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Numero do processo: 18471.001563/2007-19
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 19 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Thu May 09 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/04/2003 a 30/04/2003
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. PIS E COFINS. INCONSTITUCIONALIDADE ART. 3. PARÁG. 1. LEI 9.718/98. RECEITA BRUTA. FATURAMENTO. VIGÊNCIA DA LEI N. 10.637/02. OMISSÃO. VÍCIO SANADO.
O Supremo Tribunal Federal entendeu que o § 1º do artigo 3º da Lei nº 9.718/98 é inconstitucional por alterar o conceito de faturamento consagrado no direito privado. A declaração de inconstitucionalidade suspende os efeitos do dispositivo legal tido como violador da Carta Magna.
Omissão no julgado acerca da limitação da procedência do pedido aos fatos geradores produzidos na vigência do §1º do artigo 3º da Lei nº 9.718/98. Omissão suprida.
Embargos de declaração conhecidos e acolhidos.
Numero da decisão: 3202-000.687
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento aos embargos de declaração.
Irene Souza da Trindade Torres - Presidente
Gilberto de Castro Moreira Junior Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Irene Souza da Trindade Torres, Luis Eduardo Garrossino Barbieri, Gilberto de Castro Moreira Junior, Charles Mayer de Castro Souza, Thiago Moura de Albuquerque Alves e Octávio Carneiro Silva Corrêa.
Matéria: Pasep- ação fiscal (todas)
Nome do relator: GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR
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PIS E COFINS. INCONSTITUCIONALIDADE ART. 3. PARÁG. 1. LEI 9.718/98. RECEITA BRUTA. FATURAMENTO. VIGÊNCIA DA LEI N. 10.637/02. OMISSÃO. VÍCIO SANADO. O Supremo Tribunal Federal entendeu que o § 1º do artigo 3º da Lei nº 9.718/98 é inconstitucional por alterar o conceito de faturamento consagrado no direito privado. A declaração de inconstitucionalidade suspende os efeitos do dispositivo legal tido como violador da Carta Magna. Omissão no julgado acerca da limitação da procedência do pedido aos fatos geradores produzidos na vigência do §1º do artigo 3º da Lei nº 9.718/98. Omissão suprida. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/04/2003 a 30/04/2003 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. PIS E COFINS. INCONSTITUCIONALIDADE ART. 3. PARÁG. 1. LEI 9.718/98. RECEITA BRUTA. FATURAMENTO. VIGÊNCIA DA LEI N. 10.637/02. OMISSÃO. VÍCIO SANADO. O Supremo Tribunal Federal entendeu que o § 1º do artigo 3º da Lei nº 9.718/98 é inconstitucional por alterar o conceito de faturamento consagrado no direito privado. A declaração de inconstitucionalidade suspende os efeitos do dispositivo legal tido como violador da Carta Magna. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 18 47 1. 00 15 63 /2 00 7- 19 Fl. 592DF CARF MF Impresso em 13/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/04/2013 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 23/04/2013 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 08/05/2013 por IRENE S OUZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 18471.001563/200719 Acórdão n.º 3202000.687 S3C2T2 Fl. 564 Omissão no julgado acerca da limitação da procedência do pedido aos fatos geradores produzidos na vigência do §1º do artigo 3º da Lei nº 9.718/98. Omissão suprida. Embargos de declaração conhecidos e acolhidos. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento aos embargos de declaração. Irene Souza da Trindade Torres Presidente Gilberto de Castro Moreira Junior – Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Irene Souza da Trindade Torres, Luis Eduardo Garrossino Barbieri, Gilberto de Castro Moreira Junior, Charles Mayer de Castro Souza, Thiago Moura de Albuquerque Alves e Octávio Carneiro Silva Corrêa. Relatório Tratase de embargos de declaração opostos em face do acórdão n.º 3202 000262, que, por unanimidade de votos, deu provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do Relator, em razão da omissão a seguir apontada: O Colegiado assim decidiu com base na orientação construída em sede pretoriana no Supremo Tribunal Federal, que declarou inconstitucional do art. 3°, §1°, da Lei n° 9.718/98. Contudo, conforme o termo de verificação fiscal e dos autos de infração, parte do PIS foi exigida segundo o regime não cumulativo, com base nos artigos 1°, 3° e 4° da Lei n° 10.637/02, que, por sua vez, não foram declarados inconstitucionais. Transcrevo, a seguir, a ementa do acórdão nº 3202000262 objeto dos presentes embargos: Fl. 593DF CARF MF Impresso em 13/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/04/2013 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 23/04/2013 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 08/05/2013 por IRENE S OUZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 18471.001563/200719 Acórdão n.º 3202000.687 S3C2T2 Fl. 565 Assunto: PIS/PASEP e COFINS Período de apuração: 01/01/2002 a 31/10/2002, 01/04/2003 a 30/04/2003. BASE DE CÁLCULO. ALARGAMENTO DO CONCEITO DE RECEITA BRUTA. §1°, DO ART. 3° DA LEI Nº 9.718/98 DECLARADO INCONSTITUCIONAL. APLICAÇÃO DO ARTIGO 62A DO RGIMENTO INTERNO DO CARF. Nos termos do art. 62A do Regimento Interno do CARF, as decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos arts. 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. No presente caso, o Supremo Tribunal Federal, em julgamento realizado na sistemática do art. 543B do Código de Processo Civil, entendeu que o alargamento da base de cálculo do PIS, pelo art. 3º da Lei nº 9.718/98, é inconstitucional por alterar o conceito de faturamento devidamente consagrado no direito privado. Recurdo voluntário provido”. É o relatório. Voto Conselheiro Gilberto de Castro Moreira Junior, Relator Os Embargos foram tempestivamente apresentados, motivo pelo qual deles tomo conhecimento e passo a analisar as questões apontadas pela Embargante. Inicialmente, há de se reconhecer que a inconstitucionalidade declarada pelo Supremo Tribunal Federal (STF) no recurso extraordinário n° 585.235/MG foi tão somente com relação ao §1º do art. 3º da Lei n° 9.718/98, que ampliou a base de cálculo do PIS e da COFINS, criando nova fonte de custeio da seguridade. Cabe observar, porém, que em 29 de agosto de 2002, foi editada a Medida Provisória n° 66, posteriormente convertida na Lei n° 10.637/02, que manteve a equiparação do conceito de faturamento ao de receita bruta para fins de incidência da contribuição ao PIS. Fl. 594DF CARF MF Impresso em 13/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/04/2013 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 23/04/2013 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 08/05/2013 por IRENE S OUZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 18471.001563/200719 Acórdão n.º 3202000.687 S3C2T2 Fl. 566 A declaração de inconstitucionalidade do §1º do art. 3º da Lei n° 9.718/98, reconhecida pelo Supremo Tribunal Federal, não se estende à Lei n° 10.637/02, pois a declaração de inconstitucionalidade afeta o dispositivo que padece de tal vício, gozando a Lei n° 10.637/02 de presunção de constitucionalidade, até que seja ela impugnada. Destarte, a declaração de inconstitucionalidade somente atinge os fatos geradores produzidos na vigência da Lei n° 9.718/98. A Súmula CARF n° 2 determina que: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Na forma do artigo 63, II da MP n° 66/02, esse diploma legal entrou em vigor a partir de 1° de dezembro de 2002, em relação aos artigos 1° a 11. O artigo 1° da referida lei traça o critério material da contribuição ao PIS. Deste modo, há de se observar que: (i) os fatos geradores ocorridos no período de janeiro a outubro de 2002 foram produzidos na vigência da Lei n° 9.718/98, tendo o STF declarado inconstitucional o §1º do artigo 3º dessa lei; (ii) o fato gerador ocorrido em abril de 2003 foi produzido na vigência da Lei n° 10.637/02, diploma esse que goza de presunção de constitucionalidade e cuja execução deve ser observada. O dispositivo do acórdão embargado foi assim formulado: Pelas considerações delineadas, CONHEÇO do recurso e voto no sentido de DAR PROVIMENTO AO RECURSO VOLUNTÁRIO, devendo ser afastada a exigência contida nos autos, cujo comando legal determinava a tributação de tais parcelas foi declarado inconstitucional. Com essas conclusões, conheço e acolho os presentes embargos para suprir a omissão apontada, integrando a redação da parte dispositiva do acórdão embargado, cuja formulação passa a ser a seguinte: Pelas considerações delineadas, CONHEÇO do recurso e voto no sentido de DAR PARCIAL PROVIMENTO AO RECURSO VOLUNTÁRIO, devendo ser afastada a exigência contida nos autos para os fatos geradores produzidos Fl. 595DF CARF MF Impresso em 13/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/04/2013 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 23/04/2013 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 08/05/2013 por IRENE S OUZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 18471.001563/200719 Acórdão n.º 3202000.687 S3C2T2 Fl. 567 na vigência do artigo 3°, §1° da Lei n° 9.718/98, haja vista a declaração de inconstitucionalidade desse dispositivo reconhecida em sede de repercussão geral pelo STF nos autos do RE n° 585.235/MG, mantendose o lançamento em relação ao fato gerador ocorrido em abril de 2003. A ementa do acórdão embargado, por sua vez, passa a ter a seguinte redação: ASSUNTO: PIS/PASEP e COFINS. Período de apuração: 01/01/2002 a 31/10/2002, 01/04/2003 a 30/04/2003. BASE DE CÁLCULO. ALARGAMENTO DO CONCEITO DE RECEITA BRUTA. § 1º, DO ART. 3º DA LEI Nº 9.718/98 DECLARADO INCONSTITUCIONAL. APLICAÇÃO DO ARTIGO 62A DO REGIMENTO INTERNO DO CARF. Nos termos do art. 62A do Regimento Interno do CARF, as decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos arts. 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. No presente caso, o Supremo Tribunal Federal, em julgamento realizado na sistemática do art. 543B do Código de Processo Civil, entendeu que o alargamento da base de cálculo do PIS, pelo art. 3º da Lei nº 9.718/98, é inconstitucional por alterar o conceito de faturamento devidamente consagrado no direito privado. O lançamento em relação ao fato gerador ocorrido em abril de 2003 deve ser mantido, tendo em vista que foi produzido na vigência da Lei n° 10.637/02. Recurso voluntário provido em parte. É como voto. Gilberto de Castro Moreira Junior Fl. 596DF CARF MF Impresso em 13/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/04/2013 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 23/04/2013 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 08/05/2013 por IRENE S OUZA DA TRINDADE TORRES
score : 1.0
Numero do processo: 14485.000973/2007-32
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Apr 19 00:00:00 UTC 2012
Ementa: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS
Período de apuração: 01/02/2003 a 28/02/2003, 01/04/2003 a 30/06/2003, 01/02/2004 a 31/05/2004, 01/02/2005 a 30/04/2005, 01/02/2006 a 31/03/2006, 01/05/2006 a 31/05/2006, 01/02/2007 a 28/02/2007
PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS E RESULTADOS.
Os valores pagos ou creditados, a título de participação nos lucros e resultado em desconformidade com os requisitos legais, integram a base de incidência contributiva previdenciária.
AUTO DE INFRAÇÃO. GFIP. DADOS NÃO CORRESPONDENTES A
TODOS OS FATOS GERADORES.
Constitui infração a apresentação de GFIP com dados não correspondentes a todos os fatos geradores de contribuições previdenciárias, conforme artigo 32, Inciso IV e §5º, da Lei nº 8.212/91.
RETROATIVIDADE BENIGNA. GFIP. MEDIDA PROVISÓRIA Nº 449.
REDUÇÃO DA MULTA.
As multas em GFIP foram alteradas pela Medida Provisória n º 449 de 2008, que beneficiam o infrator. Foi acrescentado o art. 32A
à Lei n º 8.212.
Conforme previsto no art. 106, inciso II do CTN, a lei aplica-se
a ato ou fato pretérito, tratando-se de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de defini-lo como infração; b) quando deixe de tratá-lo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; c) quando lhe
comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática.
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 2302-001.764
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade em conceder
provimento parcial ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. A multa deve ser calculada considerando as disposições da Medida Provisória n º 449 de 2008, mais precisamente o art. 32A, inciso II, que na conversão pela Lei
nº 11.941 foi renumerado para o art. 32A, inciso I da Lei n º 8.212 de 1991.
Matéria: Outros imposto e contrib federais adm p/ SRF - ação fiscal
Nome do relator: LIEGE LACROIX THOMASI
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ementa_s : CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/02/2003 a 28/02/2003, 01/04/2003 a 30/06/2003, 01/02/2004 a 31/05/2004, 01/02/2005 a 30/04/2005, 01/02/2006 a 31/03/2006, 01/05/2006 a 31/05/2006, 01/02/2007 a 28/02/2007 PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS E RESULTADOS. Os valores pagos ou creditados, a título de participação nos lucros e resultado em desconformidade com os requisitos legais, integram a base de incidência contributiva previdenciária. AUTO DE INFRAÇÃO. GFIP. DADOS NÃO CORRESPONDENTES A TODOS OS FATOS GERADORES. Constitui infração a apresentação de GFIP com dados não correspondentes a todos os fatos geradores de contribuições previdenciárias, conforme artigo 32, Inciso IV e §5º, da Lei nº 8.212/91. RETROATIVIDADE BENIGNA. GFIP. MEDIDA PROVISÓRIA Nº 449. REDUÇÃO DA MULTA. As multas em GFIP foram alteradas pela Medida Provisória n º 449 de 2008, que beneficiam o infrator. Foi acrescentado o art. 32A à Lei n º 8.212. Conforme previsto no art. 106, inciso II do CTN, a lei aplica-se a ato ou fato pretérito, tratando-se de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de defini-lo como infração; b) quando deixe de tratá-lo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. Recurso Voluntário Provido em Parte.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/02/2003 a 28/02/2003, 01/04/2003 a 30/06/2003, 01/02/2004 a 31/05/2004, 01/02/2005 a 30/04/2005, 01/02/2006 a 31/03/2006, 01/05/2006 a 31/05/2006, 01/02/2007 a 28/02/2007 PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS E RESULTADOS. Os valores pagos ou creditados, a título de participação nos lucros e resultado em desconformidade com os requisitos legais, integram a base de incidência contributiva previdenciária. AUTODEINFRAÇÃO. GFIP. DADOS NÃO CORRESPONDENTES A TODOS OS FATOS GERADORES. Constitui infração a apresentação de GFIP com dados não correspondentes a todos os fatos geradores de contribuições previdenciárias, conforme artigo 32, Inciso IV e §5º, da Lei nº 8.212/91. RETROATIVIDADE BENIGNA. GFIP. MEDIDA PROVISÓRIA N º 449. REDUÇÃO DA MULTA. As multas em GFIP foram alteradas pela Medida Provisória n º 449 de 2008, que beneficiam o infrator. Foi acrescentado o art. 32A à Lei n º 8.212. Conforme previsto no art. 106, inciso II do CTN, a lei aplicase a ato ou fato pretérito, tratandose de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de definilo como infração; b) quando deixe de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. Recurso Voluntário Provido em Parte Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Fl. 294DF CARF MF Impresso em 25/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/05/2012 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 14/05/201 2 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 15/05/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade em conceder provimento parcial ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. A multa deve ser calculada considerando as disposições da Medida Provisória n º 449 de 2008, mais precisamente o art. 32A, inciso II, que na conversão pela Lei n º 11.941 foi renumerado para o art. 32A, inciso I da Lei n º 8.212 de 1991. Marco Andre Ramos Vieira Presidente. Liege Lacroix Thomasi Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros:Marco Andre Ramos Vieira (Presidente), Liege Lacroix Thomasi, Vera Kempers de Moraes Abreu, Manoel Coelho Arruda Junior, Arlindo da Costa e Silva. Ausência momentânea : Manoel Coelho Arruda Junior Fl. 295DF CARF MF Impresso em 25/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/05/2012 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 14/05/201 2 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 15/05/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Processo nº 14485.000973/200732 Acórdão n.º 230201.764 S2C3T2 Fl. 2 3 Relatório Trata o presente de autodeinfração, lavrado e cientificado ao sujeito passivo em 16/08/2007, em virtude do descumprimento do artigo 32, inciso IV, §5º, da Lei n.º 8.212/91 e artigo 225, inciso IV do Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto n.º 3.048/99, com multa punitiva aplicada conforme dispõe o artigo 32, § 5º da Lei n.º 8.212/91 e artigo 284, inciso II, do Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto n.º 3.048/99, por não ter informado nas Guias de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social – GFIP’s das competencias de 02/2003, 02/2004, 03/2005, 02/2006, 03/2006 e 02/2007, os valores pagos ao segurados empregados a título de Participação nos Lucros e Resultados, mas que assim não foram considerados pelo fisco por estarem em desacordo com a norma legal. Os valores constam das fls. 06/07. Após a impugnação, Acórdão de fls. 178/190, julgou o lançamento procedente. Ainda inconformada, a recorrente apresentou recurso tempestivo, arguindo em síntese: a) a nulidade da autuação porque o fiscal não determinou as circunstâncias em que foi praticado o ato infracional, nem os critérios de aplicação da multa; b) que o auto de infração deve ficar sobrestado até decisão final da obrigação principal; c) que a PLR é desvinculada da remuneração conforme disposição constitucional; d) que estabeleceu acordo coletivo com os segurados e prévia pactuação das metas; e) que embora formalizado no final de 2005, os empregados tinham conhecimentos das metas para o exercício de 2005; f) que anexou cartas encaminhadas aos empregados para exemplificar que eles tinham conhecimento das metas; g) que nas notificações demonstrou que os gerentes e diretores da matriz tinham regras claras para recebimento de PLR; h) que a lei não proíbe a avaliação individual como meio de apuração da PLR; i) que os acordos coletivos tem força de lei entre as partes e não podem ser considerados inválidos; Fl. 296DF CARF MF Impresso em 25/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/05/2012 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 14/05/201 2 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 15/05/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA 4 j) que o valor pago a título de PLR estava pactuado. Requer a nulidade do auto de infração pelo cerceamento de defesa e infração às formalidades legais para sua constituição e pela impossibilidade de se considerar os valores pagos como base de cálculo de contribuição previdenciária. Por fim, requer o cancelamento ou o sobrestamento do auto de infração. É o relatório. Fl. 297DF CARF MF Impresso em 25/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/05/2012 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 14/05/201 2 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 15/05/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Processo nº 14485.000973/200732 Acórdão n.º 230201.764 S2C3T2 Fl. 3 5 Voto Conselheira Liege Lacroix Thomasi, Relatora Cumprido o requisito de admissibilidade frente à tempestividade, conforme comprova o documento de fl. 194, conheço do recurso e passo ao seu exame. Não vislumbro a tese de nulidade do auto de infração, pois não foi observado qualquer vício no procedimento da fiscalização e formalização do lançamento. Foram cumpridos todos os requisitos dos artigos 10 e 11 do Decreto n° 70.235, de 06/03/72, verbis: Art. 10. O auto de infração será lavrado por servidor competente, no local da verificação da falta, e conterá obrigatoriamente: I a qualificação do autuado; II o local, a data e a hora da lavratura; III a descrição do fato; IV a disposição legal infringida e a penalidade aplicável; V a determinação da exigência e a intimação para cumprila ou impugnála no prazo de trinta dias; VI a assinatura do autuante e a indicação de seu cargo ou função e o número de matrícula. Art. 11. A notificação de lançamento será expedida pelo órgão que administra o tributo e conterá obrigatoriamente: I a qualificação do notificado; II o valor do crédito tributário e o prazo para recolhimento ou impugnação; III a disposição legal infringida, se for o caso; IV a assinatura do chefe do órgão expedidor ou de outro servidor autorizado e a indicação de seu cargo ou função e o número de matrícula. O recorrente foi devidamente intimado de todos os atos processuais que trazem fatos novos, assegurandolhe a oportunidade de exercício da ampla defesa e do contraditório, nos termos do artigo 23 do mesmo Decreto: Art. 23. Farseá a intimação: I pessoal, pelo autor do procedimento ou por agente do órgão preparador, na repartição ou fora dela, provada com a assinatura do sujeito passivo, seu mandatário ou preposto, ou, Fl. 298DF CARF MF Impresso em 25/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/05/2012 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 14/05/201 2 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 15/05/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA 6 no caso de recusa, com declaração escrita de quem o intimar; (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 10.12.1997) II por via postal, telegráfica ou por qualquer outro meio ou via, com prova de recebimento no domicílio tributário eleito pelo sujeito passivo; (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 10.12.1997) III por edital, quando resultarem improfícuos os meios referidos nos incisos I e II. (Vide Medida Provisória nº 232, de 2004) A decisão recorrida também atendeu às prescrições que regem o processo administrativo fiscal: enfrentou as alegações pertinentes do recorrente, com indicação precisa dos fundamentos e se revestiu de todas as formalidades necessárias. Não contém, portanto, qualquer vício que suscite sua nulidade, passando, inclusive, pelo crivo do Egrégio Superior Tribunal de Justiça: Art. 31. A decisão conterá relatório resumido do processo, fundamentos legais, conclusão e ordem de intimação, devendo referirse, expressamente, a todos os autos de infração e notificações de lançamento objeto do processo, bem como às razões de defesa suscitadas pelo impugnante contra todas as exigências. (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 9.12.1993). “PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. NULIDADE DO ACÓRDÃO. INEXISTÊNCIA. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. SERVIDOR PÚBLICO INATIVO. JUROS DE MORA. TERMO INICIAL. SÚMULA 188/STJ. 1. Não há nulidade do acórdão quando o Tribunal de origem resolve a controvérsia de maneira sólida e fundamentada, apenas não adotando a tese do recorrente. 2. O julgador não precisa responder a todas as alegações das partes se já tiver encontrado motivo suficiente para fundamentar a decisão, nem está obrigado a aterse aos fundamentos por elas indicados “. (RESP 946.447RS – Min. Castro Meira – 2ª Turma – DJ 10/09/2007 p.216) Portanto, em razão do exposto e nos termos das regras disciplinadoras do processo administrativo fiscal, não se identificam vícios capazes de tornar nulo quaisquer dos atos praticados: Art. 59. São nulos: I os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. Superadas as questões preliminares para exame do cumprimento das exigências formais, passo à apreciação do mérito. Fl. 299DF CARF MF Impresso em 25/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/05/2012 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 14/05/201 2 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 15/05/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Processo nº 14485.000973/200732 Acórdão n.º 230201.764 S2C3T2 Fl. 4 7 Referese o auto de infração ao descumprimento de obrigação acessória, qual seja a falta de informação em GFIP dos valores pagos aos segurados empregados a título de Participação nos Lucros e Resultados, que não foram assim entendidos pelo fisco, por não estarem de acordo com as normas vigentes. A recorrente requer o sobrestamento do presente auto de infração até que seja proferida decisão administrativa de mérito no processo que trata da obrigação principal. Informo à recorrente que esta relatora também proferiu voto para o processo 14485001007/200732, que trata da obrigação principal referente a Participação nos Lucros e Resultados, sendo que foi negado provimento ao recurso interposto, não havendo óbice ao julgamento deste auto de infração. A obrigação acessória surge do descumprimento de dever instrumental a cargo do sujeito passivo, consistindo numa prestação positiva (fazer), que não seja o recolhimento do tributo, ou negativa (não fazer). Descumprida obrigação acessória (obrigação de fazer/não fazer) possui o Fisco o poder/dever de lavrar o AutodeInfração. A penalidade pecuniária exigida dessa forma convertese em obrigação principal, na forma do § 3º do art. 113 do CTN. No presente caso, a obrigação acessória corresponde ao dever de informar mensalmente ao Instituto Nacional do Seguro Social – INSS, por intermédio de documento definido em regulamento (GFIP), TODOS os dados relacionados aos fatos geradores de contribuições previdenciárias e outras informações de interesse do INSS. Ao não informar os valores relativos aos pagamentos efetuados aos segurados como Participação nos Lucros e Resultados, mas em desconformidade com os preceitos legais, a recorrente infringiu o artigo 32, inciso IV, § 5º, da Lei n.º 8.212/91 e artigo 225, inciso IV do Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto n.º 3.048/99, pois é obrigada a informar, mensalmente, ao INSS, por intermédio da Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social – GFIP, na forma por ele estabelecida, dados cadastrais, todos os fatos geradores de contribuição previdenciária e outras informações do interesse do Instituto, sendo que a apresentação do documento com dados não correspondentes aos fatos geradores sujeitará o infrator à pena administrativa correspondente à multa de cem por cento do valor devido relativo à contribuição não declarada. Reproduzo a seguir parte do voto proferido no processo relativo à obrigação principal, que pugnou como correto lançamento efetuado pelo fisco, que considerou os valores pagos como verba salarial, sujeita à incidência de contribuições previdenciárias e consequentemente de informação obrigatória em GFIP: A participação do trabalhador nos lucros e resultados da empresa é um marco histórico dos direitos trabalhistas. Foi com a Constituição Federal que se abriu a possibilidade de o trabalhador auferir parte do resultado de sua força laboral entregue à empresa. Assim, a PLR é um direito constitucional do trabalhador: CF/88: Art. 7º São direitos dos trabalhadores urbanos e rurais, além de outros que visem à melhoria de sua condição social: Fl. 300DF CARF MF Impresso em 25/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/05/2012 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 14/05/201 2 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 15/05/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA 8 ... XI – participação nos lucros, ou resultados, desvinculada da remuneração, e, excepcionalmente, participação na gestão da empresa, conforme definido em lei; Da análise do texto constitucional se conclui que a PLR é um direito do trabalhador, que não depende, somente, da existência de lucro, mas, também, da obtenção de um resultado; a PLR não se constitui em remuneração, desde que paga ou creditada conforme definido em lei. Em 1991, a Lei n.º 8.212 institui o plano de custeio da Seguridade Social e no art. 28, define a base de cálculo das contribuições previdenciárias, dispondo, inclusive, sobre parcelas isentas. Lei 8.212/1991: Art. 28. Entendese por saláriodecontribuição: I para o empregado e trabalhador avulso: a remuneração auferida em uma ou mais empresas, assim entendida a totalidade dos rendimentos pagos, devidos ou creditados a qualquer título, durante o mês, destinados a retribuir o trabalho, qualquer que seja a sua forma, inclusive as gorjetas, os ganhos habituais sob a forma de utilidades e os adiantamentos decorrentes de reajuste salarial, quer pelos serviços efetivamente prestados, quer pelo tempo à disposição do empregador ou tomador de serviços nos termos da lei ou do contrato ou, ainda, de convenção ou acordo coletivo de trabalho ou sentença normativa; ... § 9º Não integram o saláriodecontribuição para os fins desta Lei, exclusivamente: ... j) a participação nos lucros ou resultados da empresa, quando paga ou creditada de acordo com lei específica; Também a lei de custeio, como a Constituição, reafirma a necessidade de obediência a uma legislação para que a PLR não seja conceituada como remuneração, e, portanto, fora do alcance da incidência contributiva previdenciária. Em 29/12/1994 surge a legislação específica, qual seja a Medida Provisória 794, que dispôs sobre a participação dos trabalhadores nos lucros ou resultados da empresa. Assim, a PLR integra a remuneração, até 29/12/94. Após essa data, com o surgimento da legislação específica, a MP 794, não tem mais natureza jurídica salarial, desde que paga em conformidade com as disposições contidas na MP. A MP 794 sofreu diversas reedições, convertendose, finalmente, na Lei nº 10.101, de 18/12/2000. Fl. 301DF CARF MF Impresso em 25/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/05/2012 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 14/05/201 2 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 15/05/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Processo nº 14485.000973/200732 Acórdão n.º 230201.764 S2C3T2 Fl. 5 9 Essa legislação surge como instrumento de integração entre o capital e o trabalho e como incentivo à produtividade, pois faz com que o empresariado tenha redução em sua carga tributária, já que há a previsão de isenção dessas parcelas para incidência de contribuição previdenciária e a parcela de PLR, para efeito de apuração do lucro real, poderá ser deduzida como despesa operacional; permite que os trabalhadores obtenham maiores ganhos e incentiva a produtividade, já que sua obtenção depende de um resultado almejado pelas empresas. A Lei 10.101/200 prevê várias exigências e vedações, que a PLR deve seguir para estar de acordo com sua lei específica e obter os efeitos previstos. Art.1o Esta Lei regula a participação dos trabalhadores nos lucros ou resultados da empresa como instrumento de integração entre o capital e o trabalho e como incentivo à produtividade, nos termos do art. 7o, inciso XI, da Constituição. Art.2o A participação nos lucros ou resultados será objeto de negociação entre a empresa e seus empregados, mediante um dos procedimentos a seguir descritos, escolhidos pelas partes de comum acordo: Icomissão escolhida pelas partes, integrada, também, por um representante indicado pelo sindicato da respectiva categoria; IIconvenção ou acordo coletivo. §1o Dos instrumentos decorrentes da negociação deverão constar regras claras e objetivas quanto à fixação dos direitos substantivos da participação e das regras adjetivas, inclusive mecanismos de aferição das informações pertinentes ao cumprimento do acordado, periodicidade da distribuição, período de vigência e prazos para revisão do acordo, podendo ser considerados, entre outros, os seguintes critérios e condições: Iíndices de produtividade, qualidade ou lucratividade da empresa; IIprogramas de metas, resultados e prazos, pactuados previamente. §2o O instrumento de acordo celebrado será arquivado na entidade sindical dos trabalhadores. ... Art.3o A participação de que trata o art. 2o não substitui ou complementa a remuneração devida a qualquer empregado, nem constitui base de incidência de qualquer encargo trabalhista, não se lhe aplicando o princípio da habitualidade. ... §2o É vedado o pagamento de qualquer antecipação ou distribuição de valores a título de participação nos lucros ou Fl. 302DF CARF MF Impresso em 25/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/05/2012 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 14/05/201 2 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 15/05/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA 10 resultados da empresa em periodicidade inferior a um semestre civil, ou mais de duas vezes no mesmo ano civil. §3o Todos os pagamentos efetuados em decorrência de planos de participação nos lucros ou resultados, mantidos espontaneamente pela empresa, poderão ser compensados com as obrigações decorrentes de acordos ou convenções coletivas de trabalho atinentes à participação nos lucros ou resultados. ... Assim, para a PLR ser paga de acordo com a legislação específica deve, cumulativamente: a) Resultar de negociação entre a empresa e seus empregados, por comissão escolhida pelas partes, integrada, também, por um representante indicado pelo sindicato da respectiva categoria; e/ou por convenção ou acordo coletivo; b) Do resultado dessa negociação deverão constar regras claras e objetivas quanto à fixação dos direitos substantivos e quanto à fixação das regras adjetivas, onde deverão constar, nas regras, mecanismos de aferição das informações pertinentes ao cumprimento do acordado; periodicidade da distribuição; período de vigência e prazos para revisão do acordo; c) O resultado da negociação deve ser arquivado na entidade sindical dos trabalhadores; d) Não substituir, nem complementar a remuneração devida a qualquer empregado; e) Ser paga em periodicidade superior a um semestre civil, ou, no máximo, em duas vezes no mesmo ano civil; f) Por fim, a legislação determina formas de resolução de impasses quanto a PLR: a mediação ou a arbitragem de ofertas finais. Portanto, as finalidades da lei são integração entre capital e trabalho e ganho de produtividade. Deve haver uma negociação entre empresa e empregados, através de acordo coletivo ou comissão de trabalhadores: clareza e objetividade das condições a serem satisfeitas (regras adjetivas) para a participação nos lucros ou resultados (direito substantivo). Entre outros, podem ser considerados como critérios ou condições: produtividade, qualidade, lucratividade, programas de metas e resultados mantidos pela empresa: Como se vê, a regulamentação é no sentido de proteger o trabalhador para que sua participação nos lucros seja justa. Não há regras detalhadas na lei sobre as características dos acordos a serem celebrados. Os sindicatos envolvidos ou as comissões, nos termos do artigo 2º, têm liberdade para fixarem os critérios e condições para a participação do trabalhador nos lucros e resultados. A intenção do legislador foi impedir que critérios ou condições subjetivos obstassem a participação dos trabalhadores nos lucros ou resultados. As regras devem ser claras e objetivas para que os critérios e Fl. 303DF CARF MF Impresso em 25/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/05/2012 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 14/05/201 2 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 15/05/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Processo nº 14485.000973/200732 Acórdão n.º 230201.764 S2C3T2 Fl. 6 11 condições possam ser aferidos. Com isto, são alcançadas as duas finalidades da lei: a empresa ganha em aumento da produtividade e o trabalhador é recompensado com sua participação nos lucros. Frente a todo o exposto, é de se notar que prevalece a livre negociação para a participação nos lucros ou resultados. Porém, é possível que esse importante direito trabalhista seja malversado em prejuízo dos próprios trabalhadores e do fisco. Comprovando a autoridade fiscal dissimulação do pagamento de salários com participação nos lucros, deverá aplicar o Princípio da Verdade Real para considerar os valores integrantes da base de cálculo das contribuições previdenciárias. A autoridade fiscal, no uso de suas prerrogativas, tem o ônus de comprovar a dissimulação do sujeito passivo, verbis: Art. 123. Salvo disposições de lei em contrário, as convenções particulares, relativas à responsabilidade pelo pagamento de tributos, não podem ser opostas à Fazenda Pública, para modificar a definição legal do sujeito passivo das obrigações tributárias correspondentes. No caso em tela, do exame da documentação acostada aos autos é de se salientar que os documentos colacionados pela recorrente na fase de defesa,fls.194 a 241, estão grafados em inglês e por este motivo não foram considerados por esta relatora, respaldada no disposto pelo artigo 224, do Código Civil: Art. 224. Os documentos redigidos em língua estrangeira serão traduzidos para o português para ter efeitos legais no País. A juntada de documento em língua estrangeira nos autos é permitida se acompanhada de tradução e o art. 157 do Código de Processo Civil exige que a tradução seja firmada por tradutor juramentado. Portanto, foram examinados os documentos colacionados pelo fisco para embasar o levantamento que se encontram devidamente traduzidos e da análise dos mesmos se constata que a recorrente pagou valores a título de Participação nos Lucros e Resultados, no período de 2003 a 2007, aos segurados empregados que exerciam cargos de diretores e gerentes, mas os acordos firmados não se encontram nos moldes exigidos pela legislação vigente e referida em parágrafos anteriores, senão vejamos: do acordo firmado em 28/01/1999, fls. 37/42, com vigência retroativa a 1998 e validade indeterminada, consta o pagamento de um valor mínimo de R$ 300,00, condicionado ao cumprimento de metas individuais, sem no entanto trazer quais seriam essas metas. Também, não há qualquer documento que comprove a existência de metas e se os segurados tinham conhecimento das mesmas; Fl. 304DF CARF MF Impresso em 25/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/05/2012 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 14/05/201 2 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 15/05/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA 12 o acordo de 18/12/2003, fls. 43/47, foi firmado com validade retroativa ao exercício de 2003, válido até 12/2004, constando nos anexos I e II, fls. 50/58, indicadores e limites a serem atingidos; o acordo firmado em 16/03/2006, fls. 59/63, tem vigência retroativa a 2005 e validade até 12/2006 e os indicadores e metas constam do anexo I, fls. 65/71, e do Programa de Remuneração Variável, fls. 72/74, e às fls. 75/78, consta o termo de tradução por tradutor juramentado. Desta forma, pela análise dos documentos examinados se conclui que os pagamentos efetuados a título de PLR em 2003, não estão adequados à legislação, pois o Acordo firmado em 1998, não se prestou a respaldar o pagamento, porque não há qualquer referência a metas a serem atingidas, assegurando apenas um pagamento mínimo de R$ 300,00 aos trabalhadores. Já o Acordo firmado em 12/2003, ao se referir retroativamente ao exercício de 2003, por óbvio, fixou metas pretéritas, então como atingir metas que são fixadas após o decorrer do exercício e válidas para a obtenção de vantagem no próprio exercício? O mesmo ocorreu para o Acordo firmado em 03/2006, retroativo a 2005. De acordo com o expresso na legislação pátria o pagamento de valores a segurados empregados desvinculados do salário, a título de “Participação nos Lucros e Resultados” pressupõe que deve ser apurado o lucro ou o resultado do exercício e se o trabalhador alcançou a meta, o parâmetro previamente pactuado pelas partes (empresa, empregados), para fazer jus ao pagamento do valor estipulado e também quantificado previamente. Portanto, não há como se aceitar que toda a negociação seja feita e se refira a período pretérito. Ou seja, como o empregado vai saber no decorrer do exercício o que ele deve fazer para alcançar o seu objetivo, qual é o objetivo, como alcançar a meta para receber o valor relativo à Participação nos Lucros e Resultados da empresa para a qual trabalha? Se o Acordo visa o lucro auferido no ano em curso, parece bastante evidente que isto não pode ser usado para pagar PLR em exercício anterior. A maneira como a recorrente procedeu desvirtuou o propósito do programa que é a recompensa do trabalhador pelo aumento da produtividade da empresa, pois as metas foram fixadas retroativamente. Quanto à correspondência encaminhada aos diretores, que a recorrente faz referência para dizer que os empregados tinham conhecimento das metas a serem atingidas no período pretárito, a mesma se encontra em inglês, não se prestando a fazer prova para a recorrente, nos termos do já referido artigo 224, do Código Civil. De todo o exposto, vislumbro que a PLR foi paga sem critérios objetivos de aferição no exercício de 2003, porque o acordo de 28/01/1999, válido por tempo indeterminado, não trazia qualquer meta, garantindo apenas um valor mínimo de R$ 300,00, a ser pago de acordo com o desempenho individual de cada trabalhador e que também não ficou estabelecido qual seria. A ser considerado o Acordo para pagamento de PLR, assinado em 18/12/2003, este teria efeitos retroativos, com valores e metas fixados após o encerramento do exercício para serem pagos em relação a período pretérito, o que também não estaria de acordo com a legislação. Fl. 305DF CARF MF Impresso em 25/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/05/2012 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 14/05/201 2 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 15/05/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Processo nº 14485.000973/200732 Acórdão n.º 230201.764 S2C3T2 Fl. 7 13 Ainda é de se notar, que este acordo para pagamento de PLR em 2004 e retroativo a 2003, expressava indicadores e pesos nos anexos I e II, fls. 50/56, todavia mesmo que aceito para 2004, no corpo do documento existe menção expressa de que os indicadores, pesos e metas estabelecidos para o respectivo exercício deveria ser comunicado para cada empregado, que com base na informação teria conhecimento dos indicadores de resultado para a empresa, unidade de negócios e área em que estivesse vinculado, bem como o valor da PLR, relacionada com o percentual de atingimento de tais resultados. Ocorre que não há qualquer prova nos autos de que os trabalhadores tiveram conhecimento das metas estabelecidas. A recorrente não trouxe nenhum elemento que demonstrasse que os segurados estivessem cientes de que resultados a empresa almejava e do que precisavam realizar para alcançálos. O Acordo ainda refere que poderão ser definidos novos indicadores para o pagamento da PLR, que também deverão ser comunicados aos empregados, mas repito, nada consta nos autos a este respeito. Ao Acordo datado de 15/03/2006, fls. 59/63, com vigência retroativa a 2005 e válido até 12/2006, se aplicam todas as considerações acima referidas. É inaplicável para o exercício pretérito de 2005 e quanto a 2006, não está evidenciado que os empregados foram comunicados das metas a serem atingidas. Assim, frente a realidade fática encontrada pela fiscalização, correto foi o procedimento de lançar o crédito referente às contribuições previdenciárias incidentes sobre valores pagos a título de PLR, porque tais pagamentos não obedeceram aos preceitos legais de que dos acordos deverão constar regras claras e objetivas quanto à fixação dos direitos substantivos e quanto à fixação das regras adjetivas, ou seja, devem estar evidenciados os mecanismos de aferição das informações pertinentes ao cumprimento do acordado. Por derradeiro, a recorrente pauta suas razões na impossibilidade constitucional de considerar a PLR como verba salarial. Com efeito a Constituição Federal desvinculou totalmente a rubrica do salário, desde que seja efetivamente considerada Participação nos Lucros e Resultados. Aí reside o ponto chave, os valores pagos aos segurados empregados na forma da Lei n.º 10.101/2000, realmente não integram o salário conforme disposição constitucional. Todavia, nos casos em que valores são pagos a título de PLR, mas não se revestem das características necessárias para tanto, o fisco tem o dever e a prerrogativa de levantar tais valores como salário integrante da base contributiva previdenciária. No caso em questão, pelo exame dos documentos apresentados e grafados em português, não restou demonstrado que os valores pagos aos segurados empregados se revestiram das características e cumpriram os pressupostos legais exigíveis para ser efetivamente parcelas pagas a título de participação nos lucros ou resultados, devendo, assim integrar o salário de contribuição. Fl. 306DF CARF MF Impresso em 25/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/05/2012 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 14/05/201 2 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 15/05/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA 14 A multa referente ao descumprimento da obrigação acessória, que originou este auto de infração, está contida no artigo 32, § 5º da Lei n.º 8.212/91 e artigo 284, inciso II, do Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto n.º 3.048/99: Art.284. A infração ao disposto no inciso IV do caput do art. 225 sujeitará o responsável às seguintes penalidades administrativas: I valor equivalente a um multiplicador sobre o valor mínimo previsto no caput do art. 283, em função do número de segurados, pela não apresentação da Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social, independentemente do recolhimento da contribuição, conforme quadro abaixo: 0 a 5 segurados ½ valor mínimo 6 a 15 segurados 1 x o valor mínimo 16 a 50 segurados 2 x o valor mínimo 51 a 100 segurados 5 x o valor mínimo 101 a 500 segurados 10 x o valor mínimo 501 a 1000 segurados 20 x o valor mínimo 1001 a 5000 segurados 35 x o valor mínimo Acima de 5000 segurados 50 x o valor mínimo II cem por cento do valor devido relativo à contribuição não declarada, limitada aos valores previstos no inciso I, pela apresentação da Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social com dados não correspondentes aos fatos geradores, seja em relação às bases de cálculo, seja em relação às informações que alterem o valor das contribuições, ou do valor que seria devido se não houvesse isenção ou substituição, quando se tratar de infração cometida por pessoa jurídica de direito privado beneficente de assistência social em gozo de isenção das contribuições previdenciárias ou por empresa cujas contribuições incidentes sobre os respectivos fatos geradores tenham sido substituídas por outras; e (Redação dada pelo Decreto nº 4.729, de 9/06/2003) III cinco por cento do valor mínimo previsto no caput do art. 283, por campo com informações inexatas, incompletas ou omissas, limitada aos valores previstos no inciso I, pela apresentação da Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social com erro de preenchimento nos dados não relacionados aos fatos geradores. § 1º A multa de que trata o inciso I, a partir do mês seguinte àquele em que o documento deveria ter sido entregue, sofrerá acréscimo de cinco por cento por mês calendário ou fração. § 2º O valor mínimo a que se refere o inciso I será o vigente na data da lavratura do autodeinfração. Fl. 307DF CARF MF Impresso em 25/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/05/2012 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 14/05/201 2 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 15/05/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Processo nº 14485.000973/200732 Acórdão n.º 230201.764 S2C3T2 Fl. 8 15 Deverá ser considerado, por competência, o número total de segurados da empresa, para fins do limite máximo da multa, que será apurada por competência, somandose os valores da contribuição não declarada, e seu valor total será o somatório dos valores apurados em cada uma das competências. A aplicação de penalidade por descumprimento de obrigação acessória constante da Lei n.º 8.212/91, não foi enquinada de inconstitucionalidade pelo Supremo Tribunal Federal, estando totalmente válida e devendo ser obedecida pela via administrativa, vez que está dentro dos pressupostos legais e constitucionais. Por derradeiro, há que se observar a retroatividade benigna prevista no art. 106, inciso II do CTN. As multas em GFIP foram alteradas pela Medida Provisória n º 449 de 2008, que beneficiam o infrator. Foi acrescentado o art. 32A à Lei n º 8.212, já na redação da Lei n.º 11.941/2009, nestas palavras: “Art. 32A. O contribuinte que deixar de apresentar a declaração de que trata o inciso IV do caput do art. 32 desta Lei no prazo fixado ou que a apresentar com incorreções ou omissões será intimado a apresentála ou a prestar esclarecimentos e sujeitarseá às seguintes multas: I – de R$ 20,00 (vinte reais) para cada grupo de 10 (dez) informações incorretas ou omitidas; e II – de 2% (dois por cento) ao mêscalendário ou fração, incidentes sobre o montante das contribuições informadas, ainda que integralmente pagas, no caso de falta de entrega da declaração ou entrega após o prazo, limitada a 20% (vinte por cento), observado o disposto no § 3o deste artigo. § 1o Para efeito de aplicação da multa prevista no inciso II do caput deste artigo, será considerado como termo inicial o dia seguinte ao término do prazo fixado para entrega da declaração e como termo final a data da efetiva entrega ou, no caso de não apresentação, a data da lavratura do auto de infração ou da notificação de lançamento. § 2o Observado o disposto no § 3o deste artigo, as multas serão reduzidas: I – à metade, quando a declaração for apresentada após o prazo, mas antes de qualquer procedimento de ofício; ou II – a 75% (setenta e cinco por cento), se houver apresentação da declaração no prazo fixado em intimação. § 3o A multa mínima a ser aplicada será de: I – R$ 200,00 (duzentos reais), tratandose de omissão de declaração sem ocorrência de fatos geradores de contribuição previdenciária; e II – R$ 500,00 (quinhentos reais), nos demais casos.” Conforme previsto no art. 106, inciso II do CTN, a lei aplicase a ato ou fato pretérito, tratandose de ato não definitivamente julgado: Fl. 308DF CARF MF Impresso em 25/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/05/2012 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 14/05/201 2 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 15/05/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA 16 a) quando deixe de definilo como infração; b) b) quando deixe de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; c) c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. Assim, no caso presente, há cabimento do art. 106, inciso II, alínea “c” do Código Tributário Nacional. Pelo exposto, voto pelo provimento parcial do recurso, devendo a multa aplicada ser calculada considerando as disposições do artigo 32A, inciso I, da Lei n.º 11.941/2009. Liege Lacroix Thomasi Relatora Fl. 309DF CARF MF Impresso em 25/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/05/2012 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 14/05/201 2 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 15/05/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA
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Numero do processo: 13896.002786/2010-94
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Apr 16 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Wed May 22 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2006 a 31/01/2006, 01/05/2006 a 31/05/2006, 01/06/2006 a 30/06/2006, 01/12/2006 a 31/12/2006
FOLHAS DE PAGAMENTO. INFORMAÇÕES PRESTADAS PELA EMPRESA. PRESUNÇÃO DE VERACIDADE.
As informações prestadas pela própria empresa em seus documentos gozam da presunção de veracidade.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 2402-003.506
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
Julio Cesar Vieira Gomes Presidente e Relator.
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Julio Cesar Vieira Gomes, Ana Maria Bandeira, Lourenço Ferreira do Prado, Ronaldo de Lima Macedo, Thiago Taborda Simões e Nereu Miguel Ribeiro Domingues.
Nome do relator: JULIO CESAR VIEIRA GOMES
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2006 a 31/01/2006, 01/05/2006 a 31/05/2006, 01/06/2006 a 30/06/2006, 01/12/2006 a 31/12/2006 FOLHAS DE PAGAMENTO. INFORMAÇÕES PRESTADAS PELA EMPRESA. PRESUNÇÃO DE VERACIDADE. As informações prestadas pela própria empresa em seus documentos gozam da presunção de veracidade. Recurso Voluntário Negado.
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INFORMAÇÕES PRESTADAS PELA EMPRESA. PRESUNÇÃO DE VERACIDADE. As informações prestadas pela própria empresa em seus documentos gozam da presunção de veracidade. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. Julio Cesar Vieira Gomes – Presidente e Relator. Participaram do presente julgamento os conselheiros: Julio Cesar Vieira Gomes, Ana Maria Bandeira, Lourenço Ferreira do Prado, Ronaldo de Lima Macedo, Thiago Taborda Simões e Nereu Miguel Ribeiro Domingues. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 89 6. 00 27 86 /2 01 0- 94 Fl. 198DF CARF MF Impresso em 22/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 20/05/ 2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 2 Relatório Tratase de recurso voluntário interposto contra decisão de primeira instância que julgou procedente o lançamento fiscal com ciência em 02/12/2010 de contribuições descontadas dos segurados e não repassadas à previdência social. Seguem transcrições de trechos da decisão recorrida: VALORES RETIDOS, NÃO RECOLHIDOS E NÃO DECLARADOS. AUTO DE INFRAÇÃO. Apurados pelo auditor fiscal valores retidos a titulo de contribuição previdenciária devida pelo segurado empregado e não recolhida para a Previdência Social, correta a lavratura do auto de infração para constituição do respectivo crédito tributário não declarado em GFIP. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido ... 4.4. Efetuamos batimento entre a Folha de Pagamento e os valores informados em GFIPs, sendo apurado o valor das Contribuições Previdenciárias não recolhido e não informado. Nas planilhas que serviram de base para o presente levantamento está demonstrado o valor da Contribuição Previdenciária devida e sua forma de apuração. ... Essas alegações da autuada na verdade apenas confirmam o que foi constatado pelo autuante, ou seja, que a contribuinte de fato não fez os recolhimentos das diferenças apuradas. Na verdade, o que ela busca agora é aproveitar valores que, segundo ela, teriam sido recolhidos a maior na matriz, alegando que tais "créditos" seriam suficientes para quitar os valores constituídos no auto de infração. Os recolhimentos efetuados pela contribuinte, conforme consulta aos sistemas da Secretaria da Receita Federal do Brasil, foram todos feitos com o código 2100 (fls. 1794/1804), o qual abarca não apenas a contribuição prevista no art. 20 da Lei n° 8.212, de 1991, devida pelos segurados empregados e que deve ser retida pela empresa, como também as contribuições devidas pela própria empresa previstas no art. 22, inciso I a III, também da Lei de Custeio. Por essa razão, não há como distinguir entre os valores recolhidos pela contribuinte o que seria relativo A contribuição devida pelo segurado empregado do que seria relativo As contribuições devidas pela empresa. ... Os recolhimentos para essas três competências são respectivamente R$ 21.502,73, R$ 17.395,54 e R$ 19.989,54, ou Fl. 199DF CARF MF Impresso em 22/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 20/05/ 2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 13896.002786/201094 Acórdão n.º 2402003.506 S2C4T2 Fl. 2.046 3 seja, muito inferiores aos valores devidos pela contribuinte discriminados acima, o que demonstra a improcedência das alegações, uma vez que não há crédito algum decorrente desses recolhimentos. Pelo contrário, a contribuinte é devedora da previdência em relação a essas três competências, cujos créditos tributários devidos foram constituídos pelo auditor fiscal em outros autos de infração (contribuições da empresa no DEBCAD n° 37.289.6294, processo administrativo n° 13896.002785/201040; contribuição dos segurados empregados no DEBCAD no 37.289.6316, processo administrativo n° 13896.002787/201039; e contribuições a terceiros no DEBCAD n° 37.311.1134, processo administrativo n° 13896.002788/ 201083). Contra a decisão, o recorrente interpôs recurso voluntário, onde reitera as alegações trazidas na impugnação: De acordo com os documentos examinados pela fiscalização, na competência de junho/06 a impugnante recolheu no CNPJ da matriz a titulo de contribuição dos segurados, a importância de R$ 21.502,73 (vinte e um mil, quinhentos e dois reais e setenta e três centavos) enquanto a obrigação previdenciária desse mês era de R$ 17.658,49 (dezessete mil, seiscentos e cinquenta e oito reais e quarenta e nove centavos), conforme consignado no ANEXO I do AI. Ou seja, para a competência de Junho/06 foi recolhido a maior aos cofres previdenciários o valor de R$ 3.844,24 (três mil, oitocentos e quarenta e quatro reais e vinte e quatro centavos). Por sua vez, no ANEXO II consigna um débito na filial na mesma competência de R$ 1.301,95. 0 débito da filial para a competência do mês de junho/06 foi de R$ 3.844,24, o qual, foi recolhido a maior no CNPJ da matriz conforme retro colocado, demonstrando inequivocamente, que o débito desse período (matriz/filial) foi recolhido. A constatação retro mencionada revela que inexiste a divida apontada no ANEXO II, para a filial, motivo pelo qual o sujeito ativo deve alocar essa diferença afim de sanar a irregularidade formal existente. O ANEXO I, demonstra que a fiscalizada também efetuou recolhimentos a maior nas competências de Novembro e Dezembro/2006 na (matriz) pois, deveria ter recolhido aos cofres previdenciários o valor de R$ 15.696,10 (quinze mil, seiscentos e noventa e seis reais e dez centavos) R$ 15.595,66 (quinze mil, quinhentos e noventa e cinco reais e sessenta e seis centavos), respectivamente, todavia recolheu aos cofres previdenciários o valor de R$ 17.395,154 (dezessete mil, trezentos e noventa e cinco reais e cinquenta e quatro centavos) e R$ 19.989,54 (dezenove mil, novecentos e oitenta e nove reais e cinquenta e quatro centavos). Fl. 200DF CARF MF Impresso em 22/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 20/05/ 2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 4 Sendo assim, a impugnante pagou a maior a previdência R$ 6.093,32 (seis mil e noventa e três reais e trinta e dois centavos), cujo crédito, deve ser compensado com a diferença levantada pela fiscalização relativamente a filial do mês de dezembro no valor de R$ 2.284,39 (dois mil, duzentos e oitenta e quatro reais e trinta e nove centavos), conforme ANEXO I. Feita essa compensação, a impugnante é credora do valor R$ 3.808,93 (três mil, oitocentos e oito reais e noventa e três centavos), o que pode ser verificado pelo próprio levantamento feito pela fiscaliza cão, motivo pelo qual o auto de infração deve ser cancelado com fundamento no artigo 156, I, do Código Tributário Nacional. Vale salientar que o erro no recolhimento da contribuição (matriz e filial) não convalida a acusação fiscal pois erro não pode ser considerado fato gerador de tributo, de acordo com o principio da tipicidade cerrada que rege as relações jurídicas tributárias. Relativamente as informações em GFIP, a impugnante contesta a tipificação, uma vez que não há o débito constituído no auto de infração e toda documentação inerente a ambos estabelecimentos foram disponibilizadas a fiscalização conforme se comprova através dos termos consignados no respectivo relatório fiscal. Portanto, não há dúvida quanto ao equivoco e à insubsistência da acusação contida no Auto de Infração vestibular, tornando patente a ilegalidade das exigências fiscais formuladas. Como resultou plenamente demonstrado, não há dúvida de que o Auto de Infração impugnado, um ato administrativo nulo de pleno direito em face da acusação e pretensões fiscais nele consubstanciadas mostraremse totalmente insubsistentes, injurídicas e ilegais. No mais, traz as alegações de nulidade do lançamento que fundamentaram seu recurso voluntário no processo principal nº 13896.002785/201040. É o Relatório. Fl. 201DF CARF MF Impresso em 22/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 20/05/ 2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 13896.002786/201094 Acórdão n.º 2402003.506 S2C4T2 Fl. 2.047 5 Voto Conselheiro Julio Cesar Vieira Gomes, Relator Procedimentos formais Quanto ao procedimento da fiscalização e formalização do lançamento também não se observou qualquer vício. Foram cumpridos todos os requisitos dos artigos 10 e 11 do Decreto n° 70.235, de 06/03/72, verbis: Art. 10. O auto de infração será lavrado por servidor competente, no local da verificação da falta, e conterá obrigatoriamente: I a qualificação do autuado; II o local, a data e a hora da lavratura; III a descrição do fato; IV a disposição legal infringida e a penalidade aplicável; V a determinação da exigência e a intimação para cumprila ou impugnála no prazo de trinta dias; VI a assinatura do autuante e a indicação de seu cargo ou função e o número de matrícula. Art. 11. A notificação de lançamento será expedida pelo órgão que administra o tributo e conterá obrigatoriamente: I a qualificação do notificado; II o valor do crédito tributário e o prazo para recolhimento ou impugnação; III a disposição legal infringida, se for o caso; IV a assinatura do chefe do órgão expedidor ou de outro servidor autorizado e a indicação de seu cargo ou função e o número de matrícula. O recorrente foi devidamente intimado de todos os atos processuais que trazem fatos novos, assegurandolhe a oportunidade de exercício da ampla defesa e do contraditório, nos termos do artigo 23 do mesmo Decreto. Art. 23. Farseá a intimação: I pessoal, pelo autor do procedimento ou por agente do órgão preparador, na repartição ou fora dela, provada com a assinatura do sujeito passivo, seu mandatário ou preposto, ou, no caso de recusa, com declaração escrita de quem o intimar; (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 10.12.1997) Fl. 202DF CARF MF Impresso em 22/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 20/05/ 2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 6 II por via postal, telegráfica ou por qualquer outro meio ou via, com prova de recebimento no domicílio tributário eleito pelo sujeito passivo; (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 10.12.1997) III por edital, quando resultarem improfícuos os meios referidos nos incisos I e II. (Vide Medida Provisória nº 232, de 2004) A decisão recorrida também atendeu às prescrições que regem o processo administrativo fiscal: enfrentou as alegações pertinentes do recorrente, com indicação precisa dos fundamentos e se revestiu de todas as formalidades necessárias. Não contém, portanto, qualquer vício que suscite sua nulidade, passando, inclusive, pelo crivo do Egrégio Superior Tribunal de Justiça: Art. 31. A decisão conterá relatório resumido do processo, fundamentos legais, conclusão e ordem de intimação, devendo referirse, expressamente, a todos os autos de infração e notificações de lançamento objeto do processo, bem como às razões de defesa suscitadas pelo impugnante contra todas as exigências. (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 9.12.1993). “PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. NULIDADE DO ACÓRDÃO. INEXISTÊNCIA. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. SERVIDOR PÚBLICO INATIVO. JUROS DE MORA. TERMO INICIAL. SÚMULA 188/STJ. 1. Não há nulidade do acórdão quando o Tribunal de origem resolve a controvérsia de maneira sólida e fundamentada, apenas não adotando a tese do recorrente. 2. O julgador não precisa responder a todas as alegações das partes se já tiver encontrado motivo suficiente para fundamentar a decisão, nem está obrigado a aterse aos fundamentos por elas indicados “. (RESP 946.447RS – Min. Castro Meira – 2ª Turma – DJ 10/09/2007 p.216). Portanto, em razão do exposto e nos termos das regras disciplinadoras do processo administrativo fiscal, não se identificam vícios capazes de tornar nulo quaisquer dos atos praticados: Art. 59. São nulos: I os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. Quanto à inclusão em parcelamento especial de parte das contribuições previdenciárias lançadas, o documento de formalização juntado aos autos comprova que somente forem parceladas diferenças de contribuições já apuradas antes da fiscalização e, portanto, não procede a alegação. No mérito As folhas de pagamentos foram preparadas pelo próprio recorrente que registrou o desconto da remuneração e não comprovou o recolhimento em favor da Previdência Social das contribuições arrecadadas dos segurados. Fl. 203DF CARF MF Impresso em 22/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 20/05/ 2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 13896.002786/201094 Acórdão n.º 2402003.506 S2C4T2 Fl. 2.048 7 Em razão da clareza do lançamento e do reconhecimento das bases de cálculo pelo próprio recorrente, é prescindível qualquer diligência ou perícia para a necessária convicção no julgamento do presente recurso, devendose aplicar o disposto nas normas que disciplinam o processo administrativo tributário, in verbis: DECRETO Nº 70.235, DE 6 DE MARÇO DE 1972. Art. 18. A autoridade julgadora de primeira instância determinará, de ofício ou a requerimento do impugnante, a realização de diligências ou perícias, quando entendêlas necessárias, indeferindo as que considerar prescindíveis ou impraticáveis, observando o disposto no art. 28, in fine. (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 9.12.1993) Os supostos recolhimentos realizados porém em outros estabelecimentos foram examinados pela fiscalização e pela instância recorrida, concluindose que todos já haviam sido considerados nos demais lançamentos e não houve qualquer equívoco na apuração da contribuição pela fiscalização ou do pagamento por parte do recorrente. Por tudo, voto por negar provimento ao recurso voluntário. É como voto. Julio Cesar Vieira Gomes Fl. 204DF CARF MF Impresso em 22/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 20/05/ 2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES
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Numero do processo: 19515.002473/2004-10
Turma: Terceira Câmara
Seção: Segundo Conselho de Contribuintes
Data da sessão: Wed Oct 08 00:00:00 UTC 2008
Data da publicação: Wed Oct 08 00:00:00 UTC 2008
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 01/01/1998 a 31/12/2003
DECADÊNCIA. TERMO INICIAL. ARTS. 150, § 4º E 173, I DO CTN.
Nos termos do § 4o do art. 150 do CTN, homologa-se apenas a atividade do contribuinte em apurar o crédito tributário devido, sendo irrelevante o fato de ter havido ou não pagamento. Conseqüentemente, o termo inicial para a contagem decadencial é o dia da ocorrência do fato gerador, salvo comprovada fraude ou dolo do contribuinte, hipótese em que o termo inicial passa a ser o primeiro dia do exercício seguinte àquele em que poderia ter sido efetuado o lançamento, nos termos do art. 173, I do CTN.
MULTA QUALIFICADA (150%).
Procede a aplicação desta penalidade, quando a redução do IPI a ser recolhido foi resultado da intencional omissão, na escrituração do livro de apuração do imposto, dos débitos lançados nas notas fiscais.
Recurso provido em parte.
Numero da decisão: 203-13366
Matéria: IPI- ação fiscal- insuf. na apuração/recolhimento (outros)
Nome do relator: Eric Moraes de Castro e Silva
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Recorrida DRJ - RIBEIRÃO PRETO/SP ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS - IPI Período de apuração: 01/01/1998 a 31/12/2003 DECADÊNCIA. TERMO INICIAL. ARTS. 150, § 4° E 173, I DO CTN. Nos termos do § 4° do art. 150 do CTN, homologa-se apenas a atividade do contribuinte em apurar o crédito tributário devido, sendo irrelevante o fato de ter havido ou não pagamento. Conseqüentemente, o termo inicial para a contagem decadencial é o dia da ocorrência do fato gerador, salvo comprovada fraude ou• dolo do contribuinte, hipótese em que o termo inicial passa a ser o primeiro dia do exercício seguinte àquele em que poderia ter sido efetuado o lançamento, nos termos do art. 173, Ido CTN. MULTA QUALIFICADA (150%). Procede a aplicação desta penalidade, quando a redução do IPI a ser recolhido foi resultado da intencional omissão, na escrituração do livro de apuração do imposto, dos débitos lançados nas notas fiscais. Recurso provido em parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM,. os Mem os da TERCEIRA CÂMARA do SEGUNDO CONSELHO DE CONT • 1: INTE or unani .d. a- de votos, em dar provimento parcial ao recurso, nos tenn_c_),5 do do Rel tOr. ci • O OS BURG FILHO • -- _ _ reisdente - - MF-SEGUNDO CONSELHO DE COIWRIBUINTES _ _ CONFERE COM O ORIGINAL Braatlia„-,.2 / gerg ~Ide Lno de Oliveira Mat. Sion° 91650 _ Processo na 19515 002473/2004-10 CCO2/CO3 Acórdão n.° 203-13.366 Fls. 881 , ( teLf(uut- cLuL ERIC MORAES DE CASTRO E SILVA Relator Participaram, ainda, do presente julgamento os Conselheiros Emanuel Carlos Dantas de Assis, Odassi Guerzoni Filho, Jean Cleuter Simões Mendonça, José Ad Vitorino de Morais, Fernando Marques Cleto Duarte e Dalton Cesar Cordeiro de Miranda. MF-SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES CONFERE COM O ORIGINAL Bruma. ,-,2g Y Madrida011vesra Met Sisee 91650 _ — _ 2 _ . _ - • - - Processo n° 19515.002473/2004-10 CCO2/CO3 Acórdão n.° 203-13.366• ME-SEGUNDO CONSELHO DE CONYFRIBUINTES Fls. 882 CONFERE COM O ORIGINAL BrasIlie dg /I 1 0 ›S ~de Cursiede Oliveira Met. Slape 91650 Relatório Trata-se de Recurso Voluntário contra o acórdão da DRJ que julgou • parcialmente procedente o Auto de Infração lavrado para a cobrança do IPI no montante de RS1.039.286,12, sendo que a parcela de RS 310.921,03 corresponde ao imposto devido, a de R$ 261.983,88 aos juros de mora imputados até 29/10/04 e a quantia de RS 466.381,21 resultou da multa de oficio de 150% aplicada sobre o valor do IPI não recolhido. A decisão recorrida foi assim ementada: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - 1PI Período de apuração: 01/01/1998 a 31/12/2003 • Ementa: IPI ESCRITURADO. FALTA DE RECOLHIMENTO. Considera-se como não impugnada a matéria que não foi expressamente contestada pela impugnante. DECADÊNCIA. Inexistindo o lançamento por homologação, o prazo de decadência para o lançamento de ofício deve ser contado pela regra do art. 173, I • do CTN. • - NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. INTERPRETAÇÃO BENIGNA. O lançamento da multa de ofício, no percentual de 150%, há de ser celebrado de maneira precisa e induvidosa, de modo a assegurar que os fatos que a ensejaram constituem, efetivamente, infração qualcada à legislação do IPL Se houver dúvida quanto à natureza ou às circunstâncias materiais do fato, ou à natureza ou extensão dos seus efeitos, impõe-se a solução mais favorável ao sujeito passivo (multa de 75%), consoante estabelece o inciso lido art. 112 do C77V. • Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IP/ Período de apuração: 01/01/1999 a 31/12/1999 Ementa: IPI NÃO ESCRITURADO. FALTA DE RECOLHIMENTO. Considera-se como não impugnada a matéria que não foi expressamente contestada pela impugnante. • MULTA QUALIFICADA (150%). Procede a aplicação desta penalidade, quando a rédtição doi PI a ser recolhido foi resultado da intencional omissão, na escrituração do livro de apuração do imposto, dos débitos lançados nas notas fiscais. • _ . IPI. LANÇAMENTO. COND CITA DOLOSA. PRAZO DECADENCIAL. 3 — 4 Processo n° 195 15.002473/2004-10 CCO2/CO3 Acórdão n.° 203-13.388 Fls. 883 Comprovado que a falta de recolhimento se deu mediante expediente doloso, o prazo decadencial, para a constituição do crédito tributário, excepciona o dies a quo determinado pelo § 4 0 do Art. 150 do CTN. No seu recurso, a contribuinte apenas se insurge contra a decadência de parte do crédito tributário e a aplicação da multa qualificada de 150% para a parte da autuação referente ao "IPI lançado nas notasfucais, porém mio escriturado, nem recolhido", já que no restante já foi exonerada a multa qualificada. Quanto à decadência, aduz que o auto de infração lhe foi cientificado em 18.11.2004, cobrando-lhe períodos a partir de janeiro de 1998. Já quanto à multa qualificada, sustenta: "note-se que o Débito está tis claras — não houve falta de nota fiscal, nota calçada ou falta de lançamento do IP1 nas notas fiscais — bastou um exame sumário entre livros, notas fiscais e comprovantes de recolhimento para que a falta de pagamento ficasse evidente" (fl. 782). É o Relatório. mr-sEcuNoo CONSELHO DE CON1RIBLI4TES • CONFERE COM O ORIGINAL C2 y &usina, 09 2 Mame Cursnt011vetra MM Slape 91850 ty. 4 Processo n° 19515.002473/2004-10CCO2/CO3MF-SEGUNDO CONSELHO DE COMEI-444 rEsAcórdão e 203-13.386 CONFERE COM O ORIGINAL Fls. 884 • Brat" .fig li 06 • Matilde t'L de obsta met SI 91650 Voto • CONSELHEIRO ERIC MORAES DE CASTRO E SILVA, Relator • O recurso satisfaz os seus requisitos de admissibilidade, razão pela qual dele • conheço. Assim como no voto da decisão recorrida, peço vênia para dividir o presente julgamento em duas partes, quais sejam, os créditos oriundos de "IPI lançado, porém recolhido a menor" e "IPI lançado, porém não escriturado, nem recolhido". IPI lançado, porém recolhido a menor. • Neste tópico a decisão recorrida entendeu não ter havido conduta dolosa, mas mero inadimplemento da contribuinte, razão pela qual reduziu a multa qualificada de 150% para a multa de oficio de 75%. Quanto a decadência, entendeu aplicar o art. 173, I do CTN, que fixa o termo • inicial do prazo para a constituição do crédito o primeiro dia do exercício seguinte ao da ocorrência do fato gerador. Vejamos a fundamentação da decisão recorrida: Quanto à decadência argüida, o prazo para o lançamento de oficio do IPI que deixou de ser recolhido é aquele previsto no artigo 173-1 do - • CTN, primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, 01/01/99, e não o do artigo 150, § 4°, o que • • atinge, apenas, o período de 01/01/98 a 31/12/98. Ouso discordar de tal entendimento. Na opinião deste relator o termo inicial para a decadência deve ser o dia da ocorrência do fato gerador, nos termos do art. 150, parágrafo 40 do CTN, verbis: "Art. 150. O lançamento por homologação, que ocorre quanto aos • tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, opera-se • pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa. (O.) § 4' Se a lei não fixar prazo a homologação, será ele de cinco anos, a contar da ocorrência do fato gerador; expirado esse prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considera-se homologado o • lançamento e definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de . dolo, fraude ou simulação." _ A homologação referida no parágrafo acima não se refere ao pagamento, mas • _ _ sim a atividade da contribuinte em apurar o crédito tributário devido. Nesse sentido, peço vênia • para transcrever a lição de Hugo de Brito Machado, que bem distingue a "homologação do pagamento" da "homologação da apuração do crédito tributário", verbis: • tf,'" \ .--SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES • CONFERE COM O ORIGINAL • Processo e 19515.002473/2004-10 Bessels, 02Q / 151 / O 4 CCO2/CO3 Acórdão n.• 203.13.366 fie Fls. 885 Meti. Ctnino do Onfl Mat. Slepe 91650 "Não obstante o art. l--50", em seu parágrafo primeiro refira-se a homologação do lançamento, e em seu parágrafo quarto contenha a expressão considera-se homologado o lançamento, na verdade não se homologa o lançamento, pois o lançamento, nesta hipótese, consiste precisamore na isalezação r_Vil o se trata de desobedecer ao C7N. Cuida-se na ~de de corritjr erro de redação que em nada interfere com as normas nele existentes. Erro que se mostra evidente em face de outros dispositivos do próprio Código, e da lógica jurídica). Homologação da atividade de apuração ou determinação do valor do tributo e, sendo o caso, da penalidade, que a final consubstanciam o crédito tributário. O que existe antes da homologação não é, em termos jurídicos, um lançameVa . Toda a atividade material desenvolvida pelo contribuinte para a determinação do valor devido ao fisco não é, do ponto de vista rigorosamente jurídico, o pois este é, repita-se, atividade privativa da autoridade administrativa. Atividade que, em se tratado de lançamento por homologação, consiste simplesmente na homologação. (É certo que o ff 1°, do art. til0, referindo-se à homologação do lançará:Má, parece admitir que se deve considerar a atividade de apuração, desenvolvida pelo contribuinte, como lançamento. Cuida-se, porém, de simples impropriedade terminológica. A palavra lançariíenté, aí, está empregada no sentido de apuração do valor do tributo. Não no sentido técnico jurídico de constituição do crédito tributário)." — (MACHADO, Hugo de Brito. Decadência e lançamento por homologação tácita no artigo 2 do CTN. 2004. Disponível em: <http://www.hugomachado.adv.br ). Assim, tendo em vista que o Auto de Infração foi cientificado a contribuinte em 05.11.2004, voto para declarar decaídos os períodos de apuração anteriores a 05.11.1999 para os créditos oriundos dos períodos apurados pela contribuinte, porém recolhidos a menor. IPI lançado, porém não escriturado, nem recolhido. Neste ponto, entende a decisão recorrida não ter havido mero inadimplemento, como defendido pela Recorrente, mas conduta dolosa tendente a ocultar a ocorrência do fato gerador. Peço vênia para transcrever a fundamentação: "Não procede, neste item, a alegação de que, tão somente, teria ocorrido a falta de pagamento do imposto corretamente lançado pelo contribuinte, na medida que a fiscalização não teve necessidade de realizar qualquer levantamento, bastando examinar sumariamente os livros da fiscalizada para apurar o débito. Ao contrário deste argumento, o que consta nos autos é que o exame dos livros da fiscalizada não revelou o débito em questão, tendo sido necessário que se realizasse uma circularização entre os dois maiores compradores da Multicircuits (SMS TECNOLOGIA ELETRONICA LTDA e KOSTAL ELETROMECÁN1CA LTDA). Somente após tal procedimento é que se constatou, durante o ano de 1999, a omissão de • receitas, com a conseqüente falta de pagamento do 1PL Note-se que a peça impugnató ria não faz qualquer comentário quanto ao fato de que os referidos compradores foram intimados a apresentar /6 Processo n° 19515.002473/2004-10 CCO2/CO3 Acórdão n.• 203-13.366 F. • as notas fiscais de aquisição realizadas junto à Multicircuits, as quais foram confrontadas com a escrituração do Livro de Saldas da fiscalizada, donde a fiscalização verificou que parte dessas notas deixaram de ser escrituradas naquele livro e. conseaftememente, no Livro Registro e Apuração do IPI". • De fato, a representação fiscal adotada peia fundamentação supra comprova que houve intenção em ocultar a ocorrência do fato gerador, o que caracteriza a conduta dolosa prevista no art. 25 da Lei n°4.502, de 1964, razão pela qual entendo devida a manutenção da multa qualificada de 150%. Outrossim, comprovada a atividade dolosa, a parte fula! do parágrafo 4° do art. 150 determina que não deve se aplicar à regra do "dia da ocorrência do fato gerador", mas sim • o primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos termos do art. 173, Ido CIN, como bem definiu a decisão recorrida. Por todo o exposto, voto pelo provimento parcial para declarar decaídos os • períodos de apuração anteriores a 05.11.1999 para os créditos tributários oriundos dos períodos • lançados (apurados) pela contribuinte, porém recolhidos a menor. No mais, mantenho na • íntegra a decisão recorrida. É como voto. Sala das Sessôes, em 08 de outubro de 2008. • ti ( etifte ((É d.' ERIC MORAES D CASTRO E SILVA • ' DE to iBuinges mf-saautoo caLA o ORIGINAL 0 g Braga. kW.% dde OGYeta UM, 9165° 7 Page 1 _0024400.PDF Page 1 _0024500.PDF Page 1 _0024600.PDF Page 1 _0024700.PDF Page 1 _0024800.PDF Page 1 _0024900.PDF Page 1
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Numero do processo: 10880.675108/2009-92
Turma: Segunda Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed May 08 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Thu May 16 00:00:00 UTC 2013
Numero da decisão: 1802-000.221
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, CONVERTER o julgamento em diligência, nos termos do voto do Relator.
(documento assinado digitalmente)
Ester Manques Lins de Sousa- Presidente.
(documento assinado digitalmente)
Nelso Kichel- Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, José de Oliveira Ferraz Corrêa, Nelso Kichel, Marciel Eder Costa, Marco Antônio Nunes Castilho e Gustavo Junqueira Carneiro Leão.
Relatório
Nome do relator: NELSO KICHEL
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Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, CONVERTER o julgamento em diligência, nos termos do voto do Relator. (documento assinado digitalmente) Ester Manques Lins de Sousa Presidente. (documento assinado digitalmente) Nelso Kichel Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, José de Oliveira Ferraz Corrêa, Nelso Kichel, Marciel Eder Costa, Marco Antônio Nunes Castilho e Gustavo Junqueira Carneiro Leão. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 08 80 .6 75 10 8/ 20 09 -9 2 Fl. 54DF CARF MF Impresso em 16/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/05/2013 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 15/05/2013 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 15/05/2013 por NELSO KICHEL Processo nº 10880.675108/200992 Resolução nº 1802000.221 S1TE02 Fl. 55 2 Relatório Cuidam os autos do Recurso Voluntário de fls. 32/47 contra decisão da 5ª Turma da DRJ/São Paulo I (fls. 26/30) que julgou a Manifestação de Inconformidade improcedente. Quanto aos fatos, consta que em 29/12/2006 a contribuinte transmitiu eletronicamente via internet, por meio do Programa PER/DCOMP, a declaração de compensação tributária nº 21994.98463.291206.1.3.047809 (fls.02/04), onde consta: a) débito informado (confessado): IRPJ estimativa mensal, código de receita 5993, do PA outubro/2005, data de vencimento 30/11/2005, assim especificado: principal: R$ 1.954,99; multa moratória: R$ 390,99; juros de mora: R$ 305,17; Total: R$ 2.651,15. b) débito informado (confessado): IRPJ estimativa mensal, código de receita 5993, do PA novembro/2005, data de vencimento 29/12/2005, assim especificado: principal: R$ 3.363,00; multa moratória: R$ 672,60; juros de mora: R$ 475,52; Total: R$ 4.511,12. c) crédito utilizado: aproveitamento de suposto direito creditório de R$ 4.461,08 (valor original), referente pagamento indevido ou a maior de CSLL estimativa mensal, código de receita 2484, do PA 31/03/2003, valor de R$ 4.462,14 (valor original), data do recolhimento 28/04/2003. Entretanto, na DIPJ 2004, anocalendário 2003 (Ficha 16), consta, quanto ao PA 31/03/2003, débito informado da CSLL estimativa mensal o valor de R$ 4.461,08. Da mesma forma, na DCTF desse PA consta débito confessado da CSLL = R$ 4.561,08 (fl. 25). Por isso, o despacho decisório da DERAT/São Paulo, de 23/10/2009, não reconheceu o direito creditório pleiteado, não homologando a compensação tributária informada, pois o recolhimento citado está vinculado ao débito do respectivo PA informado na respectiva DIPJ e DCTF. A propósito, transcrevo o disposto no Despacho Decisório eletrônico (fl. 06), in verbis: (...) 3FUNDAMENTAÇAO, DECISÃO E ENQUADRAMENTO LEGAL Fl. 55DF CARF MF Impresso em 16/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/05/2013 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 15/05/2013 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 15/05/2013 por NELSO KICHEL Processo nº 10880.675108/200992 Resolução nº 1802000.221 S1TE02 Fl. 56 3 Limite do crédito analisado, correspondente ao valor do crédito original na data de transmissão informado no PER/DCOMP: R$ 4.462,14. A partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos, abaixo relacionados, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. (...) Diante da inexistência do crédito, NAO HOMOLOGO a compensação declarada. (...) Inconformada com essa decisão da qual tomou ciência (fl.07), a contribuinte apresentou Manifestação de Inconformidade em 07/12/2009 (fls. 08/14), cujas razões, em síntese, são as seguintes: a) direito creditório utilizado, pleiteado na DCOMP: que o recolhimento da CSLL estimativa mensal do PA março/2003 foi indevido ou maior, em face do resultado apurado no encerramento do anocalendário 2003; que, consoante previsto no art. 165 do Código Tributário Nacional, tem direito, independentemente de prévio protesto, à restituição total ou parcial do tributo, seja qual for a modalidade do seu pagamento, no caso de cobrança ou pagamento espontâneo de tributo indevido ou maior em face da legislação tributária aplicável; b) do débito informado na DCOMP: que houve equívoco na apresentação da DCOMP, pois no anocalendário 2005 teria apurado prejuízo fiscal e que, então, não haveria débitos a compensar relativo ao IRPJ estimativa mensal dos PA outubro/2005 e novembro/2005; que a DCOMP não expressa confissão de dívida; que, ainda, esses débitos dos PA outubro/2005 e novembro/2005 não teriam sido confessados em DCTF; que a Administração Pública não deve utilizarse de um equívoco da contribuinte (a qual solicitou uma compensação quando o correto seria um pedido de restituição do crédito) para constituir débitos e exigilos; Por fim, com base nessas razões, a contribuinte pediu o cancelamento dos débitos informados na DCOMP e que seja restituído o crédito pleiteado com aplicação dos juros SELIC. A DRJ/São Paulo I, apreciando a lide, julgou a manifestação de inconformidade improcedente, conforme Acórdão de 27/10/2010 (fls. 26/30), cuja ementa transcrevo a seguir, in verbis: Fl. 56DF CARF MF Impresso em 16/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/05/2013 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 15/05/2013 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 15/05/2013 por NELSO KICHEL Processo nº 10880.675108/200992 Resolução nº 1802000.221 S1TE02 Fl. 57 4 (...) ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE o LUCRO LÍQUIDO – CSLL Data do fato gerador: 28/04/2003 ESTIMATIVA MENSAL. INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO INDEVIDO. Considerando que o DARF indicado no PER/DCOMP como origem do crédito corresponde exatamente à estimativa devida no período, não há que se falar em pagamento indevido. ESTIMATIVA MENSAL. PAGAMENTO INDEVIDO. UTILIZAÇÃO. A pessoa jurídica tributada pelo lucro real que efetuar pagamento indevido ou a maior a título de estimativa mensal somente poderá utilizar o valor pago na dedução do tributo devido ao final do período de apuração. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido (...) Ciente desse decisum em 15/12/2010 (fl. 31verso), a contribuinte apresentou Recurso Voluntário em 14/01/2011 (fls. 32/47), reiterando as razões já aduzidas na instância a quo, acrescentando ainda: que não pode acatar o argumento, fundamento da decisão recorrida, de que valor pago a maior de CSLL (PA março/2003) só pode ser utilizado na dedução da CSLL devida ao final do período de apuração em que houve o pagamento a maior, ou para compor o saldo negativo de CSLL do período. Por fim, sob alegação de que a DCOMP foi transmitida indevidamente (débitos do IRPJ informados seriam indevidos, quanto aos PA outubro/2005 e novembro/2005), pediu a restituição do direito creditório (valor da CSLL pago indevidamente ou a maior do PA março/2003). É o relatório. Fl. 57DF CARF MF Impresso em 16/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/05/2013 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 15/05/2013 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 15/05/2013 por NELSO KICHEL Processo nº 10880.675108/200992 Resolução nº 1802000.221 S1TE02 Fl. 58 5 VOTO Conselheiro Nelso Kichel, Relator O recurso é tempestivo e atende aos pressupostos para sua admissibilidade. Por conseguinte, dele conheço. Conforme relatado, os autos tratam de processo de compensação tributária. Vale dizer, em 29/12/2006 a contribuinte transmitiu eletronicamente via internet, por meio do Programa PER/DCOMP, a declaração de compensação tributária nº 39567.22428.291206.1.3.042096 (fls.02/04), informando que compensara débitos do IRPJ estimativa mensal, código de receita 5993, dos PA outubro/2005 e novembro/2005, data de vencimento 30/11/2005 e 29/12/2005 respectivamente, utilizando direito creditório – pagamento indevido ou a maior de CSLL estimativa mensal, código de receita 2484, do PA março/2003, data do recolhimento 28/04/2003. A decisão a quo, na mesma esteira do despacho decisório, não reconheceu o direito creditório pleiteado, pois o valor integral do referido recolhimento de 28/04/2003 já fora, integralmente, consumido ou utilizado para quitação do débito da CSLL estimativa mensal do PA março/2003, declarado na respectiva DIPJ/DCTF. Nas razões do recurso, a recorrente rebelase contra a decisão recorrida, alegando: a) que tem direito à restituição do que pagara indevidamente a título de CSLL estimativa mensal do PA março/2003, pois teria recolhido CSLL estimativa mensal indevidamente ou superior ao valor da CSLL apurado na declaração de ajuste anual, nesse ano calendário; b) ou que teria apurada os resultados com base em balancetes de suspensão/redução; c) que, além disso, os débitos do IRPJ estimativa mensal dos PA outubro/2005 e novembro/2005, informados na DCOMP, seriam incabíveis, indevidos ou não exigíveis, pois nesse anocalendário teria apurado prejuízo fiscal na declaração de ajuste anual; d) que, em suma, teria laborado em equívoco quando da apresentação da DCOMP, pois seria caso de pedido de restituição de direito creditório e não de compensação tributária. Compulsando os autos, observase que nos anoscalendário 2003 e 2005 a contribuinte estava submetida ao regime de apuração do IRPJ e da CSLL, com base no Lucro Real anual, com obrigação de antecipação de pagamento dessas exações por estimativa mensal. À luz da legislação tributária federal, sempre que há, comprovadamente, pagamento indevido ou maior, é cabível a repetição do indébito tributário. Fl. 58DF CARF MF Impresso em 16/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/05/2013 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 15/05/2013 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 15/05/2013 por NELSO KICHEL Processo nº 10880.675108/200992 Resolução nº 1802000.221 S1TE02 Fl. 59 6 No caso de pagamento indevido ou a maior de estimativa mensal da CSLL, cabe observar o seguinte: a) os contribuintes que fizeram opção, para determinado anocalendário, pelo lucro real anual têm obrigação de antecipar pagamento do IRPJ e da CSLL por estimativa mensal com base na receita bruta mensal ou com base em balancete mensal de suspensão/redução, independentemente de eventual apuração de prejuízo no final de ano, na declaração de ajuste. Sendo assim, não há que se falar ou objetar recolhimentos mensais, pagamentos por antecipação, indevidos ou a maior dessas exações fiscais, quando efetuados em estrita observância da legislação de regência e em estrita observância da base de cálculo (receita bruta mensal ou com base em balancete de suspensão/redução). O simples fato de apuração no final do ano de eventual prejuízo não torna os recolhimentos, pagamentos por antecipação, indevidos, pois foram antecipados na forma da legislação de regência. Ainda, na hipótese de apuração de prejuízo fiscal no encerramento do anocalendário, os pagamentos assim antecipados de estimativa mensal serão devolvidos como saldo negativo; b) entretanto, considerase pagamento indevido ou a maior de estimativa mensal quando, de plano, observase que ele não tem relação com a receita bruta ou com o balanço de suspensão/redução. Nessa situação, é cabível a restituição ou devolução/aproveitamento apenas do excesso do pagamento mensal por antecipação do referido período de apuração (não relacionado com a receita bruta ou com balancete de suspensão ou redução), sem necessidade de leválo para o saldo negativo, em face da revogação do art. 10, 2ª parte, da IN SRF 600/2005 pelo art. 11 da IN RFB 900/2008. Nesse sentido, também é o entendimento do CARF, conforme Súmula CARF nº 84, in verbis: Súmula CARF nº 84: Pagamento indevido ou a maior a título de estimativa caracteriza indébito na data de seu recolhimento, sendo passível de restituição ou compensação. Mas, no caso há falhas na instrução do processo; salta aos olhos a falta de elementos de prova para formação de convicção do julgador quanto ao mérito da lide, pois: 1) Quanto ao pretenso direito creditório da CSLL do PA março/2003: a) não há sequer cópia completa da DIPJ 2004, anocalendário 2003, para apurar, verificar, cotejar, se o valor pleiteado constou ou não de eventual saldo negativo na declaração de ajuste desse anocalendário; b) não se sabe se o valor do crédito pleiteado já foi aproveitado, ou não, em balancete de suspensão ou redução, nos termos do art. 35 da Lei nº 8.981/95; c) não há cópia da escrituração contábil (livros razão, Diário e Lalur). 2) Quanto aos débitos confessados na DCOMP, PA outubro/2005 e PA novembro/2005: a) não há nos autos sequer cópia completa da DIPJ 2006, anocalendário 2005, para apurar, verificar, cotejar, se o valor dos débitos foram declarados na DIPJ e se foram confessados da DCTF respectiva; b) não há nos autos cópia de balancete de suspensão ou redução, nos termos do art. 35 da Lei nº 8.981/95; Fl. 59DF CARF MF Impresso em 16/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/05/2013 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 15/05/2013 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 15/05/2013 por NELSO KICHEL Processo nº 10880.675108/200992 Resolução nº 1802000.221 S1TE02 Fl. 60 7 c) não há cópia da escrituração contábil e fiscal (livros razão, Diário e Lalur). Diante do exposto, e em observância ao princípio da verdade material, propugno, por conseguinte, pela conversão do julgamento em diligência, para retorno dos autos à DERAT/São Paulo para: a) à luz da escrituração contábil e fiscal da contribuinte, apurar se existe, ou não, o direito creditório pleiteado. Na hipótese de existir o direito creditório pleiteado, apurar se ele decorreu de excesso de pagamento por antecipação no referido mês (recolhimento sem relação com a receita bruta mensal ou sem relação com o balancete mensal de suspensão/redução) ou se, simplesmente, é hipótese de restituição de saldo negativo, em face do pagamento, por antecipação, ter sido realizado exatamente nos termos da legislação de regência, mas, no encerramento do anocalendário respectivo, houve apuração de prejuízo; b) apurar, à luz da escrituração contábil e fiscal, se houve realmente equívoco na apuração e confissão do débito na DCOMP (apurar se o débito foi regularmente apurado pela própria contribuinte em sua escrituração contábil e fiscal, com base na receita bruta ou com base em balancete de suspensão ou redução, ou se o débito, em parte, não tem relação com a respectiva base de cálculo do período de apuração mensal. Considerase indevido apenas a parte do débito que extrapolou, ou seja, que não tem relação com a respectiva base de cálculo mensal (receita bruta ou com o balancete de redução/suspensão do referido período de apuração mensal); c) elaborar relatório circunstanciado e conclusivo, embasado na escrituração contábil e fiscal, apresentando as conclusões e resultados da diligência fiscal quanto ao direito creditório pleiteado e quanto à existência/regularidade, ou não, dos débitos informados na DCOMP; d) intimar a contribuinte do relatório da diligência, contendo as conclusões/resultado da diligência, abrindo prazo de 30 (trinta) dias a partir da ciência para, se quiser, apresentar contrarrazões. Transcorrido o prazo com ou sem manifestação da contribuinte, retornem os autos a este CARF, para prosseguimento do julgamento. Por todas essas razões, voto para converter o julgamento em diligência, conforme proposto. (documento assinado digitalmente) Nelso Kichel Fl. 60DF CARF MF Impresso em 16/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/05/2013 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 15/05/2013 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 15/05/2013 por NELSO KICHEL
score : 1.0
Numero do processo: 11080.723069/2010-69
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Apr 16 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Fri May 10 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2007
DESPESAS MÉDICAS. DEDUTIBILIDADE.
As despesas médicas pagas pelo contribuinte, relativas ao seu próprio tratamento ou de seus dependentes são dedutíveis na Declaração de Ajuste Anual, desde que devidamente comprovadas.
DESPESAS MÉDICAS. RECIBOS. REQUISITOS LEGAIS.
Para fins de dedução a título de despesas médicas, os recibos devem conter a indicação do nome, endereço e número de inscrição no Cadastro de Pessoas Físicas - CPF ou no Cadastro Nacional da Pessoa Jurídica - CNPJ do profissional que prestou serviço, podendo ser apresentada declaração complementando as informações constantes do referido recibo.
Numero da decisão: 2202-002.266
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso.
(Assinado digitalmente)
Maria Lúcia Moniz de Aragão Calomino Astorga Presidente Substituta e Relatora
Composição do colegiado: Participaram do presente julgamento os Conselheiros Antonio Lopo Martinez, Rafael Pandolfo, Márcio de Lacerda Martins (Suplente convocado), Fábio Brun Goldschmidt, Pedro Anan Junior e Maria Lúcia Moniz de Aragão Calomino Astorga.
Nome do relator: MARIA LUCIA MONIZ DE ARAGAO CALOMINO ASTORGA
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Ano-calendário: 2007 DESPESAS MÉDICAS. DEDUTIBILIDADE. As despesas médicas pagas pelo contribuinte, relativas ao seu próprio tratamento ou de seus dependentes são dedutíveis na Declaração de Ajuste Anual, desde que devidamente comprovadas. DESPESAS MÉDICAS. RECIBOS. REQUISITOS LEGAIS. Para fins de dedução a título de despesas médicas, os recibos devem conter a indicação do nome, endereço e número de inscrição no Cadastro de Pessoas Físicas - CPF ou no Cadastro Nacional da Pessoa Jurídica - CNPJ do profissional que prestou serviço, podendo ser apresentada declaração complementando as informações constantes do referido recibo.
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DEDUTIBILIDADE. As despesas médicas pagas pelo contribuinte, relativas ao seu próprio tratamento ou de seus dependentes são dedutíveis na Declaração de Ajuste Anual, desde que devidamente comprovadas. DESPESAS MÉDICAS. RECIBOS. REQUISITOS LEGAIS. Para fins de dedução a título de despesas médicas, os recibos devem conter a indicação do nome, endereço e número de inscrição no Cadastro de Pessoas Físicas CPF ou no Cadastro Nacional da Pessoa Jurídica CNPJ do profissional que prestou serviço, podendo ser apresentada declaração complementando as informações constantes do referido recibo. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso. (Assinado digitalmente) Maria Lúcia Moniz de Aragão Calomino Astorga – Presidente Substituta e Relatora Composição do colegiado: Participaram do presente julgamento os Conselheiros Antonio Lopo Martinez, Rafael Pandolfo, Márcio de Lacerda Martins (Suplente convocado), Fábio Brun Goldschmidt, Pedro Anan Junior e Maria Lúcia Moniz de Aragão Calomino Astorga. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 08 0. 72 30 69 /2 01 0- 69 Fl. 80DF CARF MF Impresso em 13/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/05/2013 por MARIA LUCIA MONIZ DE ARAGAO CALOMINO ASTORGA, Assinado di gitalmente em 06/05/2013 por MARIA LUCIA MONIZ DE ARAGAO CALOMINO ASTORGA Processo nº 11080.723069/201069 Acórdão n.º 2202002.266 S2C2T2 Fl. 81 2 Relatório Contra o contribuinte acima qualificado foi lavrada a Notificação de Lançamento de fls. 7 a 12, pela qual se exige a importância de R$10.153,34, a título de Imposto de Renda Pessoa Física Suplementar, anocalendário 2007, acrescida de multa de ofício de 75% e juros de mora. Em consulta à Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal às fls. 8 a 10, verificase que foram apuradas as seguintes infrações: 1. omissão de rendimentos recebidos acumuladamente em decorrência de processo judicial trabalhista, no valor total de R$14.898,80; e 2. glosa de despesas médicas, no valor total de R$24.196,00, por falta de identificação dos pacientes, conforme discriminado à fl. 9. O imposto de renda retido na fonte sobre os rendimentos omitidos, no montante de R$477,70, foram considerados para fins apuração do imposto suplementar devido. DA IMPUGNAÇÃO Inconformado, o contribuinte apresentou a impugnação de fl. 2, instruída com os documentos de fls. 3 a 29, cujo resumo se extraí da decisão recorrida (fl. 64): Discordando da notificação, o contribuinte apresenta a impugnação parcial de fls. 02 e 03. Suas alegações, em síntese, são: 1. Despesas médicas: são referentes a despesas do próprio contribuinte; 2. Omissão de rendimentos recebidos de pessoa jurídica decorrentes de ação trabalhista: concorda com a infração; 3. De acordo com a previsão contida no art. 71 da Lei nº 10.471, de 01/10/2003 (Estatuto do Idoso) solicita prioridade na análise da impugnação. DO JULGAMENTO DE 1ª INSTÂNCIA Apreciando a impugnação apresentada, a 4ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento de Porto Alegre (RS) julgou procedente em parte o lançamento, proferindo o Acórdão no 1032.753 (fls. 63 a 66), de 13/07/2011, assim ementado: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário:2007 ESTATUTO DO IDOSO. PRIORIDADE DE JULGAMENTO. É assegurada prioridade na tramitação dos processos e procedimentos e na execução dos atos e diligências judiciais e administrativas em que figure como parte ou interveniente pessoa com idade igual ou superior a 60 (sessenta) anos, em qualquer instância. Fl. 81DF CARF MF Impresso em 13/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/05/2013 por MARIA LUCIA MONIZ DE ARAGAO CALOMINO ASTORGA, Assinado di gitalmente em 06/05/2013 por MARIA LUCIA MONIZ DE ARAGAO CALOMINO ASTORGA Processo nº 11080.723069/201069 Acórdão n.º 2202002.266 S2C2T2 Fl. 82 3 DEDUÇÃO. DESPESAS MÉDICAS. Somente são dedutíveis as despesas médicas, odontológicas e de hospitalização e os pagamentos feitos a empresas domiciliadas no País, destinados à cobertura destas despesas, quando relativas ao próprio tratamento do contribuinte e de seus dependentes relacionados na declaração de ajuste anual e devidamente comprovadas com documentação hábil e idônea. O relator de primeira instância deixa claro que “o contribuinte não contesta a apuração de omissão de rendimentos recebidos de pessoa jurídica decorrentes de ação trabalhista, sendo o crédito tributário correspondente transferido para o processo no 11080.723742201061, conforme Termo de Transferência de Crédito Tributário de fl. 42.” (fl. 64). A decisão recorrida restabeleceu a dedução de despesas médicas no valor total de R$5.090,00, conforme abaixo discriminado: Nome do beneficiário Valor (R$) Documentos fl. Themis Thome 360,00 recibo e declaração 14,16 Liseti Maria Wodtke Bouchut 200,00 recibo 23 Maira Ferreira Wodtke 200,00 recibo 23 Clínica Dr. Nelio Tombini 420,00 2 recibos e declaração 20 a 22 Inara Pinto Saavedra & Cia Ltda 3.910,00 5 NFS e declaração 25 a 29 Total 5.090,00 Foram mantidas as glosas de despesas médicas no montante de R$19.106,00. DO RECURSO Cientificado do Acórdão de primeira instância, em 16/08/2011 (vide AR de fl. 70), o contribuinte apresentou, em 12/09/2011, tempestivamente, o recurso de fl. 72, no qual assim se manifesta: Recorro a este Conselho solicitando reconsideração e cancelamento do débito gerado pela glosa de despesas médicas citadas a fls. 66 (DRJ/POA fls 4) do referido processo. Para tanto, apresento as DISCRIMINAÇÕES dos atendimentos questionados, devidamente comprovados pelas Doutoras que os prestaram. Anexo também prova de que não questionei e estou pagando impostos sobre os R$106,00 (soma dos recibos de Radiológica e Clinison). DA DISTRIBUIÇÃO Processo que compôs o Lote no 15, distribuído para esta Conselheira na sessão pública da Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais de 21/11/2012, veio digitalizado até à fl. 791. 1 Processo digital. Numeração do eprocesso. Fl. 82DF CARF MF Impresso em 13/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/05/2013 por MARIA LUCIA MONIZ DE ARAGAO CALOMINO ASTORGA, Assinado di gitalmente em 06/05/2013 por MARIA LUCIA MONIZ DE ARAGAO CALOMINO ASTORGA Processo nº 11080.723069/201069 Acórdão n.º 2202002.266 S2C2T2 Fl. 83 4 Voto Conselheira Maria Lúcia Moniz de Aragão Calomino Astorga, Relatora. O recurso é tempestivo e atende às demais condições de admissibilidade, portanto merece ser conhecido. 1 Limite do litígio Importa salientar que o presente recurso é parcial, uma vez que o contribuinte concordou expressamente com a glosa das despesas médicas referentes aos recibos da Radiológica e Clinison, no valor total de R$106,00. Logo, a lide restringese às despesas com as seguintes profissionais: (a) Makssa Godinho Perrot, fisioterapeuta, no valor de R$7.000,00; e (b) Caroline Santa Maria Rodrigues, psicóloga, no valor de R$12.000,00. Em sua impugnação o contribuinte concordou com a omissão de rendimentos lançados. 2 Despesas médicas É certo que toda dedução pleiteada na declaração de rendimentos está sujeita a comprovação a juízo da autoridade lançadora (art. 73 do Decreto no 3.000, de 26 de março de 1999 – RIR/99). No caso das despesas médicas, a Lei no 9.250, de 26 de dezembro de 1995, assim dispõe: Art. 8o A base de cálculo do imposto devido no anocalendário será a diferença entre as somas: I de todos os rendimentos percebidos durante o ano calendário, exceto os isentos, os nãotributáveis, os tributáveis exclusivamente na fonte e os sujeitos à tributação definitiva; II das deduções relativas: a) aos pagamentos efetuados, no anocalendário, a médicos, dentistas, psicólogos, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais e hospitais, bem como as despesas com exames laboratoriais, serviços radiológicos, aparelhos ortopédicos e próteses ortopédicas e dentárias; [...] § 2º O disposto na alínea a do inciso II: I aplicase, também, aos pagamentos efetuados a empresas domiciliadas no País, destinados à cobertura de despesas com hospitalização, médicas e odontológicas, bem como a entidades Fl. 83DF CARF MF Impresso em 13/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/05/2013 por MARIA LUCIA MONIZ DE ARAGAO CALOMINO ASTORGA, Assinado di gitalmente em 06/05/2013 por MARIA LUCIA MONIZ DE ARAGAO CALOMINO ASTORGA Processo nº 11080.723069/201069 Acórdão n.º 2202002.266 S2C2T2 Fl. 84 5 que assegurem direito de atendimento ou ressarcimento de despesas da mesma natureza; II restringese aos pagamentos efetuados pelo contribuinte, relativos ao próprio tratamento e ao de seus dependentes; III limitase a pagamentos especificados e comprovados, com indicação do nome, endereço e número de inscrição no Cadastro de Pessoas Físicas CPF ou no Cadastro Geral de Contribuintes CGC de quem os recebeu, podendo, na falta de documentação, ser feita indicação do cheque nominativo pelo qual foi efetuado o pagamento; [...] De acordo com o dispositivo legal acima transcrito, podem ser deduzidos da base de cálculo do ajuste anual os pagamentos efetuados pelo contribuinte a médicos, dentistas, psicólogos, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais e hospitais, bem como as despesas com exames laboratoriais, serviços radiológicos, aparelhos ortopédicos e próteses ortopédicas e dentárias, bem como os pagamentos efetuados aos planos de saúde, desde que relativos ao próprio tratamento e ao de seus dependentes. Ainda de acordo com a lei, o contribuinte deve comprovar as despesas médicas incorridas mediante apresentação de documento que especifique o pagamento, com indicação do nome, endereço e CPF ou CNPJ de quem prestou o serviço. Além disso, não há na legislação nada que proíba o pagamento em dinheiro e, muito menos, que obrigue o contribuinte a apresentar outra prova que demonstre a transferência efetiva de numerário (cópia de cheque, saque da conta corrente do contribuinte ou depósito feito na conta do beneficiário etc), além do próprio recibo fornecido pelo prestador do serviço. Nesse sentido, cabe invocar o art. 320 do Novo Código Civil (Lei no 10.406, de 10 de janeiro de 2002), em que se admite o uso de instrumento particular, como os recibos ora analisados, como forma de quitação: Art. 320. A quitação, que sempre poderá ser dada por instrumento particular, designará o valor e a espécie da dívida quitada, o nome do devedor, ou quem por este pagou, o tempo e o lugar do pagamento, com a assinatura do credor, ou do seu representante. Parágrafo único. Ainda sem os requisitos estabelecidos neste artigo valerá a quitação, se de seus termos ou das circunstâncias resultar haver sido paga a dívida. Assim, não cabe à fiscalização fazer ilações quanto à forma de pagamento sem apresentar elementos de prova contundentes que conduzam a conclusão de que os serviços não foram efetivamente pagos. Por fim, não há nenhum óbice à utilização de recibos comuns pelos médicos dentistas ou outro profissional da saúde, desde que contenham as informações requeridas na legislação. Concluise, assim, que, até prova em contrário, atendidos os requisitos legais, os recibos fornecidos pelo profissional da área de saúde nos quais esteja consignado que o Fl. 84DF CARF MF Impresso em 13/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/05/2013 por MARIA LUCIA MONIZ DE ARAGAO CALOMINO ASTORGA, Assinado di gitalmente em 06/05/2013 por MARIA LUCIA MONIZ DE ARAGAO CALOMINO ASTORGA Processo nº 11080.723069/201069 Acórdão n.º 2202002.266 S2C2T2 Fl. 85 6 pagamento deuse em razão de tratamento prestado ao contribuinte ou a seus dependentes são documentos hábeis para comprovar a prestação do serviço. Feitas essas digressões, passase à análise da documentação apresentada pelo contribuinte. O julgador a quo manteve a glosa efetuada pela fiscalização visto que foram apresentados “recibos com valores globais no anocalendário, sem identificar a natureza do serviço prestado, discriminação do período da prestação de serviços (semanal/quinzenal/mensal)” (fl. 66). Às fls. 18 e 19, encontramse anexados dois recibos, um emitido pela psicóloga Caroline Santa Maria Rodrigues, no valor de R$12.000,00, e outro pela fisioterapeuta Makssa Godinho Perrot, no valor de R$7.000,00. Em sede de recurso, o contribuinte apresentou duas declarações (fls. 73 e 74), nas quais as profissionais esclarecem que os serviços foram prestados no domicílio do contribuinte, indicando a periodicidade e preço de cada atendimento. Contudo, examinandose os documentos apresentados pelo recorrente, constatase que eles, por não conterem o endereço do profissional que prestou o serviço, não servem para comprovar despesas médicas para fins de dedução do da base de cálculo do imposto de renda, nos termos da legislação em vigor. Tratase de requisito legal essencial, visto que a lei deixa claro que a dedução “limitase a pagamentos especificados e comprovados, com indicação do nome, endereço e número de inscrição no Cadastro de Pessoas Físicas CPF ou no Cadastro Geral de Contribuintes CGC de quem os recebeu”, facultando, na falta dessa documentação, a apresentação de cheque nominativo comprovando o pagamento. 3 Conclusão Diante do exposto, voto por NEGAR provimento ao recurso. (Assinado digitalmente) Maria Lúcia Moniz de Aragão Calomino Astorga Fl. 85DF CARF MF Impresso em 13/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/05/2013 por MARIA LUCIA MONIZ DE ARAGAO CALOMINO ASTORGA, Assinado di gitalmente em 06/05/2013 por MARIA LUCIA MONIZ DE ARAGAO CALOMINO ASTORGA
score : 1.0
Numero do processo: 10830.017461/2009-49
Turma: Primeira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Mon Sep 24 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Thu May 16 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/02/2004 a 31/12/2006
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. PROVA.
Cabe ao contribuinte o ônus de comprovar as alegações que oponha ao ato administrativo. Inadmissível a mera alegação da existência de um direito.
Recurso Voluntário Negado
É válido o auto de infração lavrado em conformidade com o disposto nos artigos 142, do CTN, e 10 e 59, do PAF.
CONTRIBUIÇÃO PARA A COFINS. FALTA/INSUFICIÊNCIA DE RECOLHIMENTO.
Comprovado nos autos o recolhimento a menor da contribuição, deve ser mantido o auto de infração que exige o complemento do valor devido.
ALÍQUOTA ZERO E OUTRAS HIPÓTESES DESONERATIVAS. MANUTENÇÃO DE CRÉDITO. LEI Nº 11.033, DE 2004.
A manutenção de créditos prevista na Lei no 11.033, de 2004, refere-se às hipóteses desonerativas criadas pela própria Lei e não alteram o regime de tributação monofásico previsto em legislação anterior.
REGIME NÃO-CUMULATIVO. INCIDÊNCIA MONOFÁSICA. VENDAS EFETUADAS COM ALÍQUOTA ZERO. MANUTENÇÃO DO CRÉDITO. COMERCIANTE ATACADISTA OU VAREJISTA DE COMBUSTÍVEIS. INEXISTÊNCIA DE DIREITO DE CRÉDITO.
As receitas auferidas pelos comerciantes atacadistas e varejistas com a venda de gasolina, óleo diesel e álcool são submetidas à alíquota zero da contribuição, sendo expressamente vedado o aproveitamento de créditos em relação às aquisições desses produtos.
Numero da decisão: 3801-001.473
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, negar provimento ao Recurso. Vencidos os Conselheiros Jacques Maurício Ferreira Veloso e Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel que convertiam o processo em diligência para que a Delegacia de origem apurasse os créditos relativos ao regime monofásico. O Conselheiro Jacques Maurício Ferreira Veloso apresentará declaração de voto.
(assinado digitalmente)
Flávio de Castro Pontes - Presidente.
(assinado digitalmente)
José Luiz Bordignon - Relator.
EDITADO EM: 23/01/2013
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flávio de Castro Pontes (Presidente), José Luiz Bordignon, Raquel Motta Brandão Minatel, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel e Jacques Maurício Ferreira Veloso de Melo. Ausente justificadamente o Conselheiro Sidney Eduardo Stahl.
Nome do relator: JOSE LUIZ BORDIGNON
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/02/2004 a 31/12/2006 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. PROVA. Cabe ao contribuinte o ônus de comprovar as alegações que oponha ao ato administrativo. Inadmissível a mera alegação da existência de um direito. Recurso Voluntário Negado É válido o auto de infração lavrado em conformidade com o disposto nos artigos 142, do CTN, e 10 e 59, do PAF. CONTRIBUIÇÃO PARA A COFINS. FALTA/INSUFICIÊNCIA DE RECOLHIMENTO. Comprovado nos autos o recolhimento a menor da contribuição, deve ser mantido o auto de infração que exige o complemento do valor devido. ALÍQUOTA ZERO E OUTRAS HIPÓTESES DESONERATIVAS. MANUTENÇÃO DE CRÉDITO. LEI Nº 11.033, DE 2004. A manutenção de créditos prevista na Lei no 11.033, de 2004, refere-se às hipóteses desonerativas criadas pela própria Lei e não alteram o regime de tributação monofásico previsto em legislação anterior. REGIME NÃO-CUMULATIVO. INCIDÊNCIA MONOFÁSICA. VENDAS EFETUADAS COM ALÍQUOTA ZERO. MANUTENÇÃO DO CRÉDITO. COMERCIANTE ATACADISTA OU VAREJISTA DE COMBUSTÍVEIS. INEXISTÊNCIA DE DIREITO DE CRÉDITO. As receitas auferidas pelos comerciantes atacadistas e varejistas com a venda de gasolina, óleo diesel e álcool são submetidas à alíquota zero da contribuição, sendo expressamente vedado o aproveitamento de créditos em relação às aquisições desses produtos.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, negar provimento ao Recurso. Vencidos os Conselheiros Jacques Maurício Ferreira Veloso e Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel que convertiam o processo em diligência para que a Delegacia de origem apurasse os créditos relativos ao regime monofásico. O Conselheiro Jacques Maurício Ferreira Veloso apresentará declaração de voto. (assinado digitalmente) Flávio de Castro Pontes - Presidente. (assinado digitalmente) José Luiz Bordignon - Relator. EDITADO EM: 23/01/2013 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flávio de Castro Pontes (Presidente), José Luiz Bordignon, Raquel Motta Brandão Minatel, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel e Jacques Maurício Ferreira Veloso de Melo. Ausente justificadamente o Conselheiro Sidney Eduardo Stahl.
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DECADÊNCIA. A Súmula Vinculante nº 08 do STF declarou a inconstitucionalidade do artigo 45 da Lei nº 8.212/91, assim o prazo decadencial para constituição das contribuições sociais é de cinco anos, contandose a partir do fato gerador para os períodos em que houve pagamentos nos termos do art. 150, §4º, do Código Tributário Nacional (CTN). Constatada a inexistência de pagamentos aplicase o art. 173, I, do CTN. PIS/PASEP. AUTO DE INFRAÇÃO. NULIDADE. É válido o auto de infração lavrado em conformidade com o disposto nos artigos 142, do CTN, e 10 e 59, do PAF. CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP. FALTA/INSUFICIÊNCIA DE RECOLHIMENTO. Comprovado nos autos o recolhimento a menor da contribuição, deve ser mantido o auto de infração que exige o complemento do valor devido. ALÍQUOTA ZERO E OUTRAS HIPÓTESES DESONERATIVAS. MANUTENÇÃO DE CRÉDITO. LEI Nº 11.033, DE 2004. A manutenção de créditos prevista na Lei no 11.033, de 2004, referese às hipóteses desonerativas criadas pela própria Lei e não alteram o regime de tributação monofásico previsto em legislação anterior. REGIME NÃOCUMULATIVO. INCIDÊNCIA MONOFÁSICA. VENDAS EFETUADAS COM ALÍQUOTA ZERO. MANUTENÇÃO DO CRÉDITO. COMERCIANTE ATACADISTA OU VAREJISTA DE COMBUSTÍVEIS. INEXISTÊNCIA DE DIREITO DE CRÉDITO. As receitas auferidas pelos comerciantes atacadistas e varejistas com a venda de gasolina, óleo diesel e álcool são submetidas à alíquota zero da AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 83 0. 01 74 61 /2 00 9- 49 Fl. 383DF CARF MF Impresso em 16/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/01/2013 por JOSE LUIZ BORDIGNON, Assinado digitalmente em 24/01/2013 por JOSE LUIZ BORDIGNON, Assinado digitalmente em 16/05/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado d igitalmente em 14/05/2013 por JACQUES MAURICIO FERREIRA VELOSO DE MELO 2 contribuição, sendo expressamente vedado o aproveitamento de créditos em relação às aquisições desses produtos. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/02/2004 a 31/12/2006 COFINS. DECADÊNCIA. A Súmula Vinculante nº 08 do STF declarou a inconstitucionalidade do artigo 45 da Lei nº 8.212/91, assim o prazo decadencial para constituição das contribuições sociais é de cinco anos, contandose a partir do fato gerador para os períodos em que houve pagamentos nos termos do art. 150, §4º, do Código Tributário Nacional (CTN). Constatada a inexistência de pagamentos aplicase o art. 173, I, do CTN. COFINS. AUTO DE INFRAÇÃO. NULIDADE. É válido o auto de infração lavrado em conformidade com o disposto nos artigos 142, do CTN, e 10 e 59, do PAF. CONTRIBUIÇÃO PARA A COFINS. FALTA/INSUFICIÊNCIA DE RECOLHIMENTO. Comprovado nos autos o recolhimento a menor da contribuição, deve ser mantido o auto de infração que exige o complemento do valor devido. ALÍQUOTA ZERO E OUTRAS HIPÓTESES DESONERATIVAS. MANUTENÇÃO DE CRÉDITO. LEI Nº 11.033, DE 2004. A manutenção de créditos prevista na Lei no 11.033, de 2004, referese às hipóteses desonerativas criadas pela própria Lei e não alteram o regime de tributação monofásico previsto em legislação anterior. REGIME NÃOCUMULATIVO. INCIDÊNCIA MONOFÁSICA. VENDAS EFETUADAS COM ALÍQUOTA ZERO. MANUTENÇÃO DO CRÉDITO. COMERCIANTE ATACADISTA OU VAREJISTA DE COMBUSTÍVEIS. INEXISTÊNCIA DE DIREITO DE CRÉDITO. As receitas auferidas pelos comerciantes atacadistas e varejistas com a venda de gasolina, óleo diesel e álcool são submetidas à alíquota zero da contribuição, sendo expressamente vedado o aproveitamento de créditos em relação às aquisições desses produtos. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/02/2004 a 31/12/2006 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. PROVA. Cabe ao contribuinte o ônus de comprovar as alegações que oponha ao ato administrativo. Inadmissível a mera alegação da existência de um direito. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, negar provimento ao Recurso. Vencidos os Conselheiros Jacques Maurício Ferreira Veloso e Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel que convertiam o processo em diligência para que a Delegacia de Fl. 384DF CARF MF Impresso em 16/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/01/2013 por JOSE LUIZ BORDIGNON, Assinado digitalmente em 24/01/2013 por JOSE LUIZ BORDIGNON, Assinado digitalmente em 16/05/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado d igitalmente em 14/05/2013 por JACQUES MAURICIO FERREIRA VELOSO DE MELO Processo nº 10830.017461/200949 Acórdão n.º 3801001.473 S3TE01 Fl. 384 3 origem apurasse os créditos relativos ao regime monofásico. O Conselheiro Jacques Maurício Ferreira Veloso apresentará declaração de voto. (assinado digitalmente) Flávio de Castro Pontes Presidente. (assinado digitalmente) José Luiz Bordignon Relator. EDITADO EM: 23/01/2013 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flávio de Castro Pontes (Presidente), José Luiz Bordignon, Raquel Motta Brandão Minatel, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel e Jacques Maurício Ferreira Veloso de Melo. Ausente justificadamente o Conselheiro Sidney Eduardo Stahl. Fl. 385DF CARF MF Impresso em 16/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/01/2013 por JOSE LUIZ BORDIGNON, Assinado digitalmente em 24/01/2013 por JOSE LUIZ BORDIGNON, Assinado digitalmente em 16/05/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado d igitalmente em 14/05/2013 por JACQUES MAURICIO FERREIRA VELOSO DE MELO 4 Relatório Por bem descrever os fatos, adoto o relatório da decisão recorrida, que transcrevo a seguir: “Tratase dos Autos de Infração relativos às Contribuições para o Programa de Integração Social PIS e para o Financiamento da Seguridade Social COFINS, lavrados em 17/12/2009, que formalizaram o crédito tributário contra a contribuinte em epígrafe no valor total de R$ 705.949,89, incluindo multa de ofício (75%) e juros de mora calculados até 30/11/2009, em razão da falta de apuração, recolhimento e declaração em DCTF, nos anoscalendário 2004 a 2006, conforme discriminado no Descrição dos Fatos e Enquadramento legal de fls. 04/06 e 15/17: “001 – PIS (FATURAMENTO) – INCIDÊNCIA NÃO CUMULATIVA FALTA/INSUFICIÊNCIA DE RECOLHIMENTO DO PIS Falta de apuração, declaração em DCTF e recolhimento do PIS sobre receitas de aluguel da base de armazenagem de combustível, nos anos 2005 e 2006, cujos valores mensais das receitas abaixo especificados foram contabilizados para fins de apuração do IRPJ e CSLL nas contas contábeis “3.1.1.02.002 218 – ALUGUEL DE ESPAÇO BASE”, às fls. 00155 do livro Razão nº 15 do ano 2005 e conta contábil “3.1.2.01.00021112 – ARMAZENAGEM”, às fls. 000332 do livro Razão nº 16 do ano 2006 e não incluídas na base de cálculo da referida contribuição. Fato Gerador Valor Tributável ou Contribuição Multa (%) 31/04/2005 R$ 120.000,00 75,00 31/05/2005 R$ 81.500,00 75,00 30/06/2005 R$ 115.850,00 75,00 30/08/2005 R$ 102.500,00 75,00 31/10/2005 R$ 62.171,97 75,00 30/11/2005 R$ 119.318,32 75,00 31/12/2005 R$ 241.570,94 75,00 31/01/2006 R$ 241.570,94 75,00 Enquadramento legal: arts. 1º, 3º e 4º da Lei nº 10.637/2002. 002 – PIS (FATURAMENTO) – INCIDÊNCIA NÃO CUMULATIVA Fl. 386DF CARF MF Impresso em 16/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/01/2013 por JOSE LUIZ BORDIGNON, Assinado digitalmente em 24/01/2013 por JOSE LUIZ BORDIGNON, Assinado digitalmente em 16/05/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado d igitalmente em 14/05/2013 por JACQUES MAURICIO FERREIRA VELOSO DE MELO Processo nº 10830.017461/200949 Acórdão n.º 3801001.473 S3TE01 Fl. 385 5 FALTA/INSUFICIÊNCIA DE RECOLHIMENTO DO PIS Lançamento decorrente da falta de declaração em DCTF e recolhimento aos cofres da Fazenda Nacional, dos valores devidos ao PIS nos anoscalendário 2004 e 2006, os quais foram apurados e contabilizados pela fiscalizada nas contas contábeis “2.1.1.03.0004PIS FATURAMENTO A RECOLHER”, às fls. 000117 do livro Razão nº 13 de 2004 e “2.1.1.03.0004567PIS FATURAMENTO A RECOLHER”, às fls. 000313 do livro Razão nº 16 de 2006. Fato Gerador Valor Tributável ou Contribuição Multa (%) 28/02/2004 R$ 613,20 75,00 30/03/2004 R$ 655,93 75,00 30/04/2004 R$ 4.408,24 75,00 31/05/2004 R$ 2.157,29 75,00 30/06/2004 R$ 989,85 75,00 31/07/2004 R$ 1.738,44 75,00 30/08/2004 R$ 1.638,42 75,00 31/01/2006 R$ 3.961,57 75,00 28/02/2006 R$ 11.289,01 75,00 31/07/2006 R$ 1.699,22 75,00 30/08/2006 R$ 486,18 75,00 31/10/2006 R$ 1.474,96 75,00 30/11/2006 R$ 282,08 75,00 31/12/2006 R$ 7.013,50 75,00 Enquadramento legal: arts. 1º, 3º e 4º da Lei nº 10.637/2002.” “001 – COFINS – INCIDÊNCIA NÃO CUMULATIVA FALTA/INSUFICIÊNCIA DE RECOLHIMENTO DA COFINS Falta de apuração, declaração em DCTF e recolhimento da COFINS sobre receitas de aluguel da base de armazenagem de combustível, nos anos 2005 e 2006, cujos valores mensais das receitas abaixo especificados foram contabilizados para fins de apuração do IRPJ e CSLL nas contas contábeis “3.1.1.02.002 218 – ALUGUEL DE ESPAÇO BASE”, às fls. 00155 do livro Razão nº 15 do ano 2005 e conta contábil “3.1.2.01.00021112 – ARMAZENAGEM”, às fls. 000332 do livro Razão nº 16 do ano 2006 e não incluídas na base de cálculo da referida contribuição. Fl. 387DF CARF MF Impresso em 16/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/01/2013 por JOSE LUIZ BORDIGNON, Assinado digitalmente em 24/01/2013 por JOSE LUIZ BORDIGNON, Assinado digitalmente em 16/05/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado d igitalmente em 14/05/2013 por JACQUES MAURICIO FERREIRA VELOSO DE MELO 6 Fato Gerador Valor Tributável ou Contribuição Multa (%) 31/04/2005 R$ 120.000,00 75,00 31/05/2005 R$ 81.500,00 75,00 30/06/2005 R$ 115.850,00 75,00 30/08/2005 R$ 102.500,00 75,00 31/10/2005 R$ 62.171,97 75,00 30/11/2005 R$ 119.318,32 75,00 31/12/2005 R$ 241.570,94 75,00 31/01/2006 R$ 241.570,94 75,00 Enquadramento legal: arts. 1º, 3º e 5º da Lei nº 10.833/2003. 002 – COFINS – INCIDÊNCIA NÃO CUMULATIVA FALTA DE DECLARAÇÃO E RECOLHIMENTO DA COFINS Lançamento decorrente da falta de declaração em DCTF e recolhimento aos cofres da Fazenda Nacional, dos valores devidos a COFINS nos anoscalendário 2004 e 2006, os quais foram apurados e contabilizados pela fiscalizada nas contas contábeis “2.1.1.03.0003COFINS A RECOLHER”, às fls. 000117 do livro Razão nº 13 de 2004 e “2.1.1.03.0004564 COFINS A RECOLHER”, às fls. 000313 do livro Razão nº 16 de 2006. Fato Gerador Valor Tributável ou Contribuição Multa (%) 28/02/2004 R$ 2.830,80 75,00 31/03/2004 R$ 3.028,06 75,00 30/04/2004 R$ 20.349,34 75,00 31/05/2004 R$ 9.945,56 75,00 30/06/2004 R$ 4.559,33 75,00 31/07/2004 R$ 8.007,40 75,00 30/08/2004 R$ 7.546,66 75,00 31/01/2006 R$ 18.288,33 75,00 28/02/2006 R$ 52.115,02 75,00 31/07/2006 R$ 7.844,31 75,00 30/08/2006 R$ 2.244,42 75,00 31/10/2006 R$ 6.809,06 75,00 30/11/2006 R$ 1.302,20 75,00 Fl. 388DF CARF MF Impresso em 16/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/01/2013 por JOSE LUIZ BORDIGNON, Assinado digitalmente em 24/01/2013 por JOSE LUIZ BORDIGNON, Assinado digitalmente em 16/05/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado d igitalmente em 14/05/2013 por JACQUES MAURICIO FERREIRA VELOSO DE MELO Processo nº 10830.017461/200949 Acórdão n.º 3801001.473 S3TE01 Fl. 386 7 31/12/2006 R$ 32.377,37 75,00 Enquadramento legal: arts. 1º, 3º e 5º da Lei nº 10.833/2003.” Os autos foram instruídos com cópias dos Livros Razão Analítico (fls. 74/93), Diário (fls. 94/112) e Lalur (fls. 113/124), dos anoscalendário 2004, 2005 e 2006. Consta do despacho de fls. 127 a formalização do processo nº 10830.017459/200970, tratando do arrolamento de bens e direitos. A interessada foi cientificada dos autos de infração em 17/12/2009. Inconformada, apresentou, por intermédio de seu representante legal, em 18/01/2010, impugnação de fls. 128/157, acompanhada de documentos de fls. 158/170. Após breve resumo dos fatos, requer a improcedência do auto de infração: (i) face a decadência; (ii) face nulidade do lançamento; (iii) por afronta ao princípio da capacidade contributiva; e (iv) pela tributação do patrimônio e não da receita, ao não se considerar os princípios norteadores da não cumulatividade. Afirma que o tema decadência é tratado no Código Tributário Nacional, o qual tem status de Lei Complementar, atendendo o disposto no art. 146, III, da CF/88. Discorre acerca do referido instituto, mencionando a doutrina do Prof. Paulo de Barros Carvalho. Protesta pela extinção do direito de a Fazenda Nacional constituir o crédito tributário, relativamente ao anocalendário 2004, com fundamento nos arts. 150 e 156, V, do CTN, face a hipótese cuidar do lançamento por homologação. Diz ser a regra de incidência o que define a sistemática de seu lançamento, acrescentando que “a natureza do lançamento não se altera se, ao praticar essa atividade, o sujeito passivo não apura imposto a pagar. O que define se o lançamento é por declaração ou homologação é a legislação do tributo, e não a circunstância de ter ou não havido o pagamento”. Requer a aplicação da mesma regra de contagem do prazo decadencial, relativamente às contribuições, sob o argumento de que não pode a lei ordinária fixar prazo decadencial. Fundamentase nos arts. 149 e 146, III, da CF/88, e art. 150 do CTN. Cita jurisprudência. No mérito, propriamente dito, alega que o procedimento fiscal ofendeu o art. 142 do Código Tributário Nacional – CTN, face determinação da matéria tributável e o cálculo do imposto devido de forma extremamente genérica, bem como os princípios da reserva legal, face inobservância do princípio da não cumulatividade do Pis e da Cofins, e da vedação da utilização de tributo com efeito de confisco, “pela tributação da nãorenda”. Fundamentase nos arts. 5º, II, e 150, I, da CF/88. Fl. 389DF CARF MF Impresso em 16/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/01/2013 por JOSE LUIZ BORDIGNON, Assinado digitalmente em 24/01/2013 por JOSE LUIZ BORDIGNON, Assinado digitalmente em 16/05/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado d igitalmente em 14/05/2013 por JACQUES MAURICIO FERREIRA VELOSO DE MELO 8 Em outra frente de defesa, voltase para as exigências do Pis e da Cofins, abordando a tributação monofásica. Argumenta que, relativamente aos combustíveis derivados do petróleo, a partir de fevereiro de 1999, foi instituída a substituição tributária também para o Pis e a Cofins, com base no art. 4º da Lei nº 9.718, de 1998, concentrandose a tributação no início da cadeia de comercialização. E continua, em suas palavras: “44. Outrossim, o governo Federal inventou o inusitado Regime Monofásico ou Concentrado através da Medida Provisória 199115, em 10 de março de 2000, incorporando as parcelas do PIS e da Cofins devidas pela Refinaria, Distribuidora e Consumidor Final no preço exRefinaria, cuja vigência deuse a partir de 1 de julho de 2000, e apressouse em transformála em lei. 45. Paralelamente, através da EC 33/2001, apressouse em possibilitar tributabilidade do PIS/Cofins sobre derivados de petróleo, alterando na Constituição Federal a palavra “tributo” para “imposto” (art. 155, § 3º), eliminando de vez a antiga restrição constitucional que impedia a incidência tributária. 46. Essa complexa engenharia tributária merece cuidadoso detalhamento. Preliminarmente, é preciso conhecer a cadeia de comercialização dos combustíveis derivados de petróleo após o seu refinamento, o denominado Downstream. 47. Para facilitar o entendimento, tomouse como hipótese especificamente o Óleo Diesel, que percorre o seguinte caminho comercial: Refinaria de Petróleo (R) => Distribuidora de Combustíveis (D) => Revendedor Varejista (V) => Consumidor Final (CF). 48. A operação de (R) para (D) é considerada como sendo operação (a) sobre a qual incide o PIS/Cofins de 3,65%. De (D) para (V), operação (b), PIS/Cofins de 3,65% e finalmente de (V) para (CF), operação (c), PIS/Cofins de 3,65%. Da Refinaria ao Consumidor Final, ocorrem ou deveriam ocorrer três operações: (a) = 3,65%; (b) = 3,65% e (c) = 3,65%. 49. Salientese que a carga tributária total (R+D+V) dessas contribuições não corresponde simplesmente a 3,65% x 3, pois uma incide cumulativamente sobre a outra e também sobre uma determinada margem bruta. Então temos: operação (a) Parcela “x” = 3,65%; operação (b) Parcela “y” = 4,15%; e, operação (c) Parcela “z” = 4,72%, totalizando 12,52%. 50. Referidos valores foram incorporados ao preço do Óleo Diesel a partir de 1 de julho de 2000, através da Portaria Interministerial nº 199/2000, que passou de R$ 0,3858 para R$ 0,4311, sem que isso significasse quaisquer aumentos de preços ou tributos. 51. Ocorre que até 30 de junho de 2000, o Consumidor Final que adquirisse combustíveis diretamente de Distribuidoras de Combustíveis estava autorizado pelo art. 6º da INSRF nº 06/99 Fl. 390DF CARF MF Impresso em 16/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/01/2013 por JOSE LUIZ BORDIGNON, Assinado digitalmente em 24/01/2013 por JOSE LUIZ BORDIGNON, Assinado digitalmente em 16/05/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado d igitalmente em 14/05/2013 por JACQUES MAURICIO FERREIRA VELOSO DE MELO Processo nº 10830.017461/200949 Acórdão n.º 3801001.473 S3TE01 Fl. 387 9 a recuperar a denominada parcela “z” de 4,72%, em razão da determinação insculpida no § 7º do art. 150 da CF/88, isto é, fato gerador presumido e não realizado. 52. Observese que no regime tributário “a”, a carga tributária total de 12,52% era cobrada antecipadamente por substituição tributária (no início da cadeia), incluindo, para efeito de cobrança, a operação (c). Especificamente, no caso concreto de venda direta do Distribuidor para Consumidor Final, não ocorrida, portanto, a respectiva parcela “z” era restituída (por compensação), imediata e preferencialmente. 53. A partir do novo regime tributário “b”, a mesma carga tributária total de 12,52% foi incorporada ao preço ex Refinaria, incluindo as contribuições correspondentes à incidência na venda a varejo (vide art. 6º INSRF 6/99), com a garantia do Ministério da Fazenda de que tudo continuaria igual. 54. Essa garantia do Ministério da Fazenda, debatida à exaustão na Câmara dos Deputados, possibilitou a aprovação do Projeto de Lei n. 2.985/2000, convertido na Lei 9.990/2000, que alterou as alíquotas de PIS/Cofins sobre o Óleo Diesel de 3,65% para 12,52% (incidência monofásica – Lei 9.990/2000), sem que isso significasse qualquer aumento de alíquota ou imposto. 55. Adicionalmente não é a existência ou ausência de Instrução Normativa, isto é, de dispositivo apenas regulamentar que legitima ou descaracteriza determinado crédito tributário. É a lei “stricto sensu” e sua correta interpretação, no caso em tela, a Medida Provisória 199115, de 10 de março de 2000, que estabeleceu em seu artigo 46 a eficácia das modificações introduzidas no art. 4º da Lei 9.718/98. A partir de 1º de julho de 2000, três meses depois, foi reeditada sob o nº 199118, para modificar as alíquotas anteriormente estabelecidas. As novas alíquotas foram então repetidas pela Lei 9.990/2000, de 21 de julho de 2000, publicada no Diário Oficial da União em 24/07/2000. 56. O novo regime de tributação nada mais é, tecnicamente, do que uma continuação do regime vigente até 30 de junho de 2000, não podendo, portanto, ser enquadrado no § 4º do artigo 149 da CF/88, que assim determina: “A lei definirá as hipóteses em que as contribuições incidirão uma única vez”. (gn). (...) 58. Assim sendo, conforme exaustivamente demonstrado, há que se concluir, forçosamente, que a impugnante é detentora de créditos que sequer foi considerado pela fiscalização, não podendo prosperar a presente autuação sem que sejam considerados tais créditos.” Continua, agora, acerca da tomada de créditos. Fl. 391DF CARF MF Impresso em 16/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/01/2013 por JOSE LUIZ BORDIGNON, Assinado digitalmente em 24/01/2013 por JOSE LUIZ BORDIGNON, Assinado digitalmente em 16/05/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado d igitalmente em 14/05/2013 por JACQUES MAURICIO FERREIRA VELOSO DE MELO 10 Diz que, na sistemática monofásica, a tributação é concentrada no produtor ou importador e as etapas seguintes da cadeia são tributadas com alíquota zero. E que, na sistemática não cumulativa, é possibilitado aos contribuintes o crédito em relação a alguns dos insumos e custos, conforme arts. 3º das Leis nºs 10.637, de 2002, e 10.833, de 2003, concluindo, ainda, que referido dispositivo, em seu § 2º, indica a impossibilidade da tomada de crédito relativamente a bens e serviços não sujeitos ao pagamento da contribuição, razão pela qual, quando efetivamente tributada a receita, não há de se obstar o crédito pelo adquirente. Acrescenta que o art. 16 da Medida Provisória nº 206, de 2004, segundo o qual as vendas efetuadas com suspensão, isenção, alíquota zero ou nãoincidência, não impedem a manutenção dos créditos, pelo vendedor, veio esclarecer a legislação então vigente. E salienta que tal normativo é meramente interpretativo, como consta de sua exposição de motivos. Retoma a sistemática monofásica, dizendo que os produtos submetidos a tal apuração foram elencados no art. 2º, § 1º, das Leis nº 10.637, de 2002, e 10.833, de 2003. E que a aquisição para revenda de produtos cuja receita esteja sujeita à incidência monofásica não dá direito à tomada de crédito, conforme art. 3º, I, b, da citada legislação. Aduz ser a norma coerente, por manter distinção entre as sistemáticas monofásica e nãocumulativa, distinção esta a qual foi, inclusive, prestigiada na exposição de motivos da Medida Provisória nº 66, de 2002, quando ficou consignado que “sem prejuízo de convivência harmoniosa com a incidência não cumulativa do PIS/Pasep, foram excluídos do modelo, em vista de suas especificidades [...] os contribuintes tributados em regime monofásico”. Ressalta, contudo, que, com o advento da Lei nº 11.033, de 2004, a vedação ao creditamento constante dos artigos 3º, I, b, das Leis nº 10.637, de 2002, e 10.833, de 2003, foi revogada, possibilitando a tomada de crédito por parte dos contribuintes tributados pela sistemática monofásica. Cita doutrina e jurisprudência. Conclui, assim, que a impugnante possui o direito ao crédito na sistemática monofásica e o seu aproveitamento na apuração do Pis e da Cofins devidos, não considerado na presente autuação. Na seqüência, passa a abordar a nãocumulatividade. Nesse sentido, disserta acerca do princípio regido na CF/88, relativamente ao ICMS e IPI, conforme artigos 153, IV, § 3º, II, e 155, II, § 2º, concluindo que “a sistemática da não cumulatividade concebida para o IPI e o ICMS possui como finalidade a neutralização da incidência em cascata, através da técnica de compensação de débitos com créditos”. E emenda que “o critério quantitativo do PIS e da COFINS diz respeito à “totalidade das receitas auferidas”, que é fenômeno relacionado à pessoa do contribuinte (empresa jurídica), não Fl. 392DF CARF MF Impresso em 16/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/01/2013 por JOSE LUIZ BORDIGNON, Assinado digitalmente em 24/01/2013 por JOSE LUIZ BORDIGNON, Assinado digitalmente em 16/05/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado d igitalmente em 14/05/2013 por JACQUES MAURICIO FERREIRA VELOSO DE MELO Processo nº 10830.017461/200949 Acórdão n.º 3801001.473 S3TE01 Fl. 388 11 possuindo qualquer identidade com algum fenômeno circulatório, traço característico originário do IPI e do ICMS”. Continua, em suas palavras: “82. A nãocumulatividade do PIS e da COFINS é operacionalizada redução da base de cálculo, com a respectiva dedução de créditos relativos às contribuições que foram recolhidas sobre bens e/ou serviços objeto de faturamento em etapas anteriores. 83. O regime nãocumulativo das referidas contribuições não pode ser restringido, pois os contribuintes têm direito ao crédito das contribuições exigidas anteriormente, como forma de minorar a carga tributária sobre o faturamento, tão prejudicial para as empresas instaladas no País. 84. O Texto Supremo autorizou a existência de 2 (dois) regimes para a COFINS, o cumulativo e o nãocumulativo, o que foi observado pela legislação ordinária, que também abarcou o PIS. 85. Ainda que o legislador ordinário tenha certa flexibilidade para estabelecer a nãocumulatividade para determinados contribuintes, utilizando como critério diferenciador o setor de atividade econômica, a concessão desta deve obedecer rigorosamente o princípio da isonomia e o da capacidade contributiva. 86. Com efeito, a utilização do benefício da nãocumulatividade por determinados contribuintes em detrimento de outros em situações equivalentes, é critério discriminador que esbarra nos referidos princípios. 87. De plano, chama a atenção o fato de que na legislação de regência da nãocumulatividade, a alíquota do PIS aumentou de 0,65% para 1,65% e a da COFINS de 3% para 7,6%, em que o contribuinte tem o direito de deduzir da base de cálculo das contribuições incidentes sobre os bens e serviços adquiridos. 88. Do exame atento do art. 3º caput e parágrafo 1º das Leis nº 10.637 e 10.833, verificase que estas leis adotaram uma sistemática em que as contribuições incidem sobre a totalidade da receita auferida pela pessoa jurídica, com o desconto de créditos através da aplicação da alíquota sobre a base de cálculo, relativamente a determinados custos, encargos e despesas estabelecidos taxativamente. 89. Contudo, inexiste “meia” nãocumulatividade, como quer fazer parecer a legislação em comento. Uma vez definido o setor de atividade econômica, o contribuinte tem o direito irrestrito de compensar todos os custos que culminaram na obtenção das receitas auferidas. 90. Assim, concluise pela existência de créditos que não foram deduzidos, via não cumulatividade, na apuração da base de cálculo, restando prejudicada a presente autuação.” Fl. 393DF CARF MF Impresso em 16/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/01/2013 por JOSE LUIZ BORDIGNON, Assinado digitalmente em 24/01/2013 por JOSE LUIZ BORDIGNON, Assinado digitalmente em 16/05/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado d igitalmente em 14/05/2013 por JACQUES MAURICIO FERREIRA VELOSO DE MELO 12 Encerra requerendo o reconhecimento da decadência, relativamente ao anocalendário 2004, e a total improcedência da autuação, em função das razões apresentadas”. A Delegacia de Julgamento em Campinas proferiu a seguinte decisão, nos termos da ementa abaixo transcrita: “Assunto: Processo Administrativo Fiscal Anocalendário: 2004, 2005, 2006 Nulidade. Improcedência. Não procedem as argüições de nulidade quando não se vislumbram nos autos quaisquer das hipóteses previstas no art. 59 do Decreto nº 70.235, de 1972. Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Anocalendário: 2004, 2005, 2006 Decadência. Contribuições. Afastado, por inconstitucional, o prazo de dez anos para o lançamento das contribuições destinadas à Seguridade Social, a contagem do lapso decadencial regese pelo disposto no Código Tributário Nacional, nos mesmos moldes do imposto de renda pessoa jurídica. O lançamento por homologação ocorre quando o sujeito passivo da obrigação tributária apura o montante tributável e efetua o pagamento do imposto devido, ainda que parcialmente, sem prévio exame da autoridade administrativa, hipótese em que a contagem do prazo decadencial se rege pelo disposto no art. 150, § 4º, do CTN, quando ausentes dolo, fraude ou simulação. À falta do pagamento antecipado, aplicase a regra de contagem do prazo decadencial prevista no art. 173, inciso I, do CTN. Retificase a exigência para excluir o crédito tributário correspondente aos períodos de 04/2004 e 06/2004, abrangidos pelo prazo decadencial. Verificações Obrigatórias. Confronto DCTF x Demonstrações Financeiras. Falta de Declaração e de Recolhimento. É devido pela pessoa jurídica a contribuição apurada em sua escrituração fiscal, que não tenha sido objeto de recolhimento e nem de confissão em DCTF. Verificações Obrigatórias. Confronto DCTF x Demonstrações Financeiras. Falta de Apuração, de Declaração e de Recolhimento. Verificada a falta de apuração da contribuição incidente sobre receitas registradas na escrituração da pessoa jurídica, as quais se inserem na sistemática da não cumulatividade, correta é a exigência decorrente, formalizada exofficio. Fl. 394DF CARF MF Impresso em 16/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/01/2013 por JOSE LUIZ BORDIGNON, Assinado digitalmente em 24/01/2013 por JOSE LUIZ BORDIGNON, Assinado digitalmente em 16/05/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado d igitalmente em 14/05/2013 por JACQUES MAURICIO FERREIRA VELOSO DE MELO Processo nº 10830.017461/200949 Acórdão n.º 3801001.473 S3TE01 Fl. 389 13 Para infirmar o lançamento, não basta a interessada alegar a existência de crédito passível de dedução, não considerado pelo Fisco. É preciso demonstrar a sua apuração em conformidade com a legislação, a sua regular contabilização, bem como a sua disponibilidade, para pretender o direito à sua utilização, mormente quando verificado que a pessoa jurídica aufere outras receitas, excluídas da sistemática da não cumulatividade, fato o qual enseja a respectiva segregação contábil e fiscal. Sem um início de prova oferecido pela impugnante, nesse sentido, sequer se cogita da realização de diligência, no intuito de confirmar as alegações fornecidas pela impugnante, que pudesse ensejar a retificação do crédito tributário regularmente constituído. Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins Anocalendário: 2004, 2005, 2006 Decadência. Contribuições. Afastado, por inconstitucional, o prazo de dez anos para o lançamento das contribuições destinadas à Seguridade Social, a contagem do lapso decadencial regese pelo disposto no Código Tributário Nacional, nos mesmos moldes do imposto de renda pessoa jurídica. O lançamento por homologação ocorre quando o sujeito passivo da obrigação tributária apura o montante tributável e efetua o pagamento do imposto devido, ainda que parcialmente, sem prévio exame da autoridade administrativa, hipótese em que a contagem do prazo decadencial se rege pelo disposto no art. 150, § 4º, do CTN, quando ausentes dolo, fraude ou simulação. À falta do pagamento antecipado, aplicase a regra de contagem do prazo decadencial prevista no art. 173, inciso I, do CTN. Verificações Obrigatórias. Confronto DIPJ x DCTF x Demonstrações Financeiras. Falta de Declaração e de Recolhimento. É devido pela pessoa jurídica a contribuição apurada em sua escrituração fiscal, que não tenha sido objeto de recolhimento e nem de confissão em DCTF. Verificações Obrigatórias. Confronto DCTF x Demonstrações Financeiras. Falta de Apuração, de Declaração e de Recolhimento. Verificada a falta de apuração da contribuição incidente sobre receitas registradas na escrituração da pessoa jurídica, as quais se inserem na sistemática da não cumulatividade, correta é a exigência decorrente, formalizada exofficio. Para infirmar o lançamento, não basta a interessada alegar a existência de crédito passível de dedução, não considerado pelo Fisco. É preciso demonstrar a sua apuração em conformidade Fl. 395DF CARF MF Impresso em 16/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/01/2013 por JOSE LUIZ BORDIGNON, Assinado digitalmente em 24/01/2013 por JOSE LUIZ BORDIGNON, Assinado digitalmente em 16/05/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado d igitalmente em 14/05/2013 por JACQUES MAURICIO FERREIRA VELOSO DE MELO 14 com a legislação, a sua regular contabilização, bem como a sua disponibilidade, para pretender o direito à sua utilização, mormente quando verificado que a pessoa jurídica aufere outras receitas, excluídas da sistemática da não cumulatividade, fato o qual enseja a respectiva segregação contábil e fiscal. Sem um início de prova oferecido pela impugnante, nesse sentido, sequer se cogita da realização de diligência, no intuito de confirmar as alegações fornecidas pela impugnante, que pudesse ensejar a retificação do crédito tributário regularmente constituído. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte” Inconformada, a contribuinte recorre a este Conselho, conforme recurso de fls. 346 a 376 reproduzindo, na essência, as razões apresentadas por ocasião da impugnação. DO PEDIDO: Desse modo, pedese: a) o reconhecimento da decadência do direito de lançar, para o Pis e a Cofins, em função de tratarse de lançamento por homologação, nos termos do §4º do art. 150 do CTN, eis que a presente autuação referese a todo o anocalendário de 2004, portanto há mais de 5 (cinco) anos da ocorrência do fato gerador: b) que a presente autuação efetivada com o escopo de constituir o crédito tributário correspondente ao PIS e a COFINS, referente ao período de apuração de 01/2005 a 12/2006, seja considerada totalmente improcedente, em função das razões apresentadas. É o relatório. Fl. 396DF CARF MF Impresso em 16/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/01/2013 por JOSE LUIZ BORDIGNON, Assinado digitalmente em 24/01/2013 por JOSE LUIZ BORDIGNON, Assinado digitalmente em 16/05/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado d igitalmente em 14/05/2013 por JACQUES MAURICIO FERREIRA VELOSO DE MELO Processo nº 10830.017461/200949 Acórdão n.º 3801001.473 S3TE01 Fl. 390 15 Voto Conselheiro José Luiz Bordignon, Relator. O recurso é tempestivo e preenche os requisitos de admissibilidade, portanto dele tomo conhecimento. I – DAS PRELIMINARES. I. 1 Decadência. Entende a recorrente que se deve aplicar o art. 150, §4º, do CTN, independente de existir o pagamento. Assim, requer a aplicação da decadência para todo o ano de 2004. Registrase que a autoridade julgadora de primeira instância reconheceu a decadência do Pis/Pasep para os períodos de 04 e 06 de 2004, pela aplicação do art. 150, §4º, do CTN, em razão de ter identificado pagamento parcial nestes períodos. Para os demais períodos, pela ausência de pagamento, foi aplicado o art. 173, I, do referido diploma legal. Com relação ao tema, notese que a Lei nº 8.212/91 estabelecia em seu art. 45 que o prazo do direito da Seguridade Social apurar e constituir seus créditos era de 10 (dez) anos. No entanto, o Supremo Tribunal Federal (STF), após analisar a matéria em sede de controle difuso de constitucionalidade (precedentes: RE nºs. 559.9434, 559.8829, 560.6261 e 556.6641), editou a seguinte súmula vinculante (Ata da 22ª sessão extraordinária, realizada em 12 de junho de 2008): “Súmula Vinculante nº 8 São inconstitucionais o parágrafo único do artigo 5º do DecretoLei nº 1.569/1977 e os artigos 45 e 46 da Lei nº 8.212/1991, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário”. No que concerne aos efeitos da súmula vinculante, o artigo 103A da Constituição Federal de 1988, assim dispõe: Art. 103A. O Supremo Tribunal Federal poderá, de ofício ou por provocação, mediante decisão de dois terços dos seus membros, após reiteradas decisões sobre matéria constitucional, aprovar súmula que, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terá efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal, bem como proceder à sua revisão ou cancelamento, na forma estabelecida em lei. Nesta mesma direção foi editado o art. 2º da Lei 11.417/2006: Fl. 397DF CARF MF Impresso em 16/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/01/2013 por JOSE LUIZ BORDIGNON, Assinado digitalmente em 24/01/2013 por JOSE LUIZ BORDIGNON, Assinado digitalmente em 16/05/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado d igitalmente em 14/05/2013 por JACQUES MAURICIO FERREIRA VELOSO DE MELO 16 “Art. 2o O Supremo Tribunal Federal poderá, de ofício ou por provocação, após reiteradas decisões sobre matéria constitucional, editar enunciado de súmula que, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terá efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal, bem como proceder à sua revisão ou cancelamento, na forma prevista nesta Lei.” Também, com relação a decadência, o Superior Tribunal de Justiça (STJ) firmou o seguinte entendimento, inclusive em sede de recurso repetitivo de controvérsia: PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. DECADÊNCIA DO DIREITO DE O FISCO CONSTITUIR O CRÉDITO TRIBUTÁRIO. TERMO INICIAL. ARTIGO 173, I, DO CTN. APLICAÇÃO CUMULATIVA DOS PRAZOS PREVISTOS NOS ARTIGOS 150, § 4º, e 173, do CTN. IMPOSSIBILIDADE. 1. O prazo decadencial qüinqüenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito (Precedentes da Primeira Seção: REsp 766.050∕PR, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 28.11.2007, DJ 25.02.2008; AgRg nos EREsp 216.758∕SP, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.03.2006, DJ 10.04.2006; e EREsp 276.142∕SP, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 13.12.2004, DJ 28.02.2005). 2. É que a decadência ou caducidade, no âmbito do Direito Tributário, importa no perecimento do direito potestativo de o Fisco constituir o crédito tributário pelo lançamento, e, consoante doutrina abalizada, encontrase regulada por cinco regras jurídicas gerais e abstratas, entre as quais figura a regra da decadência do direito de lançar nos casos de tributos sujeitos ao lançamento de ofício, ou nos casos dos tributos sujeitos ao lançamento por homologação em que o contribuinte não efetua o pagamento antecipado (Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 163∕210). 3. O dies a quo do prazo qüinqüenal da aludida regra decadencial regese pelo disposto no artigo 173, I, do CTN, sendo certo que o "primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado" corresponde, iniludivelmente, ao primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível, ainda que se trate de tributos sujeitos a lançamento por homologação, revelandose inadmissível a aplicação cumulativa∕concorrente dos prazos previstos nos artigos 150, § 4º, e 173, do Codex Tributário, ante a configuração de desarrazoado prazo decadencial decenal Fl. 398DF CARF MF Impresso em 16/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/01/2013 por JOSE LUIZ BORDIGNON, Assinado digitalmente em 24/01/2013 por JOSE LUIZ BORDIGNON, Assinado digitalmente em 16/05/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado d igitalmente em 14/05/2013 por JACQUES MAURICIO FERREIRA VELOSO DE MELO Processo nº 10830.017461/200949 Acórdão n.º 3801001.473 S3TE01 Fl. 391 17 (Alberto Xavier, "Do Lançamento no Direito Tributário Brasileiro", 3ª ed., Ed. Forense, Rio de Janeiro, 2005, págs. 91∕104; Luciano Amaro, "Direito Tributário Brasileiro", 10ª ed., Ed. Saraiva, 2004, págs. 396∕400; e Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 183∕199). 5. In casu, consoante assente na origem: (i) cuidase de tributo sujeito a lançamento por homologação; (ii) a obrigação ex lege de pagamento antecipado das contribuições previdenciárias não restou adimplida pelo contribuinte, no que concerne aos fatos imponíveis ocorridos no período de janeiro de 1991 a dezembro de 1994; e (iii) a constituição dos créditos tributários respectivos deuse em 26.03.2001. 6. Destarte, revelamse caducos os créditos tributários executados, tendo em vista o decurso do prazo decadencial qüinqüenal para que o Fisco efetuasse o lançamento de ofício substitutivo. 7. Recurso especial desprovido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08∕2008. (REsp 973733, DJe 18/09/2009) TRIBUTÁRIO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. DECADÊNCIA. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO.INCIDÊNCIA DO ART. 173, INC. I, DO CTN. INCONSTITUCIONALIDADE DO ART. 45 DA LEI N. 8.212/91. SÚMULA VINCULANTE N. 8 DO STF. 1. O Supremo Tribunal Federal, na Sessão Plenária de 12.6.2008, editou a Súmula Vinculante n. 8, publicada no DO de 20.6.2008, com este teor: "são inconstitucionais o parágrafo único do artigo 5.º do DecretoLei n. 1.569/1977 e os artigos 45 e 46 da Lei n. 8.212/1991, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário". 2. Nos casos em que não tiver havido o pagamento antecipado de tributo sujeito a lançamento por homologação é de se aplicar o art.173, inc. I, do Código Tributário Nacional (CTN). Isso porque a disciplina do art. 150, § 4º, do CTN estabelece a necessidade de antecipação do pagamento para fins de contagem do prazo decadencial. No REsp 973733/SC, Rel. Min. Luiz Fux, DJe 18/9/2009, submetido ao Colegiado pelo regime da Lei nº 11.672/08 (Lei dos Recursos Repetitivos), que introduziu o art. 543C do CPC, reafirmouse tal posicionamento (grifouse). (REsp 1090021, DJe 05/05/2010) Não é demais lembrar que, de acordo com o artigo 62A, do Regimento Interno do Conselho Administrativo Fiscais (CARF), aprovado pela Portaria MF nº 256/2009 e alterações, os Conselheiros deverão observar as decisões definitivas de mérito proferidas pelo Fl. 399DF CARF MF Impresso em 16/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/01/2013 por JOSE LUIZ BORDIGNON, Assinado digitalmente em 24/01/2013 por JOSE LUIZ BORDIGNON, Assinado digitalmente em 16/05/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado d igitalmente em 14/05/2013 por JACQUES MAURICIO FERREIRA VELOSO DE MELO 18 Supremo Tribunal Federal e Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, in verbis: Art. 62A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. {grifouse} Assim, diante dos fundamentos acima expostos, é indubitável que o prazo decadencial para a Fazenda Pública exigir (constituir o crédito tributário) a contribuição para o Pis/Pasep e Cofins é àquele disposto no Código Tributário Nacional (§4º do art. 150 se houver pagamento antecipado ou inciso I do art. 173 no caso de não existir pagamento). No presente caso, tendo em vista que não houve a antecipação de qualquer pagamento para os períodos de apuração de 2004, exceção para os meses de abril e junho que já foram reconhecidos pela autoridade a quo como decaídos, devese observar para a contagem do prazo decadencial o disposto no artigo 173, I, do Código Tributário Nacional. Desse modo, considerando que o auto foi lavrado em 17/12/2009, com ciência pessoal no mesmo dia (Pis fls. 03 e Cofins – fls. 14), a constituição do crédito tributário foi efetuado dentro do prazo legal, não cabendo reparo algum na decisão prolatada pela autoridade julgadora de primeira instância. I. 2 Nulidade. Em sua peça recursal, a interessada defende a nulidade da presente autuação por violação ao art. 142 do Código Tributário Nacional. Às fls. 365, a requerente assim se manifestou: “Na presente autuação, no entanto, verificase que a determinação da matéria tributável e o cálculo do imposto devido se efetivaram de forma extremamente genérica, o que viola os preceitos do art. 142 do CTN”. Não assiste razão à contribuinte na preliminar apresentada. O lançamento está perfeito, em nada contrariando o disposto no artigo 59 do Decreto n° 70.235, de 6 de março de 1972, o qual a seguir transcrevo: “Art. 59. São nulos: I os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa”. O lançamento em questão, ademais, está de acordo com os termos do artigo 10 do Decreto no 70.235, de 1972, que assim dispõe: “Art. 10. O auto de infração será lavrado por servidor competente, no local da verificação da falta, e conterá obrigatoriamente: Fl. 400DF CARF MF Impresso em 16/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/01/2013 por JOSE LUIZ BORDIGNON, Assinado digitalmente em 24/01/2013 por JOSE LUIZ BORDIGNON, Assinado digitalmente em 16/05/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado d igitalmente em 14/05/2013 por JACQUES MAURICIO FERREIRA VELOSO DE MELO Processo nº 10830.017461/200949 Acórdão n.º 3801001.473 S3TE01 Fl. 392 19 I a qualificação do autuado; II o local, a data e a hora da lavratura; III a descrição do fato; IV a disposição legal infringida e a penalidade aplicável; V a determinação da exigência e a intimação para cumprila ou impugnála no prazo de 30 (trinta) dias; VI a assinatura do autuante e a indicação de seu cargo ou função e o número de matricula”. Desta forma, não há como prosperar a alegação de nulidade do auto de infração em análise. Por certo, haveria cerceamento do direito de defesa se a autuada fosse, por qualquer motivo, impedida de impugnar ou não houvesse compreendido os termos do lançamento, impossibilitando, assim, sua defesa. Não foi o que ocorreu, pois sua impugnação está devidamente juntada ao presente processo e dela se depreende que a autuada compreendeu, perfeitamente, os motivos do lançamento, produzindo ampla defesa. Não é demais lembrar que, no âmbito do processo administrativo fiscal, as hipóteses de nulidade são tratadas de forma específica no art. 59 do Decreto nº 70.235/72. No caso vertente, nenhum dos pressupostos encontrase presente, uma vez que não ficou evidenciada a preterição do direito de defesa, tendo em vista que na descrição dos fatos e enquadramento legal foi demonstrada a razão da autuação. Portanto, diante dos argumentos acima expostos, da motivação e da fundamentação legal expressas no corpo do auto de infração, não há como prosperar a alegação de cerceamento do direito de defesa como quer a recorrente. Assim, rejeito as preliminares argüidas. II – DO MÉRITO. II. 1 – Da nãocumulatividade. Às fls. 374, assim a recorrente se manifestou com relação ao tema: “A nãocumulatividade do Pis e da Cofins é operacionalizada pela redução da base de cálculo, com a respectiva dedução de créditos relativos às contribuições que foram recolhidas sobre bens e/ou serviços objeto de faturamento em etapas anteriores. O regime nãocumulativo das referidas contribuições não pode ser restringido, pois os contribuintes têm direito ao crédito das contribuições exigidas anteriormente, como forma de minorar a carga tributária sobre o faturamento, tão prejudicial para as empresas instaladas no País”. Fl. 401DF CARF MF Impresso em 16/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/01/2013 por JOSE LUIZ BORDIGNON, Assinado digitalmente em 24/01/2013 por JOSE LUIZ BORDIGNON, Assinado digitalmente em 16/05/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado d igitalmente em 14/05/2013 por JACQUES MAURICIO FERREIRA VELOSO DE MELO 20 Com relação a sistemática de apuração das Contribuições para o Pis/Pasep e Cofins, na sistemática da nãocumulativa, é meu pensar que o entendimento esposado pela requerente em sua peça de defesa não pode prosperar. O princípio da nãocumulatividade estabelecido para as contribuições sociais pela EC nº 42, de 2003, não se identifica com aquele previsto na Constituição Federal para os impostos sobre a produção e o consumo (IPI e ICMS). No caso das Contribuições para o Pis/Pasep e Cofins, o método de apuração da referida contribuição depende de regulação infraconstitucional, o que não ocorre com o IPI e ICMS, cujos princípios se encontram gravados no texto constitucional. A nãocumulatividade prevista na Constituição Federal trata tão somente do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) e do Imposto sobre Operações Relativas à Circulação de Mercadorias e sobre Prestação de serviços de Transporte Interestadual e Intermunicipal e de comunicação (ICMS). É de se dizer, também, que não é possível se extrair do texto constitucional que todo e qualquer custo ou despesa necessários ao funcionamento da empresa são capazes de gerar crédito na apuração das Contribuições para o Pis/Pasep e Cofins. Como é sabido, o IPI e o ICMS usam a sistemática da nãocumulatividade para apurar o valor a ser recolhido a título dos referidos tributos. No entanto, a sistemática eleita pelo legislador para a manutenção da “neutralidade tributária” para as Contribuições NãoCumulativas difere daquela adotada no caso do IPI e do ICMS. Ou seja, os métodos de apuração são distintos. Para o IPI e o ICMS o método de apuração adotado pelo legislador foi o “Método do Crédito de Imposto” ou “Método de Imposto contra Imposto”, traduzindose na possibilidade de compensar o montante devido na saída (vendas) com o valor efetivamente pago por ocasião da entrada (compras). Já no caso das Contribuições (Pis/Pasep e Cofins), a forma de apuração do valor devido é obtido pela utilização do “Método Subtrativo Indireto”, que consiste em atribuir crédito fiscal sobre custos/despesas definidos em lei, na mesma proporção da alíquota aplicada sobre as receitas. Portanto, somente os créditos previstos no rol do art. 3º das Leis nº 10.637/02 e 10.833/03 são passíveis de serem descontados para a apuração da base de cálculo das Contribuições para o Pis/Pasep e Cofins. Assim, se o legislador ordinário houve por bem restringir o benefício a certos créditos, não cabe ao aplicador do direito ampliar ou restringir seu alcance. II. 2 Da tributação monofásica e o aproveitamento dos créditos. A requerente postula, em sua peça de defesa, o aproveitamento dos créditos na apuração das contribuições para o Pis/Pasep e Cofins, conforme se constata dos trechos abaixo colacionados: “Assim sendo, possui a impugnante direito ao creditamento na sistemática monofásica e o seu aproveitamento na apuração do Fl. 402DF CARF MF Impresso em 16/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/01/2013 por JOSE LUIZ BORDIGNON, Assinado digitalmente em 24/01/2013 por JOSE LUIZ BORDIGNON, Assinado digitalmente em 16/05/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado d igitalmente em 14/05/2013 por JACQUES MAURICIO FERREIRA VELOSO DE MELO Processo nº 10830.017461/200949 Acórdão n.º 3801001.473 S3TE01 Fl. 393 21 Pis e Cofins devidos, não considerados pela presente autuação” (fls. 369). Na mesma direção, em sequência, argui a interessada: “[...] conforme exaustivamente demonstrado, há que se concluir, forçosamente, que a recorrente é detentora de créditos que sequer foi considerado pela fiscalização, não podendo prosperar a presente autuação sem que sejam considerados tais créditos”. Ainda, às fls. 370 e 372, a recorrente protesta pelo aproveitamento dos créditos, conforme se constata dos excertos de sua peça recursal abaixo transcritos: “Percebese que o que a norma indica é a impossibilidade da tomada de crédito relativamente a bens e serviços não sujeitos ao pagamento da contribuição. Vale dizer: se sobre a receita gerada na operação anterior, quando da aquisição do bem ou serviço, não incidiram (ou estavam isentos ou sujeitos à alíquota zero) o Pis e a Cofins, não há que se falar em crédito quando da incidência das contribuições sobre a receita oriunda de tais bens ou serviços (na operação seguinte)”. (fls. 370) “No entanto, com o advento da Lei nº 11.033/04, a vedação ao creditamento constante dos artigos 3º, I, b, das Leis nº 10.637/02 e 10.833/03 foi revogada, o que possibilita a tomada de crédito por parte dos contribuintes tributados pela sistemática monofásica”. (fls. 372) Como visto, a interessada defende o aproveitamento dos créditos na apuração das contribuições para o Pis/Pasep e Cofins gerados a partir dos dispêndios realizados com a compra de gasolina e óleo diesel. Assim, uma vez que a autuada se ocupa do comércio varejista de combustível, devese analisar, a luz da legislação de regência, sua real possibilidade. Desse modo, necessário se faz trazer a lume a legislação de regência. Lei nº 10.637, de 30 de dezembro de 2002. Art. 1o A contribuição para o PIS/Pasep tem como fato gerador o faturamento mensal, assim entendido o total das receitas auferidas pela pessoa jurídica, independentemente de sua denominação ou classificação contábil. § 3o Não integram a base de cálculo a que se refere este artigo, as receitas: I decorrentes de saídas isentas da contribuição ou sujeitas à alíquota zero; Art. 2o Para determinação do valor da contribuição para o PIS/Pasep aplicarseá, sobre a base de cálculo apurada conforme o disposto no art. 1o, a alíquota de 1,65% (um inteiro e sessenta e cinco centésimos por cento). Fl. 403DF CARF MF Impresso em 16/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/01/2013 por JOSE LUIZ BORDIGNON, Assinado digitalmente em 24/01/2013 por JOSE LUIZ BORDIGNON, Assinado digitalmente em 16/05/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado d igitalmente em 14/05/2013 por JACQUES MAURICIO FERREIRA VELOSO DE MELO 22 § 1o Excetuase do disposto no caput a receita bruta auferida pelos produtores ou importadores, que devem aplicar as alíquotas previstas: (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) I nos incisos I a III do art. 4o da Lei no 9.718, de 27 de novembro de 1998, e alterações posteriores, no caso de venda de gasolinas e suas correntes, exceto gasolina de aviação, óleo diesel e suas correntes e gás liquefeito de petróleo GLP derivado de petróleo e de gás natural; (Redação dada pela Lei nº 10.925, de 2004) (Vide Lei nº 10.925, de 2004) X no art. 23 da Lei no 10.865, de 30 de abril de 2004, no caso de venda de gasolinas e suas correntes, exceto gasolina de aviação, óleo diesel e suas correntes, querosene de aviação, gás liquefeito de petróleo GLP derivado de petróleo e de gás natural. (Incluído pela Lei nº 10.925, de 2004) (Vide Lei nº 10.925, de 2004) Art. 3o Do valor apurado na forma do art. 2o a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: I bens adquiridos para revenda, exceto em relação às mercadorias e aos produtos referidos: (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) b) no § 1o do art. 2o desta Lei; (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) Lei nº 10.833, de 29 de dezembro de 2003. Art. 1o A Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social COFINS, com a incidência nãocumulativa, tem como fato gerador o faturamento mensal, assim entendido o total das receitas auferidas pela pessoa jurídica, independentemente de sua denominação ou classificação contábil. § 3o Não integram a base de cálculo a que se refere este artigo as receitas: I isentas ou não alcançadas pela incidência da contribuição ou sujeitas à alíquota 0 (zero); Art. 2o Para determinação do valor da COFINS aplicarseá, sobre a base de cálculo apurada conforme o disposto no art. 1o, a alíquota de 7,6% (sete inteiros e seis décimos por cento). § 1o Excetuase do disposto no caput deste artigo a receita bruta auferida pelos produtores ou importadores, que devem aplicar as alíquotas previstas: (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) I nos incisos I a III do art. 4o da Lei no 9.718, de 27 de novembro de 1998, e alterações posteriores, no caso de venda de gasolinas e suas correntes, exceto gasolina de aviação, óleo diesel e suas correntes e gás liquefeito de petróleo GLP derivado de petróleo e de gás natural; (Redação dada pela Lei nº 10.925, de 2004) (Vide Lei nº 10.925, de 2004) (Vide Lei nº 11.196, de 2005) Fl. 404DF CARF MF Impresso em 16/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/01/2013 por JOSE LUIZ BORDIGNON, Assinado digitalmente em 24/01/2013 por JOSE LUIZ BORDIGNON, Assinado digitalmente em 16/05/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado d igitalmente em 14/05/2013 por JACQUES MAURICIO FERREIRA VELOSO DE MELO Processo nº 10830.017461/200949 Acórdão n.º 3801001.473 S3TE01 Fl. 394 23 X no art. 23 da Lei no 10.865, de 30 de abril de 2004, no caso de venda de gasolinas e suas correntes, exceto gasolina de aviação, óleo diesel e suas correntes, querosene de aviação, gás liquefeito de petróleo GLP derivado de petróleo e de gás natural. (Incluído pela Lei nº 10.925, de 2004) § 1oA. Excetuase do disposto no caput deste artigo a receita bruta auferida pelos produtores, importadores ou distribuidores com a venda de álcool, inclusive para fins carburantes, à qual se aplicam as alíquotas previstas no caput e no § 4º do art. 5º da Lei nº 9.718, de 27 de novembro de 1998. (Incluído pela Lei nº 11.727, de 2008). (Produção de efeito) (Vide Medida Provisória nº 497, de 2010) Art. 3o Do valor apurado na forma do art. 2o a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: I bens adquiridos para revenda, exceto em relação às mercadorias e aos produtos referidos: (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) b) nos §§ 1o e 1oA do art. 2o desta Lei; (Redação dada pela lei nº 11.787, de 2008) Lei nº 10.925, de 23 de julho de 2004. Art. 4o Os arts. 2o, 5oA e 11 da Lei no 10.637, de 30 de dezembro de 2002, passam a vigorar com a seguinte redação: (Vigência) "Art. 2o .............................................................. § 1o ................................................................... I nos incisos I a III do art. 4o da Lei no 9.718, de 27 de novembro de 1998, e alterações posteriores, no caso de venda de gasolinas e suas correntes, exceto gasolina de aviação, óleo diesel e suas correntes e gás liquefeito de petróleo GLP derivado de petróleo e de gás natural; Lei nº 10.865, de 30 de abril de 2004. Art. 15. As pessoas jurídicas sujeitas à apuração da contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS, nos termos dos arts. 2o e 3o das Leis nos 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e 10.833, de 29 de dezembro de 2003, poderão descontar crédito, para fins de determinação dessas contribuições, em relação às importações sujeitas ao pagamento das contribuições de que trata o art. 1o desta Lei, nas seguintes hipóteses: (Redação dada pela Lei nº 11.727, de 2008) (Produção de efeitos) Art. 16. É vedada a utilização do crédito de que trata o art. 15 desta Lei nas hipóteses referidas nos incisos III e IV do § 3o do art. 1o e no art. 8o da Lei no 10.637, de 30 de dezembro de 2002, Fl. 405DF CARF MF Impresso em 16/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/01/2013 por JOSE LUIZ BORDIGNON, Assinado digitalmente em 24/01/2013 por JOSE LUIZ BORDIGNON, Assinado digitalmente em 16/05/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado d igitalmente em 14/05/2013 por JACQUES MAURICIO FERREIRA VELOSO DE MELO 24 e nos incisos III e IV do § 3o do art. 1o e no art. 10 da Lei no 10.833, de 29 de dezembro de 2003. Lei nº 9.718, de 27 de novembro de 1998. Art. 4o As contribuições para os Programas de Integração Social e de Formação do Patrimônio do Servidor Público – PIS/PASEP e para o Financiamento da Seguridade Social – COFINS devidas pelos produtores e importadores de derivados de petróleo serão calculadas, respectivamente, com base nas seguintes alíquotas: I – 5,08% (cinco inteiros e oito centésimos por cento) e 23,44% (vinte inteiros e quarenta e quatro centésimos por cento), incidentes sobre a receita bruta decorrente da venda de gasolinas e suas correntes, exceto gasolina de aviação; (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) (Vide Lei nº 11.051, de 2004) II – 4,21% (quatro inteiros e vinte e um centésimos por cento) e 19,42% (dezenove inteiros e quarenta e dois centésimos por cento), incidentes sobre a receita bruta decorrente da venda de óleo diesel e suas correntes; (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) (Vide Lei nº 11.051, de 2004) Como é de conhecimento, o regime de nãocumulatividade das contribuições PIS e COFINS foi instituído pelas Leis nº 10.637/02 e nº 10.833/03, sendo que a Lei nº 10.865/04 introduziu alteração no citado regime (nos artigos 3º, inciso I, alínea "b", das referidas leis), vedando a possibilidade de creditamento nas operações de venda de gasolina e óleo diesel. Posteriormente foi editada a Lei nº 11.033/04, cujo artigo 17 estabeleceu que “as vendas efetuadas com suspensão, isenção, alíquota 0 (zero) ou não incidência da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS não impedem a manutenção, pelo vendedor, dos créditos vinculados a essas operações”, originando a contenda aqui presente. Argui a recorrente que essa norma teria revogado tacitamente aquelas restrições constantes dos artigos 3º, inciso I, alínea “b”, das Leis nº 10.637/02 e nº 10.833/03 (inseridas no regime de nãocumulatividade pela Lei nº 10.865/04). Em razão disso, entende ser de direito o crédito sobre as aquisições de combustíveis (gasolina, óleo diesel), sujeitos a tributação concentrada/monofásica. Quanto à controvérsia especificamente estabelecida nesse processo, fazse necessário tecer algumas considerações. Em linhas gerais, ressaltase, a seguir, os regimes de incidência das contribuições para o Pis/Pasep e Cofins. 1. Regime de Incidência Cumulativa. Nesse regime de apuração, a base de cálculo do Pis/Pasep e Cofins é a receita bruta das vendas de mercadorias, de mercadorias e serviços e de serviço de qualquer natureza, Fl. 406DF CARF MF Impresso em 16/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/01/2013 por JOSE LUIZ BORDIGNON, Assinado digitalmente em 24/01/2013 por JOSE LUIZ BORDIGNON, Assinado digitalmente em 16/05/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado d igitalmente em 14/05/2013 por JACQUES MAURICIO FERREIRA VELOSO DE MELO Processo nº 10830.017461/200949 Acórdão n.º 3801001.473 S3TE01 Fl. 395 25 conforme Lei nº 9.715, de 1998 e LC nº 70/91, cujas alíquotas são 0,65% e 3%, respectivamente. 2. Regime de Incidência NãoCumulativa. O regime da nãocumulatividade das Contribuições para o Pis/Pasep e Cofins, introduzido pela EC (Emenda Constitucional) nº 42, de 2003, foi instituído pela Medida Provisória nº 66/2002 (convertida na Lei nº 10.637/2002) e Medida Provisória nº 135/2003 (convertida na Lei nº 10.833/2003), respectivamente, permitindo, nos exatos termos definidos em lei, o desconto de créditos apurados com base em custos, despesas e encargos da pessoa jurídica. Seu fundamento constitucional está gravado no art. 195, §12 da CF/1988: Art. 195. A seguridade social será financiada por toda a sociedade, de forma direta e indireta, nos termos da lei, mediante recursos provenientes dos orçamentos da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, e das seguintes contribuições sociais: § 12. A lei definirá os setores de atividade econômica para os quais as contribuições incidentes na forma dos incisos I, b; e IV do caput, serão nãocumulativas. (Incluído pela Emenda Constitucional nº 42, de 19.12.2003) Nesse regime, as alíquotas da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins são, respectivamente, de 1,65% e de 7,6%. 3. Regime Diferenciado. Caracterizase pela incidência especial sobre algum tipo de receita e não sobre pessoas jurídicas, devendo as mesmas calcular as contribuições sobre as demais receitas, em existindo, na sistemática cumulativa ou nãocumulativa. Tem seu fundamento constitucional no art. 149, §4º, abaixo colacionado: Art. 149. Compete exclusivamente à União instituir contribuições sociais, de intervenção no domínio econômico e de interesse das categorias profissionais ou econômicas, como instrumento de sua atuação nas respectivas áreas, observado o disposto nos arts. 146, III, e 150, I e III, e sem prejuízo do previsto no art. 195, § 6º, relativamente às contribuições a que alude o dispositivo. § 4º A lei definirá as hipóteses em que as contribuições incidirão uma única vez. (Incluído pela Emenda Constitucional nº 33, de 2001) O regime diferenciado de apuração das contribuições para o Pis/Pasep e Cofins pode ser assim especificado, resumidamente em: (i) base de cálculo e alíquota diferenciada; (ii) base de cálculo diferenciada; (iii) alíquota reduzida; (iv) substituição tributária e (v) monofásico ou concentrado. Fl. 407DF CARF MF Impresso em 16/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/01/2013 por JOSE LUIZ BORDIGNON, Assinado digitalmente em 24/01/2013 por JOSE LUIZ BORDIGNON, Assinado digitalmente em 16/05/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado d igitalmente em 14/05/2013 por JACQUES MAURICIO FERREIRA VELOSO DE MELO 26 Fazse referência, a seguir, por se tratar do caso em análise, do sistema de apuração das contribuições intitulado de regime monofásico ou de alíquota concentrada. De acordo com esse regime, o importador ou produtor/fabricante tem suas alíquotas majoradas, incidindo uma única vez na cadeia de distribuição dos produtos, ficando os demais elos da referida cadeia desonerados das referidas contribuições. Quanto ao regime de apuração das contribuições para o Pis/Pasep e Cofins na sistemática nãocumulativa do PIS e da Cofins a legislação não previa, de início, a inclusão das receitas sujeitas ao modelo monofásico. Somente a partir da edição da Lei nº 10.865, de 2004, permitiuse para o produtor e importador que o regime nãocumulativo do PIS e da Cofins abrangesse as receitas referente às vendas de produtos tributados com base em alíquotas diferenciadas (modelo concentrado/monofásico) e, com isso, abriuse a possibilidade destes contribuintes descontar créditos em relação a certos custos e despesas previstos nos arts. 3º das Leis nº 10.637, de 2002, e nº 10.833, de 2003. Podese dizer, em remate, que o regime de apuração das contribuições para o Pis/Pasep e Cofins na sistemática da nãocumulatividade é geral, enquanto que o regime de tributação diferenciado na sistemática de apuração concentrada/monofásica é específico e apurado paralelamente àquele. Feitas as considerações acima, convém retornar à análise do art. 17 da Lei nº 11.033, de 2004, abaixo colacionado, bem como o entendimento da recorrente no sentido de que essa norma teria revogado tacitamente aquelas restrições constantes dos artigos 3º, inciso I, alínea “b”, das Leis nº 10.637/02 e nº 10.833/03 (inseridas no regime de nãocumulatividade pela Lei nº 10.865/04), verdadeira razão da controvérsia submetida a esse colegiado. Art. 17 As vendas efetuadas com suspensão, isenção, alíquota 0 (zero) ou não incidência da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS não impedem a manutenção, pelo vendedor, dos créditos vinculados a essas operações. Relativamente a revogação tácita invocada pela recorrente, de acordo com o artigo 2º , §§ 1° e 2º, do DecretoLei nº 4.657, de 04 de setembro de 1942 Lei de Introdução às Normas do Direito Brasileiro – “a lei posterior revoga a anterior quando expressamente o declare, quando seja com ela incompatível ou quando regule inteiramente a matéria de que tratava a lei anterior” e “a lei nova, que estabeleça disposições gerais ou especiais a par das já existentes, não revoga nem modifica a lei anterior”. Assim, como é incontroverso que não houve revogação expressa, nem tão pouco é possível se admitir que o referido artigo regulou inteiramente a matéria, resta tão somente a possibilidade do novo texto ser incompatível com o anterior. Quanto a esse aspecto, como visto na abordagem dos regimes de incidência das contribuições para o Pis/Pasep e Cofins, a sistemática de apuração nas modalidades não cumulativa e concentrada/monofásica tem fundamentos constitucionais diferentes, o que leva a concluir que são sistemas distintos, que não se misturam mesmo quando apurados paralelamente. Assim, da análise do art. 17 da Lei nº 11.033, de 2004, é manifesto que sua aplicação se limita a apuração das contribuições sob a sistemática da nãocumulativa. Portanto, no caso de receita sujeita a tributação concentrada, caso dos autos, referido comando legal é inaplicável. Fl. 408DF CARF MF Impresso em 16/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/01/2013 por JOSE LUIZ BORDIGNON, Assinado digitalmente em 24/01/2013 por JOSE LUIZ BORDIGNON, Assinado digitalmente em 16/05/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado d igitalmente em 14/05/2013 por JACQUES MAURICIO FERREIRA VELOSO DE MELO Processo nº 10830.017461/200949 Acórdão n.º 3801001.473 S3TE01 Fl. 396 27 Desse modo, em razão do comando normativo expresso nos artigos 2º, § 1º, I, e 3º, I, “b”, das Leis nº 10.637, de 2002, e nº 10.833, de 2003, respectivamente, com a redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004 (arts. 21 e 37), e pela Lei nº 10.925, de 2004 (arts. 4º e 5º), é expressamente vedado descontar créditos calculados em relação as aquisições de combustíveis (gasolina, óleo diesel), adquiridas para revenda, submetidas ao regime de tributação estabelecido no artigo 4º da Lei nº 9.718, de 1998. Por fim, uma vez que as regras da nãocumulatividade das contribuições sociais definidas nas Leis nº 10.637/02 e 10.833/03 tem natureza específica e o art. 17 da Lei nº 11.033/04 é um dispositivo de caráter genérico, cujo comando não previu expressamente a revogação dos artigos 2º, § 1º, I, e 3º, I, “b” das referidas leis, predomina o princípio da especialidade na resolução do aparente conflito das leis no tempo. Significa dizer que as Leis nº 10.637/02 e 10.833/03 não foram atingidas pelo artigo 17 da Lei nº 11.033/04 e, portanto, inexiste a possibilidade legal de aproveitamento dos créditos na apuração das contribuições para o Pis/Pasep e Cofins gerados a partir dos dispêndios realizados com a compra de gasolina e óleo diesel. Por outro lado, verificase que a recorrente apurou receitas sujeitas a tributação pela sistemática da nãocumulatividade, o que enseja sua segregação contábil e fiscal, para só assim poder utilizar eventuais créditos na apuração das contribuições não cumulativas. No entanto, para se contrapor a exigência do fisco, no caso, sobre as receitas de aluguel de “espaço base e armazenagem”, não é suficiente a alegação de que os créditos não foram deduzidos na apuração das contribuições nãocumulativas, mas demonstrar a sua existência, regular contabilização e disponibilidade, o que não foi atendido, para só então reclamar o direito à sua utilização. Assim, comprovado que os valores lançados a título de contribuições não cumulativas (Pis/Pasep e Cofins) têm origem na escrituração contábil e fiscal da autuada, registrados nas contas contábeis “3.1.1.02.002218 – ALUGUEL DE ESPAÇO BASE”, às fls. 00155 do livro Razão nº 15 do ano 2005 e conta contábil “3.1.2.01.00021112 – ARMAZENAGEM”, às fls. 000332 do livro Razão nº 16 do ano 2006, não incluídas na base de cálculo da referida contribuição e, não tendo a recorrente juntado aos autos qualquer documento que indicasse erro na composição da base de cálculo das contribuições, devese manter a exigência que consta do presente processo. Diante de todo o exposto, encaminho meu voto no sentido de negar provimento ao recurso apresentado, mantendose a decisão proferida pela autoridade julgadora de primeira instância. É assim que voto. (assinado digitalmente) José Luiz Bordignon Fl. 409DF CARF MF Impresso em 16/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/01/2013 por JOSE LUIZ BORDIGNON, Assinado digitalmente em 24/01/2013 por JOSE LUIZ BORDIGNON, Assinado digitalmente em 16/05/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado d igitalmente em 14/05/2013 por JACQUES MAURICIO FERREIRA VELOSO DE MELO 28 Declaração de Voto Conselheiro Jacques Maurício Ferreira Veloso. A questão posta é sobre a possibilidade ou não dos contribuintes que operam com produtos sujeitos ao regime monofásico de contribuição do PIS e COFINS. Para entender o pleito, vejo como necessária uma análise da evolução legislativa sobre o tema e busca daí a melhor forma de sua aplicação, vejamos. As contribuições citadas (Pis e Cofins) foram inseridas no regime não cumulativo de apuração após a publicação das leis 10.627/02 e 10.833/03 respectivamente. Pelos referidos normativos, estava criado o regime nãocumulativo de apuração das contribuições, obrigatório para os contribuintes optantes pelo lucro real, porém fora do referido regime operações realizadas com os produtos sujeitos ao regime monofásico de apuração. Ou seja, com a edição das normas citadas, passamos a ter concomitantemente o regime cumulativo de apuração, o regime nãocumulativo e o regime monofásico. Acontece que com a edição da lei 10.865/04 houve uma significativa alteração no sistema posto, pois pela referida legislação os produtos revendidos pela Recorrente passaram a integrar também o regime nãocumulativo, ou seja, o que antes era tratado pelo legislador como dois regimes distintos, passou a ser uma operação mista, onde o contribuinte sujeito ao recolhimento concentrado (monofásico) também teria o direito de creditamento através regime nãocumulativo. Ou seja, a partir de agosto de 2004, quando entrou em vigência a lei 10.865/04, houve uma mudança no regime monofásico que passou a beneficiar os contribuintes que operam com mercadorias sujeitas a sua sistemática. Tal benefício foi corroborado posteriormente pela lei 11.033/04 que em artigo 17 reconhece o referido crédito, cito: Art. 17. As vendas efetuadas com suspensão, isenção, alíquota 0 (zero) ou não incidência da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS não impedem a manutenção, pelo vendedor, dos créditos vinculados a essas operações. Não bastasse, o artigo 16 da lei 11.116/05 novamente confirma o crédito e disciplina a sua utilização, inclusive possibilitando o seu uso para compensação com outros tributos administrados pela Secretaria da Receita Federal, cito: Art. 16. O saldo credor da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins apurado na forma do art. 3o das Leis nos 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e 10.833, de 29 de dezembro de 2003, e do art. 15 da Lei no 10.865, de 30 de abril de 2004, acumulado ao final de cada trimestre do anocalendário em virtude do disposto no art. 17 da Lei no 11.033, de 21 de dezembro de 2004, poderá ser objeto de: I compensação com débitos próprios, vencidos ou vincendos, relativos a tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, observada a legislação específica aplicável à matéria; ou II pedido de ressarcimento em dinheiro, observada a legislação específica aplicável à matéria. Fl. 410DF CARF MF Impresso em 16/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/01/2013 por JOSE LUIZ BORDIGNON, Assinado digitalmente em 24/01/2013 por JOSE LUIZ BORDIGNON, Assinado digitalmente em 16/05/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado d igitalmente em 14/05/2013 por JACQUES MAURICIO FERREIRA VELOSO DE MELO Processo nº 10830.017461/200949 Acórdão n.º 3801001.473 S3TE01 Fl. 397 29 Parágrafo único. Relativamente ao saldo credor acumulado a partir de 9 de agosto de 2004 até o último trimestrecalendário anterior ao de publicação desta Lei, a compensação ou pedido de ressarcimento poderá ser efetuado a partir da promulgação desta Lei. Vale citar que o artigo supracitado não só reconhece a existência do crédito, como a sua data de início, 09/08/2004, ou seja, início da vigência da lei 10.865/04. O referido crédito e seu aproveitamento chegou inclusive a ser regulamentado no âmbito da Receita Federal, através da IN 600/05, que em seu artigo 42 assim dispunha: Art. 42. Os créditos da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins apurados na forma do art. 3º da Lei nº 10.637, de 2002, e do art. 3º da Lei nº 10.833, de 2003, que não puderem ser utilizados no desconto de débitos das respectivas contribuições, poderão sêlo na compensação de débitos próprios, vencidos ou vincendos, relativos a tributos de que trata esta Instrução Normativa, se decorrentes de: I custos, despesas e encargos vinculados às receitas resultantes das operações de exportação de mercadorias para o exterior, prestação de serviços a pessoa física ou jurídica residente ou domiciliada no exterior, cujo pagamento represente ingresso de divisas, e vendas a empresa comercial exportadora, com o fim específico de exportação; II custos, despesas e encargos vinculados às vendas efetuadas com suspensão, isenção, alíquota 0 (zero) ou nãoincidência; ou II aquisições de embalagens para revenda pelas pessoas jurídicas comerciais a que se referem os §§ 3º e 4º do art. 51 da Lei nº 10.833, de 2003, desde que os créditos tenham sido apurados a partir de 1º de abril de 2005. III aquisições de embalagens para revenda pelas pessoas jurídicas comerciais a que se referem os §§ 3º e 4º do art. 51 da Lei nº 10.833, de 2003, desde que os créditos tenham sido apurados a partir de 1º de abril de 2005. (Retificada no DOU de 27/01/2009, pág. 11) § 1º A compensação a que se refere este artigo será efetuada pela pessoa jurídica vendedora na forma prevista no § 1º do art. 34. (...) § 5º O saldo credor acumulado, na forma do inciso II do caput e do § 4º, no período de 9 de agosto de 2004 até o final do 1º (primeiro) trimestrecalendário de 2005, somente poderá ser utilizado para compensação a partir de 19 de maio de 2005. § 6º A compensação dos créditos de que tratam os incisos II e III do caput e o § 4º somente poderá ser efetuada após o encerramento do trimestrecalendário. Fl. 411DF CARF MF Impresso em 16/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/01/2013 por JOSE LUIZ BORDIGNON, Assinado digitalmente em 24/01/2013 por JOSE LUIZ BORDIGNON, Assinado digitalmente em 16/05/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado d igitalmente em 14/05/2013 por JACQUES MAURICIO FERREIRA VELOSO DE MELO 30 § 7º Os créditos da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins a que se refere o inciso I do caput, remanescentes do desconto de débitos dessas contribuições em um mês de apuração, embora não sejam passíveis de ressarcimento antes de encerrado o trimestre do anocalendário a que se refere o crédito, podem ser utilizados na compensação de que trata o caput do art. 34. Importante ressaltar que a IN 600/05 permaneceu inalterada e reconhecendo o direito ao crédito, como posto, até a edição da IN 900/08, ou seja, durante 3 (três) anos a própria administração reconheceu e admitiu a cumulação das sistemáticas de apuração – monofásico e nãocumulatividade. Finalmente, a meu sentir para por uma pá de cal sobre o assunto, foi publicada a MP 413/08 que em seus artigos 14 e 15 alterava as leis 10.637/02 e 10.833/03 para impedir a utilização do crédito de PIS e COFINS nos produtos sujeitos ao regime monofásico de apuração, a partir da regulamentação pela Secretaria da Receita Federal, no que se refere à vedação instituída, ou seja, reconhecendo a validade dos créditos em períodos anteriores. O referido dispositivo foi derrubado no Congresso Nacional sendo convertida a MP 413 na Lei 11.727/08 sem tais disposições, ou seja, mantendo na íntegra o direito ao creditamento. A tentativa de revogação ao direito de crédito foi novamente levada a efeito pelo Poder Executivo na edição da MP 451/08 e novamente os dispositivos que vedavam a utilização do crédito não foram aprovados no processo de conversão da MP na Lei 11.945/09. Ou seja, no meu entendimento, é fato que o Congresso Nacional, Poder responsável pela edição das leis em nosso país, reiterou por diversas vezes seu entendimento de que há o direito ao crédito no caso em análise. Portanto como aplicadores das normas, entendo que não é possível o afastamento deste direito, senão mediante alteração legislativa, o que, como dito, foi buscado por duas vezes e não foi admitido pelo Poder Legislativo. Portanto, voto pelo provimento do recurso. É como voto. Fl. 412DF CARF MF Impresso em 16/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/01/2013 por JOSE LUIZ BORDIGNON, Assinado digitalmente em 24/01/2013 por JOSE LUIZ BORDIGNON, Assinado digitalmente em 16/05/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado d igitalmente em 14/05/2013 por JACQUES MAURICIO FERREIRA VELOSO DE MELO
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Numero do processo: 10680.725109/2011-66
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 12 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Thu May 16 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural - ITR
Exercício: 2007
NULIDADE DO AUTO DE INFRAÇÃO. Não provada violação das disposições contidas no art. 142 do CTN, tampouco dos artigos 10 e 59 do Decreto nº. 70.235, de 1972 e não se identificando no instrumento de autuação nenhum vício prejudicial, não há que se falar em nulidade do lançamento.
ITR. ÁREA TRIBUTÁVEL. ÁREA DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE E DE RESERVA LEGAL. EXCLUSÃO. NECESSIDADE DO ADA. Por se tratar de áreas ambientais cuja existência independe da vontade do proprietário e de reconhecimento por parte do Poder Público, a apresentação do ADA ao Ibama não é condição indispensável para a exclusão das áreas de preservação permanente e de reserva legal, de que tratam, respectivamente, os artigos 2º e 16 da Lei nº 4.771, de 1965, para fins de apuração da área tributável do imóvel.
ITR. VTN. ARBITRAMENTO COM BASE NO SIPT. O arbitramento do VTN com base no SIPT, nos casos de falta de apresentação de DITR ou de subavaliação do valor declarado, requer que o sistema esteja alimentado com informações sobre aptidão agrícola, como expressamente previsto no art. 14 da Lei nº 9.393, de 1996 c/c o art. 12 da Lei nº 8.629, de 1993. É inválido o arbitramento feito com base apenas na média do VTN declarado pelos imóveis da região de localização do imóvel.
ITR. ÁREA DE INTERESSE ECOLÓGICO. COMPROVAÇÃO. ÔNUS DA PROVA. O Ônus de comprovar a área de interesse ecológico declarada é do Contribuinte. A não comprovação da área declarada enseja a glosa do valor correspondente.
Preliminar rejeitada
Recurso parcialmente provido.
Numero da decisão: 2201-002.019
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar a preliminar e nulidade. No mérito, por maioria de votos, dar provimento parcial ao recurso para restabelecer a Área de Preservação Permanente-APP de 895,5 hectares, a Área de Reserva Legal-ARL de 877,7 hectares, a Área de Reserva Particular do Patrimônio Natural-RPPN de 912,0 hectares e o Valor da Terra Nua-VTN declarado. Vencido o Conselheiro Eduardo Tadeu Farah, que não restabeleceu a Área de Preservação Permanente - APP.
Assinatura digital
Maria Helena Cotta Cardozo Presidente
Assinatura digital
Pedro Paulo Pereira Barbosa - Relator
EDITADO EM: 18 de abril de 2013
Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente), Pedro Paulo Pereira Barbosa (Relator), Eduardo Tadeu Farah, Rodrigo Santos Masset Lacombe, Rayana Alves de Oliveira França e Ricardo Anderle (Suplente convocado). Ausente justificadamente o Conselheiro Gustavo Lian Haddad.
Nome do relator: PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural - ITR Exercício: 2007 NULIDADE DO AUTO DE INFRAÇÃO. Não provada violação das disposições contidas no art. 142 do CTN, tampouco dos artigos 10 e 59 do Decreto nº. 70.235, de 1972 e não se identificando no instrumento de autuação nenhum vício prejudicial, não há que se falar em nulidade do lançamento. ITR. ÁREA TRIBUTÁVEL. ÁREA DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE E DE RESERVA LEGAL. EXCLUSÃO. NECESSIDADE DO ADA. Por se tratar de áreas ambientais cuja existência independe da vontade do proprietário e de reconhecimento por parte do Poder Público, a apresentação do ADA ao Ibama não é condição indispensável para a exclusão das áreas de preservação permanente e de reserva legal, de que tratam, respectivamente, os artigos 2º e 16 da Lei nº 4.771, de 1965, para fins de apuração da área tributável do imóvel. ITR. VTN. ARBITRAMENTO COM BASE NO SIPT. O arbitramento do VTN com base no SIPT, nos casos de falta de apresentação de DITR ou de subavaliação do valor declarado, requer que o sistema esteja alimentado com informações sobre aptidão agrícola, como expressamente previsto no art. 14 da Lei nº 9.393, de 1996 c/c o art. 12 da Lei nº 8.629, de 1993. É inválido o arbitramento feito com base apenas na média do VTN declarado pelos imóveis da região de localização do imóvel. ITR. ÁREA DE INTERESSE ECOLÓGICO. COMPROVAÇÃO. ÔNUS DA PROVA. O Ônus de comprovar a área de interesse ecológico declarada é do Contribuinte. A não comprovação da área declarada enseja a glosa do valor correspondente. Preliminar rejeitada Recurso parcialmente provido.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 19; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2381; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C2T1 Fl. 2 1 1 S2C2T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10680.725109/201166 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2201002.019 – 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 12 de março de 2013 Matéria ITR Recorrente MINERAÇÕES BRASILEIRAS REUNIDAS S.A. MBR Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL ITR Exercício: 2007 NULIDADE DO AUTO DE INFRAÇÃO. Não provada violação das disposições contidas no art. 142 do CTN, tampouco dos artigos 10 e 59 do Decreto nº. 70.235, de 1972 e não se identificando no instrumento de autuação nenhum vício prejudicial, não há que se falar em nulidade do lançamento. ITR. ÁREA TRIBUTÁVEL. ÁREA DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE E DE RESERVA LEGAL. EXCLUSÃO. NECESSIDADE DO ADA. Por se tratar de áreas ambientais cuja existência independe da vontade do proprietário e de reconhecimento por parte do Poder Público, a apresentação do ADA ao Ibama não é condição indispensável para a exclusão das áreas de preservação permanente e de reserva legal, de que tratam, respectivamente, os artigos 2º e 16 da Lei nº 4.771, de 1965, para fins de apuração da área tributável do imóvel. ITR. VTN. ARBITRAMENTO COM BASE NO SIPT. O arbitramento do VTN com base no SIPT, nos casos de falta de apresentação de DITR ou de subavaliação do valor declarado, requer que o sistema esteja alimentado com informações sobre aptidão agrícola, como expressamente previsto no art. 14 da Lei nº 9.393, de 1996 c/c o art. 12 da Lei nº 8.629, de 1993. É inválido o arbitramento feito com base apenas na média do VTN declarado pelos imóveis da região de localização do imóvel. ITR. ÁREA DE INTERESSE ECOLÓGICO. COMPROVAÇÃO. ÔNUS DA PROVA. O Ônus de comprovar a área de interesse ecológico declarada é do Contribuinte. A não comprovação da área declarada enseja a glosa do valor correspondente. Preliminar rejeitada Recurso parcialmente provido. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 68 0. 72 51 09 /2 01 1- 66 Fl. 363DF CARF MF Impresso em 16/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/04/2013 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 25/ 04/2013 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 02/05/2013 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar a preliminar e nulidade. No mérito, por maioria de votos, dar provimento parcial ao recurso para restabelecer a Área de Preservação PermanenteAPP de 895,5 hectares, a Área de Reserva LegalARL de 877,7 hectares, a Área de Reserva Particular do Patrimônio NaturalRPPN de 912,0 hectares e o Valor da Terra NuaVTN declarado. Vencido o Conselheiro Eduardo Tadeu Farah, que não restabeleceu a Área de Preservação Permanente APP. Assinatura digital Maria Helena Cotta Cardozo – Presidente Assinatura digital Pedro Paulo Pereira Barbosa Relator EDITADO EM: 18 de abril de 2013 Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente), Pedro Paulo Pereira Barbosa (Relator), Eduardo Tadeu Farah, Rodrigo Santos Masset Lacombe, Rayana Alves de Oliveira França e Ricardo Anderle (Suplente convocado). Ausente justificadamente o Conselheiro Gustavo Lian Haddad. Relatório MINERAÇÕES BRASILEIRAS REUNIDAS S.A. MBR interpôs recurso voluntário contra acórdão da DRJBRASÍLIA/DF (fls. 310) que julgou procedente lançamento, formalizado por meio da notificaçao de lançamento de fls.03/08, para exigência de Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural – ITR, referente ao exercício de 2007, no valor de R$ 49.855.672,61, acrescido de multa de ofício e de juros de mora, perfazendo um crédito tributário total lançado de R$ 107.528.714,67. Segundo o relatório fiscal o lançamento decorre da revisão da DITR/2007 da qual foram glosados valores declarados como área de preservação permanente (2.711,8ha), de reserva legal (877,7ha), de Reserva Particular do Patrimônio Nacional – RPPN (1.034,2ha) e Área de Interesse Ecológico (6.921,7ha) e foi alterado o VTN de R$ 9.747.850,00 para R$ 249.678.024,90, conforme descrição dos fatos a seguir reproduzida: Área de Preservação Permanente não comprovada Descrição dos Fatos: Após regularmente intimado, o contribuinte não comprovou a isenção da área declarada a título de preservação permanente no imóvel rural. O Documento de Fl. 364DF CARF MF Impresso em 16/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/04/2013 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 25/ 04/2013 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 02/05/2013 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO Processo nº 10680.725109/201166 Acórdão n.º 2201002.019 S2C2T1 Fl. 3 3 Informação e Apuração do ITR (DIAT) foi alterado e os seus valores encontramse no Demonstrativo de Apuração do Imposto Devido, em folha anexa. De acordo com o artigo 111 da Lei 5.172/66(CTN) interpretase literalmente a legislação tributária que disponha sobre suspensão ou exclusão do crédito tributário e outorga de isenção. Área de Reserva Legal não comprovada Descrição dos Fatos: Após regularmente intimado, o contribuinte não comprovou a isenção da área declarada a título de reserva legal no imóvel rural.O Documento de Informação e Apuração do ITR (DIAT) foi alterado e os seus valores encontramse no Demonstrativo de Apuração do Imposto Devido, em folha anexa. De acordo com o artigo 111 da Lei 5.172/66(CTN) interpretase literalmente a legislação tributária que disponha sobre suspensão ou exclusão do crédito tributário e outorga de isenção. Área de Reserva Particular do Patrimônio Natural não comprovada Descrição dos Fatos: Após regularmente intimado, o sujeito passivo não comprovou a isenção da área declarada a título de reserva particular do patrimônio natural no imóvel rural. O Documento de Informação e Apuração do ITR (DIAT) foi alterado e os seus valores encontramse no Demonstrativo de Apuração do Imposto Devido, em folha anexa. De acordo com o artigo 111 da Lei 5172/66(CTN) interpretase literalmente a legislação tributária que disponha sobre suspensão ou exclusão do crédito tributário e outorga de isenção. Área de Interesse Ecológico não comprovada Descrição dos Fatos: Após regularmente intimado, o sujeito passivo não comprovou a isenção da área declarada a título de interesse ecológico no imóvel rural. O Documento de Informação e Apuração do ITR (DIAT) foi alterado e os seus valores encontramse no Demonstrativo de Apuração do Imposto Devido, em folha anexa. De acordo com o artigo 111 da Lei 5.172/66(CTN) interpretase literalmente a legislação tributária que disponha sobre suspensão ou exclusão do crédito tributário e outorga de isenção. Valor da Terra Nua declarado não comprovado Descrição dos Fatos: Após regularmente intimado, o sujeito passivo não comprovou o valor da terra nua declarado. Fl. 365DF CARF MF Impresso em 16/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/04/2013 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 25/ 04/2013 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 02/05/2013 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO 4 No Documento de Informação e Apuração do ITR (DIAT), o valor da terra nua foi arbitrado, tendo como base as informações do Sistema de Preços de Terra – SIPT da RFB. Os valores do DIAT encontramse no Demonstrativo de Apuração do Imposto Devido, em folha anexa. Complemento da Descricao dos Fatos: A apresentação do ADA é válida apenas para o Exercício em vigor ou Exercício equivalente àquele do ITR. O ADA de um exercício não cobre outro, não substitui aquele(s)Exercício(s)anterior(à partir do Exercício de 2007 o ADA passou a ser apresentado anualmente, de 1º de janeiro a 30 de setembro.(IN Ibama nº96/2006 e IN Ibama nº 76/2005, art 9) A base legal para apresentação do ADA está disposta no art 17 O, § 1º da Lei nº 6.938 de 1981 com redação dada pelo art 1º da Lei nº 10.165 de 2000 e na Lei nº 9.393 de 19/12/96, que dispõe sobre ITR, TDA e dá outras providências. Contribuinte apresentou o Laudo de Avaliação desse imóvel rural que encontrase anexado à esse processo. Contudo, tal valor não corresponde à realidade de mercado (preços)A ABTN NBR 146533 (Associação Brasileira de Normas Técnicas Avaliação de Imóveis Rurais) em concordância com o disposto no art. 8º, § 2º da Lei 9.393/96 diz que a avaliação do imóvel rural (VTN) deverá refletir o preço de mercado em 01 de janeiro do período fiscal. Continua em anexo. A Contribuinte impugnou o lançamento e alegou, em síntese, que, pelo teor do art. 10, § 7º, da Lei nº 9.393/96, para fins de exclusão das áreas de reserva legal e de preservação permanente da base de cálculo do ITR, basta a declaração do contribuinte, sendo dispensada qualquer prova a este respeito; que o dispositivo legal citado estabelece presunção legal, o que apenas pode ser ilidido mediante prova em contrário (presunção iuris tantum), prova esta que não foi produzida pela DRF, posto que esse dispositivo transferiu a obrigação de comprovar a falsidade da declaração; que, no caso, a fiscalização não logrou demonstrar que a declaração a respeito das áreas de reserva legal e de preservação permanente seriam falsas; que quanto às áreas de preservação permanente, reserva legal, reserva particular do patrimônio natural (RPPN) e de interesse ecológico a declaração de órgão ambiental ou a averbação no registro de imóveis, são meras obrigações acessórias, e, portanto, a sua ausência não tem o condão de impedir a exclusão dessas áreas, para cálculo do ITR; que inexiste, na Lei nº 9.393/96, a obrigação legal da apresentação do ADA para que seja possível a exclusão da área; que o art. 10, § 1º, II, “a” e “c”, nada dispõe a respeito do precitado registro ou averbação e nem a obrigatoriedade de expedição de ato ou declaração do Poder Público; que a inclusão ou a exclusão de quaisquer valores da base de calcula deve ser ditada somente pela Lei, a teor do art. 97, IV, do CTN, e, por isso, não pode prevalecer a exigência de averbação, à margem da matrícula, quanto às áreas especiais, contida no art. 12 do Decreto nº 4.382/2002, por ausência de competência do executivo para dispor sobre a base de cálculo, criando condição não prevista em lei; que a norma infralegal citada extravasou sua competência regulamentar, com negativa de vigência aos artigos 84, IV, e 150, I, da Constituição da República e 9º, I, 97 do CTN; que a interpretação da legislação invocada pela fiscalização como suposto fundamento para apresentação do ADA “válida apenas para o exercício em vigor”, extrapola aquela passível de se obter da dicção legal; que aquilo que se extrai do art. 170 da Lei nº 6.938/81, e seu § 1º, é que a sua disciplina destinase àqueles contribuintes que têm unicamente o ADA como instrumento para redução do valor do ITR, o que não é o caso, seja porque não se trata de “redução do valor do imposto”, mas sim de exclusão das áreas da base de cálculo do imposto, Fl. 366DF CARF MF Impresso em 16/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/04/2013 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 25/ 04/2013 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 02/05/2013 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO Processo nº 10680.725109/201166 Acórdão n.º 2201002.019 S2C2T1 Fl. 4 5 seja porque dispõe de documentos oficiais outros capazes de corroborar as áreas de reserva legal, preservação permanente, RPPN e interesse ecológico declaradas; que a caracterização de determinada área como de reserva legal, preservação permanente, RPPN e interesse ecológico depende não de um ato formal do Poder Público, mas, sim, da presença de características naturais intrínsecas que, uma vez verificadas, ensejam a incidência ipso facto da norma de proteção ambiental, conforme se infere do art. 16, caput, III e IV, da Lei nº 4.771/65, que cria a obrigação legal de que se preserve 20% das florestas nativas e da Lei nº 9.985/2000, art. 21, que define a RPPN; que considera que as áreas de reserva legal, preservação permanente, RPPN e interesse ecológico estão comprovadas, por força de laudo técnico emitido desde 2007, por engenheiro agrícola, com ART, laudo técnico recente, também, emitido por profissional com habilitação técnica procedendo à análise da situação do imóvel no ano base de 2007, ADA exatamente para o exercício de 2008 e deliberação do Instituto Estadual de Florestas (IEF), com aprovação do requerimento de RPPN, desde 2002; que a existência e as dimensões das áreas declaradas estão comprovadas pelo Laudo Técnico e estão corroboradas pelo ADA emitido em 2008; que em 2002 foi emitido parecer pelo IEF confirmando a existência de compromisso da impugnante em relação à preservação da área de 894,0 ha, a título de RPPN, e que esse compromisso tem atributo de perpetuidade; que as provas acostadas afastam qualquer dúvida quanto à materialidade das áreas ambientais declaradas e neste contexto, é de se manter a exclusão das áreas em alusão da base de cálculo do ITR, ensejando a decretação de ilegitimidade da autuação; que o VTN arbitrado supera o montante que, efetivamente, representa o valor de mercado do imóvel, conforme se infere do Laudo de Avaliação, realizado por profissionais especializados, contratados com o objetivo de determinar o valor do imóvel, para o exercício de 2007; que no Laudo foi realizado estudo detalhado das características do imóvel, com base no “Método Comparativo de Dados do Mercado”, em que foi tratada “a amostragem por análise de regressão, de acordo com as normas da ABNT nº 14.6533, em programa específico para Engenharia de Avaliações...”, tendo sido realizadas “diversas pesquisas de mercado na região.”; que todas as variáveis e informações analisadas pelo Laudo foram minuciosamente destacadas por meio de gráficos e planilhas, de forma a demonstrar os motivos que levaram à conclusão técnica de que, para o exercício de 2008, “o valor venal do imóvel objeto desta avaliação é R$ 23.052.891,91”; que, diferentemente da avaliação fiscal, o laudo técnico analisou todas as características do imóvel em questão, assinalando os pressupostos norteadores do trabalho: a) roteiro de acesso ao imóvel; b) descrição geográfica e econômica da região em que o imóvel é situado; c) caracterização do bem avaliado; d) pesquisa de valores relativos; e) memória de cálculo do tratamento; f) diagnóstico de mercado e g) data de referência; que mesmo sendo assente a possibilidade de o fisco arbitrar a base de cálculo dos impostos, nos termos do art. 148 do CTN, este mesmo dispositivo assegura ao contribuinte o direito de contraditar este arbitramento, inclusive na esfera administrativa; que o valor apurado por meio de Laudo Técnico elaborado por empresa especializada, atendendo às normas da ABNT, deve prevalecer frente ao valor arbitrado pela fiscalização por intermédio do SIPT; que o arbitramento, regra de exceção que é, em virtude da prevalência do princípio da legalidade estrita em matéria tributária, deve ser aplicado apenas e tãosomente nas hipóteses nas quais a verificação do valor real do bem ou negócio jurídico não é possível, situação esta que não ocorre no caso em apreço; que considerando o Laudo Técnico e o art. 148 do CTN, entende não ser possível prevalecer o montante do ITR estipulado, devendo, quando muito, prosseguir a cobrança com base na diferença do valor de mercado da terra nua, indicado no Laudo, em consonância com o disposto no art. 12 da Lei nº 8.629/93, em relação ao declarado; que o procedimento de apuração do VTN adotado pelo Fisco foi baseada em critérios subjetivos, e o sistema SIPTnão possibilita ao contribuinte o acesso aos dados nele inseridos, impossibilitando que ele discorde das informações levantadas e dos cálculos efetuados pelo Fisco; que pelo fato de não serem divulgados os parâmetros e diretrizes adotados pela RFB Fl. 367DF CARF MF Impresso em 16/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/04/2013 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 25/ 04/2013 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 02/05/2013 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO 6 para o estabelecimento do quantum debeatur do ITR, fica o contribuinte à mercê da forma de apuração que melhor aprouver ao Fisco, já que não está adstrito aos contornos das Leis nº 8.629/93 e nº 9.393/96, restando patente a afronta ao princípio da estrita legalidade; que a Lei nº 9.393/96 fez referência à redação original da Lei nº 8.629/93 e não à atual, e transcreve o art 12 dessa Lei e diz que malgrado tenham sido estabelecidos os parâmetros pela legislação pertinente, para fins de apuração do VTN, a serem utilizados pelo SIPT, não há garantias de que esses critérios tenham sido efetivamente observados quando da avaliação fiscal; Que a utilização do SIPT, nos moldes em que é realizada, ampliou o leque de discricionariedade da RFB, possibilitando alterações constantes no sistema, por meio da “alimentação” indiscriminada de dados pela Coordenação Geral de Fiscalização (COFIS), de forma a interferir nos critérios de quantificação tributária; Que todo ato administrativo deve se pautar pelos princípios da legalidade (art. 150, I, da CR/88) e da motivação (art. 37, caput, CR/88); que a utilização indiscriminada do SIPT, no caso, caracteriza cerceamento ao seu direito de defesa, uma vez que não lhe possibilita acesso às informações nele inseridas, utilizadas para lastrear o lançamento; que é inconteste a nulidade da autuação em função da afronta aos princípios do contraditório e da ampla defesa. Conclui pela nulidade da autuação por não terem sido apresentados, in casu, elementos objetivos para balizar o lançamento fiscal, notadamente para amparar as quantias adotadas como base de cálculo pelo Fisco (VTN) e que o crédito tributário exigido não deve prevalecer, seja pela efetiva comprovação das extensões de reserva legal e RPPN e do VTN declarados, seja pela inobservância, pela fiscalização, da legislação em vigor e procedimentos devidos. A DRJBRASÍLIA/DF julgou procedente o lançamento com base na considerações a seguir resumidas. Inicialmente, sobre a alegação de cerceamento de direito de defesa, a DRJ BRASÍLIA/DF concluiu que a Notificação de Lançamento contém todos os requisitos legais estabelecidos no art. 11, do Decreto nº 70.235/72, que rege o Processo Administrativo Fiscal, trazendo, portanto, as informações obrigatórias previstas nos incisos I, II, III e IV e principalmente aquelas necessárias para que se estabeleça o contraditório e permita a ampla defesa da autuada, conforme será demonstrado. Sustenta que o contraditório no processo administrativo fiscal tem por escopo a oportunidade do sujeito passivo conhecer dos fatos apurados pela fiscalização, devidamente tipificados à luz da legislação tributária, e, dentro do prazo legalmente previsto, poder rebater, de forma plena, as irregularidades então apontadas pela autoridade fiscal, apresentando a sua versão dos fatos e juntando os elementos comprobatórios de que dispuser; que se trata de sistemática pela qual a parte tem a garantia de tomar conhecimento dos atos processuais e de reagir contra esses. Registra que, no caso, a Notificação de Lançamento identificou as irregularidades apuradas e motivou, de conformidade com a legislação aplicada às matérias, a glosa das referidas áreas e o arbitramento de novo VTN, com base no SIPT, o que foi feito de forma clara, conforme a “Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal”, em consonância, portanto, com os princípios constitucionais da ampla defesa e do contraditório. Observa que, tanto isto é verdade, que a interessada refutou, de forma igualmente clara e precisa, a imputação que lhe foi feita, como se observa do teor de sua impugnação, em que a autuada expôs os motivos de fato e de direito de suas alegações e os pontos de discordância, não apenas suscitando preliminar, mas discutindo o mérito da lide relativamente a cada matéria envolvida, nos termos do inciso III, do art. 16, do Decreto nº 70.235/72, não restando dúvidas de que compreendeu perfeitamente do que se tratava a exigência. Quanto à alegada falta de publicidade dos valores constantes do SIPT, que serviram de base para o arbitramento do VTN, de acordo com o disposto no art. 14 da Lei nº 9.393/96, ressalta a DRJBRASÍLIA/DF que o acesso aos sistemas internos da RFB está, de fato, submetido a regras de segurança, contudo, tal restrição não prejudica a publicidade das Fl. 368DF CARF MF Impresso em 16/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/04/2013 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 25/ 04/2013 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 02/05/2013 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO Processo nº 10680.725109/201166 Acórdão n.º 2201002.019 S2C2T1 Fl. 5 7 informações armazenadas no referido sistema, tanto é que a tela do mesmo está anexada aos autos, na qual consta o seu valor, às fls 12, além desse valor ter sido informado a contribuinte no Termo de Intimação Fiscal, às fls. 11, antes da autuação. Afirma que a informação requerida pela impugnante não se faz necessária à solução do litígio, uma vez que o SIPT é utilizado apenas como valor de referência, resultado de média de valores levantados dentro de determinada região, não tendo o condão de vincular impreterivelmente o preço do imóvel, e conclui que não se caracteriza a imprescindibilidade desta informação para a correta avaliação do imóvel, ainda mais que, caso o contribuinte verificasse a necessidade de revisão dos valores apurados, poderia providenciar um laudo técnico de avaliação, com pontuação suficiente para atingir fundamentação e Grau de precisão II, observadas as normas da ABNT (NBR 14.6533). Destaca que com esse documento de prova, poderia a requerente demonstrar que o seu imóvel, especificamente, apresenta condições desfavoráveis que justifiquem a utilização de VTN por hectare inferior a valor constante do SIPT, ou mesmo que o valor fundiário do imóvel está condizente com os preços de mercado praticados àquela época, não obstante os valores maiores eventualmente apontados nesse sistema de preços de terras. Registra a DRJ que não compete à autoridade administrativa produzir provas relativas a qualquer uma das matérias tributadas, e isto porque, nos termos dos artigos 40 e 47 (caput), ambos do Decreto nº 4.382/2002 (RITR), o ônus da prova – no caso, documental é do contribuinte, o qual cumpre guardar ou produzir até a data de homologação do autolançamento, prevista no § 4º do art. 150, do CTN, os documentos necessários à comprovação dos dados cadastrais informados na declaração (DIAC/DIAT) para efeito de apuração do respectivo ITR devido, e apresentálos à autoridade fiscal, quando assim exigido. Sobre este ponto, observa que o trabalho de revisão então realizado pela fiscalização é eminentemente documental, e o não cumprimento das exigências para comprovação das áreas ambientais e do VTN declarado e que a ocorrência de sua subavaliação justificam o lançamento de ofício, regularmente formalizado por meio de Notificação de Lançamento, nos termos do art. 14 da Lei nº 9.393/1996 e artigo 52 do Decreto nº 4.382/2002 (RITR), combinado com o disposto no art. 149, inciso V, da Lei nº 5.172/66 – CTN, não havendo necessidade de verificar “in loco” a ocorrência de possíveis irregularidades. Diz que na fase de impugnação o ônus da prova continua sendo do contribuinte, conforme sistema de repartição do ônus probatório adotado pelo Decreto nº 70.235/1972, norma que rege o processo administrativo fiscal, no seu artigo 16, inciso III, e de acordo com o artigo 333 do Código de Processo Civil, aplicável à espécie de forma subsidiária. E condui dizendo que, caracterizada a subavaliação do VTN declarado, só restava à fiscalização arbitrar novo valor para efeito de cálculo do ITR desse exercício, em obediência ao disposto no art. 14 da Lei nº 9.393/1996, e fazêlo com base em informação do SIPT, conforme está previsto na legislação em vigor, ressaltando que esse sistema constituise na ferramenta de que dispõe a fiscalização para detectar eventuais distorções relativas aos valores declarados para os imóveis, tornando, portanto, afastada a hipótese de ilegalidade para o arbitramento do VTN. Por fim, registra a DRJ que, como não houve as situações processuais que ensejariam nulidades previstas no art. 59 do Decreto nº 70.235, de 1972, fica afastada a hipótese de nulidade da Notificação de Lançamento, já que e o art. 60 deixa claro que situações diversas dessas, caso ocorram, não importarão em nulidade. Quanto ao mérito, sobre as áreas ambientais, a DRJBRASÍLIA/DF registra que a contribuinte comprovou nos autos a averbação tempestiva, à margem da matrícula do imóvel, de três áreas de reserva legal de 118,2 ha, de 439,5 ha e de 250,0 ha, em 27.10.1999, às fls. 68, e de uma área de reserva legal de 239,4 ha, em 31.08.2004, às fls. 54, totalizando uma área de reserva legal de 1.047,1 ha no imóvel; que, em relação à área de Reserva Particular do Patrimônio Natural (RPPN) declarada de 1.034,2 ha, também há necessidade de averbação dessa área à margem da matrícula do imóvel no registro de imóveis competente, conforme Fl. 369DF CARF MF Impresso em 16/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/04/2013 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 25/ 04/2013 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 02/05/2013 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO 8 previsto, inicialmente, no artigo 6º, da Lei n.º 4.771/1965, e, posteriormente, no Decreto nº 98.914/1990, que regulamentou o art. 6º da Lei nº 4.771/65, e que dispôs especificamente quanto a essa exigência no § 1º, do seu art. 4º, e ainda, que a Lei nº 9.985/2000 traz, além da definição da RPPN, a exigência legal de averbação da mesma à margem da matrícula do imóvel, em seu artigo 21. Anota que as áreas de RPPN somente serão excluídas de tributação se cumprida a exigência de sua averbação à margem da matrícula do imóvel, até a data de ocorrência do fato gerador do ITR do correspondente exercício, ou seja, no caso do ITR, do exercício de 2007, o fato gerador do imposto ocorreu em 1º de janeiro de 2007 e que, no presente caso, a contribuinte comprovou nos autos a averbação tempestiva, à margem da matrícula do imóvel, de uma área de RPPN de 912,0 ha. Quanto à área de interesse ecológico, a DRJ observou que para que uma área possa ser considerada como tal, para fins de exclusão do ITR, faziase necessária a apresentação de ato de órgão competente federal ou estadual reconhecendo a mesma como tal, exigência esta aplicada a partir do exercício de 1997 e prevista no art. 10, § 1º, inciso II, alíneas “b” e “c”, da Lei nº 9.393/96; e que, seja a área declarada de 6.921,7 ha enquadrada nas alíneas “b” ou “c”, o fato é que não consta dos autos o ato específico, antes referido, cuja apresentação é indispensável para fins de não incidência tributária sobre a área ora tratada, além do cumprimento da exigência do ADA. Anotou ainda a DRJ que não consta dos autos nenhum ato de órgão competente federal ou estadual reconhecendo qualquer área de interesse ecológico. A DRJ registrou, ainda, que, além das exigências específicas comprovadas parcialmente pela requerente, também, se fazia necessário comprovar nos autos, para justificar a exclusão de tributação das áreas de reserva legal, de RPPN e de interesse ecológico e da área declarada de preservação permanente de 2.711,8 ha, a protocolização do Ato Declaratório Ambiental (ADA) no IBAMA, para o exercício de 2007, sendo tal exigência, de caráter genérico, aplicada a qualquer área ambiental, seja de preservação permanente ou de utilização limitada (RPPN, Servidão Florestal, Área Imprestável/Declarada como de Interesse Ecológico ou de Reserva Legal), sendo que tal obrigação advém no Decreto nº 4.382/2002 – RITR (art. 10, § 3º, inciso I), tendo como fundamento o art. 17O da Lei nº 6.938/81, em especial o caput e parágrafo 1º, cuja atual redação foi dada pelo art. 1º da Lei nº 10.165, de 27 de dezembro de 2000. Observa a DRJ que a protocolização do ADA também não pode ser dissociada de seu aspecto temporal, pois o prazo de seis meses para essa providência foi estipulado por ato normativo da autoridade competente da Receita Federal, a quem se subordina os julgadores administrativos, cabendo considerar a vinculação funcional tratada anteriormente. Registra que para o exercício de 2007, o prazo expirou em 28 de setembro de 2007, prazo final para a entrega da DITR/2007, de acordo com a IN/SRF nº 746/2007 c/c a IN/IBAMA nº 76/2005 e, no presente caso, constatase que o ADA – Exercício de 2008, doc. de fls. 79, contemplando uma área de preservação permanente de 895,5 ha, uma área de reserva legal de 1.077,9 ha, uma área de RPPN de 1.044,4 ha e uma área de interesse ecológico de 8.379,6 ha, somente foi recepcionado pelo IBAMA, em 21 de setembro de 2008, não constituindo, portanto, documento hábil para justificar a exclusão dessas áreas ambientais do ITR/2007, observada a legislação específica. Ressalta a DRJ que, não obstante a contribuinte ter informado, no referido ADA, do exercício de 2008, uma área de preservação permanente, de reserva legal, de RPPN e de interesse ecológico, respectivamente, de 895,5 ha, de 1.077,9 ha, de 1.044,4 ha e de 8.379,6 ha, ela declarou na DITR/2007 essas mesmas áreas com dimensões bastante divergentes das constantes do ADA, ou seja, respectivamente, com as seguintes dimensões: 2.711,8 ha, 877,7 ha, 1.034,2 ha e 6.921,7 ha. Além destas, haveria divergências substanciais sobre as eventuais áreas e suas dimensões, conforme informação do Laudo Técnico de fls. 146/148, elaborado pelo Engenheiro Agrícola Ricardo Petrillo Sampaio, com ART anotada no CREA, às fls. 149, no qual consta: uma área de preservação permanente de 2.711,8 ha (1.484,8 ha + 1.227,0 ha), uma área de reserva legal de 1.047,1 ha, uma área de RPPN de 1.293,9 ha, além da informação de que uma área de 11.740,0 ha, da área total do imóvel de 12.039,0 ha, Fl. 370DF CARF MF Impresso em 16/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/04/2013 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 25/ 04/2013 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 02/05/2013 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO Processo nº 10680.725109/201166 Acórdão n.º 2201002.019 S2C2T1 Fl. 6 9 seria de utilização limitada por estar inserida na APA SUL RMBH. E, ainda, o Laudo Técnico, às 158/163, e o Laudo Técnico, às fls. 173/177, elaborados pelo Engenheiro Agrimensor Luís Eduardo Ribeiro Mendonça, com ART anotada no CREA, às fls. 171, apresentam as seguintes informações, também, divergentes das anteriores: uma área de floresta nativa de 29,5 ha, uma área de interesse ecológico de 8.379,8 ha e uma área de preservação permanente de 895,5 ha. A DRJBRASÍLIA/DF rebateu ainda a alegação de que o Laudo Técnico, às fls. 146/148, indica que uma área de 11.564,5 ha do imóvel seria de utilização limitada, por estar inserida na Área de Proteção Ambiental da Região Sul de Belo Horizonte – APA SUL RMBH, delimitada pelo Decreto Estadual nº 35.624/1994. Sobre este ponto afirma a DRJ que não há como considerar, em caráter geral, todas as áreas comprovadamente localizadas dentro dos limites da referida APA, como de interesse ambiental, para fins de exclusão do ITR; que em relação às Áreas de Proteção Ambiental (APA), é preciso ressaltar que além de se fazer necessário comprovar nos autos o cumprimento, em tempo hábil, da exigência relativa ao ADA, também não há como considerar, em caráter geral, todas as áreas comprovadamente localizadas dentro dos seus limites, como de interesse ambiental, para fins de exclusão do ITR, pois não é verdade que todas as áreas dos imóveis localizados em APA estejam proibidas de serem exploradas economicamente, posto que a legislação ambiental permite a exploração econômica de determinadas áreas do imóvel, desde que de forma planejada e regulamentada; que, portanto, não são aceitas como de interesse ecológico as áreas declaradas, em caráter geral, por região, local ou nacional, como as situadas em APA, classificada como uma unidade de uso sustentável, cujo objetivo básico é compatibilizar a conservação da natureza com o uso sustentável de parcela dos seus recursos naturais (art. 7º, § 1º, da Lei nº 9.985, de 18.07.2000), mas, sim, apenas as áreas assim declaradas, em caráter específico, para determinadas áreas da propriedade em particular, desde que atendida a exigência relativa ao ADA, tratada anteriormente. Conclui, assim, que as áreas contidas dentro dos limites da “APA SUL RMBH”, não podem ser, de maneira geral, automaticamente consideradas de interesse ecológico, para efeito de exclusão do ITR, dependendo do cumprimento das exigências previstas para cada tipo de área ambiental específica, como já analisado; que, ademais, nem mesmo foi devidamente comprovado nos autos, por meio de Certidões dos órgãos ambientais responsáveis pela administração da referida APA, as dimensões das eventuais áreas do imóvel que estariam inseridas dentro de seus limites. Esclarece que, quando não cumpridas as exigências legais apresentadas, ou cumpridas fora dos prazos estabelecidos, as áreas ambientais eventualmente existentes no imóvel são normalmente tributadas, além de integrarem a área aproveitável do imóvel, para efeito de apuração do seu Grau de Utilização (GU) e aplicação da respectiva alíquota de cálculo, corretamente aplicada pela autoridade fiscal; que não cumpridas, tempestivamente, as exigências tratadas anteriormente, não cabe excluir qualquer área ambiental declarada ou pleiteada do ITR/2007, sejam de que tipos ou de que dimensões forem, para efeitos de exclusão de tributação, mantendose a glosa da área de preservação permanente de 2.711,8 ha, da área de reserva legal de 877,7 ha, da área de Reserva Particular do Patrimônio Natural (RPPN) de 1.034,2 ha e da área de interesse ecológico de 6.921,7 ha, efetuada pela fiscalização. Quanto ao cálculo do Valor da Terra Nua VTN, entendeu a Turma Julgadora de primeira instância, concordando com a autuação, que o VTN declarado de R$ 809,69 por hectare encontrase subavaliado, por ser inferior ao VTN médio, por hectare, de R$ 20.739,10, apurado no universo das DITR/2007 referentes aos imóveis rurais localizados no município de Nova Lima/MG. E concluiu que, não tendo sido apresentado o documento exigido para comprovar o Valor da Terra da Nua, conforme descrito na intimação inicial, às fls. 10/12, cabia à autoridade fiscal arbitrar o VTN considerando a subavalição do valor declarado, efetuando de Fl. 371DF CARF MF Impresso em 16/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/04/2013 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 25/ 04/2013 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 02/05/2013 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO 10 ofício o lançamento do imposto suplementar apurado, acrescido das cominações legais. Sobre o laudo de avaliação apresentado, afirmou que o mesmo não se presta como meio de prova porque o VTN nele indicado não reflete o valor de mercado em 1º de janeiro do ano fiscal, conforme prescreve o art. 8º, § 2,º da Lei nº 9.393/96; que o referido documento não observa as normas da ABNT, não demonstrando o valor fundiário do imóvel à época do fato gerador do ITR/2007 (1º.01.2007), nem a existência de características particulares desfavoráveis, que justificassem um VTN/ha abaixo do arbitrado pela fiscalização com base no SIPT. Registra que a intimação da autoridade lançadora era para que o laudo de avaliação demonstrasse, para efeito de prova documental, o Valor da Terra Nua (valor fundiário), e não o valor total do imóvel (valor venal), pois a diferença entre estes conceitos é de natureza técnica, ou seja, para demonstrar o valor da terra nua é necessário partir do valor total do imóvel e retirar os valores das benfeitorias e demais bens passíveis de valoração econômica nela inseridos; que as benfeitorias e demais bens deveriam ser objeto de avaliação por parte dos peritos, pois eles também necessitam de critérios técnicos e legais de aferição, também definidos na NBR 14.6533 da ABNT, o que não foi feito; que, além disso, não houve detalhamento das características dos imóveis constantes da amostra de forma a permitir a devida comparação com o imóvel “Rio do Peixe e outros”, de acordo com o subitem 7.4.3.6. da NBR; que, quanto a amostra apresentada no Laudo, não obstante seus dados totalizarem o número de 193, chama a atenção o fato de 161 fontes dessa amostra serem referentes a imóveis com até 100,0 ha, sendo apenas 3 imóveis com mais de 500,0 ha, com o maior deles com dimensão de um pouco maior que 2.000,0 ha, o que não se coaduna com o disposto no item 7.4.1 da NBR 14.6533 da ABNT; que na maioria dos dados, o município de localização é diferente daquele de localização do imóvel do presente processo, e muitos desses dados da amostra não possui a localização do imóvel citado; que todas essas falhas desqualificam o laudo com de grau de fundamentação de no mínimo II, para que se obtivesse uma aceitável confiabilidade no resultado apresentado, conforme Tabelas 1 e 2 do item “9.2. Quanto à fundamentação” da citada Norma. Mas, fundamentalmente, o laudo não apresenta características particulares desfavoráveis relativamente às áreas circunvizinhas que evidenciem, de forma inequívoca, de modo a justificar a revisão pretendida, ao contrário, o laudo referese ao fato de que o imóvel não possui impedimentos aparentes que possam limitar sua utilização. Enfim, concluiu a DRJ quanto a este ponto que não tendo sido apresentado Laudo de Avaliação, de acordo com as normas da ABNT, com as exigências apontadas anteriormente, e sendo tal documento imprescindível para demonstrar que o valor fundiário do imóvel, a preços de 1º.1.2007, está compatível com a distribuição das suas áreas, de acordo com as suas características particulares e classes de exploração, não cabe alterar o VTN arbitrado pela autoridade fiscal. A Contribuinte tomou ciência da decisão de primeira instância em 03/12/2011 e, em 19/12/2011 interpôs o recurso voluntário de fls. 339/359, que ora se examina e no qual reitera, em síntese, as alegações e argumentos da impugnação. É relatório. Voto Conselheiro Pedro Paulo Pereira Barbosa – Relator Fl. 372DF CARF MF Impresso em 16/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/04/2013 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 25/ 04/2013 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 02/05/2013 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO Processo nº 10680.725109/201166 Acórdão n.º 2201002.019 S2C2T1 Fl. 7 11 O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade. Dele conheço. Fundamentação Examino, inicialmente, a arguição de nulidade do lançamento. Afirma a Recorrente que o auto de infração é nulo porque não foram apresentados, in casu, elementos objetivos para balizar o lançamento fiscal. Ora, claramente a alegação procura ferir o mérito do lançamento, que não estaria embasado em elelementos de prova. Mas essa questão, necessariamente, será analisada quando do exame do mérito do lançamento. É claro que, se, quando do exame do mérito, se concluísse pela ausência de prova da imputação, se concluiria, consequentemente, pela improcedência do lançamento. Não é o caso, portanto, de nulidade do lançamento. E como não vislumbro no procedimento fiscal nenhum outro vício que enseje a nulidade do lançamento, rejeito a preliminar. Quanto ao mérito, o lançamento decorre da glosa de diversas áreas ambientais, a saber: área de preservação permanente (2.711,8 hectares), Área de reserva legal (877,7 hectares), Reserva Particular do Patrimônio Nacional – RPPN (1.034,2 hectares), área de interesse ecológico (6.921,7 hectares); também foi alterado o VTN de R$ 9.747.850,00 para R$ 249.678.024,90. Sobre a área de preservação permanente, a decisão de primeira instância reconheceu a comprovação de uma área de preservação permanente, por meio de laudo técnico de 895,5 hectares, mas observa que não foi apresentado ADA tempestivamente e referente ao período indicando a referida área e que, portanto, não se preencheu as condições para a exclusão dessa área ambiental. Cumpre examinar, portanto, a questão da necessidade ou não do ADA como condição para a exclusão das áreas ambientais. O dispositivo que trata da obrigatoriedade do ADA, e que é o fundamento legal da autuação, é o art. 1º da Lei nº 10.165, de 27/12/2000, que deu nova redação ao artigo 17O da Lei nº 6.938/81, in verbis: Art. 170. Os proprietários rurais que se beneficiarem com redução do valor do Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural — ITR, com base em Ato Declaratório Ambiental — ADA, deverão recolher ao Ibama a importância prevista no item 3.11 do Anexo VII da Lei nº 9.960, de 29 de janeiro de 2000, a título de Taxa de Vistoria. [...] § 1º A utilização do ADA para efeito de redução do valor a pagar do ITR é obrigatória. [...] Inicialmente, embora admitindo como possibilidade a interpretação de que o dispositivo esteja a prescrever a necessidade do ADA para todas as situações de áreas Fl. 373DF CARF MF Impresso em 16/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/04/2013 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 25/ 04/2013 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 02/05/2013 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO 12 ambientais como condição para a redução dessas áreas para fins de apuração do valor do ITR a pagar, conforme os atos normativos da RFB e do Ibama, não me parece que este sentido e alcance da norma estejam claramente delineados, a ponto de dispensar o esforço de interpretação. Isto é, não me parece que se aplique aqui o brocardo in claris cessat interpretatio. Não basta, portanto, simplesmente dizer que a lei impõe a necessidade do ADA, é preciso expor as razões que levam a esta conclusão. O que chama a atenção no dispositivo em apreço é que o mesmo tem como escopo claro a instituição de uma Taxa de Vistoria que deve ser paga sempre que o proprietário rural se beneficiar de uma redução de ITR com base em Ato Declaratório Ambiental – ADA, de uma taxa que tem como fato gerador o serviço público específico e divisível de realização da vistoria, que presumivelmente será realizada nos casos de apresentação do ADA, e não de definir áreas ambientais, de disciplinar as condições de reconhecimento de tais áreas e muito menos de criar obrigações tributárias acessórias ou de regular procedimentos de apuração do ITR. Também não se deve desprezar o fato de que a referência à obrigatoriedade do ADA vem apenas no parágrafo primeiro e, portanto, deve ser entendido levando em conta o quanto disposto no caput. E este, como se viu, restringe a tal taxa às situações em que o benefício de redução do ITR ocorra com base no ADA, o que implica no reconhecimento da existência de reduções que não sejam baseadas no ADA. Aliás, a função sintática da expressão “com base em Ato Declaratório Ambiental” é exatamente denotar uma circunstância do fato expresso pelo verbo”beneficiar”. Ora, entendendose o chamado “benefício de redução” como sendo a exclusão de áreas ambientais para fins de apuração da base de cálculo do ITR, indagase se a exclusão de áreas ambientais cuja existência decorre diretamente da lei, independentemente de reconhecimento ou declaração por ato do Poder Público, pode ser entendida como uma redução “com base em Ato Declaratório Ambiental – ADA”. Penso que não. Vejase o caso da área de preservação permanente de que trata o art. 2º da lei nº 4.771, de 1965, e que existe “pelo só efeito desta lei”, in verbis: Art. 2° Consideramse de preservação permanente, pelo só efeito desta Lei, as florestas e demais formas de vegetação natural situadas: (sublinhei) E também o caso da área de reserva legal do art. 16 da mesma lei, a saber; Art. 16. As florestas e outras formas de vegetação nativa, ressalvadas as situadas em área de preservação permanente, assim como aquelas não sujeitas ao regime de utilização limitada ou objeto de legislação específica, são suscetíveis de supressão, desde que sejam mantidas, a título de reserva legal, no mínimo: (Redação dada pela Medida Provisória nº 2.16667, de 2001) [...] §8o A área de reserva legal deve ser averbada à margem da inscrição de matrícula do imóvel, no registro de imóveis competente, sendo vedada a alteração de sua destinação, nos casos de transmissão, a qualquer título, de desmembramento ou de retificação da área, com as exceções previstas neste Código. (Incluído pela Medida Provisória nº 2.16667, de 2001) Fl. 374DF CARF MF Impresso em 16/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/04/2013 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 25/ 04/2013 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 02/05/2013 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO Processo nº 10680.725109/201166 Acórdão n.º 2201002.019 S2C2T1 Fl. 8 13 No caso da área de preservação permanente, a lei define, objetivamente, por exemplo, que tanto metros à margem dos rios, conforme a largura deste, é área de preservação permanente, independentemente de qualquer ato do Poder Público. É a própria lei que impõe ao proprietário o dever de preservar essa área e, para tanto, este não deve esperar qualquer ato determinação do Poder Público. O mesmo ocorre com relação à área de reserva legal. A lei impõe que, conforme certas circunstâncias de localização etc. da propriedade, um mínimo das florestas e outras formas de vegetação nativa devem ser preservadas de forma permanente. E a lei também exige que estas áreas, identificadas mediante termo de compromisso com o órgão ambiental competente, sejam averbadas à margem da matricula do imóvel, vedada sua alteração em caso de transmissão a qualquer título. Também neste caso o proprietário não deve esperar qualquer ato do Poder Público determinando que tal ou qual área deve ser preservada. Por outro lado, a Lei nº 9.393, de 1996, ao cuidar da apuração do ITR define a área tributável como sendo a área total do imóvel subtraída de áreas diversas, dentre elas as de preservação permanente e de reserva legal, sem impor qualquer condição, in verbis: Art. 10. A apuração e o pagamento do ITR serão efetuados pelo contribuinte, independentemente de prévio procedimento da administração tributária, nos prazos e condições estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal, sujeitandose a homologação posterior. § 1º Para os efeitos de apuração do ITR, considerarseá: [...] II área tributável, a área total do imóvel, menos as áreas: a) de preservação permanente e de reserva legal, previstas na Lei nº 4.771, de 15 de setembro de 1965, com a redação dada pela Lei nº 7.803, de 18 de julho de 1989; b) de interesse ecológico para a proteção dos ecossistemas, assim declaradas mediante ato do órgão competente, federal ou estadual, e que ampliem as restrições de uso previstas na alínea anterior; c) comprovadamente imprestáveis para qualquer exploração agrícola, pecuária, granjeira, aqüícola ou florestal, declaradas de interesse ecológico mediante ato do órgão competente, federal ou estadual; d) sob regime de servidão florestal ou ambiental; (Redação dada pela Lei nº 11.428, de 2006) e) cobertas por florestas nativas, primárias ou secundárias em estágio médio ou avançado de regeneração; (Incluído pela Lei nº 11.428, de 2006) f) alagadas para fins de constituição de reservatório de usinas hidrelétricas autorizada pelo poder público. (Incluído pela Lei nº 11.727, de 2008) Se as áreas de preservação permanente e as de reserva legal independem de manifestação do Poder Público, outras áreas ambientais, passíveis de exclusão, para fins de Fl. 375DF CARF MF Impresso em 16/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/04/2013 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 25/ 04/2013 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 02/05/2013 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO 14 apuração do ITR, dependem da manifestação de vontade do proprietário ou da imposição do próprio órgão ambiental, observadas certas circunstâncias específicas do imóvel. Vejase, por exemplo, o caso da área de preservação permanente de que trata o art. 3º da Lei nº 4.771, de 1965, in verbis: Art. 3º Consideramse, ainda, de preservação permanentes, quando assim declaradas por ato do Poder Público, as florestas e demais formas de vegetação natural destinadas: a) a atenuar a erosão das terras; b) a fixar as dunas; c) a formar faixas de proteção ao longo de rodovias e ferrovias; d) a auxiliar a defesa do território nacional a critério das autoridades militares; e) a proteger sítios de excepcional beleza ou de valor científico ou histórico; f) a asilar exemplares da fauna ou flora ameaçados de extinção; g) a manter o ambiente necessário à vida das populações silvícolas; h) a assegurar condições de bemestar público. Aqui, a declaração da área como de preservação permanente deve ocorrer em cada caso, conforme entenda o órgão ambiental, considerada a necessidade específica em face de alguma circunstância de risco ao meio ambiente ou de preservação da fauna ou da flora. O mesmo se pode dizer das áreas de que trata a alínea “b” do § 1º do inciso II da lei nº 9.393, de 1996. Ali a área deve ser declarada de interesse ecológico visando à proteção de um determinado ecossistema. Ela não existe “pelo só efeito da lei”, e nem decorre de uma imposição legal genérica de preservação, de uma fração determinada da floresta ou mata nativa. Decorre do entendimento por parte do Poder Público, com base no exame do caso concreto, que aquela área deve ser preservada. Existe, portanto, uma clara diferença entre áreas ambientais: umas cujas existências decorrem diretamente da lei, sem necessidade de prévia manifestação por parte do Poder Público por meio de qualquer ato, e outras que devem ser declaradas ou reconhecidas pelo Poder Público por meio de ato próprio. Dito isto, não me parece minimamente razoável que a exclusão, prevista em lei, de uma área ambiental, cuja existência independe de manifestação do Poder Público, fique condicionada a um ato formal de apresentação do tal ADA. Mas não há dúvida de que a lei poderia criar tal exigência: A questão aqui, entretanto, é se o art. 170, em que se baseiam os que defendem esta posição, permite tal interpretação; se é este o sentido e o alcance que se deve extrair da norma que melhor a harmonize com os demais princípios e normas que regem a tributação do ITR e a preservação do meio ambiente. Assim, em conclusão, penso que o art. 170 da Lei nº 6.938/81 impõe a exigência da apresentação tempestiva do ADA apenas nos casos em que a existência da área ambiental dependa de declaração ou reconhecimento por parte do Poder Público. Fl. 376DF CARF MF Impresso em 16/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/04/2013 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 25/ 04/2013 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 02/05/2013 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO Processo nº 10680.725109/201166 Acórdão n.º 2201002.019 S2C2T1 Fl. 9 15 A não apresentação do ADA, portanto, não seria um obstáculo para a admissibilidade das exclusões da área de preservação permanente. Assim, é de se restabelecer a exclusão de uma área de preservação permanente de 895,5ha. Sobre a área de reserva legal, da mesma forma, a DRJ reconhce a averbação à margem da matrícula do imóvel de uma área de 1.047,1 hectares, mas, da mesma forma, observa que não foi apresentado ADA tempestivamente e, portanto, não se preencheu um dos requisitos necessários à exclusão da área ambiental. Aqui, vale o que foi dito anteriormente sobre a desncessidade do ADA, devendo ser restabelecida, portanto, a área de reserva legal declarada, de 877,7 hectares, que foi a área declarada. Quanto à RPPN, da mesma forma, a DRJBRASÍLIA/DF reconhece a existência de uma área averbada de 912,0 hectares, mas observa que não foi apresentado ADA tempestivamente indicando a área ambiental e, portanto, não se cumpriu um dos requisitos essenciais para a exclusão da área ambiental em questão. Aqui, embora a RPPN dependa de reconhecimento por parte do Poder Público, no caso a autoridade lançadora reconhece que a Contribuinte declarou em ADA, referente ao exercício de 2008, antes, portanto, do lançamento, a existência da área ambiental, embora em dimensões diferentes, porém maior do que a declarada. Deve, portanto, ser restabelecida a área de RPPN de 912,0 hectares. Vale ressaltar que este julgador também entende ser indispensável a averbação à margem da matricula do imóvel como condição para a exclusão da RPPN, conforme demonstrou a decisão de primeira instância. Sobre a área de interesse ecológico, embora o fundamento para a glosa seja a falta de comprovação da efetividade da área, posição que fundamentou a decisão de primeira instância, o Contribuinte não traz em sede de recurso voluntário nenhum elemento que confirme a existência da área ambiental, limitandose a referirse, genericamente, à existência da área de interesse ecológico. O ônus de comprovar a área declarada é do contribuinte e neste caso nada foi apresentado que comprovasse a área declarada. É de se manter, portanto, glosa. Sobre o Valor da Terra Nua – VTN, observase que o arbitramento foi feito com base no valor médio declarado pelos imóveis da região de localização do imóvel, conforme se vê da tela do SIPT às fls. 12. E sobre este ponto, este Conselho já firmou entendimento no sentido que, para ser válido como base para o arbitramento do VTN, o SIPT deve estar alimentado com informações sobre a aptidão agrícola, conforme determina o art. 14 da Lei nº 9393, de 1996, combinado com o art. 12 da Lei nº 8.629, de 1993. Estes dois dispositivos definem que os critérios para a alimentação do sistema de preços de terras, a ser utilizado como parâmetro para o arbitramento, deve levar em consideração, entre outras informações, a aptidão agrícola, senão vejamos: Lei nº 9.393, de 1996: Fl. 377DF CARF MF Impresso em 16/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/04/2013 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 25/ 04/2013 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 02/05/2013 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO 16 Art. 14. No caso de falta de entrega do DIAC ou do DIAT, bem como de subavaliação ou prestação de informações inexatas, incorretas ou fraudulentas, a Secretaria da Receita Federal procederá à determinação e ao lançamento de ofício do imposto, considerando informações sobre preços de terras, constantes de sistema a ser por ela instituído, e os dados de área total, área tributável e grau de utilização do imóvel, apurados em procedimentos de fiscalização. § 1º As informações sobre preços de terra observarão os critérios estabelecidos no art. 12, § 1º, inciso II da Lei nº 8.629, de 25 de fevereiro de 1993, e considerarão levantamentos realizados pelas Secretarias de Agricultura das Unidades Federadas ou dos Municípios. § 2º As multas cobradas em virtude do disposto neste artigo serão aquelas aplicáveis aos demais tributos federais. E o art. 12 da Lei nº 8.629, de 1993, cuja redação foi alterada pela Medida Provisória nº 2.18256, de 2001: Art. 12. Considerase justa a indenização que reflita o preço atual de mercado do imóvel em sua totalidade, aí incluídas as terras e acessões naturais, matas e florestas e as benfeitorias indenizáveis, observados os seguintes aspectos: (Redação dada Medida Provisória nº 2.18356, de 2001) I localização do imóvel; (Incluído dada Medida Provisória nº 2.18356, de 2001) II aptidão agrícola; (Incluído dada Medida Provisória nº 2.18356, de 2001) III dimensão do imóvel; (Incluído dada Medida Provisória nº 2.18356, de 2001) IV área ocupada e ancianidade das posses; (Incluído dada Medida Provisória nº 2.18356, de 2001) V funcionalidade, tempo de uso e estado de conservação das benfeitorias. (Incluído dada Medida Provisória nº 2.18356, de 2001). No caso concreto, como se viu, este requisito não foi observado, e, sendo, assim, o arbitramento do VTN se fez sob bases defeituosas, não devendo prevalecer. É importante ressaltar que há uma distinção evidente entre não se considerar válido o VTN declarado, por estar subavaliado, e arbitrar esse valor. O arbitramento é o procedimento pelo qual se busca estimar de forma indireta, o valor mais aproximado possível da realidade. E a lei orienta um dos critérios para esta busca, que é a utilização dos dados do cadastro do chamado SIPT. É imperioso, portanto, que se observe este critério, não estando a autoridade lançadora livre para desprezálo. Se o cadastro não estava alimentado corretamente, poderia a autoridade lançadora recorrer a outros meios para proceder ao arbitramento, de modo a conferir segurança técnica à aferição do VTN. A mera utilização do SIPT, sem os cuidados que a lei exige, desqualifica o resultado apurado como válido. Nessas condições, e na esteira da jurisprudência do CARF, penso que o arbitramento não deve prevalecer, devendose restabelecer, portanto, o VTN declarado. Fl. 378DF CARF MF Impresso em 16/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/04/2013 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 25/ 04/2013 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 02/05/2013 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO Processo nº 10680.725109/201166 Acórdão n.º 2201002.019 S2C2T1 Fl. 10 17 Conclusão Ante o exposto, encaminho meu voto no sentido de rejeitar a preliminar de nulidade do lançamento e, no mérito, dar provimento parcial ao recurso para restabelecer uma área de preservação permanente de 895,5 hectares, de reserva legal de 877,7 hectares, de Reserva Particular do Patrimônio Nacional – RPPN de 912,0 hectares, e restabelecer o VTN declarado. Assinatura digital Pedro Paulo Pereira Barbosa Fl. 379DF CARF MF Impresso em 16/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/04/2013 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 25/ 04/2013 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 02/05/2013 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO 18 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS 2ª CÂMARA/2ª SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº: 10680.725109/201166 TERMO DE INTIMAÇÃO Em cumprimento ao disposto no § 3º do art. 81 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria Ministerial nº 256, de 22 de junho de 2009, intimese o (a) Senhor (a) Procurador (a) Representante da Fazenda Nacional, credenciado junto à Segunda Câmara da Segunda Seção, a tomar ciência do Acórdão nº. 2201002.019. Brasília/DF, 18 de abril de 2013. Assinatura digital Maria Helena Cotta Cardozo Presidente da Segunda Câmara da Segunda Seção Ciente, com a observação abaixo: ( ) Apenas com Ciência ( ) Com Recurso Especial ( ) Com Embargos de Declaração Fl. 380DF CARF MF Impresso em 16/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/04/2013 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 25/ 04/2013 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 02/05/2013 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO Processo nº 10680.725109/201166 Acórdão n.º 2201002.019 S2C2T1 Fl. 11 19 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS 2ª CAMARA/2ª SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº: 10680.725109/201166 TERMO DE INTIMAÇÃO Em cumprimento ao disposto no § 3º do art. 81 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria Ministerial nº 256, de 22 de junho de 2009, intimese o (a) Senhor (a) Procurador (a) Representante da Fazenda Nacional, credenciado junto à Segunda Câmara da Segunda Seção, a tomar ciência do Acórdão nº. 2201002.019. Brasília/DF, 02 de abril de 2013. Assinatura digital Maria Helena Cotta Cardozo Presidente da Segunda Câmara da Segunda Seção Ciente, com a observação abaixo: ( ) Apenas com Ciência ( ) Com Recurso Especial ( ) Com Embargos de Declaração Data da ciência: // Procurador(a) da Fazenda Nacional Fl. 381DF CARF MF Impresso em 16/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/04/2013 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 25/ 04/2013 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 02/05/2013 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO
score : 1.0
Numero do processo: 10283.900303/2009-03
Turma: Terceira Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 05 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Thu May 09 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Exercício: 2002
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. RECURSO INTEMPESTIVO.
Não se conhece do recurso interposto após o decurso do prazo de 30 (trinta) dias, previsto no artigo 33 do Decreto n° 70.235/72.
Numero da decisão: 1803-001.634
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer o recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado.
(Assinado Digitalmente)
Walter Adolfo Maresch - Presidente.
(Assinado Digitalmente)
Meigan Sack Rodrigues - Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Sérgio Rodrigues Mendes, Walter Adolfo Maresch, Roberto Armond Ferreira da Silva, Meigan Sack Rodrigues e Victor Humberto da Silva Maizman.
Nome do relator: MEIGAN SACK RODRIGUES
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RECURSO INTEMPESTIVO. Não se conhece do recurso interposto após o decurso do prazo de 30 (trinta) dias, previsto no artigo 33 do Decreto n° 70.235/72. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer o recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado. (Assinado Digitalmente) Walter Adolfo Maresch Presidente. (Assinado Digitalmente) Meigan Sack Rodrigues Relatora. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 28 3. 90 03 03 /2 00 9- 03 Fl. 273DF CARF MF Impresso em 13/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/04/2013 por MEIGAN SACK RODRIGUES, Assinado digitalmente em 09/05/201 3 por WALTER ADOLFO MARESCH, Assinado digitalmente em 11/04/2013 por MEIGAN SACK RODRIGUES Processo nº 10283.900303/200903 Acórdão n.º 1803001.634 S1TE03 Fl. 112 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Sérgio Rodrigues Mendes, Walter Adolfo Maresch, Roberto Armond Ferreira da Silva, Meigan Sack Rodrigues e Victor Humberto da Silva Maizman. Relatório Tratase, o presente feito, de PER/DCOMP transmitida em 26/04/05, mediante o qual foi efetivada a compensação de débitos da recorrente com crédito, no valor original de R$ 8.500,00, referente a pagamento indevido ou a maior, recolhido através de DARF em 31/01/2003. A Unidade de Origem, através de despacho decisório eletrônico (fl. 06), considerou "não homologada” a referida compensação, em virtude de o DARF apontado haver sido integralmente utilizado na quitação de débito da empresa. Devidamente cientificada, a empresa recorrente apresentou manifestação de inconformidade alegando que após o recolhimento do débito, constatou que o valor pago seria indevido, motivo pelo qual utilizou o crédito no PER/DCOMP ora em análise. Ainda, refere que a demonstração dessas informações poderá ser confirmada através da DIPJ e que o erro de fato cometido referese apenas ao indevido preenchimento da DCTF. Finaliza requerendo a procedência do direito creditório com o cancelamento do débito fiscal relativo ao processo. A autoridade julgadora de primeira instância entendeu por bem manter o lançamento em sua integralidade. Aduz que a Lei 10.637/2002 atribui à compensação efeito extintivo do crédito tributário, mediante apresentação de declaração de compensação, sob condição resolutiva de sua ulterior homologação. Já a lei 10.833/2003 fixou o prazo de cinco anos, contado da data da entrega da DCOMP para a Receita Federal do Brasil homologar compensação declarada pelo contribuinte, reconhecendo a homologação tácita das compensações que, após cinco anos da data do protocolo respectivo, não tenham sido objeto de despacho decisório proferido pela autoridade competente, independentemente da existência e do montante do crédito alegado pelo sujeito passivo. Assim, aduz o julgador de primeira instância que com a referida mudança da sistemática, a compensação deixou de ser um pedido submetido à apreciação da autoridade administrativa, tratandose antes de procedimento efetivo pelo próprio contribuinte, sujeito apenas à posterior homologação do fisco, de forma expressa ou tácita. Atenta que no caso presente, ao efetivar sua compensação a recorrente indicou como crédito pagamento indevido ou maior efetuado mediante Documento de Arrecadação Federal DARF. Ocorre que a unidade de origem verificou que o referido DARF encontrase inteiramente alocado a débito informado pelo próprio sujeito passivo em Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais (DCTF), não existindo, por conseguinte, crédito a compensar. Afere que a empresa retificou sua DCTF, em 20/03/2009, mas que tal retificação é condição necessária embora não suficiente para que o sujeito passivo obtenha o reconhecimento do direito alegado. Salienta que em se tratando de pedido de restituição/compensação o contribuinte figura como titular da pretensão e, como tal, possui o ônus de prova quanto ao fato constitutivo de seu direito, ou seja, possui o encargo de Fl. 274DF CARF MF Impresso em 13/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/04/2013 por MEIGAN SACK RODRIGUES, Assinado digitalmente em 09/05/201 3 por WALTER ADOLFO MARESCH, Assinado digitalmente em 11/04/2013 por MEIGAN SACK RODRIGUES Processo nº 10283.900303/200903 Acórdão n.º 1803001.634 S1TE03 Fl. 113 3 comprovar, por meio de documentos hábeis e idôneos, a existência do direito creditório, demonstrando, notadamente por intermédio de sua escrita contábil e fiscal e respectiva documentação de suporte, que o pagamento foi realmente indevido. Por outro lado, tomandose em conta que o crédito apontado pela recorrente em sua declaração de compensação referese a recolhimento de estimativas mensais, impõese assinalar que, nos termos da legislação relativa à apuração do Imposto de Renda das Pessoas Jurídicas (IRPJ), aplicável também à Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL) por força do art. 30 da Lei n° 9.430/19961, os recolhimentos efetuados pelas pessoas jurídicas optantes pelo lucro real, no decorrer dos meses do ano civil, caracterizam, em princípio, antecipações do tributo devido no final do período anual de apuração. Desse modo, a empresa ao exercer a opção prevista no artigo 2° da Lei n° 9.430/1996. fica obrigada aos recolhimentos mensais por estimativa, com base na receita bruta, devendo, ao final do ano calendário proceder à apuração do tributo devido, oportunidade em que poderá, então, deduzir os valores anteriormente recolhidos por estimativa. Afirma que ao final do anocalendário, caso a empresa apure saldo negativo do tributo, poderá pleitear a restituição ou a compensação deste mesmo saldo, nos termos e condições constantes do art. 6°, § I, da Lei n° 9.430/19962. Constata que a regra geral é no sentido de que a empresa recorrente leve os valores recolhidos a título de estimativa à composição do saldo do IRPJ/CSLL apurado em 31 de dezembro. Em assim sendo, o recolhimento de estimativas mensais, exatamente nos valores calculados segundo os critérios determinados pela Lei n° 9.430/1996, não pode ser considerado, a priori, como pagamento indevido ou a maior, mesmo quando haja apuração de prejuízo fiscal ao final do exercício (este sim passível de repetição). Desse modo, entende que a certeza e liquidez do crédito reclamado a título de estimativa, para fins de repetição tributária, não se apura em razão do quantum do lucro, do prejuízo fiscal ou do tributo declarados à Receita Federal do Brasil no anocalendário, mas sim em relação ao quantum demonstrado, analiticamente, pela documentação contábil e fiscal. Atenta que a Declaração de Informações EconômicoFiscais DIPJ, por si só, não exprime nem materializa o indébito fiscal, sendo indispensável a exibição dos registros contábeis da conta de ativo do tributo a recuperar, a expressão deste direito em balanços ou balancetes, regularmente transcritos no livro "Diário", a demonstração do resultado do exercício, a devida contabilização das receitas auferidas pela pessoa jurídica, os lançamentos de eventuais compensações, os registros pertinentes do livro " L A L U R " etc. Cita legislação a respeito. E por fim, aduz que considerando que o PER/DCOMP foi transmitido no mês de abril de 2005, na vigência da IN SRF n° 460, de 2004, fica impossibilitada a utilização das estimativas para a restituição/compensação como requerido. Devidamente cientificada da decisão em 27.04.2011, a empresa recorrente apresenta suas razões em recurso voluntário protocolado no dia 30.05.2011. É o relatório. Fl. 275DF CARF MF Impresso em 13/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/04/2013 por MEIGAN SACK RODRIGUES, Assinado digitalmente em 09/05/201 3 por WALTER ADOLFO MARESCH, Assinado digitalmente em 11/04/2013 por MEIGAN SACK RODRIGUES Processo nº 10283.900303/200903 Acórdão n.º 1803001.634 S1TE03 Fl. 114 4 Voto Conselheira Meigan Sack Rodrigues, Relatora Tratase, o presente feito, de PER/DCOMP transmitida em 26/04/05, mediante o qual foi efetivada a compensação de débitos da recorrente com crédito, no valor original de R$ 8.218,25, referente a pagamento indevido ou a maior, recolhido através de DARF em 28/02/2003. A Unidade de Origem, através de despacho decisório eletrônico (fl. 06), considerou "não homologada” a referida compensação, em virtude de o DARF apontado haver sido integralmente utilizado na quitação de débito da empresa Devidamente intimada a recorrente impugnou tempestivamente, mas não interpôs o recurso voluntário dentro do trintídio legal. Isto porque, conforme se verifica do processo em apreço, a empresa recebeu a intimação, pela via postal, tendo assinado o Aviso de Recebimento (AR), constante das folhas 131, do presente processo, no dia 27.04.2011, uma quartafeira. Não sendo feriado, iniciase o prazo de contagem para a apresentação do recurso no dia seguinte, qual seja 28.04.2011, quintafeira, findando no dia 27.05.2010, sextafeira. Ocorre que a recorrente somente ingressou com o seu recurso voluntário no dia 30.05.2011, na segundafeira, conforme se verifica do protocolo firmado na capa do seu recurso no presente processo, ou seja, 33 dias após o início da contagem; três dias depois do término do prazo. Assim, o recurso voluntário da contribuinte, ora recorrente, não pode ser conhecido por encontrarse intempestivo. Sobre o prazo para apresentação de recurso, dispõe o art. 33 do Decreto nº 70.235/72, verbis: “Art. 33. Da decisão caberá recurso voluntário, total ou parcial, com efeito suspensivo, dentro dos trinta dias seguintes à ciência da decisão.” A contagem do referido prazo deve ser realizada nos termos do art. 52 do mesmo diploma legal, verbis: “Art. 5° Os prazos serão contínuos, excluindose na sua contagem o dia do início e incluindose o do vencimento. Parágrafo único. Os prazos só se iniciam ou vencem no dia de expediente normal no órgão em que corra o processo ou deva ser praticado o ato.” Alertese à recorrente e também à Administração Tributária que conforme SCI Cosit nº 19, de 2011, não mais persiste a vedação contida no art. 10 da IN SRF 600/2005, mesmo para os pedidos anteriores à edição da Instrução Normativa RFB nº 900/2008 (que é o caso dos autos), o que abre espaço para a revisão de ofício da compensação requerida. Pelo exposto, VOTO no sentido de não conhecer do recurso. Fl. 276DF CARF MF Impresso em 13/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/04/2013 por MEIGAN SACK RODRIGUES, Assinado digitalmente em 09/05/201 3 por WALTER ADOLFO MARESCH, Assinado digitalmente em 11/04/2013 por MEIGAN SACK RODRIGUES Processo nº 10283.900303/200903 Acórdão n.º 1803001.634 S1TE03 Fl. 115 5 É como voto. (assinado digitalmente) Meigan Sack Rodrigues – Conselheira Fl. 277DF CARF MF Impresso em 13/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/04/2013 por MEIGAN SACK RODRIGUES, Assinado digitalmente em 09/05/201 3 por WALTER ADOLFO MARESCH, Assinado digitalmente em 11/04/2013 por MEIGAN SACK RODRIGUES
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Numero do processo: 10980.009705/2006-53
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Jun 27 00:00:00 UTC 2012
Ementa: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL - ITR
Exercício: 2002
ITR. ÁREA TRIBUTÁVEL. ÁREA DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE E DE RESERVA LEGAL. EXCLUSÃO. NECESSIDADE DO ADA. Por se tratar de áreas ambientais cuja existência independe da vontade do proprietário e de reconhecimento por parte do Poder Público, a apresentação do ADA ao Ibama não é condição indispensável para a exclusão das áreas de preservação permanente e de reserva legal, de que tratam, respectivamente, os artigos 2º e 16 da Lei nº 4.771, de 1965, para fins de apuração da área tributável do imóvel.
ITR. VTN. Cabe rever o VTN arbitrado pela fiscalização quando demonstrando por meio das provas constantes nos autos a existência de características particulares desfavoráveis que justificam o valor pretendido.
Recurso especial negado.
Numero da decisão: 9202-002.208
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
Matéria: ITR - ação fiscal (AF) - valoração da terra nua
Nome do relator: GUSTAVO LIAN HADDAD
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ÁREA TRIBUTÁVEL. ÁREA DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE E DE RESERVA LEGAL. EXCLUSÃO. NECESSIDADE DO ADA. Por se tratar de áreas ambientais cuja existência independe da vontade do proprietário e de reconhecimento por parte do Poder Público, a apresentação do ADA ao Ibama não é condição indispensável para a exclusão das áreas de preservação permanente e de reserva legal, de que tratam, respectivamente, os artigos 2º e 16 da Lei nº 4.771, de 1965, para fins de apuração da área tributável do imóvel. ITR. VTN. Cabe rever o VTN arbitrado pela fiscalização quando demonstrando por meio das provas constantes nos autos a existência de características particulares desfavoráveis que justificam o valor pretendido. Recurso especial negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. Fl. 1DF CARF MF Impresso em 24/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/07/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 16/07/2 012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 10/07/2012 por GUSTAVO LIAN HADDAD 2 (Assinado digitalmente) Otacílio Dantas Cartaxo – Presidente (Assinado digitalmente) Gustavo Lian Haddad – Relator EDITADO EM: 05/07/2012 Participaram, do presente julgamento, os Conselheiros Otacílio Dantas Cartaxo (Presidente), Susy Gomes Hoffmann (VicePresidente), Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Gonçalo Bonet Allage, Marcelo Oliveira, Manoel Coelho Arruda Junior, Gustavo Lian Haddad, Maria Helena Cotta Cardozo, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira e Elias Sampaio Freire. Relatório Em face do Espólio de Marlene Sueli Ribeiro foi lavrado o auto de infração de fls. 29/33, objetivando a exigência de imposto territorial rural do exercício de 2002, em decorrência da glosa dos valores declarados a título de Área de Preservação Permanente, Área de Reserva Legal, bem como da alteração do VTN atribuído ao imóvel. A Primeira Turma Especial da Segunda Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF, ao apreciar o recurso voluntário interposto pela contribuinte, exarou o acórdão n° 280100.429, que se encontra às fls. 111/117 e cuja ementa é a seguinte: “ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL ITR Exercício: 2002 ÁREAS DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE E DE UTILIZAÇÃO LIMITADA/RESERVA LEGAL. TERMO DE RESPONSABILIDADE AVERBADO. ÁREA COMPROVADAMENTE DENTRO DE PARQUE ESTADUAL. Cabe excluir da tributação do ITR as parcelas de áreas de utilização limitada/reserva legal reconhecida em Termo de Responsabilidade de Conservação de Floresta firmados entre o proprietário do imóvel e a autoridade ambiental, devidamente averbado antes da ocorrência do fato gerador, bem como a parcela do imóvel comprovadamente inserida em área de Parque Estadual, unidade de proteção integral, por força da Lei n° 9.985, de 2000. ÁREA DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE E DE RESERVA LEGAL. CONCOMITÂNCIA. VEDAÇÃO DA EXCLUSÃO EM DUPLICIDADE. Fl. 2DF CARF MF Impresso em 24/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/07/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 16/07/2 012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 10/07/2012 por GUSTAVO LIAN HADDAD Processo nº 10980.009705/200653 Acórdão n.º 920202.208 CSRFT2 Fl. 2 3 Nos casos em que uma área se enquadra em mais de uma hipótese de exclusão da área total do imóvel, sua exclusão se dará apenas uma vez. VALOR DA TERRA NUA (VTN). UTILIZAÇÃO DOS DADOS DO SIPT. Quando o contribuinte, utilizando os dados do SIPT, demonstra que nos cálculos da autoridade lançadora foi desconsiderado que parcela expressiva do imóvel é composta por áreas inaproveitáveis, fato esse que se considerado implicaria em VTN menor que o declarado, há que se ratificar o VTN constante da declaração apresentada. Recurso provido parcialmente.” A anotação do resultado do julgamento indica que a turma, pelo voto de qualidade, deu parcial provimento para restabelecer os valores declarados a título de Área de Preservação Permanente e Reserva Legal no montante de 965,2ha, bem como o VTN declarado, vencidos os conselheiros que davam provimento integral ao recurso. Intimada do acórdão em 11/08/2010 (fls. 117) a Procuradoria da Fazenda Nacional interpôs recurso especial às fls. 120/131, pleiteando a reforma do v. acórdão recorrido sustentando contrariedade à lei, bem como divergência jurisprudencial entre o referido acórdão e outras decisões deste Colegiado no tocante (i) à necessidade de apresentação tempestiva do ADA para exclusão das áreas de preservação permanente e de reserva legal da base de cálculo do ITR (acórdãos nºs 30239.144 e 39100.037) e (ii) à validade de laudo técnico para comprovação do VTN informado na declaração (acórdão nº 30129.388). Ao Recurso Especial foi dado seguimento conforme Despacho nº 21010382, de 28/10/2010 (fls. 138). Regularmente intimada do recurso especial interposto pela Procuradoria da Fazenda Nacional, a Contribuinte apresentou suas contrarazões de fls. 146/155. É o Relatório. Fl. 3DF CARF MF Impresso em 24/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/07/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 16/07/2 012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 10/07/2012 por GUSTAVO LIAN HADDAD 4 Voto Conselheiro Gustavo Lian Haddad, Relator O recurso especial interposto pela Procuradoria da Fazenda Nacional preenche os requisitos de admissibilidade. Dele conheço. No mérito, a discussão posto nos presentes autos está limitada (i) à necessidade de apresentação tempestiva do ADA para exclusão das áreas de preservação permanente e de reserva legal da base de cálculo do ITR e (ii) aos requisitos de validade do laudo técnico a ser apresentado pelo contribuinte para comprovação do VTN informado na declaração. Áreas de Preservação Permanente e Reserva Legal O Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural – ITR tem como hipótese de incidência tributável a propriedade, o domínio útil ou a posse de imóvel localizado fora da zona urbana do município, em 1º de janeiro de cada ano (art. 1º da Lei nº 9.393/96). A base de cálculo dessa exação, por sua vez, é resultado de operação por meio da qual se aplica sobre o Valor da Terra Nua Tributável – VTNt determina alíquota prevista no anexo da Lei nº 9.393/96, que varia em função da área total do imóvel e do seu Grau de Utilização – GU (art. 11º, da Lei nº 9.393/96). O VTNt é obtido por meio da multiplicação do Valor da Terra Nua – VTN pelo quociente entre a área tributável e a área total do imóvel (art. 10º, §1º, III, da Lei nº 9.393/96), sendo que o VTN corresponde ao valor do imóvel, devidamente declarado pelo contribuinte, deduzido dos valores correspondentes a: a) construções, instalações e benfeitoras; b) culturas permanentes e temporárias; c) pastagens cultivadas e melhoradas; e d) florestas plantadas. A área tributável do imóvel, por sua vez, corresponde à área total do imóvel com exclusão das seguintes: a) de preservação permanente e de reserva legal, previstas na Lei nº 4.771, de 15 de setembro de 1965, com a redação dada pela Lei nº 7.803, de 18 de julho de 1989; b) de interesse ecológico para a proteção dos ecossistemas, assim declaradas mediante ato do órgão competente, federal ou estadual, e que ampliem as restrições de uso previstas na alínea anterior; c) comprovadamente imprestáveis para qualquer exploração agrícola, pecuária, granjeira, aqüícola ou florestal, declaradas de interesse ecológico mediante ato do órgão competente, federal ou estadual; Fl. 4DF CARF MF Impresso em 24/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/07/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 16/07/2 012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 10/07/2012 por GUSTAVO LIAN HADDAD Processo nº 10980.009705/200653 Acórdão n.º 920202.208 CSRFT2 Fl. 3 5 d) sob regime de servidão florestal ou ambiental; (Redação dada à alínea pela Lei nº 11.428, de 22.12.2006, DOU 26.12.2006) e) cobertas por florestas nativas, primárias ou secundárias em estágio médio ou avançado de regeneração; (Alínea acrescentada pela Lei nº 11.428, de 22.12.2006, DOU 26.12.2006) f) alagadas para fins de constituição de reservatório de usinas hidrelétricas autorizada pelo poder público. (NR) (Redação dada à alínea pela Lei nº 11.727, de 23.06.2008, DOU 24.06.2008). Tratase, nos termos da legislação em vigor, de tributo sujeito ao lançamento por homologação, sendo sua apuração e recolhimento de responsabilidade do contribuinte, independentemente de prévio procedimento da administração tributária, sujeitandose a posterior homologação como explicitado no art. 10º, da Lei nº 9.393/96. No presente caso, no entanto, a contribuinte trouxe aos autos diversos elementos que, no entender do julgador de segunda instância, foram suficientes para demonstrar de forma segura a existência de APP e de reserva legal na propriedade. De fato, o voto condutor do v. acórdão recorrido identificou a existência de área de reserva legal devidamente averbada por meio do Termo de Responsabilidade de Conservação de Floresta (fls. 47), bem como que parte do imóvel está inserido em área de Parque Estadual (fls. 52) e, por fim, a existência da APP (fls. 14 e 50). Tenho para mim que a comprovação das áreas de reserva legal e de APP, para efeito de sua exclusão na base de cálculo de ITR, não dependem da apresentação tempestiva do Ato Declaratório Ambiental (ADA). Dessa forma, entendo que não merece provimento o recurso especial da Procuradoria da Fazenda Nacional no tocante à obrigatoriedade do ADA. Cálculo do VTN Verifico dos autos que o arbitramento foi efetuado com base nos dados constantes do Sistema de Preços de Terras (SIPT) da Secretaria da Receita Federal, tendo sido observados os critérios do art. 14 da Lei n. 9.393/1996 c/c art. 12, §1º, inciso II, da Lei no 8.629/1993, inclusive capacidade potencial da terra apurada a partir de informações fornecidas pela Secretaria da Fazenda (extrato de fls. 19). A contribuinte apresentou, juntamente com suas razões de recurso voluntário, o laudo de fls. 103/105 que segundo consta de seu texto tem como finalidade verificar “a correta utilização da tabela da SEAB/DERAL para a situação do imóvel e não tem por finalidade atender às recomendações da NBR 14.6533 da Associação Brasileira de Normas Técnicas – ABNT”. O v. acórdão recorrido se baseou, para restabelecer o VTN declarado pela contribuinte, na prova dos autos e em equívoco perpetrado pela autoridade fiscal na apuração do arbitramento, nos seguintes termos (fls. 116): “Quanto ao VTN, um dos argumentos da contribuinte é que se aplicado para toda a APP a que faz jus o VTN correspondente a Fl. 5DF CARF MF Impresso em 24/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/07/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 16/07/2 012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 10/07/2012 por GUSTAVO LIAN HADDAD 6 terra mista inaproveitável, constante do SIPT (fls. 19, R$ 90,00), apurase um VTN menor do que o declarado. De fato, a autoridade lançadora considerou que toda a propriedade fosse de terra mista não mecanizável. Ocorre que, como demonstrado anteriormente, há uma expressiva parcela do imóvel que está dentro do perímetro do Parque Estadual Marumbi, portanto, há severas limitações à exploração dessa área, corroborando o argumento da interessada de que o VTN declarado deve ser restabelecido.” Entendo que não merece reparos a conclusão da decisão recorrida. De fato, ao considerar como sendo terra mista não mecanizável a totalidade da área, com aplicação do valor correspondente no SIPT, a fiscalização acabou por causar séria dúvida quando ao critério adotado para o arbitramento, não ensejando a inversão do ônus de prova que lhe é própria, mantendose não atacado o VTN declarado pelo contribuinte. Ante o exposto, conheço do recurso especial da Procuradoria da Fazenda Nacional para, no mérito, NEGARLHE PROVIMENTO. (Assinado digitalmente) Gustavo Lian Haddad Fl. 6DF CARF MF Impresso em 24/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/07/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 16/07/2 012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 10/07/2012 por GUSTAVO LIAN HADDAD
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