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Numero do processo: 11080.724791/2011-00
Turma: Primeira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jan 20 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Tue Jan 27 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2010
OMISSÃO DE RENDIMENTOS RECEBIDOS ACUMULADAMENTE. BASE DE CÁLCULO E ALÍQUOTA. APURAÇÃO. REGIME DE COMPETÊNCIA.
A incidência do imposto de renda pela regra do regime de caixa, como prevista na redação do artigo 12 da Lei 7.713/1988, gera um tratamento desigual entre os contribuintes. Aquele que entrou em juízo para exigir diferenças na remuneração seria atingido não só pela mora do devedor, mas também por uma alíquota maior. A incidência do imposto de renda sobre rendimentos recebidos acumuladamente deve considerar as alíquotas vigentes na data em que a verba deveria ter sido paga, observada a renda auferida mês a mês. Não é razoável, nem proporcional, a incidência da alíquota máxima sobre o valor global pago fora do prazo. Inteligência daquilo que foi decidido pelo STF no Recurso Extraordinário nº 614406, com repercussão geral reconhecida.
Recurso Voluntário Provido
Numero da decisão: 2801-003.921
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso para cancelar a infração de omissão de rendimentos recebidos acumuladamente de pessoa jurídica decorrentes de ação trabalhista, nos termos do voto do Relator.
Assinado digitalmente
Tânia Mara Paschoalin - Presidente.
Assinado digitalmente
Marcelo Vasconcelos de Almeida - Relator.
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Tânia Mara Paschoalin, José Valdemir da Silva, Adriano Keith Yjichi Haga, Marcelo Vasconcelos de Almeida e Marcio Henrique Sales Parada. Ausente o Conselheiro Flavio Araujo Rodrigues Torres.
Nome do relator: MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2010 OMISSÃO DE RENDIMENTOS RECEBIDOS ACUMULADAMENTE. BASE DE CÁLCULO E ALÍQUOTA. APURAÇÃO. REGIME DE COMPETÊNCIA. A incidência do imposto de renda pela regra do regime de caixa, como prevista na redação do artigo 12 da Lei 7.713/1988, gera um tratamento desigual entre os contribuintes. Aquele que entrou em juízo para exigir diferenças na remuneração seria atingido não só pela mora do devedor, mas também por uma alíquota maior. A incidência do imposto de renda sobre rendimentos recebidos acumuladamente deve considerar as alíquotas vigentes na data em que a verba deveria ter sido paga, observada a renda auferida mês a mês. Não é razoável, nem proporcional, a incidência da alíquota máxima sobre o valor global pago fora do prazo. Inteligência daquilo que foi decidido pelo STF no Recurso Extraordinário nº 614406, com repercussão geral reconhecida. Recurso Voluntário Provido
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BASE DE CÁLCULO E ALÍQUOTA. APURAÇÃO. REGIME DE COMPETÊNCIA. A incidência do imposto de renda pela regra do regime de caixa, como prevista na redação do artigo 12 da Lei 7.713/1988, gera um tratamento desigual entre os contribuintes. Aquele que entrou em juízo para exigir diferenças na remuneração seria atingido não só pela mora do devedor, mas também por uma alíquota maior. A incidência do imposto de renda sobre rendimentos recebidos acumuladamente deve considerar as alíquotas vigentes na data em que a verba deveria ter sido paga, observada a renda auferida mês a mês. Não é razoável, nem proporcional, a incidência da alíquota máxima sobre o valor global pago fora do prazo. Inteligência daquilo que foi decidido pelo STF no Recurso Extraordinário nº 614406, com repercussão geral reconhecida. Recurso Voluntário Provido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso para cancelar a infração de omissão de rendimentos recebidos acumuladamente de pessoa jurídica decorrentes de ação trabalhista, nos termos do voto do Relator. Assinado digitalmente Tânia Mara Paschoalin Presidente. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 08 0. 72 47 91 /2 01 1- 00 Fl. 97DF CARF MF Impresso em 27/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/01/2015 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 22/01/2015 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 26/01/2015 por TANIA MARA PA SCHOALIN Processo nº 11080.724791/201100 Acórdão n.º 2801003.921 S2TE01 Fl. 98 2 Assinado digitalmente Marcelo Vasconcelos de Almeida Relator. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Tânia Mara Paschoalin, José Valdemir da Silva, Adriano Keith Yjichi Haga, Marcelo Vasconcelos de Almeida e Marcio Henrique Sales Parada. Ausente o Conselheiro Flavio Araujo Rodrigues Torres. Relatório Tratase de Notificação de Lançamento relativa ao Imposto de Renda Pessoa Física – IRPF por meio da qual se exige crédito tributário no valor de R$ 14.520,12, incluídos multa de ofício no percentual de 75% (setenta e cinco por cento) e juros de mora. Consta da “Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal”, à fl. 7 deste processo digital, que da análise das informações e documentos apresentados pelo contribuinte, bem como das informações constantes dos sistemas da Secretaria da Receita Federal do Brasil RFB, constatouse omissão de rendimentos tributáveis recebidos acumuladamente em virtude de processo judicial trabalhista, no valor de R$ 195.275,74, auferidos pelo contribuinte. Após ser intimado, o contribuinte apresentou a impugnação de fls. 2/3, que foi julgada procedente em parte por intermédio do acórdão de fls. 66/69. Cientificado da decisão de primeira instância em 02/05/2012 (fl. 71), o Interessado interpôs, em 30/05/2012, o recurso de fls. 72/75. Na peça recursal aduz, dentre outras alegações, que faz jus a isenção do imposto de renda destinada aos portadores de moléstia grave. Voto Conselheiro Marcelo Vasconcelos de Almeida, Relator Conheço do recurso, porquanto presentes os requisitos de admissibilidade. Deixo de analisar a questão relacionada à isenção dos portadores de moléstia grave pelos motivos que passo a expor. Cingese a controvérsia à infração de omissão de rendimentos recebidos acumuladamente em decorrência de processo judicial trabalhista. O “Demonstrativo de Apuração do Imposto Devido”, acostado à fl. 8, evidencia que a base de cálculo do imposto de renda suplementar foi calculada com fundamento na regra estabelecida no art. 12 da Lei nº 7.713, de 22 de dezembro de 1988, ou seja, a base de cálculo foi apurada mediante a utilização do denominado “regime de caixa”. No julgamento do Recurso Especial nº 1.118.429/SP, julgado em 24/03/2010, o Superior Tribunal de Justiça – STJ havia decidido, sob o rito do art. 543C do Código de Processo Civil – CPC (recurso repetitivo), que “O Imposto de Renda incidente sobre os benefícios pagos acumuladamente deve ser calculado de acordo com as tabelas e alíquotas Fl. 98DF CARF MF Impresso em 27/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/01/2015 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 22/01/2015 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 26/01/2015 por TANIA MARA PA SCHOALIN Processo nº 11080.724791/201100 Acórdão n.º 2801003.921 S2TE01 Fl. 99 3 vigentes à época em que os valores deveriam ter sido adimplidos, observando a renda auferida mês a mês pelo segurado. Não é legítima a cobrança de IR com parâmetro no montante global pago extemporaneamente”. Por entender que a ratio decidendi da tese repetitiva estava fundada em ato ilícito praticado pela Administração e que o pagamento decorrente de ato ilegal não poderia constituir fato gerador de tributo, posto que inadmissível que o Fisco se aproveitasse da própria torpeza em detrimento do segurado da previdência social, este julgador vinha aplicando o entendimento do STJ no sentido de dar provimento parcial aos recursos dos contribuintes para que o cálculo do imposto de renda incidente sobre os rendimentos de benefícios previdenciários recebidos acumuladamente fosse apurado mensalmente, em correlação aos parâmetros fixados na tabela progressiva do imposto de renda vigente à época dos respectivos fatos geradores. Em outras palavras: a tese fixada como “repetitiva”, no entendimento deste Relator, limitavase ao pagamento acumulado de benefícios previdenciários, não se aplicando a rendimentos recebidos acumuladamente decorrentes de litígios outros que não versasse a concessão/revisão de benefícios previdenciários, a exemplo de reclamatórias trabalhistas envolvendo somente particulares, haja vista que, nestas hipóteses, o pagamento a destempo não decorria de ato ilegal da administração. Assim, em relação aos processos de rendimentos recebidos acumuladamente decorrentes de ação trabalhista o entendimento deste julgador era no sentido da aplicabilidade do art. 12 da Lei nº 7.713/1988. Nos casos de verbas adimplidas em reclamatória trabalhista, portanto, meu entendimento era no sentido de se observar a natureza dos rendimentos recebidos, fazendo incidir o imposto de renda sobre verbas que resultassem em acréscimo patrimonial e não incidir sobre verbas isentas e não tributáveis. A linha de entendimento por mim adotada foi mantida até a sessão de novembro de 2014. Sabiase, todavia, que a controvérsia relativa à (in) constitucionalidade do art. 12 da Lei nº 7.713/1988 teve a repercussão geral reconhecida pelo Supremo Tribunal Federal STF em 20/10/2010, no julgamento da questão de ordem em agravo regimental no Recurso Extraordinário nº 614406, em razão da declaração de inconstitucionalidade do referido dispositivo legal, proferida em controle difuso pela Corte Especial do Tribunal Regional Federal da 4ª Região. Em 23 de outubro de 2014 o STF, finalmente, concluiu o julgamento relativo à forma de incidência do imposto de renda sobre rendimentos recebidos acumuladamente. A Corte entendeu que a alíquota do imposto deve ser aplicada ao rendimento recebido mês a mês, e não aquela que incidiria sobre valor total pago de uma única vez. Naquela assentada veiculouse, no sítio eletrônico do STF, notícia com o seguinte teor, na parte que interessa: Foi julgado pelo Supremo Tribunal Federal (STF) caso relativo à forma de incidência do Imposto de Renda (IR) sobre rendimentos recebidos acumuladamente, como ocorre no caso de disputas previdenciárias e trabalhistas. A Corte entendeu que a alíquota do IR deve ser a correspondente ao rendimento Fl. 99DF CARF MF Impresso em 27/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/01/2015 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 22/01/2015 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 26/01/2015 por TANIA MARA PA SCHOALIN Processo nº 11080.724791/201100 Acórdão n.º 2801003.921 S2TE01 Fl. 100 4 recebido mês a mês, e não aquela que incidiria sobre valor total pago de uma única vez, e, portanto, mais alta. (...) O julgamento do caso foi retomado hoje com votovista da ministra Cármen Lúcia, para quem, em observância aos princípios da capacidade contributiva e da isonomia, a incidência do IR deve considerar as alíquotas vigentes na data em que a verba deveria ter sido paga, observada a renda auferida mês a mês. “Não é nem razoável nem proporcional a incidência da alíquota máxima sobre o valor global, pago fora do prazo, como ocorre no caso examinado”, afirmou. A ministra citou o voto do ministro Marco Aurélio, proferido em sessão de maio de 2011, segundo o qual a incidência do imposto pela regra do regime de caixa, como prevista na redação original do artigo 12 da Lei 7.713/1988, gera um tratamento desigual entre os contribuintes. Aquele que entrou em juízo para exigir diferenças na remuneração seria atingido não só pela mora, mas por uma alíquota maior. Em seu voto, a ministra mencionou ainda argumento apresentado pelo ministro Dias Toffoli, que já havia votado anteriormente, segundo o qual a própria União reconheceu a ilegalidade da regra do texto original da Lei 7.713/1988, ao editar a Medida Provisória 497/2010, disciplinando que a partir dessa data passaria a utilizar o regime de competência (mês a mês). A norma, sustenta, veio para corrigir a distorção do IR para os valores recebidos depois do tempo devido. Em 04 de novembro de 2014 a decisão foi noticiada no Informativo nº 764 do STF, ostentando a seguinte redação: IRPF e valores recebidos acumuladamente 4 É inconstitucional o art. 12 da Lei 7.713/1988 (“No caso de rendimentos recebidos acumuladamente, o imposto incidirá, no mês do recebimento ou crédito, sobre o total dos rendimentos, diminuídos do valor das despesas com ação judicial necessárias ao seu recebimento, inclusive de advogados, se tiverem sido pagas pelo contribuinte, sem indenização”). Com base nessa orientação, em conclusão de julgamento e por maioria, o Plenário negou provimento a recurso extraordinário em que se discutia a constitucionalidade da referida norma — v. Informativo 628. O Tribunal afirmou que o sistema não poderia apenar o contribuinte duas vezes. Esse fenômeno ocorreria, já que o contribuinte, ao não receber as parcelas na época própria, deveria ingressar em juízo e, ao fazêlo, seria posteriormente tributado com uma alíquota superior de imposto de renda em virtude da junção do que percebido. Isso porque a exação em foco teria como fato gerador a disponibilidade econômica e jurídica da renda. A novel Lei 12.350/2010, embora não fizesse alusão expressa ao regime de competência, teria implicado a adoção desse regime mediante inserção de cálculos que Fl. 100DF CARF MF Impresso em 27/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/01/2015 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 22/01/2015 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 26/01/2015 por TANIA MARA PA SCHOALIN Processo nº 11080.724791/201100 Acórdão n.º 2801003.921 S2TE01 Fl. 101 5 direcionariam à consideração do que apontara como “épocas próprias”, tendo em conta o surgimento, em si, da disponibilidade econômica. Desse modo, transgredira os princípios da isonomia e da capacidade contributiva, de forma a configurar confisco e majoração de alíquota do imposto de renda. Vencida a Ministra Ellen Gracie, que dava provimento ao recurso por reputar constitucional o dispositivo questionado. Considerava que o preceito em foco não violaria o princípio da capacidade contributiva. Enfatizava que o regime de caixa seria o que melhor aferiria a possibilidade de contribuir, uma vez que exigiria o pagamento do imposto à luz dos rendimentos efetivamente percebidos, independentemente do momento em que surgido o direito a eles. RE 614406/RS, rel. orig. Min. Ellen Gracie, red. p/ o acórdão Min. Marco Aurélio, 23.10.2014. (RE614406) Sobreveio a publicação do acórdão do STF, cujo “Extrato de Ata” resume o resultado do julgamento da seguinte forma: Decisão: Prosseguindo no julgamento, o Tribunal, por maioria, decidindo o tema 368 da Repercussão Geral, negou provimento ao recurso, vencida a Ministra Ellen Gracie (Relatora), que lhe dava provimento. Ausente, neste julgamento, o Ministro Gilmar Mendes. Não votou a Ministra Rosa Weber por suceder à Ministra Ellen Gracie (Relatora). Redigirá o acórdão o Ministro Marco Aurélio. Presidiu o julgamento o Ministro Ricardo Lewandowski. Plenário, 23.10.2014. Colhese, no voto condutor vencedor redigido pelo Ministro Marco Aurélio, as seguintes passagens: Qual é a consequência de se entender de modo diverso do que assentado pelo Tribunal Regional Federal da 4ª Região? Haverá, como ressaltado pela doutrina, principalmente a partir de 2003, transgressão ao princípio da isonomia. Aqueles que receberam os valores nas épocas próprias ficaram sujeitos a certa alíquota. O contribuinte que viu resistida a satisfação do direito e teve que ingressar em Juízo será apenado, alfim, mediante a incidência de alíquota maior. Mais do que isso, tem se o envolvimento da capacidade contributiva, porque não é dado aferila, tendo em conta o que apontei como disponibilidade financeira, que diz respeito à posse, mas o estado jurídico notado à época em que o contribuinte teve jus à parcela sujeita ao Imposto de Renda. O desprezo a esses dois princípios conduziria a verdadeiro confisco e, diria, à majoração da alíquota do Imposto de Renda. (...) Por isso, no caso, desprovejo o recurso, assentando a inconstitucionalidade do artigo 12 – não do 12A, que resultou da medida provisória, da conversão em lei –, no que conferida interpretação alusiva à junção do que alcançado pelo contribuinte, considerados os vários exercícios. Fl. 101DF CARF MF Impresso em 27/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/01/2015 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 22/01/2015 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 26/01/2015 por TANIA MARA PA SCHOALIN Processo nº 11080.724791/201100 Acórdão n.º 2801003.921 S2TE01 Fl. 102 6 Verificase, portanto, que o voto condutor do acórdão negou provimento ao recurso da União e afastou a aplicabilidade da regra prevista no art. 12 da Lei nº 7.713/1998, declarandoa inconstitucional, em controle difuso, com julgamento submetido ao rito da repercussão geral (CPC, art. 543B). O entendimento da Suprema Corte, em sede de repercussão geral, é de observância obrigatória pelos membros deste Conselho, conforme disposto no art. 62A do Regimento Interno do CARF, assim descrito: Artigo 62A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. Assim, impõese a aplicação do entendimento externado pelo STF em julgamento realizado na sistemática da repercussão geral ao caso concreto, reconhecendo que houve um vício material no lançamento (apuração indevida da base de cálculo do tributo com repercussão na alíquota aplicável), haja vista que, embora os valores recebidos pelo Recorrente não se refiram a benefícios previdenciários, mas sim a verbas trabalhistas que lhe eram devidas pelo Poder Público estadual, foram apurados com fundamento no famigerado art. 12 da Lei nº 7.713/1998. Nesse contexto, voto por dar provimento ao recurso para cancelar a infração de omissão de rendimentos recebidos de pessoa jurídica decorrentes de ação trabalhista. Assinado digitalmente Marcelo Vasconcelos de Almeida Fl. 102DF CARF MF Impresso em 27/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/01/2015 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 22/01/2015 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 26/01/2015 por TANIA MARA PA SCHOALIN
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Numero do processo: 10680.009647/2008-12
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Sep 17 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Jan 22 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Contribuição de Intervenção no Domínio Econômico - CIDE
Período de apuração: 30/04/2003 a 22/12/2004
LICENÇA DE USO DE MARCA. INCIDÊNCIA.
Não se confunde cessão de marca com licença de uso de marca. A licença de uso de marca é expressamente mencionada na legislação como objeto dos contratos cuja contrapartida financeira sujeita-se à incidência da CIDE.
SERVIÇOS TÉCNICOS, DE ASSISTÊNCIA TÉCNICA, ADMINISTRATIVA E SEMELHANTES. INCIDÊNCIA.
A partir de 1º de janeiro de 2002, está sujeita à incidência da CIDE a remuneração prevista em contratos que tenham por objeto serviços técnicos, de assistência administrativa e semelhantes.
AQUISIÇÃO DE PROGRAMAS DE COMPUTADOR. AUSÊNCIA DE TRANSFERÊNCIA DE TECNOLOGIA. DESPESAS RELACIONADAS. NÃO INCIDÊNCIA.
Despesas relacionadas com a aquisição de programas de computador, em que não há a transferência de tecnologia, não se sujeitam à incidência da CIDE conquanto não sejam relativas à prestação pura de serviços de manutenção.
Numero da decisão: 3201-001.737
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. Os conselheiros Carlos Alberto Nascimento e Silva Pinto e Joel Miyazaki (presidente) votaram pelas conclusões.
(ASSINADO DIGITALMENTE)
JOEL MIYAZAKI - Presidente.
(ASSINADO DIGITALMENTE)
DANIEL MARIZ GUDIÑO - Relator.
EDITADO EM: 09/01/2015
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Joel Miyazaki, Ana Clarissa Masuko Araújo, Luciano Lopes de Almeida Moraes, Daniel Mariz Gudiño, Winderley Morais Pereira e Carlos Alberto Nascimento e Silva.
Nome do relator: DANIEL MARIZ GUDINO
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INCIDÊNCIA. Não se confunde cessão de marca com licença de uso de marca. A licença de uso de marca é expressamente mencionada na legislação como objeto dos contratos cuja contrapartida financeira sujeitase à incidência da CIDE. SERVIÇOS TÉCNICOS, DE ASSISTÊNCIA TÉCNICA, ADMINISTRATIVA E SEMELHANTES. INCIDÊNCIA. A partir de 1º de janeiro de 2002, está sujeita à incidência da CIDE a remuneração prevista em contratos que tenham por objeto serviços técnicos, de assistência administrativa e semelhantes. AQUISIÇÃO DE PROGRAMAS DE COMPUTADOR. AUSÊNCIA DE TRANSFERÊNCIA DE TECNOLOGIA. DESPESAS RELACIONADAS. NÃO INCIDÊNCIA. Despesas relacionadas com a aquisição de programas de computador, em que não há a transferência de tecnologia, não se sujeitam à incidência da CIDE conquanto não sejam relativas à prestação pura de serviços de manutenção. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. Os conselheiros Carlos Alberto Nascimento e Silva Pinto e Joel Miyazaki (presidente) votaram pelas conclusões. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 68 0. 00 96 47 /2 00 8- 12 Fl. 482DF CARF MF Impresso em 22/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/01/2015 por DANIEL MARIZ GUDINO, Assinado digitalmente em 21/01/2015 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 09/01/2015 por DANIEL MARIZ GUDINO 2 (ASSINADO DIGITALMENTE) JOEL MIYAZAKI Presidente. (ASSINADO DIGITALMENTE) DANIEL MARIZ GUDIÑO Relator. EDITADO EM: 09/01/2015 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Joel Miyazaki, Ana Clarissa Masuko Araújo, Luciano Lopes de Almeida Moraes, Daniel Mariz Gudiño, Winderley Morais Pereira e Carlos Alberto Nascimento e Silva. Relatório Tratase de recurso voluntário interposto por V & M do Brasil S/A, doravante apenas Recorrente, em razão do Acórdão nº 0225.987, de 15/03/2010, proferido pela 1ª Turma da Delegacia de Julgamento em Belo Horizonte (MG). Por bem descrever os fatos ocorridos até o julgamento da instância a quo, transcrevese abaixo o relatório do acórdão recorrido: Lavrouse contra o contribuinte acima identificado o presente Auto de Infração (fls. 05/16), relativo à Contribuição de Intervenção no Domínio Econômico Remessas ao Exterior (Cide), totalizando um crédito tributário de R$ 1.769.244,61, incluindo multa de ofício e juros de mora, correspondente a fatos geradores compreendidos entre 30/04/2003 e 22/12/2004 (fls. 10/13). A autuação ocorreu em virtude de falta/insuficiência de recolhimento da contribuição nos períodos acima identificados, conforme o Termo de Verificação Fiscal (TVF), de fls. 17/19. No TVF, a fiscalização destaca que foram encontradas diferenças a serem tributadas em relação à CideRoyaties, conforme os demonstrativos de fls. 17(verso)/18, tendo em vista a interpretação equivocada do contribuinte acerca dos créditos concedidos pelo art. 4º da Medida Provisória nº 2.15970, de 24 de agosto de 2001. Também foi constatada a falta de declaração/recolhimento da Cide Remessas para o Exterior em relação aos valores relacionados na planilha de fl. 18(verso). Os dispositivos legais infringidos constam na Descrição dos Fatos e Enquadramento(s) Legal(is) do referido Auto de Infração (fl. 09). Irresignado, tendo sido cientificado em 22/07/2008 (fl. 06), o autuado apresentou, em 21/08/2008, acompanhadas dos documentos de fls. 218/380, as suas razões de defesa (fls. 200/217), a seguir resumidas: Fl. 483DF CARF MF Impresso em 22/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/01/2015 por DANIEL MARIZ GUDINO, Assinado digitalmente em 21/01/2015 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 09/01/2015 por DANIEL MARIZ GUDINO Processo nº 10680.009647/200812 Acórdão n.º 3201001.737 S3C2T1 Fl. 483 3 Narrando os fatos considerados na formalização do presente lançamento, informa que optou por recolher a diferença encontrada pela fiscalização em relação à CideRoyaties, no valor original de R$ 700.743,61, com a redução de 50% da multa, conforme as guias de recolhimento anexas. Relaciona os valores de Cide questionados, que totalizam R$ 47.431,34, ordenando as remessas de acordo com cada fornecedor. Explica e detalha do que se trata cada uma delas. American Petroleum: referese à aquisição de licença anual para utilização de monograma API, como um emblema nos produtos previamente especificados, sem qualquer transferência de tecnologia envolvida. O American Petroleum Institute (API) é o proprietário dos direitos relacionados à marca de certificação, chamada de monograma API, que certifica que os produtos foram feitos respeitandose os requerimentos definidos pelo API no momento da sua fabricação. Embora a Lei nº 10.168, de 2000, tenha sofrido alterações, entende que por força do caput do art. 2º dessa Lei, a incidência da Cide está condicionada à transferência efetiva de tecnologia, já que essa norma especifica que a Cide é devida pela pessoa jurídica detentora de licença de uso ou adquirente de conhecimentos tecnológicos, bem como aquela signatária de contratos que impliquem transferência de tecnologia. Sobre o assunto, transcreve ementa da Solução de Consulta nº 239, de 2007, proferida pela SRRF/8ª RF. Capital Trade: referese a contratos de prestação de assistência e de serviços sem transferência de tecnologia e de serviços que independem de qualquer conhecimento especializado para sua realização. Grupo Bertoni: referese a contratos de prestação de assistência e de serviços (recrutamento e seleção de um trainee), sem transferência de tecnologia. Setval: referese a contratos de prestação de assistência e de serviços (pagamento de parcela para desenvolvimento e utilização de banco de dados), sem transferência de tecnologia. Androma Ltda.: referese a contratos de prestação de assistência técnica e de serviços (serviço de assessoria comercial), sem qualquer transferência de tecnologia. Sobre esses contratos de prestação de assistência e de serviços administrativos e semelhantes (Capital Trade, Grupo Bertoni, Setval e Androma), afirma que as respectivas remessas não se sujeitam à Cide, por não configurarem transferência de tecnologia. O Decreto que regulamenta a Cide deve se restringir ao dispositivo previsto em Lei, não lhe sendo autorizado criar ou estender hipótese ou interpretações lá previstas. E os parágrafos na própria Lei devem ser interpretados conforme o seu caput e não o contrário, assim como o Decreto, que visa apenas regulamentar dispositivo já previsto e delimitado em Lei. Os valores em questão, por se referirem a serviços técnicos/especializados sem a respectiva transferência de Fl. 484DF CARF MF Impresso em 22/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/01/2015 por DANIEL MARIZ GUDINO, Assinado digitalmente em 21/01/2015 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 09/01/2015 por DANIEL MARIZ GUDINO 4 tecnologia, não se sujeitam à Cide, pois, pensar de outra forma, seria ofender os princípios da hierarquia das normas e da legalidade. No que tange aos serviços nos quais nenhum conhecimento técnico seja aplicado, reconhecer a incidência da Cide significa rasgar a Constituição e destruir as Leis nºs 10.168, de 2000, e 10.332, de 2001, e seguintes. Nesse sentido, transcreve ementas de Consultas que dispõem que a Cide não incide sobre serviços cuja execução não dependa de conhecimentos técnicos especializados (Soluções de Consulta nº 142, de 2004, e nº 196, de 2003, ambas da SRRF/8ª RF). Conforme se infere da documentação anexa, as despesas se referem a equipamentos de computador, taxa de correspondência noturna, cópias/xerox, passagem aérea, reembolso de despesas efetuadas com alimentação, revisão simples de texto, taxa de utilização de fax, recrutamento e assessoria comercial. Em relação à reembolso de despesas, transcreve as ementas das Soluções de Consulta nº 50, de 2005, e nº 98, de 2004, ambas da SRRF/9ª RF. Assim, por se tratar de reembolso de despesas e pagamentos de serviços sem qualquer transferência de tecnologia ou que dependa de conhecimentos técnicos especializados, não há que se falar em incidência da Cide. I2 Technologies: referese à aquisição de software de cópias múltiplas ou de prateleira. Como reiteradamente discutido no judiciário e com respaldo em uma consulta formulada pela empresa à Receita Federal, não estão sujeitas à Cide as importâncias pagas, creditadas, entregues, empregadas ou remetidas ao exterior pela aquisição de programa de computador produzido em larga escala. Sobre a incidência do IRRF, cita a Solução Divergência Cosit nº 27, de 2008. Explica os objetivos do software desenvolvido pela I2 Technologies, destacando que tal programa deve respeitar a sistemática da empresa para apresentar um resultado efetivo, mas pode ser utilizado em qualquer empresa e ramo de atividade. Cita alguns dos usuários do software de cópias múltiplas, conforme o site do fornecedor. Informa que em anexo encontramse os registros de operações de câmbio para cada um dos fornecedores, invoices e faturas, cartas contendo a abertura do reembolso pleiteado pelo fornecedor, contrato da API, email com explicação do monograma API, lista de alguns clientes da I2, email com o depoimento de um dos clientes da I2 e guias de recolhimento no total de R$ 1.399.886,25. Por fim, requer seja declarada a insubsistência do lançamento tributário efetuado, no que tange ao valor principal de R$ 47.341,34. A instância a quo julgou improcedente a impugnação nos termos do já citado acórdão, que restou assim ementado: Fl. 485DF CARF MF Impresso em 22/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/01/2015 por DANIEL MARIZ GUDINO, Assinado digitalmente em 21/01/2015 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 09/01/2015 por DANIEL MARIZ GUDINO Processo nº 10680.009647/200812 Acórdão n.º 3201001.737 S3C2T1 Fl. 484 5 ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO DE INTERVENÇÃO NO DOMÍNIO ECONÔMICO CIDE Período de apuração: 30/04/2003 a 22/12/2004 CIDE INCIDÊNCIA A partir de 1º de janeiro de 2002, os valores pagos, creditados, entregues, empregados ou remetidos a beneficiário residente ou domiciliado no exterior a título de royalties ou pela remuneração de contratos que tenham por objeto: fornecimento de tecnologia; prestação de assistência técnica (serviços de assistência técnica e serviços técnicos especializados); serviços técnicos e de assistência administrativa e semelhantes; cessão e licença de uso de marcas; e cessão e licença de exploração de patentes estão sujeitos ao pagamento da Cide. Impugnação improcedente Crédito Tributário Mantido Inconformada com a manutenção do lançamento, a Recorrente interpôs recurso voluntário tempestivamente, reiterando, em suma, os argumentos suscitados em sua defesa original. O processo foi distribuído e sorteado a este Conselheiro, seguindo o rito regimental. É o relatório. Voto Conselheiro Daniel Mariz Gudiño O recurso voluntário atende os pressupostos de admissibilidade previstos no Decreto nº 70.235, de 1972, e alterações posteriores, razão pela qual deve ser conhecido. O cerne da questão cingese às hipóteses de incidência da Contribuição de Intervenção no Domínio Econômico – CIDE instituída pela Lei nº 10.168, de 2000. Em síntese, a Recorrente alega que a parcela do lançamento original que se manteve em litígio não configura fato gerador do tributo, uma vez que não há transferência de tecnologia nas obrigações contratuais que ensejaram as remessas ao exterior. A Recorrente subdivide as suas alegações para três tipos de remessa ao exterior, a saber: (i) royalties pela licença de uso do monograma API, (ii) remuneração pela prestação de serviços que não envolvem a transferência de tecnologia; e (iii) despesas efetuadas com aquisição de software. No tocante aos royalties pela licença de uso do monograma API, a Recorrente invoca a Solução de Consulta nº 239/07, da Superintendência Regional da Receita Fl. 486DF CARF MF Impresso em 22/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/01/2015 por DANIEL MARIZ GUDINO, Assinado digitalmente em 21/01/2015 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 09/01/2015 por DANIEL MARIZ GUDINO 6 Federal / 8ª Região Fiscal, a fim de justificar o cancelamento do lançamento no tocante as respectivas remessas. Confirase abaixo a ementa da referida solução de consulta: Processo de Consulta nº 239/07 Órgão: Superintendência Regional da Receita Federal SRRF / 8a. Região Fiscal Assunto: Outros Tributos ou Contribuições Ementa: CIDE Aquisição de Marca e de Tecnologia na Fabricação do Produto. A importância paga, creditada, entregue, empregada ou remetida por pessoa jurídica com sede no Brasil à pessoa jurídica domiciliada no exterior pela cessão (aquisição) de marca de produto, não está sujeita à incidência da Cide, por não caracterizar hipótese de incidência da referida contribuição. Se o preço contratado englobar a aquisição da marca e também a tecnologia usada na fabricação do produto, mas tais valores forem segredados para efeito de registro junto ao Instituto Nacional da Propriedade Industrial INPI e pagamento, sobre o valor relativo ao fornecimento da tecnologia ocorre a incidência da Contribuição de Intervenção no Domínio Econômico, por se tratar de hipótese prevista no art. 2º da Lei Nº 10.168, de 2000. Dispositivos Legais: Art. 2º da Lei Nº 10.168, de 29.12.2000 (alterado pelo art. 6º da Lei Nº 10.332, de 19.12.2001) e art. 10 do Decreto Nº 4.195, de 11.04.2002. (Grifos da Recorrente) A despeito do esforço da Recorrente, a situação fática analisada na solução de consulta por ela invocada não se amolda à situação fática do caso concreto. Isso porque a cessão de marca pressupõe a transferência da titularidade da marca, ao passo que a licença de uso não pressupõe a manutenção dessa titularidade. Nesse contexto, merece transcrição os arts. 134 e 139 da Lei nº 9.279, de 1996 (Lei de Propriedade Industrial), in verbis: Art. 134. O pedido de registro e o registro poderão ser cedidos, desde que o cessionário atenda aos requisitos legais para requerer tal registro. [...] Art. 139. O titular de registro ou o depositante de pedido de registro poderá celebrar contrato de licença para uso da marca, sem prejuízo de seu direito de exercer controle efetivo sobre as especificações, natureza e qualidade dos respectivos produtos ou serviços. Parágrafo único. O licenciado poderá ser investido pelo titular de todos os poderes para agir em defesa da marca, sem prejuízo dos seus próprios direitos. No caso concreto, o American Petroleum Institute não cedeu a sua marca à Recorrente, mas tãosomente a licenciou para ser utilizada nos produtos da Recorrente como selo de qualidade. A legislação que rege a CIDE é clara no sentido de estabelecer a licença de uso de marca como uma das suas hipóteses de incidência. Logo, não merece prosperar a alegação recursal. Fl. 487DF CARF MF Impresso em 22/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/01/2015 por DANIEL MARIZ GUDINO, Assinado digitalmente em 21/01/2015 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 09/01/2015 por DANIEL MARIZ GUDINO Processo nº 10680.009647/200812 Acórdão n.º 3201001.737 S3C2T1 Fl. 485 7 Quanto à remuneração pela prestação de serviços que não envolvem a transferência de tecnologia, a Recorrente alega que se a CIDE é destinada a promover o desenvolvimento tecnológico brasileiro, não poderia incidir sobre determinado tipo de pagamento que em nada implica em transferência de tecnologia. Ao fazer isso, a Recorrente está indiretamente questionando a constitucionalidade da Lei nº 10.332, de 2001, que passou a prever a incidência do tributo em tela na remessa ao exterior a título de remuneração pela prestação de serviços que não envolvem a transferência de tecnologia. Como se sabe, o CARF não é competente para apreciar a constitucionalidade da legislação tributária (cf. Sumular CARF nº 2), podendo afastar tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo somente quando (a) houver decisão definitiva do Tribunal Pleno do Supremo Tribunal Federal apontando a sua inconstitucionalidade, ou (b) fundamente crédito tributário objeto de (i) dispensa legal de constituição ou de ato declaratório do Procurador Geral da Fazenda Nacional, (ii) súmula da AdvocaciaGeral da União, ou (iii) pareceres do AdvogadoGeral da União aprovados pelo Presidente da República (cf. Decreto nº 70.235, de 1972, art. 26A, § 6º). Adicionalmente, a Recorrente invoca o Ato Declaratório Normativo SRF nº 1, de 2000, que estabelece critérios objetivos para definir contratos de prestação de assistência técnica e de serviços técnicos, a fim de corroborar a sua tese. Contudo, o referido ato normativo não versa sobre a CIDE, e ainda que versasse não seria abrangente o suficiente para excluir os serviços de assistência administrativa e semelhantes do campo de incidência dessa contribuição especial. Mas a Recorrente não para por aí. Traz em seu arrazoado ementas de soluções de consulta que reconhecem expressamente a impossibilidade exigência da CIDE em serviços cuja prestação não exigem conhecimentos técnicos especializados. Além de as soluções de consulta produzirem efeitos exclusivamente aos consulentes, somente poderiam servir aos propósitos da Recorrente se os serviços nelas analisados fossem os mesmos serviços analisados no caso concreto, e não o são. No caso concreto, não se discute se os serviços contratados pela Recorrente envolvem a transferência de tecnologia, e sim se são serviços técnicos, de assistência técnica, administrativa e semelhantes – hipóteses de incidência da CIDE. É inegável que serviços de recrutamento e seleção prestados pelo Grupo Bertoni exigem conhecimentos técnicos especializados. Da mesma forma, os serviços de propaganda e publicidade prestados pela Androma. E o que se dirá dos serviços de desenvolvimento e utilização de banco de dados internacional oferecidos pela Setval? Certamente o são. Com mais razão ainda caracterizamse assim os serviços de assessoria em procedimentos antidumping prestados pela Capital Trade. A verdade é que, após o início da vigência da Lei nº 10.332, de 2001, a maioria dos serviços passaram a ser abrangidos pela CIDE, com exceção de serviços menos complexos, como serviços de limpeza, serviços de vigilância e outros serviços geralmente confiados a empresas cedentes de mão de obra. Particularmente no que diz respeito aos serviços prestados pela Capital Trade, a Recorrente alega que não pode haver a exigência da CIDE sobre valores por ela reembolsados. Ocorre que o reembolso de despesas não é uma natureza em si. O tratamento tributário a ser conferido ao reembolso de despesas deve ser aquele que seria dado se as Fl. 488DF CARF MF Impresso em 22/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/01/2015 por DANIEL MARIZ GUDINO, Assinado digitalmente em 21/01/2015 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 09/01/2015 por DANIEL MARIZ GUDINO 8 despesas fossem incorridas diretamente pela fonte pagadora. Assim, se o reembolso de despesas se refere à prestação de serviços técnicos especializados, o tratamento tributário a ser dado ao reembolso é o mesmo que seria dado se o pagamento por tais serviços fossem realizados diretamente pelo responsável pelo reembolso. A mencionada Decisão SRRF/8ª RF/Disit nº 210, de 21/09/2000, que trata da composição do preço dos serviços contratados na hipótese de reembolso, não favorece à Recorrente. Com efeito, também quanto à remuneração pela prestação de serviços que não envolvem a transferência de tecnologia, não merece prosperar as alegações recursais. Finalmente, no que diz respeito às despesas efetuadas com aquisição de software, a Recorrente alega que o Supremo Tribunal Federal já decidiu que não estão sujeitas à incidência da CIDE as importâncias pagas, creditadas, entregues, empregadas ou remetidas ao exterior pela aquisição de programa de computador produzido em larga escala, sendo certo que o software por ela adquirido da I2 Technologies possui essa característica. Corroborando esse entendimento, a Recorrente faz menção novamente à Solução Divergência Cosit nº 27, de 2008. E mais, alega que as remessas ao exterior realizadas a título de suporte técnico anual para o Contrato MS97058 no período de 19/10/04 a 18/10/05 (tradução livre de Annual Support per Agreement MS97058 for the period 10/19/04 to 10/18/05) devem seguir o tratamento tributário do próprio software produzido em larga escala, eis que é uma condição contratual da venda do software por parte do seu titular. A instância a quo divergiu sob a premissa de que tais remessas seriam realizadas a título de serviços técnicos de manutenção do programa de computador, e como tal estariam sujeitas à exigência da CIDE. Neste particular, parece assistir razão à Recorrente, uma vez que a aquisição do software estava previamente condicionada ao pagamento da taxa de manutenção, nos termos da cláusula terceira do contrato firmado entre a Recorrente e a I2 Technologies. Conforme se depreende da referida cláusula (efl. 177), o pagamento dessa taxa dá à Recorrente o direito de fazer contato com o suporte técnico da I2 Technologies, em caso de falha no sistema ou nas atualizações (manutenção), bem como o direito a ter acesso às atualizações do software referentes a melhoramentos ou modificações (melhoramentos). Não se trata de uma mera prestação de serviços como entendeu a instância a quo. Tratase de uma potencial prestação de serviço de manutenção e eventual licença de uso de eventuais atualizações do programa de computador. Portanto, considerando que (i) não há incidência da CIDE nas licenças de uso de programas de computador, que não envolvem a transferência de tecnologia, (ii) o art. 2º, § 1A, da Lei nº 10.168, de 2000, com redação dada pela Lei nº 11.452, de 2007, é uma norma interpretativa, e (iii) não se questionou a natureza do software adquirido pela Recorrente declarado como de larga escala; a decisão recorrida deve ser reformada neste particular. Diante do exposto, DOU PARCIAL PROVIMENTO ao recurso voluntário, exonerando o crédito tributário referente às remessas ao exterior realizadas em favor da I2 Technologies. (ASSINADO DIGITALMENTE) Fl. 489DF CARF MF Impresso em 22/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/01/2015 por DANIEL MARIZ GUDINO, Assinado digitalmente em 21/01/2015 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 09/01/2015 por DANIEL MARIZ GUDINO Processo nº 10680.009647/200812 Acórdão n.º 3201001.737 S3C2T1 Fl. 486 9 Daniel Mariz Gudiño Relator Fl. 490DF CARF MF Impresso em 22/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/01/2015 por DANIEL MARIZ GUDINO, Assinado digitalmente em 21/01/2015 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 09/01/2015 por DANIEL MARIZ GUDINO
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Numero do processo: 15586.000529/2005-80
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Sep 25 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Fri Dec 19 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Outros Tributos ou Contribuições
Período de apuração: 12/02/1988 a 16/10/1989
FINSOCIAL. REPETIÇÃO. COMPENSAÇÃO DE INDÉBITO TRIBUTÁRIO. PRESCRIÇÃO/DECADÊNCIA. UNIFORMIZAÇÃO DE JURISPRUDÊNCIA. TRIBUNAIS SUPERIORES. (ART. 543-B E 543-C DO CPC). NECESSIDADE DE REPRODUÇÃO DAS DECISÕES PELO CARF (ART. 62-A DO RI-CARF). IRRETROATIVIDADE DA LEI COMPLEMENTAR Nº 118/2005. PEDIDO FORMULADO ANTES DE 09/06/2005.
Para os pedidos de restituição/compensação protocolizados antes da vigência da Lei Complementar nº 118/2005, o prazo decadencial/prescricional é de 10 anos a partir do pagamento. Aplicação do entendimento externado no RE 566.621.
Recurso Especial do Contribuinte Negado
Numero da decisão: 9303-003.149
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso especial.
Otacílio Dantas Cartaxo - Presidente
Maria Teresa Martínez López - Relatora
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Nanci Gama, Rodrigo da Costa Pôssas, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva, Joel Miyazaki, Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo, Antonio Carlos Atulim, Fabiola Cassiano Keramidas, Maria Teresa Martínez López e Otacílio Dantas Cartaxo.
Nome do relator: MARIA TERESA MARTINEZ LOPEZ
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RESTITUIÇÃO. DECADÊNCIA Recorrente DLD COMÉRCIO VAREJISTA LTDA (nova denominação de DADALTO S/A) Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: OUTROS TRIBUTOS OU CONTRIBUIÇÕES Período de apuração: 12/02/1988 a 16/10/1989 FINSOCIAL. REPETIÇÃO. COMPENSAÇÃO DE INDÉBITO TRIBUTÁRIO. PRESCRIÇÃO/DECADÊNCIA. UNIFORMIZAÇÃO DE JURISPRUDÊNCIA. TRIBUNAIS SUPERIORES. (ART. 543B E 543C DO CPC). NECESSIDADE DE REPRODUÇÃO DAS DECISÕES PELO CARF (ART. 62A DO RICARF). IRRETROATIVIDADE DA LEI COMPLEMENTAR Nº 118/2005. PEDIDO FORMULADO ANTES DE 09/06/2005. Para os pedidos de restituição/compensação protocolizados antes da vigência da Lei Complementar nº 118/2005, o prazo decadencial/prescricional é de 10 anos a partir do pagamento. Aplicação do entendimento externado no RE 566.621. Recurso Especial do Contribuinte Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso especial. Otacílio Dantas Cartaxo Presidente Maria Teresa Martínez López Relatora AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 58 6. 00 05 29 /2 00 5- 80 Fl. 1187DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/11/2014 por MARIA TERESA MARTINEZ LOPEZ, Assinado digitalmente em 13/ 11/2014 por MARIA TERESA MARTINEZ LOPEZ, Assinado digitalmente em 18/11/2014 por OTACILIO DANTAS CAR TAXO Processo nº 15586.000529/200580 Acórdão n.º 9303003.149 CSRFT3 Fl. 1.188 2 Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Nanci Gama, Rodrigo da Costa Pôssas, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva, Joel Miyazaki, Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo, Antonio Carlos Atulim, Fabiola Cassiano Keramidas, Maria Teresa Martínez López e Otacílio Dantas Cartaxo. Relatório Tratase de Recurso Especial de Divergência interposto pela contribuinte a esta Câmara Superior de Recursos Fiscais (CSRF) onde discute prazo para repetir/compensar tributo. Por meio do Acórdão nº 340100.802, de 1º de julho de 2010, os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, negaram provimento ao recurso. A ementa dessa decisão está assim redigida: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 12/02/1988 a 16/10/1989 AUTOCOMPENSAÇÃO MEDIANTE A UTILIZAÇÃO DE CRÉDITO DE FINSOCIAL TIDO COMO RECOLHIDO A MAIOR. RECOLHIMENTOS EFETUADOS HA MAIS DE CINCO ANOS DA DATA EM QUE SE DEU A AUTOCOMPENSAÇÃO. RESTITUIÇÃO DE TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. PRAZO PARA EFETUAR 0 PEDIDO. CINCO ANOS CONTADOS DA DATA DO PAGAMENTO INDEVIDO. Na forma do § 1° do art. 150 do CTN, à extinção do crédito tributário se dá com o pagamento do crédito, sob condição resolutória de ulterior homologação, o que implica em que o direito de restituição de indébito, previsto no inciso I do artigo 165, deve observar ao prazo de cinco anos a que se refere o inciso I do artigo 168, qual seja, de cinco anos contados da data de extinção do crédito tributário. Atingidos pela decadência os pagamentos efetuados em data anterior a março de 1997. Recurso Voluntário Negado. A recorrente, por meio de recurso especial, suscitou divergência quanto ao prazo para fins de reconhecimento de indébito tributário. Apontou dissídio em relação ao Acórdão 30131.403 (CSRF/0304.227), cuja ementa foi transcrita no corpo da peça recursal. Em síntese, aduz que: “Nos termos das decisões paradigmas, o inicio do prazo para a recuperação dos pagamentos indevidos para o FINSOCIAL só começou .a correr a partir do dia 12/06/98, data da publicação da Medida Provisória n° 1.62136/98, mediante a qual o Poder Executivo ensejou, inequivocadamente a possibilidade de a parte interessada fazer a petição, autorizandose, assim que os contribuintes pudessem requer sua suas restituições pelo período de 5 anos.” Por meio do Despacho nº 340000.087 e sob o entendimento de estarem presentes os requisitos de admissibilidade deuse seguimento ao recurso interposto. Fl. 1188DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/11/2014 por MARIA TERESA MARTINEZ LOPEZ, Assinado digitalmente em 13/ 11/2014 por MARIA TERESA MARTINEZ LOPEZ, Assinado digitalmente em 18/11/2014 por OTACILIO DANTAS CAR TAXO Processo nº 15586.000529/200580 Acórdão n.º 9303003.149 CSRFT3 Fl. 1.189 3 A Fazenda Nacional, em suas contrarrazões, pede para que seja aplicado o entendimento do STF, em sede de repercussão geral, que concluiu que o prazo para repetição de indébito dos pedidos protocolados antes de 09/06/2005 é de dez anos, contados da ocorrência do fato gerador. É o relatório. Voto Conselheira Maria Teresa Martínez López, Relatora O recurso atende aos requisitos legais de admissibilidade e dele tomo conhecimento. A Recorrente foi autuada por falta de recolhimento da COFINS no período de apuração de abril de 2001 a dezembro de 2002. A contribuinte alegou ter realizado compensação dos débitos de COFINS, com créditos oriundos de pagamentos indevidos a título de FINSOCIAL (alíquota excedente a 0,5 %, declarada inconstitucional pelo STF em julgamento de Recurso Extraordinário pelo Tribunal Pleno para as empresas comerciais e mistas). O acórdão recorrido entendeu como decaído o direito da Recorrente, uma vez que os pagamentos indevidos ocorreram entre os períodos de fevereiro de 1988 e outubro de 1989, e foram utilizados para compensar débitos da COFINS entre os períodos abril de 2001 a dezembro de 2002, por já terem se passado mais de cinco anos entre os pagamentos indevidos e as compensações. Consta do voto da decisão recorrida: Em resumo, portanto, entendo que a normatização da repetição de indébito está toda tratada pelo CTN, mais especificamente, no art. 168, com a interpretação autêntica trazida pelo art. 3° da Lei complementar n° 118/2005, de forma que, o prazo de que dispõem os contribuintes para formular o pedido de repetição de indébito ou de utilizálo em procedimento de compensação é de cinco anos contados da data do pagamento. Assim, considerando que o sujeito passivo iniciou os procedimentos de compensação após março de 2002, os pagamentos compreendidos no período anterior a março de 1997 todos, portanto não podem ser restituídos e/ou compensados, fulminados que foram pelos institutos da decadência/prescrição. A matéria, no que diz respeito ao prazo para pleitear recolhimentos indevidos ou a maior de tributo já se encontra pacificada neste Colegiado, por força do que dispôs o Regimento do CARF. Registrese, apesar da demonstração da divergência existente, que o entendimento encampado no acórdão paradigma encontrase totalmente superado no âmbito do CARF, em razão da decisão do STF, em sede de repercussão geral, que concluiu que o prazo Fl. 1189DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/11/2014 por MARIA TERESA MARTINEZ LOPEZ, Assinado digitalmente em 13/ 11/2014 por MARIA TERESA MARTINEZ LOPEZ, Assinado digitalmente em 18/11/2014 por OTACILIO DANTAS CAR TAXO Processo nº 15586.000529/200580 Acórdão n.º 9303003.149 CSRFT3 Fl. 1.190 4 para repetição de indébito dos pedidos protocolados antes de 09/06/2005 é de dez anos, contados da ocorrência do fato gerador. De acordo com o art. 62A do RICARF, os Conselheiros deverão reproduzir as decisões do STF e STJ, que tenham sido objeto de uniformização de jurisprudência, de acordo com a sistemática dos arts. 543B e 543C do CPC, verbis: “Art. 62A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF.” Nesse sentido, peço vênia para transcrever a ementa do RE nº 566.621/RS, de relatoria da Min. Ellen Gracie: DIREITO TRIBUTÁRIO – LEI INTERPRETATIVA – APLICAÇÃO RETROATIVA DA LEI COMPLEMENTAR Nº 118/2005 – DESCABIMENTO – VIOLAÇÃO À SEGURANÇA JURÍDICA – NECESSIDADE DE OBSERVÂNCIA DA VACATIO LEGIS – APLICAÇÃO DO PRAZO REDUZIDO PARA REPETIÇÃO OU COMPENSAÇÃO DE INDÉBITOS AOS PROCESSOS AJUIZADOS A PARTIR DE 9 DE JUNHO DE 2005. Ainda que afastado o prazo de 5 anos na contagem, mesmo assim, na linha da jurisprudência firmada, considerando que os pagamentos indevidos ocorreram no período entre fevereiro de 1988 a outubro de 1989 e as compensações alegadas ocorreram entre os períodos abril de 2001 a dezembro de 2002, aplicandose a tese dos 10 anos retroativos ao pedido de restituição/compensação, todos os períodos encontramse decaídos/prescritos. CONCLUSÃO Por todo o exposto, voto no sentido de NEGAR provimento ao recurso da contribuinte. Maria Teresa Martínez López Fl. 1190DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/11/2014 por MARIA TERESA MARTINEZ LOPEZ, Assinado digitalmente em 13/ 11/2014 por MARIA TERESA MARTINEZ LOPEZ, Assinado digitalmente em 18/11/2014 por OTACILIO DANTAS CAR TAXO
score : 1.0
Numero do processo: 19515.720445/2012-80
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Dec 11 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Fri Jan 02 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 01/01/2007 a 31/12/2009
LANÇAMENTO. PERÍODO DECADENCIAL PARA CONSTITUIÇÃO DE CRÉDITO TRIBUTÁRIO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO COM ANTECIPAÇÃO DO PAGAMENTO.
Quando há a antecipação de pagamento em tributo sujeito ao lançamento por homologação, o prazo para constituição do crédito é de cinco anos, contados da data do fato gerador, nos termos do art. 150, §4o, do CTN.
OMISSÃO DE RECEITA. FALTA DE DEMONSTRAÇÃO DE DOLO. INAPLICABILIDADE DE MULTA QUALIFICADA.
A Súmula nº 14, do CARF, determina que A simples apuração de omissão de receita ou de rendimentos, por si só, não autoriza a qualificação da multa de ofício, sendo necessária a comprovação do evidente intuito de fraude do sujeito passivo. No presente caso, apesar de restar demonstrada a declaração de valor abaixo do realmente devido, não está presente o evidente intuito de fraude.
Numero da decisão: 3401-002.836
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
JÚLIO CÉSAR ALVES RAMOS - Presidente.
JEAN CLEUTER SIMÕES MENDONÇA - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Júlio César Alves Ramos (Presidente), Robson José Bayerl, Jean Cleuter Simões Mendonça, Cláudio Monroe Massetti (Suplente) e Bernardo Leite Queiroz Lima.
Nome do relator: JEAN CLEUTER SIMOES MENDONCA
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI Período de apuração: 01/01/2007 a 31/12/2009 LANÇAMENTO. PERÍODO DECADENCIAL PARA CONSTITUIÇÃO DE CRÉDITO TRIBUTÁRIO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO COM ANTECIPAÇÃO DO PAGAMENTO. Quando há a antecipação de pagamento em tributo sujeito ao lançamento por homologação, o prazo para constituição do crédito é de cinco anos, contados da data do fato gerador, nos termos do art. 150, §4o, do CTN. OMISSÃO DE RECEITA. FALTA DE DEMONSTRAÇÃO DE DOLO. INAPLICABILIDADE DE MULTA QUALIFICADA. A Súmula nº 14, do CARF, determina que A simples apuração de omissão de receita ou de rendimentos, por si só, não autoriza a qualificação da multa de ofício, sendo necessária a comprovação do evidente intuito de fraude do sujeito passivo. No presente caso, apesar de restar demonstrada a declaração de valor abaixo do realmente devido, não está presente o evidente intuito de fraude.
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PERÍODO DECADENCIAL PARA CONSTITUIÇÃO DE CRÉDITO TRIBUTÁRIO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO COM ANTECIPAÇÃO DO PAGAMENTO. Quando há a antecipação de pagamento em tributo sujeito ao lançamento por homologação, o prazo para constituição do crédito é de cinco anos, contados da data do fato gerador, nos termos do art. 150, §4o, do CTN. OMISSÃO DE RECEITA. FALTA DE DEMONSTRAÇÃO DE DOLO. INAPLICABILIDADE DE MULTA QUALIFICADA. A Súmula nº 14, do CARF, determina que “A simples apuração de omissão de receita ou de rendimentos, por si só, não autoriza a qualificação da multa de ofício, sendo necessária a comprovação do evidente intuito de fraude do sujeito passivo”. No presente caso, apesar de restar demonstrada a declaração de valor abaixo do realmente devido, não está presente o evidente intuito de fraude. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. JÚLIO CÉSAR ALVES RAMOS Presidente. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 72 04 45 /2 01 2- 80 Fl. 3564DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/12/2014 por JEAN CLEUTER SIMOES MENDONCA, Assinado digitalmente em 02 /01/2015 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 29/12/2014 por JEAN CLEUTER SIMOES ME NDONCA 2 JEAN CLEUTER SIMÕES MENDONÇA Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Júlio César Alves Ramos (Presidente), Robson José Bayerl, Jean Cleuter Simões Mendonça, Cláudio Monroe Massetti (Suplente) e Bernardo Leite Queiroz Lima. Relatório Trata o presente processo de auto de infração (fls. 3.518/3.522) pelo qual é exigida diferença do IPI não recolhido referente a fatos geradores ocorridos entre 31/01/2007 e 31/12/2009, além de juros e multa qualificada que totalizaram o montante de R$ 31.905.690,70. Conforme consta no termo de verificação fiscal (fls. 3.506/3.508), a Contribuinte declarou em DCTF o valor do IPI menor que o realmente devido. O auditorfiscal consignou, ainda, a existência de práticas descritas nos arts. 71, 72 e 73, da Lei nº 4.502/64, vez que em diversos meses foram lançados nos Livros de Registro e de Apuração do IPI valores menores que os constantes nas notas fiscais. A Contribuinte apresentou a impugnação (fls. 3.215/3.230), mas a DRJ em Ribeirão Preto/SP manteve o lançamento integralmente, ao prolatar acórdão (fls. 3.491/3.504) com a seguinte ementa: “COMUNICAÇÃO DOS ATOS PROCESSUAIS. DOMICÍLIO TRIBUTÁRIO DO SUJEITO PASSIVO. As notificações e intimações devem ser enviadas ao domicílio tributário eleito pelo sujeito passivo. DECADÊNCIA. LANÇAMENTO. DOLO, FRAUDE OU SIMULAÇÃO. O direito de a Fazenda Pública rever o lançamento em que o sujeito passivo tenha se utilizado de dolo, fraude ou simulação, se extingue no prazo de 5 (cinco) anos constados do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. MULTA QUALIFICADA. Estando presente os atos caracterizadores de fraude, dolo e simulação, tornase aplicável a multa qualificada de 150%. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA DO SÓCIO ADMINISTRADOR. A impugnação deve mencionar a qualificação do impugnante. Não cabe, em sede de julgamento, apreciar oposição à imputação de responsabilidade solidária na impugnação apresentada pela pessoa jurídica, na medida em que a ela não Fl. 3565DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/12/2014 por JEAN CLEUTER SIMOES MENDONCA, Assinado digitalmente em 02 /01/2015 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 29/12/2014 por JEAN CLEUTER SIMOES ME NDONCA Processo nº 19515.720445/201280 Acórdão n.º 3401002.836 S3C4T1 Fl. 3.565 3 detém legitimidade, e nem interesse, para tanto e considerarseá não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo responsável indicado no Termo de Responsabilização. Impugnação Improcedente”. A Contribuinte foi intimada do acórdão da DRJ em 26/09/2012 (fl. 3.364) e interpôs recurso voluntário em 25/10/2012 (fls. 3.366/3.394) com as alegações resumidas abaixo: 1 A autoridade fiscal transferiu parte de parcela supostamente não litigiosa para o processo de nº 10880.728333/201234, não obstante, a Contribuinte pediu o cancelamento de todo o lançamento, de modo que não existe parte não litigiosa; 2 Foi lavrado termo de responsabilidade contra o sócio Umberto P. Movizzo, mas, durante o procedimento fiscal, ele não recebeu nenhuma intimação, o que fere o princípio da ampla defesa e do contraditório; 3 O lançamento contra a pessoa jurídica não pode gerar qualquer efeito contra a pessoa física, vez que este não está incluído no auto de infração; 4 Faltaram fundamentos para que a responsabilização do sócio; 5 Estão decaídos os lançamentos referentes aos meses de janeiro e fevereiro de 2007, em razão de ter havido a antecipação no recolhimento; 6 A escrituração de valores inferiores aos importes de faces dos documentos fiscais emitidos não configura que o delito foi fruto de esquema específico de fraude, sonegação ou conluio, de modo que a multa deve ser reduzida de 150% para 75%. Ao final, a Recorrente pediu a nulidade do lançamento. É o Relatório. Fl. 3566DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/12/2014 por JEAN CLEUTER SIMOES MENDONCA, Assinado digitalmente em 02 /01/2015 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 29/12/2014 por JEAN CLEUTER SIMOES ME NDONCA 4 Voto Conselheiro Jean Cleuter Simões Mendonça O recurso é tempestivo e atende os demais requisitos de admissibilidade, razão pela qual dele tomo conhecimento. Foram devolvidas para apreciação deste Conselho três matérias: impossibilidade de responsabilidade do sócio; decadência parcial; impossibilidade de aplicação de multa qualificada. 1 Da impossibilidade de responsabilização do sócio Quanto à alegação de impossibilidade de responsabilização do sócio, deixo de conhecer a matéria, pois a única Recorrente é a pessoa jurídica, Capri Indústria e Comércio de Produtos Para Lazer Ltda, e esta não tem legitimidade para defender o sócio. Como o interessado nessa matéria não se manifestou, não cabe à Recorrente arguir na defesa de outrem, bem como não se trata de matéria de ordem pública a ser conhecida ex officio por este Conselho. 2 Da decadência parcial A Recorrente se apoia no Recurso Especial nº 973.733, reconhecido como representativo de controvérsia nos termos do art. 543C, do CPC, para alegar que estão decaídos os períodos de janeiro e fevereiro de 2007, vez que ocorreu antecipação do pagamento, de modo a se aplicar o art. 150, §4º, do CTN. No presente caso, como já dito alhures, o auto de infração trata de lançamento de IPI, tributo sujeito ao lançamento por homologação, referente aos fatos geradores ocorridos entre 31/01/2007 e 31/12/2009. Apesar de não se ter localizado a data da ciência do lançamento, o auto de infração foi lavrado em março de 2012 (fls. 3.518/3.522). Já está pacificado que o prazo decadencial para o lançamento dos tributos é de cinco anos. Superada essa questão, a dúvida que resta é do termo inicial, se começa a contar da data do fato gerador, conforme art. 150, §4o, do CTN, ou do primeiro dia do exercício seguinte àquele no qual poderia ter sido lançado, consoante art. 173, inciso I, também do CTN. Essa dúvida, tratandose de tributos sujeitos ao lançamento por homologação deve ser dirimida no caso concreto, dependendo da antecipação ou não do pagamento. Conforme decisão do STJ no Recurso Especial nº 973.733, julgado pela sistemática do art. 543C, do CPC, quando os tributos são sujeitos ao lançamento por homologação, a regra é que o lustro decadencial inicia na data do fato gerador. A exceção à regra para esses tributos ocorre somente quando o contribuinte não antecipa o pagamento ou age com intuito fraudulento, o que leva o prazo decadencial a ser contado na forma do art. 173, inciso I, do CTN. Logo, para saber qual o início do prazo decadencial para que a Fazenda possa constituir o crédito tributário dos tributos sujeitos ao lançamento por homologação, deve ser Fl. 3567DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/12/2014 por JEAN CLEUTER SIMOES MENDONCA, Assinado digitalmente em 02 /01/2015 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 29/12/2014 por JEAN CLEUTER SIMOES ME NDONCA Processo nº 19515.720445/201280 Acórdão n.º 3401002.836 S3C4T1 Fl. 3.566 5 analisado se houve ou não a antecipação do pagamento, ainda que seja parcial, ou existência de fraude. No lançamento, está bem claro que existiu declaração de IPI menor que o devido, de modo que foi lançada somente a diferença. Isso leva a conclusão de que houve antecipação parcial do pagamento. Conforme será melhor explanado no tópico seguinte, não restou evidenciado o intuito de fraude. Assim, o prazo decadencial deve começar a ser contado da data do fato gerador, conforme art. 150, §4o, do CTN. Portanto, estão decaídos os lançamentos relativos aos fatos geradores ocorridos em janeiro e fevereiro de 2007. 3 Da multa qualificada A Recorrente arguiu a aplicação da Súmula nº 14, do CARF, para sustentar a inaplicabilidade da multa qualificada. A Súmula nº 14 do CARF assim dispõe: “A simples apuração de omissão de receita ou de rendimentos, por si só, não autoriza a qualificação da multa de ofício, sendo necessária a comprovação do evidente intuito de fraude do sujeito passivo”. Para qualificar a multa, o auditorfiscal fundamentou o seguinte: “Como a empresa, em vários meses, escriturou os valores do IPI nos livros de Registro de Saídas e nos Livros de Registros de Apuração do IPI dos anos calendários de 2007 e 2009 com valores diferentes e a menor que os valores constantes das notas fiscais, omitindo informações nestes mencionados Livros, conforme pode ser verificado nas amostragens das notas fiscais em anexo e nas cópias dos Livros com escrituração errônea e nas cópias dos Livros refeitos, tal como caracteriza das práticas descritas nos artigos 71, 72 e 73 da Lei 4.502/64, o que implica em agravamento da multa de ofício em 100%, de acordo com o artigo 44, inciso I e parágrafo 1º da Lei 9.430/96 (com alterações posteriores)”. Fl. 3568DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/12/2014 por JEAN CLEUTER SIMOES MENDONCA, Assinado digitalmente em 02 /01/2015 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 29/12/2014 por JEAN CLEUTER SIMOES ME NDONCA 6 Como se verifica, muito embora esteja demonstrada a omissão de receita, não ficou evidenciado que a omissão se deu com o intuito de fraude, de modo que, em observância ao que dispõe a Súmula nº 14, do CARF, deve ser afastada a multa qualificada de 150% para ser aplicada somente a multa de ofício de 75%. Ex positis, dou provimento parcial ao recurso voluntário para a decadência dos fatos geradores ocorridos em janeiro e fevereiro de 2007 e reduzir a multa aplicada de 150% para 75%. Jean Cleuter Simões Mendonça Relator Fl. 3569DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/12/2014 por JEAN CLEUTER SIMOES MENDONCA, Assinado digitalmente em 02 /01/2015 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 29/12/2014 por JEAN CLEUTER SIMOES ME NDONCA
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Numero do processo: 10480.916054/2011-58
Turma: Primeira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Nov 13 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Fri Dec 19 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/11/2000 a 30/11/2000
NULIDADE. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA. MOTIVAÇÃO DA DECISÃO DA DRJ.
Não existe cerceamento do direito de defesa quando o órgão julgador aprecia de forma fundamentada as razões da manifestação de inconformidade.
PROCESSO JUDICIAL E ADMINISTRATIVO. MATÉRIA IDÊNTICA. RENÚNCIA À ESFERA ADMINISTRATIVA.
A propositura de ação judicial, com o mesmo objeto do processo administrativo fiscal implica na renúncia à instância administrativa.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3801-004.697
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado:
I - Por unanimidade votos, negar provimento ao recurso voluntário em relação aos questionamentos sobre a decisão de primeira instância;
II - Pelo voto de qualidade, não conhecer da matéria submetida ao Poder Judiciário. Vencidos os Conselheiros Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Cássio Schappo e Jacques Mauricio Ferreira Veloso de Melo que não reconheciam a concomitância e negavam provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
FLÁVIO DE CASTRO PONTES Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flávio de Castro Pontes, Marcos Antonio Borges, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Paulo Sérgio Celani, Cassio Schappo e Jacques Maurício Ferreira Veloso de Melo.
Nome do relator: FLAVIO DE CASTRO PONTES
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CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA. MOTIVAÇÃO DA DECISÃO DA DRJ. Não existe cerceamento do direito de defesa quando o órgão julgador aprecia de forma fundamentada as razões da manifestação de inconformidade. PROCESSO JUDICIAL E ADMINISTRATIVO. MATÉRIA IDÊNTICA. RENÚNCIA À ESFERA ADMINISTRATIVA. A propositura de ação judicial, com o mesmo objeto do processo administrativo fiscal implica na renúncia à instância administrativa. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado: I Por unanimidade votos, negar provimento ao recurso voluntário em relação aos questionamentos sobre a decisão de primeira instância; II Pelo voto de qualidade, não conhecer da matéria submetida ao Poder Judiciário. Vencidos os Conselheiros Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Cássio Schappo e Jacques Mauricio Ferreira Veloso de Melo que não reconheciam a concomitância e negavam provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) FLÁVIO DE CASTRO PONTES – Presidente e Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 48 0. 91 60 54 /2 01 1- 58 Fl. 75DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 18/12/2 014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10480.916054/201158 Acórdão n.º 3801004.697 S3TE01 Fl. 3 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flávio de Castro Pontes, Marcos Antonio Borges, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Paulo Sérgio Celani, Cassio Schappo e Jacques Maurício Ferreira Veloso de Melo. Fl. 76DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 18/12/2 014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10480.916054/201158 Acórdão n.º 3801004.697 S3TE01 Fl. 4 3 Relatório Por meio de PER/Dcomp (Pedido de Restituição, Ressarcimento ou Reembolso e Declaração de Compensação) a requerente postula a compensação de débitos de diversos tributos com crédito referente a valor que teria sido recolhido indevidamente a título da contribuição Cofins (cód. 2172). A Delegacia da Receita Federal do Brasil no Recife (PE), conforme Despacho Decisório Eletrônico, não reconheceu o direto creditório e não homologou as compensações efetuadas. Após ter sido cientificado dessa decisão, a interessada apresentou manifestação de inconformidade. Aduziu, em resumo, que ocorreu apenas uma falha de procedimento da empresa em não retificar as DCTFs onde constavam as informações dos débitos cuja compensação era solicitada. Tal erro de procedimento não anula a existência dos créditos, vez que estes decorrem da existência de decisão judicial favorável à OABPE, da qual a empresa é sindicalizada, garantindo a isenção de Cofins para as empresas exclusivamente prestadoras de serviços relativos a profissões legalmente regulamentadas. A fim de comprovar a veracidade das suas alegações, anexou cópia da ação judicial impetrada pela OABPE que garantiu o direito de isenção de Cofins da empresa, assim como a certidão de trânsito em julgado relativa a mesma ação. A DRJ no Recife (PE) não conheceu da manifestação de inconformidade e não reconheceu o direito creditório, nos termos da ementa transcrita abaixo: AÇÃO JUDICIAL. PROPOSITURA. CONCOMITÂNCIA. Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do procedimento fiscal, com o mesmo objeto do processo administrativo. Discordando da decisão de primeira instância, a recorrente interpôs recurso voluntário, instruído com diversos documentos, cujo teor é sintetizado a seguir. Após comentar a decisão da DRJ, sustenta a incoerência entre a decisão da DRF/Recife e a DRJ/Recife. Argumenta que referidas decisões são totalmente diferentes. A decisão da DRF/Recife que considerou não homologadas as compensações baseouse no fato de que os DARFS aos quais estavam vinculados os créditos estarem totalmente utilizados, razão pela qual, em nosso argumento de defesa, apresentamos as informações obtidas no CAC/Recife de que houve apenas um problema de não retificação das respectivas DCTFS da empresa. Pontua que a decisão da DRJ/Recife procedeu em uma inovação completa do conteúdo do indeferimento inicial das compensações. Fl. 77DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 18/12/2 014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10480.916054/201158 Acórdão n.º 3801004.697 S3TE01 Fl. 5 4 Insiste que toda a decisão proferida pela DRJ/Recife prendese à análise da ação judicial, quando a decisão primeira, proferida pela DRF/Recife, ocorreu apenas em razão da falha procedimental da empresa. Concluiu este tópico afirmando que por estes fatos merece reparo a decisão proferida pela Turma da DRJ/Recife, por ter cerceado o direito de defesa da empresa, ao inovar juridicamente os argumentos sem prévia comunicação de prazo para alegações da empresa sobre os novos fatos e informações apresentadas ao processo e que seriam objeto de análise, ofendendo frontalmente o art. 5º, Constituição Federal de 1988, quanto ao direito de defesa da empresa. Quanto ao direito creditório, discorda do entendimento da decisão da DRJ/Recife de que não seria possível à empresa a utilização dos créditos para compensação em razão de existir liminar em sede de Reclamação suspendendo os efeitos da decisão que garantia aos filiados à OAB/PE o direito de isenção de Cofins. Argumenta que a decisão judicial em Mandado de Segurança que concedeu o benefício da isenção da empresa da Cofins já havia sido encerrada e reconhecido o direito. Apenas em sede de ação rescisória foi reanalisada a questão, na qual o TRF da 5a. Região decidiu por conceder parcial provimento à rescisória a fim de conceder efeitos exnunc à decisão, ou seja, a rescisão da decisão que concedia o benefício da isenção da Cofins somente surtiria efeitos para frente, não abrangendo os fatos pretéritos. Esclarece que apenas contra esta decisão do TRF foi que concedeuse a liminar do Ministro Joaquim Barbosa do STF, suspendendo a modulação dos efeitos da decisão da rescisória. Aduz que liminar, como o próprio nome diz, é decisão precária e não anulou, como quer fazer crer a decisão da DRJ/Recife, os efeitos do decidido na ação rescisória. Seus efeitos estão apenas suspensos, aguardando um pronunciamento do órgão colegiado do STF quanto à manutenção ou não da liminar. Por fim requer que seja processado regularmente o presente Recurso Voluntário, e, ao final, julgado integralmente procedente para, reformando as decisões proferidas pela DRF/Recife e DRJ/Recife reconhecer o direito de crédito da empresa relativo aos pagamentos indevidos, realizados a título da Cofins e, conseqüentemente, homologar a compensação realizada na PERDCOMP relacionada a este processo que utilizaram tais créditos. É o relatório. Fl. 78DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 18/12/2 014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10480.916054/201158 Acórdão n.º 3801004.697 S3TE01 Fl. 6 5 Voto Conselheiro Flávio de Castro Pontes O recurso é tempestivo e atende aos demais pressupostos recursais, portanto dele tomase conhecimento.. De início, examinase a tese de irregularidade na decisão da Delegacia da Receita Federal de Julgamento no Recife. A interessada sustenta cerceamento no direito de defesa em relação à decisão da DRJ/Recife, uma vez que esta inovou no conteúdo do indeferimento inicial das compensações, pois a decisão proferida pela DRJ/Recife prendese à análise da ação judicial, quando a decisão primeira, proferida pela DRF/Recife, ocorreu apenas em razão da falha procedimental da empresa. Não merece prosperar essa tese. Ao contrário do alegado, o colegiado de primeira instância discutiu todas as teses necessárias e suficientes para a solução da lide administrativa. Exemplificando, o julgado “a quo” motivou a decisão em relação a argumentação da recorrente em relação ao fato de que seu direito creditório era decorrente da ação judicial impetrada pela OABPE. Ora, foi a recorrente que trouxe ao litígio essa tese, de sorte que a decisão de primeira intância não inovou juridicamente no julgamento. Destarte, o órgão julgador administrativo estava obrigado a apreciar essa tese da interessada de maneira motivada e fundamentada. Assim, não há reparos a serem feitos na decisão a quo. Não se pode perder de vista que a decisão recorrida apreciou todas as questões relevantes necessárias a solução do litígio, em especial a eficácia das decisões judiciais apresentadas pela própria interessada. Assim, o julgador apresentou razões coerentes e suficientes para embasar a decisão. Além disso, no âmbito do processo administrativo fiscal as hipóteses de nulidade são tratadas de forma específica no art. 59 do Decreto nº 70.235/72: "Art. 59. São nulos: I os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa." No caso vertente, nenhum dos pressupostos acima encontrase presente, uma vez que não ficou evidenciada a preterição do direito de defesa, tendo em vista que a decisão recorrida motivadamente demonstrou de forma clara e concreta as razões da não homologação das compensações, de sorte que não ficou caracterizado qualquer prejuízo à recorrente. Fl. 79DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 18/12/2 014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10480.916054/201158 Acórdão n.º 3801004.697 S3TE01 Fl. 7 6 Por tais razões não há que se falar em qualquer irregularidade da decisão guerreada por cerceamento de direito de defesa. O litígio tem como principal controvérsia eventual direito creditório em razão de ação judicial. Transcrevo de uma decisão da DRJ o histórico das ações judiciais em debate: 10.1. A OABPE impetrou ação de mandado de segurança coletivo em nome dos seus Escritórios de Advocacia associados, autuada em 31/05/2001, sob o nº 2001.83.00.0145250, objetivando, principalmente, em síntese, a isenção do recolhimento da Cofins prevista no inciso II do art. 6º da Lei Complementar (LC) nº 70, de 30 de dezembro de 1991, e a compensação dos valores pagos indevidamente. A segurança foi denegada pelo juízo de primeiro grau, com fundamento em que não havia obstáculo para a revogação da isenção concedida pela LC nº 70, de 1991, pela Lei (Ordinária) nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, tendo em vista que a isenção não é matéria reservada à lei complementar. O magistrado considerou, então, prejudicada a análise do pleito de compensação. 10.2. À apelação da OABPE junto ao Tribunal Regional Federal da 5ª Região (TRF5ª Região) – que obteve o nº AMS 80.558PE – foi pela Quarta Turma concedido provimento, por unanimidade, nos termos do voto do relator, que esposou entendimento diametralmente oposto ao do juiz singular, dando pela impossibilidade da revogação da referida isenção com fundamento no princípio da hierarquia das leis. 10.3. De tal decisão, foi interposto pela Fazenda Nacional Recurso Especial (REsp), que foi inadmitido. Irresignada, a Fazenda Nacional manejou agravo de instrumento, ao qual foi negado provimento. Assim, a decisão transitou em julgado em 09/09/2004, restando reconhecido o direito à isenção postulada. 10.4. Posteriormente, a OABPE atravessou petição alegando que a edição da Lei nº 10.833, de 30 de dezembro de 2003, em seu art. 30, poderia obstruir o cumprimento da decisão judicial que reconheceu a isenção da Cofins para as sociedades civis dedicadas ao exercício da advocacia, mediante a retenção na fonte da referida contribuição. Requereu, na ocasião, fosse oficiada a Receita Federal para que se abstivesse de exigir o pagamento da Cofins sobre as receitas auferidas pela prestação de serviços de advocacia, bem como de exigir a retenção na fonte de tal contribuição pelas pessoas jurídicas tomadoras dos referidos serviços. O pleito foi deferido monocraticamente e, ao depois, atacado por agravo regimental aviado pela Fazenda Nacional, o qual foi provido com base nos fatos de não ter sido debatida, nos autos, a Lei nº 10.833, de 2003, e de que não seria admissível, naquele momento processual, inovar a actio, transmudandoa. 10.5. Contra essa decisão, recorreu a OABPE, mediante o REsp nº 739.784 (nº 2005/00540062), cujo provimento foi negado por Fl. 80DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 18/12/2 014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10480.916054/201158 Acórdão n.º 3801004.697 S3TE01 Fl. 8 7 unanimidade pela Segunda Turma do STJ em sessão de 19/11/2009, tendose, em resumo, concluído que a superveniência da Lei nº 10.833, de 2003, não pode ser alcançada pelos efeitos da coisa julgada que concedera a segurança pleiteada, de modo a ampliar o objeto da lide. Registrese que, no decorrer do voto, o ministro relator, Mauro Campbell Marques, após afirmar, a título ilustrativo, que a tese adotada pela instância de origem para reconhecer a isenção postulada pela recorrente não mais subsistia em razão de o STF, no julgamento do Recurso Extraordinário (RE) nº 377.457 3/PR, relator o Ministro Gilmar Mendes, ter proclamado que a revogação da isenção da Cofins concedida pela LC nº 70, de 1991, pelo art. 56 da lei nº 9.430, de 1996, foi plenamente válida e eficaz, porquanto o referido diploma, não obstante formalmente complementar, ostenta, materialmente, caráter de lei ordinária , esclareceu que Primeira Seção do STJ, ao julgar a Ação Rescisória (AR) nº 3.761/PR, na sessão de 12/11/2008, deliberara pelo cancelamento da Súmula nº 276, que enunciava a isenção da Cofins perante as ditas sociedades, independentemente do regime tributário adotado. 10.6. Da decisão do STJ referida no subitem 10.3, a ProcuradoriaRegional da Fazenda Nacional na 5ª Região propôs Ação Rescisória (AR) nº 5.471PE (processo nº 2006.05.00.0442426/03) junto ao TRF5ª Região, que foi parcialmente procedente, por lhe terem sido dados efeitos ex nunc. No acórdão exarado, aquele tribunal regional afirmou que o acórdão rescindendo fora proferido antes da manifestação do STF sobre ser a matéria constitucional ou não. 10.7. Contra os efeitos exnunc da decisão do TRF5ª Região – que, em tese, daria aos escritórios de advocacia filiados à OAB PE o direito de não pagarem a Cofins no período abrangido pela ação coletiva até a publicação da decisão na ação rescisória –, a Fazenda Nacional protocolou Reclamação (Rcl) nº 6.917 junto ao STF, tendo o Ministro Joaquim Barbosa deferido, em 10/12/2008, liminar para suspender o acórdão da ação rescisória na parte em que conferiu efeitos meramente prospectivos ao acórdão que julgou procedente a ação rescisória. Encontrase o processo aguardando apreciação desse Colegiado. 10.8. Embargos de declaração opostos pelas partes – OABPE e Fazenda Nacional – contra a decisão proferida pelo TRF5ª Região no bojo da Ação Rescisória nº 5471/PE (processo nº 2006.05.00.0442426/03) foram julgados, não tendo, no entanto, ocorrido nenhuma alteração no resultado do julgamento originário por essa corte. Do exame das ações judiciais, constatase que a matéria está sub judice, uma vez que este processo administrativo tem o mesmo objeto da ação judicial em referência, homologação de compensação em face de pedido de restituição decorrente da legalidade da revogação da isenção do pagamento da Cofins, por parte das sociedades civis de profissão legalmente regulamentada, pela Lei nº 9.430, de 27/12/1996, que, em seu art. 56, revogou a veiculada pelo art. 6º, inciso II, da Lei Complementar nº 70, de 30/12/1991. Fl. 81DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 18/12/2 014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10480.916054/201158 Acórdão n.º 3801004.697 S3TE01 Fl. 9 8 Como se nota, o direito creditório está dependendo do desfecho da Reclamação no Supremo Tribunal Federal. Destarte, incide no caso vertente o parágrafo único do art. 38, da Lei nº. 6.830/80, que dispõe: Art. 38 A discussão judicial da Dívida Ativa da Fazenda Pública só é admissível em execução, na forma desta Lei, salvo as hipóteses de mandado de segurança, ação de repetição do indébito ou ação anulatória do ato declarativo da dívida, esta precedida do depósito preparatório do valor do débito, monetariamente corrigido e acrescido dos juros e multa de mora e demais encargos. Parágrafo Único A propositura, pelo contribuinte, da ação prevista neste artigo importa em renúncia ao poder de recorrer na esfera administrativa e desistência do recurso acaso interposto.(grifouse) O excelso Supremo Tribunal Federal já manifestou acerca da constitucionalidade desse dispositivo, conforme decidido no recurso extraordinário nº 233.582: EMENTA: CONSTITUCIONAL. PROCESSUAL TRIBUTÁRIO. RECURSO ADMINISTRATIVO DESTINADO À DISCUSSÃO DA VALIDADE DE DÍVIDA ATIVA DA FAZENDA PÚBLICA. PREJUDICIALIDADE EM RAZÃO DO AJUIZAMENTO DE AÇÃO QUE TAMBÉM TENHA POR OBJETIVO DISCUTIR A VALIDADE DO MESMO CRÉDITO. ART. 38, PAR. ÚN., DA LEI 6.830/1980.(...). É constitucional o art. 38, par. ún., da Lei 6.830/1980 (Lei da Execução Fiscal LEF), que dispõe que "a propositura, pelo contribuinte, da ação prevista neste artigo [ações destinadas à discussão judicial da validade de crédito inscrito em dívida ativa] importa em renúncia ao poder de recorrer na esfera administrativa e desistência do recurso acaso interposto". Recurso extraordinário conhecido, mas ao qual se nega provimento.(STF, RE 233582, DJe088 de 1605 2008).(grifouse) Em relação ao conteúdo desse dispositivo legal, Leandro Paulsen, René Bergmann e Ingrid Schroder explicam: O parágrafo em questão tem como pressuposto o princípio da jurisdição una, ou seja, que o ato administrativo pode ser controlado pelo Judiciário e que apenas a decisão deste é que se torna definitiva, com o trânsito em julgado, prevalecendo sobre eventual decisão administrativa que tenha sido tomada ou pudesse vir a ser tomada. Considerando que o contribuinte tem direito a se defender na esfera administrativa mas que a esfera judicial prevalece sobre a administrativa, não faz sentido a sobreposição dos processos administrativo e judicial. A opção pela discussão judicial, antes do exaurimento da esfera administrativa, demonstra que o contribuinte desta abdicou, levando o seu caso diretamente ao Poder ao qual cabe dar a última palavra quanto à interpretação e à aplicação do Direito, o Judiciário. Entretanto, tal pressupõe a identidade de objeto Fl. 82DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 18/12/2 014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10480.916054/201158 Acórdão n.º 3801004.697 S3TE01 Fl. 10 9 nas discussões administrativa e judicial". (Leandro Paulsen, René Bergmann Ávila e Ingrid Schroder Sliwka. Direito Processual Tributário: processo administrativo fiscal à luz da doutrina e da jurisprudência. Porto Alegre: Livraria do Advogado, 2010, p. 447 e 448). De fato, se o sujeito passivo recorre ao Poder Judiciário, por uma questão de lógica, ele está desistindo tacitamente da esfera administrativa, visto que a decisão do Poder Judiciário é soberana. Eventuais decisões antagônicas, nas esferas administrativa e judicial, teriam uma única solução, qual seja, prevaleceria a da esfera judicial, em razão do princípio constitucional da jurisdição única, art. 5º, XXXV, da Constituição Federal. Destarte, não faz sentido a continuação da discussão no âmbito administrativo, pois o mérito da questão será decidido pelo Poder Judiciário com efeito de coisa julgada. Corroborando esta teoria, o Superior Tribunal de Justiça (STJ), no julgamento do recurso especial nº 840.556, assim se pronunciou: TRIBUTÁRIO. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. MANDADO DE SEGURANÇA.AÇÃO JUDICIAL. RENÚNCIA DE RECORRER NA ESFERA ADMINISTRATIVA. IDENTIDADE DO OBJETO. ART. 38, PARÁGRAFO ÚNICO DA LEI Nº 6.830/80. 1. Incide o parágrafo único do art. 38, da Lei nº 6.830/80, quando a demanda administrativa versar sobre objeto menor ou idêntico ao da ação judicial. 2.(...) 3. In casu, os mandados de segurança preventivos, impetrados com a finalidade de recolher o imposto a menor, e evitar que o fisco efetue o lançamento a maior, comporta o objeto da ação anulatória do lançamento na via administrativa, guardando relação de excludência.4. Destarte, há nítido reflexo entre o objeto do mandamus – tutelar o direito da contribuinte de recolher o tributo a menor (pedido imediato) e evitar que o fisco efetue o lançamento sem o devido desconto (pedido mediato) com aquele apresentado na esfera administrativa, qual seja, anular o lançamento efetuado a maior(pedido imediato) e reconhecer o direito da contribuinte em recolher o tributo a menor (pedido mediato).5. Originárias de uma mesma relação jurídica de direito material, despicienda a defesa na via administrativa quando seu objeto subjugase ao versado na via judicial, face a preponderância do mérito pronunciado na instância jurisdicional. (...) (STJ, REsp 840556/AM, DJ 20/11/2006) (grifouse) Assim sendo, a existência de uma ação judicial, por parte da requerente, com o mesmo objeto desse processo administrativo fiscal importa na renúncia à esfera administrativa. Em relação a essa discussão, aplicase a Súmula nº 01 do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF) que uniformizou o seguinte entendimento: Súmula CARF nº 1: Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois Fl. 83DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 18/12/2 014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10480.916054/201158 Acórdão n.º 3801004.697 S3TE01 Fl. 11 10 do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial.(grifouse) Além disso, os Conselheiros têm o dever de observar as súmulas, nos termos do art. 72 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais RICARF, aprovado pela Portaria MF n° 256, de 22/06/2009. Em caso análogo da mesma recorrente, esta tese também foi acolhida, em outro julgado do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais: TRIBUTÁRIO. OPÇÃO PELA VIA JUDICIAL. RENÚNCIA AO DIREITO DE RECORRER. CONFIGURAÇÃO. DECISÃO JUDICIAL. CUMPRIMENTO. A propositura pelo contribuinte de ação judicial onde se alterca matéria veiculada em processo administrativo, antes ou após a inauguração da fase litigiosa administrativa, conforme o caso, importa em renúncia ao direito de recorrer ou desistência do recurso interposto, não competindo ao CARF se manifestar acerca do alcance, efeitos e forma de cumprimento de decisões judiciais cuja execução não lhe caiba. DESPACHO DECISÓRIO. MOTIVAÇÃO. DECISÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA. INOVAÇÃO. INOCORRÊNCIA. Não configura inovação de motivação do despacho decisório a fundamentação da decisão que, acolhendo ou rechaçando a pretensão deduzida em manifestação de inconformidade, examina elementos novos introduzidos na lide administrativa pelo próprio recorrente e que, até então, eram desconhecidos da Administração Tributária (CARF. 3ª Seção, 4ª Câmara, 1ª Turma Ordinária, Acórdão 3401002.634, de 29/05/2014, rel. Robson José Bayerl, Processo nº 10480.905883/200818) Em remate, não se toma conhecimento das alegações decorrentes do direito creditório, isenção ou não da Cofins, visto que a recorrente submeteu à apreciação do Poder Judiciário esta matéria. Ante ao exposto voto no sentido de: I – negar provimento ao recurso voluntário em relação aos questionamentos sobre a decisão de primeira instância; II não conhecer da matéria submetida ao Poder Judiciário. (assinado digitalmente) Flávio de Castro Pontes Relator Fl. 84DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 18/12/2 014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10480.916054/201158 Acórdão n.º 3801004.697 S3TE01 Fl. 12 11 Fl. 85DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 18/12/2 014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES
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Numero do processo: 10675.905569/2009-21
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Nov 13 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Tue Dec 02 00:00:00 UTC 2014
Numero da decisão: 9303-000.036
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em sobrestar o julgamento do recurso especial até a decisão definitiva do Supremo Tribunal Federal em matéria de repercussão geral, em face do art. 62-A do Regimento Interno do CARF. Vencido o Conselheiro Luiz Eduardo de Oliveira Santos.
Luiz Eduardo de Oliveira Santos - Presidente Substituto
Nanci Gama - Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Nanci Gama, Júlio César Alves Ramos, Rodrigo Cardozo Miranda, Rodrigo da Costa Pôssas, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva, Joel Miyazaki, Maria Teresa Martínez López, Susy Gomes Hoffmann e Luiz Eduardo de Oliveira Santos.
Nome do relator: Não se aplica
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Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em sobrestar o julgamento do recurso especial até a decisão definitiva do Supremo Tribunal Federal em matéria de repercussão geral, em face do art. 62A do Regimento Interno do CARF. Vencido o Conselheiro Luiz Eduardo de Oliveira Santos. Luiz Eduardo de Oliveira Santos Presidente Substituto Nanci Gama Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Nanci Gama, Júlio César Alves Ramos, Rodrigo Cardozo Miranda, Rodrigo da Costa Pôssas, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva, Joel Miyazaki, Maria Teresa Martínez López, Susy Gomes Hoffmann e Luiz Eduardo de Oliveira Santos. Relatório Tratase de pedido de restituição de PIS ancorada em ação judicial proposta pela contribuinte, transitada em julgado, na qual foi reconhecida a inconstitucionalidade do § 1º do art. 3º da Lei 9.718/98. Contra a decisão da DRJ de origem, que negou provimento ao recurso, a contribuinte interpôs recurso voluntário, que por sua vez foi julgado improcedente pela Câmara a quo. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 06 75 .9 05 56 9/ 20 09 -2 1 Fl. 256DF CARF MF Impresso em 02/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/12/2013 por CLEIDE LEITE, Assinado digitalmente em 06/01/2014 por LUI Z EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 23/12/2013 por NANCI GAMA Processo nº 10675.905569/200921 Resolução nº 9303000.036 CSRFT3 Fl. 257 2 Nessa oportunidade, a Recorrente interpôs recurso especial e sustentou que a decisão recorrida interpretou equivocadamente a decisão prolatada pelo eg. Supremo Tribunal Federal no RE 401.348/MG, devendo ser reformada para que a base de cálculo do PIS limitese à receita bruta das vendas de mercadoria e da prestação de serviços, sem a inclusão da receita financeira decorrente das operações bancárias. O i. Presidente da 1ª Câmara da 3ª Seção de Julgamento do CARF deu seguimento ao recurso especial por considerar que restou comprovada a divergência jurisprudencial. Pede a Fazenda Nacional, em suas contrarrazões, para que seja mantida a decisão guerreada. É o Relatório. Voto Conselheira Nanci Gama, Relatora Conforme se verifica nos autos, a questão central neste processo é definir a base de cálculo da contribuição para as financeiras. Ainda que o pedido de restituição de PIS esteja ancorado em ação judicial proposta pela contribuinte, transitada em julgado, esta, reconheceu, tão somente a inconstitucionalidade do § 1º do art. 3º da Lei 9.718/98. Então tudo continua na mesma, pois sendo uma empresa financeira, fica a critério dos aplicadores do direito interpretar se as receitas financeiras (remuneração decorrente do pagamento de empréstimos bancários, spreads, prêmios, deságios, juros oriundos da intermediação ou aplicação de recursos financeiros próprios ou de terceiros, financiamentos, colocação e negociação de títulos e valores mobiliários, aplicações e investimentos, capitalização etc) integram ou não o faturamento. A questão das receitas que devem integrar a base de cálculo da contribuição devida por instituições financeiras é objeto do RE nº 609.096 (Tema 372), em relação ao qual o Supremo Tribunal Federal decidiu que existe repercussão geral e sobrestou os demais feitos judiciais em andamento, conforme se depreende do despacho do Ministro Ricardo Lewandowski, que transcrevo a seguir: “RE 609096/RS RIO GRANDE DO SUL RECURSO EXTRAORDINÁRIO Relator(a): Min. RICARDO LEWANDOWSKI Julgamento: 10/06/2011 Publicação DJe115 DIVULG 15/06/2011 PUBLIC 16/06/2011 Partes Fl. 257DF CARF MF Impresso em 02/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/12/2013 por CLEIDE LEITE, Assinado digitalmente em 06/01/2014 por LUI Z EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 23/12/2013 por NANCI GAMA Processo nº 10675.905569/200921 Resolução nº 9303000.036 CSRFT3 Fl. 258 3 RECTE.(S) : MINISTÉRIO PÚBLICO FEDERAL PROC.(A/S)(ES) : PROCURADORGERAL DA REPÚBLICA RECTE.(S) : UNIÃO PROC.(A/S)(ES): PROCURADORGERAL DA FAZENDA NACIONAL RECDO.(A/S) : BANCO SANTANDER (BRASIL) S/A ADV.(A/S):MARCOS JOAQUIM GONCALVES ALVES E OUTRO(A/S) Decisão LibreOffice Petição 73745/2010STF. Federação Brasileira dos Bancos – FEBRABAN requer seu ingresso neste recurso extraordinário na condição de amicus curiae, bem como “a suspensão de todos os processos que tramitam em primeiro e segundo graus de jurisdição, que versem sobre a questão constitucional debatida nestes autos” (fl. 666). No caso, tratase de recursos extraordinários interpostos pela União e pelo Ministério Público Federal contra acórdão que entendeu que as receitas financeiras das instituições financeiras não se enquadram no conceito de faturamento para fins de incidência da COFINS e da contribuição para o PIS. Esta Corte reconheceu a existência de repercussão geral do tema versado neste recurso. Transcrevo a ementa: “CONSTITUCIONAL. TRIBUTÁRIO. COFINS E CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS. INCIDÊNCIA. RECEITAS FINANCEIRAS DAS INSTITUIÇÕES FINANCEIRAS. CONCEITO DE FATURAMENTO. EXISTÊNCIA DE REPERCUSSÃO GERAL” (fl. 1.054). É o breve relatório. Decido. De acordo com o § 6º do art. 543A do Código de Processo Civil: “O Relator poderá admitir, na análise da repercussão geral, a manifestação de terceiros, subscrita por procurador habilitado, nos termos do Regimento Interno do Supremo Tribunal Federal”. Por sua vez, o § 2º do art. 323 do RISTF assim disciplinou a matéria: “Mediante decisão irrecorrível, poderá o(a) Relator(a) admitir de ofício ou a requerimento, em prazo que fixar, a manifestação de terceiros, subscrita por procurador habilitado, sobre a questão da repercussão geral”. A esse respeito, assim se manifestou o eminente Min. Celso de Mello, Relator, no julgamento da ADI 3.045/DF: “a intervenção do amicus curiae, para legitimarse, deve apoiarse em razões que tornem desejável e útil a sua atuação processual na causa, em ordem a proporcionar meios que viabilizem uma adequada resolução do litígio constitucional”. Fl. 258DF CARF MF Impresso em 02/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/12/2013 por CLEIDE LEITE, Assinado digitalmente em 06/01/2014 por LUI Z EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 23/12/2013 por NANCI GAMA Processo nº 10675.905569/200921 Resolução nº 9303000.036 CSRFT3 Fl. 259 4 Verifico que a requerente atende aos requisitos necessários para participar desta ação na qualidade de amicus curiae. Quanto ao pedido de suspensão dos processos que tratam da mesma matéria versada nesses autos que tramitam em primeiro e segundo graus, entendo que não merece acolhida. É que os arts. 543B do CPC e 328 do RISTF tratam do sobrestamento de recursos extraordinários interpostos em razão do reconhecimento da repercussão geral da matéria neles discutida, e não de ações que ainda não se encontram nessa fase processual. Além disso, uma vez que esta Corte já reconheceu a repercussão geral da matéria aqui debatida, os recursos extraordinários que versam sobre o mesmo assunto ficarão sobrestados, na origem, por força do próprio art. 543B do CPC. Isso posto, defiro o pedido de ingresso da FEBRABAN na qualidade de amicus curiae e indefiro o pedido de suspensão requerido. Publiquese. Brasília, 10 de junho de 2011. Ministro RICARDO LEWANDOWSKI” (Grifei) Considerando que houve determinação de sobrestamento por parte do STF dos demais feitos relativos à mesma questão que tramitam no Judiciário, voto no sentido de que este E. Colegiado aplique o art. 62A do Regimento Interno do CARF para sobrestar o julgamento do recurso voluntário até que sobrevenha decisão definitiva do STF no RE nº 609.096 (Tema 372). Nanci Gama Fl. 259DF CARF MF Impresso em 02/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/12/2013 por CLEIDE LEITE, Assinado digitalmente em 06/01/2014 por LUI Z EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 23/12/2013 por NANCI GAMA
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Numero do processo: 10283.010710/2002-42
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Nov 11 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed Dec 03 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Ano-calendário: 1998, 1999, 2000, 2001
PIS. ART. 3º, § 1º DA LEI 9.718/98. ALARGAMENTO DA BASE DE CÁLCULO. SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL. REPERCUSSÃO GERAL. EXISTÊNCIA.
Em sede de reafirmação de jurisprudência em repercussão geral, o Supremo Tribunal Federal se manifestou pela inconstitucionalidade do conteúdo do § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98, que inovou a base de cálculo do PIS e da Cofins, pela mudança do conceito de faturamento, o que, nos termos do art. 26-A, § 6º, I, do Decreto nº 70.235/72, e do art. 62-A do RICARF (Portaria MF 256/09), impõe a este conselho administrativo a aplicação do entendimento lá fixado.
PIS/PASEP. BASE DE CÁLCULO. ICMS. EXCLUSÃO. AUSÊNCIA DE PREVISÃO LEGAL.
O ICMS incidente sobre vendas, devido por sujeição passiva direta, isto é, por obrigação própria, não pode ser excluído da base de cálculo do PIS/Pasep por falta de previsão legal, que contempla tão-somente aquele devido na condição de substituto tributário.
Recurso voluntário provido em parte.
Numero da decisão: 3401-002.782
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade, dar provimento parcial ao recurso nos termos do voto do relator. O Conselheiro Bernardo Leite de Queiroz Lima dava provimento também quanto à não-inclusão do ICMS na base de cálculo.
Júlio César Alves Ramos Presidente
Robson José Bayerl Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Júlio César Alves Ramos, Jean Cleuter Simões Mendonça, Robson José Bayerl, Eloy Eros da Silva Nogueira, Angela Sartori e Bernardo Leite de Queiroz Lima.
Nome do relator: ROBSON JOSE BAYERL
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CONCOMITÂNCIA. CONFIGURAÇÃO. A propositura pelo contribuinte de ação judicial onde se alterca a mesma matéria veiculada em processo administrativo, a qualquer tempo, antes ou após a inauguração da fase litigiosa administrativa, conforme o caso, importa em renúncia ao direito de recorrer ou desistência do recurso interposto. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Anocalendário: 1998, 1999, 2000, 2001 PIS. ART. 3º, § 1º DA LEI 9.718/98. ALARGAMENTO DA BASE DE CÁLCULO. SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL. REPERCUSSÃO GERAL. EXISTÊNCIA. Em sede de reafirmação de jurisprudência em repercussão geral, o Supremo Tribunal Federal se manifestou pela inconstitucionalidade do conteúdo do § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98, que inovou a base de cálculo do PIS e da Cofins, pela mudança do conceito de faturamento, o que, nos termos do art. 26A, § 6º, I, do Decreto nº 70.235/72, e do art. 62A do RICARF (Portaria MF 256/09), impõe a este conselho administrativo a aplicação do entendimento lá fixado. PIS/PASEP. BASE DE CÁLCULO. ICMS. EXCLUSÃO. AUSÊNCIA DE PREVISÃO LEGAL. O ICMS incidente sobre vendas, devido por sujeição passiva direta, isto é, por obrigação própria, não pode ser excluído da base de cálculo do PIS/Pasep por falta de previsão legal, que contempla tãosomente aquele devido na condição de substituto tributário. Recurso voluntário provido em parte. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 28 3. 01 07 10 /2 00 2- 42Fl. 1862DF CARF MF Impresso em 03/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/11/2014 por ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 24/11/2014 p or ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 02/12/2014 por JULIO CESAR ALVES RAMOS 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade, dar provimento parcial ao recurso nos termos do voto do relator. O Conselheiro Bernardo Leite de Queiroz Lima dava provimento também quanto à nãoinclusão do ICMS na base de cálculo. Júlio César Alves Ramos – Presidente Robson José Bayerl – Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Júlio César Alves Ramos, Jean Cleuter Simões Mendonça, Robson José Bayerl, Eloy Eros da Silva Nogueira, Angela Sartori e Bernardo Leite de Queiroz Lima. Relatório Alberga o presente processo auto de infração de PIS/Pasep, relativo ao período janeiro/1998 a dezembro/2001, decorrente de diferenças entre os valores declarados/pagos em confronto com a apuração realizada a partir dos livros e documentos contábeis e fiscais disponibilizados. Em impugnação o contribuinte alegou, em síntese, inconstitucionalidade da Lei nº 9.718/98, ao ampliar o conceito de faturamento instituído pelas LC 07/70 e Lei nº 9.715/98; impossibilidade de inclusão de incentivos fiscais de ICMS, bem como do próprio imposto estadual, na base de cálculo do PIS/Pasep; equívocos na apuração do imposto; e, indevida incidência do PIS/Pasep sobre vendas para Zona Franca de Manaus, onde discorreu sobre a natureza jurídica dos benefícios fiscais a ela relacionadas. A DRJ Belém/PA baixou o processo em diligência para que fosse verificada, junto à representação da Procuradoria da Fazenda Nacional, a existência de ações judiciais que versassem sobre a contribuição lançada. Em atenção à exigência, foi juntada cópia da Ação Ordinária 2001.32.00.0031526, cujo objeto é a não incidência de PIS/Pasep e Cofins sobre as vendas efetuadas para a Zona Franca de Manaus de mercadorias destinadas a seu consumo ou industrialização. Cumprida a diligência, a DRJ Belém/PA não conheceu da impugnação por vislumbrar concomitância entre as discussões administrativa e judicial. Em recurso voluntário o contribuinte argüiu, preliminarmente, a nulidade da decisão, por deixar de examinar questões não discutidas perante o Poder Judiciário. No mérito, ratificou os argumentos da impugnação. Fl. 1863DF CARF MF Impresso em 03/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/11/2014 por ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 24/11/2014 p or ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 02/12/2014 por JULIO CESAR ALVES RAMOS Processo nº 10283.010710/200242 Acórdão n.º 3401002.782 S3C4T1 Fl. 11 3 A Terceira Câmara do extinto Conselho de Contribuintes, através do acórdão 20311.955, de 28/03/2007, reconheceu o vício suscitado e anulou a decisão proferida, por entender que a concomitância era apenas parcial. A DRJ Belém/PA reexaminou o processo e julgou a impugnação improcedente, mediante decisão assim ementada: “AÇÃO JUDICIAL PROPOSTA PELO INTERESSADO. RENÚNCIA AS INSTANCIAS ADMINISTRATIVAS. Ação judicial proposta pelo interessado contra a Fazenda Nacional – antes ou após o lançamento do crédito tributário com idêntico objeto, impõe renúncia às instancias administrativas, determinando o encerramento do processo fiscal nessa via. INCONSTITUCIONALIDADE. ILEGALIDADE. PRESUNÇÃO DE LEGITIMIDADE. A autoridade administrativa não possui atribuição para apreciar a argüição de inconstitucionalidade ou de ilegalidade de dispositivos normativos. A legislação regularmente editada goza de presunção de constitucionalidade e de legalidade. PIS. BASE DE CALCULO. ICMS. O 1CMS integra a base de cálculo a ser tributada pela contribuição ao PIS, inexistindo previsão legal para sua exclusão.” O novo recurso voluntário, à exceção da preliminar e com alguma variação, reprisou o anteriormente proposto. Em 19/08/2014, por intermédio de seu patrono, o recorrente promoveu a juntada de cópias de decisões exaradas na Ação Ordinária 2001.32.00.0031526, inclusive certidão de trânsito em julgado. Instada a se manifestar, a Procuradoria da Fazenda Nacional pugnou pelo não conhecimento do acervo documental, tendo em conta a ocorrência da preclusão temporal. É o relatório. Voto Conselheiro Robson José Bayerl, Relator O recurso interposto é tempestivo e preenche os demais requisitos para sua admissibilidade, com a ressalva da matéria submetida ao Poder Judiciário, configurando, neste ponto, causa extintiva do direito de recorrer, como adiante se demonstra. Fl. 1864DF CARF MF Impresso em 03/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/11/2014 por ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 24/11/2014 p or ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 02/12/2014 por JULIO CESAR ALVES RAMOS 4 Na lição de Luiz Guilherme Marinoni e Sérgio Cruz Arenhart1, certas circunstâncias, quando presentes no processo, tomam caráter de verdadeiro “negócio processual”, alterando os direitos processuais conferidos aos sujeitos do processo, tal é o que ocorre na renúncia ao direito de recorrer e na desistência do recurso interposto, diferindo uma do outra na medida em que esta última se opera posteriormente ao oferecimento do recurso, enquanto aqueloutra antecede à sua apresentação. A questão em comento envolve a incidência de PIS/Pasep sobre as vendas efetuadas à Zona Franca de Manaus de produtos destinados a consumo e à industrialização e, por essa razão, mostrase completamente inviável o debate em sede administrativa, pois o Conselho Administrativo de Recursos Fiscais não é e não pode se arvorar em instância revisora do Poder Judiciário, vigendo em nosso sistema jurídico positivo o princípio da unidade de jurisdição, de modo que a opção do contribuinte pela via judicial importa em renúncia ao direito de recorrer ou desistência do recurso administrativo porventura apresentado, como se extrai do art. 1º, § 2º do DecretoLei nº 1.737/79, in verbis: “Art 1º Serão obrigatoriamente efetuados na Caixa Econômica Federal, em dinheiro ou em Obrigações Reajustáveis do Tesouro Nacional ORTN, ao portador, os depósitos: I relacionados com feitos de competência da Justiça Federal; II em garantia de execução fiscal proposta pela Fazenda Nacional; III em garantia de crédito da Fazenda Nacional, vinculado à propositura de ação anulatória ou declaratória de nulidade do débito; IV em garantia, na licitação perante órgão da administração pública federal direta ou autárquica ou em garantia da execução de contrato celebrado com tais órgãos. § 1º O depósito a que se refere o inciso III, do artigo 1º, suspende a exigibilidade do crédito da Fazenda Nacional e elide a respectiva inscrição de Dívida Ativa. § 2º A propositura, pelo contribuinte, de ação anulatória ou declaratória da nulidade do crédito da Fazenda Nacional importa em renúncia ao direito de recorrer na esfera administrativa e desistência do recurso interposto.” (negritado e grifado) Não discrepa, quanto a substância, o teor do art. 38, parágrafo único da Lei nº 6.830/80: “Art. 38 A discussão judicial da Dívida Ativa da Fazenda Pública só é admissível em execução, na forma desta Lei, salvo as hipóteses de mandado de segurança, ação de repetição do indébito ou ação anulatória do ato declarativo da dívida, esta precedida do depósito preparatório do valor do débito, monetariamente corrigido e acrescido dos juros e multa de mora e demais encargos. Parágrafo Único A propositura, pelo contribuinte, da ação prevista neste artigo importa em renúncia ao poder de recorrer na esfera administrativa e desistência do recurso acaso interposto.” (negritado e grifado) Desta Casa, cito o verbete da súmula CARF nº 1 (Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer 1 Manual do Processo de Conhecimento. 4ª edição, revista, atualizada e ampliada. São Paulo: Editora Revista dos Tribunais, 2005. pág. 516 e 518. Fl. 1865DF CARF MF Impresso em 03/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/11/2014 por ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 24/11/2014 p or ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 02/12/2014 por JULIO CESAR ALVES RAMOS Processo nº 10283.010710/200242 Acórdão n.º 3401002.782 S3C4T1 Fl. 12 5 modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial) e o art. 78, § 2º, in fine do seu Regimento Interno, aprovado pela Portaria MF nº 256/2009, que reproduzo: “Art. 78. Em qualquer fase processual o recorrente poderá desistir do recurso em tramitação. (...) § 2º O pedido de parcelamento, a confissão irretratável de dívida, a extinção sem ressalva do débito, por qualquer de suas modalidades, ou a propositura pelo contribuinte, contra a Fazenda Nacional, de ação judicial com o mesmo objeto, importa a desistência do recurso. (...)” (grifei) Da leitura dos excertos coligidos, inferese que a legislação de regência afasta qualquer possibilidade de discussão paralela de assunto submetido tanto à Administração quanto ao Judiciário, prevalecendo, sempre este último em vista do monopólio da jurisdição. Não prejudica o raciocínio estampado o superveniente trânsito em julgado da decisão judicial exarada no âmbito da Ação Ordinária 2001.32.00.0031526, ainda no curso do contencioso administrativo tributário, como noticiado pelo recorrente, eis que, como asseverado, a opção pela via judicial, antes ou após o lançamento de ofício, importa sempre em renúncia à sua discussão administrativa. A decisão judicial irrecorrível, por seu turno, deve ser cumprida em estrita observância aos seus termos pelo titular da unidade de jurisdição do contribuinte, sem qualquer participação deste Conselho Administrativo, eis que não se encarta dentre suas atribuições determinar às autoridades administrativas da Secretaria da Receita Federal do Brasil a forma de cumprimento de decisões prolatadas pelo Poder Judiciário. Por esta razão, tornase desnecessária a manifestação deste colegiado acerca da petição aviada pela Procuradoria da Fazenda Nacional em face da juntada de documentos ocorrida em 14/07/2014. Na sequência, tocante à ampliação da base de cálculo promovida pela Lei nº 9.718/98, assevero que é sólida a jurisprudência deste Colégio quanto à impossibilidade de altercação, em âmbito administrativo, acerca de (in)constitucionalidade de normas legais, conforme enunciado da súmula CARF nº 2 (“O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária”). Entretanto, a Lei nº 11.941/09, alterando a redação de alguns dispositivos do Decreto nº 70.235/72, que regula o processo administrativo fiscal, mitigou o rigor desta regra e excepcionou aquelas situações em que já houvesse decisão plenária do Supremo Tribunal Federal, em caráter definitivo, sobre tema em discussão no processo administrativo. Neste sentido, uma vez fixado o parâmetro de análise, entendo que o lançamento não pode prosperar nos moldes em que lavrado, porquanto, o Excelso Pretório, reconheceu a repercussão geral do assunto e concluiu pela inconstitucionalidade do aludido conceito de faturamento, em manifestação que reproduzo: Fl. 1866DF CARF MF Impresso em 03/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/11/2014 por ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 24/11/2014 p or ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 02/12/2014 por JULIO CESAR ALVES RAMOS 6 BASE DE CÁLCULO DA COFINS E INCONSTITUCIONALIDADE DO ART. 3º, § 1º, DA LEI 9.718/98 O Tribunal resolveu questão de ordem no sentido de reconhecer a existência de repercussão geral da questão constitucional, reafirmar a jurisprudência da Corte acerca da inconstitucionalidade do § 1º do art. 3º da Lei 9.718/98, que ampliou a base de cálculo da Contribuição para Financiamento da Seguridade Social COFINS, e negar provimento a recurso extraordinário interposto pela União. Vencido, parcialmente, o Min. Marco Aurélio, que entendia ser necessária a inclusão do processo em pauta. Em seguida, o Tribunal, por maioria, aprovou proposta do Min. Cezar Peluso, relator, para edição de súmula vinculante sobre o tema, e cujo teor será deliberado nas próximas sessões. Vencido, também nesse ponto, o Min. Marco Aurélio, que se manifestava no sentido da necessidade de encaminhar a proposta à Comissão de Jurisprudência. Leading case: RE 585.235QO, Min. Cezar Peluso. Como se observa, tratase de decisão plenária com reafirmação de jurisprudência, donde se vislumbra a definitividade deste posicionamento, especialmente quando examinada à luz do disposto nos arts. 543A e 543B do Código de Processo Civil. Ressalto, no entanto, pelos próprios termos da aludida manifestação pretoriana, que a majoração de alíquota prevista no art. 8º da Lei nº 9.718/98, por seu turno, foi considerada constitucional, devendo a posição adotada na predita repercussão geral ser aplicada em sua integralidade, senão vejase: “31. COFINS. MAJORAÇÃO DE ALÍQUOTA. NECESSIDADE DE LEI COMPLEMENTAR. LEI Nº 9.718/98, ARTIGO 8º. O Plenário do Supremo Tribunal Federal confirmou o entendimento da Corte no sentido da inconstitucionalidade do parágrafo 1º do artigo 3º da Lei 9.718/98, que alargou a base de cálculo do PIS e da Cofins, para reconhecer que a receita bruta (faturamento) seria a “totalidade das receitas auferidas” pelas empresas. A decisão, tomada no julgamento do Recurso Extraordinário 527602, seguiu o entendimento do ministro Marco Aurélio, para quem o novo conceito de faturamento criado pelo dispositivo questionado – uma lei ordinária, foi além do que previu a Constituição Federal – que determinava a necessidade de uma lei complementar para tal. Já o artigo 8º da mesma lei, que aumentou a alíquota da contribuição, de 2% para 3%, foi considerado constitucional pela Corte, uma vez que não existe a necessidade de lei complementar para tratar do aumento da alíquota. Os ministros se mantiveram fiéis a uma série de REs julgados recentemente pela Corte que tratavam deste assunto – como os recursos 357950, 390840, 358273, 346084 e 336134. Leading case: RE 527.602, Min. Eros Grau, relator para o acórdão Min. Marco Aurélio” (grifei) Fl. 1867DF CARF MF Impresso em 03/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/11/2014 por ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 24/11/2014 p or ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 02/12/2014 por JULIO CESAR ALVES RAMOS Processo nº 10283.010710/200242 Acórdão n.º 3401002.782 S3C4T1 Fl. 13 7 Com espeque nesta assertiva, tenho como tranqüila a aplicação das disposições do art. 26A, § 6º, I do Decreto nº 70.235/72, incluído pela Lei nº 11.941/2009, assim redigido: “Art. 26A. No âmbito do processo administrativo fiscal, fica vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009) § 1o (Revogado). (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009) § 2o (Revogado). (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009) § 3o (Revogado). (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009) § 4o (Revogado). (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009) § 5o (Revogado). (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009) § 6o O disposto no caput deste artigo não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009) I – que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão definitiva plenária do Supremo Tribunal Federal; (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009) II – que fundamente crédito tributário objeto de: (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009) a) dispensa legal de constituição ou de ato declaratório do ProcuradorGeral da Fazenda Nacional, na forma dos arts. 18 e 19 da Lei no 10.522, de 19 de julho de 2002; (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009) b) súmula da AdvocaciaGeral da União, na forma do art. 43 da Lei Complementar no 73, de 10 de fevereiro de 1993; ou (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009) c) pareceres do AdvogadoGeral da União aprovados pelo Presidente da República, na forma do art. 40 da Lei Complementar no 73, de 10 de fevereiro de 1993. (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009)”. (grifado) Profligado o conceito ampliado de faturamento, como sendo a receita bruta da pessoa jurídica, retoma a eficácia a acepção de faturamento prevista no arts. 2º, I e 3º da Lei nº 9.715/98, verbis: “Art. 2o A contribuição para o PIS/PASEP será apurada mensalmente: I pelas pessoas jurídicas de direito privado e as que lhes são equiparadas pela legislação do imposto de renda, inclusive as empresas públicas e as sociedades de economia mista e suas subsidiárias, com base no faturamento do mês; (...) Art. 3o Para os efeitos do inciso I do artigo anterior considerase faturamento a receita bruta, como definida pela legislação do imposto de renda, proveniente da venda de bens nas operações de conta própria, do preço dos serviços prestados e do resultado auferido nas operações de conta alheia. Fl. 1868DF CARF MF Impresso em 03/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/11/2014 por ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 24/11/2014 p or ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 02/12/2014 por JULIO CESAR ALVES RAMOS 8 Parágrafo único. Na receita bruta não se incluem as vendas de bens e serviços canceladas, os descontos incondicionais concedidos, o Imposto sobre Produtos Industrializados IPI, e o imposto sobre operações relativas à circulação de mercadorias ICMS, retido pelo vendedor dos bens ou prestador dos serviços na condição de substituto tributário.” Assim, devem ser excluídas do lançamento as parcelas que não correspondam a receita da venda de bens e prestação de serviços, tais como as receitas financeiras, receitas de aluguel, descontos obtidos, valores relativos aos incentivos do ICMS, dentre outros, conforme planilhas de fls. 54, 58 e 69. Por pertinente e para evitar dúvidas, as receitas de vendas de sucatas, como subprodutos do processo industrial, devem compor o faturamento, tomado em seu conceito retro, por consubstanciar, a meu juízo, espécie do gênero “venda de mercadorias”. Por derradeiro, quanto à exclusão do ICMS da base de cálculo do PIS/Pasep, não vejo como acolher a pretensão do recorrente, eis que, para tanto e a meu sentir, deverseia negar aplicação à Lei nº 9.718/98, cujo texto arrola taxativamente as deduções permitidas da receita bruta da pessoa jurídica, dentre elas não figurando a rubrica em comento, ressalva feita exclusivamente ao ICMS apurado na modalidade de substituição tributária, sob pena de inobservância às disposições do já citado art. 26A do Decreto nº 70.235/72, com a redação dada pela Lei nº 11.941/09. Destarte, sendo o imposto estadual componente do preço de venda, sua exclusão da base de cálculo da contribuição em comento a receita bruta, assim entendida aquela derivada da venda de bens e prestação de serviços , depende de norma legal específica. Como registro, trago a lume a situação da matéria no Supremo Tribunal Federal, cujo exame se deu no bojo leading case RE 240.7852/MG, de relatoria do Min. Marco Aurélio, até então interrompido por pedido de vista do Min. Gilmar Mendes, com recentíssima manifestação da egrégia Corte, como se verifica dos informativos publicados pelo STF, que representam a transcrição das notas taquigráficas tomadas das suas sessões de julgamento: “O Tribunal iniciou julgamento de ação declaratória de constitucionalidade proposta pelo Presidente da República que tem por objeto o art. 3º, § 2º, I, da Lei 9.718/98 (“Art. 3º O faturamento a que se refere o artigo anterior corresponde à receita bruta da pessoa jurídica. ... § 2º Para fins de determinação da base de cálculo das contribuições a que se refere o art. 2º, excluemse da receita bruta: I – as vendas canceladas, os descontos incondicionais concedidos, o Imposto sobre Produtos Industrializados – IPI e o Imposto sobre Operações relativas à Circulação de Mercadorias e sobre Prestações de Serviços de Transporte Interestadual e Intermunicipal e de Comunicação ICMS, quando cobrado pelo vendedor dos bens ou prestador dos serviços na condição de substituto tributário.”). Pretendese, na espécie, com essa declaração, legitimarse a inclusão, na base de cálculo da COFINS e do PIS/PASEP, dos valores pagos a título de ICMS e repassados aos consumidores no preço dos produtos e serviços, desde que não se trate de substituição tributária. Inicialmente, resolvendo a questão de ordem suscitada pelo Min. Marco Aurélio no sentido de se prosseguir com o julgamento do RE 240785/MG (v. Informativo 437), e não de se iniciar o da ADC, Fl. 1869DF CARF MF Impresso em 03/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/11/2014 por ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 24/11/2014 p or ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 02/12/2014 por JULIO CESAR ALVES RAMOS Processo nº 10283.010710/200242 Acórdão n.º 3401002.782 S3C4T1 Fl. 14 9 tendo em conta o disposto no art. 138 do RISTF (“Preferirá aos demais, na sua classe, o processo, em mesa, cujo julgamento tenha sido iniciado.”), o Tribunal, por maioria, considerando que o referido dispositivo regimental faz menção à preferência entre processos de mesma classe, deliberou pela precedência do julgamento da ADC. O Min. Celso de Mello, no ponto, ressaltou que o caráter objetivo do processo de fiscalização abstrata imporia e justificaria a precedência do julgamento da ADC em face de um processo de índole meramente subjetiva, sobretudo se considerada a natureza, a extensão e a vinculatividade da decisão que emerge dos processos de controle normativo abstrato. Vencidos, no ponto, o suscitante e os Ministros Ricardo Lewandowski e Cezar Peluso, que o acompanhavam. Em seguida, o Min. Menezes Direito rejeitou a preliminar de não conhecimento da ação, alegada ao fundamento de inconstitucionalidade superveniente ante a modificação substancial da redação original do art. 195, da CF, pela EC 20/98. O relator entendeu não ter havido alteração substancial do parâmetro de controle de constitucionalidade, no que foi acompanhado pelos Ministros Cármen Lúcia, Ricardo Lewandowski, Eros Grau, Joaquim Barbosa, Carlos Britto, Cezar Peluso e Ellen Gracie. Após, pediu vista dos autos o Min. Marco Aurélio. ADC 18 MC/DF, rel. Min. Menezes Direito, 14.5.2008.(ADC18)” (Informativo nº 506 do STF) “O Tribunal retomou julgamento de ação declaratória de constitucionalidade proposta pelo Presidente da República que tem por objeto o art. 3º, § 2º, I, da Lei 9.718/98 (“Art. 3º O faturamento a que se refere o artigo anterior corresponde à receita bruta da pessoa jurídica. ... § 2º Para fins de determinação da base de cálculo das contribuições a que se refere o art. 2º, excluemse da receita bruta: I – as vendas canceladas, os descontos incondicionais concedidos, o Imposto sobre Produtos Industrializados – IPI e o Imposto sobre Operações relativas à Circulação de Mercadorias e sobre Prestações de Serviços de Transporte Interestadual e Intermunicipal e de Comunicação ICMS, quando cobrado pelo vendedor dos bens ou prestador dos serviços na condição de substituto tributário.”). Pretendese, na espécie, com essa declaração, legitimarse a inclusão, na base de cálculo da COFINS e do PIS/PASEP, dos valores pagos a título de ICMS e repassados aos consumidores no preço dos produtos e serviços, desde que não se trate de substituição tributária — v. Informativo 506. O Tribunal, após rejeitar todas as preliminares suscitadas, deferiu, por maioria, a medida cautelar para determinar que juízos e tribunais suspendam o julgamento dos processos em trâmite, aí não incluídos os processos em andamento nesta Corte, que envolvam a aplicação do art. 3º, § 2º, I, da Lei 9.718/98. Reconheceuse haver uma clara divergência de interpretação quanto ao dispositivo em questão em todo o território nacional, o que recomendaria, por uma questão de segurança jurídica, a paralisação das demandas em curso que tratam do tema. Vencidos os Ministros Marco Aurélio e Celso de Mello que indeferiam a cautelar. ADC 18 MC/DF, Fl. 1870DF CARF MF Impresso em 03/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/11/2014 por ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 24/11/2014 p or ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 02/12/2014 por JULIO CESAR ALVES RAMOS 10 rel. Min. Menezes Direito, 13.8.2008. (ADC18)” (Informativo nº 515 do STF) “O valor retido em razão do ICMS não pode ser incluído na base de cálculo da COFINS sob pena de violar o art. 195, I, b, da CF [“Art. 195. A seguridade social será financiada por toda a sociedade, de forma direta e indireta, nos termos da lei, mediante recursos provenientes dos orçamentos da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, e das seguintes contribuições sociais: I do empregador, da empresa e da entidade a ela equiparada na forma da lei, incidentes sobre: ... b) a receita ou o faturamento”] — v. Informativos 161 e 437. Com base nesse entendimento, o Plenário, em conclusão de julgamento e por maioria, proveu recurso extraordinário. De início, deliberou pelo prosseguimento na apreciação do feito, independentemente do exame conjunto com a ADC 18/DF (cujo mérito encontrase pendente de julgamento) e com o RE 544.706/PR (com repercussão geral reconhecida em tema idêntico ao da presente controvérsia). O Colegiado destacou a demora para a solução do caso, tendo em conta que a análise do processo fora iniciada em 1999. Ademais, nesse interregno, teria havido alteração substancial na composição da Corte, a recomendar que o julgamento se limitasse ao recurso em questão, sem que lhe fosse atribuído o caráter de repercussão geral. Em seguida, o Tribunal entendeu que a base de cálculo da COFINS somente poderia incidir sobre a soma dos valores obtidos nas operações de venda ou de prestação de serviços. Dessa forma, assentou que o valor retido a título de ICMS não refletiria a riqueza obtida com a realização da operação, pois constituiria ônus fiscal e não faturamento. Vencidos os Ministros Eros Grau e Gilmar Mendes, que desproviam o recurso. O primeiro considerava que o montante do ICMS integraria a base de cálculo da COFINS por estar incluído no faturamento e se tratar de imposto indireto que se agregaria ao preço da mercadoria. O segundo pontuava que a COFINS não incidiria sobre a renda, e nem sobre o incremento patrimonial líquido, que considerasse custos e demais gastos que viabilizassem a operação, mas sobre o produto das operações, da mesma maneira que outros tributos como o ICMS e o ISS. Ressaltava, assim, que, apenas por lei ou por norma constitucional se poderia excluir qualquer fator que compusesse o objeto da COFINS. RE 240785/MG, rel. Min. Marco Aurélio, 8.10.2014. (RE240785)” (destacado) (Informativo nº 762 do STF) A teor de aludidas transcrições, concluise pela inaplicabilidade ao caso vertente da previsão constante do art. 62A do RICARF, tampouco as disposições do art. 26A, § 6º, I do Decreto nº 70.235/72. Com estas considerações, voto por dar parcial provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto. Robson José Bayerl Fl. 1871DF CARF MF Impresso em 03/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/11/2014 por ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 24/11/2014 p or ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 02/12/2014 por JULIO CESAR ALVES RAMOS Processo nº 10283.010710/200242 Acórdão n.º 3401002.782 S3C4T1 Fl. 15 11 Fl. 1872DF CARF MF Impresso em 03/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/11/2014 por ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 24/11/2014 p or ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 02/12/2014 por JULIO CESAR ALVES RAMOS
score : 1.0
Numero do processo: 10380.725057/2010-21
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 04 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Wed Feb 11 00:00:00 UTC 2015
Numero da decisão: 1202-000.258
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos converter o presente julgamento em diligência nos termos do voto do relator. Ausente, momentaneamente, a conselheira Nereida de Miranda Finamore Horta.
(documento assinado digitalmente)
Plínio Rodrigues Lima - Presidente
(documento assinado digitalmente)
Orlando José Gonçalves Bueno - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Plínio Rodrigues Lima, Maria Elisa Bruzzi Boechat, Marcos Antonio Pires, Geraldo Valentim Neto, Joselaine Boeira Zatorre, Orlando José Gonçalves Bueno.
RELATÓRIO
Nome do relator: ORLANDO JOSE GONCALVES BUENO
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Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos converter o presente julgamento em diligência nos termos do voto do relator. Ausente, momentaneamente, a conselheira Nereida de Miranda Finamore Horta. (documento assinado digitalmente) Plínio Rodrigues Lima Presidente (documento assinado digitalmente) Orlando José Gonçalves Bueno Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Plínio Rodrigues Lima, Maria Elisa Bruzzi Boechat, Marcos Antonio Pires, Geraldo Valentim Neto, Joselaine Boeira Zatorre, Orlando José Gonçalves Bueno. RELATÓRIO Tratase de Autos de Infração para exigir IRPJ, CSLL, PIS e COFINS relativos aos anoscalendário 2006 e 2007 no valor total de R$ 2.386.827,21. Temse como sujeito passivo do Auto, a empresa COLUMBUS SUGAR DISTRIBUIDORA DE ALIMENTOS LTDA. (Na pessoa de SócioAdministrador o Sr. Pedro Esulo Cavalcante de Carvalho), sendo arrolada a Pessoa Jurídica AMÉRICA DI SUL RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 03 80 .7 25 05 7/ 20 10 -2 1 Fl. 621DF CARF MF Impresso em 11/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2015 por ORLANDO JOSE GONCALVES BUENO, Assinado digitalmente em 11 /02/2015 por PLINIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 11/02/2015 por ORLANDO JOSE GONCALVES B UENO Processo nº 10380.725057/201021 Resolução nº 1202000.258 S1C2T2 Fl. 9 2 DISTRIBUIDORA DE ALIMENTOS LTDA, bem como o Sr. MARCUS VINICIUS CARVALHO FONTENELLE, como sujeitos passivos solidários. Por bem descrever os fatos, segue resumidamente partes do relatório da decisão recorrida nos seguintes termos: Segundo o Auto de Infração, as razões para o arbitramento foram as seguintes: O arbitramento do lucro ocorreu devido a escrituração mantida pelo Contribuinte ser imprestável para determinação do Lucro Real, em virtude da existência de uma contabilidade PARALELA, apreendida mediante Mandado de Busca e Apreensão, constante dos autos do Inquérito Policial n° 820/2007SR/ DPF/CE (Processo 2007.81.00.00147396), em cujos balanços gerais mensais o faturamento da Empresa é notoriamente superior ao constante de sua escrita fiscal/contábil apresentada à Fiscalização, tal como circunstanciado no Termo de Constatação Fiscal, parte integrante do Auto de Infração. O Referido Auto de Infração, dividiu as infrações da seguinte forma: 1. RECEITA OPERACIONAL OMITIDA (ATIVIDADE NÃO IMOBILIÁRIA) OMISSÃO DE RECEITA REVENDA DE MERCADORIAS. Lucro arbitrado no período de janeiro/2006 a dezembro/2007, tendo por base a diferença de receita contabilizada a menor nos assentamentos contábeis constantes do Livro Diário e Razão da Empresa Fiscalizada, que foram apresentados à Fiscalização pelo seu Representante Legal. A diferença de receita acima mencionada é resultante do confronto entre as receitas faturadas constantes dos mapas e balanços gerais mensais apreendidos pela Policia Federal, mediante Mandado de Busca e Apreensão, constante dos autos do Inquérito Policial n° 820/2007SR/ DPF/CE (Processo 2007.81.00.00147396), em relação aos valores das receitas escrituradas nos Livros da escrituração contábil e fiscal da Empresa apresentados à Fiscalização. Diante da evidência de fraude, sobre os tributos e contribuições lançados "ex officio" resultantes da fiscalização, cabe a aplicação de multa qualificada de 150% de que trata o art. 44, II, da Lei 9.430/96, e alterações posteriores (art. 14 da MP 351/2007 e art. 14 da Lei 11.488/2007), em razão dos fatos circunstanciados no Termo de Constatação Fiscal, por onde se infere a ocorrência de evidente intuito de fraude perpetrado pelos Responsáveis pela Empresa Fiscalizada, caracterizada pela manutenção de escrita paralela e com a agravante da manutenção de interposição fraudulenta de terceiros a encobrir a identificação dos verdadeiros proprietários do Empreendimento Comercial Fiscalizado. 2. RECEITAS OPERACIONAIS (ATIVIDADE NÃO IMOBILIÁRIA) REVENDA DE MERCADORIAS Lucro arbitrado no período de janeiro/2006 a dezembro/2007, tendo por base de cálculo a receita bruta conhecida a partir dos valores registrados na escrita fiscal e contábil da Empresa, através dos Livros de Apuração do ICMS e RAZÃO da Empresa, apresentados pela Fiscalizada, cujas cópias foram anexadas ao auto. Fl. 622DF CARF MF Impresso em 11/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2015 por ORLANDO JOSE GONCALVES BUENO, Assinado digitalmente em 11 /02/2015 por PLINIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 11/02/2015 por ORLANDO JOSE GONCALVES B UENO Processo nº 10380.725057/201021 Resolução nº 1202000.258 S1C2T2 Fl. 10 3 Sobre tais tributos e contribuições, também aplicouse a multa qualificada de 150%, descrita alhures. Em 11/2007 foi encaminhado à Receita Federal parte do material apreendido nos autos do Inquérito Policial 820/2007SR/ DPF/CE (Operação Secos e Molhados), na forma como determinado pelo MM. Juiz Federal Ricardo Ribeiro Campos, nos autos do referido inquérito. Em consequência da análise da documentação encaminhada, a qual foi fotocopiada e triada, o Contribuinte foi selecionado para fiscalização do IRPJ e contribuições nos anos calendário de 2006 e 2007. A Empresa Fiscalizada, que se encontra extinta desde 27/06/2008, conforme Distrato Social da Firma, registrado na Junta Comercial do Estado do CearáJUCEC/ CE, em 30/06/2008, constituíase de um estabelecimento comercial tendo por objeto o comércio atacadista de gêneros alimentícios, mais especificamente de açúcar. Segundo consta do Contrato Social arquivado na JUCEC nº 23201089385, figura como SócioAdministrador o Sr. Pedro Esulo Cavalcante de Carvalho, CPF 122.172.47387. A Fiscalização envolveu os anoscalendário de 2006 e 2007, para os quais a Empresa apresentou as respectivas Declarações de Rendimentos DIPJ pelo regime de lucro real trimestral. Segundo consta dessas Declarações, a Empresa auferiu receitas de revenda de mercadorias nos montantes de R$ 6.910.141,98 em 2006 e R$ 3.347.543,33 em 2007. Com relação ao PIS e COFINS, ao se verificarem as DCTFs, constatouse que os débitos de valores mais expressivos apurados no Demonstrativo de Apuração das Contribuições Sociais DACON, não foram declarados na mesma, como também não foram recolhidos. Do exame do material encaminhado pela Polícia Federal, coletado através de Mandado de Busca na "Operação Secos e Molhados", constante dos autos do Inquérito Policial 820/2007SR/ DPF/CE (Processo 2007.81.00.00147396), constatouse a existência de uma quantidade expressiva de documentos envolvendo o nome da Empresa Fiscalizada, constituídos por balanços gerenciais, correspondências a fornecedores (usineiros de açúcar) e transportadores, correspondências para os Bancos em que a Empresa mantinha contascorrentes, dentre outros. Tais documentos demonstram de forma bastante clara que os verdadeiros Proprietários da Empresa COLUMBUS SUGAR são pessoas estranhas ao seu Contrato Social e Aditivos arquivados na JUCEC, identificadas como sendo o Sr. Marcus Vinicius Carvalho Fontenelle, CPF 430.443.28349, com 40% (quarenta por cento) do seu capital social, e a Empresa América do Sul Distribuidora de Alimentos Ltda, CNPJ 04.003.705/000172, com os restantes 60% (sessenta por cento) do capital social, e que, dessa forma, o Sr. Pedro Esulo Cavalcante de Carvalho, bem como a Sra. Sidina Andréia de Melo Ramos Lima, que figuram no contrato social da Empresa, seriam apenas Sócios de fachada, utilizados apenas pro forma, conhecidos na linguagem corriqueira como "laranjas", encobrindo assim a identidade dos verdadeiros Sócios e Proprietários da Empresa. Corroborando o constatado pela Fiscalização através do material apreendido, Consta da Declaração de Rendimentos do Sr. Pedro Esulo, a título de rendimentos auferidos da Empresa Columbus Sugar, uma quantia irrisória de R$ 6.300,00 no ano de 2006 e de R$ 8.400,00 no ano de 2007. Somase a isso o fato de constarem como seus bens, informados nas referidas Declarações, apenas 1/3 de um apartamento na Av. Santos Dumont, as quotas de Fl. 623DF CARF MF Impresso em 11/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2015 por ORLANDO JOSE GONCALVES BUENO, Assinado digitalmente em 11 /02/2015 por PLINIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 11/02/2015 por ORLANDO JOSE GONCALVES B UENO Processo nº 10380.725057/201021 Resolução nº 1202000.258 S1C2T2 Fl. 11 4 participação do capital social nessa Empresa e uma pequena quantia em dinheiro em conta corrente. Pelas Declarações de Rendimentos do Sr. Pedro Esulo, evidenciase que o referido Senhor, de fato, não deveria ser o verdadeiro responsável pelos negócios realizados em nome da Empresa Fiscalizada nos anos sob fiscalização, porquanto desprovido de condições financeiras para tal. Evidentemente que essa situação econômica é incompatível com a de um Empresário que fosse de fato o Proprietário de um Empreendimento Comercial a movimentar milhões de reais, como é caso da Empresa Fiscalizada, que chegou a faturar mais de R$ 10.000.000,00 em 2006 e mais de R$ 6.000.000,00 em 2007. Por outro lado, ao se examinarem as Declarações de Rendimentos do Sr. Marcus Vinicius Carvalho Fontenelle dos anoscalendário de 2006 e 2007, constatouse tratarse de um Empresário Abastado, aparecendo como SócioQuotista de várias Empresas, que reside em área nobre da cidade, possui vários veículos de luxo, um caminhão Mercedes Benz, uma propriedade rural, e uma Empresa AgroIndustrial a Faisa Agro Indústria S.A., adquirida em leilão por R$ 250.000,00, em 2006, uma situação bem divergente da do Sr. Pedro Esulo Cavalcante de Carvalho, que consta do Contrato Social. A outra questão que não poderia deixar de ser ignorada é o fato de a Empresa COLUMBUS SUGAR ter funcionado exatamente no mesmo endereço onde, anteriormente, até novembro de 2005, funcionava a Empresa "Cometa Distribuidora de Alimentos Ltda" no ramo de comercialização de açúcar, a qual pertencia, de fato, a dois dos mesmos donos da Empresa América do Sul, Empresa esta que também figura nos documentos apreendidos pela Polícia Federal, como a outra Sócia Proprietária da Fiscalizada. Ou seja, os Donos da Empresa COMETA, ao encerrarem as suas atividades, prosseguiram com a mesma atividade, desta feita, sob nova inscrição e razão social denominada Columbus Sugar Distribuidora de Alimentos Ltda, instalada no mesmo local e operando a partir de janeiro de 2006. Intimado a comparecer à Repartição a fim de prestar esclarecimentos, o Sr. Pedro Esulo, apesar de afirmar que era o SócioAdministrador da Empresa Columbus Sugar, informou, dentre outras, que não tinha ideia de quanto a Empresa faturava, de quem era a propriedade do imóvel onde a Empresa funcionava e que, após fechar a Empresa, foi trabalhar na AMCAutarquia Municipal de Trânsito da Prefeitura Municipal de Fortaleza, como contratado comissionado, ou seja, numa atividade bem diversa da supostamente alegada no seu depoimento. De ressaltar que, no decorrer da tomada de suas declarações, foram apresentados ao Sr. PEDRO ESULO CAVALCANTE DE CARVALHO (Declarante) os documentos listados acima, objeto da apreensão feita pela Polícia Federal, em relação aos quais o mencionado Senhor foi instado a se pronunciar sobre o seu conteúdo, ao que, dirigindose à Fiscalização, afirmou que " não desejava se manifestar a respeito". Por todo o exposto, tevese que concluir que a Empresa Columbus Sugar Distribuidora de Alimentos Ltda. tinha por proprietários "de fato" o Sr. Marcus Vinícius Carvalho Fontenelle CPF 430.443.28349, e a Empresa América do Sul Distribuidora de Alimentos Ltda, CNPJ 04.003.705/000113, e que o Sr. PEDRO ESULO CAVALCANTE DE CARVALHO, embora tendo constado do quadro societário na qualidade de Sócio Administrador, não era quem, de fato, detinha o poder de mando dos negócios e dispunha de seu resultado econômico, mas sim o Sr. Marcus Vinícius Carvalho Fontenelle e a Empresa América do Sul, conforme comprovado por todas as evidências expostas. Assim, tais pessoas foram responsabilizadas com base na hipótese do art. 124, inciso I, do CTN, ipsis literis: “que são solidariamente obrigadas as pessoas que tenham interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal”. Fl. 624DF CARF MF Impresso em 11/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2015 por ORLANDO JOSE GONCALVES BUENO, Assinado digitalmente em 11 /02/2015 por PLINIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 11/02/2015 por ORLANDO JOSE GONCALVES B UENO Processo nº 10380.725057/201021 Resolução nº 1202000.258 S1C2T2 Fl. 12 5 Assim, diante do Auto de Infração em comento, inconformado com a Exigência descrita, fls. 3/61, da qual tomara ciência em 17 e 24/11/2011, o Sujeito Passivo apresentou Impugnação, por meio dos SóciosResponsáveis Solidários, bem como do Sócio Administrador, em 16 e 22/12/2011, fls. 418, 491, 510, requerendo que fosse declarada a improcedência do Auto de Infração, fosse excluída a imputação de Sujeição Passiva Solidária, com a consequente extinção de sua responsabilidade pelos créditos tributários lançados contra a Empresa COLUMBUS SUGAR DISTRIBUIDORA DE ALIMENTOS LTDA., a nulidade do Auto de Infração, argumentando flagrante ofensa ao Art. 10, IV, do Decreto 70.235/1972, como também à garantia constitucional do contraditório e da ampla defesa, eximindo o Requerente e demais Responsáveis Solidários de toda e qualquer responsabilidade decorrente do mesmo, que fosse reconhecida a inexistência de obrigação solidária, por força de inexistência de prova inequívoca, excluindo, por conseguinte, o Requerente da sujeição passiva, desobrigandoo das responsabilidades decorrentes do Auto de Infração. A impugnante AMÉRICA DO SUL DISTRIBUIDORA DE ALIMENTOS LTDA. argumentou em síntese que imputar responsabilidade solidária a uma pessoa física sem qualquer vínculo sócioadministrativo com o Contribuinte fiscalizado afronta as mais basilares normas reguladoras do Direito Tributário. O impugnante MARCUS VINÍCIUS CARVALHO FONTENELLE, afirmou que sequer compõe a Sociedade Limitada Fiscalizada, sendo Sócio de uma filial da Empresa Fiscalizada, sendo que esta filial sequer fora fiscalizada. A impugnante COLUMBUS SUGAR DISTRIBUIDORA DE ALIMENTOS LTDA., por sua vez aduziu que efetuar lavratura de AI baseado em documentações oriundas de outra Pessoa Jurídica DIGASE TOTALMENTE INDEPENDENTE DA AUTUADA além de extrapolar a função do Fiscal, procede de maneira ilegal e indevida a comando normativo dos arts. 124 seguintes do Código Tributário Nacional, assim como de julgados emanados dos mais doutos Colegiados, inclusive do Egrégio CARF e do extinto Conselho de Contribuintes. Contudo, a decisão julgou improcedente as Impugnações apresentas, mantendo o crédito tributário, conforme a ementa do Acórdão, senão vejamos: Acórdão 0822.042 3ª Turma da DRJ/FOR Sessão de 21 de outubro de 2011 Processo 10380.725057/201021 Interessado COLUMBUS SUGAR DISTRIBUIDORA DE ALIMENTOS LTDA. E OUTROS. CNPJ/CPF 07.798.677/000166 ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2006, 2007 ARBITRAMENTO DE LUCRO. A não apresentação dos Livros e Documentos da escrituração contábil, por ocasião da Fiscalização a Pessoa Jurídica, justifica o arbitramento do lucro calculado sobre os valores das receitas auferidas pela Empresa. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Fl. 625DF CARF MF Impresso em 11/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2015 por ORLANDO JOSE GONCALVES BUENO, Assinado digitalmente em 11 /02/2015 por PLINIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 11/02/2015 por ORLANDO JOSE GONCALVES B UENO Processo nº 10380.725057/201021 Resolução nº 1202000.258 S1C2T2 Fl. 13 6 Anocalendário:2006, 2007 SIMULAÇÃO. INTERPOSTA PESSOA. EVIDENTE INTUITO DE FRAUDE. Na utilização de interposição de pessoa, o intuito do Declarante é o de inculcar a existência de um Titular de Direito, mencionado na Declaração, ao qual, todavia, nenhum direito se outorga ou se transfere, servindo seu nome exclusivamente para encobrir o da pessoa a quem de fato se quer outorgar ou transferir o direito de que se trata, afigurandose, na espécie, o evidente intuito de fraude, enquadrável na tipificação de simulação da identidade dos verdadeiros Responsáveis pela Empresa Fiscalizada. SOLIDARIEDADE. SÓCIO DE FATO. Nos termos do art. 124 do Código Tributário Nacional (CTN), as pessoas que tenham interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal são solidariamente obrigadas, revestindose, no caso do inciso I do dispositivo legal, da condição de Contribuinte; assim, uma vez constatado que pessoa não integrante do quadro societário é sócia de fato da pessoa jurídica, recai sobre ela a condição de devedora solidária. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário:2006, 2007 DECISÕES ADMINISTRATIVAS. A teor do art. 100, inciso II, do Código Tributário Nacional, as Decisões Administrativas, mesmo proferidas por Órgãos Colegiados, sem uma Lei que lhes atribua eficácia, não constituem normas complementares do Direito Tributário e não podem ser estendidas genericamente a outros casos, somente aplicandose sobre a questão em análise e vinculando as Partes envolvidas naqueles litígios. DECISÕES JUDICIAIS. A teor do art. 472 do Código do Processo Civil (CPC), bem como do art. 100, inciso II, do Código Tributário Nacional, as Decisões Judiciais, mesmo proferidas por Órgãos Colegiados, sem uma lei que lhes atribua eficácia, não constituem normas complementares do Direito Tributário e não podem ser estendidas genericamente a outros casos, somente aplicandose sobre a questão em análise e vinculando as partes envolvidas naqueles litígios. POSICIONAMENTOS DE ILUSTRES JURISTAS. A Autoridade Administrativa não tem competência para apreciar alegações de descabimento de Norma legitimamente inserida no Ordenamento Jurídico Nacional, não obstante posicionamentos de Ilustres Juristas, por motivo de essa matéria ser reservada ao Supremo Tribunal Federal. ARGUMENTO DE NULIDADE DE AÇÃO FISCAL. Fl. 626DF CARF MF Impresso em 11/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2015 por ORLANDO JOSE GONCALVES BUENO, Assinado digitalmente em 11 /02/2015 por PLINIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 11/02/2015 por ORLANDO JOSE GONCALVES B UENO Processo nº 10380.725057/201021 Resolução nº 1202000.258 S1C2T2 Fl. 14 7 Não provada violação das disposições contidas no (artigo) art. 142 do Código Tributário Nacional (CTN), nem nos arts. 10 e 59 do Decreto 70.235/1972 descabe o argumento de nulidade do Lançamento formalizado através de Auto de Infração. ASSUNTO: OUTROS TRIBUTOS OU CONTRIBUIÇÕES Anocalendário: 2006, 2007 CONTRIBUIÇÃO PARA O PROGRAMA DE INTEGRAÇÃO SOCIAL (PIS). CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL (COFINS). CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO (CSLL). Dada a íntima relação de causa e efeito que vincula as Exigências, a Decisão proferida no Lançamento Principal é aplicável aos Lançamentos Decorrentes. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Após o acórdão de decisão da DRJ, se faz necessária a intimação do resultado do julgamento, a todos os interessados no processo. Conforme se constata das fls. 575/577, a Delegacia da receita Federal do Brasil de Julgamento, encaminhou cópia de seu acórdão, a interessada: COLUMBUS SUBAR DISTRIBUIDORA DE ALIMENTOS LTDA., CNPJ: 07.798.677/000166, no seguinte endereço: R. Governador Sampaio, 270 – Centro – Cidade de Fortaleza, Estado do Ceará, CEP: 60055050. O qual fora autenticado e assinado digitalmente em 07/12/2011. Novamente, 28/06/2012, outro Termo de Intimação fora autenticado e assinado digitalmente, em face da mesma interessada e com destino ao mesmo endereço supracitado, conforme constatase na fl. 583. Ato contínuo, anexo à fl. 584, está o AR que fora devolvido pelos Correios, constando como motivo da devolução a não existência do número indicado no endereço. Outra vez, agora em 10/07/2012, mais uma intimação do resultado do julgamento fora expedido em nome da mesma interessada e no mesmo endereço colacionado alhures (fl. 586). Entretanto, na fl. 592, encontrase anexo o AR destinado ao Sr. Pedro Esulo Cavalcante de Carvalho, o qual fora recebido e assinado em 25/07/2012. Ressaltase que este é o único AR anexo aos autos do processo administrativo em comento, tendo sido inclusive o Sr. Pedro, SÓCIO de direito do sujeito passivo, o único a apresentar o Recurso Voluntário em face do Acórdão proferido pela DRJ. Ora, concluise que aparentemente não houve a intimação dos demais interessados, quais sejam, a pessoa jurídica AMÉRICA DO SUL DISTRIBUIDORA DE Fl. 627DF CARF MF Impresso em 11/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2015 por ORLANDO JOSE GONCALVES BUENO, Assinado digitalmente em 11 /02/2015 por PLINIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 11/02/2015 por ORLANDO JOSE GONCALVES B UENO Processo nº 10380.725057/201021 Resolução nº 1202000.258 S1C2T2 Fl. 15 8 ALIMENTOS LTDA. e o Sr. MARCUS VINICIUS CARVALHO FONTENELLE, o que acarretaria em nítido cerceamento de defesa aos sujeitos passivos solidários. É o Relatório. VOTO Em face ao quanto relatado, fazse necessário examinar a presença dos pressupostos de admissibilidade recursal. Verificase que foram responsabilizados, solidariamente, ao sujeito passivo, o Sr. Marcus Vinicius Carvalho Fontenelle e a empresa América do Sul Distribuidora de Alimentos Ltda, e que essas mesmas pessoas apresentaram respectivas impugnações, que foram devidamente apreciadas pela autoridade julgadora de primeira instância. Assim, considerando o quanto relatado, que não existe nos autos a comprovação de que os responsáveis solidários, Sr. Marcus e a empresa América do Sul, foram regularmente intimados da decisão da DRJ pertinente, apresentase imprescindível, a bem do direito a ampla defesa e do contraditório, converter o julgamento em diligência para: que a autoridade de origem intime os responsáveis solidários, Sr. Marcus Vinicius Carvalho Fontenelle e a empresa América do Sul Distribuidora de Alimentos Ltda, dando ciência da decisão de primeira instância, informando a existência do prazo legal de 30 (trinta) dias para oferecerem, se quiserem, os respectivos recursos voluntários; com os recursos interpostos, caso necessário, que se intime a Procuradoria da Fazenda Nacional para, em assim querendo, oferte suas contrarrazões recursais; após tais providências necessárias, retornem os autos para o competente julgamento do quanto diligenciado e o seu resultado. (documento assinado digitalmente) Orlando José Gonçalves Bueno Fl. 628DF CARF MF Impresso em 11/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2015 por ORLANDO JOSE GONCALVES BUENO, Assinado digitalmente em 11 /02/2015 por PLINIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 11/02/2015 por ORLANDO JOSE GONCALVES B UENO
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Numero do processo: 10830.011646/2008-69
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Nov 12 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Fri Dec 19 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 31/03/2003 a 31/12/2007
MULTA QUALIFICADA. PRESTAÇÃO DE INFORMAÇÃO FALSA MEDIANTE ENTREGA DE DECLARAÇÃO OBRIGATÓRIA. EXIGÊNCIA.
A inserção de informações sabidamente falsas, em desacordo com a escrituração contábil e fiscal do contribuinte, em declarações de apresentação obrigatória à RFB, enseja a aplicação de multa qualificada no percentual de 150% (cento e cinqüenta por cento), nos termos do art. 44 da Lei nº 9.430/96.
Recurso voluntário negado.
Numero da decisão: 3401-002.812
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por voto de qualidade, negar provimento ao recurso. Vencida a Conselheira Angela Sartori e os Conselheiros Jean Cleuter Simões Mendonça e Bernardo Leite de Queiroz Lima. Designado o Conselheiro Robson José Bayerl.
Júlio César Alves Ramos Presidente
Ângela Sartori Relatora
Robson José Bayerl Redator designado
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Júlio César Alves Ramos, Jean Cleuter Simões Mendonça, Robson José Bayerl, Eloy Eros da Silva Nogueira, Angela Sartori e Bernardo Leite de Queiroz Lima.
Nome do relator: ANGELA SARTORI
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LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. DECADÊNCIA. TERMO INICIAL. AUSÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. ART. 173, I DO CTN. RESP 973.733SC. RECURSO REPETITIVO. ART. 62A DO RICARF. O Superior Tribunal de Justiça, através do REsp nº 973.733SC, sob a sistemática do art. 543C do Código de Processo Civil, decidiu que o dies a quo para contagem da decadência para o exercício do direito de constituir/formalizar o crédito tributário, no caso dos tributos sujeitos ao lançamento por obrigação, quando inexistente pagamento antecipado, é o primeiro dia do exercício seguinte àquele em que poderia ser realizado, nos termos do art. 173, I do Código Tributário Nacional. Manifestação judicial que deve obrigatoriamente ser reproduzida nos julgamentos deste Conselho Administrativo, por força do disposto no art. 62A do seu regimento interno, aprovado pela Portaria MF nº 256/09. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 31/03/2003 a 31/12/2007 MULTA QUALIFICADA. PRESTAÇÃO DE INFORMAÇÃO FALSA MEDIANTE ENTREGA DE DECLARAÇÃO OBRIGATÓRIA. EXIGÊNCIA. A inserção de informações sabidamente falsas, em desacordo com a escrituração contábil e fiscal do contribuinte, em declarações de apresentação obrigatória à RFB, enseja a aplicação de multa qualificada no percentual de 150% (cento e cinqüenta por cento), nos termos do art. 44 da Lei nº 9.430/96. Recurso voluntário negado. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 83 0. 01 16 46 /2 00 8- 69 Fl. 349DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/11/2014 por ANGELA SARTORI, Assinado digitalmente em 24/11/2014 por A NGELA SARTORI, Assinado digitalmente em 02/12/2014 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalment e em 18/12/2014 por ROBSON JOSE BAYERL 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por voto de qualidade, negar provimento ao recurso. Vencida a Conselheira Angela Sartori e os Conselheiros Jean Cleuter Simões Mendonça e Bernardo Leite de Queiroz Lima. Designado o Conselheiro Robson José Bayerl. Júlio César Alves Ramos – Presidente Ângela Sartori – Relatora Robson José Bayerl – Redator designado Participaram do presente julgamento os Conselheiros Júlio César Alves Ramos, Jean Cleuter Simões Mendonça, Robson José Bayerl, Eloy Eros da Silva Nogueira, Angela Sartori e Bernardo Leite de Queiroz Lima. Relatório Tratase de lançamento de crédito tributário para exigibilidade de Imposto sobre Produtos Industrializados – IPI, bem como das contribuições do PIS e da COFINS, no importe total de R$ 7.204.644,30 (sete milhões duzentos e quatro mil seiscentos e quarenta e quatro reais e trinta centavos). A autuação abrange o período de 31/03/2003 à 31/12/2007, tendo sido lavrado em novembro de 2008 (11/2008), bem como cientificado o contribuinte na mesma data. Segundo o Auditor Fiscal, a base de cálculo dos respectivos tributos foi apurada através do cotejo entre a escrituração contábil do contribuinte, para com a DIPJ, DCTF e comprovantes de recolhimento. Restou constatado que o contribuinte apurou os tributos sob exigência, tendo os escriturado em sua contabilidade, bem como na DIPJ, não o tendo, porém, lançado em DCTF sob a justificativa de que não possuía recursos para adimplir com suas obrigações para com o fisco federal. A autoridade autuante, acrescenta também que estaria aplicando, também, a qualificação da multa, ante o evidente intuito de fraude e dolo por parte do contribuinte, afirmando que ele estava promovendo o crescimento de sua empresa a partir da sonegação periódica de tributos. Em análise à impugnação apresentada, fls. 122/134, a Terceira Turma Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Ribeirão Preto/SP DRJ/RPO, prolatou, na sessão de 16 de abril de 2009, o Acórdão n. 1423.142,fls. 254/274, julgando improcedente a impugnação, mantendo o crédito tributário, nos seguintes termos: Fl. 350DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/11/2014 por ANGELA SARTORI, Assinado digitalmente em 24/11/2014 por A NGELA SARTORI, Assinado digitalmente em 02/12/2014 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalment e em 18/12/2014 por ROBSON JOSE BAYERL Processo nº 10830.011646/200869 Acórdão n.º 3401002.812 S3C4T1 Fl. 6 3 ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2003, 2004, 2005, 2006, 2007 MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. Considerase definitiva, na esfera administrativa, a exigência relativa à matéria que não tenha sido expressamente contestada. PROVA TESTEMUNHAL. DEPOIMENTO PESSOAL. No rito do processo administrativo fiscal inexiste previsão legal para audiência de instrução, na qual seriam ouvidas testemunhas ou apresentados depoimentos pessoais; devendo, se tidas a seu favor, ser apresentadas sob forma de declaração escrita, já com a impugnação. PEDIDO DE PERÍCIA. INDEFERIMENTO. Existindo no processo os elementos necessários à formação da livre convicção do julgador e constatandose a inexistência nos autos de matéria que necessite da opinião de perito para ser decidida, indeferese, por prescindível, o pedido de perícia. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2003, 2004, 2005, 2006, 2007 DECADÊNCIA. Tratandose de lançamento de ofício, não tendo havido qualquer pagamento, o termo inicial da decadência ocorre no primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. DECADÊNCIA. DOLO COMPROVADO. O direito de a Fazenda Pública rever lançamento por homologação em que o sujeito passivo tenha se utilizado de dolo, fraude ou simulação, extinguese no prazo de 5 (cinco) anos, contados do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. MULTA QUALIFICADA. FRAUDE. Demonstrado o evidente intuito de fraude, mantémse a multa por infração qualificada. Lançamento Procedente Irresignada, a empresa interpôs Recurso Voluntário, fls. 285/300, alegando, em síntese, a decadência parcial nos termos do art. 150, parágrafo 4º do CTN, assim como a não aplicabilidade da multa de 150%, uma vez que não estão presentes seus requisitos legais. É o breve relato do necessário. Voto Vencido Conselheira Ângela Sartori, Relatora, Fl. 351DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/11/2014 por ANGELA SARTORI, Assinado digitalmente em 24/11/2014 por A NGELA SARTORI, Assinado digitalmente em 02/12/2014 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalment e em 18/12/2014 por ROBSON JOSE BAYERL 4 O recurso é tempestivo, conforme fl. 335, e preenche os demais pressupostos para a sua admissibilidade, portanto, dele tomo conhecimento. DA DECADÊNCIA Abordarseá neste mesmo tópico a questão da decadência e da multa, uma vez que o pano de fundo da permanência do auto de infração, na forma pela qual foi impugnado o lançamento, passa por um ponto convergente, a presença de dolo ou fraude. Esclareçase inclusive, que o recorrente aborda apenas a decadência e a ausência de requisitos para qualificação da multa. Ante estas premissas, adentro ao mérito. Inicialmente, tocante à decadência, temse que o Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 256/09, dispõe que as decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. Neste diapasão, o Superior Tribunal de Justiça, no regime do recurso repetitivo, por intermédio do REsp n° 973.733SC, assim se manifestou sobre a questão: “PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. DECADÊNCIA DO DIREITO DE O FISCO CONSTITUIR O CRÉDITO TRIBUTÁRIO. TERMO INICIAL. ARTIGO 173, I, DO CTN. APLICAÇÃO CUMULATIVA DOS PRAZOS PREVISTOS NOS ARTIGOS 150, § 4º, e 173, do CTN. IMPOSSIBILIDADE. 1. O prazo decadencial qüinqüenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito (Precedentes da Primeira Seção: REsp 766.050/PR, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 28.11.2007, DJ 25.02.2008; AgRg nos EREsp 216.758/SP, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.03.2006, DJ 10.04.2006; e EREsp 276.142/SP, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 13.12.2004, DJ 28.02.2005). 2. É que a decadência ou caducidade, no âmbito do Direito Tributário, importa no perecimento do direito potestativo de o Fisco constituir o crédito tributário pelo lançamento, e, consoante doutrina abalizada, encontrase regulada por cinco regras jurídicas gerais e abstratas, entre as quais figura a regra da decadência do direito de lançar nos casos de tributos sujeitos ao lançamento de ofício, ou nos casos dos tributos sujeitos ao lançamento por homologação em que o contribuinte não efetua o pagamento antecipado Fl. 352DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/11/2014 por ANGELA SARTORI, Assinado digitalmente em 24/11/2014 por A NGELA SARTORI, Assinado digitalmente em 02/12/2014 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalment e em 18/12/2014 por ROBSON JOSE BAYERL Processo nº 10830.011646/200869 Acórdão n.º 3401002.812 S3C4T1 Fl. 7 5 (Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 163/210). 3. O dies a quo do prazo qüinqüenal da aludida regra decadencial regese pelo disposto no artigo 173, I, do CTN, sendo certo que o "primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado" corresponde, iniludivelmente, ao primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível, ainda que se trate de tributos sujeitos a lançamento por homologação, revelandose inadmissível a aplicação cumulativa/concorrente dos prazos previstos nos artigos 150, § 4º, e 173, do Codex Tributário, ante a configuração de desarrazoado prazo decadencial decenal (Alberto Xavier, "Do Lançamento no Direito Tributário Brasileiro", 3ª ed., Ed. Forense, Rio de Janeiro, 2005, págs. 91/104; Luciano Amaro, "Direito Tributário Brasileiro", 10ª ed., Ed. Saraiva, 2004, págs. 396/400; e Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 183/199). 5. In casu, consoante assente na origem: (i) cuidase de tributo sujeito a lançamento por homologação; (ii) a obrigação ex lege de pagamento antecipado das contribuições previdenciárias não restou adimplida pelo contribuinte, no que concerne aos fatos imponíveis ocorridos no período de janeiro de 1991 a dezembro de 1994; e (iii) a constituição dos créditos tributários respectivos deuse em 26.03.2001. 6. Destarte, revelamse caducos os créditos tributários executados, tendo em vista o decurso do prazo decadencial qüinqüenal para que o Fisco efetuasse o lançamento de ofício substitutivo. 7. Recurso especial desprovido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543 C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008.” (grifos no original) Portanto, uma vez que não houve recolhimentos no período lançado, aplica se a regra do art. 173, I do CTN, não assistindo razão ao recorrente, pelo que, nesta parte, deve ser mantida a decisão de primeira instância. DA MULTA QUALIFICADA No entanto, a manutenção da autuação, conforme ventilado pela DRJ, se deu em razão da comprovação de dolo e fraude pelo contribuinte, fatos que ensejariam a atração do disposto no art. 173, I do CTN, em razão da parte final do parágrafo quarto do art. 150 do CTN, acima colacionado, in verbis: Art. 173. O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados: I do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado; Em razão disso, cumpre destacar os trechos do relatório fiscal em que a autoridade afirma haver dolo e fraude por parte do contribuinte, fls. 43 e seguintes, in verbis: Além de não ter recolhido o IPI retido nas vendas, os esclarecimentos apresentados pelo contribuinte, que poderiam justificar a falta de declaração e de recolhimento do IPI e das Fl. 353DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/11/2014 por ANGELA SARTORI, Assinado digitalmente em 24/11/2014 por A NGELA SARTORI, Assinado digitalmente em 02/12/2014 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalment e em 18/12/2014 por ROBSON JOSE BAYERL 6 Contribuições PIS/COFINS, vieram sob a confissão de que a empresa deixou de informar os débitos na DCTF, pois não tinha recursos para fazer os pagamentos, pois caso tivesse declarado seriam originados processos de controle de débitos e cobrança. Observando o Livro Razão, nas contas que controlam os saldos de IPI/PIS/COFINS a recolher, verificase que o fiscalizado apurou os valores de IPI e das Contribuições PIS/COFINS a pagar, no período de 2003 a 2007, e que o saldo credor em 31/12/2007 atingiu o montante de R$ 2.405.316,83 para o IPI, de R$ 94.463,78 para o PIS e de R$ 502.491,83 para a COFINS. Todas as Declarações de Débitos e Créditos Tributários Federais (DCTF), apresentadas referente aos anoscalendário de 2003 a 2007 trouxeram informações apenas do tributo Imposto de Renda Retido na Fonte, ocultando as informações relativas aos demais tributos, apesar de terem sido apurados contabilmente. ... Ao fazer toda a escrituração contábil do período de 2003 a 2007 e ao entregar as respectivas Declarações de Informações EconômicoFiscais DIPJ e os respectivos Demonstrativos de Apuração das Contribuições Sociais DACON, totalmente compatíveis entre si, o contribuinte não se exime de ter agido dolosamente, pois o único instrumento instituído pela Receita Federal para que se processasse o lançamento por homologação através da determinação do sujeito passivo, que se dá através das informações relativas aos tributos e contribuições devidos, ou seja, a DCTF, foi preenchido com falsas informações, de maneira proposital e consciente. O contribuinte estava ciente de que se declarasse os valores devidos do IPI/PIS/COFINS em DCTF, mas nada informasse quanto ao respectivo pagamento haveria a inscrição em dívida ativa. E isto fica mais evidenciado ao se analisar o histórico da situação fiscal do contribuinte no banco de dados da RFB no qual se constata a existência de vários processos de inscrição em cobrança na PGFN, justamente em função das ocorrências passadas de declarações em DCTF desacompanhadas de seus respectivos pagamentos. O contribuinte tem o não pagamento de tributos como prática rotineira. É só observar os débito de 2000 a 2002 que foram incluídos no REFIS/PAES e posteriormente excluídos por falta de pagamento. ... E esta manifestação injustificável se vê aqui, no presente caso, pois não se trata de contribuinte de pequeno porte e sem assistência profissional. Verificouse que a receita anual oscilou, de 2003 a 2007, na faixa de R$ 5,5, a 7,5 milhões, e além da escrituração contábil/fiscal, suas DIPJ foram preenchidas por profissional habilitado. Fl. 354DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/11/2014 por ANGELA SARTORI, Assinado digitalmente em 24/11/2014 por A NGELA SARTORI, Assinado digitalmente em 02/12/2014 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalment e em 18/12/2014 por ROBSON JOSE BAYERL Processo nº 10830.011646/200869 Acórdão n.º 3401002.812 S3C4T1 Fl. 8 7 Que razão, que não o evidente intuito de sonegar, levaria o sujeito passivo a apresentar a DIPJ durante os últimos cinco anos, mas em todos estes anos e justamente na DCTF, fazer inserir a falsa informação de que o saldo a pagar seria igual a "zero"? De fato não só inseriu este valor (zero) como também foi esta a quantia que levou aos cofres da Fazenda Pública Federal nestes últimos anos embora sua escrituração evidenciasse um saldo a pagar, neste mesmo período, de ordem de R$ 3.000.000,00 (sendo R$ 2.405.316,83 para o IPI, de R$ 94.463.78 para o PIS e de R$ 502.491,83 para a COFINS) e fosse seu dever recolher o saldo devedor do IPI no Livro RAIPI, pois o valor do IPI na venda foi retido e recebido pelo contribuinte. ... Analisando os fatos afirmados pela fiscalização, acredito que estes não se coadunam com a previsão de multa qualificada, já que não houve qualquer embaraço à fiscalização, que não ocultou a ocorrência do fato gerador. Nesse sentido, cumpre colacionar a melhor doutrina à respeito da matéria, conforme trecho abaixo trazido à lume, in verbis: Não podemos ignorar, também, que existem situações impeditivas da qualificação da conduta fraudulenta do contribuinte. Ou seja, ainda que haja provas da fraude, existem contraprovas suficientes a descaracterizála. Vislumbramos esta situação quando há adequada contabilização das operações do contribuinte, e a respectiva demonstração de todos os lançamentos contábeis relacionados à suposta infração, que são colocados à disposição do Fisco, por meio de disponibilização dos livros e registros contábeis do contribuinte, que contêm tais informações. (DIAS, Karem Jureidini. A prova da Fraude. A prova no processo tributário. NEDER, Marcus Vinicius; SANTI, Eurico Marcos Diniz de. FERRAGUT, Maria Rita (Coord.). São Paulo: Dialética, 2010, p. 331.) Nesse mesmo sentido é a jurisprudência deste Conselho: (...) MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA. INAPLICABILIDADE. INOCORRÊNCIA DE FRAUDE. Nos lançamentos de ofício para constituição de diferenças de tributos devidos, não pagos e não declarados, via de regra, é aplicada a multa proporcional de 75%, nos termos do art. 44, inciso I, da Lei 9.430/1996. A qualificação da multa para o percentual de 150% depende não só da intenção do agente, como também da prova fiscal da ocorrência da fraude ou do evidente intuito desta, caracterizada pela prática de ação ou omissão dolosa com esse fim. Na Fl. 355DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/11/2014 por ANGELA SARTORI, Assinado digitalmente em 24/11/2014 por A NGELA SARTORI, Assinado digitalmente em 02/12/2014 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalment e em 18/12/2014 por ROBSON JOSE BAYERL 8 situação versada nos autos não houve dolo por parte do contribuinte, logo incabível a aplicação da multa qualificada. (...) (CARF. Primeira Seção. Processo 16561.000222/200872. Sessão de 21/10/2011. Relator(a) Antonio José Praga de Souza, Acórdão 1402000.802) **************************************************** (...) SIMULAÇÃO E MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA A simulação, por si só, não é causa autorizadora da aplicação da multa qualificada, nos termos do inciso II, do artigo 44, da Lei nº 9430, de 1996, para o qual é necessária a caracterização de sonegação, fraude ou conluio com a identificação de evidente intuito de fraude. O elemento doloso não está contido na caracterização da simulação, para efeitos penaistributários. Preliminares rejeitadas. Recurso parcialmente provido.Primeiro Conselho de Contribuinte, Processo 11080.009150/200494, Sessão de 23/04/2008, Relatora Heloísa Guarita Souza, Acórdão 10423129) Abaixo segue caso bastante similar ao tratado nos autos, tendo o primeiro conselho de contribuintes entendido que não havia razão em manter a majoração da multa, in verbis. (...) MULTA DE OFÍCO QUAIFICADA A multa de ofício qualificada, no percentual de 150%, é aplicável nos casos em que fique caracterizado o evidente intuito de fraude, conforme definido pelos arts. 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502, de 1964. A simples realização de contrato entre a empresa, da qual o contribuinte era sócio, e terceiro para a prestação de serviços de natureza pessoal, pelo sócio, ainda que com o propósito de se beneficiar de tributação mais favorecida, não caracteriza o evidente intuito de fraude. (...) (Primeiro Conselho de Contribuintes. Processo 10680.013122/200610. Sessão de 05/03/2008. Relator Pedro Paulo Pereira Barbosa. Acórdão 10423042) Nesse mesmo sentido, inclusive, foi apresentado voto divergente quando do Julgamento da DRJ, cujos termos estão adequados ao entendimento acima retratado. Dessa forma, transcrevo abaixo os trechos do voto divergente, dos quais concordo com suas conclusões: "Novamente, em que pese o entendimento esposado pela autoridade fiscal, que elegeu a DCTF com a única declaração do contribuinte com o condão de informar a ocorrência do fato gerador dos tributos ao Fisco Federal (dado que esta é o instrumento de confissão débito e consequente cobrança), penso que a conduta da fiscalizada de declarar a apuração nos tributos em suas DIPJs e corretamente escriturar os valores apurados (como Fl. 356DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/11/2014 por ANGELA SARTORI, Assinado digitalmente em 24/11/2014 por A NGELA SARTORI, Assinado digitalmente em 02/12/2014 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalment e em 18/12/2014 por ROBSON JOSE BAYERL Processo nº 10830.011646/200869 Acórdão n.º 3401002.812 S3C4T1 Fl. 9 9 assevera a autoridade fiscal) prestase sim a eximila da acusação de sonegação fiscal. Tanto é assim que o mote dos lançamentos foi justamente a constatação de divergências entre os valores informados em uma e outra declaração. Ou seja, desde a entrega das DIPJs a autoridade fazendária já tinha conhecimento da ocorrência dos fatos geradores das obrigações principais, que não foram omitidos pela fiscalizada, podendo, desde então, exercer sua competência para constituir o crédito tributário devido, eventualmente impedindo a obtenção de certidão negativa por parte do contribuinte infrator. Sua ação, portanto, a meu juízo não implicou em impedir ou retardar total ou parcialmente o conhecimento dos fatos por parte a autoridade fazendária. Razão porque entendo que o caso concreto não se amolda à figura da sonegação e sim da inadimplência. Neste sentido, discordo da autuante quando esta assevera que "o dolo está visível, pois, para evitar que a autoridade fiscal tomasse ciência da obrigação principal que lhe incumbia, em sua competência para constituir o crédito tributário devido, eventualmente impedindo a obtenção de certidão negativa por parte do contribuinte infrator. Sua ação, portanto, a meu juízo não implicou em impedir ou retardar total ou parcialmente o conhecimento dos fatos por parte a autoridade fazendária. Razão porque entendo que o caso concreto não se amolda à figura da sonegação e sim da inadimplência. Neste sentido, discordo da autuante quando esta assevera que "o dolo está visível, pois, para evitar que a autoridade fiscal tomasse ciência da obrigação principal que lhe incumbia, em sua inteireza, quis escondêla do conhecimento do Fisco, como, de fato escondeu". Assim seria se a fiscalizada também não tivesse informado valores em suas DIPJs. Ademais, ao não informar a correta apuração dos tributos nas respectivas DCTFs, mas apenas nas DIPJs, o contribuinte submeteuse ao risco de lhe ser imputada a multa de R$ 75% mais gravosa do que aquela prevista para o caso de mera falta de pagamento de tributos declarados (no caso, a multa moratória de 20%). Portanto, muito embora se trata o caso, no meu entendimento, inadimplência e não de sonegação, este contribuinte, que não declarou os tributos devidos nas DCTFs, está sendo sim penalizado com multa mais gravosa que aquele outro. Fl. 357DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/11/2014 por ANGELA SARTORI, Assinado digitalmente em 24/11/2014 por A NGELA SARTORI, Assinado digitalmente em 02/12/2014 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalment e em 18/12/2014 por ROBSON JOSE BAYERL 10 Não se trata assim, como alega a autoridade autuante, de esvaziar a letra da lei que prescreve a multa qualificada, como se a fiscalizada, que confessa a prática reiterada da inadimplência, seria "favorecido" pela aplicação da multa básica de 75% ao invés de multa qualificada de 150%. Creio, outrossim, que a mera reiteração de conduta da mesma forma não pode justificar, no caso em análise, a qualificação da multa, porquanto, como disse, não penso que se está diante da fraude legalmente prescrita no comando legal já transcrito. Enfim, a reiteração não é o tipo penal tributário que enseja a qualificação. Pode, isto sim, prestarse a robustecer a subjetiva convicção do elemento volitivo da conduta fraudulenta, Mas é necessário que a conduta seja fraudulenta. Portanto, não subsistem motivos para majorar a multa de 75% para 150%. CONCLUSÃO Pelo exposto, conheço do Recurso Voluntário parcialmente para, determinar a desqualificação da multa de 150%, adequandoa ao patamar de 75%. Ângela Sartori Voto Vencedor Conselheiro Robson José Bayerl, Redator designado, Em que pese os bem lançados fundamentos do voto proferido, no tocante ao afastamento da qualificação da multa de ofício imposta, peço vênia para deles divergir. No caso vertente, a conduta ilícita do contribuinte consistiu na informação deliberadamente falsa, em Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais – DCTF, de valores divergentes daqueles escriturados na sua contabilidade comercial e fiscal. Como justificativa para tal modus operandi o contribuinte alegou dificuldades financeiras na condução dos seus negócios. Com o devido respeito, razões de ordem financeira não se prestam a respaldar a prática de fraudes contra o erário, mormente no caso do Imposto sobre Produtos Industrializados – IPI, cujo ônus financeiro é suportado pelo adquirente dos produtos comercializados, eis que destacado nas notas fiscais de venda e cobrado como acréscimo ao preço das mercadorias. Notese, o ato de deixar de recolher tributo não é catalogado pela legislação tributária como fraude, sonegação ou crime, no entanto, empregar ardis, como prestação de Fl. 358DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/11/2014 por ANGELA SARTORI, Assinado digitalmente em 24/11/2014 por A NGELA SARTORI, Assinado digitalmente em 02/12/2014 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalment e em 18/12/2014 por ROBSON JOSE BAYERL Processo nº 10830.011646/200869 Acórdão n.º 3401002.812 S3C4T1 Fl. 10 11 informação falsa, para se subtrair ao cumprimento da obrigação tributária, ou mesmo “deixar de recolher, no prazo legal, valor de tributo ou de contribuição social, descontado ou cobrado, na qualidade de sujeito passivo de obrigação e que deveria recolher aos cofres públicos”(art. 2º, I da Lei nº 8.137/90), sim. A prática reiterada de prestar informações inverídicas em DCTF, configura sonegação, tal como descrita no art. 71, I da Lei nº 4.502/64, na modalidade de ação ou omissão dolosa tendente a retardar, total ou parcialmente, o conhecimento por parte da autoridade fazendária da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal. A meu sentir, não milita em favor do contribuinte o fato de informar os valores devidos a título de IPI na Declaração de Informações Econômicofiscais da Pessoa Jurídica – DIPJ ou na Declaração de Apuração das Contribuições Não Cumulativas DACON, mas, ao contrário, realça o seu conhecimento a respeito do caráter doloso do seu modo de agir, dada a natureza informativa destas declarações em comparação à natureza de instrumento de confissão de dívida de que é dotada a DCTF, como bem pontuado pela decisão recorrida. Portanto, a aplicação do percentual duplicado da multa de ofício, tal como previsto no art. 44, § 1º da Lei nº 9.430/96, é medida que se impõe, razão porque voto pela manutenção integral do lançamento e da decisão sob vergasta. Robson José Bayerl Fl. 359DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/11/2014 por ANGELA SARTORI, Assinado digitalmente em 24/11/2014 por A NGELA SARTORI, Assinado digitalmente em 02/12/2014 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalment e em 18/12/2014 por ROBSON JOSE BAYERL
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Numero do processo: 10920.001349/2008-04
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 01 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Tue Feb 03 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Normas de Administração Tributária
Período de apuração: 03/09/2003 a 13/12/2007
NULIDADE. MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL.
As prorrogações do MPF não são capazes de provocar vício formal desde que respeitados os princípios da razoabilidade e proporcionalidade e que tais atos não se enquadrem em excesso de poder.
SUJEIÇÃO PASSIVA. OCULTAÇÃO DO REAL SUJEITO PASSIVO. EXISTÊNCIA.
Por expressa previsão legal é vedada a ocultação do real sujeito passivo da obrigação tributária, em operações de importação. Infração punível com a pena de perdimento convertida em multa caso as mercadorias não sejam localizadas ou tenham sido consumidas.
RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA PESSOAL DOS SÓCIOS GERENTES.
De acordo com o ordenamento jurídico tributário brasileiro, o sócio gerente é responsável, por substituição, pelo crédito tributário resultante da prática de ato com infração de lei na gestão dos negócios de pessoa jurídica (art. 135, III, do CTN). Ressalva-se que o sócio gerente deve ser responsabilizado somente depois de esgotadas as possibilidades de recebimento da pessoa jurídica.
PENA DE PERDIMENTO E POSTERIOR CONVERSÃO EM MULTA. BASE DE CÁLCULO.
Cabível a pena de perdimento com posterior substituição por multa equivalente ao valor aduaneiro da mercadoria quando esta for consumida ou não localizada. Previsão expressa do art. 23, inc. V, § 3º do Decreto-lei 1.455/76 com redação alterada pelo art. 59 da Lei nº 10.637/2002 e Lei nº 12.350/2010.
Preliminares suscitadas rejeitadas. No mérito, recursos voluntário e de ofício negados.
Numero da decisão: 3202-000.270
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar as preliminares pertinentes à nulidade do Auto de Infração e à responsabilidade solidária; no mérito, por unanimidade de votos, negar provimento aos recursos voluntário e de ofício. Ausente o Conselheiro João Luiz Fregonazzi.
IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA - Presidente
GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR Relator Ad Hoc
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros José Luiz Novo Rossari, Irene Souza da Trindade Torres Oliveira, Gilberto de Castro Moreira Junior, Heroldes Bahr Neto e Rodrigo Cardozo Miranda.
Nome do relator: HEROLDES BAHR NETO
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PERDIMENTO Recorrente LOPES E AGUIAR PRODUTOS PNEUMÁTICOS LTDA. E OUTROS Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Período de apuração: 03/09/2003 a 13/12/2007 NULIDADE. MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL. As prorrogações do MPF não são capazes de provocar vício formal desde que respeitados os princípios da razoabilidade e proporcionalidade e que tais atos não se enquadrem em excesso de poder. SUJEIÇÃO PASSIVA. OCULTAÇÃO DO REAL SUJEITO PASSIVO. EXISTÊNCIA. Por expressa previsão legal é vedada a ocultação do real sujeito passivo da obrigação tributária, em operações de importação. Infração punível com a pena de perdimento convertida em multa caso as mercadorias não sejam localizadas ou tenham sido consumidas. RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA PESSOAL DOS SÓCIOS GERENTES. De acordo com o ordenamento jurídico tributário brasileiro, o sócio gerente é responsável, por substituição, pelo crédito tributário resultante da prática de ato com infração de lei na gestão dos negócios de pessoa jurídica (art. 135, III, do CTN). Ressalvase que o sócio gerente deve ser responsabilizado somente depois de esgotadas as possibilidades de recebimento da pessoa jurídica. PENA DE PERDIMENTO E POSTERIOR CONVERSÃO EM MULTA. BASE DE CÁLCULO. Cabível a pena de perdimento com posterior substituição por multa equivalente ao valor aduaneiro da mercadoria quando esta for consumida ou não localizada. Previsão expressa do art. 23, inc. V, § 3º do Decretolei 1.455/76 com redação alterada pelo art. 59 da Lei nº 10.637/2002 e Lei nº 12.350/2010. Preliminares suscitadas rejeitadas. No mérito, recursos voluntário e de ofício negados. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 92 0. 00 13 49 /2 00 8- 04 Fl. 5004DF CARF MF Impresso em 03/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/01/2015 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 07/01/2015 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 03/02/2015 por IRENE S OUZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar as preliminares pertinentes à nulidade do Auto de Infração e à responsabilidade solidária; no mérito, por unanimidade de votos, negar provimento aos recursos voluntário e de ofício. Ausente o Conselheiro João Luiz Fregonazzi. IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA Presidente GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR – Relator Ad Hoc Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros José Luiz Novo Rossari, Irene Souza da Trindade Torres Oliveira, Gilberto de Castro Moreira Junior, Heroldes Bahr Neto e Rodrigo Cardozo Miranda. Relatório Foi lavrado o Auto de Infração contra a Recorrente LOPES E AGUIAR PRODUTOS PNEUMÁTICOS e outros, em 18/03/2008, conforme fls. 4.351 a 4.456, sendo a mesma cientificada em 02/07/2008, através do Sr. Narcélio Aguiar, sócio gerente (fl. 4.456). Por bem tratar da questão, adoto o relatório da DRJ – Florianópolis (SC) (fls. 4.747 a 4.753): “Trata o presente processo de auto de infração lavrado para constituição de crédito tributário no valor de R$ 38.449.920,48, referente à conversão da pena de perdimento em multa equivalente ao valor aduaneiro, em razão, segundo a descrição dos fatos e enquadramento legal (fl. 4396), da impossibilidade de localização das mercadorias, que foram revendidas e consumidas. Depreendese dos autos que a Delegacia da Receita Federal do Brasil em JoinvilleSC deu início ao presente procedimento fiscal após ter sido deflagrada a “Operação Ouro Verde”, integrada por servidores da Polícia Federal e Receita Federal do Brasil. Tal operação decorreu de investigações efetuadas em uma casa de câmbio denominada CASA ROMA, que não possuía autorização do Banco Central do Brasil para operar no mercado de câmbio. Com as devidas autorizações da autoridade judiciária identificouse que a CASA ROMA se socorria da ROGER TUR, que por sua vez prestava serviços para a empresa LOPES E AGUIAR PNEUMÁTICOS LTDA.. Esta última utilizava as atividades clandestinas da ROGER TUR para promover remessas ilegais para o exterior, compra de moeda estrangeira e movimentação de recursos não contabilizados. A grande quantidade de material apreendido (documentos diversos) e as provas obtidas conduziram a autoridade fiscal a concluir que a LOPES E AGUIAR PRODUTOS PNEUMÁTICOS LTDA. (nome fantasia EUROBRAZ) era a principal articuladora de um gigantesco esquema fraudulento, montado para sonegar tributos via subfaturamento, praticar interposição fraudulenta de terceiros, remeter ilegalmente divisas ao exterior e burlar a legislação que impede a importação de pneus usados. Às folhas 17 a 153 dos autos constam diversas decisões da autoridade judiciária e despachos da autoridade policial contendo trechos de conversas e cópias de documentos obtidos no decorrer das investigações. Em 28/08/2007 foi expedido o mandado de procedimento fiscal (MPF) nº 09202002007 006213, tendo sido cientificado o interessado por via postal em 13/09/2007 (fls. 155 e 158). Juntamente com o MPF o contribuinte foi intimado (fls. 156 e 157) a prestar informações Fl. 5005DF CARF MF Impresso em 03/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/01/2015 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 07/01/2015 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 03/02/2015 por IRENE S OUZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA 3 acerca de suas operações, por ele denominadas “serviços de consultoria”, apresentando o documento de folhas 159 a 163, que em síntese informa que toda a documentação havia sido apreendida pela Polícia Federal, que o serviço de consultoria consistia no contato com o armadores, transportadores e informação ao cliente da data da chegada no Brasil, que não tinha acesso à Declaração de Importação do cliente, informava apenas a identificação do contêiner. Na descrição dos fatos da autuação, a autoridade fiscal informa que, as escutas autorizadas judicialmente revelaram um esquema bem estruturado de interposição fraudulenta na importação de pneu usados e carcaças de pneus, tendo como principal interveniente a LOPES E AGUIAR PRODUTOS PNEUMÁTICOS LTDA. Informou também que ainda que tais importações sejam proibidas pela legislação, algumas empresas que tem por objetivo social a remodelagem de pneus, obtiveram autorizações judiciais para importar carcaças de pneus e pneus usados, com o fim especifico de serem utilizados como matéria prima para remodelagem. Conforme relatado na autuação, a LOPES E AGUIAR PRODUTOS PNEUMÁTICOS LTDA. “agenciava” a venda de pneus usados, importados oficialmente pelas empresas que detinham as liminares (“liminaristas”), era a principal articuladora de toda a fraude. A ela cabia: a escolha dos pneus no exterior, embarque de contêineres, liberação dos mesmos nos portos de origem e destino, revenda aos reais adquirentes (em sua maioria transportadoras), contratar os agentes de carga e despachantes aduaneiros, determinar como, quanto e em que contas correntes deveriam ser efetivados os depósitos dos montantes. A autoridade fiscal apresenta mensagens e cópias de documentos (fax) que exemplificam como eram desenvolvidas as operações (fls. 4359 a 4364). Relata ainda a autoridade fiscal que as “liminaristas” pretendiam aparentar ser, além de importadoras, as reais adquirentes das mercadorias, servindo de interpostas pessoas aos verdadeiros responsáveis pela operação, acarretando em ocultação do real adquirente, artifício empregado para afastar obrigações tributárias principais e acessórias, procedimento que é amplamente combatido pela legislação tributária. Portanto, caracterizada a interposição fraudulenta, ocultação do sujeito passivo e simulação. Outro aspecto, delineado pela autoridade fiscal, está relacionado ao subfaturamento das importações perpetrado pelo grupo com a finalidade de minimizar o pagamento de tributos incidentes na importação, exemplifica à folha 4372 e 4373, trazendo cópia de fax interceptado onde consta orientação para depósito de valor na conta da SK SERVIÇOS DE COBRANÇA LTDA., que é o doleiro responsável pela remessa ilegal de divisas ao exterior dos montantes subfaturados. Os valores contidos no documento estão acima do declarado na respectiva declaração de importação. Registra a autoridade fiscal, folhas 4376 e 4377, que a LOPES E AGUIAR PRODUTOS PNEUMÁTICOS LTDA., possui uma filial não declarada na Alemanha, a EUROBRAZ IMPORT & EXPORT GMBH I. GR., empresa que é utilizada para emissão de notas fiscais no exterior promovendo o subfaturamento e o re faturamento. Aos autos, folhas 165 a 3547, foram anexados 426 conjuntos de documentos que comprovam como o subfaturamento nas operações de importações era realizado, relativos aos anos de 2005 e 2006. A partir destes documentos foi elaborado o relatório, que a autoridade fiscal intitulou de “VALORES DOCUMENTADOS” (fls. 3548 a 3565), onde foi reconstituída a base de cálculo real praticada nas importações, recompondo o valor aduaneiro, firmado no entendimento expresso na Opinião Consultiva 10.1 da OMA (IN 318/03), artigos 82, 84 e 85 do Decreto nº 4.543/02. Reconstituindo o valor aduaneiro real praticado, com base na planilha “VALORES DOCUMENTADOS”, a autoridade calculou o valor médio por quilo de produto importado (1,27883 R$/KG). Comparando tal valor médio com o valor médio declarado pelas empresas “liminaristas” em outras 8.167 declarações de importação (0,40520 R$/KG) a autoridade fiscal informa à folha 4382 que apesar de não se lograr obter documentos em que se registravam o subfaturamento, o mesmo foi praticado, pois os valores declarados nas respectivas declarações de importação foram muito aquém da média apurada para as declarações em que se obteve a prova documental. Ressalta que o modus operandi, sempre foi idêntico nas importações praticadas pelas “liminaristas” e LOPES E AGUIAR PRODUTOS Fl. 5006DF CARF MF Impresso em 03/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/01/2015 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 07/01/2015 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 03/02/2015 por IRENE S OUZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA 4 PNEUMÁTICOS LTDA. e que o livro caixa do período de janeiro de 2003 a julho de 2004 (fls. 3566 a 3587) traz a conta “serviços de consultoria”, que entende ter ficado provado tratarse de venda de pneus usados a consumidores finais. Informa que foram apreendidas grande quantidade de notas fiscais dos aludidos “serviços de consultoria”(fls. 3600 a 4267). Para estas declarações de importação a autoridade fiscal aplicou o contido no inciso I do artigo 84 do Decreto nº 4.543/02, arbitrando novo valor aduaneiro com base no preço médio apurado, isto é, multiplicando o peso líquido das respectivas adições de cada Declaração de Importação pelo preço médio de 1,27833 R$/KG, dando origem ao relatório “VALORES NÃO DOCUMENTADOS” (fls. 4268 a 4350). Ainda na descrição dos fatos a autoridade fiscal, item V, relata que a LOPES E AGUIAR PRODUTOS PNEUMÁTICOS LTDA. utilizava a ROGER TUR para realizar remessas ao exterior para pagamento de fornecedores, referentes a importações subfaturadas, apresenta à folhas 4383 a 4390 cópia de diversos fax interceptados e conversa telefônica interceptada pela autoridade policial. No campo da sujeição passiva a autoridade fiscal incluiu, além da LOPES E AGUIAR PRODUTOS PNEUMÁTICOS LTDA., as empresas “liminaristas” como responsáveis solidários, pois lucravam com a fraude, visto que usavam suas liminares para importações de pneus usados que eram repassados para revenda a consumidores finais, praticando uma espécie de “aluguel das suas liminares”. Também os sócios da LOPES E AGUIAR PRODUTOS PNEUMÁTICOS LTDA. foram incluídos na qualidade de responsáveis pela infração. Os sócios NARCÉLIO AGUIAR E ALVENI LOPES AGUIAR apresentaram impugnação de folhas 4471 a 4494, anexando os documentos de folhas 4495 a 4498, que em apertada síntese apresentam os seguintes argumentos: · Que, preliminarmente, a empresa da qual os impugnantes são sócios não praticou qualquer irregularidade, além do mais o mandado de procedimento fiscal nº 09202002007 006213 foi emitido para investigar e apurar fatos relacionados a empresa LOPES E AGUIAR PRODUTOS PNEUMÁTICOS LTDA. não mencionando em momento algum sua extensão aos sócios; · Que, os auditores fiscais pretendem desconsiderar a personalidade jurídica da empresa, e com isso responsabilizar os seus sócios. Desrespeito ao disposto no artigo 50 do Código Civil Brasileiro, competência do poder judiciário e não dos auditores fiscais, trata se de ato nulo; · Que, o mandado de procedimento fiscal foi expedido em 28.8.2007 e concluído em 19.5.2008, sendo que a empresa foi intimada em 13.7.2007. Conforme disposto na IN 228/2002, o prazo para conclusão do Procedimento Especial de Fiscalização é de 90 dias da intimação, estando, portanto configurado que o prazo para conclusão do mandado de procedimento fiscal foi ultrapassado, constituindo verdadeiro vício formal; · Que, ocorre ilegitimidade passiva da empresa LOPES E AGUIAR PRODUTOS PNEUMÁTICOS LTDA. quando a mesma é considerada como responsável tributário principal, tratandose de outro vício formal. A empresa apenas prestava serviços de consultoria em favor da empresa EBRP – Empresa Brasileira de Reciclagem de Pneus Ltda, sendo esta última a importadora das mercadorias descritas nas Declarações de Importação (DI). A LOPES E AGUIAR PRODUTOS PNEUMÁTICOS LTDA. nunca importou as mercadorias relativas às importações descritas no presente auto de infração, ocorre erro na identificação do sujeito passivo principal da obrigação; · Que, a empresa encerrou suas atividades de consultoria ao final do ano de 2.006, não podendo ser responsabilizada pelas importações que as liminaristas continuaram a fazer. A partir de tal data passou a se dedicar à importação de pneus novos, não atuando mais como consultora; Fl. 5007DF CARF MF Impresso em 03/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/01/2015 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 07/01/2015 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 03/02/2015 por IRENE S OUZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA 5 · Que, desde o início da operação fiscal e policial, a empresa deixou de operar, tendo demitido todos os seus funcionários, não prestando serviços de consultoria, principalmente no ano de 2007; · Que, os próprios auditores fiscais reconhecem a inexistência de documentos comprovando o alegado subfaturamento sobre as importações descritas no relatório de “VALORES NÃO DOCUMENTADOS”, a LOPES E AGUIAR PRODUTOS PNEUMÁTICOS LTDA. não tem qualquer relação com tais operações de importação, não prestou qualquer serviço à empresa detentora de liminar em relação às DI´s citadas no referido relatório. Não há nos autos qualquer documento comprobatório das importações, nem documentos que comprovem o alegado subfaturamento, não podendo este ser presumido; · Que, ao calcular o valor da multa, os auditores utilizaram o valor médio de base de cálculo por quilograma de produto importado (R$ 1,27883), e o correto deveria ser apenas a diferença do valor já declarado na importação; · Que, conforme previsto no artigo 54 do DecretoLei nº 37/66, já ocorreu a decadência para a revisão aduaneira, por ter sido ultrapassado o prazo de 05 anos, visto que a ciência da autuação ocorreu em 2.7.2008; · Que, o alegado pelos auditores fiscais não corresponde à verdade dos fatos, uma vez que não existia qualquer simulação, ocultação ou fraude na atividade exercida pela LOPES E AGUIAR PRODUTOS PNEUMÁTICOS LTDA., que somente prestava serviços de consultorias, que as vendas das mercadorias importadas eram realizadas pelas importadoras, ou seja, pelas empresas liminaristas. A LOPES E AGUIAR PRODUTOS PNEUMÁTICOS LTDA. não era detentora de controle e comando das “operações de importação” como descrito pelos auditores fiscais; · Que, os documentos (fls. 165/3551) não provam o subfaturamento das mercadorias, mas sim o pagamento da comissão, bem como dos valores devidos aos transportadores nacionais e internacionais, e ainda do despachante aduaneiro; · Traz jurisprudência do Conselho de Contribuintes e da Delegacias de Julgamento; · Requer: seja declarada a nulidade do presente auto de infração em virtude dos motivos apresentados; seja reconhecida a decadência para as D.I’s anteriores a 2.7.2003; no mérito seja julgado procedente a presente impugnação, determinandose o cancelamento da autuação; provar o alegado por todos os meios de prova em direito admitidas. A empresa LOPES E AGUIAR PRODUTOS PNEUMÁTICOS LTDA. apresentou impugnação de folhas 4499 a 4522, anexando os documentos de folhas 4523 a 4708, que em apertada síntese apresenta os seguintes argumentos: · Que, o mandado de procedimento fiscal nº 09202002007006213 foi expedido em 28.8.2007 e concluído em 19.5.2008, sendo que a empresa foi intimada em 13.7.2007. Conforme disposto na IN 228/2002, o prazo para conclusão do Procedimento Especial de Fiscalização é de 90 dias da intimação, estando, portanto configurando que o prazo para conclusão do mandado de procedimento fiscal foi ultrapassado, constituindo verdadeiro vício formal; · Que, ocorre ilegitimidade passiva da empresa LOPES E AGUIAR PRODUTOS PNEUMÁTICOS LTDA, quando a mesma é considerada como responsável tributário principal, tratandose de outro vício formal. A empresa apenas prestava serviços de consultoria em favor da empresa EBRP – Empresa Brasileira de Reciclagem de Pneus Ltda., sendo esta última a importadora das mercadorias descritas nas Declarações de Importação (DI). A LOPES E AGUIAR PRODUTOS PNEUMÁTICOS LTDA. nunca importou as mercadorias relativas às importações descritas no presente auto de infração, ocorre erro na identificação do sujeito passivo principal da obrigação; · Que, a empresa encerrou suas atividades de consultoria ao final do ano de 2.006, não podendo ser responsabilizada pelas importações que as liminaristas continuaram a fazer. A Fl. 5008DF CARF MF Impresso em 03/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/01/2015 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 07/01/2015 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 03/02/2015 por IRENE S OUZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA 6 partir de tal data passou a se dedicar à importação de pneus novos, não autuando mais como consultora; · Que, desde o início da operação fiscal e policial, a empresa deixou de operar, tendo demitido todos os seus funcionários, não prestando serviços de consultoria, principalmente no ano de 2007, traz documentos com o objetivo de provar o alegado; · Que, conforme previsto no artigo 54 do Decreto – Lei nº 37/66, já ocorreu a decadência para a revisão aduaneira, por ter sido ultrapassado o prazo de 05 anos, visto que a ciência da autuação ocorreu em 2.7.2008; · Que, o alegado pelos auditores fiscais não corresponde à verdade dos fatos, uma vez que não existia qualquer simulação, ocultação ou fraude na atividade exercida pela LOPES E AGUIAR PRODUTOS PNEUMÁTICOS LTDA., que somente prestava serviços de consultorias, que as vendas das mercadorias importadas eram realizadas pelas importadoras, ou seja, pelas liminaristas. A LOPES E AGUIAR PRODUTOS PNEUMÁTICOS LTDA. não era detentora de controle e comando das “operações de importação” como descrito pelos auditores fiscais; · Que, os documentos (fls. 165/3551) não provam o subfaturamento das mercadorias, mas sim o pagamento da comissão, bem como dos valores devidos aos transportadores nacionais e internacionais, e ainda do despachante aduaneiro; · Que, não sendo a impugnante a beneficiária do produto arrecadado com a importação e conseqüente venda dos pneus e carcaças, não pode ela ser considerada a responsável tributária direta e principal das referidas importações; · Que, nunca praticou qualquer ato fraudulento, em especial o alegado subfaturamento das importações, evasão de divisas e outras práticas ilícitas citadas no auto de infração; · Que, os próprios auditores fiscais reconhecem a inexistência de documentos comprovando o alegado subfaturamento sobre as importações descritas no relatório de “VALORES NÃO DOCUMENTADOS”, a LOPES E AGUIAR PRODUTOS PNEUMÁTICOS LTDA. não tem qualquer relação com tais operações de importação, não prestou qualquer serviço à empresa detentora de liminar em relação às DI´s citadas no referido relatório. Não há nos autos qualquer documento comprobatório das importações, nem documentos que comprovem o alegado subfaturamento, não podendo este ser presumido; · Que, ao calcular o valor da multa, os auditores utilizaram o valor médio de base de cálculo por quilograma de produto importado (R$ 1,27883), e o correto deveria ser apenas a diferença do valor já declarado na importação; · Que, os sócio da empresa impugnante também não podem ser considerados responsáveis solidários, dado que a impugnante não cometeu qualquer irregularidade; · Traz jurisprudência do Conselho de Contribuintes e das Delegacias de Julgamento; · Requer: seja declarada a nulidade do presente auto de infração em virtude dos motivos apresentados; seja reconhecida a decadência para as DI´s anteriores a 2.7.2003; no mérito seja julgado procedente a presente impugnação, determinandose o cancelamento da autuação; provar o alegado por todos os meios de prova em direito admitidas. A EBRP – EMPRESA BRASILEIRA DE RECICLAGEM DE PNEUS LTDA., responsável solidária do citado crédito tributário, apresentou impugnação de folhas 4711 a 4728, anexando os documentos de folhas 4729 a 4742, que em apertada síntese apresenta os seguintes argumentos: · Que, o crédito tributário é nulo ante a inexistência (completa ausência) de Mandado de Procedimento Fiscal referente à impugnante. A impugnante, em momento algum, recebeu qualquer notificação acerca dos procedimentos de fiscalização, sendo diretamente surpreendida com o auto de infração; · Que, não há provas contra a impugnante, não restou provada a prática de atos ilícitos por parte da impugnante. O ônus de provar a efetiva ocorrência do fato gerador da obrigação, ou até mesmo a subsunção dos fatos à presunção legal, é sempre do Fisco, sob pena de nulidade do crédito constituído; Fl. 5009DF CARF MF Impresso em 03/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/01/2015 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 07/01/2015 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 03/02/2015 por IRENE S OUZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA 7 · Que, os próprios Agentes Fiscais narraram que somente pequena parte dos fatos foi supostamente comprovada. É de se anular o montante referente às operações não comprovadas; · Que, a impugnante, conforme dados constantes dos autos do mandado de segurança nº 2003.51.01.0051696, em trâmite perante a 29ª Vara Federal no Rio de Janeiro/RJ, estava contratualmente vinculada ao preço de U$ 3,00 (três dólares) por pneu, sendo descabido se afirmar que seus preços estavam abaixo da média encontrada. Além disso, não analisando a pauta dos preços praticados pelas empresas exportadoras, fornecedoras dos pneus. Não houve importação subfaturada. · Pede e espera deferimento no sentido de se anular total ou, sucessivamente parcialmente o auto de infração. É o relatório.” (grifos e destaques nossos) A respeito das impugnações citadas, decidiu a DRJ – Florianópolis, no acórdão 0714.413 de 24 de outubro de 2008 (fls. 4.745/4.761) por unanimidade de votos julgar PROCEDENTE EM PARTE o lançamento, mantendo parte do crédito tributário indicado no relatório “VALORES DOCUMENTADOS (fls. 3.548 a 3.565)” e exonerando o valor de R$ 33.348.390,24, indicado no relatório “VALORES NÃO DOCUMENTADOS (fls. 4.268 a 4.350)”. Vejamos a ementa da decisão: “ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Período de apuração: 03/09/2003 a 13/12/2007 DANO AO ERÁRIO. PENA DE PERDIMENTO. CONVERSÃO EM MULTA. Considerase dano ao Erário punível com a pena de perdimento a ocultação do real sujeito passivo na operação de importação, mediante fraude ou simulação, inclusive a interposição fraudulenta de terceiros, infração punível com a pena de perdimento. A pena de perdimento é convertida em multa equivalente ao valor aduaneiro caso as mercadorias não sejam localizadas ou tenham sido consumidas. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 03/09/2003 a 13/12/2007 MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL – MPF. DECURSO DO PRAZO DE VALIDADE. INOCORRÊNCIA. CIÊNCIA AOS DEMAIS RESPONSÁVEIS. Descabe a argüição de decurso do prazo de Mandado de Procedimento Fiscal de Fiscalização (MPFF) se no prazo de validade foi ele regularmente prorrogado. Desnecessária emissão ou ciência do mandado de procedimento fiscal aos demais sujeitos passivos incluídos na autuação em face de constatação de responsabilidade solidária. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 03/09/2003 a 13/12/2007 INFRAÇÃO. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. São solidariamente obrigadas as pessoas que tenham interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal, respondendo pela infração, conjunta ou isoladamente, quem quer que, de qualquer forma, concorra para sua prática, ou dela se beneficie. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A IMPORTAÇÃO II Período de apuração: 03/09/2003 a 13/12/2007 RELATÓRIO “VALORES NÃO DOCUMENTADOS”. AUSÊNCIA DE PROVA. Inexistindo elementos objetivos e confiáveis que autorizem concluir que todas as mercadorias descritas nas 8.167 declarações de importação apontadas no relatório Fl. 5010DF CARF MF Impresso em 03/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/01/2015 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 07/01/2015 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 03/02/2015 por IRENE S OUZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA 8 “VALORES NÃO DOCUMENTADOS” foram de fato importadas pelo contribuinte da autuação, o lançamento não deve prosperar, por falta de suporte probatório. É ônus da autoridade autuante instruir o lançamento com todos os elementos de prova de fatos constituintes do direito da Fazenda. Lançamento Procedente em Parte.” Recurso de Ofício, interposto pelo Presidente, Cícero Pereira Peres Martins, conforme o artigo 1º da Portaria MF nº 3, de 3 de janeiro de 2008, fls. 4.746. E conforme fls. 4.762, intimação nº 602, consta que: “Foi interposto recurso de ofício ao Conselho de Contribuintes relativamente ao(s) débito(s) exonerado(s) constate(s) do demonstrativo “B”, devendo ser aguardado o resultado desse julgamento.”. A Recorrente, LOPES E AGUIAR PRODUTOS PNEUMÁTICOS LTDA, interpôs o Recurso Voluntário (fls. 4.790 a 4810) visando à reforma do decisório da DRJ Florianópolis, reiterando as alegações de sua impugnação. O sócio gerente, considerado responsável solidário, o Sr. NARCÉLIO AGUIAR, conforme fls. 4811 a 4836, também reiterou as alegações feitas anteriormente. E a Fazenda Nacional apresentou Contrarrazões aos Recursos Voluntários de ambas as partes, conforme fls. 4.839 a 4.881, rebatendo todas as alegações. É o relatório. Voto Conselheiro Gilberto de Castro Moreira Junior, Relator Ad Hoc Satisfeitos estão os requisitos viabilizadores de admissibilidade dos recursos voluntários e de ofício, razão pela qual devem ser eles conhecidos por tempestivos. Trata o presente processo de auto de infração para exigência de multa proporcional ao valor aduaneiro. A autuação deuse pelo fato da Recorrente LOPES E AGUIAR PRODUTOS PNEUMÁTICOS LTDA ter se valido de terceiros para realizar importações ilegais de pneus usados para revenda no mercado interno. Não bastando interpor terceiras pessoas para proceder às importações, verificouse, ainda, ter havido subfaturamento das mercadorias, daí a razão de ter lhe sido aplicado a pena de perdimento. Contudo, por ter havido a revenda e/ou consumo de ditas mercadorias, converteuse a pena de perdimento em multa. Em primeira instância, parte da autuação foi exonerada, em razão da inexistência de provas da interposição fraudulenta de terceiros na importação nos períodos de janeiro de 2003 a junho de 2004 e todo o período de 2007, mantendose o auto de infração referente aos períodos de 2005 e 2006. Da atenta leitura dos motivos ensejadores da lavratura do auto de infração, bem como das Impugnações levada a efeito pelos Contribuintes; das razões de decidir pela d. DRJ; dos Recursos Voluntários e de Ofício bem como das Contrarrazões da Fazenda Nacional, os pontos a decidir referemse a: · Nulidade do auto de infração alegada pelos Contribuintes sob o fundamento de decurso do prazo para a constituição do mandado de procedimento fiscal (MPF), com base na IN 228/2002; Fl. 5011DF CARF MF Impresso em 03/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/01/2015 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 07/01/2015 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 03/02/2015 por IRENE S OUZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA 9 · Nulidade formal do auto de infração, em face da ilegitimidade passiva da recorrente LOPES E AGUIAR PRODUTOS PNEUMÁTICOS LTDA. como responsável tributária; · Desconsideração da personalidade jurídica da Lopes e Aguiar Ltda; e · Que a base de cálculo utilizada na multa resultante da pena de perdimento das mercadorias deve ser a diferença entre os valores atribuídos pela fiscalização às importações realizadas e os valores declarados nas Declarações de Importação (DIs). · Por fim a análise do Recurso de Ofício. Inicialmente cumpre esclarecer que naquilo em que as defesas comungam, ou seja, têm em comum os mesmos argumentos, a análise será feita em conjunto, respeitando as especificidades de cada peça, quando for o caso. Do Mandado de Procedimento Fiscal As recorrentes trazem à discussão duas preliminares que devem ser examinadas antes da análise do mérito. A primeira delas pugna pela nulidade do auto de infração devido a irregularidades existentes no Mandado de Procedimento Fiscal – MPF. Dizem as recorrentes que não foi observado o art. 9º da Instrução Normativa nº 228/2002, pois o prazo para a conclusão do Procedimento Especial de Fiscalização é de 90 (noventa) dias, contados da data de intimação da empresa, objeto da fiscalização. Quanto a esta alegação de nulidade, sou do entendimento de que não deve prosperar, senão vejamos. O procedimento especial da IN nº 228/2002, tem cunho investigatório e cabe exatamente na hipótese dos autos, ou seja, quando o contribuinte atendendo às intimações e apresentando as provas que achar necessárias faz como que o auditor fiscal tenha 90 dias (art. 9º), prorrogáveis por igual período, para concluir sobre a aplicação da pena de perdimento (art. 11). Concluindo pela ocorrência da fraude, aplicase a pena de perdimento. O presente procedimento especial é voltado única e exclusivamente para a aplicação da pena de perdimento de mercadorias quando constatada a ocultação do verdadeiro responsável pelas operações, a chamada interposição fraudulenta de terceiros, conforme expressa previsão no § 2° do art. 23 do Decretolei n 1.455, de 1976, hipótese em que o contribuinte terá declarado o perdimento das mercadorias. Na hipótese dos autos, por não ter sido encontradas as mercadorias, objeto do perdimento, o procedimento especial da IN n°228/2002 deixa de ser aplicável lançandose de ofício a multa prevista no § 3° do art. 23 do DecretoLei n° 1.455, de 7 de abril de 1976, com a redação dada pelo art. 59 da Lei n° 10.637, de 30 de dezembro de 2002, cujo procedimento é determinado pelo art. 73 da Lei 10.833/03, verbis: “Art. 73. Verificada a impossibilidade de apreensão da mercadoria sujeita a pena de perdimento, em razão de sua nãolocalização ou consumo, extinguir seá o processo administrativo instaurado para apuração da infração capitulada como dano ao Erário. § 1º Na hipótese prevista no caput, será instaurado processo administrativo para aplicação da multa prevista no § 3º do art. 23 do DecretoLei nº 1.455, de 7 de abril de 1976, com a redação dada pelo art. 59 da Lei nº 10.637, de 30 de dezembro de 2002. Fl. 5012DF CARF MF Impresso em 03/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/01/2015 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 07/01/2015 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 03/02/2015 por IRENE S OUZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA 10 § 2º A multa a que se refere o § 1º será exigida mediante lançamento de ofício, que será processado e julgado nos termos da legislação que rege a determinação e exigência dos demais créditos tributários da União.” Com efeito, diante das suspeitas de fraude apuradas em procedimento próprio pela polícia federal, a Autoridade Fazendária competente instaurou o presente procedimento em conformidade com a IN n° 228/2002. No decorrer das investigações, não logrou a d. Autoridade Fazendária em localizar as mercadorias sujeitas à pena de perdimento, posto terem sido postas em circulação para consumo. Diante de tais circunstâncias, o procedimento investigatório fiscal deixou de ser regido pela referida instrução normativa, passando a ser regido pela legislação comum do lançamento de ofício de multa. O MPF – Fiscalização nº 09.2.02.002007006213 foi emitido para a recorrente LOPES E AGUIAR PRODUTOS PNEUMÁTICOS LTDA., datado de 28.08.2007, nos termos da Portaria RFB nº 4.066/2007, com prazo de execução até 26.12.2007. Consta a ciência do mesmo na data de 13.09.2007, via postal, conforme fls. 158. A emissão do MPF ocorreu dentro do prazo de validade, ou seja, em consonância com o que determinava a Portaria RFB nº 4.066, de 02/05/2007, ainda que esta tenha sido revogada pela Portaria RFB nº 11.371 de 12/12/2007, em vista de que a redação dada pelos artigos 11 e 12 desta Portaria manteve os prazos estabelecidos na Portaria revogada. Com efeito, contrariamente ao entendimento assinalado pela contribuinte, tal ato administrativo tem o prazo máximo para execução de cento e vinte dias. Porém, a mesma Portaria estabeleceu que caso seja imprescindível sua prorrogação, esta poderá ser feita tantas vezes quantas sejam necessárias, desde que respeitados os prazos previstos no art. 13 da referida Portaria e mediante registro eletrônico pela autoridade outorgante. Eis o que dita a norma encartada no art. 13 e seus parágrafos, verbis: “Art. 13. A prorrogação do prazo de que trata o artigo anterior poderá ser efetuada pela autoridade outorgante, tantas vezes quantas necessárias, observado, em cada ato, o prazo máximo de sessenta dias, para procedimentos de fiscalização, e de trinta dias, para procedimentos de diligência. § 1º A prorrogação de que trata o caput poderá ser feita por intermédio de registro eletrônico efetuado pela respectiva autoridade outorgante, cuja informação estará disponível na Internet, nos termos do art. 7º, inciso VIII. § 2º Na hipótese do § 1º, o AFRFB responsável pelo procedimento fiscal fornecerá ao sujeito passivo, quando do primeiro ato de ofício praticado junto ao mesmo após cada prorrogação, o Demonstrativo de Emissão e Prorrogação, contendo o MPF emitido e as prorrogações efetuadas, reproduzido a partir das informações apresentadas na Internet, conforme modelo constante do Anexo VI.” Compulsando os autos, mais especificamente nas fls. 4.754/4.756, a DRJ traz um levantamento das prorrogações efetuadas, e o que se pode observar, é que foram todas realizadas dentro dos prazos e na forma prevista pela legislação vigente, o que, via de conseqüência, não se verifica a ocorrência de nenhum vício que possa macular o presente procedimento. Ademais, é de simples verificação de que os fatos narrados no presente auto de infração ora atacado se encerrou em 19.05.2008 e a ciência por parte da Contribuinte se deu em 02.07.2008, ou seja, dentro do período de validade do MPF. Assim, não há que se aplicar o prazo previsto no art. 9° da IN n° 228/2002. E ainda que esse não fosse o entendimento, a decisão seria pela improcedência do pleito da contribuinte, pois, como é cediço, todo procedimento de cunho investigatório, a legislação Fl. 5013DF CARF MF Impresso em 03/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/01/2015 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 07/01/2015 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 03/02/2015 por IRENE S OUZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA 11 propõe prazos, em princípio razoáveis, porém nunca peremptórios para sua conclusão. Isso porque o ordenamento jurídico deve ser interpretado com base nos princípios da razoabilidade e da proporcionalidade, de modo que seus fins possam ser atingidos. Os prazos para conclusão de procedimentos investigatórios devem ser em princípio obedecidos, pois constam na legislação. Contudo, em casos especiais, em face das circunstâncias, tais prazos devem ser relevados, sempre que não agridam um direito fundamental. Isso porque não tem sentido, posto que desarrazoado, em se decretar a nulidade de procedimento investigatório por mero vicio formal (excesso de prazo), quando pode e deve prevalecer a verdade real. Anular o presente auto de infração, com robustas provas, inclusive interceptações telefônicas devidamente autorizadas pela Justiça em processo criminal, simplesmente por se ter excedido dias na conclusão do procedimento, seria ferir de morte os princípios da razoabilidade e da proporcionalidade. Por fim, com relação aos demais interessados (responsáveis) não terem tomado ciência prévia do MPF, cumpre esclarecer que este foi emitido para fiscalizar a recorrente LOPES E AGUIAR PRODUTOS PNEUMÁTICOS LTDA.. E como consta dos autos, no decorrer da fiscalização ficou constatado que as outras empresas e os sócios estavam envolvidos nas importações irregulares; sejam como interposta pessoa, importadoras de direito, adquirente ou interveniente. Ou seja, a ação fiscal alcançou tais responsáveis em ato de revisão aduaneira, conforme dispõe o art. 570 do Decreto nº 4.543, de 26.12.2002. Com efeito, para os demais responsáveis, considerando que o MPF já estava direcionado à contribuinte Lopes e Aguiar, a ciência prévia pelos demais responsáveis era no presente caso, dispensável, nos termos do art. 10, II da Portaria RFB nº 11.371, de 12/12/2007, in verbis: “Art. 10. O MPF não será exigido nas hipóteses de procedimento de fiscalização: (...). II interno, de formalização de exigência de crédito tributário constituído em termo de responsabilidade ou pelo descumprimento de regime aduaneiro especial, lançamento de multas isoladas, revisão aduaneira e formalização de abandono ou apreensão de mercadorias realizada por outros órgãos;” Ante o exposto, não se verificando a ocorrência de nenhum dos pressupostos legais contidos no art. 59 do Decreto nº 70.235/72, que determinam a declaração de nulidade do auto de infração, voto no sentido de rejeitar a preliminar de nulidade do lançamento sob o fundamento de ter havido vício formal no Mandado de Procedimento Fiscal. Sujeição Passiva – Ocultação do Real Responsável pela Importação A segunda preliminar suscitada nos autos foi no sentido de que estaria incorreta a sujeição passiva da recorrente LOPES E AGUIAR PRODUTOS PNEUMÁTICOS LTDA como responsável tributário. Compulsando os autos, resta evidente que a recorrente em questão percorria todo o caminho para a efetivação das importações objeto da presente MPF, ou seja, (i) a entrada de mercadoria estrangeira no território nacional através da escolha dos pneus no exterior; (ii) embarcavaos via contêineres; (iii) controlava a liberação dos mesmos nos portos de origem e destino; (iv) contratava os agentes de carga e despachantes aduaneiros; (v) Fl. 5014DF CARF MF Impresso em 03/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/01/2015 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 07/01/2015 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 03/02/2015 por IRENE S OUZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA 12 determinava quanto, como e em que contas correntes deveriam ser efetuados os depósitos dos montantes; e (vi) operacionalizava a entrega das mercadorias ao consumidor final no País. O conjunto probatório carreado aos autos, fls. 165 a 3.547, mais especificamente as interceptações telefônicas, fax e demais documentos encontráveis às fls. 18 a 153, não deixam dúvidas que as atividades ditas como de “consultoria” pela recorrente, não exprimem a realidade dos fatos declarados pela mesma. Considerando que a empresa LOPES E AGUIAR PRODUTOS PNEUMÁTICOS LTDA. atuava como importadora, ainda que conste no registro das declarações de importações outras empresas ditas como “liminaristas”, as provas carreadas aos autos, evidencia ser a ora recorrente a real e efetiva importadora das mercadorias objeto da investigação e, portanto, a responsável tributária, nos expressos termos do art. 103, inciso I, do Decreto nº 4.543/02, in verbis: “Art. 103. É contribuinte do imposto (Decretolei nº 37, de 1966, art. 31, com a redação dada pelo Decretolei nº 2.472, de 1988, art. 1º): I o importador, assim considerada qualquer pessoa que promova a entrada de mercadoria estrangeira no território aduaneiro;” Como bem demonstrado, a recorrente Lopes e Aguiar efetivamente se utilizou das empresas “liminaristas” para legalizar as importações efetuadas, e essa ocultação só foi descoberta após a intervenção da autoridade policial, que devidamente respaldada pelo Poder Judiciário levantou todas as provas suficientes e necessárias a demonstrar que esta prestava mais que serviços de “consultoria”. Ressaltese que o simples fato de constar nas declarações de importações supostas empresas como sendo as efetivas importadoras não fazem delas as únicas responsáveis pelos impostos de importações devidos, pois como ficou demonstrado acima, responsável tributário também o é, as que realizam atos próprios de importação. Portanto, concluise que a recorrente LOPES E AGUIAR PRODUTOS PNEUMÁTICOS LTDA. se valeu dos nomes e das decisões judiciais de outras empresas para a consecução de ditas importações. Nesse sentido, são as reiteradas decisões proferidas por este Conselho, verbis: OCULTAÇÃO DO REAL RESPONSÁVEL PELA IMPORTAÇÃO. FRAUDE OU SIMULAÇÃO. INTERPOSIÇÃO FRAUDULENTA DE TERCEIROS. DANO AO ERÁRIO. A ocultação do real responsável pela importação de mercadorias, mediante fraude ou simulação, inclusive pela interposição fraudulenta de terceiros é considerada dano ao erário. IMPOSTO. INFRAÇÃO. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. O adquirente de mercadoria de procedência estrangeira, no caso de importação realizada por sua conta e ordem, por intermédio de pessoa jurídica importadora é responsável solidário pelo imposto de importação e responde conjunta ou isoladamente pela infração. (Ac. 30239.916 em 12.11.2008) IMPORTAÇÃO. OCULTAÇÃO DO REAL ADQUIRENTE. DANO AO ERÁRIO. PENA DE PERDIMENTO. CONVERSÃO EM MULTA. Considerase dano ao Erário a ocultação do real sujeito passivo na operação de importação, infração punível com a pena de perdimento, que é convertida em multa equivalente ao valor aduaneiro, caso as mercadorias não sejam localizadas ou tenham sido consumidas. (Ac. 30238.366 em 24.01.2007) Fl. 5015DF CARF MF Impresso em 03/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/01/2015 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 07/01/2015 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 03/02/2015 por IRENE S OUZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA 13 IMPORTAÇÃO POR CONTA E ORDEM DE TERCEIROS. OCULTAÇÃO DO REAL ADQUIRENTE DAS MERCADORIAS. CARACTERIZAÇÃO DA OCORRÊNCIA DE DANO AO ERÁRIO. CONVERSÃO DA PENA DE PERDIMENTO EM MULTA EQUIVALENTE AO VALOR ADUANEIRO DAS MERCADORIAS. Nos termos da legislação de regência, considerase dano ao Erário a ocultação do real sujeito passivo da obrigação tributária, em operações de importação (realizadas por conta e ordem de terceiros), infração punível com a pena de perdimento, que é convertida em multa equivalente ao valor aduaneiro, caso as mercadorias não sejam localizadas ou houverem sido consumidas. VALORAÇÃO ADUANEIRA. Inaplicável ao caso dos autos o Acordo de Valoração Aduaneira (AVA) GATT / 1994, uma vez que a matéria em comento está sujeita a legislação específica, qual seja, à Medida Provisória nº 2.15835/2001. RESPONSABILIDADE POR INFRAÇÕES. Responde pelas infrações, conjunta ou isoladamente, o adquirente de mercadoria de procedência estrangeira, no caso de importação realizada por sua conta e ordem, por intermédio de pessoa jurídica importadora. (Ac. 30238.170 em 08.11.2006) Não obstante tais fatos, os documentos amealhados durante as investigações, dão conta de ter havido subfaturamento quando do preenchimento das ditas declarações de importação, o que evidenciou tratarse a ora recorrente não só da real importadora, mas também de ser quem colocava as mercadorias em circulação para consumo, ainda que não fizesse o registro contábil e fiscal apropriado. A tentativa da recorrente de ilidir sua responsabilidade tributária alegando que os valores eram na verdade “comissões”, não restou demonstrado de forma satisfatória e convincente a ponto de, ao menos, gerar um dúvida razoável no convencimento deste julgador. As acusações de subfaturamento têm caráter suplementar, pois a pena de perdimento de mercadorias foi aplicada em razão do dano ao erário, consistente na “ocultação do sujeito passivo, do real vendedor, comprador ou de responsável pela operação, mediante fraude ou simulação, inclusive a interposição fraudulenta de terceiros”, conforme disposto no art. 23, inciso V, do Decreto lei nº 1.455/1976. Pois bem, ao permitir que a LOPES E AGUIAR negociasse a importação por conta e ordem de terceiros, utilizandose do nome da EBRP – Empresa Brasileira de Reciclagem de Pneus Ltda e de outras empresas, as mesmas colaboraram diretamente para que houvesse sucesso nas importações conduzidas por àquela. Isto posto, tanto os sócios da LOPES E AGUIAR PRODUTOS PNEUMÁTICOS LTDA., quanto da empresa EBRP – EMPRESA BRASILEIRA DE RECICLAGEM DE PNEUS LTDA., assim como das demais, tinham interesse comum na constituição do fato gerador da obrigação principal das importações em questão. Com efeito, verificouse a ocorrência de interposição fraudulenta e ocultação do real sujeito passivo. Portanto, as empresas que se utilizaram desta prática irregular e dela se beneficiaram, com base nas provas acostadas aos autos, aplicase o art. 124, inciso I, do CTN c/c com o art. 95 do DecretoLei nº 37/66, que dispõem: “Art. 124. São solidariamente obrigadas: I as pessoas que tenham interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal;” “Art.95 Respondem pela infração: Fl. 5016DF CARF MF Impresso em 03/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/01/2015 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 07/01/2015 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 03/02/2015 por IRENE S OUZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA 14 I conjunta ou isoladamente, quem quer que, de qualquer forma, concorra para sua prática, ou dela se beneficie;” Ante o exposto, restou comprovada a responsabilidade da empresa LOPES E AGUIAR PRODUTOS PNEUMÁTICOS LTDA, bem como de seus sócios e das empresas ditas como “liminaristas”, que concorreram e se beneficiaram com as importações ilícitas, pelo que sobre este ponto, voto no sentido de rejeitar também esta preliminar de nulidade do lançamento por vício formal no que diz respeito à sujeição passiva das recorrentes. Responsabilidade Pessoal dos Sócios O sócio gerente NARCÉLIO AGUIAR, invocando o art. 50 do Código Civil, sustentou que os sócios da empresa LOPES E AGUIAR PRODUTOS PNEUMÁTICOS LTDA, responsável pelo ilícito, somente poderiam ser alcançados pelo auto de infração, mediante decisão judicial. Porém, é pacífico o entendimento deste Conselho que a administração pública pode responsabilizar os sócios pelos débitos tributários resultantes de atos praticados com excesso de poder ou infração de lei, contrato social ou estatutos, com base no art. 135, inciso III, do CTN. “Art. 135. São pessoalmente responsáveis pelos créditos correspondentes a obrigações tributárias resultantes de atos praticados com excesso de poderes ou infração de lei, contrato social ou estatutos: III os diretores, gerentes ou representantes de pessoas jurídicas de direito privado.” “RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA INFRAÇÃO DE LEI IDENTIFICAÇÃO DO SUJEITO PASSIVO De acordo com o ordenamento jurídicotributário brasileiro, o sóciogerente é responsável, por substituição, pelo crédito tributário resultante da prática de ato com infração de lei na gestão dos negócios de pessoa jurídica (art. 135, III, do CTN). No entanto, é válido o auto de infração, lavrado após formal encerramento de atividades da pessoa jurídica, que contém sua indicação (pessoa jurídica) no pólo passivo da obrigação tributária, na condição de contribuinte, desde que assegurados o devido processo legal e a ampla defesa ao responsável. (Ac. 10322.221 em 08/12/2005)” “RESPONSABILIDADE PELA INFRAÇÃO TRIBUTÁRIA. Ilícitos societários graves praticados pelo administrador serão, em princípio, hábeis a modificar a configuração do pólo passivo da relação jurídica tributária, que além de praticado com excesso de poderes, infração à lei, ao contrato social, ou aos estatutos, agrida o interesse e finalidades da sociedade. Na regra geral, é ilícito societário grave o praticado em nome da pessoa jurídica, mas no interesse pessoal do próprio agente administrador. Entretanto, há casos em que tanto o administrador que agiu com excesso de poderes, infração à lei ou ao contrato social, quanto a empresa se beneficiam, conjuntamente, da situação relacionada à infração tributária praticada. Nesse caso, a base legal para a responsabilidade não está apenas no art. 135, III, do CTN; o administrador responderá conjuntamente com a empresa pelo crédito tributário lançado, tributo e penalidade administrativa tributária, compatibilizandose neste caso a norma antes citada com a prevista no art.124, I, do CTN, tendo em conta o interesse comum e o benefício de ambos com os resultados pretendidos indevidamente. As evidências apresentadas identificaram a prática de subfaturamento nas importações focadas. Os valores de transação formalmente declarados na importação pela empresa de fachada manipulada RF TOTAL, visavam beneficiar os reais adquirentes da Fl. 5017DF CARF MF Impresso em 03/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/01/2015 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 07/01/2015 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 03/02/2015 por IRENE S OUZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA 15 mercadoria importada no Brasil, DICOM e seus gerentes, de fato ou de direito, quanto à situação analisada, que viriam a ser também os efetivos revendedores no mercado interno com a inicial perspectiva de redução ilícita da base de cálculo dos impostos incidentes na importação e, posteriormente, na transferência das mercadorias da RF TOTAL para a DICOM com valores três vezes superiores aos declarados, aumentar artificialmente custos para redução aparente de lucro (ou produzir prejuízos contábeis), e com isso formar recursos extracontábeis (caixa dois). Confrontandose o disposto no art. 135, III, com o que prescreve o art. 124, I, ambos do CTN, podese concluir que neste caso devem responder solidariamente pela infração os interessados que se apresentaram como recorrentes neste processo, que havia interesse comum dos administradores e da empresa na situação que constituiu os fatos geradores das obrigações principais. (Ac. 30334.941 em 04.12.2007)” Ante o exposto, estando demonstrado satisfatoriamente a ocorrência dos ilícitos perpetrados pela LOPES E AGUIAR PRODUTOS PNEUMÁTICOS LTDA., bem como que seus sócios praticaram atos de administração em nome desta empresa ao mesmo tempo em que detinham poderes de gerência, conforme demonstrado às fls. 4.526, nada mais do que justo e legal, deverse incluílos no pólo passivo do presente auto de infração. Desta forma, voto no sentido de manter os sócios gerentes no pólo passivo do auto de infração, considerando serem responsáveis solidários do crédito tributário em discussão. Base de Cálculo da Multa Este ponto relativo à base de cálculo da multa do art. 23, inc. V, § 3º do DecretoLei nº 1.455/76, com redação dada pelas Leis nº 10.637/02 e 12.350/2010 mantevese controverso em virtude da sustentação do contribuinte no sentido de que a base de cálculo da multa resultante da conversão da pena de perdimento das mercadorias deve ser a diferença entre os valores atribuídos pela fiscalização às importações realizadas e os valores declarados nas declarações de importação; enquanto a fiscalização entendeu que a base de cálculo para aplicação da mencionada multa deve ser o valor aduaneiro da mercadoria. Cumpre esclarecer que a referida multa estabelecida no art. 23, inciso V, §§ 1º e 3º do DecretoLei nº 1.455/76, com redação dada pelas Leis nº 10.637/02 e 12.350/2010, claramente prevê que a pena de perdimento é convertida em multa equivalente ao valor aduaneiro da mercadoria, quando esta não for localizada ou tenha sido consumida, verbis: "Art. 23. Consideramse dano ao Erário as infrações relativas às mercadorias: V estrangeiras ou nacionais, na importação ou na exportação, na hipótese de ocultação do sujeito passivo, do real vendedor, comprador ou de responsável pela operação, mediante fraude ou simulação, inclusive a interposição fraudulenta de terceiros. § 1º. O dano ao erário decorrente das infrações previstas no caput deste artigo será punido com a pena de perdimento das mercadorias (...) § 3o As infrações previstas no caput serão punidas com multa equivalente ao valor aduaneiro da mercadoria, na importação, ou ao preço constante da respectiva nota fiscal ou documento equivalente, na exportação, quando a mercadoria não for localizada, ou tiver sido consumida ou revendida, observados o rito e as competências estabelecidos no Decreto no 70.235, de 6 de março de 1972.” É de se ressaltar, que para estabelecer o valor aduaneiro das mercadorias importadas, há dois critérios bem distintos: a) pela autoridade fazendária, quando houver Fl. 5018DF CARF MF Impresso em 03/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/01/2015 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 07/01/2015 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 03/02/2015 por IRENE S OUZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA 16 comprovação da ocorrência de subfaturamento; e b) o valor lançado pelo na DI em importação regular; mas nunca a diferença entre os valores. No caso em tela, ficou comprovado o subfaturamento, fazendo com que a fiscalização atribuísse valor aduaneiro diverso do da recorrente. Em consequência, aplicouse a multa prevista em lei (art. 23, inc. V, § 3º do DecretoLei nº 1.455/76, com redação dada pelas Leis nº 10.637/02 e 12.350/2010) no valor estabelecido pelo fisco. Nesse sentido tem sido o entendimento tanto das Cortes judiciárias quanto deste Conselho, verbis: TRIBUTÁRIO E ADUANEIRO. PERDIMENTO DE MERCADORIAS. PROCEDIMENTO ESPECIAL DE FISCALIZAÇÃO. NULIDADE. AUTUAÇÃO. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. CONVALIDAÇÃO. INDÍCIOS DE FRAUDE NA IMPORTAÇÃO. SUSPEIÇÃO DE EMPRESA INTERPOSTA. 1. Eventuais vícios formais detectados quando do desenrolar do procedimento especial de fiscalização aduaneira não têm a força necessária a impedir o regular desfecho do processo administrativo que conclui pela decretação do perdimento. 2. Não se tem, no procedimento especial de controle aduaneiro, previsto na IN/SRF n.º 206/02, ainda, procedimento fiscal impositivo de penalidade, a exigir os rigores do contraditório e da ampla defesa, eis que destinado à atividade investigativa da autoridade fiscal, tendo por finalidade verificar se procedem as suspeitas de irregularidades puníveis com a pena de perdimento. 3. A aplicação daquela penalidade não é objeto do procedimento investigatório, embora possa dele recorrer. Ela submetese a processo próprio, de natureza contraditória, disciplinado pelos arts. 690 a 694 do Regulamento Aduaneiro, instaurado com a lavratura do competente auto de infração. 4. Já não persiste, na espécie, a retenção das mercadorias em decorrência do procedimento investigatório, mas do processo administrativo ulterior, verdadeiro objeto da impetração, eis que desenrolado com vistas à perda daquelas. Na sequência, enfim, as supostas nulidades de que padecia o procedimento especial restaram convalidadas pela decisão que decretou o perdimento. 5. Na hipótese, a imposição da pena de perdimento se dá com guarida da existência de elementos que demonstram o cometimento de infração, porquanto a fiscalização logrou demonstrar que a operação de importação encobria interposta empresa. (TRF4, AC 2008.70.08.0000400, Primeira Turma, Relator Marcos Roberto Araujo dos Santos, D.E. 13/10/2009) CONVERSÃO DO PERDIMENTO EM MULTA. INTERPOSIÇÃO FRAUDULENTA DE TERCEIROS. DANO AO ERÁRIO. PENA DE PERDIMENTO E POSTERIOR CONVERSÃO EM MULTA. Não comprovada a origem dos recursos utilizados nas transações, caracterizase a interposição fraudulenta de terceiros a causar dano ao erário. Portanto, cabível a pena de perdimento com posterior substituição por multa equivalente ao valor aduaneiro da mercadoria quando esta for consumida ou não localizada. (Ac. 30239.915 em 12.11.2008) IMPORTAÇÃO POR CONTA E ORDEM DE TERCEIROS. OCULTAÇÃO DO REAL ADQUIRENTE DAS MERCADORIAS. CARACTERIZAÇÃO DA OCORRÊNCIA DE DANO AO ERÁRIO. CONVERSÃO DA PENA DE PERDIMENTO EM MULTA EQUIVALENTE AO VALOR ADUANEIRO DAS MERCADORIAS. Nos termos da legislação de regência, considerase dano ao Erário a ocultação do real sujeito passivo da obrigação tributária, em operações de importação (realizadas por conta e ordem de terceiros), infração punível com a pena de perdimento, que é convertida em multa equivalente ao valor aduaneiro, caso as mercadorias não sejam localizadas ou houverem sido consumidas. (Ac. 30238.170 em 08.11.2006) Fl. 5019DF CARF MF Impresso em 03/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/01/2015 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 07/01/2015 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 03/02/2015 por IRENE S OUZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA 17 Diante do exposto, não há que se falar em cálculo de “diferença” do valor já declarado na importação, uma vez que o valor a ser considerado é o “valor aduaneiro da mercadoria” e não outro. Nesse sentido, voto pela improcedência da pretensão dos recorrentes, de que a base de cálculo seja calculada a partir da diferença do que foi declarado nas DI’s com o valor levantado como devido. Recurso de Ofício Por fim, cabe ao Relator analisar o Recurso de Ofício interposto pelo Presidente Cícero Pereira Peres Martins, conforme o art. 1º da Portaria MF nº 3, 3 de janeiro de 2008, fls. 4.746. Tendo em vista, que a DRJ, exonerou o valor de R$ 33.348.398,24 de forma bem fundamentada, adoto a posição desta como razões de decidir de meu voto. Senão vejamos: “O enfoque da autuação fiscal, nos moldes como apresentada pela autoridade fiscal, é a de que a empresa LOPES E AGUIAR PRODUTOS PNEUMÁTICOS LTDA atuava como importador, tanto que a autoridade apresentou no relatório "VALORES DOCUMENTADOS" a devida conexão entre as importações e os documentos probatórios coletados durante as investigações, invertendo, por assim dizer, a ordem "natural" da sujeição passiva para aqueles casos, isto é, os fatos apurados superaram as formalidades documentais efetuadas perante a autoridade aduaneira. Porém, tal inversão só foi possível graças às provas contundentes existentes para aquelas declarações de importação. Situação que não se vislumbra para as declarações de importação apresentadas no relatório "VALORES NÃO DOCUMENTADOS", visto que os autos não apresentam conjunto probatório suficiente para impor tal inversão. Para que tais operações pudessem ser atribuídas à citada empresa, seria necessário que a autoridade fiscal tivesse apresentado para cada uma das 8.167 declarações de importação a devida conexão com a empresa LOPES E AGUIAR PRODUTOS PNEUMÁTICOS LTDA.. Notese que os indícios apontados pela autuação, relativos ao "Livro Caixa" (fls. 3566 a 3587), lançamentos efetuados neste relatório, referente a janeiro de 2003 a julho de 2004, intitulados "serviços de consultoria" poderiam, em tese, alcançar somente cerca de 249 operações, número muito inferior ao de declarações de importação registradas pelas "liminaiistas" no mesmo período. A despeito de indícios de haver praticado operações idênticas em anos anteriores (ao apontado no relatório "VALORES DOCUMENTADOS") , é imprescindível que as provas de tal prática sejam compatíveis com o número de declarações de importação indicadas, o que não se vislumbra. Imputar à empresa LOPES E AGUIAR PRODUTOS PNEUMÁTICOS LTDA. a sujeição passiva, na qualidade de contribuinte, das declarações de importação apresentadas no relatório "VALORES NÃO DOCUMENTADOS" implica necessariamente em provar que as "liminaristas" não foram de fato responsáveis na qualidade de contribuintes por aquelas importações, fato que entendese não provado nos autos. As provas acostadas não afastam irremediavelmente a hipótese de que as próprias "liminaristas" tenham efetivado tais importações por sua própria conta e risco. Ou ainda, hipoteticamente, que não haja outras empresas atuando nos moldes da empresa LOPES E AGUIAR PRODUTOS PNEUMÁTICOS LTDA., isto é, fazendo uso idêntico das "liminatistas". Também as provas não permitem concluir inequivocamente que todas as 8.167 importações registradas formalmente pelas "liminaristas" foram conduzidas pela empresa LOPES E AGUIAR PRODUTOS PNEUMÁTICOS LTDA., o que dada a natureza do feito, entendese imprescindível. De se destacar ainda, em relação às declarações de importação do relatório "VALORES NÃO DOCUMENTADOS", que para o ano de 2007, a autoridade fiscal não logrou apresentar prova documental que ampare a inclusão das declarações registradas naquele ano pelas "liminaristas" como importações Fl. 5020DF CARF MF Impresso em 03/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/01/2015 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 07/01/2015 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 03/02/2015 por IRENE S OUZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA 18 efetuadas sob o comando da empresa LOPES E AGUIAR PRODUTOS PNEUMÁTICOS LTDA. De se registrar que ainda que parte da operação investigativa efetuada pelas autoridades tenha sido executada inclusive naquele ano (fl. 4352), não se logrou obter provas documentais de tal atuação em relação ao ano de 2007, o que somado ao fato da empresa apresentar os registros documentais que demonstram não ter prestado "serviços de consultoria" naquele mesmo ano (fls. 4531 a 4705), acabam por tomar inviável a imputação de sua responsabilidade pelas importações efetivadas pelas "liminaristas" para o ano de 2007, como pretendido pela autuação no relatório "VALORES NÃO DOCUMENTADOS". Diante do exposto e pela falta de documentos probatórios, voto pela improcedência do recurso de ofício interposto pela Fazenda Nacional. Pelas considerações delineadas, voto no sentido de rejeitar as preliminares suscitadas e, no mérito, NEGAR PROVIMENTO aos recursos voluntário e de ofício. Gilberto de Castro Moreira Junior Fl. 5021DF CARF MF Impresso em 03/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/01/2015 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 07/01/2015 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 03/02/2015 por IRENE S OUZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA
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