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Numero do processo: 10580.009548/2007-70
Turma: Segunda Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Nov 07 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Fri Aug 02 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2004
DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA.
Incumbe ao autor do pedido a demonstração, acompanhada de provas hábeis e idôneas, da composição e da existência do crédito que alega possuir junto à Fazenda Nacional para que sejam aferidos os atributos de certeza e liquidez pela autoridade administrativa.
COMPENSAÇÃO TRIBUTÁRIA.
Apenas os créditos líquidos e certos são passíveis de compensação tributária, conforme artigo 170 do Código Tributário Nacional.
PROTESTO GENÉRICO PELA PRODUÇÃO DE TODAS AS PROVAS ADMITIDAS EM DIREITO. INDEFERIMENTO.
Indefere-se o mero pedido genérico para produção posterior de provas e/ou perícia, principalmente, quando não enquadrado nas hipóteses do art. 16, §4º, do Decreto nº 70.235/72.
As regras do Processo Administrativo Fiscal estabelecem que a impugnação deverá ser instruída com os documentos em que se fundamentar, mencionando, ainda, os argumentos pertinentes e as provas que o contribuinte julgar relevantes. Assim, não se configurando nenhuma das hipóteses do § 4° do art. 16 do Decreto 70.235/72, não poderá ser acatado o pedido genérico pela produção posterior de prova.
Numero da decisão: 1802-001.435
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em NEGAR provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator.
(documento assinado digitalmente)
Ester Marques Lins de Sousa- Presidente.
(documento assinado digitalmente)
Nelso Kichel- Relator.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, José de Oliveira Ferraz Corrêa, Nelso Kichel, Marciel Eder Costa e Gustavo Junqueira Carneiro Leão. Ausente o Conselheiro Marco Antônio Nunes Castilho.
Nome do relator: NELSO KICHEL
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2004 DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA. Incumbe ao autor do pedido a demonstração, acompanhada de provas hábeis e idôneas, da composição e da existência do crédito que alega possuir junto à Fazenda Nacional para que sejam aferidos os atributos de certeza e liquidez pela autoridade administrativa. COMPENSAÇÃO TRIBUTÁRIA. Apenas os créditos líquidos e certos são passíveis de compensação tributária, conforme artigo 170 do Código Tributário Nacional. PROTESTO GENÉRICO PELA PRODUÇÃO DE TODAS AS PROVAS ADMITIDAS EM DIREITO. INDEFERIMENTO. Indefere-se o mero pedido genérico para produção posterior de provas e/ou perícia, principalmente, quando não enquadrado nas hipóteses do art. 16, §4º, do Decreto nº 70.235/72. As regras do Processo Administrativo Fiscal estabelecem que a impugnação deverá ser instruída com os documentos em que se fundamentar, mencionando, ainda, os argumentos pertinentes e as provas que o contribuinte julgar relevantes. Assim, não se configurando nenhuma das hipóteses do § 4° do art. 16 do Decreto 70.235/72, não poderá ser acatado o pedido genérico pela produção posterior de prova.
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ÔNUS DA PROVA. Incumbe ao autor do pedido a demonstração, acompanhada de provas hábeis e idôneas, da composição e da existência do crédito que alega possuir junto à Fazenda Nacional para que sejam aferidos os atributos de certeza e liquidez pela autoridade administrativa. COMPENSAÇÃO TRIBUTÁRIA. Apenas os créditos líquidos e certos são passíveis de compensação tributária, conforme artigo 170 do Código Tributário Nacional. PROTESTO GENÉRICO PELA PRODUÇÃO DE TODAS AS PROVAS ADMITIDAS EM DIREITO. INDEFERIMENTO. Indeferese o mero pedido genérico para produção posterior de provas e/ou perícia, principalmente, quando não enquadrado nas hipóteses do art. 16, §4º, do Decreto nº 70.235/72. As regras do Processo Administrativo Fiscal estabelecem que a impugnação deverá ser instruída com os documentos em que se fundamentar, mencionando, ainda, os argumentos pertinentes e as provas que o contribuinte julgar relevantes. 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Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, José de Oliveira Ferraz Corrêa, Nelso Kichel, Marciel Eder Costa e Gustavo Junqueira Carneiro Leão. Ausente o Conselheiro Marco Antônio Nunes Castilho. Relatório Cuidam os autos do Recurso Voluntário de fls. 242/247 contra decisão da 1ª Turma da DRJ/Salvador (fls. 239/240) que julgou a Manifestação de Inconformidade improcedente, mantendo o não reconhecimento do direito creditório pleiteado. Quanto aos fatos, consta: que, em 29/09/2005, a contribuinte transmitiu pela internet Declaração de Compensação, através do PER/DCOMP nº 17881.31247.290905.1.3.020010 (fls. 02/05), informando: a) débito do IRPJ –Entidades Financeiras/Estimativa mensal, período de apuração agosto/2005 (código de receita 231901), no valor de R$ 25.803,47, vencimento 30/09/2005; b) utilização, a título de direito creditório, o saldo negativo do IRPJ apurado em 01/09/2004 da empresa incorporada (empresa sucedida) UNIÃO DE COMERCIO E PARTICIPAÇÕES LTDA, CNPJ nº 33.344.557/000107, no valor de R$ 22.103,37, de que trata a DIPJ apresentada, em 29/10/2004, em situação especial – evento incorporação (fls. 11/20). Ainda, consta do PER/DCOMP que esse crédito decorre do IRRF pela fonte pagadora CNPJ: 60.746.948/000112, código de receita 3426, acerca de rendimentos de aplicações financeiras, valor líquido R$ 110.516,89. Em 09/07/2007, o contribuinte foi intimado a a comprovar a regularidade da citada incoprporação, conforme intimação (fl. 21) e, finalmente, apresentou documentos (fls. 22/30). Em 10/10/2007, a DCOMP foi baixada para análise manual, gerando o presente processso, conforme despacho (fl. 31). Em 08/07/2009, o contribuinte foi intimado (fls. 33/35), desta vez, para comprovar a razão pela qual na DIPJ de situação especial (incorporação), na Ficha 06A – Demonstração do Resultado, apropriou receitas financeiras no valor de apenas R$ 38.183,65, e Fl. 279DF CARF MF Impresso em 02/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/08/2013 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 02/08/2013 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 02/08/2013 por NELSO KICHEL Processo nº 10580.009548/200770 Acórdão n.º 1802001.435 S1TE02 Fl. 280 3 não R$ 110.516,89 (fls. 14/15), pois, na Ficha 12A – Cálculo do Imposto sobre o Lucro Real, deduziu o IRRF, integral, no valor de R$ 22.103,37 incidente sobre aquele montante de receitas financeiras; deveria, por conseguinte, recuperar IRRF proporcional às receitas apropriadas. Em face dessa intimação fiscal, o contribuinte juntou alguns documentos de fls. 36/134 que, porém, não justificam a apropriação parcial de receitas financeiras e a apropriação integral do IRRF na DIPJ de situação especial (incorporação da empresa sucedida), conforme fundamentação do Despacho Decisório da DRF/Salvador (fls. 137/141), in verbis: (...) Fundamentos (...) A cópia do LALUR Livro de Apuração do Lucro Real de fl. 55 revelou que a empresa apurou prejuízo fiscal no mês de setembro de 2004, sendolhe assegurado o direito ao crédito oriundo das retenções na fonte efetuadas no período. Não obstante, os dispositivos legais transcritos vinculam a dedutibilidade do imposto de renda retido na fonte à tributação dos rendimentos que ensejaram a retenção. No caso em tela, o cotejo entre os dados constantes na DIRF (fl. 134) e nas Fichas 06A e 53 da DIPJ/2004 (fls. 14 e 20) revelou inconsistências entre os valores das receitas financeiras integrantes do resultado do mês de setembro e o imposto de renda retido na fonte constitutivo do saldo negativo pleiteado. 0 crédito pretendido de R$ 22.103,38 corresponde a 20% (vinte por cento) dos rendimentos de R$ 110.516,89 consignados na ficha 53 (fl. 20). No entanto, na Ficha 06A da DIPJ foi informado apenas o valor de R$ 38.183,65 a titulo de receitas financeiras. Diante do exposto, a despeito de estarem as retenções na fonte integralmente lastreadas em DIRF (fl. 134), a empresa foi intimada a justificar a disparidade entre as receitas financeiras oferecidas à tributação na DIPJ da incorporação ocorrida no mês 09/2004 e as receitas financeiras concernentes ao imposto de renda retido na fonte indicado nas Fichas 12A e 53 (fls. 33/34). Conquanto tenha requerido prorrogação do prazo para atendimento à Intimação n° 428/2009 à fl. 36, a postulante não apresentou os documentos solicitados dentro do prazo adicional concedido. Por conseguinte, o imposto de renda retido na fonte constitutivo do saldo negativo do mês de setembro/2004 deverá ser ajustado na proporção dos rendimentos tributados na Ficha 6A conforme evidencia o demonstrativo a seguir: ITENS DA DIPJ VALOR INFORMADO NA FICHA 53 (fl. 20) IRRF PLEITEADO EM DCOMP (fl. 03) VALOR INFORMADO NA FICHA 06A (fl. 14) IRRF COMPENSÁVEL 1 2 3 = (2x20%) 4 5= (4x20%) Fl. 280DF CARF MF Impresso em 02/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/08/2013 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 02/08/2013 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 02/08/2013 por NELSO KICHEL Processo nº 10580.009548/200770 Acórdão n.º 1802001.435 S1TE02 Fl. 281 4 REC. FINANCEIRAS 110.516,89 22.103,38 38.183,65 7.636,73 Em função da glosa parcial do imposto de renda retido na fonte, o saldo negativo do mês de setembro de 2004 foi reduzido de R$ 22.103,38 para R$ 7.636,36 na forma demonstrada nas planilhas 1 a 4 constantes no Anexo a este Despacho Decisório (...) De acordo com o extrato do Sistema PROFISC de fl. 136, o saldo negativo de R$ 7.636,73 foi insuficiente para quitação integral do débito consignado na DCOMP de fls.01/05, razão pela qual proponho a homologação parcial da compensação pleiteada. (...) Decisão Nos termos do relatório e fundamentação acima e no uso de competência delegada pela Portaria DRF/SDR n° 26, de 22/05/2007, DOU de 25/05/2007, decido HOMOLOGAR PARCIALMENTE a compensação postulada consoante demonstrado na Planilha 4 do Anexo a este Despacho Decisório. (...) Ciente do citado despacho decisório em 31/08/2009 (fl. 142), o contribuinte apresentou Manifestação de Inconformidade em 30/09/2009 (fls. 143/147), cujas razões estão assim resumidas no relatório da decisão a quo (fls. 239verso e 240), in verbis: (...) Ciente da decisão em 31 de agosto de 2009, o contribuinte apresenta manifestação de inconformidade onde apresenta as seguintes razões em seu favor: a) Não concordar com os termos do despacho decisório em face do flagrante equívoco incorrido pela referida DRF ao fazer simples análise comparativa, de forma superficial e sumária, entre os valores de IRRF indicados na DIRF pelas respectivas fontes pagadoras e o montante indicado pelo requerente a titulo de receita financeira na DIPJ relativa ao evento especial de incorporação entregue ao Fisco em 01/09/2004, sendo inconteste o seu direito à homologação integral das compensações realizadas; b) o crédito de IRRF acima, na importância original de R$ 22.103,37 foi calculado mediante a aplicação da aliquota normal de 20% incidente sobre os rendimentos auferidos, em face daquelas aplicações financeiras, no montante de R$ 110.516,89; c) parte desses rendimentos, no valor de R$ 38.183,65 constaram da DIPJ especial da incorporação da União de Comércio e Participações Ltda. pelo Banco Alvorada S/A, realizada no mês Fl. 281DF CARF MF Impresso em 02/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/08/2013 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 02/08/2013 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 02/08/2013 por NELSO KICHEL Processo nº 10580.009548/200770 Acórdão n.º 1802001.435 S1TE02 Fl. 282 5 de setembro de 2004, visto que apropriados pro rata tempore ao resultado do períodobase encerrado pela sobredita incorporação e computados na apuração do lucro real desse mesmo períodobase, pelo regime de competência; d) as informações prestadas na DIPJ e na DIRF retratam situações diversas e, portanto, não comparáveis entre si, mormente quando utilizadas como parâmetro para aferir suposta omissão de receita financeira que não teria sido computada na apuração do lucro real, pelo requerente; e) transcreve ementas de julgados da DRJ Campinas que seguem a direção de seu entendimento; f) que (...) restou cabalmente demonstrado o direito creditório relativo ao IRRF a que faz jus o requerente e objeto do PER/DCOMP em tela, haja vista que a diferença de rendimentos entre DIPJ x DIRF, no montante de R$ 72.333,24 (R$ 110.516,89 — R$ 38.183,65) transitou pelo resultado do exercício e foi computada na apuração do lucro real de períodos anteriores ao mês de setembro de 2004 (mês da incorporação), consoante comprovam os documentos anexos à presente, pelo que deverão ser homologadas por completo as compensações pleiteadas no âmbito desse mesmo PER/DCOMP. g) requer a homologação total. (...) A DRJ/Salvador, analisando as razões aduzidas, julgou a Manifestação de Inconformidade improcedente, mantendo a decisão da DRF de origem, conforme Acórdão (fls. 239/240) cuja ementa transcrevo: (...) ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2004 INDÉBITO TRIBUTÁRIO. RECEITAS NÃO CONTABILIZADAS. Uma vez que o sujeito passivo, após intimações e dilatações de prazo, bem como em sede de impugnação, não logra comprovar que as receitas financeiras relativas ao IRRF formadores do saldo negativo do IRPJ daquele anocalendário foram devidamente contabilizadas e oferecidas à tributação, mantémse os ajustes efetuados pelo Fisco. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido (...) Fl. 282DF CARF MF Impresso em 02/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/08/2013 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 02/08/2013 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 02/08/2013 por NELSO KICHEL Processo nº 10580.009548/200770 Acórdão n.º 1802001.435 S1TE02 Fl. 283 6 Irresignado com esse decisum do qual tomou ciência em 17/08/2010 (fl. 241), o contribuinte apresentou Recurso Voluntário em 16/09/2010 (fls. 242/247), juntando ainda os documentos de fls.248/265, cujas razões, em síntese, são as seguintes: que o acórdão recorrido está equivocado; que ofereceu à tributação a integralidade das receitas financeiras correspondentes ao IRRF pleiteado; que o saldo negativo de IRPJ apurado no mês de setembro de 2004 foi composto pelo IRRF incidente sobre aplicações financeiras contratadas, à época, pela extinta FINASA ADMINISTRAÇÃO E PLANEJAMENTO S/A, empresa incorporada em 11/06/2004 pela UNIÃO DE COMÉRCIO PARTICIPAÇÕES LTDA que, posteriormente, restou incorporada pelo recorrente, em 01/09/2004; que parte dos rendimentos, o valor de R$ 38.183,65 (relativo ao período de 12/06/2004 a 01/09/2004), constaram da DIPJ especial de incorporação da União de Comércio e Participações Ltda (à época sucessora da Finasa Administradora) pelo Banco Alvorada S/A, realizada no mês de setembro de 2004, visto que apropriados prorata tempore ao resultado do períodobase encerrado pela sobredita incorporação e computados na apuração do lucro real desse mesmo períodobase, pelo regime de competência; que a empresa Finasa Administradora e Planejamento informou na Ficha 06A de sua DIPJ 2004, referente ao período de 01/01/2004 a 11/06/2004, o montante de R$ 698.721,52 a título de receitas financeiras (fls. 250/253), tendo sido o referido valor integralmente contabilizado no Balancete Mensal Junho/2004 e oferecido à tributação (fls. 254/265); que, destarte, no referido montante de receitas financeiras, estaria inclusa a diferença objetada pelo fisco, ou seja, R$ 72.333,24; que, assim, parte das receitas financeiras foram tributadas pela empresa Finasa Administradora e Planejamento sem aproveitamento do IRRF proprocional e parte, por sua sucessora, a União de Comércio e Participações, fazendo jus, a sucessora, ao direito creditório na integralidade em que foi pleitedo. Com base nessas razões, o recorrente pediu provimento ao recurso e, por fim, ainda protestou pela posterior juntada de documentos, caso necessários à comprovação do alegado. É o relatório. Fl. 283DF CARF MF Impresso em 02/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/08/2013 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 02/08/2013 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 02/08/2013 por NELSO KICHEL Processo nº 10580.009548/200770 Acórdão n.º 1802001.435 S1TE02 Fl. 284 7 Voto Conselheiro Nelso Kichel, Relator. O recurso é tempestivo e atende aos pressupostos para sua admissibilidade. Por conseguinte, dele conheço. Conforme relatado, os autos tratam do pleito de direito creditório – saldo negativo do IRPJ do período 01/09/2004 a 30/09/2004 no valor de R$ 22.103,38, cumulado com a declaração de compensação tributária. O referido saldo negativo do IRPJ foi informado na DIPJ da empresa UNIÃO DE COMÉRCIO E PARTICIPAÇÕES LTDA, CNPJ: 33.344.557/000107 (empresa incorporada pelo ora recorrente Banco Alvorada S/A, CNPJ: 33.870.163/000184), entregue em 30/10/2004 situação especial – incorporação – evento ocorrido em 01/09/2004, e referese integralmente ao IRRF, código de receita 3426, incidente sobre rendimentos de aplicação financeira de renda, no valor de R$ 110.516,89 da incorporada. Fonte pagadora dos rendimentos: CNPJ: 60.746.948/000112 (fls. 10/17). A decisão recorrida reconheceu, parcialmente, o direito creditório pleiteado, ou seja, tãosomente o valor de R$ 7.636,73, valor proporcional aos rendimentos de aplicação financeira apropriados R$ 38.183,65 pela incorporada UNIÃO DE COMÉRICO E PARTICIPAÇÃO LTDA, homologando, por conseguinte, a compensação tributária em parte, até o limite desse crédito deferido. Nesta instância recursal, o recorrente pediu a revisão da decisão recorrida, pleiteando o deferimento integral do crédito pleiteado de R$ 22.103,38 e a homologação total da compensação tributária, alegando: a) que o rendimento integral de R$ 110.516,89 tem origem na aplicação financeira de renda fixa efetuada pela empresa FINASA ADMINISTRAÇÃO E PLANEJAMENTO S/A, CNPJ: 61.582.870/000100, empresa incorporada, em 11/06/2004, pela UNIÃO DE COMÉRCIO E PARTICIPAÇÃO LTDA; b) que, desse rendimento total, o valor de R$ 72.333,24 seria de período anterior a essa data de incorporação, o qual já teria sido apropriado, oferecido à tributação, pela empresa FINASA (incorporada), mas sem aproveitamento do IRRF proporcional; c) que, assim, restou à empresa sucessora UNIÃO E COMÉRCIO E PARTICIPAÇÃO LTDA apropriar o rendimento tãosomente do período de 12/06/2004 a 01/09/2004 (período decorrido entre as incorporações), ou seja, R$ 38.183,65, porém fazendo jus ao aproveitamento integral do IRRF integral, como suscessora dos direitos e obrigações da sucedida. Fl. 284DF CARF MF Impresso em 02/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/08/2013 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 02/08/2013 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 02/08/2013 por NELSO KICHEL Processo nº 10580.009548/200770 Acórdão n.º 1802001.435 S1TE02 Fl. 285 8 O recorrente, ainda, protestou, genericamente, pela juntada de documentos, caso necessários para a comprovação de suas alegações. CRÉDITO PLEITEADO. ORIGEM. ELEMENTOS DE PROVA Inexistindo preliminar a ser enfrentada, passo à análise do mérito do litígio. Compulsando os autos, observase que, no anocalendário 2004, realmente houve uma série de atos de incorporação de empresas (incorporações em cadeia), envolvendo o recorrente. Nesse sentido, consta que, em 11/06/2004, a FINASA ADMINISTRAÇÃO E PLANEJAMENTO S/A foi incorporada pela UNIÃO DE COMÉRCIO E PARTICIPAÇÕES LTDA que, por fim, em 01/09/2004, restou incorporado o BANCO ALVORADA S/A, ora recorrente. Diversamente do alegado pelo recorrente, não há prova cabal nos autos de que a empresa Finasa Administradora e Planejamento tivesse informado, apropriado, na Ficha 06A de sua DIPJ 2004, referente ao período de 01/01/2004 a 11/06/2004, o valor do rendimento de R$ 72.333,24 atinente à aplicação financeira de renda fixa objeto de discussão nestes autos. Não obstante, consta dos autos que a empresa FINASA apropriou, ofereceu à tributação, R$ 698.721,52 a título de receitas financeiras, nesse período, DIPJ do período de apuração 01/01/2004 a 11/06/2004 (fls. 250/253). Entretanto, não há especificação, identificação cabal, a que aplicações financeiras referese aquele montante de rendimentos apropriados. Ainda, o Balancete Mensal Junho/2004 (fls. 254/265), também, não permite concluir ou inferir que, no referido montante de receitas financeiras oferecidas à tributação, estivesse inclusa a diferença de receitas financeiras objetada, reclamada, pelo fisco, ou seja, R$ 72.333,24. Ademais, mero demonstrativo ou planilha de cálculo elaborado unilateralmente (constante do corpo das razões do recurso), sem documentos de suporte idôneos, não possui força probatória alguma, pois elaborado ao alvedrio do recorrente. DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA DO AUTOR É cediço que, ao peticionar, pleitear direito creditório, cabe ao autor comprovar o fato constitutivo do direito que alega ter. Nesse sentido, dispõe o art. 333, I, do Código de processso Civil Brasileiro – CPC: "Art. 333. O ônus da prova incumbe: 1 ao autor, quanto ao fato constitutivo do seu direito; II – (...) Fl. 285DF CARF MF Impresso em 02/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/08/2013 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 02/08/2013 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 02/08/2013 por NELSO KICHEL Processo nº 10580.009548/200770 Acórdão n.º 1802001.435 S1TE02 Fl. 286 9 Quanto ao momento da produção das provas, dipõem os artigos 15 e 16 do Decreto n° 70.235, de 1972: Art. 15. A impugnação, formalizada por escrito e instruída com os documentos em que se fundamentar, será apresentada ao órgão preparador no prazo de trinta dias, contados da data em que for feita a intimação da exigência. Art. 16. A impugnação mencionará: I – (....) II – (...) III os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir; (...) (grifei) Por fim, o art. 170 do Código Tributário Nacional, para efeito de compensação tributária, exige que o crédito apresentado contra o fisco, para encontro de contas, tenha liquidez e certeza, in verbis: Art. 170. A lei pode, nas condições e sob as garantias que estipular, ou cuja estipulação em cada caso atribuir à autoridade administrativa, autorizar a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda pública. (Vide Decreto nº 7.212, de 2010) Por todas essas razões, conforme demonstrado, o recorrente não comprovou a certeza e liquidez do crédito pleiteado. PROTESTO GENÉRICO PELA PRODUÇÃO DE TODAS AS PROVAS ADMITIDAS EM DIREITO. PEDIDO INDEFERIDO Ainda, o contribuinte pediu juntada posterior de documentos e protesto por todas as provas admitidas em direito. Pretensão descabida. O recorrente teve várias oportunidades, nos presentes autos, de produzir provas da certeza e liquidez do crédito pleiteado, porém não o fez. A diligência não se presta para produzir prova cujo ônus é do autor do pedido do pretenso direito creditório pleiteado. Além disso, não comprovou motivo de força maior (Decreto nº 70.235/72, art. 16, § 4º, “a”). Faculdade processual preclusa. Portanto, pedido rejeitado. Fl. 286DF CARF MF Impresso em 02/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/08/2013 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 02/08/2013 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 02/08/2013 por NELSO KICHEL Processo nº 10580.009548/200770 Acórdão n.º 1802001.435 S1TE02 Fl. 287 10 Por tudo que foi exposto, voto para NEGAR provimento ao recurso. (documento assinado digitalmente) Nelso Kichel Fl. 287DF CARF MF Impresso em 02/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/08/2013 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 02/08/2013 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 02/08/2013 por NELSO KICHEL
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Numero do processo: 11065.101290/2006-73
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Mar 22 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Tue Mar 20 00:00:00 UTC 2012
Ementa: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP
Período de apuração: 01/04/2006 a 30/06/2006
SUBVENÇÕES GOVERNAMENTAIS. BASE DE CÁLCULO DO PIS/PASEP.
A subvenções governamentais consistentes em incentivos
fiscais, tais como o chamado “crédito presumido de ICMS”, devem ser considerados como receita e, como tal, integram a base de cálculo da contribuição para o PIS.
DECISÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA. NULIDADE.
Não se subsumindo a decisão da DRJ aos casos previstos no art. 59 do Decreto nº. 70.235/1976, não há que falar em nulidade da decisão administrativa de primeira instância.
DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. CONFISSÃO DE DÍVIDA.
Nos termos do § 6º do art. 74 da Lei nº. 9.430/1996, a Declaração de Compensação equivale a confissão de dívida e constitui-se em instrumento hábil e suficiente para a exigência dos débitos indevidamente compensados.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3202-000.453
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, pelo voto de qualidade, em negar
provimento ao recurso voluntário. Vencidos os Conselheiros Luís Eduardo Garrossino Barbieri e Octávio Carneiro Silva Corrêa.
O Conselheiro Gilberto de Castro Moreira Júnior declarou-se
impedido.
Designada para redigir o voto vencedor a Conselheira Irene Souza da Trindade Torres.
Fez sustentação oral, em favor da contribuinte, o advogado Daniel Earl Nelson – OAB/RS 45.438.
Nome do relator: LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI
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RESSARCIMENTO/COMPENSAÇÃO Recorrente VIA UNO S/A CALÇADOS E ACESSÓRIOS Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/04/2006 a 30/06/2006 SUBVENÇÕES GOVERNAMENTAIS. BASE DE CÁLCULO DO PIS/PASEP. A subvenções governamentais consistentes em incentivos fiscais, tais como o chamado “crédito presumido de ICMS”, devem ser considerados como receita e, como tal, integram a base de cálculo da contribuição para o PIS. DECISÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA. NULIDADE. Não se subsumindo a decisão da DRJ aos casos previstos no art. 59 do Decreto nº. 70.235/1976, não há que falar em nulidade da decisão administrativa de primeira instância. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. CONFISSÃO DE DÍVIDA. Nos termos do § 6º do art. 74 da Lei nº. 9.430/1996, a Declaração de Compensação equivale a confissão de dívida e constituise em instrumento hábil e suficiente para a exigência dos débitos indevidamente compensados. Recurso Voluntário Negado Acordam os membros do Colegiado, pelo voto de qualidade, em negar provimento ao recurso voluntário. Vencidos os Conselheiros Luís Eduardo Garrossino Barbieri e Octávio Carneiro Silva Corrêa. O Conselheiro Gilberto de Castro Moreira Júnior declarouse impedido. Designada para redigir o voto vencedor a Conselheira Irene Souza da Trindade Torres. Fez sustentação oral, em favor da contribuinte, o advogado Daniel Earl Nelson – OAB/RS 45.438 José Luiz Novo Rossari Presidente Luís Eduardo Garrossino Barbieri Relator Irene Souza da Trindade Torres Redatora Fl. 298DF CARF MF Impresso em 11/05/2012 por RUY DE AZEVEDO BASTOS - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/05/2012 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES, Assinado digitalmente em 08/05/2012 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente em 09/05/2012 por JOSE LUIZ N OVO ROSSARI, Assinado digitalmente em 04/05/2012 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES 2 Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros José Luiz Novo Rossari, Irene Souza da Trindade Torres, Gilberto de Castro Moreira Júnior, Luís Eduardo Garrossino Barbieri e Octávio Carneiro Silva Corrêa. Relatório O presente litígio decorre de Pedido de Ressarcimento/Declaração de Compensação do PIS – Não Cumulativa (fls. 1/ss), referente ao 2º trimestre de 2006, em decorrência de Crédito da Contribuição para o PIS/Pasep Exportação (§1 ° do art. 5° da Lei n° 10.637/2002). A DRF – Novo Hamburgo (RS), por meio do Despacho Decisório (fls. 215) reconheceu parcialmente o direito creditório em favor da Requerente, no valor de R$ 153.788,34, restando indeferido um saldo no valor de R$ 16.059,37 (fls. 212). A empresa apresentou Manifestação de Inconformidade (fls. 230/ss) contra a decisão proferida nos autos do processo administrativo em epígrafe que reconheceu parcialmente o direito creditório. Por bem retratar os fatos ocorridos, transcrevo o Relatório da decisão de primeira instância administrativa, in verbis : A contribuinte supracitada solicitou ressarcimento de PIS não cumulativo dos meses de abril a junho de 2006 para fins de ressarcimento/compensação, conforme consta nos autos. A DRF de origem analisou o pleito da contribuinte, tendo deferido parcialmente o ressarcimento, conforme Relatório Fiscal e Despacho Decisório, de fls.201 a 215. A glosa parcial do ressarcimento ocorre porque a contribuinte não ofereceu à tributação as subvenções recebidas do Poder Público Estadual sob a forma de crédito presumido de ICMS . Irresignada, apresenta manifestação de inconformidade, de fls.230 a 242.. Nesta, alega que os benefícios fiscais estaduais recebidos (valores de ICMS a serem utilizados na compensação com débitos do mesmo imposto), sob a forma de subvenção para investimento, não são receita bruta, pois estas são somente as receitas operacionais. As subvenções são classificadas como reserva de capital e não passam pela apuração do resultado do exercício, nos termos da Lei 6.404/1976, não sendo passível a tributação de contas do Patrimônio Liquido pela contribuição. Traz jurisprudência favorável a sua tese de defesa. Para fins de argumentação, alega que os créditos de ICMS presumidos, decorrentes da aplicação de um percentual sobre as vendas efetuadas, são abarcados pelo principio da não cumulatividade (art.155,§2°, inciso I, da Constituição), devendo ter o mesmo tratamento, haja vista que não se constituem em receita, mas em diminuição do custo dos produtos fabricados. Caso ainda seja aceita a tributação sobre as subvenções recebidas do Poder Público Estadual sob a forma de crédito Fl. 299DF CARF MF Impresso em 11/05/2012 por RUY DE AZEVEDO BASTOS - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/05/2012 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES, Assinado digitalmente em 08/05/2012 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente em 09/05/2012 por JOSE LUIZ N OVO ROSSARI, Assinado digitalmente em 04/05/2012 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 11065.101290/200673 Acórdão n.º 3202000.453 S3C2T2 Fl. 293 3 presumido de ICM, requer que os valores que lhe dariam crédito de ICMS na entrada dos produtos, mas não lhe deram, pois pela sistemática do beneficio fiscal fica impedido o creditamento na entrada, somente permitindo na saída, através de um percentual sobre o ICMS devido. Isto porque estes valores serviriam de crédito da contribuição e não foram considerados pela DRF de origem na apuração dos valores do ressarcimento. Ainda requer que a correção monetária do crédito já reconhecido e o requerido na manifestação de inconformidade do período existente entre a requisição do crédito e o efetivo ressarcimento/compensação, através da taxa SELIC (art.39 da Lei 9.250/1995),conforme jurisprudência. Por fim, solicita a suspensão da exigibilidade dos débitos que estão vinculados ao créditos complementar não deferido e requerido na manifestação de inconformidade, nos termos do art.74, §11°, da Lei 9.430/1996, com redação dada pela Lei 10.833/2003. A 2ª. Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Porto Alegre RS julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade, proferindo o Acórdão nº 10 27.404 (fls. 256/ss), o qual recebeu a seguinte ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA 0 PIS/PASEP Período de apuração: 01/04/2006 a 30/06/2006 SUBVENÇÕES INCIDÊNCIA. Sendo as subvenções, tanto as para investimento quanto as correntes para custeio, integrantes, respectivamente, dos resultados nãooperacionais e operacionais das pessoas jurídicas, resulta que, em qualquer das situações, comporão a base de cálculo do PIS e da COFINS. TAXA SELIC FALTA DE PREVISÃO LEGAL. Não incidem correção monetária e juros sobre os créditos de PIS e de COFINS objetos de ressarcimento. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido A Recorrente foi cientificada do Acórdão em 25/11/2010 (fl. 261/262). Inconformada com a decisão da autoridade julgadora de primeira instância administrativa, interpôs Recurso Voluntário em 14/12/2010 (fls. 263/ss) onde repisa os argumentos trazidos na Manifestação de Inconformidade, além de suscitar a nulidade da decisão da DRJPorto Alegre em razão de alegada exigência de crédito tributário sem o competente procedimento de lançamento. O processo digitalizado foi distribuído a este Conselheiro Relator, na forma regimental. Fl. 300DF CARF MF Impresso em 11/05/2012 por RUY DE AZEVEDO BASTOS - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/05/2012 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES, Assinado digitalmente em 08/05/2012 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente em 09/05/2012 por JOSE LUIZ N OVO ROSSARI, Assinado digitalmente em 04/05/2012 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES 4 É o relatório Voto O recurso é tempestivo, atende aos requisitos de admissibilidade previstos em lei, razão pela qual dele se conhece. O cerne do presente litígio referese à incidência, ou não, do PIS e da COFINS, regime nãocumulatividade (previstos, respectivamente, nas Leis Nos. 10.637/2002 e 10.833/2003), sobre os valores decorrentes de incentivos fiscais de ICMS recebidos do Governo da Bahia, no programa denominado “Probahia”. Ab initio, devemos entender qual a natureza jurídica dos citados “incentivos fiscais de ICMS”. Vejamos. O incentivo fiscal em discussão foi concedido pelo Estado da Bahia, com base na Lei Estadual n° 7.025 de 1997, alterada pela Lei Estadual 7.138 de 1997 e regulamentado pelo Decreto Estadual n° 6.734 de 1997 (ver fls.188/191). A concessão específica para a recorrente se deu através da Resolução 50/99 (fl. 192), do Conselho Deliberativo do PROBAHIA, fixando em 90% o percentual do crédito do imposto a ser utilizado pelo contribuinte e ratificada pela Resolução 17/02 (fl. 193) do mesmo Conselho, sendo de 15 anos o prazo de vigência do beneficio, contado a partir da emissão da primeira nota fiscal. Este prazo foi alterado para 20 anos através da Resolução No. 45/2006 (fls. 194). Para melhor compreensão da matéria transcrevemos abaixo o artigo 1º do Decreto Estadual n° 6.734 de 1997: Art. 1° Fica concedido crédito presumido nas operações de saídas dos seguintes produtos montados ou fabricados neste Estado e nos percentuais a saber: veículos automotores, bicicletas e triciclos, inclusive seus componentes, partes, peças, conjuntos e subconjuntos acabados e semiacabados pneumáticos e acessórios: a) 75% (setenta e cinco por cento) do imposto incidente, nos 5 (cinco) primeiros anos de produção; b) 37,5% (trinta e sete inteiros e cinco décimos por cento) do imposto incidente, do sexto ao décimo ano de produção; II calçados e seus componentes, bolsas, cintos e artigos de malharia: até 99% (noventa e nove por cento) do imposto incidente durante o período de até 20 (vinte) anos de produção; III móveis: 75% (setenta e cinco por cento) do imposto incidente durante o período de até 15 (quinze) anos de produção. § 1° Somente estabelecimentos industriais, dos segmentos descritos neste artigo, inscritos no Cadastro de Contribuintes do ICMS do Estado da Bahia (CAD/ICMS) a partir da vigência da Lei 7.025/97, poderão utilizar o tratamento tributário previsto nesta Seção. § 2° 0 crédito presumido de que trata este Decreto só se aplica às operações próprias do estabelecimento não alcançando às operações relativas à substituição tributária. Fl. 301DF CARF MF Impresso em 11/05/2012 por RUY DE AZEVEDO BASTOS - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/05/2012 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES, Assinado digitalmente em 08/05/2012 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente em 09/05/2012 por JOSE LUIZ N OVO ROSSARI, Assinado digitalmente em 04/05/2012 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 11065.101290/200673 Acórdão n.º 3202000.453 S3C2T2 Fl. 294 5 § 3° A utilização do tratamento tributário previsto neste artigo constitui opção do estabelecimento em substituição a utilização de quaisquer créditos decorrentes de aquisição de mercadorias ou utilização de serviços nas etapas anteriores. (grifos nossos) O mecanismo utilizado para concessão do incentivo, nos termos do que dispõe o artigo 1º, inciso II, acima transcrito, consiste no creditamento de ICMS (“crédito presumido”) em valor correspondente à aplicação de um percentual sobre o imposto incidente nas saídas da produção de cada estabelecimento instalado no Estado. No caso da Recorrente, o percentual autorizado era de 90%, conforme disposto na Resolução 50/99 do Conselho Deliberativo do PROBAHIA (fl. 192). Assim, ao meu sentir, o incentivo concedido ao contribuinte pelo Estado da Bahia, através da concessão de um “crédito presumido”, tratase de um mecanismo de redução do valor do ICMS a pagar, e tem a natureza jurídica de uma redução do critério quantitativo (composto pela combinação da base de cálculo e alíquota) da regramatriz de incidência do imposto estadual. Em outras palavras, de uma redução no montante do ICMS incidente (ou, talvez, um “desconto disfarçado” do imposto a pagar). Com isso, o contribuinte, instalado no território da Bahia, ao fim e ao cabo, deixa de pagar uma parcela do imposto que seria devido. Se com isso, fica caracterizada a chamada “Guerra Fiscal” entre os entes federativos é outra questão, que deve ser debatida em foros próprios. O efeito do incentivo, efetivamente, é o de reduzir a carga tributária final do bem revendido, a qual não é repassada ao custo dos produtos vendidos e, por decorrência, ao consumidor final. Corrobora este entendimento a prescrição contida no §3°, artigo 1º do Decreto Estadual n° 6.734/1997 ao estabelecer que caso o contribuinte opte pela utilização do “crédito presumido” não poderá utilizarse de “quaisquer créditos decorrentes de aquisição de mercadorias ou utilização de serviços nas etapas anteriores”, ou seja, confirma a tese de que efetivamente os “créditos presumidos” têm a finalidade de serem utilizados para deduzir o montante do imposto a pagar, no “sistema de débitos e créditos”, em atendimento ao princípio constitucional da nãocumulatividade do ICMS (artigo 155, §2°, inciso I, CF). Registrese que, em discussão onde foi analisada a constitucionalidade de lei do Distrito Federal que concedia crédito presumido do ICMS (ADI No. 1.5877 DF, de 19/10/2000), o STF entendeu que o citado crédito resultaria em um redução da alíquota do imposto, verbis: Ementa: Arguição de inconstitucionalidade de lei do Distrito Federal, que mediante a instituição de crédito presumido do ICMS, redundou em redução da alíquota efetiva do tributo, independentemente da celebração de convênio com afronta ao disposto no art. 155, § 2°, XII, g, da Constituição Federal. Ação Direta julgada procedente. (grifamos) Pois bem. Passemos à análise do caso concreto em discussão – a incidência do PIS/COFINS sobre os valores decorrentes dos incentivos fiscais do “Probahia”. Sabemos que a Constituição Federal, quando outorga a competência para os entes federativos instituírem tributos, especifica a hipótese de incidência e base de cálculo de cada tributo, de forma diferenciálo dos demais. A base de cálculo, que juntamente com a alíquota aplicável compõe o critério quantitativo da regramatriz de incidência tributária, tem por finalidade, entre outras, Fl. 302DF CARF MF Impresso em 11/05/2012 por RUY DE AZEVEDO BASTOS - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/05/2012 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES, Assinado digitalmente em 08/05/2012 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente em 09/05/2012 por JOSE LUIZ N OVO ROSSARI, Assinado digitalmente em 04/05/2012 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES 6 dimensionar a intensidade da incidência do tributo sobre determinado fato tributário. A base de cálculo, portanto, visa mensurar/quantificar os eventos ocorridos no mundo fenomênico, que denotem “signos de riqueza” (no sentido de capacidade contributiva), a fim de propiciar ao Estado a captação de recursos extraídos de parcela do patrimônio dos contribuintes. Neste sentido, o artigo 195, I, “b”, da Constituição Federal prescreve que a seguridade social será financiada, dentre outras formas, pela contribuição social das empresas incidentes sobre a “receita ou o faturamento”. Por sua vez, o artigo 1º da Lei 10.637/2002 dispõe que o PIS/PASEP, não cumulativo, incide sobre o faturamento mensal, assim entendido o total das receitas auferidas pela pessoa jurídica, consideradas a receita bruta auferida com a venda de bens e serviços nas operações de conta própria e alheia e todas as demais receitas auferidas pela pessoa jurídica. O parágrafo §2º estipula que a base de cálculo da contribuição para o PIS/Pasep é o valor do faturamento, conforme definido no caput do artigo 1º. A norma de incidência tributária para a citada Contribuição tem, portanto, como critério material “auferir receita ou faturamento” e critério quantitativo “o montante da receita ou do faturamento auferidos, combinado com a alíquota prevista na lei”. Destarte, não consigo vislumbrar como uma redução do montante do ICMS a pagar, operacionalizada através de um mecanismo de “crédito presumido”, pode ser caracterizada como uma “receita auferida” ou “faturamento auferido” (no Dicionário Aurélio o termo “auferir” equivale a “colher” / “obter”). No meu entender, “receitas” decorrem do ingresso definitivo de recursos financeiros no patrimônio da empresa e, desde que, sejam provenientes de suas atividades empresariais (em acepção ampla); o “faturamento”, por sua vez, é uma espécie do gênero “receitas” e que decorre do ingresso definitivo de recursos oriundos exclusivamente das vendas de mercadorias e da prestação de serviços. Não os entendo como sinônimos. No caso em tela, não houve “ingresso” de recurso para o contribuinte e, consequentemente, não houve o auferimento de “receita” ou “faturamento”, repitase, houve mera redução no montante do ICMS a pagar. Um “desconto” obtido, sob a forma de crédito presumido (que reduzirá o valor do ICMS a pagar), não pode ser tratado como se fosse um ingresso de receita, oriundo da atividade empresarial do contribuinte, inexistindo, por isso mesmo, manifestação de riqueza passível de ser tributada. Portanto, os valores decorrentes do “crédito presumido do ICMS” estão fora do campo de incidência do PIS, não devendo compor, assim, a sua base de cálculo. É desta forma que interpreto o texto normativo e construo a norma de incidência tributária. Veja que não há subsunção do fato concreto (redução do ICMS a pagar por meio da concessão de “crédito presumido”) com a hipótese normativa (“auferir receita”), portanto, não se instaurará o consequente da norma (relação jurídicotributária / obrigação tributária). Na doutrina muito se discute quanto ao conceito jurídico do termo “receita”. Vejamos a posição de alguns juristas a esse respeito. Tércio Sampaio Ferraz Júnior afirma que “receita é a quantidade de valor financeiro, originário de outro patrimônio, cuja propriedade é adquirida pela sociedade empresária ao exercer as atividades que constituem as fontes do resultado, conforme o tipo de atividade por ela exercida” (in Revista Forum de Direito Tributário, número 28). Fl. 303DF CARF MF Impresso em 11/05/2012 por RUY DE AZEVEDO BASTOS - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/05/2012 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES, Assinado digitalmente em 08/05/2012 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente em 09/05/2012 por JOSE LUIZ N OVO ROSSARI, Assinado digitalmente em 04/05/2012 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 11065.101290/200673 Acórdão n.º 3202000.453 S3C2T2 Fl. 295 7 Paulo de Barros Carvalho aduz que “...o termo ‘receita’ é gênero, susceptível de ser dividido em subclasses. O ‘faturamento’ figura como exemplo nítido, pois abrange apenas as receitas decorrentes de vendas de mercadorias e serviços”. Arremata o jurista: “Receita é o acréscimo patrimonial que adere definitivamente ao patrimônio da pessoa jurídica, não a integrando quaisquer entradas provisórias, representadas por importâncias que se encontrem em seu poder de forma temporária, sem pertencerlhes em caráter definitivo.” (em Direito Tributário, Linguagem e Método. Noeses, São Paulo: 2008, p. 728/729). Geraldo Ataliba informa que “o conceito de receita referese a uma espécie de entrada. Entrada é todo o dinheiro que ingressa no cofre de uma entidade. Nem toda entrada é receita. Receita é a entrada que passa a pertencer à entidade. Assim, só se considera receita o ingresso de dinheiro que venha a integrar o patrimônio da entidade que a recebe” (em Estudos e pareceres de direito tributário”, Revista dos Tribunais, São Paulo. P. 81) Por fim, José Antônio Minatel afirma que “receita é o conteúdo material qualificado pelo ingresso de recursos financeiros no patrimônio da pessoa jurídica, em caráter definitivo, proveniente dos negócios jurídicos que envolvam o exercício da atividade empresarial, que corresponda à contraprestação pela venda de mercadorias, pela prestação de serviços, assim como pela remuneração de investimentos ou pela cessão onerosa e temporária de bens e direitos a terceiros, aferido instantaneamente pela contrapartida que remunera cada um desses eventos” (Caderno de Direito Tributário 2006, EMAGIS – Escola da Magistratura do TRF da 4ª. Região). Em outro giro, com todo respeito àqueles que têm entendimentos diferentes, penso que o conceito de “receita” deve ser buscado no âmbito da linguagem do Direito, e não em outras áreas do conhecimento, na esteira do que já lecionava Hans Kelsen (in “Teoria Pura do Direito”. Ed. Martins Fontes. São Paulo, 2006, p.1/2) ao afirmar que “quando a Teoria Pura empreende delimitar o conhecimento do Direito em face destas disciplinas, fálo não por ignorar ou, muito menos, por negar essa conexão, mas porque intenta evitar um sincretismo metodológico que obscurece a essência da ciência jurídica e dilui os limites que lhe são impostos pela natureza do seu objeto”. O conceito de “receita” trazido pela Ciência Contábil, pareceme, tem por finalidade a consolidação do resultado da empresa (estipulando regras e procedimentos para a escrituração contábil), de forma a apurar o seu lucro contábil (receitas – despesas/custos = lucro), que quando muito, servirá de partida (após os “ajustes” – adições, exclusões e compensações fiscais) para a definição do chamado “lucro real”, este sim, base de cálculo do imposto de renda das empresas (IRPJ). Veja que, mesmo neste caso, o direito positivo não se utiliza diretamente de um conceito da Ciência Contábil (“lucro líquido”) para fazer incidir o IRPJ, mas prescreve um conceito diferente – o “lucro real”. Por fim, destaquese, que a forma de se proceder ao registro contábil, informado pela Ciência Contábil, não deve sobreporse ao conceito jurídico do signo “receita”. Nesta linha de raciocínio, trago à colação lição de Leandro Paulsen (in “Direito Tributário Constituição e Código Tributário à Luz da Doutrina e da Jurisprudência" , editora Livraria do Advogado, 9ª ed., p. 471/472), in verbis : "Ressarcimento ou recuperação de custos tributários e de outras despesas. Fl. 304DF CARF MF Impresso em 11/05/2012 por RUY DE AZEVEDO BASTOS - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/05/2012 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES, Assinado digitalmente em 08/05/2012 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente em 09/05/2012 por JOSE LUIZ N OVO ROSSARI, Assinado digitalmente em 04/05/2012 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES 8 Nem todo ingresso ou lançamento contábil a crédito constitui receita, que, para ser tributada, deve evidenciar riqueza reveladora de capacidade contributiva. Não pode o Fisco exigir contribuição sobre o simples ressarcimento por tributo pago indevidamente ou sobre o creditamento que visa a compensar custos tributários. (...) Em qualquer hipótese, tratandose de despesa ou custo anteriormente suportado, sua recuperação econômica em qualquer período posterior, enquanto suficiente para neutralizar a anterior diminuição patrimonial, não ostenta qualidade para ser rotulada de receita, pela ausência do requisito da contraprestação por atividade ou de negócio jurídico (materialidade), além de faltar o atributo da disponibilidade de riqueza nova. A recuperação de custo ou de despesa pode ser equiparada aos efeitos da indenização, pela similitude no caráter de recomposição patrimonial...” Destarte, em minha concepção, o conceito de receita deve ser construído com base em prescrições eminentemente jurídicas. Neste diapasão, inclusive, dispõe o artigo 109 do CTN ao prescrever que podem ser utilizados princípios gerais do direito privado para a pesquisa da definição, do conteúdo e do alcance de seus institutos, conceitos e formas. Assim, o conceito de “faturamento”, por exemplo, pode ser construído a partir de dispositivos do direito comercial (Código Comercial, art. 219, antes da fusão com o Código Civil; e Lei 5.474/69, arts. 1º a 5º), quando trata da obrigação de se emitir “fatura” nas vendas, denotando, por conseguinte, que “faturamento” decorre das vendas e prestações de serviços, ou seja, é espécie do gênero “receita”. Nesse gênero (“receita”) podem ser incluídas, ainda, outras receitas, dentre as quais receitas financeiras, receitas patrimoniais (“aluguel”), etc... No que toca à jurisprudência, na mesma linha de entendimento adotado em meu voto, transcrevo trechos do votovencedor do Conselheiro Emanuel Carlos Dantas de Assis, proferido no Acórdão No. 20313.634, sessão de 02/12/2008, processo No. 11065.000320/200714, da mesma Recorrente (em votação não unânime): “Para o deslinde da controvérsia, não dou qualquer relevo à contabilidade da empresa. Tampouco adentro no debate sobre a tributação (ou não) das subvenções em geral. O que me faz ver a impossibilidade de inclusão do incentivo na base de cálculo da Contribuição é a sua caracterização como crédito fiscal do ICMS, tal como estatuído nas normas estaduais concessivas do beneficio. No sistema de débitos e créditos de apuração do ICMS, os incentivos concedidos sob a forma de créditos fiscais servem à redução do imposto estadual devido, sendo os valores correspondentes redutores do saldo devedor. Dai não serem computados como faturamento ou receita bruta, mesmo nos termos do alargamento promovido pela Lei n° 9.718/98 (reputado inconstitucional porque anterior à PC n° 20/98) e Leis n's 10.637/2002 e 10.833/2003 (posteriores à citada Emenda e plenamente eficazes). Seria diferente, e ensejaria a tributação mediante o cômputo na receita bruta, tal como definida nas três leis retrocitadas, se o Fl. 305DF CARF MF Impresso em 11/05/2012 por RUY DE AZEVEDO BASTOS - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/05/2012 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES, Assinado digitalmente em 08/05/2012 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente em 09/05/2012 por JOSE LUIZ N OVO ROSSARI, Assinado digitalmente em 04/05/2012 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 11065.101290/200673 Acórdão n.º 3202000.453 S3C2T2 Fl. 296 9 incentivo fosse estabelecido como crédito em moeda corrente (em vez de crédito escritural), e servisse para pagamento do imposto. Do mesmo modo, também seria tributado se o incentivo se desse por meio de desconto no valor de empréstimo concedido ao contribuinte, mas que em função do beneficio Estadual é pago a menor.” Neste sentido, transcrevo ementas de decisões do antigo Conselho de Contribuintes, deixando consignado, entretanto, que a jurisprudência em relação a esta matéria ainda não é pacífica neste Tribunal Administrativo, existindo, do mesmo modo, decisões em sentido contrário (vide, por exemplo, Acórdão CSRF No. 930301.292 de 08/12/2010): (i) Recurso No. 139.098– Acórdão No. 20218.396, sessão de 18 de outubro de 2007: Assunto: Contribuição para o PIS/PASEP Período de apuração: 01/01/1998 a 28/02/1998, 01/06/1998 a 30/06/1998, 01/09/1998 a 31/12/2002. (...) CRÉDITO PRESUMIDO. ICMS E IPI. INCONSTITUCIONALIDADE DO § 1 2 DO ART. 32 DA LEI N2 9.718/98 DECLARADA PELO STF. IMPOSSIBILIDADE DE INCLUSÃO NA BASE DE CÁLCULO DA CONTRIBUIÇÃO AO PIS. O crédito presumido do ICMS e do IPI são parcelas relacionadas à redução de custos e não à obtenção de receita nova oriunda do exercício da atividade empresarial. Por decisão definitiva proferida pelo STF, deve ser afastada a inclusão na base de cálculo da contribuição ao PIS e da Cofins das parcelas relativas ao crédito presumido do ICMS e do IPI, por não se constituírem em receitas decorrentes da venda de mercadorias, de serviços ou de mercadorias e serviços. (ii) Recurso No. 139.268– Acórdão No. 20181.123, sessão de 02/06/2008: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/07/2004 a 30/09/2004 PIS. BASE DE CÁLCULO. RECEITA. REALIZAÇÃO DE CRÉDITO DO ICMS. A realização dos créditos do ICMS, por qualquer uma das formas permitidas na legislação do imposto, não se constitui receita e, portanto, o seu valor não integra a base de cálculo do PIS. CRÉDITO RESSARCIMENTO. São passíveis de ressarcimento os créditos de PIS apurados em relação a custos, despesas e encargos vinculados à receita de exportação. Fl. 306DF CARF MF Impresso em 11/05/2012 por RUY DE AZEVEDO BASTOS - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/05/2012 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES, Assinado digitalmente em 08/05/2012 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente em 09/05/2012 por JOSE LUIZ N OVO ROSSARI, Assinado digitalmente em 04/05/2012 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES 10 Recurso voluntário provido em parte. E ainda, no mesmo sentido, transcrevo ementas de decisões do STJ – Superior Tribunal de Justiça: (i) AgRg No. REsp 1.229.134 / SC, de 26/04/2011: TRIBUTÁRIO. CRÉDITO PRESUMIDO. ICMS. INCLUSÃO NA BASE DE CÁLCULO DO PIS E DA COFINS. IMPOSSIBILIDADE. BENEFÍCIO FISCAL. RESSARCIMENTO DE CUSTOS. 1. A controvérsia dos autos diz respeito à inexigibilidade do PIS e da COFINS sobre o crédito presumido do ICMS decorrente do Decreto n. 2.810/01. 2. O crédito presumido do ICMS consubstanciase em parcelas relativas à redução de custos, e não à obtenção de receita nova oriunda do exercício da atividade empresarial como, verbi gratia, venda de mercadorias ou de serviços. 3. "Não se tratando de receita, não há que se falar em incidência dos aludidos créditospresumidos do ICMS na base de cálculo do PIS e da COFINS." (REsp 1.025.833/RS, Rel. Min. Francisco Falcão, Primeira Turma, julgado em 6.11.2008, DJe 17.11.2008.) Agravo regimental improvido (ii) Recurso Especial No. 1.025.833 – RS: CRÉDITOPRESUMIDO. ICMS. INCLUSÃO NA BASE DE CÁLCULO DO PIS E DA COFINS. IMPOSSIBILIDADE. BENEFÍCIO FISCAL. RESSARCIMENTO DE CUSTOS. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. PRAZO PRESCRICIONAL. TESE DOS "CINCO MAIS CINCO". LC Nº 118/2005. APLICAÇÃO RETROATIVA. IMPOSSIBILIDADE. I "Sobre a prescrição da ação de repetição de indébito tributário de tributos sujeitos a lançamento por homologação, a jurisprudência do STJ (1ª Seção) assentou o entendimento de que, no regime anterior ao do art. 3º da LC 118/05, o prazo de cinco anos, previsto no art. 168 do CTN, tem início, não na data do recolhimento do tributo indevido, e sim na data da homologação – expressa ou tácita do lançamento. Assim, não havendo homologação expressa, o prazo para a repetição do indébito acaba sendo de dez anos a contar do fato gerador. A norma do art. 3º da LC 118/05, que estabelece como termo inicial do prazo prescricional, nesses casos, a data do pagamento indevido, não tem eficácia retroativa. É que a Corte Especial, ao apreciar Incidente de Inconstitucionalidade no Eresp 644.736/PE, sessão de 06/06/2007, declarou inconstitucional a expressão "observado, quanto ao art. 3º, o disposto no art. 106, I, da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 – Código Tributário Nacional", constante do art. 4º, segunda parte, da referida Lei Complementar. (REsp nº 890.656/SP, Rel. Min. TEORI ALBINO ZAVASCKI, DJ de 20/08/07). Fl. 307DF CARF MF Impresso em 11/05/2012 por RUY DE AZEVEDO BASTOS - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/05/2012 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES, Assinado digitalmente em 08/05/2012 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente em 09/05/2012 por JOSE LUIZ N OVO ROSSARI, Assinado digitalmente em 04/05/2012 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 11065.101290/200673 Acórdão n.º 3202000.453 S3C2T2 Fl. 297 11 II O Estado do Rio Grande do Sul concedeu benefício fiscal às empresas gaúchas, por meio do Decreto Estadual nº 37.699/97, para que pudessem adquirir aço das empresas produtoras em outros estados, aproveitando o ICMS devido em outras operações realizadas por elas, limitado ao valor do respectivo frete, em atendimento ao princípio da isonomia. III Verificase que, independentemente da classificação contábil que é dada, os referidos créditos escriturais não se caracterizam como receita, porquanto inexiste incorporação ao patrimônio das empresas industriais, não havendo repasse dos valores aos produtos e ao consumidor final, pois se trata de mero ressarcimento de custos que elas realizam com o transporte para a aquisição de matériaprima em outro estado federado. IV Não se tratando de receita, não há que se falar em incidência dos aludidos créditospresumidos do ICMS na base de cálculo do PIS e da COFINS. V Recurso especial improvido. (iii) AgRg no Recurso Especial No. 1.165.316 – SC: AGRAVO REGIMENTAL NO RECURSO ESPECIAL. QUESTÃO RELATIVA À INCLUSÃO DO CRÉDITO PRESUMIDO DE ICMS NA BASE DE CÁLCULO DO PIS E DA COFINS. IMPOSSIBILIDADE. PRECEDENTES DE AMBAS AS TURMAS DA PRIMEIRA SEÇÃO. AGRAVO REGIMENTAL DESPROVIDO. 1. O Superior Tribunal de Justiça vem decidindo que o crédito presumido do ICMS configura incentivo voltado à redução de custos, com vistas a proporcionar maior competitividade no mercado para as empresas de um determinado Estadomembro, e, portanto, não assume a natureza de receita ou faturamento, pelo que está fora da base de cálculo do PIS e da COFINS. Precedentes: 1a. Turma, AgRg no REsp. 1.229.134/SC, Rel. Min. HUMBERTO MARTINS, DJe 03.05.2011; 2a. Turma, REsp. 1.025.833/RS, Rel. Min. FRANCISCO FALCÃO, DJe 17.11.2008. 2. Por outro lado, mostrase despropositada a argumentação relacionada à observância da cláusula de reserva de plenário (art. 97 da CRFB) e do enunciado 10 da Súmula vinculante do STF, pois, na decisão recorrida, não houve declaração de inconstitucionalidade dos dispositivos legais suscitados, tampouco o seu afastamento. 3. Agravo Regimental desprovido Registrese, por fim, que não há previsão legal para a aplicação de atualização monetária ou incidência de juros nos casos de aproveitamento dos créditos ora em discussão, a teor do disposto no artigo 13 da Lei n° 10.833, de 29/12/2003. Fl. 308DF CARF MF Impresso em 11/05/2012 por RUY DE AZEVEDO BASTOS - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/05/2012 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES, Assinado digitalmente em 08/05/2012 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente em 09/05/2012 por JOSE LUIZ N OVO ROSSARI, Assinado digitalmente em 04/05/2012 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES 12 Ante ao exposto, voto no sentido de DAR PROVIMENTO ao recurso voluntário, para excluir da base de cálculo da Contribuição o crédito presumido do ICMS e determinar o ressarcimento sem a glosa respectiva. É como voto. Luís Eduardo Garrossino Barbieri Voto Vencedor Conselheira Irene Souza da Trindade Torres, Redatora Divirjo do entendimento do i. Relator, que propugnou pela não inclusão, na base de cálculo do PIS/COFINS, do “crédito presumido” do ICMS concedido ao contribuinte pelo Estado da Bahia, no programa denominado “Probahia”, ao entendimento de que “não houve “ingresso” de recurso para o contribuinte e, consequentemente, não houve o auferimento de “receita” ou “faturamento”, (...) tendo havido “mera redução no montante do ICMS a pagar”. Afirma o relator que “um “desconto” obtido, sob a forma de crédito presumido (que reduzirá o valor do ICMS a pagar), não pode ser tratado como se fosse um ingresso de receita, oriundo da atividade empresarial do contribuinte, inexistindo, por isso mesmo, manifestação de riqueza passível de ser tributada”. Na minha compreensão, o incentivo fiscal ora em análise deve ser considerado como receita não operacional da empresa, vez que não decorre diretamente da alienação de bens ou serviços relativos à sua atividade fim, e, como tal, deve integrar a base de cálculo do PIS e da COFINS. O incentivo fiscal concedido pelo governo do Estado da Bahia consiste em subvenção governamental, devendo ser enquadrado contabilmente como receita, como deixa claro o Pronunciamento Técnico CPC nº 07, emitido pelo Comitê de Pronunciamentos Contábeis. Referido Comitê foi criado pela Resolução do Conselho Federal de Contabilidade nº 1.055/2005, e tem por objetivo “o estudo, o preparo e a emissão de Pronunciamentos Técnicos sobre procedimentos de Contabilidade e a divulgação de informações dessa natureza, para permitir a emissão de normas pela entidade reguladora brasileira, visando à centralização e uniformização do seu processo de produção, levando sempre em conta a convergência da Contabilidade Brasileira aos padrões internacionais”. Por meio do predito Pronunciamento Técnico, vêse, claramente, que as subvenções governamentais (aí não se fazendo distinção entre subvenção para investimento ou de custeio), recebidas em dinheiro ou que se apresentem meramente como redução do passivo (como é o caso em questão), devem ser enquadradas como receita. Vejamos o que afirma o predito Pronunciamento Técnico: Definições 3. ..................................................................................................... Subvenção governamental é uma assistência governamental geralmente na forma de contribuição de natureza pecuniária, mas não só restrita a ela, concedida a uma entidade normalmente em troca do cumprimento passado ou futuro de certas condições relacionadas às atividades operacionais da entidade Fl. 309DF CARF MF Impresso em 11/05/2012 por RUY DE AZEVEDO BASTOS - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/05/2012 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES, Assinado digitalmente em 08/05/2012 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente em 09/05/2012 por JOSE LUIZ N OVO ROSSARI, Assinado digitalmente em 04/05/2012 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 11065.101290/200673 Acórdão n.º 3202000.453 S3C2T2 Fl. 298 13 ......................................................................................................... 6. A subvenção governamental é também designada por: subsídio, incentivo fiscal, doação, prêmio, etc. ......................................................................................................... Reconhecimento da subvenção ......................................................................................................... 9. A forma como a subvenção é recebida não influencia no método de contabilização a ser adotado. Assim, por exemplo, a contabilização deve ser a mesma independentemente de a subvenção ser recebida em dinheiro ou como redução de passivo. ......................................................................................................... Contabilização 12. Uma subvenção governamental deve ser reconhecida como receita ao longo do período confrontada com as despesas que pretende compensar, em base sistemática, desde que atendidas às condições deste Pronunciamento. A subvenção governamental não pode ser creditada diretamente no patrimônio líquido. 13. O tratamento contábil da subvenção governamental como receita deriva dos seguintes principais argumentos: (a) Uma vez que a subvenção governamental é recebida de uma fonte que não os acionistas e deriva de ato de gestão em benefício da entidade, não deve ser creditada diretamente no patrimônio líquido, mas, sim, reconhecida como receita nos períodos apropriados. (b) Subvenção governamental apenas excepcionalmente é gratuita. A entidade ganha efetivamente essa receita quando está de acordo com as regras das subvenções e cumpre determinadas obrigações. (c) Assim como os tributos são lançados no resultado, é lógico registrar a subvenção governamental, que é, em essência, uma extensão da política fiscal, na demonstração do resultado. ......................................................................................................... 20. Uma subvenção governamental na forma de compensação por gastos ou perdas já incorridos ou para finalidade de dar suporte financeiro imediato à entidade sem qualquer despesa futura relacionada deve ser reconhecida como receita no período em que se tornar recebível. (alguns grifos não constam do original) Entendo que não há como se apartar o “conceito contábil” de “receita” de seu “conceito jurídico”, conforme se pronunciou o i. Relator. O conceito de “receita” nasce da Fl. 310DF CARF MF Impresso em 11/05/2012 por RUY DE AZEVEDO BASTOS - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/05/2012 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES, Assinado digitalmente em 08/05/2012 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente em 09/05/2012 por JOSE LUIZ N OVO ROSSARI, Assinado digitalmente em 04/05/2012 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES 14 Contabilidade e, quando a lei deseja afastálo de sua origem, assim expressamente o faz. Tanto assim o é que a Lei nº. 12.350/2010, em seu art. 30, veio expressamente excluir as subvenções de que tratam as Leis nº. 10.973/2004 e 11.196/2005 das bases de cálculo do PIS e da COFINS. Se no alegado “conceito jurídico de receita” não estivessem incluídas as subvenções governamentais, seria desnecessária a edição da referida lei para expressamente excluílas da base de cálculo das preditas contribuições. Vejase: Art. 30. As subvenções governamentais de que tratam o art. 19 da Lei no 10.973, de 2 de dezembro de 2004, e o art. 21 da Lei no 11.196, de 21 de novembro de 2005, não serão computadas para fins de determinação da base de cálculo do Imposto de Renda Pessoa Jurídica (IRPJ), da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL), da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins, desde que tenham atendido aos requisitos estabelecidos na legislação específica e realizadas as contrapartidas assumidas pela empresa beneficiária. Por último, temse que tal assunto já foi apreciado pela Câmara Superior de Recursos Fiscais, nos autos do processo nº. 10283.001595/200568, Acórdão nº 930301.292, em sessão realizada em 08/12/2010, na qual a 3ª Turma daquela Câmara Superior, por unanimidade de votos, ao apreciar questão referente ao incentivo fiscal relativo ao “crédito presumido” de ICMS concedido pelo governo do Estado do Amazonas, pronunciouse no sentido de que as subvenções governamentais consistentes em incentivos fiscais devem ser escrituradas como receita na apuração da base de cálculo da Cofins. Por fim, temse que a recorrente suscita a nulidade da decisão da DRJPorto Alegre em razão de alegada exigência de crédito tributário sem o competente procedimento de lançamento. Primeiramente, não se trata de caso de nulidade da decisão da DRJ, visto ter sido esta proferida por autoridade competente e ter observado amplamente o direito de defesa da contribuinte, não se subsumindo às hipóteses de nulidade das decisões administrativas previstas no processo administrativo fiscal, no art. 59 do Decreto nº. 70.235/1972. Demais disso, ao caso em questão também não se faz necessária a formalização da exigência tributária por meio de lançamento, em razão de ter a contribuinte apresentado Declaração de Compensação (fls. 218/223), que se constitui em confissão de dívida e instrumento hábil e suficiente para a exigência dos débitos indevidamente compensados. A Declaração de Compensação equivale a confissão de dívida, ou seja, na oportunidade em que o sujeito passivo entrega a DCOMP à Secretaria da Receita Federal, ele faz a discriminação dos créditos e também dos débitos objeto da compensação, de tal modo que estes débitos são confessados por meio daquele documento. É o que dispõe o §6º do já citado art. 74 da Lei nº. 9.430/1996: §6º.A declaração de compensação constitui confissão de dívida e instrumento hábil e suficiente para a exigência dos débitos indevidamente compensados. Na hipótese de não reconhecimento do pleito creditório, aplicamse as disposições do art. 22 da IN 210/2002, qual seja, a SRF efetua a comunicação do sujeito passivo da nãohomologação da compensação e o intima a efetuar o pagamento do débito no prazo de trinta dias, a saber: Fl. 311DF CARF MF Impresso em 11/05/2012 por RUY DE AZEVEDO BASTOS - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/05/2012 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES, Assinado digitalmente em 08/05/2012 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente em 09/05/2012 por JOSE LUIZ N OVO ROSSARI, Assinado digitalmente em 04/05/2012 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 11065.101290/200673 Acórdão n.º 3202000.453 S3C2T2 Fl. 299 15 Art. 22. Constatada pela SRF a compensação indevida de tributo ou contribuição já confessado ou lançado de ofício, o sujeito passivo será comunicado da nãohomologação da compensação e intimado a efetuar o pagamento do débito no prazo de trinta dias, contado da ciência do procedimento. Parágrafo único. Não ocorrendo o pagamento ou o parcelamento no prazo previsto no caput, o débito deverá ser encaminhado à Procuradoria da Fazenda Nacional (PFN), para inscrição em Dívida Ativa da União, independentemente da apresentação, pelo sujeito passivo, de manifestação de inconformidade contra o nãoreconhecimento de seu direito creditório. Assim, diante da apresentação das DCOMP , em que a contribuinte elenca ali seus débitos, não há que se falar em inexigibilidade do crédito tributário em razão de ausência de lançamento. Por todo o exposto, NEGO PROVIMENTO ao recurso voluntário. É como voto. Irene Souza da Trindade Torres Fl. 312DF CARF MF Impresso em 11/05/2012 por RUY DE AZEVEDO BASTOS - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/05/2012 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES, Assinado digitalmente em 08/05/2012 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente em 09/05/2012 por JOSE LUIZ N OVO ROSSARI, Assinado digitalmente em 04/05/2012 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES
score : 1.0
Numero do processo: 10920.720298/2008-13
Turma: Primeira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 13 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Tue Mar 13 00:00:00 UTC 2012
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural - ITR
Exercício: 2006
ÁREAS DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE. EXCLUSÃO DA BASE
DE CÁLCULO. OBRIGATORIEDADE DE APRESENTAÇÃO
TEMPESTIVA DO ADA.
A partir do exercício de 2001 é indispensável a protocolização tempestiva do
Ato Declaratório Ambiental como condição para o gozo da redução do ITR
em se tratando de áreas de preservação permanente.
ÁREAS DE PROTEÇÃO AMBIENTAL - APA
Para efeito de isenção do ITR, não serão aceitas como de preservação
permanente ou de interesse ecológico as áreas declaradas em caráter geral,
por região local ou nacional, como situadas em APA. Sua comprovação deve
ser feita por ato de órgão ligado à proteção ambiental, federal ou estadual, em
caráter específico para o imóvel rural objeto da tributação, e desde que
cumpridas as demais exigências legais para tal exclusão tributária.
RETIFICAÇÃO DA DECLARAÇÃO APÓS O INÍCIO DA AÇÃO
FISCAL. IMPOSSIBILIDADE.
A retificação da DITR só é possível mediante a comprovação do erro em que
se funde e antes do início da ação fiscal.
DECISÕES ADMINISTRATIVAS E JUDICIAIS. EFEITOS.
Com exceção das decisões judiciais transitadas em julgado, proferidas no rito
do recurso repetitivo e da repercussão geral, as demais decisões
administrativas e judiciais não vinculam os julgamentos deste Conselho,
posto que inexiste lei que lhes atribua eficácia normativa, razão pela qual só
produzem efeitos entre as partes envolvidas, não beneficiando nem
prejudicando terceiros.
PEDIDO DE PERÍCIA. JUÍZO DA AUTORIDADE JULGADORA.
Cabe à autoridade julgadora indeferir o pedido de perícia quando entender
que a sua realização seja prescindível para o julgamento da lide.
ENVIO DE INTIMAÇÕES AOS PROCURADORES.
Dada a existência de determinação legal expressa em sentido contrário,
incabível o pedido de que as intimações sejam feitas diretamente aos
procuradores do contribuinte.
Pedido de perícia indeferido.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 2801-002.319
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar
provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator.
Nome do relator: Walter Reinaldo Falcão Lima
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural - ITR Exercício: 2006 ÁREAS DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE. EXCLUSÃO DA BASE DE CÁLCULO. OBRIGATORIEDADE DE APRESENTAÇÃO TEMPESTIVA DO ADA. A partir do exercício de 2001 é indispensável a protocolização tempestiva do Ato Declaratório Ambiental como condição para o gozo da redução do ITR em se tratando de áreas de preservação permanente. ÁREAS DE PROTEÇÃO AMBIENTAL - APA Para efeito de isenção do ITR, não serão aceitas como de preservação permanente ou de interesse ecológico as áreas declaradas em caráter geral, por região local ou nacional, como situadas em APA. Sua comprovação deve ser feita por ato de órgão ligado à proteção ambiental, federal ou estadual, em caráter específico para o imóvel rural objeto da tributação, e desde que cumpridas as demais exigências legais para tal exclusão tributária. RETIFICAÇÃO DA DECLARAÇÃO APÓS O INÍCIO DA AÇÃO FISCAL. IMPOSSIBILIDADE. A retificação da DITR só é possível mediante a comprovação do erro em que se funde e antes do início da ação fiscal. DECISÕES ADMINISTRATIVAS E JUDICIAIS. EFEITOS. Com exceção das decisões judiciais transitadas em julgado, proferidas no rito do recurso repetitivo e da repercussão geral, as demais decisões administrativas e judiciais não vinculam os julgamentos deste Conselho, posto que inexiste lei que lhes atribua eficácia normativa, razão pela qual só produzem efeitos entre as partes envolvidas, não beneficiando nem prejudicando terceiros. PEDIDO DE PERÍCIA. JUÍZO DA AUTORIDADE JULGADORA. Cabe à autoridade julgadora indeferir o pedido de perícia quando entender que a sua realização seja prescindível para o julgamento da lide. ENVIO DE INTIMAÇÕES AOS PROCURADORES. Dada a existência de determinação legal expressa em sentido contrário, incabível o pedido de que as intimações sejam feitas diretamente aos procuradores do contribuinte. Pedido de perícia indeferido. Recurso Voluntário Negado.
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EXCLUSÃO DA BASE DE CÁLCULO. OBRIGATORIEDADE DE APRESENTAÇÃO TEMPESTIVA DO ADA. A partir do exercício de 2001 é indispensável a protocolização tempestiva do Ato Declaratório Ambiental como condição para o gozo da redução do ITR em se tratando de áreas de preservação permanente. ÁREAS DE PROTEÇÃO AMBIENTAL APA Para efeito de isenção do ITR, não serão aceitas como de preservação permanente ou de interesse ecológico as áreas declaradas em caráter geral, por região local ou nacional, como situadas em APA. Sua comprovação deve ser feita por ato de órgão ligado à proteção ambiental, federal ou estadual, em caráter específico para o imóvel rural objeto da tributação, e desde que cumpridas as demais exigências legais para tal exclusão tributária. RETIFICAÇÃO DA DECLARAÇÃO APÓS O INÍCIO DA AÇÃO FISCAL. IMPOSSIBILIDADE. A retificação da DITR só é possível mediante a comprovação do erro em que se funde e antes do início da ação fiscal. DECISÕES ADMINISTRATIVAS E JUDICIAIS. EFEITOS. Com exceção das decisões judiciais transitadas em julgado, proferidas no rito do recurso repetitivo e da repercussão geral, as demais decisões administrativas e judiciais não vinculam os julgamentos deste Conselho, posto que inexiste lei que lhes atribua eficácia normativa, razão pela qual só produzem efeitos entre as partes envolvidas, não beneficiando nem prejudicando terceiros. PEDIDO DE PERÍCIA. JUÍZO DA AUTORIDADE JULGADORA. Fl. 251DF CARF MF Impresso em 21/05/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2012 por WALTER REINALDO FALCAO LIMA, Assinado digitalmente em 20/ 03/2012 por WALTER REINALDO FALCAO LIMA, Assinado digitalmente em 20/03/2012 por ANTONIO DE PADUA AT HAYDE MAGALHA Processo nº 10920.720298/200813 Acórdão n.º 2801002.319 S2TE01 Fl. 246 2 Cabe à autoridade julgadora indeferir o pedido de perícia quando entender que a sua realização seja prescindível para o julgamento da lide. ENVIO DE INTIMAÇÕES AOS PROCURADORES. Dada a existência de determinação legal expressa em sentido contrário, incabível o pedido de que as intimações sejam feitas diretamente aos procuradores do contribuinte. Pedido de perícia indeferido. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator. Assinado digitalmente Antonio de Pádua Athayde Magalhães Presidente. Assinado digitalmente Walter Reinaldo Falcão Lima Relator. Participaram do presente julgamento os conselheiros: Antonio de Pádua Athayde Magalhães, Carlos César Quadros Pierre, Luiz Cláudio Farina Ventrilho, Sandro Machado dos Reis, Tânia Mara Paschoalin e Walter Reinaldo Falcão Lima. Relatório AUTUAÇÃO Por intermédio do Termo de Intimação Fiscal de fls. 01/02 foi solicitada à contribuinte a apresentação da seguinte documentação, relativa ao ITR do exercício 2006: “Documentos referentes a Declaração do ITR do Exercício 2006: Ato Declaratório Ambiental ADA requerido dentro do prazo legal junto ao Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis lbama. Documentos, tais como Laudo técnico emitido por engenheiro agrônomo/florestal, acompanhado de Anotação de Responsabilidade Técnica ART registrada no Conselho Regional de Engenharia, Arquitetura e Agronomia Crea, que comprovem as áreas de preservação permanente declaradas, identificando o imóvel rural e detalhando a localização e dimensão das áreas declaradas a esse título, previstas nos termos das alíneas a até h do artigo 2° da Lei 4.771 de 15 de setembro de 1965, que identifique a localização do imóvel rural através de um conjunto de coordenadas geográficas definidores Fl. 252DF CARF MF Impresso em 21/05/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2012 por WALTER REINALDO FALCAO LIMA, Assinado digitalmente em 20/ 03/2012 por WALTER REINALDO FALCAO LIMA, Assinado digitalmente em 20/03/2012 por ANTONIO DE PADUA AT HAYDE MAGALHA Processo nº 10920.720298/200813 Acórdão n.º 2801002.319 S2TE01 Fl. 247 3 dos vértices de seu perímetro, preferivelmente georeferenciadas ao sistema geodésico brasileiro. Certidão do órgão público competente, caso o imóvel ou parte dele esteja inserido em área declarada como de preservação permanente, nos termos do art. 3° da Lei 4.771/65 (Código Florestal), acompanhado do ato do poder publico que assim a declarou. Para comprovar o Valor da Terra Nua (VTN) declarado: Laudo de avaliação do Valor da Terra Nua do imóvel emitido por engenheiro agrônomo ou florestal, conforme estabelecido na NBR 14.653 da Associação Brasileira de Normas Técnicas ABNT com grau de fundamentação e precisão II, com anotação de responsabilidade técnica ART registrada no CREA, contendo todos os elementos de pesquisa identificados e planilhas de calculo e preferivelmente pelo método comparativo direto de dados de mercado. Alternativamente o contribuinte poderá se valer de avaliação efetuada pelas Fazendas Públicas Estaduais (exatorias) ou Municipais, assim como aquelas efetuadas pela Emater, apresentando os métodos de avaliação e as fontes pesquisadas que levaram à. convicção do valor atribuído ao imóvel. Tais documentos devem comprovar o VTN na data de 1° de Janeiro de 2006, a preço de mercado. A falta de comprovação do VTN declarado ensejará o arbitramento do valor da terra nua, com base nas informações do Sistema de Preços de Terra SIPT da RFB, nos termos do artigo 14 da Lei 9.393/96, pelo VTN/ha do município de localização do imóvel para 1° de Janeiro de 2006 no valor de R$:” Como resposta, a interessada apresentou os esclarecimentos de fls. 09/11, juntamente com os documentos de fls. 12/24, que contém, entre outros, Laudo de Avaliação de Imóvel (fls. 13/19) e Ato Declaratório Ambiental – ADA (fls. 23) protocolado em 08/10/08. Por considerar não ter sido comprovada a isenção da área declarada a título de preservação permanente, foi efetuada sua glosa e expedida a notificação de lançamento de fls. 26/29, em que foi apurado um imposto suplementar de R$ 67.873,78, mais acréscimos legais, sendo que a infração encontrada foi assim discriminada na descrição dos fatos de fls. 27: “Área de Preservação Permanente não comprovada Descrição dos Fatos: Após regularmente intimado, o contribuinte não comprovou a isenção da área declarada a título de preservação permanente no imóvel rural. O Documento de Informação e Apuração do ITR (DIAT) foi alterado e os seus valores encontramse no Demonstrativo de Apuração do Imposto Devido, em folha anexa. Enquadramento Legal ART 10 PAR 1 E INC II E AL "A" L 9393/96 Fl. 253DF CARF MF Impresso em 21/05/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2012 por WALTER REINALDO FALCAO LIMA, Assinado digitalmente em 20/ 03/2012 por WALTER REINALDO FALCAO LIMA, Assinado digitalmente em 20/03/2012 por ANTONIO DE PADUA AT HAYDE MAGALHA Processo nº 10920.720298/200813 Acórdão n.º 2801002.319 S2TE01 Fl. 248 4 Complemento da Descrição dos Fatos: A empresa não apresentou o Ato Declaratório Ambiental ADA requerido no prazo legal junto ao IBAMA e nem comprovou a existência das áreas de preservação permanente mediante Laudo Técnico ou Certidão de órgão público que declare que a área específica é de preservação permanente.” Cumpre esclarecer que, como consequência da glosa da área de preservação permanente – APP, foi apurado um novo Valor da Terra Nua Tributável e a alíquota incidente sobre este Valor também foi alterada. Entretanto o Valor da Terra Nua declarado pela contribuinte não foi objeto de autuação, como pode ser constatado nos cálculos constantes às fls. 28, no quadro denominado “Valor da Terra Nua”. IMPUGNAÇÃO Cientificada do lançamento, a interessada apresentou a impugnação de fls. 31/38, juntamente com os documentos de fls. 39/124, expondo, em síntese, os seguintes argumentos, conforme relatório do acórdão de primeira instância (fls. 130): “7.1. Tratou do direito à impugnação, explanou sobre as características e registro da propriedade e sobre as razões das notificações de lançamento. 7.2. Mencionou da legislação que trata da isenção das áreas preservadas e afirmou que as NL não poderiam prevalecer. 7.3. Em da Descrição da Área disse que através de laudo técnico se afirma estar o imóvel localizado na Área de Preservação Ambiental — APA da Serra Dona Francisca, tomado por vegetação da Mata Atlântica. 7.4. Aprofundouse na questão de localização do imóvel e após outros argumentos, como a menção de parte da lei n° 9.393/1996 que exclui as áreas preservadas da tributação, disse que sendo 100,0% de APP é evidente ser zero a área tributável. 7.5. Em Do valor do imóvel disse que, em se admitindo o não acolhimento da isenção, seria imperativo que os cálculos sejam baseados nos valores apurados no lado técnico. 7.6. Na seqiiencia listou os valores dos créditos tributários impugnados e concluiu que, diante do exposto e as provas apresentadas, não restaria dúvida de que o imóvel em questão 6, de fato, APP, composto 100,0% de Mata Atlântica e, como tal, está isento de tributação. 7.7. Isto posto requereu: a) Sejam revistos e suspensos os atos de levantamentos tributários correspondentes ao ITR, relativo aos exercícios de 2004 a 2006, por ser indevidos. b) Como conseqüência sejam tornadas sem efeito as NL emitidas contra a requerente, medida esta que será da mais alta justiça. Fl. 254DF CARF MF Impresso em 21/05/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2012 por WALTER REINALDO FALCAO LIMA, Assinado digitalmente em 20/ 03/2012 por WALTER REINALDO FALCAO LIMA, Assinado digitalmente em 20/03/2012 por ANTONIO DE PADUA AT HAYDE MAGALHA Processo nº 10920.720298/200813 Acórdão n.º 2801002.319 S2TE01 Fl. 249 5 8. Na seqüencia listou os documentos que instrui sua impugnação, juntados das fls. 39 a 124, os quais são: cópia da NL, da procuração, da alteração contratual da empresa, de certidão do imóvel, do ADA/2008, de laudo de avaliação, de laudo de APP, de ART, entre outros.” ACÓRDÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA A DRJ/Campo GrandeMS julgou a impugnação improcedente, nos termos das ementas reproduzidas a seguir (fls. 127/128): ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL ITR Exercício: 2006 Área de Proteção Ambiental APA Legalmente, a Área de Proteção Ambiental APA é uma área em geral extensa, com um certo grau de ocupação humana, dotada de atributos abióticos, bióticos, estéticos ou culturais especialmente importantes para a qualidade de vida e o bem estar das populações humanas, e tem como objetivos básicos proteger a diversidade biológica, disciplinar o processo de ocupação e assegurar a sustentabilidade do uso dos recursos naturais. Por isso, a sua exploração tem especial controle pelos órgãos ambientais. Porém, o fato de um imóvel estar localizado em uma APA, por si só, não o torna, automaticamente, isento de ITR, mas, somente as Áreas de Preservação Permanente APP nela contidas, sejam as definidas pelo só efeito do Código Florestal ou assim declaradas por Ato do Poder Público em caráter especifico para determinada área da propriedade e desde que cumpridas as demais exigências legais para tal exclusão tributária. Preservação Permanente Reserva Legal Requisitos de Isenção A concessão de isenção de ITR para as Áreas de Preservação Permanente APP ou de Utilização Limitada AUL, como Área de Reserva Legal ARL, está vinculada à comprovação de sua existência, como laudo técnico especifico e averbação na matricula até a data do fato gerador, respectivamente, e de sua regularização através do Ato Declaratório Ambiental ADA, cujo requerimento deve ser protocolado no Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis IBAMA em até seis meses após o prazo final para entrega da Declaração do ITR. A prova de uma não exclui a da outra. Isenção Hermenêutica A legislação tributária para concessão de beneficio fiscal interpretase literalmente, assim, se não atendidos os requisitos legais para a isenção, a mesma não deve ser concedida. Fl. 255DF CARF MF Impresso em 21/05/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2012 por WALTER REINALDO FALCAO LIMA, Assinado digitalmente em 20/ 03/2012 por WALTER REINALDO FALCAO LIMA, Assinado digitalmente em 20/03/2012 por ANTONIO DE PADUA AT HAYDE MAGALHA Processo nº 10920.720298/200813 Acórdão n.º 2801002.319 S2TE01 Fl. 250 6 Ressaltou, ainda, que o VTN não foi objeto de alteração pelo Fisco, tendo sido aceito o valor declarado pelo contribuinte. Mesmo assim, a título de esclarecimento, apreciou o questionamento feito pela impugnante, tendo concluído que “o Laudo trazido aos Autos não apresenta grau de fundamentação II, conforme exigido na intimação, não havendo como, em sede de julgamento, ser aceito levantamento precário, inapto a alterar o valor atribuído no lançamento, o qual, aliás, é o mesmo informado na DITR em pauta, pois, não houve alteração de oficio”. RECURSO AO CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS (CARF) Cientificada do acórdão de primeira instância em 30/07/10 (fls. 141), a interessada apresentou, em 31/08/10, o Recurso de fls. 142/158, juntamente com os documentos de fls. 159/243, alegando, em suma, que: a) a área glosada é enquadrada como de preservação permanente, tanto pelas características descritas no art. 2° do Código Florestal (Lei n° 4.771/1965), como pela vegetação nela existente, seja pela sua declividade, como também restou declarada por ato do Poder Público, conforme comprovam os documentos de fls. 170/180; b) no laudo juntado, firmado por profissional devidamente habilitado no CREA, há menção expressa de se tratar o imóvel em questão de APP, pelas suas características, descrevendo trecho do laudo que trata do assunto; c) nos termos do artigo 10, § 7° da Lei 9.393/96, modificado pela Medida Provisória 2.16667/2001, cuja aplicação pretérita encontra respaldo no art. 106 do Código Tributário Nacional, basta a simples declaração do contribuinte para a isenção do ITR sobre as áreas de Preservação Permanente, de Reserva Legal e daquelas sob regime de interesse ecológico para a proteção dos ecossistemas. Entretanto, só haverá pagamento do imposto e consectários legais em caso de falsidade da referida declaração, conforme definido no artigo acima citado, o que não é caso dos autos. d) como restou comprovada a existência da APP declarada, que não foi contestada pela autoridade fiscal, a glosa efetuada é descabida; e) para efeito de sua exclusão da base de cálculo do ITR, a APP não depende tão somente de seu reconhecimento pelo IBAMA por meio de ADA ou da protocolização tempestiva de seu requerimento, uma vez que a sua efetiva existência pode ser comprovada por meio de laudo técnico e outras provas documentais idôneas trazidas aos autos, conforme se verifica pelos documentos juntados; f) diversos acórdãos proferidos pela Primeira e a Segunda Câmara deste Conselho afastam a exigência da apresentação do ADA, para fins de exclusão da APP da base de cálculo do ITR, assim como decisões prolatadas pelo Poder Judiciário, reproduzindo ementas dos arestos citados; Fl. 256DF CARF MF Impresso em 21/05/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2012 por WALTER REINALDO FALCAO LIMA, Assinado digitalmente em 20/ 03/2012 por WALTER REINALDO FALCAO LIMA, Assinado digitalmente em 20/03/2012 por ANTONIO DE PADUA AT HAYDE MAGALHA Processo nº 10920.720298/200813 Acórdão n.º 2801002.319 S2TE01 Fl. 251 7 g) caso não seja restabelecida a APP glosada, o VTN deve ser modificado, posto que valor atribuído ao imóvel para efeito de lançamento está divorciado da realidade fática; h) o VTN, atribuído unilateralmente pela Receita Federal, permite, sim, contestação, assegurada pelo parágrafo 4° do art. 3° da Lei n° 8.847/94, sendo que este Conselho e o Poder Judiciário vêm decidindo nesse sentido. i) a Receita Federal lançou de oficio o VTNm em total de 1.420.000,00 (notificação fiscal), dividido pelo número de hectares, 600,00 ha, o qual resulta no valor em reais de R$ 2.366,66 para cada hectare, sendo que, de acordo com o laudo juntado aos autos, o VTN por ela declarado no valor de R$ 300,56 deve prevalecer. Diante do exposto acima requer: 4.1. Por todo o exposto, requerse seja reformado in totum o acórdão n° 0421.092, conhecendose e dando provimento ao presente recurso voluntário para fins de que seja anulada a notificação fiscal combatida e/ou, no mérito, seja julgada a insubsistência da exigência fiscal, tudo de acordo com o que restou evidenciado ao longo deste recurso voluntário. 4.2. Requer ainda, a produção de todos os meios de prova em direito admitidos, especialmente a documental ora acostada e o laudo de caracterização de declividade que será anexado posteriormente, bem como, em se entendo pertinente, a realização da prova pericial para apurar o tamanho da área de preservação permanente do imóvel de propriedade da recorrente. 4.3. Requerse, por oportuno, que todas as intimações referentes ao presente feito sejam feitas diretamente em nome dos procuradores da contribuinte recorrente legalmente constituídos, com endereço profissional na Av. Brasil, n° 205, Ed. Trade Center, 50 e 6° andares, Ponta Aguda, Blumenau/SC, CEP 89050000. É o Relatório. Voto Conselheiro Walter Reinaldo Falcão Lima O recurso é tempestivo e atende às demais condições de admissibilidade, portanto merece ser conhecido. Cumpre informar, inicialmente, que a alteração do VTN não foi objeto da notificação de lançamento em discussão, haja vista que, como pode ser observado no quadro Cálculo do Valor da Terra Nua (fls. 28), o VTN considerado pela autoridade lançadora foi o mesmo declarado pela recorrente, R$ 1.450.000,00. O que foi alterado foi o Valor da Terra Fl. 257DF CARF MF Impresso em 21/05/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2012 por WALTER REINALDO FALCAO LIMA, Assinado digitalmente em 20/ 03/2012 por WALTER REINALDO FALCAO LIMA, Assinado digitalmente em 20/03/2012 por ANTONIO DE PADUA AT HAYDE MAGALHA Processo nº 10920.720298/200813 Acórdão n.º 2801002.319 S2TE01 Fl. 252 8 Nua Tributável, que leva em consideração a área tributável, que foi estabelecida pela fiscalização como sendo a área total do imóvel, em decorrência da glosa da APP. Por conseguinte o VTN tributável foi modificado de R$ 184.150,00 para R$ 1.450.000,00. Face ao exposto acima a questão relativa ao VTN não será objeto de apreciação por este Colegiado, por não fazer parte da lide. Convém ressaltar que não é permitido à contribuinte alterar o VTN declarado, como pretende em seu recurso, posto que configuraria uma retificação de declaração que, nos casos que visem a reduzir ou excluir tributo, somente pode ocorrer antes de iniciado o procedimento de ofício, de acordo com o disposto no art. 147, § 1º, do CTN, abaixo transcrito, e este requisito não se encontra preenchido neste caso. Código Tributário Nacional Art. 147. O lançamento é efetuado com base na declaração do sujeito passivo ou de terceiro, quando um ou outro, na forma da legislação tributária, presta à autoridade administrativa informações sobre matéria de fato, indispensáveis à sua efetivação. § 1º A retificação da declaração por iniciativa do próprio declarante, quando vise a reduzir ou a excluir tributo, só é admissível mediante comprovação do erro em que se funde, e antes de notificado o lançamento. (...) Quanto à questão da APP, convém ressaltar que o Laudo de Vistoria de fls. 110/122, cujo objetivo foi descrever a área de preservação permanente existente no imóvel, foi elaborado em outubro de 2008, posteriormente, portanto, à ocorrência do fato gerador, logo não pode ser aceito para amparar a pretensão da interessada em relação ao exercício em questão. Cumpre assinalar que o citado Laudo também não discrimina o quantum de área de preservação permanente que o imóvel em questão possui, limitandose a informar, de modo geral, que o imóvel está localizado em área de preservação permanente, sem benfeitorias (item 1), sendo que no item 7.1 consta a informação de que cursos d’água existentes na propriedade cursos determinam APP, “em função dos 30 metros de mata ciliar”, e no item 7.3 há relato de que existe dentro das terras varias escarpas com mais de 100% de declividade, que, por essa característica, são consideradas APP. Todavia para ambos os casos não há discriminação acerca do total de área que estaria enquadrada como APP. Quanto à alegação de que, pelo fato de o imóvel estar situado dentro de uma Área de Proteção Ambiental – APA toda a sua área deve ser considerada como de preservação permanente, também não há qualquer reparo a ser feito no acórdão recorrido, cabendo destacar que a questão se encontra esclarecida na pergunta 184 do Manual de Perguntas e Respostas relativo à DITR/2001 (abaixo reproduzidas), que também se aplica ao exercício 2006, entendimento do qual compartilho: “184. Por que os imóveis rurais situados ern Área de Proteção Ambiental (APA) e nas Reservas Extrativistas são tributados? Desde o início, convém dizer o seguinte: um dos objetivos precípuos da legislação ambiental e da legislação tributária é, Fl. 258DF CARF MF Impresso em 21/05/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2012 por WALTER REINALDO FALCAO LIMA, Assinado digitalmente em 20/ 03/2012 por WALTER REINALDO FALCAO LIMA, Assinado digitalmente em 20/03/2012 por ANTONIO DE PADUA AT HAYDE MAGALHA Processo nº 10920.720298/200813 Acórdão n.º 2801002.319 S2TE01 Fl. 253 9 indubitavelmente, estimular a preservação do meio ambiente, via beneficio fiscal. No entanto, o beneficio da exclusão do ITR, inclusive na APA e nas Reservas Extrativistas, não se estende genericamente a todas as áreas do imóvel. Somente se aplica a áreas especificas da propriedade particular, vale dizer, somente para as áreas de interesse ambiental efetivamente situadas no imóvel como: área de preservação permanente, área de reserva legal, área de RPPN e área de proteção de ecossistema bom como área imprestável para a atividade rural, desde que reconhecidas de interesse ambiental. 0 reconhecimento dessas áreas depende de ato específico, por imóvel, expedido pelo Ibama (Ato Declaratório Ambiental — ADA). O beneficio fiscal estendese apenas para essas áreas especificas do imóvel, uma vez que elas, em regra, não podem ser exploradas economicamente. Por outro lado, inclusive na APA e nas Reservas Extrativistas, há, em regra, áreas do imóvel rural destinadas ou utilizadas pela atividade agrícola, pecuária, florestal, industrial e mineral. Logo, impossível a concessão de isenção do 1TR para todas as áreas da propriedade situada na APA e na Reserva Extrativista, pois há áreas exploradas economicamente.” Vale dizer que não foram juntados aos autos documentos que comprovem que a área glosada pela fiscalização se refere à APP. Não obstante o acima exposto, é importante destacar que, a partir do exercício 2001, a protocolização tempestiva do ADA é um dos requisitos legais para que a APP não seja tributada pelo ITR, conforme disposto no art. 17O, §1º, da Lei 10.165, de 27 de dezembro de 2000, in verbis: "Art. 170. Os proprietários rurais que se beneficiarem com redução do valor do Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural — ITR, com base em Ato Declaratório Ambiental ADA, deverão recolher ao IBAMA a importância prevista no item 3.11 do Anexo VII da Lei nº 9.960, de 29 de janeiro de 2000, a título de Taxa de Vistoria (Redação dada pela Lei n° 10.165. de 2000) § 1ºA. A Taxa de Vistoria a que se refere o caput deste artigo não poderá exceder a dez por cento do valor da redução do imposto proporcionada pelo ADA (incluído nela Lei n° 10.165. de 2000) §1º. A utilização do ADA para efeito de redução do valor a pagar do ITR é obrigatória. (Redação dada pela Lei n°10.165, de 2000)" (destaque meu) Vale dizer que a protocolização do ADA marca a data em que a interessada comunica ao órgão oficial de fiscalização ambiental a existência de áreas de interesse ambiental em seu imóvel rural e, em última análise, solicita que tais áreas sejam reconhecidas como tal pelo Poder Público, inclusive para fins de redução do valor do ITR. Fl. 259DF CARF MF Impresso em 21/05/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2012 por WALTER REINALDO FALCAO LIMA, Assinado digitalmente em 20/ 03/2012 por WALTER REINALDO FALCAO LIMA, Assinado digitalmente em 20/03/2012 por ANTONIO DE PADUA AT HAYDE MAGALHA Processo nº 10920.720298/200813 Acórdão n.º 2801002.319 S2TE01 Fl. 254 10 Nesse contexto, por óbvio, deve haver prazo para a protocolização do formulário do ADA. Se tal prazo não for expressamente estabelecido em Lei, a rigor, ele expiraria na data de ocorrência do fato gerador, no caso do ITR, 1º de janeiro de cada exercício. Ocorre que o Decreto nº 4.382, de 19 de setembro de 2002, Regulamento do ITR, que compilou a legislação do ITR, determina: “Art. 10. Área tributável é a área total do imóvel, excluídas as áreas: I de preservação permanente (...); (...) § 2º A área total do imóvel deve se referir à situação existente na data da efetiva entrega da Declaração do Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural – DITR. § 3º Para fins de exclusão da área tributável, as áreas do imóvel rural a que se refere o caput deverão: I ser obrigatoriamente informadas em Ato Declaratório Ambiental ADA, protocolado pelo sujeito passivo no Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis IBAMA, nos prazos e condições fixados em ato normativo (Lei nº 6.938, de 31 de agosto de 1981, art. 17O, § 5º, com a redação dada pelo art. 1º da Lei nº 10.165, de 27 de dezembro de 2000); e (...)”. (destaque meu) Para o exercício 2006, além do disposto nos atos já mencionados anteriormente, tal prazo estava estabelecido no art. 9º, § 3º, II, da IN SRF nº 256, de 11/12/02, in verbis: IN SRF nº 256, de 11/12/02 Art. 9º Área tributável é a área total do imóvel rural, excluídas as áreas: I de preservação permanente; (...) § 3º Para fins de exclusão da área tributável, as áreas do imóvel rural a que se refere o caput deverão: I – ser obrigatoriamente informadas em Ato Declaratório Ambiental (ADA), protocolado pelo sujeito passivo no Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (IBAMA), no prazo de até seis meses, contado a partir do término do prazo fixado para a entrega da DITR.. (destaque meu) Fl. 260DF CARF MF Impresso em 21/05/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2012 por WALTER REINALDO FALCAO LIMA, Assinado digitalmente em 20/ 03/2012 por WALTER REINALDO FALCAO LIMA, Assinado digitalmente em 20/03/2012 por ANTONIO DE PADUA AT HAYDE MAGALHA Processo nº 10920.720298/200813 Acórdão n.º 2801002.319 S2TE01 Fl. 255 11 Assim, como no presente caso, o ADA apresentado foi protocolado somente em 08/10/08 (fls. 23), após, portanto, o prazo de seis meses fixado para a entrega da DITR/2006, não se encontra atendida uma das condições previstas na legislação para a exclusão da APP declarada da base de cálculo do ITR. Entendo que a dispensa da exigência da protocolização tempestiva do ADA somente poderia ocorrer se a APP em questão tivesse sido reconhecida como tal pelos órgãos ambientais competentes, à época do fato gerador. E nos autos não há prova de tais fatos. Acerca das decisões administrativas e judiciais citadas, cumpre informar que, com exceção das decisões judiciais transitadas em julgado, proferidas no rito do recurso repetitivo e da repercussão geral, as demais decisões administrativas e judiciais não vinculam os julgamentos deste Conselho, posto que inexiste lei que lhes atribua eficácia normativa, razão pela qual só produzem efeitos entre as partes envolvidas, não beneficiando nem prejudicando terceiros. Por entender que a realização de perícia é desnecessária para a solução do litígio, haja vista que os autos contêm todos os elementos pertinentes para a realização do julgamento e o ônus da prova neste caso é da recorrente, indefiro, com base no art. 18, do Decreto n° 70.235/72, o pedido de perícia formulado. Por fim, quanto à solicitação de que todas as intimações sejam feitas diretamente aos seus procuradores, tal pretensão não merece acolhida, de acordo com o que disciplina o artigo 23 do Decreto n° 70.235/1972. Diante do exposto acima voto por INDEFERIR o pedido de perícia e por NEGAR provimento ao recurso. Assinado digitalmente Walter Reinaldo Falcão Lima – Relator Fl. 261DF CARF MF Impresso em 21/05/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2012 por WALTER REINALDO FALCAO LIMA, Assinado digitalmente em 20/ 03/2012 por WALTER REINALDO FALCAO LIMA, Assinado digitalmente em 20/03/2012 por ANTONIO DE PADUA AT HAYDE MAGALHA
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Numero do processo: 10680.915617/2009-10
Turma: Primeira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 20 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Mon Aug 12 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Data do fato gerador: 31/12/2005
PEDIDO DE COMPENSAÇÃO. AUSÊNCIA DE CRÉDITO SUFICIENTE PARA LIQUIDAR OS DÉBITOS.
Direito creditório reconhecido em parte pela Delegacia de Julgamento. Deve-se negar provimento ao Recurso Voluntário, tendo em vista a ausência de direito creditório suficiente para quitar os débitos indicados em PerDcomp.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 3801-001.798
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. O Conselheiro Flávio de Castro Pontes votou pelas conclusões.
(assinado digitalmente)
Flávio de Castro Pontes - Presidente.
(assinado digitalmente)
Maria Inês Cadeira Pereira da Silva Murgel
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Antônio Borges, José Luiz Bordignon, Sidney Eduardo Stahl, Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel e Flávio de Castro Pontes (Presidente).
Nome do relator: MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL
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AUSÊNCIA DE CRÉDITO SUFICIENTE PARA LIQUIDAR OS DÉBITOS. Direito creditório reconhecido em parte pela Delegacia de Julgamento. Deve se negar provimento ao Recurso Voluntário, tendo em vista a ausência de direito creditório suficiente para quitar os débitos indicados em PerDcomp. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. O Conselheiro Flávio de Castro Pontes votou pelas conclusões. (assinado digitalmente) Flávio de Castro Pontes Presidente. (assinado digitalmente) Maria Inês Cadeira Pereira da Silva Murgel Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Antônio Borges, José Luiz Bordignon, Sidney Eduardo Stahl, Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel e Flávio de Castro Pontes (Presidente). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 68 0. 91 56 17 /2 00 9- 10 Fl. 120DF CARF MF Impresso em 12/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/08/2013 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado dig italmente em 05/08/2013 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado digitalmente em 09 /08/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10680.915617/200910 Acórdão n.º 3801001.798 S3TE01 Fl. 12 2 Relatório Conselheira Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Relatora O ora Recorrente, Hospital Mater Dei S/A, apresentou pedido de PerdDcomp, visando compensar débito nela declarado com crédito de PIS pago a maior, com fato gerador em 31/12/2005. Ocorre que a compensação não foi homologada, uma vez que não foi identificado pelo sistema da Receita Federal do Brasil o crédito alegado no pedido de compensação apresentado. Não concordando com o despacho decisório, o Recorrente apresentou Manifestação de Inconformidade, na qual alegou que, de fato, houve um erro de preenchimento na DCTF e que, por isso, os créditos não foram identificados pela RFB. Alegou, ainda, que promoveu a retificação de sua DCTF, o que comprovaria, a princípio, o seu direito creditório. A Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Belo Horizonte, ao analisar a Manifestação de Inconformidade do Recorrente, julgoua como PROCEDENTE, reconhecendo o direito creditório do contribuinte, no limite de R$7.027,44 (sete mil e vinte e sete reais e quarenta e quatro centavos). Devidamente intimado da decisão da DRJ, o Recorrente interpôs o presente Recurso Voluntário, repisando, basicamente, os argumentos apresentados em sua manifestação de inconformidade. É o relatório. Voto Conselheira Maria Inês Caldeira Pereida da Silva Murgel, Relatora Como se depreende da decisão proferida pela Delegacia da Receita Federal de Julgamento de Belo Horizonte (MG), houve o deferimento da Manifestação de Inconformidade apresentada pelo Recorrente, quando restou reconhecido o seu direito creditório. Ressaltese, contudo, que o valor do crédito reconhecido na decisão recorrida (valor originário de R$7.027,44) presente no Termo de Ciência e Notificação é inferior aos débitos compensados nas DCOMPS ali listadas, que somam o valor total de R$27.541,84. Portanto, negase provimento ao recurso voluntário, tendo em vista que o crédito reconhecido foi inteiramente utilizado nas DCOMPS especificadas no Termo de Ciência e Notificação. (assinado digitalmente) Fl. 121DF CARF MF Impresso em 12/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/08/2013 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado dig italmente em 05/08/2013 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado digitalmente em 09 /08/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10680.915617/200910 Acórdão n.º 3801001.798 S3TE01 Fl. 13 3 Maria Inês Caldeira Pereida da Silva Murgel Relatora Fl. 122DF CARF MF Impresso em 12/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/08/2013 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado dig italmente em 05/08/2013 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado digitalmente em 09 /08/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES
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Numero do processo: 16327.001163/2010-47
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jul 10 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Tue Jul 30 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2006, 2007
COOPERATIVAS DE CRÉDITO. APLICAÇÕES FINANCEIRAS. ATO COOPERATIVO DE INTERMEDIAÇÃO. NÃO INCIDÊNCIA DO IRPJ E DA CSLL
Na linha da jurisprudência nacional, as receitas obtidas pelas cooperativas de crédito por meio da aplicação financeira de recursos de seus cooperados não são passíveis de tributação pelo IRPJ, vez que decorrentes de atos cooperativos.
A Primeira Seção do STJ pacificou o entendimento de que toda movimentação financeira das cooperativas de crédito incluindo a captação de recursos, a realização de empréstimos aos cooperados, bem como a efetivação de aplicações financeiras no mercado constitui ato cooperativo.
A aplicação de recursos da cooperativa de crédito em instituições financeiras não cooperadas constitui típico ato cooperativo de intermediação, e não ato não cooperativo, da forma como pretendeu a fiscalização.
Numero da decisão: 1301-001.251
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros deste colegiado, por unanimidade de votos, DAR provimento ao recurso voluntário nos termos do relatório e voto proferidos pelo relator.
(assinado digitalmente)
Plínio Rodrigues Lima - Presidente.
(assinado digitalmente)
Paulo Jakson da Silva Lucas - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Plínio Rodrigues Lima, Valmir Sandri, Wilson Fernandes Guimarães, Paulo Jakson da Silva Lucas, Edwal Casoni de Paula Fernandes Junior e Carlos Augusto de Andrade Jenier.
Nome do relator: PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2006, 2007 COOPERATIVAS DE CRÉDITO. APLICAÇÕES FINANCEIRAS. ATO COOPERATIVO DE INTERMEDIAÇÃO. NÃO INCIDÊNCIA DO IRPJ E DA CSLL Na linha da jurisprudência nacional, as receitas obtidas pelas cooperativas de crédito por meio da aplicação financeira de recursos de seus cooperados não são passíveis de tributação pelo IRPJ, vez que decorrentes de atos cooperativos. A Primeira Seção do STJ pacificou o entendimento de que toda movimentação financeira das cooperativas de crédito incluindo a captação de recursos, a realização de empréstimos aos cooperados, bem como a efetivação de aplicações financeiras no mercado constitui ato cooperativo. A aplicação de recursos da cooperativa de crédito em instituições financeiras não cooperadas constitui típico ato cooperativo de intermediação, e não ato não cooperativo, da forma como pretendeu a fiscalização.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros deste colegiado, por unanimidade de votos, DAR provimento ao recurso voluntário nos termos do relatório e voto proferidos pelo relator. (assinado digitalmente) Plínio Rodrigues Lima - Presidente. (assinado digitalmente) Paulo Jakson da Silva Lucas - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Plínio Rodrigues Lima, Valmir Sandri, Wilson Fernandes Guimarães, Paulo Jakson da Silva Lucas, Edwal Casoni de Paula Fernandes Junior e Carlos Augusto de Andrade Jenier.
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APLICAÇÕES FINANCEIRAS. ATO COOPERATIVO DE INTERMEDIAÇÃO. NÃO INCIDÊNCIA DO IRPJ E DA CSLL Na linha da jurisprudência nacional, as receitas obtidas pelas cooperativas de crédito por meio da aplicação financeira de recursos de seus cooperados não são passíveis de tributação pelo IRPJ, vez que decorrentes de atos cooperativos. A Primeira Seção do STJ pacificou o entendimento de que toda movimentação financeira das cooperativas de crédito incluindo a captação de recursos, a realização de empréstimos aos cooperados, bem como a efetivação de aplicações financeiras no mercado constitui ato cooperativo. A aplicação de recursos da cooperativa de crédito em instituições financeiras não cooperadas constitui típico ato cooperativo de intermediação, e não ato não cooperativo, da forma como pretendeu a fiscalização. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros deste colegiado, por unanimidade de votos, DAR provimento ao recurso voluntário nos termos do relatório e voto proferidos pelo relator. (assinado digitalmente) Plínio Rodrigues Lima Presidente. (assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 32 7. 00 11 63 /2 01 0- 47 Fl. 665DF CARF MF Impresso em 30/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/07/2013 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 19/ 07/2013 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 29/07/2013 por PLINIO RODRIGUES LI MA 2 Paulo Jakson da Silva Lucas Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Plínio Rodrigues Lima, Valmir Sandri, Wilson Fernandes Guimarães, Paulo Jakson da Silva Lucas, Edwal Casoni de Paula Fernandes Junior e Carlos Augusto de Andrade Jenier. Fl. 666DF CARF MF Impresso em 30/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/07/2013 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 19/ 07/2013 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 29/07/2013 por PLINIO RODRIGUES LI MA Processo nº 16327.001163/201047 Acórdão n.º 1301001.251 S1C3T1 Fl. 12 3 Relatório Trata o presente processo de Autos de Infração (fls. 277 a 363) de (i) IMPOSTO DE RENDA DA PESSOA JURÍDICA/IRPJ, por Exclusões/Compensações Não Autorizadas na Apuração do Lucro Real, Resultados de Sociedades Cooperativas; (ii) de CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE 0 LUCRO LÍQUIDO/CSLL, por Exclusão Indevida de Resultados Positivos e Omissão de Receita; (iii) de CONTRIBUIÇÃO PARA 0 PROGRAMA DE INTEGRAÇÃO SOCIAL/PIS, por Omissão de Receita, e (iv) de CONTRIBUIÇÃO PARA FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL/COFINS, por Falta/Insuficiência de Recolhimento, relativos a fatos geradores ocorridos nos anos calendário de 2006 e 2007, e lavrados pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Instituições Financeiras/DEINF/SPO, em 30/08/2010 e 02/09/2010. No Termo de Verificação (fls. 270 a 276), a autoridade fiscal noticia, em resumo, que: i) da análise efetuada nas DIPJ's dos anoscalendário de 2006 e 2007 (fls. 09 a 91), constatou a exclusão de todo o Resultado, na apuração do Lucro Real, tendo o autuado o considerado oriundo apenas de "atos cooperativos"; ii) consoante os atos lavrados no curso da ação fiscal e com base nas respostas e elementos documentais apresentados pelo autuado, verificou, em especifico, que foram indevidamente excluídos do Lucro Real os valores auferidos em aplicações financeiras realizadas em outras instituições financeiras não caracterizadas como cooperativas; iii) da mesma forma, não foram oferecidos à tributação os valores contabilizados na rubrica contábil "Outros Atos NãoCooperativos", bem como os valores referentes a "Comissões recebidas por Intermediação na Venda de Seguros"; iv) as aplicações financeiras realizadas em outras instituições financeiras ou a prestação de serviços de cobrança e intermediação a terceiros, em que pese possam visar a atender os objetivos sociais da cooperativa, não se incluem na categoria de "atos cooperativos", consoante a legislação de regência (fls. 272 a 274): os artigos 3o., 4o., 5o., 7o., 8°, 79, 86, 87 e 111 da Lei n° 5.764/71, o artigo 1o. da IN SRF 333/2003 e os artigos 182, 183 e 250 do RIR/99; portanto, estão sujeitas à incidência do IRPJ, CSLL, PIS e COFINS; v) pelo menos no que respeita à COFINS, o autuado não considerou as receitas advindas de aplicações financeiras junto a outras instituições financeiras, como sendo resultante de "atos cooperativos", tendo em vista que as adicionou às bases de calculo da mencionada contribuição, consoante demonstrativos que apresentou (fls. 129 a 134); vi) na apuração das bases de cálculo dos tributos para o presente lançamento, foram elaborados Demonstrativos de Valores informados pelo autuado como receitas auferidas em aplicações financeiras (fls. 241 a 248, 254 a 261), os quais foram confrontados com os dados contabilizados em rubricas do razão (fls. 138 a 240); foram extraídos valores da contabilização efetuada na rubrica contábil 6.7.1.7.99.027, referente a receitas reconhecidas pelo autuado como advindas de "atos não cooperativos" (fls. 249 a 252, 262 a 265); além Fl. 667DF CARF MF Impresso em 30/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/07/2013 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 19/ 07/2013 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 29/07/2013 por PLINIO RODRIGUES LI MA 4 disso, foram considerados os valores recebidos a titulo de Comissão, informados por terceiras pessoas em DIRF (fls. 253, 266 e 267); todos esses elementos foram resumidos, por mês, no mapa "Resumo da Base de Cálculo" (fls. 268 e 269). Cientificado do lançamento em 02/09/2010, o autuado impugnou o Auto de Infração em 30/09/2010 (fl. 365), oferecendo, em resumo, as seguintes razões: i) no que tange às exigências de IRPJ, CSLL, PIS e COFINS incidentes sobre "Comissões recebidas por Intermediação na Venda de Seguro", reconhece que são devidas e, assim, efetuou o seu pagamento, conforme mostram os comprovantes juntados (fls. 385 a 392); ii) deixou de oferecer à tributação os Resultados dos anoscalendário de 2006 e 2007 porque, não prestando serviços a terceiros não associados, os tais Resultados derivaram integralmente de "atos cooperativos"; iii) assim, inexistiu fato gerador de IRPJ e CSLL, a saber, lucro, já que os resultados positivos obtidos pela sociedade cooperativa nas operações praticadas com seus associados não são legalmente qualificados como lucro, consoante, inclusive, entendimento da própria RFB, nos termos dos artigos 182 e 183 do RIR/99, invocados pela autoridade lançadora; iv) por outro lado, embora o "ato cooperativo" somente comporta essa denominação quando praticado entre a cooperativa e seus associados, ou entre duas cooperativas, para a consecução dos objetivos sociais, nos termos do artigo 79 da Lei n° 5.764/71, requer, sempre e necessariamente, um outro ato, este de mercado, para a cooperativa poder cumprir sua finalidade; este ato é o que a doutrina denomina de "ato exterior" ou "ato de contrapartida", absolutamente necessário à implementação do "ato cooperativo", este, também, pela doutrina denominado "ato interno"; assim, o "ato externo", da mesma forma que o "ato interno", seria irrelevante para efeitos de tributos; v) tratandose de cooperativa de crédito, as aplicações financeiras realizadas em outras instituições financeiras correspondem ao referido "ato de contrapartida", pois que os recursos aplicados, vindos de seus associados, têm origem em "ato cooperativo"; essas aplicações financeiras equivalem à operação de venda de Cooperativas de Produção dos produtos rurais recebidos de seus associados; vi) esse é o entendimento já manifestado no Conselho Administrativo de Recursos Fiscais/CARF, e que também vem se firmando no Poder Judiciário, a exemplo de julgados do STJ e daquele Conselho, cujos excertos colaciona; vii) por fim, para o cálculo dos tributos, a autoridade não deduziu, das receitas financeiras consideradas, as despesas financeiras junto a instituições financeiras não cooperativas, fazendo incidir os tributos sobre a totalidade das receitas e não sobre o resultado efetivamente obtido; a autoridade, ainda, considerou as despesas financeiras como "atos cooperativos", e, as receitas financeiras, como "atos não cooperativos"; se a autoridade reconhece a receita como "ato não cooperativo", igualmente deveria considerar as despesas como "ato não cooperativo"; viii) pelos motivos expostos, requer o cancelamento do presente lançamento fiscal, na parte impugnada. A autoridade julgadora de primeira instância (DRJ/SPI), decidiu a matéria por meio do Acórdão 1630.290, de 17/03/2011, (fls. 469), julgando improcedente a impugnação, tendo sido prolatada a seguinte ementa: Fl. 668DF CARF MF Impresso em 30/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/07/2013 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 19/ 07/2013 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 29/07/2013 por PLINIO RODRIGUES LI MA Processo nº 16327.001163/201047 Acórdão n.º 1301001.251 S1C3T1 Fl. 13 5 ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2006, 2007 AUTO DE INFRAÇÃO. COOPERATIVA DE CREDITO. APLICAÇÕES FINANCEIRAS EM INSTITUIÇÕES FINANCEIRAS NÃO COOPERATIVAS. ATO NÃOCOOPERATIVO SUJEITO À TRIBUTAÇÃO. As aplicações financeiras realizadas pelas cooperativas de crédito em instituições financeiras nãocooperativas não se caracterizam como atos cooperativos, incidindo o imposto de renda sobre o resultado obtido nessas aplicações. APURAÇÃO DO RESULTADO LIQUIDO FINANCEIRO DE ATOS NÃOCOOPERATIVOS. IMPUTAÇÃO DE DESPESAS FINANCEIRAS. A imputação de despesas financeiras a receitas financeiras, para fins de obtenção do resultado financeiro liquido de aplicações de Cooperativa de Credito em instituições financeiras nãocooperativas, somente pode ser reconhecida se fundada em demonstrativos e lançamentos contábeis que segreguem os valores concernentes aos atos cooperativos e aos atos não cooperativos, e evidenciem a vinculação das despesas às aplicações realizadas. CSLL. TRIBUTAÇÃO REFLEXA. As normas fiscais disciplinadoras do lançamento de IRPJ aplicamse ao da CSLL, no que cabíveis. É o relatório. Passo ao voto. Fl. 669DF CARF MF Impresso em 30/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/07/2013 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 19/ 07/2013 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 29/07/2013 por PLINIO RODRIGUES LI MA 6 Voto Conselheiro Relator Paulo Jakson da Silva Lucas O recurso apresentado é tempestivo e assente em lei. Dele conheço. Do relatório fica claro que a lide restringese ao lançamento apenas ao IRPJ e a CSLL lançado sobre “Aplicações Financeiras em outras Instituições”. Em suas razões recursais, a Recorrente requer a desconstituição do lançamento, argüindo, em suma, que os resultados por ele tributados são oriundos da prática de atos cooperativos, logo, situados fora do campo de incidência da norma tributária, conforme aponta não só a doutrina em torno do assunto, mas, também, a própria jurisprudência dominante no Poder Judiciário e do próprio CARF. Como visto, a presente controvérsia resumese na possibilidade ou não de sujeitar as receitas obtidas pelas cooperativas centrais de crédito, por meio de aplicações financeiras dos recursos de seus cooperados, à tributação de Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica. É que, nos moldes da Lei n°. 9.430/96, o IRPJ incidirá sobre o lucro real, presumido ou arbitrado das pessoas jurídicas domiciliadas no país ou a elas equiparadas. Entretanto, embora as cooperativas sejam, nos termos da lei civil, pessoas jurídicas constituídas sob a forma de sociedade, o regime jurídico aplicável a elas é diferente das sociedades empresárias ou simples, visto que possuem uma finalidade peculiar. Isto porque as cooperativas, na exegese dos arts. 3° e 4° da Lei n°. 5.764/71, são sociedades de pessoas constituídas, sem intuito de lucro, com o objetivo principal de prestar serviços aos seus associados. Neste contexto, o art. 79 da citada lei dispõe que os atos cooperativos, ou seja, os atos praticados pela cooperativa com seus associados, ou pelas cooperativas entre si, "não implicam em operação de mercado, nem contrato de compra e venda de produto ou mercadoria." Portanto, será considerado ato cooperativo todo negócio jurídico realizado pela cooperativa, dentro de seu objeto social, que tenha em uma das extremidades da relação negocial um associado. Nesse caso, a cooperativa atuará como intermediária entre o cooperado e o mercado financeiro, sendo que o resultado obtido com a realização deste negócio jurídico será, posteriormente, repassado ao cooperado. Ademais, ainda no que concerne à definição dos atos praticados pelas cooperativas, o art. 87 da referida lei estabelece que "os resultados das operações das cooperativas com não associados, mencionados nos artigos 85 e 86, serão levados à conta do "Fundo de Assistência Técnica, Educacional e Social" e serão contabilizados em separado, de molde a permitir cálculo para incidência de tributos". Desta forma, da combinação dos arts. 79 e 87 da Lei das Cooperativas, tem se que os atos cooperativos, entendidos como as operações realizadas entre a cooperativa, na condição de intermediária, e seus cooperados, não serão tributáveis por não estarem incluídos na hipótese de incidência da norma tributária. Fl. 670DF CARF MF Impresso em 30/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/07/2013 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 19/ 07/2013 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 29/07/2013 por PLINIO RODRIGUES LI MA Processo nº 16327.001163/201047 Acórdão n.º 1301001.251 S1C3T1 Fl. 14 7 Sobre o tema, o STJ pacificou o entendimento na linha de aceitar, para as cooperativas de crédito, qualquer aplicação financeira como ato cooperado. Inclusive há relevantes precedentes nesta própria Corte Administrativa (CARF), conforme destaca o seguinte aresto: Número do Processo 16327.001215/200518 Órgão Julgador Quinta Câmara/Primeiro Conselho de Contribuintes Contribuinte COOPERATIVA CENTRAL DE CREDITO DE SAO PAULO CENTRAL SICREDI SP Tipo do Recurso Recurso Voluntário Dar Provimento Por Unanimidade Data da Sessão 18/09/2008 Relator(a) Alexandre Antonio Alkmim Teixeira Nº Acórdão 10517.222 Decisão: Por unanimidade de votos, DAR provimento ao recurso. Assunto: Imposto sobre a Renda Pessoa Jurídica – IRPJ e Contribuição Social sobre o Lucro Líquido CSLL Ano calendário: 2002 e 2003 Em virtude do peculiar regime jurídico aplicável às cooperativas, o IRPJ não incide sobre os resultados dos atos cooperativos. As receitas obtidas pelas cooperativas de crédito por meio da aplicação financeira de recursos de seus cooperados não são passíveis de tributação pelo IRPJ, vez que decorrentes de atos cooperativos. Ademais, como toda a receita obtida no mercado financeiro é, posteriormente, repassada aos cooperados, não há de se falar em renda por parte da cooperativa central e sim de seus associados. CSLL NÃO INCIDÊNCIA SOBRE ATOS COOPERATIVOS RELAÇÃO DE CAUSA E EFEITO COM O LANÇAMENTO DE IRPJ O lançamento de CSLL guarda estreita relação de causa e efeito com o lançamento de IRPJ, porquanto é dele decorrente. Assim, julgado improcedente o lançamento de IRPJ, o lançamento de CSLL, também, será. Recurso voluntário provido. Ressaltese, que esse entendimento foi acompanhado por unanimidade desta Turma , Julgadora, Sessão de 06/11/2012, Acórdão 1301001.082, da lavra do Conselheiro Relator Carlos Augusto de Andrade Jenier. Pelo exposto, voto por dar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Paulo Jakson da Silva Lucas Relator Fl. 671DF CARF MF Impresso em 30/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/07/2013 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 19/ 07/2013 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 29/07/2013 por PLINIO RODRIGUES LI MA 8 Fl. 672DF CARF MF Impresso em 30/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/07/2013 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 19/ 07/2013 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 29/07/2013 por PLINIO RODRIGUES LI MA
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Numero do processo: 10120.007881/2004-19
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Nov 20 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Mon Aug 05 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Data do fato gerador: 31/12/2007, 31/03/2008, 30/06/2008, 30/09/2008
Ementa:
MULTA QUALIFICADA
Não obstante a prestação de declaração inexata não seja suficiente para caracterizar o dolo ensejador da qualificação da multa, se tal conduta é adotada de forma consistente e sistemática, não há como entender que se tratou de equívoco do contribuinte, e que não houve intenção de impedir ou retardar, ainda que parcialmente, o conhecimento por parte da autoridade fazendária o valor da contribuição devida.
Numero da decisão: 9101-001.517
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, pelo voto de qualidade, em DAR provimento ao Recurso Especial. Vencidos os Conselheiros João Carlos de Lima Junior (Relator), José Ricardo da Silva, Jorge Celso Freire da Silva, Plínio Rodrigues de Lima, Leonardo Henrique Magalhães (suplente). Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Valmir Sandri.
(assinado digitalmente)
OTACÍLIO DANTAS CARTAXO Presidente.
(assinado digitalmente)
JOÃO CARLOS DE LIMA JUNIOR - Relator.
(assinado digitalmente)
VALMIR SANDRI Redator designado.
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Otacílio Dantas Cartaxo (Presidente), Francisco de Sales Ribeiro de Queiroz, João Carlos de Lima Junior, Jorge Celso Freire da Silva, Susy Gomes Hoffmann, Leonardo Henrique Magalhães de Oliveira (suplente convocado), Valmir Sandri, Valmar Fonseca de Menezes, José Ricardo da Silva e Plínio Rodrigues de Lima.
Matéria: Cofins - ação fiscal (todas)
Nome do relator: JOAO CARLOS DE LIMA JUNIOR
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Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, pelo voto de qualidade, em DAR provimento ao Recurso Especial. Vencidos os Conselheiros João Carlos de Lima Junior (Relator), José Ricardo da Silva, Jorge Celso Freire da Silva, Plínio Rodrigues de Lima, Leonardo Henrique Magalhães (suplente). Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Valmir Sandri. (assinado digitalmente) OTACÍLIO DANTAS CARTAXO – Presidente. (assinado digitalmente) JOÃO CARLOS DE LIMA JUNIOR Relator. (assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 12 0. 00 78 81 /2 00 4- 19 Fl. 566DF CARF MF Impresso em 06/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/07/2013 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 02/08/2013 por OT ACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 23/07/2013 por JOAO CARLOS DE LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 04/07/2013 por VALMIR SANDRI 2 VALMIR SANDRI – Redator designado. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Otacílio Dantas Cartaxo (Presidente), Francisco de Sales Ribeiro de Queiroz, João Carlos de Lima Junior, Jorge Celso Freire da Silva, Susy Gomes Hoffmann, Leonardo Henrique Magalhães de Oliveira (suplente convocado), Valmir Sandri, Valmar Fonseca de Menezes, José Ricardo da Silva e Plínio Rodrigues de Lima. Relatório Tratase de Recurso Especial (fls. 496/500) interposto pela Fazenda Nacional com fundamento no artigo 7º, incisos I, do antigo Regimento Interno da Câmara Superior de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria do Ministério da Fazenda n° 147, de 25 de junho de 2007. O presente processo administrativo cuida de auto de infração (fls.389/404) lavrado para constituição do crédito tributário relativo à COFINS do período compreendido entre 30/09/99 a 31/01/04, em razão da constatação de diferença entre o valor escriturado e o valor declarado/pago pelo contribuinte. Consta na descrição dos fatos do mencionado auto de infração que a partir das receitas de vendas, devoluções de vendas e demais receitas registradas no Livro Razão entregas pelo próprio contribuinte juntamente com livros Diário, livros de Apuração de ICMS, conforme protocolos de fls. 12, 30 e 54, a fiscalização elaborou "Planilhas de Apuração de Receitas Mensais" (fls. 38 a 42) e “Planilhas de Composição da Base de Cálculo" (fls. 43 a 47), a partir das quais apurou os montantes de COFINS devidos mensalmente. A fiscalização afirmou, ainda, que por meio de análise dos Livros Razão (apresentados pelo contribuinte) foi constatado que a empresa provisionou o valor de COFINS devido mensalmente na conta COFINS a Recolher em montantes bem próximos ao apurado pela fiscalização, embora somente tenha recolhido e declarado parte dos mesmos, acumulando assim saldo credor crescente na referida conta de passivo (cópia às fls. 118, 125, 142, 143, 175, 182, 184). Concluiu que esse procedimento indica que a empresa conscientemente recolheu e declarou à SRF, por meio das DCTFs entregues, montantes de COFINS inferiores ao efetivamente devido, com evidente intuito de retardar parcialmente o conhecimento por parte da autoridade fazendária da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, o que conforme art. 71, inciso I da Lei 4.502/64 configurase como sonegação. Observou que tal conduta ocorreu nos anos de 1999 a 2003, portanto de maneira continuada. Portanto, considerando a utilização de declarações em tese falsas, já que os Livros de Registro de Apuração de ICMS e os Livros Razão apresentavam valores de receitas de vendas em montantes significativamente superiores (entre 10 a 20 %, fl. 393) aos registrados nas respectivas DCTFs apresentadas ao Fisco Federal e, concluindo no sentido da omissão, de maneira continuada, impedindo o fisco de conhecer os reais valores tributáveis, para evitar o pagamento da obrigação tributária principal, foi aplicada a multa qualificada no percentual de 150% prevista no art. 44, inciso II, da Lei n°. 9.430/96, por configurar a prática da conduta prevista do artigo 71, inciso I, da Lei 4.502/64. O contribuinte impugnou a exigência afirmando: (i) preliminarmente, que o lançamento extrapolou o período fixado no MPF originário, devendo, portanto, ser julgado Fl. 567DF CARF MF Impresso em 06/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/07/2013 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 02/08/2013 por OT ACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 23/07/2013 por JOAO CARLOS DE LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 04/07/2013 por VALMIR SANDRI Processo nº 10120.007881/200419 Acórdão n.º 9101001.517 CSRFT1 Fl. 3 3 nulo e (ii) no mérito, argumentou que é descabida a qualificação da multa porque não restou demonstrado nos autos o dolo ou evidente intuito de fraude. Nesse ponto ressaltou que apresentou ao fisco sua escrituração fiscal e contábil, por meio da qual o fisco verificou as diferenças lançadas, sendo impossível caracterizar, portanto, a conduta dolosa. A DRJ de Brasília/DF julgou o lançamento procedente. Em sede de Recurso Voluntário (fls.462/478) o contribuinte repisou os argumentos já sustentados na impugnação. Os Membros da Oitava Câmara do extinto Primeiro Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, rejeitaram as preliminares suscitadas pelo recorrente e, no mérito, por maioria de votos, deram provimento parcial ao recurso para reduzir a multa para 75% (fls. 481/492) O acórdão proferido (nº 10809.603) foi assim ementado: PAF MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL A competência para execução de fiscalização, delegada através de Mandado de Procedimento Fiscal, não desconhece o principio da competência vinculada do servidor administrativo e da indisponibilidade dos bens públicos. Continuação de trabalho fiscal com prorrogação feita, tempestivamente, por meio eletrônico, é válida nos termos das Portarias do Ministério da Fazenda de nos. 1265/1999 e 3007/2001. MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA — DESCABIMENTO Sobre os créditos apurados em procedimento de oficio só cabe a exasperação da multa quando restar tipificada a hipótese de incidência do artigo 1º inciso I da Lei 8137/1990. No caso dos autos se aplica a multa de oficio do inciso primeiro do artigo 44 da Lei 9430/1996. Súmula 14 do 1° CC. Preliminares rejeitadas. Recurso parcialmente provido. Foi apresentado Recurso Especial (fls. 405/500) pela Procuradoria da Fazenda Nacional com fundamento na contrariedade à lei contra a parte do acórdão que desqualificou a multa de ofício. Nesse sentido, a Recorrente destacou que o §1° do art. 44 da Lei n° 9.430/96 determina que nos casos previstos nos arts. 71 72 e 73 da Lei n° 4.502/1964, o percentual de multa de que trata o inciso I do art. 44 será duplicado. E, nesse contexto argumentou que, no caso dos autos, o contribuinte ofereceu à tributação um quantum menor que o devido e concluiu que com essa conduta tentou impedir ou retardar, ainda que parcialmente, o conhecimento, por parte da autoridade fazendária da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal. Concluiu que a reiteração dessa Fl. 568DF CARF MF Impresso em 06/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/07/2013 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 02/08/2013 por OT ACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 23/07/2013 por JOAO CARLOS DE LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 04/07/2013 por VALMIR SANDRI 4 prática, aliada aos resultados obtidos evidenciam a clara intenção de fraudar o Fisco por meio da ação dolosa prevista no inciso I, do art. 71, da Lei n° 4.502/64, o que justifica o agravamento da multa. Por fim, requereu o provimento do recurso pretendendo o restabelecimento da qualificação da multa. Em sede de exame de admissibilidade (fl. 502) foi dado seguimento ao Recurso Especial da Fazenda Nacional. O contribuinte não apresentou contrarrazões. É o relatório. Voto Vencido Conselheiro João Carlos de Lima Junior, Relator. O Recurso preenche os requisitos de admissibilidade, dele tomo conhecimento. No presente caso, o cerne da questão é a análise da aplicação da multa de ofício qualificada e sua adequação em função das peculiaridades do caso concreto. Insurgiuse a Recorrente contra a desqualificação da multa de ofício, pleiteando seu restabelecimento ao percentual de 150% com base no artigo 44, § 1º, da Lei n° 9.430/96 em razão da constatação de diferença entre o valor escriturado e o valor declarado/pago relativo à COFINS. Dispõe o artigo 44 da Lei 9.430/96: Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: (…) I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; (…) § 1o O percentual de multa de que trata o inciso I do caput deste artigo será duplicado nos casos previstos nos arts. 71, 72 e 73 da Lei no 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. (…) Para que seja aplicada a multa qualificada de 150% deve restar evidenciada nos autos alguma das hipóteses previstas nos artigos 71, 72 e/ou 73 da Lei nº 4.502/64, senão vejamos: Art. 71. Sonegação é toda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, o conhecimento por parte da autoridade fazendária: Fl. 569DF CARF MF Impresso em 06/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/07/2013 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 02/08/2013 por OT ACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 23/07/2013 por JOAO CARLOS DE LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 04/07/2013 por VALMIR SANDRI Processo nº 10120.007881/200419 Acórdão n.º 9101001.517 CSRFT1 Fl. 4 5 I da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, sua natureza ou circunstâncias materiais; II das condições pessoais de contribuinte, suscetíveis de afetar a obrigação tributária principal ou o crédito tributário correspondente. Art. 72. Fraude é toda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, ou a excluir ou modificar as suas características essenciais, de modo a reduzir o montante do imposto devido, ou a evitar ou diferir o seu pagamento. Art. 73. Conluio é o ajuste doloso entre duas ou mais pessoas naturais ou jurídicas, visando qualquer dos efeitos referidos nos artigos 71 e 72. Assim, para a aplicação da multa qualificada de 150% é necessário que a fiscalização comprove, de forma inequívoca, que o contribuinte agiu dolosamente na execução de alguma das condutas previstas nos citados artigos. Insta observar que no caso dos autos a suposta conduta dolosa imputada ao contribuinte é aquela prevista no artigo 71, I, da lei 4.502/64, ou seja, teria o contribuinte praticado a conduta de sonegar. Cumpre esclarecer que a conduta de sonegar consiste em utilizar procedimentos que violem diretamente a lei fiscal, por meio da ação consciente do contribuinte (ato doloso) em se opor à lei. No presente caso, o contribuinte apresentou declarações DCTF nos anos de 1999 a 2003 informando valores relativos à COFINS a menor. As mencionadas irregularidades foram constatadas a partir do procedimento fiscal realizado junto ao contribuinte. E, conforme se verifica do próprio auto de infração as fontes de apuração das diferenças lançadas foram: (i) Declarações DCTF apresentas à SRF relativamente aos períodos de 1999 a 2003 e (ii) Livros Razão, Registro de Apuração do ICMS e Balancete Analítico, todos documentos apresentados pelo contribuinte. Sendo a sonegação ato doloso cuja finalidade é impedir ou retardar o conhecimento por parte da autoridade fazendária acerca da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária (art. 71 lei 4502/64), é certo que este ato será decorrente da adoção dos mais variados artifícios por parte do sonegador. Nesse contexto, a constatação da sonegação dependerá de trabalho minucioso e detalhado da fiscalização e, isto porque, aquele que frauda ou sonega “camufla” a prática dos ilícitos de maneira planejada tornandoos imperceptíveis. Não foi o que ocorreu no caso dos autos. No presente caso, verificase que o contribuinte voluntariamente apresentou seus documentos e registros contábeis à fiscalização, o que permitiu que o Fisco apurasse as diferenças lançadas. Fl. 570DF CARF MF Impresso em 06/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/07/2013 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 02/08/2013 por OT ACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 23/07/2013 por JOAO CARLOS DE LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 04/07/2013 por VALMIR SANDRI 6 Ora, é evidente que se houvesse intenção dolosa de sonegar, a conduta do contribuinte, diante do procedimento instaurado, seria obstaculizar a atividade da fiscalização e não facilitála. Ressaltese que no caso dos autos o fato gerador estava todo escriturado na contabilidade do contribuinte, que foi espontânea e prontamente apresentada ao Fisco durante o procedimento fiscal, tornando a declaração DCTF a menor incapaz de evidenciar o intuito de fraude do contribuinte para qualificação da multa. Nesse mesmo sentido é o entendimento deste Conselho: PENALIDADE AGRAVADA — Não se aplica a penalidade nos casos em que, embora a empresa tenha feito declaração inexata, informando receitas a menor, as receitas foram apuradas pela fiscalização a partir dos valores escriturados em livros fiscais. (Acórdão 101 92700) MULTA QUALIFICADA DE 150% – LEI 9430/96, ART. 44, II – NECESSIDADE DE COMPROVAÇÃO DO DOLO – A hipótese prevista no art. 44, II, da Lei 9430/96, deve ser interpretada restritivamente, e aplicada somente nos casos de evidente intuito fraude em que tenha sido tipificada a ação em um dos institutos dos artigos 71 a 73 da Lei 4502/94, e desde que tenha ficado demonstrado pela fiscalização que o contribuinte agiu dolosamente. DECLARAÇÃO INCORRETA – LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO – APLICAÇÃO DO LANÇAMENTO DE OFÍCIO – As declarações inexatas do contribuinte, que diferem dos documentos e elementos contábeis e fiscais colocados à disposição do Fisco, não são, por si só, razão para aplicarse a multa qualificada. O lançamento de ofício desconsidera o ato do contribuinte denominado lançamento por homologação e deve se basear nos livros contábeis e fiscais, agindo nos termos do art. 142 do CTN; se não há vício nos livros e documentos contábeis e fiscais, não há que se falar em fraude. (Acórdão CSRF/0105.481) Ademais, cumpre ressaltar que em se tratando de pessoa jurídica, e tendose em mente a sistemática de lançamento por homologação adotada pela Administração, bem como, o fato da receita auferida exprimirse na base de cálculo ou integrar a conceituação do fato gerador do PIS, COFINS, IRPJ e da CSLL, ao contribuinte cumpre emitir a nota fiscal de venda ou documento equivalente, escriturar a operação, calcular o tributo devido e declarála ao Fisco. Assim, a conduta fraudulenta, para fins de gradação da multa pecuniária, só se caracteriza com a omissão das duas primeiras ou, se praticadas, tenham sido com falsidade. Já as práticas de omissão no dever de declarar, ou da declaração inexata, que só se exteriorizam quando regularmente cumpridas aquelas primeiras, também foram textualmente qualificadas pelo legislador como reprováveis, de forma Fl. 571DF CARF MF Impresso em 06/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/07/2013 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 02/08/2013 por OT ACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 23/07/2013 por JOAO CARLOS DE LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 04/07/2013 por VALMIR SANDRI Processo nº 10120.007881/200419 Acórdão n.º 9101001.517 CSRFT1 Fl. 5 7 que apenadas, em pecúnia, à razão de 75% (setenta e cinco por cento) do valor do tributo que deixou de ser pago. É o que dispõe o artigo 44, I, da Lei 9430/96: Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; (...) No caso dos autos a declaração a menor indica o descumprimento de obrigação acessória em razão do qual o contribuinte foi penalizado diante da aplicação da multa no percentual de 75% (setenta e cinco por cento). Cumpre observar que a qualificação da multa deve ocorrer em casos extremos, em que o dolo específico, ou seja, o objetivo ilícito do contribuinte seja efetivamente demonstrado. Portanto, resta evidente que a penalidade para a declaração inexata está expressa na lei e teve o percentual fixado em 75%. Se a intenção do legislador fosse qualificar tal conduta, não teria criado multa específica para tanto. Assim, tendo em vista que a fraude, a sonegação e o conluio são artifícios maliciosos empreendidos por quem tem a intenção de burlar ou enganar terceiros ou ainda lesar os cofres públicos, obtendo vantagens e benefícios que não lhe são devidos, é notório que o elemento subjetivo necessário à qualificação da multa não se evidencia no caso dos autos. E, no caso em tela, o dolo é especialmente excluído a partir da apresentação dos livros fiscais e comercias pelo próprio contribuinte. Por todo o exposto, não demonstrado o dolo exigido para a qualificação da multa de ofício, entendo que deve ser mantida a desqualificação da multa. Assim, voto no sentido de negar provimento ao Recurso Especial da Fazenda Nacional. É como voto. JOÃO CARLOS DE LIMA JUNIOR Relator Voto Vencedor Com a devida vênia do entendimento esposado pelo Ilustre Relator do voto vencido, que manteve a decisão recorrida para exonerar a qualificação da multa de ofício, ouso, no presente caso, dele discordar, ante as peculariedades aqui apresentadas, senão vejamos. Conforme consta dos autos, o contribuinte apresentou, de forma reiterada, declarações DCTF nos anos de 1999 a 2003 informando valores relativos à COFINS a menor, Fl. 572DF CARF MF Impresso em 06/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/07/2013 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 02/08/2013 por OT ACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 23/07/2013 por JOAO CARLOS DE LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 04/07/2013 por VALMIR SANDRI 8 denota conduta dolosa tendente a impedir ou retardar, o conhecimento por parte da autoridade fazendária, do real montante da obrigação tributária devida, subsumindo, portanto, a meu ver, na hipótese prevista no § 1º, I, art. artigo 44, da Lei n° 9.430/96. De fato, o que justifica a duplicação da multa é a ocorrência de sonegação, fraude ou conluio, conforme definem os artigos 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502/94, verbis: Art . 71. Sonegação é toda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, o conhecimento por parte da autoridade fazendária: I da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, sua natureza ou circunstâncias materiais; II das condições pessoais de contribuinte, suscetíveis de afetar a obrigação tributária principal ou o crédito tributário correspondente. Art . 72. Fraude é toda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, ou a excluir ou modificar as suas características essenciais, de modo a reduzir o montante do imposto devido a evitar ou diferir o seu pagamento. Art . 73. Conluio é o ajuste doloso entre duas ou mais pessoas naturais ou jurídicas, visando qualquer dos efeitos referidos nos arts. 71 e 72. Da redação desses dispositivos percebese que a qualificação da multa está diretamente ligada à conduta dolosa do contribuinte. Portanto, para decidir sobre a qualificação é preciso verificar não só a tendência da conduta num dos sentidos identificados nos artigos 71 e 72 da Lei nº 4.502/64, mas também se essa conduta foi dolosa (justificando a qualificação) ou culposa (afastando a qualificação), eis que o dolo é elemento subjetivo, na maioria das vezes não é simples identificar a situação que justifica a qualificação. No caso de que se trata, a fiscalização verificou com base nos livros fiscais que o contribuinte, de forma consistente, durante cinco anoscalendário, informou ao fisco, valores devidos a título de COFINS, muito aquém do que o efetivamente devido, e essa conduta tende a uma das direções apontadas no artigo 71 da Lei nº 4.502/64, e dessa forma, necessário apenas definir se tal conduta foi dolosa ou culposa. Ora, conforme se depreende dos autos, o contribuinte, sistematicamente declarava parte ínfima da contribuição devida a Receita Federal e, diante desse quadro, não há como entender que não houve vontade e consciência por parte do contribuinte, de impedir (ou retardar) o conhecimento, por parte da autoridade fazendária, da verdadeira contribuição devida. Não se tratou, portanto, de mero erro no preenchimento das DCTFs, mas da vontade deliberada do contribuinte em esconder do fisco o efetivo valor da contribuição devida. Diante desse quadro, sou pelo provimento do recurso especial da D. Procuradoria da Fazenda Nacional. É como voto. (documento assinado digitalmente) Valmir Sandri, Redator Designado. Fl. 573DF CARF MF Impresso em 06/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/07/2013 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 02/08/2013 por OT ACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 23/07/2013 por JOAO CARLOS DE LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 04/07/2013 por VALMIR SANDRI Processo nº 10120.007881/200419 Acórdão n.º 9101001.517 CSRFT1 Fl. 6 9 Fl. 574DF CARF MF Impresso em 06/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/07/2013 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 02/08/2013 por OT ACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 23/07/2013 por JOAO CARLOS DE LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 04/07/2013 por VALMIR SANDRI
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Numero do processo: 10983.902616/2009-09
Turma: Primeira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Apr 23 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Mon Jul 08 00:00:00 UTC 2013
Numero da decisão: 3801-000.485
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos em converter o julgamento em diligência, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Flavio de Castro Pontes, Presidente
(assinado digitalmente)
Sidney Eduardo Stahl, Relator
Participaram desta sessão de julgamento os conselheiros: Flavio de Castro Pontes, Presidente, Marcos Antonio Borges, Jose Luiz Feistauer De Oliveira, Paulo Antonio Caliendo Velloso da Silveira, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel e eu, Sidney Eduardo Stahl, Relator
Nome do relator: SIDNEY EDUARDO STAHL
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Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos em converter o julgamento em diligência, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Flavio de Castro Pontes, Presidente (assinado digitalmente) Sidney Eduardo Stahl, Relator Participaram desta sessão de julgamento os conselheiros: Flavio de Castro Pontes, Presidente, Marcos Antonio Borges, Jose Luiz Feistauer De Oliveira, Paulo Antonio Caliendo Velloso da Silveira, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel e eu, Sidney Eduardo Stahl, Relator RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 09 83 .9 02 61 6/ 20 09 -0 9 Fl. 85DF CARF MF Impresso em 12/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/07/2013 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 05/07/2013 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 05/07/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10983.902616/200909 Resolução nº 3801000.485 S3TE01 Fl. 86 2 Relatório Por bem descrever os fatos adoto o relatório da DRJ de Florianópolis, assim expresso: Trata o presente processo de Declaração de Compensação DCOMP, apresentada pela contribuinte acima qualificada. Em análise da compensação intentada, a Delegacia da Receita Federal do Brasil em Florianópolis/SC decidiu não homologála, em razão de que o valor recolhido via DARF, indicado como fonte do crédito contra a Fazenda Nacional, já havia sido integralmente utilizado para o pagamento de débito da contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos valores informados no PER/DCOMP. Inconformada com a não homologação de sua compensação, interpôs a contribuinte manifestação de inconformidade, na qual alega que pagou indevidamente a Cofins, relativo à competência de julho de 2004, no valor de R$ 23.581,83. Explica a interessada que o débito em questão havia sido informado incorretamente como débito de outra competência, mas que este valor foi corrigido através de retificação da DCTF. Apresentada a Manifestação de Inconformidade a DRJ/Florianópolis julgou o presente processo com base na seguinte ementa: COMPENSAÇÃO. INDÉBITO ASSOCIADO A ERRO EM VALOR DECLARADO EM DCTF. REQUISITO PARA HOMOLOGAÇÃO. Nos casos em que a existência do indébito incluído em declaração de compensação está associada à alegação de que o valor declarado em DCTF e recolhido é indevido, só se pode homologar tal compensação, independentemente de eventuais outras verificações, nos casos em que o contribuinte, previamente à apresentação da DCOMP, retifica regularmente a DCTF. Inconformada a contribuinte apresenta o presente Recurso Voluntário no qual alega em síntese que efetuou pagamento a maior de tributos, acarretando crédito fiscal. Que ao apurar o pagamento a maior, não apresentou as DCTFs retificadoras relativas ao período do crédito com os novos valores devidos. Tal fato aconteceu apenas após o recebimento do despacho decisório que indeferiu o crédito e as compensações. Que somente a DCTF constava com erro e que as demais declarações estavam corretas. Que deve prevalecer o princípio da verdade material, onde a autoridade fiscal deve averiguar se a situação informada pela empresa corresponde à realidade. Requer a procedência de seu pedido. É o relatório, Fl. 86DF CARF MF Impresso em 12/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/07/2013 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 05/07/2013 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 05/07/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10983.902616/200909 Resolução nº 3801000.485 S3TE01 Fl. 87 3 Voto Conselheiro Sidney Eduardo Stahl, O recurso é tempestivo e reúne os demais pressupostos de admissibilidade, razão pela qual dele se conhece. Conforme visto tratase de pedido de compensação nãohomologado pela autoridade de primeira instância sob o único argumento de que a retificação da DCTF após o despacho decisório não pode surtir efeitos. Expressa assim o referido acórdão (destaques nossos): O fato de a contribuinte ter, posteriormente à ciência do Despacho Decisório, tratado de retificar formalmente a DCTF, não tem o efeito de validar retroativamente a compensação instrumentada por Dcomp pois, como se viu, a existência do indébito só se aperfeiçoou bem depois. A razão pela qual não se pode acatar esta retroação de efeitos está associada ao fato de que como a apresentação da DCOMP serve à extinção imediata do débito do sujeito passivo (nos mesmos termos de um pagamento), só pode ela ser efetuada com base em créditos contra a Fazenda Nacional líquidos e certos (como o comanda o artigo 170 do Código Tributário Nacional); ora, créditos relativos a valores confessados e não retificados antes de qualquer procedimento de ofício, não têm existência jurídica válida (em termos tanto de liquidez quanto de certeza), em razão dos efeitos legais atribuídos à DCTF. Por óbvio que não se está aqui a afirmar que o crédito contra a Fazenda Nacional existe ou não existe, dado que não é isto que importa para o caso concreto que aqui se tem. O que se afirma, e isto sim, é que só a partir da retificação da DCTF é que a contribuinte passou a ter crédito contra a Fazenda devidamente conformado na forma da lei. Assim, a retificação já efetuada pode produzir efeitos em relação a Dcomp apresentada posteriormente a esta retificação, mas não para validar compensações anteriores. De se dizer que débitos anteriores, não adimplidos no prazo legal, podem ser incluídos em Dcomp, mas neste caso, por óbvio, tais débitos deverão ser declarados com a devida adição da multa e dos juros de mora legalmente previstos (aliás, está aqui mais uma razão para a impossibilidade de validação retroativa da compensação: como só posteriormente à data de vencimento do tributo e à data de prolação do Despacho Decisório é que houve retificação da DCTF, estarseia permitindo, com a validação retroativa, o adimplemento a destempo da obrigação tributária, sem o acréscimo da penalidade e encargos legais previstos) Deixou, entretanto, a autoridade de examinar quaisquer outros pontos, ou ainda, de instruir adequadamente o processo. Assim, o presente recurso somente foi interposto em decorrência do entendimento da DRJ de que a retificação da DCTF da Recorrente após a apresentação da PER/DCOMP não pode gerar os efeitos pretendidos pela mesma, não sendo possível sequer considerar seu eventual direito ao crédito pois o mesmo estava carente de liquidez e certeza à época da compensação, sendo irrelevante a retificação posterior da DCTF em função da sua característica de confissão de dívida. Fl. 87DF CARF MF Impresso em 12/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/07/2013 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 05/07/2013 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 05/07/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10983.902616/200909 Resolução nº 3801000.485 S3TE01 Fl. 88 4 A discussão central desse recurso, limitada pela decisão da DRJ, é quanto aos efeitos da DCTF retificadora, ou seja, como se opera essa alteração com relação à possibilidade de homologação da compensação efetivada, considerando os valores declarados em DCTF retificadora, a qual apresentada após a transmissão da competente PER/DCOMP, a despeito do caráter de confissão de dívida da DCTF originalmente transmitida. A retificação de DCTF tem efeitos desconsiderados pelo acórdão de primeira instância. É certo que, anteriormente à atual sistemática, a DCTF retificadora somente se prestava a reduzir o montante do tributo declarado, sujeitandose a um processo tributário de análise de mérito por parte da autoridade fiscal, de forma que o valor inicialmente declarado somente seria alterado para o menor se houvesse prova antecipada do erro. Atualmente, entretanto, desde as alterações introduzidas pela Medida Provisória nº 2.18949, de 23 de agosto de 2001, artigo 18, a DCTF retificadora, quando admitida, tem os mesmos efeitos da original (art. 11, § 1º, da IN RFB nº 903, de 30 de dezembro de 2008 e demais alterações). De acordo com a IN supra citada, que é vigente à época da retificação da DCTF pela contribuinte, somente não seriam admitidas para reduzir o tributo declarado as DCTF retificadoras relativas a tributos cuja cobrança tenha sido enviada à ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional ou que tenham sido objeto de exame em procedimento de fiscalização. Obviamente, não foi o que ocorreu nos presentes autos, uma vez que o despacho eletrônico referiuse à declaração de compensação e não à DCTF. Vejamos que a Instrução Normativa RFB nº 903, de 30 de dezembro de 2008 no seu artigo 11 prescreve que (os destaques são meus): Art. 11. A alteração das informações prestadas em DCTF será efetuada mediante apresentação de DCTF retificadora, elaborada com observância das mesmas normas estabelecidas para a declaração retificada. § 1º A DCTF retificadora terá a mesma natureza da declaração originariamente apresentada, substituindoa integralmente, e servirá para declarar novos débitos, aumentar ou reduzir os valores de débitos já informados ou efetivar qualquer alteração nos créditos vinculados. § 2º A retificação não produzirá efeitos quando tiver por objeto alterar os débitos relativos a impostos e contribuições: I cujos saldos a pagar já tenham sido enviados à ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional (PGFN) para inscrição em DAU, nos casos em que importe alteração desses saldos; II cujos valores apurados em procedimentos de auditoria interna, relativos às informações indevidas ou não comprovadas prestadas na DCTF, sobre pagamento, parcelamento, compensação ou suspensão de exigibilidade, já tenham sido enviados à PGFN para inscrição em DAU; ou Fl. 88DF CARF MF Impresso em 12/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/07/2013 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 05/07/2013 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 05/07/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10983.902616/200909 Resolução nº 3801000.485 S3TE01 Fl. 89 5 III em relação aos quais a pessoa jurídica tenha sido intimada de início de procedimento fiscal. A norma é clara a estabelecer que a DCTF somente não poderia ser retificada nas situações em que já houvesse remessa dos montantes para inscrição do montante declarado em dívida ativa ou houvesse início de procedimento fiscal, o que não ocorreu no presente caso porquanto o procedimento fiscal não prescinde da efetiva ação fiscal, conforme disposto na Portaria RFB nº 11.371/2007, assim expressa (destaco novamente): Art. 2º Os procedimentos fiscais relativos a tributos administrados pela RFB serão executados, em nome desta, pelos AuditoresFiscais da Receita Federal do Brasil (AFRFB) e instaurados mediante Mandado de Procedimento Fiscal (MPF). Parágrafo único. Para o procedimento de fiscalização será emitido Mandado de Procedimento Fiscal Fiscalização (MPFF), e no caso de diligência, Mandado de Procedimento Fiscal Diligência (MPFD). Art. 3º Para os fins desta Portaria, entendese por procedimento fiscal: I de fiscalização, as ações que objetivam a verificação do cumprimento das obrigações tributárias, por parte do sujeito passivo, relativas aos tributos administrados pela RFB, bem como da correta aplicação da legislação do comércio exterior, podendo resultar em constituição de crédito tributário, apreensão de mercadorias, representações fiscais, aplicação de sanções administrativas ou exigências de direitos comerciais; II de diligência, as ações destinadas a coletar informações ou outros elementos de interesse da administração tributária, inclusive para atender exigência de instrução processual. Evidente, portanto, a inexistência de procedimento fiscal ou fiscalizatório impeditivo da retificação da DCTF, não havendo óbice legal para a retificação da DCTF após a emissão do despacho decisório, mesmo porque, conforme anteriormente posto o despacho decisório é procedimento ligado à Per/Dcomp, não à DCTF. Portanto, o despacho que não homologou a compensação não impedia a DCTF retificadora, que, por sua vez, substituiu completamente a original. Para que não houvesse tal situação, a Receita Federal teria que prever que o despacho de não homologação da declaração de compensação, baseado na inexistência de saldo de crédito pela sua alocação a débito declarado em DCTF, fosse causa de não admissão da DCTF. Como não é, a DCTF retificadora apresentada alterou a situação jurídica anteriormente constatada pelo despacho decisório, de que inexistiria indébito pela ausência de saldo de crédito. Essa alteração, ainda, se opera, antes da IN SRF 1.110/2010, produzindo efeitos ex-tunc, conforme prevê a própria norma. Observese que o artigo 11 da IN 903 previa que a DCTF retificadora tinha a mesma natureza da declaração originariamente apresentada, substituindoa integralmente, somente após a edição da IN 1.110, de 24 de dezembro de 2010 a Fl. 89DF CARF MF Impresso em 12/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/07/2013 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 05/07/2013 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 05/07/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10983.902616/200909 Resolução nº 3801000.485 S3TE01 Fl. 90 6 DCTF passa a ter apenas a a mesma natureza da declaração originariamente apresentada, não mais substituindoa integralmente, ou seja, passando a ter apenas efeitos modificativos. Diante do quadro acima exposto, concluise que, primeiramente, as compensações foram nãohomologadas corretamente, de acordo com os fatos existentes à época do despacho decisório. No presente caso era defeso à autoridade de primeira instância simplesmente desconsiderar a DCTF retificadora e deixar de instruir o processo, quando o despacho decisório considerou que não havia crédito ele tinha razão porque essa era a situação aparente da contribuinte, mas, com a retificadora o fundamento de que indébito não existe por conta da ausência de saldo de crédito também deixa de existir e a DRJ não poderia negar o pedido somente com base na impossibilidade de retificação da DCTF, conforme exposto. Dessa forma, tal indébito teria que ser devidamente apurado pela autoridade fiscal quanto à sua liquidez e certeza, sendo essa a sua responsabilidade. Somente após tal providência é que eventualmente poderá ser denegada a compensação, isso também, em observância aos princípios da moralidade, da eficiência, da finalidade, da verdade material, como suscitado através do Recurso ora intentado, e, ainda, do informalismo moderado, não me parece que o aparente direito da interessada possa ser sumariamente negado por conta de um apego excessivo às formalidades em detrimento da possibilidade de se comprovar que seu crédito era, sim, existente, a despeito da retificação tardia da DCTF. Entendo que, por força do princípio da verdade material, não se pode negar o direito à verificação da correção da base de cálculo utilizada pelo contribuinte para o recolhimento da contribuição considerada por ele como recolhida a maior. Tenho que o órgão judicante a quo esqueceuse do dever da autoridade preparadora em zelar pela instrução na busca da verdade material, a teor do disposto em diversas normas legais, apontamentos doutrinários e construções jurisprudenciais. Negar o direito do contribuinte ao aproveitamento de seu crédito e deixar de averiguar a sua real existência configuraria mais que enriquecimento sem causa do Estado, rompimento do mais basilar princípio da moralidade. Não estou, ao dizer isso, desprezando tais regras. Apenas considero que o julgador deve, sempre que possível, empreender esforços no sentido de buscar a verdade material, até em decorrência do princípio da legalidade. Neste ponto, estou de acordo com os ensinamentos de Marcus Vinicius Neder de Lima e Maria Tereza López Martinez, que, em sua obra Processo Administrativo Fiscal Federal Comentado1, que dizem: “O processo fiscal tem por finalidade garantir a legalidade da apuração da ocorrência do fato gerador e a constituição do crédito tributário, devendo o julgador pesquisar exaustivamente se, de fato, ocorreu a hipótese abstratamente prevista na norma e, em caso de impugnação do contribuinte, verificar aquilo que é realmente verdade, independentemente do alegado e provado. Odete Medauar preceitua que 'o princípio da verdade material ou verdade real, vinculado ao princípio da oficialidade, exprime que a Administração deve tomar decisões com base nos fatos tais como se apresentam na realidade, não 1 Dialética, 2ª Ed., 2004, págs. 74 e 75. Fl. 90DF CARF MF Impresso em 12/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/07/2013 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 05/07/2013 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 05/07/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10983.902616/200909 Resolução nº 3801000.485 S3TE01 Fl. 91 7 se satisfazendo com a versão oferecida pelos sujeitos. Para tanto, tem o direito e o dever de carrear para o expediente todos os dados, informações, documentos a respeito da matéria tratada, sem estar jungida aos aspectos considerados pelos sujeitos. Segundo Alberto Xavier, a lei concede ao órgão fiscal meios instrutórios amplos para que venha formar sua livre convicção sobre os verdadeiros fatos praticados pelos contribuinte. Nesta perspectiva, é lícito ao órgão fiscal agir sponte sua com vistas a corrigir os fatos inveridicamente postos ou suprir lacunas na matéria de fato, podendo ser obtidas novas provas por meio de diligências e perícias. Especificamente quanto à verdade material, transcrevo oportunas lições de Marcos Vinicius Neder e de Maria Tereza Martinez López: Em decorrência do princípio da legalidade, a autoridade administrativa tem o dever de buscar a verdade material. O processo fiscal tem por finalidade garantir a legalidade da apuração da ocorrência do fato gerador e a constituição do crédito tributário, devendo o julgador pesquisar, exaustivamente se, de fato, ocorreu a hipótese abstratamente prevista na norma e, em caso de impugnação do contribuinte, verificar aquilo que é realmente verdade, independente do alegado e provado, Odete Medauar preceitua que “o princípio da verdade material ou verdade real, vinculado ao princípio da oficialidade, exprime que a Administração deve tomar decisões com base nos fatos tais como se apresentam na realidade, não se satisfazendo com a versão oferecida pelos sujeitos Para tanto, tem o direito de carrear para o expediente todos os dados, informações, documentos a respeito da matéria tratada, sem estar jungida aos aspectos considerados pelos sujeitos. No mais, é a própria Lei que fixa o dever da autoridade preparadora em zelar pela instrução na busca da verdade material, a teor do disposto na Lei nº 9.784, de 29 de janeiro de 1999, artigo 292, artigo 36, inteligência do artigo 37, artigo 38 e artigo 393. 2 Art. 29. As atividades de instrução destinadas a averiguar e comprovar os dados necessários à tomada de decisão realizamse de ofício ou mediante impulsão do órgão responsável pelo processo, sem prejuízo do direito dos interessados de propor atuações probatórias. § 1º. O órgão competente para a instrução fará constar dos autos os dados necessários à decisão do processo. § 2º. Os atos de instrução que exijam a atuação dos interessados devem realizarse do modo menos oneroso para estes. 3 Art. 36. Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado, sem prejuízo do dever atribuído ao órgão competente para a instrução e do disposto no art. 37 desta Lei. Art. 37. Quando o interessado declarar que fatos e dados estão registrados em documentos existentes na própria Administração responsável pelo processo ou em outro órgão administrativo, o órgão competente para a instrução proverá, de ofício, à obtenção dos documentos ou das respectivas cópias. Art. 38. O interessado poderá, na fase instrutória e antes da tomada da decisão, juntar documentos e pareceres, requerer diligências e perícias, bem como aduzir alegações referentes à matéria objeto do processo. § 1º. Os elementos probatórios deverão ser considerados na motivação do relatório e da decisão. § 2º. Somente poderão ser recusadas, mediante decisão fundamentada, as provas propostas pelos interessados quando sejam ilícitas, impertinentes, desnecessárias ou protelatórias. Art. 39. Quando for necessária a prestação de informações ou a apresentação de provas pelos interessados ou terceiros, serão expedidas intimações para esse fim, mencionandose data, prazo, forma e condições de atendimento. Parágrafo único. Não sendo atendida a intimação, poderá o órgão competente, se entender relevante a matéria, suprir de ofício a omissão, não se eximindo de proferir a decisão. Fl. 91DF CARF MF Impresso em 12/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/07/2013 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 05/07/2013 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 05/07/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10983.902616/200909 Resolução nº 3801000.485 S3TE01 Fl. 92 8 Segundo Alberto Xavier, a lei concede ao órgão fiscal meios instrutórios amplos para que venha formar sua livre convicção sobre os verdadeiros fatos praticados pelo contribuinte. Nesta perspectiva, é lícito ao órgão fiscal agir sponte sua com vistas a corrigir os fatos inveridicamente postos ou suprir lacunas na matéria de fato, podendo ser obtidas novas provas por meio de diligências e perícias. 4 Assim, os autos devem retornar à delegacia de origem, para que o fisco apure os indébitos, mediante procedimento de diligência, para, então, o parecer ser submetido ao exame dessa Turma. Ante ao exposto, voto no sentido de converter o julgamento em diligência para que: a) Retorne esses autos à Delegacia de origem para que examine os documentos existentes e a escrita fiscal da Recorrente em relação à compensação requerida e apure se a contribuinte dispunha de crédito para efetuála. b) cientifique a interessada quanto ao teor da diligência para, desejando, manifestarse no prazo de vinte dias. c) Retorne esse processo para esse conselho para julgamento. É como eu voto. (assinado digitalmente) Sidney Eduardo Stahl Relator Fl. 92DF CARF MF Impresso em 12/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/07/2013 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 05/07/2013 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 05/07/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES
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Numero do processo: 10320.002480/2009-21
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Apr 18 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Wed Jul 03 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2004 a 31/12/2007
ART. 55 DA LEI 8.212/91. CUMPRIMENTO DE SEUS REQUISITOS. VERIFICAÇÃO Á ÉPOCA DOS FATOS GERADORES.
Os requisitos estabelecidos nos incisos do art. 55 da Lei 8.212/91, devem ser observados, á época dos fatos geradores de sua vigência, para o gozo da imunidade constante no art. 195, parágrafo 7º da Constituição Federal.
MULTAS. ART. 35 DA LEI 8.212/91. MP 449. LEI 11.941/09.
Como até o advento da MP nº 449, aplica-se apenas a multa de mora. Após a MP nº 449, aplica-se apenas a multa de ofício.
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 2403-002.036
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do Colegiado, por maioria de votos em dar provimento parcial ao recurso para determinar o recálculo da multa de mora, de acordo com o disposto no art. 35, caput, da Lei nº 8.212/91, na redação dada pela Lei nº 11.941/2009 (art. 61, da Lei no 9.430/96), prevalecendo o valor mais benéfico ao contribuinte. Vencido o conselheiro Paulo Maurício Pinheiro Monteiro na questão da multa.
Carlos Alberto Mees Stringari - Presidente
Marcelo Magalhães Peixoto Relator
Participaram, do presente julgamento, os Conselheiros Carlos Alberto Mees Stringari, Marcelo Magalhães Peixoto, Paulo Maurício Pinheiro Monteiro, Ivacir Júlio De Souza, Maria Anselma Coscrato dos Santos e Carolina Wanderley Landim.
Nome do relator: MARCELO MAGALHAES PEIXOTO
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CUMPRIMENTO DE SEUS REQUISITOS. VERIFICAÇÃO Á ÉPOCA DOS FATOS GERADORES. Os requisitos estabelecidos nos incisos do art. 55 da Lei 8.212/91, devem ser observados, á época dos fatos geradores de sua vigência, para o gozo da imunidade constante no art. 195, parágrafo 7º da Constituição Federal. MULTAS. ART. 35 DA LEI 8.212/91. MP 449. LEI 11.941/09. Como até o advento da MP nº 449, aplicase apenas a multa de mora. Após a MP nº 449, aplicase apenas a multa de ofício. Recurso Voluntário Provido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por maioria de votos em dar provimento parcial ao recurso para determinar o recálculo da multa de mora, de acordo com o disposto no art. 35, caput, da Lei nº 8.212/91, na redação dada pela Lei nº 11.941/2009 (art. 61, da Lei no 9.430/96), prevalecendo o valor mais benéfico ao contribuinte. Vencido o conselheiro Paulo Maurício Pinheiro Monteiro na questão da multa. Carlos Alberto Mees Stringari Presidente Marcelo Magalhães Peixoto – Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 32 0. 00 24 80 /2 00 9- 21 Fl. 196DF CARF MF Impresso em 03/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/06/2013 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 25/06 /2013 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 01/07/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI 2 Participaram, do presente julgamento, os Conselheiros Carlos Alberto Mees Stringari, Marcelo Magalhães Peixoto, Paulo Maurício Pinheiro Monteiro, Ivacir Júlio De Souza, Maria Anselma Coscrato dos Santos e Carolina Wanderley Landim. Fl. 197DF CARF MF Impresso em 03/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/06/2013 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 25/06 /2013 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 01/07/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI Processo nº 10320.002480/200921 Acórdão n.º 2403002.036 S2C4T3 Fl. 3 3 Relatório Cuidase de Recurso Voluntário interposto em face da decisão prolatada em sede de Acórdão da DRJ, que manteve em todos os seus termos o lançamento consolidado em 09/03/2009, sob o DEBCAD n. 37.144.5973, cujo importe corresponde a R$ 275.639,99 (duzentos e setenta e cinco mil, seiscentos e trinta e nove reais e noventa e nove centavos). O Auto de Infração lavrado pretende o recolhimento de contribuições sociais devidas à Seguridade Social, compreendidas pelas competências 01/2004 a 13/2007, relativas à parte da Empresa sobre a remuneração dos segurados empregados e contribuintes individuais e financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrentes dos riscos ambientais do trabalho. Segundo o Relatório Fiscal de fls. 44/47, verbis: “3. A Empresa enquadravase como Entidade Filantrópica com Isenção, conforme verificado no FPAS 639 informado pela mesma em suas GFIP’s, entretanto não nos apresentou documentos necessários para tal enquadramento solicitados no Termo de Início de Procedimento Fiscal – TIPF e tampouco solicitou isenção de tributos à RFB. Desta forma, procedemos ao levantamento dos fatos geradores como empresa normal e fizemos RFFP – Representação Fiscal para Fins Penais por crime contra ordem tributária. 4. O crédito apurado destinase à Seguridade Social, correspondente a contribuição da Empresa sobre a remuneração de seus segurados empregados e contribuintes individuais e financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrentes dos riscos ambientais do trabalho. Referese às competências 01/2004 a 13/2007”. DA IMPUGNAÇÃO Inconformada com o lançamento, a empresa contestou o presente Auto de Infração por meio do instrumento de fls. 132/134. DA DECISÃO DA DRJ Após analisar os argumentos da Recorrente, em 17 de novembro de 2011, a 6ª Turma da Delegacia da Receita Federal em Fortaleza, prolatou o Acórdão 0822.254, de fls. 149/156, mantendo procedente o lançamento, conforme ementa que abaixo se transcreve, verbis: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2004 a 31/12/2007 Fl. 198DF CARF MF Impresso em 03/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/06/2013 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 25/06 /2013 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 01/07/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI 4 IMUNIDADE PREVISTA NO ART. 195, §7º, DA CONSTITUIÇÃO FEDERAL. RECONHECIMENTO DE UTILIDADE PÚBLICA FEDERAL. REQUERIMENTO. Para fatos geradores ocorridos até 29/11/2009, a imunidade prevista na Constituição Federal, art. 195, §7º, somente alcançava as entidades beneficentes de assistência social que atendiam os requisitos determinados na Lei nº 8.212/91, art. 55, dentre eles ser reconhecida como de utilidade pública federal. Para fazer jus à imunidade em tela, devia ser apresentado requerimento, que era analisado juntamente com os documentos que deviam ser anexados (Lei nº 8.212/91, art. 55, §1º). Reconhecido o direito à isenção (imunidade), os seus efeitos eram gerados a partir da data do protocolo do pedido (Regulamento da Previdência Social RPS, aprovado pelo Decreto n° 3.048/1999 art. 208, §2º). Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido DO RECURSO Irresignada, a empresa interpôs, tempestivamente, recurso voluntário, de fls. 168/170, requerendo a reforma do Acórdão, alegando em síntese que é portador de todos os documentos necessários para a sua isenção, não havendo que falar em falta de pedido e conseqüente indeferimento. É o relatório. Fl. 199DF CARF MF Impresso em 03/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/06/2013 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 25/06 /2013 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 01/07/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI Processo nº 10320.002480/200921 Acórdão n.º 2403002.036 S2C4T3 Fl. 4 5 Voto Conselheiro Marcelo Magalhães Peixoto, Relator DA TEMPESTIVIDADE De acordo com o documento de fl.191, temse que o recurso é tempestivo e reúne os pressupostos de admissibilidade. Portanto, dele tomo conhecimento. DO MÉRITO A Recorrente sustenta que a autuação é indevida tendo em vista que é imune ao pagamento da contribuição previdenciária, nos termos do art. 195, parágrafo 7o da CF, in verbis: Art. 195. A seguridade social será financiada por toda a sociedade, de forma direta e indireta, nos termos da lei, mediante recursos provenientes dos orçamentos da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, e das seguintes contribuições sociais: (...) § 7º São isentas de contribuição para a seguridade social as entidades beneficentes de assistência social que atendam às exigências estabelecidas em lei. (sem destaques no original) Da leitura do artigo, verificase que as “entidades beneficentes de assistência social” precisam atender às exigências estabelecidas em lei para serem imunes à contribuição previdenciária. Nesse diapasão, assim disciplinava a norma infralegal (art. 55 da Lei n. 8.212/91), vigente à época do fato gerador, in verbis: Art. 55. Fica isenta das contribuições de que tratam os arts. 22 e 23 desta Lei a entidade beneficente de assistência social que atenda aos seguintes requisitos cumulativamente: I seja reconhecida como de utilidade pública federal e estadual ou do Distrito Federal ou municipal; II seja portadora do Registro e do Certificado de Entidade Beneficente de Assistência Social, fornecidos pelo Conselho Nacional de Assistência Social, renovado a cada três anos; (Redação dada pela Medida Provisória nº 2.18713, de 2001). III promova, gratuitamente e em caráter exclusivo, a assistência social beneficente a pessoas carentes, em especial a crianças, adolescentes, idosos e portadores de deficiência; (Redação dada pela Lei nº 9.732, de 1998). (Vide ADIN nº 2.0285) Fl. 200DF CARF MF Impresso em 03/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/06/2013 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 25/06 /2013 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 01/07/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI 6 IV não percebam seus diretores, conselheiros, sócios, instituidores ou benfeitores, remuneração e não usufruam vantagens ou benefícios a qualquer título; V aplique integralmente o eventual resultado operacional na manutenção e desenvolvimento de seus objetivos institucionais apresentando, anualmente ao órgão do INSS competente, relatório circunstanciado de suas atividades. (Redação dada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97). § 1º Ressalvados os direitos adquiridos, a isenção de que trata este artigo será requerida ao Instituto Nacional do Seguro SocialINSS, que terá o prazo de 30 (trinta) dias para despachar o pedido. § 2º A isenção de que trata este artigo não abrange empresa ou entidade que, tendo personalidade jurídica própria, seja mantida por outra que esteja no exercício da isenção. § 3o Para os fins deste artigo, entendese por assistência social beneficente a prestação gratuita de benefícios e serviços a quem dela necessitar. (Incluído pela Lei nº 9.732, de 1998). (Vide ADIN nº 20285) § 4o O Instituto Nacional do Seguro Social INSS cancelará a isenção se verificado o descumprimento do disposto neste artigo. (Incluído pela Lei nº 9.732, de 1998). (Vide ADIN nº 20285) § 5o Considerase também de assistência social beneficente, para os fins deste artigo, a oferta e a efetiva prestação de serviços de pelo menos sessenta por cento ao Sistema Único de Saúde, nos termos do regulamento. (sem destaques no original) Para que seja concedida a imunidade regulamentada pela supracitada norma, a entidade precisa atender às exigências contidas nos incisos I, II, III, IV e V do art. 55 da Lei n. 8.212/91, e, conforme entende a fiscalização: requerimento ao órgão administrativo competente, o que não foi atendido pelo contribuinte. Desde a impugnação, a recorrente afirma diversos documentos que atestam sua situação de regularidade conforme o disposto no art. 55 da Lei previdenciária, para tanto, elencase todos os constantes nos autos: Fl. 96 – O Conselho Nacional de Assistência Social, atesta que Obras Sociais da Paróquia de Vitória do Mearim OSPAVIME, está registrado no conselho, datado de 29 de agosto de 1996; Fls. 97/104 – Demonstração do balanço patrimonial da entidade em que se demonstraria que os valores existentes são aplicados na própria entidade; FL. 106 – Certidão emita pelo juiz de Direito, titular da comarca da Vitória do Mearim/MA, que a recorrente é sediada na cidade tem reconhecido seu caráter filantrópico, datada de junho de 2009; Fl. 107 – No mesmo sentido, no entanto, expedido pelo Ministério Público do Estado do Maranhão ProcuradoriaGeral de Justiça Promotoria de Justiça de Vitória do MEARIM/MA, também de junho de 2009; Fl. 201DF CARF MF Impresso em 03/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/06/2013 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 25/06 /2013 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 01/07/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI Processo nº 10320.002480/200921 Acórdão n.º 2403002.036 S2C4T3 Fl. 5 7 Fl. 108 – Declaração do Conselho Municipal de Assistência Social CMAS de que é a OSPAVIME entidade de caráter socialfilantrópico às classes menos favorecidas, no município, conforme art. 2º da Lei n. 67 de 11 de outubro de 1970, cadastrada desde sua criação, 03 de maio de 1996; Fl. 109 – Alvará de Licença da Prefeitura Municipal de Vitória do Mearim, de 13 de abril de 2009; Fl. 110 – Outra Declaração do CMAS, datada de 20 de março de 2006, com firma reconhecida em cartório apenas em 20/04/2009; Fl. 111 – Certificação de Inscrição de Entidade do CMAS, de 27 de janeiro de 2005; Fl. 112 – Aprovação do Registro da OSPAVIME, pelo CMAS; Fls. 113/120 – Declarações de pessoas diversas, atestando terem sido beneficiadas por diversas formas com os atos promovidos pela OSPAVIME; Fl. 121 – Documento expedido pela Prefeitura Municipal de Vitória do Mearim, Lei n. 67 de 11 de outubro de 1970, considerando como de utilidade pública, a OSPAVIME; Fl. 137 – Cópia do Diário Oficial da União, de 15 de abril de 2011, com cópia da portaria 475/2011, declarando como de Utilidade Pública Federal; Fl. 138 – Certidão de apresentação de relatório circunstanciado de serviços e demonstrativo de receitas e despesas referentes ao ano de 2010; Fl. 139 – Deferimento do pedido de declaração federal de utilidade pública, confirmando a publicação da fl. 137; Fl. 140 – Certidão, pelo Ministério da Justiça, de Utilidade Pública Federal à OSPAVIME; Fl.141 – Certificação de Inscrição de Entidade, por parte do Município de Vitória do Mearim, datada de 27 de janeiro de 2005; Fl. 142 – Atestado de Registro no CNAS, de 29 de agosto de 1996. Mesmo com a apresentação dos diversos documentos colacionados aos presentes autos, percebese que mesmo assim, não logra êxito a entidade, em demonstrar o cumprimento dos requisitos estabelecidos naquele artigo. Percebese que a recorrente foi apenas declarada como de Utilidade Pública Federal em 15 de abril de 2011, fl. 137, apenas após a autuação em apreço, portanto, não há como persistir seus fundamentos. Apesar de se tratar de imunidade, constante no art. 195, parágrafo 7º da CF, destacado alhures, percebese que ela é condicionada, e que os requisitos impostos na legislação são válidos e não podem ser excluídos da apreciação deste conselheiro. Fl. 202DF CARF MF Impresso em 03/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/06/2013 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 25/06 /2013 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 01/07/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI 8 Nesse sentido, vejase o precedente do Supremo Tribunal Federal, in verbis: I. Imunidade tributária: entidade filantrópica: CF, arts. 146, II e 195, § 7º: delimitação dos âmbitos da matéria reservada, no ponto, à intermediação da lei complementar e da lei ordinária (ADIMC 1802, 27.8.1998, Pertence, DJ 13.2.2004;RE 93.770, 17.3.81, Soares Muñoz, RTJ 102/304). A Constituição reduz a reserva de lei complementar da regra constitucional ao que diga respeito "aos lindes da imunidade", à demarcação do objeto material da vedação constitucional de tributar; mas remete à lei ordinária "as normas sobre a constituição e o funcionamento da entidade educacional ou assistencial imune". II. Imunidade tributária: entidade declarada de fins filantrópicos e de utilidade pública: Certificado de Entidade de Fins Filantrópicos: exigência de renovação periódica (L. 8.212, de 1991, art. 55). Sendo o Certificado de Entidade de Fins Filantrópicos mero reconhecimento, pelo Poder Público, do preenchimento das condições de constituição e funcionamento, que devem ser atendidas para que a entidade receba o benefício constitucional, não ofende os arts. 146, II, e 195, § 7º, da Constituição Federal a exigência de emissão e renovação periódica prevista no art. 55, II, da Lei 8.212/91. (RE 428815 AgR, Relator(a): Min. SEPÚLVEDA PERTENCE, Primeira Turma, julgado em 07/06/2005, DJ 24062005 PP00040 EMENT VOL0219707 PP01247 RDDT n. 120, 2005, p. 150 153) **************************************************** CONSTITUCIONAL. TRIBUTÁRIO. IMUNIDADE DE ENTIDADE BENEFICENTE. CERTIFICADO DE ENTIDADE BENEFICENTE CEBAS EMITIDO E PRETENSAMENTE RECEPCIONADO PELO DECRETOLEI 1.752/1977. DIREITO ADQUIRIDO. ART. 195, § 7º DA CONSTITUIÇÃO. DISCUSSÃO SOBRE O QUADRO FÁTICO. ATENDIMENTO OU NÃO DOS REQUISITOS LEGAIS. 1. Nenhuma imunidade tributária é absoluta, e o reconhecimento da observância aos requisitos legais que ensejam a proteção constitucional dependem da incidência da norma aplicável no momento em que o controle da regularidade é executado, na periodicidade indicada pelo regime de regência. 2. Não há direito adquirido a regime jurídico relativo à imunidade tributária. A concessão de Certificado de Entidade Beneficente Cebas não imuniza a instituição contra novas verificações ou exigências, nos termos do regime jurídico aplicável no momento em que o controle é efetuado. Relação jurídica de trato sucessivo. 3. O art. 1º, § 1º do Decretolei 1.752/1977 não afasta a obrigação de a entidade se adequar a novos regimes jurídicos pertinentes ao reconhecimento dos requisitos que levam à proteção pela imunidade tributária. Fl. 203DF CARF MF Impresso em 03/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/06/2013 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 25/06 /2013 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 01/07/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI Processo nº 10320.002480/200921 Acórdão n.º 2403002.036 S2C4T3 Fl. 6 9 4. Não cabe mandado de segurança para discutir a regularidade da entidade beneficente se for necessária dilação probatória. Recurso ordinário conhecido, mas ao qual se nega provimento. (RMS 26932, Relator(a): Min. JOAQUIM BARBOSA, Segunda Turma, julgado em 01/12/2009, DJe022 DIVULG 04022010 PUBLIC 05022010 EMENT VOL0238801 PP00015 LEXSTF v. 32, n. 374, 2010, p. 178183) Caso o único motivo para a lavratura do auto de infração fosse a ausência do pedido ao órgão da administração pública federal competente, em razão do disposto no parágrafo 3º do art. 55, a questão poderia ter sido superada em razão do efeito declaratório do atestado (conforme STF, RE n. 115.5108 e; STJ, REsp 478239). Portanto, por não demonstrar possuir os requisitos do art. 55, da Lei 8.212/91, à época dos fatos geradores, não merece prosperar as razões recursais expostas em face do acórdão 0822.254 – 6ª Turma DRJ/FOR. DA MULTA APLICADA Com relação à multa aplicada, percebese dos fundamentos legais de débito que ela foi aplicada nos termos do art. 35, I, II, III, com redação dada pela Lei 9.876, de 26/11/1999, que variava de 8% no caso de pagamento de obrigação vencida não incluída em NFLD, até 100%, após o ajuizamento de execução fiscal, mesmo que o devedor ainda não tenha sido citada, se o crédito foi objeto de parcelamento. No entanto, deve a multa ser recalculada, pelos fatos e fundamentos a seguir expostos. A MP nº 449, convertida na Lei nº 11.941/09, que deu nova redação aos arts. 32 e 35 e incluiu os arts. 32A e 35A na Lei nº 8.212/91, trouxe mudanças em relação à multa aplicada no caso de contribuição previdenciária. Assim dispunha o art. 35 da Lei nº 8.212/91 antes da MP nº 449, in verbis: Art. 35. Sobre as contribuições sociais em atraso, arrecadadas pelo INSS, incidirá multa de mora, que não poderá ser relevada, nos seguintes termos: (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). I para pagamento, após o vencimento de obrigação não incluída em notificação fiscal de lançamento: a) oito por cento, dentro do mês de vencimento da obrigação; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). b) quatorze por cento, no mês seguinte; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). c) vinte por cento, a partir do segundo mês seguinte ao do vencimento da obrigação; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). Fl. 204DF CARF MF Impresso em 03/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/06/2013 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 25/06 /2013 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 01/07/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI 10 II para pagamento de créditos incluídos em notificação fiscal de lançamento: a) vinte e quatro por cento, em até quinze dias do recebimento da notificação; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). b) trinta por cento, após o décimo quinto dia do recebimento da notificação; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). c) quarenta por cento, após apresentação de recurso desde que antecedido de defesa, sendo ambos tempestivos, até quinze dias da ciência da decisão do Conselho de Recursos da Previdência Social CRPS; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). d) cinqüenta por cento, após o décimo quinto dia da ciência da decisão do Conselho de Recursos da Previdência Social CRPS, enquanto não inscrito em Dívida Ativa; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). (sem destaques no original) Verificase, portanto, que antes da MP nº 449 não havia multa de ofício. Havia apenas multa de mora em duas modalidades: a uma decorrente do pagamento em atraso, desde que de forma espontânea a duas decorrente da notificação fiscal de lançamento, conforme previsto nos incisos I e II, respectivamente, do art. 35 da Lei nº 8.212/91, então vigente. Nesse sentido dispõe a hodierna doutrina (Contribuições Previdenciárias à luz da jurisprudência do CARF – Conselho Administrativo de Recursos Fiscais / Elias Sampaio Freire, Marcelo Magalhães Peixoto (coordenadores). – São Paulo: MP Ed., 2012. Pág. 94), in verbis: “De fato, a multa inserida como acréscimo legal nos lançamentos tinha natureza moratória – era punido o atraso no pagamento das contribuições previdenciárias, independentemente de a cobrança ser decorrente do procedimento de ofício. Mesmo que o contribuinte não tivesse realizado qualquer pagamento espontâneo, sendo, portanto, necessária a constituição do crédito tributário por meio do lançamento, ainda assim a multa era de mora. (...) Não se punia a falta de espontaneidade, mas tão somente o atraso no pagamento – a mora.” (com destaque no original) Com o advento da MP nº 449, que passou a vigorar a partir 04/12/2008, data da sua publicação, e posteriormente convertida na Lei nº 11.941/09, foi dada nova redação ao art. 35 e incluído o art. 35A na Lei nº 8.212/91, in verbis: Art. 35. Os débitos com a União decorrentes das contribuições sociais previstas nas alíneas a, b e c do parágrafo único do art. 11 desta Lei, das contribuições instituídas a título de substituição e das contribuições devidas a terceiros, assim entendidas outras entidades e fundos, não pagos nos prazos previstos em legislação, serão acrescidos de multa de mora e juros de mora, nos termos do art. 61 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996. (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009). Art. 35A. Nos casos de lançamento de ofício relativos às contribuições referidas no art. 35 desta Lei, aplicase o disposto no art. 44 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996. (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). (sem destaques no original) Fl. 205DF CARF MF Impresso em 03/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/06/2013 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 25/06 /2013 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 01/07/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI Processo nº 10320.002480/200921 Acórdão n.º 2403002.036 S2C4T3 Fl. 7 11 Nesse momento surgiu a multa de ofício em relação à contribuição previdenciária, até então inexistente, conforme destacado alhures. Logo, tendo em vista que o lançamento se reporta à data da ocorrência do fato gerador, nos termos do art. 144 do CTN, temse que, em relação aos fatos geradores ocorridos antes de 12/2008, data da MP nº 449, aplicase apenas a multa de mora. Já em relação aos fatos geradores ocorridos após 12/2008, aplicase apenas a multa de ofício. Contudo, no que diz respeito à multa de mora aplicada até 12/2008, com base no artigo 35 da Lei nº 8.212/91, tendo em vista que o artigo 106 do CTN determina a aplicação retroativa da lei quando, tratandose de ato não definitivamente julgado, cominelhe penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática, princípio da retroatividade benigna. Impõese o cálculo da multa com base no artigo 61 da Lei nº 9.430/96, que estabelece multa de 0,33% ao dia, limitada a 20%, em comparativo com a multa aplicada com base na redação anterior do artigo 35 da Lei 8.212/91, para determinação e prevalência da multa mais benéfica, no momento do pagamento. CONCLUSÃO Ante o exposto, conheço do recurso para dar parcial provimento, para determinar o recálculo da multa de mora, de acordo com o disposto no art. 35, caput, da Lei nº 8.212/91, na redação dada pela Lei nº 11.941/2009 (art. 61, da Lei no 9.430/96), prevalecendo o valor mais benéfico ao contribuinte. Marcelo Magalhães Peixoto Fl. 206DF CARF MF Impresso em 03/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/06/2013 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 25/06 /2013 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 01/07/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI
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Numero do processo: 11330.000493/2007-47
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 13 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Tue Mar 13 00:00:00 UTC 2012
Ementa: Contribuições Previdenciárias
Período de Apuração: 01/1996 a 12/1998
NULIDADE DO LANÇAMENTO. VÍCIO MATERIAL.
Ocorre vício material quando cerceado o direito de defesa do contribuinte, consistente na ausência de indicação no lançamento do dispositivo legal que fundamenta o lançamento e a existência da própria obrigação tributária.
Numero da decisão: 2301-002.663
Decisão: ACORDAM os membros da 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Segunda
Seção de Julgamento, I) Por maioria de votos: a) em reconhecer que o vício da ausência da fundamentação legal no relatório "Fundamentos Legais do Débito (FLD)", constitui-se em material, nos termos do voto do Relator. Vencidos os Conselheiros Bernadete de Oliveira Barros e Marcelo Oliveira, que votaram em conceituar o vício como formal; b) em reconhecer que o vício na elaboração do lançamento sem a individualização por prestador de serviço constitui-se em vício material, nos termos do voto do Relator. Vencidos os Conselheiros Bernadete de Oliveira Barros e Mauro José Silva, que conceituaram o vício como formal; II) Por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do voto do(a) Relator(a).
Nome do relator: LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES
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Unknown document property name. 1 S2C3T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 11330.000493/200747 Recurso nº 151961 Voluntário Acórdão nº 2301002.663 – 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 13 de março de 2012 Matéria Decadência Recorrente COMPANHIA SIDERÚRGICA NACIONAL CSN E OUTRO Recorrida FAZENDA NACIONAL Assunto: Contribuições Previdenciárias Período de Apuração: 01/1996 a 12/1998 NULIDADE DO LANÇAMENTO. VÍCIO MATERIAL. Ocorre vício material quando cerceado o direito de defesa do contribuinte, consistente na ausência de indicação no lançamento do dispositivo legal que fundamenta o lançamento e a existência da própria obrigação tributária. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Segunda Seção de Julgamento, I) Por maioria de votos: a) em reconhecer que o vício da ausência da fundamentação legal no relatório "Fundamentos Legais do Débito (FLD)", constituise em material, nos termos do voto do Relator. Vencidos os Conselheiros Bernadete de Oliveira Barros e Marcelo Oliveira, que votaram em conceituar o vício como formal; b) em reconhecer que o vício na elaboração do lançamento sem a individualização por prestador de serviço constituise em vício material, nos termos do voto do Relator. Vencidos os Conselheiros Bernadete de Oliveira Barros e Mauro José Silva, que conceituaram o vício como formal; II) Por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do voto do(a) Relator(a). MARCELO OLIVEIRA Presidente LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros os Conselheiros MARCELO OLIVEIRA (Presidente), ADRIANO GONZALES SILVERIO, BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, MAURO JOSE SILVA e LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES. Fl. 1DF CARF MF Impresso em 10/07/2012 por ATANAGILDO BARBOSA DE OLIVEIRA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/06/2012 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 2 8/06/2012 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 02/07/2012 por MARCELO OLIVEIR A Processo nº 11330.000493/200747 Acórdão n.º 2301002.663 S2C3T1 Fl. 2 Error! Unknown document property name. 2 Relatório Tratase de Notificação de Lançamento de Débito, lavrada em 14/12/2006, em desfavor de Companhia Siderúrgica Nacional CSN, responsável solidária pelos débitos da empresa Aceplan Construções e Incorporações Ltda. que lhe prestou serviços, devido ao não recolhimento de contribuições previdenciárias correspondentes à parte da empresa e à devida pelos segurados destinadas ao financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho. Para a lavratura da referida NFLD, a autoridade fiscal fundamentouse no comando dos arts. 30 inc. VI da Lei nº 8.212/91, art. 42 § 1º do Decreto 612/92 e art. 43 §§ 1º, 2º e 3º do Decreto 2.173/97. Inconformada com a inércia da CSN quanto à apresentação de Defesa Administrativa, a Aceplan apresentou Impugnação de fls. 36/48, tendo o Acórdão de fls. 338/345 julgado procedente a notificação sob o fundamento de que os débitos em fustigo não haviam sido alcançados pela decadência, adotando para tanto, o entendimento do disposto no art. 45 da Lei 8.212, à época, ainda não revogado. Irresignadas, ambas as empresas interpuseram Recurso Voluntário constando o da Companhia Siderúrgica Nacional às fls. 351/375 alegando em síntese: a) Tratarse de notificação com caráter substitutivo em relação a lançamento anterior julgado nulo por vício material; b) Devido à materialidade do vício que ensejou a anulação da notificação original, afastarse, pois, a aplicabilidade do art. 173 inc. II do CTN que tem o condão de reiniciar a contagem do prazo decadencial; c) Constatarse, no caso em tela, a consumação da decadência, haja vista a presente notificação referirse às competências de 1996 a 1998 e sua lavratura somente ter ocorrido em 2006, quando já findo o prazo decadencial de 5 anos previsto no art. 150 §4º do CTN; d) A perempção do crédito tributário, vez que o lançamento perpetrado pela NFLD 37.007.3546, declarada nula em 2005, constituiu o crédito em 1999, portanto constatado o decurso de mais de 5 anos entre o lançamento e o seu julgamento; e) A falta de comprovação pela fiscalização da existência de qualquer débito previdenciário da empresa empreiteira contratada pela Recorrente para prestação de serviços, autorizando a cobrança em face da responsável solidária, qual seja a ora Recorrente. Quanto ao recurso da Aceplan Construções e Incorporações constante às fls. 411/427 a empresa afirmou, sinteticamente: a) ser inconstitucional o prazo decenal, previsto no art. 45 da Lei 8.212, para consumação da decadência do direito da Fazenda Pública constituir crédito previdenciário; Fl. 2DF CARF MF Impresso em 10/07/2012 por ATANAGILDO BARBOSA DE OLIVEIRA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/06/2012 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 2 8/06/2012 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 02/07/2012 por MARCELO OLIVEIR A Processo nº 11330.000493/200747 Acórdão n.º 2301002.663 S2C3T1 Fl. 3 Error! Unknown document property name. 3 b) Constatarse, no caso em comento, a decadência dos créditos fustigados, haja vista o disposto no art. 150 §4º do CTN; c) Comprovarse mitigado o contraditório, vez que a recorrente não foi partícipe do processo de fiscalização ocorrido em 2006 não podendo, pois, apresentar os documentos que foram exigidos da empresa contratante – CSN, quando sequer teve conhecimento da ação fiscal à época devida; d) Ter sido a contribuinte notificada somente no mês de Março de 2007, não lhe sendo dada a oportunidade de comprovação de recolhimento das contribuições devidas; e) Não ter a empresa contratante dos serviços vinculação direta ou indireta com o fato gerador da obrigação de recolhimento das contribuições previdenciárias incidentes sobre os salários dos empregados da prestadora, ainda que estes executem serviços nas dependências do estabelecimento da contratante; f) Somente poder a ora recorrente – contratada – esclarecer questões relativas ao recolhimento das referidas contribuições; g) Não poderse tomar como base para o cálculo das importâncias devidas apenas as faturas constantes em nota fiscal; h) Ter sido efetuado o pagamento de todas as contribuições previdenciárias oriundas da prestação de serviço da ora Recorrente à CSN. Sem Contrarazões. É o relatório. Voto Conselheiro Leonardo Henrique Pires Lopes, Relator Dos Pressupostos de Admissibilidade Sendo tempestivo, conheço do Recurso e passo ao seu exame. Do Mérito Da nulidade do primeiro lançamento por vício material A Notificação Fiscal de Lançamento de Débito ora discutida foi lavrada em substituição a NFLD anterior declarada nula pela 4ª Câmara de Julgamento através do Acórdão n°724/2005 Oficio n° 10/4° CAJ/CRPS, 04/04/2006 – em face da omissão, no relatório de Fundamentos Legais do Débito, do dispositivo legal que autoriza o levantamento do débito por arbitramento, como também pelo fato de a NFLD ter arrolado, de forma Fl. 3DF CARF MF Impresso em 10/07/2012 por ATANAGILDO BARBOSA DE OLIVEIRA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/06/2012 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 2 8/06/2012 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 02/07/2012 por MARCELO OLIVEIR A Processo nº 11330.000493/200747 Acórdão n.º 2301002.663 S2C3T1 Fl. 4 Error! Unknown document property name. 4 englobada, 169 prestadores de serviço restando violados os direitos constitucionais do devido processo legal e da ampla defesa do Contribuinte. Consoante os fundamentos esposados, resta indubitável o fato da anulação da original notificação ter decorrido de vício eminentemente material, vez que cerceou o direito ao contraditório garantia constitucional do devido processo legal. Sobre a matéria, imperioso esclarecer que o vício material ocorre quando o lançamento não indica os requisitos necessários à configuração do descumprimento da obrigação, tais quais a caracterização dos fatos geradores, constatação de simulação, correto enquadramento jurídico dos fatos postos, elementos estes que, uma vez ausentes, acarretam a impossibilidade do exercício da garantia constitucional da ampla defesa. Destaquese que, quando se trata de ato administrativo, como o lançamento tributário, por exemplo, é no Direito Administrativo que encontramos as regras especiais de validade dos atos praticados pela Administração Pública: competência, motivo, conteúdo, forma e finalidade. Assim, é formal, o vício que contamina o ato administrativo em seu elemento “forma”; por toda a doutrina, cito a Professora Maria Sylvia Zanella Di Pietro. 1 Segundo a mesma autora, o elemento “forma” comporta duas concepções: uma restrita, que considera forma como a exteriorização do ato administrativo (por exemplo: autodeinfração) e outra ampla, que inclui todas as demais formalidades (por exemplo: precedido de MPF, ciência obrigatória do sujeito passivo, oportunidade de impugnação no prazo legal etc), isto é, esta última confundese com o conceito de procedimento, prática de atos consecutivos visando à consecução de determinado resultado final. Observese, pois, o que reza o art. 2° da Lei de Ação Popular 4.717/65 acerca da matéria elucidada no que pese à conceituação de vício formal: Art. 2º São nulos os atos lesivos ao patrimônio das entidades mencionadas no artigo anterior, nos casos de: (...) Parágrafo único. Para a conceituação dos casos de nulidade observarseão as seguintes normas: a) a incompetência fica caracterizada quando o ato não se incluir nas atribuições legais do agente que o praticou; b) o vício de forma consiste na omissão ou na observância incompleta ou irregular de formalidades indispensáveis à existência ou seriedade do ato; Portanto, a concepção de “forma” não se confunde com o “conteúdo” material. A materialidade é um requisito de validade através do qual o ato administrativo, praticado porque o motivo que o deflagra ocorreu, é exteriorizado para a realização da finalidade determinada pela lei. E quando se diz “exteriorização”, devese concebêla como a materialização de um ato de vontade através de determinado instrumento. Com isso, temse que conteúdo e forma não se confundem: um mesmo conteúdo pode ser veiculado através de vários instrumentos, mas somente será válido nas relações jurídicas entre a Administração Pública e os administrados, aquele prescrito em lei. Ademais, nas relações de direito público, a forma confere segurança ao administrado contra investidas arbitrárias da Administração. Os efeitos dos atos 1 DI PIETRO, Maria Sylvia Zanella: Direito Administrativo, São Paulo: Editora Atlas, 11ª edição, páginas 187 a 192. Fl. 4DF CARF MF Impresso em 10/07/2012 por ATANAGILDO BARBOSA DE OLIVEIRA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/06/2012 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 2 8/06/2012 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 02/07/2012 por MARCELO OLIVEIR A Processo nº 11330.000493/200747 Acórdão n.º 2301002.663 S2C3T1 Fl. 5 Error! Unknown document property name. 5 administrativos impositivos ou de império são quase sempre gravosos para os administrados, daí a exigência legal de formalidades ou ritos. No caso do ato administrativo de lançamento, a Notificação Fiscal com todos os seus relatórios e elementos extrínsecos é o instrumento de constituição do crédito tributário. E a sua lavratura se dá em razão da ocorrência do fato descrito pela regramatriz como gerador de obrigação tributária, exigindose, sempre, a indicação explícita do dispositivo legal que autoriza o levantamento do débito. Imprescindível, também, conter o Relatório Fiscal a descrição detalhada das infrações a serem imputadas a determinado contribuinte, de forma a viabilizar o exercício da ampla defesa. Quando descritas as situações que ensejaram a lavratura de determinada NFLD englobando, de forma generalizada, fatos geradores diversos sem a precisa especificação das causas originadoras do vínculo obrigacional, mitigase o contraditório e impedese o curso natural do devido processo legal. É o que a jurisprudência deste Conselho denomina de vício material: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. RECURSO EX OFFICIO – É nulo o Ato Administrativo de Lançamento, formalizado com inegável insuficiência na descrição dos fatos, não permitindo que o sujeito passivo pudesse exercitar, como lhe outorga o ordenamento jurídico, o amplo direito de defesa, notadamente por desconhecer, com a necessária nitidez, o conteúdo do ilícito que lhe está sedo imputado. Tratase, no caso, de nulidade pro vício material, na medida em que falta conteúdo ao ato, o que implica inocorrência da hipótese de incidência. Recurso negado. (Acórdão n° 10194049 IRPJ AF lucro real, de 06/12/2002 da Primeira Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes) Outrossim, conforme acórdão retro transcrito, restará configurado o vício quando há equívocos na construção do lançamento, artigo 142 do CTN. Desta feita, comprovado está que a falta de descrição clara e precisa dos fatos geradores que ensejaram a autuação, bem como sua correta adequação ao dispositivo legal infringido, incorre em vício material. No caso da NFLD anulada, constatase que houve omissão do fundamento legal que autoriza o levantamento do débito, bem como a referida notificação englobou 169 prestadores de serviço violando o devido processo legal e a ampla defesa, caracterizando, portanto, a presença indubitável de vício material no lançamento. Da Conclusão Ante ao exposto, conheço do Recurso, para, no mérito, DARLHE PROVIMENTO, para reconhecer o vício material do lançamento efetuado. É como voto. Sala das Sessões, em 13 de março de 2012 Leonardo Henrique Pires Lopes Fl. 5DF CARF MF Impresso em 10/07/2012 por ATANAGILDO BARBOSA DE OLIVEIRA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/06/2012 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 2 8/06/2012 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 02/07/2012 por MARCELO OLIVEIR A Processo nº 11330.000493/200747 Acórdão n.º 2301002.663 S2C3T1 Fl. 6 Error! Unknown document property name. 6 Fl. 6DF CARF MF Impresso em 10/07/2012 por ATANAGILDO BARBOSA DE OLIVEIRA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/06/2012 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 2 8/06/2012 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 02/07/2012 por MARCELO OLIVEIR A
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Numero do processo: 16624.000832/2007-11
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Apr 26 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Thu Apr 26 00:00:00 UTC 2012
Ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS - IPI
Período de apuração: 01/01/1989 a 31/12/1995
IN SRF Nº 226/2002. APLICAÇÃO.
A IN SRF no 226, de 2002, regra comportamento da autoridade administrativa e, ao vedar a apreciação do mérito dos pedidos relativos ao crédito-prêmio, prestigiou o princípio da economia processual.
CRÉDITO-PRÊMIO DO IPI. EXTINÇÃO.
O crédito-prêmio à exportação está extinto, pelo menos desde 04/10/90,
mormente porque não foi reavaliado e nem reinstituído por norma jurídica
posterior à vigência do art. 41 do ADCT da CF/1988.
PRELIMINAR. CRÉDITOPRÊMIO. PRESCRIÇÃO.
A teor do Decreto no 20.910/32, o direito de aproveitamento do créditoprêmio
à exportação prescreve em cinco anos, contados do embarque da mercadoria para o exterior.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3302-001.565
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar
provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator.
Nome do relator: WALBER JOSE DA SILVA
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APLICAÇÃO. A IN SRF no 226, de 2002, regra comportamento da autoridade administrativa e, ao vedar a apreciação do mérito dos pedidos relativos ao créditoprêmio, prestigiou o princípio da economia processual. CRÉDITOPRÊMIO DO IPI. EXTINÇÃO. O créditoprêmio à exportação está extinto, pelo menos desde 04/10/90, mormente porque não foi reavaliado e nem reinstituído por norma jurídica posterior à vigência do art. 41 do ADCT da CF/1988. PRELIMINAR. CRÉDITOPRÊMIO. PRESCRIÇÃO. A teor do Decreto no 20.910/32, o direito de aproveitamento do crédito prêmio à exportação prescreve em cinco anos, contados do embarque da mercadoria para o exterior. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) WALBER JOSÉ DA SILVA Presidente e Relator. EDITADO EM: 01/05/2012 Fl. 106DF CARF MF Impresso em 17/07/2012 por ELAINE ALICE ANDRADE LIMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/05/2012 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 02/05/2012 por WALBER JOSE DA SILVA 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Walber José da Silva, José Antonio Francisco, Fabiola Cassiano Keramidas, José Evande Carvalho Araújo e Alexandre Gomes. Relatório No dia 24/05/2007 a empresa GRANITOS MOREDO LTDA. ingressou com o pedido de ressarcimento de créditoprêmio do IPI, relativo ao período de janeiro de 1989 a dezembro de 1995. Com fulcro no que dispõe o art. 1º da IN SRF nº 226/2002, a DRF em Guarulhos SP indeferiu liminarmente o pedido da recorrente, nos termos do Despacho Decisório nº 370/2007 (fls. eletrônica 33/35. Ciente da decisão, a empresa interessada ingressou com a manifestação de inconformidade de fls. Eletrônica 44/55, no qual: 1 discorre sobre a instituição a instituição e vigência do créditoprêmio do IPI, para concluir pela legitimidade de seu pleito, posto que está em plena vigência as disposições legais de regência, tendo a Resolução nº 71/2005 do Senado Federal preservado a vigência do que remanesce do art. 1º do Decretolei nº 491/69; 2 alega que as disposições da IN 226/2002 extrapola os limites legais ao violar o direito de petição aos órgãos públicos, ainda mais que seu pedido está fundamentado em legislação vigente, sendo inválido a decisão que indeferiu seu pedido de ressarcimento; 3 alega que o crédito pleiteado deve ser corrigido pela taxa Selic; A 2a Turma de Julgamento da DRJ em Ribeirão Preto SP indeferiu a solicitação da recorrente, nos termos do Acórdão no 1424.333, de 27/05/2009, cuja ementa abaixo se transcreve. CRÉDITO PRÊMIO DO IPI. Indeferese a solicitação de crédito prêmio relativo a período não mais abrigado por este incentivo. Referido beneficio fiscal não está enquadrado nas hipóteses de restituição, ressarcimento ou compensação dos tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal. RESSARCIMENTO DE IPI. INCIDÊNCIA DA TAXA SELIC. Inexiste previsão legal para abonar atualização monetária ou acréscimo de juros equivalentes à taxa SELIC a valores objeto de ressarcimento de crédito de IPI. A recorrente tomou ciência da decisão de primeira instância no dia 20/08/2009, conforme AR de fl. 83 (eletrônica) e, discordando da mesma, ingressou, no dia 04/09/2009, com o recurso voluntário de fls. 84/103 (eletrônica), no qual reprisa os argumentos da manifestação de inconformidade e ainda: Fl. 107DF CARF MF Impresso em 17/07/2012 por ELAINE ALICE ANDRADE LIMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/05/2012 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 02/05/2012 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 16624.000832/200711 Acórdão n.º 330201.565 S3C3T2 Fl. 107 3 1 preliminarmente, que não ocorreu a decadência posto que o prazo contase da publicação da decisão judicial que declarou inconstitucional a extinção do créditoprêmio do IPI, fato que ocorreu em fevereiro de 2002; 2 é inconstitucional a Portaria MF nº 89/91 e a Portaria MF nº 292/81 fala em toda e qualquer empresa que exporte produtos nacionais; 3 ao créditoprêmio do IPI nas se aplica as disposições do art. 41, § 1º do ADCT da CF/88. Ainda que se aplicasse este dispositivo, a Lei nº 7.739/89 o revalidou. Na forma regimental, o recurso voluntário foi a mim distribuído. É o Relatório. Voto Conselheiro Walber José da Silva, Relator. O recurso voluntário é tempestivo e atende aos demais preceitos legais. Dele se conhece. Como relatado, a empresa recorrente solicitou o ressarcimento de crédito prêmio de IPI e a autoridade competente da RFB para apreciar e decidir o pedido o indeferiu liminarmente, na forma prevista no art. 1º da IN 226/2002. Em seu recurso voluntário, a empresa sustenta a existência e validade do benefício fiscal objeto do seu pleito. A despeito de todos os seus argumentos, a jurisprudência firme do STJ1 e deste CARF é no sentido de que o créditoprêmio do IPI foi extinto, pelo menos, em 04/10/1990. Por isto mesmo não há que se falar em omissão da IN SRF no 600/2005, que não relacionam o créditoprêmio do IPI como passível de ressarcimento, e nem em ilegalidade da IN SRF no 226/2002, que determina o indeferimento liminar dos pedidos de ressarcimento de créditoprêmio do IPI, posto que estes normativos estão em perfeita harmonia com entendimento deste Colegiado e do STJ e, depois da publicação da Lei no 11.051/2004 (Medida Provisória no 219/2004), não há nenhuma dúvida de que o créditoprêmio do IPI não é passível de ressarcimento, a vista do disposto em seu art. 4o, que acrescentou o § 12 ao art. 74 da Lei no 9.430/1996, abaixo reproduzido; Art. 4o O art. 74 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996, passa a vigorar com a seguinte redação: "Art. 74.[...]. [...] 1 Vide EREsp 738.689PR, Rel. Min. Teori Albino Zavascki, julgado em 27/6/2007. Fl. 108DF CARF MF Impresso em 17/07/2012 por ELAINE ALICE ANDRADE LIMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/05/2012 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 02/05/2012 por WALBER JOSE DA SILVA 4 § 12. Será considerada não declarada a compensação nas hipóteses: I previstas no § 3o deste artigo; II em que o crédito: a) seja de terceiros; b) refirase a "créditoprêmio" instituído pelo art. 1o do DecretoLei no 491, de 5 de março de 1969; c) refirase a título público; d) seja decorrente de decisão judicial não transitada em julgado; ou e) não se refira a tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal SRF. (grifei). Com relação à prescrição do direito de pleitear o ressarcimento do crédito prêmio do IPI, tem razão a decisão recorrida ao afirmar que tais créditos têm natureza de "divida passiva da União" e, com isso, a norma aplicável é o Decreto n° 20.910/1932, que dispõe em seu artigo 10 que todo e qualquer direito ou ação contra a Fazenda Pública, seja qual for a natureza, prescreve em cinco anos contados da data do ato ou fato. Sem reparos a decisão recorrida nesta parte. Inexistindo o direito material ao aproveitamento do créditoprêmio à exportação, perdeu objeto a análise dos argumentos relativos ao seu aproveitamento, seja por qual forma for, e a incidência de juros Selic. Também deixo de apreciar as alegações de inconstitucionalidade da legislação tributária que cita, trazida à colação pela recorrente, a teor da Súmula CARF nº 2, abaixo reproduzida. Súmula CARF nº 2 O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. No mais, com fulcro no art. 50, § 1o, da Lei no 9.784/19992, adoto os fundamentos do acórdão de primeira instância. Por tais razões, que reputo suficientes ao deslinde, ainda que outras tenham sido alinhadas, voto no sentido de negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Walber José da Silva 2 Art. 50. Os atos administrativos deverão ser motivados, com indicação dos fatos e dos fundamentos jurídicos, quando: (. . .) § 1o A motivação deve ser explícita, clara e congruente, podendo consistir em declaração de concordância com fundamentos de anteriores pareceres, informações, decisões ou propostas, que, neste caso, serão parte integrante do ato. Fl. 109DF CARF MF Impresso em 17/07/2012 por ELAINE ALICE ANDRADE LIMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/05/2012 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 02/05/2012 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 16624.000832/200711 Acórdão n.º 330201.565 S3C3T2 Fl. 108 5 Fl. 110DF CARF MF Impresso em 17/07/2012 por ELAINE ALICE ANDRADE LIMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/05/2012 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 02/05/2012 por WALBER JOSE DA SILVA
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