalendário 2002, fls. 04/06, tempestivamente, e informou rendimentos tributáveis de R$ 6.173,33. Não apurou imposto a pagar ou a restituir, tampouco, teve imposto de renda retido na fonte. Não ocorreu, portanto, a antecipação do pagamento, de modo que a contagem do prazo decadencial deve se dar nos moldes do art. 173, inciso I, do CTN, conforme entendimento acima transcrito. O exercício em que o lançamento pode ser efetuado é o ano em que se instaura a possibilidade de o Fisco lançar. Ou seja, para proceder ao lançamento referente à omissão de rendimentos ocorrida no anocalendário 2002, o Fisco deveria esperar a entrega da Declaração de Ajuste correspondente, cujo prazo final para apresentála se deu em 30/04/2003. Fl. 5DF CARF MF Emitido em 20/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 17/08/2011 por NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 17/08/2011 po r NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 17/08/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPO Processo nº 19515.001093/200883 Acórdão n.º 210201.435 S2C1T2 Fl. 376 6 Portanto, o lançamento só poderia ter sido efetuado a partir de 01/05/2003, sendo 01/01/2004 o termo inicial do prazo decadencial, primeiro dia do exercício seguinte ao que o Auto de Infração poderia ter sido lavrado, e 31/12/2008 o termo final. Como a ciência ao Auto de Infração ocorreu em 26/03/2008, fls. 285, não há que se falar, no presente caso, em decadência do direito de lançar crédito tributário relativo aos fatos geradores ocorridos durante o anocalendário 2002. Afastase, portanto, a alegação de decadência suscitada pela defesa. Aduz, ainda, o contribuinte em sua defesa que a presunção legal estabelecida pelo art. 42 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, colide com as diretrizes do processo de criação das presunções legais, pois a experiência com casos anteriores evidenciou que entre esses dois fatos não havia nexo causal, vale dizer, constatouse não haver liame absoluto entre o depósito bancário e o rendimento omitido. Optando por essa linha de argumento, o contribuinte parece pretender negar validade ao art. 42 da Lei nº 9.430, de 1996, que determinou que se considere, por presunção legal, como omissão de rendimentos, sujeitos ao lançamento de ofício, os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais a pessoa física, regularmente intimada, não comprove a origem dos recursos utilizados nessas operações. Ao assim proceder o contribuinte subtrai a discussão do âmbito da competência deste Colegiado. Isso porque o processo administrativo tributário materializa um instrumento de controle da legalidade do lançamento, espécie de ato administrativo. Vale dizer, sua atribuição consiste em aferir o grau de consentaneidade existente entre o lançamento e a legislação que o rege. Mas isso, sempre tendo por premissa básica a presunção de constitucionalidade e legalidade que são inerentes aos diplomas legais. Partindo deste pressuposto (legalidade e constitucionalidade do art. 42 da Lei nº 9.430, de 1996), fazse um rápido histórico da legislação vigente sobre a tributação de depósitos bancários, com o objetivo de se aclarar a evolução do ordenamento jurídico que regeu, e rege, a matéria tributária objeto do presente lançamento. A Lei nº 8.021, de 14 de abril de 1990, determinou: Art. 6º O lançamento de ofício, além dos casos já especificados em lei, farseá arbitrandose os rendimentos com base na renda presumida, mediante utilização dos sinais exteriores de riqueza. (...) §5º O arbitramento poderá ainda ser efetuado com base em depósitos ou aplicações realizadas junto a instituições financeiras, quando o contribuinte não comprovar a origem dos recursos utilizados nessas operações. § 6° Qualquer que seja a modalidade escolhida para o arbitramento, será sempre levada a efeito aquela que mais favorecer o contribuinte. Fl. 6DF CARF MF Emitido em 20/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 17/08/2011 por NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 17/08/2011 po r NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 17/08/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPO Processo nº 19515.001093/200883 Acórdão n.º 210201.435 S2C1T2 Fl. 377 7 À vista de tais regras temse que os rendimentos omitidos poderiam ser arbitrados com base nos sinais exteriores de riqueza, caracterizados por gastos incompatíveis com a renda disponível do contribuinte. A omissão poderia, ainda, ser presumida no valor dos depósitos bancários injustificados, desde que apurados os citados dispêndios e que este fosse o critério de arbitramento mais benéfico ao contribuinte. A partir de 1997, entretanto, o assunto em tela passou a ter um disciplinamento diferente daquele previsto na Lei nº 8.021, de 1990. Foi promulgada a Lei nº 9.430, de 1996, que aplicase aos fatos geradores futuros ou pendentes ocorridos a partir de 01/01/1997: Art. 42. Caracterizamse também omissão de receita ou de rendimento os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. (...) Art. 88. Revogamse: (...) XVIII – o §5º do art. 6º da Lei n.º 8.021, de 12 de abril de 1990. Desta forma, o legislador estabeleceu, a partir da referida data, uma presunção legal de omissão de rendimentos. Não logrando o titular comprovar a origem dos créditos efetuados em sua conta bancária, temse a autorização para considerar ocorrido o fato gerador, ou seja, para presumir que os recursos depositados traduzem rendimentos do contribuinte. Há a inversão do ônus da prova, característica das presunções legais – o contribuinte é quem deve demonstrar que o numerário creditado não é renda tributável. Assim, o legislador substituiu uma presunção por outra, as duas relativas ao lançamento do rendimento omitido com base nos depósitos bancários, porém diversas nas condições para sua aplicação: a da Lei nº 8.021, de 1990, condicionavase à falta de comprovação da origem dos recursos à demonstração dos sinais exteriores de riqueza e que fosse este o critério mais benéfico ao contribuinte; já a presunção da Lei nº 9.430, de 1996, está condicionada apenas à falta de comprovação da origem dos recursos que transitaram, em nome do contribuinte, em instituições financeiras. Veja que o lançamento não foi amparado única e exclusivamente em depósitos bancários, conforme argumenta o contribuinte. Pelo contrário, o fato gerador é a aquisição de disponibilidade de rendimentos representada pelos recursos que ingressam no seu patrimônio por meio dos depósitos ou por créditos bancários cuja origem não foi esclarecida. Destaquese que a Súmula nº 182 e o Decretolei n° 2.471, de 01 de setembro de 1988, tinham como objeto os lançamentos calcados na legislação anterior à vigência da Lei nº 9.430, de 1996, não se aplicando, portanto, ao presente caso. Enfim, no presente caso, a ocorrência do fato gerador decorre da presunção legal estabelecida no art. 42 da Lei nº 9.430, de 1996. Verificada a ocorrência de depósitos bancários cuja origem não foi devidamente comprovada pelo contribuinte, é certa também a Fl. 7DF CARF MF Emitido em 20/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 17/08/2011 por NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 17/08/2011 po r NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 17/08/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPO Processo nº 19515.001093/200883 Acórdão n.º 210201.435 S2C1T2 Fl. 378 8 ocorrência de omissão de rendimentos à tributação, cabendo ao contribuinte o ônus de provar a irrealidade das imputações feitas. Nesse ponto, vale dizer que o contribuinte buscou justificar os créditos havidos em suas contas bancárias esclarecendo que, depois de viúvo, passou a vender, a partir de 2001, objetos, utensílios, quadros, obras de arte, móveis, eletrodomésticos, peças de decoração, roupas, pertences, pequenas jóias e demais itens que guarneciam a sua residência, ou seja, objetos que foram reunidos durante uma vida de 50 anos de ininterrupto casamento. Contudo, tal alegação carece de comprovação, visto que o contribuinte não juntou aos autos nenhum documento que comprovasse a realização de tais vendas. Ora, conforme já mencionado, no caso da presunção estabelecida pelo art. 42 da Lei nº 9.430, de 1996, recai sobre o contribuinte o ônus da prova da origem dos recursos movimentados em suas contascorrentes. E quando alguém de fato pode, e legalmente está obrigado a provar alguma coisa, e não o faz, preferindo ficar no terreno das alegações, se sujeita à aplicação do princípio de que alegar e não provar é o mesmo que nada alegar. É inaceitável a declaração não corroborada por qualquer elemento subsidiário. Deste modo, ausentes os elementos de prova da alegação da defesa, resulta procedente o feito fiscal. Ante o exposto, voto por NEGAR provimento ao recurso. Assinado digitalmente Núbia Matos Moura Relatora Fl. 8DF CARF MF Emitido em 20/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 17/08/2011 por NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 17/08/2011 po r NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 17/08/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPO
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Numero do processo: 10845.000855/2003-11
Turma: Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Fri Apr 15 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Thu Apr 14 00:00:00 UTC 2011
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF
Exercício: 1999
IRPF. DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA.
PRESUNÇÃO RELATIVA DE OMISSÃO DE RENDIMENTOS.
O artigo 42 da Lei n. 9.430/96 estabelece presunção relativa que, como tal, inverte o ônus da prova, cabendo ao contribuinte desconstituíla.
A comprovação da origem dos depósitos deve ser feita pelo contribuinte de forma individualizada, inclusive quanto a eventuais lucros ou dividendos recebidos.
Hipótese em que o Recorrente não desconstituiu a presunção.
IRPF. DESPESAS COM DEPENDENTE. DEDUTIBILIDADE.
REQUISITOS.
O art. 38, §8º, da Instrução Normativa n.º 15/2001 estabelece que “os rendimentos tributáveis recebidos pelos dependentes devem ser somados aos rendimentos do contribuinte para efeito de tributação na declaração”, razão pela qual as despesas efetuadas em relação aos pais do Recorrente, não havendo este
considerado os rendimentos auferidos pelos entes em sua declaração, não poderiam
ser deduzidas da base de cálculo do imposto.
De igual modo, é indevida a dedução de despesas em relação ao cônjuge que já tenha apresentado sua declaração em separado, consoante iterativa jurisprudência deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais.
Recurso negado.
Numero da decisão: 2101-001.060
Decisão: ACORDAM os Membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar
provimento ao recurso, nos termos do voto do relator.
Nome do relator: ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA
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DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA. PRESUNÇÃO RELATIVA DE OMISSÃO DE RENDIMENTOS. O artigo 42 da Lei n. 9.430/96 estabelece presunção relativa que, como tal, inverte o ônus da prova, cabendo ao contribuinte desconstituíla. A comprovação da origem dos depósitos deve ser feita pelo contribuinte de forma individualizada, inclusive quanto a eventuais lucros ou dividendos recebidos. Hipótese em que o Recorrente não desconstituiu a presunção. IRPF. DESPESAS COM DEPENDENTE. DEDUTIBILIDADE. REQUISITOS. O art. 38, §8º, da Instrução Normativa n.º 15/2001 estabelece que “os rendimentos tributáveis recebidos pelos dependentes devem ser somados aos rendimentos do contribuinte para efeito de tributação na declaração”, razão pela qual as despesas efetuadas em relação aos pais do Recorrente, não havendo este considerado os rendimentos auferidos pelos entes em sua declaração, não poderiam ser deduzidas da base de cálculo do imposto. De igual modo, é indevida a dedução de despesas em relação ao cônjuge que já tenha apresentado sua declaração em separado, consoante iterativa jurisprudência deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais. Recurso negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os Membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto do relator. Fl. 722DF CARF MF Impresso em 23/05/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/03/2012 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 23/03/ 2012 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 19/04/2012 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTO S Processo nº 10845.000855/200311 Acórdão n.º 210101.060 S2C1T1 Fl. 672 2 (assinado digitalmente) JOSÉ RAIMUNDO TOSTA SANTOS Presidente Substituto (assinado digitalmente) ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA Relator Participaram do julgamento os Conselheiros José Raimundo Tosta Santos (Presidente Substituto), Alexandre Naoki Nishioka (Relator), José Evande Carvalho Araújo (convocado), Walter Reinaldo Falcão Lima (convocado), Odmir Fernandes e Gonçalo Bonet Allage. Relatório Tratase de recurso voluntário (fls. 408/426) interposto em 19 de outubro de 2009 contra o acórdão de fls. 384/401, do qual o Recorrente teve ciência em 17 de setembro de 2009 (fl. 405), proferido pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Belém (PA), que, por unanimidade de votos, julgou procedente em parte o auto de infração de fls. 04/06, lavrado em 25 de março de 2003, em decorrência de (i) omissão de rendimentos do trabalho sem vínculo empregatício recebidos de pessoas jurídicas; (ii) dedução indevida de dependente; (iii) despesas médicas deduzidas indevidamente; e (iv) omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários com origem não comprovada, verificadas no ano calendário de 1998. O acórdão teve a seguinte ementa: “ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA – IRPF Anocalendário: 1998 LANÇAMENTO COM BASE EM DEPÓSITOS BANCÁRIOS. FATOS GERADORES A PARTIR DE 01/01/1997. A Lei n.° 9.430/1996, vigente a partir de 1° de janeiro de 1997, estabeleceu, em seu artigo 42, uma presunção legal de omissão de rendimentos que autoriza o lançamento do imposto correspondente quando o titular da conta bancária não comprovar, mediante documentação hábil e idônea, a origem e a natureza não tributável dos valores depositados em sua contacorrente ou, alternativamente, não Fl. 723DF CARF MF Impresso em 23/05/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/03/2012 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 23/03/ 2012 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 19/04/2012 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTO S Processo nº 10845.000855/200311 Acórdão n.º 210101.060 S2C1T1 Fl. 673 3 demonstrar que tais quantias já tenham sido previamente tributadas na declaração de rendimentos. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 1998 DILIGÊNCIA. PERÍCIA. DESNECESSIDADE. A realização de diligência e de perícia não se presta para produção de provas que o sujeito passivo possuía o encargo probatório de trazer ao processo. Lançamento Procedente em Parte.” (fl. 384) Não se conformando, o Recorrente interpôs o recurso voluntário de fls. 408/426, pedindo a reforma do acórdão recorrido, para cancelar o auto de infração. É o relatório. Voto Conselheiro ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Relator O recurso preenche os requisitos de admissibilidade, motivo pelo qual dele conheço. O Recorrente aduz, em breve síntese, que (i) os depósitos bancários de origem não comprovada, objeto de lançamento in casu, são decorrentes de sua atividade profissional na condição de prestador de serviços na área de recuperação de créditos, razão pela qual as quantias que ingressavam em sua conta, apontadas pela fiscalização, seriam pertencentes a terceiros, o que poderia, inclusive, ser comprovado por meio de diligência; (ii) os valores percebidos de pessoa jurídica, a saber, HSBC Leasing Arrendamento Mercantil, não deveriam ser exigidos do contribuinte, eis que decorreriam de falha operacional da companhia, ao deixar de enviar o respectivo informe de rendimentos; (iii) quanto à dedutibilidade das despesas em relação aos seus pais, a legislação do imposto de renda permitiria o cômputo de referidas despesas, havendo sido comprovada a dependência econômica em relação ao Recorrente; e, por fim, (iv) em relação aos gastos efetuados com o plano de saúde de sua cônjuge, referidas despesas não teriam sido incluídas em sua declaração de imposto de renda, sendo certo, ainda, que seria sua dependente financeira, não possuindo recursos para arcar com o respectivo valor. No tocante ao primeiro aspecto, atinente aos depósitos sem origem comprovada, verificase que o lançamento teve por lastro a presunção legal referida pelo artigo 42 da Lei n.º 9.430/96. Como é pacífico na jurisprudência deste Conselho, desde 1997, após a edição da referida Lei n.º 9.430/96, em se verificando depósitos bancários sem origem comprovada, e em não havendo o contribuinte logrado êxito em demonstrar sua origem, gravita em prol do Fisco presunção relativa. Nesse sentido, conforme preceitua o artigo 42 da Lei n.º 9.430/96: Fl. 724DF CARF MF Impresso em 23/05/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/03/2012 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 23/03/ 2012 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 19/04/2012 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTO S Processo nº 10845.000855/200311 Acórdão n.º 210101.060 S2C1T1 Fl. 674 4 “Art. 42. Caracterizamse também omissão de receita ou de rendimento os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto à instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. §1º. O valor das receitas ou dos rendimentos omitido será considerado auferido ou recebido no mês do crédito efetuado pela instituição financeira. §2º. Os valores cuja origem houver sido comprovada, que não houverem sido computados na base de cálculo dos impostos e contribuições a que estiverem sujeitos, submeterseão às normas de tributação específicas, previstas na legislação vigente à época em que auferidos ou recebidos.” Na realidade, instituiu o referido dispositivo autêntica presunção legal relativa, cujo condão é justamente o de inverter o ônus da prova, atribuindoo ao contribuinte, que passa a ter o dever de refutála. Como é cediço, a presunção, seja ela hominis ou legal, é meio de prova que prescreve o reconhecimento jurídico de um fato provado de forma indireta. Ou seja, provando se diretamente o fato indiciário, temse, por conseguinte, a formação de um juízo de probabilidade com relação ao fato presumido que, a partir de então, necessita ser afastado pelo contribuinte. Nesse sentido, a presunção relativa referida pelo artigo 42 da Lei n.º 9.430/96 é legítima, não ferindo, em nenhum ponto, a legislação tributária em vigor. Notese, ainda, que a Súmula 182 do extinto Tribunal Federal de Recursos (TFR), segundo a qual seria insuficiente para comprovação da omissão de rendimentos a simples verificação de movimentação bancária, consubstancia jurisprudência firmada anteriormente à edição da Lei n.º 9.430/96, motivo pelo qual não deve ser aplicada. A 2ª Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, da qual esta 1ª Turma Ordinária teve origem, por sua vez, já consolidou entendimento de acordo com o qual, a partir da edição da Lei n.º 9.430/96, é válida a presunção em referência, sendo ônus do Recorrente desconstituíla com a apresentação de provas suficientes para tanto. É o que se depreende das seguintes ementas, destacadas dentre as inúmeras existentes sobre o tema: “OMISSÃO DE RENDIMENTOS LANÇAMENTO COM BASE EM DEPÓSITOS BANCÁRIOS Para os fatos geradores ocorridos a partir de 1º de janeiro de 1997, o art. 42 da Lei nº 9.430, de 1996, autoriza a presunção legal de omissão de rendimentos com base em depósitos bancários de origem não comprovada pelo sujeito passivo. ÔNUS DA PROVA Se o ônus da prova, por presunção legal, é do contribuinte, cabe a ele a prova da origem dos recursos utilizados para acobertar seus depósitos bancários.” (1º Conselho de Contribuintes, 2ª Câmara, Recurso Voluntário nº. 158.817, Relatora Conselheira Núbia Matos Moura, sessão de 24/04/2008) Fl. 725DF CARF MF Impresso em 23/05/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/03/2012 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 23/03/ 2012 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 19/04/2012 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTO S Processo nº 10845.000855/200311 Acórdão n.º 210101.060 S2C1T1 Fl. 675 5 “LANÇAMENTO COM BASE EM DEPÓSITOS BANCÁRIOS PRESUNÇÃO DE OMISSÃO DE RENDIMENTOS Para os fatos geradores ocorridos a partir de 1º de janeiro de 1997, o art. 42 da Lei nº 9.430, de 1996, autoriza a presunção legal de omissão de rendimentos com base em depósitos bancários de origem não comprovada pelo sujeito passivo. TRIBUTAÇÃO PRESUMIDA DO IMPOSTO SOBRE A RENDA O procedimento da autoridade fiscal encontrase em conformidade com o que preceitua o art. 42 da Lei nº 9.430, de 1996, em que se presume como omissão de rendimentos os valores creditados em conta de depósito ou de investimento, mantidos em instituição financeira, cuja origem dos recursos utilizados nestas operações, em relação aos quais o titular pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprova, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. ÔNUS DA PROVA Se o ônus da prova, por presunção legal, é do contribuinte, cabe a ele a prova da origem dos recursos utilizados para acobertar seus depósitos bancários, que não pode ser substituída por meras alegações.” (1º Conselho de Contribuintes, 2ª Câmara, Recurso Voluntário nº. 141.207, Relator Conselheiro Romeu Bueno de Camargo, sessão de 22/02/2006) Vale ressaltar, inclusive, no tocante ao aspecto probatório, que os documentos que comprovem a origem dos valores movimentados devem ser devidamente armazenados pelo mesmo lapso de tempo que as autoridades fiscais têm para constituir possível crédito. Nesse sentido, colacionase alguns acórdãos que elucidam tal entendimento: “NULIDADE CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA – PROVA – No processo administrativo tributário os fatos devem evidenciarse com provas documentais. A documentação dos fatos havidos no transcorrer do anocalendário tem prazo para guarda igual àquele em que possível a constituição do correspondente crédito tributário.” (1º Conselho de Contribuintes, 2ª Câmara, Recurso Voluntário nº. 146.926, relator Conselheiro Naury Fragoso Tanaka, sessão de 04/07/2007) “DOCUMENTOS – GUARDA – O prazo para guarda de documentos é o mesmo que o permitido ao sujeito ativo para exigir o tributo ou rever de ofício o lançamento. OMISSÃO DE RENDIMENTOS – DEPÓSITOS BANCÁRIOS – A presunção legal de renda com suporte na existência de depósitos e créditos bancários de origem não comprovada tem fundamento legal na norma do artigo 42 da Lei nº 9.430, de 1996, tendo caráter relativo e transfere o ônus da prova em contrário ao contribuinte.” (1º Conselho de Contribuintes, 2ª Câmara, Recurso Voluntário nº. 140.839, relator Conselheiro Naury Fragoso Tanaka, sessão de 21/06/2006) Com fundamento no exposto, portanto, havendo sido oportunamente apontados, pela fiscalização, depósitos bancários que, após as deduções realizadas pelo julgador de primeiro grau, somam a quantia de R$ 294.762,58, caberia ao contribuinte o ônus de demonstrar, mediante documentação hábil e idônea, que a titularidade dos referidos recursos pertencia a terceiros, sendo insuficiente, para tal fim, a simples juntada, no mais das vezes, de Fl. 726DF CARF MF Impresso em 23/05/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/03/2012 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 23/03/ 2012 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 19/04/2012 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTO S Processo nº 10845.000855/200311 Acórdão n.º 210101.060 S2C1T1 Fl. 676 6 planilha, elaborada pelo próprio Recorrente e sem a assinatura do suposto titular das verbas, apontando o repasse dos recursos e sua respectiva natureza, ou mesmo cheques sem assinatura e demonstrativos do próprio depósito efetuado, que nada dizem com relação à coincidência entre os valores ingressados e retirados de sua conta corrente. De fato, analisandose as planilhas de justificativa dos depósitos efetuados em sua contacorrente, verificase que o contribuinte alega, via de regra, que referidos recursos correspondem a (i) reembolso/adiantamento de custas e despesas processuais de processos por ele patrocinados; (ii) transferência de contas da mesma titularidade; (iii) recebimento de parcelas referentes a acordos judiciais e extrajudiciais celebrados em nome de terceiros (clientes), posteriormente repassados a estes; (iv) honorários advocatícios recebidos de clientes. No que atine à primeira hipótese, salvo alguns parcos casos em que o Recorrente demonstra a natureza dos recursos percebidos, não há qualquer indicativo de que as verbas depositadas em suas contascorrentes seriam meras reposições de capital não sujeitas à incidência do imposto de renda, seja porque, em muitos casos, os recibos apresentados indicam o recebimento de honorários advocatícios, cuja tributação prévia não fora comprovada, seja, ainda, porque não há coincidência entre valores e datas nos documentos acostados aos autos que, supostamente, dariam suporte à pretensão do contribuinte. Neste caso específico, frisese que a mera apresentação da guia comprobatória do recolhimento de custas, coincidente em valor com as quantias depositadas, e, igualmente, com proximidade de datas, seria suficiente ou, ao menos, indício relevante para a consideração dos argumentos ventilados pelo contribuinte, prova esta não acostada à hipótese. Cumpre frisar, neste ponto, que o próprio contribuinte, à época em que intimado pela fiscalização para comprovar diversos depósitos efetuados em suas contascorrentes, endereçou missiva ao órgão arrecadador juntando diversos recibos emitidos por clientes indicando, expressamente, a natureza dos valores ingressados, e, bem assim, comprovantes de recolhimento de taxa judiciária e de cópias de autos de processo judicial, documentos estes devidamente acatados pelo órgão preparador, o que indica ter o contribuinte ciência acerca da forma como deveria ter escriturado referidas despesas. Quanto às alegações de transferência entre contas bancárias de mesma titularidade, verificase que referidas alegações já foram devidamente acatadas pelo órgão julgador de primeiro grau, não subsistindo qualquer discussão em sede recursal. No tocante às verbas decorrentes de acordos judiciais celebrados em nome de clientes, por sua vez, igualmente se verifica que o Recorrente deixou de acostar aos autos documentos que comprovassem ou mesmo indicassem a correlação entre os depósitos efetuados e eventual repasse posterior aos seus clientes, com coincidência de valor e data, como exige a jurisprudência deste Tribunal Administrativo. Ademais, tratandose de acordos firmados em nome de terceiros e de montantes recebidos em suas contascorrentes, deveria o contribuinte terse munido de elementos hábeis a demonstrar a transferência dos aludidos recursos para terceiros, tais como o termo de transação, celebrado entre as partes, procuração conferida com poderes específicos para transacionar, bem como para receber e dar quitação, recibos assinados pelos clientes, demonstrando a natureza dos recursos e, bem assim, o repasse efetuado por meio das contas de titularidade do contribuinte, peças judiciais demonstrando a existência prévia de relação jurídica entre o depositante e o cliente (verificouse apenas um caso neste sentido), ou, ao Fl. 727DF CARF MF Impresso em 23/05/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/03/2012 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 23/03/ 2012 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 19/04/2012 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTO S Processo nº 10845.000855/200311 Acórdão n.º 210101.060 S2C1T1 Fl. 677 7 menos, a correlação entre os valores ingressados e posteriores repasses, em períodos próximos, coincidentes em valor para seus clientes, o que não ocorreu in casu. No que atine ao último aspecto, observase que o Recorrente alega, simplesmente, que os depósitos bancários seriam decorrentes do adimplemento de honorários advocatícios, pagos por Álamo Transportes Ltda., não comprovando, entretanto, que referidos valores já teriam sido tributados em sua declaração de imposto de renda. Assim, não havendo a demonstração de que os valores pagos já teriam sido oferecidos à tributação, não há meios de se reconhecer a pretensão do Recorrente. Feitas as precedentes considerações, em caráter genérico, a respeito dos depósitos efetuados em contacorrente do contribuinte, cumpre observar que todas as alegações do Recorrente, relativas a cada um dos depósitos, de que tratam as fls. 416/423 do recurso, foram minuciosamente examinadas e afastadas pela decisão recorrida (fls. 389/399). Como concordo integralmente com a criteriosa análise feita pelos integrantes da DRJ em Belém (PA), peço vênia adotar como fundamento de meu voto, quanto a este específico aspecto, as considerações feitas, às fls. 389/399 dos autos, pelo ilustre Relator da decisão recorrida. Devese afastar, portanto, as ilações do Recorrente no que tange à tentativa de afastamento da presunção que baseou o lançamento. Ora, da simples leitura do artigo 42 da Lei n.º 9.430/96, entendese que cabe ao contribuinte comprovar a origem de receita ou de rendimento creditados em conta de depósito ou de investimento de sua titularidade, mediante documentação hábil e idônea para tanto. Como se sabe, o processo administrativo é regido pelos princípios da verdade material e da informalidade. Poderia, assim, o contribuinte, em atenção à decisão recorrida, ainda em sede de recurso voluntário, apresentar documentos que efetivamente comprovassem a origem dos recursos e suas alegações de que os depósitos tratam de posse transitória de numerário de terceiros ou transferência de valores entre contas de mesma titularidade. E nem se diga, a este respeito, que teria o contribuinte requerido a realização de prova técnica e de diligências, na presente hipótese, para o fim de comprovar as suas alegações. Com efeito, muito embora haja dispositivo facultando a utilização de provas técnicas e a realização de diligências por parte do órgão preparador, o respectivo deferimento, pelo julgador, deve se encontrar lastreado (i) na utilidade de referidos meios probatórios para o deslinde da controvérsia e (ii) na existência de indícios, ao menos, da plausibilidade das alegações do contribuinte. No caso vertente, contudo, o deferimento de prova técnica seria despiciendo, uma vez que a análise a respeito da omissão de rendimentos não exige conhecimento técnico, sendo corriqueira a sua análise por este órgão julgador. Nada obstante, a realização de diligências na espécie, voltadas à intimação das instituições financeiras tomadoras dos serviços do Recorrente, igualmente não teria proveito, seja porque (i) não há dispositivo legal que as obrigue a guardar documentos por um período tão extenso e, também, (ii) os documentos comprobatórios, que pretende o Recorrente obter de terceiros, deveriam estar em sua guarda, à luz da legislação aplicável, consoante já apontado oportunamente. Fl. 728DF CARF MF Impresso em 23/05/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/03/2012 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 23/03/ 2012 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 19/04/2012 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTO S Processo nº 10845.000855/200311 Acórdão n.º 210101.060 S2C1T1 Fl. 678 8 Quanto aos rendimentos provenientes de prestação de serviços sem vínculo empregatício para HSBC Leasing Arrendamento Mercantil, por sua vez, também sem razão o Recorrente. De fato, limitase o Recorrente a alegar, em sua peça recursal, quase em tom de confissão, que a “empresa de leasing para a qual prestei serviços advocatícios apesar de ter declarado em ‘DIRF’ o mencionado pagamento deixou de enviar o informe de rendimentos respectivos para a Delegacia da Receita Federal, desta forma ocasionando a omissão no ano calendário de 1998.” Ora, referida alegação não tem o condão de infirmar a existência de recursos percebidos pelo Recorrente no citado anocalendário, devendose destacar, igualmente, que não há prova de que o contribuinte tenha, de fato, oferecido referido valor à tributação. Deste modo, sendo certo que eventual falha operacional da fonte pagadora não retira a responsabilidade do contribuinte de oferecer, regularmente, os rendimentos percebidos à tributação, consoante claramente descrito no Parecer Normativo COSIT n.º 1/2002, não merecem prosperar as assertivas. No tocante às despesas médicas incorridas em virtude de serviços prestados aos seus pais, Sr. João Garcia e Sra. Maria Rosa Portezan, deduzidas da base de cálculo do imposto de renda do Recorrente, limitase a alegar que, muito embora não tenha declarado os rendimentos a eles pertinentes, deveriam ser considerados em virtude do estado de “pobreza” dos entes, sendo nítida a dependência financeira em relação ao Recorrente. Ora, em que pesem às assertivas do ora Recorrente, tal como bem pontuado pelo decisum exarado pelo julgador a quo, “a dependência de que trata a declaração do IRPF é um conceito jurídico, e não financeiro”, razão pela qual eventuais despesas incorridas por seus dependentes “financeiros” apenas poderiam ser admitidas se tais pessoas fossem incluídas como dependentes na declaração de ajuste, considerandose, destarte, os respectivos rendimentos na base de cálculo do imposto. Neste sentido, aliás, o disposto pelo art. 38, §8º, da IN 15/2001, in verbis: “Art. 38. Podem ser considerados dependentes: (...) §8º. Os rendimentos tributáveis recebidos pelos dependentes devem ser somados aos rendimentos do contribuinte para efeito de tributação na declaração.” No caso vertente, portanto, muito embora assista razão ao contribuinte no tocante à possibilidade, em tese, de seus pais figurarem como dependentes na declaração de ajuste anual do imposto de renda, na forma do art. 77, §1º, VI, do RIR/99, deveria o Recorrente ter declarado seus pais como dependentes e, nesse sentido, acrescido aos seus rendimentos os valores por ele percebidos, o que não foi feito. De igual modo, é indevida a dedução de despesas em relação ao cônjuge, uma vez que este já apresentou declaração em separado referente ao exercício que foi objeto do presente auto de infração, sendo aplicável, portanto, o citado §8º do art. 38 da IN 15/2001, eis que, relativamente ao cônjuge, igualmente não foram considerados os respectivos rendimentos na declaração do Recorrente. Assim, não podendo ser o cônjuge, na espécie, considerado dependente, para fins de imposto de renda, indevidas as deduções com despesas médicas, na forma do art. 80, §2º, II, do RIR/99. Fl. 729DF CARF MF Impresso em 23/05/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/03/2012 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 23/03/ 2012 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 19/04/2012 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTO S Processo nº 10845.000855/200311 Acórdão n.º 210101.060 S2C1T1 Fl. 679 9 Por tais razões, não se encontrando os gastos em referência nos parâmetros acima estabelecidos, não há que se permitir referidas deduções, devendo ser mantida a decisão recorrida por seus próprios fundamentos. Eis os motivos pelos quais voto no sentido de NEGAR provimento ao recurso. (assinado digitalmente) ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA Relator Fl. 730DF CARF MF Impresso em 23/05/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/03/2012 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 23/03/ 2012 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 19/04/2012 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTO S
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Numero do processo: 10726.000362/2006-72
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Jun 02 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Thu Jun 02 00:00:00 UTC 2011
Ementa: Classificação de Mercadoria.
Fato Gerador: 11/09/2001, 14/09/2001, 25/09/2001
CLASSIFICAÇÃO FISCAL. BROCA DE PERFURAÇÃO E JATO DE BROCA. Classifica-se no código TEC/NCM 8207.19.00 a “broca” utilizada
exclusivamente para perfuração de solo e rochas para exploração
petrolífera, dotada de estrutura cortante que pode ser de aço,
carbureto de tungstênio ou cortadores adiamantados.
REVISÃO ADUANEIRA. PREVISÃO LEGAL.
O DecretoLei nº37/66 define a revisão aduaneira como o ato pelo
qual a autoridade fiscal, após o desembaraço da mercadoria, reexamina o despacho aduaneiro, com a finalidade de verificar a
regularidade ou não da importação, do pagamento do imposto e
demais gravames devidos à Fazenda Nacional, ou da regularidade
do benefício fiscal aplicado e da exatidão das informações prestadas pelo importador. A reclassificação fiscal de mercadoria submetida a despacho, em decorrência de revisão aduaneira, não configura mudança de critério jurídico.
MULTA POR CLASSIFICAÇÃO FISCAL INCORRETA NA NOMENCLATURA DO
MERCOSUL.
Mantida a reclassificação fiscal, é cabível a multa porprocional
ao valor aduaneiro decorrente da incorreição na classificação
fiscal adotada pela contribuinte na Declaração de Importação.
MULTA POR INFRAÇÃO ADMINISTRATIVA. IMPORTAÇÃO DE MERCADORIA
DISPENSADA DE LICENCIAMENTO. APLICAÇÃO DA RETROATIVIDADE
BENIGNA.
Por aplicação do princípio da retroatividade benigna insculpido
no art. 106, II,”a”, do CTN, deve ser excluída a multa do controle administrativo aplicada, quando o atual tratamento
administrativo dado à mercadoria dispensa a licença de importação.
Numero da decisão: 3202-000.300
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar
provimento parcial ao recurso, nos termos do voto da Relatora.
Os Conselheiros Rodrigo Cardozo Miranda e Gilberto de Castro Moreira Junior votaram pelas conclusões, no que pertine à multa por falta de licenciamento.
Nome do relator: IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES
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Fato Gerador: 11/09/2001, 14/09/2001, 25/09/2001 CLASSIFICAÇÃO FISCAL. BROCA DE PERFURAÇÃO E JATO DE BROCA. Classificase no código TEC/NCM 8207.19.00 a “broca” utilizada exclusivamente para perfuração de solo e rochas para exploração petrolífera, dotada de estrutura cortante que pode ser de aço, carbureto de tungstênio ou cortadores adiamantados. REVISÃO ADUANEIRA. PREVISÃO LEGAL. O DecretoLei nº37/66 define a revisão aduaneira como o ato pelo qual a autoridade fiscal, após o desembaraço da mercadoria, reexamina o despacho aduaneiro, com a finalidade de verificar a regularidade ou não da importação, do pagamento do imposto e demais gravames devidos à Fazenda Nacional, ou da regularidade do benefício fiscal aplicado e da exatidão das informações prestadas pelo importador. A reclassificação fiscal de mercadoria submetida a despacho, em decorrência de revisão aduaneira, não configura mudança de critério jurídico. MULTA POR CLASSIFICAÇÃO FISCAL INCORRETA NA NOMENCLATURA DO MERCOSUL. Mantida a reclassificação fiscal, é cabível a multa porprocional ao valor aduaneiro decorrente da incorreição na classificação fiscal adotada pela contribuinte na Declaração de Importação. MULTA POR INFRAÇÃO ADMINISTRATIVA. IMPORTAÇÃO DE MERCADORIA DISPENSADA DE LICENCIAMENTO. APLICAÇÃO DA RETROATIVIDADE BENIGNA. Por aplicação do princípio da retroatividade benigna insculpido no art. 106, II,”a”, do CTN, deve ser excluída a multa do controle administrativo aplicada, quando o atual tratamento administrativo dado à mercadoria dispensa a licença de importação. Fl. 1DF CARF MF Emitido em 22/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 22/06/2011 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES Assinado digitalmente em 22/06/2011 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES, 22/06/2011 por JOSE LUIZ NOV O ROSSARI Processo nº 10726.000362/200672 Acórdão n.º 3202000.300 S3C2T2 Fl. 2 2 Recurso voluntário provido em parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, nos termos do voto da Relatora. Os Conselheiros Rodrigo Cardozo Miranda e Gilberto de Castro Moreira Junior votaram pelas conclusões, no que pertine à multa por falta de licenciamento. José Luiz Novo Rossari – Presidente Irene Souza da Trindade Torres – Relatora Editado em 22/06/2011. Participaram do presente julgamento os Conselheiros José Luiz Novo Rossari, Irene Souza da Trindade Torres, Rodrigo Cardozo Miranda, Gilberto de Castro Moreira Junior, Mara Cristina Sifuentes e Antônio Spolador Junior. Relatório Por bem descrever os fatos, adoto o relatório da decisão recorrida, o qual passo a transcrever: Trata o presente processo de exigência fiscal, fruto de Revisão Aduaneira prevista no art. 570 do Regulamento Aduaneiro, aprovado pelo Decreto nº 4.543, de 26 de dezembro de 2002, com as alterações do Decreto n°4.765, de 24 de junho de 2003. Por meio do auto de infração de fls. 11 a 15, exigese da contribuinte retro epigrafada as quantias de R$ 93.942,96 a título de Multa do Controle Administrativo e de RS 3.637,57 a título de Multa por erro de Classificação de Mercadoria na Nomenclatura Comum do Mercosul. Os fundamentos da autuação, de acordo com a autoridade fiscal foram: 1. Classificação fiscal incorreta. 2. Importação desamparada de guia de importação ou documento equivalente. Fl. 2DF CARF MF Emitido em 22/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 22/06/2011 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES Assinado digitalmente em 22/06/2011 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES, 22/06/2011 por JOSE LUIZ NOV O ROSSARI Processo nº 10726.000362/200672 Acórdão n.º 3202000.300 S3C2T2 Fl. 3 3 De acordo com o relato da fiscalização e os documentos acostados aos autos, depreendese que a autoridade autuante promoveu a lavratura do auto de infração pelas razões abaixo elencadas: • O importador, por meio das DI's n° 01/09016925; 01/09149321; 01/09149330 e 01/09486115, submeteu a despacho a mercadoria "BROCAS DE PERFURAÇÃO", classificandoa na TEC no código 8207.50.19. • Que as “BROCAS" foram reclassificadas para o código NCM 8207.19.00. Não se conformando com a ação fiscal da qual foi regularmente cientificada (fls. 13), a autuada se insurge contra o lançamento efetuado, apresentando impugnação (fls. 57 a 82), instruída cornos documentos de fls. 83 a 133. Assim se manifesta, em síntese: • Que no ano de 2001 e 2002 a autuada regularmente importava o mesmo produto sob a classificação tarifária pertinente a "outras brocas de metais comuns, mesmo diamantadas" (código 8207.50.19). • Que houve conferência física dos produtos, em algumas ocasiões, sendo as importações sempre concluídas sem ressalvas quanto à classificação tarifária adotada. • Que no caso específico das quatro DI's envolvidas na autuação, adotouse, efetivamente, tal classificação tarifária, na posição 8207.50.19. • Que nas quatro DI's em comento — e aí vai necessária retificação ao relato da autuação — há a clara descrição da mercadoria, no campo intitulado "descrição detalhada da mercadoria". Senão vejamos: a DI 01/09486115 faz expressa menção à "jatos para broca 8389" e a "brocas 08 ½”; a DI 01/09016925 menciona broca 08 ½ HP 11" e "broca 12 ¼ HP 11"; a DI 01/09149330 faz referência à "broca 8.500 DS 104 HGN com jato instalado"; a DI 01/09149321 indica o objeto da importação como "broca 12 ¼ D51HC" . • Defende que na hipótese em exame não houve erro de fato e a alteração da classificação fiscal representava tentativa de alteração de critério jurídico, proibido de acordo com o disposto no art. 146 do CTN. • Que é inaplicável a multa de que trata o art. 526, II do RA, consoante disposto no ADN COSIT n° 12/1997. • Defende a aplicação do art. 100 do CTN. Requer, por fim, a insubsistência da autuação. A DRJFlorianópolis/SC julgou procedente o lançamento (fls. 164/171), nos termos da decisão cuja ementa abaixo se transcreve: Fl. 3DF CARF MF Emitido em 22/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 22/06/2011 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES Assinado digitalmente em 22/06/2011 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES, 22/06/2011 por JOSE LUIZ NOV O ROSSARI Processo nº 10726.000362/200672 Acórdão n.º 3202000.300 S3C2T2 Fl. 4 4 ASSUNTO: CLASSIFICAÇÃO DE MERCADORIAS Período de apuração: 11/09/2001 a 25/09/2001 Ferramenta dotada de uma estrutura cortante que pode ser de aço, carbureto de tungstênio ou cortadores adiamantados (Broca para Perfuração) e suas partes (Jatos para Brocas), utilizada pela Sonda para perfurar o solo e as rochas mais profundas, utilizadas nas máquinas de perfuração da indústria petrolífera, classificase no código NCM 8207.19.00. MULTA PROPORCIONAL AO VALOR ADUANEIRO DA MERCADORIA. Aplicase a multa de I% sobre o valor aduaneiro da mercadoria classificada de maneira incorreta na Nomenclatura Comum do Mercosul (NCM), nas nomenclaturas complementares ou em outros detalhamentos instituídos para a identificação da mercadoria. FALTA DE LICENÇA DE IMPORTAÇÃO. PENALIDADE. Aplicase a multa por falta de LI nas importações sujeitas a Licenciamento Automático e não Automático em que as mercadorias não estão corretamente descritas, com todos os elementos necessários à sua identificação e ao enquadramento tarifário pleiteado. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 19/10/2001 a 31/10/2001 NORMAS COMPLEMENTARES. PRÁTICAS REITERADAS DA ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA. As práticas reiteradas das autoridades administrativas somente podem ser consideradas normas complementares quando presentes o uso e a convicção jurídica da necessidade da conduta e sejam de aplicação geral pública e uniforme, atingindo todos os contribuintes que se encontrem na mesma situação (ática e jurídica, sendo, no entanto, inadmissíveis no caso de atos praticados em desacordo com a lei (contra legem). REVISÃO ADUANEIRA. INEXISTÊNCIA DE MUDANÇA DE CRITÉRIO JURÍDICO.Revisão aduaneira consiste em reexame do despacho de importação e não de lançamento, o qual somente se perfaz com a homologação expressa ou tácita, sendo, por isso, incabível a argüição de mudança de critério jurídico. Lançamento Procedente Irresignada, a contribuinte apresentou recurso voluntário a este Colegiado (fls. 178/192), alegando, em apertada síntese: que, conforme comprovam as DI n.ºs 01/08439490, registrada em 23/08/2001, e 02/04340661, registrada em 15/05/2002 , no decorrer dos anos de 2001 e 2002 a Receita Federal aceitava, sem ressalvas, para as mesmas mercadorias, a classificação tarifária aposta nas DI a que se refere a presente autuação, de tal forma que o critério de classificação defendido pela Fiscalização, representaria, em verdade, uma modificação no critério jurídico adotado pela administração para um mesmo fato; Fl. 4DF CARF MF Emitido em 22/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 22/06/2011 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES Assinado digitalmente em 22/06/2011 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES, 22/06/2011 por JOSE LUIZ NOV O ROSSARI Processo nº 10726.000362/200672 Acórdão n.º 3202000.300 S3C2T2 Fl. 5 5 que pretende a autuação, a partir da reclassificação tarifária proposta, impor à Recorrente exigência não formulada quando do transcurso das importações, representada pela emissão de licença de importação; que a recorrente apresentou à Receita Federal descrição apropriada das mercadorias que importou, o que afasta o óbice posto pelo Sr. Fiscal autuante, quanto à aplicação ao caso das ADN's COSIT n.ºs 10 e 12, ambas de 1997; e que, na situação examinada, sequer há de se cogitar dolo ou máfé, pois a importadora processou regularmente as importações das mercadorias, adotando a classificação fiscal que lhe pareceu própria e recolheu os tributos de importação, com base nas mesmas alíquotas aplicáveis à reclassificação tarifária proposta pelo Fisco. Ao final, requereu o provimento do Recurso Voluntário, para ser declarado insubsistente o Auto de Infração. É o Relatório. Voto Conselheira Irene Souza da Trindade Torres, Relatora Tomo por interposto o recurso voluntário juntado às fls. 178/192, visto que, mesmo nele tendo sido consignado erroneamente o número do processo administrativo 10726.000434/200672 sendo os presentes autos o processo de número 10726.000362/2006 72 deixa claro ter sido oferecido em face do Acórdão DRJ/Florianópolis/SC nº. 0716.121, de que cuidam estes autos. Assim, o recurso voluntário ora em apreço é tempestivo e preenche as demais condições de admissibilidade, razões pelas quais dele conheço. Da Classificação Fiscal das Mercadorias Cuidase de Auto de Infração, lavrado em 05/09/2006 (ciência em 06/09/2006), contra a empresa FLUPETROL FLUIDOS PETROLÍFEROS LTDA, para exigência de multa do controle administrativo de 30%, por falta de licença de importação, e multa de 1% sobre o valor aduaneiro, por classificação incorreta na Nomenclatura Comum do Mercosul, no valor total de R$ 97.580,53. O cerne do litígio diz respeito à classificação fiscal de mercadoria importada pela interessada, identificada como “brocas”, classificada pela contribuinte no código TEC/NCM 8207.50.19 – Ferramentas de furar; outras brocas, mesmo diamantadas, tendo a Fiscalização procedido a reclassificação para o código TEC/NCM 8207.19.00 – Outras ferramentas de perfuração ou de sondagem, incluídas as partes. A contribuinte foi intimada a apresentar esclarecimentos quanto às especificidades da mercadoria importada, tendo sido esclarecido o seguinte (fls.08/09): Fl. 5DF CARF MF Emitido em 22/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 22/06/2011 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES Assinado digitalmente em 22/06/2011 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES, 22/06/2011 por JOSE LUIZ NOV O ROSSARI Processo nº 10726.000362/200672 Acórdão n.º 3202000.300 S3C2T2 Fl. 6 6 1. São aplicadas/utilizadas em que tipo de máquinas ? (especificar o nome e a função das máquinas) Resposta: As brocas [são] utilizadas na perfuração de poços de petróleo; a máquina que utiliza este produto é denominada "Perfuratriz Rotativa", que na indústria petroleira é chamada de Sonda. A sonda poderá ser terrestre ou marítima distinguindose pelo local onde faz a sondagem, mas a máquina é, em principio, a mesma. 2. Qual a função que elas desempenham na indústria em que são utilizadas ? Resposta: A função da máquina é de fazer um poço para pesquisar e/ou produzir petróleo. Na indústria de exploração de petróleo a broca é a ferramenta utilizada pela Sonda para perfurar o solo e rochas mais profundas. 3. Qual o princípio de funcionamento ?Resposta: [O]Princípio de funcionamento de uma broca de perfuração de uma rocha [é] pelo Sistema de Perfuração Rotativa; são necessários dois elementos variáveis principais que atuam sobre a Broca de Perfuração: 1. Rotação. A broca deve manterse girando no fundo do poço. Uma micro analogia poderia ser [...nada mais consta do texto nesta parte] 2. Peso. A broca deve vencer a resistência da rocha para poder perfurála. O processo usado é de se aplicar uma força sobre a broca que vença a resistência. Essa força é o peso aplicado. São valores enormes dimensionados por toneladas ou milhares de quilogramas. Também se dimensiona o peso em libras", que equivale a aproximadamente meio quilograma. Rotação e Peso representam o principio de funcionamento de uma broca de perfuração de poços de petróleo. 4. De que materiais são constituídas? Resposta: Como material de fabricação de uma broca para perfuração rotativa existem basicamente dois tipos de brocas de perfuração quanto ao material de fabricação:Brocas de corpo de aço e Brocas de corpo de matriz. Esta matriz é uma mistura de vários materiais sendo principalmente Carbureto de tungstênio e cobalto. Todas empresas que fabricam brocas de perfuração utilizam este tipo de material, podendo variar, no caso de corpo matriz, a composição percentual de cada elemento. Além do corpo, a broca possui uma estrutura cortante. A depender da composição da rocha a ser perfurada, a estrutura cortante poderá ser de aço, carbureto de tungstênio ou cortadores adiamantados. As formas da estrutura cortante são variadas mas se compõem basicamente desses três tipos de material. (...) (sublinhados não constantes do original) Fl. 6DF CARF MF Emitido em 22/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 22/06/2011 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES Assinado digitalmente em 22/06/2011 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES, 22/06/2011 por JOSE LUIZ NOV O ROSSARI Processo nº 10726.000362/200672 Acórdão n.º 3202000.300 S3C2T2 Fl. 7 7 Consta, ainda, do Relatório anexo ao Auto de Infração (fls. 17/18), as seguintes respostas quanto às brocas importadas: 1) São aplicada/utilizadas em que tipos de máquinas?(especificar o nome e a função das máquinas) RESPOSTA: "As brocas são utilizadas na perfuração de poços de petróleo, a máquina que utiliza este produto é chamada de "Perfuratriz Rotativa" que na indústria petroleira é chamada de "Sonda". A sonda poderá ser terrestre ou marítima distinguindose pelo local onde faz a sondagem mas a máquina é, em princípio, a mesma." 2) Qual a função que elas desempenham na indústria em que são utilizadas? RESPOSTA: "A função da máquina é de fazer um poço para pesquisar e/ou produzir petróleo. Na indústria de exploração de petróleo a broca é a ferramenta utilizada pela Sonda para perfurar o solo e rochas mais profundas." 3) Qual o princípio de funcionamento? RESPOSTA: " Princípio de funcionamento de uma broca de perfuração de uma rocha pelo Sistema de Perfuração Rotativa, são necessários dois elementos variáveis principais que atuam sobre a Broca de Perfuração: I. Rotação. A broca deve manter se girando no fundo do poço. 2. Peso. A broca deve vencer a resistência da rocha para poder perfurála. Rotação e peso representam o princípio de funcionamento de uma broca de perfuração de poços de petróleo." 4) De que materiais são constituídas? RESPOSTA: "Como material de fabricação de uma broca para perfuração rotativa existem basicamente dois tipos de brocas de perfuração quanto ao material de fabricação. Brocas de corpo de aço e Brocas de corpo de matrix. Esta matriz é uma mistura de vários materiais sendo principalmente Carbureto de Tungstênio e cobalto. Todas empresas fabricam brocas de perfuração utilizam este tipo de material, podendo variar, no caso de corpo matriz, a composição percentual de cada elemento. Além do corpo, a broca possui uma estrutura cortante. A depender da composição da rocha a ser perfurada, a estrutura cortante poderá ser de aço, carbureto de tungstênio ou cortadores adiamantados. As formas da estrutura cortante são variadas mas se compõem basicamente desses três tipos de material.” Verificase, portanto, que as brocas importadas são ferramentas destinadas exclusivamente à perfuração de poços de petróleo, não podendo ser utilizadas em máquinas que não sejam de perfuração ou sondagem, não se confundindo, entretanto, com tais máquinas, razão pela qual seguem classificação distinta daquelas. Ex vi da Regra Geral nº 1, a classificação fiscal de um produto é determinada, primeiramente, pelos textos das posições e das Notas de Seção e de Capítulo. Os Fl. 7DF CARF MF Emitido em 22/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 22/06/2011 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES Assinado digitalmente em 22/06/2011 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES, 22/06/2011 por JOSE LUIZ NOV O ROSSARI Processo nº 10726.000362/200672 Acórdão n.º 3202000.300 S3C2T2 Fl. 8 8 títulos das seções, dos capítulos e dos subcapítulos têm valor apenas indicativo. As posições são agrupamentos de mercadorias representadas por quatro dígitos numéricos; já o termo “texto da posição” referese à redação pertinente a cada uma das posições. In casu, não há controvérsia na classificação quanto à Posição, qual seja, 8207, mas, sim, em nível de Subposição. Resultada, portanto, corretamente classificada a mercadoria na posição 8207, o próximo passo é determinar em qual das Subposições que compõem essa posição o produto será classificado. O caminho para se chegar à Subposição correta é dado pela Regra Geral nº. 06 do Sistema Harmonizado, que assim dispõe: “6. A classificação de mercadorias nas Subposições de uma mesma posição é determinada, para efeitos legais, pelos textos dessas Subposições e das Notas de Subposição respectivas, assim, como, mutatis mutandis, pelas Regras precedentes, entendendose que apenas são comparáveis Subposições do mesmo nível (...)” Para se determinar a Subposição correta, primeiro comparase, dentro da posição (8207), todas as Subposições de primeiro nível (um travessão); em seguida, fixada a de primeiro nível, passase para o segundo nível (dois travessões). Após identificada a Subposição correta, devese encontrar dentre essa o Item e o Subitem correspondentes, bastando, para tanto, seguir o que dispõe a Regra Geral Complementar nº 1 (RGC1) sobre a classificação em nível de Item e Subitem. Segundo a RGC1, todas as Regras Gerais para Interpretação do Sistema Harmonizado são aplicáveis, feitas as devidas adaptações, para se determinar, dentro de cada Posição ou Subposição, o Item aplicável e, dentro deste, o Subitem correspondente, sendo que só são comparáveis um Item com outro Item ou um Subitem com outro Subitem. Assim, tomandose como fundamento as Regras de Interpretação do Sistema Harmonizado acima postas, temos os seguintes textos dos códigos pretendidos: 82.07 FERRAMENTAS INTERCAMBIÁVEIS PARA FERRAMENTAS MANUAIS, MESMO MECÂNICAS, OU PARA MÁQUINASFERRAMENTAS (POR EXEMPLO: DE EMBUTIR, ESTAMPAR, PUNCIONAR, ROSCAR, FURAR, MANDRILAR, BROCHAR, FRESAR, TORNEAR, APARAFUSAR), INCLUÍDAS AS FIEIRAS DE ESTIRAGEM OU DE EXTRUSÃO, PARA METAIS, E AS FERRAMENTAS DE PERFURAÇÃO OU DE SONDAGEM 8207.1 Ferramentas de perfuração ou de sondagem 8207.13.00 Com parte operante de ceramais ("cermets") 8207.19.00 Outras, incluídas as partes 8207.20.00 Fieiras de estiragem ou de extrusão, para metais 8207.30.00 Ferramentas de embutir, de estampar ou de puncionar 8207.40 Ferramentas de roscar interior ou exteriormente 8207.40.10 De roscar interiormente 8207.40.20 De roscar exteriormente 8207.50 Ferramentas de furar 8207.50.1 Brocas, mesmo diamantadas 8207.50.11 Helicoidais, com diâmetro inferior ou igual a 52mm 8207.50.19 Outras 8207.50.90 Outras 8207.60.00 Ferramentas de mandrilar ou de brochar 8207.70 Ferramentas de fresar 8207.70.10 De topo Fl. 8DF CARF MF Emitido em 22/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 22/06/2011 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES Assinado digitalmente em 22/06/2011 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES, 22/06/2011 por JOSE LUIZ NOV O ROSSARI Processo nº 10726.000362/200672 Acórdão n.º 3202000.300 S3C2T2 Fl. 9 9 8207.70.20 Para cortar engrenagens 8207.70.90 Outros 8207.80.00 Ferramentas de tornear 8207.90.00 Outras ferramentas intercambiáveis Comparando a mercadoria objeto da reclassificação levada a efeito pelo Fisco com os textos das Subposições acima transcritos, verificase que as brocas importadas não são meras ferramentas de furar (8207.50), mas sim ferramentas utilizadas nas sondas para perfuração de solos e rochas na exploração petrolífera, conforme fartamente demonstrado pela Fiscalização e informado pela própria recorrente, quando diz que “as brocas [são] utilizadas na perfuração de poços de petróleo; a máquina que utiliza este produto é denominada "Perfuratriz Rotativa", que na indústria petroleira é chamada de Sonda”(8207.1). Assim, como não possuem parte operante de ceramais, a broca de perfuração ora sob análise, dotada de estrutura cortante que pode ser de aço, carbureto de tungstênio ou cortadores adiamantados, incluise na Subposição 8207.19, a qual não possui desdobramentos, chegandose ao perfeito enquadramento tarifário no código 8207.19.00 – Outras ferramentas de perfuração ou de sondagem, incluídas as partes. Ressaltese que, no processo administrativo fiscal, também é aplicável o princípio processual de que ao autor cabe o ônus de demonstrar os fatos constitutivos de seu direito, isto é, à Fazenda Pública cabe demonstrar os fatos que justificam o lançamento fiscal (quem alega tem de provar) e, ao sujeito passivo, os fatos impeditivos e ou modificativos do direito demonstrado pelo autor (pela Fazenda Pública). No caso, nada traz a defesa para contrapor as provas produzidas pela autoridade autuante, e, antes pelo contrário, as explicações que fornece acerca das mercadorias apenas corroboram as conclusões do Fisco. Seu argumentos de defesa mostramse vazios de fundamentação e irrelevantes para justificar a classificação pretendia. Assim, diante dos elementos constantes dos autos, mostrase correta a reclassificação das mercadorias “brocas” e para o código 8207.19.00 – Outras ferramentas de perfuração ou de sondagem, incluídas as partes. Da Revisão Aduaneira Informa a recorrente que já havia procedido outras importações das mesmas mercadorias utilizandose do código 8207.50.19, sem que a Receita Federal houvesse manifestado qualquer óbice. Acontece que tal fato não vincula a Administração em importações posteriores, o que só seria cabível se tivesse havido algum processo de consulta formal, indicando aquela classificação como a correta. A Receita Federal pode e deve proceder a revisão aduaneira, dentro do prazo quinquenal legal, para fins de verificar a correição dos procedimentos adotados pelo importador. Após o despacho aduaneiro, a DI pode ser submetida a revisão para apurar qualquer irregularidade relativa ao despacho, inclusive os aspectos que englobam a correta classificação tarifária da mercadoria, conforme se depreende do disposto no art. 455 do RA/1985, vigente à época da ocorrência dos fatos geradores, a saber: Fl. 9DF CARF MF Emitido em 22/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 22/06/2011 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES Assinado digitalmente em 22/06/2011 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES, 22/06/2011 por JOSE LUIZ NOV O ROSSARI Processo nº 10726.000362/200672 Acórdão n.º 3202000.300 S3C2T2 Fl. 10 10 Art. 455 A revisão aduaneira é o ato pelo qual a autoridade fiscal, após o desembaraço da mercadoria, reexamina o despacho aduaneiro, com a finalidade de verificar a regularidade da importação ou exportação quanto aos aspectos fiscais, e outros, inclusive o cabimento de benefício fiscal aplicado (DL 37/66, art. 54). Deste modo, descabe a alegação da recorrente de que a reclassificação tarifária consistiria em mudança de critério jurídico por parte da autoridade administrativa. Da Multa por Errônea Classificação na Nomenclatura Comum do Mercosul NCM No tocante à manutenção da exigência fiscal pertinente à multa proporcional ao valor aduaneiro da mercadoria, por erro na classificação fiscal adotada pelo sujeito passivo, também não merece reprimenda o acórdão vergastado, vez que a imposição dessa penalidade decorre de texto literal de lei, mais precisamente, do disposto no artigo 84 da Medida Provisória nº 2.15835/2001, o qual assim dispõe: "Art. 84. Aplicase a multa de um por cento sobre o valor aduaneiro da mercadoria: I classificada incorretamente na Nomenclatura Comum do Mercosul, nas nomenclaturas complementares ou em outros detalhamentos instituídos para a identificação da mercadoria. § 2o A aplicação da multa prevista neste artigo não prejudica a exigência dos impostos, da multa por declaração inexata prevista no art. 44 da Lei no 9.430, de 1996, e de outras penalidades administrativas, bem assim dos acréscimos legais cabíveis." As condições para aplicação dessa multa são objetivas, não figurando, portanto, no campo discricionário da autoridade administrativa decidir por sua aplicação ou não. Ao contrário, presentes as hipóteses tipificadas na lei, o agente do fisco está vinculado e obrigado a infligir a sanção cominada, sob pena de responsabilidade funcional e, também, da seara penal. In casu, a reclamante, de fato, praticou a conduta proibida pela norma, qual seja, proceder à classificação fiscal incorreta na Nomenclatura Comum do Mercosul, por conseguinte, tornouse paciente da sanção, cominada: multa de 1% do valor aduaneiro da mercadoria. De outro lado, não cabe às instâncias administrativas discutirem eventuais vícios da lei, pois tal discussão importa em avaliar a constitucionalidade do ato legal, atribuição exclusiva do Poder Judiciário. Da Multa do Controle Administrativo por Falta de Licença de Importação Entendeu a Fiscalização que as “ brocas”, mercadorias constantes das DI nºs. 01/09016925 (fls.30/32), 01/09149321 (fls. 34/36), 01/09149321 (fls. 34/36) e 01/09486115 Fl. 10DF CARF MF Emitido em 22/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 22/06/2011 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES Assinado digitalmente em 22/06/2011 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES, 22/06/2011 por JOSE LUIZ NOV O ROSSARI Processo nº 10726.000362/200672 Acórdão n.º 3202000.300 S3C2T2 Fl. 11 11 (fls. 41/43), não estavam descritas corretamente, com todos os elementos necessários à perfeita identificação e classificação tarifária dos produtos, razão pela qual deixou de aplicar do ADN/COSIT nº. 12/1997 e aplicou à recorrente a multa do controle administrativo por falta de licença na importação, prevista no art. 526, II, do Regulamento Aduaneiro (Decreto nº. 9.030/1985) As cópias das DI acima mencionadas juntadas aos autos não trazem o campo de “Descrição Detalhada da Mercadoria”, provavelmente por alguma falha da digitalização dos documentos. A autoridade julgadora “a quo” menciona a seguinte descrição detalhada: "Broca 08 1/2 HP11"; "Broca 12 1/4 hp11"; "Broca 12 1/4 D51HC517M 6 5/8 Serial"; "Broca 8.500 DS104HGN A2 Com jato instalado"; "Broca 08 1/2 MHP43DGH C 437M 4 1/2". Já a contribuinte, afirma: a DI 01/09486115 faz expressa menção à "jatos para broca 8389" e a "brocas 08 ½”; a DI 01/09016925 menciona broca 08 ½ HP 11" e "broca 12 ¼ HP 11"; a DI 01/09149330 faz referência à "broca 8.500 DS 104 HGN com jato instalado"; a DI 01/09149321 indica o objeto da importação como "broca 12 ¼ D51HC" Afirma a querelante que a descrição das mercadorias constantes nas DI, informando o número de série do equipamento, aliada ao fato de o contrato social da empresa assinalar que suas atividades estão voltadas para a perfuração e o desenvolvimento de poços de petróleo (fl. 195), isso, por si só, já seria suficiente para se inferir que as brocas e demais mercadorias importadas destinavamse ao emprego em perfuração de petróleo. Ora, a simples menção do número de série dos equipamentos não fornece elemento algum para que se possa identificar a especificidade do produto importado, muito menos o objeto social da empresa. Embora a perfuração e o desenvolvimento de poços de petróleo sejam as suas atividades precípuas, isto não significa que todo e qualquer produto importado pela recorrente tenha relação com tais atividades, podendo referirse a qualquer outra, até mesmo relacionarse à atividade de manutenção da atividade principal. Se da descrição das mercadorias nas DI constasse o fim a que se destinavam as brocas, tal informação, de plano, teria levado à classificação fiscal correta . Não se está com isso a dizer que houve dolo ou má fé da empresa, mas imprecisão dos dados informados e ocultação de dados cruciais à correta classificação fiscal. Acontece, porém que, a partir da vigência da Portaria Secex no 17/2003 (DOU de 2/12/2003), houve a inclusão da modalidade de importações dispensadas de Licenciamento, além daquelas com Licenciamento Automático ou Não Automático. Essa sistemática permanece até os dias de hoje, em que vige a Portaria Secex no 10/2010, a saber: Art. 7º O sistema administrativo das importações brasileiras compreende as seguintes modalidades: I – importações dispensadas de Licenciamento; II – importações sujeitas a Licenciamento Automático; e III – importações sujeitas a Licenciamento Não Automático. Art. 8º Como regra geral, as importações brasileiras estão dispensadas de licenciamento, devendo os importadores tão somente providenciar o registro da Declaração de Importação – DI no SISCOMEX,com o objetivo de dar início aos Fl. 11DF CARF MF Emitido em 22/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 22/06/2011 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES Assinado digitalmente em 22/06/2011 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES, 22/06/2011 por JOSE LUIZ NOV O ROSSARI Processo nº 10726.000362/200672 Acórdão n.º 3202000.300 S3C2T2 Fl. 12 12 procedimentos de Despacho Aduaneiro junto à unidade local da RFB. § 1º São dispensadas de licenciamento as seguintes importações: I – sob os regimes de entrepostos aduaneiro e industrial, inclusive sob controle aduaneiro informatizado; II – sob o regime de admissão temporária, inclusive de bens amparados pelo Regime Aduaneiro Especial de Exportação e Importação de Bens Destinados às Atividades de Pesquisa e de Lavra das Jazidas de Petróleo e de Gás Natural REPETRO; III – sob os regimes aduaneiros especiais nas modalidades de loja franca, depósito afiançado,depósito franco e depósito especial; IV – com redução da alíquota de imposto de importação decorrente da aplicação de “ex tarifário”; V – mercadorias industrializadas, destinadas a consumo no recinto de congressos, feiras e exposições internacionais e eventos assemelhados, observado o contido no art. 70 da Lei n.º 8.383, de 30 de dezembro de 1991; VI – peças e acessórios, abrangidas por contrato de garantia; VII – doações, exceto de bens usados; VIII – filmes cinematográficos; IX – retorno de material remetido ao exterior para fins de testes, exames e/ou pesquisas, com finalidade industrial ou científica; X – amostras; XI – arrendamento mercantil leasing, arrendamento simples, aluguel ou afretamento; XII – investimento de capital estrangeiro; XIII – produtos e situações que não estejam sujeitos a licenciamento automático e não automático; e XIV – sob o regime de admissão temporária ou reimportação, quando usados, reutilizáveis e não destinados à comercialização, de recipientes, embalagens, envoltórios, carretéis, separadores, racks, cliplocks, termógrafos e outros bens retornáveis com finalidade semelhante destes, destinados ao transporte, acondicionamento, preservação, manuseio ou registro de variações de temperatura de mercadoria importada, exportada, a importar ou a exportar: e XV – nacionalização de máquinas e equipamentos que tenham ingressado no País ao amparo do regime aduaneiro especial de admissão temporária para utilização econômica , aprovado pela RFB, na condição de novas. Fl. 12DF CARF MF Emitido em 22/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 22/06/2011 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES Assinado digitalmente em 22/06/2011 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES, 22/06/2011 por JOSE LUIZ NOV O ROSSARI Processo nº 10726.000362/200672 Acórdão n.º 3202000.300 S3C2T2 Fl. 13 13 § 2º Na hipótese de o tratamento administrativo do Siscomex previsto nos artigos 9º e 10 acarretar licenciamento para as importações definidas no § 1º deste artigo, o primeiro prevalecerá sobre a dispensa . Subseção II Licenciamento Automático Art. 9º Estão sujeitas a Licenciamento Automático as importações: I – de produtos relacionados no Tratamento Administrativo do SISCOMEX; também disponíveis no endereço eletrônico do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior MDIC, para simples consulta, prevalecendo o constante do aludido Tratamento Administrativo; e II – as efetuadas ao amparo do regime aduaneiro especial de drawback. Parágrafo único. Caso o produto, identificado pela Nomenclatura Comum do MERCOSUL da Tarifa Externa Comum (NCM/TEC), possua destaque, e a mercadoria a ser importada não se referir à situação descrita no destaque, o importador deverá apor o código 999, ficando a mercadoria dispensada daquela anuência. Subseção III Licenciamento Não Automático Art. 10. Estão sujeitas a Licenciamento Não Automático as importações: I – de produtos relacionados no Tratamento Administrativo do SISCOMEX e também disponíveis no endereço eletrônico do MDIC para simples consulta, prevalecendo o constante do aludido Tratamento Administrativo; onde estão indicados os órgãos responsáveis pelo exame prévio do licenciamento não automático, por produto; II – as efetuadas nas situações abaixo relacionadas: a) sujeitas à obtenção de cotas tarifária e não tarifária; b) ao amparo dos benefícios da Zona Franca de Manaus e das Áreas de Livre Comércio; c) sujeitas à anuência do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico CNPq; d) sujeitas ao exame de similaridade; e) de material usado, salvo as exceções estabelecidas no § 2º e no § 3º do art. 37 desta Portaria; f) originárias de países com restrições constantes de Resoluções da Organização das Nações Unidas (ONU); Fl. 13DF CARF MF Emitido em 22/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 22/06/2011 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES Assinado digitalmente em 22/06/2011 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES, 22/06/2011 por JOSE LUIZ NOV O ROSSARI Processo nº 10726.000362/200672 Acórdão n.º 3202000.300 S3C2T2 Fl. 14 14 g) substituição de mercadoria, nos termos da Portaria do Ministério da Fazenda n.º 150, de 26 de julho de 1982; h) sujeitas a medidas de defesa comercial; e i) operações que contenham indícios de fraude. § 1º Na hipótese da alínea “h”, o licenciamento amparando a importação de mercadorias originárias de países não gravados com direitos deverá ser instruído com Certificado d e Origem emitido por Órgão Governamental ou por Entidade por ele autorizada ou, na sua ausência, documento emitido por entidade de classe do país de origem atestando a produção da mercadoria no país, sendo que este último documento deverá ser chancelado, n o país de origem, por uma câmara de comércio brasileira ou representação diplomática. §2º Todos os documentos mencionados nos parágrafos anteriores deste artigo ficarão retidos no Departamento de operações de Comércio Exterior (DECEX) ou na instituição bancária autorizada a operar. §3º Caso o produto, identificado pela NCM/TEC, possua destaque, e a mercadoria a ser importada não se referir à situação descrita no destaque, o importador deverá apor o código 999, ficando a mercadoria dispensada daquela anuência. (grifos não constantes do original) Sendo, hoje, portanto, a dispensa de licença na importação a regra geral, e vez que, na data do julgamento deste processo. tendo sido efetuada consulta acerca do tratamento administrativo dado às mercadorias classificadas no código 8207.19.00, no endereço eletrônico da Secretaria da Receita Federal do Brasil, sem que nada conste sobre exigência de licenciamento, automático ou não, referente a “brocas de perfuração”, podese inferir tratarse atualmente da regra geral de dispensa de licença na importação. Notese que há exigência de licenciamento apenas se o destaque de NCM for igual a 1 (EXCLUSIVAMENTE BROCAS DE ENCAIXES SDS PLUS), caso em que a mercadoria está sujeita à anuência do Ministério do Desenvolvimento Industria e Comercio Exterior, não se aplicando, portanto, ao caso sob análise. Assim, em razão da aplicação da retroatividade benigna prevista no art. 106, II, “a”, do CTN, entendo incabível a aplicação da multa do controle administrativo infligida. Por todo o exposto, DOU PROVIMENTO PARCIAL ao recurso voluntário, para excluir do lançamento apenas a multa do controle administrativo por falta de licença na importação. É como voto. Irene Souza da Trindade Torres Fl. 14DF CARF MF Emitido em 22/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 22/06/2011 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES Assinado digitalmente em 22/06/2011 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES, 22/06/2011 por JOSE LUIZ NOV O ROSSARI Processo nº 10726.000362/200672 Acórdão n.º 3202000.300 S3C2T2 Fl. 15 15 Fl. 15DF CARF MF Emitido em 22/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 22/06/2011 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES Assinado digitalmente em 22/06/2011 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES, 22/06/2011 por JOSE LUIZ NOV O ROSSARI
score : 1.0
Numero do processo: 17460.000862/2007-01
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jun 07 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Tue Jun 07 00:00:00 UTC 2011
Ementa: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL
Período de apuração: 01/01/1996 a 31/07/2002
APRESENTAÇÃO DE RECURSO VOLUNTÁRIO FORA DO PRAZO LEGAL. NÃO CONHECIMENTO.
O recurso apresentado após o trigésimo dia da ciência da decisão a quo não merece ser conhecido.
Recurso Voluntário Não Conhecido
Numero da decisão: 2401-001.850
Decisão: ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, não
conhecer do recurso.
Matéria: CPSS - Contribuições para a Previdencia e Seguridade Social
Nome do relator: KLEBER FERREIRA DE ARAUJO
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NÃO CONHECIMENTO. O recurso apresentado após o trigésimo dia da ciência da decisão a quo não merece ser conhecido. Recurso Voluntário Não Conhecido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, não conhecer do recurso. Elias Sampaio Freire Presidente Kleber Ferreira de Araújo Relator Participaram do presente julgamento o(a)s Conselheiro(a)s Elias Sampaio Freire, Kleber Ferreira de Araújo, Cleusa Vieira de Souza, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Marcelo Freitas de Souza Costa e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira. Fl. 281DF CARF MF Emitido em 06/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 15/06/2011 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO Assinado digitalmente em 15/06/2011 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, 06/07/2011 por ELIAS SAMPAIO FREI RE 2 Relatório A autuação Tratase do Auto de Infração n. 35.902.8764, no qual é aplicada penalidade decorrente da conduta da empresa de deixar de inscrever na Previdência Social segurado empregado. De acordo com o Relatório Fiscal da Infração, fls. 06/08, em razão da desconsideração dos atos e negócios jurídicos das empresas GPM Serviços Gerais Ltda. e MPG Serviços Gerais Ltda., a rigor dos fatos e fundamentos expostos no relatório fiscal da Notificação Fiscal de Lançamento de Débito — NFLD n° 35.902.8713 anexado às fls. 107/147, a exigência da contribuição previdenciária apurada, bem como a aplicação de penalidade por descumprimento de obrigação acessória recaiu na empresa autuada – HABITAR ADMINISTRAÇÃO E SERVIÇOS LTDA. Foi acostado discriminativo com todos os segurados que supostamente teriam deixado de ser inscritos na Previdência Social. A ciência da autuação deuse em 29/12/2006 e a penalidade aplicada importou no montante de R$ 54.376,65 (cinquenta e quatro mil, trezentos setenta e seis reais e sessenta e cinco centavos). A impugnação A empresa apresentou defesa, fls. 225/238, na qual alegou em síntese que o Fisco se baseou, para desconsiderar as operações efetuadas pelas empresas GPM Serviços Gerais Ltda. e MPG Serviços Gerais Ltda, em presunções, desrespeitando, assim, o princípio da legalidade. Suscita também que seja declarada a decadência para os fatos geradores ocorridos a mais de cinco anos da autuação. A decisão de primeira instância A Delegacia de Julgamento – DRJ em Belo Horizonte, decidiu, fls. 254/261, declarar parcialmente procedente a autuação, excluindo a multa correspondente a fatos geradores ocorridos até a competência 12/2000, em razão da decadência, por aplicação do art. 173, I, do Código Tributário Nacional – CTN. O valor da multa reduziuse, então, para R$15.040,35 (quinze mil e quarenta reais e trinta e cinco centavos). Eis a ementa do julgado: ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Período de apuração: 01/01/1996 a 31/07/2002 PREVIDENCIÁRIO. INFRAÇÃO. SEGURADO EMPREGADO. FALTA DE INSCRIÇÃO. Fl. 282DF CARF MF Emitido em 06/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 15/06/2011 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO Assinado digitalmente em 15/06/2011 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, 06/07/2011 por ELIAS SAMPAIO FREI RE Processo nº 17460.000862/200701 Acórdão n.º 240101.850 S2C4T1 Fl. 277 3 Constitui infração à legislação previdenciária a não inscrição de segurado empregado pela ausência da formalização do contrato de trabalho. SÚMULA DO STF. EFEITO VINCULANTE. DECADÊNCIA QUINQUENAL. A súmula editada pelo Supremo Tribunal Federal possui efeito vinculante em relação aos órgãos da administração pública direta e indireta. O prazo para lançamento da contribuição social previdenciária é de cinco anos, nos termos da Súmula Vinculante n° 8 editada pelo STF. DESCONSIDERAÇÃO DE ATO OU NEGÓCIO JURÍDICO. SIMULAÇÃO. É permitido à autoridade tributária desconstituir ato ou negócio jurídico praticado pelo contribuinte, em desconformidade com a lei, com o objetivo de reduzir o montante do tributo devido. Lançamento Procedente em Parte O recurso Inconformada a empresa interpôs recurso voluntário, fls. 266/269, no qual alega que a decadência deveria ser reconhecida até a competência 12/2001, haja vista que a lavratura se deu em 12/2006. Diante dessa constatação, afirma, restaria apenas um segurado como não inscrito. Nesse sentido subsistiria a penalidade no valor de R$ 1.156,95 (um mil cento e cinquenta e seis reais e noventa e cinco centavos). É o relatório. Voto Conselheiro Kleber Ferreira de Araújo, Relator O recurso foi apresentado a destempo, conforme data da ciência do acórdão da DRJ em 20/10/2008, fl. 265, e data de protocolização da peça recursal em 27/11/2008, fl. 266. Portanto não deve ser conhecido. Eis que a disposição do Decreto n. 70.235/1972 acerca de prazo para apresentação do recurso, está assim redigida: Art. 33. Da decisão caberá recurso voluntário, total ou parcial, com efeito suspensivo, dentro dos trinta dias seguintes à ciência da decisão. (...) Fl. 283DF CARF MF Emitido em 06/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 15/06/2011 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO Assinado digitalmente em 15/06/2011 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, 06/07/2011 por ELIAS SAMPAIO FREI RE 4 Assim, voto pelo não conhecimento do recurso, em face de sua intempestividade. Kleber Ferreira de Araújo Fl. 284DF CARF MF Emitido em 06/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 15/06/2011 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO Assinado digitalmente em 15/06/2011 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, 06/07/2011 por ELIAS SAMPAIO FREI RE
score : 1.0
Numero do processo: 16327.900063/2006-19
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Mar 31 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Fri Apr 01 00:00:00 UTC 2011
Ementa: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL
Ano-calendário: 2002
COMPENSAÇÃO. PEDIDO DE RETIFICAÇÃO FORMULADO POSTERIORMENTE À DECISÃO DENEGATÓRIA DO PEDIDO PELA ADMINISTRAÇÃO.
Não se admite a retificação de pedido de compensação formulado pelo contribuinte quando a pretensão respectiva já tenha sido negada pela Administração, mormente quando tal retificação significa, em verdade, apresentação de novo pleito.
Recurso voluntário conhecido e não provido.
Numero da decisão: 1201-000.472
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em NEGAR provimento ao recurso.
Nome do relator: Rafael Correia Fuso
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PEDIDO DE RETIFICAÇÃO FORMULADO POSTERIORMENTE À DECISÃO DENEGATÓRIA DO PEDIDO PELA ADMINISTRAÇÃO. Não se admite a retificação de pedido de compensação formulado pelo contribuinte quando a pretensão respectiva já tenha sido negada pela Administração, mormente quando tal retificação significa, em verdade, apresentação de novo pleito. Recurso voluntário conhecido e não provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em NEGAR provimento ao recurso. CLAUDEMIR RODRIGUES MALAQUIAS Presidente. (documento assinado digitalmente) RAFAEL CORREIA FUSO Relator. (documento assinado digitalmente) Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Claudemir Rodrigues Malaquias (presidente), Antonio Carlos Guidoni Filho (vicepresidente), Guilherme Adolfo dos Santos Mendes, Régis Magalhães Soares de Queiroz, Marcelo Cuba Netto e Rafael Correia Fuso. Fl. 153DF CARF MF Emitido em 27/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 26/04/2011 por CLAUDEMIR RODRIGUES MALAQUIAS Assinado digitalmente em 26/04/2011 por RAFAEL CORREIA FUSO, 26/04/2011 por CLAUDEMIR RODRIGUES MALA QUIAS 2 Relatório Tratase de pedido de Compensação entregue à Receita Federal em 25/06/2003, em que pleiteia a extinção de débito fiscal de CSLL devida no mês de janeiro de 2003, com crédito decorrente de recolhimento indevido ou a maior de CSLL (código 2484), recolhido em 30/04/2002, conforme declarado no PER/DCOMP às fl.93, utilizando do valor recolhido de R$ 1.025,39, o valor de R$ 1.011,04. A DRF não homologou a compensação sob o seguinte fundamento: A partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos, abaixo relacionados, .mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte: não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. (...) Diante da inexistência do crédito, NÃO 'HOMOLOGO' a compensação declarada. O contribuinte interpôs Manifestação de Inconformidade, alegando em síntese que: A controvérsia gerada pela r. decisão recorrida se insere no fato da autoridade fiscal não considerar que os DARFs que dão origem ao crédito pleiteado referemse ao pagamento por estimativa (artigos 222 a 230 do RIR/99) de IRPJ e CSL, que resultam no saldo negativo (artigo 6°, §1°, inciso II, da Lei 9.430/96) que dá direito à restituição, e conseqüentemente à compensação, nos termos do artigos 6° e 21, ambos da Instrução Normativa SRF n° 210/2002, vigente à época dos fatos. Conforme declarado na DIPJ 2003, anocalendário 2002 (doc. 04), mais exatamente nas fichas 11 e 16 (págs. 710 e 1215), observase que a Requerente recolheu o IRPJ e a CSL mensalmente, devidamente comprovada pela DARF anexa (doc. 05), apurados consoante determinam os artigos 222 e 230 do RIR/99. Observase, ainda, que a Requerente apurou prejuízo no ano calendário de 2002 no montante de R$ 13.143.882,68, conforme atesta a ficha 40 (pág. 44) da DIPJ 2003 (doc. 04). Desta feita, apurouse saldo negativo a restituir, consoante autoriza o artigo 231, inciso IV, do RIR/99, cuja previsão está arrimada no artigo 2°, § 4°, inciso I, da Lei n°9.430/96. Patente, portanto, o direito ao crédito pleiteado pela Requerente. Vale dizer, os valores pagos à título de antecipação de IRPJ e CSL ocorridos no exercício de 2002 são passíveis de compensação, conforme demonstram os documentos anexos. Fl. 154DF CARF MF Emitido em 27/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 26/04/2011 por CLAUDEMIR RODRIGUES MALAQUIAS Assinado digitalmente em 26/04/2011 por RAFAEL CORREIA FUSO, 26/04/2011 por CLAUDEMIR RODRIGUES MALA QUIAS Processo nº 16327.900063/200619 Acórdão n.º 120100.472 S1C2T1 Fl. 154 3 Ocorre que a Requerente, por erro, preencheu seu PER/DCOMP de maneira equivocada, fazendo constar no campo "Tipo de crédito" (origem do crédito) o termo "Pagamento indevido ou a Maior" (doc. 06). Porém, tal equívoco não desmerece o direito da Requerente, vez que este é patente. Outrossim, o processo administrativo fiscal é regido pelo princípio da verdade material, o qual dispõe que o julgador deve sempre buscar a realidade dos fatos, isto é, verificar o que realmente aconteceu a fim de determinar a ocorrência ou não do fato gerador e aferir a legalidade do lançamento. Sendo assim, não merece prosperar a r. decisão atacada, pois o lançamento efetuado de ofício, exigindo os créditos tributários objeto da compensação que a autoridade fiscal reputa indevido, é ilegal, diante da prova acostada aos autos. Portanto, não é o mero equívoco no preenchimento da PER/DCOMP (referente ao campo "Tipo de Crédito" — onde constou "Pagamento Indevido ou a Maior" deveria ter constado "Saldo Negativo") que tem o condão de afastar o direito ao crédito da Requerente. Notese, também, que os requisitos materiais para a compensação de saldo negativo foram observados, já que a transmissão do PER/DCOMP ocorreu em junho de 2003 e os créditos sequer foram atualizados pela Taxa SELIC, não havendo qualquer prejuízo ao Fisco. Diante de todo o exposto, é de rigor o reconhecimento do direito ao crédito pleiteado e a conseqüente homologação da compensação informada nos presentes autos. A DRJSP indeferiu a manifestação de inconformidade, nos termos da ementa abaixo transcrita: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LIQUIDO CSLL Anocalendário: 2002 DCOMP. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. A Declaração de Compensação DCOMP somente poderá ser retificada pelo sujeito passivo caso se encontre pendente de decisão administrativa. PRODUÇÃO DE PROVAS APÓS A IMPUGNAÇÃO. A prova documental deve ser apresentada na impugnação, precluindo o direito de a impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna por motivo de força maior, refirase Fl. 155DF CARF MF Emitido em 27/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 26/04/2011 por CLAUDEMIR RODRIGUES MALAQUIAS Assinado digitalmente em 26/04/2011 por RAFAEL CORREIA FUSO, 26/04/2011 por CLAUDEMIR RODRIGUES MALA QUIAS 4 a fato ou a direito superveniente ou destinase a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidos aos autos. Solicitação Indeferida. Devidamente intimada da decisão em 19/09/2008, a Recorrente protocolou Recurso Voluntário em 20/10/2009, alegando em síntese que: A controvérsia gerada pela r. decisão recorrida se insere no fato da autoridade fiscal não considerar que os DARF's que dão origem ao crédito pleiteado referemse ao pagamento por estimativa (artigos 222 a 230 do RIR/99) de IRPJ e CSL, que resultam no saldo negativo (artigo 6°, § 1°, inciso II, da Lei 9.430/96) que dá direito à restituição, e conseqüentemente à compensação, nos termos do artigos 6° e 21, ambos da Instrução Normativa SRF n° 210/2002, vigente à época dos fatos. Conforme declarado na DIPJ 2003; anocalendário 2002, mais exatamente nas fichas 11 e 16 (págs. 710 e 1215), observase que a Requerente recolheu o IRPJ e a CSL mensalmente, devidamente comprovada pela DARF anexa, apurados consoante determinam os artigos 222 e 230 do RIR/99. Observase, ainda, que a Recorrente apurou prejuízo no ano calendário de 2002 no montante de R$ 13.143.882,68, conforme atesta a ficha 40 (pág. 44) da DIPJ 2003 (doc. 04). Desta feita, apurouse saldo negativo a restituir, consoante autoriza o artigo 231, inciso IV, do RIR/99, cuja previsão está arrimada no artigo 2°, § 4°, inciso 1, da Lei n° 9.430/96. Patente, portanto, o direito ao crédito pleiteado pela Recorrente. Vale dizer, os valores pagos à título de antecipação de IRPJ e CSL ocorridos no exercício de 2002 são passíveis de compensação, conforme demonstram os documentos anexos. Ocorre que a Recorrente, por erro, preencheu sua PER/DCOMP de maneira equivocada, fazendo constar no campo "Tipo de crédito" (origem do crédito) o termo "Pagamento indevido ou a Maior". O processo administrativo fiscal é regido pelo princípio da verdade material, o qual dispõe que o julgador deve sempre buscar a realidade dos fatos, isto é, verificar o que realmente aconteceu a fim de determinar a ocorrência ou não do fato gerador e aferir a legalidade do lançamento. Sendo assim, não merece prosperar a r. decisão atacada, pois o lançamento efetuado de ofício, exigindo os créditos tributários objeto da compensação que a autoridade fiscal reputa indevido, é ilegal, diante da prova acostada aos autos. Notese, também, que os requisitos materiais para a compensação de saldo negativo foram observados, já que a transmissão do PER/DCOMP ocorreu em junho de 2003 e os créditos sequer foram atualizados pela Taxa SELIC, não havendo qualquer prejuízo ao Fisco. Fl. 156DF CARF MF Emitido em 27/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 26/04/2011 por CLAUDEMIR RODRIGUES MALAQUIAS Assinado digitalmente em 26/04/2011 por RAFAEL CORREIA FUSO, 26/04/2011 por CLAUDEMIR RODRIGUES MALA QUIAS Processo nº 16327.900063/200619 Acórdão n.º 120100.472 S1C2T1 Fl. 155 5 Destarte, mister se faz a reforma da r. decisão atacada, a fim de reconhecer o direito da Recorrente em efetuar as compensações efetuadas, anulando o crédito tributário exigido no lançamento de ofício. Conforme asseveramos em tópico anterior, a inequívoca ocorrência de erro de fato por parte da Recorrente restou patente quando preencheu sua PER/DCOMP de maneira equivocada, fazendo constar no campo "Tipo de crédito" (origem do crédito) o termo "Pagamento indevido ou a Maior". Todavia, em razão do indeferimento da produção de prova pericial houve manifesto cerceamento ao direito de defesa da Recorrente em comprovar de maneira categoria que equivocou se no ato de preenchimento da competente guia e conseqüentemente demonstrar seu direito ao crédito. De acordo com as razões da Recorrida, a impossibilidade de produção de prova pericial em sede de manifestação de inconformidade restou perempta, eis que a oportunidade própria é o momento da impugnação. No caso em comento, a imprescindibilidade da realização da prova pericial é justamente buscar a verdade material, pois acaso seja comprovado erro de fato por parte da Recorrente no ato de preenchimento da guia Te—compensação, restará caracterizado o direito de crédito no bojo do presente processo. Assim, em razão da imprescindibilidade acima trazida, é de rigor seja deferida a produção de prova pericial a fim de se verificar a ocorrência de inequívoco erro de fato. Ante todo o exposto, requereu que o recurso seja CONHECIDO E PROVIDO em sua totalidade, para que se reconheça o direito ao crédito pleiteado e a conseqüente homologação informada nos presente autos. Este é o relatório! Voto Conselheiro RAFAEL CORREIA FUSO O Recurso é tempestivo e atende aos requisitos legais, por isso o conheço. Quanto ao pedido de produção de provas pericial, para demonstrar o crédito da Recorrente quanto ao saldo negativo, entendo que para o julgamento dos autos a referida produção de prova não é necessária, visto que o saldo negativo foi devidamente informado na DIPJ. Fl. 157DF CARF MF Emitido em 27/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 26/04/2011 por CLAUDEMIR RODRIGUES MALAQUIAS Assinado digitalmente em 26/04/2011 por RAFAEL CORREIA FUSO, 26/04/2011 por CLAUDEMIR RODRIGUES MALA QUIAS 6 Porém, a questão a ser analisada é se o PERD/COMP pode ser modificado após decisão da DRF que não homologou o pedido, em razão de constatar que o crédito informado havia sido utilizado em outra compensação, justificando o contribuinte que enviou pedido de compensação de forma equivocada com erro material. Nessa situação entendo que não, pois se o DCOMP, nos termos do artigo 74 da Lei n° 9.430/96, é considerado como compensação, ou seja, extinção do crédito tributário, desde o seu protocolo, para os efeitos previstos neste artigo até a decisão da DRF. Assim, o alegado erro de preenchimento da DCOMP não pode ser admitido, eis que, a retificação da origem do crédito tem a mesma natureza de uma Declaração de Compensação de débitos não homologados. E mais, o disposto no artigos 56, 57 e 58 da IN n° 460/2004 e 57, 58 e 59 da IN n° 600/2005, admitem a retificação da DCOMP apenas quando a mesma ainda se encontrar pendente de decisão administrativa, aplicável no período entre a entrega da Declaração e a decisão da DRF. IN n° 460/2006 Art. 56. O Pedido de Restituição, o Pedido de Ressarcimento e a Declaração de Compensação somente poderão ser retificados pelo sujeito passivo caso se encontrem pendentes de decisão administrativa à data do envio do documento retificador e, no que se refere à Declaração de Compensação, que seja observado o disposto nos arts. 57 e 58. Art. 57. A retificação da Declaração de Compensação gerada a partir do Programa PER/DCOMP ou elaborada mediante utilização de formulário (papel) somente será admitida na hipótese de inexatidões materiais verificadas no preenchimento do referido documento e, ainda, da inocorrência da hipótese prevista no art. 58. Art. 58. A retificação da Declaração de Compensação gerada a partir do Programa PER/DCOMP ou elaborada mediante utilização de formulário (papel) não será admitida quanto tiver por objeto a inclusão de novo débito ou o aumento do valor do débito compensado mediante a apresentação da Declaração de Compensação à SRF. Parágrafo único. Na hipótese prevista no caput, o sujeito passivo que desejar compensar o novo débito ou a diferença de débito deverá apresentar à SRF nova Declaração de Compensação. IN n° 600/2005 Art. 57. O Pedido de Restituição, o Pedido de Ressarcimento e a Declaração de Compensação somente poderão ser retificados pelo sujeito passivo caso se encontrem pendentes de decisão administrativa à data do envio do documento retificador e, no que se refere à Declaração de Compensação, que seja observado o disposto nos arts. 58 e 59. Art. 58. A retificação da Declaração de Compensação gerada a partir do Programa PER/DCOMP ou elaborada mediante utilização de formulário (papel) somente será admitida na hipótese de inexatidões materiais verificadas no preenchimento Fl. 158DF CARF MF Emitido em 27/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 26/04/2011 por CLAUDEMIR RODRIGUES MALAQUIAS Assinado digitalmente em 26/04/2011 por RAFAEL CORREIA FUSO, 26/04/2011 por CLAUDEMIR RODRIGUES MALA QUIAS Processo nº 16327.900063/200619 Acórdão n.º 120100.472 S1C2T1 Fl. 156 7 do referido documento e, ainda, da inocorrência da hipótese prevista no art. 59. Art. 59. A retificação da Declaração de Compensação gerada a partir do Programa PER/DCOMP ou elaborada mediante utilização de formulário (papel) não será admitida quanto tiver por objeto a inclusão de novo débito ou o aumento do valor do débito compensado mediante a apresentação da Declaração de Compensação à SRF. Parágrafo único. Na hipótese prevista no caput, o sujeito passivo que desejar compensar o novo débito ou a diferença de débito deverá apresentar à SRF nova Declaração de Compensação. Nesse sentido, entendo não ser cabível a retificação da DCOMP no caso em análise, ainda mais quando a origem do crédito é totalmente distinta daquela informada pelo contribuinte em seu pedido. A modificação do pedido após a decisão da DRF, no caso em análise não é possível, sendo apenas autorizada através de pedido de retificação do DCOMP antes da decisão da DRF ou mediante o cancelamento do DCOMP com o erro e o envio de outro pedido com a origem do crédito correta. Esse é o entendimento inclusive da jurisprudência do extinto Conselho de Contribuintes: EMENTA: ERRO MATERIAL. Ocorre erro material suscetível de retificação quando há divergência facilmente perceptível entre o que foi escrito e aquilo que se queria ter escrito, normalmente revelada no próprio contexto da declaração ou através das circunstâncias em que a declaração é feita. Hipótese inocorrente nesses autos. COMPENSAÇÃO. PEDIDO DE RETIFICAÇÃO FORMULADO POSTERIORMENTE À DECISÃO DENEGATÓRIA DO PEDIDO PELA ADMINISTRAÇÃO. Não se admite a retificação de pedido de compensação formulado pelo contribuinte quando a pretensão respectiva já tenha sido negada pela Administração, mormente quando tal retificação significa, em verdade, apresentação de novo pleito. Recurso voluntário a que se nega provimento. Publicado no D.O.U. nº 230 de 30/11/2007. (Acórdão 10323167) Diante do exposto, CONHEÇO DO RECURSO, e no mérito NEGOLHE PROVIMENTO. É como voto! RAFAEL CORREIA FUSO Relator (documento assinado digitalmente) Fl. 159DF CARF MF Emitido em 27/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 26/04/2011 por CLAUDEMIR RODRIGUES MALAQUIAS Assinado digitalmente em 26/04/2011 por RAFAEL CORREIA FUSO, 26/04/2011 por CLAUDEMIR RODRIGUES MALA QUIAS 8 Fl. 160DF CARF MF Emitido em 27/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 26/04/2011 por CLAUDEMIR RODRIGUES MALAQUIAS Assinado digitalmente em 26/04/2011 por RAFAEL CORREIA FUSO, 26/04/2011 por CLAUDEMIR RODRIGUES MALA QUIAS
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Numero do processo: 13975.000209/2005-11
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu May 05 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Tue May 03 00:00:00 UTC 2011
Ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE
SOCIAL COFINS
Período de apuração: 01/04/2005 a 30/06/2005
NÃOCUMULATIVIDADE.
CRÉDITOS PASSÍVEIS DE DEDUÇÃO
Os custos de bens e serviços nãoutilizados
diretamente no processo de
produção e/ ou de fabricação dos produtos vendidos não geram créditos de
Cofins passíveis de desconto da contribuição devida e/ ou de ressarcimento.
Numero da decisão: 3301-00.929
Decisão: Acordam os membros do colegiado, pelo voto de qualidade, negar
provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do Relator. Vencidos os Conselheiros
Antonio Lisboa Cardoso, Fábio Luiz Nogueira e Maria Teresa Martínez López, que davam
provimento ao recurso.
Matéria: Cofins- proc. que não versem s/exigências de cred.tributario
Nome do relator: JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/04/2005 a 30/06/2005 NÃOCUMULATIVIDADE. CRÉDITOS PASSÍVEIS DE DEDUÇÃO Os custos de bens e serviços nãoutilizados diretamente no processo de produção e/ ou de fabricação dos produtos vendidos não geram créditos de Cofins passíveis de desconto da contribuição devida e/ ou de ressarcimento. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, pelo voto de qualidade, negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do Relator. Vencidos os Conselheiros Antonio Lisboa Cardoso, Fábio Luiz Nogueira e Maria Teresa Martínez López, que davam provimento ao recurso. Rodrigo da Costa Pôssas Presidente. Jose Adão Vitorino de Morais – Redator Redator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: José Adão Vitorino de Morais, Antônio Lisboa Cardoso, Maurício Taveira e Silva, Fábio Luiz Nogueira, Maria Teresa Martínez López e Rodrigo da Costa Pôssas. Relatório Fl. 214DF CARF MF Emitido em 16/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 13/05/2011 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS Assinado digitalmente em 13/05/2011 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, 08/06/2011 por RODRIGO DA COST A POSSAS 2 Tratase de recurso voluntário interposto contra decisão proferida pela DRJ Rio de Janeiro II, RJ, que julgou procedente em parte a manifestação inconformidade interposta contra despacho decisório que reconheceu e deferiu parcialmente pedido de ressarcimento de créditos de Cofins nãocumulativa, apurado para o 2º trimestre de 2005. Inconformada com deferimento parcial, a recorrente interpôs manifestação de inconformidade requerendo o deferimento integral do ressarcimento pleiteado, alegando razões assim sintetizadas por aquela DRJ: “a) As notas fiscais que comprovam as aquisições do fornecedor Vidroforte Indústria e Comércio de Vidros Ltda foram emitidas com CFOP 6.501, destinado a vendas com fim específico de exportação. Contudo, foram utilizadas pela requerente como matéria prima em seu processo de industrialização; b) O CFOP foi utilizado de forma equivocada pelo fornecedor, sem qualquer responsabilidade da recorrente; c) Notese que a empresa Vidroforte destacou o ICMS nas operações, contudo, a venda com fim específico de exportação não tem destaque de ICMS. Assim, a recorrente pagou o ICMS, o PIS e a COF1NS à empresa fornecedora, os dois últimos embutidos no preço dos produtos; d) Caso o fornecedor não tenha recolhido o PIS e a COFINS, a empresa recorrente não pode ser prejudicada, vez que referido recolhimento é de responsabilidade de terceiro, cabendo ao fisco a cobrança da empresa responsável pelo pagamento; e) Caso a intenção da Vidroforte fosse a venda com a suspensão do PIS e da COFINS, na época das aquisições, mesmo havendo autorização da suspensão do PIS e da COFINS pela Lei 10.865/04, a recorrente passou a estar autorizada a efetuar a compra com a referida suspensão somente após a publicação do Ato Declaratório Executivo n° 1, de 06/01/2006. A partir dessa data, a Vidroforte passou a vender para a recorrente com suspensão das contribuições, passando a conceder desconto relativo à suspensão; f) Não existem os supostos ‘vícios formais’ a ensejar a glosa referente aos fretes das aquisições de insumos mas, quando muito, meras irregularidades. O transporte utilizado para levar a madeira bruta das florestas até o estabelecimento da recorrente é efetuado por pessoas humildes que, ao invés de emitirem uma nota fiscal (conhecimento de frete) para cada operação de transporte, emitiam uma nota fiscal conjunta com a totalidade dos serviços prestados em determinado período; g) Referida falha não prejudicou o fisco pois não houve omissão dos valores referentes aos fretes. O fato de ter havido irregularidades não impediu que a empresa transportadora recolhesse PIS e COFINS sobre esses valores; h) Caso se entenda que não tem como auferir os valores a serem ressarcidos, que se determine o retorno dos autos à DRF em Blumenau para análise do crédito; i) Os valores incluídos nos CFOP 1.949 e 2.949 não apresentam qualquer incorreção, vez que se tratam de importâncias relativas a serviços de pessoa jurídica utilizados na extração de madeira, manutenção de florestas e manutenção de máquinas, cujo direito ao crédito está previsto no art. 3º, II, da Lei 10.833/03; j) De fato, no mesmo CFOP existem entradas com direito ao crédito e outras sem. Contudo, a autoridade administrativa deveria ter intimado a recorrente para prestar as informações necessárias. Juntase aos autos as notas fiscais que comprovam o direito pleiteado; Fl. 215DF CARF MF Emitido em 16/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 13/05/2011 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS Assinado digitalmente em 13/05/2011 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, 08/06/2011 por RODRIGO DA COST A POSSAS Processo nº 13975.000209/200511 Acórdão n.º 330100.929 S3C3T1 Fl. 719 3 k) Quanto à diferença entre os valores declarados no DACON a título de armazenagem e frete nas operações de venda e aqueles registrados nos balancetes, esclarecese que as contas mencionadas no balancete são de custos, ou seja, líquidas dos impostos recuperáveis (ICMS, PIS e COFINS) enquanto no DACON consta o valor total do CTRC/NF; l) Relativamente às despesas com transporte na venda da produção do estabelecimento não há que se falar em ‘vícios formais’, mas, quando muito, meras irregularidades, conforme já explanado; m) Caso se entenda que não tem como auferir os valores a serem ressarcidos, que se determine o retorno dos autos à DRF em Blumenau para análise do crédito; ...” Analisada a manifestação de inconformidade, a DRJ julgoua procedente em parte, conforme acórdão nº 1322.696, datado de 08/12/2008, às fls. 690/703, sob as seguintes ementas: “VENDAS COM FIM ESPECÍFICO DE EXPORTAÇÃO. COMPROVAÇÃO. A aquisição de bens utilizados como insumo na fabricação de produtos destinados à venda gera direito a crédito a ser descontado da COFINS nãocumulativa, quando não comprovado que a aquisição tenha sido efetuada com o fim específico de exportação. COFINS APURAÇÃO NÃOCUMULATIVA. GLOSA DE CRÉDITOS. COMPROVAÇÃO. Não é cabível a glosa de crédito a ser descontado da contribuição para a COFINS nãocumulativa, calculado em relação a serviços utilizados como insumo, quando devidamente escriturados e amparados por documentos hábeis que lhe dêem suporte. PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS. NÃOCUMULATIVIDADE. INSUMOS. Os serviços caracterizados como insumos são aqueles diretamente aplicados ou consumidos na produção ou fabricação do produto. Despesas e custos indiretos, embora necessários à realização das atividades da empresa, não podem ser considerados insumos para fins de apuração dos créditos no regime da não cumulatividade. DECISÃO ADMINISTRATIVA. MATÉRIA NÃO CONTESTADA. Consideramse definitivos os ajustes efetuados na base de cálculo dos créditos a descontar relativamente aos itens que não foram expressamente contestados.” Cientificada dessa decisão, inconformada, a recorrente interpôs o recurso voluntário às fls. 712/715, requerendo a sua reforma a fim de que se reconheça o seu direito ao Fl. 216DF CARF MF Emitido em 16/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 13/05/2011 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS Assinado digitalmente em 13/05/2011 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, 08/06/2011 por RODRIGO DA COST A POSSAS 4 ressarcimento pleiteado, alegando, em síntese, a ilegalidade das glosas efetuadas pela autoridade administrativa competente e mantidas pela autoridade julgadora de primeira instância sobre os custos/despesas de extração de madeiras (matériaprima). É o relatório. Voto Conselheiro José Adão Vitorino de Morais O recurso apresentado atende aos requisitos de admissibilidade previstos no Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972. Assim, dele conheço. Em seu recurso voluntário, a recorrente suscitou a ilegalidade das glosas sobre os custos/despesas de extração de madeiras. A Lei nº 10.833, de 29 de dezembro de 2003, que instituiu o regime com incidência nãocumulativa para a Cofins, assim dispõe, quanto aos créditos dessa contribuição, passíveis de dedução da contribuição devida e/ ou de ressarcimento, in verbis: “Art. 3º Do valor apurado na forma do art. 2º a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: I bens adquiridos para revenda, exceto em relação às mercadorias e aos produtos referidos nos incisos III e IV do § 3º do art. 1º; II bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, inclusive combustíveis e lubrificantes; (...); V despesas financeiras decorrentes de empréstimos, financiamentos e o valor das contraprestações de operações de arrendamento mercantil de pessoa jurídica, exceto de optante pelo Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte SIMPLES; (...).” Os dispositivos legais transcritos acima elencam de forma expressa os custos e despesas que geram créditos de Cofins nãocumulativa passíveis de deduções e/ ou de ressarcimento. Os custos e despesas decorrentes de extração de madeira para produção de matériaprima não estão elencados naquele diploma legal. Segundo aqueles dispositivos, somente geram créditos de Cofins os custos dos bens utilizados como insumos na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda. Os referidos custos/despesas não constituem insumos utilizados na produção ou fabricação dos produtos vendidos pela recorrente. Fl. 217DF CARF MF Emitido em 16/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 13/05/2011 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS Assinado digitalmente em 13/05/2011 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, 08/06/2011 por RODRIGO DA COST A POSSAS Processo nº 13975.000209/200511 Acórdão n.º 330100.929 S3C3T1 Fl. 720 5 Assim, não há que se falar em ressarcimento de créditos apurados sobre tais custos e despesas. Em face do exposto e de tudo o mais que consta dos autos, nego provimento ao recurso voluntário. José Adão Vitorino de Morais Relator Fl. 218DF CARF MF Emitido em 16/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 13/05/2011 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS Assinado digitalmente em 13/05/2011 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, 08/06/2011 por RODRIGO DA COST A POSSAS
score : 1.0
Numero do processo: 10980.010114/2006-29
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Fri Mar 18 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Fri Mar 18 00:00:00 UTC 2011
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF
Exercício: 2006
IRPF – MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DA DECLARAÇÃO.
SÓCIO OU TITULAR DE PESSOA JURÍDICA INAPTA.
Descabe a aplicação da multa por falta ou atraso na entrega da Declaração de Ajuste Anual do Imposto de Renda das Pessoas Físicas, quando o sócio ou titular de pessoa jurídica inapta não se enquadre nas demais hipóteses de obrigatoriedade de apresentação dessa declaração (Súmula CARF nº 44).
Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 2102-001.204
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, DAR
provimento ao recurso.
Matéria: IRPF- auto infração - multa por atraso na entrega da DIRPF
Nome do relator: Francisco Marconi de Oliveira
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SÓCIO OU TITULAR DE PESSOA JURÍDICA INAPTA. Descabe a aplicação da multa por falta ou atraso na entrega da Declaração de Ajuste Anual do Imposto de Renda das Pessoas Físicas, quando o sócio ou titular de pessoa jurídica inapta não se enquadre nas demais hipóteses de obrigatoriedade de apresentação dessa declaração (Súmula CARF nº 44). Recurso Voluntário Provido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, DAR provimento ao recurso (ASSINADO DIGITALMENTE) Rubens Maurício Carvalho – Presidente substituto. (ASSINADO DIGITALMENTE) Francisco Marconi de Oliveira – Relator. EDITADO EM: 29/03/2011 Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Rubens Maurício Carvalho (Presidente substituto), Núbia Matos Moura, Acácia Sayuri Wakasugi, Carlos André Rodrigues Pereira Lima, Vanessa Pereira Rodrigues Domene e Francisco Marconi de Oliveira. Ausente justificadamente o Presidente, Conselheiro Giovanni Christian Nunes Campos. Fl. 1DF CARF MF Emitido em 12/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 29/03/2011 por FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA Assinado digitalmente em 29/03/2011 por FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, 30/03/2011 por RUBENS MAURICI O CARVALHO 2 Relatório O contribuinte acima identificado foi autuado, por meio da Notificação de Lançamento (fl. 5), em decorrência da entrega da Declaração de Ajuste Anual do Imposto de Renda fora do prazo, referente ao exercício 2006, com aplicação do valor mínimo da multa, estipulada em R$ 165,74. O contribuinte apresentou impugnação em Primeira Instância argumentando que seu CPF encontrase com a situação cadastral suspensa, ocasionada pelo fato de ser vítima de crime de estelionato e que seu nome foi utilizado indevidamente no contrato social de duas empresas. Esclarece que tomou conhecimento dos fatos ao tentar efetuar a declaração anual de isentos. Informa que adotou providências para comprovar sua inocência no Inquérito Policial nº 32003.70.00.0105706, que tramita na Vara Federal Criminal de Curitiba, tendo o Poder Judiciário concluído que “não acarretou nenhuma lesão a bens, serviços ou interesses da União”. Conclui que prestou a declaração de IRPF aconselhado pela Polícia Federal, tendo em vista que seu CPF estava impedindo a prática de atos comuns da vida civil, mesmo não se encontrando nas condições de obrigatoriedade. Requer a baixa da suspensão do CPF e a suspensão da cobrança da multa lançada. A 4ª Turma da DRJ/CTA decidiu, por unanimidade de votos, considerar procedente o lançamento, mantendo a exigência do crédito tributário. O voto é fundamentado no art. 88 da Lei nº 8.981, de 1995, e no inciso III do art. 1º da Instrução Normativa SRF 616, de 31 de janeiro de 2006, por constar do quadro societário das empresas Marluza Comércio de Presentes Ltda ME e Loterias Monte Carlo Ltda. Entende o relator que, para ocorrer a desvinculação do nome do contribuinte às empresas, “deve o interessado buscar a regularização perante o órgão de registro para, daí então, pretender os mesmos efeitos perante a Receita Federal”, e que, “até que tais procedimentos sejam obtidos, constando o contribuinte de quadro societário da empresa, não há como afastar a obrigatoriedade de entrega da declaração de ajuste anual, ficando submetido à multa aplicada em face do atraso ocorrido.” O recorrente recebeu ciência do julgamento em 15 de outubro de 2007 (fl. 30) e apresentou recurso no dia 11 de novembro de 2007 (fl. 31), solicitando que seja cancelada a cobrança da multa por atraso na entrega, tendo em vista que não faz parte de nenhuma dessas empresas. É o relatório. Fl. 2DF CARF MF Emitido em 12/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 29/03/2011 por FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA Assinado digitalmente em 29/03/2011 por FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, 30/03/2011 por RUBENS MAURICI O CARVALHO Processo nº 10980.010114/200629 Acórdão n.º 210201.204 S2C1T2 Fl. 69 3 Voto Conselheiro Francisco Marconi de Oliveira Declarase a tempestividade, uma vez que a contribuinte interpôs recurso voluntário no prazo regulamentar. Atendidos os demais requisitos legais, passase a apreciar o recurso. A matéria em litígio envolve multa por atraso na entrega da Declaração de Ajuste Anual do Imposto de Renda Pessoa Física, exercício 2006. A Lei nº 9.250, de 26 de dezembro de 1995, determina que a declaração de rendimentos pessoa física seja apresentada, anualmente, até o último dia útil do mês de abril do anocalendário subsequente, conforme modelo aprovado pela Secretaria da Receita Federal. A falta de apresentação da declaração ou a sua apresentação fora do prazo sujeita a pessoa física à multa, nos termos do artigo 88 da Lei 8.981, de 1995. A aplicada ao caso tem o valor mínimo estipulado em duzentas Ufirs (inciso II, §1º, alínea “a” do art. 88 da Lei 8.981/1995), convertido em reais de acordo com o disposto no art. 30 da Lei nº 9.249, de 26 de dezembro de 1995. A Lei nº 9.779, de 1999, artigo 27, estabelece competência à Receita Federal para dispor sobre as obrigações acessórias. A norma disposta pela Receita Federal, que para o exercício 2006 era a Instrução Normativa 616/2006, determina, no inciso III do artigo 1º, estar obrigado à entrega da declaração no prazo legal estabelecido o sujeito passivo que “participou do quadro societário de empresa como titular, sócio ou acionista, ou cooperativo”. O contribuinte alega que não faz parte do quadro societário das empresas Marluza Comércio de Presentes Ltda ME, CNPJ nº 02.181.695/00180 e Loterias Monte Carlo Ltda, CNPJ nº 76.519.483/00142. Para fazer provas dessa pretensão juntou a queixa prestada à Procuradoria Geral do Estado (fls. 50 e 51); as certidões que compareceu a diversos inquéritos abertos na Polícia Federal (fl. 39) e na Polícia Civil do Paraná (fl. 40 e 41); a copia de contrato social da empresa Monte Carlo Ltda e o despacho no inquérito nº 2003.70.00.0105706/PR, da juíza federal substituta, datado de 1º de dezembro de 2005, no qual afirma que “as provas juntadas aos autos demonstram uso indevido de nome de terceiros na alteração do contrato social das empresas Loteria Monte Carlo Ltda e Maluza Comércio de Presentes Ltda”. As evidências levam a crer que o requerente foi vítima de um suposto esquema fraudulento. Entretanto, para eximir o contribuinte do pagamento da multa por atraso na declaração não se precisa analisar o fato. As empresas nas quais o requerente tem participação societária estão inapta perante no cadastro da Secretaria da Receita Federal muito antes da data da entrega da declaração. É isso o que demonstram as consultas aos sistemas informatizados anexadas às folhas 18 e 33. Está a seu favor jurisprudência deste Tribunal, que desobriga o contribuinte da entrega da declaração quando a empresa que for sócio ou titular estiver inativa. A situação ficou de fácil deslinde com a publicação da Súmula CARF nº 44: Descabe a aplicação da multa por falta ou atraso na entrega da Declaração de Ajuste Anual do Imposto de Renda das Pessoas Fl. 3DF CARF MF Emitido em 12/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 29/03/2011 por FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA Assinado digitalmente em 29/03/2011 por FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, 30/03/2011 por RUBENS MAURICI O CARVALHO 4 Físicas, quando o sócio ou titular de pessoa jurídica inapta não se enquadre nas demais hipóteses de obrigatoriedade de apresentação dessa declaração. Assim, como as empresas estão na situação cadastral inapta e a declaração que provocou a multa por atraso deste processo é referente ao exercício 2006, período em que a empresa já estava inativa, há subsunção perfeita com a situação da súmula, o que impende considerar a multa aplicada como indevida. Não há nos autos quaisquer outros motivos que induza o contribuinte estar obrigado a apresentar a Declaração de Ajuste Anual. Diante do exposto, conheço do recurso e voto no sentido de DARlhe provimento. (ASSINADO DIGITALMENTE) Francisco Marconi de Oliveira Relator Fl. 4DF CARF MF Emitido em 12/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 29/03/2011 por FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA Assinado digitalmente em 29/03/2011 por FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, 30/03/2011 por RUBENS MAURICI O CARVALHO
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Numero do processo: 14485.000087/2007-17
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 16 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Wed Mar 16 00:00:00 UTC 2011
Ementa: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS
Data do fato gerador: 30/10/2006
AUTO DE INFRAÇÃO. CFL 30.
Constitui infração às disposições inscritas no art. 32, I da Lei n° 8212/91 c/c art. 225, I, e §9° do RPS, aprovado pelo Dec. n° 3048/99, deixar a empresa de preparar folha de pagamento das remunerações pagas ou creditadas a todos os segurados obrigatórios do RGPS a seu serviço, de acordo com os
padrões e normas estabelecidos pelo INSS.
GRATIFICAÇÃO. NATUREZA REMUNERATÓRIA. SALÁRIO DE CONTRIBUIÇÃO.
Integra o conceito jurídico de salário de contribuição a totalidade dos rendimentos pagos, devidos ou creditados a qualquer titulo, inclusive sob a forma de utilidades. O conceito jurídico de Salário de contribuição aviado no art. 28 da Lei nº 8.212/91 em momento algum vincula a natureza jurídica das
parcelas integrantes da base de cálculo das contribuições previdenciárias à habitualidade de seu recebimento. Sendo a natureza da verba auferida qualificada juridicamente como gratificação de desempenho, basta para a sua sujeição à tributação previdenciária o seu mero recebimento pelo segurado
obrigatório do RGPS, mesmo que tal pagamento tenha ocorrido uma única vez no histórico funcional do beneficiário.
MPF. CIÊNCIA DO INICIO DA AÇÃO FISCAL. PREPOSTO.
POSSIBILIDADE.
O Mandado de Procedimento Fiscal deverá ser emitido por ocasião do início do procedimento fiscal e dele será dada ciência ao representante legal, ao mandatário, ou ao preposto do sujeito passivo, nos termos do art. 23 do Decreto nº 70.235/72. É válida a ciência do MPF, pessoalmente, ou por via postal, realizada no domicílio fiscal eleito pelo contribuinte, confirmada com
a assinatura do recebedor da correspondência, ainda que este não seja o representante legal do destinatário
REVISÃO DE LANÇAMENTO. INOCORRÊNCIA.
Não se configura como revisão de lançamento a ação fiscalizatória tendente a apurar somente fatos geradores que não foram objeto de Auditoria Fiscal anterior, sendo inaplicáveis à hipótese as disposições contidas no art. 149 do CTN.
CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. AUTO DE INFRAÇÃO.
PRAZO DECADENCIAL DE CINCO ANOS. ART. 173, I DO CTN.
O Supremo Tribunal Federal, conforme entendimento exarado na Súmula Vinculante nº 8, reconheceu a inconstitucionalidade do art. 45 da Lei nº 8.212 de 1991. Incidência do preceito inscrito no art. 173, I do CTN.
Sendo o valor da penalidade imposta através do Auto de Infração único e indivisível, o quantum debeatur a ele associado independe do número de infrações cometidas, bastando para a sua caracterização e imputação a ocorrência de uma única infração em período não acometido pela caducidade, de forma que o reconhecimento da decadência parcial não implica o
afastamento da imputação nem modificação no valor da multa aplicada, tampouco.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 2302-000.904
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar
provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator.
Nome do relator: Arlindo da Costa e Silva
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CFL 30. Constitui infração às disposições inscritas no art. 32, I da Lei n° 8212/91 c/c art. 225, I, e §9° do RPS, aprovado pelo Dec. n° 3048/99, deixar a empresa de preparar folha de pagamento das remunerações pagas ou creditadas a todos os segurados obrigatórios do RGPS a seu serviço, de acordo com os padrões e normas estabelecidos pelo INSS. GRATIFICAÇÃO. NATUREZA REMUNERATÓRIA. SALÁRIO DE CONTRIBUIÇÃO. Integra o conceito jurídico de salário de contribuição a totalidade dos rendimentos pagos, devidos ou creditados a qualquer titulo, inclusive sob a forma de utilidades. O conceito jurídico de Salário de contribuição aviado no art. 28 da Lei nº 8.212/91 em momento algum vincula a natureza jurídica das parcelas integrantes da base de cálculo das contribuições previdenciárias à habitualidade de seu recebimento. Sendo a natureza da verba auferida qualificada juridicamente como gratificação de desempenho, basta para a sua sujeição à tributação previdenciária o seu mero recebimento pelo segurado obrigatório do RGPS, mesmo que tal pagamento tenha ocorrido uma única vez no histórico funcional do beneficiário. MPF. CIÊNCIA DO INICIO DA AÇÃO FISCAL. PREPOSTO. POSSIBILIDADE. O Mandado de Procedimento Fiscal deverá ser emitido por ocasião do início do procedimento fiscal e dele será dada ciência ao representante legal, ao mandatário, ou ao preposto do sujeito passivo, nos termos do art. 23 do Decreto nº 70.235/72. É válida a ciência do MPF, pessoalmente, ou por via postal, realizada no domicílio fiscal eleito pelo contribuinte, confirmada com a assinatura do recebedor da correspondência, ainda que este não seja o representante legal do destinatário. Fl. 1DF CARF MF Emitido em 17/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 25/04/2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA Assinado digitalmente em 25/04/2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, 09/05/2011 por MARCO ANDRE RAMOS V IEIRA 2 REVISÃO DE LANÇAMENTO. INOCORRÊNCIA. Não se configura como revisão de lançamento a ação fiscalizatória tendente a apurar somente fatos geradores que não foram objeto de Auditoria Fiscal anterior, sendo inaplicáveis à hipótese as disposições contidas no art. 149 do CTN. CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. AUTO DE INFRAÇÃO. PRAZO DECADENCIAL DE CINCO ANOS. ART. 173, I DO CTN. O Supremo Tribunal Federal, conforme entendimento exarado na Súmula Vinculante nº 8, reconheceu a inconstitucionalidade do art. 45 da Lei n º 8.212 de 1991. Incidência do preceito inscrito no art. 173, I do CTN. Sendo o valor da penalidade imposta através do Auto de Infração único e indivisível, o quantum debeatur a ele associado independe do número de infrações cometidas, bastando para a sua caracterização e imputação a ocorrência de uma única infração em período não acometido pela caducidade, de forma que o reconhecimento da decadência parcial não implica o afastamento da imputação nem modificação no valor da multa aplicada, tampouco. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator. Marco André Ramos Vieira Presidente. Arlindo da Costa e Silva Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marco André Ramos Vieira (Presidente de Turma), Manoel Coelho Arruda Junior (Vicepresidente de turma), Liége Lacroix Thomasi, Adriana Sato, Arlindo da Costa e Silva e Edgar Silva Vidal. Fl. 2DF CARF MF Emitido em 17/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 25/04/2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA Assinado digitalmente em 25/04/2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, 09/05/2011 por MARCO ANDRE RAMOS V IEIRA Processo nº 14485.000087/200717 Acórdão n.º 230200.904 S2C3T2 Fl. 158 3 Relatório Período de apuração: Junho/1996 a Junho/2004. Data da lavratura do Auto de Infração : 30/10/2006. Data da Ciência do Auto de Infração : 07/11/2006. Tratase de auto de infração decorrente do descumprimento de obrigações acessórias previstas no inciso I do art. 32 da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991, lavrado em desfavor do Recorrente, por ter deixado de incluir nas folhas de pagamento das remunerações pagas aos segurados a seu serviço, no período de 07/2001 a 02/2005, os valores pagos aos segurados empregados por meio do "Programa de estímulo ao aumento de produtividade", por intermédio da empresa Incentive House S/A, conforme descrito no Relatório Fiscal, a fl. 13. CFL 30 Deixar a empresa de preparar folha(s) de pagamento(s) das remunerações pagas ou creditadas a todos os segurados a seu serviço, de acordo com os padrões e normas estabelecidas pelo INSS. Relata o auditor fiscal autuante que consultas aos sistemas eletrônicos de controle de débitos da Previdência Social revelaram constar em desfavor do sujeito passivo em apreço Auto de Infração lavrado em ação fiscal anterior. A multa foi aplicada no valor final de R$ 2.313,90 (dois mil trezentos e treze reais e noventa centavos), em virtude da constatação de circunstância agravante prevista no inciso V, do art. 290, do Regulamento da Previdência Social RPS e no inciso V do art. 655 da Instrução Normativa SRP nº 03/2005, conforme detalhamento aviado no Relatório Fiscal de Aplicação da multa a fl. 19. Irresignado com o supracitado lançamento tributário, o Autuado apresentou impugnação a fls. 28/58. A Delegacia da Receita Previdenciária em São Paulo Sul lavrou Decisão Notificação (DN), a fls. 69/85, julgando procedente a autuação em estudo e mantendo o crédito tributário em sua integralidade. O Sujeito Passivo foi cientificado da decisão de 1ª Instância no dia 08 de maio de 2007, conforme Aviso de Recebimento a fl. 89. Inconformado com a decisão exarada pelo órgão administrativo julgador a quo, o ora Recorrente interpôs recurso voluntário, a fls. 94/146, respaldando sua contrariedade em argumentação desenvolvida nos seguintes termos: Fl. 3DF CARF MF Emitido em 17/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 25/04/2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA Assinado digitalmente em 25/04/2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, 09/05/2011 por MARCO ANDRE RAMOS V IEIRA 4 • Que o lançamento padece de vícios insanáveis, dentre os quais a lavratura do termo de início de fiscalização sem que fosse recepcionado por representante legal do notificado; • Que o Recorrente utilizou a empresa Incentive House e seus cartões para o pagamento de contrato de serviços de publicidade, propaganda, marketing, não tendo ocorrido o pagamento de remuneração por serviços prestados por segurado empregado ou contribuinte individual; • Que não há vínculo laboral, uma vez que o Recorrente não conhecia quem iria prestar os serviços de publicidade e marketing; • Que não restou configurada a tipicidade da remuneração, pois o arbitramento não caracteriza a não eventualidade dos pagamentos, se os cartões são nominais aos beneficiários, se houve prestação de contas dos pagamentos; • Que o Recorrente já havia sido fiscalizado em grande parte do período ora fiscalizado. Assim, deveria haver expressa autorização da autoridade competente para a referida revisão, nos termos do artigo 570 da IN n° 03/2005 e artigo 149 do CTN; • Que o Recorrente contratou cartões de premiação, motivando parceiros, mas essencialmente premiando colaboradores externos. Aduz que a Mobitel S/A patrocina vários eventos, sendo que os gastos são suportados pela empresa de Marketing e reembolsados pela Recorrente; • Pugna pela incidência do prazo decadencial de 5 anos. • Que não houve qualquer pagamento a segurados empregados ou contribuintes individuais a serviço do Recorrente, de molde que não como fornecer nomes e preparar as respectivas folhas de pagamento. Os beneficiários dos pagamentos foram prestadores de serviço da empresa de Marketing Incentive House; • Entende que este Auto de Infração é vinculado à NFLD nº 37.044.1567 e deve ser com esta julgado juntamente. Ao fim, requer o Recorrente a declaração de nulidade ou de improcedência do Auto de Infração em tela. Relatados sumariamente os fatos relevantes. Fl. 4DF CARF MF Emitido em 17/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 25/04/2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA Assinado digitalmente em 25/04/2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, 09/05/2011 por MARCO ANDRE RAMOS V IEIRA Processo nº 14485.000087/200717 Acórdão n.º 230200.904 S2C3T2 Fl. 159 5 Voto Conselheiro Arlindo da Costa e Silva, Relator. 1. DOS PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE O sujeito passivo foi valida e eficazmente cientificado da decisão recorrida em 08/05/2007, quartafeira, iniciandose pois o decurso do prazo recursal na quintafeira seguinte, digase, 09/05/2007. Havendo sido o recurso voluntário protocolado no dia 05 de junho do mesmo ano, há que se reconhecer a tempestividade do recurso interposto. Presentes os demais requisitos de admissibilidade do recurso. Dele conheço. 2. DAS QUESTÕES PRELIMINARES. 2.1. DA DECADÊNCIA O Recorrente pugna pelo reconhecimento parcial da decadência. O Supremo Tribunal Federal, conforme entendimento exarado na Súmula Vinculante nº 8, em julgamento realizado em 12 de junho de 2008, reconheceu a inconstitucionalidade dos artigos 45 e 46 da Lei n º 8.212/91, nos termos que se vos seguem: Súmula Vinculante nº 8 “São inconstitucionais o parágrafo único do artigo 5º do Decretolei 1569/77 e os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário”. Conforme estatuído no art. 103A da Constituição Federal, a Súmula Vinculante nº 8 é de observância obrigatória tanto pelos órgãos do Poder Judiciário quanto pela Administração Pública, devendo este Colegiado aplicála de imediato. Art. 103A. O Supremo Tribunal Federal poderá, de ofício ou por provocação, mediante decisão de dois terços dos seus membros, após reiteradas decisões sobre matéria constitucional, aprovar súmula que, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terá efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal, bem como proceder à sua revisão ou cancelamento, na forma estabelecida em lei. Fl. 5DF CARF MF Emitido em 17/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 25/04/2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA Assinado digitalmente em 25/04/2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, 09/05/2011 por MARCO ANDRE RAMOS V IEIRA 6 Afastada por inconstitucionalidade a eficácia das normas inscritas nos artigos 45 e 46 da Lei n º 8.212, urgem serem seguidas as disposições relativas à matéria em relevo inscritas no Código Tributário Nacional – CTN e nas demais leis de regência. O instituto da decadência no Direito Tributário, malgrado respeitadas posições em sentido diverso, encontrase regulamentado no art. 173 do Código Tributário Nacional CTN, que reza ipsis litteris: Código Tributário Nacional CTN Art. 173. O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados: I do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado; II da data em que se tornar definitiva a decisão que houver anulado, por vício formal, o lançamento anteriormente efetuado. Parágrafo único. O direito a que se refere este artigo extingue se definitivamente com o decurso do prazo nele previsto, contado da data em que tenha sido iniciada a constituição do crédito tributário pela notificação, ao sujeito passivo, de qualquer medida preparatória indispensável ao lançamento. A análise da subsunção do fato in concreto à norma de regência revela que, ao caso sub examine, operase a incidência das disposições inscritas no inciso I do transcrito art. 173 do CTN. Nessa condição, tendo sido o Auto de Infração lavrado em 30 de outubro de 2006, este apenas alcançaria as obrigações acessórias exigíveis a contar da competência dezembro/2000, inclusive, excluídas as relativas ao 13º salário desse mesmo ano. Ocorre que as obrigações tributárias objeto do presente Auto de Infração referemse ao período de junho de 1996 a junho de 2004, inclusive, ou seja, abrangendo um período, em sua maior parte, ainda não alcançado pela decadência. Citese, ademais, que o valor da penalidade imposta através do presente Auto de Infração, conforme relatado no Relatório Fiscal de Aplicação da Multa, a fl. 19, é único e indivisível, isto é, o quantum debeatur a ele associado independe do número de infrações cometidas, bastando, para a sua caracterização e imputação, a ocorrência de uma única infração em período não acometido pela caducidade. Nesse contexto, há que se considerar que o reconhecimento da decadência parcial acima delineada não implica o afastamento da imputação nem modificação no valor da multa aplicada, tampouco. 2.1. DA CIÊNCIA DO MPF. Alega o Recorrente que o lançamento padece de vícios insanáveis, dentre os quais a lavratura do termo de início de fiscalização sem que fosse recepcionado por representante legal do Recorrente. Fl. 6DF CARF MF Emitido em 17/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 25/04/2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA Assinado digitalmente em 25/04/2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, 09/05/2011 por MARCO ANDRE RAMOS V IEIRA Processo nº 14485.000087/200717 Acórdão n.º 230200.904 S2C3T2 Fl. 160 7 O apelo do Recorrente não encontra ambiente jurídico propício ao seu sucesso. O Decreto nº 3.969, de 15 de outubro de 2001, ao estabelecer normas gerais sobre o planejamento das atividades da administração previdenciária em matéria fiscal e para a execução de procedimentos fiscais com vistas à apuração e cobrança de créditos previdenciários, assim dispôs em seu art. 4º, ipsis litteris: DECRETO Nº 3.969, de 15 de outubro de 2001. Art. 4º O MPF será emitido na forma de modelos adotados e divulgados pela Diretoria de Arrecadação do Instituto Nacional do Seguro Social, do qual será dada ciência ao sujeito passivo, nos termos do art. 23 do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, com a redação dada pelo art. 67 da Lei nº 9.532, de 10 de dezembro de 1997, por ocasião do início do procedimento fiscal.(Redação dada pelo Decreto nº 4.058, de 18.12.2001). Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972 Art. 23. Farseá a intimação: I pessoal, pelo autor do procedimento ou por agente do órgão preparador, na repartição ou fora dela, provada com a assinatura do sujeito passivo, seu mandatário ou preposto, ou, no caso de recusa, com declaração escrita de quem o intimar; (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997) (grifos nossos) II por via postal, telegráfica ou por qualquer outro meio ou via, com prova de recebimento no domicílio tributário eleito pelo sujeito passivo; (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997) (grifos nossos) III por meio eletrônico, com prova de recebimento, mediante: (Redação dada pela Lei nº 11.196, de 2005) a) envio ao domicílio tributário do sujeito passivo; ou (Incluída pela Lei nº 11.196, de 2005) b) registro em meio magnético ou equivalente utilizado pelo sujeito passivo. (Incluída pela Lei nº 11.196, de 2005) §1º Quando resultar improfícuo um dos meios previstos no caput deste artigo ou quando o sujeito passivo tiver sua inscrição declarada inapta perante o cadastro fiscal, a intimação poderá ser feita por edital publicado: (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009) I no endereço da administração tributária na internet; (Incluído pela Lei nº 11.196, de 2005) II em dependência, franqueada ao público, do órgão encarregado da intimação; ou (Incluído pela Lei nº 11.196, de 2005) III uma única vez, em órgão da imprensa oficial local. (Incluído pela Lei nº 11.196, de 2005) Fl. 7DF CARF MF Emitido em 17/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 25/04/2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA Assinado digitalmente em 25/04/2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, 09/05/2011 por MARCO ANDRE RAMOS V IEIRA 8 §2° Considerase feita a intimação: I na data da ciência do intimado ou da declaração de quem fizer a intimação, se pessoal; (grifos nossos) II no caso do inciso II do caput deste artigo, na data do recebimento ou, se omitida, quinze dias após a data da expedição da intimação; (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997) (grifos nossos) III se por meio eletrônico, 15 (quinze) dias contados da data registrada: (Redação dada pela Lei nº 11.196, de 2005) a) no comprovante de entrega no domicílio tributário do sujeito passivo; ou (Incluída pela Lei nº 11.196, de 2005) b) no meio magnético ou equivalente utilizado pelo sujeito passivo; (Incluída pela Lei nº 11.196, de 2005) IV 15 (quinze) dias após a publicação do edital, se este for o meio utilizado. (Incluído pela Lei nº 11.196, de 2005) §3º Os meios de intimação previstos nos incisos do caput deste artigo não estão sujeitos a ordem de preferência. (Redação dada pela Lei nº 11.196, de 2005) (grifos nossos) §4º Para fins de intimação, considerase domicílio tributário do sujeito passivo: (Redação dada pela Lei nº 11.196, de 2005) (grifos nossos) I o endereço postal por ele fornecido, para fins cadastrais, à administração tributária; e (Incluído pela Lei nº 11.196, de 2005) (grifos nossos) II o endereço eletrônico a ele atribuído pela administração tributária, desde que autorizado pelo sujeito passivo. (Incluído pela Lei nº 11.196, de 2005) §5º O endereço eletrônico de que trata este artigo somente será implementado com expresso consentimento do sujeito passivo, e a administração tributária informarlheá as normas e condições de sua utilização e manutenção. (Incluído pela Lei nº 11.196, de 2005) §6º As alterações efetuadas por este artigo serão disciplinadas em ato da administração tributária. (Incluído pela Lei nº 11.196, de 2005) §7º Os Procuradores da Fazenda Nacional serão intimados pessoalmente das decisões do Conselho de Contribuintes e da Câmara Superior de Recursos Fiscais, do Ministério da Fazenda na sessão das respectivas câmaras subsequente à formalização do acórdão.(Incluído pela Lei nº 11.457, de 2007) §8º Se os Procuradores da Fazenda Nacional não tiverem sido intimados pessoalmente em até 40 (quarenta) dias contados da formalização do acórdão do Conselho de Contribuintes ou da Câmara Superior de Recursos Fiscais, do Ministério da Fazenda, os respectivos autos serão remetidos e entregues, mediante protocolo, à Procuradoria da Fazenda Nacional, para fins de intimação.(Incluído pela Lei nº 11.457, de 2007) §9º Os Procuradores da Fazenda Nacional serão considerados intimados pessoalmente das decisões do Conselho de Contribuintes e da Câmara Superior de Recursos Fiscais, do Ministério da Fazenda, com o término do prazo de 30 (trinta) Fl. 8DF CARF MF Emitido em 17/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 25/04/2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA Assinado digitalmente em 25/04/2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, 09/05/2011 por MARCO ANDRE RAMOS V IEIRA Processo nº 14485.000087/200717 Acórdão n.º 230200.904 S2C3T2 Fl. 161 9 dias contados da data em que os respectivos autos forem entregues à Procuradoria na forma do § 8o deste artigo. (Incluído pela Lei nº 11.457, de 2007) Da análise da legislação mencionada, deflui que o MPF Mandado de Procedimento Fiscal – deve ser emitido por ocasião do início do procedimento fiscal, e dele ser dada a devida ciência ao representante legal, ao mandatário, ou ao preposto do sujeito passivo, de forma pessoal ou por via postal, conforme o regramento fixado no art. 23 do Decreto nº 70.235/72. Compulsando o formulário típico do MPF, constatase existir, no campo destinado à "Ciência do Contribuinte/Responsável", a alternativa de o citado mandado ser conhecido tanto pelo sujeito passivo, como pelo responsável, como ainda, pelo preposto. Mutatis mutandis, perfilando semelhante entendimento como o acima esposado, a Súmula CARF nº 9, de observância vinculante, exorta ser válida a ciência da notificação por via postal realizada no domicílio fiscal eleito pelo contribuinte, confirmada com a assinatura do recebedor da correspondência, ainda que ele não seja o representante legal do destinatário. Súmula CARF nº 9 É válida a ciência da notificação por via postal realizada no domicílio fiscal eleito pelo contribuinte, confirmada com a assinatura do recebedor da correspondência, ainda que este não seja o representante legal do destinatário. No caso concreto sobre o qual nos debruçamos, do inicio do procedimento fiscal foi dada ciência ao Gerente de Recursos Humanos, Sr. Paulo César Corrêa, conforme consignado no MPF, a fl. 10. Inexiste, portanto, qualquer vício formal a macular o procedimento fiscal que deu azo ao Auto de Infração ora em julgamento. Vencidas as preliminares, passamos à análise do mérito. 3. DO MÉRITO Cumpre inicialmente assentar que não serão objeto de apreciação por este Colegiado as matérias não expressamente contestadas pelo Recorrente, as quais se presumirão verdadeiras. 3.1. DA DEPENDÊNCIA DO JULGAMENTO DE NFLD CORRELATA. Fl. 9DF CARF MF Emitido em 17/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 25/04/2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA Assinado digitalmente em 25/04/2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, 09/05/2011 por MARCO ANDRE RAMOS V IEIRA 10 Argumenta o Recorrente que, por se tratar a autuação relativa ao descumprimento de obrigação acessória relacionada a fatos geradores discutidos na NFLD nº 37.044.1567 o julgamento do presente Auto de Infração deveria darse juntamente com aquela. Com efeito, a obrigação principal correspondente aos fatos geradores tratados neste Auto de Infração é objeto da Notificação Fiscal de Lançamento de Débito NFLD nº 37.044.1567, a qual promoveu o lançamento tributário das contribuições previdenciárias relativas aos pagamentos, supostamente efetuados pelo Recorrente a segurados obrigatórios do RGPS, por intermédio da empresa Incentive House S/A. Ocorre que o processo administrativo relativo à citada NFLD nº 37.044.1567 já foi julgado procedente por este Colegiado, em Sessão ocorrida no dia 05 de julho de 2010, tendo por Relatora a Eminente Conselheira Dra. Adriana Sato, tornandose definitiva a constituição do correspondente crédito previdenciário na instância administrativa. De tal fato jurídico, deflui inexistir mais qualquer pendência a obstar o julgamento do presente feito. Inexiste, igualmente, em âmbito administrativo, mais qualquer dúvida a respeito da caracterização das verbas pagas pelo Recorrente aos seus “colaboradores”, através da empresa Incentive House S/A, conforme dessai do julgamento do Recurso Voluntário nº 252.227, assim ementado : Processo nº 14485.000117/200787 Recurso Voluntário nº 252.227 Sessão de: 05 de julho de 2010 Recorrente: Mobitel S/A. Recorrida : DRP São Paulo Sul / SP. Relatora: Cons. Adriana Sato. Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/06/1996 a 30/06/2004 Ementa: REMUNERAÇÃO. PREMIAÇÃO. INCENTIVO. PARCELA DE INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. A verba paga pela empresa aos segurados por intermédio de programa de incentivo cartão premiação é fato gerador de contribuição previdenciária. Uma vez estando no campo de incidência das contribuições previdenciárias, para não haver incidência, é mister previsão legal nesse sentido, sob pena de afronta aos princípios da legalidade e da isonomia. JUROS DE MORA. TAXA SELIC. APLICAÇÃO À COBRANÇA DE TRIBUTOS. É cabível a cobrança de juros de mora sobre os débitos para com a União decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil com base na taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia – SELIC para títulos federais. Fl. 10DF CARF MF Emitido em 17/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 25/04/2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA Assinado digitalmente em 25/04/2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, 09/05/2011 por MARCO ANDRE RAMOS V IEIRA Processo nº 14485.000087/200717 Acórdão n.º 230200.904 S2C3T2 Fl. 162 11 Nesse contexto, restando qualificada como remuneratória tal verba, esta teria de ser obrigatoriamente incluída nas folhas de pagamento do Recorrente, por força cogente das disposições inscritas no art. 32, I da Lei nº 8.212/91. Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991 Art. 32. A empresa é também obrigada a: I preparar folhas de pagamento das remunerações pagas ou creditadas a todos os segurados a seu serviço, de acordo com os padrões e normas estabelecidos pelo órgão competente da Seguridade Social; Neste quesito, pecou o Recorrente ao não incluir nas folhas de pagamento dos segurados a seu serviço os valores das verbas pagas aos, assim denominados pelo Recorrente, “colaboradores” a título de incentivos, intermediados pela empresa Incentive House S.A e que foram contabilizados a título de Prêmio Card/Flex Card. A conduta assim perpetrada pelo Recorrente configurase infração às disposições inscritas no art. 32, I da Lei n° 8212/91, punível com a multa básica de R$ 1.156,95, nos termos do art. 283, I, ‘a’ do RPS, aprovado pelo Dec. n° 3048/99, com valores atualizados pela Portaria MPS nº 342, de 16 de agosto de 2006, publicada no Diário Oficial da União de 17 de agosto de 2006, conforme previsão contida nos artigos 92 e 102 da Lei 8.212/91, no art. 373 do RPS e nos artigos 649 e 654 da IN SRP nº 3/2005. Em virtude da constatação de circunstância agravante prevista no inciso V, do art. 290 do Regulamento da Previdência Social e no inciso V do art. 655 da Instrução Normativa SRP nº 3/2005, o valor básico da multa foi elevado em 2 vezes, correspondendo ao valor final de R$ 2.313,90 (dois mil trezentos e treze reais e noventa centavos), na forma estipulada no inciso IV do art. 292 do RPS e do inciso IV do art. 657 da IN SRP nº 3/2005. Nunca é demais iluminar que a competência para sindicar a subsunção de um determinado fato jurídico à regra de incidência tributária é privativa das autoridades fiscais, nunca do contribuinte. 3.2. DA REVISÃO DE FISCALIZAÇÃO Alega o Recorrente já ter sido fiscalizado em grande parte do período ora fiscalizado. Sustenta que deveria haver expressa autorização da autoridade competente para a referida revisão, nos termos do artigo 570 da IN n° 03/2005 e artigo 149 do CTN. Razão não assiste ao Recorrente. Conforme dessai do Termo de Intimação para Apresentação de Documentos a fls. 13/14, emitido em 29/06/2006, a auditoria fiscal desencadeada na empresa atevese a fatos geradores não apurados em ações fiscais anteriores, de molde que não restou caracterizada materialmente, tampouco formalmente, qualquer Revisão de Lançamento, ao contrário do que entende o Recorrente, mas, sim, a constituição primária de crédito tributário mediante novo lançamento. Fl. 11DF CARF MF Emitido em 17/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 25/04/2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA Assinado digitalmente em 25/04/2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, 09/05/2011 por MARCO ANDRE RAMOS V IEIRA 12 Cumpre neste comenos registrar que nas ações Fiscais anteriormente desencadeadas na empresa recorrente, não foram apurados quaisquer fatos geradores consubstanciados em pagamentos de valores efetuados mediante os cartões de premiação fornecidos pela empresa Incentive House S/A, CNPJ 00.416.126/000141. Citese, por relevante, que o Relatório Fiscal do Auto de Infração em tela, a fl. 18, é de clareza solar ao definir a abrangência do lançamento ora em julgo, nesses termos: DOS FATOS: 1. Em retribuição a serviços prestados por segurados da Previdência Social a empresa tomadora dos serviços lhes concedeu incentivos chamados "Top Premium/Flex Card"; 2. Esses incentivos são créditos contidos em cartões eletrônicos adquiridos da empresa Incentive House S/A os quais permitem saques em Instituições financeiras e compras em estabelecimentos comerciais conveniados; 3. Através dessas operações a empresa promoveu seus programas de motivação e incentivo para o aumento de produtividade; 4. Não se constatou, entretanto, o trânsito dessas remunerações auferidas pelos trabalhadores pela folha de pagamento da empresa; Não há que se falar, dessarte, em revisão de lançamento, nem de Auditoria fiscal, tampouco. 4. CONCLUSÃO: Pelos motivos expendidos, CONHEÇO do recurso voluntário para, no mérito, NEGARLHE PROVIMENTO. É como voto. Arlindo da Costa e Silva Fl. 12DF CARF MF Emitido em 17/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 25/04/2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA Assinado digitalmente em 25/04/2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, 09/05/2011 por MARCO ANDRE RAMOS V IEIRA
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