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Numero do processo: 15504.726191/2015-24
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Apr 05 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon May 08 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2012
IRPF. ISENÇÃO. NEOPLASIA MALIGNA. PROVA DA EXISTÊNCIA DA DOENÇA.
São isentos do imposto de renda os rendimentos de aposentadoria e complementos de aposentadoria percebidos pelos portadores de neoplasia maligna, quando a patologia for comprovada, mediante laudo médico emitido por serviço médico oficial da União, dos Estado, do Distrito Federal ou dos Municípios. A falta de indicação no laudo sobre o seu prazo de validade e sobre a possibilidade de controle da doença não pode ser razão para negar o direito à isenção, quando há laudo médico oficial que comprova a existência da doença.
Numero da decisão: 2202-003.794
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso
(Assinado digitalmente)
MARCO AURÉLIO DE OLIVEIRA BARBOSA - Presidente.
(Assinado digitalmente)
JÚNIA ROBERTA GOUVEIA SAMPAIO- Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marco Aurélio de Oliveira Barbosa (Presidente), Junia Roberta Gouveia Sampaio, Dilson Jatahy Fonseca Neto, Martin da Silva Gesto, Cecilia Dutra Pillar e Marcio Henrique Sales Parada.
Nome do relator: JUNIA ROBERTA GOUVEIA SAMPAIO
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Ano-calendário: 2012 IRPF. ISENÇÃO. NEOPLASIA MALIGNA. PROVA DA EXISTÊNCIA DA DOENÇA. São isentos do imposto de renda os rendimentos de aposentadoria e complementos de aposentadoria percebidos pelos portadores de neoplasia maligna, quando a patologia for comprovada, mediante laudo médico emitido por serviço médico oficial da União, dos Estado, do Distrito Federal ou dos Municípios. A falta de indicação no laudo sobre o seu prazo de validade e sobre a possibilidade de controle da doença não pode ser razão para negar o direito à isenção, quando há laudo médico oficial que comprova a existência da doença.
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ISENÇÃO. NEOPLASIA MALIGNA. PROVA DA EXISTÊNCIA DA DOENÇA. São isentos do imposto de renda os rendimentos de aposentadoria e complementos de aposentadoria percebidos pelos portadores de neoplasia maligna, quando a patologia for comprovada, mediante laudo médico emitido por serviço médico oficial da União, dos Estado, do Distrito Federal ou dos Municípios. A falta de indicação no laudo sobre o seu prazo de validade e sobre a possibilidade de controle da doença não pode ser razão para negar o direito à isenção, quando há laudo médico oficial que comprova a existência da doença. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso (Assinado digitalmente) MARCO AURÉLIO DE OLIVEIRA BARBOSA Presidente. (Assinado digitalmente) JÚNIA ROBERTA GOUVEIA SAMPAIO Relatora. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 50 4. 72 61 91 /2 01 5- 24 Fl. 84DF CARF MF 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marco Aurélio de Oliveira Barbosa (Presidente), Junia Roberta Gouveia Sampaio, Dilson Jatahy Fonseca Neto, Martin da Silva Gesto, Cecilia Dutra Pillar e Marcio Henrique Sales Parada. Relatório Por bem descrever os fatos, adoto o relatório da Delegacia da Receita Federal do Brasil em São Paulo (SP): Em procedimento de revisão da Declaração de Ajuste Anual 2013, anocalendário 2012, da contribuinte acima identificada, procedeuse ao lançamento de ofício, originário da apuração das infrações abaixo descritas, por meio da Notificação de Lançamento do Imposto de Renda Pessoa Física, lavrada em 27/07/2015, de fls. 06/10. (...) Omissão de Rendimentos Recebidos de Pessoa Jurídica Confrontando o valor dos Rendimentos Tributáveis Recebidos de Pessoa Jurídica declarados, com o valor dos rendimentos informados pelas fontes pagadoras em Declaração do Imposto de Renda Retido na Fonte – Dirf, para o titular e/ou dependentes, constatouse omissão de rendimentos sujeitos à tabela progressiva, no valor de R$ 26.661,69, conforme relacionado abaixo. Na apuração do imposto devido, foi compensado o Imposto de Renda Retido (IRRF) sobre os rendimentos omitidos no valor de R$ 0,00. (...) DA IMPUGNAÇÃO Devidamente intimada das alterações processadas em sua declaração, a contribuinte apresentou impugnação por meio do instrumento de fls. 02/03, alegando, em síntese, que: em relação à omissão de rendimentos recebidos de pessoa jurídica da fonte pagadora INSTITUTO NACIONAL DO SEGURO SOCIAL, no valor de R$ 25.126,36, informa que os rendimentos são isentos por serem proventos de aposentadoria, reforma ou pensão e suas respectivas complementações recebidos por portador de moléstia grave; anexa documentos e solicita análise de sua impugnação. Cientificada da decisão acima transcrita (AR fls. 57), a contribuinte apresentou o Recurso Voluntário de fls. 60/64, no qual alega que a DRJ não poderia ter negado o direito à isenção por não constar do laudo "informação se a doença é passível de controle e, em caso afirmativo, deveria conter o prazo de validade do referido laudo". É o relatório Fl. 85DF CARF MF Processo nº 15504.726191/201524 Acórdão n.º 2202003.794 S2C2T2 Fl. 78 3 Voto Conselheira Relatora JÚNIA ROBERTA GOUVEIA SAMPAIO O recurso preenche os pressupostos legais de admissibilidade, motivo pelo qual, dele conheço. A isenção dos proventos de aposentadoria e reforma percebidos por portadores de moléstias graves foi disciplinada pelo art. 6º, inciso XIV, da Lei nº 7.713, de 22/12/1.988, nos seguintes termos: “Art. 6º Ficam isentos do imposto de renda os seguintes rendimentos recebidos por pessoas físicas: (...) XIV – os proventos de aposentadoria ou reforma, desde que motivadas por acidente em serviço, e os percebidos pelos portadores de moléstia profissional, tuberculose ativa, alienação mental, esclerosemúltipla, neoplasia maligna, cegueira, hanseníase, paralisia irreversível e incapacitante, cardiopatia grave, doença de Parkinson, espondiloartrose anquilosante, nefropatia grave, hepatopatia grave, estados avançados da doença de Paget (osteíte deformante), contaminação por radiação, síndrome de imunodeficiência adquirida, com base em conclusão da medicina especializada, mesmo que a doença tenha sido contraída depois da aposentadoria ou reforma;”(grifamos) Com a publicação da Lei nº 9.250/95 foi incluída passou a ser exigido, para o reconhecimento das isenções, requeridas a partir de 1º de janeiro de 1996, que a doença fosse comprovada por laudo pericial emitido por serviço médico oficial da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, nestes termos: “Art. 30. A partir de 1º de janeiro de 1.996, para efeito do reconhecimento de novas isenções de que tratam os incisos XIV e XXI do art. 6º da Lei nº 7.713, de 22 de dezembro de 1988, com redação dada pelo art. 47 da Lei nº 8.541, de 23 de dezembro de 1992, a moléstia deverá ser comprovada mediante laudo pericial emitido por serviço médico oficial, da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios.” De acordo com os dispositivos legais transcritos, dois são os requisitos para o gozo da isenção neles prevista: a) Que os rendimentos sejam oriundos de aposentadoria, reforma ou pensão b) Que o contribuinte seja portador de alguma das moléstias previstas no texto legal comprovada "mediante laudo pericial emitido por serviço médico oficial, da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios.” Fl. 86DF CARF MF 4 Embora a DRJ tenha reconhecido que os rendimentos recebidos pela Recorrente são oriundos de aposentadoria, apresentou às seguintes objeções ao Laudo médico emitido pela Assembléia Legislativa do Estado de Minas Gerais (fls. 12): (...) cópia de um documento intitulado “Laudo de Junta Médica Oficial” emitido em 01/07/2015, pela Assembléia Legislativa do Estado de Minas Gerais, e assinado por três médicos, fl. 06, em que consta que a servidora Rachel Neves Dourado, matrícula 61271, submeteuse à perícia médica e, com base na avaliação realizada, é considerada portadora de neoplasia maligna. Consta que o laudo foi elaborado naquela data, com vigência a partir de 12/11/2007 (data da primeira biópsia que confirmou a patologia), em caráter permanente, para fins do disposto no inc. XIV do art. 6o. da Lei 7.713/1988, nos termos da Emenda Constitucional no. 47/2005 e no Parecer no. 5.126/2010 da ProcuradoriaGeral desta Casa, fundamentado na jurisprudência do Superior de Justiça nele mencionada. Na fl. 09 deste processo há cópia do Resultado da Solicitação de Retificação de Lançamento – SRL, lavrada em 03/08/2015, cujo indeferimento deveuse à: Conforme laudo pericial emitido pelo INSS, a isenção por moléstia grave alcança os períodos de 12/11/07 a 12/11/08, 31/07/09 a 31/07/10 e 31/03/14 a 20/03/16. Ressaltese que a contribuinte não anexou ao presente processo o laudo pericial emitido pelo INSS que explicita os períodos de isenção alcançados pela moléstia grave. No “Laudo de Junta Médica Oficial” não consta informação se a doença é passível de controle e, em caso afirmativo, deveria conter o prazo de validade do referido laudo. Conforme visto na fl 09, no laudo pericial emitido pelo INSS constavam os períodos em que a contribuinte estaria isenta do Imposto de Renda da Pessoa Física. Por meio dos períodos elencados, verificase que no anocalendário 2011 a contribuinte não estaria isenta do referido imposto Em resumo, duas foram as objeções apontadas pela DRJ: a) não consta do laudo a informação se a doença é passível de controle e, em caso afirmativo, o seu prazo de validade; b) o anocalendário objeto do pedido de isenção não está abrangido pelo laudo pericial emitido pelo INSS. Em primeiro lugar, cumpre ressaltar que a decisão recorrida faz menção, simultaneamente, a dois laudos periciais. O laudo emitido pela Assembléia Legislativa de Minas Gerais, juntado pela Recorrente, e o laudo médico emitido pelo INSS. Em relação a este último, a própria decisão recorrida reconhece que este não se encontra nos autos. O laudo emitido pela Assembléia Legislativa do Estado de Minas Gerais (fls. 12) traz as seguintes informações: Fl. 87DF CARF MF Processo nº 15504.726191/201524 Acórdão n.º 2202003.794 S2C2T2 Fl. 79 5 a) A servidora Rachel Neves Dourado, matrícula 6127, submeteuse à perícia médica e foi considerada portadora de Neoplasia Maligna; b) o laudo foi elaborado em 01 de julho de 2015, com vigência a partir de 12/11/2007 (data da primeira biópsia que confirmou a patologia) em caráter permanente. c) o laudo foi emitido pela Junta médica da Assembléia Legislativa do Estado Minas Gerais composta pelos médicos Otávio Trivellato Soares, CRM 27129, Lourenço César Meneses Santos, CRM 29433 e Paulo Alves de Oliveira CRM 27.191. Incorretas, portanto, as objeções da decisão recorrida. Isso porque, a omissão quanto ao fato da moléstia ser ou não passível de controle não permite concluir que a doença era passível de controle e, portanto, que o laudo deveria prever um prazo de validade. Muito pelo contrário, se o laudo não afirma que a moléstia é passível de controle a conclusão lógica seria admitir que não é, uma vez que a competência para tal informação requer conhecimento técnico. De resto, é importante ressaltar que tais requisitos não estão dentre as previsões legais. A respeito do termo inicial da isenção, a Instrução Normativa SRF nº 15, de 06/02/2001, dispõe em seu artigo 5º, § 2º: Art. 5º Estão isentos ou não se sujeitam ao imposto de renda os seguintes rendimentos: (...) § 2º A isenção a que se referem os incisos XII e XXXV aplicam se aos rendimentos recebidos a partir: I do mês da concessão da aposentadoria, reforma ou pensão, quando a doença for preexistente; II do mês da emissão do laudo pericial, emitido por serviço médico oficial da União, dos Estados, do Distrito Federal ou dos Municípios, que reconhecer a moléstia, se esta for contraída após a aposentadoria, reforma ou pensão; III da data em que a doença foi contraída, quando identificada no laudo pericial.(grifamos) Os rendimentos glosados referemse ao anocalendário 2012, período abrangido pelo laudo médico que atesta que a doença diagnosticada em 12/11/2007. Em face do exposto, dou provimento do Recurso Voluntário (Assinado digitalmente) Júnia Roberta Gouveia Sampaio Fl. 88DF CARF MF 6 Fl. 89DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 16561.720156/2012-37
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 14 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Fri Feb 24 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Exercício: 2008
EMBARGOS DECLARATÓRIOS. OMISSÕES. SANEAMENTO. EFEITOS MODIFICATIVOS.
Devem ser acolhidos os embargos declaratórios na situação em que se demonstra que o acórdão embargado se omitiu sobre argumentos relevantes trazidos pela então recorrente. Ao sanear as omissões, é possível a atribuição de efeitos modificativos sobre a decisão embargada.
Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Exercício: 2008
DESCARACTERIZAÇÃO DOS VALORES PAGOS A TÍTULO DE DEBÊNTURES. DEDUÇÃO DO IRRF. REGIME DE TRIBUTAÇÃO EXCLUSIVO NA FONTE. AUTORIZAÇÃO EXPRESSA DAQUELES QUE SOFRERAM AS RETENÇÕES. POSSIBILIDADE DE APROVEITAMENTO DO IRRF PARA REDUÇÃO DO IRPJ LANÇADO DE OFÍCIO.
Demonstrado que os valores retidos na fonte sobre supostos rendimentos de debêntures se submetiam à incidência exclusivamente na fonte, sem a possibilidade de aproveitamento na declaração anual das pessoas físicas beneficiárias, e constando dos autos autorização expressa dos beneficiários, deve ser deferido o pedido de que o IRPJ exigido de ofício seja abatido pelo montante do IRRF comprovado nos autos.
Numero da decisão: 1301-002.201
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em ACOLHER os embargos para sanar omissões, com efeitos modificativos, rerratificando o acórdão nº 1301-001.979, de 05/04/2016, cuja decisão passa a ser de DAR provimento PARCIAL ao recurso voluntário, para permitir que o valor do IRPJ exigido de ofício seja abatido pelo montante do imposto de renda retido na fonte, comprovado nos autos, reduzindo-se também, proporcionalmente, os consectários legais de multas e juros.
(assinado digitalmente)
Waldir Veiga Rocha Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Flávio Franco Corrêa, José Eduardo Dornelas Souza, Roberto Silva Júnior, Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro, Milene de Araújo Macedo, Amélia Wakako Morishita Yamamoto e Waldir Veiga Rocha.
Nome do relator: WALDIR VEIGA ROCHA
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Exercício: 2008 EMBARGOS DECLARATÓRIOS. OMISSÕES. SANEAMENTO. EFEITOS MODIFICATIVOS. Devem ser acolhidos os embargos declaratórios na situação em que se demonstra que o acórdão embargado se omitiu sobre argumentos relevantes trazidos pela então recorrente. Ao sanear as omissões, é possível a atribuição de efeitos modificativos sobre a decisão embargada. Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Exercício: 2008 DESCARACTERIZAÇÃO DOS VALORES PAGOS A TÍTULO DE DEBÊNTURES. DEDUÇÃO DO IRRF. REGIME DE TRIBUTAÇÃO EXCLUSIVO NA FONTE. AUTORIZAÇÃO EXPRESSA DAQUELES QUE SOFRERAM AS RETENÇÕES. POSSIBILIDADE DE APROVEITAMENTO DO IRRF PARA REDUÇÃO DO IRPJ LANÇADO DE OFÍCIO. Demonstrado que os valores retidos na fonte sobre supostos rendimentos de debêntures se submetiam à incidência exclusivamente na fonte, sem a possibilidade de aproveitamento na declaração anual das pessoas físicas beneficiárias, e constando dos autos autorização expressa dos beneficiários, deve ser deferido o pedido de que o IRPJ exigido de ofício seja abatido pelo montante do IRRF comprovado nos autos.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 7; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1882; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C3T1 Fl. 652 1 651 S1C3T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 16561.720156/201237 Recurso nº Embargos Acórdão nº 1301002.201 – 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 14 de fevereiro de 2017 Matéria IRPJ e CSLL DDL Embargante HOSPITAL E MATERNIDADE SANTA JOANA S/A Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Exercício: 2008 EMBARGOS DECLARATÓRIOS. OMISSÕES. SANEAMENTO. EFEITOS MODIFICATIVOS. Devem ser acolhidos os embargos declaratórios na situação em que se demonstra que o acórdão embargado se omitiu sobre argumentos relevantes trazidos pela então recorrente. Ao sanear as omissões, é possível a atribuição de efeitos modificativos sobre a decisão embargada. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Exercício: 2008 DESCARACTERIZAÇÃO DOS VALORES PAGOS A TÍTULO DE DEBÊNTURES. DEDUÇÃO DO IRRF. REGIME DE TRIBUTAÇÃO EXCLUSIVO NA FONTE. AUTORIZAÇÃO EXPRESSA DAQUELES QUE SOFRERAM AS RETENÇÕES. POSSIBILIDADE DE APROVEITAMENTO DO IRRF PARA REDUÇÃO DO IRPJ LANÇADO DE OFÍCIO. Demonstrado que os valores retidos na fonte sobre supostos rendimentos de debêntures se submetiam à incidência exclusivamente na fonte, sem a possibilidade de aproveitamento na declaração anual das pessoas físicas beneficiárias, e constando dos autos autorização expressa dos beneficiários, deve ser deferido o pedido de que o IRPJ exigido de ofício seja abatido pelo montante do IRRF comprovado nos autos. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em ACOLHER os embargos para sanar omissões, com efeitos modificativos, rerratificando o acórdão nº 1301001.979, de 05/04/2016, cuja decisão passa a ser de DAR provimento AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 56 1. 72 01 56 /2 01 2- 37 Fl. 652DF CARF MF Processo nº 16561.720156/201237 Acórdão n.º 1301002.201 S1C3T1 Fl. 653 2 PARCIAL ao recurso voluntário, para permitir que o valor do IRPJ exigido de ofício seja abatido pelo montante do imposto de renda retido na fonte, comprovado nos autos, reduzindo se também, proporcionalmente, os consectários legais de multas e juros. (assinado digitalmente) Waldir Veiga Rocha – Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Flávio Franco Corrêa, José Eduardo Dornelas Souza, Roberto Silva Júnior, Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro, Milene de Araújo Macedo, Amélia Wakako Morishita Yamamoto e Waldir Veiga Rocha. Relatório Trata o presente de embargos de declaração (fls. 612/618) opostos pelo Contribuinte acima identificado, em face do acórdão nº 1301001.979, prolatado por esta 1ª Turma na sessão de julgamento de 05/04/2016 (fls. 568/592). No referido julgado, o Colegiado pronunciouse, por unanimidade, no sentido de negar provimento ao recurso voluntário, em decisão assim ementada: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Exercício: 2008 RENDIMENTOS DE DEBÊNTURES. DISTRIBUIÇÃO DISFARÇADA DE LUCROS. NEGÓCIOS EM CONDIÇÕES DE FAVORECIMENTO DE PESSOA LIGADA. Presumese distribuição disfarçada de lucros o negócio pelo qual a pessoa jurídica realiza com pessoa ligada qualquer negócio em condições de favorecimento, assim entendidas as condições que sejam mais vantajosas para a pessoa ligada do que as que prevaleçam no mercado ou em que a pessoa jurídica contrataria com terceiros. Enquadrase nesta situação a emissão de debêntures feita exclusivamente em favor dos acionistas da companhia fechada, quando a remuneração é composta unicamente de participação dos lucros, em percentuais arbitrariamente definidos e que absorvem sua quase totalidade, e sem data de vencimento fixada, com o que a obrigação se perpetua indefinidamente no tempo. DESCARACTERIZAÇÃO DOS VALORES PAGOS A TÍTULO DE PARTICIPAÇÕES DE DEBÊNTURES. DEDUÇÃO DO IRRF. IMPOSSIBILIDADE. A descaracterização dos valores pagos a título de participações de debêntures não gera direito de deduzir o IRRF incidente sobre os pagamentos efetuados aos debenturistas. A pessoa jurídica que efetua a retenção não é a titular o imposto retido, mas mera responsável legal. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Exercício: 2008 Fl. 653DF CARF MF Processo nº 16561.720156/201237 Acórdão n.º 1301002.201 S1C3T1 Fl. 654 3 LANÇAMENTO REFLEXO. AUSÊNCIA DE ARGUMENTOS ESPECÍFICOS. Na inexistência de argumentos específicos atinentes a essa contribuição, aplicase o quanto decidido para o lançamento principal de IRPJ. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Exercício: 2008 CERCEAMENTO AO DIREITO À AMPLA DEFESA. NULIDADE DO LANÇAMENTO. INOCORRÊNCIA. Ao se constatar que o Termo de Verificação Fiscal, a descrição dos fatos e o enquadramento legal permitem a perfeita compreensão da infração que motivou a autuação, e que a interessada se defendeu especificamente e com desenvoltura das imputações do Fisco, não se pode cogitar de cerceamento ao direito à ampla defesa e ao contraditório. Em consequência, nenhuma nulidade há de ser reconhecida, com esse fundamento. Alega a embargante que o aresto combatido padeceria de sete diferentes omissões e contradições que especifica, enumerandoas de A até G, às fls. 615/617, todas relacionadas à “parte em que rejeitou a pretensão recursal de utilização do valor recolhido a título de IRRF pela remuneração das debêntures, para abatimento do valor de IRPJ apurado pela descaracterização da mesma operação (remuneração de debêntures)”. Nas palavras da embargante: A Não faz menção à legitimidade do procedimento da Fiscalização de proceder a requalificação meramente parcial dos fatos, pois (a Fiscalização) trata os rendimentos das debentures como se lucro fossem para lançamento de IRPJ/CSLL e, paradoxalmente, não os trata como se lucro fossem para reconhecer como indevidos os recolhimentos de IRRF realizados no contexto dessa mesma operação. No entender da Embargante, não é lícito ao Estado dar nova qualificação jurídica apenas à parcela da operação que lhe aproveita. Por relevante, digase que o TVF se utiliza de acórdão do CARF como fundamento do auto de infração, acórdão esse que determina à Fiscalização sejam deduzidos do IRPJ lançado os valores recolhidos a título de IRRF em decorrência dos pagamentos feitos pela pessoa jurídica às pessoas físicas. Contrariedade contida no próprio TVF e presente também no v. acórdão embargado que o reconhece legítimo, portanto; B Alega desconhecer (i) a forma em que prestadas as declarações de rendimentos pelos sócios pessoas físicas, (ii) se os supostos rendimentos de debêntures teriam lá sido considerados tributáveis e (iii) se o imposto retido na fonte teria sido empregado como antecipação do imposto devido pelas pessoas físicas, quando é incontroverso nos autos que a tributação dos rendimentos de debêntures ocorre na forma de "tributação exclusiva de fonte", o que impede a utilização do imposto como antecipação do imposto devido pelas pessoas físicas. C Deixou de observar a DECLARAÇÃO arrebanhada aos autos quando da apresentação de Impugnação, pela qual constatase que os sócios da Embargante e, por via de consequência, beneficiários do IRRF indevidamente recolhido (acaso seja mantida a descaracterização da remuneração de debêntures) expressamente requereram que o IRRF liquidasse os créditos tributários de IRPJ, ainda que lançados em nome da pessoa jurídica da Embargante. Vejase [...] D Deixou de examinar (i) a legislação vigente sobre a tributação de rendimentos de renda fixa, (ii) elementos que são de pleno conhecimento da Administração Tributária (declarações de rendimentos), (iii) o TVF, que faz referência expressa aos recolhimentos e sua tributação; e (iv) as demais provas Fl. 654DF CARF MF Processo nº 16561.720156/201237 Acórdão n.º 1301002.201 S1C3T1 Fl. 655 4 produzidas pela Embargante nos autos, notadamente das Guias DARF's relativas ao IRRF e das declarações prestadas pelas pessoas físicas, segundo as quais informam que tiveram retido o IRRF, que seguiram a legislação de regência e que autorizam expressamente a dedução desse imposto dos valores lançados contra a Embargante (docs. Anexos); E É omisso quanto à possibilidade de ser recolhido imposto bastante superior ao devido na hipótese em que procedente os lançamentos fiscais, ante a impossibilidade de restituição dos valores correspondentes "aos beneficiários do rendimento" em decorrência da prescrição tributária e da incidência de juros e multa sobre imposto de renda recolhido contemporaneamente ao alegado fato gerador; F Não se pronunciou, até para evitar celeumas na origem, sobre o prazo prescricional para que os titulares do direito (pessoas físicas dos sócios) exerçam o direito de repetir o indébito de IRRF. Se tal prazo terá início com a decisão final deste feito administrativo, por aplicação analógica do inciso II do artigo 168 do Código Tributário Nacional ou, quando muito, da data do aresto ora embargado, que constitui ato inequívoco de reconhecimento do direito, a que alude o inciso VI, do artigo 202 do Código Civil. G É obscuro o pronunciamento ao permitir a restituição mas não se manifestar sobre essa questão, pois embora exista aparência de que se aplicou ao caso o prazo prescricional contado do encerramento do feito administrativo, a questão restou nebulosa. É o relatório. Voto Conselheiro Waldir Veiga Rocha, Relator A ciência do acórdão ora embargado se deu em 08/06/2016, quartafeira (fl. 600). Tendo sido os embargos apresentados em 13/06/2016, segundafeira (fl. 611), tenho que são tempestivos, à luz do prazo de cinco dias estabelecido pelo § 1º do art. 65 do Anexo II do Regimento Interno do CARF (RICARF), aprovado pela Portaria MF nº 343/2015 e alterações supervenientes. Ademais, a embargante apontou objetivamente os vícios que pretende ver sanados, atendendo, desta forma, o requisito regimental. Atendidos os demais requisitos processuais, conheço dos embargos e passo a analisálos. Todos os pontos embargados versam sobre a questão da possibilidade, ou não, de utilização do valor retido a título de IRRF pela remuneração das debêntures para abatimento do valor de IRPJ apurado e lançado de ofício pelo Fisco. A questão foi analisada ao final do voto condutor do acórdão embargado, nos seguintes termos: Fl. 655DF CARF MF Processo nº 16561.720156/201237 Acórdão n.º 1301002.201 S1C3T1 Fl. 656 5 Finalmente, a recorrente reitera seu pedido de que o imposto de renda na fonte, incidente sobre as supostas remunerações de debêntures, seja empregado para reduzir o valor do IRPJ lançado. Também aqui descabido seu pleito. A caracterização das remunerações atribuídas a debêntures como, na verdade, lucros distribuídos disfarçadamente aos sócios tem como efeito que tais valores sejam tidos por indedutíveis para fins tributários. Se a interessada recolheu imposto incidente na fonte, e, agora, entende que tal recolhimento seria indevido, cumprelhe pleitear a repetição do indébito pelas vias próprias, a saber, o pedido de restituição ou a declaração de compensação. Em adição a isto, ressalto que o imposto de renda retido na fonte é considerado antecipação do imposto devido pelo beneficiário do rendimento, sendo aquele beneficiário o contribuinte de fato. Foi nesse sentido que o julgador de primeira instância negou o pedido, por considerar que o Hospital e Maternidade Santa Joana S/A não é o titular desse imposto, ao qual corresponderiam receitas tributáveis, mas mero responsável pelo recolhimento. Neste processo não se cuida de como teriam sido apresentadas as declarações de rendimentos das pessoas físicas sócias do Hospital e Maternidade Santa Joana, se os supostos rendimentos de debêntures teriam lá sido considerados tributáveis e se o imposto retido na fonte teria sido empregado como antecipação do imposto devido pelas pessoas físicas. Desta forma, sem a prova de qual teria sido a destinação dada a esse imposto retido por aqueles que sofreram o ônus da retenção, resta impossível, também por esta vertente, o atendimento ao pleito da recorrente. Do trecho acima, se verifica que dois foram os fundamentos adotados pelo acórdão recorrido para negar o pedido da interessada de uso do IRRF para abatimento do IRPJ lançado. O primeiro foi que a pessoa jurídica que promove a retenção do imposto de renda na fonte não é o titular do tributo, mas mero responsável pelo recolhimento. Nos termos do art. 168 do CTN1, seria necessária uma autorização expressa do titular. E, efetivamente, o acórdão embargado não faz qualquer menção à declaração dos sócios (fl. 369), autorizando o uso dos valores retidos para a quitação de eventuais débitos decorrentes do lançamento, ainda que efetuado em face da pessoa jurídica. Caracterizada, pois, omissão quanto a este ponto. De fato, o documento de fl. 369 deve ser tido como autorização expressa daqueles que sofreram o ônus financeiro para o emprego do tributo retido na finalidade aqui discutida. Com isso, ao suprir essa omissão, o primeiro fundamento deve ser afastado. O segundo fundamento foi de que não seria possível saber, neste processo, qual teria sido o tratamento dado ao IRRF pelas pessoas físicas beneficiárias dos rendimentos, especificamente se o IRRF teria sido empregado como antecipação do imposto devido por aquelas pessoas físicas, apurado em declaração de rendimentos. O acórdão embargado não fez qualquer consideração acerca do argumento da interessada sobre o regime de tributação dos rendimentos de debêntures. Também aqui caracterizada omissão a ser sanada. 1 Art. 166. A restituição de tributos que comportem, por sua natureza, transferência do respectivo encargo financeiro somente será feita a quem prove haver assumido o referido encargo, ou, no caso de têlo transferido a terceiro, estar por este expressamente autorizado a recebêla. Fl. 656DF CARF MF Processo nº 16561.720156/201237 Acórdão n.º 1301002.201 S1C3T1 Fl. 657 6 Compulsando os autos, encontro, no Termo de Verificação Fiscal, às fls. 307 e seguintes, a afirmação do Fisco sobre os valores pagos a título de debêntures no ano calendário 2007 e, no que nos interessa, da retenção de IRRF à alíquota de 20%, totalizando R$ 3.496.839,98. Com a impugnação, a interessada fez juntar aos autos cópias dos DARFs de fls. 390/398, cujas informações principais estão reproduzidas no quadro abaixo: Fls. Data Valor Código2 390 01/08/2007 484.020,27 3426 391 31/07/2007 355.532,82 3426 392 01/08/2007 84.821,73 3426 393 31/10/2007 867.520,70 3426 394 31/10/2007 637.229,68 3426 395 31/10/2007 152.027,95 3426 396 07/02/2008 479.471,06 3426 397 07/02/2008 352.191,24 3426 398 07/02/2008 84.024,51 3426 TOTAL 3.496.839,96 Observese que o código de recolhimento 3426 corresponde ao imposto de renda retido na fonte sobre aplicações financeiras de renda fixa. Sendo os beneficiários pessoas físicas, a incidência do imposto de renda é exclusivamente na fonte. Vale dizer, os beneficiários, pessoas físicas, não têm a possibilidade de considerar o imposto retido na fonte como antecipação do imposto devido apurado em declaração anual de rendimentos. O segundo fundamento empregado pelo acórdão embargado resta, de igual modo, afastado, ao sanar esta omissão. Restaria, como único impedimento ao pedido da interessada, a questão sobre a via processual administrativa adequada. Como cediço, o pedido de restituição e a declaração de compensação possuem disciplina própria. Mas, mesmo esse aspecto deve agora ser analisado à luz das circunstâncias do caso concreto. Não se trata, aqui, do indébito apurado pelo próprio contribuinte, ao espontaneamente revisar seus procedimentos. Antes, tratase de indébito que somente surgiu diante do lançamento tributário dos presentes autos, em que o Fisco afirmou que os pagamentos feitos como se remuneração de debêntures fossem na verdade são lucros distribuídos. Não é um pedido de restituição nem de compensação, mas um pedido de abatimento do valor lançado, diante da requalificação jurídica dos fatos. Em situação semelhante este CARF já decidiu pela possibilidade do pleito. Trago à colação o acórdão nº 10194.986, de 19/05/2005, da relatoria da eminente Conselheira Sandra Maria Faroni. Naquele julgado, a tributação foi mantida, conforme ementa a seguir reproduzida: DESPESAS COM REMUNERAÇÃO DE DEBÊNTURES. Restando caracterizado o caráter de liberalidade dos pagamentos aos sócios, decorrentes de operações formalizadas apenas "no papel" e que transformaram lucros distribuídos em remuneração de debêntures, consideramse indedutíveis as despesas contabilizadas. [...] 2 3426 IRRF APLICAÇÕES FINANCEIRAS DE RENDA FIXA PESSOA JURÍDICA Fl. 657DF CARF MF Processo nº 16561.720156/201237 Acórdão n.º 1301002.201 S1C3T1 Fl. 658 7 Não obstante, no final de seu voto, a relatora acolheu o pedido de uso do imposto de renda retido na fonte para abatimento do valor lançado. Confirase excerto do voto: Entendo, todavia, que por uma questão de razoabilidade, deve ser deduzida da exigência o valor pago a título de imposto de renda retido na fonte. É que, ao se considerar como indedutíveis as despesas correspondentes aos rendimentos de debêntures, na realidade estáse tratando os valores contabilizados a título de remuneração de debêntures como lucros distribuídos. Nesse caso, não cabe o imposto de renda retido na fonte, e uma vez que se trata de incidência exclusiva, não compensável na declaração dos beneficiários, deve o respectivo valor ser deduzido da presente exigência. Penso que igual tratamento deve ser dado ao caso vertente. Ao sanar as omissões do acórdão embargado, foram afastados os óbices que impediam o atendimento ao pleito da interessada. E a questão exclusivamente formal também deve ser afastada, como visto. Por todo o exposto, voto no sentido de conhecer dos embargos e darlhes provimento, com efeitos modificativos, para sanar os vícios apontados, rerratificando o acórdão nº 1301001.979, de 05/04/2016, cuja decisão passa a ser de DAR provimento PARCIAL ao recurso voluntário, para permitir que o valor do IRPJ exigido de ofício seja abatido pelo montante do imposto de renda retido na fonte, comprovado nos autos, reduzindose também, proporcionalmente, os consectários legais de multas e juros. (assinado digitalmente) Waldir Veiga Rocha Fl. 658DF CARF MF
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Numero do processo: 19515.720126/2013-55
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Mar 23 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Wed Apr 05 00:00:00 UTC 2017
Numero da decisão: 1301-000.403
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, CONVERTER o julgamento em diligência, nos termos do voto do Relator.
(assinado digitalmente)
Waldir Veiga Rocha Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Flávio Franco Corrêa, José Eduardo Dornelas Souza, Roberto Silva Júnior, Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro, Milene de Araújo Macedo, Amélia Wakako Morishita Yamamoto e Waldir Veiga Rocha.
Nome do relator: WALDIR VEIGA ROCHA
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Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, CONVERTER o julgamento em diligência, nos termos do voto do Relator. (assinado digitalmente) Waldir Veiga Rocha – Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Flávio Franco Corrêa, José Eduardo Dornelas Souza, Roberto Silva Júnior, Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro, Milene de Araújo Macedo, Amélia Wakako Morishita Yamamoto e Waldir Veiga Rocha. Relatório UNIVERSO ONLINE S/A, já qualificada nestes autos, foi autuada e intimada a recolher crédito tributário no valor total de R$ 13.396.966,52, discriminado no Demonstrativo Consolidado do Crédito Tributário do Processo, à fl. 3. Tratase de autuação para constituição de créditos tributários de Imposto de Renda Pessoa Jurídica – IRPJ e da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido – CSLL, por fatos geradores ocorridos no anocalendário 2008. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 95 15 .7 20 12 6/ 20 13 -5 5 Fl. 1968DF CARF MF Processo nº 19515.720126/201355 Resolução nº 1301000.403 S1C3T1 Fl. 1.969 2 O Termo de Verificação e Constatação Fiscal – TVCF (fls. 804/808) descreve a infração identificada pelo Fisco. O trecho a seguir transcrito bem dá conta dos fatos. (...) Verificamos que o contribuinte indicou exclusão na apuração da base de cálculo do Lucro Real no total de R$ 134.248.688,90 (cento e trinta e quatro milhões, duzentos e quarenta e oito mil, seiscentos e oitenta e oito reais e noventa centavos) a título de "Outras Exclusões", na alínea 68 da Ficha 09A — Demonstração do Lucro Real, da Declaração de Informações EconômicoFiscais da Pessoa Jurídica – DIPJ 2009, Ano Base 2008. Intimamos, em 24/04/2012 [fls. 159/160], para que esclarecesse qual a composição deste valor. Recebemos, dessa forma, correspondência, datada de 19/06/2012 [fls. 164/171], onde este alega que tal montante tem como composição seis fatos distintos, a saber: a. Juros sobre títulos do NKB, empresa pública norueguesa, os quais não são tributados no Brasil, por força do Tratado para Evitar Dupla Tributação firmado entre Brasil e Noruega em 1981; b. Variação monetária SWAP; c. Amortização de contrato de exclusividade com "Plug In", adicionado em 2007 e controlado na Parte B do LALUR; d. Atualização de depósitos judiciais; e. Operação de SWAP para garantia da variação cambial do item "a", adicionados mensalmente na apuração do lucro real; f. Reversão de provisões indedutíveis em anos anteriores, adicionados na Parte B do LALUR e excluídos quando de sua realização Após nova intimação, recebida em 24/08/2012, e reintimação, recebida em 04/01/2013, concluímos que o contribuinte comprovou integralmente as justificativas identificadas nas letras "a", "b", "c", "e" e "f" acima. Dessa forma, restou a justificativa "d" que permaneceu integralmente sem comprovação pois o contribuinte identificou um montante de R$ 18.566.970,28 (dezoito milhões, quinhentos e sessenta e seis mil, novecentos e setenta reais e vinte e oito centavos) como atualização de depósitos judiciais, porém, foram apresentadas, em 18/09/2012, apenas planilhas com cálculos que resultaram no valor mencionado [fls. 491/529], sem, no entanto, qualquer documento para embasar suas afirmações, tais como, a petição inicial dos processos indicados, as decisões judiciais transitadas em julgado, ou mesmo as certidões de objeto e pé das referidas ações. Intimado a apresentar o trânsito em julgado ou a certidão de objeto e pé atualizada das referidas ações em 21/08/2012 e reintimado em 03/01/2013 [fls. 535/537], o contribuinte apresentou, em 22/01/2013, cópias de petições iniciais e algumas peças dos processos [fls. 540/803], entretanto não restando possível identificar a situação atual em nenhuma dessas ações. Assim, efetuamos a glosa de R$ 18.566.970,28 (dezoito milhões, quinhentos e sessenta e seis mil, novecentos e setenta reais e vinte e oito centavos) da apuração do lucro real que foram declarados como outras exclusões sem documentação fiscal que a embase. Fl. 1969DF CARF MF Processo nº 19515.720126/201355 Resolução nº 1301000.403 S1C3T1 Fl. 1.970 3 (...) Cientificada da exigência e com ela inconformada, a interessada apresentou a impugnação de fls. 838/880, instruída com os documentos de fls. 839/1110. Suas alegações foram assim sintetizadas pelo diligente relator do processo em primeira instância: I DAS QUESTÕES PRELIMINARES I.1 – Argüição de nulidade – Ausência de motivação adequada e específica para a tributação do montante de R$ 18.566.970,28 A autoridade fiscal não motivou, de forma adequada e específica, a glosa do montante de R$ 18.566.970,28 (“atualização de depósitos judiciais”), excluído do lucro líquido para fins de apuração do lucro real. A Impugnante, durante a fiscalização, já havia detalhado a composição do referido montante, mediante apresentação de demonstrativos de atualização dos depósitos, cópias das petições iniciais das respectivas ações e consultas dos andamentos dos processos, indicando que os feitos ainda se encontravam tramitando no ano de 2008. A exigência feita à Impugnante para que apresentasse certidões referentes à situação das ações em 2013 revelase impertinente para a análise da controvérsia. A fundamentação da glosa, tal como formulada pela autoridade fiscal, é genérica e precária, não se coadunando com os requisitos de precisão, segurança e certeza exigidos pelo art. 142 do CTN. I.2 – Argüição de nulidade – Erro na lavratura do Auto de Infração de CSLL – Falta de aprofundamento do trabalho fiscal O AuditorFiscal autuante presumiu que a importância de R$ 18.566.970,28 também foi excluída da base de cálculo da CSLL, a título de atualização de depósitos judiciais. Tratase, todavia, de um equívoco. Se a referida autoridade tivesse aprofundado a investigação, perceberia que o valor em questão não integrou o somatório informado na Linha 53 (“Outras Exclusões”) da Ficha 17 (“Cálculo da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido”) da DIPJ/2009 — conf. planilha de composição do Item “Outras Exclusões” (doc. fls. 953) e Livro de Apuração da Contribuição Social – LACS (doc. fls. 954/974). I.3 – Argüição de nulidade – Inobservância de critério jurídico específico para a correta apuração das bases de cálculo do IRPJ e da CSLL Analisandose os Autos de Infração, verificase que a autoridade fiscal tributou o montante de R$ 18.566.970,28, simplesmente aplicando sobre este valor as alíquotas do IRPJ e da CSLL. Tal procedimento deixou de observar as regras específicas de apuração do IRPJ e da CSLL, que prevêem a possibilidade de compensação de prejuízos fiscais e bases de cálculo negativas de CSLL de períodos anteriores. Em face do equivocado critério jurídico adotado pela autoridade fiscal, e da conseqüente imprecisão da base tributável, impõese o cancelamento integral da autuação. Fl. 1970DF CARF MF Processo nº 19515.720126/201355 Resolução nº 1301000.403 S1C3T1 Fl. 1.971 4 I.4 – Argüição de nulidade – Desconsideração dos créditos decorrentes dos saldos negativos de IRPJ e de CSLL Não bastassem os equívocos acima apontados, a autoridade fiscal deixou ainda de considerar, no cálculo dos tributos devidos, os saldos negativos de IRPJ e de CSLL que foram apurados no anocalendário de 2008, nos valores de R$ 2.403.877,51 e de R$ 1.036.499,55, respectivamente. Por mais este motivo, impõese o cancelamento integral da autuação. II DO MÉRITO II.1 – Improcedência da glosa em relação ao IRPJ A Impugnante, no curso da ação fiscal, demonstrou que, no ano de 2008, possuía ações judiciais em andamento, nas quais vinha discutindo créditos tributários relativos a COFINS, CPMF, SAT, ICMS e IPTU. Visando suspender a exigibilidade destes tributos, efetuou depósitos judiciais dos valores controvertidos. Considerando que não havia disponibilidade jurídica ou econômica dos valores depositados, a Impugnante excluiu do lucro líquido, para fins de apuração do lucro real, a receita de R$ 18.566.970,28, correspondente à atualização dos referidos depósitos. O procedimento adotado pela Impugnante é reconhecido como legítimo pela Receita Federal — vide Solução de Consulta SRRF/3ªRF nº 032/2005; Solução de Consulta SRRF/8ªRF nº 082/2010; Solução de Consulta SRRF/7ªRF nº 393/2012; e Solução de Consulta SRRF/8ªRF nº 264/2012. II.2 – Improcedência da glosa em relação à CSLL A Impugnante foi acusada de haver excluído, indevidamente, da base de cálculo da CSLL, a importância de R$ 18.566.970,28, a título de “atualização de depósitos judiciais”. Isto, contudo, não é verdade. Conforme explicado anteriormente, o referido montante não foi objeto de exclusão, fato que pode ser comprovado através da planilha de composição da Ficha 17, Linha 53 da DIPJ/2009 – “Outras Exclusões” (doc. fls. 953) e do próprio Livro de Apuração da Contribuição Social – LACS (docs. fls. 954/974). II.3 – Ocorrência de postergação parcial do pagamento de IRPJ Caso a autoridade julgadora decida pela procedência da glosa, o que se admite apenas para efeito de argumentação, então, neste caso, deverão ser reconhecidos os efeitos da postergação parcial do IRPJ. Conforme já explicado, no anocalendário de 2008, a Impugnante exluiu da base de cálculo do IRPJ um montante de R$ 10.325.765,68, relativo à atualização de depósitos judiciais de ICMS. Ocorre que, no ano de 2011, a empresa obteve decisão final favorável aos seus interesses, vindo a levantar os valores depositados, com as atualizações devidas (docs. fls. 1040/1100). Neste mesmo anocalendário, adicionou à base de cálculo do IRPJ um montante de R$ 11.659.397,41, correspondente à atualização dos depósitos. Fica comprovada, assim, a ocorrência de postergação parcial do pagamento do IRPJ, postergação essa que deverá ser lavada em conta no cálculo do imposto devido, sob pena de tributação em duplicidade (bis in idem). Fl. 1971DF CARF MF Processo nº 19515.720126/201355 Resolução nº 1301000.403 S1C3T1 Fl. 1.972 5 II.4 – Recálculo dos valores devidos – Compensação de prejuízos fiscais e bases de calculo negativas de CSLL de períodos anteriores – Cômputo dos saldos negativos de IRPJ e de CSLL Na hipótese de virem a ser mantidos os lançamentos, a autoridade julgadora deverá, ao menos, determinar o recálculo dos valores devidos, a fim de permitir a compensação dos prejuízos fiscais e das bases de cálculo negativas de CSLL de períodos anteriores, bem como a dedução dos créditos correspondentes aos saldos negativos de IRPJ e de CSLL apurados no anocalendário de 2008. II.5 – Não incidência de juros de mora sobre a multa de ofício Ainda na hipótese de ser mantida a exigência fiscal, cumpre afastar a eventual incidência de juros de mora sobre a multa de ofício de 75%. Em matéria de tributos, a cobrança de juros moratórios só é possível em relação aos valores decorrentes de obrigação tributária principal que não tenham sido pagos no vencimento (art. 161, combinado com os arts. 113 e 119, do CTN). Neste contexto, a única interpretação possível para o art. 61 da Lei nº 9.430/1996, é a que autoriza a incidência de juros de mora apenas sobre o valor dos tributos e contribuições, e não sobre a multa de ofício. A 15ª Turma da DRJ no Rio de Janeiro I / RJ analisou a impugnação apresentada pela contribuinte e, por via do Acórdão nº 12060.762, de 24/10/2013 (fls. 1121/1129), considerou improcedente o lançamento com a seguinte ementa: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2008 ARGÜIÇÃO DE NULIDADE. VÍCIO DE MOTIVAÇÃO. Uma vez verificado que a descrição dos fatos é clara e fornece todos os elementos para a compreensão da matéria autuada e o conseqüente exercício do contraditório e da ampla defesa, rejeitase a argüição de nulidade e prosseguese na análise do mérito. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2008 IRPJ. EXCLUSÕES. RECEITAS DE ATUALIZAÇÃO DE DEPÓSITOS JUDICIAIS. GLOSA MOTIVADA PELA FALTA DE INFORMAÇÕES SOBRE O ANDAMENTO DAS AÇÕES. Confirmado, na fase impugnatória, que as ações judiciais encontravamse pendentes de decisão definitiva por ocasião do encerramento do período fiscalizado, cumpre reconhecer o direito do contribuinte de excluir do lucro líquido, para fins de apuração lucro real, as receitas de atualização monetária dos depósitos realizados nas referidas ações. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Fl. 1972DF CARF MF Processo nº 19515.720126/201355 Resolução nº 1301000.403 S1C3T1 Fl. 1.973 6 Anocalendário: 2008 CSLL. DECORRÊNCIA. LANÇAMENTO INSUBSISTENTE. AUSÊNCIA DE BASE FÁTICA. Inexistindo prova de que os fatos que deram origem ao lançamento do IRPJ repercutiram na base de cálculo da CSLL, reputase insubsistente a exigência da referida contribuição. Como o sujeito passivo foi exonerado de crédito tributário (principal e multas) em valor superior ao limite de alçada (R$ 1.000.000,00), a Turma Julgadora recorreu de ofício a este Colegiado. À época, esse procedimento era disciplinado pelo art. 34 do Decreto nº 70.235/1972, com as alterações introduzidas pela Lei nº 9.532/1997, e, ainda, pela Portaria MF nº 3/2008. O processo foi trazido a julgamento perante esta 1ª Turma Ordinária em 08/12/2015. Na oportunidade, por entender que o processo não reunia condições de julgamento, o Colegiado resolveu converter o julgamento em diligência (Resolução nº 1301 000.280, fls. 1141/1149), para que a unidade preparadora respondesse a dez quesitos, identificados de (a) a (j). O resultado da diligência está consubstanciado no Relatório de Atividades Fiscais, às fls. 1725/1729. Suas conclusões são a seguir transcritas, após cada quesito formulado. a) No anocalendário 2008, foram contabilizadas, a débito de conta de resultado, as variações monetárias passivas (juros moratórios) incidentes sobre os tributos discutidos judicialmente? Resposta: De acordo com os dados disponibilizados pelo contribuinte e os documentos apresentados (Doc. 1 e Doc. 2) podemos concluir que as variações monetárias passivas (juros moratórios) incidentes sobre os tributos discutidos judicialmente foram lançados a débito na conta de resultado. b) Caso a resposta ao quesito anterior seja positiva, essas variações monetárias passivas foram adicionadas ao lucro líquido, para fins de apuração do lucro real? Resposta: Foi salientado pelo contribuinte que esse valor teria sido adicionado na Linha 44 da Ficha 09 da DIPJ 2012, ano calendário 2011, caracterizando, assim, a postergação do pagamento do IRPJ (Doc. 3, Doc 4, Doc. 5, Doc. 6, Doc. 7, Doc. 8, Doc. 9, Doc. 10, Doc. 11 e Doc. 12). c) Qual o saldo de prejuízos fiscais (IRPJ) de exercícios anteriores disponível para compensação nas seguintes datas: (i) 31/12/2008; (ii) na data do lançamento; (iii) na data da conclusão da diligência. Resposta: i. 31/12/2008: R$ 274.186.683,09 ii. Na data do lançamento: R$ 232.086.583,72 Fl. 1973DF CARF MF Processo nº 19515.720126/201355 Resolução nº 1301000.403 S1C3T1 Fl. 1.974 7 iii. Na data da conclusão da diligência: R$ 191.946.580,79 d) Qual o saldo de bases de cálculo negativas de CSLL de exercícios anteriores disponível para compensação nas seguintes datas: (i) 31/12/2008; (ii) na data do lançamento; (iii) na data da conclusão da diligência. Resposta: i. 31/12/2008: R$ 307.002.338,04 ii. Na data do lançamento: R$ 291.742.641,31 iii. Na data da conclusão da diligência: R$291.742.641,31 e) O saldo negativo de IRPJ, apurado no anocalendário 2008, no montante de R$2.403.877,51 (linha 20 da Ficha 12A da DIPJ, fl. 22) já foi restituído, compensado ou de outra forma aproveitado pela interessada? Resposta: Pelo que se pode depreender do Livro de Apuração do Lucro Real o contribuinte não restituiu, não compensou ou não aproveitou de outra forma o saldo negativo de IRPJ até o momento. f) O saldo negativo de CSLL, apurado no anocalendário 2008, no montante de R$1.036.499,55 (linha 76 da Ficha 17 da DIPJ, fl. 28) já foi restituído, compensado ou de outra forma aproveitado pela interessada? Resposta: Pelo que se pode depreender do Livro de Apuração do Lucro Real o contribuinte não restituiu, não compensou ou não aproveitou de outra forma o saldo negativo de CSLL até o momento. g) Faça acostar aos autos cópia integral da DIPJ 2012 (ano calendário 2011). Resposta: Apresentamos a DIPJ 2012, ano calendário 2011, ativa nos sistemas da Receita Federal do Brasil, entregue em 05/09/2014, além das demais declarações entregues anteriormente, quais sejam, a declaração original cancelada, entregue em 29/06/2012, e as declarações retificadoras, também canceladas, entregues em 20/02/2013 e 31/12/2013. h) Verifique se procede a afirmação da interessada de que, na apuração do lucro real do anocalendário 2011, teria procedido à adição de R$ 11.659.397,41, correspondente a atualização monetária de depósitos judiciais de ICMS, levantados naquele ano, sendo que tais atualizações monetárias teriam sido anteriormente excluídas, no anocalendário 2008. Resposta: Na declaração original (cancelada), entregue no curso da fiscalização, dentro do prazo de entrega legal (29/06/2012), não havia a adição mencionada (DIPJ 2012 Ficha 09A Demonstração do Lucro Real PJ em Geral — Alínea 44. Outras Adições). O valor desta alínea está em R$ 0,00 (zero reais). O valor total das adições informado na alínea 45. Soma das Adições é de R$ 50.553.218,14. Fl. 1974DF CARF MF Processo nº 19515.720126/201355 Resolução nº 1301000.403 S1C3T1 Fl. 1.975 8 Na declaração retificadora (cancelada) entregue em 20/02/2013, portanto após o encerramento da fiscalização e com o crédito tributário já constituído, foi adicionado o valor de R$ 11.659.397,41 nesta alínea 44. Outras Adições, elevando, assim o valor da Alínea 45. Soma das Adições para R$ 62.212.615,55. A interessada entregou uma nova declaração retificadora (também cancelada) em 31/12/2013 onde alterou dados não diretamente relacionados às adições mencionadas. Por fim, entregou declaração retifícadora em 05/09/2014 (atualmente ativa) sem qualquer alteração no valor destas adições. i) Faça acostar aos autos documentos comprobatórios das respostas aos quesitos (extratos do SAPLI, cópias de livros Razão, LALUR, entre outros documentos). Resposta: Documentos acostados, conforme solicitação. j) Manifestese sobre outros pontos que considerar relevantes, acerca dos quesitos formulados. Resposta: Lembramos que a DIPJ 2012 foi retificada pela primeira vez em 20/02/2013, pela segunda vez em 31/12/2013 e por fim em 05/09/2014. Portanto, todas as retificações pretendidas pelo contribuinte ocorreram após a ciência à lavratura do auto de infração que ocorreu dia 24/01/2013. A declaração original, vigente à época da lavratura do auto de infração, entregue em 29/06/2012, apresentava a Linha 44 da Ficha 09 com valor igual a 0,00 (zero reais). Dessa forma, o contribuinte não havia adicionado, ainda, essa variação monetária passiva que ora alega, pretendendo a mera ocorrência da postergação do pagamento do IRPJ. Cientificada das conclusões da diligência, a interessada apresentou manifestação de fls. 1952/1962, da qual segue breve síntese: A interessada afirma que os efeitos fiscais das variações monetárias passivas não foram objeto de análise no curso da fiscalização nem considerados relevantes na motivação dos lançamentos fiscais, Desta forma, caso esses efeitos sejam agora considerados para fins de julgamento do recurso de ofício, isso implicaria, por sua ótica, indevida alteração da motivação original dos autos de infração, em afronta aos arts. 142 e 146 do CTN. Não seria possível, em sede de julgamento, “substituir” o lançamento original, assim entendidos ajustes substanciais e materiais nos autos de infração. Caso assim não se entenda, a interessada sustenta que a diligência teria confirmado a ocorrência de “postergação” da parcela de R$ 10.325.765,68, referente a atualização de depósitos judiciais efetuados a título de ICMS. Esclarece que teria excluído da base de cálculo do IRPJ, no anocalendário 2008, R$ 10.325.765,68; e que teria adicionado à base do tributo, no anocalendário 2011, R$ 11.659.397,41, tudo sob a mesma rubrica. Pede, então, a exclusão dessa parcela do montante total exigido. A contribuinte manifesta, finalmente, seu entendimento de que a retificação da DIPJ do anocalendário 2011 seria irrelevante para fins do reconhecimento da postergação do pagamento do IRPJ. O processo retorna, agora, para prosseguimento do julgamento. Fl. 1975DF CARF MF Processo nº 19515.720126/201355 Resolução nº 1301000.403 S1C3T1 Fl. 1.976 9 É o Relatório. Voto Conselheiro Waldir Veiga Rocha, Relator Do exame do Relatório de Atividades Fiscais, que resume os procedimentos e as conclusões da diligência levada a efeito por determinação deste Colegiado, juntamente com os documentos acostados aos autos, considero que o processo ainda não reúne condições de julgamento, pelas razões que passo a expor. A resposta ao quesito (a) foi conclusiva, senão vejamos: a) No anocalendário 2008, foram contabilizadas, a débito de conta de resultado, as variações monetárias passivas (juros moratórios) incidentes sobre os tributos discutidos judicialmente? O contribuinte foi adequadamente intimado, vide termo à fl. 1156, item 1: 1. Esclarecer se o valor lançado na DIPJ 2009, anocalendário 2008, na ficha 06A – Demonstração do Resultado – PJ em Geral, Alínea 40 – Outras Despesas Financeiras, no total de R$ 23.131.772,99 (vinte e três milhões, cento e trinta e um mil, setecentos e setenta e dois reais e noventa e nove centavos) contém em sua composição Variações Monetárias Passivas incidentes sobre tributos discutidos judicialmente que foram objeto de depósitos judiciais. Em caso positivo, identificar as ações judiciais envolvidas. Em sua resposta, o contribuinte identificou a composição do total especificado no item 1 da intimação, informando e comprovando (fls. 1161, 1162, 1171 e 1199) que a parcela de R$ 19.927.644,24 correspondeu a variações monetárias passivas, levadas a débito em conta de resultado no anocalendário 2008. Informou, ainda, que essas variações monetárias passivas correspondiam a rubricas correspondentes aos tributos discutidos judicialmente. O AuditorFiscal examinou a resposta e os documentos apresentados e concluiu (fl. 1727): De acordo com os dados disponibilizados pelo contribuinte e os documentos apresentados (Doc. 1 e Doc. 2) podemos concluir que as variações monetárias passivas (juros moratórios) incidentes sobre os tributos discutidos judicialmente foram lançados a débito na conta de resultado. No entanto, a resposta ao quesito (b) não guardou relação com a pergunta. Eis o quesito formulado: b) Caso a resposta ao quesito anterior seja positiva, essas variações monetárias passivas foram adicionadas ao lucro líquido, para fins de apuração do lucro real? Observese, inicialmente, que o Termo de Intimação (fl. 1156) não fez ao contribuinte qualquer questionamento nesse sentido. Não tendo havido questionamento, também a resposta (fls. 1158/1167) à intimação nada menciona a esse respeito. Finalmente, a Fl. 1976DF CARF MF Processo nº 19515.720126/201355 Resolução nº 1301000.403 S1C3T1 Fl. 1.977 10 resposta do AuditorFiscal (fl. 1727) faz referência a uma alegação de postergação, por adição extemporânea de variações monetárias ativas, o que foi objeto de outro item da resolução, o item (h). Mas nada menciona acerca da adição, ou não, das variações monetárias passivas. Confirase: Foi salientado pelo contribuinte que esse valor teria sido adicionado na Linha 44 da Ficha 09 da DIPJ 2012, ano calendário 2011, caracterizando, assim, a postergação do pagamento do IRPJ (Doc. 3, Doc 4, Doc. 5, Doc. 6, Doc. 7, Doc. 8, Doc. 9, Doc. 10, Doc. 11 e Doc. 12). Também não encontro, entre os documentos colacionados aos autos, nada que permita concluir acerca da adição, ou não, para fins de determinação do lucro real, das variações monetárias passivas no montante de R$ 19.927.644,24, que foram levadas a débito do resultado contábil no anocalendário 2008 (vide resposta ao item a). A conclusão é de que esse item não foi adequadamente respondido. Situação semelhante se verifica no que toca aos quesitos (e) e (f), fl. 1728: e) O saldo negativo de IRPJ, apurado no anocalendário 2008, no montante de R$2.403.877,51 (linha 20 da Ficha 12A da DIPJ, fl. 22) já foi restituído, compensado ou de outra forma aproveitado pela interessada? f) O saldo negativo de CSLL, apurado no anocalendário 2008, no montante de R$1.036.499,55 (linha 76 da Ficha 17 da DIPJ, fl. 28) já foi restituído, compensado ou de outra forma aproveitado pela interessada? A pergunta na diligência foi feita do modo mais objetivo possível. No entanto, o Termo de Intimação dirigido ao contribuinte (fl. 1156) não contém qualquer questionamento nesse sentido. A resposta do AuditorFiscal (fl. 1728) não revela que tenha sido examinada a escrita contábil do contribuinte nem os sistemas de processamento da Receita Federal do Brasil. Ao contrário, menciona tão somente um exame do Livro de Apuração do Lucro Real e conclui de modo vago (pelo que se pode depreender ...). Pelo que se pode depreender do Livro de Apuração do Lucro Real o contribuinte não restituiu, não compensou ou não aproveitou de outra forma o saldo negativo de IRPJ até o momento. Pelo que se pode depreender do Livro de Apuração do Lucro Real o contribuinte não restituiu, não compensou ou não aproveitou de outra forma o saldo negativo de CSLL até o momento. Ora, o LALUR (livro de natureza estritamente fiscal, extracontábil) não se destina à apuração e registro de saldo negativo de tributo. O saldo negativo em referência é apurado mediante o confronto entre valores recolhidos por antecipação (por exemplo, estimativas mensais e imposto retido na fonte pelas fontes pagadoras) e o valor efetivamente devido do imposto ao final do período de apuração. Essa demonstração é feita na DIPJ, respectivamente Ficha 12A e Ficha 17, para IRPJ e CSLL. Seria objeto de surpresa caso se encontrasse no LALUR algum registro de apuração de eventual saldo negativo de tributo e sua utilização para fins de compensação ou restituição. O que se espera é que sejam examinados os assentamentos contábeis do contribuinte, em que supostamente o saldo negativo (direito creditório a ser registrado no ativo) Fl. 1977DF CARF MF Processo nº 19515.720126/201355 Resolução nº 1301000.403 S1C3T1 Fl. 1.978 11 por ele apurado foi registrado ao final do anocalendário 2008, e o destino dado a esse saldo negativo ao longo dos anos subsequentes. Caso permaneça intocado, isso revelaria a não utilização do direito creditório. Caso o contribuinte tenha se valido de compensação ou restituição, esse fato deveria estar registrado na escrita contábil no momento adequado. Em paralelo com o exame descrito no parágrafo anterior, fazse indispensável a consulta aos sistemas de processamento da Receita Federal do Brasil que controlam os pedidos de restituição e as declarações de compensação, para que se verifique se existe algum PER/DCOMP cujo direito creditório consista no saldo negativo de IRPJ ou de CSLL do ano calendário 2008. Se essa consulta resultar positiva, devese perquirir a situação atual de tais pedidos ou declarações. Diante do exposto, considero que o processo não reúne condições de julgamento, e voto pela conversão do presente julgamento em nova diligência, a fim de que as respostas inconclusas possam ser complementadas. Observadas as diretrizes acima especificadas, a Unidade Preparadora deverá consultar os sistemas de processamento de dados da Secretaria da Receita Federal do Brasil, examinar a escrita contábil e fiscal da interessada e, ao final, responder aos seguintes quesitos e/ou adotar as seguintes providências: b) As variações monetárias passivas incidentes sobre os tributos discutidos judicialmente (segundo a resposta ao quesito (a), no valor de R$ 19.927.644,24) foram adicionadas ao lucro líquido, para fins de apuração do lucro real, no anocalendário 2008? Caso tenha ocorrido adição parcial, especificar o montante. e) O saldo negativo de IRPJ, apurado no anocalendário 2008, no montante de R$2.403.877,51 (linha 20 da Ficha 12A da DIPJ, fl. 22) já foi restituído, compensado ou de outra forma aproveitado pela interessada? f) O saldo negativo de CSLL, apurado no anocalendário 2008, no montante de R$1.036.499,55 (linha 76 da Ficha 17 da DIPJ, fl. 28) já foi restituído, compensado ou de outra forma aproveitado pela interessada? O resultado da diligência deverá ser objeto de relatório conclusivo, acompanhado de documentação comprobatória, do qual será dada ciência ao sujeito passivo, facultandolhe, se assim desejar, manifestarse nos autos sobre as conclusões da diligência, no prazo de trinta dias. Na sequência, o processo deverá retornar ao CARF, para prosseguimento do julgamento. (assinado digitalmente) Waldir Veiga Rocha Fl. 1978DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13627.000174/2005-70
Turma: Terceira Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Feb 24 00:00:00 UTC 2011
Ementa: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO
Ano calendário: 2000
MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DA DECLARAÇÃO.
É devida a multa por atraso na entrega de declaração quando provado que sua entrega se deu após o prazo fixado na legislação.
Numero da decisão: 1803-000.842
Decisão: ACORDAM os membros da 3ª Turma Especial da Primeira Seção de
Julgamento, NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado.
Matéria: IRPJ - multa por atraso na entrega da DIPJ
Nome do relator: SERGIO LUIZ BEZERRA PRESTA
1.0 = *:*
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ementa_s : NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Ano calendário: 2000 MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DA DECLARAÇÃO. É devida a multa por atraso na entrega de declaração quando provado que sua entrega se deu após o prazo fixado na legislação.
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É devida a multa por atraso na entrega de declaração quando provado que sua entrega se deu após o prazo fixado na legislação. ACORDAM os membros da 3ª Turma Especial da Primeira Seção de Julgamento, NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado (assinado digitalmente) Selene Ferreira de Moraes Presidente (assinado digitalmente) Sergio Luiz Bezerra Presta Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Selene Ferreira de Moraes, Benedicto Celso Benício Júnior, Sérgio Luiz Bezerra Presta, Walter Adolfo Maresch, Sérgio Rodrigues Mendes e Marcelo Fonseca Vicentini. Fl. 44DF CARF MF Emitido em 09/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 03/08/2011 por SERGIO LUIZ BEZERRA PRESTA Assinado digitalmente em 03/08/2011 por SERGIO LUIZ BEZERRA PRESTA, 09/08/2011 por SELENE FERREIRA D E MORAES 2 Relatório Cuidase de Recurso Voluntário de fls. 27, interposto pela contribuinte ASSOCIAÇÃO COMUNITÁRIA AMIGOS DO MANDIOCAL contra decisão da 5a Turma da DRJ no Rio de JaneiroRJ, de fls.21 e 22, que julgou improcedente a impugnação apresentada pela contribuinte. Em razão de sua pertinência, transcrevo o relatório da decisão recorrida, o qual adoto, “verbis”: “Versa o presente processo sobre o auto de infração por meio do qual é exigida da interessada acima qualificada a multa por atraso na entrega de sua Declaração de Informações da Pessoa Jurídica DIPJ relativa ao exercício de 2000, ano calendário 1999, no valor de R$ 414,35. Inconformada, a interessada apresentou tempestivamente a sua peça impugnatória à exigência, instaurando a fase litigiosa do processo, onde pede a suspensão da multa, por ser uma entidade sem fins lucrativos e com falta de recursos.” Em seu recurso, telegraficamente, alega a Recorrente, em todo o seu recurso voluntário que: “A Associação Comunitária Amigos do Mandiocal, inscrita no CNPJ sob d:73.719.445/0001 08, através da sua Diretoria, na pessoa do seu Presidente o Sr. Juvenal Batista de Aguilar, portador do CPF:500.61 5.85653; vêem através deste oficio, solicitar deste renomado conselho, a redução nos valores das multas aplicadas por entrega em atraso das DIPJs relativas aos exercícios 2000/2001/2003 e 2004, anos calendário 1999/2000/2002 e 2003, baseandose na Lei 11.727, artigo 30 de 23/06/2008, de acordo com os DARFs devidamente preenchidos e recolhidos e demais documentação anexa”. É o relatório. Voto Conselheiro SERGIO LUIZ BEZERRA PRESTA O recurso é tempestivo e preenche os requisitos de admissibilidade, dele conheço. Conforme relatado, tratase procedimento fiscal que teve como origem com o atraso da entrega da DIPJ relativa ao exercício de 2000, anocalendário 1999. A Recorrente, na impugnação, também telegráfica, onde “pede a suspensão da multa, por ser uma entidade sem fins lucrativos e com falta de recursos”, sem contudo Fl. 45DF CARF MF Emitido em 09/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 03/08/2011 por SERGIO LUIZ BEZERRA PRESTA Assinado digitalmente em 03/08/2011 por SERGIO LUIZ BEZERRA PRESTA, 09/08/2011 por SELENE FERREIRA D E MORAES Processo nº 13627.000174/200570 Acórdão n.º 180300.842 S1TE03 Fl. 45 3 apresentar as razões de direito. Já no Recurso de Oficio cita o art. 30 da Lei nº. 11.727/2008, a seguir transcrito: “Art. 30. Até 31 de dezembro de 2008, a multa a que se refere o § 3º do art. 7º da Lei nº 10.426, de 24 de abril de 2002, quando aplicada a associação sem fins lucrativos que tenha observado o disposto em um dos incisos do § 2º do mesmo artigo, será reduzida a 10% (dez por cento)”. Diante da remissão fazse necessário transcrever o § 3º do art. 7º da Lei nº 10.426, de 24 de abril de 2002, “verbis”: “Art. 7º O sujeito passivo que deixar de apresentar Declaração de Informações EconômicoFiscais da Pessoa Jurídica DIPJ, Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais DCTF, Declaração Simplificada da Pessoa Jurídica, Declaração de Imposto de Renda Retido na Fonte DIRF e Demonstrativo de Apuração de Contribuições Sociais Dacon, nos prazos fixados, ou que as apresentar com incorreções ou omissões, será intimado a apresentar declaração original, no caso de nãoapresentação, ou a prestar esclarecimentos, nos demais casos, no prazo estipulado pela Secretaria da Receita Federal SRF, e sujeitarse á às seguintes multas: (Redação dada pela Lei nº 11.051, de 2004) I de 2%(dois por cento) ao mêscalendário ou fração, incidente sobre o montante do imposto de renda da pessoa jurídica informado na DIPJ, ainda que integralmente pago, no caso de falta de entrega desta Declaração ou entrega após o prazo, limitada a 20%(vinte por cento), observado o disposto no § 3; II de 2%(dois por cento) ao mêscalendário ou fração, incidente sobre o montante dos tributos e contribuições informados na DCTF, na Declaração Simplificada da Pessoa Jurídica ou na DIRF, ainda que integralmente pago, no caso de falta de entrega destas Declarações ou entrega após o prazo, limitada a 20%(vinte por cento), observado o disposto no § 3º; III de 2% (dois por cento) ao mêscalendário ou fração, incidente sobre o montante da Cofins, ou, na sua falta, da contribuição para o PIS/Pasep, informado no Dacon, ainda que integralmente pago, no caso de falta de entrega desta Declaração ou entrega após o prazo, limitada a 20% (vinte por cento), observado o disposto no § 3º deste artigo; (Redação dada pela Lei nº 11.051, de 2004) IV de R$ 20,00 (vinte reais) para cada grupo de 10 (dez) informações incorretas ou omitidas. (Incluído pela Lei nº 11.051, de 2004) § 1º Para efeito de aplicação das multas previstas nos incisos I, II e III do caput deste artigo, será considerado como termo inicial o dia seguinte ao término do prazo originalmente fixado para a entrega da declaração e como termo final a data da efetiva entrega ou, no caso de nãoapresentação, da lavratura do auto de infração. (Redação dada pela Lei nº 11.051, de 2004) § 2º Observado o disposto no § 3º, as multas serão reduzidas: I à metade, quando a declaração for apresentada após o prazo, mas antes de qualquer procedimento de ofício; II a 75%(setenta e cinco por cento), se houver a apresentação da declaração no prazo fixado em intimação. Fl. 46DF CARF MF Emitido em 09/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 03/08/2011 por SERGIO LUIZ BEZERRA PRESTA Assinado digitalmente em 03/08/2011 por SERGIO LUIZ BEZERRA PRESTA, 09/08/2011 por SELENE FERREIRA D E MORAES 4 § 3º A multa mínima a ser aplicada será de: I R$ 200,00 (duzentos reais), tratandose de pessoa física, pessoa jurídica inativa e pessoa jurídica optante pelo regime de tributação previsto na Lei nº 9.317, de 5 de dezembro de 1996; II R$ 500,00 (quinhentos reais), nos demais casos”. Analisando os autos, podemos observar, segundo afirmação da DRJ que “o prazo limite para entrega da Declaração, conforme consta do auto de infração objeto do presente processo, estava fixado em 31/05/2000, tendo a interessada apresentadoa extemporaneamente, em 01/04/2002, ensejando, portanto, a aplicação da penalidade pecuniária”. Ocorre que foi concedido a Recorrente o prazo para a redução da multa, cujo vencimento era para 05/09/2005, conforme consta na fls. 9 dos autos; porém este prazo não foi observado pela Recorrente que só efetivou o pagamento em 03/10/2008, ou seja, 1124 dias depois do prazo. Diante desse fato trago a tona parte do voto da DRJ a qual me filio: “Em suma, as razões subjetivas aduzidas pela interessada não são suficientes para afastar a aplicação da penalidade regularmente imposta, por inexistência de previsão legal ou normativa que permita a este julgador o cancelamento da exigência tão somente em face de dificuldades, características, peculiaridades ou razões particulares do sujeito passivo. Face ao exposto, julgo procedente o lançamento efetuado, e, por conseguinte, devida a multa por atraso na entrega da Declaração de Informações da Pessoa Jurídica – DIPJ relativa ao exercício de 2000, anocalendário e 1999, no valor de R$ 414,35”. Assim, não resta duvida que a Recorrente não observou os limites temporais da lei e cumpriu intempestivamente a obrigação tributária acessória à qual estava sujeita, tomandose assim aplicável a penalidade imposta. Ante o exposto voto por negar provimento ao recurso mantendo o lançamento tributário. SERGIO LUIZ BEZERRA PRESTA Relator Fl. 47DF CARF MF Emitido em 09/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 03/08/2011 por SERGIO LUIZ BEZERRA PRESTA Assinado digitalmente em 03/08/2011 por SERGIO LUIZ BEZERRA PRESTA, 09/08/2011 por SELENE FERREIRA D E MORAES
score : 1.0
Numero do processo: 10940.901956/2009-19
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Mar 16 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Wed May 03 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2005
ESTIMATIVA. COMPENSAÇÃO. POSSIBILIDADE.
Pagamento indevido ou a maior a título de estimativa caracteriza indébito na data de seu recolhimento, sendo passível de restituição ou compensação (Súmula CARF nº 84).
Numero da decisão: 9101-002.662
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, em negar-lhe provimento, com retorno dos autos à Unidade de origem para verificação da certeza e liquidez do crédito tributário.
[assinado digitalmente]
Carlos Alberto Freitas Barreto - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Adriana Gomes Rego, Cristiane Silva Costa, André Mendes de Moura, Luis Flávio Neto, Rafael Vidal de Araújo, Daniele Souto Rodrigues Amadio, Gerson Macedo Guerra e Carlos Alberto Freitas Barreto.
Nome do relator: CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Ano-calendário: 2005 ESTIMATIVA. COMPENSAÇÃO. POSSIBILIDADE. Pagamento indevido ou a maior a título de estimativa caracteriza indébito na data de seu recolhimento, sendo passível de restituição ou compensação (Súmula CARF nº 84).
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, em negar-lhe provimento, com retorno dos autos à Unidade de origem para verificação da certeza e liquidez do crédito tributário. [assinado digitalmente] Carlos Alberto Freitas Barreto - Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Adriana Gomes Rego, Cristiane Silva Costa, André Mendes de Moura, Luis Flávio Neto, Rafael Vidal de Araújo, Daniele Souto Rodrigues Amadio, Gerson Macedo Guerra e Carlos Alberto Freitas Barreto.
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COMPENSAÇÃO. POSSIBILIDADE. Pagamento indevido ou a maior a título de estimativa caracteriza indébito na data de seu recolhimento, sendo passível de restituição ou compensação (Súmula CARF nº 84). Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, em negarlhe provimento, com retorno dos autos à Unidade de origem para verificação da certeza e liquidez do crédito tributário. [assinado digitalmente] Carlos Alberto Freitas Barreto Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Adriana Gomes Rego, Cristiane Silva Costa, André Mendes de Moura, Luis Flávio Neto, Rafael Vidal de Araújo, Daniele Souto Rodrigues Amadio, Gerson Macedo Guerra e Carlos Alberto Freitas Barreto. Relatório Tratase de Recurso Especial apresentado pela Fazenda Nacional contra o Acórdão nº 180301.201, que julgou o recurso voluntário interposto pela contribuinte acerca da possibilidade de compensação de créditos de pagamentos de estimativas. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 94 0. 90 19 56 /2 00 9- 19 Fl. 214DF CARF MF Processo nº 10940.901956/200919 Acórdão n.º 9101002.662 CSRFT1 Fl. 3 2 O Acórdão recorrido deu provimento parcial ao recurso voluntário para afastar o argumento jurídico da não homologação, entendendo ser possível a compensação de créditos de pagamentos de estimativas. Em seguida, para comprovar a divergência de interpretação necessária ao conhecimento do seu recurso, a Fazenda Nacional interpôs o presente recurso especial de divergência, por entender que a decisão de reconhecer a possibilidade de compensação do valor indevidamente pago, ou pago a maior, de estimativa é fruto de interpretação da legislação tributária que conflita com a interpretação adotada no acórdão paradigma colacionado aos autos. O recurso foi admitido por meio do despacho do Presidente da Câmara. Após, sobrevieram contrarrazões em que o sujeito passivo defende o acerto da decisão questionada e pugna pela sua manutenção. É o Relatório. Voto Conselheiro Carlos Alberto Freitas Barreto, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 9101002.610, de 16/03/2017, proferido no julgamento do processo 10280.900603/200912, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 9101002.610): O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, motivo pelo qual dele tomo conhecimento, na forma como foi admitido. O contribuinte apresentou DCOMP apontando indébito oriundo de pagamento a maior de estimativa. Ao apreciar a referida declaração, a Receita Federal não homologou a compensação, sob o fundamento de que o pagamento de estimativa não é passível de compensação, devendo compor a apuração anual do tributo. A decisão recorrida foi no sentido oposto, reconhecendo o direito de o contribuinte compensar o indébito de estimativa, devolvendo os autos para a unidade de origem, para verificação da certeza e liquidez do crédito tributário pleiteado, vez que essa matéria ainda não sofreu apreciação pela Administração Tributária. O recurso especial veio para que esta Câmara Superior reforme a decisão recorrida, restabelecendo a declaração de impossibilidade de o contribuinte compensar crédito de estimativa, nos termos da legislação infralegal então em vigor. Fl. 215DF CARF MF Processo nº 10940.901956/200919 Acórdão n.º 9101002.662 CSRFT1 Fl. 4 3 Todavia, a IN RFB nº 900, de 2008, retirou a referida proibição do ordenamento tributário e é pacífico na jurisprudência administrativa o entendimento de que seus efeitos devem retroagir para alcançar as compensações pendentes de decisão administrativa. Esse entendimento é adotado pela própria Administração Tributária, exteriorizado por meio da Solução de Consulta Interna Cosit n° 19, de 05/12/2011, assim ementada: ESTIMATIVAS. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. RESTITUIÇÃO E COMPENSAÇÃO. O art. 11 da IN RFB nº 900, de 2008, que admite a restituição ou a compensação de valor pago a maior ou indevidamente de estimativa, é preceito de caráter interpretativo das normas materiais que definem a formação do indébito na apuração anual do Imposto de Renda da Pessoa Jurídica ou da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido, aplicandose, portanto, aos PER/DCOMP originais transmitidos anteriormente a 1º de janeiro de 2009 e que estejam pendentes de decisão administrativa. Caracterizase como indébito de estimativa inclusive o pagamento a maior ou indevido efetuado a este título após o encerramento do período de apuração, seja pela quitação do débito de estimativa de dezembro dentro do prazo de vencimento, seja pelo pagamento em atraso da estimativa devida referente a qualquer mês do período, realizado em ano posterior ao do período da estimativa apurada, mesmo na hipótese de a restituição ter sido solicitada ou a compensação declarada na vigência das IN SRF nº 460, de 2004, e IN SRF nº 600, de 2005. A nova interpretação dada pelo art. 11 da IN RFB nº 900, de 2008, aplicase inclusive aos PER/DCOMP retificadores apresentados a partir de 1º de janeiro de 2009, relativos a PER/DCOMP originais transmitidos durante o período de vigência da IN SRF nº 460, de 2004, e IN SRF nº 600, de 2005, desde que estes se encontrem pendentes de decisão administrativa. No âmbito deste Tribunal Administrativo, a matéria foi pacificada por meio da Súmula CARF nº 84: Súmula CARF nº 84: Pagamento indevido ou a maior a título de estimativa caracteriza indébito na data de seu recolhimento, sendo passível de restituição ou compensação. Por todo o exposto, voto no sentido de negar provimento ao recurso especial da Procuradoria, com retorno dos autos à unidade de origem para verificação da certeza e liquidez do crédito tributário. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, conheço do recurso especial da Fazenda Nacional, e, no mérito, negolhe provimento, com retorno dos autos à unidade de origem para verificação da certeza e liquidez do crédito tributário. assinado digitalmente Fl. 216DF CARF MF Processo nº 10940.901956/200919 Acórdão n.º 9101002.662 CSRFT1 Fl. 5 4 Carlos Alberto Freitas Barreto Fl. 217DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 14098.000112/2010-13
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 07 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon Mar 27 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2006 a 31/12/2007
LANÇAMENTO. DESCRIÇÃO DOS FATOS GERADORES. QUANTIFICAÇÃO DA BASE TRIBUTÁVEL. FUNDAMENTOS LEGAIS DO DÉBITO. INEXISTÊNCIA DE CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA.
O fisco, ao narrar os fatos geradores e as circunstâncias de sua ocorrência, a base tributável e a fundamentação legal do lançamento, fornece ao sujeito passivo todos os elementos necessários ao exercício do seu direito de defesa, não havendo o que se falar em prejuízo a esse direito ou falta de motivação do ato, mormente quando os termos da impugnação permitem concluir que houve a prefeita compreensão do lançamento pelo autuado.
Numero da decisão: 2201-003.420
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário.
Carlos Henrique de Oliveira - Presidente
Daniel Melo Mendes Bezerra - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA (Presidente), ANA CECILIA LUSTOSA DA CRUZ, DIONE JESABEL WASILEWSKI, JOSE ALFREDO DUARTE FILHO (Suplente convocado), MARCELO MILTON DA SILVA RISSO, CARLOS ALBERTO DO AMARAL AZEREDO, DANIEL MELO MENDES BEZERRA e RODRIGO MONTEIRO LOUREIRO AMORIM.
Nome do relator: DANIEL MELO MENDES BEZERRA
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2006 a 31/12/2007 LANÇAMENTO. DESCRIÇÃO DOS FATOS GERADORES. QUANTIFICAÇÃO DA BASE TRIBUTÁVEL. FUNDAMENTOS LEGAIS DO DÉBITO. INEXISTÊNCIA DE CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. O fisco, ao narrar os fatos geradores e as circunstâncias de sua ocorrência, a base tributável e a fundamentação legal do lançamento, fornece ao sujeito passivo todos os elementos necessários ao exercício do seu direito de defesa, não havendo o que se falar em prejuízo a esse direito ou falta de motivação do ato, mormente quando os termos da impugnação permitem concluir que houve a prefeita compreensão do lançamento pelo autuado.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. Carlos Henrique de Oliveira - Presidente Daniel Melo Mendes Bezerra - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA (Presidente), ANA CECILIA LUSTOSA DA CRUZ, DIONE JESABEL WASILEWSKI, JOSE ALFREDO DUARTE FILHO (Suplente convocado), MARCELO MILTON DA SILVA RISSO, CARLOS ALBERTO DO AMARAL AZEREDO, DANIEL MELO MENDES BEZERRA e RODRIGO MONTEIRO LOUREIRO AMORIM.
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DESCRIÇÃO DOS FATOS GERADORES. QUANTIFICAÇÃO DA BASE TRIBUTÁVEL. FUNDAMENTOS LEGAIS DO DÉBITO. INEXISTÊNCIA DE CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. O fisco, ao narrar os fatos geradores e as circunstâncias de sua ocorrência, a base tributável e a fundamentação legal do lançamento, fornece ao sujeito passivo todos os elementos necessários ao exercício do seu direito de defesa, não havendo o que se falar em prejuízo a esse direito ou falta de motivação do ato, mormente quando os termos da impugnação permitem concluir que houve a prefeita compreensão do lançamento pelo autuado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. Carlos Henrique de Oliveira Presidente Daniel Melo Mendes Bezerra Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA (Presidente), ANA CECILIA LUSTOSA DA CRUZ, DIONE JESABEL WASILEWSKI, JOSE ALFREDO DUARTE FILHO (Suplente convocado), MARCELO AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 14 09 8. 00 01 12 /2 01 0- 13 Fl. 386DF CARF MF Processo nº 14098.000112/201013 Acórdão n.º 2201003.420 S2C2T1 Fl. 387 2 MILTON DA SILVA RISSO, CARLOS ALBERTO DO AMARAL AZEREDO, DANIEL MELO MENDES BEZERRA e RODRIGO MONTEIRO LOUREIRO AMORIM. Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto pelo sujeito passivo contra o Acórdão nº 1450.838 7a Turma da DRJ/RPO, que julgou improcedente a impugnação. O lançamento em questão referese ao Auto de Infração de Obrigações Principais AIOP nº 37.264.0567, de 17/06/2010, de contribuições destinadas às entidades terceiras à frente identificadas, conforme sua base de cálculo, incidentes sobre a) a remuneração dos segurados empregados no período de 01 a 12/2007 (FNDE – Salário Educação, INCRA), b) sobre as aquisições de produção rural de produtor pessoa física, em que, na condição de subrrogado, o sujeito passivo não reteve, nem recolheu as respectivas contribuições (SENAR) e, c) sobre comercialização da produção rural própria (SENAR). Os fatos geradores descritos nos itens “b” e “c” supra, referemse ao período de 01/2006 a 12/2007, tudo conforme o Relatório Fiscal – RF e anexos que compõem o AIOP, no montante de R$ 431.395,87 (quatrocentos e trinta e um mil, trezentos e noventa e cinco reais e oitenta e sete centavos), consolidado em 17/06/2010. Os fatos geradores da contribuições não foram declarados em Guias de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social – GFIP e que os valores considerados neste lançamento estão detalhados no anexo Relatório de Lançamentos RL, identificando os levantamentos utilizados. Apresentada impugnação ao lançamento, a decisão de primeira instância (fls.322/326) restou ementada nos termos abaixo: CONTRIBUIÇÃO A TERCEIROS DE PRODUTOR RURAL PESSOA JURÍDICA INCIDENTE SOBRE A RECEITA BRUTA PROVENIENTE DA COMERCIALIZAÇÃO DA SUA PRODUÇÃO RURAL. A empresa produtora rural é obrigada a recolher as contribuições destinadas a entidades terceiras incidentes sobre a receita da comercialização de sua produção rural no mercado interno, mesmo que destinada ao mercado externo. CONTRIBUIÇÃO A TERCEIROS. PRODUTOR RURAL PESSOA FÍSICA. SUBROGAÇÃO DA EMPRESA ADQUIRENTE. A empresa adquirente de produtos rurais fica subrogada nas obrigações da pessoa física produtora rural pelo recolhimento da contribuição incidente sobre a receita bruta da comercialização de sua produção, inclusive as destinadas à entidade terceira SENAR, nos termos e nas condições estabelecidas pela legislação previdenciária. ENTIDADES TERCEIRAS. CONTRIBUIÇÕES INCIDENTES SOBRE A REMUNERAÇÃO DOS SEGURADOS EMPREGADOS. Fl. 387DF CARF MF Processo nº 14098.000112/201013 Acórdão n.º 2201003.420 S2C2T1 Fl. 388 3 As contribuições destinadas às Entidades Terceiras incidentes sobre a remuneração dos segurados empregados são devidas de acordo com ordenamento jurídico em vigor e a efetiva atividade da empresa. Cientificado do acórdão de primeira instância em 17/07/2014 (fl.328), o sujeito passivo apresentou Recurso Voluntário (fls.329/331) por via postal, tempestivamente, em 18/08/2014, alegando, em síntese, que: A decisão deve ser inteiramente reformada, tendo em vista que o lançamento não foi claramente fundamentado. Os fatos geradores não foram apresentados e explicitados pela fiscalização, além de não ter sido indicadas as contas contábeis e os livros que serviram de apoio para a apuração da base de cálculo das contribuições previdenciárias lançadas sobre os pagamentos a contribuintes individuais e relativas às contribuições cobradas incidentes sobre a comercialização, bem como aquisição de produção rural. Reitera os argumentos apresentados na impugnação, alegando que a autuação dever ser cancelada por estar eivada de vícios insanáveis de legalidade e de forma. Por fim, requer o acolhimento e provimento do presente recurso para o fim de que seja cancelado o débito fiscal reclamado. É o relatório. Voto Daniel Melo Mendes Bezerra, Conselheiro Relator Admissibilidade O Recurso Voluntário é tempestivo e preenche aos demais requisitos de admissibilidade, devendo, pois, ser conhecido. Da Alegação de Nulidade do Lançamento A insurgência da recorrente fundase exclusivamente em atacar os aspectos formais do lançamento. No seu entendimento, não houve a devida fundamentação. Os fatos geradores não foram apresentados e explicitados de forma adequada, além de não ter sido indicadas as contas contábeis e os livros que serviram de apoio para a apuração da base de cálculo das contribuições previdenciárias lançadas sobre os pagamentos a contribuintes individuais e relativas às contribuições cobradas incidentes sobre a comercialização e aquisição de produção rural. Tais fatos, no seu entendimento, acarretam cerceamento ao direito de defesa, eivando o lançamento de vício insanável que levaria a sua nulidade. Essas questões, já apresentadas por ocasião da impugnação, são renovadas em sede recursal. Tais argumentos foram rechaçados com propriedade pela decisão de piso, nos termos seguintes: Fl. 388DF CARF MF Processo nº 14098.000112/201013 Acórdão n.º 2201003.420 S2C2T1 Fl. 389 4 Os valores lançados através do levantamento “GS – Remuneração de segurados empregados declarada em GFIP substituída”, referemse a fatos geradores informados em GFIP entregue em 15/04/2009 e, posteriormente, substituída pela empresa, com a entrega de nova GFIP. A identificação de que a GFIP considerada foi a entregue nesta data está no Relatório de Lançamentos – RL, mês a mês, onde a fiscalização aponta que ali obteve os valores que serviram de base para os valores cobrados sob este levantamento. Em consulta aos sistemas informatizados da Receita Federal do Brasil – RFB, sistema GFIP Web, temse que os segurados empregados informados nesta GFIP não se encontram informados na GFIP considerada pela fiscalização durante a ação fiscal, qual seja, a última entregue antes do início do procedimento fiscalizatório. Assim, em todos os meses de 2007, a empresa informou na GFIP de 15/04/2009 uma relação de empregados que não se encontram informados na GFIP válida. Por isso, a identificação do levantamento GS, como sendo de remunerações de segurados empregados declarados em GFIP substituída. Todas as informações relativas às GFIP foram produzidas pela própria empresa, portanto, são de seu domínio esses fatos, o que descarta a alegação de cerceamento de defesa. Já com relação ao levantamento “NE – Remuneração de segurados empregados não declarada em GFIP”, os valores da base de cálculo aqui considerados estão demonstrados no Anexo I ao Termo de Intimação Fiscal TIF nº 1, de 16/03/2010, de fls. 245 e 246, e que a própria empresa, em resposta ao referido TIF, às fls. 252 a 254, reconhece a divergência encontrada pela fiscalização entre a folha de pagamento e a GFIP, e dispõe que tal fato ocorreu por desatenção do departamento de processamento da folha de pagamento. Ou seja, a própria empresa reconhece a incorreção verificada pela fiscalização, demonstrada no Anexo I, e cobrada através do levantamento NE, não cabendo, novamente, se falar em cerceamento de defesa da impugnante. Em continuação, dispõe a impugnante que não foram identificadas as contas contábeis ou Livros que serviram como apoio para a apuração da base de cálculo das contribuições lançadas incidentes sobre a aquisição e comercialização de produção rural. A fiscalização informou no item 5 do RF quais os documentos examinados que subsidiaram a ação fiscal e o presente lançamento, indicando as folhas de pagamento de 01 a 12/2007, GPS e GFIP de 01/2006 a 12/2007, Livros Diários e Razão 2006 e 2007 e Livros de Entradas, Saídas e Apuração de ICMS 2006 e 2007. Não há falta de informação de quais documentos embasaram o procedimento fiscal. Quanto às alegações da autuada relativamente às contribuições destinadas ao SENAR incidentes sobre à aquisição de produtos rurais de produtores pessoas físicas – sub rogação e a comercialização de sua própria produção rural, dispõe a Fl. 389DF CARF MF Processo nº 14098.000112/201013 Acórdão n.º 2201003.420 S2C2T1 Fl. 390 5 impugnante sobre a falta de comprovação de que as bases de cálculo consideradas sejam efetivamente referentes a produtos rurais, já que a fiscalização não identificaria o objeto comercializado, o que não permitiria a confirmação da materialidade dos fatos geradores e cercearia a defesa do contribuinte. O Relatório de Lançamentos RL do AIOP aponta cada valor considerado como base de cálculo pela fiscalização, relacionando nota fiscal por nota fiscal, mês a mês, em cada um dos levantamentos AP, AP1, MI, MI1 e VD, não cabendo se falar em falta de identificação dos fatos geradores ou inexistência de confirmação da materialidade desses fatos geradores, com conseqüente cerceamento à defesa do contribuinte ou inibição do seu direito ao contraditório. Tendo a fiscalização apontado caso a caso os fatos geradores considerados no lançamento, individualizados conforme as notas fiscais utilizadas pela própria empresa, se houvesse qualquer incorreção no lançamento efetuado cabia a autuada trazer a comprovação do fato na sua defesa e não alegar genericamente que não restou demonstrado o objeto dos produtos vendidos. Incabível a alegação de que estamos diante de lançamentos maculados por vício insanável em decorrência de cerceamento de defesa da impugnante. A recorrente não contra argumentou nenhum aspecto abordado na decisão de primeira instância, limitandose a renovar as alegações esposadas na peça defensiva. Asseverou, ainda, a recorrente, que a Autoridade Fiscal não se desvencilhou do ônus de provar a ocorrência do fato gerador, por esse motivo o lançamento estaria irremediavelmente marcado com a pecha da nulidade. No entender da recorrente, a nulidade seria também uma decorrência da falta de motivação do ato administrativo de lançamento. A princípio, cabe verificar se o presente lançamento foi confeccionado em consonância com o art. 142 do CTN, in verbis: Art. 142. Compete privativamente à autoridade administrativa constituir o crédito tributário pelo lançamento, assim entendido o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo caso, propor a aplicação da penalidade cabível. Parágrafo único. A atividade administrativa de lançamento é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional. Do dispositivo transcrito verificase que um dos requisitos indispensáveis ao lançamento é a verificação da ocorrência do fato gerador. De fato, se o fisco não se desincumbir do ônus de demonstrar que efetivamente a hipótese de incidência tributária se concretizou no mundo fático, o lançamento é imprestável. Todavia, não é essa situação que os autos revelam. O relato da auditoria aponta que os fatos geradores das contribuições lançadas foram as remunerações pagas ou creditadas a Fl. 390DF CARF MF Processo nº 14098.000112/201013 Acórdão n.º 2201003.420 S2C2T1 Fl. 391 6 segurados contribuintes individuais, reconhecendo a própria recorrente que tais valores não foram pagos. No que concerne às contribuições cobradas incidentes sobre à aquisição de produtos rurais de produtores pessoas físicas subrogação e a comercialização de sua própria produção rural, alega a recorrente que falta comprovação de que as bases de cálculo consideradas sejam efetivamente referentes a produtos rurais, já que a fiscalização não identificaria o objeto comercializado. Todavia, como bem posto pela decisão de piso o Relatório de Lançamentos RL do AIOP aponta cada valor considerado como base de cálculo pela fiscalização, relacionando nota fiscal por nota fiscal, mês a mês, em cada um dos levantamentos, não cabendo se falar em falta de identificação dos fatos geradores ou inexistência de confirmação da materialidade desses fatos geradores, com conseqüente cerceamento à defesa do contribuinte ou inibição do seu direito ao contraditório. A comprovação do pagamento das referidas parcelas foi obtida com esteio na documentação fornecida pela notificada no decorrer da auditoria, mormente as folhas de pagamento e os registros contábeis. Nesse sentido, vejo que o Auto de Infração e seus anexos demonstram a contento a situação fática que deu ensejo à exigência fiscal, inclusive os elementos que foram analisados para se identificar a ocorrência dos fatos geradores. Não é exaustivo salientar que as bases de cálculo se encontram bem explicitadas no Relatório de Lançamentos. As alíquotas, por sua vez, podem ser visualizadas sem dificuldades pela leitura do Discriminativo Analíticod o Débito DAD. O Relatório Fundamentos Legais do Débito traz a discriminação, por período, da base legal utilizada para constituição do crédito previdenciário, além de que no próprio corpo do relatório fiscal houve menção aos dispositivos que levaram a auditoria a concluir pela concretização da hipótese de incidência tributária. Por outro lado, o sujeito passivo, embora alegue o defeito no lançamento, não especifica qual o ponto que, por não ter a clareza e precisão suficientes, veio a acarretar prejuízo ao seu direito de defesa. Assim, não enxergo motivo para que se anule o Auto de Infração sob julgamento, posto que os requisitos formais e a motivação apresentadas foram suficientes para que o sujeito passivo exercesse o seu direito de defesa com amplitude, nem mereça reforma a decisão de primeira instância. Conclusão Diante de todo o exposto, voto por negar provimento ao Recurso Voluntário. Daniel Melo Mendes Bezerra Relator Fl. 391DF CARF MF Processo nº 14098.000112/201013 Acórdão n.º 2201003.420 S2C2T1 Fl. 392 7 Fl. 392DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 18471.000459/2007-15
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Mon Apr 03 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Tue May 02 00:00:00 UTC 2017
Numero da decisão: 2401-000.561
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade, em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto da relatora.
(assinado digitalmente)
Miriam Denise Xavier Lazarini - Presidente
(assinado digitalmente)
Andréa Viana Arrais Egypto - Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Miriam Denise Xavier Lazarini, Carlos Alexandre Tortato, Rayd Santana Ferreira, Cleberson Alex Friess, Luciana Matos Pereira Barbosa, Marcio de Lacerda Martins, Andrea Viana Arrais Egypto e Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez.
Nome do relator: ANDREA VIANA ARRAIS EGYPTO
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade, em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto da relatora. (assinado digitalmente) Miriam Denise Xavier Lazarini - Presidente (assinado digitalmente) Andréa Viana Arrais Egypto - Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Miriam Denise Xavier Lazarini, Carlos Alexandre Tortato, Rayd Santana Ferreira, Cleberson Alex Friess, Luciana Matos Pereira Barbosa, Marcio de Lacerda Martins, Andrea Viana Arrais Egypto e Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez.
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Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade, em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto da relatora. (assinado digitalmente) Miriam Denise Xavier Lazarini Presidente (assinado digitalmente) Andréa Viana Arrais Egypto Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Miriam Denise Xavier Lazarini, Carlos Alexandre Tortato, Rayd Santana Ferreira, Cleberson Alex Friess, Luciana Matos Pereira Barbosa, Marcio de Lacerda Martins, Andrea Viana Arrais Egypto e Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 84 71 .0 00 45 9/ 20 07 -1 5 Fl. 1268DF CARF MF Processo nº 18471.000459/200715 Resolução nº 2401000.561 S2C4T1 Fl. 3 2 RELATÓRIO Tratase de Recurso Voluntário interposto em face da decisão proferida pela 6ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Florianópolis (SC) DRJ/FNS, que por maioria de votos, julgou procedente em parte a impugnação, conforme ementa do Acórdão nº 0736.545 (fls. 1195/1213): ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA – IRPF Anocalendário: 2001, 2002 DECADÊNCIA. O imposto de renda, pessoa física, decorrente da omissão de rendimento é tributo sujeito a lançamento por homologação. Assim, o direito de a Fazenda constituir o crédito tributário decai após cinco anos contados da data do fato gerador ocorrido em dezembro de cada ano calendário, quando não houver ocorrência de dolo, fraude ou simulação. MULTA DE OFÍCIO AGRAVADA. INTUITO DE FRAUDE. INAPLICABILIDADE Inaplicável a multa de ofício agravada de 150%, nos casos em que, no procedimento de ofício, não ficar constatado que a conduta do contribuinte está associada a evidente intuito de fraude, devendo ser aplicada a multa de 75%. OMISSÃO DE RECEITAS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA. CARACTERIZAÇÃO. Caracterizam omissão de receitas os valores creditados em conta de depósito mantida junto a instituição financeira, quando a contribuinte, não comprova, mediante documentação hábil e idônea, e de forma individualizadas, a origem dos recursos utilizados nessas operações. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte O presente processo teve sua origem no Auto de Infração de fls. 55/60 lavrado em nome da Contribuinte, em 18/06/2007, relativo ao Imposto de Renda Pessoa Física IRPF, anoscalendário 2001 e 2002, sendo apurados o valor total de crédito tributário de R$ 3.479.386,57, acrescido de multa qualificada e juros de mora. Por ocasião do Mandado de Procedimento Fiscal nº 07.1.90.002006013435, emitido em 13/09/2006, foi dado início ao procedimento de fiscalização de IRPF dos períodos de 01/2000 a 12/2002 (fl. 03). Em 18/09/2006 e em 29/09/2006, foram emitidos Termo de Início de Fiscalização, intimando o contribuinte a apresentar os comprovantes de rendimentos recebidos Fl. 1269DF CARF MF Processo nº 18471.000459/200715 Resolução nº 2401000.561 S2C4T1 Fl. 4 3 de pessoas físicas e jurídicas durante os anoscalendário de 2000, 2001 e 2002 (fls. 13/14), com intimação por Edital em 05/01/2007 (publicação do Edital em 21/12/2006), (fl. 25). Posteriormente, em 31/05/2007, foi publicado o Edital/DEFIS/RJO nº 86, de 23/05/2007, para cientificar a contribuinte do Auto de Infração nº 18471.000459.200715, tendo em vista não haver sido encontrada no domicílio fiscal, para determinar que no prazo de 30 (trinta) dias, contados do 15º (décimo quinto) dia da publicação do Edital, efetue o pagamento do débito constante do processo administrativo fiscal, ou apresente impugnação à exigência fiscal. No caso da contribuinte não efetuar o pagamento, nem apresentar impugnação, o Edital fica valendo como intimação para cobrança amigável, com 30 (trinta) dias adicionais de prazo. Decorrido o prazo para cobrança amigável, vale o Edital como intimação para o procedimento de inscrição do Débito em Dívida Ativa da União (fl. 49). Foi lavrado o TERMO DE CONSTATAÇÃO FISCAL às fls. 50/54 (sem data), acompanhado do Auto de Infração (fls. 55/60), lavrado em 18/06/2007. De acordo com o TERMO DE CONSTATAÇÃO FISCAL (fls. 50/54) a ação fiscal teve como origem demanda externa Representação Fiscal. A Equipe Especial da CoordenaçãoGeral de Fiscalização, assim se pronunciou em seus relatórios: "Em trabalho de análise documental da conta nº. 9004681, denominada "TIGRUS CORPORATION", mantida junto ao Merchants Bank, agência de Nova York, nos Estados Unidos da América, foram identificados como responsáveis os contribuintes Pompeu Costa Lima Pinheiro Maia, CPF nº 595.205.40725 e Isabel Cristina Pinheiro Maia, CPF nº 628.651.29772, pelos motivos abaixo explicitados: 1. Nomes e assinaturas dos contribuintes constam de documentos do Department of the Treasury Internal Revenue Service denominados "Certificate of Foreign Status", datados de 05/05/1998, em que é indicado o nome e o código da conta; 2. Cópias dos passaportes dos contribuintes foram apreendidos juntamente com os outros documentos no Merchants Bank; 3. Nomes e assinaturas dos contribuintes constam de documentos do Merchants Bank, datado de 08/07/1998, denominado "Funds Tranfer General Terms & Conditions", em que é indicado o nome da conta; 4. Nomes e assinaturas dos contribuintes constam de documentos do Merchants Bank, denominado "Hold Mail Request", em que é indicado o nome e código da conta; 5. Nome e assinatura do contribuinte Pompeu Maia consta de documento datado de 17/04/2001, encaminhado para o Merchants Bank e vinculado à conta Tigrus Corporation, autorizando Carolina Nolasco a movimentar as contas do mesmo;" Com relação à conta n º 9200172 a Equipe Especial assim se manifestou: Fl. 1270DF CARF MF Processo nº 18471.000459/200715 Resolução nº 2401000.561 S2C4T1 Fl. 5 4 "Em trabalho de análise documental da conta nº 9200172, denominada "POMPEU MAIA", mantida junto ao Merchants Bank, agência de Nova York, no Estados Unidos da América', foram identificados como responsáveis os contribuintes Pompeu Costa Lima Pinheiro Maia, CPF nº 595.205.40725 e Isabel Cristina Pinheiro Maia, CPF nº 628.651.29772, pelos motivos abaixo explicitados: 1. Nome e assinatura do contribuinte Pompeu Costa constam de documentos do Mechants Bank, datado de 04/04/2001 (faxsímile) denominado "Funds Tranfer General Terms & Conditions"; 2. Nomes e assinaturas dos contribuintes constam de documentos do Merchants Bank, denominado "Password/Waiver Form for Wire & Cable Funds Transfers", datado de 04/02/1997; 3. Nomes e assinaturas dos contribuintes constam de documentos do Merchants Bank, datado de 04/02/1997, denominado "Custumer/Account Change Form", em que é indicado o código da conta; 4. Nomes e assinaturas dos contribuintes constam de documentos do Department of the Treasury Internal Revenue service denominados "Certificate of Foreign Status", datados de 04/02/1997, em que é indicado o código da conta; 5. Nomes e assinaturas dos contribuintes constam de documentos do Merchants Bank, datado de 04/02/1997, denominado "Personal Account Application" em que é indicado o código da conta; 6. Nomes e assinaturas dos contribuintes constam de documentos do Merchants Bank, denominado "Application for ATM Cash Access Card, em que é indicado o código da conta; 7. Cópias de documentos pessoais do contribuinte Pompeu Costa foram apreendidos juntamente com os outros documentos no Merchants Bank." Segundo o Termo de Constatação Fiscal, com base nos extratos, a fiscalização elaborou os Quadros Demonstrativos 01 (fls. 26/40) e 02 (fls. 41/42) onde aparecem discriminados e convertidos para a moeda nacional os créditos / depósitos efetuados nas mencionadas contas. Assevera o Fiscal que, em virtude da não comprovação da origem dos recursos referentes aos depósitos relacionados nos Quadros Demonstrativos 01 e 02, consoante o art. 42 da Lei 9.430/96, estes valores foram considerados como receitas presumidamente omitidas, decorrente de depósitos bancários de origem não comprovada. Esclarece que foi elaborado o Quadro Demonstrativo 03 (fl. 43) dos valores das receitas omitidas, mês a mês, considerando nesta apuração 50% dos valores consignados à Contribuinte, cotitular das contas correntes bancárias. Fl. 1271DF CARF MF Processo nº 18471.000459/200715 Resolução nº 2401000.561 S2C4T1 Fl. 6 5 Entendeu o Fiscal que restou caracterizado o evidente intuito de fraude, sujeitando o contribuinte à multa qualificada de 150%, tipificada no artigo 44, inciso II da Lei nº 9.430/96, tendo sido efetuada Representação Fiscal para Fins Penais. Foi formalizada Representação Fiscal para fins penais (fls. 61/65). Em 18/07/2007 foi lavrado o Termo de Revelia constante à fl. 68, em que assevera ter transcorrido o prazo regulamentar sem a Contribuinte ter apresentado impugnação ao lançamento, ou recolhido o crédito tributário, ou apresentado prova de interposição de medida judicial, razão porque a Delegacia da Receita Federal do Brasil do Rio de Janeiro/RJ a declarou revel. Transcorrido o prazo para cobrança amigável o processo foi encaminhado para a Procuradoria da Fazenda Nacional para inscrição em Dívida Ativa da União, a qual foi efetivada em 30/08/2007 (fl. 75/78), com o ajuizamento da execução fiscal nº 2007.51.01.530720 (ver petição às fls. 90/96). A contribuinte, por sua vez, interpôs medida judicial (Processo nº 2010.51.01.5209237 às 1242/1259) em que alega a existência de vício formal no processo administrativo fiscal (PAF 18471000459/200715), que precede o crédito tributário constante da CDA 70.1.07.04422005 (Imposto de Renda), exigida nos autos a execução fiscal Processo nº 2007.51.01.5307250, em virtude da ausência de notificação do lançamento do crédito tributário, lavrado em data posterior (18/06/2007) à publicação do Edital de intimação (Edital DEFIS/RJO 86 de 23 de maio de 2007, fl. 56). Por ocasião da decisão judicial prolatada no Processo nº 2010.51.01.5209237 (fls. 1249/1259), foi determinado à Receita Federal do Brasil a apreciação da impugnação apresentada pelo contribuinte às fls. 1160/1188. A impugnação, protocolada em 05/12/2007, recebeu o número de processo administrativo 18239.000113/201067 (fls. 03/31), tendo sido esta apensada ao presente processo (18471.000459/200715). Na impugnação a Contribuinte apresenta os seguintes argumentos (fls. 1160/1188): 1. Preliminarmente ressalta a tempestividade da impugnação; 2. Alega ter sido surpreendida com o aviso de cobrança emitido pela douta Procuradoria da Fazenda Nacional dandolhe ciência da inscrição na Dívida Ativa em 30/08/2007; 3. Cita que o termo de fiscalização, datado de 29/09/2006, foi encaminhado ao endereço Avenida das Américas, n° 3459, Loja 122, Barra da Tijuca, e que nesta data, o contribuinte já havia alterado seu domicílio para a mesma Avenida das Américas, porém no n° 500, Bloco 08, Loja 114, razão pela qual não atendeu ao TERMO DE INÍCIO DE FISCALIZAÇÃO; 4. Aduz que não tomou conhecimento do Edital publicado em 21/12/2006 porque não tem por costume ler o Diário Oficial; Fl. 1272DF CARF MF Processo nº 18471.000459/200715 Resolução nº 2401000.561 S2C4T1 Fl. 7 6 5. Informa que na sua declaração de ajuste anual, relativa ao exercício de 2007, anocalendário de 2006, encaminhada à RF em 30/04/2007, já constava como seu domicílio fiscal o novo endereço: Avenida das Américas, n° 500, Bloco 08, Loja 114, Rio de Janeiro; 6. Cita que o domicílio fiscal constante do Cadastro de Pessoas Físicas (CPF) do Ministério da Fazenda era situado na Avenida das Américas, n° 500, Bloco 08, Loja 114, Rio de Janeiro e era de pleno conhecimento das autoridades fiscais desde 30/04/2007; 7. Assevera que causa espanto o fato de um edital do dia 23/05/2007, publicado no dia 31/05/2007 (fl. 49), dar ciência ao contribuinte de um Auto de Infração lavrado quase trinta dias depois, ou seja, em 18/06/2007; 8. Alega ser absolutamente nulo o procedimento da fiscalização a partir do Edital n° 83, de 23/05/2007, face ao princípio da ampla defesa previsto constitucionalmente; 9. Que só teve conhecimento do Auto de Infração impugnado, quando obteve a cópia do procedimento fiscal, em 06/11/2007; 10. Questiona o transcurso do prazo decadencial de parte dos fatos geradores do imposto pretensamente devido e à formalização da exigência, no que alega que os depósitos bancários que deram azo ao lançamento, datam dos meses de dezembro de 2001 a junho de 2002, enquanto que do lançamento só foi o contribuinte cientificado em novembro de 2007, isto é, depois de transcorrido o prazo de 5 (cinco) anos previsto no artigo 150, § 4 , do CTN entre os fatos geradores ocorridos nos períodosbase de 31 de dezembro de 2001 a 30 de junho de 2002 e o lançamento suplementar; 11. Alega vício insanável praticado pela fiscalização na identificação do sujeito passivo da obrigação tributária. Diz que o Auditor Fiscal elegeu como sujeito passivo a pessoa física da impugnante, que não tem qualquer relação pessoal e direta com a situação que constitui o respectivo fato gerador do imposto de renda pretensamente devido. Não existindo tal relação, não pode a pessoa física responder como sujeito passivo da obrigação principal; 12. Afirma que o próprio Fiscal, em todos os atos e termos lavrados no curso da ação fiscal, inclusive, no Auto de Infração e no Termo de Verificação e Encerramento de Ação Fiscal, admite que a impugnante não é, e jamais foi, titular dos depósitos bancários que serviram de base de cálculo para o crédito tributário que lhe foi imputado; 13. Diz que a fiscalização reconhece e declara, expressamente, que a conta bancária é da titularidade a empresa Tigrus Corporation, em relação a qual a impugnante assinou apenas para sua abertura, não tendo, contudo, jamais atuado na movimentação financeira da referida conta. Neste contexto, afirma ser necessário que o contribuinte seja Fl. 1273DF CARF MF Processo nº 18471.000459/200715 Resolução nº 2401000.561 S2C4T1 Fl. 8 7 identificado, comprovadamente, como o remetente dos recursos depositados nas contas bancárias pesquisadas, ou responsável pela ordem /determinação de remessa de divisas, ou como o beneficiário dos recursos, isto é, como destinatário final das divisas ordenadas /remetidas; 14. Sustenta que a Fiscalização não logrou êxito em enquadrar a impugnante em nenhuma dessas categorias, o que pode ser comprovado através da análise dos Extratos Bancários da referida conta fornecido pelo MERCHANT'S BANK em Nova York, que deveriam ter sido anexados ao auto de infração, onde ficaria evidenciado que nenhum dos depósitos foi efetuado, remetido ou ordenado pela impugnante, a qual, de igual modo, não foi beneficiada por nenhum saque da conta bancária situada no exterior; 15. Alega desconhecer a movimentação da aludida conta. Justifica que jamais remeteu, efetuou ou ordenou qualquer depósito ou recurso para mencionada conta e, de igual modo, não foi beneficiada por nenhum saque da conta bancária situada no exterior; 16. Afirma que a conta pesquisada se encontra em Banco situado em Nova York e da titularidade de pessoa jurídica, igualmente, sediada no exterior; 17. Questiona a incidência do tributo devido sobre 50% dos depósitos efetuados na referida conta, percentual este obtido por dedução do Auditor Fiscal, independentemente de pertencerem ou não terem sido movimentados pela Autuada; 18. Sustenta, em síntese, erro na identificação do sujeito passivo, adoção de base de cálculo, além de irreal, sem respaldo em documentos e apurada em períodobase equivocado, ou seja, anual, enquanto a lei estabelece a apuração mensal (Lei n° 7.713/88 e Lei n° 9.430, art. 42, § 4o); 19. Alega que a fiscalização deveria proceder a equiparação do esposo da impugnante à pessoa jurídica e, aí então, tributar a firma individual, tal qual estabelecido na lei e confirmado em vasta jurisprudência. 20. Afirma que, além de não ter procedido a equiparação da impugnante à pessoa jurídica, para fins da correta tributação, a Fiscalização, sequer considerou que na atividade cambial a receita compreende apenas spread, que corresponde ao diferencial verificado entre o valor de compra e da venda da moeda estrangeira, diferencial este que, via de regra, gira em torno de 5% (cinco por cento). Considera assim que eventual receita omitida corresponderia, no máximo a 5% dos depósitos bancários, nunca 100% conforme diz fiscalização; 21. Alega que a movimentação da conta sempre foi de exclusiva responsabilidade da Sra. Maria Carolina Nolasco, estrangeira residente no exterior; Fl. 1274DF CARF MF Processo nº 18471.000459/200715 Resolução nº 2401000.561 S2C4T1 Fl. 9 8 22. Assevera ainda que o Auditor Fiscal deixou de considerar como origem dos depósitos os valores das sobras de recursos dos depósitos tributados nos meses anteriores, que representam origem dos valores depositados nos meses subseqüentes, procedendo simplesmente à soma algébrica de todos os depósitos considerados de origem não comprovada nos períodosbase autuados; 23. Complementa que é injustificada e incabível a aplicação da multa de 150%, pois a fiscalização não produziu nenhuma prova que caracterizasse evidente intuito de fraude por parte da impugnante, única condição prevista em Lei que autoriza a exacerbação da penalidade. Por fim, requer o cancelamento da autuação, no que alega que esta foi feita sem qualquer fundamentação legal que possa respaldála. Encaminhado o processo para apreciação e julgamento, a 6ª Turma da DRJ/FNS, deixou de apreciar as questões relacionadas à tempestividade da impugnação apresentada em 05/12/2007, em decorrência da decisão judicial obtida pela contribuinte nos embargos à execução fiscal (Processo nº 2010.51.01.5209237), por meio da qual o poder judiciário determinou de forma expressa a apreciação da impugnação pela Receita Federal do Brasil, e decidiu, por maioria de votos, pela procedência em parte da defesa, considerando: 1. exonerado o valor de R$ 339.440,27, correspondente ao ano calendário 2001, exigido a título de Imposto de Renda Pessoa Física, em decorrência de que o credito exigido se encontra abrangido pela decadência quinquenal. 2. mantido o valor do imposto de R$ 3.139.946,30, correspondente ao anocalendário 2002, exigidos a título de Imposto de Renda Pessoa Física sobre depósitos bancários de origem não comprovada. 3. reduzida a multa de ofício aplicada de 150%, no valor de R$ 4.709.919,45 para 75%, que corresponde ao valor de R$ 2.354.959,72, incidente sobre a parcela do imposto mantida, relativa ao ano calendário 2002, a ser acrescido de juros de mora. No mesmo Acórdão ficou determinado o Recurso de Ofício ao CARF, na forma do art. 366, I, §§ 2º e 3º, do Regulamento da Previdência Social (RPS), aprovado pelo Decreto nº 3.048, de 06 de maio de 1999, na redação conferida pelo Decreto nº 6.224, de 04 de outubro de 2007, e arts. 25, inciso II e 34, inciso I, do Decreto nº 70.235/72, com as alterações introduzidas pela Lei nº 11.941 de 27 de maio de 2009, combinado com a Portaria do Ministério da Fazenda (MF) nº 3, de 03 de janeiro de 2008. O Contribuinte foi notificado do Acórdão de nº 0736.545 em 07/04/2015 através do AR à fl. 1222. Em 29/04/2015, não conformado com o teor da decisão proferida pela DRJ/FNS, apresentou Recurso Voluntário (fls. 1225/1233), onde alega, em síntese o seguinte: Fl. 1275DF CARF MF Processo nº 18471.000459/200715 Resolução nº 2401000.561 S2C4T1 Fl. 10 9 1. Somente pode ser caracterizada a presunção legal estabelecida no art. 42 da Lei nº 9.430/96, deve ser regularmente intimado o titular da conta para que comprove a origem dos recursos; 2. Se foi constatado a existência de mais de um titular, haveria necessidade de regular intimação de todos eles para a comprovação da origem dos depósitos; 3. Requer a aplicação da Súmula Vinculante nº 29 para anular o lançamento efetuado uma vez que, um dos cotitulares não foi intimado para comprovar a origem dos depósitos bancários. Foi determinado pela equipe de Contencioso Administrativo Fiscal, à fl. 1240, o cancelamento da Inscrição da Dívida Ativa, e solicitado encaminhamento do processo ao CARF – Conselho Administrativo de Recursos Fiscais para apreciação do Recurso de Ofício e Recurso Voluntário. A Procuradoria Geral da Fazenda Nacional solicitou à DRJ a revisão de ofício acerca da tempestividade da impugnação, a análise da concomitância da via administrativa recursal juntamente com a via judicial em curso, bem como que a Delegacia prestasse informações sobre a solicitação de cancelamento da inscrição nº 70 1 07 04422005 (fls. 1260/1261). Entretanto, a Delegacia de Julgamento através da Resolução nº 07000.066 6ª Turma da DRJ/FNS (fls. 1262/1264) entendeu que não caberia mais à Turma de Julgamento proceder à solicitada revisão de oficio, tendo em vista o contribuinte ter interposto recurso voluntário, remetendo a este Conselho a decisão de acatar ou não o entendimento consubstanciado em despacho da PGFN. É o relatório. Fl. 1276DF CARF MF Processo nº 18471.000459/200715 Resolução nº 2401000.561 S2C4T1 Fl. 11 10 VOTO Conselheira Andréa Viana Arrais Egypto Relatora Diante dos fatos acima narrados, e em face da decisão proferida nos autos do Processo nº 2010.51.01.5209237, da 10ª Vara Federal de Execução Fiscal do Rio de Janeiro (1242/1259), através da qual determinou que a Administração Tributária apreciasse a impugnação apresentada pela contribuinte em 05/12/2007 no processo administrativo 18239.000113/201067, determino a baixa dos autos à unidade da Delegacia da Receita Federal do Brasil de origem, para que solicite certidão de objeto e pé do processo em primeira instância (Juízo Federal da 10ª Vara de Execução Fiscal do Rio de Janeiro Processo nº 2010.51.01.5209237) e em segunda instância, nos autos da Apelação nº 0520923 69.2010.4.02.5100 (Tribunal Regional Federal da Segunda Região), bem como, proceda a intimação da contribuinte para fornecer toda a documentação relacionada ao mencionado processo. Após a juntada das certidões, retornem os presentes autos a esta Turma julgadora para prosseguimento do julgamento. Conclusão Voto por converter o julgamento em diligência, nos termos acima propostos. (assinado digitalmente) Andréa Viana Arrais Egypto. Fl. 1277DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10865.003024/2007-89
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 15 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon May 08 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Período de apuração: 31/12/1999 a 31/12/2005
INCONSTITUCIONALIDADE DOS ARTIGOS 45 E 46 DA LEI N° 8.212/91. SÚMULA VINCULANTE N° 08.
Nos termos da Súmula Vinculante n° 08, "são inconstitucionais os parágrafo único do artigo 5° do Decreto-lei 1569/77 e os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário". Neste sentido, deve ser aplicado o prazo decadencial de 5 (cinco) anos previsto no CTN aos créditos oriundos de contribuições previdenciárias.
PRAZO DECADENCIAL ORDINÁRIO REGIDO PELO ART. 150, § 4º, DO CTN, DESDE QUE HAJA PAGAMENTO ANTECIPADO. NA AUSÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO, APLICA-SE A REGRA DECADENCIAL DO ART. 173, I, DO CTN. ENTENDIMENTO DO SUPERIOR TRIBUNAL DE JUSTIÇA. REPRODUÇÃO NOS JULGAMENTOS DO CARF, CONFORME ART. 62-A, DO ANEXO II, DO RICARF.
O prazo decadencial qüinqüenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) conta-se do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito (Precedentes da Primeira Seção: REsp 766.050/PR, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 28.11.2007, DJ 25.02.2008; AgRg nos EREsp 216.758/SP, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.03.2006, DJ 10.04.2006; e EREsp 276.142/SP, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 13.12.2004, DJ 28.02.2005). O dies a quo do prazo qüinqüenal da aludida regra decadencial rege-se pelo disposto no artigo 173, I, do CTN, sendo certo que o "primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado" corresponde, iniludivelmente, ao primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível, ainda que se trate de tributos sujeitos a lançamento por homologação, revelando-se inadmissível a aplicação cumulativa/concorrente dos prazos previstos nos artigos 150, § 4º, e 173, do Codex Tributário, ante a configuração de desarrazoado prazo decadencial decenal (Alberto Xavier, "Do Lançamento no Direito Tributário Brasileiro", 3ª ed., Ed. Forense, Rio de Janeiro, 2005, págs. 91/104; Luciano Amaro, "Direito Tributário Brasileiro", 10ª ed., Ed. Saraiva, 2004, págs. 396/400; e Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 183/199). Reprodução da ementa do leading case Recurso Especial nº 973.733 - SC (2007/0176994-0), julgado em 12 de agosto de 2009, relator o Ministro Luiz Fux, que teve o acórdão submetido ao regime do artigo 543-C, do CPC e da Resolução STJ 08/2008 (regime dos recursos repetitivos).
OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. DISTRIBUIR LUCROS ESTANDO EM DÉBITO COM A UNIÃO. INFRAÇÃO.
Deve ser penalizada com multa a pessoa jurídica que distribuir lucros aos seus sócios enquanto estiverem em débito não garantido com a União, conforme prevê o art. 52 da Lei nº 8.212/1991.
APLICAÇÃO DA MULTA MAIS FAVORÁVEL. RETROATIVIDADE BENIGNA.
Na aplicação da retroatividade benigna prevista no art. 106, II, c, do CTN, como consequência da alteração do dispositivo do art. 52 da Lei nº 8.212/91, promovida pela Lei nº 11.941/2009, o valor da multa prevista por tal artigo é de 50% do lucro distribuído indevidamente ou de 50% do valor total do débito não garantido da pessoa jurídica à época da distribuição, o que for menor.
Numero da decisão: 2201-003.501
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário para (i) reconhecer a decadência das multas relativas aos períodos de 12/1999, 12/2000 e 12/2001; e (ii) nos períodos restantes, reduzir a multa lavrada relativa aos anos de 2002 a 2005, quando for caso, para 50% dos débitos reconhecidos, constantes do parcelamento de LDC.
Assinado digitalmente
Carlos Henrique de Oliveira - Presidente.
Assinado digitalmente
Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim - Relator.
EDITADO EM: 12/04/2017
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Henrique de Oliveira, Carlos Alberto do Amaral Azeredo, Ana Cecília Lustosa da Cruz, Daniel Melo Mendes Bezerra, Dione Jesabel Wasilewski, José Alfredo Duarte Filho (suplente convocado), Marcelo Milton da Silva Risso e Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim
Nome do relator: RODRIGO MONTEIRO LOUREIRO AMORIM
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ementa_s : Assunto: Obrigações Acessórias Período de apuração: 31/12/1999 a 31/12/2005 INCONSTITUCIONALIDADE DOS ARTIGOS 45 E 46 DA LEI N° 8.212/91. SÚMULA VINCULANTE N° 08. Nos termos da Súmula Vinculante n° 08, "são inconstitucionais os parágrafo único do artigo 5° do Decreto-lei 1569/77 e os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário". Neste sentido, deve ser aplicado o prazo decadencial de 5 (cinco) anos previsto no CTN aos créditos oriundos de contribuições previdenciárias. PRAZO DECADENCIAL ORDINÁRIO REGIDO PELO ART. 150, § 4º, DO CTN, DESDE QUE HAJA PAGAMENTO ANTECIPADO. NA AUSÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO, APLICA-SE A REGRA DECADENCIAL DO ART. 173, I, DO CTN. ENTENDIMENTO DO SUPERIOR TRIBUNAL DE JUSTIÇA. REPRODUÇÃO NOS JULGAMENTOS DO CARF, CONFORME ART. 62-A, DO ANEXO II, DO RICARF. O prazo decadencial qüinqüenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) conta-se do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito (Precedentes da Primeira Seção: REsp 766.050/PR, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 28.11.2007, DJ 25.02.2008; AgRg nos EREsp 216.758/SP, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.03.2006, DJ 10.04.2006; e EREsp 276.142/SP, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 13.12.2004, DJ 28.02.2005). O dies a quo do prazo qüinqüenal da aludida regra decadencial rege-se pelo disposto no artigo 173, I, do CTN, sendo certo que o "primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado" corresponde, iniludivelmente, ao primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível, ainda que se trate de tributos sujeitos a lançamento por homologação, revelando-se inadmissível a aplicação cumulativa/concorrente dos prazos previstos nos artigos 150, § 4º, e 173, do Codex Tributário, ante a configuração de desarrazoado prazo decadencial decenal (Alberto Xavier, "Do Lançamento no Direito Tributário Brasileiro", 3ª ed., Ed. Forense, Rio de Janeiro, 2005, págs. 91/104; Luciano Amaro, "Direito Tributário Brasileiro", 10ª ed., Ed. Saraiva, 2004, págs. 396/400; e Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 183/199). Reprodução da ementa do leading case Recurso Especial nº 973.733 - SC (2007/0176994-0), julgado em 12 de agosto de 2009, relator o Ministro Luiz Fux, que teve o acórdão submetido ao regime do artigo 543-C, do CPC e da Resolução STJ 08/2008 (regime dos recursos repetitivos). OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. DISTRIBUIR LUCROS ESTANDO EM DÉBITO COM A UNIÃO. INFRAÇÃO. Deve ser penalizada com multa a pessoa jurídica que distribuir lucros aos seus sócios enquanto estiverem em débito não garantido com a União, conforme prevê o art. 52 da Lei nº 8.212/1991. APLICAÇÃO DA MULTA MAIS FAVORÁVEL. RETROATIVIDADE BENIGNA. Na aplicação da retroatividade benigna prevista no art. 106, II, c, do CTN, como consequência da alteração do dispositivo do art. 52 da Lei nº 8.212/91, promovida pela Lei nº 11.941/2009, o valor da multa prevista por tal artigo é de 50% do lucro distribuído indevidamente ou de 50% do valor total do débito não garantido da pessoa jurídica à época da distribuição, o que for menor.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário para (i) reconhecer a decadência das multas relativas aos períodos de 12/1999, 12/2000 e 12/2001; e (ii) nos períodos restantes, reduzir a multa lavrada relativa aos anos de 2002 a 2005, quando for caso, para 50% dos débitos reconhecidos, constantes do parcelamento de LDC. Assinado digitalmente Carlos Henrique de Oliveira - Presidente. Assinado digitalmente Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim - Relator. EDITADO EM: 12/04/2017 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Henrique de Oliveira, Carlos Alberto do Amaral Azeredo, Ana Cecília Lustosa da Cruz, Daniel Melo Mendes Bezerra, Dione Jesabel Wasilewski, José Alfredo Duarte Filho (suplente convocado), Marcelo Milton da Silva Risso e Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim
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SÚMULA VINCULANTE N° 08. Nos termos da Súmula Vinculante n° 08, "são inconstitucionais os parágrafo único do artigo 5° do Decretolei 1569/77 e os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário". Neste sentido, deve ser aplicado o prazo decadencial de 5 (cinco) anos previsto no CTN aos créditos oriundos de contribuições previdenciárias. PRAZO DECADENCIAL ORDINÁRIO REGIDO PELO ART. 150, § 4º, DO CTN, DESDE QUE HAJA PAGAMENTO ANTECIPADO. NA AUSÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO, APLICASE A REGRA DECADENCIAL DO ART. 173, I, DO CTN. ENTENDIMENTO DO SUPERIOR TRIBUNAL DE JUSTIÇA. REPRODUÇÃO NOS JULGAMENTOS DO CARF, CONFORME ART. 62A, DO ANEXO II, DO RICARF. O prazo decadencial qüinqüenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito (Precedentes da Primeira Seção: REsp 766.050/PR, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 28.11.2007, DJ 25.02.2008; AgRg nos EREsp 216.758/SP, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.03.2006, DJ 10.04.2006; e EREsp 276.142/SP, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 13.12.2004, DJ 28.02.2005). O dies a quo do prazo qüinqüenal da aludida regra decadencial regese pelo disposto no artigo 173, I, do CTN, sendo certo que o "primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado" corresponde, iniludivelmente, ao primeiro dia do exercício seguinte à AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 86 5. 00 30 24 /2 00 7- 89 Fl. 157DF CARF MF Processo nº 10865.003024/200789 Acórdão n.º 2201003.501 S2C2T1 Fl. 154 2 ocorrência do fato imponível, ainda que se trate de tributos sujeitos a lançamento por homologação, revelandose inadmissível a aplicação cumulativa/concorrente dos prazos previstos nos artigos 150, § 4º, e 173, do Codex Tributário, ante a configuração de desarrazoado prazo decadencial decenal (Alberto Xavier, "Do Lançamento no Direito Tributário Brasileiro", 3ª ed., Ed. Forense, Rio de Janeiro, 2005, págs. 91/104; Luciano Amaro, "Direito Tributário Brasileiro", 10ª ed., Ed. Saraiva, 2004, págs. 396/400; e Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 183/199). Reprodução da ementa do leading case Recurso Especial nº 973.733 SC (2007/01769940), julgado em 12 de agosto de 2009, relator o Ministro Luiz Fux, que teve o acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC e da Resolução STJ 08/2008 (regime dos recursos repetitivos). OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. DISTRIBUIR LUCROS ESTANDO EM DÉBITO COM A UNIÃO. INFRAÇÃO. Deve ser penalizada com multa a pessoa jurídica que distribuir lucros aos seus sócios enquanto estiverem em débito não garantido com a União, conforme prevê o art. 52 da Lei nº 8.212/1991. APLICAÇÃO DA MULTA MAIS FAVORÁVEL. RETROATIVIDADE BENIGNA. Na aplicação da retroatividade benigna prevista no art. 106, II, “c”, do CTN, como consequência da alteração do dispositivo do art. 52 da Lei nº 8.212/91, promovida pela Lei nº 11.941/2009, o valor da multa prevista por tal artigo é de 50% do lucro distribuído indevidamente ou de 50% do valor total do débito não garantido da pessoa jurídica à época da distribuição, o que for menor. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário para (i) reconhecer a decadência das multas relativas aos períodos de 12/1999, 12/2000 e 12/2001; e (ii) nos períodos restantes, reduzir a multa lavrada relativa aos anos de 2002 a 2005, quando for caso, para 50% dos débitos reconhecidos, constantes do parcelamento de LDC. Assinado digitalmente Carlos Henrique de Oliveira Presidente. Assinado digitalmente Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim Relator. EDITADO EM: 12/04/2017 Fl. 158DF CARF MF Processo nº 10865.003024/200789 Acórdão n.º 2201003.501 S2C2T1 Fl. 155 3 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Henrique de Oliveira, Carlos Alberto do Amaral Azeredo, Ana Cecília Lustosa da Cruz, Daniel Melo Mendes Bezerra, Dione Jesabel Wasilewski, José Alfredo Duarte Filho (suplente convocado), Marcelo Milton da Silva Risso e Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim Relatório Cuidase de Recurso Voluntário de fls. 59/66, interposto contra decisão da DRJ em Ribeirão Preto/SP, de fls. 45/54, que julgou procedente o lançamento de Multa por infração ao art. 52, II, da Lei nº 8.212/91, de fls. 03/18 dos autos (DEBCAD 37.129.2573), lavrado em 15/10/2007, relativo ao período de 12/1999 a 12/2005, com ciência da RECORRENTE em 15/10/2007 (fl. 03). O crédito tributário objeto do presente processo administrativo foi apurado no valor de R$ 113.900,00. De acordo com o Relatório Fiscal de fls. 15/18, entre 1999 e 2005, foram distribuídos para a titular da empresa RECORRENTE (Sra. Silvana Arana Nunes) os seguintes valores a título de lucro: 12/1.999 — R$ 4.800,00 12/2.000 — R$ 25.000,00 12/2.001 — R$ 25.000,00 12/2.002 — R$ 38.000,00 12/2.003 — R$ 45.000,00 12/2.004 — R$ 40.000,00 12/2.005 — R$ 50.000,00 Total R$227.800,00 No entanto, neste período, a RECORRENTE encontravase com contribuições declaradas em GFIP não recolhidas, o que se enquadra como débito para a Seguridade Social, nos termos do art. 677, §4°, da IN/INSS/DC n° 100, de 18/12/2003. Assim, restou infringido o art. 52, II, da Lei n° 8.212/91, combinado com art. 280, II do Regulamento da Previdência Social RPS, aprovado pelo Decreto n° 3.048/99. Consequentemente, foi aplicada a multa no percentual de 50% (cinquenta por cento) sobre o valor do lucro indevidamente distribuído, conforme art. 285 do RPS (Decreto n° 3.048/99), perfazendo o valor de R$ 113.900,00. Além do presente lançamento, foram emitidos os AI de n° 37.071.3842 e 37.129.2565 e lavrada a NFLD 37.129.2603 e o LDC 37.129.2590. DA IMPUGNAÇÃO Fl. 159DF CARF MF Processo nº 10865.003024/200789 Acórdão n.º 2201003.501 S2C2T1 Fl. 156 4 Em 14/11/2007, a RECORRENTE apresentou, tempestivamente, sua impugnação de fls. 29/38, por meio da qual expôs, em síntese, a seguinte matéria de defesa: impugnou o lançamento no valor de R$ 46.400,00 (quarenta e seis mil e quatrocentos reais), referente a 50% (cinqüenta por cento) dos montantes totais eventualmente distribuídos durante o período de 1999 a 2002, defendendo que estaria maculado pela decadência do direito de constituir o crédito tributário, nos termos do art. 173 do CTN; não se aplicam os artigos 45 e 46, da Lei n° 8.212/91 (10 anos prazo decadencial e prescricional, relativo a crédito previdenciário), os quais foram considerados inconstitucionais pelo Supremo Tribunal Federal; afirmou que a autuação se deu única e exclusivamente em função de erro na escrituração da Impugnante, que registrou as transferências a titulo de empréstimo como lucros distribuídos, gerando, assim, apenas a presunção de que houve distribuição de lucros; no entanto, alegou que o montante total retirado pela sócia, no valor de R$ 227.800,00 (duzentos e vinte e sete mil e oitocentos reais) não possui natureza de lucros distribuídos pela Impugnante, mas sim pagamento efetuado a titulo de empréstimo. A sócia jamais recebeu qualquer quantia neste período a titulo de dividendos; a ora Impugnante jamais realizou distribuição de lucros no período de 1999 a 2005, fazendo com que a autuação seja totalmente indevida. DA DECISÃO DA DRJ A DRJ, às fls. 45/54 dos autos, julgou procedente o lançamento, conforme acórdão com a seguinte ementa: ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Data do fato gerador: 15/10/2007 PREVIDENCIARIO. OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. DESCUMPRIMENTO. DISTRIBUIÇÃO DE LUCROS. EMPRESA EM DÉBITO COM A SEGURIDADE SOCIAL. INFRAÇÃO. Constitui infração à Legislação Previdenciária distribuir lucros a sócio, estando a empresa em débito para com a Seguridade Social, ficando o responsável sujeito à penalidade (multa). DECADÊNCIA. PRAZO DECENAL. A decadência no âmbito da Previdência Social é decenal. O direito de o fisco previdenciário constituir seu crédito sujeitase ao prazo decadencial de 10 anos, previsto em norma especifica da Previdência Social. Fl. 160DF CARF MF Processo nº 10865.003024/200789 Acórdão n.º 2201003.501 S2C2T1 Fl. 157 5 AUTUAÇÃO PROCEDENTE COM A MANUTENÇÃO DA MULTA APLICADA Lançamento Procedente Nas razões do voto do referido julgamento, a autoridade julgadora de primeira instância rebateu, uma a uma, as alegações do RECORRENTE, mantendo o lançamento de Contribuições Previdenciárias. As principais razões para manutenção do lançamento foram as seguintes: Não há decisão do Supremo Tribunal Federal, em Ação Direta de Inconstitucionalidade, ou Resolução do Senado Federal, na hipótese prevista na Constituição Federal, afastando a aplicação do art. 45 da Lei n° 8.212/91 por inconstitucionalidade. Deste modo, o referido dispositivo está em plena vigência e não pode deixar de ser aplicado pela Administração, com base em entendimento outro do contribuinte. (...) A Empresa Autuada afirma em sua defesa que os valores constatados não se referem à distribuição de lucros, mas sim, pagamentos a titulo de empréstimos. No entanto, tal assertiva não pode prosperar, visto que a Empresa não traz qualquer comprovação neste sentido, limitandose a afirmar que houve erro na escrituração, que registrou as transferências a titulo de empréstimos como lucros distribuídos. DO RECURSO VOLUNTÁRIO A RECORRENTE, devidamente intimada da decisão da DRJ em 12/07/2008, conforme faz prova o “Aviso de Recebimento” de fl. 48, apresentou o recurso voluntário de fls. 59/66 em 12/08/2008. Em suas razões de recurso, a RECORRENTE reiterou as afirmações de sua impugnação. DA CONVERSÃO DO JULGAMENTO EM DILIGÊNCIA Ao analisar o Recurso Voluntário da RECORRENTE, a 3ª Turma Especial da 2ª Seção deste CARF verificou que a Lei nº 11.941/2009 alterou o dispositivo legal que fundamentou a multa objeto do presente processo. A multa não deixou de existir, porém ficou limitada a 50% do valor devido pelo contribuinte à época da distribuição do lucro. Foram as seguintes as afirmações da Turma Julgadora: A fundamentação da autuação lavrada foi alterada pela Medida Provisória 449/2008, convertida na lei 11941/2009, no entanto a Fl. 161DF CARF MF Processo nº 10865.003024/200789 Acórdão n.º 2201003.501 S2C2T1 Fl. 158 6 conduta ora sob exame não deixou de constituir infração, mas a multa passou a ser limitada a 50% (cinqüenta por cento) do valor total do débito não garantido da pessoa jurídica, nos termos do § 2º do art. 32 da lei 4.357/64. Dessa feita, consoante o art. 106,II,”c” do CTN, a fim de se observar se os valores lançados estão dentro do limite legal, se faz necessária a baixa dos autos em diligência para que sejam informados os valores dos débitos na ocasião das distribuições efetivadas. CONCLUSÃO Pelo exposto, voto por converter o julgamento em diligência para que seja informado qual era o valor total do débito não garantido da pessoa jurídica, nas competências 12/2001; 12/2002; 12/2003; 12/2004 e 12/2005. Assim, foram acostados aos autos os extratos de fls. 79/108 e a informação de fl. 109 elaborada pelo fiscal constando os valores dos débitos não garantidos pela RECORRENTE, cujos totais reproduzo abaixo: Cientificada da decisão do CARF em 13/10/2014 (AR de fl. 111), a RECORRENTE apresentou nova manifestação em 24/10/2014 (fls. 114/115), oportunidade em que argumentou o seguinte: nos termos do Despacho Decisório nº 0351/2011, proferido no processo nº 10865.002938/200722 (LDC 37.129.2590), acostado às fls. 121/141, foi declarada a decadência das seguintes competências: 09/99 a 12/2000; 05/2001; e 04/2001 a 12/2001; Por meio da homologação do parcelamento nº 60.409.5341, já foram pagas 31 das 60 parcelas, estando portanto o débito com a exigibilidade suspensa. Tendo em vista o acima exposto, a RECORRENTE afirmou que não haveria que se falar em irregularidade de sua parte. Fl. 162DF CARF MF Processo nº 10865.003024/200789 Acórdão n.º 2201003.501 S2C2T1 Fl. 159 7 Este recurso voluntário compôs lote sorteado para este relator em Sessão Pública. É o relatório. Voto Conselheiro Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim O recurso voluntário é tempestivo e atende aos demais requisitos legais, razões por que dele conheço. Inaplicabilidade do Despacho Decisório nº 0351/2011 ao presente caso Em suas argumentações de fls. 114/115, a RECORRENTE pretende seja cancelado o presente lançamento em razão do que restou decidido através do Despacho Decisório nº 0351/2011 (fls. 121/141). Ocorre que mencionado Despacho Decisório diz respeito ao Lançamento de Débito Confessado LDC nº 37.129.2590. Já o presente processo referese à multa por infração legal, originária do DEBCAD 37.129.2573. Portanto, não há relação entre ambos. Ademais, o parcelamento nº 60.409.5341 a que se refere a RECORRENTE diz respeito justamente ao LDC nº 37.129.2590, conforme expressa o próprio Despacho Decisório nº 0351/2011, no seu item 2. Portanto, não houve notícia de parcelamento do débito objeto do presente processo. PRELIMINAR Da Decadência parcial Em principio, analiso as questões relativas à decadência do crédito em cobrança. Neste ponto, entendo que assiste razão à RECORRENTE. É que o Supremo Tribunal Federal STF já declarou inconstitucionais os artigos 45 e 46 da Lei n° 8.212/91. Na oportunidade, foi editada a Súmula Vinculante n° 08, abaixo transcrita: Súmula Vinculante n° 08: "São inconstitucionais os parágrafo único do artigo 5° do Decretolei 1569/77 e os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário". Fl. 163DF CARF MF Processo nº 10865.003024/200789 Acórdão n.º 2201003.501 S2C2T1 Fl. 160 8 Neste sentido, deve ser aplicado o prazo decadencial de 5 (cinco) anos previsto no CTN. Contudo, é preciso verificar o dies a quo do prazo decadencial aplicável ao presente caso: se é o estabelecido pelo art. 150, §4º ou pelo art. 173, I, ambos do CTN. Em 12 de agosto de 2009, o Superior Tribunal de Justiça – STJ julgou o Recurso Especial nº 973.733SC (2007/01769940), com acórdão submetido ao regime do art. 543C do antigo CPC e da Resolução STJ 08/2008 (regime dos recursos repetitivos), da relatoria do Ministro Luiz Fux, assim ementado: “PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. DECADÊNCIA DO DIREITO DE O FISCO CONSTITUIR O CRÉDITO TRIBUTÁRIO. TERMO INICIAL .ARTIGO 173, I, DO CTN. APLICAÇÃO CUMULATIVA DOS PRAZOS PREVISTOS NOS ARTIGOS 150, § 4º, e 173, do CTN. IMPOSSIBILIDADE. 1. O prazo decadencial qüinqüenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito (Precedentes da Primeira Seção: REsp 766.050/PR, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 28.11.2007, DJ 25.02.2008; AgRg nos EREsp 216.758/SP, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.03.2006, DJ 10.04.2006; e EREsp 276.142/SP, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 13.12.2004, DJ 28.02.2005). 2. É que a decadência ou caducidade, no âmbito do Direito Tributário, importa no perecimento do direito potestativo de o Fisco constituir o crédito tributário pelo lançamento, e, consoante doutrina abalizada, encontrase regulada por cinco regras jurídicas gerais e abstratas, entre as quais figura a regra da decadência do direito de lançar nos casos de tributos sujeitos ao lançamento de ofício, ou nos casos dos tributos sujeitos ao lançamento por homologação em que o contribuinte não efetua o pagamento antecipado (Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 163/210). 3. O dies a quo do prazo qüinqüenal da aludida regra decadencial regese pelo disposto no artigo 173, I, do CTN, sendo certo que o "primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado" corresponde, iniludivelmente, ao primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível, ainda que se trate de tributos sujeitos a lançamento por homologação, revelandose inadmissível a aplicação cumulativa/concorrente dos prazos previstos nos artigos 150, § 4º, e 173, do Codex Tributário, ante Fl. 164DF CARF MF Processo nº 10865.003024/200789 Acórdão n.º 2201003.501 S2C2T1 Fl. 161 9 a configuração de desarrazoado prazo decadencial decenal (Alberto Xavier, "Do Lançamento no Direito Tributário Brasileiro", 3ª ed., Ed. Forense, Rio de Janeiro, 2005, págs. 91/104; Luciano Amaro, "Direito Tributário Brasileiro", 10ª ed., Ed. Saraiva, 2004, págs. 396/400; e Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 183/199). 5. In casu, consoante assente na origem: (i) cuidase de tributo sujeito a lançamento por homologação; (ii) a obrigação ex lege de pagamento antecipado das contribuições previdenciárias não restou adimplida pelo contribuinte, no que concerne aos fatos imponíveis ocorridos no período de janeiro de 1991 a dezembro de 1994; e (iii) a constituição dos créditos tributários respectivos deuse em 26.03.2001. 6. Destarte, revelamse caducos os créditos tributários executados, tendo em vista o decurso do prazo decadencial qüinqüenal para que o Fisco efetuasse o lançamento de ofício substitutivo. 7. Recurso especial desprovido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008.” Portanto, sempre que o contribuinte efetue o pagamento antecipado, o prazo decadencial se encerra depois de transcorridos 5 (cinco) anos do fato gerador, conforme regra do art. 150, § 4º, CTN. Na ausência de pagamento antecipado ou nas hipóteses de dolo, fraude ou simulação, o lustro decadencial para constituir o crédito tributário é contado do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos termos do art. 173, I, CTN. Por ter sido sob a sistemática do art. 543C do antigo CPC, a decisão acima deve ser observada por este CARF, nos termos do art. 61, §2º, do Regimento Interno do CARF (aprovado pela Portaria MF nº 343, de 09 de junho de 2015): § 2º As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática dos arts. 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 1973, ou dos arts. 1.036 a 1.041 da Lei nº 13.105, de 2015 Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. No caso concreto, por se tratar de multa em decorrência da infração à lei previdenciária, não há que se falar em previsão legal de pagamento antecipado da exação. Nem houve, por óbvio, qualquer pagamento parcial pelo contribuinte. Sendo assim, aplicase o art. 173, I, do CTN, no sentido de que o prazo decadencial contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, sendo certo que este corresponde ao primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível. O presente lançamento é relativo ao período compreendido entre 1999 e 2005. As multas ora lavradas tiveram origem na distribuição, pela RECORRENTE, de lucros a sua sócia cotista enquanto a empresa encontravase em débito com a Seguridade Social. Todas as distribuições ocorreram no mês de dezembro de cada ano, conforme trechos do Livro Diário acostado às fls. 19/25: Fl. 165DF CARF MF Processo nº 10865.003024/200789 Acórdão n.º 2201003.501 S2C2T1 Fl. 162 10 12/1.999 — R$ 4.800,00 12/2.000 — R$ 25.000,00 12/2.001 — R$ 25.000,00 12/2.002 — R$ 38.000,00 12/2.003 — R$ 45.000,00 12/2.004 — R$ 40.000,00 12/2.005 — R$ 50.000,00 Total R$227.800,00 Portanto, aplicandose a regra do art. 173, I, do CTN, entendo que se encontram extintos pela decadência os créditos de multa relativos aos períodos de 12/1999, 12/2000 e 12/2001, tendo em vista que a RECORRENTE foi cientificada do lançamento em 15/10/2007. Em relação ao ano de 2001 (o mais contemporâneo dos três períodos citados), verificase que o primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado é o dia 01/01/2002; sendo assim, o lançamento do crédito poderia ocorrer até o dia 31/12/2006, restando atingido pela decadência. Consequentemente, não estão atingidas pela decadência as multas dos períodos de 12/2002 a 12/2005, que são objeto de análise de mérito a seguir. MÉRITO Em princípio, observo que não devem prosperar as alegações da RECORRENTE de que os valores transferidos para a sócia titular trataramse de empréstimos. Para que fosse caracterizado o mútuo entre as partes, seria necessário existir algum elemento comprobatório de tal operação. Não é que tal empréstimo tenha que estar previsto em contrato ou qualquer documento do tipo, mas que existam elementos capazes de comprovar sua real existência, como, por exemplo, a sua quitação (até mesmo parcial) por parte da mutuária (a sócia titular da RECORRENTE). A RECORRENTE não trouxe aos autos elementos capazes de demonstrar a existência de empréstimo, e o período fiscalizado é longo o suficiente para haver quitação parcial do valor. Sendo assim, entendo que deve ser mantido o entendimento de que os valores transferidos para a titular da RECORRENTE sob a rubrica "N/ PAGTO. REF. DISTR. LUCRO A SOCIA SILVANA ARANA" foram, de fato, distribuição de lucros. Da alteração da redação do art. 52 da Lei nº 8.212/91. penalidade menos severa. Retroatividade benigna Fl. 166DF CARF MF Processo nº 10865.003024/200789 Acórdão n.º 2201003.501 S2C2T1 Fl. 163 11 Conforme bem observado pela Colenda 3ª Turma Especial da 2ª Seção deste CARF, o dispositivo do art. 52 da Lei nº 8.212/91 teve sua redação alterada pela Lei nº 11.941/2009, conforme abaixo: Art. 52. Às empresas, enquanto estiverem em débito não garantido com a União, aplicase o disposto no art. 32 da Lei nº 4.357, de 16 de julho de 1964. Por sua vez o art. 32 da Lei nº 4.357/64 prevê o seguinte: Art 32. As pessoas jurídicas, enquanto estiverem em débito, não garantido, para com a União e suas autarquias de Previdência e Assistência Social, por falta de recolhimento de impôsto, taxa ou contribuição, no prazo legal, não poderão: a) distribuir ... (VETADO) ... quaisquer bonificações a seus acionistas; b) dar ou atribuir participação de lucros a seus sócios ou quotistas, bem como a seus diretores e demais membros de órgãos dirigentes, fiscais ou consultivos; c) (VETADO). § 1º A inobservância do disposto neste artigo importa em multa que será imposta I às pessoas jurídicas que distribuírem ou pagarem bonificações ou remunerações, em montante igual a 50% (cinqüenta por cento) das quantias distribuídas ou pagas indevidamente; e II aos diretores e demais membros da administração superior que receberem as importâncias indevidas, em montante igual a 50% (cinqüenta por cento) dessas importâncias. § 2º A multa referida nos incisos I e II do § 1o deste artigo fica limitada, respectivamente, a 50% (cinqüenta por cento) do valor total do débito não garantido da pessoa jurídica. Ou seja, permanece existindo a multa pela distribuição de lucros por pessoa jurídica em débito com a União e suas autarquias de Previdência e Assistência Social. No entanto, tal multa ficou limitada a 50% do valor devido pelo contribuinte à época da distribuição do lucro, nos termos do art. 32, §2º, da Lei nº 4.357/64. Tal regra deve ser aplicada ao presente caso em razão do que prevê o art. 106, II, "c" do CTN, abaixo transcrito: Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: (...) II tratandose de ato não definitivamente julgado: (...) Fl. 167DF CARF MF Processo nº 10865.003024/200789 Acórdão n.º 2201003.501 S2C2T1 Fl. 164 12 c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. Sendo assim, o valor da multa do art. 52 da Lei nº 8.212/91 é de 50% do lucro distribuído indevidamente ou de 50% do valor total do débito não garantido da pessoa jurídica, o que for menor. Quando da baixa do processo para diligência, fiscalização verificou que os totais anuais de débitos não garantidos foram os seguintes: R$ 2.401,94 no ano 2001; R$ 2.331,98 no ano 2002 (somatório com períodos anteriores: R$ 4.733,92); R$ 4.211,36 no ano 2003 (somatório com períodos anteriores: R$ 8.945,28); R$ 73.728,90 no ano 2004 (somatório com períodos anteriores: R$ 82.674,18); e R$ 35.683,89 no ano 2005 (somatório com períodos anteriores: R$ 118.358,07). Por outro lado, o lucro distribuído indevidamente neste mesmo período foi o seguinte: R$ 38.000,00 no ano de 2002; R$ 45.000,00 no ano de 2003; R$ 40.000,00 no ano de 2004; e R$ 50.000,00 no ano de 2005. No entanto, tendo em vista que a informação fiscal inclui débito de NFLD, ela não é totalmente confiável para apuração do valor total devido pela RECORRENTE no período, na medida em que a NFLD ainda é passível de discussão e, portanto, não pode ser considerado como débito em aberto. Deve, assim, a unidade preparadora realizar o computo dos valores em aberto somente em relação às GFIPS declarada confessadas. Conclusão Em razão do exposto, voto por DAR PROVIMENTO PARCIAL ao recurso voluntário, para: (i) reconhecer a decadência das multas relativas aos períodos de 12/1999, 12/2000 e 12/2001; e (ii) nos períodos restantes (2002 a 2005), aplicar, no que for cabível, a redução da multa lavrada, devendo esta corresponder ao menor valor entre 50% do lucro distribuído indevidamente ou 50% do valor total do débito não garantido da pessoa jurídica, nos termos do art. 32, §2º, da Lei nº 4.357/64. Fl. 168DF CARF MF Processo nº 10865.003024/200789 Acórdão n.º 2201003.501 S2C2T1 Fl. 165 13 Assinado digitalmente Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim Relator Fl. 169DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10480.915332/2011-50
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jan 25 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon Mar 06 00:00:00 UTC 2017
Numero da decisão: 3401-001.078
Decisão: Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência.
(assinado digitalmente)
Robson José Bayerl - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Robson José Bayerl, Rosaldo Trevisan, Augusto Fiel Jorge d'Oliveira, Eloy Eros da Silva Nogueira, André Henrique Lemos, Fenelon Moscoso de Almeida, Rodolfo Tsuboi e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco.
Nome do relator: ROBSON JOSE BAYERL
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decisao_txt : Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência. (assinado digitalmente) Robson José Bayerl - Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Robson José Bayerl, Rosaldo Trevisan, Augusto Fiel Jorge d'Oliveira, Eloy Eros da Silva Nogueira, André Henrique Lemos, Fenelon Moscoso de Almeida, Rodolfo Tsuboi e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco.
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COMPENSAÇÃO. ALARGAMENTO. Recorrente RODOBENS CAMINHÕES PERNAMBUCO LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência. (assinado digitalmente) Robson José Bayerl Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Robson José Bayerl, Rosaldo Trevisan, Augusto Fiel Jorge d'Oliveira, Eloy Eros da Silva Nogueira, André Henrique Lemos, Fenelon Moscoso de Almeida, Rodolfo Tsuboi e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco. Relatório Trata o presente processo administrativo de PER que pretende obter reconhecimento de direito creditório das contribuições por suposto pagamento a maior. O sistema informatizado da Receita Federal emitiu o Despacho Decisório em processamento automatizado indeferindo o pedido, afirmando que o valor do DARF de onde viria o crédito já estava totalmente comprometido em quitação de débito constante de declaração prestada pelo contribuinte ao Fisco. A contribuinte manifestou inconformidade, explicando que: 1. A autoridade de administração e a autoridade fiscal não tomaram conhecimento das razões da contribuinte para seu direito, nem se aprofundaram em sua análise, nem buscaram investigar os fatos; a contribuinte não foi intimada a explicar os fundamento do seu pedido antes do despacho decisório; RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 04 80 .9 15 33 2/ 20 11 -5 0 Fl. 173DF CARF MF Processo nº 10480.915332/201150 Resolução nº 3401001.078 S3C4T1 Fl. 3 2 2. seu direito repousa no fato de que ela indevidamente tinha incluído na base de cálculo do tributo receitas (tais como receitas financeiras, e outras), face a declaração de inconstitucionalidade pelo STF para o § 1º do artigo 3º da Lei 9.718/1998; pois a base de tributação deve se cingir às receitas de faturamento pela venda de mercadorias e da prestação de serviços. 3. Pede a reunião dos vários processos administrativos que tratam da mesma matéria/tributo, mudando apenas os períodos de apuração, para serem julgados na mesma ocasião. Os Julgadores de 1º piso não acolheram o pedido de reunião dos vários processos. Eles também consideraram improcedente o recurso da contribuinte, entendendo pela insuficiência de provas pelo alegado. Seria da contribuinte o ônus de provar o direito objeto do seu pedido, no momento da interposição da Manifestação de Inconformidade, sob pena de preclusão, ressalvadas as exceções legalmente previstas, nos termos do art. 16, caput, III e §4°, do Decreto 70.235/72, conforme consta do voto da decisão recorrida. Concluíram, os Julgadores a quo, pelo não reconhecimento do direito creditório, nos termos do Acórdão 11041.072. Inconformada, a contribuinte ingressou com recurso voluntário por meio do qual repisou as alegações apresentadas na manifestação de inconformidade, e acrescentou as seguintes: ● não é verdade que houve insuficiência de provas, pois apresentou planilha, balancete e livro obrigatório da contabilidade da contribuinte; ● a autoridade fiscal não questionou a efetividade dos pagamentos em discussão; ● não pode prevalecer o entendimento esposados pelos julgadores de 1º piso de que houve preclusão para a juntada de provas; isso fere o disposto na letra "c" do § 4º do artigo 16 do Decreto n. 70.235, de 1972 (apresentar provas que se destine a contrapor fatos e razões posteriormente trazidas aos autos). Cita doutrina, acórdãos e jurisprudências; ● a falta de retificação da DCTF não deve servir de justificativa para não se analisar e se deferir o direito da contribuinte; ● Não procede o entendimento dos Julgadores a quo de que a declaração de inconstitucionalidade do § 1º do art. 3º da Lei n. 9.718/1998 proferida pelo STF não seja de observação obrigatória no processo administrativo fiscal; ● a Verdade Material deve prevalecer, e a autoridade deve realizar um exame completo dos fatos. É o relatório Fl. 174DF CARF MF Processo nº 10480.915332/201150 Resolução nº 3401001.078 S3C4T1 Fl. 4 3 Voto Conselheiro Robson José Bayerl, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido na Resolução 3401000.984, de 25 de janeiro de 2017, proferida no julgamento do processo 10480.900040/201201, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela Resolução (3401000.984): "Tempestivo o Recurso e atendidos os demais requisitos de admissibilidade. Temos diante de nós mais um caso de despacho decisório processado automaticamente, sem que haja qualquer intervenção humana para rever o seu teor e a eventual existência de razões para questionar sua conclusão. É freqüente, nessas situações, que a contribuinte somente compreenda totalmente a situação quando recebe a decisão da Delegacia da Receita Federal de Julgamento mantendo o indeferimento eletrônico inicial, geralmente por falta de provas ou de contra argumentações por parte da contribuinte. Nessa toada, há os que se escudam no instituto da preclusão probatória para justificar a impossibilidade de reverter as negativas até então impostas à contribuinte. Coerente com minhas propostas de votação anteriores em situações semelhantes, baseado no argumento de que o princípio da verdade material deve prevalecer, relativizando as formalidades e os institutos preclusivos e assemelhados, e no argumento de que não é do interesse público maior praticar a injustiça fiscal qual seja, a manutenção no Tesouro do pagamento indevido , é que proponho que se tome providências para garantir substantivamente o contraditório (e não apenas formalmente) e para se verificar a verdade do alegado pelas partes. As teses que esposo divergem das postas no acórdão de 1º piso: (a) para uma visão absoluta do ônus probatório e do instituto da preclusão probatória, argumento em favor de que prevaleça a Verdade Material, e que os julgadores do processo administrativo possam agir e determinar providências nessa direção, aliás como expus em outros votos quando fiz alusão aos modelos trazidos pelo novo CPC; (b) que a negativa em pedidos de restituição e/ou compensações motivada pela inexistência de créditos líquidos e certos passe a considerar que a liquidez e certeza possam ser demonstradas ao longo do processo administrativo, não se limitando ao que o instruiu antes de sua chegada à instância de julgamento. Ressalto que a contribuinte, segundo que foi relatado, em sua primeira contestação havia juntado balancetes e planilhas, o que poderia ser no mínimo considerado princípio de prova. Fl. 175DF CARF MF Processo nº 10480.915332/201150 Resolução nº 3401001.078 S3C4T1 Fl. 5 4 Por isso, tendo em vista que a administração tributária de jurisdição não apreciou as razões do suposto direito creditório, proponho a este Colegiado a conversão do julgamento em diligência para que a unidade de jurisdição local analise e informe a respeito do alegado pela contribuinte, e também a respeito da existência de retificação realizada ou tentada pela contribuinte com relação ao (débitos e créditos) discutido neste processo administrativo. Que se dê ciência à contribuinte desta decisão e também do relatório conclusivo e da informação fiscal resultantes da diligência, e prazo de 30 dias para ela se manifestar em cada uma dessas intimações." Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, converto o julgamento deste processo em diligência para que a unidade de jurisdição local analise e informe a respeito do alegado pela contribuinte, e também a respeito da existência de retificação realizada ou tentada pela contribuinte com relação ao (débitos e créditos) discutido neste processo administrativo. (assinado digitalmente) Robson José Bayerl Fl. 176DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 16045.000312/2006-31
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Dec 06 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Thu Feb 23 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 01/06/2001 a 31/07/2005
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. RECURSO ESPECIAL. REQUISITOS. INTEMPESTIVO. NÃO CONHECIMENTO.
Não deve ser conhecido o recurso especial interposto intempestivamente, por ausência de um dos requisitos do art. 68 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais - RICARF, aprovado pela Portaria MF nº. 259/2009, integralmente reproduzido no RICARF aprovado pela Portaria MF nº 343/2015.
Numero da decisão: 9303-004.421
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional.
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em exercício
(assinado digitalmente)
Vanessa Marini Cecconello - Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Júlio César Alves Ramos, Tatiana Midori Migiyama, Andrada Márcio Canuto Natal, Demes Brito, Érika Costa Camargos Autran, Charles Mayer Castro Souza (suplente convocado), Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas.
Nome do relator: VANESSA MARINI CECCONELLO
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Período de apuração: 01/06/2001 a 31/07/2005 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. RECURSO ESPECIAL. REQUISITOS. INTEMPESTIVO. NÃO CONHECIMENTO. Não deve ser conhecido o recurso especial interposto intempestivamente, por ausência de um dos requisitos do art. 68 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais - RICARF, aprovado pela Portaria MF nº. 259/2009, integralmente reproduzido no RICARF aprovado pela Portaria MF nº 343/2015.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em exercício (assinado digitalmente) Vanessa Marini Cecconello - Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros Júlio César Alves Ramos, Tatiana Midori Migiyama, Andrada Márcio Canuto Natal, Demes Brito, Érika Costa Camargos Autran, Charles Mayer Castro Souza (suplente convocado), Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas.
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INDÚSTRIA DE VEÍCULOS AUTOMOTORES ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/06/2001 a 31/07/2005 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. RECURSO ESPECIAL. REQUISITOS. INTEMPESTIVO. NÃO CONHECIMENTO. Não deve ser conhecido o recurso especial interposto intempestivamente, por ausência de um dos requisitos do art. 68 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais RICARF, aprovado pela Portaria MF nº. 259/2009, integralmente reproduzido no RICARF aprovado pela Portaria MF nº 343/2015. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em exercício (assinado digitalmente) Vanessa Marini Cecconello Relatora AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 04 5. 00 03 12 /2 00 6- 31 Fl. 2002DF CARF MF 2 Participaram do presente julgamento os Conselheiros Júlio César Alves Ramos, Tatiana Midori Migiyama, Andrada Márcio Canuto Natal, Demes Brito, Érika Costa Camargos Autran, Charles Mayer Castro Souza (suplente convocado), Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas. Relatório Tratase de recurso especial de divergência interposto pela Fazenda Nacional (fls. 1.763 a 1.768)1 com fulcro no artigo 67, do Anexo II, do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 256/2009, buscando a reforma do Acórdão nº 20218.564 (fls. 1.573 a 1.655) proferido pela Segunda Câmara do Segundo Conselho de Contribuintes, em 11 de setembro de 2007, no sentido de prover parcialmente o recurso voluntário. A decisão de recurso voluntário foi integrada, ainda, pelo Acórdão nº 3403 001.777 (fls. 1.755 a 1.760), que acolheu em parte os embargos de declaração da Contribuinte, sem alteração do resultado de julgamento. Os acórdãos foram assim ementados: Acórdão nº 20218.564 (recurso voluntário) ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS — IPI Período de apuração: 21/09/2001 a 31/12/2001 ISENÇÃO. TAXI. A IN SRF nº 31/2000 estabelece condição para fruição do beneficio previsto na Lei nº 8.989/95. A falta de comprovação de que o adquirente do veiculo táxi tem direito à isenção faz com que a montadora/fabricante fique obrigada a recolher o montante do imposto. NORMAS PROCESSUAIS. EMBARAÇO À FISCALIZAÇÃO. REVOGAÇÃO DA BASE LEGAL DO LANÇAMENTO. O art. 45 da Lei nº 9.430/96 foi revogado pelo art. 49 da Lei n º 11.488/2007. Deve ser afastada penalidade revogada por legislação posterior a teor do art. 106, II, "c", do CTN. MULTAS BÁSICAS. É cabível a aplicação de multas básicas previstas no Regulamento do IPI quando constatado pela fiscalização inobservância de comandos normativos contidos no referido Regulamento cuja penalidade é desvinculada do imposto ou do valor do produto. MULTA DE OFÍCIO. MAJORAÇÃO. A vista de alteração legislativa que revogou a regra de suporte da majoração deve a mesma ser excluída e reduzida ao percentual básico. 1 Todas as referências às folhas do processo são à numeração atribuída eletronicamente. Fl. 2003DF CARF MF Processo nº 16045.000312/200631 Acórdão n.º 9303004.421 CSRFT3 Fl. 1.991 3 MULTA REGULAMENTAR. ARTs. 11 E 12 DA LEI Nº 8.218/1999. É cabível a aplicação da multa regulamentar pelo não cumprimento dos prazos estabelecidos pela fiscalização para entrega de arquivos magnéticos, mormente quando tais prazos são estabelecidos em lapso de tempo coerente com o volume de informações a serem prestadas e tenham sido dilatados no lapso temporal requerido pelo contribuinte. A entrega de arquivos magnéticos sem possibilidade de extração de informações pela fiscalização caracteriza a não entrega dos mesmos. JUROS DE MORA. INCIDÊNCIA SOBRE A MULTA DE OFÍCIO. CABIMENTO. PREVISÀO LEGAL. ART. 161 DO CTN. Não havendo previsão legal para a incidência da taxa Selic, sobre a multa de oficio relativa a tributos vencidos a partir de 1 2/01/1997, a partir do seu vencimento, cobramse juros de mora de 1% ao mês, conforme disposto no art. 161 do CTN. Recurso provido em parte. (grifouse) Acórdão nº 3403001.777 (embargos de declaração) ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 21/09/2001 a 31/12/2001 Ementa: EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OMISSÕES. INTEGRAÇÃO DO JULGADO. MANUTENÇÃO DO RESULTADO DO JULGAMENTO. Identificada omissão no julgado objeto dos embargos de declaração, deve o Colegiado sanála, a fim de integrar o decisum com pronunciamento acerca da matéria originalmente não enfrentada. Provimento, em parte, dos declaratórios, sem alteração do resultado do julgamento. Embargos acolhidos em parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial aos embargos de declaração, sem efeitos modificativos, a fim de suprir a omissão apontada no acórdão no 202.18564. [...] O presente processo administrativo tem origem em auto de infração lavrado em 16/09/2006 (fls. 05 a 23), contra VOLKSWAGEN DO BRASIL LTDA INDÚSTRIA DE VEÍCULOS AUTO para cobrança do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI), juros, multa proporcional e multa regulamentar, referente aos períodos de apuração compreendidos entre 01/09/2001 e 31/12/2001, inclusive. Em procedimento fiscal de verificação do Fl. 2004DF CARF MF 4 cumprimento das obrigações tributárias, apontou a Fiscalização as seguintes infrações, conforme consta na "Descrição dos fatos e Enquadramento(s) Legal(is)" do auto de infração: 001 PRODUTO SAÍDO DO ESTABELECIMENTO INDUSTRIAL OU EQUIPARADO A INDUSTRIAL COM EMISSÃO DE NOTA FISCAL UTILIZAÇÃO INDEVIDA DA ISENÇÃO PELO REMETENTE DO PRODUTO A Autuada, através de duas modalidades de irregularidades, deixou de lançar IPI por ter se utilizado incorretamente do instituto da isenção de IPI/Táxi. As modalidades foram: 1. falta de lançamento de imposto nas saídas do estabelecimento de produtos tributados, por ter se utilizado incorretamente do instituto da isenção do imposto, conforme esclarecido em Relatório Fiscal, anexo a este Auto. 2. exclusão da parcela de ICMS da base de cálculo do IPI O Relatório Fiscal, anexo a este Auto, esclarece, minudentemente, os fatos a estas infrações relacionados. [...] 002 MULTAS DE VALOR FIXO DESACATO OU EMBARAÇO A AUTORIDADE FISCAL A Autuada tem obstado a auditoria de suas vendas isentas de IPI/Táxi, conforme minudentemente esclarecido em Relatório Fiscal anexo. [...] 003 MULTAS DE VALOR FIXO MULTA REGULAMENTAR BÁSICA As seguintes infrações foram cometidas pela Autuada ao longo da auditoria nela ainda em realização, conforme esclarecido em Relatório Fiscal anexo: 1. utilização de mesmo formulário para registrar entradas e saídas no Livro Registro de Apuração do IPI (REIPI) 2. não escrituração das saídas com isenção de IPI/TAxi na coluna competente do REIPI 3. utilização de CFOP incorreto para registrar saídas isentas de IPI no Livro Registro competente 4. vedação de acesso aos sistemas e bancos de dados de VW/Taubaté 5. encadernação de folhas dos três períodos de fevereiro de 2002 de cabeça para baixo 6. registro de valor no REIPI de forma indevida 7. não encadernação de Notas fiscais de saída 8. guarda de documentário fiscal fora do estabelecimento sede Fl. 2005DF CARF MF Processo nº 16045.000312/200631 Acórdão n.º 9303004.421 CSRFT3 Fl. 1.992 5 9. centralização da escrita em local diverso da sede do estabelecimento [...] 004 MULTAS PROPORCIONAIS FALTA/ATRASO NA ENTREGA DE ARQUIVO MAGNÉTICO Multa regulamentar equivalente a 0,0026 por dia pelo atraso na apresentação dos arquivos magnéticos e sistemas. [...] (grifouse) Devidamente cientificada da autuação, a Contribuinte apresentou a respectiva impugnação (fls. 699 a 755), julgada parcialmente procedente pela 2ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Ribeirão Preto/SP, por meio do Acórdão nº 14 14.582 (fls. 1.325 a 1.359), para reduzir parte dos valores relativos ao imposto, à multa de ofício, aos juros regulamentares e à multa regulamentar, restando, assim, mantido parcialmente o lançamento. Os fundamentos da decisão foram sintetizados na seguinte ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 21/09/2001 a 31/12/2001 ISENÇÃO. TAXI. O estabelecimento fabricante fica obrigado ao recolhimento do imposto correspondente, quando der saída de veiculo com isenção do IPI, para taxista, em desacordo com as normas e requisitos aos quais estava condicionado o beneficio fiscal. MULTA DE OFÍCIO. AGRAVAMENTO. É licita a imposição de multa de oficio, com agravamento sobre a multa simples (112,5%), tendo em vista a falta de atendimento de intimações nos prazos estipulados. IPI. BASE DE CALCULO. A base de cálculo do IPI é o valor da operação. MULTA REGULAMENTAR. ARQUIVOS MAGNÉTICOS E RESPECTIVOS REGISTROS. FORMA DE APRESENTAÇÃO. DESATENDIMENTO. Infligese a multa prevista no art. 12 da Lei n° 8.218/91, se forem desatendidas as formas estabelecidas para apresentação dos arquivos magnéticos e respectivos registros. Lançamento Procedente em Parte Acordam os membros da 2' Turma de Julgamento, por unanimidade de votos, considerar procedente em parte o auto de infração, com redução do imposto Fl. 2006DF CARF MF 6 de R$ 175.357,96 para R$ 154.224,66, e da multa de oficio de R$ 197.277,67 para R$ 173.502,75, mais os juros regulamentares; e redução da multa regulamentar de R$ 18.059.045,37 para R$18.058.956,97. [...] Não resignada em parte com a decisão, a Contribuinte interpôs recurso voluntário (fls. 1.371 a 1.435), que foi julgado parcialmente procedente pela Segunda Câmara do outrora Segundo Conselho de Contribuintes, nos termos do Acórdão nº 20218.564 (fls. 1.573 a 1.655), ora recorrido, para: (a) reduzir a multa de ofício ao patamar de 75% (setenta e cinco por cento); e (b) excluir a incidência da taxa Selic sobre a multa de ofício, mantendose a exigência dos juros sobre a multa no patamar de 1% (um por cento), conforme art. 161 do Código Tributário Nacional CTN. Cientificada da decisão em 10/07/08 (fl. 1.661), a Procuradoria da Fazenda Nacional opôs embargos de declaração por omissão (fls. 1.671 a 1.677), na data de 08/08/2008, aos quais foi negado seguimento por se ter entendido como inexistente a omissão apontada, nos termos da proposição da Informação em embargos de 04/12/2008 (fls. 1.687 a 1.689), acolhida integralmente pelo Despacho nº 202784, de 04/12/2008 (fl. 1.691). Intimada do Despacho nº 202784, que negou seguimento aos embargos de declaração (fl. 1.693), com o recebimento dos autos na CoordenaçãoGeral de Assuntos Tributários da ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional CAT/PGFN na data de 11/02/2009 (fl. 1.697), a Fazenda Nacional opôs novos embargos de declaração por omissão (fls. 1.699 a 1.705), com registro de saída do sistema em 16/02/2009 e protocolo no destino em 17/02/2009 (conforme carimbo de protocolo). Novamente foi negado seguimento aos embargos de declaração da Fazenda Nacional por inexistência de pressuposto de admissibilidade invocado ausência de omissão no julgado, conforme Despacho nº 2101203 (fl. 1.721) e informação em embargos (fls. 1.715 a 1.719). Desta decisão, a Procuradoria da Fazenda Nacional foi intimada em 28/07/2009 (fls. 1.723 a 1.725), tendo restituído os autos a este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais em 31/07/2009, com recebimento no destino em 03/08/2009 (fls. 1.725 a 1.727). A Contribuinte, por sua vez, após intimada da decisão que deu parcial provimento ao recurso voluntário, opôs embargos de declaração alegando omissão no julgado quanto ao mérito (fls. 1.743 a 1.749). Nos termos do Acórdão nº 3403001.77 (fls. 1.755 a 1.760), os aclaratórios foram acolhidos em parte, sem efeitos modificativos do julgado embargado, para suprir a omissão quanto ao enfrentamento do argumento de confiscatoriedade da sanção e integrálo à decisão com o pronunciamento aventado acerca da matéria. Cientificada do Acórdão nº 3403001.77, que proveu parcialmente os embargos de declaração opostos pelo Sujeito Passivo, em 06/11/2012 (fl. 1.762), a Procuradoria da Fazenda Nacional interpôs recurso especial (fls. 1.763 a 1.768), na data de 07/12/2012 (fl. 1.761 e 1.791), com data de protocolo em 11/12/2012, alegando divergência jurisprudencial quanto à taxa a ser utilizada para o cálculo dos juros de mora incidentes sobre a multa de ofício. No acórdão recorrido, restou assentado que os juros de mora à taxa Selic incidem tão somente sobre o valor do tributo, e que sobre o valor da multa de ofício cabível a aplicação dos juros de mora em 1% (um por cento). A Fazenda Nacional pretende ver determinada a incidência de juros de mora pela taxa Selic também sobre a multa de ofício. Para comprovar a divergência jurisprudencial, colacionou como paradigmas os acórdãos nºs CSRF/910100.539 e CSRF/0400.651, anexados na íntegra ao recurso especial (fls. 1.769 a 1.790). Fl. 2007DF CARF MF Processo nº 16045.000312/200631 Acórdão n.º 9303004.421 CSRFT3 Fl. 1.993 7 A Fazenda Nacional aduz, em suas razões recursais, que: (a) é correta a exigência de juros de mora, calculados à taxa Selic, sobre toda a obrigação tributária principal, incluída a multa de ofício; (b) a expressão "crédito tributário" abrange o tributo e os acréscimos legais (multa e juros); (c) os "débitos tributários" referidos no art. 61, caput, e seu §3º da Lei nº 9.430/96 são os créditos tributários devidos à União e não somente o valor do tributo, incidindo os juros sobre o principal e a multa de ofício aplicada; (d) os juros de mora sobre a multa de ofício devem ser calculados com base na taxa Selic, conforme determina o art. 61, §3º da Lei nº 9.430/96; (e) ao final, requer seja provido o recurso especial nos termos da fundamentação. Nos termos do despacho nº 3400000.194, de 29 de outubro de 2014 (fls. 1.795 a 1.797), foi admito o recurso especial da Fazenda Nacional por se entender como comprovada a divergência jurisprudencial quanto "à parte do julgado que decidiu pelo descabimento da taxa Selic sobre a multa de ofício, admitindo, no entanto, a sua substituição pelo percentual de 1% (um por cento), nos termos do art. 161 do CTN". Intimada, a Contribuinte apresentou contrarrazões ao apelo especial da Procuradoria da Fazenda Nacional (fls. 1.810 a 1.823) alegando, preliminarmente, a sua inadmissibilidade, por manifestamente intempestivo e, no mérito, requerendo a negativa de provimento. Na mesma oportunidade, a Contribuinte apresentou recurso especial de divergência (fls. 1.826 a 1.836) quanto aos efetivos destinatários da isenção do IPI na aquisição de veículos automotores destinados ao transporte de passageiros táxis. Apontou como paradigma o acórdão nº 20310.109. No entanto, o recurso especial da Contribuinte teve seguimento negado, pois, nos termos do despacho s/nº, de 17 de junho de 2015 (fls. 1.851 a 1.854), confirmado no despacho de reexame de admissibilidade de 22 de junho de 2015 (fls. 1.855 a 1.856), as circunstâncias fáticas que embasam os acórdãos recorrido e paradigma são distintas, não restando preenchido o requisito da divergência jurisprudencial. Por esta razão, o recurso da Contribuinte não será objeto de análise. Nessa senda, foram anexados aos autos os seguintes documentos relativos à existência de discussão judicial acerca do presente processo administrativo: (a) Relatório de situação fiscal, onde consta para o processo em exame a informação de "medida judicial pendente de comprovação" (fl. 1.935); Fl. 2008DF CARF MF 8 (b) Andamento Processual de Medida Cautelar Inominada distribuída sob nº 000265565.2015.4.03.6121, ajuizada em 21/08/2015 (fls. 1.943 a 1.949). Conforme se constata dos documentos, a ação cautelar foi julgada procedente para "deferir a caução, mediante as apólices de segurogarantia constantes dos autos, determinar a expedição de certidão positiva com efeito de negativa, nos termos do art. 206, do Código Tributário Nacional, em não havendo, com relação à requerente, outros débitos além daqueles relativos aos processos administrativos de nº 16045.000004/200796 e 16045.000312/200631, a impedir a sua expedição. [...]" O presente processo foi distribuído a essa Relatora por meio de sorteio regularmente realizado, estando apto o feito a ser relatado e submetido à análise desta Colenda 3ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais 3ª Seção de Julgamento do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF. É o Relatório. Voto Conselheira Vanessa Marini Cecconello, Relatora Admissibilidade Na análise dos pressupostos de admissibilidade do recurso especial interposto pela Procuradoria da Fazenda Nacional, consoante os termos do art. 67 do Anexo II, do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 256/2009, verificase que o apelo não deve ser conhecido, por ser intempestivo. Conforme consta no relatório, a Fazenda Nacional foi cientificada da decisão que deu parcial provimento ao recurso voluntário em 10/07/08 (fl. 1.661), e opôs os respectivos embargos de declaração por alegada omissão (fls. 1.671 a 1.677), na data de 08/08/2008, aos quais foi negado seguimento por se ter entendido como inexistente a omissão apontada, nos termos da proposição da Informação em embargos de 04/12/2008 (fls. 1.687 a 1.689), acolhida integralmente pelo Despacho nº 202784, de 04/12/2008 (fl. 1.691). Intimada do Despacho nº 202784, que negou seguimento aos embargos de declaração (fl. 1.693), com o recebimento dos autos na CoordenaçãoGeral de Assuntos Tributários da ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional CAT/PGFN na data de 11/02/2009 (fl. 1.697), a Fazenda Nacional opôs novos embargos de declaração por omissão (fls. 1.699 a 1.705), com registro de saída do sistema em 16/02/2009 e protocolo no destino em 17/02/2009 (conforme carimbo de protocolo). Novamente foi negado seguimento aos embargos de declaração da Fazenda Nacional por inexistência de pressuposto de admissibilidade invocado ausência de omissão no Fl. 2009DF CARF MF Processo nº 16045.000312/200631 Acórdão n.º 9303004.421 CSRFT3 Fl. 1.994 9 julgado, conforme Despacho nº 2101203 (fl. 1.721) e informação em embargos (fls. 1.715 a 1.719). Frisese que para aferição da tempestividade dos embargos de declaração considerase a data de registro de movimentação do processo no sistema da PGFN, por isso os embargos de declaração interpostos na segunda oportunidade são tempestivos, nos termos do art. 79, §2º do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, na redação aprovada pela Portaria MF nº 256/20092, então vigente, não sendo esta a razão pela qual o recurso especial é intempestivo. Do despacho que rejeitou os embargos pela segunda vez, a Procuradoria da Fazenda Nacional foi intimada em 28/07/2009 (fls. 1.723 a 1.725), tendo restituído os autos a este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais em 31/07/2009, com recebimento no destino em 03/08/2009 (fls. 1.725 a 1.727), sem ter apresentado qualquer manifestação, nem mesmo apresentado o recurso especial. Nesta oportunidade, competialhe oferecer, por meio de recurso especial, as razões pelas quais entende deva ser reformada a decisão que deu parcial provimento ao recurso voluntário da Contribuinte. Não o fazendo, precluiu a oportunidade de se insurgir contra o acórdão do voluntário. Embora, posteriormente, tenha a Contribuinte, quando devidamente intimada do acórdão de recurso voluntário, também apresentado embargos de declaração, o acolhimento dos mesmos, sem efeitos modificativos do julgado, não tem o condão de restituir à Fazenda Nacional o prazo para a interposição do recurso especial, operandose a preclusão da oportunidade de recorrer. Ocorreria a reabertura de prazo tão somente na hipótese de ter sido atribuído efeitos modificativos aos embargos de declaração, e exclusivamente para que a parte que já houvesse interposto o recurso principal pudesse complementar as suas razões. Não há de se falar em reabertura do prazo para interposição do recurso especial. Nesse sentido, são as disposições da Lei nº 13.105/2015, que aprovou o Novo Código de Processo Civil, in verbis: Art. 15. Na ausência de normas que regulem processos eleitorais, trabalhistas ou administrativos, as disposições deste Código lhes serão aplicadas supletiva e subsidiariamente. Art. 1.024. O juiz julgará os embargos em 5 (cinco) dias. § 1o Nos tribunais, o relator apresentará os embargos em mesa na sessão subsequente, proferindo voto, e, não havendo julgamento nessa sessão, será o recurso incluído em pauta automaticamente. 2 Art. 79. [...] §2º Os Procuradores da Fazenda Nacional serão considerados intimados pessoalmente das decisões do CARF, com o término do prazo de 30 (trinta) dias contado da data em que os respectivos autos forem entregues à PGFN por meio digital. Fl. 2010DF CARF MF 10 § 2o Quando os embargos de declaração forem opostos contra decisão de relator ou outra decisão unipessoal proferida em tribunal, o órgão prolator da decisão embargada decidilosá monocraticamente. § 3o O órgão julgador conhecerá dos embargos de declaração como agravo interno se entender ser este o recurso cabível, desde que determine previamente a intimação do recorrente para, no prazo de 5 (cinco) dias, complementar as razões recursais, de modo a ajustálas às exigências do art. 1.021, § 1o. § 4o Caso o acolhimento dos embargos de declaração implique modificação da decisão embargada, o embargado que já tiver interposto outro recurso contra a decisão originária tem o direito de complementar ou alterar suas razões, nos exatos limites da modificação, no prazo de 15 (quinze) dias, contado da intimação da decisão dos embargos de declaração. § 5o Se os embargos de declaração forem rejeitados ou não alterarem a conclusão do julgamento anterior, o recurso interposto pela outra parte antes da publicação do julgamento dos embargos de declaração será processado e julgado independentemente de ratificação. Art. 1.026. Os embargos de declaração não possuem efeito suspensivo e interrompem o prazo para a interposição de recurso. Diante do exposto, há de ser negado seguimento ao recurso especial interposto pela Fazenda Nacional por ser intempestivo. É o Voto. (assinado digitalmente) Vanessa Marini Cecconello Fl. 2011DF CARF MF
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