Busca Facetada
Turma- Terceira Câmara (29,282)
- Segunda Câmara (27,810)
- Primeira Câmara (25,086)
- Segunda Turma Ordinária d (17,885)
- Primeira Turma Ordinária (16,419)
- Primeira Turma Ordinária (16,225)
- 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR (16,216)
- Primeira Turma Ordinária (16,172)
- Segunda Turma Ordinária d (15,905)
- Segunda Turma Ordinária d (14,489)
- Primeira Turma Ordinária (13,087)
- Primeira Turma Ordinária (12,513)
- Segunda Turma Ordinária d (12,438)
- Quarta Câmara (11,514)
- Primeira Turma Ordinária (11,488)
- Quarta Câmara (85,202)
- Terceira Câmara (67,872)
- Segunda Câmara (56,642)
- Primeira Câmara (20,751)
- 3ª SEÇÃO (16,216)
- 2ª SEÇÃO (11,306)
- 1ª SEÇÃO (6,854)
- Pleno (788)
- Sexta Câmara (302)
- Sétima Câmara (172)
- Quinta Câmara (133)
- Oitava Câmara (123)
- Terceira Seção De Julgame (126,714)
- Segunda Seção de Julgamen (115,210)
- Primeira Seção de Julgame (77,082)
- Primeiro Conselho de Cont (49,053)
- Segundo Conselho de Contr (48,968)
- Câmara Superior de Recurs (37,972)
- Terceiro Conselho de Cont (25,979)
- IPI- processos NT - ressa (5,020)
- Outros imposto e contrib (4,458)
- PIS - ação fiscal (todas) (4,062)
- IRPF- auto de infração el (3,972)
- PIS - proc. que não vers (3,963)
- IRPJ - AF - lucro real (e (3,943)
- Cofins - ação fiscal (tod (3,868)
- Simples- proc. que não ve (3,681)
- IRPF- ação fiscal - Dep.B (3,045)
- IPI- processos NT- créd.p (2,251)
- IRPF- ação fiscal - omis. (2,215)
- Cofins- proc. que não ver (2,102)
- IRPJ - restituição e comp (2,088)
- Finsocial -proc. que não (1,996)
- IRPF- restituição - rendi (1,991)
- Não Informado (56,551)
- GILSON MACEDO ROSENBURG F (5,508)
- RODRIGO DA COSTA POSSAS (4,442)
- WINDERLEY MORAIS PEREIRA (4,270)
- CLAUDIA CRISTINA NOIRA PA (4,256)
- PEDRO SOUSA BISPO (3,905)
- HELCIO LAFETA REIS (3,868)
- ROSALDO TREVISAN (3,233)
- CHARLES MAYER DE CASTRO S (3,219)
- MARCOS ROBERTO DA SILVA (3,150)
- Não se aplica (2,930)
- PAULO GUILHERME DEROULEDE (2,801)
- WILDERSON BOTTO (2,650)
- LIZIANE ANGELOTTI MEIRA (2,636)
- RODRIGO LORENZON YUNAN GA (2,589)
- 2020 (41,088)
- 2021 (35,842)
- 2019 (30,960)
- 2018 (26,046)
- 2024 (25,923)
- 2012 (23,622)
- 2023 (22,472)
- 2014 (22,376)
- 2013 (21,088)
- 2011 (20,979)
- 2025 (19,615)
- 2010 (18,059)
- 2008 (17,137)
- 2017 (16,841)
- 2009 (15,846)
- 2009 (69,612)
- 2020 (39,854)
- 2021 (34,153)
- 2019 (30,463)
- 2023 (25,918)
- 2024 (23,872)
- 2014 (23,412)
- 2018 (23,139)
- 2025 (19,745)
- 2026 (16,690)
- 2013 (16,584)
- 2017 (16,398)
- 2008 (15,520)
- 2006 (14,857)
- 2022 (13,225)
Numero do processo: 17515.000194/2007-21
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Fri Aug 14 00:00:00 UTC 2009
Data da publicação: Fri Aug 14 00:00:00 UTC 2009
Ementa: DESACATO A AUTORIDADE ADUANEIRA, MULTA PREVISTA NO ART. 107, III, DO DECRETO-LEI Nº37/66.
O desacato a autoridade aduaneira, previsto na legislação fiscal, caracteriza-se pela ofensa e tratamento desrespeitoso com falta ao dever de urbanidade dirigido à autoridade aduaneira no exercício de suas atribuições de controle aduaneiro no recinto alfandegário.
Numero da decisão: 3201-000.286
Decisão: ACORDAM os membros da 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Terceira Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator.
Nome do relator: Marcelo Ribeiro Nogueira
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 200908
camara_s : Segunda Câmara
ementa_s : DESACATO A AUTORIDADE ADUANEIRA, MULTA PREVISTA NO ART. 107, III, DO DECRETO-LEI Nº37/66. O desacato a autoridade aduaneira, previsto na legislação fiscal, caracteriza-se pela ofensa e tratamento desrespeitoso com falta ao dever de urbanidade dirigido à autoridade aduaneira no exercício de suas atribuições de controle aduaneiro no recinto alfandegário.
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Fri Aug 14 00:00:00 UTC 2009
numero_processo_s : 17515.000194/2007-21
anomes_publicacao_s : 200908
conteudo_id_s : 4665356
dt_registro_atualizacao_tdt : Tue Dec 10 00:00:00 UTC 2019
numero_decisao_s : 3201-000.286
nome_arquivo_s : 320100286_141208_17515000194200721_006.PDF
ano_publicacao_s : 2009
nome_relator_s : Marcelo Ribeiro Nogueira
nome_arquivo_pdf_s : 17515000194200721_4665356.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : ACORDAM os membros da 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Terceira Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator.
dt_sessao_tdt : Fri Aug 14 00:00:00 UTC 2009
id : 4956956
ano_sessao_s : 2009
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:11:27 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
conteudo_txt : Metadados => date: 2010-01-11T12:00:18Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.6; pdf:docinfo:title: ; xmp:CreatorTool: CNC PRODUÇÃO; Keywords: ; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; subject: ; dc:creator: CNC Solutions; dcterms:created: 2010-01-11T12:00:18Z; Last-Modified: 2010-01-11T12:00:18Z; dcterms:modified: 2010-01-11T12:00:18Z; dc:format: application/pdf; version=1.6; Last-Save-Date: 2010-01-11T12:00:18Z; pdf:docinfo:creator_tool: CNC PRODUÇÃO; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:keywords: ; pdf:docinfo:modified: 2010-01-11T12:00:18Z; meta:save-date: 2010-01-11T12:00:18Z; pdf:encrypted: false; modified: 2010-01-11T12:00:18Z; cp:subject: ; pdf:docinfo:subject: ; Content-Type: application/pdf; pdf:docinfo:creator: CNC Solutions; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; creator: CNC Solutions; meta:author: CNC Solutions; dc:subject: ; meta:creation-date: 2010-01-11T12:00:18Z; created: 2010-01-11T12:00:18Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 6; Creation-Date: 2010-01-11T12:00:18Z; pdf:charsPerPage: 0; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; meta:keyword: ; Author: CNC Solutions; producer: CNC Solutions; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: CNC Solutions; pdf:docinfo:created: 2010-01-11T12:00:18Z | Conteúdo =>
_version_ : 1713045983826280448
score : 1.0
Numero do processo: 35352.000026/2005-65
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jul 07 00:00:00 UTC 2009
Data da publicação: Tue Jul 07 00:00:00 UTC 2009
Ementa: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS
Período de apuração: 01/03/2003 a 31/08/2004
COMPENSAÇÃO. TÍTULOS PÚBLICOS DO SÉCULO PASSADO DO
ESTADO DA BAHIA. UTILIZAÇÃO PARA EXTINÇÃO DE CRÉDITO
PREVIDENCIÁRIO. IMPOSSIBILIDADE.
Os títulos da divida pública emitidos no início do século passado, ÉTAT DE BAHIA - ÉTATS UNIS DU BRÉSIL, que não possuam cotação em bolsa e sejam de dificil liquidação não são aptos a garantir a extinção de crédito tributário por meio de compensação.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 2301-000.485
Decisão: ACORDAM os membros da 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Segunda Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto do relator.
Nome do relator: Damião Cordeiro de Moraes
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 200907
camara_s : Terceira Câmara
ementa_s : CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/03/2003 a 31/08/2004 COMPENSAÇÃO. TÍTULOS PÚBLICOS DO SÉCULO PASSADO DO ESTADO DA BAHIA. UTILIZAÇÃO PARA EXTINÇÃO DE CRÉDITO PREVIDENCIÁRIO. IMPOSSIBILIDADE. Os títulos da divida pública emitidos no início do século passado, ÉTAT DE BAHIA - ÉTATS UNIS DU BRÉSIL, que não possuam cotação em bolsa e sejam de dificil liquidação não são aptos a garantir a extinção de crédito tributário por meio de compensação. Recurso Voluntário Negado.
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
dt_publicacao_tdt : Tue Jul 07 00:00:00 UTC 2009
numero_processo_s : 35352.000026/2005-65
anomes_publicacao_s : 200907
conteudo_id_s : 4426570
dt_registro_atualizacao_tdt : Tue May 19 00:00:00 UTC 2020
numero_decisao_s : 2301-000.485
nome_arquivo_s : 230100485_142815_35352000026200565_006.PDF
ano_publicacao_s : 2009
nome_relator_s : Damião Cordeiro de Moraes
nome_arquivo_pdf_s : 35352000026200565_4426570.pdf
secao_s : Segunda Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : ACORDAM os membros da 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Segunda Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto do relator.
dt_sessao_tdt : Tue Jul 07 00:00:00 UTC 2009
id : 4956810
ano_sessao_s : 2009
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:11:24 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713045983847251968
conteudo_txt : Metadados => date: 2009-09-30T11:10:44Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.6; pdf:docinfo:title: ; xmp:CreatorTool: CNC PRODUÇÃO; Keywords: ; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; subject: ; dc:creator: CNC Solutions; dcterms:created: 2009-09-30T11:10:44Z; Last-Modified: 2009-09-30T11:10:44Z; dcterms:modified: 2009-09-30T11:10:44Z; dc:format: application/pdf; version=1.6; Last-Save-Date: 2009-09-30T11:10:44Z; pdf:docinfo:creator_tool: CNC PRODUÇÃO; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:keywords: ; pdf:docinfo:modified: 2009-09-30T11:10:44Z; meta:save-date: 2009-09-30T11:10:44Z; pdf:encrypted: false; modified: 2009-09-30T11:10:44Z; cp:subject: ; pdf:docinfo:subject: ; Content-Type: application/pdf; pdf:docinfo:creator: CNC Solutions; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; creator: CNC Solutions; meta:author: CNC Solutions; dc:subject: ; meta:creation-date: 2009-09-30T11:10:44Z; created: 2009-09-30T11:10:44Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 6; Creation-Date: 2009-09-30T11:10:44Z; pdf:charsPerPage: 905; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; meta:keyword: ; Author: CNC Solutions; producer: CNC Solutions; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: CNC Solutions; pdf:docinfo:created: 2009-09-30T11:10:44Z | Conteúdo => S2-C3T1 Fl. 89 ,f-14N441,í, MINISTÉRIO DA FAZENDA t. • , CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo n° 35352.000026/2005-65 Recurso n° 142.815 Voluntário Acórdão n° 2301-00.485 — 3' Câmara / 1" Turma Ordinária Sessão de 07 de julho de 2009 Matéria Compensação Recorrente SOCIEDADE LAGEANA DE EDUCAÇÃO Recorrida DRP/FLORIANÓPOLIS/SC ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/03/2003 a 31/08/2004 COMPENSAÇÃO. TÍTULOS PÚBLICOS DO SÉCULO PASSADO DO ESTADO DA BAHIA. UTILIZAÇÃO PARA EXTINÇÃO DE CRÉDITO PREVIDENCIÁRIO. IMPOSSIBILIDADE. Os títulos da divida pública emitidos no início do século passado, ÉTAT DE BAHIA - ÉTATS UNIS DU BRÉSIL, que não possuam cotação em bolsa e sejam de dificil liquidação não são aptos a garantir a extinção de crédito tributário por meio de compensação. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. 1‘ , Processo n° 35352.000026/2005-65 52-C3T1 Acórdão n.° 2301-00.485 Fl. 90 ACORDAM os membros da 3" Câmara / P Turma Ordinária da Segunda Seção de Julgamento, por unani e *dade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto do relator. \\ À'tie0 JULIO n 1 • " VIEIRA GOMES President 4 . ,00111."- N \ ) ie ;,_ .-1 DAMIÃO CORDEIRO DE MORAES Relator • , 2 I Processo n° 35352.000026/2005-65 52-C3T1 Acórdão n.° 2301-00.485 Fl. 91 • Participaram do julgamento os conselheiros: Damião Cordeiro de Moraes, Edgar Silva Vidal (Suplente), Maria Helena Lima dos Santos (Suplente), Bemadete de Oliveira Barros, Leonardo Henrique Pires Lopes e Julio Cesar Vieira Gomes (Presidente). 1111)) 3 Processo n° 35352.000026/2005-65 S2-C3T1 Acórdão n.° 2301-00.485 Fl. 92 Relatório 1. Trata-se de recurso voluntário interposto pela SOCIEDADE LAGEANA DE EDUCAÇÃO contra decisão de primeira instância que indeferiu requerimento de compensação de débitos da entidade junto a Previdência Social com créditos que diz possuir no Processo COMPROT Ministério da Fazenda n.° 10.166.005858/2004-63, administrado pela Secretaria da Receita Federal. 2. Em suas razões recursais a empresa alega, em síntese, que: a) preliminarmente, que decorreu prazo superior a 30 dias entre o requerimento de compensação e a decisão administrativa de primeira instância, lapso temporal que determinou a homologação tácita da compensação por decurso de prazo; b) no mérito, a recorrente demonstrou suporte na legislação pátria para as compensações efetivadas; c) baseada no art. 23 da Lei n.° 9.430, de 27 de dezembro de 1996, argumentá que as contribuições sociais previdenciárias podem ser objeto de compensação no processo administrativo, bastando, para tanto, ser efetivada a aquisição pelo sócio da empresa de ativo financeiro de aporte de capital, observado o disposto no inciso IX do citado artigo 23. 3. As contra-razões do fisco são no sentido da manutenção da decisão de primeira instância, haja vista que: a) os documentos utilizados pela empresa para requerer a compensação, quais sejam os títulos públicos de emissão de ETAT DE BAHIA — ÉTATS UNIS DU BRÉSIL, do Estado da Bahia, do ano de 1912, já foram objeto de outro processo e teve decisão negada; b) o Parecer n.° 859/1998, da Fazenda Nacional, firmou entendimento no sentido da impossibilidade de aproveitamento dos títulos públicos do século passado; c) a compensação somente se faz com parcelas de contribuição da mesma espécie, não sendo portanto caso ora em questão. É relatório. 4 Processo n° 35352.000026/2005-65 S2-C3T1 Acórdão n.° 2301-00.485 Fl. 93 Voto Conselheiro DAMIÂO CORDEIRO DE MORAES, Relator DA ADMISSIBILIDADE 1. Conheço do recurso, uma vez que é tempestivo e atende aos pressupostos de admissibilidade. PRELIMINAR — PRAZO PARA MANIFESTAÇÃO DA ADMINISTRAÇÃO 2. Preliminarmente, alega o recorrente que a administração ultrapassou o prazo de 30 dias para dar a resposta ao requerimento de compensação, lapso temporal que determinou a homologação tácita da compensação por decurso de prazo. 3. Sem razão o recorrente. A eventual demora na expedição de decisão administrativa não caracteriza, por si só, o alcance do direito à compensação, procedimento este que somente será autorizado quando expressamente previsto em lei. 4. É do interesse da administração pública, comprometida com o combate á morosidade no processo administrativo, que as respostas aos requerimentos dos administrados sejam proferidas dentro de um prazo razoável, entretanto, tal atraso, não poder determinar tacitamente a compensação de tributos, direito que, para ser assegurado, depende de uma análise complexa do caso pelos julgadores de primeira instância. 5. Feitas estas considerações, rejeito a preliminar. DA COMPENSAÇÃO 6. A recorrente, Sociedade Lageana de Educação, pretende a compensação de débitos da entidade junto a Previdência Social com créditos que diz possuir no Processo COMPROT Ministério da Fazenda n.° 10.166.005858/2004-63, administrado pela Secretaria da Receita Federal, provenientes de títulos públicos de emissão da ÉTAT DE BAHIA — ÉTATS UNIS DU BRÉSIL, autorizada pela Lei n.° 894, de 19 de junho de 192, do Estado da Bahia. 7. Ocorre que o direito pleiteado pelo recorrente não encontra guarida na legislação tributária federal, restando na impossibilidade de aproveitamento dos títulos do inicio do século, ora trazidos aos autos. 8. Ressalte-se, porque importante, que o disposto no art. 66 da Lei 8.383, de 30.12.91, que instituiu o direito à compensação de tributos e contribuições federais, assevera claramente que somente será admitida a compensação quando o crédito do contribuinte contra a Fazenda resultar de recolhimento indevido ou a maior de tributo. 9. Apenas par melhor firmar meu entendimento, peço licen a para transcrever o citado dispositivo: , Processo n° 35352.000026/2005-65 S2-C3T1 Acórdão n.° 2301-00.485 Fl. 94 "Art. 66. Nos casos de pagamento indevido ou a maior de tributos, contribuições federais, inclusive previdenciárias, e receitas patrimoniais, mesmo quando resultante de reforma, anulação, revogação ou rescisão de decisão condenatória, o contribuinte poderá efetuar a compensação desse valor no recolhimento de importância correspondente a período . subseqüente. § 1° A compensação só poderá ser efetuada entre tributos, contribuições e receitas da mesma espécie. § 2° É facultado ao contribuinte optar pelo pedido de restituição. § 3" A compensação ou restituição será efetuada pelo valor do tributo ou contribuição ou receita corrigido monetariamente com base na variação da UFIR. http://www.planalto.gov.br/ccivil _03/Leis/L9069.htm - art66 § 4"As Secretarias da Receita Federal e do Patrimônio da União e o Instituto Nacional do Seguro Social - INSS expedirão as instruções necessárias ao cumprimento do disposto neste artigo." 10. E a Lei n.° 9.711, de 20.11.98, estabeleceu taxativamente as hipóteses em que a administração pública poderia receber títulos públicos em pagamento. De maneira que a administração, na ausência de norma específica autorizativa, não pode concluir o procedimento de compensação com base nos títulos públicos ora trazidos pela empresa. 11. Por fim, cabe enfatizar que, no tocante a questão jurídica posta, a Jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça — STJ firmou entendimento pacífico no sentido de que "os títulos da dívida pública emitidos no início do século passado que não possuam cotação em bolsa e sejam de difícil liquidação não são aptos a garantir dívida fiscal, tampouco a extinguir crédito tributário por meio de compensação". (AgRg no AgRg no Ag 1018450 / SC; DJe 01/10/2008) 12. Feitas estas considerações, meu voto é no sentido de rechaçar a pretensão recursal. CONCLUSÃO 13. Assim, voto por NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário. Sala das Sessões, em 07 de julho .(1;,' __ 109 111 ii„.....:,... ) ,,...._, DAMIÃO CORDEIRO DE MORAES - Relator , 6
score : 1.0
Numero do processo: 13839.901806/2008-71
Turma: Segunda Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Sep 25 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Fri Jun 14 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/11/2003 a 30/11/2003
PROCESSO DE COMPENSAÇÃO. DCTF RETIFICADORA. ENTREGA APÓS CIÊNCIA DO DESPACHO DECISÓRIO. REDUÇÃO DO DÉBITO ORIGINAL. COMPROVAÇÃO DA ORIGEM DO ERRO. OBRIGATORIEDADE.
Uma vez iniciado o processo de compensação, a redução do valor débito informada na DCTF retificadora, entregue após a emissão e ciência do Despacho Decisório, somente será admitida, para fim de comprovação da origem do crédito compensado, se ficar provado nos autos, por meio de documentação idônea e suficiente, a origem do erro de apuração do débito retificado, o que não ocorreu nos presentes autos.
NULIDADE. DECISÃO DE PRIMEIRO GRAU. ANÁLISE DE NOVO ARGUMENTO DE DEFESA. MANUTENÇÃO DA NÃO HOMOLOGAÇÃO DA COMPENSAÇÃO POR INEXISTÊNCIA DE CRÉDITO. ALTERAÇÃO DA MOTIVAÇÃO DO DESPACHO DECISÓRIO. INOCORRÊNCIA.
Não é passível de nulidade, por mudança de motivação, a decisão de primeiro grau que rejeita novo argumento defesa suscitado na manifestação inconformidade e mantém a não homologação da compensação declarada, por da ausência de comprovação do crédito utilizado, mesmo motivo apresentado no contestado Despacho Decisório.
DILIGÊNCIA. REALIZAÇÃO PARA JUNTADA DE PROVA DOCUMENTAL EM PODER DO REQUERENTE. DESNECESSIDADE.
Não se justifica a realização de diligência para juntada de prova documental em poder do próprio requerente que, sem a demonstração de qualquer impedimento, não foi carreada aos autos nas duas oportunidades em que exercitado o direito de defesa.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3802-001.296
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros da 2ª Turma Especial da Terceira Seção de Julgamento, por unanimidade, rejeitar a preliminar de nulidade do acórdão recorrido. Por maioria, em face da preclusão, não conhecer da documentação juntada aos autos, consoante alegação da recorrente em sustentação oral, após a publicação da pauta da reunião de julgamento - e, portanto, após a análise dos autos pelo Relator. Vencido, nesse ponto, o Conselheiro Solon Senh que, devido às particularidades do caso, entendia por converter o julgamento em diligência para juntado dessa documentação aos autos. No mérito, por unanimidade, negar provimento ao recurso voluntário. O Dr. Fábio de Almeida Garcia, OAB/SP n. 237.078, fez sustentação oral.
(assinado digitalmente)
Regis Xavier Holanda - Presidente.
(assinado digitalmente)
José Fernandes do Nascimento - Relator.
EDITADO EM: 09/10/2012
Participaram da Sessão de julgamento os Conselheiros Regis Xavier Holanda, Francisco José Barroso Rios, José Fernandes do Nascimento, Solon Sehn, Bruno Maurício Macedo Curi e Cláudio Augusto Gonçalves Pereira.
Nome do relator: JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201209
ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/11/2003 a 30/11/2003 PROCESSO DE COMPENSAÇÃO. DCTF RETIFICADORA. ENTREGA APÓS CIÊNCIA DO DESPACHO DECISÓRIO. REDUÇÃO DO DÉBITO ORIGINAL. COMPROVAÇÃO DA ORIGEM DO ERRO. OBRIGATORIEDADE. Uma vez iniciado o processo de compensação, a redução do valor débito informada na DCTF retificadora, entregue após a emissão e ciência do Despacho Decisório, somente será admitida, para fim de comprovação da origem do crédito compensado, se ficar provado nos autos, por meio de documentação idônea e suficiente, a origem do erro de apuração do débito retificado, o que não ocorreu nos presentes autos. NULIDADE. DECISÃO DE PRIMEIRO GRAU. ANÁLISE DE NOVO ARGUMENTO DE DEFESA. MANUTENÇÃO DA NÃO HOMOLOGAÇÃO DA COMPENSAÇÃO POR INEXISTÊNCIA DE CRÉDITO. ALTERAÇÃO DA MOTIVAÇÃO DO DESPACHO DECISÓRIO. INOCORRÊNCIA. Não é passível de nulidade, por mudança de motivação, a decisão de primeiro grau que rejeita novo argumento defesa suscitado na manifestação inconformidade e mantém a não homologação da compensação declarada, por da ausência de comprovação do crédito utilizado, mesmo motivo apresentado no contestado Despacho Decisório. DILIGÊNCIA. REALIZAÇÃO PARA JUNTADA DE PROVA DOCUMENTAL EM PODER DO REQUERENTE. DESNECESSIDADE. Não se justifica a realização de diligência para juntada de prova documental em poder do próprio requerente que, sem a demonstração de qualquer impedimento, não foi carreada aos autos nas duas oportunidades em que exercitado o direito de defesa. Recurso Voluntário Negado.
turma_s : Segunda Turma Especial da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Fri Jun 14 00:00:00 UTC 2013
numero_processo_s : 13839.901806/2008-71
anomes_publicacao_s : 201306
conteudo_id_s : 5258319
dt_registro_atualizacao_tdt : Fri Jun 14 00:00:00 UTC 2013
numero_decisao_s : 3802-001.296
nome_arquivo_s : Decisao_13839901806200871.PDF
ano_publicacao_s : 2013
nome_relator_s : JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO
nome_arquivo_pdf_s : 13839901806200871_5258319.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 2ª Turma Especial da Terceira Seção de Julgamento, por unanimidade, rejeitar a preliminar de nulidade do acórdão recorrido. Por maioria, em face da preclusão, não conhecer da documentação juntada aos autos, consoante alegação da recorrente em sustentação oral, após a publicação da pauta da reunião de julgamento - e, portanto, após a análise dos autos pelo Relator. Vencido, nesse ponto, o Conselheiro Solon Senh que, devido às particularidades do caso, entendia por converter o julgamento em diligência para juntado dessa documentação aos autos. No mérito, por unanimidade, negar provimento ao recurso voluntário. O Dr. Fábio de Almeida Garcia, OAB/SP n. 237.078, fez sustentação oral. (assinado digitalmente) Regis Xavier Holanda - Presidente. (assinado digitalmente) José Fernandes do Nascimento - Relator. EDITADO EM: 09/10/2012 Participaram da Sessão de julgamento os Conselheiros Regis Xavier Holanda, Francisco José Barroso Rios, José Fernandes do Nascimento, Solon Sehn, Bruno Maurício Macedo Curi e Cláudio Augusto Gonçalves Pereira.
dt_sessao_tdt : Tue Sep 25 00:00:00 UTC 2012
id : 4908188
ano_sessao_s : 2012
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:10:26 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713045983849349120
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 12; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2222; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3TE02 Fl. 10 1 9 S3TE02 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 13839.901806/200871 Recurso nº 919.275 Voluntário Acórdão nº 3802001.296 – 2ª Turma Especial Sessão de 25 de setembro de 2012 Matéria COFINS COMPENSAÇÃO Recorrente VALEO SISTEMAS AUTOMOTIVOS LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/11/2003 a 30/11/2003 COMPENSAÇÃO. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO (DCOMP). DIREITO CREDITÓRIO NÃO COMPROVADO NA FASE RECURSAL. DECISÃO NÃO HOMOLOGATÓRIA MANTIDA. Não comprovada, na fase recursal, a certeza e liquidez do crédito, mantémse a decisão recorrida que, pelo mesmo motivo, não homologou a compensação declarada pelo sujeito passivo. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/11/2003 a 30/11/2003 PROCESSO DE COMPENSAÇÃO. DCTF RETIFICADORA. ENTREGA APÓS CIÊNCIA DO DESPACHO DECISÓRIO. REDUÇÃO DO DÉBITO ORIGINAL. COMPROVAÇÃO DA ORIGEM DO ERRO. OBRIGATORIEDADE. Uma vez iniciado o processo de compensação, a redução do valor débito informada na DCTF retificadora, entregue após a emissão e ciência do Despacho Decisório, somente será admitida, para fim de comprovação da origem do crédito compensado, se ficar provado nos autos, por meio de documentação idônea e suficiente, a origem do erro de apuração do débito retificado, o que não ocorreu nos presentes autos. NULIDADE. DECISÃO DE PRIMEIRO GRAU. ANÁLISE DE NOVO ARGUMENTO DE DEFESA. MANUTENÇÃO DA NÃO HOMOLOGAÇÃO DA COMPENSAÇÃO POR INEXISTÊNCIA DE CRÉDITO. ALTERAÇÃO DA MOTIVAÇÃO DO DESPACHO DECISÓRIO. INOCORRÊNCIA. Não é passível de nulidade, por mudança de motivação, a decisão de primeiro grau que rejeita novo argumento defesa suscitado na manifestação AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 83 9. 90 18 06 /2 00 8- 71 Fl. 198DF CARF MF Impresso em 14/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/01/2013 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 25 /01/2013 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 11/06/2013 por REGIS XAVIER HOLA NDA 2 inconformidade e mantém a não homologação da compensação declarada, por da ausência de comprovação do crédito utilizado, mesmo motivo apresentado no contestado Despacho Decisório. DILIGÊNCIA. REALIZAÇÃO PARA JUNTADA DE PROVA DOCUMENTAL EM PODER DO REQUERENTE. DESNECESSIDADE. Não se justifica a realização de diligência para juntada de prova documental em poder do próprio requerente que, sem a demonstração de qualquer impedimento, não foi carreada aos autos nas duas oportunidades em que exercitado o direito de defesa. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 2ª Turma Especial da Terceira Seção de Julgamento, por unanimidade, rejeitar a preliminar de nulidade do acórdão recorrido. Por maioria, em face da preclusão, não conhecer da documentação juntada aos autos, consoante alegação da recorrente em sustentação oral, após a publicação da pauta da reunião de julgamento e, portanto, após a análise dos autos pelo Relator. Vencido, nesse ponto, o Conselheiro Solon Senh que, devido às particularidades do caso, entendia por converter o julgamento em diligência para juntado dessa documentação aos autos. No mérito, por unanimidade, negar provimento ao recurso voluntário. O Dr. Fábio de Almeida Garcia, OAB/SP n. 237.078, fez sustentação oral. (assinado digitalmente) Regis Xavier Holanda Presidente. (assinado digitalmente) José Fernandes do Nascimento Relator. EDITADO EM: 09/10/2012 Participaram da Sessão de julgamento os Conselheiros Regis Xavier Holanda, Francisco José Barroso Rios, José Fernandes do Nascimento, Solon Sehn, Bruno Maurício Macedo Curi e Cláudio Augusto Gonçalves Pereira. Relatório Tratase de Recurso Voluntário oposto com o objetivo de reformar o Acórdão proferido pelos membros da 1ª Turma de Julgamento da DRJ em Campinas/SP, em que, por unanimidade de votos, julgaram improcedente a manifestação de inconformidade, com base nos fundamentos resumidos na ementa a seguir transcrita: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/11/2003 a 30/11/2003 Fl. 199DF CARF MF Impresso em 14/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/01/2013 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 25 /01/2013 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 11/06/2013 por REGIS XAVIER HOLA NDA Processo nº 13839.901806/200871 Acórdão n.º 3802001.296 S3TE02 Fl. 11 3 COMPENSAÇÃO. HOMOLOGAÇÃO. CRÉDITO LÍQUIDO E CERTO. Para homologação da compensação declarada pelo sujeito passivo, deve ser demonstrada a liquidez e certeza de crédito de tributos administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Por bem descrever os fatos registrados até a prolação do Acórdão de primeiro grau, transcrevo a seguir o relatório nele encartado: Tratase de Declaração de Compensação – DCOMP, com base em suposto crédito de Cofins oriundo de pagamento indevido ou a maior. A DRF de origem emitiu Despacho Decisório eletrônico de não homologação da compensação, fundamentando: Limite do crédito analisado, correspondente ao valor do crédito original na data de transmissão do PER/DCOMP: 12.066,24 A partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos, abaixo relacionados, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. (...) Diante da inexistência do crédito, NÃO HOMOLOGO a compensação declarada. Cientificada desse despacho em 29/07/2008, a interessada apresentou sua manifestação de inconformidade em 19/08/2008, alegando, em síntese e fundamentalmente, que: Seu crédito decorre de ter considerado equivocadamente na base de cálculo da contribuição do período em questão algumas vendas de produtos que se encontravam relacionados nos Anexos I e II da Lei nº 10.485/2002; Transmitiu a DCOMP utilizando aquele crédito, mas, por um lapso, deixou de retificar a DCTF relativa ao período, para que nela passasse a constar o valor correto da contribuição devida; Somente com a ciência do Despacho em tela é que percebeu seu equívoco. Assim, procedeu imediatamente à retificação da DCTF; Fl. 200DF CARF MF Impresso em 14/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/01/2013 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 25 /01/2013 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 11/06/2013 por REGIS XAVIER HOLA NDA 4 Tratase de mero erro de preenchimento de obrigação acessória, que não afasta a existência inequívoca de seu crédito, e não pode lhe tolher o direito à compensação. Jurisprudência administrativa e judicial corroboram seu entendimento; Não há prejuízo ao Fisco. Ao contrário, não lhe permitir utilizar tal crédito configuraria enriquecimento ilícito do Erário. Em 15/03/2011, a Interessada foi cientificada do referido Acórdão. Inconformada, em 14/04/2011, protocolou o presente Recurso Voluntário, em que reafirmou as razões de defesa suscitadas na manifestação de inconformidade. Em aditamento, a Recorrente alegou, em preliminar, a nulidade do Acórdão recorrido, com base no argumento de que houve inovação dos motivos e fundamentos expostos no vergastado Despacho Decisório, que apontou a insuficiência de crédito como causa da não homologação da compensação declarada, ao invés da suposta não comprovação da origem do crédito compensado, apresentada no referido Acórdão. No mérito, em síntese, alegou a Recorrente que (i) a origem do crédito utilizado era proveniente da indevida tributação das receitas das vendas dos produtos sujeitas ao regime monofásico; (ii) por um lapso, somente retificou a DCTF, para informar o valor correto débito, após a ciência do Despacho Decisório; (iii) a guia Darf, a DComp e a DCTF retificadora, apresentados com a manifestação de inconformidade, eram documentos hábeis e idôneos para comprovar a liquidez e certeza do crédito compensado; e (iv) o princípio da verdade material , deveria se sobrepor a qualquer equívoco cometido no cumprimento das obrigações acessórias, em consequência, meros erros de preenchimento de declaração não poderia tolher o seu direito à compensação da quantia paga a maior. Caso não fosse acolhida a preliminar de nulidade nem acatada as provas já carreadas aos autos, requereu a Recorrente a realização de diligência, com o objetivo de obter a documentação complementar destinada a comprovar o que alegara. Em 10/08/2011, os presentes autos foram enviados a este E. Conselho. Na Sessão de março de 2012, mediante sorteio, foram distribuídos para este Conselheiro, em conformidade com o disposto no art. 49 do Anexo II do Regimento Interno deste Conselho, aprovado pela Portaria MF nº 256, de 22 de junho de 2009. É o relatório. Voto Conselheiro José Fernandes do Nascimento, Relator O presente Recurso é tempestivo, foi apresentado por parte legítima, trata de matéria da competência deste Colegiado e preenche os demais requisitos de admissibilidade, incluindo o limite de alçada, portanto, dele tomo conhecimento. Do não conhecimento da suposta prova documental não colacionada aos autos. Fl. 201DF CARF MF Impresso em 14/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/01/2013 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 25 /01/2013 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 11/06/2013 por REGIS XAVIER HOLA NDA Processo nº 13839.901806/200871 Acórdão n.º 3802001.296 S3TE02 Fl. 12 5 Na sustentação oral realizado durante a Sessão de julgamento, alegou o patrono da Recorrente que havia entregue na Secretaria da 2ª Câmara desta 3ª Seção petição com pedido de juntada aos autos de notas fiscais de venda, emitidas durante o período de apuração do crédito informado na DComp em apreço. No memorial, naquele momento entregue, consta a informação de que tais notas foram exemplificativamente apresentadas. Na oportunidade, consultei o e.processo e verifiquei que tais documentos ainda não constavam dos autos. Além dessa circunstância, entendo que, no estágio em que se encontram os autos, tal documentação não pode ser admitida nem conhecida, uma vez que consumada a preclusão do direito de apresentála, estabelecida no § 4º do art. 16 do Decreto nº 70.235, de 1972, ainda que destinada a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos, situação que vislumbro no caso em tela, conforme a seguir explicitado. Da preliminar de nulidade do Acórdão recorrido. Em preliminar, alegou a Recorrente a nulidade do Acórdão recorrido, sob o argumento de que ele havia alterado a motivação e a fundamentação do presente Despacho Decisório, pois, enquanto este apontara a insuficiência de crédito como sendo a causa da não homologação da compensação declarada, aquele indicara a não comprovação da origem do crédito compensado. Não procede argumento suscitado pela Recorrente, com a devida vênia. A uma, porque insuficiência e inexistência tem o mesmo efeito em relação à utilização do direito creditório na compensação, o que equivale, para fim de compensação, a ausência dos requisitos da certeza e liquidez do crédito informado. A duas, porque ambas as decisões apontaram a falta do suposto crédito como motivo para não homologação da compensação. Na verdade, em decorrência das novas razões de defesa alegadas na manifestação de inconformidade colacionada aos autos, verificase que a diferença entre uma e outra decisão está apenas nos argumentos utilizados para respaldar a conclusão de que o crédito compensado não existia. Com efeito, segundo o teor do vergastado Despacho Decisório, a compensação em tela não foi homologada porque a existência do valor do crédito informado não foi comprovada, pois, embora o pagamento referente à origem do crédito, informado na DComp, tivesse sido localizado na base de dados da Administração Tributária, o seu valor fora integralmente utilizado na quitação do débito da Cofins do respectivo período de apuração, confessado pela própria Recorrente na DCTF original. Logo, o real o motivo da não homologação da compensação foi a inexistência do crédito compensado. Por sua vez, na manifestação de inconformidade, que deu origem ao presente contencioso, alegou a Recorrente que o débito da Cofins informado na DCTF original estava errado e que o valor correto seria aquele declarado na DCTF retificadora, o que significa que a não comprovação do alegado pagamento a maior fora motivada por erro no preenchimento da DCTF original, retificada somente após a emissão e ciência do citado Despacho Decisório. Em face dessa alegação, o Acórdão recorrido manteve a não homologação da compensação em tela, desta feita, com base no argumento de que a Recorrente não havia comprovado, com documentação contábil e fiscal adequada, as razões de fato e de direito que ensejaram a retificação do valor do débito anteriormente declarado na DCTF original. Aliás, asseverou a Turma de Julgamento de primeiro grau que a simples apresentação da DCTF Fl. 202DF CARF MF Impresso em 14/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/01/2013 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 25 /01/2013 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 11/06/2013 por REGIS XAVIER HOLA NDA 6 retificadora, sem suporte em documento comprobatório do alegado erro de apuração do valor débito original, por si só, não tinha o condão de comprovar a existência do alegado indébito, mantendo inalterado o valor do débito anteriormente declarado na DCTF original. Em suma, o motivo da não homologação da compensação também foi a falta de comprovação da existência do crédito compensado. Ratifica o asseverado, o teor do enunciado da ementa do referido julgado, a seguir transcrito: COMPENSAÇÃO. HOMOLOGAÇÃO. CRÉDITO LÍQUIDO E CERTO. Para homologação da compensação declarada pelo sujeito passivo, deve ser demonstrada a liquidez e certeza de crédito de tributos administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil. No caso em tela, comparando o teor dos dois julgados, fica evidenciado que a diferença entre ambos está no argumento utilizado para não reconhecimento do direito creditório alegado, pois, enquanto o Despacho Decisório limitouse a comparar o valor do pagamento informado com o valor do débito declarado na DCTF original, o Acórdão recorrido foi além da análise meramente formal, uma vez que também analisou o alegado equívoco na apuração do valor débito retificado, porém, não acatou a retificação, porque não foi comprovada, por meio de documentação contábil e fiscal adequada, a origem do alegado erro de apuração do valor do debito retificado, consistente no montante das supostas receitas de vendas dos produtos relacionados nos Anexos I e II da Lei nº 10.485, de 3 de julho de 2002, submetidas a alíquota 0% (zero por cento) da Cofins, por força do regime de tributação monofásica, estabelecido nos arts. 1º e 3º1 do citado diploma legal. Assim, se a Turma de Julgamento a quo não admitiu a retificação do valor do débito original, obviamente, ficou mantido o valor do débito declarado na primeira DCTF e, portanto, mantido o mesmo motivo, para a não homologação da compensação, exposto no referido Despacho Decisório, a saber: o fato de o valor do pagamento, informado como origem do crédito, ter sido “integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados” na presente DComp. No caso em tela, teria havido alteração de motivação da decisão originária, caso a Turma de Julgamento de primeiro grau tivesse acatado a retificação do valor original do débito, porém, por motivo diverso da inexistência do crédito, tivesse mantido a decisão de não 1 "Art. 1º As pessoas jurídicas fabricantes e as importadoras dos produtos classificados nos códigos 84.29, 8432.40.00, 84.32.80.00, 8433.20, 8433.30.00, 8433.40.00, 8433.5, 87.01, 87.02, 87.03, 87.04, 87.05 e 87.06, da Tabela de Incidência do Imposto sobre Produtos Industrializados (TIPI), aprovada pelo Decreto no 4.070, de 28 de dezembro de 2001, relativamente à receita bruta decorrente da venda desses produtos, ficam sujeitas ao pagamento das contribuições para os Programas de Integração Social e de Formação do Patrimônio do Servidor Público (PIS/Pasep) e da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (Cofins) às alíquotas de 1,47% (um inteiro e quarenta e sete centésimos por cento) e 6,79% (seis inteiros e setenta e nove centésimos por cento), respectivamente. [...] Art. 3º Fica reduzida a 0% (zero por cento) a alíquota das contribuições para o PIS/Pasep e da Cofins relativamente à receita bruta da venda: I dos produtos relacionados nos Anexos I e II desta Lei; II dos produtos referidos no art. 1º, auferida por comerciantes atacadistas e varejistas, exceto as pessoas jurídicas a que se refere o art. 17, § 5º, da Medida Provisória nº 2.18949, de 23 de agosto de 2001. Parágrafo único. Fica o Poder Executivo autorizado, mediante decreto, a alterar a relação de produtos discriminados nesta Lei, em decorrência de modificações na codificação da TIPI. [...]" Fl. 203DF CARF MF Impresso em 14/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/01/2013 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 25 /01/2013 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 11/06/2013 por REGIS XAVIER HOLA NDA Processo nº 13839.901806/200871 Acórdão n.º 3802001.296 S3TE02 Fl. 13 7 homologação da compensação em apreço, como por exemplo, em decorrência do indébito não ser passível de restituição, por falta de previsão legal, o que, evidentemente, não ocorreu no caso em tela. Por fim, cabe ainda ressaltar que, no caso em tela, não tem qualquer relevância a alegação da Recorrente de que houve violação ao art. 146 do CTN, pois, como de sabença, o referido preceito legal aplicase aos casos de revisão do lançamento de ofício, situação que não ocorreu nos presentes autos. Por todas essas razões, rejeito a presente preliminar de nulidade, para manter incólume o Acórdão recorrido. Da análise do mérito. No mérito, o cerne da presente controvérsia gira em torno da comprovação da existência do valor do crédito utilizado pela Recorrente na quitação dos débitos confessados na DComp colacionada aos autos. Para Recorrente, contrariando o princípio da verdade material, a simples retificação do valor do débito, por meio da DCTF retificadora, acompanhada apenas da guia de recolhimento (Darf), era suficiente para comprovar a certeza e a liquidez do crédito alegado. Por outro lado, ao meu ver, em consonância com o princípio da verdade real, entenderam os integrantes da Turma de Julgamento de primeiro grau que a simples retificação da DCTF desacompanha da comprovação, por documentação contábil e fiscal adequada, do motivo do erro de apuração do débito retificado, não era suficiente para comprovar a certeza e liquidez do crédito informado na DComp em apreço. No meu entendimento, a razão está com a Turma de Julgamento, pois, se foi a própria Recorrente quem informou os dois valores distintos para um mesmo débito, não há como saber qual deles é o correto (se o valor do débito informado na DCTF original ou o declarado na DCTF retificadora), sem que haja a confirmação por uma outra fonte de informação idônea. Daí a necessidade da apresentação da adequada documentação, com vista a confirmação do alegado equívoco. A Recorrente ainda alegou que o débito informado na DCTF original estava errado e que o valor correto seria o informado na DCTF retificadora, porém, não trouxe aos autos os elementos probatórios necessários a comprovação do mencionado erro, limitandose a apresentar apenas as cópias da Guia de Recolhimento (Darf) e da DCTF retificadora. Tal alegação trata de questão defesa que este Colegiado já apreciou e, por unanimidade, tem manifestado o entendimento de que, a simples retificação da DCTF, desacompanhada de prova robusta do alegado equívoco, não tem o condão de comprovar a existência da certeza e liquidez do crédito compensado. Com efeito, não se pode olvidar que, em conformidade com o disposto no art. 7º do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, aplicável ao processo de compensação em apreço, a ciência do primeiro ato de oficio tem o condão de excluir a espontaneidade do sujeito passivo em relação aos atos anteriores. No caso em tela, após ciência do Despacho Decisório, a redução do valor débito, objeto da compensação não homologada, somente seria admitida se Fl. 204DF CARF MF Impresso em 14/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/01/2013 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 25 /01/2013 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 11/06/2013 por REGIS XAVIER HOLA NDA 8 demonstrada e comprovada, por meio de documentação adequada, a origem do erro na apuração do valor do débito retificado. Especificamente em relação à redução dos débitos tributários, em consonância com o referido preceito legal, é oportuno ressaltar que somente nas hipóteses em que caracterizada a espontaneidade a DCTF retificadora tem a mesma natureza da DCTF original, substituindoa integralmente. Por outro lado, afastada a espontaneidade, evidentemente, tal retificação não pode mais ser admitida com a simples retificação da dita Declaração. Corrobora o asseverado, o disposto nos §§ 1° e 2º do art. 9º da Instrução Normativa RFB nº 1.1102, de 24 de dezembro de 2010, que, com pequenas alterações, manteve a redação das Instruções Normativas anteriores, conforme o teor dos referidos dispositivos, a seguir transcritos: Art. 9º A alteração das informações prestadas em DCTF, nas hipóteses em que admitida, será efetuada mediante apresentação de DCTF retificadora, elaborada com observância das mesmas normas estabelecidas para a declaração retificada. § 1º A DCTF retificadora terá a mesma natureza da declaração originariamente apresentada e servirá para declarar novos débitos, aumentar ou reduzir os valores de débitos já informados ou efetivar qualquer alteração nos créditos vinculados. § 2º A retificação não produzirá efeitos quando tiver por objeto: I reduzir os débitos relativos a impostos e contribuições: a) cujos saldos a pagar já tenham sido enviados à Procuradoria Geral da Fazenda Nacional (PGFN) para inscrição em DAU, nos casos em que importe alteração desses saldos; b) cujos valores apurados em procedimentos de auditoria interna, relativos às informações indevidas ou não comprovadas prestadas na DCTF, sobre pagamento, parcelamento, compensação ou suspensão de exigibilidade, já tenham sido enviados à PGFN para inscrição em DAU;ou c) que tenham sido objeto de exame em procedimento de fiscalização. 2 Na data da apresentação da presente DCTF retificadora estava em vigência a Instrução Normativa RFB nº 786, de 19 de novembro de 2007, cujo art. 11 assim dispunha sobre o assunto: “Art. 11. A alteração das informações prestadas em DCTF será efetuada mediante apresentação de DCTF retificadora, elaborada com observância das mesmas normas estabelecidas para a declaração retificada. § 1º A DCTF retificadora terá a mesma natureza da declaração originariamente apresentada, substituindoa integralmente, e servirá para declarar novos débitos, aumentar ou reduzir os valores de débitos já informados ou efetivar qualquer alteração nos créditos vinculados. § 2º A retificação não produzirá efeitos quando tiver por objeto alterar os débitos relativos a impostos e contribuições: I cujos saldos a pagar já tenham sido enviados à ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional (PGFN) para inscrição em DAU, nos casos em que importe alteração desses saldos; II cujos valores apurados em procedimentos de auditoria interna, relativos às informações indevidas ou não comprovadas prestadas na DCTF, sobre pagamento, parcelamento, compensação ou suspensão de exigibilidade, já tenham sido enviados à PGFN para inscrição em DAU; ou III em relação aos quais a pessoa jurídica tenha sido intimada de início de procedimento fiscal. [...]”. Fl. 205DF CARF MF Impresso em 14/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/01/2013 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 25 /01/2013 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 11/06/2013 por REGIS XAVIER HOLA NDA Processo nº 13839.901806/200871 Acórdão n.º 3802001.296 S3TE02 Fl. 14 9 II alterar os débitos de impostos e contribuições em relação aos quais a pessoa jurídica tenha sido intimada de início de procedimento fiscal. § 3º A retificação de valores informados na DCTF, que resulte em alteração do montante do débito já enviado à PGFN para inscrição em DAU ou de débito que tenha sido objeto de exame em procedimento de fiscalização, somente poderá ser efetuada pela RFB nos casos em que houver prova inequívoca da ocorrência de erro de fato no preenchimento da declaração e enquanto não extinto o crédito tributário. (Redação dada pela Instrução Normativa RFB nº 1.177, de 25 de julho de 2011) [...]. (grifos não originais) Inequivocamente, o presente Despacho Decisório representa o ato administrativo final, resultante do procedimento de controle da legalidade da compensação declarada pela Recorrente, previsto nos §§ 2º e 5º do art. 74 da Lei nº 9.430, de 1996, com as alterações posteriores. Nesta hipótese, a redução do valor do débito somente será admitida se existir prova inequívoca da ocorrência de erro de fato cometido no preenchimento da DCTF retificada. Além disso, por ter efeito direto sobre desfecho do julgamento da presente controvérsia, inaugurada com a citada manifestação de inconformidade, obviamente, a comprovação da origem da redução do valor do débito retificado deve ser tratado como um questão de defesa. Dessa forma, para que seja aceita tal retificação, ela deve atender, necessariamente, todos os requisitos previsto na legislação que rege contraditório na esfera do processo administrativo fiscal, dentre os quais merece destaque a comprovação, com documentação adequada, do equívoco cometido, especialmente, quando o erro informado não se encontra apenas no preenchimento da DCTF, mas na própria apuração do valor débito em questão. Neste último caso, admitir a simples retificação da DCTF como suficiente para comprovar a existência do crédito glosado, resultaria sem efeito a atividade de controle da regularidade da compensação declarada prevista no § 5º do art. 74 da Lei nº 9.430, de 1996, com as alterações posteriores, uma vez que o Despacho Decisório, regularmente prolatado, tornarseia juridicamente inexistente, sem que fosse pronunciada a sua inexistência ou nulidade, afrontando regras basilares que regem o processo administrativo fiscal. Nos presentes autos, para justificar a origem da redução do valor original do débito, a Recorrente alegou que a quantia paga a maior era proveniente da indevida tributação das receitas das vendas dos produtos sujeitas ao regime monofásico, contudo, nas duas oportunidades que compareceu aos autos, não apresentou qualquer documento que confirmasse tal alegação. Assim, em sintonia com o entendimento aqui esposado, como o erro apontado pela Recorrente referese a erro de apuração do valor do débito, logo, por força do disposto no art. 16 do Decreto nº 70.235, de 1972 (PAF), era ônus da Interessada trazer aos autos os documentos hábeis e idôneos que comprovassem o montante da receita submetida ao referido regime de tributação monofásico. Para esse fim, a simples apresentação das cópias autenticadas dos livros contábeis (Diário e Razão) e fiscais (Apuração do IPI e ICMS), corroborados pelas respectivas notas fiscais de venda, ao meu ver, eram suficientes para tal Fl. 206DF CARF MF Impresso em 14/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/01/2013 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 25 /01/2013 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 11/06/2013 por REGIS XAVIER HOLA NDA 10 comprovação. No entanto, nem sequer o demonstrativo de apuração da referida Contribuição, instituído pela legislação tributária, foi apresentado pela Recorrente. Da mesma forma, também evidencia a insuficiência da instrução probatória da incumbência da Recorrente, o fato de ela não ter relacionado sequer os produtos que se encontravam submetidos a mencionada incidência monofásica. Não é demais lembrar que, em relação ao fato constitutivo do direito pleiteado, o ônus da prova incumbe sempre a quem o alega, segundo, expressamente, dispõe inciso I do art. 3333 do CPC, que se aplica subsidiariamente ao processo administrativo fiscal. Nesse sentindo, é oportuno ressaltar que, por força do disposto no art. 170 do CTN, combinado o disposto no caput do art. 74 da Lei nº 9.430, de 1996, com as alterações posteriores, a homologação da compensação depende da comprovação, na data da realização da compensação, da certeza e liquidez do crédito passível de restituição ou ressarcimento. Entretanto, no caso em tela, nenhum dos referidos requisitos foi comprovado, o que confirma a falta de comprovação da existência do crédito utilizado no presente procedimento compensatório. Por fim, alegou a Recorrente que o princípio da verdade material deve se sobrepor a qualquer equívoco presente nas obrigações acessórias, não podendo meros erros de preenchimento de declaração tolher o seu direito a restituição ou compensação da quantia indevidamente paga. Discordo. No âmbito do processo administrativo fiscal, em conformidade com o princípio da estrila legalidade, o princípio da verdade material atribui primazia a busca pela verdade substancial em detrimento da verdade formal, porém, isto não significa dizer que a autoridade julgadora tenha de assumir ônus probatório das partes interessadas, seja da Fiscalização ou do sujeito passivo. Na verdade, a orientação determinada pelo referido princípio é no sentido de que a autoridade julgadora não deve contentarse apenas com os aspectos formais da controvérsia. Entretanto, no que tange ao dever de provar as suas alegações, tal princípio não ampara a omissão deliberada ou injustificada da parte interessada, incluindo, obviamente, o sujeito passivo, conforme expressamente determinado no § 4º4 do art. 16 do PAF, aplicável ao processo de compensação, por força do disposto no art. 74, § 115, da Lei nº 9.430, de 1996, que, em face da preclusão, veda o conhecimento da prova documental apresentada após a fase 3 "Art. 333. O ônus da prova incumbe: I ao autor, quanto ao fato constitutivo do seu direito; II ao réu, quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor". 4 "Art. 16. [...] § 4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior;(Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) b) refirase a fato ou a direito superveniente;(Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos".(Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997). 5 "Art. 74. Omissis. (...) § 11. A manifestação de inconformidade e o recurso de que tratam os §§ 9o e 10 obedecerão ao rito processual do Decreto no 70.235, de 6 de março de 1972, e enquadramse no disposto no inciso III do art. 151 da Lei no 5.172, de 25 de outubro de 1966 Código Tributário Nacional, relativamente ao débito objeto da compensação. " Fl. 207DF CARF MF Impresso em 14/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/01/2013 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 25 /01/2013 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 11/06/2013 por REGIS XAVIER HOLA NDA Processo nº 13839.901806/200871 Acórdão n.º 3802001.296 S3TE02 Fl. 15 11 impugnatório ou de manifestação de inconformidade, caso não atendidas as ressalvas previstas nas alíneas do referido parágrafo. No presente caso, ao pretender atribuir a simples retificação da DCTF a condição de prova suficiente do indébito informado, contraditoriamente, a Recorrente está agindo em dissonância com a orientação expressa no princípio em comento. Além disso, em consonância com o disposto nos arts. 15 e 18 do PAF, o encargo da instrução probatória é sempre da incumbência da parte que alega o fato probando, não podendo tal atividade ser transferida para a autoridade julgadora, sob pena de desvirtuamento das regras que rege o processo administrativo fiscal. Em consequência desse regramento legal, somente quando a instrução probatório se revelar imprescindível e necessária à formação do convencimento da autoridade julgadora é que ela poderá determinar a sua produção ou complementação, de ofício ou a requerimento da parte interessada. Não se pode também olvidar que, na condição de titular do crédito compensado, o ônus de provar a certeza e liquidez do alegado crédito, na data da compensação, era da Recorrente, conforme expressamente exige o art. 170 do CTN, combinado com o disposto no § 1º do art. 74 da Lei nº 9.430, de 1996. No caso em tela, não foi comprovado o alegado erro de preenchimento da DCTF original, portanto, não há que se falar na alegada afronta ao princípio da verdade real. Por fim, é oportuno ressaltar que o entendimento aqui esposado não significa privilegiar o aspecto formal em detrimento da verdade material, mas em deixar expresso que a aceitação da redução do valor do débito confessado na DCTF original, especialmente, após a ciência do despacho decisório, somente pode ser acatada se respaldada em provas documentais robustas do alegado equívoco. Por essas razões, rejeito as alegações da Recorrente, para manter a não homologação da compensação em tela, por falta do crédito informado na presente DComp. Do pedido de realização de diligência. No presente Recurso, a Recorrente ainda pleiteou a realização de diligência, para fim de obtenção da documentação complementar, com a finalidade de comprovar, em relação aos anos calendários de 2002 a 2004, que: a) a Recorrente recolheu valores a título de Contribuição para o PIS/Pasep e Cofins em montante superior ao devido, em virtude da desconsideração do regime monofásico e redução das alíquotas das aludidas Contribuições a 0% (zero por cento); e b) as declarações e retificações apresentadas pela Recorrente eram suficientes para comprovar a existência do saldo credor, bem como para efetuar as compensações realizadas. Em consonância com o princípio verdade material, determina o art. 18 do PAF que a autoridade julgadora somente determinará a realização de diligência, de ofício ou a requerimento do interessado, quando entendêla necessária. Fl. 208DF CARF MF Impresso em 14/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/01/2013 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 25 /01/2013 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 11/06/2013 por REGIS XAVIER HOLA NDA 12 No presente caso, a realização da diligência requerida, para fim de juntada de provas complementares, revelase totalmente desnecessária, pois, como visto, no presente caso, tratase de documentos da escrituração contábil e fiscal da própria Recorrente que, se existentes, poderiam ter sido facilmente por ela carreadas aos autos nas duas oportunidades em que nele se manifestou, especialmente, na presente fase recursal, quando ela já tinha pleno conhecimento de que tais documentos eram imprescindíveis para comprovação do alegado equívoco. Com base nessas considerações, reputo desnecessária a realização da diligência pleiteada. Em consequência, com respaldo no art. 18 do PAF, sou pelo seu indeferimento. Da conclusão. Por todo o exposto, NEGO PROVIMENTO ao presente Recurso, para manter na íntegra o Acórdão recorrido. (assinado digitalmente) José Fernandes do Nascimento Fl. 209DF CARF MF Impresso em 14/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/01/2013 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 25 /01/2013 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 11/06/2013 por REGIS XAVIER HOLA NDA
score : 1.0
Numero do processo: 13706.001251/2006-18
Turma: Segunda Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jun 18 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Fri Jul 05 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2003
Poderá ser deduzido o valor das despesas com ação judicial necessárias ao recebimento dos rendimentos, inclusive com advogados, se tiverem sido pagas pelo contribuinte, sem indenização.
Recurso voluntário provido.
Numero da decisão: 2802-002.364
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos DAR PROVIMENTO ao recurso voluntário para excluir da base tributável o valor de R$ 3.242,66 (três mil, duzentos e quarenta e dois reais e sessenta e seis centavos), nos termos do voto do relator.
(assinado digitalmente)
Jorge Claudio Duarte Cardoso Presidente.
(assinado digitalmente)
Jaci de Assis Junior - Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Jorge Claudio Duarte Cardoso (Presidente), Jaci de Assis Junior, German Alejandro San Martín Fernández, Dayse Fernandes Leite e Carlos André Ribas de Mello.
Nome do relator: JACI DE ASSIS JUNIOR
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201306
ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2003 Poderá ser deduzido o valor das despesas com ação judicial necessárias ao recebimento dos rendimentos, inclusive com advogados, se tiverem sido pagas pelo contribuinte, sem indenização. Recurso voluntário provido.
turma_s : Segunda Turma Especial da Segunda Seção
dt_publicacao_tdt : Fri Jul 05 00:00:00 UTC 2013
numero_processo_s : 13706.001251/2006-18
anomes_publicacao_s : 201307
conteudo_id_s : 5267171
dt_registro_atualizacao_tdt : Mon Jul 15 00:00:00 UTC 2013
numero_decisao_s : 2802-002.364
nome_arquivo_s : Decisao_13706001251200618.PDF
ano_publicacao_s : 2013
nome_relator_s : JACI DE ASSIS JUNIOR
nome_arquivo_pdf_s : 13706001251200618_5267171.pdf
secao_s : Segunda Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos DAR PROVIMENTO ao recurso voluntário para excluir da base tributável o valor de R$ 3.242,66 (três mil, duzentos e quarenta e dois reais e sessenta e seis centavos), nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Jorge Claudio Duarte Cardoso Presidente. (assinado digitalmente) Jaci de Assis Junior - Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Jorge Claudio Duarte Cardoso (Presidente), Jaci de Assis Junior, German Alejandro San Martín Fernández, Dayse Fernandes Leite e Carlos André Ribas de Mello.
dt_sessao_tdt : Tue Jun 18 00:00:00 UTC 2013
id : 4957015
ano_sessao_s : 2013
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:11:27 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713045983855640576
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 3; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1957; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2TE02 Fl. 100 1 99 S2TE02 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 13706.001251/200618 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2802002.364 – 2ª Turma Especial Sessão de 18 de junho de 2013 Matéria IRPF Recorrente ERNANI LUIZ LACERDA DA FONSECA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2003 Poderá ser deduzido o valor das despesas com ação judicial necessárias ao recebimento dos rendimentos, inclusive com advogados, se tiverem sido pagas pelo contribuinte, sem indenização. Recurso voluntário provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos DAR PROVIMENTO ao recurso voluntário para excluir da base tributável o valor de R$ 3.242,66 (três mil, duzentos e quarenta e dois reais e sessenta e seis centavos), nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Jorge Claudio Duarte Cardoso – Presidente. (assinado digitalmente) Jaci de Assis Junior Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Jorge Claudio Duarte Cardoso (Presidente), Jaci de Assis Junior, German Alejandro San Martín Fernández, Dayse Fernandes Leite e Carlos André Ribas de Mello. Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto contra a o Acórdão nº 1330.733, proferido pela Delegacia da Receita Federal de Julgamento no Rio de Janeiro (RJ), fls. 69 a 72, que julgou procedente em parte a impugnação contra o Auto de Infração, fls. 12 a 16, lavrado AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 70 6. 00 12 51 /2 00 6- 18 Fl. 100DF CARF MF Impresso em 12/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/06/2013 por JACI DE ASSIS JUNIOR, Assinado digitalmente em 24/06/2013 por JACI DE ASSIS JUNIOR, Assinado digitalmente em 04/07/2013 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO 2 para exigência de Imposto de Renda Pessoa Física, relativo ao exercício de 2003, ano calendário de 2002, em virtude da constatação das seguintes infrações: 1) Omissão de Rendimentos Recebidos de Pessoa Jurídica ou Física, decorrentes do trabalho com vínculo empregatício; 2) Contribuição à Previdência Privada e Fapi: foi alterado o valor declarado na proporção da alteração do valor atribuído aos rendimentos tributáveis, e; 3) Dedução Indevida de Imposto de Renda Retido na Fonte IRRF, de acordo com o informado pela fonte pagadora CAPAF. Segundo se depreende do voto que conduziu o acórdão recorrido, após exame dos documentos juntados aos autos, concluiuse pela manutenção das deduções pleiteadas a título de deduções com dependentes e com despesas com instrução, uma vez que constatou não terem sido tais matérias abordadas na "Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal". Quanto à matéria tributada a título de omissão de rendimentos, entendeu o acórdão de primeira instância pelo acolhimento parcial das alegações apresentadas, para manter a tributação do valor de R$ 3.242,66, em face da não comprovação da participação dos seguintes patronos da ação trabalhista: Paixão Cortês, Madeira e Advogados Associados S/C (R$ 1.080,89 fl. 24); Augusto Haddock Lobo (R$ 1.188,97 fl. 25), Juarez Soares Orban (R$ 648,53 fl. 26), Bruno Vieira Basílio da Motta (R$ 324,26 fl. 27). No que diz respeito à dedução da contribuição à previdência privada e FAPI concedida pelo lançamento para fins de adequação ao limite de 12% previsto no art. 74, § 2º, do RIR/1999, a decisão de primeira instância entendeu por sua redução para R$ 7.136,27. Por sua vez, quanto ao lançamento a título de dedução indevida IRRF, mantevese integralmente a glosa do valor de R$ 235,30, tendo em vista que este se refere à retenção incidente sobre o 13° salário, como se observa especificamente do contracheque anexado à fl. 45 c/c extrato da DIRF juntado à fl. 68. Cientificado em 24/05/2011, fls. 83 (digital), o contribuinte ingressou recurso voluntário em 24/06/2011, primeiro dia útil seguinte ao feriado de Corpus Christis, fls. 75 a 79 (85 a 89, digital), apresentado as seguintes alegações, em resumo: anexa correspondência firmada pelo advogado Dr. Mauro Carvalho Nogueira, OAB/RJ 99.441 destacando os valores percebidos e as circunstâncias que cercaram tais honorários; Anexa, ainda, a recolhimento espontâneo realizado da parcela que se encontra conformado o Recorrente; requer que sejam consideras as postulações apresentadas e determine a realização de perícia ou ainda, se entender desnecessária, que determine o cancelamento da exigência, com reforma total da parcela questionada no Auto de Infração; protesta pela produção de provas a qualquer tempo e para que tenha ciência da data, horário e local da apreciação de sua peça de defesa para que possa oferecer defesa oral e apresentar memorial, para fiel cumprimento do determinado na Constituição Federal, art. 5º, inciso LV. É o relatório. Voto Fl. 101DF CARF MF Impresso em 12/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/06/2013 por JACI DE ASSIS JUNIOR, Assinado digitalmente em 24/06/2013 por JACI DE ASSIS JUNIOR, Assinado digitalmente em 04/07/2013 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO Processo nº 13706.001251/200618 Acórdão n.º 2802002.364 S2TE02 Fl. 101 3 Conselheiro Jaci de Assis Junior, Relator O recurso foi tempestivamente apresentado e preenche os requisitos de admissibilidade previstos no Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972. A recorrente contesta tão somente o lançamento referente à omissão de rendimentos, alegando que o valor de R$ 3.242,66, remanescente após decisão de primeira instância, se refere aos honorários advocatícios deduzidos da parcela recebida em face de ação trabalhista. De acordo com o voto condutor do acórdão recorrido, não obstante a juntada dos recibos de fls. 24 a 27, não restou comprovada a atuação dos advogados e escritórios no correspondente processo trabalhista. Entendeu a autoridade julgadora que: “No caso, deveriam ter sido juntados os correspondentes Contratos de prestação dos serviços celebrados entre o contribuinte e os demais advogados, admitindose documentos extraídos por cópia do processo judicial, identificando a participação de tais profissional na lide.conforme Alvará Judicial apresentado junto com a impugnação, fls. 23, e recibos assinados pelos advogados, juntados às fls. 24 a 28.” Em face dessa decisão, o contribuinte juntou às fls. 82 (92, digital) declaração firmada pelo advogado citado no Alvará Judicial de fls. 23 (29, digital), mediante a qual esclarece não só o valor que serviu de base para cálculo dos honorários advocatícios, como também identifica e relaciona os advogados que compõem os três escritórios advocatícios contratados, bem como respectivos valores recebidos por cada um. Atendida, pois, a condição estabelecida no parágrafo único do art. 56 do RIR/1999, que autoriza a dedução do valor dos honorários advocatícios pagos pelo contribuinte, necessários ao recebimento dos rendimentos questionados em ação trabalhista, há que ser excluída a tributação nessa parte. Voto por dar provimento ao recurso voluntário, para excluir da base tributável o valor de R$ 3.242,66 (três mil, duzentos e quarenta e dois reais e sessenta e seis centavos). (assinado digitalmente) Jaci de Assis Junior Fl. 102DF CARF MF Impresso em 12/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/06/2013 por JACI DE ASSIS JUNIOR, Assinado digitalmente em 24/06/2013 por JACI DE ASSIS JUNIOR, Assinado digitalmente em 04/07/2013 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO
score : 1.0
Numero do processo: 16641.000179/2010-70
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jan 23 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Mon Jun 17 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2006 a 31/12/2007
INEXISTÊNCIA DE NULIDADE.
É incabível a alegação de nulidade do auto de infração quando o mesmo está em total acordo com o requisitos para sua validade, quais sejam, a identificação do valor do débito consolidado, das bases de cálculo consideradas, dos critérios utilizados para calcular o montante do tributo devido, do período cobrado, e da origem dos valores considerados devidos pela autoridade lançadora.
Desnecessária a indicação expressa do índice de correção monetária utilizado, se o auto de infração aponta o dispositivo legal que o fundamenta.
MULTA MORATÓRIA. PENALIDADE MAIS BENÉFICA.
O não pagamento de contribuição previdenciária constituía, antes do advento da Lei nº 11.941/2009, descumprimento de obrigação tributária punida com a multa de mora do art. 35 da Lei nº 8.212/1991.
Revogado o referido dispositivo e introduzida nova disciplina pela Lei 11.941/2009, devem ser comparadas as penalidades anteriormente prevista com a da novel legislação (art. 35 da Lei nº 8.212/1991 c/c o art. 61 da Lei nº 9.430/1996), de modo que esta seja aplicada retroativamente, caso seja mais benéfica ao contribuinte (art. 106, II, c do CTN).
Não há que se falar na aplicação do art. 35-A da Lei nº 8.212/1991 combinado com o art. 44, I da Lei nº 9.430/1996, já que estes disciplinam a multa de ofício, penalidade inexistente na sistemática anterior à edição da MP 449/2008, somente sendo possível a comparação com multas de mesma natureza.
APLICAÇÃO DA MULTA DE 75% COMO MULTA MAIS BENÉFICA ATÉ 11/2008. AJUSTE QUE DEVE CONSIDERAR A MULTA DE MORA E MULTA POR INFRAÇÕES RELACIONADAS À GFIP.
Em relação aos fatos geradores até 11/2008, nas competências nas quais a fiscalização aplicou a penalidade de 75% prevista no art. 44 da Lei 9.430/96 por concluir se tratar da multa mais benéfica quando comparada aplicação conjunta da multa de mora e da multa por infrações relacionadas a GFIP, deve ser mantida a penalidade equivalente à soma de: multa de mora limitada a 20% e multa mais benéfica quando comparada a multa do art. 32 com a multa do art. 32-A da Lei 8.212/91.
Numero da decisão: 2301-003.262
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros da 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO, I) Por maioria de votos: a) em dar provimento parcial ao recurso, para retificar a multa, nos termos do voto do Relator. Vencidos os Conselheiros Bernadete de Oliveira Barros e Marcelo Oliveira, que votaram em manter a multa aplicada; II) Por unanimidade de votos: a) em dar provimento parcial ao Recurso, no mérito, para, nas competências que a fiscalização aplicou somente a penalidade prevista na redação, vigente até 11/2008, do Art. 35 da Lei 8.212/1999, esta deve ser mantida, mas limitada ao determinado no Art. 61, da Lei nº 9.430/1996, se mais benéfica à Recorrente, nos termos do voto do(a) Relator(a); b) em negar provimento ao Recurso nas demais alegações da Recorrente, nos termos do voto do(a) Relator(a); III) Por voto de qualidade: a) em dar provimento parcial ao recurso para, até 11/2008, nas competências que a fiscalização aplicou a penalidade de 75% (setenta e cinco pro cento), prevista no art. 44, da Lei 9.430/96, por concluir se tratar da multa mais benéfica quando comparada aplicação conjunta da multa de mora e da multa por infrações relacionadas à GFIP - deve ser mantida a penalidade equivalente à soma de: *) multa de mora limitada a 20%; e *) multa mais benéfica quando comparada a multa do art. 32 com a multa do art. 32-A da Lei 8.212/91, nos termos do voto do Redator. Vencidos os Conselheiros Leonardo Henrique Pires Lopes, Wilson Antonio de Souza Correa e Adriano Gonzáles Silvério, que votaram em dar provimento parcial ao Recurso, para que seja aplicada a multa prevista no Art. 61, da Lei nº 9.430/1996, se mais benéfica à Recorrente; b) em negar provimento ao recurso na questão da subrogação da produção rural, nos termos do voto do Redator. Vencidos os Conselheiros Leonardo Henrique Pires Lopes e Adriano Gonzáles Silvério, que votaram em dar provimento ao recurso nesta questão. Redator: Mauro José Silva.
Marcelo Oliveira - Presidente
Leonardo Henrique Pires Lopes - Relator
Mauro José Silva Redator Designado
Presentes à sessão de julgamento os Conselheiros MARCELO OLIVEIRA (Presidente), MAURO JOSE SILVA, ADRIANO GONZALES SILVERIO, WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA, BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS e LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES.
Nome do relator: LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201301
camara_s : Terceira Câmara
ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2006 a 31/12/2007 INEXISTÊNCIA DE NULIDADE. É incabível a alegação de nulidade do auto de infração quando o mesmo está em total acordo com o requisitos para sua validade, quais sejam, a identificação do valor do débito consolidado, das bases de cálculo consideradas, dos critérios utilizados para calcular o montante do tributo devido, do período cobrado, e da origem dos valores considerados devidos pela autoridade lançadora. Desnecessária a indicação expressa do índice de correção monetária utilizado, se o auto de infração aponta o dispositivo legal que o fundamenta. MULTA MORATÓRIA. PENALIDADE MAIS BENÉFICA. O não pagamento de contribuição previdenciária constituía, antes do advento da Lei nº 11.941/2009, descumprimento de obrigação tributária punida com a multa de mora do art. 35 da Lei nº 8.212/1991. Revogado o referido dispositivo e introduzida nova disciplina pela Lei 11.941/2009, devem ser comparadas as penalidades anteriormente prevista com a da novel legislação (art. 35 da Lei nº 8.212/1991 c/c o art. 61 da Lei nº 9.430/1996), de modo que esta seja aplicada retroativamente, caso seja mais benéfica ao contribuinte (art. 106, II, c do CTN). Não há que se falar na aplicação do art. 35-A da Lei nº 8.212/1991 combinado com o art. 44, I da Lei nº 9.430/1996, já que estes disciplinam a multa de ofício, penalidade inexistente na sistemática anterior à edição da MP 449/2008, somente sendo possível a comparação com multas de mesma natureza. APLICAÇÃO DA MULTA DE 75% COMO MULTA MAIS BENÉFICA ATÉ 11/2008. AJUSTE QUE DEVE CONSIDERAR A MULTA DE MORA E MULTA POR INFRAÇÕES RELACIONADAS À GFIP. Em relação aos fatos geradores até 11/2008, nas competências nas quais a fiscalização aplicou a penalidade de 75% prevista no art. 44 da Lei 9.430/96 por concluir se tratar da multa mais benéfica quando comparada aplicação conjunta da multa de mora e da multa por infrações relacionadas a GFIP, deve ser mantida a penalidade equivalente à soma de: multa de mora limitada a 20% e multa mais benéfica quando comparada a multa do art. 32 com a multa do art. 32-A da Lei 8.212/91.
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
dt_publicacao_tdt : Mon Jun 17 00:00:00 UTC 2013
numero_processo_s : 16641.000179/2010-70
anomes_publicacao_s : 201306
conteudo_id_s : 5259453
dt_registro_atualizacao_tdt : Mon Jun 17 00:00:00 UTC 2013
numero_decisao_s : 2301-003.262
nome_arquivo_s : Decisao_16641000179201070.PDF
ano_publicacao_s : 2013
nome_relator_s : LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES
nome_arquivo_pdf_s : 16641000179201070_5259453.pdf
secao_s : Segunda Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO, I) Por maioria de votos: a) em dar provimento parcial ao recurso, para retificar a multa, nos termos do voto do Relator. Vencidos os Conselheiros Bernadete de Oliveira Barros e Marcelo Oliveira, que votaram em manter a multa aplicada; II) Por unanimidade de votos: a) em dar provimento parcial ao Recurso, no mérito, para, nas competências que a fiscalização aplicou somente a penalidade prevista na redação, vigente até 11/2008, do Art. 35 da Lei 8.212/1999, esta deve ser mantida, mas limitada ao determinado no Art. 61, da Lei nº 9.430/1996, se mais benéfica à Recorrente, nos termos do voto do(a) Relator(a); b) em negar provimento ao Recurso nas demais alegações da Recorrente, nos termos do voto do(a) Relator(a); III) Por voto de qualidade: a) em dar provimento parcial ao recurso para, até 11/2008, nas competências que a fiscalização aplicou a penalidade de 75% (setenta e cinco pro cento), prevista no art. 44, da Lei 9.430/96, por concluir se tratar da multa mais benéfica quando comparada aplicação conjunta da multa de mora e da multa por infrações relacionadas à GFIP - deve ser mantida a penalidade equivalente à soma de: *) multa de mora limitada a 20%; e *) multa mais benéfica quando comparada a multa do art. 32 com a multa do art. 32-A da Lei 8.212/91, nos termos do voto do Redator. Vencidos os Conselheiros Leonardo Henrique Pires Lopes, Wilson Antonio de Souza Correa e Adriano Gonzáles Silvério, que votaram em dar provimento parcial ao Recurso, para que seja aplicada a multa prevista no Art. 61, da Lei nº 9.430/1996, se mais benéfica à Recorrente; b) em negar provimento ao recurso na questão da subrogação da produção rural, nos termos do voto do Redator. Vencidos os Conselheiros Leonardo Henrique Pires Lopes e Adriano Gonzáles Silvério, que votaram em dar provimento ao recurso nesta questão. Redator: Mauro José Silva. Marcelo Oliveira - Presidente Leonardo Henrique Pires Lopes - Relator Mauro José Silva Redator Designado Presentes à sessão de julgamento os Conselheiros MARCELO OLIVEIRA (Presidente), MAURO JOSE SILVA, ADRIANO GONZALES SILVERIO, WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA, BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS e LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES.
dt_sessao_tdt : Wed Jan 23 00:00:00 UTC 2013
id : 4910029
ano_sessao_s : 2013
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:10:31 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713045983893389312
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 21; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2767; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C3T1 Fl. 2 1 1 S2C3T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 16641.000179/201070 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2301003.262 – 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 23 de janeiro de 2013 Matéria Aquisição de produção rural. Pessoa física. Recorrente FRIGORIFICO DO SALSO LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2006 a 31/12/2007 INEXISTÊNCIA DE NULIDADE. É incabível a alegação de nulidade do auto de infração quando o mesmo está em total acordo com o requisitos para sua validade, quais sejam, a identificação do valor do débito consolidado, das bases de cálculo consideradas, dos critérios utilizados para calcular o montante do tributo devido, do período cobrado, e da origem dos valores considerados devidos pela autoridade lançadora. Desnecessária a indicação expressa do índice de correção monetária utilizado, se o auto de infração aponta o dispositivo legal que o fundamenta. MULTA MORATÓRIA. PENALIDADE MAIS BENÉFICA. O não pagamento de contribuição previdenciária constituía, antes do advento da Lei nº 11.941/2009, descumprimento de obrigação tributária punida com a multa de mora do art. 35 da Lei nº 8.212/1991. Revogado o referido dispositivo e introduzida nova disciplina pela Lei 11.941/2009, devem ser comparadas as penalidades anteriormente prevista com a da novel legislação (art. 35 da Lei nº 8.212/1991 c/c o art. 61 da Lei nº 9.430/1996), de modo que esta seja aplicada retroativamente, caso seja mais benéfica ao contribuinte (art. 106, II, “c” do CTN). Não há que se falar na aplicação do art. 35A da Lei nº 8.212/1991 combinado com o art. 44, I da Lei nº 9.430/1996, já que estes disciplinam a multa de ofício, penalidade inexistente na sistemática anterior à edição da MP 449/2008, somente sendo possível a comparação com multas de mesma natureza. APLICAÇÃO DA MULTA DE 75% COMO MULTA MAIS BENÉFICA ATÉ 11/2008. AJUSTE QUE DEVE CONSIDERAR A MULTA DE MORA E MULTA POR INFRAÇÕES RELACIONADAS À GFIP. Em relação aos fatos geradores até 11/2008, nas competências nas quais a fiscalização aplicou a penalidade de 75% prevista no art. 44 da Lei 9.430/96 por concluir se tratar da multa mais benéfica quando comparada aplicação AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 64 1. 00 01 79 /2 01 0- 70 Fl. 129DF CARF MF Impresso em 17/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/03/2013 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 20/05/2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 28/03/2013 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente e m 06/05/2013 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES Processo nº 16641.000179/201070 Acórdão n.º 2301003.262 S2C3T1 Fl. 3 2 conjunta da multa de mora e da multa por infrações relacionadas a GFIP, deve ser mantida a penalidade equivalente à soma de: multa de mora limitada a 20% e multa mais benéfica quando comparada a multa do art. 32 com a multa do art. 32A da Lei 8.212/91. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da SEGUNDA SSEEÇÇÃÃOO DDEE JJUULLGGAAMMEENNTTOO, I) Por maioria de votos: a) em dar provimento parcial ao recurso, para retificar a multa, nos termos do voto do Relator. Vencidos os Conselheiros Bernadete de Oliveira Barros e Marcelo Oliveira, que votaram em manter a multa aplicada; II) Por unanimidade de votos: a) em dar provimento parcial ao Recurso, no mérito, para, nas competências que a fiscalização aplicou somente a penalidade prevista na redação, vigente até 11/2008, do Art. 35 da Lei 8.212/1999, esta deve ser mantida, mas limitada ao determinado no Art. 61, da Lei nº 9.430/1996, se mais benéfica à Recorrente, nos termos do voto do(a) Relator(a); b) em negar provimento ao Recurso nas demais alegações da Recorrente, nos termos do voto do(a) Relator(a); III) Por voto de qualidade: a) em dar provimento parcial ao recurso para, até 11/2008, nas competências que a fiscalização aplicou a penalidade de 75% (setenta e cinco pro cento), prevista no art. 44, da Lei 9.430/96, por concluir se tratar da multa mais benéfica quando comparada aplicação conjunta da multa de mora e da multa por infrações relacionadas à GFIP deve ser mantida a penalidade equivalente à soma de: *) multa de mora limitada a 20%; e *) multa mais benéfica quando comparada a multa do art. 32 com a multa do art. 32A da Lei 8.212/91, nos termos do voto do Redator. Vencidos os Conselheiros Leonardo Henrique Pires Lopes, Wilson Antonio de Souza Correa e Adriano Gonzáles Silvério, que votaram em dar provimento parcial ao Recurso, para que seja aplicada a multa prevista no Art. 61, da Lei nº 9.430/1996, se mais benéfica à Recorrente; b) em negar provimento ao recurso na questão da subrogação da produção rural, nos termos do voto do Redator. Vencidos os Conselheiros Leonardo Henrique Pires Lopes e Adriano Gonzáles Silvério, que votaram em dar provimento ao recurso nesta questão. Redator: Mauro José Silva. Marcelo Oliveira Presidente Leonardo Henrique Pires Lopes Relator Mauro José Silva – Redator Designado Presentes à sessão de julgamento os Conselheiros MARCELO OLIVEIRA (Presidente), MAURO JOSE SILVA, ADRIANO GONZALES SILVERIO, WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA, BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS e LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES. Fl. 130DF CARF MF Impresso em 17/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/03/2013 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 20/05/2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 28/03/2013 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente e m 06/05/2013 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES Processo nº 16641.000179/201070 Acórdão n.º 2301003.262 S2C3T1 Fl. 4 3 Relatório Trata se de Auto de Infração lavrado em face de FRIGORIFICO DO SALSO LTDA, do qual teve ciência em 01/12/2010, por ter esta deixado de recolher, por sub rogação, contribuições previdenciárias incidentes sobre a aquisição de produtor rural pessoa física, incluída a contribuição para o financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho – RAT, quanto ao período de 01/2006 a 12/2007, conforme se infere do Relatório Fiscal. Ainda segundo o Relatório Fiscal, o contribuinte informava suas Guias de Recolhimento de Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social – GFIP como empresa optante do SIMPLES Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e Empresas de Pequeno Porte, contudo, não perfazia os requisitos necessários para seu enquadramento. Em virtude de tal conduta, foi lançado contra a empresa o valor de R$ 3.929,00 (três mil novecentos e vinte e nove reais). O contribuinte apresentou impugnação tempestiva em 30/12/2010. Entretanto, foi mantida a autuação pelo acórdão proferido pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Porto Alegre (RS), cuja ementa assim dispôs: ASSUNTO: OUTROS TRIBUTOS OU CONTRIBUIÇÕES Período de apuração: 01/01/06 a 31/12/07 Auto de Infração AI 37.281.0942 CONSTITUCIONALIDADE E LEGALIDADE. A constitucionalidade e a legalidade das leis são vinculadas para a Administração Pública. NULIDADE. Não há que se falar em nulidade do auto de infração quando identificados o valor do débito consolidado, as bases de cálculo consideradas, os critérios utilizados para calcular o montante do tributo devido, o período cobrado, e a origem dos valores considerados devidos pela autoridade lançadora. PROVA TESTEMUNHAL. Inexiste, na primeira instância administrativa, previsão legal para oitiva de testemunhas. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Irresignada, interpôs Recurso Voluntário, sob exame, cujas razões podem ser resumidas às seguintes: 1) pretexta a nulidade do auto de infração, haja vista a ausência de qualquer embasamento legal para a cobrança de débitos que são seu objeto, bem como no que pertine à sua origem; Fl. 131DF CARF MF Impresso em 17/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/03/2013 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 20/05/2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 28/03/2013 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente e m 06/05/2013 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES Processo nº 16641.000179/201070 Acórdão n.º 2301003.262 S2C3T1 Fl. 5 4 2) ainda quanto à nulidade, expõe que o Fisco não fez referência expressa ao índice de correção utilizado no caso em análise, mencionando apenas os dispositivos que disciplinam a correção monetária dos créditos tributários; 3) o elevado valor da multa deve ser afastado, pois viola o principio da vedação do confisco; 4) por fim, requer nulidade total do lançamento, ou, em alternatividade, a redução do percentual cobrado a título de multa. Assim vieram os autos ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, por meio de Recurso Voluntário. Sem contrarrazões. É o relatório. Fl. 132DF CARF MF Impresso em 17/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/03/2013 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 20/05/2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 28/03/2013 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente e m 06/05/2013 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES Processo nº 16641.000179/201070 Acórdão n.º 2301003.262 S2C3T1 Fl. 6 5 Voto Vencido Conselheiro Leonardo Henrique Pires Lopes, Relator Dos Pressupostos de Admissibilidade Presentes os pressupostos de admissibilidade do presente recurso, passo ao seu exame. Da nulidade pretendida Em documento recursal, o contribuinte tem por pretensão a nulidade do auto de infração, alegando que o mesmo carece de embasamento legal que edifique a cobrança do débito ora em apreço, bem como no que pertine à sua origem. O fato é que, nos autos referentes à produção do fisco, em momento algum pode ser constatada ausência de fundamentação legal que sirva de condão para nulidade do presente auto de infração. Por mera análise dos componentes dos autos, quais sejam o Relatório Discriminativo do Débito, Fundamentos Legais do Débito, o Relatório de Lançamentos e o Relatório Fiscal, é observada a presença de fatores como a origem e os dispositivos legais que fundamentam o lançamento efetuado. Outrossim, a indicação do dispositivo legal utilizado para que seja aplicada a correção monetária é suficiente para atender às exigências legais, bem como permitir ao contribuinte que elabore sua defesa, em atenção aos princípios do contraditório e ampla defesa. Esclarecido isso, entendo ser descabida a alegação de nulidade do respectivo auto de infração com lastro na suposta insuficiência legal do mesmo. Da inconstitucionalidade do FUNRURAL (art. 25 da Lei 8.212/91) Verificase, no caso dos autos, que o fundamento legal da autuação foi o art. 25 da Lei 8.212/91, com redação dada pela Lei 9.528/1997, que instituiu, sob a forma de lei ordinária, uma nova fonte de custeio da Seguridade Social não prevista no art. 195 da Carta Magna na redação vigente à época em que a lei foi promulgada, qual seja, a contribuição previdenciária do produtor rural pessoa física incidente sobre a receita bruta da comercialização da sua produção, o que feriria, portanto, a forma exigida pelo art. 154, I da CF/88, que é a de lei complementar. De início, cabe esclarecer que, apesar de a apreciação de matéria constitucional em tribunal administrativo exacerbar sua competência originária que é a de órgão revisor dos atos praticados pela Administração, bem como de invadir competência Fl. 133DF CARF MF Impresso em 17/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/03/2013 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 20/05/2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 28/03/2013 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente e m 06/05/2013 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES Processo nº 16641.000179/201070 Acórdão n.º 2301003.262 S2C3T1 Fl. 7 6 atribuída especificamente ao Judiciário pela Constituição Federal, o Regimento Interno do CARF prevê, em seu artigo 62, que é permitido aos membros das turmas de julgamento afastar a aplicação de lei que já tenha sido declarada inconstitucional por decisão plenária definitiva do STF, como se observa, in verbis: Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. Parágrafo único. O disposto no caput não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: I que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão plenária definitiva do Supremo Tribunal Federal. Neste caso, a análise da constitucionalidade, por estar nos mesmos termos da decisão proferida pelo STF, não terá causado decisões conflitantes ou possivelmente adentrado em competência privativa do Poder Judiciário. Pois bem. No caso dos autos, o STF declarou inconstitucionais os arts. 12, incisos V e VII, 25, incisos I e II, e 30, inciso IV, da Lei nº 8.212/91, com as redações decorrentes das Leis nº 8.540/92 e nº 9.528/97, em sede de apreciação do Recurso Extraordinário de nº 363852, transitado em julgado e abaixo transcrito: RECURSO EXTRAORDINÁRIO PRESSUPOSTO ESPECÍFICO VIOLÊNCIA À CONSTITUIÇÃO ANÁLISE CONCLUSÃO. Porque o Supremo, na análise da violência à Constituição, adota entendimento quanto à matéria de fundo do extraordinário, a conclusão a que chega deságua, conforme sempre sustentou a melhor doutrina José Carlos Barbosa Moreira , em provimento ou desprovimento do recurso, sendo impróprias as nomenclaturas conhecimento e não conhecimento. CONTRIBUIÇÃO SOCIAL COMERCIALIZAÇÃO DE BOVINOS PRODUTORES RURAIS PESSOAS NATURAIS SUBROGAÇÃO LEI Nº 8.212/91 ARTIGO 195, INCISO I, DA CARTA FEDERAL PERÍODO ANTERIOR À EMENDA CONSTITUCIONAL Nº 20/98 UNICIDADE DE INCIDÊNCIA EXCEÇÕES COFINS E CONTRIBUIÇÃO SOCIAL PRECEDENTE INEXISTÊNCIA DE LEI COMPLEMENTAR. Ante o texto constitucional, não subsiste a obrigação tributária subrogada do adquirente, presente a venda de bovinos por produtores rurais, pessoas naturais, prevista nos artigos 12, incisos V e VII, 25, incisos I e II, e 30, inciso IV, da Lei nº 8.212/91, com as redações decorrentes das Leis nº 8.540/92 e nº 9.528/97. Aplicação de leis no tempo considerações. (RE 363852, Relator(a): Min. MARCO AURÉLIO, Tribunal Pleno, julgado em 03/02/2010, DJe071 DIVULG 22042010 PUBLIC 23042010 EMENT VOL0239804 PP00701 RET v. 13, n. 74, 2010, p. 4169) De fato, a redação do art. 195 da Constituição Federal de 1988, anterior à Emenda Constitucional nº 20/98, era: Art. 195. A seguridade social será financiada por toda a sociedade, de forma direta e indireta, nos termos da lei, mediante recursos provenientes dos Fl. 134DF CARF MF Impresso em 17/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/03/2013 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 20/05/2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 28/03/2013 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente e m 06/05/2013 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES Processo nº 16641.000179/201070 Acórdão n.º 2301003.262 S2C3T1 Fl. 8 7 orçamentos da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, e das seguintes contribuições sociais: I dos empregadores, incidentes sobre: a folha de salários, o faturamento e o lucro; Percebese, da transcrição acima, que a receita bruta não era prevista como base de cálculo da contribuição para a seguridade social e só poderia ser instituída como nova fonte de custeio dessa através de Lei Complementar (arts. 154, I e 195, §4º da CF/88). Ora, o art. 25 da Lei 8.212/91, ao instituir através de lei ordinária, que a contribuição da pessoa física e do segurado especial destinada à Seguridade Social é de 2% e 0,1% da receita bruta proveniente da comercialização da sua produção, inclusive para financiamento de complementação das prestações por acidente de trabalho, fere a regra formal exigida pelo já citado artigo 154, I da Carta Magna. Somente a partir da Emenda Constitucional nº 20/98 passou a ser admitida a instituição por lei ordinária da contribuição previdenciária sobre a receita bruta proveniente da comercialização. Destaquese, contudo, que as normas editadas anteriormente, sem a observância das exigências constitucionais quanto à forma especial de lei complementar, não se convalidam com a alteração na Constituição Federal que passa a admitir a disciplina da matéria por lei ordinária. Isto porque os requisitos de validade e de existência, bem como a compatibilidade de uma norma com o texto constitucional, devem ser analisados de acordo os dispositivos vigentes no momento da sua edição. Se a norma nasce viciada, sempre será inválida, ainda que posteriormente venha a ser introduzido na Constituição dispositivo que dê suporte de validade para a referida norma. Em outras palavras, o vício que fulminava o art. 25 da Lei nº 8.212/1991, com a redação dada pela Lei nº 9.528/1997, não foi afastado com a edição da Emenda Constitucional nº 20/1998, o que manteve sua condição de inconstitucionalidade. Assim, sendo inválida a previsão que determinava que a contribuição previdenciária do produtor rural pessoa física e do segurado especial seria a receita bruta da comercialização da sua produção, também foi reconhecida a inconstitucionalidade da norma que determinava, por conseqüência, as obrigações dela decorrentes, como é o caso da obrigação do adquirente de tais produtos de fazer a retenção da contribuição prevista no art. 30, IV da Lei nº 8.212/1991: Art. 30. A arrecadação e o recolhimento das contribuições ou de outras importâncias devidas à Seguridade Social obedecem às seguintes normas: IV a empresa adquirente, consumidora ou consignatária ou a cooperativa ficam subrogadas nas obrigações da pessoa física de que trata a alínea "a" do inciso V do art. 12 e do segurado especial pelo cumprimento das obrigações do art. 25 desta Lei, independentemente de as operações de venda ou consignação terem sido realizadas diretamente com o produtor ou com intermediário pessoa física, exceto no caso do inciso X deste artigo, na forma estabelecida em regulamento; Fl. 135DF CARF MF Impresso em 17/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/03/2013 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 20/05/2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 28/03/2013 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente e m 06/05/2013 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES Processo nº 16641.000179/201070 Acórdão n.º 2301003.262 S2C3T1 Fl. 9 8 Deste modo, tendo fundamento em dispositivo reconhecido como inconstitucional pelo STF, deve ser reconhecida a nulidade do auto de infração. Da multa aplicada A autuação em comento referese ao descumprimento pelo contribuinte da sua obrigação tributária principal, consistente no dever de recolher a contribuição previdenciária dentro do prazo previsto em lei. Além do pagamento do tributo não recolhido, a legislação vigente à época da ocorrência dos fatos geradores previa a imposição ao contribuinte da penalidade correspondente ao atraso no pagamento, conforme art. 35 da Lei nº 8.212/1991, que escalonava a multa (I) de 4% a 20%, quando o valor devido não tivesse sido incluído em notificação fiscal de lançamento, (II) de 12% a 50% para pagamento de créditos incluídos em notificação fiscal, e (III) de 30% a 100% nos casos em que o débito já tivesse sido inscrito em dívida ativa. Como se depreende do caput do art. 35 referido (sobre as contribuições sociais em atraso, arrecadadas pelo INSS, incidirá multa de mora, que não poderá ser relevada, nos seguintes termos...) a penalidade decorria do atraso no pagamento, independentemente de o lançamento ter sido efetuado de ofício ou não. Em outras palavras, não existia na legislação anterior a multa de ofício, aplicada em decorrência do lançamento de ofício pela auditoria fiscal, mas apenas a multa de mora, oriunda do atraso no recolhimento da contribuição. A punição do art. 35 da referida lei dirigiase à demora no pagamento, sendo mais agravada/escalonada de acordo com o momento em que fosse recolhida. Ocorre que, com o advento da MP nº 449/2008, posteriormente convertida na Lei nº 11.941/2009, o art. 35 da Lei nº 8.212/1991 foi revogado, tendo sido incluída nova redação àquele art. 35. A análise dessa nova disciplina sobre a matéria, introduzida em dezembro/2008, adquire importância em face da retroatividade benigna da legislação posterior que culmine penalidade mais benéfica ao contribuinte, nos termos do art. 106, II do CTN, in verbis: Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: I em qualquer caso, quando seja expressamente interpretativa, excluída a aplicação de penalidade à infração dos dispositivos interpretados; II tratandose de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de definilo como infração; b) quando deixe de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. Fl. 136DF CARF MF Impresso em 17/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/03/2013 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 20/05/2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 28/03/2013 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente e m 06/05/2013 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES Processo nº 16641.000179/201070 Acórdão n.º 2301003.262 S2C3T1 Fl. 10 9 Cabe, portanto, analisar as disposições introduzidas com a referida MP nº 449/2008 e mantidas com a sua conversão na Lei nº 11.941/2009: Art. 35 da Lei nº 8.212/1991 Os débitos com a União decorrentes das contribuições sociais previstas nas alíneas a, b e c do parágrafo único do art. 11 desta Lei, das contribuições instituídas a título de substituição e das contribuições devidas a terceiros, assim entendidas outras entidades e fundos, não pagos nos prazos previstos em legislação, serão acrescidos de multa de mora e juros de mora, nos termos do art. 61 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996. Art. 61 da Lei nº 9.430/1996 Os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, cujos fatos geradores ocorrerem a partir de 1º de janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos na legislação específica, serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso. § 1º A multa de que trata este artigo será calculada a partir do primeiro dia subseqüente ao do vencimento do prazo previsto para o pagamento do tributo ou da contribuição até o dia em que ocorrer o seu pagamento. § 2º O percentual de multa a ser aplicado fica limitado a vinte por cento. À primeira vista, a indagação de qual seria a norma mais favorável ao contribuinte seria facilmente resolvida, com a aplicação retroativa da nova redação do art. 35 da Lei nº 8.212/1991 c/c o art. 61 da Lei nº 9.430/1996, sendo esta última a utilizada nos casos em que a multa de mora excedesse o percentual de 20% previsto como limite máximo pela novel legislação. Contudo, o art. 35A, também introduzido pela mesma Lei nº 11.941/2009, passou a punir o contribuinte pelo lançamento de ofício, conduta esta não tipificada na legislação anterior, calculado da seguinte forma: Art. 35A. Nos casos de lançamento de ofício relativos às contribuições referidas no art. 35 desta Lei, aplicase o disposto no art. 44 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996. Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; II de 50% (cinqüenta por cento), exigida isoladamente, sobre o valor do pagamento mensal: a) na forma do art. 8o da Lei no 7.713, de 22 de dezembro de 1988, que deixar de ser efetuado, ainda que não tenha sido apurado imposto a pagar na declaração de ajuste, no caso de pessoa física; Fl. 137DF CARF MF Impresso em 17/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/03/2013 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 20/05/2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 28/03/2013 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente e m 06/05/2013 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES Processo nº 16641.000179/201070 Acórdão n.º 2301003.262 S2C3T1 Fl. 11 10 b) na forma do art. 2o desta Lei, que deixar de ser efetuado, ainda que tenha sido apurado prejuízo fiscal ou base de cálculo negativa para a contribuição social sobre o lucro líquido, no anocalendário correspondente, no caso de pessoa jurídica. Pela nova sistemática aplicada às contribuições previdenciárias, o atraso no seu recolhimento será punido com multa de 0,33% por dia, limitado a 20% (art. 61 da Lei nº 9.430/1996). Sendo o caso de lançamento de ofício, a multa será de 75% (art. 44 da Lei nº 9.430/1996). Não existe qualquer dúvida quanto à aplicação da penalidade em relação aos fatos geradores ocorridos após o advento da MP nº 449/2008. Contudo, diante da inovação em se aplicar também a multa de ofício às contribuições previdenciárias, surge a dúvida de com que norma será cotejada a antiga redação do art. 35 da Lei nº 8.212/1991 para se verificar a existência da penalidade mais benéfica nos moldes do art. 106, II, “c” do CTN. Isto porque, caso seja acolhido o entendimento de que a multa de mora aferida em ação fiscal está disciplinada pelo novo art. 35 da Lei nº 8.212/1991 c/c o art. 61 da Lei 9.430/1996, terá que ser limitada ao percentual de 20%. Ocorre que alguns doutrinadores defendem que a multa de mora teria sido substituída pela multa de ofício, ou ainda que esta seria sim prevista no art. 35 da Lei nº 8.212/1991, na sua redação anterior, na medida em que os incisos II e III previam a aplicação da penalidade nos casos em que o débito tivesse sido lançado ou em fase de dívida ativa, ou seja, quando tivesse decorrido de lançamento de ofício. Contudo, nenhum destes dois entendimentos pode prevalecer. Consoante já afirmado acima, a multa prevista na redação anterior do art. 35 da Lei nº 8.212/1991 destinavase a punir a demora no pagamento do tributo, e não o pagamento em razão de ação fiscal. O escalonamento existente era feito de acordo com a fase do pagamento, isto é, quanto mais distante do vencimento do pagamento, maior o valor a ser pago, não sendo punido, portanto, a não espontaneidade do lançamento. Também não seria possível se falar em substituição de multa de mora por multa de ofício, pois as condutas tipificadas e punidas são diversas. Enquanto a primeira relacionase com o atraso no pagamento, independentemente se este decorreu ou não de autuação do Fisco, a outra vinculase à ação fiscal. Por outro lado, não me parece correta a comparação da nova multa calculada conforme o art. 35A da Lei nº 8.212/1991 c/c o art. 44, I da Lei nº 9.430/1996 (multa de ofício prevista em 75% do valor da contribuição devida) com o somatório das multas previstas no art. 32, §4º e 5º e no revogado art. 35 ambos da Lei nº 8.212/1991. Em primeiro lugar, esse entendimento somente teria coerência, o que não significa legitimidade, caso se entendesse que a multa de ofício substituiu as penalidades tanto pelo descumprimento da obrigação principal quanto pelo da acessória, unificandoas. Nesses casos, concluindose pela aplicação da multa de ofício, por ser supostamente a mais benéfica, os autos de infração lavrados pela omissão de fatos geradores Fl. 138DF CARF MF Impresso em 17/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/03/2013 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 20/05/2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 28/03/2013 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente e m 06/05/2013 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES Processo nº 16641.000179/201070 Acórdão n.º 2301003.262 S2C3T1 Fl. 12 11 em GFIP teriam que ser anulados, já que a penalidade do art. 44, I da Lei nº 9.430/1996 (multa de ofício) estaria substituindo aquelas aplicadas em razão do descumprimento da obrigação acessória, o que não vem sendo determinado pelo Fisco. Em segundo lugar, não se podem comparar multas de naturezas distintas e aplicadas em razão de condutas diversas. Conforme determinação do próprio art. 106, II do CTN, a nova norma somente retroage quando deixar de definir o ato como infração ou quando cominarlhe penalidade menos severa. Tanto em um quanto no outro caso verificase a edição de duas normas em momentos temporais distintos prescrevendo a mesma conduta, porém com sanções diversas. Assim, somente caberia a aplicação do art. 44, I da Lei nº 8.212/1996 se a legislação anterior também previsse a multa de ofício, o que não ocorria até a edição da MP nº 449/2008. A anterior multa de mora somente pode ser comparada com penalidades que tenha a mesma ratio, qual seja, o atraso no pagamento das contribuições. Revogado o art. 35 da Lei nº 8.212/1991, cabe então a comparação da penalidade aplicada anteriormente com aquela da nova redação do mesmo art. 35, já transcrita acima, que remete ao art. 61 da Lei nº 9.430/1996. Não só a natureza das penalidades leva a esta conclusão, como também a própria alteração sofrida pelo dispositivo. No lugar da redação anterior do art. 35, que dispunha sobre a multa de mora, foi introduzida nova redação que também disciplina a multa de mora, agora remetendo ao art. 61 da Lei nº 9.430/1996. Estes dois dispositivos é que devem ser comparados. Diante de todo o exposto, não é correto comparar a multa de mora com a multa de ofício. Esta terá aplicação apenas aos fatos geradores ocorridos após o seu advento. Para fins de verificação de qual será a multa aplicada no caso em comento, deverão ser cotejadas as penalidades previstas na redação anterior do art. 35 da Lei nº 8.212/1991 com a instituída pela sua nova redação (art. 35 da Lei nº 8.212/1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941/2009, c/c o art. 61 da Lei nº 9.430/1996) aplicandolhe a que for mais benéfica. Da Conclusão Diante do exposto, conheço do Recurso Voluntário e DOULHE TOTAL PROVIMENTO. É como voto. Sala das Sessões, em 23 de janeiro de 2013 Leonardo Henrique Pires Lopes Fl. 139DF CARF MF Impresso em 17/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/03/2013 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 20/05/2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 28/03/2013 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente e m 06/05/2013 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES Processo nº 16641.000179/201070 Acórdão n.º 2301003.262 S2C3T1 Fl. 13 12 Voto Vencedor Conselheiro Mauro José Silva, Redator Designado Apresentamos nossas considerações em sintonia com os aspectos do Acórdão para os quais fomos designados como Redator do voto vencedor. Contribuição previdenciária do empregador rural pessoa física. Art. 25 da Lei 8.212/91. Substituição tributária do art. 30, inciso IV da Lei 8.212/91. A matriz legal da contribuição previdenciária do empregador rural pessoa física é o art. 25 da Lei 8.212/91, in verbis: Art. 25. A contribuição do empregador rural pessoa física, em substituição à contribuição de que tratam os incisos I e II do art. 22, e a do segurado especial, referidos, respectivamente, na alínea a do inciso V e no inciso VII do art. 12 desta Lei, destinada à Seguridade Social, é de: (Redação dada pela Lei nº 10.256, de 2001). I 2% da receita bruta proveniente da comercialização da sua produção; (Redação dada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97). II 0,1% da receita bruta proveniente da comercialização da sua produção para financiamento das prestações por acidente do trabalho. (Redação dada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97). (...) Tendo sido criada antes da edição da Emenda Constitucional (EC) 20/98 por lei ordinária, tal exação teve sua constitucionalidade questionada no Supremo Tribunal Federal (STF), uma vez que, originalmente, o Texto Magno não previa a receita como fato gerador da contribuição previdenciária a ser criada por lei ordinária. Somente poderia ter sido instituída por Lei Complementar para incidir sobre fato gerador não enumerado no art. 195 da CF. No RE 363.852/MG, julgado em 03/02/2010 e transitado em julgado em 08/06/2011, o plenário do STF enfrentou a questão, tendo concluído o julgamento com as seguintes ementa e decisão Ementa: RECURSO EXTRAORDINÁRIO PRESSUPOSTO ESPECÍFICO VIOLÊNCIA À CONSTITUIÇÃO ANÁLISE CONCLUSÃO. Porque o Supremo, na análise da violência à Constituição, adota entendimento quanto à matéria de fundo do extraordinário, a conclusão a que chega deságua, conforme sempre sustentou a melhor doutrina José Carlos Barbosa Fl. 140DF CARF MF Impresso em 17/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/03/2013 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 20/05/2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 28/03/2013 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente e m 06/05/2013 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES Processo nº 16641.000179/201070 Acórdão n.º 2301003.262 S2C3T1 Fl. 14 13 Moreira , em provimento ou desprovimento do recurso, sendo impróprias as nomenclaturas conhecimento e não conhecimento. CONTRIBUIÇÃO SOCIAL COMERCIALIZAÇÃO DE BOVINOS PRODUTORES RURAIS PESSOAS NATURAIS SUBROGAÇÃO LEI Nº 8.212/91 ARTIGO 195, INCISO I, DA CARTA FEDERAL PERÍODO ANTERIOR À EMENDA CONSTITUCIONAL Nº 20/98 UNICIDADE DE INCIDÊNCIA EXCEÇÕES COFINS E CONTRIBUIÇÃO SOCIAL PRECEDENTE INEXISTÊNCIA DE LEI COMPLEMENTAR. Ante o texto constitucional, não subsiste a obrigação tributária sub rogada do adquirente, presente a venda de bovinos por produtores rurais, pessoas naturais, prevista nos artigos 12, incisos V e VII, 25, incisos I e II, e 30, inciso IV, da Lei nº 8.212/91, com as redações decorrentes das Leis nº 8.540/92 e nº 9.528/97. Aplicação de leis no tempo considerações. (RE 363852, Relator(a): Min. MARCO AURÉLIO, Tribunal Pleno, julgado em 03/02/2010, DJe071 DIVULG 22042010 PUBLIC 23042010 EMENT VOL0239804 PP00701 RET v. 13, n. 74, 2010, p. 4169) Decisão: O Tribunal, por unanimidade e nos termos do voto do Relator, conheceu e deu provimento ao recurso extraordinário para desobrigar os recorrentes da retenção e do recolhimento da contribuição social ou do seu recolhimento por subrrogação sobre a “receita bruta proveniente da comercialização da produção rural” de empregadores, pessoas naturais, fornecedores de bovinos para abate, declarando a inconstitucionalidade do artigo 1º da Lei nº 8.540/92, que deu nova redação aos artigos 12, incisos V e VII, 25, incisos I e II, e 30, inciso IV, da Lei nº 8.212/91, com a redação atualizada até a Lei nº 9.528/97, até que legislação nova, arrimada na Emenda Constitucional nº 20/98, venha a instituir a contribuição, tudo na forma do pedido inicial, invertidos os ônus da sucumbência. Em seguida, o Relator apresentou petição da União no sentido de modular os efeitos da decisão, que foi rejeitada por maioria, vencida a Senhora Ministra Ellen Gracie. Votou o Presidente, Ministro Gilmar Mendes. Ausentes, licenciado, o Senhor Ministro Celso de Mello e, neste julgamento, o Senhor Ministro Joaquim Barbosa, com voto proferido na assentada anterior. Plenário, 03.02.2010. A partir do transito em julgado do RE 363.852, portanto, este Colegiado está autorizado, mas não obrigado, a seguir as conclusões do STF e afastar a legislação declarada inconstitucional por decisão plenária definitiva do Supremo Tribunal Federal, em conformidade com o art. 26A, §6º, inciso I do Decreto 70.235/72. Ressaltamos que somente estamos vinculados à jurisprudência do STF oriunda de decisões definitivas de mérito proferidas na sistemática do art. 543B do Código de Processo Civil (CPC), conforme previsto no caput do art. 62A do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (RICARF). No caso do RE 363.852/MG não houve o reconhecimento de repercussão geral exigida naquele dispositivo. O STF reconheceu a repercussão geral no RE 596.177 que poderá declarar a inconstitucionalidade do mesmo art. 25 da Lei 8.212/91 na redação dada pela Lei 8.540/92, porém tal ação ainda não alcançou a definitividade. Portanto, como dissemos, esse Colegiado pode, mas não está obrigado, seguir as conclusões do RE 363.852. Nossa análise permitenos seguir parcialmente a decisão do RE 363.852 como veremos a seguir. De fato, até a edição da EC 20/98, a exação em comento não poderia ter sido criada por lei ordinária para incidir sobre fato gerador não previsto até então no art. 195 da CF. Nesse aspecto, seguimos a decisão do RE 363.852 para concluir que o art. 25 da Lei 8.212/91 não pode ser aplicado até que lei nova, fundada na EC 20/98, tenha instituído validamente a contribuição. De nossa parte, entendemos que isso ocorreu com a edição da Lei 10.256/2001 Fl. 141DF CARF MF Impresso em 17/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/03/2013 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 20/05/2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 28/03/2013 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente e m 06/05/2013 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES Processo nº 16641.000179/201070 Acórdão n.º 2301003.262 S2C3T1 Fl. 15 14 que deu nova redação ao caput do art. 25 da Lei 8.212/91 em seu art. 1º. Ainda que a nova lei não tenha repetido ou reeditado os incisos e parágrafos do art. 25 da Lei 8.212/91 de modo a afastar qualquer dúvida sobre a constitucionalidade do dispositivo alterado, se assumíssemos que os incisos e parágrafos restaram excluídos do ordenamento jurídico estaríamos adotando interpretação por demais formalista e que resultaria em prejuízo para o financiamento solidário da seguridade social previsto no caput do art. 195 da CF. Logo, após a entrada em vigor da Lei 10.256/91, respeitada anterioridade nonagesimal, o art. 25 da Lei 8.212/91 passa a estar em harmonia com a EC 20/98. Assim, a partir de 11/2001 a contribuição previdenciária do empregador rural pessoa física pode ser exigida. Eventuais lançamentos anteriores a tal data não podem prevalecer por falta de previsão legal. Outra questão que demos analisar diz respeito à figura do substituto tributário prevista no art., 30, inciso IV da Lei 8.212/91, in verbis: Art. 30. A arrecadação e o recolhimento das contribuições ou de outras importâncias devidas à Seguridade Social obedecem às seguintes normas: (Redação dada pela Lei n° 8.620, de 5.1.93) (..) IV a empresa adquirente, consumidora ou consignatária ou a cooperativa ficam subrogadas nas obrigações da pessoa física de que trata a alínea "a" do inciso V do art. 12 e do segurado especial pelo cumprimento das obrigações do art. 25 desta Lei, independentemente de as operações de venda ou consignação terem sido realizadas diretamente com o produtor ou com intermediário pessoa física, exceto no caso do inciso X deste artigo, na forma estabelecida em regulamento; (Redação dada pela Lei 9.528, de 10.12.97) A decisão no RE 363.852 também declarou a inconstitucionalidade de tal dispositivo, no entanto, nesse aspecto, não seguimos a conclusão do julgado. Não vemos qualquer inconstitucionalidade no estabelecimento da hipótese de substituição tributária em si. Se não há obrigação tributária validamente instituída pelo art. 25, não há substituição. Mas após 11/2001, estando a norma do art. 25 da Lei 8212/91 em conformidade com a EC 20/98, não há motivos para que a hipótese de substituição não seja aplicada. A inconstitucionalidade da referida substituição tributária só poderia subsistir se ela, em si mesma, estivesse em desacordo com a CF ou com o CTN. O que não é o caso. Assim, a substituição tributária prevista no art. 30, inciso IV da Lei 8.212/91 deve ser acatada a partir de 11/2001. Fl. 142DF CARF MF Impresso em 17/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/03/2013 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 20/05/2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 28/03/2013 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente e m 06/05/2013 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES Processo nº 16641.000179/201070 Acórdão n.º 2301003.262 S2C3T1 Fl. 16 15 Multas no lançamento de ofício após a edição da MP 449 convertida na Lei 11.941/2009. Enfrentamos a seguir a questão do regime jurídico das multas, ainda que tal questão não tenha sido suscitada no Recurso Voluntário, por entendermos tratarse de questão de ordem pública. Antes da MP 449, se a fiscalização das contribuições previdenciárias constatasse o não pagamento de contribuições, sejam aquelas já declaradas em GFIP, omitidas da GFIP ou mesmo omitidas da escrituração ocorria a aplicação de multa de mora, sendo que esta partia de 12% e poderia chegar a 100%, segundo o inciso II do art. 35 da Lei 8.212/91. Além disso, a fiscalização lançava as multas dos §§4º, 5º e 6º do art. 32 por incorreções ou omissões na GFIP. O §4º tratava da não apresentação da GFIP, o §5º da apresentação do documento com dados não correspondentes aos fatos geradores e o §6º referiase a apresentação do documento com erro de preenchimento nos dados não relacionados aos fatos geradores. Com a edição da referida MP, foi instituído o art. 32A da Lei 8.212/91 que trata da falta de apresentação da GFIP, bem como trata da apresentação com omissões ou incorreções. Porém, foi também previsto, no art. 35A, a aplicação do art. 44 da Lei 9.430/96 para os casos de lançamento de ofício. Interessanos o inciso I do referido dispositivo no qual temos a multa de 75% sobre a totalidade do imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata. Tais inovações legislativas associadas ao fato de a fiscalização realizar lançamento que abrangem os últimos cinco anos e de existirem lançamentos pendentes de definitividade na esfera administrativa no momento da edição da novel legislação colocamnos diante de duas situações: · Lançamentos realizados após a edição da MP 449 e referentes a fatos geradores posteriores a esta; · Lançamentos referentes a fatos geradores anteriores a MP 449, porém ainda não definitivamente julgados na esfera administrativa. Vamos analisar individualmente cada uma das situações. Lançamentos realizados após a edição da MP 449 e referentes a fatos geradores posteriores a esta Para os lançamentos realizados após a edição da MP 449 e referentes a fatos geradores posteriores a esta, o procedimento de ofício está previsto no art. 35A da Lei Fl. 143DF CARF MF Impresso em 17/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/03/2013 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 20/05/2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 28/03/2013 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente e m 06/05/2013 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES Processo nº 16641.000179/201070 Acórdão n.º 2301003.262 S2C3T1 Fl. 17 16 8.212/91, o que resulta na aplicação do art. 44 da Lei 9.430/96 e na impossibilidade de aplicação da multa de mora prevista no art. 35 da Lei 8.212/91. Assim, se constatar diferença de contribuição, a fiscalização, além do próprio tributo, lançará a multa de ofício que parte de 75% e pode chegar a 225% nas hipóteses de falta de recolhimento, falta de declaração ou declaração inexata. A falta de recolhimento é uma hipótese nova de infração que, portanto, só pode atingir os fatos geradores posteriores a MP 449. Por outro lado, com relação às contribuições previdenciárias, a falta de declaração e a declaração inexata referemse a GFIP e são infrações que já eram punidas antes da MP 449. A falta de GFIP era punida pelo §4º do art. 32 da Lei 8.212/91 e a declaração inexata da GFIP era punida tanto pelo §5º quanto pelo 6º do mesmo artigo, a depender da existência (§5º) ou não (§6º) de fatos geradores da contribuição relacionados com as incorreções ou omissões. É certo que, a princípio, podemos vislumbrar duas normas punitivas para a não apresentação e a apresentação inexata da GFIP relacionada a fatos geradores de contribuições: o art. 32A da Lei 8.212/91 e o inciso I do art. 44 da Lei 9.430/96. Tendo em conta o princípio geral do Direito Tributário de que a mesma infração não pode ser sancionada com mais de uma penalidade, temos que determinar qual penalidade aplicar. Numa primeira análise, vislumbramos que o art. 44, inciso I da Lei 9.430/96 seria aplicável para os casos relacionados à existência de diferença de contribuição ao passo que o art. 32A da Lei 8.212/91 seria aplicável aos casos nos quais não houvesse diferença de contribuição. No entanto, tal conclusão não se sustenta se analisarmos mais detidamente o conteúdo do art. 32A da Lei 8.212/91. No inciso II, temos a previsão da multa de “de 2% (dois por cento) ao mêscalendário ou fração, incidentes sobre o montante das contribuições informadas, ainda que integralmente pagas, no caso de falta de entrega da declaração ou entrega após o prazo, (...)”. Claramente, o dispositivo em destaque estipula a multa aplicável quando houver contribuições apuradas, recolhidas ou não, nos casos nos quais a GFIP não for apresentada ou for apresentada fora de prazo. Logo, podemos concluir que tal inciso aplicase também àquelas situações em que há apuração de diferença de contribuição. Confirmando tal conclusão, temos o inciso II do §3º do mesmo artigo que estipula a multa mínima aplicável nos casos de omissão de declaração com ocorrência de fatos geradores de contribuição previdenciária. Portanto, diversamente do que preliminarmente concluímos, tanto o art. 44, inciso I da Lei 9.430/96 quanto o art. 32A da Lei 8.212/91 são aplicáveis aos casos de falta de declaração ou declaração inexata de GFIP quando for apurada diferença de contribuição em procedimento de ofício. Temos, então, configurado um aparente conflito de normas que demanda a aplicação das noções da teoria geral do Direito para sua solução. Três critérios são normalmente levados em conta para a solução de tais antinomias: critério cronológico, critério da especialidade e critério hierárquico. O critério cronológico (norma posterior prevalece sobre norma anterior) não nos ajuda no presente caso, uma vez que a determinação de aplicarmos o art. 44, inciso I da Lei 9.430/96 e a inclusão do art. 32A da Lei 8.212/91 foram veiculados pela mesma Lei 11.941/2009. O critério hierárquico também não soluciona a antinomia, posto que são normas de igual hierarquia. Restanos o critério da especialidade. Fl. 144DF CARF MF Impresso em 17/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/03/2013 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 20/05/2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 28/03/2013 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente e m 06/05/2013 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES Processo nº 16641.000179/201070 Acórdão n.º 2301003.262 S2C3T1 Fl. 18 17 Observamos que o art. 44, inciso I da Lei 9.430/86 referese, de maneira genérica, a uma falta de declaração ou declaração inexata, sem especificar qual seria a declaração. Diversamente, o art. 32A faz menção específica em seu caput à GFIP no trecho em que diz “o contribuinte que deixar de apresentar a declaração de que trata o inciso IV do caput do art. 32 desta Lei(...)”. Logo, consideramos que no conflito entre o art. 44, inciso I da Lei 9.430/96 e o art. 32A da Lei 8.212/91, este último é norma específica no tocante à GFIP e, seguindo o critério da especialidade, deve ter reconhecida a prevalência de sua força vinculante. Em adição, a aplicação do art. 32A da Lei 8.212/91 pode ser justificada pelo nítido caráter indutor que a penalidade do art. 32A assume, facilitando , no futuro, o cálculo do benefício previdenciário. Pretende a norma do art. 32A estimular a apresentação da GFIP na medida em que a penalidade é reduzida à metade se a declaração for apresentada antes de qualquer procedimento de ofício (§2º, inciso I); ou reduzida a 75% se houver apresentação da declaração no prazo fixado em intimação(§2º, inciso II). Esse estímulo pode ser compreendido em benefício do trabalhador na medida em que as informações da GFIP servirão como prova a favor deste no cálculo da benefício previdenciário, tendo em conta que, segundo o §3º do art. 29 da Lei 8.213/91, “serão considerados para cálculo do saláriodebenefício os ganhos habituais do segurado empregado, a qualquer título, sob forma de moeda corrente ou de utilidades, sobre os quais tenha incidido contribuições previdenciárias, exceto o décimo terceiro salário (gratificação natalina).” Se o cálculo do saláriodebenefício considerará a base de cálculo das contribuições, certamente a GFIP é um importante meio de prova dos valores sobre os quais incidiram as contribuições. Se aplicássemos o art. 44, inciso I da Lei 9.430/96, não haveria qualquer mecanismo de estímulo ao empregador para apresentar a GFIP. Iniciado o procedimento de ofício, seria aplicada, no mínimo, a multa de 75% sobre a diferença das contribuições sem que a apresentação da GFIP pudesse alterar tal valor. O empregador poderia simplesmente pagar a multa e continuar omisso em relação à GFIP, deixando o empregado sem este importante meio de prova para o cálculo do benefício de aposentadoria. Assim, a hermenêutica sistemática considerando o regime jurídico previdenciário reforça a necessidade de prevalência do art. 32A. Portanto, seja pela aplicação do critério da especialidade ou pela hermenêutica sistemática considerando o regime jurídico previdenciário, temos justificada a aplicação do art. 32A no caso de omissão na apresentação da GFIP ou apresentação desta com informações inexatas. Acrescentamos que não há no regime jurídico do procedimento de ofício previsto na MP 449, convertida na Lei 11.941/2009, a previsão para multa de mora pelo fato de ter ocorrido atraso no recolhimento. Tratase de infração – o atraso no recolhimento que deixou de ser punida por meio de procedimento de ofício. Outra infração similar, mas não idêntica, foi eleita pela lei: a falta de recolhimento. Apesar de mantermos nossa posição a respeito da inexistência de multa de mora no novo regime do procedimento de ofício, deixamos de apresentar tal voto em homenagem ao princípio da eficiência devido às reiteradas decisões do Colegiado no sentido de manter a multa de mora que registraram nossa posição isolada. Assim, nosso voto é no sentido de, acompanhando os demais membros do Colegiado, manter a aplicação da multa de mora. No entanto, mantida a multa de mora, esta deve ser limitada a 20% com a retroatividade benéfica do art. 61 da Lei 9.430/96. Podemos assim resumir o regime jurídico das multas a partir de 12/2008: Fl. 145DF CARF MF Impresso em 17/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/03/2013 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 20/05/2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 28/03/2013 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente e m 06/05/2013 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES Processo nº 16641.000179/201070 Acórdão n.º 2301003.262 S2C3T1 Fl. 19 18 · A multa de mora, se aplicada, deve ser mantida e limitada a 20%; · A multa de ofício de 75% é aplicada pela falta de recolhimento da contribuição, podendo ser majorada para 150% em conformidade com o §1º do art. 44 das Lei 9.430/96, ou seja, nos casos em que existam provas de atuação dolosa de sonegação, fraude ou conluio. A majoração poderá atingir 225% no caso de não atendimento de intimação no prazo marcado, conforme §2º do art. 44 da Lei 9.430/96; · A multa pela falta de apresentação da GFIP ou apresentação deficiente desta é aquela prevista no art. 32A da Lei 8.212/91. Nesses termos, temos como delineado o novo regime jurídico das multas em lançamento de ofício das contribuições previdenciárias previsto pela MP 449, convertida na Lei 11.941/2009, aplicável aos fatos geradores ocorridos após a edição da referida MP. Lançamentos referentes a fatos geradores anteriores a MP 449, porém ainda não definitivamente julgados na esfera administrativa. Com base nesse novo regime jurídico vamos determinar a penalidade aplicável à outra situação, ou seja, para os casos de lançamento relacionado aos fatos geradores anteriores à edição da MP porém ainda não definitivamente julgados na esfera administrativa. Para tanto, devemos tomar o conteúdo do art. 144 do CTN em conjunto com o art. : Art. 144. O lançamento reportase à data da ocorrência do fato gerador da obrigação e regese pela lei então vigente, ainda que posteriormente modificada ou revogada. § 1º Aplicase ao lançamento a legislação que, posteriormente à ocorrência do fato gerador da obrigação, tenha instituído novos critérios de apuração ou processos de fiscalização, ampliado os poderes de investigação das autoridades administrativas, ou outorgado ao crédito maiores garantias ou privilégios, exceto, neste último caso, para o efeito de atribuir responsabilidade tributária a terceiros. § 2º O disposto neste artigo não se aplica aos impostos lançados por períodos certos de tempo, desde que a respectiva lei fixe expressamente a data em que o fato gerador se considera ocorrido. Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: I em qualquer caso, quando seja expressamente interpretativa, excluída a aplicação de penalidade à infração dos dispositivos interpretados; II tratandose de ato não definitivamente julgado: Fl. 146DF CARF MF Impresso em 17/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/03/2013 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 20/05/2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 28/03/2013 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente e m 06/05/2013 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES Processo nº 16641.000179/201070 Acórdão n.º 2301003.262 S2C3T1 Fl. 20 19 a) quando deixe de definilo como infração; b) quando deixe de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. A interpretação conjunta desses dois dispositivos resulta na conclusão de que devemos aplicar o regime jurídico das penalidades conforme a lei vigente na data da ocorrência dos fatos geradores, salvo se lei posterior houver instituído penalidade menos severa ou houver deixado de definir um fato como infração. O que devemos ressaltar é que o art. 106 do CTN determina a comparação da penalidade mais benéfica por infração e não em um conjunto. Assim, cada infração e sua respectiva penalidade deve ser analisada. Para os lançamentos referentes a fatos geradores anteriores a MP 449, de plano devemos afastar a incidência da multa de mora, pois a novo regime jurídico do lançamento de ofício deixou de punir a infração por atraso no recolhimento. O novo regime pune a falta de recolhimento que, apesar de similar, não pode ser tomada como idêntica ao atraso. O atraso é graduado no tempo, ao passo que a falta de recolhimento é infração instantânea e de penalidade fixa. No regime antigo, o atraso era punido com multa de mora de 12% a 100%, ao passo que no regime atual o atraso não é punível em procedimento de ofício e pode atingir até 20% nos casos em que não há lançamento de ofício. Nossa conclusão de afastar a multa de mora pode também ser amparada no princípio da isonomia. Vejamos um exemplo. Duas empresas, A e B, atuam no mesmo ramo, tem a mesma estrutura de pessoal e de remuneração, bem como utilizam o mesmo escritório contábil para tratar de sua vida fiscal. A empresa A foi fiscalizada em 2007 com relação aos fatos geradores de 2006 e teve contra si lançada a contribuição, a multa de mora e a multa por incorreções na GFIP prevista no art. 32, §5º da Lei 8.212/91. Quando do julgamento de seu processo, considerando o novo regime de multas segundo nossa interpretação, o órgão julgador manteve o lançamento, mas determinou que a multa relacionada à GFIP fosse comparada com a multa do 32A da Lei 8.212/91. A empresa B foi fiscalizada em 2009 com relação aos fatos geradores de 2006 e teve contra si lançada a contribuição, sem aplicação de multa de mora, e a multa pela declaração inexata da GFIP com base no art. 32A da Lei 8.212/91 ou com base no art. 32, §5º da Lei 8.212/91, o que lhe for mais favorável. Facilmente pode ser notado que a empresa B responde por crédito tributário menor que a empresa A, pois não foi aplicada a multa de mora. Somente com a aplicação do art. 106, inciso II, alínea “a” do CTN para afastar a multa de mora no caso da empresa A é que teremos restaurada a situação de igualdade entre as empresas A e B. Fl. 147DF CARF MF Impresso em 17/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/03/2013 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 20/05/2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 28/03/2013 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente e m 06/05/2013 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES Processo nº 16641.000179/201070 Acórdão n.º 2301003.262 S2C3T1 Fl. 21 20 Conforme já assinalamos, apesar de mantermos nossa posição a respeito da inexistência de multa de mora no novo regime do procedimento de ofício, deixamos de apresentar tal voto em homenagem ao princípio da eficiência devido às reiteradas decisões do Colegiado no sentido de manter a multa de mora que registraram nossa posição isolada. Assim, nosso voto é no sentido de, acompanhando os demais membros do Colegiado, manter a aplicação da multa de mora. No entanto, mantida a multa de mora, esta deve ser limitada a 20% com a retroatividade benéfica do art. 61 da Lei 9.430/96. No tocante às penalidades relacionadas com a GFIP, deve ser feito o cotejamento entre o novo regime – aplicação do art. 32A para as infrações relacionadas com a GFIP – e o regime vigente à data do fato gerador – aplicação dos parágrafos do art. 32 da Lei 8.212/91, prevalecendo a penalidade mais benéfica ao contribuinte em atendimento ao art. 106, inciso II, alínea “c”. Tal procedimento aplicase, inclusive, para a multa de ofício aplicada com fundamento no art. 44, inciso I da Lei 9.430/96 motivada por falta de declaração ou declaração inexata. Passamos a resumir nossa posição sobre o regime jurídico de aplicação das multas para fatos geradores até 11/2008. A aplicação do art. 106, inciso II, alínea “c” do CTN deve ser feita ato ou fato pretérito considerado como infração no lançamento de modo que até 11/2008: · As multas por infrações relacionadas a GFIP (falta de apresentação ou apresentação deficiente), previstas nos parágrafos do art. 32 da Lei 8.212/91, devem ser comparadas com a multa do art. 32A da Lei 8.212/91, devendo prevalecer aquela que for mais benéfica ao contribuinte; · Nas competências nas quais a fiscalização aplicou somente a penalidade relativa ao atraso no pagamento, a multa de mora, esta deve ser mantida, mas limitada a 20%; · Nas competências nas quais a fiscalização aplicou a penalidade de 75% prevista no art. 44 da Lei 9.430/96 por concluir se tratar da multa mais benéfica quando comparada aplicação conjunta da multa de mora e da multa por infrações relacionadas a GFIP, deve ser mantida a penalidade equivalente à soma de: multa de mora limitada a 20% e multa mais benéfica quando comparada a multa do art. 32 com a multa do art. 32A da Lei 8.212/91. (assinado digitalmente) Mauro José Silva – Redator Designado Fl. 148DF CARF MF Impresso em 17/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/03/2013 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 20/05/2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 28/03/2013 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente e m 06/05/2013 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES Processo nº 16641.000179/201070 Acórdão n.º 2301003.262 S2C3T1 Fl. 22 21 Fl. 149DF CARF MF Impresso em 17/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/03/2013 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 20/05/2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 28/03/2013 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente e m 06/05/2013 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES
score : 1.0
Numero do processo: 10166.900999/2009-04
Turma: Segunda Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed May 23 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Sat May 26 00:00:00 UTC 2012
Ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP
Data do fato gerador: 15/01/2004
COMPENSAÇÃO. CRÉDITO LÍQUIDO E CERTO.
Não comprovada a existência de crédito líquido e certo do sujeito passivo,
condição essencial para a compensação nos termos do disposto no art. 170,
do CTN, é de se não homologar a compensação declarada.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 3802-000.994
Decisão: ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade, em negar
provimento ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o
presente julgado.
Nome do relator: Tatiana Midori Migiyama
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201205
ementa_s : ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Data do fato gerador: 15/01/2004 COMPENSAÇÃO. CRÉDITO LÍQUIDO E CERTO. Não comprovada a existência de crédito líquido e certo do sujeito passivo, condição essencial para a compensação nos termos do disposto no art. 170, do CTN, é de se não homologar a compensação declarada. Recurso Voluntário Negado
turma_s : Segunda Turma Especial da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Sat May 26 00:00:00 UTC 2012
numero_processo_s : 10166.900999/2009-04
anomes_publicacao_s : 201205
conteudo_id_s : 5164933
dt_registro_atualizacao_tdt : Mon Jul 15 00:00:00 UTC 2013
numero_decisao_s : 3802-000.994
nome_arquivo_s : 3802000994_10166900999200904_201204.pdf
ano_publicacao_s : 2012
nome_relator_s : Tatiana Midori Migiyama
nome_arquivo_pdf_s : 10166900999200904_5164933.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado.
dt_sessao_tdt : Wed May 23 00:00:00 UTC 2012
id : 4956335
ano_sessao_s : 2012
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:11:16 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713045983902826496
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 7; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1581; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3TE02 Fl. 86 1 85 S3TE02 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10166.900999/200904 Recurso nº Acórdão nº 3802000.994 – 2ª Turma Especial Sessão de 26 de abril de 2012 Matéria PISFaturamento Recorrente CEB Lajeado S.A. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Data do fato gerador: 15/01/2004 COMPENSAÇÃO. CRÉDITO LÍQUIDO E CERTO. Não comprovada a existência de crédito líquido e certo do sujeito passivo, condição essencial para a compensação nos termos do disposto no art. 170, do CTN, é de se não homologar a compensação declarada. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado. RÉGIS XAVIER HOLANDA Presidente. Assinado digitalmente TATIANA MIDORI MIGIYAMA Relatora. Assinado digitalmente Participaram do presente julgamento os Conselheiros RÉGIS XAVIER HOLANDA (Presidente), FRANCISCO JOSÉ BARROSO RIOS, JOSÉ FERNANDES DO NASCIMENTO, CLÁUDIO AUGUSTO GONÇALVES PEREIRA, SOLON SEHN e TATIANA MIDORI MIGIYAMA (Relatora). Fl. 91DF CARF MF Impresso em 15/06/2012 por NALI DA COSTA RODRIGUES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/05/2012 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 22/05/2 012 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 14/06/2012 por REGIS XAVIER HOLANDA Processo nº 10166.900999/200904 Acórdão n.º 3802000.994 S3TE02 Fl. 87 2 Relatório Tratase de recurso voluntário interposto por CEB Lajeado S.A. contra Acórdão nº 0340.442, de 22 de novembro de 2010 (de fls. 69 a 73), proferido pela 2ª Turma da DRJ/BSB, que julgou por unanimidade de votos, improcedente a manifestação de inconformidade. Por bem descrever os fatos, adoto parte do relatório integrante da decisão recorrida, a qual transcrevo a seguir: Tratam os autos de declaração de compensação, transmitida em 07.03.2005, pelo Programa Pedido Eletrônico de Ressarcimento ou Restituição e Declaração de Compensação – PER/DCOMP, de débitos no valor de R$ 18.402,00, à Contribuição Social sobre o Lucro Líquido CSLL, com crédito relativo a pagamento indevido ou a maior de PIS (código 8109), arrecadado em 15.01.2004, no valor de R$ 15.478,17. Em despacho decisório (fls. 25) emitido em 18.02.2009, a autoridade fiscal não homologou a compensação declarada no PER/DCOMP nº 17466.72933.070305.1.3.041290, sob a alegação de que a partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP, foram localizados um ou mais pagamentos, abaixo relacionados, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados. Cientificada da decisão em 05.03.2009, a contribuinte apresentou sua manifestação de inconformidade ao despacho decisório em 06.04.2009 (fls. 01. a 04), alegando, em síntese, que: ü O crédito de PISFaturamento recolhido a maior e;ou indevidamente referese a valores apurados equivocadamente através do regime Fl. 92DF CARF MF Impresso em 15/06/2012 por NALI DA COSTA RODRIGUES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/05/2012 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 22/05/2 012 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 14/06/2012 por REGIS XAVIER HOLANDA Processo nº 10166.900999/200904 Acórdão n.º 3802000.994 S3TE02 Fl. 88 3 cumulativo de apuração, quando deveriam ter sido apurados pelo regime nãocumulativo; ü A Solução de Consulta nº 201 2006 (fls. 34 a 40), exarada pela Superintendência Regional da Receita Federal da 1ª Região Fiscal – SRRF 1ª RF, corrobora tal entendimento; ü Não foram efetuadas as correções no DACON e na DIPJ do período em questão; ü Apresentase cópia da memória de calculo dos valores apurados em 2003 (fls. 52 a 54) e o comparativo do que foi recolhido a maior indevidamente pela contribuinte em função da solução citada; ü A Administração deve fundamentase na busca da verdade real e não pode indeferir sumariamente pedidos de compensação. Por fim, requer seja estabelecido o crédito utilizado pela contribuinte e que seja homologada a compensação pleiteada, extinguindose definitivamente a cobrança do suposto débito quitado com o crédito respectivo a que se refere o despacho decisório. É o relatório.” A DRJ, por unanimidade de votos, julgou improcedente a manifestação de inconformidade – com a seguinte ementa: ASSUNTO: Contribuição para o PIS/PASEP Data do fato gerador: 15/01/2004 RETROATIVIDADE DAS NORMAS TRIBUTÁRIAS. ART. 10, INCISO XI, ALÍNEA “C”, DA LEI Nº 10.833, DE 2003. VERDADE MATERIAL. FALTA DE COMPROVAÇÃO. Estão sujeitos à cumulatividade os débitos de PIS, decorrentes de receitas que se enquadram naquelas descritas no art. 10, inciso XI, alínea “c”, da Lei nº 10.833, de 2003, com vencimento até 31 de janeiro de 2004. A litigante não traz aos autos prova que dê suporte à alegação de que o direito creditório declarado é decorrente de receitas que se enquadram naquelas descritas no art. 10, inciso XI, alínea “c”, da Lei nª 10.833, de 2003. Manifestação de Inconformidade Improcedente. Direito Creditório Não Reconhecido.” Voto Conselheira Tatiana Midori Migiyama, Relatora Da admissibilidade Fl. 93DF CARF MF Impresso em 15/06/2012 por NALI DA COSTA RODRIGUES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/05/2012 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 22/05/2 012 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 14/06/2012 por REGIS XAVIER HOLANDA Processo nº 10166.900999/200904 Acórdão n.º 3802000.994 S3TE02 Fl. 89 4 Por conter matéria desta E. Turma da 3ª Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais e presentes os requisitos de admissibilidade, conheço do Recurso Voluntário tempestivamente interposto pelo contribuinte, considerando que a recorrente teve ciência da decisão de primeira instância em 16 de fevereiro de 2011, quando, então, iniciouse a contagem do prazo de 30 (trinta) dias para apresentação do presente recurso voluntário apresentando a recorrente recurso voluntário em 18 de março de 2011. Do mérito Pelo presente processo, vêse que a questão está vinculada a manifestação de Inconformidade contra despacho decisório de nº de rastreamento 820976573 emitido pela DRF Brasília e assinado pelo Delegado da Receita Federal em Brasília no dia 18.02.2009 e recebido com ciência, em 5 de março de 2009, que indeferiu pedido de compensação de débitos da interessada, com créditos de pagamento indevido ou a maior de PISFaturamento no anocalendário de 2003. Insurge a recorrente que o acórdão da Delegacia de Julgamento reconhece que juridicamente há o crédito compensável, contudo indefere o PER/DCOMP sob o único fundamento de que os documentos juntados aos autos não seriam suficientes para comprovação. O que, alega ser obrigação da autoridade administrativa verificar tais fatos em seus arquivos, justificando que todos os documentos referentes ao lançamento equivocado e ao seu pagamento, bem como a retificação do lançamento e conseqüente nascimento do crédito estão de posse da Receita Federal. Traz a argumentação de que o ato de lançamento é um ato legalmente vinculado conforme expressa dicção do art. 142 do CTN, e por determinação do referido dispositivo deve a autoridade administrativa cobrar tributos não lançados, bem como reconhecer pagamentos indevidos ou a maior. A função da Receita Federal é a administração legal dos tributos e que isto inclui cobrar o que é devido e devolver o pagamento indevido, como no caso em tela. Conclui que entende a Delegacia de Julgamento que os documentos não foram suficientes para provar a quantia do credito existente, ao verificar que juridicamente existe, deveria ter baixado o feito em diligência para a certificação da existência ou não do crédito e posterior adequada análise sobre a compensação pleiteada. De fato, a DRJ verificouse que a contribuinte tem razão em sua argumentação de direito – qual seja, de que as receitas auferidas de contratos firmados até 31 de outubro de 2003, e com cláusula de reajuste de preços, também estão sujeitos à sistemática da cumulatividade, aplicandose tal entendimentos retroativamente a fevereiro de 2004. Tal interpretação tem suporte expresso na IN SRF nº 658, de 2006 que, por sua vez, está em consonância com a Lei 11.196, de 2005. No entanto, a DRJ, quanto a questão da verdade material, clarifica que a contribuinte não apresentou nenhuma prova documental que dê suporte à alegação em que se funda, quando deveria instruir a manifestação de inconformidade com demonstrativo de Fl. 94DF CARF MF Impresso em 15/06/2012 por NALI DA COSTA RODRIGUES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/05/2012 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 22/05/2 012 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 14/06/2012 por REGIS XAVIER HOLANDA Processo nº 10166.900999/200904 Acórdão n.º 3802000.994 S3TE02 Fl. 90 5 apuração e documentário contábil e fiscal necessário e suficiente para deixar o julgador convicto de que efetivamente os contratos de fornecimento de energia foram efetuados a preço determinado, firmados até 31 de outubro de 2003 e respeitadas todas as condicionantes que a lei determina que não tendo a manifestação de inconformidade apresentada pelo sujeito trazido qualquer prova documental que dê respaldo às suas alegações e comprove a verdade material dos fatos concluiu pela improcedência da manifestação de inconformidade e pelo não reconhecimento do direito creditório da contribuinte. Eis que, de acordo com o art. 16 do Decreto 70.235, de 1972, o que podemos aplicar por analogia à manifestação de inconformidade, a prova documental quando da impugnação deveria ser apresentada, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: (a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; (b) refirase a ato ou a fato ou a direito superveniente; (c) destinese a contrapor fatos ou posteriormente trazidas aos autos. Em continuação às alegações trazidas pela recorrente, contempla nova informação de que, ademais, não bastasse o crédito de PIS, de fato possui outro crédito decorrente da antecipação mensal do imposto de renda e da base de cálculo negativa de IR e CSLL em face do prejuízo no período em questão. E que as antecipações mensais por estimativa, foram realizadas, conforme determina o art. 2ª da Lei 9.430/96, in verbis: Art. 2º A pessoa jurídica sujeita a tributação com base no lucro real poderá optar pelo pagamento do imposto, em cada mês, determinado sobre base de cálculo estimada, mediante a aplicação, sobre a receita bruta auferida mensalmente, dos percentuais de que trata o art. 15 da Lei nº 9.249, de 26 de dezembro de 1995, observado o disposto nos §§ 1º e 2º do art. 29 e nos arts. 30 a 32, 34 e 35 da Lei nº 8.981, de 20 de janeiro de 1995, com as alterações da Lei nº 9.065, de 20 de junho de 1995. § 1º O imposto a ser pago mensalmente na forma deste artigo será determinado mediante a aplicação, sobre a base de cálculo, da alíquota de quinze por cento. § 2º A parcela da base de cálculo, apurada mensalmente, que exceder a R$ 20.000,00 (vinte mil reais) ficará sujeita à incidência de adicional de imposto de renda à alíquota de dez por cento. § 3º A pessoa jurídica que optar pelo pagamento do imposto na forma deste artigo deverá apurar o lucro real em 31 de dezembro de cada ano, exceto nas hipóteses de que tratam os §§ 1º e 2º do artigo anterior.” Sendo assim, esclarece que durante todo o ano de 2002 e 2004 a recorrente realizou diversos pagamentos de imposto de renda por estimativa considerando o seu faturamento anual realizando o ajuste na DIPJ dos exercícios de 2003 e 2005 respectivamente, verificando no período que a empresa apresentou um resultado final menor do que o valor pago por estimativa, havendo inclusive registro de prejuízo no exercício de 20022003. Fl. 95DF CARF MF Impresso em 15/06/2012 por NALI DA COSTA RODRIGUES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/05/2012 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 22/05/2 012 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 14/06/2012 por REGIS XAVIER HOLANDA Processo nº 10166.900999/200904 Acórdão n.º 3802000.994 S3TE02 Fl. 91 6 O que traz a conclusão de que os valores pagos antecipadamente no regime por estimativa poderiam ser compensados nos tributos devidos no exercício seguintes, nos termos do art. 6º da Lei 9.430/96: Art. 6º O imposto devido, apurado na forma do art. 2º, deverá ser pago até o último dia útil do mês subseqüente àquele a que se referir. § 1º O saldo do imposto apurado em 31 de dezembro será: I pago em quota única, até o último dia útil do mês de março do ano subseqüente, se positivo, observado o disposto no § 2º; II compensado com o imposto a ser pago a partir do mês de abril do ano subseqüente, se negativo, assegurada a alternativa de requerer, após a entrega da declaração de rendimentos, a restituição do montante pago a maior. § 2º O saldo do imposto a pagar de que trata o inciso I do parágrafo anterior será acrescido de juros calculados à taxa a que se refere o § 3º do art. 5º, a partir de 1º de fevereiro até o último dia do mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês do pagamento. § 3º O prazo a que se refere o inciso I do § 1º não se aplica ao imposto relativo ao mês de dezembro, que deverá ser pago até o último dia útil do mês de janeiro do ano subseqüente Assim sendo, alega que acumulou elevados créditos, decorrentes do recolhimento a maior do imposto de renda sobre estimativa no período de 2002 e 2004, que seriam compensáveis com os tributos administrados pela Secretaria da Receita Federal, direito este consagrado em diversos dispositivos legais, destacandose o art. 74 da Lei 9.430/96: Art. 74. O sujeito passivo que apurar crédito, inclusive os judiciais com trânsito em julgado, relativo a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados por aquele Órgão.(Redação dada pela Lei nº 10.637, de 2002) O que, segundo a recorrente, houve indiscutível pagamento em excesso de Imposto de Renda e consequentemente o crédito compensável, inferindo que o fato de ter existido um erro de preenchimento da DIRPJ não tem o condão de eliminar o crédito da recorrente, já informado nas declarações retificadoras a seguir: Isso posto, requer a contribuinte que seja conhecida e provido o pedido do presente recurso voluntário para homologar a compensação realizada e sucessivamente, determinar que o feito seja baixado em diligência para análise das DIPJ´s apresentadas pela recorrente. Fl. 96DF CARF MF Impresso em 15/06/2012 por NALI DA COSTA RODRIGUES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/05/2012 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 22/05/2 012 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 14/06/2012 por REGIS XAVIER HOLANDA Processo nº 10166.900999/200904 Acórdão n.º 3802000.994 S3TE02 Fl. 92 7 Ora, notase que essas novas argumentações não foram aduzidas na instância originária, motivo pelo qual não pode o CARF apreciarlhe sob pena de supressão de instância, além de restar malferido os arts. 16, III, e 17, do RPAF, que exigem sejam explicitadas na impugnação – o que aplico por analogia à manifestação de inconformidade, todos os argumentos de defesa do sujeito passivo. E ainda assim, vêse que apesar das argumentações trazidas pela contribuinte expondo novas informações de créditos que entende que deveriam ser apreciados, a contribuinte não apresentou nenhuma prova documental que dê suporte à alegação em que se funda, tampouco documentário contábil e fiscal necessário e suficiente para suportar a liquidez do crédito a que se refere. Da conclusão Ante todo o exposto, por conseguinte, voto no mérito por NEGAR PROVIMENTO ao Recurso Voluntário. Sala das Sessões, em 26 de abril de 2012. Assinado digitalmente Tatiana Midori Migiyama Fl. 97DF CARF MF Impresso em 15/06/2012 por NALI DA COSTA RODRIGUES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/05/2012 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 22/05/2 012 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 14/06/2012 por REGIS XAVIER HOLANDA
score : 1.0
Numero do processo: 15889.000304/2010-86
Turma: Terceira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 20 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Mon Jun 10 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/07/2007 a 31/12/2008
RETROATIVIDADE BENIGNA. GFIP. LEI N º 11.941/09. REDUÇÃO DA MULTA. As multas referentes a declarações em GFIP foram alteradas pela lei nº 11.941/09 o que, em tese, beneficia o infrator. Foi acrescentado o art. 32-A à Lei n º 8.212/91. Conforme previsto no art. 106, inciso II do CTN, deve-se aplicar a norma mais benigna ao contribuinte.
Recurso Voluntário Provido Em Parte - Crédito Tributário Mantido em Parte
Numero da decisão: 2803-002.109
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, [por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, nos termos do voto do(a) relator(a), para que os créditos tributários com base em faltas cometidas até 05.12.2008, que a aplicação da sanção seja regida pela multa estabelecida no artigo 32-A, I, da Lei n. 8.212/1991, com a redação da Lei n. 11.941/2009, desde que mais favorável ao contribuinte em relação à aplicação do art. 32, IV, §5º, da Lei n. 8.212/1991, com redação anterior à Medida Provisória n. 449/2008, não devendo ser realizada comparação com o art. 35-A, da Lei n. 8212/1991, com a redação a partir da Medida Provisória n. 449/2008.
(Assinado digitalmente)
Helton Carlos Praia de Lima - Presidente.
(Assinado digitalmente)
Gustavo Vettorato - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Helton Carlos Praia de Lima (presidente), Gustavo Vettorato (vice-presidente), Eduardo de Oliveira, Natanael Vieira dos Santos, Oséas Coimbra Júnior, Amilcar Barca Teixeira Júnior.
Nome do relator: GUSTAVO VETTORATO
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201302
ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/07/2007 a 31/12/2008 RETROATIVIDADE BENIGNA. GFIP. LEI N º 11.941/09. REDUÇÃO DA MULTA. As multas referentes a declarações em GFIP foram alteradas pela lei nº 11.941/09 o que, em tese, beneficia o infrator. Foi acrescentado o art. 32-A à Lei n º 8.212/91. Conforme previsto no art. 106, inciso II do CTN, deve-se aplicar a norma mais benigna ao contribuinte. Recurso Voluntário Provido Em Parte - Crédito Tributário Mantido em Parte
turma_s : Terceira Turma Especial da Segunda Seção
dt_publicacao_tdt : Mon Jun 10 00:00:00 UTC 2013
numero_processo_s : 15889.000304/2010-86
anomes_publicacao_s : 201306
conteudo_id_s : 5257165
dt_registro_atualizacao_tdt : Mon Jun 10 00:00:00 UTC 2013
numero_decisao_s : 2803-002.109
nome_arquivo_s : Decisao_15889000304201086.PDF
ano_publicacao_s : 2013
nome_relator_s : GUSTAVO VETTORATO
nome_arquivo_pdf_s : 15889000304201086_5257165.pdf
secao_s : Segunda Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, [por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, nos termos do voto do(a) relator(a), para que os créditos tributários com base em faltas cometidas até 05.12.2008, que a aplicação da sanção seja regida pela multa estabelecida no artigo 32-A, I, da Lei n. 8.212/1991, com a redação da Lei n. 11.941/2009, desde que mais favorável ao contribuinte em relação à aplicação do art. 32, IV, §5º, da Lei n. 8.212/1991, com redação anterior à Medida Provisória n. 449/2008, não devendo ser realizada comparação com o art. 35-A, da Lei n. 8212/1991, com a redação a partir da Medida Provisória n. 449/2008. (Assinado digitalmente) Helton Carlos Praia de Lima - Presidente. (Assinado digitalmente) Gustavo Vettorato - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Helton Carlos Praia de Lima (presidente), Gustavo Vettorato (vice-presidente), Eduardo de Oliveira, Natanael Vieira dos Santos, Oséas Coimbra Júnior, Amilcar Barca Teixeira Júnior.
dt_sessao_tdt : Wed Feb 20 00:00:00 UTC 2013
id : 4895233
ano_sessao_s : 2013
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:10:21 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713045983912263680
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 6; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2131; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2TE03 Fl. 72 1 71 S2TE03 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 15889.000304/201086 Recurso nº 15.889.000304201086 Voluntário Acórdão nº 2803002.109 – 3ª Turma Especial Sessão de 20 de fevereiro de 2013 Matéria Contribuições Previdenciárias Recorrente REFORBUS BOTUCATU REFORMA DE ONIBUS LTDA ME Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/07/2007 a 31/12/2008 RETROATIVIDADE BENIGNA. GFIP. LEI N º 11.941/09. REDUÇÃO DA MULTA. As multas referentes a declarações em GFIP foram alteradas pela lei nº 11.941/09 o que, em tese, beneficia o infrator. Foi acrescentado o art. 32A à Lei n º 8.212/91. Conforme previsto no art. 106, inciso II do CTN, devese aplicar a norma mais benigna ao contribuinte. Recurso Voluntário Provido Em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, [por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, nos termos do voto do(a) relator(a), para que os créditos tributários com base em faltas cometidas até 05.12.2008, que a aplicação da sanção seja regida pela multa estabelecida no artigo 32A, I, da Lei n. 8.212/1991, com a redação da Lei n. 11.941/2009, desde que mais favorável ao contribuinte em relação à aplicação do art. 32, IV, §5º, da Lei n. 8.212/1991, com redação anterior à Medida Provisória n. 449/2008, não devendo ser realizada comparação com o art. 35A, da Lei n. 8212/1991, com a redação a partir da Medida Provisória n. 449/2008. (Assinado digitalmente) Helton Carlos Praia de Lima Presidente. (Assinado digitalmente) Gustavo Vettorato Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 88 9. 00 03 04 /2 01 0- 86 Fl. 72DF CARF MF Impresso em 10/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2013 por GUSTAVO VETTORATO, Assinado digitalmente em 20/05/2013 po r GUSTAVO VETTORATO, Assinado digitalmente em 26/05/2013 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 15889.000304/201086 Acórdão n.º 2803002.109 S2TE03 Fl. 73 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Helton Carlos Praia de Lima (presidente), Gustavo Vettorato (vicepresidente), Eduardo de Oliveira, Natanael Vieira dos Santos, Oséas Coimbra Júnior, Amilcar Barca Teixeira Júnior. Fl. 73DF CARF MF Impresso em 10/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2013 por GUSTAVO VETTORATO, Assinado digitalmente em 20/05/2013 po r GUSTAVO VETTORATO, Assinado digitalmente em 26/05/2013 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 15889.000304/201086 Acórdão n.º 2803002.109 S2TE03 Fl. 74 3 Relatório O presente Recurso Voluntário interposto contra decisão da DRJ, que manteve o crédito tributário oriundo tendo em vista o autuado ter apresentado a declaração a que se refere a Lei 8.212/91, art. 32, inciso IV, acrescentado pela Lei nº 9.528/97, com informações incorretas ou omissas, no período de 01/07/2007 a 31/12/2008, resumidamente na seguinte ementa da decisão recorrida: OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. DESCUMPRIMENTO. Constitui infração à legislação previdenciária a empresa apresentar Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social GFIP com dados não correspondentes aos fatos geradores, em relação às informações que alterem o valor das contribuições. PENALIDADE MAIS BENÉFICA AO SUJEITO PASSIVO.COMPARAÇÃO. Para fins de aplicação da penalidade mais benéfica ao sujeito passivo (CTN, art. 106. II, "c"). as penalidades anteriormente previstas para as infrações relativas a apresentação de declaração inexata (artigo 32, §5° da Lei n° 8.212/91) e falta de recolhimento de tributo (artigo 35, II da Lei n° 8.212/91) deverão ser somadas e comparadas com a nova penalidade introduzida pela Medida Provisória n° 449/2008. convertida na Lei n° 11.941/2009 (multa de ofício de 75%, prevista no artigo 44, inciso 1, da Lei 9.430/1997), que se destina a punir ambas as infrações referidas. Tempestivamente protocolizado o Recurso, arguí a nulidade do lançamento por ter aplicado de forma comparativa os que fundamentariam a sanção, de forma a não apresentar interpretação mais benéfica. Assim, os autos vieram para apreciação da presente turma especial. Esse é o relatório. Fl. 74DF CARF MF Impresso em 10/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2013 por GUSTAVO VETTORATO, Assinado digitalmente em 20/05/2013 po r GUSTAVO VETTORATO, Assinado digitalmente em 26/05/2013 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 15889.000304/201086 Acórdão n.º 2803002.109 S2TE03 Fl. 75 4 Voto Conselheiro Gustavo Vettorato I O recurso é tempestivo, conforme supra relatado, dispensado do depósito prévio (Súmula Vinculante 21 do STF), assim deve o mesmo ser conhecido. II – A nulidade alegada não pode ser acolhida de forma raza, pois o lançamento questionado contém todos os elementos exigidos pelo art. 142, do CTN, em que demonstrou corretamente o fenômeno da subsunção e concretização individualizada da norma tributária. Não havendo prejuízo à defesa do contribuinte, o que ensejaria a nulidade do ato (art. 59, do Dec. 70235) III Todavia, o lançamento equivocouse na interpretação quanto à aplicação da multa por descumprimento de obrigação acessória prevista no art. 32, IV, §5º, da Lei n. 8.212/1991, com redação anterior à Medida Provisória n. 449/2008, devese atentar às alterações legais implementadas por esta e sua lei de conversão (Lei n. 11.941/2009), que revogou os parágrafos e incluiu o art 32A, I,. Recentemente, as normas sancionatórias relativas à GFIP foram alteradas pela lei n º 11.941/09, e provavelmente beneficiam a Recorrente. Foi acrescentado o art. 32A à Lei n º 8.212, in verbis: Art. 32A. O contribuinte que deixar de apresentar a declaração de que trata o inciso IV do caput do art. 32 desta Lei no prazo fixado ou que a apresentar com incorreções ou omissões será intimado a apresentála ou a prestar esclarecimentos e sujeitar seá às seguintes multas: (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). I – de R$ 20,00 (vinte reais) para cada grupo de 10 (dez) informações incorretas ou omitidas; e (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). II – de 2% (dois por cento) ao mêscalendário ou fração, incidentes sobre o montante das contribuições informadas, ainda que integralmente pagas, no caso de falta de entrega da declaração ou entrega após o prazo, limitada a 20% (vinte por cento), observado o disposto no § 3o deste artigo. (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). § 1o Para efeito de aplicação da multa prevista no inciso II do caput deste artigo, será considerado como termo inicial o dia seguinte ao término do prazo fixado para entrega da declaração e como termo final a data da efetiva entrega ou, no caso de não apresentação, a data da lavratura do auto de infração ou da notificação de lançamento. (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). § 2o Observado o disposto no § 3o deste artigo, as multas serão reduzidas: (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). Fl. 75DF CARF MF Impresso em 10/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2013 por GUSTAVO VETTORATO, Assinado digitalmente em 20/05/2013 po r GUSTAVO VETTORATO, Assinado digitalmente em 26/05/2013 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 15889.000304/201086 Acórdão n.º 2803002.109 S2TE03 Fl. 76 5 I – à metade, quando a declaração for apresentada após o prazo, mas antes de qualquer procedimento de ofício; ou (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). II – a 75% (setenta e cinco por cento), se houver apresentação da declaração no prazo fixado em intimação. (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). § 3o A multa mínima a ser aplicada será de: (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). I – R$ 200,00 (duzentos reais), tratandose de omissão de declaração sem ocorrência de fatos geradores de contribuição previdenciária; e (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). II – R$ 500,00 (quinhentos reais), nos demais casos. (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). Toda multa tributária é uma sanção, ou seja tem natureza primária punitiva, ou de penalização. Contudo, ainda assim podem ser classificadas em multa moratória, decorrente do simples atraso na satisfação da obrigação tributária principal, e multa punitiva em sentido estrito, quando decorrente de infração à obrigação instrumental cumulada ou não com a obrigações principais. Tal classificação é necessária pois, apesar de não terem natureza remuneratória, mas sancionatória, os tribunais brasileiros admitem que as multas tributárias devem ser classificadas em moratórias e punitivas (sentido estrito), em razão da existência de tratamentos diversos para cada espécie pelo próprio Código Tributário Nacional e legislação esparsas. (RESP 201000456864, HUMBERTO MARTINS, STJ SEGUNDA TURMA, 29/04/2010; PAULSEN, Leandro. Direito tributário, constituição e código tributário à luz da doutrina e da jurisprudência. 12ª Ed., Porto Alegre : Livraria do Advogado, 2010, p.1103 1109) Assim, coloco como premissa que a diferença entre multa moratória e multa punitiva em sentido estrito. Como supra colocado, a primeira decorre do mero atraso da obrigação tributária principal, podendo sendo constituída pelo próprio contribuinte inadimplente no momento de sua apuração e pagamento. Já, a segunda espécie de multa, a punitiva em sentido estrito, demanda constituição pelos instrumentos de lançamento de ofício por parte dos agentes fiscais (art. 149, do CTN), em que se apura a infração cometida e a penalidade a ser aplicada. Inclusive a estipulação e definição da espécie de multa é dado exclusivamente pela lei, fato ressaltado em face do principio da estrita legalidade a que se regula o Direito Tributário e suas sanções (art. 97, V, do CTN). A mudança de natureza para fins de comparação no tempo, não pode ser realizada sem autorização legal, e por isso não se poderia comparar com multas punitiva em sentido estrito (referente à descumprimento de obrigação exclusivamente instrumental) com multas de natureza moratória a exemplo com a nova redação do art. 35A, da Lei n. 8212/1991, com a redação a partir da Medida Provisória n. 449/2008. Devido ao disposto no art. 112, IV, do CTN, a legislação tributária que define as infrações e comina suas penalidades deve ser interpretada de forma mais favorável ao contribuinte em casos de dúvidas quanto à natureza das infrações e suas penalidades. Interpretação que deve ser conjugada com a retroatividade benigna prevista no art. 106, II, a e c, do CTN, de forma a reduzir ou extinguir penalidades sempre quando lei posterior estabeleça Fl. 76DF CARF MF Impresso em 10/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2013 por GUSTAVO VETTORATO, Assinado digitalmente em 20/05/2013 po r GUSTAVO VETTORATO, Assinado digitalmente em 26/05/2013 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 15889.000304/201086 Acórdão n.º 2803002.109 S2TE03 Fl. 77 6 pena menos grave ou não entenda mais como infração tal conduta. Portanto, também deve ser colocado como premissa, que além de retroagir a aplicação de dispositivo legal mais favorável essa retroação também deve sempre buscar uma aplicação mais favorável ao contribuinte. Assim, em razão do princípio da retroatividade benigna (art. 106, do CTN), como o entendimento que a aplicação da sanção deve ser regida pela multa estabelecida no artigo 32A, I, da Lei n. 8.212/1991, com a redação da Lei n. 11.941/2009, desde que mais favorável ao contribuinte em relação à aplicação do art. 32, IV, §5º da Lei n. 8.212/1991, com redação anterior à Medida Provisória n. 449/2008. IV Isso posto, voto por conhecer o Recurso Voluntário e, no mérito, para DARLHE PARCIAL PROVIMENTO, para os créditos tributários com base em faltas cometidas até 05.12.2008, que a aplicação da sanção seja regida pela multa estabelecida no artigo 32A, I, da Lei n. 8.212/1991, com a redação da Lei n. 11.941/2009, desde que mais favorável ao contribuinte em relação à aplicação do art. 32, IV, §5º, da Lei n. 8.212/1991, com redação anterior à Medida Provisória n. 449/2008, não devendo ser realizada comparação com o art. 35A, da Lei n. 8212/1991, com a redação a partir da Medida Provisória n. 449/2008. Sala de Sessões, 20 de fevereiro de 2013. (Assinado digitalmente) Gustavo Vettorato Relator Fl. 77DF CARF MF Impresso em 10/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2013 por GUSTAVO VETTORATO, Assinado digitalmente em 20/05/2013 po r GUSTAVO VETTORATO, Assinado digitalmente em 26/05/2013 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA
score : 1.0
Numero do processo: 13971.000230/2007-18
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Apr 17 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Tue May 28 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte - Simples
Exercício: 2006, 2007
SIMPLES FEDERAL - ATIVIDADES COMPLEMENTARES E AUXILIARES DE CONSTRUÇÃO CIVIL - O fato de a pessoa jurídica desempenhar atividade mencionada no ADN 30/99 como serviços auxiliares e complementares da construção civil abrangidos pela vedação de que trata o inciso V do art. 9º da Lei 9.317/96 não é suficiente para impedir a opção pelo SIMPLES, sendo elementar que a atividade deve estar relacionada ao comando legal, qual seja, a construção, demolição, reforma, ampliação de edificação.
Divergência suscitada com base em paradigma cuja tese, na data da interposição do recurso, já se encontrava superada pela CSRF.
Numero da decisão: 9101-001.622
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros da 1ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, por unanimidade de votos, NEGAR provimento ao recurso.
(documento assinado digitalmente)
OTACÍLIO DANTAS CARTAXO
Presidente
(documento assinado digitalmente)
Valmir Sandri
Relator
Participaram do julgamento os Conselheiros: Otacílio Dantas Cartaxo (Presidente), Francisco de Sales Ribeiro de Queiroz, Paulo Roberto Cortez (Suplente Convocado), Jorge Celso Freire da Silva, Suzy Gomes Hoffmann, Karem Jureidini Dias, Valmir Sandri, Viviane Vidal Wagner (Suplente Convocada), José Ricardo da Silva e Plínio Rodrigues de Lima.
Matéria: Simples- proc. que não versem s/exigências cred.tributario
Nome do relator: VALMIR SANDRI
1.0 = *:*
toggle all fields
materia_s : Simples- proc. que não versem s/exigências cred.tributario
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201304
camara_s : 1ª SEÇÃO
ementa_s : Assunto: Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte - Simples Exercício: 2006, 2007 SIMPLES FEDERAL - ATIVIDADES COMPLEMENTARES E AUXILIARES DE CONSTRUÇÃO CIVIL - O fato de a pessoa jurídica desempenhar atividade mencionada no ADN 30/99 como serviços auxiliares e complementares da construção civil abrangidos pela vedação de que trata o inciso V do art. 9º da Lei 9.317/96 não é suficiente para impedir a opção pelo SIMPLES, sendo elementar que a atividade deve estar relacionada ao comando legal, qual seja, a construção, demolição, reforma, ampliação de edificação. Divergência suscitada com base em paradigma cuja tese, na data da interposição do recurso, já se encontrava superada pela CSRF.
turma_s : 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
dt_publicacao_tdt : Tue May 28 00:00:00 UTC 2013
numero_processo_s : 13971.000230/2007-18
anomes_publicacao_s : 201305
conteudo_id_s : 5255867
dt_registro_atualizacao_tdt : Tue Jun 04 00:00:00 UTC 2013
numero_decisao_s : 9101-001.622
nome_arquivo_s : Decisao_13971000230200718.PDF
ano_publicacao_s : 2013
nome_relator_s : VALMIR SANDRI
nome_arquivo_pdf_s : 13971000230200718_5255867.pdf
secao_s : Câmara Superior de Recursos Fiscais
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 1ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, por unanimidade de votos, NEGAR provimento ao recurso. (documento assinado digitalmente) OTACÍLIO DANTAS CARTAXO Presidente (documento assinado digitalmente) Valmir Sandri Relator Participaram do julgamento os Conselheiros: Otacílio Dantas Cartaxo (Presidente), Francisco de Sales Ribeiro de Queiroz, Paulo Roberto Cortez (Suplente Convocado), Jorge Celso Freire da Silva, Suzy Gomes Hoffmann, Karem Jureidini Dias, Valmir Sandri, Viviane Vidal Wagner (Suplente Convocada), José Ricardo da Silva e Plínio Rodrigues de Lima.
dt_sessao_tdt : Wed Apr 17 00:00:00 UTC 2013
id : 4879625
ano_sessao_s : 2013
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:10:06 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713045983918555136
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 6; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1835; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => CSRFT1 Fl. 2 1 1 CSRFT1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS Processo nº 13971.000230/200718 Recurso nº Especial do Procurador Acórdão nº 9101001.622 – 1ª Turma Sessão de 17 de abril de 2013 Matéria Exclusão do SIMPLES Recorrente Fazenda Nacional Interessado Deccory Comércio & Serv. Pintura Ltda. ME ASSUNTO: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE SIMPLES Exercício: 2006, 2007 SIMPLES FEDERAL ATIVIDADES COMPLEMENTARES E AUXILIARES DE CONSTRUÇÃO CIVIL O fato de a pessoa jurídica desempenhar atividade mencionada no ADN 30/99 como serviços auxiliares e complementares da construção civil abrangidos pela vedação de que trata o inciso V do art. 9º da Lei 9.317/96 não é suficiente para impedir a opção pelo SIMPLES, sendo elementar que a atividade deve estar relacionada ao comando legal, qual seja, a construção, demolição, reforma, ampliação de edificação. Divergência suscitada com base em paradigma cuja tese, na data da interposição do recurso, já se encontrava superada pela CSRF. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 1ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, por unanimidade de votos, NEGAR provimento ao recurso. (documento assinado digitalmente) OTACÍLIO DANTAS CARTAXO Presidente (documento assinado digitalmente) Valmir Sandri AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 97 1. 00 02 30 /2 00 7- 18 Fl. 318DF CARF MF Impresso em 04/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/05/2013 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 23/05/2013 por OT ACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 22/05/2013 por VALMIR SANDRI Processo nº 13971.000230/200718 Acórdão n.º 9101001.622 CSRFT1 Fl. 3 2 Relator Participaram do julgamento os Conselheiros: Otacílio Dantas Cartaxo (Presidente), Francisco de Sales Ribeiro de Queiroz, Paulo Roberto Cortez (Suplente Convocado), Jorge Celso Freire da Silva, Suzy Gomes Hoffmann, Karem Jureidini Dias, Valmir Sandri, Viviane Vidal Wagner (Suplente Convocada), José Ricardo da Silva e Plínio Rodrigues de Lima. Relatório Tratase de recurso especial interposto pela Ilustre Procuradora da Fazenda Nacional, contra decisão da Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Primeira Seção de Julgamento que, por unanimidade de votos, deu provimento ao recurso voluntário, mediante Acórdão n° 110100.486, de 27 de maio de 2011, assim ementado: Assunto: Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte — Simples Exercício: 2006, 2007 SIMPLES FEDERAL. INGRESSO E/OU PERMANÊNCIA. SERVIÇO DE PINTURA. ATIVIDADE NÃO VEDADA A prestação de serviços de pintura não consiste em construção de imóvel não impede o ingresso ou a permanência da pessoa jurídica no Simples Federal. A representante da Fazenda Nacional recorre à instância especial, nos termos do art. 67 do Anexo II do Regimento Interno, alegando haver interpretação divergente para a matéria conferida por outro colegiado, consubstanciada no seguinte julgado: SIMPLES. EXCLUSÃO. Não poderá optar pelo SIMPLES, a pessoa jurídica que se dedique a construção de imóveis e/ou que realize serviços de pintura, ainda que sejam serviços auxiliares e complementares da construção civil. (3ºCC, 1° Câmara, Acórdão n° 30132.425, de 25/01/06). Postulando a reforma do Acórdão, lembra a representante da Fazenda Nacional que o Ato Declaratório Normativo COSIT n° 30, de 14.10.1999, declara, em caráter normativo, que a vedação ao exercício da opção pelo SIMPLES, aplicável à atividade de construção de imóveis, abrange as obras e serviços auxiliares e complementares da construção civil, tais como; (i) a construção, demolição, reforma e ampliação de edificações; (ii) sondagens, fundações e escavações; (iii) construção de estradas e logradouros públicos; (iv) construção de pontes, viadutos e monumentos; (v) terraplenagem e pavimentação; (vi) pintura, carpintaria, instalações elétricas e hidráulicas, aplicação de tacos e azulejos, colocação de vidros e esquadrias; e (7) quaisquer outras benfeitorias agregadas ao solo ou subsolo. O recurso foi admitido pelo Presidente da Primeira Câmara, uma vez devidamente caracterizada a divergência de interpretação. É o relatório. Fl. 319DF CARF MF Impresso em 04/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/05/2013 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 23/05/2013 por OT ACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 22/05/2013 por VALMIR SANDRI Processo nº 13971.000230/200718 Acórdão n.º 9101001.622 CSRFT1 Fl. 4 3 Voto Conselheiro Valmir Sandri, Relator O recurso especial tem por escopo a uniformização de entendimentos no âmbito deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, quando identificada divergência de interpretação da lei tributária por colegiados distintos, integrantes do CARF. A questão ora submetida a esta Câmara Superior referese à definição da amplitude do § 4º do art. 9º da Lei nº 9.317/96, considerando a interpretação do Ato Declaratório Normativo n. 30/1999. O Acórdão recorrido entendeu que o fato de a pessoa jurídica desempenhar atividade compreendida no universo da construção civil, por si só, não impede a opção, sendo necessário que da atividade exercida resulte construção de imóvel. Confirase: “ Conforme se percebe, o § 4º apenas explica as diversas facetas da regra do inciso V, sem aumentar o seu alcance: 1°) ele explica que nem todas as obras de construção civil são consideradas construção de imóvel; 2') ele esclarece que é irrelevante a titularidade do imóvel; 3") ele informa que o conceito de imóveis alcança as edificações e as benfeitorias agregadas ao solo ou subsolo (no que se aproxima da definição de imóvel do art. 79 Código Civil); 4") por fim, ele estabelece, por meio de exemplos (construção, demolição, reforma, ampliação), quais obras de construção civil estão alcançadas pelo conceito de construção de imóvel. O § 4º deixa claro que a vedação existente só afasta a possibilidade de opção pelo Simples para a empresa com atividades de construção civil que resulte na construção de imóvel. Ou seja, o fato impeditivo não é o fato de prestar alguma atividade dentro do universo da construção civil, mas sim se esta atividade resultar na construção de imóvel, tal como o § 4" definiu. É sob este prisma que deve ser interpretado o Ato Declaratório Normativo COSIT n° 30, de 1999, publicado no Diário Oficial da União em 18 de outubro de 1999: (...omissis...) Tais atividades, para impedirem o ingresso ou permanência da pessoa jurídica na sistemática simplificada de recolhimento, não podem ser analisadas isoladamente, mas sim demonstradas como integrantes dc um conjunto que resulte na edificação de imóveis. Mas, como se viu, a atividade do contribuinte consiste apenas em no comércio de material de pintura e na prestação de serviços de pintura. Deste modo, mesmo considerando o serviço de pintura, Fl. 320DF CARF MF Impresso em 04/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/05/2013 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 23/05/2013 por OT ACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 22/05/2013 por VALMIR SANDRI Processo nº 13971.000230/200718 Acórdão n.º 9101001.622 CSRFT1 Fl. 5 4 não sofre a restrição prevista na lei e não há razão para ser excluído do Simples. Por estas razões, voto por dar provimento ao Recurso Voluntário, para cancelar a exclusão do Simples. A ilustre Procuradora da Fazenda Nacional interpôs o presente recurso no dia 23 de setembro de 2011, invocando interpretação divergente dada pela 1ª Câmara do antigo 3º Conselho de Contribuintes, que entendeu que não pode optar pelo Simples a pessoa jurídica que se dedique a construção de imóveis e/ou que realize serviços de pintura, ainda que sejam serviços auxiliares e complementares da construção civil. Na verdade, o dissídio só pode ser identificado pela conjunção alternativa “ou” constante da ementa, pois que, da leitura da íntegra do acórdão paradigma, temse que as situações fáticas são distintas. De fato, consta do relatório que integra o paradigma que a exclusão do Simples deuse porque não pode optar a pessoa jurídica que “se dedique à construção de imóveis e à realização de serviços de pintura, atividades estas desenvolvidas pela contribuinte.” (destaquei) Consta ainda do relatório que a recorrente aduz que “labora para empresas privadas e residências ora construindo, ora realizando serviços de pintura, entretanto, que estas atividades são auxiliares e complementares à construção civil, portanto, não oponível aos dispositivos legais retrocitados.” (destaquei). A 1º Câmara do antigo 3º Conselho negou provimento ao recurso do contribuinte ao argumento de que a recorrente “não colacionou nos autos nenhum elemento de prova documental hábil e idôneo que ateste o caráter do exercício de atividade complementar e auxiliar a construção civil, consoante alegado”. Contudo, a redação da ementa, ao expressar que não pode optar pelo Simples a pessoa jurídica que se dedique à construção de imóveis e/ou que realize serviços de pintura, pode ser entendida como tendo atribuído ao § 4ª do art. 9º da Lei 9.317/96 uma amplitude tal, que alcance qualquer atividade que se insira no âmbito de complementar ou auxiliar da construção civil, ainda que dela não resulte construção de imóvel. Assim, o dissídio apontado restringese ao alcance do § 4º do art. 9º da Lei 9.317/96, que dispõe: Art. 9º Não poderá optar pelo SIMPLES, a pessoa jurídica: (...) V que se dedique à compra e à venda, ao loteamento, à incorporação ou à construção de imóveis; (...) § 4° Compreendese na atividade de construção de imóveis, de que trata o inciso V deste artigo, a execução de obra de construção civil, própria ou de terceiros, como a construção, Fl. 321DF CARF MF Impresso em 04/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/05/2013 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 23/05/2013 por OT ACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 22/05/2013 por VALMIR SANDRI Processo nº 13971.000230/200718 Acórdão n.º 9101001.622 CSRFT1 Fl. 6 5 demolição, reforma, ampliação de edificação ou outras benfeitorias agregadas ao solo ou subsolo. Essa questão já foi apreciada por esta 1ª Turma, em sessão de 03 de agosto de 2011, em situação fática relativa à atividade de instalação de esquadria, em recurso interposto pala Fazenda Nacional sob alegação de contrariedade à legislação tributária, sobretudo ao inciso V do artigo 9° da Lei nº 9.317/96, e o ADN/COSIT n° 30/99, pois os mesmos são claros ao definir que pessoas jurídicas que se dediquem à construção de imóveis estão impedidas de optar pelo Simples. Ponderava a PFN que a atividade de colocação de esquadrias se inclui entre as mencionadas no ADN 30, e, por conseguinte, o contribuinte não podia optar pelo sistema. A interpretação postulada pela Fazenda Nacional foi rejeitada à unanimidade por esta Primeira Turma, em acórdão de minha relatoria (Acórdão 9101001.162), cujo voto condutor traz os seguintes fundamentos: Não me parece que o seja essa a melhor compreensão da norma (art. 9º, inciso V e § 4º, da Lei 9.317/96), que dispõe: Art. 9º Não poderá optar pelo SIMPLES, a pessoa jurídica: (...) V que se dedique à compra e à venda, ao loteamento, à incorporação ou à construção de imóveis; (...) § 4° Compreendese na atividade de construção de imóveis, de que trata o inciso V deste artigo, a execução de obra de construção civil, própria ou de terceiros, como a construção, demolição, reforma, ampliação de edificação ou outras benfeitorias agregadas ao solo ou subsolo. A lei vedou a opção à pessoa jurídica que se dedique à atividade de construção de imóveis, definindo que nesse conceito está compreendida a construção civil própria ou de terceiros, como a construção, demolição, reforma, ampliação de edificação ou outras benfeitorias agregadas ao solo ou subsolo. Transparece, dos autos, que a atividade exercida pela sociedade não é construção, demolição, reforma ou ampliação de edificação ou outras benfeitorias agregadas ao solo, mas sim, o comércio das esquadrias (portas, janelas, batentes) de madeira, cuja colocação representa, apenas, atividade coadjuvante. Embora o ADN COSIT 30/99 insira, entre os serviços auxiliares e complementares da construção civil abrangidos pela vedação, a montagem de esquadrias, é elementar que essa atividade deve estar relacionada ao comando legal, qual seja, a construção, demolição, reforma, ampliação de edificação. Assim, entendo que a decisão recorrida não contrariou a lei nem a prova dos autos, e nego provimento ao recurso. Fl. 322DF CARF MF Impresso em 04/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/05/2013 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 23/05/2013 por OT ACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 22/05/2013 por VALMIR SANDRI Processo nº 13971.000230/200718 Acórdão n.º 9101001.622 CSRFT1 Fl. 7 6 O § 10 do art. 67 do Regimento Interno dispõe: § 10. O acórdão cuja tese, na data de interposição do recurso, já tiver sido superada pela CSRF, não servirá de paradigma, independentemente da reforma específica do paradigma. Isto posto, conheço do recurso e nego provimento. Sala das Sessões, em 17 de abril de 2013. (documento assinado digitalmente) Valmir Sandri Fl. 323DF CARF MF Impresso em 04/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/05/2013 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 23/05/2013 por OT ACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 22/05/2013 por VALMIR SANDRI
score : 1.0
Numero do processo: 10510.001537/2010-71
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Apr 19 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Tue Apr 17 00:00:00 UTC 2012
Ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS
Período de apuração: 01/06/2008 a 31/12/2008
PREVIDENCIÁRIO. CUSTEIO. CESSÃO DE MÃO-DE-OBRA.
RETENÇÃO 11%.
A empresa, como contratante de serviços executados mediante cessão de
mão-de-obra, fica obrigada a reter e recolher onze por cento sobre o valor
bruto da nota fiscal ou fatura de prestação de serviço.
AUTUAÇÃO. LEGALIDADE. LANÇAMENTO. ATO VINCULADO E
OBRIGATÓRIO.
Constatada a ocorrência de descumprimento de obrigação principal prevista
em lei, cumpre à autoridade administrativa lavrar o respectivo auto de
infração das contribuições previdenciárias devidas, pois o lançamento é um
ato vinculado e obrigatório, sob pena de responsabilidade funcional.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 2402-002.607
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar
provimento ao recurso voluntário.
Nome do relator: RONALDO DE LIMA MACEDO
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201204
camara_s : Quarta Câmara
ementa_s : ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/06/2008 a 31/12/2008 PREVIDENCIÁRIO. CUSTEIO. CESSÃO DE MÃO-DE-OBRA. RETENÇÃO 11%. A empresa, como contratante de serviços executados mediante cessão de mão-de-obra, fica obrigada a reter e recolher onze por cento sobre o valor bruto da nota fiscal ou fatura de prestação de serviço. AUTUAÇÃO. LEGALIDADE. LANÇAMENTO. ATO VINCULADO E OBRIGATÓRIO. Constatada a ocorrência de descumprimento de obrigação principal prevista em lei, cumpre à autoridade administrativa lavrar o respectivo auto de infração das contribuições previdenciárias devidas, pois o lançamento é um ato vinculado e obrigatório, sob pena de responsabilidade funcional. Recurso Voluntário Negado.
turma_s : Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
dt_publicacao_tdt : Tue Apr 17 00:00:00 UTC 2012
numero_processo_s : 10510.001537/2010-71
anomes_publicacao_s : 201204
conteudo_id_s : 5102212
dt_registro_atualizacao_tdt : Mon Jul 15 00:00:00 UTC 2013
numero_decisao_s : 2402-002.607
nome_arquivo_s : 2402002607_10510001537201071_201204.pdf
ano_publicacao_s : 2012
nome_relator_s : RONALDO DE LIMA MACEDO
nome_arquivo_pdf_s : 10510001537201071_5102212.pdf
secao_s : Segunda Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
dt_sessao_tdt : Thu Apr 19 00:00:00 UTC 2012
id : 4956218
ano_sessao_s : 2012
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:11:12 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713045983923798016
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 8; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1602; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C4T2 Fl. 1 1 S2C4T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10510.001537/201071 Recurso nº 000.000 Voluntário Acórdão nº 2402002.607 – 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 17 de abril de 2012 Matéria CESSÃO DE MÃODEOBRA: RETENÇÃO. ÓRGÃOS PÚBLICOS Recorrente ESTADO DE SERGIPE ADMINISTRAÇÃO DIRETA. SECRETARIA DE ESTADO DA EDUCAÇÃO Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/06/2008 a 31/12/2008 PREVIDENCIÁRIO. CUSTEIO. CESSÃO DE MÃODEOBRA. RETENÇÃO 11%. A empresa, como contratante de serviços executados mediante cessão de mãodeobra, fica obrigada a reter e recolher onze por cento sobre o valor bruto da nota fiscal ou fatura de prestação de serviço. AUTUAÇÃO. LEGALIDADE. LANÇAMENTO. ATO VINCULADO E OBRIGATÓRIO. Constatada a ocorrência de descumprimento de obrigação principal prevista em lei, cumpre à autoridade administrativa lavrar o respectivo auto de infração das contribuições previdenciárias devidas, pois o lançamento é um ato vinculado e obrigatório, sob pena de responsabilidade funcional. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Fl. 150DF CARF MF Impresso em 11/06/2012 por SELMA RIBEIRO COUTINHO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/05/2012 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 16/05/20 12 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 29/05/2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. Julio Cesar Vieira Gomes Presidente. Ronaldo de Lima Macedo Relator. Participaram do presente julgamento os conselheiros: Julio Cesar Vieira Gomes, Ana Maria Bandeira, Lourenço Ferreira do Prado, Ronaldo de Lima Macedo, Nereu Miguel Ribeiro Domingues e Jhonatas Ribeiro da Silva. Fl. 151DF CARF MF Impresso em 11/06/2012 por SELMA RIBEIRO COUTINHO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/05/2012 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 16/05/20 12 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 29/05/2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 10510.001537/201071 Acórdão n.º 2402002.607 S2C4T2 Fl. 2 3 Relatório Tratase de lançamento fiscal decorrente do descumprimento de obrigação tributária principal, referente às contribuições devidas à Seguridade Social, relativas à retenção de 11% sobre o valor bruto de notas fiscais/faturas de prestação de serviços realizados mediante cessão de mãodeobra, para as competências 06/2008 a 12/2008. O Relatório Fiscal (fls. 23/24) informa que os valores apurados decorrem de ação fiscal realizada junto ao Estado de Sergipe (Secretaria de Estado da Educação). Até a competência 01/2008, os documentos observados estavam relacionados ao CNPJ 13.130.497/000104. Para as competências seguintes, os documentos examinados estavam relacionados ao CNPJ 13.128.798/001418, utilizado atualmente pela Secretaria de Estado da Educação. Esse Relatório informa ainda que, mediante análise dos registros contábeis fornecidos em arquivo digital pela Secretaria de Estado da Educação (SEED) e dos Contratos e Notas Fiscais de Prestação de Serviços, verificouse a contratação de entidade (Associação Alfabetização Solidária, CNPJ 02.871.771/000180) para a prestação de serviço de treinamento e ensino, sob o termo Capacitação, serviço este que se enquadra como realizados mediante cessão de mãodeobra. A ciência do lançamento fiscal ao sujeito passivo deuse em 27/04/2010 (fl.01). A autuada apresentou impugnação tempestiva (fls. 58/68) – acompanhada de anexos de fls. 69/82 –, alegando, em síntese, que: 1. ausência de comprovação dos pressupostos do lançamento pela Autoridade Fiscal. Inexistência de prestação de serviço mediante cessão de mão de obra. Objeto do contrato se traduz em verdadeira empreitada. Para que haja a retenção instituída no caput do art. 31 da Lei 8.212/1991, não basta que o serviço prestado esteja relacionado no § 2o do art. 219 do Regulamento da Previdência Social (RPS), é necessário que seja demonstrada, pela autoridade lançadora, nos autos do procedimento fiscal, efetivamente, a ocorrência de mão deobra cedida, na forma definida no § 3o do art. 31 da mencionada Lei. Entretanto, o que ocorre é exatamente o contrário. Analisandose o contrato firmado (cópia em anexo) com a Associação, prestadora do serviço, constatase que o objeto se refere à capacitação inicial e continuada de profissionais do Programa Sergipe Alfabetizado. Observe que o objeto do contrato se traduz em verdadeira empreitada para a empresa contratada, cujo resultado é a capacitação de cidadãos para executarem o programa Sergipe Cidadão, cujo ônus e encargo seria suportado pelo FNDE. Para se configurar a responsabilidade da retenção do contratante de serviços de treinamento e /ou ensino é imprescindível que os serviços sejam prestados mediante cessão de mão de obra e que haja a demonstração efetiva desta situação. É Fl. 152DF CARF MF Impresso em 11/06/2012 por SELMA RIBEIRO COUTINHO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/05/2012 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 16/05/20 12 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 29/05/2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 4 imperioso, portanto, que haja a colocação pela contratada, de segurados à disposição da contratante, que realizem trabalhos contínuos, em suas dependências ou nas de terceiros, e ainda que os empregados fiquem sob o comando do contratante, o que no presente caso não ocorreu e nem a autoridade fiscal teve o cuidado de demonstrar no Relatório Fiscal. Colacionados vários entendimentos, nessa linha de opinião, do antigo Conselho de Contribuintes, atual Conselho de Recursos Fiscais; 2. descumprimento de obrigação acessória. Imputação da obrigação tributária principal ao contratante, somente se não comprovado o recolhimento da contribuição previdenciária pelo contribuinte principal (prestador de serviços). É cediço que o valor retido pelo tomador é posteriormente compensado pelo contribuinte principal na apuração mensal do quantum devido. Assim, na eventualidade de não ocorrer a retenção dos 11% pelo tomador do serviço, mas recolhida a contribuição previdenciária normalmente pela empresa prestadora de serviço, não há tributo remanescente a ser cobrado pelo responsável por substituição. Em última análise, deve haver, no máximo, multa por infração à legislação tributária (descumprimento de obrigação acessória), mas nunca cobrança do tributo, sob pena de possível incursão no bis in idem. Deste modo, como o lançamento combatido não versa sobre multa acessória, somente diante de comprovação de que não houve recolhimento da contribuição previdenciária pelo contribuinte de fato é que se poderia manter o Auto de Infração; 3. do pedido. Diante do exposto, requer a contestante que sejam acolhidas as alegações apresentadas em sua defesa administrativa, sendo declarado extinto o crédito tributário em destaque. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento (DRJ) em Salvador/BA – por meio do Acórdão no 1525.952 da 7a Turma da DRJ/SDR (fls. 116/127) – considerou o lançamento fiscal procedente em parte, eis que ocorreu a retificação dos valores lançados, excluindo o valor de contribuição de R$3.133,90 – nas competências 06/2008, 08/2008 e 12/2008 –, referente à retenção de 11% do valor bruto das notas fiscais de serviços de n° 8, 10 e 14. Tal retificação, nos termos dessa decisão, decorre do fato de que “(...) algumas competências foram definidas pela fiscalização a partir das datas em que foram realizados os empenhos e/ou pagamentos das notas fiscais de serviços, o que vai de encontro ao estabelecido no art. 31, da Lei n° 8.212, de 1991, vigente à época da ocorrência dos fatos geradores (05/2008 a 12/2008), pois este dispositivo legal determina que a empresa contratante deve reter onze por cento do valor bruto da nota fiscal ou fatura de prestação de serviços e recolher o valor retido no mês subseqüente ao da emissão da respectiva nota fiscal ou fatura, em nome da empresa cedente da mãodeobra (...)”. A Notificada apresentou recurso (fls. 133/144), manifestando seu inconformismo pela obrigatoriedade do recolhimento dos valores lançados e no mais alega improcedência dos valores apurados em decorrência da cessão de mãodeobra. A Delegacia da Receita Federal do Brasil (DRF) em Aracaju/SE encaminha os autos ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF) para processamento e julgamento (fl. 147). É o relatório. Fl. 153DF CARF MF Impresso em 11/06/2012 por SELMA RIBEIRO COUTINHO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/05/2012 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 16/05/20 12 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 29/05/2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 10510.001537/201071 Acórdão n.º 2402002.607 S2C4T2 Fl. 3 5 Voto Conselheiro Ronaldo de Lima Macedo, Relator Recurso tempestivo. Presentes os pressupostos de admissibilidade, conheço do recurso interposto. DO MÉRITO: No mérito, insurgese sobre a retenção das contribuições sociais previdenciárias, referentes à obrigação da Recorrente, como contratante de serviço mediante cessão de mãodeobra, de reter 11% sobre o valor bruto da nota fiscal ou fatura emitida pelas prestadoras de serviços executados mediante cessão de mãodeobra. A Recorrente afirma que os serviços que lhe foram prestados junto à Secretaria de Estado da Educação (SEED) não estão sujeitos à retenção da contribuição previdenciária de 11% e que o Fisco se apoiou em presunções. Verificase que as pessoas físicas que prestaram serviços à Recorrente possuem vínculo com as contratadas, e não com a contratante (Recorrente). Ficou evidenciado nos autos que as contratadas colocavam os trabalhadores à disposição da contratante e os serviços eram prestados de forma contínua. Isso está consubstanciado no item 7 do Relatório Fiscal que registrou: “(...) por se tratar de prestação de serviço de treinamento, continuado e realizado em espaço físico (dependência) da contratante” (fl. 23). Além disso, percebese que o Fisco, mediante análise dos registros contábeis fornecidos em arquivo digital pela Secretaria de Estado da Educação (SEED) e dos Contratos e Notas Fiscais de Prestação de Serviços, demonstrou que, dentro do programa “Sergipe Alfabetizado”, a execução do Contrato n° 08/2008, firmado entre o Estado de Sergipe (contratante) – por meio da Secretaria de Estado da Educação –, e a Associação Alfabetização Solidária (contratada), ocorreu mediante a cessão de mãodeobra prevista no art. 219, § 2o e XII, do Regulamento da Previdência Social (RPS), aprovado pelo do Decreto 3.048/1999. O referido contrato tem como objeto a capacitação inicial e continuada de profissionais do programa “Sergipe Alfabetizado”. Como o serviço realizado (treinamento e ensino) está inserido no rol dos serviços sujeitos à retenção – nos termos do disposto no art. 219, § 2o e XII, do Decreto 3.048/1999 –, o Fisco, após constatar a existência dos pressupostos fáticos e jurídicos exigidos para o enquadramento da prestação de serviço como cessão de mãodeobra, lavrou o presente auto de infração. Regulamento da Previdência Social (RPS) – Decreto 3.048/1999: Art. 219. A empresa contratante de serviços executados mediante cessão ou empreitada de mãodeobra, inclusive em regime de trabalho temporário, deverá reter onze por cento do valor bruto da nota fiscal, fatura ou recibo de prestação de serviços e Fl. 154DF CARF MF Impresso em 11/06/2012 por SELMA RIBEIRO COUTINHO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/05/2012 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 16/05/20 12 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 29/05/2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 6 recolher a importância retida em nome da empresa contratada, observado o disposto no § 5º do art. 216. (Redação dada pelo Decreto nº 4.729, de 9/06/2003) (...) § 2º Enquadramse na situação prevista no caput os seguintes serviços realizados mediante cessão de mãodeobra: (...) XII treinamento e ensino; Nesse mesmo sentido, o art. 31, § 3º, da Lei 8.212/1991 define o que seja cessão de mãodeobra para os fins da legislação previdenciária, exigindo serviços contínuos, relacionados ou não com a atividade fim da empresa, que o foi o caso do presente processo. Lei 8.212/1991: Art. 31. (...) § 3o Para os fins desta Lei, entendese como cessão de mãode obra a colocação à disposição do contratante, em suas dependências ou nas de terceiros, de segurados que realizem serviços contínuos, relacionados ou não com a atividade fim da empresa, quaisquer que sejam a natureza e a forma de contratação. (Redação dada pela Lei nº 9.711, de 1998). Portanto, restou configurada a prestação de serviços com cessão de mãode obra e a obrigação da empresa autuada de reter e recolher o valor retido em nome das empresas cedentes de mãodeobra, em observância ao ditame legal. O entendimento defendido pela Recorrente de que o Fisco deveria verificar, inicialmente, se o tributo foi recolhido pela prestadora, antes de exigilo do responsável tributário, e a alegação de que os valores lançados foram supostamente recolhidos pelas empresas contratadas estão desprovidos de amparo legal. A Lei 8.212/91, com a redação dada pela Lei 9.711/1998, obriga diretamente o contratante dos serviços a efetuar a retenção. O seu art. 31 assim dispõe: Art. 31. A empresa contratante de serviços executados mediante cessão de mãodeobra, inclusive em regime de trabalho temporário, deverá reter onze por cento do valor bruto da nota fiscal ou fatura de prestação de serviços e recolher a importância devida até o dia dois do mês subseqüente ao da emissão da respectiva nota fiscal ou fatura, em nome da empresa cedente de mãodeobra, observado o disposto no parágrafo 5º do art. 33. § 1o O valor retido de que trata o caput, que deverá ser destacado na nota fiscal ou fatura de prestação de serviços, será compensado pelo respectivo estabelecimento da empresa cedente da mãodeobra, quando do recolhimento das contribuições destinadas à Seguridade Social devidas sobre a folha de pagamento dos segurados a seu serviço. (Redação dada pela Lei no 9.711, de 211/11/98) § 2o Na impossibilidade de haver compensação integral na forma do parágrafo anterior, o saldo remanescente será objeto de restituição.( Redação dada peta Lei n° 9.711, de20/11/98) Fl. 155DF CARF MF Impresso em 11/06/2012 por SELMA RIBEIRO COUTINHO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/05/2012 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 16/05/20 12 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 29/05/2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 10510.001537/201071 Acórdão n.º 2402002.607 S2C4T2 Fl. 4 7 Nesse sentido, após o advento da retenção não há mais que se falar em responsabilidade solidária do tomador para com o contratante de serviços mediante cessão de mãodeobra, pois aquele passa a ter como obrigação reter 11% (onze por cento) do valor bruto da nota fiscal de serviços. Assim, a tomadora (Recorrente) está obrigada a tal procedimento, independente do fato de a prestadora ter efetuado ou não o recolhimento das contribuições. E o agente fiscal, ao constatar a prestação de serviço com cessão de mãode obra e a falta da retenção, lavrou corretamente os valores lançados da retenção no presente auto de infração, em observância ao disposto no § 5º do art. 33 da Lei 8.212/1991, abaixo transcrito: Art. 33. (...) § 5º O desconto de contribuição e de consignação legalmente autorizadas sempre se presume feito oportuna e regularmente pela empresa a isso obrigada, não lhe sendo lícito alegar omissão para se eximir do recolhimento, ficando diretamente responsável pela importância que deixou de receber ou arrecadou em desacordo com o disposto nesta Lei.(g.n.) Ao contrário do que possa parecer para a Recorrente, conforme suas alegações postas no recurso, a retenção não é nova contribuição social nem modalidade de responsabilidade solidária, mas mera antecipação compensável, visando somente a garantir a arrecadação previdenciária, obrigando o tomador de serviços, no caso em tela a Recorrente, a reter o percentual de 11% sobre o valor bruto do documento fiscal e recolhêlo em nome das prestadoras de serviços. Com isso, entendo que a Recorrente contratante de mãodeobra, tomadora de serviços, cumpre uma obrigação legal, com aparência de obrigação de tributária acessória, ao efetuar a retenção, já que se trata de simples obrigação de fazer, e não de dar, pois não há reduções patrimoniais desta Recorrente, que simplesmente deverá repassar o valor devido por outrem. Com isso, se a obrigação legal é descumprida somente o tomador de serviço (Recorrente) será responsável exclusivo pelos valores devidos, em razão da presunção de recolhimento, prevista no art. 33, § 5º, da Lei 8.212/1991, ao qual remete o próprio art. 31 da mesma Lei. Dessa forma, o fato das empresas contratadas ter supostamente efetuados os recolhimentos previdenciários de forma devida, não afasta a responsabilidade do contratante (Recorrente) quanto a sua omissão em efetuar a retenção que estava legalmente obrigado, convergindo tal fato para a exigência que ora se discute. Nesse sentido, não há razão do Fisco diligenciar junto às prestadoras de serviços para verificar se houve recolhimento das contribuições. Logo, não há razão no argumento da Recorrente retromencionado. Vale ressaltar que o Supremo Tribunal Federal (STF) reafirmou que é constitucional a retenção de 11% sobre o valor da nota fiscal ou fatura de prestação de serviço para fins de contribuição previdenciária. A decisão foi tomada em julgamento de Recurso Extraordinário (RE) no 603.191/MT que recebeu status de Repercussão Geral. O Plenário aplicou jurisprudência da Corte que confirma a constitucionalidade do artigo 31 da Lei Fl. 156DF CARF MF Impresso em 11/06/2012 por SELMA RIBEIRO COUTINHO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/05/2012 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 16/05/20 12 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 29/05/2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 8 8.212/1991, alterado pela Lei 9.711/1998, que prevê a retenção da contribuição previdenciária e seu posterior recolhimento em nome da empresa cedente de mãodeobra: Contribuição previdenciária de prestadoras de serviço: É constitucional a retenção de 11% sobre o valor bruto da nota fiscal ou fatura de prestação de serviços por parte das empresas tomadoras de serviço, a título de contribuição previdenciária. Ao reafirmar esse entendimento, o Plenário, por maioria, desproveu recurso extraordinário em que pretendida a declaração incidental de inconstitucionalidade do art. 31 da Lei 8.212/91. Asseverou que o instituto da substituição tributária seria necessário nas sociedades complexas atuais, as quais exigiriam a participação de terceiros para adimplemento de todas as obrigações e para maior facilidade tanto na arrecadação quanto na fiscalização, além de impedir o prejuízo aos trabalhadores nos contratos de terceirizados (RE 603191/MT / i634). (Informativo no 634 do STF) Decisão: O Tribunal, por maioria e nos termos do voto da Relatora, negou provimento ao recurso extraordinário, contra o voto do Senhor Ministro Marco Aurélio. Votou o Presidente, Ministro Cezar Peluso. Ausente o Senhor Ministro Joaquim Barbosa, licenciado. Falou pela União a Dra. Cláudia Aparecida de Souza Trindade, Procuradora da Fazenda Nacional. Plenário, 01/08/2011. Por fim, pela apreciação do processo e das alegações da Recorrente, não encontramos motivos para decretar a nulidade nem a modificação do lançamento ou da decisão de primeira instância, eis que o lançamento fiscal e a decisão encontramse revestidos das formalidades legais, tendo sido lavrados de acordo com o arcabouço jurídicotributário vigente à época da sua lavratura. CONCLUSÃO: Voto no sentido de CONHECER do recurso e NEGARLHE PROVIMENTO, nos termos do voto. Ronaldo de Lima Macedo. Fl. 157DF CARF MF Impresso em 11/06/2012 por SELMA RIBEIRO COUTINHO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/05/2012 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 16/05/20 12 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 29/05/2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES
score : 1.0
Numero do processo: 10980.014011/2007-19
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jul 10 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Mon Jun 03 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda Retido na Fonte - IRRF
Exercício: 2004
Ementa:
RECURSO DE OFÍCIO. Tendo os julgadores de primeiro grau interpretado corretamente a legislação tributária, bem assim sua aplicação ao caso concreto, não há reparos a serem feitos à decisão que cancelou, parcialmente, as exigências tributárias.
DECISÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA. NULIDADE. INOCORRÊNCIA. Não é nulo acórdão de primeira instância que exaure a matéria contida na impugnação.
PAGAMENTO EFETUADO SEM COMPROVAÇÃO DA OPERAÇÃO OU CAUSA. ARTIGO 61 DA LEI Nº 8.981, DE 1995. CARACTERIZAÇÃO. A pessoa jurídica que efetuar a entrega de recursos a terceiros ou sócios, acionistas ou titulares, contabilizados ou não, cuja operação ou causa não comprove mediante documentos hábeis e idôneos, sujeitar-se-á à incidência do imposto, exclusivamente na fonte, à alíquota de 35%, a título de pagamento sem causa, nos termos do art. 61, § 2º, da Lei nº 8.981, de 1995.
LANÇAMENTO. MULTA DE OFÍCIO. No caso de falta de pagamento ou de pagamento a menor de imposto, apurado por meio de lançamento de ofício, é cabível a aplicação da multa de ofício de 75%.
INCONSTITUCIONALIDADE - O Primeiro Conselho de Contribuintes não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária (Súmula CARF nº 2).
JUROS DE MORA. TAXA SELIC . INCIDÊNCIA. A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC para títulos federais. (Súmula CARF nº 4).
RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. HIPÓTESES DE IMPUTAÇÃO. PRINCÍPIO DA LEGALIDADE. A imputação de responsabilidade solidária por crédito tributário só pode ocorrer nas hipóteses e nos limites fixados na legislação, que a restringe às pessoas expressamente designadas em lei e àquelas que tenham interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal. A exigência de tributação exclusivamente na fonte, com base no art. 61 da Lei nº 8.981, de 1995, é incompatível com a imputação de responsabilidade solidária a terceiros por suas meras participações, como prepostos ou administradores, nos acontecimentos que caracterizaram o pagamento sem causa ou a beneficiário não identificado.
Numero da decisão: 2201-001.692
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, REJEITAR as preliminares arguidas pela recorrente. No mérito, por unanimidade de votos, NEGAR provimento ao Recurso de Ofício e DAR provimento PARCIAL ao Recurso Voluntário, para excluir do pólo passivo o Sr. Sironi Antonio Cavagnoli. Fez sustentação oral o Dr. Eduardo Lourenço Gregório Junior, OAB 36.531/DF.
(assinado digitalmente)
MARIA HELENA COTTA CARDOZO Presidente
(assinado digitalmente)
RAYANA ALVES DE OLIVEIRA FRANÇA Relatora
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Pedro Paulo Pereira Barbosa, Rayana Alves de Oliveira França, Eduardo Tadeu Farah, Rodrigo Santos Masset Lacombe, Gustavo Lian Haddad e Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente).
Nome do relator: RAYANA ALVES DE OLIVEIRA FRANCA
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201207
camara_s : Segunda Câmara
ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda Retido na Fonte - IRRF Exercício: 2004 Ementa: RECURSO DE OFÍCIO. Tendo os julgadores de primeiro grau interpretado corretamente a legislação tributária, bem assim sua aplicação ao caso concreto, não há reparos a serem feitos à decisão que cancelou, parcialmente, as exigências tributárias. DECISÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA. NULIDADE. INOCORRÊNCIA. Não é nulo acórdão de primeira instância que exaure a matéria contida na impugnação. PAGAMENTO EFETUADO SEM COMPROVAÇÃO DA OPERAÇÃO OU CAUSA. ARTIGO 61 DA LEI Nº 8.981, DE 1995. CARACTERIZAÇÃO. A pessoa jurídica que efetuar a entrega de recursos a terceiros ou sócios, acionistas ou titulares, contabilizados ou não, cuja operação ou causa não comprove mediante documentos hábeis e idôneos, sujeitar-se-á à incidência do imposto, exclusivamente na fonte, à alíquota de 35%, a título de pagamento sem causa, nos termos do art. 61, § 2º, da Lei nº 8.981, de 1995. LANÇAMENTO. MULTA DE OFÍCIO. No caso de falta de pagamento ou de pagamento a menor de imposto, apurado por meio de lançamento de ofício, é cabível a aplicação da multa de ofício de 75%. INCONSTITUCIONALIDADE - O Primeiro Conselho de Contribuintes não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária (Súmula CARF nº 2). JUROS DE MORA. TAXA SELIC . INCIDÊNCIA. A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC para títulos federais. (Súmula CARF nº 4). RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. HIPÓTESES DE IMPUTAÇÃO. PRINCÍPIO DA LEGALIDADE. A imputação de responsabilidade solidária por crédito tributário só pode ocorrer nas hipóteses e nos limites fixados na legislação, que a restringe às pessoas expressamente designadas em lei e àquelas que tenham interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal. A exigência de tributação exclusivamente na fonte, com base no art. 61 da Lei nº 8.981, de 1995, é incompatível com a imputação de responsabilidade solidária a terceiros por suas meras participações, como prepostos ou administradores, nos acontecimentos que caracterizaram o pagamento sem causa ou a beneficiário não identificado.
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
dt_publicacao_tdt : Mon Jun 03 00:00:00 UTC 2013
numero_processo_s : 10980.014011/2007-19
anomes_publicacao_s : 201306
conteudo_id_s : 5255882
dt_registro_atualizacao_tdt : Tue Jun 04 00:00:00 UTC 2013
numero_decisao_s : 2201-001.692
nome_arquivo_s : Decisao_10980014011200719.PDF
ano_publicacao_s : 2013
nome_relator_s : RAYANA ALVES DE OLIVEIRA FRANCA
nome_arquivo_pdf_s : 10980014011200719_5255882.pdf
secao_s : Segunda Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, REJEITAR as preliminares arguidas pela recorrente. No mérito, por unanimidade de votos, NEGAR provimento ao Recurso de Ofício e DAR provimento PARCIAL ao Recurso Voluntário, para excluir do pólo passivo o Sr. Sironi Antonio Cavagnoli. Fez sustentação oral o Dr. Eduardo Lourenço Gregório Junior, OAB 36.531/DF. (assinado digitalmente) MARIA HELENA COTTA CARDOZO Presidente (assinado digitalmente) RAYANA ALVES DE OLIVEIRA FRANÇA Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Pedro Paulo Pereira Barbosa, Rayana Alves de Oliveira França, Eduardo Tadeu Farah, Rodrigo Santos Masset Lacombe, Gustavo Lian Haddad e Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente).
dt_sessao_tdt : Tue Jul 10 00:00:00 UTC 2012
id : 4879640
ano_sessao_s : 2012
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:10:07 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713045983930089472
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 24; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2432; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C2T1 Fl. 1.558 1 1.557 S2C2T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10980.014011/200719 Recurso nº De Ofício e Voluntário Acórdão nº 2201001.692 – 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 10 de julho de 2012 Matéria IRRF Recorrente GIRO COMERCIO DE PNEUS LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE IRRF Exercício: 2004 Ementa: RECURSO DE OFÍCIO. Tendo os julgadores de primeiro grau interpretado corretamente a legislação tributária, bem assim sua aplicação ao caso concreto, não há reparos a serem feitos à decisão que cancelou, parcialmente, as exigências tributárias. DECISÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA. NULIDADE. INOCORRÊNCIA. Não é nulo acórdão de primeira instância que exaure a matéria contida na impugnação. PAGAMENTO EFETUADO SEM COMPROVAÇÃO DA OPERAÇÃO OU CAUSA. ARTIGO 61 DA LEI Nº 8.981, DE 1995. CARACTERIZAÇÃO. A pessoa jurídica que efetuar a entrega de recursos a terceiros ou sócios, acionistas ou titulares, contabilizados ou não, cuja operação ou causa não comprove mediante documentos hábeis e idôneos, sujeitarseá à incidência do imposto, exclusivamente na fonte, à alíquota de 35%, a título de pagamento sem causa, nos termos do art. 61, § 2º, da Lei nº 8.981, de 1995. LANÇAMENTO. MULTA DE OFÍCIO. No caso de falta de pagamento ou de pagamento a menor de imposto, apurado por meio de lançamento de ofício, é cabível a aplicação da multa de ofício de 75%. INCONSTITUCIONALIDADE O Primeiro Conselho de Contribuintes não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária (Súmula CARF nº 2). JUROS DE MORA. TAXA SELIC . INCIDÊNCIA. A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. (Súmula CARF nº 4). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 98 0. 01 40 11 /2 00 7- 19 Fl. 1555DF CARF MF Impresso em 04/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/05/2013 por RAYANA ALVES DE OLIVEIRA FRANCA, Assinado digitalmente em 06/05/2013 por RAYANA ALVES DE OLIVEIRA FRANCA, Assinado digitalmente em 09/05/2013 por MARIA HELEN A COTTA CARDOZO 2 RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. HIPÓTESES DE IMPUTAÇÃO. PRINCÍPIO DA LEGALIDADE. A imputação de responsabilidade solidária por crédito tributário só pode ocorrer nas hipóteses e nos limites fixados na legislação, que a restringe às pessoas expressamente designadas em lei e àquelas que tenham interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal. A exigência de tributação exclusivamente na fonte, com base no art. 61 da Lei nº 8.981, de 1995, é incompatível com a imputação de responsabilidade solidária a terceiros por suas meras participações, como prepostos ou administradores, nos acontecimentos que caracterizaram o pagamento sem causa ou a beneficiário não identificado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, REJEITAR as preliminares arguidas pela recorrente. No mérito, por unanimidade de votos, NEGAR provimento ao Recurso de Ofício e DAR provimento PARCIAL ao Recurso Voluntário, para excluir do pólo passivo o Sr. Sironi Antonio Cavagnoli. Fez sustentação oral o Dr. Eduardo Lourenço Gregório Junior, OAB 36.531/DF. (assinado digitalmente) MARIA HELENA COTTA CARDOZO– Presidente (assinado digitalmente) RAYANA ALVES DE OLIVEIRA FRANÇA – Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Pedro Paulo Pereira Barbosa, Rayana Alves de Oliveira França, Eduardo Tadeu Farah, Rodrigo Santos Masset Lacombe, Gustavo Lian Haddad e Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente). Relatório DOS PROCEDIMENTOS FISCAIS Contra a contribuinte acima identificada, foi lavrado Auto de Infração (fls. 379/416), para exigir crédito tributário, no montante total de R$6.152.824,95, dos quais R$1.931.582,16 referemse a imposto, R$2.897.372,86 a multa de ofício de 150% e R$1.323.869,93 a juros de mora calculados até 28/09/2007, originado da falta de recolhimento de IRRF sobre pagamentos sem causa e/ou não comprovados, no anocalendário de 2003. Infração capitulada no art.61, da Lei nº8.981/1995. O Termo de Verificação Fiscal (fls.367/374) descreve, pormenorizadamente, os procedimentos de fiscalização e está assim sintetizado pelo relatório do acórdão de primeira instância: “1 — Tendo sido constatada vultosa movimentação financeira em conta corrente mantida no nome da pessoa física Sonia Maria Rouze, esta informou que tal movimentação pertencia integralmente a pessoa jurídica autuada, Giro Comércio de Pneus Ltda., que assumiu a titularidade da movimentação. Foram apresentados livros contábeis que supostamente comprovariam a alegação, mas os mesmos não foram aceitos pela fiscalização, pelas razões declinadas no TVF. Fl. 1556DF CARF MF Impresso em 04/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/05/2013 por RAYANA ALVES DE OLIVEIRA FRANCA, Assinado digitalmente em 06/05/2013 por RAYANA ALVES DE OLIVEIRA FRANCA, Assinado digitalmente em 09/05/2013 por MARIA HELEN A COTTA CARDOZO Processo nº 10980.014011/200719 Acórdão n.º 2201001.692 S2C2T1 Fl. 1.559 3 2 — A fiscalização constatou, com base na documentação apresentada e devidamente listada no TVF, que depósitos no total de R$ 3.572.025,48 provêm de cobranças de clientes da pessoa jurídica autuada. Também constatou que a importância de R$ 130.119,18 provém do depósito de cheques relacionados com operações da empresa. E ainda, que a importância total de R$ 144.900,00 foi transferida diretamente da conta bancária da mesma empresa, perfazendo os ingressos o montante total de R$ 3.857.2235,33. 3 — Em contrapartida, foram constatadas duas transferências bancárias da conta da pessoa física para a conta da pessoa jurídica autuada, no importe total de R$ 270.000,00. 4— A fiscalização entende, pelos múltiplos fundamentos que descortina no TVF, que, ao contrário do que alegam a pessoa física e a pessoa jurídica autuada, a conta bancária foi efetivamente utilizada pela contribuinte Sonia Maria Rouze, conforme se vê no seguinte excerto (fls. 372373), que sintetiza sua convicção: "Relatamos, anteriormente, que as notas fiscais apresentadas corresponderam às cobranças bancárias no ano de 2003 no valor total de R$ 3.572.025,48. Neste ponto, esclarecemos que as notas fiscais da empresa justificariam habilmente o recebimento desse valor pela própria empresa emissora, comprovando a origem de depósitos em c/c de direito ou de fato) da própria empresa. Porém, tais documentos não justificam de forma alguma o recebimento desses mesmos valores através de c/c de qualquer outro contribuinte, em especial a contribuinte aqui fiscalizada que não possuiu, em momento algum, relação com a empresa e, principalmente, que usufruiu efetivamente dos valores depositados, como relatado anteriormente. Portanto, há comprovação de origem para o recebimento dos valores correspondentes em (?) notas fiscais por parte da empresa Giro, sendo suas receitas operacionais. Mas não há nenhuma comprovação da causa do repasse/recebimento desse mesmo valor da empresa Giro para a contribuinte Sonia. Da mesma forma, os cheques e as transferências da empresa para a contribuinte não tiveram comprovação de sua causa. Assim, todos os depósitos acima do ano de 2003 relativos a empresa giro, subtraídos do valor de R$ 270.000,00 que 'retornou' à empresa, consolidados em planilha anexa a este Termo de Verificação, serão considerados pagamentos sem comprovação de sua causa, sendo tributados de acordo com o art. 674 do RIR/99, a seguir reproduzido." (Os grifos e sublinhados constam do original). Os enquadramentos legais do lançamento, descritos no campo próprio do auto de infração (fls. 415), são o art. 674, § 1° do RIR/99; o art. 61, § 1° a 3° da Lei n°8.981, de 1995, e art. 20 da Instrução Normativa SRF n° 15, de 2001. Também foi lavrado o Termo de Sujeição Passiva Solidária de fls. 417418, por meio do qual se atribui a condição de sujeito passivo solidário ao Sr. Sironi Antonio Cavagnoli.” Fl. 1557DF CARF MF Impresso em 04/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/05/2013 por RAYANA ALVES DE OLIVEIRA FRANCA, Assinado digitalmente em 06/05/2013 por RAYANA ALVES DE OLIVEIRA FRANCA, Assinado digitalmente em 09/05/2013 por MARIA HELEN A COTTA CARDOZO 4 DA IMPUGNAÇÃO Contra o lançamento, foi apresentada impugnação (fls.407/418), cujos principais argumentos foram sintetizados pelo acórdão recorrido, nos seguintes termos: aduzem que deveria ter sido comprovada a existência de pagamentos e a ausência de causa a justificálos, mas não há qualquer pagamento da empresa para a Sra. Sonia Maria Rouze; relatam que, no ano de 2003, a autuada passava por sérios problemas bancários e fiscais e, por essa razão, o Sr. Sironi Antonio Cavagnoli, seu administrador de fato, solicitou que sua exesposa, Sra. Sonia Maria Rouze, emprestasse sua conta bancária para nela ser efetuada a movimentação da pessoa jurídica, o que veio a ocorrer, sendo que, a partir de então, a pessoa física não mais teria utilizado a conta bancária e nem se apropriado dos recursos nela depositados, posto que a conta teria passado a ser operada exclusivamente pelo Sr. Sironi; aduzem que a autuada forneceu à Sra. Sonia documentos fiscais e contábeis que deixavam claro ser ela a titular de fato da conta bancária, e que a fiscalização reconheceu que a conta era utilizada para o recebimento de valores decorrentes de suas operações; sustentam que além das notas fiscais e documentos contábeis fornecidos pela autuada, a fiscalização obteve do Banco do Brasil inúmeros documentos que demonstram que a conta bancária era gerida exclusivamente pelo Sr. Sironi, administrador da autuada; observam que as conjecturas da fiscalização seguem os seguintes pontos básicos, verbis: "(i) As NF's da empresa justificam os valores recebidos por esta empresa em c/c que seja de direito ou de fato de sua titularidade; (ii) Tais NF's não justificam o recebimento 'através de c/c de outro contribuinte' em especial se este não possuir relação com a empresa e tiver usufruído 'efetivamente' dos valores depositados; e (iii) Não há comprovação da causa dos pagamentos a Sr° Sonia." argumentam que a titularidade de fato ocorre quando não há identidade entre o nome do titular da conta bancária e o beneficiário dos recursos nela depositados; que essa é a situação dos autos; e que a utilização de conta bancária de terceiro é um fato, cuja existência já foi sobejamente reconhecida; relatam que a conta corrente e as movimentações nela realizadas estão reconhecidas na contabilidade da autuada; reiteram que a conta foi movimentada o tempo todo pelo Sr. Sironi; que nos cartões para a movimentação da conta constam claramente sua assinatura, e que a Sra. Sonia lhe outorgou procuração com amplos poderes para promover a movimentação da conta. Acrescentam que até mesmo os cheques nominais à se Sonia foram assinados e endossados pelo Sr. Sironi; reportandose aos investimentos aludidos pela fiscalização, alegam que se trata de previdência privada que, embora tenha sido colocada em nome da Sra. Fl. 1558DF CARF MF Impresso em 04/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/05/2013 por RAYANA ALVES DE OLIVEIRA FRANCA, Assinado digitalmente em 06/05/2013 por RAYANA ALVES DE OLIVEIRA FRANCA, Assinado digitalmente em 09/05/2013 por MARIA HELEN A COTTA CARDOZO Processo nº 10980.014011/200719 Acórdão n.º 2201001.692 S2C2T1 Fl. 1.560 5 Sônia, esta jamais a reconheceu como de sua propriedade, e que jamais se apropriou desses recursos; asseguram que o recebimento de alguns depósitos que comprovadamente seriam rendimentos próprios da Sra. Sonia não é suficiente para afastar o fato de que a autuada se utilizava, de fato, da referida conta bancária. Esclarecem que tais depósitos são decorrentes de aluguéis de bens de sua propriedade e representam apenas 0,009% dos depósitos ocorridos no ano de 2003, e que esses aluguéis sequer foram sacados por ela; argumentam que, das copias extraídas dos livros fiscais, se constata que as obrigações da empresa — tais como fornecedores, despesas e folha de pagamento foram pagas com recursos extraídos da conta bancária; alegam ser improcedente a autuação por supostos pagamentos sem causa, por ter sido embasada em depósitos — e não em pagamentos , e também por inexistir sequer prova de que tenha ocorrido pagamento à Sra. Sonia; argumentam que a autuada utilizou recursos depositados na conta bancária para custear suas atividades operacionais, e exemplificam com quadro demonstrativo estampado As fls. 454. Argumentam que as despesas se encontram devidamente contabilizadas e que, contrapondose estas despesas com os depósitos efetuados na conta bancária, observase que a empresa efetivamente utilizouse dos recursos nela depositados; argumentam que, não existindo compra de mercadorias a custo zero e nem vendedores que laborem de graça, há que se reconhecer, ainda que com base em percentual presumido, que a empresa utilizou de recursos advindos de sua atividade para o fim de pagar despesas operacionais, e que, portanto, não seria possível que a integralidade dos recursos depositados na conta representariam os supostos pagamentos sem causa; no propósito de apontar nulidade do auto de infração, destacam que a fiscalização confunde o que seria de responsabilidade da empresa autuada demonstrar, e o que seria de responsabilidade da Se Sonia. Alegam que a fiscalização afirma que a contribuinte teria sido intimada a comprovar a utilização dos depósitos para fazer frente aos negócios da empresa Giro, e que declarou não ter logrado êxito em tal comprovação. Afirmam que quem foi intimada foi a se Sonia, e que isso não faz sentido, e que quem deveria ser intimada era a autuada. Sustentam que esta foi intimada apenas a comprovar os pagamentos efetuados para a Sra. Sonia, os quais nunca teriam ocorrido; chamam a atenção para os esclarecimentos constantes do documento de fls. 965, cuja ausência dos autos estranham, e também para a contabilidade da autuada, que registraria o destino conferido aos recursos. A titulo de exemplo, apontam as notas fiscais de pagamentos de fornecedores acostadas is fls. 509953; afirmam que a tributação dos depósitos da forma pretendida pela fiscalização, sem a persecução da verdade real, sem qualquer diligência na empresa, com relação a eventuais pagamentos efetuados a terceiros, sem sequer se demonstrar que a Sra. Sonia teria de fato se beneficiado dos valores depositados na conta bancária, seria admitir violação de inúmeros princípios, inclusive de direito administrativo; argumentam que a fiscalização deveria ter intimado a autuada a comprovar todos os pagamentos efetuados por meio da conta bancária, o que não ocorreu. Fl. 1559DF CARF MF Impresso em 04/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/05/2013 por RAYANA ALVES DE OLIVEIRA FRANCA, Assinado digitalmente em 06/05/2013 por RAYANA ALVES DE OLIVEIRA FRANCA, Assinado digitalmente em 09/05/2013 por MARIA HELEN A COTTA CARDOZO 6 Afirmam que a fiscalização optou pelo caminho mais simplista para proceder a lançamento em função de tais valores; alegam que a fiscalização efetuou outro lançamento contra a Se Sonia (PAF n° 10980.013140/200790), atribuindolhe responsabilidade por outros depósitos na mesma conta, no importe de R$ 4,1 milhões, e que a autoridade fiscal pretende dobrar o efeito das saídas que alega terem sido em beneficio da Sra. Sonia; apontam que a fiscalização não autuou a empresa por falta de reconhecimento das receitas das operações, admitindo assim que tais receitas foram reconhecidas e validando a contabilidade que as reconheceu; suscitam a nulidade do auto de infração por ter sido lavrado contrariamente As provas dos autos e por se fundamentar em presunções. Acrescentam que a fiscalização desconsiderou os documentos da empresa em vista de supostos" equívocos formais e pela serôdia inclusão dos lançamentos contábeis relativos A conta bancária. Argumentam não fazer sentido desconsiderar os livros, quando eles refletem operações de fato realizadas, e que foram exemplificados pela fiscalização supostos lançamentos tardios relativos aos anoscalendário de 2001 e 2002, mas o lançamento versa sobre operações do anocalendário de 2003; argumentam que a autuada não estava sob fiscalização quando registrou os livros na Junta Comercial e que não há razões para serem desconstituídos, uma vez que existem e estão registrados. Acrescenta que, no anocalendário de 2003, a autuada era optante pelo lucro presumido, o que a desobrigava de manter escrituração contábil; alegam que a autuada movimentou conta bancária em seu nome somente até abril de 2002, mas o lançamento versa sobre o anocalendário de 2003; contestam a imposição da multa de oficio qualificada argumentando não existir nos autos comprovação de que a autuada e/ou seu administrador de fato, o Sr. Sironi, tenham agido com evidente intuito de fraude. Reiteram que não houve qualquer pagamento à se Sonia e que a contabilidade traduz exatamente as operações realizadas pela autuada. Dizem não ser possível presumir a existência de evidente fraude ou sonegação; indagam: qual teria sido o ato doloso praticado para ocultar o suposto fato gerador? Qual teria sido o ato doloso para retardar o suposto fato gerador? E qual seria o referido fato gerador? também se insurgem contra a sujeição passiva solidária atribuída ao Sr. Sironi. Dizem não haver qualquer razão para desconsideração da personalidade jurídica da autuada. Dizem não existir qualquer indicio ou prova do interesse comum do Sr. Sironi nos supostos pagamentos sem causas. Argumentam que apenas em 03/09/2003, aludido senhor retomou as atividades da empresa. Afirmam, também, que a fiscalização não demonstrou qual ato abusivo ou ilegal do Sr. Sironi, queteria dado origem ao crédito tributário; dizem ser incabível a formulação de representação para fins penais, razão pela qual pedem seu indeferimento. Finalizam a peça requerendo, verbis: "Ante o exposto, requerem os impugnantes seja reconhecida a nulidade do auto de infração lavrado em vista de não terem sido respeitados princípios basilares de direito administrativo, dentre os quais o da busca da Verdade Real. Fl. 1560DF CARF MF Impresso em 04/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/05/2013 por RAYANA ALVES DE OLIVEIRA FRANCA, Assinado digitalmente em 06/05/2013 por RAYANA ALVES DE OLIVEIRA FRANCA, Assinado digitalmente em 09/05/2013 por MARIA HELEN A COTTA CARDOZO Processo nº 10980.014011/200719 Acórdão n.º 2201001.692 S2C2T1 Fl. 1.561 7 Caso não seja este o entendimento de V.Sas. requerem seja julgada improcedente a autuação, de forma a afastar a exigência dos supostos débitos de IRRF, tendo em vista não existirem pagamentos (nem pagamentos sem causa) a Sra. Sonia Maria Rouze, ou, quando menos, por não existirem quaisquer PROVAS de que tais alegados pagamentos tivessem ocorrido, afastando se, assim, a aplicabilidade do disposto no artigo 61 da Lei 8.981/95 (artigo 674 do RIR/99), bem como por ter sido o auto de infração lavrado contra provas dos autos. Requerem, ainda, seja reconhecida a ilegitimidade passiva do Sr. Sironi Antonio Cavagnoli, por ser inaplicável no caso a regra de solidariedade ou de responsabilidade. Requerem, também, ad argumentandum, caso V.Sas. não entendam pela integral improcedência da autuação fiscal, seja reconhecida a inaplicabilidade da multa de 150%, reduzindoa para 75% em função da inexistência de qualquer justificativa a sustentar o agravamento da pena. Requerse, ainda, seja dada baixa da representação criminal, tendo em vista não ter sido comprovada a existência de fraude sonegação ou conluio na operação analisada." Dentre os documentos acostados aos autos, destacamse: · fls. 496507: procurações, contratos sociais, documentos de identidade, etc; · fls. 509953: notas fiscais de compra da empresa Giro; · fls. 955963: cópias de razão analítico da empresa Giro; · fls. 965: correspondência da Sra. Sonia; · fls. 967968: fichas de autógrafo da conta bancária em que ocorreu a movimentação objeto da autuação; · fls. 970: procuração outorgada pela Sra. Sonia ao Sr. Sironi; · fls. 972: correspondência da Sra. Sonia para o Banco do Brasil; · fls. 9741.242: cópias de cheques sacados contra a conta bancária; · fls. 1.2441.246: cópia da declaração de ajuste anual da Sr. Sonia; · fls. 1.2481.321: cópia, em complementação das cópias do Razão Analítico da empresa; · fls. 1.324: procuração outorgada pelo Sr. Sironi Antonio Cavagnoli; · fls. 13261341: extrato de Consulta da DIPJ do anocalendário de 2003 da Empresa. DA DECISÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA Após analisar a matéria, os Membros da 1ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Curitiba/PR, acordaram, por unanimidade de votos, em JULGAR PROCEDENTE EM PARTE o lançamento, substituindo a multa de ofício qualificada, no percentual de 150%, pela multa de ofício normal, no percentual de 75%, nos termos do Fl. 1561DF CARF MF Impresso em 04/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/05/2013 por RAYANA ALVES DE OLIVEIRA FRANCA, Assinado digitalmente em 06/05/2013 por RAYANA ALVES DE OLIVEIRA FRANCA, Assinado digitalmente em 09/05/2013 por MARIA HELEN A COTTA CARDOZO 8 Acórdão DRJ/CTA n° 06.18.928, de 14 de agosto de 2008 (fls.1343/1366), em decisão assim ementada: UTILIZAÇÃO DE CONTA DE TERCEIRO. COMPROVAÇÃO. Para que a pessoa jurídica comprove ser a verdadeira titular de movimentação ocorrida em conta bancária de pessoa física, deve comprovar não apenas que os recursos nela ingressados provêm de seu patrimônio, mas, principalmente, que os valores sacados foram efetivamente utilizados na quitação de seus compromissos. PAGAMENTOS SEM CAUSA COMPROVADA. Transferências de recursos do patrimônio de pessoa jurídica para conta bancária de pessoa física, inclusive créditos de recebíveis, constituem pagamentos cuja causa carece de ser devidamente comprovada. ESCRITURAÇÃO. FORÇA PROBANTE. Carece de força probante o livro caixa cuja escrituração, no propósito de registrar ingresso de recursos sacados de contas de terceiro, omite receitas próprias em montante muitas vezes superior. MULTA QUALIFICADA. Reduzse a multa, do percentual de 150% para 75%, quando o Fisco não lograr demonstrar o evidente intuito de fraude. Lançamento Procedente em Parte. DO RECURSO VOLUNTÁRIO A contribuinte, através do seu representante legal, tomou ciência dessa decisão em 29/08/2008 (fls. 1380) e, com ela não se conformando, interpôs, na data de 29/09/2008, o Recurso Voluntário Tempestivo de fls. 1388/1457, acompanhado dos documentos de fls.1458/1547, através do qual ratifica os fundamentos apresentados na peça impugnatória e rebate contundentemente os argumentos da decisão recorrida, através dos argumentos a seguir elencados. I DA INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO SEM CAUSA: Inaplicabilidade do art. 61 da Lei n° 8.981/95 (art. 674 do RIR/1999) A recorrente utilizouse da conta bancária em nome da Sra. Sônia para fazer movimentações e receber valores decorrentes de sua atividade empresarial, ou seja, era a empresa Giro a titular de fato da conta bancária. O Sr. Sironi, administrador da empresa, efetivamente realizou toda a movimentação bancária, inclusive assinando e endossando os cheques. A Sra. Sônia, titular da conta e sua exmulher, não efetuou qualquer movimentação na referida conta corrente. Para respaldar a autuação, o fisco deveria provar o efetivo pagamento, cuja causa o beneficiário não é identificado. Equivocase a DRJ ao desconsiderar os livros da recorrente por entender que havia disparidade entre as receitas declaradas na DIPJ e as escrituradas nos livros fiscais, bem como ao considerar que algumas vendas não teriam sido contabilizadas na conta caixa. Fl. 1562DF CARF MF Impresso em 04/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/05/2013 por RAYANA ALVES DE OLIVEIRA FRANCA, Assinado digitalmente em 06/05/2013 por RAYANA ALVES DE OLIVEIRA FRANCA, Assinado digitalmente em 09/05/2013 por MARIA HELEN A COTTA CARDOZO Processo nº 10980.014011/200719 Acórdão n.º 2201001.692 S2C2T1 Fl. 1.562 9 No anocalendário de 2003, a Recorrente era optante pelo Regime de Tributação do Lucro Presumido e optou pela apuração de suas receitas pelo regime de competência. Assim, todas as receitas foram escrituradas, independentemente do seu efetivo recebimento, e,posteriormente, divididas em dois principais grupos: (i) receitas decorrentes de vendas à vista; e (ii) receitas decorrentes de vendas a prazo. A tabela comparativa de fls.1354, elaborada pela DRJ, partiu do pressuposto de que a empresa estaria no regime de caixa para a apuração do IRPJ — e, por isto, a suposta diferença encontrada. Na referida tabela, foram considerados apenas vendas de mercadorias e serviços à vista, com exceção das vendas de serviço do mês de janeiro, entretanto não foram consideradas as vendas a prazo. As vendas à vista totalizaram cerca de R$ 3,7 milhões, ao passo que, as realizadas a prazo se aproximaram de R$ 19,5 milhões. Nessa análise foi também considerada penas a conta caixa, desprezando a conta ”duplicatas a receber”. A empresa, por ter optado pelo regime de competência, mesmo não tendo recebido a integralidade do valor das vendas a prazo, ainda assim lançou corretamente a totalidade das "receitas" em sua DIPJ. Conforme se verifica às fls. 148203 do Livro Razão de 2003 (Doc. 01), e às fls. 131134 do balancete de verificação do Livro Diário de 2003 (Doc. 04), as despesas da empresa eram na monta de aproximadamente R$ 10 milhões. Em um cálculo superficial, considerandose os mais de R$ 10 milhões de despesas, somados ao aumento dos mútuos ativos (R$ 4,5 milhões), às distribuições de lucro realizadas pela empresa (R$ 4 milhões), referidos pela DRJ às fls. 1.356 e constantes do balancete de verificação do Livro Diário de 2003 (Doc. 04), bem como somandose, ainda, ao aumento do saldo das duplicatas a receber (vendas a prazo — R$ 5 milhões), chegase a um total aproximado de R$ 23,5 milhões — valor este bastante próximo às receitas declaradas em DIPJ, que foram de R$ 23,4 milhões. Ainda no que se refere a verificação da titularidade da conta corrente, a DRJ teceu comentários relativos ao saque, na "boca do caixa", pelo Sr. Sironi, de 65% dos valores depositados na conta corrente. Neste sentido, alegou que não haveria lógica a realização de tal procedimento para pessoa jurídica, bem como que deveriam ter sido apresentados comprovantes pormenorizados da utilização do numerário (fls. 1.358). Entretanto, esses saques representaram no máximo 20% das despesas da pessoa jurídica, a alegação de que algo não faz sentido — ou que é incomum — não é suficiente para amparar uma autuação fiscal de pagamento sem causa. A afirmação da existência de apenas duas transferências bancárias diretamente efetuadas para conta em nome da empresa GIRO (fls.1.352) não significa que somente estes valores tenham sido destinados à sua atividade. De outro modo, tal fato somente ratifica que a contabancária junto ao Banco do Brasil era de fato utilizada pela empresa. Restou incontestável, portanto, o fato de que os valores depositados na conta corrente foram utilizados para fazer frente às despesas da GIRO. Fl. 1563DF CARF MF Impresso em 04/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/05/2013 por RAYANA ALVES DE OLIVEIRA FRANCA, Assinado digitalmente em 06/05/2013 por RAYANA ALVES DE OLIVEIRA FRANCA, Assinado digitalmente em 09/05/2013 por MARIA HELEN A COTTA CARDOZO 10 II DA IMPOSSIBILIDADE DE AUTUAÇÃO COM BASE EM PRESUNÇÕES Para a aplicação do disposto no art. 61 da Lei n° 8.981/95, o fisco tem que demonstrar o preenchimento dos pressupostos previstos neste dispositivo legal, autorizadores da presunção de rendimentos, quais sejam: (i) a existência de pagamento; e (ii) a inexistência de causa que o justifique. Para a suposição de que inexistiriam saídas da conta corrente em questão que fizessem frente às despesas da GIRO, a DRJ partiu do pressuposto de que, como a Sra. Sônia não teria comprovado em que a GIRO teria aplicado os recursos sacados da conta corrente em questão, os ingressos havidos na aludida conta corrente seriam pagamentos sem causa desta para aquela. Destaquese que a empresa GIRO (e o Sr. Sironi) NUNCA foi intimada a comprovar os pagamentos realizados pela referida conta. Mesmo que a empresa tivesse sido intimada a comprovar as saídas realizadas através da aludida conta corrente e, posteriormente, não lograsse comproválas na sua integralidade, isto não implicaria que todos os depósitos havidos na conta corrente seriam pagamento sem causa. Tal situação implicaria exclusivamente na possibilidade de, eventualmente, aplicarse a regra de presunção em relação às saídas, mas nunca em relação aos depósitos ocorridos na aludida conta. Portanto, não procede a pretensão da DRJ de fundamentar a aplicação da presunção de pagamento sem causa em relação aos depósitos bancários por não ter sido comprovado, por terceiro, o destino que a GIRO teria dado aos recursos sacados da conta bancária. Ao julgar a Impugnação, a DRJ teceu uma série de elucubrações demonstrando a fragilidade dos fundamentos adotados pela DRJ. Ademais, contabilidade da empresa não foi, em momento algum, desclassificada, dessa forma não há porque não considerar os livros apresentados pela empresa. III — DA IMPOSSIBILIDADE DE MANUTENÇÃO DA MULTA DE 75% A decisão recorrida reconheceu a inexistência de evidente intuito de fraude, pelo que reduziu a multa aplicada na autuação fiscal, de 150% para 75%. Entretanto, não cabe à DRJ reduzir a multa aplicada, mas apenas excluir da autuação a multa aplicada indevidamente. Ou seja, não compete a ela lançar uma multa inicialmente não lançada. Portanto, ao afastar a aplicação da multa qualificada, a DRJ não poderia substituir os termos do lançamento efetuado pelo auditorfiscal, aplicando, em substituição à multa originalmente imposta, a multa de 75%. Fl. 1564DF CARF MF Impresso em 04/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/05/2013 por RAYANA ALVES DE OLIVEIRA FRANCA, Assinado digitalmente em 06/05/2013 por RAYANA ALVES DE OLIVEIRA FRANCA, Assinado digitalmente em 09/05/2013 por MARIA HELEN A COTTA CARDOZO Processo nº 10980.014011/200719 Acórdão n.º 2201001.692 S2C2T1 Fl. 1.563 11 IV – DA REPRESENTAÇÃO FISCAL PARA FINS PENAIS Requer ainda que, desqualificada a multa, deve ser afastada a representação fiscal para fins penais, por não haver fundamento legal que a justifique. V INAPLICABILIDADE DA TAXA SELIC. A recorrente requer ainda que sejam apreciadas, em sede de preliminar, as seguintes nulidades: (i) Nulidade da Autuação Fiscal por vícios no processo de fiscalização; (ii) Nulidade da Decisão da DRJ por ter o órgão julgador extrapolado sua competência; (iii) Nulidade da Decisão da DRJ devido à ausência de fundamentação para manutenção da solidariedade passiva do Sr. Sironi. É o Relatório. Voto Conselheira Rayana Alves de Oliveira França Relatora Dois são os recursos postos à análise dessa Câmara: de ofício e voluntário. Conheço de ambos, pois presentes os seus respectivos pressupostos de admissibilidade. O lançamento referese apenas a valores movimentados no anocalendário de 2003, na conta n° 6.940X, agência n° 3.7923 do Banco do Brasil S/A, aberta e mantida em nome de Sonia Maria Rouze e cuja titularidade de fato era da empresa recorrente que a utilizava para fazer movimentações e receber valores decorrentes de sua atividade empresarial. DO RECURSO DE OFÍCIO Em face da exclusão da responsabilidade imputada e da redução da multa qualificada, a autoridade julgadora de primeira instância recorreu de ofício de sua decisão por ter sido exonerado crédito tributário em valor superior ao limite de alçada. As razões de decidir da decisão recorrida podem ser depreendidas do seguinte enxerto: “Os impugnantes também exteriorizam inconformismo contra a imposição da multa qualificada de 150%, alegando não existir nos autos comprovação de que a autuada e/ou o Sr. Sironi tenham agido com evidente intuito de fraude. Por seu turno, a fiscalização assim justificou o cabimento da multa qualificada (fls. 373): Fl. 1565DF CARF MF Impresso em 04/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/05/2013 por RAYANA ALVES DE OLIVEIRA FRANCA, Assinado digitalmente em 06/05/2013 por RAYANA ALVES DE OLIVEIRA FRANCA, Assinado digitalmente em 09/05/2013 por MARIA HELEN A COTTA CARDOZO 12 "Tendo em vista a comprovação de que a c/c de fato pertence a contribuinte Sonia, principalmente por ser esta última a beneficiária dos valores depositados e que rendimentos próprios fora») recebidos através desta c/c; que foram apresentados pela contribuinte livros contábeis da empresa Giro contendo os lançamentos da c/c em análise, com declaração da própria empresa de sua autenticidade mas considerados inaceitáveis pela SRF, de acordo com o exposto acima; que a própria empresa Giro não comprovou documentalmente que os lançamentos da c/c se referiam à empresa; tudo em desacordo com a alegação da contribuinte de que esta c/c pertence de fato à empresa Giro, aplicamos a multa qualificada prevista no art. 44, I, ,¢ 1° da Lei n°9.430/06, por entendermos que houve o evidente intuito de fraude ao evitar a tributação dos pagamentos." (Transcrição literal). Por ter sido o auto de infração lavrado em 26/10/2007, como fundamento legal da multa qualificada constou o dispositivo aplicável da Lei n° 9.430, de 1996, com a redação então vigente por força da Lei n° 11.488, de 15 de junho de 2007. Contudo, tratandose de eventos ocorridos no anocalendário de 2003, há que prevalecerem as disposições enfeixadas na redação, então vigente da mesma lei, verbis: "Art. 44. Nos casos de lançamento de oficio, serão aplicadas as seguintes multas, calculadas sobre a totalidade ou diferença de tributo ou contribuição: I de setenta e cinco por cento, nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, pagamento ou recolhimento após o vencimento do prazo, sem o acréscimo de multa moratória, de falta de declaração e nos de declaração inexata, excetuada a hipótese do inciso seguinte; II cento e cinqüenta por cento, nos casos de evidente intuito de fraude, definido nos arts. 71, 72 e 73 da Lei n° 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabiveis." (Grifei). Apesar de veicularem disposições muito semelhantes, é de se reparar que a norma anterior, ao contrário da atual, dispunha expressamente que o cabimento da multa qualificada estava reservado aos casos em que estivesse evidente o intuito de fraude, conforme definido nos art. 71 a 73 da Lei n° 4.502, de 1964. Significa, portanto, que o intuito de fraude, além de estar evidente, não deve ser genérico, e sim aquele dolo especifico definido nos aludidos dispositivos legais. Assim como aos impugnantes, a mim também não pareceu, pela narrativa do Termo de Verificação Fiscal, estar evidenciado aquele dolo especifico, ou mesmo um dolo genérico. Em síntese, esses são os motivos que, pelo que a fiscalização relata, moldaram seu convencimento: 1 — A conta pertence A Sra Sonia; Fl. 1566DF CARF MF Impresso em 04/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/05/2013 por RAYANA ALVES DE OLIVEIRA FRANCA, Assinado digitalmente em 06/05/2013 por RAYANA ALVES DE OLIVEIRA FRANCA, Assinado digitalmente em 09/05/2013 por MARIA HELEN A COTTA CARDOZO Processo nº 10980.014011/200719 Acórdão n.º 2201001.692 S2C2T1 Fl. 1.564 13 2 — foram apresentados livros considerados inaceitáveis pelo Fisco; e 3 — a autuada não comprovou, com documentos, que os lançamentos da conta corrente se referiam As suas operações. Quanto ao fato de a conta pertencer A se Sonia, exesposa daquele que seria o titular de fato da empresa autuada, ainda que seja possível inferir que ela também tenha participação na sociedade, não me sinto autorizado a concluir que evidencie intuito de fraude. O convencimento até poderia ser outro, caso se tratasse de terceiro, a quem se pudesse atribuir a condição de laranja' para a percepção dos rendimentos. Entretarito , não consigo classificar de doloso o fato de alguém receber rendimentos em sua própria conta bancária. Ou, pelo Angulo inverso, alguém creditar rendimentos a outro, na conta bancária do próprio beneficiário. Quanto ao fato de os livros terem sido considerados inaceitáveis pelo Fisco, observo que este, em nenhum momento, afirma que os livros materializam fraude. 0 fato de não serem considerados idôneos não significa, ipso facto, que sejam fraudados. Quanto ao fato de a autuada não haver comprovado, com documentos, que os lançamentos da conta corrente se referem As suas operações, observo que a única conseqüência que extraio desse fato é a conclusão de que suas alegações não procedem, o que torna o lançamento procedente. Em face do exposto, entendo que a fiscalização não cumpriu seu dever de trazer para os autos elementos suficientes a evidenciar o intuito de fraude que a lei coloca como requisito imprescindível para a exasperação da multa. Por conseqüência, entendo que deve ser acolhida a alegação, e que a multa de oficio a ser aplicada é aquela normal, de 75%, em substituição à multa de 150%.” No mesmo sentido da decisão recorrida, entendo que os motivos apresentados, por si só, não são caracterizadores de evidente intuito de fraude, ensejador da aplicação da multa qualificada, prevista no artigo art. 44, II, da Lei n° 9.430/1996, o qual deve restar inequivocamente demonstrado e comprovado nos autos, o que não me parece ser o caso. Ante ao todo exposto, nego provimento ao recurso de ofício. DO RECURSO VOLUNTÁRIO Quanto ao Recurso Voluntário, passemos inicialmente a análise das preliminares de nulidade arguidas pela recorrente. (i) Nulidade da Autuação Fiscal Referente à nulidade do lançamento, verifico que não procede qualquer arguição de irregularidade na formalização da exigência, no presente processo. A autoridade lançadora constituiu o crédito em estrita obediência à legislação mencionada. As peças produzidas pela fiscalização, bem como o auto de infração e seus anexos, estão devidamente Fl. 1567DF CARF MF Impresso em 04/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/05/2013 por RAYANA ALVES DE OLIVEIRA FRANCA, Assinado digitalmente em 06/05/2013 por RAYANA ALVES DE OLIVEIRA FRANCA, Assinado digitalmente em 09/05/2013 por MARIA HELEN A COTTA CARDOZO 14 elaborados, devidamente fundamentados e com as descrições necessárias, possibilitando, portanto, uma perfeita compreensão dos fatos ali relatados pelas pessoas habilitadas à sua apreciação. Ademais, tendo a ação fiscal se desenvolvido de forma regular, as arguições em preliminar, mesmo que constituíssem irregularidades, deixam de ter importância após a lavratura dos Auto de Infração. O entendimento pacífico deste Conselho é que no processo administrativo fiscal da União as nulidades são aquelas definidas no art. 59 do Decreto nº 70.235/72: “Art.59. São nulos: I os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. § 1º A nulidade de qualquer ato só prejudica os posteriores que dele diretamente dependam ou sejam conseqüência. § 2º Na declaração de nulidade, a autoridade dirá os atos alcançados, e determinará as providências necessárias ao prosseguimento ou solução do processo. § 3º Quando puder decidir do mérito a favor do sujeito passivo a quem aproveitaria a declaração de nulidade, a autoridade julgadora não a pronunciará nem mandará repetir o ato ou suprirlhe a falta. (Parágrafo acrescentado pela Lei nº 8.748, de 9/12/93).” Estas são as hipóteses em que o legislador presume, de forma absoluta, ter havido prejuízo à ampla defesa e ao contraditório, o que efetivamente não vislumbro no presente processo. O argumento da recorrente de que, para a lavratura da autuação, deveria a empresa, que se declara titular da conta corrente, ter sido intimada a demonstrar as movimentações por ela realizadas, sobretudo quando se trata de perquirir a respeito do destino (pagamentos/aplicações) por ela efetuado, não merece guarida. Na verdade, essa é a tese de defesa de que a conta era usada pela pessoa jurídica e esse argumento não traz qualquer mácula ao lançamento. Até mesmo porque, no processo administrativo, somente com a apresentação da impugnação é que se instaura a fase litigiosa, a partir da qual se abre a oportunidade do contraditório e da ampla defesa, nos termos do artigo 5°, inciso LV, da Constituição Federal, conforme bem preceitua o artigo 14 do Decreto n° 70.235/1972. No caso concreto, a contribuinte pôde exercer com desembaraço o exercício do direito de defesa. Assim, não havendo nulidade legalmente prevista, resta refutada essa preliminar. (ii) Nulidade da Decisão da DRJ por ter extrapolado sua competência A recorrente entende que a decisão de primeira instância é nula, pois extrapola a competência do julgador e traz alegações: “além de totalmente improcedentes, ofensivas, irônicas, sem qualquer pertinência com o objeto do presente processo administrativo fiscal e não condizentes com os elementos de prova existentes, não foram apresentadas durante a fiscalização e nem mesmo mencionadas no Termo de Verificação Fiscal.” A única prova nova acostada aos autos foi a cópia do extrato da consulta da DIPJ do anocalendário de 2003 da recorrente. Essa prova, não é nova, inclusive a DIPJ foi Fl. 1568DF CARF MF Impresso em 04/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/05/2013 por RAYANA ALVES DE OLIVEIRA FRANCA, Assinado digitalmente em 06/05/2013 por RAYANA ALVES DE OLIVEIRA FRANCA, Assinado digitalmente em 09/05/2013 por MARIA HELEN A COTTA CARDOZO Processo nº 10980.014011/200719 Acórdão n.º 2201001.692 S2C2T1 Fl. 1.565 15 elaborada pela recorrente. O extrato apenas foi anexado ao processo para facilitar a consulta do faturamento declarado da empresa. No meu entender, a decisão de primeira instância não inovou ou alterou a fundamentação fática da autuação, ela apenas elencou os fundamentos do seu convencimento. Mesmo que esse não esteja de acordo com a pretensão da recorrente, foi a linha de raciocínio traçada pelo Relator. Nesse ponto, também não merece prosperar a arguição de nulidade da decisão de primeira instância aventada pela recorrente. (iii) Nulidade da Decisão da DRJ Ausência de fundamentação para manutenção da solidariedade passiva do Sr. Sironi. Por fim, em preliminar, a recorrente entende que a decisão recorrida é nula por não ter apresentado as razões de decidir para manter a solidariedade passiva do Sr. Sironi. Ocorre que a decisão recorrida entendeu que o Sr. Sironi é responsável pelos débitos da autuada, inclusive ressalta que esse entendimento não sujeita a PGFN, que deverá decidir quando da inscrição do débito na dívida ativa, ou Poder Judiciário, em uma eventual Execução Fiscal. Não vislumbro, portanto, o vício apontado, razão pela qual rejeito também essa preliminar. Afastadas as preliminares, passemos à análise do mérito. I DO PAGAMENTO SEM CAUSA A matéria posta aqui em julgamento referese à exigência calcada sobre operações não comprovadas e pagamentos tidos como sem causa, com fundamento legal no artigo 61, da Lei nº 8.981/1995 e no Regulamento de Imposto de Renda – RIR/99, in verbis: “Seção II Pagamento a Beneficiário não Identificado Art. 674. Está sujeito à incidência do imposto, exclusivamente na fonte, à alíquota de trinta e cinco por cento, todo pagamento efetuado pelas pessoas jurídicas a beneficiário não identificado, ressalvado o disposto em normas especiais (Lei nº 8.981, de 1995, art. 61). § 1º A incidência prevista neste artigo aplicase, também, aos pagamentos efetuados ou aos recursos entregues a terceiros ou sócios, acionistas ou titular, contabilizados ou não, quando não for comprovada a operação ou a sua causa (Lei nº 8.981, de 1995, art. 61, § 1º). § 2º Considerase vencido o imposto no dia do pagamento da referida importância (Lei nº 8.981, de 1995, art. 61, § 2º). § 3º O rendimento será considerado líquido, cabendo o reajustamento do respectivo rendimento bruto sobre o qual recairá o imposto (Lei nº 8.981, de 1995, art. 61, § 3º).” Fl. 1569DF CARF MF Impresso em 04/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/05/2013 por RAYANA ALVES DE OLIVEIRA FRANCA, Assinado digitalmente em 06/05/2013 por RAYANA ALVES DE OLIVEIRA FRANCA, Assinado digitalmente em 09/05/2013 por MARIA HELEN A COTTA CARDOZO 16 Ora, resta evidenciado que se trata de uma incidência exclusiva, cujo fato gerador se materializa no momento do pagamento não justificado (como regra geral), sendo, inclusive, o imposto considerado devido nesse mesmo momento, reforçando e confirmando assim, que o fato gerador é instantâneo e exclusivo. Por esse motivo, nem mesmo está sujeito ao ajuste na declaração de rendimentos anual. Pela natureza desse tributo, por conseguinte, o que deve ser considerado é, única e exclusivamente, o seu fato gerador, que é o pagamento sem causa ou operação não comprovada. A legislação é clara, é obrigação das pessoas jurídicas efetuarem o registro de todas as suas operações, assim como manter a documentação comprobatória correspondente. No caso de empresas optantes pelo lucro presumido, esta regra está no art.527 do RIR/99: “Art. 527. A pessoa jurídica habilitada à opção pelo regime de tributação com base no lucro presumido deverá manter (Lei nº 8.981, de 1995, art. 45): I escrituração contábil nos termos da legislação comercial; II Livro Registro de Inventário, no qual deverão constar registrados os estoques existentes no término do anocalendário; III – em boa guarda e ordem, enquanto não decorrido o prazo decadencial e não prescritas eventuais ações que lhes sejam pertinentes, todos os livros de escrituração obrigatórios por legislação fiscal específica, bem como os documentos e demais papéis que serviram de base para escrituração comercial e fiscal. A questão, portanto, se resolve por meio de prova, a cargo do contribuinte, a qual deve comprovar as operações feitas e demonstrar e/ou justificar, faticamente, quem são os beneficiários dos pagamentos realizados ou a causa dos pagamentos feitos. Há, assim, inversão do ônus da prova do Fisco para o contribuinte, que transfere para este o ônus de comprovação das operações e dos pagamentos efetuados. Não o fazendo, o contribuinte deve assumir as consequências legais, ou seja, pagar 35% de imposto de renda retido na fonte sobre estes pagamentos. Também importa dizer que o ônus de provar implica trazer elementos que não deixem nenhuma dúvida quanto ao fato questionado. Não cabe ao Fisco, nesse caso, realizar presunções, mas ao contribuinte apresentar elementos que dirimam qualquer dúvida que paire a respeito das operações e pagamentos questionados. Nesse sentido, bem discorre André Santos Zanon, em seu estudo “O regime das provas no processo administrativo fiscal” 1: “Conceito e finalidade de prova Ultrapassado o cumprimento de requisitos formais da impugnação administrativa (legitimidade, tempestividade, adequação formal, requerimentos, etc., previstos no art.16 incs. Ia IV do Decreto n.70.235/72), vem a tona a necessidade de convencer a autoridade julgadora da pretensão defendida. É necessário demonstrar a veracidade do alegado, a prática ou abstinência de certos atos, bem como a ocorrência (ou a inocorrência) de fatos que a lei reputa relevantes (leiase: necessários e suficientes) para a caracterização da imposição tributária, ou para aplicação de penalidades. 1 Andre Santos Zanon, em seu estudo publicado no livro de autoria coletiva Processo Administrativo Fiscal Federal. (Coord.) Rodrigo Francisco de Paula. Belo Horizonte, ed. Del Rey, 2006, pág.153 Fl. 1570DF CARF MF Impresso em 04/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/05/2013 por RAYANA ALVES DE OLIVEIRA FRANCA, Assinado digitalmente em 06/05/2013 por RAYANA ALVES DE OLIVEIRA FRANCA, Assinado digitalmente em 09/05/2013 por MARIA HELEN A COTTA CARDOZO Processo nº 10980.014011/200719 Acórdão n.º 2201001.692 S2C2T1 Fl. 1.566 17 Dessa feita, em muitas situações, a mera alegação não se representa suficiente. É necessário conferirlhe grau substancial de veracidade, com elementos que revelem o liame entre o alegado e ocorrido.” Argumenta a recorrente que apenas a Sra. Sônia era titular da conta bancária, e que apenas esta foi intimada a comprovar os pagamentos, no entanto, quem deveria ter sido intimada era a empresa. Durante o processo de fiscalização, bem como pelo acórdão de primeira instância restou claro que, para afastar o lançamento, a empresa, que afirma ser a titular de fato da conta, deveria comprovar que os recursos retirados da conta da Sra. Sônia foram para pagar atividades operacionais da empresa. Não há dúvidas de que boa parte dos recursos que transitaram na conta da Sra. Sônia era proveniente da empresa GIRO. Inclusive essa foi a constatação da fiscalização e da decisão recorrida ao afirmar, no início do voto condutor: “A fiscalização afirma — e não é contraditada que esse montante é composto pelas seguintes parcelas: a importância de R$ 3.572.025,48 provém do recebimento de cobranças relativas a operações comerciais da empresa autuada; a importância de R$ 130.119,18 provém do depósito de cheques também relacionados com operações da mesma pessoa jurídica; e a importância de R$ 144.900,00 foi transferida diretamente da conta bancária da pessoa jurídica para a conta da Sra. Sonia. Do somatório dos ingressos totais foi deduzida a importância de R$ 270.000,00, correspondente a duas transferências bancárias que retornaram da conta da pessoa física para a pessoa jurídica.” A tese da defesa, de que os recursos que entraram na conta da Sra. Sonia eram da pessoa jurídica, foi acolhida. Desde a fiscalização, constatouse que os depósitos feitos foram provenientes de cobrança da empresa, depósitos em cheque relacionados à movimentação da empresa ou transferência direta da conta de empresa para essa conta. Não obstante, para afastar o lançamento, deveria a recorrente ter comprovado a finalidade dos pagamentos efetuados através das contas da pessoa física. A situação dos autos pode ser facilmente compreendida pela figura abaixo: Entretanto, o que nos cabe indagar é o que foi feito com os recursos que saíram dessa conta. Para afastar o presente lançamento relativo a pagamento sem causa, é imperioso determinar se o que foi pago é relativo às atividades da empresa. No Termo de Verificação Fiscal, que descreve a vasta fiscalização efetivada, essa informação não é confirmada. Sequer os livros trazem prova cabal da movimentação da empresa, conforme se extrai dos seguintes enxertos do documento supramencionado: Fl. 1571DF CARF MF Impresso em 04/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/05/2013 por RAYANA ALVES DE OLIVEIRA FRANCA, Assinado digitalmente em 06/05/2013 por RAYANA ALVES DE OLIVEIRA FRANCA, Assinado digitalmente em 09/05/2013 por MARIA HELEN A COTTA CARDOZO 18 Ainda, em relação aos Livros Diários apresentados, o de n. 8 corresponde ao ano de 2001 (fl. 164), e o de n. 9 corresponde ao ano de 2002 (fl. 179). Ocorre que, através de diligência anterior na empresa Giro no ano de 2005 (fl. 145), verificamos que os Livros Diário n°s 5, 6 e 7 também correspondem, respectivamente, aos anos de 2001 (n° 5 — fl. 146) e 2002 (n° 6 — fl. 151 e n° 7 — fls.160/161). Seus registros datam de 28/01/05 (fls. 146/151/160), sendo que a ciência da diligência anterior, através do qual foram solicitados os livros, foi em 05/01/05, isto é, 14 dias antes. (..) “Através do Termo de Intimação Fiscal n° 2 da empresa Giro (fl. 34), foi solicitada a apresentação dos Livros Diários de fls. 5, 6 e 7, assim como a justificativa para a confecção dos livros de nos 8 e 9, devidamente comprovada. (...) Não houve manifestação da empresa. Houve tentativas de conciliação entre os lançamentos dos livros Diários apresentados à RFB no ano de 2005 e de 2006, mas verificamos que muitos dos registros não são coincidentes. (..) Em relação ao dia 05/06/02,todos os lançamentos do livro n° 7 (fl. 161) constam do livro n° 9 (fl. 181), sendo que neste último foram acrescentados, exatamente, os registros de valores relacionados à fiscalização da contribuinte Sonia e, também, à fiscalização de seu excônjuge Sironi.” Tendo em vista o exposto acima, acerca da duplicidade dos livros apresentados sem a comprovação da justificativa de extravio, que os registros dos livros apresentados em 2005 foram feitos em data muito próxima A data em que sua apresentação foi demandada, que os registros dos livros apresentados em 2006 foram feitos em data próxima A da demanda pela comprovação das origens dos depósitos bancários da contribuinte Sonia e de seu excônjuge Sironi, que tentativas de conciliação entre as informações contidas nos livros registrados em 2005 e em 2006 foram frutíferas, que a própria empresa Giro não comprovou documentalmente os lançamento dos livros apresentados no intervalo de 1 ano, concluímos que os livros apresentados não podem ser aceitos pela SRF.” A justificativa para que os livros apresentados pela fiscalização não fossem aceitos está muito bem explicitada no Termo de Verificação Fiscal e no acórdão de primeira instância. Quanto à alegação da recorrente de que, a escrituração apresentada não pode ser desconsiderada, pois não houve arbitramento na tributação, esse argumento não faz sentido. Esses argumentos dizem respeito à situação fática totalmente diversa daquela que se cuida neste caso. A exigência do presente processo é IRRF e não de imposto incidente sobre lucros da própria autuada. Somente nessa segunda hipótese caberia falar em arbitramento. Não há qualquer irregularidade no procedimento fiscal, portanto, também não há quanto a esse aspecto. Agiu com acerto, a decisão recorrida, ao afirmar que: “O que se conclui, portanto, é que um fato inequívoco ocorreu: a Sra. Sonia recebeu um crédito que pertencia à impugnante, por determinação desta. A toda evidência, esse fato não carece de ser comprovado, uma vez que está sobejamente documentado e sobre ele não recai qualquer controvérsia. Eventual prova incumbe a quem pretender atribuir significado diverso ao fato evidente. Não é, portanto, o Fisco quem deverá comprovar que os recursos que ingressaram na conta da Sra. Sonia reverteram em proveito desta. São os impugnantes quem deverão Fl. 1572DF CARF MF Impresso em 04/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/05/2013 por RAYANA ALVES DE OLIVEIRA FRANCA, Assinado digitalmente em 06/05/2013 por RAYANA ALVES DE OLIVEIRA FRANCA, Assinado digitalmente em 09/05/2013 por MARIA HELEN A COTTA CARDOZO Processo nº 10980.014011/200719 Acórdão n.º 2201001.692 S2C2T1 Fl. 1.567 19 provar que os recursos reverteram em proveito da autuada, e jamais saíram de sua órbita patrimonial.” Esse é o ponto crucial, o dinheiro que era da pessoa jurídica foi transferido para pessoa física, neste ponto não há controvérsia. O importante é determinar o que foi pago através dessa conta. Mesmo que, apenas pequena parte tenha retornado diretamente às contas da empresa, é imprescindível determinar qual passivo da empresa foi saldado com esses pagamentos ou quais ativos foram gerados. Até mesmo porque, desde a fiscalização, ficou constatado que parte desses recursos foram utilizados para finalidades outras, se não aquelas obrigacionais das pessoas jurídicas. Inclusive no próprio Termo de Verificação constava: “Pela análise das saídas, comprovamos apenas 2 transferências bancárias destinadas à empresa Giro no valor total de R$ 270.000,00 (fls. 289/290), sendo uma delas no valor de R$ 230.000,00. Não houve comprovação de nenhum pagamento relativo as atividades operacionais da empresa como, por exemplo, aos fornecedores de mercadorias. 0 valor dessas 2 transferências correspondem a ínfimos 4% do valor total ajustado de débitos do ano. Esses dados demonstram que, apesar de créditos da empresa Giro terem sido feitos nesta c/c, não houve saídas (débitos na c/c) em valor correspondente, isto é, do valor total de R$ 3.857.225,33 de créditos houve apenas a saída de R$ 270.000,00 para a empresa Giro.” Se as saídas não foram feitas diretamente dessa conta para a pessoa jurídica, deveria a recorrente ter demonstrado detalhadamente quais foram os pagamentos da empresa efetuados com esse recurso. Estamos diante de uma situação anômala, na qual a empresa utiliza a conta de uma pessoa física, sem que tenha qualquer relação direta com ela, para movimentar recurso. Assim, a prova a ser trazida para formar o convencimento deveria ter sido mais forte que apenas livros, os quais não foram acolhidos desde a fiscalização e que apresentam tanta inconsistência. Se a tese da defesa não foi aceita também pela Turma julgadora de primeira instância, deveria a recorrente ter sido mais detalhista na demonstração da destinação dos recursos que passaram por referida conta. Certamente essa prova não é fácil, mas controlar recursos em contas de terceiros também não o é. A recorrente fez isso por um longo período. Assim, é desta a obrigação de apresentar subsídios para formarmos convencimento de que os recursos realmente saíram para saldar passivo da empresa, e tal ônus deveria ter restado melhor evidenciado. Ademais, sem julgar se esse é o caso do presente processo já que não há subsídios para tanto, esse colegiado se deparou com diversas situações em que os recursos movimentados em conta de interpostas pessoas eram usados para pagar contas “não oficiais”. Não resta dúvida de que, nesse processo, houve uma longa fiscalização, bem como que, instada a se pronunciar, a empresa muitas vezes ficou inerte e que a força probante de livros feitos em duplicidade e registrados a destempo é muito fraca. Fl. 1573DF CARF MF Impresso em 04/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/05/2013 por RAYANA ALVES DE OLIVEIRA FRANCA, Assinado digitalmente em 06/05/2013 por RAYANA ALVES DE OLIVEIRA FRANCA, Assinado digitalmente em 09/05/2013 por MARIA HELEN A COTTA CARDOZO 20 Por fim, quanto à falta de comprovação da saída dos recursos da referida conta, esta já havia sido aventada desde a fiscalização, quando no próprio Termo restou consignado: “Registramos que, intimada a comprovar a utilização dos depósitos para fazer frente aos negócios da empresa Giro (fl. 127), a contribuinte apenas declarou não ter logrado êxito em tal comprovação (fl. 128).” Essa questão também foi analisada pelo acórdão recorrido que frisou: Entretanto, para que se firmasse tal convencimento, como foi dito, deveriam existir indícios veementes de que os recursos iam para a titularidade da pessoa física e voltavam para a pessoa jurídica. Como não existe qualquer comprovação de que os recursos, depois de aportados na conta da Sra. Sonia, revertiam em beneficio da pessoa jurídica, seja diretamente em seu caixa, seja no pagamento de compras/despesas suas, (.). Assim sem a comprovação clara da saída dos recursos da conta questionada para pagar obrigações da empresa, não há como prosperar a pretensão do recorrente. E mais: “O que a autuada deveria comprovar é o vinculo entre os recursos sacados da conta bancária da Sra. Sonia e os seus pagamentos. Simples assim.” De fato, conforme afirmado pela empresa, a existência de apenas duas transferências bancárias diretamente efetuadas da conta da pessoa física para conta em nome da empresa GIRO (fls.1.352), não significa que somente estes valores tenham sido destinados à sua atividade. Entretanto, isso não ratifica que a contabancária não foi utilizada apenas pela empresa, mas “também” pela Sra. Sônia. O montante dessa utilização é que caberia a recorrente comprovar. E se, realmente fosse integral, como afirma, deveria ter restado grande parte comprovada. Portanto, como a recorrente não apresenta qualquer prova contrária à exigência, mantenho a autuação nos exatos termos concebidos pela autoridade fiscal. O dispositivo legal é claro ao prever duas hipóteses autônomas que justificam a incidência do IRF à alíquota de 35%: 1ª. Pagamentos a beneficiários não identificados; 2ª. Pagamentos sem causa ou cuja operação não for comprovada. Em ambas as situações, a questão se resolve por meio de prova, a cargo do contribuinte, o qual deve demonstrar e/ou justificar, faticamente, quem são os beneficiários dos pagamentos realizados ou a causa do pagamento feito. A propósito, essa questão – do ônus da prova – foi detalhada e precisamente analisada pelo Conselheiro Nelson Mallmann, no Acórdão 10421.091, de 20.10.2005, cujas conclusões eu adoto integralmente e considero parte integrante desse voto: "Não tenho dúvidas, que a responsabilidade pela apresentação das provas do alegado compete ao contribuinte que praticou a irregularidade fiscal. Como também é de se observar que no âmbito da teoria geral da prova, nenhuma dúvida há de que o ônus probante, em princípio, cabe a quem alega determinado fato. Mas algumas aferições complementares, por vezes, devem Fl. 1574DF CARF MF Impresso em 04/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/05/2013 por RAYANA ALVES DE OLIVEIRA FRANCA, Assinado digitalmente em 06/05/2013 por RAYANA ALVES DE OLIVEIRA FRANCA, Assinado digitalmente em 09/05/2013 por MARIA HELEN A COTTA CARDOZO Processo nº 10980.014011/200719 Acórdão n.º 2201001.692 S2C2T1 Fl. 1.568 21 ser feitas, a fim de que se tenha, em cada caso concreto, a correta atribuição do ônus da prova. Em não raros casos tal atribuição do ônus da prova resulta na exigência de produção de prova negativa, consistente na comprovação de que algo não ocorreu, coisa que, à evidência, não é admitida tanto pelo direito quanto pelo bom senso. Afinal, como comprovar o não recebimento de um rendimento? Como evidenciar que um contrato não foi firmado? Enfim, como demonstrar que algo não ocorreu? Não se pode esquecer que o direito tributário é dos ramos jurídicos mais afeitos a concretude, à materialidade dos fatos, e menos à sua exteriorização formal (exemplo disso é que mesmos os rendimentos oriundos de atividades ilícitas são tributáveis). Nesse sentido, é de suma importância ressaltar o conceito de provas no âmbito do processo administrativo tributário. Com efeito, entendese como prova todos os meios de demonstrar a existência (ou inexistência) de um fato jurídico ou, ainda, de fornecer ao julgador o conhecimento da verdade dos fatos. Não há, no processo administrativo tributário, disposições específicas quanto aos meios de prova admitidos, sendo de rigor, portanto, o uso subsidiário do Código de Processo Civil, que dispõe: ‘Art. 332. Todos os meios legais, bem como os moralmente legítimos, ainda que não especificados neste Código, são hábeis para provar a verdade dos fatos, em que se funda a ação ou defesa.’ Da mera leitura deste dispositivo legal, depreendese que no curso de um processo, judicial ou administrativo, todas as provas legais devem ser consideradas pelo julgador como elemento de formação de seu convencimento, visando à solução legal e justa da divergência entre as partes. Assim, tendo em vista a mais renomada doutrina, assim como dominante jurisprudência administrativa e judicial a respeito da questão vêse que o processo fiscal tem por finalidade garantir a legalidade da apuração da ocorrência do fato gerador e a constituição do crédito tributário, devendo o julgador pesquisar exaustivamente se, de fato, ocorreu à hipótese abstratamente prevista na norma e, em caso de recurso do contribuinte, verificar aquilo que é realmente verdade, independentemente até mesmo do que foi alegado. A jurisprudência deste Primeiro Conselho de Contribuintes é clara a respeito do ônus da prova. Pretender a inversão do ônus da prova, como formalizado na peça recursal, agride não só a legislação, como a própria racionalidade. Assim, se de um lado, o contribuinte tem o dever de declarar, cabe a este, não à administração, a prova do declarado. De outro lado, se o declarado não existe, cabe a glosa pelo fisco. O mesmo vale quanto à formação das demais provas, as mesmas devem ser claras, não permitindo dúvidas na formação de juízo do julgador. Ora, não é lícito obrigarse a Fazenda Nacional a substituir o particular no fornecimento da prova que a este competia." Fl. 1575DF CARF MF Impresso em 04/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/05/2013 por RAYANA ALVES DE OLIVEIRA FRANCA, Assinado digitalmente em 06/05/2013 por RAYANA ALVES DE OLIVEIRA FRANCA, Assinado digitalmente em 09/05/2013 por MARIA HELEN A COTTA CARDOZO 22 No caso concreto, a Contribuinte, desde a fase da fiscalização, não conseguiu se desincumbir satisfatoriamente desse dever. Não cabe apenas alegar que “obviamente seria necessária a intimação da empresa para se verificar qual o destino que esta teria dado aos valores ingressados na conta corrente.” Essa prova, mesmo que não tenha sido solicitada pela fiscalização, deveria ter sido trazida quando da impugnação. A recorrente teve o momento da impugnação para apresentar prova dos pagamentos efetuados através de dita conta corrente, bem como poderia ter trazido os elementos de provas dos pagamentos, que afirma categoricamente ter, na presente fase recursal. A recorrente também se insurge contra a manutenção da multa de ofício, pois esta foi desqualificada e o percentual inicialmente lançado de 150% foi reduzido para 75%. No caso, não há novo lançamento da multa, apenas a autoridade julgadora de primeira instância acolheu parcialmente os argumentos da recorrente para desqualificála, e assim reduzir seu percentual. Não obstante, apesar de ter sido reduzida, a multa não pode ser afastada. A multa de ofício é imposição de caráter punitivo, constituindose em sanção pela prática de ato ilícito, por ocasião de infrações às disposições tributárias. O permissivo legal que esteia a aplicação das multas punitivas encontrase no artigo 161 do Código Tributário Nacional, já antes citado, quando afirma que a falta do pagamento devido enseja a aplicação de juros moratórios “sem prejuízo da imposição das penalidades cabíveis e da aplicação de quaisquer medidas de garantia previstas nesta Lei ou em lei tributária”, extraindose daí o entendimento de que, o crédito não pago no vencimento é acrescido de juros de mora e multa – de mora ou de ofício , dependendo se o débito fiscal foi apurado em procedimento de fiscalização ou não. Consoante com o artigo 142 do Código Tributário Nacional, o lançamento é “o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo o caso, propor a aplicação da penalidade cabível”. Assim, apesar de ter sido desqualificada e de ter reduzido seu percentual, o que restou remanescente foi aplicado de acordo com a legislação de regência, sendo perfeitamente válida a aplicação da penalidade prevista no art. 44, I, da Lei n° 9.430/96. Inclusive, no que se refere à suposta inconstitucionalidade da multa, já é posição sumulada deste 1o Conselho que não compete à autoridade administrativa de qualquer instância o exame da legalidade/constitucionalidade da legislação tributária, tarefa exclusiva do poder judiciário: Súmula CARF nº 2: O Primeiro Conselho de Contribuintes não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Fl. 1576DF CARF MF Impresso em 04/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/05/2013 por RAYANA ALVES DE OLIVEIRA FRANCA, Assinado digitalmente em 06/05/2013 por RAYANA ALVES DE OLIVEIRA FRANCA, Assinado digitalmente em 09/05/2013 por MARIA HELEN A COTTA CARDOZO Processo nº 10980.014011/200719 Acórdão n.º 2201001.692 S2C2T1 Fl. 1.569 23 Por fim, quanto à improcedência da aplicação da taxa Selic como juros de mora, esta também já é matéria objeto de súmula deste Conselho, o que dispensa maiores considerações a respeito. Tratase da Súmula nº 4, a seguir reproduzida: Súmula CARF nº 4: A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. II DA RESPONSABILIDADE PASSIVA SOLIDÁRIA No tocante à responsabilidade solidária do Sr. Sironi Antonio Cavagnoli, entendo que nesse ponto cabe razão à recorrente, por ser incompatível com a situação fática do presente processo, a aplicação dos artigos 124, I e 135, II e III. No meu entender, a solidariedade imputada deve ser averiguada pela Procuradoria da Fazenda Nacional quando da cobrança do crédito. Sobre esse tema, manifestouse com maestria, o nobre Conselheiro Pedro Paulo Pereira Barbosa, que compõe atualmente essa turma, ao proferir o Acórdão nº.104 21.662, datado de 21/06/2006, o qual valhome dos bens traçados argumentos: “Notese que se trata de lançamento onde o sujeito passivo é expressamente designado pela lei, no caso pelo art. 61 da Lei nº 8.981, de 1995. Tratase, portanto, da hipótese de sujeição passiva referida no art. 121, II combinada com o art. 128 do CTN. E mais, de situação em que a lei não só atribuiu a responsabilidade a terceira pessoa, à fonte pagadora dos rendimentos, mas determinou que essa responsabilidade seria exclusiva, como previsto no mencionado artigo 128, que a seguir transcrevo. Art. 128. Sem prejuízo do disposto neste Capítulo, a lei pode atribuir de modo expresso a responsabilidade pelo crédito tributário a terceira pessoa, vinculada ao fato gerador da respectiva obrigação, excluindo a responsabilidade do contribuinte ou atribuindoa a este em caráter supletivo do cumprimento total ou parcial da referida obrigação.” Ora, é absolutamente incompatível a imputação de responsabilidade exclusiva a uma pessoa, na qualidade de fonte pagadora, por uma obrigação tributária com a indicação de uma terceira pessoa como responsável solidária por essa mesma obrigação, a pretexto de que estas teriam interesse comum no fato gerador. Isto é, a aplicação da regra do art. 121, II, e é disso que se trata, necessariamente exclui a aplicação do art. 124, I.” Ante ao todo exposto, voto no sentido de rejeitar as preliminares de nulidade arguidas e de, no mérito, dar provimento parcial ao recurso apenas para excluir do polo passivo solidário o Sr. Sironi Antonio Cavagnoli. (assinado digitalmente) Rayana Alves de Oliveira França Fl. 1577DF CARF MF Impresso em 04/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/05/2013 por RAYANA ALVES DE OLIVEIRA FRANCA, Assinado digitalmente em 06/05/2013 por RAYANA ALVES DE OLIVEIRA FRANCA, Assinado digitalmente em 09/05/2013 por MARIA HELEN A COTTA CARDOZO 24 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA CÂMARA DA SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO TERMO DE INTIMAÇÃO Em cumprimento ao disposto no § 3º do art. 81 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria Ministerial nº 256, de 22 de junho de 2009, intimese o (a) Senhor (a) Procurador (a) Representante da Fazenda Nacional, credenciado junto à Segunda Câmara da Segunda Seção, a tomar ciência da decisão consubstanciada no acórdão supra. __________(assinado digitalmente)_____________ MARIA HELENA COTTA CARDOZO Presidente da Segunda Câmara / Segunda Seção Ciente, com a observação abaixo: (......) Apenas com ciência (......) Com Recurso Especial (......) Com Embargos de Declaração Data da ciência: _______/_______/_________ Procurador(a) da Fazenda Nacional Fl. 1578DF CARF MF Impresso em 04/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/05/2013 por RAYANA ALVES DE OLIVEIRA FRANCA, Assinado digitalmente em 06/05/2013 por RAYANA ALVES DE OLIVEIRA FRANCA, Assinado digitalmente em 09/05/2013 por MARIA HELEN A COTTA CARDOZO
score : 1.0
