Busca Facetada
Turma- Terceira Câmara (29,282)
- Segunda Câmara (27,808)
- Primeira Câmara (25,086)
- Segunda Turma Ordinária d (17,881)
- Primeira Turma Ordinária (16,417)
- Primeira Turma Ordinária (16,224)
- 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR (16,216)
- Primeira Turma Ordinária (16,171)
- Segunda Turma Ordinária d (15,905)
- Segunda Turma Ordinária d (14,489)
- Primeira Turma Ordinária (13,087)
- Primeira Turma Ordinária (12,513)
- Segunda Turma Ordinária d (12,438)
- Quarta Câmara (11,514)
- Primeira Turma Ordinária (11,488)
- Quarta Câmara (85,198)
- Terceira Câmara (67,866)
- Segunda Câmara (56,637)
- Primeira Câmara (20,749)
- 3ª SEÇÃO (16,216)
- 2ª SEÇÃO (11,306)
- 1ª SEÇÃO (6,854)
- Pleno (788)
- Sexta Câmara (302)
- Sétima Câmara (172)
- Quinta Câmara (133)
- Oitava Câmara (123)
- Terceira Seção De Julgame (126,702)
- Segunda Seção de Julgamen (115,207)
- Primeira Seção de Julgame (77,078)
- Primeiro Conselho de Cont (49,052)
- Segundo Conselho de Contr (48,966)
- Câmara Superior de Recurs (37,972)
- Terceiro Conselho de Cont (25,979)
- IPI- processos NT - ressa (5,020)
- Outros imposto e contrib (4,458)
- PIS - ação fiscal (todas) (4,061)
- IRPF- auto de infração el (3,972)
- PIS - proc. que não vers (3,963)
- IRPJ - AF - lucro real (e (3,943)
- Cofins - ação fiscal (tod (3,868)
- Simples- proc. que não ve (3,681)
- IRPF- ação fiscal - Dep.B (3,045)
- IPI- processos NT- créd.p (2,251)
- IRPF- ação fiscal - omis. (2,215)
- Cofins- proc. que não ver (2,102)
- IRPJ - restituição e comp (2,088)
- Finsocial -proc. que não (1,996)
- IRPF- restituição - rendi (1,991)
- Não Informado (56,573)
- GILSON MACEDO ROSENBURG F (5,508)
- RODRIGO DA COSTA POSSAS (4,442)
- WINDERLEY MORAIS PEREIRA (4,270)
- CLAUDIA CRISTINA NOIRA PA (4,256)
- PEDRO SOUSA BISPO (3,905)
- HELCIO LAFETA REIS (3,868)
- ROSALDO TREVISAN (3,233)
- CHARLES MAYER DE CASTRO S (3,219)
- MARCOS ROBERTO DA SILVA (3,150)
- Não se aplica (2,929)
- PAULO GUILHERME DEROULEDE (2,801)
- WILDERSON BOTTO (2,650)
- LIZIANE ANGELOTTI MEIRA (2,636)
- RODRIGO LORENZON YUNAN GA (2,589)
- 2020 (41,088)
- 2021 (35,841)
- 2019 (30,960)
- 2018 (26,046)
- 2024 (25,923)
- 2012 (23,622)
- 2023 (22,472)
- 2014 (22,376)
- 2013 (21,087)
- 2011 (20,979)
- 2025 (19,612)
- 2010 (18,059)
- 2008 (17,135)
- 2017 (16,840)
- 2009 (15,846)
- 2009 (69,612)
- 2020 (39,854)
- 2021 (34,153)
- 2019 (30,463)
- 2023 (25,918)
- 2024 (23,872)
- 2014 (23,412)
- 2018 (23,139)
- 2025 (19,745)
- 2026 (16,680)
- 2013 (16,584)
- 2017 (16,398)
- 2008 (15,520)
- 2006 (14,857)
- 2022 (13,225)
Numero do processo: 11080.725652/2013-57
Turma: Terceira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Dec 02 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed Jan 07 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2009 a 31/12/2010
GLOSA COMPENSAÇÃO. DECISÃO JUDICIAL. DESRESPEITO AOS PRECEITOS LEGAIS.
A decisão judicial que confere a contribuinte o direito de compensação, não a exime de o fazer em respeito à legislação de regência.
MULTA DE OFÍCIO CUMULADA COM MULTA ISOLADA. IMPOSSIBILIDADE.
A multa isolada não pode ser aplicada em conjunto com a multa de ofício, com o escopo de não onerar demasiadamente o contribuinte.
Recurso Voluntário Provido em Parte
Crédito Tributário Mantido em Parte
Numero da decisão: 2803-003.891
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso, nos termos do voto do Relator para afastar a multa isolada de 150% aplicada pela fiscalização. Vencido o Conselheiro Helton Carlos Praia de Lima
(assinatura digital)
Helton Carlos Praia de Lima - Presidente
(assinatura digital)
Ricardo Magaldi Messetti - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Helton Carlos Praia de Lima (Presidente), Ricardo Magaldi Messetti, Fábio Pallaretti Calcini, Oseas Coimbra Junior, Gustavo Vettorato, Eduardo de Oliveira.
Nome do relator: RICARDO MAGALDI MESSETTI
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201412
ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2009 a 31/12/2010 GLOSA COMPENSAÇÃO. DECISÃO JUDICIAL. DESRESPEITO AOS PRECEITOS LEGAIS. A decisão judicial que confere a contribuinte o direito de compensação, não a exime de o fazer em respeito à legislação de regência. MULTA DE OFÍCIO CUMULADA COM MULTA ISOLADA. IMPOSSIBILIDADE. A multa isolada não pode ser aplicada em conjunto com a multa de ofício, com o escopo de não onerar demasiadamente o contribuinte. Recurso Voluntário Provido em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte
turma_s : Terceira Turma Especial da Segunda Seção
dt_publicacao_tdt : Wed Jan 07 00:00:00 UTC 2015
numero_processo_s : 11080.725652/2013-57
anomes_publicacao_s : 201501
conteudo_id_s : 5414706
dt_registro_atualizacao_tdt : Tue Jan 13 00:00:00 UTC 2015
numero_decisao_s : 2803-003.891
nome_arquivo_s : Decisao_11080725652201357.PDF
ano_publicacao_s : 2015
nome_relator_s : RICARDO MAGALDI MESSETTI
nome_arquivo_pdf_s : 11080725652201357_5414706.pdf
secao_s : Segunda Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso, nos termos do voto do Relator para afastar a multa isolada de 150% aplicada pela fiscalização. Vencido o Conselheiro Helton Carlos Praia de Lima (assinatura digital) Helton Carlos Praia de Lima - Presidente (assinatura digital) Ricardo Magaldi Messetti - Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Helton Carlos Praia de Lima (Presidente), Ricardo Magaldi Messetti, Fábio Pallaretti Calcini, Oseas Coimbra Junior, Gustavo Vettorato, Eduardo de Oliveira.
dt_sessao_tdt : Tue Dec 02 00:00:00 UTC 2014
id : 5779019
ano_sessao_s : 2014
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:34:30 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713047474962169856
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 9; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1776; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2TE03 Fl. 244 1 243 S2TE03 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 11080.725652/201357 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2803003.891 – 3ª Turma Especial Sessão de 02 de dezembro de 2014 Matéria Contribuições Sociais Previdenciarias Recorrente OPTPLENTES LENTES DE CONTATO LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2009 a 31/12/2010 GLOSA COMPENSAÇÃO. DECISÃO JUDICIAL. DESRESPEITO AOS PRECEITOS LEGAIS. A decisão judicial que confere a contribuinte o direito de compensação, não a exime de o fazer em respeito à legislação de regência. MULTA DE OFÍCIO CUMULADA COM MULTA ISOLADA. IMPOSSIBILIDADE. A multa isolada não pode ser aplicada em conjunto com a multa de ofício, com o escopo de não onerar demasiadamente o contribuinte. Recurso Voluntário Provido em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso, nos termos do voto do Relator para afastar a multa isolada de 150% aplicada pela fiscalização. Vencido o Conselheiro Helton Carlos Praia de Lima (assinatura digital) Helton Carlos Praia de Lima Presidente (assinatura digital) Ricardo Magaldi Messetti Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 08 0. 72 56 52 /2 01 3- 57 Fl. 244DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2014 por RICARDO MAGALDI MESSETTI, Assinado digitalmente em 18/12/ 2014 por RICARDO MAGALDI MESSETTI, Assinado digitalmente em 06/01/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LI MA 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Helton Carlos Praia de Lima (Presidente), Ricardo Magaldi Messetti, Fábio Pallaretti Calcini, Oseas Coimbra Junior, Gustavo Vettorato, Eduardo de Oliveira. Fl. 245DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2014 por RICARDO MAGALDI MESSETTI, Assinado digitalmente em 18/12/ 2014 por RICARDO MAGALDI MESSETTI, Assinado digitalmente em 06/01/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LI MA Processo nº 11080.725652/201357 Acórdão n.º 2803003.891 S2TE03 Fl. 245 3 Relatório Tratase de recurso voluntário interposto pela empresa Optolentes Lentes de Contato Ltda, em face da decisão da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Ribeirão Preto (SP) que julgou improcedente a impugnação apresentada e manteve o crédito Tributário. Contra a contribuinte ora recorrente foram lavrados autos de infração para a constituição de crédito referente a glosa de compensações de contribuições previdenciárias, indevidamente declaradas em GFIP, no período de 01/2009 a 12/2010, multa isolada aplicada por compensações indevidas com comprovada falsidade e aplicação de penalidade por descumprimento de obrigação acessória, conforme se observa a) DEBCAD nº 51.025.9995 – Glosa de compensações de contribuições previdenciárias, consolidado em 04/06/2013ç b) DEBCAD nº 51.026.0004 – Multa Isolada por compensações indevidas com comprovada falsidade, no valor de lavrado em 04/06/2013; c) DEBCAD nº 51.026.0012 Descumprimento de obrigação acessória deixar a empresa de prestar à Secretaria da Receita Federal do Brasil todas as informações cadastrais, financeiras e contábeis de interesse da mesma, na forma por ela estabelecida, bem como os esclarecimentos necessários à fiscalização, lavrado em 04/06/2013. De acordo com o relatório fiscal apresentado (fls. 78/83), a contribuinte ajuizou a ação ordinária nº 2002.71.00.003223RS visando o reconhecimento do direito de compensar os valores pagos a título de contribuição social incidente sobre a remuneração de administradores e autônomos, instituída pela Lei nº 7787/89, artigo 3º, inciso I. Dada a declaração de inconstitucionalidade da exação pelo Supremo Tribunal Federal, foi proferida sentença procedente em favor da contribuinte. Afima, ainda, o relatório fiscal que a compensação de créditos reconhecidos em sentença judicial transitada em julgado darseá na forma prevista nos atos normativos da Receita Federal do Brasil se a decisão judicial não dispuser de formar diversa. A compensação de valores foi declarada em GFIP no período e 01/2009 a 12/2010. A contribuinte foi intimada através do Termo de Início de Procedimento Fiscal a apresentar memória de cálculo das compensação efetuadas. Em 26/03/2013 o contribuinte apresentou um documento denominado “Movimento de Compensação De Inss”, no qual constava o valor compensado mensalmente conforme declarado em GFIP. O fiscal entendeu que esse documento não atendeu ao solicitado na intimação fiscal e foi emitido novo termo solicitando informações sobre a real existência de valores retidos e posteriormente compensados pelo sujeito passivo, nos termos da Lei nº 9711/98, e também sobre compensação oriunda do processo judicial 2002.71.00.003223. O contribuinte apresentou suas justificativas, as quais não foram acatadas, sendo, então, contra ele lavrado os autos objeto do presente PAF. Fl. 246DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2014 por RICARDO MAGALDI MESSETTI, Assinado digitalmente em 18/12/ 2014 por RICARDO MAGALDI MESSETTI, Assinado digitalmente em 06/01/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LI MA 4 Após devidamente intimando do lançamento em 08.07.2013, o contribuinte apresentou impugnações tempestivas às fls.88/98 e 114/121. No entanto a delegacia da Receita manteve o lançamento, em acõrdão cuja a ementa transcrevo abaixo: “ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2009 a 31/12/2010 NULIDADE POR ERRO NO ENQUADRAMENTO DA INFRAÇÃO E DA MULTA APLICADA. INOCORRÊNCIA. Não há que se falar em nulidade por erro no enquadramento da Infração e da Multa aplicada, quando devidamente associados os fatos narrados no auto de infração como justificadores da capitulação legal aplicada, que ensejou a exigência da totalidade do crédito compensado, acrescido de juros e multa de mora. COMPENSAÇÃO. NÃO COMPROVAÇÃO DO DIREITO LÍQUIDO E CERTO. GLOSA. O valor compensado indevidamente, sem a comprovação do direito creditório, deve ser glosado, sobre o qual incide multa de mora. Compensação de créditos reconhecidos em sentença judicial transitada em julgado darseá na forma prevista nos atos normativos da Receita Federal do Brasil, se a decisão não dispuser de forma diversa. INCIDÊNCIAS DE MULTAS POR DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO PRINCIPAL E ACESSÓRIA. VIABILIDADE LEGAL. São compatíveis, entre si, as multas exigidas por descumprimento de obrigações principais e acessórias aplicadas em perfeita sintonia com os dispositivos legais de regência. MULTAS APLICADAS. CARÁTER CONFISCATÓRIO. INOCORRÊNCIA. Não é confiscatória a multa exigida nos estritos limites do previsto para o caso concreto, não sendo competência funcional do órgão julgador administrativo apreciar alegações de ilegalidade ou inconstitucionalidade da legislação vigente. ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Período de apuração: 01/06/2013 a 30/06/2013 PREVIDENCIÁRIO. PRESTAÇÃO DE INFORMAÇÕES À RFB. OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. DESCUMPRIMENTO. INFRAÇÃO. Constitui infração à legislação previdenciária, punível com multa pecuniária, deixar a empresa de prestar à Receita Federal do Brasil as informações de natureza cadastral, contábil ou financeira, bem como os esclarecimentos necessários à fiscalização, quando regularmente intimada para esse fim. Impugnação Improcedente Fl. 247DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2014 por RICARDO MAGALDI MESSETTI, Assinado digitalmente em 18/12/ 2014 por RICARDO MAGALDI MESSETTI, Assinado digitalmente em 06/01/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LI MA Processo nº 11080.725652/201357 Acórdão n.º 2803003.891 S2TE03 Fl. 246 5 Crédito Tributário Mantido” Irresignado com a decisão da DRJ, o contribuinte apresentou suscinto recurso voluntário, aduzindo, em apertado escorço: a) que é fato incontroverso que a recorrente declarou as compensações realizadas, sendo objeto da autuaçãoo só e tão somente o fato de não ter apresentado os documentos e o critério de cálculo que teria sido utilizado no cômputo do crédido adjudicado em face do trânsito em julgado da medida judicial; b) que correto seira a imposição da multa isolada, capitulada no Regulamento da Prvidência Social, ao invés da multa de mora e 20%; c) concomitância da penalidade da multa de mora, da multa isolada e da multa de ofício sobre o mesmo fato imponível, o que é vedado por este Conselho. Sem contrarrazões fiscais, os autos foram encaminhados à apreciação e julgamento por este conselho, sendo a mim sorteada a relatoria. É o relatório. Fl. 248DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2014 por RICARDO MAGALDI MESSETTI, Assinado digitalmente em 18/12/ 2014 por RICARDO MAGALDI MESSETTI, Assinado digitalmente em 06/01/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LI MA 6 Voto Conselheiro Ricardo Magaldi Messetti Da Admissibilidade O recurso voluntário apresentado é tempestivo e presentes estão os demais requisitos para a sua admissibilidade, razão pela qual passo a apreciálo. Das Glosa de Compensação O instituto da compensação tributária tem fundamento legal, no próprio Código Tribunal Nacional, e classificase como uma das modalidades de extinção do crédito tributário. Entretanto, foi com o advento da Lei nº 8.383/91, que a compensação tomou suas primeiras formas, visto que o disposto no art. 66 do aludido Diploma Legal, trazia em seu bojo autorização para compensação de tributo e contribuições federais. Tratavase de uma compensação ainda tímida, possível somente entre tributos e contribuições da mesma espécie, e a Instrução Normativa nº 67/92, primeira a regular a matéria, não previa um procedimento especial para a compensação, limitandose a afirmar que ela poderia ser efetuada pelo próprio contribuinte, independentemente de solicitação à unidade da Receita Federal (art. 2º), e que a documentação comprobatória da compensação efetuada deveria ser mantida pelo contribuinte até o fim do prazo prescricional (artigo 10). Quando a Lei nº 9.430/96, no artigo 74, passou a prever a possibilidade da compensação entre tributos e contribuições de espécies distintas, desde que administradas pela então Secretaria da Receita Federal, condicionou tal compensação à apresentação, pelo contribuinte, de um pedido de compensação, cuja forma foi dada pela Instrução Normativa nº 21/97. Expostos os primeiros esboços sobre o instituto da compensação tributária, desde já, é possível apontar que com o advento da Lei nº 9.430/96, era possível procederse à compensação entre tributos e contribuições de espécies distintas, desde que fossem todos eles administrados pela Secretaria da Receita Federal. O evento acima descrito, qual seja a possibilidade de compensação de diversas espécies tributárias entre si, aí incluídas as contribuições correspondente ao ponto nodal da presente análise e dotado do intuito de defender tal tese, afigurase necessário nos debruçarmos e responder à seguinte indagação: a compensação é um direito do contribuinte ou mero favor fiscal conferido pelo fisco? Para responder ao questionamento em lume, é preciso analisar o teor do comando previsto no art. 170 do Código Tributário Nacional, abaixo transcrito: Art. 170. A lei pode, nas condições e sob as garantias que estipular, ou cuja estipulação em cada caso atribuir à autoridade administrativa, autorizar a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda Pública. Fl. 249DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2014 por RICARDO MAGALDI MESSETTI, Assinado digitalmente em 18/12/ 2014 por RICARDO MAGALDI MESSETTI, Assinado digitalmente em 06/01/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LI MA Processo nº 11080.725652/201357 Acórdão n.º 2803003.891 S2TE03 Fl. 247 7 De pronto, é possível concluir que o Código Tributário Nacional conferiu poderes ao legislador ordinário para definir as condições e garantias a serem seguidas, a fim de que se concretize a compensação tributária. Partindo de uma análise literal do dispositivo ora em debate, é possível também afirmar sob uma leitura meramente perfunctória que o CTN conferiu à autoridade administrativa a prerrogativa de determinar quais as condições e garantias para que ocorra a compensação. Contudo, a interpretação do dispositivo em comento deve ser feita com parcimônia, de sorte que a decisão quanto à compensação não seja dada em função da mera discricionariedade da autoridade administrativa. Destarte, ainda que a compensação em questão fosse autoridade por medida judicial, deveria a recorrente ter procedido em atendimento aos procedimentos legais para a efatização da compensação, o que não o fez, conforme confissão em sua própria peça recursal (fls. 199/201): “Conforme se verifica pela cronologia dos fatos, bem como pelos argumentos justificadores da imposição fiscal, a infração cometida apontada pela autoridade autuante, conforme já restou consignado nas razões de impugnação, reiteradas em sede de recurso voluntário, relativo ao Auto de Infração n. 51.025.9995 (decorrente do mesmo procedimento fiscal); que inclusive ensejou a exigência da totalidade do crédito adjudicado na época, afigurase, claramente, mero erro formal, nada mais do que isso. Aliás, é fato incontroverso nos autos que a empresa declarou as compensações realizadas, sendo objeto da autuaçãoo só e tão somente o fato de não ter apresentado os documentos e o critério de cálculo que teria sido utilizado no cômputo do crédito adjudicado em face do trânsito em julgado da medida judicial. Observese que, em que pese a empresa ter adjudicado créditos fiscais legítimos, decorrentes de decisão judicial transitada em julgado, o fez de forma equivocada, inadequada, sem atentar para as nomas fiscais específicas no que tangem às obrigações fiscais.” Com efeito, a recorrente confessa que não procedeu a compensação em respeito aos ditames legais, pelo contrário, executou a compensação de forma aleatória, sem qualquer supedâneo que lhe desse sustentáculo. Ora, para a compensação não basta a existência e legitimidade do crédito que se pretende compensar, mister se faz que o contribuinte adote os mecanismos legalmente previstos com o desiderato de pode usufruir exitosamente o crédito existente. Ademais, a recorrente não trouxe em nenhum momento da fiscalização como atingiu os valores compensados, tampouco a mágica formula que utilizou para alcançar mencionados montantes. Assim, não vislumbro como dar guarida as frívolas alegações da recorrente neste ponto. Das Multas Aplicadas Fl. 250DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2014 por RICARDO MAGALDI MESSETTI, Assinado digitalmente em 18/12/ 2014 por RICARDO MAGALDI MESSETTI, Assinado digitalmente em 06/01/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LI MA 8 Analisando o relatório fiscal, observase que o auditor responsável aplicou 03 (três) multas, a multa de ofício de 75%, prevista no art. 44, inciso I, da Lei n. 9430/96, a multa de mora prevista no §9o., do art. 88, da Lei n. 8.212/91 e a multa isolada de 150%, constatada a falsidade na declaração apresentada. Ocorre que a aplicação concomitante da multa isolada com a multa de ofício é vedada por este Conselhor. Ora, houve a aplicação da multa no percentual de 150%, pois entendeu a fiscalização existir falsidade na declaração GFIP, de modo a fazer incidir a regra prevista no artigo 89 da Lei nº 8.212/91, antes de ser alterado pela Lei nº 11.941/2009. Nesse diapasão, transcrevese a redação original do invocado dispositivo: “Art. 89. "Art. 89. Somente poderá ser restituída ou compensada contribuição para a Seguridade Social arrecadada pelo Instituto Nacional do Seguro Social INSS na hipótese de pagamento ou recolhimento indevido. (...) § 2º Somente poderá ser restituído ou compensado, nas contribuições arrecadadas pelo Instituto Nacional do Seguro Social INSS, o valor decorrente das parcelas referidas nas alíneas "a", "b" e "c" do parágrafo único do art. 11 desta lei. § 3º Em qualquer caso, a compensação não poderá ser superior a trinta por cento do valor a ser recolhido em cada competência. (...) § 10. Na hipótese de compensação indevida, quando se comprove falsidade da declaração apresentada pelo sujeito passivo, o contribuinte estará sujeito à multa isolada aplicada no percentual previsto no inciso I do caput do art. 44 da Lei nº 9.430, de 1996, aplicado em dobro, e terá como base de cálculo o valor total do débito indevidamente compensado.” Da simples leitura do artigo supramencionado, não há qualquer dúvida de que, no caso de prestação de informação falsa na declaração da GFIP, o contribuinte fica, por fazer o artigo acima reproduzido remissão ao inciso I, do art. 44, da Lei nº 9.430/1996, sujeito à multa isolada de 75%, a qual é aplicada em dobro, por conta da gravidade da infração. Analisando a função social dessa norma, verificase que ela tem por finalidade inibir, aplicando multa elevada, a prática infracional de prestação de informações equivocadas, com o claro intuito de reduzir a carga tributária, o que inevitavelmente acarreta lesão direta aos cofres públicos. Pois, especificamente no caso de compensação, o contribuinte deixa de desembolsar valores a título de pagamento do tributo, por possuir créditos contra a Fazenda Pública. Assim, se na GFIP, o sujeito passivo insere na declaração ser possuidor de direito crédito e essa informação não corresponder à realidade dos fatos, sem dúvida, constitui clara hipótese do artigo supra. A falsidade a que se refere o artigo em debate, está atrelada a ideia de que a informação prestada na declaração deve necessariamente não só corresponder à verdade dos fatos, mas também estar estritamente amparada por lei. Fl. 251DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2014 por RICARDO MAGALDI MESSETTI, Assinado digitalmente em 18/12/ 2014 por RICARDO MAGALDI MESSETTI, Assinado digitalmente em 06/01/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LI MA Processo nº 11080.725652/201357 Acórdão n.º 2803003.891 S2TE03 Fl. 248 9 Ocorre que não vislumbro no caso em apreço a suposta falsidade a ensejar a aplicação da multa isolada no importe de 150%, pelo contrário, a própria fiscalização admite em seu relatório a existência do crédito a compensar, somente diverge da forma feita, que não respeito os ditames legais. Assim, com o escopo de não onerar injustamente a contribuinte, afasto a multa isolada de 150% aplicada pela fiscalização. Conclusão Pelo exposto, voto no sentido de conhecer do recurso voluntário, para no mérito darlhe parcial provimento, afastando a multa isolada de 150% aplicada pela fiscalização. É como voto. (assinado digitalmente) Ricardo Magaldi Messetti Relator Fl. 252DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2014 por RICARDO MAGALDI MESSETTI, Assinado digitalmente em 18/12/ 2014 por RICARDO MAGALDI MESSETTI, Assinado digitalmente em 06/01/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LI MA
score : 1.0
Numero do processo: 11610.003881/2003-18
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Apr 09 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Fri Jan 16 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2000, 2001
NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. COMPENSAÇÃO. TRIBUTOS DA MESMA ESPÉCIE. Antes da nova sistemática de compensação das Dcomps, estabelecida pela Lei nº 10.637, de 30 de dezembro de 2002, existia a compensação entre tributos da mesma espécie que autorizava ao contribuinte, por meio de mera dedução do valor a ser recolhido no período subseqüente (art. 66 da Lei nº 8.383, de 1991). Nesse caso a prova feita apenas na contabilidade, mesmo que não tenha preenchido a DCTF é o bastante para se aferir a correção do procedimento.
. RECONHECIMENTO DO DIREITO CREDITÓRIO.
Uma vez demonstrado pelo contribuinte com documentos hábeis e idôneos que oferecera à tributação os rendimentos que deram origem às retenções consideradas na formação do saldo negativo é de se dar provimento ao recurso.
Numero da decisão: 1401-000.953
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em NEGAR provimento ao recurso.
.
(assinado digitalmente)
Jorge Celso Freire da Silva Presidente
(assinado digitalmente)
Antonio Bezerra Neto Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antonio Bezerra Neto, Alexandre Antônio Alkmim Teixeira, Fernando Luiz Gomes de Mattos, Maurício Pereira Faro, Karem Jureidini Dias e Jorge Celso Freire da Silva.
Nome do relator: Relator
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201304
camara_s : Quarta Câmara
ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Ano-calendário: 2000, 2001 NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. COMPENSAÇÃO. TRIBUTOS DA MESMA ESPÉCIE. Antes da nova sistemática de compensação das Dcomps, estabelecida pela Lei nº 10.637, de 30 de dezembro de 2002, existia a compensação entre tributos da mesma espécie que autorizava ao contribuinte, por meio de mera dedução do valor a ser recolhido no período subseqüente (art. 66 da Lei nº 8.383, de 1991). Nesse caso a prova feita apenas na contabilidade, mesmo que não tenha preenchido a DCTF é o bastante para se aferir a correção do procedimento. . RECONHECIMENTO DO DIREITO CREDITÓRIO. Uma vez demonstrado pelo contribuinte com documentos hábeis e idôneos que oferecera à tributação os rendimentos que deram origem às retenções consideradas na formação do saldo negativo é de se dar provimento ao recurso.
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
dt_publicacao_tdt : Fri Jan 16 00:00:00 UTC 2015
numero_processo_s : 11610.003881/2003-18
anomes_publicacao_s : 201501
conteudo_id_s : 5416945
dt_registro_atualizacao_tdt : Fri Jan 16 00:00:00 UTC 2015
numero_decisao_s : 1401-000.953
nome_arquivo_s : Decisao_11610003881200318.PDF
ano_publicacao_s : 2015
nome_relator_s : Relator
nome_arquivo_pdf_s : 11610003881200318_5416945.pdf
secao_s : Primeira Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em NEGAR provimento ao recurso. . (assinado digitalmente) Jorge Celso Freire da Silva Presidente (assinado digitalmente) Antonio Bezerra Neto Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antonio Bezerra Neto, Alexandre Antônio Alkmim Teixeira, Fernando Luiz Gomes de Mattos, Maurício Pereira Faro, Karem Jureidini Dias e Jorge Celso Freire da Silva.
dt_sessao_tdt : Tue Apr 09 00:00:00 UTC 2013
id : 5783310
ano_sessao_s : 2013
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:34:52 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713047474982092800
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 10; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1847; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C4T1 Fl. 587 1 586 S1C4T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 11610.003881/200318 Recurso nº 999.999 Voluntário Acórdão nº 1401000.953 – 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 09 de abril de 2013 Matéria Compensação Recorrente METRO TECNOLOGIA LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2000, 2001 NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. COMPENSAÇÃO. TRIBUTOS DA MESMA ESPÉCIE. Antes da nova sistemática de compensação das Dcomps, estabelecida pela Lei nº 10.637, de 30 de dezembro de 2002, existia a compensação entre tributos da mesma espécie que autorizava ao contribuinte, por meio de mera dedução do valor a ser recolhido no período subseqüente (art. 66 da Lei nº 8.383, de 1991). Nesse caso a prova feita apenas na contabilidade, mesmo que não tenha preenchido a DCTF é o bastante para se aferir a correção do procedimento. . RECONHECIMENTO DO DIREITO CREDITÓRIO. Uma vez demonstrado pelo contribuinte com documentos hábeis e idôneos que oferecera à tributação os rendimentos que deram origem às retenções consideradas na formação do saldo negativo é de se dar provimento ao recurso. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em NEGAR provimento ao recurso. . (assinado digitalmente) Jorge Celso Freire da Silva – Presidente AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 61 0. 00 38 81 /2 00 3- 18 Fl. 588DF CARF MF Impresso em 16/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/09/2013 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 17/10/2013 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 18/09/2013 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 11610.003881/200318 Acórdão n.º 1401000.953 S1C4T1 Fl. 588 2 (assinado digitalmente) Antonio Bezerra Neto – Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antonio Bezerra Neto, Alexandre Antônio Alkmim Teixeira, Fernando Luiz Gomes de Mattos, Maurício Pereira Faro, Karem Jureidini Dias e Jorge Celso Freire da Silva. Fl. 589DF CARF MF Impresso em 16/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/09/2013 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 17/10/2013 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 18/09/2013 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 11610.003881/200318 Acórdão n.º 1401000.953 S1C4T1 Fl. 589 3 Relatório Tratase de recurso voluntário contra o Acórdão nº 1620.798, da 7ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em São Paulo ISP. Por economia processual e por bem descrever os fatos, adoto como parte deste, o relatório constante na decisão de primeira instância: Em 18/03/2003, a contribuinte protocolizou junto à SRF, DCOMP (fls.01/03), objetivando o aproveitamento de saldos negativos de IRPJ, referentes aos anos calendário de 2000 e 2001, nos valores de R$ 395.044,86 e R$ 120.865,40, respectivamente, para compensação de débitos diversos deste processo, das DCOMP eletrônicas e dos processos apensos. Em 04/03/2008, a Derat/SPO exarou DESPACHO DECISÓRIO (fls. 308/315) HOMOLOGANDO EM PARTE as compensações declaradas em DCOMP, nos valores de R$ 36.490,58 e R$ 105.752,57 para os anoscalendário de 2000 e 2001, respectivamente, valores estes remanescentes, após efetuadas as compensações, informadas em DCTF sem processo. Dessa forma, o litígio restringese aos seguintes valores originais para os anoscalendário de 2000 e 2001, conforme segue: Anocalendário/tributo IRPJ 2000 158.775,25 2001 15.112,83 A homologação parcial das compensações deuse pelos motivos expostos a seguir: • Para o anocalendário de 2000, o saldo negativo apurado foi reduzido para R$ 36.490,58, em razão de compensações efetuadas pela requerente sem processo. • A diferença provém da glosa de IRRF deduzido a maior na apuração anual no valor de R$ 58.981,94 (comprovou apenas R$ 695.488,12 em DIRF e não ofereceu todas as receitas de prestação de serviços à tributação, razão pela qual o IRRF dedutível foi reduzido de R$ 695.488,12 para R$ 684.544,19) e das estimativas mensais em virtude compensação não informada em DCTF para os PA de 01/03 do anocalendário de 2000, cujo ajuste reduziu o montante em R$ 99.793,31; • Para o anocalendário de 2001, o saldo negativo foi reduzido para R$ 105.752,57, tendo em vista que a contribuinte logrou comprovar IRRF dedutível de R$ 994.904,92 (fls.l 16/148 e 314) de um total deduzido na DIPJ de RS 1.010.017,74. Fl. 590DF CARF MF Impresso em 16/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/09/2013 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 17/10/2013 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 18/09/2013 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 11610.003881/200318 Acórdão n.º 1401000.953 S1C4T1 Fl. 590 4 A contribuinte teve ciência do Despacho Decisório em 07/05/2008 (fl.. 306 verso) e dela recorreu a esta DRJ em 08/04/2008 (fls. 307/317). As alegações da impugnante são resumidas a seguir. Requer a suspensão dos débitos cuja compensação não foi homologada (art.l51,III,CTN); Quanto à glosa de R$ 158.775,25 (R$ 99.793,94+R$ 58.981,94), apresenta documentos contábeis (docs.05 e 06) que comprovam as compensações efetuadas (R$ 99.793,94 compensações efetuadas nos PA de 01/03 de 2000) e estas não podem ser desconsideradas mesmo não sendo informadas em DCTF, pois se deve considerar a verdade dos fatos (princípio da verdade material); Quanto ao valor glosado de R$ 58.981,94, a autoridade fiscal não poderia utilizarse de cálculo mediante o emprego de método de proporção para a aferição do IRRF dedutível sobre os rendimentos de prestação de serviços; • A diferença entre os montantes apurados pelo Fisco e pela contribuinte deriva da diferença de regimes de tributação adotados entre a tomadora e a pagadora dos rendimentos (regimes de caixa e competência), a qual resultou em divergências, conforme ocorreu com os JSCP (docs.7 e 8); • Quanto à glosa de R$ 15.112,83, referente ao anocalendário de 2001, a diferença apurada pelo Fisco e pela contribuinte provém das diferenças de regimes de tributação adotados entre a tomadora e a pagadora dos rendimentos (regimes de caixa e competência); • Requer, por fim, provimento da presente manifestação de inconformidade. A DRJ, por unanimidade de votos, INDEFERIU a solicitação, nos termos da ementa abaixo: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2000, 2001 COMPENSAÇÃO EM DCOMP. Não comprovada a existência de direito creditório vedase ao contribuinte efetuar as compensações em DCOMP. SALDO NEGATIVO DE IMPOSTO APURADO NA DECLARAÇÃO. Constituem créditos a compensar ou restituir os saldos negativos de imposto de renda apurados em declaração de rendimentos, desde que ainda não tenham sido compensados ou restituídos. RECONHECIMENTO DO DIREITO CREDITÓRIO. O reconhecimento do crédito depende da efetiva comprovação do alegado recolhimento indevido ou maior do que o devido. Fl. 591DF CARF MF Impresso em 16/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/09/2013 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 17/10/2013 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 18/09/2013 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 11610.003881/200318 Acórdão n.º 1401000.953 S1C4T1 Fl. 591 5 Irresignada com a decisão de primeira instância, a interessada interpôs recurso voluntário a este Conselho, repisando os tópicos trazidos anteriormente na impugnação e aduzindo em complemento em relação ao JCP: Primeiramente, concluise que a DRJ desconsiderou totalmente os documentos 7 a 10 juntados aos autos por intermédio de petição protocolada em 29/9/2008, os quais, mais uma vez, ora se anexa (doc. 01). Tratase das planilhas demonstrativas dos valores recebidos a título de JCP, bem como do livro razão no qual ocorreu a sua contabilização. Com efeito, a Receita Federal desconsiderou o crédito de IRRF detido pela Recorrente, em relação às receitas de juros sobre capital próprio recebida, contabilizadas e, principalmente, tributadas no ano calendário de 2.000. (1) A diferença referese ao recebimento de ajuste de JCP relativo ao ano calendário de 1.999, registrada na contabilidade em 25/2/2000, conforme razão contábil anexado ao presente recurso. O IRF (15%) referente a essa receita foi corretamente contabilizado, na conta contábil de IRF a recuperar. (2) A diferença referese ao recebimento de ajuste de JCP relativo ao ano calendário de 2.000, registrada na contabilidade érh 28/2/2001, conforme razão contábil anexado ao presente recurso. O IRF (15%) referente a essa receita foi corretamente contabilizado, ha'conta contábil de IRF a recuperar. Da análise.da planilha receita de juros sobre o capital próprio ano calendário 2000; verificase que os pagamentos relativos a JCP reconhecidos pela RFB, totalizam R$ 1.573.853,02, quando, na verdade, as receitas de JCP correspondem a R$ 1.829.685,97 (tal como informado na DIPJ doc. 2). É o relatório. Voto Conselheiro Antonio Bezerra Neto, Relator. O recurso preenche os requisitos de admissibilidade, portanto, dele tomo conhecimento. A interessada apresentou Pedido de Restituição cumulado com Pedido de Compensação pretendendo compensar os débitos mediante aproveitamento de crédito decorrente do saldo negativo de IRPJ dos anoscalendário de 2000 e 2001.. O pleito foi deferido apenas em parte, deixandose de homologar as compensações referentes aos valores de R$ 158.775,25 (R$ 99.793,94 e R$ 58.981,94), em face do ano calendário 2000 e R$ 15.112,57 com relação ao anocalendário 2001. Baixouse o feito em diligência para averiguação APENAS de questões de fato ligadas a diferenças dos regimes de apropriação de receitas entre quem paga os rendimentos e de quem os recebe (regimes de caixa e competência) , ou seja R$ 58.981,94 para o anocalendário de 2000 e R$ 15.112,83 para o anocalendário de 2001. Fl. 592DF CARF MF Impresso em 16/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/09/2013 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 17/10/2013 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 18/09/2013 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 11610.003881/200318 Acórdão n.º 1401000.953 S1C4T1 Fl. 592 6 Em apertada síntese, a esse respeito, assim se pronunciou a DRJ para negar a solicitação da Recorrente: (...)Outro argumento apresentado pela contribuinte é a questão das diferenças dos regimes de apropriação de receitas entre quem paga os rendimentos e de quem os recebe (regimes de caixa e competência), cuja metodologia pode resultar em reconhecimento não coincidentes em data e montantes. Se o valor, conforme alega a interessada, provém da diferença de regimes de tributação adotados entre a tomadora e a prestadora de serviços (regimes de caixa e competência), deveria a reclamante apresentar documentação comprobatória, a qual provasse as referidas discrepâncias. Para a prova de que houve diferenças entre a apropriação das receitas e das retenções é imprescindível que se demonstre os montantes discrepantes reconhecidos nos exercícios envolvidos. Se houve tributação a maior em um exercício, ocorreu um oferecimento a menor em outro período. Portanto, as referidas diferenças devem ser demonstradas através de documentação hábil e idônea de forma a não restar qualquer dúvida quanto à apropriação das receitas auferidas e as respectivas retenções de IR. Mencionada providência não foi tomada pela reclamante. Anexo aos presentes autos temos as cópias do Razão Analítico de fls.349/357, cujo objetivo é a prova das retenções dos JSCP na contabilidade. Apesar da apresentação dos livros contábeis, não há nos autos qualquer prova que as receitas auferidas e glosadas pela autoridade fiscal foram oferecidas à tributação (doc. 8). Em relação à glosa de R$ 15.112,83, referente ao anocalendário de 2001, a contribuinte utilizase da mesma argumentação para refutar o ajuste na DIPJ. Da mesma forma, aplicase ao presente as observações já mencionadas anteriormente. De fato, cabe salientar que a adoção do regime de competência na contabilização de receitas e despesas está prevista na legislação tributária. Assim, nas as receitas são apropriadas ao resultado em observância do regime de competência dos períodos base, sendo reconhecidas à medida que os rendimentos são atribuídos. Porém é sabido que é aceitável que ocorra divergência entre os montantes de rendimentos informados nas DIRFs e os valores contabilizados e declarados pelas empresas, dado o reconhecimento das receitas pelo contribuinte de acordo com o regime de competência, sendo o método da proporcionalidade o último recurso a ser utilizado. De outra banda, a Recorrente trouxe em seu Recurso fls. 400/406 fundamentos justificadores para a comprovação da diferença glosada convincentes, porém carentes de uma melhor aprofundamento que não pôde ser feito por esta autoridade julgadora, motivo pelo qual o feito foi baixado em diligência. Conforme relatado, assim demonstra a Recorrente a origem das diferenças: Primeiramente, concluise que a DRJ desconsiderou totalmente os documentos 7 a 10 juntados aos autos por intermédio de petição protocolada em 29/9/2008, os quais, mais uma vez, ora se anexa (doc. 01). Tratase das planilhas demonstrativas dos valores recebidos a título de JCP, bem como do livro razão no qual ocorreu a sua contabilização. Com efeito, a Receita Federal desconsiderou o crédito de IRRF detido pela Recorrente, em relação às receitas de juros sobre capital próprio recebida, contabilizadas e, principalmente, tributadas no ano calendário de 2.000. Fl. 593DF CARF MF Impresso em 16/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/09/2013 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 17/10/2013 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 18/09/2013 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 11610.003881/200318 Acórdão n.º 1401000.953 S1C4T1 Fl. 593 7 (1) A diferença referese ao recebimento de ajuste de JCP relativo ao ano calendário de 1.999, registrada na contabilidade em 25/2/2000, conforme razão contábil anexado ao presente recurso. O IRF (15%) referente a essa receita foi corretamente contabilizado, na conta contábil de IRF a recuperar. (2) A diferença referese ao recebimento de ajuste de JCP relativo ao ano calendário de 2.000, registrada na contabilidade em 28/2/2001, conforme razão contábil anexado ao presente recurso. O IRF (15%) referente a essa receita foi corretamente contabilizado, na'conta contábil de IRF a recuperar. Da análise.da planilha receita de juros sobre o capital próprio ano calendário 2000; verificase que os pagamentos relativos a JCP reconhecidos pela RFB, totalizam R$ 1.573.853,02, quando, na verdade, as receitas de JCP correspondem a R$ 1.829.685,97 (tal como informado na DIPJ doc. 2). Fonte Nome , Rendimento Bruto IRRF Observação 03.323.840/000183 Banco Alfa S/A (BRI) 50.877,80 7.631,66 fls. 278 17.167.412/000113 Financeira Alfa S/A 2.383,80 .357,56 fls. 278 60.770.336/000165 Banco Alfa de Investimentos 60.591,42 29.088,68 fls. 278 TOTAL 1.573.853,02 236.077,90 RECEITA (DIPJ 2001) 1.828.783,79 274.315,77 Ficha 06, Linha 23 DIFERENÇA 254.930,77 38.237,87 311.695,63 .4.754,34 ' 1) (56,776,46) (8.516,47) 2) Infelizmente, a diligência não foi atendida da forma que esperava. Entrouse em questões de direito que fugiam a alçada da autoridade diligenciante e passouse ao largo das questões de fato que precisavam ser melhor investigadas e esclarecidas: Fl. 594DF CARF MF Impresso em 16/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/09/2013 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 17/10/2013 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 18/09/2013 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 11610.003881/200318 Acórdão n.º 1401000.953 S1C4T1 Fl. 594 8 E finalmente, cabe a esclarecer que o tratamento tributário dado ao Juros sobre Capital Próprio é bem diferente dos Dividendos. Dividendos são a parte do lucro que uma companhia de capital aberto, ou seja, aquelas que possuem ações negociadas em Bolsa de Valores, são distribuída aos seus acionistas. Os Dividendos podem ser pagos em novas ações, dinheiro ou bônus de subscrição, e são proporcional à quantidade e ao tipo de ações que o acionista possui no momento do anúncio de sua distribuição. Já os Juros sobre Capital Próprio são obtidos após a aplicação da taxa de juros de longo prazo ("TJLP") sobre o patrimônio líquido ajustado. Ao distribuir e pagar JCP, as empresas utilizam o valor dos juros como despesa no Balanço Patrimonial, diminuindo o lucro para fins de apuração no Imposto de Renda e, conseqüentemente, reduzindo o valor a ser pago a título de Imposto de Renda. E a grande diferença entre eles é justamente o regime de declaração para fins de Imposto de Renda. Enquanto os Dividendos recebidos devem ser declarados pelo regime de caixa, o JCP deve ser declarado pelo regime de competência. Assim sendo, o acionista deverá declarar o JCP no mesmo ano do anúncio de sua distribuição, mesmo se o pagamento ocorrer nos anos subseqüentes. No caso dos Dividendos, estes devem ser declarados sempre no ano de recebimento do pagamento, e não no ano fiscal do anúncio de sua distribuição. De toda sorte, o que se observa é que a autoridade diligenciante não conseguiu infirmar o conjunto coerente de provas e argumentações trazidos aos autos pela Recorrente. A meu ver, a Recorrente trouxe provas suficientes para que seu pedido seja deferido nesta parte. No caso, contentome com a prova trazida aos autos de forma sintética, mas baseandose em documentos contábeis da Recorrente (Razão), DIPJs, planilhas demonstrativas dos valores recebidos a título de JCP e comprovantes de crédito de rendimentos de ações escriturais fornecidos pelo Banco Alfa de Investimentos, todos eles consistentes uns com os outros dando conta de que houve mesmo apenas divergência entre os regimes de apropriação das receitas, sem conseqüências impeditivas para a homologação das compensações, uma vez que as premissas colocadas pela Recorrente se mostram coerentes e verdadeiras: (1) A diferença referese ao recebimento de ajuste de JCP relativo ao ano calendário de 1.999, registrada na contabilidade em 25/2/2000, conforme razão contábil anexado ao presente recurso. O IRF (15%) referente a essa receita foi corretamente contabilizado, na conta contábil de IRF a recuperar. (2) A diferença referese ao recebimento de ajuste de JCP relativo ao ano calendário de 2.000, registrada na contabilidade em 28/2/2001, conforme razão contábil anexado ao presente recurso. O IRF (15%) referente a essa receita foi corretamente contabilizado, na'conta contábil de IRF a recuperar. É sabido que a coerência e a ausência de consistência é tido também como um conceito de verdade. Pois a verdade pressupõe coerência interna. Na falta de uma verdade absoluta, o conceito moderno de coerência prevalece sobre outros conceitos de verdades, como por exemplo, o conceito de verdade como correspondência, que foi o procurado quando da diligência. Fl. 595DF CARF MF Impresso em 16/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/09/2013 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 17/10/2013 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 18/09/2013 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 11610.003881/200318 Acórdão n.º 1401000.953 S1C4T1 Fl. 595 9 Outrossim, os esclarecimentos e explicações trazidos ‘as fls. 404/406 da sua manifestação de inconformidade contra o resultado de diligência aliado aos novos documentos anexados aos autos não podem ser olvidados, deixando mais claro ainda os motivos das divergências, bem assim corroborando os seguintes fatos: a receita dos juros sobre o capital próprio foi tributada Os JCP e o IRRF referente ao JCP foram corretamente contabilizados Apesar de haver divergência nas DIRFs, o IRRF foi descontado dos valores recebidos da Recorrente, conforme atestam anexos comprovantes de crédito de rendimentos de ações escriturais fornecidos pelo Banco Alfa de Investimentos. Por todo o exposto, Dou provimento parcial ao recurso no valor R$ 58.981,94, em relação ao ano calendário 2000 e R$ 15.112,57 com relação ao anocalendário 2001 e homologar as respectivas compensações até o limite desses créditos atualizados monetariamente, conforme legislação de regência. Compensações sem processo feitas na contabilidade A Recorrente se indispõe contra a glosa de R$ 99.793,94 (linha 16 da Ficha 12 A), alegando que procedera com compensação sem processo feito direito na contabilidade. Para provar seu direito, apresenta as cópias do Livro Razão, as quais demonstram os lançamentos contábeis das compensações desconsideradas pela autoridade fiscal em seu Despacho Decisório. A DRJ indefere essa parte da solicitação, nos seguintes termos: Quanto à compensação, como bem observado pela autoridade fiscal, devem ser informadas em DCTF para terem eficácia, pois a compensação somente na escrituração vigorou apenas até edição da IN SRF n° 21/97. 0 art.6°, I, e o art.7°, XI e §1°, da IN SRF n° 73/97 determinam que as compensações tributárias devem ser informadas em DCTF: "Art. 6° A DCTF será apresentada por contribuinte, pessoa jurídica, ou a ela equiparado, na forma da legislação pertinente, para prestar informações relativas aos seguintes tributos e contribuições federais: 1 Imposto sobre a Renda das Pessoas jurídicas IRPJ; Art. 7° A DCTF deverá conter as seguintes informações, relativas ao trimestre de competência: XI compensações; § Io No caso de compensação deverá ser informado o código da receita, a data do pagamento, o valor original da receita, expresso em moeda da época, e o valor utilizado para compensação." Fl. 596DF CARF MF Impresso em 16/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/09/2013 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 17/10/2013 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 18/09/2013 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 11610.003881/200318 Acórdão n.º 1401000.953 S1C4T1 Fl. 596 10 Dessa forma, apenas a apresentação de documentos fiscais (escrituração fls.344/348) não é providência suficiente para a comprovação das compensações efetuadas pela requerente. Cai por terra, dessa forma, a argumentação da requerente quanto ao respeito da busca da verdade material se nem a mesma cumpre suas obrigações tributárias. Tratase de compensação de imposto da mesma espécie antes do advento da sistemática das Dcomps. É que a partir de então para efetivar as compensações com o novo regime de compensações atualmente em vigor, não cabendo mais a mera demonstração de compensação na contabilidade, pois essa sistemática não é mais vigente. A Lei nº 10.637, de 30 de dezembro de 2002, em seu art. 49, instituiu a declaração de compensação (Dcomp) e deu nova redação ao art. 74 da Lei nº 9.430, de 1996, para estabelecer que, a partir de 1º de outubro de 2002 (art. 68), a compensação declarada à SRF extingue o crédito tributário, sob condição resolutória da ulterior homologação e será “efetuada mediante a entrega, pelo sujeito passivo, de declaração na qual constarão informações relativas aos créditos utilizados e aos respectivos débitos”: Nessa esteira, antes do advento dessa nova sistemática de compensação, tenho me posicionado favoravelmente á prova feita apenas na contabilidade, mesmo que não tenha preenchido a DCTF. A contabilidade por si só já demonstra a boa fé do contribuinte e possui elementos suficientes para se aferir a correição do procedimento. Nos autos não consta que a DRF nem a DRJ tem desqualificado a sua contabilidade, tendo se pautado para o indeferimento do pleito única e exclusivamente pela ausência de declaração das compensações em DCTF. O razão de fls. 344 e seguintes para mim é suficiente como prova da referida compensação. Por todo o exposto, DOU provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Antonio Bezerra Neto Fl. 597DF CARF MF Impresso em 16/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/09/2013 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 17/10/2013 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 18/09/2013 por ANTONIO BEZERRA NETO
score : 1.0
Numero do processo: 10880.694456/2009-69
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Jan 29 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Tue Feb 03 00:00:00 UTC 2015
Numero da decisão: 3302-000.492
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros da Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do relator.
(assinado digitalmente)
Walber José da Silva
Presidente
(assinado digitalmente)
Paulo Guilherme Déroulède
Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Walber José da Silva, Gileno Gurjão Barreto, Fabiola Cassiano Keramidas, Maria da Conceição Arnaldo Jacó, Paulo Guilherme Déroulède e Antonio Mário de Abreu Pinto.
RELATÓRIO
Nome do relator: Não se aplica
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201501
camara_s : Terceira Câmara
turma_s : Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Tue Feb 03 00:00:00 UTC 2015
numero_processo_s : 10880.694456/2009-69
anomes_publicacao_s : 201502
conteudo_id_s : 5423733
dt_registro_atualizacao_tdt : Tue Feb 03 00:00:00 UTC 2015
numero_decisao_s : 3302-000.492
nome_arquivo_s : Decisao_10880694456200969.PDF
ano_publicacao_s : 2015
nome_relator_s : Não se aplica
nome_arquivo_pdf_s : 10880694456200969_5423733.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros da Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Walber José da Silva Presidente (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Walber José da Silva, Gileno Gurjão Barreto, Fabiola Cassiano Keramidas, Maria da Conceição Arnaldo Jacó, Paulo Guilherme Déroulède e Antonio Mário de Abreu Pinto. RELATÓRIO
dt_sessao_tdt : Thu Jan 29 00:00:00 UTC 2015
id : 5801822
ano_sessao_s : 2015
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:35:31 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713047474986287104
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 15; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1651; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C3T2 Fl. 305 1 304 S3C3T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10880.694456/200969 Recurso nº Voluntário Resolução nº 3302000.492 – 3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Data 29 de janeiro de 2015 Assunto Solicitação de Diligência Recorrente CTEEP COMPANHIA DE TRANSMISSÃO DE ENERGIA ELÉTRICA PAULISTA Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros da Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Walber José da Silva Presidente (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Walber José da Silva, Gileno Gurjão Barreto, Fabiola Cassiano Keramidas, Maria da Conceição Arnaldo Jacó, Paulo Guilherme Déroulède e Antonio Mário de Abreu Pinto. RELATÓRIO Trata o presente de declaração de compensação, relativa a crédito de agosto/2004, indeferida pela autoridade administrativa sob o fundamento de que o DARF informado como origem do crédito fora utilizado para quitação de outros débitos. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 08 80 .6 94 45 6/ 20 09 -6 9 Fl. 305DF CARF MF Impresso em 03/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/01/2015 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 02/02 /2015 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 30/01/2015 por PAULO GUILHERME DEROULEDE Processo nº 10880.694456/200969 Resolução nº 3302000.492 S3C3T2 Fl. 306 2 A recorrente apresentou manifestação de inconformidade, alegando que: 1. A maior parte das receitas decorrem da prestação do serviço de transmissão de energia elétrica de acordo com contrato firmado em 13/09/1999 (CONTRATO CPST Nº 006/1999), firmado com o Operador Nacional do Sistema Elétrico ONS; 2. Estas receitas estariam sujeitas à incidência cumulativa da Lei nº 9.718/98, por decorrerem de contratos de longo prazo, a preço predeterminado e firmado anteriormente a 31/10/2003, por disposição prevista no inciso XI, alíneas "b" e "c", do art. 10 da Lei nº 10.833/2003; 3. A Nota Técnica nº 224/2006, expedida pela SFF/ANEEL, apresentou entendimento sobre o tema, concluindo que as receitas decorrentes dos Contratos de Prestação de Serviço de Trasmissão CPST, firmados anteriormente a 31/10/2003, e reajustados anualmente pelo IGPM, se sujeitam à incidência cumulativa das contribuições prevista na Lei nº 9718/98; 4. Recolheu, equivocadamente, as contribuições para o PIS e Cofins no regime nãocumulativo, não separando as sujeitas ao regime cumulativo, e, posteriormente, transmitiu várias DCOMPs para aproveitar o crédito originado do pagamento indevido; 5. Estava providenciando a retificação das DCTF e Dacons, quando foi surpreendida com a ciência dos despachos decisórios, não homologando as compensações; 6. Foi necessária a retificação dos Dacons e das DCTF, após a ciência dos despachos decisórios, para corrigir o erro de fato cometido e que as DCOMPs não foram retificadas em razão da intimação para ciência dos despachos decisórios, de acordo com a vedação constante nos artigos 77 e 95 da IN RFB nº 900/2008; 7. Os erros cometidos no preenchimento dos DARFs, DCTFs, Dacons e DCOMP não causaram prejuízo ao erário e devem ser reconhecidos pela Administração Tributária, nos termos do art. 147 do CTN e em atendimento ao princípio da verdade material; 8. Poderá disponibilizar os documentos como Diário, Razão, Faturas, Balancetes, Contratos, normas da ANEEL para realização de diligência, caso seja necessária; A Terceira Turma da DRJ/BEL em Belém proferiu decisão nos termos da ementa que abaixo transcrevese: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário:2004 DCOMP. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. ÔNUS DA PROVA. Considerase não homologada a declaração de compensação quando não reste comprovada a existência do crédito apontado como compensável. Em sede de compensação, o contribuinte possui o ônus de prova do seu direito. DIREITO CREDITÓRIO. PROVA. DCTF E DACON RETIFICADORES. Fl. 306DF CARF MF Impresso em 03/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/01/2015 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 02/02 /2015 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 30/01/2015 por PAULO GUILHERME DEROULEDE Processo nº 10880.694456/200969 Resolução nº 3302000.492 S3C3T2 Fl. 307 3 A DCTF e o DACON Retificadores, na condição de documentos confeccionados pelo próprio interessado, não exprimem nem materializam, por si só, o indébito fiscal. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido A recorrente interpôs tempestivamente recurso voluntário, alegando resumidamente que: 1. O IGPM deve ser considerado índice que reflete a variação ponderada dos custos e, portanto, enquadrado no art. 109 da Lei nº 11.196/2005; 2. Ainda que se negue a inclusão do IGPM no art. 109 da Lei n 11.196/2005, tal índice é mero reajuste do preço contratado, e não modificação deste preço, e que se o art. 109 da Lei nº 11.196/2005 estipulou que a variação dos custos não descaracteriza o preço predeterminado, com maior razão, um índice geral de correção não deveria descaracterizálo; 3. As IN SRF 468/2004 e 658/2006 consistem em flagrante ofensa ao princípio da legalidade insculpido no art. 150, inciso I da Constituição Federal; 4. O indébito decorre de erro na aplicação da alíquota; 5. Não disponibilizou toda a documentação, como Diário, Razão, Faturas, Balancetes, normas da ANEEL em razão do grande volume, vez que foram apresentadas 51 defesas administrativas; 6. Em momento algum, afirmou que a retificação do DACON e da DCTF constituem o direito creditório líquido e oponível à RFB, mas que pretendeu apenas cumprir os deveres instrumentais quanto ao erro alegado e que tais informações estão consubstanciadas em sua escrituração contábil; Cita, ainda, jurisprudência deste Conselho e do STJ e apresenta cópia do balancete, demonstrativos das receitas, indicação da conta contábil, de modo a corroborar suas alegações. Na forma regimental, o processo foi distribuído a este relator. É o relatório. VOTO Conselheiro Paulo Guilherme Déroulède. O recurso voluntário atende aos pressupostos de admissibilidade e dele tomo conhecimento. A autoridade administrativa indeferiu a homologação pelo fato de o DARF apontado como origem do crédito pleiteado estava alocado a débitos em DCTF. Após a ciência do despacho, a recorrente providenciou a retificação do Dacon e da DCTF, demonstrando os valores alegados como corretos. Fl. 307DF CARF MF Impresso em 03/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/01/2015 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 02/02 /2015 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 30/01/2015 por PAULO GUILHERME DEROULEDE Processo nº 10880.694456/200969 Resolução nº 3302000.492 S3C3T2 Fl. 308 4 A DRJ considerou a manifestação de inconformidade improcedente, sob os argumentos de que o contrato CPST 006/1999, apresentado pela recorrente, não era apto a demonstrar que não houve após 31/10/2003 a implementação de quaisquer das ocorrências que descaracterizassem o preço predeterminado; que a Cláusula 53 assegurava às partes a prerrogativa de solicitar a revisão das cláusulas e condições avençadas; que a competência da ANEEL não alcança a interpretação da legislação tributária; que o IGPM não constitui índice que reflete a variação dos custos de produção nem reflete a variação ponderada dos custos dos insumos utilizados; que a desconstituição dos créditos confessados não se efetiva com a apresentação da DCTF e Dacon retificadores, mas com a apresentação da escrita fiscal e contábil e respectiva documentação de suporte. Por sua vez, a recorrente, em recurso voluntário, alega que o reajuste pelo IGP M não descaracteriza o preço determinado, e apresenta cópias dos balancetes e demonstrativos de forma a comprovar seu direito. Vêse que a lide se refere ao alcance da expressão "preço predeterminado", e, consequentemente, da sujeição das receitas auferidas à incidência nãocumulativa ou cumulativa das contribuições. Passase, assim, à análise dos requisitos para exclusão das receitas em questão da incidência nãocumulativa das contribuições e da definição de preço predeterminado. As receitas decorrentes de determinados contratos firmados antes de 31/10/2003 foram excluídas da incidência nãocumulativa das contribuições, a partir da vigência do inciso XI do artigo 10 da Lei nº 10.833/2003, aplicado ao PIS/Pasep pelo art. 15 da referida lei: Art. 10. Permanecem sujeitas às normas da legislação da COFINS, vigentes anteriormente a esta Lei, não se lhes aplicando as disposições dos arts. 1o a 8o: (Produção de efeito) [...]XI as receitas relativas a contratos firmados anteriormente a 31 de outubro de 2003: a) com prazo superior a 1 (um) ano, de administradoras de planos de consórcios de bens móveis e imóveis, regularmente autorizadas a funcionar pelo Banco Central; b) com prazo superior a 1 (um) ano, de construção por empreitada ou de fornecimento, a preço predeterminado, de bens ou serviços; c) de construção por empreitada ou de fornecimento, a preço predeterminado, de bens ou serviços contratados com pessoa jurídica de direito público, empresa pública, sociedade de economia mista ou suas subsidiárias, bem como os contratos posteriormente firmados decorrentes de propostas apresentadas, em processo licitatório, até aquela data; [...]Art. 15. Aplicase à contribuição para o PIS/PASEP não cumulativa de que trata a Lei no 10.637, de 30 de dezembro de 2002, o disposto: (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) [...]V no art. 10, incisos VI, IX e XI a XXI desta Lei; e (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) Fl. 308DF CARF MF Impresso em 03/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/01/2015 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 02/02 /2015 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 30/01/2015 por PAULO GUILHERME DEROULEDE Processo nº 10880.694456/200969 Resolução nº 3302000.492 S3C3T2 Fl. 309 5 V nos incisos VI, IX a XXV do caput e no § 2o do art. 10 desta Lei; (Redação dada pela Lei nº 11.051, de 2004) V nos incisos VI, IX a XXVII do caput e nos §§ 1o e 2o do art. 10 desta Lei; (Redação dada pela Lei nº 11.196, de 2005) Regulamentando o dispositivo, a RFB editou a IN SRF 468/2004, que, em seu art.2º, estipulou que a implementação do primeiro reajuste ou a revisão para manutenção do equilíbrio econômicofinanceiro dos contratos, após 31/10/2003, descaracterizariam o preço predeterminado, nos seguintes termos: Art. 2o Para efeito desta Instrução Normativa, preço predeterminado é aquele fixado em moeda nacional como remuneração da totalidade do objeto do contrato. § 1 o Considerase também preço predeterminado aquele fixado em moeda nacional por unidade de produto ou por período de execução. § 2 o Se estipulada no contrato cláusula de aplicação de reajuste, periódico ou não, o caráter predeterminado do preço subsiste somente até a implementação da primeira alteração de preços verificada após a data mencionada no art. 1 o . § 3 º Se o contrato estiver sujeito a regra de ajuste para manutenção do equilíbrio econômicofinanceiro, nos termos dos arts. 57, 58 e 65 da Lei n º 8.666, de 21 de junho de 1993, o caráter predeterminado do preço subsiste até a eventual implementação da primeira alteração nela fundada após a data mencionada no art. 1 º . Posteriormente, a Lei nº 11.196/2005, em seu art. 109, dispôs que o reajuste de preços em função do custo de produção ou da variação de índice que reflita a variação ponderada dos custos não será considerado para fins de descaracterização do preço determinado: Art. 109. Para fins do disposto nas alíneas b e c do inciso XI do caput do art. 10 da Lei no 10.833, de 29 de dezembro de 2003, o reajuste de preços em função do custo de produção ou da variação de índice que reflita a variação ponderada dos custos dos insumos utilizados, nos termos do inciso II do § 1o do art. 27 da Lei no 9.069, de 29 de junho de 1995, não será considerado para fins da descaracterização do preço predeterminado. Parágrafo único. O disposto neste artigo aplicase desde 1o de novembro de 2003. Novamente, regulamentando a matéria, a RFB editou a IN SRF nº 658/2006, revogando a IN SRF nº 468/2004 e incorporando as disposições do art. 109 acima mencionado, nos seguintes termos: Do Preço Predeterminado Art. 3º Para efeito desta Instrução Normativa, preço predeterminado é aquele fixado em moeda nacional como remuneração da totalidade do objeto do contrato. Fl. 309DF CARF MF Impresso em 03/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/01/2015 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 02/02 /2015 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 30/01/2015 por PAULO GUILHERME DEROULEDE Processo nº 10880.694456/200969 Resolução nº 3302000.492 S3C3T2 Fl. 310 6 § 1º Considerase também preço predeterminado aquele fixado em moeda nacional por unidade de produto ou por período de execução. § 2º Ressalvado o disposto no § 3º, o caráter predeterminado do preço subsiste somente até a implementação, após a data mencionada no art. 2º1, da primeira alteração de preços decorrente da aplicação: I de cláusula contratual de reajuste, periódico ou não; ou II de regra de ajuste para manutenção do equilíbrio econômicofinanceiro do contrato, nos termos dos arts. 57, 58 e 65 da Lei nº 8.666, de 21 de junho de 1993. § 3º O reajuste de preços, efetivado após 31 de outubro de 2003, em percentual não superior àquele correspondente ao acréscimo dos custos de produção ou à variação de índice que reflita a variação ponderada dos custos dos insumos utilizados, nos termos do inciso II do § 1º do art. 27 da Lei nº 9.069, de 29 de junho de 1995, não descaracteriza o preço predeterminado.(grifo não original) Art. 4º Na hipótese de pactuada, a qualquer título, a prorrogação do contrato, as receitas auferidas depois de vencido o prazo contratual vigente em 31 de outubro de 2003 sujeitarseão à incidência não cumulativa das contribuições. Verificase que a Receita Federal considerou que as hipóteses de reajuste e de revisão dos contratos administrativos, destinados à manutenção do equilíbrio econômico financeiro, expressos no art. 55, inciso III, 57, 58 e 65 da Lei nº 8.666/93, descaracterizariam o preço predeterminado, excetuando o reajuste não superior àquele correspondente ao acréscimo dos custos de produção ou à variação de índice que reflita a variação ponderada dos custos dos insumos utilizados. A revisão contratual decorre de fatos imprevisíveis, ou previsíveis, porém de conseqüências incalculáveis, retardadores ou impeditivos da execução do ajustado, ou, ainda, em caso de força maior, caso fortuito ou fato do príncipe, configurando álea econômica extraordinária e extracontratual2. Já o reajuste é cláusula necessária nos contratos administrativos3 e "objetiva reconstituir os preços praticados no contrato em razão de fatos previsíveis, é dizer, álea econômica ordinária, no momento da contratação, ante a realidade existente, como a variação inflacionária. Por decorrência, o reajuste deve retratar a alteração dos custos de produção a fim de manter as condições efetivas da proposta contratual, embora muitas vezes não alcance este desiderato relativamente a certo segmento ou agente econômicos". A legislação distingue as duas figuras, como se observa na Lei nº 8.987/95, que, dispondo sobre o regime de concessão de serviços públicos, especifica em seu art. 9º, §3º4, a 1 A data é 31/10/2003. 2 Art. 65, inciso II, alínea "d" da Lei nº 8.666/93 3 Art. 55, inciso III da Lei nº 8.666/93 4 Lei 8.987/95: Art. 9o A tarifa do serviço público concedido será fixada pelo preço da proposta vencedora da licitação e preservada pelas regras de revisão previstas nesta Lei, no edital e no contrato. [..~] § 2o Os contratos poderão prever mecanismos de revisão das tarifas, a fim de manterse o equilíbrio econômicofinanceiro. Fl. 310DF CARF MF Impresso em 03/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/01/2015 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 02/02 /2015 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 30/01/2015 por PAULO GUILHERME DEROULEDE Processo nº 10880.694456/200969 Resolução nº 3302000.492 S3C3T2 Fl. 311 7 possibilidade de revisão da tarifa decorrente da criação ou alteração de tributos. Já o artigo 18 da referida lei dispõe que o edital de licitação deverá prever os critérios de reajuste e revisão da tarifa, também ocorrendo a referida distinção nos artigos 23 e 29. A situação aqui tratada referese a reajuste e não a revisão contratual e se o procedimento altera o preço predeterminado. A definição desta expressão adotada pela RFB era a disposta na IN SRF nº 21/79: 3 Produção em Longo Prazo O contrato de construção por empreitada ou de fornecimento, a preço predeterminado, de bens e serviços a serem produzidos, com prazo de execução física superior a 12 (doze) meses, terá seu resultado apurado, em cada períodobase, segundo o progresso dessa execução: 3.1 Preço predeterminado é aquele fixado contratualmente, sujeito ou não a reajustamento, para execução global; no caso de construções, bens ou serviços divisíveis, o preço predeterminado é o fixado contratualmente para cada unidade. A instrução normativa acima foi utilizada como fundamento em diversas soluções de consulta da RFB, após a edição do inciso XI do art. 10 da Lei nº 10.833/2003. O entendimento era pacífico neste sentido até a edição da IN SRF 468/2004. Porém a RFB editou a referida instrução, modificando o entendimento sobre a definição de preço predeterminado, sem que qualquer lei tenha sido publicada alterando tal definição. Foi meramente nova interpretação normativa que suscitou rebates por parte dos contribuintes, tendo o STJ se pronunciado sobre a ilegalidade da IN SRF 468/2004: AgRg no RECURSO ESPECIAL Nº 1.310.284 PR (2012/00355487) EMENTA TRIBUTÁRIO E PROCESSUAL CIVIL. VIOLAÇÃO DO ART. 557 DO CPC. INEXISTÊNCIA. ALEGAÇÃO GENÉRICA. SÚMULA 284/STF. COFINS. REGIME DE CONTRIBUIÇÃO. LEI N. 10.833/03. INSTRUÇÃO NORMATIVA 468/2004. VIOLAÇÃO DO PRINCÍPIO DA LEGALIDADE. 1. A eventual nulidade da decisão monocrática calcada no art. 557 do CPC fica superada com a reapreciação do recurso pelo órgão colegiado, na via de agravo regimental, como bem analisado no REsp 824.406/RS de Relatoria do Min. Teori Albino Zavascki, em 18.5.2006. § 3o Ressalvados os impostos sobre a renda, a criação, alteração ou extinção de quaisquer tributos ou encargos legais, após a apresentação da proposta, quando comprovado seu impacto, implicará a revisão da tarifa, para mais ou para menos, conforme o caso. [...] Art. 23. São cláusulas essenciais do contrato de concessão as relativas: [...] IV ao preço do serviço e aos critérios e procedimentos para o reajuste e a revisão das tarifas; Art. 29. Incumbe ao poder concedente: [...] V homologar reajustes e proceder à revisão das tarifas na forma desta Lei, das normas pertinentes e do contrato; Fl. 311DF CARF MF Impresso em 03/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/01/2015 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 02/02 /2015 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 30/01/2015 por PAULO GUILHERME DEROULEDE Processo nº 10880.694456/200969 Resolução nº 3302000.492 S3C3T2 Fl. 312 8 2. A Secretaria da Receita Federal, por meio da Instrução Normativa 468/04, ao definir o que é "preço predeterminado", estabeleceu que "o caráter predeterminado do preço subsiste somente até a implementação da primeira alteração de preços" e, assim, acabou por conferir, de forma reflexa, aumento das alíquotas do PIS (de 0,65% para 1,65%) e da COFINS (de 3% para 7,6%). 3. Somente é possível a alteração, aumento ou fixação de alíquota tributária por meio de lei, sendo inviável a utilização de ato infralegal para este fim, sob pena de violação do princípio da legalidade tributária. Precedentes: REsp 1.089.998RJ, DJe 30/11/2011; REsp 1.109.034 PR, DJe 6/5/2009; e REsp 872.169RS, Dje 13/5/2009. RECURSO ESPECIAL Nº 1.169.088 MT (2009/02357184) EMENTA PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. RECURSO ESPECIAL. ART. 535, II, DO CPC. ALEGAÇÕES GENÉRICAS. SÚMULA 284/STF. INTIMAÇÃO PESSOAL DA FAZENDA. FUNDAMENTO CONSTITUCIONAL. MANDADO DE SEGURANÇA. NATUREZA PREVENTIVA. SÚMULA 7/STJ. ART. 10, XI, "B' DA LEI 10.833/03. CONCEITO DE PREÇO PREDETERMINADO. IN SRF 468/04. ILEGALIDADE. PRECEDENTE. ART. 538, PARÁGRAFO ÚNICO, DO CPC. MULTA. AFASTAMENTO. SÚMULA 98/STJ. [...]4. O preço predeterminado em contrato, previsto no art. 10, XI, "b", da Lei 10.833/03, não perde sua natureza simplesmente por conter cláusula de reajuste decorrente da correção monetária. Ilegalidade da IN n.º 468/04. Precedente. 5. A multa fixada com base no art. 538, parágrafo único, do CPC, deve ser afastada quando notório o propósito de prequestionamento dos embargos de declaração. Incidência da Súmula 98/STJ. 6. Recurso especial conhecido em parte e provido também em parte. RECURSO ESPECIAL Nº 1.089.998 RJ (2008/02056082) EMENTA TRIBUTÁRIO. COFINS. REGIME DE CONTRIBUIÇÃO. LEI N. 10.833/03. INSTRUÇÃO NORMATIVA N. 468/2004. VIOLAÇÃO DO PRINCÍPIO DA LEGALIDADE. 1. Cuidase de recurso especial interposto pelo contribuinte, questionando o poder regulamentar da Secretaria da Receita Federal, na edição da Instrução Normativa n. 468/04, que regulamentou o art. 10 da Lei n. 10.833/03. 2. O art. 10, inciso XI, da Lei n. 10.833/03 determina que os contratos de prestação de serviço firmados a preço determinado antes de 31.10.2003, e com prazo superior a 1 (um) ano, permanecem sujeitos ao regime tributário da cumulatividade para a incidência da COFINS. (Grifo meu.) 3. A Secretaria da Receita Federal, por meio da Instrução Normativa n. 468/04, ao definir o que é "preço predeterminado", estabeleceu que "o caráter predeterminado do preço subsiste somente até a Fl. 312DF CARF MF Impresso em 03/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/01/2015 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 02/02 /2015 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 30/01/2015 por PAULO GUILHERME DEROULEDE Processo nº 10880.694456/200969 Resolução nº 3302000.492 S3C3T2 Fl. 313 9 implementação da primeira alteração de preços " e, assim, acabou por conferir, de forma reflexa, aumento das alíquotas do PIS (de 0,65% para 1,65%) e da COFINS (de 3% para 7,6%). 4. Somente é possível a alteração, aumento ou fixação de alíquota tributária por meio de lei, sendo inviável a utilização de ato infralegal para este fim, sob pena de violação do princípio da legalidade tributária. 5. No mesmo sentido do voto que eu proferi, o Ministério Público Federal entendeu que houve ilegalidade na regulamentação da lei pela Secretaria da Receita Federal, pois "a simples aplicação da cláusula de reajuste prevista em contrato firmado anteriormente a 31.10.2003 não configura, por si só, causa de indeterminação de preço, uma vez que não muda a natureza do valor inicialmente fixado, mas tão somente repõe, com fim na preservação do equilíbrio econômico financeiro entre as partes, a desvalorização da moeda frente à inflação ." (Fls. 335, grifo meu.) Mantenho o voto apresentado, no sentido de dar provimento ao recurso especial. De fato, a IN SRF nº 468/2004 extrapolou a legislação vigente ao estipular que o reajuste implicaria em descaracterização do preço predeterminado. Entretanto, o advento do art. 109 da Lei nº 11.196/2005 alterou a configuração legislativa sobre a matéria. O art. 109 mencionou expressamente que "o reajuste de preços em função do custo de produção ou da variação de índice que reflita a variação ponderada dos custos dos insumos utilizados, nos termos do inciso II do § 1o do art. 27 da Lei no 9.069/95, não será considerado para fins da descaracterização do preço predeterminado". Se a intenção da modificação era permitir que o reajuste não descaracterizasse o preço predeterminado, não foi o que restou publicado. O art. 109 faz referência à Lei 9.069/95, conversão das MPs que criaram o Plano Real, na qual estipulava que a correção monetária, em virtude de estipulação legal ou em negócio jurídico, deveria darse pelo Índice de Preços ao Consumidor, Série r IPCr, de acordo com o art. 27 da Lei nº 9.069/95, mas ressalvadas as hipóteses de seu parágrafo primeiro: § 1º O disposto neste artigo não se aplica: I às operações e contratos de que tratam o Decretolei nº 857, de 11 de setembro de 1969, e o art. 6º da Lei nº 8.880, de 27 de maio de 1994; II aos contratos pelos quais a empresa se obrigue a vender bens para entrega futura, prestar ou fornecer serviços a serem produzidos, cujo preço poderá ser reajustado em função do custo de produção ou da variação de índice que reflita a variação ponderada dos custos dos insumos utilizados; III às hipóteses tratadas em lei especial. Foi justamente sobre o inciso II do §1º que o art. 109 fez a ressalva quanto ao reajuste não descaracterizar o preço predeterminado e não sobre o IPCr. Fl. 313DF CARF MF Impresso em 03/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/01/2015 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 02/02 /2015 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 30/01/2015 por PAULO GUILHERME DEROULEDE Processo nº 10880.694456/200969 Resolução nº 3302000.492 S3C3T2 Fl. 314 10 Salientase que a Lei nº 10.192/2001, conversão de MPs que se originaram da MP nº 1.503/95, extinguiu o IPCr em seu art. 8º: Art. 8o A partir de 1o de julho de 1995, a Fundação Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística IBGE deixará de calcular e divulgar o IPCr. § 1o Nas obrigações e contratos em que haja estipulação de reajuste pelo IPCr, este será substituído, a partir de 1o de julho de 1995, pelo índice previsto contratualmente para este fim. § 2o Na hipótese de não existir previsão de índice de preços substituto, e caso não haja acordo entre as partes, deverá ser utilizada média de índices de preços de abrangência nacional, na forma de regulamentação a ser baixada pelo Poder Executivo. A mesma lei, em seu artigo 2º, dispôs que: Art. 1o As estipulações de pagamento de obrigações pecuniárias exeqüíveis no território nacional deverão ser feitas em Real, pelo seu valor nominal. Parágrafo único. São vedadas, sob pena de nulidade, quaisquer estipulações de: I pagamento expressas em, ou vinculadas a ouro ou moeda estrangeira, ressalvado o disposto nos arts. 2o e 3o do DecretoLei no 857, de 11 de setembro de 1969, e na parte final do art. 6o da Lei no 8.880, de 27 de maio de 1994; II reajuste ou correção monetária expressas em, ou vinculadas a unidade monetária de conta de qualquer natureza; III correção monetária ou de reajuste por índices de preços gerais, setoriais ou que reflitam a variação dos custos de produção ou dos insumos utilizados, ressalvado o disposto no artigo seguinte. Art. 2o É admitida estipulação de correção monetária ou de reajuste por índices de preços gerais, setoriais ou que reflitam a variação dos custos de produção ou dos insumos utilizados nos contratos de prazo de duração igual ou superior a um ano. § 1o É nula de pleno direito qualquer estipulação de reajuste ou correção monetária de periodicidade inferior a um ano. § 2o Em caso de revisão contratual, o termo inicial do período de correção monetária ou reajuste, ou de nova revisão, será a data em que a anterior revisão tiver ocorrido. § 3o Ressalvado o disposto no § 7o do art. 28 da Lei no 9.069, de 29 de junho de 1995, e no parágrafo seguinte, são nulos de pleno direito quaisquer expedientes que, na apuração do índice de reajuste, produzam efeitos financeiros equivalentes aos de reajuste de periodicidade inferior à anual. O Decreto nº 1.544/95 estipulou que, na hipótese de não existir previsão de índice para substituir o IPCr e na falta de acordo entre as partes, deveria ser utilizada a média Fl. 314DF CARF MF Impresso em 03/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/01/2015 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 02/02 /2015 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 30/01/2015 por PAULO GUILHERME DEROULEDE Processo nº 10880.694456/200969 Resolução nº 3302000.492 S3C3T2 Fl. 315 11 aritmética entre o Índice Nacional de Preços ao Consumidor INPC do IBGE e o Índice Geral de Preços Disponibilidade Interna IGPDI da Fundação Getúlio Vargas (FGV). Art. 1º Na hipótese de não existir previsão de índice de preços substituto, e caso não haja acordo entre as partes, a média de índices de preços de abrangência nacional a ser utilizada nas obrigações e contratos anteriormente estipulados com reajustamentos pelo IPCr, a partir de 1º de julho de 1995, será a média aritmética simples dos seguintes índices: I Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC), da Fundação Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE); II Índice Geral de Preços Disponibilidade Interna (IGPDI), da Fundação Getúlio Vargas (FGV). Observase que a própria legislação, já em 1995, cuidou de diferenciar o reajuste em função de índices gerais ou setoriais do reajuste em função do custo de produção ou da variação de índice que reflita a variação ponderada dos custos dos insumos utilizados, inicialmente no art. 27 da Lei 9.069/95 e posteriormente nos artigos 1º e 2º da Lei nº 10.192/2001 (na realidade, a diferença temporal entre as disposições é de apenas 10 dias). O art. 109, ao se referir apenas ao reajuste em função do custo de produção ou da variação de índice que reflita a variação ponderada dos custos dos insumos utilizados, acabou inovando a definição de preço predeterminado, estabelecendo uma distinção até então inexistente. Quisesse apenas referirse a reajuste em geral, bastaria têlo feito nos termos do art. 2º da Lei nº 10.192/2001. Reforçam este entendimento, as emendas feitas à MP 252/2005, citadas na Nota Técnica 224/2006 SFFANEEL: Emendas n° 224 (Dep. Eduardo Gomes), 225 (Dep. Eduardo Sciarra), e 353 (Dep. Max Rosenmann): EMENDA ART. 44A. O art. 10, inciso XI,da Lei nº 10.833, de 2003, passa a vigorar com a seguinte redação: "Art. 10........................................................................... ........................................................................................ XI as receitas relativas a contratos firmados anteriormente a 31 de outubro de 2003, independentemente de a eles serem aplicados reajustamentos previstos em cláusulas contratuais." JUSTIFICATIVA: a redação proposta , com adição da locução "independentemente de a eles serem aplicados reajustamentos previstos em cláusulas contratuais" fazse necessária, visto que o Poder Executivo através da Instrução Normativa nº 468/2004, da SRF, mudou a interpretação do conceito de "preço predeterminado" passando a impedir que os contratos abrigados pela Lei nº 10.833/2003, deixem de usufruir o direito de permanecer sob o regime da cumulatividade. A IN em questão entende que o simples reajuste de preço por índices oficiais já caracteriza uma mudança da base do preço e desta forma afasta a eficácia do dispositivo legal. No fundo o que a IN faz é, na prática, Fl. 315DF CARF MF Impresso em 03/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/01/2015 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 02/02 /2015 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 30/01/2015 por PAULO GUILHERME DEROULEDE Processo nº 10880.694456/200969 Resolução nº 3302000.492 S3C3T2 Fl. 316 12 equiparar o conceito de preço predeterminado " ao conceito de preço fixo, uma vez que praticamente não existe contrato com prazo superior a um ano sem previsão de reajustamento. Tivesse sido assim publicado o artigo 109, a interpretação forçosamente retornaria ao texto da IN SRF nº 21/79, mas não foi o ocorrido. Todavia, a redação da IN SRF 658/2006 modificou, sutilmente, a redação do art. 109, ao dispor no §3º do art. 3º: § 3 º O reajuste de preços, efetivado após 31 de outubro de 2003, em percentual não superior àquele correspondente ao acréscimo dos custos de produção ou à variação de índice que reflita a variação ponderada dos custos dos insumos utilizados, nos termos do inciso II do § 1 º do art. 27 da Lei n º 9.069, de 29 de junho de 1995, não descaracteriza o preço predeterminado. A redação da lei que era "reajuste de preços em função do" foi regulamentada como "reajuste de preços em percentual não superior". Esta redação não exclui, a priori, a utilização de qualquer índice, desde que ele não ultrapasse o acréscimo dos custos de produção ou à variação de índice que reflita a variação ponderada dos custos dos insumos utilizados. Assim, se a fórmula de reajuste utilizada não ultrapassar aqueles limites, deve tal fórmula de reajuste não descaracterizar o preço predeterminado. Ressaltase que o art. 109 está em consonância com o fundamento econômico para o reajuste que é a variação dos custos, como dispõe o inciso XI do art. 40 da Lei nº 8.666/93 e o inciso XVIII do art. 3º da Lei nº 9.427/96, que instituiu a Agência Nacional de Energia Elétrica ANEEL: Lei nº 8.666/93: Art. 40. O edital conterá no preâmbulo o número de ordem em série anual, o nome da repartição interessada e de seu setor, a modalidade, o regime de execução e o tipo da licitação, a menção de que será regida por esta Lei, o local, dia e hora para recebimento da documentação e proposta, bem como para início da abertura dos envelopes, e indicará, obrigatoriamente, o seguinte: [...]XI critério de reajuste, que deverá retratar a variação efetiva do custo de produção, admitida a adoção de índices específicos ou setoriais, desde a data prevista para apresentação da proposta, ou do orçamento a que essa proposta se referir, até a data do adimplemento de cada parcela; (Redação dada pela Lei nº 8.883, de 1994) Lei nº 9.427/96: Art. 3o Além das atribuições previstas nos incisos II, III, V, VI, VII, X, XI e XII do art. 29 e no art. 30 da Lei no 8.987, de 13 de fevereiro de 1995, de outras incumbências expressamente previstas em lei e observado o disposto no § 1o, compete à ANEEL: (Redação dada pela Lei nº 10.848, de 2004) (Vide Decreto nº 6.802, de 2009). [...]XVIII definir as tarifas de uso dos sistemas de transmissão e distribuição, sendo que as de transmissão devem ser baseadas nas seguintes diretrizes: (Incluído pela Lei nº 10.848, de 2004) Fl. 316DF CARF MF Impresso em 03/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/01/2015 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 02/02 /2015 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 30/01/2015 por PAULO GUILHERME DEROULEDE Processo nº 10880.694456/200969 Resolução nº 3302000.492 S3C3T2 Fl. 317 13 a) assegurar arrecadação de recursos suficientes para cobertura dos custos dos sistemas de transmissão; e (Incluído pela Lei nº 10.848, de 2004) a) assegurar arrecadação de recursos suficientes para a cobertura dos custos dos sistemas de transmissão, inclusive das interligações internacionais conectadas à rede básica; (Redação dada pela Lei nº 12.111, de 2009) b) utilizar sinal locacional visando a assegurar maiores encargos para os agentes que mais onerem o sistema de transmissão; (Incluído pela Lei nº 10.848, de 2004) Estabelecidas as condições para a definição de preço predeterminado, passase à análise do contrato apresentado. A recorrente auferiu receitas decorrentes da prestação de serviço de transmissão de energia elétrica, regulado pela Agência Nacional de Energia Elétrica ANEEL instituída pela Lei nº 9.427/1996, e pelo contrato firmado com o Operador Nacional do Sistema Elétrico – ONS em 13/09/1999, intitulado Contrato de Prestação de Serviço de Transmissão de Energia Elétrica (CONTRATO CPST Nº 006/1999). O ONS é entidade de direito privado sem fins lucrativos, cabendolhe, dentre outras atribuições, a de contratar e administrar os serviços de transmissão de energia elétrica e respectivas condições de acesso, bem como dos serviços ancilares, nos termos do art. 13, parágrafo único, alínea “d” da Lei nº 9.648/98, sob fiscalização e regulação da ANEEL (Resolução nº 351/98 e Decreto nº 2.655/98). O contrato celebrado denominase CONTRATO DE PRESTAÇÃO DE SERVIÇO DE TRANSMISSÃO e tem por objeto regular as condições de administração e coordenação por parte da ONS, da prestação de serviço de transmissão pela Transmissora (recorrente). Seu prazo de vigência é a partir de 13/09/1999 e permanece até a extinção da concessão da transmissora. A claúsula 36º dispõe que a recorrente teria direito a receber dos usuários, mediante os Contratos de Uso do Sistema de Transmissão, um duodécimo da receita anual permitida, e seu parágrafo 1º dispôs que os serviços de operação de rede básica, serviços de telecomunicações e serviços ancilares seriam remunerados pela RAP até a assinatura de contratos específicos, a serem assinados até 30/06/2000 e 31/12/2002. A cláusula 37º menciona ainda a existência de Contrato de Concessão de Serviço Público de Transmissão de Energia Elétrica. A cláusula 40º estipula que o pagamento mensal à transmissora será realizado de acordo com as datas e condições definidas nos Contratos de Uso do Sistema de Transmissão. Cláusula 40º O pagamento mensal, definido na Cláusula 36*, devido pelos USUÁRIOS à TRANSMISSORA pela Prestação dos Serviços de Transmissão, será realizado em 3 (três) vencimentos, cada um equivalente a 1/3 (um terço) do valor global devido, nas datas e condições definidas nos CONTRATOS DE USO DO SISTEMA DE TRANSMISSÃO. Fl. 317DF CARF MF Impresso em 03/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/01/2015 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 02/02 /2015 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 30/01/2015 por PAULO GUILHERME DEROULEDE Processo nº 10880.694456/200969 Resolução nº 3302000.492 S3C3T2 Fl. 318 14 Verificase que o contrato apresentado é entre o ONS e a recorrente e destinase a regular as condições de administração e coordenação por parte da ONS, da prestação de serviço de transmissão, mas não corresponde aos contratos dos quais decorrem as receitas auferidas. Assim, nestes contratos é que estão previstos as condições que permitem aferir sua caracterização como de longo prazo e do preço predeterminado, como: data de assinatura, prazo de vigência, data em que ocorreu o primeiro reajuste, fórmula estabelecida para cálculo do reajuste, e outros. Por outro lado, a Nota Técnica nº 224/2006, elaborada pela Superintendência de Fiscalização Econômica e Financeira – SFF/ANEEL, apresenta os modelos de contratos utilizados na concessão do serviço público de transmissão, contratos de prestação de serviços de transmissão CPST e contratos de uso do sistema de transmissão CUST. Da análise das cláusulas dos modelos apresentados, são necessários alguns esclarecimentos por parte da recorrente para melhor compreendêlos, bem como detalhar a receita auferida, vinculando cada parcela ao contrato que lhe deu origem. Diante do exposto, voto para converter o presente julgamento em resolução para que a autoridade administrativa intime a recorrente a: 1. Relacionar as receitas auferidas ao contrato do qual decorrem; 2. Apresentar o Contrato de Concessão do Serviço Público de Transmissão, especificando a data de assinatura, o prazo de vigência, as condições contratadas para o reajustamento fórmula e datas de reajuste; 3. Identificar o primeiro reajustamento ocorrido após 31/10/2003, relativamente às receitas auferidas; 4. Esclarecer se houve alguma revisão do contrato visando a manutenção do equilíbrio econômicofinanceiro; 5. Apresentar as resoluções da ANEEL relativas a novos acréscimos ao preço originalmente contrato Receita Anual Permitida identificando a origem destes acréscimos; 6. Esclarecer se na receita auferida constam revisões de que trata a cláusula abaixo reproduzida: Oitava Subcláusula A ANEEL procederá, anualmente, à revisão da RECEITA ANUAL PERMITIDA do SERVIÇO PÚBLICO DE TRANSMISSÃO, pela execução de modificações, reforços e ampliações nas INSTALAÇÕES DE TRANSMISSÃO, inclusive as decorrentes de novos padrões de desempenho técnico determinados peia ANEEL, conforme procedimentos definidos na Oitava Subcláusula da Cláusula Quarta deste CONTRA TO DE CONCESSÃO 7. Esclarecer se na receita auferida há parcela recebida devida à ultrapassagem do sistema de transmissão e da sobrecarga; 8. Informar a existência de Contratos de Conexão à Transmissão firmados após 31/10/2003, de acordo com a Resolução nº 489/2002; Fl. 318DF CARF MF Impresso em 03/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/01/2015 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 02/02 /2015 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 30/01/2015 por PAULO GUILHERME DEROULEDE Processo nº 10880.694456/200969 Resolução nº 3302000.492 S3C3T2 Fl. 319 15 9. Se houve parcela de ajuste na Receita Anual Permitida, relacionada com a majoração das alíquotas de PIS e Cofins, nos termos do disposto no item 69 da Nota Técnica 224/2006: PA (PIS/COFINS) = parcela a ser adicionada a PA de cada concessionária de serviço público de transmissão de energia elétrica, resultante do impacto financeiro decorrente da majoração das alíquotas do PIS/PASEP e da COFINS 10. Esclarecer se consta receita auferida de novas instalações de transmissão, de acordo com o item 70 da Nota Técnica 224/2006 e a data em que foram autorizadas pela ANEEL: Dessa forma, é possível, e freqüentemente ocorre, a necessidade da realização de obras visando a implantação de novas instalações de transmissão de energia elétrica integrantes da Rede Básica do Sistema Interligado Nacional SIN. Tais obras são então autorizadas por esta ANEEL, mediante a publicação de Resoluções Autorizativas, nas quais é fixada respectiva receita.. 11. Esclarecer se existe algum índice setorial que reflita a variação ponderada dos custos dos insumos utilizados; 12. Elaborar comparativo entre a evolução dos custos da prestação do serviço e da variação do índice mencionado no item anterior e o reajuste adotado, relativo ao período correspondente ao reajuste ocorrido imediatamente anterior a 31/10/2003 e os ocorridos até a competência do crédito objeto da DCOMP. Após concluída a resposta à intimação, elaborar relatório fiscal, separando as receitas que entender sujeitas à incidência nãocumulativa das sujeitas à incidência cumulativa, a partir das premissas contidas nesta resolução, facultando à recorrente o prazo de trinta dias para se pronunciar sobre as conclusões obtidas, nos termos do parágrafo único do artigo 35 do Decreto nº 7.574, de 2011. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Fl. 319DF CARF MF Impresso em 03/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/01/2015 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 02/02 /2015 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 30/01/2015 por PAULO GUILHERME DEROULEDE
score : 1.0
Numero do processo: 10983.900834/2010-34
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Dec 10 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Mon Jan 05 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2005
PEDIDOS DE COMPENSAÇÃO. DILIGÊNCIA. CONFIRMAÇÃO DA ALOCAÇÃO E DA DISPONIBILIDADE DE PAGAMENTO.
Confirmada a alocação dos pagamentos a compensações efetuadas, e a disponibilidade de saldo suficiente para a compensação especificamente pleiteada no processo (e indeferida por despacho decisório eletrônico que indicava alocação a outro débito), esta deve ser acolhida.
Numero da decisão: 3403-003.450
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso. O Conselheiro Fenelon Moscoso de Almeida participou do julgamento em substituição ao Conselheiro Alexandre Kern.
ANTONIO CARLOS ATULIM - Presidente.
ROSALDO TREVISAN - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antonio Carlos Atulim (presidente da turma), Rosaldo Trevisan (relator), Fenelon Moscoso de Almeida (em substituição a Alexandre Kern), Ivan Allegretti, Domingos de Sá Filho e Luiz Rogério Sawaya Batista.
Nome do relator: ROSALDO TREVISAN
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201412
camara_s : Quarta Câmara
ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Ano-calendário: 2005 PEDIDOS DE COMPENSAÇÃO. DILIGÊNCIA. CONFIRMAÇÃO DA ALOCAÇÃO E DA DISPONIBILIDADE DE PAGAMENTO. Confirmada a alocação dos pagamentos a compensações efetuadas, e a disponibilidade de saldo suficiente para a compensação especificamente pleiteada no processo (e indeferida por despacho decisório eletrônico que indicava alocação a outro débito), esta deve ser acolhida.
turma_s : Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Mon Jan 05 00:00:00 UTC 2015
numero_processo_s : 10983.900834/2010-34
anomes_publicacao_s : 201501
conteudo_id_s : 5414375
dt_registro_atualizacao_tdt : Tue Jan 13 00:00:00 UTC 2015
numero_decisao_s : 3403-003.450
nome_arquivo_s : Decisao_10983900834201034.PDF
ano_publicacao_s : 2015
nome_relator_s : ROSALDO TREVISAN
nome_arquivo_pdf_s : 10983900834201034_5414375.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso. O Conselheiro Fenelon Moscoso de Almeida participou do julgamento em substituição ao Conselheiro Alexandre Kern. ANTONIO CARLOS ATULIM - Presidente. ROSALDO TREVISAN - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antonio Carlos Atulim (presidente da turma), Rosaldo Trevisan (relator), Fenelon Moscoso de Almeida (em substituição a Alexandre Kern), Ivan Allegretti, Domingos de Sá Filho e Luiz Rogério Sawaya Batista.
dt_sessao_tdt : Wed Dec 10 00:00:00 UTC 2014
id : 5778688
ano_sessao_s : 2014
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:34:14 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713047474995724288
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 5; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1731; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C4T3 Fl. 172 1 171 S3C4T3 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10983.900834/201034 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3403003.450 – 4ª Câmara / 3ª Turma Ordinária Sessão de 10 de dezembro de 2014 Matéria COMPENSAÇÃO Recorrente BRY TECNOLOGIA S.A. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2005 PEDIDOS DE COMPENSAÇÃO. DILIGÊNCIA. CONFIRMAÇÃO DA ALOCAÇÃO E DA DISPONIBILIDADE DE PAGAMENTO. Confirmada a alocação dos pagamentos a compensações efetuadas, e a disponibilidade de saldo suficiente para a compensação especificamente pleiteada no processo (e indeferida por despacho decisório eletrônico que indicava alocação a outro débito), esta deve ser acolhida. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso. O Conselheiro Fenelon Moscoso de Almeida participou do julgamento em substituição ao Conselheiro Alexandre Kern. ANTONIO CARLOS ATULIM Presidente. ROSALDO TREVISAN Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antonio Carlos Atulim (presidente da turma), Rosaldo Trevisan (relator), Fenelon Moscoso de Almeida (em substituição a Alexandre Kern), Ivan Allegretti, Domingos de Sá Filho e Luiz Rogério Sawaya Batista. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 98 3. 90 08 34 /2 01 0- 34 Fl. 172DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2014 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 19/12/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 18/12/2014 por ROSALDO TREVISAN 2 Versa o presente sobre a DCOMP de fls. 3 a 61, transmitida em 11/08/2005, na qual se busca compensar valor recolhido a maior ou indevidamente (R$ 8.386,55, de um total de R$ 14.035,41, pago em 15/06/2005) a título de COFINS com débitos da própria COFINS e de Contribuição para ao PIS/PASEP. No Despacho Decisório eletrônico de fl. 7 (emitido em 19/04/2010, com ciência em 27/04/2010, conforme AR de fl. 8), acusase que o pagamento (DARF no valor total de R$ 14.035,41) foi localizado, tendo sido integralmente utilizado para quitar débitos do contribuinte (em outro processo de compensação), não restando crédito disponível para a compensação. Em sua manifestação de inconformidade (fl. 9), alega a empresa que “o valor não consta na DCTF do mês 05/2005, tendo em vista a inexistência de débito, pois o valor informando do DACON ficha 17, apresenta débito de R$ 344,05, e retido na fonte ficha 17A R$ 507,03, portanto o sistema não aceita a informação do referido DARF de R$ 14.035,41 na DCTF”. Para comprovar o alegado, junta o DARF (fl. 12), planilha interna (fl. 13) e DACON (fls. 14 a 21). Em 28/10/2011 ocorre o julgamento de primeira instância (fls. 23 a 25), no qual se acorda unanimemente pela improcedência da manifestação de inconformidade, por não haver comprovação do direito creditório. O julgador afirma que a motivação do indeferimento é utilização do crédito em outro processo de compensação (final 8273), e que a contribuinte nada alega a esse respeito. Cientificada da decisão de piso em 25/11/2012 (AR à fl. 27), a empresa apresenta recurso voluntário em 14/12/2012 (fls. 28 a 36), no qual alega que: (a) efetuou um pagamento a maior de R$ 14.035,41 a título de COFINS em 15/06/2005 (em relação a mês para o qual não possuía débito algum); (b) aproveitou inicialmente parte de tal o pagamento (R$ 5.205,34) na DCOMP retificadora de final 8273, remanescendo um saldo de R$ 8.881,61; (c) em 14/07/2005 registrou uma segunda DCOMP (final 6600), utilizando mais R$ 495,05, restando ainda R$ 8.386,56; (d) em 11/08/2005 transmitiu a DCOMP em análise neste processo (final 8090), no valor de R$ 8.597,05 (correspondente à atualização dos R$ 8.386,56 remanescentes); e (e) assim, há crédito suficiente para todas as compensações. Em anexo, adiciona DCTF1osem/2005 (fls. 37 a 110) e DIPJ2006 (fls. 111 a 134). Em 24/10/2013 esta Terceira Turma unanimemente decide pela conversão do julgamento em diligência, por meio da Resolução no 3403000.518, para que a unidade local da RFB apontasse, detalhadamente, as imputações efetuadas e o desfecho de cada processo de compensação referente ao pagamento de R$ 14.035,41, efetuado pela recorrente em 15/06/2005, no código 2172. No despacho de diligência de fls. 166/167, emitido em 28/08/2014, a autoridade local esclarece que “o pagamento em tela teria sido suficiente para compensar os débitos das DCOMP mencionadas” (DCOMP nº 38399.51580.280905.1.7.048273, R$ 5.153,80; DCOMP nº 07751.98146.140705.1.3.046600, R$ 495,05; e DCOMP nº 13009.36251.110805.1.3.048090, objeto do presente processo, R$ 8.386,56), sendo a recorrente cientificada do despacho em 11/09/2014 (cf. documento de fl. 169), sem apresentar manifestação sobre seu teor. É o relatório. 1 Todos os números de folhas indicados nesta decisão são baseados na numeração eletrônica da versão digital do processo (eprocessos). Fl. 173DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2014 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 19/12/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 18/12/2014 por ROSALDO TREVISAN Processo nº 10983.900834/201034 Acórdão n.º 3403003.450 S3C4T3 Fl. 173 3 Voto Conselheiro Rosaldo Trevisan, relator O recurso preenche os requisitos formais de admissibilidade e, portanto, dele se toma conhecimento. O caso é de despacho decisório eletrônico. Mas, de forma diversa ao que normalmente acontece, o despacho, apesar de eletrônico, é extremamente preciso, indicando que o pagamento (R$ 14.035,41) efetuado no código 2172 (COFINS) em 15/06/2005 (PA 05/2005) foi utilizado integralmente em outra compensação (PER/DCOMP no 38399.51580.280905.1.7.048273). Após manifestação de inconformidade sintética e confusa, que ocasiona o indeferimento do direito creditório na instância de piso, a empresa torna mais clara em sede recursal a explicação para o ocorrido: teria registrado o PER/DCOMP no 12410.93656.120705.1.1.044627, retificado, em 28/09/2005, pelo PER/DCOMP no 38399.51580.280905.1.7.048273 (que é o referido no despacho decisório), compensando parte do crédito que possuía. Assim, o PER/DCOMP retificador (tratado no despacho decisório) aproveita R$ 5.153,80 (valor do crédito original) dos R$ 14.035,41, pagos em 15/06/2005 (código 2172), restando um saldo original de R$ 8.881,61. E tal saldo teria sido utilizado inicialmente em outro PER/DCOMP (de final 6660), no montante original de R$ 495,05, restando ainda disponíveis R$ 8.383,56, sendo que com o saldo disponível (ou melhor, com R$ 8.383,55, restando disponíveis R$ 0,01) se registra o PER/DCOMP de que trata o presente processo. Restando, a priori, demonstrada a utilização em compensações do valor constante do DARF apontado como origem do crédito, em tese estaria afastada a motivação do despacho decisório denegatório (de que o pagamento foi alocado integralmente ao PER/DCOMP no 38399.51580.280905.1.7.048273). Mas como não havia no processo cópia de nenhum dos PER/DCOMP adicionais citados pela recorrente, ou de seus processos correspondentes (que não foram localizados no “eprocessos”), determinouse a conversão em diligência para que fossem detalhadas as imputações efetuadas e o desfecho de cada processo de compensação referente ao pagamento de R$ 14.035,41, efetuado pela recorrente em 15/06/2005, no código 2172. No despacho de diligência de fls. 166/167, emitido em 28/08/2014, esclarece se que: “Por meio de pesquisa extraída dos sistemas da Receita Federal do Brasil (RFB), às fls. 144/145, verificamos, primeiramente, que o DARF indicado às fls. 4 (pagamento nº 5104802238), totalizando a quantia de R$ 14.035,41, não teria sido utilizado na vinculação de débito da COFINS (período de apuração maio/2005), uma vez que não consta a existência de crédito tributário constituído seja por meio de Declaração de Débitos e Fl. 174DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2014 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 19/12/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 18/12/2014 por ROSALDO TREVISAN 4 Créditos de Tributos Federais –DCTF, seja por lançamento de ofício de eventual quantia devida da aludida contribuição. Ato contínuo, verificamos que este pagamento teria sido efetivamente aplicado na compensação da DCOMP nº 38399.51580.280905.1.7.0482731 (fls. 153/157), na quantia original de R$ 5.153,80, constando dos sistemas da RFB, a informação de que ocorreu a homologação total desta compensação, o que, por consequência, geraria saldo de crédito em favor do interessado (fls.145). Salientese, por oportuno, que o saldo do DARF em tela teria sido vinculado pelo contribuinte noutras duas DCOMP, a saber: i) na DCOMP nº 07751.98146.140705.1.3.046600 (fls. 158/161), com utilização da quantia original de R$ 495,05; e ii) na DCOMP nº 13009.36251.110805.1.3.048090 (objeto do presente processo), donde o crédito utilizado perfaz a quantia original de R$ 8.386,56. Quanto àquela DCOMP, verificamos que teria ocorrido a sua homologação (fls. 145). No entanto, quanto à DCOMP nº 13009.36251.110805.1.3.048090, verificamos que o despacho decisório de cuida o presente processo, às fls. 7, teria não homologado a referida DCOMP sob o argumento de que o pagamento ilustrado no demonstrativo de fls. 145 teria sido integralmente vinculado aos débitos da DCOMP nº 38399.51580.280905.1.7.048273, o que não corresponde com as informações nesta inseridas. Desta forma, temse que, a partir das informações constantes nos sistemas da RFB, sobretudo o demonstrativo de fls. 145, que apresenta as imputações realizadas ao pagamento nº 5104802238, apreciado em conjunto com a planilha de cálculos de fls. 162/165, entendemos, s.m.j,, que o pagamento em tela teria sido suficiente para compensar os débitos das DCOMP mencionadas acima.” (grifo nosso) Assim, resta clara a improcedência do despacho decisório eletrônico, que partiu de imputação equivocada do pagamento efetuado, como reconhece a própria autoridade local. Diante do exposto, voto no sentido de dar provimento ao recurso voluntário apresentado. Rosaldo Trevisan Fl. 175DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2014 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 19/12/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 18/12/2014 por ROSALDO TREVISAN Processo nº 10983.900834/201034 Acórdão n.º 3403003.450 S3C4T3 Fl. 174 5 Fl. 176DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2014 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 19/12/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 18/12/2014 por ROSALDO TREVISAN
score : 1.0
Numero do processo: 15374.001537/2008-81
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Sep 24 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Feb 05 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2003
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OMISSÃO. EFEITOS INFRINGENTES.
Cabem embargos de declaração quando for omitido ponto sobre o qual devia pronunciar-se a Câmara. Demonstrada a omissão entre a matéria fática coligida aos autos e as conclusões que dela foram extraídas para fundamentar o Acórdão, impõe-se a sua correção, em sede de embargos de declaração, emprestando-lhes efeitos infringentes.
Numero da decisão: 1401-001.293
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, CONHECER e ACOLHER os embargos da DRF com efeitos infringentes para então DAR-LHES provimento ao recurso voluntário em razão de cobrança em duplicidade.
(assinado digitalmente)
Jorge Celso Freire da Silva Presidente
(assinado digitalmente)
Antonio Bezerra Neto - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antonio Bezerra Neto, Alexandre Antônio Alkmim Teixeira, Fernando Luiz Gomes de Mattos, Karem Jureidini Dias e Jorge Celso Freire da Silva. O Conselheiro Maurício Pereira Faro declarou-se impedido de votar.
Nome do relator: ANTONIO BEZERRA NETO
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201409
camara_s : Quarta Câmara
ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Ano-calendário: 2003 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OMISSÃO. EFEITOS INFRINGENTES. Cabem embargos de declaração quando for omitido ponto sobre o qual devia pronunciar-se a Câmara. Demonstrada a omissão entre a matéria fática coligida aos autos e as conclusões que dela foram extraídas para fundamentar o Acórdão, impõe-se a sua correção, em sede de embargos de declaração, emprestando-lhes efeitos infringentes.
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
dt_publicacao_tdt : Thu Feb 05 00:00:00 UTC 2015
numero_processo_s : 15374.001537/2008-81
anomes_publicacao_s : 201502
conteudo_id_s : 5424106
dt_registro_atualizacao_tdt : Thu Feb 05 00:00:00 UTC 2015
numero_decisao_s : 1401-001.293
nome_arquivo_s : Decisao_15374001537200881.PDF
ano_publicacao_s : 2015
nome_relator_s : ANTONIO BEZERRA NETO
nome_arquivo_pdf_s : 15374001537200881_5424106.pdf
secao_s : Primeira Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, CONHECER e ACOLHER os embargos da DRF com efeitos infringentes para então DAR-LHES provimento ao recurso voluntário em razão de cobrança em duplicidade. (assinado digitalmente) Jorge Celso Freire da Silva Presidente (assinado digitalmente) Antonio Bezerra Neto - Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antonio Bezerra Neto, Alexandre Antônio Alkmim Teixeira, Fernando Luiz Gomes de Mattos, Karem Jureidini Dias e Jorge Celso Freire da Silva. O Conselheiro Maurício Pereira Faro declarou-se impedido de votar.
dt_sessao_tdt : Wed Sep 24 00:00:00 UTC 2014
id : 5805662
ano_sessao_s : 2014
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:35:40 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713047474999918592
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 6; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1752; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C4T1 Fl. 288 1 287 S1C4T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 15374.001537/200881 Recurso nº 99.999 Embargos Acórdão nº 1401001.293 – 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 24 de setembro de 2014 Matéria EMBARGOS DECLARATÓRIOS DA DRF Embargante DRF Interessado COSAN LUBRIFICANTES E ESPECIALIDADES S.A. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2003 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OMISSÃO. EFEITOS INFRINGENTES. Cabem embargos de declaração quando for omitido ponto sobre o qual devia pronunciarse a Câmara. Demonstrada a omissão entre a matéria fática coligida aos autos e as conclusões que dela foram extraídas para fundamentar o Acórdão, impõese a sua correção, em sede de embargos de declaração, emprestandolhes efeitos infringentes. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, CONHECER e ACOLHER os embargos da DRF com efeitos infringentes para então DAR LHES provimento ao recurso voluntário em razão de cobrança em duplicidade. (assinado digitalmente) Jorge Celso Freire da Silva – Presidente (assinado digitalmente) Antonio Bezerra Neto Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antonio Bezerra Neto, Alexandre Antônio Alkmim Teixeira, Fernando Luiz Gomes de Mattos, Karem Jureidini Dias e AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 37 4. 00 15 37 /2 00 8- 81 Fl. 289DF CARF MF Impresso em 05/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/12/2014 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 04/02/2015 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 11/12/2014 por ANTONIO BEZERRA NETO 2 Jorge Celso Freire da Silva. O Conselheiro Maurício Pereira Faro declarouse impedido de votar. Relatório Tratamse de EMBARGOS DE DECLARAÇÃO em que se alega erro de fato, obscuridade e omissão no Acórdão nº 1401000.598, proferido por esta 1a Turma da 4ª Câmara da 1a Seção do CARF, que DEU provimento PARCIAL ao recurso voluntário, nos termos das ementas abaixo: COMPENSAÇÃO DE TRIBUTOS. AUTO DE INFRAÇÃO DECORRENTE. Comprovada parcialmente a compensação de tributos em outro processo é de se manter também parcialmente o auto de infração lançado em decorrência dessa compensação originalmente indevida. Os Embargos da DRF, em apertada síntese, alega omissão no Acórdão de argumento relevante. É que não foi tratada a questão da duplicidade entre o presente processo (auto de infração da CSLL) e o de no. 10768.906570/200691 ao primeiro ligado, que trata da não homologação de uma Dcomp. Para ser fiel ao relato da DRF, segue abaixo o seu teor: 1. Trata o presente processo de representação fiscal da antiga DERAT/RJO de fls. 01 para lançar débito objeto de compensação não homologada, e que não estava confessado em DCTF, conforme artigo 68 da IN SRF 600/2005. 2. Tal representação é originada do processo n.° 10768.906570/200691 que deu tratamento manual à DCOMP n.° 14150.37760.290503.1.3.024806. 3. O crédito pleiteado de saldo negativo de IRPJ do anocalendário 2000 foi deferido em parte, e homologados os débitos até o limite desse crédito (fls. 10). 4. O débito compensado de CSLL, código de receita 2484, do PA 04/2003, no valor de R$ 3.184.776,33, foi lançado de oficio no auto de infração de fls. 40/46, em face da omissão desse valor em DCTF e considerando que a DCOMP não é confissão de dívida por ser anterior a 31/10/2003. 5. O valor lançado de ofício foi mantido pela DRJ às fls. 71/72, porém, o Conselho de Contribuintes às fls. 88/96 deu provimento parcial ao recurso voluntário de fls. 77/85 excluindo do lançamento apenas a parcela de R$ 29.166,31 razão de comprovação de retenção na fonte a deduzir. 6. Em que pese o disposto no último parágrafo de fls. 95, nenhuma parcela de compensação é objeto do litígio, cuja discussão se dá nos autos do processo de origem atualmente no CARF vide fls. 124, sendo neste processo julgado apenas a manutenção ou não do auto de infração de lançamento do débito não quitado por compensação e omisso em DCTF. 7. Entretanto, uma das alegações do contribuinte aparentemente não foi analisada: nos itens 17 e 18 de fls. 84 o contribuinte alega que houve duplicidade de cobrança, o que, salvo melhor juízo pelo CARF, teria realmente ocorrido conforme se segue. Fl. 290DF CARF MF Impresso em 05/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/12/2014 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 04/02/2015 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 11/12/2014 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 15374.001537/200881 Acórdão n.º 1401001.293 S1C4T1 Fl. 289 3 8. Consta nas consultas ao sistema SIEFProcesso de fls. 124/127 que o crédito já reconhecido (parte incontroversa) foi suficiente para quitar o débito de CSLL, código de receita 2484, do PA 04/2003, no valor de RS 3.184.776,33, o mesmo objeto do presente lançamento de ofício. 9. Assim, em caso de prosseguimento da cobrança deste processo em tese haveria duplicidade de cobrança. 10. Desta forma, propomos o retorno dos autos ao CARF a fim de esclarecer as seguintes questões: a) Deve ser mantido o presente auto de infração ? b) Em caso afirmativo acima, como fica a compensação anterior de fls. 127 ? É o relatório. Voto Conselheiro ANTONIO BEZERRA NETO, Relator Atendidos os requisitos de admissibilidade, tomo conhecimento dos embargos de declaração. Apenas para melhor contextualização, os presentes embargos se dá no contexto de uma autuação em que a autoridade fiscal lançou de ofício o débito compensado de CSLL, código de receita 2484, do PA 04/2003, no valor de R$ 3.184.776,33, em face da omissão desse valor em DCTF e considerando que a DCOMP não é confissão de dívida por ser anterior a 31/10/2003. Acontece que existe um outro processo que tratou da não homologação da Dcomp 10768.906570/200691. Entrando em mais detalhes: Trata referido processo sobre os PER/DCOMP que versa sobre compensações do saldo negativo do IRPJ relativo ao ano calendário de 2000. O PER/DCOMP n° 14150.37760.290503.1.3.024806, baixado em papel no qual a interessada acima solicita compensação de débito de CSLL (código 24841 mesmo débito lançado no presente processo ora motivo de embargos), relativo ao período de apuração abril/2003 e vencimento 30/05/2003, no valor de R$ 3.184.776,33, que não se encontrava informado em DCTF com crédito decorrente de saldo negativo de IRPJ referente ao ano calendário de 2000, no valor de R$ 7.344.797,76 De fato há omissão no julgado embargado. Não foi tratado a questão relativa a uma possível cobrança em duplicidade promovida por dois processos simultaneamente: o presente processo (auto de infração em função da não homologação da dcomp n. 14150.37760.290503.1.3.024) e o de n. 10768.906570/200691 (homologação parcial de algumas Dcomps, inclusive da dcomp acima referida). Fl. 291DF CARF MF Impresso em 05/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/12/2014 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 04/02/2015 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 11/12/2014 por ANTONIO BEZERRA NETO 4 A Recorrente assim se defendeu dessa questão: Como demonstrado na inicial, o valor total, no montante de R$ 11.400.838,58, foi compensado pela Recorrente da seguinte forma: Competência Valor compensado Tributo compensado W da PER/DCOMP t Maio/2003 3.184.776,33 CSLL 14150.37760.290503.1.3.024 Maio/2003 2.158.894,72 IRPJ 19205.53147.290503.1.3.023 Setembro/2003 73.503,74 IRPJ 12254.26166.150904.1 J.025 Setembro/2003 26.178,43 CSLL 12254.26166.150904.1.3.025 Outubro/2003 109.503,55 IRPJ 28376.21261.151004.1.3.024 Outubro/2003 41.128,36 CSLL 28376.21261.151004.1.3.024 Novembro/2003 1.806.693,89 IRPJ 36003.04504.121104.1.3.027 Novembro/2003 666.425,70 CSLL 6003.04504.121104.1.3.027 Dezembro/2003 2.360.963,27 IRPJ 20615.94537.131204.1.3.029 Dezembro/2003 972.770,59 CSLL 20615.94537.131204,1.3.029 Total.compensação 11.400.838,58 Assim sendo, resta. demonstrado e comprovado, pela documentação anexada aos autos que o direito' creditório requerido através da ´PER/DCOMP n° 14150.37760.290503.1.3.024806 no montante de R$ 3,184.776,33 está correto e deve ser homologado, portanto não há hipótese, como mencionado pelo Fiscal responsável pelo Lançamento e posteriormente confirmado pela Julgadora de Ia instância, da ora Recorrente ter recolhido tributo com insuficiência. ' . 13 Se não houve recolhimento insuficiente, o que pode ter ocorrido? 14 Na verdade o que ocorreu, e isto foi detectado após a decisão a quo, foi a falta de preenchimento da DCTF ou seja no mês de maio de 2003 a Recorrente deixou de prestar esta informação na DCTF, o que convenhamos não pode ensejar na cobrança em referência, quando muito poderia ter sido exigida alguma penalidade por falta de cumprimento da obrigação acessória. 15 De acordo com fls. 72 da decisão de Ia instância, foi feito menção pela Sra. Julgadora da existência do PTA supracitado cujo mérito é exatamente o mesmo da autuação em tela ou seja o tributo; o período de apuração e o valor saõ rigorosamente os mesmos da presente autuação. 16 Na verdade o PTA 10768.906570/200691 diz respeito a não homologação da PER DCOMP o que levou a Recorrente interpor manifestação de Inconformidade pelas mesmas razões expostas acima. 17 Como se pode observar a Receita Federal do Brasil iniciou DOIS processos administrativos distintos para cobrar um mesmo tributo, o que convenhamos traduzse em verdadeiro terrorismo fiscal na medida em que a CSLL de R$ 3.184.776,33 já havia sido recolhida por antecipação conforme explicações fornecidas anteriormente. Fl. 292DF CARF MF Impresso em 05/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/12/2014 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 04/02/2015 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 11/12/2014 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 15374.001537/200881 Acórdão n.º 1401001.293 S1C4T1 Fl. 290 5 18 Com base nesta duplicidade de lançamentos e nas provas carreadas aos autos, está devidamente comprovado que a autuação. em referência é totalmente improcedente eis que a obrigação principal foi plenamente satisfeita, tendo ocorrido apenas um equívoco em relação ao preenchimento da DCTF que não pode e nem deve ser punido da forma como pretende a Receita Federal.(grifei) A DRF em seus embargos foi peremptória: Consta nas consultas ao sistema SIEFProcesso de fls. 124/127 que o crédito já reconhecido (parte incontroversa) foi suficiente para quitar o débito de CSLL, código de receita 2484, do PA 04/2003, no valor de RS 3.184.776,33, o mesmo objeto do presente lançamento de ofício. 9. Assim, em caso de prosseguimento da cobrança deste processo em tese haveria duplicidade de cobrança. Como se vê, patente é a duplicidade apontada tanto pelo contribuinte quanto pela DRF em seus embargos. Na verdade as decisões da DRJ e do CARF deixaramse levar apenas pela aparente conexão entre os dois processos e não vislumbraram que o objeto do litígio do presente processo já estava abarcado pela lide do processo n. 10768.906570/200691, em que, conforme bem sublinhado pela DRF o crédito já reconhecido (parte incontroversa) foi suficiente para quitar o débito de CSLL, código de receita 2484, do PA 04/2003, no valor de RS 3.184.776,33. Dessa forma, patente o erro de fato cometido pelo Acórdão embargado, motivo pelo qual se deve acolher os embargos da DRF e lhes dar efeitos infringentes, para então DAR provimento ao recurso voluntário. Sobre a admissibilidade de se conferir efeitos infringentes aos embargos declaratórios, trago à baila a lição de Candido Rangel Dinamarco : São em princípio inadmissíveis os embargos declaratórios com eficácia infringente; mas a jurisprudência atenua essa regra, ao permitir que pela via dos embargos de declaração se corrijam certos erros graves e perceptíveis a um exame puramente objetivo, corno aquele consistente em dar por intempestivo um recurso interposto dentro do prazo. No mesmo sentido, a jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça, a exemplo do posicionamento assentado nos EDcl no REsp nº 511.127 MG, Min. Arnaldo Esteves Lima, julgado em 12/06/2007 e publicado em 06/08/2007. EMENTA PROCESSUAL CIVIL. ADMINISTRATIVO. EMBARGOS DE DECLARAÇÃO NO RECURSO ESPECIAL. SERVIDOR PÚBLICO. 28,86%. COMPENSAÇÃO DETERMINADA NO ACÓRDÃO EXEQÜENDO NÃO ESTABELECIDA NAS CONTAS DE LIQÜIDAÇÃO. ERRO MATERIAL CONFIGURADO. EMBARGOS DE DECLARAÇÃO ACOLHIDOS COM EFEITOS INFRINGENTES. RECURSO ESPECIAL CONHECIDO E PROVIDO. (...) Fl. 293DF CARF MF Impresso em 05/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/12/2014 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 04/02/2015 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 11/12/2014 por ANTONIO BEZERRA NETO 6 3. Não obstante os embargos declaratórios produzam, em regra,tãosomente efeito integrativo, doutrina e jurisprudência admitem a modificação do acórdão quando presente algum dos vícios que ensejam a interposição dos embargos. 4. Embargos de declaração acolhidos com efeitos modificativos para conhecer do recurso especial e darlhe provimento. Com essas considerações finais, ACOLHO os embargos da DRF com efeitos infringentes para então DAR provimento ao recurso voluntário em razão da cobrança em duplicidade. (assinado digitalmente) Antonio Bezerra Neto Fl. 294DF CARF MF Impresso em 05/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/12/2014 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 04/02/2015 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 11/12/2014 por ANTONIO BEZERRA NETO
score : 1.0
Numero do processo: 10675.900135/2010-78
Turma: Segunda Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Aug 20 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Mon Jan 26 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Classificação de Mercadorias
Período de apuração: 01/10/2004 a 31/12/2004
CLASSIFICAÇÃO FISCAL DE MERCADORIAS. RAZÕES DE RECURSO VOLUNTÁRIO QUE NÃO ILIDEM O FUNDAMENTO DA AUTUAÇÃO.
A arguição de que a seletividade, ou mesmo a finalidade do uso dos produtos, devem nortear a classificação fiscal de mercadorias, não pode se sobrepor, na esfera administrativa, à classificação fiscal que adota critérios objetivos para indicar o subgrupo da TIPI aplicável aos produtos em questão.
Numero da decisão: 3802-001.907
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Mércia Helena Trajano DAmorim Presidente em exercício.
(assinado digitalmente)
Bruno Maurício Macedo Curi - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Regis Xavier Holanda (Presidente), Francisco Jose Barroso Rios, Solon Sehn, Paulo Sergio Celani e Claudio Augusto Gonçalves Pereira.
Nome do relator: BRUNO MAURICIO MACEDO CURI
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201308
ementa_s : Assunto: Classificação de Mercadorias Período de apuração: 01/10/2004 a 31/12/2004 CLASSIFICAÇÃO FISCAL DE MERCADORIAS. RAZÕES DE RECURSO VOLUNTÁRIO QUE NÃO ILIDEM O FUNDAMENTO DA AUTUAÇÃO. A arguição de que a seletividade, ou mesmo a finalidade do uso dos produtos, devem nortear a classificação fiscal de mercadorias, não pode se sobrepor, na esfera administrativa, à classificação fiscal que adota critérios objetivos para indicar o subgrupo da TIPI aplicável aos produtos em questão.
turma_s : Segunda Turma Especial da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Mon Jan 26 00:00:00 UTC 2015
numero_processo_s : 10675.900135/2010-78
anomes_publicacao_s : 201501
conteudo_id_s : 5420217
dt_registro_atualizacao_tdt : Mon Jan 26 00:00:00 UTC 2015
numero_decisao_s : 3802-001.907
nome_arquivo_s : Decisao_10675900135201078.PDF
ano_publicacao_s : 2015
nome_relator_s : BRUNO MAURICIO MACEDO CURI
nome_arquivo_pdf_s : 10675900135201078_5420217.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Mércia Helena Trajano DAmorim Presidente em exercício. (assinado digitalmente) Bruno Maurício Macedo Curi - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Regis Xavier Holanda (Presidente), Francisco Jose Barroso Rios, Solon Sehn, Paulo Sergio Celani e Claudio Augusto Gonçalves Pereira.
dt_sessao_tdt : Tue Aug 20 00:00:00 UTC 2013
id : 5791644
ano_sessao_s : 2013
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:35:06 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713047475051298816
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 10; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1785; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3TE02 Fl. 111 1 110 S3TE02 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10675.900135/201078 Recurso nº 1 Voluntário Acórdão nº 3802001.907 – 2ª Turma Especial Sessão de 20 de agosto de 2013 Matéria CLASSIFICAÇÃO DE MERCADORIAS Recorrente PEIXOTO COMÉRCIO, INDÚSTRIA E SERVIÇOS DE TRANSPORTES S/A Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CLASSIFICAÇÃO DE MERCADORIAS Período de apuração: 01/10/2004 a 31/12/2004 CLASSIFICAÇÃO FISCAL DE MERCADORIAS. RAZÕES DE RECURSO VOLUNTÁRIO QUE NÃO ILIDEM O FUNDAMENTO DA AUTUAÇÃO. A arguição de que a seletividade, ou mesmo a finalidade do uso dos produtos, devem nortear a classificação fiscal de mercadorias, não pode se sobrepor, na esfera administrativa, à classificação fiscal que adota critérios objetivos para indicar o subgrupo da TIPI aplicável aos produtos em questão. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Mércia Helena Trajano D’Amorim – Presidente em exercício. (assinado digitalmente) Bruno Maurício Macedo Curi Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Regis Xavier Holanda (Presidente), Francisco Jose Barroso Rios, Solon Sehn, Paulo Sergio Celani e Claudio Augusto Gonçalves Pereira. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 67 5. 90 01 35 /2 01 0- 78 Fl. 333DF CARF MF Impresso em 26/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/01/2015 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 23/0 1/2015 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 25/01/2015 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM 2 Relatório PEIXOTO COMÉRCIO, INDÚSTRIA E SERVIÇOS DE TRANSPORTE S/A insurgese no presente Recurso Voluntário contra o Acórdão nº 0937.722, proferido pela 3ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Juiz de Fora – DRJ/JFA, que julgou improcedente a solicitação contida na manifestação de inconformidade, mantendo, contudo, o saldo credor de R$ 125.835,93, relativo ao 4º trimestre de 2004 e a homologação da integral compensação declarada pelo contribuinte. Por bem descrever os fatos e atos processuais ocorridos até o momento da apresentação da impugnação, reproduzse aqui o relato formulado pela autoridade julgadora de 1ª instância, in verbis: “Trata o presente processo de Declaração Eletrônica de Compensação, PER nº24504.80792.260407.1.1.010554, relativo ao saldo credor de IPI do 4º trimestre de 2004, no montante de R$ 125.835,93, calculado nos termos do art. 11 da Lei 9.779, de 19/01/1999. Ao ressarcimento vinculouse a Declaração Eletrônica de Compensação, DCOMP nº 17499.25805.260407.1.3.013828, para compensar débitos no montante de R$ 92.920,23, com vencimentos em 13/12/2002e 04/11/2005 (vide PER/DCOMP DESPACHO DECISÓRIO DETALHAMENTO DA COMPENSAÇÃO, à fl. 21). A análise da petição do interessado se deu por via eletrônica, com procedimento fiscal instaurado, de que resultou o Despacho Decisório de fl. 03, com o indeferimento do saldo credor requerido e, consequentemente, a não homologação da compensação declarada. Fundamentouse o ato decisório nos seguintes termos: Valor do crédito solicitado/utilizado: R$ 125.835,93 Valor do crédito reconhecido: R$ 0,00 O valor do crédito foi inferior ao solicitado/utilizado em razão do(s) seguinte(s) motivo(s): Constatação que o saldo credor passível de ressarcimento é inferior ao valor pleiteado. Constatação de utilização integral ou parcial, na escrita fiscal, do saldo credor passível de ressarcimento em períodos subsequentes ao trimestre em referência, até a data de apresentação do PER/DECOMP. Ocorrência de glosa de créditos considerados indevidos, em procedimento fiscal. Diante do exposto: NÃO HOMOLOGO compensação declarada no(s) seguinte(s) PER/DCOMP: 17499.25805.260407.1.3.013828. Fl. 334DF CARF MF Impresso em 26/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/01/2015 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 23/0 1/2015 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 25/01/2015 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 10675.900135/201078 Acórdão n.º 3802001.907 S3TE02 Fl. 112 3 INDEFIRO o pedido de restituição/ressarcimento apresentados no(s) PER/DCOMP: 24504.80792.260407.1.1.010554. [...] Para o procedimento fiscal instaurado de que dá conta o Despacho Decisório, relatou o auditor fiscal que das "verificações realizadas nas aquisições de insumos (Matéria Prima, Produto Intermediário e Material de Embalagem), com direito a crédito, não foram identificadas divergências dignas de glosa”. No entanto, também fez constar: 1) [...] que ao preencher a presente PER/DCOMP, a interessada lançou como Valor Passível de Ressarcimento o total de IPI destacado nas Notas Fiscais de aquisição de insumos e de devoluções de mercadorias tributadas na saída, em vez do saldo credor. Isto é, o valor correto que deveria ser lançado no campo Valor Passível de Ressarcimento seria de R$92.920,23 (devidamente escriturado no LRAIPI) e não R$136.559,46 (valor destacado na aquisição de insumos excluído o valor de R$ 10.120,28 referente a ajuste realizado em dezembro/04). Portanto, glosarseá o valor de R$43.639,23, referente às diferenças destes valores, assim distribuídas: Ao ser indagada do embasamento que deu suporte a tal classificação fiscal a empresa respondeu: Fl. 335DF CARF MF Impresso em 26/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/01/2015 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 23/0 1/2015 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 25/01/2015 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM 4 “A alteração da NCM 28.28.9011 é a classificação específica mais indicada considerando as características da composição química do produto, pois a Água Sanitária e o Alvejante é a diluição do Hipoclorito de Sódio em água, sendo este o ingrediente principal ativo.” [...] esta fiscalização entende que a melhor classificação para os produtos acima é a da posição 3402.20.00 da TIPI, com tributação de IPI à alíquota de 10%. Classificação que resultará na diferença de R$24.616,10 que se encontra discriminada analiticamente no ANEXOIV. Inconformado com o indeferimento de seu pleito, o contribuinte apresentou a manifestação de inconformidade de fls.23/29, para alegar que: Os produtos em questão, a água sanitária e o alvejante produzidos pela Requerente, apresentam a seguinte composição química: A Requerente tem comercializado tais produtos rotineiramente utilizandose da classificação fiscal 2828.90.11, indicada para produtos que apresentem em sua composição química predominância do Hipoclorito de Sódio, que resulta na tributação dos mesmos pelo IPI à alíquota de 0%. [...] Fl. 336DF CARF MF Impresso em 26/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/01/2015 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 23/0 1/2015 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 25/01/2015 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 10675.900135/201078 Acórdão n.º 3802001.907 S3TE02 Fl. 113 5 Em ambos os casos, da água sanitária e do alvejante, sem maior dificuldade se observa a diluição dos agentes químicos em água, com a formação de uma solução aquosa. Além disso, também em ambos os casos, o elemento químico francamente predominado é o Hipoclorito de Sódio. Nesse contexto, o item 28.28.90.1, da TIPI é dedicada ao enquadramento dos Hipocloritos, sendo o item 28.28.90.11, específico para o enquadramento do Hipoclorito de Sódio. Nas notas explicativas ao enquadramento dos elementos químicos no Capítulo 28, esclarece os seguintes termos para o enquadramento dos produtos nesse Capítulo: 1 – Ressalvadas as disposições em contrário, as posições do presente Capítulo compreendem apenas: a) os elementos químicos isolados ou compostos de constituição química definida apresentados isoladamente, mesmo contendo impurezas; b) as soluções aquosas dos produtos da alínea “a” acima; [...] Nas notas apresentadas como convencimento quanto ao enquadramento da água sanitária e do alvejante (dado pela Fiscalização) indicase, de forma enfática, com negritos e grifos, como característica básica dos produtos que os mesmos prestemse à limpeza de louça sanitária e contenham uma mistura de hipoclorito de sódio com ortofosfato trissódico. Em excerto seguinte, novamente apontase a condição do produto contendo hipoclorito de sódio combinado com diversos outros produtos e destinado à limpeza e desinfecção de pias e banheiros. Observase claramente das justificativas contidas nos trechos citados que a classificação conferida aos produtos em causa, água sanitária e alvejante, decorreu da finalidade conferida a tais produtos, todavia, a ela não se bastando, indicando também que os produtos deveriam resultar de uma combinação de diversos elementos químicos onde figure – e não predomine – o Hipoclorito de sódio. Nesses termos segundo o entendimento fixado pela fiscalização não obstante haja uma classificação específica para os produtos a base de hipoclorito de sódio, ou seja, nos produtos onde esse elemento químico apresente predominância, preferiuse uma classificação onde esse elemento químico integre uma composição química mais ampla, tornando irrelevante a predominância desse elemento químico. Importante sublinhar que caso houvesse dúvida entre as duas classificações, situação inadmitida pela Requerente diante da existência de uma classificação específica para os produtos à base de hipoclorito de sódio, o Fl. 337DF CARF MF Impresso em 26/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/01/2015 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 23/0 1/2015 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 25/01/2015 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM 6 próprio regulamento do IPI contém normas que solucionariam esse potencial conflito. De fato, no caso do potencial conflito entre duas classificações possíveis, o regulamento estabelece regra própria de harmonização do sistema: (citação das regras 1 e 3 do Sistema Harmonizado) [...] Nesses termos, entende a Requerente que a classificação por elemento químico predominante deve prevalecer sobre a classificação por finalidade do produto, tendo em conta o caráter notoriamente mais genérico da finalidade de cada produto, sendo um critério explícito da tabela que a classificação prefira o critério mais específico em detrimento do critério mais genérico. No caso da aplicação da tabela, o critério mais genérico somente deve ser utilizado caso ausente um critério específico para a classificação do produto em causa. [...] É o relatório”. Não acatando as razões aduzidas pela interessada na instância a quo, a 3ª Turma da DRJ/JFA resumiu na forma da ementa abaixo os motivos pelos quais julgou improcedente a solicitação contida na manifestação de inconformidade , contudo votou pelo recolhimento do saldo credor de 125.835,93, relativo ao 4º trimestre de 2004 e a homologação da integral da compensação declarada pelo contribuinte. Veja se: Assunto: Classificação de Mercadorias Período de apuração: 01/10/2004 a 31/12/2004 ALVEJANTE E ÁGUA SANITÁRIA VALOR As preparações produzidas pelo contribuinte, alvejante e água sanitária, ambas constituídas de hipoclorito de sódio em solução aquosa e outros componentes ( para o alvejante, hidróxido de sódio (soda cáustica), carbonato de sódio e perfume floral, e para a água sanitária, hidróxido de sódio), comercialmente denominados ÁGUA SANITÁRIA VALOR E ALVEJANTE VALOR FLORAL, apresentadas em garrafas plásticas de 1000ml e 2000ml, classificamse no código NCM 3402.20.00. Dispositivos Legais: RGI 1º (texto da posição 34.02) e 6ª (texto da subposição 3402.20) e RGC1 da Nomenclatura Comum do Mercosul (NCM), constante da Tabela de Incidência do Imposto sobre Produtos Industrializados (TIPI), aprovada pelo Decreto nº 4.545, de 26 de dezembro de 2002. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/10/2004 a 31/12/2004 Fl. 338DF CARF MF Impresso em 26/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/01/2015 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 23/0 1/2015 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 25/01/2015 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 10675.900135/201078 Acórdão n.º 3802001.907 S3TE02 Fl. 114 7 SALDO CREDOR DÉBITOS APURADOS PELA FISCALIZAÇÃO É de se manter os débitos apurados pela fiscalização para o confronto de débitos X créditos na escrituração fiscal, quando ficar demonstrado que, por erro de classificação fiscal, o contribuinte lançouos a menor na apuração. Por decorrência, o saldo credor do trimestre deve ser reduzido. ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Período de apuração: 01/10/2004 a 31/12/2004 SALDO CREDOR. HOMOLOGAÇÃO DE COMPENSAÇÃO DECLARADA. Quando o cortejo dos créditos e dos débitos, escriturados e apurados pela fiscalização, são suficientes para reconhecer parcela do saldo credor destinado pelo contribuinte para a efetivação das compensações por ele declaradas, é legítimo reconhecer a homologação da declaração de compensação, ainda que o saldo credor do trimestre tenha sido reduzido em razão de débitos apurados pela fiscalização. Manifestação de inconformidade improcedente. Direito creditório reconhecido. É o relatório. Voto Preenchidos os pressupostos de admissibilidade e tempestivamente interposto, nos termos do Decreto nº 70.235/72, conheço do Recurso, passando à análise das razões nele expostas. Tratase de recurso destinado unicamente a combater a classificação fiscal indicada pela autoridade administrativa com relação a dois tipos de produtos industrializados pelo Recorrente, de nomes comerciais “água sanitária valor” e “alvejante floral valor”. A composição química de ambos os produtos não é objeto de celeuma, sendo parte incontroversa da presente lide administrativa. Inclusive é de se ressaltar que a interação do hipoclorito de sódio com outros compostos químicos foi a origem de todo o imbróglio. Isso se verifica facilmente do Termo de Verificação Fiscal de fls. 111123, donde destaco o seguinte excerto constante de fl. 112: “A classificação adotada pela empresa a partir de 14/02/2004 é específica para o Hipoclorito de sódio (NaCIO.6H2O), o que não é o caso dos produtos acima, que resultam da diluição do referido produto, em forma aquosa, em água e adicionados outros produtos.” Fl. 339DF CARF MF Impresso em 26/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/01/2015 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 23/0 1/2015 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 25/01/2015 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM 8 A missão do Recorrente, desde então, tem sido a de defender seu ponto de vista, no sentido de que está correto em aplicar a classificação fiscal própria do hipoclorito de sódio. O Recorrente demonstra total domínio das normas sobre o caso, e discorre acerca do que entende como dois critérios possíveis de classificação fiscal, conforme o seguinte trecho de seu Recurso Voluntário: Em seguida, o Recorrente afirma que o enquadramento de certo produto “deve ser regido especialmente pela aplicação dos valores condicionais a que o mesmo está sujeito”, como intróito para uma defesa segundo a seletividade do IPI – o que acarretaria a escolha de uma classificação fiscal mais favorável. Ora, em que pesem as sensíveis alegações do Recorrente quanto ao princípio da seletividade, que possui raízes profundas na filosofia da tributação e se destina a atingir a capacidade contributiva de modo mais eficiente, combatendo o capital marginal de quem adquire produtos menos essenciais, seus argumentos não merecem acolhida em sede de Recurso Voluntário. Isso porque a classificação fiscal de mercadorias não é, em si, um princípio que permita escolhas conforme a finalidade do produto, ou mesmo a conveniência administrativa. É regra de direito, e, como tal, é de aplicação objetiva. Tanto assim que Ronald Dworkin, ao dispor sobre a diferença de consideração entre regras e princípios, foi extremamente feliz ao considerar: Denomino princípio um padrão que deve ser observado, não porque vá promover ou assegurar uma situação econômica, política ou social considerada desejável, mas porque é uma exigência de justiça ou eqüidade ou alguma outra dimensão da moralidade [...]. A diferença entre princípios jurídicos e regras jurídicas é de natureza lógica. Os dois conjuntos de padrões apontam para decisões particulares acerca da obrigação jurídica em circunstâncias específicas, mas distinguemse quanto à natureza da orientação que oferecem. As regras são aplicáveis à maneira do tudoounada. Dados os fatos que uma regra estipula, então ou a regra é válida, e neste caso a resposta que ela fornece deve ser aceita, ou não é válida, e neste caso Fl. 340DF CARF MF Impresso em 26/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/01/2015 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 23/0 1/2015 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 25/01/2015 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 10675.900135/201078 Acórdão n.º 3802001.907 S3TE02 Fl. 115 9 em nada contribui para a decisão. (Levando os direitos a sério. Tradução de Jefferson Luiz Camargo. São Paulo: Martins Fontes, 2007, pp. 3942) A seletividade, como princípio que é, ainda que tenha forte conotação normativa por ser obrigatória para o IPI nos termos do art. 153, § 3o, da CRFB, termina por ser orientadora das normas constantes da Tabela do IPI, a qual objetivamente impõe as alíquotas e critérios de classificação fiscal próprios. Desse modo, caso o contribuinte entenda que a Tabela do IPI contraria a seletividade ínsita ao imposto, deve se valer das vias próprias para tanto. Todavia, ao CARF não compete apreciar argüições de inconstitucionalidade das normas aplicáveis, conforme seu Regimento Interno e enunciado de Súmula n. 2. Logo, a escolha feita pelo Recorrente, espelhada no excerto abaixo, de classificar os produtos objeto do presente litígio quanto à finalidade, revelase em si equivocada, porquanto a classificação fiscal de mercadorias é feita com base nos critérios objetivamente dispostos na TIPI: Igualmente equivocada, a meu ver, a tentativa de enquadramento do caso ao precedente trazido em seu Recurso Voluntário no processo 10380.007467/9612, pois ali se discutia a classificação fiscal de sacos plásticos utilizados para acondicionar alimentos, diferentemente de outras finalidades. Sacos plásticos sempre serão sacos plásticos, enquanto a distinção traçada no caso em tela diferencia a natureza do produto em si. E ainda na seara da seletividade, a arguição de que os produtos se destinam a desinfecção termina não se mostrando de muito alento, dado que as soluções ora analisadas permanecem com a mesma destinação – desinfecção –, resultando prejudicada uma discussão sobre o critério de discrímen adotado na distribuição de cargas tributárias aos diferentes produtos. Indo mais além, a tarefa do Recorrente deveria ter se fiado em demonstrar, sim, que os compostos químicos indicados pela autoridade administrativa não desnaturam a característica dos produtos em serem um tipo – enquanto destinado para o mercado varejista – de “agentes orgânicos de superfície (exceto sabões); preparações tensoativas, preparações para lavagem (incluídas as preparações auxiliares) e preparações para limpeza, mesmo contendo sabão, exceto as da posição 34.01” (subgrupo 34.02 da TIPI, com denominação própria para venda a retalho no item 3402.20.00), para serem simples “hipocloritos de sódio” (item 2828.90.11 da TIPI). E nesse mister em especial, restou carente o Recurso Voluntário. Por essas razões, conheço do Recurso Voluntário, mas lhe nego provimento. Fl. 341DF CARF MF Impresso em 26/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/01/2015 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 23/0 1/2015 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 25/01/2015 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM 10 Conclusão Ante todo o exposto, conheço do Recurso Voluntário para negarlhe provimento, mantendo integralmente o crédito tributário formalizado contra o sujeito passivo. (assinado digitalmente) Bruno Maurício Macedo Curi Fl. 342DF CARF MF Impresso em 26/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/01/2015 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 23/0 1/2015 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 25/01/2015 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM
score : 1.0
Numero do processo: 11065.100730/2007-56
Turma: Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Fri Oct 07 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Thu Dec 04 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/01/2007 a 31/03/2007
RESSARCIMENTO DE CONTRIBUIÇÕES NÃO CUMULATIVAS. INCIDÊNCIA DA SELIC. IMPOSSIBILIDADE.
Disposição expressa de lei veda a atualização monetária ou incidência de juros, pela taxa Selic ou outro índice qualquer, sobre os valores objeto de ressarcimento do PIS e Cofins não cumulativos.
Negado Provimento ao Recurso Voluntário.
Numero da decisão: 3101-000.910
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso voluntário quanto à matéria discutida no Judiciário e, na parte remanescente, em negar provimento.
(assinado digitalmente)
HENRIQUE PINHEIRO TORRES - Presidente.
(assinado digitalmente)
MONICA MONTEIRO GARCIA DE LOS RIOS - Redatora designada.
EDITADO EM: 02/12/2014
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Henrique Pinheiro Torres (Presidente), Tarásio Campelo Borges, Leonardo Mussi da Silva (Suplente), Corintho Oliveira Machado, Vanessa Albuquerque Valente e Luiz Roberto Domingo.
Nome do relator: VANESSA ALBUQUERQUE VALENTE
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201110
camara_s : Primeira Câmara
ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Período de apuração: 01/01/2007 a 31/03/2007 RESSARCIMENTO DE CONTRIBUIÇÕES NÃO CUMULATIVAS. INCIDÊNCIA DA SELIC. IMPOSSIBILIDADE. Disposição expressa de lei veda a atualização monetária ou incidência de juros, pela taxa Selic ou outro índice qualquer, sobre os valores objeto de ressarcimento do PIS e Cofins não cumulativos. Negado Provimento ao Recurso Voluntário.
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Thu Dec 04 00:00:00 UTC 2014
numero_processo_s : 11065.100730/2007-56
anomes_publicacao_s : 201412
conteudo_id_s : 5403785
dt_registro_atualizacao_tdt : Thu Dec 04 00:00:00 UTC 2014
numero_decisao_s : 3101-000.910
nome_arquivo_s : Decisao_11065100730200756.PDF
ano_publicacao_s : 2014
nome_relator_s : VANESSA ALBUQUERQUE VALENTE
nome_arquivo_pdf_s : 11065100730200756_5403785.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso voluntário quanto à matéria discutida no Judiciário e, na parte remanescente, em negar provimento. (assinado digitalmente) HENRIQUE PINHEIRO TORRES - Presidente. (assinado digitalmente) MONICA MONTEIRO GARCIA DE LOS RIOS - Redatora designada. EDITADO EM: 02/12/2014 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Henrique Pinheiro Torres (Presidente), Tarásio Campelo Borges, Leonardo Mussi da Silva (Suplente), Corintho Oliveira Machado, Vanessa Albuquerque Valente e Luiz Roberto Domingo.
dt_sessao_tdt : Fri Oct 07 00:00:00 UTC 2011
id : 5746001
ano_sessao_s : 2011
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:33:12 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713047475057590272
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 4; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1972; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C1T1 Fl. 166 1 165 S3C1T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 11065.100730/200756 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3101000.910 – 1ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 07 de outubro de 2011 Matéria Cofins Cessão Onerosa de Créditos de ICMS Ação Judicial Recorrente INDÚSTRIA DE CALÇADOS WIRTH LTDA. Recorrida DRJ PORTO ALEGRE ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/01/2007 a 31/03/2007 AÇÃO JUDICIAL. CONCOMITÂNCIA. Nos termos da Súmula CARF nº 1, importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/01/2007 a 31/03/2007 RESSARCIMENTO DE CONTRIBUIÇÕES NÃO CUMULATIVAS. INCIDÊNCIA DA SELIC. IMPOSSIBILIDADE. Disposição expressa de lei veda a atualização monetária ou incidência de juros, pela taxa Selic ou outro índice qualquer, sobre os valores objeto de ressarcimento do PIS e Cofins não cumulativos. Negado Provimento ao Recurso Voluntário. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso voluntário quanto à matéria discutida no Judiciário e, na parte remanescente, em negar provimento. (assinado digitalmente) HENRIQUE PINHEIRO TORRES Presidente. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 06 5. 10 07 30 /2 00 7- 56 Fl. 166DF CARF MF Impresso em 04/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/12/2014 por MONICA MONTEIRO GARCIA DE LOS RIOS, Assinado digitalmente em 03/12/2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 02/12/2014 por MONICA MONTEIRO GARCIA DE LOS RIOS Processo nº 11065.100730/200756 Acórdão n.º 3101000.910 S3C1T1 Fl. 167 2 (assinado digitalmente) MONICA MONTEIRO GARCIA DE LOS RIOS Redatora designada. EDITADO EM: 02/12/2014 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Henrique Pinheiro Torres (Presidente), Tarásio Campelo Borges, Leonardo Mussi da Silva (Suplente), Corintho Oliveira Machado, Vanessa Albuquerque Valente e Luiz Roberto Domingo. Relatório Tratase de pedido de ressarcimento de créditos da Cofins não cumulativa. Em Despacho Decisório a Delegacia da Receita Federal competente deferiu parcialmente o pleito, em razão da contribuinte não ter incluído, na base de cálculo da contribuição, valores relativos a cessão onerosa de créditos do ICMS. Tempestivamente, o contribuinte apresentou manifestação de inconformidade alegando, em síntese, que a cessão de créditos de ICMS a terceiros não se conceitua como receita, não integrando, portanto, a base de cálculo das contribuições sociais. A DRJ de Porto Alegre indeferiu o pleito de ressarcimento, nos termos do Acórdão 1018.105 de 17 de dezembro de 2008, assim ementado: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/01/2007 a 31/03/2007 CESSÃO DE ICMS INCIDÊNCIA DE COFINS. A cessão de direitos de ICMS compõe a receita do contribuinte, sendo base de cálculo para a COFINS. TAXA SELIC FALTA DE PREVISÃO LEGAL. Não incidem correção monetária e juros sobre os créditos de PIS e de COFINS objetos de ressarcimento. Solicitação Indeferida Irresignada, a contribuinte apresentou recurso voluntário a este Conselho, alegando, em preliminar, que o entendimento da DRJ não pode prosperar, pois contraria decisão judicial proferida pelo TRF da 4ª Região no julgamento da apelação interposta em Mandado de Segurança ajuizado pela empresa. No mérito, defende a não incidência das contribuições sobre a cessão onerosa de créditos do ICMS, além de requer a incidência da Selic sobre os valores pleiteados em ressarcimento que foram indeferidos pela.autoridade administrativa. É o relatório. Fl. 167DF CARF MF Impresso em 04/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/12/2014 por MONICA MONTEIRO GARCIA DE LOS RIOS, Assinado digitalmente em 03/12/2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 02/12/2014 por MONICA MONTEIRO GARCIA DE LOS RIOS Processo nº 11065.100730/200756 Acórdão n.º 3101000.910 S3C1T1 Fl. 168 3 Voto Conselheira Mônica Monteiro Garcia de los Rios – redatora ad hoc Por intermédio do Despacho de efolha 165, nos termos da disposição do art. 17, III, do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – RICARF1, aprovado pela Portaria MF 256, de 22 de junho de 2009, incumbiume o Presidente da Turma a formalizar o Acórdão 3101000.910, não entregue pela relatora original, Conselheira Vanessa Albuquerque Valente, que não integra mais nenhum dos colegiados do CARF. Desta forma, a elaboração deste voto deve refletir a posição adotada pela relatora original, que foi acompanhada, por unanimidade, pelos demais integrantes do colegiado. O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos para sua admissibilidade. Dele se tomou conhecimento. A Recorrente insurgese, inicialmente, contra o fato de a DRJ recorrida não ter reconhecido o direito a excluir a cessão onerosa de créditos do ICMS da base de cálculo da contribuição, pois tal direito lhe foi garantido na esfera judicial. A empresa impetrou o Mandado de Segurança nº 2005.71.08.0105600, no qual foi proferido, pelo TRF da 4ª Região, o Acórdão de fls. 140 a 146, que possui a seguinte ementa: TRIBUTÁRIO. CONSTITUCIONAL. PIS E COFINS. CRÉDITOS DE ICMS TRANSFERIDOS A TERCEIROS. EXCLUSÃO DA BASE DE CÁLCULO. COMPENSAÇÃO. 1. A inclusão dos valores provenientes da transferência de saldo credor do ICMS, obtido em razão do beneficio fiscal concedido às empresas exportadoras, a fornecedores ou terceiros, na base de cálculo da contribuição ao PIS e da COFINS, consoante entendimento manifestado pelo Fisco, ofende a regra de imunidade prevista no art. 155, § 2°, inciso X, da Constituição Federal e regulamentada pelo art. 25, §§ 1° c 2°, da Lei Complementar n.° 87/96, o princípio federativo e o da proibição do bis in idem. Precedentes desta Corte. 2. Por operação de exportação devese entender não só o produto da venda realizada ao exterior, mas toda a receita ou resultado decorrente do complexo mecanismo de exportação, inclusive aquela decorrente da transferência dos eventuais créditos de ICMS incidentes nas operações anteriores. 3. Sentença reformada. 1 Art. 17. Aos presidentes de turmas julgadoras do CARF incumbe dirigir, supervisionar, coordenar e orientar as atividades do respectivo órgão e ainda: (...) III designar redator ad hoc para formalizar decisões já proferidas, nas hipóteses em que o relator original esteja impossibilitado de fazêlo ou não mais componha o colegiado; Fl. 168DF CARF MF Impresso em 04/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/12/2014 por MONICA MONTEIRO GARCIA DE LOS RIOS, Assinado digitalmente em 03/12/2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 02/12/2014 por MONICA MONTEIRO GARCIA DE LOS RIOS Processo nº 11065.100730/200756 Acórdão n.º 3101000.910 S3C1T1 Fl. 169 4 Constatase que o Mandado de Segurança 2005.71.08.0105600 foi impetrado em 2005 e os fatos geradores do presente processo ocorreram em 2007, estando, indubitavelmente, alcançados pelo MS. E o objeto da ação judicial, conforme atesta a transcrição da ementa do acórdão do TRF, é o mesmo da controvérsia deste pleito administrativo: incidência das contribuições sociais sobre a cessão onerosa de créditos do ICMS acumulados em razão de benefício fiscal concedido às empresas exportadoras. Aplicável, portanto, a súmula CARF nº 1, in verbis: Súmula CARF nº 1: Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. Desta forma, não se conhece do recurso voluntário na parte em que a contribuinte defende a nãoincidência das contribuições sobre a cessão onerosa de créditos do ICMS acumulados em decorrência de exportações efetuadas, discussão levada à esfera judicial. Resta apreciar a questão relativa à incidência da Selic sobre os créditos indeferidos pela unidade de origem, matéria não abordada no MS impetrado pela empresa. Os créditos glosados se referem à não inclusão da cessão onerosa de créditos do ICMS na base de cálculo das contribuições, questão a ser definida pelo Poder Judiciário. Todavia, caso a contribuinte venha a ter seu direito reconhecido na esfera judicial, não terá direito à incidência da Selic sobre os mencionados créditos, em razão da existência de proibição legal expressa à atualização monetária ou incidência de juros sobre o ressarcimento de créditos das contribuições não cumulativas (artigos 13 e 15, VI, da Lei 10.833, de 2003). Nestes termos, o colegiado não conheceu do recurso voluntário quanto à matéria discutida no Judiciário e, na parte remanescente, negou provimento. E são essas as considerações possíveis para suprir a inexistência do voto. Mônica Monteiro Garcia de los Rios – Redatora ad hoc Fl. 169DF CARF MF Impresso em 04/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/12/2014 por MONICA MONTEIRO GARCIA DE LOS RIOS, Assinado digitalmente em 03/12/2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 02/12/2014 por MONICA MONTEIRO GARCIA DE LOS RIOS
score : 1.0
Numero do processo: 13807.000098/99-10
Turma: Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Dec 11 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Fri Jan 30 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/06/1992 a 30/09/1992, 01/04/1993 a 31/08/1993, 01/10/1993 a 30/11/1993
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OMISSÃO. NECESSIDADE DE COMPLEMENTAR O ACÓRDÃO.
Constatada omissão no julgado, por não verificar a existência de pagamentos antecipados na análise da decadência, cabe acolher os embargos de declaração para complementá-lo, concedendo-se-lhes efeitos infringentes porque a eliminação da omissão implicou em alteração do resultado.
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. EFEITOS. REFORMATIO IN PEIUS. POSSIBILIDADE.
No julgamento dos embargos de declaração, deve-se sanar o equívoco cometido na decisão embargada, independentemente do resultado e/ou do benefício à parte que os tenha oposto, admitindo a possibilidade de reformatio in peius nas decisões em sede de embargos de declaração.
DECADÊNCIA. CINCO ANOS A CONTAR DO FATO GERADOR. SÚMULA VINCULANTE DO STF Nº 8/2008.
Editada a Súmula vinculante do Supremo Tribunal Federal nº 8/2008, declarando a inconstitucionalidade do art. 45 da Lei nº 8.212/91, o prazo para a Fazenda proceder ao lançamento do PIS e da Cofins é de cinco anos, nos termos do CTN.
DECADÊNCIA. CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS. TERMO INICIAL.
O prazo decadencial para a Fazenda Nacional constituir o crédito pertinente à Contribuição para o Programa de Integração Social PIS/Pasep é de 05 anos, contados do fato gerador na hipótese de existência de antecipação de pagamento do tributo devido ou do primeiro dia do exercício seguinte em que o lançamento já poderia ter sido efetuado, na ausência de antecipação de pagamento. O depósito do montante integral, convertido em renda, equivale a pagamento para efeito da contagem do prazo de decadência.
AÇÃO JUDICIAL. DEPÓSITO DO MONTANTE INTEGRAL. SUSPENSÃO DA EXIGIBILIDADE DO CRÉDITO. DISPENSA DE LANÇAMENTO. INOCORRÊNCIA. HIPÓTESES.
Mesmo havendo demanda judicial com depósito do montante integral que suspenda a exigibilidade do crédito tributário, a verificação de falta de escrituração de tributo apurado e respectiva declaração à Administração Pública, impõe que seja efetivado o lançamento tributário, que decorre de atividade vinculada e obrigatória da autoridade administrativa, sob pena de responsabilidade funcional (art. 142, do CTN).
Numero da decisão: 3101-001.790
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Por unanimidade de votos, deu-se provimento parcial aos embargos de declaração, com efeitos infringentes, para suprir a omissão e reconhecer a decadência dos fatos geradores de junho de 1992 a setembro de 1992, abril de 1993 a agosto de 1993, e outubro de 1993 a novembro de 1993. O Conselheiro José Maurício Carvalho Abreu fará declaração de voto.
Henrique Pinheiro Torres - Presidente.
Rodrigo Mineiro Fernandes - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rodrigo Mineiro Fernandes, Valdete Aparecida Marinheiro, José Henrique Mauri, Elias Fernandes Eufrasio, José Mauricio Carvalho Abreu e Henrique Pinheiro Torres.
Nome do relator: RODRIGO MINEIRO FERNANDES
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201412
camara_s : Primeira Câmara
ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/06/1992 a 30/09/1992, 01/04/1993 a 31/08/1993, 01/10/1993 a 30/11/1993 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OMISSÃO. NECESSIDADE DE COMPLEMENTAR O ACÓRDÃO. Constatada omissão no julgado, por não verificar a existência de pagamentos antecipados na análise da decadência, cabe acolher os embargos de declaração para complementá-lo, concedendo-se-lhes efeitos infringentes porque a eliminação da omissão implicou em alteração do resultado. EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. EFEITOS. REFORMATIO IN PEIUS. POSSIBILIDADE. No julgamento dos embargos de declaração, deve-se sanar o equívoco cometido na decisão embargada, independentemente do resultado e/ou do benefício à parte que os tenha oposto, admitindo a possibilidade de reformatio in peius nas decisões em sede de embargos de declaração. DECADÊNCIA. CINCO ANOS A CONTAR DO FATO GERADOR. SÚMULA VINCULANTE DO STF Nº 8/2008. Editada a Súmula vinculante do Supremo Tribunal Federal nº 8/2008, declarando a inconstitucionalidade do art. 45 da Lei nº 8.212/91, o prazo para a Fazenda proceder ao lançamento do PIS e da Cofins é de cinco anos, nos termos do CTN. DECADÊNCIA. CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS. TERMO INICIAL. O prazo decadencial para a Fazenda Nacional constituir o crédito pertinente à Contribuição para o Programa de Integração Social PIS/Pasep é de 05 anos, contados do fato gerador na hipótese de existência de antecipação de pagamento do tributo devido ou do primeiro dia do exercício seguinte em que o lançamento já poderia ter sido efetuado, na ausência de antecipação de pagamento. O depósito do montante integral, convertido em renda, equivale a pagamento para efeito da contagem do prazo de decadência. AÇÃO JUDICIAL. DEPÓSITO DO MONTANTE INTEGRAL. SUSPENSÃO DA EXIGIBILIDADE DO CRÉDITO. DISPENSA DE LANÇAMENTO. INOCORRÊNCIA. HIPÓTESES. Mesmo havendo demanda judicial com depósito do montante integral que suspenda a exigibilidade do crédito tributário, a verificação de falta de escrituração de tributo apurado e respectiva declaração à Administração Pública, impõe que seja efetivado o lançamento tributário, que decorre de atividade vinculada e obrigatória da autoridade administrativa, sob pena de responsabilidade funcional (art. 142, do CTN).
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Fri Jan 30 00:00:00 UTC 2015
numero_processo_s : 13807.000098/99-10
anomes_publicacao_s : 201501
conteudo_id_s : 5422616
dt_registro_atualizacao_tdt : Fri Jan 30 00:00:00 UTC 2015
numero_decisao_s : 3101-001.790
nome_arquivo_s : Decisao_138070000989910.PDF
ano_publicacao_s : 2015
nome_relator_s : RODRIGO MINEIRO FERNANDES
nome_arquivo_pdf_s : 138070000989910_5422616.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Por unanimidade de votos, deu-se provimento parcial aos embargos de declaração, com efeitos infringentes, para suprir a omissão e reconhecer a decadência dos fatos geradores de junho de 1992 a setembro de 1992, abril de 1993 a agosto de 1993, e outubro de 1993 a novembro de 1993. O Conselheiro José Maurício Carvalho Abreu fará declaração de voto. Henrique Pinheiro Torres - Presidente. Rodrigo Mineiro Fernandes - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rodrigo Mineiro Fernandes, Valdete Aparecida Marinheiro, José Henrique Mauri, Elias Fernandes Eufrasio, José Mauricio Carvalho Abreu e Henrique Pinheiro Torres.
dt_sessao_tdt : Thu Dec 11 00:00:00 UTC 2014
id : 5799171
ano_sessao_s : 2014
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:35:22 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713047475067027456
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 6; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2174; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C1T1 Fl. 3 1 2 S3C1T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 13807.000098/9910 Recurso nº Embargos Acórdão nº 3101001.790 – 1ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 11 de dezembro de 2014 Matéria Auto de Infração PIS Embargante FAZENDA NACIONAL Interessado MARBOR MAQUINAS LTDA ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/06/1992 a 30/09/1992, 01/04/1993 a 31/08/1993, 01/10/1993 a 30/11/1993 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OMISSÃO. NECESSIDADE DE COMPLEMENTAR O ACÓRDÃO. Constatada omissão no julgado, por não verificar a existência de pagamentos antecipados na análise da decadência, cabe acolher os embargos de declaração para complementálo, concedendoselhes efeitos infringentes porque a eliminação da omissão implicou em alteração do resultado. EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. EFEITOS. REFORMATIO IN PEIUS. POSSIBILIDADE. No julgamento dos embargos de declaração, devese sanar o equívoco cometido na decisão embargada, independentemente do resultado e/ou do benefício à parte que os tenha oposto, admitindo a possibilidade de reformatio in peius nas decisões em sede de embargos de declaração. DECADÊNCIA. CINCO ANOS A CONTAR DO FATO GERADOR. SÚMULA VINCULANTE DO STF Nº 8/2008. Editada a Súmula vinculante do Supremo Tribunal Federal nº 8/2008, declarando a inconstitucionalidade do art. 45 da Lei nº 8.212/91, o prazo para a Fazenda proceder ao lançamento do PIS e da Cofins é de cinco anos, nos termos do CTN. DECADÊNCIA. CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS. TERMO INICIAL. O prazo decadencial para a Fazenda Nacional constituir o crédito pertinente à Contribuição para o Programa de Integração Social PIS/Pasep é de 05 anos, contados do fato gerador na hipótese de AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 80 7. 00 00 98 /9 9- 10 Fl. 396DF CARF MF Impresso em 30/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/01/2015 por RODRIGO MINEIRO FERNANDES, Assinado digitalmente em 23/01 /2015 por RODRIGO MINEIRO FERNANDES, Assinado digitalmente em 29/01/2015 por HENRIQUE PINHEIRO TORRE S 2 existência de antecipação de pagamento do tributo devido ou do primeiro dia do exercício seguinte em que o lançamento já poderia ter sido efetuado, na ausência de antecipação de pagamento. O depósito do montante integral, convertido em renda, equivale a pagamento para efeito da contagem do prazo de decadência. AÇÃO JUDICIAL. DEPÓSITO DO MONTANTE INTEGRAL. SUSPENSÃO DA EXIGIBILIDADE DO CRÉDITO. DISPENSA DE LANÇAMENTO. INOCORRÊNCIA. HIPÓTESES. Mesmo havendo demanda judicial com depósito do montante integral que suspenda a exigibilidade do crédito tributário, a verificação de falta de escrituração de tributo apurado e respectiva declaração à Administração Pública, impõe que seja efetivado o lançamento tributário, que decorre de atividade vinculada e obrigatória da autoridade administrativa, sob pena de responsabilidade funcional (art. 142, do CTN). Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Por unanimidade de votos, deuse provimento parcial aos embargos de declaração, com efeitos infringentes, para suprir a omissão e reconhecer a decadência dos fatos geradores de junho de 1992 a setembro de 1992, abril de 1993 a agosto de 1993, e outubro de 1993 a novembro de 1993. O Conselheiro José Maurício Carvalho Abreu fará declaração de voto. Henrique Pinheiro Torres Presidente. Rodrigo Mineiro Fernandes Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rodrigo Mineiro Fernandes, Valdete Aparecida Marinheiro, José Henrique Mauri, Elias Fernandes Eufrasio, José Mauricio Carvalho Abreu e Henrique Pinheiro Torres. Relatório Versa o presente processo sobre embargos de declaração interpostos pela Fazenda Nacional, por alegada contradição e omissão do Acórdão nº 3101001.471, na forma dos art. 65 do RICARF. O Acórdão embargado recebeu a seguinte ementa: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/06/1992 a 30/09/1992 PIS. DECADÊNCIA. DÉBITOS NÃO DECLARADOS. Fl. 397DF CARF MF Impresso em 30/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/01/2015 por RODRIGO MINEIRO FERNANDES, Assinado digitalmente em 23/01 /2015 por RODRIGO MINEIRO FERNANDES, Assinado digitalmente em 29/01/2015 por HENRIQUE PINHEIRO TORRE S Processo nº 13807.000098/9910 Acórdão n.º 3101001.790 S3C1T1 Fl. 4 3 O prazo decadencial para o lançamento de ofício para débitos de PIS não declarados em DCTF contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, em consonância com o disposto no inciso I do art. 173 do CTN. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/04/1993 a 30/09/1995 LANÇAMENTO DE OFÍCIO. OBRIGATORIEDADE. A existência de processo judicial não transitado em julgado, com ou sem medida suspensiva da exigibilidade do crédito tributário, não impede o lançamento de oficio, cuja obrigatoriedade decorre do caráter vinculado do ato administrativo, consoante dispõe o art. 142 do CTN. CONCOMITÂNCIA ENTRE PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL E PROCESSO JUDICIAL COM A MESMA MATÉRIA. Conforme a Súmula CARF nº 1, importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. DEPÓSITO JUDICIAL. NÃO INCIDÊNCIA DE JUROS E MULTAS Não incide juros de mora sobre a parte do crédito tributário que foi objeto de depósito judicial tempestivo, por não se verificar a mora do sujeito passivo bem como os critérios de correção dos depósitos judiciais coincidirem com os do crédito tributário. Aplicação da Súmula CARF nº 5. A embargante alega a contradição e a omissão no referido acórdão, que declarou a “decadência referente a fatos geradores ocorridos no período de junho/1992 a setembro/1992”, por entender que o crédito tributário já estaria constituído por meio de autolançamento, no caso constituído por depósito judicial. Entende a embargante ser aplicável a reiterada jurisprudência do STJ, a qual considera desnecessária a constituição de ofício do crédito tributário, pela existência de depósito ou a fiança bancária garantindo a ação judicial, que implica em autolançamento do tributo. Requer o conhecimento e o provimento dos embargos, para saneamento da contradição e omissão, com efeitos infringentes. É o relatório. Voto Conselheiro Rodrigo Mineiro Fernandes. Fl. 398DF CARF MF Impresso em 30/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/01/2015 por RODRIGO MINEIRO FERNANDES, Assinado digitalmente em 23/01 /2015 por RODRIGO MINEIRO FERNANDES, Assinado digitalmente em 29/01/2015 por HENRIQUE PINHEIRO TORRE S 4 Os embargos são tempestivos e deles tomo conhecimento. A embargante alega não ter ocorrido a decadência apontada no acórdão embargado, pela existência de depósitos judiciais que constituíram o crédito tributário (autolançamento). O auto de infração em análise referese a débitos de PIS do período de 06/1992 a 09/1992, não declarados em DCTF, e às diferenças não declaradas em DCTF, no período de 04/1993 a 09/1995. Inicialmente importanos afirmar que, mesmo havendo demanda judicial com depósito do montante integral que suspenda a exigibilidade do crédito tributário, a verificação de falta de escrituração de tributo apurado e respectiva declaração à Administração Pública, impõe seja efetivado o lançamento tributário, que decorre de atividade vinculada e obrigatória da autoridade administrativa, sob pena de responsabilidade funcional (art. 142, do CTN). Caso não se faça o lançamento, ultrapassado o prazo de decadência previsto no Código Tributário Nacional, a Administração Tributária perderá o direito de formalizar o crédito tributário e não poderá alegar que não o fez em virtude da suspensão de sua exigibilidade ou devido ao fato de a matéria estar sub judice, pois o prazo de decadência não se suspende nem interrompe. Esta turma de julgamento decidiu que os valores lançados relativos a fatos geradores ocorridos até dezembro de 1992 teriam sido alcançados pela decadência, tendo em vista a data da ciência do auto de infração em 16/12/1998. No cálculo, foi considerado o disposto no inciso I do art. 173 do CTN: o prazo decadencial teve início em 01/01/1993 e término em 31/12/1997. Entretanto, conforme apontado pela embargante, tal entendimento não considerou a existência de depósito judicial que, conforme jurisprudência do STJ, equiparase ao pagamento antecipado previsto no art. 150 do CTN, para fins da contagem da decadência. Portanto, existindo o depósito judicial conforme atesta a autoridade fiscal, a decadência é contada da ocorrência do fato gerador, como previsto no § 4º do art. 150 do CTN. Como a ciência do auto de infração deuse em 16/12/1998, encontravase alcançado pela decadência o crédito tributário pertinente a fatos geradores ocorridos até novembro de 1993, no caso de existência de depósitos judiciais. Os depósitos judiciais foram confirmados pela autoridade fiscal, conforme Relatório Fiscal (fls. 148), exceto para o mês de setembro/1993. Pelo exposto, voto por dar provimento parcial aos embargos para sanar a omissão, e reconhecer a decadência para os fatos geradores de junho de 1992 a setembro de 1992, abril de 1993 a agosto de 1993, e outubro de 1993 a novembro de 1993, com efeitos infringentes. Sala de sessões, 11 de dezembro de 2014. Rodrigo Mineiro Fernandes – Relator [assinatura digital] Fl. 399DF CARF MF Impresso em 30/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/01/2015 por RODRIGO MINEIRO FERNANDES, Assinado digitalmente em 23/01 /2015 por RODRIGO MINEIRO FERNANDES, Assinado digitalmente em 29/01/2015 por HENRIQUE PINHEIRO TORRE S Processo nº 13807.000098/9910 Acórdão n.º 3101001.790 S3C1T1 Fl. 5 5 Declaração de Voto Conselheiro José Mauricio Carvalho Abreu A decisão proferida por este colegiado enseja a análise da inaplicabilidade do princípio do não reformatio in peius aos embargos de declaração. O provimento parcial aos presentes embargos declaratórios opostos pela Fazenda Nacional – implica a supressão da omissão e, como consequência, requer a contagem do prazo decadencial nos termos do art. 150 do CTN, ainda que desfavoravelmente à Embargante. Conforme bem apontado em Voto do Eminente Conselheiro Relator Rodrigo Mineiro Fernandes, a decisão embargada considerou equivocadamente o prazo decadencial do inciso I, do art. 173, do CTN. Contudo, foi omissa a decisão embargada, ao deixar de considerar a existência de depósito judicial que, ora observado, exige a contagem do prazo decadencial nos termos do § 4º, do art. 150, do CTN, provocando, na substância, decisão mais desfavorável à Embargante. Com efeito, e sem prejuízo das posições em contrário, acatase a aplicabilidade do princípio do não reformatio in peius na esfera administrativa, bem assim o reconhecimento da natureza recursal dos embargos declaratórios, este último por expressa determinação do legislador, o qual cuidou dos embargos declaratórios no Título dos Recursos do Código de Processo Civil. Contudo, as premissas supra mencionadas não nos levam necessariamente à conclusão pela aplicabilidade do não reformatio in peius aos embargos de declaração. Fazse necessário analisar a possibilidade do provimento parcial aos embargos, mesmo que desfavoravelmente à ora Embargante, à luz da função dos embargos de declaração. Ora, a função precípua dos embargos de declaração é sanar a obscuridade, omissão ou contradição na decisão embargada. O objetivo é simplesmente obter decisão mais transparente e completa, razão pela qual, mesmo a parte vencedora, pode ter interesse processual para opor embargos declaratórios. O julgador, por sua vez, ao tomar conhecimento da omissão, obscuridade ou contradição, tem o dever de sanar o equívoco cometido na decisão embargada, independentemente do resultado e/ou do benefício à parte que os tenha oposto. Portanto, entendese pela possibilidade de reformatio in peius nas decisões em sede de embargos de declaração. É dizer que, no caso dos embargos de declaração, a função não é necessariamente trazer uma situação mais favorável ao embargante, mas apenas aclarar a decisão originalmente proferida, seja em favor ou desfavor de qualquer das partes. Nesse sentido, Luis Guilherme Aidar Bondioli, em obra específica sobre o tema dos embargos de declaração, leciona pela inaplicabilidade do princípio do reformatio in peius em tais recursos, conforme segue: “Nos embargos declaratórios, o requisito do interesse recursal prescinde da sucumbência, peculiaridade inerente ao instituto, que contribui para sua condição sui generis (supra, n.11 e 28). Além disso, para a extirpação da Fl. 400DF CARF MF Impresso em 30/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/01/2015 por RODRIGO MINEIRO FERNANDES, Assinado digitalmente em 23/01 /2015 por RODRIGO MINEIRO FERNANDES, Assinado digitalmente em 29/01/2015 por HENRIQUE PINHEIRO TORRE S 6 imperfeição apontada pelo embargante, é facultado ao juiz praticar todos os atos necessários para tanto, sendolhe autorizado, ainda, sanar o vício de forma como entender mais adequado. Essa, aliás, é uma condição para a própria sanação da obscuridade, da contradição, da omissão ou do erro apontado (supra, n.43). Em razão desse estado de coisas, o julgamento dos embargos declaratórios pode trazer como resultado final situação substancialmente mais desfavorável a quem os apresentou.” (Bondioli, Luis Guilherme Aidar. Embargos de Declaração. 1ed. São Paulo: Saraiva, 2005, p. 233). Assim, dou provimento parcial aos embargos, independentemente de ser em substância mais desfavorável à ora Embargante, de forma a reconhecer e suprimir a omissão incorrida, aplicandose para contagem do prazo decadencial o § 4º do art. 150 do CTN, alcançando a decadência os fatos geradores de junho de 1992 a setembro de 1992, abril de 1993 a agosto de 1993, e outubro de 1993 a novembro de 1993, nos termos do voto do Relator. Sala de sessões, 11 de dezembro de 2014. Conselheiro José Mauricio Carvalho Abreu Fl. 401DF CARF MF Impresso em 30/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/01/2015 por RODRIGO MINEIRO FERNANDES, Assinado digitalmente em 23/01 /2015 por RODRIGO MINEIRO FERNANDES, Assinado digitalmente em 29/01/2015 por HENRIQUE PINHEIRO TORRE S
score : 1.0
Numero do processo: 15563.000383/2010-06
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Dec 04 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Fri Jan 09 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/11/2005 a 31/12/2007
PREVIDENCIÁRIO - CUSTEIO - COOPERATIVAS DE TRABALHO - RETENÇÃO - DECLARAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE PELO SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL RE 595.838/SP - RICARF.
O Supremo Tribunal Federal julgou pela inconstitucionalidade da contribuição instituída no art. 22, IV da Lei 8.212/91, sobre serviços prestados por cooperativas de trabalho nos autos do RE 595.828/SP, em decisão plenária, na sistemática da Repercussão Geral.
Diante da vinculação deste conselho à decisão veiculada por decisão plenária do STF no RE no. 595.838/SP, conforme arts. 62, I e 62-A do RICARF, devem ser afastados os valores relativos à autuação referente às contribuições das cooperativas de trabalho.
PREVIDENCIÁRIO - CUSTEIO - MULTA DE OFÍCIO - EXCLUSÃO
O lançamento reporta-se à data da ocorrência do fato gerador da obrigação e rege-se pela lei então vigente, ainda que posteriormente modificada ou revogada.
Se à época dos fatos geradores a multa de ofício não existia para o tributo em questão, ela deve ser excluída do lançamento.
Recurso Voluntário Provido em parte
Crédito Tributário Mantido em Parte
Numero da decisão: 2403-002.868
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do Colegiado, por maioria de votos em dar provimento parcial ao recurso, para determinar a exclusão do crédito referente à cooperativa de trabalho e a exclusão da multa de ofício. Mantidas as demais frações do crédito tributário. Vencido Paulo Maurício Pinheiro Monteiro na questão da multa.
Carlos Alberto Mees Stringari
Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Digite em caixa baixa o nome dos conselheiros presentes à sessão.
Nome do relator: CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201412
camara_s : Quarta Câmara
ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/11/2005 a 31/12/2007 PREVIDENCIÁRIO - CUSTEIO - COOPERATIVAS DE TRABALHO - RETENÇÃO - DECLARAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE PELO SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL RE 595.838/SP - RICARF. O Supremo Tribunal Federal julgou pela inconstitucionalidade da contribuição instituída no art. 22, IV da Lei 8.212/91, sobre serviços prestados por cooperativas de trabalho nos autos do RE 595.828/SP, em decisão plenária, na sistemática da Repercussão Geral. Diante da vinculação deste conselho à decisão veiculada por decisão plenária do STF no RE no. 595.838/SP, conforme arts. 62, I e 62-A do RICARF, devem ser afastados os valores relativos à autuação referente às contribuições das cooperativas de trabalho. PREVIDENCIÁRIO - CUSTEIO - MULTA DE OFÍCIO - EXCLUSÃO O lançamento reporta-se à data da ocorrência do fato gerador da obrigação e rege-se pela lei então vigente, ainda que posteriormente modificada ou revogada. Se à época dos fatos geradores a multa de ofício não existia para o tributo em questão, ela deve ser excluída do lançamento. Recurso Voluntário Provido em parte Crédito Tributário Mantido em Parte
turma_s : Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
dt_publicacao_tdt : Fri Jan 09 00:00:00 UTC 2015
numero_processo_s : 15563.000383/2010-06
anomes_publicacao_s : 201501
conteudo_id_s : 5415031
dt_registro_atualizacao_tdt : Tue Jan 13 00:00:00 UTC 2015
numero_decisao_s : 2403-002.868
nome_arquivo_s : Decisao_15563000383201006.PDF
ano_publicacao_s : 2015
nome_relator_s : CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI
nome_arquivo_pdf_s : 15563000383201006_5415031.pdf
secao_s : Segunda Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por maioria de votos em dar provimento parcial ao recurso, para determinar a exclusão do crédito referente à cooperativa de trabalho e a exclusão da multa de ofício. Mantidas as demais frações do crédito tributário. Vencido Paulo Maurício Pinheiro Monteiro na questão da multa. Carlos Alberto Mees Stringari Presidente e Relator Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Digite em caixa baixa o nome dos conselheiros presentes à sessão.
dt_sessao_tdt : Thu Dec 04 00:00:00 UTC 2014
id : 5779344
ano_sessao_s : 2014
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:34:42 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713047475077513216
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 8; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1990; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C4T3 Fl. 2 1 1 S2C4T3 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 15563.000383/201006 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2403002.868 – 4ª Câmara / 3ª Turma Ordinária Sessão de 4 de dezembro de 2014 Matéria CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS Recorrente INQUISA INDÚSTRIA QUÍMICA SANTO ANTÔNIO S. A E OUTRO Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/11/2005 a 31/12/2007 PREVIDENCIÁRIO CUSTEIO COOPERATIVAS DE TRABALHO RETENÇÃO DECLARAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE PELO SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL RE 595.838/SP RICARF. O Supremo Tribunal Federal julgou pela inconstitucionalidade da contribuição instituída no art. 22, IV da Lei 8.212/91, sobre serviços prestados por cooperativas de trabalho nos autos do RE 595.828/SP, em decisão plenária, na sistemática da Repercussão Geral. Diante da vinculação deste conselho à decisão veiculada por decisão plenária do STF no RE no. 595.838/SP, conforme arts. 62, I e 62A do RICARF, devem ser afastados os valores relativos à autuação referente às contribuições das cooperativas de trabalho. PREVIDENCIÁRIO CUSTEIO MULTA DE OFÍCIO EXCLUSÃO O lançamento reportase à data da ocorrência do fato gerador da obrigação e regese pela lei então vigente, ainda que posteriormente modificada ou revogada. Se à época dos fatos geradores a multa de ofício não existia para o tributo em questão, ela deve ser excluída do lançamento. Recurso Voluntário Provido em parte Crédito Tributário Mantido em Parte Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 56 3. 00 03 83 /2 01 0- 06 Fl. 612DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 1 7/12/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 2 ACORDAM os membros do Colegiado, por maioria de votos em dar provimento parcial ao recurso, para determinar a exclusão do crédito referente à cooperativa de trabalho e a exclusão da multa de ofício. Mantidas as demais frações do crédito tributário. Vencido Paulo Maurício Pinheiro Monteiro na questão da multa. Carlos Alberto Mees Stringari Presidente e Relator Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Digite em caixa baixa o nome dos conselheiros presentes à sessão. Fl. 613DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 1 7/12/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 15563.000383/201006 Acórdão n.º 2403002.868 S2C4T3 Fl. 3 3 Relatório Tratase de recurso voluntário apresentado contra Decisão da Delegacia da Secretaria da Receita Federal do Brasil de Julgamento no Rio de Janeiro, Acórdão 1236.263 da 12ª Turma, que julgou a impugnação improcedente. O lançamento e a impugnação foram assim relatadas no julgamento de primeira instância: Tratase de crédito lançado pela fiscalização (DEBCAD n° 37.265.0694) relativo às contribuições devidas à Seguridade Social, correspondente à parte da empresa, inclusive àquela destinada ao financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrentes dos riscos ambientais do trabalho e à incidente sobre os valores brutos das notas fiscais ou faturas de serviços prestados por cooperados por intermédio das cooperativas de trabalho, relativas ao período de 11/2005 a 12/2007. 2.Nos termos do "Relatório Fiscal do Auto de Infração", de fls. 105/113,os seguintes fatos relevantes podem ser destacados: A empresa Suissa Industrial e Comercial Ltda é detentora de 82% do capital social da ora notificada, motivo pelo qual, nos termos do art. 30, IX, da Lei 8.212/91, e art. 152,1, da IN 971/09, a mesma foi arrolada como responsável solidária do presente débito. Os fatos geradores apurados foram: 1) os pagamentos efetuados a autônomos, apurados na contabilidade, conforme planilha de fls. 114 (levantamento "AU1"); 2) os pagamentos efetuados aos segurados empregados constantes das folhas de pagamentos, não informados em GFIP (levantamento "FP1"); 3) os pagamentos efetuados aos segurados empregados a título de participação nos lucros, em desconformidade com a Lei 10.101/00, porquanto não houve vinculação dos pagamentos a quaisquer resultados estabelecidos através de regras claras e objetivas acerca das metas a serem alcançadas, conforme planilha de fls. 115/118 (levantamento "PL1"; 4) e os pagamentos efetuados a UNIMED NOVA IGUAÇU COOP. DE TRABALHO MÉDICO LTDA, apurados na contabilidade e não declarados em GFIP, consoante planilha de fls. 119/129 (levantamento "UNI" e "U21"). Levouse a efeito o cotejo da penalidade aplicável pela legislação vigente à época dos fatos geradores e aquela instituída pela Lei 11.941/09, que incluiu o art. 35A à Lei 8.212/91, para fins de cumprimento do estabelecido no art. 106, II, "c", do CTN, verificandose que a multa de ofício de 75%, Fl. 614DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 1 7/12/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 4 instituída na nova legislação, é mais benéfica para o sujeito passivo em todas as competências objeto deste lançamento, consoante demonstrado na planilha de fls. 130/133. 3.Em 10/12/2010, o contribuinte impugnou a exigência (fls. 520/527),alegando, em síntese, o seguinte: Inicialmente, reconhece a procedência da cobrança, no que tange aos pagamentos efetuados aos segurados empregados e contribuintes individuais, requerendo a emissão da respectiva guia para recolhimento desta parte do débito; No que concerne, em específico, à contribuição de que trata o art. 22, IV, da Lei 8.212/91, ao revés, suscita a sua inconstitucionalidade, por violação do art. 195, I, "a", da Constituição Federal de 1988, e art. 110 do CTN, porquanto, embora seja possível equipararse a sociedade cooperativa à empresa, a aludida norma constitucional não permite que o legislador ordinário a equipare à pessoa física; A lei não pode, assim, equiparar a cooperativa ora à pessoa jurídica, quando ela forma tomadora de serviço, ora à pessoa física, quando ela for prestadora de serviço através dos seus cooperados, conferindo naturezas jurídicas distintas a uma mesma pessoa; Se a presente exigência não se enquadra em quaisquer das hipóteses dos incisos I, II, III e IV do art. 195 da CF, se trata, na verdade, de uma nova fonte de custeio, a qual, de Ú rd com o § 4o do preceito em voga, deveria atender a certos requisitos, sobretudo, ser v ^ aoc através de lei complementar, o que não ocorreu no caso. Inconformada com a decisão, a recorrente apresentou recurso voluntário onde alega/questiona, em síntese: · Conforme exposto em sua Impugnação, reconhece a procedência da cobrança no que tange às contribuições devidas em razão dos pagamentos efetuados a segurados empregados e contribuintes individuais, não sendo estas objeto do presente Recurso. · Questiona a tributação incidente sobre os serviços prestados por cooperativa de trabalho. · Juros sobre multa de ofício. É o relatório. Fl. 615DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 1 7/12/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 15563.000383/201006 Acórdão n.º 2403002.868 S2C4T3 Fl. 4 5 Voto Conselheiro Carlos Alberto Mees Stringari, Relator O recurso é tempestivo e por não haver óbice ao seu conhecimento, passo à análise das questões pertinentes. TRIBUTAÇÃO INCIDENTE SOBRE SERVIÇOS PRESTADOS POR INTERMÉDIO DE COOPERATIVAS DE TRABALHO A recorrente questiona a tributação incidente sobre os serviços prestados por cooperativa de trabalho. Para as cooperativas de trabalho, as contribuições devidas a cargo da empresa, tem sua disposição no art. 22, IV, Lei nº 8.212/1991: Art. 22. A contribuição a cargo da empresa, destinada à Seguridade Social, além do disposto no art. 23, é de: (...) IV quinze por cento sobre o valor bruto da nota fiscal ou fatura de prestação de serviços, relativamente a serviços que lhe são prestados por cooperados por intermédio de cooperativas de trabalho.(Incluído pela Lei nº 9.876, de 1999). Ocorre que o Plenário do Supremo Tribunal Federal (STF), por unanimidade, deu provimento a recurso e declarou a inconstitucionalidade do dispositivo da Lei 8.212/1991 (artigo 22, inciso IV) que prevê contribuição previdenciária de 15% incidente sobre o valor de serviços prestados por meio de cooperativas de trabalho. A decisão foi tomada no julgamento do Recurso Extraordinário (RE) 595838, com repercussão geral reconhecida, no qual uma empresa de consultoria questiona a tributação. A Lei 9.876/1999, que inseriu a cobrança na Lei 8.212/1991, revogou a Lei Complementar 84/1996, na qual se previa a contribuição de 15% sobre os valores distribuídos pelas cooperativas aos seus cooperados. No entendimento do Tribunal, ao transferir o recolhimento da cooperativa para o prestador de serviço, a União extrapolou as regras constitucionais referentes ao financiamento da seguridade social. Fl. 616DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 1 7/12/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 6 Decisão: O Tribunal, por unanimidade e nos termos do voto do Relator, deu provimento ao recurso extraordinário e declarou a inconstitucionalidade do inciso IV do art. 22 da Lei 8.212/1991, com a redação dada pela Lei nº 9.876/1999. Votou o Presidente, Ministro Joaquim Barbosa. Ausente, justificadamente, o Ministro Gilmar Mendes. Falaram, pelo amicus curiae, o Dr. Roberto Quiroga Mosquera, e, pela recorrida, a Dra. Cláudia Aparecida de Souza Trindade, Procuradora da Fazenda Nacional. Plenário, 23.04.2014. Cumpre ressaltar que o art. 62, caput do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF do Ministério da Fazenda, Portaria MF nº 256 de 22.06.2009, veda o afastamento de aplicação ou inobservância de legislação sob fundamento de inconstitucionalidade. Porém, o art. 62, parágrafo único, inciso I, do Regimento Interno do CARF, ressalva que o disposto no caput não se aplica a dispositivo que tenha sido declarado inconstitucional por decisão plenária definitiva do Supremo Tribunal Federal: “Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. Parágrafo único. O disposto no caput não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: I que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão plenária definitiva do Supremo Tribunal Federal; Enquanto que o art. 62A, do Regimento Interno do CARF, dispõe que as decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal na sistemática prevista pelos artigos 543B, CPC, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF: Art. 62A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. (Incluído pela Portaria MF nº 586, de 21 de dezembro de 2010) Fl. 617DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 1 7/12/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 15563.000383/201006 Acórdão n.º 2403002.868 S2C4T3 Fl. 5 7 Portanto, diante da vinculação deste conselho à decisão supra, RE no. 595.838/SP, conforme arts. 62, I e 62A do RICARF, devem ser afastados os valores relativos à autuação referente às contribuições das cooperativas de trabalho. MULTA DE OFÍCIO Estabelece o CTN que o lançamento reportase à data da ocorrência do fato gerador da obrigação e regese pela lei então vigente, ainda que posteriormente modificada ou revogada. Art. 144. O lançamento reportase à data da ocorrência do fato gerador da obrigação e regese pela lei então vigente, ainda que posteriormente modificada ou revogada. § 1º Aplicase ao lançamento a legislação que, posteriormente à ocorrência do fato gerador da obrigação, tenha instituído novos critérios de apuração ou processos de fiscalização, ampliado os poderes de investigação das autoridades administrativas, ou outorgado ao crédito maiores garantias ou privilégios, exceto, neste último caso, para o efeito de atribuir responsabilidade tributária a terceiros. § 2º O disposto neste artigo não se aplica aos impostos lançados por períodos certos de tempo, desde que a respectiva lei fixe expressamente a data em que o fato gerador se considera ocorrido. Constatase que à época dos fatos geradores (2005 a 2007), não existia multa de ofício para as contribuições previdenciárias. Entendo que a Lei 11.941/2009 inovou. Trouxe para o ordenamento legal das contribuições previdenciárias, quando criou o artigo 35 – A na Lei 8.212/91, a multa de ofício. Art. 35A. Nos casos de lançamento de ofício relativos às contribuições referidas no art. 35 desta Lei, aplicase o disposto no art. 44 da Lei no9.430, de 27 de dezembro de 1996.(Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). Por essa inexistência à época dos fatos geradores, entendo que a multa de ofício não poderia ser aplicada Fl. 618DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 1 7/12/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 8 Entendo ser esse motivo suficiente para determinar sua exclusão do lançamento. CONCLUSÃO Voto pelo provimento parcial do recurso, determinando a exclusão do crédito referente à cooperativa de trabalho e a exclusão da multa de ofício. Mantidas as demais frações do crédito tributário. Carlos Alberto Mees Stringari Fl. 619DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 1 7/12/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI
score : 1.0
Numero do processo: 10283.004492/2002-15
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Sep 17 00:00:00 UTC 2009
Ementa: ILEGITIMIDADE PASSIVA. AGENTE MARÍTIMO. NÃO CONFIGURAÇÃO DA RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA.
O agente marítimo não é considerado responsável tributário, nem se equipara ao transportador.
NULIDADE DO AUTO DE INFRAÇÃO EM RELAÇÃO AO AGENTE MARÍTIMO.
Recurso provido em relação ao agente marítimo AMSAL.
MERCADORIAS CONTENDO INFORMAÇÕES IRREGULARES VEDAÇÃO DE IMPORTAR MERCADORIA CUJOS RÓTULOS INDIQUEM COMO NACIONAL A MERCADORIA DE PROCEDÊNCIA ESTRANGEIRA.
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 3102-00.487
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, para excluir a pessoa jurídica AMSAL do pólo passivo. O Conselheiro Luis Marcelo Guerra de Castro votou pela conclusão.
Nome do relator: Nilton Luiz Bartoli
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 200909
camara_s : 3ª SEÇÃO
ementa_s : ILEGITIMIDADE PASSIVA. AGENTE MARÍTIMO. NÃO CONFIGURAÇÃO DA RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA. O agente marítimo não é considerado responsável tributário, nem se equipara ao transportador. NULIDADE DO AUTO DE INFRAÇÃO EM RELAÇÃO AO AGENTE MARÍTIMO. Recurso provido em relação ao agente marítimo AMSAL. MERCADORIAS CONTENDO INFORMAÇÕES IRREGULARES VEDAÇÃO DE IMPORTAR MERCADORIA CUJOS RÓTULOS INDIQUEM COMO NACIONAL A MERCADORIA DE PROCEDÊNCIA ESTRANGEIRA. Recurso Voluntário Provido em Parte.
turma_s : 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
numero_processo_s : 10283.004492/2002-15
conteudo_id_s : 5427936
dt_registro_atualizacao_tdt : Tue Aug 11 00:00:00 UTC 2015
numero_decisao_s : 3102-00.487
nome_arquivo_s : Decisao_10283004492200215.pdf
nome_relator_s : Nilton Luiz Bartoli
nome_arquivo_pdf_s : 10283004492200215_5427936.pdf
secao_s : Câmara Superior de Recursos Fiscais
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, para excluir a pessoa jurídica AMSAL do pólo passivo. O Conselheiro Luis Marcelo Guerra de Castro votou pela conclusão.
dt_sessao_tdt : Thu Sep 17 00:00:00 UTC 2009
id : 5820965
ano_sessao_s : 2009
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:36:10 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713047475085901824
conteudo_txt : Metadados => date: 2010-05-03T12:38:34Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.6; pdf:docinfo:title: ; xmp:CreatorTool: CNC PRODUÇÃO; Keywords: ; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; subject: ; dc:creator: CNC Solutions; dcterms:created: 2010-05-03T12:38:32Z; Last-Modified: 2010-05-03T12:38:34Z; dcterms:modified: 2010-05-03T12:38:34Z; dc:format: application/pdf; version=1.6; Last-Save-Date: 2010-05-03T12:38:34Z; pdf:docinfo:creator_tool: CNC PRODUÇÃO; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:keywords: ; pdf:docinfo:modified: 2010-05-03T12:38:34Z; meta:save-date: 2010-05-03T12:38:34Z; pdf:encrypted: false; modified: 2010-05-03T12:38:34Z; cp:subject: ; pdf:docinfo:subject: ; Content-Type: application/pdf; pdf:docinfo:creator: CNC Solutions; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; creator: CNC Solutions; meta:author: CNC Solutions; dc:subject: ; meta:creation-date: 2010-05-03T12:38:32Z; created: 2010-05-03T12:38:32Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 21; Creation-Date: 2010-05-03T12:38:32Z; pdf:charsPerPage: 1197; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; meta:keyword: ; Author: CNC Solutions; producer: CNC Solutions; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: CNC Solutions; pdf:docinfo:created: 2010-05-03T12:38:32Z | Conteúdo => S3-C1T2 Fl. 219 ' •P-ntr----, MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo n° 10283.004492/2002-15 Recurso n° 341.158 Voluntário Acórdão n° 3102-00.487 — 1° Câmara / 2. Turma Ordinária Sessão de 17 de setembro de 2009 Matéria 111IPI - Falta de recolhimento Recorrente BMA INDÚSTRIA E COMÉRCIO LTDA. E OUTRA Recorrida DRJ-BELÉM/PA ILEGITIMIDADE PASSIVA. AGENTE MARÍTIMO. NÃO CONFIGURAÇÃO DA RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA. 1 O agente marítimo não é considerado responsável tributário, nem se equipara ao transportador. NULIDADE DO AUTO DE INFRAÇÃO EM RELAÇÃO AO AGENTE MARÍTIMO. Recurso provido em relação ao agente marítimo AMSAL. MERCADORIAS CONTENDO INFORMAÇÕES IRREGULARES VEDAÇÃO DE IMPORTAR MERCADORIA CUJOS RÓTULOS INDIQUEM COMO NACIONAL A MERCADORIA DE PROCEDÊNCIA ESTRANGEIRA. Recurso Voluntário Provido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, para excluir a pessoa jurídica AMSAL do pólo passivo. O Conselheiro Luis Marcelo Guerra de Castro votou pela conclusão. a Guerra de Castro - Presidente .Ni2on Luiz B oli - Relatp- EDITADO EM: 27/10/2009 Participaram do presente julgamento os Conselheiros Luis Marcelo Guerra de Castro, José Fernandes do Nascimento (Suplente), Beatriz Veríssimo de Sena, Nilton Luiz Bartoli, Celso Lopes Pereira Neto e Nanai Gania. Relatório Trata-se de Auto de Infração (fls. 01/04), por meio do qual foram autuados o importador BMA Indústria e Comércio LTDA e o representante do transportador internacional no Brasil, a empresa AMSAL — Agenciamento Marítimo Mercosul Ltda, em virtude da constatação de irregularidades relacionadas às unidades de carga de números PONU 144902-8 e PONU 135971-0, em cujos documentos, que as acobertavam, notaram-se divergências quanto ao local de descarga, a rota do veículo transportador, o navio PONL Panamá, combinadas com a falsa declaração do conteúdo destas. Consta relatado no AI, no item Descrição dos Fatos e Enquadramento(s) Legal(s) - fls. 02/04, em suma, que: (i) "DA MERCADORL4 DE POSSE PROIBIDA" 1. O navio Ponl Panamá entrou-no Porto de Manaus em 23.01.02, sendo a visita aduaneira registrada através do termo 17/2002; 2. Segundo o "Pedido de Visita e Termo de Responsabilidade", o referido navio era procedente do Porto Manzanillo; 3. A "Lista _ de Carga em Trânsito" -apresentava dois conteineres com destino ao Porto of Spain, cujos BL's informavam que o ponto de descarga era o Porto Manzanillo; 4. Constitui indícios de possíveis irregularidades o fato do ponto de descarga dos dois contêineres em trânsito ser exatamente o local de procedência do navio; 5. Os referidos contêineres foram-retidos (Termo de Retenção n°05/2002); 6. O autuado AMSAL foi intimado a acompanhar a natureza das mercadorias contidas nos contêineres, porém, não o fez razão pela qual foi providenciado um inventário destes; 7. Efetuada a verificação fisica dos contêineres, foram encontrados: - Aparelhos de som, com embalagens impressas a razão social "BMA DA AMAZÔNIA S/A", o selo de certificação da qualidade ISO 9002, bem como o selo "Produzido na Zona Franca de Manaus", acompanhados dos manuais de instruções com informações confirmando a produção na Zona Franca de Manaus; e - Máquinas fotográficas, marca TRON, envolvidas em bolsas plásticas, contendo na sua base inferior o dizer "Produzido na Zona Franca de Manaus", além de conter manuais de instruções que ratificava a produção na Zona Franca de Manaus. 297. Processo n° 10283.0044922002-15 S3-C1T2 Acórdão n.° 3102-00.487 Fl. 220 (ü) "DA MERCADORIA EXISTENTE A BORDO DO VEÍCULO SEM REGISTRO EM MANIFESTO, EM DOCUMENTO EQUIVALENTE OU EM OUTRAS DECLARAÇÕES" 1. Da análise da documentação, restaram observados os seguintes fatos: - Segundo o documento "Ports of Call List", entregue na visita aduaneira, o navio esteve no Porto de Manaus no período de 03/01/02 a 04/01/02; - Os BL's informam que o embarque dos conteineres foi em 22/12/01; - Na documentação entregue na visita aduaneira realizada no dia 03/01/02, o autuado AMSAL não informou - mas deveria ter informado - os dois contêineres como "em trânsito"; (iii) "DA MERCADORIA POSSUÍDA A QUALQUER TITULO COM FALSIFICAÇÃO OU ADULTERAÇÃO DE DOCUMENTO" 1. Consta no "Ports of Call List", entregue na visita aduaneira de 03/01/2002, que na data do embarque dos conte'ineres em questão, 22.12.01, o navio estava no Porto de Buena Ventura, e não no Porto de Hong Kong, como era o esperado. A capitulação legal encontra-se descriminada às fls. 04. Instruem o referido AI os seguintes documentos: 1. Relação das mercadorias apreendidas (fls. 05/06); 2. Intimações à AMSAL (fls. 07, 09, 11 e 13), bem como suas respostas (fls. 08, 10 e 12); 3. Termo de Constatação (fls. 14); 4. Relatório da constatação fisica dos contêineres, contendo a relação de materiais encontrados (fls. 15/19); 5. "Ports of Call List" (fls. 20/21); 6. Termos de Visita Aduaneira (fls. 22/23); 7. Pedido de Visita e Responsabilidade (fls. 24/25); 8. Lista de Carga em Trânsito (fls. 26/27); 9. BL's (fls. 28/29); e 10.Teimo de Retenção (fls. 30). Lavrado o lançamento ora exposto, os autuados foram intimados a apresentação de defesa. O contribuinte autuado "AMSAL - Agenciamento Marítimo Mercosul Ltda.", apresentou de forma tempestiva (ciência à fl.I4) a Impugnação ao Auto de Infração, consoante de depreende das fls. 31/49, alegando, em suma: Preliminarmente 1. Não tem interesse na mercadoria apreendida, pois não é proprietário, importador, vendedor ou possuidor desta; 2. Teve participação somente no agenciamento do navio P&O Nedlloyd Panamá o qual transportou os contêineres PONU114902-8 e PONU135971-0, que são de propriedade do Transportador Marítimo P&O Nedlloyd; 3. O Transportador Marítimo P&O Nedllouyd foi contratado para fazer o transporte dos contêineres supracitados até o Porto de Manaus para serem entregues à empresa Exel Global Log. do Brasil S/A, conforme se verifica dos Conhecimentos de Embarque, porém, antes do navio chegar ao Porto de Manaus, recebeu um telefonema do sr. Clauber Campos da empresa Exel, solicitando a redestinação dos dois contêineres ao Porto de Manzanillo, ou seja, solicitou o retomo da carga ao Porto onde a havia recebido; 4. A solicitação acima descrita foi posteriormente, em 22.01.02, reduzida a termo através de e-mail; 5. Após, foi informado ao Agente Marítimo que da impossibilidade da redestinação, vez que o navio não retomaria ao Porto de Mazanillo naquela viagem, razão pela qual o sr. Clauber solicitou a redestinação da mercadoria ao próximo Porto depois de Manaus, que seria o "Porto f Spain", em Trinidad&Tobago, assim, os dois contêineres foram descarregados em Manaus ficando na condição de carga em transito; 6. Não tinha conhecimento de que a empresa BMA Ind. e Com. Ltda. estava envolvida na operação, vez que na documentação disponibilizada ao transportados somente constava o consignatária Exel; 7. É parte ilegítima para figurar no pólo passivo desta autuação, visto que especializado em Agenciamento Marítimo, sendo representante do Transportador Marítimo P&O Nedlloyd B.V. na cidade de Manaus; 8. apenas agenciou o navio durante a estadia no Porto de Manaus, não havendo qualquer disposição legal que permita a sua autuação por infrações fiscais que possam ou que sejam atribuídas ao Transportador Marítimo; 9. A autuada conta como co-responsável no AI e no Termo e Guarda Fiscal n° 0227600/00003-02 juntamente com EMA Ind. e Com. Ltda. pelo simples fato de ser representante (Agente Marítimo) do Transportador Marítimo que transportou a mercadoria, e ter assinado o 'Termo de Responsabilidade", equiparando o Agente Marítimo ao Transportador para fins de responsabilidade tributária; 37/ Processo n° 10283.004492/200245 S3-C1T2 Acórdão n.° 3102-00.487 Fl. 221 10. A título de argumentação, o agente marítimo mesmo assinado o Termo de Responsabilidade perante esta Delegacia da Receita Federal se equipara ao Transportador para fins de responsabilidade no pagamento de impostos e taxas em eventuais diferenças a serem apuradas no imposto de importação (Súmula 192 do Tribunal Federal de Recursos); 11. Logo, não sendo o Agente Marítimo parte legítima para figurar no pólo passivo do presente processo, requer a sua exclusão ou a anulação do AI; No mérito 12. O Agente Marítimo não importou, fabricou, etiquetou ou incorreu em qualquer das figuras legais prevista pelo Decreto 2.367/98, não tendo nenhuma responsabilidade no ato considerado ilícito; 13. A má-fé e a intenção de cometer a infração não podem ser presumidas, sob pena de consagração da arbitrariedade; 14. Houve um pedido de "redestinaçÉlo" da carga, sendo o Al um equívoco; 15. Não há intuito doloso do agente e do transportador marítimo e não há responsabilidade pela infração punível, ressaltando que o agente marítimo não importou, fabricou, etiquetou ou incorreu em qualquer das figuras prevista pelo Decreto n°2.367/98; 16. Não há justa causa para a inclusão da recorrente no processo administrativo fiscal; 17. A norma aduaneira versa sobre mercadoria destinada ao território aduaneiro, o que não teria ocorrido vez que houve pedido de "REDESTINAÇÃO", não descarregando em Manaus (território Aduaneiro); 18. Não há um plano de escalas rígido. Os portos de escala de um navio estão sempre adstritos aos interesses dos consignatários das cargas e do próprio navio; 19. Não há previsão legal de procedimento administrativo em relação a mercadoria em trânsito aduaneiro e, portanto, as imputações do Agente Autuante são improcedentes por falta de amparo legal ou fático; 20. A imputação de falsidade ou adulteração documental é totalmente despida de fundamento. A listagem não foi confeccionada pelo Agente Marítimo, e sim pelo Transportador Marítimo, excluindo qualquer intenção da recorrente de querer falsificar ou inserir declaração falsa; 21. Não houve observância ao princípio da boa-fé. Ao final, requer o cancelamento do lançamento em tela. Instrui sua impugnação cópia do email (fl. 50); Procuração (fl. 51); Cartão de Credenciamento e Identificação (fls. 52); e Alteração Contratual (fls. 53/54). Por seu turno, a empresa autuada BMA INDÚSTRIA E COMÉRCIO LTDA, também manifestou-se contrária à exigência, apresentando tempestivamente (ciência a fl. 14) a Impugnação de fls. 55/60, na qual alega, resumidamente, que: 1. Solicitou à empresa exportadora IDM Internacional Lula, localizada em Hong Kong, a vinda de mercadorias estrangeiras descritas nas faturas comerciais "Invoices" nos 01/0041 e 01/0042, ambas emitidas em 20.12.2001; 2. As mercadorias foram entregues pela empresa exportadora no armazém da empresa de Agenciamento Marítimo "Exel Hong Kong lida." e esta contratou a Companhia Marítima Neddlouyd, cuja representante no Brasil é a "AMSAL — Agência Marítima Mercosul, para efetuar o transporte das mercadorias de Hong Kong até o Brasil; 3. As referidas mercadorias foram acondicionadas em contêineres, que embarcaram em navio do porto de Hong Kong com destino ao porto do Panamá, e, chegando a este porto, foram descarregados para posterior transbordo em outro navio com destino aos países da América Latina; 4. No momento em que os contêineres chegaram ao porto do Panamá para serem transbordados em outro navio, a empresa exportadora IDM Internacional Ltda., enviou uma correspondência confirmando as mercadorias exportadas, bem como apresentou informações adicionais sobre características e acessórios que acompanhariam estas mercadorias; 5. Quando teve ciência dessas informações adicionais, a impugnante perdeu o interesse em adquirir as mercadorias que havia solicitado, razão pela qual enviou a empresa exportadora correspondência confirmando o cancelamento da compra; 6 Em razão do cancelamento das mercadorias estrangeiras contidas nos contêMeres n°s PONU 144902-8 e PONU 135971-0, a empresa exportadora IDM Internacional Ltda determinou que estes conteineres fossem transbordados para outro porto de descarga, qual seja, "Porto of Spain Trinidad and Tobago", não mais existindo qualquer relação entre estas mercadorias e a Impugnante; 7. Da leitura dos Conhecimentos de Embarque n°s PONLHKG40018038 e PONLHKG40018039, referentes aos containers supracitado; consta como consignatária a empresa de Agenciamento Marítimo Exel Global Log. do Brasil S/A, o que significa dizer que ela é proprietária das cargas, o que é inclusive confirmado no relatório elaborado pelo fiscal autuante em 15.03.2002; 8. Por não ser a proprietária ou consignatária das presentes mercadorias, e por não ter qualquer relação com as mercadorias estrangeiras contida nos containers PONU 144902-8 e PONU 135971-0, a impugnante não tem legitimidade para figurar no pólo passivo da demanda; 9. A empresa de Agenciamento Marítimo Exel Global Log. do Brasil S/A é a dona das cargas, pois os consignatários nos conhecimentos de embarque são considerados os donos das cargas; Processo n° 10283.004492/2002-15 83-C1T2 Acórdão n.° 3102-00487 Fl. 222 10. Se considerar a hipótese de ser legítima no pólo passivo, o AI deveria ser nulo, pois a impugnante não foi devidamente intimada da chegada dos containers no porto de Manaus, nem tampouco do procedimento realizado pela fiscalização aduaneira de verificação dos containers das mercadorias vindas a bordo do navio PONL PANAMÁ. Diante do exposto, requer a procedência da Impugnação para excluí-lo do pólo passivo. Caso o entendimento acima não seja adotado, requer a impugnante a insubsistência da exigência fiscal objeto do AI e Termo de Apreensão e Guarda Fiscal n° 0227600100003/02. Acompanha sua impugnação e-mail (fl. 62), Conhecimento de Embarque BL's (fls. 63/64), Relatório (fls. 65), Procuração (fl. 66) e Contrato Social (fls. 69/72). Remetidos os autos para o - Serviço de Controle -e-- Acompanhamento _ _ Tributário - ao SECAT da Alfândega de Manaus foi exarado o Parecer Técnico Conclusivo n° 17/2002, no qual foi proposto a procedência do Auto de Infração e Termo de Apreensão e Guarda Fiscal n°0227600/00003/02 (fls. 77/89), nos termos da seguinte ementa (fl. 77): "PERDIMENTO DE MERCADORIA Mercadoria com informações irregulares. Proibição de importar produtos cujos rótulos indiquem como nacional a mercadoria estrangeira. Mercadoria não mantrestada. Aplicação de pena de perdimento à mercadoria procedente do exterior, existente a bordo do veículo, sem registro em manifesto. Pela procedência do auto de infração e aplicação da pena de perdimento." Ato contínuo foi exarado o Despacho Decisório (fl.90) que julgou procedente o Auto de Infração e termo de Apreensão e Guarda Fiscal e aplicou a pena de perdimento das mercadorias constantes da relação de fls. 05/06, com fundamentos nos exatos termos do Auto de Infração. Notifica (AR — fl. 93), a AMSAL manifestou-se às fls. 95/96 onde aduziu, sinteticamente, que já fora apresentada defesa administrativa e requer a devolução dos contêineres descarregados. Por seu turno, a BIV1A DA AMAZÔNIA S/A, igualmente cientificada (AR - 94), interpôs Recurso Voluntário às fls. 98/109, no qual apresentou, em suma, que: 1. O recurso tem por escopo o mesmo da Impugnação, isto é, pugnar pela ilegitimidade passiva da recorrente; 2. Não interessa o destino das mercadorias, até porque não são de sua propriedade ou responsabilidade, assim como não questiona e nem questionou o mérito da aplicação da pena de perdimento; 3. O dispositivo ao prescrever a possibilidade de decisão administrativa em instância única, não foi recepcionado pelo ordenamento jurídico trazido pela Constituição Federal; 4. A Administração Pública pode e deve a qualquer tempo, rever seus atos, anulando-os quando ilegais ou revogando-os quando inconvenientes ou inoportunos; 5. O direito de interposição de Recurso à autoridade superior à que praticou o ato administrativo vem previsto na Constituição Federal bem como também no artigo 33 do Decreto n° 70.235/72 c./c artigo 2°, parágrafo Único, inciso X e artigo 56 da Lei n°9784/1999; 6 Em dezembro de 2001 a recorrente solicitou para a empresa exportadora 1DM INTERNATIONAL LTDA, localizada em Hong Kong, mercadorias de origem estrangeiras descritas nas faturas comerciais — Invoices n° 01/0041 e 01/0042, sendo que estas mercadorias foram entregues pela empresa Exel Global Logística do Brasil, que por sua vez, contratou a NEDDLOYD, cuja representante no Brasil é a AMSAL (Agência Marítima Mercosul Ltda), para transportar as mercadorias de Hong Kong até o Brasil; 7. As mercadorias foram acondicionadas nos containers, sendo que os mesmos foram embarcados em navio do Porto de Hong Kong com destino ao Porto do Panamá, onde foram descarregados para posterior transbordo em outro navio com destino aos países da América Latina; 8. Quando os contêineres chegaram ao Porto de Panamá, a empresa exportadora IDM INTERNATIONAL LTDA, enviou uma correspondência à Recorrente confirmando as mercadorias que foram_ _ exportadas e lhe estariam sendo entregues, apresentando, ainda, informaçôes adicionais sobre características e acessórios que acompanhariam estas mercadorias que haviam sido solicitadas; 9. A recorrente manifestou sua falta de interesse em adquiri-las, enviando, assim, correspondência à empresa exportadora, na qual fica expressamente confirmado o cancelamento de sua compra, antes do navio ancorar no Porto de Manaus; 10. Em razão do cancelamento, a empresa exportadora determinou que fossem os mesmos transbordados para outro porto de descarga — "Port of Spain TRinidde and Tobago", inexistindo qualquer relação destas mercadorias com a recorrente, devido a NOVACAO;. 1 11.A recorrente não tem legitimidade passiva, pois não tem relação com as mercadorias de origem estrangeira contidas nos contêineres PONU 144902-8 e PONU 135971, daí o pedido de exclusão do pólo passivo da lide; 12.Se considerarmos, apenas para efeito de argumentação, que a recorrente fosse legítima, o auto de infração deverá ser nulo, pois não foi devidamente intimada (como se verifica na leitura dos termos de intimação — nrs 001/2002; 002/2002; 003/2002 e 004/2002) a acompanhar o procedimento realizado pela d. fiscalização aduaneira para a verificação dos contêineres das mercadorias vindas a bordo do navio PONL PANAMÁ, sendo impedida de exercer seu direito à ampla defesa 8 C?:; Processo n° 10283.004492/2002-15 S3-C1T2 Acórdão n.° 3102-00.487 9. 223 e ao contraditório, violando-se também, o princípio do devido processo legal; 13.A sanção trazida pelo artigo 514 do Regulamento Aduaneiro é a penalidade de maior rigor, haja vista que prevê a apreensão e o leilão das mercadorias, e que nos casos apenados com o perdimento de mercadorias deve restar configurado o dolo de fraudar a fiscalização; 14. Não há, todavia, como imputar responsabilidade da recorrente com base em indícios e presunções já que o próprio parecer demonstrou que a responsabilização não foi cabalmente comprovada; 15. Por fim, ressalta-se que o NAVIO PONL PANAMÁ deu entrada no Porto de Manaus no dia 23/01/2002, enquanto a revogação do contrato de - compra e venda, celebrado com o exportador, ocorreu em 14/01/2002, ou _ _ seja, muito antes do seu ingresso na faixa territorial marítima nacional. Às fls. 118/127, consta a "REPRESENTAÇÃO PARA FINS PENAIS", formalizada nos autos do processo 10283.010470/2002-86. A SEANA, por meio da INFORMAÇÃO SEANA 969/02 (fls. 128/129), propõe o envio do processo 10283.010470/2002-86 ao Ministério Público Federal — MPF para a persecução penal se for o caso e o envio do presente processo para a SAPOL para que se manifeste sobre o pedido de fls. 95/96. Em atendimento a SAPOL, às fls. 235, informa que as mercadorias apreendidas foram removidas para o depósito em Petrópolis e que não possui informações a fornecer sobre o paradeiro dos contêineres PONU 144902-8 e PONU 185971-0. Face às informações prestadas, os autos foram dirigidos para a SEANA (fl. 138), que por seu turno remeteu os autos ao Secai para análise do pedido de fls. 98 a 109, que exarou a Informação Secat n° 15/2003 (fls. 142/149), no qual constam as seguintes considerações: 1. Os autos tratam da pena de perdimento aplicada às mercadorias em decorrência da constatação de crime, daí que ha a Representação Fiscal para Fins Penais correlata a este Processo, tal matéria segue os ritos administrativos impostos pelo art. 27 Decreto-Lei 1.455/76; 2. Não se pode cogitar a não obediência ao devido processo legal, pois foi seguido à risca os ditames do art. 27, do Decreto-Lei 1.455/76; 3. Está pacificado na jurisprudência e nas regras infraconstitucionais várias delas negam o duplo grau de jurisdição na esfera administrativa, tal qual o Decreto-Lei 1.455/76, de forma que não é contrário à Constituição Brasileira ou às leis vigentes, desde que se dê oportunidade de defesa ao sujeito passivo, do duplo grau de jurisdição os processos administrativos que têm ritual privado deste andamento comum, pois, mesmo assim, ao administrado é facultado recorrer ou não da decisão no Judiciário. {(-1( Por fim, propôs o não encaminhamento do Recurso Voluntário às fls. 95/108 devido ao fato de que a pena de perdimento aplicada obedeceu à capitulação e ao ritual instituídos pelo § 4°, do art. 27 do Decreto — Lei 1.455/76, que impõe instância única à apreciação deste litígio. A d. Inspetora MARIA ELÉIA ALVES DE ANDRADE proferiu despacho às fls. 150, corroborando com o alegado e descrito às fls. 1421149 e, portanto, decidiu não dar prosseguimento ao Recurso Voluntário de fls. 98/109, por expressa aplicação de dispositivo que priva o administrado deste encaminhamento, consoante o artigo 27, parágrafo 4° do Decreto — Lei n° 1.455/1976. A BMA Indústria e Comércio Ltda obteve ciência desta decisão em 26 de fevereiro de 2003, conforme A.R, juntado às fls. 154, e, inconformada, impetrou Mandado de Segurança n° 2003.32.00.001789-6, em face da SRA INSPETORA DA ALFÂNDEGA DA FECEITA FEDERAL DE PORTO DE MANAUS. A d. Juíza Federal da 1' Vara de Manaus, às fls. 175/178, julgou improcedente o pedido da impetrante para denegar a segurança pleiteada. Contudo, a impetrante interpôs apelação e o Relator e Juiz Federal do TRF da P Região, OSMANE ANTONIO DOS SANTOS, determinou o prosseguimento do Recurso Voluntário, consoante informação às fls. 208, cuja cópia do acórdão consta às fls. 215/216. Cabe ressaltar que, às fls. 170/171, há cópia da decisão do Mandado de Segurança n° 2003.01.00.018420-8, da 4' Vara Federal de Manaus, impetrado pelo contribuinte, que concedeu liminar a fim de suspender o leilão que estava marcado para 18.06.2003, às 9:00 horas, das mercadorias contidas nos contélneres PONU 144.902-8, PONU - - 135.971-0 e PONU 133.312-5. Às fls. 193 consta a informação de que as referidas mercadorias não foram destinadas ao leilão. Os autos foram distribuídos a este Conselheiro, em um único volume, constando numeração até às fls. 209, para julgamento do recurso voluntário. Tendo em vista o disposto na Portaria MF n°314, de 25/08/1999, deixam os autos de serem encaminhados para ciência da Procuradoria da Fazenda Nacional, quanto ao Recurso Voluntário interposto pelo contribuinte. É o relatório. Voto Conselheiro Nilton Luiz Bartoli, Relator Tomo conhecimento dos Recursos Voluntários interpostos pelos contribuintes autuados, por serem tempestivos e tratarem de matéria de competência deste Eg. Conselho Administrativo de Recursos Fiscais. Inicialmente, antes de adentrar na controvérsia estabelecida nos autos, esclareço que apesar do Decreto-Lei n° 1.455/1976, em seu artigo 27, §4°, dispor acerca da apreciação do presente litígio em uma única instância, o contribuinte autuado "BMA" obteve através de Mandado de Segurança de n° 2003.32.00.001789-6, o direito a apreciação de o Processo n° 10283.004492/2002-15 S3-C1T2 Acórdão n.° 3102-00.487 Fl. 224 Recurso Voluntário por este Eg. Conselho, consoante se depreende da ementa exarada pelo Tribunal Regional da 1* Região, abaixo transcrita: Processo: AMS 2003.32.00.001789-6/AM; APELAÇÃO EM MANDADO DE SEGURANÇA Relatar: IDESEMBARGADOR FEDERAL CARLOS FERNANDO MATH1AS Convocado: JUIZ FEDERAL OSMANE ANTÓNIO DOS SANTOS órgão Julgador: OITAVA TURMA Publicação: 14/12/2007 DJ p.151 'Data da Decisão: 06/11/2007 Decisão: A Turma deu provimento à apelação, por unanimidade. Ementa: TRIBUTÁRIO. PROCESSUAL CIVIL. AUTO DE INFRAÇÃO E TERMO DE APREENa0 E GUARDA FISCAL DE MERCADORIA: — - IMPUGNAÇÃO INDEFERIDA. RECURSO ADMINISTRATIVO AO 3° CONSELHO DE CONTRIBUINTES. ILEGALIDADE DO NÃO CONHECIMENTO COM FUNDAMENTO NO ART. 27, § 40 DO DECRETO LEI N 1.455/76. ARTIGO NÃO RECEPCIONADO PELA CONSTITUIÇÃO. ART. 5°, LV, CF. ILEGALIDADE DO ART. 56 USQUE 69 DA LEI IV. 9.784/99. L Da decisão administrativa que indefere impugnação a Auto de Infração e Termo de Apreensão de mercadorias cabe recurso ao Conselho de Contribuintes do Ministério da Fazenda, nos termos do que dispõem os arts. 56 usque 69 da Lei n. 9.784/99. II. É ilegal a decisão que, com fundamento na apreciação do caso em instância única (§ 4°, art. 27, Decreto-lei n. 1.455/76), nega seguimento a esse recurso, posto que essa disposição normativa, além de não recepcionada pelo art. 5°, LV, CF, prevê a apreciação da matéria pelo Ministro da Fazenda, o que no caso não ocorreu. HL Segurança concedida para reformar a sentença e determinar à autoridade impetrada a imediata remessa do processo administrativo ao 3° Conselho de Contribuintes do Ministério da Fazenda, para julgamento do Recurso Voluntário interposto pela impetrante. Além disso, é de se ressaltar que a referida decisão transitou em julgado em 30.07.2009, conforme se constata do andamento processual extraído do sítio do TRF da la Região (www.trfl .2ov.br): • ""- ";ç"9hírr-tt :tU,SPIÇA: FEPERki •'JAMIMANAti,S,a(nrs-No. • 03/05/2009 14:2619 i:',13;41;t4P4F;IIVIIIVA 4)11-, :l itrt;f1i=1-1 ?'" 1,Et7563,4)12B/2.2:-‘' ,;;C 5 1[1k:Afhlh:4)? QRPJn rh,e hhh,g.- bh h, hhhr i.e'h&ghrhhái‘ "Z,';„.;» h5; 5-"h L; 2- 4:C.7.-,,4172$'3"-ïS;:r"?2099001000,23277 fr-V )hh-h,g,55-1;ï 5, 5 h:.;"'5 52:15:1‘5‘' r.etne"a 2; ïhh ;,?5- .• .V.ht-‘5.: ;Yt5;.'''hi , h;2 5't OS/08/2,ÕQ.9. 2, 5' _h2;..n, TRANSITO EM JULGADO DO 30/07/2009 19:36:00 270100 ACÓRDÃO _ 30/07/2009 15..41 :00 221100 PROCESSO RECEBIDO - " •2." , " 1"241 • Posta tal observação, tendo em vista que a decisão judicial não mais é passível de reforma, passo a análise do caso em comento. A fim de aclarar os fatos de relevância ocorridos nestes autos, vislumbro a necessidade de se fazer um breve resumo das infrações constatadas. Vejamos: Consoante se denota da leitura dos autos, a operação em tela se iniciou com a solicitação por parte da empresa BMA (importadora) de mercadoria estrangeira junto a empresa exportadora IDM International Ltd, sediada em Hong Kong. A empresa exportadora (IDM) teria entregue as mercadorias no armazém da empresa de Agenciamento Marítimo EXEL Hong Kong Ltda. que, por sua vez, contratou a Companhia Marítima P&O Nedlloyd (transportadora), cuja representante no Brasil seria a AMSAL, para fazer o transporte das mercadorias de Hong Kong até o Brasil. O navio em questão, _Ponl Panamá, transportava as mercadorias acondicionadas em dois contêineros: PONU 144902-8 e P0NU135971-0. Em 23 01 2002, o referido navio chegou ao Porto de Manaus e, após a sua chegada, a AMSAL (Agenciamento Marítimo Mercosul Ltda.) efetuou o "Pedido de Visita" e assinou o 'Termo de Responsabilidade" (documento às fls. 24/25), onde informou que o navio procedia do Porto de Manzanillo. no Panamá. Desta forma, foi realizada a visita aduaneira no navio, conforme Termo de Visita Aduaneira 17/2002, lavrado na mesma data, em 23.01.2002 (fls. 22/23). Importa destacar que consta na "Lista de Carga em Trânsito" (fl. 26), entregue no momento da visita aduaneira e subscrita pelo gerente da AMSAL, Sr. Adilson Costa dos Santos, que os dois conteineres tinham como destino o "Port of Spain", na Venezuela. Por outro lado, segundo os "Conhecimentos de Embarque" (BL's) — fls. 28/29, emitidos pela P&O Nedlloyd, cujo representante no Brasil é a AMSAL, referentes aos presentes contêineres, estes seriam descarregados no Porto de Manzanillo, no Panamá. A divergência entre o destino dos contêMeres, consoante exposto nos dois supracitados parágrafo; bem como o fato de que o local da descarga dos contêineres - segundo os BL's - ser o mesmo da procedência destes, qual seja, o Porto de Manzanillo, deram ensejo a retenção dos contêineres, por indícios de supostas irregularidades. Com efeito, em 22.03.2002 foi conferida a carga contida dentro dos contêineres (Termo de Constatação — fls. 14/15), na companhia do representante da AMSAL, cujas mercadorias encontradas foram: 1";; Processo n° 10283.004492/2002-15 S3-C1T2 Acórdão n.° 3102-00487 F1. 225 - embalagens individuais de aparelhos de som, com impresso contendo: razão social "BMA da Amazônia S/A"; certificado de qualidade ISO 9002; e selo de "Produzido na Zona Franca de Manaus"; e - máquinas fotográficas da marca TRON, contendo na base inferior os dizeres "Produzido na Zona Franca de Manaus". Diante de tal constatação, concluiu-se que as mercadorias foram produzidas no exterior e seriam consideradas como produzidas na ZFM uma vez que havia a inscrição nelas de "PRODUZIDO NA ZONA FRANCA DE MANAUS" (Item I do AI) Ainda neste enredo, com relação à infração imputada no Item II do AI, o "Ports of Call List", entregue na visita aduaneira realizada em 23.01.2002 e subscrito pela AMSAL (fl. 21), informa que o navio já havia estado no Porto de Manaus em 03.01.2002 e 04.01.2002. E, segundo consta dos BL's, os contêineres embarcaram em 22.12.2001 (data da emissão dos BL's), portanto, os referidos contêineres já estavam a bordo do navio quando da primeira viagem ao Porto de Manaus, que ocorreu entre a data de 03 e 04.01.2002, contudo, não foram declarados nesta época pela AMSAL, nem como carga em trânsito, nem como de destino final. Desta forma, tendo em vista que o navio esteve no Porto de Manaus nos dias 03 e 04 de janeiro de 2002 (segundo o "Pons of Call List" entregue na visita aduaneira) e que em 22.12.2001 este navio já havia embarcado com os dois conteineres (segundo os BL's), constatou-se que quando da "Visita Aduaneira" de 03 e 04 de janeiro de 2002 não foi declarado que ambos os contéineres estavam "em trânsito". Em razão do exposto, foi aplicada a pena de perdimento sobre os dois contêineres, nos termos do disposto no art. 514, inciso IV, do Regulamento Aduaneiro. Por fim, no que tange ao Item III do AI, o "Ports of Call List" (fl. 20) informa que em 22.12.2001 - data do embarque dos contêineres em Hong Kong, consoante se infere dos BL's - o navio estava no Porto de Buenaventura, na Colômbia, e não em Hong Kong, como era o esperado, posto que os BL's informam que o navio procedia de Hong Kong na mesma data, 22.12.2001. Destarte, é impossível que um único navio possa estar em dois lugares ao mesmo tempo, razão pela qual as informações contidas nas BL's foram consideradas falsas, com fulcro no art. 514, incisos VI e VII do Regulamento Aduaneiro. Findo o resumo dos fatos, resta adentrar na análise do caso em tela. De plano, faço a observação de que as infrações imputadas às autuadas se constituem em três, sendo a primeira (Item I) imputada somente à autuada BMA, e as duas seguintes (Itens II e IH) imputadas à autuada AMSAL. Isto porque a infração do Item I se refere a mercadorias de propriedade da BMA, já que continham dizeres com seu nome, e as Infrações dos Itens II e III se referem a documentação fiscal, cuja responsabilidade é do transportador, que supostamente seria representado no Brasil pela AMSAL. Em preliminar, tanto a AMSAL (representante do transportador marítimo no Brasil) como a BMA (importadora) alegam que são partes ilegítimas para figurar no pólo passivo da autuação. Primeiramente, quanto a ilegitimidade argüida pela autuada AMSAL, vê-se da leitura de sua Impugnação, em resumo, que esta justifica a sua ilegitimidade passiva sob o argumento de que somente praticou o agenciamento do navio P&O Nedlloyd Panamá que transportou as mercadorias contidas nos dois conteineres de propriedade do Transportador Marítimo P&O Nedlloyd. Alega, ainda, que apesar de ter assinado o Termo de Responsabilidade perante a Delegacia da Receita Federal, não se equipara ao Transportador para fins de responsabilidade no pagamento de impostos e taxas em eventuais diferenças a serem apuradas no imposto de importação. E, neste ponto, entendo assistir razão à autuada AMSAL, no sentido de não ser parte legítima a integrara pólo da presente demanda. Explico: Inicialmente, observo que não há prova nos autos de que a AMSAL seria a representante legal do Transportador Marítimo P&O Nedlloyd, empresa esta que foi contratada para efetuar o transporte dos contéineres em questão. Na verdade, o que se vislumbra dos documentos destes autos é que, a AMSAL é empresa comercial que agencia alguns transportadores/armadores nacionais e _ _ _ estrangeiros, sendo mera mandatária destes. Importante também enfocar que a AMSAL não é proprietária do navio em tela (P&O Nedlloyd Panamá), não tendo, portanto, transportado as mercadorias acondicionadas nos contelneres objeto da lide. Era sim, à época, mera agente marítima do transportador da mercadoria, a empresa P&O NEDLLOYD, responsável pelo transporte dos referidos contêMeres. Ora, não pode o agente, mero gastar de negócios, responder pelas mercadorias contidas em uma embarcação que nem lhe pertence, em razão de não ser parte legítima da demanda. Nessa esteira, é de se afastar a hipótese de tratar-se a autuada AMSAL como TRANSPORTADOR, pois se trata, na realidade, de um AGENTE MARÍTIMO que, no caso, apenas atuou em tal condição, ou seja, na qualidade de Agente Consignatário do navio "Ponl Panamá", tal como figurou no Termo de Visita Aduaneira n° 017/2002 e 002/2002 (fls. 22 e 23, respectivamente). O citado Termo de Visita apontou como "Proprietário / Armado?' do navio "Ponl Panamá" a empresa "FUDAS DISTC. 'VE DENIZCILIK", certamente uma empresa • estrangeira e, como Agente Consignatário, efetivamente, a empresa ora autuada AMSAL. Não obstante, não se pode jamais confundir as figuras em discussão, ou sejam: ARMADOR ou PROPRIETÁRIO com TRANSPORTADOR. Em linguagem bastante simplória pode-se estabelecer que: Processo n°10283.004492/2002-IS S3-C1T2 Acórdão n.° 3102-00.487 Fl. 226 1)ARMADOR ou PROPRIETÁRIO, é aquele que "arma" a embarcação, ou seja, que lhe abastece com material humano (tripulação) e provisões, necessários e indispensáveis à realização da viagem marítima. Diz-se, em geral, dos PROPRIETÁRIOS dos navios. 2) Já TRANSPORTADOR é aquele que efetivamente transporta as mercadorias; que realiza Contratos de Transporte, consubstanciados pelos respectivos Conhecimentos de Embarque ou Conhecimentos Marítimos ou Conhecimentos de Transportes ou, como são conhecidos internacionalmente, "BILL OF LADINO" responsabilizando-se, quer frente aos exportadores/importadores, pelas cargas transportadas, quer frente a Fazenda Nacional pelos tributos incidentes, enquanto imbuídos da condição de Fiel Depositário dessas cargas, no percurso marítimo. O ponto crucial da preliminar levantada pela AMSAL é: O agente marítimo é representante no país do transportador marítit—no? A resposta é não. O agente marítimo é mero intermediário de cargas entre os armadores e os interessados no transporte de mercadorias por via marítima, bem como atende eventuais despesas decorrentes do navio e sua tripulação que são repassadas ao armador, ou seja, é mero gestor dos negócios do proprietário da embarcação. Nessa esteira, temos que o agente marítimo é mandatário do transportado; por tratar-se de representação convencional advinda de um contrato. Porém, cabe a ressalva aqui para não se confundir representação com atribuição de responsabilidade. A atuação do agente marítimo ocorre por conta e em nome alheio, ou seja, por conta e "ordem" do armador. Assim, o agente marítimo não é o afretador do navio, não manuseia a carga, não executa o transporte, bem como não tem poder de ingerência sobre a navegação, motivo pelo qual não pode ser responsabilizado por atos praticados no exercício de seu oficio nem pelos atos do armador. O agente exerce atividade estritamente mandatária, falando e agindo em nome e por conta do armador, logo, é o armador quem irá contrair obrigações e adquirir direitos como se pessoalmente tivesse tomado parte no negócio jurídico. O mandatário é representante por vontade do representado, daí ser o mandato uma representação convencional, em que o representante recebe poderes para agir em nome do representado. O que, diga-se, difere de outras situações jurídicas em que a representação se dá por força de lei, que é a representação legal por excelência. Na transferência a que se denomina representação, os poderes derivam de lei (representação legal) ou do próprio negócio jurídico (representação voluntária ou convencional). Apesar disso, não raro são propostas ações contra o agente marítimo, no que se refere a ato administrativo que estabelece ser representante legal (não convencional) do armador (e/ou proprietário do navio) o agente marítimo, atribuindo-lhe responsabilidade que não tem. Ocorre que tal assertiva não encontra respaldo legal, concluindo-se que o agente marítimo não pode ser responsabilizado pelos atos impostos ao transportador, consoante já assentado na jurisprudência: "STJ - Acórdão RESP 148683/SP; RECURSO ESPECIAL (1997/0065839-2); Fonte: DJ DATA:14/12/1998 PG:00206; Relator(a) Min. HELIO MOSIMANN (1093); Data da Decisão 05/1111998; Orgão Julgador: 72- SEGUNDA TURMA "O agente marítimo não é considerado responsável tributário. nemseetra rtador". "TRIBUTÁRIO - EMBARGOS À EXECUÇÃO FISCAL - AGENTE MARÍTIMO - ILEGITIMIDADE PASSIVA I. O agente marítimo não é considerado responsável tributário, nem se equipara ao transportador. Súmula n° 192 do TER. Reconhecida a ilegitimidade passiva do embargante. 2. Honorários advocatícios mantidos no percentual fixado na sentença, eis que arbitrados em atenção ao artigo 20, § 4°, do CPC." (TRF fletido, processo n°9403.077482-7) Da mesma forma, o extinto TFR, sumulou jurisprudência que se ajusta ao caso em comento, vejamos: "O agente marítimo, quando no exercício exclusivo das atribuições próprias, não é considerado responsável tributário, nem se equipara ao transportador para efeitos do Decreto-Lei 37, de 1966." Neste curso, importa mencionar o Acórdão proferido pelo Superior Tribunal de Justiça que se ajusta perfeitamente ao caso em tela, dando enfoque, ainda, ao "termo de compromisso firmado por agente marítimo" no seguinte sentido: "TRIBUTÁRIO — IMPOSTO DE IMPORTAÇÃO — RESPONSABILIDADE DO TRANSPORTADOR — AGENTES MARÍTIMOS — ASSINATURA DE TERMO DE RESPONSABILIDADE — INEXISTÊNCIA DE PREVISÃO LEGAL. 1. A controvérsia essencial dos autos restringe-se à responsabilidade tributária dos agentes marítimos representantes de transportadora, no que tange ao imposto de importação. 2. Em que pese a assinatura do Termo de Responsabilidade, o agente marítimo não é responsável tributário no caso do imposto de importação, porquanto inexiste previsão legal para tanto. 3. O enunciado 192 da Súmula do extinto Tribunal Federal de Recursos, explicita: o agente marítimo, guando no exercício exclusivo das atribuições próprias, não é considerado transportador para efeitos do Dec. Lei 37/66, ato normativo que trata do imposto de importação. Recurso especial improvido." — REsp 361.324, Relator Ministro Humberto Martins, DJ 14/08/2007 10 Processo n° 10283.004492/2002-15 83-C1T2 Acórdão n.° 3102-00.487 EL 227 Do referido Acórdão merece destaque, para fins de julgamento da preliminar arguida, alguns excertos extraídos do Voto do Relator prolatado pelo Exmo. Ministro Humberto Gomes de Barros, nos seguintes termos: dl A controvérsia essencial dos autos restringe-se à res onsabilidade tributária dos a entes marítimos representantes de transportadoras no que tange ao imposto de DA RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA DO AGENTE MARITIMO Para bem dilucidar a questão encerrada neste autos, cabe o - - exame -da funções- dos- auxiliares-de navegação, quais sejam: - operadores portuários, práticos, agentes marítimos, estivadores, entre outros. Nestes termos: As funções do agente ou consignatário são divididas em dois grumr 1. auxiliar na armação, que engloba os serviços prestados ao navio, tais como condução para navios fundeados ao largo; requisição de práticos, amarradores, atracação, passagens aéreas ou terrestres para tripulantes que desembarcam; embarque e desembarque de tripulantes etc.; e, 2. auxiliar t timo, que envolve as atividades de contratação do transporte da carga, bem como sua manipulação; o redespacho de mercadorias, ou seja, o despacho de mercadorias em trânsito após a descarga do navio naquele porto. (GILBERTONL Carta Adriana Gomitre. Teoria e Prática do • Direito Marítimo. Ed. Renovar: Rio de Janeiro: Ia ed., 1998, p. 1120). O texto transcrito é por demais claro e dispensa maiores digressões. Por conseguinte, em face das funções peculiares do agente marítimo, a responsabilidade tributária não incide sobre o annte, e sim sobre o transportador, porquanto inexiste previsão legal para tanto. Esse entendimento é válido mesmo na hipótese em que o azente de naveeaeão firme termo de compromisso pelo vazamento de tributo, diante do princípio da reserva legal A propósito, convém lembrar que o extinto Tribunal Federal de Recursos, ao editar o enunciado 192 da Súmula/7'FR, consagrou o entendimento de que o agente marítimo, quando no exercício exclusivo das atribuições próprias, não é considerado transportador para efeitos do Dec. Lei n. 37/66, ato normativo que trata do imposto de importação. A titulo de reforço, julgados da Segunda Turma do STJ: TRIBUTÁRIO. IMPOSTO DE IMPORTAÇÃO. AGENTE MARÍTIMO. TERMO DE COMPROMISSO. 117 RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA INEXISTENTE. PRINCÍPIO DA RESERVA LEGAL. 1. O termo de compromisso firmado por agente marítimo não tem o condão de atribuir-lhe responsabilidade tributária. Aplicação do princípio da reserva legal, nos termos do art. 121, inciso II, do CTN. 2. Aplicação da Súmula 192/TFR, segundo a qual, 'o agente marítimo, quando no exercido exclusivo das atribuições próprias, não é considerado responsável tributário, nem se equipara ao transportador para efeitos do Decreto-Lei n°37 de I966.' 3. Recurso especial a que se nega provimento. (REsp 223.836/RS, Rel. Min. João Otávio de Noronha, Segunda Turma, julgado em 12.42005, DJ 5.9.2005) TRIBUTÁRIO. IMPOSTO DE IMPORTAÇÃO. RESPONSABILIDADE AGENTE MARÍTIMO. QUEBRA DE MERCADORIA IMPORTADA A GRANEL. 1. 'O agente marítimo, quando no uso exclusivo das atribuições próprias, não é considerável responsável tributário, nem se equipara ao transportador para efeitos do Decreto-Lei n° 37, de 1996 (Súmula 192 do extinto TFR). 2. Esse posicionamento é adotado mesmo nos casos em que o - - - agente tenha assinado- termo de compromisso pelo pagamento dos tributos. 3. Recurso especial impróvido. (REsp 170.997/SE, Rel. MM. Castro Ateira, Segunda Turma, julgado em 22.2.2005, DJ 4.4.2005) Na mesma vereda, oportuno reproduzir trecho do seguinte julgado do STJ: O agente marítimo é contratado pelo armador de um navio mercante para atuar como intermediário entre este e a praça onde vai atracar. Já o armador é aquele que explora comercialmente uma embarcação mercante, sendo ou não seu proprietário. A aplicação de qualquer penalidade, seja tributária, seja administrativa, obedece ao princípio da legalidade, assim, não é admissivel que o agente marítimo responda pelas infrações sanitárias cometidas pelo armador, por falta de previsão legal. (AGREsp 584.365/PE, Rel. Min. Francisco Falcão, DJ 28.4.2004). Ante o exposto, nego provimento ao recurso especial É como penso. É como voto. MINDiR0 HUMBERTO MARTINS Relator" (grilos nossos) Processo n° 10283.004492/2002-15 53-CIT2 Acórdão n.°3102-00.487 Fl. 228 Como se depreende do voto acima transcrito, o STJ já teve várias oportunidades de ser manifestar acerca do tema aqui tratado, sempre se posicionando no sentido de que o agente marítimo ao é responsável tributário, nem mesmo quando assina o Termo de Responsabilidade. Por outro giro, os contratos de transporte marítimo, os Bill of Lading (EL) (fls. 28/29), são os instrumentos regulamentadores das relações jurídicas decorrentes do transporte marítimo, tendo três finalidades básicas, de acordo com Samir Keedi e Paulo C.0 Mendonça: a) "é o contrato de transporte entre o transportador, o embarcador e o consignatário da carga; b) é recibo de entrega da mercadoria ao transportador ou a - bordo do navio, sendo a comprovação documental da armador de recebimento da carga para transporte; c)como título de crédito, o que significa que é o documento de resgate da mercadoria junto ao transportador, no destino final para o qual o transporte foi contratado, podendo ser transferido a terceiros mediante endosso". Ou seja, "o conhecimento de carga (BL) é o instrumento do contrato de transporte firmado entre embarcador e transportador, como partes contratantes, orientando as relações decorrentes do respectivo contrato e valendo, desta forma, como um título de crédito, em relação a terceiros reeulando, em última análise, a relação entre o transportador e o seu portador" (2) (in, Delfim Bouças Coimbra, O Conhecimento de Carga no Transporte Marítimo, Aduaneiras, 2.* ed., São Paulo, 2000, p.12). Como se evidencia dos conhecimentos de transporte (BL's - fls. 28/29), a AMSAL em momento algum transportou ou firmou algum contrato de transporte com a consignatária da mercadoria, não podendo, assim, o Fisco promover autuação em face desta, mas sim deveria ter autuado o transportador das mercadorias, a empresa P &O Nedlloyd. A autuada AMSAL sequer figura no contrato de transporte como embarcadora, transportadora ou consignatária, não fazendo, portanto, parte da relação contratual firmada. Posto isto, acato a preliminar de ilegitimidade passiva da autuada AMSAL — Agenciamento Marítimo Mercosul Ltda., para o fim de excluí-la do pólo passivo deste Auto de Infração. Diante do exposto, insubsistentes são os Itens 2 e 3 do Auto de Infração, em razão da ilegitimidade passiva do agente marítimo AMSAL. Em razão do exposto, passo a delimitar a controvérsia ao Item 1 do Al referente a infração imputada ao importador EMA A Infração relativa ao 'Item 1' consiste na descoberta, por parte do Fisco, de mercadorias acondicionadas em dois contélneres, as quais eram de procedência estrangeira, mas que continham rótulos informando que eram de procedência nacional. Tal fato constitui infração ao RIPI (Decreto 2.367/1998): 6/1 "Art 205: É proibido: 1— importar fabricar, possuir, aplicar, vender ou expor à venda rótulos etiquetas cápsulas ou invólucros arre se prestem a indicar. como estrangeiro produto nacional. ou vice-versa (Lei 4502, de 1964, art. 45, inciso I); LI — importar produto estrangeiro com rótulo escrito no todo ou em parte, na língua portuguesa. sem indicacão do pais de origem (Lei 4502, de 1964, art. 45, inciso 10; 111 — PaPregar rótulo que declare falsa procedência ou falsa qualidade do produto (Lei 4502, de 1964, art. 45, inciso III); IV — adquirir possuir, vender ou expor à venda produto rotulado, marcado, etiquetado, ou embalado nas condicães dos incisos anteriores (Lei 4502, de 1964, art. 45, inciso 119; V — mudar ou alterar os nomes dos produtos importados, constantes dos submetidos a processo de industrialização no Pais." Da leitura do dispositivo acima transcrito, somada as constatações realizadas pelo Fisco, conclui-se que o importador BMA incidiu nas infrações nele dispostas. O que ocorreu foi que, uma vez que retido os dois referidos contêineres, foi providenciada a abertura destes, e acabou se constando a existência das seguintes mercadorias: - Embalagens individuais de aparelhos de som, com impressos contendo razão social BMA da Amazônia S/A; selo de certificação da qualidade de processo ISO 9002, conferido pela Fundação Vanzolini; e selo de produzido na Zona Franca de Manaus. As embalagens ainda eram acompanhadas dos manuais de instruções, que continham informações corroborando a produção dessas mercadorias na Zona Franca de Manaus; e - Máquinas fotográficas da marca TRON, contendo em suas bases a gravação em baixo relevo os dizeres "Produzido na Zona Franca de Manaus", acompanhadas de estojos individuais e dos manuais de instrução, nos quais havia a informação que ratificava a produção na Zona Franca de Manaus. Diante da constatação de que as mercadorias eram de propriedade da BMA, em razão destas indicarem (com dizeres da razão `BMA') referida empresa como sendo a fabricante das mercadorias, não restam dúvidas que a autuada BMA pretendia adquirir estas mercadorias. Ademais, a BMA não nega em suas defesas a operação de importação das referidas mercadorias. Assim, no que tange a ilegitimidade passiva argüida pela autuada BMA Indústria e Comércio Ltda., entendo que dão deve ser levada a efeito, pois do conjunto probatório acostado aos autos pelo Fisco, fica claro que a autuada BMA é responsável pelas mercadorias tidas como irregulares. Todos os fatos relatados pela fiscalização autuante evidenciam as irregularidades praticadas pelo importador. (2?27 Processo n° 10283.004492/2002-15 83-C/T2 Acórdão n.°3102-00.487 Fl. 229 Por seu turno, a autuada BMA não trouxe elementos suficientes a ilidir a acusação fiscal, limitou-se a afirmar que teria "cancelado" a importação das referidas mercadorias, bem como o fato de que não acompanhou a abertura dos contêineres em tela. As alegações da autuada BMA se mostram frágeis, na medida em que, primeiramente, o cancelamento não foi comprovado. Além do que, se realmente não tivesse mais interesse na aquisição das mercadorias não teria impetrado Mandado de Segurança perante o Tribunal Regional Federal, de n°2003.01.00.018420-8, para concessão da suspensão do leilão das referidas mercadorias que se encontram retidas, pedido este que foi concedido pelo mencionado Tribunal, conforme se verifica do Acórdão de fls. 163/164. Igualmente sem fundamento é a alegação de que não teve acesso à abertura dos conteineres. Ora, se somente apr)s a abertura de tais contêineres se teve conhecimento de seu envolvimento comas mercadorias, no sentido de que era o real importador destas, como haveria de ter o mencionado acesso? • Nesse contexto, as acusações elaboradas pelo Fisco mostram-se devidamente comprovadas, não trazendo a autuada BMA nenhum elemento ou provas convincentes em suas defesas que viessem a repudiá-las. Aliás, vale ressaltar que a prova produzida pela Administração Pública goza de presunção juris tantum, ou seja, admite prova em contrário. Com efeito, deveria a aututada BMA combater as acusações que lhe foram imputadas, nos moldes do que prevê a regra basilar acerca do ônus da prova, prevista no artigo 333, do Código de Processo Civil, in verbis: Art. 333. O ónus da prova incumbe: 1- ao autor, quanto ao_fato constitutivo do seu direito: II - ao réu, quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor. Diante de todo o exposto, dou PROVIMENTO ao Recurso Voluntário da autuada AMSAL, para declarar nulo o Auto de Infração, em relação aos seus Itens 2 e 3, tendo em vista a sua ilegitimidade passiva. Quanto ao Recurso Voluntário da autuada BMA voto pelo NÃO PROVIMENTO, uma vez que devidamente constatada a infração. Oon—LuA;artoli 21
score : 1.0
