Busca Facetada
Turma- Terceira Câmara (29,282)
- Segunda Câmara (27,810)
- Primeira Câmara (25,086)
- Segunda Turma Ordinária d (17,885)
- Primeira Turma Ordinária (16,419)
- Primeira Turma Ordinária (16,225)
- 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR (16,216)
- Primeira Turma Ordinária (16,172)
- Segunda Turma Ordinária d (15,905)
- Segunda Turma Ordinária d (14,489)
- Primeira Turma Ordinária (13,087)
- Primeira Turma Ordinária (12,513)
- Segunda Turma Ordinária d (12,438)
- Quarta Câmara (11,514)
- Primeira Turma Ordinária (11,488)
- Quarta Câmara (85,202)
- Terceira Câmara (67,872)
- Segunda Câmara (56,642)
- Primeira Câmara (20,751)
- 3ª SEÇÃO (16,216)
- 2ª SEÇÃO (11,306)
- 1ª SEÇÃO (6,854)
- Pleno (788)
- Sexta Câmara (302)
- Sétima Câmara (172)
- Quinta Câmara (133)
- Oitava Câmara (123)
- Terceira Seção De Julgame (126,714)
- Segunda Seção de Julgamen (115,210)
- Primeira Seção de Julgame (77,082)
- Primeiro Conselho de Cont (49,053)
- Segundo Conselho de Contr (48,968)
- Câmara Superior de Recurs (37,972)
- Terceiro Conselho de Cont (25,979)
- IPI- processos NT - ressa (5,020)
- Outros imposto e contrib (4,458)
- PIS - ação fiscal (todas) (4,062)
- IRPF- auto de infração el (3,972)
- PIS - proc. que não vers (3,963)
- IRPJ - AF - lucro real (e (3,943)
- Cofins - ação fiscal (tod (3,868)
- Simples- proc. que não ve (3,681)
- IRPF- ação fiscal - Dep.B (3,045)
- IPI- processos NT- créd.p (2,251)
- IRPF- ação fiscal - omis. (2,215)
- Cofins- proc. que não ver (2,102)
- IRPJ - restituição e comp (2,088)
- Finsocial -proc. que não (1,996)
- IRPF- restituição - rendi (1,991)
- Não Informado (56,551)
- GILSON MACEDO ROSENBURG F (5,508)
- RODRIGO DA COSTA POSSAS (4,442)
- WINDERLEY MORAIS PEREIRA (4,270)
- CLAUDIA CRISTINA NOIRA PA (4,256)
- PEDRO SOUSA BISPO (3,905)
- HELCIO LAFETA REIS (3,868)
- ROSALDO TREVISAN (3,233)
- CHARLES MAYER DE CASTRO S (3,219)
- MARCOS ROBERTO DA SILVA (3,150)
- Não se aplica (2,930)
- PAULO GUILHERME DEROULEDE (2,801)
- WILDERSON BOTTO (2,650)
- LIZIANE ANGELOTTI MEIRA (2,636)
- RODRIGO LORENZON YUNAN GA (2,589)
- 2020 (41,088)
- 2021 (35,842)
- 2019 (30,960)
- 2018 (26,046)
- 2024 (25,923)
- 2012 (23,622)
- 2023 (22,472)
- 2014 (22,376)
- 2013 (21,088)
- 2011 (20,979)
- 2025 (19,615)
- 2010 (18,059)
- 2008 (17,137)
- 2017 (16,841)
- 2009 (15,846)
- 2009 (69,612)
- 2020 (39,854)
- 2021 (34,153)
- 2019 (30,463)
- 2023 (25,918)
- 2024 (23,872)
- 2014 (23,412)
- 2018 (23,139)
- 2025 (19,745)
- 2026 (16,690)
- 2013 (16,584)
- 2017 (16,398)
- 2008 (15,520)
- 2006 (14,857)
- 2022 (13,225)
Numero do processo: 10580.724385/2009-11
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed May 22 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Tue Jun 04 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/02/1999 a 30/07/2004
ALARGAMENTO DA BASE DE CÁLCULO DA COFINS. RECEITAS FINANCEIRAS E DEMAIS RECEITAS. DIREITO RECONHECIDO JUDICIALMENTE. SISTEMÁTICA DA NÃO CUMULATIVIDADE.
Estando o contribuinte obrigado à apuração da COFINS não-cumulativa instituída pela Lei n° 10.833, de 2003, o direito obtido judicialmente de ter afastada a ampliação da base de cálculo da COFINS prevista no §1º do artigo 3º da Lei n° 9.718, de 1998, não se aplica à contribuição incidente sobre as receitas financeiras e demais receitas. SC Cosit nº 387, de 2017.
COMPENSAÇÃO. CRÉDITOS. LIQUIDEZ E CERTEZA
A compensação é uma das opções que os contribuintes têm como forma de extinção do crédito tributário, conforme previsão contida nos arts. 156 e 170 da Lei n° 5.172, de 1966 (CTN), exigindo-se a certeza e a liquidez dos créditos a compensar. E, havendo insuficiência de crédito a compensar não se reconhece o direito creditório.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3402-006.615
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário, nos termos do voto do relator.
(assinado digitalmente)
Waldir Navarro Bezerra - Presidente e relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Waldir Navarro Bezerra, Rodrigo Mineiro Fernandes, Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Pedro Sousa Bispo, Thais De Laurentiis Galkowicz e Cynthia Elena de Campos.
Nome do relator: WALDIR NAVARRO BEZERRA
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201905
camara_s : Quarta Câmara
ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Período de apuração: 01/02/1999 a 30/07/2004 ALARGAMENTO DA BASE DE CÁLCULO DA COFINS. RECEITAS FINANCEIRAS E DEMAIS RECEITAS. DIREITO RECONHECIDO JUDICIALMENTE. SISTEMÁTICA DA NÃO CUMULATIVIDADE. Estando o contribuinte obrigado à apuração da COFINS não-cumulativa instituída pela Lei n° 10.833, de 2003, o direito obtido judicialmente de ter afastada a ampliação da base de cálculo da COFINS prevista no §1º do artigo 3º da Lei n° 9.718, de 1998, não se aplica à contribuição incidente sobre as receitas financeiras e demais receitas. SC Cosit nº 387, de 2017. COMPENSAÇÃO. CRÉDITOS. LIQUIDEZ E CERTEZA A compensação é uma das opções que os contribuintes têm como forma de extinção do crédito tributário, conforme previsão contida nos arts. 156 e 170 da Lei n° 5.172, de 1966 (CTN), exigindo-se a certeza e a liquidez dos créditos a compensar. E, havendo insuficiência de crédito a compensar não se reconhece o direito creditório. Recurso Voluntário Negado.
turma_s : Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Tue Jun 04 00:00:00 UTC 2019
numero_processo_s : 10580.724385/2009-11
anomes_publicacao_s : 201906
conteudo_id_s : 6017728
dt_registro_atualizacao_tdt : Tue Jun 04 00:00:00 UTC 2019
numero_decisao_s : 3402-006.615
nome_arquivo_s : Decisao_10580724385200911.PDF
ano_publicacao_s : 2019
nome_relator_s : WALDIR NAVARRO BEZERRA
nome_arquivo_pdf_s : 10580724385200911_6017728.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra - Presidente e relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Waldir Navarro Bezerra, Rodrigo Mineiro Fernandes, Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Pedro Sousa Bispo, Thais De Laurentiis Galkowicz e Cynthia Elena de Campos.
dt_sessao_tdt : Wed May 22 00:00:00 UTC 2019
id : 7771767
ano_sessao_s : 2019
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:46:27 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713051907506831360
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 10; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1699; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C4T2 Fl. 421 1 420 S3C4T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10580.724385/200911 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3402006.615 – 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 22 de maio de 2019 Matéria PIS DCOMP Recorrente CONCRETA TECNOLOGIA EM ENGENHARIA LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/02/1999 a 30/07/2004 ALARGAMENTO DA BASE DE CÁLCULO DA COFINS. RECEITAS FINANCEIRAS E DEMAIS RECEITAS. DIREITO RECONHECIDO JUDICIALMENTE. SISTEMÁTICA DA NÃO CUMULATIVIDADE. Estando o contribuinte obrigado à apuração da COFINS nãocumulativa instituída pela Lei n° 10.833, de 2003, o direito obtido judicialmente de ter afastada a ampliação da base de cálculo da COFINS prevista no §1º do artigo 3º da Lei n° 9.718, de 1998, não se aplica à contribuição incidente sobre as receitas financeiras e demais receitas. SC Cosit nº 387, de 2017. COMPENSAÇÃO. CRÉDITOS. LIQUIDEZ E CERTEZA A compensação é uma das opções que os contribuintes têm como forma de extinção do crédito tributário, conforme previsão contida nos arts. 156 e 170 da Lei n° 5.172, de 1966 (CTN), exigindose a certeza e a liquidez dos créditos a compensar. E, havendo insuficiência de crédito a compensar não se reconhece o direito creditório. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 58 0. 72 43 85 /2 00 9- 11 Fl. 421DF CARF MF Processo nº 10580.724385/200911 Acórdão n.º 3402006.615 S3C4T2 Fl. 422 2 Waldir Navarro Bezerra Presidente e relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Waldir Navarro Bezerra, Rodrigo Mineiro Fernandes, Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Pedro Sousa Bispo, Thais De Laurentiis Galkowicz e Cynthia Elena de Campos. Relatório Trata o presente processo sobre Declarações de Compensação PER/DCOMP de fls. 2/29, através das quais a Recorrente requer a compensação de débitos da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social COFINS, dos períodos de apuração de janeiro/2008 a agosto/2008, com créditos da mesma exação, relativos ao paríodo compreendido entre janeiro/1999 e janeiro/2004, cujo direito de compensação foi reconhecido em processo judicial, qual seja, o Mandado de Segurança n° 2005.33.00.0117483, impetrado coletivamente pelo Sindicato da Indústria da Construção do Estado da Bahia S1NDUSCON/BA, em 08/06/2005. A empresa comprovou nos autos ser filiado ao SINDUSCON/BA desde 28/07/1989 (fl. 250). Na ação judicial os filiados pleiteavam recolher a COFINS nos moldes da Lei Complementar n° 70, de 1991 sem a alteração da Lei n° 9.718, de 1998, no art. 3°, caput e §1º (ampliação da base de cálculo), declarando a inconstitucionalidade do art. 3º, desta lei, e a compensação dos créditos referentes aos recolhimentos a título da COFINS, embasada nos dispositivos inconstitucionais, devidamente corrigidos, com parcelas vincendas e vencidas de débitos. No Despacho Decisório n° 1.539, de 2009, proferido pela DRF em Salvador/BA, que ao homologar as compensações constantes dos PERD/COMP citados, o fez até o período de apuração correspondente a dezembro/2003, considerando que a partir do mês subseqüente a empresa passou a recolher a COFINS, segundo disposições da Lei n° l0.833, de 2003, a qual não apresenta os vícios de inconstitucionalidade da Lei n° 9.718, de 1998. No referido Despacho Decisório o Fisco informa que segundo indicações da Recorrente no PER/DCOMP, o crédito originase da ação transitada em julgado em 10/09/2007 (fls. 51/56). O direito foi reconhecido em processo judicial no Mandado de Segurança n°2005.33.00.0117483, fls. 291/293, impetrado coletivamente pelo sindicato da Indústria da Construção do Estado da Bahia SINDUSCONBA, em 08/06/2005, constando nos autos a Certidão de Trânsito em Julgado referente ao Agravo de Instrumento nº 666.147/BA, expedido pelo Supremo Tribunal Federal (STF) à fl. 174. Informa ainda no Despacho que, para os fatos geradores a partir de janeiro/2004, a empresa passou a ter os recolhimentos da COFINS regidos pela Lei n°10.833, de 2003, o que significa que para fins de cálculo dos valores da COFINS recolhidos a maior somente seriam utilizados os DARF apresentados pelo contribuinte relativos ao recolhimento até o mês de janeiro/2004, pois a Lei n° 10.833, de 2003, não padece dos vícios da inconstitucionalidade da Lei n° 9.718, de 1998. Fl. 422DF CARF MF Processo nº 10580.724385/200911 Acórdão n.º 3402006.615 S3C4T2 Fl. 423 3 Após intimações de fls. 31/32 e 58, emitidas para apresentação de documentação, a Recorrente apresentou balancetes mensais e livros razão, planilhas de dados de faturamento e demais receitas auferidas pela empresa, conforme fls. 253/261. Desta forma a Fiscalização procedeu ao cálculo do valor do crédito a restituir pela diferença entre os valores recolhidos nos termos da Lei n° 9.718, de 1998, e a Lei Complementar n° 70, de 1991, com alíquota de 3%, com base na planilha apresentada pela Recorrente às fls.253/254, cotejada pela documentação comprobatória. Após vinculações do crédito apurado com os débitos declarados, conforme extrato do Sistema da RFB, de fls. 263/291, tendo remanescido os débitos conforme demonstrado às fls. 313/315. Cientificado do Despacho Decisório, em 11/03/2010, fl. 337, a Recorrente apresenta Manifestação de Inconformidade em 08/02/2010, fls. 338/346, alegando que: (i) a autoridade ao não homologar os débitos integralmente incorreu em grave impropriedade uma vez que a empresa sempre esteve obrigada a recolher suas receitas de COFINS com apoio no sistema cumulativo, utilizando o código de Receita 2172, mesmo após a Lei n° l0.833, de 2003; (ii) apesar do novo sistema, atos normativos enumeram várias exceções que ficaram de fora da não cumulatividade da COFINS, sujeitandose ao sistema anterior, art.10, inciso XX da Lei n°10.833, de 2003, na redação dada pela Lei n° 11.945, de 2009, dentre elas as receitas decorrentes da execução por administração, empreitada ou sub empreitada de obras de construção civil; (iii) nunca recolheu a COFINS sobre as receitas decorrentes da execução de obras de construção civil no sistema não cumulativo, código 5856, e sim no cumulativo, código 2172, e o fato de recolher COFINS no código 5856, se refere ao fato de ser pessoa jurídica optante pelo lucro real para efeito de recolhimento do IRPJ, mas sobre as receitas não operacionais, e não sobre as receitas financeiras e receita operacional, estas, oriundas da execução de obras da construção civil; (iv) possui dois faturamentos: um referente a execução de obras de construção civil receita operacional e financeira e outra de faturamentos diversos receita não operacional; tendo, para realizar o cálculo do crédito a que fazia jus excluiu as receitas financeiras das receitas. No entanto a 4ª Turma da DRJ em Salvador/BA, julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade da Recorrente, conforme ementa abaixo (fl. 1.014): ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/02/1999 a 30/07/2004 ALARGAMENTO DA BASE DE CÁLCULO DA COFINS. RECEITAS FINANCEIRAS E DEMAIS RECEITAS. DIREITO RECONHECIDO JUDICIALMENTE. SISTEMÁTICA DA NÃO CUMULATIVIDADE. Estando o contribuinte obrigado à apuração da Cofins não cumulativa instituída pela Lei n° 10.833, de 2003, o direito obtido judicialmente de ter afastada a ampliação da base de Fl. 423DF CARF MF Processo nº 10580.724385/200911 Acórdão n.º 3402006.615 S3C4T2 Fl. 424 4 cálculo da Cofins prevista no § 1º do artigo 3º da Lei n° 9.718, de 1998, não se aplica à contribuição incidente sobre as receitas financeiras e demais receitas. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Acordam Intimada da decisão em 15/08/2011 (fl. 382), apresentou às fls. 389/400, seu Recurso Voluntário em 14/09/2011 (fl. 389), repisando os mesmos argumentos esposados na sua Manifestação de Inconformidade. É o relatório. Voto Conselheiro Waldir Navarro Bezerra, relator 1. Da Admissibilidade do recurso O Recurso Voluntário é tempestivo e preenche os demais requisitos de admissibilidade previstos na legislação regente da matéria. Assim, dele se toma conhecimento. 2. Do objeto da lide O pleito em foco teria sua pretensão amparada no recolhimento a maior da contribuição à COFINS, em decorrência de utilização de base de cálculo determinada a partir de norma posteriormente declarada inconstitucional pelo STF, qual seja, o §1º do art. 3º da Lei n° 9.718/98. Portanto, o litígio do presente processo versa sobre a homologação parcial das compensações declaradas nos PER/DCOMP, devido a não consideração dos recolhimentos efetuados a título de COFINS para os períodos de apuração a partir de fevereiro de 2004, inclusive, o que ocasionou a insuficiência do crédito informado. 3. Da compensação x apuração do crédito alegado Como relatado, tratase de processo referente a PER/DCOMPs (fls. 2/29), através das quais a Recorrente requer a compensação de débitos da COFINS, dos períodos de apuração de janeiro/2008 a agosto/2008, com créditos da mesma exação, relativos ao período compreendido entre janeiro/1999 e janeiro/2004, cujo direito de compensação foi reconhecido em processo judicial, qual seja o Mandado de Segurança nº 2005.33.00.0117483, impetrado coletivamente pelo Sindicato da Indústria da Construção do Estado da Bahia SINDUSCON/BA, em 08/06/2005, que a empresa comprovou ser filiada. Assim o pleito Fl. 424DF CARF MF Processo nº 10580.724385/200911 Acórdão n.º 3402006.615 S3C4T2 Fl. 425 5 compensativo contido nestes autos é firme e valioso, conforme entendimento firmado em absoluto cumprimento aos ditames do decisum em questão. Assim, estabelecidos os contornos do comando decisional, volvese agora para apuração do valor do crédito solicitado. Primeiramente é importante ressaltar que objetivando a obtenção dos elementos indispensáveis à análise do pleito, a Fiscalização emitiu a Intimação Fiscal n° 638/2009 e 787/2009 ( fls. 31/32 e 58). Em decorrência disso, a empresa apresentou a documentação requerida, tais como, balancetes mensais e livros razão, bem como, novas planilhas com os dados de faturamento e demais receitas auferidas pela empresa, assinados por seu responsável legal e anexadas às fls. 82/261 destes autos. O pleito teria sua pretensão amparada no recolhimento a maior da contribuição da COFINS, em decorrência de utilização de base de cálculo determinada a partir de norma posteriormente declarada inconstitucional (§1º do art. 3º da Lei n° 9.718/98). Com efeito, a citada lei estabeleceu que a base de cálculo dessa contribuição seria o faturamento, o qual corresponderia à receita bruta, sendo essa entendida como a totalidade das receitas auferidas pela pessoa jurídica. Dessa forma, a norma em comento alterou o conceito de faturamento, até então considerado como a receita bruta das vendas de mercadorias, de mercadorias e serviços e de serviços de qualquer natureza. Nessa esteira, a base de cálculo de receita operacional, em virtude da redação da LC n.° 70/91, passou também a compreender todas as receitas percebidas pelas sociedades empresárias, tais como as receitas financeiras e receitas nãooperacionais. Estas duas últimas, inclusive, só puderam compreender a base de cálculo em virtude da então novel redação do §1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98. No caso, dada a inconstitucionalidade do dispositivo legal que ampliou a base de cálculo da COFINS, auferida na Ação judicial movida pelo SINDUSCON/BA, retomou os seus efeitos o art. 2º da Lei Complementar nº 70/91. Em seu recurso, a Recorrente alega que "a partir de janeiro de 2004, com a entrada em vigor da Lei n° l0.833, de 2003, ficou obrigado ao recolhimento da COFINS com base nas duas sistemáticas, cumulativa e não cumulativa, tendo para fins de cálculo do crédito a restituir apurado as receitas financeiras da base de cálculo dentro do regime cumulativo". Pois bem. No ano de 2003, o legislador tributário inovou no ordenamento jurídico pátrio trazendo o sistema nãocumulativo da COFINS pela Lei n.° 10.833/2003, a qual majorou a alíquota de 3% (três por cento) para 7,6% (sete inteiros e seis décimos por cento) e novamente ampliou a base de cálculo, só que desta vez sem o vício da inconstitucionalidade. Como é cediço, a Lei n° 10.833, de 2003, em seu artigo 1º, sujeita à incidência da contribuição para a COFINS não cumulativa, a universalidade das receitas da pessoa jurídica, que, desta forma, abrange, em princípio, todas as receitas da empresa, independentemente da classificação contábil adotada, excepcionando em seu §3°, as receitas que não integram a base de cálculo da contribuição, verbis: Fl. 425DF CARF MF Processo nº 10580.724385/200911 Acórdão n.º 3402006.615 S3C4T2 Fl. 426 6 Art. 1º. A Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social COFINS, com a incidência nãocumulativa, tem como fato gerador o faturamento mensal, assim entendido o total das receitas auferidas pela pessoa jurídica, independentemente de sua denominação ou classificação contábil. § 1º. Para efeito do disposto neste artigo, o total das receitas compreende a receita bruta da venda de bens e serviços nas operações em conta própria ou alheia e todas as demais receitas auferidas pela pessoa jurídica. § 2º A base de cálculo da contribuição é o valor do faturamento, conforme definido no caput. § 3º Não integram a base de cálculo a que se refere este artigo, as receitas: I isentas ou não alcançadas pela incidência da contribuição ou sujeitas à alíquota 0 (zero); II nãooperacionais, decorrentes da venda de ativo permanente; III auferidas pela pessoa jurídica revendedora, na revenda de mercadorias em relação às quais a contribuição seja exigida da empresa vendedora, na condição de substituta tributária; IV de venda dos produtos de que tratam as Leis n~ 9.990, de 21 de julho de 2000, 10.147, de 21 de dezembro de 2000, 10.485, de 3 de julho de 2002, e 10.560, de 13 de novembro de 2002, ou quaisquer outras submetidas à incidência monofásica da contribuição; V referentes a: a) vendas canceladas e aos descontos incondicionais concedidos; b) reversões de provisões e recuperações de créditos baixados como perda que não representem ingresso de novas receitas, o resultado positivo da avaliação de investimentos pelo valor do patrimônio líquido e os lucros e dividendos derivados de investimentos avaliados pelo custo de aquisição que tenham sido computados como receita. VI decorrentes de transferência onerosa a outros contribuintes do Imposto sobre Operações relativas à Circulação de Mercadorias e sobre Prestações de Serviços de Transporte Interestadual e Intermunicipal e de Comunicação ICMS de créditos de ICMS originados de operações de exportação, conforme o disposto no inciso II do § 1" do art. 25 da Lei Complementar rf 87. de 13 de setembro de 1996. (Incluído pela Lei n° 11.945, de 2009). Com a vinda desse novo sistema tributário, o próprio ato normativo enumerou várias exceções que ficaram de fora do diploma da nãocumulatividade da COFINS, sujeitandose ao anterior sistema, o regime cumulativo. Especificamente nesse dispositivo legal elencador de exceções, foi veiculada uma nos seguintes moldes (artigo 10, inciso XX, a Lei n°10.833, de 2003, que dispõe sobre as exclusões ao regime da não cumulatividade): Art. 10. Permanecem sujeitas às normas da legislação da COFINS, vigentes anteriormente a esta Lei, não se lhes aplicando as disposições dos arts. 1º a 8º:(Vide Medida Provisória n°252, de 15/06/2005). Fl. 426DF CARF MF Processo nº 10580.724385/200911 Acórdão n.º 3402006.615 S3C4T2 Fl. 427 7 (...). Redação Antiga dada pela Lei n° 10.865 de 30.04.2004: XX as receitas decorrentes da execução por administração, empreitada ou subempreitada, de obras de construção civil, até 31 de dezembro de 2006; Posteriormente, este dispositivo foi alterado para ampliar o prazo até 31/12/2015, conforme art. 8º da Lei n°12.375, de 30 de dezembro de 2010. Assim, denotase que as empresas cujo objeto social seja e operacione a "execução de obras de construção civil", o recolhimento da COFINS especificamente das receitas daí decorrentes respeitam a modalidade de quitação tratada nos moldes da legislação anterior ao advento da Lei nº 10.833, de 2003. E foi nessa linha a orientação da própria COSIT/RFB, órgão central da Receita Federal na Solução de Consulta nº 387, de 31 de agosto de 2017, assim ementada: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep RECEITAS FINANCEIRAS. REGIME DE APURAÇÃO. As receitas financeiras não estão listadas entre as receitas excluídas do regime de apuração não cumulativa da Contribuição para o PIS/Pasep e, portanto, submetemse ao regime de apuração a que a pessoa jurídica beneficiária estiver submetida. Assim, sujeitamse ao regime de apuração não cumulativa da Contribuição para o PIS/Pasep as receitas financeiras auferidas por pessoa jurídica que não foi expressamente excluída desse regime, ainda que suas demais receitas submetamse, parcial ou mesmo integralmente, ao regime de apuração cumulativa. (Grifei) Dispositivos Legais: Lei nº 10.833/2003, arts. 10 e 15,V. Assunto:Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social–Cofins (...) A recorrente alega em seu recurso que, "(...) a existência de pagamento de DARF's de COFINS com o código 5856 se deve ao fato de a Recorrente ser pessoa jurídica optante do lucro real para efeito de recolhimento do IRPJ, portanto sujeita à Lei n.° 10.833/03. Todavia, a sujeição à Lei n.° 10.833/03 não se refere à sua receita operacional e à receita financeira, porquanto ambas oriundas da execução de obras de construção civil, mas sim às receitas nãooperacionais, as quais não se acham abraçadas pela exceção do inciso XX do art. 10 da Lei n.° 10.833/03. Deveras, existe nos autos do processo administrativo DARF's com o código 5856 do sistema nãocumulativo. Entretanto, a receita utilizada para essa base de cálculo não se refere ao faturamento oriundo da execução de obras de construção civil (receitas operacional e financeira)". (Grifei) O fato é que quando a Recorrente apurou seu crédito para fins de compensação, o fez baseada na receita obtida do faturamento da execução de obras de Fl. 427DF CARF MF Processo nº 10580.724385/200911 Acórdão n.º 3402006.615 S3C4T2 Fl. 428 8 construção civil, pelo que retirou da base de cálculo da COFINS as receitas financeiras tratadas na Lei nº 9.718/98, até então obrigadas a compor tal base de cálculo pela liturgia do declarado inconstitucional §1° do art. 3° do mesmo diploma legal, e que a partir de 2004, com a publicação da Lei nº 10.833, de 2003, voltou a compor a base de cálculo da COFINS. A Recorrente continua afirmando que é extremamente equivocado, portanto, o entendimento esposado no Despacho Decisório de que a empresa "não se enquadra em qualquer das hipóteses elencadas no art. 10 da Lei nº 10.833/03 o que significa dizer que os recolhimentos da Cofins efetuados a partir de fevereiro de 2004, ou seja, relativos aos fatos geradores ocorridos em janeiro de 2004, estão regidos pela Lei n.° 10.833/2003", entendimento esse confirmado pela DRJ. Não assiste razão à Recorrente. Entendo que o Fisco quis retratar os casos tratados como os excepcionados nos incisos I ao VI do seu §3°, em que elenca as receitas que não integram a base de cálculo da contribuição. Portanto, os recolhimentos da COFINS efetuados a partir de fevereiro de 2004, ou seja, relativos aos fatos geradores ocorridos em janeiro de 2004, passaram a estar regidos pela Lei n° 10.833, de 2003. Com efeito, a Lei n° 10.833/2003, a qual não padece dos vícios de inconstitucionalidade da Lei anterior, a de n° 9.718/1998, não ensejando, dessa forma, pagamento indevido efetuado. A recorrente informa em seu recurso que são duas as receitas auferidas pela ora Recorrente, ambas antagônicas entre si: (i). primeira, a referente ao faturamento da execução de obras de construção civil (receitas operacional e financeiras) e (ii) outra de faturamentos diversos que não se compatibilizam com o primeiro (receitas nãooperacionais). Assim, a apuração de crédito total para fins de compensação tomou em consideração a primeira receita, porquanto a Recorrente excluiu da base de cálculo da COFINS as receitas financeiras, as quais eram, em função do §1º do art. 3º c/c art. 9º, ambos da Lei nº 9.718/98, obrigadas a compor a base econômica até a sua declaração da inconstitucionalidade. No entanto, após a edição da Lei nº 10.883, de 2003, esse impeditivo deixou de existir, conforme já explicado, e portanto não poderia ser excluído da base de cálculo da COFINS. Vejase que foi exatamente isso que ocorreu com a Recorrente, conforme se verifica do trecho do recurso abaixo reproduzido: "Vejase, por oportuno, que os próprios pleitos compensativos extinguem a COFINS em razão de dois DARF's, um com o código 2172 (sistema cumulativo) e o outro pelo código 5856 (sistema nãocumulativo) (fls. 295), aquele referente ao faturamento da execução de obras de construção civil, só que agora sem a inclusão das receitas financeiras, e este no tocante às demais receitas nãooperacionais da empresa". (Grifei) Por fim, também observo que essa matéria restou bem analisada pela decisão de piso, que adoto como fundamentos (forte no art. 50, § 1º, da Lei no 9.784, de 1994). Como pode ser verificado nos autos, a Recorrente possui recolhimentos de COFINS no sistema cumulativo, código de receita 2172, mesmo após a entrada em vigor da Lei n° 10.833, de 2003, uma vez que a empresa permaneceu obrigado ao recolhimento da COFINS cumulativa para as receitas decorrentes da execução por administração, empreitada ou subempreitada de obras de construção civil, tendo sido a pretensão da Recorrente pleitear a restituição dos valores recolhidos sob os códigos de receita da COFINS não cumulativa, Fl. 428DF CARF MF Processo nº 10580.724385/200911 Acórdão n.º 3402006.615 S3C4T2 Fl. 429 9 referente ao código de receita 5856, incidentes sobre as parcelas das receitas financeiras e outras receitas, que no seu entender foram incluídas indevidamente nesta apuração, na sistemática da não cumulatividade, posto que possui Acórdão judicial transitado em julgado reconhecendo a inconstitucionalidade do alargamento da base de cálculo embasada na Lei nº 9.718, de 1998. No entanto, com a entrada em vigor da Lei n° 10.833, de 2003, o regime da não cumulatividade passou a ser a regra geral de apuração, e por ter a empresa optado pelo regime de apuração do IRPJ pelo Lucro Real, ela encontrase sujeita a apuração da COFINS nesta modalidade, devendo pois, as receitas financeiras (ainda que principalmente decorrentes da atividade de construção civil) e as demais receitas, terem sua apuração no regime da não cumulatividade, pois não encontramse excepcionadas pela Lei n° 10.833, de 2003, esta que foi editada quando já em vigor a nova redação do art. 195, inciso I, alínea "b" da Constituição Federal (CF), não tendo, portanto, o Despacho Decisório em nenhum momento descumprido o decidido na esfera judicial. Como se vê, a Lei n° 10.833, de 2003, instituiu a COFINS com incidência nãocumulativa e alíquota de 7,60% (sete vírgula seis por cento). Já o § 3º do art. 10, do citado diploma legal, estabeleceu as exceções à incidência nãocumulativa desse tributo, ou seja, as hipóteses em que os contribuintes da COFINS permanecem sujeitos às normas da legislação vigentes anteriormente à Lei n° 10.833/2003. Com efeito, para os fatos geradores ocorridos a partir de janeiro de 2004, a COFINS foi recolhida nos termos da Lei n° 10.833/2003, a qual não padece dos vícios de inconstitucionalidade da Lei anterior (lei nº 9.718/1998), não ensejando, dessa forma, pagamento indevido. E, conforme o contido na Decisão judicial, o valor da COFINS a ser utilizado pelo contribuinte na compensação pleiteada corresponderá à diferença entre os recolhimentos efetuados pela empresa, nos termos Lei n° 9.718/98 e aqueles calculados utilizandose a base de cálculo definida na Lei Complementar nº 70/1991 e a alíquota estabelecida na Lei n° 9.718/1998. E, foi dessa forma que procedeu o Fisco. Conforme relatórios emitidos pela Fiscalização, no qual constam os dados dos pagamentos cadastrados, dos créditos tributários, ambos relativos aos diversos períodos de apuração, as vinculações realizadas, bem como os saldos de pagamentos, nas diversas datas, todos foram inseridos e demonstrados em planilhas apensadas às fls. 263/291 e 303/309. Concluindo, a compensação é uma das opções que os contribuintes têm como forma de extinção do crédito tributário, conforme previsão contida nos arts. 156 e 170 da Lei n° 5.172, de 25 de outubro de 1966 Código Tributário Nacional (CTN), exigindose a certeza e a liquidez dos créditos a compensar. Havendo insuficiência de crédito a compensar não se reconhece o direito creditório. Fl. 429DF CARF MF Processo nº 10580.724385/200911 Acórdão n.º 3402006.615 S3C4T2 Fl. 430 10 4. Dispositivo Diante do exposto, voto no sentido de negar provimento ao recurso voluntário, confirmando a decisão recorrida. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra Fl. 430DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 11020.912614/2012-66
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Apr 24 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Fri May 17 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Data do fato gerador: 31/01/2008
PROVAS. COMPENSAÇÃO
De acordo com a legislação, a manifestação de inconformidade mencionará, dentre outros, os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir. A mera alegação sem a devida produção de provas não é suficiente para conferir o direito creditório ao sujeito passivo.
TAXA SELIC. SÚMULA CARF Nº 04.
A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC para títulos federais.
MULTA DE MORA. ANÁLISE DE CONSTITUCIONALIDADE DE LEI. IMPOSSIBILIDADE. SÚMULA CARF Nº 02.
O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.
Numero da decisão: 3302-006.795
Decisão:
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar as preliminares arguidas e, no mérito, em negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Paulo Guilherme Déroulède - Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Paulo Guilherme Déroulède (Presidente), Walker Araújo, Jose Renato Pereira de Deus, Gilson Macedo Rosenburg Filho, Jorge Lima Abud, Raphael Madeira Abad, Muller Nonato Cavalcanti Silva (Suplente Convocado) e Corintho Oliveira Machado.
Nome do relator: PAULO GUILHERME DEROULEDE
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201904
camara_s : Terceira Câmara
ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Data do fato gerador: 31/01/2008 PROVAS. COMPENSAÇÃO De acordo com a legislação, a manifestação de inconformidade mencionará, dentre outros, os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir. A mera alegação sem a devida produção de provas não é suficiente para conferir o direito creditório ao sujeito passivo. TAXA SELIC. SÚMULA CARF Nº 04. A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC para títulos federais. MULTA DE MORA. ANÁLISE DE CONSTITUCIONALIDADE DE LEI. IMPOSSIBILIDADE. SÚMULA CARF Nº 02. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.
turma_s : Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Fri May 17 00:00:00 UTC 2019
numero_processo_s : 11020.912614/2012-66
anomes_publicacao_s : 201905
conteudo_id_s : 6008115
dt_registro_atualizacao_tdt : Sat May 18 00:00:00 UTC 2019
numero_decisao_s : 3302-006.795
nome_arquivo_s : Decisao_11020912614201266.PDF
ano_publicacao_s : 2019
nome_relator_s : PAULO GUILHERME DEROULEDE
nome_arquivo_pdf_s : 11020912614201266_6008115.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar as preliminares arguidas e, no mérito, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède - Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Paulo Guilherme Déroulède (Presidente), Walker Araújo, Jose Renato Pereira de Deus, Gilson Macedo Rosenburg Filho, Jorge Lima Abud, Raphael Madeira Abad, Muller Nonato Cavalcanti Silva (Suplente Convocado) e Corintho Oliveira Machado.
dt_sessao_tdt : Wed Apr 24 00:00:00 UTC 2019
id : 7744997
ano_sessao_s : 2019
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:44:44 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713051907514171392
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 10; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1638; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C3T2 Fl. 2 1 1 S3C3T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 11020.912614/201266 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3302006.795 – 3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 24 de abril de 2019 Matéria Declaração de Compensação Recorrente MECANICA INDUSTRIAL COLAR LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Data do fato gerador: 31/01/2008 PROVAS. COMPENSAÇÃO De acordo com a legislação, a manifestação de inconformidade mencionará, dentre outros, os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir. A mera alegação sem a devida produção de provas não é suficiente para conferir o direito creditório ao sujeito passivo. TAXA SELIC. SÚMULA CARF Nº 04. A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. MULTA DE MORA. ANÁLISE DE CONSTITUCIONALIDADE DE LEI. IMPOSSIBILIDADE. SÚMULA CARF Nº 02. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar as preliminares arguidas e, no mérito, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Presidente e Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 02 0. 91 26 14 /2 01 2- 66 Fl. 108DF CARF MF Processo nº 11020.912614/201266 Acórdão n.º 3302006.795 S3C3T2 Fl. 3 2 Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Paulo Guilherme Déroulède (Presidente), Walker Araújo, Jose Renato Pereira de Deus, Gilson Macedo Rosenburg Filho, Jorge Lima Abud, Raphael Madeira Abad, Muller Nonato Cavalcanti Silva (Suplente Convocado) e Corintho Oliveira Machado. Relatório Trata o presente de Declaração de Compensação transmitida com o objetivo de compensar o(s) débito(s) discriminado(s) no referido PER/DCOMP com crédito de COFINS, decorrente de recolhimento indevido ou a maior que o devido. De acordo com o Despacho Decisório, a partir das características do DARF descrito no PER/DCOMP acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. Assim, diante da inexistência de crédito, a compensação declarada NÃO FOI HOMOLOGADA. Cientificado do Despacho Decisório, o interessado apresentou a manifestação de inconformidade, tendo feito inicialmente um resumo dos fatos. Em preliminar, discorre acerca da nulidade do Despacho Decisório, enfatizando a ausência de fundamentação, o desvio de finalidade e o prejuízo ao contraditório administrativo, à ampla defesa e ao devido processo legal, tendo destacado que deve ser possibilitado ao manifestante a posterior juntada de documentos que comprovem as alegações trazidas na manifestação de inconformidade, em respeito ao princípio administrativo da verdade material. Sustenta ainda a inaplicabilidade da multa aplicada em face do princípio constitucional do não confisco e dos princípios administrativos da razoabilidade e da proporcionalidade e tece considerações acerca da inaplicabilidade da Taxa Selic aos supostos débitos como juros de mora e sobre a limitação dos juros de mora dada pelo Código Tributário Nacional (CTN). Ao final, requer seja acolhida a alegação de nulidade do Despacho Decisório em comento, com todos os seus consectários, inclusive cancelamento de qualquer cobrança que possa advir do citado despacho.. A manifestação de inconformidade foi julgada improcedente pelo colegiado a quo, nos termos do Acórdão nº 02055.326. Inconformado com a decisão da DRJ, apresentou recurso voluntário ao CARF, no qual repisa os mesmos argumentos apresentados na manifestação de inconformidade. É o breve relatório. Fl. 109DF CARF MF Processo nº 11020.912614/201266 Acórdão n.º 3302006.795 S3C3T2 Fl. 4 3 Voto Conselheiro Paulo Guilherme Déroulède, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido na Acórdão nº 3302006.789, de 24 de abril de 2019, proferido no julgamento do processo 11020.912606/201210, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevemse, como solução deste litígio, nos termos regimentais, os entendimentos que prevaleceram naquela decisão (Acórdão nº 3302006.789): "O recurso é tempestivo e apresenta os demais pressupostos de admissibilidade, de forma que dele conheço e passo à análise do mérito. Nulidade do despacho decisório. O recorrente reproduziu a preliminar de nulidade apresentada na manifestação de inconformidade, alegando vícios no despacho decisório capazes de macular sua existência e determinar sua nulidade. Como não há elemento novo sobre o tema no recurso voluntário, e me filio à decisão proferida pela instância a quo, peço vênia para utilizar a ratio decidendi da DRJ como se minha fosse, nos termos do § 1º do art. 50 da Lei nº 9.784, de 29 de janeiro de 1999, in verbis: O contribuinte tece considerações acerca da nulidade do despacho decisório pelos motivos circunstanciados na manifestação de inconformidade. Primeiramente cumpre observar que, de acordo com o § 11 do art. 74 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, a manifestação de inconformidade e o recurso obedecerão ao rito processual do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972. O Decreto nº 70.235, de 1972, prevê as hipóteses de nulidade no processo administrativo: Art. 59 São nulos: I os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II os despachos e decisões proferidas por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. [...] O despacho contestado não é nulo, pois não se configura nenhuma das hipóteses do inciso II do art. 59 acima Fl. 110DF CARF MF Processo nº 11020.912614/201266 Acórdão n.º 3302006.795 S3C3T2 Fl. 5 4 transcrito. O ato foi lavrado por autoridade competente – Auditor Fiscal da Receita Federal do Brasil titular da unidade de jurisdição do sujeito passivo – e não houve preterição do direito de defesa – é no processo administrativo que esse direito é exercido. Também não há exigência legal de intimação do contribuinte previamente à expedição do Despacho Decisório. É importante ressaltar que no referido despacho foi anotado que a fundamentação para o indeferimento do pedido de compensação reside no fato de o valor correspondente ao Darf indicado ter sido integralmente utilizado para quitação de débito do contribuinte conforme consta do quadro – “utilização dos pagamentos encontrados para o Darf discriminado no PER/DCOMP”. O enquadramento legal também foi devidamente especificado, contendo as normas do Código Tributário Nacional (CTN) e da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, pertinentes às regras de restituição e compensação de tributos. Portanto, estando presentes os elementos que fundamentam o Despacho Decisório, não há que se cogitar de cerceamento do seu direito de defesa, devendo ser rejeitada a preliminar de nulidade. Diante do quadro exposto, resta claro que o despacho decisório não contém vícios que possam ensejar sua nulidade. Tampouco, podese falar em cerceamento ao direito de defesa, pois os motivos determinantes que levaram ao indeferimento foram bem definidos, de tal forma que o próprio recorrente foi capaz de se insurgir contra eles. Sendo assim, nego provimento ao capítulo referente à nulidade do despacho decisório. Nulidade da decisão recorrida. O recorrente alega que a decisão recorrida carece de fundamentação, pois resumiuse a negar provimentos à manifestação de inconformidade em virtude de falta de comprovação pelo sujeito passivo de seu direito creditório. Pela alegação feita no recurso voluntário, resta evidente que houve a ratio decidendi no acórdão recorrido, qual seja: a falta de provas do direito creditório, pois o onus probandi, nos casos de pedido de restituição, é do sujeito passivo. Neste norte, não vejo motivos para que seja declarada a nulidade da decisão, pois a fundamentação foi clara e objetiva, de forma que afasto a nulidade suscitada. Restituição/Compensação. Ônus da prova. Alega o recorrente que utilizou créditos de Cofins, oriundo de pagamentos indevidos que resultaram em sobra de valores, Fl. 111DF CARF MF Processo nº 11020.912614/201266 Acórdão n.º 3302006.795 S3C3T2 Fl. 6 5 referente ao período de apuração 30/11/2007. Afirma, outrossim, que o ônus da prova cabe ao fisco e não ao sujeito passivo, uma vez que o processo administrativo pautase pela verdade material. A Autoridade Fiscal afirma que os créditos utilizados na compensação pretendida pelo recorrente já havia extinguido outro débito tributário, não restando saldo para utilização. Portanto, duas são as questões a serem enfrentadas: a quem cabe o ônus da prova em processos administrativos cujo objeto é pedido de restituição; se existem provas suficientes ou no mínimo que dê verossimilhança às alegações do recorrente, de que o crédito por ele utilizado na compensação não havia sido aproveitado para extinguir outro débito tributário. Sabemos que o momento apropriado para apresentação das provas que comprovem suas alegações é na propositura da impugnação. Temos conhecimento, também, que a regra fundamental do sistema processual adotado pelo Legislador Nacional, quanto ao ônus da prova, encontrase cravada no art. 373 do Código de Processo Civil, in verbis: Art. 373. O ônus da prova incumbe: I ao autor, quanto ao fato constitutivo de seu direito; II ao réu, quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor. § 1º Nos casos previstos em lei ou diante de peculiaridades da causa relacionadas à impossibilidade ou à excessiva dificuldade de cumprir o encargo nos termos do caput ou à maior facilidade de obtenção da prova do fato contrário, poderá o juiz atribuir o ônus da prova de modo diverso, desde que o faça por decisão fundamentada, caso em que deverá dar à parte a oportunidade de se desincumbir do ônus que lhe foi atribuído. § 2º A decisão prevista no § 1o deste artigo não pode gerar situação em que a desincumbência do encargo pela parte seja impossível ou excessivamente difícil. § 3º A distribuição diversa do ônus da prova também pode ocorrer por convenção das partes, salvo quando: I recair sobre direito indisponível da parte; II tornar excessivamente difícil a uma parte o exercício do direito. § 4º A convenção de que trata o § 3º pode ser celebrada antes ou durante o processo. Tal dispositivo é a tradução do princípio de que o ônus da prova cabe a quem dela se aproveita. E esta formulação também foi, com as devidas adaptações, trazida para o processo Fl. 112DF CARF MF Processo nº 11020.912614/201266 Acórdão n.º 3302006.795 S3C3T2 Fl. 7 6 administrativo fiscal, posto que a obrigação de provar está expressamente atribuída para a autoridade Fiscal quando realiza o lançamento tributário, para o sujeito passivo, quando formula pedido de repetição de indébito/ressarcimento. Definida a regra que direciona o onus probandi no âmbito do processo administrativo fiscal, resta estabelecer o conceito de prova, sua finalidade e seu objeto. O conceito de prova retirado dos ensinamentos de Moacir Amaral Santos: No sentido objetivo, como os meios destinados a fornecer ao julgador o conhecimento da verdade dos fatos. Mas a prova no sentido subjetivo é aquela que se forma no espírito do julgador, seu principal destinatário, quanto à verdade desse fatos. A prova, então, consiste na convicção que as provas produzidas no processo geram no espírito do julgador quanto à existência ou inexistência dos fatos. Compreendida como um todo, reunindo seus dois caracteres, objetivo e subjetivo, que se completam e não podem ser tomados separadamente, apreciada como fato e como indução lógica, ou como meio com que se estabelece a existência positiva ou negativa do fato probando e com a própria certeza dessa existência. Para Carnelutti: As provas são fatos presentes sobre os quais se constrói a probabilidade da existência ou inexistência de um fato passado. A certeza resolvese, a rigor, em uma máxima probabilidade. Dinamarco define o objeto da prova: ....conjunto das alegações controvertidas das partes em relação a fatos relevantes para todos os julgamentos a serem feitos no processo. Fazem parte dela as alegações relativas a esses fatos e não os fatos em si mesmos. Sabido que o vocábulo prova vem do adjetivo latino probus, que significa bom, correto, verdadeiro, seguese que provar é demonstrar que uma alegação é boa, correta e portanto condizente com a verdade. O fato existe ou inexiste, aconteceu ou não aconteceu, sendo portanto insuscetível dessas adjetivações ou qualificações. Não há fatos bons, corretos e verdadeiros nem maus, incorretos mendazes. As legações, sim, é que podes ser verazes ou mentirosas e daí a pertinência de proválas, ou seja, demonstrar que são boas e verazes. Já a finalidade da prova é a formação da convicção do julgador quanto à existência dos fatos. Em outras linhas, um dos principais objetivos do direito é fazer prevalecer a justiça. Para que uma decisão seja justa, é relevante que os fatos estejam Fl. 113DF CARF MF Processo nº 11020.912614/201266 Acórdão n.º 3302006.795 S3C3T2 Fl. 8 7 provados a fim de que o julgador possa estar convencido da sua ocorrência Em virtude dessas considerações, é importante relembrar alguns preceitos que norteiam a busca da verdade real por meio de provas materiais. Dinamarco afirma: Todo o direito opera em torno de certezas, probabilidades e riscos, sendo que as próprias certezas não passam de probabilidades muito qualificadas e jamais são absolutas porque o espírito humano não é capaz de captar com fidelidade e segurança todos os aspectos das realidades que o circulam. Para entender melhor o instituto “probabilidade” mencionado professor Dinamarco, aduzo importante distinção feita por Calamandrei entre verossimilhança e probabilidade: É verossimil algo que se assemelha a uma realidade já conhecida, que tem a aparência de ser verdadeiro. A verossimilhança indica o grau de capacidade representativa de uma descrição acerca da realidade. A verossimilhança não tem nenhuma relação com a veracidade da asserção, não surge como resultante do esforço probatório, mas sim com referência à ordem normal das coisas. A probabilidade está relacionada à existência de elementos que justifiquem a crença na veracidade da asserção. A definição do provável vinculase ao seu grau de fundamentação, de credibilidade e aceitabilidade, com base nos elementos de prova disponíveis em um contexto dado., resulta da consideração dos elementos postos à disposição do julgador para a formação de um juízo sobre a veracidade da asserção. Desse modo, a certeza vai se formando através dos elementos da ocorrência do fato que são colocados pelas partes interessadas na solução da lide. Mas não basta ter certeza, o julgador tem que estar convencido para que sua visão do fato esteja a mais próxima possível da verdade. Como o julgador sempre tem que decidir, ele deve ter bom senso na busca pela verdade, evitando a obsessão que pode prejudicar a justiça célere. Mas a impossibilidade de conhecer a verdade absoluta não significa que ela deixe de ser perseguida como um relevante objetivo da atividade probatória. Quanto ao exame da prova, defende Dinamarco: (...) o exame da prova é atividade intelectual consistente em buscar, nos elementos probatórios resultantes da instrução processual, pontos que permitam tirar conclusões sobre os fatos de interesse para o julgamento. Fl. 114DF CARF MF Processo nº 11020.912614/201266 Acórdão n.º 3302006.795 S3C3T2 Fl. 9 8 Já Francesco Carnelutti compara a atividade de julgar com a atividade de um historiador: (...) o historiador indaga no passado para saber como as coisas ocorreram. O juízo que pronuncia é reflexo da realidade ou mais exatamente juízo de existência. Já o julgador encontrase ante uma hipótese e quando decide converte a hipótese em tese, adquirindo a certeza de que tenha ocorrido ou não o fato. Estar certo de um fato quer dizer conhecêlo como se houvesse visto. No mesmo sentido, o professor Moacir Amaral Santos afirma que a prova dos fatos fazse por meios adequados a fixá los em juízo. Por esses meios, ou instrumentos, os fatos deverão ser transportados para o processo, seja pela sua reconstrução histórica, ou sua representação. Assim sendo, a verdade encontrase ligada à prova, pois é por meio desta que se torna possível afirmar idéias verdadeiras, adquirir a evidência da verdade, ou certificarse de sua exatidão jurídica. Ao direito somente é possível conhecer a verdade por meio das provas. Posto isto, concluímos que a finalidade imediata da prova é reconstruir os fatos relevantes para o processo e a mediata é formar a convicção do julgador. Os fatos não vêm simplesmente prontos, tendo que ser construídos no processo, pelas partes e pelo julgador. Após a montagem desse quebracabeça, a decisão se dará com base na valoração das provas que permitirá o convencimento da autoridade julgadora. Assim, a importância da prova para uma decisão justa vem do fato dela dar probabilidade às circunstâncias a ponto de formar a convicção do julgador. Regressando aos autos, o recorrente não apresentou um único documento, seja planilha, livros fiscais, que comprovasse ou, como dito, levantasse uma fumaça do bom direito. Não foi por falta de oportunidade, pois tanto no despacho decisório como na manifestação de inconformidade foi identificado que o crédito que estava sendo utilizado na compensação por ele pretendida já havia sido aproveitado na extinção de outro tributo. Cabia ao contribuinte demonstrar que essa afirmativa não refletia a realidade. Não obstante, sua atitude foi de fazer alegações gerais, sem demonstrar as questões de direito que embasavam seu indébito. Também não se preocupou em participar da instrução processual, pois não apresentou nenhum documento probatório. Diante dos fatos, cabe a esse Colegiado apreciar o pedido de restituição/ compensação com as provas contidas nos autos. No caso, nenhuma. Pelas assertivas feitas, afluem razões jurídicas para manter a decisão de piso sobre o tema. Multa de Mora. Fl. 115DF CARF MF Processo nº 11020.912614/201266 Acórdão n.º 3302006.795 S3C3T2 Fl. 10 9 Afirma o recorrente que o percentual da multa de mora não é razoável, sendo flagrantemente confiscatório. Ocorre que a multa de mora está prevista no art. 61 da Lei nº 9.430/96. Não consta na jurisprudência que o artigo tenha sido declarado inconstitucional pelo STF, nem que tenha sido revogado. Portanto, ele subsiste. Para afastar a aplicação do cânone legal citado, deve esse Colegiado declarar a inconstitucionalidade do artigo, algo vedado no nosso ordenamento jurídico. Consoante noção cediça, os Órgãos judicantes do Poder Executivo não têm competência para apreciar a conformidade de lei, validamente editada segundo o processo legislativo constitucionalmente previsto, com preceitos emanados da própria Constituição Federal ou mesmo de outras leis, a ponto de declararlhe a nulidade ou inaplicabilidade ao caso expressamente previsto, haja vista tratarse de matéria reservada, por força de determinação constitucional, ao Poder Judiciário. Compete a esses órgãos tãosomente o controle de legalidade dos atos administrativos, consistente em examinar a adequação dos procedimentos fiscais com as normas legais vigentes, zelando, assim, pelo seu fiel cumprimento. Com efeito, a apreciação de assuntos desse tipo achase reservada ao Poder Judiciário, pelo que qualquer discussão quanto aos aspectos da inconstitucionalidade e/ou invalidade das normas jurídicas deve ser submetida ao crivo desse Poder. O Órgão Administrativo não é o foro apropriado para discussões dessa natureza. Os mecanismos de controle da constitucionalidade, regulados pela própria Constituição Federal, passam, necessariamente, pelo Poder Judiciário que detém, com exclusividade, essa prerrogativa. Noutro giro, não se pode olvidar que esta matéria já foi pacificada no âmbito do CARF, com a aprovação do enunciado de súmula CARF nº 02: Súmula CARF nº 2 O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Na linha do entendimento exposto, nego provimento ao recurso quanto à possibilidade de afastar o art. 61 da Lei nº 9430/96, sob o fundamento de inconstitucionalidade. Taxa SELIC. Multa de Mora O recorrente alega que a correção do crédito tributário pela taxa SELIC é ilegal. Essa matéria já foi pacificada com a aprovação do enunciado de Súmula CARF nº 04, publicada no DOU de 22/12/2009: Fl. 116DF CARF MF Processo nº 11020.912614/201266 Acórdão n.º 3302006.795 S3C3T2 Fl. 11 10 Súmula CARF nº 4 A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. Com base no enunciado de Súmula CARF nº 4, nego provimento a esse capítulo recursal. Por todo exposto, voto em rejeitar as preliminares arguidas e, no mérito, em negar provimento ao recurso voluntário." Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado decidiu por negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Fl. 117DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 12466.003180/2008-59
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Dec 11 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Fri Dec 19 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Classificação de Mercadorias
Período de apuração: 29/07/2008 a 08/08/2008
CARTUCHOS DE TONER DE MÁQUINA MULTIFUNCIONAL. CLASSIFICAÇÃO FISCAL.
Por aplicação da RGI/SH 3-C, combinada com a RGI/SH 6 e a RGC-1, os cartuchos de toner de máquina multifuncional devem ser classificados no código 8443.99.39.
MULTA POR CLASSIFICAÇÃO FISCAL INCORRETA NA NCM. Mantida a reclassificação fiscal efetuada, é cabível a multa de 1% sobre o valor aduaneiro decorrente da incorreição na classificação fiscal na NCM adotada pela contribuinte na DI.
MULTA DE OFÍCIO. O não cumprimento da legislação fiscal sujeita o infrator à multa de ofício no percentual de 75% do valor do imposto lançado de ofício, nos termos da legislação tributária específica.
JUROS DE MORA - Os juros de mora decorrem de lei e, por terem natureza compensatória, são devidos em relação ao crédito não integralmente pago no vencimento, seja qual for o motivo determinante da falta de recolhimento no prazo legal.
Recurso voluntário negado
Numero da decisão: 3202-001.431
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, negar provimento ao recurso voluntário. Vencidos os conselheiros Thiago Moura de Albuquerque Alves e Tatiana Midori Migiyama. Fez sustentação oral, pela recorrente, o advogado Sérgio Pin Jr, OAB/SP nº. 235.202
Irene Souza da Trindade Torres Oliveira Presidente
Luís Eduardo Garrossino Barbieri - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Irene Souza da Trindade Torres Oliveira, Luís Eduardo Garrossino Barbieri, Thiago Moura de Albuquerque Alves, Charles Mayer de Castro Souza e Tatiana Midori Migiyama.
Nome do relator: LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201412
camara_s : 3ª SEÇÃO
ementa_s : Assunto: Classificação de Mercadorias Período de apuração: 29/07/2008 a 08/08/2008 CARTUCHOS DE TONER DE MÁQUINA MULTIFUNCIONAL. CLASSIFICAÇÃO FISCAL. Por aplicação da RGI/SH 3-C, combinada com a RGI/SH 6 e a RGC-1, os cartuchos de toner de máquina multifuncional devem ser classificados no código 8443.99.39. MULTA POR CLASSIFICAÇÃO FISCAL INCORRETA NA NCM. Mantida a reclassificação fiscal efetuada, é cabível a multa de 1% sobre o valor aduaneiro decorrente da incorreição na classificação fiscal na NCM adotada pela contribuinte na DI. MULTA DE OFÍCIO. O não cumprimento da legislação fiscal sujeita o infrator à multa de ofício no percentual de 75% do valor do imposto lançado de ofício, nos termos da legislação tributária específica. JUROS DE MORA - Os juros de mora decorrem de lei e, por terem natureza compensatória, são devidos em relação ao crédito não integralmente pago no vencimento, seja qual for o motivo determinante da falta de recolhimento no prazo legal. Recurso voluntário negado
turma_s : 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
dt_publicacao_tdt : Fri Dec 19 00:00:00 UTC 2014
numero_processo_s : 12466.003180/2008-59
anomes_publicacao_s : 201412
conteudo_id_s : 6004625
dt_registro_atualizacao_tdt : Fri May 10 00:00:00 UTC 2019
numero_decisao_s : 3202-001.431
nome_arquivo_s : Decisao_12466003180200859.PDF
ano_publicacao_s : 2014
nome_relator_s : LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI
nome_arquivo_pdf_s : 12466003180200859_6004625.pdf
secao_s : Câmara Superior de Recursos Fiscais
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, negar provimento ao recurso voluntário. Vencidos os conselheiros Thiago Moura de Albuquerque Alves e Tatiana Midori Migiyama. Fez sustentação oral, pela recorrente, o advogado Sérgio Pin Jr, OAB/SP nº. 235.202 Irene Souza da Trindade Torres Oliveira Presidente Luís Eduardo Garrossino Barbieri - Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Irene Souza da Trindade Torres Oliveira, Luís Eduardo Garrossino Barbieri, Thiago Moura de Albuquerque Alves, Charles Mayer de Castro Souza e Tatiana Midori Migiyama.
dt_sessao_tdt : Thu Dec 11 00:00:00 UTC 2014
id : 7735164
ano_sessao_s : 2014
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:44:00 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713051907536191488
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 10; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2142; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C2T2 Fl. 497 1 496 S3C2T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 12466.003180/200859 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3202001.431 – 2ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 11 de dezembro de 2014 Matéria II. CLASSIFICAÇÃO FISCAL Recorrente CISA TRADING S/A Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CLASSIFICAÇÃO DE MERCADORIAS Período de apuração: 29/07/2008 a 08/08/2008 CARTUCHOS DE TONER DE MÁQUINA MULTIFUNCIONAL. CLASSIFICAÇÃO FISCAL. Por aplicação da RGI/SH 3C, combinada com a RGI/SH 6 e a RGC1, os cartuchos de toner de máquina multifuncional devem ser classificados no código 8443.99.39. MULTA POR CLASSIFICAÇÃO FISCAL INCORRETA NA NCM. Mantida a reclassificação fiscal efetuada, é cabível a multa de 1% sobre o valor aduaneiro decorrente da incorreição na classificação fiscal na NCM adotada pela contribuinte na DI. MULTA DE OFÍCIO. O não cumprimento da legislação fiscal sujeita o infrator à multa de ofício no percentual de 75% do valor do imposto lançado de ofício, nos termos da legislação tributária específica. JUROS DE MORA Os juros de mora decorrem de lei e, por terem natureza compensatória, são devidos em relação ao crédito não integralmente pago no vencimento, seja qual for o motivo determinante da falta de recolhimento no prazo legal. Recurso voluntário negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, negar provimento ao recurso voluntário. Vencidos os conselheiros Thiago Moura de Albuquerque Alves e Tatiana Midori Migiyama. Fez sustentação oral, pela recorrente, o advogado Sérgio Pin Jr, OAB/SP nº. 235.202 AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 12 46 6. 00 31 80 /2 00 8- 59 Fl. 497DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2014 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente e m 18/12/2014 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente em 18/12/2014 por IRENE SOU ZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA 2 Irene Souza da Trindade Torres Oliveira – Presidente Luís Eduardo Garrossino Barbieri Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Irene Souza da Trindade Torres Oliveira, Luís Eduardo Garrossino Barbieri, Thiago Moura de Albuquerque Alves, Charles Mayer de Castro Souza e Tatiana Midori Migiyama. Relatório O presente litígio decorre de lançamentos de ofício, veiculados através de autos de infração, do Imposto de Importação, do IPI, do PIS e da Cofins, acrescidos da multa de ofício de 75% pela falta de pagamento do tributo (art. 44, I, da Lei nº 9.430/96 com a redação dada pelo art. 14 da Lei nº 11.488/2007) e também da multa regulamentar de 1% sobre o valor da mercadoria classificada incorretamente na NCM (art. 84, inciso I, da Medida Provisória n° 215835/01 combinado com o art. 69 e art. 81, inc. IV, da Lei n ° 10.833/03), em decorrência de classificação incorreta de mercadorias, detectada em ato de conferência aduaneira, mais especificamente na importação de “cartuchos de toner”, classificados pelo importador no código NCM/SH 8443.99.29; de “cartuchos de tinta”, classificados no código NCM/SH 8443.9927; e “cabeças de impressão”, classificados no código NCM/SH 8443.9925. Segundo entendeu a fiscalização, os citados cartuchos são partes de máquinas multifuncionais do código NCM/SH 8443.31.00, devendo ser classificados no código NCM/SH 8443.99.39. Com o intuito de elucidar os fatos e destacar os argumentos trazidos pelas partes transcrevese o Relatório constante da decisão de primeira instância administrativa, verbis: Por bem descrever os fatos, adoto o relatório da decisão recorrida, o qual passo a transcrever: Versa o presente processo sobre os Autos de Infração lavrados (fls. 04/41) para a exigência do crédito tributário relativo às diferenças de recolhimento do Imposto de Importação – II (R$ 182.273,15); Imposto sobre Produtos Industrializados – IPI Importação (R$ 251.141,57); PIS/PASEP – Importação (R$ 1.074,41) e COFINS – Importação (R$ 4.949,58), acrescidos da multa de ofício; bem como à multa por classificação incorreta da mercadoria na Nomenclatura Comum do Mercosul, no valor de R$ 15.554,69, prevista art. 84, inciso I, da Medida Provisória nº 2.15835, de 27 de agosto de 2001. Os auditores responsáveis pelo desembaraço das mercadorias, em atos de exame e conferência física, constataram que os itens das adições de 05 Declarações de Importações (DI, relacionadas nos autos de infração, são partes e acessórios de impressoras, compatíveis com equipamentos multifuncionais, classificáveis na Nomenclatura Comum do Mercosul no código 8443.99.39, da TEC, aprovada pela Res. Camex n° 43/2006, sendo que o importador os classificou nos códigos NCM 8443.99.29 (cartucho de toner), NCM 8443.9927 (cartuchos de tinta) e NCM 8443.9925 (cabeça de impressão). Informa que as máquinas multifuncionais (NCM 8443.31.00) tem a seguinte definição: "Máquinas que executem pelo menos duas das seguintes funções: Fl. 498DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2014 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente e m 18/12/2014 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente em 18/12/2014 por IRENE SOU ZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA Processo nº 12466.003180/200859 Acórdão n.º 3202001.431 S3C2T2 Fl. 498 3 impressão, cópia ou transmissão de telecópia (FAX), capazes de ser conectadas a uma máquina automática, para processamento de dados ou a uma rede". Explica que, entretanto, os acessórios para as máquinas multifuncionais não tinham classificação específica até aquele momento. Diante deste fato, a solução foi adotar a regra 3 c) do Sistema Harmonizado. Ademais, de acordo com a solução de consulta SRRF 9ª. RF/DIANA n° 126/07, o cartucho de toner utilizado em máquinas capazes de efetuar múltiplas funções, impressão, cópia e facsímile, é classificado no item 8443.99.3 e, como não existe um subitem apropriado para sua inclusão, o código NCM/TEC a ser utilizado é o 8443.99.39. Regularmente cientificada (fls. 05, 17, 27 e 35) a interessada apresentou impugnação tempestiva, às fls. 390/401, na qual, em síntese: Alega, preliminarmente, nulidade do lançamento, por preterição do seu direito de defesa, porque não há nos autos qualquer prova, ou suporte técnico, que venha a confirmar o entendimento de que as mercadorias sejam "partes e acessórios de copiadora". Defende que a Regra 3.c. não é aplicável ao caso, uma vez que as classificações dos "cartuchos de toner e de tinta", se fazem em obediência direta às das RGI 1° e 6° c.c. RGC 1°, por se tratar de mercadoria compreendida no texto da posição 8443, no código tarifário reservado às partes e acessórios de mercadorias, cuja função principal é imprimir (NCM 8443.99.29), e, respectivamente, no código 8443.99.27, onde as mercadorias encontram nominalmente citadas. Igualmente ocorre com as cabeças de impressão, a jato de tinta, com depósito de tinta incorporado utilizados nas impressoras HP, que tem a função de imprimir e deve ser enquadrada na NCM 8443.99.25, onde as mesmas se encontram nominalmente citadas. Pretende a produção de provas, notadamente pericial, formulando quesitos e indicando assistente técnico. Alega que não cabe a classificação das partes e acessórios, com função de imprimir, tomando emprestada a discutível interpretação que norteou a classificação dos equipamentos multifuncionais. Aduz que a Solução de Consulta, mencionada no Auto de Infração é equivocada e reclama reparos. Ademais, referese a mercadorias de fabricação Sharp e que possuem características distintas daquelas que foram objeto do Auto de Infração. Por outro lado, tem conhecimento das Soluções de Consulta nº 49/2008 e 50/2008, da7° R.F., versando sobre a classificação das mesmas mercadorias, objeto da presente discussão, e adotando, no mérito, as mesmas NCM declaradas nos despachos aduaneiros. O mesmo acontecendo com a Solução de Consulta n° 47/2008. Requer o acatamento da preliminar de nulidade, ou, alternativamente, requer a improcedência do presente Auto de Infração. A 2ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Florianópolis julgou improcedente a impugnação. Confirase a ementa do julgado: Fl. 499DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2014 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente e m 18/12/2014 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente em 18/12/2014 por IRENE SOU ZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA 4 ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 29/07/2008 a 08/08/2008 DEVIDO PROCESSO LEGAL. OBSERVÂNCIA. Descritos os fatos que fundamentam o lançamento, juridicamente qualificados no ordenamento legal, e respeitados os princípios do contraditório e da ampla defesa, não há que se falar em ofensa ao princípio do devido processo legal. ASSUNTO: CLASSIFICAÇÃO DE MERCADORIAS Período de apuração: 29/07/2008 a 08/08/2008 PARTES E ACESSÓRIOS PARA MÁQUINAS MULTIFUNCIONAIS. Os cartuchos de toner compatíveis para uso em máquinas multifuncionais classificamse no código NCM 8443.99.39 da TEC, aprovada pela Resolução Camex 43/2006, em virtude do disposto na alínea “c” da 3ª Regra Geral para Interpretação do Sistema Harmonizado combinado com o preceito contido na Regra Geral Complementar nº 1. Impugnação Improcedente. Crédito Tributário Mantido. Cientificada da decisão de primeira instância, a contribuinte apresentou recurso voluntário perante este Colegiado onde repisa os argumentos já trazidos na impugnação, além de citar julgados proferidos pelo CARF sobre a matéria. Ao final, requereu a reforma da decisão recorrida, com a anulação das cobranças dos tributos e das multas aplicadas. O processo foi distribuído a este Conselheiro Relator, na forma regimental. É o Relatório. Voto Conselheiro Luís Eduardo Garrossino Barbieri – Relator O Recurso Voluntário é tempestivo e atende os requisitos de admissibilidade devendo, portanto, ser conhecido. O cerne do presente litígio referese à correta classificação fiscal a ser atribuída aos produtos importados descritos como “cartuchos de toner de diversos modelos”. O importador classificou os produtos no código NCM/SH 8443.99.29, por entender que esta posição é mais específica do que aquela indicada pela fiscalização, devendo ser aplicada a RGI/SH 3B (Regra Geral de Interpretação do Sistema Harmonizado), subsidiária da RGI/SH 3A. Isto porque conforme os dizeres da regra 3B das RGISH, uma mercadoria deve ser classificada na posição NCM que lhe confira a característica essencial, quando for possível realizar esta determinação em produtos que estejam misturados ou em obras compostas por matérias diferentes. A fiscalização, por sua vez, afirma que os citados cartuchos devem ser classificados no código NCM/SH 8443.99.39, em função do que dispõe a RGI/SH 3C. Isto porque, no seu entender, como a NCM não previu um código específico para partes de máquinas multifuncionais, possuindo somente desdobramentos para partes de telecopiadores Fl. 500DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2014 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente e m 18/12/2014 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente em 18/12/2014 por IRENE SOU ZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA Processo nº 12466.003180/200859 Acórdão n.º 3202001.431 S3C2T2 Fl. 499 5 (8443.99.1), de impressoras ou tragadores gráficos (8443.99.3) e de máquinas copiadoras (8443.99.3), devese enquadrar as mercadorias em questão em algum dos itens acima. Tal enquadramento deve ser feito pela utilização da Regra Geral para Interpretação do Sistema Harmonizado 3, alínea c, uma vez que, conforme já foi discutido em processos de solução de consulta anteriores à modificação ocorrida na TEC em 2006, que criou posição específica para as máquinas multifuncionais (8443.31.00), não possível determinar se a função essencial de tais equipamentos é a impressão ou a realização de cópias, não se aplicando, nesse caso, as Regras Gerais de Interpretação do Sistema Harmonizado 3a e 3b. As posições indicadas pelas partes estão dispostas na TEC conforme abaixo: 8443 Máquinas e aparelhos de impressão por meio de blocos, cilindros e outros elementos de impressão da posição 84.42; outras impressoras, máquinas copiadoras e telecopiadoras (fax), mesmo combinados entre si; partes e acessórios. 8443.9 Partes e acessórios 8443.99 Outros 8443.99.2 – De impressoras ou traçadores gráficos (“plotters”) 8443.99.29 Outros 8443.99.3 De máquinas copiadoras 8443.99.39 Outros Pois bem. Essa matéria não é nova nesta Turma. Já foi apreciada em dois julgados proferidos recentemente: o primeiro, de relatoria do ilustre Conselheiro Gilberto de Castro Moreira Junior (Acórdão nº 3202000.551, sessão de 21/08/2012) e o segundo, de relatoria da nobre Presidente e Conselheira Irene Souza da Trindade Torres Oliveira (Acórdão nº 3202000.774, sessão de 25/06/2013). Nesse último julgado, inclusive, a Recorrente também era a empresa Cisa Trading S/A. Deste modo, por concordar inteiramente com o voto proferido no Acórdão nº 3202000.774, onde há identidade de matéria e de partes com o processo em análise, e também por economia processual, adoto neste voto os mesmos fundamentos e razões de decidir proferidos naquele julgado, o qual se transcreve parcialmente a seguir: Tratase de Autos de Infração lavrados contra a empresa CISA TRADING S/A, para exigência da diferença que deixou de ser recolhida relativa ao Imposto de Importação, Imposto sobre Produtos Industrializados, Cofins e Contribuição para o PIS/Pasep, bem como de multa de oficio e multa regulamentar por classificação incorreta na NCM, no valor total de R$ 311.058,53, decorrente de reclassificação fiscal procedida pelo Fisco de mercadorias identificadas como cartuchos de toner para impressoras multifuncionais, conforme descritas nas adições 001 e 002 das DI nº. 08/14983736 e 08/14983744 (efls. 58/59 e 75/76, respectivamente). Alegando tratarse da aplicação das RGI/SH 3a e 3b, pretende a contribuinte a classificação no código 8443.99.29 – Outras partes e acessórios de impressoras ou traçadores gráficos; já o Fisco, por aplicação da RGI/SH 3c, pretende a classificação na posição 8443.99.39 – Outras partes e acessórios de máquinas copiadoras. Notase, portanto, que a diferença de classificação reside apenas quanto ao item e subitem da posição. Fl. 501DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2014 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente e m 18/12/2014 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente em 18/12/2014 por IRENE SOU ZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA 6 Os textos das classificações pretendidas são os seguintes 8443. Máquinas e aparelhos de impressão por meio de blocos, cilindros e outros elementos de impressão da posição 84.42; outras impressoras, máquinas copiadoras e telecopiadores (fax), mesmo combinados entre si; partes e acessórios 8443.9 – Partes e Acessórios 8443.99 – Outros 8443.99.10 – De telecopiadores (fax) 8443.99.20 – De impressoras ou traçadores gráficos (“plotters”) 8443.99.30 – De máquinas copiadoras Logo de pronto, verificase que a classificação da mercadoria em questão não se mostra possível pela aplicação da RGI 1, vez que não há na TEC texto de posição que descreva os cartuchos de toner para máquinas multifuncionais. Também não se mostra cabível a aplicação da Regra 2a ou 2b, vez que não se trata de produto incompleto ou inacabado, nem desmontado ou por montar, tampouco de matéria em estado puro, misturada ou associada a outras matérias. Necessário, portanto, conhecerse o teor das Regras Gerais de Interpretação do Sistema Harmonizado nº 3: 3. Quando parecer que a mercadoria pode classificarse em duas ou mais Posições por aplicação da Regra 2b ou por qualquer outra razão, a classificação deve efetuarse da forma seguinte: a) A Posição mais específica prevalece sobre as mais genéricas. Todavia, quando duas ou mais Posições se refiram, cada uma delas, a apenas uma parte das matérias constitutivas de um produto misturado ou de um artigo composto, ou a apenas um dos componentes de sortidos acondicionados para venda a retalho, tais Posições devem considerarse, em relação a esses produtos ou artigos, como igualmente específicas, ainda que uma delas apresente uma descrição mais precisa ou completa da mercadoria. b) Os produtos misturados, as obras compostas de matérias diferentes ou constituídas pela reunião de artigos diferentes e as mercadorias apresentadas em sortidos acondicionados para venda a retalho, cuja classificação não se possa efetuar pela aplicação da Regra 3a, classificamse pela matéria ou artigo que lhes confira a característica essencial, quando for possível realizar esta determinação. c) Nos casos em que as Regras 3a e 3b não permitam efetuar a classificação, a mercadoria classificase na Posição situada em último lugar na ordem numérica, entre as suscetíveis de validamente se tomarem em consideração. A Regra 3a é clara: devese classificar a mercadoria na posição (no caso, item) mais específica. Esclarece a NESH que posição mais específica é aquela que identifica a mercadoria mais claramente, com descrição mais precisa e completa. Acontece que o item referente a partes e acessórios de impressora é tão específico quanto os itens referentes a partes e acessórios de telecopiadoras e de copiadoras, não trazendo nenhum deles qualquer descrição mais precisa ou completa da mercadoria em relação aos outros, uma vez que esta se trata de cartucho de toner que pode ser utilizado, indistintamente, em qualquer uma das funções, seja ela Fl. 502DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2014 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente e m 18/12/2014 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente em 18/12/2014 por IRENE SOU ZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA Processo nº 12466.003180/200859 Acórdão n.º 3202001.431 S3C2T2 Fl. 500 7 impressão, cópia ou telecópia. Não se mostra possível, portanto, a aplicação da regra 3a. Por sua vez, a regra 3b determina a classificação pela matéria ou artigo que configure à mercadoria sua característica essencial, porém é aplicável somente nos casos de i. produtos misturados; ii. obras compostas de matérias diferentes; iii. obras constituídas pela reunião de artigos diferentes; e iv. mercadorias apresentadas em sortidos acondicionados para venda a retalho. A mercadoria em questão não se trata de nenhum dos 4 casos em que a regra pode ser aplicada, conforme destacou a Solução de Consulta SRRF 9ª RF/DIANA nº. 126/07 (fls. 43/48), a saber: “As máquinas multifuncionais, obviamente, não são produtos misturado e não podem ser classificadas com base no critério da matéria constitutiva (plástiCo, metal ou outra). Tampouco, a situação é de uma mercadoria vendida como um "sortido". Assim, excluemse as hipóteses listadas nas letras "a", "b" e "d" acima. 19. Com relação à situação "c", apesar de sua versatilidade, ela não é obtida pela reunião (ou acoplamento, agrupamento) de artigos diferentes, vez que muitos dos seus elementos, tais como cilindro de impressão, gavetas de papel, circuitos integrados e muitos outros são comuns à realização de diferentes funções. Em outras palavras, ela não é uma "obra composta pela reunião de artigos diferentes", tal como mencionada pela Regra, como seria o caso, por exemplo, de uma caneta relógio, que combina, num único corpo; dois artigos distintos, cada qual com sua própria função e identidade. Descartase, pois, a utilização da RGI 3 b).” Resta apenas, portanto, a aplicação da regra 3c, a qual determina que, dentre as posições suscetíveis de validamente se tomarem em consideração, a classificação devese dar na posição situada em último lugar na ordem numérica, qual seja, a posição 8443.99.30 – Outras partes e acessórios de máquinas copiadoras. É preciso ter em mente que a noção leiga que se tem do equipamento a que se destinam os cartuchos de toner não corresponde àquela que se deve ter para fins de classificação da mercadoria. Corriqueiramente, chamamos o equipamento de “impressora multifuncional”, identificandoo, assim, como se impressora fosse, e dando à função impressão uma preponderância que, para fins merceológicos, não existe. Tanto assim o é que, ao ter sido criado um código específico para o equipamento multifuncional (8443.31.00), este não foi aposto como um tipo de impressora, mas como uma máquina resultante da combinação entre si de impressora, aparelho de copiar e aparelho de telecopiar. Vejase: 84.43 Máquinas e aparelhos de impressão por meio de blocos, cilindros e outros elementos de impressão da posição 84.42; outras impressoras, máquinas copiadoras e telecopiadores (fax), mesmo combinados entre si; partes e acessórios. 8443.3 Outras impressoras, aparelhos de copiar e aparelhos de telecopiar (fax), mesmo combinados entre si. 8443.31 Máquinas que executem pelo menos duas das seguintes funções: impressão, cópia ou transmissão de telecópia (fax), capazes de ser conectadas a uma máquina automática para processamento de dados ou a uma rede Fl. 503DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2014 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente e m 18/12/2014 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente em 18/12/2014 por IRENE SOU ZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA 8 Notase claramente, portanto, que, para fins de classificação de uma “impressora multifuncional”, não foi dada à função de impressão prevalência sobre as demais funções de cópia e telecópia (fax), não se podendo denominar a máquina multifuncional de “impressora multifuncional”, como em linguagem leiga assim se faz. Não havendo essa preponderância da função impressão quando da classificação do equipamento a que se destinam, pareceme óbvio inexistir também essa preponderância em relação aos cartuchos de toner que se destinam a esse mesmo equipamento. Os acessórios de máquinas que executam múltiplas funções, tal como a máquina a que se destinam, são, sim, classificados por sua função principal, porém quando a eles se pode atribuir uma função principal, o que não se aplica ao caso. No que diz respeito à aplicação das multas e dos juros, requer a contribuinte a sua exclusão, vez que, segundo alega, agiu conforme prática reiterada da Administração. Primeiramente, é de se salientar que não existe a alegada prática reiterada da Administração, tendo em vista, até mesmo, a existência de solução de consulta orientando a classificação da mercadoria no código pretendido pelo Fisco. Muito embora a consulta não seja dirigida à ora recorrente, verificase dali a inexistência de tal prática reiterada pelo órgão competente para dirimir dúvidas acerca de classificação fiscal. De outro giro, não se pode olvidar que o lançamento tributário é atividade administrativa plenamente vinculada e obrigatória, o que restringe o proceder da autoridade fiscal aos estreitos termos da lei. Os critérios para aplicação dos acréscimos legais são objetivos e não fica ao alvedrio dos agentes do Fisco estipular os encargos legais a serem exigidos do sujeito passivo, pois a própria lei já os especifica. No que se refere à multa de ofício, temse que o não recolhimento dos tributos caracteriza uma infração à ordem jurídica e a inobservância da norma jurídica importa em sanção, aplicável coercitivamente, visando evitar ou reparar o dano que lhe é conseqüente. Cabível, portanto, a aplicação da multa de ofício de 75%, por constituirse na plena aplicação da legislação em vigor, nos estritos limites da lei, mais especificamente da Lei nº. 9.430/96, art. 474, I. O mesmo se pode dizer da multa de 1% por classificação errônea na NCM, estabelecida no art. 84, inciso I, da Medida Provisória n° 215835/01, combinado com o art. 69 e art. 81, inc. IV, da Lei n ° 10.833/03. No tocante aos juros moratórios, sua exigência também é pertinente, vez que, ao teor do artigo 161 do CTN, o crédito não integralmente pago no vencimento (no caso, a data do registro da DI) deve ser acrescido de juros de mora, seja qual for o motivo determinante da falta, calculados na forma do §3º do art. 61 da Lei nº. 9.430/1996. Como já destacado no irretocável voto acima transcrito, a RGI/SH 3A pode ser aplicável apenas quando uma posição mais específica prevalece sobre as mais genéricas. O termo “genérico” utilizado pela regra, a meu ver, deve ser entendido como uma classe envolvendo diversas espécies, um conjunto de espécies. Pois bem. No caso em tela, dentre os códigos suscetíveis de serem utilizados (8443.99.20 – partes e acessórios de impressoras ou traçadores gráficos; 8443.99.30 – partes e acessórios de máquinas copiadoras) nenhum é “genérico”. Ambos são específicos e determinados: o primeiro referese às partes/acessórios de impressoras e o segundo, às partes/acessórios de copiadoras. Portanto, como dispõe a parte Fl. 504DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2014 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente e m 18/12/2014 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente em 18/12/2014 por IRENE SOU ZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA Processo nº 12466.003180/200859 Acórdão n.º 3202001.431 S3C2T2 Fl. 501 9 final da própria RGI/SH 3A, quando duas ou mais posições se refiram, cada uma delas, a apenas uma das partes do produto composto, tais posições devem considerarse como igualmente específicas. Por outro lado, a RGI/SH 3B é destinada aos “produtos misturados, as obras compostas de matérias diferentes ou constituídas pela reunião de artigos diferentes e as mercadorias apresentadas em sortidos acondicionados para venda a retalho”. Observese que a regra utiliza como fator determinante a composição das matérias/ingredientes que compõem os produtos mesclados, compostos ou sortidos. A máquina multifuncional não é um “produto misturado”, não é uma “obra composta por matérias diferente” ou uma “obra constituída pela reunião de artigos diferente”, nem muito menos uma “mercadoria sortida”! Por isso a máquina multifuncional não deve ser classificada considerandose o critério de sua matéria constitutiva (plástico, metal, etc...). Devese utilizar o critério do uso ou função da mercadoria. A máquina multifuncional, como o próprio nome indica, tem múltiplas funções. Destarte, inaplicável a regra 3B ao caso em tela. Resta, portanto, a aplicação da RGI/SH 3C, uma vez que as Regras 3A e 3B não permitiram efetuar a classificação, de modo que a mercadoria deve ser classificada na posição situada em último lugar na ordem numérica, dentre as suscetíveis de serem adotadas (8443.99.20 ou 8443.99.30). Importante observar que o critério decisivo e fundamental para a correta classificação, em geral, deve ser buscado nas características e propriedades objetivas da própria mercadoria, tal como definidas nos textos das posições/subposições e nas notas de Seção e de Capítulo (RGI/SH 1 e 6) e, mutatis mutandis, dentro de cada posição e subposição, o item e subitem aplicável (RGC1), e não em elementos subjetivos. Isto implica dizer que não se deve considerar, no caso em tela, a denominação “popular” ou “comercial” atribuída à máquina multifuncional, ou mesmo ao uso mais “comum” dado ao produto, por tratarem se de elementos subjetivos e não determinantes para fins da ciência da merceologia. No caso em concreto, o litígio deve ser resolvido com base em normas jurídicas consubstanciadas nas RGI/SH, as quais revelam que os “cartuchos de toner” devem ser classificados no código NCM/SH 8443.99.39, em função do que dispõe a RGI/SH 3C. Ante o exposto, voto por negar provimento ao Recurso Voluntário. É como voto. Luís Eduardo Garrossino Barbieri Fl. 505DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2014 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente e m 18/12/2014 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente em 18/12/2014 por IRENE SOU ZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA 10 Fl. 506DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2014 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente e m 18/12/2014 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente em 18/12/2014 por IRENE SOU ZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA
score : 1.0
Numero do processo: 13161.720250/2008-24
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu May 09 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Tue May 21 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural - ITR
Exercício: 2004
ITR. VTN. COMPROVAÇÃO. NECESSIDADE.
A revisão do VTN pela autoridade administrativa está condicionada à apresentação de laudo conforme a NBR 14.653/2004 e/ou outros documentos hábeis e idôneos para tanto.. No caso dos autos o contribuinte não apresentou laudo técnico que possibilitasse a revisão do valor da terra nua arbitrado com base no SIPT.
Numero da decisão: 2401-006.557
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Miriam Denise Xavier - Presidente
(assinado digitalmente)
Rayd Santana Ferreira - Relator
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Cleberson Alex Friess, Matheus Soares Leite, Jose Luis Hentsch Benjamin Pinheiro, Rayd Santana Ferreira, Marialva de Castro Calabrich Schlucking, Andrea Viana Arrais Egypto, Luciana Matos Pereira Barbosa e Miriam Denise Xavier.
Nome do relator: RAYD SANTANA FERREIRA
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201905
camara_s : Quarta Câmara
ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural - ITR Exercício: 2004 ITR. VTN. COMPROVAÇÃO. NECESSIDADE. A revisão do VTN pela autoridade administrativa está condicionada à apresentação de laudo conforme a NBR 14.653/2004 e/ou outros documentos hábeis e idôneos para tanto.. No caso dos autos o contribuinte não apresentou laudo técnico que possibilitasse a revisão do valor da terra nua arbitrado com base no SIPT.
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
dt_publicacao_tdt : Tue May 21 00:00:00 UTC 2019
numero_processo_s : 13161.720250/2008-24
anomes_publicacao_s : 201905
conteudo_id_s : 6009117
dt_registro_atualizacao_tdt : Tue May 21 00:00:00 UTC 2019
numero_decisao_s : 2401-006.557
nome_arquivo_s : Decisao_13161720250200824.PDF
ano_publicacao_s : 2019
nome_relator_s : RAYD SANTANA FERREIRA
nome_arquivo_pdf_s : 13161720250200824_6009117.pdf
secao_s : Segunda Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Miriam Denise Xavier - Presidente (assinado digitalmente) Rayd Santana Ferreira - Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: Cleberson Alex Friess, Matheus Soares Leite, Jose Luis Hentsch Benjamin Pinheiro, Rayd Santana Ferreira, Marialva de Castro Calabrich Schlucking, Andrea Viana Arrais Egypto, Luciana Matos Pereira Barbosa e Miriam Denise Xavier.
dt_sessao_tdt : Thu May 09 00:00:00 UTC 2019
id : 7748562
ano_sessao_s : 2019
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:45:06 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713051907541434368
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 5; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1130; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C4T1 Fl. 2 1 1 S2C4T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 13161.720250/200824 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2401006.557 – 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 09 de maio de 2019 Matéria ITR Recorrente NOVA JATOBA AGROPASTORIL LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL ITR Exercício: 2004 ITR. VTN. COMPROVAÇÃO. NECESSIDADE. A revisão do VTN pela autoridade administrativa está condicionada à apresentação de laudo conforme a NBR 14.653/2004 e/ou outros documentos hábeis e idôneos para tanto.. No caso dos autos o contribuinte não apresentou laudo técnico que possibilitasse a revisão do valor da terra nua arbitrado com base no SIPT. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Miriam Denise Xavier Presidente (assinado digitalmente) Rayd Santana Ferreira Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 16 1. 72 02 50 /2 00 8- 24 Fl. 129DF CARF MF Processo nº 13161.720250/200824 Acórdão n.º 2401006.557 S2C4T1 Fl. 3 2 Participaram do presente julgamento os conselheiros: Cleberson Alex Friess, Matheus Soares Leite, Jose Luis Hentsch Benjamin Pinheiro, Rayd Santana Ferreira, Marialva de Castro Calabrich Schlucking, Andrea Viana Arrais Egypto, Luciana Matos Pereira Barbosa e Miriam Denise Xavier. Relatório NOVA JATOBA AGROPASTORIL LTDA, contribuinte, pessoa jurídica de direito privado, já qualificada nos autos do processo em referência, recorre a este Conselho da decisão da 1a Turma da DRJ em Campo Grande/MS, Acórdão nº 0426.223/2011, às efls. 95/101, que julgou procedente o lançamento fiscal, referente ao Imposto sobre a Propriedade Rural ITR, em relação ao exercício 2004, conforme Notificação de Lançamento, às fls. 14/18, e demais documentos que instruem o processo. Tratase de Notificação de Lançamento, lavrada em 13/11/2008 (AR. fl. 89), nos moldes da legislação de regência, contra a contribuinte acima identificada, constituindose crédito tributário no valor consignado na folha de rosto da autuação, decorrente do seguinte fato gerador: Valor da Terra Nua declarado não comprovado Descrição dos Fatos: Após regularmente intimado, o sujeito passivo não comprovou por meio de Laudo de Avaliação do imóvel, conforme estabelecido na NBR 14.6533 da ABNT, o valor da terra nua declarado. No Documento de Informação e Apuração do ITR (DIAT), o valor da terra nua foi arbitrado, tendo como base as informações do Sistema de Preços de Terra SIPT da RFB. Os valores do DIAT encontramse no Demonstrativo de Apuração do Imposto Devido, em folha anexa. Enquadramento Legal ART 10 PAR l E INC I E ART 14 L 9393/96 Complemento da Descricao dos Fatos: (...) O declarante da DITR foi devidamente intimado e cientificado em 05/09/2008, a apresentar laudo técnico comprovante do valor declarado do valor da terra nua por hectare (VTN/ha), no valor de R$ 52,96, ou informação de novo valor para o VTN/ha, no prazo de vinte dias. Fl. 130DF CARF MF Processo nº 13161.720250/200824 Acórdão n.º 2401006.557 S2C4T1 Fl. 4 3 Entretanto, o contribuinte não apresentou nenhuma documentação, esclarecimento ou pedido de prorrogação de prazo. (...) Diante dos fatos apurados, resta calcular o valor da terra nua conforme Lei n° 9.393/1996, art. 14: no caso de subavaliaçäo, a Secretaria da Receita Federal do Brasil procederá a determinação e ao lançamento de oficio do imposto, considerando informações sobre preços de terras constantes de sistema por ela instituído, e os dados de área total, área tributável e grau de utilização do imóvel, apurados em procedimentos de fiscalização. Também, de acordo com § 1° do mesmo artigo, as informações sobre preços de terra consideraräo levantamentos realizados pelas Secretarias de Agricultura das Unidades Federados ou dos Municípios. Portanto, o VTN será calculado com base no VTN/hectare referente ao ano de exercício da DITR e do município de localização do imóvel rural, no valor de R$ 2.964,24 (Pastagem/Pecuária), R$ 1.712,00 (Campos) e RS 1.035,46 (Várzea), obtido do Sistema de Preços de Terra_ (SIPT), instituído pela Secretaria da Receita Federal do Brasil (Portaria SRF n° 447/2002), para fornecer informações relativas a valores de terra para o calculo e lancamento do ITR. Conforme tela anexada ao processo, tais valores foram informados pela Prefeitura Municipal do Município de localização do imóvel rural. Também, de acordo com valores declarados/apurados na DITR , a área total do imóvel rural pode ser dividida, para fins de atribuição do VTN/ha, da seguinte forma: Pastagem/Pecuária (7.368,1 ha), Campos (2.U85,4 ha) e Várzea (628,6 ha). (...) O contribuinte, regularmente intimado, apresentou impugnação requerendo a decretação da improcedência do feito. Por sua vez, a 1ª Turma da DRJ em Compo Grande/MS entendeu por bem julgar improcedente a impugnação, mantendo a integralidade do crédito tributário, conforme já relatado. Inconformado com a Decisão recorrida, o contribuinte apresentou Recurso Voluntário, às efls. 115/117, procurando demonstrar a total improcedência do Auto de Infração, desenvolvendo em síntese as seguintes razões. Após breve relato das fases processuais, bem como dos fatos que permeiam o lançamento, primeiramente informa que houve a aquisição de imóveis vizinhos à área em questão pela UNIÃO com valores que notadamente divergem dos valores efetuados no momento do Lançamento pela própria Receita Federa, in casu, Órgão integrante da Administração Pública, e, por conseguinte, da UNIÃO. Fl. 131DF CARF MF Processo nº 13161.720250/200824 Acórdão n.º 2401006.557 S2C4T1 Fl. 5 4 Pugna pela dilação de prazo para obtenção de documentos oficiais que encontramse em poder do Agente Estatal INSTITUTO NACIONAL DE COLONIZAÇÃO E REFORMA AGRÁRIA INCRA. Junta na oportunidade o Decreto n° 1.001/2010, o qual estabelece o VTN para o registro do imóvel. Por fim, requer o conhecimento e provimento do seu recurso, para desconsiderar a Notificação de Lançamento, tornandoo sem efeito e, no mérito, a sua absoluta improcedência. Não houve apresentação de contrarrazões. É o relatório. Voto Conselheiro Rayd Santana Ferreira Relator Presente o pressuposto de admissibilidade, por ser tempestivo, conheço do recurso e passo ao exame das alegações recursais. DO VALOR DA TERRA NUA VTN O procedimento utilizado pela fiscalização para sua apuração, com base nos valores constantes em sistema da Receita Federal, encontra amparo no art. 14 da Lei n.° 9.393/1996. A determinação para alimentação do SIPT com os valores de terras e demais dados recebidos das Secretarias de Agricultura ou entidades correlatas e com os valores de terra nua da base de declarações do lTR constou do art. 3° da Portaria n° 447 de 28/03/2002. O valor do SIPT só é utilizado quando, após intimado, o contribuinte não apresenta elementos suficientes para comprovar o valor por ele declarado, da mesma forma que o valor apurado pela fiscalização fica sujeito a revisão quando o contribuinte comprova o VTN efetivo de seu imóvel. Muito embora a recorrente tenha contestado o VTN arbitrado pela autoridade fiscal e mantido pela decisão a quo, não apresentou laudo técnico conforme a NBR 14.653 da ABNT, que possibilitasse à autoridade administrativa rever o valor lançado. Para configurar um laudo com fundamentação e grau de precisão II, como requerido pela autoridade fiscal, deve ser obedecida a norma técnica NBR 14.6533 da ABNT, que exige levantamento de elementos amostrais, com comprovação da situação de cada imóvel tomado como paradigma, tratamento estatístico, com apresentação de fórmulas e parâmetros utilizados pelo profissional, entre outros requisitos. O item 9.2.3.5, alínea “b” da citada norma prevê que, para enquadramento nos graus de fundamentação II e III, é obrigatório que o Laudo contenha, “no mínimo, cinco dados de mercado efetivamente utilizados”. Os dados de mercado coletados devem, ainda, se referir a imóveis localizados no município do imóvel avaliando, contemporâneos à data do fato gerador do ITR. Por ocasião do Recurso Voluntário, a recorrente cita o Decreto n° 1.001 de 12 de Junho de 2010 (Prefeitura de Nova Andradina) pugnando que seja adotado o VTN "médio" dos imóveis próximos ao do recorrente. Entretanto tal documento não satisfaz para Fl. 132DF CARF MF Processo nº 13161.720250/200824 Acórdão n.º 2401006.557 S2C4T1 Fl. 6 5 comprovação do VTN, muito menos expõe elemento novo de convicção que possa alterar o lançamento fiscal. Vale salientar que o VTN por hectare utilizado para o cálculo do imposto foi extraído do SIPT e referese ao menor valor por aptidão agrícola previsto para o município de localização do imóvel para o exercício de 2004 conforme fl. 10. Em relação ao pedido de dilação de prazo para juntada de provas, a contribuinte até o momento não o fez. Quanto às demais alegações da contribuinte, não merece aqui tecer maiores considerações, uma vez não serem capazes de ensejar a reforma da decisão recorrida, especialmente quando desprovidos de qualquer amparo legal ou fático, bem como já devidamente rechaçadas pelo julgador de primeira instância, especialmente no que diz respeito ao pacto federativo. Por todo o exposto, estando a Notificação de Lançamento sub examine em consonância com as normas legais que regulamentam a matéria, VOTO NO SENTIDO DE CONHECER DO RECURSO VOLUNTÁRIO e, no mérito, NEGARLHE PROVIMENTO, pelas razões de fato e de direito acima esposadas. É como voto. (assinado digitalmente) Rayd Santana Ferreira Fl. 133DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13888.910754/2012-25
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Apr 23 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Mon Jun 03 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Data do fato gerador: 25/11/2010
COMPENSAÇÃO. PROVA SUFICIENTE DA EXISTÊNCIA DO CRÉDITO. DOCUMENTOS CONTÁBEIS E FISCAIS. HOMOLOGAÇÃO.
Deve ser homologada a compensação em que a declarante tenha comprovado suficientemente, mediante documentos contábeis e fiscais, a existência do direito creditório pleiteado.
Numero da decisão: 3401-006.043
Decisão:
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
Rosaldo Trevisan Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Rosaldo Trevisan (Presidente), Mara Cristina Sifuentes, Tiago Guerra Machado, Lázaro Antonio Souza Soares, Rodolfo Tsuboi (Suplente convocado), Carlos Henrique de Seixas Pantarolli, Oswaldo Gonçalves de Castro Neto e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco.
Nome do relator: ROSALDO TREVISAN
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201904
camara_s : Quarta Câmara
ementa_s : Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Data do fato gerador: 25/11/2010 COMPENSAÇÃO. PROVA SUFICIENTE DA EXISTÊNCIA DO CRÉDITO. DOCUMENTOS CONTÁBEIS E FISCAIS. HOMOLOGAÇÃO. Deve ser homologada a compensação em que a declarante tenha comprovado suficientemente, mediante documentos contábeis e fiscais, a existência do direito creditório pleiteado.
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Mon Jun 03 00:00:00 UTC 2019
numero_processo_s : 13888.910754/2012-25
anomes_publicacao_s : 201906
conteudo_id_s : 6016655
dt_registro_atualizacao_tdt : Mon Jun 03 00:00:00 UTC 2019
numero_decisao_s : 3401-006.043
nome_arquivo_s : Decisao_13888910754201225.PDF
ano_publicacao_s : 2019
nome_relator_s : ROSALDO TREVISAN
nome_arquivo_pdf_s : 13888910754201225_6016655.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Rosaldo Trevisan Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Rosaldo Trevisan (Presidente), Mara Cristina Sifuentes, Tiago Guerra Machado, Lázaro Antonio Souza Soares, Rodolfo Tsuboi (Suplente convocado), Carlos Henrique de Seixas Pantarolli, Oswaldo Gonçalves de Castro Neto e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco.
dt_sessao_tdt : Tue Apr 23 00:00:00 UTC 2019
id : 7769782
ano_sessao_s : 2019
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:46:16 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713051907543531520
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 4; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1263; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C4T1 Fl. 2 1 1 S3C4T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 13888.910754/201225 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3401006.043 – 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 23 de abril de 2019 Matéria PIS/COFINS Recorrente WIPRO DO BRASIL INDUSTRIAL S.A. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Data do fato gerador: 25/11/2010 COMPENSAÇÃO. PROVA SUFICIENTE DA EXISTÊNCIA DO CRÉDITO. DOCUMENTOS CONTÁBEIS E FISCAIS. HOMOLOGAÇÃO. Deve ser homologada a compensação em que a declarante tenha comprovado suficientemente, mediante documentos contábeis e fiscais, a existência do direito creditório pleiteado. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Rosaldo Trevisan – Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Rosaldo Trevisan (Presidente), Mara Cristina Sifuentes, Tiago Guerra Machado, Lázaro Antonio Souza Soares, Rodolfo Tsuboi (Suplente convocado), Carlos Henrique de Seixas Pantarolli, Oswaldo Gonçalves de Castro Neto e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 88 8. 91 07 54 /2 01 2- 25 Fl. 216DF CARF MF Processo nº 13888.910754/201225 Acórdão n.º 3401006.043 S3C4T1 Fl. 3 2 Relatório Tratase de Despacho Decisório eletrônico que não homologou a compensação declarada no PER/DCOMP, sob o fundamento da integral vinculação do crédito indicado a outro(s) débito(s) de titularidade do contribuinte. A decisão de 1ª instância julgou o recurso improcedente ao argumento de que não havia prova exaustiva da liquidez e certeza do crédito vindicado, pois não foram juntados os registros contábeis da operação, imputando ao recorrente o ônus da prova do direito requerido. O Recurso Voluntário sustentou a possibilidade de juntada de documentos nessa fase processual, em observância ao princípio da verdade material; pugnou pela devolução dos autos à unidade de origem para revisão do despacho eletrônico, por força do Parecer Normativo Cosit nº 02/2015; e ratificou as alegações já deduzidas em primeira instância quanto ao direito pleiteado. Foram anexados à peça recursal o ADE nº 53/06 (CARTEPILLAR BRASIL LTDA, admissão no RECOF), laudo técnico contábil e extrato do livro Registro de Saídas. Considerando a documentação carreada aos autos pela Recorrente no Recurso Voluntário, este Colegiado converteu o feito em diligência para que a unidade preparadora da RFB se manifestasse acerca da procedência e quantificação do direito creditório, bem como da disponibilidade e da suficiência do crédito para a compensação pretendida. O processo retornou para julgamento com Informação Fiscal no sentido da procedência, disponibilidade e suficiência do crédito para extinguir o débito declarado no PER/DCOMP. A Recorrente ratifica as razões recursais. É o relatório. Voto Conselheiro Rosaldo Trevisan, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão nº 3401006.017, de 23 de abril de 2019, proferido no julgamento do Processo nº 13888.910728/201205. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão nº 3401006.017): "A controvérsia posta nos autos cingiase à existência de crédito de COFINS decorrente de pagamento a maior no valor de R$ 36.019,17 (competência MAI/2008), recolhido mediante DARF, Fl. 217DF CARF MF Processo nº 13888.910754/201225 Acórdão n.º 3401006.043 S3C4T1 Fl. 4 3 hábil a ser compensado com débito do mesmo tributo no valor de R$ 19.860,91 (competência AGO/2012). O feito tramitou em 1ª instância sem que a Recorrente fizesse prova suficiente do indébito, posto que alegava ser beneficiária da suspensão do tributo por vender mercadorias à pessoa jurídica habilitada no RECOF sem juntar os respectivos documentos contábeis e fiscais que espelhassem as operações. Ocorre que, em sede de Recurso Voluntário, a Recorrente supriu tal carência probatório, de modo que este Colegiado resolveu converter o feito em diligência para que a unidade preparadora da RFB se manifestasse conclusivamente acerca da procedência, disponibilidade e suficiência do direito creditório. Assento pois as informações apresentadas pela autoridade fiscal em sede de diligência: 3. Em nossa análise verificamos que o crédito alegado pelo contribuinte na Dcomp (R$ 36.019,17), encontrase disponível para compensação, em nossos sistemas, após as retificações efetuadas na DCTF e DACON, relativas ao período de apuração 05/2008. A emissão Despacho Decisório de nº de Rastreamento 042024158 foi realizada em 03/01/2013 e as retificações citadas foram realizadas em 29/01/2013 e 30/01/2013, respectivamente. Portanto, não havia saldo disponível quando da emissão do Despacho Decisório, o que motivou seu indeferimento inicial. 4. Ademais, da análise do Livro de Registro de Entradas e Saídas, do DACON, dos documentos fiscais apresentados pela recorrente e tendo em vista que as notas fiscais apresentadas são de venda de produtos a empresa beneficiária do RECOF e, por consequência, com benefício da suspensão do PIS/Pasep e Cofins em suas aquisições no mercado interno, dentro das condições previstas no ADE nº 53, de 24 de julho de 2006 e da IN SRF 417/2004 (alterada pela IN SRF 547/2005 e posteriores), concluímos que a manifestante faz jus a compensação dos créditos de R$ 36.019,17, de Cofins (cód. 5856), período de apuração 30/05/2008, demonstrados na Dcomp nº 28653.88994.190912.1.3.046142. Conforme verificamos nos relatórios do Sistema de Apoio Operacional (fls. 198 a 200), o crédito utilizado na Dcomp tratada nesse processo é suficiente para extinguir o débito declarado (R$ 19.860,91, Cofins (5856), vencido em 25/09/2012). O saldo do crédito não utilizado nessa Dcomp foi utilizado em outra Dcomp relacionada, de nº 04211.25185.270912.1.3.040704, tratada no processo nº 13888.910730/201276, sendo que também nessa Dcomp relacionada o crédito utilizado também foi suficiente para extinguir o débito declarado (R$ 30.778,44, CSLL (2484), vencido em 28/09/2012), conforme vemos no relatório de fls. 200. (grifo nosso) É de se concluir que, ante a informação de que o crédito existe, está disponível e é suficiente para se homologar a compensação pretendida, cai por terra a matéria antes controvertida, de modo Fl. 218DF CARF MF Processo nº 13888.910754/201225 Acórdão n.º 3401006.043 S3C4T1 Fl. 5 4 que deve ser acolhido o resultado da diligência para se reconhecer o direito creditório e homologar a compensação declarada no PER/DCOMP 28653.88994.190912.1.3.046142. Ante o exposto, voto por CONHECER do Recurso Voluntário e, no mérito, DAR PROVIMENTO ao mesmo." Importa registrar que nos autos ora em apreço, a situação fática e jurídica encontra correspondência com a verificada no paradigma, de tal sorte que o entendimento lá esposado pode ser perfeitamente aqui aplicado. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, o colegiado decidiu por CONHECER do Recurso Voluntário e, no mérito, DAR PROVIMENTO ao mesmo. (assinado digitalmente) Rosaldo Trevisan Fl. 219DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 15504.722697/2011-31
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Mon Apr 15 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Mon May 20 00:00:00 UTC 2019
Numero da decisão: 1302-000.731
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
RESOLVEM os membros do colegiado, por voto de qualidade, em converter o julgamento em diligência, vencidos os conselheiros Paulo Henrique Silva Figueiredo, Ricardo Marozzi Gregório, Maria Lúcia Miceli e Gustavo Guimarães da Fonseca, que limitavam o escopo da diligência ao item I da resolução proposta.
(assinado digitalmente)
Luiz Tadeu Matosinho Machado - Presidente e Relator.
Participaram do presente julgamento os conselheiros Paulo Henrique Silva Figueiredo, Marcos Antônio Nepomuceno Feitosa, Ricardo Marozzi Gregório, Rogério Aparecido Gil, Maria Lúcia Miceli, Gustavo Guimarães da Fonseca, Flávio Machado Vilhena Dias e Luiz Tadeu Matosinho Machado (Presidente).
Relatório
Nome do relator: LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201904
camara_s : Terceira Câmara
turma_s : Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
dt_publicacao_tdt : Mon May 20 00:00:00 UTC 2019
numero_processo_s : 15504.722697/2011-31
anomes_publicacao_s : 201905
conteudo_id_s : 6008719
dt_registro_atualizacao_tdt : Tue May 21 00:00:00 UTC 2019
numero_decisao_s : 1302-000.731
nome_arquivo_s : Decisao_15504722697201131.PDF
ano_publicacao_s : 2019
nome_relator_s : LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO
nome_arquivo_pdf_s : 15504722697201131_6008719.pdf
secao_s : Primeira Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. RESOLVEM os membros do colegiado, por voto de qualidade, em converter o julgamento em diligência, vencidos os conselheiros Paulo Henrique Silva Figueiredo, Ricardo Marozzi Gregório, Maria Lúcia Miceli e Gustavo Guimarães da Fonseca, que limitavam o escopo da diligência ao item I da resolução proposta. (assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado - Presidente e Relator. Participaram do presente julgamento os conselheiros Paulo Henrique Silva Figueiredo, Marcos Antônio Nepomuceno Feitosa, Ricardo Marozzi Gregório, Rogério Aparecido Gil, Maria Lúcia Miceli, Gustavo Guimarães da Fonseca, Flávio Machado Vilhena Dias e Luiz Tadeu Matosinho Machado (Presidente). Relatório
dt_sessao_tdt : Mon Apr 15 00:00:00 UTC 2019
id : 7746811
ano_sessao_s : 2019
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:44:55 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713051907547725824
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 14; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1182; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C3T2 Fl. 1.109 1 1.108 S1C3T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 15504.722697/201131 Recurso nº Voluntário Resolução nº 1302000.731 – 3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Data 15 de abril de 2019 Assunto Solicitação de diligências Recorrente INFORMÁTICA NACIONAL S.A Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. RESOLVEM os membros do colegiado, por voto de qualidade, em converter o julgamento em diligência, vencidos os conselheiros Paulo Henrique Silva Figueiredo, Ricardo Marozzi Gregório, Maria Lúcia Miceli e Gustavo Guimarães da Fonseca, que limitavam o escopo da diligência ao item I da resolução proposta. (assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado Presidente e Relator. Participaram do presente julgamento os conselheiros Paulo Henrique Silva Figueiredo, Marcos Antônio Nepomuceno Feitosa, Ricardo Marozzi Gregório, Rogério Aparecido Gil, Maria Lúcia Miceli, Gustavo Guimarães da Fonseca, Flávio Machado Vilhena Dias e Luiz Tadeu Matosinho Machado (Presidente). RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 55 04 .7 22 69 7/ 20 11 -3 1 Fl. 1109DF CARF MF Processo nº 15504.722697/201131 Resolução nº 1302000.731 S1C3T2 Fl. 1.110 2 Relatório Tratase de recurvo voluntário e de ofício interpostos em face do Acórdão nº 0244.200 da 3 ª Turma da DRJ/Belo Horizonte, que julgou parcialmente procedente a impugnação e manteve parcialmente o lançamento de IRPJ, CSLL e IRRF sobre Pagamentos sem Causa e/ou a Beneficiários não Identificados, conforme sintetizado na seguinte ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2006, 2007 GLOSA FISCAL CUSTOS E DESPESAS DESNECESSÁRIOS Sujeitam se a glosa fiscal os custos e as despesas com encargos e com a aquisição de mercadorias e serviços que se revelam desnecessários e inúteis para a realização das atividades da empresa e para a manutenção de suas fontes produtivas. GLOSA FISCAL CUSTOS E DESPESAS NÃO COMPROVADOS Sujeitamse a glosa fiscal os custos e as despesas com aquisição de mercadorias e serviços cuja efetiva realização não é comprovada por meio de documentação hábil e idônea. APURAÇÃO DE DIVERGÊNCIAS TRIBUTÁVEIS CONFRONTO ENTRE DCTF E DIPJ Está sujeito a lançamento de ofício o débito tributário apurado e informado em DIPJ, mas não pago nem declarado em DCTF, se o contribuinte não justifica, por meio de elementos hábeis e idôneos, a divergência entre uma e outra declaração. MULTA ISOLADA RECOLHIMENTO INSUFICIENTE DAS ANTECIPAÇÕES MENSAIS Verificada o recolhimento insuficiente das antecipações mensais, é cabível a imposição de multa isolada sobre os valores não recolhidos GASTOS INCORRIDOS COM BENFEITORIAS QUE AUMENTAM A VIDA ÚTIL DE BENS LOCADOS EM MAIS DE UM ANO Os custos das construções ou benfeitorias em bens locados ou arrendados, ou em bens de terceiros, quando não houver direito ao recebimento de seu valor, não podem ser deduzidos imediatamente na determinação do resultado tributável, mas dão direito a amortização proporcional aos anos restantes de duração do contrato de locação ou arrendamento. LANÇAMENTOS DECORRENTES CSLL O decidido para o lançamento de IRPJ estendese aos lançamentos que com ele compartilham o mesmo fundamento factual e para os quais não há nenhuma razão de ordem jurídica que lhe recomende tratamento diverso. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE IRRF Anocalendário: 2005, 2006, 2007 PAGAMENTO SEM CAUSA OU A BENEFICIÁRIO NÃO IDENTIFICADO Sujeitase à incidência do imposto, exclusivamente na fonte, à alíquota de 35%, todo pagamento efetuado pelas pessoas jurídicas a beneficiário não identificado, ou quando não for comprovada a sua causa ou a operação a que se refere. Fl. 1110DF CARF MF Processo nº 15504.722697/201131 Resolução nº 1302000.731 S1C3T2 Fl. 1.111 3 O acórdão recorrido sintetizou as infrações apuradas pela fiscalização, verbis: Descrição das infrações imputadas Auto de infração de IRPJ O autuante, fazendo remissão ao termo de verificação fiscal a folhas 563 a 569, atribui à autuada as infrações de cuja descrição adiante se faz uma síntese. 1. GLOSA DE CUSTOS OU DESPESAS NÃO COMPROVADAS – Constatou se a contabilização de despesas para as quais a fiscalizada não apresentou as respectivas notas fiscais ou documentos hábeis para comproválas e que permitam o exame da natureza dessas aquisições, se dedutíveis ou não. Dessa forma, efetuouse a glosa dessas despesas. Se posteriormente forem apresentados os documentos hábeis e idôneos para comproválas, deverá ser examinada a natureza de cada uma das aquisições para caracterizálas, ou não, como despesas dedutíveis. As despesas contabilizadas para as quais não foram apresentadas as devidas comprovações estão discriminadas na planilha anexa denominada “Despesas Não Comprovadas”. Constatouse, também, a contabilização de despesas em duplicidade. Datas do fato gerador: 31/12/2006; 31/03/2007; 30/06/2007; 30//09/2007; 31/12/2007. Enquadramento legal: art. 249 inciso I, 251 e parágrafo único, 299 e 300 do Decreto nº 3.000, de 26 de março de 1999 – Regulamento do Imposto de Renda 1999 – RIR 1999. 2. CUSTOS, DESPESAS OPERACIONAIS E ENCARGOS NÃO NECESSÁRIOS A fiscalizada não apresentou os contratos de arrendamento mercantil nem os comprovantes de quitação dos lançamentos efetuados na conta “1420 – Leasing”. Portanto, efetuouse a glosa das despesas contabilizada por falta de comprovação, e por serem despesas desnecessárias às atividades da empresa, como se deduz do histórico, indicativo de se tratar de arrendamento de veículos de luxo, não vinculados intrinsecamente com a comercialização dos bens ou serviços, confrontando o artigo 13, inciso II da Lei 9.249/95 e os artigos 299 e 300 do RIR/99. Datas do fato gerador: 31/12/2006; 31/03/2007; 30/06/2007; 30//09/2007; 31/12/2007. Enquadramento legal: art. 249, inciso I, 251 e parágrafo único, 299 e 300 do RIR 1999. 3. BENS DE NATUREZA PERMANENTE DEDUZIDOS COMO CUSTO OU DESPESA A fiscalizada contabilizou como despesas valores que aumentaram a vida útil dos bens, conforme se constata pelas características das mercadorias, em relação às cópias das notas fiscais apresentadas, motivando a glosa, nos termos do artigo 346 e parágrafos do RIR 1999, que prevê a ativação dos gastos que resultem no aumento da vida útil do bem. Datas do fato gerador: 30.06.2007, 30.09.2007, 31.12.2007. Enquadramento legal: artigos 249, inciso I, 251, parágrafo único, e 301 do RIR 1999. 4. RESULTADOS OPERACIONAIS NÃO DECLARADOS Valor do IRPJ e da CSLL correspondentes aos lucros escriturados, mas não declarados em DCTF nem recolhidos. Datas do fato gerador: 31/12/2006; 30/06/2007; 31/12/2007. Enquadramento legal: art. 249, 250 e 926 do RIR 1999. 5. MULTAS ISOLADAS FALTA DE RECOLHIMENTO DO IRPJ SOBRE BASE DE CÁLCULO ESTIMADA Falta de pagamento do IRPJ incidente sobre a base de cálculo estimada em função da receita bruta e acréscimos ou em balancetes de suspensão ou redução. Datas do fato gerador: 30.09.2006, 31.10.2006, 30.11.2006, 31.12.2006. Enquadramento legal: artigo 44, § 1º, inciso IV, da Lei nº 9.430, de 1996; art. 223 e 843 do RIR 1999. Primeiro auto de infração de CSLL (fls. 570 a 579) Fl. 1111DF CARF MF Processo nº 15504.722697/201131 Resolução nº 1302000.731 S1C3T2 Fl. 1.112 4 O autuante, fazendo remissão ao termo de verificação fiscal a folhas 563 a 569, atribui à autuada as mesmas infrações a que se referem os itens 1 a 4 da parte deste relatório que descreve o auto de infração de IRPJ. O enquadramento legal dado para o lançamento de CSLL: art. 2º e §§ da Lei n° 7.689, de 1988; art. 1° da Lei n° 9.316, de 1996 e art. 28 da Lei n° 9.430, de 1996; art. 37 da Lei n° 10.637, de 2002. Segundo auto de infração de CSLL (fls. 613 a 617) O autuante, fazendo remissão ao termo de verificação fiscal a folhas 563 a 569, atribui à autuada a infração de cuja descrição adiante se faz uma síntese. MULTAS ISOLADAS FALTA DE RECOLHIMENTO DA CSLL SOBRE BASE DE CALCULO ESTIMADA Falta de pagamento da CSLL incidente sobre a base de cálculo estimada em função da receita bruta e acréscimos ou em balancetes de suspensão ou redução. Datas do fato gerador: 30.09.2006, 31.10.2006, 30.11.2006, 31.12.2006. Enquadramento legal: artigo 44, § 1º, inciso IV, da Lei nº 9.430, de 1996, alterado pelo artigo 14 da Lei nº 11.488, de 2007, combinado com o artigo 44, § 1º, da Lei nº 9.430, de 1996; art. 223 e 843 do RIR 1999. Auto de infração de IRRF A autuante, fazendo remissão ao termo de verificação fiscal a folhas 563 a 569, atribui à autuada a infração de cuja descrição adiante se faz uma síntese. FALTA DE RECOLHIMENTO DO IRRF SOBRE PAGAMENTOS SEM CAUSA OU DE OPERAÇÃO NÃO COMPROVADA A fiscalizada foi intimada e reintimada pelos menos duas vezes a apresentar documentação, hábil e idônea, comprobatória dos valores escriturados em contas de despesas, conforme planilha anexa ao termo de intimação, com indicação, da operação ou causa que deu origem a cada um dos pagamentos. A fiscalizada não apresentou comprovantes que possibilitem identificar a causa dos pagamentos contabilizados e seus reais beneficiários. Portanto, são considerados sem causa e a beneficiários não identificados. Conseqüentemente, efetuouse o lançamento do IRRF sobre a base de cálculo reajustada, na forma do § 3º do artigo 61 da Lei nº 8.981, de 1995. Os fatos geradores ocorreram em diversas datas, situadas entre 27.09.2006 e 31.12.2007. Enquadramento legal: artigos 674, § 1º, do RIR 1999. O colegiado recorrido indeferiu pedido de perícia e rejeitou preliminar de nulidade, acolheu parcialmente a impugnação nos seguintes termos: a) Manteve a glosa de despesas com arrendamento mercantil, por falta de comprovação; b) reconheceu parcialmente arguição de erro na glosa de despesas contabilizadas em duplicidade; c) acolheu parcialmente a impugnação da glosa de despesas classificadas pela fiscalização como ativáveis por se relacionarem à construção e reforma e reforma de benfeitorias em imóveis de terceiros, para admitir a dedução de parte dos valores ativáveis a título de amortização; d) acolheu parcialmente a glosa de despesas não comprovadas, mediante o reconhecimento de parte da documentação apresentada como hábeis e idôneas; Fl. 1112DF CARF MF Processo nº 15504.722697/201131 Resolução nº 1302000.731 S1C3T2 Fl. 1.113 5 e) reconheceu parcialmente as quitações efetuadas pela recorrente relativas às estimativas mensais de IRPJ e CSLL, efetivamente comprovadas por meio de DARF ou em Dcomp's apresentadas antes da constituição do crédito, bem como os seus efeitos nos saldos de IRPJ e CSLL a pagar, que não haviam sido informados em DCTF; f) cancelou parcialmente a cobrança de IRRF nas situações em que considerou comprovados os beneficiários dos pagamentos e as respectivas causas das operações; g) e ainda, restabeleceu parte dos prejuízos fiscais e bases de cálculo negativas de CSLL, tendo em vista o cancelamento parcial das glosas. Em face dos valores de tributos e multas exonerados pela DRJBHE, o acórdão recorrido recorreu de ofício da sua própria decisão, verbis: O montante do principal acrescido de multa de ofício proporcional de que se exonera o sujeito passivo neste voto atinge R$ 1.844.687,36, quantia a qual se deve somar R$21.380,08, que correspondem ao total das multas isoladas de que também se exonera o sujeito passivo. Em conseqüência do limite estipulado pelo artigo 1º da Portaria MF nº 3, de 3 de janeiro de 2008, a exoneração decidida neste voto torna necessária a interposição de recurso de ofício ao Carf. Cientificada do acórdão de impugnação em 20/05/2018 (AR, fls. 997), a recorrente interpôs recurso voluntário em 19/06/2013 (carimbo de recepção, fls. 998), no qual alega, em síntese: Preliminares a) que o colegiado recorrido inovou nos fundamentos da autuação, aperfeiçoando os lançamentos com vistas a regularizar erros cometidos pela autoridade fiscal autuante, exorbitando, assim, de suas competências como julgadores; b) que o procedimento fiscal violou os princípios do contraditório e da ampla defesa, sendo nulo o auto de infração lavrado, pois a autoridade fiscal constituiu o crédito tributário por falta de comprovação documental, porém estabeleceu que em caso de apresentação de novos elementos de comprovação estes deveriam ser analisados com vistas a determinar se seriam hábeis e idôneos para caracterizar despesas dedutíveis; c) que se o lançamento foi condicional, reitera o pedido de diligências negado pela decisão de primeiro grau, com vistas a comprovar todos os procedimentos adotados, mediante a análise pela autoridade fiscal de todos os documentos e elementos trazidos aos autos; d) que "a pretensão dos Julgadores Recorridos em fazer uma auditoria Fiscal de gabinete, não analisar os registros contábeis, recusar a qualidade dos documentos (identificados os beneficiários e bens/serviços), fazer elaboração de cálculos de amortizações (sem objeto na acusação), utilizar taxas de amortizações sem bases legais, e por final reformar e aprimorar o lançamento (sem o duplo grau de jurisdição) são incorreções de mais alto grau. Tornam todos os procedimentos nulos, inclusive o julgamento". Mérito Fl. 1113DF CARF MF Processo nº 15504.722697/201131 Resolução nº 1302000.731 S1C3T2 Fl. 1.114 6 e) que, com relação a glosa de despesas com arrendamento mercantil de veículos, o fisco presumiu serem desnecessárias e que seriam veículos de luxo, sem amparo legal no art. 299 e 300 do RIR/1999; f) que, não obstante a comprovação apresentada (fls. 846/851), o acórdão recorrido manteve a glosa rejeitando a documentação apresentada, decidindo contra as provas dos autos e alterando a fundamentação da autuação para despesas desnecessárias; g) que todas as despesas com arrendamento mercantil foram comprovadas, à exceção de duas, o que não pode justificar a manutenção de toda a infração fiscal, mas a DRJ manteve a autuação neste ponto, em face da não apresentação dos contratos e dos certificados dos veículos, o que demonstraria a necessidade das diligências solicitadas, indeferida pela DRJ; h) apresenta como comprovação complementar no próprio corpo da peça recursal imagens: de cópia de pagamento de parcela em favor de DaimlerChrisler Leasing Arr. Merc. junto ao Banco Itaú; de cópia de certificado de registro no Detran/MG, referente a um caminhão Mercedes Benz vinculado à DaimlerChrisler Leasing Arr. Merc.; de cópia de Contrato de Arrendamento Mercantil n° 239001881 com Daimler Chrysler, firmado em março/2997; cópia de Contrato de Arrendamento Mercantil firmado em 18/09/2006 com BMW Leasing do Brasil n° 00239/06; i) que as despesas de arrendamento mercantil de veículos não poderiam ser objetos de glosas porque estavam e estão comprovadas, como também não podem ser inseridas nas bases de cálculos do IRRF como pagamentos a beneficiários sem causa, pois a simples glosa da despesas, mesmo pela desnecessidade não é suficiente para caracterizar a previsão do art. 674 do RIR/1999; j) que, com relação à glosa de despesas deduzidas em duplicidade, o fisco não demonstrou na contabilidade da empresa em quais contas redutoras do Lucro Líquido (Rubricas Contábeis de Custo/Despesa) que estariam contabilizadas as despesas em duplicidade e o acórdão recorrido errou ao não excluir das bases de cálculos tributáveis do Auto IRRF as importâncias exoneradas nos valores R$5.008,68 e R$9.955,19, respectivamente em 28/08/2007 e 06/08/2007, cujas bases corrigidas são R$7.705,66 R$15.315,68; k) que, com relação à glosa de despesas com benfeitorias em imóveis de terceiros, a autoridade fiscal "não procurou a vinculação das despesas com a localização dos imóveis, não analisou os termos dos Contratos de Locação e o período para amortização das despesas pelo prazo do Contrato de Locação", e não observou os termos do art. 346 do RIR/1999; l) que, se a infração fosse descrita e capitulada como Benfeitorias em Imóveis de Terceiros, haveriam amortizações pelos prazos residuais dos Contratos de Locação e, assim, somente seria possível a glosa do excesso apropriado no ano, mas não todo o desembolso; m) que foram anexados aos autos as cópias dos Contratos de Locação dos imóveis (doc.fls. 822 a 837), onde se encontram instalados os estabelecimentos comerciais, comprovando a normalidade dos gastos e sua vinculação com os estabelecimentos da empresa, cujos prazos residuais das locações a partir de 2006, conforme indica na tabela abaixo: Localização Imóvel Localização Imóvel Localização Imóvel Matriz à av. Alvarez Cabral 725, bairro Lourdes, BH Matriz à av. Alvarez Cabral 725, bairro Lourdes, BH Matriz à av. Alvarez Cabral 725, bairro Lourdes, BH Fl. 1114DF CARF MF Processo nº 15504.722697/201131 Resolução nº 1302000.731 S1C3T2 Fl. 1.115 7 Filial à Rua da Bahia, 1700, bairro Lourdes, BH Abril/2005 a março/2010 51 meses Filial à rua Magnólia, 505, bairro Pedro II, BH Maio/2006 a maio/2010 48 meses Filial à Av. Visconde de Ibituruna, 298, loja 1, Barreiro, BH Junho/2007 a maio/2012 60 meses Filial à av. Afonso Pena, 752, Centro, BH Junho/2007 a Junho/2011 48 meses n) que nesta infração o acórdão recorrido admite o erro fiscal glosa indevida de despesas sob a motivação de que se trata de dispêndios que implicaram o aumento da vida útil de bens imóveis com benfeitorias em imóveis de terceiros, não indenizáveis, mas não invalida os lançamentos do IRPJ e CSLL; o) que, a partir do correto entendimento das razões da impugnação, o Relator do Voto pressupõe taxas anuais de amortizações anuais (22,22%) e mensais (1,85%), à revelia dos prazos residuais dos Contratos de Locação, e enveredase em cálculos infindáveis, para corrigir o lançamento original, salvandoo; não havendo como aferir os cálculos efetuados pelos Julgadores Primários que não observa os percentuais e amortização pelos prazos residuais dos respectivos Contratos de Locação, não observa a acumulação dos valores de um mês para os períodos seguintes para os cálculos das amortizações; p) que o acórdão recorrido alterou a acusação fiscal, e acolheu parcialmente as razões de defesa, reduzindo as glosas indevidas por "amortizações" calculadas, conforme constou no voto (fls.948), introduzindo novos critérios ao Lançamento Fiscal, com nova capitulação legal (artigos 324 a 327 do RIR/99), sendo nulo o lançamento; q) que, com relação às demais glosas de despesas não comprovadas, mais uma vez a autoridade fiscal teria feito um lançamento condicional, pois, a par de têlas glosadas por falta de comprovação, inseriu uma condicionante para eventual comprovação posterior, ao apontar que "deverá ser examinada a natureza de cada uma das aquisições para caracterizálas, ou não como despesas dedutíveis"; r) que foram trazidos na impugnação os documentos contabilizados, hábeis e idôneos, para comprovar todas as despesas dedutíveis necessárias à atividade da contribuinte e efetivamente realizadas; s) que em todos os documentos e na escrituração contábil estão discriminadas a natureza da despesa, mas os julgadores de primeiro grau alegaram que a documentação apresentada mostrouse incapaz de comprovar, salvo algumas exceções, relacionando o que acatou (fls. 953 a 954 do Acórdão), E desviaram do foco da acusação: ausência de provas da efetiva despesa; t) que apesar de todas as suas dúvidas em suas análises, os Julgadores primários não deferiram as diligências necessárias para esclarecer os fatos em respeito ao Princípio da Verdade Material e Oficialidade; u) que diante de tantas impropriedade no acórdão recorrido, segundo constam no quadro demonstrativo "Apreciação dos documentos apresentados pela impugnante a fim de contestar glosa por falta de comprovação"'(fls.953/4) passa a enumerálas: Fl. 1115DF CARF MF Processo nº 15504.722697/201131 Resolução nº 1302000.731 S1C3T2 Fl. 1.116 8 1. A divergência de datas entre os documentos e os pagamentos são fatos normais em vista dos prazos negociais para liquidação. E por isto não podem ser desconsiderados como elemento de prova; 2. O pagamento à Nacional Mercantil, aceitos e comprovados com NF e depósito bancário foi rejeitado sem qualquer objeto e prova; 3. Os valores de materiais de construção foram acolhidos como Benfeitorias em Imóveis de Terceiros, contudo, sem a inclusão nos valores amortizáveis pretendidos pelos Julgadores e com a utilização de percentuais à revelia dos prazos residuais dos Contratos de Locação; 4. Os honorários advocatícios comprovados pelos documentos não foram aceitos sob a alegação de ausência de identificação dos serviços, e em alguns casos, exigindo diversamente da acusação dos Autos, a comprovação do pagamento; 5. Os valores comprovados que foram considerados como Despesas Não Dedutíveis, não podem ser considerados como pagamento a 'Beneficiário Sem Causa ou Não. Identificado (Base de Cálculo do IRRF). v) que além dos documentos colocados à disposição da Auditoria Fiscal, e aqueles anexados na impugnação, colaciona outros, comprovando a existência e a dedutibilidade das despesas (imagens no corpo da petição recursal compreendendo cópias de notas fiscais de honorários advocatícios, recibos diversos de execuções de obras civis, aluguéis, papeletas de gastos com indicação de pagamentos de honorários advocatícios fls. 1050 a 1060), além de telas de consulta dos dados do CNPJ de beneficiários extraídos do sitio da RFB (fls. 1061/1065); x) que o acórdão recorrido não acolheu, diversos valores contabilizados, que o contribuinte previamente considerou como não dedutíveis e que foram adicionados à base de cálculo do Lucro Líquido para apuração do Lucro Real e BC da Contribuição Social, conforme DIPJs, cujas fichas (9A e 17), conforme documentos às fls.353 a 408 no processo, que parcialmente abaixo colacionados. Assim, caso fossem enquadradas como despesas indedutíveis, deveria ser observado o que já foi adicionado à BC do IRPJ e CSLL em 2006 R$7.062,57, e em 2007,, no 2° Trimestre/2007 R$7.775,61 e no 4o Trimestre/2007 R$7.434,62, conforme constam do LALUR parte A 2006 e 2007, reproduzidos nas Fichas das respectivas DIPJ 2007 e 2008. z) que, quanto multa isolada do IRPJ e da CSLL, é indevida sua cobrança concomitante com a multa de ofício exigida, conforme a jurisprudência do CARF que aponta; que a multa isolada não pode ser exigida após o encerramento do período de apuração; que não poderiam ter sido adicionadas as glosas apuradas pelo Fisco às bases de cálculo mensais apuradas pelo contribuinte; que a autoridade fiscal desconsiderou os pagamentos mensais liquidados mediante DARF. aa) que, em face da a glosa indevida de custos e despesas considerados indedutíveis, não há como considerar os valores pagos a diversos beneficiários perfeitamente identificados nominativamente relacionados, como indicados e discriminados na própria apuração fiscal e nas respectivas rubricas contábeis e, mesmo que desprovidos de documentos, porque contabilizados e perfeitamente identificados, como inominados ou sem causa. Fl. 1116DF CARF MF Processo nº 15504.722697/201131 Resolução nº 1302000.731 S1C3T2 Fl. 1.117 9 bb) que não cabe exigir o IRRF sobre custos comprovados e dedutíveis, ou mesmo se indedutíveis (desnecessários), que deveriam ser adicionados ao Lucro Real, ou ainda sobre erros contábeis de despesas contabilizadas em duplicidade; cc) que foi indevidamente um crédito tributário sobre o IRPJ e CSLL apurado anualmente, sem considerar que os valores mensais, anuais e trimestrais já haviam sido inseridos nas respectivas DIPJ, efetuados os pagamentos mensais de estimativas em 2006 e. Declaração de Compensação para os trimestres de 2007; e dd) que é indevida a aplicação da taxa Selic a título de juros, por se tratar de taxa inconstitucional. Ao final requer que este Conselho: • Tome conhecimento do Recurso, porque regular e tempestivo; • Determine as Diligências nos termos do PAF para as comprovações dos fatos e razões apresentadas; • Considere as preliminares, porque procedentes, tornando nulo o lançamento, especialmente porque aperfeiçoado pela Delegacia de Julgamento; • Se ultrapassadas as preliminares, nas razões de mérito, reduzam os valores indevidamente constituídos pelos documentos juntamos e colacionados; e •Na existência de valores residuais, se utilize como juros de mora a taxa de 1% ao mês. Protestase pela anexação "a posteriori", de outros documentos para elucidação dos fatos, em respeito ao Princípio da Verdade Material, nas mesmas condicionantes estabelecidas pelo fisco na lavratura dos Autos de Infração e no Termo de Verificação Fiscal. É o relatório. Fl. 1117DF CARF MF Processo nº 15504.722697/201131 Resolução nº 1302000.731 S1C3T2 Fl. 1.118 10 Voto Conselheiro Luiz Tadeu Matosinho Machado Recurso Voluntário O recurso voluntário é tempestivo e atende aos pressupostos legais e regimentais. Assim, deve ser conhecido. A matéria controvertida que remanesce no recurso voluntário é predominantemente relacionada a questões fáticas e de análise probatória. Não obstante, antes de se adentrar ao exame de questões fáticas e dos demais argumentos de mérito, impõese analisar as preliminares suscitadas pela recorrente. A recorrente alega que o colegiado recorrido inovou nos fundamentos da autuação, aperfeiçoando os lançamentos com vistas a regularizar erros cometidos pela autoridade fiscal autuante, exorbitando, assim, de suas competências como julgadores. Sustenta que o procedimento fiscal violou os princípios do contraditório e da ampla defesa, sendo nulo o auto de infração lavrado, pois a autoridade fiscal constituiu o crédito tributário por falta de comprovação documental, porém estabeleceu que em caso de apresentação de novos elementos de comprovação estes deveriam ser analisados com vistas a determinar se seriam hábeis e idôneos para caracterizar despesas dedutíveis. Defende que se o lançamento foi condicional, imprescindível se torna o pedido de diligências negado pela decisão de primeiro grau, com vistas a comprovar todos os procedimentos adotados, mediante a análise pela autoridade fiscal de todos os documentos e elementos trazidos aos autos. Em suma, alega que: "a pretensão dos Julgadores Recorridos em fazer uma auditoria Fiscal de gabinete, não analisar os registros contábeis, recusar a qualidade dos documentos (identificados os beneficiários e bens/serviços), fazer elaboração de cálculos de amortizações (sem objeto na acusação), utilizar taxas de amortizações sem bases legais, e por final reformar e aprimorar o lançamento (sem o duplo grau de jurisdição) são incorreções de mais alto grau. Tornam todos os procedimentos nulos, inclusive o julgamento". Entendo que inexiste nulidade, nem no procedimento fiscal e respectiva autuação, nem tampouco na decisão recorrida. O procedimento fiscal se desenvolveu com regularidade, sendo o contribuinte intimado por diversas vezes a apresentar documentos e esclarecimentos relacionados às operações registradas em sua contabilidade. Ao final do procedimento o auto de infração foi lavrado em decorrência da insuficiência dos elementos apresentados e da falta de esclarecimentos acerca das operações, segundo a autoridade lançadora. Disto resultou lançamentos de glosas de despesas com reflexos no IRPJ e CSLL e de pagamentos sem causa e/ou a beneficiários não identificados. Fl. 1118DF CARF MF Processo nº 15504.722697/201131 Resolução nº 1302000.731 S1C3T2 Fl. 1.119 11 Não existiu, portanto, lançamento condicional. A autoridade fiscal apenas apontou que a mera apresentação de eventuais comprovantes, em momento posterior, não prescinde da análise da natureza dos dispêndios, diante da falta de apresentação dos documentos no curso da ação fiscal. Assim, entendo que inexiste qualquer nulidade na autuação fiscal. O mesmo se dá com a decisão recorrida, que analisou de forma detida e individualizada todos os elementos apresentados pela recorrente, conforme se demonstra pelas próprias planilhas de análises constante do acórdão recorrido (fls. 948, 950, 953 a 955, 961 a 963 dos autos). Além disso, as análises estão em consonância e se reportam expressamente às acusações fiscais contidas no TVF e autos de infração lavrados pela autoridade lançadora. Inexistiu a alegada "auditoria de gabinete" apontada no recurso voluntário, mas tão somente o cumprimento do dever do julgador de confrontar os novos elementos trazidos ao autos com os fatos narrados na acusação fiscal com vistas a fundamentar sua decisão. Assim, o fato do julgador de primeiro grau ter indeferido os pedidos de perícia/diligência, encontra amparo nos arts. 28 e 29 do Decreto nº 70.235/1972 e foi devidamente fundamentado, conforme consta do voto condutor (fls. 939 a 941 dos autos). Vício existiria se a autoridade julgadora indeferisse o pedido de diligência ou perícia e deixasse de analisar os elementos apresentados na peça impugnatória, o que, conforme se demonstrou, não ocorreu. Ante ao exposto, rejeito as alegações de nulidade do lançamento e da decisão recorrida. No mérito, em seu recurso voluntário, a recorrente reapresenta, no corpo do recurso voluntário, cópias de alguns documentos (recibos e notas fiscais) trazidos na impugnação visando a comprovar (ao menos em parte) a idoneidade das despesas glosadas e a insubsistência da exigência de IRRF por falta de identificação do beneficiário e/ou da causa dos pagamentos a elas relacionados. A recorrente afirma que estaria colacionando outros documentos, além daqueles já anexados na impugnação, para comprovar a existência e a dedutibilidade das despesas. No entanto, a maior parte referese à documentos já apresentados e apreciados na impugnação. Excetuamse os recibos referentes a execução de obras civis, emitidos por Obra Prima Engenharia (fls. 1051 a 1053) e referentes a pagamentos de aluguéis, firmados por Sebastião Miranda Diniz (fls. 1054/1055). Além destes, a recorrente apresenta complementação de provas relativas a operações de leasing, trazendo aos autos os seguintes elementos: de cópia de pagamento de parcela em favor de DaimlerChrisler Leasing Arr. Merc. junto ao Banco Itaú; de cópia de certificado de registro no Detran/MG, referente a um caminhão Mercedes Benz vinculado à DaimlerChrisler Leasing Arr. Merc.; de cópia de Contrato de Arrendamento Mercantil n° 239001881 com Daimler Chrysler, firmado em abril/2007; cópia de Contrato de Arrendamento Mercantil firmado em 18/09/2006 com BMW Leasing do Brasil n° 00239/06 (fls. 1025 a 1038). Fl. 1119DF CARF MF Processo nº 15504.722697/201131 Resolução nº 1302000.731 S1C3T2 Fl. 1.120 12 Este colegiado têm decidido, reiteradamente, por não conhecer de novos argumentos e provas acostadas aos autos depois da impugnação, tendo em vista nos termos do art. 16 e 17 do PAF, que estabelecem para aquele momento o prazo preclusivo para apresentar os pontos de discordância e as documentos para corroborar suas alegações, salvo se, comprovadamente, reste demonstrada fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; refirase a fato ou a direito superveniente; ou destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos, conforme acórdãos abaixo: Acórdão nº 1302002.347, de 22/11/2018 PROCESSUAL PRECLUSÃO. A impugnação deve trazer todos os argumentos e provas necessários à defesa do contribuinte, ressalvadas, apenas, as hipóteses descritas no art. 16 do Decreto 70.235, sob pena de preclusão. Acórdão nº 1302002.159, de 16/10/2018 MATÉRIA NÃO CONTESTADA EM IMPUGNAÇÃO. INOVAÇÃO NA CAUSA DE PEDIR. PRECLUSÃO. OCORRÊNCIA. Nos termos do art. 17 do Decreto nº 70.235/72, considerarseá não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada em impugnação, verificandose a preclusão consumativa em relação ao tema. No presente caso, ao menos quanto aos recibos de obras civis e de locação de imóveis, referidos anteriormente, tratase de documentos novos trazidos ao autos somente em sede de recurso voluntário, sem qualquer justificativa quanto à impossibilidade de têlo feito por ocasião da impugnação. Com relação a estes elementos voto no sentido de não conhecêlos em sede de recurso voluntário, em face da preclusão. Não obstante, com relação aos documentos relacionados às operações de leasing, por ocasião da impugnação a recorrente apresentou diversos comprovantes de pagamentos que seriam relacionados aos respectivos contratos, porém os mesmos foram rejeitados pela decisão recorrida, nestes termos: [...] No presente caso, caberia à autuada comprovar que os pagamentos a titulo de arrendamento mercantil de veículos efetivamente ocorreram e que corresponderam a despesas ou custos que eram necessários e usuais para a execução da atividade da empresa e para a manutenção de sua fonte produtora. No mínimo deveriam ser trazidos à luz os contratos do arrendamento, o que permitiria identificar os bens arrendados e averiguar sua utilidade e necessidade para a empresa. Uma vez que o que, ao tempo da ação fiscal, a única informação disponível era a constante da escrituração, na qual se dizia que os pagamentos foram feitos à BMW Leasing do Brasil e à Daimlerchrysler, conhecidas fabricantes de automóveis de luxo, não foi disparatada a conclusão que o autuante tirou. Não se concebe que um varejista de produto de informática necessite de veículos de semelhante estirpe para a realização de seus negócios. A impugnante, por sua vez, apesar de contestar a observação do autuante, não traz aos autos nenhuma prova capaz de atestar que bens foram realmente arrendados. Fl. 1120DF CARF MF Processo nº 15504.722697/201131 Resolução nº 1302000.731 S1C3T2 Fl. 1.121 13 Apenas alega que um deles seria um veículo transportador de carga da marca Mercedes 710. Sem os contratos de arrendamento, ou ao menos os certificados de propriedade dos veículos, é impossível ter certeza do seu tipo e, por conseguinte, aferir sua necessidade e utilidade para a empresa. É verdade que, no intuito de comprovar a quitação das despesas de arrendamento mercantil, a impugnante fez juntar a folhas 846 a 851, alguns comprovantes de pagamentos bancários. No entanto, esses papéis não cumprem o desiderato da impugnante e são incapazes de, por si sós, legitimar a dedução das despesas em questão. A principal e insanável deficiência deles é que não vieram acompanhados dos contratos de arrendamento mercantil ou dos documentos de identificação dos veículos a que se referem, de modo que é impossível, digase pela enésima vez, aferir a utilidade e a necessidade de tais desembolsos. Além disso, cerca de metade deles contam com uma autenticação inexistente ou ilegível. Tampouco trazem eles a identificação dos beneficiários do pagamento. Neste último aspecto (identificação do beneficiário do pagamento), a única exceção é o documento a folhas 851, no qual consta que o beneficiário é a Daimlerchrysler Leasing. Contudo, esse recibo se refere a um pagamento realizado em setembro de 2008, na data de seu vencimento, enquanto a glosa fiscal abrange apenas desembolsos realizados em 2006 e 2007. Ou seja, o único documento apresentado pela impugnante que identifica o seu beneficiário não diz respeito à glosa fiscal. [...] Agora, em sede de recurso voluntário, a recorrente traz documentação complementar visando demonstrar que se trata, efetivamente, de contratos de leasing e que tais despesas são dedutíveis. Penso que tal complementação de prova deva ser admitida pelo colegiado, pois decorre da própria dialética processual de modo que, tendo a autoridade julgadora de primeiro grau considerado insuficiente a documentação apresentada, revelase razoável acolher a apresentação de documentos complementares relativos aos fatos impugnados. Assim, entendo que devam ser conhecidos. Não obstante, ao examinar os documentos transcritos na própria peça recursal não pude concluir a análise tendo em vista que a imagem dos dois contratos de leasing apresentados estão quase ilegíveis, sendo impossível identificar com clareza os dados contratuais, em especial, os bens objeto dos arrendamentos e os valores das contraprestações mensais pactuadas, que considero imprescindíveis para o deslinde deste ponto do recurso. Desta feita, julgo imprescindível a conversão do presente julgamento em diligência com vistas a que a recorrente seja intimada a apresentar novas cópias legíveis de toda a documentação relacionada aos pagamentos de arrendamentos mercantil, especialmente dos contratos supra referidos. Outrossim, como a recorrente requereu, desde a impugnação, a conversão do feito em diligência, com vistas a permitir as comprovações dos fatos e razões apresentadas, e considerando que diversos documentos foram rejeitados pelos julgadores de primeiro grau (conforme planilha de análise, fls. 953/954) como hábeis a comprovar as despesas glosadas em face da falta de melhor identificação dos serviços prestados, especialmente aqueles Fl. 1121DF CARF MF Processo nº 15504.722697/201131 Resolução nº 1302000.731 S1C3T2 Fl. 1.122 14 relacionados aos serviços de advocacia, considero razoável oportunizar à recorrente a apresentação dos esclarecimentos e documentos que possam identificar com clareza a natureza dos referidos serviços e que os mesmo sejam submetidos ao crivo da fiscalização. Ante ao exposto, voto no sentido de converter o julgamento em diligência, determinando o retorno do processo à unidade de origem para que seja designada autoridade fiscal competente para: a) intimar a recorrente a : I a apresentar novas cópias legíveis de toda a documentação relacionada aos pagamentos de arrendamentos mercantil, especialmente dos contratos supra referidos; II a apresentar os esclarecimentos e documentos para identificar com clareza a natureza dos serviços prestados objeto de análise na decisão de primeiro grau (planilha às fls. 953/954), especialmente àqueles relacionados aos serviços de advocacia; b) que a autoridade fiscal responsável analise os elementos apresentados e elabore relatório fiscal conclusivo, do qual deve ser dado ciência à recorrente, abrindose prazo para sua manifestação, na forma do art. 35, parágrafo único, do Decreto nº 7.574/2011 Após, retornemse os autos a este colegiado para continuidade do julgamento. (assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado Fl. 1122DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10640.901282/2015-77
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Mar 28 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Tue May 28 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 2009
MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE APRESENTADA TEMPESTIVAMENTE, POR VIA POSTAL, DEVIDAMENTE RECEPCIONADA NOS AUTOS. DEVER DA ADMINISTRAÇÃO DE JULGAR SEU MÉRITO.
Em caso de ser apresentada manifestação de inconformidade, de forma tempestiva e regular, por via postal, devidamente recepcionada pela unidade da Administração Tributária, é dever da Administração apreciar suas razões e seu mérito, emitindo decisão fundamentada.
Numero da decisão: 3301-005.989
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, .por unanimidade de votos, dar parcial provimento ao recurso voluntário, para anular a decisão da DRJ e a realização de um novo julgamento enfrentando o mérito.
(assinado digitalmente)
Winderley Morais Pereira - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Winderley Morais Pereira (Presidente), Liziane Angelotti Meira, Marcelo da Costa Marques D'Oliveira, Salvador Cândido Brandão Junior, Semíramis de Oliveira Duro, Valcir Gassen, Marco Antonio Nunes Marinho e Ari Vendramini.
Nome do relator: WINDERLEY MORAIS PEREIRA
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201903
camara_s : Terceira Câmara
ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Ano-calendário: 2009 MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE APRESENTADA TEMPESTIVAMENTE, POR VIA POSTAL, DEVIDAMENTE RECEPCIONADA NOS AUTOS. DEVER DA ADMINISTRAÇÃO DE JULGAR SEU MÉRITO. Em caso de ser apresentada manifestação de inconformidade, de forma tempestiva e regular, por via postal, devidamente recepcionada pela unidade da Administração Tributária, é dever da Administração apreciar suas razões e seu mérito, emitindo decisão fundamentada.
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Tue May 28 00:00:00 UTC 2019
numero_processo_s : 10640.901282/2015-77
anomes_publicacao_s : 201905
conteudo_id_s : 6012615
dt_registro_atualizacao_tdt : Tue May 28 00:00:00 UTC 2019
numero_decisao_s : 3301-005.989
nome_arquivo_s : Decisao_10640901282201577.PDF
ano_publicacao_s : 2019
nome_relator_s : WINDERLEY MORAIS PEREIRA
nome_arquivo_pdf_s : 10640901282201577_6012615.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, .por unanimidade de votos, dar parcial provimento ao recurso voluntário, para anular a decisão da DRJ e a realização de um novo julgamento enfrentando o mérito. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira - Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Winderley Morais Pereira (Presidente), Liziane Angelotti Meira, Marcelo da Costa Marques D'Oliveira, Salvador Cândido Brandão Junior, Semíramis de Oliveira Duro, Valcir Gassen, Marco Antonio Nunes Marinho e Ari Vendramini.
dt_sessao_tdt : Thu Mar 28 00:00:00 UTC 2019
id : 7758024
ano_sessao_s : 2019
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:45:40 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713051907556114432
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 6; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1553; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C3T1 Fl. 2 1 1 S3C3T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10640.901282/201577 Recurso nº 1 Voluntário Acórdão nº 3301005.989 – 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 28 de março de 2019 Matéria PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Recorrente INPA INDUSTRIA DE EMBALAGENS SANTANA S/A Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2009 MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE APRESENTADA TEMPESTIVAMENTE, POR VIA POSTAL, DEVIDAMENTE RECEPCIONADA NOS AUTOS. DEVER DA ADMINISTRAÇÃO DE JULGAR SEU MÉRITO. Em caso de ser apresentada manifestação de inconformidade, de forma tempestiva e regular, por via postal, devidamente recepcionada pela unidade da Administração Tributária, é dever da Administração apreciar suas razões e seu mérito, emitindo decisão fundamentada. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, .por unanimidade de votos, dar parcial provimento ao recurso voluntário, para anular a decisão da DRJ e a realização de um novo julgamento enfrentando o mérito. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Winderley Morais Pereira (Presidente), Liziane Angelotti Meira, Marcelo da Costa Marques D'Oliveira, Salvador Cândido Brandão Junior, Semíramis de Oliveira Duro, Valcir Gassen, Marco Antonio Nunes Marinho e Ari Vendramini. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 64 0. 90 12 82 /2 01 5- 77 Fl. 296DF CARF MF Processo nº 10640.901282/201577 Acórdão n.º 3301005.989 S3C3T1 Fl. 3 2 Relatório Tratam estes autos de análise de Pedido Eletrônico de Ressarcimento – PER, de créditos de COFINS, cujo pleito não foi integralmente reconhecido, consoante Despacho Decisório carreado aos autos. A requerente foi cientificada do Despacho Decisório, e apresentou manifestação de inconformidade, via postal. Em função de tal apresentação de manifestação da requerente, por via postal, a Agência da Receita Federal em Cataguases/MG enviou Ofício, ao requerente, onde se comunicava que : 2. Cumpre esclarecer que a Instrução Normativa RFB nº 1.412/2013 em seu artigo 2º, §1º, com redação dada pela Instrução Normativa RFB nº 1.629/2016, estabelece que “as pessoas jurídicas tributadas com base no lucro real, presumido ou arbitrado, a entrega de documentos será realizada obrigatoriamente no formato digital”. A citada Instrução Normativa estabelece ainda as peculiaridades e procedimentos necessários para se efetivar a apresentação das manifestações de inconformidade em cada processo digital. 3. Diante do exposto, tendo em vista que a apresentação de documentação pelos correios foi realizada em desacordo com o que determina a Instrução Normativa RFB nº 1.412/2013, não será dado conhecimento aos protocolos apresentados e os Despachos Decisórios exarados em cada processo serão considerados como não questionados. 4. Por último cumpre esclarecer que a empresa pode, ainda que intempestivamente, fazer a apresentação dos questionamentos digitalmente na forma da Instrução Normativa RFB nº 1.412/2013. Em caso de discordância quanto à intempestividade, a empresa pode fazer as alegações preliminares que entender cabíveis. A requerente teve ciência deste Ofício, por acesso á sua caixa postal eletrônica,. Em resposta, a requerente apresentou sua Manifestação de Inconformidade por via eletrônica, acompanhada de Declaração de Tempestividade, nos seguintes termos: ' o contribuinte acima identificado vem solicitar a recepção pela Receita Federal da Manifestação de Inconformidade na forma digital (...), uma vez que a mesma fora encaminhada fisicamente pelos correios, tempestivamente, em face da autorização que consta no Ato Declaratório Normativo COSIT nº 19/1997. Desta forma, ciente que apresentou sua irresignação tempestivamente, e considerando que eventual vício de forma não pode mitigar seu direito constitucional de petição e de ampla defesa, direito material, mormente ao considerarmos o princípio do formalismo moderado que rege o processo administrativo fiscal, roga pela recepção e regular processamento da Manifestação de Inconformidade em epígrafe.” Diante destes documentos, a Agência da Receita Federal em Cataguases/MG encaminhou os autos á DRJ/FUIZ DE FORA com o seguinte despacho : “O contribuinte inicialmente apresentou Manifestação de Inconformidade pelos correios dentro do prazo legal porém Fl. 297DF CARF MF Processo nº 10640.901282/201577 Acórdão n.º 3301005.989 S3C3T1 Fl. 4 3 em desacordo com o que determina a IN 1.412/2013. Em seguida a empresa foi instada a apresentar o questionamento da forma como é determinada a legislação, o que ocorreu intempestivamente. Em seu protocolo porém a empresa alega preliminarmente a tempestividade da Manifestação de Inconformidade. Diante do exposto encaminho o presente processo à SECOJ/DRJ/JFA/MG para apreciação das preliminares, e julgamento se for o caso.” A DRJ/JUIZ DE FORA exarou o Acórdão de nº 09064.396, que julgou intempestiva a manifestação de inconformidade apresentada, mantendo o entendimento da unidade de origem. Irresignado, o requerente apresentou recurso voluntário, dirigido a este CARF, onde, em síntese, contesta a declarada intempestividade da manifestação de inconformidade, alegando : a Recorrente não pode concordar com o acórdão recorrido, o qual não conheceu da Manifestação de Inconformidade por entender ter sido a mesma apresentada intempestivamente. A autoridade preparadora, que detém competência legal para a instrução do processo, por sua vez acolheu a juntada digital dos documentos e enviou os autos para a Delegacia de Julgamento. entende a Recorrente que a tempestividade de sua Manifestação de Inconformidade é evidente, principalmente por conta das peculiaridades acerca da intimação que recebeu – sem instruções alguma sobre apresentação “eletrônica” da mesma confia e espera a Recorrente, lastreada na proficiência dos membros deste I. Órgão Judicante, na anulação da decisão que não conheceu de impugnação regularmente interposta, com a expressa determinação para que a Delegacia de Julgamento profira decisão de mérito sobre a irresignação tempestivamente ofertada, É o relatório. Voto Conselheiro Winderley Morais Pereira, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3301005.974, de 28 de março de 2019, proferido no julgamento do processo 10640.901267/201529, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevemse, como solução deste litígio, nos termos regimentais, os entendimentos que prevaleceram naquela decisão (Acórdão 3301005.974): "13 A questão central destes autos está centrada na tempestividade ou não da manifestação de inconformidade Fl. 298DF CARF MF Processo nº 10640.901282/201577 Acórdão n.º 3301005.989 S3C3T1 Fl. 5 4 apresentada, que restou não conhecida pela decisão de piso. 14. Entretanto, a principal questão a ser enfrentada é a recepção de documento não entregue por meio digital, carreado aos autos como documento válido, pois que no momento de sua inclusão nos autos, devidamente numerado, tornouse documento devidamente recepcionado pela Administração Tributária. 15. O próprio julgador da DRJ enfrentou o problema ao afirmar “ Registro, de plano, que reputo correta a informação contida no ofício expedido pelo titular da ARF Cataguases quando vem dizendo que "tendo em vista que a apresentação de documentação pelos correios foi realizada em desacordo com o que determina a Instrução Normativa RFB nº 1.412/2013, não será dado conhecimento aos protocolos apresentados e os Despachos Decisórios exarados em cada processo serão considerados como não questionados". Diante desse quadro, devo registrar que a ação, do mesmo servidor, de juntar ao processo os documentos dos quais informara que não tomaria conhecimento colide frontalmente com o disposto no diploma regulador e com a própria conclusão estampada no ofício. Ora, não se junta ao processo documento do qual não se toma conhecimento, devolvese o documento ao remetente para que este tome a atitude que entender mais adequada ao resguardo do seu direito. Temos então os seguintes fatos: a ciência do Despacho Decisório se deu em 22/06/2016; a postagem da Manifestação de Inconformidade se deu em 22/07/2016 e a apresentação, da mesma peça de defesa, na forma preconizada pela Instrução Normativa RFB n° 1.412/2013 se deu em 17/11/2016. Lembrando que esta última somente foi apresentada após a recepção do ofício expedido pelo titular da Agência da RFB em Cataguases, fato que nos permite concluir que o procurador da requerente ignorava a regra que estabelecia que a apresentação da manifestação de inconformidade deveria ser por meio eletrônico (digital). “ 12. Correto o julgador ao afirmar que não se junta ao processo documento do qual n~çao se toma conhecimento, devolvese o documento ao remetente para que este tome a titude que entender mais adequada ao resguardo do seu direito. 13. Entretanto, a contrario sensu, o documento foi efetivamente recepcionado e consta presente nos autos, e mais, foi entregue, mesmo que por via postal, tempestivamente, o que garante ao requerente que o documento seja analisado in totum. Fl. 299DF CARF MF Processo nº 10640.901282/201577 Acórdão n.º 3301005.989 S3C3T1 Fl. 6 5 14. Verificase, também, que, após a ciência do ofício emitido pela Agência da Receita Federal, a impugnante apresentou o mesmo documento, e seira claramente intempestivo, pois o ofício que comunicou a não aceitação da manifestação de inconformidade foi enviado após o transcurso de prazo legal para a apresentação da citada manifestação. 15. Desta forma, temos que o impugnante teve conhecimento do Despacho Decisório em 04/07/2016, apresentou manifestação de inconformidade em 03/08/2016, portanto tempestivamente, recebeu um ofício da Administração Tributária em 13/10/2016, comunicando lhe que não seria aceita sua manifestação de inconformidade pois que não entregue em meio digital, contrariando regra normativa em vigor e que poderia ser providenciada a apresentação, mesmo que intempestivamente, da manifestação de inconformidade, de forma digital de acordo com o ato normativo. Foi o que a impugnante fez. Apresentou sua manifestação de inconformidade, de forma digital, em 16/11/2016, intempestivamente, que não foi conhecida pela Delegacia de Julgamento, pelo mesmo motivo, intempestividade 16. Diante destes fatos, entendemos que dois fatos são extremamente relevantes para o deslinde da questão : um a juntada aos autos de documento que declaradamente foi considerado não recepcionado, dois a informação dada ao impugnante, de que poderia ser apresentada mesmo que intempestivamente a manifestação de inconformidade. 17. Estes dois fatos analisados conjuntamente trazem a convicção de que houve ferimento ao Princípio Constitucional do Contraditório e da Ampla Defesa, insculpido no inciso LV da Constituição Federal de 1988, que estabelece ; LV aos litigantes, em processo judicial ou administrativo, e aos acusados em geral são assegurados o contraditório e ampla defesa, com os meios e recursos a ela inerentes. 18. O princípio do contraditório é inerente ao direito de defesa, é decorrente da bilateralidade do processo: quando uma das partes alega alguma coisa, há que ser ouvida a outra, dandolhe oportunidade de resposta. 19. Eivada, portanto, de nulidade a decisão de piso, pois que feriu o direito de defesa do impugnante ao não conhecer da manifestação de inconformidade, constante dos autos, devidamente recepcionada tempestivamente, Fl. 300DF CARF MF Processo nº 10640.901282/201577 Acórdão n.º 3301005.989 S3C3T1 Fl. 7 6 incidindo no disposto no inciso II do artigo 59 do Decreto nº 70.235/1972. Art. 59. São nulos: I os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. § 1º A nulidade de qualquer ato só prejudica os posteriores que dele diretamente dependam ou sejam conseqüência. § 2º Na declaração de nulidade, a autoridade dirá os atos alcançados, e determinará as providências necessárias ao prosseguimento ou solução do processo. 19. Portanto, diante de todo o exposto, entendemos que deva ser analisada a manifestação de inconformidade apresentada, pois que tempestiva. Conclusão 20. Neste norte, voto pela nulidade do Acórdão DRJ, devendo ser os autos devolvidos á DRJ/JUIZ DE FORA para que emita novo Acórdão, analisando a manifestação de inconformidade apresentada, decidindo seu mérito." Importa registrar que nos autos ora em apreço, a situação fática e jurídica encontra correspondência com a verificada no paradigma, de tal sorte que o entendimento lá esposado pode ser perfeitamente aqui aplicado. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado decidiu por dar parcial provimento ao recurso voluntário, para anular a decisão da DRJ e determinar a realização de um novo julgamento, enfrentando o mérito. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Fl. 301DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10675.001628/98-11
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 27 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Wed Apr 24 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 1988, 1989, 1990, 1991, 1992
RESTITUIÇÃO
Deve ser reconhecido o direito creditório, equivalente redução de 20% da multa passível de redução, em virtude de parcelamento requerido depois da apresentação tempestiva de impugnação, antecipando-se assim à desistência do recurso administrativo.
COMPENSAÇÃO
Devem ser não homologadas as compensações vinculadas a crédito do sujeito passivo não reconhecido na esfera administrativa.
COMPENSAÇÃO. DCOMP
Os pedidos de compensação não apreciados pela autoridade administrativa até 30 de setembro de 2002 serão convertidos em declaração de compensação e como tal devem ser apreciados.
COMPENSAÇÃO. HOMOLOGAÇÃO. PRAZO
O prazo para homologação da compensação declarada pelo sujeito passivo será de cinco anos, contado da data da entrega da declaração de compensação a que se refere.
DECISÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA. REFORMA. NÃO CABIMENTO.
Não merece reforma a decisão de primeira instância que à luz das provas carreadas aos autos interpreta de forma literal o percentual da redução da multa de ofício.
ARGUMENTOS DE INCONSTITUCIONALIDADE. PRINCÍPIO DA VEDAÇÃO AO CONFISCO. SÚMULA Nº 2 DO CARF.
O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária, em conformidade com a Súmula nº 2 do CARF.
Numero da decisão: 3201-005.167
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Charles Mayer de Castro Souza - Presidente.
(assinado digitalmente)
Leonardo Correia Lima Macedo - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza, Marcelo Giovani Vieira, Tatiana Josefovicz Belisario, Paulo Roberto Duarte Moreira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laercio Cruz Uliana Junior.
Nome do relator: LEONARDO CORREIA LIMA MACEDO
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201903
camara_s : Segunda Câmara
ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Ano-calendário: 1988, 1989, 1990, 1991, 1992 RESTITUIÇÃO Deve ser reconhecido o direito creditório, equivalente redução de 20% da multa passível de redução, em virtude de parcelamento requerido depois da apresentação tempestiva de impugnação, antecipando-se assim à desistência do recurso administrativo. COMPENSAÇÃO Devem ser não homologadas as compensações vinculadas a crédito do sujeito passivo não reconhecido na esfera administrativa. COMPENSAÇÃO. DCOMP Os pedidos de compensação não apreciados pela autoridade administrativa até 30 de setembro de 2002 serão convertidos em declaração de compensação e como tal devem ser apreciados. COMPENSAÇÃO. HOMOLOGAÇÃO. PRAZO O prazo para homologação da compensação declarada pelo sujeito passivo será de cinco anos, contado da data da entrega da declaração de compensação a que se refere. DECISÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA. REFORMA. NÃO CABIMENTO. Não merece reforma a decisão de primeira instância que à luz das provas carreadas aos autos interpreta de forma literal o percentual da redução da multa de ofício. ARGUMENTOS DE INCONSTITUCIONALIDADE. PRINCÍPIO DA VEDAÇÃO AO CONFISCO. SÚMULA Nº 2 DO CARF. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária, em conformidade com a Súmula nº 2 do CARF.
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Wed Apr 24 00:00:00 UTC 2019
numero_processo_s : 10675.001628/98-11
anomes_publicacao_s : 201904
conteudo_id_s : 5994422
dt_registro_atualizacao_tdt : Wed Apr 24 00:00:00 UTC 2019
numero_decisao_s : 3201-005.167
nome_arquivo_s : Decisao_106750016289811.PDF
ano_publicacao_s : 2019
nome_relator_s : LEONARDO CORREIA LIMA MACEDO
nome_arquivo_pdf_s : 106750016289811_5994422.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza - Presidente. (assinado digitalmente) Leonardo Correia Lima Macedo - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza, Marcelo Giovani Vieira, Tatiana Josefovicz Belisario, Paulo Roberto Duarte Moreira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laercio Cruz Uliana Junior.
dt_sessao_tdt : Wed Mar 27 00:00:00 UTC 2019
id : 7708430
ano_sessao_s : 2019
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:42:59 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713051907560308736
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 6; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1758; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C2T1 Fl. 202 1 201 S3C2T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10675.001628/9811 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3201005.167 – 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 27 de março de 2019 Matéria COFINS Recorrente REAL MOTOS PEÇAS LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 1988, 1989, 1990, 1991, 1992 RESTITUIÇÃO Deve ser reconhecido o direito creditório, equivalente redução de 20% da multa passível de redução, em virtude de parcelamento requerido depois da apresentação tempestiva de impugnação, antecipandose assim à desistência do recurso administrativo. COMPENSAÇÃO Devem ser não homologadas as compensações vinculadas a crédito do sujeito passivo não reconhecido na esfera administrativa. COMPENSAÇÃO. DCOMP Os pedidos de compensação não apreciados pela autoridade administrativa até 30 de setembro de 2002 serão convertidos em declaração de compensação e como tal devem ser apreciados. COMPENSAÇÃO. HOMOLOGAÇÃO. PRAZO O prazo para homologação da compensação declarada pelo sujeito passivo será de cinco anos, contado da data da entrega da declaração de compensação a que se refere. DECISÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA. REFORMA. NÃO CABIMENTO. Não merece reforma a decisão de primeira instância que à luz das provas carreadas aos autos interpreta de forma literal o percentual da redução da multa de ofício. ARGUMENTOS DE INCONSTITUCIONALIDADE. PRINCÍPIO DA VEDAÇÃO AO CONFISCO. SÚMULA Nº 2 DO CARF. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária, em conformidade com a Súmula nº 2 do CARF. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 67 5. 00 16 28 /9 8- 11 Fl. 219DF CARF MF 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza Presidente. (assinado digitalmente) Leonardo Correia Lima Macedo Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza, Marcelo Giovani Vieira, Tatiana Josefovicz Belisario, Paulo Roberto Duarte Moreira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laercio Cruz Uliana Junior. Relatório Tratase de Recurso Voluntário, efls. 170/179, contra decisão de primeira instância administrativa, Acórdão n.º 0916.195 2ª Turma da DRJ/JFA, efls. 146/150, que reconheceu o direito creditório equivalente à redução de 20% da multa passível de redução, homologou tacitamente as compensações apresentadas em período anterior a 23/11/2001 e não homologou a compensação declarada em 10/05/2002. O relatório da decisão de primeira instância descreve os fatos dos autos. Nesse sentido, transcrevese a seguir o referido relatório: A contribuinte acima identificada requereu a fl.01 com juntada de documentos, de fls. 02/05, a restituição de recolhimento indevido ou a maior de 40% da multa (passível de redução), conforme explanação contida naquele requerimento inicial. As fls. 72 a 76, 83 e 84, foram juntados Pedidos de Compensação, vinculando débitos de PIS (Períodos de Apuração janeiro a maio de 2001 e setembro de 2001) e Cofins (PA — maio de 2001 e abril de 2004) ao crédito aqui discutido, valor registrado em DCOMP de R$ 402.351,04 (11s. 72/73). O Despacho Decisório DRF/UBE n° 395/2006, às lis. 109/112, indeferiu o pedido de fl. 01, em síntese, pela inexistência de direito creditório. Motivo pelo qual também não foram homologadas as compensações pleiteadas. A contribuinte tomou ciência em 23/11/2006. Inconformada a contribuinte apresentou manifestação de inconformidade, em 21/12/2006, às fls. 121/132, na qual sustenta que: 1) Havia transcorrido o prazo para não homologação das compensações, em razão do decurso de mais de cinco anos entre Fl. 220DF CARF MF Processo nº 10675.001628/9811 Acórdão n.º 3201005.167 S3C2T1 Fl. 203 3 a data das declarações apresentadas e a notificação da decisão administrativa. Cita como base legal o art. 74, §§ 40 e 5°, da Lei 9.430/1996, com alterações produzidas pela Lei 10.637/2002 e 10.833/2003; 2) Teve materializado seu crédito pelo pagamento integral do crédito tributário apurado nos autos de infração, sem o aproveitamento do benefício de redução de 40% a que alude o artigo 60 da Lei 8.383/1991; 3) Na interpretação realizada pela autoridade administrativa os pagamentos realizados após prazo legalmente previsto para apresentação de impugnação afastariam o benéfico da redução da multa de 40%, por ocasião do parcelamento; 4) A norma legal tem a clara intenção de beneficiar com redução de multa os contribuintes que optarem por pagar prontamente o débito fiscal, antes de percorrer toda instância administrativa e eventualmente judicial, no debate acerca de sua exigibilidade. Por tal razão, entende ser legitimo o seu direito, ainda que os pagamentos tenham sido realizados depois de vencido o prazo para impugnação. Não se afigura justa a interpretação literal da legislação; 5) Ainda que refutada sua argumentação, no mínimo deveria ter sido reconhecido o direito à redução de 20% da multa, em função do disposto no artigo 60, § 2°, da Lei 8.383/1991. É o relatório A DRJ, por unanimidade de votos, julgou improcedente em parte a impugnação. O Acórdão n.º 0916.195 2ª Turma da DRJ/JFA está assim ementado: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anoscalendário: 1988, 1989, 1990, 1991, 1992 RESTITUIÇÃO Deve ser reconhecido o direito creditório, equivalente redução de 20% da multa passível de redução, em virtude de parcelamento requerido depois da apresentação tempestiva de impugnação, antecipandose assim à desistência do recurso administrativo. COMPENSAÇÃO Devem ser não homologadas as compensações vinculadas a crédito do sujeito passivo não reconhecido na esfera administrativa. COMPENSAÇÃO. DCOMP Os pedidos de compensação não apreciados pela autoridade administrativa até 30 de setembro de 2002 serão convertidos em declaração de compensação e como tal devem ser apreciados. COMPENSAÇÃO. HOMOLOGAÇÃO. PRAZO Fl. 221DF CARF MF 4 0 prazo para homologação da compensação declarada pelo sujeito passivo será de cinco anos, contado da data da entrega da declaração de compensação a que se refere. Inconformada, a ora recorrente apresentou, no prazo legal, Recurso Voluntário, por meio do qual, requer que a decisão da DRJ seja reformada, alegando, em síntese: Das Razões do Presente Recurso Da Legitimidade do Crédito A recorrente discorda da decisão de primeira instância no tocante ao benefício da redução da multa em sua integralidade. Acredita fazer jus ao benefício da redução de 40% (quarenta por cento) a que alude o artigo 6º da Lei 8.383/91, pois efetivou o parcelamento antes de apresentar qualquer impugnação. Argumenta que agiu de boafé. Reconhece, no entanto, que os pagamentos realizados não se deram no prazo para a apresentação das defesas administrativas nos autos dos processos respectivos. 18. É certo que os pagamentos realizados pela Recorrente não se deram no prazo para a apresentação das defesas administrativas nos autos dos processos respectivos. 19. Ocorre que, ainda assim, a Recorrente realizou o pagamento de todos os débitos dentro de um curto intervalo de tempo a partir da cientificação dos Autos de Infração cujos créditos tributários vieram a ser adimplidos. (efl. 176) Em sua defesa, argumenta que a interpretação no julgamento de primeira instância foi estritamente literal, sendo que deveria ter interpretado a norma jurídica em busca do seu sentido. Sustenta ainda que a decisão de primeira instância ofendeu o princípio da boa fé. Do Pedido A recorrente ao final do seu recurso voluntário requer provimento, julgandose totalmente procedente a Manifestação de Inconformidade outrora apresentada para que seja no mérito, reconhecido legitimo o direito da Recorrente ao benefício da redução em 40% da multa incidente sobre o fato gerador em relação ao fato gerador de 10/05/2002, uma vez que todos os demais períodos foram reconhecidos extintos em razão da prescrição. O processo foi distribuído a este Conselheiro Relator, na forma regimental. É o relatório. Voto Leonardo Correia Lima Macedo, Relator. O recurso atende a todos os requisitos de admissibilidade previstos em lei, razão pela qual dele se conhece. A seguir passo a análise do Recurso Voluntário. Fl. 222DF CARF MF Processo nº 10675.001628/9811 Acórdão n.º 3201005.167 S3C2T1 Fl. 204 5 O presente processo trata de pedido de restituição de recolhimento indevido referente a 40% da multa passível de redução não concedido a recorrente. A recorrente discorda da decisão de primeira instância no tocante ao benefício da redução da multa de 20%. A recorrente acredita fazer jus ao benefício da redução de 40% a que alude o artigo 6º da Lei 8.383/91, pois efetivou o parcelamento antes de apresentar qualquer impugnação. O julgamento de primeira instância considerou que foram homologadas tacitamente todas as compensações declaradas nas DCOMP, com data de entrega anterior a 23/11/2001. Restou para análise apenas a DCOM apresentada em 10/05/2002. Quanto a essa verificase nos autos que o parcelamento foi requerido depois de vencido o prazo para apresentação de impugnação. A própria recorrente reconhece que realizou os pagamentos fora do prazo. 18. É certo que os pagamentos realizados pela Recorrente não se deram no prazo para a apresentação das defesas administrativas nos autos dos processos respectivos. 19. Ocorre que, ainda assim, a Recorrente realizou o pagamento de todos os débitos dentro de um curto intervalo de tempo a partir da cientificação dos Autos de Infração cujos créditos tributários vieram a ser adimplidos. (efl. 176) Sendo que a lei é clara quanto a obrigatoriedade de requerer o parcelamento do débito no prazo legal de impugnação. Lei n°8.383/1991 Art. 60. Será concedida redução de quarenta por cento da multa de lançamento de oficio ao contribuinte que. notificado requerer o parcelamento do débito no prazo legal de impugnação. § 1° Havendo impugnação tempestiva, a redução será de vinte por cento, se o parcelamento for requerido dentro de trinta dias da ciência da decisão da primeira instância. Assim, a reclamante não faz jus à redução de 40% concedida por lei. Dessa forma, entendo que não merece reforma a decisão de primeira instância que à luz dos documentos acostado aos autos interpreta o benefício da redução de forma literal. No tocante a boafé e outros argumentos de natureza constitucional, cabe esclarecer que o CARF não tem competência para apreciar tais argumentos. Nesse sentido, cabe citar a Súmula CARF nº 2 Súmula CARF nº 2 O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Fl. 223DF CARF MF 6 Sendo assim voto por NEGAR provimento ao Recurso Voluntário para manter na integralidade a decisão de primeira instância. É como voto. (assinado digitalmente) Leonardo Correia Lima Macedo Relator. Fl. 224DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10380.905874/2015-76
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 27 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Fri May 03 00:00:00 UTC 2019
Numero da decisão: 3402-001.827
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência nos termos do voto da relatora.
(assinado digitalmente)
Waldir Navarro Bezerra - Presidente.
(assinado digitalmente)
Cynthia Elena de Campos - Relatora.
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Waldir Navarro Bezerra (Presidente), Maria Aparecida Martins de Paula, Diego Diniz Ribeiro, Pedro Sousa Bispo, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Marcos Antonio Borges (Suplente Convocado), Cynthia Elena de Campos e Thais de Laurentiis Galkowicz. Ausente o Conselheiro Rodrigo Mineiro Fernandes, substituído pelo Suplente convocado.
Nome do relator: CYNTHIA ELENA DE CAMPOS
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201903
camara_s : Quarta Câmara
turma_s : Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Fri May 03 00:00:00 UTC 2019
numero_processo_s : 10380.905874/2015-76
anomes_publicacao_s : 201905
conteudo_id_s : 6000630
dt_registro_atualizacao_tdt : Fri May 03 00:00:00 UTC 2019
numero_decisao_s : 3402-001.827
nome_arquivo_s : Decisao_10380905874201576.PDF
ano_publicacao_s : 2019
nome_relator_s : CYNTHIA ELENA DE CAMPOS
nome_arquivo_pdf_s : 10380905874201576_6000630.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência nos termos do voto da relatora. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra - Presidente. (assinado digitalmente) Cynthia Elena de Campos - Relatora. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Waldir Navarro Bezerra (Presidente), Maria Aparecida Martins de Paula, Diego Diniz Ribeiro, Pedro Sousa Bispo, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Marcos Antonio Borges (Suplente Convocado), Cynthia Elena de Campos e Thais de Laurentiis Galkowicz. Ausente o Conselheiro Rodrigo Mineiro Fernandes, substituído pelo Suplente convocado.
dt_sessao_tdt : Wed Mar 27 00:00:00 UTC 2019
id : 7721402
ano_sessao_s : 2019
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:43:32 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713051907579183104
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 12; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1171; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C4T2 Fl. 1.863 1 1.862 S3C4T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10380.905874/201576 Recurso nº Voluntário Resolução nº 3402001.827 – 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Data 27 de março de 2019 Assunto IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS Recorrente NORSA REFRIGERANTES S/A Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência nos termos do voto da relatora. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra Presidente. (assinado digitalmente) Cynthia Elena de Campos Relatora. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Waldir Navarro Bezerra (Presidente), Maria Aparecida Martins de Paula, Diego Diniz Ribeiro, Pedro Sousa Bispo, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Marcos Antonio Borges (Suplente Convocado), Cynthia Elena de Campos e Thais de Laurentiis Galkowicz. Ausente o Conselheiro Rodrigo Mineiro Fernandes, substituído pelo Suplente convocado. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 03 80 .9 05 87 4/ 20 15 -7 6 Fl. 1863DF CARF MF Processo nº 10380.905874/201576 Resolução nº 3402001.827 S3C4T2 Fl. 1.864 2 Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto contra o Acórdão nº 1476.163, proferido pela 8ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Ribeirão Preto/SP, que por unanimidade de votos, julgou parcialmente procedente a manifestação de inconformidade interposta, conforme Ementa abaixo: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/10/2013 a 31/12/2013 MATERIAL DE EMBALAGEM. INSUMOS. A película para fardos, desde que não seja material retornável, se enquadra no conceito de insumos embalagem. Para referido conceito, não importa se a embalagem usada é para transporte ou se individual. COMPENSAÇÃO. FALTA DE COMPROVAÇÃO DO CRÉDITO. Mantida parcialmente a glosa de crédito pelo auto de infração e não comprovado o saldo credor suficiente para a compensação pretendida, mantémse a cobrança dos débitos não pagos pela nãohomologação da compensação. SOBRESTAMENTO DO PROCESSO. IDENTIDADE DE MATÉRIAS COM O PROCESSO DE AUTO DE INFRAÇÃO. Diante da inexistência de expressa previsão normativa que determine o sobrestamento de processos, no âmbito do rito processual administrativo fiscal federal, em razão de identidade de matérias tratadas em outro processo, nada impede que haja continuidade dos mesmos em separado. Manifestação de Inconformidade Procedente em Parte Direito Creditório Não Reconhecido Por bem descrever os fatos, transcrevo parte do relatório da decisão recorrida: Tratase de manifestação de inconformidade apresentada pela requerente ante Despacho da Delegacia da Receita Federal do Brasil que indeferiu o ressarcimento, no montante de R$ 3.113.536,42 solicitado no PER nº 15630.56923.250214.1.1.010966 e não homologou as compensações informadas nas DCOMP de 15895.01511.170414.1.7.010640, 27204.73134.170414.1.7.010600, 20032.57549.300414.1.3.017194, 01666.25454.260514.1.3.01 0928, 16887.88712.270614.1.3.018169, 35177.13390.100914.1.3.016840, 30889.84506.151014.1.3.011201, 30437.33109.010615.1.3.014786, Fl. 1864DF CARF MF Processo nº 10380.905874/201576 Resolução nº 3402001.827 S3C4T2 Fl. 1.865 3 16688.51139.250815.1.7.010069 e 11740.34474.201115.1.3.015600, fato que constou da cobrança do valor de R$ 3.113.536,42 mais acréscimos legais. Consta dos autos que o crédito que se pretendeu compensar diz respeito ao saldo credor do IPI apurado no 4º trimestre de 2013. Em 07/06/2016, foi emitido Despacho Decisório Eletrônico (Rastreamento nº 115288674) que reconheceu parcialmente o crédito, no montante de R$ 3.014.836,36 (três milhões quatorze mil oitocentos e trinta e seis reais e trinta e seis centavos), homologou as compensações declaradas nos documentos de nº 15895.01511.170414.1.7.010640, 27204.73134.170414.1.7.010600, 20032.57549.300414.1.3.017194, 01666.25454.260514.1.3.01 0928, 16887.88712.270614.1.3.018169, 35177.13390.100914.1.3.016840, 30889.84506.151014.1.3.011201, 30437.33109.010615.1.3.014786 e 16688.51139.250815.1.7.01 0069, homologou parcialmente as compensações informadas no documento nº 11740.34474.201115.1.3.015600, e indeferiu o pedido ressarcimento apresentado no documento nº 15630.56923.250214.1.1.010966. O indeferimento do pedido e a não homologação das compensações se deram em consequência de glosas de créditos considerados indevidos, em procedimento fiscal. A empresa apresentou manifestação de inconformidade e por meio da Resolução nº 4.328, de 27/06/2017, esta Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Ribeirão Preto (SP) converteu o julgamento da manifestação em diligência, tendo em vista que em procedimento fiscal diverso, efetuado em estabelecimento da mesma empresa CNPJ nº 07.196.033/002141 , restou evidente erro de classificação fiscal nas aquisições da Amazônia Ocidental tida como isenta e aproveitada pelo estabelecimento – processos administrativos PA 10380.730601/201642 e PA nº 10380.903208/201501. 4.2, nos quais a equipe fiscal constatou que todos os insumos identificados nas notas fiscais como "concentrados", fornecidos pela empresa RECOFARMA INDÚSTRIA DO AMAZONAS LTDA, CNPJ 61.454.393/000106, utilizados para a fabricação dos produtos finais da contribuinte, apresentamse fisicamente dissociados, em partes e embalagens distintas, que não se referem a concentrados, "extratos concentrados" ou "sabores concentrados", que dão materialidade textual aos "EX 01 e EX 02". Consta do processo nº 10384723.819/201791 o Relatório de Ação Fiscal onde ficou demonstrado erro de classificação fiscal na aquisição de insumos junto à fornecedora Recofarma Indústria do Amazonas Ltda (CNPJ nº 61.454.393/000106), não havendo créditos de IPI na entrada desses insumos, cujas glosas totalizaram os valores a seguir: R$ 701.965,92, R$ 901.835,08 e R$ 741.145,01, para os meses de outubro, novembro e dezembro de 2013, respectivamente. Verificouse, assim, que a maior parte dos créditos do IPI escriturados pela empresa foram oriundos de “kits” contendo preparações dos tipos utilizados para elaboração de bebidas da posição 22.02, além de outros ingredientes acondicionados individualmente, adquiridos de RECOFARMA INDÚSTRIA DO AMAZONAS LTDA, CNPJ 61.454.393/0001 06, fornecedor localizado em Manaus/AM. A empresa RECOFARMA INDÚSTRIA DO AMAZONAS LTDA não destacou o IPI notas fiscais de saída dos kits, por entender que os produtos estariam isentos do imposto. E, a partir de janeiro de 2011, passou a registrar nas notas fiscais a classificação fiscal 2106.90.10, código Ex 01, que tem a seguinte descrição: preparações dos tipos utilizados para elaboração de bebidas (Ex 01 Preparações compostas, não alcoólicas (extratos concentrados ou sabores concentrados), para elaboração de bebida da posição 22.02, com capacidade de diluição superior a 10 partes da bebida para cada parte do concentrado). Fl. 1865DF CARF MF Processo nº 10380.905874/201576 Resolução nº 3402001.827 S3C4T2 Fl. 1.866 4 A requerente, apesar de não efetuar pagamento do IPI nas aquisições dos insumos fornecidos por Recofarma, baseouse no artigo 237 do RIPI/2010 para escriturar no Livro Registro de Apuração do IPI créditos calculados mediante aplicação da alíquota prevista na TIPI para o Ex 01 do código 2106.90.10 sobre o valor dos kits. Até 30/09/2012, os produtos enquadrados no Ex 01 do código 2106.90.10 eram tributados à alíquota de 27% (Decreto nº 6.006, de 28/12/2006, e Decreto nº 7.660, de 23/12/2011). A partir de 01/10/2012, os produtos enquadrados no Ex 01 do código 2106.90.10 passaram a ser tributados à alíquota de 20% (Decreto nº 7742, de 31/05/2012). Ressaltese que somente a partir do mês abril/2015 a empresa passou a registrar em sua escrituração a NCM 2106.90.10 que consta das respectivas notas fiscais eletrônicas emitidas pela fornecedora, até então eram escriturados os códigos NCM: 9900.00.00 ou 2100.00.00. Além disso, na ação fiscal anteriormente executada, houve glosas de créditos em decorrência de os materiais adquiridos não se enquadrarem no conceito de insumos, nos termos do art. 164 do Decreto nº 4.544/2002 (RIPI/02), sendo: R$ 23.162,50, R$ 52.762,95 e R$ 22.774,61, para os meses de outubro, novembro e dezembro de 2013, respectivamente. No exame efetuado pela fiscalização foram encontrados materiais, empregados no processo produtivo do interessado, que não se enquadram no conceito de insumo, conforme enunciado no art. 164 do Decreto nº 4.544/02 (RIPI 2002), com a conformação que lhe foi dada pela ainda vigente interpretação contida no Parecer Normativo CST nº 65/79. Os materiais, que estão relacionados no demonstrativo “RELAÇÃO DE INSUMOS GLOSADOS” (de que fora cientificado o contribuinte quando da emissão do despacho decisório emitido em 08/10/2014), embora empregados no processo produtivo, não reúnem as condições necessárias para se enquadrar no conceito de insumo, ou seja, não se incorporaram aos produtos fabricados nem sofreram desgastes, danos ou perdas de suas propriedades físicas ou químicas em razão de ação exercida diretamente sobre àqueles. Além desses, desconsiderouse também materiais de embalagens empregados após a conclusão do processo produtivo, com a finalidade de acondicionar os produtos fabricados para transportes, desta feita, escapando da abrangência requerida no art. 164 acima citado, que é a de utilização no processo produtivo. Em decorrência dessas glosas, foi efetuada a reconstituição da escrita fiscal (conforme planilha anexada às fls. 1517/1527), tendo sido constatado que, ao invés de créditos de IPI passíveis de ressarcimento/compensação, houve apuração de saldos devedores, com a consequente emissão de auto de infração, conforme consta do processo nº 10384 723.819/201791. Regularmente cientificada do indeferimento de seu pleito, a empresa apresentou manifestação de inconformidade alegando, em suma, o que segue: Da necessária vinculação deste processo com o PAF 10384723.819/201791: O Despacho Decisório aqui impugnado, na verdade, é decorrência (e repetição) do Auto de Infração objeto do PAF n. 10384723.819/201791 Acontece que, utilizandose da faculdade prevista no art. 16 do Decreto n. 70.235/72, o aludido Auto de Infração foi Impugnado e sua exigibilidade está suspensa na forma do art. 151, III, do CTN. Fl. 1866DF CARF MF Processo nº 10380.905874/201576 Resolução nº 3402001.827 S3C4T2 Fl. 1.867 5 Portanto, a Inconformada requer, com vistas à economia processual e razoabilidade, e mesmo em nome de práticas tendentes à racionalização dos atos administrativos (invocando, neste particular, por analogia (CTN, art. 108, I), o disposto nos arts. 116 e 116A do Decreto n. 7.574/20111), a reunião deste processo com o PAF n. 10384723.819/201791, ou, quando menos, a suspensão do presente até que o primeiro seja concluído. Salientase que o pedido é de todo cabível na medida em que o indeferimento do crédito aqui discutido decorreu da reapuração do IPI efetivada nos autos do PAF nº 10384723.819/2017 91, de forma que àquele está vinculada. Se a Impugnação apresentada naquele PAF for acolhida, a premissa (isto é, o motivo determinante) que suporta o Despacho Decisório aqui impugnado será infirmada; sendo imperioso, ao final, o reconhecimento do direito creditório. Impossibilidade de revisão do Despacho Decisório anterior: Admitindose, por hipótese, a superação da questão prejudicial (isto é, o não acolhimento do pedido anterior, ou, sendo acolhido, que o Auto de Infração objeto do PAF n. 10384 723.819/201791 seja julgado procedente), temse, no mérito, a impossibilidade de revisão do Despacho Decisório anterior. Em valiosa lição, o saudoso Prof. Alberto Xavier ensina que: São três os fundamentos da revisão do lançamento: (i) a fraude ou falta funcional da autoridade que o praticou; (ii) a omissão de ato ou formalidade essencial; (iii) a existência de fato não conhecido ou não provado por ocasião do lançamento anterior. Pode, assim, dizerse que os vícios que suscitam a anulação ou reforma do ato administrativo de lançamento são a fraude, o vício de forma e o erro... O Parecer Normativo COSIT nº 08/2014, por sua vez dispõe que: 32.Do exposto, concluise que as hipóteses de revisão de ofício do lançamento são aquelas fixadas nos incisos I, VIII e IX do art. 149 do CTN, quais sejam, quando a lei assim o determine (como no caso do §7º do art. 19 da Lei nº 10.522, de 19 de julho de 2002; e o art. 53 da Lei nº 9.784, de 1999, neste incluídos o vício de legalidade e ofensa a matéria de ordem pública); erro de fato no lançamento; fraude ou falta funcional; e vício formal especial. São estes, portanto, os limites materiais em que é possível a revisão de ofício do lançamento, desde que estas questões não estejam (ou tenham sido) submetidas aos órgãos de julgamento administrativo. Logo, não há que se falar na justificativa de emissão de um novo despacho decisório unicamente em virtude de nova fiscalização superveniente ao ato administrativo anteriormente praticado. Tal não é possível. De outro lado, também não é o art. 53 da Lei nº. 9.784/1999 que justifica sua conduta em emitir um novo despacho decisório. Art. 53. A Administração deve anular seus próprios atos, quando eivados de vício de legalidade, e pode revogálos por motivo de conveniência ou oportunidade, respeitados os direitos adquiridos. Vejam, Ilustres Julgadores, que o dispositivo em questão não trata em absoluto da hipótese em tela, sobre emitir um novo despacho. No presente caso não houve vício de legalidade que permitisse a DRF emitir um novo despacho decisório, houve apenas suposto erro nas premissas e fundamentos Fl. 1867DF CARF MF Processo nº 10380.905874/201576 Resolução nº 3402001.827 S3C4T2 Fl. 1.868 6 adotados no primeiro despacho (já que não foram observados os fatos observados em fiscalização posterior que deram origem ao PAF n. 10384723.819/201791). Ainda que se interprete que há presente algum vício de legalidade apto a anular o despacho anterior, não há legitimação alguma através no aludido dispositivo para a emissão de um novo despacho decisório alterando a fundamentação para negar o crédito pleiteado, tendo em vista o disposto no art. 146 do CTN: Art. 146. A modificação introduzida, de ofício ou em conseqüência de decisão administrativa ou judicial, nos critérios jurídicos adotados pela autoridade administrativa no exercício do lançamento somente pode ser efetivada, em relação a um mesmo sujeito passivo, quanto a fato gerador ocorrido posteriormente à sua introdução. E não se diga que a Autoridade Administrativa tem tal discricionariedade dentro do prazo de cinco para homologar ou não a Declaração de Compensação, pois, como dispõe a legislação regente, essa possibilidade só existe nos casos em que os atos estão eivados de vício. Salientese que tal comando é corolário da Segurança Jurídica, constitucionalmente resguardada (CF, art. 5º, caput). No caso presente, não é hipótese de nulidade do primeiro despacho decisório a justificar a sua revisão com fins de, alterando o critério jurídico inicialmente adotado, estabelecer nova relação jurídica. O Conselho Administrativo de Recursos Fiscais já se posicionou pela impossibilidade de emissão de um novo despacho em caso bastante semelhante: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Ano calendário: 2006 IMPOSTO PAGO NO EXTERIOR. COMPENSAÇÃO. REVISÃO DE HOMOLOGAÇÃO DE COMPENSAÇÃO PUBLICADA. IMPOSSIBILIDADE. PRECLUSÃO. NULIDADE DO SEGUNDO DESPACHO. Uma vez publicado um Despacho Decisório que homologa totalmente a compensação, extinguindo, portanto, o crédito tributário por inteiro, não é possível voltar atrás para publicar um novo Despacho Decisório que homologa apenas parte da compensação e extingue, então, apenas parcialmente o crédito tributário. Havendo publicação de homologação de compensação, extinto está o crédito e preclusa qualquer nova tentativa de examinálo, salvo no caso de nulidade do primeiro Despacho Decisório. É, portanto, nulo o segundo Despacho Decisório. (CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS CARF Primeira Seção QUARTA CÂMARA PRIMEIRA TURMA RECURSO: RECURSO VOLUNTÁRIO MATÉRIA: CSLL ACÓRDÃO: 1401001.487) O já citado Parecer Normativo COSIT nº. 08/2014 traz a seguinte conclusão: REVISÃO DE OFÍCIO DO DESPACHO DECISÓRIO Revisão de ofício do despacho decisório que não homologou a declaração de compensação – Dcomp. (...) 81. Em face do exposto, concluise que: (...) c) a revisão de ofício de despacho decisório que não homologou compensação pode ser efetuada pela autoridade administrativa local para crédito tributário Fl. 1868DF CARF MF Processo nº 10380.905874/201576 Resolução nº 3402001.827 S3C4T2 Fl. 1.869 7 não extinto e indevido, na hipótese de ocorrer erro de fato no preenchimento de declaração (na própria Dcomp ou em declarações que deram origem ao débito, como a DCTF e mesmo a DIPJ, quando o crédito utilizado na compensação se originar de saldo negativo de IRPJ ou de CSLL), desde que este não esteja submetido aos órgãos de julgamento administrativo ou já tenha sido objeto de apreciação destes; Desta forma, é preciso reconhecer a nulidade do Despacho Decisório ora impugnado haja vista a impossibilidade de revisão do Despacho Decisório anterior. Sobre as glosas e o crédito em si: Os fundamentos do Despacho Decisório para indeferir o direito creditório e não homologar as compensações declaradas partem, exclusivamente, da premissa de que os créditos que ensejariam o saldo credor a ser ressarcido foram glosados no Auto de Infração que deu origem ao PAF nº 10384723.819/201791. Com efeito, a discussão travada envolve, exclusivamente, a glosa perpetrada nos autos do PAF n. 10384723.819/201791. Como tal, nesta Manifestação a Inconformada junta, em sua defesa (doc. 01), a Impugnação apresentada ao Auto de Infração e reitera todos os seus termos, para que se considerem como se aqui estivessem transcritos. Do pedido: Ante o exposto, a Inconformada pede, de partida, que esta Manifestação de Inconformidade seja reunida ao PAF n. 10384723.819/201791 ou que o presente processo permaneça suspenso até o desfecho daquele. Sucessivamente requer que seja acolhida a presente Manifestação de Inconformidade, seja para anular o Despacho Decisório impugnado, visto que não existe previsão para fosse proferido novo Despacho Decisório no caso presente, seja para reformálo e reconhecer o seu direito creditório referente ao Saldo Credor de IPI, homologando, assim, as compensações declaradas. Requer ainda que, na dúvida, seja conferida a interpretação mais favorável à Inconformada, na forma do art. 112 do CTN. Com relação às glosas de PI e ME efetuadas pelo Fisco, na primeira manifestação apresentada, a interessada, resumidamente, assim contestou: Considerando que a Fiscalização reclassificou os créditos referentes à segunda suposta irregularidade apontada, devolvendo os referidos créditos à escrita da Inconformada, só que corno "não ressarcíveis" e, de outro lado, considerando ainda que tais créditos não suplantaram os débitos referentes ao período em questão, tendo sido consumidos no próprio período, só a glosa dos créditos relativos à primeira infração produziu efeito no valor não homologado no despacho decisório, motivo peio qual esta defesa só se aterá e enfrentará este ponto. Em que pese o esforço do Fiscal Autuante, o fato é que os produtos adquiridos são produtos intermediários que estão vinculadas e são consumidos no processo produtivo da Inconformada, que não se enquadram nem como ativo fixo e nem como bens de uso e consumo pelas seguintes razões: Primeiro, porque estão de tal forma envolvidos na fabricação do produto explorado peia Inconformada, que sem o seu concurso é impossível obter o produto finai; Fl. 1869DF CARF MF Processo nº 10380.905874/201576 Resolução nº 3402001.827 S3C4T2 Fl. 1.870 8 Segundo, porque estão tão intrinsecamente relacionados ao produto finai, ainda que de forma indireta, que se pode avaliar, antecipadamente, a quantidade a ser consumida, eis que guarda estrita relação ou proporção com o volume produzido. Nessa condição, compõe o custo; e Terceiro, porque são consumidos e imprescindíveis ao processo de fabricação. Mesmo sem fisicamente integrar o produto finai, são intermediários de curta duração (porque os de longa duração são bens do ativo imobilizado). O fato é que os produtos adquiridos são produtos intermediários que estão vinculados e são consumidos no processo produtivo da Inconformada, que não se enquadram nem como ativo fixo e nem como bens de uso e consumo. Como já dito anteriormente, a Inconformada fabrica bebidas da marca Coca Cola. Além de estarse falando em produção de alimento (bebida), o que por si só justifica a utilização de produtos que garantam a limpeza em toda área de produção, devese ter em mente a própria imposição de rigores por parte da vigilância sanitária, em relação à limpeza e higienização de tudo que envolve a produção de gêneros alimentícios. Como já dito anteriormente, a Inconformada fabrica bebidas da marca Coca Cola. Além de estarse falando em produção de alimento (bebida), o que por si só justifica a utilização de produtos que garantam a limpeza em toda área de produção, devese ter em mente a própria imposição de rigores por parte da vigilância sanitária, em relação à limpeza e higienização de tudo que envolve a produção de gêneros alimentícios. Ademais, Ilustres Julgadores, a Inconformada chama atenção ao fato de que na mesma linha de produção na qual se fabrica a CocaCola, são fabricadas também as demais bebidas (Fanta, Kuat etc). Dessa feita, ao encerrar a produção de um tipo de bebida, toda a linha de produção é submetida a um rigoroso processo de limpeza e higienização, no intuito de retirar vestígios do produto anterior e preparar o maquinário para a próxima bebida. Há como se conceber a fabricação da Sprite logo após a fabricação da CocaCola sem antes efetuar uma completa higienização da linha de produção? Como se vê, os produtos adquiridos pela Inconformada são consumidos no cumprimento das etapas do processo industrial, conforme se depreende dos Manuais Técnicos e das Listas Técnicas dos fornecedores em anexo (doe. 06), sendo lógico que integram o custo da produção de refrigerantes e que sofrem a incidência do IPI quando da venda do produto final, razão pela qual, de acordo com o art. 226, inciso I, do Decreto n° 7.212 de junho de 2010, geram crédito. Eis o dispositivo: Para citar um exemplo da necessidade dos produtos na linha de produção da Inconformada, consoante Manuais ora anexados, vejase que dentre os muitos produtos glosados tem o Dicolub Lujob, que "e um produto concentrado à base de sabão destinado a limpeza e lubrificação de esteiras transportadoras de garrafas de vidro e latas de alumínio em indústrias de bebidas". Os outros produtos igualmente têm sua função específica no processo produtivo tal como documentado anexo. Quer dizer, os produtos adquiridos pela Inconformada são consumidos no cumprimento das etapas do processo industrial, inclusive para atender as determinações Fl. 1870DF CARF MF Processo nº 10380.905874/201576 Resolução nº 3402001.827 S3C4T2 Fl. 1.871 9 do Ministério da Saúde e Vigilância Sanitária (Portaria SVS/MS n° 326 de 30 de julho de 1997). Segue abaixo precedente do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF que atesta a procedência do procedimento utilizado pela Inconformada, naquele caso defendido por outra fabricante de refrigerantes (Vonpar Refrescos S/A): Não bastasse, um fato relevante é que os produtos em questão compõem o custo de produção dos produtos industrializados pela Inconformada. Sendo assim, não se pode negar que compõem o preço do produto acabado que será tributado pelo IPI ao argumento de que o IPI está sujeito ao crédito físico. Por isso, negar o direito ao crédito viola a não cumulatividade consagrada na Constituição Federal, fazendo incidir duas vezes o IPI sobre o mesmo produto. Assim, em homenagem ao princípio da nãocumulatividade (art. 155, § 20 da CF/88 e art. 163 do Decreto n°. 4.544/02), concluise pelo direito ao uso do crédito fiscal do IPI pago na aquisição dos produtos destinados estritamente a integrar e viabilizar as etapas do processo de industrialização e produção de refrigerantes. Não havendo o uso dos produtos, a qualidade dos produtos fabricados será gravemente comprometida, podendo até a inutilizar o produto fabricado. Sendo assim, não há dúvidas de que a glosa realizada em relação aos produtos de higienização da linha de produção foi indevida, devendo ser reformado, portanto, o despacho decisório neste ponto. No aludido demonstrativo de "insumos" glosados, constante do TIF, constam diversos produtos (filme plástico, películas de strech etc.) que, ao seu entender, escapam da abrangência exigida pela legislação pertinente ao IPI, pois, teriam "a finalidade de acondicionar os produtos fabricados para transportes", não gerando direito a crédito, logo, não sendo possível o seu ressarcimento. Ora, Ilustres Julgadores, uma vez embaladas as bebidas em embalagem unitária (garrafa), tais embalagens são agrupadas numa base de Eucatex, empilhadas e envolvidas em um filme plástico, para finalizar a embalagem e disponibilização para transporte do produto. Materiais de embalagem de refrigerantes não podem ser entendidos, tão somente, como a "garrafa pet" que envolve o líquido, mas sim todas as outras embalagens que compõem a viabilidade do seu transporte para os adquirentes dos produtos, visto que o transporte pela unidade do produto inviabilizaria a sua comercialização. O CARF já se manifestou de forma positiva ao entendimento defendido pela Recorrente também nesse ponto: Ora doutos Julgadores, como dito anteriormente, data vênia, a Fiscalização equivocase ao entender que a embalagem dos produtos comercializados só contempla as latas e garrafas que transportam o líquido produzido. O que seria o plástico que envolve um pack de 12 latas de Coca Cola se não embalagem do produto? Como seria a operacionalização da venda de 2000 mil latas, por exemplo, se a Inconformada tivesse que vender aos revendedores todas as latas soltas? E isso acontece com as outras diversas formas de apresentação e tamanho dos produtos. Fl. 1871DF CARF MF Processo nº 10380.905874/201576 Resolução nº 3402001.827 S3C4T2 Fl. 1.872 10 A Contribuinte foi intimada do Acórdão nº 1476.163 por via eletrônica em data de 01/03/2018 (Termo de Ciência por Abertura de Mensagem de fls. 1.515). O Recurso Voluntário de fls. 1.521 a 1.546 foi interposto em data de 29/03/2018 (Termo de Análise de Solicitação de Juntada de fls. 1.520), pelo qual pede a reforma da decisão de primeira instância e, consequentemente, o cancelamento do auto de infração e extinção do crédito tributário exigido. Em síntese, o Recurso Voluntário está fundamentado nos seguintes argumentos: i) Em 25.02.201,4, 17.04.2014, 30.04.2014, 26.05.2014, 27.06.2014, 10.09.2014, 15.10.2014, 01.06.2015, 25.08.2015 e 20.11.2015, transmitiu (i) pedido de ressarcimento de Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) relativo ao saldo credor desse imposto apurado no período de outubro de 2013 a dezembro de 2013 e (ii) declarações de compensação (PER/DCOMPs) para utilizar o referido saldo credor para quitar, por compensação, débitos de CIDE, PIS, COFINS, IOF, CSRE e IRRF; ii) Em 07.06.2016, a Delegacia da Receita Federal do Brasil em Teresina proferiu despacho decisório, no qual: a) homologou expressa e integralmente declaradas nas PER/DCOMPs nºs: 15895.01511.170414.1.7.010640, 27204.73134.170414.1.7.010600, 20032.57549.300414.1.3.017194, 01666.25454.260514.1.3.01 0928, 16887.88712.270614.1.3.018169, 35177.13390.100914.1.3.016840, 30889.84506.151014.1.3.011201, 30437.33109.010615.1.3.014786 e 16688.51139.250815.1.7.01 0069; b) homologou expressa e parcialmente a compensação declarada na PER/DCOMP no 1,17 40.34474.201115.1.3. 015600; e c) não reconheceu valor a ser ressarcido no pedido de ressarcimento no 15630.56923.250214.L. 1. 010966. iii) Em 21.10.2011, a AUTORIDADE proferiu novo despacho decisório, reformando o anterior, para indeferir o pedido de ressarcimento e não homologar todas as declarações de compensação, por entender que: a) a RECORRENTE teria utilizado alíquota incorreta para cálculo dos créditos de IPI decorrentes da aquisição dos concentrados isentos para bebidas não alcoólicas, em razão de suposto equívoco de classificação fiscal dos referidos produtos; e b) a RECORRENTE teria se aproveitado indevidamente de cr6ditos de IPI decorrentes da aquisição de produtos e materiais de embalagem que não teriam sido utilizados no processo produtivo dos refrigerantes. iv) Configurase alteração do critério jurídico, pois a 8ª Turma da DR,J/RPO não mais poderia ter tratado da parte do saldo credor de IPI já definitivamente reconhecida e homologada, pois, como visto, a homologado expressa do saldo credor extingue, por compensação, o respectivo crédito tributário. v) É inaplicável o artigo 25 da IN/REB no 1.300/20L2 (vigente a 6poca das compensag6es e da apurado do saldo credor de IPI) 6 especifico para os casos em que o contribuinte apenas formula pedido de ressarcimento para receber a importância em espécie da época em que homologadas as declarações de compensação, objeto do Fl. 1872DF CARF MF Processo nº 10380.905874/201576 Resolução nº 3402001.827 S3C4T2 Fl. 1.873 11 presente processo (07.06.2016) , não havia sido lavrado qualquer auto de infração que tivesse glosado a alíquota utilizada para cálculo dos créditos de IPI. vi) Os produtos de limpeza utilizados para assepsia e sanitização integram o processo produtivo dos refrigerantes, pois são inerentes à produção e de uso obrigatório por exigências sanitárias, bem como os lubrificantes e materiais e embalagem são imprescindíveis ao processo produtivo. O creditamento pretendido atende aos requisitos estabelecidos pelo STJ em recurso repetitivo através do julgamento ao REsp nº 1.075.508/SC. vii) Tem o direito de utilizar referidos créditos de CIDE, PIS, COFINS, IOF, CSRE e IRRF. É o relatório. Voto Conselheira Cynthia Elena de Campos, Relatora 1. Pressupostos legais de admissibilidade Nos termos do relatório, verificase a tempestividade do recurso, bem como o preenchimento dos demais requisitos de admissibilidade, resultando em seu conhecimento. 2. Da necessidade de diligência para julgamento do recurso Como demonstrado em peça recursal, a decisão recorrida reconhece que as questões referentes a alíquota utilizada para calcular os créditos de IPI, discutidas no presente processo, estão concomitantemente sendo tratadas no PAF nº 10384723.819/201791, conforme dispositivo do Acórdão nº 1476.163, abaixo transcrito: Pelo exposto, voto pela procedência parcial da manifestação de inconformidade, para reverter a glosa efetuada com relação ao material de embalagem, mantendose a cobrança na forma como efetuada, no entanto. Observese que cópia do presente Acórdão deve ser apensa ao processo administrativo nº 10384723.819/201791, para que suas conclusões sejam analisadas na 2º instância administrativa, no caso de recurso voluntário. Ademais, importante proceder a juntada ao PAF nº 10384723.819/201791, para julgamento concomitante, conforme determina a Portaria RFB nº 1668, de 2016. Às fls. 1.517 foi proferido o Despacho de Encaminhamento nos seguintes termos: A análise neste processo é referente a uma manifestação de inconformidade apresentada contra a não homologação de compensações através de DCOMP. Por ser um assunto da competência Fl. 1873DF CARF MF Processo nº 10380.905874/201576 Resolução nº 3402001.827 S3C4T2 Fl. 1.874 12 da SAOR, proponho o encaminhamento do processo àquele setor, para que adote as providências de sua competência. Posteriormente ele deverá ser devolvido ao setor de cobrança da SACAT, onde será juntado ao processo 10384.723819/201791, conforme determinado na conclusão do Acórdão 1476.163. Ocorre que no PAF nº 10384.723819/201791, um dos fundamentos da defesa versa sobre o direito ao crédito de IPI decorrente da aquisição de concentrados para bebidas não alcoólicas por força de decisão transitada em julgado no Mandado de Segurança Individual nº 95.00094703. Em razão de tais argumentos e, para melhor análise deste Colegiado quanto ao objeto tratado na demanda judicial, o julgamento foi convertido em diligência para as seguintes providências: 1) Intimação da Recorrente para apresentar nos autos, no prazo de 30 (trinta) dias: i) Cópia Integral do Mandado de Segurança nº 95.00094703; ii) Certidão de trânsito em julgado; iii) Certidão de inteiro teor do referido processo (certidão de objeto e pé). 2) Apresentados os documentos solicitados em Item 1, que seja intimada a PGFN para manifestação que entender pertinente, no prazo de 30 (trinta) dias. Considerando a necessidade de análise conjunta, como requerido pela Contribuinte e reconhecido pela DRJ, voto pela conversão do julgamento em diligência para sobrestar o presente processo na 4ª Câmara desta Seção até cumprimento da Resolução nº 3401001.826 e retorno do PAF nº 10384.723819/201791 a este Colegiado. É a proposta de Resolução. (assinado digitalmente) Cynthia Elena de Campos Fl. 1874DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10384.002859/2010-20
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Apr 09 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Fri Apr 26 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Ano-calendário: 2009
CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. HORA EXTRA. TERÇO CONSTITUCIONAL DE FÉRIAS.
É devida a incidência da contribuição previdenciária sobre verbas pagas a título de horas extras e terço constitucional de férias.
Apenas as decisões definitivas de mérito exaradas na sistemática prevista pelos arts. 543-B e 543-C da Lei nº 5.869, de 1973, devem ser reproduzidas pelos Conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF.
DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA.
A comprovação do direito creditório compete a quem dele se aproveita, sendo dever do contribuinte apresentar elementos modificativos, impeditivos ou extintivos do direito de constituição do crédito tributário devidamente exercido pelo Fazenda Nacional.
Numero da decisão: 2201-005.073
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar arguida e, no mérito, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Carlos Alberto do Amaral Azeredo - Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Débora Fófano Dos Santos, Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim, Douglas Kakazu Kushiyama, Sheila Aires Cartaxo Gomes (suplente convocada), Marcelo Milton da Silva Risso e Carlos Alberto do Amaral Azeredo (Presidente). Ausente o conselheiro Daniel Melo Mendes Bezerra.
Nome do relator: CARLOS ALBERTO DO AMARAL AZEREDO
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201904
camara_s : Segunda Câmara
ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Ano-calendário: 2009 CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. HORA EXTRA. TERÇO CONSTITUCIONAL DE FÉRIAS. É devida a incidência da contribuição previdenciária sobre verbas pagas a título de horas extras e terço constitucional de férias. Apenas as decisões definitivas de mérito exaradas na sistemática prevista pelos arts. 543-B e 543-C da Lei nº 5.869, de 1973, devem ser reproduzidas pelos Conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA. A comprovação do direito creditório compete a quem dele se aproveita, sendo dever do contribuinte apresentar elementos modificativos, impeditivos ou extintivos do direito de constituição do crédito tributário devidamente exercido pelo Fazenda Nacional.
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
dt_publicacao_tdt : Fri Apr 26 00:00:00 UTC 2019
numero_processo_s : 10384.002859/2010-20
anomes_publicacao_s : 201904
conteudo_id_s : 5996546
dt_registro_atualizacao_tdt : Fri Apr 26 00:00:00 UTC 2019
numero_decisao_s : 2201-005.073
nome_arquivo_s : Decisao_10384002859201020.PDF
ano_publicacao_s : 2019
nome_relator_s : CARLOS ALBERTO DO AMARAL AZEREDO
nome_arquivo_pdf_s : 10384002859201020_5996546.pdf
secao_s : Segunda Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar arguida e, no mérito, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Carlos Alberto do Amaral Azeredo - Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Débora Fófano Dos Santos, Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim, Douglas Kakazu Kushiyama, Sheila Aires Cartaxo Gomes (suplente convocada), Marcelo Milton da Silva Risso e Carlos Alberto do Amaral Azeredo (Presidente). Ausente o conselheiro Daniel Melo Mendes Bezerra.
dt_sessao_tdt : Tue Apr 09 00:00:00 UTC 2019
id : 7714695
ano_sessao_s : 2019
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:43:11 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713051907592814592
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 14; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1728; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C2T1 Fl. 201 1 200 S2C2T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10384.002859/201020 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2201005.073 – 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 09 de abril de 2019 Matéria CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS Recorrente MUNICIPIO DE AMARANTESECRETARIA MUNICIPAL DE EDUCAÇÃO Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Anocalendário: 2009 CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. HORA EXTRA. TERÇO CONSTITUCIONAL DE FÉRIAS. É devida a incidência da contribuição previdenciária sobre verbas pagas a título de horas extras e terço constitucional de férias. Apenas as decisões definitivas de mérito exaradas na sistemática prevista pelos arts. 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 1973, devem ser reproduzidas pelos Conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA. A comprovação do direito creditório compete a quem dele se aproveita, sendo dever do contribuinte apresentar elementos modificativos, impeditivos ou extintivos do direito de constituição do crédito tributário devidamente exercido pelo Fazenda Nacional. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar arguida e, no mérito, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Carlos Alberto do Amaral Azeredo Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Débora Fófano Dos Santos, Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim, Douglas Kakazu Kushiyama, Sheila Aires AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 38 4. 00 28 59 /2 01 0- 20 Fl. 201DF CARF MF Processo nº 10384.002859/201020 Acórdão n.º 2201005.073 S2C2T1 Fl. 202 2 Cartaxo Gomes (suplente convocada), Marcelo Milton da Silva Risso e Carlos Alberto do Amaral Azeredo (Presidente). Ausente o conselheiro Daniel Melo Mendes Bezerra. Relatório O presente processo trata de recurso voluntário impetrado em face do Acórdão 0259.561, de 18 de agosto de 2014, exarado pela 8ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Belo Horizonte (fl. 174 a 182), que assim relatou a lide administrativa: Tratase de crédito lançado contra o Município de Amarante – Secretaria Municipal de Educação que, de acordo com o relatório fiscal de fls. 10 a 16, referese à contribuição da empresa resultante de glosas por compensações indevidas, no período de 04/2009 a 10/2009, no valor de R$ 554.184,99, consolidado em 7/7/2010. As compensações foram realizadas pelo contribuinte sob o argumento de que foram incluídas na base de cálculo rubricas que não compõem o saláriodecontribuição, como horas extras, terço constitucional de férias, ajuda de custo e abono pecuniário de férias. Segundo a fiscalização a glosa da compensação realizada pelo autuado se deu em razão dos seguintes fatos: no período de 01/1999 a 13/2000, 08/2004 e 09/2004 os valores declarados em GFIP como devidos à previdência social foram superiores aos efetivamente recolhidos; não foi observado o prazo prescricional para proceder à compensação; as remunerações dos vereadores não foram declaradas em GFIP, assim, não integraram a base de cálculo das contribuições, no período de 02/1998 a 09/2004; a compensação, ainda que devida, somente poderia ser realizada pela própria Câmara Municipal de Amarante – PI; os valores pagos a título de horas extras, terço constitucional de férias, ajuda de custo e abono pecuniário integram a base de cálculo das contribuições previdenciárias; não houve recolhimentos a Previdência Social no CNPJ da Secretaria de Educação do Município de Amarante – PI no período de 02/1998 a 06/2004. nos anos de 2008 e 2009, as remunerações dos segurados do RGPS declaradas em GFIP foram inferiores aos valores informados nas folhas de pagamento da Prefeitura. Fl. 202DF CARF MF Processo nº 10384.002859/201020 Acórdão n.º 2201005.073 S2C2T1 Fl. 203 3 O contribuinte teve ciência da autuação, em 30/72010, e apresentou impugnação em 30/82010, fls. 140 a 159, alegando em síntese: PRESCRIÇÃO DECENAL. CORRETA INTERPRETAÇÃO DA LEI COMPLEMENTAR 118/2005 E DA SÚMULA VINCULANTE 08/STF. Alega que a prescrição para compensação ou restituição dos tributos sujeitos a lançamento por homologação indevidamente pagos antes da vigência da LC 118/2005 é de cinco anos, após o decurso de cinco anos do prazo para homologação tácita. Diz que as normas internas não podem contrariar disposições do CTN. Argumenta que o STJ considerou que os fatos geradores de tributos sujeitos a lançamento por homologação ocorridos antes da vigência da LC 118 ainda estariam sujeitos à antiga sistemática do 5+5, ou seja, o prazo para compensação ou restituição de tais tributos seria de 10 anos. CRÉDITO DOS AGENTES POLÍTICOS Informa que as compensações relativas ao período de 02/1998 a 09/2004 foram efetuadas com fundamentado em sentença judicial transitada em julgado, consubstanciada no acórdão STF – RE 351.717, cujos efeitos da declaração de inconstitucionalidade foram estendidos pela Resolução do Senado Federal 26/2005. Diz que possui um crédito a ser recuperado de R$ 613.997,89, conforme planilha de valores atualizados apresentada à fiscalização. CRÉDITO DAS PARCELAS INDENIZATÓRIAS. TERÇO CONSTITUCIONAL DE FÉRIAS. HORAS EXTRAS. AJUDA DE CUSTO. ABONO DE FÉRIAS Informa que seu crédito relativo às contribuições recolhidas sobre verbas indenizatórias alcança o valor de R$ 317.308,15, atualizado pela Selic. Alega que não há incidência de contribuição previdenciária sobre o terço constitucional de férias, horas extras, ajuda de custo e abono de férias. Cita decisões judiciais. Argui que citadas verbas não incorporam o salário do contribuinte para fins de aposentadoria, assim, não devem compor a base de cálculo da contribuição previdenciária a ser recolhida pela empresa. Alega que a não incidência de contribuição sobre a ajuda de custo paga ao empregado para ressarcir gasto com transporte está albergado pelo inciso XII do § 9º do artigo 214 do Regulamento da Previdência Social, bem como no artigo 58, inciso XII, da Instrução Normativa RFB 971/2009. Fl. 203DF CARF MF Processo nº 10384.002859/201020 Acórdão n.º 2201005.073 S2C2T1 Fl. 204 4 Diz que a não incidência de contribuição sobre o abono pecuniário está positivada na mesma Instrução Normativa, artigo 58, inciso V, alínea “h”. PARCELAMENTOS REALIZADOS PELO MUNICÍPIO. POSSIBILIDADE DE COMPENSAÇÃO. Diz que não há impedimento legal para que o Município compense os valores regularmente pagos através de parcelamento. Alega que, caso os recolhimentos indevidos não sejam compensados pelo Município, somente seria possível a sua compensação de oficio pela Receita Federal. Entretanto, não se deve considerar o contribuinte em débito enquanto estiver suspensa a exigibilidade do crédito tributário. Diz que o artigo 74, § 3º, IV, da Lei 9.430/1996, com a redação dada pela Lei 10.637/2002, determina que não poderão ser objeto de compensação os débitos consolidados em qualquer modalidade de parcelamento, sendo claro que a IN SRF 600/2005 extrapolou os limites legais, pois a compensação de oficio só pode ser feita com débitos vencidos e exigíveis do contribuinte. Entende que deve ser afastada a aplicação do artigo 34, § 1º, da IN SRF 600/2005, porque o ato administrativo mais recente (IN SRF/SRP 629/2006) sequer fala em tal possibilidade relativa à hipótese de débitos parcelados. Aduz que é facultado ao contribuinte requerer o ressarcimento dos valores indevidamente incluídos em parcelamento especial ou a sua compensação com outros débitos, não sendo admitido que a própria RFB proceda à compensação de oficio. Alega que é legítima e que deve ser homologada a compensação objeto da presente autuação. PEDIDOS Requer: a) a aplicação das normas do CTN aos valores compensados, utilizandose da sistemática dos “5+5”, uma vez que os fatos geradores ocorreram em data anterior à vigência da LC 118/2005, em observância ao entendimento do STJ; b) a verificação do efetivo recolhimento das contribuições indevidas pelo Município; c) a retificação dos valores passíveis de compensação apresentados pela fiscalização, com a homologação do valor de R$ 432.353,61, compensados nas competências 04 a 10/2009, excluindose a multa e juros de mora aplicados. Debruçada sobre os termos da impugnação, a 8ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Belo Horizonte/MG, exarou o Acórdão ora Fl. 204DF CARF MF Processo nº 10384.002859/201020 Acórdão n.º 2201005.073 S2C2T1 Fl. 205 5 recorrido, em que julgou a impugnação improcedente, lastreada nas conclusões abaixo resumidas: CRÉDITO DOS AGENTES POLÍTICOS (...) ... Não é a simples suspensão da legislação por Resolução do Senado que faz nascer o crédito. Esta suspensão diz respeito ao reconhecimento da inconstitucionalidade da norma legal instituidora da cobrança. O crédito em si decorre do concreto recolhimento de valor que, posteriormente, tenha sido considerado indevido. PRESCRIÇÃO. (...) Não estando o Município albergado por decisão judicial, o prazo de prescrição a serlhe aplicado é o de cinco anos da data do pagamento, como previsto na Lei Complementar 118/2005, artigo 3º. Logo, ainda que se comprovasse o efetivo recolhimento indevido no período de 02/1998 a 09/2004 apenas os valores recolhidos a partir de 03/2004 poderiam ser objeto de compensação. VERBAS INDENIZATÓRIAS Para o segurado do RGPS, qualquer parcela destinada a retribuir o seu trabalho integra o salário de contribuição, conforme Lei 8.212/1991, artigo 28, inciso I: (...) Dessa forma, apenas as parcelas expressamente incluídas nessa relação estão fora da incidência das contribuições. TERÇO CONSTITUCIONAL DE FÉRIAS A legislação previdenciária é clara quanto à incidência de contribuição sobre o terço constitucional de férias. HORAS EXTRAS O pagamento relativo à hora extra também não está na relação do art. 28, § 9º, sendo, portanto, parte integrante do salário de contribuição. AJUDA DE CUSTO (...) Todavia, o contribuinte nada apresenta que comprove a contratação, deslocamento e estadia de funcionário a serviço da prefeitura em localidade distante de sua residência ou em canteiro de obra de modo a justificar a compensação pretendida. ABONO DE FÉRIAS (...) Conforme relatório fiscal, foi verificado nas folhas de pagamento, onde consta a rubrica abono (e não abono de férias), que a parcela paga traduzse em verdadeira complementação salarial. Não houve observância do Fl. 205DF CARF MF Processo nº 10384.002859/201020 Acórdão n.º 2201005.073 S2C2T1 Fl. 206 6 período máximo de conversão dos dias de férias em abono pecuniário e a referida parcela foi paga em meses em que o segurado não percebia verbas inerentes às férias, como no caso do terço constitucional de férias, além de ser o abono pago por meses consecutivos à mesma pessoa. O abono pago e constante das folhas de pagamento não se refere ao abono pecuniário de férias previsto nos art. 143 e 144 da CLT, mas tão somente a uma complementação salarial concedida aos empregados do Município, logo, seu montante deve integrar a base de cálculo das contribuições previdenciárias. COMPENSAÇÃO DE VALORES PARCELADOS (...) Em pesquisa realizada no sistema informatizado da Secretaria da Receita Federal do Brasil – plenus (tela de consulta, fl. 353/355) verificase que os parcelamentos existentes em nome do Município de Amarante são de datas posteriores à da presente autuação, exceto os realizados na forma da Lei 12.058, negociados em 27/10/2009. Contudo, citado parcelamento engloba tão somente competências do ano de 2007, fora, portanto, do período de recolhimento das contribuições tidas como indevidas pelo impugnante. COMPENSAÇÃO INDEVIDA (...) O Município de Amarante não comprovou o recolhimento indevido das contribuições objeto das compensações glosadas durante a ação fiscal nem na impugnação. Cabe salientar que as planilhas de cálculo dos créditos supostamente devidos, fls. 22/25 (agentes políticos), 26/28 (verbas de natureza indenizatória) apresentadas à fiscalização não são suficientes para comprovar o recolhimento indevido de contribuições previdenciárias e invalidar o lançamento fiscal. Também não foi comprovada a inclusão das referidas contribuições em parcelamento, não havendo que se falar em aplicação da Lei 9.430/1996 (art. 74, § 3º, IV) e IN SRF 600/2005 (art. 34, § 1º). CONCLUSÃO Do exposto, voto por julgar improcedente a impugnação e manter o crédito tributário exigido no auto de infração 37.243.0570. Ciente do Acórdão da DRJ em 23 de setembro de 2014, fl. 184, ainda inconformado, o contribuinte apresentou, tempestivamente, o Recurso Voluntário de fl. 186 a 197, em que limita seu descontentamento aos seguintes temas, os quais serão detalhados no curso do voto a seguir: Fl. 206DF CARF MF Processo nº 10384.002859/201020 Acórdão n.º 2201005.073 S2C2T1 Fl. 207 7 1 Da natureza indenizatória do terço de férias e adicional de horas extras; 2 Da necessidade de sobrestamento do feito até pronunciamento do STF; 3 Das divergências entre valores declarados e recolhidos É o relatório necessário. Voto Conselheiro Carlos Alberto do Amaral Azeredo, Relator Por ser tempestivo e por atender as demais condições de admissibilidade, conheço do Recurso Voluntário. Inicialmente, cumpre destacar que a decisão recorrida se apresenta definitiva para todos os temas que não foram expressamente objeto do presente recurso voluntário. Após breve resumo dos fatos, a defesa inicia a explanação de seus argumentos de mérito na sequência enumerada no Relatório supra, a partir da qual entendo salutar iniciar a análise do seu segundo tópico, que se constitui matéria prejudicial de mérito, com o nítido propósito de suspender o curso do processo principal, aguardandose a sua solução em outro feito. Da necessidade de sobrestamento do feito até pronunciamento do STF. A defesa requer o sobrestamento do feito, nos termos do § 1º do art. 62A do Regimento interno deste Conselho, já que o Supremo Tribunal Federal sobrestou a análise da matéria nos autos do Recurso Extraordinário nº 593068, submetido à sistemática prevista nos art. 543B da Lei nº 5.869/73. Entretanto, não há amparo legal que justifique o deferimento do pleito. Na vigência do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, que foi aprovado pela Portaria MF 256, de 22 de julho de 2009, havia expressamente previsão para sobrestamento dos julgamentos dos recursos no âmbito do CARF, em situações semelhantes, como se vê abaixo: Art. 62A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. § 1º Ficarão sobrestados os julgamentos dos recursos sempre que o STF também sobrestar o julgamento dos recursos extraordinários da mesma matéria, até que seja proferida decisão nos termos do art. 543B. § 2º O sobrestamento de que trata o § 1º será feito de ofício pelo relator ou por provocação das partes. Fl. 207DF CARF MF Processo nº 10384.002859/201020 Acórdão n.º 2201005.073 S2C2T1 Fl. 208 8 Contudo, a Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015, aprovou novo Regimento Interno que não previu tal possibilidade de sobrestamento, decerto para melhor compatibilizar os preceitos regimentais à Lei 5.172/66 (CTN) e ao Decreto 70.235/1972. O CTN, em seu art. 97, prevê que somente a lei pode estabelecer hipóteses de suspensão de tributo. Já o art. 151 do mesmo diploma estabelece que as reclamações e os recursos, nos termos das leis reguladoras do processo tributário administrativo, suspendem a exigibilidade do crédito tributário. No âmbito federal, o Decreto 70.235/1972, recepcionado com status de lei ordinária, regulamenta o processo administrativo fiscal e dispõe no seu art. 62: Art. 62. Durante a vigência de medida judicial que determinar a suspensão da cobrança, do tributo não será instaurado procedimento fiscal contra o sujeito passivo favorecido pela decisão, relativamente, à matéria sobre que versar a ordem de suspensão. Parágrafo único. Se a medida referirse a matéria objeto de processo fiscal, o curso deste não será suspenso, exceto quanto aos atos executórios. Portando, mesmo no caso de medida judicial que determine a suspensão da cobrança de um tributo, o curso administrativo do contencioso fiscal não se interrompe, exceto quanto aos seus atos executórios. Assim, no caso em tela, em que o sobrestamento do processo estaria vinculado a uma mera expectativa da existência futura de um indébito tributário, seja pela nova redação regimental que, a contrario sensu, já indicaria a inaplicabilidade do sobrestamento, seja pela previsão legal de não interrupção do curso da lide administrativa, o Colegiado deve se manifestar sobre o mérito da demanda, sem prejuízo de ajustes posteriores efetuados no exercício da autotutela administrativa pela unidade responsável pela administração do tributo. Assim, nada a prover. Da natureza indenizatória do terço de férias e adicional de horas extras; Afirma a defesa que, de acordo com a Constituição Federal, o atual regime previdenciário tem caráter contributivo, o que importa concluir que atos infraconstitucionais, em particular a lei 8.212/91 e a IN RFB 971/09, não podem se furtar ao princípio contributivo. Em apertada síntese, no que diz respeito ao adicional de horas extras, afirma a defesa que se trata de indenização pelo excesso na jornada de trabalho do trabalhador e pelo sacrifício suportado pelo exercício de seu mister durante período de descanso, concluindo que o mesmo raciocínio vale para o terço constitucional de férias. Para corroborar seus argumentos, cita doutrina e precedentes judiciais no mesmo sentido. Previstas no art. 195 da Constituição Federal, as Contribuições para a Seguridade Social em discussão foram regulamentadas pela Lei 8.212/91, e em seu art. 28 Fl. 208DF CARF MF Processo nº 10384.002859/201020 Acórdão n.º 2201005.073 S2C2T1 Fl. 209 9 podese notar que a regra geral é a tributação dos rendimentos pagos, devidos ou creditados a qualquer título: Art. 28. Entendese por saláriodecontribuição: I para o empregado e trabalhador avulso: a remuneração auferida em uma ou mais empresas, assim entendida a totalidade dos rendimentos pagos, devidos ou creditados a qualquer título, durante o mês, destinados a retribuir o trabalho, qualquer que seja a sua forma, inclusive as gorjetas, os ganhos habituais sob a forma de utilidades e os adiantamentos decorrentes de reajuste salarial, quer pelos serviços efetivamente prestados, quer pelo tempo à disposição do empregador ou tomador de serviços nos termos da lei ou do contrato ou, ainda, de convenção ou acordo coletivo de trabalho ou sentença normativa; (...) § 9º Não integram o saláriodecontribuição para os fins desta Lei, exclusivamente: (...) Entretanto, a leitura das inúmeras alíneas do § 9º acima evidencia que as horas extras e o terço de férias não estão entre os valores excluídos do campo de tributação previdenciária. A compatibilidade dos termos da Lei 8.212/91 com a Constituição Federal é matéria que não comete ao julgador administrativo e sobre ela este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais já se manifestou uniforme e reiteradamente, tendo, inclusive, emitido Súmula de observância obrigatória, nos termos do art. 72 de seu Regimento Interno, aprovado pela Portaria do Ministério da Fazenda nº 343, de 09 de junho de 2015, cujo conteúdo transcrevo abaixo: Súmula CARF nº 2 O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Por outro lado, a incidência das contribuições previdenciárias sobre as verbas pagas a título de horas extras foi objeto de apreciação do Superior Tribunal de Justiça, mediante voto do Ministro Herman Benhamim, no Recurso Especial nº 1.358.281, submetido ao regime do art. 543C do CPC e da Resolução STJ 08/2008, portanto, de observância obrigatória neste julgamento administrativo, o qual restou assim ementado: TRIBUTÁRIO. RECURSO REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ART. 543C DO CPC E RESOLUÇÃO STJ 8/2008. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA A CARGO DA EMPRESA. REGIME GERAL DE PREVIDÊNCIA SOCIAL. BASE DE CÁLCULO. ADICIONAIS NOTURNO, DE PERICULOSIDADE E HORAS EXTRAS. NATUREZA REMUNERATÓRIA. INCIDÊNCIA. PRECEDENTES DE AMBAS AS TURMAS DA PRIMEIRA SEÇÃO DO STJ. SÍNTESE DA CONTROVÉRSIA 1. Cuidase de Recurso Especial submetido ao regime do art. 543C do CPC para definição do seguinte tema: "Incidência de contribuição previdenciária sobre as seguintes verbas trabalhistas: a)horas extras; b) adicional noturno; c) adicional de periculosidade". CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA A CARGO DA EMPRESA E BASE DE Fl. 209DF CARF MF Processo nº 10384.002859/201020 Acórdão n.º 2201005.073 S2C2T1 Fl. 210 10 CÁLCULO: NATUREZA REMUNERATÓRIA 2. Com base no quadro normativo que rege o tributo em questão, o STJ consolidou firme jurisprudência no sentido de que não devem sofrer a incidência de contribuição previdenciária "as importâncias pagas a título de indenização, que não correspondam a serviços prestados nem a tempo à disposição do empregador" (REsp 1.230.957/RS, Rel. Ministro Mauro Campbell Marques, Primeira Seção, DJe 18/3/2014,submetido ao art. 543C do CPC). 3. Por outro lado, se a verba possuir natureza remuneratória, destinandose a retribuir o trabalho, qualquer que seja a sua forma, ela deve integrar a base de cálculo da contribuição. ADICIONAIS NOTURNO, DE PERICULOSIDADE, HORAS EXTRAS: INCIDÊNCIA 4. Os adicionais noturno e de periculosidade, as horas extras e seu respectivo adicional constituem verbas de natureza remuneratória, razão pela qual se sujeitam à incidência de contribuição previdenciária (AgRg no REsp 1.222.246/SC, Rel. Ministro Humberto Martins, Segunda Turma, DJe 17/12/2012; AgRg no AREsp 69.958/DF, Rel. Ministro Castro Meira, Segunda Turma, DJe 20/6/2012; REsp 1.149.071/SC, Rel. Ministra Eliana Calmon, Segunda Turma, DJe 22/9/2010; Rel. Ministro Ari Pargendler, Primeira Turma, DJe 9/4/2013; REsp 1.098.102/SC, Rel. Ministro Benedito Gonçalves, Primeira Turma, DJe 17/6/2009; AgRg no Ag 1.330.045/SP, Rel. Ministro Luiz Fux, Primeira Turma, DJe 25/11/2010; AgRg no REsp 1.290.401/RS; REsp 486.697/PR, Rel. Ministra Denise Arruda, Primeira Turma, DJ 17/12/2004, p. 420; AgRg nos EDcl no REsp 1.098.218/SP, Rel. Ministro Herman Benjamin, Segunda Turma, DJe 9/11/2009). [...] CONCLUSÃO 9. Recurso Especial parcialmente conhecido e, nessa parte, não provido. Acórdão submetido ao regime do art. 543C do CPC e da Resolução STJ 8/2008. (STJ REsp: 1358281 SP 2012/02615969, Relator: Ministro HERMAN BENJAMIN, Data de Julgamento: 23/04/2014, S1 PRIMEIRA SEÇÃO, Data de Publicação: DJe 05/12/2014) Já em relação ao terço constitucional de férias, vale ressaltar que o tema é objeto do REsp nº 1.230.957, em que já houve manifestação judicial pela não incidência de contribuições previdenciárias. Contudo, tal julgamento encontrase sobrestado em função do Recurso Extraordinário 593.068/SC. Ao analisar o que restou decidido no REsp nº 1.230.957, a Procuradoria da Fazenda Nacional exarou a Nota PGFN/CRJ nº 640/2014, que assim dispõe: "(...) 5. No presente caso, conforme se verá mais adiante, não obstante o RESP nº 1.230.957/RS ter sido parcialmente desfavorável à Fazenda Nacional, não é possível a inclusão dos temas na lista a que se refere o inciso V do art. 1º da Portaria nº 294/2010, em razão de se vislumbrar a possibilidade de reversão do entendimento no âmbito do Supremo Tribunal Federal (STF). Desse modo, a presente Nota Explicativa, além de delimitar o que ficou decidido no RESP nº 1.230.957/RS, tem apenas como intuito cumprir o disposto no art. 3º da Portaria Conjunta Fl. 210DF CARF MF Processo nº 10384.002859/201020 Acórdão n.º 2201005.073 S2C2T1 Fl. 211 11 PGFN/RFB nº 01/2014, informando à RFB a nãoinclusão de temas em lista de dispensa de contestar e recorrer. 6. Os recursos especiais existentes nos autos do RESP 1.230.957, submetidos ao rito do art. 543C do CPC, tratavam, em essência, da incidência de contribuição previdenciária, a cargo da empresa, no contexto do Regime Geral da Previdência Social (RGPS), sobre as seguintes verbas: a) terço constitucional de férias; b) saláriomaternidade; c) saláriopaternidade; d) aviso prévio indenizado; e) importância paga nos quinze dias que antecedem o auxíliodoença. 7. Decidiuse pela incidência da contribuição previdenciária sobre as verbas atinentes ao saláriomaternidade e ao salário paternidade. Quanto à incidência da contribuição sobre as demais verbas, prevaleceu entendimento desfavorável à Fazenda Nacional. Em face de tal posicionamento desfavorável, importa fazer algumas considerações para cada uma das exações, tendo em vista que se entende pela continuidade de impugnação das decisões que apliquem o entendimento do STJ firmado em desfavor à Fazenda Nacional. (...) IV Terço constitucional de férias 15. Ainda no RESP nº 1.230.957/RS, o STJ decidiu pela não incidência de contribuição previdenciária quanto ao adicional de um terço referido às férias indenizadas, bem como no caso das férias gozadas. Em relação às férias indenizadas, não há a exação, com base no art. 28, §9º, “d”, da Lei nº 8.212/91; já quanto às férias gozadas, o STJ, partindo da premissa de que o STF teria firmado a orientação de que o terço constitucional de férias possuiria natureza compensatória/indenizatória, a partir de precedentes do STF que se referiam a servidores sujeitos ao Regime Próprio dos Servidores Públicos (RPPS), não haveria ganho habitual a ensejar a tributação. 16. A Corte Superior considerou, assim, que a importância paga a título de terço constitucional de férias gozadas não se destina a retribuir serviços prestados, tampouco configura tempo à disposição do empregador, de modo que não se enquadraria no disposto no art. 22, I, “d” da Lei nº 8.212/1991, nem se amoldaria no conceito de saláriodecontribuição do empregado previsto no art. 28, I, da Lei nº 8212/1991. 17. Todavia, como o entendimento do STJ, em relação à contribuição previdenciária sobre o terço constitucional de férias dos empregados, derivaria de orientação do STF relativamente à exação sobre o terço constitucional de férias dos servidores públicos e, tendo em vista que o RE nº 593.068 teve sua repercussão geral reconhecida, justamente para tratar dessa questão, verificase que a matéria ainda não está pacificada, de maneira que também não é possível a inclusão do tema na lista prevista no inciso V do art. 1º da Portaria PGFN nº 294/2010. (...)" Fl. 211DF CARF MF Processo nº 10384.002859/201020 Acórdão n.º 2201005.073 S2C2T1 Fl. 212 12 Assim dispõe o art. 62 do Regimento Interno deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015: Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. (...) § 2º As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática dos arts. 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 1973, ou dos arts. 1.036 a 1.041 da Lei nº 13.105, de 2015 Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. (Redação dada pela Portaria MF nº 152, de 2016) Desta forma, inexistente decisão definitiva de mérito, estando ainda sobrestada a discussão judicial sobre a incidência de contribuições previdenciárias sobre as verbas pagas a título de terço constitucional de férias, não há que se falar em reprodução obrigatória pelos membros desta Corte. Assim, alinhandome à decisão recorrida, por não identificar as horas extras e o terço de férias dentre as exceções dispostas no § 9º do art. 28 da Lei 8.212/91, entendo que sobre estas devem incidir a tributação previdenciária, restando, portanto, irretocável o lançamento e a decisão recorrida. Das divergências entre os valores declarados e recolhidos Alega o contribuinte que os sistemas da Receita Federal do Brasil, em particular o extrato CCORGFIP, relaciona os valores informados pelo contribuinte em GFIP com os efetivamente recolhidos, evidenciando prova incontestável Faz algumas considerações sobre recolhimentos e retenções no Fundo de participação dos Municípios levadas a termo no âmbito de parcelamentos especiais instituídos. Afirma que fazendo o comparativo entre o valor declarado e o recolhido, chegase ao montante compensável, não havendo de se falar em glosa do referidos valores, já que tais recolhimentos causaram forte desequilibro na contas municipais. Neste ponto, importante rememorar o motivo das glosas de compensação que levaram ao presente lançamento: Segundo a fiscalização a glosa da compensação realizada pelo autuado se deu em razão dos seguintes fatos: no período de 01/1999 a 13/2000, 08/2004 e 09/2004 os valores declarados em GFIP como devidos à previdência social foram superiores aos efetivamente recolhidos; não foi observado o prazo prescricional para proceder à compensação; Fl. 212DF CARF MF Processo nº 10384.002859/201020 Acórdão n.º 2201005.073 S2C2T1 Fl. 213 13 as remunerações dos vereadores não foram declaradas em GFIP, assim, não integraram a base de cálculo das contribuições, no período de 02/1998 a 09/2004; a compensação, ainda que devida, somente poderia ser realizada pela própria Câmara Municipal de Amarante – PI; os valores pagos a título de horas extras, terço constitucional de férias, ajuda de custo e abono pecuniário integram a base de cálculo das contribuições previdenciárias; nos anos de 2008 e 2009, as remunerações dos segurados do RGPS declaradas em GFIP foram inferiores aos valores informados nas folhas de pagamento da Prefeitura. Os únicos motivos para as glosas que estão relacionados a divergências entre valores declarados e recolhidos estão relacionados ao período de 01/1999 a 13/2000, 08/2004, 09/2004, 2008 e 2009, período para o qual a Decisão recorrida concluiu: COMPENSAÇÃO DE VALORES PARCELADOS O Município argui direito a compensar contribuições sociais incluídas em parcelamentos, sem, no entanto, apresentar qualquer prova de que tenha parcelado e pago contribuições sociais indevidas. Em pesquisa realizada no sistema informatizado da Secretaria da Receita Federal do Brasil – plenus (tela de consulta, fl. 353/355) verificase que os parcelamentos existentes em nome do Município de Amarante são de datas posteriores à da presente autuação, exceto os realizados na forma da Lei 12.058, negociados em 27/10/2009. Contudo, citado parcelamento engloba tão somente competências do ano de 2007, fora, portanto, do período de recolhimento das contribuições tidas como indevidas pelo impugnante. Não obstante, o contribuinte não contesta diretamente as afirmações do julgador de 1ª Instância, limitandose a alegar, de forma genérica, que o comparativo entre o valor declarado e o recolhido seria suficiente à identificação do montante compensável. Ora, não é momento de efetuarmos comparativos para chegar ao valor de um eventual crédito em favor do contribuinte. Tal montante deveria ter sido apurado antes de se proceder à compensação, já que esta só é possível se os créditos forem líquidos, certos e passíveis de restituição. Estamos diante do julgamento de argumentos da defesa em sede de 2ª Instância administrativa, fase em que os motivos que levaram à ação fiscal estão claramente delineados e devem ser apontados de forma objetiva e direta. Veja o que preceitua a Lei 13.105/2015 (Código de Processo Civil): Art. 373. O ônus da prova incumbe: I ao autor, quanto ao fato constitutivo de seu direito; Fl. 213DF CARF MF Processo nº 10384.002859/201020 Acórdão n.º 2201005.073 S2C2T1 Fl. 214 14 II ao réu, quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor. Assim, não tendo o contribuinte apresentado elementos inequívocos que pudessem apontar para o direito creditório alegado, há de se manter o lançamento e a decisão recorrida. Conclusão: Assim, tendo em vista tudo que consta nos autos, bem assim na descrição e fundamentos legais que integram do presente, voto por rejeitar a preliminar argüida e, no mérito, negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Carlos Alberto do Amaral Azeredo Fl. 214DF CARF MF
score : 1.0
