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Numero do processo: 10783.914097/2011-94
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Sep 26 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Nov 07 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/04/2008 a 03/06/2008
CRÉDITO. VENDAS COM FIM ESPECÍFICO DE EXPORTAÇÃO. COMPROVAÇÃO COM MEMORANDOS DE EXPORTAÇÃO, NOTAS FISCAIS E CARTAS DE CORREÇÃO. RESSARCIMENTO / COMPENSAÇÃO. BASE DE CÁLCULO.
Consideram-se receitas de exportação as vendas efetuadas com o fim específico de exportação quando comprovado por memorandos de exportação exigidos pela legislação estadual e notas fiscais de venda acompanhadas das correspondentes cartas de correção.
NÃO-CUMULATIVIDADE. CRÉDITOS. CONCEITO DE INSUMOS.
O alcance do conceito de insumo, segundo o regime da não-cumulatividade do PIS Pasep e da COFINS é aquele em que o os bens e serviços cumulativamente atenda aos requisitos de (i) essencialidade ou relevância com/ao processo produtivo ou prestação de serviço; e sua (ii) aferição, por meio do cotejo entre os elementos (bens e serviços) e a atividade desenvolvida pela empresa.
Não geram direito a crédito a ser descontado diretamente da contribuição apurada de forma não-cumulativa os gastos com serviços para os quais o contribuinte não comprova ou demonstra a aplicação em etapas essenciais ao processo produtivo.
Numero da decisão: 3201-004.245
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao Recurso Voluntário, apenas para reconhecer que as notas fiscais venda nº 1096, 1115, 1146 e 1160 e as respectivas notas complementares de preço nº 1174, 1175, 1176 e 1177 ampararam vendas com fim específico de exportação, devendo os correspondentes valores compor a base de cálculo dos créditos passíveis de ressarcimento/compensação.
(assinado digitalmente)
Charles Mayer de Castro Souza - Presidente
(assinado digitalmente)
Paulo Roberto Duarte Moreira - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza, Marcelo Giovani Vieira, Tatiana Josefovicz Belisario, Paulo Roberto Duarte Moreira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laercio Cruz Uliana Junior.
Nome do relator: PAULO ROBERTO DUARTE MOREIRA
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Período de apuração: 01/04/2008 a 03/06/2008 CRÉDITO. VENDAS COM FIM ESPECÍFICO DE EXPORTAÇÃO. COMPROVAÇÃO COM MEMORANDOS DE EXPORTAÇÃO, NOTAS FISCAIS E CARTAS DE CORREÇÃO. RESSARCIMENTO / COMPENSAÇÃO. BASE DE CÁLCULO. Consideram-se receitas de exportação as vendas efetuadas com o fim específico de exportação quando comprovado por memorandos de exportação exigidos pela legislação estadual e notas fiscais de venda acompanhadas das correspondentes cartas de correção. NÃO-CUMULATIVIDADE. CRÉDITOS. CONCEITO DE INSUMOS. O alcance do conceito de insumo, segundo o regime da não-cumulatividade do PIS Pasep e da COFINS é aquele em que o os bens e serviços cumulativamente atenda aos requisitos de (i) essencialidade ou relevância com/ao processo produtivo ou prestação de serviço; e sua (ii) aferição, por meio do cotejo entre os elementos (bens e serviços) e a atividade desenvolvida pela empresa. Não geram direito a crédito a ser descontado diretamente da contribuição apurada de forma não-cumulativa os gastos com serviços para os quais o contribuinte não comprova ou demonstra a aplicação em etapas essenciais ao processo produtivo.
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VENDAS COM FIM ESPECÍFICO DE EXPORTAÇÃO. COMPROVAÇÃO COM MEMORANDOS DE EXPORTAÇÃO, NOTAS FISCAIS E CARTAS DE CORREÇÃO. RESSARCIMENTO / COMPENSAÇÃO. BASE DE CÁLCULO. Consideramse receitas de exportação as vendas efetuadas com o fim específico de exportação quando comprovado por memorandos de exportação exigidos pela legislação estadual e notas fiscais de venda acompanhadas das correspondentes cartas de correção. NÃOCUMULATIVIDADE. CRÉDITOS. CONCEITO DE INSUMOS. O alcance do conceito de insumo, segundo o regime da nãocumulatividade do PIS Pasep e da COFINS é aquele em que o os bens e serviços cumulativamente atenda aos requisitos de (i) essencialidade ou relevância com/ao processo produtivo ou prestação de serviço; e sua (ii) aferição, por meio do cotejo entre os elementos (bens e serviços) e a atividade desenvolvida pela empresa. Não geram direito a crédito a ser descontado diretamente da contribuição apurada de forma nãocumulativa os gastos com serviços para os quais o contribuinte não comprova ou demonstra a aplicação em etapas essenciais ao processo produtivo. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao Recurso Voluntário, apenas para reconhecer que as notas fiscais venda nº 1096, 1115, 1146 e 1160 e as respectivas notas complementares de preço nº 1174, 1175, AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 78 3. 91 40 97 /2 01 1- 94 Fl. 1168DF CARF MF Processo nº 10783.914097/201194 Acórdão n.º 3201004.245 S3C2T1 Fl. 1.169 2 1176 e 1177 ampararam vendas com fim específico de exportação, devendo os correspondentes valores compor a base de cálculo dos créditos passíveis de ressarcimento/compensação. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza Presidente (assinado digitalmente) Paulo Roberto Duarte Moreira Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza, Marcelo Giovani Vieira, Tatiana Josefovicz Belisario, Paulo Roberto Duarte Moreira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laercio Cruz Uliana Junior. Relatório O interessado acima identificado recorre a este Conselho, de decisão proferida pela Delegacia da Receita Federal de Julgamento no Rio de Janeiro I. Por bem descrever os fatos ocorridos, até então, adoto o relatório elaborado no acórdão nº 3101000.351 que decidiu converter o julgamento em diligência, que transcrevo, a seguir: Trata o presente processo de Declarações de Compensação (Dcomp) de crédito relativo à COFINS nãocumulativa– exportação, referente ao 2º trimestre de 2008. A DRF/Vitória exarou o despacho decisório (fl. 02), com base no relatório da análise do crédito (fls. 546 a 555), decidindo reconhecer em parte o direito creditório pleiteado e, em decorrência, homologar parcialmente a compensação declarada no PER/DCOMP 12815.80195.181108.1.3.097701. O despacho decisório não homologou a compensação declarada nos PER/DCOMP’s 26193.94232.221208.1.3.093951 e 41814.56039.260109.1.3.099470 e não reconheceu valor a ser restituído/ressarcido para o pedido de restituição/ressarcimento apresentado no PER/DCOMP 39233.38345.181108.1.1.093424. A análise do crédito pela autoridade fiscal resultou nos seguintes ajustes na base de cálculo dos créditos e na base de cálculo da contribuição devida apurada pelo contribuinte: a) reversão de créditos passíveis de ressarcimento/compensação para créditos sujeitos simplesmente ao desconto de débitos da contribuição, efetuada com base no resultado de auditoria fiscal anteriormente realizada na empresa, onde se verificou que o contribuinte considerou como receita de exportação algumas vendas feitas no mercado interno alegando tratarse de vendas a empresas comerciais exportadoras, mas que, segundo a fiscalização, não atendiam os requisitos para serem Fl. 1169DF CARF MF Processo nº 10783.914097/201194 Acórdão n.º 3201004.245 S3C2T1 Fl. 1.170 3 consideradas como tal. A ação fiscal resultou na lavratura de auto de infração formalizado no processo nº 15586.001601/201053, abrangendo o PIS e a COFINS relativos aos períodos de apuração de 01/2006 a 12/2008; b) glosa de créditos apurados pelo contribuinte em relação a serviços não caracterizados como insumos. A contribuinte foi cientificada do Despacho Decisório em 04/01/2012 (fl. 03) e apresentou Manifestação de Inconformidade em 02/02/2012 (fls. 09 a 125), alegando, em síntese: (i) a obediência aos requisitos para fruição da imunidade/não incidência/isenção nas saídas para exportação; e (ii) a higidez dos créditos glosados utilizados para compensação. Requereu ainda que fosse aplicado ao caso a mesma solução dada ao processo nº 15586.001601/201053, que trata de auto de infração lavrado relativo ao mesmo tributo e às saídas não tributadas. A 17ª Turma de Julgamento da Delegacia da Receita Federal de Julgamento no Rio de Janeiro (I), em sessão de julgamento realizada em 13 de julho de 2013, por unanimidade de votos, julgou procedente em parte a manifestação de inconformidade, reconhecendo o direito creditório relativo a COFINS não cumulativa apurada no 2º trimestre de 2008, no valor de R$ 11.462.124,00, a ser acrescido ao crédito anteriormente reconhecido pela DRF/Vitória e homologou as compensações declaradas, até o limite do crédito reconhecido. O acórdão 1256.855 foi assim ementado: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/04/2008 a 30/06/2008 NÃOCUMULATIVIDADE. CRÉDITOS. INSUMOS. Para fins de apuração de créditos da nãocumulatividade, consideramse insumos os bens e serviços diretamente aplicados ou consumidos na fabricação do produto. VENDAS COM FIM ESPECÍFICO DE EXPORTAÇÃO. COMPROVAÇÃO. Consideramse isentas da COFINS as receitas decorrentes de vendas efetuadas com o fim específico de exportação quando comprovado por memorandos de exportação exigidos pela legislação estadual e notas fiscais de venda acompanhadas das correspondentes cartas de correção. Manifestação de Inconformidade Procedente em Parte Direito Creditório Reconhecido em Parte Discordando da decisão de primeira instância, a interessada apresentou recurso voluntário (fls.620 a 652), onde reprisa os Fl. 1170DF CARF MF Processo nº 10783.914097/201194 Acórdão n.º 3201004.245 S3C2T1 Fl. 1.171 4 argumentos trazidos na manifestação de inconformidade, e apresenta as cartas de correção das notas fiscais nº 1174, 1175, 1176 e 1177, com o objetivo de comprovar que as vendas nelas refletidas se deram com o fim específico de exportação. A Repartição de origem encaminhou os autos, com o Recurso Voluntário, para apreciação do órgão julgador de segundo grau. Submetido a julgamento em turma extinta deste CARF, na sessão de 26/03/2014, Resolução nº 3101000.351, decidiram seus Conselheiros, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência para que a Unidade Preparadora promovesse a anexação da decisão definitiva no PAF nº 15586.001601/201053, a análise e parecer conclusivo acerca da destinação (fins específicos de exportação) das mercadorias amparadas pelas notas fiscais apresentadas pela contribuinte. O voto foi assim assentado: [...] Em face do exposto, voto por converter o presente julgamento em diligência para a autoridade preparadora adotar as seguintes providências: (a) Aguardar o julgamento definitivo do processo nº 15586.001601/201053 e anexar sua decisão definitiva administrativa; (b) Analisar as notas fiscais nºs 1174, 1175, 1176 e 1177, juntamente com suas cartas de correção (fls. 674 a 694), juntadas pela recorrente em seu Recurso Voluntário, confrontálas com a escrita contábil e fiscal da recorrente, e apresentar parecer conclusivo acerca da alegação da Recorrente de que as vendas refletidas nas referidas notas fiscais deramse com o fim específico de exportação. Após a conclusão da diligência deve ser dada ciência ao contribuinte, abrindolhe o prazo de trinta dias para pronunciar se sobre o feito. Após todos os procedimentos, os autos devem ser devolvidos ao CARF para prosseguimento do rito processual. O contribuinte foi intimado e apresentou cópias das notas fiscais e da escrituração fiscal e contábil em seus livros. A autoridade fiscal procedeu à análise requerida em Resolução exarou suas conclusões: 1. As notas fiscais originais de venda de produtos nº 1096, 1115, 1146 e 1160, e as notas complementares de preço nº 1174, 1175, 1176 e 1177, que seriam as notas fiscais objetos desta diligência, estão devidamente lançadas na sua escrituração contábil e fiscal; 2. As receitas correspondentes às notas fiscais foram lançadas originalmente como vendas no mercado interno (CFOP 5.101 venda de produção do estabelecimento para empresas localizadas no próprio estado da federação) tanto nas escriturações fiscal e contábil; Fl. 1171DF CARF MF Processo nº 10783.914097/201194 Acórdão n.º 3201004.245 S3C2T1 Fl. 1.172 5 3. As NFs 1174, 1175, 1176 e 1177 de 5.101 tiveram a retificação do CFOP para 5.501 (remessa de produção do estabelecimento, com fim específico de exportação) por intermédio de cartas de correção emitidas em 21/12/2010; 4. Essas mesmas notas fiscais tiveram suas informações complementares retificadas em relação aos preços, também por cartas de correção emitidas em 10/07/2013; 5. As cartas de correção foram emitidas anos após a emissão das notas fiscais e, especialmente, após o encerramento da fiscalização que constatou inexistência de vendas/remessas com fins específicos de exportação; 6. Reafirmou o entendimento de que as vendas da contribuinte com fins específicos de exportação não se comprovou pois carece de prova não carreada aos autos, ou seja, a remessa dos produtos diretamente do estabelecimento industrial para embarque de exportação ou para recintos alfandegados, por conta e ordem da empresa comercial exportadora. A síntese da conclusão da fiscalização foi assim exposta: [...] Por tudo que foi acima explanado, a fiscalização pode concluir: que as notas fiscais 1174, 1175, 1176 e 1177 referemse à complementação de preço de produtos vendidos em janeiro, fevereiro, março e abril de 2008, conforme escrituração contábil e fiscal do contribuinte; que as cartas de correção foram feitas por interesse da fiscalizada, posteriormente a fiscalização realizada na empresa, visando adequar estas notas fiscais a suas alegações de que se tratavam de vendas feitas para empresa comercial exportadora, com fim específico de exportação, e de correção de valores de vendas feitas através das notas fiscais 1096, 1115, 1146 e 1160; e, por fim, que segundo a legislação vigente, nenhuma das constatações anteriores podem comprovar o fim específico de exportação das vendas feitas através destas notas fiscais, uma fez que isto somente poderia ser feito com a comprovação do envio dos produtos direto para embarque ou para recinto alfandegado, por conta e ordem da empresa comercial exportadora. [...] A contribuinte teve ciência da informação fiscal e manifestouse nesses termos: i. Menciona e traz excerto da decisão da DRJ no processo nº 15586.001601/201053 para afirmar que a matéria relativa à comprovação da venda de seus produtos com o fim específico de exportação está definitivamente julgada; ii. Entende que o próprio CARF, na Resolução nº 3101000.351 delimitou os documentos necessários à comprovação da exportação as notas fiscais e as cartas de correção; Fl. 1172DF CARF MF Processo nº 10783.914097/201194 Acórdão n.º 3201004.245 S3C2T1 Fl. 1.173 6 iii. Evidenciouse na diligência que as notas fiscais foram emitidas em complemento apenas para correção dos valores consignados nas notas fiscais que efetivamente ampararam a venda de produtos que tiveram o fim específico de exportação; iv. Uma vez solucionada a matéria relativa à comprovação da venda com fim específico de exportação, devem os autos aguardarem a solução definitiva administrativa no processo nº 15586.001601/201053. O processe retornou ao CARF e foi a mim distribuído. É o relatório. Voto Conselheiro Paulo Roberto Duarte Moreira, Relator O Recurso Voluntário atende aos requisitos de admissibilidade, razão pela qual dele tomo conhecimento. Na fase em que se encontra o processo, duas são as matérias de mérito a serem enfrentadas neste julgamento: A primeira, vinculada, por razões de segurança jurídica e respeito às decisões exaradas por Colegiado deste CARF, ao que restou definitivamente decidido no processo nº 15586.001601/201053, no que diz respeito à comprovação de que determinadas vendas compõem as Receitas de Exportação para fins de ressarcimento das Contribuições para o PIS/Cofins. A segunda, atinente à glosa de créditos apurados pelo contribuinte em relação a serviços e dispêndios não caracterizados como insumos para fins de creditamento das contribuições. Vendas com fim específico de exportação direito ao ressarcimento/compensação Em procedimento fiscal afirma a autoridade ter constatado divergências no valor da contribuição apurada pelo contribuinte, uma vez que este considerou como receita de exportação algumas vendas feitas no mercado interno, alegando tratarse de vendas para empresas comerciais exportadoras, mas que, em verdade, não atendiam aos requisitos para serem consideradas com tal. Deste trabalho resultou o lançamento do auto de infração para a cobrança dos valores de PIS e Cofins não recolhidos/pagos, o qual foi formalizado através do processo nº 15586.001601/201053, relativos ao período de 2006 a 2008. No presente autos, tratouse do direito creditório relativo a Cofins do 2º trimestre de 2008, portanto, compreendido no período da autuação fiscal. Assim, a desqualificação de vendas como para a exportação resultou no lançamento de ofício para formalizar a exigência das Contribuições nas operações no mercado interno e, por conseguinte, a diminuição dos créditos provenientes das receitas de exportação, versados neste processo. Fl. 1173DF CARF MF Processo nº 10783.914097/201194 Acórdão n.º 3201004.245 S3C2T1 Fl. 1.174 7 Finalizado o julgamento do recurso voluntário no PAF nº 15586.001601/201053, após a interposição e provimento de dois embargos de declaração interpostos pela contribuinte, restou decidido pelo Colegiado que as vendas de produtos a empresa foram consideradas para exportação. Sintetizando aquele litígio, determinadas notas fiscais foram inicialmente emitidas consignandose os códigos CFOP 5.101 como de vendas para o mercado interno. Todavia, constatouse a emissão regular de carta de correção para a retificação da natureza das operações para a modalidade exportação CFOP 5.501, corresponde à remessa de produção do estabelecimento, com fim específico de exportação. Impende ressaltar que o fundamento para o provimento do recurso da contribuinte considerar comprovadas as vendas com o fim específico de exportação e exonerar o lançamento de PIS e Cofins sobre vendas no mercado interno foi a correlação entre (i) as notas fiscais de venda e as notas fiscais de complementação de preço com as (ii) respectivas cartas de correção e (iii) os memorandos de exportação, regularmente emitidos nos termos da legislação estadual. A seguir, os acórdãos de recurso voluntário e de embargos que se relacionam às notas fiscais tratadas igualmente neste processo notas fiscais de venda nºs 1096, 1115, 1146 e 1160, e as notas complementares de preço nº 1174, 1175, 1176 e 1177. Acórdão de Recurso de Ofício e Voluntário nº 3401002.190, de 19/03/2013: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 28/02/2007 a 31/12/2008 BASE DE CÁLCULO. VENDAS PARA O MERCADO EXTERNO. COMPROVAÇÃO COM MEMORANDOS DE EXPORTAÇÃO. Os memorandos de exportação exigidos pela legislação estadual servem como comprovantes de que tenha havido a exportação de mercadorias para o exterior, não obstante a existência de preenchimento incorreto na nota fiscal de venda (CFOP), porquanto foi emitida a correspondente carta de correção. [...] Cuja decisão foi assim proferida: Acordam os membros do Colegiado, por maioria, negar provimento ao recurso de ofício. Vencido o Conselheiro Júlio Ramos que lhe dava provimento. Por maioria, deuse provimento parcial ao Recurso Voluntário para afastar a tributação do PIS/Pasep e da Cofins relativas às vendas no mercado interno do minério de ferro não aglomerado e relativas a parte das vendas de pelotas com fim específico de exportação cujas saídas para o exterior restaram comprovadas por memorandos de exportação e tiveram o erro cometido na aposição do CFOP corrigidos por meio de documento apropriado. Vencido o Conselheiro Júlio Ramos que deu provimento apenas quanto às vendas no mercado interno do minério de ferro não aglomerado. Fl. 1174DF CARF MF Processo nº 10783.914097/201194 Acórdão n.º 3201004.245 S3C2T1 Fl. 1.175 8 E os fundamentos que constam do voto condutor: [...] Vendas de minério de ferro aglomerado (pelotas) Acabamos de ratificar o procedimento da DRJ quanto a outra parte dessas receitas, isto é, aceitamos como prova de que as vendas de minério de ferro em pelotas, da Hispanobras para a VALE, se deram com o fim específico de exportação, os memorandos de exportação e as cartas de correção apresentados pelo contribuinte. Houve uma parte, porém, dessas mesmas receitas de venda de pelotas, para as quais, segundo a DRJ, a Recorrente não se desincumbiu da tarefa de comprovar que tivessem mesmo se dado para o exterior e, desta forma, manteve a exação fiscal. A Recorrente, por seu lado, alega ter trazido nesta fase recursal os memorandos de exportação e as cartas de correção reclamados pela DRJ. A PFN em suas contrarrazões atestou que somente três novos memorandos de exportação foram anexados aos autos juntamente com o Recurso Voluntário, mas, que, mesmo assim, não serviriam para a comprovação esperada. Observo, às fls. 1.650, 1.652, 1.663, 1.664, 1.667, a existência de Memorandos de Exportação e de Cartas de Correção relacionados às notas fiscais de venda de minério de nºs. 768 e 1.008, atendendo, portanto, as condições mínimas exigidas para que se tenha como comprovada a operação de exportação. Esses valores devem ser retirados da exação. Da mesma forma, verificase que, no campo das suas informações complementares, algumas dessas notas que não teriam sua exportação comprovada, referemse, na verdade, a “complementos de preços” de operações de exportação feitas anteriormente e que possuem memorando de exportação a comprovar a operação de saída para o exterior. É o caso das notas fiscais nºs. 1.073, 1.098, 1.117, 1.147, 1.162, 1.190, 1.205, 1.5051,1.517 e 1.557, que se referem a complementos de preços das exportações realizadas por meio das notas fiscais, respectivamente, nºs 1.071, 1.096, 1.115, 1.146, 1.160, 1.185, 1.202,1.503, 1.515 e 1.555, para as quais restou comprovada a exportação com a apresentação dos respectivos memorandos de exportação. De outra parte, a Recorrente não logrou êxito em comprovar que as operações de venda constantes das notas fiscais nºs. 835, 836, 837, 838, 1.174, 1.175, 1.176, 1.177, e 1.615, as quais, ressaltese, não obstante também refiramse a complementos de preços, não têm indicação precisa de qual nota fiscal estão Fl. 1175DF CARF MF Processo nº 10783.914097/201194 Acórdão n.º 3201004.245 S3C2T1 Fl. 1.176 9 complementando preços, de modo que não se consegue associá las a qualquer memorando de exportação. Ora, a própria Recorrente invocara os memorandos de exportação como prova inconteste de suas exportações, não se justificando a falta deles para as referidas notas fiscais, senão a presunção de que referidas operações foram realizadas no mercado interno, a despeito das cartas de correção. Em resumo, neste quesito, dou provimento parcial ao recurso para retirar da base de cálculo das contribuições as receitas de venda relacionadas às notas fiscais nºs. 768, 1.008 e 1.073, 1.098, 1.117, 1.147, 1.162, 1.190, 1.205, 1.505, 1.517 e 1.557. [...] Acórdão em embargos nº 3401003.089, de 29/01/2016: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 28/02/2007 a 31/12/2008 EMBARGOS. ACOLHIMENTO. REQUISITOS. Cabe provimento aos embargos quando se constata a omissão e a contradição na decisão recorrida. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, acolher parcialmente os embargos com efeitos infringentes nos termos do voto do relator. Os Conselheiros Rosaldo Trevisan e Júlio César Alves Ramos registraram que a conclusão se deve exclusivamente em relação ao critério já adotado na decisão embargada. E os fundamentos que constam do voto condutor: A contribuinte, a meu ver, nestes Embargos de Declaração, trazem aos autos as cartas de correção que esclarecem que as notas fiscais [...), 1174, 1175, 1176, 1177, [...] são "notas fiscais complementares" emitidas pela EMBARGANTE com intuito de reajustar a diferença de preço das notas originais n° [...], 1096, 1115, 1146, 1160 e [...], respectivamente. Essas informações já constavam dos documentos acostados aos autos. Ocorre que, a meu ver, essa informação não é suficiente para atender o critério adotado pelo acórdão recorrido para decidir se há a comprovação de que essas notas fiscais se referem a exportações. O critério adotado foi a existência de memorandos de exportação registrando essas notas fiscais. Nos autos, consegui identificar os memorandos de exportação para as seguintes notas fiscais: [...] Fl. 1176DF CARF MF Processo nº 10783.914097/201194 Acórdão n.º 3201004.245 S3C2T1 Fl. 1.177 10 NF 1096 Memorando de Exportação n. 218 (fls. 1669) NF 1115 Memorando de Exportação n. 402 (fls.2082) NF 1146 Memorando de Exportação n. 405 (fls. 2086) NF 1160 Memorando de Exportação n. 405 (fls. 2086) [...] Entretanto, não consegui constatar o memorando de exportação para a nota fiscal indicada a seguir porque não é legível esse dado no documento acostado aos autos: NF 749 Memorando de Exportação n. 156 (fls. 1646) A contribuinte logrou apontar os correspondentes memorandos de exportação, exceto para a NF 749. Portanto, proponho a este colegiado que seja dado parcial provimento aos embargos, com efeitos infringentes, pelo fato de ter sido constatada, no acórdão recorrido, a contradição e a omissão alegadas para as notas fiscais por mim acima listadas como relacionadas a memorandos de exportação. Com efeito no julgamento dos embargos de declaração do PAF 15586.001601/201053, acórdão nº 3401003.089, os Conselheiros entenderam comprovada a venda com fim específico de exportação as notas fiscais nºs 1096, 1115, 1146 e 1160, e as respectivas notas complementares de preço nº 1174, 1175, 1176 e 1177, sob o fundamento de que encontravamse relacionadas nos memorandos de exportação. Assim, ao meu ver a providência solicitada na Resolução nº 3101000.351 para a análise e correlação das NFs 1174, 1175, 1176 e 1177, tal como parecer fiscal quanto à alegação da recorrente de que tais notas refletiam vendas com o fim específico de exportação seria inócua e despicienda. Isto porque o lançamento fiscal para a exigência de PIS e Cofins formalizada no processo nº 15586.001601/201053, utilizado como fundamento para as glosas de créditos de PIS e Cofins no presente processo, já não subsiste, como reconhece a DRF de Origem na informação fiscal anexada ao processo de exigência das Contribuições, conforme imagem: Fl. 1177DF CARF MF Processo nº 10783.914097/201194 Acórdão n.º 3201004.245 S3C2T1 Fl. 1.178 11 Nada obstante, em que concordo parcialmente com as conclusões fiscais de que a venda com fim específico de exportação terseá por comprovada com o embarque de exportação ou a armazenagem em recintos alfandegados, por conta e ordem da empresa comercial exportadora (arts. 39, § 2º da Lei nº 9.532/1997 e 46, § 1º da IN/SRF nº 247/2002), no presente caso há de se dar por comprovada a vinculação e correlação entre os quatro elementos de verificação: notas fiscais de venda, notas fiscais de complementação de preços das notas de venda, cartas de correção e memorandos de exportação. Ademais, em diligência foi confirmada a emissão e escrituração regular de tais notas fiscais, não havendo elementos colacionados aos autos que infirmassem tais circunstâncias. Em que pese as cartas de correção emitidas em datas muito superiores as das notas fiscais, tal situação, não corroborada com outros fatos, não permitem a presunção de que as vendas não foram para exportação. Assim, diante dos argumentos aqui assentados, especialmente com a decisão no PAF nº 15586.001601/201053, cumpre reconhecer que as notas fiscais versadas neste tópico ampararam vendas com fim específico de exportação devendo, portanto, os valores nelas consignados compor a base de cálculo dos créditos passíveis de ressarcimento/compensação. Glosa de créditos de serviços Fl. 1178DF CARF MF Processo nº 10783.914097/201194 Acórdão n.º 3201004.245 S3C2T1 Fl. 1.179 12 A fiscalização excluiu da base de cálculo dos créditos da Cofins não cumulativa os serviços não abrangidos no conceito de insumo, assim considerados na IN SRF nº 404/2004; ou seja, tomou o conceito restritivo apenas para admitir o crédito quando consumido ou aplicado diretamente na produção ou fabricação de produtos destinados à venda. Dessa forma, glosou créditos com despesas de serviços não classificados como insumos e os serviços de operação na usina, denominados, conforme contrato celebrado com a Vale S/A, Fator K e Fator Y, conforme o quadro "Demonstrativo dos Créditos Aceitos pela Fiscalização" (fls. 544): Denotase que, em termos de valor monetário, quase a totalidade dos créditos foram mantidos, pois a glosa significou apenas 0,39% em abril/2008, 0,32% em maio/2008 e 0,1% em junho/2008. Entende a recorrente que o conceito de insumo é mais amplo que o conceito de serviços aplicados ou consumidos na produção ou fabricação do produto, e sustenta que os serviços glosados são todos decorrentes de sua operação industrial onerando a atividade empresarial, inclusive com a incidência das Contribuições que devem ser nãocumulativas. Em síntese, arremata que os serviços foram prestados para a efetivação da produção de pelotas de minério de ferro. A DRJ corroborou o entendimento fiscal, pois ao cotejar os serviços relacionados e a descrição dos motivos da glosas concluiu não serem (os serviços) aplicados ou consumidos na produção de pelotas de minério de ferro. Com razão a decisão recorrida. Fl. 1179DF CARF MF Processo nº 10783.914097/201194 Acórdão n.º 3201004.245 S3C2T1 Fl. 1.180 13 Apenas ínfima parcela das despesas relacionadas a serviços foram glosados por não serem essenciais ou relevantes ao processo produtivo. Tratamse de despesas variadas que, conquanto necessária às atividades da pessoa jurídica, não se relacionam com a fabricação de produtos destinados à venda. São elas (fl. 543): Analisando cada uma das rubricas desses serviços e a natureza da atividade do prestador é de se concluir que "despesas administrativa, advocatícia, publicitária, alimentação, eventos, seguros, refrigeração, etc; despesas com desenvolvimento de projeto, construção, manutenção de engenharia civil e topografia; despesas com assessoria ambiental, tributária, técnica; despesas com material de uso e consumo e máquinas e equipamentos de escritório" não se enquadram no conceito de insumos empregados na atividade industrial da recorrente e, com fulcro no art. 3º da Lei nº 10.8333/2003, não há permissivo para o creditamento. Quanto ao serviços de operação e manutenção de equipamento da produção aponta a contribuinte para a Solução de Consulta Cosit nº 30/2010 que alega permitir crédito a tais rubricas. Solução de Consulta nº 30, de 26 de janeiro de 2010 Assunto: Contribuição para o PIS/PASEP AQUISIÇÃO DE FERRAMENTAS. MÃODEOBRA PARA OPERAÇÃO E MANUTENÇÃO DE EQUIPAMENTOS DA PRODUÇÃO. SERVIÇOS APLICADOS SOBRE O PRODUTO. DIREITO A CRÉDITO. UNIFORMES, EPIS, PAT, TRANSPORTE DE PESSOAL, VIGILÂNCIA, JARDINAGEM, MANUTENÇÃO DA REDE ELÉTRICA E DE PRÉDIOS. IMPOSSIBILIDADE DE CRÉDITO. Revisa a/ Solução de Consulta SRRF/93 RF/Disit n° 377, de 9 de novembro de 2006. As ferramentas adquiridas para utilização em máquinas da linha de produção, a contratação de mãodeobra de pessoas jurídicas para operação e manutenção de equipamentos da linha de produção e a contratação de serviços de pessoas jurídicas aplicados diretamente sobre o produto em transformação ou sobre as ferramentas utilizadas nas máquinas pertencentes à linha de produção são considerados insumos, para fins de creditamento da Contribuição para o PIS/PASEP. Todavia não são considerados insumos a aquisição de uniformes e de Equipamentos de Proteção Individual, os dispêndios com o Programa de Alimentação do Trabalhador, a contratação dos serviços de transporte de pessoal, de limpeza, vigilância e jardinagem e de manutenção da rede elétrica e de prédios administrativos e de produção. Fl. 1180DF CARF MF Processo nº 10783.914097/201194 Acórdão n.º 3201004.245 S3C2T1 Fl. 1.181 14 Não posso concordar que a SC 30/2010 respalde a tomada de crédito com as despesas pretendidas, pois seu fundamento é a aplicação direta do serviço sobre o produto ou sobre as ferramentas utilizadas nas máquinas pertencentes à linha de produção. A recorrente não demonstrou que tais serviços são efetivamente realizados em máquinas e equipamentos da produção. Ademais, em suas razões recursais acaba por infirmar a aplicação desses serviços nas etapas produtivas, conforme item 48 (fl. 639): Ora, os serviços operação e manutenção de equipamentos da produção são_diretamente utilizados na produção do produto (verbi gratia serviços de gerenciamento e de elaboração de projetos e consultoria de engenharia; operação manutenção de aterro industrial; controle consultoria ambiental; locação de andaimes sanitários químicos e outros módulos topográficos; desenvolvimento de softwares serviços de compras de bens de uso e consumo etc.) Em relação aos serviços prestados contratualmente pela Vale S/A, identificados nos demonstrativos como Fator C, Fator K e Fator Y, a autoridade fiscal constatou trataremse de serviços necessários e correlatos ao funcionamento da usina de pelotização da recorrente. Os Fatores estão assim identificados: Fator C: valor dos materiais, serviços e suprimentos diretamente medidos na operação da usina; valor para a HISPANOBRAS dos serviços e materiais complementares relativos ao Departamento de Pelotização da CVRD, tais como inspeções, controle de qualidade, oficinas, sala de controle, engenharia industrial, transporte de pessoal e de materiais, etc.; valor para a HISPANOBRAS correspondente ao total das despesas com mão deobra e respectivos encargos e provisões do Departamento de Pelotização da CVRD dividido pelo número de usinas operadas pela CVRD na Ponta de Tubarão. Fator K: despesas gerais da CVRD. Referese a todas as despesas incorridas pela CVRD, em Vitória e no Rio de Janeiro, pela prestação de serviços necessários ou úteis para a administração regular da HISPANOBRAS, entre os quais: telex e outras modalidades de comunicação, elaboração e processamento de dados, treinamento de pessoal, órgãos de pessoal, comercial e de compras, assistência jurídica e fiscal, estatística, serviços de contabilidade e custo, etc., que não estejam incluídos em nenhum componente da compensação. Fator Y: componente voltado a compensar a CVRD pelo custo financeiro do capital de giro que a CVRD proverá para a operação e manutenção da Usina, através da manutenção em estoque de sobressalentes e de materiais de consumo. Nos termos do item V do contrato, os fatores apontados referemse à compensação monetária pela operação normal da usina, nos quais estão incluídos os Fatores "C", "K" e "Y". Verificou o Fisco que se referem a serviços voltados à administração regular da recorrente (Fator K) e as aquisições de bens de consumo e o custo financeiro à manutenção de estoque (Fator Y). Fl. 1181DF CARF MF Processo nº 10783.914097/201194 Acórdão n.º 3201004.245 S3C2T1 Fl. 1.182 15 Não houve glosa relativamente às despesas dos serviços mencionados no Fator C, e quanto aos Fatores K e Y alcançou somente as despesas gerais, não aplicadas ou consumidas diretamente na produção, como consignou a autoridade fiscal (fls. 554): Observase da análise dos componentes da compensação pela operação da usina que vários deles não são aplicados ou consumidos diretamente na produção de pelotas de minério de ferro e, por conseguinte, não se subsumem ao conceito de insumo para aproveitamento de crédito da contribuição para a Cofins. Nesta condição estão os serviços voltados à administração regular da HIPANOBRAS abarcados pelo Fator K. No tocante ao Fator Y, salientase que a legislação somente estabeleceu o aproveitamento de créditos sobre os valores das aquisições de bens para a industrialização, não integrando o cálculo as aquisições de bens de consumo e o custo financeiro atinente à manutenção em estoque. Desta forma, e aplicando os mesmos fundamentos do tópico anterior, procedeuse à glosa dos valores compensados à CVRD referentes a gastos não aplicados ou consumidos diretamente na produção de pelotas de minério de ferro, quais sejam, as despesas gerais representadas pelos Fatores K e Y. Não há reparo na decisão recorrida quanto à manutenção da glosa parcial nas despesas dos Fatores K e Y. Essas despesas são de natureza financeira e administrativa e se relacionam a custos do capital de giro provido pela Vale S/A e à gestão administrativa da unidade produtiva da Hispanobrás. Por fim, de se ressaltar que a matéria enfrentada neste tópico (glosa dos serviços dos Fatores K e Y) foi decidida por Turma deste CARF no julgamento do processo nº 15586.000005/201137, da mesma contribuinte CIA HISPANO BRASILEIRA DE PELOTIZACAO HISPANOBRAS , quanto aos fatos do período do 1º trimestre de 2006, com a prolação do Acórdão nº 3302005.270, sessão de 28 de fevereiro de 2018, de relatoria da Conselheira Maria do Socorro Ferreira Aguiar que, por unanimidade de voto, negou provimento ao recurso voluntário, com a ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/01/2006 a 31/03/2006 CRÉDITOS. INSUMOS. NÃOCUMULATIVIDADE. Para fins de apuração de créditos da nãocumulatividade, consideramse insumos os bens e serviços que tenham relação de pertinência com a produção, fabricação ou prestação de serviço, ainda que não tenham contato direto e não tenham seu aproveitamento vedado pela lei. A decisão é melhor compreendida com excerto do voto: [...] Fl. 1182DF CARF MF Processo nº 10783.914097/201194 Acórdão n.º 3201004.245 S3C2T1 Fl. 1.183 16 Abrigada na hermenêutica que se extrai dos dispositivos acima citados, considerando que a recorrente atua na produção e comercialização de pelotas de minério de ferro e em face da descrição dos elementos que compõem os fatores K e Y e glosados pela fiscalização, inferese que embora sejam dispêndios necessários à atividade da empresa, não se enquadram nas disposições normativas acima destacadas quanto ao conceito de insumo, já que visam à administração regular da Hispanobrás (Fator K) e à remuneração pelo custo financeiro do capital de giro provido pela CVRD (Fator Y). [...] Dessa forma, não comprovado pelo contribuinte a essencialidade dos serviços glosados em atividades produtivas da fabricação dos produtos destinados à venda, e tampouco se enquadrarem no conceito de insumos previsto nos dispositivos do art. 3º da Lei nº 10.8333/2003, não há permissivo para o creditamento. Conclusão Destarte, encaminho este voto para concluir que: 1. Consideramse receitas de exportação as vendas efetuadas com o fim específico de exportação quando comprovado por memorandos de exportação exigidos pela legislação estadual e notas fiscais de venda acompanhadas das correspondentes cartas de correção; 2. Não geram direito a crédito a ser descontado diretamente da contribuição apurada de forma nãocumulativa os gastos com serviços para os quais o contribuinte não comprova ou demonstra a aplicação em etapas essenciais ao processo produtivo. Por tudo ante exposto, voto para DAR PARCIAL PROVIMENTO ao recurso voluntário apenas para reconhecer que as notas fiscais venda nºs 1096, 1115, 1146 e 1160, e as respectivas notas complementares de preço nº 1174, 1175, 1176 e 1177, ampararam vendas com fim específico de exportação devendo, portanto, os valores nelas consignados compor a base de cálculo dos créditos passíveis de ressarcimento/compensação. (assinado digitalmente) Paulo Roberto Duarte Moreira Fl. 1183DF CARF MF
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Numero do processo: 10380.725302/2010-09
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Oct 16 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Dec 06 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 2010
MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE. PROVA. MOMENTO DE APRESENTAÇÃO.
A prova documental deve ser apresentada na manifestação de inconformidade, precluindo o direito de o interessado fazê-lo em outro momento processual.
RESTITUIÇÃO. PAGAMENTO DE CRÉDITO TRIBUTÁRIO LANÇADO DE OFÍCIO. PAGAMENTO A MAIOR. INOCORRÊNCIA.
O pedido de restituição não é o procedimento previsto em lei para a revisão de crédito tributário lançado de ofício e quitado por pagamento. Somente há crédito passível de restituição se configurado o pagamento indevido ou a maior.
Numero da decisão: 1201-002.589
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto vencedor, vencidos os conselheiros Rafael Gasparello Lima (relator), Luis Fabiano Alves Penteado, Luis Henrique Marotti Toselli e Gisele Barra Bossa, que lhe deram provimento. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Paulo Cezar Fernandes de Aguiar.
(assinado digitalmente)
Ester Marques Lins de Sousa- Presidente
(assinado digitalmente)
Rafael Gasparello Lima - Relator
(assinado digitalmente)
Paulo Cezar Fernandes de Aguiar - Redator designado
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa (presidente), Eva Maria Los, Luis Fabiano Alves Penteado, Carmem Ferreira Saraiva (suplente convocada em substituição ao conselheiro José Carlos de Assis Guimarães), Luis Henrique Marotti Toselli, Rafael Gasparello Lima, Paulo Cezar Fernandes de Aguiar e Gisele Barra Bossa. Ausente, justificadamente, o conselheiro José Carlos de Assis Guimarães.
Nome do relator: RAFAEL GASPARELLO LIMA
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 11; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1638; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C2T1 Fl. 462 1 461 S1C2T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10380.725302/201009 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 1201002.589 – 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 16 de outubro de 2018 Matéria COMPENSAÇÃO VALOR INDEVIDO OU A MAIOR Recorrente BANCO DO NORDESTE DO BRASIL S.A. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2010 MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE. PROVA. MOMENTO DE APRESENTAÇÃO. A prova documental deve ser apresentada na manifestação de inconformidade, precluindo o direito de o interessado fazêlo em outro momento processual. RESTITUIÇÃO. PAGAMENTO DE CRÉDITO TRIBUTÁRIO LANÇADO DE OFÍCIO. PAGAMENTO A MAIOR. INOCORRÊNCIA. O pedido de restituição não é o procedimento previsto em lei para a revisão de crédito tributário lançado de ofício e quitado por pagamento. Somente há crédito passível de restituição se configurado o pagamento indevido ou a maior. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto vencedor, vencidos os conselheiros Rafael Gasparello Lima (relator), Luis Fabiano Alves Penteado, Luis Henrique Marotti Toselli e Gisele Barra Bossa, que lhe deram provimento. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Paulo Cezar Fernandes de Aguiar. (assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa Presidente (assinado digitalmente) Rafael Gasparello Lima Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 38 0. 72 53 02 /2 01 0- 09 Fl. 462DF CARF MF Processo nº 10380.725302/201009 Acórdão n.º 1201002.589 S1C2T1 Fl. 463 2 (assinado digitalmente) Paulo Cezar Fernandes de Aguiar Redator designado Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa (presidente), Eva Maria Los, Luis Fabiano Alves Penteado, Carmem Ferreira Saraiva (suplente convocada em substituição ao conselheiro José Carlos de Assis Guimarães), Luis Henrique Marotti Toselli, Rafael Gasparello Lima, Paulo Cezar Fernandes de Aguiar e Gisele Barra Bossa. Ausente, justificadamente, o conselheiro José Carlos de Assis Guimarães. Relatório Inicialmente, o Recorrente foi autuado pelo não pagamento da estimativa mensal de IRPJ (anoscalendário de 2000 e 2002), após indeferimento da sua compensação com crédito de Ação de Mandado de Segurança, diante da superveniência de decisão judicial contrária, transitada em julgado. O lançamento de ofício da multa isolada sobre a estimativa mensal (R$ 115.576.337,57) ocorreu, concomitantemente, com a penalidade de ofício (R$ 70.722.284,23), segundo o respectivo demonstrativo: Em despacho decisório (fls. 171 e 172), a restituição foi negada, uma vez que o Recorrente quitou o valor exigido pelo Auto de Infração (PAF nº 10380.005784/200510), dentro do prazo de 30 (trinta) dias, expressando sua concordância com lançamento de ofício e, por fim, auferindo a redução da multa isolada em 50%, como se infere a seguir: O presente processo recepciona o PER/DCOMP nº 32697.33758.090710.1.2.041072 (fls. 02/04), enviado em 09/07/2010, referente a Pedido de Restituição de Pagamento Indevido ou a Maior, cujo crédito, que diz existir, inserido no Campo Valor do Pedido de Restituição, totaliza R$57.788.168,77 (cinqüenta e sete milhões, setecentos e oitenta e oito mil, cento e sessenta e oito reais e setenta e sete centavos) Fl. 463DF CARF MF Processo nº 10380.725302/201009 Acórdão n.º 1201002.589 S1C2T1 Fl. 464 3 referente ao DARF demonstrado naquele documento com Código de Receita 6378 (MULTA ISOLADA IRPJ (ART. 43 L.9430)), Período de Apuração – PA 07/07/1980, data da arrecadação 11/08/2005 e vinculado ao Processo Administrativo Fiscal – PAF nº 10380.005784/200510. 2. Concomitante a transmissão do pedido eletrônico, a requerente apresentou requerimento, em 12/07/2010, expondo suas razões e documentos que julgou necessários para demonstrar o indébito tributário. 3. O DARF identificado no pedido totaliza R$57.788.168,77 (cinqüenta e sete milhões, setecentos e oitenta e oito mil, cento e sessenta e oito reais e setenta e sete centavos) e referese ao pagamento de auto de infração objeto do PAF nº 10380.005784/200510 relativo a multa exigida isoladamente relativo ao IRPJ, conforme consta do respectivo documento acostado por cópia a este processo digital. 4. Com efeito, a restituição pleiteada alberga sua origem em suposto pagamento a maior ou indevido relacionado a auto de infração lavrado em seu desfavor e já quitado com as reduções legais pertinentes e, por conseqüência, não contestado em momento oportuno. Portanto, após a quitação com as reduções previstas em lei, o crédito tributário tornarse definitivamente extinto, não podendo a contribuinte, a posteriori, usar pedido de restituição para demonstrar suposto indébito daquela natureza, transformando a restituição como sucedâneo da impugnação administrativa, na forma prevista nas leis instituidora do processo administrativo tributário. Ademais, o DARF inserido no documento encontrase totalmente utilizado não restando saldo credor passível de restituição, conforme extrato do pagamento acostado às fls. 164/165 do presente processo. (...) 8. As razões apresentadas neste processo não têm o condão de demonstrar indébito tributário oriundo de pagamento vinculado à quitação do auto de infração regulamente notificado. Essas razões deveriam ter sido apresentadas como impugnação no prazo legal estabelecido. Não tendo sido feito, precluiu o direito de a impugnante fazêlo utilizando, para isso, pedido de restituição. Ademais, a quitação do AI ocorreu em 11/08/2005, no entanto, somente em 09/07/2010, a contribuinte entendeu ser indevido o referido pagamento. Portanto, como já mencionado linhas atrás, o pedido de restituição em comento não pode ser utilizado para contrapor a um lançamento através de auto de infração já quitado sob alegação de que a multa proporcional aplicada sobre o tributo teria sido indevida. O contribuinte interpôs seu Recurso Voluntário, esclarecendo a origem do pagamento indevido, in litteris: Fl. 464DF CARF MF Processo nº 10380.725302/201009 Acórdão n.º 1201002.589 S1C2T1 Fl. 465 4 Em 12.07.2005, foi lavrado Auto de Infração nº 0310100/00473 04 do MPF (fls. 67 a 84) relativo ao IRPJ – calendários de 2000 e 2002, motivado pela não aceitação de compensação realizada com créditos decorrentes do Plano Verão e recolhimento de estimativas em atraso sem a respectiva multa de mora. Em 11.08.2005, o Banco recorrente pagou o valor de R$ 57.788.168,77 (cinqüenta e sete milhões e setecentos e oitenta e oito mil e cento e sessenta e oito reais e setenta e sete centavos) cobrados no mencionado Auto de Infração, com redução de 50% em virtude do pagamento realizado dentro do prazo de impugnação. DARF e demonstrativo às fls. 85/89. Em 09.07.2010, dentro do prazo de 05 anos da autuação, o recorrente efetivou pedido de restituição através da transmissão da PERD/DCOMP nº 32697.33758.090710.1.2.041072 (fls. 02/04). Concomitante à transmissão do pedido eletrônico, o banco postulante apresentou requerimento, em 12.07.2010, expondo suas razões e documentos que julgou necessários para demonstrar o indébito tributário e pedir sua restituição (fls. 05/31). Citada PERD/DCOMP e pedido de repetição de indébito foram indeferidos por despacho decisório (fls. 171/172). Em 17.08.2011 o recorrente apresentou MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE (fls. 179/216) na qual expõe as razões pelas quais considera ilegal o auto de infração perpetrado e legítimo o seu pedido de restituição. (...) II.1 – Da retroatividade da MP nº 303/2006 e Lei n9 11.488/2007, que revogaram o dispositivo que autorizava a aplicação da multa isolada no presente caso O art. 106 do CTN regula a aplicação da lei tributária a ato ou fato pretérito. Neste sentido, o inciso II, “a”, do mesmo artigo é claro ao determinar a retroatividade da lei em relação a ato não definitivamente julgado quando deixe de definilo como infração. Tendo em vista que o recorrente exerceu o seu direito de pedir restituição do tributo dentro do prazo prescricional de 5 anos (art. 168, I, do CTN), contado da data da extinção do crédito tributário. Não há que se falar em concordância do contribuinte com a multa aplicada, pois se tal fato fosse válido a lei não daria ao contribuinte um prazo de 5 anos para pleitear a restituição. Assim, plenamente plausível, obedecido o prazo prescricional, a possibilidade de apresentação do ato à apreciação da jurisdição administrativa ou judiciária para julgamento do mesmo, posto que não existiu julgamento anterior. Desta forma, no momento do julgamento do presente processo a multa isolada aplicada ao Banco recorrente não merece persistir Fl. 465DF CARF MF Processo nº 10380.725302/201009 Acórdão n.º 1201002.589 S1C2T1 Fl. 466 5 tendo em vista a revogação pela MP nº 303/2006 dos dispositivos legais que a autorizavam. (...) Percebese que desde 2006 o CARF vem decidindo reiteradamente pela retroatividade da MP 303/2006 e posterior Lei 11.488/2007, fazendo com que a multa aplicada no presente caso seja considerada inválida. (...) II.2. DECADÊNCIA DA MULTA ISOLADA (...) O auto de infração datado de 12.07.2005 (fls. 67 a 84), apresenta a data de apuração do tributo (fato gerador) corresponde a janeiro/2000, ou seja, após o término do prazo decadencial de acordo com o que preconiza o artigo 150, § 4ç? do CTN. Conforme se observa, o lançamento do tributo pelo Fisco somente poderia ocorrer até julho de 2000, prazo este que não se suspende nem se interrompe! Ressaltese que embora não tenha natureza de tributo, por serem sanção de ato ilícito, o art. 113, § 1º do CTN, dispensa às multas, o mesmo tratamento jurídico dado aos tributos, quando as coloca como obrigação principal ao lado do próprio tributo. (...) II.3. FALTA DE PREVISÃO LEGAL PARA APLICAÇÃO DA MULTA ISOLADA SOBRE A ESTIMATIVA Com efeito, o art. 44, § 1º, IV, da Lei nº 9.430/96 (que embasou a cobrança da multa no Auto de Infração), reza que, nos casos de lançamento de ofício, quando da falta de pagamento ou recolhimento de tributo, será aplicada multa punitiva, cuja exigência, em se tratando de pessoa jurídica sujeita ao pagamento de IR através do Lucro Real, por estimativa, verifica se mesmo que tenha havido prejuízo fiscal no anocalendário correspondente. Entretanto, no caso em questão não houve falta de pagamento ou recolhimento do tributo na estimativa, mas sim compensação não homologada pelo Fisco. (...) II.4 DA APLICAÇÃO ILEGAL DA MULTA DE LANÇAMENTO DE OFÍCIO: (...) Por força de argumentação, mencionase o acórdão do Primeiro Conselho de Contribuintes, Turma Ordinária: Fl. 466DF CARF MF Processo nº 10380.725302/201009 Acórdão n.º 1201002.589 S1C2T1 Fl. 467 6 Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Ano calendário: 1999. Ementa: MULTA DE OFÍCIO Em relação às diferenças apuradas em declaração prestada pelo sujeito passivo, decorrentes de compensação indevida ou não comprovada, só cabe lançamento da multa de ofício quando se comprove falsidade da declaração apresentada pelo sujeito passivo, e nos casos de a compensação ser considerada não declarada nas hipóteses previstas no inciso II do § 12 do art. 74 da Lei nº 9.430/96. (grifos nossos) Por fim, com base nos argumentos expostos anteriormente, o Bancorecorrente REQUER a exoneração da multa punitiva de ofício, uma vez que restou comprovada a falta de enquadramento da conduta do Banco nas hipóteses previstas em lei para a aplicação da citada multa. (grifado no original) O acórdão recorrido reiterou o despacho decisório, como transcrevo abaixo: 7. De plano, temse que será analisado neste processo pela autoridade julgadora somente as alegações relativas à manifestação de inconformidade em face do despacho decisório de indeferimento. As infrações apuradas no auto de infração deveriam ter sido impugnadas. Com o pagamento, precluiu o direito do interessado impugnar a multa isolada uma vez que extinguiu a lide que, notese, nem chegou a ser instaurada. 8. Tratase de Manifestação de Inconformidade ante ao Despacho Decisório de efls. 171/172, que não reconheceu a existência de crédito decorrente de pagamento indevido ou a maior de multa isolada de IRPJ (art.43, L.9430), em razão do DARF indicado no pedido de restituição já ter sido integralmente utilizado. 9. Conforme consulta ao sistema SIEF o DARF utilizado no pedido de restituição foi utilizado na quitação do auto de infração relacionado ao PAF nº10380.005784/200510 (efls. 416/429). O despacho recorrido consigna que: “ [...] o DARF inserido no documento encontrase totalmente utilizado não restando saldo credor passível de restituição, conforme extrato do pagamento acostado às fls. 164/165 do presente processo.”. Portanto, inexiste saldo a ser restituído. Em síntese, vislumbrase que a restituição é subsidiada no pagamento indevido da multa isolada: (i) extinta pela decadência antes do adimplemento e; (ii) inexigível, conforme precedentes e a interpretação jurídica do Recorrente. É o relatório. Voto Vencido Fl. 467DF CARF MF Processo nº 10380.725302/201009 Acórdão n.º 1201002.589 S1C2T1 Fl. 468 7 Conselheiro Rafael Gasparello Lima, Relator. Inicialmente, a restituição é admitida quanto houver "cobrança ou pagamento espontâneo de tributo indevido ou maior que o devido em face da legislação tributária aplicável, ou da natureza ou circunstâncias materiais do fato gerador efetivamente ocorrido" (artigo 165, inciso I, do Código Tributário Nacional), "erro na edificação do sujeito passivo, na determinação da alíquota aplicável, no cálculo do montante do débito ou na elaboração ou conferência de qualquer documento relativo ao pagamento" (artigo 165, inciso II, do Código Tributário Nacional) e a "reforma, anulação, revogação ou rescisão de decisão condenatória" (artigo 165, inciso III, do Código Tributário Nacional). O crédito pretendido advém do pagamento de multa isolada e não do tributo propriamente dito. Contudo, existem precedentes para incidência de juros moratórios sobre a multa de ofício, pois integrante da obrigação tributária. Por exemplo, citase parte do acórdão nº 9101003.469, proferido pela Conselheira, Adriana Gomes Rêgo: Não há dúvida de que multa não é tributo, pela própria dicção do art. 3º do CTN: "Tributo é toda prestação pecuniária compulsória, em moeda ou cujo valor nela se possa exprimir, que não constitua sanção de ato ilícito, instituída em lei e cobrada mediante atividade administrativa plenamente vinculada". Todavia, a coerência interna do CTN evidencia, com clareza, conforme revelam os arts. 113, § 1º, e 139, que a penalidade pecuniária é também objeto da obrigação tributária principal e assim integra o conceito de crédito, objeto da relação jurídica estabelecida entre o Fisco e o sujeito passivo, beneficiandose de todas as garantias a ele asseguradas por lei, inclusive o acréscimo de juros de mora. Portanto, imprescindível a certeza e a liquidez do crédito compensável, facultando ao contribuinte que impugne a não homologação formalizada através de despacho decisório, instruindo sua manifestação com as provas em contrário, garantindo, assim, o exercício pleno do contraditório e da ampla defesa. Dessa forma, necessário a análise se o pagamento efetivado é indevido ou não, independentemente, se realizado com a anistia parcial da multa isolada, dentro do prazo de 30 (trinta) dias, fixado no primeiro lançamento de ofício (PAF nº 10380.005784/200510). Todavia, ressalvase que este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais "não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária", como delimita sua Súmula nº 2. Como antecipado no relatório do presente voto, limitase a presente análise à existência de pagamento indevido da multa isolada pela (i) decadência antes do adimplemento e; (ii) inexigibilidade, sem abordagem da inconstitucionalidade da lei ordinária. I. DECADÊNCIA PRÉVIA AO PAGAMENTO INDEVIDO Embora o Recorrente opine pela fluência do prazo decadencial a partir de janeiro/2000, consubstanciada no artigo 150, parágrafo quarto, do Código Tributário Nacional, citando a jurisprudência nesse sentido, divirjo do referido posicionamento. Fl. 468DF CARF MF Processo nº 10380.725302/201009 Acórdão n.º 1201002.589 S1C2T1 Fl. 469 8 Atualmente, prevalece o entendimento da Súmula nº 104 deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF): Súmula CARF nº 104: Lançamento de multa isolada por falta ou insuficiência de recolhimento de estimativa de IRPJ ou de CSLL submetese ao prazo decadencial previsto no art. 173, inciso I, do CTN. (Vinculante, conforme Portaria MF nº 277, de 07/06/2018, DOU de 08/06/2018). O tema é elucidado pelo acórdão nº 9101001.861, relatado pela Conselheira, Karem Jureidini Dias, paradigma da mencionada Súmula nº 104: Tratase de fato jurídico tributário que tem por suporte fático uma conduta ilícita (não recolhimento da estimativa) praticada pelo sujeito passivo. Desta forma, o lançamento em questão tem natureza originariamente de ofício e não natureza de lançamento por homologação. Nessa medida, pareceme que não há como se imputar pagamento parcial da estimativa à multa isolada, para fins de aplicação do artigo 150, § 4° do Código Tributário Nacional, porquanto a multa, quando isoladamente aplicada, não depende da constituição do tributo, não se lhe caracterizando como procedimento sujeito ao lançamento por homologação. Aplicável, assim, a regra decadencial do artigo 173, inciso I, do Código Tributário Nacional. Ante o exposto, tendo em vista que o contribuinte teve ciência do auto de infração em 15 de julho de 2005 e os fatos geradores reportamse ao anocalendário de 2000, não há que se falar em decadência, pelo que voto no sentido de NEGAR PROVIMENTO ao Recurso Especial do Contribuinte. Logo, não há pagamento indevido pela exposição acima. II. INEXIGIBILIDADE DA MULTA ISOLADA CUMULADA COM A MULTA DE OFÍCIO A multa isolada não é cumulativa como a penalidade de ofício, consoante jurisprudência uniformizada pela Súmula nº 105 deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais: Súmula CARF nº 105: A multa isolada por falta de recolhimento de estimativas, lançada com fundamento no art. 44 § 1º, inciso IV da Lei nº 9.430, de 1996, não pode ser exigida ao mesmo tempo da multa de ofício por falta de pagamento de IRPJ e CSLL apurado no ajuste anual, devendo subsistir a multa de ofício. O acórdão nº 9101001.261, relatado pelo Conselheiro, Valmir Sandri, paradigma da aludida Súmula nº 105, expõe a interpretação contrária à cumulatividade das penalidades: Assim, não pode ser exigida concomitantemente a multa isolada e a multa de oficio na hipótese de falta de recolhimento de tributo apurado ao final do exercício e também pela falta de Fl. 469DF CARF MF Processo nº 10380.725302/201009 Acórdão n.º 1201002.589 S1C2T1 Fl. 470 9 antecipação sob a forma estimada. Cobrase apenas a multa de oficio por falta de recolhimento de tributo. Essa mesma conduta ocorre, por exemplo, quando o contribuinte atrasa o pagamento do tributo não declarado e é posteriormente fiscalizado. Embora haja previsão de multa de mora pelo atraso de pagamento (20%), essa penalidade é absorvida pela aplicação da multa de oficio de 75%. É pacífico na própria Administração Tributária, que não é possível exigir concomitantemente as duas penalidades — de mora e de oficio — na mesma autuação por falta de recolhimento do tributo. Na dosimetria da pena mais gravosa, já está considerado o fato de o contribuinte estar em mora no pagamento. (...) Nesse sentido, cabe ressaltar que a Medida Provisória 351, de 22 de janeiro de 2007, convertida na Lei n° 11.488, de 15 de junho de 2007, veio a disciplinar posteriormente a aplicação de multas nos casos de lançamento de oficio pela Administração Pública Federal. Esse dispositivo legal veio a reconhecer a correção da jurisprudência desta Câmara, estabelecendo a penalidade isolada não deve mais incidir sobre "sobre a totalidade ou diferença de tributo", mas apenas sobre "valor do pagamento mensal" a título de recolhimento de estimativa. Além disso, para compatibilizar as penalidades ao efetivo dano que a conduta ilícita proporciona, ajustou o percentual da multa por falta de recolhimento de estimativas para 50%, passível de redução a 25% no caso de o contribuinte, notificado, efetuar o pagamento do débito no prazo legal de impugnação (Lei no 8.218/91, art. 6°). Assim, a penalidade isolada aplicada em procedimento de oficio em função da não antecipação no curso do exercício se aproxima da multa de mora cobrada nos casos de atraso de pagamento de tributo (20%). Providência que se fazia necessária para tomar a punição proporcional ao dano causado pelo descumprimento do dever de antecipar o tributo.” Entendo, portanto, que há certeza e liquidez sobre o indébito de pagamento indevido do Recorrente, suscetível de deferimento do pedido de restituição eletrônico (PER/DCOMP), com acréscimo de juros pela Taxa do Sistema Especial de Liquidação e de Custódia (SELIC). Isto posto, voto pelo conhecimento e DOU PROVIMENTO ao Recurso Voluntário, reconhecendo o pagamento indevido da multa isolada. (assinado digitalmente) Rafael Gasparello Lima Relator Voto Vencedor Fl. 470DF CARF MF Processo nº 10380.725302/201009 Acórdão n.º 1201002.589 S1C2T1 Fl. 471 10 A análise constante do voto do i. relator orientouse por dois pontos: I. DECADÊNCIA PRÉVIA AO PAGAMENTO INDEVIDO; II. INEXIGIBILIDADE DA MULTA ISOLADA CUMULADA COM A MULTA DE OFÍCIO. Muito embora concorde com essa análise, a restituição pleiteada não pode ser deferida em face de outra razão, qual seja, a não impugnação quanto ao lançamento de ofício que exigia, além do tributo, a multa isolada. Em face disso, peço vênia do i. relator para discordar do seu voto, no que tange à possibilidade de restituição de valores lançados de ofício. Como visto no relatório, o pedido é relativo à multa isolada lançada por meio de auto de infração controlado no processo nº 10380.005784/200510, paga com a redução prevista na legislação de regência. Por óbvio, está claro que o referido lançamento de ofício não foi objeto de impugnação. Cabe frisar, também, que havia outro processo do contribuinte (nº 10380.005783/200567), relativo à CSLL, em que foi feita a exigência de multa isolada e que também foi quitado, tendo sido protocolado pedido de restituição dessa multa paga. Esse processo de restituição tem por número 10380.724825/201020 e foi julgado por meio do acórdão nº 1401001.467 da 4ª Câmara da 1ª Turma Ordinária, de 18 de janeiro de 2016, tendo sido indeferido o pedido. No acórdão da manifestação de inconformidade deste processo, a relatora assim se manifestou no seu voto, item 7 (fl. 437): 7. De plano, temse que será analisado neste processo pela autoridade julgadora somente as alegações relativas à manifestação de inconformidade em face do despacho decisório de indeferimento. As infrações apuradas no auto de infração deveriam ter sido impugnadas. Com o pagamento, precluiu o direito do interessado impugnar a multa isolada uma vez que extinguiu a lide que, notese, nem chegou a ser instaurada. Já, naquele processo relativo à CSLL lançada de ofício, o relator em seu voto (acórdão nº 1401001.467) baseouse na decisão de primeira instância para indeferir o pedido de restituição, conforme abaixo: Ao apreciar esta questão, manifestouse com muita propriedade a decisão de piso, fls. 386: 8. Sobre a constituição do crédito e sua alteração, convém citar o art. 145 do CTN, o qual determina que o lançamento regularmente notificado ao sujeito passivo só pode ser alterado em virtude de impugnação, recurso de ofício ou iniciativa de ofício da autoridade administrativa, nos casos previstos no art. 149. 9. Não tendo sido impugnado o lançamento, não há que se falar em recurso de ofício. Além disso, não se vislumbra qualquer Fl. 471DF CARF MF Processo nº 10380.725302/201009 Acórdão n.º 1201002.589 S1C2T1 Fl. 472 11 iniciativa de ofício visando a alterar o lançamento efetuado, visto que não estão presentes quaisquer das hipóteses do art. 149 do CTN. Portanto, sobre aquele crédito tributário definitivamente constituído de ofício não se vislumbra mais qualquer tipo de alteração, seja em virtude de não se enquadrar em qualquer das hipóteses de revisão de ofício relacionadas nos art. 149 do CTN, ou porque a interessada não suscitou à época própria, mediante apresentação de impugnação ao lançamento, as discussões que agora procura restabelecer. 10. Assim, não cabendo mais alteração do valor lançado de ofício no auto de infração tratado no processo administrativo fiscal nº 10380.005783/200567, temse que o pagamento de que trata o Darf listado no Pedido de Restituição protocolizado sob o nº 00860.38518.090710.1.2.049056 não se configura como sendo pagamento a maior, inexistindo qualquer situação de fato ou de direito a ensejar restituição à interessada, que por isso deve ter o seu pedido indeferido. Assim, mutatis mutandis, adoto também tais fundamentos como razões de decidir, pelo que não é cabível a restituição de importância paga que foi lançada por meio de auto de infração não impugnado em momento próprio. Conclusão Em face do exposto, voto no sentido de negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Paulo Cezar Fernandes de Aguiar Fl. 472DF CARF MF
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Numero do processo: 19515.720935/2011-03
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Dec 04 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Jan 07 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2007
RECURSO DE OFÍCIO. NÃO CONHECIMENTO. LIMITE DE ALÇADA. NORMA PROCESSUAL. APLICAÇÃO IMEDIATA.
Não deve ser conhecido o recurso de ofício contra decisão de primeira instância que exonerou o contribuinte do pagamento de tributo e/ou multa no valor inferior a R$ 2.500.000,00, nos termos do artigo 34, inciso I, do Decreto nº 70.235/72, c/c o artigo 1º da Portaria MF nº 63/17, a qual, por tratar-se de norma processual, é de aplicação imediata.
OMISSÃO DE RENDIMENTOS. DEPÓSITOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA.
Caracteriza omissão de rendimentos a existência de valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular pessoa física, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações.
DEPÓSITOS BANCÁRIOS. INTIMAÇÃO. CONTA CONJUNTA COM ESPÓLIO. RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA.
No caso de conta conjunta com contribuinte falecido no curso do ano-calendário fiscalizado, a responsabilidade pela comprovação da origem dos depósitos, no que tange aos créditos bancários recebidos desde a abertura da sucessão até a partilha dos bens, recai sobre o inventariante, a quem cabe representar e administrar o espólio, no cumprimento de obrigações ativas ou passivas pendentes. Por sua vez, a responsabilidade pela comprovação da origem dos créditos bancários efetuados após a partilha dos bens, persiste apenas para o co-titular sobrevivente.
Nessas condições, intimado o inventariante, ao mesmo tempo, co-titular da conta bancária fiscalizada e um dos sucessores do de cujus, remanescendo depósitos bancários cuja origem não foi comprovada por documentação hábil e idônea, recebidos a partir da abertura da sucessão, subsiste em parte a ação fiscal contra ele levada a efeito. O demais sucessores respondem solidariamente apenas em relação ao crédito tributário decorrente da presunção legal de omissão de rendimentos imputável ao espólio, referente aos depósitos bancários de origem não comprovada recebidos entre a abertura da sucessão e a partilha dos bens, observada a limitação ao montante do quinhão do legado ou da meação.
MULTA DE OFÍCIO DE 75%. LEGALIDADE. IMPOSTO APURADO PELO ESPÓLIO APÓS A ABERTURA DA SUCESSÃO.
A aplicação da multa de ofício de 75% advém da constituição do crédito tributário via procedimento conduzido de ofício pela fiscalização tributária, e está prevista no inciso I do art. 44 da Lei nº 9.430/96, sendo devida nos casos de falta de pagamento ou recolhimento do imposto, de falta de declaração e nos de declaração inexata. Apurada a omissão de rendimentos tributáveis por parte do espólio, relativamente a fatos geradores ocorridos após a abertura da sucessão, não há falar em aplicação da multa de mora nos termos regrados pelo art. 49 do Decreto-Lei nº 5.844/43.
JUROS MORATÓRIOS. INCIDÊNCIA. SÚMULA CARF Nº 4.
Não havendo sido adimplida a obrigação tributária no prazo previsto na legislação, incidem juros de mora à taxa Selic, conforme enuncia a Súmula CARF nº 4: A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC para títulos federais.
Numero da decisão: 2202-004.850
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
Ronnie Soares Anderson - Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento os conselheiros Marcelo de Sousa Sateles, Martin da Silva Gesto, Ricardo Chiavegatto de Lima, Ludmila Mara Monteiro de Oliveira, Rorildo Barbosa Correa, Andrea de Moraes Chieregatto, Wilderson Botto (suplente convocado) e Ronnie Soares Anderson.
Nome do relator: RONNIE SOARES ANDERSON
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Ano-calendário: 2007 RECURSO DE OFÍCIO. NÃO CONHECIMENTO. LIMITE DE ALÇADA. NORMA PROCESSUAL. APLICAÇÃO IMEDIATA. Não deve ser conhecido o recurso de ofício contra decisão de primeira instância que exonerou o contribuinte do pagamento de tributo e/ou multa no valor inferior a R$ 2.500.000,00, nos termos do artigo 34, inciso I, do Decreto nº 70.235/72, c/c o artigo 1º da Portaria MF nº 63/17, a qual, por tratar-se de norma processual, é de aplicação imediata. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. DEPÓSITOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA. Caracteriza omissão de rendimentos a existência de valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular pessoa física, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. INTIMAÇÃO. CONTA CONJUNTA COM ESPÓLIO. RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA. No caso de conta conjunta com contribuinte falecido no curso do ano-calendário fiscalizado, a responsabilidade pela comprovação da origem dos depósitos, no que tange aos créditos bancários recebidos desde a abertura da sucessão até a partilha dos bens, recai sobre o inventariante, a quem cabe representar e administrar o espólio, no cumprimento de obrigações ativas ou passivas pendentes. Por sua vez, a responsabilidade pela comprovação da origem dos créditos bancários efetuados após a partilha dos bens, persiste apenas para o co-titular sobrevivente. Nessas condições, intimado o inventariante, ao mesmo tempo, co-titular da conta bancária fiscalizada e um dos sucessores do de cujus, remanescendo depósitos bancários cuja origem não foi comprovada por documentação hábil e idônea, recebidos a partir da abertura da sucessão, subsiste em parte a ação fiscal contra ele levada a efeito. O demais sucessores respondem solidariamente apenas em relação ao crédito tributário decorrente da presunção legal de omissão de rendimentos imputável ao espólio, referente aos depósitos bancários de origem não comprovada recebidos entre a abertura da sucessão e a partilha dos bens, observada a limitação ao montante do quinhão do legado ou da meação. MULTA DE OFÍCIO DE 75%. LEGALIDADE. IMPOSTO APURADO PELO ESPÓLIO APÓS A ABERTURA DA SUCESSÃO. A aplicação da multa de ofício de 75% advém da constituição do crédito tributário via procedimento conduzido de ofício pela fiscalização tributária, e está prevista no inciso I do art. 44 da Lei nº 9.430/96, sendo devida nos casos de falta de pagamento ou recolhimento do imposto, de falta de declaração e nos de declaração inexata. Apurada a omissão de rendimentos tributáveis por parte do espólio, relativamente a fatos geradores ocorridos após a abertura da sucessão, não há falar em aplicação da multa de mora nos termos regrados pelo art. 49 do Decreto-Lei nº 5.844/43. JUROS MORATÓRIOS. INCIDÊNCIA. SÚMULA CARF Nº 4. Não havendo sido adimplida a obrigação tributária no prazo previsto na legislação, incidem juros de mora à taxa Selic, conforme enuncia a Súmula CARF nº 4: A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC para títulos federais.
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NÃO CONHECIMENTO. LIMITE DE ALÇADA. NORMA PROCESSUAL. APLICAÇÃO IMEDIATA. Não deve ser conhecido o recurso de ofício contra decisão de primeira instância que exonerou o contribuinte do pagamento de tributo e/ou multa no valor inferior a R$ 2.500.000,00, nos termos do artigo 34, inciso I, do Decreto nº 70.235/72, c/c o artigo 1º da Portaria MF nº 63/17, a qual, por tratarse de norma processual, é de aplicação imediata. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. DEPÓSITOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA. Caracteriza omissão de rendimentos a existência de valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular pessoa física, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. INTIMAÇÃO. CONTA CONJUNTA COM ESPÓLIO. RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA. No caso de conta conjunta com contribuinte falecido no curso do ano calendário fiscalizado, a responsabilidade pela comprovação da origem dos depósitos, no que tange aos créditos bancários recebidos desde a abertura da sucessão até a partilha dos bens, recai sobre o inventariante, a quem cabe representar e administrar o espólio, no cumprimento de obrigações ativas ou passivas pendentes. Por sua vez, a responsabilidade pela comprovação da origem dos créditos bancários efetuados após a partilha dos bens, persiste apenas para o cotitular sobrevivente. Nessas condições, intimado o inventariante, ao mesmo tempo, cotitular da conta bancária fiscalizada e um dos sucessores do de cujus, remanescendo AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 72 09 35 /2 01 1- 03 Fl. 421DF CARF MF 2 depósitos bancários cuja origem não foi comprovada por documentação hábil e idônea, recebidos a partir da abertura da sucessão, subsiste em parte a ação fiscal contra ele levada a efeito. O demais sucessores respondem solidariamente apenas em relação ao crédito tributário decorrente da presunção legal de omissão de rendimentos imputável ao espólio, referente aos depósitos bancários de origem não comprovada recebidos entre a abertura da sucessão e a partilha dos bens, observada a limitação ao montante do quinhão do legado ou da meação. MULTA DE OFÍCIO DE 75%. LEGALIDADE. IMPOSTO APURADO PELO ESPÓLIO APÓS A ABERTURA DA SUCESSÃO. A aplicação da multa de ofício de 75% advém da constituição do crédito tributário via procedimento conduzido de ofício pela fiscalização tributária, e está prevista no inciso I do art. 44 da Lei nº 9.430/96, sendo devida nos casos de falta de pagamento ou recolhimento do imposto, de falta de declaração e nos de declaração inexata. Apurada a omissão de rendimentos tributáveis por parte do espólio, relativamente a fatos geradores ocorridos após a abertura da sucessão, não há falar em aplicação da multa de mora nos termos regrados pelo art. 49 do DecretoLei nº 5.844/43. JUROS MORATÓRIOS. INCIDÊNCIA. SÚMULA CARF Nº 4. Não havendo sido adimplida a obrigação tributária no prazo previsto na legislação, incidem juros de mora à taxa Selic, conforme enuncia a Súmula CARF nº 4: A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Ronnie Soares Anderson Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros Marcelo de Sousa Sateles, Martin da Silva Gesto, Ricardo Chiavegatto de Lima, Ludmila Mara Monteiro de Oliveira, Rorildo Barbosa Correa, Andrea de Moraes Chieregatto, Wilderson Botto (suplente convocado) e Ronnie Soares Anderson. Relatório Fl. 422DF CARF MF Processo nº 19515.720935/201103 Acórdão n.º 2202004.850 S2C2T2 Fl. 422 3 Tratase de recurso voluntário interposto contra acórdão da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em São Paulo (SP) DRJ/SPO, que julgou procedente em parte lançamento de Imposto de Renda Pessoa Física (IRPF) relativo ao exercício 2008, face à apuração de omissão de rendimentos, caracterizada por depósitos de origem não comprovada. A instância de piso descreveu os termos da autuação, em relato (fls. 347/348) que aqui se reproduz no essencial: Contra o contribuinte ANTONIO CARLOS KALIM, CPF nº 009.026.09882, foi lavrado, em 15/08/2011, o Auto de Infração de fls. 209/216, acompanhado do “Demonstrativo de Valores Depositados/Creditados em Conta Bancária, de Origem Não Comprovada”, às fls. 190/194, do “Termo de Verificação Fiscal” às fls. 195/208 e dos “Termos de Sujeição Passiva Solidária” em face de CHAMSI BARCAT KALIM, CPF nº 003.931.80875 (fls. 218/219), ARMANDO BARCAT KALIM, CPF nº 028.491.21827 (fls. 221/222), e CHADIA BARCAT KALIM, CPF nº 056.763.42803 (fls. 226/227). Tratase de autuação relativa ao Imposto sobre a Renda de Pessoa Física, anocalendário 2007, em que foi exigido crédito tributário no montante de R$ 1.529.705,58, sendo os valores de R$ 733.320,03 a título de imposto, de R$ 246.395,53 a título de juros de mora, calculados até 29/07/2011, e de R$ 549.990,02 a título de multa proporcional. Conforme consta na Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal (fls. 211/212) e no Demonstrativo de Apuração (fls. 213), foi constatada a OMISSÃO DE RENDIMENTOS CARACTERIZADA POR DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA, no que tange a valores creditados em conta de depósito ou de investimento do espólio de SALIM ABRÃO KALIM, mantida em instituições financeiras, em relação aos quais o sujeito passivo, na condição de inventariante, herdeiro, sucessor e, ainda, cotitular da conta bancária examinada, embora regularmente intimado, não comprovou, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações, conforme Termo de Verificação Fiscal (fls. 195/208), nos montantes mensais a seguir: (...) É de se observar que ANTONIO CARLOS KALIM e SALIM ABRÃO KALIM eram titulares na conta corrente conjunta nº 22.9016, mantida junto à agência 47252, do Banco do Brasil (fls. 62), cuja movimentação foi objeto da ação fiscal em tela, iniciada em 2011 (fls. 11/17), referente ao anocalendário 2007, tendo o segundo falecido em 26/09/2007 (fls. 41), com a realização de inventário e partilha extrajudicial, por meio de escritura pública lavrada em 28/11/2007, em que o primeiro foi nomeado como inventariante, com poderes para representar o espólio (fls. 42/51). Notase, ainda, que os sujeitos passivos solidários foram informados da constituição de crédito tributário de que trata o Auto de Infração ora em foco, relativo ao imposto de renda, do anocalendário 2007, devido pelo de cujus até a data da partilha, por se tratarem de herdeiros apontados na escritura pública, que definiu a divisão consensual dos bens do espólio de SALIM ABRÃO KALIM, consignandose a responsabilidade dos sucessores até o montante da herança, meação ou legado (fls. 218/219, 221/222 e 226/227). A exigência foi impugnada pelo contribuinte, em conjunto com os responsáveis solidários (fls. 252/273), sendo que, em sede de julgamento de primeiro grau, foi promovida significativa reforma no crédito tributário, dado terem sido excluídos da base de Fl. 423DF CARF MF 4 cálculo do lançamento os depósitos bancários compreendidos entre os meses de janeiro a setembro de 2007. O contribuinte interpôs em 13/05/2016, em conjunto com os solidários, recurso voluntário (fls. 389/412), aduzindo, em síntese, que: ter havido violação do seu sigilo bancário; ser indevida sua responsabilização, bem como dos demais solidários, tendo em vista o falecimento de um dos cotitulares da conta objeto de exame fiscal, devendo ser salientado, ainda, que apenas a partir de 28/11/2007 o recorrente passou à condição de inventariante, e que os sucessores respondem pelos tributos devidos pelo de cujus até o limite de sua herança; os depósitos de origem não comprovada não caracterizam omissão de rendimentos, e que os documentos apresentados para tal comprovação são idôneos, devendo ser aceitos pela fiscalização; as informações contidas nos extratos do Banco do Brasil são idôneas, pois emitidas por conceituada instituição financeira; não cabe a aplicação da multa de ofício com base no art. 44 da Lei nº 9.430/96, pois a responsabilidade pelas multas não se estende aos sucessores, os quais, quando muito, responderiam na forma do art. 964, inciso I, 'b' do RIR/99; é indevida a cobrança de taxa Selic. É o relatório. Voto Conselheiro Ronnie Soares Anderson, Relator Do recurso de ofício Compulsando os autos, verificase que o recurso de ofício foi interposto visto que a decisão recorrida teria exonerado o contribuinte em valor superior a R$ 1.000.000,00 (imposto mais multa), limite então estabelecido pelo art. 1º da Portaria MF nº 03/08, com amparo no inciso I do art. 34 do Decreto nº 70.235/721. Sem embargo, tal limite foi majorado pela Portaria MF nº 63, de 10/2/2017, que revogou a Portaria MF nº 03/08: Art. 1º O Presidente de Turma de Julgamento da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento (DRJ) recorrerá de ofício sempre que a decisão exonerar sujeito passivo do pagamento de tributo e encargos de multa, em valor total superior a R$ 2.500.000,00 (dois milhões e quinhentos mil reais). Tratandose de norma de ínsito caráter processual, deve ser ela aplicada de imediato aos julgamentos em curso, nos termos da Súmula nº 103 do CARF: 1 Registrese que, na verdade, a exoneração não ultrapassou esse limite, conforme demonstrativo de fl.2. Fl. 424DF CARF MF Processo nº 19515.720935/201103 Acórdão n.º 2202004.850 S2C2T2 Fl. 423 5 Súmula CARF nº 103: Para fins de conhecimento de recurso de ofício, aplicase o limite de alçada vigente na data de sua apreciação em segunda instância. O auto de infração atingia a cifra de R$ 1.283.310,05, como somatório de tributo e multa, sendo promovida a exoneração pela decisão de piso (fl. 371) de um total de R$ 1.075.747,57. Constatase, portanto, que a exoneração promovida pela vergastada foi em montante inferior ao valor de alçada fixado pela Portaria MF nº 63/17, não devendo ser conhecido o recurso de ofício. Ante o exposto, voto no sentido de não conhecer do recurso de ofício. Do recurso voluntário O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, portanto, deve ser conhecido. De início, cabe referir que as alegações no sentido de que a solicitação da fiscalização para a apresentação de extratos bancários teria violado direitos constitucionais do contribuinte deve ser rejeitada prontamente, por ingressar na análise da constitucionalidade de seu suporte legal, o artigo 6º da Lei Complementar nº 105/2001, o que atrai a incidência no caso do art. 26A do Decreto nº 70.235/72, e da Súmula CARF nº 2, esta por força do art. 72 do RICARF: Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Não bastasse, não é demasiado lembrar que a constitucionalidade dos arts. 5º e 6º da LC nº 105/01, que tratam desse tema, já foi assentada no julgamento em 24/02/2016 pelo STF, sob o rito de repercussão geral, do RE nº 603.314/SP. Aliás, compulsando os autos, pode ser verificado que o próprio contribuinte entregou os extratos bancários solicitados pela autoridade fiscal mediante intimação, conforme narrado no Termo de Verificação Fiscal (fl. 299), quedando sem respaldo, portanto, as alegações recursais. Nesse particular, por conseguinte, não tem razão o recorrente. No que concerne à responsabilidade pelos tributos incidentes sobre a omissão apurada, impende transcrever o art. 131 do CTN: Art. 131. São pessoalmente responsáveis: (...) II o sucessor a qualquer título e o cônjuge meeiro, pelos tributos devidos pelo de cujus até a data da partilha ou adjudicação, limitada esta responsabilidade ao montante do quinhão do legado ou da meação; Fl. 425DF CARF MF 6 III o espólio, pelos tributos devidos pelo de cujus até a data da abertura da sucessão. Na espécie, a contacorrente nº 22.9016, cuja movimentação foi objeto da auditoria fiscal, era mantida no Banco do Brasil S/A., sendo de titularidade conjunta do autuado e de Salim Abrão Kalim, que faleceu em 26/09/2007. E, tendo em vista que a obrigação de comprovar a origem dos depósitos prevista no art. 42 da Lei nº 9.430/96 é de natureza personalíssima relativamente ao titular da conta, a DRJ/SPO cancelou o lançamento no que se refere aos períodos anteriores ao óbito de Salim Abrão Kalim ou seja, os fatos geradores compreendidos entre jan/07 e set/07. Tudo isso realizado, em consonância, observese, com reiterada jurisprudência administrativa a respeito da matéria, vide ilustrativamente os Acórdãos da CSRF de nos 9202006.009 (j. 27/09/2017) e 9202004.511 (j. 25/10/2016). Destarte, ao contrário do que parece o recorrente ter compreendido sobre a situação, após a reforma no lançamento promovida pela instância de piso não há falar mais em tributação sobre a movimentação bancária efetuada pelo de cujus, ou, em outras palavras, acontecida antes da abertura da sucessão. Na realidade, a cobrança remanescente é referente à movimentação na conta corrente no decorrer do período em que já aberta a sucessão, respondendo o contribuinte pessoalmente, junto com os demais responsáveis solidários, na condição de sucessor, consoante prescreve o inciso II do art. 131 do CTN, independentemente de qualquer consideração acerca de sua condição de inventariante. Então, sendo cotitular da conta em tela, responde o contribuinte por 50% da movimentação, respondendo, junto com os demais solidários, pelos outros 50% atribuíveis ao espólio, nos meses de out/07 e nov/07, em observância ao § 6º do art. 42 da Lei nº 9.430/96. E, após a partilha, ocorrida em 28/11/2007, responde ele integralmente pela sua movimentação, na qualidade de único titular restante da conta em apreço, como bem circunstanciado pela fiscalização. Vale acrescentar que em nenhum momento o recorrente demonstra documentalmente ter o crédito tributário examinado superado o quinhão do legado/herança, maculando as prescrições do art. 1997 do CC c/c o art. 131, inciso II do CTN; pelo contrário, a escritura pública de inventário e partilha às fls. 42/51 revela que o quinhão que lhe foi atribuído é robusto o suficiente para arcar com o tributo lançado de ofício. Quanto à inconformidade genérica aduzida pelo contribuinte, com relação à caracterização do fato gerador do imposto de renda com base em depósitos bancários, impende explicar que o lançamento foi apurado tendo como base legal o art. 42 da Lei nº 9.430/96, sendo que desde o início da vigência desse preceito a existência de depósitos bancários sem comprovação da origem, após a regular intimação do sujeito passivo, passou a constituir hipótese legal de omissão de rendimentos e ou/receita. Portanto, cabe ao Fisco demonstrar a existência de depósitos bancários de origem não comprovada para que se presuma, até prova em contrário, a cargo do contribuinte, a ocorrência de omissão de rendimentos. Tratase de presunção legal relativa, bastando assim que a autoridade lançadora comprove o fato definido em lei como necessário e suficiente ao estabelecimento da presunção, para que fique evidenciada a referida omissão, e o consequente Fl. 426DF CARF MF Processo nº 19515.720935/201103 Acórdão n.º 2202004.850 S2C2T2 Fl. 424 7 fato gerador do imposto de renda pessoa física, a despeito do entendimento em sentido diverso trazido na peça recursal. E apesar de não haver previsão legal para que a justificação da origem se dê com coincidência de datas e valores, o § 3º do art. 42 da Lei nº 9.430/96 exige que a comprovação demandada aconteça de maneira individualizada. Destarte, intimado o recorrente a comprovar a origem dos recursos depositados/creditados em conta de sua cotitularidade, devidamente discriminados pela fiscalização, e não se desincumbindo desse ônus probatório que lhe foi legalmente transferido, ficou caracterizada a omissão de rendimentos, a qual, após os ajustes efetuados em sede de julgamento de primeira instância, restou verificada para os meses de out/07, nov/07 e dez/07. A respeito das arguições ventiladas pelo recorrente sobre a não consideração de documentos por ele trazidos, não discrimina ele quais teriam sido tais documentos, e em que medida sua valoração estaria equivocada ou ausente. Por seu turno, o Termo de Verificação Fiscal às fls. 298/316 detalha toda a análise das provas carreadas nos autos, merecendo acrescentar que a decisão contestada acatou (fls. 366/367), adicionalmente, dois documentos associados a pagamentos efetuados pela empresa FININVEST como aptos à configurar a comprovação demandada, excluindo os correspondentes valores da base de cálculo da autuação. Nesse rumo, merece anotar o fato de que há depósitos que são identificados nos extratos como havendo sido realizados por determinadas empresas, mas necessário ressalvar também que a presunção de omissão de receitas legalmente estabelecida requer, para ser ilidida, não só o apontamento do remetente, mas também, e principalmente, seja explicada a causa jurídica/negocial que deu ensejo a tais créditos, até mesmo para saber se tratamse de recursos já anteriormente submetidos à tributação, em ônus de prova conferido ao titular das contas. Assim, não é o caso de se questionar a idoneidade das informações contidas nos extratos disponibilizados pelas instituições financeiras, como supõe o recorrente, mas sim de sopesar a qualidade probatória das informações neles constantes, aqui claramente insuficientes. Na sequência, cumpre frisar que a imputação da multa de 75% advém da constituição do crédito tributário via procedimento conduzido de ofício pela fiscalização, visto que o contribuinte não cumpriu suas obrigações tributárias, e está prevista no inciso I do art. 44 da Lei nº 9.430/96. Sua aplicação, portanto, é mera decorrência da legislação, e coerente com a constatação da autoridade fiscal no particular, ou seja, não haver sido pago o tributo devido. Notese que na espécie os fatos geradores que permaneceram incólumes após a exoneração promovida pela DRJ/SPO não se deram por atuação do de cujus, posto que, por óbvio, já falecido desde setembro de 2007, mas sim por omissão de rendimentos do próprio espólio, sendo, daí, inaplicáveis os termos do art. 49 do DecretoLei nº 5.844/43 (art. 23, § 1º, c/c o art. 964 do RIR/99). Como remate, registrese que a incidência de juros de mora, face ao inadimplemento do tributo no prazo de regência, dáse por força de expressa previsão legal contida nos arts. 13 da Lei nº 9.065/95, e 61, § 3º, da Lei nº 9.430/96, sendo irrelevante qualquer conjetura acerca do aspecto volitivo da conduta do contribuinte para sua aplicação. Fl. 427DF CARF MF 8 Não bastasse, a matéria já foi sumulada pelo CARF, valendo trazer à colação o enunciado em referência: Súmula CARF nº 4: A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. (Vinculante, conforme Portaria MF nº 277, de 07/06/2018, DOU de 08/06/2018). Ante o exposto, voto por negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Ronnie Soares Anderson Fl. 428DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 17284.720990/2016-35
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Oct 24 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Jan 08 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2013
DEPENDENTES. DESPESAS MÉDICAS. DEDUÇÃO.
Somente podem ser aceitas as deduções legais da base de cálculo do IRPF, quando comprovados, mediante documentação hábil, o preenchimento dos requisitos legais, no curso do processo administrativo fiscal.
Numero da decisão: 2001-000.835
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Jorge Henrique Backes - Presidente.
(assinado digitalmente)
José Ricardo Moreira - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Jorge Henrique Backes (Presidente), Fernanda Melo Leal, José Alfredo Duarte Filho e José Ricardo Moreira.
Nome do relator: JOSE RICARDO MOREIRA
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2013 DEPENDENTES. DESPESAS MÉDICAS. DEDUÇÃO. Somente podem ser aceitas as deduções legais da base de cálculo do IRPF, quando comprovados, mediante documentação hábil, o preenchimento dos requisitos legais, no curso do processo administrativo fiscal.
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Numero do processo: 13971.001629/2004-73
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Oct 16 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Nov 01 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Ano-calendário: 1999, 2000, 2001, 2002, 2003
PIS. BASE DE CÁLCULO. ART. 30, § 1°, DA L. 9.718/98.INCONSTITUCIONALIDADE DECLARADA PELO STF. EFEITOS.
O Supremo Tribunal declarou a inconstitucionalidade do art. 3º, §1°, da Lei nº 9.718/98 no RE 527.602, com repercussão geral reconhecida, proclamando que a ampliação da base de cálculo da COFINS por lei ordinária violou a redação original do art. 195, I, da Constituição Federal,ainda vigente ao ser editada a mencionada norma legal.
Numero da decisão: 1301-003.416
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do recurso voluntário para lhe dar provimento integral, nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Fernando Brasil de Oliveira Pinto - Presidente.
(assinado digitalmente)
Carlos Augusto Daniel Neto - Relator.
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Roberto Silva Júnior, José Eduardo Dornelas Souza, Nelso Kichel, Giovana Pereira de Paiva Leite, Carlos Augusto Daniel Neto, Amélia Wakako Morishita Yamamoto, Leonam Rocha de Medeiros (suplente convocado) e Fernando Brasil de Oliveira Pinto (Presidente). Ausente, justificadamente, a Conselheira Bianca Felícia Rothschild, substituída pelo Conselheiro Leonam Rocha de Medeiros.
Nome do relator: CARLOS AUGUSTO DANIEL NETO
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Ano-calendário: 1999, 2000, 2001, 2002, 2003 PIS. BASE DE CÁLCULO. ART. 30, § 1°, DA L. 9.718/98.INCONSTITUCIONALIDADE DECLARADA PELO STF. EFEITOS. O Supremo Tribunal declarou a inconstitucionalidade do art. 3º, §1°, da Lei nº 9.718/98 no RE 527.602, com repercussão geral reconhecida, proclamando que a ampliação da base de cálculo da COFINS por lei ordinária violou a redação original do art. 195, I, da Constituição Federal,ainda vigente ao ser editada a mencionada norma legal.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Anocalendário: 1999, 2000, 2001, 2002, 2003 PIS. BASE DE CÁLCULO. ART. 30, § 1°, DA L. 9.718/98.INCONSTITUCIONALIDADE DECLARADA PELO STF. EFEITOS. O Supremo Tribunal declarou a inconstitucionalidade do art. 3º, §1°, da Lei nº 9.718/98 no RE 527.602, com repercussão geral reconhecida, proclamando que a ampliação da base de cálculo da COFINS por lei ordinária violou a redação original do art. 195, I, da Constituição Federal,ainda vigente ao ser editada a mencionada norma legal. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do recurso voluntário para lhe dar provimento integral, nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Fernando Brasil de Oliveira Pinto Presidente. (assinado digitalmente) Carlos Augusto Daniel Neto Relator. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Roberto Silva Júnior, José Eduardo Dornelas Souza, Nelso Kichel, Giovana Pereira de Paiva Leite, Carlos Augusto Daniel Neto, Amélia Wakako Morishita Yamamoto, Leonam Rocha de Medeiros (suplente convocado) e Fernando Brasil de Oliveira Pinto (Presidente). Ausente, justificadamente, a AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 97 1. 00 16 29 /2 00 4- 73 Fl. 561DF CARF MF 2 Conselheira Bianca Felícia Rothschild, substituída pelo Conselheiro Leonam Rocha de Medeiros. Relatório Trata o presente processo de autos de infração lavrados para a cobrança das contribuições sociais do PIS e da COFINS (fls. 119135 e 346362), acrescido de multa de ofício de 75% e juros de muro, correspondente aos anoscalendário de 1999, 2000, 2001, 2002 e 2003. Como consta nos Autos de Infração e no Termo de Verificação Fiscal, a fiscalizada foi excluída do Simples, com efeitos a partir de 01/01/1999 por conta de prática reiterada de infração à legislação tributária (omissão de receitas financeiras), conforme processo administrativo fiscal de nº 13971.001700/200418, ao apensado ao presente. A autuada apresentou a impugnação de fls. 138/163 (COFINS) e fls. 365/390, onde questiona a exclusão do SIMPLES e alega que receitas financeiras estão fora do alcance da hipótese de incidência das contribuições sociais. A DRJ julgou improcedente a sua impugnação, conforme acórdão de fls. 514 e ss. Irresignado, o Contribuinte apresentou Recurso Voluntário, repisando as razões de sua impugnação. É o relatório. Voto Conselheiro Carlos Augusto Daniel Neto Relator. O Recurso Voluntário é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, devendo ser conhecido por este Colegiado. A questão aqui discutida é sobremaneira simples, com o perdão do trocadilho A partir da exclusão do contribuinte do regime do Simples Nacional, lançouse o PIS/COFINS cumulativo, com base na Lei nº 9.718/98, sobre as receitas financeiras que entendeu a fiscalização não terem sido oferecidas à tributação. Entretanto, o §1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98 foi declarado inconstitucional pelo Supremo Tribunal Federal, através do Recurso Extraordinário nº 527.602, assim ementado: PIS E COFINS LEI Nº 9.718/98 ENQUADRAMENTO NO INCISO I DO ARTIGO 195 DA CONSTITUIÇÃO FEDERAL, NA REDAÇÃO PRIMITIVA. Enquadrado o tributo no inciso I do artigo 195 da Constituição Federal, é dispensável a disciplina mediante lei complementar. Fl. 562DF CARF MF Processo nº 13971.001629/200473 Acórdão n.º 1301003.416 S1C3T1 Fl. 3 3 RECEITA BRUTA E FATURAMENTO A sinonímia dos vocábulos Ação Declaratória nº 1, Pleno, relator Ministro Moreira Alves conduz à exclusão de aportes financeiros estranhos à atividade desenvolvida Recurso Extraordinário nº 357.9509/RS, Pleno, de minha relatoria. (RE 527.602, Relator(a): Min. EROS GRAU, Relator(a) p/ Acórdão: Min. MARCO AURÉLIO, Tribunal Pleno, julgado em 05/08/2009, REPERCUSSÃO GERAL MÉRITO DJe213 DIVULG 12112009 PUBLIC 13112009) Essa decisão é de observância obrigatória no âmbito deste CARF, nos termos do art. 62, §2º do Anexo II do RICARF: Art. 62 (...) § 2º As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática dos arts. 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 1973, ou dos arts. 1.036 a 1.041 da Lei nº 13.105, de 2015 Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. Desse modo, voto por dar provimento integral ao Recurso Voluntário para afastar a cobrança de PIS/COFINS sobre as receitas financeiras da Recorrente. (assinado digitalmente) Carlos Augusto Daniel Neto Fl. 563DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 16561.000038/2007-41
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Oct 16 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Nov 20 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2002
EFEITOS DA IN 243/2002 AO PRÓPRIO ANO DE SUA EDIÇÃO. PRINCÍPIOS DA ANTERIORIDADE, IRRETROATIVIDADE E PROTEÇÃO DA CONFIANÇA LEGÍTIMA.
A IN 243, editada em 13 de novembro de 2002, apenas passou a surtir efeitos a partir de 2003, em face do necessário respeito aos princípios da anterioridade, irretroatividade e proteção da confiança legítima.
Numero da decisão: 1401-002.952
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Luiz Augusto de Souza Gonçalves - Presidente.
(assinado digitalmente)
Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin- Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Augusto de Souza Gonçalves (Presidente), Sergio Abelson, Letícia Domingues Costa Braga, Cláudio de Andrade Camerano, Eduardo Morgado Rodrigues, Lívia de Carli Germano, Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Abel Nunes de Oliveira Neto e Daniel Ribeiro Silva.
Nome do relator: LUCIANA YOSHIHARA ARCANGELO ZANIN
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 6; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1452; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C4T1 Fl. 564 1 563 S1C4T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 16561.000038/200741 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 1401002.952 – 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 16 de outubro de 2018 Matéria IRPJ Recorrente EATON LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2002 EFEITOS DA IN 243/2002 AO PRÓPRIO ANO DE SUA EDIÇÃO. PRINCÍPIOS DA ANTERIORIDADE, IRRETROATIVIDADE E PROTEÇÃO DA CONFIANÇA LEGÍTIMA. A IN 243, editada em 13 de novembro de 2002, apenas passou a surtir efeitos a partir de 2003, em face do necessário respeito aos princípios da anterioridade, irretroatividade e proteção da confiança legítima. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Luiz Augusto de Souza Gonçalves Presidente. (assinado digitalmente) Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Augusto de Souza Gonçalves (Presidente), Sergio Abelson, Letícia Domingues Costa Braga, Cláudio de Andrade Camerano, Eduardo Morgado Rodrigues, Lívia de Carli Germano, Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Abel Nunes de Oliveira Neto e Daniel Ribeiro Silva. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 56 1. 00 00 38 /2 00 7- 41 Fl. 564DF CARF MF 2 Relatório Tratase de recurso voluntário interposto contra o Acórdão 1624.855 4” Turma da DRJ/SP1, que por unanimidade de votos julgou IMPROCEDENTE a impugnação, mantendo integralmente o crédito lançado. Por bem descrever os fatos ocorridos até aquele momento, transcrevo em parte o relatório da DRJ, naquilo que interessa à solução da controvérsia: O presente processo trata do resultado da ação fiscal desenvolvida na empresa em epígrafe, que teve como objetivo apurar a adequação dos cálculos realizados pelo contribuinte, relativos aos preços de transferência dos produtos importados de empresas ligadas no exterior, no anocalendário de 2002. 2. A fiscalização relata no “Termo de Verificação e Constatação TVC" (fls. 68 a 70), basicamente, que: 2.1. a empresa entrou com ação na Justiça Federal, e obteve liminar em Mandado de Segurança, visando assegurar o direito de praticar ajustes a titulo de preços de transferência pela IN SRF n° 32/2001 por entender que a IN SRF n° 243/2002, introduz uma forma de cálculo não prevista na Lei n° 9.430/96 com caracteristicas extorsivas no cálculo pelo método do PRL 60%; 2.2. nos trabalhos desenvolvidos foi verificado, para efeito de apuração do IRPJ e da CSLL, que a dedutibilidade dos custos dos bens importados, de 3. Em decorrência do apurado foram lavrados os seguintes autos de infração, com ciência dada em 18/04/2007 (fls. 59 a 67): Imposto de Renda Pessoa Jurídica IRPJ no valor de R$ 4.191.292,56 e Contribuição Social sobre Lucro Liquido CSLL na quantia de R$ 1.508.865,30 (os valores incluem multa de oficio e juros de mora, estes calculados até 30/03/2007). 4. Os enquadramentos legais aplicados foram: (i) IRPJ: art. 241 do RIR/99 e (ii) CSLL: art. 2° e §§, da Lei n° 7.689/88; art. 1° da Lei n° 9.316/96; art. 28 da Lei n° 9.430/96 e art. 6° da Medida Provisória n° 1.858/99 e reedições. A contribuinte apresentou impugnação alegando que estava amparada por liminar em Mandado de Segurança que suspendia a aplicação da regra prevista na IN/SRF 243/2002 para os fatos anteriores a sua entrada em vigor, como é o caso do período autuado, motivo pelo qual a autuação deveria ser restrita a constituição do crédito tributário para prevenção da ocorrência da decadência; alegou também a inaplicabilidade da IN243/2002, publicada em 13/11/2002, a fatos que lhes foram antecendentes, como é o caso dos autos e por fim a própria ilegalidade da metodologia de cálculo da norma frente a Lei 9.430/96, uma vez que impacta na majoração do IRPJ e da CSLL sem a necessária previsão legal, bem como por seu caráter antiisononômico. Apreciada a impugnação, o lançamento foi mantido integralmente sob o entendimento de que de acordo com a decisão obtida no MS impetrado pela Contribuinte a liminar conquistada foi no sentido de não aplicar os critérios de cálculo previstos na IN SRF n° 243/02, somente a partir do anocalendário de 2003. Conseqüentemente, ao contrário do que Fl. 565DF CARF MF Processo nº 16561.000038/200741 Acórdão n.º 1401002.952 S1C4T1 Fl. 565 3 determinou a fiscalização, os créditos lançados, relativos ao ano calendário de 2002, não estavam com a exigibilidade suspensa, o que também não impedia a aplicação de multa de ofício, não restando nenhuma nulidade ou preliminar a ser sanada. Quanto às alegações feitas pela Contribuinte no sentido de que a IN SRF n° 243/02 não encontra respaldo na Lei n° 9.430/96, criando obrigações novas, não previstas na lei, violando o princípio constitucional da legalidade e mesmo que fosse legal, não poderia ser aplicada já no anocalendário de 2002, pois, foi publicada em novembro daquele ano, entendeuse pela ausência de competência da esfera administrativa para apreciação de tais alegações, posto que relativas à legalidade ou inconstitucionalidade de normas jurídicas, competência esta exclusiva do Poder Judiciário. Tendo a decisão de piso consignado que a autoridade administrativa, por força de sua vinculação ao texto da norma legal e ao entendimento que a ele dá o Poder Executivo (através da edição de regras administrativas, como a referida Instrução Normativa), deve limitarse a aplicar as disposições ali contidas, sem emitir qualquer juízo de valor acerca da sua legalidade, constitucionalidade ou outros aspectos de sua validade. Contudo, tendo considerado ao final que a IN n° 243/02 não veio inovar, mas resgatar o que estava previsto na lei para apuração do custo (parâmetro), ou seja, considerar o preço de revenda do bem importado aplicado na produção de outro bem, e não o preço de venda do produto final. E, conseqüentemente, poderia ser aplicada no ano da sua publicação no Diário Oficial. Inconformada, apresentou Recurso Voluntário pleiteando a reforma do julgamento sob os seguintes fundamentos: (i) Este Egrégio Conselho Administrativo de Recursos Fiscais tem competência para julgar a ilegalidade de um ato normativo expedido pela Receita Federal do Brasil; (ii) A IN/SRF n.° 243/2002 jamais poderia ter sido aplicada para questionar os ajustes realizados pela Recorrente no anocalendário de 2002, tendo a facultatividade da utilização do método PRL60, de acordo com a IN/SRF 243/02, sido reconhecida pela própria COSIT; (iii) A IN/SRF n.° 243/2002 é ilegal por ter extrapolado sua função regulamentadora da Lei n.° 9.430/96 e, assim, ter criado nova e mais gravosa metodologia de cálculo do preço parâmetro no método PRL60; (iv) A sistemática de cálculo de ajustes de preços de transferência prevista na IN/SRF n.° 243/2002 é prejudicial à indústria e economia nacional, uma vez que incentiva os importadores a reduzir o grau de nacionalização dos produtos importados; e (v) A IN/SRF n.° 243/2002 fere o princípio da isonomia ao equiparar a forma de cálculo do preço parâmetro para importadores de produtos para revenda e para importadores de produtos para aplicação na produção nacional, mantendo, porém, margens de lucro distintas (20% e 60%, respectivamente). A controvérsia versa essencialmente sobre a forma de cálculo dos ajustes de preços de transferência de acordo com o método PLR 60. Fl. 566DF CARF MF 4 Enquanto a contribuinte defende que os ajustes devem ser calculados com base no método descrito na Lei 9.430/96 (com a redação dada pela Lei 9.959/2000), a fiscalização entende que deve ser adotado o método descrito na IN SRF n. 243/2002. O Acórdão DRJ recorrido, manteve o lançamento ratificando a autuação conforme o método descrito na IN SRF n. 243/2002. É o relatório do essencial. Voto Conselheira Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin Relatora. O recurso é tempestivo e apresenta os demais requisitos de admissibilidade, por isso, dele conheço. No mérito, discutese basicamente a legalidade da IN SRF 243/2002 ao estabelecer os cálculos do método do Preço de Revenda menos Lucro PRL para fins de cumprimento da legislação sobre preços de transferência. A matriz legal da legislação brasileira dos preços de transferência é a Lei n. 9.430/96, com as sucessivas alterações que lhe foram realizadas. Nela estão contemplados os diferentes métodos de controle dos preços de transferência, que consistem em fórmulas e regras para a determinação se deve ou não ser realizado ajustes na base de cálculo do IRPJ e da CSLL e, ainda, de quanto seria o referido ajuste. Especificamente ao ano de 2002, sustenta também a recorrente que os efeitos da referida IN 243/2002 apenas passaram a surtir efeitos a partir do anocalendário de 2003, em respeito aos princípios da irretroatividade, da anterioridade, da segurança jurídica e proteção da confiança legítima, além do art. 146 do CTN. Assiste razão ao contribuinte. Este mesmo entendimento foi adotado na Solução de Consulta COSIT N. 2/08: Processo de Consulta n° 2/08 Órgão: Coordenação Geral do Sistema de Tributação COSIT Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica — IRPJ Ementa: PREÇOS DE TRANSFERÊNCIA. PREÇO PARÂMETRO DE INSUMOS IMPORTADOS. Na determinação do preço parâmetro pelo método PRL, com margem de sessenta por cento, na metodologia de cálculo, devese deduzir o valor agregado, ao bem produzido no país, na apuração da margem de lucro de 60%, e, também, do preço líquido de venda na apuração final do preço parâmetro. Esta metodologia deverá ser utilizada a partir do início do ano calendário de 2003 e, opcionalmente, em 2002, pela empresa interessada, em função da publicação de novo procedimento pela Instrução Normativa SRF n° 243, de 2002. A interessada, no entanto, poderseá utilizar, nos anos de 2000, 2001 e, opcionalmente, em 2002 das disposições que constam da Instrução Normativa SRF então vigente (IN SRF n° Fl. 567DF CARF MF Processo nº 16561.000038/200741 Acórdão n.º 1401002.952 S1C4T1 Fl. 566 5 32, de 2001), nas quais, não contemplam a retirada do valor agregado na composição final do preço parâmetro pelo método PRL 60%. DISPOSITIVOS LEGAIS: Art. 146 da Lei n° 5.172, de 25 de outubro de 1966, Código Tributário Nacional (CTN); art. 18 da Lei n° 9.430, de 27 de dezembro de 1996 e § 11 do art. 12 da Instrução Normativa SRF n°243, de 11 de novembro de 2002. OTHONIEL LUCAS DE SOUSA JÚNIOR Coordenador Geral — Substituto (Data da Decisão: 23.01.2008 25.01.2008) É incontroverso que a IN/243/2002 estabeleceu fórmula de cálculo do PRL60 mais gravosa ao contribuinte que as fórmulas até então previstas pela IN 38/1997 e 32/2001. A alegação dos que sustentam a legalidade da referida IN parte do pressuposto que a fórmula por ela estabelecida para o cálculo do método PRL60 é suportada pela Lei n. 9.430/96, mesmo que mais gravosa que as fórmulas previstas nas instruções normativas anteriores. Nesse rumo, se a lei em sentido estrito deve observar o princípio da anterioridade sempre que estabelecer ou majorar tributo, da mesma forma os atos infralegais não devem receber tratamento menos rigoroso. Logo, ao estabelecer fórmula de cálculo do PRL60 mais gravosa que aquela até então prevista por outras instruções normativas até então vigente, seus efeitos apenas devem ser aplicados no exercício seguinte à sua instituição, ou seja, a partir de 01.01.2003, sendo vedada sua retroatividade. Neste mesmo sentido, a CSRF, através do Acórdão nº 9101002.839, manifestou de forma unânime: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2002 EFEITOS DA IN 243/2002 AO PRÓPRIO ANO DE SUA EDIÇÃO. PRINCÍPIOS DA ANTERIORIDADE, IRRETROATIVIDADE E PROTEÇÃO DA CONFIANÇA LEGÍTIMA. A IN 243, editada em 13 de novembro de 2002, apenas passou a surtir efeitos a partir de 2013, em face do necessário respeito aos princípios da anterioridade, irretroatividade e proteção da confiança legítima. Por esta razão, DOU PROVIMENTO ao recurso voluntário do contribuinte, para cancelar a autuação. É como voto. (assinado digitalmente) Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin. Fl. 568DF CARF MF 6 Fl. 569DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10675.901423/2008-25
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Dec 06 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Dec 21 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2003
PERDCOMP. INOVAÇÃO. COMPENSAÇÃO.
Incabível compensar débitos informados em declaração de compensação com valores referentes a créditos diversos daquele indicado no documento de compensação, os quais simplesmente não integram o seu conteúdo.
Numero da decisão: 1001-001.024
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado.
(Assinado Digitalmente)
Lizandro Rodrigues de Sousa - Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros:Lizandro Rodrigues de Sousa (presidente), Edgar Bragança Bazhuni, José Roberto Adelino da Silva e Eduardo Morgado Rodrigues.
Nome do relator: LIZANDRO RODRIGUES DE SOUSA
1.0 = *:*
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Ano-calendário: 2003 PERDCOMP. INOVAÇÃO. COMPENSAÇÃO. Incabível compensar débitos informados em declaração de compensação com valores referentes a créditos diversos daquele indicado no documento de compensação, os quais simplesmente não integram o seu conteúdo.
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INOVAÇÃO. COMPENSAÇÃO. Incabível compensar débitos informados em declaração de compensação com valores referentes a créditos diversos daquele indicado no documento de compensação, os quais simplesmente não integram o seu conteúdo. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. (Assinado Digitalmente) Lizandro Rodrigues de Sousa Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros:Lizandro Rodrigues de Sousa (presidente), Edgar Bragança Bazhuni, José Roberto Adelino da Silva e Eduardo Morgado Rodrigues. Relatório Tratase de Declaração de Compensação 24849.86862.220704.1.7.048000, retificadora da declaração n° 26120.59875.130704.1.3.048043, transmitida em 22/07/2004, (e fls. 02/08), através da qual o contribuinte pretende compensar débitos de sua responsabilidade AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 67 5. 90 14 23 /2 00 8- 25 Fl. 47DF CARF MF 2 com crédito proveniente de pagamento indicado como indevido efetuado por meio de DARF, data de arrecadação 15/05/2003, no valor de R$ 1.467,15, código de receita 2484, período de apuração 31/03/2003. O pedido foi indeferido, conforme Despacho Decisório 770235276, de 16/06/2008 (efl. 07), que analisou as informações e reconheceu que o pagamento foi integralmente utilizado para quitação de débito de estimativa mensal 03/2003 do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. Assim dispôs em relatório o Acórdão Recorrido (efls. 40/44): Inconformada com a não homologação da declaração de compensação, a requerente apresentou, em 11/07/2008, a manifestação de fl. 11, na qual alega erro na identificação do crédito compensado, informado como pagamento indevido ou a maior, quando o correto seria saldo negativo de CSLL. Assim requer seja desconsiderada a presente cobrança. A manifestação foi analisada pela Delegacia de Julgamento (Acórdão 09 33.168 1ª Turma da DRJ/JFA, efls. 34/36), que dispôs em voto que o que a manifestante sustenta é que cometeu um equívoco ao preencher o PER/DCOMP, pois indicou como crédito um DARF que não correspondia ao crédito que pleiteava e requer indevido direito de retificar a PERDCOMP via processo administrativo fiscal regulado pelo Decreto 70.235/72. Cientificada em 04/02/2011 (efl. 39), a Interessada interpôs recurso voluntário, protocolado em 28/02/2011 (efl. 40), em que repete os argumentos da manifestação de inconformidade. Voto Conselheiro Lizandro Rodrigues de Sousa Relator O recurso ao CARF é tempestivo, e portanto dele conheço. O contribuinte pretendeu, através de PERDCOMP, compensar débitos de sua responsabilidade com crédito proveniente de pagamento indicado como indevido referente a DARF, data de arrecadação 15/05/2003, no valor de R$ 1.467,15, código de receita 2484, período de apuração 31/03/2003. Com relação à possibilidade de que eventual pagamento indevido ou a maior que o devido a título de estimativa possa embasar pedido de restituição ou compensação, prudente considerar o disposto na Súmula CARF nº 84: Súmula CARF nº 84: Pagamento indevido ou a maior a título de estimativa caracteriza indébito na data de seu recolhimento, sendo passível de restituição ou compensação. Porém concordo com o entendimento da decisão de primeira instância que na essência entendeu ser incabível compensar os débitos informados em declaração de compensação com valores referentes a créditos diversos daquele indicado no documento de compensação, os quais simplesmente não integraram originalmente seu conteúdo. No caso presente o que se pretendeu foi modificar, após a apreciação do direito à compensação (despacho decisório) a natureza do crédito. Tratase de outro pedido, e a Fl. 48DF CARF MF Processo nº 10675.901423/200825 Acórdão n.º 1001001.024 S1C0T1 Fl. 48 3 retificação nesta condição é vedada pela legislação. Se há algum outro recolhimento indevido, cabe destacar que depois de proferida a decisão administrativa não se admite a retificação da declaração de compensação, conforme disposto no art. 77 da IN RFB n° 900, de 30/12/2008, in verbis: Art. 77. O pedido de restituição, ressarcimento ou reembolso e a Declaração de Compensação somente poderão ser retificados pelo sujeito passivo caso se encontrem pendentes de decisão administrativa à data do envio do documento retificador e, observado o disposto nos arts. 78 e 79 no que se refere à Declaração de Compensação. Pelo exposto, voto por negar provimento ao recurso. (Assinado Digitalmente) Lizandro Rodrigues de Sousa Fl. 49DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10920.722333/2011-26
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Aug 08 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Nov 27 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2007 a 30/11/2008
Ementa:
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. RECURSO INTEMPESTIVO.
Não se conhece do recurso apresentado após o prazo de concedido pelo Decreto nº 70.235/1972.
Numero da decisão: 2202-004.688
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso, por intempestividade.
(Assinado digitalmente)
Ronnie Soares Anderson - Presidente.
(Assinado digitalmente)
Junia Roberta Gouveia Sampaio- Redatora ad hoc.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rosy Adriane da Silva Dias, Martin da Silva Gesto, Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez (suplente convocada), Júnia Roberta Gouveia Sampaio, Dilson Jatahy Fonseca Neto e Ronnie Soares Anderson.
Nome do relator: DILSON JATAHY FONSECA NETO
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2007 a 30/11/2008 Ementa: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. RECURSO INTEMPESTIVO. Não se conhece do recurso apresentado após o prazo de concedido pelo Decreto nº 70.235/1972.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso, por intempestividade. (Assinado digitalmente) Ronnie Soares Anderson - Presidente. (Assinado digitalmente) Junia Roberta Gouveia Sampaio- Redatora ad hoc. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rosy Adriane da Silva Dias, Martin da Silva Gesto, Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez (suplente convocada), Júnia Roberta Gouveia Sampaio, Dilson Jatahy Fonseca Neto e Ronnie Soares Anderson.
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RECURSO INTEMPESTIVO. Não se conhece do recurso apresentado após o prazo de concedido pelo Decreto nº 70.235/1972. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso, por intempestividade. (Assinado digitalmente) Ronnie Soares Anderson Presidente. (Assinado digitalmente) Junia Roberta Gouveia Sampaio Redatora ad hoc. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rosy Adriane da Silva Dias, Martin da Silva Gesto, Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez (suplente convocada), Júnia Roberta Gouveia Sampaio, Dilson Jatahy Fonseca Neto e Ronnie Soares Anderson. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 92 0. 72 23 33 /2 01 1- 26 Fl. 1029DF CARF MF Processo nº 10920.722333/201126 Acórdão n.º 2202004.688 S2C2T2 Fl. 1.029 2 Como Redatora ad hoc, sirvome da minuta de acórdão inserida pelo Relator no repositório oficial do CARF Tratase, em breves linhas, de auto de infração lavrado em desfavor da Contribuinte para constituir crédito tributário de Contribuições Sociais Previdenciárias. Intimada, a Contribuinte protocolou impugnação. A DRJ manteve integralmente o crédito tributário. Inconformada, interpôs recurso voluntário, ora levado a julgamento. Feito o breve resumo da lide, passo ao relatório pormenorizado dos autos. Em 28/10/2011 foram lavrados os autos de infração DEBCAD nº 51.010.2859 (fls. 49/74) e DEBCAD nº 51.010.2867 (fls. 75/93) para constituir crédito tributário referente a Contribuições Sociais Previdenciárias. Consta nos autos Relatório Fiscal (fls. 24/48 e docs. anexos fls. 3/23 e 94/854). Intimada em 22/11/2011 (fls. 49 e 75), a Contribuinte protocolou impugnações individualizadas para cada DEBCAD em 22/12/2011 (fls. 858/877 e 917/936). Analisando a defesa, a DRJ proferiu o acórdão nº 1264.768, de 14/04/2014 (fls. 976/984), no qual manteve integralmente o crédito tributário e que restou assim ementado: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2009 a 31/12/2010 OBRIGAÇÃO PRINCIPAL. GRUPO ECONÔMICO. CARACTERIZAÇÃO. SOLIDARIEDADE. PRESENTE. INEXISTÊNCIA DE FATO. PRESUNÇÃO SIMPLES. POSSIBILIDADE. SIMULAÇÃO. DESCONSIDERAÇÃO DO NEGÓCIO JURÍDICO. ARBITRAMENTO. LEGALIDADE. O Fisco pode utilizarse de presunção a fim de demonstrar a ocorrência de fato tributariamente relevante, baseandose em regras de experiência acerca do que geralmente acontece no mundo fenomênico. A lei não pode prever todos os fatos indiciários a fim de positiválos como enunciado de presunção absoluta ou relativa. Caracterizase o grupo econômico quando, além do parentesco e do controle societário, o conjunto de indícios e elementos fáticos demonstra que as empresas combinavam recursos e esforços para a consecução de objetivos comuns, sob direção única e coordenada, portanto, atuavam economicamente como grupo. Há solidariedade entre as empresas que integram grupo econômico de qualquer natureza respondendo pelas obrigações decorrentes da lei de custeio da previdência social, por expressa disposição legal, bem como pela comprovação do interesse comum na situação que constitua fato gerador. Constatada a ocorrência de simulação, consubstanciada na utilização de empresa inexistente de fato, a fim de obter exclusivamente a redução da carga tributária, é lícita a deconsideração do negócio jurídico e o arbitramento das contribuições devidas. Fl. 1030DF CARF MF Processo nº 10920.722333/201126 Acórdão n.º 2202004.688 S2C2T2 Fl. 1.030 3 Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Intimada em 29/04/2014 (fls. 990), e ainda inconformada, a Contribuinte protocolou recurso voluntário em 06/06/2014 (fls. 993/1.018) argumentando, em síntese, · Que o lançamento se sustenta em presunção simples, o que é indevido; · Que não ocorreu simulação nem grupo econômico; · Que, não havendo grupo econômico, não pode ser imposta a responsabilidade solidária; e · Que, subsidiariamente, deve ser aplicada a retroatividade benigna para que seja imposta a multa doa art. 32A da Lei nº 8.212/1991, menos onerosa do que aquela vigente à época dos fatos, de sorte que não pode ser aplicada a multa de 75%, esta contrária aos princípios da proporcionalidade e razoabilidade. Os presentes autos foram apensados ao processo nº 10920.722323/201191 (fl. 856). É o relatório. Voto Conselheira Junia Roberta Gouveia Sampaio Redatora ad hoc Como Redatora ad hoc, sirvome da minuta de voto inserida pelo Relator no repositório oficial do CARF, de sorte que o posicionamento abaixo esposado não necessariamente tem a aquiescência desta Conselheira Conforme se observa do relatório fiscal, a Contribuinte foi intimada do resultado do julgamento em 29/04/2014 (fl. 990). Efetivamente, a intimação ocorreu pela abertura dos arquivos disponibilizados em sua caixa eletrônica. Esse é o marco inicial para a contagem do prazo recursal, nos termos do Decreto nº 70.235/1972: Art. 23. Farseá a intimação: (...) III por meio eletrônico, com prova de recebimento, mediante: (Redação dada pela Lei nº 11.196, de 2005) a) envio ao domicílio tributário do sujeito passivo; ou (Incluída pela Lei nº 11.196, de 2005) b) registro em meio magnético ou equivalente utilizado pelo sujeito passivo. (Incluída pela Lei nº 11.196, de 2005) (...) Fl. 1031DF CARF MF Processo nº 10920.722333/201126 Acórdão n.º 2202004.688 S2C2T2 Fl. 1.031 4 § 2° Considerase feita a intimação: (...) III se por meio eletrônico: (Redação dada pela Lei nº 12.844, de 2013) a) 15 (quinze) dias contados da data registrada no comprovante de entrega no domicílio tributário do sujeito passivo; (Redação dada pela Lei nº 12.844, de 2013) b) na data em que o sujeito passivo efetuar consulta no endereço eletrônico a ele atribuído pela administração tributária, se ocorrida antes do prazo previsto na alínea a; ou (Redação dada pela Lei nº 12.844, de 2013) c) na data registrada no meio magnético ou equivalente utilizado pelo sujeito passivo; (Incluída pela Lei nº 12.844, de 2013) Nessa linhas, é intempestivo o recurso da Contribuinte, vez que protocolado em 06/06/2014 (fl. 993), ou seja, após o prazo de 30 (trinta) dias concedido pelo art. 33 do Decreto nº 70.235/1972. Registrase que o recurso não trata da questão da tempestividade. Dispositivo Diante de tudo quanto exposto, voto por não conhecer do recurso. (assinado digitalmente) Junia Roberta Gouveia Sampaio (voto de Dilson Jatahy Fonsenca Neto) Fl. 1032DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13851.901245/2009-23
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Oct 18 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Nov 27 00:00:00 UTC 2018
Numero da decisão: 1302-000.674
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
RESOLVEM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplica-se o decidido no julgamento do processo 13851.900891/2009-73, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado.
(assinado digitalmente)
Luiz Tadeu Matosinho Machado Presidente e Relator.
Participaram do presente julgamento os conselheiros Carlos Cesar Candal Moreira Filho, Flávio Machado Vilhena Dias, Gustavo Guimarães da Fonseca, Marcos Antônio Nepomuceno Feitosa, Maria Lúcia Miceli, Paulo Henrique Silva Figueiredo, Rogério Aparecido Gil e Luiz Tadeu Matosinho Machado (Presidente).
Nome do relator: LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. RESOLVEM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplica-se o decidido no julgamento do processo 13851.900891/2009-73, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. (assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado Presidente e Relator. Participaram do presente julgamento os conselheiros Carlos Cesar Candal Moreira Filho, Flávio Machado Vilhena Dias, Gustavo Guimarães da Fonseca, Marcos Antônio Nepomuceno Feitosa, Maria Lúcia Miceli, Paulo Henrique Silva Figueiredo, Rogério Aparecido Gil e Luiz Tadeu Matosinho Machado (Presidente).
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Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. RESOLVEM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplicase o decidido no julgamento do processo 13851.900891/200973, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. (assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado Presidente e Relator. Participaram do presente julgamento os conselheiros Carlos Cesar Candal Moreira Filho, Flávio Machado Vilhena Dias, Gustavo Guimarães da Fonseca, Marcos Antônio Nepomuceno Feitosa, Maria Lúcia Miceli, Paulo Henrique Silva Figueiredo, Rogério Aparecido Gil e Luiz Tadeu Matosinho Machado (Presidente). RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 38 51 .9 01 24 5/ 20 09 -2 3 Fl. 67DF CARF MF Processo nº 13851.901245/200923 Resolução nº 1302000.674 S1C3T2 Fl. 3 2 Relatório A Empresa apresentou PER/DCOMP pretendendo compensar débitos de sua responsabilidade com crédito decorrente de pagamento indevido ou a maior de pagamento de estimativa mensal. Em Despacho Decisório Eletrônico, não foi reconhecido qualquer direito creditório a favor da contribuinte e, por conseguinte, nãohomologada a compensação declarada no presente processo, ao fundamento de que não foi confirmada a existência do crédito informado "por tratarse de pagamento a título de estimativa mensal de pessoa jurídica tributada pelo lucro real, caso em que o recolhimento somente pode ser utilizado na dedução do Imposto de Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ) ou da Contribuição Social sobre o Lucro Liquido (CSLL) devida ao .final do período de apuração ou para compor o saldo negativo de IRPJ ou CSLL do período", forte no artigo 10 da IN 600/2005. Inconformada, interpôs a contribuinte manifestação de inconformidade, acompanhada dos documentos, na qual alega, em síntese, que: a) o despacho decisório não homologou a PER/Dcomp sob alegação da improcedência do crédito por tratarse de pagamento a titulo de estimativa mensal de pessoa jurídica tributada pelo lucro real; b) houve equivoco quanto à interpretação do artigo 10 da IN n° 600/2005; c) o despacho decisório sustenta que a impugnante violou o artigo 10 da IN n° 600/2005; d) a impugnante, por sua vez, informa que não apurou saldo negativo de CSLL no anocalendário correspondente, nem utilizou o valor do indébito na apuração do referido saldo negativo; e) discorre sobre o direito à compensação. salientando que a compensação, objeto dos autos, foi efetuada mediante pedido eletrônico (PER/Dcomp) e elaborada atendendo todos parâmetros estabelecidos pela legislação; f) o artigo 10 da IN n° 600/2005 viola o principio da legalidade tributária, não podendo a contribuinte ser prejudicada por norma que não tem força de lei, mas sim caráter acessório a ela; g) vedar a compensação dos créditos relativos a pagamento indevido ou a maior de IRPJ/CSLL no decorrer do anocalendário afeta nitidamente o direito do contribuinte na utilização de seu direito; h) se a lei que disciplina referido procedimento não restringe a compensação não há que se falar em improcedência do crédito; i) cita ementas de decisões administrativas; j) Instrução Normativa é ato administrativo realizado nos limites do Poder Regulamentar conferido á Administração Pública; k) o artigo 10 da IN n° 600/2005 não vincula o particular sendo incapaz de gerarlhe obrigação; 1) o valor do crédito decorrente de pagamento indevido ou a maior de CSLL é legitimo e de pleno direito da impugnante, estando de pleno acordo com as diretrizes trazidas pela lei. Ao final, requer a homologação da compensação pretendida, declarando extinto o crédito tributário. A 5ª Turma da DRJ de Ribeirão Preto, julgou improcedente a manifestação de inconformidade, decisão assim ementada: ASSUNTO: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido CSLL CSLL. ANTECIPAÇÕES DO TRIBUTO DEVIDO NO FINAL DO ANOCALENDÁRIO. COMPENSAÇÃO. Fl. 68DF CARF MF Processo nº 13851.901245/200923 Resolução nº 1302000.674 S1C3T2 Fl. 4 3 Os recolhimentos mensais de CSLL, quer calculados sobre a receita bruta auferida nesses períodos, quer a partir de balanços ou balancetes de suspensão ou redução, as denominadas estimativas, não caracterizam pagamentos do tributo a ser apurado com o balanço patrimonial levantado no final do anocalendário, mas sim meras antecipações. A feição de pagamento, modalidade extintiva da obrigação tributária, só se exterioriza em 31 de dezembro, pois ai ocorrente o fato gerador do imposto de renda da pessoa jurídica optante pelo regime de tributação anual. Do confronto entre o montante antecipado ao longo do anocalendário e o quantum do imposto apurado em 31 de dezembro poderá resultar saldo de contribuição a pagar ou saldo negativo de CSLL, este último, pagamento a maior que o devido, é passível de restituição ou compensação, sobre o qual serão acrescidos de juros à taxa Selic contados a partir de 1° de janeiro subseqüente. COMPENSAÇÃO TRIBUTARIA. Apenas os créditos líquidos e certos são passíveis de compensação tributária, conforme artigo 170 do Código Tributário Nacional. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA. Incumbe ao sujeito passivo a demonstração, acompanhada das provas hábeis, da composição e a existência do crédito que alega possuir junto A Fazenda Nacional para que sejam aferidas sua liquidez e certeza pela autoridade administrativa. Não satisfeita a Empresa apresentou Recurso Voluntário reprisando os argumentos do recurso anterior. Vieram os autos por sorteio. É o relatório. Fl. 69DF CARF MF Processo nº 13851.901245/200923 Resolução nº 1302000.674 S1C3T2 Fl. 5 4 Voto Conselheiro Luiz Tadeu Matosinho Machado Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º, 2º e 3º, do Anexo II, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido na Resolução nº 1302000.660, de 18/10/2018, proferida no julgamento do Processo nº 13851.900891/200973, paradigma ao qual o presente processo fica vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Resolução nº 1302000.660): "O recurso é tempestivo. A representação é regular. Conheço do recurso. Estamos tratando de proibição de compensação de pagamento a maior ou indevido de estimativa mensal, cuja previsão estava no artigo 10 da Instrução Normativa nº 600, de 2005. Temos a incidência direta da súmula CARF nº 84, cujo teor transcrevo: Súmula CARF nº 84: Pagamento indevido ou a maior a título de estimativa caracteriza indébito na data de seu recolhimento, sendo passível de restituição ou compensação. Sendo de aplicação forçada pelos Conselheiros deste Conselho, por força do artigo 45 § 6º do Anexo II do RICARF, a proibição constante da referida IN não oferece óbice à compensação pleiteada. Todavia, ante a situação criada, em que o direito creditório não sofreu nenhuma análise, sendo sumariamente negado o direito por força de previsão normativa, e pelo fato desta Turma não ter condições de proceder a esta análise, entendo que o julgamento deve ser convertido em diligência para: a) que seja procedida a análise do direito creditório, com o afastamento da proibição constante do artigo 10 da IN nº 600/2005; b) seja dada ciência da decisão ao Recorrente, para manifestação; c) passado o prazo de 30 dias, com ou sem a manifestação do interessado, retornem os autos para julgamento. É como voto." Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º, 2º e 3º do art. 47, do Anexo II, do RICARF, voto por converter o julgamento em diligência, nos termos do relatório e voto acima transcrito. (assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado Fl. 70DF CARF MF Processo nº 13851.901245/200923 Resolução nº 1302000.674 S1C3T2 Fl. 6 5 Fl. 71DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 11020.902844/2016-41
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Oct 24 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Jan 07 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Ano-calendário: 2010
DESPACHO DECISÓRIO. MOTIVAÇÃO SUFICIENTE E ADEQUADA. INEXISTÊNCIA DE CERCEAMENTO AO DIREITO DE DEFESA. NULIDADE DA DECISÃO A QUO. IMPOSSIBILIDADE.
Não é passível de nulidade o despacho decisório que esteja devidamente motivado e fundamentado, possibilitando o pleno exercício do direito de defesa do contribuinte.
ÔNUS DA PROVA. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. DIREITO DE CRÉDITO. LIQUIDEZ E CERTEZA. ARTIGOS 16 E 17 DO DECRETO Nº 70.235/1972.
Nos processos em que as declarações de compensação não são homologadas por constar perante a Secretaria da Receita Federal do Brasil a utilização de parte do crédito para quitação de outro débito, é ônus do Contribuinte apresentar e produzir todas as provas necessárias para demonstrar a liquidez e certeza de seu direito creditório, aplicando-se o artigo 373, inciso I do Código de Processo Civil.
MULTA E JUROS DE MORA.
Débitos indevidamente compensados por meio de Declaração de Compensação não homologada sofrem incidência de multa e juros de mora. Artigo 61 da Lei nº 9.430/1996.
INCONSTITUCIONALIDADE DE NORMA. SÚMULA CARF Nº 2.
O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.
JUROS DE MORA. SELIC. MULTAS EM LANÇAMENTO DE OFÍCIO. INCIDÊNCIA. SÚMULA CARF Nº 108.
Incidem juros moratórios, calculados à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC, sobre o valor correspondente à multa de ofício.
Recurso Voluntário Negado.
Direito Creditório Não Reconhecido.
Numero da decisão: 3402-005.761
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Waldir Navarro Bezerra - Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Waldir Navarro Bezerra (Presidente), Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Cynthia Elena de Campos, Pedro Sousa Bispo, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Rodrigo Mineiro Fernandes e Renato Vieira de Ávila (suplente convocado em substituição à conselheira Thais de Laurentiis Galkowicz). Ausente, justificadamente, a conselheira Thais de Laurentiis Galkowicz.
Nome do relator: WALDIR NAVARRO BEZERRA
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Ano-calendário: 2010 DESPACHO DECISÓRIO. MOTIVAÇÃO SUFICIENTE E ADEQUADA. INEXISTÊNCIA DE CERCEAMENTO AO DIREITO DE DEFESA. NULIDADE DA DECISÃO A QUO. IMPOSSIBILIDADE. Não é passível de nulidade o despacho decisório que esteja devidamente motivado e fundamentado, possibilitando o pleno exercício do direito de defesa do contribuinte. ÔNUS DA PROVA. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. DIREITO DE CRÉDITO. LIQUIDEZ E CERTEZA. ARTIGOS 16 E 17 DO DECRETO Nº 70.235/1972. Nos processos em que as declarações de compensação não são homologadas por constar perante a Secretaria da Receita Federal do Brasil a utilização de parte do crédito para quitação de outro débito, é ônus do Contribuinte apresentar e produzir todas as provas necessárias para demonstrar a liquidez e certeza de seu direito creditório, aplicando-se o artigo 373, inciso I do Código de Processo Civil. MULTA E JUROS DE MORA. Débitos indevidamente compensados por meio de Declaração de Compensação não homologada sofrem incidência de multa e juros de mora. Artigo 61 da Lei nº 9.430/1996. INCONSTITUCIONALIDADE DE NORMA. SÚMULA CARF Nº 2. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. JUROS DE MORA. SELIC. MULTAS EM LANÇAMENTO DE OFÍCIO. INCIDÊNCIA. SÚMULA CARF Nº 108. Incidem juros moratórios, calculados à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC, sobre o valor correspondente à multa de ofício. Recurso Voluntário Negado. Direito Creditório Não Reconhecido.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra - Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Waldir Navarro Bezerra (Presidente), Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Cynthia Elena de Campos, Pedro Sousa Bispo, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Rodrigo Mineiro Fernandes e Renato Vieira de Ávila (suplente convocado em substituição à conselheira Thais de Laurentiis Galkowicz). Ausente, justificadamente, a conselheira Thais de Laurentiis Galkowicz.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 11; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1798; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C4T2 Fl. 2 1 1 S3C4T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 11020.902844/201641 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3402005.761 – 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 24 de outubro de 2018 Matéria DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. PIS Recorrente KEKO ACESSORIOS S.A Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Anocalendário: 2010 DESPACHO DECISÓRIO. MOTIVAÇÃO SUFICIENTE E ADEQUADA. INEXISTÊNCIA DE CERCEAMENTO AO DIREITO DE DEFESA. NULIDADE DA DECISÃO A QUO. IMPOSSIBILIDADE. Não é passível de nulidade o despacho decisório que esteja devidamente motivado e fundamentado, possibilitando o pleno exercício do direito de defesa do contribuinte. ÔNUS DA PROVA. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. DIREITO DE CRÉDITO. LIQUIDEZ E CERTEZA. ARTIGOS 16 E 17 DO DECRETO Nº 70.235/1972. Nos processos em que as declarações de compensação não são homologadas por constar perante a Secretaria da Receita Federal do Brasil a utilização de parte do crédito para quitação de outro débito, é ônus do Contribuinte apresentar e produzir todas as provas necessárias para demonstrar a liquidez e certeza de seu direito creditório, aplicandose o artigo 373, inciso I do Código de Processo Civil. MULTA E JUROS DE MORA. Débitos indevidamente compensados por meio de Declaração de Compensação não homologada sofrem incidência de multa e juros de mora. Artigo 61 da Lei nº 9.430/1996. INCONSTITUCIONALIDADE DE NORMA. SÚMULA CARF Nº 2. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. JUROS DE MORA. SELIC. MULTAS EM LANÇAMENTO DE OFÍCIO. INCIDÊNCIA. SÚMULA CARF Nº 108. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 02 0. 90 28 44 /2 01 6- 41 Fl. 192DF CARF MF Processo nº 11020.902844/201641 Acórdão n.º 3402005.761 S3C4T2 Fl. 0 2 Incidem juros moratórios, calculados à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC, sobre o valor correspondente à multa de ofício. Recurso Voluntário Negado. Direito Creditório Não Reconhecido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Waldir Navarro Bezerra (Presidente), Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Cynthia Elena de Campos, Pedro Sousa Bispo, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Rodrigo Mineiro Fernandes e Renato Vieira de Ávila (suplente convocado em substituição à conselheira Thais de Laurentiis Galkowicz). Ausente, justificadamente, a conselheira Thais de Laurentiis Galkowicz. Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto contra decisão proferida pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Belo Horizonte/MG, que julgou improcedente a manifestação de inconformidade apresentada pela Recorrente, rejeitando as preliminares da defesa e não homologando as compensações apresentadas por não reconhecer o direito creditório postulado. O Despacho Decisório considerou que o crédito informado no PER/DCOMP foi parcialmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, restando saldo disponível inferior ao crédito pretendido, insuficiente para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. Em manifestação de inconformidade alegou preliminarmente a Contribuinte que é legítima detentora de créditos apresentados para compensação originados de pagamentos realizados de maneira indevida ou a maior e o despacho decisório, que não reconheceu o direito creditório e deixou de homologar a compensação deve ser declarado nulo em razão de: i)Ausência de fundamentação, resultando em desvio de finalidade na busca pela verdade material, uma vez que não foi diligenciado para aferição do crédito pleiteado e não intimou a Contribuinte a prestar informações; Fl. 193DF CARF MF Processo nº 11020.902844/201641 Acórdão n.º 3402005.761 S3C4T2 Fl. 0 3 ii) É dever da Autoridade fiscal, por aplicação do artigo 7º do Decreto nº 70.235/72, instruir o procedimento fiscal, como a solicitação de informações ao Contribuinte, apreensão de documentos fiscais, diligências até a sede da Empresa, entre outros expedientes; iii) Não foi respeitado o contraditório, o devido processo legal e a ampla defesa. No mérito, alegou a Contribuinte que: iv) Deve ser possibilitada posterior juntada de documentos que comprovem as alegações trazidas em manifestação de inconformidade, em respeito ao princípio administrativo da verdade material, possibilitando a comprovação do direito creditório; v) É ilegal e inconstitucional a multa aplicada sobre o montante do tributo devido, devendo ser aplicados os princípios constitucionais do não confisco, razoabilidade e proporcionalidade; vi) O percentual de multa aplicado para o caso de descumprimento de obrigação principal, mesmo que expressamente previsto na legislação pertinente, deveria sempre guardar proporção com o valor da prestação tributária exigida, bem como adequarse e/ou assemelharse aos novos critérios de aplicação de multas estabelecidos para as relações contratuais que envolvem questões de direito privado. O Acórdão nº 02073.151 manteve o despacho decisório. Regularmente cientificada desta decisão, a Recorrente interpôs tempestivamente o Recurso Voluntário ora em apreço, onde repisa os argumentos expostos em sua manifestação de inconformidade. É o relatório. Voto Conselheiro Waldir Navarro Bezerra O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3402005.753, de 24 de outubro de 2018, proferido no julgamento do processo 11020.900612/201658, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevemse, como solução deste litígio, nos termos regimentais, os entendimentos que prevaleceram naquela decisão (Resolução 3402005.753): "Pressupostos legais de admissibilidade O Recurso Voluntário é tempestivo e atende aos demais pressupostos legais de admissibilidade, devendo ser conhecido. Fl. 194DF CARF MF Processo nº 11020.902844/201641 Acórdão n.º 3402005.761 S3C4T2 Fl. 0 4 Preliminar A Recorrente alega preliminarmente que o despacho decisório é nulo por não ser fundamentado e ferir os princípios constitucionais da ampla defesa, contraditório e devido processo legal, resultando em desvio de finalidade. Sem razão. Está correta a decisão recorrida ao concluir pela aplicação do artigo 16, § 4º, do Decreto nº 70.235/72. Com a detida análise dos autos é possível constatar que tanto o PERD/COMP, quanto a Manifestação de Inconformidade e o Recurso Voluntário, não estão instruídos com documentos passíveis de corroborar com as alegações da defesa. Ao invés de comprovar a certeza e liquidez ou, ainda, proceder à retificação da DCTF, demonstrando a suficiência do direito creditório para contrapor ao despacho decisório que não homologou a compensação, a Recorrente cingiuse em alegar a ausência das razões da não homologação, invocando os Princípios Constitucionais do Contraditório, Ampla Defesa e Devido Processo Legal, atribuindo o ônus da prova à Autoridade Fazendária. Ao contrário do que alega a Recorrente, aplicase o artigo 373, inciso I do Código de Processo Civil, que atribui o ônus da prova ao autor quanto ao fato constitutivo de seu direito. Neste sentido, a 4ª Câmara da 1ª Turma Ordinária da 3ª Seção deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais proferiu o Acórdão nº 3401003.907, acatando por unanimidade o voto do Conselheiro Relator Augusto Fiel Jorge D'Oliveira ao negar provimento ao Recurso Voluntário interposto no Processo Administrativo Fiscal nº 13832.000095/9970, conforme Ementa abaixo transcrita: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/01/1991 a 30/06/1992 ÔNUS DA PROVA. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO/COMPENSAÇÃO. ARTIGO 170 DO CTN. Em processos que decorrem do indeferimento de pedido de restituição/compensação, o ônus da prova recai sobre o contribuinte, que deverá apresentar e produzir todas as provas necessárias para demonstrar a liquidez e certeza de seu direito de crédito (artigo 170, do CTN). Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Fl. 195DF CARF MF Processo nº 11020.902844/201641 Acórdão n.º 3402005.761 S3C4T2 Fl. 0 5 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao Recurso Voluntário interposto. Transcrevese abaixo parte do fundamento que embasou o respeitável voto do julgado acima citado: Em se tratando de pedido de restituição combinado com pedido de compensação, é ônus do contribuinte provar que possui o direito de crédito e no montante por ele alegado, o que implica a guarda da documentação necessária para tanto não pelo prazo de 5 (cinco) anos da realização dos pagamentos, como pretende ver reconhecido o Recorrente, mas até o encerramento da discussão administrativa ou judicial em que pretende ver aquele direito de crédito reconhecido. Nesse sentido, vejam os dispositivos legais a seguir: CTN: "Art. 195. Para os efeitos da legislação tributária, não têm aplicação quaisquer disposições legais excludentes ou limitativas do direito de examinar mercadorias, livros, arquivos, documentos, papéis e efeitos comerciais ou fiscais, dos comerciantes industriais ou produtores, ou da obrigação destes de exibilos. Parágrafo único. Os livros obrigatórios de escrituração comercial e fiscal e os comprovantes dos lançamentos neles efetuados serão conservados até que ocorra a prescrição dos créditos tributários decorrentes das operações a que se refiram". (grifos nossos) Lei nº 10.406, de 2002 (Código Civil): "Art. 1.194. O empresário e a sociedade empresária são obrigados a conservar em boa guarda toda a escrituração, correspondência e mais papéis concernentes à sua atividade, enquanto não ocorrer prescrição ou decadência no tocante aos atos neles consignados" . (grifos nossos) Decreto nº 3.000, de 1999 (RIR/99): "Art. 264. A pessoa jurídica é obrigada a conservar em ordem, enquanto não prescritas eventuais ações que lhes sejam pertinentes, os livros, documentos e papéis relativos a sua atividade, ou que se refiram a atos ou operações que modifiquem ou possam vir a modificar sua situação patrimonial (Decreto Lei nº 486, de 1969, art. 4º). (...) Art.923.A escrituração mantida com observância das disposições legais faz prova a favor do contribuinte dos fatos nela registrados e comprovados por documentos hábeis, segundo sua natureza, ou assim definidos em Fl. 196DF CARF MF Processo nº 11020.902844/201641 Acórdão n.º 3402005.761 S3C4T2 Fl. 0 6 preceitos legais. (DecretoLei nº1.598, de 1977, art. 9º, §1º)". (grifos nossos) Neste caso, não se aplicam as hipóteses de nulidade previstas pelo artigo 59 do Decreto nº 70.235/1972, uma vez que tanto o despacho decisório, quanto o acórdão recorrido estão motivados pela ausência de crédito suficiente para compensação com os débitos declarados. E não há que se falar em preterição do direito de defesa da Contribuinte. Portanto, afasto as preliminares invocadas no recurso em análise. Mérito Princípio da Verdade Material A Recorrente invoca o Princípio da Verdade Material para alegar que deveria o Agente Fiscal apurar os fatos independentemente de suposições ou indícios, possibilitando à manifestante a posterior juntada de documentos para comprovar o direito creditório. Com efeito, a busca pela verdade material deve prevalecer, possibilitando ao Contribuinte apresentar todos os meios de provas necessários para comprovação de seu direito. No entanto, é da Contribuinte o ônus da prova passível de contrapor a constatação de utilização dos créditos declarados para compensação, o que não ocorreu no presente caso, pois a Recorrente não apresentou qualquer documento passível de comprovar o direito alegado, tampouco procedeu à Retificação da DCTF no prazo concedido para manifestação de inconformidade. O Artigo 37 da Lei nº 9.430/1996 prevê que "Os comprovantes da escrituração da pessoa jurídica, relativos a fatos que repercutam em lançamentos contábeis de exercícios futuros, serão conservados até que se opere a decadência do direito de a Fazenda Pública constituir os créditos tributários relativos a esses exercícios". Reiterase a aplicação do artigo 373, inciso I do Código de Processo Civil, que atribui o ônus da prova ao autor quanto ao fato constitutivo de seu direito, bem como a incidência do artigo 16, § 4º, do Decreto nº 70.235/72. Neste sentido, citase o Acórdão nº 3302005.292, proferido pela 3ª Câmara da 2ª Turma Ordinária da 3ª Seção deste Tribuna Administrativo: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/01/2005 a 31/03/2005 Fl. 197DF CARF MF Processo nº 11020.902844/201641 Acórdão n.º 3402005.761 S3C4T2 Fl. 0 7 DA CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP. PEDIDO DE RESSARCIMENTO. AUSÊNCIA DE PROVA. INDEFERIMENTO. O direito creditório objeto de pedido de ressarcimento de créditos da Contribuição para o PIS/Pasep será indeferido se o contribuinte não apresentar os documentos necessários a análise e confirmação do valor do crédito pleiteado/compensado. Para esse fim, o postulante deve apresentar à fiscalização, quando solicitado, os arquivos digitais e os documentos fiscais e contábeis necessários à comprovação dos créditos apropriados. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/07/2004 a 30/09/2004 CRÉDITO ESCRITURAL DA CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP E COFINS. DEDUÇÃO, RESSARCIMENTO OU COMPENSAÇÃO. ATUALIZAÇÃO MONETÁRIA. IMPOSSIBILIDADE. O aproveitamento de crédito decorrente do regime não cumulativo da Contribuição para o PIS/Pasep e Cofins, seja sob a forma de dedução, compensação ou ressarcimento, não ensejará atualização monetária ou incidência de juros moratórios. COMPENSAÇÃO DECLARADA. ANÁLISE ANTES DE COMPLETADO O PRAZO DE CINCO ANOS. HOMOLOGAÇÃO TÁCITA. IMPOSSIBILIDADE. Não há homologação tácita da compensação declarada quando o contribuinte é cientificado do despacho decisório não homologatório da compensação antes de completado o prazo de cinco anos, contado da data da apresentação da correspondente declaração de compensação. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/07/2004 a 30/09/2004 PEDIDO DE PERÍCIA/DILIGÊNCIA.. IMPRESCINDIBILIDADE DA NOVA PROVA. INDEFERIMENTO. Se nos autos há todos os elementos probatórios necessários e suficientes à formação da convicção do julgador quanto às questões de fato objeto da lide, indeferese, por prescindível, o pedido de diligência e perícia formulado. PEDIDO DE PERÍCIA E DILIGÊNCIA. INDEFERIMENTO PELA AUTORIDADE JULGADORA. MOTIVAÇÃO SUFICIENTE E Fl. 198DF CARF MF Processo nº 11020.902844/201641 Acórdão n.º 3402005.761 S3C4T2 Fl. 0 8 ADEQUADA. INEXISTÊNCIA DE CERCEAMENTO AO DIREITO DE DEFESA. NULIDADE DA DECISÃO A QUO. IMPOSSIBILIDADE. 1. No âmbito do processo administrativo fiscal, a produção da prova pericial somente se justifica nos casos a análise da prova exige conhecimento técnico especializado. Por não atender tal condição, a apreciação de documentos contábeis e fiscais prescinde de realização de perícia técnica. 2. O indeferimento de pedido de diligência ou perícia não configura vício de nulidade da decisão de primeira instância, por cerceamento ao direito de defesa, nos casos em que a autoridade julgadora, fundamentadamente, demonstra que a produção da prova pericial e realização da diligência eram desnecessárias e prescindíveis para o deslinde da controvérsia. DIREITO CREDITÓRIO. PROVA IMPRESCINDÍVEL À COMPROVAÇÃO. NÃO APRESENTAÇÃO NA FASE PROCEDIMENTAL DE FORMA DELIBERADA E INTENCIONAL. PRINCÍPIO DO NEMO AUDITUR PROPRIAM TURPITUDINEM ALLEGANS. REABERTURA DA INSTRUÇÃO PROBATÓRIA NA FASE RECURSAL. NÃO CABIMENTO. Se no curso do procedimento fiscal, após ser intimada e reintimada a recorrente, de forma deliberada e como estratégia de defesa, omitese de apresentar os arquivos digitais e a documentação contábil e fiscal necessária à apuração da certeza e liquidez do crédito da Cofins pleiteado, a reabertura da instrução probatória na fase recursal, inequivocamente, implicaria clara afronta ao princípio jurídico de que ninguém pode se beneficiar de sua própria torpeza (ou nemo auditur propriam turpitudinem allegans). DESPACHO DECISÓRIO PROFERIDO POR AUTORIDADE COMPETENTE. CERCEAMENTO DE DIREITO DE DEFESA INEXISTENTE. NULIDADE. IMPOSSIBILIDAE. Não é passível de nulidade o despacho decisório proferido por autoridade competente da Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB) e que contenha todos os fundamentos fáticos e jurídicos suficientes para o pleno exercício do direito de defesa do contribuinte. PEDIDO DE RESSARCIMENTO. ÔNUS DA PROVA DO CONTRIBUINTE. POSSIBILIDADE. No âmbito do processo administrativo fiscal, em que formalizado pedido de ressarcimento de direito creditório, o ônus da prova recai sobre o contribuinte autor pedido. Fl. 199DF CARF MF Processo nº 11020.902844/201641 Acórdão n.º 3402005.761 S3C4T2 Fl. 0 9 Recurso Voluntário Negado. Da alegação de Inaplicabilidade da multa em face do Princípio Constitucional do Não Confisco e dos Princípios Administrativos da Razoabilidade e da Proporcionalidade. A Recorrente questiona a multa aplicada, alegando tratarse de penalidade confiscatória, ilegal e inconstitucional. Alega que: O valor lançado a título de multa, flagrantemente ilegal como a seguir demonstrarseá, é manifestamente excessivo, ferindo, desta maneira o princípio constitucional do não confisco e dos princípios administrativos da razoabilidade e da proporcionalidade. Neste contexto, é princípio básico que a pena, no caso a multa aplicada em face de infrações, não pode ultrapassar os estritos limites da lei – ou ainda, do direito como um todo valendo para o caso específico do direito tributário, a definição legal do tributo como insuscetível de servir como instrumento de penalização do contribuinte. (...) De outra banda, importa consignar que as obrigações acessórias, entre elas a multa, podem ter duas naturezas, sendo uma tributária e, neste caso, converterse em principal, e a outra de natureza punitiva, que, ipso jure, convertese também em principal. No primeiro caso, o que era princípio na legislação esparsa, convertese em mandamento constitucional e legal impeditivo da bitributação com a mesma base de cálculo, vedando o bis in idem a partir do mesmo fato gerador, expresso no art. 150, I da CF/88, antes focado. Ora ainda que tolerado durante a vigência da Constituição anterior e ainda que contrário ao princípio da tributação, o Código Tributário Nacional, como antes dito, mandava converter a obrigação acessória, qualquer que fosse sua natureza, administrativa ou punitiva, em obrigação principal. Contudo, a tolerância tinha origem na idéia de que a obrigação principal art. 113, 3º, do CTN surge com a ocorrência do fato gerador, e tinha por objeto não apenas o pagamento do tributo, mas também a penalidade pecuniária. (...) Assim, a multa em questão é totalmente inexigível, uma vez que fere explicitamente os princípios legais e constitucionais Fl. 200DF CARF MF Processo nº 11020.902844/201641 Acórdão n.º 3402005.761 S3C4T2 Fl. 0 10 acima referidos, devendo ser reformado o acórdão recorrido também neste ponto. Ocorre que o artigo 61 da Lei nº 9.430/1996 é taxativo ao estabelecer a fixação de juros de mora e multa: Art. 61. Os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, cujos fatos geradores ocorrerem a partir de 1º de janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos na legislação específica, serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso. § 1º A multa de que trata este artigo será calculada a partir do primeiro dia subseqüente ao do vencimento do prazo previsto para o pagamento do tributo ou da contribuição até o dia em que ocorrer o seu pagamento. § 2º O percentual de multa a ser aplicado fica limitado a vinte por cento. § 3º Sobre os débitos a que se refere este artigo incidirão juros de mora calculados à taxa a que se refere o § 3º do art. 5º, a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento. A multa aplicada atende ao limite de 20% (vinte por cento) estabelecido pelo § 2º acima transcrito. Portanto, não há que se alegar caráter confiscatório, tampouco ausência de razoabilidade e proporcionalidade. Por outro lado, incide a Súmula CARF nº 2, uma vez que este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Taxa Selic A Recorrente questiona a aplicação da Taxa Selic na correção do crédito tributário, argumentando pela ilegalidade do cálculo de juros moratórios sobre débitos tributários. Não assiste razão à Recorrente, considerando a incidência da Súmula CARF 108, que assim dispõe: Súmula CARF nº 108 Incidem juros moratórios, calculados à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC, sobre o valor correspondente à multa de ofício. Fl. 201DF CARF MF Processo nº 11020.902844/201641 Acórdão n.º 3402005.761 S3C4T2 Fl. 0 11 Portanto, deve ser mantida a decisão recorrida. Dispositivo Ante o exposto, conheço o Recurso Voluntário, rejeito as preliminares suscitadas e, no mérito, NEGO PROVIMENTO para manter na íntegra o acórdão recorrido. " Importa registrar que nos autos ora em apreço, a situação fática e jurídica encontra correspondência com a verificada no paradigma, de tal sorte que o entendimento lá esposado pode ser perfeitamente aqui aplicado. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado decidiu por rejeitar as preliminares suscitadas e, no mérito, negar provimento para manter na íntegra o acórdão recorrido. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra Fl. 202DF CARF MF
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