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Numero do processo: 13802.004243/95-86
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jun 28 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Tue Jun 28 00:00:00 UTC 2011
Ementa: Sem texto de Ementa.
Numero da decisão: 1202-000.553
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, acolher
parcialmente os embargos opostos, para suprir a omissão apontada e fazer constar do relatório do Acórdão embargado a ementa suprimida sem, contudo, alterar a decisão consubstanciada no Acórdão nº 120200.088, sessão de 18/06/2009.
Nome do relator: ORLANDO JOSE GONCALVES BUENO
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decisao_txt : Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, acolher parcialmente os embargos opostos, para suprir a omissão apontada e fazer constar do relatório do Acórdão embargado a ementa suprimida sem, contudo, alterar a decisão consubstanciada no Acórdão nº 120200.088, sessão de 18/06/2009.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 5; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1942; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C4T1 Fl. 1 1 0 S1C4T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 13802.004243/95 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 1202000.553 – 2ª Turma / 2ª Câmara Data 28 de junho de 2011. Assunto Embargos de Declaração Recorrente NAVE GUIA EMPREENDIMENTOS E PARTICIPAÇÕES LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, acolher parcialmente os embargos opostos, para suprir a omissão apontada e fazer constar do relatório do Acórdão embargado a ementa suprimida sem, contudo, alterar a decisão consubstanciada no Acórdão nº 120200.088, sessão de 18/06/2009. (documento assinado digitalmente) Carlos Alberto Donassolo Presidente. (documento assinado digitalmente) Orlando José Gonçalves Bueno Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: :Carlos Alberto Donassolo, Orlando José Gonçalves Bueno, Marcelo Baeta Ippolito, Maria Eliza Bruzzi Boechat , Jorge Celso Freire da Silva e Geraldo Valentim Neto. Relatório Recebidos nos termos do art. 49, § 7º, do Anexo II da Portaria MF nº 256, de 22.06.2009, que aprovou o Regimento Interno do CARF (RICARF). Tratamse de EMBARGOS DE DECLARAÇÃO (fls.354) em que o contribuinte alega OMISSÃO/CONTRADIÇÃO no Acórdão nº 120200.088, de 18 de junho de 2009, proferido pela 2ª Turma Ordinária, da 2ª Câmara desta Primeira Seção, relativamente às seguintes matérias: No tocante a omissão, sustenta a Embargante que esta consistiria na ausência de transcrição da ementa citada no Relatório, que teria sido adotada pela 1ª Turma da DRJ de Fl. 369DF CARF MF Emitido em 08/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 05/11/2011 por ORLANDO JOSE GONCALVES BUENO, Assinado digitalmente em 07 /11/2011 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 05/11/2011 por ORLANDO JOSE GONCALVE S BUENO Processo nº 13802.004243/95 Acórdão n.º 1202000.553 S1C4T1 Fl. 2 2 Salvador/BA quando julgou o lançamento procedente em parte. Aponta a omissão como constante as fls. 317. Assim, não se teria efetivada a transcrição, constando do relatório a expressão “copiar ementa”, o que evidenciaria omissão a ser sanada por meio de embargos de declaração. Sustenta, ainda, a Embargante haver contradição no julgado, o que poderia levar a interpretações divergentes a cerca da decisão prolatada, na parte que manteve o lançamento fiscal. Desta feita, o Acórdão embargado diz ter a decisão de 1ª instância sido categórica no entendimento de que o sujeito passivo teria deixado e comprovar as justificativas das operações, manifestandose no sentido de que os documentos emitidos pela pessoa jurídica não poderia ser opostos ao Fisco, isoladamente, sem outro elemento de origem externa, bem como a juntada de 62 extratos bancários. Desta feita, o Acórdão embargado menciona que a contribuinte teria evidenciado, confessadamente, sua responsabilidade pela ausência de documentação hábil e idônea para explicar a omissão de receitas descrita no Termo de Constatação nº 01, deixando de comprovar documentalmente os alegados empréstimos da empresa controlada para pagamentos à Embraer, o que não seria suficiente para elidir o trabalho fiscal de caracterização da infração, devendo assim ser mantido o lançamento quanto a este item. Contudo, ao analisar o Termo de Constatação nº 02, o Acórdão embargado dera razão à contribuinte, sob o fundamento de que não caberia o arbitramento de lucro sobre meros depósitos bancários, posto que a presunção legal somente fora criada com a Lei nº 9.430/96, sendo imprescindível para a caracterização da omissão, o levantamento de outros elementos para evidenciar sinais exteriores de riqueza, o que não teria sido verificado nos autos. Neste ponto restaria evidenciada a contradição, pois ao manter o Termo de Constatação nº 01, deixouse de aplicar a mesma regra que deu origem ao cancelamento do Termo de Constatação nº 02, já que estão diretamente relacionados. Assim, tendo sido o Termo de Constatação nº 02 cancelado, diversos depósitos exonerados se referem aos valores/recursos tomados por empréstimo, relacionados ao Termo de Constatação nº 01. Destarte, haveria contradição para a manutenção da exigência fiscal constante do Termo de Constatação nº 01. Ao final requer sejam sanadas as omissões e contradições existentes para: (i) suprir a omissão apontada, transcrevendose a ementa omitida As fls. 317; (ii) suprir a contradição apontada pela embargante, uma vez que as origens dos pagamentos dos valores consignados no Termo de Constatação n° 01 são justamente os depósitos que foram relacionados no Termo de Constatação n° 02, que fora cancelado, o que comprova que estavam diretamente relacionados, conforme demonstrado nas razões deste recurso, determinandose em conseqüência a nulidade total dos autos de infração e cancelamento dos créditos tributários IRPJ e reflexos (PIS, FINSOCIAL, COF1NS, 1RRF e CSLL), cujos lançamentos são decorrentes dos Termos de Constatação nºs. 01 e 02 de Fl. 370DF CARF MF Emitido em 08/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 05/11/2011 por ORLANDO JOSE GONCALVES BUENO, Assinado digitalmente em 07 /11/2011 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 05/11/2011 por ORLANDO JOSE GONCALVE S BUENO Processo nº 13802.004243/95 Acórdão n.º 1202000.553 S1C4T1 Fl. 3 3 07/12/1995. Da análise dos autos, entendo estarem presentes todos os requisitos de admissibilidade para apreciação pela Turma. Voto Conselheiro Relator Orlando José Gonçalves Bueno O Recurso preenche todos os requisitos de admissibilidade e dele tomo conhecimento. Inicialmente cumpre destacar que o Embargos de Declaração são espécie de recurso de fundamentação vinculada, admitidos somente nos casos expressos pelo regimento do CARF, ou seja, nos termos do artigo 65: Art. 65. Cabem embargos de declaração quando o acórdão contiver obscuridade, omissão ou contradição entre a decisão e os seus fundamentos, ou for omitido ponto sobre o qual devia pronunciarse a turma. Desta feita, mister destacar que, considerasse omissa a decisão que não se manifestar (i) sobre um pedido; (ii) sobre argumentos relevantes lançados pela parte; ou (iii) ausência de questões de ordem pública, apreciáveis de ofício, que não tenham sido suscitadas em recurso. Diante disto, a mera ausência de transcrição no relatório do voto da ementa da decisão de primeira instância não é suficiente para a oposição de Embargos de Declaração, já que não se trata de omissão de ponto que deveria ter a turma se pronunciado, ou tão pouco de omissão relativa a fundamento da decisão, mas mera supressão de informação, indiferente ao deslinde da causa. Contudo, pela boa técnica, como consta realmente as fls. 317, no relatório, a referência à ementa da decisão de primeira instância, cumpre transcrevêla, como parte integrante do relatório, eis: “Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica – IRPJ Anocalendário: 1991, 1992 Ementa: AUTO DE INFRAÇÃO. REQUISITOS. VALIDADE. Cumpridos os requisitos formais, previstos em lei, é descabida a alegação de nulidade do auto de infração. PEDIDO DE PERÍCIA. MOTIVOS. QUESITOS. É descabido o pedido de perícia que deixar de expor os motivos que o justifique, com a formulação de quesitos referentes aos exames desejados, assim como, o nome, endereço e qualificação profissional do perito. PROVA. APRESENTAÇÃO. MOMENTO. A prova documental deve ser apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que fique demonstrada a impossibilidade de Fl. 371DF CARF MF Emitido em 08/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 05/11/2011 por ORLANDO JOSE GONCALVES BUENO, Assinado digitalmente em 07 /11/2011 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 05/11/2011 por ORLANDO JOSE GONCALVE S BUENO Processo nº 13802.004243/95 Acórdão n.º 1202000.553 S1C4T1 Fl. 4 4 sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; refirase a fato ou a direito superveniente ou destinase a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos. INCONSTITUCIONALIDADE. MATÉRIA RESERVADA. A apreciação de inconstitucionalidades de atos normativos não é oponível ao órgão de julgamento administrativo, por ser matéria reservada constitucionalmente ao Poder Judiciário COMPROVAÇÃO. RECEITAS. OMISSÃO. A falta de comprovação da origem dos recursos, através de documentação hábil e idônea, revela um artifício da empresa, no intuito de omitir receitas, ocultando valores à tributação, salvo prova em contrário. MULTAS DE OFÍCIO REDUÇÃO. RETROATIVIDADE. As multas proporcionais pelos lançamentos de oficio, aplicadas sobre os tributos devidos, são reduzidas de 100% para 75% em face da aplicação do principio da retroatividade benéfica. Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins. Contribuição Social sobre o Lucro Liquido CSLL. Contribuição para o Fundo de Investimento Social — Finsocial. Sendo decorrentes dos mesmos pressupostos fáticos que motivaram o lançamento do imposto de renda da pessoa jurídica, aplicamse aos demais lançamentos os mesmos fundamentos que serviram de base para a decisão do IRPJ. Contribuição para o Programa de Integração Social PIS. EXIGÊNCIA BASEADA EM NORMAS INCONSTITUCIONAIS. IMPROCEDÊNCIA É improcedente a exigência da contribuição para o PIS com base em normas declaradas inconstitucionais, pelo Supremo Tribunal Federal, e cuja eficácia tenha sido suspensa por resolução do Senado Federal. Imposto de Renda Retido na Fonte sobre o Lucro Líquido IRRF. LANÇAMENTO. SOCIEDADE LIMITADA. CONTRATO SOCIAL. DISTRIBUIÇÃO DO LUCRO. É incabível o lançamento do Imposto de Renda Retido na Fonte sobre o Lucro Liquido da Pessoa Jurídica, constituída sob a forma de sociedade por quotas de responsabilidade limitada, quando a fiscalização não demonstrar que o contrato social prevê a distribuição automática do lucro, por ocasião do balanço. Lançamento Procedente em Parte” Fl. 372DF CARF MF Emitido em 08/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 05/11/2011 por ORLANDO JOSE GONCALVES BUENO, Assinado digitalmente em 07 /11/2011 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 05/11/2011 por ORLANDO JOSE GONCALVE S BUENO Processo nº 13802.004243/95 Acórdão n.º 1202000.553 S1C4T1 Fl. 5 5 Quanto à alegada contradição, não prospera o alegado. A contradição apta a ensejar a oposição de Embargos de Declaração, há de ser entre a decisão e os fundamentos que a ela conduziram. Neste sentido, decisão contraditória é a que traz proposições incompatíveis entre si. No presente caso, a Embargante pretende ver rediscutida a matéria de mérito através da estreita via dos Embargos de Declaração. Como já explicitado no voto integrante do Acórdão embargado, no tocante ao Termo de Constatação nº 01, não existiram elementos suficientes, aptos a provar os argumentos trazidos pela ora Embargante, havendo manifestação desta no sentido de terem sido omitidos os empréstimos tomados junto à controlada Consórcio Nacional Hiroshima S/C Ltda, o que ocasionara a ausência de registro de depósitos. Tal fato, evidenciou, confessadamente, sua responsabilidade pela ausência de documentação hábil e idônea para explicar a omissão de receitas descrita no Termo de Constatação nº 01 – Pagamentos Efetuados Não Contabilizados – Omissão de Receitas. Isto não se confunde com as razões de cancelamento do Termo de Constatação nº 02. Nesse restou consignado que não cabe o arbitramento de lucros sobre depósitos bancários, diante da inexistência, a época dos fatos, da presunção legal trazida pelo artigo 42 da Lei nº 9.430/96. No caso dos autos não haviam elementos suficientes, aptos a dar suporte para a caracterização da acusação de omissão de receitas por falta de comprovação de origem, baseado em depósitos bancários. Assim, inexistindo outros indícios que justificassem o arbitramento do lucro, como lançado pela autoridade fiscal, as exigências tributárias não poderiam ser efetuadas com base em simples depósito bancário, diante da inexistência de presunção legal. Diante de todo o exposto, voto no sentido de acolher, parcialmente, os Embargos de Declaração, para fazer constar do relatório a ementa suprimida, nos termos do voto, mantendose inalterada a decisão consubstanciada no Acórdão de nº 120200.088, de 18 de junho de 2009 desta turma e câmara. Eis como voto. (documento assinado digitalmente) Orlando José Gonçalves Bueno Fl. 373DF CARF MF Emitido em 08/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 05/11/2011 por ORLANDO JOSE GONCALVES BUENO, Assinado digitalmente em 07 /11/2011 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 05/11/2011 por ORLANDO JOSE GONCALVE S BUENO
score : 1.0
Numero do processo: 11080.003671/2003-57
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Apr 13 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Wed Apr 13 00:00:00 UTC 2011
Ementa: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física IRPF
Exercício: 1999
RESGATE DE PREVIDÊNCIA PRIVADA. RESGATE DE CONTRIBUIÇÕES. ÔNUS DA PESSOA FÍSICA.
Cabível a incidência do imposto de renda na fonte e na declaração de ajuste anual sobre os benefícios recebidos de entidade de previdência privada, alcançando, inclusive, as importâncias correspondentes ao resgate de contribuições. Não se sujeita à incidência de imposto de renda o valor correspondente ao resgate das contribuições efetuadas, cujo ônus tenha sido suportado pela pessoa física, recebido por ocasião de seu desligamento do
plano de benefícios da entidade de previdência privada que corresponder às parcelas de contribuições efetuadas no período de 01 de janeiro de 1989 a 31 de dezembro de 1995.
IRPF. DEDUÇÃO DE DEPENDENTE. NETO. NECESSIDADE DE GUARDA JUDICAL.
Para restabelecer a despesa com dependente (neto) deveria o recorrente providenciar a guarda judicial, na forma do art. 35 da Lei nº 9.250, de 1995.
Numero da decisão: 2201-001.060
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade NEGAR provimento
ao recurso.
Matéria: IRPF- ação fiscal - omis. de rendimentos - PF/PJ e Exterior
Nome do relator: EDUARDO TADEU FARAH
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ementa_s : Imposto sobre a Renda de Pessoa Física IRPF Exercício: 1999 RESGATE DE PREVIDÊNCIA PRIVADA. RESGATE DE CONTRIBUIÇÕES. ÔNUS DA PESSOA FÍSICA. Cabível a incidência do imposto de renda na fonte e na declaração de ajuste anual sobre os benefícios recebidos de entidade de previdência privada, alcançando, inclusive, as importâncias correspondentes ao resgate de contribuições. Não se sujeita à incidência de imposto de renda o valor correspondente ao resgate das contribuições efetuadas, cujo ônus tenha sido suportado pela pessoa física, recebido por ocasião de seu desligamento do plano de benefícios da entidade de previdência privada que corresponder às parcelas de contribuições efetuadas no período de 01 de janeiro de 1989 a 31 de dezembro de 1995. IRPF. DEDUÇÃO DE DEPENDENTE. NETO. NECESSIDADE DE GUARDA JUDICAL. Para restabelecer a despesa com dependente (neto) deveria o recorrente providenciar a guarda judicial, na forma do art. 35 da Lei nº 9.250, de 1995.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade NEGAR provimento ao recurso.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 5; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1776; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C2T1 Fl. 1 1 S2C2T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 11080.003671/200357 Recurso nº 163.572 Voluntário Acórdão nº 220101.060 – 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 13 de abril de 2011 Matéria IRPF Recorrente HERMÍNIO GOMES JÚNIOR Recorrida FAZENDA NACIONAL Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física IRPF Exercício: 1999 RESGATE DE PREVIDÊNCIA PRIVADA. RESGATE DE CONTRIBUIÇÕES. ÔNUS DA PESSOA FÍSICA. Cabível a incidência do imposto de renda na fonte e na declaração de ajuste anual sobre os benefícios recebidos de entidade de previdência privada, alcançando, inclusive, as importâncias correspondentes ao resgate de contribuições. Não se sujeita à incidência de imposto de renda o valor correspondente ao resgate das contribuições efetuadas, cujo ônus tenha sido suportado pela pessoa física, recebido por ocasião de seu desligamento do plano de benefícios da entidade de previdência privada que corresponder às parcelas de contribuições efetuadas no período de 01 de janeiro de 1989 a 31 de dezembro de 1995. IRPF. DEDUÇÃO DE DEPENDENTE. NETO. NECESSIDADE DE GUARDA JUDICAL. Para restabelecer a despesa com dependente (neto) deveria o recorrente providenciar a guarda judicial, na forma do art. 35 da Lei nº 9.250, de 1995. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade NEGAR provimento ao recurso. (Assinado Digitalmente) Francisco Assis de Oliveira Júnior Presidente. Fl. 1DF CARF MF Emitido em 27/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 30/04/2011 por EDUARDO TADEU FARAH Assinado digitalmente em 16/05/2011 por FRANCISCO ASSIS DE OLIVEIRA JU, 30/04/2011 por EDUARDO TADEU FARAH 2 (Assinado Digitalmente) Eduardo Tadeu Farah Relator. Participaram do presente julgamento, os Conselheiros: Pedro Paulo Pereira Barbosa, Rayana Alves de Oliveira França, Eduardo Tadeu Farah, Guilherme Barranco de Souza, Gustavo Lian Haddad e Francisco Assis de Oliveira Júnior (Presidente). Relatório Contra o contribuinte acima identificado foi lavrado Auto de Infração (fls. 121/124), relativo ao Imposto de Renda Pessoa Física, exercício 1999, na qual se apurou crédito tributário no valor total de R$ 5.181,82, calculados até março de 2003. A fiscalização, por meio de revisão da Declaração de Ajuste Anual, apurou omissão de rendimentos referente a pagamentos recebidos de entidade de previdência privada no valor total de R$ 48.190,19; deduções indevidas de dependentes, de despesas com instrução e de despesas médicas. Cientificado do lançamento, o autuado apresentou tempestivamente Impugnação, alegando, que há bitributação no resgate de contribuições à previdência privada, pois se trata de verbas de liquidação da entidade (no caso a FUCAE), sendo verbas referentes à devolução de reserva matemática. Alega ainda que o neto poderia ser dependente, pois reside com o contribuinte e sendo por ele sustentado. A 4ª Turma da DRJ – Porto Alegre/RS julgou integralmente procedente o lançamento, consubstanciado nas ementas abaixo transcritas: RESGATE DE PREVIDÊNCIA PRIVADA. INCIDÊNCIA. São tributáveis os benefícios bem com o resgate de contribuições recebidos de entidade de previdência privada, com exceção da isenção correspondente às contribuições do período de 1° de janeiro de 1989 a 31 de dezembro de 1995. DEPENDENTE. NETO. Para que o neto seja considerado dependente tributariamente é necessário que o contribuinte possua a guarda judicial dele. Lançamento Procedente Intimado da decisão de primeira instância em 22/03/2007 (fl. 133), Hermínio Gomes Júnior apresenta Recurso Voluntário em 03/04/2007 (fl. 134/154), sustentando, essencialmente, os mesmos argumentos posto em sua Impugnação, sobretudo: Isto significa que para a incidência do imposto de renda é necessário que o contribuinte adquira algum valor patrimonial que se venha acrescentar a seu patrimônio. Na síntese, a FUCAE simplesmente devolveu as reservas matemáticas pertencentes ao Impugnante. Seu efetivo titular. E a Fl. 2DF CARF MF Emitido em 27/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 30/04/2011 por EDUARDO TADEU FARAH Assinado digitalmente em 16/05/2011 por FRANCISCO ASSIS DE OLIVEIRA JU, 30/04/2011 por EDUARDO TADEU FARAH Processo nº 11080.003671/200357 Acórdão n.º 220101.060 S2C2T1 Fl. 2 3 devolução da Quota ao lmpugnante não traduz Qualquer acréscimo patrimonial. Tal devolução, não sendo fato gerador de IR, não origina a incidência do imposto sobre a renda. (...) Com efeito, não se trata de situação idêntica à daquelas pessoas que tendo contribuído a um plano de previdência privada, se retiram do fundo, sacando as contribuições. No caso em pauta, pelo contrário, o Impugnante recebeu valores que lhe pertencem (geridos pela FUCAE) em decorrência da liquidação extrajudicial da FUCAE. O IMPUGNANTE NÃO SE RETIROU DO FUNDO, O FUNDO É QUE FOI EXTINTO. (...) Não procede a aludida autuação. O neto do lmpugnante é menor de idade e vive na residência do contribuinte, com relação direta de dependência. A guarda judicial e requisito que transcende a situação de fato, que é a real relação existente no conjunto familiar que impõe o sustento do neto pelo lmpugnante. E a situação pode ser comprovada pelas diversas deduções que são efetuadas em nome do neto do lmpugnante, mais ainda por aquelas não demonstradas na declaração. Em realidade, o Impugnante sustenta o neto como seu dependente, podendo comprovar todas as despesas que efetua em beneficio desse. É o relatório. Voto Conselheiro EDUARDO TADEU FARAH, Relator O recurso é tempestivo e reúne os demais requisitos de admissibilidade, portanto, dele conheço. Segundo se colhe dos autos, a matéria em discussão, nesta segunda instância, cingese, essencialmente, na natureza do resgate de contribuições de previdência privada, bem como na glosa a título de dependente efetuada na DIRPF/1999 do recorrente. Em relação à natureza do resgate de previdência privada, ou seja, se os mesmos podem (ou não) ser considerados como isentos, impende reproduzir as normas legais que regem o assunto: Medida Provisória nº 2.15970, de 24 de agosto de 2001: Fl. 3DF CARF MF Emitido em 27/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 30/04/2011 por EDUARDO TADEU FARAH Assinado digitalmente em 16/05/2011 por FRANCISCO ASSIS DE OLIVEIRA JU, 30/04/2011 por EDUARDO TADEU FARAH 4 “Art. 7º Excluise da incidência do imposto de renda na fonte e na declaração de rendimentos o valor do resgate de contribuições de previdência privada, cujo ônus tenha sido da pessoa física, recebido por ocasião de seu desligamento do plano de benefícios da entidade, que corresponder às parcelas de contribuições efetuadas no período de 1º de janeiro de 1989 a 31 de dezembro de 1995.” Lei n.º 9.250, de 26 de dezembro de 1995: “Art. 33. Sujeitamse à incidência do imposto de renda na fonte e na declaração de ajuste anual os benefícios recebidos de entidade privada, bem como as importâncias correspondentes ao resgate de contribuições.” Instrução Normativa SRF nº 15, de 06 de fevereiro de 2001: “Art. 5º Estão isentos ou não se sujeitam ao imposto de renda os seguintes rendimentos: (...). LI valor de resgate de contribuições de previdência privada, cujo ônus tenha sido da pessoa física, recebido por ocasião de seu desligamento do plano de benefício da entidade, que corresponder às parcelas de contribuições efetuadas no período de 1º de janeiro de 1989 a 31 de dezembro de 1995.” Depreende dos excertos reproduzidos que excluise da incidência do imposto na fonte na declaração de ajuste anual o valor do resgate de contribuições de previdência privada, cujo ônus tenha sido da pessoa física recebido, por ocasião de seu desligamento do plano de benefícios da entidade, que corresponder às parcelas de contribuições efetuadas no período de 1º de janeiro de 1989 a 31 de dezembro de 1995 (MP 1.55925/98, art. 7º), inclusive a parcela correspondente à atualização monetária do respectivo encargo (ADN 14/90). Entretanto, como não se encontra nos autos comprovante discriminando o montante do valor pago a título de resgate de contribuições de previdência privada, bem como o respectivo imposto de renda retido na fonte, correspondentes às parcelas de contribuições no período de 01/01/1989 a 31/12/1995, entendo correta a conclusão da decisão de primeira instância no momento em que considerou a referida verba como tributável. Quanto a dedução com dependente o recorrente se limita a reproduzir as considerações aduzidas em sua Impugnação de que “...o neto do lmpugnante é menor de idade e vive na residência do contribuinte, com relação direta de dependência (...) a guarda judicial e requisito que transcende a situação de fato, que é a real relação existente no conjunto familiar que impõe o sustento do neto pelo lmpugnante”. Todavia, para restabelecer a despesa com dependente deveria o recorrente estar de posse da guarda judicial de seu neto, na forma do art. 35 da Lei nº 9.250, de 1995, a saber: Art. 35. Para efeito do disposto nos arts. 4º, inciso III, e 8º, inciso II, alínea c, poderão ser considerados como dependentes: I o cônjuge; Fl. 4DF CARF MF Emitido em 27/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 30/04/2011 por EDUARDO TADEU FARAH Assinado digitalmente em 16/05/2011 por FRANCISCO ASSIS DE OLIVEIRA JU, 30/04/2011 por EDUARDO TADEU FARAH Processo nº 11080.003671/200357 Acórdão n.º 220101.060 S2C2T1 Fl. 3 5 II o companheiro ou a companheira, desde que haja vida em comum por mais de cinco anos, ou por período menor se da união resultou filho; III a filha, o filho, a enteada ou o enteado, até 21 anos, ou de qualquer idade quando incapacitado física ou mentalmente para o trabalho; IV o menor pobre, até 21 anos, que o contribuinte crie e eduque e do qual detenha a guarda judicial; V o irmão, o neto ou o bisneto, sem arrimo dos pais, até 21 anos, desde que o contribuinte detenha a guarda judicial, ou de qualquer idade quando incapacitado física ou mentalmente para o trabalho; VI os pais, os avós ou os bisavós, desde que não aufiram rendimentos, tributáveis ou não, superiores ao limite de isenção mensal; VII o absolutamente incapaz, do qual o contribuinte seja tutor ou curador. (grifei) Portanto, em que pese alegue o recorrente que seu neto é de fato seu dependente, sem o termo de guarda não há como restabelecer a dedução. Ante ao exposto, voto por NEGAR provimento ao recurso. (Assinado Digitalmente) Eduardo Tadeu Farah Fl. 5DF CARF MF Emitido em 27/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 30/04/2011 por EDUARDO TADEU FARAH Assinado digitalmente em 16/05/2011 por FRANCISCO ASSIS DE OLIVEIRA JU, 30/04/2011 por EDUARDO TADEU FARAH
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Numero do processo: 10120.005710/2009-60
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Mar 31 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Wed Mar 30 00:00:00 UTC 2011
Ementa: SIMPLES NACIONAL
Ano calendário: 2009
OPÇÃO. TERMO DE INDEFERIMENTO. AUSÊNCIA DE INDICAÇÃO DOS DÉBITOS PARA COM A RECEITA FEDERAL OU PFN. NULIDADE.
É nulo o Termo de Indeferimento da Opção pelo Simples Nacional que se limite a consignar a existência de pendências perante a Receita Federal, Dívida Ativa da União ou do INSS, sem a indicação dos débitos cuja exigibilidade não esteja suspensa.
Numero da decisão: 1402-000.499
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. Ausente momentaneamente o Conselheiro Carlos Pelá.
Nome do relator: FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR
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TERMO DE INDEFERIMENTO. AUSÊNCIA DE INDICAÇÃO DOS DÉBITOS PARA COM A RECEITA FEDERAL OU PFN. NULIDADE. É nulo o Termo de Indeferimento da Opção pelo Simples Nacional que se limite a consignar a existência de pendências perante a Receita Federal, Dívida Ativa da União ou do INSS, sem a indicação dos débitos cuja exigibilidade não esteja suspensa. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. Ausente momentaneamente o Conselheiro Carlos Pelá. (assinado digitalmente) Albertina Silva Santos de Lima Presidente. (assinado digitalmente) Frederico Augusto Gomes de Alencar Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Albertina Silva Santos de Lima (Presidente de Turma), Leonardo Henrique Magalhães de Oliveira, Antonio José Praga de Souza, Carlos Pelá, Moisés Giacomelli Nunes da Silva e Frederico Augusto Gomes de Alencar. Fl. 62DF CARF MF Emitido em 28/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 28/04/2011 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALE Assinado digitalmente em 28/04/2011 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALE, 28/04/2011 por ALBERTINA SIL VA SANTOS DE LIMA Processo nº 10120.005710/200960 Acórdão n.º 140200.499 S1C4T2 Fl. 59 2 Relatório Colégio Sena Aires Ltda recorre a este Conselho contra decisão de primeira instância proferida pela 4ª Turma da DRJ Brasília/DF, pleiteando sua reforma, com fulcro no artigo 33 do Decreto nº 70.235 de 1972 (PAF). Por pertinente, transcrevo o relatório da decisão recorrida (verbis): “Tratase de manifestação de inconformidade formalizada em 23/04/2009 (fls. 01/03) em face de Termo de Indeferimento de opção pelo Simples Nacional, expedido pela Receita Federal do Brasil, com fundamento no artigo 17, inciso V, da Lei Complementar nº 123, de14 de dezembro de 2006 (débito com a Secretaria da Receita Federal do Brasil relativo a contribuições sociais previstas nas alíneas a, b e c do parágrafo único do art. 11 da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991, e das contribuições instituídas a título de substituição, cuja exigibilidade não está suspensa – fl. 04). Alega a contribuinte, em síntese, que a pendência detectada teria resultado de um equívoco no código de receita utilizado quando do pagamento, o que já foi regularizado, consoante comprovantes anexos. A DRF de origem juntou aos autos os documentos de fls. 14/21, e os encaminhou a apreciação desta Delegacia de Julgamento, assinalando a inocorrência de erro de fato (fl. 22). Em 20/05/2009 a interessada fez juntar nova petição ao processo (fls. 25/26), aduzindo que buscou regularizar sua situação fiscal por meio de pedido de parcelamento, mas não conseguiu arcar com o parcelamento previdenciário no prazo legal, devido à grave crise econômica. Ressaltou ter liquidado as parcelas com atraso, e que seu faturamento atual justifica a concessão do benefício simplificado. Afirma que eventual indeferimento de sua opção impossibilitará a continuidade de suas atividades. Ainda, o governo federal busca simplificar a tributação e a regularização de pendências, haja vista a aprovação da Medida Provisória n° 449, de 2008. Conclui ser razoável e justo o deferimento de sua opção pelo Simples, ressaltando sempre ter adimplido suas obrigações tributárias, e que naquela data todas as pendências que impediram sua opção já estavam regularizadas.” A decisão de primeira instância, representada no Acórdão da DRJ nº 03 35.215 (fls. 3638) de 25/01/2010, por unanimidade de votos, julgou improcedente a manifestação de inconformidade apresentada pela impugnante. A decisão foi assim ementada. “Opção. Débitos. As pessoas jurídicas com débitos com o INSS, ou com as Fazendas Públicas Federal, Estadual ou Municipal, cuja exigibilidade não esteja suspensa, não podem optar pelo Simples Nacional.” Contra a aludida decisão, da qual foi cientificada em 19/02/2010 (AR de fl. 43), a interessada interpôs recurso voluntário em 19/03/2010 (fls. 4950) onde argumenta, em apertada síntese, que à época do julgamento de primeira instância todos os seus débitos em cobrança, assim como as pendências junto à PFN, encontravamse com exigibilidade suspensa por ocasião de sua adesão ao parcelamento para ingresso no Simples Nacional – 2009, Fl. 63DF CARF MF Emitido em 28/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 28/04/2011 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALE Assinado digitalmente em 28/04/2011 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALE, 28/04/2011 por ALBERTINA SIL VA SANTOS DE LIMA Processo nº 10120.005710/200960 Acórdão n.º 140200.499 S1C4T2 Fl. 60 3 devidamente protocolado em 20/02/2009, o que tornaria injustificado o indeferimento de seu pleito inicial. É o relatório. Voto Conselheiro Frederico Augusto Gomes de Alencar. O recurso voluntário reúne os pressupostos de admissibilidade previstos na legislação que rege o processo administrativo fiscal. Dele, portanto, tomo conhecimento. De se destacar, de início, que a lide restringese à apreciação das provas constantes dos autos. Por um lado, a autoridade julgadora de primeira instância alega que, conforme extrato de fls. 14/18, alguns débitos da empresa não estariam regularizados dentro do prazo de opção pelo Simples Nacional no anocalendário 2009 (20/02/2009, conforme art. 7° e 17A, da Resolução CGSN nº 4, de 30 de maio de 2007), condição necessária para o deferimento do pedido de inclusão no programa, a teor do art. 17, inciso V, da Lei Complementar nº 123, de 2006. A recorrente, por seu turno, afirma que todos os seus débitos em cobrança, assim como as pendências junto à PFN, tiveram suspensa sua exigibilidade por ocasião de sua adesão ao parcelamento para ingresso no Simples Nacional, ocorrido em 20/02/2009, o que tornaria lídimo o seu pleito de inclusão no Simples Nacional. Nesse contexto, passase ao exame das provas acostadas aos autos. Compulsandose os extratos de fls. 14/18, emitidos em 19/05/2009, constata se que diversos débitos e pendências junto à PFN não foram objetos do parcelamento alegado. Nessa esteira, transcrevese abaixo algumas dessas restrições. Débito em cobrança (SIEF): RECEITA 0561 (IRRF) CNPJ 02.089.324/000173 PA MENSAL 10/2006 DT. VCTO. 10/11/2006 SITUACAO DEVEDOR VL.ORIG 66,08 SALDO DEV ORIG: PRINCIPAL 66,08 UNID. MONETARIA REAL RECEITA 2089 (IRPJ) CNPJ 02.089.324/000173 PA TRIMESTRAL 3/2007 DT. VCTO. 31/10/2007 SITUACAO DEVEDOR VL.ORIG 3.877,22 SALDO DEV ORIG: PRINCIPAL 173,06 UNID. MONETARIA REAL RECEITA 2089 ( IRPJ ) CNPJ 02.089.324/000173 PA TRIMESTRAL 4/2007 DT. VCTO. 31/01/2008 SITUACAO DEVEDOR VL.ORIG 4.875,22 SALDO DEV ORIG: PRINCIPAL 4.875,22 UNID. MONETARIA REAL RECEITA 2372 (CSLL) CNPJ 02.089.324/000173 PA TRIMESTRAL 4/2007 DT. VCTO. 31/01/2008 SITUACAO DEVEDOR VL.ORIG 2.925,13 SALDO DEV ORIG: PRINCIPAL 2.925,13 UNID. MONETARIA REAL Fl. 64DF CARF MF Emitido em 28/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 28/04/2011 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALE Assinado digitalmente em 28/04/2011 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALE, 28/04/2011 por ALBERTINA SIL VA SANTOS DE LIMA Processo nº 10120.005710/200960 Acórdão n.º 140200.499 S1C4T2 Fl. 61 4 Pendência junto à PFN: PROCESSO 10120501.740/200811 CNPJ 02.089.324/000173 TRIBUTO 3551 IRPJ INSCRICAO 1120800104079 DATA INSCRICAO 11/12/2008 SITUACAO ATIVA AJUIZADA DATA AJUIZAMENTO 23/02/2009 P•RESPONSAVEL – GOIÁS PROCESSO 10120501.741/200866 CNPJ 02.089.324/000173 TRIBUTO 4493 COFINS INSCRICAO 1160800980307 DATA INSCRICAO 11/12/2008 SITUACAO ATIVA AJUIZADA DATA AJUIZAMENTO 23/02/2009 PFN RESPONSAVEL GOIAS PROCESSO 10120501.742/200819 CNPJ 02.089.324/000173 TRIBUTO 0810 PIS INSCRICAO 1170800073340 DATA INSCRICAO 11/12/2008 SITUACAO ATIVA AJUIZADA DATA AJUIZAMENTO 23/02/2009 PFN RESPONSAVEL GOIAS PROCESSO 10120501.743/200855 CNPJ 02.089.324/000173 TRIBUTO 1804 CONTRIBUICAO SOCIAL INSCRICAO 1160800980480 DATA INSCRICAO 11/12/2008 SITUACAO ATIVA AJUIZADA DATA AJUIZAMENTO 23/02/2009 PFN RESPONSAVEL GOIAS A recorrente, de sua parte, limitase a afirmar que o pedido de parcelamento abrangeu todos os seus débitos para com a receita e PFN, não refutando pontuadamente as restrições transcritas acima. Restaria, de outro lado, em favor da recorrente, a dúvida sobre se o conteúdo dos extratos de fls. 14/18 não estariam desatualizados, não contemplando seu pedido de parcelamento, protocolado em 20/02/2009. Nesse sentido as provas também não socorrem a recorrente. Os extratos acostados às fls. 14/18 foram emitidos em 19/05/2009 (fl. 14) e em seu conteúdo constam pendências regularizadas por meio do aludido parcelamento (fl. 18), o que aponta para a conclusão de que tais extratos já estavam atualizados em relação ao pedido de parcelamento em foco. Entretanto, há que se reconhecer que o motivo do indeferimento do pedido de inclusão da empresa no Simples, conforme se depreende do Termo de Indeferimento da Opção pelo Simples Nacional, fl. 04, foi a constatação de que a empresa possuía, na data do pedido, débito com a Secretaria da Receita Federal do Brasil “relativo a contribuições sociais previstas nas alíneas a, b e c do parágrafo único do art. 11 da Lei n° 8.212, de 24 de julho de 1991, e das contribuições instituídas a título de substituição, cuja exigibilidade não está suspensa”. Ora, em primeiro lugar o extrato de fls. 14/18, que explicitou os débitos motivadores, segundo o acórdão recorrido, do indeferimento do pedido de inclusão da empresa no Simples Nacional, foi emitido apenas em 19/05/2009, quase três meses após o indeferimento do pleito da contribuinte, não se prestando para afirmar com segurança se, à época do pedido, tais débitos já estavam na base de dados da Receita Federal, condição para que se indeferisse o pleito da empresa. Em segundo lugar, os débitos constantes do extrato de fls. 14/18, conforme excerto transcrito acima neste voto, diferem daqueles descritos na condição impeditiva trazida Fl. 65DF CARF MF Emitido em 28/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 28/04/2011 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALE Assinado digitalmente em 28/04/2011 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALE, 28/04/2011 por ALBERTINA SIL VA SANTOS DE LIMA Processo nº 10120.005710/200960 Acórdão n.º 140200.499 S1C4T2 Fl. 62 5 no aludido Termo de Indeferimento da Opção pelo Simples Nacional, de tal forma que cai por terra o argumento utilizado no acórdão recorrido que sustentava o indeferimento do pleito com base na existência dos débitos descritos naquele extrato. Por fim, dadas as semelhanças das situações, há que se fazer analogia do caso em espécie com o de exclusão do simples pelos mesmos motivos – débitos para com a Receita Federal, INSS ou para com a PFN sem exigibilidade suspensa. Nesse caso, imperioso a aplicação da súmula CARF nº 22, publicada no DOU de 22/12/2009 (Seção 1, págs. 70 a 72), in verbis. Súmula CARF nº 22 É nulo o ato declaratório de exclusão do Simples que se limite a consignar a existência de pendências perante a Dívida Ativa da União ou do INSS, sem a indicação dos débitos inscritos cuja exigibilidade não esteja suspensa. Assim, há que se declarar nulo o aludido Termo de Indeferimento da Opção pelo Simples Nacional, por não constar em seu bojo a indicação dos débitos cuja exigibilidade estivesse suspensa. Diante do exposto, encaminho meu voto no sentido de dar provimento ao recurso voluntário apresentado. Sala das Sessões, em 31 de março de 2011 (assinado digitalmente) Frederico Augusto Gomes de Alencar Relator. Fl. 66DF CARF MF Emitido em 28/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 28/04/2011 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALE Assinado digitalmente em 28/04/2011 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALE, 28/04/2011 por ALBERTINA SIL VA SANTOS DE LIMA
score : 1.0
Numero do processo: 11020.002147/2005-35
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jun 30 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Thu Jun 30 00:00:00 UTC 2011
Ementa: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS
Ano-calendário: 2005
PAF — PRINCIPIO DO FORMALISMO MODERADO — As informações relativas a Requisição de Movimentação Financeira deverão ser prestadas no prazo de vinte dias, admitida a prorrogação, eventualmente requerida, a critério da autoridade administrativa. Havendo nos autos a prova de que a Contribuinte se manifestou, durante este prazo, quanto a sua dificuldade em fornecer esses documentos.Mesmo que não tenha formalizado o pedido de prorrogação, expressamente, ausente reintimação e atendido o pedido, a exigência não prospera.
Numero da decisão: 1102-000.472
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, DAR provimento ao recurso ,nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
Nome do relator: Ivete Malaquias Pessoa Monteiro
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Havendo nos autos a prova de que a Contribuinte se manifestou, durante este prazo, quanto a sua dificuldade em fornecer esses documentos.Mesmo que não tenha formalizado o pedido de prorrogação, expressamente, ausente reintimação e atendido o pedido, a exigência não prospera. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, DAR provimento ao recurso ,nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. V E LAQUIAS PESSOA MONTEIRO —Presidente e Relatora EDITADO EM: I 2011 Participaram, do presente julgamento, os Conselheiros Ivete Mal aquias Pessoa Monteiro (Presidente da Turma), João Otavio Opperman Thorne, Silvana Rescigno Guerra Ban-etto, Leonardo de Andrade Couto , Ana Clarissa Masuko dos Santos Aranjo(Suplente Convocada) e João Carlos Lima Junior(Vice-Presidente). Relatório Cuida-se de exigência de multa por atraso na entrega dos registros de movimentação financeira de terceiro, fls 8 e 9. 0 pedido se deu corn base no art. 6° da Lei Complementar n" 105, de 10 de janeiro de 2001, regulamentada pelo Decreto n° 3.724;2001. Intimação procedida no dia 17 de maio de 2005. Em 30 de maio de 2005, a instituição financeira pediu a compreensão do Fisco ante os atrasos observados , conforme fis.11. Transcorrido mais de 60 dias entre o encaminhamento da requisição de informações a Fiscalização resolveu efetuar a lavratura de auto de infração corn a finalidade de exigir a penalidade minima (R$ 50.000,00) prevista no art. 31 da Lei n". 10.637, de 2002, uma vez que era inviável aferir o montante das operações que restaram, então, desconhecidas. Ciente em 26/07/2005, fls.13, a Instituição se opõe ao lançamento dizendo que empreendeu extensa análise da movimentação financeira requerida, "como extratos de conta corrente, aplicações financeiras e aplicações em fundos de investimento nos últimos cinco anos". Salienta que não houve intenção deliberada de atrasar o envio das informações. E que jamais houve qualquer comportamento doloso por sua parte. Lembra a complexidade dos documentos requeridos e que o banco centraliza os serviços de documentação, recebendo demanda de diversos órgãos de todo o pais.Este o motivo que impediu a satisfação da demanda fiscal no prazo de 20 dias. A manifestação bancária de 30 de maio de 2005 consistiria em pedido de prorrogação que, diante do silêncio fiscal, entendeu aceito. Alternativamente, requer a aplicação do art. 977 do Decreto n° 3.000, de 26 de março de 1999, alicerçado nos arts. 7" e 8" da Lei n°8.021, de 12 de abril de 1990, calculando multa no valor de R$ 22.376,25. O acórdão 10-23.736 14 de janeiro de 2010, fls. 40/43 julga improcedente a impugnação. Ciente em 08/02/2010, fls.47,em 10/03/2010, a Contribuinte interpõe o recurso voluntário de fis.54/56, aduzindo, em síntese, que: recebeu o pedido da Receita em 15/05/2005,com prazo final 27/06/2005. Em 27/05/2005 informou a impossibilidade de prestar as informações requisitadas, silenciando a Receita Federal até a lavratura do auto de infração. Decorridos mais de 60 dias para atendimento, o responsável pelo procedimento fiscal concluiu que a demora na entrega das informações requisitadas estava criando embaraços As investigações em curso. Assim, aplicou a multa de 2% sobre o valor das operações objeto da requisição, valor este definido corn base no art.31, da Lei n° 10.637, de 30.12.2002, segundo constou do auto de infração. Repisa, a exemplo dos argumentos já expendidos na impugnação, a absoluta impossibilidade de atender A demanda no exíguo prazo concedido. As informações sobre a movimentação financeira do contribuinte BENFATTO MÓVEIS LTDA. CNPJ 68.807.700/0001-26, demandaram extratos de conta 2 Processo n 11020.002147/2005-35 SI-C1T2 Acórao n.° 1102-00.472 Fl. 500 corrente, aplicações financeiras e aplicações em fundos de investimentos, dos últimos cinco anos. Embora haja a previsão legal para exigência da penalidade, seu descumprimento não poderá jamais ser visto como urn desapreço ou repúdio, em razão da complexidade das informações solicitadas. Além do que se manifestara no período, embora não formalizando expressamente o pedido de prorrogação. Ratirma que a complexidade das informações requisitadas associada ao curto prazo para apresentação das mesmas foi o que impossibilitou o cumprimento da obrigação na data aprazada e apenas um forçoso entendimento pode considerar tal fato resistência ou embaraço a fiscalização. Reclama da aplicação da multa porque jamais opôs qualquer obstáculo fiscalização. A parceria que mantém entre as entidades não pode ser posta de lado para impor uma multa que se fundamenta, basicamente, em resistência ou embaraço criado a fiscalização. Comenta que o silêncio da Receita quanto 6. sua informação de 27/06/2005 foi tomada como anuência tácita para dilação de prazo, porque seria ilógico se admitir que poderia conceder tantas informações em prazo tão exíguo. Compara este prazo com a da impugnação e recurso e diz que é injusto e até ilegal aplicar multa de R$50.000,00 pelo simples fato de demorar ao prestar as informações requisitadas pelo Auditor Fiscal. Reporta-se ao artigo 918, do Dec. 3.000/99(Regulamento do Imposto de Renda), dizendo que tal dispositivo é expresso ao prescrever que o eventual descumprimento do prazo para prestação de informações ao Fisco, sujeitará a instituição infratora as cominações do art. 977, do mesmo diploma, assim redigido: 'Art. 977, Está sujeita a nu/ta de oitocentos e vinte e oito reais e setenta e cinco centavos por dia Util de atraso a instituição qtte não prestar, nos prazos de que tratam o § 1° do art. 917 e parágrafo ánico do art. 918, as informações referidas nesses artigo." Continua para dizer que houve de sua parte pedido de dilação do prazo. novo período de tempo decorrido entre a data limite para a prestação das informações iniciado em 27.06.2005 e a data da autuação, em 19.07.2005, soma 22 dias úteis que multiplicados pelos R$ 828,75 previstos na lei antes citada, perfaz o valor de R$ 18.232,50 que seria o valor correto da multa pelo não atendimento da requisição no prazo legal.Manter-se a exigência nos RS 50.000,00 enquadraria a pretensão em confisco. Concluiu suas razões com os dois pedidos: a) cancelamento da multa ou, alternativamente, sua redução para os R$18.232,50. Despacho de fis.57 encaminha o processo ao CARR Por sorteio os recebo para relato.. Este é o relatório. Voto Conselheiro Ivete Malaquias Pessoa Monteiro, 0 recurso é tempestivo e preenche os pressupostos de admissibilidade, devendo, portanto, ser conhecido. Cuida-se de exigência de multa por atraso na entrega dos registros de movimentação financeira de terceiro, formulado com base no art. 6° da Lei Complementar n° 105, de 10 de janeiro de 2001, regulamentado pelo Decreto n°3.724. Intimação foi procedida no dia 17 de maio de 2005 e só foi atendida com mais de 60 dias desta data. 0 prazo legalmente estipulado é, de 20 dias, nos termos do art. 7" da Portaria SRF n" 180, de 1° de fevereiro de 2001. A prorrogação é possivel, a critério da autoridade fiscal, quando requerida pelo informante. A falta de atendimento da ensejo à aplicação da penalidade prevista no art. 31 da Lei no 10.637, de 30 de dezembro de 2002. Abaixo transcrevo os dispositivos: Da Lei Complementar n° 105, de 2002 "Art. 6" As autoridades e os agentes fiscais tributários da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios somente poderão examinar documentos, livros e registros de instituições financeiras, inclusive os referentes a contas de depósitos e aplicações financeiras, quando houver processo administrativo instaurado ou procedimento fiscal em curso e tais exames sejam considerados indispensáveis pela autoridade administrativa competente." Da Lei n" 10.637, de 2002 "Art. 31. A falta de apresentação dos elementos a que se refere o art. 6" da Lei Complementar no 105, de 10 de janeiro de 2001, ou sua apresentação de forma inexata ou incompleta, sujeita pessoa jurídica à multa equivalente a 2% (dois por cento) do valor das operações objeto da requisição, apurado por meio de procedimento fiscal junto á própria pessoa juriclica ou ao titular da conta de depósito ou da aplicação . financeira, bem como terceiros, por mês-calem/círio ou .fração de atraso, limitada a 10% (dez por cento), observado o valor mínimo de R$ 50.000,00 (cinqüenta mil reais)." Da Portaria SRF n° 180, de 2001 "Art. 7" 0 131'07,0 1116XiI110 para atendimento da intimação de que trata o art. 2", inciso III, e da RMF será de vinte dias, admitida prorrogação em virtude de justificação fundamentada, a critêrio da autoridade que expediu a intimação ou a requisição," Entendeu o agente do fisco que não houve qualquer pedido de prorrogação do prazo originário de 20 dias. Transcorrido entre o encaminhamento da requisição de informações e a entrega das copias requisitadas mais de 60 dias, a Fiscalização efetuou o 4 Process° n° 11020.002147/2005-35 Sl-C1T2 Fl. 501 Acárao n.° 1102-00.472 lançamento com a vista a exigir a penalidade minima (R$ 50.000,00) prevista no art. 31 da Lei n 10.637, de 2002, uma vez que era inviável aferir o montante das operações que restaram, então, desconhecidas. A Recorrente oferece duas questões para andlise:a existência do pedido de prorrogação e a norma penal tributária aplicável aos fatos. No que tange ao pedido de prorrogação, pelo principio do formalismo moderado, entendo que pode ser tomado como pedido tácito o documento da folha 11, o qual aponta as dificuldades vivenciadas pela instituição financeira no atendimento das requisições de informações. Além do que não houve por parte do fisco reintimação para entrega dos documentos, bem como e a Recorrente não se negou a fazê-lo, pronunciou-se por escrito, antes do decurso do primeiro prazo e atendeu ao pedido formulado. Resta prejudicada análise do segundo argumento oferecido. Nesta ordem de juizos DOU provimento ao recurso. IV :Et E.,MALA UIAS PESSOA MONTEIRO ,z) Processo n" 1 1 020.0021 47/2005-35 SI-C1T2 Acórciao n." 1102-00.472 Fl. 502 TERMO DE INTIMAÇÃO Intime-se urn dos Procuradores da Fazenda Nacional, credenciado junto a este Conselho, da decisão consubstanciada no acórdão supra, nos termos do art. 81, § 3°, do anexo II, do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria Ministerial n" 256, de 22 de junho de 2009. Brasilia, kk / çj /2011. (JOSE A Criefe-de-Eci da l Camara do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais-MF Ciência Data: Nome: Procurador(a) da Fazenda Nacional Encaminhamento da PFN: [ apenas corn ciência; [ ] corn Recurso Especial; [ ] com Embargos de Declaração; 7
score : 1.0
Numero do processo: 10580.011601/2004-50
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jul 06 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Fri Jul 08 00:00:00 UTC 2011
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Data do fato gerador: 31/01/2000, 29/02/2000, 31/03/2000, 30/04/2000,
31/05/2000, 30/06/2000, 31/07/2000, 31/08/2000, 30/09/2000, 30/11/2000,
31/12/2000, 31/01/2001, 28/02/2001, 31/03/2001, 30/04/2001, 31/07/2001,
31/08/2001, 30/09/2001, 31/10/2001, 31/12/2001, 31/05/2002, 31/07/2002,
31/08/2002, 31/10/2002, 31/12/2002, 31/01/2003, 31/03/2003, 31/05/2003,
30/06/2003, 31/08/2003, 30/09/2003, 31/10/2003, 30/11/2003,31/12/2003
DILIGÊNCIA. APURAÇÃO. NÃO CONTESTAÇÃO. CONCORDÂNCIA
TÁCITA.
Tendo sido realizada diligência de acordo com resolução aprovada pelo órgão
julgador, a não contestação de seu resultado pela Interessada no prazo
concedido implica concordância tácita com os termos de sua apuração.
Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins
Data do fato gerador: 31/01/2000, 29/02/2000, 31/03/2000, 30/04/2000,
31/05/2000, 30/06/2000, 31/07/2000, 31/08/2000, 30/09/2000, 30/11/2000,
31/12/2000, 31/01/2001, 28/02/2001, 31/03/2001, 30/04/2001, 31/07/2001,
31/08/2001, 30/09/2001, 31/10/2001, 31/12/2001, 31/05/2002, 31/07/2002,
31/08/2002, 31/10/2002, 31/12/2002, 31/01/2003, 31/03/2003, 31/05/2003,
30/06/2003, 31/08/2003, 30/09/2003, 31/10/2003, 30/11/2003,31/12/2003
COFINS. BASE DE CÁLCULO. RECEITAS FINANCEIRAS. LEI Nº
9.718, DE 1998. INCONSTITUCIONALIDADE.
A majoração da base de cálculo da contribuição, promovida pela Lei no
9.718, de 1998, foi declarada inconstitucional pelo Supremo Tribunal
Federal, cabendo a incidência da contribuição somente sobre o faturamento
da pessoa jurídica.
AÇÃO FISCAL. APURAÇÃO DE SALDOS NEGATIVOS E POSITIVOS.
COMPENSAÇÃO. POSSIBILIDADE.
É possível a compensação entre saldos positivos e negativos de um mesmo
tributo apurados pela Fiscalização na ação fiscal.
Recurso Voluntário Provido em Parte
Numero da decisão: 3302-001.122
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar
provimento parcial ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator. O conselheiro
Alexandre Gomes acompanhou o relator pelas conclusões.
Matéria: Cofins - ação fiscal (todas)
Nome do relator: JOSE ANTONIO FRANCISCO
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Recorrida FAZENDA NACIONAL Assunto: Processo Administrativo Fiscal Data do fato gerador: 31/01/2000, 29/02/2000, 31/03/2000, 30/04/2000, 31/05/2000, 30/06/2000, 31/07/2000, 31/08/2000, 30/09/2000, 30/11/2000, 31/12/2000, 31/01/2001, 28/02/2001, 31/03/2001, 30/04/2001, 31/07/2001, 31/08/2001, 30/09/2001, 31/10/2001, 31/12/2001, 31/05/2002, 31/07/2002, 31/08/2002, 31/10/2002, 31/12/2002, 31/01/2003, 31/03/2003, 31/05/2003, 30/06/2003, 31/08/2003, 30/09/2003, 31/10/2003, 30/11/2003,31/12/2003 DILIGÊNCIA. APURAÇÃO. NÃO CONTESTAÇÃO. CONCORDÂNCIA TÁCITA. Tendo sido realizada diligência de acordo com resolução aprovada pelo órgão julgador, a não contestação de seu resultado pela Interessada no prazo concedido implica concordância tácita com os termos de sua apuração. Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins Data do fato gerador: 31/01/2000, 29/02/2000, 31/03/2000, 30/04/2000, 31/05/2000, 30/06/2000, 31/07/2000, 31/08/2000, 30/09/2000, 30/11/2000, 31/12/2000, 31/01/2001, 28/02/2001, 31/03/2001, 30/04/2001, 31/07/2001, 31/08/2001, 30/09/2001, 31/10/2001, 31/12/2001, 31/05/2002, 31/07/2002, 31/08/2002, 31/10/2002, 31/12/2002, 31/01/2003, 31/03/2003, 31/05/2003, 30/06/2003, 31/08/2003, 30/09/2003, 31/10/2003, 30/11/2003,31/12/2003 COFINS. BASE DE CÁLCULO. RECEITAS FINANCEIRAS. LEI Nº 9.718, DE 1998. INCONSTITUCIONALIDADE. A majoração da base de cálculo da contribuição, promovida pela Lei no 9.718, de 1998, foi declarada inconstitucional pelo Supremo Tribunal Federal, cabendo a incidência da contribuição somente sobre o faturamento da pessoa jurídica. AÇÃO FISCAL. APURAÇÃO DE SALDOS NEGATIVOS E POSITIVOS. COMPENSAÇÃO. POSSIBILIDADE. Fl. 163DF CARF MF Emitido em 28/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 21/07/2011 por JOSE ANTONIO FRANCISCO Assinado digitalmente em 23/07/2011 por WALBER JOSE DA SILVA, 21/07/2011 por JOSE ANTONIO FRANCISCO Processo nº 10580.011601/200450 Acórdão n.º 330201.122 S3C3T2 Fl. 2 2 É possível a compensação entre saldos positivos e negativos de um mesmo tributo apurados pela Fiscalização na ação fiscal. Recurso Voluntário Provido em Parte Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator. O conselheiro Alexandre Gomes acompanhou o relator pelas conclusões. (Assinado digitalmente) Walber José da Silva Presidente (Assinado digitalmente) José Antonio Francisco Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Walber José da Silva, José Antonio Francisco, Fabiola Cassiano Keramidas, Alan Fialho Gandra, Alexandre Gomes e Gileno Gurjão Barreto. Relatório Tratase de retorno de diligência aprovada pela Resolução no 20100.709, de 20 de setembro de 2007 (fls. 121 a ), da antiga Primeira Câmara do 2o Conselho de Contribuintes, cujo relatório foi o seguinte: Tratase de recurso voluntário (fls. 91 a 114) apresentado em 17 de abril de 2007 contra o Acórdão nº 1512.185, de 23 de fevereiro de 2007, da DRJ de Salvador – BA (fls. 82 a 86), cientificado em 9 de março de 2007, que considerou procedente auto de infração da Cofins lavrado em 18 de novembro de 2004, relativamente aos períodos de apuração de janeiro de 2000 a dezembro de 2003, nos seguintes termos: “Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins “Data do fato gerador: 31/01/2000, 29/02/2000, 31/03/2000, 30/04/2000, 31/05/2000, 30/06/2000, 31/07/2000, 31/08/2000, 30/09/2000, 30/11/2000, 31/12/2000, 31/01/2001, 28/02/2001, 31/03/2001, 30/04/2001, 31/07/2001, 31/08/2001, 30/09/2001, 31/10/2001, 31/12/2001, 31/05/2002, 31/07/2002, 31/08/2002, 31/10/2002, 31/12/2002, 31/01/2003, 31/03/2003, 31/05/2003, 30/06/2003, 31/08/2003, 30/09/2003, 31/10/2003, 30/11/2003, 31/12/2003 Fl. 164DF CARF MF Emitido em 28/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 21/07/2011 por JOSE ANTONIO FRANCISCO Assinado digitalmente em 23/07/2011 por WALBER JOSE DA SILVA, 21/07/2011 por JOSE ANTONIO FRANCISCO Processo nº 10580.011601/200450 Acórdão n.º 330201.122 S3C3T2 Fl. 3 3 “INCONSTITUCIONALIDADE. “A Secretaria da Receita Federal, como órgão da administração direta da União, não é competente para decidir quanto à inconstitucionalidade de norma legal. “COMPENSAÇÃO. COMPROVAÇÃO. “A compensação é opção do contribuinte, e o fato de este ser detentor de créditos junto à Fazenda Nacional não invalida o lançamento de ofício relativo a débitos posteriores, quando não restar comprovado, por meio de documentos hábeis, ter exercido a compensação antes do início do procedimento de ofício. “Lançamento Procedente” Segundo o auto de infração, foram apuradas diferenças no recolhimento da contribuição, em face da apuração efetuada com base na escrituração da Interessada. No recurso, após analisar a decisão de primeira instância, alegou a Interessada que ela seria nula, em razão de haver a Fiscalização apurado de ofício créditos que não foram compensados e o acórdão haver oposto o argumento de que não teria sido apresentada prova da realização da compensação anteriormente ao lançamento e não haver sido especificada a prova a ser produzida. Dessa forma, a apuração realizada pela Fiscalização seria “a única prova exigível”. Reproduziu a ementa e trechos do julgamento da ação cautelar em mandado de segurança do processo 26.3580, do qual foi relator o Ministro Celso de Mello. A seguir, alegou que os valores recolhidos a maior apurados pela Fiscalização deveriam ser compensados com os valores apurados a menor. Ademais, seria cabível a exclusão de outras receitas, tendo em vista que a base de cálculo da Cofins seria somente o faturamento, o que implicaria a apuração de novo crédito, o que importaria que, no período abrangido pela autuação, não restassem diferenças a recolher, mas sim créditos. Afirmou que os valores foram informados em DCTF, o que seria suficiente para reconhecer os créditos. Tratou a seguir do alargamento da base de cálculo da contribuição, que seria inconstitucional, nos termos do entendimento do Supremo Tribunal Federal. A resolução aprovada requereu o seguinte, após considerar a decisão do Supremo Tribunal Federal sobre a inconstitucionalidade da majoração da base de cálculo da Cofins: Dessa forma, à vista de a Fiscalização haver informado em seu relatório que as principais diferenças apuradas no lançamento teriam decorrido do novo conceito de faturamento introduzido Fl. 165DF CARF MF Emitido em 28/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 21/07/2011 por JOSE ANTONIO FRANCISCO Assinado digitalmente em 23/07/2011 por WALBER JOSE DA SILVA, 21/07/2011 por JOSE ANTONIO FRANCISCO Processo nº 10580.011601/200450 Acórdão n.º 330201.122 S3C3T2 Fl. 4 4 pela Lei nº 9.718, de 1998, e a Recorrente, em seu recurso, alegar referiremse a recuperação de ICMS pago indevidamente ao Estado em face de substituição tributária, entendo ser necessária a realização de diligência, para esclarecer a origem específica das diferenças. Voto, assim, por converter o julgamento em diligência, para que a Fiscalização, intimando a Interessada, que deverá prestar todas as informações necessárias ao deslinde da matéria, esclareça a origem específica das diferenças, indicando as contas contábeis das quais se originaram. Deverá ser esclarecida, no levantamento, a aplicação de leis posteriores à Lei nº 9.718, de 1998, que tenham alterado o conceito de faturamento. Posteriormente, deverá elaborar demonstrativo, indicando que parte da base de cálculo estaria abrangida somente pelo conceito de faturamento da Lei nº 9.718, de 1998. Além disso, a Fiscalização deverá indicar os valores apurados a maior, calculados com base nas diferenças a menor das bases de cálculo apuradas em face das contribuições declaradas e pagas. Por fim, deverá dar ciência à Recorrente, para manifestação no prazo de 30 (trinta) dias, expondo eventuais razões de discordância. A diligência foi realizada nas fls. 130 a 156, tendo concluído o seguinte a Fiscalização: Tendo em vista o cumprimento da solicitação de diligência fiscal, constante na página 126, considerando que nas impugnações e recursos voluntários existem indicações de valores de receitas divergentes dos informados pelo contribuinte, no curso da ação fiscal que ensejou a lavratura de Autos de Infração, através de planilhas apresentadas pelo autuado, conforme pág. 20/23, no exercício das funções de Auditor fiscal da Receita Federal do Brasil, respaldado no RPF 2008006011, lavramos o Termo de Diligencia Fiscal/Solicitação de Documentos IT 001, pag. 130/131, no qual, INTIMAMOS o diligenciado a ratificar as informações constantes nas citadas planilhas ou, sendo o caso, apresentar planilhas retificadas e descrever a natureza de todas as receitas constantes das planilhas. Em resposta ao citado Termo, o contribuinte apresentou planilhas ratificando as informações constantes nas planilhas originais, pág. 138/141 e informou a natureza das diversas receitas, pág. 137. No tocante a "outras receitas" a diligenciada informou tratarse de "recuperação de despesas, reembolso de pagamentos indevidos, etc." Isto posto, lavramos o Termo de Diligência Fiscal/Solicitação de Documentos no 002, pág. 142/143, no qual, INTIMAMOS a Fl. 166DF CARF MF Emitido em 28/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 21/07/2011 por JOSE ANTONIO FRANCISCO Assinado digitalmente em 23/07/2011 por WALBER JOSE DA SILVA, 21/07/2011 por JOSE ANTONIO FRANCISCO Processo nº 10580.011601/200450 Acórdão n.º 330201.122 S3C3T2 Fl. 5 5 diligenciada a descrever precisamente a natureza de todas as receitas constantes das planilhas apresentadas, a titulo de "outras receitas". Em resposta ao citado Termo a diligenciada informou, pág 144, que as referidas receitas "...tratamse de reembolso de ISS pago em duplicidade conforme escriturado na conta 50202010004." Da análise da conta 30202010004, referente aos anos de 2001 e 2002, respectivamente pág. 1877 e 2103/2104 dos Livros Razão, pág 145/147, constatamos um lançamento, a titulo de reembolso de ISS, no valor de R$ 26.370,55, que consta nas planilhas como sendo referente ao mês de junho de 2001, mas que na verdade referente ao mês de maio daquele ano, excluindo este valor da base de cálculo do tributo para o mês de junho de 2001, sua base de cálculo será R$ 2.723.555,68. Considerando a referida exclusão, os valores pagos e/ou declarados a maior e os valores objeto de parcelamento, a situação fiscal do contribuinte será a demonstrada nas planilhas "DEMONSTRATIVO DE SITUAÇÃO FISCAL APURADA PARA A DILIGÊNCIA". Procedendo a compensação dos valores pagos a menor com os valores pagos a maior conforme planilhas "DEMONSTRATIVO DE COMPENSAÇÃO" nas quais cobramos juros e multa de mora, baseado nos arts 950 e 953 do RIR/99 (Decreto 3.000/99), quando compensamos valores pagos a menor com excesso de pagamentos efetuados em data posterior ao período de apuração, quando aconteceu o contrário, pagamos juros de mora. Restando a favor do fisco os valores em negrito, correspondentes aos meses de junho e agosto a dezembro de 2003. Observamos que o diligenciado não retificou as DCTFs nem os DARFs do período objeto do Auto de Infração. Intimada do resultado da diligência, a Interessada não se manifestou (fl. 159). É o relatório. Voto Conselheiro José Antonio Francisco, Relator O recurso é tempestivo e satisfaz os demais requisitos de admissibilidade, dele devendose tomar conhecimento. No tocante à compensação mútua de valores a maior e a menor apurados na ação fiscal, não se trata da compensação prevista no art. 74 da Lei nº 9.430, de 1996, realizada pelo sujeito passivo, mas de supostamente cabível compensação de ofício em procedimento de apuração dos valores devidos para efeito de lançamento em auto de infração. Fl. 167DF CARF MF Emitido em 28/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 21/07/2011 por JOSE ANTONIO FRANCISCO Assinado digitalmente em 23/07/2011 por WALBER JOSE DA SILVA, 21/07/2011 por JOSE ANTONIO FRANCISCO Processo nº 10580.011601/200450 Acórdão n.º 330201.122 S3C3T2 Fl. 6 6 Dessa forma, não há impedimento legal a que a Fiscalização adote o procedimento de mútua compensação, especialmente por se tratar de créditos e débitos de um mesmo tributo ou contribuição apurados de ofício. Assim, ficam prejudicadas as alegações de nulidade do acórdão de primeira instância. Ademais, o novo Regimento Interno dos Conselhos de Contribuintes foi aprovado recentemente pela Portaria MF nº 147, de 25 de junho de 2007. Em seu art. 49 dispõe o seguinte: Art. 49. No julgamento de recurso voluntário ou de ofício, fica vedado aos Conselhos de Contribuintes afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. Parágrafo único. O disposto no caput não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: I que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão plenária definitiva do Supremo Tribunal Federal; II que fundamente crédito tributário objeto de: a) dispensa legal de constituição ou de ato declaratório do ProcuradorGeral da Fazenda Nacional, na forma dos arts. 18 e 19 da Lei n.º 10.522, de 19 de junho de 2002; b) súmula da AdvocaciaGeral da União, na forma do art. 43 da Lei Complementar nº 73, de 10 de fevereiro de 1993; ou c) pareceres do AdvogadoGeral da União aprovados pelo Presidente da República, na forma do art. 40 da Lei Complementar nº 73, de 10 de fevereiro de 1993. Conforme o inciso I do parágrafo único acima, se existente decisão plenária definitiva do Supremo Tribunal Federal a respeito da matéria constitucional, a Câmara poderá (na realidade, deverá, em face de se tratar de princípio de direito público) afastar a aplicação da lei inconstitucional. Em 15 de agosto de 2006, publicouse decisão do Pleno do STF no âmbito dos recursos extraordinários 357.950 e 358.273, transitada em julgado em 5 de setembro, que considerou inconstitucionais as alterações das bases de cálculo do PIS e da Cofins promovidas pela Lei nº 9.718, de 1998, art. 3º, § 1º. O Acórdão e a ementa tiveram as seguintes redações: Após os votos dos Senhores Ministros Marco Aurélio (Relator), Carlos Velloso e Sepúlveda Pertence, conhecendo do recurso e provendoo, em parte, e dos votos dos Senhores Ministros Cezar Peluzo e Celso de Mello, provendoo, integralmente, pediu vista dos autos o Senhor Ministro Eros Grau. Falaram, pela recorrente, o Dr. Ives Gandra da Silva Martins e, pela recorrida, o Dr. Fabrício da Soller, Procurador da Fazenda Nacional. Ausente, justificadamente, neste julgamento, o Senhor Ministro Fl. 168DF CARF MF Emitido em 28/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 21/07/2011 por JOSE ANTONIO FRANCISCO Assinado digitalmente em 23/07/2011 por WALBER JOSE DA SILVA, 21/07/2011 por JOSE ANTONIO FRANCISCO Processo nº 10580.011601/200450 Acórdão n.º 330201.122 S3C3T2 Fl. 7 7 Nelson Jobim (Presidente). Presidência da Senhora Ministra Ellen Gracie (VicePresidente). Plenário, 18.05.2005. Decisão: Renovado o pedido de vista do Senhor Ministro Eros Grau, justificadamente, nos termos do § 1º do artigo 1º da Resolução nº 278, de 15 de dezembro de 2003. Presidência do Senhor Ministro Nelson Jobim. Plenário, 15.06.2005. Decisão: O Tribunal, por unanimidade, conheceu do recurso extraordinário e, por maioria, deulhe provimento, em parte, para declarar a inconstitucionalidade do § 1º do artigo 3º da Lei nº 9.718, de 27 de novembro de 1998, vencidos, parcialmente, os Senhores Ministros Cezar Peluso e Celso de Mello, que declaravam também a inconstitucionalidade do artigo 8º e, ainda, os Senhores Ministros Eros Grau, Joaquim Barbosa, Gilmar Mendes e o Presidente (Ministro Nelson Jobim), que negavam provimento ao recurso. Ausente, justificadamente, a Senhora Ministra Ellen Gracie. Plenário, 09.11.2005. CONSTITUCIONALIDADE SUPERVENIENTE ARTIGO 3º, § 1º, DA LEI Nº 9.718, DE 27 DE NOVEMBRO DE 1998 EMENDA CONSTITUCIONAL Nº 20, DE 15 DE DEZEMBRO DE 1998. O sistema jurídico brasileiro não contempla a figura da constitucionalidade superveniente. TRIBUTÁRIO INSTITUTOS EXPRESSÕES E VOCÁBULOS SENTIDO. A norma pedagógica do artigo 110 do Código Tributário Nacional ressalta a impossibilidade de a lei tributária alterar a definição, o conteúdo e o alcance de consagrados institutos, conceitos e formas de direito privado utilizados expressa ou implicitamente. Sobrepõese ao aspecto formal o princípio da realidade, considerados os elementos tributários. CONTRIBUIÇÃO SOCIAL PIS RECEITA BRUTA NOÇÃO INCONSTITUCIONALIDADE DO § 1º DO ARTIGO 3º DA LEI Nº 9.718/98. A jurisprudência do Supremo, ante a redação do artigo 195 da Carta Federal anterior à Emenda Constitucional nº 20/98, consolidouse no sentido de tomar as expressões receita bruta e faturamento como sinônimas, jungindoas à venda de mercadorias, de serviços ou de mercadorias e serviços. É inconstitucional o § 1º do artigo 3º da Lei nº 9.718/98, no que ampliou o conceito de receita bruta para envolver a totalidade das receitas auferidas por pessoas jurídicas, independentemente da atividade por elas desenvolvida e da classificação contábil adotada. Portanto, é cabível a exclusão das receitas que não se classificam como faturamento da base de cálculo da contribuição. Em relação ao que foi apurado pela Fiscalização, a Interessada não se manifestou, o que implicou concordância tácita com o resultado da diligência. Fl. 169DF CARF MF Emitido em 28/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 21/07/2011 por JOSE ANTONIO FRANCISCO Assinado digitalmente em 23/07/2011 por WALBER JOSE DA SILVA, 21/07/2011 por JOSE ANTONIO FRANCISCO Processo nº 10580.011601/200450 Acórdão n.º 330201.122 S3C3T2 Fl. 8 8 À vista do exposto, voto por dar provimento parcial ao recurso, para manter o lançamento nos termos apurados na diligência. (Assinado digitalmente) José Antonio Francisco Fl. 170DF CARF MF Emitido em 28/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 21/07/2011 por JOSE ANTONIO FRANCISCO Assinado digitalmente em 23/07/2011 por WALBER JOSE DA SILVA, 21/07/2011 por JOSE ANTONIO FRANCISCO
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Numero do processo: 10680.005591/2007-38
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Feb 24 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Thu Feb 24 00:00:00 UTC 2011
Ementa: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO
Ano-calendário: 1998
LANÇAMENTO. ERRO.
Não pode prosperar o lançamento quando a autoridade fiscal aplica ao caso norma tributária que regula fato distinto do efetivamente apurado.
Numero da decisão: 1201-000.419
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em DAR provimento ao recurso.
Matéria: DCTF_CSL - Auto eletronico (AE) lancamento de tributos e multa isolada (CSL)
Nome do relator: Marcelo Cuba Netto
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Numero do processo: 10665.000661/2006-79
Turma: Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jul 28 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Thu Jul 28 00:00:00 UTC 2011
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF
Exercício: 2002, 2003, 2004, 2005
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. NULIDADE DA DECISÃO RECORRIDA. INDEFERIMENTO DE PEDIDO DE DILIGÊNCIA. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA. A autoridade julgadora de primeira instância indeferirá pedidos de diligência ou perícia que entender prescindíveis para a formação de sua convicção, sem
que isto constitua cerceamento de direito de defesa.
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. DILIGÊNCIA OU PERÍCIA.
CABIMENTO. A diligência ou perícia não se presta à produção de prova documental que deveria ter sido juntada pelo sujeito passivo para contrapor aquelas feitas pela fiscalização.
DESPESAS MÉDICAS E ODONTOLÓGICAS. COMPROVAÇÃO. Podem
ser deduzidos como despesas médicas e odontológicas os valores pagos pelo contribuinte, relativos ao próprio tratamento e ao de seus dependentes, limitando-se aos pagamentos especificados e comprovados.
FALTA DE RECOLHIMENTO DO TRIBUTO OU RECOLHIMENTO A
MENOR. PENALIDADE. Sendo apurada, pela Fiscalização, falta ou
insuficiência de recolhimento de imposto, cabível a aplicação da multa de 75% sobre a totalidade ou a diferença apurada, conforme previsto no artigo 44, inciso I, da Lei n.º 9.430, de 1996.
ALEGAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE DE NORMA TRIBUTÁRIA SÚMULA
CARF N° 2. Nos termos da Súmula nº 2, o Conselho Administrativo de Recursos Fiscais não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.
Numero da decisão: 2101-001.190
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar de nulidade da decisão de primeiro grau e o pedido de realização de perícia, e, no mérito, negar provimento ao recurso.
Nome do relator: CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY
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ementa_s : IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2002, 2003, 2004, 2005 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. NULIDADE DA DECISÃO RECORRIDA. INDEFERIMENTO DE PEDIDO DE DILIGÊNCIA. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA. A autoridade julgadora de primeira instância indeferirá pedidos de diligência ou perícia que entender prescindíveis para a formação de sua convicção, sem que isto constitua cerceamento de direito de defesa. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. DILIGÊNCIA OU PERÍCIA. CABIMENTO. A diligência ou perícia não se presta à produção de prova documental que deveria ter sido juntada pelo sujeito passivo para contrapor aquelas feitas pela fiscalização. DESPESAS MÉDICAS E ODONTOLÓGICAS. COMPROVAÇÃO. Podem ser deduzidos como despesas médicas e odontológicas os valores pagos pelo contribuinte, relativos ao próprio tratamento e ao de seus dependentes, limitando-se aos pagamentos especificados e comprovados. FALTA DE RECOLHIMENTO DO TRIBUTO OU RECOLHIMENTO A MENOR. PENALIDADE. Sendo apurada, pela Fiscalização, falta ou insuficiência de recolhimento de imposto, cabível a aplicação da multa de 75% sobre a totalidade ou a diferença apurada, conforme previsto no artigo 44, inciso I, da Lei n.º 9.430, de 1996. ALEGAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE DE NORMA TRIBUTÁRIA SÚMULA CARF N° 2. Nos termos da Súmula nº 2, o Conselho Administrativo de Recursos Fiscais não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.
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NULIDADE DA DECISÃO RECORRIDA. INDEFERIMENTO DE PEDIDO DE DILIGÊNCIA. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA. A autoridade julgadora de primeira instância indeferirá pedidos de diligência ou perícia que entender prescindíveis para a formação de sua convicção, sem que isto constitua cerceamento de direito de defesa. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. DILIGÊNCIA OU PERÍCIA. CABIMENTO. A diligência ou perícia não se presta à produção de prova documental que deveria ter sido juntada pelo sujeito passivo para contrapor aquelas feitas pela fiscalização. DESPESAS MÉDICAS E ODONTOLÓGICAS. COMPROVAÇÃO. Podem ser deduzidos como despesas médicas e odontológicas os valores pagos pelo contribuinte, relativos ao próprio tratamento e ao de seus dependentes, limitandose aos pagamentos especificados e comprovados. FALTA DE RECOLHIMENTO DO TRIBUTO OU RECOLHIMENTO A MENOR. PENALIDADE. Sendo apurada, pela Fiscalização, falta ou insuficiência de recolhimento de imposto, cabível a aplicação da multa de 75% sobre a totalidade ou a diferença apurada, conforme previsto no artigo 44, inciso I, da Lei n.º 9.430, de 1996. ALEGAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE DE NORMA TRIBUTÁRIA SÚMULA CARF N° 2. Nos termos da Súmula nº 2, o Conselho Administrativo de Recursos Fiscais não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Fl. 196DF CARF MF Impresso em 14/02/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/08/2011 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY, Assinado digitalmente em 20/ 09/2011 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar de nulidade da decisão de primeiro grau e o pedido de realização de perícia, e, no mérito, negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) _________________________________ JOSÉ RAIMUNDO TOSTA SANTOS Presidente. (assinado digitalmente) _________________________________ CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: José Raimundo Tosta Santos, Gonçalo Bonet Allage, Alexandre Naoki Nishioka, Gilvanci Antonio de Oliveira Sousa, José Evande Carvalho Araújo, Celia Maria de Souza Murphy (Relatora). Relatório Em desfavor do contribuinte CARLOS AMADOR ÁLVARES DA SILVA, supra qualificado, foi lavrado o Auto de Infração de fls. 02 a 12, no qual é cobrado o imposto sobre a renda de pessoa física (IRPF) correspondente aos anoscalendário de 2001, 2002, 2003 e 2004 (exercícios 2002, 2003, 2004 e 2005), no valor total de R$ 24.609,75 (vinte e quatro mil, seiscentos e nove reais e setenta e cinco centavos), acrescido de multa de lançamento de oficio e de juros de mora, calculados até 31/08/2006, perfazendo um crédito tributário total de R$ 54.503,12 (cinqüenta e quatro mil, quinhentos e três reais e doze centavos). As infrações apontadas encontramse relatadas na Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal às fls. 03 a 05, sendo, fundamentalmente, a dedução indevida de despesas médicas (glosa do valor de R$ 16.000,00, fato gerador em 31/12/2001; glosa do valor de R$ 27.000,00, fato gerador em 31/12/2002; glosa do valor de R$ 25.380,00, fato gerador em 31/12/2003; e glosa do valor de R$ 21.110,00, fato gerador em 31/12/2004). Inconformado com a exigência, o contribuinte apresentou, em 10 de novembro de 2006, impugnação às fls. 53 a 64, juntamente com a documentação de fls. 173 a 201. Citando doutrina e jurisprudência, o contribuinte faz suas alegações e ao final pede: o cancelamento do Auto de Infração em face da comprovação da origem dos descontos realizados na sua Declaração do Imposto de Renda Pessoa Física, cancelandose, por conseguinte, a multa e os juros aplicados; não sendo o acolhimento do pleito supra bastante para liquidar o crédito ou caso o mesmo não seja acolhido, pede o cancelamento do Auto de Infração, ainda, em razão das dúvidas quanto à punibilidade, circunstâncias materiais do fato e/ou natureza da penalidade aplicada; Fl. 197DF CARF MF Impresso em 14/02/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/08/2011 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY, Assinado digitalmente em 20/ 09/2011 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS Processo nº 10665.000661/200679 Acórdão n.º 210101.190 S2C1T1 Fl. 188 3 sucessivamente, caso não seja acolhido o pleito supra, pede seja cancelada a multa de 75% por violação aos princípios da anterioridade e irretroatividade, ou em razão do confisco ou, ainda, reduzida aos justos limites, por se tratar de violação ao principio da razoabilidade e proporcionalidade; o cancelamento da taxa Selic. Ao examinar o pleito, a 6.ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Belo Horizonte decidiu pela procedência do lançamento, por meio do Acórdão n.º 0229.128 – 6, de 21 de outubro de 2010, assim ementado: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2002, 2003, 2004, 2005 DESPESAS MÉDICAS. COMPROVAÇÃO. JURISPRUDÊNCIA ADMINISTRATIVA. ILEGALIDADE E INCONSTITUCIONALIDADE DE NORMA EM VIGOR. ARGUIÇÃO. Para o contribuinte fazer jus a dedução de despesas médicas, é necessária a efetiva comprovação dos serviços e dos dispêndios realizados. As decisões administrativas não se constituem em normas gerais, salvo quando da existência de Súmula com publicação de ato pelo Ministro de Estado da Fazenda vinculando a administração tributária federal. No processo administrativo fiscal, não se aprecia questões de ilegalidade e/ou inconstitucionalidade de lei, decreto ou ato normativo em vigor. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Devidamente cientificado dessa decisão em 12 de janeiro de 2011, o contribuinte ingressou, em 11 de fevereiro de 2011, com tempestivo recurso voluntário. Em sua peça recursal, alega que a autuação foi feita com base em mera presunção da não prestação dos serviços médicos e odontológicos declarados como deduções nas suas declarações de ajuste dos anoscalendário correspondentes à fiscalização de que trata este processo. Cita a doutrina a fim de sustentar sua tese de que, na presunção, deve sempre haver um fato, provado e certo, que serve de base para a presunção, e este fato deve estar plenamente provado, e que tanto as presunções como os indícios que a Fiscalização entende existirem mostramse desprovidos de qualquer elemento sólido para embasar a autuação fiscal. Desse modo, a alegação da Fiscalização de que os serviços não foram efetivamente prestados não seria juridicamente suficiente para autorizar a lavratura de um Auto de Infração com exigência de tributação e imposição de multa, por não haver prova cabal. Fl. 198DF CARF MF Impresso em 14/02/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/08/2011 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY, Assinado digitalmente em 20/ 09/2011 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS 4 Sustenta que o fato de as microfilmagens dos cheques dados em pagamento a determinados tratamentos médicos não terem sido apresentadas não conduz à conclusão de que os recibos a eles correspondentes foram “comprados”, haja vista terem sido os respectivos valores pagos em moeda corrente. Além disso, a Autoridade Administrativa deveria ter intimado os profissionais que emitiram os recibos para que estes prestassem informações à Secretaria da Receita Federal do Brasil, para confirmar ou negar a efetiva prestação dos serviços. Transcreve o artigo 46 da Instrução Normativa da Secretaria da Receita Federal n.º 15, de 2001, citando ainda doutrina e jurisprudência administrativa e judicial a fim de embasar seu entendimento que os recibos emitidos por médicos e odontólogos são suficientes para comprovar tanto a prestação dos serviços quanto o seu pagamento. Aponta ter havido cerceamento do direito de defesa, tendo em vista ter requerido à Autoridade Fiscal a realização de diligência para a verificação quanto à efetiva realização dos serviços, com análise dos emitentes dos recibos e cruzamento dos dados das suas respectivas contas bancárias, e ainda que fosse realizado pedido de informações às instituições financeiras. Nesse ponto, alega que a Fiscalização não se dignou a solicitar informações adicionais nem das instituições financeiras nem dos emitentes dos recibos. Não seria, a seu ver, razoável, exigir do contribuinte a realização de prova nesse sentido, por serem condições impossíveis de serem cumpridas. Entende ser descabida a exigência de multa sobre o imposto apurado, ante a inexistência de alegação de dolo específico. Transcreve ementa de decisão do Superior Tribunal de Justiça, na qual se manifesta o entendimento que, na ausência de prova de máfé, falsificação ou de adulteração, deve ser dada interpretação mais favorável ao contribuinte. Propugna pela aplicação do artigo 112 do Código Tributário Nacional CTN e da jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça. Caso não se entenda pela exclusão das multas aplicadas, defende ser necessária a redução da “multa de mora” de 75% para 20% do imposto devido, devendo ser aplicado o artigo 61, § 2.º, da Lei n.º 9.430, de 1996. Transcreve o dispositivo mencionado e ementa de julgado do Conselho de Contribuintes do Ministério da Fazenda, no qual se aplica a multa de 20%. Defende que, não se concedendo a exclusão da multa, ela deve ser reduzida para 20%, por entender que o artigo 61, § 2.º, da Lei n.º 9.430, de 1996, não se aplica aos casos em que ainda não houve lançamento de ofício, pois, para estes, resta configurada a denúncia espontânea, que exclui a multa na sua integralidade. Além do mais, a multa de 75% sobre o imposto devido seria confiscatória, o que conclui ante ementa de julgado do Tribunal Regional Federal da Primeira Região, o qual transcreve. Em suma, o contribuinte requer: a) O cancelamento da autuação no que diz respeito à glosa referente aos recibos médicos e odontológicos apresentados, eis que baseada em presunções. b). Que se declare a nulidade da decisão de primeira instância administrativa sob a alegação de cerceamento ao direito de defesa, tendo em vista não ter sido realizada requerida diligência pela Autoridade Fiscal, para a verificação quanto à efetiva realização dos serviços. Requer, outrossim, a realização da referida diligência. c) A exclusão das multas aplicadas, ou, ao menos, a sua redução para 20%, com base no artigo 61, § 2.º, da Lei n.º 9.430, de 1996, em razão (i) da inexistência de dolo específico e (ii) por terem caráter confiscatório. Fl. 199DF CARF MF Impresso em 14/02/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/08/2011 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY, Assinado digitalmente em 20/ 09/2011 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS Processo nº 10665.000661/200679 Acórdão n.º 210101.190 S2C1T1 Fl. 189 5 É o Relatório. Voto Conselheiro Celia Maria de Souza Murphy O recurso voluntário é tempestivo e atende aos demais requisitos legais previstos no Decreto n° 70.235, de 1972. Dele conheço. 1. Da nulidade da decisão de primeira instância administrativa. De acordo com o que prevê o Decreto n.º 70.235, de 1972, que regula o processo administrativo fiscal: Art. 59. São nulos: I os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. O Recorrente propugna pela nulidade da decisão de primeira instância administrativa, em vista de um suposto cerceamento do direito de defesa, por não ter sido realizada diligência solicitada. Alega ter requerido a realização de diligência consistente na solicitação, pelo Fisco, de informações às instituições financeiras a fim de identificar depositantes; no entanto, a Fiscalização não se dignou a solicitar, além dos extratos, informações adicionais, nem das instituições financeiras, nem dos emitentes dos recibos. Sobre o assunto, salientase não ser nula a decisão de primeira instância que indefere a realização de diligência. A teor do artigo 18 do Decreto n.º 70.235, de 1972, que regula o processo administrativo fiscal, a autoridade julgadora de primeira instância determinará, de ofício ou a requerimento do impugnante, a realização de diligências ou perícias, quando entendêlas necessárias, indeferindo as que considerar prescindíveis ou impraticáveis. As diligências e perícias servem para esclarecer questões que se mostram obscuras para o julgador. No presente caso, a autoridade julgadora entendeu que a diligência solicitada não era necessária. O contribuinte pede mais uma vez, agora em sede de Recurso Voluntário, a realização de diligência para a verificação quanto à efetiva realização dos serviços médicos e odontológicos, com “análise dos emitentes dos recibos” e cruzamento de dados das suas contas bancárias, além dos extratos e informações adicionais, das instituições financeiras e dos emitentes dos recibos. Entendo que a providência é desnecessária. A comprovação da efetiva prestação dos serviços médicos e odontológicos, bem como do correspondente desembolso para a prestação dos referidos serviços é ônus do contribuinte, eis que, para tal fora intimado. Não há, portanto, que se atender ao seu requerimento. O que busca o recorrente com esta diligência é a produção de prova documental que ele mesmo já deveria ter providenciado, para Fl. 200DF CARF MF Impresso em 14/02/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/08/2011 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY, Assinado digitalmente em 20/ 09/2011 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS 6 contrapor aquelas feitas pela fiscalização. Sendo assim, não há que se falar em nulidade da decisão de primeira instância administrativa. Não vislumbro cerceamento ao direito de defesa. Em situações análogas, este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais tem se manifestado nesse sentido: DILIGÊNCIA CABIMENTO A diligência deve ser determinada pela autoridade julgadora, de ofício ou a requerimento do impugnante, quando entendêla necessária. Deficiências da defesa na apresentação de provas, sob sua responsabilidade, não implicam na necessidade de realização de diligência com o objetivo de produzir essas provas. NULIDADE DA DECISÃO RECORRIDA INDEFERIMENTO DE PEDIDO DE DILIGÊNCIA CERCEAMENTO DE DIREITO DE DEFESA INOCORRÊNCIA A autoridade julgadora de primeira instância indeferirá pedidos de diligência ou perícia que entender impraticáveis ou prescindíveis para a formação de sua convicção, sem que isto constitua cerceamento de direito de defesa (Primeiro Conselho de Contribuintes. 4ª Câmara. Turma Ordinária. Acórdão nº 10422352 do Processo 11516003285200489. Data: 25/04/2007). PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL DILIGÊNCIA DESCABIMENTO Não é de ser acolhido pedido de diligência formulado pelo Recorrente para obtenção de informações que ele próprio poderia trazer aos autos, máxime para contraditar base de cálculo do imposto sobre a qual não existe fundada dúvida. Recurso negado (Primeiro Conselho de Contribuintes. 6ª Câmara. Turma Ordinária. Acórdão nº 10611450 do Processo 116180008159914. Data: 16/08/2000). PEDIDO DE DILIGÊNCIA INDEFERIMENTO AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO DA NECESSIDADE E PERTINÊNCIA A diligência não pode ser utilizada para inverter o ônus da prova em desfavor do fisco. A diligência não é um direito subjetivo do recorrente. Para que o pedido de diligência seja deferido pela autoridade julgadora, o recorrente deve provar sua necessidade (Primeiro Conselho de Contribuintes. 6ª Câmara. Turma Ordinária. Data: 23/01/2008). Concluise, assim, que não cabe ao fisco produzir prova em favor do contribuinte, comprovando que as despesas médicas e odontológicas declaradas foram efetivamente realizadas, mas sim ao próprio contribuinte, que para isso foi regularmente intimado. O agente da Fiscalização agiu dentro das prerrogativas legais, com base no disposto no caput do artigo 73 do Decreto n° 3.000, de 1999, o qual prevê estarem todas as deduções sujeitas a comprovação ou justificação, a juízo da autoridade lançadora, observando, portanto, o principio da legalidade. É dever do Auditor Fiscal, no desempenho de suas atividades, sob pena de responsabilidade funcional, certificarse que os valores utilizados como deduções pelo contribuinte estão de acordo com a lei. No caso em pauta, a insuficiência da prova da efetiva prestação dos serviços e do efetivo desembolso do valor a eles correspondente, em que se baseou a fiscalização para efetuar o lançamento, é válida e plenamente aceitável para embasar a lavratura do Auto de Infração, cabendo ao contribuinte suprir essa insuficiência, através da apresentação de outros documentos que revelassem a impropriedade da constituição do crédito tributário, o que não foi feito. Fl. 201DF CARF MF Impresso em 14/02/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/08/2011 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY, Assinado digitalmente em 20/ 09/2011 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS Processo nº 10665.000661/200679 Acórdão n.º 210101.190 S2C1T1 Fl. 190 7 A Lei n.º 9.784, de 1999, que regula o processo administrativo em geral, assim prevê: Art. 4.º São deveres do administrado perante a Administração, sem prejuízo de outros previstos em ato normativo: I expor os fatos conforme a verdade; II proceder com lealdade, urbanidade e boafé; III não agir de modo temerário; IV prestar as informações que lhe forem solicitadas e colaborar para o esclarecimento dos fatos. É direito do sujeito passivo apresentar provas que possam impugnar o lançamento, assim como é seu dever colaborar com a Administração, fornecendo todos os documentos solicitados, sempre que regularmente intimado, com o objetivo de facilitar o conhecimento do fato jurídico tributário pela autoridade lançadora e de subsidiar a tomada de decisão do julgador. A recusa do sujeito passivo em colaborar com a Administração não pode ser suprida por diligências, além do mais se desnecessárias e custeadas pelo Poder Público. Assim, por não verificar qualquer hipótese capaz de gerar a nulidade da decisão de primeira instância, rejeito a alegação do Recorrente. Indefiro o pedido de diligência, por não se prestar esta a suprir prova documental que cabia ao contribuinte produzir. 2. Cancelamento da autuação, no que diz respeito à glosa referente aos recibos médicos e odontológicos apresentados, por ter sido baseada em presunções Em sua peça recursal, o contribuinte pleiteia a nulidade do Auto de Infração, alegando que a fundamentação utilizada na autuação não possui qualquer alicerce jurídico, haja vista ter sido conduzida por mera presunção de não comprovação dos serviços, sem a devida comprovação ao final dos procedimentos especiais de fiscalização. Ressaltando não ter incorrido em fraude, entende que o fato de não ter apresentado as microfilmagens dos cheques dados em pagamento dos serviços médicos se deu porque os pagamentos foram feitos em espécie, e que os recibos não foram “comprados”. Além do mais, a autoridade administrativa sequer se deu ao trabalho de intimar os profissionais que emitiram os recibos, para que prestassem informações confirmando ou negando a efetiva prestação dos serviços. Vejamos o que diz a legislação que rege a matéria. Vejamos o que diz a legislação que rege a matéria. O artigo 73 do Decreto n.º 3.000, de 1999 – Regulamento do Imposto sobre a Renda, assim prescreve: Art.73. Todas as deduções estão sujeitas a comprovação ou justificação, a juízo da autoridade lançadora (DecretoLei nº 5.844, de 1943, art. 11, § 3º). §1º Se forem pleiteadas deduções exageradas em relação aos rendimentos declarados, ou se tais deduções não forem cabíveis, Fl. 202DF CARF MF Impresso em 14/02/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/08/2011 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY, Assinado digitalmente em 20/ 09/2011 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS 8 poderão ser glosadas sem a audiência do contribuinte (Decreto Lei nº 5.844, de 1943, art. 11, §4º). (...) Conforme consta da Folha de Continuação do Auto de Infração, na Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal (fls. 3), observase que o contribuinte foi intimado a: 1. Comprovar, com documentos originais, todas as deduções lançadas em sua Declaração do Imposto de Renda Pessoa Física dos anoscalendário 2001, 2002, 2003 e 2004; 2. Comprovar, com documentação hábil e idônea, a efetiva utilização dos serviços médicos, mediante a apresentação, conforme o caso, de orçamentos, pedidos de exames, prescrição de receitas, ou qualquer outro documento que comprove a utilização dos serviços; 3. Comprovar o efetivo pagamento das despesas médicas, juntando cópia de cheques, ordens de pagamento, transferências e extratos bancários que registrassem tais operações ou outros documentos comprobatórios. Ainda de acordo com a Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal (fls. 3), consta que o contribuinte apresentou à Fiscalização, em 16/06/2006, os recibos médicos solicitados, com exceção daqueles referentes aos pagamentos efetuados no anocalendário 2001 a Nilton Braga da Silva, no valor de R$ 6.000,00. Com relação ao item 2 da Intimação (comprovação da utilização dos serviços médicos), não enviou quaisquer dos documentos solicitados, alegando que não mais os possuía, visto que aqueles não constituiriam meio de prova. Também não apresentou a documentação solicitada no item 3 (comprovação do pagamento das despesas), afirmando ser impossível a comprovação dos respectivos pagamentos aos profissionais, visto que, com exceção daquele efetuado a Almir Ribeiro T. Júnior, todos foram feitos em espécie. Cumpre verificar, nesse cenário, se os documentos trazidos aos autos pelo contribuinte são aptos a ser aceitos como comprovação de despesas médicas e odontológicas, na forma da lei. Sobre a forma de comprovação das deduções utilizadas, na declaração de imposto sobre a renda de pessoa física, com despesas médicas e odontológicas, vejamos o que diz o artigo 80 do Decreto n.º 3.000, de 1999: Art. 80. Na declaração de rendimentos poderão ser deduzidos os pagamentos efetuados, no anocalendário, a médicos, dentistas, psicólogos, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais e hospitais, bem como as despesas com exames laboratoriais, serviços radiológicos, aparelhos ortopédicos e próteses ortopédicas e dentárias (Lei nº 9.250, de 1995, art. 8º, inciso II, alínea "a"). § 1º O disposto neste artigo (Lei nº 9.250, de 1995, art. 8º, § 2º): (...) II restringese aos pagamentos efetuados pelo contribuinte, relativos ao próprio tratamento e ao de seus dependentes; Fl. 203DF CARF MF Impresso em 14/02/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/08/2011 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY, Assinado digitalmente em 20/ 09/2011 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS Processo nº 10665.000661/200679 Acórdão n.º 210101.190 S2C1T1 Fl. 191 9 II limitase a pagamentos especificados e comprovados, com indicação do nome, endereço e número de inscrição no Cadastro de Pessoas Físicas CPF ou no Cadastro Nacional da Pessoa Jurídica CNPJ de quem os recebeu, podendo, na falta de documentação, ser feita indicação do cheque nominativo pelo qual foi efetuado o pagamento; (...) (grifouse) Entendese, do dispositivo acima transcrito, que os comprovantes de despesas, para fins de dedução do imposto sobre a renda, devem demonstrar tanto o efetivo pagamento feito pelo contribuinte quanto o recebimento do valor correspondente pelo prestador do serviço, em decorrência da referida prestação, ao próprio contribuinte ou a dependente seu, tudo de forma especificada. No tocante aos documentos emitidos por Adalbero Gomes da Silva, saliento que a Delegacia da Receita Federal de Brasil de Julgamento em Belo Horizonte, ao analisar o presente caso, suscitou dúvidas quanto à exatidão dos fatos alegados pelo contribuinte, nos seguintes termos (fls. 154): “A respeito, considerando haver recibo, no ano de 2001, no importe de R$ 10.000,00, emitido pelo Sr. Adalbero Gomes da Silva, e recibos, no importe de R$ 2.200,00 a R$ 10.000,00, também emitidos pelo Sr. Adalbero Gomes da Silva (recibos nºs 078, 079, 080 e 081 para o ano de 2002, nºs 133, 134, 135, 173 e 174 para o ano de 2003, e n°s 308, 309, 310, 311 e 312 para o ano de 2004), persiste a dúvida quanto à efetiva prestação dos serviços e a realização das despesas, seja pelos valores grafados nos recibos, que escapam ao senso comum para o pagamento sem nenhuma movimentação bancária, seja pela sequência dos recibos, que indica que aquele profissional teria, em determinado período, somente prestado serviço ao impugnante.” Ante essa observação, teria sido, de todo, benéfico ao contribuinte ter apresentado provas complementares àquelas já apresentadas, ou seja, aos recibos aos quais se refere a Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Belo Horizonte, a fim de eliminar quaisquer dúvidas quanto à prestação dos serviços e seu efetivo pagamento, tal como, por exemplo, a comprovação de saque da conta bancária em valor e período compatíveis com o pagamento em espécie feito ao emitente do recibo. A possibilidade de apresentação de provas após a impugnação está prevista no artigo 16 do Decreto n.º 70.235, de 1992, que regula o processo administrativo fiscal: Art. 16 (...) § 4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior;(Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) Fl. 204DF CARF MF Impresso em 14/02/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/08/2011 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY, Assinado digitalmente em 20/ 09/2011 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS 10 b) refirase a fato ou a direito superveniente;(Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos.(Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) § 5º A juntada de documentos após a impugnação deverá ser requerida à autoridade julgadora, mediante petição em que se demonstre, com fundamentos, a ocorrência de uma das condições previstas nas alíneas do parágrafo anterior. (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) (...) (grifouse). Com base no que foi apontado pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Belo Horizonte, observase que a sequência da numeração dos recibos emitidos por Adalbero Gomes da Silva indica irregularidades na sua emissão, haja vista, em primeiro lugar, constatarse que, no período, referido profissional prestou serviços exclusivamente ao contribuinte, e, em segundo, por desafiar a dimensão “tempo”: os números sequenciais de alguns dos recibos não condizem com as datas que neles constam, se comparados com outros recibos emitidos pelo mesmo Adalbero Gomes da Silva. Sendo assim, considerandose que o Recorrente não trouxe aos autos outras provas, a fim de demonstrar a efetiva prestação dos serviços profissionais indicados e o efetivo desembolso do valor correspondente, reputo insuficientes para tal fim os recibos apresentados. Os demais documentos anexados aos autos pelo Recorrente são, de igual modo, insuficientes para comprovar a efetiva prestação dos serviços e o efetivo pagamento. O Recorrente limitouse a apresentar recibos, em sua maior parte irregulares, com informações faltando, tais como o nome e o endereço do emitente e a data de emissão. Ressaltese que em nenhum momento o Recorrente se dignou a apresentar provas do efetivo desembolso dos valores correspondentes aos serviços prestados, tal como exige a legislação do imposto sobre a renda, limitandose a alegar que os pagamentos foram feitos em espécie, e, nos casos em que os recibos fazem referência a cheques emitidos, o contribuinte não apresentou as cópias correspondentes. Além disso, não trouxe aos autos qualquer comprovação do pagamento feito a Nilton Braga da Silva, no anocalendário de 2001. Isto posto, mantenho integralmente a glosa efetuada pela Fiscalização e confirmada pela decisão de primeira instância, haja vista: (i) não ter o contribuinte apresentado qualquer comprovação,correspondente aos pagamentos efetuados no anocalendário 2001 a Nilton Braga da Silva, no valor de R$6.000,00; (ii) serem insuficientes para preencher os requisitos constantes do artigo 80, II e III, do Decreto n.º 3.000, de 1999, os comprovantes apresentados pelo Recorrente, correspondentes aos serviços supostamente prestados por Adalbero Gomes da Silva, assim como apresentarem tais documentos indícios de irregularidades, conforme anteriormente apontado; (iii) serem insuficientes para preencher os requisitos constantes do artigo 80, II e III, do Decreto n.º 3.000, de 1999, os demais comprovantes por ele apresentados. 3. Da multa de 75% Fl. 205DF CARF MF Impresso em 14/02/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/08/2011 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY, Assinado digitalmente em 20/ 09/2011 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS Processo nº 10665.000661/200679 Acórdão n.º 210101.190 S2C1T1 Fl. 192 11 O contribuinte pede a exclusão das multas “de mora” aplicadas, de 75% sobre as diferenças de imposto de renda apuradas em razão da glosa das despesas médicas e odontológicas declaradas nos anoscalendário de 2001 a 2004. Alega não ter tido a vontade deliberada de prejudicar o Fisco. Caso este pedido não seja atendido, pede, ao menos, a redução da multa para 20%. Alega ser confiscatória a multa de 75% sobre o imposto apurado. Diferentemente do que entende o Recorrente, não se trata de multa de mora, e sim de multa de lançamento de ofício. A multa de 75%, prevista no inciso I do artigo 44 da Lei n.º 9.430, de 1996, é aplicada nos casos de lançamento de ofício, quando for apurada falta de pagamento ou pagamento a menor do tributo devido: Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) (...) A multa de 75% é devida por infração à legislação tributária quando a autoridade lançadora entende não haver indícios de sonegação, fraude ou conluio. Comprovadas estas circunstâncias (artigos 71, 72 e 73 da Lei no 4.502, de 1964), a multa é qualificada, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis, conforme prevê o § 1.º do artigo 44 da Lei n.º 9.430, de 1996. Segundo o Fisco, o Recorrente fez deduções que não ficaram devidamente comprovadas, e, por isso, foram glosadas, hipótese que se subsume ao artigo 44, inciso I, da Lei 9.430, de 1996. Tendo em vista que a apuração do tributo foi feita por meio de lançamento de ofício, correta a aplicação da multa de 75% sobre a diferença de imposto apurada no procedimento de fiscalização. Não estamos aqui diante de uma hipótese de multa moratória limitada a vinte por cento, aplicável apenas aos débitos não pagos nos prazos previstos na legislação, mas recolhidos em data posterior por iniciativa do próprio contribuinte, antes de iniciado qualquer procedimento fiscal. A estes aplicase a regra do artigo 61 da Lei n.º 9.430, de 1996, mas não aos créditos tributários lançados de ofício. Além do mais, de acordo com as regras do Direito Tributário, consubstanciadas no artigo 142, parágrafo único, do Código Tributário Nacional CTN, não é dado à Administração conduta diversa da de se aplicar a Lei em sua conformidade; na espécie, o inciso I do artigo 44 da Lei n° 9.430, de 1996. Sobre a alegação de caráter confiscatório da multa de 75% sobre o imposto lançado de ofício, esclareço que, a teor da Súmula CARF nº 2, o Conselho Administrativo de Recursos Fiscais não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Isto posto, voto por rejeitar a preliminar de nulidade da decisão de primeiro grau e o pedido de realização de perícia. No mérito, por negar provimento Recurso Voluntário. Fl. 206DF CARF MF Impresso em 14/02/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/08/2011 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY, Assinado digitalmente em 20/ 09/2011 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS 12 (assinado digitalmente) _________________________________ Celia Maria de Souza Murphy Relatora Fl. 207DF CARF MF Impresso em 14/02/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/08/2011 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY, Assinado digitalmente em 20/ 09/2011 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS
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Numero do processo: 14485.000112/2007-54
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Apr 13 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Wed Apr 13 00:00:00 UTC 2011
Ementa: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS
Data do fato gerador: 06/05/2003
RETROATIVIDADE BENIGNA. GFIP. MEDIDA PROVISÓRIA Nº 449.
REDUÇÃO DA MULTA.
As multas em GFIP foram alteradas pela Medida Provisória n º 449 de 2008, sendo benéfica para o infrator. Foi acrescentado o art. 32A à Lei nº 8.212.
Conforme previsto no art. 106, inciso II do CTN, a lei aplicase
a ato ou fato pretérito, tratando-se de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de defini-lo como infração; b) quando deixe de tratá-lo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; c) quando lhe
comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática.
RELEVAÇÃO. IMPOSSIBILIDADE. REINCIDÊNCIA.
A reincidência é fato impeditivo da concessão da relevação da multa, conforme previsto no art. 291 do Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto n 3.048 de 1999.
Recurso Voluntário Provido em Parte
Crédito Tributário Mantido em Parte
Numero da decisão: 2302-000.976
Decisão: ACORDAM os membros da Segunda Turma da Terceira Câmara da Segunda Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, Por unanimidade em conceder provimento parcial ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. A multa deve ser calculada considerando as disposições da Medida Provisória n º 449 de 2008, mais precisamente o art. 32-A, inciso II, que na conversão pela Lei n º 11.941 foi renumerado para o art. 32-A, inciso I da Lei n º 8.212 de 1991.
Nome do relator: Marco André Ramos Vieira
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ementa_s : OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Data do fato gerador: 06/05/2003 RETROATIVIDADE BENIGNA. GFIP. MEDIDA PROVISÓRIA Nº 449. REDUÇÃO DA MULTA. As multas em GFIP foram alteradas pela Medida Provisória n º 449 de 2008, sendo benéfica para o infrator. Foi acrescentado o art. 32A à Lei nº 8.212. Conforme previsto no art. 106, inciso II do CTN, a lei aplicase a ato ou fato pretérito, tratando-se de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de defini-lo como infração; b) quando deixe de tratá-lo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. RELEVAÇÃO. IMPOSSIBILIDADE. REINCIDÊNCIA. A reincidência é fato impeditivo da concessão da relevação da multa, conforme previsto no art. 291 do Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto n 3.048 de 1999. Recurso Voluntário Provido em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte
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Recorrente TECELAGEM LADY LTDA Recorrida SRP SECRETARIA DA RECEITA PREVIDENCIÁRIA ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Data do fato gerador: 06/05/2003 RETROATIVIDADE BENIGNA. GFIP. MEDIDA PROVISÓRIA N º 449. REDUÇÃO DA MULTA. As multas em GFIP foram alteradas pela Medida Provisória n º 449 de 2008, sendo benéfica para o infrator. Foi acrescentado o art. 32A à Lei n º 8.212. Conforme previsto no art. 106, inciso II do CTN, a lei aplicase a ato ou fato pretérito, tratandose de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de definilo como infração; b) quando deixe de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. RELEVAÇÃO. IMPOSSIBILIDADE. REINCIDÊNCIA. A reincidência é fato impeditivo da concessão da relevação da multa, conforme previsto no art. 291 do Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto n 3.048 de 1999. Recurso Voluntário Provido em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da Segunda Turma da Terceira Câmara da Segunda Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, Por unanimidade em conceder provimento parcial ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. A multa deve ser calculada considerando as disposições da Medida Fl. 1DF CARF MF Emitido em 17/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 09/05/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Assinado digitalmente em 09/05/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA 2 Provisória n º 449 de 2008, mais precisamente o art. 32A, inciso II, que na conversão pela Lei n º 11.941 foi renumerado para o art. 32A, inciso I da Lei n º 8.212 de 1991. Marco André Ramos Vieira Presidente e Relator Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Marco André Ramos Vieira (Presidente), Liege Lacroix Thomasi, Arlindo da Costa e Silva, Manoel Coelho Arruda Júnior, Adriana Sato. Ausente momentaneamente o Conselheiro Thiago Davila Melo Fernandes. Fl. 2DF CARF MF Emitido em 17/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 09/05/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Assinado digitalmente em 09/05/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Processo nº 14485.000112/200754 Acórdão n.º 230200.976 S2C3T2 Fl. 442 3 Relatório Trata o presente auto de infração, lavrado em desfavor do recorrente, originado em virtude do descumprimento do art. 32, IV, § 5º da Lei n ° 8.212/1991, com a multa punitiva aplicada conforme dispõe o art. 284, II do RPS, aprovado pelo Decreto n ° 3.048/1999. Segundo a fiscalização previdenciária, a recorrente não informou à previdência social por meio da GFIP todos os fatos geradores de contribuições previdenciárias nas competências janeiro de 1999 a outubro de 2002, conforme fls. 02 a 23. Inconformada, a autuada apresentou impugnação no prazo normativo, fls. 34 a 37. A Delegacia da Receita Previdenciária emitiu a Decisão de fls. 104 a 111, mantendo a autuação em sua integralidade. Inconformada com a decisão, a autuada interpôs recurso voluntário, fls. 118 a 125. A unidade da Receita Previdenciária comandou diligência para retificar os valores apurados nos autos de infração que envolveram omissão em GFIP, fls. 286 a 290. A fiscalização prestou informações às fls. 293 a 295. Nova diligência foi comandada, fl. 299; tendo a fiscalização se pronunciado às fls. 308. Foi emitido o Despacho Decisório de fls. 314 a 320 retificando o valor da multa aplicada. Cientificada da alteração, a autuada apresentou impugnação às fls. 341 a 348. Houve reforma da decisão de primeira instância, julgando procedente a autuação com relevação parcial da multa para as competências janeiro a dezembro de 1999, conforme fls. 411 a 423. Não concordando com a decisão proferida pelo órgão a quo, a autuada interpõe recurso voluntário, fls. 430 a 436. Alega em síntese que: a) A recorrente corrigiu a falta durante a ação fiscal; b) O tributo devido foi recolhido; c) A multa deve ser relevada; d) Não houve prejuízo para a Administração; Não foram apresentadas contrarazões pelo órgão fazendário. É o relato suficiente. Fl. 3DF CARF MF Emitido em 17/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 09/05/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Assinado digitalmente em 09/05/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA 4 Voto Conselheiro Marco André Ramos Vieira, Relator Quanto ao recurso voluntário, o mesmo é tempestivo, conforme fl. 439; pressuposto de admissibilidade superado passo para o exame das questões preliminares ao mérito. O fato de as contribuições terem sido recolhidas não afasta a necessidade de cumprimento das obrigações acessórias. Tal argumento recursal somente atesta que os fatos geradores ocorreram e portanto deveriam ter sido informados em GFIP. A responsabilidade pela infração é objetiva, independe da culpa ou da intenção do agente para que surja a imposição do auto de infração. Assim, o fato de trazer ou não prejuízo ao Fisco é irrelevante, pois a obrigação sendo instrumental, qualquer descumprimento por presunção legal, acarreta dificuldade na ação fiscal. Conforme disposto no art. 136 do CTN, a responsabilidade por infrações da legislação tributária independe da intenção do agente ou do responsável e da efetividade, natureza e extensão dos efeitos do ato, a não ser que haja disposição em contrário. Deve ficar claro que as obrigações acessórias são impostas aos sujeitos passivos como forma de auxiliar e facilitar a ação fiscal. Por meio das obrigações acessórias a fiscalização conseguirá verificar se a obrigação principal foi cumprida. Como é cediço, a obrigação acessória é decorrente da legislação tributária e não apenas da lei em sentido estrito, conforme dispõe o art. 113, § 2º do CTN, nestas palavras: Art. 113. A obrigação tributária é principal ou acessória. § 1º A obrigação principal surge com a ocorrência do fato gerador, tem por objeto o pagamento de tributo ou penalidade pecuniária e extinguese juntamente com o crédito dela decorrente. § 2º A obrigação acessória decorre da legislação tributária e tem por objeto as prestações, positivas ou negativas, nela previstas no interesse da arrecadação ou da fiscalização dos tributos. § 3º A obrigação acessória, pelo simples fato da sua inobservância, convertese em obrigação principal relativamente à penalidade pecuniária. A legislação engloba as leis, os tratados e as convenções internacionais, os decretos e as normas complementares que versem, no todo ou em parte, sobre tributos e relações jurídicas a eles pertinentes, conforme dispõe o art. 96 do CTN. Quanto ao cabimento da relevação da multa teço a seguinte análise. A relevação prevista no art. 291, § 1º do RPS necessita dos seguintes requisitos: I. Pedido no prazo de defesa, mesmo que não contestada a infração; Fl. 4DF CARF MF Emitido em 17/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 09/05/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Assinado digitalmente em 09/05/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Processo nº 14485.000112/200754 Acórdão n.º 230200.976 S2C3T2 Fl. 443 5 II. Primariedade do infrator; III. Correção da falta até a decisão do INSS; IV. Sem ocorrência de circunstância agravante. Art.291. Constitui circunstância atenuante da penalidade aplicada ter o infrator corrigido a falta até a decisão da autoridade julgadora competente. § 1º A multa será relevada, mediante pedido dentro do prazo de defesa, ainda que não contestada a infração, se o infrator for primário, tiver corrigido a falta e não tiver ocorrido nenhuma circunstância agravante. A relevação não é faculdade da autoridade administrativa, uma vez o infrator atendendo aos requisitos do art. 291, § 1º do RPS, quais sejam: primariedade do infrator; correção da falta e sem ocorrência de circunstância agravante; surge para a autoridade o dever de relevar a multa. Contudo, essa autoridade não pode agir de ofício, é necessária a provocação da parte. Analisando os requisitos e os autos, verificase que a recorrente é reincidente, conforme fl. 31. A atenuação e a relevação da multa são benefícios concedidos ao infrator, sendo uma contrapartida oferecida pela legislação previdenciária. Caso esse infrator corrija a falta, ficará responsável por um débito de menor valor, caso atenda aos demais requisitos a multa será relevada. Uma vez sendo em beneficio do infrator, é necessário que este atenda aos requisitos exigidos pela Previdência Social e na forma pelo órgão estabelecida, traduzida no Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto n ° 3.048/1999. Contudo, há que se observar a retroatividade benigna prevista no art. 106, inciso II do CTN. As multas em GFIP foram alteradas pela Medida Provisória n º 449 de 2008, sendo mais benéficas para o infrator. Foi acrescentado o art. 32A à Lei n º 8.212, nestas palavras: “Art. 32A. O contribuinte que deixar de apresentar a declaração de que trata o inciso IV do art. 32 no prazo fixado ou que a apresentar com incorreções ou omissões será intimado a apresentála ou a prestar esclarecimentos e sujeitarseá às seguintes multas: I de dois por cento ao mêscalendário ou fração, incidente sobre o montante das contribuições informadas, ainda que integralmente pagas, no caso de falta de entrega da declaração ou entrega após o prazo, limitada a vinte por cento, observado o disposto no § 3o; e II de R$ 20,00 (vinte reais) para cada grupo de dez informações incorretas ou omitidas. Fl. 5DF CARF MF Emitido em 17/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 09/05/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Assinado digitalmente em 09/05/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA 6 § 1o Para efeito de aplicação da multa prevista no inciso I do caput, será considerado como termo inicial o dia seguinte ao término do prazo fixado para entrega da declaração e como termo final a data da efetiva entrega ou, no caso de não apresentação, a data da lavratura do auto de infração ou da notificação de lançamento. § 2o Observado o disposto no § 3o, as multas serão reduzidas: I à metade, quando a declaração for apresentada após o prazo, mas antes de qualquer procedimento de ofício; ou II a setenta e cinco por cento, se houver apresentação da declaração no prazo fixado em intimação. § 3o A multa mínima a ser aplicada será de: I R$ 200,00 (duzentos reais), tratandose de omissão de declaração sem ocorrência de fatos geradores de contribuição previdenciária; e II R$ 500,00 ( quinhentos reais), nos demais casos.” (NR) Desse modo, resta evidenciado, que a conduta de apresentar a GFIP com dados não correspondentes aos fatos geradores sujeitava o infrator à pena administrativa correspondente à multa de cem por cento do valor devido relativo à contribuição não declarada, limitada aos valores previstos no parágrafo 4º do artigo 32 da Lei n º 8.212 de 1991. Agora, com a Medida Provisória n º 449 de 2009, convertida na Lei n º 11.941, a tipificação passou a ser apresentar a GFIP com incorreções ou omissões, com multa de R$ 20,00 (vinte reais) para cada grupo de dez informações incorretas ou omitidas. O núcleo do tipo infracional seja na redação anterior à MP n º 449, seja com o novo ordenamento é o mesmo: apresentar a GFIP com erros. A multa será aplicada ainda que o contribuinte tenha pago as contribuições, conforme previsto no inciso I do art. 32 A. Resta demonstrado, assim, que estamos diante de uma obrigação puramente formal, devendo ser aplicada a multa isolada. Não há razão para serem somadas as multas por descumprimento da obrigação principal e da acessória antes da MP n º 449 e após, para verificar qual a mais vantajosa. A análise tem que ser multa por descumprimento de obrigação principal antes e multa por tal descumprimento após; e multa por descumprimento de obrigação acessória antes e após. A análise tem que ser realizada dessa maneira, pois como já afirmado tratase de obrigação acessória independente da obrigação principal. A conduta de não apresentar declaração, ou apresentar de forma inexata, somente se subsumiria à multa de 75%, prevista no art. 44 da Lei n º 9.430, nas hipóteses em que não há penalidade específica para ausência de declaração ou declaração inexata. Para a GFIP, assim como a DCTF e a DIRPF, há multa com tipificação específica; desse modo inaplicável o art. 44. Para a GFIP aplicase o art. 32A da Lei n º 8.212 de 1991. Conforme previsto no art. 44 da Lei n º 9.430, a multa de 75% incidirá sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata. Desse modo, há três condutas no art. 44 que não precisam ocorrer simultaneamente para ser aplicada a multa. Há a conduta deixar de pagar ou recolher; outra conduta é ausência de declaração, e a outra é a apresentação de declaração inexata. Fl. 6DF CARF MF Emitido em 17/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 09/05/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Assinado digitalmente em 09/05/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Processo nº 14485.000112/200754 Acórdão n.º 230200.976 S2C3T2 Fl. 444 7 Logicamente, se o contribuinte tiver recolhido os valores devidos antes da ação fiscal, não se aplica a multa de 75% prevista no art. 44 da Lei n º 9.430; mas a despeito do pagamento não declarou em GFIP, é possível a aplicação da multa isolada do art. 32A da Lei n º 8.212. Essa aplicação de multa isolada somente é possível, pelo fato de serem condutas distintas. Agora, se o contribuinte tiver declarado em GFIP não se aplica a multa do art. 44 da Lei n º 9.430, sendo aplicável somente a multa moratória do art. 61 da Lei n º 9430, pois os débitos já estão confessados e devidamente constituídos, sendo prescindível o lançamento. Afinal, a multa do art. 44 da Lei n º 9.430 somente se aplica nos lançamentos de ofício. Desse modo, se o contribuinte tiver declarado em GFIP, mas não tiver pago, o art. 44 da Lei 9.430 não é aplicado pelo fato de o contribuinte não ter recolhido, mas ter declarado; de fato, não se aplica o art. 44 em função de não haver lançamento de ofício, pois o crédito já está constituído pelo termo de confissão que é a GFIP. E nas hipóteses em que o contribuinte não recolhe e não declara em GFIP, há duas condutas distintas: por não recolher o tributo e ser realizado o lançamento de ofício, aplicase a multa de 75%; e por não ter declarado em GFIP a multa prevista no art. 32A da Lei n º 8.212. Como já afirmado, a multa será aplicada ainda que o contribuinte tenha pago as contribuições, conforme previsto no inciso I do art. 32 A. Pelo exposto, é de fácil constatação que as condutas de não recolher ou pagar o tributo e não declarar em GFIP não estão tipificadas no mesmo artigo de lei, no caso o art. 44 da Lei nº 9.430/96. Assim, não há que se falar em bis in idem, tampouco em consunção. Pelo contrário, a lei ao tipificar essas infrações, inclusive em dispositivos distintos, demonstra estar tratando de obrigações, infrações e penalidades tributárias distintas, que não se confundem e tampouco são excludentes. Logo, não há consistência nos entendimentos que pretendem dispensar a multa isolada, por ter sido aplicada a multa genérica. A Receita Federal do Brasil editou a Instrução Normativa RFB n º 1.027 de 22 de abril de 2010 que assim dispõe em seu artigo 4º: Art. 4º A Instrução Normativa RFB nº 971, de 2009, passa a vigorar acrescida do art. 476A: Art. 476A. No caso de lançamento de oficio relativo a fatos geradores ocorridos: I até 30 de novembro de 2008, deverá ser aplicada a penalidade mais benéfica conforme disposto na alínea “c” do inciso II do art. 106 da Lei nº 5.172, de 1966 (CTN), cuja análise será realizada pela comparação entre os seguintes valores: a) somatório das multas aplicadas por descumprimento de obrigação principal, nos moldes do art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à Lei nº 11.941, de 2009, e das aplicadas pelo descumprimento de obrigações acessórias, nos moldes dos §§ 4º, 5º e 6º do art. 32 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à Lei nº 11.941, de 2009; e b) multa aplicada de ofício nos termos do art. 35A da Lei nº 8.212, de 1991, acrescido pela Lei nº 11.941, de 2009. II a partir de 1º de dezembro de 2008, aplicamse as multas previstas no art. 44 da Lei nº 9.430, de 1996. § 1º Caso as multas previstas nos §§ 4º, 5º e 6º do art. 32 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº Fl. 7DF CARF MF Emitido em 17/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 09/05/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Assinado digitalmente em 09/05/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA 8 11.941, de 2009, tenham sido aplicadas isoladamente, sem a imposição de penalidade pecuniária pelo descumprimento de obrigação principal, deverão ser comparadas com as penalidades previstas no art. 32A da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009. § 2º A comparação de que trata este artigo não será feita no caso de entrega de GFIP com atraso, por se tratar de conduta para a qual não havia antes penalidade prevista.? Entendo inaplicável a referida Portaria por ser ilegal. Como demonstrado, é possível a aplicação da multa isolada em GFIP, independentemente de o contribuinte ter pago, conforme dispõe o art. 32A da Lei n º 8.212. Uma vez que a penalidade está prevista em lei, somente quem pode dispor da mesma é o Poder Legislativo, a interpretação da Receita Federal gera a concessão de uma anistia sem previsão em lei. Nesse sentido, o art. 150, parágrafo 6º da Constituição exige lei específica para concessão de anistia. A Portaria também viola o art. 182 do CTN que exige a concessão de anistia por meio de lei. Além de violar, os artigos 32A da Lei n º 8.212 e 44 da Lei n º 9.430. Conforme previsto no art. 106, inciso II do CTN, a lei aplicase a ato ou fato pretérito, tratandose de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de definilo como infração; b) quando deixe de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. Entendo que há cabimento do art. 106, inciso II, alínea “c” do CTN. CONCLUSÃO Pelo exposto, CONHEÇO do recurso voluntário, para no mérito CONCEDERLHE PROVIMENTO PARCIAL. A multa deve ser calculada considerando as disposições da Medida Provisória n º 449 de 2008, mais precisamente o art. 32A, inciso II, que na conversão pela Lei n º 11.941 foi renumerado para o art. 32A, inciso I da Lei n º 8.212 de 1991. É como voto. Marco André Ramos Vieira Fl. 8DF CARF MF Emitido em 17/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 09/05/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Assinado digitalmente em 09/05/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA
score : 1.0
Numero do processo: 10380.011689/2006-28
Turma: Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jun 08 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Wed Jun 08 00:00:00 UTC 2011
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF
Exercício: 2002
Ementa:
IRPF. CLASSIFICAÇÃO INDEVIDA DE RENDIMENTOS. COMPENSAÇÃO EFETUADA PELA FONTE PAGADORA. EXTINÇÃO DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO.
Comprovada a extinção do crédito tributário mediante compensação efetuada pela fonte pagadora, o recurso deve ser provido.
Recurso provido.
Numero da decisão: 2101-001.134
Decisão: ACORDAM os Membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar
provimento ao recurso, nos termos do voto do relator.
Nome do relator: ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA
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CLASSIFICAÇÃO INDEVIDA DE RENDIMENTOS. COMPENSAÇÃO EFETUADA PELA FONTE PAGADORA. EXTINÇÃO DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO. Comprovada a extinção do crédito tributário mediante compensação efetuada pela fonte pagadora, o recurso deve ser provido. Recurso provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os Membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) JOSÉ RAIMUNDO TOSTA SANTOS Presidente Substituto (assinado digitalmente) ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA Relator Fl. 158DF CARF MF Emitido em 08/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 13/06/2011 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 13/06/ 2011 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 29/07/2011 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTO S Processo nº 10380.011689/200628 Acórdão n.º 210101.134 S2C1T1 Fl. 152 2 Participaram do julgamento os Conselheiros José Raimundo Tosta Santos (Presidente Substituto), Alexandre Naoki Nishioka (Relator), Celia Maria de Souza Murphy, José Evande Carvalho Araujo (convocado), Gilvanci Antônio de Oliveira Sousa e Gonçalo Bonet Allage. Relatório Tratase de recurso voluntário (fls. 139/143) interposto em 12 de fevereiro de 2010 (fl. 139) contra acórdão proferido pela 1ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Fortaleza (CE) (fls. 129/134), do qual a Recorrente teve ciência em 21 de janeiro de 2010 (fl. 138), que, por unanimidade de votos, julgou procedente em parte o auto de infração de fls. 03/07, lavrado em 27 de novembro de 2006, em decorrência de classificação indevida de rendimentos na DIRPF, relativamente ao anocalendário de 2001. O acórdão recorrido teve a seguinte ementa: “ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2001 ERRO NA CLASSIFICAÇÃO DOS RENDIMENTOS. A apuração pelo Fisco de rendimentos tributáveis, informados erroneamente na Declaração como rendimentos isentos, caracteriza o ilícito fiscal, e justifica o lançamento de ofício. RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA. A responsabilidade da fonte pagadora pela retenção na fonte e recolhimento do tributo não exclui a responsabilidade do beneficiário do respectivo rendimento, no que tange ao oferecimento desse rendimento à tributação em sua declaração de ajuste anual. MULTA DE OFÍCIO Cabível a aplicação da multa de ofício de 75% nos casos de lançamento de ofício quando constatada inexatidão na declaração. ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Anocalendário: 2001 DECISÕES ADMINISTRATIVAS. EFEITOS. As decisões administrativas não se constituem em normas gerais, razão pela qual seus julgados não se aproveitam em relação a qualquer outra ocorrência, senão aquela, objeto da decisão. Fl. 159DF CARF MF Emitido em 08/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 13/06/2011 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 13/06/ 2011 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 29/07/2011 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTO S Processo nº 10380.011689/200628 Acórdão n.º 210101.134 S2C1T1 Fl. 153 3 Impugnação Procedente em Parte. Crédito Tributário Mantido em Parte.” Não se conformando, a Recorrente interpôs recurso voluntário (fls. 139/143), alegando, basicamente: (a) falta de dedução do imposto de renda retido na fonte recolhido pela Cia. Docas; (b) erro material na apuração do quantum debeatur; e (c) não cabimento da multa de ofício. É o relatório. Voto Conselheiro Alexandre Naoki Nishioka, Relator O recurso preenche os requisitos de admissibilidade, motivo pelo qual dele conheço. Sustenta a Recorrente, inicialmente, que teria juntado aos autos “comprovante de recolhimento de imposto de renda na fonte efetuado pela Companhia Docas do Ceará no valor de R$ 5.568.816,53 (Principal R$ 2.615.818,75 + Multa R$ 523.163,75 + Juros SELIC R$ 2.429.834,03). Esse valor corresponde ao IRRF (27,5%) das 124 pessoas que integraram a Reclamação Trabalhista efetuada pelo SINDEPOR (Sindicato dos Portuários) face a CDC (Cia Docas), apurado sobre o Valor Bruto (R$ 9.512.068,17) repassado ao Sindicato, através dos 03 (três) cheques nominais no valor de R$ 3.170.689,39 (Três Milhões, Cento e Setenta Mil, Seiscentos e Oitenta e Nove Reais e Trinta e Nove Centavos) cada um, em decorrência do Termo de Acordo celebrado no TRT” (fl. 139). Tal alegação, apesar de expressamente contida na impugnação (fl. 111), não foi analisada pelo relator do acórdão recorrido, motivo pelo qual é trazida, novamente, pela Recorrente, em seu recurso voluntário. Nesse sentido, entendo que os documentos de fls. 116/120, juntados pela Recorrente por ocasião da apresentação da impugnação, comprovam sim a extinção do crédito tributário de responsabilidade da Companhia Docas do Ceará, especialmente quando se verifica que, em nenhum momento, foram refutados pela Recorrida. De fato, os cheques de fls. 116 comprovam o valor total dos pagamentos efetuados pela Companhia Docas do Ceará ao SINDEPOR (R$ 9.512.068,17). Por sua vez, a minuta de DARF de fl. 117 demonstra o valor atualizado do imposto para pagamento até dezembro de 2006, devidamente acrescido de multa e juros de mora (Principal: R$ 2.615.818,75; Multa: R$ 523.163,75; Juros: R$ 2.429.834,03; Total: R$ 5.568.816,53). Finalmente, as declarações de compensação de fls. 118/120, transmitidas em 28/12/2006, demonstram que a Companhia Docas do Ceará confessou dívida e a Fl. 160DF CARF MF Emitido em 08/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 13/06/2011 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 13/06/ 2011 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 29/07/2011 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTO S Processo nº 10380.011689/200628 Acórdão n.º 210101.134 S2C1T1 Fl. 154 4 correspondente extinção do crédito tributário no valor total de R$ 5.568.816,53 (R$ 1.367.988,56 + 3.474.594,72 + 726.233,25). Assim, considerandose o atual regime de compensação do crédito tributário previsto na Lei n. 9.430/96, segundo o qual a declaração de compensação constitui confissão de dívida irrevogável e irretratável, além de extinguir o crédito tributário sob condição resolutiva de sua ulterior homologação, e levandose em conta, ainda, o fato de que nenhum dos documentos apresentados tempestivamente pela Recorrente em sua impugnação foi refutado pela Recorrida, os argumentos da contribuinte devem ser acolhidos. Eis os motivos pelos quais voto no sentido de DAR provimento ao recurso. (assinado digitalmente) ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA Relator Fl. 161DF CARF MF Emitido em 08/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 13/06/2011 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 13/06/ 2011 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 29/07/2011 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTO S
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Numero do processo: 10580.005094/2005-04
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jul 06 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Thu Jul 07 00:00:00 UTC 2011
Ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI
Período de apuração: 01/10/2002 a 28/02/2005
IPI CLASSIFICAÇÃO
FISCAL DESINFETANTE
As propriedades odoríferas ou desodorizantes dos desinfetantes não alteram a
classificação fiscal do produto, que permanece como preparação desinfetante
com funções bactericida e germicida, próprio para aplicação em superfícies.
Manutenção da classificação no código nº 3808.40.10 da NCM em virtude de
inexistir uma alteração substancial do produto.
Numero da decisão: 3302-001.097
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar
provimento ao recurso de ofício, nos termos do voto da relatora. Fez sustentação oral, pela
recorrente, o Dr. Henrique Rocha, OAB/SP 205889.
Matéria: IPI- ação fiscal- insuf. na apuração/recolhimento (outros)
Nome do relator: FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS
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Manutenção da classificação no código nº 3808.40.10 da NCM em virtude de inexistir uma alteração substancial do produto. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso de ofício, nos termos do voto da relatora. Fez sustentação oral, pela recorrente, o Dr. Henrique Rocha, OAB/SP 205889. (assinado digitalmente) WALBER JOSÉ DA SILVA Presidente. (assinado digitalmente) FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS Relatora. EDITADO EM: 11/11/2011 Fl. 1DF CARF MF Emitido em 17/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 11/11/2011 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Assinado digitalmente em 14/1 1/2011 por WALBER JOSE DA SILVA 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Walber José da Silva (Presidente), José Antonio Francisco, Fabiola Cassiano Keramidas(Relatora), Alan Fialho Gandra, Alexandre Gomes e Gileno Gurjão Barreto. Relatório Tratase de três autos de infração (fls. 05/20; fls.405/414 e fls.469/473), lavrados para fim de constituir débito de Imposto sobre Produtos Industrializados IPI pertinente ao período compreendido entre outubro de 2002 e fevereiro de 2005. Por retratar a realidade dos fatos transcrevo, a seguir, o relatório constante da decisão de primeira instância administrativa, verbis: “Em cumprimento à disposição contida no art.2° da Portaria SRF n°6129, de 03/12/2005, publicada no DOU em 06/12/2005, foi determinada a juntada por anexação dos processos n°10580.005095/200541 e 10580.005096/200595, que formalizam a exigência constante dos autos de infração do IPI dos períodos de janeiro de 2004 a setembro de 2004, e de outubro de 2004 a fevereiro de 2005, nos valores respectivos de R$452.732,74 (fls.405/414)e R$277.021,22 (fls.469/473). O enquadramento legal prevê infração aos arts.15, 16, 17, 23, inciso II e III, 24, II, 32, II, 34, II, 109, 110, I, alínea "h" e II "c", 114, 117, 118, II, 122, 123, I, "b", II, "c", 130, • 131, II, 182, 183, IV e 185, III, 199, 200, IV, IV, 202, II, todos dos RIPI198, aprovado pelo Decreto 2.637/98 e dispositivos similares do Decreto n°4.544/02. Consta na descrição dos fatos de fl.09 que o estabelecimento industrial ou equiparado a industrial promoveu a saída de produto tributado com falta de lançamento de imposto, identificado como Desinfetante Atol Lavanda, Alfazema e Tradicional, em caixa com 24 frascos de 90m1, apresentando erro na classificação fiscal ou na utilização da alíquota, em desacordo à Tabela de Incidência do IPI TIPI, aprovada pelo Decreto n° 2.092, de 1996, conforme descrição contida no Termo de Verificação Fiscal anexado às fls.23/26. Consta no termo de verificação fiscal, que baseado nos documentos fornecidos pela interessada, concluise que o produto Desinfetante Atol Alfazema, Lavanda e Tradicional, 90m1, também identificado como Desinfetante Cheirinho Atol e Desinfetante de ambiente, quando usado puro, tem ação desinfetante, ao mesmo tempo em que deixa um agradável perfume, indicado para desinfetar todos os lugares (fls.77/79). Quanto ao Desinfetante Eucalipto e Jasmim, apresentado em embalagens de 750m1 e 2 litros, possui ação bactericida eficaz, pode ser usado como desinfetante, puro ou diluído em água, complemento para limpeza de superfícies laváveis (fls.80/81), o contribuinte classificou na mesma posição da TIPI que o produto anterior. Fl. 2DF CARF MF Emitido em 17/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 11/11/2011 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Assinado digitalmente em 14/1 1/2011 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 10580.005094/200504 Acórdão n.º 330201.097 S3C3T2 Fl. 2 3 O autuante afirma que o próprio contribuinte reconhece as propriedades odorífera ou desodorizante do Desinfetante Perfumado Atol; que além de apresentar atividade antimicrobiana, possui propriedades odoríferas, desinfetantes — produtos que tem como princípio básico à desinfecção — adicionando–se perfume para incentivar a venda, uma vez que as outras propriedades não poderiam ser constatadas pelo usuário (conforme expediente que encaminhou para fiscalização, em atendimento à intimação, fls.34/35). Comparandose as instruções de uso do Desinfetante Atol e Desinfetante Atol 90m1, o primeiro trata ambientes específicos, cozinha e banheiro, ou de ampliação ampla, enquanto o segundo indica ação de desinfecção e perfume para todos os ambientes, utilização para desinfecção com propriedades odoríferas ou desodorizantes desses ambientes. Destaca, que o Desinfetante Atol não faz menção à característica odorífera ou desodorizante, ao contrário do Desinfetante Atol 90m1, que indica ‘deixa um agradável perfume’. Intimada para apresentar cópia da documentação fornecida pelo órgão competente do Ministério de Saúde, acerca das propriedades dos produtos referidos: Desinfetante Uso Geral apresentado nas embalagens de 500, 750m1 e 2 e 5 litros, versões lavanda, jasmim, eucalipto, pinho e limão; Desinfetante apresentado na embalagem 90m1, versões tradicional, lavanda e alfazema, a interessada entregou as cópias das consultas sobre instruções de uso e embalagens de apresentação, de fls.82/88, ao site: http://www7.anvisa.gov.br/datavisa/Consulta Produto/rconsulta produto detalhe.asp Afirma o autuante que, no período compreendido entre novembro/2002 e maio/2003, dentre os produtos de fabricação da empresa foi dada saída ao desinfetante de classificação fiscal 3808.40.10 apresentado em forma ou embalagem exclusivamente para uso domissanitário direto, tributado à alíquota de 0% (zero por cento); e no período entre junho/2003 e fevereiro/2005, desinfetantes – outros, de classificação fiscal 3808.4029 –também tributados à alíquota de 0% (zero por cento). • A fiscalização entende que o contribuinte classificou os dois produtos, com características distintas, Desinfetante Atol e Desinfetante Perfumado Atol, na mesma posição 3808.40.29 (desinfetantes – outros). Entretanto, o correto seria utilizar essa classificação para o Desinfetante Atol, uso geral, tributado à alíquota de 0% como passou a fazêlo a partir de junho/2003, não tendo contudo a adoção da classificação da posição TIPI 3808.4010 para o Desinfetante Atol entre novembro/2002 e maio/2003, trazido prejuízo a Fazenda Nacional, pois nessa posição da TIPI a alíquota é também de zero por cento. No entanto, para o Desinfetante Perfumado Atol ou Desinfetante Cheirinho Atol ou Desinfetante de Ambiente 90m1, deveria fazê Fl. 3DF CARF MF Emitido em 17/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 11/11/2011 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Assinado digitalmente em 14/1 1/2011 por WALBER JOSE DA SILVA 4 lo na classificação da TIPI 3808.40.29, porém com o ‘Ex’ 01 – ‘com propriedades acessórias odoríferas ou desodorizantes de ambientes’, tributado à alíquota de 30%. Desta forma, está sendo exigido de oficio o IPI que deixou de ser lançado e recolhido pela contribuinte, conforme demonstrativo do valor tributável do IPI (fls. 27/122) e Demonstrativo de Apuração do IPI por decêndio (fl. 09/16), elaborados com base nas notas fiscais de saída (planilhas de fls.89/268), livro Registro de IPI (fls.280/353) que embasaram a reconstituição da escrita fiscal (fls.269/276). Por fim, a autuante informa que os créditos relativos às aquisições de matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem destinados à industrialização do Desinfetante Atol Alfazema, Lavanda e tradicional, 90m1, foram escriturados, mantidos e utilizados de acordo com a legislação. Ao presente processo foram ainda anexados os termos da fiscalização e expedientes encaminhados pelo contribuinte (fls.31/75). Cientificada das exigências fiscais em 30/06/2005 (fl. 05), a autuada apresenta em 28/07/2005 a impugnação de folhas 363/385, 420/442 e 479/502, sendo essas as suas razões de defesa, em síntese: • A autuação afronta os princípios constitucionais e dispositivos da legislação que disciplina o IPI, em especial a classificação fiscal descrita na TIPI, haja vista que a acusação de erro não encontra suporte na realidade dos fatos; • O auto de infração necessita do enquadramento legal, posto que a situação fática efetivamente demonstrada nos autos não se subsume aos dispositivos indicados pela autoridade autuante, razão pelo qual é nulo; • Ignorando o conteúdo dos laudos de análise elaborados por estabelecimentos habilitados, de notória e reconhecida credibilidade, insistiu a autoridade fiscal em atribuir tratamento diferenciado a produtos extremamente semelhantes, possuidores do mesmo princípio ativo e destinados à mesma utilização, como demonstram o Laudo de Análises n°11467.00/2204, emitido pelo "Instituto Adolfo Luftz" em 18.10.2004, que teve por objeto de estudo o Desinfetante Perfumado Atol e o laudo elaborado pela empresa "Laboratórios Ecolyzer Ltda", emitido em 24/12/2004, que analisou o Desinfetante Atol; • Ambos os produtos possuem atividade microbiana satisfatória no combate aos microorganismos analisados, possuem mesma composição química, mesmo princípio ativo e mesma destinação: uso domissanitário direto na desinfecção de superfícies, laudo apresentado em atenção ao pedido realizado no Termos de Intimação Fiscal n°001 e 004; • Dispõe o art.10 do Decreto n°70.235, de 1972, que o auto de infração deve conter, obrigatoriamente, dentre os requisitos essenciais, o dispositivo legal infringido, afigurandose destituída de fundamentação legal, o auto de infração que não Fl. 4DF CARF MF Emitido em 17/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 11/11/2011 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Assinado digitalmente em 14/1 1/2011 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 10580.005094/200504 Acórdão n.º 330201.097 S3C3T2 Fl. 3 5 justifica a aplicação dos arts.114 do RIPI/98 e 127 do RIPI/02, e outros dispositivos citados que se referem ao recolhimento do IPI; • A Constituição Federal de 1988 dispõe que o IPI é seletivo em função da essencialidade do produto, quanto menor o percentual, mais essencial o produto, tendo a autoridade fiscal ferido o princípio constitucional da seletividade ao enquadrar o produto no EX 01 da posição 3808.40.10, que prevê alíquota de 30%; • O agente da administração deve pautar sua conduta nos princípios constitucionais do art.37 da CF, destacando o princípio da legalidade, não negar o princípio da seletividade; • Em momento algum restou demonstrado nos autos que os produtos mencionados possuem "propriedades acessórias odoríferas ou desodorizantes de ambientes, apresentados em embalagem tipo aerosol", requisitos essenciais para classificação no EX01, ao submeter o desinfetante perfumado atol ao EX01, a autoridade desrespeita a valoração da TIPI; • O entendimento dado pela Secretaria da Receita Federal para a classificação fiscal dos desinfetantes, inicialmente, por meio da Solução de Consulta n°184, de 03/06/2001 classificava tais produtos na posição 38084110 — EX01, alíquota de 30%. Todavia, submetida à análise da Coordenação Geral de Administração Aduaneira — COANA, tal Solução foi reformada pela Solução de Divergência n°07, de 10/09/2001, que atribuiu aos mesmos produtos a classificação fiscal 3808.40.10, sem o EX01, estipulando alíquota zero para tais produtos, sem restar dúvida de que mesmo possuindo fragrâncias em sua composição não devam ser alocados no EX01 do código 3808.40.10 da TIPI; • Destinados à desinfecção de superficies, tais produtos não se confundem com aqueles desinfetantes possuidores de propriedades acessórias odoríferas ou desodorizantes de ambientes, destinados desde sua origem a dar odor específico na desodorização do espaço aéreo, sendo destituído de qualquer finalidade de desinfetar ou limpador de superfície; • Outras Soluções de Consulta n°04 e 05, de 22/04/2003, seguiram o mesmo entendimento dado pela solução de consulta mencionada anteriormente, bem como a 2º Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Ribeirão PretoSP e o E. 3° conselho de Contribuintes, em sede de recurso de oficio no acórdão proferido pela DRJ Juiz de ForaMG (n° do Recurso 127852); • É inquestionável a semelhança entre os desinfetantes das soluções de consulta e o ora autuado, além de desinfecção, possuem em suas composições elementos inertes (fragrâncias) que exalam odor decorrente da volatização de substâncias aplicadas na superfície desinfetada e não na volatização de substâncias próprias para atuar na massa aérea de determinado ambiente; Fl. 5DF CARF MF Emitido em 17/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 11/11/2011 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Assinado digitalmente em 14/1 1/2011 por WALBER JOSE DA SILVA 6 • Por força do art.7° da Portaria do MF n°258, de 24/08/2001, o julgador tem o dever de observar o entendimento da SRF, expresso em atos tributários e aduaneiros, assim considerado as soluções de divergência COANA; • O autuante empregou critérios equivocados para desqualificar a classificação fiscal adotada pela impugnante, entre estes valorizando aspectos irrelevantes em detrimento de elementos essenciais, tais como destinação e composição química; para valorizar a expressão "perfumado" ; • Considerando que o auditor reconheceu como válida a classificação fiscal 380840.10 da TIPI para o Detergente Atol eucalipto e jasmim, o mesmo tratamento se impõe ao Detergente Perfumado Atol; • O próprio autuante ao se referir a embalagem do produto, afirma que este difere do "tipo aerosol", fato este que contribui para demonstrar a finalidade do Desinfetante, que não se destina à aplicação no meio aéreo; • A comercialização em frasco de 90m1 apenas otimiza a aplicação do produto, não significando que a autuada tenha assumido que tal adaptação às necessidades dos consumidores e forma de apresentação • fosse para garantir a propriedade acessória odorífera ou desodorizante do produto; • A "função spray" não se assemelha à função descrita na Nota Explicativa da Posição 84.24, constante no Anexo Único da Instrução Normativa SRF n°157/02, haja vista que o frasco não serve para pulverizar o produto na forma de nuvem; • Sem qualquer amparo em documentos e informações técnicas o auditor • conclui que se evidenciam as propriedades acessórias odoríferas ou desodorizante dos ambientes em razão de o produto custar seis vezes mais que o preço do Desinfetante Atol, sendo evidente que o fiscal toma para si verdades particulares, e nas entrelinhas de suas alegações pretende incutir conceitos sem documentos hábeis para comproválos; • Os laudos técnicos atestam a correção da classificação pela empresa adotada, conforme Laudo de Análise 11467.00/2004, emitido pelo, em 18/10/2004, e o laudo elaborado pela empresa Laboratórios Ecolyzer Ltda, no qual restou demonstrada a eficiência do desinfetante Perfumado Atol na atividade microbiana e na ação bactericida, respectivamente, quando em contato por 10 minutos com a superfície; • Requer sejam acostados aos autos a cópia autenticada do Parecer Técnico emitido pelo Instituto Adolfo Lutz, em 15/07/2005, doc.01 e também o Laudo de análise Sensorial elaborado pela empresa Perception; • Pesquisa em análise Sensorial Ltda, doc.02, no qual foram analisadas as fragrâncias do desinfetante objeto da presente autuação e outros produtos semelhantes produzidos e comercializados pelos concorrentes da impugnante, que também submetem os desinfetantes à alíquota zero de IPI, no código 3808.40.10 da TIPI, os quais demonstram o entendimento Fl. 6DF CARF MF Emitido em 17/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 11/11/2011 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Assinado digitalmente em 14/1 1/2011 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 10580.005094/200504 Acórdão n.º 330201.097 S3C3T2 Fl. 4 7 uníssono adotado entre os maiores fabricantes de desinfetantes de uso domissanitário no País, que em observância do princípio constitucional da seletividade vem classificando tais produtos nesta classificação fiscal; • Se assim não entender a autoridade julgadora, requer perícia em relação ao Desinfetante Perfumado Atol nos termo do art.16, IV do Decreto n°70.3235, de 1972, apresentando questões e indicando nome e endereço de seu perito; • Requer que seja declarada a nulidade do auto de infração e protesta pela juntada de todos os meios de prova admitidos em direito, especialmente no que tange a apresentação do registro atualizado do Desinfetante Perfumado Atol, que se encontra na fase final do processo de renovação do registro na Agencia Nacional de Vigilância Sanitária do Ministério da saúde, doc.04.” Em resumo, a fiscalização concluiu que o produto fabricado pelo contribuinte, que estava classificado como desinfetante de uso geral, Tabela TIPI nº 3808.40.10, a qual é tributada à alíquota zero, em verdade, por possuir propriedades acessórias odoríferas ou desodorizantes de ambientes, deveria estar classificado como 3808.40.10 e EX01, o que traria a alíquota de IPI ao percentual de 30%. Após analisar as razões apresentadas pelo contribuinte, a 4ª Turma da DRJ/SDR proferiu o acórdão nº 1517.946, por meio do qual manteve cancelou os autos de infração ora em análise, conforme ementa a seguir: “ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS – IPI Período de apuração: 10/11/2002 a 31/12/2003, 15/01/2004 a 30/09/2004, 31/10/2004 a 28/02/2005 CLASSIFICAÇÃO DE MERCADORIAS. Tendo em vista informação prestada por órgão público estadual, atestando que o produto fabricado pela autuada destinase à desinfecção para uso geral e não tem a finalidade de odorização de ambientes, constituindo a adição do perfume nas formulações exclusivamente um recurso tecnológico com o objetivo de sobrepor ao odor característico de sua base, é de se exonerar o crédito tributário lançado de oficio.” Lançamento Improcedente Em síntese, os julgadores de primeira instância administrativa entenderam que o produto fabricado pelo contribuinte tem como função a desinfecção de superfícies, não a odorização dos ambientes, razão pela qual não deve ser confundido com os desinfetantes gravadas pelo "Ex" 001 do código 3808.40.29, da TIPI. Fl. 7DF CARF MF Emitido em 17/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 11/11/2011 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Assinado digitalmente em 14/1 1/2011 por WALBER JOSE DA SILVA 8 Em razão do valor desonerado superar o mínimo legal, a Delegacia de Julgamento interpôs recurso voluntário, razão pela qual os autos me foram distribuídos para julgamento. É o relatório. Voto Conselheira FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS O recurso atende os pressupostos de admissibilidade, razão pela qual dele conheço. Da análise do relatório verificase que os autos de infração foram lavrados em razão de a fiscalização ter considerado que o contribuinte classificou da mesma forma produtos diversos. É o que se depreende do Termo de Verificação Fiscal (Vol. I – fls. 25/26) “Diante do exposto entende a Fiscalização que o contribuinte classificou produtos com características distintas, Desinfetante Atol e Desinfetante Perfumado Atol, na posição TIPI 3808.40.29 (Desinfetantes — Outros) enquanto que o correto seria utilizar essa classificação para o Desinfetante Atol, uso geral, tributado à alíquota de 0% (zero por cento) como passou a fazêlo a partir de Junho/2003 (a adoção da classificação da posição TIPI 3808.40.10 para o Desinfetante Atol entre Novembro/2002 e Maio/2003, não trouxe prejuízo à Fazenda Nacional, pois nessa posição da TIPI a tributação também é de 0%); já para o Desinfetante Perfumado Atol ou Desinfetante Cheirinho Atol ou Desinfetante de Ambiente 90m1, deveria fazê lo na mesma classificação da TIPI, 3808.40.29, porém com o "Ex" 01 — Com propriedades acessórias odoríferas ou desodorizantes de ambientes, tributado à alíquota de 30% (trinta por cento).” O agente fiscal diferencia os produtos Desinfetante Atol e Desinfetante Perfumado Atol em virtude da evidente diferença de preço (o segundo produto é mais de 6 vezes mais caro que o primeiro) e do fato de o segundo produto possuir propriedades odoríferas, ou seja, ser perfumado. Ademais, o auditor fiscal indica que o Atol Perfumado pode ser usado na forma de aerosol. Estas características, no entender da fiscalização, são suficientes para diferenciar a tributação do produto. Em sua defesa o contribuinte traz laudos técnicos e parecer da ANVISA no sentido de, a despeito de ter perfume, a função do produto ser desinfetante. Após avaliar os fatos trazidos à colação, entendo ter sido lançada com acerto a decisão administrativa de primeira instância. O simples fato de o produto ter perfume não é suficiente para caracterizálo como desinfetante “Com propriedades acessórias odoríferas ou desodorizantes de ambientes” tributado à alíquota de 30% (trinta por cento). Pelo que consta dos autos, não há divergência quanto à função de desinfetante do produto “Atol Perfumado”, o contribuinte afirma isto, o agente fiscal não diverge e todos os pareceres são neste sentido. O produto é um desinfetante de uso geral, tanto que a própria ANVISA assim o qualificou: Fl. 8DF CARF MF Emitido em 17/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 11/11/2011 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Assinado digitalmente em 14/1 1/2011 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 10580.005094/200504 Acórdão n.º 330201.097 S3C3T2 Fl. 5 9 Fls. 535 – Vol. III “A impugnante apresenta ainda Declaração da ANVISA de que o Desinfetante Perfumado Atol é um desinfetante para uso geral, cujo registro é da competência desta GGSAN/ANVISA, encontrandose em fase final de análise nessa Gerência (fl.405).” A divergência está no componente que desodoriza o ambiente, no conceito de propriedades acessórias odoríferas. Neste sentido concordo com o entendimento da decisão recorrida de que os produtos que tem como objetivo desodorizar ambientes são produzidos com esta finalidade, e com os componentes químicos necessários e adequados a esta função. A principal função de um produto desorizador é, conforme mencionado no Parecer COANA n.° 001, de 7 de janeiro de 1998, a atuação em espaços, não em superfícies. Isto porque os produtos que desodorizam, pretendem a desodorização do ambiente e não de uma coisa. Ainda nos termos do mencionado Parecer, é preciso que o produto atue na massa aérea, por combustão, evaporação, por via química ou absorção física dos cheiros pelas forças de Van der Waals (forças intermoleculares fracas que mantêm atração ou repulsão entre as moléculas). Ocorre que o produto em análise não possui os componentes necessários para ser utilizado como desorizador de ambiente, enquanto todos os pareceres juntados aos autos afirmam a sua função de limpeza geral. Registrase que apesar de os produtos desodorizantes geralmente se apresentarem sob a forma de aerosóis, nem todo aerosol é produto desodorante, ou seja, esta característica não é suficiente para a conclusão da fiscalização. Da mesma forma a diferença de valor, apontada pelo agente fiscal como razão para a alteração da classificação contábil, não significa que o produto é desorizador. Pareceme claro que os produtos em análise possuem perfume para que se tornem mais agradáveis ao consumidor, não para exercer a função de um desodorizador de ambiente. Neste sentido está a declaração da Secretaria de Estado da Saúde — Coordenadoria de Controle de Doenças Instituto Adolfo Lutz, (fl.394), ao atestar que o desinfetante em tela "destinase à desinfecção para uso geral e não têm a finalidade de odorização de ambientes. A adição de perfume nas formulações é exclusivamente, um recurso tecnológico com o objetivo de sobrepor ao odor característico de sua base, tornando mais agradável a manipulação dos referidos produtos.” Diante dos fatos apresentados faço minhas as palavras do ilustre julgador relator de primeira instância administrativa que concluiu: “De todo exposto, é de se concluir que o Desinfetante Perfumado Atol tem como função a desinfecção de superfícies, apresentando odor agradável sobre estas, não decorrendo tal odor da volatilização de substâncias próprias para atuar na massa aérea de um determinado ambiente, ainda que Fl. 9DF CARF MF Emitido em 17/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 11/11/2011 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Assinado digitalmente em 14/1 1/2011 por WALBER JOSE DA SILVA 10 apresentado sob a forma de spray, porém da volatilização das substâncias aplicadas na superfície desinfetada; não devendo ser confundido com os desinfetantes contendo propriedades acessórias odoríferas ou desodorizantes de ambientes, não cabendo ser gravadas pelo "Ex" 001 do código 3808.40.29, da TIPI.” Ante o exposto, voto por NEGAR POVIMENTO ao recurso de ofício apresentado na r. decisão de primeira instância administrativa, para o fim de manter incólume o que restou decidido. É como voto. (assinado digitalmente) FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS Relatora Fl. 10DF CARF MF Emitido em 17/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 11/11/2011 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Assinado digitalmente em 14/1 1/2011 por WALBER JOSE DA SILVA
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