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Numero do processo: 15374.913845/2008-51
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jun 25 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Tue Jul 16 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 01/10/2000 a 31/10/2000
COMPENSAÇÃO. REQUISITOS.
É vedada a compensação de débitos com créditos desvestidos dos atributos de liquidez e certeza.
Recurso Voluntário Negado
Direito Creditório Não Reconhecido
Numero da decisão: 3403-002.303
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Antônio Carlos Atulim - Presidente
(assinado digitalmente)
Alexandre Kern - Relator
Participaram do presente julgamento os conselheiros Antônio Carlos Atulim, Alexandre Kern, Ivan Allegretti e Marcos Tranchesi Ortiz. Ausente, ocasionalmente, o Conselheiro Domingos de Sá Filho.
Nome do relator: ALEXANDRE KERN
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/10/2000 a 31/10/2000 FALTA DE APRESENTAÇÃO DE PROVA DOCUMENTAL. PRINCÍPIO PROCESSUAL DA VERDADE MATERIAL. A busca da verdade real não se presta a suprir a inércia do contribuinte que tenha deixado de apresentar as provas solicitadas, visando à comprovação dos créditos alegados, no momento processual adequado. ÔNUS DA PROVA. FATO CONSTITUTIVO DO DIREITO NO QUAL SE FUNDAMENTA O PEDIDO. INCUMBÊNCIA DO INTERESSADO. Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado. As diligências não se prestam à produção de prova que toca à parte produzir. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/10/2000 a 31/10/2000 COMPENSAÇÃO. REQUISITOS. É vedada a compensação de débitos com créditos desvestidos dos atributos de liquidez e certeza. Recurso Voluntário Negado Direito Creditório Não Reconhecido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 37 4. 91 38 45 /2 00 8- 51 Fl. 61DF CARF MF Impresso em 16/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/06/2013 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 01/07/2013 por A NTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 28/06/2013 por ALEXANDRE KERN 2 (assinado digitalmente) Antônio Carlos Atulim Presidente (assinado digitalmente) Alexandre Kern Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros Antônio Carlos Atulim, Alexandre Kern, Ivan Allegretti e Marcos Tranchesi Ortiz. Ausente, ocasionalmente, o Conselheiro Domingos de Sá Filho. Relatório SABINA MODAS COMÉRCIO LTDA. transmitiu a Pedido de Restituição/Declaração de Compensação PER/DCOMP nº 13101.18613.020804.1.3.046100, visando à extinção de débito de Cofins com crédito oriundo de indébito por pagamento a maior de Cofins, no valor 1.667,60. O Despacho Decisório Eletrônico – DDE nº 781147192, emitido pela autoridade competente para examinar o pleito repetitório, indeferiuo e não homologou a compensação porque o pagamento indigitado pelo declarante foi localizado, mas estava integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. Sobreveio reclamação, por meio da qual o interessado, alega, em síntese, que: a) possui o direito creditório lastreado no DARF indicado no PER/DCOMP b) recolheu a contribuição social em valor estimado para o período de apuração c) mais tarde, apurou a contribuição social em valor da menor do que o estimado/recolhido d) utilizou no presente PER/DComp o saldo do DARF na compensação aqui analisada e) apresentou demonstrativo dos valores do débito estimado, do débito apurado, e da diferença a seu favor; f) tais informações constam das declarações DCTF e DIPJ do período. A 5 ª Turma da DRJ/RJ2 julgou a Manifestação de Inconformidade improcedente. O Acórdão nº 13036.474, de 4 de agosto de 2011, fls. 36 a 39, teve ementa vazada nos seguintes termos: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL – COFINS Data do fato gerador: 15/11/2000 INDÉBITO FISCAL. COMPENSAÇÃO. Somente com a comprovação da extinção ou do pagamento espontâneo de tributo indevido ou maior que o devido, em face da legislação tributária aplicável, cogitase o reconhecimento de Fl. 62DF CARF MF Impresso em 16/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/06/2013 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 01/07/2013 por A NTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 28/06/2013 por ALEXANDRE KERN Processo nº 15374.913845/200851 Acórdão n.º 3403002.303 S3C4T3 Fl. 62 3 indébito fiscal, e da sua utilização na compensação de outros tributos e contribuições. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. ELEMENTOS DE PROVA. A prova deve ser apresentada na manifestação de inconformidade, precluindo o direito de fazêlo em outro momento processual, por força dos artigos 15 e 16 do Decreto nº 70.235/72. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Cuidase agora de recurso voluntário contra a decisão da DRJ/RJ25ª Turma. O arrazoado de fls. 44 a 55 repete a explicação sobre a origem dos créditos e o pedido de realização de diligência para que se ateste a veracidade de suas alegações (pagamento efetuado com base em estimativa do valor da contribuição, constatação de pagamento a maior a partir da apuração real do valor da mesma, utilizando a diferença no pleito ora sub judice), reiterando que a realidade dos fatos está plasmada na DIPJ respectiva. Quanto à falta de provas do indébito, referida na decisão recorrida, entende que não é tarefa do julgador administrativo aferir bases de cálculo, seara exclusiva da Fiscalização. Mesmo assim, rechaça a acusação, oferecendo o DARF do pagamento a maior e “quadro demonstrativo” como prova do indébito. Na continuação, discorre sobre a autorização legal para a compensação almejada, acrescenta ementas de soluções de consulta e jurisprudência judicial, que entende ampararem suas teses recursais. Quanto à preclusão do direito de apresentação de provas, mencionada na decisão recorrida, ao atribuir à recorrente a obrigação de provar que o valor recolhido e devido estavam de acordo com a escrituração contábil, argumenta que tal obrigação não se coaduna com o disposto no art. 65 do Instrução Normativa SRF nº 900, de 30 de dezembro de 2008, que prevê que a autoridade competente para decidir sobre a compensação possa realizar diligências. Assim, se a autoridade julgadora de primeira instância tinha dúvidas quanto às informações prestadas pela recorrente, deveria sanálas, antes de emitir sua decisão. Refere doutrina. Invoca o princípio da verdade material. Conclui, requerendo reforma da decisão recorrida para o efeito de reconhecimento do direito creditório, no valor 1.667,60 e da homologação da compensação declarada. O processo administrativo correspondente foi materializado na forma eletrônica, razão pela qual todas as referências a folhas dos autos pautarseão na numeração estabelecida no processo eletrônico. É o Relatório. Voto Conselheiro Alexandre Kern, Relator Fl. 63DF CARF MF Impresso em 16/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/06/2013 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 01/07/2013 por A NTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 28/06/2013 por ALEXANDRE KERN 4 Presentes os pressupostos recursais, a petição de fls. 44 a 55 merece ser conhecida como recurso voluntário contra o Acórdão DRJ/RJ25ª Turma nº 13036.474, de 4 de agosto de 2011. Mérito – Prova do indébito Matéria de extremada importância em sede processual é a referente à repartição do ônus da prova nas questões litigiosas. Com efeito, da delimitação do onus probandi depende a definição de grande parte das responsabilidades processuais. Assim é nas relações de direito privado e, igualmente, nas relações de direito público, dentre as quais as relacionadas à imposição tributária. Neste campo, a legislação processual administrativotributária inclui disposições que, em regra, reproduzem aquele que é, por assim dizer, o principio fundamental do direito probatório, qual seja o de que quem acusa e/ou alega deve provar. Assim é que, nos casos de lançamentos de oficio, não basta a afirmação, por parte da autoridade fiscal, de que ocorreu o ilícito tributário; pelo contrário, é fundamental que a infração seja devidamente comprovada, como se depreende da parte final do caput do artigo 9° do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972 PAF, que determina que os autos de infração e notificações de lançamento "deverão estar instruídos com todos os termos, depoimentos, laudos e demais elementos de prova indispensáveis à comprovação do ilícito". De outro lado, ao contribuinte a legislação impõe o ônus de provar o que alega em face das provas carreadas pela autoridade fiscal, como expresso no inciso III do artigo 16 do mesmo Decreto nº 70.235, de 1972, que determina que a impugnação conterá "os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir". Esse, portanto, o quadro nos lançamentos de oficio: à autoridade fiscal incumbe provar, pelos meios de prova admitidos pelo direito, a ocorrência do ilícito; ao contribuinte, cabe o ônus de provar o teor das alegações que contrapõe às provas ensejadoras do lançamento. Já nos casos de repetição de indébito, como no presente processo, entretanto, o quadro resta um pouco modificado, como a seguir se verá. Quando a situação posta se refere à restituição, compensação ou ressarcimento de créditos tributários, como no caso que ora se apresenta, é atribuição do contribuinte a demonstração da efetiva existência do indébito. Tanto é assim que a Instrução Normativa SRF nº 900, de 30 de dezembro de 2008, que regia, à época da transmissão do PER/DComp, os processos de restituição, compensação e ressarcimento de créditos tributários, assim expressa em vários de seus dispositivos: Art. 3° A restituição a que se refere o art. 2° poderá ser efetuada: I a requerimento do sujeito passivo ou da pessoa autorizada a requerer a quantia; ou II mediante processamento eletrônico da Declaração de Ajuste Anual do Imposto sobre a Renda da Pessoa Física (DIRPF). § Iº A restituição de que trata o inciso I do caput será requerida pelo sujeito passivo mediante utilização do programa Pedido de Restituição, Ressarcimento ou Reembolso e Declaração de Compensação (PER/DCOMP). § 2º Na impossibilidade de utilização do programa PER/DCOMP, o requerimento será formalizado por meio do Fl. 64DF CARF MF Impresso em 16/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/06/2013 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 01/07/2013 por A NTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 28/06/2013 por ALEXANDRE KERN Processo nº 15374.913845/200851 Acórdão n.º 3403002.303 S3C4T3 Fl. 63 5 formulário Pedido de Restituição, constante do Anexo I, ou mediante o formulário Pedido de Restituição de Valores Indevidos Relativos a Contribuição Previdenciária, constante cio Anexo II, conforme o caso, aos quais deverão ser anexados documentos comprobatórios do direito creditório. [..1 § 4° Tratandose de pedido de restituição formulado por representante do sujeito passivo mediante utilização do programa PER/DCOMP, os documentos a que se refere o § 3° serão apresentados à RFB após intimação da autoridade competente para decidir sobre o pedido. [..1 Art. 65. A autoridade da RFB competente para decidir sobre a restituição, o ressarcimento, o reembolso e a compensação poderá condicionar o reconhecimento do direito creditório à apresentação de documentos comprobatórios do referido direito. inclusive arquivos magnéticos, bem como determinar a realização de diligência fiscal nos estabelecimentos do sujeito passivo a fim de que seja verificada. mediante exame de sua escrituração contábil e fiscal, a exatidão das informações prestadas. Como se percebe, em qualquer dos tipos de repetição é exigida a apresentação dos documentos comprobatórios da existência do direito creditório como prerrequisito ao conhecimento do pleito. E o que se deve ter por documentos comprobatórios do crédito? Por óbvio que os documentos que atestem, de forma inequívoca, a origem e a natureza do crédito. Sem tal evidenciação, o pedido repetitório fica inarredavelmente prejudicado. Não é lícito ao julgador, tanto em sede de apreciação de lançamento de oficio, quanto em sede de pleito repetitório, dispensar a autoridade lançadora ou o pleiteante, conforme o caso, do ônus que a lei impõe a cada um deles; tanto quanto não lhe é lícito valer se das diligências e perícias para, por vias indiretas, suprir o ônus probatório que cabia a cada parte. Diligências existem para resolver dúvidas acerca de questão controversa originada da confrontação de elementos de prova trazidos pelas partes, mas não para permitir que seja feito aquilo que a lei já impunha como obrigação, desde a instauração do litígio, às partes componentes da relação jurídica. Já as perícias existem para fins de que sejam dirimidas questões para as quais exigese conhecimento técnico especializado, ou seja, matéria impassível de ser resolvida a partir do conhecimento das partes e do julgador. De se ressaltar, igualmente, que o fato de o processo administrativo ser informado pelo principio da verdade material, em nada macula tudo o que foi até aqui dito. É que o referido princípio – de natureza estritamente processual, e não material destinase a busca da verdade que está para além dos fatos alegados pelas partes, mas isto num cenário dentro do qual as partes trabalharam proativamente no sentido do cumprimento do seu ônus probandi. Em outras palavras, o principio da verdade material autoriza o julgador a ir além dos elementos de prova trazidos pelas partes, quando tais elementos de prova induzem à suspeita de que os fatos ocorreram não da forma como esta ou aquela parte afirma, mas de uma outra forma qualquer (o julgador não está vinculado às versões das partes). Mas isto, à evidência, Fl. 65DF CARF MF Impresso em 16/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/06/2013 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 01/07/2013 por A NTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 28/06/2013 por ALEXANDRE KERN 6 nada tem a ver com propiciar à parte que tem o ônus de provar o que alega/pleiteia, a oportunidade de, por via de diligências, produzir algo que, do ponto de vista estritamente legal, já deveria compor, como requisito de admissibilidade, o pleito desde sua formalização inicial. Dito de outro modo: da mesma forma que não é aceitável que um lançamento seja efetuado sem provas e que se permita posteriormente, em sede de julgamento e por meio de diligências, tal instrução probatória, também não é aceitável que um pleito repetitório seja proposto sem a minudente demonstração e comprovação da existência do indébito e que posteriormente, também em sede de julgamento e por via de diligências, se oportunize tais demonstração e comprovação. O recorrente poderia objetar que, dada sistemática declaratória atual do procedimento de compensação, não lhe foi oportunizada a comprovação do crédito, originado do pagamento indevido. Objeção improcedente. Bastaria que o contribuinte, prévia e espontaneamente, retificasse a DCTF respectiva, conforme lhe autorizava o art. 10 da Instrução Normativa SRF no 482, de 21 de dezembro de 2004, então vigente, e o próprio processamento eletrônico do PER/DComp lhe deferiria o crédito pleiteado, transferindo para o Fisco o ônus da posterior verificação do seu procedimento. Mesmo na fase contenciosa do procedimento administrativo fiscal, que ora se desenrola, quando já não mais teria espontaneidade para retificar a DCTF1,o requerente, enquanto manifestante, poderia produzir a prova necessária para a demonstração de seu direito, em face da aplicação analógica do § 4º do art. 16 do Decreto nº 70.235, de 1972, autorizada pelo § 4º do art. 66 da Instrução Normativa RFB no 900, de 2008. O recorrente, contudo, limitouse a apresentar o DARF representativo do pagamento alegadamente indevido e as declarações que a Receita Federal do Brasil já possui em sua base de dados. Nesse ponto, destaco a insuficiência dessas documentos e demonstrativos. A DIPJ tem natureza meramente informativa e não é hábil, de per si, para sobreporse ao confessado na DCTF. Pergunto ao recorrente: existe alguma prova nos autos de que o valor da contribuição do período de apuração 01/10/2000 a 31/10/2000, confessado na DCTF vigente, foi efetivamente apurado com base numa estimativa, conforme alegado na Manifestação de Inconformidade? A resposta, evidentemente, é negativa. Tal comprovação deveria ser feita mediante demonstração lastreada, necessariamente, na escrituração contábilfiscal, revestida das formalidades intrínsecas e extrínsecas exigidas para tanto, sem o que não se pode afastar o atributo de irretratabilidade inerente à confissão espontânea do débito. Tal comprovação, repito, não foi feita. Se, de um lado é certo que o DARF informado no PER/Dcomp comprova um recolhimento, de outro, inexiste nos autos qualquer prova de que o pagamento seja indevido. Há tãosomente a alegação do requerente, ora recorrente. Nada mais. E, em sede de prova, nada alegar e alegar, mas não provar o alegado se equivalem (allegare nihil et allegatum non probare paria sunt). A esse propósito, reportome à Lei nº 9.784, de 29 de janeiro de 1999. De acordo com o seu art. 36, que regulamenta o sistema de distribuição da carga probatória no Processo Administrativo Federal: o ônus de provar a veracidade do que afirma é do requerente: Art. 36. Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado, sem prejuízo do dever atribuído ao órgão competente para a instrução e do disposto no artigo 37 desta Lei. No mesmo sentido o art. 330 da Lei no 5.869, de 11 de janeiro de 1973 (CPC). A jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça também corrobora esse entendimento: 1 Súmula CARF No. 33 A declaração entregue após o início do procedimento fiscal não produz quaisquer efeitos sobre o lançamento de ofício. Fl. 66DF CARF MF Impresso em 16/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/06/2013 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 01/07/2013 por A NTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 28/06/2013 por ALEXANDRE KERN Processo nº 15374.913845/200851 Acórdão n.º 3403002.303 S3C4T3 Fl. 64 7 Allegare nihil et allegatum non probare paria sunt — nada alegar e não provar o alegado, são coisas iguais.(HABEAS CORPUS Nº 1.1710 — RJ, R. Sup. Trib. Just., Brasília, a. 4, (39): 211276, novembro 1992, p. 217) Alegar e não provar significa, juridicamente, não dizer nada.(INTERVENÇÃO FEDERAL Nº 83 — PR, R. Sup. Trib. Just., Brasília, a. 7, (66): 93116, fevereiro 1995. 99) RECURSO ORDINÁRIO EM MANDADO DE SEGURANÇA – APOSENTADORIA – NEGATIVA DE REGISTRO – TRIBUNAL DE CONTAS – ATOS ADMINISTRATIVOS NÃO COMPROVADOS – ART. 333, INCISO II, DO CPC – PAGAMENTO DOS PROVENTOS DE NOVEMBRO/96 E DÉCIMO TERCEIRO SALÁRIO DAQUELE MESMO ANO – IMPOSSIBILIDADE – SÚMULAS 269 E 271 DA SUPREMA CORTE – 1. O ônus da prova incumbe ao réu, quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor (art. 333, II, do Código de Processo Civil). Incumbe às Secretarias de Educação e da Fazenda a demonstração de que a professora havia sido notificada da suspensão de sua aposentadoria. 2. Não cabe em mandado de segurança para cobrança de proventos não recebidos, a teor das súmulas 269 e 271 da Suprema Corte. 3. Recurso parcialmente provido. (STJ – ROMS 9685 – RS – 6ª T. – Rel. Min. Fernando Gonçalves – DJU 20.08.2001 – p. 00538)JCPC.333 JCPC.333.II TRIBUTÁRIO E PROCESSUAL CIVIL – IMPOSTO DE RENDA – VERBAS INDENIZATÓRIAS – FÉRIAS E LICENÇAPRÊMIO – NÃO INCIDÊNCIA – COMPENSAÇÃO – AJUSTE ANUAL – ÔNUS DA PROVA – O ônus da prova incumbe ao autor quanto ao fato constitutivo de seu direito e ao réu quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor. Cabe ao contribuinte comprovar a ocorrência de retenção na fonte do imposto de renda incidente sobre verbas indenizatórias e à Fazenda Nacional incumbe a prova de eventual compensação do imposto de renda retido na fonte no ajuste anual da declaração de rendimentos. Recurso provido. (STJ – REsp 229118 – DF – 1ª T. – Rel. Min. Garcia Vieira – DJU 07.02.2000 – p. 132) PROCESSO CIVIL E TRIBUTÁRIO – EXECUÇÃO FISCAL – EMBARGOS DO DEVEDOR – NOTIFICAÇÃO DO LANÇAMENTO – IMPRESCINDIBILIDADE – ÔNUS DA PROVA – 1. Imprescindível a notificação regular ao contribuinte do imposto devido. 2. Incumbe ao embargado, réu no processo incidente de embargos à execução, a prova do fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor (CPC, art. 333, II). 3. Recurso especial conhecido e provido. (STJ – REsp 237.009 – (1999/00996607) – SP – 2ª T. – Rel. Min. Francisco Peçanha Martins – DJU 27.05.2002 – p. 147) TRIBUTÁRIO E PROCESSUAL CIVIL – IRPF – REPETIÇÃO DE INDÉBITO – VERBAS INDENIZATÓRIAS – RETENÇÃO NA FONTE – ÔNUS DA PROVA – VIOLAÇÃO DE LEI Fl. 67DF CARF MF Impresso em 16/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/06/2013 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 01/07/2013 por A NTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 28/06/2013 por ALEXANDRE KERN 8 FEDERAL CONFIGURADA – DIVERGÊNCIA JURISPRUDENCIAL NÃO COMPROVADA – SÚMULA 13/STJ PRECEDENTES – Cabe ao autor provar que houve a retenção do imposto de renda na fonte, por isso que é fato constitutivo do seu direito; ao réu competia a prova de eventual compensação na declaração anual de rendimentos dos recorrentes, do imposto de renda retido na fonte, fato extintivo, impeditivo ou modificativo do direito do autor – Incidência da Súmula 13 STJ – Recurso especial conhecido pela letra a e provido. (STJ – RESP 232729 – DF – 2ª T. – Rel. Min. Francisco Peçanha Martins – DJU 18.02.2002 – p. 00294) À falta da prova do erro, capaz de afastar o atributo de irretratabilidade da confissão de dívida, milita contra a alegação do requerente a presunção de que o pagamento não lhe confere qualquer direito creditório porque foi alocado a débito espontaneamente confessado em DCTF. Com essas considerações, nego provimento ao recurso. Sala das Sessões, em 25 de junho de 2013 Alexandre Kern Fl. 68DF CARF MF Impresso em 16/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/06/2013 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 01/07/2013 por A NTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 28/06/2013 por ALEXANDRE KERN
score : 1.0
Numero do processo: 11330.000241/2007-18
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed May 15 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Mon Jun 03 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/07/1995 a 30/04/1997
LANÇAMENTO SUBSTITUTIVO. PRAZO DECADENCIAL. CINCO ANOS. ART. 173, II DO CTN.
Declarada a nulidade do lançamento originário por vício formal, dispõe a Fazenda Pública do prazo decadencial de cinco anos, contados da data em que se tornou definitiva a decisão anulatória em relevo, para formalizar o lançamento substitutivo, a teor do art. 173, II do CTN, observados os efeitos da Súmula Vinculante nº 8 do STF.
Encontram-se atingidas pela fluência do prazo decadencial todas as obrigações tributárias apuradas pela Fiscalização.
Recurso Voluntário Provido
Numero da decisão: 2302-002.497
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros da 2ª TO/3ª CÂMARA/2ª SEJUL/CARF/MF/DF, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, pela fluência do prazo decadencial exposto no artigo 173, II, do Código Tributário Nacional, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
Liége Lacroix Thomasi Presidente Substituta.
Arlindo da Costa e Silva - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Liége Lacroix Thomasi (Presidente Substituta de Turma), Leonardo Henrique Pires Lopes (Vice-presidente de turma), André Luis Mársico Lombardi, Juliana Campos de Carvalho Cruz, Fábio Pallaretti Calcini e Arlindo da Costa e Silva.
Nome do relator: ARLINDO DA COSTA E SILVA
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PRAZO DECADENCIAL. CINCO ANOS. ART. 173, II DO CTN. Declarada a nulidade do lançamento originário por vício formal, dispõe a Fazenda Pública do prazo decadencial de cinco anos, contados da data em que se tornou definitiva a decisão anulatória em relevo, para formalizar o lançamento substitutivo, a teor do art. 173, II do CTN, observados os efeitos da Súmula Vinculante nº 8 do STF. Encontramse atingidas pela fluência do prazo decadencial todas as obrigações tributárias apuradas pela Fiscalização. Recurso Voluntário Provido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 2ª TO/3ª CÂMARA/2ª SEJUL/CARF/MF/DF, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, pela fluência do prazo decadencial exposto no artigo 173, II, do Código Tributário Nacional, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. Liége Lacroix Thomasi – Presidente Substituta. Arlindo da Costa e Silva Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Liége Lacroix Thomasi (Presidente Substituta de Turma), Leonardo Henrique Pires Lopes (Vicepresidente AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 33 0. 00 02 41 /2 00 7- 18 Fl. 227DF CARF MF Impresso em 04/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/05/2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 19/05/ 2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 20/05/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI 2 de turma), André Luis Mársico Lombardi, Juliana Campos de Carvalho Cruz, Fábio Pallaretti Calcini e Arlindo da Costa e Silva. Relatório Período de apuração: 01/07/1995 a 30/04/1997 Data de lavratura da NFLD: 31/08/2006. Data da Ciência da NFLD: 31/08/2006. O presente processo tem por objeto o restabelecimento da exigência fiscal constituída pela NFLD – Notificação Fiscal de Lançamento de Débito n° 35.594.6027, declarada nula por vício formal pela 2ª CAJ – Câmara de Julgamento do CRPS, nos termos do Acórdão nº 02.04570/1999, de 13/12/1999, conforme descrito no Relatório Fiscal a fls. 39/53 O fato gerador das contribuições sociais apuradas nesta NFLD foi a remuneração paga, devida ou creditada aos segurados da empresa KLM SAT TELECOMUNICAÇÕES E EQUIPAMENTOS ELETRÔNICOS LTDA (prestadora), cedidos à empresa NET RIO S.A.(tomadora), para a execução de serviços, conforme contrato de prestação de serviço existente entre as citadas empresas. Irresignado com o supracitado lançamento tributário, o Notificado responsável solidário apresentou impugnação a fls. 91/129. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento no Rio de Janeiro I/RJ lavrou Decisão Administrativa textualizada no Acórdão a fls. 144/171, julgando procedente em parte o lançamento, para dele fazer excluir as contribuições sociais destinadas ao outras entidades e fundos, e retificando o crédito tributário remanescente na forma do Discriminativo Analítico do Débito Retificado DADR a fls. 172/175. O Sujeito Passivo foi cientificado da decisão de 1ª Instância no dia 06/06/2008, conforme Aviso de Recebimento a fl. 181. Inconformado com a decisão exarada pelo órgão administrativo julgador a quo, o responsável solidário interpôs recurso voluntário, a fls. 186/218, requerendo ao fim a declaração de improcedência do lançamento. Relatados sumariamente os fatos relevantes. Voto Conselheiro Arlindo da Costa e Silva, Relator. Fl. 228DF CARF MF Impresso em 04/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/05/2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 19/05/ 2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 20/05/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 11330.000241/200718 Acórdão n.º 2302002.497 S2C3T2 Fl. 228 3 1. DOS PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE 1.1. DA TEMPESTIVIDADE O sujeito passivo foi válida e eficazmente cientificado da decisão recorrida no dia 06/06/2008. Havendo sido o recurso voluntário postado na Agência dos Correios em 03/07/2008, há que se reconhecer a tempestividade do recurso interposto. Presentes os demais requisitos de admissibilidade do recurso, dele conheço. 2. DAS PRELIMINARES 2.1. DA DECADÊNCIA Malgrado não haja sido suscitada pelo Recorrente em seu instrumento de Recurso Voluntário, a condição intrínseca de matéria de ordem pública nos autoriza a examinar, ex officio, a questão relativa à fluência do prazo decadencial do direito da Fazenda Pública de constituir o crédito tributário objeto do vertente Processo Administrativo Fiscal. O Supremo Tribunal Federal, conforme entendimento exarado na Súmula Vinculante nº 8, em julgamento realizado em 12 de junho de 2008, reconheceu a inconstitucionalidade dos artigos 45 e 46 da Lei nº 8.212/91, nos termos que se vos seguem: Súmula Vinculante nº 8 “São inconstitucionais o parágrafo único do artigo 5º do Decretolei 1569/77 e os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário”. Conforme estatuído no art. 103A da Constituição Federal, a Súmula Vinculante nº 8 é de observância obrigatória tanto pelos órgãos do Poder Judiciário quanto pela Administração Pública, devendo este Colegiado aplicála de imediato. Constituição Federal, de 03 de outubro de 1988 Art. 103A. O Supremo Tribunal Federal poderá, de ofício ou por provocação, mediante decisão de dois terços dos seus membros, após reiteradas decisões sobre matéria constitucional, aprovar súmula que, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terá efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal, bem como proceder à sua revisão ou cancelamento, na forma estabelecida em lei. Assim, afastada por inconstitucionalidade a eficácia das normas inscritas nos artigos 45 e 46 da Lei nº 8.212/91, urge serem seguidas as disposições relativas à matéria em relevo inscritas no Código Tributário Nacional – CTN e nas demais leis de regência. Fl. 229DF CARF MF Impresso em 04/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/05/2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 19/05/ 2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 20/05/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI 4 A decadência tributária conceituase como a perda do poder potestativo da Fazenda Pública de constituir o crédito tributário mediante o lançamento, em razão do exaurimento integral do prazo previsto na legislação competente. No estudo da decadência tributária, tão importante quanto a determinação do prazo decadência é a fixação da data de início da contagem de tal prazo. Ordinariamente, a contagem do prazo decadencial tem início no primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. Alternativamente, se ocorrer, antes da data assinalada no parágrafo anterior, qualquer medida preparatória indispensável à efetivação do lançamento, o dies a quo do prazo em relevo é antecipado para a data em que o sujeito passivo for validamente notificado do início do procedimento de constituição do crédito tributário ora em apreço. Código Tributário Nacional CTN Art. 173. O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados: I do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado; II da data em que se tornar definitiva a decisão que houver anulado, por vício formal, o lançamento anteriormente efetuado. Parágrafo único. O direito a que se refere este artigo extinguese definitivamente com o decurso do prazo nele previsto, contado da data em que tenha sido iniciada a constituição do crédito tributário pela notificação, ao sujeito passivo, de qualquer medida preparatória indispensável ao lançamento. Nessa perspectiva, iniciado o procedimento de lançamento, este somente poderá convolar em crédito tributário as obrigações tributárias relativas aos fatos geradores que tenham ocorrido nos cinco anos que antecederem ou a data prevista no inciso I do art. 173 do CTN ou aquela assinalada no Parágrafo Único desse mesmo dispositivo legal, a que ocorrer primeiro na linha do tempo. Assim, iniciado o procedimento administrativo do lançamento, este irá alcançar, com a mesmo força constitutiva, todos os fatos geradores não vitimados pela decadência. O crédito tributário decorrente de tal procedimento somente restará definitivamente constituído, e assim dotado de liquidez, certeza e dos demais atributos à sua exigibilidade, com o Trânsito em Julgado na instância administrativa do Processo Administrativo Fiscal correspondente. Ocorre que o inciso II do art. 173 do codex tributário prevê uma hipótese de interrupção sui generis da decadência tributária: Se antes da ocorrência do Trânsito em Julgado administrativo o procedimento do lançamento for declarado nulo por vício formal, a Fazenda Pública passa a dispor do prazo contínuo de 05 anos, contados da data em que se tornou definitiva tal decisão anulatória, para sanar as inquinções da nulidade em realce, e realizar a constituição do crédito tributário sobre exatamente os mesmos fatos geradores integrantes do lançamento substituído, que fora declarado nulo. Alertese que tal hipótese de interrupção atinge, indistintamente, tanto a hipótese prevista no inciso I quanto aquela assentada no Parágrafo Único do art. 173 do CTN. Fl. 230DF CARF MF Impresso em 04/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/05/2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 19/05/ 2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 20/05/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 11330.000241/200718 Acórdão n.º 2302002.497 S2C3T2 Fl. 229 5 No caso em debate, o lançamento originário houvese por declarado nulo pela 2ª CaJ/CRPS, por vício formal, nos termos do Acórdão nº 02/04570/1999. Declarada a nulidade no dia 13 de dezembro de 1999, em atenção ao disposto no inciso II do art. 173 do CTN, o Fisco passou a dispor do prazo decadencial de 05 anos a contar de então para corrigir os vícios de nulidade apontados pelo CRPS e promover a formalização de lançamento substitutivo abraçando, exatamente, todas as obrigações tributárias contidas na NFLD nº 35.594.6027, observados em relação a esta, os efeitos irradiados da Súmula Vinculante nº 8 do STF. Nesse contexto, tendo a decisão anulatória em foco se tornado definitiva com a sua publicação em 13/12/1999, a Fazenda Pública teria até a data de 13/12/2004 para promover a constituição do crédito tributário em realce, mediante a formalização do lançamento substitutivo. Ora, havendo sido a Notificação Fiscal de Lançamento de Débito substituta lavrada, tão somente, em 31/08/2006, não demanda áurea mestria concluir que nesta data já se havia escoado integralmente o prazo concedido pela lei, na expressão do inciso II do art. 173 do CTN, para que a administração tributária procedesse à constituição do crédito em questão. Por tais razões, não há como deixar de reconhecer que o lançamento em debate houvese por formalizado muito após o exaurimento do prazo decadencial, circunstância que se configura óbice intransponível à constituição do crédito tributário aviado na vertente NFLD, em razão de sua extinção legal, nos termos do art. 156, V, in fine do CTN. Código Tributário Nacional CTN Art. 156. Extinguem o crédito tributário: (...) V a prescrição e a decadência; (...) 4. CONCLUSÃO: Pelos motivos expendidos, CONHEÇO do Recurso Voluntário para, no mérito, DARLHE PROVIMENTO. É como voto. Arlindo da Costa e Silva Fl. 231DF CARF MF Impresso em 04/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/05/2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 19/05/ 2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 20/05/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI 6 Fl. 232DF CARF MF Impresso em 04/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/05/2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 19/05/ 2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 20/05/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI
score : 1.0
Numero do processo: 10620.000198/2001-77
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu May 10 00:00:00 UTC 2012
Ementa: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL - ITR
Exercício: 1997
ITR - AVERBAÇÃO DA ÁREA DE RESERVA LEGAL - ISENÇÃO PREVISTA NO ARTIGO 10 DA LEI N° 9.393/96.
Como regra, para que a área de reserva legal possa ser excluída da base de cálculo do ITR, ela deve estar averbada à margem da matrícula do imóvel. Esta obrigação decorre de imposição legal, mais precisamente da interpretação harmônica e conjunta do disposto nas Leis n os 9.393/96 e 4.771/65 (Código Florestal). A averbação pode se dar, conforme se verifica no caso em apreço, após a ocorrência do fato gerador.
Neste feito, a exclusão da área de utilização limitada da base de cálculo do ITR é justificada, também, pelo referido Termo de Responsabilidade de Averbação da Reserva Legal.
BASE DE CÁLCULO. ÁREA DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE. EXCLUSÃO. ATO DECLARATÓRIO AMBIENTAL. PRESCINDIBILIDADE.
Para fins de exclusão da base de cálculo do ITR, somente após a vigência do Decreto n° 4.382, de 19/09/2002 é que se tornou imprescindível a informação em ato declaratório ambiental protocolizado no prazo legal.
Recurso especial negado.
Numero da decisão: 9202-002.137
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso. Vencidos os Conselheiros Luiz Eduardo de Oliveira Santos e Marcelo Oliveira que davam provimento parcial referente à reserva legal.
Nome do relator: MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR
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ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL ITR Exercício: 1997 ITR AVERBAÇÃO DA ÁREA DE RESERVA LEGAL ISENÇÃO PREVISTA NO ARTIGO 10 DA LEI N° 9.393/96. Como regra, para que a área de reserva legal possa ser excluída da base de cálculo do ITR, ela deve estar averbada à margem da matrícula do imóvel. Esta obrigação decorre de imposição legal, mais precisamente da interpretação harmônica e conjunta do disposto nas Leis nos 9.393/96 e 4.771/65 (Código Florestal). A averbação pode se dar, conforme se verifica no caso em apreço, após a ocorrência do fato gerador. Neste feito, a exclusão da área de utilização limitada da base de cálculo do ITR é justificada, também, pelo referido Termo de Responsabilidade de Averbação da Reserva Legal. BASE DE CÁLCULO. ÁREA DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE. EXCLUSÃO. ATO DECLARATÓRIO AMBIENTAL. PRESCINDIBILIDADE. Para fins de exclusão da base de cálculo do ITR, somente após a vigência do Decreto n° 4.382, de 19/09/2002 é que se tornou imprescindível a informação em ato declaratório ambiental protocolizado no prazo legal. Recurso especial negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Fl. 0DF CARF MF Impresso em 06/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/05/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 28/06/2 012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 15/06/2012 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR 2 Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso. Vencidos os Conselheiros Luiz Eduardo de Oliveira Santos e Marcelo Oliveira que davam provimento parcial referente à reserva legal. (Assinado digitalmente) Otacílio Dantas Cartaxo – Presidente (Assinado digitalmente) Manoel Coelho Arruda Junior Relator FORMALIZADO EM: 18/05/2012 Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Otacílio Dantas Cartaxo (Presidente), Susy Gomes Hoffmann (VicePresidente), Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Gonçalo Bonet Allage, Marcelo Oliveira, Manoel Coelho Arruda Junior, Gustavo Lian Haddad, Pedro Paulo Pereira Barbosa (suplente convocado), Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira e Elias Sampaio Freire. Relatório Tratase de Recurso Especial (fls. 276283), interposto pela Procuradoria da Fazenda Nacional em face do acórdão nº 30133.293 (fls.262 274) da Primeira Câmara do então Terceiro Conselho de Contribuintes, proferido em 19 de outubro de 2006, que por, unanimidade de votos, rejeitou a preliminar de nulidade. No mérito, por unanimidade de votos, em deu provimento parcial ao recurso para excluir as áreas de preservação permanente e de reserva legal constantes do laudo técnico de avaliação de fls. 166/242: Assunto: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural ITR Data do fato gerador: 01/01/1997 Ementa: ITR/97. PRELIMINAR DE NULIDADE. UNIDADE JULGADORA DE JURISDIÇÃO INCOMPETENTE. IMPROCEDÊNCIA. A Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Brasília, em matéria de ITR, é competente para realizar julgamentos de processos de contribuintes de domicílios fiscais de outras jurisdições, inclusive de todas as unidades da Secretaria da Receita federal situadas na 6ª Região Fiscal, onde se localiza o imóvel rural de propriedade da contribuinte que formulou o questionamento. ATO DECLARÁTORIO AMBIENTAL ADA. A recusa de sua aceitação, por intempestividade, em face do prazo previsto da IN SRF n° 43 ou 67/97, não tem amparo legal. ÁREA DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE. LAUDO TÉCNICO DE AVALIAÇÃO. PROVA HÁBIL. O laudo técnico de avaliação elaborado por profissional legalmente habilitado, acompanhado Fl. 1DF CARF MF Impresso em 06/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/05/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 28/06/2 012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 15/06/2012 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR Processo nº 10620.000198/200177 Acórdão n.º 920202.137 CSRFT2 Fl. 2 3 da devida Anotação de Responsabilidade Técnica ART, de acordo coma as regras da ABNT, configura documento hábil e idôneo para fim de comprovação da existência de Área de Reserva Legal. ÁREA DE RESERVA LEGAL. AVERBAÇÃO. A obrigatoriedade de averbação, nos termos do parágrafo 8° do art. 16 da Lei 4.771/65 (Código Florestal), tem a finalidade de resguardar, distinta do aspecto tributário: a segurança ambiental, a conservação do estado das áreas na hipótese de transmissão de qualquer título, para que se confirme, civil e penalmente, a responsabilidade futura de terceiros eventuais adquirentes do imóvel, a qualquer título, mediante a assinatura de Termo de Ajustamento de Conduta, firmado pelo possuidor com o órgão ambiental competente. A exigência da averbação como pré condição para o gozo de isenção do ITR não encontra amparo na Lei ambiental. O § 7° do art. 10 da Lei n° 9.939/96 determina literalmente a não obrigatoriedade de prévia comprovação da declaração por parte do declarante, ficando, todavia, responsável pelo pagamento do imposto correspondente, acrescido de juros e multa, previstos nesta Lei, caso fique comprovado posteriormente que sua declaração não é verdadeira, sem prejuízo de outras sanções aplicáveis. RECURSO VOLUNTÁRIO PROVIDO EM PARTE Cingese sobre o lançamento decorrido de glosa de áreas de preservação permanente e de reserva legal. No encerramento de ação fiscal levada a efeito contra o sujeito passivo foi lavrado o Auto de Infração do ITR às fls. 02/08, referente a. fato gerador ocorrido em 01/01/1997, com crédito tributário no valor total de R$ 97.907,14. No caso, o contribuinte pleiteara a reforma da decisão da 2ª Turma de julgamento da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento, em Brasília/DF, que julgou procedente o lançamento impugnado. O Procurador Geral da Fazenda Nacional recorre à instância especial para manifestar a discordância em face do acórdão recorrido, no qual a câmara entendeu desconstituir o lançamento, ainda que na ausência de elemento essencial para o escopo da lei, qual seja, o registro da respectiva área a ser preservada junto à matrícula do imóvel rural. Reportase como paradigma de divergência dos Acórdãos n° 30236278 e 302 36465 da Segunda Câmara do Terceiro Conselho de Contribuintes com os quais o representante da Fazenda pretende comprovar suas alegações, in verbis: Acórdão 30236278 "IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL — ITR EXERCÍCIO DE 1997 ÁREAS DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE E DE UTILIZAÇÃO LIMITADA. A existência de áreas de preservação permanente deve ser reconhecida mediante ato declaratório do IBAMA, ou órgão delegado através de convênio. As áreas de reserva legal devem ser averbadas à margem da inscrição da matrícula do imóvel no registro de imóveis competente. Fl. 2DF CARF MF Impresso em 06/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/05/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 28/06/2 012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 15/06/2012 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR 4 NEGADO PROVIMENTO AO RECURSO." Acórdão 30236465 "IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL ÁREA DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE. As áreas de preservação permanente, a que se refere o art. 2' da Lei n° 4.771/65, estão sujeitas a comprovação para fins de gozo da isenção do ITR e, aquelas previstas no art. 3' da Lei n° 4.771/65, devem ser declaradas como tal, por ato do Poder Público. RESERVA LEGAL GRAVADA COMO ÁREA DE UTILIZAÇÃO LIMITADA. A área de reserva legal será considerada para efeito de exclusão da área tributada e aproveitável do imóvel quando devidamente averbada junto ao Cartório de Registro de Imóveis competente, em data anterior à ocorrência do fato gerador do imposto, nos termos da legislação pertinente. RECURSO PARCIALMENTE PROVIDO POR UNANIMIDADE." Por meio de análise preliminar, a i. Presidente da então Primeira Câmara, do Terceiro Conselho de Contribuintes deu seguimento ao recurso especial por entender que a recorrente demonstrou fundamentalmente a divergência jurisprudencial suscitada– despacho fls. 288. Intimado, o Contribuinte apresentou contrarazões (fls. 301) afirmando que as alegações da PGFN não merecem prosperar, tendo em vista a vasta jurisprudência desta Câmara Superior no sentido de que a área de reserva legal não depende de prévia averbação, sendo que a comprovação de sua existência pode ser feita por quaisquer meios, inclusive através do laudo técnico, assim como ocorreu nos presentes autos. Irresignado, o contribuinte interpôs Recurso Especial (fls. 341) alegando que a decisão que rejeitou os embargos foi de encontro à jurisprudência deste conselho, ao não aceitar a alegação de ilegitimidade passiva em função de a matéria ter sido considerada preclusa. A Presidente da Primeira Câmara do Terceiro Conselho de Contribuintes negou seguimento ao Recurso Especial da contribuinte, tendo em vista que o acórdão recorrido deixou de examinar matéria tida como preclusa, porque e não suscitada anteriormente nos autos. Desse modo, o Recurso Especial apresentado não demonstrou que a matéria em causa já fora anteriormente questionada nos autos. Com fundamento no artigo 17 do antigo Regimento Interno da Câmara Superior de Recursos Fiscais RICSRF, aprovado pela Portaria MF n° 147, de 25 de junho de 2007, o contribuinte interpôs agravo em face do Despacho n° 1564.129257, de 14 de novembro de 2008, do Presidente da 1ª Câmara do 3° Conselho de Contribuintes, que negou seguimento ao recurso especial do recorrente [fls. 383/388]. O então Presidente do CARF entendeu – quando do exame de admissibilidade do recurso interposto – por negar seguimento ao agravo com espeque nos seguintes fundamentos [Despacho n. 21000054/2010 – fls. 397/398]: Fl. 3DF CARF MF Impresso em 06/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/05/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 28/06/2 012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 15/06/2012 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR Processo nº 10620.000198/200177 Acórdão n.º 920202.137 CSRFT2 Fl. 3 5 [...] Salientese que, embora o agravo regimental não esteja mais previsto no atual Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais RICARF, aprovado pela Portaria MF n° 256, de 22 de junho de 2009, seu art. 50 determina que as negativas de admissibilidade dos recursos especiais exaradas até a data da sua publicação observarãq o rito estabelecido no art. 17 do RICSRF. [...] Cientificado dessa decisão em 23 de dezembro de 2008 (fl. 382), o r corrente apresentou o presente recurso tempestivamente no dia 29 do mesmo mês (fls. 383 a 88), nos termos do art. 17°, § 1°, do RICSRF, reafirmando os argumentos do recurso especial, pois suscita sua ilegitimidade passiva, uma vez que a propriedade já havia sido alienada por ocasião da lavratura do auto de infração e não havia no titulo a prova da quitação, e que essa matéria não está sujeita à preclusão, por ser matéria de ordem pública. Ao final, requer a admissão do recurso especial. É o relatório. Passo a decidir sobre o recurso de agravo. O presente recurso não merece prosperar. Verificase que o contribuinte não suscitou a questão da ilegitimidade passiva por ocasião do lançamento, nem em sua impugnação para a DRJ, nem no recurso voluntário. Como a matéria não foi defendida, por evidente que o acórdão da lª Câmara do 3° Conselho de Contribuintes não a analisou (fls. 262 a 274). Somente em sede de embargos de declaração (fls. 306 a 308), o contribuinte traz aos autos o argumento de que não era mais o proprietário do imóvel por ocasião do lançamento, e que, por ocasião da venda, não houve a comprovação da quitação do ITR, e alega omissão do julgado que não teria analisado documentos acostados ao processo que conteriam essa informação. Os embargos de declaração foram rejeitados, pois não se verificou omissão em não se analisar matéria anteriormente não ventilada (fls. 312 a 314). n Irresignado, o sujeito passivo aviou recurso especial de divergência (fls. 341 a 345), onde afirma que os Acórdão nos 30334.683, 20215.594 e 30334.481 decidiram que a questão da ilegitimidade passiva pode ser arguida em qualquer grau de jurisdição, mas esse recurso não foi admitido pelo despacho agravado. Verificase que o contribuinte fundamenta seu apelo nos documentos de fls. 210 a 214 , que comprovam que a propriedade objeto do lançamento foi dividida amigavelmente entre o agravante e a empresa Anfer Participações Ltda em 20 de outubro de 1999. Observase que, para as glebas que couberam à outra empresa, nas matrículas de ds 18.225 e 18.226 consta a informação: "quites com o exercício de 1998/1999 e inscrito na Receita Federal sob n° 0.335.8933 estando quites com o ITR, conforme certidão datada de 30.07.99 (fls. 211 e 212) e na matrícula de n° 18.227 consta a informação "quites com o exercício de 98/99" (fls. 213). Fl. 4DF CARF MF Impresso em 06/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/05/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 28/06/2 012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 15/06/2012 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR 6 Assim: a prova acostada aos autos aponta que, por ocasião da venda, foi comprovada a quitação do ITR por meio de certidão negativa da Receita Federal, o que põe por terra a defesa do agravante de "evidente ilegitimidade passiva". Fraco seu argumento de que a informação de que foi apresentada a quitação de 1998/1999 implicaria que não houve a prova da quitação do ITR de 1997, já que existe a menção à juntada de certidão que comprova a quitação do tributo. A alegação da defesa, apesar de remotamente possível, só poderia ser aferida com uma análise aprofundada da prova, o que, de imediato, afasta a possibilidade de se tratar de questão de ordem pública. O que se observa é que o agravante pretende fazer do recurso especial uma terceira instância administrativa e que se julgue novamente o caso, com a apreciação de provas trazidas aos autos após o julgamento em 2a instância. Entretanto, o recurso especial não é o local apropriado para o reexame de conteúdo probatório. Tratase, ao reverso, de uma garantia de uniformidade de entendimento sobre a legislação tributária entre as câmaras, turmas de câmaras, turmas especiais do CARF, e entre estas e a Câmara Superior de Recursos Fiscais. Desta forma, correto o despacho agravado que negou seguimento ao recurso especial por ausência de prequestionamento da matéria, nos termos do art. 7°, § 5°, do RICSRF. Assim, como o inciso V do § 2° do art. 17 do RICSRF determina que não cabe pedido de reexame de admissibilidade do recurso especial nos casos em que o indeferimento tenha decorrido de falta de prequestionamento da matéria, no caso de recurso interposto pelo sujeito passivo; NÃO CONHEÇO do agravo regimental e o rejeito liminarmente, nos termos do art. 17°, § 3°, do RICSRF. À Secretaria desta CSRF para distribuição, por sorteio, dos presentes autos, para apreciação do Recurso Especial da Fazenda Nacional (fls. 276 a 287), anteriormente admitido (fls. 288 a 291), bem como das contarrazões do contribuinte (fls. 301 03"). É o relatório. Fl. 5DF CARF MF Impresso em 06/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/05/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 28/06/2 012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 15/06/2012 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR Processo nº 10620.000198/200177 Acórdão n.º 920202.137 CSRFT2 Fl. 4 7 Voto Conselheiro Manoel Coelho Arruda Júnior, Relator Atendidos os pressupostos de admissibilidade, passo ao exame do mérito. Devolvese a esta Câmara Superior de Recursos Fiscais o exame quanto à essencialidade ou não do cumprimento de determinadas exigências ou formalidades para fins de inclusão na base de cálculo do imposto territorial rural ITR das áreas rurais de proteção ambiental, conforme artigo 10, inciso II, aliena ‘a’da Lei n° 9.393/1996, verbis: Art. 10. A apuração e o pagamento do ITR serão efetuados pelo contribuinte, independentemente de prévio procedimento da administração tributária, nos prazos e condições estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal, sujeitandose a homologação posterior. [...] II área tributável, a área total do imóvel, menos as áreas: de preservação permanente e de reserva legal, previstas na Lei nº 4.771, de 15 de setembro de 1965, com a redação dada pela Lei nº 7.803, de 18 de julho de 1989; Embora ambas as áreas sejam protegidas, há distinção na legislação no que se refere ao tratamento fiscal a elas dispensado, especialmente quanto às exigências a serem cumpridas. 1 DIVERGÊNCIA QUANTO À EXCLUSÃO DA ÁREA DE RESERVA LEGAL Para a área conceituada como reserva legal pelo artigo 16, §2° do Código Florestal, com a redação trazida pela Lei nº 7.803/89, a exigência é a averbação no órgão competente de registro da destinação para preservação ambiental de área não inferior a 20% do total do imóvel, conforme região. É o que se conclui da combinação com a parte final do artigo 11 inciso I da Lei n° 8.847/94, acima transcrito. Temse que a, ao alterar o art. 16 da Lei nº 4.771/65, acrescentoulhe dois parágrafos, sendo que, na hipótese dos autos, interessanos o § 2º, com a seguinte redação, in verbis: “Art. 16. ...................... § 1º. ............................. § 2º. A reserva legal, assim entendida a área de, no mínimo, 20% (vinte por cento) de cada propriedade, onde não é permitido o corte raso, deverá ser averbada à margem da inscrição de matrícula do imóvel, no registro de imóveis competente, sendo vedada a alteração de sua destinação, nos casos de transmissão, a qualquer título, ou de desmembramento da área.” Fl. 6DF CARF MF Impresso em 06/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/05/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 28/06/2 012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 15/06/2012 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR 8 A necessidade ou não de averbação da referida área no cartório de registro de imóveis, para fins de apuração da base de cálculo do ITR, é matéria bastante controvertida, tanto nos Tribunais Judiciais quanto no âmbito deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais. Após profundos debates, principalmente no âmbito da Segunda Turma desta CSRF, da qual faço parte, firmei meu posicionamento para entender que a averbação da área de reserva legal na matrícula do imóvel é, como regra geral, condição para sua exclusão da base de cálculo do ITR. Acabei convencido de que a necessidade de averbação da área de reserva legal, embora com função declaratória e não constitutiva, decorre de imposição legal, mais precisamente da interpretação harmônica e conjunta do disposto nas Leis nos 9.393/96 e 4.771/65 (Código Florestal), conforme acima destacado. Ademais, nos termos do artigo 55 do Decreto n° 6.514/2008, cuja entrada em vigor restou prorrogada para 11/12/2011, por força do Decreto n° 7.497, de 09/06/2011, a ausência de averbação da reserva legal dá ensejo à aplicação de multa pecuniária. O ITR é tributo de natureza eminentemente extrafiscal, sendo que a obrigatoriedade da averbação da reserva legal está relacionada, muito além do direito tributário, à garantia de preservação de um meio ambiente ecologicamente equilibrado. Salvo melhor juízo, o benefício tributário consistente na exclusão da base de cálculo do ITR da área de reserva legal só pode ser reconhecido se estiverem cumpridas as exigências da legislação ambiental. E, no caso, penso que a decisão de segunda instância também deve ser confirmada com relação à área de reserva legal, pois o contribuinte atendeu a todas as exigências legais, na medida em que, embora após a ocorrência do fato gerador, que se deu em 01/01/1997, promoveu a respectiva averbação das áreas em 28/10/1999, conforme asseverado pelo i. Conselheiro Relator do acórdão recorrido [fls. 262/274]: [...] Existe, entre os documentos apresentados (fls. 41/48) pela ora recorrente, título de comprovação de suas declarações, duas escrituras exaradas pelo Cartório de Registro de Imóveis de PiraporaMG, com matriculas de n° 14.099 e 14.097, não constando dele' nenhuma averbação de áreas de utilização limitada. Entretanto, há novas informações sobre tais escrituras (fl. 184), notadamente quanto aos números de matriculas que foram alterados para 18.224, 18.225 e 18226, procedentes do registro de matrícula anterior n° 14.097 e n's 18.227 18.228 à de n° 14.099. . Devo ressaltar, por fim, que, sob minha ótica, a averbação da área de utilização limitada pode se dar em momento posterior à ocorrência do fato gerador. No caso, o início da ação fiscal ocorreu em 24/04/2000. Conforme asseverou o Conselheiro Giovanni Christian Nunes Campos, no julgamento do recurso voluntário n° 342.455, “...havendo uma área de reserva legal preservada e comprovada por laudos técnicos ou termos do poder público, mesmo com averbação posterior ao fato gerador, não me parece razoável arrostar o benefício tributário, quando se sabe que áreas ambientais preservadas levam longo tempo para sua recomposição, ou seja, uma área averbada e comprovada em exercício posterior, certamente existia nos Fl. 7DF CARF MF Impresso em 06/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/05/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 28/06/2 012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 15/06/2012 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR Processo nº 10620.000198/200177 Acórdão n.º 920202.137 CSRFT2 Fl. 5 9 exercícios logo precedentes, como redutora da área total do imóvel passível de tributação, não podendo ter sido utilizada diretamente nas atividades agrícolas, pecuárias ou extrativistas. Ademais, nem a Lei tributária nem o Código Florestal definem a data de averbação, como condicionante à isenção do ITR.” Nesse sentido, ainda, trago à colação a ementa do seguinte julgado proferido pelo Egrégio Superior Tribunal de Justiça – STJ: AGRAVO REGIMENTAL EM RECURSO ESPECIAL. TRIBUTÁRIO. ITR. ISENÇÃO. LEINº 9.393/96. AVERBAÇÃO PRÉVIA DA RESERVA LEGAL. DESNECESSIDADE.AGRAVO IMPROVIDO. 1. "A falta de averbação da área de reserva legal na matrícula doimóvel, ou a averbação feita após a data de ocorrência do fatogerador, não é, por si só, fato impeditivo ao aproveitamento daisenção de tal área na apuração do valor do ITR, ante a proteçãolegal estabelecida pelo artigo 16 da Lei nº 4.771/1965." (REsp nº1.060.886/PR, Relator Ministro Luiz Fux, in DJe 18/12/2009). 2. Agravo regimental improvido. (STJ, Primeira Turma, AgRg no REsp n° 1.157.239/DF, Relator Ministro Hamilton Carvalhido, DJE de 04/06/2010) Dessa forma não merecem guarida a irresignação da i. PGFN. 2 DIVERGÊNCIA QUANTO À EXCLUSÃO DA ÁREA PRESERVAÇÃO PERMANENTE Em relação aos efeitos da apresentação do Ato Declaratório Ambiental (ADA temos que apesar de contestado o não comparecimento da Contribuinte para a apresentação do ADA/IBAMA dentro do prazo previsto na IN/SRF n° 43/97, com redação da IN 67/9 prazo este prorrogado pelo art. 3° da IN/SRF n° 56/98 para 21/09/98, é de se considerar que após a intimação para apresentar os documentos requisitados pela fiscalização, a contribuinte o fez mesmo que intempestivamente [19/07/2000], conforme cópia anexa (fl. 40), não sendo a regularidade dos registros contidos no ADA contestada pela decisão de primeira instância, o qual atesta a existência de 980,0 ha. de área de preservação permanente, 1.797,1 ha. de área de reserva legal e 600 ha. de área de declarado interesse ecológico, perfazendo um total de 3.377,1 ha. de área total florestal. Merece tal documento ser reconhecido, posto que exarado por órgão competente e por não haver sido contestada a sua validade pelo juízo de primeira instância quanto a sua validade. . Os laudos técnicos de avaliação colacionados nos autos (fls. 23/38 e 166/24v) também são instrumentos hábeis e idôneos para consignar a existência da área de preservação permanente, no imóvel objeto da lide, eis que não há controvérsias quanto a sua legitimidade. Ademais, tal matéria foi objeto do enunciado da Súmula CARF n° 41 que trata especificamente do assunto: A não apresentação do Ato Declaratório Ambiental (ADA) emitido pelo IBAMA, ou órgão conveniado, não pode motivar o Fl. 8DF CARF MF Impresso em 06/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/05/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 28/06/2 012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 15/06/2012 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR 10 lançamento de ofício relativo a fatos geradores ocorridos até o exercício de 2000. Em razão do exposto, voto em NEGAR PROVIMENTO ao Recurso Especial. É como voto. (Assinado digitalmente) Manoel Coelho Arruda Júnior Fl. 9DF CARF MF Impresso em 06/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/05/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 28/06/2 012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 15/06/2012 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR
score : 1.0
Numero do processo: 13896.720020/2007-90
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu May 16 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Mon Jun 17 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural - ITR
Exercício: 2003
EMBARGOS DECLARATÓRIOS. ACOLHIMENTO. EFEITOS INFRINGENTES.
Acolhem-se os embargos declaratórios para sanar eventuais contradições verificadas no acórdão.
ÁREA DE RESERVA LEGAL. AVERBAÇÃO NO CARTÓRIO DE REGISTRO DE IMÓVEIS. OBRIGATORIEDADE.
A área de reserva legal somente será considerada como tal, para efeito de exclusão da área tributada e aproveitável do imóvel, quando devidamente averbada junto ao Cartório de Registro de Imóveis competente.
Numero da decisão: 2201-002.144
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, acolher os Embargos de Declaração para, sanando a contradição apontada no Acórdão nº 2201-1.375, de 1º/12/2011, alterar a decisão, no sentido de desconsiderar a Área de Reserva Legal declarada.
Assinado Digitalmente
Eduardo Tadeu Farah Relator
Assinado Digitalmente
Maria Helena Cotta Cardozo - Presidente
Participaram do presente julgamento, os Conselheiros: Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente), Jimir Doniak Junior (Suplente Convocado), Odmir Fernandes, Eduardo Tadeu Farah, Marcio de Lacerda Martins, Ricardo Anderle (Suplente convocado). Ausentes, justificadamente, os Conselheiros Rodrigo Santos Masset Lacombe e Gustavo Lian Haddad.
Nome do relator: EDUARDO TADEU FARAH
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ACOLHIMENTO. EFEITOS INFRINGENTES. Acolhemse os embargos declaratórios para sanar eventuais contradições verificadas no acórdão. ÁREA DE RESERVA LEGAL. AVERBAÇÃO NO CARTÓRIO DE REGISTRO DE IMÓVEIS. OBRIGATORIEDADE. A área de reserva legal somente será considerada como tal, para efeito de exclusão da área tributada e aproveitável do imóvel, quando devidamente averbada junto ao Cartório de Registro de Imóveis competente. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, acolher os Embargos de Declaração para, sanando a contradição apontada no Acórdão nº 22011.375, de 1º/12/2011, alterar a decisão, no sentido de desconsiderar a Área de Reserva Legal declarada. Assinado Digitalmente Eduardo Tadeu Farah – Relator Assinado Digitalmente Maria Helena Cotta Cardozo Presidente AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 89 6. 72 00 20 /2 00 7- 90 Fl. 244DF CARF MF Impresso em 17/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/06/2013 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 12/06/2013 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 11/06/2013 por EDUARDO TADEU FARAH 2 Participaram do presente julgamento, os Conselheiros: Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente), Jimir Doniak Junior (Suplente Convocado), Odmir Fernandes, Eduardo Tadeu Farah, Marcio de Lacerda Martins, Ricardo Anderle (Suplente convocado). Ausentes, justificadamente, os Conselheiros Rodrigo Santos Masset Lacombe e Gustavo Lian Haddad. Relatório A Fazenda Nacional, com fulcro nas disposições contidas no art. 65 da Portaria nº 256, de 22 de junho de 2009 (RICARF), opõe Embargos Declaratórios em face do Acórdão nº 220101.375, de 01 de dezembro de 2011, alegando, em síntese, que: ... foi possível constatar a existência de pequena contradição no julgado, no tocante à existência ou não da respectiva averbação da referida área de reserva legal à margem da matrícula do imóvel. Isso porque, os documentos citados pelo r. voto, não dizem respeito à averbação da área de reserva legal na inscrição do imóvel. Com efeito, a Escritura Pública Declaratória foi lavrada perante Oficial de Registro Civil das Pessoas Naturais e Tabelião de Notas do Município de Pirapora do Bom Jesus/SP, e corresponde a mera declaração do sujeito passivo de que se compromete a reservar no respectivo imóvel a área de reserva legal ali consignada. Embasam a referida declaração o Memorial Descritivo e o Termo de Responsabilidade citados por este e. colegiado. Nesse sentido, a Certidão lavrada pelo Oitavo Oficial de Registro de Imóveis, em 15 de maio de 2003, registra o histórico da titularidade do imóvel, bem como todas as averbações efetuadas na matrícula do mesmo, não constando qualquer referência à averbação da área de reserva legal. Pois bem, no que tange a área de reserva legal, a 1ª Turma da 2ª Câmara da 2ª Seção do CARF julgou o Processo nº 13896.720020/200790, proferindo a decisão consubstanciada no Acórdão nº 220101.375, de 01 de dezembro de 2011, assim ementado: ÁREA DE RESERVA LEGAL. COMPROVAÇÃO. A averbação à margem da inscrição de matrícula do imóvel, no registro de imóveis competente, faz prova da existência da área de reserva legal, independentemente da apresentação tempestiva de Ato Declaratório Ambiental (ADA). Por sua vez, o voto condutor do aresto supra assegurou: (...) Sobre cada uma das áreas glosadas foram apresentadas as seguintes provas: Reserva Legal (96,8ha) – Averbação de 20% na matricula do imóvel, fls.105/106, consubstanciado no Memorial Descritivo da Área de Reserva Legal (fls.117), no total de 968.000 m2, ou seja, os 96,8ha e pelo Termo de Responsabilidade de Preservação de Reserva Legal (fls.83/84). Fl. 245DF CARF MF Impresso em 17/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/06/2013 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 12/06/2013 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 11/06/2013 por EDUARDO TADEU FARAH Processo nº 13896.720020/200790 Acórdão n.º 2201002.144 S2C2T1 Fl. 3 3 (...) Passemos a analise de cada uma das áreas acima especificadas. No que se refere a área de Preservação Permanente dos 80,0ha, declarados, apenas 24,92ha foram comprovados através de Laudo. Por sua vez, a integralidade da área 96,8ha de Reserva Legal está averbada. Desse modo, referidas áreas que estão devidamente comprovadas devem ser afastadas do lançamento. (grifei) Em função do relato supra, os membros do Colegiado decidiram: ... por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso, para restabelecer a integralidade da área de reserva legal de 96,8ha e a área de preservação permanente comprovada através de Laudo Técnico de 24,92ha. Vencidos os conselheiros Rayana Alves de Oliveira França (relatora) e Rodrigo Santos Masset Lacombe que davam provimento em maior extensão e o conselheiro Eduardo Tadeu Farah que negava provimento pela ausência do ADA. Designado para elaborar o voto vencedor o conselheiro Pedro Paulo Pereira Barbosa em relação à retificação da área total do imóvel Entretanto, analisando detidamente os autos, verifico que não há averbação da área de reserva legal à margem da matrícula do imóvel no cartório de registro e sim, Escritura Pública Declaratória lavrada perante o Oficial de Registro Civil das Pessoas Naturais e Tabelião de Notas do Município de Pirapora do Bom Jesus/SP. Portanto, da análise supra constatase flagrante contradição entre o conteúdo dos autos e o que foi decidido pelo Colegiado. Sendo assim, os autos devem ser novamente apreciados pela Turma Julgadora e, em especial, a questão relativa à área de reserva legal. É o relatório. Voto Conselheiro EDUARDO TADEU FARAH, Relator. Os embargos são tempestivos, portanto, conheço. Como se pode verificar da leitura do relatório, a 1ª Turma da 2ª Câmara da 2ª Seção do CARF partiu da premissa que havia averbação de 96,8 ha da área de reserva legal à margem da matrícula no Cartório de Registro de Imóveis, contudo, conforme se infere da análise dos autos, o contribuinte procedeu a lavratura de Escritura Pública Declaratória perante o Oficial de Registro Civil das Pessoas Naturais e Tabelião de Notas do Município de Pirapora do Bom Jesus/SP. A Escritura lavrada teve como base os seguintes documentos (fl. 83/84): ... Memorial Descritivo assinado em 19 de dezembro de 2002, pelo Engº Flávio Eduardo Adorno Barone (Crea 5060577657) e Técnico Agr° Ricardo Negrão Ramos; 4) Que, fazem esta declaração especificando e retificando o Termo de Fl. 246DF CARF MF Impresso em 17/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/06/2013 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 12/06/2013 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 11/06/2013 por EDUARDO TADEU FARAH 4 responsabilidade de preservação de reserva legal n° 217/02 (processo SMA 72.645/00), expedido em 19 de dezembro de 2002, pela Secretaria do Meio Ambiente, Coordenadoria de Licenciamento Ambiental e Proteção de Recursos Naturais, Departamento Estadual de Proteção de Recursos Naturais (DEPRN). Com efeito, independentemente dos documentos acima relacionados, a área de reserva legal somente poderá ser suprimida da base de cálculo da apuração do ITR, somente após regularmente averbada na matrícula no Cartório de Registro de Imóveis, em data anterior à ocorrência do fato gerador, conforme determina o Código Florestal, Lei nº 4.771, de 15 de setembro de 1965, art. 16, § 8º, com a redação dada pela MP nº 2.16667, de 24 de agosto de 2001, verbis: Art.16. As florestas e outras formas de vegetação nativa, ressalvadas as situadas em área de preservação permanente, assim como aquelas não sujeitas ao regime de utilização limitada ou objeto de legislação específica, são suscetíveis de supressão, desde que sejam mantidas, a título de reserva legal, no mínimo: (Redação dada pela Medida Provisória nº 2.16667, de 2001) (Regulamento) (...) §8o A área de reserva legal deve ser averbada à margem da inscrição de matrícula do imóvel, no registro de imóveis competente, sendo vedada a alteração de sua destinação, nos casos de transmissão, a qualquer título, de desmembramento ou de retificação da área, com as exceções previstas neste Código. (Incluído pela Medida Provisória nº 2.16667, de 2001) (grifei) Destarte, como não há efetivamente averbação da área de reserva legal junto ao CRI competente, o contribuinte não poderá se beneficiar da isenção. Ressaltese que a norma que veicula a isenção fiscal deve ser interpretada restritivamente, a luz do art. 111, I, do CTN. Ante a todo o exposto, voto por acolher os Embargos de Declaração para, sanando a contradição apontada no Acórdão nº 22011.375, de 1º/12/2011, alterar a decisão no sentido manter a glosa sobre a área de reserva legal. Assinado Digitalmente Eduardo Tadeu Farah Fl. 247DF CARF MF Impresso em 17/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/06/2013 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 12/06/2013 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 11/06/2013 por EDUARDO TADEU FARAH Processo nº 13896.720020/200790 Acórdão n.º 2201002.144 S2C2T1 Fl. 4 5 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA CÂMARA DA SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº: 13896.720020/200790 TERMO DE INTIMAÇÃO Em cumprimento ao disposto no § 3º do art. 81 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovados pela Portaria Ministerial nº 256, de 22 de junho de 2009, intimese o (a) Senhor (a) Procurador (a) Representante da Fazenda Nacional, credenciado junto a Segunda Câmara da Segunda Seção, a tomar ciência do Acórdão nº 2201002.144. Brasília/DF, 16 de agosto de 2013 Assinado Digitalmente MARIA HELENA COTTA CARDOZO Presidente da Segunda Câmara / Segunda Seção Ciente, com a observação abaixo: (......) Apenas com ciência (......) Com Recurso Especial (......) Com Embargos de Declaração Data da ciência: _______/_______/_________ Procurador (a) da Fazenda Nacional Fl. 248DF CARF MF Impresso em 17/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/06/2013 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 12/06/2013 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 11/06/2013 por EDUARDO TADEU FARAH 6 Fl. 249DF CARF MF Impresso em 17/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/06/2013 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 12/06/2013 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 11/06/2013 por EDUARDO TADEU FARAH
score : 1.0
Numero do processo: 13227.900947/2009-56
Turma: Terceira Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue May 07 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Fri May 31 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Exercício: 2003
PEDIDO DE RESTITUIÇÃO OU COMPENSAÇÃO. ESTIMATIVA MENSAL. SALDO NEGATIVO. REEXAME.
O pagamento de estimativa mensal, indicado como direito creditório no correspondente Pedido de Ressarcimento ou Restituição/Declaração de Compensação (Per/DComp), compõe o saldo negativo apurável, devendo, a esse título, ser apreciado pelo órgão jurisdicionante.
Numero da decisão: 1803-001.683
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, para que o direito creditório pleiteado seja apreciado, pela DRF de origem, como saldo negativo, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado. Ausente momentaneamente a Conselheira Maria Elisa Bruzzi Boechat.
(assinado digitalmente)
Walter Adolfo Maresch Presidente-substituto
(assinado digitalmente)
Sérgio Rodrigues Mendes - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Meigan Sack Rodrigues, Walter Adolfo Maresch, Victor Humberto da Silva Maizman, Sérgio Rodrigues Mendes, Roberto Armond Ferreira da Silva e Maria Elisa Bruzzi Boechat.
Nome do relator: SERGIO RODRIGUES MENDES
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Exercício: 2003 PEDIDO DE RESTITUIÇÃO OU COMPENSAÇÃO. ESTIMATIVA MENSAL. SALDO NEGATIVO. REEXAME. O pagamento de estimativa mensal, indicado como direito creditório no correspondente Pedido de Ressarcimento ou Restituição/Declaração de Compensação (Per/DComp), compõe o saldo negativo apurável, devendo, a esse título, ser apreciado pelo órgão jurisdicionante.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 6; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1190; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1TE03 Fl. 78 1 77 S1TE03 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 13227.900947/200956 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 1803001.683 – 3ª Turma Especial Sessão de 7 de maio de 2013 Matéria IRPJ COMPENSAÇÃO Recorrente ASSESSORTEC ASSISTÊNCIA FISCO CONTABIL LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Exercício: 2003 PEDIDO DE RESTITUIÇÃO OU COMPENSAÇÃO. ESTIMATIVA MENSAL. SALDO NEGATIVO. REEXAME. O pagamento de estimativa mensal, indicado como direito creditório no correspondente Pedido de Ressarcimento ou Restituição/Declaração de Compensação (Per/DComp), compõe o saldo negativo apurável, devendo, a esse título, ser apreciado pelo órgão jurisdicionante. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 22 7. 90 09 47 /2 00 9- 56 Fl. 78DF CARF MF Impresso em 04/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/05/2013 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 24/05/2 013 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 28/05/2013 por WALTER ADOLFO MARESCH Processo nº 13227.900947/200956 Acórdão n.º 1803001.683 S1TE03 Fl. 79 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, para que o direito creditório pleiteado seja apreciado, pela DRF de origem, como saldo negativo, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado. Ausente momentaneamente a Conselheira Maria Elisa Bruzzi Boechat. (assinado digitalmente) Walter Adolfo Maresch – Presidentesubstituto (assinado digitalmente) Sérgio Rodrigues Mendes Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Meigan Sack Rodrigues, Walter Adolfo Maresch, Victor Humberto da Silva Maizman, Sérgio Rodrigues Mendes, Roberto Armond Ferreira da Silva e Maria Elisa Bruzzi Boechat. Fl. 79DF CARF MF Impresso em 04/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/05/2013 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 24/05/2 013 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 28/05/2013 por WALTER ADOLFO MARESCH Processo nº 13227.900947/200956 Acórdão n.º 1803001.683 S1TE03 Fl. 80 3 Relatório Por bem retratar os acontecimentos do presente processo, adoto o Relatório do acórdão recorrido (fls. 37verso): Trata o presente processo de PER/DCOMP transmitido em 14.11.2005, mediante o qual foi pedida restituição no valor original de R$ 8,02 e efetivada a compensação de débitos da interessada acima identificada. A Delegacia de origem, mediante despacho decisório eletrônico (fl. 06), asseverou que “a partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP (...) foram localizados um ou mais pagamentos (...), mas integralmente utilizados para a quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP”. Assim, não homologou a compensação declarada. Cientificada em 05/06/2009 (fl. 07) a interessada apresentou, tempestivamente, em 23/06/2009, manifestação de inconformidade (fls. 08/09) na qual, em síntese que: a) “Após revisão em nossos arquivos, constamos(sic) que nos exercício (sic) de 2003 e 2004, a empresa teve apuração de IRPJ e da CSLL Anual, tendo pago por estimativa mensal, desta forma o recolhimento mensal foi superior ao apurado anual, daí a existência do crédito suficiente para pagar os demais débitos os quais foram compensados nos anos calendários subseqüentes, através de PER/DCOMP. Entretanto, antes mesmo da emissão deste despacho decisório, revisando nossos arquivos e, em análise mais apurada, constatamos que nas Declarações de Débitos e Créditos Tributários Federais – DCTF, foram informados os valores pagos mensalmente por estimativa, sendo assim no dia 01 de Abril de 2009 procedemos a retificação das referidas DCTF’s (...)” ; b) “Diante de todas as análises, entendemos que a retificação das Declarações de Débitos e Créditos Tributários – DCTF, irá sanar todas as divergências entre créditos e débitos, ou seja, mediante o procedimento de declaração retificadora, os débitos serão extintos.” Ao final, requer o reconhecimento do direito creditório pleiteado e a conseqüente homologação da compensação declarada. 2. A decisão da instância a quo foi assim ementada (fls. 37): ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2002 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. ÔNUS DA PROVA. Considerase não homologada a declaração de compensação apresentada pelo sujeito passivo quando não reste comprovada a existência do crédito apontado como compensável. Nas declarações de compensação referentes a pagamentos indevidos ou a maior o contribuinte possui o ônus de prova do seu direito. Fl. 80DF CARF MF Impresso em 04/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/05/2013 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 24/05/2 013 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 28/05/2013 por WALTER ADOLFO MARESCH Processo nº 13227.900947/200956 Acórdão n.º 1803001.683 S1TE03 Fl. 81 4 3. Cientificada da referida decisão em 23/03/2011 (fls. 41), a tempo, em 18/04/2011, apresenta a interessada Recurso de fls. 46 a 50 (numeração digital – ND), instruído com os documentos de fls. 51 a 75 (ND), nele reiterando os argumentos anteriormente expendidos e informando estar encaminhando cópias de registros contábeis da conta de ativo do tributo a recuperar, de balanço transcrito no livro Diário e de Darf utilizado como referência de crédito na compensação, documentos, estes, necessários à demonstração do crédito pleiteado. 4. É o que importa relatar. Em mesa para julgamento. Fl. 81DF CARF MF Impresso em 04/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/05/2013 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 24/05/2 013 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 28/05/2013 por WALTER ADOLFO MARESCH Processo nº 13227.900947/200956 Acórdão n.º 1803001.683 S1TE03 Fl. 82 5 Voto Conselheiro Sérgio Rodrigues Mendes, Relator Atendidos os pressupostos formais e materiais, tomo conhecimento do Recurso. Pedido de compensação 5. De início, convém observar que a decisão recorrida corretamente concluiu no seguinte sentido (fls. 38 e verso – destaques e notas do original): Por outro lado, tomandose em conta que o crédito apontado pelo sujeito passivo em sua declaração de compensação refere se a recolhimento de estimativas mensais, impõese assinalar que, nos termos da legislação relativa à apuração do Imposto de Renda das Pessoas Jurídicas (IRPJ), aplicável à Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL) por força do art. 30 da Lei nº 9.430/19961, os recolhimentos efetuados pelas pessoas jurídicas optantes pelo lucro real, no decorrer dos meses do ano civil, caracterizam, em princípio, antecipações do tributo devido no final do período anual de apuração. Ou seja, o sujeito passivo, ao exercer a opção prevista no artigo 2º da Lei nº 9.430/1996, fica obrigado aos recolhimentos mensais por estimativa, com base na receita bruta, devendo, ao final do ano calendário, proceder à apuração do tributo devido, oportunidade em que poderá, então, deduzir os valores anteriormente recolhidos por estimativa. Notese que, ao final do anocalendário, acaso o contribuinte apure saldo negativo do tributo, poderá pleitear a restituição ou a compensação deste mesmo saldo, nos termos e condições constantes do art. 6º, § 1º, da Lei nº 9.430/19962. 1 "Art. 2º A pessoa jurídica sujeita a tributação com base no lucro real poderá optar pelo pagamento do imposto, em cada mês, determinado sobre base de cálculo estimada, mediante a aplicação, sobre a receita bruta auferida mensalmente, dos percentuais de que trata o art. 15 da Lei nº 9.249, de 26 de dezembro de 1995, observado o disposto nos §§ 1º e 2º do art. 29 e nos arts. 30 a 32, 34 e 35 da Lei nº 8.981, de 20 de janeiro de 1995, com as alterações da Lei nº 9.065, de 20 de junho de 1995. (...) Art. 30. A pessoa jurídica que houver optado pelo pagamento do imposto de renda na forma do art. 2º fica, também, sujeita ao pagamento mensal da contribuição social sobre o lucro líquido, determinada mediante a aplicação da alíquota a que estiver sujeita sobre a base de cálculo apurada na forma dos incisos I e II do artigo anterior." 2 “Art. 6º O imposto devido, apurado na forma do art. 2º, deverá ser pago até o último dia útil do mês subseqüente àquele a que se referir. § 1º O saldo do imposto apurado em 31 de dezembro será: I pago em quota única, até o último dia útil do mês de março do ano subseqüente, se positivo, observado o disposto no § 2º; II compensado com o imposto a ser pago a partir do mês de abril do ano subseqüente, se negativo, assegurada a alternativa de requerer, após a entrega da declaração de rendimentos, a restituição do montante pago a maior.” Fl. 82DF CARF MF Impresso em 04/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/05/2013 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 24/05/2 013 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 28/05/2013 por WALTER ADOLFO MARESCH Processo nº 13227.900947/200956 Acórdão n.º 1803001.683 S1TE03 Fl. 83 6 Constatase, pois, que a regra geral é no sentido de que o contribuinte leve os valores recolhidos a título de estimativa à composição do saldo do IRPJ/CSLL apurado em 31 de dezembro. Em assim sendo, o recolhimento de estimativas mensais, exatamente nos valores calculados segundo os critérios determinados pela Lei nº 9.430/1996, não pode ser considerado, a priori, como pagamento indevido ou a maior, mesmo quando haja apuração de prejuízo fiscal ao final do exercício (este sim passível de repetição). 6. Por outro lado, conforme se observa da Planilha 1, constante do Recurso Voluntário (fls. 48 e 49 – ND), em que se comparam os valores de estimativas pagos no decorrer do anocalendário de 2002 e o valor total apurado (devido) no mesmo anocalendário, está a Recorrente, na realidade, pleiteando “crédito resultante da apuração final do exercício”. 7. Por conseguinte, aquele pagamento de estimativa mensal, indicado como direito creditório na correspondente Per/DComp, compõe o saldo negativo apurável, devendo, a esse título, ser apreciado pelo órgão jurisdicionante, em conjunto com outras Per/DComp que porventura tenham a mesma origem de crédito. Conclusão Em face do exposto, e considerando tudo o mais que dos autos consta, voto no sentido de DAR PROVIMENTO PARCIAL ao recurso voluntário, para que o direito creditório pleiteado seja apreciado, pela DRF de origem, como saldo negativo. É como voto. (assinado digitalmente) Sérgio Rodrigues Mendes Fl. 83DF CARF MF Impresso em 04/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/05/2013 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 24/05/2 013 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 28/05/2013 por WALTER ADOLFO MARESCH
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Numero do processo: 11516.000328/2009-89
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Apr 17 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Tue May 28 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2006, 2007
DEPÓSITOS BANCÁRIOS. PRESUNÇÃO DE OMISSÃO DE RENDIMENTOS
Para os fatos geradores ocorridos a partir de 1° de janeiro de 1997, a Lei nº 9.430, de 1996, em seu art. 42, autoriza a presunção relativa de omissão de rendimentos com base nos valores depositados em conta bancária para os quais o titular, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações
MULTA ISOLADA - IMPOSSIBILIDADE DE COBRANÇA CUMULATIVA COM A MULTA DE OFÍCIO NORMAL - Deve ser afastada a aplicação da multa isolada concomitantemente com a multa de ofício normal, incidentes sobre o tributo objeto do lançamento
Numero da decisão: 2202-002.280
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, dar provimento parcial ao recurso para excluir da exigência a multa isolada do carnê-leão aplicada de forma concomitante com a multa de ofício. Vencida a Conselheira Maria Lúcia Moniz de Aragão Calomino Astorga, que negava provimento ao recurso. O Conselheiro Márcio de Lacerda Martins acompanha o voto do Relator pelas conclusões.
(Assinado digitalmente)
Maria Lúcia Moniz de Aragão Calomino Astorga (Presidente Substituta).
(Assinado digitalmente)
Pedro Anan Junior Relator
Composição do colegiado: Participaram do presente julgamento os os Conselheiros Antonio Lopo Martinez, Rafael Pandolfo, Márcio de Lacerda Martins (Suplente convocado), Fábio Brun Goldschmidt, Pedro Anan Junior e Maria Lúcia Moniz de Aragão Calomino Astorga (Presidente Substituta).
Nome do relator: PEDRO ANAN JUNIOR
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PRESUNÇÃO DE OMISSÃO DE RENDIMENTOS Para os fatos geradores ocorridos a partir de 1° de janeiro de 1997, a Lei nº 9.430, de 1996, em seu art. 42, autoriza a presunção relativa de omissão de rendimentos com base nos valores depositados em conta bancária para os quais o titular, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações MULTA ISOLADA IMPOSSIBILIDADE DE COBRANÇA CUMULATIVA COM A MULTA DE OFÍCIO NORMAL Deve ser afastada a aplicação da multa isolada concomitantemente com a multa de ofício normal, incidentes sobre o tributo objeto do lançamento Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, dar provimento parcial ao recurso para excluir da exigência a multa isolada do carnêleão aplicada de forma concomitante com a multa de ofício. Vencida a Conselheira Maria Lúcia Moniz de Aragão Calomino Astorga, que negava provimento ao recurso. O Conselheiro Márcio de Lacerda Martins acompanha o voto do Relator pelas conclusões. (Assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 51 6. 00 03 28 /2 00 9- 89 Fl. 354DF CARF MF Impresso em 04/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2013 por PEDRO ANAN JUNIOR, Assinado digitalmente em 21/05/2013 po r MARIA LUCIA MONIZ DE ARAGAO CALOMINO ASTORGA, Assinado digitalmente em 20/05/2013 por PEDRO ANAN J UNIOR 2 Maria Lúcia Moniz de Aragão Calomino Astorga (Presidente Substituta). (Assinado digitalmente) Pedro Anan Junior– Relator Composição do colegiado: Participaram do presente julgamento os os Conselheiros Antonio Lopo Martinez, Rafael Pandolfo, Márcio de Lacerda Martins (Suplente convocado), Fábio Brun Goldschmidt, Pedro Anan Junior e Maria Lúcia Moniz de Aragão Calomino Astorga (Presidente Substituta). Fl. 355DF CARF MF Impresso em 04/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2013 por PEDRO ANAN JUNIOR, Assinado digitalmente em 21/05/2013 po r MARIA LUCIA MONIZ DE ARAGAO CALOMINO ASTORGA, Assinado digitalmente em 20/05/2013 por PEDRO ANAN J UNIOR Processo nº 11516.000328/200989 Acórdão n.º 2202002.280 S2C2T2 Fl. 339 3 Relatório Mediante auto de infração de folhas 271/282, exigese do contribuinte acima identificado a importância de R$ 195.835,84, acrescido de multa de oficio de 75% e juros de mora, relativo ao Imposto de Renda Pessoa Física, anocalendário 2005 e 2006. Consta também do presente lançamento multa exigida isoladamente no valor de R$ 100.850,60, por falta de recolhimento mensal de carnê leão de rendimentos recebidos de pessoas fisicas, nos anos calendários de 2005 e 2006. Os fatos apurados pela fiscalização que ensejaram a lavratura do presente auto de infração estão detalhadamente descritos no Termo de Verificação Fiscal, fls. 261/270. A autuação é decorrente da apuração de omissão de rendimentos provenientes de depósitos bancários cuja origem não foi comprovada, no ano calendário 2005. Foi lançando também omissão de rendimento recebidos de pessoas fisicas, decorrentes de ações judiciais no Tribunal de Justiça de Santa Catarina, nos anos de 2005 e 2006. 0 contribuinte, como preposto de seus clientes, repassou a estes valores menores que os recebidos, tendo sido estes valores caracterizados como honorários advocaticios. Os fatos detalhadamente relatados as fls. 263/270 estão indicado a seguir. Omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários cuja origem não foi comprovada. Relata a autoridade lançadora que no ano calendário 2005, deixaram de ser comprovados, por meio de documentação hábil e idônea, a origem dos recursos depositados na agência 1873, conta n° 01.62101 da Caixa Econômica Federal. A fiscalização informa que o contribuinte recebeu rendimentos de pessoas fisicas superiores aos declarados. Que de posse dos alvarás judiciais expedidos, relacionou os valores que o contribuinte, na condição de preposto em diversos processos, recebeu do Tribunal de Justiça de Santa Catarina e comparou com os recibos dos pagamentos efetuados aos clientes. As diferenças apuradas, foram tratadas como rendimentos de honorários advocaticios. Estes valores foram submetidos ao contribuinte para sua manifestação e estão detalhadamente consignados no relatório deste auto de infração, fls. 265 a 267 O contribuinte apresentou impugnação ao lançamento, fls. 285/292, a qual em síntese traz os seguintes argumentos: No que se refere ao carnêleão, alega que não houve sonegação fiscal e que todos os recibos fornecidos aos seus clientes foram declarados nos exercícios nos anos de 2005 e 2006. Que na realidade omitiu apenas o nome das pessoas fisicas que pagaram os honorários. Fl. 356DF CARF MF Impresso em 04/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2013 por PEDRO ANAN JUNIOR, Assinado digitalmente em 21/05/2013 po r MARIA LUCIA MONIZ DE ARAGAO CALOMINO ASTORGA, Assinado digitalmente em 20/05/2013 por PEDRO ANAN J UNIOR 4 Que a importância de R$ 15.300,00 depositada na agência da Caixa Econômica Federal, em 28/02/2005 se refere a empréstimo que o recorrente se valeu de terceiros, para atender despesas futuras, valor este devolvido em espécie, em 2005, àquele que emprestou. Que a importância de R$ 26.484,48 é resultante de uma aplicação feita no valor de R$ 30.000,00, na Bolsa de Valores, pela Caixa Econômica Federal, mas que em razão de constantes quedas nas bolsas de todo o mundo, para evitar prejuízo maior, resgatou o valor aplicado, o que resultou no prejuízo de R$ 3.515,52. O valor de R$ 45.000,00 depositado na CEF em 27/12/2005, se refere a simples transferência bancária do BESC para a CEF, para fazer frente a despesas futuras. Que a operação não resultou em ganho para o recorrente. Apresenta planilha fls. 287/290, indicando relação de recibos emitidos para seus clientes, relativos aos meses de novembro e dezembro de 2005, nos quais alega que a diferença apontada no levantamento efetuado pela fiscalização está incorreta pois não foi considerado no calculo as diversas despesas efetuadas nos processos judiciais, tais como adiantamentos e ressarcimentos A. escritórios para elaboração de cálculos. Que não pode ser considerado como honorário os valores ressarcidos indicados e citados, a titulo de despesas diversas, dentre elas a correspondente a cálculos judiciais. Que os recibos emitidos em 07/2006, relativos aos clientes indicados estariam corretamente lançados mas que não foi considerado valores repassados aos demais profissionais que atuaram nos processos. Quanto ao recolhimento do imposto a titulo de carnêleão, nos exercícios de 2006 e 2007, optou por declarar o que efetivamente recebeu, o que não constitui qualquer irregularidade perante o fisco. A Delegacia da Receita Federal de Julgamento de Florianópolis – DRJ/FNS, ao analisar a impugnação julgou improcedente os argumentos do Recorrente, através do acórdão 0721.971, de 05 de novembro de 2010; Devidamente cientificado dessa decisão o contribuinte apresenta tempestivamente recurso voluntário onde reitera os argumentos da impugnação. É o relatório. Fl. 357DF CARF MF Impresso em 04/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2013 por PEDRO ANAN JUNIOR, Assinado digitalmente em 21/05/2013 po r MARIA LUCIA MONIZ DE ARAGAO CALOMINO ASTORGA, Assinado digitalmente em 20/05/2013 por PEDRO ANAN J UNIOR Processo nº 11516.000328/200989 Acórdão n.º 2202002.280 S2C2T2 Fl. 340 5 Voto Conselheiro Pedro Anan Junior Relator OMISSÃO DE RENDIMENTOS – DEPÓSITOS BANCÁRIOS – PRESUNÇÃO. O auto de infração elaborado pela autoridade lançadora teve como base o artigo 42, caput e §§ 1º e 2º, da Lei nº 9.430, de 1996: “Art. 42. Caracterizamse também omissão de receita ou de rendimento os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. § 1º O valor das receitas ou dos rendimentos omitido será considerado auferido ou recebido no mês do crédito efetuado pela instituição financeira. § 2º Os valores cuja origem houver sido comprovada, que não houverem sido computados na base de cálculo dos impostos e contribuições a que estiverem sujeitos, submeterseão às normas de tributação específicas, previstas na legislação vigente à época em que auferidos ou recebidos.” Nos termos da referida norma legal presumese omissão de rendimentos sempre que o titular da conta bancária, regularmente intimado, não comprovar, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos creditados em sua conta de depósito ou de investimento. Não há que se falar em violação do sigilo bancário no presente caso, tendo em vista que o Recorrente apresentou seus extratos bancários para a autoridade lançadora. No presente caso foi comprovado através de documentação e provas que a Contribuinte é titular das contas bancária, sendo que o lançamento foi efetuado a partir da presunção relativa de omissão de rendimentos calcada em depósitos bancários de origem não demonstrada, nos termos artigo 42 da Lei nº 9.430, de 1996. Não merece reparos a decisão da DRJ, tendo em vista que o Recorrente não conseguiu comprovar através de provas a origem dos depósitos ensejadores do presente lançamento. Fl. 358DF CARF MF Impresso em 04/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2013 por PEDRO ANAN JUNIOR, Assinado digitalmente em 21/05/2013 po r MARIA LUCIA MONIZ DE ARAGAO CALOMINO ASTORGA, Assinado digitalmente em 20/05/2013 por PEDRO ANAN J UNIOR 6 Desta forma verificase que os depósitos bancários que formaram a base de cálculo do auto de infração são valores que foram movimentados e não foram oferecidos a tributação, não havendo nenhuma evidência de que alguma dessas importâncias foram declaradas pela Contribuinte ou têm natureza isenta, uma vez que a Contribuinte nada trouxe para esclarecer e comprovar a origem dos referidos depósitos. Podemos concluir que o Contribuinte não conseguiu demonstrar que não houve omissão de rendimentos, pois não apresentou nenhum documento ou prova que comprovariam que os depósitos efetuados em sua conta bancária possuíam origem isenta ou já submetida à tributação. Desta forma, é devida a presente tributação com base em depósitos bancários de origem não comprovada. Omissão de Rendimentos. No que diz respeito as omissões apuradas pela autoridade lançadora, com base nos recibos emitidos para seus clientes, relativos aos meses de novembro e dezembro de 2005, bem como para o mês de julho de 2006, o Recorrente discorda do lançamento efetuado, no que afirma que os valores estariam incorretos em decorrência de não ter sido considerado no calculo as diversas despesas efetuadas nos processos judiciais, tais como adiantamentos e ressarcimentos a escritórios para elaboração de cálculos. No entanto, para demonstrar estas alegações, apresenta apenas uma planilha demonstrativa, fl. 287/290, no qual apresenta valores relativos a despesas denominadas "ressarcimento de despesas adiantadas p/ escritórios c/ cálculos, etc". Verificase portanto que o contribuinte não concorda com o valor do imposto apurado, tendo em vista que requer que seja deduzido dos rendimentos tributáveis apurados na ação fiscal os valores que alega que adiantou para escritórios, relativo a cálculos judiciais e outras atividades. Entretanto, se confunde o Recorrente neste quesito, posto que as deduções na base de calculo do imposto com base em despesas desta natureza devem ser apuradas em livro caixa, o qual deve apresentar os devidos registros. Estes registros devem ser efetuados com respaldo de documentos idôneos. O que se constata dos autos é que o Recorrente não informou as supostas despesas típicas de registro em livro caixa em sua declaração de ajuste anual, bem como sequer apresentou os documentos relativos aos supostos pagamentos na impugnação apresentada no presente processo. Desta forma, não merece reparos a decisão da DRJ, tendo em vista a falta de comprovação e escrituração de tais despesas por parte do Recorrente. Fl. 359DF CARF MF Impresso em 04/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2013 por PEDRO ANAN JUNIOR, Assinado digitalmente em 21/05/2013 po r MARIA LUCIA MONIZ DE ARAGAO CALOMINO ASTORGA, Assinado digitalmente em 20/05/2013 por PEDRO ANAN J UNIOR Processo nº 11516.000328/200989 Acórdão n.º 2202002.280 S2C2T2 Fl. 341 7 Multa Isolada Concomitância Devemos analisar a questão da aplicação ou não da multa isolada, prevista no art. 44, § 1°, inciso III da Lei nº 9.430/96,, uma vez que já se aplica ao caso a multa albergada no inciso I do caput do mesmo artigo. Julgados anteriores desse Conselho, bem como da Câmara Superior de Recursos Fiscais, têm reconhecido a improcedência a cobrança simultânea das multas previstas no inciso I e no §1º III do art. 44 da Lei nº 9.430/96. Dentre os argumentos utilizados para se afastar a incidência da multa isolada, quando já haja sido aplicada a multa do inciso, I, dizse que as hipóteses previstas para ambos são diferentes e excludentes, não comportando interpretação conciliatória. Inicialmente, pelo inciso I do art. 44, a multa de ofício será aplicada juntamente com o tributo, quando não houver sido anteriormente pago (regra geral). O inciso III, por sua vez, ao tratar da multa isolada, dispõe sobre a penalidade para o não recolhimento do imposto mensal, o carnêleão, e havendo saldo de imposto apurado mediante procedimento de ofício, tão somente deve ser aplicada a multa de ofício, ou seja, a prevista no inciso I do art. 44. No julgamento do Recurso Voluntário nº 131.038, o Relator AMAURY MACIEL, em seu voto vencedor, cita excerto do acórdão proferido no julgamento do Recurso Voluntário nº 125.987, de 19 de março de 2002, do Ilustre Conselheiro REMIS ALMEIDA ESTOL, de 19 de março de 2002, que assim resumiu a contenda: “No que tange às multas isoladas, são duas as espécies lançadas contra o contribuinte, uma delas sobre o imposto objeto do lançamento que já está com multa de ofício e, a outra, sobre rendimentos declarados e cuja antecipação não foi realizada, não obstante tenham sido oferecidos à tributação na declaração de ajuste. A primeira hipótese não oferece grandes dificuldades, posto que visivelmente afronta toda nossa construção jurídica que repudia a dupla penalização, sobre um mesmo fato e com a mesma base de cálculo, sendo razão suficiente para recomendar seu cancelamento. Essa matéria já foi enfrentada por esta Câmara que, em diversas vezes e à unanimidade, tem decidido pelo afastamento da penalidade sob o argumento da impossibilidade de coexistirem a referida multa isolada, concomitantemente com a multa de ofício normal, incidente sobre o tributo objeto do lançamento. A outra mula isolada incide sobe a antecipação devida e não recolhida, relativamente a rendimentos declarados e oferecidos à tributação e prevista no inciso III do art. 44 da Lei n.° 9.430, que diz: Fl. 360DF CARF MF Impresso em 04/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2013 por PEDRO ANAN JUNIOR, Assinado digitalmente em 21/05/2013 po r MARIA LUCIA MONIZ DE ARAGAO CALOMINO ASTORGA, Assinado digitalmente em 20/05/2013 por PEDRO ANAN J UNIOR 8 (...) Isto significa dizer que, não obstante o contribuinte tenha declarado espontaneamente os rendimentos e recolhido o tributo, ou seja, cumprindo integralmente e antes do procedimentos fiscal a obrigação tributária, é penalizado com a multa de ofício isolada que é calculada com base em crédito tributário inexistente. Minha discordância em relação a essa penalidade repousa em dois aspectos, um de natureza lógica e outro de cunho legal. Pelo lado lógico, porque em situações em que essa multa alcança a hipótese de omissão de rendimentos e, ai sim, há crédito tributário lançado como também é o caso destes autos e já anteriormente decidido, esta mesma Câmara, à unanimidade, decide pelo afastamento da penalidade, como já dito, sob o argumento da impossibilidade de coexistirem a referida multa isolada, concomitantemente, com a multa de ofício normal, incidente sobre o tributo não pago. Em outras palavras, o contribuinte que omite rendimentos e não recolhe o tributo escapa da multa e, aquele que espontaneamente declara o rendimento e oferece à tributação, fica submetido à penalidade. Também à unanimidade e em relação aos casos em que o tributo é recolhido fora do prazo sem a multa de mora, este Colegiado prestigia a espontaneidade e afasta a imposição da multa isolada.” Desta forma, entendo que não é devida a multa isolada sobre os rendimentos omitidos no presente caso. Diante do exposto, conheço do recurso e no mérito dou provimento parcial para excluir da tributação a multa isolada. (Assinado Digitalmente) Pedro Anan Junior Relator Fl. 361DF CARF MF Impresso em 04/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2013 por PEDRO ANAN JUNIOR, Assinado digitalmente em 21/05/2013 po r MARIA LUCIA MONIZ DE ARAGAO CALOMINO ASTORGA, Assinado digitalmente em 20/05/2013 por PEDRO ANAN J UNIOR
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Numero do processo: 10283.006497/2004-36
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue May 08 00:00:00 UTC 2012
Ementa: EMBARGOS DE DECLARAÇÃO.
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OMISSÃO NÃO CARACTERIZADA. ERRO MATERIAL NÃO OCORRIDO.
Rejeita-se os embargos de declaração, primeiro porque o contribuinte não apontou a alegada omissão, e segundo porque o erro material suscitado, em verdade, constitui-se em questão de direito, concernente ao fundamento mesmo do acórdão embargado.
Embargos rejeitados.
Numero da decisão: 9202-002.095
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em rejeitar os embargos de declaração. Vencido o Conselheiro Luiz Eduardo de Oliveira Santos.
Matéria: IRPF- ação fiscal - Dep.Bancario de origem não justificada
Nome do relator: Susy Gomes Hoffmann
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OMISSÃO NÃO CARACTERIZADA. ERRO MATERIAL NÃO OCORRIDO. Rejeitase os embargos de declaração, primeiro porque o contribuinte não apontou a alegada omissão, e segundo porque o erro material suscitado, em verdade, constituise em questão de direito, concernente ao fundamento mesmo do acórdão embargado. Embargos rejeitados. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em rejeitar os embargos de declaração. Vencido o Conselheiro Luiz Eduardo de Oliveira Santos. (Assinado digitalmente) Otacílio Dantas Cartaxo Presidente (Assinado digitalmente) Susy Gomes Hoffmann Relatora FORMALIZADO EM: 01/06/2012 Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Otacílio Dantas Cartaxo (Presidente), Susy Gomes Hoffmann (VicePresidente), Luiz Eduardo de Oliveira Fl. 1DF CARF MF Impresso em 06/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/06/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 28/06/2 012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 05/06/2012 por SUSY GOMES HOFFMANN 2 Santos, Gonçalo Bonet Allage, Marcelo Oliveira, Manoel Coelho Arruda Junior, Pedro Anan Júnior (suplente convocado), Pedro Paulo Pereira Barbosa (suplente convocado), Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira e Elias Sampaio Freire. Relatório Tratase de Embargos de Declaração opostos pela Procuradoria da Fazenda Nacional em face do acórdão n° 9202001.318, em que se negou provimento ao recurso especial da Fazenda Nacional, conforme a seguinte ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF. Exercício: 1999. DECADÊNCIA. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. APLICAÇÃO, AO RESPECTIVO PRAZO DECADENCIAL, DO ARTIGO 173, I, DO CTN. OBSERVÂNCIA DA DECISÃO DO STJ PROFERIDA EM JULGAMENTO DE RECURSO REPETITIVO NO SENTIDO DE QUE O TRIBUTO TERIA DE SER LANÇADO NO EXERCÍCIO SEGUINTE AO DO FATO GERADOR. FATO GERADOR OCORRIDO EM 1998. PRAZO DECADENCIAL QUE SE INICIA EM 1O. DE JANEIRO DE 1999 E FINDA EM 31.12.2003. Nos casos de tributos sujeitos a lançamento por homologação, se não houve pagamento antecipado, o respectivo prazo decadencial é regido pelo artigo 173, inciso I, do CTN, nos termos do entendimento pacificado pelo STJ, em julgamento de recurso especial, sob o rito de recurso repetitivo. Em referido julgamento restou entendido que o prazo decadencial se inicia no exercício financeiro seguinte ao da ocorrência do fato gerador. Necessária observância dessa decisão, tendo em vista o previsto no artigo 62A do Regimento Interno do CARF. Depreendese das alegações do embargante haver dois vícios no acórdão embargado a serem sanados: a) omissão: quanto a este vício, suscita a sua ocorrência, porém sem apontá lo especificamente. b) erro material: conforme o embargante, ao se adotar, no acórdão recorrido, como critério o artigo 173, inciso I, do CTN, incidiu: “em erro material ao declarar a decadência dos fatos geradores relativo ao anocalendário 1998, anoexercício 1999, pois se o termo a quo do prazo é o primeiro dia do exercício seguinte àquele que o Fisco poderia proceder ao lançamento, temse que para dezembro de 1998 o marco inicial do prazo decadencial é 01/01/2000, visto que a exação relativa a esse mês de competência, à época dos fatos, somente era exigível a partir de 01/01/1999. Assim, não efetuando o contribuinte o pagamento antecipado no prazo exigido pela lei, o prazo decadencial para a constituição Fl. 2DF CARF MF Impresso em 06/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/06/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 28/06/2 012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 05/06/2012 por SUSY GOMES HOFFMANN Processo nº 10283.006497/200436 Acórdão n.º 920202.095 CSRFT2 Fl. 2 3 do crédito tributário deve ser contado do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento de ofício poderia ter ocorrido, isto é, a partir de 01/01/2000, expirandose, portanto, em 01/01/2005. Daí, considerando que a constituição do crédito tributário deuse em 29/11/2004, conforme moldura fática traçada no acórdão de origem, resta claro que não se operou a decadência” Diante disso, postulou pelo acolhimento dos embargos de declaração, para “sanar a omissão acima identificada”. O Presidente da Turma entendeu pela indicação em pauta de julgamento dos presentes Embargos de Declaração. Fl. 3DF CARF MF Impresso em 06/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/06/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 28/06/2 012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 05/06/2012 por SUSY GOMES HOFFMANN 4 Voto Conselheira Susy Gomes Hoffmann, Relatora O embargante suscita a ocorrência de omissão (sem apresentar qual teria sido) e de erro material, consistente, em síntese, na errônea aplicação do artigo 173, inciso I, do CTN, na medida em que se considerou, como termo inicial do prazo decadencial, na hipótese, o primeiro dia do exercício seguinte ao da ocorrência do fato gerador. Neste sentido, é de se ter que, primeiramente, os embargos de declaração não se prestam à mitigação de erro material na decisão embargada. Com efeito, o artigo 65 do RI do CARF estabelece que “cabem embargos de declaração quando o acórdão contiver obscuridade, omissão ou contradição entre a decisão e os seus fundamentos, ou for omitido ponto sobre o qual devia pronunciarse a turma”. O RICARF tem previsão expressa acerca das chamadas inexatidões materiais, em seu artigo 66: Art. 66. As inexatidões materiais devidas a lapso manifesto e os erros de escrita ou de cálculo existentes na decisão serão retificados pelo presidente de turma, mediante requerimento de conselheiro da turma, do Procurador da Fazenda Nacional, do titular da unidade da administração tributária encarregada da execução do acórdão ou do recorrente. § 1° Será rejeitado de plano, por despacho irrecorrível do presidente, o requerimento que não demonstrar com precisão a inexatidão ou o erro. § 2° Caso o presidente entenda necessário, preliminarmente, será ouvido o conselheiro relator, ou outro designado, na impossibilidade daquele, que poderá propor que a matéria seja submetida à deliberação da turma. § 3° Do despacho que indeferir requerimento previsto no caput, darseá ciência ao requerente. Desta forma, a via dos embargos de declaração é inadequada para a correção de erro material. Basta simples requerimento neste sentido. Requerimento este que não tem propriamente natureza de recurso, já que a correção de qualquer inexatidão ou erro material não pode importar alteração ou reforma da decisão. O embargante, suscitando a ocorrência do erro material, por via transversa, intenta a alteração do julgado, indo de encontro aos fundamentos expressos do acórdão embargado, em que se concluiu pela caracterização da decadência. Não se pode admitir esta situação. Com efeito, o embargante sustentou que o prazo decadencial contase de acordo com o artigo 173, inciso I, do CTN, tendo por termo inicial o primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, especificamente no dia 01/01/2000. Fl. 4DF CARF MF Impresso em 06/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/06/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 28/06/2 012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 05/06/2012 por SUSY GOMES HOFFMANN Processo nº 10283.006497/200436 Acórdão n.º 920202.095 CSRFT2 Fl. 3 5 Contudo, no acórdão embargado, o entendimento chancelado por unanimidade foi no sentido de que o termo inicial da decadência deuse no dia 01/01/1999, tendo em vista a ocorrência do fato gerador do IRPF no dia 31/12/1998. Isso consoante a decisão do STJ, em que se estabeleceu, expressamente, que “O dies a quo do prazo qüinqüenal da aludida regra decadencial regese pelo disposto no art. 173, I, do CTN, sendo certo que o ‘primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado’ corresponde, iniludivelmente, ao primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível, ainda que se trate de tributos sujeitos a lançamento por homologação (...)”. Portanto, a aquiescência com o pleito do embargante implicaria em reforma mesmo do julgado embargado, por meio da superação dos seus fundamentos determinantes. Tal não se pode admitir em sede de embargos de declaração. Aprofundemos, de todo modo, a questão. A aplicação da decisão do STJ, proferida sob o procedimento dos recursos repetitivos, que estabeleceu a incidência do artigo 173, inciso I, em face da falta de pagamento antecipado, trouxe à tona calorosas discussões, porque aquela Corte Superior fixou o seu entendimento no sentido de que o primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado equivaleria ao primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do próprio fato gerador do tributo. Diante disso, a celeuma: a decisão do STJ deveria, nos termos do artigo 62A do RICARF, ser aplicada em sua literalidade, ou o CARF poderia aplicála, mas fazendo a sua interpretação do artigo 173, inciso I, do CTN (propriamente naquilo que efetivamente preceitua)? Meu posicionamento, num primeiro momento, e este momento era justamente o da decisão ora embargada, foi no sentido de aplicar a decisão do Superior Tribunal de Justiça na sua inteireza, conforme acima transcrito, o que levou ao reconhecimento da decadência no caso concreto. Posteriormente, depois de muita reflexão, modifiquei este entendimento, para aplicar o artigo 173, inciso I, do CTN, consoante os termos expressos deste dispositivo, ou seja, no sentido de que o prazo decadencial começaria a correr do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado (o qual seria, no caso, o exercício seguinte ao da ocorrência do fato gerador). O embargante pretende, aqui, que este entendimento seja aplicado ao caso, em detrimento do primeiro posicionamento citado. Isto não procede. E não procede porque, primeiro, como já exposto, os Embargos de Declaração não consubstanciam o meio apropriado para a alteração do conteúdo da decisão (do entendimento dos julgadores nela retratado), salvo se uma tal alteração constituirse em decorrência lógica e necessária do saneamento da decisão embargada em face de uma de suas hipóteses expressas e vinculantes de cabimento: omissão, obscuridade e contradição. Sem a presença desses vícios no julgado, este não pode ser modificado. Na hipótese, não houve nenhum desses vícios. Não procede, também, porque o que o embargante pretende é que se dê prevalência, na hipótese, a um entendimento propriamente de direito, o qual (o defendido pelo Fl. 5DF CARF MF Impresso em 06/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/06/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 28/06/2 012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 05/06/2012 por SUSY GOMES HOFFMANN 6 embargante), na ocasião, não se adotou pela turma julgadora. Pelo contrário, à unanimidade deuse o julgamento. Para além da patente inadequação da via eleita para a alteração do julgado pretendida pela embargante, o que por si só já é suficiente para concluir pela sua rejeição, devese pôr em destaque que a pretensão do embargante envolve, propriamente, a alteração do entendimento fixado quando do julgamento combatido. É dizer, a Fazenda Nacional, não se conformando com o julgado, pretende vêlo modificado em seu teor, arguindo inclusive a ocorrência de erro material na aplicação do artigo 173, inciso I, do CTN. Ora, sabese muito bem. Erro material não é erro de direito, não é erro de julgamento, error in judicando. Um erro de cálculo, por exemplo, não é um erro de aplicação de uma dada norma, ou de um dado precedente. O erro material, de fato, por sua essência, não pode demandar, para a sua correção, uma nova análise de direito. Se a sua análise requer que se procede a um novo juízo jurídico sobre a decisão que se está a corrigir, obviamente, não se está em face de um erro material. Suscitando a ocorrência de erro material, não pode o embargante postular a alteração dos fundamentos de direito da decisão embargada (não se podendo olvidar que os Embargos de Declaração, outrossim, não são o meio adequado para a correção de erro material). Trago à baila alguns relevantes julgados do Superior Tribunal de Justiça sobre o tema: AGRAVO REGIMENTAL EM RECURSO ESPECIAL. EXECUÇÃO. VIOLAÇÃO DO ARTIGO 535 DO CÓDIGO DE PROCESSO CIVIL. INEXISTÊNCIA. CÁLCULOS HOMOLOGADOS. ERRO MATERIAL. NÃO OCORRÊNCIA. ENUNCIADO Nº 7 DA SÚMULA DO SUPERIOR TRIBUNAL DE JUSTIÇA. PRECEDENTES. 1. Decididas as questões suscitadas, não há falar em violação do artigo 535 do Código de Processo Civil, à ausência de omissão, contradição ou obscuridade a ser suprida ou dirimida, eis que os embargos de declaração não se destinam ao prequestionamento explícito. Precedentes. 2. "Erro material é aquele evidente, decorrente de simples erro aritmético ou fruto de inexatidão material e não erro relativo a critérios ou elementos de cálculo. Precedente." (REsp nº 1.018.722/PR, Relatora Ministra Eliana Calmon, in DJe 25/6/2009). 3. Inverter a conclusão a que chegou o Tribunal a quo, quanto à inexistência de erro material na conta homologada, demanda reapreciação da prova, o que é vedado pelo enunciado nº 7 da Súmula do Superior Tribunal de Justiça. Precedentes. 4. Agravo regimental improvido. PROCESSUAL CIVIL. VIOLAÇÃO DO ART. 535 DO CPC. MATÉRIA CONSTITUCIONAL. OMISSÃO. INEXISTÊNCIA. EXECUÇÃO DE SENTENÇA. ERRO MATERIAL. NÃO CABIMENTO. 1. A verificação da ocorrência de eventual omissão pelo Tribunal a quo na análise de matéria constitucional, no âmbito Fl. 6DF CARF MF Impresso em 06/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/06/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 28/06/2 012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 05/06/2012 por SUSY GOMES HOFFMANN Processo nº 10283.006497/200436 Acórdão n.º 920202.095 CSRFT2 Fl. 4 7 desta Corte, importaria na usurpação da competência reservada à Suprema Corte. 2. Afastase a pretensão de nulidade do julgado pela violação do art. 535 do CPC, pois constatase que o acórdão de origem refutou a alegação formulada pela embargante, argumentando ter sido operada a preclusão, por que a hipótese dos autos de erro material. 3. Erro material, nos termos do art. 463, inciso I, do CPC, corresponde àquela inexatidão material, retificável de ofício, que não demanda controvérsia ou revolvimento acerca do direito aplicado ao caso. Precedentes. 4. O recorrente pleiteia incursão nos critérios jurídicos definidos no título exequendo, uma vez que a correção do mencionado equívoco não derivaria de mero lapso aritmético. Não se cogita, portanto, a aplicação do art. 463, inciso I, do CPC. 5. Recurso especial conhecido em parte e não provido. “ERRO MATERIAL. CONCEITO. Erro material havido em decisão jurisdicional, passível de correção a qualquer momento, de ofício ou a requerimento da parte, na forma do artigo 833 da CLT ou 463, I, do CPC, é a inexatidão material perceptível sem maior exame, como evidente engano de escrita, de digitação ou de cálculo (conta aritmética). Nesse conceito não se inclui o erro ou engano de interpretação ou de aplicação de lei, circunstância que desafia terapia processual específica” (Ac. 1°T. julg. 13/11/02. TRTAP: 0790/02. Publ. DJ 22/11/02. Rel. juiz Fernando Américo Veiga Damasceno). Desta forma, evidente que o embargante intenta passar por erro material aquilo que, em verdade, no seu entender, constituiuse em erro de julgamento. A aferição, no caso, da decadência, e a aplicação do artigo 173, inciso I, do CTN, nos termos da decisão do STJ, não pode ser modificada, à toda evidência, em sede de Embargos de Declaração. E mais, sob a roupagem de erro material (que, evidentemente, não é). Como visto, muito se discutiu no âmbito do CARF sobre como se deveria aplicar a decisão do STJ. Se o entendimento, à época, foi o de aplicála em seus exatos termos, isto não quer dizer que houve um erro material. Houve apenas a adoção pura e simples do julgado do STJ, nos termos do disposto no artigo 62A do RICARF. A alteração postulada equivaleria a uma alteração de entendimento, um verdadeiro juízo de retratação, o que, em âmbito de Embargos de Declaração, sobejamente sabido, não se admite. Os Embargos de Declaração não são dotados do chamada efeito regressivo, aquele que permite ao órgão julgador rever a decisão recorrida, por ele próprio prolatada. Devese ressaltar, neste sentido, que a decisão que julga os Embargos de Declaração, conforme a melhor doutrina, tem a mesma natureza da decisão embargada. Isso porque o escopo deste recurso é justamente integrar o julgado embargado, em vista de algum vício que lhe acarrete alguma mácula. Neste sentido, a seguinte passagem de Fredie Didier Jr. e Leonardo José Carneiro da Cunha: Fl. 7DF CARF MF Impresso em 06/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/06/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 28/06/2 012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 05/06/2012 por SUSY GOMES HOFFMANN 8 “Não custa repetir que o ato judicial que decide os embargos de declaração ostenta a mesma natureza daquele que foi objeto dos aclaratórios. Assim, opostos os embargos, por exemplo, de uma sentença, eles serão decididos por nova sentença. Na verdade, as duas sentenças devem ser somadas, perfazendose uma só, justamente porque os embargos têm, como se viu, aquele efeito de integrar ou complementar o julgado anterior” 1. O fato de a Embargante não se conformar com o entendimento fixado no acórdão não lhe permite que se utilize dos Embargos de Declaração para, por via transversa, ver alterado aquele entendimento. Seria o mesmo que perpetrar um novo julgamento, o mesmo que alterar o entendimento anterior, em verdadeiro juízo de retratação. Repisese que eventual modificação da decisão embargada somente é possível, em sede de julgamento dos Embargos de Declaração, quando decorrência necessária da supressão de uma dada omissão (o que claramente não ocorreu), aclaramento em face de alguma obscuridade, ou correção de uma contradição. Sem a existência de qualquer um desses vícios, não há meios de alteração da decisão, quanto mais quando patente que os Embargos de Declaração foram manejados com o objetivo específico de se ver reformada a decisão embargada, no que tange ao entendimento nele fixado. Tenhase por presente que o embargante, além de alegar a ocorrência de erro material na declaração decadência, também suscitou a configuração de omissão no julgado, sem, contudo explicitar qual teria sido tal omissão. Omissão, ensejadora da oposição de embargos de declaração, constituise no não enfrentamento, por parte do órgão julgador, de matéria ou questão que deveria necessariamente ser considerada para a decisão do caso. Ora, conforme se depreende dos termos expressos do acórdão embargado, no que tange à aplicação do artigo 173, inciso I, à hipótese, temse a seguinte passagem, que transcrevo: “Neste sentido, é de se ter que, em se tratando de tributo sujeito a lançamento por homologação, o prazo decadencial será regido pelo artigo 173, inciso I, do Código Tributário Nacional, no caso de não ter havido o pagamento antecipado do tributo por parte do contribuinte. Ocorre que há de ser observado que no julgamento citado do Egrégio Superior Tribunal de Justiça restou expresso que o prazo decadencial passa a ser computado a partir do primeiro dia do exercício financeiro seguinte ao do fato imponível. Observese que o artigo 173, I dispõe que o prazo deve ser computado a partir do primeiro dia do exercício financeiro seguinte ao que o lançamento poderia ter sido efetuado. Como efeito prático da adoção do julgamento do STJ em recurso repetitivo, está que para os casos de Imposto sobre a Renda, o entendimento é que o prazo decadencial, começou a fluir já em 1° de janeiro de 1999, uma vez que o fato gerador do IRPF ocorreu dia 31.12.1998. Desta feita o prazo decadencial começou a correr em 1/1/1999 e terminou em 21/12/2003. A 1 JR. Fredie Didier; DA CUNHA, Leonardo Carneio. Curso de Direito Processual Civil. Meios de Impugnação às Decisões Judiciais e Processo nos Tribunais. Vol. 3. 9° edição. Salvador: juspodivm. p.202 Fl. 8DF CARF MF Impresso em 06/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/06/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 28/06/2 012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 05/06/2012 por SUSY GOMES HOFFMANN Processo nº 10283.006497/200436 Acórdão n.º 920202.095 CSRFT2 Fl. 5 9 intimação pessoal ocorreu em novembro de 2004, de tal maneira, que sob a égide deste entendimento, ocorreu a decadência” Não houve, pois, qualquer omissão, de sorte que não há como modificarse a decisão embargada. Cumpre citar, aqui, passagens jurisprudenciais colhidas no âmbito do Supremo Tribunal Federal sobre o tema dos Embargos de Declaração, e o seu manejo com finalidade unicamente modificativa (e não de integração) da decisão embargada. O Ministro Celso de Mello do STF, nos Embargos de Declaração no Agravo Regimental no Agravo de Instrumento 629.2261RS, manifestouse no seguinte sentido: “Como se sabe, os embargos de declaração destinamse, precipuamente, a desfazer obscuridades e a suprir omissões que eventualmente se registrem no acórdão proferido pelo tribunal. Essa modalidade recursal só permite o reexame do acórdão embargado, quando utilizado com o específico objetivo de viabilizar um pronunciamento jurisdicional de caráter integrativoretificador, vocacionado a afastar as situações de obscuridade, omissão ou contradição, e a complementar e esclarecer o conteúdo da decisão proferida. Desse modo, a decisão recorrida que aprecia, como no caso, com plena exatidão e em toda a sua inteireza, determinada pretensão jurídica não permite o emprego da via recursal dos embargos de declaração, sob pena de grave disfunção jurídico processual dessa modalidade de recurso, eis que inocorrentes, em tal situação, os pressupostos que justificariam a sua adequada utilização. O exame dos autos evidencia que o acórdão ora embargado apreciou, de modo inteiramente adequado, as questões cuja análise se apresentava cabível em sede de agravo regimental, não havendo, por isso mesmo, qualquer vício a corrigir, mesmo porque os fundamentos em que se apoiou a decisão objeto do presente recurso revelamse plenamente suficientes para desautorizar a pretensão jurídica deduzida pela parte ora embargante” Em outro caso (AI 401.520AgRED), também no âmbito do Supremo Tribunal Federal, à semelhança do que ocorre aqui, o embargante sustentou a ocorrência de omissão, na medida em que o acórdão embargado “deixou de conferir a melhor interpretação ao artigo 150, inciso VI, a da Constituição, no sentido de que a imunidade tributária também seria aplicável às demais espécies tributárias”, bem como em relação à “possibilidade de aplicação imediata da norma que previa isenção de custas aos municípios (Lei 10.537/2002)”. No caso, o embargante suscitou, também, a ocorrência de erro material no acórdão embargado, “pois teria equiparado os fenômenos normativos da isenção e da imunidade”. O Ministro Joaquim Barbosa decidiu que: “O acórdãoembargado examinou as questões que lhe foram postas no agravo regimental, de modo a aplicar a orientação firmada por esta Corte no sentido da inaplicabilidade da Fl. 9DF CARF MF Impresso em 06/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/06/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 28/06/2 012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 05/06/2012 por SUSY GOMES HOFFMANN 10 imunidade recíproca à espécie tributária taxa e à inaplicabilidade de norma de isenção à espécie. Também não há o alegado erro material, na medida em que o acórdãoembargado tãosomente concluiu que, anteriormente à criação da hipótese de isenção, não havia exoneração do tributo por força da imunidade tributária (...) Conforme sólida jurisprudência desta corte, os embargos de declaração somente podem ter efeitos modificativos em virtude do acolhimento da alegada existência de omissão ou contrariedade, circunstâncias ausentes no caso”. No caso, o embargante também teve por objetivo alterar a decisão embargada em seus fundamentos de direito, o que foi obviamente rechaçado pelo Ministro Joaquim Barbosa. Pois bem, diante de tudo isso, considerando que: a) não houve qualquer omissão no acórdão embargado; b) que o indigitado erro material, em verdade, no entendimento do recorrente, constituise em erro de julgamento (de direito); c) que erro material não é objeto de embargos de declaração, mas sim de simples requerimento, justamente porque não pode levar à alteração dos fundamentos da decisão; d) que, em sede de embargos de declaração, a modificação da decisão somente pode ocorrer como decorrência lógica e necessária da supressão de omissão, aclaramento de obscuridade, ou solução de contradição, não podendo, em hipótese, alguma, ocorrer sem que ao menos uma dessas hipóteses de cabimento se faça presente; e) que a alteração do entendimento de direito fixado na decisão embargada, no julgamento dos embargos, implicaria em indevido juízo de retratação; Diante de todas estas considerações, rejeito os Embargos de Declaração da Fazenda Nacional. (Assinado digitalmente) Susy Gomes Hoffmann Fl. 10DF CARF MF Impresso em 06/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/06/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 28/06/2 012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 05/06/2012 por SUSY GOMES HOFFMANN Processo nº 10283.006497/200436 Acórdão n.º 920202.095 CSRFT2 Fl. 6 11 Fl. 11DF CARF MF Impresso em 06/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/06/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 28/06/2 012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 05/06/2012 por SUSY GOMES HOFFMANN
score : 1.0
Numero do processo: 19740.720138/2009-30
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu May 09 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Tue Jun 18 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL
Ano-calendário: 2005, 2006
IRPJ E CSLL. BASES DE CÁLCULO. AJUSTES. DISTINÇÃO.
Não há identidade entre os ajustes ao lucro líquido previstos na legislação do IRPJ e da CSLL para fins da determinação das bases de cálculo desses tributos. A identidade estabelecida pelo art. 57 da Lei nº 8.981/95 refere-se à forma de apuração do IRPJ e da CSLL eleita pelo sujeito passivo, que pode ser com base no lucro líquido trimestral, com base no lucro líquido anual ou com base no lucro presumido.
TRIBUTOS COM EXIGIBILIDADE SUSPENSA. INDEDUTIBILIDADE.
Devem ser adicionados ao lucro líquido do período, para fins de determinação da base de cálculo da contribuição social, os tributos cuja exigibilidade esteja suspensa por força de medida liminar em mandado de segurança.
FALTA DE RECOLHIMENTO DAS ESTIMATIVAS MENSAIS. MULTA ISOLADA. CONCOMITÂNCIA. PRINCÍPIO DA CONSUNÇÃO.
A multa isolada por falta de recolhimento da CSLL incidente sobre as bases de cálculo mensais estimadas, por força do princípio da consunção, não pode ser aplicada cumulativamente com a multa de oficio pela falta de pagamento da contribuição devida ao final do ano-calendário.
Numero da decisão: 1201-000.810
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em DAR provimento parcial ao recurso para exonerar a multa isolada, por concomitância. Ausente justificadamente o Conselheiro João Carlos de Lima Junior, sendo substituído pela Conselheira suplente Cristiane Silva Costa.
(documento assinado digitalmente)
Francisco de Sales Ribeiro de Queiroz - Presidente
(documento assinado digitalmente)
Marcelo Cuba Netto - Relator
Participaram do presente julgado os Conselheiros: Francisco de Sales Ribeiro de Queiroz (Presidente), Roberto Caparroz de Almeida, Marcelo Cuba Netto, Rafael Correia Fuso, André Almeida Blanco (Suplente Convocado) e Cristiane Silva Costa (Suplente Convocada).
Nome do relator: MARCELO CUBA NETTO
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ementa_s : Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL Ano-calendário: 2005, 2006 IRPJ E CSLL. BASES DE CÁLCULO. AJUSTES. DISTINÇÃO. Não há identidade entre os ajustes ao lucro líquido previstos na legislação do IRPJ e da CSLL para fins da determinação das bases de cálculo desses tributos. A identidade estabelecida pelo art. 57 da Lei nº 8.981/95 refere-se à forma de apuração do IRPJ e da CSLL eleita pelo sujeito passivo, que pode ser com base no lucro líquido trimestral, com base no lucro líquido anual ou com base no lucro presumido. TRIBUTOS COM EXIGIBILIDADE SUSPENSA. INDEDUTIBILIDADE. Devem ser adicionados ao lucro líquido do período, para fins de determinação da base de cálculo da contribuição social, os tributos cuja exigibilidade esteja suspensa por força de medida liminar em mandado de segurança. FALTA DE RECOLHIMENTO DAS ESTIMATIVAS MENSAIS. MULTA ISOLADA. CONCOMITÂNCIA. PRINCÍPIO DA CONSUNÇÃO. A multa isolada por falta de recolhimento da CSLL incidente sobre as bases de cálculo mensais estimadas, por força do princípio da consunção, não pode ser aplicada cumulativamente com a multa de oficio pela falta de pagamento da contribuição devida ao final do ano-calendário.
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BASES DE CÁLCULO. AJUSTES. DISTINÇÃO. Não há identidade entre os ajustes ao lucro líquido previstos na legislação do IRPJ e da CSLL para fins da determinação das bases de cálculo desses tributos. A identidade estabelecida pelo art. 57 da Lei nº 8.981/95 referese à forma de apuração do IRPJ e da CSLL eleita pelo sujeito passivo, que pode ser com base no lucro líquido trimestral, com base no lucro líquido anual ou com base no lucro presumido. TRIBUTOS COM EXIGIBILIDADE SUSPENSA. INDEDUTIBILIDADE. Devem ser adicionados ao lucro líquido do período, para fins de determinação da base de cálculo da contribuição social, os tributos cuja exigibilidade esteja suspensa por força de medida liminar em mandado de segurança. FALTA DE RECOLHIMENTO DAS ESTIMATIVAS MENSAIS. MULTA ISOLADA. CONCOMITÂNCIA. PRINCÍPIO DA CONSUNÇÃO. 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AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 74 0. 72 01 38 /2 00 9- 30 Fl. 2672DF CARF MF Impresso em 18/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/05/2013 por MARCELO CUBA NETTO, Assinado digitalmente em 17/06/2013 p or FRANCISCO DE SALES RIBEIRO DE QUEIROZ, Assinado digitalmente em 24/05/2013 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 19740.720138/200930 Acórdão n.º 1201000.810 S1C2T1 Fl. 3 2 (documento assinado digitalmente) Francisco de Sales Ribeiro de Queiroz Presidente (documento assinado digitalmente) Marcelo Cuba Netto Relator Participaram do presente julgado os Conselheiros: Francisco de Sales Ribeiro de Queiroz (Presidente), Roberto Caparroz de Almeida, Marcelo Cuba Netto, Rafael Correia Fuso, André Almeida Blanco (Suplente Convocado) e Cristiane Silva Costa (Suplente Convocada). Relatório Tratase de recurso voluntário interposto nos termos do art. 33 do Decreto nº 70.235/72, contra o acórdão nº 1227.175, exarado pela 4ª Turma da DRJ1 no Rio de Janeiro – RJ. Por bem descrever os fatos litigiosos de que cuida o presente processo, tomo de empréstimo o relatório contido na decisão de primeiro grau (fl. 2576 e ss.): Versa o presente processo sobre a controvérsia instaurada em razão da lavratura pelo fisco do auto de infração de CSLL (fls. 2.309/2.321), no valor de R$ 3.117 862,11, acrescido da multa de ofício de 75%, acrescida dos juros e mora e, também, da multa exigida isoladamente em razão do não recolhimento das estimativas (50%) no valor de R$ 1.563.786,37. O entendimento fiscal encontra seu respaldo no Termo de Verificação Fiscal (fls. 2.296/2.308), cujo teor abaixo se transcreve: a) A alíquota dos períodos examinados é de 9%; b) Os ajustes ao lucro líquido para a apuração da CSLL seguem a mesma orientação dos previstos na apuração do Lucro Real; c) Significa dizer que a apuração da base de cálculo da CSLL segue lógica semelhante aquela do IR, tanto no que diz respeito ao regime e à periodicidade da apuração, como também no que diz respeito aos princípios de dedutibilidade de despesas e provisões, sendo as exceções previstas na legislação específica para cada tributo; d) O presente procedimento fiscal teve por objetivo verificar valores que, embora adicionados na apuração do lucro real, não foram adicionados nas bases de cálculo da CSLL relativa aos anoscalendário de 2005 e 2006; e) Para tanto, a empresa foi intimada a apresentar os livros e documentos relativos ao período objeto de fiscalização, onde, em sua resposta, trouxe o fato de que não havia previsão legal para a adição à base de cálculo da CSLL dos Fl. 2673DF CARF MF Impresso em 18/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/05/2013 por MARCELO CUBA NETTO, Assinado digitalmente em 17/06/2013 p or FRANCISCO DE SALES RIBEIRO DE QUEIROZ, Assinado digitalmente em 24/05/2013 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 19740.720138/200930 Acórdão n.º 1201000.810 S1C2T1 Fl. 4 3 valores de COFINS com exigibilidade suspensa; das multas indedutíveis e das gratificações pagas aos administradores; f) Os lançamentos contábeis, relativos a tributos e contribuições com exigibilidade suspensa, caracterizamse como provisões, por não refletirem obrigações fiscais efetivamente constituídas, sujeitas à exigência futura, mas sim, um provisionamento contra eventuais riscos de a ação impetrada ter resultado desfavorável, precavendose a empresa contra os conseqüentes impactos negativos que tal resultado traria a seu patrimônio. Impõese, portanto, a adição dos respectivos montantes na determinação da base de cálculo da CSLL; g) No que respeita às multas examinadas e às gratificações pagas a administradores, a obrigatoriedade da adição decorre da própria natureza destas despesas, por não atenderem aos requisitos de dedutibilidade na forma do artigo 13 da Lei n° 9.249/1995; h) A não adição destes valores tem como conseqüência a redução da CSLL, inclusive nas estimativas calculadas mensalmente, com base em balancete de suspensão/redução; i) No caso das estimativas de CSLL não recolhidas deve ser aplicada a multa isolada de 50%, conforme o disposto na Lei 11.488/2007; Devidamente cientificada em 07/07/2009, a interessada, em 05/08/2009, apresentou impugnação (fls. 2.323/2.343), instruída com a documentação de fls. 2.344/2.572, alegando, em síntese, o que se segue: a) Efetuou a dedução para o cálculo da CSLL das provisões contábeis relativas à COFINS, uma vez que tal tributo, até então, encontravase com sua exigibilidade suspensa, em função de liminar obtida em sede de mandado de segurança Processo 99.00140400 7a Vara Federal da Seção Judiciária RJ (artigo 151, inciso IV do CTN); b) Com efeito, para a apuração do IRPJ, deve ser considerado que seu fato gerador é a aquisição da disponibilidade econômica ou jurídica da renda ou proventos de qualquer natureza, conforme preceitua o artigo 43 do CTN; c) Nesse sentido, vale dizer que a base de cálculo do IRPJ deve ser determinada com base no lucro real, que corresponde ao resultado do períodobase, ajustado pelas adições, exclusões e compensações prescritas ou autorizadas pela legislação do imposto de renda; d) Por seu turno, a CSLL é uma contribuição cobrada sobre o lucro das pessoas jurídicas com a finalidade de financiamento da seguridade social. Nesse particular, a apuração do tributo deve considerar o lucro contábil; Fl. 2674DF CARF MF Impresso em 18/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/05/2013 por MARCELO CUBA NETTO, Assinado digitalmente em 17/06/2013 p or FRANCISCO DE SALES RIBEIRO DE QUEIROZ, Assinado digitalmente em 24/05/2013 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 19740.720138/200930 Acórdão n.º 1201000.810 S1C2T1 Fl. 5 4 e) A distinção é fundamental, tendo em vista que o artigo 41 da Lei n° 8.981/1995 dispõe que os tributos e contribuições são dedutíveis, na determinação do lucro real, segundo o regime de competência, sendo certo que o parágrafo primeiro excetua a aplicação do "caput" aos tributos e contribuições, cuja exigibilidade esteja suspensa, nos termos dos incisos II a IV do artigo 151 do CTN; f) A rigor, acolhendose o entendimento manifestado pela fiscalização, estarseia criando um novo LALUR para a CSLL, sem qualquer previsão legal; g) Enumera inúmeros princípios contábeis concernentes ao caso, tais como o Princípio da Competência, da Continuidade, da Oportunidade e da Prudência; h) Afirma que a exigência fiscal decorre da aplicação do disposto tanto na IN SRF n° 390/2004, em especial no artigo 3°, onde consta que à CSLL devem ser aplicadas as mesmas normas de apuração e pagamento estabelecidos para o IRPJ quanto na IN SRF n° 93/1997 (mesmo teor da primeira IN citada); i) Tais artigos das IN citadas infringem o Princípio Constitucional da Reserva Legal previsto no artigo 150, inciso I da Constituição Federal; j) Esclarece também que os artigos 56 e 57 da IN SRF n° 390/2004 tentam inovar, ao estabelecer restrições às deduções de multas por infrações fiscais, bem como aquelas de natureza não tributária; k) Afirma que não houve insuficiência de recolhimento da CSLL, tendo em vista que as deduções efetuadas, em sua maioria, decorreram de provisões relativas à COFINS que, por sua vez, encontrase com sua exigibilidade suspensa, por força de decisão liminar obtida em sede de mandado de segurança; l) Por seu turno, as deduções efetuadas a título de gratificação a administradores e multas têm amparo legal, conforme já demonstrado na impugnação; m) Neste sentido, vale dizer que a própria IN SRF n° 93/1997 autoriza a dedução das retiradas por administradores, conforme se depreende do artigo 31; n) Ora, considerando que o auto de infração deve conter, com clareza e precisão, a indicação objetiva da infração cometida, com a exata correspondência dos dispositivos de lei desatendidos, o que não ocorreu, houve cerceamento ao direito de defesa do contribuinte, razão pela qual deve ser declarada a nulidade da presente peça fiscal, eis que ocorrera vício formal injustificável; Fl. 2675DF CARF MF Impresso em 18/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/05/2013 por MARCELO CUBA NETTO, Assinado digitalmente em 17/06/2013 p or FRANCISCO DE SALES RIBEIRO DE QUEIROZ, Assinado digitalmente em 24/05/2013 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 19740.720138/200930 Acórdão n.º 1201000.810 S1C2T1 Fl. 6 5 o) Por conseguinte, sendo improcedente o auto de infração para a exigência de CSLL, também se torna inadmissível a aplicação da multa de ofício isolada, em face da suposta falta de recolhimento das estimativas de CSLL; p) Além disso, ainda que se admita procedente a lavratura do auto de infração, apenas por amor ao debate, não se pode chegar a outra conclusão senão pela improcedência da multa de ofício isolada. Apreciadas as razões de defesa a DRJ de origem julgou parcialmente procedente a impugnação para afastar a exigência da CSLL sobre despesas desnecessárias, haja vista falta de previsão legal para tanto, bem como para afastar a correspondente parcela da multa isolada. Irresignada, a contribuinte interpôs recurso voluntário pedindo, ao final, a reforma da decisão de primeira instância, sob as seguintes alegações, em síntese (fl. 2649 e ss.): a) os valores relativos a tributos com exigibilidade suspensa por força de decisão judicial devem ser contabilizados como despesas incorridas, e não como provisão, conforme julgados das 1ª e 3ª Turmas, ambas da 1ª Câmara da 1ª Seção do CARF; b) é ilegal a Instrução Normativa SRF nº 390/2004, haja vista que o art. 41 da Lei nº 8.981/95, que determina a adição dos tributos cuja exigibilidade encontrase suspensa somente se aplica à apuração do lucro real, não se estendendo à base de cálculo da contribuição; c) ao contrário do afirmado pela fiscalização, as bases de cálculo do IRPJ e da CSLL não são idênticas; d) é nulo o auto de infração, por cerceamento do direito de defesa, pois a autoridade fiscal deixou de indicar com precisão as normas legais supostamente infringidas pela contribuinte; e) ainda que se admita a legalidade da exigência da CSLL, é incabível a exigência da multa isolada já que a contribuinte não praticou nenhuma das condutas previstas no art. 44, caput, e § 1º, IV, da Lei nº 9.430/96. Voto Conselheiro Marcelo Cuba Netto, Relator. 1) Da Admissibilidade do Recurso O recurso atende aos pressupostos processuais de admissibilidade estabelecidos no Decreto nº 70.235/72 e, portanto, dele devese tomar conhecimento. 2) Da Alegada Nulidade do Lançamento Fl. 2676DF CARF MF Impresso em 18/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/05/2013 por MARCELO CUBA NETTO, Assinado digitalmente em 17/06/2013 p or FRANCISCO DE SALES RIBEIRO DE QUEIROZ, Assinado digitalmente em 24/05/2013 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 19740.720138/200930 Acórdão n.º 1201000.810 S1C2T1 Fl. 7 6 Afirma a recorrente que a imprecisão na indicação, no auto de infração, das normais legais supostamente infringidas implica cerceamento de seu direito de defesa e, por conseguinte, a nulidade do lançamento. Não está correta, todavia, a tese da defesa. Conforme jurisprudência administrativa pacífica, a imprecisão quanto à indicação das normas infringidas não implica a nulidade do auto de infração, desde que os fatos tenham sido ali claramente descritos. No caso sob exame a autoridade tributária, além de expressamente apontar tanto no auto de infração quanto no termo de verificação fiscal, dentre outras normas, o art. 2º e §§ da Lei nº 7.689/88 e o art. 13 da Lei nº 9.249/95, fez constar no TVF o seu entendimento sobre os fatos, conforme a seguir transcrito (fl. 2305 e ss.): 3. Do Lançamento Esta Fiscalização entende que os lançamento contábeis relativos a tributos e contribuições com exigibilidade suspensa caracterizamse como provisões, por não refletirem obrigações fiscais efetivamente constituídas, sujeitas a exigência certa e futura, mas, sim, um provisionamento contra eventuais riscos de a ação impetrada ter resultado desfavorável, precavendose a empresa contra os conseqüentes impactos negativos que tal resultado traria a seu patrimônio. Impõese, portanto, a adição dos respectivos montantes na determinação da base de cálculo da CSLL por força do art. 2º, parágrafo 1º, letra “c”, da Lei nº 7.689/88, na redação dada pelo art. 2º da Lei nº 8.034, de 1990, e art. 13, I, da Lei nº 9.249, de 1995. Em assim sendo, demonstrado que o auditor descreveu claramente a infração que, em seu entendimento, teria cometido a contribuinte, não há que se falar em nulidade do lançamento. 3) Da Distinção entre as Bases de Cálculo do IRPJ e da CSLL Contesta a interessada a incidência da CSLL sobre a Cofins, cuja exigibilidade encontravase suspensa, sob o argumento de que não há identidade entre as bases de cálculo do IRPJ e da CSLL. Argumenta que o abaixo transcrito art. 41, § 1º, da Lei nº 8.981/95 aplicase somente à determinação do lucro real. Art. 41. Os tributos e contribuições são dedutíveis, na determinação do lucro real, segundo o regime de competência. § 1º O disposto neste artigo não se aplica aos tributos e contribuições cuja exigibilidade esteja suspensa, nos termos dos incisos II a IV do art. 151 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966, haja ou não depósito judicial. (...) Pois bem, está correta a tese defendida pela defesa segundo a qual não são idênticas as bases de cálculo do IRPJ e da CSLL. De fato, devese notar que o art. 57 da mesma Lei nº 8.981/95, ao estabelecer que “[a]plicamse à Contribuição Social sobre o Lucro (Lei nº 7.689, de 1988) as mesmas normas de apuração e de pagamento estabelecidas para o imposto Fl. 2677DF CARF MF Impresso em 18/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/05/2013 por MARCELO CUBA NETTO, Assinado digitalmente em 17/06/2013 p or FRANCISCO DE SALES RIBEIRO DE QUEIROZ, Assinado digitalmente em 24/05/2013 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 19740.720138/200930 Acórdão n.º 1201000.810 S1C2T1 Fl. 8 7 de renda das pessoas jurídicas” imediatamente ressalva que serão “mantidas a base de cálculo e as alíquotas previstas na legislação em vigor, com as alterações introduzidas por esta Lei”. A identidade estabelecida pelo art. 57 da Lei nº 8.981/95 não se refere aos ajustes ao lucro líquido previstos nas legislações desses tributos, e sim à forma de apuração do IRPJ e da CSLL eleita pelo sujeito passivo. Em assim sendo, adotada a apuração de lucro real trimestral para o IRPJ, a base de cálculo da CSLL também deverá ser determinada trimestralmente, com base no lucro líquido ajustado. Mutatis mutandis, o mesmo se diga quando a forma de apuração do IRPJ eleita pelo contribuinte for o lucro real anual ou o lucro presumido. No entanto, como visto no item anterior deste voto, a autuação encontrase lastreada no art. 2º, § 1º, “c”, da Lei nº 7.689/88, bem como no art. 13, I, da Lei nº 9.249/95, que assim estabelecem: Lei nº 7.689/88: Art. 2º A base de cálculo da contribuição é o valor do resultado do exercício, antes da provisão para o imposto de renda. § 1º Para efeito do disposto neste artigo: (...) c ) o resultado do períodobase, apurado com observância da legislação comercial, será ajustado pela: (Redação dada pela Lei nº 8.034, de 1990) (...) 3 adição do valor das provisões não dedutíveis da determinação do lucro real, exceto a provisão para o Imposto de Renda; (Redação dada pela Lei nº 8.034, de 1990) (...) Lei nº 9.249/95 Art. 13 Para efeito de apuração do lucro real e da base de cálculo da contribuição social sobre o lucro líquido, são vedadas as seguintes deduções, independentemente do disposto no art. 47 da Lei n° 4.506, de 30 de novembro de 1964 : I de qualquer provisão, exceto as constituídas para o pagamento de férias de empregados e do décimoterceiro salário, a de que trata o 43 da Lei n° 8.981, de 20 de janeiro de 1995, com as alterações da Lei n° 9.065. de 20 de junho de 1995, e as provisões técnicas das companhias de seguros e de capitalização, bem como das entidades de previdência privada, cuja constituição é exigida pela legislação especial a aplicável; (...) Isso posto, ao contrário do alegado pela recorrente, a autuação não se deu em virtude de suposta identidade entre as bases de cálculo do IRPJ e da CSLL, mas sim porque a autoridade fiscal entendeu que é de provisão a natureza do registro contábil relativo aos valores Fl. 2678DF CARF MF Impresso em 18/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/05/2013 por MARCELO CUBA NETTO, Assinado digitalmente em 17/06/2013 p or FRANCISCO DE SALES RIBEIRO DE QUEIROZ, Assinado digitalmente em 24/05/2013 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 19740.720138/200930 Acórdão n.º 1201000.810 S1C2T1 Fl. 9 8 de tributos não pagos, cuja exigibilidade esteja suspensa por medida liminar em mandado de segurança. Nesse sentido, também não há que se falar em nulidade do lançamento por suposta ilegalidade do art. 50 da Instrução Normativa nº 390/2004. Isso porque a validade formal do lançamento independe da citada norma regulamentar, pois pode se sustentar, apenas, nas normas legais acima referidas. 4) Das Adições à Base de Cálculo da CSLL – Provisões Indedutíveis Superado o argumento de defesa examinado no item anterior, resta agora determinar se devem ou não ser conceituados como provisões os valores contabilizados pela ora recorrente nos anos de 2005 e 2006 a título de Cofins, cuja exigibilidade encontravase suspensa por força de medida liminar em mandado de segurança. Segundo a fiscalização referidos valores caracterizamse como provisões, daí porque a contribuinte deveria têlos adicionado lucro líquido, para fins de determinação da base de cálculo da CSLL, conforme estabelecem os já transcritos art. 2º, § 1º, “c”, item 3, da Lei nº 7.689/88 e art. 13, I, da Lei nº 9.249/95. Por sua vez afirma a interessada que os valores relativos a tributos com exigibilidade suspensa por força de decisão judicial devem ser contabilizados como despesas incorridas, e não como provisão. Sobre o conceito de provisão o Pronunciamento Ibracon NPC nº 22, aprovado pela Deliberação CVM nº 489/2005, assim estabelece: DEFINIÇÕES 6. Os termos a seguir são utilizados nesta NPC com os seguintes significados: (...) ii. Uma provisão é um passivo de prazo ou valor incertos. (...) vi. Uma obrigação legal é aquela que deriva de um contrato (por meio de termos explícitos ou implícitos), de uma lei ou de outro instrumento fundamentado em lei. (...) Provisões 10. Uma provisão deve ser reconhecida quando: a. uma entidade tem uma obrigação legal ou não formalizada presente como conseqüência de um evento passado; b. é provável que recursos sejam exigidos para liquidar a obrigação; e Fl. 2679DF CARF MF Impresso em 18/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/05/2013 por MARCELO CUBA NETTO, Assinado digitalmente em 17/06/2013 p or FRANCISCO DE SALES RIBEIRO DE QUEIROZ, Assinado digitalmente em 24/05/2013 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 19740.720138/200930 Acórdão n.º 1201000.810 S1C2T1 Fl. 10 9 c. o montante da obrigação possa ser estimado com suficiente segurança. De ver que, no caso sob exame, além da incerteza quanto ao prazo ou valor da obrigação de pagar a Cofins cuja exigibilidade estava suspensa, encontramse também presentes as três condições antes referidas, necessárias e suficientes ao surgimento do dever de constituição da provisão para pagamento da Cofins, a saber: a) a contribuinte tinha a obrigação de pagar a Cofins em razão da ocorrência do respectivo fato gerador legalmente previsto; b) havia probabilidade de a contribuinte vir a precisar de recursos para liquidar a obrigação quando fosse pronunciada a decisão judicial definitiva; c) o montante da obrigação poderia ter sido, e foi, estimado pela contribuinte, tanto assim que deduziu o valor da Cofins na apuração do lucro líquido dos anos de 2005 e 2006. Por fim, importante ressaltar que, em relação aos julgados das 1ª e 3ª Turmas, ambas da 1ª Câmara da 1ª Seção do CARF, apontados pela defesa a fim de sustentar sua argumentação, é de se dizer que ao menos a 1ª Turma passou a adotar posição contrária, conforme se observa na abaixo transcrita ementa ao acórdão 110100813 (sessão de 03/10/2012): CSLL. PROVISÕES NÃO DEDUTÍVEIS. TRIBUTOS COM EXIGIBILIDADE SUSPENSA. Devem ser adicionados ao lucro líquido do período, para fins de determinação da base de cálculo da contribuição social, os tributos cuja exigibilidade esteja suspensa por força de medida judicial. Precedente da Câmara Superior de Recursos Fiscais. JUROS APLICADOS SOBRE TRIBUTOS COM EXIGIBILIDADE SUSPENSA. São também indedutíveis os acréscimos de juros feitos às provisões contábeis de tributos com exigibilidade suspensa. Ademais, ao apreciar a mesma questão de direito em sessão realizada no dia 04/07/2012, no âmbito do processo nº 19740.720170/200915, esta 1ª Turma da 2ª Câmara, por unanimidade de votos, decidiu que os tributos com exigibilidade suspensa por medida judicial devem ser contabilizados como provisão e, assim, adicionados à base de cálculo da CSLL. Não é outro também o entendimento da Câmara Superior de Recursos Fiscais que, por meio do Acórdão nº 910100.592, exarado na sessão de 18 de maio de 2010, pacificou a questão, também por unanimidade de votos, nos seguintes termos: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO – CSLL Exercício: 1998, 1999, 2000 Ementa: CSLL. PROVISÕES NÃO DEDUTÍVEIS. TRIBUTOS COM EXIGIBILIDADE SUSPENSA. Por configurar uma situação de solução indefinida, que poderá resultar em efeitos futuros favoráveis ou desfavoráveis à pessoa jurídica, os tributos ou contribuições cuja exigibilidade estiver suspensa nos termos do art. 151 do Código Tributário Nacional, são indedutíveis para efeito de determinação da base de cálculo do IRPJ e da Fl. 2680DF CARF MF Impresso em 18/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/05/2013 por MARCELO CUBA NETTO, Assinado digitalmente em 17/06/2013 p or FRANCISCO DE SALES RIBEIRO DE QUEIROZ, Assinado digitalmente em 24/05/2013 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 19740.720138/200930 Acórdão n.º 1201000.810 S1C2T1 Fl. 11 10 CSLL, por traduzirse em nítido caráter de provisão. Assim, a dedutibilidade de tais rubricas somente ocorrerá por ocasião de decisão final da justiça, desfavorável à pessoa jurídica. 5) Da Multa Isolada Relativamente à falta de adição da Cofins suspensa à base de cálculo da CSLL, a decisão recorrida manteve tanto a incidência da multa aplicada isoladamente sobre a falta de recolhimento da contribuição social apurada por estimativas mensais, como a incidência da multa de ofício aplicada sobre a CSLL devida ao final dos anoscalendários de 2005 e 2006. Em suas razões, a recorrente limitase a afirmar não haver praticado nenhuma das condutas previstas no art. 44, caput, e § 1º, IV, da Lei nº 9.430/96. No entanto, ao deixar de adicionar à base de cálculo da CSLL o valor da Cofins cuja exigibilidade encontravase suspensa por força de medida judicial, a contribuinte incorreu em falta ou insuficiência do pagamento da contribuição social, seja a calculada por estimativa, seja a apurada ao final do período. Em assim sendo, ao contrário do afirmado pela defesa, houve a prática de conduta expressamente prevista no art. 44, caput, e § 1º, IV, da Lei nº 9.430/96. Ocorre que, conforme entendimento já pacificado nesta Turma, a exigência da multa isolada deve ser afastada em observância ao princípio da consunção. Segundo Damásio de Jesus (in Direito Penal, vol. 1), incide o princípio da consunção ou absorção, entre outras hipóteses, quando a prática de um determinado ato infracional constituise em meio necessário ou normal à prática de um segundo ato infracional. Assim, na hipótese de cometimento das duas infrações, a aplicação da norma que tipifica o primeiro ilícito é excluída, subsistindo apenas a aplicação da norma que tipifica o segundo. Esse é exatamente o caso dos autos. A falta de pagamento das estimativas mensais da CSLL constitui infração ao art. 2º da Lei nº 9.430/96, conduta essa punível com multa isolada estabelecida no art. 44, § 1º, IV, da mesma Lei nº 9.430/96 em sua redação original. Todavia, referida conduta constituise em meio normal à prática da infração relativa à falta de pagamento da CSLL devida ao final do anocalendário, conforme estabelecido no art. 6º, § 1º, I, da Lei nº 9.430/96, infração essa punível com a multa de ofício proporcional a que se refere o art. 44, caput, da Lei nº 9.430/96 em sua redação original. Tendo em vista que a contribuinte cometeu as duas infrações, e em atenção ao princípio da consunção, a aplicação da norma “meio” é afastada, subsistindo apenas aplicação da norma “fim”, razão pela qual devese eximir a contribuinte da exigência da multa isolada. 6) Conclusão Tendo em vista todo o exposto, voto por dar parcial provimento ao recurso voluntário, para afastar a exigência da multa isolada. (documento assinado digitalmente) Fl. 2681DF CARF MF Impresso em 18/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/05/2013 por MARCELO CUBA NETTO, Assinado digitalmente em 17/06/2013 p or FRANCISCO DE SALES RIBEIRO DE QUEIROZ, Assinado digitalmente em 24/05/2013 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 19740.720138/200930 Acórdão n.º 1201000.810 S1C2T1 Fl. 12 11 Marcelo Cuba Netto Fl. 2682DF CARF MF Impresso em 18/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/05/2013 por MARCELO CUBA NETTO, Assinado digitalmente em 17/06/2013 p or FRANCISCO DE SALES RIBEIRO DE QUEIROZ, Assinado digitalmente em 24/05/2013 por MARCELO CUBA NETTO
score : 1.0
Numero do processo: 10840.003588/2004-57
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jul 17 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Wed Jul 03 00:00:00 UTC 2013
Numero da decisão: 3801-000.370
Decisão: RESOLUÇÃO
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento do recurso em diligência nos termos do voto da relatora. Fez sustentação oral recorrente Dr. Ralph Melles Sticca- OAB/SP 236.471
(assinado digitalmente)
Flávio de Castro Pontes - Presidente.
(assinado digitalmente)
Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel - Relatora.
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Sidney Eduardo Stahl, Flávio de Castro Pontes, Paulo Sérgio Celani, José Luiz Bordignon, Jacques Maurício Ferreira Veloso de Melo e Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel.
Nome do relator: MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL
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decisao_txt : RESOLUÇÃO Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento do recurso em diligência nos termos do voto da relatora. Fez sustentação oral recorrente Dr. Ralph Melles Sticca- OAB/SP 236.471 (assinado digitalmente) Flávio de Castro Pontes - Presidente. (assinado digitalmente) Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel - Relatora. Participaram do presente julgamento os Conselheiros Sidney Eduardo Stahl, Flávio de Castro Pontes, Paulo Sérgio Celani, José Luiz Bordignon, Jacques Maurício Ferreira Veloso de Melo e Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 6; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1532; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3TE01 Fl. 111 1 110 S3TE01 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10840.003588/200457 Recurso nº Voluntário Resolução nº 3801000.370 – 1ª Turma Especial Data 17 de julho de 2012 Assunto COMPENSAÇÃO AUTO DE INFRAÇÃO MATÉRIAS PREJUDICIAIS APENSAMENTO Recorrente CRYSTALSEV COMERCIO E REPRESENTAÇÃO LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL RESOLUÇÃO Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento do recurso em diligência nos termos do voto da relatora. Fez sustentação oral recorrente Dr. Ralph Melles Sticca OAB/SP 236.471 (assinado digitalmente) Flávio de Castro Pontes Presidente. (assinado digitalmente) Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel Relatora. Participaram do presente julgamento os Conselheiros Sidney Eduardo Stahl, Flávio de Castro Pontes, Paulo Sérgio Celani, José Luiz Bordignon, Jacques Maurício Ferreira Veloso de Melo e Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel. RELATÓRIO RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 08 40 .0 03 58 8/ 20 04 -5 7 Fl. 308DF CARF MF Impresso em 03/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/03/2013 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado dig italmente em 04/03/2013 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado digitalmente em 05 /03/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10840.003588/200457 Resolução nº 3801000.370 S3TE01 Fl. 112 2 Tratase de Recurso Voluntário proposto pela Recorrente, CRYSTALSERV COMÉRCIO E REPRESENTAÇÃO LTDA, em face da decisão proferida pela douta Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Ribeirão Preto (SP), que entendeu por bem manter a decisão da Delegacia da Receita Federal de Ribeirão Preto que não homologou a compensação apresentada pela Recorrente por insuficiência de créditos passíveis de compensação. Pelo o que se depreende dos autos, a Recorrente apresentou, perante a Delegacia da Receita Federal de Ribeirão Preto (SP), declaração de compensação, indicando créditos de COFINS. Ocorre que, em procedimento administrativo fiscal anterior à análise do presente pedido de compensação, foi constado que a Recorrente, ao invés de possuir créditos da referida contribuição, em verdade, possuía débitos passíveis de pagamento, o que ensejou a lavratura de Auto de Infração de nº 15956.000314/200856 para constituição e cobrança do crédito tributário. Neste sentido, foi o relato do acórdão recorrido. Confirase: Na informação fiscal (fls. 117/119), que acompanha o despacho denegatorio, foi relatado, em breve resumo, que do cálculo do crédito da Cofins demonstrado na ficha 06 do DACON, referentes do I o ao 4 o trimestre de 2004, foram glosados valores relativos a pagamentos com fretes e armazenagem anexo IV e glosa do excesso de crédito presumido calculado sobre operações de Hedge anexo III. Igualmente, efetuou ajustes na ficha 07 do DACON, referente a receitas que não podem ser consideradas como de exportação, resultando num novo valor de Cofins devida, apurada após esgotados os créditos j á ajustados, resultando no saldo devedor, no mês, de R$ 872.587,63. Assim, no mês de outubro de 2004, inexistia valor de créditos de Cofins a serem compensados,. O referido Auto de Infração encontrase pendente de julgamento junto à 4ª Câmara, da 2º Turma da 3ª. Seção do CARF. Analisando o litígio, a DRJRibeirão Preto/SP entendeu por bem não homologar a compensação declarada (fls. 215), conforme ementa abaixo transcrita: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 17/05/2006 RECEITAS DE EXPORTAÇÃO. COMPLEMENTO DE PREÇO. SISCQMEX. As receitas vinculadas a exportação, para que sejam reconhecidas para fins de gozo de benefício fiscal, obrigatoriamente deverão ser referenciadas à nota fiscal de exportação original e registradas no Siscomex. BASE. DE CÁLCULO. VARIAÇÕES CAMBIAIS. RECEITAS FINANCEIRAS. As variações monetárias ativas em função da taxa de câmbio constituemse em receitas financeiras, incluindose na base de cálculo da contribuição. Fl. 309DF CARF MF Impresso em 03/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/03/2013 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado dig italmente em 04/03/2013 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado digitalmente em 05 /03/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10840.003588/200457 Resolução nº 3801000.370 S3TE01 Fl. 113 3 CRÉDITO. EMPRESA COMERCIAL EXPORTADORA A aquisição de mercadorias com o fim específico de exportação por empresas comerciais exportadoras goza do benefício da nãoincidência, que , por conseqüência natural do regime da nãocumulatividade da contribuição, resulta na inexistência do direito à apuração de crédito pela empresa comercial exportadora adquirente das mercadorias. COMERCIAL EXPORTADORA. DESPESAS DE FRETE E ARMAZENAGEM. CRÉDITO. Por expressa vedação legal, a empresa comercial exportadora não pode calcular créditos sobre despesas de frete e armazenagem para fins de apuração da Cofins nãocumulativa. HEDGE. CRÉDITOS SOBRE PERDAS. O crédito presumido relativo a perdas com hedge verificase quando, em determinado período de apuração mensal, as perdas superam os ganhos totais. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Datado fato gerador: 17/05/2006 DECORRÊNCIA. REVISÃO DE CRÉDITO DA COFINS. Tendo a apuração do crédito da Cofins sido objeto de análise e revisão em procedimento fiscal anterior, a decisão ali adotada, deve ser igualmente aplicada neste processo, pois foi baseada nas mesmas razões de direito e nos mesmos elementos de prova. Às fls. 258 e seguintes, consta recurso voluntário apresentado tempestivamente pela Recorrente que, após fazer relato dos fatos, traz as seguintes alegações, em resumo: · Que faz jus aos créditos de PIS e COFINS oriundos de gastos com frete e armazenagem, mesmo sendo uma empresa comercial exportadora, uma vez que, caso não lhe seja concedido este direito de creditamento, restará violado o princípio da nãocumulatividade das referidas contribuições. É o relatório. Fl. 310DF CARF MF Impresso em 03/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/03/2013 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado dig italmente em 04/03/2013 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado digitalmente em 05 /03/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10840.003588/200457 Resolução nº 3801000.370 S3TE01 Fl. 114 4 VOTO Conselheira Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Relatora O recurso voluntário foi apresentado dentro do prazo legal, reunindo, ainda, os demais requisitos de admissibilidade. Portanto, dele conheço. Como se depreende do relatório acima, a Recorrente sofreu procedimento de fiscalização instaurado pela Delegacia da Receita Federal de Ribeirão Preto (SP), que culminou na lavratura do Auto de Infração de nº 15956.000314/200856. No Auto de Infração lavrado, além de não reconhecer os créditos tributários indicados pelo Recorrente no pedido de compensação objeto do presente procedimento administrativo, a fiscalização constituiu créditos tributários em desfavor do Recorrente. Ademais, pela simples leitura do relatório da fiscalização anexo aos autos, que, inclusive, foi utilizado pela Delegacia de Ribeirão Preto como balizamento para o indeferimento da compensação pleiteada, naquele Auto de Infração discutese a mesma matéria invocada pelo Recorrente em suas razões recursais. Ou seja, como os procedimentos – o Auto de Infração e o presente pedido de compensação – estão afetados por julgadores distintos, correse o risco de haver decisões conflituosas, que trarão grande insegurança jurídica às partes envolvidas, tanto para o Recorrente como para a Fazenda Nacional. Como a própria Delegacia da Receita Federal de Julgamento de Ribeirão Preto alegou, o certo, in casu, seria o julgamento em conjunto destes processos. Confirase as alegações do eminente relator neste sentido: De fato, o procedimento fiscal de que trata o processo de lançamento fiscal da Cofíns, revisou os créditos da contribuição informados no Dacon, correspondentes ao ano de 2004. O presente processo trata de PER/DCOMP encaminhada pela interessada tratando do aproveitamento dos citados créditos, que teriam sido apurados no mês de outubro de 2004. Ora, como conseqüência daquele procedimento, a pretensão perdeu o objeto, pois foi constatada a inexistência do saldo credor que seria passível de compensação. A Manifestação de Inconformidade ora apresentada apenas ratifica as razões de defesa que foram analisadas na decisão de 2009 e, nas palavras da interessada: exauriu toda a sua dilação.probatória (fl. 133), portanto, o que foi decidido naquele processo, que analisou as mesmas questões de direito e de fato concernentes a existência do crédito da Cofíns, aqui aplicase integralmente. De fato, nesses casos, como ambos processos possuem o mesmo objeto, em relação à existência'do crédito compensável, é preferível que os julgamentos da impugnação ao lançamento e da manifestação de inconformidade ao despacho denegatório sejam realizados na mesma.sessão de julgamento. (fl. 241) Naquela oportunidade, quando do julgamento da manifestação de inconformidade apresentada pela Recorrente, já havia sido proferida decisão pela Delegacia de Julgamento de Ribeirão Preto/SP, em face da impugnação apresentada pela Recorrente no Auto de Infração. Fl. 311DF CARF MF Impresso em 03/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/03/2013 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado dig italmente em 04/03/2013 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado digitalmente em 05 /03/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10840.003588/200457 Resolução nº 3801000.370 S3TE01 Fl. 115 5 Assim, tendo em vista a impossibilidade de apensamento dos autos, no julgamento da Manifestação de Inconformidade, aquela Delegacia, justamente para evitar a existência de decisões conflitantes, em sua decisão, baseouse no voto proferido nos autos do Auto de Infração lavrado em desfavor do Recorrente. Este egrégio Conselho de Administrativo de Recursos Fiscais, nos termos do julgado abaixo colacionado, já se manifestou pela necessidade de apensamento dos autos, para que não haja risco de decisões conflituosas com relação à mesma matéria. Vejase: 3º Conselho de Contribuintes / 3a. Câmara / ACÓRDÃO 30334.677 em 12.09.2007 COMPENSAÇÃO DE TRIBUTOS COM CRÉDITO DE TERCEIROS Assunto: Normas de Administração Tributária Data do fato gerador: 31/03/2001, 10/04/2001 Ementa: LITISPENDÊNCIA ADMINISTRATIVA. O C.P.C, cuja disciplina é subsidiária ao PAF, define claramente a conexão, a continência e a identidade de ações, todas causas de prevenção de competência. Comparando o presente processo com o processo nº 13886.000820/9975, observamse as mesmas partes envolvidas em ambos os processos, a mesma causa de pedir e mesmo o objeto (pedido). As partes, em ambos os processos considerados, este e o outro, de nº 13886.000820/9975, que abrange o primeiro pedido de compensação, protocolado em 10.01.2000, são de um lado, a União, e de outro lado, GALMAR MÁQUINAS E EQUIPAMENTOS (alegada credora da União) e METALÚRGICA GALMAR (devedora de IPI à União); a causa de pedir é a mesma, isto é, a existência de crédito decorrente de indébito de Finsocial; e o objeto nos dois processos também é o mesmo, ou seja, pedido de compensação de crédito decorrente de indébito de Finsocial, de titularidade da GALMAR MÁQUINAS E EQUIPAMENTOS, com débito de IPI da METALÚRGICA GALMAR. Entre os processos referidos há mais do que conexão, ou mesmo continência, há identidade de ações no âmbito administrativo. O apensamento deste processo àquele outro é medida que se impõe pela litispendência evidente, e poderia ter evitado os equívocos explicitados. Entendese que a decisão quanto ao pedido de homologação de compensação formalizado nos presentes autos representa matéria dependente da decisão final administrativa a ser dada no outro processo de nº 13886.000820/9975. (...) Decisao: Por maioria de votos, decidiuse apensar o processo ao de número 13886.008820/9975, vencidos os Conselheiros Luis Marcelo Guerra de Castro e Anelise Daudt Prieto. O Conselheiro Marciel Eder Costa votou pela conclusão. ANELISE DAUDT PRIETO Presidente da Câmara. Publicado no DOU em: 03.06.2008 Relator: ZENALDO LOIBMAN Recorrente: METALÚRGICA GALMAR LTDA. Recorrida: DRJRIBEIRAO PRETO/SP Em consulta realizada na movimentação processual do Auto de Infração nº 15956.000314/200856 perante este egrégio Conselho Administrativo de Recurso Fiscais, Fl. 312DF CARF MF Impresso em 03/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/03/2013 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado dig italmente em 04/03/2013 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado digitalmente em 05 /03/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10840.003588/200457 Resolução nº 3801000.370 S3TE01 Fl. 116 6 verificase que o Recurso Voluntário apresentado pela Recorrente foi distribuído para 3ª seção, da 2º Turma da 4º Câmara do CARF e ainda não foi julgado. Desta forma, para que não haja decisões conflituosas no presente caso, uma vez que poderá haver ou não o reconhecimento do crédito tributário invocado pela Recorrente, é imperioso que o presente processo seja remetido para 3ª seção, da 2º Turma da 4º Câmara do CARF, para que o julgador do Auto de Infração profira o seu voto em ambos os processos, garantindose, assim, a integridade do princípio da segurança jurídica, que deve ser o Norte de todos os julgamentos, sejam eles administrativos ou judiciais. Por tudo, voto pela remessa dos presentes autos para 3ª seção, da 2º Turma da 4º Câmara do CARF, para que seja apensado ao Auto de Infração de nº 15956.000314/200856. (assinado digitalmente) Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel Relator Fl. 313DF CARF MF Impresso em 03/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/03/2013 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado dig italmente em 04/03/2013 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado digitalmente em 05 /03/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES
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Numero do processo: 10283.005935/2008-72
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jun 25 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Thu Jul 04 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/10/2003 a 24/09/2008
COFINS. EXPORTAÇÃO DE SERVIÇOS. ISENÇÃO. CONDIÇÕES. PROVA.
Cabe ao contribuinte demonstrar no processo de restituição, que verse sobre incidência alegadamente indevida sobre exportação de serviços, as condições sobre a isenção das operações, especificamente no que diz respeito a se tratar de prestador residente ou domiciliado no exterior e a haver efetivo ingresso de dívidas no País.
A contratação de agente ou representante no País não descaracteriza a operação, desde que a empresa seja signatária de contrato de direito privado com a pessoa jurídica domiciliada no exterior e totalize, em separado, tais operações de prestação de serviços nos livros fiscais.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 3302-002.158
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos,
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do Relator.
(Assinado digitalmente)
WALBER JOSÉ DA SILVA Presidente
(Assinado digitalmente)
JOSÉ ANTONIO FRANCISCO - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Walber José da Silva, José Antonio Francisco, Fabiola Cassiano Keramidas, Maria Conceição Arnaldo Jacó e Jonathan Barros Vita.
Nome do relator: JOSE ANTONIO FRANCISCO
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/10/2003 a 24/09/2008 COFINS. EXPORTAÇÃO DE SERVIÇOS. ISENÇÃO. CONDIÇÕES. PROVA. Cabe ao contribuinte demonstrar no processo de restituição, que verse sobre incidência alegadamente indevida sobre exportação de serviços, as condições sobre a isenção das operações, especificamente no que diz respeito a se tratar de prestador residente ou domiciliado no exterior e a haver efetivo ingresso de dívidas no País. A contratação de agente ou representante no País não descaracteriza a operação, desde que a empresa seja signatária de contrato de direito privado com a pessoa jurídica domiciliada no exterior e totalize, em separado, tais operações de prestação de serviços nos livros fiscais. Recurso Voluntário Negado
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do Relator. (Assinado digitalmente) WALBER JOSÉ DA SILVA Presidente (Assinado digitalmente) JOSÉ ANTONIO FRANCISCO - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Walber José da Silva, José Antonio Francisco, Fabiola Cassiano Keramidas, Maria Conceição Arnaldo Jacó e Jonathan Barros Vita.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/10/2003 a 24/09/2008 COFINS. EXPORTAÇÃO DE SERVIÇOS. ISENÇÃO. CONDIÇÕES. PROVA. Cabe ao contribuinte demonstrar no processo de restituição, que verse sobre incidência alegadamente indevida sobre exportação de serviços, as condições sobre a isenção das operações, especificamente no que diz respeito a se tratar de prestador residente ou domiciliado no exterior e a haver efetivo ingresso de dívidas no País. A contratação de agente ou representante no País não descaracteriza a operação, desde que a empresa seja signatária de contrato de direito privado com a pessoa jurídica domiciliada no exterior e totalize, em separado, tais operações de prestação de serviços nos livros fiscais. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do Relator. (Assinado digitalmente) WALBER JOSÉ DA SILVA – Presidente AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 28 3. 00 59 35 /2 00 8- 72 Fl. 517DF CARF MF Impresso em 04/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/07/2013 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 02/07/20 13 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 02/07/2013 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 10283.005935/200872 Acórdão n.º 3302002.158 S3C3T2 Fl. 517 2 (Assinado digitalmente) JOSÉ ANTONIO FRANCISCO Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Walber José da Silva, José Antonio Francisco, Fabiola Cassiano Keramidas, Maria Conceição Arnaldo Jacó e Jonathan Barros Vita. Relatório Tratase de recurso voluntário (fls. 493 a 505) apresentado em 13 de dezembro de 2011 contra o Acórdão no 0122.821, de 31 de agosto de 2011, da 3ª Turma da DRJ/BEL (fls. 482 a 491), cientificado em 07 de dezembro de 2011, que, relativamente a pedido de restituição de Cofins dos períodos de outubro de 2003 a setembro de 2008, considerou a manifestação de inconformidade improcedente, nos termos de sua ementa, a seguir reproduzida: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/10/2003 a 24/09/2008 COFINS. PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS. EXPORTAÇÃO. NÃO INCIDÊNCIA. A Cofins não incide sobre as receitas decorrentes das operações de prestação de serviços para pessoa física ou jurídica residente ou domiciliada no exterior, cujo pagamento represente ingresso de divisas. ÔNUS DA PROVA. DISTRIBUIÇÃO. O ônus da prova existe afetando tanto o Fisco como o sujeito passivo. Não cabe a qualquer delas manterse passiva, apenas alegando fatos que a favorecem, sem carrear provas que os sustentem. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/10/2003 a 24/09/2008 DECISÕES JUDICIAIS. ENTENDIMENTO DOMINANTE DOS TRIBUNAIS SUPERIORES. VINCULAÇÃO ADMINISTRATIVA. A autoridade julgadora administrativa não se encontra vinculada ao entendimento dos Tribunais Superiores pois não faz parte da legislação tributária de que fala o art. 96 do Código Tributário Nacional, desde que não se traduzam em súmula vinculante nos termos da Emenda Constitucional n 45, DOU de 31/12/2004. Manifestação de Inconformidade Improcedente Fl. 518DF CARF MF Impresso em 04/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/07/2013 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 02/07/20 13 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 02/07/2013 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 10283.005935/200872 Acórdão n.º 3302002.158 S3C3T2 Fl. 518 3 O pedido foi apresentado em 30 de outubro de 2008 e inicialmente apreciado pelo parecer de fls. 34 a 39. A Primeira Instância assim resumiu o litígio: Versa o presente processo sobre Pedido de Restituição de Cofins nãocumulativa do período de 10/03 a 09/08, no valor de R$213.117,05 (fl. 03) e Declaração de Compensação de fls. 29/32. A Delegacia de origem indeferiu o pleito sob o seguinte fundamento: (...) Contudo, nem mesmo depois de intimado regularmente a empresa apresentou os elementos que provariam a suposta situação fática que alegara quando da formulação da consulta tributária e do pleito que ora se analisa. 22. Por outro lado, também não há nos autos ou nos sistemas informatizados informações seguras que levem a concluir pela ocorrência de pagamento ou retenção de Cofins por ocasião de eventuais serviços prestados a pessoas jurídicas domiciliadas no exterior. ... frente à absoluta ausência de provas do direito creditório alegado, opino pelo indeferimento do pedido de restituição de Cofins (fl. 1) e pela nãohomologação da declaração de compensação número 06777.96940.290109.1.3.047264, ambos da empresa Ocidental Transportes e Navegação Ltda., CNPJ 84.656.164/000161. A contribuinte apresentou manifestação de inconformidade de fls. 43/55, em 25/03/2011, na qual alegou que: ... a Recorrente não conseguiu cumprir o prazo, tendo em vista o atraso do condomínio, a complexidade da documentação exigida e o curto prazo. Vale ainda ressaltar que parte da documentação exigida, como os Contratos de prestação de serviços firmados com pessoa jurídica residente ou domiciliada no exterior, não é de posse da Recorrente, mera prestadora de serviços e sim do Agente/Representante do armador estrangeiro no Brasil. (...) Em 26 de julho do ano corrente houve julgamento dos Embargos Infringentes n° 2001.37 . 00 . 0001339 / MA interposto por um prestador de serviços, o qual foi dado provimento por unanimidade, nos termos do voto da Relatora, a Sra. Desembargadora Federal Maria do Carmo Cardoso, a qual passase a discorrer, resumidamente: (...) Ora, resta claro, que a utilização de agente ou representante do transportador estrangeiro como intermediário para a realização Fl. 519DF CARF MF Impresso em 04/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/07/2013 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 02/07/20 13 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 02/07/2013 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 10283.005935/200872 Acórdão n.º 3302002.158 S3C3T2 Fl. 519 4 do serviço de rebocador ou praticagem não tem o condão de afastar a regra da isenção, uma vez que o destinatário final do serviço é a pessoa física ou jurídica residente ou domiciliada no exterior, não o intermediário. (...) Como se vê, a legislação federal acabou por desconsiderar o local de realização do serviço, privilegiando, como critérios identificadores da exportação imunizada, a localização além fronteira do tomador e a entrada de divisas no país. Porém, como se restou demonstrado, em momento algum o legislador se preocupou em elencar qualquer tipo ou modo de serviço prestado, pois a finalidade da imunidade é o incentivo a exportação. Assim, ainda que uma prestação tenha início, desenvolvimento e conclusão exclusivamente em território brasileiro, e aqui se verificar o seu resultado, esta pode vir a ser considerada, para efeitos de PIS e da COFINS, como exportação de serviços, bastando, para tanto, que (i) essa atividade tenha sido desenvolvida em favor de terceiro não residente e que (ii) sua contraprestação acarrete a entrada de divisas no país. (...) Os agentes ou representantes são simples intermediários nas vendas. Assim, temos que o contratante da prestação de serviço, no presente pleito não é o agente ou representante, mas a empresa estrangeira. Concluise, pois, que a atuação do agente ou representante não descaracteriza o real contratante, quer seja, a empresa estrangeira. Ademais, a Solução de Consulta é clara nesse sentido ao dizer que: “Os contratos são efetivados mediante a interposição de agente ou representante no Brasil do transportador estrangeiro. Porém, resta claro que o fato do pagamento ser feito por representante no Brasil, daquela pessoa jurídica (armador estrangeiro), em reais, não descaracteriza, por si só, para efeitos de não incidencia do Pis/Pasep e da COFINS. (...) No que concerne ao segundo requisito disposto para a configuração de uma prestação de serviço como exportação entrada de divisas a situação em estudo merece a mesma conclusão exposta acima. O pagamento das despesas incorridas no País suportadas pelo transportador estrangeiro está previsto no item 5, da Seção 2, do Capítulo 9 do RMCCI, são os seguintes: Fl. 520DF CARF MF Impresso em 04/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/07/2013 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 02/07/20 13 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 02/07/2013 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 10283.005935/200872 Acórdão n.º 3302002.158 S3C3T2 Fl. 520 5 “ 5 . As despesas incorridas no País por transportador estrangeiro residente, domiciliado ou com sede no exterior devem ser objeto de: a) regular ingresso de moeda estrangeira; b) débito em moeda nacional titulada pela transportador residente, domiciliado ou com sede no exterior, mantida na forma da regulamentação em vigor; c) utilização dos recursos objeto de registros escriturais de que trata a seção 9 do capítulo 14”. Assim, ainda que o preço dos serviços seja pago à Recorrente por empresa nacional, representante do armador estrangeiro, é este último, na qualidade de real tomador dos serviços, quem arca com tal encargo, enviando previamente ao país divisas suficientes à sua quitação. O custeio dos serviços prestados pela Recorrente, portanto, tem imediata relação com o ingresso de divisas no país. O fato de o preço ser pago em moeda nacional não desabona a condição de imunidade da receita da Recorrente, pois o que importa é o efetivo ingresso de divisas. (...) O Banco Central do Brasil acompanha a atividade dos armadores estrangeiros no país mediante rígido controle das divisas que entram e das divisas que saem do Brasil, as primeiras para pagamento dos fornecedores brasileiros, as segundas relativas ao frete contratado por nacionais. Até recentemente, era a CartaCircular n° 2.297, de 08 de julho de 1992, com suas posteriores alterações, que disciplinava as transferências de valores pertinentes ao transporte marítimo internacional. Em 30 de julho do corrente ano as normas anteriores foram revogadas consolidadas na Circular n° 3.280, de 09 de março de 2005, atualizada até a Circular Bacen n° 3.493, de 24 de março de 201049, que divulgou o Regulamento sobre Frete Internacional, o qual integra a Consolidação das Normas Cambiais (CNC) do BACEN (Capítulo 7). Os normativos do BACEN estipulam que todo armador estrangeiro que atue no Brasil deve ter representante constituído no país, sobre o qual recairá a responsabilidade pela comprovação dos resultados da atividade de transporte marítimo realizada por aquele. Em suma, as divisas remetidas ao país para pagamento das despesas decorrentes do serviço de transporte marítimo serão destinadas ao representante do armador estrangeiro, que fica obrigado a comprovar o destino dado a tais valores e manter o registro dessas operações. Fl. 521DF CARF MF Impresso em 04/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/07/2013 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 02/07/20 13 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 02/07/2013 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 10283.005935/200872 Acórdão n.º 3302002.158 S3C3T2 Fl. 521 6 O representante nacional do transportador estrangeiro é também quem recolhe das empresas nacionais contratantes do serviço de transporte o frete cobrado, remetendoo ao exterior mediante o fechamento de contratos de câmbio com as instituições autorizadas para tal mister pelo próprio BACEN. Assim, nas transferências do e para o exterior relacionadas aos serviços de transporte marítimo internacional haverá sempre uma empresa brasileira atuando como intermediária do armador estrangeiro. Tal fato só se dá por expressa imposição das normas cambiais, que não desnaturam a operação, a qual continua adstrita a receitas e despesas de entidade não domiciliada no país (armador estrangeiro). (...) Todas as despesas assumidas pelas empresas estrangeiras em território nacional estão pormenorizadamente identificadas com o navio e o percurso a que se vinculam. As notas fiscais de prestação de serviços permitem correlacionar a atividade da Recorrente (enquanto fornecedora de serviços) àquela atividade desenvolvida pelos armadores estrangeiros em águas nacionais. Assim, a Recorrente disponibiliza as notas fiscais para conferência, no momento em que Vossa Senhoria entender ser devido. (...) Podemos concluir assim que muito embora um dado serviço tenha sido executado totalmente no território nacional e aqui se verificar seu resultado, poderá estar abrangido pela não incidência, contanto que o tomador seja domiciliado no exterior e sua contraprestação acarrete a entrada de divisas. No caso, os serviços contratados pelos armadores estrangeiros são intermediados pelos representantes no Brasil. Todavia, essa intermediação do agente ou representante, no Brasil, de empresa estrangeira tomadora de serviços (armador) por si só, não é suficiente para descaracterizar a situação, uma vez que toda atividade por ela exercida é desenvolvida exclusivamente em favor de empresa não domiciliada no País. Estando, portanto, atendida a condição legal imposta. (...) Em suma, o que se exige para a imunidade da contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins, é um nexo causal entre o pagamento que representa o ingresso de divisas e a prestação de serviços à pessoa situada no exterior. Assim, quando o pagamento é efetuado pela empresa estrangeira, por meio de seus agentes ou representantes no país ou mediante dedução das receitas auferidas pelos armadores estrangeiros no país, reputase ocorrido o ingresso de divisas. Fl. 522DF CARF MF Impresso em 04/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/07/2013 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 02/07/20 13 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 02/07/2013 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 10283.005935/200872 Acórdão n.º 3302002.158 S3C3T2 Fl. 522 7 Assim, o nexo é evidenciado pela própria legislação do Bacen, que autorizaesse tipo de transação. (...) Diante dos argumentos acima aludidos, temos que a r. decisão deva ser reformada, dando provimento ao presente recurso, a fim de reconhecer o Pedido de Restituição, bem como homologar a compensação n° 06777.96940.290109.1.3.047264, conforme teor da Solução de Consulta n° 30 SRRF /2ª RF/Disit, de 16 de outubro de 2007. No recurso, a Interessada defendeu, incialmente, o direito à restituição, a não incidência de PIS e Cofins sobre a exportação de serviços e o entendimento do Tribunal Regional Federal da 1ª Região sobre a matéria. A seguir, tratou das condições para a não incidência (prestador de serviços residente no exterior e ingresso de dividas no País) e dos atos normativos expedidos pelo Banco Central do Brasil que seriam aplicáveis ao caso, especialmente no que concerne à estipulação da representação no Brasil de armador estrangeiro. Assim, as divisas seriam remetidas ao representante nacional para envio ao estrangeiro, por meio de contrato de câmbio. Na sequência, tratou do direito de restituição e de compensação e alegou o seguinte quanto à sua comprovação: Todas as despesas assumidas pelas empresas estrangeiras em território nacional estão pormenorizadamente identificadas com o navio e o percurso a que se vinculam. As notas fiscais de prestação de serviços permitem correlacionar a atividade da Recorrente (enquanto fornecedora de serviços) àquela atividade desenvolvida pelos armadores estrangeiros em águas nacionais. Assim, a Recorrente disponibiliza as notas fiscais para conferência, no momento em que Vossa Senhoria entender ser devido. É o relatório. Voto Conselheiro JOSÉ ANTONIO FRANCISCO, Relator O recurso é tempestivo e satisfaz os demais requisitos de admissibilidade, dele devendose tomar conhecimento. Conforme esclarecido no relatório, a questão discutida nos autos é de prova, uma vez que em relação à matéria legal a DRJ não discordou das alegações da Interessada, fazendo constar o entendimento da própria ementa. Mas a Interessada não trouxe novas provas ou argumentos em seu recurso. Fl. 523DF CARF MF Impresso em 04/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/07/2013 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 02/07/20 13 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 02/07/2013 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 10283.005935/200872 Acórdão n.º 3302002.158 S3C3T2 Fl. 523 8 Em que pesem serem coerentes seus argumentos, a questão da prova é fundamental sempre que se trate de condições de isenção. Nesse contexto, são especialmente relevantes ao caso os seguintes argumentos apresentados no acórdão de primeira instância: Dessa forma, a interessada teria que provar esses dois requisitos. Quanto a prestação de serviços, informa que os Contratos de prestação de serviços firmados com pessoa jurídica residente ou domiciliada no exterior, não é de posse da Recorrente, apresentando apenas cópias das notas fiscais emitidas para empresas de navegação do país (fls. 78/480). Verificase, pois, que não há nos autos prova inequívoca de que a beneficiária dos serviços prestados foi pessoa física ou jurídica residente ou domiciliada no exterior, vez que a contribuinte admite na peça impugnatória não ter a posse dos contratos de prestação de serviços firmados. Quanto ao segundo requisito, a manifestante argumenta que, por imposição das normas cambiais, haverá sempre uma empresa brasileira atuando como intermediária do armador estrangeiro, o que não desnatura a operação. Ressaltese que o pagamento efetuado pelo agente ou representante não descaracteriza o ingresso de divisas, mas não resta dúvidas que a contribuinte deve provar o nexo causal existente entre a prestação do serviço e o ingresso de divisas. Por oportuno, transcrevese a conclusão exposta na Solução de Consulta n° 30 SRRF/2ª RF/Disit, de 16 de outubro de 2007 (fls. 23/24), citada pela interessada: “Concluise que, sendo o contratante a empresa estrangeira, a atuação do agente ou representante não descaracteriza o real contratante, nem o ingresso de divisas, o que é confirmado pela leitura da legislação cambial do Banco Central do Brasil (Bacen) p. ex., CartaCircular Bacen 2.297, de 8 de julho de 1992, revogada pela Circular Bacen n° 3.249, de 30 de julho de 2004, revogada pela Circular Bacen n° 3.280, de 9 de março de 2005, que divulga o Regulamento do Mercado de Câmbio e Capitais Internacionais (RMCCI). “19. Assim sendo, ficam evidenciadas as premissas básicas para a nãoincidência, desde que a consulente seja signatária de contrato de direito privado com a pessoa jurídica domiciliada no exterior, e totalize, em separado, tais operações de prestação de serviços nos livros fiscais, para conferência com o(s) contrato(s) de câmbio fechado(s) pelo agente/representante do contratante no exterior.” (grifouse) Em vista do exposto, não há reparos a fazer no despacho decisório. Portanto, as alegações da Interessada não são suficientes a caracterizarem as condições previstas em lei. Fl. 524DF CARF MF Impresso em 04/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/07/2013 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 02/07/20 13 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 02/07/2013 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 10283.005935/200872 Acórdão n.º 3302002.158 S3C3T2 Fl. 524 9 À vista do exposto e adotando os demais fundamentos do acórdão de primeira instância, com fulcro no art. 50, §1º, da Lei n. 9.784, de 1999, voto por negar provimento ao recurso. (Assinado digitalmente) JOSÉ ANTONIO FRANCISCO Fl. 525DF CARF MF Impresso em 04/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/07/2013 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 02/07/20 13 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 02/07/2013 por WALBER JOSE DA SILVA
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