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Numero do processo: 12045.000433/2007-11
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed May 11 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Wed May 11 00:00:00 UTC 2011
Ementa: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/1999 a 31/10/2001
Ementa: SALÁRIO DE CONTRIBUIÇÃO. PESSOA JURÍDICA.
CARACTERIZAÇÃO DO VÍNCULO PACTUADO.
Não há incidência de contribuição previdenciária nos serviços prestados por pessoa jurídica legalmente constituída, sem descaracterização do vínculo pactuado.
SALÁRIO INDIRETO. RECURSOS PARA O TRABALHO.
INEXIGIBILIDADE.
Cabe ao Fisco para a integração dos valores ao Salário de Contribuição (SC) a demonstração de que recursos recebidos por segurados foram pelo trabalho e não para o trabalho.
INCONSTITUCIONALIDADE. AFASTAMENTO DE NORMAS LEGAIS.
VEDAÇÃO.
O Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF) não é competente para afastar a aplicação de normas legais e regulamentares sob fundamento de inconstitucionalidade.
JUROS DE MORA. TAXA SELIC. APLICAÇÃO À COBRANÇA DE TRIBUTOS.
É cabível a cobrança de juros de mora sobre os débitos para com a União decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil com base na taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia – SELIC para títulos federais.
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 2301-002.050
Decisão: ACORDAM os membros do colegiado: I) Por maioria de votos: a) em dar provimento parcial ao recurso, no mérito, para excluir do lançamento os valores oriundos de pagamentos à sócia gerente de celular, estacionamento, combustível, aluguel de veículo, nos
termos do voto do Relator. Vencida a Conselheira Bernadete de Oliveira Barros, que votou em negar provimento na questão das rubricas citadas; II) Por unanimidade de votos: a) em dar
provimento parcial ao recurso, no mérito, para excluir do lançamento os pagamentos efetuados a pessoas jurídicas, conforme disposto em Parecer Fiscal, fls. 0475, item 18, nos termos do
voto do Relator; b) em negar provimento ao recurso nas demais alegações da Recorrente, nos termos do voto do Relator(a).
Nome do relator: MARCELO OLIVEIRA
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Recorrente NARA PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS GRAIS LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/1999 a 31/10/2001 Ementa: SALÁRIO DE CONTRIBUIÇÃO. PESSOA JURÍDICA. CARACTERIZAÇÃO DO VÍNCULO PACTUADO. Não há incidência de contribuição previdenciária nos serviços prestados por pessoa jurídica legalmente constituída, sem descaracterização do vínculo pactuado. SALÁRIO INDIRETO. RECURSOS PARA O TRABALHO. INEXIGIBILIDADE. Cabe ao Fisco para a integração dos valores ao Salário de Contribuição (SC) a demonstração de que recursos recebidos por segurados foram pelo trabalho e não para o trabalho. INCONSTITUCIONALIDADE. AFASTAMENTO DE NORMAS LEGAIS. VEDAÇÃO. O Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF) não é competente para afastar a aplicação de normas legais e regulamentares sob fundamento de inconstitucionalidade. JUROS DE MORA. TAXA SELIC. APLICAÇÃO À COBRANÇA DE TRIBUTOS. É cabível a cobrança de juros de mora sobre os débitos para com a União decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil com base na taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia – SELIC para títulos federais. Recurso Voluntário Provido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Fl. 1DF CARF MF Emitido em 23/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 19/08/2011 por MARCELO OLIVEIRA Assinado digitalmente em 19/08/2011 por MARCELO OLIVEIRA 2 ACORDAM os membros do colegiado: I) Por maioria de votos: a) em dar provimento parcial ao recurso, no mérito, para excluir do lançamento os valores oriundos de pagamentos à sócia gerente de celular, estacionamento, combustível, aluguel de veículo, nos termos do voto do Relator. Vencida a Conselheira Bernadete de Oliveira Barros, que votou em negar provimento na questão das rubricas citadas; II) Por unanimidade de votos: a) em dar provimento parcial ao recurso, no mérito, para excluir do lançamento os pagamentos efetuados a pessoas jurídicas, conforme disposto em Parecer Fiscal, fls. 0475, item 18, nos termos do voto do Relator; b) em negar provimento ao recurso nas demais alegações da Recorrente, nos termos do voto do Relator(a). (assinado digitalmente) MARCELO OLIVEIRA Presidente Relator Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros: Marcelo Oliveira (Presidente), Bernadete de Oliveira Barros, Leonardo Henrique Pires Lopes, Mauro José Silva, Adriano González Silvério e Damião Cordeiro de Moraes. Fl. 2DF CARF MF Emitido em 23/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 19/08/2011 por MARCELO OLIVEIRA Assinado digitalmente em 19/08/2011 por MARCELO OLIVEIRA Processo nº 12045.000433/200711 Acórdão n.º 230102.050 S2C3T1 Fl. 2 3 Relatório Tratase de recurso voluntário apresentado contra Decisão da Delegacia da Secretaria da Receita Previdenciária (DRP), Belo Horizonte / MG, fls. 0425 a 0433, que julgou procedente em parte o lançamento, oriundo de descumprimento de obrigação tributária legal principal, fl. 001. Segundo a fiscalização, de acordo com o Relatório Fiscal (RF), fls. 044 a 048, o lançamento referese a contribuições destinadas à Seguridade Social, incidentes sobre a remuneração paga a segurados, correspondentes a contribuição dos segurados, da empresa, a contribuição para o financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrentes dos riscos ambientais do trabalho (SAT) e as contribuições devidas aos Terceiros. Ainda segundo o RF, os valores lançados referemse a: 1. Contribuição incidente sobre acordos trabalhistas firmados perante a Justiça do Trabalho, no período de 01/1999 08/2001; 2. Contribuição incidente sobre: a) PróLabore indireto pago à segurada empresária; b) remunerações pagas aos segurados trabalhadores autônomos; e c) diferença da remuneração paga ao trabalhador autônomo (contador) José Heliodório Rodrigues, relativo ao período de 01/1999 a 10/2001; e 3. Contribuição incidente sobre salário "in natura" alimentação, sem a inscrição no Programa de Alimentação do Trabalhador (PAT), de 01/1999 a 07/2001. Os motivos que ensejaram o lançamento estão descritos no RF e nos demais anexos que configuram o lançamento. Em 31/01/2002 foi dada ciência à recorrente do lançamento, fls. 073. Contra o lançamento, a recorrente apresentou impugnação, fls. 077 a 099, acompanhada de anexos, onde alega, em síntese, que: 1. Questiona a decadência do direito ao lançamento do crédito tributário, citando o art. 173 do C.T.N; 2. As contribuições incidentes sobre reclamatórias trabalhistas foram levantadas com base em documento inábil, qual seja a relação citada no item 3.1 do relatório fiscal de fls. 44, alegando que ali constam Fl. 3DF CARF MF Emitido em 23/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 19/08/2011 por MARCELO OLIVEIRA Assinado digitalmente em 19/08/2011 por MARCELO OLIVEIRA 4 vários processos extintos sem julgamento do mérito, dentre outras deficiências; 3. Em relação aos pagamentos a contribuintes individuais estes foram na verdade feitos a pessoas jurídicas, quais sejam BINC CONTABILIDADE E COBRANÇA LTDA e KMV Assessoria Jurídica e que cabe aos órgãos públicos a comprovação da regularidade de pessoas jurídicas; 4. No caso do contador José Heliodório Rodrigues, alega que os valores não declarados em GFIP referemse a gastos com materiais inerentes à prestação dos serviços de contabilidade e não a honorários profissionais; anexa cópias de lançamentos contábeis efetuados no livro Razão e termos de abertura e encerramento dos livros Diário e Razão às fls. 31/50; 5. Em relação ao Prólabore indireto pago à sóciagerente, contesta a autuação alegando ser indispensável ao exercício da sua função o uso de aparelho telefônico celular, citando ementa da Justiça do Trabalho onde sua utilização é descaracterizada como salário utilidade; 6. Assim também em relação ao automóvel de sua propriedade por ela locado à empresa segue o mesmo raciocínio, alegando ser um instrumento de trabalho, necessário aos constantes deslocamentos em visitas aos clientes, citando artigos do Código Civil distinguindo a pessoa jurídica da pessoa do sócio e caracterizando o contrato de locação de bens móveis; 7. Anexa cópia de proposta de locação de veículo para justificar o valor pago a esse título; 8. Com relação ao pagamento de combustível e estacionamento assevera que decorrem da utilização do referido veículo. Justifica o fato de a empresa se utilizar de serviços de empresas de transportes, alegando que somente um veículo não atende a demanda do serviço; 9. Finalmente contesta os salários de contribuição das competências 01/99 e 02/99 (ambos no valor de R$ 1.670,00) lançados a título de Prólabore, alegando que o primeiro referese ao total das retiradas efetuadas no ano de 1998 e que o valor da competência fevereiro foi levantado com base em relatório interno da empresa, sujeito a alterações e que não guarda identidade com os lançamentos contábeis; Fl. 4DF CARF MF Emitido em 23/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 19/08/2011 por MARCELO OLIVEIRA Assinado digitalmente em 19/08/2011 por MARCELO OLIVEIRA Processo nº 12045.000433/200711 Acórdão n.º 230102.050 S2C3T1 Fl. 3 5 10. A seguir envereda na discussão de matéria de direito, reclamando a inconstitucionalidade da cobrança contribuição do salárioeducação, bem como daquelas destinadas ao SESI/SESC, SESI/SENAI e INCRA. Alega que em verdade são impostos e que portanto dependeriam de Lei Complementar para definição dos seus fatos geradores; 11. Prossegue apresentando suas considerações a respeito da inexigibilidade das contribuições para o SAT — Seguro de Acidentes de Trabalho, invocando a inconstitucionalidade de tal cobrança uma vez que o conceito de atividade preponderante entre outros não foi claramente demarcado em lei, violando por completo o princípio da legalidade estrita tributária; 12. Retorna à discussão do mérito, questionando a propriedade do lançamento do salário utilidade (alimentação), sob o argumento de que o fato de a empresa não estar inscrita no PAT tem caráter secundário; 13. Em seguida questiona a utilização da taxa SELIC como indexador dos créditos tributários; 14. Termina questionando a multa aplicada no percentual de 20%, imputandolhe caráter confiscatório; 15. Requer, também, prazo de sessenta dias para coletar novos documentos junto à Justiça do Trabalho; 16. Protesta e requer provar o alegado por todos os meios admitidos em direito, incluindo a prova documental, pericial e testemunhal; 17. Por fim, requer o cancelamento do lançamento. Diante dos argumentos da defesa, a Delegacia solicitou esclarecimentos à fiscalização, fl. 0333. A fiscalização respondeu aos questionamentos, fl. 0341, posicionandose pela exclusão dos lançamentos referentes a reclamatórias trabalhistas e manutenção dos demais lançamentos. A Delegacia não encaminhou os pronunciamentos fiscais à recorrente e não reabriu seu prazo para defesa. A Delegacia analisou o lançamento, a impugnação e a diligência, julgando procedente em parte o lançamento, devido à exclusão dos lançamentos referentes a reclamatórias trabalhistas. Fl. 5DF CARF MF Emitido em 23/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 19/08/2011 por MARCELO OLIVEIRA Assinado digitalmente em 19/08/2011 por MARCELO OLIVEIRA 6 Inconformada com a decisão, a recorrente apresentou recurso voluntário, fls. 0384 a 0392, acompanhado de anexos. A Segunda Câmara (CAJ), do Conselho de Recursos da Previdência Social (CRPS) analisou os autos e anulou a decisão, a priori, por desrespeito ao contraditório, fls. 0401. A recorrente obteve ciência do julgado e da diligência e apresentou nova defesa, fls. 0414 a 0418, onde alega, em síntese, que: 1. Em relação ao item 1 da manifestação do. Fiscal que exclui do levantamento TRG as bases de cálculo das sentenças/acordos trabalhistas, destaca que assim agindo o próprio Fiscal reconhece que os valores constantes das petições iniciais/ valores de causa, obtidos junto à distribuição daquela Justiça Especializada são documentos impróprios para a apuração dos valores eventualmente devidos ao INSS os quais somente podem ser obtidos através das sentenças judiciais, demonstrando a impropriedade do lançamento; 2. Em relação ao item 2.1 da manifestação fiscal , aduz que não cabe à Autuada apresentar documentos constitutivos de empresa; é absurdo exigir que a empresa apresente documentos pertencentes a terceiros e que os recibos das prestações de serviços são fornecidos pelas próprias empresas, se há alguma irregularidade, essa deve ser apurada junto aos prestadores de serviço jamais junto à Autuada; 3. Não pode o tomador de serviço, em casos como tais, ser responsável pela apuração da regularidade da constituição de terceiras empresas; 4. Em relação ao item 3 da informação fiscal, onde o Fiscal reafirma a existência de Prólabore indireto, transcreve decisões judiciais a respeito, e alega: que quanto ao pagamento das contas de telefone celular, vale destacar que em verdade tal aparelho é ferramenta de trabalho essencial para o empresário; 5. Como também é essencial para as atividades da empresa que a sócia gerente se desloque de forma mais eficiente possível, pois o veículo é verdadeiro e essencial veículo de trabalho, não havendo como se considerar tais despesas como Prólabore indireto, pois se revertem em benefício da própria atividade empresarial, estando correto o seu lançamento como despesa (combustível e estacionamento); 6. Quanto à questão do aluguel do veículo da sócia gerente, ressalta que os valores do aluguel estão Fl. 6DF CARF MF Emitido em 23/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 19/08/2011 por MARCELO OLIVEIRA Assinado digitalmente em 19/08/2011 por MARCELO OLIVEIRA Processo nº 12045.000433/200711 Acórdão n.º 230102.050 S2C3T1 Fl. 4 7 plenamente compatíveis com os de mercado, conforme documentação já juntada aos autos e o contrato é lícito à luz da legislação vigente, pois a atividade da empresa exige que a sócia gerente se desloque constantemente; 7. Não há norma alguma que imponha para a empresa o dever de adquirir um veículo; é plenamente legítimo que a empresa faça a locação de um e igualmente é legítimo que entre vários locadores, a empresa opte por locar o automóvel de um dos sócios; 8. Não há que se falar em pagamento indireto de pro labore, pois existe uma verdadeira locação, e mais, a existência de tal locação é plenamente compatível com o exercício das atividades sociais da empresa; 9. Os argumentos contidos no item 3.3 carecem de supedâneo fático, neste ponto a empresa ratifica os termos da defesa; 10. A questão abordada no item 3.4 já foi tratada neste tópico, sendo pacífico o entendimento, na própria justiça do trabalho, de não ser tão amplo quanto pretende o Senhor Fiscal a expressão "remuneração"; 11. Quanto aos demais pontos abordados na informação fiscal, todos já foram combatidos através da defesa apresentada, não havendo o que acrescentar; 12. Por último renova a empresa o pedido anterior, para que seja oficiada a Justiça do Trabalho para que apresente cópias das petições iniciais, acordos, sentenças e certidões de quitação previdenciária relativas às reclamatórias trabalhistas cujos valores serviram de base de cálculo para os lançamentos ora efetuados. A Delegacia analisou o lançamento, a diligência e as impugnações, julgando procedente em parte o lançamento. Inconformada com a decisão, a recorrente apresentou recurso voluntário, fls. 0440 a 0453, acompanhado de anexos, alegando, em síntese, que: 1. O prazo decadencial deve ser o determinado no Código Tributário Nacional (CTN); 2. Os pagamentos de salário utilidade (telefone, estacionamento, combustível, aluguel do próprio veículo) à sócia gerente não devem prevalecer; 3. Os pagamentos foram realizados para o trabalho; Fl. 7DF CARF MF Emitido em 23/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 19/08/2011 por MARCELO OLIVEIRA Assinado digitalmente em 19/08/2011 por MARCELO OLIVEIRA 8 4. Os pagamentos considerados a autônomos foram feitos a pessoas jurídicas; 5. A inscrição junto ao PAT tem caráter declaratório e os valores de alimentação não devem integrar o Saláriode Contribuição (SC); 6. Há equívoco na aplicação da multa; 7. É irregular a incidência da Taxa SELIC; 8. Por fim, requer o conhecimento das nulidades e o cancelamento da autuação. Posteriormente, os autos foram enviados ao Conselho, para análise e decisão, fls. 0458. A Segunda Turma, da Quarta Câmara, da Segunda Seção do CARF analisou os autos e decidiu converter o julgamento em diligência, para esclarecimento das seguintes questões: A) As despesas da sócia gerente foram realizadas e custeadas pela recorrente para ou pelo trabalho?; B) Os pagamentos citados a contribuintes individuais foram efetuados a pessoas jurídicas ou físicas? O Fisco emitiu parecer informando que: 1. O Sr. Ronaldo Costa Torquato e Sra. Mônica Navarro Carvalho, constantes do anexo III — fls 69/70, não são segurados contribuintes individuais e sim pessoas constituídas juridicamente. Desta forma, fizemos excluir do crédito em referência os valores percebidos pelos citados nomes, para as competências 01 a 12/1999; 02, 03, 06, 08 e 09/2000 e 01, 04 e 08/2001, levantamento FPI, conforme planilhas juntadas às fls. 472/473; 2. Quanto aos valores recebidos pela sócia gerente — pro labore indireto, a título despesas com telefone celular, despesas de estacionamento, combustível, aluguel do veiculo próprio da sócia gerente à empresa e retirada pro labore não recolhidas, não foram apresentados documentos que possam alterar o procedimento fiscal, uma vez que tais despesas foram realizadas e custeadas pela recorrente pelo trabalho; 3. Reiterando o contido em Relatório Fiscal e Informação Fiscal temos que em ação fiscal constatamos que os contatos com clientes e empregados eram efetuados através do telefone fixo, número (31) 32220990. Salientamos que a Fl. 8DF CARF MF Emitido em 23/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 19/08/2011 por MARCELO OLIVEIRA Assinado digitalmente em 19/08/2011 por MARCELO OLIVEIRA Processo nº 12045.000433/200711 Acórdão n.º 230102.050 S2C3T1 Fl. 5 9 ação fiscal foi desenvolvida em janeiro de 2002, e não em 2010, onde quase a totalidade da população dispõe de direito de uso aparelhos celular; 4. A entrega de materiais de limpeza e conservação aos condomínios, tomadores de serviços, conforme documentos de caixa e lançamentos contábeis analisados, eram efetuadas por empresas especializadas, não poderia ser diferente considerando o volume de material aplicado assim como os equipamentos utilizados e o transporte dos funcionários feito por transporte coletivo (ônibus) com a utilização de vale transporte; 5. Desta forma, o crédito lançado é procedente, em seu valor retificado, considerando os documentos apresentados, fls. 469/471 — vol II, e conseqüentes exclusões efetuadas, 472/473. A recorrente obteve ciência da manifestação do Fisco e apresentou novos argumentos: 1. Concorda com o item 18, no qual foi reconhecido pelo Fisco que o Sr. Ronaldo Costa Torquato e Sra. Mônica Navarro Carvalho como pessoas constituídas juridicamente; 2. Quanto aos demais nomes constantes no anexo a peticionaria não conseguiu os números dos CNPJ; 3. Quanto ás alegações do item 20 a 22, não devem prosperar, pois não correspondem com a realidade fática; 4. No que tange aos valores recebidos pela sócia gerente, estes não podem ser vistos como pro labore indireto, e sim, como valores indenizatórios, ademais, a jurisprudência já colacionada em defesa pretérita admite tal posicionamento já defendido. Os autos retornaram ao Conselho, para análise e decisão. É o Relatório. Fl. 9DF CARF MF Emitido em 23/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 19/08/2011 por MARCELO OLIVEIRA Assinado digitalmente em 19/08/2011 por MARCELO OLIVEIRA 10 Voto Conselheiro Marcelo Oliveira, Relator Sendo tempestivo, CONHEÇO DO RECURSO e passo ao exame de seus argumentos. DA PRELIMINAR Quanto ás preliminar, a recorrente alega que o lançamento estaria decadente, segundo as regras do CTN. Esclarecemos á recorrente que não há razão em seu argumento, pois as regras decadenciais constantes do CTN determinam períodos de cinco anos e o lançamento (lavrado em 2002) alcançou créditos no período de 1999 a 2001, portanto fora de qualquer regra decadencial. Pelo exposto, não há razão no argumento. A recorrente alega, também, que há exigências no lançamento que são inconstitucionais. Esclarecemos à recorrente que a apreciação de matéria constitucional em tribunal administrativo exacerba sua competência originária, que é a de órgão revisor dos atos praticados pela Administração, bem como invade competência atribuída especificamente ao Poder Judiciário pela Constituição Federal. No Capítulo III, do Título IV, da Constituição Federal, especificamente no que trata do controle da constitucionalidade das normas, observase que o constituinte teve especial cuidado ao definir quem poderia exercer o controle constitucional das normas jurídicas. Decidiu que caberia exclusivamente ao Poder Judiciário exercêla, especialmente ao Supremo Tribunal Federal (STF). Permitir que órgãos colegiados administrativos reconheçam a constitucionalidade de normas jurídicas é infringir o disposto na própria Constituição Federal, padecendo, portanto, a decisão que assim o fizer de vício de constitucionalidade, já que invadiu competência exclusiva de outro Poder. O professor Hugo de Brito Machado in “Mandado de Segurança em Matéria Tributária”, Ed. Revista dos Tribunais, páginas 302/303, assim concluiu: “A conclusão mais consentânea com o sistema jurídico brasileiro vigente, portanto, há de ser no sentido de que a autoridade administrativa não pode deixar de aplicar uma lei por considerála inconstitucional, ou mais exatamente, a de que a autoridade administrativa não tem competência para decidir se uma lei é, ou não é inconstitucional.” Ademais, como da decisão administrativa não cabe recurso obrigatório ao Poder Judiciário, em se permitindo a declaração de inconstitucionalidade de lei pelos órgãos administrativos judicantes, as decisões que assim a proferissem não estariam sujeitas ao crivo Fl. 10DF CARF MF Emitido em 23/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 19/08/2011 por MARCELO OLIVEIRA Assinado digitalmente em 19/08/2011 por MARCELO OLIVEIRA Processo nº 12045.000433/200711 Acórdão n.º 230102.050 S2C3T1 Fl. 6 11 do Supremo Tribunal Federal que é a quem compete, em grau de definitividade, a guarda da Constituição. Poderseia, nestes casos, ter a absurda hipótese de o tribunal administrativo declarar determinada norma inconstitucional e o Judiciário, em manifestação do seu órgão máximo, pronunciarse em sentido inverso. Por essa razão é que através de seu Regimento Interno o Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF) se autoimpôs regra nesse sentido: Portaria MF n° 256, de 22/06/2009 (Aprova o Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF) e dá outras providências): Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. Parágrafo único. O disposto no caput não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: I que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão plenária definitiva do Supremo Tribunal Federal; ou II que fundamente crédito tributário objeto de: a) dispensa legal de constituição ou de ato declaratório do ProcuradorGeral da Fazenda Nacional, na forma dos arts. 18 e 19 da Lei n° 10.522, de 19 de julho de 2002; b) súmula da AdvocaciaGeral da União, na forma do art. 43 da Lei Complementar n° 73, de 1993; ou c) parecer do AdvogadoGeral da União aprovado pelo Presidente da República, na forma do art. 40 da Lei Complementar n° 73, de 1993. Portanto, não há razão no argumento. Por todo o exposto, rejeito as preliminares e passo ao exame do mérito. DO MÉRITO Quanto ao mérito, a recorrente afirma que os pagamentos a pessoas físicas foram feitos a pessoas jurídicas, não se constituindo, assim, em fato gerador de obrigação tributária. Esclarecemos à recorrente que os lançamentos em que houve comprovação de que ocorreram pagamentos a pessoas jurídicas serão excluídos do lançamento, em consonância ao disposto no Parecer Fiscal, fls. 0475, item 18. Já em relação aos demais segurados, em que há recibos, não há como excluir esses valores do lançamento. Recibos são documentos que se prestam à comprovação de pagamentos a pessoas físicas e jurídicas e a apresentação da nota fiscal demonstra qual o tipo Fl. 11DF CARF MF Emitido em 23/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 19/08/2011 por MARCELO OLIVEIRA Assinado digitalmente em 19/08/2011 por MARCELO OLIVEIRA 12 de pessoa. A recorrente não possui documento algum que comprove que esses recibos, em nome de pessoas físicas, tratamse de pagamentos a pessoas jurídicas. Assim, não há como dar razão ao seu argumento, pois as provas trazidas aos autos pelo Fisco, até o momento apesar das diligências efetuadas e das possibilidades de contradição por parte da recorrente – demonstram que os pagamentos foram efetuados a pessoas físicas. Portanto, dou provimento parcial ao argumento, nessa questão, para excluir do lançamento os pagamentos efetuados a pessoas jurídicas, conforme o disposto no Parecer Fiscal, fls. 0475, item 18. Quanto aos pagamentos efetuados ao contador José Heliodório Rodrigues, a recorrente alega que os valores não declarados em GFIP referemse a gastos com materiais inerentes à prestação dos serviços de contabilidade e não a honorários profissionais. Informamos à recorrente que no caso de ressarcimento de valores, como alega a recorrente, para que não haja cobrança do tributo previdenciário, há a necessidade de comprovação de que essas verbas não são remuneração, com a apresentação do devido recibo. No presente caso há o registro de pagamentos efetuados a pessoas física, sem comprovação alguma de que se trata de ressarcimento. Portanto, deve haver a exigência do tributo federal previdenciário, pois o pagamento enquadrase no conceito de remuneração á pessoa física. Assim, não há razão no argumento. Quanto á alegação da recorrente de que os pagamentos feitos á sócia a título de salário utilidade (celular, despesas com estacionamento, combustível, aluguel do veículo próprio da sócia gerente) não constituemse em Salário de Contribuição (SC), verifico que não há argumento nem prova alguma no lançamento que comprove a tese do Fisco, pois somente o pagamento desses valores e a utilização de empresa de transporte para entregas não possuem o condão de demonstrar que esses pagamentos foram efetuados como remuneração indireta e não como pagamentos para a realização do trabalho exigido. Nesse sentido, de extrema sapiência voto proferido pelo Ilustre Conselheiro Mauro José Silva, no processo 13603.002241/200721. abaixo: “ Iniciamos a análise sobre a incidência da contribuição previdenciária instituída pela Lei 8.212/91 sobre o salário utilidade configurado com o fornecimento de veículos analisando o dispositivo constitucional que outorgou competência para a União instituir tal contribuição. Os dispositivos que tratam do assunto estão, primordialmente, no art. 195, no entanto, não podemos desconhecer o conteúdo do §art. 201 Art. 195. A seguridade social será financiada por toda a sociedade, de forma direta e indireta, nos termos da lei, mediante recursos provenientes dos orçamentos da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, e das seguintes contribuições sociais: Fl. 12DF CARF MF Emitido em 23/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 19/08/2011 por MARCELO OLIVEIRA Assinado digitalmente em 19/08/2011 por MARCELO OLIVEIRA Processo nº 12045.000433/200711 Acórdão n.º 230102.050 S2C3T1 Fl. 7 13 I do empregador, da empresa e da entidade a ela equiparada na forma da lei, incidentes sobre: (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 20, de 1998) a) a folha de salários e demais rendimentos do trabalho pagos ou creditados, a qualquer título, à pessoa física que lhe preste serviço, mesmo sem vínculo empregatício; (Incluído pela Emenda Constitucional nº 20, de 1998) (...) II do trabalhador e dos demais segurados da previdência social, não incidindo contribuição sobre aposentadoria e pensão concedidas pelo regime geral de previdência social de que trata o art. 201; (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 20, de 1998) (...) Art. 201. A previdência social será organizada sob a forma de regime geral, de caráter contributivo e de filiação obrigatória, observados critérios que preservem o equilíbrio financeiro e atuarial, e atenderá, nos termos da lei, a: (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 20, de 1998) (...) § 11. Os ganhos habituais do empregado, a qualquer título, serão incorporados ao salário para efeito de contribuição previdenciária e conseqüente repercussão em benefícios, nos casos e na forma da lei. (Incluído dada pela Emenda Constitucional nº 20, de 1998) Como se vê, a Constituição conferiu competência à União para instituir contribuição para financiar a seguridade social – incluída nesta a previdência social, conforme o caput do art. 194 – que pode incidir, no caso do empregador, sobre a folha de salários e demais rendimentos do trabalho; e, no caso, do trabalhador, sobre base de cálculo com relação à qual não houve expressa previsão de limites. Importante atentar para o fato de o §11º do art. 2001 ter autorizado a instituição de incidência da contribuição previdenciária sobre os ganhos habituais a qualquer título. Portanto, para as contribuições previdenciárias, temos que, desde de pelo menos a edição da emenda 20/98, a incidência destas estava autorizada, entre outros, para os seguintes fatos geradores: No caso dos empregadores, sobre a folha de salários e demais itens remuneratórios(rendimentos) pagos à pessoa física que lhe preste serviço, mesmo sem vínculo empregatício, bem como sobre os ganhos habituais do empregado pagos a qualquer título; No caso dos trabalhadores, não há expressa delimitação dos fatos geradores. Fl. 13DF CARF MF Emitido em 23/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 19/08/2011 por MARCELO OLIVEIRA Assinado digitalmente em 19/08/2011 por MARCELO OLIVEIRA 14 Como é cediço, a constituição apenas autoriza a criação de tributos, deixando para a Lei Ordinária do ente federativo a tarefa de criar a exação autorizada pelo Texto Magno. No caso das contribuições para a seguridade social é a Lei 8.212/91 que cumpre esse papel de forma mais específica, apesar de existirem outras contribuições destinadas a financiar a seguridade social criadas por outras leis(PIS, COFINS e CSLL, por exemplo). A referida lei determinou, em seu art. 11, que os empregadores, a quem denominou de empresas, seriam contribuintes de contribuições sociais “incidentes sobre a remuneração paga ou creditada aos segurados a seu serviço”(parágrafo único, alínea “a”)., sendo segurados aquelas pessoas enumeradas no art. 12. Para os trabalhadores, a lei definiu que a contribuição incidiria o saláriodecontribuição, sendo este definido no art. 28. A definição das hipóteses de incidência da contribuição das empresas é encontrada no art. 22, o qual em seus quatro incisos estabelece a incidência de uma contribuição previdenciária geral sobre a remuneração dos empregados, uma contribuição previdenciária relacionada aos riscos do trabalho, uma contribuição previdenciária sobre contribuintes individuais e uma contribuição previdenciária devida sobre pagamentos a cooperativas de trabalho. Interessanos para o momento a contribuição previdenciária das empresas cuja hipótese está presente no inciso I do art. 22, in verbis: Art. 22. A contribuição a cargo da empresa, destinada à Seguridade Social, além do disposto no art. 23, é de: I vinte por cento sobre o total das remunerações pagas, devidas ou creditadas a qualquer título, durante o mês, aos segurados empregados e trabalhadores avulsos que lhe prestem serviços, destinadas a retribuir o trabalho, qualquer que seja a sua forma, inclusive as gorjetas, os ganhos habituais sob a forma de utilidades e os adiantamentos decorrentes de reajuste salarial, quer pelos serviços efetivamente prestados, quer pelo tempo à disposição do empregador ou tomador de serviços, nos termos da lei ou do contrato ou, ainda, de convenção ou acordo coletivo de trabalho ou sentença normativa. (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999) Analisando o referido dispositivo, podemos constatar, portanto, que três são as hipóteses de incidência do inciso I: remunerações, ganhos habituais sobre a forma de utilidades e adiantamentos decorrentes de reajuste salarial. Logo, cabenos verificar se os pagamentos feitos pelo empregador a título de previdência complementar estão alcançados por algumas incidências do inciso I do art. 22. Para tanto, em obediência ao art. 110 do CTN, iremos buscar o alcance das expressões constantes em tais hipóteses de incidência na legislação trabalhista. Assim, remuneração será aquilo que a CLT assim o considera. Sistematizando o conteúdo dos arts. 457 e 458 do código Fl. 14DF CARF MF Emitido em 23/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 19/08/2011 por MARCELO OLIVEIRA Assinado digitalmente em 19/08/2011 por MARCELO OLIVEIRA Processo nº 12045.000433/200711 Acórdão n.º 230102.050 S2C3T1 Fl. 8 15 trabalhista, temos que remuneração é gênero do qual o salário lato sensu e as gorjetas são espécies. Ao seu turno, o salário lato sensu compreende o salário stricto sensu, as comissões, as porcentagens, as diárias e ajudas de custo que ultrapassam 50% do salário stricto sensu, as gratificações ajustadas, os abonos e as utilidades não excepcionadas pela lei trabalhista. A essa altura podemos concluir que as utilidades excepcionadas pela CLT não estão abrangidas pelo conceito de remuneração. No entanto, conforme esclarecido anteriormente, a Constituição autorizou a incidência da contribuição previdenciária não só sobre a remuneração como também sobre os ganhos habituais dos empregados a qualquer título, ao passo que a Lei 8.212/91 instituiu a incidência da contribuição das empresas sobre os ganhos habituais dos empregados sob a forma de utilidades. No que tange ao fornecimento de veículos e sua caracterização como salárioutilidade, o TST possui a Súmula 367 que esclarece em que situações os veículos fornecidos podem ser considerados como salárioutilidade. In verbis: Súmula TST 367 Utilidades "in natura". Habitação. Energia elétrica. Veículo. Cigarro. Não integração ao salário. I A habitação, a energia elétrica e veículo fornecidos pelo empregador ao empregado, quando indispensáveis para a realização do trabalho, não têm natureza salarial, ainda que, no caso de veículo, seja ele utilizado pelo empregado também em atividades particulares. II O cigarro não se considera salário utilidade em face de sua nocividade à saúde. O conteúdo da Súmula 367, portanto, o qual adotamos integralmente para o caso, exige que o fornecimento de veículos seja dispensável para a realização do trabalho. Tal circunstância, salvo a caracterização de fato notório, precisa ser provada pelo fisco, pois é este que alega a desnecessidade. A autoridade fiscal precisa carrear aos autos um conjunto probatório que demonstre a desnecessidade dos veículos para a realização do trabalho. Caracterizada a dispensabilidade, estará preenchido o requisito para a consideração do uso do veículo como salárioutilidade e , portanto, como elemento que compõe a remuneração. No caso em análise, o fisco não demonstrou a dispensabilidade dos veículos, limitandose a constatar o fornecimento destes. Assim, o lançamento não pode prevalecer nessa parte.” Apesar de tratar somente de fornecimento de veículos a segurados, o voto acima traz correta lição: cabe ao Fisco demonstrar a dispensabilidade dos salário utilidades fornecidos ao segurado. Perguntamos, será que telefonia móvel, veículo, combustível, estacionamento são itens dispensáveis à realização do trabalho nos dias atuais. A resposta é de fácil construção, Fl. 15DF CARF MF Emitido em 23/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 19/08/2011 por MARCELO OLIVEIRA Assinado digitalmente em 19/08/2011 por MARCELO OLIVEIRA 16 depende. Depende da função desempenhada, depende do horário utilizado, depende da dispensabilidade ou não do fornecimento do salário utilidade para a realização do trabalho. Por fim, como o Fisco não demonstrou a dispensabilidade do fornecimento desses salários utilidades e como cabe ao Fisco, por determinação legal, o perfeito enquadramento como fato gerador de obrigação tributária, nos termos do Art. 142 do CTN, o lançamento não pode prevalecer nessa parte. Portanto, dou provimento á esse argumento, para que se exclua do lançamento os valores oriundos de pagamentos de celular, estacionamento, combustível, aluguel de veículo à sócia gerente. Quanto ao auxílioalimentação oferecido aos segurados, a inscrição no Programa de Alimentação do Trabalhador é requisito essencial para que o benefício não integre a base de cálculo das contribuições previdenciárias. O inciso I do artigo 28 da Lei nº 8.212/1991, assim dispõe sobre o saláriodecontribuição: Art. 28. Entendese por saláriodecontribuição: I para o empregado e trabalhador avulso: a remuneração auferida em uma ou mais empresas, assim entendida a totalidade dos rendimentos pagos, devidos ou creditados a qualquer título, durante o mês, destinados a retribuir o trabalho, qualquer que seja a sua forma, inclusive as gorjetas, os ganhos habituais sob a forma de utilidades e os adiantamentos decorrentes de reajuste salarial, quer pelos serviços efetivamente prestados, quer pelo tempo à disposição do empregador ou tomador de serviços nos termos da lei ou do contrato ou, ainda, de convenção ou acordo coletivo de trabalho ou sentença normativa; (Redação dada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97). E o art. 458 da CLT assevera a natureza salarial do benefício. Logo, uma vez que se subsume ao conceito de saláriodecontribuição, somente outro dispositivo legal seria idôneo para o excluir da base de cálculo da contribuição: Art. 458. Além do pagamento em dinheiro, compreendese no salário, para todos os efeitos legais, a alimentação, habitação, vestuário ou outras prestações “in natura” que a empresa, por força do contrato ou do costume, fornecer habitualmente ao empregado. (...)Grifamos Assim o fez a Lei nº 8.212/91 em sua alínea “c”, do §9º do artigo 28; no entanto, somente para as empresas inscritas no Programa de Alimentação do Trabalhador: § 9º Não integram o saláriodecontribuição para os fins desta Lei, exclusivamente: (Redação dada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97). c) a parcela "in natura" recebida de acordo com os programas de alimentação aprovados pelo Ministério do Trabalho e da Previdência Social, nos termos da Lei nº 6.321, de 14 de abril de 1976; No caso sob exame, está demonstrado nos autos que durante o período a que se refere o lançamento da rubrica a recorrente não estava inscrita no programa e, portanto, o lançamento não deve ser retificado. Fl. 16DF CARF MF Emitido em 23/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 19/08/2011 por MARCELO OLIVEIRA Assinado digitalmente em 19/08/2011 por MARCELO OLIVEIRA Processo nº 12045.000433/200711 Acórdão n.º 230102.050 S2C3T1 Fl. 9 17 Insurgese a recorrente contra a aplicação da taxa SELIC ao argumento de que seria ilegal. Registrese, porque importante, que a legislação de regência, sobretudo a Lei nº 8.212/91, afasta literalmente os argumentos erguidos pelo recorrente. De fato, as contribuições sociais arrecadadas estão sujeitas à incidência da taxa referencial SELIC Sistema Especial de Liquidação e de Custódia, nos termos do artigo 34 da Lei nº 8.212/91: Art. 34. As contribuições sociais e outras importâncias arrecadadas pelo INSS, incluídas ou não em notificação fiscal de lançamento, pagas com atraso, objeto ou não de parcelamento, ficam sujeitas aos juros equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e de Custódia SELIC, a que se refere o art. 13 da Lei nº 9.065, de 20 de junho de 1995, incidentes sobre o valor atualizado, e multa de mora, todos de caráter irrelevável. (Restabelecido com redação alterada pela MP nº 1.571/97, reeditada até a conversão na Lei nº 9.528/97. A atualização monetária foi extinta, para os fatos geradores ocorridos a partir de 01/95, conforme a Lei nº 8.981/95. A multa de mora esta disciplinada no art. 35 desta Lei) A propósito, convém mencionar que o Segundo Conselho de Contribuintes aprovou a Súmula nº 03, nos seguintes termos: SÚMULA Nº 3 É cabível a cobrança de juros de mora sobre os débitos para com a União decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil com base na taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia – Selic para títulos federais. Nesse contexto, correta a aplicação da taxa SELIC como juros de mora, com fulcro na legislação. CONCLUSÃO Em razão do exposto, Voto pelo provimento parcial do recurso, para, no mérito, excluir do lançamento os pagamentos efetuados a pessoas jurídicas (conforme o disposto no Parecer Fiscal, fls. 0475, item 18) e os valores oriundos de pagamentos de celular, estacionamento, combustível, aluguel de veículo à sócia gerente, nos termos do voto. (assinado digitalmente) Marcelo Oliveira Fl. 17DF CARF MF Emitido em 23/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 19/08/2011 por MARCELO OLIVEIRA Assinado digitalmente em 19/08/2011 por MARCELO OLIVEIRA 18 Fl. 18DF CARF MF Emitido em 23/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 19/08/2011 por MARCELO OLIVEIRA Assinado digitalmente em 19/08/2011 por MARCELO OLIVEIRA
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Numero do processo: 10320.000277/2004-13
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu May 12 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Thu May 12 00:00:00 UTC 2011
Ementa: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física IRPF
Exercício: 2003
Ementa: DESPESA COM INSTRUÇÃO. COMPROVAÇÃO. O ônus de
comprovar o pagamento das despesas de instrução é do contribuinte, que deve apresentar, quando solicitado, os documentos de quitação dos pagamentos. Sem a apresentação dos comprovantes, justifica-se
a glosa das deduções pleiteadas a este título.
Recurso negado.
Numero da decisão: 2201-001.108
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade, negar provimento ao recurso.
Matéria: IRPF- auto de infração eletronico (exceto multa DIRPF)
Nome do relator: PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA
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ementa_s : Imposto sobre a Renda de Pessoa Física IRPF Exercício: 2003 Ementa: DESPESA COM INSTRUÇÃO. COMPROVAÇÃO. O ônus de comprovar o pagamento das despesas de instrução é do contribuinte, que deve apresentar, quando solicitado, os documentos de quitação dos pagamentos. Sem a apresentação dos comprovantes, justifica-se a glosa das deduções pleiteadas a este título. Recurso negado.
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Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade não conhecer do recurso. Ausência justificada da conselheira Janaína Mesquita Lourenço de Souza. (Assinado Digitalmente) Francisco Assis de Oliveira Júnior Presidente. (Assinado Digitalmente) Eduardo Tadeu Farah Relator. Participaram do presente julgamento, os Conselheiros: Pedro Paulo Pereira Barbosa, Eduardo Tadeu Farah, Guilherme Barranco de Souza, Gustavo Lian Haddad e Francisco Assis de Oliveira Júnior (Presidente). Ausente, justificadamente, a Conselheira Janaína Mesquita Lourenço de Souza. Fl. 56DF CARF MF Emitido em 19/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 06/04/2011 por EDUARDO TADEU FARAH Assinado digitalmente em 18/04/2011 por FRANCISCO ASSIS DE OLIVEIRA JU, 06/04/2011 por EDUARDO TADEU FARAH 2 Relatório Contra o contribuinte acima identificado foi lavrada Notificação de Lançamento (fls. 02/04), relativo ao Imposto de Renda Pessoa Física, exercício 2003, na qual se apurou crédito tributário no valor total de R$ 599,40. A fiscalização, por meio de revisão da Declaração de Ajuste Anual do contribuinte, apurou dedução indevida de despesa com instrução com dois dependentes. Cientificado do lançamento, o autuado apresentou tempestivamente Impugnação, alegando, que não ultrapassou nenhum limite, apenas utilizou o limite individual para dois dependentes. Por sua vez, a 3ª Turma de Julgamento da DRJ – Salvador/BA julgou procedente em parte o lançamento, consubstanciado na ementa abaixo transcrita: DEDUÇÕES. COMPROVAÇÃO. Comprovadas as deduções glosadas, cabe o seu restabelecimento. Lançamento Procedente em Parte Intimado da decisão de primeira instância em 22/02/1007 (fl. 32), o autuado apresenta Recurso Voluntário em 10/04/2007 (fl. 33), alegando que somente agora conseguiu a documentação que comprova ser portador de moléstia grave, conforme documentação da perícia médica em anexo. É o relatório. Voto Conselheiro EDUARDO TADEU FARAH, Relator Consta nos autos que o recorrente foi cientificado da decisão recorrida em 22/01/2007, uma segundafeira, conforme fl. 32. O Recurso Voluntário para este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais deveria ser apresentado no prazo máximo de trinta (30) dias, conforme prevê o artigo 33 do Decreto n° 70.235/1972. Considerando que 22/01/2007 foi uma segundafeira, dia de expediente normal na repartição de origem, o início da contagem do prazo começou a fluir a partir de 23/01/2007, uma terçafeira, primeiro dia útil após a ciência da decisão de primeiro grau, sendo que neste caso, o último dia para a apresentação do recurso seria 21/02/2007, uma quartafeira. Contudo, o Recurso Voluntário somente foi apresentado em 10/04/2007 (fl. 33), uma terçafeira, ou seja, setenta e sete (77) dias após a ciência da decisão do julgamento de Primeira Instância. Fl. 57DF CARF MF Emitido em 19/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 06/04/2011 por EDUARDO TADEU FARAH Assinado digitalmente em 18/04/2011 por FRANCISCO ASSIS DE OLIVEIRA JU, 06/04/2011 por EDUARDO TADEU FARAH Processo nº 10580.000835/200471 Acórdão n.º 220101.008 S2C2T1 Fl. 2 3 Portanto, se o sujeito passivo no prazo de trinta dias da intimação da ciência da decisão de primeira instância, não se apresentar ao processo para interpor Recurso Voluntário para o CARF Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, automaticamente, independente de qualquer ato, no trigésimo primeiro (31º) dia da data da intimação, ocorre à perempção. Por todo exposto, o Recurso Voluntário apresentado foi intempestivo. Nestes termos, não conheço do recurso. (Assinado Digitalmente) Eduardo Tadeu Farah Fl. 58DF CARF MF Emitido em 19/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 06/04/2011 por EDUARDO TADEU FARAH Assinado digitalmente em 18/04/2011 por FRANCISCO ASSIS DE OLIVEIRA JU, 06/04/2011 por EDUARDO TADEU FARAH
score : 1.0
Numero do processo: 10950.900785/2006-31
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu May 05 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Mon May 02 00:00:00 UTC 2011
Ementa: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO
Data do fato gerador: 15/05/2003
DESPACHO DECISÓRIO. TEMPESTIVIDADE. LITÍGIO.
INSTAURAÇÃO. DECISÃO RECORRIDA. NULIDADE
Provada a tempestividade da manifestação de inconformidade interposta pela
recorrente, anulase
a decisão de primeira instância que equivocadamente
dela não conheceu, para que outra seja proferida pela autoridade julgadora de
primeiro grau, enfrentando as questões de mérito, expendidas naquela
manifestação.
Numero da decisão: 3301-000.909
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade votos, dar provimento
ao recurso para anular o acórdão da DRJ que não conheceu da manifestação de
inconformidade, nos termos do voto do Relator. Fez sustentação pela parte a advogada Heloísa
Guarita Souza OAB/PR nº 16.597.
Nome do relator: JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS
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ementa_s : ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 15/05/2003 DESPACHO DECISÓRIO. TEMPESTIVIDADE. LITÍGIO. INSTAURAÇÃO. DECISÃO RECORRIDA. NULIDADE Provada a tempestividade da manifestação de inconformidade interposta pela recorrente, anulase a decisão de primeira instância que equivocadamente dela não conheceu, para que outra seja proferida pela autoridade julgadora de primeiro grau, enfrentando as questões de mérito, expendidas naquela manifestação.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 15/05/2003 DESPACHO DECISÓRIO. TEMPESTIVIDADE. LITÍGIO. INSTAURAÇÃO. DECISÃO RECORRIDA. NULIDADE Provada a tempestividade da manifestação de inconformidade interposta pela recorrente, anulase a decisão de primeira instância que equivocadamente dela não conheceu, para que outra seja proferida pela autoridade julgadora de primeiro grau, enfrentando as questões de mérito, expendidas naquela manifestação. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade votos, dar provimento ao recurso para anular o acórdão da DRJ que não conheceu da manifestação de inconformidade, nos termos do voto do Relator. Fez sustentação pela parte a advogada Heloísa Guarita Souza OAB/PR nº 16.597. Rodrigo da Costa Pôssas Presidente. José Adão Vitorino de Morais Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: José Adão Vitorino de Morais, Antônio Lisboa Cardoso, Maurício Taveira e Silva, Fábio Luiz Nogueira, Maria Teresa Martínez López e Rodrigo da Costa Pôssas. Fl. 99DF CARF MF Emitido em 18/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 13/05/2011 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS Assinado digitalmente em 13/05/2011 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, 08/06/2011 por RODRIGO DA COST A POSSAS 2 Relatório Tratase de recurso voluntário interposto contra decisão proferida pela DRJ Curitiba, PR, que não conheceu da manifestação inconformidade interposta contra despacho decisório que não homologou a compensação do débito fiscal vencido, declarado no Per/Dcomp transmitido na data de 13/08/2003, com crédito de PIS decorrente de pagamento a maior efetuado em 15/05/2003. A DRF não homologou a compensação do débito declarado sob o argumento de inexistência do crédito declarado, tendo em vista que o recolhimento alegado não foi localizado nos sistemas da Receita Federal. Cientificada do despacho decisório, inconformada, a recorrente interpôs a manifestação de inconformidade às fls. 12/14, insurgindo contra a nãohomologação da compensação do débito declarado, alegando razões assim sintetizadas por aquela DRJ: “a) argúi que declarou a compensação do débito de R$ 15.880,45 de PIS do mês de abril/2003 por meio do PER/DCOMP n° 35414.22800.140603.1.3.026050, com crédito de saldo negativo de IRPJ, o qual tem origem no PAF N° 10950.001228/200392 e foi homologado por meio do despacho decisório proferido em 20/04/2007; b) contudo, o valor efetivamente devido a título de PIS em abril/2003 era de R$ 7.017,46, cuja parcela de R$ 1.250,85 foi quitada mediante recolhimento por DARF, enquanto o saldo de R$ 5.766,61 o foi por meio de compensação vinculada ao PER/DCOMP 35414.22800.140603.1.3.026050; c) daí a razão de ter informado como crédito para compensação nos autos o valor de R$ 15.880,45, que corresponde à importância total passível de restituição, antes de qualquer dedução, inclusive do próprio PIS de abril/2003 (R$ 5.766,61); d) assim, o direito creditório de R$ 10.113,84 foi utilizado na DCOMP tratada nos autos (R$ 4.804,57) e na de n° 35527.13234.100903.1.3.049095 (R$ 5.309,27).” Recebida a manifestação de inconformidade, a DRJ Curitiba não a conheceu sob o fundamento de que foi apresentada fora do prazo legal, não se instaurando litígio, conforme acórdão nº 0625.517, datado de 06/05/2010, às fls. 74/75, sob a seguinte ementa: “MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE INTEMPESTIVA. EFEITOS. A manifestação de inconformidade apresentada fora do prazo legal é ineficaz para instauração da rase litigiosa do procedimento.” Cientificada dessa decisão, inconformada, a recorrente interpôs o recurso voluntário às fls. 81/89, requerendo o seu provimento, a fim de que se anule a decisão recorrida e determine à autoridade julgadora de primeira instância que profira nova decisão enfrentando as questões de mérito, expendidas na manifestação de inconformidade, alegando, em síntese que, ao contrário do entendimento daquela autoridade, a manifestação foi interposta tempestivamente, ou seja, dentro dos 30 (trinta) dias contados da ciência da intimação do Fl. 100DF CARF MF Emitido em 18/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 13/05/2011 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS Assinado digitalmente em 13/05/2011 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, 08/06/2011 por RODRIGO DA COST A POSSAS Processo nº 10950.900785/200631 Acórdão n.º 330100.909 S3C3T1 Fl. 94 3 despacho decisório, nos termos do Decreto nº 70.235, de 1972. Tomou ciência do despacho decisório na data de 03/06/2008 e não na data de 02/06/2008, considerada na decisão recorrida, conforme prova o extrato de rastreamento expedido pela Empresa de Correios e Telégrafos às fls. 41. Em 02/06/2008, o carteiro não encontrou ninguém para fazer a entrega, retornando no dia seguinte, 03/06/2008. É o relatório. Voto Conselheiro José Adão Vitorino de Morais O recurso apresentado atende aos requisitos de admissibilidade previstos no Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972. Assim, dele conheço. A questão de mérito se restringe à tempestividade ou não da manifestação de inconformidade interposta pela recorrente contra o despacho decisório que não homologou a compensação do débito fiscal declarado no Per/Dcomp nº 35527.13234.100903.1.3.049095 em discussão. A DRJ fundamentou sua decisão na cópia do documento às fls. 09, denominado “Histórico da(s) Comunicações”. Do seu exame, verificamos que nele constam: registros; situação; e data da entrega, respectivamente: a.1) 16/05/2008; a.2) aguardando envio de comunicação; a.3) N/A; b.1) 20/05/2008; b.2) aguardando retorno de AR; b.3) N/A; c.1) 21/05/2008; c.2) aguardando retorno de AR; c.3) N/A; e, d.1) 03/12/2008; d.2) entregue; d.3) 02/06/2008. Com base nesse documento, a DRJ considerou intempestiva a apresentação da manifestação de inconformidade e não a conheceu. No entanto, a recorrente carreou aos autos as cópias do “AR” de remessa postal do despacho decisório proferido pela DRF, às fls. 91, e do documento às fls. 41, denominado “CORREIOS RF76943107BR – Histórico do Objeto”, correspondente à postagem do despacho decisório proferido pela DRF em Maringá. Do exame deste, constatamos, dentre outros registros, os seguintes: 02/06/2008, destinatário ausente; e, 03/06/2008, entregue; já o “AR” às fls. 91 comprova que o despacho foi entregue em 03/06/2008. A Lei nº 9.430, de 27/12/1996, art. 74, que instituiu a compensação de créditos contra a Fazenda Nacional, mediante a entrega de Dcomp e/ ou transmissão de Per/Dcomp, assim dispõe, in verbis: “Art. 74. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . (...). § 7º Não homologada a compensação, a autoridade administrativa deverá cientificar o sujeito passivo e intimálo a efetuar, no prazo de 30 (trinta) dias, contado da ciência do ato que não a homologou, o pagamento dos débitos indevidamente compensados. Fl. 101DF CARF MF Emitido em 18/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 13/05/2011 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS Assinado digitalmente em 13/05/2011 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, 08/06/2011 por RODRIGO DA COST A POSSAS 4 (...). § 9º É facultado ao sujeito passivo, no prazo referido no § 7º, apresentar manifestação de inconformidade contra a não homologação da compensação. § 11. A manifestação de inconformidade e o recurso de que tratam os §§ 9º e 10 obedecerão ao rito processual do Decreto no 70.235, de 6 de março de 1972, e enquadramse no disposto no inciso III do art. 151 da Lei no 5.172, de 25 de outubro de 1966 Código Tributário Nacional, relativamente ao débito objeto da compensação. (...).” No presente caso, conforme demonstrado anteriormente, a recorrente foi intimada do despacho decisório proferido pela DRF na data de 03/06/2008 (fls. 91) e postou na data de 03/07/2008, na agência dos Correios em Curitiba, a respectiva manifestação de inconformidade, segundo prova a cópia do envelope Sedex às fls. 10 e também consta da decisão recorrida. Como a recorrente postou a manifestação de inconformidade dentro do prazo de 30 (trinta) dias estabelecidos naquele diploma legal, não há que se falar em intempestividade. Em face do exposto e de tudo o mais que dos autos consta, dou provimento ao recurso voluntário para reconhecer a tempestividade da manifestação de inconformidade interposta pela recorrente contra o despacho decisório proferido pela DRF em Maringá, anular a decisão recorrida e determinar o retorno dos autos à DRJ de origem para proferir nova decisão enfrentando as questões de mérito expendidas naquela manifestação. José Adão Vitorino de Morais Relator Fl. 102DF CARF MF Emitido em 18/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 13/05/2011 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS Assinado digitalmente em 13/05/2011 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, 08/06/2011 por RODRIGO DA COST A POSSAS
score : 1.0
Numero do processo: 10240.001665/2006-65
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Aug 10 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Wed Aug 10 00:00:00 UTC 2011
Ementa: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL
Ano-calendário: 1997, 1998, 1999, 2000, 2001
PEREMPÇÃO. RECURSO VOLUNTÁRIO NÃO CONHECIDO.
Tendo sido apresentado o recurso voluntário após o encerramento do prazo legal, não pode o mesmo ser conhecido.
Numero da decisão: 3201-000.743
Decisão: ACORDAM os membros da 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Terceira Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso voluntário.
Matéria: PIS - ação fiscal (todas)
Nome do relator: Marcelo Ribeiro Nogueira
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RECURSO VOLUNTÁRIO NÃO CONHECIDO. Tendo sido apresentado o recurso voluntário após o encerramento do prazo legal, não pode o mesmo ser conhecido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Terceira Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso voluntário. JUDITH DO AMARAL MARCONDES ARMANDO Presidente. Marcelo Ribeiro Nogueira Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luis Eduardo Garrossino Barbieri, Robson José Bayerl (Suplente), Daniel Mariz Gudino e Luciano Lopes de Almeida Moraes. Ausente justificadamente a Conselheira Mércia Helena Trajano D'Amorim. Esteve presente a Procuradora da Fazenda Nacional. Relatório Adoto o relatório da decisão de primeira instância por entender que o mesmo resume bem os fatos dos autos até aquele momento processual: Fl. 1DF CARF MF Emitido em 06/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 06/10/2011 por MARCELO RIBEIRO NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 06/10/ 2011 por MARCELO RIBEIRO NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 17/10/2011 por JUDITH DO AMARAL MARCONDE S ARM 2 Trata o presente processo de auto de infração de PIS (fls. 03 14), dos anos calendário 1997, 1998, 1999, 2000 e 2001, no valor de R$ 81.760,89, já compreendendo o principal, a multa de oficio e os juros de mora calculados até 30.11.2006, com ciência do sujeito passivo em 29.12.2006. A suposta infração foi relativa a diferença apurada entre o valor escriturado e o declarado/pago. 2. Tal lançamento ocorreu depois de nulidade do lançamento originário, decidida pela 3a Turma da DRJ/BEL, por meio do Acórdão n° 017.130, de 07.11.2006, no Processo n° 10240.001337/200316 (apensado). 3. Em 26.01.2007, inconformado com a segunda autuação, o sujeito passivo apresentou nova impugnação (fls. 7481) alegando: a) Esse procedimento fiscal é decorrência do processo relativo ao IRPJ e, portanto, aplicase ao presente, por decorrência, o que for decidido no processo matriz. Os anexos demonstrativos das compensações e comprovações estão demonstrados em Anexos no processo principal, ao qual ora se reporta. b) Os levantamentos fiscais originais que dão uma falsa aparência de criteriosos, na verdade, decorrem de um excesso de rigor fiscal, porém estão eivados de inconsistências fáticas, técnicas e jurídicas. c) O lançamento originário em 09.12.2003 já estava decaído em relação períodos até novembro de 1998. d) Aduziu decisões administrativas e judiciais. e) As receitas financeiras não compõem a base de cálculo determinada pela Lei n° 9.718/1998, pois o seu §1° do artigo 3° foi declarado inconstitucional pelo Supremo Tribunal Federal RE 3460846. f) A autuação é muito confusa o que prejudica imensamente a defesa e o entendimento do levantamento fiscal. g) O contribuinte presta serviços para órgãos públicos onde ocorrem as retenções na fonte de PIS e COFINS. Assim, não havia razão para se apurar diferenças nesses tributos. h) Os auditores não consideraram a atualização, mas apenas os valores nominais e, ainda, parte desses valores, ou seja, desconsideraram algumas quantias. i) O auditor incidiu em contradição, pois, ao autuar as receitas financeiras, tributaram os valores relativos à "correção pela Selic das retenções fiscais" e, no entanto, ao compensar as retenções com o devido, já não mais admitiram tal correção, considerandoa pelo valor nominal. j) A contribuinte elaborou o Anexo I, demonstrando os valores contabilizados pelo contribuinte e que foram corretamente por Fl. 2DF CARF MF Emitido em 06/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 06/10/2011 por MARCELO RIBEIRO NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 06/10/ 2011 por MARCELO RIBEIRO NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 17/10/2011 por JUDITH DO AMARAL MARCONDE S ARM Processo nº 10240.001665/200665 Acórdão n.º 3201000.743 S3C2T1 Fl. 155 3 ele compensados, o que evidencia o equívoco do levantamento fiscal. 4. Por fim, pugnou pela improcedência do lançamento. 5. É o relatório. A decisão recorrida recebeu de seus julgadores a seguinte ementa: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 1997, 1998, 1999, 2000, 2001 DECISÕES ADMINISTRATIVAS. EFEITOS. São improfícuos os julgados administrativos trazidos pelo sujeito passivo, pois tais decisões não constituem normas complementares do Direito Tributário, já que foram proferidas por órgãos colegiados sem, entretanto, uma lei que lhes atribuísse eficácia normativa, como é exemplo a edição de súmula administrativa, na forma do artigo 26A do Decreto 70.235/1972 (incluído pela Lei n° 11.196/2005). DECISÕES JUDICIAIS. EFEITOS. É vedada a extensão administrativa dos efeitos de decisões judiciais, quando comprovado que o contribuinte não figurou como parte na referida ação judicial. ENTENDIMENTO DOMINANTE DOS TRIBUNAIS SUPERIORES. VINCULAÇÃO DA ADMINISTRATIVA. A autoridade julgadora administrativa não se encontra vinculada ao entendimento dos Tribunais Superiores pois não faz parte da legislação tributária de que fala o artigo 96 do Código Tributário Nacional, desde que não tenha gerado uma súmula vinculante, nos termos da Emenda Constitucional n.° 45, DOU de 31/12/2004. INCONSTITUCIONALIDADE. ILEGALIDADE. PRESUNÇÃO DE LEGITIMIDADE. A autoridade administrativa não possui atribuição para apreciar a argüição de inconstitucionalidade ou de ilegalidade de dispositivos legais. As leis regularmente editadas segundo o processo constitucional gozam de presunção de constitucionalidade e de legalidade até decisão em contrário do Poder Judiciário, tomada em controle concentrado. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Anocalendário: 1997, 1998, 1999, 2000, 2001 DECADÊNCIA. CONTRIBUIÇÃO SOCIAL. DEZ ANOS. O direito da Seguridade Social apurar e constituir seus créditos extinguese após dez anos contados do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o crédito poderia ter sido constituído. RETENÇÃO POR ÓRGÃO PUBLICO. ÔNUS DA PROVA. CONTRIBUINTE. O contribuinte possui o ônus probatório de apresentar os comprovantes de retenção por órgãos públicos. TRIBUTAÇÃO REFLEXA. DIFERENÇA ENTRE Fl. 3DF CARF MF Emitido em 06/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 06/10/2011 por MARCELO RIBEIRO NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 06/10/ 2011 por MARCELO RIBEIRO NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 17/10/2011 por JUDITH DO AMARAL MARCONDE S ARM 4 O ESCRITURADO E O DECLARADO/PAGO. Não há tributação reflexa quando a infração resulta de de diferença entre o valor escriturado e declarado/pago. Lançamento Procedente O contribuinte, restando inconformado com a decisão de primeira instância, apresentou recurso voluntário no qual ratifica e reforça os argumentos trazidos em sua peça de impugnação. Os autos foram enviados a este Conselho e fui designado como relator do presente recurso voluntário, na forma regimental, tendo requisitado a sua inclusão em pauta para julgamento. É o Relatório. Voto Conselheiro Marcelo Ribeiro Nogueira Preliminarmente, verificase às fls. Dos autos o seguinte: Tendo em vista apresentação de recurso voluntário pelo contribuinte, juntado como fls. 130/152, proponho o encaminhamento do presente processo ao Primeiro Conselho de Contribuintes, para análise. Vale esclarecer que a correspondência enviada à empresa, relativa a intimação que daria ciência da decisão de 1a instância, foi devolvida pelos Correios com a justificativa "ausente" (fl. 114). A nova correspondência foi enviada para o sócio representante da empresa que consta nos cadastros deste órgão, sendo a mesma devolvida com a justificativa "recusado" (fl. 120). Diante das tentativas infrutíferas, procedeuse a afixação do edital cientificando o contribuinte da decisão ora combatida. Verificase, ainda, às fls. 121, que o edital a que se refere o despacho acima transcrito foi 16 de janeiro de 2008 e o recurso voluntário correspondente foi protocolado em 02 de maio de 2008, ou seja, muito depois de passado o prazo legal para sua interposição. A alegação trazida no recurso voluntário de que a recorrente continua sediada no mesmo endereço não explica a recusa na recepção da correspondência que visava sua intimação por via de correio, nem sua apontada ausência. Fl. 4DF CARF MF Emitido em 06/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 06/10/2011 por MARCELO RIBEIRO NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 06/10/ 2011 por MARCELO RIBEIRO NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 17/10/2011 por JUDITH DO AMARAL MARCONDE S ARM Processo nº 10240.001665/200665 Acórdão n.º 3201000.743 S3C2T1 Fl. 156 5 Desta forma, VOTO por não conhecer do recurso voluntário. MARCELO RIBEIRO NOGUEIRA relator Fl. 5DF CARF MF Emitido em 06/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 06/10/2011 por MARCELO RIBEIRO NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 06/10/ 2011 por MARCELO RIBEIRO NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 17/10/2011 por JUDITH DO AMARAL MARCONDE S ARM
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Numero do processo: 10245.900320/2009-99
Turma: Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Aug 04 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Thu Aug 04 00:00:00 UTC 2011
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ
Data do Fato Gerador: 31/03/2003
OMISSÃO DA DECISÃO RECORRIDA. NULIDADE. POSSIBILIDADE DE DECIDIR O MÉRITO A FAVOR DO SUJEITO PASSIVO. Não se pronuncia a nulidade de ato cuja omissão deveria ser suprida quando é possível decidir o mérito a favor de quem aproveitaria a declaração de nulidade.
DCOMP. ANÁLISE MEDIANTE PROCESSAMENTO ELETRÔNICO DE INFORMAÇÕES DISPONÍVEIS NOS BANCOS DE DADOS DA RECEITA FEDERAL. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. DARF VINCULADO A DÉBITO DECLARADO EM DCTF. DÉBITO MENOR INFORMADO EM DIPJ ANTES DA APRECIAÇÃO DA
COMPENSAÇÃO. Não subsiste o ato de não-homologação de compensação
que deixa de ter em conta informações prestadas espontaneamente pelo sujeito passivo em DIPJ e que confirmam a existência do indébito informado na DCOMP.
Numero da decisão: 1101-000.547
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em DAR
PROVIMENTO ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente
julgado. Votou pelas conclusões o Conselheiro Carlos Eduardo de Almeida Guerreiro, que fez
declaração de voto.
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LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Data do Fato Gerador: 31/03/2003 OMISSÃO DA DECISÃO RECORRIDA. NULIDADE. POSSIBILIDADE DE DECIDIR O MÉRITO A FAVOR DO SUJEITO PASSIVO. Não se pronuncia a nulidade de ato cuja omissão deveria ser suprida quando é possível decidir o mérito a favor de quem aproveitaria a declaração de nulidade. DCOMP. ANÁLISE MEDIANTE PROCESSAMENTO ELETRÔNICO DE INFORMAÇÕES DISPONÍVEIS NOS BANCOS DE DADOS DA RECEITA FEDERAL. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. DARF VINCULADO A DÉBITO DECLARADO EM DCTF. DÉBITO MENOR INFORMADO EM DIPJ ANTES DA APRECIAÇÃO DA COMPENSAÇÃO. Não subsiste o ato de nãohomologação de compensação que deixa de ter em conta informações prestadas espontaneamente pelo sujeito passivo em DIPJ e que confirmam a existência do indébito informado na DCOMP. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em DAR PROVIMENTO ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. Votou pelas conclusões o Conselheiro Carlos Eduardo de Almeida Guerreiro, que fez declaração de voto. (documento assinado digitalmente) VALMAR FONSECA DE MENEZES Presidente. Fl. 66DF CARF MF Emitido em 28/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 25/08/2011 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 25/08/2011 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 29/08/2011 por CARLOS EDUARDO DE ALMEIDA GUER, Ass inado digitalmente em 26/09/2011 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 10245.900320/200999 Acórdão n.º 110100.547 S1C1T1 Fl. 65 2 (documento assinado digitalmente) EDELI PEREIRA BESSA Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Valmar Fonseca de Menezes (presidente da turma), José Ricardo da Silva (vicepresidente), Edeli Pereira Bessa, Benedicto Celso Benício Júnior, Carlos Eduardo de Almeida Guerreiro e Sérgio Luiz Bezerra Presta. Fl. 67DF CARF MF Emitido em 28/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 25/08/2011 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 25/08/2011 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 29/08/2011 por CARLOS EDUARDO DE ALMEIDA GUER, Ass inado digitalmente em 26/09/2011 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 10245.900320/200999 Acórdão n.º 110100.547 S1C1T1 Fl. 66 3 Relatório VIMEZER FORNC. DE SERV. LTDA, já qualificada nos autos, recorre de decisão proferida pela 3ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento de Belém/PA que, por unanimidade de votos, julgou IMPROCEDENTE a manifestação de inconformidade interposta contra despacho decisório que não homologou compensação declarada sob nº 22155.90206.070906.1.7.041009, na qual foi utilizado crédito de R$ 23,09, apurado em recolhimento de IRPJ (código 2089), realizado em 30/04/2003 e relativo à apuração de 31/03/2003. Constou do referido despacho decisório que o recolhimento apontado foi localizado, mas já havia sido utilizado integralmente para quitação de débito do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. Em sua manifestação de inconformidade, a contribuinte informou que o débito apurado no período em questão constou de DIPJ retificadora e foi recolhido a maior, ensejando a apuração de indébito utilizado na compensação questionada. Argumentou que a afirmação fiscal, no sentido de que o pagamento foi integralmente utilizado para quitação de débito, deixou dúvida quanto a origem do débito considerado como quitado. Acrescentou que a simples falha no preenchimento das declarações não afasta em hipótese alguma a existência do direito material em relação à compensação, e que as informações apresentadas nas peculiares declarações permitiriam a confirmação do crédito utilizado. Discorre sobre o conceito de compensação e afirma que além de ter oferecido indevidamente valores a tributação, não se creditou de valores que foram devidamente retidos na fonte pelas fontes pagadoras, conforme documento anexado e evidenciado quando da exposição dos fatos. Daí a utilização do crédito para compensação de débitos próprios do impugnante, e que também são administrados pela Receita Federal. Ressalta que o crédito utilizado não se enquadra em qualquer das hipóteses do art. 74, §12 da Lei nº 9.430/96, e afirma ter demonstrado a insubsistência e total improcedência do Despacho Decisório. A Turma julgadora rejeitou estes argumentos, acolhendo o voto condutor da decisão recorrida que, depois de destacar o efeito extintivo da Declaração de Compensação DCOMP, e a sua homologação tácita depois de transcorridos cinco anos de sua entrega, de modo a caracterizar a compensação como um procedimento efetivado pelo próprio contribuinte, sujeito apenas à posterior homologação pelo Fisco, de forma expressa ou tácita, assim abordou a defesa da interessada: • (...) a interessada indicou como crédito a compensar aquele constante de DARF relativo à receita de código 2089, do período de apuração de 31/03/2003. Ocorre que em consulta aos sistemas da Receita Federal do Brasil (telas impressas de fls. 34/36) verificase que o referido DARF encontrase inteiramente alocado a débito informado pelo próprio sujeito Fl. 68DF CARF MF Emitido em 28/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 25/08/2011 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 25/08/2011 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 29/08/2011 por CARLOS EDUARDO DE ALMEIDA GUER, Ass inado digitalmente em 26/09/2011 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 10245.900320/200999 Acórdão n.º 110100.547 S1C1T1 Fl. 67 4 passivo em Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais (DCTF), não existindo, por conseguinte, crédito a compensar. • (...) o crédito tributário resulta constituído não somente pelo lançamento, mas também nas hipóteses de confissão de dívida previstas pela legislação tributária, como se dá no caso de entrega da DCTF. Com efeito, o valor informado na DCTF, por decorrer de uma confissão do contribuinte, pode ser encaminhado à divida ativa da União sem que se faça necessário o lançamento de ofício. O valor confessado faz prova contra o contribuinte. Logo, se o valor declarado (confessado) em DCTF é igual ou maior que o valor pago, a conclusão imediata é que não há valor a restituir ou compensar, pois o próprio contribuinte está informando que efetuou um pagamento igual ou menor ao confessado. • (...) é condição necessária – embora não suficiente – a que o sujeito passivo pleiteie o reconhecimento de direito creditório referente a débito confessado em DCTF a apresentação prévia de nova declaração, retificando a confissão anterior. E nos termos da legislação que rege a matéria, a alteração de informações prestadas em DCTF efetuase mediante apresentação de DCTF retificadora, elaborada com observância das mesmas normas estabelecidas para a declaração retificada. • (...) a desconstituição do crédito confessado em DCTF não depende apenas da apresentação de DCTFRetificadora, mas igualmente da comprovação inequívoca, por meio de documentos hábeis e idôneos, de que houve pagamento indevido ou a maior. (...) • (...) No caso concreto, como permanece válida a confissão de dívida originalmente efetuada pela contribuinte, haja vista a não apresentação, ao que consta dos autos, de DCTFRetificadora, resulta notória a impossibilidade de ser acolhida sua pretensão. (...) em se tratando de pedido de restituição o contribuinte figura como titular da pretensão e, como tal, possui o ônus de prova quanto ao fato constitutivo de seu direito. Em outras palavras, o sujeito passivo possui o encargo de apresentação de documentos comprobatórios de seu direito creditório, por ter sido ele quem inaugurou o procedimento administrativo. • Citando os arts. 15 e 16, inciso III, do Decreto nº 70.235/72, destacou ser ônus do sujeito passivo trazer aos autos administrativos, já com sua peça impugnatória, as provas cuja produção encontrese em sua esfera de responsabilidade. Cientificada da decisão de primeira instância em 23/02/2011 (p. 43 dos autos digitalizados), a contribuinte interpôs recurso voluntário, tempestivamente, em 15/03/2011 (fls. 44/57 dos autos digitalizados). Argumenta que a constituição do crédito tributário por meio de DIPJ ou DCTF é provisória, e somente se torna definitiva com a homologação, sendo que, em caso de retificação da declaração antes desta homologação, seu objeto passa a ser o valor retificado. E, ressaltando que a constituição do crédito tributário por meio de DCTF não exclui a constituição por meio de DIPJ retificadora, e citando o art. 1o da Instrução Normativa SRF nº 166/99, a recorrente discorda da afirmação, contida na decisão recorrida, de que o crédito tributário resulta constituído com a apresentação da DCTF. Fl. 69DF CARF MF Emitido em 28/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 25/08/2011 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 25/08/2011 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 29/08/2011 por CARLOS EDUARDO DE ALMEIDA GUER, Ass inado digitalmente em 26/09/2011 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 10245.900320/200999 Acórdão n.º 110100.547 S1C1T1 Fl. 68 5 Assevera, também, que o ônus de aprovar ou não a compensação é do Fisco, cabendolhe questionar as informações veiculadas em declarações retificadoras, e exigir a apresentação de documentos comprobatórios, na medida em que não é permitido à contribuinte juntar estes elementos no momento da retificação. Enquanto o Fisco assim não procede, os valores declarados estarão revestidos de veracidade. Reconhece que a prova é de quem alega, mas, na constituição do crédito tributário mediante entrega de declaração, as provas devem ser guardadas na forma do art. 37 da Lei nº 9.430/96, durante o prazo em que o Fisco pode examinálas. Menciona, também, que a autoridade julgadora não atentou para o disposto no art. 9o do Decreto nº 70.235/72, que exige a juntada dos elementos comprobatórios do ilícito para formalização da exigência de crédito tributário, atuando de forma parcial de modo a, apenas, ratificar as decisões dos agentes fiscais. Esclarece que a afirmação fiscal de que o pagamento foi integralmente utilizado para quitação de débitos declarados somente é verdadeira de desconsiderada a retificação da DIPJ. Acrescenta que a declaração retificadora foi juntada à impugnação, mas que em momento algum foi mencionada no relatório, como sendo uma prova sem valor, e não motivando o julgador, apresentando as razões que o levaram à aparente glosa injustificada. Reitera que, enquanto não promovida qualquer glosa em face da declaração apresentada, esta subsiste como prova do crédito alegado. E, ainda que a declaração não tivesse sido juntada, na medida em que ela está sob guarda do Fisco, caberia à autoridade julgadora comprovar se a documentação de renda apresentada está em conformidade com o que fora apresentado à época. Aduz que a autoridade julgadora deveria, ao menos, ter procedido a uma diligência para confirmação destas informações, ao invés de optar pela omissão e glosa arbitrária. Conclui estar provado que a argumentação apresentada, no despacho decisório e corroborada pelo órgão julgador de primeira instância, é fraca e insubsistente, pois não respeitou as regras legais consagradas nos diplomas legais, dentre as quais a devida motivação, juntada de provas que corroborem o despacho (Dec. 70.235/72), e negligência na análise das provas carreadas pela Recorrente aos autos, como a ventilada Declaração de Renda Retificadora. Transcrevendo os dispositivos legais que regem a compensação no âmbito da Receita Federal, reafirma a necessidade de motivação e de provas para a nãohomologação da compensação, citando também dispositivos da Lei nº 9.784/99. Novamente menciona a necessidade de que o Fisco intime a contribuinte a apresentar as provas que não foram juntadas à declaração retificadora, e a prevalência das informações nela prestadas enquanto não questionadas. Reportase, também, às hipóteses nas quais a compensação é considerada não declarada (art. 74, §12 da Lei nº 9.430/96), para afirmar que não se consegue verificar no despacho decisório, nem as provas colacionadas e nem qual das hipóteses elencadas na lei que fora firmada a decisão, ou seja, com base em que regra legal a decisão está embasa (sic). Afirma que dentre as hipóteses previstas no referido dispositivo não se encontra o fato de o pagamento estar vinculado a débito declarado em DCTF, alegado pela autoridade julgadora. Destaca, mais uma vez, que a autoridade julgadora ignorou a DIPJ retificadora, e discorda da prevalência da declaração retificada, pois nada na legislação permite Fl. 70DF CARF MF Emitido em 28/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 25/08/2011 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 25/08/2011 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 29/08/2011 por CARLOS EDUARDO DE ALMEIDA GUER, Ass inado digitalmente em 26/09/2011 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 10245.900320/200999 Acórdão n.º 110100.547 S1C1T1 Fl. 69 6 concluir que erro de procedimento do contribuinte resultasse na glosa de um direito líquido e certo. Reafirma a validade do que contido na DIPJ retificadora depois de transcorridos cinco anos de sua entrega, e a necessidade de, na dúvida, se decidir em favor do contribuinte, que figura como parte hipossuficiente na relação jurídica. Quanto à menção à necessidade de DCTF retificadora, a recorrente aduz que não pode o julgador analisar algo, não carreados nos autos pelas partes, sem com isso avaliar as provas trazidas aos autos e anexas ao mesmo (sic). Reafirma as evidências do crédito presentes na DIPJ retificadora e na DCOMP, a possibilidade que tinha o Fisco de exigirlhe as demais provas necessárias, e, mais à frente, acrescenta que não foi apresentada a fundamentação legal para a exigência veiculada na decisão recorrida. Questiona se a DIPJ retificadora e a DCOMP nada valem na análise, e novamente aborda o ônus da prova, destacando que tem o dever de guarda, e não de juntada de provas como cópias de livros contábeis ou de demonstrações contábeis. Quanto aos arts. 15 e 16 do Decreto nº 70.235/72, acrescenta que poderia apresentar sua documentação contábil à época da elaboração do despacho decisório, mas ela não lhe foi requerida. Pede, assim, um julgamento eqüidistante e que, se for necessário que seja corrigido o despacho decisório, determinando que o agente fiscal intime a Recorrente para apresentar os livros, se não considerar válido os créditos pretendidos. Que aplique a multa em caso da não apresentação das retificadoras de forma correta, conforme preceitua a lei, mas que o faça sob a égide da lei, respeitando o princípio da legalidade e motivação, peculiares ao procedimento administrativo. Invoca a aplicação do art. 37 da Constituição Federal e do art. 2o da Lei nº 9.784/99, e cita excertos da obra de Celso Antonio Bandeira de Mello, para concluir que o despacho estava divorciado com o regramento legal. Acrescenta que no caderno processual administrativo, não se encontra carreados elementos que fundamentam a decisão do agente fiscal (sic). Complementa que a decisão recorrida foi omissa quanto à apreciação do fato da Recorrente ter informado DIPJRetificadora e ter anexado a presente, ofendendo o disposto no art. 31 do Decreto nº 70.235/72. Na medida em que os agentes fiscais não questionaram as informações prestadas nesta declaração, uma vez apresentada esta prova pela contribuinte, o ônus de desconstituila passa ao Fisco. Por fim, aborda os efeitos das declarações retificadoras, reportase ao dever de retificar a DCTF quando retificada a DIPJ (art. 18 da Medida Provisória nº 2.18949/2001 e arts. 1o e 4o da Instrução Normativa SRF nº 166/99), mas aduz que o descumprimento desta norma não tem como penalidade a perda do crédito, até porque o próprio art. 2o, inciso II da Instrução Normativa SRF nº 166/99 reconhece os efeitos da retificação da DIPJ para fins de restituição. Fl. 71DF CARF MF Emitido em 28/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 25/08/2011 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 25/08/2011 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 29/08/2011 por CARLOS EDUARDO DE ALMEIDA GUER, Ass inado digitalmente em 26/09/2011 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 10245.900320/200999 Acórdão n.º 110100.547 S1C1T1 Fl. 70 7 Voto Conselheira EDELI PEREIRA BESSA A contribuinte alegou, em sua impugnação, que teria informado, em DIPJ, apuração de IRPJ em valor inferior ao recolhimento de R$ 63.287,78, confirmado na análise eletrônica da DCOMP nº 22155.90206.070906.1.7.041009. Embora tenha juntado à sua defesa cópia da apuração de outro período, confirmase nos sistemas informatizados da Receita Federal que, no período indicado na DCOMP, constou de declaração retificadora apresentada em 25/11/2005, e processada sob nº 1276351, a apuração de IRPJ incidente sobre o Lucro Presumido no valor de R$ 61.575,20. Tais elementos confirmam a alegação de que a retificação de DIPJ promovida pela recorrente evidencia pagamento a maior de IRPJ no valor de R$ 1.712,58, utilizado parcialmente na compensação aqui tratada. Relevante anotar que tal indébito foi também utilizado na DCOMP nº 11507.53586.290906.1.7.042072 (processo administrativo nº 10245.900213/200961), pelo valor de R$ 1.689,51, o qual, somado ao indébito aqui utilizado (R$ 23,09), não supera o pagamento a maior verificado pela diferença entre o débito informado na DIPJ Retificadora (R$ 61.575,20) e o valor principal recolhido (1 quota(s) de R$ 63.287,78). Cabe esclarecer, ainda, que a interessada também formalizou compensações de indébitos apurados em recolhimentos de COFINS e Contribuição ao PIS, as quais restaram, de igual forma, não homologadas, resultando em litígios já apreciados, em sua quase totalidade, pela 3a Seção de Julgamento deste Conselho, cuja 1ª Turma Ordinária da 4ª Câmara, por meio dos Acórdãos nº 340101.262 a 340101.317, e 340101.365 a 340101.384, acolheu, à unanimidade, o voto do I. Conselheiro Emannuel Carlos Dantas de Assis, que concluiu pela nulidade da decisão recorrida com base nos seguintes fundamentos: Apesar de a Manifestação de Inconformidade estar centrada na existência de DIPJ retificadora, o acórdão recorrido tratou apenas da DCTF. Considerando que esta não foi retificada e seu valor coincide com o do recolhimento, julgou improcedente a inconformidade sem ao menos fazer menção à retificação da DIPJ. O voto nem ao menos cita a retificação da DIPJ, que para mim é tema crucial para o deslinde do litígio. Seria irrelevante a retificação? A DIPJ retificada deve ser confrontada com a DCTF ou, sem a retificação desta, deve ser simplesmente desprezada? A circunstância de a retificação ter sido anterior à DCOMP tem alguma importância? São indagações a serem respondidas, de modo a completar a fundamentação do acórdão recorrido. Houve, então, omissão do acórdão recorrido, no que desprezou por completo a retificação da DIPJ. E como essa omissão caracteriza preterição do direito de defesa, nos termos do art. 59, II, do Decreto nº 70.235/72, necessita ser sanada, sob pena de supressão de instância. Diante da possibilidade deste Colegiado decidir em desfavor da Recorrente, se considerar que a DCTF (não retificada) deve prevalecer sobre a DIPJ retificadora, apresentase inaplicável o § 3º do art. 59 do Decreto nº 70.235/72.1 Fl. 72DF CARF MF Emitido em 28/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 25/08/2011 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 25/08/2011 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 29/08/2011 por CARLOS EDUARDO DE ALMEIDA GUER, Ass inado digitalmente em 26/09/2011 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 10245.900320/200999 Acórdão n.º 110100.547 S1C1T1 Fl. 71 8 Para a correição do feito fazse necessário que a DRJ trate da retificação da DIPJ, podendo, se julgar pertinente, determinar diligência visando investigar os valores informados pela Recorrente. Afinal, a confissão em DCTF é relativa e admite provas em contrário, cabendo ainda admitir sua retificação se demonstrado, pelo contribuinte, que os valores nela consignados são superiores aos realmente devidos. Para verificação desses valores, pode ser conveniente análise da contabilidade, da escrita fiscal e de documentos fiscais dos perídos em questão. De todo modo, a retificação da DIPJ há de analisada pela DRJ – com ou sem realização de diligência, ao seu juízo, que deve produzir novo acórdão em substituição ao ora anulado. Pelo exposto, voto por anular o acórdão recorrido para que a primeira instância o complemente, pronunciandose, também, sobre a DIPJ retificadora. Em seguida ao novo acórdão a ser prolatado deve ser reaberto o prazo para eventual recurso voluntário, tudo conforme o rito do Decreto nº 70.235/72. Contudo, ante a confirmação, junto aos sistemas da Receita Federal, das informações alegadas pela recorrente em sua impugnação, vislumbrase aqui a possibilidade de aplicação do art. 59, §3o do Decreto nº 70.235/72, in verbis: Art. 59. São nulos: I os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. § 1º A nulidade de qualquer ato só prejudica os posteriores que dele diretamente dependam ou sejam conseqüência. § 2º Na declaração de nulidade, a autoridade dirá os atos alcançados, e determinará as providências necessárias ao prosseguimento ou solução do processo. § 3º Quando puder decidir do mérito a favor do sujeito passivo a quem aproveitaria a declaração de nulidade, a autoridade julgadora não a pronunciará nem mandará repetir o ato ou suprirlhe a falta. (Parágrafo acrescentado pela Lei nº 8.748, de 9.12.1993) Isto porque estáse diante de uma DCOMP analisada mediante processamento eletrônico de informações disponíveis nos bancos de dados da Receita Federal, relativamente à qual se entendeu desnecessária uma apreciação mais aprofundada ou detalhada. E, em tais condições, não é possível, no contencioso administrativo, negar validade a outras informações, também constantes dos bancos de dados da Receita Federal antes da emissão do despacho decisório questionado. A autoridade preparadora certamente entendeu de forma diversa, adotando apenas as informações constantes da DCTF como referencial para verificação do débito apurado no período que ensejou o alegado recolhimento indevido. É possível inferir que assim o fez por considerar, como expresso desde a Instrução Normativa SRF nº 14/2000, que a informação de débitos em DIPJ não se presta a instrumentalizar inscrições em Dívida Ativa da União: Art. 1o. O art. 1o. da Instrução Normativa SRF nº 077, de 24 de julho de 1998, passa a vigorar com a seguinte redação: “Art. 1o. Os saldos a pagar, relativos a tributos e contribuições, constantes da declaração de rendimentos das pessoas físicas e da declaração do ITR, quando não Fl. 73DF CARF MF Emitido em 28/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 25/08/2011 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 25/08/2011 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 29/08/2011 por CARLOS EDUARDO DE ALMEIDA GUER, Ass inado digitalmente em 26/09/2011 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 10245.900320/200999 Acórdão n.º 110100.547 S1C1T1 Fl. 72 9 quitados nos prazos estabelecidos na legislação, e da DCTF, serão comunicados à Procuradoria da Fazenda Nacional para fins de inscrição como Dívida Ativa da União.” [...] Esta é a interpretação que se extrai destes dispositivo, pois, até então, a Instrução Normativa SRF nº 77/98 relacionava a declaração de rendimentos da pessoa jurídica dentre os documentos que poderiam servir de base para a inscrição, em Dívida Ativa da União, de saldos de tributos a pagar: Art. 1º Os saldos a pagar, relativos a tributos e contribuições , constantes das declarações de rendimentos das pessoas físicas e jurídicas e da declaração do ITR, quando não quitados nos prazos estabelecidos na legislação, e da DCTF, serão comunicados à Procuradoria da Fazenda Nacional para fins de inscrição como Dívida Ativa da União. Evidente, portanto, que um novo conceito foi atribuído à declaração de rendimentos da pessoa jurídica apresentada a partir do anocalendário 1999, a qual, inclusive, passou a denominarse Declaração de Informações EconômicoFiscais da Pessoa Jurídica – DIPJ. Desta forma, tal característica pode ter influenciado a definição dos parâmetros de análise da DCOMP pela autoridade preparadora. Além disso, como a própria recorrente antecipa em sua defesa, a análise realizada pela autoridade preparadora poderia estar orientada pela obrigação imposta na Instrução Normativa SRF nº 166/99, editada com fundamento na Medida Provisória nº 2.189 49/2001, nos termos a seguir transcritos: Medida Provisória nº 2.18949/2001, que convalida texto presente desde a Medida Provisória nº 1.99026, de 14 de dezembro de 1999: Art.18. A retificação de declaração de impostos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, nas hipóteses em que admitida, terá a mesma natureza da declaração originariamente apresentada, independentemente de autorização pela autoridade administrativa. Parágrafo único. A Secretaria da Receita Federal estabelecerá as hipóteses de admissibilidade e os procedimentos aplicáveis à retificação de declaração. Instrução Normativa SRF nº 166, de 23 de dezembro de 1999: Art. 1o A retificação da Declaração de Informações EconômicoFiscais da Pessoa Jurídica – DIPJ e da Declaração do Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural – DITR anteriormente entregue, efetuada por pessoa jurídica, darseá mediante apresentação de nova declaração, independentemente de autorização pela autoridade administrativa. [...] Art. 2o A pessoa jurídica que entregar declaração retificadora alterando valores que hajam sido informados na Declaração de Débitos e Créditos de Tributos Federais – DCTF, deverá apresentar DCTF Complementar ou pedido de alteração de valores, mediante processo administrativo, conforme o caso. [...] Fl. 74DF CARF MF Emitido em 28/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 25/08/2011 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 25/08/2011 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 29/08/2011 por CARLOS EDUARDO DE ALMEIDA GUER, Ass inado digitalmente em 26/09/2011 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 10245.900320/200999 Acórdão n.º 110100.547 S1C1T1 Fl. 73 10 Nestes termos, se a contribuinte estava obrigada a retificar a DCTF quando retificasse a DIPJ, desnecessária seria a comparação de ambas as declarações para aferição da compatibilidade das informações ali constantes com o indébito utilizado em DCOMP. Esclareçase, apenas, que, com a edição da Instrução Normativa SRF nº 255/2002, deixou de existir DCTF Complementar, bem como a necessidade de solicitação de alteração de DCTF, bastando a apresentação de DCTF retificadora para alteração dos valores constantes da DCTF antes apresentada. Tal mudança, inclusive, operou efeitos retroativos, como expresso nos dispositivos da referida Instrução Normativa, a seguir transcritos: Da Retificação da DCTF Art. 9º Os pedidos de alteração nas informações prestadas em DCTF serão formalizados por meio de DCTF retificadora, mediante a apresentação de nova DCTF elaborada com observância das mesmas normas estabelecidas para a declaração retificada. § 1º A DCTF mencionada no caput deste artigo terá a mesma natureza da declaração originariamente apresentada, substituindoa integralmente, e servirá para declarar novos débitos, aumentar ou reduzir os valores de débitos já informados ou efetivar qualquer alteração nos créditos vinculados em declarações anteriores. § 2º Não será aceita a retificação que tenha por objeto alterar os débitos relativos a tributos e contribuições: I cujos saldos a pagar já tenham sido enviados à Procuradoria da Fazenda Nacional para inscrição como Dívida Ativa da União, nos casos em que o pleito importe alteração desse saldo; ou II em relação aos quais o sujeito passivo tenha sido intimado do início de procedimento fiscal. § 3º As DCTF retificadoras, que vierem a ser apresentadas a partir da publicação desta Instrução Normativa, deverão consolidar todas as informações prestadas na DCTF original ou retificadoras e complementares, já apresentadas, relativas ao mesmo trimestre de ocorrência dos fatos geradores. § 4º As disposições constantes deste artigo alcançam, inclusive, as retificações de informações já prestadas nas Declarações de Contribuições e Tributos Federais (DCTF) referentes aos trimestres a partir do anocalendário de 1997 até 1998 que vierem a ser apresentadas a partir da data de publicação desta Instrução Normativa. § 5º A pessoa jurídica que entregar DCTF retificadora, alterando valores que tenham sido informados na DIPJ, deverá apresentar, também, DIPJ retificadora. § 6º Verificandose a existência de imposto de renda postergado de períodos de apuração a partir do anocalendário de 1997, deverão ser apresentadas DCTF retificadoras referentes ao período em que o imposto era devido, caso as DCTF originais do mesmo período já tenham sido apresentadas. § 7º Fica extinta a DCTF complementar instituída pelo art. 5º da Instrução Normativa SRF nº 45, de 05 de maio de 1998. Das Disposições Finais Art. 10. Deverão ser arquivados os processos administrativos contendo as solicitações de alteração de informações já prestadas nas DCTF, apresentadas até a data da publicação desta Instrução Normativa e ainda pendentes de apreciação, aplicandose, às DCTF retificadoras respectivas, referentes aos anoscalendário de 1999 a 2002, o disposto nos §§ 1º a 3º do art. 9º desta Instrução Normativa. Fl. 75DF CARF MF Emitido em 28/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 25/08/2011 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 25/08/2011 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 29/08/2011 por CARLOS EDUARDO DE ALMEIDA GUER, Ass inado digitalmente em 26/09/2011 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 10245.900320/200999 Acórdão n.º 110100.547 S1C1T1 Fl. 74 11 §1º O arquivamento dos processos, contendo as solicitações de alteração das informações já prestadas nas DCTF referentes aos anoscalendário de 1999 a 2002, somente deverá ocorrer após a confirmação, pela unidade da SRF, da entrega da correspondente declaração em meio magnético. § 2º O arquivamento dos processos, contendo as solicitações de alteração das informações já prestadas nas DCTF referentes aos anos calendário de 1997 e 1998, somente deverá ocorrer após os devidos acertos, pela unidade da SRF, nos Sistemas de Cobrança. Todavia, tem razão a recorrente quando afirma que o descumprimento daquela obrigação não enseja, como penalidade, a perda do crédito. A Instrução Normativa SRF nº 166/99 expressamente reconhece a produção de efeitos, por parte da DIPJ Retificadora, para fins de restituição ou compensação, e, embora firme ser dever da contribuinte também alterar o que antes informado em DCTF, em momento algum condiciona este direito à retificação da DCTF: Art. 1o A retificação da Declaração de Informações EconômicoFiscais da Pessoa Jurídica – DIPJ e da Declaração do Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural – DITR anteriormente entregue, efetuada por pessoa jurídica, darseá mediante apresentação de nova declaração, independentemente de autorização pela autoridade administrativa. [...] § 2o A declaração retificadora referida neste artigo: I – terá a mesma natureza da declaração originariamente apresentada, substituindoa integralmente, inclusive para os efeitos da revisão sistemática de que trata a Instrução Normativa SRF no 094, de 24 de dezembro de 1997; II – será processada, inclusive para fins de restituição, em função da data de sua entrega. [...] Art. 4º Quando a retificação da declaração apresentar imposto menor que o da declaração retificada, a diferença apurada, desde que paga, poderá ser compensada ou restituída. Parágrafo único. Sobre o montante a ser compensado ou restituído incidirão juros equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC, até o mês anterior ao da restituição ou compensação, adicionado de 1% no mês da restituição ou compensação, observado o disposto no art. 2º, inciso I, da Instrução Normativa SRF nº 22, de 18 de abril de 1996. Adaptando estas disposições ao novo regramento da compensação, vigente desde a edição da Medida Provisória nº 66/2002, convertida na Lei nº 10.637/2002, uma vez formalizada a retificação da DIPJ, apresentando tributo menor que o da declaração retificada, pode a contribuinte transmitir Pedido de Restituição – PER ou DCOMP para receber o indébito em espécie, ou utilizálo em compensação, podendo o Fisco indeferir o PER, se não confirmar a veracidade da retificação, ou não homologar a compensação, desde que o faça dentro dos 5 (cinco) anos que a lei lhe confere (art. 74, §5o, da Lei nº 9.430/96, com a redação dada pela Medida Provisória nº 135/2003, convertida na Lei nº 10.833/2003). Logo, o fato de a contribuinte não ter retificado a DCTF para reduzir o tributo ali originalmente informado não pode obstar a utilização, em compensação, de indébito demonstrado em DIPJ retificadora apresentada antes da edição do despacho decisório que Fl. 76DF CARF MF Emitido em 28/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 25/08/2011 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 25/08/2011 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 29/08/2011 por CARLOS EDUARDO DE ALMEIDA GUER, Ass inado digitalmente em 26/09/2011 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 10245.900320/200999 Acórdão n.º 110100.547 S1C1T1 Fl. 75 12 expressou a nãohomologação da compensação, especialmente porque a própria autoridade administrativa reputou desnecessária uma análise mais aprofundada ou detalhada da compensação, submetendoa ao processamento eletrônico de informações disponíveis nos bancos de dados da Receita Federal. Acrescentese, ainda, que a alteração das informações constantes em DCTF não se dá, apenas, por retificação de iniciativa do sujeito passivo. Desde a Instrução Normativa SRF nº 482/2004, que revogou a Instrução Normativa SRF nº 255/2002, antes citada, a revisão de ofício da DCTF passou a estar expressamente admitida, nos seguintes termos: Art. 10. Os pedidos de alteração nas informações prestadas em DCTF serão formalizados por meio de DCTF retificadora, mediante a apresentação de nova DCTF elaborada com observância das mesmas normas estabelecidas para a declaração retificada. [...] § 2º Não será aceita a retificação que tenha por objeto alterar os débitos relativos a tributos e contribuições: I cujos saldos a pagar já tenham sido enviados à Procuradoria da Fazenda Nacional para inscrição como Dívida Ativa da União, nos casos em que o pleito importe alteração desse saldo; ou [...] § 3º A retificação de valores informados na DCTF, que resulte em alteração do montante do débito já inscrito em Dívida Ativa da União, somente poderá ser efetuada pela SRF nos casos em que houver prova inequívoca da ocorrência de erro de fato no preenchimento da declaração. [...] Observese, inclusive, que este dever de revisão pela autoridade administrativa ganhou maior relevo a partir do momento em que a interpretação quanto à impossibilidade de retificação da DCTF após o transcurso do prazo decadencial passou a ser cogente, no âmbito administrativo, a partir da edição da Instrução Normativa RFB nº 1.110/2010: Art. 9º A alteração das informações prestadas em DCTF, nas hipóteses em que admitida, será efetuada mediante apresentação de DCTF retificadora, elaborada com observância das mesmas normas estabelecidas para a declaração retificada. [...] § 5º O direito de o contribuinte pleitear a retificação da DCTF extinguese em 5 (cinco) anos contados a partir do 1º (primeiro) dia do exercício seguinte ao qual se refere a declaração. [...] Ultrapassado este limite, a observância do princípio da legalidade na exigência de tributos confessados em DCTF somente se efetiva mediante revisão de ofício, pela autoridade administrativa, do débito declarado a maior. Por todo o exposto, no presente caso, não poderia a autoridade administrativa ter limitado sua análise às informações prestadas na DCTF, se presentes evidências, nos bancos de dados da Receita Federal, de que outro seria o valor do tributo devido no período apontado na DCOMP, e, especialmente, mediante apresentação de DIPJ retificadora, da qual consta não Fl. 77DF CARF MF Emitido em 28/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 25/08/2011 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 25/08/2011 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 29/08/2011 por CARLOS EDUARDO DE ALMEIDA GUER, Ass inado digitalmente em 26/09/2011 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 10245.900320/200999 Acórdão n.º 110100.547 S1C1T1 Fl. 76 13 apenas o valor do tributo devido, como também a demonstração da apuração das bases de cálculo mensais, trimestrais ou anuais da pessoa jurídica, conforme a sistemática de tributação adotada. Cabia à autoridade administrativa, minimamente, questionar a divergência existente entre ambas as declarações (DIPJ e DCTF) e, ainda que ultrapassado o prazo decadencial para retificação espontânea da declaração com erros em seu conteúdo, promover a retificação de ofício, definindo qual informação deveria prevalecer para análise da compensação declarada. Considerando que as informações assim prestadas em DIPJ confirmam a existência do indébito utilizado em compensação, e que a autoridade preparadora não desenvolveu qualquer procedimento para desconstituir tal realidade, não há como deixar de reconhecer o pagamento a maior e, por conseqüência, admitir sua compensação. Assim, embora evidente que a decisão recorrida foi omissa quanto a argumento da defesa, deixase de declarar sua nulidade pois, no mérito, o presente voto é no sentido de DAR PROVIMENTO ao recurso voluntário, e homologar a compensação declarada. (documento assinado digitalmente) EDELI PEREIRA BESSA – Relatora Fl. 78DF CARF MF Emitido em 28/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 25/08/2011 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 25/08/2011 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 29/08/2011 por CARLOS EDUARDO DE ALMEIDA GUER, Ass inado digitalmente em 26/09/2011 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 10245.900320/200999 Acórdão n.º 110100.547 S1C1T1 Fl. 77 14 Declaração de Voto Conselheiro CARLOS EDUARDO DE ALMEIDA GUERREIRO Quando a Administração pratica algum ato que tem por base apenas declaração do próprio contribuinte e o contribuinte refuta ou retifica a declaração, o ato deve ser reformado, pois perde sua base fática. Isso porque, se é verdade que a Administração pode praticar seus atos considerando apenas as próprias declarações do contribuinte, também é verdade que as declarações podem ser retificadas ou infirmadas. Assim, se a Administração se acomoda em adotar como único elemento de convicção uma declaração, fica sujeita a ver seu ato reformado, quando o conteúdo desta declaração é alterado por quem a declarou, quer pela negativa do conteúdo, quer por uma retificação, quer por outra declaração com conteúdo divergente. Já manifestei meu entendimento sobre a questão em voto sobre situação semelhante, que transcrevo abaixo (negritei): ... Assim, o lançamento decorre da convicção do Fisco de que a compensação informada pelo contribuinte era de fato feita com base nos DARFs indicados e na constatação de que estes eram insuficientes. Noutro giro, esta convicção decorre na crença de que a DCTF informasse corretamente a forma pela qual foi feita a compensação. Talvez, até o lançamento tenha decorrido da crença de que os fatos informados em DCTF tornemse verdades absolutas e não possam ser retificados. No entanto, nenhuma destas crenças é pertinente, pois a retificação da DCTF é admitida, já que, como qualquer declaração de informação, pode conter erros. Inclusive, a retificação de DCTF não exige a prova de erro em que se fundamente, como demonstra o art. 9º da IN RFB nº 1.110, de 24 de dezembro de 2010. A regra pode servir de parâmetro na verificação dos requisitos impostos pela própria RFB para a retificação de DCTF. O texto é o seguinte: Art. 9º A alteração das informações prestadas em DCTF, nas hipóteses em que admitida, será efetuada mediante apresentação de DCTF retificadora, elaborada com observância das mesmas normas estabelecidas para a declaração retificada. § 1º A DCTF retificadora terá a mesma natureza da declaração originariamente apresentada e servirá para declarar novos débitos, aumentar ou reduzir os valores de débitos já informados ou efetivar qualquer alteração nos créditos vinculados. § 2º A retificação não produzirá efeitos quando tiver por objeto: I reduzir os débitos relativos a impostos e contribuições: a) cujos saldos a pagar já tenham sido enviados à ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional (PGFN) para inscrição em DAU, nos casos em que importe alteração desses saldos; Fl. 79DF CARF MF Emitido em 28/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 25/08/2011 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 25/08/2011 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 29/08/2011 por CARLOS EDUARDO DE ALMEIDA GUER, Ass inado digitalmente em 26/09/2011 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 10245.900320/200999 Acórdão n.º 110100.547 S1C1T1 Fl. 78 15 b) cujos valores apurados em procedimentos de auditoria interna, relativos às informações indevidas ou não comprovadas prestadas na DCTF, sobre pagamento, parcelamento, compensação ou suspensão de exigibilidade, já tenham sido enviados à PGFN para inscrição em DAU; ou c) que tenham sido objeto de exame em procedimento de fiscalização. II alterar os débitos de impostos e contribuições em relação aos quais a pessoa jurídica tenha sido intimada de início de procedimento fiscal. § 3º A retificação de valores informados na DCTF, que resulte em alteração do montante do débito já enviado à PGFN para inscrição em DAU ou de débito que tenha sido objeto de exame em procedimento de fiscalização, somente poderá ser efetuada pela RFB nos casos em que houver prova inequívoca da ocorrência de erro de fato no preenchimento da declaração e enquanto não extinto o direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário correspondente àquela declaração. § 4º Na hipótese do inciso II do § 2º, havendo recolhimento anterior ao início do procedimento fiscal, em valor superior ao declarado, a pessoa jurídica poderá apresentar declaração retificadora, em atendimento a intimação fiscal e nos termos desta, para sanar erro de fato, sem prejuízo das penalidades calculadas na forma do art. 7º. § 5º O direito de o contribuinte pleitear a retificação da DCTF extinguese em 5 (cinco) anos contados a partir do 1º (primeiro) dia do exercício seguinte ao qual se refere a declaração. § 6º A pessoa jurídica que apresentar DCTF retificadora, alterando valores que tenham sido informados: I na Declaração de Informações EconômicoFiscais da Pessoa Jurídica (DIPJ), deverá apresentar, também, DIPJ retificadora; e II no Demonstrativo de Apuração de Contribuições Sociais (Dacon), deverá apresentar, também, Dacon retificador. Como visto acima, a disciplina posta pela Receita Federal para as alterações da DCTF não obrigam que o contribuinte tenha de comprovar o erro que motiva a alteração. As restrições apenas visam disciplinar as alterações com o instituto da espontaneidade, da inscrição em dívida ativa, e mudança do órgão que administra o título executivo constituído por débitos em aberto. Portanto, o contribuinte pode alterar o que informou em DCTF sem ter que, para isso, provar o seu erro anterior. Também no CTN não consta nenhuma exigência para retificação de DCTF. A única restrição feita no Código sobre retificação de declaração, é posta no art. 147, e referese a retificação de declaração preparatória de lançamento, relativa a tributo lançado por declaração e asssim mesmo aos casos em que esta nova declaração vise reduzir tributo. Ou seja, a única restrição legal se refere a alteração da declaração do sujeito passivo que será usada pela Administração para efetuar com base nela o lançamento, dentro da sistemática dos tributos lançados por declaração. Apenas este tipo de declaração é que sofre a exigencia de que o contribuinte precisa provar o erro que motiva a retificação. As outras declarações a que os contribuintes estão obrigados, não sofrem a restrição feita pela pelo art. 147 do CTN. Assim, submetemse a regra geral que é a da liberdade de modificar o informado sem necessidade de demosntrar o erro que justifique a retificação. Tal regra decorre do princípio constitucional de que o administrado não é obrigado a fazer ou deixar de fazer alguma coisa senão em virtude de lei. Assim, no caso concreto, era (ou deveria ser) de conhecimento do Fisco que a DCTF poderia estar errada e poderia ser infirmada pelo contribuinte a qualquer Fl. 80DF CARF MF Emitido em 28/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 25/08/2011 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 25/08/2011 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 29/08/2011 por CARLOS EDUARDO DE ALMEIDA GUER, Ass inado digitalmente em 26/09/2011 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 10245.900320/200999 Acórdão n.º 110100.547 S1C1T1 Fl. 79 16 tempo, sem maior ônus para este do que a simples afirmação do erro. Deste modo, percebese que foi uma opção consciente do Fisco efetuar o lançamento com os poucos dados que ele tinha sobre a questão. O Fisco preferiu se abstrair da realidade, para considerar apenas as informações da DCTF. A fragilidade do lançamento decorre da opção do Fisco pelo nível de investigação dos fatos. Tal como alega o contribuinte, o Fisco, ao constatar que a compensação informada na DCTF não podia ser admitida por falta de crédito, podia e devia ter intimado o contribuinte a esclarecer a matéria. Deveria ter intimado o contribuinte a esclarecer a origem do crédito que fundamentava a compensação indicada. Ao não fazêlo, conformouse em trabalhar com uma situação instável, que poderia ser alterada unilateralmente pelo contribuinte. Bastaria que o contribuinte infirmasse, tal como fez, a compensação declarada e afirmasse que o crédito teria outra origem, que o lançamento perderia sua base fática. Também, vale destacar que a DCTF não era um instrumento pelo qual se solicitasse compensação, mas apenas um instrumento de informação. Recapitulando, é preciso ter em mente que, na época, a DCTF apenas indicava uma compensação que foi feita na contabilidade do contribuinte. Também, é preciso considerar que a DCTF não era um veículo de pedido de compensação, que pudesse ser deferido ou indeferido nos termos em que fosse solicitado, mas era um veículo meramente informativo quanto a compensação feita e registrada na contabilidade. Por isso, a compensação informada na DCTF não está sujeita ao crivo de ser ou não concedida, mas sim ao crivo de ser ou não considerada correta. ... Dentro dos poderes atribuídos ao Fisco para desempenho de sua função, não existe a prerrogativa substituir a investigação da matéria tributável por uma investigação de declaração sobre a matéria tributável. Caso o Fisco opte por investigar apenas os fatos declarados, e não a matéria sobre a qual pretende se manifestar, assume o risco de ver suas presunções feitas com base na declaração refutadas pela simples retificação. O ônus de provar que a compensação eventualmente estivesse errada era do Fisco. Não é razoável pretender inverter este ônus sem haver uma previsão legal para tanto. Portanto, não se pode pretender, como quis a DRJ, que o contribuinte tenha de comprovar sua compensação, sem que ninguém o tenha intimado a fazer isso, apenas porque o Fisco suspeitou da compensação declarada na DCTF. ... Não havendo regra que torne imutável o informado em declaração, não havendo regra que exija a comprovação para retificação de declaração, o uso da declaração como elemento de convicção para autuação é frágil e pode ser refutado pela simples negativa. Isso porque a matéria tributável não é o retratado na declaração, mas sim a que de fato ocorreu. Além disso, no presente caso, o ato da Administração foi praticado tendo por base a DCTF, mas desconsiderando a DIPJ, embora ambas as declarações estivessem disponíveis. Deste modo, mesmo antes do ato, o contribuinte já apresentava elementos divergentes de sorte que era absolutamente impróprio que a Administração considerasse apenas uma das declarações, em detrimento da outra. Essa situação de divergência, por sí só já obrigava que a Administração aprofundasse suas investigações, para analisar a divergência entre as declarações e para buscar elementos que entendesse corroborar sua convicção sobre os fatos. Mas, não foi este o caminho trilhado. Fl. 81DF CARF MF Emitido em 28/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 25/08/2011 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 25/08/2011 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 29/08/2011 por CARLOS EDUARDO DE ALMEIDA GUER, Ass inado digitalmente em 26/09/2011 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 10245.900320/200999 Acórdão n.º 110100.547 S1C1T1 Fl. 80 17 O ato administrativo foi praticado e foi impugnado. Para demonstrar a impertinência do conteúdo da DCTF o contribuinte alega o conteúdo de sua DIPJ. Dessa forma o contribuinte infirma a sua DCTF e, com isso, retira as bases fáticas do despacho. Por tais razões, voto por dar provimento ao recurso voluntário. (documento assinado digitalmente) CARLOS EDUARDO DE ALMEIDA GUERREIRO Fl. 82DF CARF MF Emitido em 28/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 25/08/2011 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 25/08/2011 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 29/08/2011 por CARLOS EDUARDO DE ALMEIDA GUER, Ass inado digitalmente em 26/09/2011 por VALMAR FONSECA DE MENEZES
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Numero do processo: 35311.000256/2003-49
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jun 08 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Wed Jun 08 00:00:00 UTC 2011
Ementa: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS
Período de apuração: 01/04/1994 a 31/07/1994.
CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. PRAZO DECADENCIAL.
CINCO ANOS. ART. 173, IDO CTN.
0 Supremo Tribunal Federal, conforme entendimento exarado na Súmula Vinculante n° 8, no julgamento proferido em 12 de junho de 2008, reconheceu a inconstitucionalidade do art. 45 da Lei n° 8.212/91. Incidência do preceito inscrito no art. 173, I do CTN.
Encontram-se atingidos pela fluência do prazo decadencial todos os fatos geradores apurados pela fiscalização.
Recurso Voluntário Provido
Numero da decisão: 2302-001.109
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade, em conceder
provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. Foi reconhecida a fluência do prazo decadencial nos termos do art. 173, inciso I do CTN. Acompanhou pelas conclusões o Conselheiro Manoel Coelho Arruda Júnior.
Nome do relator: Arlindo da Costa e Silva
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CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. PRAZO DECADENCIAL. CINCO ANOS. ART. 173, I DO CTN. O Supremo Tribunal Federal, conforme entendimento exarado na Súmula Vinculante nº 8, no julgamento proferido em 12 de junho de 2008, reconheceu a inconstitucionalidade do art. 45 da Lei nº 8.212/91. Incidência do preceito inscrito no art. 173, I do CTN. Encontramse atingidos pela fluência do prazo decadencial todos os fatos geradores apurados pela fiscalização. Recurso Voluntário Provido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade, em conceder provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. Foi reconhecida a fluência do prazo decadencial nos termos do art. 173, inciso I do CTN. Acompanhou pelas conclusões o Conselheiro Manoel Coelho Arruda Júnior. Marco André Ramos Vieira Presidente. Fl. 1176DF CARF MF Emitido em 23/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 13/06/2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA Assinado digitalmente em 13/06/2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, 16/06/2011 por MARCO ANDRE RAMOS V IEIRA 2 Arlindo da Costa e Silva Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marco André Ramos Vieira (Presidente de Turma), Manoel Coelho Arruda Junior (Vicepresidente de turma), Liége Lacroix Thomasi, Adriana Sato e Arlindo da Costa e Silva. Relatório Período de apuração: 01/04/1994 a 31/07/1994. Data da lavratura da NFLD: 28/02/2003. Data da Ciência do NFLD : 14/03/2003. Tratase de crédito tributário lançado em desfavor da empresa em epígrafe, consistente em contribuições previdenciárias destinadas ao custeio da Seguridade Social a cargo dos segurados empregados, incidentes sobre o seu Salário de Contribuição mensal apurado diretamente a partir das informações contidas em folhas de pagamento, conforme descrito no Relatório Fiscal a fls. 65/77 e anexos. Irresignado com o supracitado lançamento tributário, o sujeito passivo apresentou impugnação a fls. 1150/1210. A Delegacia da Receita Previdenciária em Duque de Caxias/RJ lavrou Decisão Notificação, a fls. 1231/1272, julgando procedente a Notificação Fiscal e mantendo o crédito tributário em sua integralidade. O Sujeito Passivo foi cientificado da decisão de 1ª Instância no dia 22/12/2004, conforme Aviso de Recebimento a fl. 1273. Inconformado com a decisão exarada pelo órgão administrativo julgador a quo, o ora Recorrente interpôs recurso voluntário, a fls. 1277/1333. Contrarrazões a fls. 1399/1351. Relatados sumariamente os fatos relevantes. Voto Conselheiro Arlindo da Costa e Silva, Relator. Fl. 1177DF CARF MF Emitido em 23/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 13/06/2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA Assinado digitalmente em 13/06/2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, 16/06/2011 por MARCO ANDRE RAMOS V IEIRA Processo nº 35311.000256/200349 Acórdão n.º 2302001.109 S2‐C3T2 Fl. 1.413 3 1. DOS PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE O sujeito passivo foi válida e eficazmente cientificado da decisão recorrida no dia 22/12/2004. Havendo sido o recurso voluntário protocolado no dia 17 de janeiro do ano seguinte, há que se reconhecer a tempestividade do recurso interposto. 2. DAS PRELIMINARES 2.1. DA DECADÊNCIA Malgrado não haja sido suscitada pelo Recorrente, a condição intrínseca de matéria de ordem pública nos autoriza a examinar, ex officio, a questão relativa à fluência do prazo decadencial do direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário objeto do vertente processo. O Supremo Tribunal Federal, conforme entendimento exarado na Súmula Vinculante nº 8, em julgamento realizado em 12 de junho de 2008, reconheceu a inconstitucionalidade dos artigos 45 e 46 da Lei n º 8.212/91, nos termos que se vos seguem: Súmula Vinculante nº 8 “São inconstitucionais o parágrafo único do artigo 5º do Decretolei 1569/77 e os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário”. Conforme estatuído no art. 103A da Constituição Federal, a Súmula Vinculante nº 8 é de observância obrigatória tanto pelos órgãos do Poder Judiciário quanto pela Administração Pública, devendo este Colegiado aplicála de imediato. Art. 103A. O Supremo Tribunal Federal poderá, de ofício ou por provocação, mediante decisão de dois terços dos seus membros, após reiteradas decisões sobre matéria constitucional, aprovar súmula que, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terá efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal, bem como proceder à sua revisão ou cancelamento, na forma estabelecida em lei. Afastada por inconstitucionalidade a eficácia das normas inscritas nos artigos 45 e 46 da Lei n º 8.212, urgem serem seguidas as disposições relativas à matéria em relevo inscritas no Código Tributário Nacional – CTN e nas demais leis de regência. Fl. 1178DF CARF MF Emitido em 23/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 13/06/2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA Assinado digitalmente em 13/06/2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, 16/06/2011 por MARCO ANDRE RAMOS V IEIRA 4 O instituto da decadência no Direito Tributário, malgrado respeitadas posições em sentido diverso, encontrase regulamentado no art. 173 do Código Tributário Nacional CTN, que reza ipsis litteris: Código Tributário Nacional CTN Art. 173. O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados: I do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado; II da data em que se tornar definitiva a decisão que houver anulado, por vício formal, o lançamento anteriormente efetuado. Parágrafo único. O direito a que se refere este artigo extingue se definitivamente com o decurso do prazo nele previsto, contado da data em que tenha sido iniciada a constituição do crédito tributário pela notificação, ao sujeito passivo, de qualquer medida preparatória indispensável ao lançamento. A análise da subsunção do fato in concreto à norma de regência revela que, ao caso sub examine, operase a incidência das disposições inscritas no inciso I do transcrito art. 173 do CTN. Nessa condição, tendo sido o lançamento realizado em 28 de fevereiro de 2003, este apenas alcançaria os fatos geradores ocorridos a partir da competência dezembro/1997, inclusive, excluído os fatos geradores relativos ao 13º salário desse mesmo ano. Pelo exposto, considerando que a vertente Notificação Fiscal de Lançamento de Débito NFLD promoveu o lançamento tributário relativo a fatos geradores ocorridos nas competências de abril a julho de 1994, fácil é concluir que se encontram atingidas pela fluência do prazo decadencial todas as obrigações tributárias objeto da presente autuação, caducando, por conseguinte, o direito da Fazenda Pública de constituir o crédito tributário a elas correspondente. 3. CONCLUSÃO: Pelos motivos expendidos, CONHEÇO do recurso voluntário para, no mérito, DARLHE PROVIMENTO. É como voto. Arlindo da Costa e Silva Fl. 1179DF CARF MF Emitido em 23/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 13/06/2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA Assinado digitalmente em 13/06/2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, 16/06/2011 por MARCO ANDRE RAMOS V IEIRA Processo nº 35311.000256/200349 Acórdão n.º 2302001.109 S2‐C3T2 Fl. 1.414 5 Fl. 1180DF CARF MF Emitido em 23/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 13/06/2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA Assinado digitalmente em 13/06/2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, 16/06/2011 por MARCO ANDRE RAMOS V IEIRA
score : 1.0
Numero do processo: 13819.001772/2003-47
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Fri Jul 01 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Fri Jul 01 00:00:00 UTC 2011
Ementa: Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte - Simples
Ano-calendário: 2000
Ementa: ANALISTA DE SISTEMAS. ENGENHEIRO. DESENVOLVIMENTO DE PROGRAMAS E PROJETOS ELÉTRICOS. VEDAÇÃO.
As pessoas jurídicas cuja atividade seja a desenvolvimento de programas e elaboração de projetos elétricos, estão vedadas de optar pelo Simples, pois essas atividades são exercidas por profissionais com habilitação legalmente exigida ou a eles assemelhados.
Numero da decisão: 1102-000.487
Decisão: ACORDAM os Membros da 1ª CÂMARA / 2ª TURMA ORDINÁRIA do PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO, por unanimidade de votos, NEGAR provimento ao recurso, nos termos do voto da relatora.
Matéria: Simples- proc. que não versem s/exigências cred.tributario
Nome do relator: Ivete Malaquias Pessoa Monteiro
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TURMA DRJ CAMPINAS SP Assunto: Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte Simples Anocalendário: 2000 Ementa: ANALISTA DE SISTEMAS. ENGENHEIRO. DESENVOLVIMENTO DE PROGRAMAS E PROJETOS ELÉTRICOS. VEDAÇÃO. As pessoas jurídicas cuja atividade seja a desenvolvimento de programas e elaboração de projetos elétricos, estão vedadas de optar pelo Simples, pois essas atividades são exercidas por profissionais com habilitação legalmente exigida ou a eles assemelhados. ACORDAM os Membros da 1ª CÂMARA / 2ª TURMA ORDINÁRIA do PRIMEIRA SSEEÇÇÃÃOO DDEE JJUULLGGAAMMEENNTTOO, por unanimidade de votos,NEGAR provimento ao recurso,nos termos do voto da relatora. assinado digitalmente IVETE MALAQUIAS PESSOA MONTEIRO –Presidente e Relatora Participaram, do presente julgamento, os Conselheiros Ivete Malaquias Pessoa Monteiro (Presidente), Silvana Rescigno Guerra Barretto, Leonardo de Andrade Couto, João Otávio Oppermann Thomé, Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo (Suplente Convocada) e João Carlos De Lima Junior, (vicepresidente)). Fl. 1DF CARF MF Impresso em 11/04/2012 por JOSE ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/04/2012 por IVETE MALAQUIAS PESSOA MONTEIRO Processo nº 13819.001772/200347 Acórdão n.º 1102.00487 S1C1T2 Fl. 2 2 Relatório Por bem descrever a matéria litigiosa, adoto relatório que embasou a decisão recorrida, que passo a transcrever: Trata o processo de pedido de inclusão na sistemática do Simples, com data retroativa a constituição da sociedade, em 06/03/1998. Alega a contribuinte que sempre demonstrou intenção inequívoca de aderir ao Simples, uma vez que efetuou os pagamentos mensais e entregou as suas declarações pela sistemática de Simples, conforme determina o Ato declaratório Interpretativo nº 16, de 02/10/2002. No entanto, acrescenta a interessada que por falha humana entendeu que a JUCESP providenciaria a sua inclusão naquela sistemática, a partir do seu registro como microempresa. Ao descobrir por intermédio da Receita Federal que sua empresa não estava enquadrada, solicitou imediatamente a sua inclusão retroativa. 2.Em 02/09/2003, a contribuinte foi cientificada do indeferimento de sua solicitação de inclusão (à fl.52) com o argumento de que no seu contrato social constava como objeto a exploração do ramo de “comércio varejista de equipamento e material para escritório, desenvolvimento de programas de informática (software), projetos elétricos”, concluindo que as atividades executadas encontramse vedadas pelo art.20, da IN SRF nº 250, de 26/11/2002, que diz que a pessoa jurídica que preste serviços de programador, analista de sistemas ou assemelhados, e de qualquer profissão cujo exercício dependa de habilitação profissional legalmente exigida não poderá optar pelo Simples. 3.A contribuinte apresentou a manifestação de inconformidade em 23/04/2003, à fl.53, alegando, em síntese e fundamentalmente, que classificou erroneamente o código da atividade, uma vez que o código correto é 52.45.0/02 Comércio Varejista de Máquinas, Equipamentos e Materiais para Escritório e Informática, que é o seu objetivo principal, pois assevera que no que respeita ao desenvolvimento de software, a empresa somente orienta o cliente, repassandoo para outra empresa especializada no ramo, já que com este procedimento consegue obter mais clientes para a compra de seus produtos Ponderando os fatos, às fls.37/39, a 5a.Turma da DRJ Campinas, através do acórdão no.12.588, de 22 de março de 2006, decidiu que a atividade realizada pelo Contribuinte não se enquadrava na sistemática do SIMPLES. Ciente, às fls.52, em 02/09/2006, interpõe o recurso voluntário de fls.53,em 23 de setembro seguinte, repetindo suas razões impugnatória, propugnando pela sua inscrição no sistema simplificado, até porque o seu código do CNAE aponta para comércio varejista , a causa que impediria lhe fosse aplicado o comando da portaria INSRF 250 de 26/11/2002. Despacho de fls.77 encaminha os autos para o CARF. Fl. 2DF CARF MF Impresso em 11/04/2012 por JOSE ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/04/2012 por IVETE MALAQUIAS PESSOA MONTEIRO Processo nº 13819.001772/200347 Acórdão n.º 1102.00487 S1C1T2 Fl. 3 3 É o Relatório. Fl. 3DF CARF MF Impresso em 11/04/2012 por JOSE ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/04/2012 por IVETE MALAQUIAS PESSOA MONTEIRO Processo nº 13819.001772/200347 Acórdão n.º 1102.00487 S1C1T2 Fl. 4 4 Voto O recurso preenche os pressupostos de admissibilidade e dele conheço. Como anteriormente relatado tratase de pedido de inclusão no Simples, de contribuinte que teve seu pedido negado , porque no contrato social constava, como objeto, a exploração do ramo de “comércio varejista de equipamento e material para escritório, desenvolvimento de programas de informática (software), projetos elétricos”, atividade expressamente vedada, nos termos do art.20, da IN SRF nº 250, de 26/11/2002. Nas razões de recurso informa a Contribuinte que sua atividade principal é o comércio varejista de máquinas, equipamentos e materiais para escritório e informática, bem como, que suas atividades não implicariam em serviços de Programador ou Analista de Sistemas, sendo que o serviço de software representa somente a orientação de clientes. Cabe destacar, contudo, que legislação de regência do Simples proíbe o ingresso no sistema às empresas prestadoras de serviços de programação, de análise de sistemas, ou assemelhadas, ou serviços ligados a profissão de engenheiro, nos termos do art.9º, XIII, da Lei nº 9.317, de 1996, cujo dispositivo a seguir reproduzo: Art. 9º Não poderá optar pelo SIMPLES, a pessoa jurídica: XIII – que preste serviços profissionais de corretor, representante comercial, despachante, ator, empresário, diretor ou produtor de espetáculos, cantor, músico, dançarino, médico, dentista, enfermeiro, veterinário, engenheiro, arquiteto, físico, químico, economista, contador, auditor, consultor, estatístico, administrador, programador, analista de sistema, advogado, psicólogo, professor, jornalista, publicitário, fisicultor, ou assemelhados, e de qualquer outra profissão cujo exercício dependa de habilitação profissional legalmente exigida. (grifei) No tocante ao serviço de processamento de dados, ou seja a parte mecânica, que agrega digitação, compilação ou manipulação de dados, não se confunde com os serviços prestados pelo programador ou pelo analista de sistemas, nem depende de habilitação profissional legalmente exigida, não impedindo, assim, a opção pelo Simples. Contudo, a prestação de serviços eventuais, que envolvam conhecimentos nas áreas de programação, consultoria ou análise de sistemas, impedem o acesso ao Simples e como os autos não foram intuídos de forma a comprovar as alegações das razões oferecidas, não prospera a .pretensão da Recorrente. Nesta ordem de juízo, Nego provimento ao recurso. assinado digitalmente. Ivete Malaquias Pessoa Monteiro. Fl. 4DF CARF MF Impresso em 11/04/2012 por JOSE ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/04/2012 por IVETE MALAQUIAS PESSOA MONTEIRO Processo nº 13819.001772/200347 Acórdão n.º 1102.00487 S1C1T2 Fl. 5 5 Fl. 5DF CARF MF Impresso em 11/04/2012 por JOSE ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/04/2012 por IVETE MALAQUIAS PESSOA MONTEIRO
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Numero do processo: 15374.000875/2003-91
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jun 30 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Thu Jun 30 00:00:00 UTC 2011
Ementa: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 1992.
PAF — RECURSO DE OFÍCIO — REMESSA NECESSÁRIA — CONHECIMENTO — Conhece-se de recurso de oficio interposto nos termos do art. 34 do Dec. n° 70.235, de 1972, com a redação dada pelo art. 64 da Lei n° 9.532, de 10 de dezembro de 1997, quando os valores exonerados extrapolam o limite consignado na Portaria MF n° 3, de 03 de janeiro de 2008.
LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO — A homologação do lançamento, nos termos do § 4°. do art. 150, do CTN, pressupõe que tenha havido algum recolhimento do imposto por parte do contribuinte, sob pena de não haver o que se homologar. Não tendo havido, â. época, nenhum recolhimento de IRPJ, o direito de a autoridade fiscal constituir, de oficio, o crédito tributário tem sua decadência regulada pelo art. 173 do CTN.
DESPESAS FINANCEIRAS - GLOSA - REPASSE DE RECURSOS SEM RATEIO DOS ENCARGOS. Na falta de caracterização especifica de cada repasse e da correta verificação da matéria tributável, exonera-se a autuação.
DECADÊNCIA. CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS. — Súmula Vinculante nº 8,. - O Supremo Tribunal Federal consagrou que o prazo decadencial e prescricional das contribuições previdenciárias, entre as quais de inclui a Contribuição Social Sobre o Lucro Liquido — CSLL prevalece aqueles estabelecido no Código Tributário Nacional.
DEDUTIBILIDADE TRIBUTOS COM EXIGIBILIDADE SUSPENSA — Somente a partir de 1° de janeiro de 1993, por força do art. 9° da Lei n° 8.541/92, são consideradas como redução indevida do lucro real, as importâncias contabilizadas corno custo ou despesa, relativas a tributos ou contribuições e sua respectiva atualização, cuja exigibilidade esteja suspensa nos termos do art. 151 do CTN, haja ou não depósito judicial em garantia.
IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE - IRRF
ANO-CALENDÁRIO: 1992 — ART 35 DA LEI N° 7.713/1988. INAPLICABILIDADE AS SOCIEDADES POR AÇÕES. — Em conseqüência de Resolução n° 82/1996 do Senado Federal, as empresas constituídas na forma de sociedade por ações não estão sujeitas ao Imposto de Renda na Fonte Sobre o Lucro Liquido.
POSTERGAÇÃO DE RECEITA DESPESAS ADICIONAIS — ONUS DA PROVA CABE A QUEM ALEGA — Não é ônus do fisco proceder a instrução probatória em lugar do Contribuinte.
CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO CSLL — Na medida em que não há fatos ou argumentos novos a ensejar conclusões diversas, o lançamento reflexo colhe a sorte daquele que lhe deu origem.
Numero da decisão: 1102-000.469
Decisão: ACORDAM os Membros do Colegiado, por unanimidade de votos, NEGAR provimento ao recurso de ofício e, DAR provimento PARCIAL ao recurso voluntário para reconhecer a decadência das exigências para a CSLL, anteriores ao mês de março de 2009, bem como cancelar a exigência referente ao item 5 do termo de verificação fiscal, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
Nome do relator: Ivete Malaquias Pessoa Monteiro
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PAF — RECURSO DE OFÍCIO — REMESSA NECESSÁRIA — CONHECIMENTO — Conhece-se de recurso de oficio interposto nos termos do art. 34 do Dec. n.° 70.235, de 1972, com a redação dada pelo art. 64 da Lei n.° 9.532, de 10 de dezembro de 1997, quando os valores exonerados extrapolam o limite consignado na Portaria MF n.° 3, de 03 de janeiro de 2008. LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO — A homologação do lançamento, nos termos do § 4°. do art. 150, do CTN, pressupõe que tenha havido algum recolhimento do imposto por parte do contribuinte, sob pena de não haver o que se homologar. Não tendo havido, â. época, nenhum recolhimento de 1RPJ, o direito de a autoridade fiscal constituir, de oficio, o crédito tributário tem sua decadência regulada pelo art. 173 do CTN. DESPESAS FINANCEIRAS - GLOSA - REPASSE DE RECURSOS SEM RATEIO DOS ENCARGOS. Na falta de caracterização especifica de cada repasse e da correta verificação da matéria tributável, exonera-se a autuação. DECADÊNCIA. CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS. — Súmula Vinculante n 8,. - 0 Supremo Tribunal Federal consagrou que o prazo decadencial e prescricional das contribuições previdenciárias, entre as quais de inclui a Contribuição Social Sobre o Lucro Liquido — CSLL prevalece aqueles estabelecido no Código Tributário Nacional. DEDUTIBILIDADE TRIBUTOS COM EXIGIBILIDADE SUSPENSA — Somente a partir de 1 °.de janeiro de 1993, por força do art. 9 ° .. da Lei n° .. 8.541/92, são consideradas como redução indevida do lucro real, as importâncias contabilizadas corno custo ou despesa, relativas a tributos ou contribuições e sua respectiva atualização, cuja exigibilidade esteja suspensa nos termos do art. 151 do CTN, haja ou não depósito judicial em garantia. IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE - IRRF ANO- CALENDÁRIO: 1992 — ART 35 DA LEI N° 7.713/1988. 1NAPLICABILIDADE AS SOCIEDADES POR AÇÕES. — Em conseqüência de Resolução n° 82/1996 do Senado Federal, as empresas constituídas na forma de sociedade por ações não estão sujeitas ao Imposto de Renda na Fonte Sobre o Lucro Liquido. POSTERGAÇÃO DE RECEITA DESPESAS ADICIONAIS — ONUS DA PROVA CABE A QUEM ALEGA — Não é ônus do fisco proceder a instrução probatória em lugar do Contribuinte. CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE 0 LUCRO CSLL — Na medida em que não há fatos ou argumentos novos a ensejar conclusões diversas, o lançamento reflexo colhe a sorte daquele que lhe deu origem. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os Membros do Colegiado, por unanimidade de votos, NEGAR provimento ao recurso de oficio e, DAR provimento PARCIAL ao recurso voluntário para reconhecer a decadência das exigências para a CSLL, anteriores ao mês de março de 2009, bem como cancelar a exigência referente ao item 5 do termo de verificação fiscal, nos termos do relatório e voto que integr ir o presente julgado. -IVETEMAL QUIAS PESSOA MONTEIRO Presidente e Relatora 1 EDITADO EM: 11/07/2011 Participaram, do presente julgamento, os Conselheiros Ivete Malaquias Pessoa Monteiro (Presidente da Turma), João Otavio Opperman Thorne, Silvana Rescigno Guerra Barretto, Leonardo de Andrade Couto , Ana Clarissa Mazuko dos Santos Araiajo(Suplente Convocada) e Joao Carlos Lima Junior(Vice-Presidente). 2 Processo 15374.000875 12003-91 SI-C1T2 Acórclao 1102-00.469 Fl. 2 Relatório Trata-se de recurso de oficio interposto nos termos do art. 34 do Dec. n.° 70.235, de 1972, corn a redação dada pelo art. 64 da Lei n.° 9.532, de 10 de dezembro de 1997, c/c a Portaria MF n.° 3, de 03 de janeiro de 2008, pela 2 a.Turma da DRJ Rio de janeiro/RJ em virtude da exoneração parcial consignada no Acórdão n° 2-704 de 30/01/2003, acostado aos autos as fls.134/149., que reconheceu a procedência parcial da impugnação Consta, também recurso voluntário interposto pela Contribuinte, as fls.153/159. Exigia-se, originariamente, o crédito tributário de fls. 02/35; 130/149 e 150/168, referente ao Imposto de Renda de Pessoa Jurídica — 1RPJ, no valor de R$ 1.909.478,30 e reflexos; o Imposto de Renda Retido na Fonte — IRRF, no valor de R$ 212.324,98 e a Contribuição Social sobre o Lucro liquido — CSLL, no valor de R$ 425.629,10, todos acrescidos de multa de 75% e demais acréscimos moratórios, referentes ao Exercício de 1993, ano calendário de 1992, capitulação legal nos respectivos termos. Decorre a exigência das seguintes infração:a) glosa de despesas financeiras. (item 02 do Termo de fls. 36/46);b) glosa de variações monetárias passivas (itens 5.1 e 5.2 do Termo de fls. 36/46);compensaydo indevida de prejuízos fiscais, apurada em função da reversão do prejuízo após o lançamento, no próprio auto de infração, das infrações constatadas no período base de abril e agosto de 1992;postergação de imposto por inobservância de regime de escrituração,(itens 3 e 04 do termo de fls. 36/46); postergação do imposto, inobservância do regime de escrituração, antecipação de custos ou despesas, (item 01 do Termo de fls. 36/46). Além do termo de Verificação Fiscal, fls. 36/46, constam os demonstrativos de fls.47/59 e documentos de fls.60/129. A sucessora da interessada, Xerox do Brasil Ltda., apresentou a impugnação de fis. 171/184, acompanhada dos documentos de fls. 185/205, na qual aceita e paga as imposições constantes dos itens 01 e 03 do Termo de Verificação Fiscal, DARFs as fls.185/187, referentes as seguintes infrações;( item 1 - carência de IR em função do estorno em agosto de 1992, item 3 - atualização de valores a receber em fevereiro de 1992 sem que tenha ocorrido a atualização da conta em janeiro de 1992). Pede improcedência dos itens 2 e 5 e a procedência parcial do item 4 do referido termo, ou seja, (nos termos do relatório do voto condutor do acórdão recorrido): (...) 5.2.1, Item 2 - desconto antecipado de cambiais e cobrança c/c juros nos matuos entre empresas ligadas, corn taxas inferiores as desembolsadas nos empréstimos captados junto a instituições financeiras, bem como repasse a controladora, no Brasil, de aumento de capital subscrito pela matriz no exterior, estando o crédito tributório constituído pela glosa dos juros pagos, no período de janeiro a junho de 1992 e glosa, no período de julho a dezembro de 1992, do valor relativo à diferença entre o que cobrou das empresas devedoras e o que pagou a mais para descontar as cambiais; 5.2.2. Item 4 - contabilização de exportações 'com atraso durante o ano calendário de 1992, tendo sido o crédito tributário constituído em vista das diferenças apuradas na relação - data de embarque/ valor cia receita/ custo da exportação, no período de janeiro a novembro de 1992; c 5.2.3. Item 5 - variação monetária passiva relativa a provisão para imposto de renda e CSLL do exercício de 1992, ano-base de 1991, havendo questionamento em juizo da correção monetária, com depósito judicial, tendo sido feita a glosa parcial da variação monetária, em .face da provisão dos tributos entendidos peht .fiscalização como não pagos. Quanto ao item 2 alega que a captação de recursos por intermédio de cambiais ciescontadas é um procedimento corriqueiro daquelas que atuam no comércio exterior. São usados para pagar os fornecedores das mercadorias exportadas e necessidades de caixa c/a empresa. fato de ela promover operações de mútuo com sucts afiliadas não está efetivamente ligado ao desconto das cambiais, é mera questão dc gestão de negócios; 5.4. alega que não poderia praticar os mesmos juros do mercado . financeiro, regido por legislação própria, já que infringiria a Lei da Usura, art. 10 do Decreto n° 22.626, de 1933, assim como os art. 13 do mencionado decreto e art. 1063 do Código Civil. Relembra que a norma fiscal determina que nos mútuos entre empresas coligadas deve-se reconhecer pelo menos a correção monetária; 5.5. quanto ao aumento de capital, no valor de 190 bilhões de cruzeiros, ocorrido no mês de setembro de 1992, junta cópia da Assentbleia Geral Extraordinária, fis.188/189, realizada naquela data para provar set. inveridica a afirmativa do autuante, uma vez que o aumento de capital ,foi realizado COM recursos próprios, C171 dinheiro, pela sócia Xerox do Amazonas S.A., empresa brasileira, e não subscrito pela matriz no exterior; 5.6. Com relação ao item 4, contabilização das receitas de exportação Se111 observctção do período de competência, afirma qtte no demonstrativo dos valores exportados o autuante só considerou o valor da receita e o valor do custo apurado 71C1S operaçõcs de exportação sem observar outras despesas que :levem ser consicleradas na apuração da correta diferença do crédito tributário. Assim, julgando correta a tese apresentada na autuação, afirma que recolheu o tributo devido com multa reduzida C171 50%, conforme guias de .fls. 190, informando, entretanto, que na apuração do valor devido considerou as despcsas de exportação comprovadas através c/c) demonstrativo de valores exportados de jan. a 1701 ,. de .1992,11s. 191/201;. 5.7. No que tange ao item 5, sobre. a dedução de tributos, já que só clepositou parte do valor em litígio, e o .fiscal considerou que apenas o percentual ele 63,68% do IR e 63,07% da CSLL poderiam ser dedutiveis, afirma que improcede o lançamento por falta de fimdamcnto legal. Reproduz a norma contida no art. 8° da Lei n° 8.541, dc 23/1211992, ressalta a vigência iniciada em jan. cie 1993 e concha' não restar dúvida de que nos casos ocorridos antes de 10 de jan. de 1993 os tributos com exigibilidade suspensa por rmedicla judicial eram passíveis de atualização, garantidos ou não por depósito judicial. Neste 4 Processo n° 15374.000875/2003-91 sl-C1T2 Acórc3on. 0 1102-00.469 Fl. 3 sentido transcreve ementa do Acórdão n° 101-86.276/94, do I° Conselho de Contribuintes, DOU de 12/05/1995; 5.8. Informa que o restante não depositado estava garantido por cartas de .fiança, instrumentos válidos para tal.Afirma que ao peticionar em juizo a inexistência de vinculo jurídico tributário, ofertando como garantia as cauções de praxe — deposito ,fiança, títulos de crédito e bens em penhora, concedida a liminar, não resta dúvida que a obrigação principal .foi cumprida, independente da forma em que ojuiz a tenha concedido; 5.9. alega que no demonstrativo intitulado "Composição Variação Monetária depósitos Judiciais", .fls. 202/203, de sua lavra e entregue ao autuante em atendimento ao Termo de Intimação n° 16, estão claras as variações monetárias dos tributos pagos subjudice, garantidos ou não por depósito ou fiança; 5.10. sobre a compensação de prejuízos, ausente do Termo de Verificação Fiscal, pede sua improcedência em face de todo o exposto acima. Sobrevém o acórdão acima mencionado, cuja parte dispositiva assim aponta: Vistos, relatados e discutidos, na Sessão de 30/01/2003, os autos do processo em epígrafe, ACORDAM, por maioria de votos, os membros da 2a Turma da Delegacia da Receita Federal c/c Julgamento no Rio de Janeiro - 1, JULGAR PROCEDENTE EM PARTE o lançamento efetuado, para considerar devido o IRPJ no valor de R$ 965.131,45 e a CSLL no valor de R$ 398,586,65, ambos acrescidos de multa de 75% e demais acréscimos moratorios, e indevido o IRRF exigido, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. Vencido o julgador Carlos Alberto Flores da Silva que declara a decctdência cio IRPJ também para os meses de abril, maio e agosto de 1992. INTIME-SE a interessada para recolhimento, no prazo de 30 (trinta) dias, do crédito tributário mantido, considerando, após a devida confirmação, os pagamentos de Ils.185/187, ressalvada a intezposição de recurso voluntário, em igual prazo, ao Primeiro Conselho de Contribuintes. Deste ato, recorro c/c oficio ao Primeiro Conselho de Contribuintes. Ciente em 27/03/2003, irresignada a Contribuinte interpõe o recurso voluntário de ils.153/159, em 17/04/2003, onde ratifica a impugnação (inteiro teor e seus anexos), as provas dos arrazoados oferecidos naquele e neste momento processual. Aponta que os itens objeto do recurso, conforme termo de ils.36/46, sãos os itens "4 e 5". O item 4- trata da contabilização de exportações corn atraso durante o ano calendário de 1992, cujo crédito constituído se deu em vista das diferenças apuradas na relação data de embarque e no valor da receita /custo de exportação, no período de janeiro a novembro de 1992. Item 5- variação monetária passiva relativa a provisão para imposto de renda e contribuição social sobre o lucro do exercício de 1992, ano base de 1991, havendo questionamento em juizo da correção monetária corn obtenção de liminar , ofertando em garantia depósito e ou fiança, ( feita a glosa parcial da variação monetária, em face da provisão dos tributos entendidos pela fiscalização como não pagos, garantidos por fiança) Comenta que a decisão, no que tange ao item 04, concluiu que as provas oferecidas eram insuficientes para justificar a correção dos lançamentos contábeis constantes no Livro Diário (fis.10/11 do acórdão). Aponta que esta dúvida s6 se aclararia ante a realização de perícia, face a farta documentação que deveria ser examinada e que compõe as planilhas de folhas 191/201, razão pela qual protesta pela conversão do julgamento em diligência , onde restará definitivamente provada a lisura do seu procedimento. Cita e transcreve o artigo 5 ° '.LV, da Constituição Federal em suporte ao seu pedido. Aponta que a decisão também confirma esta necessidade, quando o Relator do acórdão combatido fez constar no voto o seguinte :" a interessada poderia comprovar sua tese pela simples juntada de documentos aos autos e, optou por não fazê-lo, voto pela manutenção integral deste item da autuação" No tocante ao item 05 — o não reconhecimento da dedutibilldade da fiança bancária , tanto para fins de apuração do imposto de renda como da contribuição social, garantidora dos tributos com exigibilidade suspensa, a autoridade recorrida colide corn regra de interpretação literal proclamada no artigo 111 do Código Tributário Nacional. Por seu turno a Lei 8541/1993 dispôs em seu artigo 8 ° . que a partir de janeiro de 1993 ficava tipificado como redução indevida os valores de tributos ou contribuições corn exigibilidade suspensa, garantidos ou não por depósito. 0 texto aponta para a dedução desses encargos até dezembro de 1992, independentemente da forma de garantia utilizada, mesma linha de várias decisões do então 1 °. Conselho de Contribuintes da qual transcreve a ementa do acórdão 101-86.276/94 — DOU em 12/05/95. A restrição reveste-se em verdadeira sanção contra os que se utilizam de urna forma de garantia perfeitamente legitima, posto que a sua aplicação resulta em uma base de calculo maior do que o acréscimo patrimonial havido no período em que se tornam devidos os tributos respectivos, criando um ônus para quem exercita o direito cristalino de optar por urna forma de garantia, que a exemplo das demais não .sofre qualquer norma de preferencia ou hierarquia. Manter a interpretação pretendida equivaleria a premiar o contribuinte que se valeu do depósito e punir aquele que procurou outra forma de garantia, quando da obtenção da medida liminar, sem que o exercício de qualquer uma das formas de garantia. Inegável, portanto, que o surgimento da obrigação tributária, no momento de ocorrência do fato gerador não deixa de existir em razão da suspensão de sua exigibilidade, independentemente do tipo de garantia, pois, ocorrendo ou não tal evento, a divida e seus respectivos acréscimos permanece viva e como tal deve ser tratada contabilrnente , para que as 6 Processo n° 15374.000875/2003-91 SI-C1T2 Acórclillo 0. 0 1102-00.469 Fl. 4 demonstrações contábeis possam expressar a realidade patrimonial, da mesma forma que considerada para os efeitos de natureza fiscal., mormente em função da apuração do resultado. Resume reiterando o pedido de realização de perícia, e o provimento do recurso. Por sorteio recebo o processo para relato. Este é o relatório. Vo to Conselheira Ivete Malaquias Pessoa Monteiro, 0 recurso preenche os pressupostos de admissibilidade e dele conheço. Exigiu-se, originariamente, o crédito tributário de fls. 02/35; 130/149 e 150/168, referente ao Imposto de Renda de Pessoa Jurídica 1RPJ, no valor de R$ 1.909.478,30 e reflexos; o Imposto de Renda Retido na Fonte — IRRF, no valor de R$ 212.324,98 e a Contribuição Social sobre o Lucro liquido — CSLL, no valor de R$ 425.629,10, referentes ao Exercício de 1993, ano calendário de 1992, capitulação legal nos respectivos termos. As infração detectadas são da seguinte ordem: a) glosa de despesas financeiras. (item 02 do Termo de fls. 36/46); b) glosa de variações monetárias passivas (itens 5.1 e 5.2 do Termo de fls. 36/46); c) compensação indevida de prejuízos fiscais, apurada em função da reversão do prejuízo após o lançamento, no próprio auto de infração, das infrações constatadas no período base de abril e agosto de 1992; d) postergação de imposto por inobservância de regime de escrituração, antecipação de custos ou despesas, (item 01 ) e (itens 3 e 04 do termo de fls. 36/46); A sucessora da interessada, Xerox do Brasil Ltda., apresentou a impugnação apenas em relação aos itens 2 e 5 (total) e a procedência parcial do item 4 do referido termo. 0 provimento concedido se dá pelo reconhecimento da decadência para o IRPJ, pois a interessada apurou tributo devido nos meses de jan.; fey; mar.; jun. e jul. de 1992, tendo apurado prejuízo nos meses de abr. e ago. deste ano e compensado prejuízo no mês de maio. Tendo a ciência ocorrido em 03/09/1997, a autoridade recorrente reconheceu a decadência para os fatos geradores ocorridos em jan.;fev; mar.; jun. e jul. de 1992, na seguinte forma: "Aldo havendo pagamento a ser homologado o termo inicial do prazo para a contagem decadencial é aquele determinado pelo art. 173, 1, do CT1V, ou seja, o primeiro dia do exercido seguinte aquele no qual o lançamento poderia ter sido efetuado. Deste 7110(10, cabe agora verificar se houve apuração de tributo devido e portanto lançamento passível de homologação, para os fatos geradores anteriores a 03/094. A interessada apurou tributo devido nos meses de jan.; fev; mar.; jun. e jul. de 1992, tendo apurado prejuízo nos meses de abr. e ago. deste ano e compensado prejuízo no mês de maio.As.sim, declaro decaido o direito de a Fazenda lançar o IRPJ sobre os meses de jan.,lev; mar.; jun. e jul. de 1992." 8 SI-Cl I'2 Processo ti 0 15374.000S75./2003-91 Aeárd5o n.° 1102-00.469 Ff. 5 Também cancelou o IRRF lançado corn base no artigo 35 da lei 7713/1988. A Resolução n° 82/1996, de 18 de novembro de 1996, do Senado Federai, suspendeu a execução do art. 35 da Lei n° 7.713, de 29 de dezembro de 1988, no que diz respeito á expressão "o acionista" nele contida. 32. Em razão disso, foi editada a Instrução Normativa no 63, de 24 de julho de 1997, que assim dispõe: Art. I° - Fita vedada a COnStinlieãO de créditos da Fazenda Nacional, relativamente ao imposto de renda na .fonte sobre o lucro liquido, de que trata o art. 35 da Lei Z.713, de 22 de dezembro de 1988, em relação ás sociedades por ações. Parágrafo Único - 33. Ainda em seu artigo 3°, determina: Art. 30 - Caso os créditos' de natureza tributário, oriundos de lançamentos efetuados em desacordo com o disposto no'art. 1°, estejam pendentes de julgamento, os Delegados de Julgamento da Receita Federal subtrairão a aplicação da lei declarada inconstitucional. Portanto, sendo a interessada empresa constituída na fonna de sociedade por ações e tendo sido o auto de infração lavrado com . fulcro no art. 35 da Lei n° 7.713/1988, são indevidos os créditos tribittários exigidos. Relativamente ao item 2 do Termo de Verificação Fiscal: Glosa de despesas • financeiras pela apropriação de juros sobre desconto de cambiais quando no mesmo período a interessada efetuou contratos de mútuo corn empresas ligadas, em valor superior as cambiais contratadas, ocorrendo, inclusive, no período, urn aumento de capital que foi automaticamente repassado, a autoridade de primeiro grau entendeu que as razões de impugnação prosperavam, pelos seguintes argumentos: 21. Quanto ao aumento de capital e seu repasse imediato, como provado as Ils.78/80, ressalto, inicialmente, ser irrelevante ao caso se a capitalização se deu por empresa no exterior ou no pais. Por outro lado, não há na legislação nada que impeça essa trans." eréncia. 22. A questão aqui discutida é a necessidade ou não da interessada pagar juros, em contratos de câmbio vinculados a negócios de exportação, a taxas superiores àquelas cobradas nos mútuos efetuados com empresas coligadas. 23. 0 problema, nesses casos,' é a prova c/a desnecessidade cio encargo e da caracterizctção do repasse. Sendo a interessada tuna exportadora, é clara a necessidade e usualidade dos contratos de câmbio, os quais podem até, tendo em vista as taxas subsidiadas aplicadas a esses contratos, servirem a estratégias . financeims diversas, conforme o contexto cla época. 24. A jurisprudência administrativa afirma, em homenagem á tip/cidade legal, há necessidade da caracterização cio repasse coin excune do .fluxo de numerário captado e repassado, pressuposto principal da glosa de. despesas .financeiras indevidamente suportadas. No presente caso não restou clara, Coln datas e valores especificados, a transferência dos recursos captados no mercado financeiro para as empresas coligadas 27. Assim, ulna ve. que a constituição do crédito tributário pelo lançamento implica necessariamente na verificação da ocorrência do .fato gerador e determinação da matéria tributável, consoante o disposto pelo art. 142 do Código Tributário Nacional, improcede a autuação. Do reexame necessário, verifico que deve ser confirmada a exoneração processada pelos membros da 2'. Turma de Julgamento da DRJ Rio de Janeiro/RJ, não merecendo reparos o acórdão, visto que assentado na correta interpretação dos fatos , à luz da legislação tributária perfeitamente aplicável às hipóteses submetidas à sua apreciação. Nessa conformidade NEGO provimento ao recurso de oficio interposto. No tocante ao recurso voluntário, restaram litigiosos os itens seguintes: 0 item 4- trata da contabilização de exportações corn atraso durante o ano calendário de 1992, cujo crédito constituído se deu em vista das diferenças apuradas na relação data de embarque e no valor da receita /custo de exportação, no período de janeiro a novembro de 1992. Aqui pede a Recorrente que se realize diligência para confirmar o acerto nos lançamentos que foram objeto da planilha de fls.191/201, onde relaciona "outras despesas"sem a correspondente folha do Livro Diário onde cada uma fora escriturada, bem corno não juntou qualquer documento que suportasse tais valores, portanto não é possível saber onde essas despesas estariam contabilizadas e documentos comprobatórios do vinculo entre as despesas da conta "outras despesas de exportação", n° 787 92 82 e as receitas autuadas. Conforme dito na decisão recorrida, sem os documentos não 11á como se estabelecer a comprovação dos valores apontados nas planilhas e não vinculados, especificamente, aos respectivos lançamentos respectivos dos livros fiscais. A falta de juntada dos documentos que suportaram os lançamentos contábeis prejudica a instrução probatória pretendida pela Contribuinte. O exemplo citado na decisão reconida bem confirma este fato. É o caso das fls. 20 do anexo 1, onde há cópia da folha 42 do livro Diário (a Contribuinte indica despesas que estariam nas fls. 43 e 44), relativo ao mês de fevereiro, valor objeto da remessa necessária, onde consta a conta 787.92.82.00, "outras despesas com exportação", restando impossível saber a qual fatura aquelas despesas se referem. A prova necessária para comprovar as alegações da Recorrente não se restringe apenas às contabilizações realizadas no livro Diário. Ela deveria detalhar os lançamentos, juntar os respectivos documentos que deram suporte a contabilidade , bem como demonstrar que aqueles valores se relacionam com as receitas do período, para se confirmar então a pertinência das deduções realizadas. 1 0 Processo n° 15374.000875/2003-91 SI-C1T2 Acórdão n.° 1102-00.469 Fl. 6 Aqui pretende a Recorrente que o fisco realize trabalho que seria do seu encargo, sem falta de previsão legal. E a recorrente quem conhece os fatos e tem a obrigação da instrução probatória, conforme dispõe os arts. 15 (caput) e 16 do Decreto n° 70.235, de 6/03/1972. Por seu turno a fiscalização instruiu a exigência corn os elementos de prova de tls.47/57 e anexos, enquanto a impugnação e/ou recurso não vieram instruídas com os documentos que lhe dariam sustentação.Bastaria a simples juntada dos documentos e a sua vinculação nos respectivos lançamentos fiscais e contábeis mas tal providência não se realizou e, mais, a Recorrente optou por não fazê-lo deixando este encargo para o fisco. Pelo exposto não prosperam as razões oferecidas neste item especifico Melhor sorte tem a Recorrente em relação ao item 5 do termo de verificação fiscal, no que respeita à dedução dos valores dos tributos, que estavam sendo questionados judicialmente e para os quais ofertou carta de fiançaisto porque a impossibilidade de sua dedução só se formalizou a partir da vigência do art. 8° da Lei n° 8.541, de 23/12/1992, cuja vigência se inicia em janeiro de 1993. Outro item que merece reforma é a manutenção da exigência da CSLL para os meses que foram declarados decaidos em relação ao IRPJ, uma vez que a autoridade de primeiro grau não reconheceu a decadência dessa Contribuição, em homenagem ao artigo 45 da Lei 8212/1991. Contudo a controvérsia em saber se o prazo de decadência para o lançamento das contribuições sociais, sujeitas a sistemática do chamado "lançamento por homologação", deve ser contado por uma das regras previstas no CTN ou pela regra prevista no art. 45 da Lei n" 8.212/91 foi dirimida através da Súmula vinculante n 0 .8 conforme DOU de 20/06/2008: 'Eiji sessão de 12 de junho de 2008, o Tribunal Pleno editou os seguintes enunciados de súmula vinculante que se publicam no Diário da .Justiça e no Diário Oficial da União, nos termos do § 4" do art. 2" da Lei 11" 11.417/2006: S12111111a vinca/ante n°8 - São inconstitucionais o parágrafo único do artigo 5" do Decreto-Lei n°1.569/1977 e os artigos 45 e 46 da Lei 0" 8.212/1991, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário. Precedentes: RE 560.626, rel. Min. Gilmar Mendes, j. 12/6/2008; RE 556.664, rel. Min. Gilmar Mendes, j. 12/6/2008; RE 559.882, rel. Mi17. Gilmar Mencles, j. 12/6/2008; RE 559.943, rel. Min.Cánnen Lucia, j. 12/6/2008; RE 106.217, rel. Min. Octavio Gallotti, DJ 12/9/1986,- RE 138.284, rel. Min. Carlos Velloso, DJ 28/8/1992. Legislação: Decreto-Lei 17" 1.569/1997, art. 5°, parágrafo único Lei n" 8.212/1991, artigos 45 e 46 CF, art. 146, III Brasilia, 18 de junho de 2008. 11 Ministro Gilinar Mendes Presidente" (DOU n" 117, de 20/06/2008, Seçao I, pág. 1) Portanto, diante da declaração de inconstitucionalidade do art. 45 da Lei n'.8.212/91 deve ser adequada a contribuição social à forma de contagem do prazo decadencial implementada em relação ao IRPJ.(A decisão considerou decaídas as exigências anteriores ao mês de março de 2009, portanto a mesma conclusão deve ser estendida à CSLL). Nessa ordem de juizos, NEGO provimento ao recurso de oficio e DOU parcial provimento ao recurso voluntário, para reconhecer a decadência das exigências para a CS L L, anteriores ao mês de março de 2009, bem como cancelar a exigência referente ao item 5 do termo de verificação fiscal. IVE: E MALAQUIAS PESSOA MONTEIRO 12 Processo n° 15374.000875/2003-91 SI-CIT2 Acárdilo n.° 1102-00.469 Fl. 7 TERMO DE INTIMAÇÃO Intime-se urn dos Procuradores da Fazenda Nacional, credenciado junto a este Conselho, da decisão consubstanciada no acórdão supra, nos termos do art. 81, § 3°, do anexo II, do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria Ministerial n° 256, de 22 de junho de 2009. Brasilia, \\ / C . /2011. SE' TONIO DA ILVA Chefe "e--Eti e da la amara do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais-MF Ciência Data: Nome: Procurador(a) da Fazenda Nacional Encaminhamento da PFN: [ ] apenas com ciência; [ com Recurso Especial; [ ] com Embargos de Declaração; 13
score : 1.0
Numero do processo: 14120.000345/2008-77
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu May 12 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Thu May 12 00:00:00 UTC 2011
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF
Exercício: 2006
MULTA ISOLADA DE OFÍCIO. AUSÊNCIA DO PAGAMENTO DO CARNÊ-LEÃO.
INCIDÊNCIA CONCOMITANTE COM A MULTA DE OFÍCIO VINCULADA AO IMPOSTO LANÇADO NO AJUSTE ANUAL.
IMPOSSIBILIDADE. Mansamente assentada na jurisprudência dos
Conselhos de Contribuintes e da Câmara Superior de Recursos Fiscais que a multa isolada do carnê-leão não pode ser cobrada concomitantemente com a multa de ofício que incidiu sobre o imposto lançado no ajuste anual, este em decorrência da colação no ajuste anual do rendimento que deveria ter sido submetido ao recolhimento mensal obrigatório, pois ambas têm a mesma base
de cálculo.
Recurso provido.
Numero da decisão: 2102-001.297
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, DAR provimento ao recurso para cancelar a multa isolada do carnê-leão,
nos termos do voto do relator. Vencida a Conselheira Núbia Matos Moura que negava provimento.
Matéria: IRPF- ação fiscal - omis. de rendimentos - PF/PJ e Exterior
Nome do relator: GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS
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AUSÊNCIA DO PAGAMENTO DO CARNÊLEÃO. INCIDÊNCIA CONCOMITANTE COM A MULTA DE OFÍCIO VINCULADA AO IMPOSTO LANÇADO NO AJUSTE ANUAL. IMPOSSIBILIDADE. Mansamente assentada na jurisprudência dos Conselhos de Contribuintes e da Câmara Superior de Recursos Fiscais que a multa isolada do carnêleão não pode ser cobrada concomitantemente com a multa de ofício que incidiu sobre o imposto lançado no ajuste anual, este em decorrência da colação no ajuste anual do rendimento que deveria ter sido submetido ao recolhimento mensal obrigatório, pois ambas têm a mesma base de cálculo. Recurso provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, DAR provimento ao recurso para cancelar a multa isolada do carnêleão, nos termos do voto do relator. Vencida a Conselheira Núbia Matos Moura que negava provimento. Assinado digitalmente GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS Relator e Presidente. EDITADO EM: 25/05/2011 Fl. 1DF CARF MF Emitido em 03/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 25/05/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPO Assinado digitalmente em 25/05/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPO 2 Participaram do presente julgamento os Conselheiros Núbia Matos Moura, Atílio Pitarelli, Rubens Maurício Carvalho, Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti, Acácia Sayuri Wakasugi e Giovanni Christian Nunes Campos. Relatório Em face da contribuinte Myrian Glória Lima de Cevallos, CPF/MF nº 425.703.52004, já qualificada neste processo, foi lavrado, em 05/09/2008, auto de infração (fls. 02 a 08), com ciência postal em 11/09/2008 (fl. 127). Abaixo, discriminase o crédito tributário constituído pelo auto de infração, que sofre a incidência de juros de mora a partir do mês seguinte ao do vencimento do crédito: IMPOSTO R$ 22.622,28 MULTA DE OFÍCIO R$ 33.933,42 MULTA DE OFÍCIO EXIGIDA ISOLADAMENTE R$ 12.209,23 À contribuinte foram imputadas duas infrações, no anocalendário 2005, a saber: 1. glosa de despesa com livro caixa, no montante de R$ 102.569,02, conduta essa apenada com multa de ofício vinculada ao imposto lançado, no percentual qualificado de 150%; 2. falta do recolhimento do IRPF devido a título de carnêleão, conduta essa apenada com multa de ofício de 50%. Inconformada com a autuação, a contribuinte apresentou impugnação ao lançamento, dirigida à Delegacia da Receita Federal de Julgamento, deduzindo os seguintes argumentos (fl. 158 – transcrição do relatório da decisão recorrida): Intimada em 11/09/2008 (AR, fls. 127), a contribuinte apresentou impugnação parcial em 13/10/2008 (fls. 138141), alegando, em síntese, apenas quanto à multa isolada, que após o término do período base e sendo constatada a ausência de recolhimento de tributo, a única multa cabível é aquela descrita no inciso I do art. 44 da Lei n° 9.430/1996, que prevê a aplicação da penalidade, juntamente com o tributo ou a contribuição que não houver sido anteriormente recolhida, pois a multa haverá de ser efetivamente isolada quando colhida a infração antes do término do períodobase, conforme entendimento pacificado nos Conselhos de Contribuintes. Portanto improcede a imposição da multa isolada cumulada com a multa de oficio, sendo improcedente a ação fiscal a esse respeito. A 2ª Turma da DRJ/CGE, por unanimidade de votos, julgou procedente o lançamento, em decisão consubstanciada no Acórdão n° 0416.181, de 5 de dezembro de 2008 (fls. 157 a 159), que restou assim ementado: MULTA ISOLADA (CARNÊLEÃO). Fl. 2DF CARF MF Emitido em 03/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 25/05/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPO Assinado digitalmente em 25/05/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPO Processo nº 14120.000345/200877 Acórdão n.º 210201.297 S2C1T2 Fl. 2 3 É devida multa isolada por falta de recolhimento mensal do imposto de renda pessoa física (carnêleão), que não se confunde com a multa de oficio que incide em razão da falta de recolhimento do imposto suplementar. A contribuinte foi intimada da decisão a quo em 29/01/2009 (fl. 168). Irresignada, interpôs recurso voluntário em 02/03/2009 (fl. 171). No voluntário, a recorrente repisa a argumentação da impugnação. É o relatório. Voto Conselheiro Giovanni Christian Nunes Campos, Relator Declarase a tempestividade do apelo, já que a contribuinte foi intimada da decisão recorrida em 29/01/2009 (fl. 168), quintafeira, e interpôs o recurso voluntário em 02/03/2009 (fl. 171), dentro do trintídio legal, este que teve seu termo final em 02/03/2009, segundafeira. Dessa forma, atendidos os demais requisitos legais, passase a apreciar o apelo, como discriminado no relatório. A lide versa apenas sobre a possibilidade da existência concomitante da multa isolada pela falta de recolhimento do IRPF a título de carnêleão e a multa vinculada ao imposto apurado no ajuste anual, quando os rendimentos recebidos de pessoa física dão azo ao lançamento das multas isolada (dentro do anocalendário) e vinculada. Entendo que assiste razão à contribuinte. No caso em que os rendimentos sujeitos ao carnêleão são colacionados pela autoridade fiscal no ajuste anual, a jurisprudência administrativa assentouse no sentido da impossibilidade da imputação de uma dupla penalidade pecuniária ao autuado pela omissão dos rendimentos recebidos de pessoa física (ou de fonte do exterior), uma vinculada ao imposto devido (a multa de ofício vinculada ao imposto devido no ajuste anual, no percentual de 75% do imposto) e outra pelo não recolhimento do carnêleão (multa de ofício isolada, tendo como base de cálculo o imposto não antecipado mensalmente – carnêleão), ao fundamento de que a omissão dos rendimentos recebidos de pessoa física (ou de fonte do exterior) seria a base de cálculo para a apuração do imposto anual e daquele que deveria ter sido antecipado dentro do anocalendário, com as multas no percentual de 75% incidentes sobre cada um dos impostos apurados – o que deveria ter sido antecipado e o do ajuste anual (ou mesmo no percentual de 50%, no caso da multa isolada do carnêleão, como no caso vertente). Em essência, uma mesma conduta (omissão de rendimentos percebidos de pessoa física ou de fonte do exterior), levaria a uma dupla penalidade, o que não seria admitido em nosso ordenamento jurídico. Para tanto, vejamse as seguintes ementas: Fl. 3DF CARF MF Emitido em 03/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 25/05/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPO Assinado digitalmente em 25/05/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPO 4 Acórdão nº CSRF/0104.987, sessão de 15 de junho de 2004, relatora a conselheira Leila Maria Scherrer Leitão MULTA ISOLADA E MULTA DE OFÍCIO – CONCOMITÂNCIA –MESMA BASE DE CÁLCULO – A aplicação concomitante da multa isolada (inciso III, do § 1º, do art. 44, da Lei nº 9.430, de 1996) e da multa de ofício (incisos I e II, do art. 44, da Lei n 9.430, de 1996) não é legítima quando incide sobre uma mesma base de cálculo. Acórdão nº 10248.216, sessão de 26 de janeiro de 2007, relator o conselheiro Antonio José Praga de Sousa PRESTAÇÃO DE SERVIÇO POR NACIONAIS JUNTO AO PNUD TRIBUTAÇÃO – São tributáveis os rendimentos decorrentes da prestação de serviço junto ao Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento –PNUD, quando recebidos por nacionais contratados no País, por faltarlhes a condição de funcionário de organismos internacionais, este detentor de privilégios e imunidades em matéria civil, penal e tributária. (Acórdão CSRF 0400.024 de 21/04/2005). MULTA ISOLADA E MULTA DE OFÍCIO CONCOMITÂNCIA MESMA BASE DE CÁLULO A aplicação concomitante da multa isolada e da multa de oficio não é legítima quando incide sobre uma mesma base de cálculo (Acórdão CSRF nº 0104.987 de 15/06/2004). Acórdão nº 10422.058, sessão de 06 de dezembro de 2006, relator o conselheiro Nelson Mallmann RENDIMENTOS RECEBIDOS DE ORGANISMOS INTERNACIONAIS UNESCO/ONU A isenção de imposto de renda sobre rendimentos pagos pelos organismos internacionais é privilégio exclusivo dos funcionários que satisfaçam as condições previstas na Convenção sobre Privilégio e Imunidades das Nações Unidas, recepcionada no direito pátrio pelo Decreto nº. 22.784, de 1950 e pela Convenção sobre Privilégios e Imunidades das Agências Especializadas da Organização das Nações Unidas, aprovada pela Assembléia Geral do Organismo em 21 de novembro de 1947, ratificada pelo Governo Brasileiro por via do Decreto Legislativo nº. 10, de 1959, promulgada pelo Decreto nº. 52.288, de 1963. Não estão albergados pela isenção os rendimentos recebidos pelos técnicos a serviço da Organização, residentes no Brasil, sejam eles contratados por hora, por tarefa ou mesmo com vínculo contratual permanente. LEGITIMIDADE PASSIVA Os Organismos Internacionais que possuem imunidade de jurisdição não se submetem à legislação interna brasileira, portanto deles não se pode exigir a retenção e o recolhimento do imposto de renda sobre valores pagos às pessoas físicas. Estas têm seus rendimentos sujeitos à tributação mensal, na forma de carnêleão. MULTA DE LANÇAMENTO DE OFÍCIO E MULTA ISOLADA CONCOMITÂNCIA É incabível, por expressa disposição legal, a aplicação concomitante de multa de lançamento de ofício exigida com o tributo ou contribuição, com multa de lançamento Fl. 4DF CARF MF Emitido em 03/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 25/05/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPO Assinado digitalmente em 25/05/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPO Processo nº 14120.000345/200877 Acórdão n.º 210201.297 S2C1T2 Fl. 3 5 de ofício exigida isoladamente. (Artigo 44, inciso I, § 1º, itens II e III, da Lei nº. 9.430, de 1996). Acórdão nº 10616.124, sessão de 28 de fevereiro de 2007, relator o conselheiro José Ribamar Barros Penha IMPOSTO DE RENDA PESSOA FÍSICA. REMUNERAÇÃO AUFERIDA POR NACIONAIS JUNTO AO PNUD. TRIBUTAÇÃO – Estão sujeitos a tributação do Imposto de Renda os rendimentos auferidos junto ao Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento – PNUD em contraprestação de serviço contratados em território nacional, uma vez não preenchida a condição de funcionário do organismo internacional. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. MULTA ISOLADA CONCOMITANTE – É de ser afastada a aplicação de multa isolada concomitantemente com multa de ofício tendo ambas a mesma base de cálculo. No ponto, é de se afastar a multa isolada de 50% que incidiu sobre o recolhimento mensal obrigatório (carnêleão) não pago, com provimento do recurso voluntário. Ante o exposto, voto no sentido de DAR provimento ao recurso. Assinado digitalmente Giovanni Christian Nunes Campos Fl. 5DF CARF MF Emitido em 03/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 25/05/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPO Assinado digitalmente em 25/05/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPO
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Numero do processo: 10980.008461/2005-19
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 22 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Wed Feb 23 00:00:00 UTC 2011
Ementa: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE SIMPLES
Ano-calendário: 2005
SIMPLES
As atividades de despachantes aduaneiro são impeditivas da opção pelo Simples, enquanto perdurarem no objeto social da contribuinte.
Numero da decisão: 1302-000.520
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em DAR PROVIMENTO PARCIAL ao recurso.
Matéria: Simples- proc. que não versem s/exigências cred.tributario
Nome do relator: IRINEU BIANCHI
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Recorrida 2ª TURMA/DRJCURITIBA/PR ASSUNTO: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE SIMPLES Anocalendário: 2005 SIMPLES As atividades de despachantes aduaneiro são impeditivas da opção pelo Simples, enquanto perdurarem no objeto social da contribuinte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em DAR PROVIMENTO PARCIAL ao recurso. MARCOS RODRIGUES DE MELLO Presidente. “documento assinado digitalmente” IRINEU BIANCHI Relator. “documento assinado digitalmente” Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Rodrigues de Mello (presidente da turma), Irineu Bianchi (vicepresidente), Daniel Salgueiro da Silva, Eduardo de Andrade, Lavínia Morais de Almeida Nogueira Junqueira e Wilson Fernandes Guimarães. Fl. 1DF CARF MF Emitido em 20/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 19/07/2011 por IRINEU BIANCHI Assinado digitalmente em 19/07/2011 por IRINEU BIANCHI, 20/07/2011 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Processo nº 10980.008461/200519 Acórdão n.º 130200.520 S1C3T2 Fl. 42 2 Relatório CALETRANS TRANSPORTES DE CARGAS E LOCAÇÃO, inscrita no CNPJ sob n. 07.510.048/000199, inconformada com a decisão de primeira instância, que lhe foi desfavorável, recorre a este Colegiado visando à reforma da mesma. Tratam os autos da exclusão da interessada do sistema simplificado de tributação, tendo em vista que de seus atos constitutivos consta o exercício da atividade de despachante aduaneiro, expressamente vedada pelo diploma de regência. A exclusão restou materializada através do Ato Declaratório Normativo n. 053, de 26 de fevereiro de 2008 (fls. 11). Cientificada (fls. 12), em tempo hábil a interessada apresentou a Manifestação de Inconformidade de fls. 14, dizendo em síntese que nunca exerceu atividades impeditivas. A 2ª Turma Julgadora da DRJ em Curitiba(PR), indeferiu a solicitação, nos termos do acórdão n. 0622.196 (fls. 25/26), cujos fundamentos achamse consubstanciados na respectiva ementa, in verbis: SIMPLES. ATIVIDADE VEDADA. IMPEDIMENTO PARA A PERMANÊNCIA NO SIMPLES. Mantémse os efeitos do Ato Declaratório Executivo n° 053, de 2007, da DRF/Curitiba, quando se comprova que mesmo após a alteração, por exclusão, do contrato social o sujeito passivo oferece atividade atinente a Despachante Aduaneiro ou assemelhados, vedadas ao Simples. Cientificada da decisão (fls. 29), a interessada, tempestivamente, interpôs o recurso voluntário de fls. 30, tornando a suscitar os argumentos da Manifestação de Inconformidade. É o Relatório. Voto Conselheiro IRINEU BIANCHI O recurso é tempestivo e reúne os demais pressupostos de admissibilidade, devendo ser conhecido. Segundo o Despacho Decisório de fls. 9/10, a recorrente foi excluída do SIMPLES por exercer a atividade de despachante aduaneiro, expressamente incompatível com aquele sistema de tributação. Fl. 2DF CARF MF Emitido em 20/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 19/07/2011 por IRINEU BIANCHI Assinado digitalmente em 19/07/2011 por IRINEU BIANCHI, 20/07/2011 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Processo nº 10980.008461/200519 Acórdão n.º 130200.520 S1C3T2 Fl. 43 3 A decisão de primeira instância, ao enfrentar os argumentos da interessada, assim se manifestou: 7. Na peça de defesa o sujeito passivo alega ter solucionado suas pendências para com a o Município, ter alterado o Contrato Social e solicita a reforma do ato ora atacado. 8. Dentre os documentos juntados aos autos está a Alteração Contratual n° 1 da empresa, fls. 20/23, registrada em 30/07/2007, onde foram excluídas as seguintes atividades: agenciamento, logística, movimentação e distribuição de cargas em geral e de derivados de petróleo a granel, produtos químicos, petroquímicos, minerais e vegetais, por conta própria e de terceiros; agenciamento, logística, movimentação e distribuição internacional, nacional e intermodal de carga em regime normal e trânsito aduaneiro, inclusive simplificado, tais como monitoramento, controle e gerenciamento do fluxo de materiais, equipamentos em estoque, assessoramento, consolidação de cargas em contêineres; locação de veículos, contêineres, máquinas e equipamentos e aparelhos utilizados por empresas de transporte aquáticos, rodoviários e ferroviários; despacho aduaneiro na importação e exportação. 9. Desta forma, o objeto social passou a ser: transporte rodoviário de cargas em geral, intermunicipal, interestadual e internacional e desconsolidação de cargas em contêineres. Pois bem, embora a pessoa jurídica tenha providenciado a alteração do Contrato social, como, ao invés de mencionar as atividades a serem desenvolvidas, preferiu optar por excluir parte daquelas anteriormente declaradas, não atentando para o fato de que a desconsolidação de cargas em contêineres permaneceu vigente. 10. Pois bem, a desconsolidação de cargas em containeres é tarefa atinente aos despachantes aduaneiros que, de posse dos conhecimentos de transportes providenciará a separação dos volumes referentes a cada importador. 11. Pois bem, ante esta constatação não merece reparos o ato de exclusão ora atacado, razão pela qual é de se indeferir o pedido da interessada. Ou seja, inobstante a alteração contratual, a Turma Julgadora entendeu que a atividade de despachante aduaneiro permaneceu no objeto social da recorrente, através da desconsolidação de cargas em contêineres que, segundo a decisão recorrida, é tarefa atinente aos despachantes aduaneiros. Embora discorde da conclusão, observo que a afirmação contida no item 9, acima, não condiz com a cláusula 3ª do contrato social consolidado (fls. 21), que diz: Terceira – O objeto social: Transporte rodoviário de cargas em geral, intermunicipal, interestadual e internacional. É incontestável, portanto, que a partir da alteração contratual levada a efeito em 21 de julho de 2007, a recorrente já não tem como objetivo social a atividade de despachante aduaneiro podendo encontrar albergue no sistema simplificado. Fl. 3DF CARF MF Emitido em 20/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 19/07/2011 por IRINEU BIANCHI Assinado digitalmente em 19/07/2011 por IRINEU BIANCHI, 20/07/2011 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Processo nº 10980.008461/200519 Acórdão n.º 130200.520 S1C3T2 Fl. 44 4 Embora equivocada a conclusão da decisão recorrida, entendo que o Despacho Decisório é escorreito, ao menos de forma parcial, uma vez que vem amparado nas disposições pertinentes da Lei n. 9.317, de 1996, particularmente no que concerne à expressa proibição de os despachantes aduaneiros encontrarem albergados pelo sistema simplificado e pela sua exclusão obrigatória. Bem por isto o ADE n. 053 fixou que os efeitos da exclusão deveriam retroagir à data de 01 de agosto de 2005, eis que a interessada foi constituída no dia 13 de julho daquele ano. Todavia, a partir da alteração contratual acima mencionada, que extirpou a atividade de despachante aduaneiro do objeto social da empresa, a sua permanência no sistema simplificado deve ser admitida. ISTO POSTO, conheço do recurso voluntário e voto no sentido de DAR LHE PROVIMENTO PARCIAL, para declarar a contribuinte excluída do Simples até a data de 21 de julho de 2007. Sala das Sessões, “documento assinado digitalmente” IRINEU BIANCHI Relator Fl. 4DF CARF MF Emitido em 20/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 19/07/2011 por IRINEU BIANCHI Assinado digitalmente em 19/07/2011 por IRINEU BIANCHI, 20/07/2011 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO
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