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Numero do processo: 13840.000215/00-18
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Aug 27 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Mon Sep 29 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 1999
VERDADE MATERIAL. PROVA INCONTESTE.
A juntada de prova cuja simples leitura, em documento de uma só folha, permite constatar as alegações sustentadas pela recorrente, e cuja inadmissibilidade motivada pela preclusão perenizaria situação de injustiça evidente, deve ser considerada, ainda que em sede de embargos, em atendimento ao princípio da verdade material e à instrumentalidade do processo.
Numero da decisão: 1302-001.493
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em acolher os embargos, reconhecendo parcialmente o crédito pleiteado, nos termos do relatório e voto proferidos pelo Relator, vencidos os Conselheiros Alberto Pinto Souza Junior e Waldir Veiga Rocha.
(assinado digitalmente)
ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR - Presidente.
(assinado digitalmente)
EDUARDO DE ANDRADE - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Alberto Pinto Souza Junior (presidente da turma), Márcio Rodrigo Frizzo, Waldir Veiga Rocha, Guilherme Pollastri Gomes da Silva e Eduardo de Andrade. Ausente, justificadamente, o Conselheiro Hélio Eduardo de Paiva Araújo.
Nome do relator: EDUARDO DE ANDRADE
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PROVA INCONTESTE. A juntada de prova cuja simples leitura, em documento de uma só folha, permite constatar as alegações sustentadas pela recorrente, e cuja inadmissibilidade motivada pela preclusão perenizaria situação de injustiça evidente, deve ser considerada, ainda que em sede de embargos, em atendimento ao princípio da verdade material e à instrumentalidade do processo. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em acolher os embargos, reconhecendo parcialmente o crédito pleiteado, nos termos do relatório e voto proferidos pelo Relator, vencidos os Conselheiros Alberto Pinto Souza Junior e Waldir Veiga Rocha. (assinado digitalmente) ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Presidente. (assinado digitalmente) EDUARDO DE ANDRADE Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Alberto Pinto Souza Junior (presidente da turma), Márcio Rodrigo Frizzo, Waldir Veiga Rocha, Guilherme Pollastri AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 84 0. 00 02 15 /0 0- 18 Fl. 356DF CARF MF Impresso em 29/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/09/2014 por EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 09/09/2014 p or EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 28/09/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR 2 Gomes da Silva e Eduardo de Andrade. Ausente, justificadamente, o Conselheiro Hélio Eduardo de Paiva Araújo. Fl. 357DF CARF MF Impresso em 29/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/09/2014 por EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 09/09/2014 p or EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 28/09/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 13840.000215/0018 Acórdão n.º 1302001.493 S1C3T2 Fl. 357 3 Relatório Tratase de apreciar embargos de declaração opostos por CLINICA DE REPOUSOS DE ITAPIRA LTDA em face do acórdão nº 130200.816, proferido por esta turma na sessão de 31/01/2012, no qual este colegiado decidiu, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso. Ciência em 01/08/2012. Protocolização dos embargos em 06/08/2012. Alega a embargante existência de omissão, contradição, obscuridade. Segundo alega a embargante: a) há contradição, pois embora o acórdão conclua pela inexistência de provas quanto ao crédito do sujeito passivo, o acórdão embargado reconhece que há documentos capazes de comprovar o alegado pela embargante ao se utilizar de comprovante de retenção feita pelo órgão público, acostado às fls.11, para elaborar tabela e demonstrar a divergência ente o percentual de retenção efetivo (4,83%) e aquele trazido pela embargante no recurso voluntário (4,85%). Assim, se o acórdão reconhece que a retenção efetiva foi de 4,83% também reconhece que a recorrente estava amparada por ação judicial à época, tendo assegurado o direito de recolher a Cofins à alíquota de 2% e não ao percentual de 3%; b) tendo em vista que a certidão de objeto e pé trazida à colação no recurso voluntário foi rejeitada pela turma, porque não era emitida para ela e sim para a Clínica de Repouso Mailasqui S/C Ltda (CNPJ 70.949.722/000172), a embargante acosta nova certidão, agora emitida em seu nome, requerendo seu conhecimento, em atenção ao princípio da verdade material; c) ao não reconhecer argumentos trazidos pela recorrente no recurso voluntário, por estar precluso seu conhecimento, nos termos do art. 16, III, c/c art. 17, ambos do Decreto nº 70.235/72) o acórdão foi omisso, relativamente àqueles argumentos. Pede, ao final, acolhimento dos embargos para o fim de sanarem as falhas do acórdão e, por conseqüência, que se dê provimento ao recurso voluntário da embargante. É o relatório. Fl. 358DF CARF MF Impresso em 29/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/09/2014 por EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 09/09/2014 p or EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 28/09/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR 4 Voto Conselheiro Eduardo de Andrade, Relator. Os embargos são tempestivos, e em face da alegação de omissão e contradição, deles conheço. No que tange à alegação de contradição, vêa a embargante no fato de que a prova apresentada foi conhecida para o efeito de apontar erro no percentual de retenção (que foi de 4,83% e não como alegado, de 4,85%), mas não se reconheceu o direito da ora embargante quanto à liquidez e certeza do crédito alegado. De fato, o acórdão embargado aponta na prova apresentada o erro no percentual alegado de retenção. Mas este argumento, além de tão somente prestarse a reforço argumentativo, já que a alegação era por si intempestiva, não enseja contradição, porquanto não acolhe a prova, como prova de que o contribuinte estava sujeito à Cofins no percentual de 2%, por decorrência de ação judicial, mas tão somente mostra que ela é incompatível com a alegação apresentada, enfraquecendoa. Em outras palavras, a prova não foi utilizada contra o contribuinte, para o efeito de negarlhe provimento, mas tão somente para o efeito de demonstrar que discrepava da alegação que a sustentava e era inservível ao fim desejado. Vejamos: A recorrente, na peça recursal de segunda instância, inova em suas alegações, postulando haver erro da fiscalização na desconsideração indevida de retenções de órgãos públicos. Segundo alega, detinha decisão judicial para recolher Cofins sob alíquota de 2%, ao invés de 3% (juntada tão somente quando da interposição do Recurso Voluntário), diversamente, portanto, ao que prescrevia o art. 8º da Lei nº 9718/98. Assim, as retenções feitas por órgãos públicos foram feitas no percentual de 4,85% e não no percentual de 5,85%, como ordinariamente prescrito, conforme tabela abaixo: Isto porque o percentual total de 5,85% fica reduzido para 4,85% acaso a retenção da Cofins seja de 2% ao invés de 3%. Assim, segundo afirma, os percentuais glosados pela fiscalização de IRPJ e CSLL foram indevidos, porque não houve qualquer redução na retenção deles, mas tão somente redução de Cofins. Fl. 359DF CARF MF Impresso em 29/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/09/2014 por EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 09/09/2014 p or EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 28/09/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 13840.000215/0018 Acórdão n.º 1302001.493 S1C3T2 Fl. 358 5 A alegação é intempestiva e se encontra preclusa (art.16, III, c/c art.17, Decreto nº 70.235/72), bem como os documentos ulteriormente acostados (art. 16, §4º do Decreto nº 70.235/72), vez que não demonstrada a força maior, a superveniência de fato ou direito, ou que fosse destinada a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidos aos autos, que tenham impedido sua postulação no momento da impugnação. Mas também não está devidamente suportada pelas provas acostadas. Ao mencionar que a retenção de fls.11 não está realizada no percentual de 5,85% não comprova que ela foi, ao revés, feita no percentual de 4,85%, como, inclusive, sugere sua tabela de fls.282. Pelo contrário, se tomarmos, por exemplo, os valores de janeiro e fevereiro, temos que o percentual de retenção é de 4,83% (conforme tabela abaixo), diferentemente do que alega. Não há qualquer explicação para esta discrepância de valores. janeiro fevereiro Rendimento Bruto 369.342,59 356.028,52 Retenção a 4,85% 17.913,12 17.267,38 Retenção a 5,85% 21.606,54 20.827,67 Retenção a 4,83% (efetivamente praticada) 17.841,50 17.193,29 Desta maneira, não vejo a contradição alegada. Também não merece guarida a alegação de omissão, quanto a argumentos levantados somente no recurso voluntário. Isto porque o acórdão os apreciou, embora tenha lhes negado provimento, por não estarem lastreados em provas robustas. Demais disso, a embargante sequer informa quais argumentos não teriam sido apreciados. Relativamente à nova certidão apresentada, cabe aduzir que o acórdão recorrido havia rechaçado a certidão de objeto e pé acostada anteriormente, porquanto ela havia sido extraída para a para a Clínica de Repouso Mailasqui S/C (CNPJ 70.949.722/000172) e não para a recorrente, ora embargante. Vejamos também esta passagem: Também a Certidão de Objeto e Pé que traz à colação não é extraída para ela, e sim, para a Clínica de Repouso Mailasqui S/C (CNPJ 70.949.722/000172), ficando, conseqüentemente desacompanhada da necessária prova a alegação de que a retenção a menor se deu em função de ação judicial. Se a recorrente, por acaso, era substituta processual naquele processo do Sindicato dos hospitais, clinicas, casas de saúde, laboratórios de pesquisas e análises clínicas, instituições Fl. 360DF CARF MF Impresso em 29/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/09/2014 por EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 09/09/2014 p or EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 28/09/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR 6 beneficentes, religiosas e filantrópicas do estado de São Paulo – SINDHOSP, não fez prova de tal condição nestes autos. Neste nova oportunidade, em sede de embargos, junta a embargante nova certidão, que faz menção à sua condição de substituta processual do Sindicato dos Hospitais, Clínicas, Casas de Saúde, Laboratórios de Pesquisas e Análises Clínicas, Instituições Beneficentes, Religiosas e Filantrópicas do Estado de São Paulo – SINDHOSP. É fato que se operou a preclusão temporal para apresentação de novos documentos, exceto nas limitadas condições expressas no §4º do art. 16 do Decreto nº 70.235/72. Todavia, devese ressaltar que a certidão apresentada efetivamente prova as alegações da recorrente, que até então vinham desacompanhadas de prova. É também inconteste que a defesa equivocouse ao não juntar aos autos a certidão correta. Isto se depreende do fato de que a data de emissão da nova certidão apresentada é anterior àquela já apresentada, o que nos faz crer que o documento já existia, mas foi indevidamente mantido em poder da recorrente, fazendose a juntada indevida da certidão emitida para a Clínica de Repouso Mailasqui S/C (CNPJ 70.949.722/000172). Assim, embora não se perca de vista o conteúdo prescritivo do §4º do art. 16 do Decreto nº 70.235/72, tenho para mim que, com base no novo documento apresentado, a embargante efetivamente teve direito à retenção ao percentual de 2%, e que, portanto, há indícios de que as retenções feitas pelo Fundo Nacional de Saúde (fls.11) de fato vieram a de alguma forma expressar esta situação. Desta forma, embora mantenha minha posição de reconhecer o prestígio do §4º do art. 16 do Decreto nº 70.235/72, mesmo em face do princípio da verdade material, cujas sobreposições àquele devem ser analisadas casoacaso, devidamente demonstrada a busca da justiça, entendo que no caso vertente, fixarse à preclusão temporal levaria a uma situação já sabida de desalinhamento do processo com a realidade ocorrida, perenizandose, ao meu ver, uma situação de injustiça, em apego exacerbado às regras processuais. Neste sentido, vale a lição de Cândido Rangel Dinamarco1, para quem o processo é instrumental e deve ser visto como um meio e não como um fim em si mesmo. A instrumentalidade do processo é vista pelo aspecto negativo e pelo positivo. O negativo corresponde à negação do processo como valor em si mesmo e repúdio aos exageros processualísticos a que o aprimoramento da técnica pode insensivelmente conduzir.[...] o aspecto negativo da instrumentalidade do processo guarda, assim, alguma semelhança com a idéia da instrumentalidade das formas. O aspecto positivo é caracterizado pela preocupação em extrair do processo, como instrumento, o máximo de proveito quanto à obtenção dos resultados propostos (os escopos do sistema); infundese com a problemática da efetividade do processo e conduz à assertiva de que “o processo deve ser apto a cumprir integralmente toda a sua função sóciopolíticojurídica, atingindo em toda a plenitude todos os seus escopos institucionais. Assim, tendo em vista o atendimento ao princípio da verdade material, acolho a nova certidão apresentada, vez que faz a prova que faltava, relativamente à condição da embargante de associada ao SINDHOSP, e reconheço os efeitos da sentença proferida. 1 DINAMARCO, Cândido Rangel. A instrumentalidade do processo.14ªed. São Paulo: Malheiros, 2009. Fl. 361DF CARF MF Impresso em 29/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/09/2014 por EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 09/09/2014 p or EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 28/09/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 13840.000215/0018 Acórdão n.º 1302001.493 S1C3T2 Fl. 359 7 Todavia, ainda assim, os efeitos disto não jazem na proporção que espera a embargante. Isto porque, em primeiro lugar, diferentemente do quanto alega, a análise do Comprovante Anual de Retenção emitido pela Fundação Nacional de Saúde (fls.11 processo papel) demonstra que as retenções de janeiro a agosto foram feitas no percentual de 4,85%, atendendo ao disposto na IN SRF/STN/SFC nº 18/97. Assim, tão somente os recolhimentos a partir do mês de setembro/1999 foram efetuados no percentual de 5,85%, nos termos já da IN SRF nº 28/99 (fls.11processo papel). Vejamos: Mês Rend. Bruto 5,85% 4,85% Ret.Efetiva janeiro 369.342,59 21.606,54 17.913,12 17.841,50 fevereiro 356.028,52 20.827,67 17.267,38 17.193,29 março 354.873,32 20.760,09 17.211,36 17.136,07 abril 332.394,22 19.445,06 16.121,12 16.044,54 maio 362.583,51 21.211,14 17.585,30 17.506,92 junho 350.972,43 20.531,89 17.022,16 16.942,51 julho 358.404,24 20.966,65 17.382,61 17.301,85 agosto 349.656,97 20.454,93 16.958,36 16.876,70 setembro 359.282,10 21.018,00 17.425,18 20.702,08 outubro 362.168,44 21.186,85 17.565,17 21.086,07 novembro 347.443,18 20.325,43 16.850,99 20.223,67 dezembro 371.816,56 21.751,27 18.033,10 21.648,60 TOTAIS 4.274.966,08 250.085,52 207.335,85 220.503,80 Assim, os percentuais efetivamente retidos, proporcionalizados em razão da retenção feita, ora a 4,85%, ora a 5,85%, devem ser assim reconhecidos, no tocante a cada tributo objeto da retenção: Mês Ret.Efetiva IR 1,2% CS 1% PIS 0,65% Cofins 2% Cofins 3% Soma (IR+CL+PIS+COFINS) Retenção a janeiro 17.841,50 4.414,39 3.678,66 2.391,13 7.357,32 17.841,50 4,85% fevereiro 17.193,29 4.254,01 3.545,01 2.304,26 7.090,02 17.193,29 4,85% março 17.136,07 4.239,85 3.533,21 2.296,59 7.066,42 17.136,07 4,85% abril 16.044,54 3.969,78 3.308,15 2.150,30 6.616,31 16.044,54 4,85% maio 17.506,92 4.331,61 3.609,67 2.346,29 7.219,35 17.506,92 4,85% junho 16.942,51 4.191,96 3.493,30 2.270,65 6.986,60 16.942,51 4,85% julho 17.301,85 4.280,87 3.567,39 2.318,80 7.134,78 17.301,85 4,85% agosto 16.876,70 4.175,68 3.479,73 2.261,83 6.959,46 16.876,70 4,85% setembro 20.702,08 4.246,58 3.538,82 2.300,23 10.616,45 20.702,08 5,85% outubro 21.086,07 4.325,35 3.604,46 2.342,90 10.813,37 21.086,07 5,85% novembro 20.223,67 4.148,45 3.457,04 2.247,07 10.371,11 20.223,67 5,85% dezembro 21.648,60 4.440,74 3.700,62 2.405,40 11.101,85 21.648,60 5,85% TOTAIS 220.503,80 51.019,27 42.516,06 27.635,44 56.430,26 42.902,78 220.503,80 Desta feita, como já havia sido reconhecido pela DRF no despacho decisório (fls.210/213 processo papel) o Comprovante Anual de Retenção emitido pela Fundação Fl. 362DF CARF MF Impresso em 29/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/09/2014 por EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 09/09/2014 p or EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 28/09/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR 8 Nacional de Saúde, bem como a proporcionalização da retenção efetiva, fazendose sua sobreposição aos dados informados na DIPJ, os quais haviam ali sido declarados em valores inferiores, entendo devam ser os valores de retenção de IRRF e CSLL retificados de acordo com a tabela acima (IRPJ, de R$43.712,14 para R$51.019,27 e CSLL, de R$36.874,80 para 42.516,06). Assim, reconheço o crédito de saldo negativo de IRPJ e de base negativa de CSLL relativo a diferenças de retenção na fonte de IR no valor de R$7.307,13 (R$51.019,27 – R$43.712,14) e de CSLL no valor de R$ 5.641,26 (R$42.516,06 – 36.874,80). Assim, voto para conhecer dos embargos e darlhes provimento parcial, para, concedendolhes efeitos infringentes, reconhecer o crédito adicional relativo a saldo negativo de IRPJ no valor de R$7.307,13 e relativo a CSLL no valor de R$5.641,26, no anocalendário de 1999, bem como para homologação das compensações até o limite de crédito reconhecido. (assinado digitalmente) Eduardo de Andrade Relator Fl. 363DF CARF MF Impresso em 29/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/09/2014 por EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 09/09/2014 p or EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 28/09/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR
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Numero do processo: 19515.008011/2008-21
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Aug 19 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed Sep 03 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Normas de Administração Tributária
Período de apuração: 01/01/2004 a 31/12/2007
PIS. COFINS. RESULTADO DE DILIGÊNCIA. EXONERAÇÃO PARCIAL.
Diante do resultado de diligência empreendida pela Fiscalização da Secretaria da Receita Federal do Brasil, que examinou a escrituração contábil do contribuinte, assentando a inexistência de parte do crédito tributário exigido no auto de infração, cabe exonerar as parcelas que se constataram indevidas, mormente quando a natureza da Fiscalização levada a efeito pela Autoridade Fiscal, da qual resultou o Lançamento impugnado, é de simples cotejo de valores escriturados com valores declarados em DCTF.
Numero da decisão: 3202-001.269
Decisão: Recurso de ofício negado.
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso de ofício.
Irene Souza da Trindade Torres Oliveira - Presidente
Gilberto de Castro Moreira Junior - Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Irene Souza da Trindade Torres, Gilberto de Castro Moreira Junior, Luís Eduardo Garrossino Barbieri, Charles Mayer de Castro Souza, Adriene Maria de Miranda Veras e Tatiana Midori Migiyama.
Nome do relator: GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR
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ementa_s : Assunto: Normas de Administração Tributária Período de apuração: 01/01/2004 a 31/12/2007 PIS. COFINS. RESULTADO DE DILIGÊNCIA. EXONERAÇÃO PARCIAL. Diante do resultado de diligência empreendida pela Fiscalização da Secretaria da Receita Federal do Brasil, que examinou a escrituração contábil do contribuinte, assentando a inexistência de parte do crédito tributário exigido no auto de infração, cabe exonerar as parcelas que se constataram indevidas, mormente quando a natureza da Fiscalização levada a efeito pela Autoridade Fiscal, da qual resultou o Lançamento impugnado, é de simples cotejo de valores escriturados com valores declarados em DCTF.
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COFINS. AUTO DE INFRAÇÃO Recorrente PQ SÍLICAS BRAZIL LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Período de apuração: 01/01/2004 a 31/12/2007 PIS. COFINS. RESULTADO DE DILIGÊNCIA. EXONERAÇÃO PARCIAL. Diante do resultado de diligência empreendida pela Fiscalização da Secretaria da Receita Federal do Brasil, que examinou a escrituração contábil do contribuinte, assentando a inexistência de parte do crédito tributário exigido no auto de infração, cabe exonerar as parcelas que se constataram indevidas, mormente quando a natureza da Fiscalização levada a efeito pela Autoridade Fiscal, da qual resultou o Lançamento impugnado, é de simples cotejo de valores escriturados com valores declarados em DCTF. Recurso de ofício negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso de ofício. Irene Souza da Trindade Torres Oliveira Presidente Gilberto de Castro Moreira Junior Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Irene Souza da Trindade Torres, Gilberto de Castro Moreira Junior, Luís Eduardo Garrossino Barbieri, Charles Mayer de Castro Souza, Adriene Maria de Miranda Veras e Tatiana Midori Migiyama. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 00 80 11 /2 00 8- 21 Fl. 3229DF CARF MF Impresso em 03/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/09/2014 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 02/09/2014 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 02/09/2014 por IRENE S OUZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 19515.008011/200821 Acórdão n.º 3202001.269 S3C2T2 Fl. 3.230 2 Relatório Para melhor elucidação dos fatos ora analisados, transcrevo o relatório da decisão proferida pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento de São Paulo I, que exonerou parte do débito contido no auto de infração: Trata o presente processo de ação fiscal levada a efeito em relação à Contribuinte em epígrafe da qual surtiu Lançamento, consubstanciado no “Auto de Infração” de fls. 202/205, da Contribuição para o Programa de Integração Social – PIS no que tange a períodos de apuração dos anos calendário de 2004, 2005 e 2007. O crédito tributário apurado relativo ao PIS, composto pela contribuição, multa proporcional e juros de mora (calculados até 28/11/2008), perfaz o total equivalente a R$ 7.446.075,12. A ação fiscal também resultou em Lançamento, consubstanciado no “Auto de Infração” de fls. 191/193, da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social – Cofins no que tange a períodos de apuração do ano calendário de 2007. O crédito tributário apurado relativo à Cofins, composto pela contribuição, multa proporcional e juros de mora (calculados até 28/11/2008), perfaz o total equivalente a R$ 1.446.800,64. Pelo Termo de Verificação Fiscal de fls. 185/186 registra a Autoridade Lançadora que: “(...) A empresa foi intimada, em 14/03/2008, a apresentar as DCTF e os DARF de janeiro/2003 a fevereiro/2008 (os quais deveriam ser atualizados mensalmente até o encerramento da fiscalização) de IRPJ, IRRF, CSLL, IPI, PIS e COFINS e a preencher o ‘Demonstrativo de Tributos devidos com base na escrituração’. Analisando as DCTF em confronto com os Demonstrativos, com o Livro Razão e com os lançamentos contábeis constantes nos arquivos magnéticos fornecidos pelo contribuinte, verificamos diferenças entre o valor declarado em DCTF e o escriturado nos livros contábeis a titulo de PIS e COFINS. Intimamos o contribuinte (Termos de Intimação n° 08/2008, 10/2008 e 11/2008) a justificar as diferenças apontadas nas planilhas e após considerar as justificativas apresentadas, observamos que persistiam algumas diferenças entre o valor escriturado no Livro Razão maior do que o declarado em DCTF. Para as diferenças apontadas nas planilhas anexas ao presente Termo de Verificação geradas a partir de informações prestadas pelo contribuinte, verificadas no curso da ação fiscal na escrituração da empresa e confrontadas com as DCTF, será lavrado Auto de Infração (...)” (fl. 185) Fl. 3230DF CARF MF Impresso em 03/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/09/2014 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 02/09/2014 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 02/09/2014 por IRENE S OUZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 19515.008011/200821 Acórdão n.º 3202001.269 S3C2T2 Fl. 3.231 3 Com efeito, os Autos de Infração decorreram de diferenças entre “entre os valores declarados e os valores escriturados” (fls. 193 e 204). Contra os Lançamentos foi apresentada a Impugnação de fls. 210/303 onde se discorre, alega e requer, em suma, no sentido: de que os mesmos foram efetuados a partir do confronto realizado pela Autoridade Fiscal entre os valores escriturados no Livro Razão da Impugnante e os valores declarados em DCTF; de que em momento algum a Fiscalização questionou ou apontou qualquer irregularidade no que tange à apuração do PIS e da COFINS efetuada pela Impugnante, a qual está devidamente declarada nos DACONs e nas DCTFs; de que a infração apontada é descabida porque a Fiscalização desconsiderou diversos créditos relativos à sistemática de apuração não cumulativa e, ainda, vendas canceladas e devoluções; de que houve equívoco da Autoridade Fiscal na extração de valores registrados a titulo de PIS e da COFINS em Livro Razão da Impugnante; de que “o lançamento efetuado pela Autoridade Autuante é integralmente insubsistente, uma vez que diversos valores escriturados nas contas patrimoniais n° 173032, n° 173033, n° 088111 e n° 088112 do Livro Razão não foram considerados na apuração das supostas divergências entre valores escriturados no Livro Razão da Impugnante e os valores declarado nas correspondentes DCTFs, a titulo de COFINS e PIS” (fl. 216/217); de que é sociedade cuja principal atividade econômica corresponde à industrialização, comercialização, importação, exportação, consignação, representação e distribuição de produtos químicos em geral, estando sujeita à apuração e ao recolhimento da COFINS e do PIS sob a sistemática não cumulativa; de que, por exigência de seus sócios, os resultados da Impugnante deveriam, por questões gerenciais, ser apurados e reportados de forma segregada por atividade, apresentandose separadamente os resultados relacionados aos produtos químicos derivados do fenol, bem como os resultados relacionados aos produtos químicos derivados da sílica; de que por razões operacionais dos sistemas eletrônicos de escrituração de livros contábeis utilizados a época pela Impugnante, eram efetuados alguns lançamentos de natureza gerencial em seus livros contábeis visando efetuar a aludida segregação de resultados, porém tais lançamentos de maneira alguma afetavam ou alteravam os resultados da Impugnante ou causavam qualquer prejuízo ou alteração na escrituração dos fatos contábeis; de que, a respeito da neutralidade tributária do equivoco contábil, a jurisprudência dos Conselhos de Contribuintes é pacifica em relação à não tributação de valores que foram por engano escriturados na contabilidade do contribuinte, na hipótese desse erro contábil não causar qualquer prejuízo ao Fisco; Fl. 3231DF CARF MF Impresso em 03/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/09/2014 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 02/09/2014 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 02/09/2014 por IRENE S OUZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 19515.008011/200821 Acórdão n.º 3202001.269 S3C2T2 Fl. 3.232 4 de que, durante o curso da ação fiscal desenvolvida pela Autoridade Lançadora, foi a ela dada plena ciência e conhecimento de que a Impugnante efetuava tais registros de natureza gerencial em seus livros contábeis, os quais eram destinados a segregar os resultados dos produtos químicos derivados do fenol e da sílica, porém não causavam qualquer alteração nos resultados da Impugnante ou na apuração de qualquer tributo devido; de que alguns lançamentos efetuados com a finalidade de segregar os resultados das atividades com a venda de fenol e sílica, com histórico de "COMPLEMENTO PIS/COFINS PHENOL", foram desconsiderados pela Autoridade Lançadora para fins do confronto entre os valores escriturados no Livro Razão e os valores declarados em DCTF, em razão de sua neutralidade contábil e tributária, ou seja, em razão da ausência de influência ou alteração na escrituração efetuada pela Impugnante ou na apuração dos tributos devidos; de que, porém, diversos outros lançamentos efetuados nos Livro Razão da Impugnante com a finalidade de segregar os resultados das atividades de fenol e sílica, que também possuíam o histórico de "COMPLEMENTO PIS/COFINS PHENOL" foram equivocadamente considerados pela Autoridade Fiscalizadora para fins do confronto entre os valores escriturados no Livro Razão e os valores declarados em DCTF; e de os feitos fiscais não merecem prosperar, uma vez que ora não foram considerados lançamentos denominados "COMPLEMENTO PIS/COFINS PHENOL", ora foram considerados, sem qualquer justificativa ou razão, fato este que infirma por completo os Autos de Infração, seja por sua evidente incoerência interna nos critérios adotados, seja por não corresponder, em absoluto, aos fatos realmente ocorridos. Depois, a Impugnante passa a analisar diversos valores e operações, apontando, em síntese: estornos em razão de cancelamentos de vendas; créditos decorrentes de devoluções de mercadorias vendidas; estorno efetuado em razão da empresa adquirente ser preponderantemente exportadora e possuidora do beneficio de suspensão da COFINS, nos termos do Ato Declaratório Executivo DRF/JOI n° 032/06 e de declaração emitida pela empresa; estorno efetuado em razão dos descontos incondicionais concedidos pela Impugnante; e créditos de COFINS decorrente de COFINS/Importação pago pela Impugnante na importação de insumos utilizados na produção de produtos destinados à venda; créditos da COFINS sujeita à nãocumulatividade, outorgados pelo art. 3º da Lei 10.833/03; estorno efetuado em razão da incidência da COFINS à alíquota zero sobre a receita de vendas de mercadorias destinadas ao consumo ou à industrialização na Zona Franca de Manaus ZFM, por pessoa jurídica estabelecida fora da ZFM (tal como a Impugnante); especificamente, quanto ao PIS de janeiro/2004, que o valor de R$ 4.983,37 foi registrado pela Impugnante por engano na conta n° 173032 Fl. 3232DF CARF MF Impresso em 03/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/09/2014 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 02/09/2014 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 02/09/2014 por IRENE S OUZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 19515.008011/200821 Acórdão n.º 3202001.269 S3C2T2 Fl. 3.233 5 (PIS a recolher) do Livro Razão, ao invés de ser escriturado na conta n° 173033 (COFINS a recolher) do Livro Razão, já que tal importância refere se à COFINS (e não ao PIS); que na planilha "Cotejo das Informações ContábilFiscais" elaborada pela Fiscalização, apontamse importâncias como somatório dos valores escriturados no Livro Razão e como somatório das retificações escrituradas, dos quais decorrem diferenças que não correspondem aos valores devidos a titulo de PIS escriturados, tendo a Empresa declarado em DCTF e recolhido via DARF importâncias até maiores que as devidas; que – especificamente quanto ao PIS de dezembro/2004 – na planilha "Cotejo das Informações ContábilFiscais" elaborada pela Fiscalização, apontase o valor de R$ 139.433,06 como o somatório dos valores escriturados no Livro Razão, bem como o valor de R$ 113.001,68 como o somatório das retificações escrituradas, mas os valores indicados em fl. 238 são os escriturados e, tendo em vista que os valores apontados pela Fiscalização não condizem com aqueles registrados no Livro Razão, é improcedente a divergência de R$ 642,51 lançada pela Autoridade Fiscal; especificamente quanto ao PIS de março/2005, Crédito de PIS decorrente de PIS/importação relativo a insumos utilizados na produção de produtos destinados à venda, havendo uma divergência no valor de R$ 0,16 entre o valor de PIS a pagar escriturado no Livro Razão (R$ 234,64) e o valor de PIS declarado em DACON e em DCTF e recolhido via DARF (R$ 243,48); compensação relativa a PER/DCOMP; lançamento contábil efetuado para segregar os resultados dos produtos químicos derivados do fenol e da sílica, sem efeitos na contabilização e apuração do tributo conforme; recolhimento via DARF do PIS relativo aos meses de janeiro e fevereiro de 2007. Requer que os Autos de Infração sejam julgados improcedentes e anulados os créditos tributários imputados à Impugnante. A Unidade preparadora, “Tendo juntado a impugnação tempestiva do contribuinte” (fl. 2227), deu os autos para prosseguimento na Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento. Aportados nesta Turma de Julgamento, os autos foram baixados em diligência à Delegacia da Receita Federal do Brasil de Fiscalização em São Paulo (fls. 2228/2229) visando a investigação da veracidade dos valores/fatos apontados na peça impugnatória, sempre tendo em perspectiva a legislação aplicável, e novo levantamento do crédito tributário no que tange aos períodos em relação aos quais forem detectadas falhas nos feitos. Pelo Relatório Fiscal de fls. 2237/2242 se diz: “Inicialmente, fazse necessário esclarecer, que foram lavrados no curso da ação fiscal, entre outros, três Termos de Intimação Fiscal para que o contribuinte apresentasse as justificativas a respeito das diferenças apuradas: Termo de Intimação n° 08/2008 (fls 33 a 35, Vol. I) n° 10/2008 (fls. 38 a 46, Vol. I) e n° 11/2 008 (fls 50 a 153, Vol. I). Fl. 3233DF CARF MF Impresso em 03/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/09/2014 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 02/09/2014 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 02/09/2014 por IRENE S OUZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 19515.008011/200821 Acórdão n.º 3202001.269 S3C2T2 Fl. 3.234 6 As justificativas (fls. 155 a 179, vol. 1) que foram apresentadas pelo contribuinte foram consideradas, porém ainda persistiam diferenças entre os valores declarados em DCTF e o escriturado a título de PIS/COFINS, diferenças estas que foram lançadas para a devida constituição do crédito tributário. Portanto, caso esta extensa documentação e argumentação anexada na impugnação, houvesse sido apresentada no curso da ação fiscal, haveríamos economizado tempo com toda esta análise posterior. Cumpre ressaltar, ainda, que a verificação documental da composição da base de cálculo dos impostos não foi efetuada no curso da ação fiscal por não fazer parte do escopo das verificações obrigatórias a conferência da correta apuração da base de cálculo dos tributos e contribuições administrados pela SRF. Na realização dos procedimentos de fiscalização junto às pessoas jurídicas sujeitas a acompanhamento diferenciado, eram de caráter obrigatório as verificações consistentes no cotejo entre os valores constantes da Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais (DCTF) e os valores apurados pelo sujeito passivo em sua escrituração contábil e fiscal, em relação aos tributos e contribuições administrados pela SRF, exceto aqueles sobre o comércio exterior” (fl. 2237) “Este “cotejamento” foi realizado através do Sistema Contágil da Receita Federal, onde foram cruzados os dados contábeis constantes nos arquivos magnéticos apresentados pelo contribuinte com as DCTFs. Como todo sistema informatizado, o Contágil necessita que os dados ou as contas contábeis inseridas nele estejam de acordo com o determinado pela legislação, uma vez que, se for solicitado para checar uma determinada conta “Pis a pagar”, p.ex com o que foi efetivamente lançado na DCTF é exatamente isto que o sistema irá fazer. Por este motivo é que quando o relatório é gerado, o contribuinte é intimado a justificar as diferenças, justamente para que eventuais contas que estejam ou não inseridas na checagem sejam prontamente informadas pelo contribuinte e os devidos ajustes sejam feitos.” (fls. 2237/2238) “Desta forma, as verificações obrigatórias tinham por objetivo promover a cobrança dos tributos e contribuições, exceto os incidentes sobre operações de comércio exterior, calculados pelo contribuinte e registrados na sua escrituração contábil e/ou fiscal e que não tenham sido declarados em DCTF ou, na ausência desta, pagos ou recolhidos. No caso de o contribuinte apresentar escrituração contábil, as verificações obrigatórias deveriam cotejar os valores escriturados nas contas de passivo representativas de tributos e contribuições federais a pagar, e o valor declarado em DCTF” (fl. 2238) A Fiscalização apresenta em fls. 2238/2241 os demonstrativos, mês a mês e por contribuição, de existência ou inexistência de “diferenças negativas”. Fl. 3234DF CARF MF Impresso em 03/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/09/2014 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 02/09/2014 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 02/09/2014 por IRENE S OUZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 19515.008011/200821 Acórdão n.º 3202001.269 S3C2T2 Fl. 3.235 7 O período de julho/2005 a abril/2007 relativo ao PIS não foi analisado diante da ausência no processo dos seus volumes VI a IX. A Contribuinte apresenta manifestação, fls. 3090/3097, em face do relatório fiscal: declarando concordância com o Relatório Fiscal quanto aos valores concernentes às contribuições e aos períodos de apuração indicados em fl. 3092; entendendo, quanto ao período de julho/2005 a abril/2007, relativo ao PIS, que a Fiscalização não poderia ter deixado de examinálo pelo simples fato dos volumes VI a IX dos autos não terem sido encaminhados; alegando, quanto ao PIS relativo a janeiro/2004, que a Autoridade Fiscal, mesmo reconhecendo que o valor de R$ 4.983,37 foi equivocadamente contabilizado na conta de PIS, quando, na realidade correspondia a um débito de COFINS, contraditoriamente decidiu por manter o valor de R$ 4.983,37 como uma suposta diferença de PIS em aberto; e alegando, quanto ao PIS relativo a dezembro/2004: que a Autoridade Fiscal aponta suposta diferença no valor de R$ 51.113,33, embora tal diferença não possa sequer ser considerada por representar inovação; que a diferença de PIS apontada no Auto de Infração para o mês de dezembro/2004 foi de R$ 642,51, enquanto que a suposta diferença de R$ 51.113,33, levantada no relatório fiscal, não é objeto do Auto de Infração e, assim, não pode, no momento, ser a ele acrescido; que se devido fosse o débito apontado, o caminho correto seria proceder à constituição do credito tributário mediante Lançamento; e que mesmo a diferença de R$ 642,51, apontada no Auto de Infração, é improcedente, uma vez que os valores apontados pela Fiscalização não condizem como aqueles registrados no Livro Razão. Conforme Despacho de fl. 3086, foi “Saneada a falta de digitalização e conversão para digital dos volumes 6,7 8 e 9”. Assim sendo, o processo foi baixado novamente em diligência (fls. 3103/3104) para a complementação da análise, com a abordagem dos períodos não examinados, demandandose, ainda, que a Fiscalização demonstrasse a diferença de R$ 1.418,13, apontada em fl. 2241, e esclarecesse a razão da diferença de R$ 4.983,37, concernente ao PIS de janeiro de 2004, uma vez que o Relatório Fiscal confirmou que houve engano da Contribuinte ao registrar tal valor como PIS a recolher. Pelo Relatório Fiscal Complementar de fls. 3109/3112 se diz: “Inicialmente, fazse necessário esclarecer, que foram lavrados no curso da ação fiscal, entre outros, três Termos de Intimação Fiscal para que o contribuinte apresentasse as justificativas a respeito das diferenças apuradas: Termo de Intimação n° 08/2008 (fls 33 a 35, Vol. I) n° 10/2008 (fls. 38 a 46, Vol. I) e n° 11/2008 (fls 50 a 153, Vol. I). As justificativas (fls. 155 a 179, vol. 1) que foram apresentadas pelo contribuinte foram consideradas, porém ainda persistiam diferenças entre os Fl. 3235DF CARF MF Impresso em 03/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/09/2014 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 02/09/2014 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 02/09/2014 por IRENE S OUZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 19515.008011/200821 Acórdão n.º 3202001.269 S3C2T2 Fl. 3.236 8 valores declarados em DCTF e o escriturado a título de PIS/COFINS, diferenças estas que foram lançadas para a devida constituição do crédito tributário. Portanto, caso esta extensa documentação e argumentação anexada na impugnação, houvesse sido apresentada no curso da ação fiscal, haveríamos economizado tempo com toda esta análise posterior. Cumpre ressaltar, ainda, que a verificação documental da composição da base de cálculo dos impostos não foi efetuada no curso da ação fiscal por não fazer parte do escopo das verificações obrigatórias a conferência da correta apuração da base de cálculo dos tributos e contribuições administrados pela SRF. Na realização dos procedimentos de fiscalização junto às pessoas jurídicas sujeitas a acompanhamento diferenciado, eram de caráter obrigatório as verificações consistentes no cotejo entre os valores constantes da Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais (DCTF) e os valores apurados pelo sujeito passivo em sua escrituração contábil e fiscal, em relação aos tributos e contribuições administrados pela SRF, exceto aqueles sobre o comércio exterior” (fl. 3109) “Este “cotejamento” foi realizado através do Sistema Contágil da Receita Federal, onde foram cruzados os dados contábeis constantes nos arquivos magnéticos apresentados pelo contribuinte com as DCTFs. Como todo sistema informatizado, o Contágil necessita que os dados ou as contas contábeis inseridas nele estejam de acordo com o determinado pela legislação, uma vez que, se for solicitado para checar uma determinada conta “Pis a pagar”, p.ex com o que foi efetivamente lançado na DCTF é exatamente isto que o sistema irá fazer. Por este motivo é que quando o relatório é gerado, o contribuinte é intimado a justificar as diferenças, justamente para que eventuais contas que estejam ou não inseridas na checagem sejam prontamente informadas pelo contribuinte e os devidos ajustes sejam feitos.” (fls. 3109/3110) “Desta forma, as verificações obrigatórias tinham por objetivo promover a cobrança dos tributos e contribuições, exceto os incidentes sobre operações de comércio exterior, calculados pelo contribuinte e registrados na sua escrituração contábil e/ou fiscal e que não tenham sido declarados em DCTF ou, na ausência desta, pagos ou recolhidos. No caso de o contribuinte apresentar escrituração contábil, as verificações obrigatórias deveriam cotejar os valores escriturados nas contas de passivo representativas de tributos e contribuições federais a pagar, e o valor declarado em DCTF” (fl. 3110) A Fiscalização apresenta em fls. 3110/3112 os demonstrativos, mês a mês e por contribuição, de existência ou inexistência de “diferenças negativas”. Fl. 3236DF CARF MF Impresso em 03/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/09/2014 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 02/09/2014 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 02/09/2014 por IRENE S OUZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 19515.008011/200821 Acórdão n.º 3202001.269 S3C2T2 Fl. 3.237 9 Demonstra, inclusive, a diferença de R$ 1.418,13, conforme foi demandado e, quanto ao valor de R$ 4.983,37, em relação a qual a Impugnante alega engano ao registrálo como PIS a pagar, afirma estar o fato esclarecido pela Contribuinte. A Contribuinte apresenta manifestação, fls. 3119/3123, em face do relatório fiscal complementar, alegando, em síntese: concordância com o Relatório Fiscal quanto aos valores concernentes às contribuições e aos períodos de apuração indicados em fls. 3120/3121; quanto ao PIS relativo a julho/2005, que do cotejo entre o valor do PIS recolhido/declarado em DCTF e aquele apurado na conta contábil 173032 — "PIS a recolher", verificase que há uma diferença "em aberto' no valor de R$ 206,93, não no valor de R$ 1.260,51 apurado pela Autoridade Fiscal; quanto ao PIS relativo a outubro/2005, que ao ser comparado o valor do PIS recolhido/declarado em DCTF e aquele apurado na conta contábil 173032 — "PIS a recolher", verificase que não há qualquer diferença "em aberto", não devendo prevalecer a diferença apurada no Auto de Infração, no valor de R$ 293.732,66, bem como a diferença de R$ 526,97, apurada no Relatório Fiscal Complementar, uma vez que todo o crédito tributário foi extinto pelo pagamento; e quanto ao PIS relativo a dezembro/2005, que também não há qualquer diferença "em aberto", não devendo prevalecer a diferença apurada no Auto de Infração, no valor de R$ 186.923,68, bem como a diferença de R$ 2.411,77, apurada no Relatório Fiscal Complementar, uma vez que todo o crédito tributário foi extinto pelo pagamento. É o relatório. A decisão de fls. 3.199 e seguintes, proferida pela DRJ de São Paulo, foi assim ementada: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Anocalendário: 2007 RESULTADO DE DILIGÊNCIA. EXONERAÇÃO PARCIAL. Diante do resultado de diligência empreendida pela Fiscalização da Secretaria da Receita Federal do Brasil, que examinou a escrituração contábil do contribuinte, assentando a inexistência de parte do crédito tributário exigido no auto de infração, cabe exonerar as parcelas que se constataram indevidas, mormente quando a natureza da Fiscalização levada a efeito pela Autoridade Fiscal, da qual resultou o Lançamento impugnado, é de simples cotejo de valores escriturados com valores declarados em DCTF. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Anocalendário: 2004, 2005, 2007 RESULTADO DE DILIGÊNCIA. EXONERAÇÃO PARCIAL. Fl. 3237DF CARF MF Impresso em 03/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/09/2014 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 02/09/2014 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 02/09/2014 por IRENE S OUZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 19515.008011/200821 Acórdão n.º 3202001.269 S3C2T2 Fl. 3.238 10 Diante do resultado de diligência empreendida pela Fiscalização da Secretaria da Receita Federal do Brasil, que examinou a escrituração contábil do contribuinte, assentando a inexistência de parte do crédito tributário exigido no auto de infração, cabe exonerar as parcelas que se constataram indevidas, mormente quando a natureza da Fiscalização levada a efeito pela Autoridade Fiscal, da qual resultou o Lançamento impugnado, é de simples cotejo de valores escriturados com valores declarados em DCTF. ALEGADOS CRÉDITOS DO CONTRIBUINTE.INADMISSÃO. Não pode ser acolhido suposto crédito da pessoa jurídica quando a própria contabilidade da empresa, utilizada nos trabalhos fiscais e tida em boa e devida ordem, abaliza outro valor. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte Diante disso, a DRJ de São Paulo I recorre de ofício de sua decisão. É o relatório. Voto Conselheiro Gilberto de Castro Moreira Junior, Relator Reparo não merece a decisão de primeiro grau, já que exonerou parte do lançamento fundada em diligência e manteve aqueles montantes que efetivamente deveriam ter sido objeto de autuação. Por essa razão, adoto os fundamentos da decisão recorrida, especialmente o trecho abaixo transcrito: Posta a questão nessa conformidade e inexistindo repúdio, em parte, ao resultado de diligência empreendida pela Fiscalização da Secretaria da Receita Federal do Brasil, é de se considerar aceito esse resultado relativamente à parte expressa ou tacitamente não contestada. Diante disso, concluise, no caso em pauta, que a Contribuinte faz juz ao aos valores/créditos aceitos pela auditoria da Secretaria da Receita Federal do Brasil, em relação aos quais não manifestou discordância. Porém, se há concordâncias da Contribuinte com as diligências fiscais, também há discordâncias, algumas particularidades e/ou questões controversas que a seguir se colocam. Quanto ao PIS de janeiro/2004, cumpre exonerar R$ 4.983,37, pois a Autoridade Fiscal confirmou já no Relatório Fiscal elaborado por ocasião Fl. 3238DF CARF MF Impresso em 03/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/09/2014 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 02/09/2014 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 02/09/2014 por IRENE S OUZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 19515.008011/200821 Acórdão n.º 3202001.269 S3C2T2 Fl. 3.239 11 da primeira diligência que houve engano do sujeito passivo, conforme assentado em fl. 2239 (embora o referido relatório apresente demonstrativo errôneo em fl. 2238) – fato não desdito no Relatório Fiscal Complementar elaborado por ocasião da segunda diligência –, ao registrar tal débito, relativo à Cofins, como se fosse de PIS. Quanto ao PIS de dezembro/2004, embora a Contribuinte alegue que os valores apontados pela Fiscalização não condizem com os registrados no Livro Razão, fato confirmado no Relatório Fiscal de diligência, tal divergência é em desfavor do sujeito passivo, pois redunda num saldo contra o mesmo de R$ 51.113,33. Assim sendo, os R$ 642,51 exigidos são legítimos, havendo ainda uma diferença de R$ 50.470,82 (R$ 51.113,33 R$ 642,51) a favor do Fisco, que não foi objeto de lançamento e que, portanto, aqui não se examina. Quanto ao PIS de maio/2005, a Contribuinte nada prova em concreto. A Impugnante contesta integralmente os Lançamentos, apresentando entre fls. 212 e 221 toda uma série de narrativas, abordagens e argumentos, os quais, porém, em nenhum momento infirmam a referida contribuição pela ausência da indicação de pertinentes documentos que embasariam uma eventual correção do crédito tributário lançado (R$ 673,75) que, assim, deve ser mantido. Quanto ao PIS de julho/2005, de outubro/2005 e de dezembro/2005, a Autoridade Fiscal demonstra os valores encontrados: R$ 1.260,51, R$ 526,97 e R$ 2.411,77. Os valores adotados pela Fiscalização vieram da própria contabilidade da Autuada, que em nenhum momento desqualifica, no que aqui importa, sua própria escrituração. Com efeito, a documentação de suporte empregada pela Autoridade Fiscal indica com clareza estar consubstanciada no Razão (“Extratos CtasRazão”). Sendo assim, embora de sua parte a Manifestante apresenta outros valores em relação a esses três meses, os mesmos não podem ser acolhidos. Ante o exposto, NEGO PROVIMENTO ao recurso de ofício. É como voto. Gilberto de Castro Moreira Junior Fl. 3239DF CARF MF Impresso em 03/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/09/2014 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 02/09/2014 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 02/09/2014 por IRENE S OUZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 19515.008011/200821 Acórdão n.º 3202001.269 S3C2T2 Fl. 3.240 12 Fl. 3240DF CARF MF Impresso em 03/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/09/2014 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 02/09/2014 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 02/09/2014 por IRENE S OUZA DA TRINDADE TORRES
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Numero do processo: 10580.904605/2008-15
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu May 08 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed Aug 20 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Normas de Administração Tributária
Ano-calendário: 2003
Compensação. Retenção De Tributo. Comprovação.
O documento hábil para comprovar a retenção de tributo sofrida pela fonte pagadora é o informe de rendimentos por esta fornecido.
Compensação. Retenção De Tributo. Ônus Da Prova.
O ônus da prova de que os tributos foram efetivamente retidos é do contribuinte que pugna pela sua compensação.
Numero da decisão: 1102-001.111
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do Relator.
(assinado digitalmente)
João Otávio Oppermam Thomé - Presidente.
(assinado digitalmente)
João Carlos de Figueiredo Neto - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: João Otávio Oppermam Thomé, José Evande Carvalho Araújo, Ricardo Marozzi Gregório, Francisco Alexandre dos Santos Linhares, João Carlos de Figueiredo Neto e Antonio Carlos Guidoni Filho.
Nome do relator: JOAO CARLOS DE FIGUEIREDO NETO
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ementa_s : Assunto: Normas de Administração Tributária Ano-calendário: 2003 Compensação. Retenção De Tributo. Comprovação. O documento hábil para comprovar a retenção de tributo sofrida pela fonte pagadora é o informe de rendimentos por esta fornecido. Compensação. Retenção De Tributo. Ônus Da Prova. O ônus da prova de que os tributos foram efetivamente retidos é do contribuinte que pugna pela sua compensação.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do Relator. (assinado digitalmente) João Otávio Oppermam Thomé - Presidente. (assinado digitalmente) João Carlos de Figueiredo Neto - Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: João Otávio Oppermam Thomé, José Evande Carvalho Araújo, Ricardo Marozzi Gregório, Francisco Alexandre dos Santos Linhares, João Carlos de Figueiredo Neto e Antonio Carlos Guidoni Filho.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 7; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1776; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C1T2 Fl. 2 1 1 S1C1T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10580.904605/200815 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 1102001.111 – 1ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 08 de maio de 2014 Matéria RESTITUIÇÃO/COMPENSAÇÃO IRPJ Recorrente CHALÉ REFEIÇÕES LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Anocalendário: 2003 Compensação. Retenção De Tributo. Comprovação. O documento hábil para comprovar a retenção de tributo sofrida pela fonte pagadora é o informe de rendimentos por esta fornecido. Compensação. Retenção De Tributo. Ônus Da Prova. O ônus da prova de que os tributos foram efetivamente retidos é do contribuinte que pugna pela sua compensação. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do Relator. (assinado digitalmente) João Otávio Oppermam Thomé Presidente. (assinado digitalmente) João Carlos de Figueiredo Neto Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: João Otávio Oppermam Thomé, José Evande Carvalho Araújo, Ricardo Marozzi Gregório, Francisco Alexandre dos Santos Linhares, João Carlos de Figueiredo Neto e Antonio Carlos Guidoni Filho. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 58 0. 90 46 05 /2 00 8- 15 Fl. 116DF CARF MF Impresso em 20/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/06/2014 por MARIA CONCEICAO RODRIGUES DE FREITAS, Assinado digitalmen te em 31/07/2014 por JOAO CARLOS DE FIGUEIREDO NETO, Assinado digitalmente em 04/08/2014 por JOAO OT AVIO OPPERMANN THOME Processo nº 10580.904605/200815 Acórdão n.º 1102001.111 S1C1T2 Fl. 3 2 Relatório Adoto trechos do relatório e voto do Acórdão nº 1522.208/10, efls. 74 a 78, exarado pela Primeira Turma de Julgamento da DRJ em Salvador/BA, ora recorrido, para esclarecer os fatos: “Trata o presente de Manifestação de Inconformidade apresentada contra decisão proferida pela DRF Salvador BA, que através de Despacho Decisório eletrônico n° 796752119 (fls. 56 a 60) emitido pelo seu titular em 23/10/2008, indeferiu o pedido de compensação pleiteado através dos PER/DCOMP nºs 02286.98650.150904.1.3.022049, 15761.26851.171004.13.02 8417 e 08685.63906.190905.1.3.026077 (fls. 39 a 53). Os citados pedidos de compensação objetivava quitar débitos próprios do contribuinte com o saldo negativo do IRPJ relativo ao anocalendário de 2003 (fl. 40, 45 e 50). O aludido Despacho Decisório não homologou as compensações pleiteadas nos mencionados PER/DCOMP, conforme conclusão a seguir transcrita (fl. 56). Analisadas as informações prestadas no documento acima identificado, constatouse que não houve apuração de crédito na Declaração de Informações EconômicoFiscais da Pessoa Jurídica (DIPJ). correspondente ao período de apuração do saldo negativo informado no PER/DCOMP. Valor original do saldo negativo informado no PER/DCOMP com demonstrativo de crédito: R$ 16.550,66 Valor do crédito na DIPJ: R$ 0, 00. Cientificado do aludido despacho decisório, o contribuinte apresentou sua Manifestação de Inconformidade em 27/11/2008 (fls. 01 a 38), aduzindo, em síntese, que: a) "o Despacho Decisório, fundamentação e enquadramento legal do processo epigrafado, não fez justiça à impugnante, não concedendo o direito à compensação de crédito tributário em função de retenções sobre recebimentos de órgãos governamentais, não concordando com tal decisão, vem reafirmar suas razões de fatos e de direitos"; b) "das razões expendidas no julgamento da instancia administrativa, em momento algum foi questionado a qualidade do sistema contábil do contribuinte, o que implica dizer que ele é bom e confiável, portanto quanto às questões de que não foram localizados os recolhimentos das fontes pagadoras nas DIRF's ou outra obrigação acessória, não cabe ao contribuinte tal responsabilidade"; c) "sendo a fonte pagadora, por imposição legal, obrigada a fazer as retenções de fonte quando efetua os pagamentos, se eventualmente o faz ou não faz o repasse dos valores retidos para União e deixa de informar alguns desses valores DIRF's, é Fl. 117DF CARF MF Impresso em 20/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/06/2014 por MARIA CONCEICAO RODRIGUES DE FREITAS, Assinado digitalmen te em 31/07/2014 por JOAO CARLOS DE FIGUEIREDO NETO, Assinado digitalmente em 04/08/2014 por JOAO OT AVIO OPPERMANN THOME Processo nº 10580.904605/200815 Acórdão n.º 1102001.111 S1C1T2 Fl. 4 3 de se questionar qual a responsabilidade da fonte recebedora nestas situações"; d) " o contribuinte deveria ter o poder de fiscalizar a fonte pagadora, para verificar se esta pagou ou repassou a retenção retida. Verificando que a retenção na fonte não foi recolhida, deveria denunciar a apropriação indébita da fonte pagadora"; e) "em uma empresa com múltiplas e complexas relações, querer o fisco lhe negar o direito de compensar os tributos retidos, devidamente comprovados nos extratos bancários e ainda informado pela fonte confessados pelo órgão retentor como no caso PETRÓLEO BRASILEIRO S/A — PETROBRÁS, no PER/DCOMP (Item 1.2) com todas as informações, apenas para que se veja a que ponto se chega a boa vontade do poder tributante, “em não buscar via CNPJ da Fonte Retentora como consta do PERDCOMP entregue tempestivamente (anexo 2)"; f) "existe falha no trabalho fiscal que se baseou em valores inconsistentes e em critério jurídico sem sustentação e em total afronta à legislação, doutrina e jurisprudência administrativa e judicial. Por esta razão, não resta outra alternativa senão a realização de diligência para confirmar a correta apuração dos valores compensados e a impropriedade da glosa que ensejou o crédito tributário"; g) "em face dos argumentos expostos, ocioso se faz concluir que resta irrefutavelmente consubstanciado o direito da impugnante em compensar os valores recolhidos com retenção do IRPJ e CSLL, retidos pela PETRÓLEO BRASILEIRO S/A — PETROBRÁS e não localizados na DIRF do AC de 2004, 2005, 2006 e 2007, conforme relato da Manifestação de Inconformidade negada pelo SEORT". Finaliza a sua defesa requerendo o "reconhecimento de que os valores compensados não estão submetidos ao regime de prescrição qüinqüenal puro e simples, porquanto a eles o prazo prescricional só se computa a partir da homologação, expressa ou tácita, conforme preceituam os arts. 168, 165, I e 150, §4° do Código Tributário Nacional (CTN), não tendo sido os valores requeridos alcançados pela prescrição que o Fisco pretende opor ao exercício de seu direito". Voto (...) O impugnante, diante da negativa de homologação proferida pela DRF de Salvador, alegou, na sua defesa, que houve falha no trabalho fiscal, pois teria se baseado em valores inconsistentes e sem critério jurídico, requerendo diligência para "confirmar a correta apuração dos valores compensados e a impropriedade da glosa que ensejou o crédito tributário". Fl. 118DF CARF MF Impresso em 20/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/06/2014 por MARIA CONCEICAO RODRIGUES DE FREITAS, Assinado digitalmen te em 31/07/2014 por JOAO CARLOS DE FIGUEIREDO NETO, Assinado digitalmente em 04/08/2014 por JOAO OT AVIO OPPERMANN THOME Processo nº 10580.904605/200815 Acórdão n.º 1102001.111 S1C1T2 Fl. 5 4 No tocante à diligência, tal tema está previsto no artigo 16, inciso IV e § 1º do Decreto n° 70.235, de 1972 (PAF), o qual trata dos requisitos necessários para sua realização, in verbis: (...) Em relação ao mencionado pedido, observase que o impugnante o fez de forma genérica, sem formular os quesitos relativos aos exames desejados, portanto, em desacordo com o art. 16, IV do Decreto n.° 70.235 de 1972. Verificase, também que constam nos autos todos os elementos necessários para a formação da livre convicção do julgador e, portanto, considero o pedido de diligência prescindível para o deslinde da questão a ser apreciada, em consonância com o art. 18 do Decreto n.° 70.235 de 1972. (...) Os pedidos foram indeferidos pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Salvador (BA), através do despacho decisório eletrônico 796752119 (fls. 56 a 60), sob a alegação de que "... não houve apuração de crédito na Declaração de Informações Econômico Fiscais da Pessoa Jurídica (DIPJ) correspondente ao período de apuração do saldo negativo informado no PER/DCOMP". Ou seja, apesar do contribuinte ter informado nos PER/DCOMP n°s 02286.98650.150904.1.3.022049, 15761.26851.171004.13.028417 e 08685.63906.190905.1.3.02 6077 que teria saldo negativo do IRPJ, relativo ao anocalendário de 2003, informou na ficha 12 A da DIPJ do mesmo período (fls. 67 e 68) todos os valores, inclusive o IRPJ a pagar, zerados, o que afasta a possibilidade de restituição de um valor que fora declarado inexistente. . Ressaltese que em 13/09/2006 (fl. 54) foi emitido Termo de Intimação pela DRF Salvador, informando ao impugnante a divergência das informações referentes ao saldo negativo do IRPJ (ano 2003) constantes na DIPJ e PER/DCOMP, ao tempo em que solicita a retificação da DIPJ ou apresentação de PER/DCOMP retificador indicando corretamente o período de apuração do saldo negativo, se fosse o caso, porém o contribuinte não adotou qualquer um destes procedimentos até o momento, o que resultou na posterior negativa da compensação no Despacho Decisório eletrônico n° 796752119 emitido em 23/10/2008 (fl. 56). Na sua defesa, o impugnante alegou que o Despacho Decisório seria injusto, pois não concedeu o direito à compensação apesar das retenções em seu favor efetuadas pela PETROBRÁS. Que tal fonte pagadora, ao efetuar as retenções, tem o dever de realizar os respectivos pagamentos, bem como informálos nas DIRF's à União, não cabendo ao contribuinte tal responsabilidade. (...) Fl. 119DF CARF MF Impresso em 20/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/06/2014 por MARIA CONCEICAO RODRIGUES DE FREITAS, Assinado digitalmen te em 31/07/2014 por JOAO CARLOS DE FIGUEIREDO NETO, Assinado digitalmente em 04/08/2014 por JOAO OT AVIO OPPERMANN THOME Processo nº 10580.904605/200815 Acórdão n.º 1102001.111 S1C1T2 Fl. 6 5 No caso em tela, o impugnante anexou extratos de retenções (fls. 36 e 37), indicando como fonte pagadora a PETROBRÁS, porém referentes aos anoscalendário de 2004 e 2005 e não ao ano de 2003, como quer provar o interessado. Aliado a este fato, o contribuinte não informou qualquer valor de retenção do Imposto de Renda na DIPJ, relativo ao ano de 2003 (vide cópia da DIPJ emitida pelo sistema em 19/01/2010 à fl. 68), o que resultou no indeferimento do seu pedido, pois não houve apuração de saldo credor do IRPJ na ficha 12 A da DIPJ, que é o documento hábil para comprovar tal direito. (...)” A empresa apresentou o Recurso Voluntário reiterando os termos da manifestação de inconformidade, por via postal; envelope às efls. 81. A data de postagem está ilegível em virtude da digitalização do documento. O Aviso de Recebimento (AR), efls. 80, acusa a data de ciência do acórdão em 08 de março de 2010. A autoridade preparadora do processo informa às efls. 115 que o recurso foi enviado em 13 de abril de 2010, portanto, de forma intempestiva. É o relatório. Voto Conselheiro João Carlos de Figueiredo Neto, Relator Da Tempestividade do Recurso Voluntário No presente caso, não há como afiançar a tempestividade ou intempestividade do recurso voluntário interposto, haja vista não ser possível visualizar com precisão a data de postagem no envelope a fim de ratificar a informação de efls. 115. A autoridade a quo, preparadora dos autos, deveria ter sido específica quanto à intempestividade do recurso e a data de postagem do envelope, quiçá lavrando o pertinente Termo de Revelia. Assim, conheço do recurso voluntário e o considero tempestivo para fins de analisar a presente lide. Do Mérito O ônus probatório da existência do crédito tributário no caso de pedido de repetição do indébito é da empresa. Este princípio é consagrado pelo art. 333, inciso I, do Código de Processo Civil – CPC, aplicado subsidiariamente ao processo administrativo fiscal – Decreto nº 70.235/72 (PAF): Art. 333 O ônus da prova incumbe: Fl. 120DF CARF MF Impresso em 20/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/06/2014 por MARIA CONCEICAO RODRIGUES DE FREITAS, Assinado digitalmen te em 31/07/2014 por JOAO CARLOS DE FIGUEIREDO NETO, Assinado digitalmente em 04/08/2014 por JOAO OT AVIO OPPERMANN THOME Processo nº 10580.904605/200815 Acórdão n.º 1102001.111 S1C1T2 Fl. 7 6 I ao autor, quanto ao fato constitutivo do seu direito; [...] O documento hábil para comprovar a retenção efetuada pelas fontes pagadoras é o informe de rendimentos ou a própria declaração de informações de retenções – DIRF. A jurisprudência deste Conselho é mansa neste sentido, não sendo suficiente a apresentação de listagem de Notas Fiscais desprovida de prova efetiva dos recolhimentos. Observese que a obrigatoriedade de exigir os referidos informes de rendimentos das fontes pagadoras é do beneficiário das retenções sofridas, não se admitindo que a recorrente, por omissão sua na época da ocorrência dos fatos, pretenda inverter o ônus da prova no caso de repetição de indébito tributário e requerer que a administração tributária aja em seu favor. Equivocase a recorrente ao tentar eximirse da obrigação de possuir tais documentos para respaldar o pedido de restituição dos valores dos tributos retidos por terceiros em seu nome. Assim dispõe o Regulamento do Imposto de Renda vigente (RIR/99), que consolida a legislação tributária sobre a matéria: Beneficiário Pessoa Jurídica Art. 942. As pessoas jurídicas de direito público ou privado que efetuarem pagamento ou crédito de rendimentos relativos a serviços prestados por outras pessoas jurídicas e sujeitos à retenção do imposto na fonte deverão fornecer, em duas vias, à pessoa jurídica beneficiária Comprovante Anual de Rendimentos Pagos ou Creditados e de Retenção de Imposto de Renda na Fonte, em modelo aprovado pela Secretaria da Receita Federal (Lei nº 4.154, de 1962, art. 13, § 2º, e Lei nº 6.623, de 23 de março de 1979, art. 1º). Parágrafo único. O comprovante de que trata este artigo deverá ser fornecido ao beneficiário até o dia 31 de janeiro do ano calendário subseqüente ao do pagamento (Lei nº 8.981, de 1995, art. 86). Subseção III Disposições Comuns Art. 943. A Secretaria da Receita Federal poderá instituir formulário próprio para prestação das informações de que tratam os arts. 941 e 942 (DecretoLei nº 2.124, de 1984, art. 3º, parágrafo único). § 1º O beneficiário dos rendimentos de que trata este artigo é obrigado a instruir sua declaração com o mencionado documento (Lei nº 4.154, de 1962, art. 13, § 1º). § 2º O imposto retido na fonte sobre quaisquer rendimentos ou ganhos de capital somente poderá ser compensado na declaração de pessoa física ou jurídica, quando for o caso, se o contribuinte possuir comprovante da retenção emitido em seu Fl. 121DF CARF MF Impresso em 20/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/06/2014 por MARIA CONCEICAO RODRIGUES DE FREITAS, Assinado digitalmen te em 31/07/2014 por JOAO CARLOS DE FIGUEIREDO NETO, Assinado digitalmente em 04/08/2014 por JOAO OT AVIO OPPERMANN THOME Processo nº 10580.904605/200815 Acórdão n.º 1102001.111 S1C1T2 Fl. 8 7 nome pela fonte pagadora, ressalvado o disposto nos §§ 1º e 2º do art. 7º, e no § 1º do art. 8º (Lei nº 7.450, de 1985, art. 55). (grifos não pertencem ao original) Acompanho as razões de decidir da Turma Julgadora de primeira instância em indeferir o pedido de diligência, sem que fosse demonstrado pela recorrente a sua efetiva pertinência. Relevante para a análise do litígio é salientar que a recorrente apresenta documentos com os quais pretende comprovar as retenções sofridas e o direito a Saldo Negativo de tributo composto por estas retenções, a despeito de não haver valores informados na DIPJ/04. Todavia, não apresenta Informes de Rendimentos relativos ao anocalendário de 2003, sob análise (destaquei). Este fato já fora alertado no acórdão recorrido, mas a recorrente repetiu as provas incongruentes com os fatos debatidos (apresenta Informes e cópia de parte da DIPJ de outros anoscalendários) consoante documentos de efls. 109 a 114. Desta forma, a recorrente não trouxe ao litígio documentação hábil capaz de atribuir a liquidez e certeza ao crédito ora pleiteado. Por esta razão, inadmissível o reconhecimento de qualquer crédito. Voto em negar provimento ao recurso voluntário (assinado digitalmente) João Carlos de Figueiredo Neto Fl. 122DF CARF MF Impresso em 20/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/06/2014 por MARIA CONCEICAO RODRIGUES DE FREITAS, Assinado digitalmen te em 31/07/2014 por JOAO CARLOS DE FIGUEIREDO NETO, Assinado digitalmente em 04/08/2014 por JOAO OT AVIO OPPERMANN THOME
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Numero do processo: 10880.955952/2008-13
Turma: Segunda Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Apr 24 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed Aug 27 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Exercício: 2000
Ementa:
Manifestação de Inconformidade Intempestiva Efeitos
A manifestação de inconformidade apresentada fora do prazo legal não instaura a fase litigiosa dôo procedimento nem comporta julgamento de primeira instância quanto às alegações de mérito, porque dela não se conhece.
Numero da decisão: 3802-003.050
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do presente recurso e negar-lhe provimento, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Mércia Helena Trajano Damorim- Presidente.
(assinado digitalmente)
Cláudio Augusto Gonçalves Pereira- Relator.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Mércia Helena Trajano Damorim (presidente da turma), Francisco José Barroso Rios, Waldir Navarro Bezerra, Sólon Sehn, Bruno Maurício Macedo Curi e Cláudio Augusto Gonçalves Pereira.
Nome do relator: Relator Cláudio Augusto Gonçalves Pereira
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Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do presente recurso e negarlhe provimento, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Mércia Helena Trajano Damorim Presidente. (assinado digitalmente) Cláudio Augusto Gonçalves Pereira Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Mércia Helena Trajano Damorim (presidente da turma), Francisco José Barroso Rios, Waldir Navarro Bezerra, Sólon Sehn, Bruno Maurício Macedo Curi e Cláudio Augusto Gonçalves Pereira. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 95 59 52 /2 00 8- 13 Fl. 144DF CARF MF Impresso em 27/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/08/2014 por CLAUDIO AUGUSTO GONCALVES PEREIRA, Assinado digitalmente em 19/08/2014 por CLAUDIO AUGUSTO GONCALVES PEREIRA, Assinado digitalmente em 27/08/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM 2 Relatório Tratase de recurso voluntário interposto contra decisão da 13a Turma da DRJ/SPO I, a qual, por unanimidade de votos julgou pelo não conhecimento da manifestação de inconformidade apresentada, tendo em vista que sua protocolização fora feita fora do prazo legal. Em ato contínuo, o processo de Declaração de Compensação fora realizado pelo contribuinte por meio eletrônico (PER/DCOMP nº 33899.05066.220904.1.3.04 2134), na data de 22/09/2004, no qual pretendia quitar os débitos declarados no referido documento, com créditos decorrentes de recolhimento indevido realizado, por meio de DARF, na data de 01/01/2000, no valor de R$ 1.298,40, no código de recita: 8109, nos termos do Acórdão assim ementado: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Data do fato gerador: 01/01/2000 Manifestação de Inconformidade Intempestiva Efeitos A manifestação de inconformidade apresentada fora do prazo legal não instaura a fase litigiosa dôo procedimento nem comporta julgamento de primeira instância quanto às alegações de mérito, porque dela não se conhece. Manifestação de Inconformidade Não Conhecida Direito Creditório Não Reconhecimento. Em sede de impugnação e de recurso, o contribuinte apresenta os mesmos argumentos, que, em síntese, se referem à: (i) comprovação da existência do crédito para fins de compensação, (ii) existência do direito constitucional do direito de petição, (iii) não existência de natureza litigiosa no processo administrativo de compensação, e (iv) prevalência do princípio da verdade material no processo administrativo. É o relatório. Voto Admissibilidade do Recurso. Admito o presente Recurso Voluntário em virtude do preenchimento dos requisitos regulares para o seu desenvolvimento positivo. O recorrente, inconformado com a decisão de primeira instância, interpôs o presente Recurso Ordinário para que este Órgão analisasse novamente suas pretensões. Porém, razão alguma assiste a ele, porquanto o processo administrativo está morto desde sua fase inaugural de apresentação da manifestação de inconformidade. Explico! Para minhas convicções como Julgador administrativo, o fato que determinou sua não admissão está centrado na ocorrência da preclusão temporal, quando da apresentação intempestiva da impugnação administrativa, alcunhada de manifestação de inconformidade. Fl. 145DF CARF MF Impresso em 27/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/08/2014 por CLAUDIO AUGUSTO GONCALVES PEREIRA, Assinado digitalmente em 19/08/2014 por CLAUDIO AUGUSTO GONCALVES PEREIRA, Assinado digitalmente em 27/08/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 10880.955952/200813 Acórdão n.º 3802003.050 S3TE02 Fl. 141 3 Veja, a Lei nº 10.822/2003 incluiu o § 9º ao artigo 74 da Lei nº 9.430 de 27/12/1996 e, assim, facultou ao sujeito passivo, no prazo de 30 dias, o exercício do direito subjetivo de apresentar a manifestação de inconformidade contra a nãohomologação da compensação requerida. Além disso, o § 7º da referida legislação determinou também que, em casos de não homologação da compensação, a autoridade administrativa deverá cientificar o sujeito passivo e intimálo a efetuar, no prazo de trinta dias, contado da ciência do ato que não a homologou, ao pagamento dos débitos indevidamente compensados. Portanto, cruzando as normas extraídas do instrumento legal de regência, o contribuinte deveria apresentar sua manifestação de inconformidade no prazo de 30 (trinta) dias, contado da intimação do ato que não homologou seu pedido de compensação, caso quisesse discutir a decisão contrária aos seus interesses. De modo que, em termos de prova concreta existente nos autos, se verifica que o contribuinte foi notificado dos Despachos Decisórios em 02/12/2008, e vindo somente a apresentar sua manifestação de inconformidade no dia 07/10/2009. Ou seja, quase um ano depois. Portanto, para fundamentar e noticiar os termos que me levaram a concluir pelo não conhecimento do presente recurso, trago aqui o que dispõe o Ato Declaratório Normativo COSIT nº 15, de 12 de julho de 1996: “a impugnação intempestiva não instaura a fase litigiosa do procedimento, não suspende a exigibilidade do crédito tributário nem comporta julgamento de primeira instância, salvo caracterizada ou suscitada tempestividade, como preliminar”. Nesse sentido, tendo em vista o que dos autos consta e pelas razões por mim aqui expostas, CONHEÇO do recurso ora interposto e NEGOLHE PROVIMENTO, mantendo, assim, em sua integralidade, a decisão a quo que reconheceu a intempestividade da manifestação de inconformidade apresentada pelo contribuinte e, portanto, não foi instaurada a fase litigiosa do processo administrativo. (assinado digitalmente) Cláudio Augusto Gonçalves Pereira Relator Fl. 146DF CARF MF Impresso em 27/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/08/2014 por CLAUDIO AUGUSTO GONCALVES PEREIRA, Assinado digitalmente em 19/08/2014 por CLAUDIO AUGUSTO GONCALVES PEREIRA, Assinado digitalmente em 27/08/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM
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Numero do processo: 10746.001440/2005-37
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Aug 27 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Sep 25 00:00:00 UTC 2014
Numero da decisão: 1102-000.274
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado.
Documento assinado digitalmente.
João Otávio Oppermann Thomé Presidente e Relator.
Participaram do julgamento os Conselheiros: João Otávio Oppermann Thomé, José Evande Carvalho Araujo, Francisco Alexandre dos Santos Linhares, Ricardo Marozzi Gregório, João Carlos de Figueiredo Neto, e Antonio Carlos Guidoni Filho.
Nome do relator: JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME
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DILIGÊNCIA. Recorrente SM AGRO PECUÁRIA S/A Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. Documento assinado digitalmente. João Otávio Oppermann Thomé – Presidente e Relator. Participaram do julgamento os Conselheiros: João Otávio Oppermann Thomé, José Evande Carvalho Araujo, Francisco Alexandre dos Santos Linhares, Ricardo Marozzi Gregório, João Carlos de Figueiredo Neto, e Antonio Carlos Guidoni Filho. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 07 46 .0 01 44 0/ 20 05 -3 7 Fl. 236DF CARF MF Impresso em 25/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/09/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 03/ 09/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME Processo nº 10746.001440/200537 Resolução nº 1102000.274 S1C1T2 Fl. 3 2 Relatório De início, esclareçase que todas as indicações de folhas a seguir dizem respeito à numeração digital do eprocesso. Trata o presente processo de lançamento de ofício formalizado por meio do auto de infração de Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica – IRPJ, lavrado ao final do procedimento de revisão da Declaração de Informações EconômicoFiscais – DIPJ 2001, relativa ao ano calendário 2000. Em 07/04/2005 a interessada foi intimada a apresentar esclarecimentos acerca de divergências constatadas na referida DIPJ com relação à compensação de prejuízos de períodos anteriores, em confronto com os cálculos efetuados a partir de informações disponíveis na Secretaria da Receita Federal. A empresa inicialmente apresentou os Livros de Apuração do Lucro Real – LALUR relativos aos anos de 1995 a 2000. O fisco, analisando os mesmos em confronto com as informações constantes do Sistema de Acompanhamento de Prejuízo, Lucro Inflacionário e Base de Cálculo Negativa da CSLL – SAPLI, identificou diversas divergências sobre as quais tornou a intimar a empresa (fls. 6 a 8), ao que esta manifestouse com os esclarecimentos de fls. 18 a 21. Como as divergências e os esclarecimentos prestados pela contribuinte faziam alusão a períodos ainda mais pretéritos, a fim de comprovar as alegações sucitadas pela empresa, a fiscalização tornou a intimála, desta feita para que apresentasse as Demonstrações Contábeis (Balanço Patrimonial e Demonstração do Resultado do Exercício) que serviram de base para a apuração do lucro real dos anoscalendário de 1987 a 1994, bem como os Livros de Apuração do Lucro Real – LALUR relativos aos mesmos períodos. Após solicitação (e concessão) de dilação do prazo, a empresa apresentou os LALUR abrangendo os períodos desde junho de 1992 até dezembro de 1994, bem como informou que “o restante dos documentos não foram localizados pela empresa” (fls. 27). As conclusões da fiscalização, a partir dos documentos apresentados e das informações prestadas, está resumida no Relatório Fiscal – Revisão da DIPJ, abaixo transcritas: “Das constatações A empresa apresentou, em suma, as seguintes alegações acerca das inconsistências existentes entre o LALUR e o SAPLI: que todos os prejuízos fiscais apurados a partir do anocalendário 1988 referem se exclusivamente à atividade rural, tendo em vista que a empresa foi transformada em uma agropecuária em 02081988; que até o anocalendário 1991 as declarações foram preenchidas erroneamente como resultados da atividade em geral enquanto que o correto seria atividade rural; Fl. 237DF CARF MF Impresso em 25/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/09/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 03/ 09/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME Processo nº 10746.001440/200537 Resolução nº 1102000.274 S1C1T2 Fl. 4 3 que alguns valores não foram devidamente computados no SAPLI e que outros foram computados de forma equivocada. Além das divergências mencionadas no Termo de 15062005 e considerando a documentação apresentada, constatamos: de 1988 a 1991 as declarações de imposto de renda foram preenchidas considerando apenas resultados de atividade em geral; de 1992 a 1994 as declarações contemplaram resultados tanto da atividade em geral como da atividade rural; em 1995 a declaração foi preenchida considerando que todos os resultados se referiam à atividade em geral; a partir de 1996 as declarações foram preenchidas considerando apenas os resultados da atividade rural; há inúmeras inconsistências entre os valores declarados e aqueles constantes do LALUR; Em virtude do exposto, não há como levar em consideração as alegações da empresa, tendo em vista que os valores constantes do SAPLI foram espontaneamente por ela declarados e a documentação apresentada, por si só, não apresenta informações confiáveis para que esta fiscalização promova, com segurança, as alterações que seriam necessárias no referido sistema.” Foi lavrado, então, auto de infração por glosa de compensação de prejuízos fiscais (saldo de prejuízos insuficientes) no 2º, 3º , e 4º trimestres de 2000. Cientificada do feito, alegou a empresa, em síntese, o seguinte: a) preliminarmente, a nulidade do lançamento fiscal, posto que calcado exclusivamente em valores registrados e constantes dos sistemas informatizados da Receita Federal, e não nos valores constantes do LALUR, cujos dados ou informações foram sumariamente desconsiderados pelo Agente do Fisco, sob pretexto de não serem “confiáveis”; b) que esta alegação do Fisco abre luta em campo aberto contra o disposto no artigo 9º, parágrafo primeiro, do DL 1.598/77, segundo o qual a “escrituração mantida com observância das disposições legais faz prova a favor do contribuinte dos fatos nela registrados ou comprovados por documentos hábeis, segundo sua natureza, ou assim definidos em preceitos legais.” c) que, como já esclarecido durante a fase de fiscalização, as Declarações de Rendimentos da Pessoa Jurídica foram preenchidas de forma equivocada pela impugnante, visto que todos os prejuízos por ela acumulados advêm da única atividade que sempre exerceu, a saber, a ATIVIDADE RURAL, consoante se constata da análise do LALUR relativo ao período objeto da autuação; d) que o LALUR é documento hábil para comprovar a origem dos prejuízos da impugnante, consoante o art. 8º da IN SRF 257/02; e) que, no caso de pessoa jurídica rural, não tendo havido no LALUR a segregação da atividade rural das demais atividades, é incabível a presunção feita pelo fisco de Fl. 238DF CARF MF Impresso em 25/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/09/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 03/ 09/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME Processo nº 10746.001440/200537 Resolução nº 1102000.274 S1C1T2 Fl. 5 4 que todos os prejuízos informados nas Declarações do IRPJ sejam decorrentes de outras atividades, e não da atividade rural, e que as provas constantes dos autos elidem esta presunção fiscal; f) que, no caso, inexistentes outros prejuízos que não os decorrentes da atividade rural, devese determinar a nulidade e o cancelamento do lançamento fiscal; g) que teria ocorrido a decadência do direito de constituição do crédito tributário, em face do art. 150, § 4º, do CTN, visto que a apuração do lucro real era trimestral; h) que o Agente do Fisco desconsiderou, sem fundamentação legal, a escrituração da impugnante, bem como os demais documentos a ele disponibilizados por ocasião da fiscalização levada a efeito nas dependências da empresa, notadamente o Livro de Apuração do Lucro Real – LALUR; i) que a cópia do LALUR, já citada, demonstra, inequivocamente, que todos os prejuízos acumulados pela impugnante decorrem da atividade rural; j) que não exerce outra atividade que não a agrícola e pastoril, nos termos do art. 2º da Lei 8.023/90, e que o art. 3º do seu Estatuto Social dispõe que “a sociedade tem por objeto a exploração agrícola e pastoril, bem como atividades correlatas”; k) que para comprovar sua atividade rural junta, por amostragem, cópia de notas fiscais, relativa à atividade rural de vários períodos; l) que os prejuízos fiscais decorreram exclusivamente da atividade rural e que, por conseguinte, tais prejuízos devem ser compensados sem a trava de 30%, nos termos do artigo 14 da Lei 8.023/90 e, assim, é improcedente a glosa que ensejou o lançamento de ofício; m) que a multa de ofício aplicada (75%) é desproporcional e confiscatória; n) que a taxa SELIC não se presta para cobrança de juros de mora, e que estes devem ser limitados a 1% ao mês, conforme art. 161, § 1º, da Lei 5.172/66 (CTN). Protestou, ainda, por todas as provas em direito admitidas, especialmente a juntada de novos documentos, realização de prova pericial, apresentação de memoriais e sustentação oral de seu direito, e, ao final, requereu a improcedência do lançamento fiscal. A 2ª Turma de Julgamento da DRJ BrasíliaDF rejeitou as preliminares de nulidade e de decadência e, no mérito, julgou o lançamento fiscal procedente, conforme a ementa a seguir transcrita: “Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Anocalendário: 2000 IRPJ. PRELIMINAR. NULIDADE. INOCORRÊNCIA. A questão relativa a provas não é matéria a ser apreciada em sede de preliminar, mas sim por ocasião do mérito da infração imputada. A comprovação, ou não, pelo Fisco do seu direito constitutivo de lançar, implica a procedência ou não do lançamento fiscal, porém jamais a sua nulidade. No processo administrativo fiscal, há apenas duas situações, expressamente previstas, que levam à nulidade do lançamento fiscal, ou seja, a falta de Fl. 239DF CARF MF Impresso em 25/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/09/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 03/ 09/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME Processo nº 10746.001440/200537 Resolução nº 1102000.274 S1C1T2 Fl. 6 5 competência do agente e o cerceamento do direito de defesa. Inexistentes tais vícios, rejeitase a preliminar de nulidade. IRPJ. PRELIMINAR. DECADÊNCIA. INEXISTÊNCIA. O prazo decadencial do IRPJ é de cinco anos, cujo termo inicial, para lançamento direto ou de ofício com base no art. 149 do CTN, é o primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado (CTN, art. 173, I). ARGÜIÇÃO DE ILEGALIDADE E INCONSTITUCIONALIDADE DOS DISPOSITIVOS LEGAIS QUE TRATAM DA MULTA DE OFÍCIO DE 75% E DOS JUROS DE MORA TAXA SELIC. FALTA DE COMPETÊNCIA DO ÓRGÃO ADMINISTRATIVO. MATÉRIA NÃO CONHECIDA. Não compete ao órgão de julgamento administrativo conhecer de pretensa ilegalidade e inconstitucionalidade de lei ou ato normativo federal. Pelo contrário, ao julgador administrativo compete, apenas, verificar se a lei e os atos normativos do Poder Público foram aplicados conforme foram editados, uma vez que são dotados de presunção de legitimidade, legalidade e constitucionalidade. O conhecimento e julgamento de eventual vício formal ou material de formação da legislação aplicada e em vigor na data do fato gerador do tributo ou contribuição compete, apenas, ao Poder Judiciário, o qual tem a última palavra em face do princípio da unidade de jurisdição. ATIVIDADE RURAL. COMPENSAÇÃO DE LUCRO REAL DO PERÍODO COM PREJUÍZOS FISCAIS DE ANOS ANTERIORES. INSUFICIÊNCIA DE PREJUÍZOS DE PERÍODOS ANTERIORES DA ATIVIDADE RURAL. EXISTÊNCIA DE SALDO DE PREJUÍZOS DA ATIVIDADE EM GERAL. COMPENSAÇÃO MEDIANTE APLICAÇÃO DA TRAVA DE 30%. GLOSA DO EXCESSO DE COMPENSAÇÃO. Consumido o saldo de prejuízo fiscal da atividade rural de anos anteriores, e existindo, ainda, lucro real da atividade rural a compensar, é cabível a compensação com prejuízo fiscal anterior das demais atividades, limitada a 30% do lucro líquido ajustado, conforme previsto nas Leis nºs 8.981/95 e 9.065/95. PEDIDO DE DILIGÊNCIA, PERÍCIA E PROTESTO PELA JUNTADA DE DOCUMENTOS. PEDIDO REJEITADO. Para que seja deferido o pedido de diligência, perícia, produção ou juntada de outras provas, o requerimento deve, além de demonstrar com fundamentos a sua necessidade, ser formulado em consonância com o inciso IV e § 1º artigo 16 do Decreto nº 70.235/72.” Cientificada desta decisão em 09/04/2008, e com ela inconformada, a interessada interpôs recurso perante este Conselho em 07/05/2008 (fls. 202 a 220), no qual, em linhas gerais, reprisa os argumentos expostos por ocasião da inicial, e acrescenta, ainda, o seguinte: o) que a decisão recorrida é nula, pois, assim como já o fizera a autoridade fiscal, também se apoiou em presunções e meras suposições, desconsiderando até mesmo as notas fiscais anexadas à impugnação, conforme trecho que reproduz, verbis: "(...) Entretanto, tais notas fiscais comprovam que a autuada exerceu atividade de revenda de gado, pois antes comprara ou adquirira o gado dos produtores rurais, para posterior revenda. A impugnante, assim, não era uma produtora de gado, mais compradora. Não dá para dizer ou afirmar, de plano, que a revenda de gado adquirido de terceiros seja atividade rural, pois não se considera atividade rural a compra e venda Fl. 240DF CARF MF Impresso em 25/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/09/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 03/ 09/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME Processo nº 10746.001440/200537 Resolução nº 1102000.274 S1C1T2 Fl. 7 6 de rebanho com permanência em poder do contribuinte em prazo inferior a 52 dias, quando em regime de confinamento, ou 138 dias, nos demais casos (...)" p) que, portanto, “se não há como se afirmar com precisão que a atividade da Recorrente não é rural, da mesma forma não possuíam as autoridades julgadoras meios para afirmar o contrário, ou seja, que é ela mera compradora de gado!!!!”; q) que, se a própria Turma Julgadora tem dúvidas acerca da natureza da atividade da Recorrente, em face de dúvida acerca desse fato relevantíssimo para o desfecho deste processo, está caracterizada a insubsistência da autuação e da decisão que a manteve, ante a configuração de infringência ao artigo 112 do Código Tributário Nacional. Este processo foi a mim distribuído originalmente em maio de 2010, contudo, em face da não sua não digitalização integral (faltavam os três volumes do “Anexo I”, contendo a documentação comprobatória), foi devolvido à Secretaria. Após a digitalização do Anexo I, retorna o processo para análise do recurso voluntário. É o relatório. Voto Conselheiro João Otávio Oppermann Thomé O recurso é tempestivo e preenche os requisitos de admissibilidade, dele tomo conhecimento. Em sede de preliminares, argui a recorrente a decadência do direito do Fisco de proceder ao lançamento do IRPJ relativo aos fatos geradores verificados nos 2º e 3º trimestres de 2000, tendo em vista que o lançamento foi efetivado em 15.12.2005. Não lhe assiste razão. Nada obstante o entendimento deste relator, e da majoritária jurisprudência do CARF (anteriormente ao julgamento pelo Superior Tribunal de Justiça – STJ do Recurso Especial 973.733), no sentido de que, nos tributos submetidos ao denominado lançamento por homologação, uma vez expirado o prazo previsto no parágrafo 4° do art. 150 do CTN, sem que a Administração Tributária se tenha pronunciado, considerase homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação, e independente de ter havido ou não prévio pagamento do tributo, o fato é que o STJ deu a esta questão entendimento em sentido diverso. De fato, no julgamento do referido REsp 973.733, ao qual foi conferido o caráter de recurso repetitivo, nos termos do artigo 543C do Código de Processo Civil, e cuja decisão transitou em julgado em 29.10.2009, o STJ decidiu que, nos casos em que o contribuinte não efetua o pagamento antecipado, o dies a quo do prazo qüinqüenal da regra decadencial regese pelo disposto no artigo 173, I, do CTN. Fl. 241DF CARF MF Impresso em 25/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/09/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 03/ 09/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME Processo nº 10746.001440/200537 Resolução nº 1102000.274 S1C1T2 Fl. 8 7 Nos termos do art. 62A, do vigente Regimento Interno do CARF, tal entendimento há de ser obrigatoriamente reproduzido pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. Neste contexto, e tendo em vista as informações prestadas pela recorrente no âmbito da Declaração de Informações EconômicoFiscais da Pessoa Jurídica – DIPJ e das Declarações de Débitos e Créditos Tributários Federais – DCTF apresentadas, nas quais se verifica que tanto o imposto apurado quanto o imposto a pagar, relativos aos períodos trimestrais de 2000, são iguais a zero, concluise não ter ocorrido a decadência. Ainda em sede de preliminares, aduz a recorrente a nulidade da decisão a quo, por desconsiderar, sem nenhuma fundamentação, as provas constantes dos autos, e violar, por conseguinte, os princípios da motivação, ampla defesa, razoabilidade e verdade material. Não lhe assiste razão. Nos termos do artigo 59 do Decreto nº 70.235/72 – PAF, que rege o processo administrativo fiscal, somente ensejam a nulidade os atos e termos lavrados por pessoa incompetente e os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. Ao contrário do que sustenta a recorrente, não houve desconsideração de qualquer prova acostada aos autos, mas tão somente análise e valoração dessas provas por aquela autoridade, que, pelos fundamentos expostos no decisum, considerou as insuficientes para modificar o lançamento de ofício. Afastadas as preliminares, passo ao mérito. O lançamento, conforme visto, é relativo ao ano calendário de 2000. Contudo, a infração constatada é de glosa da compensação de prejuízos apurados em períodos pretéritos, reputados pelo fisco como inexistentes ou insuficientes para respaldar a compensação pretendida. A recorrente, no intuito de demonstrar o seu direito (a existência e suficiência dos referidos prejuízos), elaborou demonstrativo relacionando seus prejuízos desde o ano de 1987. A autoridade fiscal detectou diversas inconsistências entre as alegações da recorrente e as informações que constavam do sistema de controle de prejuízos da Secretaria da Receita Federal (SAPLI), e intimou a recorrente a apresentar os Livros de Apuração do Lucro Real – LALUR, bem como suas Demonstrações Contábeis (Balanço Patrimonial e Demonstração do Resultado do Exercido) de todos os anos desde 1987. A recorrente apresentou os livros LALUR a partir do ano calendário de 1992, e informou não ter localizado os relativos aos anos anteriores. De pronto há que se afirmar a premissa de que, em se tratando de prejuízos apurados em períodos anteriores, cuja compensação se pretende seja considerada em determinado período de apuração, é ônus do contribuinte dispor dos elementos de prova da apuração daqueles prejuízos pretéritos, nos termos da remansosa jurisprudência do CARF. Ademais, cediço que as informações que alimentam o sistema SAPLI são aquelas informadas pelo próprio contribuinte em suas DIPJ, e, por fim, importa observar que, Fl. 242DF CARF MF Impresso em 25/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/09/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 03/ 09/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME Processo nº 10746.001440/200537 Resolução nº 1102000.274 S1C1T2 Fl. 9 8 no caso sob análise, o fisco não promoveu a alteração no valor de qualquer um dos prejuízos que constavam no sistema, ou seja, dos prejuízos declarados pelo contribuinte. A recorrente, contudo, contesta algumas informações constantes do SAPLI, ao argumento de que teria preenchido incorretamente diversas de suas declarações DIPJ, informando erroneamente seu resultado como sendo da atividade em geral, enquanto que o correto seria a atividade rural, única atividade que exerce desde 02.08.1988. Em alguns períodos, haveria também divergência com relação a valores que haviam sido por ela declarados, conforme se constata nas alegações feitas ainda durante o curso da ação fiscal (fls. 1921). Ora, por certo que as DIRPJ apresentadas podem conter incorreções, e é de fato bastante vasta a jurisprudência do CARF no sentido de que de meros erros de fato não se originam direitos. Por outro lado, também é sólida e consistente a jurisprudência no sentido de que erros de fato não podem ser simplesmente alegados, mas hão de ser provados, exceto, por óbvio, no caso em que tais erros sejam de percepção evidente. Neste sentido, cito os seguintes precedentes: ERRO NO PREENCHIMENTO DE DECLARAÇÃO DE RENDIMENTOS AUSÊNCIA DE PROVAS O erro no preenchimento da declaração de rendimentos só torna insubsistente o lançamento quando devidamente comprovado com documentos contábeis e fiscais, demonstrativos e outros meios de prova admitidos, capazes de demonstrar de forma inequívoca a sua ocorrência. (Acórdão 10323.048, Sessão de 25 de maio de 2007, relator Alexandre Barbosa Jaguaribe) ERRO DE FATO. PREENCHIMENTO DECLARAÇÃO. ÔNUS DA PROVA. A prova do erro de fato no preenchimento da Declaração de Rendimentos uma vez iniciado o procedimento de oficio é incumbência do contribuinte, devendo sua alegação ser acompanhada de documentos hábeis e idôneos a comprovar a verdade dos fatos. (Acórdão 10323.538, Sessão de 13 de agosto de 2008, relator Antonio Bezerra Neto) Com a devida vênia, nenhum dos pontos levantados pela recorrente se enquadra como de percepção evidente, nem mesmo a sua alegação de que todo o seu resultado seria proveniente da atividade rural, a tanto não bastando a mera apresentação de uma alteração contratual para estabelecer que seu objeto social seria “a exploração agrícola e pastoril, bem como atividades correlatas” (fls. 88) e de nove notas fiscais emitidas entre 1989 e 1991. Ademais, a informação de que apuraria somente resultados de uma única atividade (no caso, a rural) desde 1988 chocase frontalmente com a informação do fisco de que, por exemplo, nos anos de 1992 a 1994, as suas declarações contemplaram resultados tanto da atividade em geral quanto da atividade rural, enquanto que, em outros anos, seus resultados encontravamse declarados como sendo integralmente proveniente de uma ou de outra atividade (ou seja, como geral ou como rural). De tudo o que até aqui exposto, encaminharseia o voto para negar provimento ao recurso. Contudo, outras circunstâncias me conduzem a propor, no caso, uma diligência. É que, ao menos com relação aos anos de 1992 e 1993, em que constam nos autos (embora de forma incompleta e dispersa – ao menos na versão digitalizada – e, portanto, de difícil compreensão) cópias de algumas partes das declarações apresentadas, não é possível Fl. 243DF CARF MF Impresso em 25/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/09/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 03/ 09/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME Processo nº 10746.001440/200537 Resolução nº 1102000.274 S1C1T2 Fl. 10 9 confirmar a afirmação da fiscalização de que teriam sido declarados resultados tanto de uma quanto de outra atividade. A comprovação desta afirmação consistiria, na visão deste relator, uma irrefutável contradição ao argumento central de mérito da recorrente. Contudo, conforme dito, a afirmação fiscal não pode ser comprovada, e, na verdade, do quanto foi possível perceber das mal arrumadas e em larga medida ilegíveis cópias constantes dos autos (fls. 439483 do Anexo I), aparentemente a única receita declarada pelo contribuinte nestes anos teria sido a proveniente da “atividade agropastoril”. Ademais, verificando o demonstrativo elaborado pelo contribuinte denominado “Levantamento dos saldos de prejuízos fiscais desde o ano de 1991 até o ano de 2000” (fls. 44 90 do Anexo I), verifico que uma das divergências apontadas pela recorrente com relação ao SAPLI diz respeito aos “prejuízos fiscais IPC/90 – 1987 a 1989”, que no sistema Sapli apareceriam com valor zero. Ao lado desta informação, consta uma anotação manuscrita (sem identificação) com os dizeres “não declarado”. Contudo, aparentemente tratarseia da diferença de correção monetária relativa ao ano de 1990 (diferença IPC/BTN) que, pela legislação em vigor, seria aplicável aos valores constantes da parte B do LALUR. Assim, se, no caso, o contribuinte tiver apurado prejuízos fiscais nos anos de 1987 a 1989, teria direito a registrar no LALUR, para compensação, observadas as normas de regência específicas, o valor da diferença de correção monetária IPC/BTN relativa a esses prejuízos. Não consta que tal registro fosse de declaração obrigatória por parte do contribuinte. Tendo a lei assim disposto, o sistema SAPLI deveria refletir (computar) esta determinação. Ocorre que, com os elementos dos autos, sequer é possível tentarse fazer qualquer verificação, pois não consta dos autos, de fato, cópia de qualquer demonstração relativa ao SAPLI, muito embora conste que, ao menos para o contribuinte, durante a fiscalização, foram apresentados os seus demonstrativos, tanto assim que o contribuinte transcreve, para o demonstrativo que elaborou, os dados que constariam do referido sistema. Como as circunstâncias referidas podem afetar a conclusão deste relator quanto à possível ocorrência, ou não, de erro de fato quanto à natureza dos prejuízos declarados pelo contribuinte, e quanto à possível existência, ou não, de prejuízos fiscais advindos da diferença IPC/BTN que não tenham sido considerados pelo SAPLI, oriento meu voto pela conversão em diligência para que a autoridade fiscal na Unidade da Receita Federal do Brasil que jurisdiciona o contribuinte adote as seguintes providências: 1. Junte aos autos cópias das declarações do imposto de renda da pessoa jurídica dos anos de 1987 a 2000; 2. Aponte de modo inequívoco onde se encontra a informação de que o contribuinte teria apurado resultados tanto da atividade geral quanto da atividade rural nos anos de 1992 a 1994, correlacionando esta informação com os dados constantes do sistema SAPLI para estes anos; 3. Junte aos autos os demonstrativos do SAPLI que fundamentam o auto de infração em análise, contendo a demonstração dos resultados apurados pela pessoa jurídica desde 1987 até 2000 (ano da autuação); Fl. 244DF CARF MF Impresso em 25/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/09/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 03/ 09/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME Processo nº 10746.001440/200537 Resolução nº 1102000.274 S1C1T2 Fl. 11 10 4. Confirme se o SAPLI do contribuinte contém ou não a diferença de correção monetária relativa ao ano de 1990 (diferença IPC/BTN) relativa aos prejuízos fiscais apurados até 31 de dezembro de 1989; 5. Cumpridos os itens acima, lavre um Relatório de Diligência circunstanciado e dele dê ciência à recorrente para que, querendo, sobre ele se manifeste, no prazo de 30 (trinta) dias. Após, retornem os autos para o competente julgamento. Documento assinado digitalmente. João Otávio Oppermann Thomé Relator Fl. 245DF CARF MF Impresso em 25/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/09/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 03/ 09/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME
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Numero do processo: 36192.005105/2005-13
Turma: Terceira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Sep 11 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Sep 25 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Período de apuração: 01/07/2004 a 31/12/2004
CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. SEGURADO EMPREGADO E CONTRIBUINTE INDIVIDUAL.
Constitui infração deixar a empresa de arrecadar mediante desconto das remunerações, as contribuições dos segurados empregados e contribuintes individuais, art. 30, I, a, da Lei nº 8.212/91 e art. 4º da Lei n.º 10.666/03.
DO CONTRADITÓRIO E DA AMPLA DEFESA
Quando intimada do termo a autuação, o contribuinte deve oferecer impugnação munida de todos os meios de provas, nos termos do Decreto nº 70.235/72. Quando regularmente intimado, o contribuinte não faz contraprova ou requer diligência, não há que se falar em lesão ao contraditório e a ampla defesa.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 2803-003.670
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator.
(Assinado digitalmente)
Helton Carlos Praia de Lima - Presidente.
(Assinado digitalmente)
Natanael Vieira dos Santos - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Helton Carlos Praia de Lima (Presidente), Amilcar Barca Teixeira Junior, Oséas Coimbra Júnior, Natanael Vieira dos Santos, Gustavo Vettorato e Eduardo de Oliveira.
Nome do relator: NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS
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DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. SEGURADO EMPREGADO E CONTRIBUINTE INDIVIDUAL. Constitui infração deixar a empresa de arrecadar mediante desconto das remunerações, as contribuições dos segurados empregados e contribuintes individuais, art. 30, I, a, da Lei nº 8.212/91 e art. 4º da Lei n.º 10.666/03. DO CONTRADITÓRIO E DA AMPLA DEFESA Quando intimada do termo a autuação, o contribuinte deve oferecer impugnação munida de todos os meios de provas, nos termos do Decreto nº 70.235/72. Quando regularmente intimado, o contribuinte não faz contraprova ou requer diligência, não há que se falar em lesão ao contraditório e a ampla defesa. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator. (Assinado digitalmente) Helton Carlos Praia de Lima Presidente. (Assinado digitalmente) Natanael Vieira dos Santos Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 36 19 2. 00 51 05 /2 00 5- 13 Fl. 90DF CARF MF Impresso em 25/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/09/2014 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 18/0 9/2014 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 22/09/2014 por HELTON CARLOS PRAIA D E LIMA Processo nº 36192.005105/200513 Acórdão n.º 2803003.670 S2TE03 Fl. 91 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Helton Carlos Praia de Lima (Presidente), Amilcar Barca Teixeira Junior, Oséas Coimbra Júnior, Natanael Vieira dos Santos, Gustavo Vettorato e Eduardo de Oliveira. Fl. 91DF CARF MF Impresso em 25/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/09/2014 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 18/0 9/2014 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 22/09/2014 por HELTON CARLOS PRAIA D E LIMA Processo nº 36192.005105/200513 Acórdão n.º 2803003.670 S2TE03 Fl. 92 3 Relatório 1. Tratase de recurso voluntário interposto pela empresa ANDRÉ GUIMARÃES CONSTRUÇÕES LTDA, em face da decisão de nº 04.401.4/0456/2006, proferida pela Delegacia da Receita Previdenciária de Salvador que julgou improcedente a impugnação apresentada pelo contribuinte. 2. De acordo com o Relatório Fiscal (fls. 08/10), o lançamento se refere a auto de infração (AI n° 35.309.0069) lavrado contra a empresa, em 05/12/2005, por ter deixado a mesma de arrecadar, mediante desconto de suas respectivas remunerações, as contribuições devidas por segurados empregados e/ou contribuintes individuais que lhes prestaram serviços, no período de 07/2004 a 12/2004, infringindo o contido no artigo 30, inciso I, alínea "a" da Lei nº 8.212/91 e artigo 4º, da Lei nº 10.666/03, c/c artigo 216, inciso I, alínea "a" do Regulamento da Previdência Social aprovado pelo Decreto nº 3.048/99 (CFL 59). 3. A empresa, após ter sido devidamente intimada da autuação, impugnou o lançamento tempestivamente (fls. 52/56). 4. Ao analisar os argumentos constantes na peça impugnatória, a primeira instância administrativa decidiu considerar procedente o lançamento, mantendo o crédito tributário exigido (fls. 60/62), nos seguintes termos: “DEIXAR A EMPRESA DE ARRECADAR AS CONTRIBUIÇÕES DOS SEGURADOS EMPREGADOS. Constitui infração capitulada no art. 30, inciso I, alínea "a", da Lei n° 8.212/91. AUTUAÇÃO PROCEDENTE.” 5. Inconformada com a decisão proferida a contribuinte apresentou recurso voluntário tempestivo as (fls. 68/72), no qual aduz em síntese que: a) foi cerceada em seu direito de ampla defesa, porque o relatório fiscal de forma concisa afirma, unilateralmente e de forma genérica, de que a empresa deixou de recolher valores devidos a Previdência Social, sem, contudo, demonstrar a origem e a natureza da contribuição, o que impede a identificação da obrigação inadimplida. b) deve ser o lançamento considerado nulo, haja vista ausência de motivação; e) por fim, requer a anulação do auto de infração. 6. O fisco não apresentou contrarrazões e o processo foi encaminhado para análise e julgamento por este Conselho. É o relatório. Fl. 92DF CARF MF Impresso em 25/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/09/2014 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 18/0 9/2014 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 22/09/2014 por HELTON CARLOS PRAIA D E LIMA Processo nº 36192.005105/200513 Acórdão n.º 2803003.670 S2TE03 Fl. 93 4 Voto Conselheiro Natanael Vieira dos Santos, Relator. DOS PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE 1. Conheço do recurso voluntário, uma vez que foi tempestivamente apresentado, preenche os requisitos de admissibilidade previstos no Decreto nº. 70.235, de 6 de março de 1972 e passo a analisálo. DO CERCEAMENTO DE DEFESA 2. Como se depreende do relatório fiscal, a recorrente foi autuada por ter deixado de arrecadar, mediante desconto de suas respectivas remunerações, as contribuições devidas por segurados empregados e/ou contribuintes individuais que lhes prestaram serviços, no período de 07/2004 a 12/2004, infringindo o art 30, I, "a", da Lei nº 8.212, de 1991 e art. 4° da Lei nº 10.666, de 2003, de 2003, c/c artigo 216, inciso I, alínea "a" do Regulamento da Previdência Social aprovado pelo Decreto nº 3.048/99. 3. Diferentemente do alegado em sua defesa em primeira instância, argumenta exclusivamente a recorrente sobre a nulidade do lançamento com base na alegação de que houve cerceamento do seu direito de defesa. Ou seja, seria o presente lançamento nulo porque foi ela preterida no seu direito de ampla defesa, na medida em que: “A afirmação de forma unilateral e genérica de que a Notificada deixou de recolher valores devidos à Previdência Social, sem, contudo, demonstrar a origem e a natureza da contribuição, impede a perfeita identificação da obrigação inadimplida”. 4. Ainda, alega a autuada que deveria o “Auditor Fiscal, diante dos princípios da legalidade, descrever com clareza a infração cometida e fundamentar juridicamente a base imponível de forma precisa, possibilitando com sua identificação o exercício da ampla defesa na esfera administrativa.” 5. Ora, a recorrente dedicouse de forma simplória em afirmar que a fiscalização unilateralmente a notificou que havia deixado a contribuinte de recolher valores devidos a Previdência Social, e, basicamente por essa razão seria nulo o lançamento, não tendo, contudo, aproveitado a oportunidade para apresentar contraprova, que desconstituísse a lógica demonstrada pelo Fisco, qual seja ter deixado de arrecadar, mediante desconto de suas respectivas remunerações, as contribuições devidas por segurados empregados e/ou contribuintes individuais que lhes prestaram serviços. 6. Ao contrário, compulsando os autos, da simples leitura da defesa apresentada em primeira instância (fls. 52/56), verifico que a contribuinte, ao pleitear a relevação da multa aplicada, de certa forma, admitiu a prática da falta e os fundamentos da imposição da respectiva penalidade. Fl. 93DF CARF MF Impresso em 25/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/09/2014 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 18/0 9/2014 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 22/09/2014 por HELTON CARLOS PRAIA D E LIMA Processo nº 36192.005105/200513 Acórdão n.º 2803003.670 S2TE03 Fl. 94 5 7. Não vislumbro vício de defesa capaz de ensejar lesão aos princípios do contraditório e ampla defesa, que são basilares do Estado Democrático de Direito. 8. Outrossim, a impugnante foi oportunizada a apresentação de impugnação, nos termos do Decreto nº 70.235/72, que era o momento adequado para fazer contraprova as alegações do Fisco, podendo, inclusive, ter solicitado perícia e juntada de documentos, porém não o fez. 9. Sendo assim, não verifico a alegada violação ao contraditório e ampla defesa, capaz de macular o procedimento fiscalizatório, razão pela qual entendo que não há o que se falar em lesão de diretos da recorrente. CONCLUSÃO 10. Diante do exposto, conheço do recurso voluntário, para, no mérito, negar lhe provimento, nos termos acima alinhavados. É como voto. (Assinado digitalmente) Natanael Vieira dos Santos. Fl. 94DF CARF MF Impresso em 25/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/09/2014 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 18/0 9/2014 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 22/09/2014 por HELTON CARLOS PRAIA D E LIMA
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Numero do processo: 13971.004624/2009-15
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Aug 19 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Tue Sep 16 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Regimes Aduaneiros
Período de apuração: 04/03/2004 a 09/11/2006
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OMISSÃO. CONTRADIÇÃO. ERRO MATERIAL.
Os embargos de declaração se prestam ao questionamento de omissão, contradição ou obscuridade em acórdão proferido pelo CARF. Não identificados tais pressupostos, nem erros materiais, incabíveis os embargos.
Numero da decisão: 3403-003.155
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar os embargos de declaração. Esteve presente ao julgamento o Dr. Dante Aguiar Arend, OAB/SC no 14.826.
Antonio Carlos Atulim - Presidente.
Rosaldo Trevisan - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antonio Carlos Atulim (presidente da turma), Rosaldo Trevisan (relator), Alexandre Kern, Ivan Allegretti, Domingos de Sá Filho e Luiz Rogério Sawaya Batista.
Nome do relator: ROSALDO TREVISAN
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OMISSÃO. CONTRADIÇÃO. ERRO MATERIAL. Os embargos de declaração se prestam ao questionamento de omissão, contradição ou obscuridade em acórdão proferido pelo CARF. Não identificados tais pressupostos, nem erros materiais, incabíveis os embargos. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar os embargos de declaração. Esteve presente ao julgamento o Dr. Dante Aguiar Arend, OAB/SC no 14.826. Antonio Carlos Atulim Presidente. Rosaldo Trevisan Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antonio Carlos Atulim (presidente da turma), Rosaldo Trevisan (relator), Alexandre Kern, Ivan Allegretti, Domingos de Sá Filho e Luiz Rogério Sawaya Batista. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 97 1. 00 46 24 /2 00 9- 15 Fl. 6551DF CARF MF Impresso em 16/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/08/2014 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 03/09/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 26/08/2014 por ROSALDO TREVISAN 2 Relatório Tratase de embargos de declaração opostos pela contribuinte ao Acórdão nº 3403002.865, de 26/03/2014, em face de “omissão”, “contradição” e “erro material”. Tal Acórdão representou o segundo julgamento efetuado por esta turma em relação ao processo (o primeiro foi proferido pelo Acórdão nº 3403001.912, de 26/02/2013, no qual foi unanimemente dado provimento a recurso de ofício, determinando o retorno dos autos à DRJ para apreciação dos demais argumentos da impugnação). A ciência do julgamento (Acórdão nº 3403002.865) ocorreu em 02/06/2014 (cf. AR. de fl. 6532), tendo os embargos sido interpostos em 06/06/2014 (fls. 6563 a 6547). Argumenta a embargante, em síntese, que houve: a) omissão, por impedimento dos conselheiros, segundo o art. 42, IV do Regimento Interno do CARF e o princípio da imparcialidade, e por impedimento do relator (art. 42A do mesmo Regimento), não tendo sido a empresa cientificada do Acórdão nº 3403001.912, de 26/02/2013; b) omissão, por violação ao princípio da verdade material, pela falta de análise da alegação de ilicitude de provas; c) contradição, porque o próprio relator concorda que a embargante é responsável solidária da empresa ocultante, sendo o importador o responsável principal pela infração, mas compreende que a embargante pode ser responsabilizada isoladamente pela infração; d) contradição, porque afirma o voto condutor do acórdão que não se aplica ao caso concreto o Código Tributário Nacional, pois se está diante de penalidade, mas ao final afirma que é imprópria a analogia o direito penal; e) omissão, por cerceamento de defesa, tendo em vista que a embargante estava impedida de apresentar documentos relativos a terceiro (a efetiva importadora); f) omissão, por inexistência de interposição fraudulenta de terceiros, não havendo manifestação sobre o que é considerado adiantamento para fins de classificação como importação por conta e ordem, nem sobre a efetiva existência de adiantamento nas operações em análise; g) erro material, em relação à DI no 06/13570833, na qual o encomendante foi devidamente identificado nos dados complementares da DI, não existindo o pressuposto da autuação: a ocultação do encomendante; e Fl. 6552DF CARF MF Impresso em 16/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/08/2014 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 03/09/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 26/08/2014 por ROSALDO TREVISAN Processo nº 13971.004624/200915 Acórdão n.º 3403003.155 S3C4T3 Fl. 6.552 3 h) erro material, no que se refere à ilegitimidade passiva nas aquisições realizadas por terceiros (pois a embargante não é a proprietária das mercadorias). É o relatório. Voto Conselheiro Rosaldo Trevisan, relator Os embargos de declaração foram interpostos com respeito ao prazo previsto no § 1o do art. 65 do Anexo II do Regimento Interno deste CARF (RICARF), aprovado pela Portaria MF no 256/2009, passando a ser analisados quanto aos demais requisitos de admissibilidade. A ementa do Acórdão embargado dispõe (em relação às matérias aqui discutidas): “(...) RESPONSABILIDADE. INFRAÇÕES. IMPORTAÇÃO. SOLIDARIEDADE. AUTUAÇÃO ISOLADA DO IMPORTADOR DE FATO. NULIDADE. INEXISTÊNCIA. A ausência do importador de direito na autuação (ocultante) não exclui a responsabilidade do autuado (importador de fato / ocultado). (...) INTERPOSIÇÃO FRAUDULENTA. PRESUMIDA E COMPROVADA. A interposição, em uma operação de comércio exterior, pode ser comprovada ou presumida. A interposição presumida é aquela na qual se identifica que a empresa que está importando não o faz para ela própria, pois não consegue comprovar a origem, a disponibilidade e a transferência dos recursos empregados na operação. Assim, com base em presunção legalmente estabelecida (art. 23, § 2o do DecretoLei no 1.455/1976), configurase a interposição e aplicase o perdimento. Seguese, então, a declaração de inaptidão da empresa, com base no art. 81, § 1o da Lei no 9.430/1996, com a redação dada pela Lei no 10.637/2002. A interposição comprovada é caracterizada por um acobertamento no qual se sabe quem é o acobertante e quem é o acobertado. A penalidade de perdimento afeta materialmente o acobertado (em que pese possa a responsabilidade ser conjunta, conforme o art. 95 do DecretoLei no 37/1966), embora a multa por acobertamento (Lei no 11.488/2007) afete somente o acobertante, e justamente pelo fato de “acobertar”. IMPORTAÇÃO POR CONTA E ORDEM. PRESUNÇÃO. RECURSOS. TERCEIROS. Fl. 6553DF CARF MF Impresso em 16/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/08/2014 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 03/09/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 26/08/2014 por ROSALDO TREVISAN 4 Conforme art. 27 da Lei no 10.637/2002, a operação de comércio exterior realizada mediante utilização de recursos de terceiro presumese por conta e ordem deste. (...) Cabe iniciar a análise dos embargos pelas omissões apontadas (itens “a”, “b”, “e” e “f” do Relatório). Já de início, é importante destacar o equívoco da embargante ao referenciar os arts. 42, IV e 42A do Regimento Interno do CARF como impeditivos da apreciação de recurso voluntário por este colegiado após ter sido por ele proferida decisão que anteriormente dava provimento a recurso de ofício. Não houve, no caso, supressão de instância, nem violação regimental. Ao julgar o recurso de ofício, em 26/02/2013 (Acórdão nº 3403001.912), esta terceira turma (com participação de quatro dos seis atuais componentes do colegiado), seguindo unanimemente voto por mim relatado, entendeu que não existia a nulidade levantada pela DRJ (tribunal administrativo de primeira instância, composto por julgadores diversos). Assim, deu provimento ao recurso de ofício, “determinando o retorno dos autos à DRJ para apreciação dos demais argumentos da impugnação”. Vejase que o retorno dos autos à primeira instância se dá justamente “para que não se configure supressão de instância”, conforme expressamente constava ao final do voto (fl. 3642). Assim, a DRJ (primeira instância) efetua novo julgamento, em voto conduzido pelo mesmo relator do primeiro julgamento, mantendose 3 dos 4 componentes daquela turma de piso presentes no julgamento anterior. E não há qualquer irregularidade no procedimento, visto que o novo julgamento de primeira instância (efetuado em 20/11/2013 fls. 6328 a 6350) aprecia matéria diversa daquela analisada no julgamento efetuado em 27/08/2010 (fls. 3610 a 3618). O mesmo fenômeno ocorre no novo julgamento do CARF, no qual é proferido o Acórdão objeto dos presentes embargos. O Acórdão embargado (Acórdão nº 3403 002.865, de 26/03/2014) analisa o Recurso Voluntário da empresa, em função da nova decisão da DRJ, e não o tema da nulidade, suscitado de ofício quando este tribunal foi instado a se manifestar no processo pela primeira vez (por meio do Acórdão nº 3403001.912, de 26/02/2013). Nenhuma matéria, assim, foi objeto de dupla análise pelo mesmo tribunal, não existindo qualquer vestígio de parcialidade nem no fato de ambos os julgamentos de piso terem sido efetuados pela mesma turma da DRJ (com mesmo relator, e leves alterações na composição do colegiado), nem no fato de ambos os julgamentos de segunda instância, no CARF, terem sido efetuados pela mesma turma (3a TO da 4a Câmara da 3a Seção), também repetindo relator e a maioria da composição do colegiado. O art. 42, IV do Anexo II do Regimento Interno deste CARF, invocado para suscitar impedimento da turma, como se alertou de início, é totalmente inaplicável ao caso: “Art. 42. O conselheiro estará impedido de atuar no julgamento de recurso, em cujo processo tenha: (...) IV participado do julgamento em primeira instância.” Fl. 6554DF CARF MF Impresso em 16/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/08/2014 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 03/09/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 26/08/2014 por ROSALDO TREVISAN Processo nº 13971.004624/200915 Acórdão n.º 3403003.155 S3C4T3 Fl. 6.553 5 No presente processo, nenhum dos julgadores de primeira instância (DRJ) atuou no julgamento de recurso, seja de ofício ou voluntário. Ou seja, nenhum dos membros do CARF em qualquer dos julgamentos (inclusive o referente ao acórdão embargado) participou da decisão exarada pela DRJ. E o outro artigo (42A), mencionado para alegar impedimento do relator, é igualmente sem conexão com a situação narrada nos autos: “Art. 42A O Conselheiro estará impedido de atuar como relator em recurso especial em que tenha atuado, na decisão recorrida, como relator ou redator relativamente à matéria objeto do recurso especial.” Além de não estar em análise recurso especial, o artigo nitidamente busca que um mesmo relator não atue em diferentes instâncias no processo, em relação à mesma matéria. E no presente processo, a identidade de relator (seja na primeira instância/DRJ Rui Kenji Ota), seja no CARF, foi em relação a diferentes matérias tratadas em um mesmo processo. É preciso endossar que nem a DRJ nem o CARF foram instados a analisar em suas decisões duas vezes a mesma matéria. Inexistentes assim os impedimentos mencionados. E inexistente a mácula apontada ao princípio da imparcialidade, visto que analisados, cada qual a seu tempo, todos os argumentos recursais em duas diferentes instâncias administrativas. Sobre a inexistência de ciência ao primeiro acórdão embargado, é preciso destacar que de fato, após o julgamento por este CARF, em 26/02/2013 (fls. 6301 a 6318), houve ciência à PGFN (em 07/05/2013 fl. 6319), e posterior encaminhamento à DRJ pela Secretaria da 4a Câmara da 3a Seção (em 09/05/2014 fl. 6321). Em 01/08/2013 o processo é encaminhado ao SECOJ/DRF/FOR (fl. 6322), e depois à SUTRI/CEGEP (em 05/08/2013 – fl. 6323), que o envia à DRJ de origem (Florianópolis – fl. 6326), ocorrendo o segundo julgamento de piso em 20/11/2013, sem que a DRJ registre a ausência de ciência. Ao tomar ciência da nova decisão da DRJ, em 29/11/2013, decisão esta que somente existiria na hipótese de provimento do recurso de ofício, a empresa apresenta em 20/12/2013 seu Recurso Voluntário, no qual não há qualquer pedido específico nas razões recursais como consequência à ausência de ciência do Acórdão anterior, havendo uma única menção à matéria na seção intitulada “FATOS”, no início do recurso (fl. 6401): “17. Antes de qualquer intimação da Recorrente, foi determinado o reenvio do processo administrativo ao Tribunal a quo para análise dos demais argumentos expostos na impugnação administrativa. Retornando os autos, a DRJ apreciou os demais argumentos, julgando parcialmente procedente a impugnação administrativa nos seguintes termos: (...)” Na sequência do recurso, não se afigura como relevante nem se questiona a matéria. Assim, não se entende aqui como omissão a ausência de análise pelo acórdão embargado, visto que o tema sequer foi objeto de demanda no recurso. De qualquer sorte, tanto a matéria constante do primeiro (Acórdão nº 3403001.912, de 26/02/2013) quanto a matéria constante do segundo acórdão (nº 3403002.865, de 26/03/2014) proferido por este CARF podem, nas hipóteses e nos prazos relacionados no Regimento Interno do CARF, ensejar a interposição de recurso especial. Possível, assim, por economia processual, suprir a ausência de Fl. 6555DF CARF MF Impresso em 16/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/08/2014 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 03/09/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 26/08/2014 por ROSALDO TREVISAN 6 ciência, pois ainda há possibilidade regimental de se invocar a derradeira instância recursal do CARF. A omissão apontada em relação à violação à verdade material, pela falta de análise da alegação de ilicitude das provas, calcase na informação constante do acórdão embargado de que não havia identificação precisa dos documentos que seriam de origem ilícita. E a refuta informando exemplificativamente alguns documentos. A simples leitura contextualizada do excerto do voto condutor do acórdão embargado que trata da matéria esclarece a questão: “A empresa recorrente afirma que a autuação teve por base documentos “supostamente apreendidos no estabelecimento da recorrente ou enviados pela Proimport”. Em relação aos documentos enviados pela “Proimport” (“papeletas de quitação de fechamento de câmbio”), afirma que são documentos internos de controle da importadora, que não possuem valor probante, nem vinculam a recorrente. No que se refere à correspondências comerciais (email impressos), alega a empresa recorrente que não constam da relação de documentos retidos. Alega, por fim, que os documentos não têm origem individualizadamente identificada, e vários sequer estão assinados. Como já expresso no tópico anterior, foi efetuada a retenção de caixas de documentos, e não de uma relação individualizada de documentos. As sete caixas retidas, seus nomes e conteúdos gerais (“declarações de importação e seus documentos instrutivos e demais documentos logísticos e/ou comerciais”) estão destacados no Termo de Retenção de fls. 135 a 138. Por outro lado, os documentos enviados pela “Proimport” são detalhados nas fls. 155 a 186. A empresa recorrente conjectura a respeito de violação de sigilo telefônico ou de dados, fazendo crer que o fisco utiliza documentos além dos que foram retidos na “Brasilux” ou enviados pela “Proimport”. Mas não aponta individualmente eventual documento que tenha sido “plantado” na autuação irregularmente pelo Fisco. Em alguns casos (como o das “papeletas de quitação de fechamento de câmbio”), não refuta os documentos, mas ataca seu poder probatório, também sem argumentação específica que supedaneie o alegado. Mais êxito teria a empresa recorrente em sua jornada recursal se se dedicasse a identificar especificamente tais documentos, tornando a discussão passível de análise concreta no plano contencioso. Não há como acolher a alegação genérica de obtenção ilícita de provas quando não se indica especificamente a ilicitude, ou quais os documentos ilicitamente obtidos, sendo a mera alegação genérica de que há “emails” impressos que não estavam na documentação da empresa algo distante da especificação demandada.” Vejase que mesmo depois da indicação específica de alguns documentos (em sede de embargos) ainda não aponta a recorrente os elementos que levam à convicção de que não estariam os documentos, v.g., nas caixas retidas, contendo “declarações de importação Fl. 6556DF CARF MF Impresso em 16/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/08/2014 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 03/09/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 26/08/2014 por ROSALDO TREVISAN Processo nº 13971.004624/200915 Acórdão n.º 3403003.155 S3C4T3 Fl. 6.554 7 e seus documentos instrutivos e demais documentos logísticos e/ou comerciais”. A embargante exige, sob o manto da verdade material, que o julgador apure sem que ela própria forneça elementos para tal. Há que se ter em mente que a verdade material conformase em duas feições, como ensina James Marins: “As faculdades fiscalizatórias da Administração tributária devem ser utilizadas para o desvelamento da verdade material e seu resultado deve ser reproduzido fielmente no bojo do procedimento e do Processo Administrativo. O dever de investigação da Administração e o dever de colaboração por parte do particular têm por finalidade propiciar a aproximação da atividade formalizadora com a realidade dos acontecimentos.” 1 Inexistente, assim, a omissão apontada em relação à violação à verdade material, pela suscitada falta de análise da alegação de ilicitude das provas. As outras omissões apontadas (por cerceamento de defesa, tendo em vista que a embargante estava impedida de apresentar documentos relativos a terceiro a efetiva importadora; e por inexistência de interposição fraudulenta de terceiros, não havendo manifestação sobre o que é considerado adiantamento para fins de classificação como importação por conta e ordem, nem sobre a efetiva existência de adiantamento nas operações em análise) resultam de má compreensão ou de inconformidade em relação ao acórdão embargado, pois ambas são no mérito combatidas no voto condutor unanimemente acolhido na turma, especificamente nos tópicos 1.4 e 3.1, respectivamente: “A única influência da ausência de autuação da empresa “Proimport” sobre o presente processo é o alegado cerceamento de defesa, por não ter a “Brasilux” os documentos referentes às importações. Tal argumento serviu, inclusive, para supedanear a procedência da impugnação no primeiro julgamento efetuado pela DRJ. No entanto, se há algo inequívoco no presente processo é o fato de a empresa “Proimport” ter importado recorrentemente mercadorias para a “Brasilux”, que acompanhou todos os procedimentos relativos ao despacho de importação. Como já exposto aqui, a própria “Brasilux” confirma que a “Proimport” atuava importando mercadorias sob sua encomenda, e que ela (a “Brasilux”) não é uma singela adquirente. Irrazoável, assim, crer que a não autuação da empresa “Proimport” tenha sido um obstáculo instransponível à defesa da “Brasilux”. Na autuação, a conduta imputada é de que a autuada, importadora de fato (“Brasilux”), importou por intermédio de interposta pessoa, de forma fraudulenta. São juntados ao processo os documentos referentes a todas as 175 Declarações 1 MARINS, James. Direito Processual Tributário Brasileiro (Administrativo e Judicial). 6.ed. São Paulo: Dialética, 2012, p.154. Fl. 6557DF CARF MF Impresso em 16/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/08/2014 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 03/09/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 26/08/2014 por ROSALDO TREVISAN 8 de Importação objeto da autuação (extrato da declaração e documentos instrutivos). Quando o fisco solicita à autuada a apresentação das mercadorias importadas para fins de aplicação da pena de perdimento (fls. 2719/2710), a empresa informa (fls. 2722/2723) que a mercadoria de uma das DI foi consumida, e que, em relação às outras 174 DI: “[...] não possui, em seus registros, quaisquer informações relativas às respectivas importações, o que leva a concluir que não foram importadas pela Brasilux.” Por óbvio, não haviam sido importadas pela Brasilux. Tanto o fisco quanto a empresa recorrente o sabiam, e tinham conhecimento de que a importadora indicada nos documentos era a “Proimport”. Verificando a documentação apreendida na empresa, e as alegações em sede de impugnação que confirmam ser as mercadorias importadas por encomenda da “Brasilux” à empresa “Proimport”, sendo que a “Brasilux” é que definia preços, quantidades e outros fatores relevantes da importação, é irrazoável a alegação de desconhecimento. Contudo, nessa etapa do processo ainda não estava instaurado o contencioso, que tem início com a ciência da autuação. Inaugurado o contencioso, a empresa obteve cópia da documentação referente à autuação e documentos complementares constantes no presente processo (fl. 2986), e teve à sua disposição a íntegra do processo, onde consta, como aqui explicitado, toda a documentação instrutiva das 175 Declarações de Importação, o que lhe permitiria facilmente vincular, com base em seu registro de entrada, as notas fiscais correspondentes a tais declarações. Contudo, persistiu na impugnação (e ainda persiste em sede de recurso voluntário) a alegação de cerceamento de defesa pela impossibilidade de acesso à documentação da “Proimport” (empresa que, repitase, era mera importadora de bens para destinação previamente acordada à “Brasilux”, nos termos por esta estabelecidos). Não se vê, assim, a apontada mácula à defesa da autuada, cabendo também aqui, pela notória relação com o tratado no presente processo, transcrever outro excerto da mesma decisão unânime do CARF, aqui já referida: “ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A IMPORTAÇÃO [...]CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. NEGATIVA DE ACESSO À DOCUMENTAÇÃO. NÃO CARACTERIZAÇÃO. Não há que se falar em cerceamento de direito de defesa por negativa de acesso à documentação, uma vez que a procuradora da Recorrente requereu e obteve cópia integral dos autos do processo.” 2 Assim, correta a responsabilização da empresa “Brasilux” (independentemente do tratamento que se tenha dado à empresa 2 Acórdão 380200.914, CARF/2a TE/3a Seção, Rel. Cons. Solon Sehn, unânime, sessão de 21.mar.2012. Fl. 6558DF CARF MF Impresso em 16/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/08/2014 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 03/09/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 26/08/2014 por ROSALDO TREVISAN Processo nº 13971.004624/200915 Acórdão n.º 3403003.155 S3C4T3 Fl. 6.555 9 “Proimport”), restando ausente o alegado cerceamento de defesa.” (grifo nosso) “Não se alongará aqui a discussão a respeito de a “Proimport” ser uma pessoa interposta à “Brasilux” nas importações, pois isso é incontroversos nos autos. A controvérsia reside na forma de interposição, lícita (na modalidade por encomenda, ainda que antes da legislação que veio a reger a matéria, como defende a empresa recorrente) ou fraudulenta (conforme sustenta o fisco, na modalidade por conta e ordem). E, para tanto, é relevante verificar o comportamento financeiro da operação, que possibilita identificar diante de qual modalidade de importação se está, principalmente tendo em vista o disposto no art, 27 da Lei no 10.637/2002: “a operação de comércio exterior realizada mediante utilização de recursos de terceiro presumese por conta e ordem deste”. Afirma a empresa recorrente, sobre o tema, que não suportou financeiramente a operação (como se demonstra em tabela relacionada à DI no 04/09048199), sendo que a “Proimport” é que era a verdadeira financiadora das importações (e esta, “utilizando dos mecanismos comerciais, retardava o fechamento de câmbio, os quais (sic), as vezes eram quitados após o pagamento de algumas duplicatas”), e todos os pagamentos de duplicatas e fechamentos de câmbio ocorreram após a entrega das mercadorias, conforme planilha a ser anexada, elaborada pela importadora (“Proimport”), sendo que não existiu procedimento especial de verificação da origem dos recursos, no caso. A inexistência de procedimento especial, destaquese de início, não é impeditiva da autuação, ainda mais se os efeitos da verificação levada a cabo no procedimento fiscal tiverem finalidade idêntica. Às fls. 2777/2778, a fiscalização destaca a origem dos documentos que utiliza, o que refuta a tese da não identificação da origem dos documentos levada a cabo pela empresa, e aqui tratada no tópico 1.2. Informa o fisco que os documentos de fls. 504 a 1443 (notas fiscais e documentos instrutivos) foram enviados pela “Proimport” e os de fls. 1444 a 2680 (extratos das DI, e documentos instrutivos muitas vezes com claras características de estarem em elaboração), foram retidos na empresa “Brasilux”, com exceção dos contratos de câmbio e das “papeletas de quitação do fechamento”, também enviados pela “Proimport”. E as solicitações de numerário ora foram enviadas pela “Proimport”, ora retidas na “Brasilux”, havendo casos em que ambas as partes forneceram suas cópias de tal documento. E com base em tais documentos, confecciona a planilha V (Saída das DI mercadorias da “Proimport” para a “Brasilux”), e detalha a fundamentação da autuação para cada DI, com base nos documentos instrutivos, nas “papeletas” e em email trocados por representantes da empresa com importadores, fornecedores estrangeiros e outros operadores. Tal Fl. 6559DF CARF MF Impresso em 16/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/08/2014 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 03/09/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 26/08/2014 por ROSALDO TREVISAN 10 detalhamento, que consta da autuação às fls. 2780 a 2912, não é especificamente refutado pela empresa recorrente, que se limita a afirmar que as “papeletas” não possuem valor probatório, e que são documentos apócrifos. É cediço que no comércio internacional a maior parte das questões é resolvida por contatos via email ou pedidos que não são formalmente assinados ou registrados em cartório. Ademais, em relação à conduta imputada (interposição fraudulenta), não é de se esperar que as documentações que atestassem as fraudes fossem formalizadas e oficializadas. Seria exigir como requisito à autuação o irrazoável. No que se refere ao financiamento das operações pela “Brasilux”, repitase, a argumentação genérica sobre invalidade de documentos e o exemplo (em relação a uma DI) presente no recurso voluntário (com a promessa de planilha anexa) estão longe de refutar as provas existentes nos autos. Vejase que ao final da autuação a questão é sintetizada da seguinte forma: “Em todas as importações, o suporte financeiro dos valores remetidos aos fornecedores no exterior foi inteiramente suportado pela empresa Brasilux, antes de a Proimport remeter as divisas através (sic) de contrato de câmbio em seu próprio nome, e após solicitação expressa da Proimport à Brasilux – mesmo independentemente de as mercadorias serem destinadas, formal e posteriormente, às outras três empresas do grupo Taschibra ou, minoritariamente, a outras empresas estranhas ao grupo.” Ou, como destacou a DRJ: “A fiscalização constatou que a ‘Brasilux Indústria Comércio Importação e Exportação LTDA’ tinha total domínio e conhecimento das importações operacionalizadas por intermédio da ‘Proimport Brasil LTDA’, tendo apreendido em seu poder documentos relativos às importações. Fato determinante da caracterização da infração foi a constatação, por parte da fiscalização, de que a ‘Brasilux Indústria Comércio Importação e Exportação LTDA’ transferia recursos à ‘Proimport Brasil LTDA’ que os utilizava para fechamento dos contratos de câmbio referentes às mercadorias importadas. Para o feito a ‘Proimport Brasil LTDA’ encaminhava solicitação de transferência de recursos à ‘Brasilux Indústria Comércio Importação e Exportação LTDA’ detalhando os custos envolvidos nas importações (v. fls. 1461 a 2365). Dessa forma, restou demonstrado que houve a ocultação da autuada ‘Brasilux Indústria Comércio Importação e Exportação LTDA’ com interposição fraudulenta da empresa ‘Proimport Brasil LTDA’ nas 175 operações de importação analisadas. O fato de terem sido utilizados recursos da adquirente nas operações de importação da importadora, faz presumir que as operações foram realizadas por sua conta e ordem, nos termos Fl. 6560DF CARF MF Impresso em 16/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/08/2014 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 03/09/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 26/08/2014 por ROSALDO TREVISAN Processo nº 13971.004624/200915 Acórdão n.º 3403003.155 S3C4T3 Fl. 6.556 11 do artigo 27 da Lei no 10.637/2002 (...)”E as peças de defesa não conseguem afastar as provas individualizadas por DI, constante na autuação. Em algumas declarações de importação o modus operandi salta aos olhos. Vejase a DI no 04/02317372, de 11/03/2004, registrada em 11/03/2004 (documentos às fls. 2644 a 2664, e descrição na autuação às fls. 2932 a 2936). Além da documentação instrutiva da DI, figura uma solicitação de antecipação de numerário, endereçada da “Proimport” à “Brasilux”, em 09/03/2004, com a descrição em minúcias dos custos a serem depositados em conta corrente (frete, taxa SISCOMEX...). E ao final da solicitação a “Proimport” esclarece que “caso o depósito seja efetuado em cheque, aguardaremos a compensação do mesmo (sic) para darmos início à nacionalização da mercadoria”. E segue a mensagem informando que “havendo urgência na nacionalização, favor efetuar um TED, pois nesta modalidade de pagamento o crédito é efetuado em aproximadamente 30 minutos em nossa conta corrente”. Se isso não for adiantamento de recursos, não se saberá o que o é. E o numerário solicitado foi prontamente transferido em 10/03/2004, pela “Brasilux”. Em vista do exposto, revelase absolutamente equivocada a tese da recorrente sobre eventuais atrasos no fechamento de câmbio. Não se está aqui a discutir procedimentos contábeis, mas a tratar de interposição fraudulenta comprovada por meio dos próprios documentos enviados pelo ocultante ou apreendidos na empresa ocultada. Procedente assim a argumentação de que a importação ocorreu por conta e ordem, tendo em vista que os recursos foram carreados pela empresa “Brasilux” à “Proimport”, como comprovado pelo fisco, e não afastado pela empresa recorrente.” Passase, então, à análise das duas alegações de contradição (itens “c” e “d” do Relatório). E ambas também resultam de má compreensão ou de inconformidade em relação à decisão embargada. O fato de se afirmar no voto que há responsabilidade solidária não é de forma alguma contraditório à imputação individualizada de penalidade. E isso se esclarece por diversas vezes no voto: “Inquestionável, no presente processo, que a empresa “Brasilux”, autuada, tinha interesse comum na importação das mercadorias pelo importador de direito (“Proimport”) a ela destinadas, pois ambas as empresas previamente acordaram as condições da introdução das mercadorias no território nacional e sua posterior transferência para a “Brasilux”, participando a “Brasilux” ativamente do processo de importação. Por diversas ocasiões, em sua impugnação, a autuada o reconheceu explicitamente, afirmando que as operações eram feitas por sua encomenda: (...) Fl. 6561DF CARF MF Impresso em 16/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/08/2014 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 03/09/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 26/08/2014 por ROSALDO TREVISAN 12 “Não se apresenta, assim, a mínima margem de dúvida de que a empresa autuada é solidariamente obrigada em relação ao crédito tributário. Sem embargo, ante a ausência da importadora de direito (“Proimport”) no polo passivo da autuação, há de se destacar duas observações. A primeira remete ao parágrafo único do artigo 124 do Código Tributário Nacional (que estabelece não haver benefício de ordem na solidariedade tributária). (...) A conclusão da DRJ, em seu primeiro julgamento, de que não se pode exigir crédito tributário de responsável solidário sem que se tenha autuado o contribuinte, assim, encontrava obstáculo interpretativo no art. 124 do CTN, pois a inexistência de benefício de ordem não se coaduna com a obrigatoriedade de autuação de um, de outro, ou de ambos os membros do polo passivo da relação tributária. A segunda observação referese à natureza da exigência fiscal. Vejase que o montante exigido é a título de penalidade, e não de tributo. A multa a que se refere a autuação decorre da impossibilidade de aplicação da pena de perdimento às mercadorias irregular ou fraudulentamente importadas, ante sua não localização ou seu consumo. A aplicação da pena de perdimento está prevista na legislação aduaneira (principalmente nos DecretosLeis no 37/1966 e no 1.455/1976), que lhe outorga tratamento sensivelmente distinto daquele delineado na legislação tributária (inclusive no que se refere a ritos e instâncias julgadoras). O julgador a quo não deixou de tomar em conta esse fator, trazendo ao voto condutor do acórdão o art. 95 do DecretoLei no 37/1966, que afirma responder pela infração, conjunta ou isoladamente, quem quer que, de qualquer forma, concorra para sua prática, ou dela se beneficie, seja o importador, o adquirente de mercadorias por conta e ordem, ou o encomendante predeterminado”. (grifo nosso) (...) Não se pode confundir a prática conjunta ou isolada com a responsabilidade conjunta ou isolada. É não só possível, mas frequente que agentes que concorrem conjuntamente para a prática de uma infração respondam de forma isolada, em autuações distintas, e, às vezes, com penalidades distintas.” E a responsabilização conjunta ou isolada decorre de expressa previsão legal, como esclarecido. Sobre a informação de que não se aplica o Código Tributário Nacional pois se está diante de penalidade, e de que é seria imprópria a analogia com o direito penal, convém inicialmente transcrever os excertos do voto sobre os quais paira a suspeita de contradição: “A segunda observação referese à natureza da exigência fiscal. Vejase que o montante exigido é a título de penalidade, e não de tributo. A multa a que se refere a autuação decorre da impossibilidade de aplicação da pena de perdimento às mercadorias irregular ou fraudulentamente importadas, ante sua não localização ou seu consumo. Fl. 6562DF CARF MF Impresso em 16/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/08/2014 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 03/09/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 26/08/2014 por ROSALDO TREVISAN Processo nº 13971.004624/200915 Acórdão n.º 3403003.155 S3C4T3 Fl. 6.557 13 A aplicação da pena de perdimento está prevista na legislação aduaneira (principalmente nos DecretosLeis no 37/1966 e no 1.455/1976), que lhe outorga tratamento sensivelmente distinto daquele delineado na legislação tributária (inclusive no que se refere a ritos e instâncias julgadoras). O julgador a quo não deixou de tomar em conta esse fator, trazendo ao voto condutor do acórdão o art. 95 do DecretoLei no 37/1966, que afirma responder pela infração, conjunta ou isoladamente, quem quer que, de qualquer forma, concorra para sua prática, ou dela se beneficie, seja o importador, o adquirente de mercadorias por conta e ordem, ou o encomendante predeterminado. (...) Neste primeiro excerto resta claro que a penalidade aplicável não se refere a tributos algum, nem sua falta de pagamento. A penalidade é referente ao controle aduaneiro, e encontra previsão específica na legislação aduaneira (DecretosLeis no 37/1966 e 1.455/1976). E isso inclusive beneficiou a embargante, no que se refere à decadência, quando se deixou de aplicar o Código Tributário Nacional para aplicar a regra contida no art. 139 do DecretoLei no 37/1966. Assim, não se sustentou no voto que a natureza da infração é atrelada ao Direito Penal/Criminal, mas ao Direito Aduaneiro, por se constituir em uma penalidade prevista na legislação aduaneira. Partese, assim, para o contexto de onde retira a embargante o segundo excerto (que condena a analogia com o direito penal): “A penalidade não é por ocultar, mas pela hipótese de ocultação, pela ocorrência de ocultação. Estaria correto o raciocínio da empresa recorrente se a multa em comento fosse a prevista no art. 33 da Lei no 11.488/2007, pois aí sim o núcleo é “acobertar”/ceder o nome/ocultar: (...) A multa do art. 33 da Lei no 11.488/2007 é inaplicável ao ocultado. Já a penalidade pela infração prevista no art. 23, V do DecretoLei no 1.455/1976 é aplicável, conjunta ou isoladamente, a quem quer que, de qualquer forma, concorra para sua prática, ou dela se beneficie (ocultante ou ocultado), conforme o já citado art. 95 do DecretoLei no 37/1966. Assim decidiu esta turma de forma unânime recentemente: “INTERPOSIÇÃO FRAUDULENTA. PENALIDADES. CUMULATIVIDADE. MULTA. PERDIMENTO. A interposição, em uma operação de comércio exterior, pode ser comprovada ou presumida. A interposição presumida é aquela na qual se identifica que a empresa que está importando não o faz para ela própria, pois não consegue comprovar a origem, a disponibilidade e a transferência dos recursos empregados na operação. Assim, com base em presunção legalmente estabelecida (art. 23, § 2o do DecretoLei no 1.455/1976), configurase a interposição e aplicase o perdimento. Em tal hipótese, não há que se cogitar da aplicação da multa pelo acobertamento. Seguese, então, a declaração de inaptidão da empresa, com base no art. 81, § 1o da Lei no 9.430/1996, com a redação dada pela Lei no 10.637/2002. A interposição Fl. 6563DF CARF MF Impresso em 16/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/08/2014 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 03/09/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 26/08/2014 por ROSALDO TREVISAN 14 comprovada é caracterizada por um acobertamento no qual se sabe quem é o acobertante e quem é o acobertado. A penalidade de perdimento afeta materialmente o acobertado (em que pese possa a responsabilidade ser conjunta, conforme o art. 95 do DecretoLei no 37/1966) e a multa por acobertamento afeta somente o acobertante, e justamente pelo fato de “acobertar”.” (Acórdão no 3403002.746, Rel. Cons. Rosaldo Trevisan, unânime, sessão de 30.jan.2014) (grifo nosso) E também é de se esclarecer que é imprópria a analogia com o processo penal, porque a autuação lavrada somente contra um dos envolvidos não tem o permissivo normativo de perdoar os demais. Eventual ausência de um dos sujeitos passivos na autuação por certo não tem o condão de nulificar a autuação em relação ao outro, ou perdoar o outro. Poderia, no máximo, ensejar providências administrativas de autuação complementar (se ainda não existente), ou de responsabilização da autoridade autuante. Enfim, é preciso recordar que o que se está aqui a julgar é a autuação da empresa “Brasilux”, e não a ausência de autuação da empresa “Proimport”. E não há dúvidas sobre a responsabilidade da empresa “Brasilux”.” (grifo niosso) Há que se tratar, por fim, dos erros materiais apontados (itens “g” e “h” do Relatório). E cada um deles é merecedor de um tópico específico no voto condutor do acórdão embargado. O primeiro erro material apontado é em relação à DI no 06/13570833, na qual o encomendante teria sido devidamente identificado nos dados complementares da DI, não existindo o pressuposto da autuação: a ocultação do encomendante. Vejase o item 3.4 do voto unanimemente acolhido, que trata especificamente do tema que agora se tenta reapresentar sob a rubrica de “erro material”. “3.4. Da DI no 06/13570833 A empresa recorrente sustenta que não houve interposição em relação à DI no 06/13570833, pois o encomendante está devidamente identificado nos dados complementares da DI, tendo a DRJ alterado o enquadramento da autuação. Em relação a tal DI, os documentos de fls. 2780 a 2784 (nota de débito, e mensagens eletrônicas) tornam inequívoco que a empresa “Brasilux” detinha o controle de toda a operação de importação, determinava alterações de documentos da “World Brazil” para a “Proimport” (burlando controles aduaneiros e limites de habilitação), suportando o ônus financeiro da operação (não só a remessa cambial, conforme se depreende das mensagens eletrônicas, mas as próprias despesas de despacho). E, destaquese que à época do registro da DI (09/11/2006) já era vigente a legislação que rege as importações por encomenda (Lei no 11.281/2006 e IN SRF no 634/2006), e que a “Brasilux” já usava as importações por encomenda em DI anteriores, que eram corretamente preenchidas no campo “adquirente”. Fl. 6564DF CARF MF Impresso em 16/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/08/2014 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 03/09/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 26/08/2014 por ROSALDO TREVISAN Processo nº 13971.004624/200915 Acórdão n.º 3403003.155 S3C4T3 Fl. 6.558 15 Mas, nesta, em específico (para a qual a “Brasilux” tinha conhecimento, como comprovado nos autos, que a mercadoria estava com “World Brazil” escrito nas caixas, mas que estava sendo intermediada a operação pela “Proimport”), o campo “adquirente” não foi preenchido como “Brasilux” (que seria a encomendante), mas com “Proimport”, fazendose menção à modalidade de encomenda somente no campo (informações complementares, que, por ser um campo aberto, não é tratado, em regra, por parâmetros sistêmicos de seletividade). Assim, aumentava a chance de canal verde (o que significa ausência de verificação da mercadoria pela Aduana). E, de fato, como se narra à fl. 2786, atingiuse o objetivo: a DI foi selecionada para o canal verde. Aí, com a burla aos parâmetros de seletividade, reside o mais claro exemplo de que a interposição nem sempre tem por escopo aspectos tributários. E todas as informações registradas neste item foram explícitas na autuação. Assim, quando a DRJ expressa entendimento de que restou plenamente demonstrado que a importação em análise foi efetuada por conta e ordem, tendo em vista que recursos utilizados na operação provieram da “Brasilux”, não está inovando, mas endossando os argumentos da autuação. Improcedente, assim, o recurso voluntário nesse aspecto.” Resta, assim, patente que a matéria já foi tratada, existindo não erro material, mas inconformismo da embargante em relação ao decidido, o que não é atacável pela via de embargos. E da mesma tentativa de rediscussão padece o outro “erro material” apontado, que se refere à ilegitimidade passiva nas aquisições realizadas por terceiros (pois a embargante não é a proprietária das mercadorias), e também mereceu tópico específico no voto condutor do acórdão embargado: “3.5. Da ilegitimidade passiva nas aquisições efetuadas por terceiros A empresa recorrente afirma, por fim, que há ilegitimidade passiva nas aquisições realizadas pela “Eletrobrasil”, pela “All Home” e pela “World Brazil”, porque é impossível aplicar a pena de perdimento a figura distinta do real adquirente, tendo em vista que o responsável deve estar diretamente ligado à propriedade das mercadorias. Como aqui já exposto, revela a autuação (no que não é refutada a contento nas peças de defesa) que em todas as importações, o suporte financeiro dos valores remetidos aos fornecedores no exterior foi inteiramente suportado pela empresa Brasilux, mesmo nas DI que eram “destinadas, formal e posteriormente, às outras três empresas do grupo Taschibra, ou, Fl. 6565DF CARF MF Impresso em 16/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/08/2014 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 03/09/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 26/08/2014 por ROSALDO TREVISAN 16 minoritariamente, a outras empresas estranhas ao grupo”. Ademais, revelase ainda que: “A ‘Brasilux’ possuía em seu poder documentação acerca de duplicatas referentes a notas fiscais emitidas pela ‘Proimport’ a empresas estranhas ao grupo ‘Taschibra’, o que revela ingerência daquela na comercialização das referidas mercadorias, não obstante tratarse de valores bastante insignificantes em relação ao total (0,7%).” Ou seja, mesmo nas importações que tinham por destino final outras empresas, o que de fato ocorria era uma interposição fraudulenta da “Proimport” em relação à “Brasilux”. Mesmo nas importações destinadas a terceiro, o suporte financeiro era da “Brasilux”, o que torna as importações por sua conta e ordem , por presunção legal (art. 27 da Lei no 10.637/2002). Ou, como bem observou a DRJ: “O relatório fiscal especifica detalhadamente o modus operandi da interessada e demonstra, apontando os documentos comprobatórios, a origem dos recursos utilizados nas operações de importação. Nesse escopo, restou evidente que em todas as importações os recursos provieram da autuada. Portanto, ainda que algumas das notas fiscais de venda tenham sido emitidas como se outras empresas fossem as adquirentes das mercadorias, o fato não invalida a presunção legal de que as importações tenham sido realizadas pela autuada.” Assim, improcedente nesse tópico a alegação do recurso voluntário.” Mais uma vez ausente qualquer situação ensejadora de embargos, havendo simples tentativa de reapreciação de mérito. Assim, não se apurou nos presentes autos “omissão”, “contradição” ou “erro material”, pressupostos ensejadores de embargos. Há tão somente inconformidade da embargante em relação ao mérito da decisão exarada, em relação a diversos tópicos, o que não pode ser atacado pela via de embargos de declaração. Tendo em vista o exposto, voto por rejeitar os embargos de declaração apresentados, diante da não configuração de seus pressupostos ensejadores. Rosaldo Trevisan Fl. 6566DF CARF MF Impresso em 16/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/08/2014 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 03/09/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 26/08/2014 por ROSALDO TREVISAN Processo nº 13971.004624/200915 Acórdão n.º 3403003.155 S3C4T3 Fl. 6.559 17 Fl. 6567DF CARF MF Impresso em 16/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/08/2014 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 03/09/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 26/08/2014 por ROSALDO TREVISAN
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Numero do processo: 10580.726222/2009-72
Turma: Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Aug 13 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Fri Aug 29 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2004, 2005, 2006
RECOMPOSIÇÃO SALARIAL. ABONO URV. São tributáveis as parcelas recebidas a título de recomposição salarial para compensar os efeitos inflacionários. Inexistência de dispositivo legal autorizativo da não incidência/isenção.
IMPOSTO DE RENDA. COMPETÊNCIA LEGISLATIVA DA UNIÃO. A competência para legislar sobre Imposto de Renda é da União. Não se reconhece legislação que seja emitida sem esse requisito formal.
MULTA DE OFÍCIO. Comprovado que a fonte pagadora induziu o contribuinte ao erro, considera-se que houve boa-fé do contribuinte e exonera-se a multa de ofício.
Numero da decisão: 2101-002.532
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento em parte ao recurso, para excluir da exigência a multa de ofício, por erro escusável.
LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS - Presidente.
MARIA CLECI COTI MARTINS - Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS (Presidente), ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, MARIA CLECI COTI MARTINS, EIVANICE CANARIO DA SILVA, EDUARDO DE SOUZA LEAO.
Nome do relator: Relator
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento em parte ao recurso, para excluir da exigência a multa de ofício, por erro escusável. LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS - Presidente. MARIA CLECI COTI MARTINS - Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS (Presidente), ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, MARIA CLECI COTI MARTINS, EIVANICE CANARIO DA SILVA, EDUARDO DE SOUZA LEAO.
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ABONO URV. São tributáveis as parcelas recebidas a título de recomposição salarial para compensar os efeitos inflacionários. Inexistência de dispositivo legal autorizativo da não incidência/isenção. IMPOSTO DE RENDA. COMPETÊNCIA LEGISLATIVA DA UNIÃO. A competência para legislar sobre Imposto de Renda é da União. Não se reconhece legislação que seja emitida sem esse requisito formal. MULTA DE OFÍCIO. Comprovado que a fonte pagadora induziu o contribuinte ao erro, considerase que houve boafé do contribuinte e exonerase a multa de ofício. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento em parte ao recurso, para excluir da exigência a multa de ofício, por erro escusável. LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Presidente. MARIA CLECI COTI MARTINS Relatora. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 58 0. 72 62 22 /2 00 9- 72 Fl. 242DF CARF MF Impresso em 29/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/08/2014 por MARIA CLECI COTI MARTINS, Assinado digitalmente em 25/08/ 2014 por MARIA CLECI COTI MARTINS, Assinado digitalmente em 29/08/2014 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS (Presidente), ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, MARIA CLECI COTI MARTINS, EIVANICE CANARIO DA SILVA, EDUARDO DE SOUZA LEAO. Relatório O recurso voluntário visa reverter a decisão do Acórdão 1527.072 3ª Turma da DRJ/SDR, que manteve integralmente o lançamento tributário do contribuinte. Na autuação foram lançadas as parcelas mensais recebidas em 36 parcelas iguais, de janeiro/2004 a dezembro 2006 (exercícios 2005, 2006 e 2007), a título de URV, relativamente aos períodos 1/04/1994 a 31/08/2001. O Recurso voluntário apresentado em 15/08/2011. A ciência do acórdão de impugnação teria ocorrido em 26/07/2011. Tendo em vista o art. 62A do Anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais RICARF, aprovado pela Portaria MF 256/2009, o recurso foi sobrestado para aguardar o julgamento do recurso 614.406/RS que versa sobre rendimentos recebidos acumuladamente, conforme Resolução 2101000.076. Contudo, em virtude da revogação desse dispositivo de sobrestamento pela Portaria MF 545/2013, estáse procedendo o julgamento do recurso voluntário. Em 17/05/2012, o procurador Marcio Pinho juntou aos autos do processo 10580.726287/200918 pedido de sobrestamento dos processos 10580.720489/200956, 10580.726287/200918, 10580.723218/201096 e 10580.726222/200971, tendo em vista aguardar o julgamento do recurso 614.406/RS. No recurso voluntário, o contribuinte apresenta os seguintes argumentos. a) A parcela recebida acumuladamente referese à recomposição salarial, correção do capital, porque não implementada no tempo certo. Essa parcela referese à diferenças de remuneração ocorridas quando da conversão de Cruzeiro Real para Unidade Real de Valor URV. b) Isonomia com o estabelecido na Resolução/STF nº 245/2002, que reconheceu a natureza indenizatória das diferenças de URV recebidas pelos magistrados federais. c) Entende que se os valores fossem calculados mês a mês, e refazendo as DIRF´s (2004, 2005 e 2006) poderia ser beneficiado. d) Valores pertinentes a 13o. salário e férias indenizadas estariam sujeitos à tributação exclusiva e, portanto, não deveriam compor a base de cálculo do lançamento. e) Ainda que as diferenças de URV recebidas em atraso fossem consideradas como tributáveis, não deveriam ser tributados os juros e correção monetária incidentes sobre elas, tendo em vista sua natureza indenizatória. f) Mesmo que tal verba fosse tributável, não caberia a aplicação da multa de ofício e juros moratórios, pois o autuado teria agido com boafé, seguindo orientações da fonte Fl. 243DF CARF MF Impresso em 29/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/08/2014 por MARIA CLECI COTI MARTINS, Assinado digitalmente em 25/08/ 2014 por MARIA CLECI COTI MARTINS, Assinado digitalmente em 29/08/2014 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 10580.726222/200972 Acórdão n.º 2101002.532 S2C1T1 Fl. 3 3 pagadora, que por sua vez estava fundamenta em lei Estadual. Colaciona decisões sobre o assunto e também sobre pareceres administrativos (PGFN, AGU). g) O lançamento deve ser considerado nulo tendo em vista vício de forma na apuração da base de cálculo do tributo, tendo em vista o entendimento do STJ referente ao assunto. h) Falta de legitimidade da União para cobrar imposto de renda que pertence, por determinação constitucional, ao Estado. Esta questão não teria sido enfrentada na primeira instância. i) Quebra da capacidade contributiva do contribuinte. Por último, colaciona julgados deste Conselho sobre o assunto e requer a improcedência do auto de infração e, caso seja mantida a ação fiscal, que seja excluída a multa no importe de 75% do débito e os juros de mora. Importante observar que o auto de infração já considerou o cálculo do tributo tendo em vista jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça. No novo cálculo do imposto de renda incidente sobre rendimentos pagos acumuladamente, foram utilizadas as tabelas e alíquotas das épocas próprias a que se referem tais rendimentos. É o relatório. Voto Conselheira Maria Cleci Coti Martins O recurso é tempestivo, e atende aos requisitos legais e dele conheço. Preliminarmente o contribuinte alega ilegitimidade ativa da União para cobrar imposto de renda com base no art. 157, I da Constituição Federal de 1988. A Turma a quo assim se pronunciou sobre o assunto: "É certo que, por determinação constitucional, se o Estado da Bahia tivesse efetuado a retenção do IRRF, o valor arrecadado lhe pertenceria. Entretanto, tal retenção não alteraria a obrigação do contribuinte de oferecer a integralidade do rendimento bruto à tributação do imposto de renda na declaração de ajuste anual. A exigência em foco se refere ao imposto de renda incidente sobre rendimentos da pessoa física (IRPF) e não ao IRRF que deixou de ser retido indevidamente pelo Estado da Bahia. Portanto, tanto a exigência do tributo, quanto o julgamento do presente lançamento fiscal, é da competência exclusiva da União". Grifei Fl. 244DF CARF MF Impresso em 29/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/08/2014 por MARIA CLECI COTI MARTINS, Assinado digitalmente em 25/08/ 2014 por MARIA CLECI COTI MARTINS, Assinado digitalmente em 29/08/2014 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS 4 Não merece reparos a decisão a quo quanto a esse aspecto, pois a competência constitucional para instituir e legislar (além de fiscalizar, cobrar, autuar, etc.) sobre o imposto sobre renda e proventos de qualquer natureza é da União, conforme art. 153, inc. III da CF/88 e art. 6 da lei 5172/66. Tal competência é indelegável. Mais ainda, como a competência legislativa sobre o tributo em questão é única e exclusiva da União, não se reconhece, no âmbito deste processo administrativo federal tributário, diplomas legais que não sejam oriundos de tal competência, como por exemplo, legislação estadual que teria considerado tal verba como indenizatória. Assim, não há que se falar em supressão de instâncias, violação do contraditório ou da ampla defesa. Também não deve prosperar o argumento de isonomia com os magistrados federais, tendo em vista a Resolução/STF 245/2002. Tal resolução não é lei federal (i.e. obedeceu os trâmites previstos para a elaboração e aprovação dentro das casas legislativas que compõem o Congresso Nacional) e abrange apenas membros do Poder Judiciário da União. Portanto, não pode ser considerada no âmbito deste processo administrativo tributário federal. Considero afastada a possibilidade de sobrestamento do processo tendo em vista a alteração no Regimento Interno deste CARF conforme consta do relatório. Relativamente ao mérito, o contribuinte alega que a natureza da URV é indenizatória, porque visava corrigir o poder aquisitivo do cruzeiro real em relação à URV. Assim, a nova moeda (URV) não seria contaminada pelo ciclo inflacionário e evitaria a perda do poder aquisitivo da moeda antiga, o cruzeiro real. Em que pese o argumento da defasagem salarial ante o aumento da inflação e, neste caso a correção salarial não representaria aumento de patrimônio ou renda, mas manutenção dos mesmos não existem dispositivos legais que definam, em caso de aumento salarial, o que seria reposição salarial e o que seria aumento de renda/patrimônio e tampouco essa distinção na forma de tributação. São tributados igualmente os aumentos salariais que corrigem defasagem em relação à inflação e aqueles aumentos de salário reais, que realmente significam aumento de patrimônio do trabalhador. Assim, não se pode considerar o argumento do contribuinte por falta de previsão legal. Considerar o reajuste salarial, motivo do rendimento recebido acumuladamente, como parcela indenizatória, seria tratar de forma não isonômica os contribuintes que recebem reajustes salariais para corrigir o valor da inflação e têm esses valores tributados como se aumento salarial fosse. Sob outro ângulo, o par. 2, art. 108 do Código Tributário Nacional estabelece que "o emprego da equidade não poderá resultar na dispensa do pagamento do devido tributo" e, no caso deste processo, não há que se falar em quebra da capacidade contributiva, pois os rendimentos recebidos acumuladamente pelo contribuinte estão sendo tributados conforme legislação federal vigente no País. Não tributar tais rendimentos, seria dispensar tratamento diferenciado ao contribuinte, o que não condiz com um Estado Democrático de Direito. Observase ainda que o constituinte elegeu como direitos dos trabalhadores (art. 7, IV, CF/88) "salário mínimo nacionalmente unificado,... com reajustes periódicos que lhe preservem o poder aquisitivo..", contudo, não definiu qualquer dispositivo isentivo de imposto de renda para os tais reajustes periódicos que somente preservariam o poder aquisitivo do salário. Entendo que as diferenças salariais decorrentes da URV são acréscimos salariais (não importando se seriam reajustes em decorrência da inflação ou aumento real de salário) que não teriam sido incorporados aos salários na época própria. Entretanto, a partir do momento em que são recebidos, se constituem em renda tributável cujo fato gerador é definido pelo art. 43 do Código Tributário Nacional. Caso tivessem sido recebidos na época certa, Fl. 245DF CARF MF Impresso em 29/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/08/2014 por MARIA CLECI COTI MARTINS, Assinado digitalmente em 25/08/ 2014 por MARIA CLECI COTI MARTINS, Assinado digitalmente em 29/08/2014 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 10580.726222/200972 Acórdão n.º 2101002.532 S2C1T1 Fl. 4 5 teriam sido devidamente tributados. Então, os valores do principal recebidos acumuladamente são sim produto de trabalho e, como tal, devem ser tributados. O art. 43 da Lei 5172/66 (Código Tributário Nacional) define como fato gerador do imposto a aquisição da disponibilidade econômica ou jurídica de renda (o produto do capital, do trabalho ou da combinação de ambos) e de proventos de qualquer natureza, (quaisquer acréscimos patrimoniais não compreendidos no inciso anterior). Adicionalmente, no par. 1o. do mesmo artigo fica claro que "a incidência do imposto independe da denominação da receita ou do rendimento". Com relação ao lançamento do tributo que deveria ter sido retido na fonte, o entendimento deste Conselho está expresso na Súmula CARF n. 12 determina que: “Constatada a omissão de rendimentos sujeitos à incidência do imposto de renda na declaração de ajuste anual, é legítima a constituição do crédito tributário na pessoa física do beneficiário, ainda que a fonte pagadora não tenha procedido à respectiva retenção.” Compulsandose os autos, verificouse que a fonte pagadora realmente fez constar no informe de rendimentos os valores recebidos acumuladamente como não tributáveis, e o próprio contribuinte entende que tais valores realmente não seriam tributáveis. Não obstante, a existência de um dispositivo legal considerando a verba não tributável foi decisiva para que o requerente adotasse o procedimento incorreto. Desta forma, entendo que o erro é escusável, em acordo com a súmula 73 do CARF, a seguir transcrita. MULTA DE OFÍCIO. COMPROVANTE DE RENDIMENTOS COM ERRO. DECLARAÇÃO DE AJUSTE ANUAL CONFORME OS COMPROVANTES EMITIDOS PELA FONTE PAGADORA. SÚMULA CARF Nº 73. Erro no preenchimento da declaração de ajuste do imposto de renda, causado por informações erradas, prestadas pela fonte pagadora, não autoriza o lançamento de multa de ofício. O tributo devido já foi calculado conforme o parecer PGFN/CRJ n. 287/2009, que está em consonância com a Jurisprudência do STJ, ou seja, os valores recebidos acumuladamente pelo contribuinte foram tributados pelo regime de competência. O Parecer está assim ementado. "Tributário. Rendimentos tributáveis recebidos acumuladamente. O imposto de renda incidente sobre rendimentos pagos acumuladamente deve ser calculado com base nas tabelas e alíquotas das épocas próprias a que se referem tais rendimentos. Jurisprudência pacífica do Egrégio Superior Tribunal de Justiça." Há que se esclarecer que o recolhimento mensal do tributo cuja retenção seja feita na fonte constituise numa antecipação do imposto devido a ser calculado definitivamente Fl. 246DF CARF MF Impresso em 29/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/08/2014 por MARIA CLECI COTI MARTINS, Assinado digitalmente em 25/08/ 2014 por MARIA CLECI COTI MARTINS, Assinado digitalmente em 29/08/2014 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS 6 na declaração de ajuste anual. Assim, caso tenha sido retido um valor mensal inferior ao necessário, haverá que ser compensado no imposto a pagar da declaração de ajuste anual. O acórdão de primeira instância explicitou a forma de cálculo dos valores devidos enfatizando que, "nos anos calendários em questão, as bases de cálculo declaradas já sujeitavam o contribuinte à incidência do imposto de renda em sua alíquota máxima, bem como, já tinham sido aproveitadas as parcelas a deduzir previstas legalmente. Nesta situação, o imposto apurado mediante aplicação direta da alíquota máxima sobre os rendimentos omitidos coincide com o imposto apurado com base na tabela progressiva sobre a base de cálculo ajustada em razão da omissão". Esclarecese que anocalendário (ano em que o rendimento é recebido) é diferente de exercício, que se refere ao ano em que é feito o ajuste anual (normalmente no ano seguinte). Por exemplo, os rendimentos recebidos relativamente ao anocalendário 1994 referemse à tributação ocorrida no exercício 1995, que na tabela progressiva de IRPF, na faixa de tributação do contribuinte consta 26,6%, corretamente aplicado pela autoridade fiscal. O lançamento fiscal já desconsiderou, na base tributável, os valores recebidos cuja tributação de imposto de renda é isenta ou exclusiva. Assim nada há que ser reparado nesse sentido. O contribuinte se insurge contra a tributação dos juros recebidos acumuladamente. Entretanto, a legislação em vigor é taxativa ao determinar a sua tributação nos termos do art.55, XIV, do RIR: Art. 55. São também tributáveis (Lei nº 4.506, de 1964, art. 26, Lei nº 7.713, de 1988, art. 3º, § 4º, e Lei nº 9.430, de 1996, arts.24, § 2º, inciso IV, e 70, § 3º, inciso I): (...) XIV os juros compensatórios ou moratórios de qualquer natureza, inclusive os que resultarem de sentença, e quaisquer outras indenizações por atraso de pagamento, exceto aqueles correspondentes a rendimentos isentos ou não tributáveis; O presente processo não trata de verbas decorrentes de rescisão de contrato de trabalho e, portanto, não se lhe pode aplicar o decidido no REsp 1089720/RS. Recurso voluntário provido em parte para exonerar o contribuinte da multa de ofício em decorrência de erro escusável, consoante jurisprudência deste Conselho. Maria Cleci Coti Martins Relatora Fl. 247DF CARF MF Impresso em 29/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/08/2014 por MARIA CLECI COTI MARTINS, Assinado digitalmente em 25/08/ 2014 por MARIA CLECI COTI MARTINS, Assinado digitalmente em 29/08/2014 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS
score : 1.0
Numero do processo: 10580.720628/2009-41
Turma: Segunda Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Sep 10 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed Sep 24 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2005, 2006, 2007
ALEGAÇÃO DE OMISSÃO NO ACÓRDÃO. FUNDAMENTAÇÃO SUFICIENTE . DESNECESSIDADE DE REBATER TODOS OS ARGUMENTOS. OMISSÃO INEXISTENTE.
O órgão julgador não está obrigado a rebater, um a um, os argumentos trazidos pelo impugnante, desde que os fundamentos utilizados tenham sido suficientes para embasar a decisão. In casu, o acórdão de primeira instância enfrentou suficientemente a questão ventilada.
ALEGAÇÃO DE ILEGITIMIDADE ATIVA DA UNIÃO PARA EXIGÊNCIA DE TRIBUTO QUE DEVERIA SER RETIDO NA FONTE POR ESTADO DA FEDERAÇÃO. DESCABIMENTO.
É de se rejeitar a alegação de ilegitimidade ativa da União Federal, uma vez que a atribuição de titularidade do produto da arrecadação do imposto de renda retido na fonte toca apenas à repartição de receitas tributárias, não repercute sobre a legitimidade da União Federal para exigir o imposto de renda sujeito ao ajuste anual.
IRPF. IMPOSTO DE RENDA NA FONTE NO REGIME DE ANTECIPAÇÃO. NÃO RETENÇÃO PELA FONTE PAGADORA. RESPONSABILIDADE DO CONTRIBUINTE PELO IMPOSTO DEVIDO APÓS O TÉRMINO DO PRAZO PARA ENTREGA DA DECLARAÇÃO DE AJUSTE ANUAL.
A falta de retenção pela fonte pagadora não exonera o beneficiário e titular dos rendimentos, sujeito passivo direto da obrigação tributária, de incluí-los, para fins de tributação, na Declaração de Ajuste Anual; na qual somente poderá ser deduzido o imposto retido na fonte ou o pago. Aplicação da Súmula CARF nº 12.
REMUNERAÇÃO PELO EXERCÍCIO DE CARGO OU FUNÇÃO - INCIDÊNCIA.
Sujeitam-se à incidência do imposto de renda as verbas recebidas como remuneração pelo exercício de cargo ou função, independentemente da denominação que se dê a essa verba.
IRPF. JUROS DE MORA. PAGAMENTO FORA DO CONTEXTO DE RESCISÃO DE CONTRATO DE TRABALHO.
No caso dos autos a verba não foi recebida no contexto de rescisão de despedida ou rescisão do contrato de trabalho, de forma que incide o imposto de renda sobre as parcelas intituladas juros de mora, conforme jurisprudência consolidada no Superior Tribunal de Justiça - STJ.
RENDIMENTOS RECEBIDOS ACUMULADAMENTE EM RAZÃO DE LEI EM SENTIDO FORMAL E MATERIAL. IMPOSSIBILIDADE DE APLICAÇÃO DO ENTENDIMENTO MANIFESTADO PELA PRIMEIRA SEÇÃO DO STJ AO JULGAR O RESP 1.118.429/SP.
Em que pese a referência a uma ação judicial e a natureza trabalhista das verbas, a fonte obrigacional do pagamento dos rendimentos objeto do lançamento decorreu diretamente de Lei em sentido formal e material, e não diretamente de uma condenação judicial, hipótese na qual dever-se-ia observar o regime estabelecido pelo art. 100 da Constituição da República Federativa do Brasil, não se aplica, portanto, o entendimento proferido pelo Superior Tribunal de Justiça - STJ no RESP 1.118.429/SP.
IRPF. VERBAS ISENTAS E TRIBUTADAS EXCLUSIVAMENTE NA FONTE. DOCUMENTOS EMITIDOS PELA FONTE PAGADORA COM INFORMAÇÕES DIFERENTES. ÔNUS DO RECORRENTE DE PROVAR SUAS ALEGAÇÕES. PREVALÊNCIA DE DOCUMENTO CONFORME ANÁLISE DOS AUTOS. PLEITO RECURSAL NÃO ATENDIDO.
Cabe ao recorrente provas suas alegações. Ao juntar aos autos documento emitido pela fonte pagadora que contradiz outro de mesma origem, o recorrente tem o ônus de justificar a discrepância. Indefere-se o pleito com base em análise comparativa de ambos os documentos que deu prevalência ao documento original em razão das deficiência do segundo.
MULTA DE OFÍCIO. COMPROVANTE DE RENDIMENTOS COM ERRO. DECLARAÇÃO DE AJUSTE ANUAL CONFORME OS COMPROVANTES EMITIDOS PELA FONTE PAGADORA. SÚMULA CARF Nº 73.
Erro no preenchimento da declaração de ajuste do imposto de renda, causado por informações erradas, prestadas pela fonte pagadora, não autoriza o lançamento de multa de ofício.
JUROS DE MORA.
Sobre tributo pago em atraso incidem juros de mora conforme previsão legal, não sendo lícito ao julgador administrativo afastar a exigência.
TRIBUTAÇÃO DE VERBAS REMUNERATÓRIAS. ALEGAÇÃO DE CONFISCO. IMPOSSIBILIDADE DE APRECIAR ALEGAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE. SÚMULA CARF nº 2.
O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Reputado que as verbas são remuneratórias e que o lançamento tem amparo em lei, não cabe ao CARF aferir inconstitucionalidade.
Recurso provido em parte.
Numero da decisão: 2802-003.134
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos DAR PROVIMENTO PARCIAL ao recurso voluntário para excluir a multa de ofício, nos termos do voto do relator.
(assinado digitalmente)
Jorge Cláudio Duarte Cardoso - Presidente.
(assinado digitalmente)
Jaci de Assis Junior - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Jorge Claudio Duarte Cardoso (Presidente), Jaci de Assis Junior, German Alejandro San Martín Fernández, Ronnie Soares Anderson, Julianna Bandeira Toscano e Carlos André Ribas de Mello.
Nome do relator: Jaci de Assis Junior
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2005, 2006, 2007 ALEGAÇÃO DE OMISSÃO NO ACÓRDÃO. FUNDAMENTAÇÃO SUFICIENTE . DESNECESSIDADE DE REBATER TODOS OS ARGUMENTOS. OMISSÃO INEXISTENTE. O órgão julgador não está obrigado a rebater, um a um, os argumentos trazidos pelo impugnante, desde que os fundamentos utilizados tenham sido suficientes para embasar a decisão. In casu, o acórdão de primeira instância enfrentou suficientemente a questão ventilada. ALEGAÇÃO DE ILEGITIMIDADE ATIVA DA UNIÃO PARA EXIGÊNCIA DE TRIBUTO QUE DEVERIA SER RETIDO NA FONTE POR ESTADO DA FEDERAÇÃO. DESCABIMENTO. É de se rejeitar a alegação de ilegitimidade ativa da União Federal, uma vez que a atribuição de titularidade do produto da arrecadação do imposto de renda retido na fonte toca apenas à repartição de receitas tributárias, não repercute sobre a legitimidade da União Federal para exigir o imposto de renda sujeito ao ajuste anual. IRPF. IMPOSTO DE RENDA NA FONTE NO REGIME DE ANTECIPAÇÃO. NÃO RETENÇÃO PELA FONTE PAGADORA. RESPONSABILIDADE DO CONTRIBUINTE PELO IMPOSTO DEVIDO APÓS O TÉRMINO DO PRAZO PARA ENTREGA DA DECLARAÇÃO DE AJUSTE ANUAL. A falta de retenção pela fonte pagadora não exonera o beneficiário e titular dos rendimentos, sujeito passivo direto da obrigação tributária, de incluí-los, para fins de tributação, na Declaração de Ajuste Anual; na qual somente poderá ser deduzido o imposto retido na fonte ou o pago. Aplicação da Súmula CARF nº 12. REMUNERAÇÃO PELO EXERCÍCIO DE CARGO OU FUNÇÃO - INCIDÊNCIA. Sujeitam-se à incidência do imposto de renda as verbas recebidas como remuneração pelo exercício de cargo ou função, independentemente da denominação que se dê a essa verba. IRPF. JUROS DE MORA. PAGAMENTO FORA DO CONTEXTO DE RESCISÃO DE CONTRATO DE TRABALHO. No caso dos autos a verba não foi recebida no contexto de rescisão de despedida ou rescisão do contrato de trabalho, de forma que incide o imposto de renda sobre as parcelas intituladas juros de mora, conforme jurisprudência consolidada no Superior Tribunal de Justiça - STJ. RENDIMENTOS RECEBIDOS ACUMULADAMENTE EM RAZÃO DE LEI EM SENTIDO FORMAL E MATERIAL. IMPOSSIBILIDADE DE APLICAÇÃO DO ENTENDIMENTO MANIFESTADO PELA PRIMEIRA SEÇÃO DO STJ AO JULGAR O RESP 1.118.429/SP. Em que pese a referência a uma ação judicial e a natureza trabalhista das verbas, a fonte obrigacional do pagamento dos rendimentos objeto do lançamento decorreu diretamente de Lei em sentido formal e material, e não diretamente de uma condenação judicial, hipótese na qual dever-se-ia observar o regime estabelecido pelo art. 100 da Constituição da República Federativa do Brasil, não se aplica, portanto, o entendimento proferido pelo Superior Tribunal de Justiça - STJ no RESP 1.118.429/SP. IRPF. VERBAS ISENTAS E TRIBUTADAS EXCLUSIVAMENTE NA FONTE. DOCUMENTOS EMITIDOS PELA FONTE PAGADORA COM INFORMAÇÕES DIFERENTES. ÔNUS DO RECORRENTE DE PROVAR SUAS ALEGAÇÕES. PREVALÊNCIA DE DOCUMENTO CONFORME ANÁLISE DOS AUTOS. PLEITO RECURSAL NÃO ATENDIDO. Cabe ao recorrente provas suas alegações. Ao juntar aos autos documento emitido pela fonte pagadora que contradiz outro de mesma origem, o recorrente tem o ônus de justificar a discrepância. Indefere-se o pleito com base em análise comparativa de ambos os documentos que deu prevalência ao documento original em razão das deficiência do segundo. MULTA DE OFÍCIO. COMPROVANTE DE RENDIMENTOS COM ERRO. DECLARAÇÃO DE AJUSTE ANUAL CONFORME OS COMPROVANTES EMITIDOS PELA FONTE PAGADORA. SÚMULA CARF Nº 73. Erro no preenchimento da declaração de ajuste do imposto de renda, causado por informações erradas, prestadas pela fonte pagadora, não autoriza o lançamento de multa de ofício. JUROS DE MORA. Sobre tributo pago em atraso incidem juros de mora conforme previsão legal, não sendo lícito ao julgador administrativo afastar a exigência. TRIBUTAÇÃO DE VERBAS REMUNERATÓRIAS. ALEGAÇÃO DE CONFISCO. IMPOSSIBILIDADE DE APRECIAR ALEGAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE. SÚMULA CARF nº 2. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Reputado que as verbas são remuneratórias e que o lançamento tem amparo em lei, não cabe ao CARF aferir inconstitucionalidade. Recurso provido em parte.
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FUNDAMENTAÇÃO SUFICIENTE . DESNECESSIDADE DE REBATER TODOS OS ARGUMENTOS. OMISSÃO INEXISTENTE. O órgão julgador não está obrigado a rebater, um a um, os argumentos trazidos pelo impugnante, desde que os fundamentos utilizados tenham sido suficientes para embasar a decisão. In casu, o acórdão de primeira instância enfrentou suficientemente a questão ventilada. ALEGAÇÃO DE ILEGITIMIDADE ATIVA DA UNIÃO PARA EXIGÊNCIA DE TRIBUTO QUE DEVERIA SER RETIDO NA FONTE POR ESTADO DA FEDERAÇÃO. DESCABIMENTO. É de se rejeitar a alegação de ilegitimidade ativa da União Federal, uma vez que a atribuição de titularidade do produto da arrecadação do imposto de renda retido na fonte toca apenas à repartição de receitas tributárias, não repercute sobre a legitimidade da União Federal para exigir o imposto de renda sujeito ao ajuste anual. IRPF. IMPOSTO DE RENDA NA FONTE NO REGIME DE ANTECIPAÇÃO. NÃO RETENÇÃO PELA FONTE PAGADORA. RESPONSABILIDADE DO CONTRIBUINTE PELO IMPOSTO DEVIDO APÓS O TÉRMINO DO PRAZO PARA ENTREGA DA DECLARAÇÃO DE AJUSTE ANUAL. A falta de retenção pela fonte pagadora não exonera o beneficiário e titular dos rendimentos, sujeito passivo direto da obrigação tributária, de incluílos, para fins de tributação, na Declaração de Ajuste Anual; na qual somente poderá ser deduzido o imposto retido na fonte ou o pago. Aplicação da Súmula CARF nº 12. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 58 0. 72 06 28 /2 00 9- 41 Fl. 249DF CARF MF Impresso em 24/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/09/2014 por JACI DE ASSIS JUNIOR, Assinado digitalmente em 12/09/2014 por JACI DE ASSIS JUNIOR, Assinado digitalmente em 22/09/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO 2 REMUNERAÇÃO PELO EXERCÍCIO DE CARGO OU FUNÇÃO INCIDÊNCIA. Sujeitamse à incidência do imposto de renda as verbas recebidas como remuneração pelo exercício de cargo ou função, independentemente da denominação que se dê a essa verba. IRPF. JUROS DE MORA. PAGAMENTO FORA DO CONTEXTO DE RESCISÃO DE CONTRATO DE TRABALHO. No caso dos autos a verba não foi recebida no contexto de rescisão de despedida ou rescisão do contrato de trabalho, de forma que incide o imposto de renda sobre as parcelas intituladas juros de mora, conforme jurisprudência consolidada no Superior Tribunal de Justiça STJ. RENDIMENTOS RECEBIDOS ACUMULADAMENTE EM RAZÃO DE LEI EM SENTIDO FORMAL E MATERIAL. IMPOSSIBILIDADE DE APLICAÇÃO DO ENTENDIMENTO MANIFESTADO PELA PRIMEIRA SEÇÃO DO STJ AO JULGAR O RESP 1.118.429∕SP. Em que pese a referência a uma ação judicial e a natureza trabalhista das verbas, a fonte obrigacional do pagamento dos rendimentos objeto do lançamento decorreu diretamente de Lei em sentido formal e material, e não diretamente de uma condenação judicial, hipótese na qual deverseia observar o regime estabelecido pelo art. 100 da Constituição da República Federativa do Brasil, não se aplica, portanto, o entendimento proferido pelo Superior Tribunal de Justiça STJ no RESP 1.118.429∕SP. IRPF. VERBAS ISENTAS E TRIBUTADAS EXCLUSIVAMENTE NA FONTE. DOCUMENTOS EMITIDOS PELA FONTE PAGADORA COM INFORMAÇÕES DIFERENTES. ÔNUS DO RECORRENTE DE PROVAR SUAS ALEGAÇÕES. PREVALÊNCIA DE DOCUMENTO CONFORME ANÁLISE DOS AUTOS. PLEITO RECURSAL NÃO ATENDIDO. Cabe ao recorrente provas suas alegações. Ao juntar aos autos documento emitido pela fonte pagadora que contradiz outro de mesma origem, o recorrente tem o ônus de justificar a discrepância. Indeferese o pleito com base em análise comparativa de ambos os documentos que deu prevalência ao documento original em razão das deficiência do segundo. MULTA DE OFÍCIO. COMPROVANTE DE RENDIMENTOS COM ERRO. DECLARAÇÃO DE AJUSTE ANUAL CONFORME OS COMPROVANTES EMITIDOS PELA FONTE PAGADORA. SÚMULA CARF Nº 73. Erro no preenchimento da declaração de ajuste do imposto de renda, causado por informações erradas, prestadas pela fonte pagadora, não autoriza o lançamento de multa de ofício. JUROS DE MORA. Sobre tributo pago em atraso incidem juros de mora conforme previsão legal, não sendo lícito ao julgador administrativo afastar a exigência. TRIBUTAÇÃO DE VERBAS REMUNERATÓRIAS. ALEGAÇÃO DE CONFISCO. IMPOSSIBILIDADE DE APRECIAR ALEGAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE. SÚMULA CARF nº 2. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Reputado que as verbas são remuneratórias e que o Fl. 250DF CARF MF Impresso em 24/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/09/2014 por JACI DE ASSIS JUNIOR, Assinado digitalmente em 12/09/2014 por JACI DE ASSIS JUNIOR, Assinado digitalmente em 22/09/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO Processo nº 10580.720628/200941 Acórdão n.º 2802003.134 S2TE02 Fl. 250 3 lançamento tem amparo em lei, não cabe ao CARF aferir inconstitucionalidade. Recurso provido em parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos DAR PROVIMENTO PARCIAL ao recurso voluntário para excluir a multa de ofício, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Jorge Cláudio Duarte Cardoso Presidente. (assinado digitalmente) Jaci de Assis Junior Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Jorge Claudio Duarte Cardoso (Presidente), Jaci de Assis Junior, German Alejandro San Martín Fernández, Ronnie Soares Anderson, Julianna Bandeira Toscano e Carlos André Ribas de Mello. Relatório Por bem sintetizar os atos e procedimentos que integram os presentes autos, abaixo se reproduz o relatório extraído do Acórdão 1525.967, proferido pela 3ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Salvador – DRJ/SDR: “Tratase de auto de infração relativo ao Imposto de Renda Pessoa Física – IRPF correspondente aos anos calendário de 2004, 2005 e 2006, para exigência de crédito tributário, no valor de R$ 177.130,55, incluída a multa de ofício no percentual de 75% (setenta e cinco por cento) e juros de mora. Conforme descrição dos fatos e enquadramento legal constantes no auto de infração, o crédito tributário foi constituído em razão de ter sido apurada classificação indevida de rendimentos tributáveis na Declaração de Ajuste Anual como sendo rendimentos isentos e não tributáveis. Os rendimentos foram recebidos do Ministério Público do Estado da Bahia a título de “Valores Indenizatórios de URV”, em 36 (trinta e seis) parcelas no período de janeiro de 2004 a dezembro de 2006, em decorrência da Lei Complementar do Estado da Bahia nº 20, de 08 de setembro de 2003. As diferenças recebidas teriam natureza eminentemente salarial, pois decorreram de diferenças de remuneração ocorridas quando da conversão de Cruzeiro Real para URV em 1994, conseqüentemente, estariam sujeitas à incidência do imposto de renda, sendo irrelevante a denominação dada ao rendimento. O contribuinte foi cientificado do lançamento fiscal e apresentou impugnação, alegando, em síntese, que: Fl. 251DF CARF MF Impresso em 24/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/09/2014 por JACI DE ASSIS JUNIOR, Assinado digitalmente em 12/09/2014 por JACI DE ASSIS JUNIOR, Assinado digitalmente em 22/09/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO 4 a) o lançamento fiscal é improcedente, pois teve como objeto valores recebidos pelo impugnante a título de diferenças de URV, que não estão sujeitos à incidência do imposto de renda, em razão do seu caráter indenizatório, não se enquadrando nos conceitos de renda ou proventos de qualquer natureza, previstos no art. 43 do CTN; b) o STF, através da Resolução nº 245, de 2002, reconheceu a natureza indenizatória das diferenças de URV recebidas pelos magistrados federais, e que por esse motivo estariam isentas da contribuição previdenciária e do imposto de renda. Este tratamento seria extensível aos valores a mesmo título recebidos pelos membro do magistrados estaduais; c) o Estado da Bahia abriu mão da arrecadação do IRRF que lhe caberia ao estabelecer no art. 3º da Lei Estadual Complementar nº 20, de 2003, a natureza indenizatória da verba paga, sendo a União parte ilegítima para exigência de tal tributo. Além disso, se a fonte pagadora não fez a retenção que estaria obrigada, e levou o autuado a informar tal parcela como isenta em sua declaração de rendimentos, não tem este último qualquer responsabilidade pela infração; d) caso os rendimentos apontados como omitidos de fato fossem tributáveis, deveriam ter sido submetidos ao ajuste anual, e não tributados isoladamente como no lançamento fiscal; e) parcelas dos valores recebidos a título de diferenças de URV se referiam à correção incidente sobre 13º salários e a férias indenizadas (abono férias), que respectivamente estão sujeitas à tributação exclusiva e isenta, portanto, não deveriam compor a base de cálculo do imposto lançado; f) ainda que as diferenças de URV recebidas em atraso fossem consideradas como tributáveis, não caberia tributar os juros e correção monetária incidentes sobre elas, tendo em vista sua natureza indenizatória; g) mesmo que tal verba fosse tributável, não caberia a aplicação da multa de ofício e juros moratórios, pois o autuado teria agido com boa fé, seguindo orientações da fonte pagadora, que por sua vez estava fundamentada na Lei Estadual Complementar nº 20, de 2003, que dispunha acerca da natureza indenizatória das diferenças de URV. Foi determinada diligência fiscal para que o órgão de origem adotasse as medidas cabíveis para ajustar o lançamento fiscal ao Parecer PGFN/CRJ/Nº 287/2009, de 12 de fevereiro de 2009, da ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional, que, em razão de jurisprudência pacificada no Superior Tribunal de Justiça, concluiu pela dispensa de apresentação de contestação, de interposição de recursos e pela desistência dos já interpostos, desde que inexistisse outro fundamento relevante, com relação às ações judiciais que visassem obter a declaração de que, no cálculo do imposto renda incidente sobre rendimentos pagos acumuladamente, deveriam ser levadas em consideração as tabelas e alíquotas das épocas próprias a que se referem tais rendimentos, devendo o cálculo ser mensal e não global.” Não obstante, essa diligência fiscal ficou prejudicada com a edição do Parecer PGFN/CRJ/Nº 2.331/2010, que concluiu pela suspensão das medidas propostas pelo Parecer PGFN/CRJ/Nº 287/2009 até que a questão fosse apreciada pelo Supremo Tribunal Federal. Examinando o assunto a Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Salvador/BA, fls. 123 a 129, decidiu pela procedência em parte da impugnação apresentada pelo contribuinte ao lançamento fiscal formalizado pelo Auto de Infração, fls. 02 a 11, nos seguintes termos de sua ementa: “ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Fl. 252DF CARF MF Impresso em 24/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/09/2014 por JACI DE ASSIS JUNIOR, Assinado digitalmente em 12/09/2014 por JACI DE ASSIS JUNIOR, Assinado digitalmente em 22/09/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO Processo nº 10580.720628/200941 Acórdão n.º 2802003.134 S2TE02 Fl. 251 5 Anocalendário: 2004, 2005, 2006 DIFERENÇAS DE REMUNERAÇÃO. INCIDÊNCIA IRPF. As diferenças de remuneração recebidas pelos membros do Ministério Público do Estado da Bahia, em decorrência do art. 2º da Lei Complementar do Estado da Bahia nº 20, de 2003, estão sujeitas à incidência do imposto de renda. MULTA DE OFÍCIO. INTENÇÃO. A aplicação da multa de ofício no percentual de 75% sobre o tributo não recolhido independe da intenção do contribuinte. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte” Extraemse da decisão de primeira instância os seguintes a argumentos: a) a diferença apurada pela conversão do valor do salário em URV tem natureza salarial incidindo o IRPF; b) a tributação não se restringe ao valor do principal, mas, também, aos juros e atualização monetária; c) quanto ao art. 3º da Lei Complementar 20/2003, do Estado da Bahia, que dispõe expressamente que as diferenças em questão são de natureza indenizatória, lembra que o imposto de renda é regido por legislação federal, portanto, tal dispositivo não tem qualquer efeito tributário. Além disso, devese observar que a incidência do imposto independe da denominação do rendimento, e que as indenizações não gozam de isenção indistintamente, mas tão somente as previstas em lei específica que conceda a isenção, conforme previsto no art. 150, § 6º, da Constituição Federal; d) que o art. 55, inciso XIV, do RIR/99 dispõe claramente que tanto os juros moratórios, quanto quaisquer outras indenizações por atraso de pagamento, estão sujeitos à tributação, a menos que correspondam a rendimentos isentos ou não tributáveis; e) que a Resolução do STF nº 245 não pode ser estendida às verbas pagas aos membros do Ministério Público Estadual, pois isto resultaria na concessão de isenção sem lei específica. Não se poderia, também, recorrer à analogia em matéria que trate de isenção, que está sujeita a interpretação literal, conforme preconiza o art. 111, inciso II, do CTN; f) que o impugnante reclama isonomia de tratamento frente aos membros da esfera federal, entretanto, tratase de funcionários públicos sujeitos a leis específicas distintas, cada um com suas peculiaridades. Observese, ainda, que o reconhecimento da isenção na esfera federal decorreu de resolução no âmbito do poder judiciário federal, cujo alcance não pode ser ampliado mediante a aplicação da analogia; g) que o Parecer Normativo SRF nº 1, de 24 de setembro de 2002, dispõe que a responsabilidade da fonte pagadora pela retenção do IRRF extinguese na data fixada para a entrega da declaração de ajuste anual pessoa física, e que a falta de oferecimento dos Fl. 253DF CARF MF Impresso em 24/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/09/2014 por JACI DE ASSIS JUNIOR, Assinado digitalmente em 12/09/2014 por JACI DE ASSIS JUNIOR, Assinado digitalmente em 22/09/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO 6 rendimentos à tributação por parte desta última, a sujeita à exigência do imposto correspondente, acrescido de multa de ofício e juros de mora; h) que, por determinação constitucional, se o Estado da Bahia tivesse efetuado a retenção do IRRF, o valor arrecadado lhe pertenceria. Entretanto, tal retenção não alteraria a obrigação do contribuinte de oferecer a integralidade do rendimento bruto à tributação do imposto de renda na declaração de ajuste anual. A exigência em foco se refere ao imposto de renda incidente sobre rendimentos da pessoa física (IRPF) e não ao IRRF que deixou de ser retido indevidamente pelo Estado da Bahia. Portanto, tanto a exigência do tributo, quanto o julgamento do presente lançamento fiscal, é da competência exclusiva da União; i) observa que a aplicação da multa no percentual de 75% independe da intenção do agente, conforme estabelecido no art. 136, do CTN. Não se trata da multa qualificada no percentual de 150%, que depende da ocorrência de evidente intuito de fraude, conforme previsto no art. 44, inciso II, da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996; j) quanto à tributação das diferenças de URV de forma isolada, sem que fossem considerados os rendimentos e deduções já declarados, observa que, nos anos calendários em questão, as bases de cálculo declaradas já sujeitavam o contribuinte à incidência do imposto de renda em sua alíquota máxima, bem como que já tinham sido aproveitadas as parcelas a deduzir prevista em tabela progressiva. Nesta situação, o imposto apurado mediante aplicação direta da alíquota máxima sobre os rendimentos omitidos coincide com o imposto apurado com base na tabela progressiva sobre a base de cálculo ajustada em razão da omissão. k) quanto ao não cabimento da tributação de verbas relativas à correção incidente sobre férias indenizadas e 13º salário, a DRJ acolheu a impugnação, desconstituindo em parte o auto de infração para adequálo às corretas alegações da contribuinte. Cientificada em 18/04/2011, fls. 132, a interessada interpôs recurso voluntário em 02/05/2011, fls. 133 a 220, alegando, em síntese, que: O lançamento fiscal é improcedente, pois teve como objeto valores recebidos a título de diferenças de URV, que não estão sujeitos à incidência do imposto de renda, em razão do seu caráter indenizatório, não se enquadrando nos conceitos de renda ou proventos de qualquer natureza, previstos no art. 43 do CTN. Diz que o STF, através da Resolução nº 245, de 2002, reconheceu a natureza indenizatória das diferenças de URV recebidas pelos magistrados federais, e que por esse motivo estariam isentas da contribuição previdenciária e do imposto de renda. Este tratamento seria extensível aos valores a mesmo título recebidos pelos membro do magistrados estaduais. Requer a recorrente que, apenas na seara das hipóteses, a se admitir qualquer autuação, que se considere como valor passível de cobrança, não aqueles lançados no auto de infração, mas, que se refaça a conta de autuação, levando em conta a situação do autuado, em mira com todas as verbas recebidas em cada exercício, bem como considerando todas as despesas e deduções cabíveis. Por meio da Instrução Normativa nº 1.127/2010, a Receita Federal reduziu a carga tributária sobre os rendimentos recebidos pelo contribuinte acumuladamente, denominados RRA, hipótese do suposto crédito tributário constituído no caso em tela. Com essa nova orientação, o contribuinte pode ser beneficiado pela redução da alíquota para os Fl. 254DF CARF MF Impresso em 24/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/09/2014 por JACI DE ASSIS JUNIOR, Assinado digitalmente em 12/09/2014 por JACI DE ASSIS JUNIOR, Assinado digitalmente em 22/09/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO Processo nº 10580.720628/200941 Acórdão n.º 2802003.134 S2TE02 Fl. 252 7 RRA recebidos, e assim, o imposto será calculado sobre o montante mensal, dos rendimentos pagos. Ressalta que a decisão hostilizada não enfrentou as questões suscitadas pelo recorrente na impugnação relativas à falta de legitimidade da União para cobrar imposto de renda que pertence, por determinação constitucional, ao Estado da Bahia, o que exigiria o retorno dos autos à DRJ para novo julgamento, de forma a não haver supressão de instância. Reitera que o Estado da Bahia abriu mão da arrecadação do IRRF que lhe caberia ao estabelecer no art. 3º da Lei Estadual Complementar nº 20, de 2003, a natureza indenizatória da verba paga, sendo a União parte ilegítima para exigência de tal tributo. Além disso, se a fonte pagadora não fez a retenção que estaria obrigada, e levou o autuado a informar tal parcela como isenta em sua declaração de rendimentos, não tem este último qualquer responsabilidade pela infração. A decisão recorrida ignorou o princípio da isonomia, uma vez que as leis distintas que regem os Ministérios Públicos, Federal e Estadual, não se sobrepõem a Constituição e nem aos princípios nela insculpidos. Se foi decidido que a verba tem natureza indenizatória para os membros do Ministério Público na esfera federal, a mesma razão deve ser usada na esfera estadual. Caso os rendimentos apontados como omitidos de fato fossem tributáveis, deveriam ter sido submetidos ao ajuste anual, e não tributados isoladamente como no lançamento fiscal. Nos anos de 1994 e 1998, a alíquota do imposto de renda que vigorava era de 25%, e não as alíquotas de 26,6% e 27,5% aplicadas no lançamento fiscal. Acrescenta que parcelas dos valores recebidos a título de diferenças de URV se referiam à correção incidente sobre 13º salários e a férias indenizadas (abono férias), que respectivamente estão sujeitas à tributação exclusiva e isenta, foram excluídas a menor da base de cálculo pela decisão de primeira instância. Pondera que ainda que as diferenças de URV recebidas em atraso fossem consideradas como tributáveis, não caberia tributar os juros e correção monetária incidentes sobre elas, tendo em vista sua natureza indenizatória. Mesmo que tal verba fosse tributável, não caberia a aplicação da multa de ofício e juros moratórios, pois o autuado teria agido com boa fé, seguindo orientações da fonte pagadora, que por sua vez estava fundamentada na Lei Estadual Complementar nº 20, de 2003, que dispunha acerca da natureza indenizatória das diferenças de URV. Requer o cancelamento do débito reclamado. Em sessão realizada em 23 de janeiro de 2013, a Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção do CARF determinou o sobrestamento do feito, tendo em vista o previsto no art. 62A, §1º, Regimento Interno do CARF, Portaria MF 256, de 2009 e na Portaria nº 1, de 03 de janeiro de 2012 (art. 1º, Parágrafo Único), na medida em que o Recurso Extraordinário 614406/RS, o qual teve sua repercussão geral reconhecida em Fl. 255DF CARF MF Impresso em 24/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/09/2014 por JACI DE ASSIS JUNIOR, Assinado digitalmente em 12/09/2014 por JACI DE ASSIS JUNIOR, Assinado digitalmente em 22/09/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO 8 20/10/2010, e que ainda se encontra pendente de julgamento pelo Supremo Tribunal Federal, versa sobre matéria que em tese se assemelha ao presente caso. Tendo em vista que a Portaria nº 545, de 18 de novembro de 2013, revogou os parágrafos primeiro e segundo do art. 62A do RICARF, o presente processo foi redistribuído, por sorteio, a este Conselheiro. É o relatório. Voto Conselheiro Jaci de Assis Junior, Relator O recurso foi tempestivamente apresentado e preenche os requisitos de admissibilidade previstos no Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972. O recorrente ressalta que a decisão hostilizada não enfrentou as questões suscitadas na impugnação relativas à falta de legitimidade da União para cobrar imposto de renda que pertence, por determinação constitucional, ao Estado da Bahia. Importa ressaltar que a decisão recorrida enfrentou essa questão, quando afirmou que o caso dos autos não trata de IRRF que deixou de ser retido pelo Estado da Bahia (que segundo o impugnante seria de competência do Estado por força da repartição de receita prevista no inciso I do art. 157) e sim de Imposto de Renda incidente sobre os rendimentos, conforme fls.132 (fls. 134, digital), nos seguintes termos: É certo que, por determinação constitucional, se o Estado da Bahia tivesse efetuado a retenção do IRRF, o valor arrecadado lhe pertenceria. Entretanto, tal retenção não alteraria a obrigação do contribuinte de oferecer a integralidade do rendimento bruto à tributação do imposto de renda na declaração de ajuste anual. A exigência em foco se refere ao imposto de renda incidente sobre rendimentos da pessoa física (IRPF) e não ao IRRF que deixou de ser retido indevidamente pelo Estado da Bahia. Portanto, tanto a exigência do tributo, quanto o julgamento do presente lançamento fiscal, é da competência exclusiva da União. Observese, ainda, que não é necessário que o julgador enfrente um a um todos os argumentos defensivos, desde que tenha fundamento suficiente para a decisão adotada. Esse entendimento consta, inclusive, de um dos julgados colacionados pelo recorrente (Resp 874759/SE, fls.155), conforme excerto seguinte: Não viola o artigo 535 do CPC, nem importa negativa de prestação jurisdicional, o acórdão que, mesmo sem ter examinado individualmente cada um dos argumentos trazidos pelo vencido, adotou, entretanto, fundamentação suficiente para decidir de modo integral a controvérsia posta.” (Resp 874759/SE, Relator Teori Albino Zavascki, julgado em 07/11/2006). Portanto, inexistente no caso a alegada omissão. Fl. 256DF CARF MF Impresso em 24/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/09/2014 por JACI DE ASSIS JUNIOR, Assinado digitalmente em 12/09/2014 por JACI DE ASSIS JUNIOR, Assinado digitalmente em 22/09/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO Processo nº 10580.720628/200941 Acórdão n.º 2802003.134 S2TE02 Fl. 253 9 O assunto tratado nos presentes autos possui diversos precedentes nesta 2ª Tuma Especial, dos quais convém reproduzir o inteiro teor do voto condutor do Acórdão nº 2802002.802, proferido Conselheiro Carlos André Ribas de Mello, em sessão realizada no dia 20 de março de 2014, tendo em vista que expressa com propriedade o entendimento unânime firmado pelos membros participantes, dos quais este Relator integrou e que ora o adota como razões de decidir, na parte que interessa ao presente litígio: “Preliminarmente, não assiste razão à Recorrente em sua alegação de supressão de instância, na medida em que o Acórdão examinou todas as alegações de defesa suscitadas em sua Impugnação. Outrossim, de logo deve ser pontuado que, inobstante o presente feito ter sido sobrestado por conta de se tratar da tributação de rendimentos recebidos acumuladamente, entendo que à presente hipótese não pode ser aplicado o entendimento manifestado pela Primeira Seção do STJ ao julgar o REsp 1.118.429∕SP (Rel. Min. Herman Benjamin, DJe de 14.5.2010), de acordo com o regime de que trata o art. 543C do CPC. Isto porque a fonte obrigacional do pagamento dos rendimentos objeto do lançamento vergastado, em que pese a referência a uma ação judicial e a natureza trabalhista das verbas, decorre diretamente de Lei em sentido formal e material, e não diretamente de uma condenação judicial, hipótese na qual deverseia observar o regime estabelecido pelo art. 100 da Constituição da República Federativa do Brasil. Quanto à suposta ilegitimidade ativa da União para a exigência do tributo, conforme exposto nas razões de embargante, a tese fundase na disposição constitucional do artigo 157, I, que determina caber aos Estados e ao Distrito Federal o produto da arrecadação do IRRF sobre rendimentos pagos por estes Entes Federativos, suas autarquias ou fundações públicas. A questão é singela e já foi objeto de decisão do CARF em diversas ocasiões, assentandose na jurisprudência deste Conselho que a ausência de retenção do imposto na fonte não exclui a competência da União para a constituição do crédito tributário de rendimentos sujeitos a incidência do imposto na DIRPF, nos termos da Súmula CARF n.12, verbis: “Constatada a omissão de rendimentos sujeitos à incidência do imposto de renda na declaração de ajuste anual, é legítima a constituição do crédito tributário na pessoa física do beneficiário, ainda que a fonte pagadora não tenha procedido à respectiva retenção.” A título de obiter dictum, digase que é natural que a repartição das receitas tributárias haverá de ser observada, tratandose de matéria relativa às relações financeiras entre União e Estados e não à competência para a arrecadação do imposto. No mérito, a controvérsia ora apresentada reside na caracterização da natureza dos rendimentos auferidos pelo Contribuinte, membro do Ministério Público do Estado da Bahia, a título de recomposição de diferenças de remuneração havidas quando da conversão do Cruzeiro Real para URV, sendo que para o caso concreto é relevante citar que tratase de pagamento de verba prevista em Lei Estadual, in casu a Lei Complementar n° 20, de 8/9/2003, a qual o Recorrente tenta equivaler à verba paga aos magistrados federais e estendida ao Procuradores da República. Sendo certo que esse abono pago à magistratura federal foi objeto de Resolução Fl. 257DF CARF MF Impresso em 24/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/09/2014 por JACI DE ASSIS JUNIOR, Assinado digitalmente em 12/09/2014 por JACI DE ASSIS JUNIOR, Assinado digitalmente em 22/09/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO 10 administrativa nº 245/2002 do Supremo Tribunal Federal e que a Procuradoria Geral da Fazenda Nacional curvouse ao entendimento do STF, este manifestado em expediente administrativo interna corporis, e passou a tratar essa verba como isenta. Destaco que a verba objeto da Resolução STF nº 245/2005 foi o abono previsto no art. 6° da Lei n° 9.655, de 1998, com a alteração estabelecida no art. 2° da Lei n° 10.474, de 2002, posteriormente estendida pela Lei Federal 10.477 aos membros do Ministério Público Federal. Este abono foi criado pela lei federal n° 9.655, de 1998 e alcançou unicamente a Magistratura Federal e, por extensão, o Ministério Público Federal. Os membros de MP estadual tiveram cada uma suas respectivas leis, sendo relevante ressaltar que os dispositivos legais. Neste sentido, o art. 2° da Lei Federal n° 10.477/02 assim dispôs: Art. 2º O valor do abono variável concedido pelo art. 6º da Lei no 9.655, de 2 de junho de 1998, é aplicável aos membros do Ministério Público da União, com efeitos financeiros a partir da data nele mencionada e passa a corresponder à diferença entre a remuneração mensal percebida pelo membro do Ministério Público da União, vigente à data daquela Lei, e a decorrente desta Lei. § 1º Serão abatidos do valor da diferença referida neste artigo todos e quaisquer reajustes remuneratórios percebidos ou incorporados pelos membros do Ministério Público da União, a qualquer título, por decisão administrativa ou judicial, após a publicação da Lei no 9.655, de 2 de junho de 1998. § 2º Os efeitos financeiros decorrentes deste artigo serão satisfeitos em 24 (vinte e quatro) parcelas mensais e sucessivas, a partir do mês de janeiro de 2003. Já o art. 6º da Lei no 9.655, de 2 de junho de 1998 estabelece que: “Art. 6º Aos membros do Poder Judiciário é concedido um abono variável, com efeitos financeiros a partir de 1º de janeiro de 1998 e até a data da promulgação da Emenda Constitucional que altera o inciso V do art. 93 da Constituição, correspondente à diferença entre a remuneração mensal atual de cada magistrado e o valor do subsídio que for fixado quando em vigor a referida Emenda Constitucional.” Ao passo que os arts. 2º e 3º da Lei Complementar n° 20, de 8/9/2003 do Estado da Bahia dispõem: “Art. 2º As diferenças de remuneração ocorridas quando da conversão de Cruzeiro Real para Unidade Real de Valor URV, objeto da Ação Ordinária de nº 140.975921531, julgada pelo Tribunal de Justiça do Estado da Bahia, e em consonância com os precedentes do Supremo Tribunal Federal, especialmente nas Ações Ordinárias nos. 613 e 614, serão apuradas mês a mês, de 1º de abril de 1994 a 31 de agosto de 2001, e o montante, correspondente a cada Procurador e Promotor de Justiça, será dividido em 36 parcelas iguais e consecutivas para Fl. 258DF CARF MF Impresso em 24/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/09/2014 por JACI DE ASSIS JUNIOR, Assinado digitalmente em 12/09/2014 por JACI DE ASSIS JUNIOR, Assinado digitalmente em 22/09/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO Processo nº 10580.720628/200941 Acórdão n.º 2802003.134 S2TE02 Fl. 254 11 pagamento nos meses de janeiro de 2004 a dezembro de 2006. Art. 3º São de natureza indenizatória as parcelas de que trata o art. 2º desta Lei.” Com a devida vênia, não vislumbro identidade nas verbas de que tratam os atos normativos federais e o que veicula a lei complementar do Estado da Bahia ora examinada. A legislação federal demonstra apenas que o subsídio conhecido como “abono variável” foi criado com a finalidade de se atribuir aos membros do Poder Judiciário uma espécie de verba retroativa que corrigia as eventuais diferenças de escalonamento salarial. Já a verba percebida pelo Recorrente, na análise dos elementos constantes dos autos, se traduz em recomposição de natureza salarial, ainda que paga extemporaneamente, sendo certo que para fins de Imposto de Renda vige o princípio de impossibilidade de concessão de isenções heterônomas, razão pela qual é irrelevante, para fins da definição da natureza do rendimento, a classificação que lhe dá a sua fonte pagadora. Pontuese que não se trata de negar vigência ou atribuir ao citado dispositivo legal qualquer pecha de inconstitucionalidade, pois não se discute a natureza indenizatória da verba percebida, mas não se pode olvidar que nem toda indenização referese à recomposição de patrimônio, como no exemplo clássico dos lucros cessantes, e no presente caso entendo ter ocorrido uma recomposição salarial que, malgrado a extemporaneidade, significou acréscimo patrimonial. Todavia, a existência de um dispositivo legal considera a verba não tributável foi decisiva para a conduta do requerente, que declarou o rendimento com a mesma natureza atribuída pela fonte pagadora, razão pela qual é cabível a exoneração, exclusivamente, da multa de oficio em decorrência de um erro escusável induzido pela interpretação errônea dada pela fonte pagadora, no mesmo sentido dos acórdãos acórdãos 10616801, 10616360 e 19600065, cujos excertos são a seguir reproduzidos. “(...) MULTA DE OFÍCIO EXCLUSÃO Deve ser excluída do lançamento a multa de ofício quando o contribuinte agiu de acordo com orientação emitida pela fonte pagadora, um ente estatal que qualificara de forma equivocada os rendimentos por ele recebidos. (...)” (acórdão 10616801, de 06/03/2008, da 6ª Câmara do 1º Conselho de Contribuintes,relator Conselheiro Luiz Antonio de Paula) “ (...) MULTA DE OFICIO CONTRIBUINTE INDUZIDO A ERRO PELA FONTE PAGADORA Não comporta multa de oficio o lançamento constituído com base em valores espontaneamente declarados pelo contribuinte que, induzido pelas informações prestadas pela fonte pagadora, incorreu em erro escusável no preenchimento da declaração de rendimentos. (...) (Acórdão n° 10616360, sessão de 23/01/2008, relator o Conselheiro Giovanni Christian Nunes Campos) Fl. 259DF CARF MF Impresso em 24/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/09/2014 por JACI DE ASSIS JUNIOR, Assinado digitalmente em 12/09/2014 por JACI DE ASSIS JUNIOR, Assinado digitalmente em 22/09/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO 12 “ (...) MULTA DE OFÍCIO. ERRO ESCUSÁVEL. Se o contribuinte, induzido pelas informações prestadas por sua fonte pagadora, um ente estatal que qualificara de forma equivocada os rendimentos por ele recebidos, incorreu em erro escusável quanto à tributação e classificação dos rendimentos recebidos, não deve ser penalizado pela aplicação da multa de ofício.(...)” (acórdão nº 19600065, de 02/12/2008, da 6ª Turma Especial do 1º Conselho de Contribuintes, conselheiro(a) relator(a) Valéria Pestana Marques) Ressaltese, por oportuno, que a exclusão da multa de ofício não implica na exigência substitutiva da multa de mora, eis que ambas possuem o caráter de penalidade, e neste voto se reconhece que o contribuinte agiu de boa fé, não podendo lhe ser imputado nenhum ilícito que merece tal imposição, na exata medida em que não se reconhece no crédito tributário natureza de pena. Com relação aos juros de mora, estes constituem mera atualização do valor do tributo para assegurarlhe a manutenção do seu valor quando pago a destempo, não se trata de sanção e possui previsão legal de incidência. Quanto a tese de não incidência do IRPF sobre verbas relativas a incidência de juros de mora sobre valores recebidos a destempo, na ausência de norma isentiva explícita, é de se observar o caráter tributável dos rendimentos em questão. Ademais, a legislação em vigor é taxativa ao determinar a sua tributação nos termos do art.55, XIV, do RIR: Art. 55. São também tributáveis (Lei nº 4.506, de 1964, art. 26, Lei nº 7.713, de 1988, art. 3º, § 4º, e Lei nº 9.430, de 1996, arts. 24, § 2º, inciso IV, e 70, § 3º, inciso I): (...) XIV os juros compensatórios ou moratórios de qualquer natureza, inclusive os que resultarem de sentença, e quaisquer outras indenizações por atraso de pagamento, exceto aqueles correspondentes a rendimentos isentos ou não tributáveis; Ressaltese, ainda, que a tributação independe da denominação dos rendimentos, bastando para a incidência o benefício por qualquer forma e a qualquer título, nos termos do § 4º, art. 3°, da Lei 7.713/88. Observese que o artigo 62 do Regimento do CARF, Portaria MF n.256/2009, veda que este Conselho deixe de aplicar dispositivos de lei ou decreto, ao fundamento de inconstitucionalidade, salvo quando declarados inconstitucionais por decisão definitiva do Supremo Tribunal Federal. Do mesmo modo, a jurisprudência do STF e do STJ em matéria infraconstitucional, somente vincula os julgamentos do CARF, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, nos termos do artigo 62A do citado Regimento do CARF. Neste sentido, é relevante destacar que o Acórdão proferido no Agravo Regimental em Embargos de Divergência no REsp n° 1.163.490, veiculado pelo DJe de 21 de março de 2012, trata do alcance do decidido em sede de recurso repetitivo pelo Acórdão proferido no citado REsp n° 1.227.133. Fl. 260DF CARF MF Impresso em 24/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/09/2014 por JACI DE ASSIS JUNIOR, Assinado digitalmente em 12/09/2014 por JACI DE ASSIS JUNIOR, Assinado digitalmente em 22/09/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO Processo nº 10580.720628/200941 Acórdão n.º 2802003.134 S2TE02 Fl. 255 13 Desta forma, há que se entender pelo não cabimento à espécie dos autos do precedente que fundamentou a decisão recorrida, o REsp n° 1.227.133. De fato, ao apreciar o Resp n° 1.227.133, inicialmente o voto vencedor do Ministro Cesar Asfor Rocha reconhecia a não incidência do IR sobre juros moratórios, de forma ampla. Por outro lado, o julgamento dos embargos de declaração no referido recurso especial, publicado no DO de 02/12/11 reconheceu que os Ministros que acompanharam o voto do relator, deram provimento ao recurso em sentido mais restrito, reconhecendo apenas a não incidência do IR sobre juros moratórios, quando os mesmos incidem sobre rescisão de contrato de trabalho, o que levou à modificação da ementa do acórdão por ocasião dos referidos embargos de declaração.” Os fundamentos abaixo reforçam a adequação do entendimento desta Turma Julgadora. Quanto a tese da ilegitimidade ativa, ressaltese que o fato de o produto da arrecadação do IRRF pertencer ao Estado da Federação não subtrai da União sua competência para fiscalizar e arrecadar o Imposto de Renda sujeito ao ajuste anual, que não se confunde com o imposto retido na fonte. Este é mera antecipação daquele. A União possui legitimidade ativa, pois não só possui competência tributária como tem interesse econômico e jurídico em fiscalizar e arrecadar o imposto apurado no ajuste anual. São inconfundíveis os conceitos de imposto retido na fonte e de imposto devido no ajuste anual, bem como os de competência tributária, legitimidade ativa e de titularidade do produto da arrecadação. Ademais, a ausência de retenção do imposto na fonte não exclui a competência da União para a constituição do crédito tributário de rendimentos sujeitos a incidência do imposto na DIRPF, nos termos da Súmula CARF n.12, verbis: Constatada a omissão de rendimentos sujeitos à incidência do imposto de renda na declaração de ajuste anual, é legítima a constituição do crédito tributário na pessoa física do beneficiário, ainda que a fonte pagadora não tenha procedido à respectiva retenção. Quanto à exclusão da multa, convém obserar que, de acordo com o Demonstrativo de Multa e Juros de Mora, fls. 6, sobre o imposto de renda apurado de ofício incidiu, única e exclusivamente, a multa de 75% (setenta e cinco por cento), regulamentada pelo art. 44, inciso I, da Lei nº 9.430, de 1996. Foi contra essa imputação que o contribuinte direcionou sua defesa. Ainda em relação ao assunto, convém aduzir que ao caso se aplica a Súmula CARF nº 73: Erro no preenchimento da declaração de ajuste do imposto de renda, causado por informações erradas, prestadas pela fonte pagadora, não autoriza o lançamento de multa de ofício. Fl. 261DF CARF MF Impresso em 24/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/09/2014 por JACI DE ASSIS JUNIOR, Assinado digitalmente em 12/09/2014 por JACI DE ASSIS JUNIOR, Assinado digitalmente em 22/09/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO 14 O caso do recorrente não se refere a rescisão de contrato de trabalho, de forma que os juros de mora são tributáveis, como decidido pelo Superior Tribunal de Justiça – STJ no REsp 1089720/RS, julgado em 10/10/2012 e publicado em 28/11/2012. (No mesmo sentido há o REsp 1234377/RS, AgRg no AgRg no AREsp 190821/RS, AgRg no AREsp 18626/RS; e EDcl no AgRg no REsp 1221039/ RS). Quanto à alegação de imprestabilidade da base de cálculo, anotese que o recorrente sustenta ser aplicável o entendimento segundo o qual o imposto deve ser calculado mensalmente, pelas tabelas das épocas próprias, entendimento consolidado no STJ no REsp 1.118.429∕SP. Analisandose o demonstrativo de apuração do imposto (fls. 26 a 28) verificase que o valor recebido em cada ano foi computado como rendimento omitido nesses anocalendário (2004, 2005, 2006), valores que foram acrescidos à base de cálculo declarada; logo, as deduções contidas na Declaração de Ajuste Anual foram consideradas. Todavia, acima consta fundamentação para não se aplicar, neste caso concreto, o entendimento de tributação de rendimentos com base no REsp 1.118.429∕SP, de forma que a argumentação acerca de possível erro na base de cálculo fica prejudicada e que o lançamento não merece reparo. Observese, ainda, que a IN RFB nº 1.127, de 2010, citada pelo recorrente, tem fundamento de validade em lei posterior à ocorrência dos fatos geradores, portanto é inaplicável para fins de definir o cálculo do imposto no casos destes autos (art. 144 do CTN). Também o fato de declarar rendimentos com base nos informes fornecidos pela fonte pagadora (ainda que sob influência do texto da Lei do Estado da Bahia) não significa que tenha ocorrido a hipótese do inciso I do art. 100 do CTN. Também nesse tópico, não cabe reparo ao acórdão recorrido. Constatado que a tributação das verbas tem amparo em lei, não compete ao CARF apreciar alegação de que a exação viola o princípio do não confisco. Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária A recorrente alega que a decisão recorrida incorrera em erro ao excluir da base de cálculo os valores de R$3.583,00 e de R$971,34, para cada ano de 2004, 2005, 2006, correspondentes ao 13º salário e a férias, respectivamente. Nesse último aspecto, de plano, cumprese salientar que a isenção do imposto de renda somente atinge às férias não gozadas e ao abono pecuniário de férias (art. 1º da Instrução Normativa RFB nº 936, de 5 de maio de 2009). Compulsando os autos, observase que os citados valores correspondem aos demonstrados no quadro RESUMO da planilha anexa às fls. 114 (digital), sob os títulos TOTAL ADT 13 SAL e TOTAL 13 SALÁRIO, para o primeiro, e TOTAL ABONO FÉRIAS, para o segundo valor. Com base em suposto erro cometido pela decisão recorrida, pretende agora a recorrente com base em outra planilha (cujo quadro resumo, fls. 234, se apresenta com valores diferentes do que constou na planilha apresentada originalmente às fls. 114) que sejam Fl. 262DF CARF MF Impresso em 24/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/09/2014 por JACI DE ASSIS JUNIOR, Assinado digitalmente em 12/09/2014 por JACI DE ASSIS JUNIOR, Assinado digitalmente em 22/09/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO Processo nº 10580.720628/200941 Acórdão n.º 2802003.134 S2TE02 Fl. 256 15 considerados como exclusão da base de cálculo os valores de R$4.437,48 e R$5.782,52, correspondentes ao 13º salário e a férias, respectivamente, para cada ano de 2004, 2005 e 2006. Ocorre que o recorrente não explica a razão da diferença de valores relacionados na nova planilha e, muito menos, não explica o motivo pelo qual essa segunda deve prevalecer sobre o anterior. Não se desincumbindo do ônus de provar a correção de suas alegações, da análise de ambos os quadros é de se concluir que somente o quadro de fls. 114 pode ser corroborado pela planilha que o antecede. Por exemplo: a) No quadro resumo de fls. 114 o subtotal 1 (R$137.992,82) é a soma das quatro colunas de juros mais a coluna “abono” (atualização), tal como anotado na planilha de cálculo que a antecede. Atualização Juros Total Sal. Férias AAbboonnoo Adit. 13º Sal. Férias Abono Adit. 13º 127.146,36 8.785,86 2.060,44 1.540,03 120.015,38 5.647,66 853,60 629,88 306.136,14 b) No quadro resumo de fls. 241 o subtotal 1 é R$132.812,87, que é a soma de “Total Juros” (R$115.465,31) com Total abono férias (R$ 2.914,04) e Total de férias (R$14.433,52). Percebese que o “total abono férias” e o “total férias” são as somas das colunas respectivas, tanto do campo “atualização” como “juros”. Porém o valor de “total juros” foi computado como R$115.465,31, sem justificativa para a discrepância em relação à planilha que buscava resumir, na qual a mesma rubrica aparece com o valor de R$127.146,52. Essa incerteza repercute sobre o cálculo dos itens de 13º salário. Portanto, é a planilha de fls. 114 que deve prevalecer, o que demonstra a correção do acórdão recorrido. Diante do exposto, voto por DAR PROVIMENTO PARCIAL ao recurso para tão somente excluir a multa de ofício. (assinado digitalmente) Jaci de Assis Junior Fl. 263DF CARF MF Impresso em 24/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/09/2014 por JACI DE ASSIS JUNIOR, Assinado digitalmente em 12/09/2014 por JACI DE ASSIS JUNIOR, Assinado digitalmente em 22/09/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO
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Numero do processo: 13603.724510/2011-90
Turma: Segunda Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Aug 19 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Sep 18 00:00:00 UTC 2014
Numero da decisão: 3802-000.234
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Mércia Helena Trajano Damorim - Presidente.
(assinado digitalmente)
Francisco José Barroso Rios - Relator.
Participaram da presente sessão de julgamento os conselheiros Bruno Maurício Macedo Curi, Cláudio Augusto Gonçalves Pereira, Francisco José Barroso Rios, Mércia Helena Trajano Damorim, Solon Sehn e Waldir Navarro Bezerra.
Nome do relator: FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Mércia Helena Trajano Damorim - Presidente. (assinado digitalmente) Francisco José Barroso Rios - Relator. Participaram da presente sessão de julgamento os conselheiros Bruno Maurício Macedo Curi, Cláudio Augusto Gonçalves Pereira, Francisco José Barroso Rios, Mércia Helena Trajano Damorim, Solon Sehn e Waldir Navarro Bezerra.
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Recorrida Fazenda Nacional Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Mércia Helena Trajano Damorim Presidente. (assinado digitalmente) Francisco José Barroso Rios Relator. Participaram da presente sessão de julgamento os conselheiros Bruno Maurício Macedo Curi, Cláudio Augusto Gonçalves Pereira, Francisco José Barroso Rios, Mércia Helena Trajano Damorim, Solon Sehn e Waldir Navarro Bezerra. Relatório Tratase de recurso voluntário interposto contra decisão da 1a Turma da DRJ Belo Horizonte, que, por unanimidade de votos, julgou procedente em parte a manifestação de inconformidade formalizada contra o não reconhecimento integral do direito creditório pleiteado mediante as declarações de compensação objeto dos autos, conforme acórdão assim ementado: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de Apuração: 01/11/2009 a 30/11/2009 RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 36 03 .7 24 51 0/ 20 11 -9 0 Fl. 1466DF CARF MF Impresso em 18/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/09/2014 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 03/ 09/2014 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 18/09/2014 por MERCIA HELENA TRAJA NO DAMORIM Processo nº 13603.724510/201190 Resolução nº 3802000.234 S3TE02 Fl. 1.467 2 REGIME NÃOCUMULATIVO. CRÉDITOS DECORRENTES DE EXPORTAÇÃO. RESSARCIMENTO. COMPENSAÇÃO. A contribuição não incidirá sobre as receitas decorrentes das operações de exportação de mercadorias para o exterior. O reconhecimento de direito ao ressarcimento ou à compensação demanda a comprovação, pela contribuinte, da existência de crédito líquido e certo contra a Fazenda Pública. REGIME NÃOCUMULATIVO. CRÉDITOS. INSUMOS. CONCEITO. Geram créditos os dispêndios realizados com bens e serviços utilizados como insumos na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, observadas as ressalvas legais. O termo "insumo" não pode ser interpretado como todo e qualquer fator que onere a atividade econômica, mas tãosomente como aqueles bens ou serviços que sejam diretamente empregados na produção de bens ou na prestação de serviços. REGIME NÃOCUMULATIVO. CRÉDITOS. DESPESAS COM TRANSPORTES. As despesas efetuadas com fretes para transferência da matériaprima ou do produto acabado entre estabelecimentos da mesma pessoa jurídica, com fretes de bens ou mercadorias não identificadas e com fretes de mercadorias destinadas ao ativo imobilizado, não utilizadas diretamente na produção, ou ao uso e consumo da pessoa jurídica, não geram direito ao creditamento. REGIME NÃOCUMULATIVO. CRÉDITOS. DESPESAS COM SEGUROS. Desde que suportado pela pessoa jurídica compradora, o seguro pago pelo transporte, assim como o frete, integra o custo de aquisição de bens ou mercadorias adquiridas. REGIME NÃOCUMULATIVO. CRÉDITOS SOBRE IMPORTAÇÃO VINCULADOS A RECEITA DE EXPORTAÇÃO. RESSARCIMENTO. COMPENSAÇÃO. A possibilidade de compensação, ou de ressarcimento em espécie, do saldo credor apurado em decorrência de operações de importação, autorizada pelo art. 16 da Lei nº 11.116, de 2005, alcança tãosomente os créditos previstos no art. 15 da Lei nº 10.865, de 2004. REGIME NÃOCUMULATIVO. DIREITO CREDITÓRIO. APURAÇÃO. A autoridade competente para decidir sobre o pedido de ressarcimento, restituição ou compensação de créditos poderá condicionar o reconhecimento do direito creditório à apresentação de documentos comprobatórios do referido direito, sendo que somente são passíveis de compensação os créditos comprovadamente existentes, devendo estes gozar de liquidez e certeza para serem utilizados. Manifestação de Inconformidade Procedente em Parte Direito Creditório Reconhecido em Parte O presente processo diz respeito a declarações de compensação – DCOMP relativas a saldo credor de COFINS apurado no período de 01/11/2009 a 30/11/2009, no valor total de R$ 1.595.837,61, em conformidade com o artigo 6º da Lei nº 10.833, de 2003. Desse montante, a unidade jurisdicionante do contribuinte já reconhecera o direito sobre a parcela de R$ 1.508.369,70. Por seu turno, a DRJ recorrida entendeu que deverão ser também restabelecidos os créditos apropriados sobre a utilização de água e esgoto das filiais “Contagem” e “Curitiba”, bem como os créditos relativos aos seguros pagos pelos fretes de bens ou mercadorias adquiridas pela interessada. Fl. 1467DF CARF MF Impresso em 18/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/09/2014 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 03/ 09/2014 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 18/09/2014 por MERCIA HELENA TRAJA NO DAMORIM Processo nº 13603.724510/201190 Resolução nº 3802000.234 S3TE02 Fl. 1.468 3 Assim, com base nos cálculos elaborados posteriormente pela DRF Contagem em conseqüência da decisão da DRJ, segundo os quais a quantia adicional a ser creditada em favor do sujeito passivo corresponde a R$ 2.558,29 (ressalvado o desconto de alguma parcela outrora compensada evidenciada em alguns processos da empresa sobre a mesma matéria), temse que o montante em litígio corresponde a R$ 84.909,62. Segue, abaixo, o relato dos fatos transcrito da decisão recorrida, o qual é padrão em todos os processos da empresa sobre essa matéria: Com o intuito de verificar a apuração do IPI, bem como o PIS e a Cofins da pessoa jurídica, foi emitido, em 11/05/2011, o Mandado de Procedimento Fiscal – Fiscalização (MPFF n.º: 06.1.10.002011004273). Em decorrência, a autoridade fiscal lavrou o Termo de Início de Fiscalização, intimando o sujeito passivo a apresentar, dentre outros elementos, arquivos digitais referentes aos itens 4.3.1, 4.3.2, 4.3.3, 4.3.4, 4.9.1 e 4.9.5 do Anexo Único do Ato Declaratório SRF/Cofis nº 15, de 2001, escrituração contábil digital, nos termos da Instrução Normativa RFB nº 787, de 2007, relação dos produtos fabricados pelo estabelecimento, certidão de objeto e pé de ações judiciais referentes ao IPI, PIS e Cofins, relação das contas contábeis referentes a créditos, receitas e exclusões da base de cálculo do PIS e da Cofins, memoriais de apuração das bases de cálculo utilizadas no preenchimento dos Demonstrativos de Apuração das Contribuições Sociais – Dacon e demonstrativo dos fretes de compras de bens utilizados como insumos. De acordo com a fiscalização, a contribuinte admitiu a ocorrência de erros no preenchimento dos Demonstrativos de Apuração de Contribuições Sociais – Dacon. Sendo assim, os créditos foram apurados de acordo com os memoriais de apuração das bases de cálculo dos Dacon e demais documentos apresentados pela contribuinte a pedido da autoridade fiscal. Em seguida, a autoridade fiscal elaborou demonstrativo das glosas de créditos de PIS, conforme abaixo (valores em reais): P.A. 3.1. 3.2. 3.3. 3.4. 3.5. 3.6. 3.7. TOTAL ME/FAT MI ME jan/08 3,26 2.845,44 1.367,77 0,00 0,00 36,02 127.836,13 132.088,62 20,23% 105.371,64 26.716,98 fev/08 3,26 5.381,60 1.515,51 0,00 0,00 38,86 91.338,39 98.277,62 14,25% 84.274,71 14.002,91 mar/08 3,26 5.967,74 1.390,14 0,00 0,00 29,65 71.482,90 78.873,69 18,07% 64.623,36 14.250,33 abr/08 3,26 4.719,18 1.627,64 0,00 38,13 186,26 180.784,88 187.359,35 16,34% 156.741,83 30.617,52 mai/08 49,44 8.261,21 1.586,73 0,00 159,52 496,78 125.875,75 136.429,43 19,55% 109.752,61 26.676,82 jun/08 49,44 5.983,14 2.042,36 0,00 50,27 191,73 108.912,17 117.229,11 16,40% 98.001,10 19.228,01 jul/08 151,12 9.659,18 1.909,71 26,51 150,14 587,80 121.509,41 133.993,87 16,20% 112.289,14 21.704,73 ago/08 151,12 7.179,43 1.921,09 3,76 132,18 1.291,51 118.778,39 129.457,48 22,26% 100.645,30 28.812,18 set/08 168,13 3.074,82 1.883,11 6,96 217,27 1.647,18 104.600,83 111.598,30 24,00% 84.811,15 26.787,15 out/08 241,91 6.252,08 1.770,70 0,00 136,81 1.219,34 122.203,64 131.824,48 23,59% 100.727,26 31.097,22 nov/08 318,76 8.491,53 1.719,92 8,63 91,80 1.456,49 70.934,88 83.022,01 22,87% 64.032,81 18.989,20 dez/08 532,25 4.150,69 1.471,63 0,20 112,63 1.467,26 131.074,08 138.808,74 37,59% 86.634,00 52.174,74 jan/09 532,25 5.385,90 1.179,67 0,00 173,76 1.879,16 51.684,90 60.835,64 14,79% 51.837,44 8.998,20 fev/09 532,25 11.673,37 1.262,98 33,26 104,68 3.510,75 64.575,01 81.692,30 15,53% 69.008,40 12.683,90 Fl. 1468DF CARF MF Impresso em 18/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/09/2014 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 03/ 09/2014 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 18/09/2014 por MERCIA HELENA TRAJA NO DAMORIM Processo nº 13603.724510/201190 Resolução nº 3802000.234 S3TE02 Fl. 1.469 4 mar/09 532,25 10.388,31 441,21 7,40 25,91 2.776,46 44.105,65 58.277,19 16,48% 48.672,38 9.604,81 abr/09 532,25 2.838,07 1.572,35 1.164,99 40,14 3.401,09 24.839,83 34.388,72 9,90% 30.983,35 3.405,37 mai/09 532,25 5.261,01 874,84 2.569,55 27,06 3.012,90 45.330,66 57.608,27 7,28% 53.414,17 4.194,10 jun/09 532,25 3.246,92 958,43 0,00 14,04 2.405,55 50.649,08 57.806,27 18,59% 47.059,37 10.746,90 jul/09 532,25 7.110,54 720,28 2.897,56 59,09 3.385,00 34.676,13 49.380,85 17,15% 40.912,30 8.468,55 ago/09 532,25 1.953,83 1.175,60 92,21 46,59 1.767,91 33.182,54 38.750,93 8,12% 35.604,80 3.146,13 set/09 532,25 5.565,34 445,25 1.389,50 25,96 4.099,24 17.784,73 29.842,27 14,27% 25.583,88 4.258,39 out/09 532,25 4.171,09 2.445,14 1.917,99 14,83 2.016,65 29.949,93 41.047,88 7,37% 38.023,58 3.024,30 nov/09 532,25 5.999,82 1.378,43 1.289,05 20,70 4.449,68 33.600,99 47.270,92 9,53% 42.765,50 4.505,42 dez/09 532,25 3.670,03 1.580,37 4.930,84 37,09 11.126,51 39.091,41 60.968,50 8,26% 55.933,91 5.034,59 jan/10 532,25 3.502,79 2.203,49 20,65 27,72 1.117,50 14.467,59 21.871,99 8,45% 20.023,98 1.848,01 fev/10 532,25 7.916,35 1.523,09 0,00 18,55 3.337,67 90.260,30 103.588,21 6,86% 96.482,90 7.105,31 mar/10 532,25 1.633,53 1.589,22 299,59 33,98 3.206,79 54.032,80 61.328,16 13,04% 53.333,25 7.994,91 abr/10 532,25 18.149,44 1.551,72 474,12 33,89 3.384,16 213.636,74 237.762,32 14,80% 202.585,29 35.177,03 mai/10 532,25 6.014,24 1.054,57 190,05 46,59 5.760,11 52.717,10 66.314,91 7,27% 61.493,82 4.821,09 jun/10 532,25 8.552,18 1.487,26 72,44 41,18 2.397,81 93.602,34 106.685,46 11,08% 94.864,71 11.820,75 jul/10 532,25 8.892,22 1.229,17 3.311,98 44,16 6.016,23 64.426,44 84.452,45 13,12% 73.372,29 11.080,16 ago/10 532,25 10.200,72 1.366,51 2.038,99 41,63 1.732,96 37.199,94 53.113,00 10,40% 47.589,25 5.523,75 set/10 532,25 7.053,10 1.284,13 5.068,86 61,18 5.531,16 43.200,69 62.731,37 7,76% 57.863,42 4.867,95 LEGENDA: P.A. PERÍODO DE APURAÇÃO; 3.1. AQUISIÇÕES DE BENS DESTINADOS AO ATIVO IMOBILIZADO E NÃO UTILIZADOS NA PRODUÇÃO; 3.2. AQUISIÇÕES DE SERVIÇOS NÃO UTILIZADOS DIRETAMENTE NA PRODUÇÃO; 3.3. AQUISIÇÕES DE ÁGUA E ESGOTO NÃO UTILIZADOS NA PRODUÇÃO; 3.4. AQUISIÇÕES DE FRETES RELATIVOS A TRANSPORTE DE PRODUTOS FINAIS ENTRE ESTABELECIMENTOS; 3.5. AQUISIÇÕES DE FRETES RELATIVOS A TRANSPORTE DE BENS PARA USO, CONSUMO OU IMOBILIZADO; 3.6. AQUISIÇÕES DE SEGUROS PARA FRETES; 3.7. AQUISIÇÕES DE FRETES RELATIVOS A MERCADORIAS NÃO IDENTIFICADAS. MI. MERCADO INTERNO ME. MERCADO EXTERNO ME/FAT. RELAÇÃO PERCENTUAL MERCADO EXTERNO/FATURAMENTO Como resultado, foram obtidos os valores dos créditos vinculados ao mercado externo, sendo que, a fim de se apurar os saldos passíveis de ressarcimento ou de compensação antecipada, a autoridade fiscal executou alguns ajustes. O primeiro deles, segundo ela, deriva do fato de que, em virtude do art. 16 da Lei nº 11.116, de 2005, apenas os créditos de importação elencados no art. 15 da Lei nº 10.865, de 2004, são passíveis de ressarcimento ou compensação. Durante a auditoria, constatouse que a contribuinte importou, para fins de revenda, diversas máquinas e veículos classificados nos códigos 84.29, 8432.40.00, 8433.20, 8433.30.00, 8433.40.00, 8433.5, 87.01 e 87.04 da Nomenclatura Comum do Mercosul, previstos no art. 17 da Lei nº 10.865, de 2004, enquanto que os créditos de PIS/Cofins foram submetidos indevidamente ao rateio proporcional entre mercado externo e interno. Assim, apurou a fiscalização o crédito mensal a ser reclassificado como não ressarcível. Já o segundo ajuste diz respeito, conforme a fiscalização, à possibilidade de compensação, antes do encerramento do trimestre, de créditos de importação Fl. 1469DF CARF MF Impresso em 18/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/09/2014 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 03/ 09/2014 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 18/09/2014 por MERCIA HELENA TRAJA NO DAMORIM Processo nº 13603.724510/201190 Resolução nº 3802000.234 S3TE02 Fl. 1.470 5 vinculados à receita de exportação. Aduz que, apesar do art. 16 da Lei nº 11.116, de 2005, permitir o ressarcimento dos créditos de importação, a compensação antecipada possibilitada pelo art. 42 da Instrução Normativa RFB nº 900, de 2008, menciona apenas aqueles créditos oriundos de aquisições no mercado interno. Por créditos de importação, entende aqueles do art. 15 da Lei nº 10.865, de 2004, inclusive aquisição de máquinas e equipamentos destinados ao ativo imobilizado. Referese ao caput do art. 34 desta Instrução Normativa e conclui que o contribuinte não observou o regramento exposto no preenchimento das PER/Dcomp, de modo que elabora demonstrativos que indicam quais créditos devem ser reposicionados no último mês do trimestre para fins de pedido de ressarcimento. Assim, após efetuados os ajustes, prossegue a fiscalização, a contribuinte teria direito ao ressarcimento dos valores de Cofins e de PIS nos valores que demonstra. Afirma a autoridade fiscal que a reapuração dos saldos de PIS e Cofins não altera os valores passíveis de ressarcimento indicados, porém, o saldo credor total, ou montante disponível após a última PER/Dcomp para desconto das contribuições a recolher, é de R$ 9.048.196,92, de PIS e de R$ 12.349.027,24, de Cofins, respectivamente. Esclarece que não foram apurados valores a recolher no período auditado. Por fim, calcula os créditos passíveis de ressarcimento, elabora demonstrativos e sugere o deferimento parcial dos diversos pedidos de ressarcimento e compensações efetuados, de acordo com os valores que indica no Termo de Verificação Fiscal. As glosas efetuadas bem como as justificativas estão detalhadas no Termo de Verificação Fiscal e no demonstrativo “Glosas de Compensações e Ressarcimento” para as contribuições PIS/Cofins elaborado pela autoridade fiscal. Diante desses fatos, a DRF/Contagem emitiu Despacho Decisório, em 27/12/2011, por meio do qual foi parcialmente homologada a Dcomp. Como resultado foi reconhecido o crédito no valor de R$ 594.742,57. Como base legal são citados, entre outros, os seguintes dispositivos: Lei nº 10.637, de 2002; Lei nº 10.833, de 2003; Instrução Normativa RFB nº 600, de 2005 e Instrução Normativa RFB nº 900, de 2008. Cientificada em 27/02/2012, a contribuinte apresentou, em 28/03/2012, a manifestação de inconformidade às fls. 69 a 101 e 155, acompanhada dos documentos às fls. 102 a 154 e 156 a 1369, alegando, em síntese, que: A matéria objeto de recurso não foi submetida à apreciação judicial, com o que se atende ao disposto no art. 16, inciso V, do Decreto nº 70.235, de 1972; As três supostas irregularidades apontadas pela fiscalização fizeram com que os créditos de PIS/Cofins fossem recalculados mensalmente. Obtidos os novos valores passíveis de ressarcimento e compensação, as compensações foram homologadas até esse limite, indeferindo, integral ou parcialmente, aqueles que o superaram; Desse trabalho, 198 PER/Dcomp foram deferidos, 42 o foram apenas em parte e 34 receberam resposta negativa. Por sua vez, os respectivos despachos decisórios, em que tais entendimentos foram apresentados, constaram de 51 processos administrativos de crédito, dos quais 41 trouxeram resultados contrários aos interesses da requerente. A decisão recorrida, para que se Fl. 1470DF CARF MF Impresso em 18/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/09/2014 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 03/ 09/2014 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 18/09/2014 por MERCIA HELENA TRAJA NO DAMORIM Processo nº 13603.724510/201190 Resolução nº 3802000.234 S3TE02 Fl. 1.471 6 apresenta a presente manifestação de inconformidade, é um desses. Como todos esses 41 processos se referem a uma mesma matéria, advém de um mesmo procedimento de fiscalização, é desejável que as correspondentes defesas sejam julgadas conjuntamente, o que desde já se requer; Segundo a fiscalização, a recorrente não estava autorizada a se creditar sobre as seguintes bases: ativo imobilizado – inclusão indevida de bens não utilizados na produção (item 3.1 do TVF), serviços não empregados diretamente na industrialização (item 3.2 do TVF), utilização de água e esgoto em processos industriais (item 3.3 do TVF), fretes – transporte de produtos finais entre estabelecimentos da pessoa jurídica (item 3.4 do TVF), fretes – inclusão indevida do transporte de mercadorias destinadas ao imobilizado ou a uso e consumo (item 3.5 do TVF), fretes inclusão indevida do seguro pago (item 3.6 do TVF) e fretes – falta de identificação das mercadorias transportadas (item 3.7 do TVF). Mas ela estava, na verdade, haja vista a legislação e jurisprudência acerca da matéria; Item 3.1 do TVF. A DRF entendeu que as despesas com veículos e com móveis para salas de treinamento de funcionários não poderiam compor a base de cálculo dos créditos por não serem diretamente destinadas às atividades de industrialização. Entretanto, consoante art. 3o das Leis nº 10.637, de 2002 e nº 10.833, de 2003, tal creditamento é permitido. No caso, não há como dizer que os bens não se prestam ao exercício da indústria. Os equipamentos destinados à capacitação de empregados, por exemplo, são essenciais a curso regular das atividades da recorrente, a qual se destaca por sua atuação inovativa e comprometida com o desenvolvimento tecnológico; Item 3.2 do TVF. Esses serviços, ao contrário do que sustenta a fiscalização, são, sim, utilizados de forma direta na atividade industrial, sobretudo porque são a ela essenciais. Os insumos, na sistemática do PIS/Cofins, são aquelas despesas, custos ou encargos essenciais ao desempenho da atividade econômica da contribuinte, seja ela qual for. São, de acordo com doutrinadores, todos os elementos físicos ou funcionais (...) que sejam relevantes para o processo de produção ou fabricação, ou para o produto. Jurisprudência administrativa do CARF apresenta o mesmo posicionamento, a exemplo dos Acórdãos nº 320200.226, de 08/02/2010 e nº 930301.035, de 23/08/2010. Julgados dos Tribunais Regionais Federais e Superior Tribunal de Justiça também vão no mesmo sentido. No caso, os serviços são essenciais. Aqueles prestados pela GFL Gestão de Fatores Logísticos Ltda., por exemplo, são vitais para o processo de industrialização, que depende da entrega de insumos na lógica do sistema just in time. (“produção enxuta, por demanda”). Conforme se afere dos contratos ora anexados (doc. 5), tais serviços consistem na gestão inteligente do fornecimentos de bens a serem aplicados no processo produtivo. Não se trata, pois, de meros serviços de movimentação e controle de estoques, como pareceu entender a fiscalização. O que essa pessoa jurídica fornece é a otimização do processo industrial, serviço diretamente ligado à produção e cujo fator intelectual é preponderante. Esse tipo de serviço, sobretudo no setor econômico em que atua a contribuinte, é fundamental. Portanto, não há como afastar a sua natureza de insumo e, via de conseqüência, de gasto passível de creditamento, eis que se trata de serviço essencial e diretamente vinculado à produção, inclusive qualificado como verdadeiro custo de produção para as quais a jurisprudência administrativa permite, há muito, o desconto de créditos; Item 3.3 do TVF. Somente foram admitidas para efeito de creditamento a água aplicada nos processos industriais de “têmpera” e “lavagem e prova Fl. 1471DF CARF MF Impresso em 18/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/09/2014 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 03/ 09/2014 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 18/09/2014 por MERCIA HELENA TRAJA NO DAMORIM Processo nº 13603.724510/201190 Resolução nº 3802000.234 S3TE02 Fl. 1.472 7 hídrica”, pois somente nesses casos haveria o contato direito com o bem produzido. A água empregada nos outros dois processos industriais, os de “pintura” e “usinagem”, não teria tal natureza. Contudo, a fiscalização glosou os créditos não apenas quanto aos dois últimos processos, mas em relação a todos eles, sob o argumento de que a contribuinte não soube precisar a quantidade de água empregada em cada um desses processos, o que intensifica o absurdo da autuação. É que não há dúvida que a água empregada em todos esses quatro processos permite o aproveitamento de créditos de PIS/Cofins, porque se encaixa no conceito de insumo e é empregada, de forma essencial, na produção, descabendo a exigência de contato físico direto com os produtos fabricados, consoante jurisprudência do CARF e julgados dos Tribunais Regionais Federais e do Superior Tribunal de Justiça; Item 3.4 do TVF. O fato de a transferência de bens entre estabelecimentos da pessoa jurídica não se caracterizar, propriamente, como uma operação de venda, nada tem a ver com a sua aptidão a gerar créditos de PIS/Cofins, sendo relevante apenas a sua qualificação como insumo, isto é, a sua essencialidade para o processo de produção, conforme já reiterado. E transportar as mercadorias entre os diversos estabelecimentos é fundamental para o curso regular das operações da pessoa jurídica principalmente por dois motivos: (a) A contribuinte possui um variado portfólio, provendo máquinas e equipamentos de marcas distintas (“Case”, “New Holland”, “Kobelco” e “Steyr”, por exemplo) para setores do mercado também díspares (de agricultura e construção civil, sobretudo), mas suas plantas industriais não estão preparadas para fabricarem todos esses produtos, até porque, aliás, isso demandaria investimentos de elevadíssima monta. Mormente pela variedade de estabelecimentos em todo o país, que também operam como centros de venda, fornecendo todos os produtos da marca, há necessidade de manutenção de estoques, segundo as condições do mercado, mesmo para aquelas mercadorias que não são fabricadas no próprio estabelecimento, de modo que valores consideráveis são gastos no transporte de mercadorias entre os estabelecimentos da pessoa jurídica e (b) São produzidas máquinas e equipamentos pesados, os quais gozam de particularidades quanto à sua estocagem, sobretudo pelos grandes e diferenciados tamanhos. É possível, por isso, que devido a uma queda nas vendas, por exemplo, determinado estabelecimento fique sem espaço para alocar a sua produção, o que tornará necessária a busca por outras unidades. Nessas situações é desejável que seja feita a transferência para outro estabelecimento, pois a locação de espaços para tal pode se mostrar excessivamente onerosa muito em virtude das elevadas dimensões dos bens produzidos. Além disso, os fretes em exame são despesas vinculadas ao processo de produção, o que reforça a possibilidade de creditamento. De fato, até que as mercadorias produzidas sejam efetivamente alienadas não há falar em encerramento da atividade industrial, mesmo porque o objetivo de qualquer pessoa jurídica é vender (obter receitas). Com efeito como este é o fato gerador de PIS/Cofins (as receitas), todo gasto com os produtos até que elas sejam auferidas deve ser considerado insumo. Julgados do CARF e do Superior Tribunal de Justiça corroboram essa tese; Item 3.5 do TVF. Ainda que não goze de previsão legal, é assente na jurisprudência administrativa que o frete pago na aquisição de bens necessários ao desenvolvimento da atividade industrial permite o creditamento. Cita a Solução de Consulta nº 156, de 19/09/2008, da SRRF/6a RF. Deveras, considerando a materialidade do PIS/Cofins, bem assim o atual entendimento jurisprudencial sobre o tema, quaisquer custos de aquisição devem autorizar o desconto de créditos; Fl. 1472DF CARF MF Impresso em 18/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/09/2014 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 03/ 09/2014 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 18/09/2014 por MERCIA HELENA TRAJA NO DAMORIM Processo nº 13603.724510/201190 Resolução nº 3802000.234 S3TE02 Fl. 1.473 8 Item 3.6 do TVF. Entendeu o fisco que o seguro, normalmente destacado, que compõe o frete pago na aquisição de insumos deveria ter sido descontado da apuração dos créditos, de sorte que a recorrente não poderia ter se creditado com base no valor total do Conhecimento de Transporte Rodoviário de Cargas CTRC, como ocorreu. O seguro do transporte não é custeado pela recorrente, mas sim pela própria transportadora, a verdadeira e única contratante desse serviço. O destaque no CTRC é apenas uma exigência legal instituída para permitir a identificação da composição do frete. O RICMS/MG, em seu art. 81, inciso XIII, trata o seguro como “valores dos componentes do frete”. O seguro, portanto, foi avençado pela transportadora, que apenas informa o seu respectivo valor em atendimento ao regramento legal. No caso, a recorrente pagou apenas pelo transporte e, sendo o frete na aquisição de insumos passível de creditamento, agiu de forma acertada ao calcular seus créditos sobre o valor total do CTRC, que é o efetivo valor do frete. Ainda que se entenda o contrário, o crédito afigurase legítimo em virtude de equivaler ao “custo de aquisição”. O art. 289 do RIR autoriza o aproveitamento do crédito em relação a quaisquer custos de aquisição. Cita a Solução de Consulta nº 156, de 19/09/2008, da SRRF/6a RF. Assim, sendo os seguros, igualmente, um “custo de aquisição”, conforme art. 289, § 1o do RIR, cabível o creditamento quanto a eles; Item 3.7 do TVF. Essa glosa decorreu da ausência de vinculação de boa parte dos fretes aos respectivos insumos adquiridos. Estornouse, então, praticamente todo o crédito de fretes do período, exceto aqueles tratados nos itens anteriores, que tiveram análise própria e apartada. Para que não haja dúvidas quanto ao seu direito a recorrente requer, desde já, a realização de diligência fiscal e perícia contábil para que tal vinculação seja verificada. Para tanto, comprometese, inclusive, a trazer aos autos todas as informações e documentos correspondentes, o que apenas não faz agora, com esta defesa, e não fez durante o procedimento fiscal, em razão do seu extensíssimo volume – entre janeiro de 2008 e setembro de 2010 foram realizadas quase 800 mil operações de aquisição de mercadorias. De qualquer forma, por ocasião de suas respostas à fiscalização, demonstrou, para aproximadamente 20% das referidas operações (mais um menos 140 mil), que quase 90% dos fretes pagos no aludido interregno se referiam à compra de insumos. Por isso, na eventualidade de não se permitir a juntada desses documentos, propugna pela homologação proporcional desses créditos, sob pena de perpetuação de exigência fiscal claramente desproporcional e ilegítima; Item 4.2 do TVF. Os créditos utilizados como base dos PER/Dcomp ora examinados, e também daqueles outros apresentados no período fiscalizado, decorreram de aquisições realizadas no mercado interno e no exterior. No entanto, para a fiscalização, os créditos advindos da importação de mercadorias citadas no art. 17 da Lei nº 10.865, de 2004, não poderiam ter sido utilizados para efeito de ressarcimento e compensação, segundo a qual apenas as importações amparadas pelo art. 15 da aludida lei é que permitiriam tais procedimentos, haja vista a literalidade do art. 16. Porém, não há regramentos distintos para os créditos de importações, que estariam nos mencionados arts. 15 e 17. Na verdade, todo o creditamento de PIS/Cofins – Importação deriva do art. 15 da Lei nº 10.865, de 2004, que seria o equivalente funcional dos arts. 3o das Leis nº 10.637, de 2002 e nº 10.833, de 2003, que tratam de créditos no mercado interno. O art. 17 é apenas uma complementação ao art. 15 e será aplicado somente em alguns casos, e em conjunto com o art. 15. A função do art. 17 é, exclusivamente, tratar das situações em que o recolhimento de PIS/Cofins nãocumulativo deixa de ser feito com base nas alíquotas de 1,65% e 7,6% e Fl. 1473DF CARF MF Impresso em 18/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/09/2014 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 03/ 09/2014 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 18/09/2014 por MERCIA HELENA TRAJA NO DAMORIM Processo nº 13603.724510/201190 Resolução nº 3802000.234 S3TE02 Fl. 1.474 9 passa a contemplar alíquotas diferenciadas, nos casos de aplicação do “regime monofásico” ou alíquotas específicas para alguns derivados de petróleo. A contrario sensu, a única situação em que o art. 15 não se aplica aos produtos e serviços tratados no art. 17 é, justamente, quando cuida da quantificação do crédito. Ou seja, o art. 17 não vem trazer regulação especial para os créditos de produtos específicos, de forma a excluir a aplicação do art. 15. Tanto que do seu § 8o consta que “(...) disposto neste artigo alcança somente as pessoas jurídicas de que trata o art. 15 desta Lei...”. Portanto, o art. 15 fundamenta e se aplica a todo crédito decorrente de importações, incidindo o art. 17, eventual e conjuntamente, apenas para tratar de sua quantificação. Assim, havia direito de utilização de créditos dos bens mencionados no art. 17 em PER/Dcomp, alterando apenas a alíquota do crédito, que será maior em razão da natureza do produto. A própria Secretaria da Receita Federal do Brasil abona essa conclusão (Acórdão nº 3803000.885, de 27/10/2010, do CARF). Interpretação distinta representaria grave ofensa à isonomia tributária, uma vez que importadoras e pessoas jurídicas em geral estariam submetidas a tratamentos fiscais distintos, sem qualquer justificação. Na verdade, a situação das importadoras de bens regulados pelo art. 17 ficaria ainda pior: além de arcarem com alíquotas majoradas (em razão do regime monofásico), teriam o seu direito de crédito excessivamente limitado. Essa violação é desconfortavelmente contraditória, uma vez que o objetivo da Lei nº 10.865, de 2004, foi justamente, segundo sua exposição de motivos, introduzir “(...) um tratamento tributário isonômico entre os bens e serviços produzidos internamente e os importados...” Daí advém ainda o desrespeito às regras da proporcionalidade e razoabilidade, afinal, qual seria a razão jurídica para se permitir a utilização de créditos de importação em PER/Dcomp e excluir, ao mesmo tempo, esse direito daquelas operações abarcadas pelo art. 17? Razão não há, estando claro que o exame da legislação não autoriza a exegese levada a efeito pela autoridade fiscal, pelo que deve ser descartada; Item 4.3 do TVF. Foram reposicionados parcelas dos créditos de importação aproveitados em PER/Dcomp ao argumento de que estes, por se originarem do mercado externo, somente poderiam ser utilizados no final do respectivo trimestrecalendário. O procedimento teve efeito nefasto e desproporcional: vários dos débitos compensados, no período autuado, ficaram descobertos, passando a ser exigidos, integral ou parcialmente, com o acréscimo de juros e multa. Entretanto, como os créditos foram deslocados para o último mês do trimestre correspondente, neste terceiro mês havia saldo suficiente para homologar, ainda que em parte, as compensações realizadas nos dois primeiros meses. Desse modo, caso se entenda por validar tal procedimento, os acréscimos legais somente se referem ao atraso de um ou dois meses, isto é, aquele decorrente da espera até o fim do trimestre; Erros de cálculo. Em cada mês em que os créditos foram recalculados ocorreram impropriedades na quantificação desses créditos, consoante exemplos a seguir. (a) Ressarcimento de Cofins abril a junho de 2008 (PER/Dcomp nº 41058.12544.220708.1.1.099018 e nº 33371.36444.290710.1.7.098945). Somente foi considerado o montante ressarcível de junho de 2008 e não o total da parcela relativa ao trimestre. Ou seja, não foi feita a recomposição do crédito relativo ao ressarcimento (não foi feito o reposicionamento). Caso tivesse sido feita a recomposição, o valor passível de ressarcimento seria de R$ 3.267.967,06 e não R$ 3.075.278,21, o que gerou uma diferença de R$ 192.688,85, que é superior ao necessário para quitar os débitos vinculados ao crédito deste período. Além disso, no quadro “Créditos de Compensação Utilizados (CCU)/CTs – Valor utilizado valorado de Fl. 1474DF CARF MF Impresso em 18/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/09/2014 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 03/ 09/2014 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 18/09/2014 por MERCIA HELENA TRAJA NO DAMORIM Processo nº 13603.724510/201190 Resolução nº 3802000.234 S3TE02 Fl. 1.475 10 acordo com o tipo de crédito” há valores que divergem daqueles cuja compensação foi solicitada por meio de PER/Dcomp originais. Todos esses PER/Dcomp foram retificados o que leva a crer que a última versão sobrepôs a primeira, fazendo com que os débitos fossem compensados com multa e juros. É de se notar que a data da transmissão original estava dentro do período para recolhimento (antes da data de vencimento) e que não houve aumento do débito compensado, somente redução (fl.139). (b) Ressarcimento de Cofins outubro a dezembro de 2008 (PER/Dcomp nº 11240.95939.300109.1.5.090408). Somente foi considerado o montante ressarcível de dezembro de 2008 e não o total da parcela relativa ao trimestre. Ou seja, não foi feita a recomposição do crédito relativo ao ressarcimento (não foi feito o reposicionamento). Caso tivesse sido feita a recomposição, o valor passível de ressarcimento seria de R$ 7.642.847,66 e não R$ 6.352,123,81, o que gerou uma diferença de R$ 1.290.723,85, que é superior ao necessário para quitar os débitos vinculados ao crédito deste período (fl. 140). (c) Ressarcimento de Cofins julho a setembro de 2010 (PER/Dcomp nº 19382.21408.281010.1.1.090687). Não foi feita a recomposição do crédito relativo ao ressarcimento (não foi feito o reposicionamento). Caso tivesse sido feita a recomposição, o valor passível de ressarcimento seria de R$ 6.541.682,26 e não R$ 6.201.733,66, o que gerou uma diferença de R$ 339.948,90, que é superior ao necessário para quitar os débitos vinculados ao crédito deste período (fl. 141). (d) Ressarcimento de Cofins abril de 2010 (PER/Dcomp nº 02755.47816.300610.1.3.094563). O fisco partiu de montante de créditos de mercado externo diferente daquele que consta no PER/Dcomp, sendo considerado o montante de R$ 3.153.956,33, enquanto que o valor solicitado é de R$ 5.916.155,44. Caso tivesse usado o valor constante do PER/Dcomp, o valor passível de ressarcimento seria de R$ 5.511.341,71 e não R$ 2.749.142,61, o que gerou uma diferença de R$ 2.762.199,10, que é superior ao necessário para quitar os débitos vinculados ao crédito deste período (fl. 141). Esses erros, que são verificados em todas as competências, são inclusive bastantes para que se decrete a nulidade do procedimento fiscal e do TVF ora contestado. De todo modo, caso assim não se entenda, requerse, desde já, a realização de diligência fiscal e perícia contábil para que os referidos equívocos sejam definitivamente comprovados. Para tanto, comprometese, inclusive, a trazer aos autos todas as informações e documentos correspondentes, o que apenas não faz agora, com esta defesa, em razão do exíguo tempo para recorrer, posto que são mais de 200 PER/Dcomp envolvidos, que devem ser revistos em todos os critérios apontados pela fiscalização, alguns deles complexos; Em 20/08/2012, a contribuinte juntou aos autos mídia em CD com o que entende ser as informações necessárias para que seja verificada a vinculação dos fretes autuados no item 3.7 do TVF com a compra de insumos, de modo a comprovar a legitimidade dos créditos aproveitados sobre tais despesas (fretes na aquisição de insumos). Ao final, requer a contribuinte: a) o julgamento conjunto dos processos, haja vista a identidade da argumentação de defesa; b) a nulidade do procedimento fiscal e de seus correspondentes frutos, o TVF e os despachos decisórios proferidos neste e nos demais processos que tratam do mesmo assunto; c) a realização de diligência fiscal e perícia contábil com o objetivo de vincular os fretes pagos às mercadorias a esses correspondentes ou, caso assim não se entenda, ao menos o reconhecimento proporcional das vinculações, conforme demonstrado; d) o reconhecimento da existência de todos os créditos de PIS/Cofins utilizados pela interessada nos pedidos de ressarcimento e compensação vinculados ao MPFF n.º: 06.1.10.002011004273, transmitidos entre janeiro de 2008 e setembro de 2010, com o conseqüente deferimento e Fl. 1475DF CARF MF Impresso em 18/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/09/2014 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 03/ 09/2014 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 18/09/2014 por MERCIA HELENA TRAJA NO DAMORIM Processo nº 13603.724510/201190 Resolução nº 3802000.234 S3TE02 Fl. 1.476 11 homologação de todos os PER/Dcomp objetos deste processo; e) a realização de diligência fiscal e perícia contábil com o objetivo de comprovação dos equívocos e erros de cálculo mencionados; f) caso os argumentos anteriores não sejam acatados, que os erros expressamente apontados sejam definitivamente corrigidos e g) subsidiariamente, sejam decotados os juros e multas decorrentes do reposicionamento de créditos efetuados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil. A ciência da decisão que manteve em parte a exigência formalizada contra a recorrente ocorreu em 07/01/2014 (fls. 1434). Inconformada, a mesma apresentou, em 20/01/2014, o recurso voluntário de fls. 1436/1463, onde reitera os argumentos aduzidos na primeira instância na parte em que seu pleito não foi deferido, requerendo, ao final: a) o julgamento conjunto deste com os demais processos da empresa, haja vista a identidade da argumentação de defesa, nos termos do artigo 58, § 8º, do Regimento Interno do CARF; b) seja determinada a realização de diligência para os esclarecimentos referentes à glosa de créditos calculados sobre fretes (item 3.7 do TVF), diligência cuja necessidade seria reforçada diante do reconhecimento, pela DRJ, de equívocos nos cálculos promovidos; c) seja o recurso conhecido e provido, com a reforma do acórdão para que sejam restabelecidos os créditos glosados nos itens 3.1, 3.2, 3.4, 3.5 e 3.7 do TVF, bem como reconhecida a regularidade da utilização dos créditos de PIS/COFINS tratados pelo artigo 17 da Lei nº 10.865/04 (item 4.2 do TVF), e, finalmente, sejam descontados juros e multa calculados quando do reposicionamento dos créditos (item 4.3 do TVF), de modo que se refiram tãosomente ao atraso de um ou dois meses (i. é, aquele decorrente da espera até o fim do trimestre). É o relatório. Voto Da admissibilidade do recurso O recurso é tempestivo, posto que apresentado (em 20/01/2014) dentro do prazo legal de 30 dias contados da data da ciência da decisão de primeira instância (que ocorreu em 07/01/2014 conf. fls. 1434). Quanto aos demais requisitos de admissibilidade os mesmos se encontram presentes. Conheço, portanto, do recurso formalizado pelo sujeito passivo. Da matéria em litígio Conforme relatado, vêse que a contenda envolve a homologação parcial de pedidos de compensação da interessada onde o direito creditório reclamado diz respeito a saldo credor de COFINS, direito o qual foi glosado em parte, permanecendo em litígio as questões relativas ao cômputo de créditos calculados sobre: Fl. 1476DF CARF MF Impresso em 18/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/09/2014 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 03/ 09/2014 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 18/09/2014 por MERCIA HELENA TRAJA NO DAMORIM Processo nº 13603.724510/201190 Resolução nº 3802000.234 S3TE02 Fl. 1.477 12 a) bens destinados ao ativo imobilizado e não utilizados na produção (item 3.1 do Termo de Verificação Fiscal – TVF); b) serviços não empregados diretamente na industrialização (item 3.2 do TVF); c) fretes decorrentes da transferência de produto acabado entre estabelecimentos da interessada (item 3.4 do TVF); d) fretes pelo transporte de mercadorias destinadas ao ativo imobilizado ou a uso e consumo (item 3.5 do TVF); e, e) fretes pelo transporte de mercadorias não identificadas (item 3.7 do TVF). Também necessita ser analisada a reclassificação de créditos objeto do item 4.2 do Termo de Verificação Fiscal, segundo o qual, em virtude do artigo 16 da Lei nº 11.116/20051, apenas os créditos de importação elencados no art. 15 da Lei nº 10.865/2004 seriam passíveis de ressarcimento ou de compensação. Assim, em relação aos créditos enquadrados no artigo 17 da mesma Lei nº 10.865/2004 – que remete às importações de produtos objeto do § 3º do artigo 8º da Lei em tela2 (dentre outros) – estes, por falta de previsão legal, não poderiam ser objeto de ressarcimento ou de compensação, apesar da possibilidade de desconto em relação aos débitos. Por fim, a lide envolve também a análise quanto à possibilidade ou não de compensação de créditos de importação vinculados a receita de exportação antes do encerramento do trimestre. Todas essas questões são comuns em relação a todos os processos da empresa trazidos à pauta, razão pela qual serão examinadas em conjunto, o que atende, nessa parte, ao pleito do sujeito passivo. 1 Art. 16. O saldo credor da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins apurado na forma do art. 3º das Leis nos 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e 10.833, de 29 de dezembro de 2003, e do art. 15 da Lei nº 10.865, de 30 de abril de 2004, acumulado ao final de cada trimestre do anocalendário em virtude do disposto no art. 17 da Lei nº 11.033, de 21 de dezembro de 2004, poderá ser objeto de: I compensação com débitos próprios, vencidos ou vincendos, relativos a tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, observada a legislação específica aplicável à matéria; ou II pedido de ressarcimento em dinheiro, observada a legislação específica aplicável à matéria. Parágrafo único. Relativamente ao saldo credor acumulado a partir de 9 de agosto de 2004 até o último trimestrecalendário anterior ao de publicação desta Lei, a compensação ou pedido de ressarcimento poderá ser efetuado a partir da promulgação desta Lei. Lei nº 11.033, de 21/12/2004, Art. 17. As vendas efetuadas com suspensão, isenção, alíquota 0 (zero) ou não incidência da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS não impedem a manutenção, pelo vendedor, dos créditos vinculados a essas operações. 2 Art. 8º As contribuições serão calculadas mediante aplicação, sobre a base de cálculo de que trata o art. 7º desta Lei, das alíquotas de: [omitido] § 3º Na importação de máquinas e veículos, classificados nos códigos 84.29, 8432.40.00, 8432.80.00, 8433.20, 8433.30.00, 8433.40.00, 8433.5, 87.01, 87.02, 87.03, 87.04, 87.05 e 87.06, da Nomenclatura Comum do Mercosul NCM, as alíquotas são de: I 2% (dois por cento), para o PIS/PASEPImportação; e II 9,6% (nove inteiros e seis décimos por cento), para a COFINSImportação. Fl. 1477DF CARF MF Impresso em 18/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/09/2014 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 03/ 09/2014 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 18/09/2014 por MERCIA HELENA TRAJA NO DAMORIM Processo nº 13603.724510/201190 Resolução nº 3802000.234 S3TE02 Fl. 1.478 13 Nessa linha, ao analisar a lide, verificamos a necessidade de conversão do julgamento em diligência no tocante ao item 3.7 do Termo de Verificação Fiscal – TVF, nos termos tratados abaixo. Das glosas objeto do item 3.7 do TVF: fretes pelo transporte de mercadorias não identificadas – Necessidade de diligência Quanto às glosas em vista dos fretes pelo transporte de mercadorias não identificadas, reproduzo, abaixo, trechos do item 3.7 do Termo de Verificação Fiscal: Como demonstrado anteriormente, a possibilidade de creditamento nos casos em que se entende a despesa com frete como um serviço utilizado como insumo na prestação de serviço ou na produção de um bem (inciso II do artigo 3º da Lei nº 10.637/2002 e inciso II do artigo 3º da Lei nº 10.833/2002), depende da identificação do insumo transportado. Em outras palavras, apenas os fretes associados a bens tidos como insumos no âmbito do PIS e da COFINS é que dão direito a créditos; assim, caso a pessoa jurídica adquira um bem de pessoa física, o transporte deste bem, mesmo feito por pessoa jurídica domiciliada no país, não gera direito a crédito; do mesmo modo, caso o bem transportado não dê direito a crédito, também não haverá créditos relacionados com as despesas de fretes. Não havendo informação, na Escrituração Fiscal, das notas fiscais dos bens considerados como insumos associados aos fretes, lavrouse em 14/09/2011, o Termo de Intimação nº 0617/2011, a fim de que o contribuinte associasse, nota fiscal por nota fiscal, os fretes com as mercadorias transportadas, mediante a elaboração de três arquivos distintos, devendose observar layout específico para tanto. Vencido o prazo inicial em 04/10/2011, o contribuinte solicitou prazo adicional de vinte dias, por nós deferido. Em 24/10/2011, a empresa apresentou apenas dados parciais, e requereu mais algum tempo para terminar a feitura dos arquivos. Numa última oportunidade, estendemos por mais quinze dias o prazo final. Na data aprazada, o sujeito passivo entregou os arquivos, os quais, porém, não possuíam todos os vínculos necessários à identificação das mercadorias conduzidas em cada serviço de transporte. [...] No caso em tela, essencial era a vinculação entre as despesas de frete e os insumos pretensamente adquiridos, o que deveria ser possível por intermédio do arquivo de vínculos, que possuía tanto a identificação das notas fiscais de fretes como a identificação das notas fiscais de compra ou venda de mercadorias. Entretanto, nos arquivos entregues em 08/11/2011, anexos ao processo, duas falhas foram observadas: por um lado, notas fiscais de transporte relacionadas no arquivo “Arquivo de CTRC.txt” não foram encontradas no “Arquivo de Vínculos.txt”; por outro, notas fiscais de mercadorias indicadas no arquivo de vínculos não foram encontradas no “Arquivo de NF.txt”, nem na Escrituração Fiscal. Estas duas irregularidades foram relacionadas, respectivamente, nos demonstrativos “Notas Fiscais de Fretes não Associadas à Tabela de Vínculos” e “Notas Fiscais de Mercadorias não Encontradas na Escrituração Fiscal”, em anexo. A título de exemplo, tomemos uma das diversas notas fiscais não encontradas, de forma a verificar a necessidade de se realizar o elo entre as notas fiscais de transporte e as notas fiscais de mercadorias: o Conhecimento Fl. 1478DF CARF MF Impresso em 18/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/09/2014 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 03/ 09/2014 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 18/09/2014 por MERCIA HELENA TRAJA NO DAMORIM Processo nº 13603.724510/201190 Resolução nº 3802000.234 S3TE02 Fl. 1.479 14 de Transporte Rodoviário de Cargas nº 005595, série única, emitido pela Transportadora Rodomeu Ltda, em anexo. Tratase de um documento relativo ao transporte de mercadorias importadas da CNH America LLC, do porto de Santos até a filial de Curitiba, cujo valor total somava R$ 65.741,50. Tal creditamento é vedado pela RFB, conforme dispõem várias consultas emitidas pelo órgão, entre as quais a Solução de Consulta nº 84, da SRRF 07/DISIT, de 20/08/2010, cuja ementa reproduzimos abaixo: “CRÉDITO. FRETE NA AQUISIÇÃO DE INSUMOS IMPORTADOS. O direito ao crédito a que se refere o art. 3º da Lei nº 10.833, de 2003, aplicase, exclusivamente, em relação aos bens e serviços adquiridos de pessoa jurídica domiciliada no País e aos custos e despesas incorridos, pagos ou creditados a pessoa jurídica domiciliada no País. O desconto de créditos, no caso de importações sujeitas ao pagamento da CofinsImportação, sujeitase ao disposto nos arts. 7º e 15, § 3º, da Lei nº 10.865, de 2004, que determinam que a base de cálculo desses créditos corresponde ao valor aduaneiro acrescido do valor do IPI vinculado à importação, quando integrante do custo de aquisição. Assim, o frete pago para transportar bens importados, empregados como insumos em processo produtivo, do local do desembaraço até o estabelecimento fabril do contribuinte não gera direito a crédito da COFINS, por não fazer parte de sua base de cálculo, nos termos da legislação em vigor.” (grifo nosso) Deste modo, é forçoso concluir que a falta de vinculação entre os fretes e as mercadorias transportadas impede a constatação não só da irregularidade acima descrita, mas de quaisquer outras que a empresa porventura tenha cometido. [...] Cabe registrar que tais créditos foram lançados a débito das contas 144238 PIS a recuperar insumos e 144239 COFINS a recuperar – insumos, e que, no caso do demonstrativo “Notas Fiscais de Mercadorias não Encontradas na Escrituração Fiscal”, todo o valor das contribuições creditadas a um determinado CTRC deve ser glosado, visto que a falta de determinada associação impede o cálculo do valor creditado proporcionalmente. (os destaquem em negrito não constam do original) Extraise dos trechos destacados acima (em negrito) que a motivação adotada pela fiscalização para a glosa dos créditos calculados sobre os fretes foi, essencialmente, a impossibilidade de vinculação “entre as despesas de frete e os insumos pretensamente adquiridos”, ou seja, entre os CTRC (Conhecimento de Transporte Rodoviário de Cargas) e as notas fiscais de entrada dos insumos. A ausência desse vínculo impediu a autoridade administrativa de examinar se referidas despesas com fretes poderiam realmente ser admitidas como “um serviço utilizado como insumo na prestação de serviço ou na produção de um bem”. Decerto, “apenas os fretes associados a bens tidos como insumos no âmbito do PIS e da COFINS é que dão direito a créditos”, muito embora a autoridade administrativa tenha afirmado, posteriormente, que é vedado o creditamento pelo frete pago para transportar bens importados empregados como insumos do processo produtivo. Segundo a defesa apresentada pelo sujeito passivo: “[...] se há créditos de insumos, por exemplo, já reconhecidos para o período, é corolário lógico que haja, também, créditos referentes a seus correlatos fretes”. Ressalta ainda a reclamante que “a maioria Fl. 1479DF CARF MF Impresso em 18/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/09/2014 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 03/ 09/2014 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 18/09/2014 por MERCIA HELENA TRAJA NO DAMORIM Processo nº 13603.724510/201190 Resolução nº 3802000.234 S3TE02 Fl. 1.480 15 esmagadora de tais fretes se refere a notas ficais cujos CFOPs são os seguintes: [...] 1.101: Compra para industrialização ou produção rural [...] 2.101: Compra para industrialização ou produção rural. [...] 5.101: SAÍDAS OU PRESTAÇÕES DE SERVIÇOS PARA O ESTADO”. Ainda segundo a recorrente: Os CFOPs das notas fiscais são provas cabais de que os correspondentes fretes autorizavam o creditamento. Os CFOPs ns. 1.101 e 2.101 se referem, como se pôde verificar, à aquisição de insumos, caso em que, tendose em vista os termos do art. 3º, inciso II, das Leis ns. 10.637/02 e 10.833/03, o crédito é indubitavelmente permitido. É como se posiciona a própria Receita Federal, aliás. Vejase um exemplo: “(...) FRETE NA AQUISIÇÃO. CUSTO DE PRODUÇÃO. O valor do frete pago a pessoa jurídica domiciliada no País na aquisição de matéria prima, material de embalagem e produtos intermediários compõe o custo destes insumos para fins de cálculo do crédito a ser descontado da Cofins.” (Solução de Consulta n. 197, de 16 de Agosto de 2011 – sem destaques no original) Já quanto ao CFOP n. 5.101, o creditamento ainda é mais evidente: segundo o inciso IX do citado art. 3º, o “frete na operação de venda” autoriza o desconto de créditos das mencionadas contribuições sociais. É importante reiterar que a Recorrente, logo após a Impugnação, fez a prova que havia sido reclamada pela DRF e que a DRJ afirmou ter sido realizada. A Recorrente elaborou, como dito, planilha detalhada, com mais de 50 mil linhas, na qual indicou, uma a uma, nota fiscal autuada e respectivo CTRC. É por meio dessa planilha, pois, que se poderia ver que a maior parte dos fretes autuados se referia a situações em que o creditamento estava claramente autorizado. Sobre a planilha reportada e demais argumentos suscitados pelo sujeito passivo, asseverou a instância recorrida, verbis: 9. FRETES. FALTA DE IDENTIFICAÇÃO DAS MERCADORIAS TRANSPORTADAS. ITEM 3.7 DO TVF. Diante da ausência de informação, na escrituração fiscal, das notas fiscais dos bens considerados insumos associados ao frete, a contribuinte foi intimada a associar, nota fiscal de compra ou venda por nota fiscal de frete, os fretes com as mercadorias transportadas, mediante a elaboração de três arquivos distintos. Após algumas prorrogações, a recorrente apresentou a documentação solicitada, que, contudo, não apresentava todos os vínculos necessários à identificação das mercadorias transportadas. Ponderou a autoridade fiscal que a falta de vinculação entre fretes e mercadorias transportadas, além de impedir o creditamento, também impede a constatação de apropriações irregulares de crédito feitas pela interessada, a exemplo de frete pago para transporte de bens importados, empregados como insumos, do local de desembaraço até o estabelecimento fabril. Suscita a interessada, quanto ao tema, que a glosa decorreu da ausência de vinculação de boa parte dos fretes aos respectivos insumos adquiridos, estornandose, então, praticamente todo o crédito de fretes do período, exceto aqueles tratados nos itens anteriores, que tiveram análise própria e apartada. Fl. 1480DF CARF MF Impresso em 18/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/09/2014 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 03/ 09/2014 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 18/09/2014 por MERCIA HELENA TRAJA NO DAMORIM Processo nº 13603.724510/201190 Resolução nº 3802000.234 S3TE02 Fl. 1.481 16 Solicita, para que não hajam dúvidas quanto ao seu direito a realização de diligência fiscal e perícia contábil para que tal vinculação seja verificada. Para tanto, comprometese, inclusive, a trazer aos autos todas as informações e documentos correspondentes, o que apenas não faz agora, com esta defesa, e não fez durante o procedimento fiscal, em razão do seu extensíssimo volume – entre janeiro de 2008 e setembro de 2010 foram realizadas quase 800 mil operações de aquisição de mercadorias. De qualquer forma, afirma, por ocasião de suas respostas à fiscalização, demonstrou, para aproximadamente 20% das referidas operações (mais ou menos 140 mil), que quase 90% dos fretes pagos no aludido interregno se referiam à compra de insumos. Por fim, na eventualidade de não se permitir a juntada desses documentos, a recorrente propugna pela homologação proporcional desses créditos, sob pena de perpetuação de exigência fiscal claramente desproporcional e ilegítima. A contribuinte juntou aos autos mídia em CD, incluindo as informações que entendeu necessárias para o restabelecimento desses créditos, a qual foi convertida em documentos anexados aos autos. Examinando esses documentos, podese observar que se trata de planilha contendo dados dos CTRC objetos da fiscalização (código CTRC, CTRC, data de emissão, data fiscal, código, ID, razão social e CNPJ) e dados da nota fiscal vinculada (número, série, data de emissão, data fiscal, código e CNPJ). Não obstante, do exame dessa planilha não resta comprovada a vinculação pretendida pela recorrente. Para tanto, faziase necessário que fossem juntados, além da própria planilha, ao menos cópias dos documentos fiscais nela mencionados. Isso, entretanto, não se fez. Em adição, podese observar que a aludida planilha apresenta mais de 50.000 linhas com dados para verificação, enquanto que a interessada, ao trazêla aos autos, limitouse a requerer fosse verificada a vinculação dos fretes autuados no item 3.7 com a compra de insumos. Ocorre que o ônus de prova do direito ao creditamento é da contribuinte, como adiante se melhor verá, a quem competia, no mínimo, apontar ou indicar as linhas das operações que entende serem passíveis de dedução e não simplesmente pretender transferir esse ônus, que é seu, para o fisco. Ressaltese que, para fins de creditamento, a legislação exige que o crédito seja líquido e certo. Não obstante, também não restou comprovada a alegação de que para aproximadamente 20% das referidas operações, quase 90% dos fretes pagos no aludido interregno se referiam à compra de insumos. Por conseguinte, cumpre manter as glosas quanto a este item. (grifos nossos) Sobre a questão, com a devida vênia, penso que a DRJ não caminhou da melhor forma. A leitura que faço dos argumentos acima reproduzidos, proferidos pela instância a quo, é a de que esta não examinou adequadamente a documentação e os argumentos apresentados pelo sujeito passivo. Isso porque a planilha “[...] de mais de 50.000 linhas com dados para verificação [...]”, onde a interessada alega que “[...] para aproximadamente 20% das referidas operações, quase 90% dos fretes pagos no aludido interregno se referiam à Fl. 1481DF CARF MF Impresso em 18/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/09/2014 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 03/ 09/2014 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 18/09/2014 por MERCIA HELENA TRAJA NO DAMORIM Processo nº 13603.724510/201190 Resolução nº 3802000.234 S3TE02 Fl. 1.482 17 compra de insumos [...]”, não foi efetivamente apreciada pela instância recorrida, como se vê dos trechos grifados no excerto reproduzido acima. Como a própria DRJ afirma, o documento acostado aos autos pela reclamante “trata de planilha contendo dados dos CTRC objetos da fiscalização (código CTRC, CTRC, data de emissão, data fiscal, código, ID, razão social e CNPJ) e dados da nota fiscal vinculada (número, série, data de emissão, data fiscal, código e CNPJ)”. Tais informações, entendo, podem sim subsidiar o necessário exame para verificar se existe ou não vínculo entre os fretes e as mercadorias transportadas. No mais, não me parece razoável exigir a apensação aos autos de cópia de mais de 800 mil documentos e, dada a não anexação deles, concluir que o sujeito passivo negligenciou com o ônus probatório. Da conclusão Diante do exposto, voto para converter o julgamento em diligência para que a unidade de origem, diante dos registros apresentados pelo sujeito passivo e os correspondentes documentos neles referenciados, apure os créditos do PIS e da COFINS nos casos em que os mesmos, realmente, correspondem a fretes pela aquisição de insumos, conforme metodologia que entender mais adequada para tanto. Sala de Sessões, em 19 de agosto de 2014. (assinado digitalmente) Francisco José Barroso Rios Relator Fl. 1482DF CARF MF Impresso em 18/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/09/2014 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 03/ 09/2014 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 18/09/2014 por MERCIA HELENA TRAJA NO DAMORIM
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