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Numero do processo: 10167.001649/2007-83
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Nov 27 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Jan 15 00:00:00 UTC 2019
Numero da decisão: 9202-000.210
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência à Dipro/Cojul, para que esta apense o presente processo ao de nº 11844.000467/2008-18, a fim de que sejam julgados em conjunto na CSRF, se for o caso. Havendo ou não Recurso Especial com seguimento no citado processo, os presentes autos devem ser devolvidos à relatora, para prosseguimento.
(Assinado digitalmente)
Maria Helena Cotta Cardozo Presidente em exercício
(Assinado digitalmente)
Ana Paula Fernandes Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Patrícia da Silva, Pedro Paulo Pereira Barbosa, Ana Paula Fernandes, Mário Pereira de Pinho Filho, Ana Cecília Lustosa da Cruz, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente em Exercício).
Nome do relator: ANA PAULA FERNANDES
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Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência à Dipro/Cojul, para que esta apense o presente processo ao de nº 11844.000467/200818, a fim de que sejam julgados em conjunto na CSRF, se for o caso. Havendo ou não Recurso Especial com seguimento no citado processo, os presentes autos devem ser devolvidos à relatora, para prosseguimento. (Assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo – Presidente em exercício (Assinado digitalmente) Ana Paula Fernandes – Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Patrícia da Silva, Pedro Paulo Pereira Barbosa, Ana Paula Fernandes, Mário Pereira de Pinho Filho, Ana Cecília Lustosa da Cruz, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente em Exercício). RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 01 67 .0 01 64 9/ 20 07 -8 3 Fl. 1603DF CARF MF Processo nº 10167.001649/200783 Resolução nº 9202000.210 CSRFT2 Fl. 215 2 Relatório Os presentes Recursos Especiais tratam de pedidos de análise de divergência motivados pela Fazenda Nacional e pelo Contribuinte face ao acórdão 230201.914, proferido pela 2ª Turma Ordinária / 3ª Câmara / 2ª Seção de Julgamento. Tratase de auto de infração decorrente do descumprimento de obrigações acessórias previstas no inciso IV do art. 32 da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991, lavrado em desfavor do Contribuinte, em virtude de não terem sido informados em GFIP os fatos geradores de contribuições previdenciárias a seguir elencados, conforme consta no Relatório Fiscal a fls. 18/19, e anexos: 1 Falta de inscrição no Programa de Alimentação ao Trabalhador PAT; 2 Seguro de Vida em Grupo em desacordo com a legislação pertinente; 3 Bolsa de estudos para os cursos de ensino médio, pósmédio, 3º grau e pós graduação, em desacordo com a legislação pertinente; 4 Pagamento de aluguel e condomínio residencial para o funcionário Décio Michellis Junior, CPF: 037.996.42870, no valor de R$ 15.525,46; 5 Pagamento de Notas Fiscais relativo a serviços prestados por cooperados por intermédio de Cooperativas de Trabalho na área Médica, sem o devido recolhimento de 15% exigido a partir de 03/2000 e não declarou em GFIP; 6 Pagamentos, a título de propaganda, com associações desportivas que mantém equipes de futebol profissional no período de 04/2000 a 07/2000 ao Interporto Futebol e, em 03/2001, ao Palmas Futebol; 7 PLR aos seus empregados, nos anos de 2002 e 2003, em desacordo com a legislação. Foi imputada multa no valor total de R$ 1.161.795,88 (um milhão, cento e sessenta e um mil, setecentos e noventa cinco reais, oitenta e oito centavos), em obediência ao previsto no Art. 32, parágrafo 5°, da Lei n° 8.212/1991 e alterações posteriores (Lei n° 9.528, de 10 de dezembro de 1997), combinado com o Art. 284, inciso II, Art. 292, inciso I, e Art. 373, todos do RPS, com valores atualizados pela Portaria MPS n° 822, de 11 de maio de 2005. Irresignado com o supracitado lançamento tributário, o autuado apresentou impugnação às fls. 41/63. Em virtude de o sujeito passivo ter feito prova, a fl. 76, de estar a empresa devidamente inscrita no PAT, durante todo o período a que se refere o lançamento, passando a usufruir da hipótese de isenção prevista no art. 28, § 9°, "c", da Lei 8.212/91, foi lavrado Despacho Decisório, a fls. 191/194, corrigindose o valor da multa aplicada para R$ 459.432,23 , sendo reaberto o prazo de quinze dias para oferecimento de defesa. Apresentada nova impugnação administrativa às fls. 198/215. Fl. 1604DF CARF MF Processo nº 10167.001649/200783 Resolução nº 9202000.210 CSRFT2 Fl. 216 3 A Delegacia da Receita Previdenciária em Palmas/TO lavrou Decisão Notificação, às fls. 217/222, julgando procedente a autuação e mantendo o crédito tributário no valor corrigido nos termos do Despacho Decisório acima referido. O Contribuinte interpôs recurso voluntário, às fls. 226/245, reiterando argumentos anteriores. O julgamento foi convertido em diligência para que fossem apensadas aos presentes autos cópias das decisões definitivas proferidas nos processos administrativos fiscais referentes às NFLD n° 35.783.5417, 35.783.5425, 35.783.5433 e 35.783.5441. DecisãoNotificação, às fls. 561/563, referente à NFLD n° 35.783.5417, pautou se pela declaração de improcedência do lançamento incidente sobre alimentação fornecida in natura. DecisãoNotificação, às fls. 569/582, referente à NFLD n° 35.783.5425, decidiu se pela procedência integral do lançamento incidente sobre a parcela de remuneração paga a segurados na forma de cursos de formação escolar não acessíveis a todos os empregados, e seguro de vida em grupo não previsto em acordo ou convenção coletiva de trabalho. A própria Recorrente, mediante requerimentos a fls. 567/568, formulou pedido de desistência do recurso interposto em face da decisão de 1ª instância acima referida. A empresa, mediante documento a fls. 673, requereu a desistência de impugnação/recurso administrativo referente à NFLD n° 35.783.5433. Por derradeiro, a Cia Energética do Tocantins, por intermédio do documento a fls. 684/685, requereu a desistência de impugnação/recurso administrativo referente à NFLD n° 35.783.5441, exclusivamente na parte relativa ao lançamento associado ao pagamento de valores a cooperativa de trabalho médico. Quanto aos demais lançamentos constantes dessa Notificação Fiscal, DecisãoNotificação a fls. 686/693, pugnou pelas suas procedências integrais. O sujeito passivo foi cientificado do resultado da diligência requerida, nos termos do Aviso de Recebimento a fl. 770/771, não se manifestando nos autos do processo. A 2ª Turma Ordinária da 3ª Câmara da 2ª Seção de Julgamento, às fls. 775/796, DEU PARCIAL PROVIMENTO ao Recurso Ordinário. A ementa do acórdão recorrido assim dispôs: ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Data do fato gerador: 17/01/2006 AUTO DE INFRAÇÃO. CFL 68. ART. 32, IV DA LEI Nº 8212/91. Constitui infração às disposições inscritas no inciso IV do art. 32 da Lei n° 8212/91 a entrega de GFIP com dados não correspondentes aos fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias, seja em ralação às bases de cálculo, seja em relação às informações que alterem o valor das contribuições, ou do valor que seria devido se não houvesse isenção (Entidade Beneficente) ou substituição (SIMPLES, Clube de Futebol, Fl. 1605DF CARF MF Processo nº 10167.001649/200783 Resolução nº 9202000.210 CSRFT2 Fl. 217 4 produção rural), sujeitando o infrator à multa prevista na legislação previdenciária. CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. PRAZO DECADENCIAL. CINCO ANOS. ART. 173, I DO CTN. O Supremo Tribunal Federal, conforme entendimento exarado na Súmula Vinculante nº 8, no julgamento proferido em 12 de junho de 2008, reconheceu a inconstitucionalidade do art. 45 da Lei nº 8.212/91. Incidência do preceito inscrito no art. 173, I do CTN. Encontrase atingida pela fluência do prazo decadencial parte dos fatos geradores apurados pela fiscalização. SEGURO DE VIDA EM GRUPO. PAGAMENTO EM DESACORDO COM A LEGISLAÇÃO DE REGÊNCIA. SALÁRIO DE CONTRIBUIÇÃO. Somente será excluído do campo de incidência de contribuições previdenciárias, o valor das contribuições efetivamente pago pela pessoa jurídica relativo a prêmio de seguro de vida em grupo, desde que previsto em acordo ou convenção coletiva de trabalho e disponível à totalidade de seus empregados e dirigentes. As rubricas acima referidas, quando pagas ou creditadas em desacordo com a legislação pertinente, integram o saláriodecontribuição para todos os fins e efeitos, sem prejuízo da aplicação das cominações legais cabíveis. BOLSAS DE ESTUDO. PAGAMENTO EM DESACORDO COM A LEGISLAÇÃO DE REGÊNCIA. SALÁRIO DE CONTRIBUIÇÃO. Somente será excluído do campo de incidência de contribuições previdenciárias, o valor relativo a plano educacional que vise à educação básica, nos termos do art. 21 da Lei nº 9.394/96, e a cursos de capacitação e qualificação profissionais vinculados às atividades desenvolvidas pela empresa, desde que não seja utilizado em substituição de parcela salarial e que todos os empregados e dirigentes a eles tenham acesso. As rubricas acima referidas, quando pagas ou creditadas em desacordo com a legislação pertinente, integram o saláriodecontribuição para todos os fins e efeitos, sem prejuízo da aplicação das cominações legais cabíveis. COOPERATIVA DE TRABALHO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. ART. 22, IV DA LEI Nº 8.212/91. É devida a contribuição previdenciária a cargo da empresa, incidente à alíquota de quinze por cento sobre o valor bruto da nota fiscal ou fatura de prestação de serviços, relativamente a serviços que lhe são prestados por cooperados por intermédio de cooperativas de trabalho. AUTO DE INFRAÇÃO. GFIP. CFL 68. ART. 32A DA LEI Nº 8212/91. RETROATIVIDADE BENIGNA. As multas decorrentes de entrega de GFIP com incorreções ou omissões foram alteradas pela Medida Provisória nº 449/2008, a qual fez acrescentar o Fl. 1606DF CARF MF Processo nº 10167.001649/200783 Resolução nº 9202000.210 CSRFT2 Fl. 218 5 art. 32A à Lei nº 8.212/91. Incidência da retroatividade benigna encartada no art. 106, II, ‘c’ do CTN, sempre que a norma posterior cominar ao infrator penalidade menos severa que aquela prevista na lei vigente ao tempo da prática da infração autuada. Recurso Voluntário Provido em Parte. Às fls. 798/806, a Fazenda Nacional interpôs Recurso Especial, alegando divergência jurisprudencial entre o acórdão recorrido e o paradigma trazido para analise, pois se verificou que no acórdão paradigma o dispositivo legal aplicado passou a ser o art. 35A da Lei 8.212/91, que remete ao art. 44, I da Lei 9.430/96, e não o art. 32A da Lei 8.212/91, conforme entendeu a Câmara a quo, haja vista que este preceito normativo somente se aplica às situações em que somente tenha havido descumprimento de obrigação acessória relacionada à GFIP. Havendo lançamento de tributo, a multa passa a ser aplicada nos termos do art. 35A da Lei 8.212/91. Às fls. 825/828, a 3ª Câmara da 2ª Seção de Julgamento realizou o Exame de Admissibilidade do Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional, DANDO SEGUIMENTO ao recurso em relação à divergência arguida, uma vez vislumbrada a similitude das situações fáticas nos acórdãos recorrido e paradigmas, configurando a divergência jurisprudencial apontada. O acórdão paradigma versa sobre o auto de infração por descumprimento de obrigação acessória, em que também se lavrou NFLD em decorrência da mesma ação fiscal. Verificouse que no acórdão paradigma consignouse que o dispositivo legal aplicado passou a ser o art. 35A da Lei 8.212/91, que remete ao art. 44, I da Lei 9.430/96, e não o art. 32A da Lei 8.212/91, conforme entendeu a Câmara a quo. Às fls. 872/888, o Contribuinte também interpôs Recurso Especial, arguindo que o acórdão guerreado teria contrariado o posicionamento do CARF em relação à incidência de contribuições previdenciárias sobre: a) seguro de vida em grupo; b) bolsas de estudo; e c) serviços prestados por cooperativas de trabalho. Às fl. 978/985, o Contribuinte apresentou contrarrazões ao Recurso Especial da Fazenda Nacional. Ao realizar o Exame de Admissibilidade do Recurso Especial do Contribuinte, às fls. 995/1004, a 3ª Câmara da 2ª Seção de Julgamento, DEU SEGUIMENTO ao recurso em relação às divergências arguidas, tendo em vista que, para os três casos, os respectivos paradigmas apontados trouxeram entendimento divergente ao acórdão recorrido, prevalecendo o entendimento de que não incide contribuição previdenciária sobre os pagamentos realizados sob àqueles títulos, o que também implica na desnecessidade de declarar tais fatos em GFIP. Às fls. 1006/1011, a Fazenda Nacional apresentou contrarrazões, vindo os autos conclusos para julgamento. À fl. 1068, os membros do presente Colegiado, por unanimidade de votos, converteram o julgamento do recurso em diligência à Unidade de Origem, para que esta juntasse aos autos informações e documentos quanto ao julgamento dos processos relativos à obrigação principal, conforme DEBCAD n. 35.783.5425, DEBCAD n. 35.783.5417, DEBCAD n. 35.783.5433, DEBCAD n. 35.783.5441. Fl. 1607DF CARF MF Processo nº 10167.001649/200783 Resolução nº 9202000.210 CSRFT2 Fl. 219 6 Cumpridas a diligência às fls. 1078/1229, retornaram os autos conclusos para julgamento. Novamente, através da Resolução nº 9202000.125 de 29/08/2017, às fls. 1.248/1.254, o feito foi convertido em diligência, requerendo a complementação de diligência anteriormente realizada, com as seguintes informações: a) planilha detalhando os números de processos no comprot relacionado a cada debcad; b) a situação de cada um dos processos, bem como os fatos geradores relacionados, inclusivo e LDC 357835450 e; c) relatório circunstanciado e conclusivo acerca dos processos que possuam relação com o presente lançamento de obrigação acessória. Às fls. 1353/1354, a DRJ de origem, além de apresentar as informações solicitadas, observou que “as lavraturas dos Debcad´s ocorreram anteriormente à fusão das Receitas Federal e Previdenciária. Desse modo, alguns processos do comprot não foram detalhados minuciosamente, faltando informação a qual débito se vincula”. Após ciência às fls. 1356/1357, o contribuinte protocolou Resposta à Intimação às fls. 1360/1363. Vieram novamente os autos conclusos para julgamento. É o relatório. Voto Conselheira Ana Paula Fernandes Relatora Os Recursos Especiais interpostos pela Fazenda Nacional e pelo Contribuinte são tempestivos e atendem aos demais pressupostos de admissibilidade, portanto, merecem ser conhecidos. Tratase de auto de infração decorrente do descumprimento de obrigações acessórias previstas no inciso IV do art. 32 da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991, lavrado em desfavor do Contribuinte, em virtude de não terem sido informados em GFIP fatos geradores de contribuições previdenciárias, constantes em Relatório Fiscal, elencados no relatório. O Acórdão recorrido deu parcial provimento ao Recurso Ordinário. O Recurso Especial apresentado pela Fazenda Nacional trouxe para análise a divergência jurisprudencial no tocante à multa por descumprimento de obrigação acessória, no qual se verificou que no acórdão paradigma o dispositivo legal aplicado passou a ser o art. 35A da Lei 8.212/91, que remete ao art. 44, I da Lei 9.430/96, e não o art. 32A da Lei 8.212/91, conforme entendeu a Câmara a quo. Já o Recurso Especial interposto pelo Contribuinte apresentou a divergência jurisprudencial, trazendo acórdão paradigma com entendimento sobre a não incidência da contribuição previdenciária sobre os pagamentos realizados a título de: a) seguro de vida em grupo; b) bolsas de estudo; e c) serviços prestados por cooperativas de trabalho; e sua respectiva desnecessidade de declarar tais fatos em GFIP. Fl. 1608DF CARF MF Processo nº 10167.001649/200783 Resolução nº 9202000.210 CSRFT2 Fl. 220 7 I PRELIMINAR APENSAMENTO Considerando que no caso em apreço tratase de obrigação acessória, vinculada a obrigação principal, e que verificada a existência de diversos processos discutindo tais obrigações principais, resolveuse pela diligência, a fim de verificar de fato a situação atinente a tais processos. A diligência retornou na primeira oportunidade sem os elementos necessários para o deslinde da questão. O Colegiado optou por nova diligência, a fim de que não restasse dúvida quanto ao encaminhamento a ser dado a questão. Aberto prazo as partes, o Contribuinte irresignase quanto as informações prestadas PELA DILIGÊNCIA, UMA VEZ QUE INCOMPLETAS, esclarecendo nos termos abaixo, que esta não serviria para esclarecer as questão que se encontravam em aberto: Conforme se verifica dos autos do processo n. 10167.001628/200768 (doc. 03), o lançamento inicial da obrigação principal (contribuição previdenciária) envolvia 4 (quatro) rubricas, quais sejam: (i) curso de formação escolar; (ii) seguro de vida em grupo, ambas referentes aos períodos de 10/1998 a 12/2004; (iii) seguro de acidente de trabalho (SAT); e (iv) contribuição ao INCRA. No entanto, contrariamente ao demonstrado pela Autoridade Diligente nos documentos de fls. 1160/1200, a Requerente optou por incluir no parcelamento não só os débitos relativos aos períodos de 01/2003 a 12/2004, mas também os períodos de 01/2001 a 12/2002 (doc. 04) – sendo que os períodos de 10/1998 a 12/2000 tiveram a decadência reconhecida em razão da Súmula n. 8 do STF. Destaquese que os valores incluídos no parcelamento eram referentes tão somente à primeira rubrica (curso de formação escolar – CF). Por conseqüência, os valores vinculados às demais rubricas deveriam seguir para discussão do mérito, uma vez que não houve desistência e renúncia sobre estas. Por este motivo, para viabilizar o prosseguimento da discussão administrativa exclusivamente com relação aos demais valores, o montante incluído no parcelamento foi segregado do valor remanescente (doc.05), este último transferido para a NFLD n. 37.202.5188 (doc. 06). Assim, considerando a decisão proferida pela DRJ para a NFLD n. 35.783.5425 (doc. 07), a Requerente interpôs Recurso Voluntário que foi atribuído e transferido para o processo n. 11844.000467/200818 (NFLD n. 37.202.5188) e ainda hoje aguarda julgamento (doc. 08). Ou seja, em que pese esta C. Turma, por meio da Resolução n. 9202 000.125, tenha solicitado informações acerca de todos os processos de cobrança de obrigação principal, inclusive com relatório circunstanciado de cada um, a D. Autoridade Diligente não trouxe aos autos todos os elementos necessários para o deslinde do presente Fl. 1609DF CARF MF Processo nº 10167.001649/200783 Resolução nº 9202000.210 CSRFT2 Fl. 221 8 processo de obrigação acessória já que se mostram ausentes, no resultado da diligência, informações contundentes acerca do desfecho da NFLD n. 37.202.5188, que, repisese, trata de saldo de obrigação principal remanescente e não incluída no parcelamento. Portanto, a Requerente manifesta parcial concordância em relação ao desfecho dos processos de cobrança das obrigações principais, uma vez que o desmembramento da NFLD n. 35.783.5425, em razão do parcelamento, ensejou abertura da nova NFLD de n. 37.202.5188 que não fora carreada aos autos pelo resultado da diligência. Neste ponto o Contribuinte aduz que "a D. Autoridade Diligente não trouxe aos autos todos os elementos necessários para o deslinde do presente processo de obrigação acessória já que se mostram ausentes, no resultado da diligência, informações contundentes acerca do desfecho da NFLD n. 37.202.5188, que, repisese, trata de saldo de obrigação principal remanescente e não incluída no parcelamento." Importante aqui para manifestação do Colegiado saber se os elementos constantes do saldo da obrigação principal são necessários ou não para posicionamento quanto a obrigação acessória, vez que parte da obrigação principal restou definitiva em razão de parcelamento e outra parte, o chamado saldo de obrigação principal se encontra pendente de informação, NFLD de n. 37.202.5188 que não fora carreada aos autos pelo resultado da diligência, sendo este originária do parcelamento parcial da NFLD n. 35.783.5425. No tocante as matérias: b) bolsas de estudo; e c) serviços prestados por cooperativas de trabalho tendo o Contribuinte optado pelo seu parcelamento, ocorre o fenômeno de DEFINITIVIDADE DO DÉBITO FISCAL, restando o auto de infração fiscal mantido em sua integralidade. Já no tocante a matéria a) seguro de vida, esta foi desmembrada do principal parcelado e transferida para o processo n. 11844.000467/200818 (NFLD n. 37.202.5188), que aguarda julgamento. Diante do exposto converto julgamento do recurso em diligência à Dipro/Cojul, para que esta apense o presente processo ao de nº 11844.000467/200818, a fim de que sejam julgados em conjunto na CSRF, se for o caso. Havendo ou não Recurso Especial com seguimento no citado processo, os presentes autos devem ser devolvidos à relatora, para prosseguimento. É o voto. (assinado digitalmente) Ana Paula Fernandes Fl. 1610DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10880.924900/2008-03
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Dec 11 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Jan 30 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Data do fato gerador: 31/03/2000
HOMOLOGAÇÃO TÁCITA. INOCORRÊNCIA.
Não decorrendo 5 (cinco) anos, do pedido de PER/DCOMP e da decisao do despacho decisório, não ocorre homologação tácita nos termos do art. 74, §5º da Lei 9430/96.
ISENÇÃO. SOCIEDADE CIVIL DE PROFISSÃO REGULAMENTADA. REVOGAÇÃO PELO ART. 56 DA LEI No 9.430/96.
A isenção da COFINS, das sociedades civis de prestação de serviços profissionais foi revogada pelo art. 56, da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996. Precedentes do STF.
Numero da decisão: 3201-004.584
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. A conselheira Larissa Nunes Girard (suplente convocada) acompanhou o relator pelas conclusões.
(assinado digitalmente)
Charles Mayer de Castro Souza - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza (Presidente), Marcelo Giovani Vieira, Tatiana Josefovicz Belisario, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Larissa Nunes Girard (suplente convocado para substituir o conselheiro Leonardo Correia Lima Macedo), Leonardo Vinicius Toledo de Andrade, Laercio Cruz Uliana Junior e Vinicius Guimarães (suplente convocado em substituição ao conselheiro Paulo Roberto Duarte Moreira). Ausentes, justificadamente, os conselheiros Leonardo Correia Lima Macedo e Paulo Roberto Duarte Moreira.
Nome do relator: CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Data do fato gerador: 31/03/2000 HOMOLOGAÇÃO TÁCITA. INOCORRÊNCIA. Não decorrendo 5 (cinco) anos, do pedido de PER/DCOMP e da decisao do despacho decisório, não ocorre homologação tácita nos termos do art. 74, §5º da Lei 9430/96. ISENÇÃO. SOCIEDADE CIVIL DE PROFISSÃO REGULAMENTADA. REVOGAÇÃO PELO ART. 56 DA LEI No 9.430/96. A isenção da COFINS, das sociedades civis de prestação de serviços profissionais foi revogada pelo art. 56, da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996. Precedentes do STF.
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ISENÇÃO. SOCIEDADE CIVIL DE PROFISSÃO REGULAMENTADA. Recorrente J. CARDOSO ASSESSORIA TRIBUTÁRIA LTDA ME Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Data do fato gerador: 31/03/2000 HOMOLOGAÇÃO TÁCITA. INOCORRÊNCIA. Não decorrendo 5 (cinco) anos, do pedido de PER/DCOMP e da decisao do despacho decisório, não ocorre homologação tácita nos termos do art. 74, §5º da Lei 9430/96. ISENÇÃO. SOCIEDADE CIVIL DE PROFISSÃO REGULAMENTADA. REVOGAÇÃO PELO ART. 56 DA LEI No 9.430/96. A isenção da COFINS, das sociedades civis de prestação de serviços profissionais foi revogada pelo art. 56, da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996. Precedentes do STF. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. A conselheira Larissa Nunes Girard (suplente convocada) acompanhou o relator pelas conclusões. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza (Presidente), Marcelo Giovani Vieira, Tatiana Josefovicz Belisario, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Larissa Nunes Girard (suplente convocado para substituir o conselheiro Leonardo Correia Lima Macedo), Leonardo Vinicius Toledo de Andrade, Laercio Cruz Uliana Junior e Vinicius Guimarães (suplente convocado em substituição ao conselheiro Paulo Roberto Duarte Moreira). Ausentes, justificadamente, os conselheiros Leonardo Correia Lima Macedo e Paulo Roberto Duarte Moreira. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 92 49 00 /2 00 8- 03 Fl. 85DF CARF MF Processo nº 10880.924900/200803 Acórdão n.º 3201004.584 S3C2T1 Fl. 3 2 Relatório Tratase de Declaração de Compensação – DCOMP lastreada em recolhimento indevido ou a maior de COFINS. O contribuinte alega, em síntese, que é uma sociedade civil de profissão regulamentada, prevista na Lei Complementar 70/91, podendo gozar do direito ao crédito apontado em virtude de estar isenta da contribuição. Diante de tal fato, foi proferido despacho decisório eletrônico. O pleito foi indeferido sob o fundamento de que, embora tenha sido localizado o pagamento indicado na DCOMP em análise, os créditos foram integralmente utilizados para quitação de débitos do Contribuinte, não restando crédito disponível para compensação do débito informado na DCOMP. Inconformado, apresentou Manifestação de Inconformidade que foi julgada pela DRJ/São Paulo. O Acórdão 16039.196 que possui a seguinte ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Data do fato gerador: 31/03/2000 PAGAMENTO A MAIOR. INOCORRÊNCIA. COMPENSAÇÃO. NÃO HOMOLOGAÇÃO. Somente podem ser objeto de compensação créditos líquidos e certos, cuja comprovação da disponibilidade deve ser efetuada pelo Contribuinte, sob pena de não ter seu crédito reconhecido. Tendo sido o pagamento constante do DARF, ao qual foi atribuído o crédito utilizado na DCOMP, integralmente alocado para a quitação de débitos confessados pelo Contribuinte, não cabe reforma do Despacho Decisório que não homologou a compensação. A insuficiência da apresentação de prova inequívoca mediante documentação hábil e idônea, com vistas a comprovar a existência de crédito proveniente de recolhimento indevido ou a maior, acarreta a negativa de reconhecimento do direito creditório e, por conseqüência, a nãohomologação da compensação declarada, em face da impossibilidade da autoridade administrativa aferir a liquidez e certeza do pretenso crédito. ISENÇÃO. SOCIEDADE CIVIL DE PROFISSÃO REGULAMENTADA. REVOGAÇÃO. A isenção da COFINS que beneficiava as sociedades civis de profissão legalmente regulamentada, prevista na Lei Complementar no 70, de 1991, deixou de vigorar com a publicação da Lei nº 9.430, de 1996. ARGÜIÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE E ILEGALIDADE. INSTÂNCIA ADMINISTRATIVA. No âmbito do processo administrativo fiscal, fica vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação, ou deixar de observar lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade, cujo reconhecimento encontrase na esfera de competência do Poder Judiciário. Manifestação de Inconformidade Improcedente Fl. 86DF CARF MF Processo nº 10880.924900/200803 Acórdão n.º 3201004.584 S3C2T1 Fl. 4 3 Não se conformando com a decisão de primeira instância apresentou Recurso Voluntário a este Conselho. Em síntese, alega: a) em preliminar, que ocorreu homologação tácita, pois a decisão foi proferida aos 360 (trezentos e sessenta) dias após o seu protocolo, afrontando o art. 24, da Lei 11.457/07; b) no mérito, que o artigo 56 da Lei 9.430/96, ao revogar a isenção das sociedades civis, descumpriu comando constitucional expresso no artigo 146, inciso III, que exige lei complementar para estabelecer normas gerais em matéria de legislação tributária. É o relatório. Voto Conselheiro Charles Mayer de Castro Souza, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3201004.574, de 11/12/2018, proferido no julgamento do processo 10880.916643/201042, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3201004.574): "O Recurso é tempestivo e o conheço. Inicialmente não se pode aplicar o art. 24, da Lei 11.457/07 no presente caso, pois, tal regramento não se trata de homologação tácita, mas sim, obrigatoriedade de analise de pedidos realizados pelo Contribuinte no âmbito da Procuradoria da Fazenda Nacional. Contudo, nos termos do art. 74, § 5º, da Lei 9430, prescreve que o prazo para homologação tácita é de 5 (cinco) anos, caso que não ocorrido no caso em tela. Assim, deve ser REJEITADA a preliminar de homologação tácita. O mérito não merece ser provido. Pois o Contribuinte sustenta: No que respeita à decisão recorrida, o recorrente ora reafirma os termos da Manifestação de Inconformidade, pois aceitar a decisão contestada seria admitir que a não imposição fiscal da Lei Complementar 70/91, do inciso II do art. 6°, fosse anulada por norma impositiva do artigo 56 da Lei 9.430/96. Se, anteriormente, a Lei Complementar 70 tivesse imposto a cobrança às sociedades civis, seria possível que a lei ordinária eventualmente viesse a isentálas. O contrário, entretanto, como acontece neste caso, não é possível, pois representaria a criação de uma tributação sem que a Lei Complementar a tivesse instituído, isto é, não ocorreu a introdução de uma norma de isenção pela lei ordinária, mas a criação de imposição fiscal pela lei ordinária, por meio de revogação parcial de norma complementar que não a prevê. Tendo em consideração o expendido, reafirma as razões expostas na Manifestação de Inconformidade, no sentido da validade da restituição pleiteada. Fl. 87DF CARF MF Processo nº 10880.924900/200803 Acórdão n.º 3201004.584 S3C2T1 Fl. 5 4 Contudo, o Supremo Tribunal Federal fixou a seguinte tese em repercussão geral no Recurso Extraordinário no 377.4573, vejamos: EMENTA: Contribuição social sobre o faturamento – COFINS (CF, art. 195, I). 2. Revogação pelo art. 56 da Lei 9.430/96 da isenção concedida às sociedades civis de profissão regulamentada pelo art. 6o, II, da Lei Complementar 70/91. Legitimidade. 3. Inexistência de relação hierárquica entre lei ordinária e lei complementar. Questão exclusivamente constitucional, relacionada à distribuição material entre as espécies legais. Precedentes. 4. A LC 70/91 é apenas formalmente complementar, mas materialmente ordinária, com relação aos dispositivos concernentes à contribuição social por ela instituída. ADC 1, Rel. Moreira Alves, RTJ 156/721. 5. Recurso extraordinário conhecido mas negado provimento. ACORDÃO Vistos, relatados e discutidos estes autos, acordam os Ministros do Supremo Tribunal Federal, em Sessão Plenária, na conformidade da ata do julgamento e das notas taquigráficas por maioria de votos, desprover o recurso. Em seguida o Tribunal, tendo em vista o disposto no artigo 27 da Lei no 9.868/99, rejeitou pedido de modulação de efeitos. Prosseguindo, o Tribunal rejeitou questão de ordem que determinava a baixa do processo ao Superior Tribunal de Justiça, pela eventual falta da prestação jurisdicional. Por maioria, resolvendo questão de ordem, entendeu que estava correta a submissão do recurso extraordinário na forma proposta pelo Superior Tribunal de Justiça, tendo em vista a questão de ordem para permitir a aplicação do artigo 543B do Código de Processo Civil, nos termos do voto do relator. Diante do exposto, REJEITO a preliminar de homologação tácita, e no mérito em NEGAR PROVIMENTO Recurso Voluntário." Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, o colegiado NEGOU PROVIMENTO ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza Fl. 88DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 11080.100179/2003-29
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Dec 12 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Jan 14 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Normas de Administração Tributária
Período de apuração: 01/07/1990 a 31/03/1992
PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. DECLARAÇÕES DE COMPENSAÇÃO. PRESCRIÇÃO.
A prescrição do direito de pedir restituição de indébito tributário, resultante de decisão judicial, conta-se a partir de seu trânsito em julgado. As declarações de compensação, posteriores a pedido de restituição e a ele referentes, e anteriores à decisão administrativa, não inteferem na prescrição.
DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. DÉBITOS A COBRAR.
Somente devem ser cobrados, em processos de compensação, os débitos informados nas Declarações de Compensação, quando não cobertos pelo respectivo crédito. A cobrança de valores declarados em DCTF é matéria de cobrança em procedimento exterior ao processo de compensação.
COMPENSAÇÃO. INCIDÊNCIA DE ENCARGOS MORATÓRIOS. DÉBITOS VENCIDOS.
Sobre os débitos informados em Declaração de Compensação incidem encargos moratórios, quando seu vencimento for anterior à data da Declaração de Compensação, nos termos dos artigos 61, 74, §§ 2º e 14º, da Lei 9.430/96, e Instruções Normativas da Receita Federal pertinentes.
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 3201-004.653
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao Recurso Voluntário, para: 1- limitar os débitos a cobrar no presente processo àqueles informados em declarações de compensação; e 2 - considerar tempestivo o pedido de restituição, afastando a prescrição das Declarações de Compensação.
(assinatura digital)
Charles Mayer de Castro Souza - Presidente.
(assiantura digital)
Marcelo Giovani Vieira - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza (Presidente), Marcelo Giovani Vieira, Tatiana Josefovicz Belisário, Vinícius Guimarães (suplente convocado em substituição ao conselheiro Paulo Roberto Duarte Moreira), Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Larissa Nunes Girard (suplente convocada em substituição ao conselheiro Leonardo Correia Lima Macedo), Leonardo Vinícius Toledo de Andrade, Laércio Cruz Uliana Júnior. Ausentes, justificadamente, os conselheiros Leonardo Correia Lima Macedo e Paulo Roberto Duarte Moreira.
Nome do relator: MARCELO GIOVANI VIEIRA
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ementa_s : Assunto: Normas de Administração Tributária Período de apuração: 01/07/1990 a 31/03/1992 PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. DECLARAÇÕES DE COMPENSAÇÃO. PRESCRIÇÃO. A prescrição do direito de pedir restituição de indébito tributário, resultante de decisão judicial, conta-se a partir de seu trânsito em julgado. As declarações de compensação, posteriores a pedido de restituição e a ele referentes, e anteriores à decisão administrativa, não inteferem na prescrição. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. DÉBITOS A COBRAR. Somente devem ser cobrados, em processos de compensação, os débitos informados nas Declarações de Compensação, quando não cobertos pelo respectivo crédito. A cobrança de valores declarados em DCTF é matéria de cobrança em procedimento exterior ao processo de compensação. COMPENSAÇÃO. INCIDÊNCIA DE ENCARGOS MORATÓRIOS. DÉBITOS VENCIDOS. Sobre os débitos informados em Declaração de Compensação incidem encargos moratórios, quando seu vencimento for anterior à data da Declaração de Compensação, nos termos dos artigos 61, 74, §§ 2º e 14º, da Lei 9.430/96, e Instruções Normativas da Receita Federal pertinentes. Recurso Voluntário Provido em Parte.
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DECLARAÇÕES DE COMPENSAÇÃO. PRESCRIÇÃO. A prescrição do direito de pedir restituição de indébito tributário, resultante de decisão judicial, contase a partir de seu trânsito em julgado. As declarações de compensação, posteriores a pedido de restituição e a ele referentes, e anteriores à decisão administrativa, não inteferem na prescrição. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. DÉBITOS A COBRAR. Somente devem ser cobrados, em processos de compensação, os débitos informados nas Declarações de Compensação, quando não cobertos pelo respectivo crédito. A cobrança de valores declarados em DCTF é matéria de cobrança em procedimento exterior ao processo de compensação. COMPENSAÇÃO. INCIDÊNCIA DE ENCARGOS MORATÓRIOS. DÉBITOS VENCIDOS. Sobre os débitos informados em Declaração de Compensação incidem encargos moratórios, quando seu vencimento for anterior à data da Declaração de Compensação, nos termos dos artigos 61, 74, §§ 2º e 14º, da Lei 9.430/96, e Instruções Normativas da Receita Federal pertinentes. Recurso Voluntário Provido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao Recurso Voluntário, para: 1 limitar os débitos a cobrar no presente processo àqueles informados em declarações de compensação; e 2 considerar tempestivo o pedido de restituição, afastando a prescrição das Declarações de Compensação. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 08 0. 10 01 79 /2 00 3- 29 Fl. 559DF CARF MF 2 (assinatura digital) Charles Mayer de Castro Souza Presidente. (assiantura digital) Marcelo Giovani Vieira Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza (Presidente), Marcelo Giovani Vieira, Tatiana Josefovicz Belisário, Vinícius Guimarães (suplente convocado em substituição ao conselheiro Paulo Roberto Duarte Moreira), Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Larissa Nunes Girard (suplente convocada em substituição ao conselheiro Leonardo Correia Lima Macedo), Leonardo Vinícius Toledo de Andrade, Laércio Cruz Uliana Júnior. Ausentes, justificadamente, os conselheiros Leonardo Correia Lima Macedo e Paulo Roberto Duarte Moreira. Relatório Reproduzo o relatório da primeira instância administrativa: Trata o presente do direito creditório proveniente da ação ordinária de repetição de indébito 96.00094373, que reconheceu a inconstitucionalidade da majoração do Finsocial, sendo que o provimento judicial transitado em julgado em 01/09/1999 concedeu o direito à restituição, conforme o pedido formulado pela empresa na esfera judicial. A empresa, todavia, optou por compensar seus créditos com débitos de IRPJ, CSLL, IRRF, Cofins e Pis (fls. 333/334), transmitindo a Declaração de Compensação de fl. 01, entregue em 12/05/2003. A contribuinte também efetivou envio de DCOMP's eletrônicas em 29/05/2003, 15/08/2003, 14/11/2003, 19/12/2003, 03/02/2004, 14/05/2004, 13/08/2004 e 02/12/2004 cujas cópias foram anexadas às fls. 196/246. A DRF em Porto Alegre através do Despacho Decisório DRF/POA n° 422, de 20 de maio de 2008 (fls. 335/338), do qual foi cientificado a empresa em 23/05/2008 (AR fls. 366) reconheceu o direito creditório no valor de R$ 29.369,56 em 01/01/1996, justificando ter homologado as compensações declaradas em DCOMP°s entregues até 01/09/2004 e não homologado as posteriormente transmitidas. Assim, foi determinada a cobrança dos valores cujas compensações não foram homologadas, constantes no extrato de processo a fls. 357/365. A justificativa foi de que teria ocorrido a decadência do direito à compensação eis que transmitidas as DCOMP's decorridos mais de 5 (cinco) anos do trânsito em julgado da decisão judicial. O que se verificou, entretanto, foi a homologação das compensações até 29/05/2003 (parcial) já que o crédito foi suficiente apenas para a extinção daqueles débitos. Fl. 560DF CARF MF Processo nº 11080.100179/200329 Acórdão n.º 3201004.653 S3C2T1 Fl. 3 3 Tempestivamente a interessada apresentou a Manifestação de Inconformidade (fls. 377/389), questionando a decadência já que apresentou os créditos tempestivamente, devendo ser concedido o direito à compensação independentemente do tempo transcorrido desde o trânsito em julgado. Quanto à Carta Cobrança recebida, alegou que os débitos cobrados (exceto dois) foram declarados nas DCOMP”s entregues antes de 01/09/2004. Também alegou que os valores cobrados não são os valores que declarou como compensados nas respectivas DCOMP”s, já que parte havia sido recolhida via DARF. Reclamou que nada foi suficientemente demonstrado no Despacho Decisório e nos Demonstrativos juntados.Também pediu explicações sobre a multa moratória aplicada sobre os valores cobrados. Assim, defendeu que o presente processo fosse anulado e refeito, devendo ser considerados os créditos na sua integralidade e os débitos a serem compensados conforme declarado nas respectivas DCOMP°s. Também pleiteou a não aplicação da muita de mora e a interrupção da prescrição em 14/05/2003. No primeiro exame por parte desta DRJ Porto Alegre, verificou se que a justificativa constante do Despacho Decisório da DRF em Porto Alegre para a não homologação de parte da compensação não estava suficientemente esclarecida: feitos os cálculos, o que ocorreu foi que o valor do crédito não foi suficiente para a extinção de todos os débitos. A interessada também argumentou que não foi obedecida sua intenção explicitada nas DCOMP's apresentadas, no tocante aos valores a serem compensados, alegando também ter efetivado pagamentos não considerados. Assim, o processo foi encaminhado em diligência à DRF em Porto Alegre, para que a contribuinte fosse intimada a apresentar comprovações das alegações constantes da Manifestação de Inconformidade relativamente aos valores devidos e a efetiva parcela de cada tributo/contribuição a ser compensada e a extinção das demais parcelas através do pagamento. Na Informação DRF/POA/Seort 237, de 15/10/2008, da qual a interessada foi cientificada em 24/10/2008 (AR fls. 459) a DRF de origem informa que os valores de créditos apurados em ufir ou outra moeda original são convertidos em Real em 01/01/1996, sendo que, no presente caso, o crédito foi concedido na totalidade (R$ 29.369,56, incidindo Selic a partir daí) e a divergência em relação ao valor defendido pelo contribuinte (R$ 70.315,94) devese ao fato de que este último valor foi atualizado com a Taxa Selic até 16/04/2003. Também são esclarecidos diversos valores relativos a débitos informados nas diversas declarações enviadas pela empresa com supostos equívocos de preenchimento. Assim, a planilha de fls. 333/334 deve ser substituída pela de fls. 438/439, totalizando o montante de débitos a compensar em RS 75.011,02, já deduzidos os débitos constantes na Dcomp transmitida em 02/12/2004, não homologada pelo transcurso do prazo de cinco anos após o Fl. 561DF CARF MF 4 trânsito em julgado. Conclui que a maior parte dos débitos restaria extinta pela compensação, restando ainda débitos de Pis e Cofins relativos aos períodos de apuração abril a junho ide 2004 (fls. 441). Comparecendo novamente ao processo em 24 de novembro de 2008, após cientificaçao do relatório da diligência, a interessada continuou manifestando sua inconformidade contra a prescrição alegada pela DRF Porto Alegre no tocante à Dcomp enviada em 02/12/2004. Entende que a prescrição da totalidade do direito creditório foi interrompida no dia 14/05/2003 pela protocolização da primeira declaração de compensação, que consistiria em ato válido a garantir a integralidade do crédito pleiteado. , Contesta também pontos específicos do relatório de fiscalização, itens 8 e 9, apontando contradição entre o saldo remanescente de débitos a fls. 441 e a afirmação contida a fls. 439, pela qual estariam homologadas as compensações de débitos de Pis/Cofins de 04/2004 a 06/2004, sendo que o saldo remanescente está equivocado, pois não levou em consideração que a compensação dos referidos débitos já havia sido homologada. No tocante ao crédito a restituir (compensar) reconhece o acerto do montante creditório apurado pela DRF (R$ 29.369,56 em 01/01/1996) e que está de acordo com o determinado em sentença judicial. Entretanto, nao concorda com o encontro de contas que apurou saldo remanescente a pagar, uma vez que dispunha de montante creditório suficiente para extinguir a integralidade dos débitos informados nas Dcomps. Discorda de qualquer encargo moratório que esteja sendo aplicado no encontro de contas já que o montante creditório é anterior ao vencimento dos débitos compensados. Entende ilegal a cobrança de juros e multa de mora pela apresentação de Dcomp após o vencimentos dos débitos que pretende ver extintos, encargos lastreados apenas em Instrução Normativa, e não previstos na legislação que instituiu a declaração de compensação (Lei 10.637/2002). A 2ª Turma da DRJ/Porto Alegre/RS, por meio do Acórdão 1024.418, de 30/04/2010, decidiu pela improcedência da Manifestação de Inconformidade. Transcrevo a ementa: Assunto: Outros Tributos ou Contribuiçoes Período de apuração: 01/07/ 1990 a 31/03/1992 Nos termos da legislação regente à matéria, sao devidos acréscimos moratórios por ocasião da efetivação e homologação de encontro de contas no qual as declarações de compensação foram transmitidas em datas posteriores aos vencimentos dos débitos. Fl. 562DF CARF MF Processo nº 11080.100179/200329 Acórdão n.º 3201004.653 S3C2T1 Fl. 4 5 O prazo para a interessada pleitear a restituição/compensação de indébitos discutidos judicialmente é de 5 (cinco) anos contados a partir do trânsito em julgado do provimento judicial que considerou os pagamentos como indevidos. No Recurso Voluntário, a empresa sustenta: que a decisão recorrida terminou por aumentar a cobrança que restava no Despacho Decisório; que não caberia a incidência de encargos moratórios aos seus débitos compensados, porque a União não teria prejuízo, “haja vista que o recurso financeiro já estava à sua disposição de forma antecipada”; que as Instruções Normativas que prevêem tal incidência não poderiam impor sanções não previstas em Lei; que não houve prescrição, porque o pedido inicial já apontava todo o indébito pretendido; que as compensações vão sendo anexadas na medida da necessidade, conforme orientação do atendente da própria Receita Federal; que não havia possibilidade material do contribuinte promover as compensações senão na medida em que os débitos fossem vencendo; pede, enfim, pela extinção da integralidade dos débitos informados nas declarações de compensação. É o relatório. Voto Conselheiro Marcelo Giovani Vieira, Relator O recurso é tempestivo e atende aos requisitos de admissibilidade. Prescrição da declaração de compensação Os fatos geradores dos indébitos são de 1989 a 1992. A decisão judicial transitou em julgado em 01/09/1999 (fl. 254). O pedido de restituição foi feito em 12/05/2003, e as PerDcomp´s foram transmitidas em datas de 29/05/2003 a 02/12/2004. A súmula Carf nº 91 definiu que: Súmula CARF nº 91: Ao pedido de restituição pleiteado administrativamente antes de 9 de junho de 2005, no caso de tributo sujeito a lançamento por homologação, aplicase o prazo prescricional de 10 (dez) anos, contado do fato gerador. No caso de indébito reconhecido judicialmente, o prazo contase em 5 anos a partir do trânsito em julgado. Parecer Normativo COSIT nº 11/2014: Fl. 563DF CARF MF 6 O prazo para a compensação mediante apresentação de Declaração de Compensação de crédito tributário decorrente de ação judicial é de cinco anos, contados do trânsito em julgado da sentença que reconheceu o crédito ou da homologação da desistência de sua execução. . Precedente Acórdão 9303002.033, dentre outros. Assim, o prazo para repetição do indébito é de 5 anos, contados do trânsito em julgado da decisão que lhe reconheceu o direito ao indébito de Finsocial. No presente caso, o prazo final para repetição de indébito foi 01/09/2004. O pedido de todo o indébito foi feito em 29/05/2003, portanto, dentro do prazo prescricional. O pedido interrompe o prazo, para aguardar a manifestação da administração. As declarações de compensação, apresentadas após o pedido de restituição, não são atingidas pela prescrição, porque apenas adicionam débitos ao processo, e não se consubstanciam em novos pedidos de indébito. Com efeito, o pedido próprio para a repetição do indébito é o pedido de restituição, atualmente feito no programa PerDcomp, no qual são informados a origem do crédito, sua totalidade, e outras informações. Ao pedido de restituição, podem ser acrescentados pedidos de compensação, os quais informam os débitos que o contribuinte pretende ver extintos por compensação. Vejase que as próprias Instruções Normativas da Receita Federal permitem a apresentação posterior de declarações de compensação, a pedidos de restituição já formulados. Confirase a de vigência à época, IN 210/2002: Art. 2º Poderão ser restituídas pela SRF as quantias recolhidas ao Tesouro Nacional a título de tributo ou contribuição sob sua administração, nas seguintes hipóteses: I cobrança ou pagamento espontâneo, indevido ou a maior que o devido; II erro na identificação do sujeito passivo, na determinação da alíquota aplicável, no cálculo do montante do débito ou na elaboração ou conferência de qualquer documento relativo ao pagamento; III reforma, anulação, revogação ou rescisão de decisão condenatória. (...) Art. 3º A restituição de quantia recolhida a título de tributo ou contribuição administrado pela SRF poderá ser efetuada: I a requerimento do sujeito passivo ou da pessoa autorizada a requerer a quantia, mediante utilização do " Pedido de Restituição" ; (...) Art. 21. O sujeito passivo que apurar crédito relativo a tributo ou contribuição administrado pela SRF, passível de restituição Fl. 564DF CARF MF Processo nº 11080.100179/200329 Acórdão n.º 3201004.653 S3C2T1 Fl. 5 7 ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios, vencidos ou vincendos, relativos a quaisquer tributos ou contribuições sob administração da SRF. § 1º A compensação de que trata o caput será efetuada pelo sujeito passivo mediante o encaminhamento à SRF da " Declaração de Compensação" . § 2º A compensação declarada à SRF extingue o crédito tributário, sob condição resolutória da ulterior homologação do procedimento. (...) § 4º O sujeito passivo poderá utilizar, na compensação de débitos próprios relativos aos tributos e contribuições administrados pela SRF, créditos que já tenham sido objeto de pedido de restituição ou de ressarcimento encaminhado à SRF, desde que referido pedido se encontre pendente de decisão administrativa à data do encaminhamento da "Declaração de Compensação". A IN RFB 1.717/2017, atualmente vigente, mantém a interpretação: Art. 68. O sujeito passivo poderá compensar créditos que já tenham sido objeto de pedido de restituição ou de ressarcimento apresentado à RFB desde que, à data da apresentação da declaração de compensação: I o pedido não tenha sido indeferido, mesmo que por decisão administrativa não definitiva, proferida pelo AuditorFiscal da Receita Federal do Brasil; ou II se deferido o pedido, ainda não tenha sido emitida a ordem de pagamento do crédito. Parágrafo único. O sujeito passivo poderá apresentar declaração de compensação que tenha por objeto crédito apurado ou decorrente de pagamento efetuado há mais de 5 (cinco) anos, desde que referido crédito tenha sido objeto de pedido de restituição ou de ressarcimento apresentado à RFB antes do transcurso do referido prazo. Portanto, dou provimento ao recurso nesta parte. Incidência de encargos moratórios sobre débitos compensados A titularidade do indébito é do contribuinte, que pode pedir sua restituição total, ou aproveitálo, total ou parcialmente, para compensação. Assim, somente quando o contribuinte solicita formalmente a compensação do indébito com o débito em aberto, é que se pode considerar extinto o referido débito, sob condição resolutória de sua posterior homologação,cf. §2º do art. 74 da Lei 9.430/961. 1 § 2o A compensação declarada à Secretaria da Receita Federal extingue o crédito tributário, sob condição resolutória de sua ulterior homologação. Fl. 565DF CARF MF 8 Desse modo, é correta a incidência de encargos moratórios aos débitos, quando vencidos na data da compensação, conforme estabelecem os normativos da Receita Federal, com supedâneo no §14º do artigo 74 da Lei 9.430/962, e art. 61 do artigo 74, do mesmo diploma legal3. Débitos compensados Conforme Informação Fiscal de fls. 461 e seguintes, o Despacho Decisório havia considerado, como débitos a compensar com o indébito de Finsocial, os valores declarados em DCTF. Todavia, conforme esclareceu o contribuinte, e confirma a Informação Fiscal, somente se incluíram nas declarações de compensação a diferença entre o valor da DCTF e os valores recolhidos, ou seja, o saldo a pagar em DCTF. Portanto, tem razão o contribuinte, quanto aos débitos que devem ser incluídos na compensação de que trata este processo, limitandose aos valores informados em declarações de compensação. Demais débitos não incluídos em declarações de compensação, e declarados em DCTF, não são objeto de julgamento por parte do Carf, perfazendo matéria de cobrança. Conclusão Pelo exposto, voto por dar parcial provimento ao recurso para: 1 limitar os débitos a cobrar no presente processo àqueles informados em Declarações de Compensação; 2 – Considerar tempestivo o pedido de restituição, afastando a prescrição das Declarações de Compensação. 2 § 14. A Secretaria da Receita Federal SRF disciplinará o disposto neste artigo, inclusive quanto à fixação de critérios de prioridade para apreciação de processos de restituição, de ressarcimento e de compensação. (Incluído pela Lei nº 11.051, de 2004) 3 Art. 61. Os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, cujos fatos geradores ocorrerem a partir de 1º de janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos na legislação específica, serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso. (Vide Decreto nº 7.212, de 2010) § 1º A multa de que trata este artigo será calculada a partir do primeiro dia subseqüente ao do vencimento do prazo previsto para o pagamento do tributo ou da contribuição até o dia em que ocorrer o seu pagamento. § 2º O percentual de multa a ser aplicado fica limitado a vinte por cento. § 3º Sobre os débitos a que se refere este artigo incidirão juros de mora calculados à taxa a que se refere o § 3º do art. 5º, a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento. Fl. 566DF CARF MF Processo nº 11080.100179/200329 Acórdão n.º 3201004.653 S3C2T1 Fl. 6 9 (assinatura digital) Marcelo Giovani Vieira Relator Fl. 567DF CARF MF
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Numero do processo: 16007.000240/2010-64
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Dec 12 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Jan 11 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/01/1991 a 31/01/1995
PEDIDO DE RESTITUIÇÃO/COMPENSAÇÃO. COMPROVAÇÃO DA EXISTÊNCIA DO DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA A CARGO DA CONTRIBUINTE.
No âmbito específico dos Pedidos de Restituição/Compensação, é ônus do contribuinte a comprovação minudente da existência do direito creditório pleiteado.
PROVAS. LIVROS FISCAIS E CONTÁBEIS. COMPENSAÇÃO. GUARDA DOS LIVROS. DURAÇÃO DO PROCESSO.
Em caso de compensação, deve o contribuinte permanecer na guarda dos livros e documentos a ele relativos, enquanto durar o processo administrativo.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3402-006.035
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em NEGAR provimento ao Recurso Voluntário, nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Waldir Navarro Bezerra - Presidente e Relator.
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Waldir Navarro Bezerra, Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Cynthia Elena de Campos, Pedro Sousa Bispo, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Rodrigo Mineiro Fernandes e Renato Vieira de Ávila (suplente convocado em substituição a Conselheira Thais De Laurentiis Galkowicz). Ausente, justificadamente, a Conselheira Thais De Laurentiis Galkowicz.
Nome do relator: WALDIR NAVARRO BEZERRA
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/01/1991 a 31/01/1995 PEDIDO DE RESTITUIÇÃO/COMPENSAÇÃO. COMPROVAÇÃO DA EXISTÊNCIA DO DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA A CARGO DA CONTRIBUINTE. No âmbito específico dos Pedidos de Restituição/Compensação, é ônus do contribuinte a comprovação minudente da existência do direito creditório pleiteado. PROVAS. LIVROS FISCAIS E CONTÁBEIS. COMPENSAÇÃO. GUARDA DOS LIVROS. DURAÇÃO DO PROCESSO. Em caso de compensação, deve o contribuinte permanecer na guarda dos livros e documentos a ele relativos, enquanto durar o processo administrativo. Recurso Voluntário Negado.
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MAHFUZ LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/01/1991 a 31/01/1995 PEDIDO DE RESTITUIÇÃO/COMPENSAÇÃO. COMPROVAÇÃO DA EXISTÊNCIA DO DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA A CARGO DA CONTRIBUINTE. No âmbito específico dos Pedidos de Restituição/Compensação, é ônus do contribuinte a comprovação minudente da existência do direito creditório pleiteado. PROVAS. LIVROS FISCAIS E CONTÁBEIS. COMPENSAÇÃO. GUARDA DOS LIVROS. DURAÇÃO DO PROCESSO. Em caso de compensação, deve o contribuinte permanecer na guarda dos livros e documentos a ele relativos, enquanto durar o processo administrativo. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em NEGAR provimento ao Recurso Voluntário, nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra Presidente e Relator. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Waldir Navarro Bezerra, Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Cynthia Elena de Campos, Pedro Sousa Bispo, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Rodrigo Mineiro Fernandes e Renato Vieira de Ávila (suplente convocado em substituição a Conselheira Thais De Laurentiis Galkowicz). Ausente, justificadamente, a Conselheira Thais De Laurentiis Galkowicz. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 00 7. 00 02 40 /2 01 0- 64 Fl. 782DF CARF MF Processo nº 16007.000240/201064 Acórdão n.º 3402006.035 S3C4T2 Fl. 783 2 Relatório Trata o presente processo de análise de PER/DCOMPs (fls. 6/45), transmitidas pela empresa J. MAHFUZ LTDA., entre os períodos de 13/01/2006 e 31/07/2006, através das quais pretendeu efetuar compensações de débitos para com a RFB (PIS/COFINS/IRPJ/CSLL), utilizandose de créditos de PIS decorrentes da Ação Ordinária nº 1999.03.99.0678124, transitada em julgado em 12/06/2004, objetivando a compensação de valores indevidamente recolhidos a titulo de PIS, nos termos dos Decretoslei nºs 2.445 e 2.449, de 1988, com parcelas vincendas do próprio PIS. Através de Despacho Decisório nº 394/2010, a DRF de São José do Rio Preto/SP (fls. 430/438), analisou os elementos contidos no processo (habilitação do referido crédito no processo nº 10850.003665/200531, no valor de R$ 2.169.559,91), resultando a decisão de reconhecer parcialmente direito creditório no valor de R$ 630.434,91, apurado conforme demonstrativo de apuração constante do processo, esse elaborado nos termos da decisão Judicial transitada em julgado (recolhimentos efetuados maior oriundos de recolhimentos indevidos do PIS, nos termos exigidos pelos Decretosleis n°s 2.445 e 2.449, de 1988). Homologou, até o limite do crédito reconhecido, as compensações declaradas nas PER/DCOMPs. Cientificada em 15/12/2010 e não se conformando com a decisão administrativa, a Recorrente apresentou sua Manifestação de Inconformidade. De seus registros, extraise os fatos conforme bem retratado pela decisão a quo, conforme transcrição abaixo: Fundamentação proposta pela RFB • o prazo é de 05 (cinco) anos para pleitear o direito de restituição de quantias pagas de forma indevida ou a maior); • em razão da ausência de apresentação dos Livros Fiscais, não foi possível aferir e confirmar as bases de cálculos a que se referem os direitos creditórios dos períodos de apuração; • os valores entre a Planilha de Cálculo de Apuração dos Créditos da empresa e as DIPJ dos exercícios de 1992 e 1993, apresentaram diferenças no faturamento; • com relação aos períodos de apuração dos meses de julho de 1993 a janeiro de 1995, foram utilizados os valores declarados pela empresa na DIPJ de 1994 e 1995 (opção pelo Lucro Real mensal). Preliminar. Suspensão da exigibilidade do crédito tributário • o Fisco Federal, por meio de decisões administrativas, exprimiu o seu entendimento no sentido de que a Manifestação de Inconformidade não tem o condão de suspender a exigibilidade do crédito tributário; • resta evidente o caráter de recurso da manifestação de inconformidade, seja antes ou depois do advento da Lei nº Fl. 783DF CARF MF Processo nº 16007.000240/201064 Acórdão n.º 3402006.035 S3C4T2 Fl. 784 3 10.833/2003, posto que a apresentação daquele instrumento, além de materializar em linguagem própria o fato jurídico conflituoso decorrente do descumprimento da norma jurídica de compensação, faz nascer a relação jurídica processual administrativa capaz de conhecer a existência do crédito utilizado, bem como do modo extintivo do débito compensado; • não admitir a suspensão da exigibilidade sob a simples alegação de não ter a declaração de compensação da empresa o condão de constituir o crédito tributário, é atitude arbitrária, visto o cerceamento do direito ao contraditório, ampla defesa e devido processo legal. Mérito. Compensação tributária • a compensação pode ser tida como forma de extinção do crédito, tributário, ou não, porque, caso o tributo seja cobrado indevidamente, ele, em verdade, nunca poderia ter existido no mundo jurídico. Por isso que não há falar em extinção do que não era para existir, o que, no caso, daria à compensação o enfoque de restituição do indébito. Direito à compensação • a empresa tem o direito de ver o seu crédito tributário compensado no importe de R$ 2.169.559,91, nos termos da sentença transitada em julgado, conforme transcrito: Ante ao exposto e considerando o mais que dos autos consta, julgo procedente o pedido deduzido para que a autora possa efetuar a compensação da diferença dos valores que recolheu a titulo de contribuições devidos ao PIS, atendendose a exigência contida nos DecretosLeis nºs 2.445 e 2.449/88, com os créditos vincendos do PIS, mensalmente, até o seu exaurimento.; • insofismável o direito da empresa de compensar seus créditos, não podendo a União Federal, oporlhe quaisquer espécies de obstáculos visando a impedir a compensação; • não se operou a decadência cogitada no artigo 168 e incisos do CTN, a qual deve ser reconhecida de oficio e que implica na perda do direito de pleitear a repetição do indébito. Tratandose de tributo sujeito a lançamento por homologação, não há que se cogitar antes dela em crédito tributário ou de pagamento que o extingue; • não se sustenta o alegado transcurso do prazo prescricional, visto que as disposições do Código Civil a respeito ficam afastadas em virtude da existência de legislação especial com disposição contrária. Falta de apresentação de livros fiscais • não tem razão o Fisco quanto à alegação de ausência de livros fiscais. Basta que se verifique os documentos acostados com a Inicial, bem como dos documentos juntados pela própria Receita Fl. 784DF CARF MF Processo nº 16007.000240/201064 Acórdão n.º 3402006.035 S3C4T2 Fl. 785 4 Federal em sede de contestação, para que se cheque a conclusão de que estes restaram eficazes na confirmação da base de cálculo utilizada, referentes ao direito creditório do período apurado; • o Poder Judiciário deixou evidenciado que as provas documentais apresentadas pela empresa foram legitimas e hábeis para a demonstração do pagamento a maior a titulo de PIS. Foi ele enfático ao alegar que os documentos essenciais à propositura da ação foram juntados a luz do disposto no artigo 365, III, do Código de Processo Civil, constituem prova inequívoca do efetivo recolhimento do tributo; • o direito de cobrar os livros se encontra prescrito, visto a fluência do prazo prescricional, que nos tributos sujeitos ao lançamento por homologação ou autolançamento já havia fluido. Do cotejo dos documentos anexos verificase que o FG deuse inicialmente no ano de 1994, sendo que o ultimo documento anexo remonta ao mês de janeiro de 1995; • à luz do ordenamento jurídico, em se tratando de lançamento na modalidade por homologação, o prazo prescricional começa a fluir da data da extinção do crédito tributário, nos termos do art. 168 do CTN. Tratandose de caso de lançamento por homologação, é certo que a extinção do crédito não se verifica com o pagamento, mas sim com a homologação deste. É ela quem determina a data de extinção do crédito tributário. Portanto, a partir da homologação é que começa a fluir o prazo prescricional. Com efeito, no caso do PIS, o prazo prescricional de 05 (cinco) anos, tem o termo a quo da data de homologação e não do efetivo pagamento; • prevalece o caso da homologação tácita, ou seja, aquela que ocorre após o transcurso do prazo de 05 (cinco) anos do fato gerador, nos termos do art. 150, § 4º. Findo o prazo sem o pronunciamento da Fazenda quanto ao pagamento efetuado, considerase homologado e definitivamente extinto o crédito tributário, salvo em sendo comprovado a fraude, dolo ou simulação; • como não houve qualquer ato da autoridade fiscal homologatória durante todo o período, é de se destacar que ocorreu no caso em comento o fenômeno da prescrição, visto que o último lançamento a que se têm noticias nos autos remonta ao mês de janeiro de ano de 1995. Somados 05 (cinco) anos para ocorrência da homologação tácita e acrescidos mais 05 (cinco) anos do art. 168 do CTN, temse que o prazo para a cobrança para a RFB deuse em janeiro de 2005. Diferenças entre a DIPJ e a Planilha de Cálculo e Apuração dos Créditos • o entendimento do Fisco não deve prosperar, vez que diante da fluência do prazo, a pretensão do direito de cobrança, ou mesmo Fl. 785DF CARF MF Processo nº 16007.000240/201064 Acórdão n.º 3402006.035 S3C4T2 Fl. 786 5 a discussão com relação a estes valores por parte da Fazenda, encontrase fulminado pelo fenômeno da prescrição; • o direito de cobrar os respectivos valores, ou até mesmo a contestação de suposta diferença apontada, encontrase prescrito, visto a fluência do prazo prescricional, sendo certo que em se tratando de tributos sujeitos ao lançamento por homologação ou autolançamento, como é o caso presente, o prazo prescricional já fluiu; • para chegar aos valores constantes nas DCOMPs, visto que os valores se referiam àquele que deveria ser compensado em razão de pagamento a maior, a empresa se utilizou de base de cálculo constante de DARFs juntados aos autos do processo principal, tendo a empresa efetuado a atualização dos valores e correções monetárias da forma como definido no Acórdão. Pedidos • requer seja suspensa a exigibilidade do crédito tributário em face da interposição de Manifestação de Inconformidade; • demonstrada a insubsistência do indeferimento do pleito de compensação tributária, requer seja acolhida sua Manifestação de Inconformidade, para que seja reconhecido o direito creditório no valor de R$ 2.169.559,91; • requer seja decretada a extinção pela prescrição do direito da RFB cobrar ou até mesmo contestar a suposta diferença de valores apontada entre a DIPJ e a Planilha de Cálculo e Apuração dos Créditos, bem como a exigência de apresentação de Livros Fiscais, visto que estas prerrogativas já se encontram prescritas, ante a manifesta fluência do prazo prescricional conforme já demonstrado; • requer ainda, que se julgue totalmente insubsistente o processo n.° 16007.000.240/201064, homologandose na totalidade os créditos apontados na primeira DCOMP (nº 12819.04918.130106.1.3.541667), devendo ser homologados os demais pedidos de compensação do crédito tributário, estes constantes de DCOMPs posteriores, tudo atualizado e corrigido, nos termos da decisão do Poder Judiciário, transitada em julgado no processo nº 1999.03.990678124 (processo original 96.07057953). A repartição de origem atestou a tempestividade da peça de contestação (fl. 720). No entanto, a Delegacia da RFB de Julgamento em Porto Alegre (RS) julgou a Manifestação de Inconformidade Improcedente, nos termos do Acórdão nº 1053.525, de 23 de janeiro de 2015, cuja ementa foi vazada nos seguintes termos (fls. 723): ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/01/1991 a 31/01/1995 COMPENSAÇÃO. DECADÊNCIA. Fl. 786DF CARF MF Processo nº 16007.000240/201064 Acórdão n.º 3402006.035 S3C4T2 Fl. 787 6 O direito à restituição/compensação de crédito tributário pago indevidamente extinguese após o transcurso do prazo de 5 (cinco) anos, contados da data do pagamento. CRÉDITO TRIBUTÁRIO. COBRANÇA. SUSPENSÃO DA EXIGIBILIDADE. O tempestivo protocolo de peça reclamatória suspende a exigibilidade do crédito tributário eventualmente cobrado, até o desfecho do processo administrativo. LIVROS FISCAIS E CONTÁBEIS. COMPENSAÇÃO. GUARDA DOS LIVROS. DURAÇÃO DO PROCESSO. Em caso de compensação, deve o contribuinte permanecer na guarda dos livros e documentos a ele relativos, enquanto durar o processo administrativo. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO/COMPENSAÇÃO. COMPROVAÇÃO DA EXISTÊNCIA DO DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA A CARGO DA CONTRIBUINTE. No âmbito específico dos pedidos de restituição/compensação, é ônus da contribuinte/pleiteante a comprovação minudente da existência do direito creditório. ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Período de apuração: 01/01/1991 a 31/01/1995 DECISÕES JUDICIAIS. EFEITOS. Regra geral, as decisões judiciais têm eficácia interpartes, não sendo lícito estender seus efeitos a outros processos, não só por ausência de permissivo legal para isso, mas também em respeito às particularidades de cada litígio. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido A Recorrente foi intimada da decisão da DRJ em 12/02/2015 (fl. 780). Descontente com a decisão de primeira instância, em 06/03/2015 (fl. 737), protocolou o Recurso Voluntário de fls. 737/748 que, em síntese, reproduzo abaixo suas razões recursais: a) pode ser constatado que em 15/08/1996 a Recorrente ajuizou processo judicial, autuado sob n° 1999.03.990678124, em face da União, a qual foi devidamente citada em 30/10/1996. A pretensão deduzida na inicial foi a declaração judicial do direito de a Recorrente compensar créditos oriundo do pagamento do PIS realizado a maior, com as parcelas futuras devidas a título da mesma contribuição; b) com a inicial, a Recorrente juntou todas as guias de DARFs do período compreendido entre janeiro/91 a janeiro/96, comprovando a base de cálculo utilizada para recolhimento do PIS, bem como demonstrando de forma analítica a diferença recolhida a maior Fl. 787DF CARF MF Processo nº 16007.000240/201064 Acórdão n.º 3402006.035 S3C4T2 Fl. 788 7 em razão do recolhimento com base nos DecretoLei 2.445 e 2.449, se comparado com o que deveria recolher com base na LC nº 07/70 e suas alterações; c) ao contrário do que entendeu a decisão recorrida, no próprio processo judicial a Requerente comprovou os fatos constitutivos de seu direito, demonstrando o valor recolhido, a base de cálculo utilizada, e os prazos de recolhimentos, de acordo com o que determinava a norma declarada inconstitucional, cumprindo exatamente o que impõe o artigo 333, Inciso I do Código de Processo Civil; d) considerando a obtenção de êxito no processo judicial, em 05 de dezembro de 2005 a Recorrente apresentou pedido de habilitação de crédito reconhecido na quantia de R$ 2.169.559,91, cuja solicitação foi deferida por despacho datado de 04 de janeiro de 2006; e) a autoridade fiscal veio solicitar a documentação desejada apenas em 20/09/2010, ou seja, mais de 06 (seis) anos do trânsito em julgado da decisão judicial, e a aproximadamente 05 (cinco) anos após a apresentação do pedido de habilitação de crédito, fato que demonstra total inércia por parte do Fisco em proceder a fiscalização que lhe compete; f) Dessa forma, após aproximadamente 19 (dezenove) anos passados da ocorrência do fato gerador que gerou recolhimento do PIS a maior em decorrência da legislação inconstitucional, vem a autoridade fiscal pretender a exibição de documentos daquela época, mesmo tendo plena ciência da base de cálculo utilizada, alíquota, prazos e valores recolhidos a título de PIS, a partir de 1996 quando ajuizado o processo judicial que reconheceu o direito de crédito; Desta forma, os valores recolhidos a título de PIS, onde tiveram as bases de cálculos discriminadas nas próprias guias DARFs, assim como apurados nos registros da Recorrente, foram devidamente homologados pelo Fisco. Dessa forma, não pode agora querer questionar a base de cálculo utilizada para recolhimento da referida contribuição da época. Requer o PROVIMENTO ao presente recurso voluntário, para o fim de reformar a decisão proferida pela DRJ em Porto Alegre/RS, determinando que se proceda a homologação da integralidade dos valores apresentados na DCOMPs. É o relatório. Voto Conselheiro Waldir Navarro Bezerra, Relator. 1. Da admissibilidade dos recursos O recurso voluntário interposto é tempestivo e preenche os demais pressupostos de admissibilidade, razão pela qual dele tomo conhecimento. 2. Objeto da lide Fl. 788DF CARF MF Processo nº 16007.000240/201064 Acórdão n.º 3402006.035 S3C4T2 Fl. 789 8 Provas. No caso em discussão, a Recorrente não conduziu aos autos elementos necessários à comprovação de suas alegações, limitandose, em muito, a protestar contrariamente ao elaborado pela Fiscalização. Assim, não tendo a Recorrente carreado aos autos elementos comprobatórios de seu alegado direito, a decisão de piso entendeu ser impossível a reforma do Despacho Decisório. 3. Do Direito Creditório Conforme relatado, as DCOMPs transmitidas pela Recorrente entre 13/01/2006 e 31/07/2006, pretendeu efetuar compensações de débitos para com a RFB (PIS/COFINS/IRPJ/CSLL), utilizandose de créditos de PIS decorrentes da Ação Ordinária nº 1999.03.99.0678124, transitada em julgado em 12/06/2004, conforme comprova a Certidão expedida pela Subseção da 2ª Vara da Justiça Federal em São José do Rio Preto/SP (fl. 51)), objetivando a compensação de valores indevidamente recolhidos a titulo de PIS, nos termos dos Decretoslei nºs 2.445 e 2.449, de 1988, com parcelas vincendas do próprio PIS. A DRF/São José do Rio Preto/SP, analisou os elementos contidos no processo, resultando a decisão de reconhecer parcialmente direito creditório (no valor de R$ 630.434,91), apurado conforme demonstrativo de apuração constante dos autos, esse elaborado nos termos da decisão judicial transitada em julgado (recolhimentos indevidos do PIS, nos termos exigidos pelos Decretosleis n°s 2.445 e 2.449, de 1988), e homologou, até o limite do crédito reconhecido, as compensações declaradas nas referidas DCOMPs. 4. Do Prazo para a Repetição de Indébito. Como bem pontuado pela decisão de piso, a sistemática legal que rege os prazos extintivos de repetição de indébito, segundo entendimento recente aplicado pelo Fisco, quando a primeira iniciativa empreendida pela Recorrente dirigiuse ao Poder Judiciário, é a seguinte: 1) com o julgamento do RE 566.621 (repercussão geral), o STF ratificou a interpretação do STJ no sentido de que, para os tributos sujeitos a lançamento por homologação, o prazo para repetição ou compensação de indébito é de dez anos, para pleitos anteriores a 09/06/2005; 2) cinco anos contados do trânsito em julgado da sentença para promover a execução in totum do título judicial, seja por intermédio de execução judicial, seja por via administrativa (caso em que deverá apresentar prova da inexecução do julgado). Fundamento: prescrição do art. 168 do CTN e Súmula nº 150 do STF, segundo a qual, o prazo de prescrição da execução coincide com o da prescrição da ação de conhecimento. Como se vê, o sujeito passivo tem o direito de pleitear, no prazo de 5 (cinco) anos, a restituição de quantias pagas de forma indevida ou maior que o devido, conforme definido nos art. 150 e 156 do Código Tributário Nacional CTN Lei 5.172/66. Contudo, há que ser ressaltado que, no caso de pedido de compensação/restituição, cabe ao postulante do pedido o ônus de provar o direito pretendido. Pois bem. Às fls. 67/68 dos autos, encontrase anexada cópia do Despacho Decisório nº 001, datado de 04/01/2006 (DRF/SJR), que habilitou o referido crédito no processo, referente ao processo judicial de n° 1999.03.99.0678124 (processo original nº Fl. 789DF CARF MF Processo nº 16007.000240/201064 Acórdão n.º 3402006.035 S3C4T2 Fl. 790 9 96.07057953) na Ação Ordinária onde busca a autorização para compensar créditos oriundos de recolhimentos indevidos do PIS, nos termos exigidos pelos Decretosleis n° 2.445 e 2.449/88. O Demonstrativo do Crédito pleiteado relaciona créditos referentes aos períodos de apuração entre Janeiro de 1991 a Janeiro de 1995 (fls. 52/54). Como é cediço, a partir de 1996, tal assunto passou a ser tratado pela Lei nº 9.430, de 1996, haja vista seu art. 74 tratar especificamente da compensação de débitos com créditos próprios no âmbito da RFB. Tal artigo, que teve sua redação alterada pelo art. 49 da Lei nº 10.637, de 2002, art. 17 da Lei no 10.833, de 2003, e art. 25 da Lei no 11.051, de 2004, ampliando as possibilidades de se efetuar compensação, esclarecendo os procedimentos e requisitos a serem observados pelo Fisco e pelo contribuinte e os efeitos gerados em relação ao crédito tributário. O art. 50 da IN SRF nº 600/2005, vigente à época das transmissões das declarações de compensação, normatizou com relação aos créditos: Art. 50. São vedados o ressarcimento, a restituição e a compensação do crédito do sujeito passivo para com a Fazenda Nacional, objeto de discussão judicial, antes do trânsito em julgado da decisão que reconhecer o direito creditário. § 1º . (...). § 4º A restituição, o ressarcimento e a compensação de créditos reconhecidos por decisão judicial transitada em julgado darseão na forma prevista nesta Instrução Normativa, caso a decisão não disponha de forma diversa. (Grifei) Já a INSRF n° 517/2005, que aprovou o programa PER/DCOMP, estabeleceu as hipóteses de sua utilização e também definiu os procedimentos para habilitação de créditos reconhecidos por decisão judicial transitada em julgado, quanto à habilitação, assim definiu em seu artigo 3º: Art. 3º. Na hipótese de credito reconhecido por decisão judicial transitada em julgado, a Declaração de Compensação, o Pedido Eletrônico de Restituição e o Pedido Eletrônico de Ressarcimento, gerados a partir do Programa PER/DCOMP 1.6, somente serão recepcionados pela SRF após prévia habilitação do crédito pela Delegacia da Receita Federal (DRF), Delegacia da Receita Federal de Administração Tributária (Derat) ou Delegacia Especial de Instituições Financeiras (Dein0 com jurisdição sobre o domicilio tributário do sujeito passivo. A mesma Instrução Normativa definiu em seu § 6°, do artigo 3°, que a habilitação do pedido não implica na homologação da compensação ou deferimento do pedido de restituição ou de ressarcimento, conforme redação abaixo: § 6º O deferimento do pedido de habilitação do crédito não implica homologação da compensação ou o deferimento do pedido de restituição ou de ressarcimento. 5. Das Provas Consta do Despacho Decisório proferido pela DRF/SJR, que a falta de apresentação dos Livros Fiscais requisitados pelo Termo de Intimação Fiscal de fls.119/121, não foi possível aferir e confirmar as bases de cálculos a que se referem os direitos creditórios dos períodos de apuração dos meses de Janeiro de 1991 a Junho de 1993, e que se referem aos faturamentos dos meses de Julho de 1990 a Dezembro de 1992. Fl. 790DF CARF MF Processo nº 16007.000240/201064 Acórdão n.º 3402006.035 S3C4T2 Fl. 791 10 Destacase da Intimação Fiscal de fl. 119 e doc. de fl. 121, podendose ressaltar o que aposto no Despacho Decisório (fl. 433): Vejase trecho: "(...) Intimado em data de 20/09/2010, apresentou: cópia da sentença proferida em primeira instancia e cópia das demais pegas do processo judicial conforme folhas de nºs 106/282. Da mesma intimação foi requisitada a apresentação dos Livros Fiscais para apuração das bases de cálculos que apurou os seus créditos habilitados, mas, até a presente data o interessado não apresentou os referidos livros e nem justificou formalmente, embora tenha requerido a prorrogação de 20 (vinte) dias para entrega dos documentos solicitados (fls.105)". Por outro lado a empresa afirma em seus recursos, não haver que se falar em ausência de documentos, eis que eles constaram da Inicial (Ação judicial junto ao Poder Judiciário), como também foram juntados pela Fazenda na contestação. Entende, ainda, que o direito de cobrar os respectivos Livros, encontrase prescritos, tendo em vista a fluência do prazo prescricional, haja vista que nos tributos sujeitos ao lançamento por homologação ou autolançamento, como é o caso presente, o prazo prescricional flui do seguinte modo 05 (cinco) anos, contados do fato gerador. No entanto não assiste razão à Recorrente. Nos casos de Pedidos de Restituição/Compensação, os contribuintes são os autores dos processos e, como tal, possuem o ônus de prova quanto aos fatos constitutivos de seu direito. Não por acaso, o art. 373, inciso I, do novo CPC, estabelece preceito nesse sentido. Em outras palavras, o sujeito passivo possui o encargo de apresentação de livros (devidamente respaldado em documentos) comprobatórios de seu direito creditório, pois foi ele quem provocou o Fisco para manifestarse quanto ao seu pleito, cabendo a ele o encargo de fornecer toda a documentação probante. Na espécie, a contribuinte optou por não apresentar as provas que tinha em seu favor. Verificase, ainda, que quando da emissão do Despacho Decisório (12/2010), não havia ocorrido a homologação tácita das DCOMPs, portanto a empresa não estaria desobrigada da conservação de seus livros. E mais: considerando que neste processo apresentou ela uma Manifestação de Inconformidade, deveria guardar a documentação até a decisão final (se for o caso, no CARF). Ainda que não se considerasse a existência do ônus probatório, haveria o dever (obrigação) de guarda dos documentos solicitados pela Fiscalização (Conservação de Livros e Comprovantes), nos termos do art. 264 do RIR/1999: Art. 264. A pessoa jurídica é obrigada a conservar em ordem, enquanto não prescritas eventuais ações que lhes sejam pertinentes, os livros, documentos e papéis relativos a sua atividade, ou que se refiram a atos ou operações que modifiquem ou possam vir a modificar sua situação patrimonial (DecretoLei nº 486, de 1969, art. 4º). Em prosseguimento, o Fisco relata que "da apuração das bases de cálculos, verificamos as inconsistências dos valores entre a Planilha de Cálculo de Apuração dos Créditos do contribuinte e as DIRPJs Exercícios 1992 e 1993, no que se refere aos faturamentos ocorridos nos meses de janeiro de 1991 a dezembro de 1992 utilizados como períodos de apuração dos meses de julho de 1991 a junho de 1993. Como se pode verificar na DIRPJ/1992, anocalendário de 1991 (fls.287 V°), quadro 10, linhas 06 e 07 (Receita de Venda Fl. 791DF CARF MF Processo nº 16007.000240/201064 Acórdão n.º 3402006.035 S3C4T2 Fl. 792 11 de Mercadorias e da Prestação de Serviços) declarou o somatório de Cr$13.325.672.905,00 contra o valor de Cr$ 11.031.550.278,04, informado pelo contribuinte na sua Planilha". Assim, conforme o demonstrativo de fls. 418/419, a Fiscalização elaborou os cálculos dos indébitos fiscais nos termos da Decisão judicial transitada em julgado, referente aos períodos bases de Janeiro de 1991 a Janeiro de 1995, onde utiliza os valores declarados pelo contribuinte nas DIRPJs dos Exercícios de 1994 e 1995 (fls. 385/393), com a opção pelo Lucro Real Mensal, à exceção ao período de apuração de Janeiro/1991 a Junho/1993 por falta de comprovação das bases de cálculos utilizadas na planilha de Pedido de Habilitação de Crédito Reconhecido por Decisão Judicial Transitada em Julgado, que foi protocolada em 20/12/2005 (fls. 49/54). Neste sentido, verificase que o Fisco utilizouse dos elementos probatórios disponíveis que pudessem servir para constatação da base de cálculo da contribuição, utilizandose, inclusive de elementos trazidos pela própria Recorrente no processo com Pedido de Habilitação de Crédito Reconhecido por Decisão Judicial Transitada em Julgado. E, no caso o Fisco entendendo que os documentos/informações produzidas pelo contribuinte durante o procedimento fiscal não se mostram bastantes e suficientes para demonstrar, de forma inequívoca, o crédito pretendido, ou entendendo inexistente o crédito, em razão de que as operações demonstradas pela interessada não são enquadráveis nas hipóteses de creditamento legalmente previstas, cabe a este negar direito, total ou parcialmente, explicitando claramente sua motivação. É certo que cabe aos contribuintes, em defesa ao crédito pretendido, provar o teor das alegações contrapostas aos argumentos da autoridade fiscal para não acatar, total ou parcialmente, o alegado crédito. Importante é que, não basta aos contribuintes apenas alegar sem provar; não basta, simplesmente vir aos autos discordando do entendimento do fiscal, afirmando possuir o direito ao crédito. Os contribuintes devem ser capazes de comprovar cabalmente o direito alegado, demonstrando sua conformidade com os dispositivos legais de regência. No caso em tela, a empresa não conduziu aos autos elementos necessários à comprovação de suas alegações, limitandose, em muito, a protestar contrariamente ao elaborado pela autoridade administrativa. Assim, não tendo a contribuinte carreado aos autos elementos comprobatórios de seu alegado direito, tornando ser impossível a reforma da decisão recorrida. Por fim, no procedimento de levantamento de direito creditório, o CTN exige a comprovação da certeza e da liquidez dos supostos créditos, conforme seu art. 170: Art. 170. A lei pode, nas condições e sob as garantias que estipular, ou cuja estipulação em cada caso atribuir à autoridade administrativa, autorizar a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda pública. No caso de créditos decorrentes de pagamentos indevidos ou a maior, são similares os atributos de liquidez e certeza exigíveis, pois, em realidade, o quadro que se pretende examinar diz respeito à existência ou não do crédito, aplicandose em sua análise a mesma dosagem de rigor que haveria se os supostos créditos fossem satisfeitos através de Fl. 792DF CARF MF Processo nº 16007.000240/201064 Acórdão n.º 3402006.035 S3C4T2 Fl. 793 12 ressarcimento, por exemplo, eis que tanto num caso como no outro, buscamse idênticas cautelas. Contrariamente ao que entende a empresa, não efetuar as necessárias verificações por conta do prazo de decadência (dito prescrição) para fins de lançamento (art. 156, inciso V, do CTN), significaria abdicar da aferição tanto da liquidez como da certeza de eventual crédito, o que não é possível diante do art. 170 do CTN. Desta forma, não há, pois nada para ser reformado na decisão de piso. 8. Dispositivo Diante do exposto e à vista de todo o arrazoado, voto no sentido de negar provimento ao Recurso Voluntário. É como voto. Waldir Navarro Bezerra (assinado digitalmente) Fl. 793DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 14120.000055/2008-23
Turma: Segunda Turma Extraordinária da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jan 23 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Fri Feb 08 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/12/2001 a 30/09/2003
OMISSÃO. OCORRÊNCIA. SANEAMENTO.
As irregularidades, incorreções e omissões que não importem nulidade serão sanadas quando resultarem em prejuízo para o sujeito passivo, salvo se este lhes houver dado causa, ou quando não influírem na solução do litígio.
Numero da decisão: 3002-000.581
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em acatar a preliminar suscitada e dar provimento parcial ao Recurso Voluntário para reconhecer a nulidade do acórdão recorrido, determinando o retorno dos autos à primeira instância para a realização de novo julgamento.
(assinado digitalmente)
Larissa Nunes Girard Presidente e Relatora
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Larissa Nunes Girard, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Carlos Alberto da Silva Esteves e Alan Tavora Nem.
Nome do relator: LARISSA NUNES GIRARD
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PASEP. Recorrente FUNDAÇÃO DE DESPORTO E LAZER DO MATO GROSSO DO SUL Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/12/2001 a 30/09/2003 OMISSÃO. OCORRÊNCIA. SANEAMENTO. As irregularidades, incorreções e omissões que não importem nulidade serão sanadas quando resultarem em prejuízo para o sujeito passivo, salvo se este lhes houver dado causa, ou quando não influírem na solução do litígio. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em acatar a preliminar suscitada e dar provimento parcial ao Recurso Voluntário para reconhecer a nulidade do acórdão recorrido, determinando o retorno dos autos à primeira instância para a realização de novo julgamento. (assinado digitalmente) Larissa Nunes Girard – Presidente e Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Larissa Nunes Girard, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Carlos Alberto da Silva Esteves e Alan Tavora Nem. Relatório Trata este processo de auto de infração lavrado em 2008 para a exigência de débitos de Pasep no valor de R$ 5.206,70, acrescidos apenas de juros de mora, relativos aos períodos de apuração de dezembro/2001 a setembro/2003 (fls. 104 a 113). Esses débitos foram informados em pedidos e declarações de compensação, apresentados em formuláriopapel ou por meio do programa Per/Dcomp, em um período em AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 14 12 0. 00 00 55 /2 00 8- 23 Fl. 208DF CARF MF Processo nº 14120.000055/200823 Acórdão n.º 3002000.581 S3C0T2 Fl. 207 2 que as declarações de compensação não eram consideradas confissão de dívida, motivo pelo qual foi lavrado o auto de infração para a constituição do crédito tributário. Os pedidos e declarações de compensação (fls. 5 a 47) compõem os processos nº 14112.000246/200541 e nº 14112.000259/200511, ambos distribuídos para esta relatora, que serão julgados em conjunto com o presente processo. O crédito utilizado nas compensações é originário de pedido de restituição também de Pasep no valor de R$ 88.313,26, em virtude do reconhecimento da inconstitucionalidade dos DecretosLei nº 2.445/1988 e nº 2.449/1988, relativo à contribuição paga entre janeiro/1992 e junho/1995. Esse pedido foi tratado no processo nº 10140. 001700/0026, já encerrado administrativamente, com a conclusão de que, apesar de haver sido reconhecido o direito à restituição da contribuição, o contribuinte não apresentou a documentação que permitiria quantificar o crédito disponível, resultando em crédito zero. De volta ao presente processo, o contribuinte apresentou impugnação (fls. 118 a 128), na qual argumentou que teve decisão favorável quanto ao pedido de restituição do Pasep, origem do crédito informado para a quitação dos débitos por meio de compensações, mas ainda havia pendência quanto a apuração do montante a ser restituído, razão pela qual não podia ser lavrado o auto de infração. Argumenta ainda sobre a homologação tácita dos créditos objeto do pedido de restituição e sobre a inaplicabilidade da taxa Selic. Requer a produção de provas por todos os meios em direito admitidos e o cancelamento do auto de infração. A Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Campo Grande proferiu o Acórdão nº 0418.535 (fls. 139 a 149), por meio do qual decidiu pela procedência parcial da impugnação, para reconhecer que os débitos relativos aos períodos de apuração dezembro/2001 e setembro/2002 a novembro/2002 foram extintos pela remissão concedida por meio do art. 14 da Lei nº 11.941/2009, tendo sido inclusive já cancelados no sistema SIEF. Em relação aos demais pontos, foi indeferido pedido de produção de provas, rejeitadas as preliminares de nulidade e negado provimento. O Acórdão foi assim ementado: Assunto: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Anocalendário: 2001, 2002, 2003 REMISSÃO. Em obediência ao art. 14 da Lei n. 11.941, de 27 de maio de 2009, foram remitidos os débitos com a Fazenda Nacional, inclusive aqueles com exigibilidade suspensa, que, em 31 de dezembro de 2007, estavam vencidos há cinco anos ou mais e cujo valor total consolidado, nessa mesma data, era igual ou inferior a dez mil reais. PRODUÇÃO DE PROVAS. A produção de provas posteriormente ao protocolo da impugnação tem de ser requerida e fundamentada. O protesto genérico para produção de provas não produz efeitos. NULIDADE. INCONSTITUCIONALIDADE. Fl. 209DF CARF MF Processo nº 14120.000055/200823 Acórdão n.º 3002000.581 S3C0T2 Fl. 208 3 Não tendo ocorrido nenhuma das hipóteses previstas no art. 59 do Decreto 70.235/72, não há que se falar em nulidade do procedimento fiscal, não se podendo apreciar, também, a inconstitucionalidade no âmbito do processo administrativo. RESTITUIÇÃO E COMPENSAÇÕES. Pedido de restituição cujo processo já tenha percorrido todas as instâncias administrativas não pode ser reanalisado por ter se operado a preclusão. É correto o lançamento de oficio dos débitos indevidamente compensados no caso de compensações que não foram acatadas (pedido nulo ou compensação não homologada), se estas foram apresentadas antes da edição da MP 135/2003. TAXA SELIC. APLICABILIDADE. Os juros calculados pela taxa SELIC são aplicáveis aos créditos tributários não pagos no prazo de vencimento, por expressa determinação legal. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido em Parte O contribuinte tomou ciência do Acórdão proferido pela DRJ em 28.09.2009, conforme Aviso de Recebimento constante à fl. 153, e protocolizou seu Recurso Voluntário em 27.10.2009, conforme carimbo aposto na primeira página – fl. 156. Em seu Recurso Voluntário (fls. 156 a 178), a recorrente traz as seguintes alegações: a) preliminarmente, a nulidade do acórdão recorrido por omissão quanto à análise da alegação de decadência constante da impugnação, o que caracterizaria cerceamento do direito de defesa, defendendo a tese de que deveria ser considerado o período de 1988 a 1995, data do pagamento de Pasep para o qual requereu restituição, para fins de determinação do prazo para a Fazenda efetuar o lançamento; b) ocorrência de homologação tácita; c) caso não se entenda pela decadência, nulidade do lançamento porque o processo de restituição ainda está pendente de decisão final administrativa; e d) inaplicabilidade da taxa Selic. Por fim, requer a reforma da decisão de primeira instância, com declaração de validade dos pedidos apresentados até 2002 e homologação das declarações apresentadas entre janeiro a abril/2003. É o relatório. Voto Fl. 210DF CARF MF Processo nº 14120.000055/200823 Acórdão n.º 3002000.581 S3C0T2 Fl. 209 4 Conselheira Larissa Nunes Girard Relatora O recurso voluntário é tempestivo, preenche os requisitos formais de admissibilidade, inclusive quanto à competência das Turmas Extraordinárias e, portanto, dele tomo conhecimento. Este voto deve necessariamente se iniciar pela alegação de nulidade da decisão de primeira instância por cerceamento do direito de defesa, decorrente de omissão quanto ao argumento de decadência do direito da Fazenda de efetuar o lançamento. Como se vê na transcrição abaixo, realmente há uma referência à questão da decadência em sua manifestação de inconformidade: Com o direito a restituição tendo se dado por conta do prazo de recolhimento do tributo, desnecessário e impertinente a recomposição das demais bases da incidência da contribuição, calculadas de acordo com as normas de regência da época e não questionadas ao tempo devido por quem de direito, implicando assim em sua inarredável homologação, para todos os efeitos legais, tendo decaído inclusive o direito da Fazenda Pública de rever os lançamentos do período cuja documentação é exigida. Demonstrado, portanto, que nos autos já estavam todos os documentos hábeis a demonstrar o valor a que faz jus a ora peticionária a titulo de restituição pelos valores recolhidos a maior em razão da ilegal alteração do prazo de recolhimento a que ficou submetida, razão pela qual não há de se falar em quaisquer atos de lançamento do suposto débito tributário, ainda que apenas para que o Fisco se resguarde quanto à prescrição, posto que inadequada a exigibilidade. 3. DO PROCESSO ADMINISTRATIVO PENDENTE REAL SITUAÇÃO DAS DECLARAÇÕES DE COMPENSAÇÃO NULIDADE DO AUTO DE INFRAÇÃO E DA DECISÃO ORA COMBATIDA Caso não seja o entendimento desta DR] pela aplicação mais do que notória da ocorrência da decadência, outro ponto merece ser observado para que seja considerada a anulação do lançamento em questão. (grifado) Em que pese tratarse apenas de mera alusão à decadência, lançada como reforço de argumentação, e não de defesa de uma tese, em que se demonstra o prazo a ser considerado e o termo final ultrapassado pela Fazenda Nacional que teria fulminado o seu direito de lançar, para que não reste qualquer dúvida, entendo que o processo deve retornar à DRJ para que ela se manifeste sobre a decadência, suprindo a omissão alegada, providência essa prevista no art. 60 do Decreto nº 70.235/1972 nos seguintes termos: Art. 59. São nulos: I os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. Fl. 211DF CARF MF Processo nº 14120.000055/200823 Acórdão n.º 3002000.581 S3C0T2 Fl. 210 5 § 1º A nulidade de qualquer ato só prejudica os posteriores que dele diretamente dependam ou sejam conseqüência. § 2º Na declaração de nulidade, a autoridade dirá os atos alcançados, e determinará as providências necessárias ao prosseguimento ou solução do processo. § 3º Quando puder decidir do mérito a favor do sujeito passivo a quem aproveitaria a declaração de nulidade, a autoridade julgadora não a pronunciará nem mandará repetir o ato ou suprirlhe a falta. Art. 60. As irregularidades, incorreções e omissões diferentes das referidas no artigo anterior não importarão em nulidade e serão sanadas quando resultarem em prejuízo para o sujeito passivo, salvo se este lhes houver dado causa, ou quando não influírem na solução do litígio. (grifado) Neste caso, fica prejudicada a análise dos demais argumentos do Recurso Voluntário. Pelo exposto, dou provimento parcial ao Recurso Voluntário para determinar o retorno dos autos à primeira instância para que realize novo julgamento, em que supra a omissão na apreciação do argumento de decadência. É como voto. (assinado digitalmente) Larissa Nunes Girard Fl. 212DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 16366.001071/2007-03
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jan 29 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Mon Feb 25 00:00:00 UTC 2019
Numero da decisão: 3201-001.586
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento do Recurso em diligência.
(assinado digitalmente)
Charles Mayer de Castro Souza - Presidente
(assinado digitalmente)
Paulo Roberto Duarte Moreira - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza, Marcelo Giovani Vieira, Tatiana Josefovicz Belisario, Paulo Roberto Duarte Moreira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laercio Cruz Uliana Junior.
Relatório
Nome do relator: PAULO ROBERTO DUARTE MOREIRA
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento do Recurso em diligência. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza - Presidente (assinado digitalmente) Paulo Roberto Duarte Moreira - Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza, Marcelo Giovani Vieira, Tatiana Josefovicz Belisario, Paulo Roberto Duarte Moreira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laercio Cruz Uliana Junior. Relatório
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Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento do Recurso em diligência. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza Presidente (assinado digitalmente) Paulo Roberto Duarte Moreira Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza, Marcelo Giovani Vieira, Tatiana Josefovicz Belisario, Paulo Roberto Duarte Moreira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laercio Cruz Uliana Junior. Relatório O interessado acima identificado recorre a este Conselho, de decisão proferida pela Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Curitiba/PR. Para bem relatar os fatos, transcrevese o relatório da decisão proferida pela autoridade a quo: Trata o processo de pedido de ressarcimento de R$ 12.216,68 de crédito de PIS/Pasep não cumulativo (fls. 02/05) relativo ao 3° RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 63 66 .0 01 07 1/ 20 07 -0 3 Fl. 240DF CARF MF Processo nº 16366.001071/200703 Resolução nº 3201001.586 S3C2T1 Fl. 241 2 trimestre de 2004, proveniente de operações no mercado interno (Per/Dcomp nº 13857.58399.110406.1.1.104488), apresentado em 11/04/2006. Às fls. 06/09, juntouse cópia do Dacon Demonstrativo de Apuração das Contribuições Sociais relativo ao 3° trimestre de 2004. Às fls. 10/143, intimações fiscais (Intimação Saort n° 799/2007; Intimação Saort n° 838/2007; Intimação Saort nº 856/2.007; Intimação Saort n° 948/2007, Intimação Saort n° 1.029/2007, Intimação Saort nº 1.149/2007), comprovantes de entrega, cópia de MPF e cópias de documentos apresentados pela contribuinte (planilhas, notas fiscais, balancetes, etc). O Termo de Informação Fiscal de fls. 144/152, da Seção de Orientação e Análise Tributária da DRF em Londrina, analisa o pleito e propõe o não reconhecimento do direito creditório. Com base no Termo de Informação Fiscal de fls. 144/152, a Saort da DRF em Londrina emitiu, em 31/12/2007, o Parecer Saort/DRF/Lon n° 579/2007, que opina pelo deferimento parcial (R$ 7.137,45) do pedido de ressarcimento (valor descontado integralmente da contribuição devida no 2° trimestre de 2005). Acolhido o Parecer, na mesma data foi emitido o despacho decisório de fl. 154. Cientificada (fls. 157/158) em 07/01/2008, a contribuinte, em 06/02/2008, apresentou a manifestação de inconformidade de fls. 159/176, cujo teor será a seguir sintetizado. Primeiramente, discorre sobre a sua atividade, salienta que é tributada pelo lucro real, e informa que a “semente de algodão está tributada pelo PIS e Cofins à alíquota zero.” A seguir, fala sobre o pedido apresentado e pede a reforma do despacho decisório. Acrescenta, na sequência, que dada a nãocumulatividade regida pelas Leis n°s 10.637, de 2002 e 10.833, de 2003. 'realiza' créditos por entradas e débitos por saídas. Reclama da glosa relativa a alguns insumos e serviços e diz que “os insumos que supostamente não geram créditos guardam relação direta com a atividade principal da empresa e são imprescindíveis no processo de industrialização dos produtos da Reclamante. Ainda, tais insumos vem onerados pelo PIS e Cofins na cadeia produtiva." Afirma que o julgador incorreu em erro ao interpretar a definição de insumos fixada pela IN SRF n° 247, de 2002, na redação da IN SRF 358, de 2003, já que a norma “não deixa dúvidas que todo e qualquer bem, mercadoria, matériaprima, etc... e serviços, aplicado ou consumido do processo de fabricação é insumo e como tal deve ser considerado na base de créditos.” Nesse contexto, entende incorreta a exclusão, por exemplo, dos serviços de desratização, aquisição de ferragens e correias utilizadas nas máquinas, aquisição de combustíveis, etc. Tanto é assim, afirma, que o legislador preocupouse em esclarecer e definir o que da direito Fl. 241DF CARF MF Processo nº 16366.001071/200703 Resolução nº 3201001.586 S3C2T1 Fl. 242 3 a credito no § 3° do art. 3° das Leis nº 10.637, de 2002 e 10.833, de 2003. Solicita a reinclusão dos valores glosados e o consequente ajuste da apuração dos saldos de créditos e débitos. Noutro tópico, diz que tem direito ao ressarcimento e que o pedido foi feito na forma da lei. Aduz que as operações com cooperados estão fora da incidência do PIS e da Cofins por determinação constitucional. Esclarece que por operar com cooperado e nãocooperado acumulou créditos em razão da nãoincidência, passíveis de ressarcimento. Questiona a interpretação fiscal de não enquadrar as operações com cooperados em qualquer uma das formas tributárias vigentes e conclui que “se uma receita é excluída da base de cálculo, sem qualquer ressalva quanto a sua tributação, notadamente está no campo da não incidência tributária." Insiste que as operações com cooperados geram direito à manutenção de créditos. A seguir, diz que os ajustes efetuados pelo agente fiscal nas proporções de créditos devem ser anulados, promovendose a reinclusão das notas fiscais excluídas na base de créditos. . Quanto aos débitos que estão sendo exigidos no processo n° 16366.003415/200715, diz que devem ter sua exigibilidade suspensa, posto que as glosas são indevidas. Transcreve o art. 48 da IN SRF nº 600, de 2005 e chama a atenção para o disposto no inc. I do seu § 3º. Ao final, requer a reforma da decisão e o deferimento de seu pedido de ressarcimento. Pede, também, que se reconheça e determine a condição de receita sujeita a nãoincidência em relação operações realizadas com cooperados, e, ainda, que a manifestação seja vinculada ao auto de infração objeto do processo n° 16366003415/200719, dada a relação existente. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Curitiba/PR por intermédio da 3ª Turma, no Acórdão nº 0626.212, sessão de 19/04/2010, julgou improcedente a manifestação de inconformidade do contribuinte e não reconheceu o direito creditório. A decisão foi assim ementada: Assunto: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/07/2004 a 30/09/2004 PEÇAS PARA MANUTENÇÃO E COMBUSTÍVEIS (ÓLEO DIESEL). CREDITO. DESCONTO DO PIS/PASEP. As peças para manutenção e os combustíveis, para que possam ser considerados como insumos, permitindo o desconto do crédito correspondente da contribuição devida ao PIS/Pasep, devem ser consumidos em decorrência de ação diretamente exercida sobre oproduto em fabricação/beneficiamento. SERVIÇOS DIVERSOS. CRÉDITO. DESCONTO DO PIS/PASEP. Fl. 242DF CARF MF Processo nº 16366.001071/200703 Resolução nº 3201001.586 S3C2T1 Fl. 243 4 Os serviços prestados por pessoas jurídicas, para que possam ser assim considerados, e permitir o desconto do credito correspondente da contribuição devida ao PIS/Pasep, devem ser aplicados diretamente sobre o produto em fabricação/beneficiamento. REMESSAS PARA COOPERADOS. ATO COOPERATIVO. MANUTENÇÃO DOS CRÉDITOS DE PIS NA COOPERATIVA. FALTA DE PREVISÃO LEGAL. As remessas para cooperados configuram ato cooperativo, e atos dessa natureza não implicam operação de mercado, nem contrato de compra e venda de produto ou mercadoria, não havendo, pois, previsão legal para a manutenção dos respectivos créditos de PIS pela Cooperativa de produção agropecuária.. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Inconformada a contribuinte, apresentou recurso voluntário no qual repisa os argumentos para o deferimento do pedido de ressarcimento. É o relatório. Voto Conselheiro Paulo Roberto Duarte Moreira, Relator O Recurso Voluntário atende aos requisitos de admissibilidade, razão pela qual dele tomo conhecimento. Consta dos autos que o litígio versa sobre o inconformismo do contribuinte em face do despacho decisório, mantido hígido na decisão a quo, que não concedeu o ressarcimento do saldo credor da Contribuição nãocumulativa, de que trata o art. 17 da Lei nº 11.033/2004, em razão de glosa de créditos com bens e serviços não considerados insumos e a impossibilidade de manutenção de créditos por cooperativa, vinculados às receitas de vendas tributadas à alíquota zero e à operações com cooperados (atos cooperativos). A recorrente é uma cooperativa central de produção agropecuária (congrega outras cooperativas associadas) que se dedica, nos termos de seu contrato social, à (i) prestação de serviços de beneficiamento de algodão em caroço às cooperativas filiadas, pelo qual cobra taxa de prestação de serviço; e (ii) comercialização de produtos adquiridos de associados e beneficiados. Dessa forma, consoante às Leis que instituíram a sistemática de apuração não cumulativa para o PIS/Pasep e para a Cofins é permitida à cooperativa de produção agropecuária a tomada de créditos nas aquisições de mercadoria para revenda, de bens e serviços considerados insumos na produção e prestação de serviços, e de despesas específicas, a teor do art. 3º das Leis nº 10.637/02 e 10.833/03 e art. 21 da Lei 10.865/2004. Fl. 243DF CARF MF Processo nº 16366.001071/200703 Resolução nº 3201001.586 S3C2T1 Fl. 244 5 Enfrento primeiramente a matéria das glosas do crédito com bens e serviços não considerados insumos da atividade desenvolvida pela Coceal. Conceito de insumos para créditos de PIS e Cofins Este Conselho, incluindo esta Turma, entende que o conceito de insumo é mais elástico que o adotado pela fiscalização e julgadores da DRJ nas suas Instruções Normativas n°s. 247/2002 e 404/2004, mas não alcança a amplitude de dedutibilidade utilizado pela legislação do Imposto de Renda, como requer a recorrente. Isto posto, há de se fixar os contornos jurídicos para delimitar os dispêndios (gastos) que são considerados insumos com direito ao crédito das contribuições sociais, quer no processo produtivo ou na prestação de serviço. Ressalto que este Relator vinha acolhendo e adotando o conceito estabelecido pelo Ministro do STJ Mauro Campbell Marques no voto condutor do REsp nº 1.246.317MG, no qual se firmara o entendimento no tripé de que (i) o bem ou serviço tenha sido adquirido para ser utilizado na prestação do serviço ou na produção, ou para viabilizálos em síntese, tenha pertinência ao processo produtivo; (ii) a produção ou prestação do serviço dependa daquela aquisição a essencialidade ao processo produtivo; e (iii) não se faz necessário o consumo do bem ou a prestação do serviço em contato direto com o produto que exprime a possibilidade de emprego indireto no processo produtivo. Recentemente os Ministros do STJ reviram seu posicionamento mantendose a decisão intermediária para concessão do crédito considerandose a essencialidade ou relevância do bem ou serviço no processo produtivo, conforme o REsp nº 1.221.170/PR, julgamento de 22/02/2018, Relatoria do Ministro Napoleão Nunes Maia Filho, com a ementa: TRIBUTÁRIO. PIS E COFINS. CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS. NÃO CUMULATIVIDADE. CREDITAMENTO. CONCEITO DE INSUMOS. DEFINIÇÃO ADMINISTRATIVA PELAS INSTRUÇÕES NORMATIVAS 247/2002 E 404/2004, DA SRF, QUE TRADUZ PROPÓSITO RESTRITIVO E DESVIRTUADOR DO SEU ALCANCE LEGAL. DESCABIMENTO. DEFINIÇÃO DO CONCEITO DE INSUMOS À LUZ DOS CRITÉRIOS DA ESSENCIALIDADE OU RELEVÂNCIA. RECURSO ESPECIAL DA CONTRIBUINTE PARCIALMENTE CONHECIDO, E, NESTA EXTENSÃO, PARCIALMENTE PROVIDO, SOB O RITO DO ART. 543C DO CPC/1973 (ARTS. 1.036 E SEGUINTES DO CPC/2015). 1. Para efeito do creditamento relativo às contribuições denominadas PIS e COFINS, a definição restritiva da compreensão de insumo, proposta na IN 247/2002 e na IN 404/2004, ambas da SRF, efetivamente desrespeita o comando contido no art. 3o., II, da Lei 10.637/2002 e da Lei 10.833/2003, que contém rol exemplificativo. 2. O conceito de insumo deve ser aferido à luz dos critérios da essencialidade ou relevância, vale dizer, considerandose a imprescindibilidade ou a importância de determinado item – bem ou serviço – para o desenvolvimento da atividade econômica desempenhada pelo contribuinte. Fl. 244DF CARF MF Processo nº 16366.001071/200703 Resolução nº 3201001.586 S3C2T1 Fl. 245 6 3. Recurso Especial representativo da controvérsia parcialmente conhecido e, nesta extensão, parcialmente provido, para determinar o retorno dos autos à instância de origem, a fim de que se aprecie, em cotejo com o objeto social da empresa, a possibilidade de dedução dos créditos [sic] realtivos a custo e despesas com: água, combustíveis e lubrificantes, materiais e exames laboratoriais, materiais de limpeza e equipamentos de proteção individualEPI. 4. Sob o rito do art. 543C do CPC/1973 (arts. 1.036 e seguintes do CPC/2015), assentamse as seguintes teses: (a) é ilegal a disciplina de creditamento prevista nas Instruções Normativas da SRF ns. 247/2002 e 404/2004, porquanto compromete a eficácia do sistema de não cumulatividade da contribuição ao PIS e da COFINS, tal como definido nas Leis 10.637/2002 e 10.833/2003; e (b) o conceito de insumo deve ser aferido à luz dos critérios de essencialidade ou relevância, ou seja, considerandose a imprescindibilidade ou a importância de terminado item bem ou serviço para o desenvolvimento da atividade econômica desempenhada pelo Contribuinte. Este novo entendimento, que na verdade não conduz à divergência em relação à decisão no REsp indigitado, insere outros fundamentos para a delimitação dos elementos que geram crédito assentado na essencialidade ou relevância a ser aferida no cotejo (desses elementos) com o processo produtivo ou a atividade desenvolvida pela empresa. A seguir os excertos do voto vista proferido pela Ministra Regina Helena Costa que acabou por pautar o entendimento exarado no voto condutor do Ministro Relator que considero relevantes para demonstrar o entendimento daquele Tribunal e adotálos neste voto: [...] Nesse cenário, penso seja possível extrair das leis disciplinadoras dessas contribuições o conceito de insumo segundo os critérios da essencialidade ou relevância, vale dizer, considerandose a importância de determinado item – bem ou serviço – para o desenvolvimento da atividade econômica desempenhada pelo contribuinte, tal como já expressei, no TRF da 3ª Região, no julgamento das Apelações Cíveis em Mandado de Segurança ns. 001235252.2010.4.03.6100/SP e 000546926.2009.4.03.6100/SP, respectivamente em 15.12.2011 e 31.05.2012. [...] Marco Aurélio Greco, ao dissertar sobre a questão, pondera: De fato, serão as circunstâncias de cada atividade, de cada empreendimento e, mais, até mesmo de cada produto a ser vendido que determinarão a dimensão temporal dentro da qual reconhecer os bens e serviços utilizados como respectivos insumos [...] O critério a ser aplicado, portanto, apóiase na inerência do bem ou serviço à atividade econômica desenvolvida pelo contribuinte (por decisão sua e/ou por delineamento legal) e o grau de relevância que Fl. 245DF CARF MF Processo nº 16366.001071/200703 Resolução nº 3201001.586 S3C2T1 Fl. 246 7 apresenta para ela. Se o bem adquirido integra o desempenho da atividade, ainda que em fase anterior à obtenção do produto final a ser vendido, e assume a importância de algo necessário à sua existência ou útil para que possua determinada qualidade, então o bem estará sendo utilizado como insumo daquela atividade (de produção, fabricação), pois desde o momento de sua aquisição já se encontra em andamento a atividade econômica que – vista global e unitariamente –desembocará num produto final a ser vendido. (Conceito de insumo à luz da legislação de PIS/COFINS , in Revista Fórum de Direito Tributário RFDT, Belo Horizonte, n. 34, jul./ago. 2008, p. 6) [...] Demarcadas tais premissas, temse que o critério da essencialidade diz com o item do qual dependa, intrínseca e fundamentalmente, o produto ou o serviço, constituindo elemento estrutural e inseparável do processo produtivo ou da execução do serviço, ou, quando menos, a sua falta lhes prive de qualidade, quantidade e/ou suficiência. Por sua vez, a relevância, considerada como critério definidor de insumo, é identificável no item cuja finalidade, embora não indispensável à elaboração do próprio produto ou à prestação do serviço, integre o processo de produção, seja pelas singularidades de cada cadeia produtiva (v.g., o papel da água na fabricação de fogos de artifício difere daquele desempenhado na agroindústria), seja por imposição legal (v.g., equipamento de proteção individual EPI), distanciandose, nessa medida, da acepção de pertinência, caracterizada, nos termos propostos, pelo emprego da aquisição na produção ou na execução do serviço.Desse modo, sob essa perspectiva, o critério da relevância revelase mais abrangente do que o da pertinência. [...] Como visto, consoante os critérios da essencialidade e relevância, acolhidos pela jurisprudência desta Corte e adotados pelo CARF, há que se analisar, casuisticamente, se o que se pretende seja considerado insumo é essencial ou de relevância para o processo produtivo ou à atividade desenvolvida pela empresa. Observandose essas premissas, penso que as despesas referentes ao pagamento de despesas com água, combustíveis e lubrificantes, materiais e exames laboratoriais, materiais de limpeza e equipamentos de proteção individual EPI, em princípio, inseremse no conceito de insumo para efeito de creditamento, assim compreendido num sistema de nãocumulatividade cuja técnica há de ser a de "base sobre base". Todavia, a aferição da essencialidade ou da relevância daqueles elementos na cadeia produtiva impõe análise casuística, porquanto sensivelmente dependente de instrução probatória, providência essa, como sabido, incompatível com a via especial. Logo, mostrase necessário o retorno dos autos à origem, a fim de que a Corte a quo, observadas as balizas dogmáticas aqui delineadas, aprecie, em cotejo com o objeto social da empresa, a possibilidade de dedução dos créditos relativos a custos e despesas com:água, Fl. 246DF CARF MF Processo nº 16366.001071/200703 Resolução nº 3201001.586 S3C2T1 Fl. 247 8 combustíveis e lubrificantes, materiais e exames laboratoriais, materiais de limpeza e equipamentos de proteção individual EPI. [...] Firmado nos fundamentos assentados, quanto ao alcance do conceito de insumo, segundo o regime da nãocumulatividade do PIS Pasep e da COFINS, entendo que a acepção correta é aquela em que o os bens e serviços cumulativamente atenda aos requisitos de: 1. essencialidade ou relevância, considerandose a imprescindibilidade ou a importância de determinado item – bem ou serviço – para o desenvolvimento da atividade econômica desempenhada pelo contribuinte; 2. aferição casuística da essencialidade ou relevância, por meio do cotejo entre os elementos (bens e serviços) e o processo produtivo ou a atividade desenvolvida pela empresa; Assim, há de se verificar se o recorrente comprova a utilização dos insumos no contexto da atividade fabricação, produção ou prestação de serviço de forma a demonstrar que o gasto incorrido guarda relação de essencialidade ou relevância com o processo produtivo/prestação de serviço, mediante seu emprego, ainda que indireto, de forma que sua subtração implique ao menos redução da qualidade. Neste ponto, essencial que se conheça as etapas da atividade desenvolvida pela pessoa jurídica (processo produtivo ou prestação de serviços) e quais são os produtos finais elaborados ou o serviço prestado com os insumos, conforme identificados ou descritos nos documentos apresentados. Análise das glosas Na matéria, a fiscalização glosou os créditos apropriados em relação aos bens e serviços listados por entender que não são aplicados ou consumidos diretamente na produção/fabricação dos produtos da Cooperativa, conforme definição do inciso II, do art. 3º da Lei nº 10.833/03, nem se enquadram em nenhuma outra hipótese legal geradora de crédito. À folha 96 estão sintetizados, por empresa fornecedora/prestadora, os bens e serviços glosados: Fl. 247DF CARF MF Processo nº 16366.001071/200703 Resolução nº 3201001.586 S3C2T1 Fl. 248 9 A recorrente contesta a justificativa da autoridade fiscal com argumentos de que os bens e serviços que tomou crédito são aplicados na processo produtivo e se encontram perfeitamente enquadrados no conceito de insumos e de custos e despesas autorizados pela legislação do Imposto de Renda. Os julgadores da primeira instância decidiram negar os créditos com os bens e serviços listados fundados no argumento de que suas descrições indicam não se tratarem de insumos empregados no processo produtivo, pois não atendem a exigência de aplicação direita ou consumo na fabricação dos bens destinados à venda. A posição intermediária adotada pela Turma para considerar despesas geradoras do direito creditório como aquelas em que o bem/serviço (insumos) participa do processo produtivo de forma essencial e necessária exige a identificação desses insumos e sua participação no processo produtivo ou prestação do serviço. Pois bem, a posição adotada pelo Fisco e DRJ não encontram respaldo nas decisões deste Conselho. Não se exige o consumo ou desgaste do insumo quando diretamente em contato com o produto fabricado ou o serviço prestado. Ainda na fase do procedimento de análise do pedido de ressarcimento, em dois momentos a Coceal apontou que suas atividades são voltadas para atender demanda de cooperados e beneficiamento de insumos para vendas à terceiros. Na folha 23 há descrição sucinta da prestação de serviço para as cooperativas filiadas, em que beneficia o caroço de algodão e da venda de derivados do algodão para terceiros, que também passa pelas mesmas etapas quando do serviço prestado a cooperados. Na Fl. 248DF CARF MF Processo nº 16366.001071/200703 Resolução nº 3201001.586 S3C2T1 Fl. 249 10 folha 67, a recorrente discorre acerca do beneficiamento do algodão, a produção de sementes, de caroços e de plumas. Evidenciase que desde o beneficiamento até o produto acabado há menção a etapas de análise laboratorial, testes agronômicos, tratamento químico, germinação, plantio, banho agrotóxico, além do consumo de combustíveis. Nos itens glosados há serviços de controle de praga e técnico de produção e bens ( peças para máquinas), despesas com combustíveis e imobilizados. No confronto entre determinados serviços tomados cujo créditos são glosados e a descrição das atividades econômicas da Cooperativa constatase certa correlação que pode apontar para a essencialidade ou relevância com o produto final vendido a terceiros não cooperados. Diante do exposto, em homenagem ao princípio da verdade material que norteia o processo administrativo fiscal, entendo a melhor solução para lide a conversão do presente julgamento em diligência para que: a) A unidade de origem proceda à intimação da contribuinte para que, no prazo de 30 (trinta) dias, prorrogável por igual período, apresente: a1) Laudo técnico elaborado por engenheiro agrônomo, ou outro regularmente qualificado, que descreva minuciosamente as etapas de obtenção do produto vendido a terceiros não cooperados, apontando para o bem ou serviço utilizado; a2) Comprovação, com documentação hábil e idônea, que os dispêndios com peças (e outros itens) e serviços empregados em bens do ativo imobilizado, inserido no processo produtivo, não foram incorporados ao custo do ativo, nos termos da legislação do Imposto de Renda. b) A unidade de origem manifestese sobre conteúdo do Laudo e documentos apresentados pela Contribuinte, se houver interesse e caso entenda necessário, com a elaboração de relatório, podendo, inclusive, solicitar novos documentos ou realizar diligências. c) Cientifique a recorrente sobre o resultado do relatório da fiscalização, para que, se assim desejar, apresente manifestação, no prazo legal de 30 (trinta) dias, improrrogável. Cumpridas as providências indicadas, deve o processo retornar ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF para prosseguimento do julgamento. (assinado digitalmente) Paulo Roberto Duarte Moreira Fl. 249DF CARF MF
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Numero do processo: 13827.000237/2010-07
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Dec 12 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Jan 14 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Data do fato gerador: 31/05/2005
PROCESSO ADMINISTRATIVO. CONCOMITÂNCIA COM PROCESSO JUDICIAL. AUSÊNCIA DE IDENTIDADE DE OBJETOS. INEXISTÊNCIA DE RENÚNCIA À ESFERA ADMINISTRATIVA.
Somente há que se falar em renúncia à esfera administrativa quando no processo administrativo se discutir o mesmo objeto da ação judicial. Se isso não ocorrer, então não há concomitância e a autoridade administrativa julgadora deve conhecer o mérito do litígio.
REPETIÇÃO DE INDÉBITO. LIQUIDEZ E CERTEZA.
Os valores recolhidos a maior ou indevidamente somente são passíveis de restituição/compensação caso os indébitos reúnam as características de liquidez e certeza.
Numero da decisão: 1301-003.636
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar o pedido de sobrestamento do julgamento e, no mérito, negar provimento ao recurso voluntário. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplica-se o decidido no julgamento do processo 13827.000234/2010-65, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado.
(assinado digitalmente)
Fernando Brasil de Oliveira Pinto - Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Roberto Silva Junior, José Eduardo Dornelas Souza, Nelso Kichel, Carlos Augusto Daniel Neto, Ângelo Abrantes Nunes (suplente convocado), Amélia Wakako Morishita Yamamoto, Bianca Felícia Rothschild e Fernando Brasil de Oliveira Pinto (Presidente). Ausente, justificadamente, a Conselheira Giovana Pereira de Paiva Leite, substituída pelo Conselheiro Ângelo Abrantes Nunes.
Nome do relator: FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO
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CONCOMITÂNCIA COM PROCESSO JUDICIAL. AUSÊNCIA DE IDENTIDADE DE OBJETOS. INEXISTÊNCIA DE RENÚNCIA À ESFERA ADMINISTRATIVA. Somente há que se falar em renúncia à esfera administrativa quando no processo administrativo se discutir o mesmo objeto da ação judicial. Se isso não ocorrer, então não há concomitância e a autoridade administrativa julgadora deve conhecer o mérito do litígio. REPETIÇÃO DE INDÉBITO. LIQUIDEZ E CERTEZA. Os valores recolhidos a maior ou indevidamente somente são passíveis de restituição/compensação caso os indébitos reúnam as características de liquidez e certeza. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar o pedido de sobrestamento do julgamento e, no mérito, negar provimento ao recurso voluntário. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplicase o decidido no julgamento do processo 13827.000234/201065, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. (assinado digitalmente) Fernando Brasil de Oliveira Pinto Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Roberto Silva Junior, José Eduardo Dornelas Souza, Nelso Kichel, Carlos Augusto Daniel Neto, Ângelo Abrantes Nunes (suplente convocado), Amélia Wakako Morishita Yamamoto, Bianca Felícia Rothschild AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 82 7. 00 02 37 /2 01 0- 07 Fl. 332DF CARF MF Processo nº 13827.000237/201007 Acórdão n.º 1301003.636 S1C3T1 Fl. 3 2 e Fernando Brasil de Oliveira Pinto (Presidente). Ausente, justificadamente, a Conselheira Giovana Pereira de Paiva Leite, substituída pelo Conselheiro Ângelo Abrantes Nunes. Relatório COSAN S/A INDÚSTRIA E COMÉRCIO recorre a este Conselho em face do acórdão proferido pela 5ª Turma da DRJ em Porto Alegre que julgou improcedente a impugnação apresentada, pleiteando sua reforma, com fulcro no artigo 33 do Decreto nº 70.235, de 1972 (PAF) e nos §§ 9º e 11 do art. 74 da Lei nº 9.430, de 1996. Trata o presente processo de Pedido de Restituição de crédito referente a pagamento efetuado indevidamente ou ao maior a título de Parcelamento da Lei nº 10.684/2003, Código Receita 7122, apresentado em formulário impresso. No formulário, o interessado alegou que o pedido teria por objeto “a restituição da parcela do PAES Parcelamento Especial de que trata a Lei 10.648/2003 10.684/2003, não utilizadas pela RFB na amortização da dívida consolidada no âmbito do PAES, por terem sido recolhidas após a data dos efeitos da exclusão do referido programa, conforme dispõe o § 1º do art. 12 da Portaria Conjunta PGFN/SRF n° 3/2004”. O despacho decisório proferido pela Auditora Fiscal da Delegacia da Receita Federal do Brasil em Bauru/SP não reconheceu o direito creditório, pois verificou que o referido pagamento teria sido utilizado para quitar débito do contribuinte inscrito em dívida ativa. No despacho, a autoridade ponderou que a exclusão do PAES teria ocorrido com efeitos a partir de 12/03/2005, mas a Fazenda Nacional teria ajuizado processo de execução fiscal nº 2005.61.09.0031397, no qual teria sido determinado que fossem feitos Redarfs dos recolhimentos referentes ao PAES para que fossem aproveitados na quitação de débitos inscritos em Dívida da União. Assim, em cumprimento à decisão judicial, foram emitidos os Redarfs, alterandose o Código Receita dos pagamentos para 4493 – Dívida Ativa Cofins. Como o pedido de restituição tratava de tributos e contribuições administrados pela Procuradoria da Fazenda Nacional, os autos foram encaminhados a ela, para que se manifestasse sobre a procedência do pedido do contribuinte. Em resposta, a PFN se manifestou pelo não reconhecimento do direito creditório, já que o pagamento teria sido imputado ao débito inscrito na CDA nº 80.6.05.04289850. Cientificado do despacho, a Recorrente apresentou a manifestação de inconformidade de alegando que teria sido excluída do PAES indevidamente, pois teria compensado algumas parcelas com crédito prêmio do IPI, mas que teria autorização judicial para tal procedimento e que também teria ação judicial para ser reincluído no parcelamento (processo nº 2008.61.00.0218613). Fl. 333DF CARF MF Processo nº 13827.000237/201007 Acórdão n.º 1301003.636 S1C3T1 Fl. 4 3 Defendeu que antes mesmo de ser proferida decisão definitiva judicial, teriam entrado em vigor as Medidas Provisórias nº 449/2008 e 470/2009, as quais teriam permitido o parcelamento de débitos compensados com créditoprêmio de IPI. O interessado afirmou que teria optado por reparcelar os débitos, através da MP nº 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009, mas que teria sido obrigado a desistir e renunciar às ações judiciais para ser incluído em tal parcelamento. Alegou que o montante pago durante sua adesão ao Paes e os débitos consolidados deveriam ter sido aproveitados no novo parcelamento, conforme inc. II, art. 3º da Lei nº 11.941/2009, mas que isso não teria ocorrido. O contribuinte discordou do procedimento da Procuradoria da Fazenda Nacional, por ter imputado os pagamentos sem antes consultálo, alegando ofensa ao contraditório, por não ter sido aberto prazo para impugnação. Atribuiu que teria ocorrido compensação de ofício, conforme o § 2º do art. 49 da IN RFB nº 900/2008, nas imputações de pagamentos levadas a efeito pela Procuradoria da Fazenda Nacional, mas que não teria sido concedido o prazo de quinze (15) dias para o contribuinte se manifestar. Afirmou que teria impetrado mandado de segurança, processo nº 0004232 59.2011.4.03.6108, para pleitear a nulidade da imputação dos pagamentos ocorridas nas execuções fiscais processo nº 2005.61.09.0031397, 2007.61.09.0060357, 2007.61.09.002017 7 e 2005.61.09.0039128. Alegou que os débitos executados estariam sendo discutidos judicialmente, garantidos por penhora e que não se poderia compensar de ofício débitos do sujeito passivo com a exigibilidade suspensa. Citou o art. 369 do Código Civil, dizendo ser indispensável para a compensação de ofício que o crédito estivesse vencido e fosse exigível. Defendeu que a imputação de débitos não seria permitida nos casos em que houvesse penhora e discussão em embargos à execução, pois haveria o risco da União receber o crédito duas vezes, pela via administrativa (compensação de ofício) e pela via judicial (execução fiscal). Por outro lado, afirmou que na manifestação de inconformidade visava o reconhecimento do crédito, que não deveria ser analisado pela óptica da execução fiscal, mas como crédito originário das parcelas do Paes. O interessado aduziu que o inc. II, do art. 3º, da Lei nº 11.941/2009, deveria prevalecer sobre a IN RFB nº 900/2008, pelo princípio da hierarquia das leis, de modo que o reparcelamento do débito pela Lei nº 11.941/2009 faria com que o as parcelas pagas durante sua opção pelo Paes fossem computadas para amortizar os débitos do novo parcelamento. Concluiu, para requerer a reforma da decisão e o reconhecimento integral do direito creditório. Fl. 334DF CARF MF Processo nº 13827.000237/201007 Acórdão n.º 1301003.636 S1C3T1 Fl. 5 4 Analisando a manifestação de inconformidade apresentada, a turma julgadora de primeira instância consideroua improcedente. Entendeu o colegiado a quo que o contribuinte teria submetido ao Poder Judiciário a questão da utilização do pagamento a maior, ora requerido, de ofício por parte da PGFN para quitar outros débitos objeto de execução fiscal. E não havendo mais recolhimento disponível, entenderam os julgadores que não haveria liquidez e certeza necessárias ao reconhecimento do indébito. O contribuinte foi cientificado da decisão e apresentou tempestivamente recurso voluntário. Em síntese, além de reafirmar os argumentos de sua impugnação, questiona a conclusão da decisão de primeira instância de que haveria concomitância da matéria tratada nos presentes autos com o Mandado de Segurança n° 000423259.2011.4.03.6108, tratandose, de questão prejudicial ao deslinde da presente contenda. Requer o sobrestamento do presente julgamento até que seja proferida decisão definitiva no Mandado de Segurança por ela impetrado, e, ao final, seja provido seu recurso, reconhecendose o direito creditório pleiteado. É o relatório. Fl. 335DF CARF MF Processo nº 13827.000237/201007 Acórdão n.º 1301003.636 S1C3T1 Fl. 6 5 Voto Conselheiro Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º, 2º e 3º, do Anexo II, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão nº 1301003.634, de 12/12/2018, proferido no julgamento do Processo nº 13827.000234/2010 65, paradigma ao qual o presente processo fica vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão nº 1301003.634): "1 ADMISSIBILIDADE O recurso é tempestivo e preenche os demais pressupostos de admissibilidade do recurso, dele, portanto, tomo conhecimento. 2 MÉRITO Conforme relatado, a Recorrente pleiteia reconhecimento de direito creditório (restituição) de pagamento indevido a título do parcelamento a que se refere a Lei nº 10.684/2003 (PAES código de receita 7122). Contudo, no bojo da Execução Fiscal n° 2005.61.09.0031397, que tramitou perante a 2ª Vara Federal de Piracicaba, deferiuse o pedido formulado pela Fazenda Nacional determinandose que os valores recolhidos indevidamente a título de PAES fossem alocados aos débitos objeto de execução fiscal (por meio do denominado “REDARF”). Após a adoção, por parte da Receita Federal, do procedimento determinado pelo Poder Judiciário, a Fazenda Nacional requereu a extinção da execução, levando o E. Juiz Federal a prolatar sentença de mérito julgando extinta a execução com fundamento no art. 794, inciso I do Código de Processo Civil e a consequente extinção dos embargos à execução fiscal opostos pelo contribuinte (sem resolução de mérito, nos termos do artigo 267, inciso VI, do Código de Processo Civil). Tais decisões transitaram em julgado. Posteriormente, a Recorrente impetrou o Mandado de Segurança n° 000423259.2011.4.03.6108 insurgindose contra o procedimento autorizado adotado na execução fiscal em questão, postulando a anulação das imputações realizadas mediante utilização do pagamento a maior realizado no âmbito do PAES. Fl. 336DF CARF MF Processo nº 13827.000237/201007 Acórdão n.º 1301003.636 S1C3T1 Fl. 7 6 Foi prolatada sentença denegando a segurança, conforme informado pela própria Recorrente. Interposto recurso de apelação, em consulta ao sítio do TRF da 3ª Região, constatei que em 07 de junho de 2017 a 3ª Turma daquele Tribunal, por unanimidade de votos, negoulhe provimento1. Opostos embargos de declaração, os mesmos foram 1 DIREITO PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. AGRAVO RETIDO NÃO REITERADO. MANDADO DE SEGURANÇA. SENTENÇA DE INADEQUAÇÃO DA VIA PROCESSUAL. MÉRITO PREJUDICADO. NULIDADE INEXISTENTE. IMPUGNAÇÃO À IMPUTAÇÃO DE PAGAMENTO FEITA PELO FISCO APÓS AUTORIZAÇÃO JUDICIAL DADA NO EXECUTIVO FISCAL. ALEGAÇÃO DE NULIDADE E DE ILEGALIDADE. VIA IMPRÓPRIA. DISCUSSÃO CABÍVEL EM CADA FEITO EXECUTIVO CONFORME EFEITOS DA DECISÃO E ESTADO DO PROCESSO. DESPROVIMENTO DA APELAÇÃO. 1. Não reiterado, em razões ou contrarrazões, não se conhece do agravo retido. 2. Rejeitada a preliminar de nulidade da sentença, pois assentada a inadequação da via eleita para a discussão proposta, o respectivo mérito resta prejudicado, não se cogitando de falta de motivação da sentença quanto a este pedido. 3. No mérito, as alocações de pagamento contra as quais se insurge a impetrante foram expressamente autorizadas, em 07/02/2007, pelo Juízo da execução fiscal 000313968.2005.4.03.6109, como se constata da cópia da decisão que, naqueles autos, rejeitou a exceção de préexecutividade oposta pelo contribuinte. Nesta medida, tratase de procedimento que, muito embora cabível e realizado, via de regra, na seara administrativa, incidiu, no caso, de maneira superveniente a executivos fiscais já em curso. É dizer, tratase de ato judicializado desde a sua origem, de modo que seus efeitos propriamente originamse nas execuções fiscais em relação às quais procedeu o órgão fazendário ao encontro de contas. 4. Concluise, daí, que correta a sentença, no que entendeu que as imputações de pagamento realizadas de ofício pelo Fisco deveriam ser discutidas nos autos em que foram observados seus efeitos, e não em ação mandamental de liame probatório alheio a tais feitos. 5. A discussão sobre o eventual excesso, por produção de efeitos em outra causa, além daquela em que restou deferida a medida, deve ser deduzida, precisamente, nos autos respectivos, a partir de fatos concretos, e não em sede de mandado de segurança para produzir efeitos genéricos em prejuízo de eventuais atos e decisões judiciais proferidas. 6. A inadequação da via eleita pelo contribuinte para discussão do ato impugnado resta patente da mera análise perfunctória de alguns dos executivos fiscais pertinentes às CDAs afetadas pelo procedimento. É de se observar, por exemplo, que a execução fiscal 000313968.2005.4.03.6109, referida pela sentença, foi extinta, por sentença datada de 07/02/2011 meses antes do ajuizamento do presente mandamus , sem notícia de interposição de recurso, a despeito da apelante reiteradamente referirse ao executivo como "em trâmite". Pretendese, portanto, provimento de viés rescisório, a desconstituir a coisa julgada, formada, aliás, muito depois da própria decisão que determinou as imputações ora contestadas. A hipótese é vedada expressamente pelo artigo 5º, III, da Lei 12.016/2009 e amplamente rejeitada pela jurisprudência. 7. De outra parte, como se constata da consulta ao sistema informatizado da Terceira Região, em decisão datada de 22/06/2015, a execução fiscal 000603516.2007.4.03.6109 foi suspensa, por adesão a parcelamento. Dado que as cópias mais recentes daqueles autos constantes da mídia acostada neste feito datam de 23/05/2011, não há informação disponível sequer para tomar conhecimento da totalidade dos eventos que seriam afetados pela hipotética procedência do pedido deduzido neste apelo, a evidenciar que o presente mandamus é meio impróprio para a análise que se requer. 8. Em ainda um terceiro exemplo, nos autos 000668563.2007.4.03.6109 (embargos à execução fiscal 0003912 16.2005.4.03.6109) os efeitos das alocações de pagamento aqui discutidas foram afastados em sede de apelação, para se reconhecer a existência de causa extintiva anterior do débito (a saber, compensação), rejeitandose, ali, a tese fazendária. 9. É inviável que se analise o ato tido como coator em abstrato e de maneira absolutamente desvinculada de sua própria eficácia, que se propaga diversamente em diferentes execuções fiscais. Portanto, não merece reforma a sentença. 10. Mesmo que assim não fosse, é de se observar que, deferidas judicialmente as imputações, o seu cabimento, se insatisfeito o contribuinte, deveria ter sido objeto de irresignação recursal, a tempo e modo, pela via própria para a articulação da questão. Dado que o agravo de instrumento interposto à decisão em foco (0025162 31.2007.4.03.0000) não veiculou nada a este respeito, é forçosa a conclusão de que o presente mandamus revestir seia de substitutivo recursal (caso o mérito não se encontrasse precluso), caso em que também não é admitido, conforme já decidiu o Superior Tribunal de Justiça em caso análogo. Fl. 337DF CARF MF Processo nº 13827.000237/201007 Acórdão n.º 1301003.636 S1C3T1 Fl. 8 7 rejeitados. Houve interposição de recursos especial e extraordinário pelo contribuinte, e, até esta data, não consta no sítio do Tribunal o resultado de suas admissibilidades. No que diz respeito à possível concomitância entre o presente processo administrativo e o Mandado de Segurança impetrado pela Recorrente, entendo assistir razão ao contribuinte, uma vez que inexiste identidade de objetos entre as demandas administrativa e judicial: enquanto no presente processo se requer o reconhecimento do pagamento indevido no âmbito do PAES, e a consequente restituição dos valores em questão, a discussão no âmbito do processo judicial diz respeito à possibilidade de utilização desse indébito, a pedido da PGFN, para quitação de débitos do contribuinte cobrados em sede de execução fiscal, pedido esse deferido pelo Poder Judiciário em decisão transitada em julgada e que o contribuinte procurou desconstituir por meio da impetração de Mandado de Segurança, sem sucesso até o momento em julgamentos já realizados em primeira e segunda instância. Conforme se observa, não há identidade de objetos entre a demanda, uma vez que não há, cumulativamente, identidade entre o pedido e a causa de pedir dos processos administrativo e judicial, elementos essenciais para caracterização da concomitância. Corroborando tal entendimento, há também inúmeros precedentes do CARF: 11. É certo que, do acervo probatório, o Fisco pautouse, quanto às alocações de pagamento, pela autorização ampla dada pelo Juízo da execução fiscal nº 000313968.2005.4.03.6109, de modo que, nada obstante o ofício 84/2007EFADI tenha se restringido às CDAs 80.2.05.03099919, 80.4.05.00019188, 80.6.05.04289770, 80.6.05.04289850 e 80.7.05.01330458, o procedimento foi adotado também para as dívidas em cobro em outros executivos fiscais. Desta constatação, contudo, não decorre a viabilidade da presente ação mandamental, mas a necessidade de se suscitar este mérito em cada uma das execuções fiscais afetadas, caso entendida como abusiva a conduta do Fisco, pelas razões já expostas. 12. Neste tocante, devese distinguir o mérito das alocações de pagamento efetuadas da legalidade do procedimento adotado. Assim, de dizerse que a decisão que autorizou a realização do procedimento, em determinado âmbito, restou inatacada, não resulta, necessariamente, que tenha havido coisa julgada material quanto à regularidade das alocações de pagamento realizadas, como constou do parecer acadêmico entregue pela apelante à Turma. A matéria poderia ser veiculada, nos autos próprios, inclusive a título de defesa contra ato superveniente praticado pelo Fisco, se existente via processual para tanto, a partir de impugnação a cargo da parte interessada. Não seria possível, porém, usar de mandado de segurança como extensão impugnativa em relação às vias próprias e específicas, como pretendido. 13. Pelo contrário, o alicerce do raciocínio aqui desenvolvido, como se percebe, é justamente o de que a legalidade do procedimento adotado pelo Fisco, se posta em dúvida, deve ser discutida nos autos em que manifestados seus efeitos. É pressuposto lógico do raciocínio, pois, que não está a se considerar, em abstrato e como premissa inarredável, a existência de coisa julgada material a tornar as alocações de pagamento inatacáveis, independentemente da situação processual ocorrida em cada um dos executivos fiscais. 14. Apelação a que se nega provimento. ACÓRDÃO Vistos e relatados estes autos em que são partes as acima indicadas, decide a Egrégia Terceira Turma do Tribunal Regional Federal da 3ª Região, por unanimidade, negar provimento ao apelo, nos termos do relatório e voto que ficam fazendo parte integrante do presente julgado. São Paulo, 07 de junho de 2017. CARLOS MUTA Desembargador Federal Fl. 338DF CARF MF Processo nº 13827.000237/201007 Acórdão n.º 1301003.636 S1C3T1 Fl. 9 8 AÇÃO JUDICIAL. CONCOMITÂNCIA DE OBJETO. RENÚNCIA À INSTÂNCIA ADMINISTRATIVA. SÚMULA Nº 1 do Carf. A matéria já suscitada perante o Poder Judiciário não pode ser apreciada na via administrativa. A concomitância caracterizase pela irrefutável identidade entre o pedido e a causa de pedir dos processos administrativos e judiciais. Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo. Recurso Especial do Contribuinte Negado. (Acórdão n° 9303003.348 – 3ª Turma da Câmara Superior, sessão de 10/12/2015, Relator Conselheiro Rodrigo da Costa Possas) PAF CONCOMITÂNCIA – INOCORRÊNCIA. Não há concomitância, quando não coincidentes os objetos dos processo judicial e administrativa. Precedente do STJ e da CSRF. (Acórdão n° 3402 002.084 – 2ª Turma Ordinária da 4ª Câmara da 3ª Seção de Julgamento, Relator Conselheiro Fernando Luiz da Gama Lobo D'Eça) PROCESSOS ADMINISTRATIVO E JUDICIAL. CONCOMITÂNCIA. A matéria já suscitada perante o Poder Judiciário não pode ser apreciada na via administrativa. Caracteriza se a concomitância guando o pedido e a causa de pedir dos processos administrativos e judiciais guardam irrefutável identidade. [...](Acórdão n° 3402 002.204 2ª Turma Ordinária da 4ª Câmara da 3ª Seção de Julgamento, Relator Conselheiro Gilson Macedo Rosenburg Filho) No mesmo sentido, assim decidiu o E. STJ: “TRIBUTÁRIO. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. MANDADO DE SEGURANÇA. AÇÃO JUDICIAL. RENÚNCIA DE RECORRER NA ESFERA ADMINISTRATIVA. IDENTIDADE DO OBJETO. ART. 38, PARÁGRAFO ÚNICO DA LEI Nº 6.830/80. 1. Incide o parágrafo único do art. 38, da Lei nº 6.830/80, quando a demanda administrativa versar sobre objeto menor ou idêntico ao da ação judicial. 2. A exegese dada ao dispositivo revela que: "O parágrafo em questão tem como pressuposto o princípio da jurisdição una, ou seja, que o ato administrativo pode ser controlado pelo judiciário e que apenas a decisão deste é que se torna definitiva, Fl. 339DF CARF MF Processo nº 13827.000237/201007 Acórdão n.º 1301003.636 S1C3T1 Fl. 10 9 com o trânsito em julgado, prevalecendo sobre eventual decisão administrativa que tenha sido tomada ou pudesse vir a ser tomada. (...) Entretanto, tal pressupõe a identidade de objeto nas discussões administrativa e judicial". (Leandro Paulsen e René Bergmann Ávila. Direito Processual Tributário. Porto Alegre: Livraria do Advogado, 2003, p. 349). 3. In casu, os mandados de segurança preventivos, impetrados com a finalidade de recolher o imposto a menor, e evitar que o fisco efetue o lançamento a maior, comporta o objeto da ação anulatória do lançamento na via administrativa, guardando relação de excludência. 4. Destarte, há nítido reflexo entre o objeto do mandamus – tutelar o direito da contribuinte de recolher o tributo a menor (pedido imediato) e evitar que o fisco efetue o lançamento sem o devido desconto (pedido mediato) ¬ com aquele apresentado na esfera administrativa, qual seja, anular o lançamento efetuado a maior (pedido imediato) e reconhecer o direito da contribuinte em recolher o tributo a menor (pedido mediato). 5. Originárias de uma mesma relação jurídica de direito material, despicienda a defesa na via administrativa quando seu objeto subjugase ao versado na via judicial, face a preponderância do mérito pronunciado na instância jurisdicional. 6. Mutatis mutandis, mencionada exclusão não pode ser tomada com foros absolutos, porquanto, a contrario sensu, tornase possível demandas paralelas quando o objeto da instância administrativa for mais amplo que a judicial. 7. Outrossim, nada impede o reingresso da contribuinte na via administrativa, caso a demanda judicial seja extinto sem julgamento de mérito (CPC, art. 267), pelo que não estará solucionado a relação do direito material. 8. Recurso Especial provido, divergindo do ministro relator. (cf. Ac. da 1ª Turma do STJ no REsp nº 840.556¬AM; Reg. nº 2006/0085196 9, em sessão de 26/09/06, Rel. Min. FRANCISCO FALCÃO, Rel p/Ac Min. LUIZ FUX, publ. in DJU de 20/11/06 p. 286) Tal entendimento é corroborado, inclusive, pela própria RFB, conforme Parecer Normativo Cosit nº 7 de 22 de agosto de 2014: Conclusão 21. Por todo o exposto, concluise que: Fl. 340DF CARF MF Processo nº 13827.000237/201007 Acórdão n.º 1301003.636 S1C3T1 Fl. 11 10 a) a propositura pelo contribuinte de ação judicial de qualquer espécie contra a Fazenda Pública, em qualquer momento, com o mesmo objeto (mesma causa de pedir e mesmo pedido) ou objeto maior, implica renúncia às instâncias administrativas, ou desistência de eventual recurso de qualquer espécie interposto, exceto quando a adoção da via judicial tenha por escopo a correção de procedimentos adjetivos ou processuais da Administração Tributária, tais como questões sobre rito, prazo e competência; b) por conseguinte, quando diferentes os objetos do processo judicial e do processo administrativo, este terá prosseguimento normal no que concerne à matéria distinta;[grifos nossos] [...] Superada a questão da inexistência de renúncia à esfera administrativa, no mérito, entendo não assistir razão à Recorrente. No que diz respeito ao sobrestamento do feito até o trânsito em julgado no bojo do Mandado de Segurança n° 000423259.2011.4.03.6108, não havendo qualquer decisão que suspenda os efeitos da sentença na Execução Fiscal n° 2005.61.09.00313972 (com decisão transitada em julgado), na qual já se utilizou o crédito ora pleiteado pela Recorrente, há de se prosseguir o presente julgamento administrativo levandose em consideração que o crédito ora requerido não só já foi reconhecido pela própria PGFN ao requerer seu aproveitamento para quitação de débito do contribuinte objeto de execução fiscal, como também exaurido quando de seu aproveitamento integral no bojo daquela contenda executiva. Vejase que o imbróglio não se originou com o pedido da PGFN – em 2007 em aproveitar tais recolhidos, mas sim da tentativa do contribuinte, no ano de 2010, de requerer restituição de valores já utilizados no ano de 2007, ainda que a pedido da PGFN, para o adimplemento de débitos do contribuinte, sendo que tal encontro de contas se deu mediante sentença transitada em julgado e não contestada pela Recorrente. A mera tentativa do contribuinte de anular tal decisão não pode ter o condão de manter sobrestado o julgamento de um pedido de restituição natimorto, pois, no momento do pedido de restituição, os valores pagos a maior já haviam sido utilizados para quitação de outros débitos, e sequer o contribuinte havia impetrado o Mandado de Segurança (proposto somente em 23/05/2011) com objetivo de anular a decisão judicial, digase de passagem, transitada em julgado, que acolheu o pedido da PGFN para utilização dos valores ora requeridos para quitação de débitos do contribuinte. 2 Muito antes pelo contrário, pois, conforme já esclarecido, em 07/06/2017 a 3ª Turma do TRF da 3ª Região confirmou a sentença que denegou a segurança pleiteada. Fl. 341DF CARF MF Processo nº 13827.000237/201007 Acórdão n.º 1301003.636 S1C3T1 Fl. 12 11 No que diz respeito ao mérito do procedimento adotado pela PGFN e da decisão judicial transitada em julgado, por óbvio, este Tribunal Administrativo não possui competência para tal revisão. Como consequência, no mérito, não há mais qualquer indébito a se reconhecer nos presentes autos, sob pena de duplicidade de utilização por parte da Recorrente. 3 CONCLUSÃO Isso posto, voto por rejeitar o pedido de sobrestamento do julgamento e, no mérito, negar provimento ao recurso voluntário." Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º, 2º e 3º do art. 47, do Anexo II, do RICARF, voto por rejeitar o pedido de sobrestamento do julgamento e, no mérito, negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Fernando Brasil de Oliveira Pinto Fl. 342DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 16327.721069/2011-99
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Dec 04 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Jan 25 00:00:00 UTC 2019
Numero da decisão: 2201-000.329
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência para que a unidade responsável pela administração do tributo instrua os autos com cópia dos processos relativos ao lançamento da obrigação principal.
(assinado digitalmente)
Carlos Alberto do Amaral Azeredo - Presidente
(assinado digitalmente)
Daniel Melo Mendes Bezerra - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Daniel Melo Mendes Bezerra, Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim, Douglas Kakazu Kushiyama, Debora Fofano, Marcelo Milton da Silva Risso e Carlos Alberto do Amaral Azeredo (Presidente).
Relatório
Trata-se de Recurso Voluntário contra o acórdão nº 12-68.716 - 10ª Turma da DRJ/RJ1, que julgou procedente em parte a impugnação apresentada pelo sujeito passivo para desconstituir o Auto de Infração (AI DEBCAD n° 51.004.605-3 - CFL 78) lavrado em 30/08/2011, referente ao período de 01/01/2006 a 31/12/2008, contra a sociedade empresária acima identificada, no valor original de R$ 286.340,00; pela entrega de GFIPs com omissões e/ou incorreções.
Conforme Relatório Fiscal da Infração e da Aplicação da Multa (fls. 73/76), informa o Auditor-Fiscal que:
No curso do procedimento fiscal, após análise da documentação apresentada pela Contribuinte, concluiu que diversos segurados não estavam declarados na Guia de Recolhimento do FGTS e de Informações à Previdência Social GFIP, violando o previsto no artigo 32, inciso IV, da Lei nº 8.212/1991.
A conduta da Contribuinte levou a lavratura do presente auto de infração, com aplicação da multa prevista no artigo 32-A, inciso I, da Lei nº 8.212/1991.
Os campos considerados para efeito de cálculo da multa foram: dados do trabalhador (nome, NIT etc), a categoria, a remuneração e a contribuição do segurado; portanto, 4 campos para cada segurado.
Na aplicação da multa foi observado o disposto no art. 106, inciso II, alínea "c", da Lei n° 5.172/1966 - CTN.
Intimada a providenciar a correção a BV Financeira providenciou o envio de uma nova GFIP, fazendo jus à aplicação do redutor previsto no artigo 32-A, § 2º, inciso II, da Lei nº 8.212/1991.
Consulta realizada nos sistemas informatizados da Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB) confirmou a existência de diversos Autos de Infração por descumprimento de obrigações acessórias, lavrados em ações fiscais anteriores na empresa autuada.
A reincidência praticada pela autuada agravou a multa aplicada, na forma do inciso V, do artigo 290, c/c inciso IV, do artigo 292, do RPS Regulamento da Previdência Social, sendo estes considerados para fins de reincidência, como previsto na legislação.
A contribuinte apresentou impugnação, a qual foi julgada procedente em parte, tendo o crédito tributário sido parcialmente exonerado.
Em face da referida decisão, foi interposto recurso voluntário.
É o Relatório.
Voto
Conselheiro Daniel Melo Mendes Bezerra - Relator
Admissibilidade
O recurso voluntário apresentado preenche os requisitos de admissibilidade, devendo, pois, ser conhecido.
Da Resolução
Trata-se de lançamento de crédito tributário relacionado à GFIP (CFL 78), em que o Fisco constatou que foram efetuados recolhimentos relacionados à prestação de serviços de contribuintes individuais, mas não houve a correspondente declaração em GFIP.
A recorrente argumenta que os valores recolhidos sequer seriam devidos, uma vez que não ocorreu a prestação dos serviços.
Inferem-se dos Termos de Intimações Fiscais constantes dos autos que, a ação fiscal que deu origem ao presente lançamento, não tinha com finalidade precípua apurar o cumprimento das obrigações principais e acessórias referentes aos trabalhadores contibuintes individuais, mas sim a regularidade do plano de Participação nos Lucros e Resultados (PLR) da empresa.
Destarte, para o julgamento da presente obrigação acessória, ainda que não haja correlação direta, entendo ser necessária a informação do andamento dos créditos tributários relacionados às obrigações principais apuradas na mesma ação fiscal do presente processo.
Nome do relator: DANIEL MELO MENDES BEZERRA
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência para que a unidade responsável pela administração do tributo instrua os autos com cópia dos processos relativos ao lançamento da obrigação principal. (assinado digitalmente) Carlos Alberto do Amaral Azeredo - Presidente (assinado digitalmente) Daniel Melo Mendes Bezerra - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Daniel Melo Mendes Bezerra, Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim, Douglas Kakazu Kushiyama, Debora Fofano, Marcelo Milton da Silva Risso e Carlos Alberto do Amaral Azeredo (Presidente). Relatório Trata-se de Recurso Voluntário contra o acórdão nº 12-68.716 - 10ª Turma da DRJ/RJ1, que julgou procedente em parte a impugnação apresentada pelo sujeito passivo para desconstituir o Auto de Infração (AI DEBCAD n° 51.004.605-3 - CFL 78) lavrado em 30/08/2011, referente ao período de 01/01/2006 a 31/12/2008, contra a sociedade empresária acima identificada, no valor original de R$ 286.340,00; pela entrega de GFIPs com omissões e/ou incorreções. Conforme Relatório Fiscal da Infração e da Aplicação da Multa (fls. 73/76), informa o Auditor-Fiscal que: No curso do procedimento fiscal, após análise da documentação apresentada pela Contribuinte, concluiu que diversos segurados não estavam declarados na Guia de Recolhimento do FGTS e de Informações à Previdência Social GFIP, violando o previsto no artigo 32, inciso IV, da Lei nº 8.212/1991. A conduta da Contribuinte levou a lavratura do presente auto de infração, com aplicação da multa prevista no artigo 32-A, inciso I, da Lei nº 8.212/1991. Os campos considerados para efeito de cálculo da multa foram: dados do trabalhador (nome, NIT etc), a categoria, a remuneração e a contribuição do segurado; portanto, 4 campos para cada segurado. Na aplicação da multa foi observado o disposto no art. 106, inciso II, alínea "c", da Lei n° 5.172/1966 - CTN. Intimada a providenciar a correção a BV Financeira providenciou o envio de uma nova GFIP, fazendo jus à aplicação do redutor previsto no artigo 32-A, § 2º, inciso II, da Lei nº 8.212/1991. Consulta realizada nos sistemas informatizados da Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB) confirmou a existência de diversos Autos de Infração por descumprimento de obrigações acessórias, lavrados em ações fiscais anteriores na empresa autuada. A reincidência praticada pela autuada agravou a multa aplicada, na forma do inciso V, do artigo 290, c/c inciso IV, do artigo 292, do RPS Regulamento da Previdência Social, sendo estes considerados para fins de reincidência, como previsto na legislação. A contribuinte apresentou impugnação, a qual foi julgada procedente em parte, tendo o crédito tributário sido parcialmente exonerado. Em face da referida decisão, foi interposto recurso voluntário. É o Relatório. Voto Conselheiro Daniel Melo Mendes Bezerra - Relator Admissibilidade O recurso voluntário apresentado preenche os requisitos de admissibilidade, devendo, pois, ser conhecido. Da Resolução Trata-se de lançamento de crédito tributário relacionado à GFIP (CFL 78), em que o Fisco constatou que foram efetuados recolhimentos relacionados à prestação de serviços de contribuintes individuais, mas não houve a correspondente declaração em GFIP. A recorrente argumenta que os valores recolhidos sequer seriam devidos, uma vez que não ocorreu a prestação dos serviços. Inferem-se dos Termos de Intimações Fiscais constantes dos autos que, a ação fiscal que deu origem ao presente lançamento, não tinha com finalidade precípua apurar o cumprimento das obrigações principais e acessórias referentes aos trabalhadores contibuintes individuais, mas sim a regularidade do plano de Participação nos Lucros e Resultados (PLR) da empresa. Destarte, para o julgamento da presente obrigação acessória, ainda que não haja correlação direta, entendo ser necessária a informação do andamento dos créditos tributários relacionados às obrigações principais apuradas na mesma ação fiscal do presente processo.
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Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência para que a unidade responsável pela administração do tributo instrua os autos com cópia dos processos relativos ao lançamento da obrigação principal. (assinado digitalmente) Carlos Alberto do Amaral Azeredo Presidente (assinado digitalmente) Daniel Melo Mendes Bezerra Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Daniel Melo Mendes Bezerra, Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim, Douglas Kakazu Kushiyama, Debora Fofano, Marcelo Milton da Silva Risso e Carlos Alberto do Amaral Azeredo (Presidente). Relatório Tratase de Recurso Voluntário contra o acórdão nº 1268.716 10ª Turma da DRJ/RJ1, que julgou procedente em parte a impugnação apresentada pelo sujeito passivo para desconstituir o Auto de Infração (AI DEBCAD n° 51.004.6053 CFL 78) lavrado em 30/08/2011, referente ao período de 01/01/2006 a 31/12/2008, contra a sociedade empresária acima identificada, no valor original de R$ 286.340,00; pela entrega de GFIPs com omissões e/ou incorreções. Conforme Relatório Fiscal da Infração e da Aplicação da Multa (fls. 73/76), informa o AuditorFiscal que: RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 63 27 .7 21 06 9/ 20 11 -9 9 Fl. 944DF CARF MF Processo nº 16327.721069/201199 Resolução nº 2201000.329 S2C2T1 Fl. 945 2 No curso do procedimento fiscal, após análise da documentação apresentada pela Contribuinte, concluiu que diversos segurados não estavam declarados na Guia de Recolhimento do FGTS e de Informações à Previdência Social – GFIP, violando o previsto no artigo 32, inciso IV, da Lei nº 8.212/1991. A conduta da Contribuinte levou a lavratura do presente auto de infração, com aplicação da multa prevista no artigo 32A, inciso I, da Lei nº 8.212/1991. Os campos considerados para efeito de cálculo da multa foram: dados do trabalhador (nome, NIT etc), a categoria, a remuneração e a contribuição do segurado; portanto, 4 campos para cada segurado. Na aplicação da multa foi observado o disposto no art. 106, inciso II, alínea "c", da Lei n° 5.172/1966 CTN. Intimada a providenciar a correção a BV Financeira providenciou o envio de uma nova GFIP, fazendo jus à aplicação do redutor previsto no artigo 32A, § 2º, inciso II, da Lei nº 8.212/1991. Consulta realizada nos sistemas informatizados da Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB) confirmou a existência de diversos Autos de Infração por descumprimento de obrigações acessórias, lavrados em ações fiscais anteriores na empresa autuada. A reincidência praticada pela autuada agravou a multa aplicada, na forma do inciso V, do artigo 290, c/c inciso IV, do artigo 292, do RPS – Regulamento da Previdência Social, sendo estes considerados para fins de reincidência, como previsto na legislação. A contribuinte apresentou impugnação, a qual foi julgada procedente em parte, tendo o crédito tributário sido parcialmente exonerado. Em face da referida decisão, foi interposto recurso voluntário. É o Relatório. Voto Conselheiro Daniel Melo Mendes Bezerra Relator Admissibilidade O recurso voluntário apresentado preenche os requisitos de admissibilidade, devendo, pois, ser conhecido. Da Resolução Tratase de lançamento de crédito tributário relacionado à GFIP (CFL 78), em que o Fisco constatou que foram efetuados recolhimentos relacionados à prestação de serviços de contribuintes individuais, mas não houve a correspondente declaração em GFIP. A recorrente argumenta que os valores recolhidos sequer seriam devidos, uma vez que não ocorreu a prestação dos serviços. Fl. 945DF CARF MF Processo nº 16327.721069/201199 Resolução nº 2201000.329 S2C2T1 Fl. 946 3 Inferemse dos Termos de Intimações Fiscais constantes dos autos que, a ação fiscal que deu origem ao presente lançamento, não tinha com finalidade precípua apurar o cumprimento das obrigações principais e acessórias referentes aos trabalhadores contibuintes individuais, mas sim a regularidade do plano de Participação nos Lucros e Resultados (PLR) da empresa. Destarte, para o julgamento da presente obrigação acessória, ainda que não haja correlação direta, entendo ser necessária a informação do andamento dos créditos tributários relacionados às obrigações principais apuradas na mesma ação fiscal do presente processo. Conclusão Diante de todo o exposto, voto no sentido de converter o julgamento em diligência para que a unidade responsável pela administração do tributo instrua os autos com cópia dos processos relativos ao lançamento da obrigação principal. (assinado digitalmente) Daniel Melo Mendes Bezerra Fl. 946DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10665.905583/2011-68
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Mon Nov 26 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Feb 08 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Data do fato gerador: 31/01/2003
PEDIDOS DE COMPENSAÇÃO/RESSARCIMENTO. ÔNUS PROBATÓRIO DO POSTULANTE.
Nos processos que versam a respeito de compensação ou de ressarcimento, a comprovação do direito creditório recai sobre aquele a quem aproveita o reconhecimento do fato, que deve apresentar elementos probatórios aptos a comprovar as suas alegações. Não se presta a diligência, ou perícia, a suprir deficiência probatória, seja do contribuinte ou do fisco.
PAGAMENTO A MAIOR. COMPENSAÇÃO. AUSÊNCIA DE PROVA.
A carência probatória inviabiliza o reconhecimento do direito creditório pleiteado.
Numero da decisão: 3401-005.512
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
Rosaldo Trevisan - Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento os conselheiros Carlos Alberto da Silva Esteves (suplente convocado), Tiago Guerra Machado, Lazaro Antônio Souza Soares, André Henrique Lemos, Carlos Henrique de Seixas Pantarolli, Cássio Schappo, Leonardo Ogassawara de Araújo Branco e Rosaldo Trevisan (Presidente). Ausente, justificadamente, a conselheira Mara Cristina Sifuentes.
Nome do relator: ROSALDO TREVISAN
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Data do fato gerador: 31/01/2003 PEDIDOS DE COMPENSAÇÃO/RESSARCIMENTO. ÔNUS PROBATÓRIO DO POSTULANTE. Nos processos que versam a respeito de compensação ou de ressarcimento, a comprovação do direito creditório recai sobre aquele a quem aproveita o reconhecimento do fato, que deve apresentar elementos probatórios aptos a comprovar as suas alegações. Não se presta a diligência, ou perícia, a suprir deficiência probatória, seja do contribuinte ou do fisco. PAGAMENTO A MAIOR. COMPENSAÇÃO. AUSÊNCIA DE PROVA. A carência probatória inviabiliza o reconhecimento do direito creditório pleiteado.
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decisao_txt : Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Rosaldo Trevisan - Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros Carlos Alberto da Silva Esteves (suplente convocado), Tiago Guerra Machado, Lazaro Antônio Souza Soares, André Henrique Lemos, Carlos Henrique de Seixas Pantarolli, Cássio Schappo, Leonardo Ogassawara de Araújo Branco e Rosaldo Trevisan (Presidente). Ausente, justificadamente, a conselheira Mara Cristina Sifuentes.
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ÔNUS PROBATÓRIO DO POSTULANTE. Nos processos que versam a respeito de compensação ou de ressarcimento, a comprovação do direito creditório recai sobre aquele a quem aproveita o reconhecimento do fato, que deve apresentar elementos probatórios aptos a comprovar as suas alegações. Não se presta a diligência, ou perícia, a suprir deficiência probatória, seja do contribuinte ou do fisco. PAGAMENTO A MAIOR. COMPENSAÇÃO. AUSÊNCIA DE PROVA. A carência probatória inviabiliza o reconhecimento do direito creditório pleiteado. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Rosaldo Trevisan Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros Carlos Alberto da Silva Esteves (suplente convocado), Tiago Guerra Machado, Lazaro Antônio Souza Soares, André Henrique Lemos, Carlos Henrique de Seixas Pantarolli, Cássio Schappo, Leonardo Ogassawara de Araújo Branco e Rosaldo Trevisan (Presidente). Ausente, justificadamente, a conselheira Mara Cristina Sifuentes. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 66 5. 90 55 83 /2 01 1- 68 Fl. 63DF CARF MF Processo nº 10665.905583/201168 Acórdão n.º 3401005.512 S3C4T1 Fl. 3 2 Relatório Tratase de PER/DCOMP, realizado com base em suposto crédito de contribuição social originário de pagamento indevido ou a maior, indeferido por ausência de saldo credor, consoante informação do Despacho Decisório. Irresignada, a contribuinte apresentou manifestação de inconformidade, que foi julgada improcedente pelo Colegiado a quo, nos termos do Acórdão nº 02039.193. Devidamente cientificada desta decisão, a recorrente, interpôs, tempestivamente, o Recurso Voluntário ora em apreço. É o relatório. Voto Conselheiro Rosaldo Trevisan, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3401005.504, de 26 de novembro de 2018, proferido no julgamento do processo 10665.905569/201164, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevemse, como solução deste litígio, nos termos regimentais, os entendimentos que prevaleceram naquela decisão (Acórdão 3401005.504): "O recurso voluntário é tempestivo e preenche os requisitos formais de admissibilidade e, portanto, dele tomo conhecimento. Reproduzse, abaixo, a decisão recorrida proferida pelo julgador de primeiro piso: No Despacho Decisório, consta que a fundamentação para o indeferimento do pedido de restituição reside no fato de o valor correspondente ao Darf indicado ter sido integralmente utilizado para quitação de débito do contribuinte conforme especificado. No processamento eletrônico, tal constatação é feita com base nos dados contidos no Darf confrontados com as informações prestadas pelo contribuinte em Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais (DCTF) apresentada, na qual confessa a existência do referido débito. Fl. 64DF CARF MF Processo nº 10665.905583/201168 Acórdão n.º 3401005.512 S3C4T1 Fl. 4 3 Em sua defesa, o manifestante alega que “efetuou retificação manualmente” da DCTF, conforme documento anexado aos autos, fato que não deixaria nenhuma dúvida a respeito da existência do crédito. Nesse ponto, ainda que fosse admitida a retificação manual da DCTF, tal documento, apresentado após a ciência do despacho decisório, não tem nenhuma força de convencimento e só pode ser aqui considerado como argumento de impugnação, e não como prova, uma vez que só foi elaborado em razão do indeferimento do pedido de restituição. É bom lembrar ainda que a retificação da DCTF não produzirá efeitos quando tiver como objetivo reduzir débitos da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins que tenham sido objeto de exame em procedimento de fiscalização (art. 9º, § 2o, I, c, da Instrução Normativa RFB nº 1.110, de 24/12/2010). As declarações apresentadas presumemse verdadeiras em relação ao declarante (art. 131 do CC e art. 368 do CPC). Como essa presunção não é absoluta, admitese que o signatário possa impugnar sua veracidade, alegando serem ideologicamente falsas, isto é, que os seus dizeres são falsos, embora sejam materialmente verdadeiros. Entretanto, a presunção de veracidade faz com que o declarante tenha que provar o que alega e, na falta de prova, prevalece o teor do documento. Noutras palavras, a DCTF válida, oportunamente transmitida, faz prova do valor do débito contra o sujeito passivo e em favor do fisco. Para contrariar sua própria palavra, dada como expressão da verdade, deve o impugnante comprovar o erro ou a falsidade da declaração entregue, que serviu de base para a expedição do despacho decisório. Não é o que ocorre no caso. Nada há nos autos que confirme o pagamento indevido ou a maior propalado, sendo insuficiente para tal a DCTF “retificada manualmente”, apresentada após a ciência do despacho decisório, notadamente quando evidenciada contradição com a apuração do tributo demonstrada na DIPJ. Nesse ponto, pesa contra o manifestante o fato de, na DIPJ retificadora ativa, apresentada em 30/03/2007, relativamente ao período de apuração de 30/04/2003, ter sido apurado um valor de R$5.163,17 a título de COFINS A PAGAR (...). (...). Confrontado o valor do Darf em questão (R$5.163,17) com o montante acima apurado na DIPJ, não há que se falar em pagamento indevido ou a maior. Assim sendo, o recolhimento efetuado por meio do Darf indicado no PER/DComp analisado não constitui crédito passível de restituição, uma vez que totalmente utilizado para quitar débito apurado na DIPJ retificadora Fl. 65DF CARF MF Processo nº 10665.905583/201168 Acórdão n.º 3401005.512 S3C4T1 Fl. 5 4 competente e confessado em DCTF que serviu de base para a emissão do Despacho Decisório, não ficando configurada nenhuma das hipóteses de restituição de tributo previstas no art. 165 do Código Tributário Nacional –CTN. Ressaltase, ademais, que, nos pedidos de compensação ou de restituição, como o presente, o ônus de comprovar o crédito postulado permanece a cargo da contribuinte, a quem incumbe a demonstração do preenchimento dos requisitos necessários para a compensação, pois "(...) o ônus da prova recai sobre aquele a quem aproveita o reconhecimento do fato",1 postura consentânea com o art. 36 da Lei nº 9.784/1999, que regula o processo administrativo no âmbito da Administração Pública Federal. 2 Neste sentido, já se manifestou esta turma julgadora em diferentes oportunidades, como no Acórdão CARF nº 3401 003.096, de 23/02/2016, de relatoria do Conselheiro Rosaldo Trevisan: VERDADE MATERIAL. INVESTIGAÇÃO. COLABORAÇÃO. A verdade material é composta pelo dever de investigação da Administração somado ao dever de colaboração por parte do particular, unidos na finalidade de propiciar a aproximação da atividade formalizadora com a realidade dos acontecimentos. PEDIDOS DE COMPENSAÇÃO/RESSARCIMENTO. ÔNUS PROBATÓRIO. DILIGÊNCIA/PERÍCIA. Nos processos derivados de pedidos de compensação/ressarcimento, a comprovação do direito creditório incumbe ao postulante, que deve carrear aos autos os elementos probatórios correspondentes. Não se presta a diligência, ou perícia, a suprir deficiência probatória, seja do contribuinte ou do fisco. Verificase, portanto, a completa inviabilidade do reconhecimento do crédito pleiteado em virtude da carência probatória do pedido formulado pela contribuinte recorrente. Assim, voto por conhecer e, no mérito, negar provimento ao recurso voluntário." 1 CINTRA, Antonio Carlos de Araújo; GRINOVER, Ada Pellegrini; e DINAMARCO, Cândido Rangel. Teoria geral do processo. São Paulo: Malheiros Editores, 26ª edição, 2010, p. 380. 2 Lei nº 9.784/1999 Art. 36. Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado, sem prejuízo do dever atribuído ao órgão competente para a instrução e do disposto no art. 37 desta Lei. Art. 37. Quando o interessado declarar que fatos e dados estão registrados em documentos existentes na própria Administração responsável pelo processo ou em outro órgão administrativo, o órgão competente para a instrução proverá, de ofício, à obtenção dos documentos ou das respectivas cópias. Fl. 66DF CARF MF Processo nº 10665.905583/201168 Acórdão n.º 3401005.512 S3C4T1 Fl. 6 5 Importa registrar que nos autos ora em apreço, a situação fática e jurídica encontra correspondência com a verificada no paradigma, de tal sorte que o entendimento lá esposado pode ser perfeitamente aqui aplicado. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado decidiu por conhecer e, no mérito, negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Rosaldo Trevisan Fl. 67DF CARF MF
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Numero do processo: 10665.905586/2011-00
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Mon Nov 26 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Feb 08 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Data do fato gerador: 30/04/2003
PEDIDOS DE COMPENSAÇÃO/RESSARCIMENTO. ÔNUS PROBATÓRIO DO POSTULANTE.
Nos processos que versam a respeito de compensação ou de ressarcimento, a comprovação do direito creditório recai sobre aquele a quem aproveita o reconhecimento do fato, que deve apresentar elementos probatórios aptos a comprovar as suas alegações. Não se presta a diligência, ou perícia, a suprir deficiência probatória, seja do contribuinte ou do fisco.
PAGAMENTO A MAIOR. COMPENSAÇÃO. AUSÊNCIA DE PROVA.
A carência probatória inviabiliza o reconhecimento do direito creditório pleiteado.
Numero da decisão: 3401-005.515
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
Rosaldo Trevisan - Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento os conselheiros Carlos Alberto da Silva Esteves (suplente convocado), Tiago Guerra Machado, Lazaro Antônio Souza Soares, André Henrique Lemos, Carlos Henrique de Seixas Pantarolli, Cássio Schappo, Leonardo Ogassawara de Araújo Branco e Rosaldo Trevisan (Presidente). Ausente, justificadamente, a conselheira Mara Cristina Sifuentes.
Nome do relator: ROSALDO TREVISAN
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ÔNUS PROBATÓRIO DO POSTULANTE. Nos processos que versam a respeito de compensação ou de ressarcimento, a comprovação do direito creditório recai sobre aquele a quem aproveita o reconhecimento do fato, que deve apresentar elementos probatórios aptos a comprovar as suas alegações. Não se presta a diligência, ou perícia, a suprir deficiência probatória, seja do contribuinte ou do fisco. PAGAMENTO A MAIOR. COMPENSAÇÃO. AUSÊNCIA DE PROVA. A carência probatória inviabiliza o reconhecimento do direito creditório pleiteado. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Rosaldo Trevisan Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros Carlos Alberto da Silva Esteves (suplente convocado), Tiago Guerra Machado, Lazaro Antônio Souza Soares, André Henrique Lemos, Carlos Henrique de Seixas Pantarolli, Cássio Schappo, Leonardo Ogassawara de Araújo Branco e Rosaldo Trevisan (Presidente). Ausente, justificadamente, a conselheira Mara Cristina Sifuentes. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 66 5. 90 55 86 /2 01 1- 00 Fl. 61DF CARF MF Processo nº 10665.905586/201100 Acórdão n.º 3401005.515 S3C4T1 Fl. 3 2 Relatório Tratase de PER/DCOMP, realizado com base em suposto crédito de contribuição social originário de pagamento indevido ou a maior, indeferido por ausência de saldo credor, consoante informação do Despacho Decisório. Irresignada, a contribuinte apresentou manifestação de inconformidade, que foi julgada improcedente pelo Colegiado a quo, nos termos do Acórdão nº 02039.196. Devidamente cientificada desta decisão, a recorrente, interpôs, tempestivamente, o Recurso Voluntário ora em apreço. É o relatório. Voto Conselheiro Rosaldo Trevisan, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3401005.504, de 26 de novembro de 2018, proferido no julgamento do processo 10665.905569/201164, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevemse, como solução deste litígio, nos termos regimentais, os entendimentos que prevaleceram naquela decisão (Acórdão 3401005.504): "O recurso voluntário é tempestivo e preenche os requisitos formais de admissibilidade e, portanto, dele tomo conhecimento. Reproduzse, abaixo, a decisão recorrida proferida pelo julgador de primeiro piso: No Despacho Decisório, consta que a fundamentação para o indeferimento do pedido de restituição reside no fato de o valor correspondente ao Darf indicado ter sido integralmente utilizado para quitação de débito do contribuinte conforme especificado. No processamento eletrônico, tal constatação é feita com base nos dados contidos no Darf confrontados com as informações prestadas pelo contribuinte em Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais (DCTF) apresentada, na qual confessa a existência do referido débito. Fl. 62DF CARF MF Processo nº 10665.905586/201100 Acórdão n.º 3401005.515 S3C4T1 Fl. 4 3 Em sua defesa, o manifestante alega que “efetuou retificação manualmente” da DCTF, conforme documento anexado aos autos, fato que não deixaria nenhuma dúvida a respeito da existência do crédito. Nesse ponto, ainda que fosse admitida a retificação manual da DCTF, tal documento, apresentado após a ciência do despacho decisório, não tem nenhuma força de convencimento e só pode ser aqui considerado como argumento de impugnação, e não como prova, uma vez que só foi elaborado em razão do indeferimento do pedido de restituição. É bom lembrar ainda que a retificação da DCTF não produzirá efeitos quando tiver como objetivo reduzir débitos da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins que tenham sido objeto de exame em procedimento de fiscalização (art. 9º, § 2o, I, c, da Instrução Normativa RFB nº 1.110, de 24/12/2010). As declarações apresentadas presumemse verdadeiras em relação ao declarante (art. 131 do CC e art. 368 do CPC). Como essa presunção não é absoluta, admitese que o signatário possa impugnar sua veracidade, alegando serem ideologicamente falsas, isto é, que os seus dizeres são falsos, embora sejam materialmente verdadeiros. Entretanto, a presunção de veracidade faz com que o declarante tenha que provar o que alega e, na falta de prova, prevalece o teor do documento. Noutras palavras, a DCTF válida, oportunamente transmitida, faz prova do valor do débito contra o sujeito passivo e em favor do fisco. Para contrariar sua própria palavra, dada como expressão da verdade, deve o impugnante comprovar o erro ou a falsidade da declaração entregue, que serviu de base para a expedição do despacho decisório. Não é o que ocorre no caso. Nada há nos autos que confirme o pagamento indevido ou a maior propalado, sendo insuficiente para tal a DCTF “retificada manualmente”, apresentada após a ciência do despacho decisório, notadamente quando evidenciada contradição com a apuração do tributo demonstrada na DIPJ. Nesse ponto, pesa contra o manifestante o fato de, na DIPJ retificadora ativa, apresentada em 30/03/2007, relativamente ao período de apuração de 30/04/2003, ter sido apurado um valor de R$5.163,17 a título de COFINS A PAGAR (...). (...). Confrontado o valor do Darf em questão (R$5.163,17) com o montante acima apurado na DIPJ, não há que se falar em pagamento indevido ou a maior. Assim sendo, o recolhimento efetuado por meio do Darf indicado no PER/DComp analisado não constitui crédito passível de restituição, uma vez que totalmente utilizado para quitar débito apurado na DIPJ retificadora Fl. 63DF CARF MF Processo nº 10665.905586/201100 Acórdão n.º 3401005.515 S3C4T1 Fl. 5 4 competente e confessado em DCTF que serviu de base para a emissão do Despacho Decisório, não ficando configurada nenhuma das hipóteses de restituição de tributo previstas no art. 165 do Código Tributário Nacional –CTN. Ressaltase, ademais, que, nos pedidos de compensação ou de restituição, como o presente, o ônus de comprovar o crédito postulado permanece a cargo da contribuinte, a quem incumbe a demonstração do preenchimento dos requisitos necessários para a compensação, pois "(...) o ônus da prova recai sobre aquele a quem aproveita o reconhecimento do fato",1 postura consentânea com o art. 36 da Lei nº 9.784/1999, que regula o processo administrativo no âmbito da Administração Pública Federal. 2 Neste sentido, já se manifestou esta turma julgadora em diferentes oportunidades, como no Acórdão CARF nº 3401 003.096, de 23/02/2016, de relatoria do Conselheiro Rosaldo Trevisan: VERDADE MATERIAL. INVESTIGAÇÃO. COLABORAÇÃO. A verdade material é composta pelo dever de investigação da Administração somado ao dever de colaboração por parte do particular, unidos na finalidade de propiciar a aproximação da atividade formalizadora com a realidade dos acontecimentos. PEDIDOS DE COMPENSAÇÃO/RESSARCIMENTO. ÔNUS PROBATÓRIO. DILIGÊNCIA/PERÍCIA. Nos processos derivados de pedidos de compensação/ressarcimento, a comprovação do direito creditório incumbe ao postulante, que deve carrear aos autos os elementos probatórios correspondentes. Não se presta a diligência, ou perícia, a suprir deficiência probatória, seja do contribuinte ou do fisco. Verificase, portanto, a completa inviabilidade do reconhecimento do crédito pleiteado em virtude da carência probatória do pedido formulado pela contribuinte recorrente. Assim, voto por conhecer e, no mérito, negar provimento ao recurso voluntário." 1 CINTRA, Antonio Carlos de Araújo; GRINOVER, Ada Pellegrini; e DINAMARCO, Cândido Rangel. Teoria geral do processo. São Paulo: Malheiros Editores, 26ª edição, 2010, p. 380. 2 Lei nº 9.784/1999 Art. 36. Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado, sem prejuízo do dever atribuído ao órgão competente para a instrução e do disposto no art. 37 desta Lei. Art. 37. Quando o interessado declarar que fatos e dados estão registrados em documentos existentes na própria Administração responsável pelo processo ou em outro órgão administrativo, o órgão competente para a instrução proverá, de ofício, à obtenção dos documentos ou das respectivas cópias. Fl. 64DF CARF MF Processo nº 10665.905586/201100 Acórdão n.º 3401005.515 S3C4T1 Fl. 6 5 Importa registrar que nos autos ora em apreço, a situação fática e jurídica encontra correspondência com a verificada no paradigma, de tal sorte que o entendimento lá esposado pode ser perfeitamente aqui aplicado. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado decidiu por conhecer e, no mérito, negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Rosaldo Trevisan Fl. 65DF CARF MF
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