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Numero do processo: 10845.002094/2005-96
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Nov 26 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Mon Feb 03 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/08/2004 a 31/08/2004, 01/10/2004 a 30/11/2004
Ementa:
CRÉDITO PRESUMIDO. RESSARCIMENTO. ART. 8º DA LEI Nº 10.925/2010. ART. 56-A, § 1º, I, DA LEI Nº 12.350/2010. IMPOSSIBILIDADE ANTES DE 1º/11/2011.
O art. 56-A, § 1º, I, da Lei nº 12.350/2010 impede a utilização do crédito presumido do art. 8º da Lei nº 10.925/2010, para fins de ressarcimento, antes de 1º/01/2011.
LANÇAMENTO TRIBUTÁRIO. CONSTITUCIONALIDADE. LIMITAÇÃO A UTILIZAÇÃO DO CRÉDITO PRESUMIDO. SÚMULA CARF Nº 2.
Ao teor da Súmula CARF nº 2, o CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.
Recurso voluntário conhecido em parte. Na parte conhecida, recurso voluntário negado.
Numero da decisão: 3202-001.011
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, conhecer em parte do recurso voluntário. Na parte conhecida, negar provimento ao recurso voluntário.
Irene Souza da Trindade Torres Presidente
Thiago Moura de Albuquerque Alves Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Irene Souza da Trindade Torres, Gilberto de Castro Moreira Junior, Charles Mayer de Castro Souza, Luis Eduardo Garrossino Barbieri, Tatiana Midori Migiyama e Thiago Moura de Albuquerque Alves.
Nome do relator: THIAGO MOURA DE ALBUQUERQUE ALVES
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/08/2004 a 31/08/2004, 01/10/2004 a 30/11/2004 Ementa: CRÉDITO PRESUMIDO. RESSARCIMENTO. ART. 8º DA LEI Nº 10.925/2010. ART. 56A, § 1º, I, DA LEI Nº 12.350/2010. IMPOSSIBILIDADE ANTES DE 1º/11/2011. O art. 56A, § 1º, I, da Lei nº 12.350/2010 impede a utilização do crédito presumido do art. 8º da Lei nº 10.925/2010, para fins de ressarcimento, antes de 1º/01/2011. LANÇAMENTO TRIBUTÁRIO. CONSTITUCIONALIDADE. LIMITAÇÃO A UTILIZAÇÃO DO CRÉDITO PRESUMIDO. SÚMULA CARF Nº 2. Ao teor da Súmula CARF nº 2, o CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Recurso voluntário conhecido em parte. Na parte conhecida, recurso voluntário negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, conhecer em parte do recurso voluntário. Na parte conhecida, negar provimento ao recurso voluntário. Irene Souza da Trindade Torres – Presidente AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 84 5. 00 20 94 /2 00 5- 96 Fl. 406DF CARF MF Impresso em 03/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/01/2014 por THIAGO MOURA DE ALBUQUERQUE ALVES, Assinado digitalmente em 15/01/2014 por THIAGO MOURA DE ALBUQUERQUE ALVES, Assinado digitalmente em 31/01/2014 por IRENE S OUZA DA TRINDADE TORRES 2 Thiago Moura de Albuquerque Alves – Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Irene Souza da Trindade Torres, Gilberto de Castro Moreira Junior, Charles Mayer de Castro Souza, Luis Eduardo Garrossino Barbieri, Tatiana Midori Migiyama e Thiago Moura de Albuquerque Alves. Relatório Tratase de declaração de compensação, protocolada em 05/07/2005, que pretende compensar débitos tributários, mediante a utilização de créditos da Contribuição ao PIS/Pasep nãocumulativa. Após auditoria contábilfiscal dos créditos utilizados, a autoridade fiscal não homologou parcialmente a compensação, por meio do Despacho Decisório. De acordo com o mencionado Despacho Decisório, embora os créditos sejam procedentes, foram homologadas somente as compensações com aqueles créditos oriundos do art. 3º da Lei nº 10.637/2002, vinculados à exportação. Isso porque, na ótica na DRF, o art. 8º da Lei nº 10.925/2004 não autorizaria a compensação do crédito presumido com tributos de outras espécies. Cientificada da decisão, a contribuinte apresentou manifestação inconformidade, a qual foi julgada improcedente pela DRJ. Conforme o acórdão recorrido, o crédito presumido do art. 8º da Lei nº 10.925/2004, apenas, poderia ser utilizado para compensar a própria contribuição, devendo, por isso, ser mantida a glosa da compensação. Cientificado do acórdão, acima destacado, a recorrente apresentou recurso voluntário, reiterando suas razões para que seja homologada a compensação pretendida, com amparo no art. 8º da Lei nº 10.925/2004, combinado com o art. 5º, § 1º, da Lei nº 10.637/2002, o art. 17 da Lei nº 11.033/2004, o art. 16 da Lei nº 11.116/2005 e o art. 195, § 12, da CF/88. O processo digitalizado foi distribuído e, posteriormente, encaminhado a este Conselheiro Relator na forma regimental. É o relatório. Voto Conselheiro Thiago Moura de Albuquerque Alves, Relator. O Recurso Voluntário é tempestivo, merecendo ser apreciado. Fl. 407DF CARF MF Impresso em 03/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/01/2014 por THIAGO MOURA DE ALBUQUERQUE ALVES, Assinado digitalmente em 15/01/2014 por THIAGO MOURA DE ALBUQUERQUE ALVES, Assinado digitalmente em 31/01/2014 por IRENE S OUZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 10845.002094/200596 Acórdão n.º 3202001.011 S3C2T2 Fl. 407 3 A matéria em discussão se restringe a possibilidade ou não de utilizar o saldo credor do crédito presumido, previsto no art. 8º da Lei nº 10.925/2004 e vinculado a receitas de exportação, para fins de ressarcimento e compensação de outros tributos federais, diversos da própria contribuição nãocumulativa. O ADI Ato Declaratório Interpretativo SRF nº 15/2005 veda a utilização do saldo credor, desse incentivo fiscal, para pedir o ressarcimento proporcional às receitas de exportação, nos seguintes termos: Ato Declaratório Interpretativo SRF nº 15, de 22 de dezembro de 2005 DOU de 26.12.2005 [...] Art. 1º O valor do crédito presumido previsto na Lei nº 10.925, de 2004, arts. 8º e 15, somente pode ser utilizado para deduzir da Contribuição para o PIS/Pasep e da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (Cofins) apuradas no regime de incidência nãocumulativa. Art. 2º O valor do crédito presumido referido no art. 1º não pode ser objeto de compensação ou de ressarcimento, de que trata a Lei nº 10.637, de 2002, art. 5º, § 1º, inciso II, e § 2º, a Lei nº 10.833, de 2003, art. 6º,§ 1º, inciso II, e § 2º, e a Lei nº 11.116, de 2005, art. 16. Como se vê, para negar o ressarcimento ao crédito presumido, o ato interpretativo acima reproduzido fixa sua exegese no art. 8º da Lei nº 10.925/2004 combinado com o art. 5º, § 1º, inciso II, e § 2º Lei nº 10.637/2002, cujas respectivas redações é importante ter em mente para o deslinde da controvérsia: Art. 8º. As pessoas jurídicas, inclusive cooperativas, que produzam mercadorias de origem animal ou vegetal, classificadas nos capítulos 2, 3, exceto os produtos vivos desse capítulo, e 4, 8 a 12, 15, 16 e 23, e nos códigos 03.02, 03.03, 03.04, 03.05, 0504.00, 0701.90.00, 0702.00.00, 0706.10.00, 07.08, 0709.90, 07.10, 07.12 a 07.14, exceto os códigos 0713.33.19, 0713.33.29 e 0713.33.99, 1701.11.00, 1701.99.00, 1702.90.00, 18.01, 18.03, 1804.00.00, 1805.00.00, 20.09, 2101.11.10 e 2209.00.00, todos da NCM, destinadas à alimentação humana ou animal, poderão deduzir da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins, devidas em cada período de apuração, crédito presumido, calculado sobre o valor dos bens referidos no inciso II do caput do art. 3º das Leis nºs 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e10.833, de 29 de dezembro de 2003, adquiridos de pessoa física ou recebidos de cooperado pessoa física. ******* Art. 5º A contribuição para o PIS/Pasep não incidirá sobre as receitas decorrentes das operações de: Fl. 408DF CARF MF Impresso em 03/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/01/2014 por THIAGO MOURA DE ALBUQUERQUE ALVES, Assinado digitalmente em 15/01/2014 por THIAGO MOURA DE ALBUQUERQUE ALVES, Assinado digitalmente em 31/01/2014 por IRENE S OUZA DA TRINDADE TORRES 4 I exportação de mercadorias para o exterior; [...] III vendas a empresa comercial exportadora com o fim específico de exportação. § 1o Na hipótese deste artigo, a pessoa jurídica vendedora poderá utilizar o crédito apurado na forma do art. 3o para fins de: I dedução do valor da contribuição a recolher, decorrente das demais operações no mercado interno; II compensação com débitos próprios, vencidos ou vincendos, relativos a tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, observada a legislação específica aplicável à matéria. § 2o A pessoa jurídica que, até o final de cada trimestre do ano civil, não conseguir utilizar o crédito por qualquer das formas previstas no § 1o, poderá solicitar o seu ressarcimento em dinheiro, observada a legislação específica aplicável à matéria. Ao teor do art. 5º, § 1º, da Lei nº 10.637/2002, os créditos apurados na forma do art. 3º do mesmo diploma legal, vinculados a receitas decorrentes de exportação, podem ser objeto de ressarcimento para posterior compensação ou devolução em dinheiro. A mesma referência aos créditos do art. 3º da Lei nº 10.637/2002 é utilizada pelo art. 16 da Lei nº 11.116, de 18/05/2005, combinado com o art. 17 da Lei nº 11.033, de 21/12//2004. Leiase respectivamente: Art. 17. As vendas efetuadas com suspensão, isenção, alíquota 0 (zero) ou não incidência da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS não impedem a manutenção, pelo vendedor, dos créditos vinculados a essas operações. ******* Art. 16. O saldo credor da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins apurado na forma do art. 3o das Leis nos 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e 10.833, de 29 de dezembro de 2003, e do art. 15 da Lei no 10.865, de 30 de abril de 2004, acumulado ao final de cada trimestre do anocalendário em virtude do disposto no art. 17 da Lei no 11.033, de 21 de dezembro de 2004, poderá ser objeto de: I compensação com débitos próprios, vencidos ou vincendos, relativos a tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, observada a legislação específica aplicável à matéria; ou II pedido de ressarcimento em dinheiro, observada a legislação específica aplicável à matéria. Parágrafo único. Relativamente ao saldo credor acumulado a partir de 9 de agosto de 2004 até o último trimestrecalendário anterior ao de publicação desta Lei, a compensação ou pedido Fl. 409DF CARF MF Impresso em 03/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/01/2014 por THIAGO MOURA DE ALBUQUERQUE ALVES, Assinado digitalmente em 15/01/2014 por THIAGO MOURA DE ALBUQUERQUE ALVES, Assinado digitalmente em 31/01/2014 por IRENE S OUZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 10845.002094/200596 Acórdão n.º 3202001.011 S3C2T2 Fl. 408 5 de ressarcimento poderá ser efetuado a partir da promulgação desta Lei. Assim, considerando que o crédito presumido estaria previsto em artigo legal (art. 8º da Lei nº 10.925/2004) diverso do art. 3º da Lei nº 10.637/2002, a autorização ao ressarcimento, prevista no art. 5º, § 1º, da Lei nº 10.637/2002 e no art. 16 da Lei nº 11.116/2005, não seria aplicável a esse tipo de benefício fiscal. O raciocínio é perfeito não fosse um detalhe, qual seja: o crédito presumido estava previsto, originalmente, nos §§ 10 e 11 do art. 3º da Lei nº 10.637/2002, tendo sido deslocado para o art. 8º da Lei nº 10.925/2004. Leiase sua redação original: Art. 3º....... § 10. Sem prejuízo do aproveitamento dos créditos apurados na forma deste artigo, as pessoas jurídicas que produzam mercadorias de origem animal ou vegetal, classificadas nos capítulos 2 a 4, 8 a 12 e 23, e nos códigos 01.03, 01.05, 0504.00, 0701.90.00, 0702.00.00, 0706.10.00, 07.08, 0709.90, 07.10, 07.12 a 07.14, 15.07 a 15.14, 1515.2, 1516.20.00, 15.17, 1701.11.00, 1701.99.00, 1702.90.00, 18.03, 1804.00.00, 1805.00.00, 20.09, 2101.11.10 e 2209.00.00, todos da Nomenclatura Comum do Mercosul, destinados à alimentação humana ou animal poderão deduzir da contribuição para o PIS/Pasep, devida em cada período de apuração, crédito presumido, calculado sobre o valor dos bens e serviços referidos no inciso II do caput deste artigo, adquiridos, no mesmo período, de pessoas físicas residentes no País. (Incluído pela Lei nº 10.684, de 30.5.2003) (Revogado pela Lei nº 10.925, de 2004) § 11. Relativamente ao crédito presumido referido no § 10: (Incluído pela Lei nº 10.684, de 30.5.2003) (Revogado pela Lei nº 10.925, de 2004) I seu montante será determinado mediante aplicação, sobre o valor das mencionadas aquisições, de alíquota correspondente a setenta por cento daquela constante do art. 2o ; (Incluído pela Lei nº 10.684, de 30.5.2003) (Revogado pela Lei nº 10.925, de 2004) II o valor das aquisições não poderá ser superior ao que vier a ser fixado, por espécie de bem ou serviço, pela Secretaria da Receita Federal. (Incluído pela Lei nº 10.684, de 30.5.2003) Revogado pela Lei nº 10.925, de 2004) Dessa maneira, tendo mantido, no essencial, a redação do crédito presumido, antes previsto no art. 3º da Lei nº 10.637/2002, tudo indica que a Lei nº 10.925/2004, apenas, objetivou melhorar a técnica legislativa, incluindoo num artigo específico. O indigitado deslocamento topográfico, a meu ver, não leva a conclusão, de que o saldo credor do crédito presumido deixou de ser ressarcível, depois do advento do art. 8º da Lei nº 10.925/2004, quando vinculado a receitas de exportação, sujeitas a não incidência da contribuição, cujo ressarcimento é possível nos termos do art. 5º, § 1º, da Lei nº 10.637/2002 e do art. 16 da Lei nº 11.116/2005. Fl. 410DF CARF MF Impresso em 03/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/01/2014 por THIAGO MOURA DE ALBUQUERQUE ALVES, Assinado digitalmente em 15/01/2014 por THIAGO MOURA DE ALBUQUERQUE ALVES, Assinado digitalmente em 31/01/2014 por IRENE S OUZA DA TRINDADE TORRES 6 Isso porque tal exegese conduziria a proibição, na prática, de aproveitamento do crédito presumido por empresas total ou predominantemente exportadoras, o que não encontra eco no art. 8º da Lei nº 10.925/2004 combinado com o art. 5º, § 1º, da Lei nº 10.637/2002 e com o art. 16 da Lei nº 11.116/200, pelas razões já expostas. A despeito de tudo isso, sobreveio o art. 56A da Lei nº 12.350/2010, criado pelo artigo 10 da Lei nº 12.431 de 24.06.2011, fruto da conversão do art. 9º da Medida Provisória nº 517, de 30.12.2010, que ratificou retroativamente a exegese antes propalada apenas pelo ADI SRF nº 15/2005. O art. 56A da Lei nº 12.350/2010 autoriza pedir o ressarcimento do crédito presumido do art. 8º da Lei nº 10.925/2004 somente a partir do primeiro do mês subsequente a sua publicação, isto é, a partir de 1º.01.2011 (data da publicação da medida provisória que o originou). Ipsis litteris: Art. 56A.O saldo de créditos presumidos apurados a partir do anocalendário de 2006 na forma do § 3º do art. 8º da Lei nº 10.925, de 23 de julho de 2004, existentes na data de publicação desta Lei, poderá: I ser compensado com débitos próprios, vencidos ou vincendos, relativos a tributos administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil, observada a legislação específica aplicável à matéria; II ser ressarcido em dinheiro, observada a legislação específica aplicável à matéria. § 1º O pedido de ressarcimento ou de compensação dos créditos presumidos de que trata o caput somente poderá ser efetuado: I relativamente aos créditos apurados nos anoscalendário de 2006 a 2008, a partir do primeiro dia do mês subsequente ao da publicação desta Lei; Diante da clareza do art. 56A, § 1º, I, da Lei nº 12.350/2010, e da inviabilidade examinar no âmbito administrativo (Súmula CARF nº 2) a sua inconstitucionalidade – no meu entender, inconstitucionalidade manifesta, pois se trata de norma jurídica interpretativa aplicada retroativamente , impende seja negado provimento ao recurso voluntário, tendo em vista a impossibilidade de utilização do crédito presumido do art. 8º da Lei nº 10.925/2010 para realizar pedido de compensação no ano de 2005. Nesse sentido, decidiu nossa Turma, em voto da minha relatoria. Confirase: CRÉDITOS DE CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP. CRÉDITO PRESUMIDO. RESSARCIMENTO. ART. 8º DA LEI Nº 10.925/2010. ART. 56A, § 1º, I, DA LEI Nº 12.350/2010. IMPOSSIBILIDADE ANTES DE 1º/11/2011. O art. 56A, § 1º, I, da Lei nº 12.350/2010 impede a utilização do crédito presumido do art. 8º da Lei nº 10.925/2010, para fins de ressarcimento, antes de 1º/01/2011. [PAF Nº 11080.010259/200717. Acórdão nº 3202000.596 – 2ª Câmara/ 2ª Turma Ordinária/3ªSeção. Julgado em 28/11/2012. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Irene Souza da Trindade Torres, Rodrigo Cardozo Miranda, Luís Fl. 411DF CARF MF Impresso em 03/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/01/2014 por THIAGO MOURA DE ALBUQUERQUE ALVES, Assinado digitalmente em 15/01/2014 por THIAGO MOURA DE ALBUQUERQUE ALVES, Assinado digitalmente em 31/01/2014 por IRENE S OUZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 10845.002094/200596 Acórdão n.º 3202001.011 S3C2T2 Fl. 409 7 Eduardo Garrossino Barbieri, Charles Mayer de Castro Souza e Thiago Moura de Albuquerque Alves. Gilberto de Castro Moreira Junior declarouse impedido]. Registro, por fim, que é inapropriado falarse que a limitação a utilização do créditopresumido violaria o art. 195, § 12, da CF/88, que prevê a nãocumulatividade da COFINS, porquanto o art. 8º da Lei nº 10.925/2004 trata de incentivo fiscal, e não de créditos decorrentes da nãocumulatividade. Ademais, ainda que se pense de forma diversa, a Súmula CARF nº 2 veda o conhecimento de matéria que implique na declaração de inconstitucionalidade pelo CARF. Forte nessa razões, CONHEÇO PARCIALMENTE o recurso voluntário; na parte conhecida, NEGO provimento ao recurso voluntário. É como voto. Thiago Moura de Albuquerque Alves Fl. 412DF CARF MF Impresso em 03/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/01/2014 por THIAGO MOURA DE ALBUQUERQUE ALVES, Assinado digitalmente em 15/01/2014 por THIAGO MOURA DE ALBUQUERQUE ALVES, Assinado digitalmente em 31/01/2014 por IRENE S OUZA DA TRINDADE TORRES
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Numero do processo: 15374.944183/2009-42
Turma: Terceira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Sep 26 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Thu Dec 19 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Data do fato gerador: 20/07/2001
DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. PAGAMENTO A MAIOR OU INDEVIDO. IPI. REPERCUSSÃO JURÍDICA. ILEGITIMIDADE ATIVA.
Ao contribuinte de direito é possível a restituição do IPI recolhido indevidamente, desde que comprove que suportou o ônus do imposto ou autorizado por aquele que efetivamente o suportou.
INDÉBITO. RESTITUIÇÃO. COMPENSAÇÃO. ÔNUS DA PROVA.
O ônus da prova recai sobre a pessoa que alega o direito ou o fato que o modifica, extingue ou que lhe serve de impedimento, devendo prevalecer a decisão administrativa que não reconheceu o direito creditório e não homologou a compensação por falta de provas.
Numero da decisão: 3803-004.596
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
Corintho Oliveira Machado - Presidente.
(assinado digitalmente)
João Alfredo Eduão Ferreira - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Belchior Melo de Sousa, Corintho Oliveira Machado, Hélcio Lafetá Reis, João Alfredo Eduão Ferreira, Jorge Victor Rodrigues e Juliano Eduardo Lirani.
Nome do relator: JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Data do fato gerador: 20/07/2001 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. PAGAMENTO A MAIOR OU INDEVIDO. IPI. REPERCUSSÃO JURÍDICA. ILEGITIMIDADE ATIVA. Ao contribuinte de direito é possível a restituição do IPI recolhido indevidamente, desde que comprove que suportou o ônus do imposto ou autorizado por aquele que efetivamente o suportou. INDÉBITO. RESTITUIÇÃO. COMPENSAÇÃO. ÔNUS DA PROVA. O ônus da prova recai sobre a pessoa que alega o direito ou o fato que o modifica, extingue ou que lhe serve de impedimento, devendo prevalecer a decisão administrativa que não reconheceu o direito creditório e não homologou a compensação por falta de provas.
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EXCLUSÃO DO ICMS. FALTA DE PREVISÃO LEGAL. Inexiste previsão legal que autorize a exclusão do valor do ICMS da base de cálculo do IPI. A legislação do PIS e da COFINS, e suas interpretações, não se aplicam ao IPI. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 20/07/2001 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. PAGAMENTO A MAIOR OU INDEVIDO. IPI. REPERCUSSÃO JURÍDICA. ILEGITIMIDADE ATIVA. Ao contribuinte de direito é possível a restituição do IPI recolhido indevidamente, desde que comprove que suportou o ônus do imposto ou autorizado por aquele que efetivamente o suportou. INDÉBITO. RESTITUIÇÃO. COMPENSAÇÃO. ÔNUS DA PROVA. O ônus da prova recai sobre a pessoa que alega o direito ou o fato que o modifica, extingue ou que lhe serve de impedimento, devendo prevalecer a decisão administrativa que não reconheceu o direito creditório e não homologou a compensação por falta de provas. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 37 4. 94 41 83 /2 00 9- 42 Fl. 104DF CARF MF Impresso em 19/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/12/2013 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 06/ 12/2013 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 10/12/2013 por CORINTHO OLIVEIRA M ACHADO 2 (assinado digitalmente) Corintho Oliveira Machado Presidente. (assinado digitalmente) João Alfredo Eduão Ferreira Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Belchior Melo de Sousa, Corintho Oliveira Machado, Hélcio Lafetá Reis, João Alfredo Eduão Ferreira, Jorge Victor Rodrigues e Juliano Eduardo Lirani. Relatório Trata o presente processo da PER/DCOMP de número 00663.86164.150506.1.3.045065, que utilizou como lastro da compensação declarada pagamento indevido do IPI no valor original de R$ 7.708,29, oriundo de recolhimento efetuado em 20/07/2001 nesse mesmo valor, relativo ao1º decêndio de julho de 2001, com o qual o contribuinte pretende compensar débito de IPI do período de apuração abril de 2006 no valor total de R$ 11.098,31. O pagamento foi identificado, mas constatouse que o mesmo foi integralmente utilizado para quitação de débitos do contribuinte, segundo dados do Despacho Decisório, dessa forma, o direito creditório não foi reconhecido e a compensação declarada resultou não homologada. Intimado a recolher o crédito tributário decorrente da não homologação da compensação, em 19/04/2010, manifestou o contribuinte a sua inconformidade em 14/05/2010, argumentando o que se segue: i) Alega que houve cerceamento do direito de defesa por falta de relação entre a narração dos motivos que incidiram o Despacho Decisório com o enquadramento legal e por isso o ato é nulo. ii) Alega que o crédito na PER/DCOMP advém da exclusão do ICMS da base de cálculo do IPI, visto que o ICMS não constitui faturamento ou receita do contribuinte, ocorrendo, então, tributação sobre tributação, o que violaria os princípios constitucionais. iii) Requer o acolhimento da preliminar invocada, provimento da manifestação de inconformidade, sendo homologada a compensação e, ainda, caso entenda necessário a conversão do julgamento em diligência para constatar e confirmar os valores relativos à exclusão do ICMS das bases de cálculo dos Tribunais Federais. Agrega longos trechos de doutrina e jurisprudência em defesa da sua tese. Não trouxe qualquer prova contábil ou fiscal que confirmasse as suas alegações. A 3ª Turma da DRJ/JFA através do acórdão nº 0938.690 julgou improcedente a manifestação de inconformidade, ementando como se segue: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Fl. 105DF CARF MF Impresso em 19/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/12/2013 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 06/ 12/2013 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 10/12/2013 por CORINTHO OLIVEIRA M ACHADO Processo nº 15374.944183/200942 Acórdão n.º 3803004.596 S3TE03 Fl. 11 3 Data do Fato Gerador: 19/04/2010 DESPACHO DECISÓRIO. NULIDADE. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. NÃO OCORRÊNCIA Demonstrados no despacho decisório, com absoluta clareza, os fatos que ensejaram a não homologação da DCOMP e a sua correta fundamentação legal, é de se rejeitar a preliminar argüida, por total falta de fundamento. PERÍCIA/DILIGÊNCIA Indeferemse as perícias ou diligências solicitadas quando a autoridade julgadora as entende desnecessárias e prescindíveis em face dos dispositivos legais em vigor. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Data do Fato Gerador: 20/07/2001 BASE DE CÁLCULO. INCLUSÃO DO ICMS Conforme explicita o art. 47, II, "a", do CTN, a base de cálculo do IPI é dada pelo "valor da operação de que decorrer a saída da mercadoria”. O ICMS, por ser tributo calculado por dentro do valor da operação [preço de venda], nele já está inserido, de modo que a expressão "valor da operação" deve ser compreendida com a sua inclusão. DCOMP. PAGAMENTO INDEVIDO. INEXISTÊNCIA DE SALDO. NÃO HOMOLOGAÇÃO. Comprovada e demonstrada nos autos a inexistência do saldo do pagamento supostamente indevido utilizado como lastro da DCOMP, é de ser não homologada a compensação declarada. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Inconformado o sujeito passivo protocolou Recurso Voluntário, onde afirma que atualmente os tribunais coadunam com o entendimento atinente a exclusão do ICMS da base de cálculo do IPI, PIS e Cofins. Procura estabelecer uma analogia entre a base de cálculo das referidas contribuições ao citar o RE 240.7852/MG que versa apenas sobre Cofins e do mesmo modo ao citar o posicionamento dos ministros do STF no que se referem ao PIS e a COFINS. Acumula excertos de doutrina, jurisprudência e de legislação, entre os quais expõe seu entendimento de forma a concluir que é possível a restituição e a compensação do IPI. Defende que o ICMS não integra o faturamento do contribuinte e por isso não deve participar da base de cálculo do IPI. Afirma, ainda, que por tratarse de direito potestativo não existe prazo para o exercício da compensação. Fl. 106DF CARF MF Impresso em 19/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/12/2013 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 06/ 12/2013 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 10/12/2013 por CORINTHO OLIVEIRA M ACHADO 4 Assim, requer o provimento do recurso para reconhecer o crédito pleiteado e homologar a compensação declarada. É o relatório. Voto Conselheiro João Alfredo Eduão Ferreira Relator O recurso é tempestivo e preenche os demais requisitos para sua admissibilidade, portanto dele tomo conhecimento. Da exclusão do ICMS da base de cálculo do IPI. O IPI [Imposto sobre Produtos Industrializados] era regulado à época do crédito pelo Decreto 2.637/98 que no artigo 118 estabelece como valor tributável o valor total da operação de que decorrer a saída do estabelecimento, se expressando da seguinte forma: “Art. 118. Salvo disposição em contrário deste Regulamento, constitui valor tributável: I dos produtos de procedência estrangeira: a) o valor que servir ou que serviria de base para o cálculo dos tributos aduaneiros, por ocasião do despacho de importação, acrescido do montante desses tributos e dos encargos cambiais efetivamente pagos pelo importador ou dele exigíveis (Lei n.º 4.502, de 1964, art. 14, inciso I, alínea "b"); b) o valor total da operação de que decorrer a saída do estabelecimento equiparado a industrial (Lei n.º 4.502, de 1964, art. 18); II dos produtos nacionais, o valor total da operação de que decorrer a saída do estabelecimento industrial ou equiparado a industrial (Lei n.º 4.502, de 1964, art. 14, inciso II, e Lei n.º 7.798, de 1989, art. 15) . § 1º O valor da operação referido nos incisos I, alínea "b" e II, compreende o preço do produto, acrescido do valor do frete e das demais despesas acessórias, cobradas ou debitadas pelo contribuinte ao comprador ou destinatário (Lei n.º 4.502, de 1964, art. 14, § 1º , Decretolei n.º 1.593, de 1977, art. 27, e Lei n.º 7.798, de 1989, art. 15). “ NEGRITAMOS”. De forma semelhante se expressa o RIPI atualmente em vigor Decreto nº 7.212/2010 , o qual estabelece em seu artigo 1901 que o valor tributável abarca o valor total da 1 “Art. 190. Salvo disposição em contrário deste Regulamento, constitui valor tributável: I dos produtos de procedência estrangeira: a) o valor que servir ou que serviria de base para o cálculo dos tributos aduaneiros, por ocasião do despacho de importação, acrescido do montante desses tributos e dos encargos cambiais efetivamente pagos pelo importador ou dele exigíveis; e b) o valor total da operação de que decorrer a saída do estabelecimento equiparado a; ou II dos produtos nacionais, o valor total da operação de que decorrer a saída do estabelecimento industrial ou equiparado a industrial. Fl. 107DF CARF MF Impresso em 19/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/12/2013 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 06/ 12/2013 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 10/12/2013 por CORINTHO OLIVEIRA M ACHADO Processo nº 15374.944183/200942 Acórdão n.º 3803004.596 S3TE03 Fl. 12 5 operação que decorrer a saída do estabelecimento acrescido do valor do frete e das demais despesas acessórias, cobradas ou debitadas pelo contribuinte ao comprador ou destinatário. Dessa forma o ICMS, que é encargo do comprador ou destinatário, está embutido no preço final, integra o valor total da operação e assim na base de cálculo do IPI. O contribuinte alega que o IPI deve ser calculado com base apenas no faturamento e que o ICMS deve ser excluído da base de cálculo por não ser faturamento do contribuinte. Há de se falar, frente à argumentação do contribuinte, que não existe previsão legal que autorize a exclusão do ICMS da base de cálculo do IPI, assim, as decisões judiciais aplicamse exclusivamente às partes envolvidas no processo, não estando este Conselho autorizado a reproduzilas nos seus julgamentos. O recorrente argumenta que conforme posicionamentos recentes dos tribunais o ICMS não deve ser incluído na base de cálculo do PIS e da Cofins, sendo assim, por analogia ou por lógica extensão aos demais tributos federais, também não deve ser abarcado pela base de cálculo do IPI. A analogia defendida pelo contribuinte que utiliza como paradigma a base de cálculo do PIS e da Cofins apenas seria aceita na hipótese de decisão vinculante sobre a tributação das referidas contribuições, o que até o momento é inexistente, sendo exigível também que a interpretação fosse estendida ao IPI, o que também não ocorre. Contrária à pretensão do recorrente, se manifesta o Superior Tribunal de Justiça, conforme relatado pelo ministro Mauro Campbell Marques, no RECURSO ESPECIAL Nº 675.663 PR (2004/01251439): “A sistemática da cobrança do ICMS, desde o Decretolei 406/68, interpretando literalmente a Constituição, já previa a inclusão do então ICMS na base de cálculo do imposto na mesma operação, para permitir a dedução nas operações seguintes. É o chamado cálculo por dentro, próprio do IPI, diferente do ICMS, cujo cálculo é feito em destaque, ou seja, por fora. A mesma sistemática foi mantida com a LC 87/96 (art. 2º, § 7º).” Dessa forma, o nosso entendimento é no sentido de que o ICMS não pode ser excluído da base de cálculo do IPI. Da repercussão jurídica Ainda que admitíssemos, por hipótese, a exclusão do ICMS da base de cálculo do IPI, esbarraríamos na impossibilidade de restituílo ao requerente por falta de prova de ter assumido o ônus do imposto, vejamos. A doutrina classifica o IPI como um imposto indireto, qual seja, aquele em que o contribuinte de fato, ou seja, o adquirente é quem efetivamente arca com o ônus do § 1o O valor da operação referido na alínea “b” do inciso I e no inciso II compreende o preço do produto, acrescido do valor do frete e das demais despesas acessórias, cobradas ou debitadas pelo contribuinte ao comprador ou destinatário.” Fl. 108DF CARF MF Impresso em 19/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/12/2013 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 06/ 12/2013 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 10/12/2013 por CORINTHO OLIVEIRA M ACHADO 6 imposto (embutido no preço do produto), contudo, o recolhimento é feito aos cofres públicos pelo contribuinte de direito, ou seja, a empresa que efetuou a venda do produto. O artigo 166 do CTN disciplina a restituição de tributos indiretos nos seguintes termos: “Art. 166. A restituição de tributos que comportem, por sua natureza, transferência do respectivo encargo financeiro somente será feita a quem prove haver assumido o referido encargo, ou, no caso de têlo transferido a terceiro, estar por este expressamente autorizado a recebêla.” Entendemos que o IPI é um tributo que requer o atendimento dos requisitos do artigo 166 do Código Tributário Nacional, pois, ele se agrega ao preço do produto e é destacado, em separado na respectiva Nota Fiscal, o quem implica na repercussão jurídica do tributo. Assim, embora quem recolha o IPI seja o contribuinte, não é ele, mas, o adquirente quem suporta a repercussão jurídica do IPI. Para o direito à repetição do IPI importa que o contribuinte demonstre que suportou o ônus do pagamento do imposto ou que esteja autorizado por aquele que suportou a repercussão jurídica, comprovação esta que não identificamos nestes autos, o que nos leva à conclusão da ilegitimidade ativa da Valplast para requerer a restituição do IPI. Da falta de comprovação do crédito. Na mesma esteira, admitindose por hipótese, o direito subjetivo do contribuinte ao abatimento do ICMS da base de cálculo do IPI, o que não é o caso, mais uma barreira se ergueria em desfavor da requerente, qual seja, a absoluta falta de provas da existência do crédito requerido. O inciso III do artigo 16 do Decreto 70.235/72 determina que as provas que justifiquem as alegações do contribuinte devem ser trazidas na impugnação. Não há nos autos qualquer elemento de prova que ateste o crédito pretendido, não identificamos Notas Fiscais, Escrita Fiscal, Escrita Contábil, Livro de Apuração do IPI, planilhas, ou qualquer outro documento que possibilite, minimamente que seja a sua aferição. Da conclusão Haja vista a falta de previsão legal, entendemos que não é possível a redução da base de cálculo do IPI com a exclusão do ICMS devido na operação. Pelo exposto voto por NEGAR PROVIMENTO ao recurso e não reconhecer o direito creditório pretendido. É como voto. (assinado digitalmente) João Alfredo Eduão Ferreira Relator Fl. 109DF CARF MF Impresso em 19/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/12/2013 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 06/ 12/2013 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 10/12/2013 por CORINTHO OLIVEIRA M ACHADO Processo nº 15374.944183/200942 Acórdão n.º 3803004.596 S3TE03 Fl. 13 7 Fl. 110DF CARF MF Impresso em 19/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/12/2013 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 06/ 12/2013 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 10/12/2013 por CORINTHO OLIVEIRA M ACHADO
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Numero do processo: 10380.720468/2008-14
Turma: Primeira Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Nov 05 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Tue Nov 19 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL
Ano-calendário: 2004
CSLL. MULTA ISOLADA POR FALTA DE RECOLHIMENTO DE ESTIMATIVAS. REVISÃO INTERNA DIPJ. APURAÇÃO INCORRETA. INEXISTÊNCIA DE ESTIMATIVAS. ALEGAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. NECESSIDADE DE DECLARAÇÃO.
Correto o lançamento da CSLL e de multa isolada por falta de recolhimento das estimativas, decorrente de revisão interna da DIPJ, quando se constata apuração incorreta do contribuinte, com estimativas não quitadas, descabendo alegar compensação com saldos anteriores, sem declaração de compensação.
Numero da decisão: 1801-001.714
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade, negar provimento ao recurso voluntário. Vencidos os Conselheiros Marcos Vinícius Barros Ottoni, Leonardo Mendonça Marques e Luiz Guilherme de Medeiros Ferreira que votaram para exonerar a multa isolada incidente sobre a estimativa não recolhida aplicada em concomitância com a multa de ofício incidente sobre a ausência de pagamento do tributo no ajuste anual. O Conselheiro Leonardo Mendonça Marques votou para o aproveitamento do crédito contabilizado e exonerar a exigência fiscal.
Ana de Barros Fernandes Presidente
(assinado digitalmente)
Roberto Massao Chinen - Relator
(assinado digitalmente)
Participaram da sessão de julgamento, os Conselheiros: Roberto Massao Chinen, Marcos Vinícius Barros Ottoni, Carmen Ferreira Saraiva, Leonardo Mendonça Marques, Luiz Guilherme de Medeiros Ferreira e Ana de Barros Fernandes.
Nome do relator: ROBERTO MASSAO CHINEN
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AUSÊNCIA DE MPF. REVISÃO INTERNA DE DECLARAÇÃO. INEXIGIBILIDADE. Não se exige MPF em procedimento de revisão interna de declarações, ainda que a ação tenha se prolongado por mais de ano, descabendo alegar que houve auditoria de fiscalização, sobretudo quando todo o lançamento foi baseado em dados declarados ou informados pelo contribuinte, cruzados com dados de pagamentos e retenções. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Anocalendário: 2004 CSLL. MULTA ISOLADA POR FALTA DE RECOLHIMENTO DE ESTIMATIVAS. REVISÃO INTERNA DIPJ. APURAÇÃO INCORRETA. INEXISTÊNCIA DE ESTIMATIVAS. ALEGAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. NECESSIDADE DE DECLARAÇÃO. Correto o lançamento da CSLL e de multa isolada por falta de recolhimento das estimativas, decorrente de revisão interna da DIPJ, quando se constata apuração incorreta do contribuinte, com estimativas não quitadas, descabendo alegar compensação com saldos anteriores, sem declaração de compensação. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade, negar provimento ao recurso voluntário. Vencidos os Conselheiros Marcos Vinícius Barros Ottoni, Leonardo Mendonça Marques e Luiz Guilherme de Medeiros Ferreira que votaram para exonerar a multa isolada incidente sobre a estimativa não recolhida aplicada em concomitância com a multa de ofício incidente sobre a ausência de pagamento do tributo no ajuste anual. O Conselheiro AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 38 0. 72 04 68 /2 00 8- 14 Fl. 313DF CARF MF Impresso em 19/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/11/2013 por ROBERTO MASSAO CHINEN, Assinado digitalmente em 07/11/201 3 por ROBERTO MASSAO CHINEN, Assinado digitalmente em 08/11/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES 2 Leonardo Mendonça Marques votou para o aproveitamento do crédito contabilizado e exonerar a exigência fiscal. Ana de Barros Fernandes – Presidente (assinado digitalmente) Roberto Massao Chinen Relator (assinado digitalmente) Participaram da sessão de julgamento, os Conselheiros: Roberto Massao Chinen, Marcos Vinícius Barros Ottoni, Carmen Ferreira Saraiva, Leonardo Mendonça Marques, Luiz Guilherme de Medeiros Ferreira e Ana de Barros Fernandes. Relatório Trata o processo de auto de infração de Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL), ano calendário 2004, e de multa isolada por falta de recolhimento da estimativa da CSLL do período 10/2004. O auto de infração de CSLL (fls. 02/11) exige o recolhimento de R$ 215.451,12 de contribuição, R$ 161.588,34 de multa de lançamento de ofício, e R$ 107.725,56 de multa exigida isoladamente, além dos encargos legais. O lançamento resultou de procedimento de verificação do cumprimento das obrigações tributárias da interessada, em que foram apuradas as seguintes infrações: Insuficiência de recolhimento da CSLL: no período de 12/2004. Enquadramento legal no art. art. 28 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996; arts. 231 inciso IV e art. 841 incisos III e IV do RIR/99. Multa de 75%; Multas isolada. Falta de recolhimento da CSLL sobre a base estimada: no período de 10/2004. Enquadramento legal nos arts. 222 e 843 do RIR/1999; art. 44, inciso II, “b” da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996; art. 106, inciso II, “c” do CTN. Foi interposta impugnação (fls. 134/143), que foi julgada improcedente pela DRJ/Fortaleza, conforme acórdão de fls. 257/264, prolatado em 25/09/2012. Cientificada da decisão em 02/02/2013, conforme informação de fl. 269, tempestivamente, em 04/03/2013, o contribuinte impetrou o Recurso Voluntário de fls. 272/296, acompanhado dos documentos de fls. 297/309, que se resume a seguir: PRELIMINAR: DA NULIDADE DA AUTUAÇÃO EM VIRTUDE DA INEXISTÊNCIA DE MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL PROCEDIMENTO QUE TRANSBORDA A MERA REVISÃO INTERNA DE DECLARAÇÕES a. Pugna pela nulidade do auto de infração em decorrência de não ter havido a prévia expedição de Mandado de Procedimento Fiscal; b. Contesta a decisão da DRJ/FOR, e afirma que o procedimento excedeu em muito a revisão interna de declarações. Registra ser completamente dissociado do bom direito o posicionamento declinado pelo Fisco quanto à desnecessidade de expedição/ de MPFC, eis que, segundo a doutrina, o MPF é muito mais do que “mero instrumento de Fl. 314DF CARF MF Impresso em 19/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/11/2013 por ROBERTO MASSAO CHINEN, Assinado digitalmente em 07/11/201 3 por ROBERTO MASSAO CHINEN, Assinado digitalmente em 08/11/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10380.720468/200814 Acórdão n.º 1801001.714 S1TE01 Fl. 314 3 controle interno” do Fisco, sendo sim mecanismo de garantia do direito do contribuinte de não ver levantarse contra si procedimentos fiscalizatórios extravagantes, não determinados pelas autoridades competentes e sem prazo ou escopo definido; c. Cita doutrina e decisões do CARF; d. Repisa que as autoridades fiscais não podem agir ao seu arbítrio, isto é, investigar livros, documentos e contabilidade das empresas que bem entenderem, apenas com ordem específica, proveniente da autoridade competente, com delimitação do escopo e indicação do sujeito passivo a ser fiscalizado. No presente caso, a ação fiscal foi desenvolvida sem a abertura de MPF que lhe desse validade. Para justificar a ausência do mandado a autoridade alega que procedeu a mera 'revisão interna de declarações', mas a leitura das peças do presente processo deixa claro ter ocorrido a intimação do sujeito passivo para entrega de livros e documentos protegidos pelo sigilo fiscal, dentre outras tantas providências instrutórias; e. Reclama que restou claramente evidenciado que a fiscalização não guardou as características de malha fiscal, transbordando para uma fiscalização de escopo amplo e sem prazo definido, bem como sem instrumento de mandado das autoridades competentes para tanto e por isso, ilegal; f. Menciona que, quando da realização de fiscalizações ou diligências pela Secretaria da Receita Federal do Brasil, o próprio fisco (por medida de segurança) orienta que as empresas devem exigir sempre dos auditores fiscais encarregados da fiscalização, o competente Mandado de Procedimento Fiscal, tal exigência está estatuída no Decreto 3.724/2001. Cita a Portaria da Receita Federal do Brasil RFB n° 11.371, artigo 2° ao 6o, que estabelece os critérios para execução dos procedimentos fiscais; g. Anota que a fiscalização se prolongou por mais de um ano (vide intimação [fl.46] de 13/09/2007 e termo de constatação fiscal [fl.12] de 07/11/2008). Passou a fazer exigências de livros e documentos [fls.5657; 6162 e 7475], e ao final culminou em pesada sanção ao contribuinte, sem que ao menos existisse formalização da designação do senhor auditor para tal desiderato; h. Alerta que, considerando que a maior parte dos tributos são lançados por homologação e que no caso das pessoas jurídicas a quase totalidade deles são objeto prestação de informações ao Fisco, a prevalecer a argumentação até aqui sustentada pelo Fisco não existirá mais a necessidade de expedição de MPF em nenhum caso; i. Conclui que a fiscalização não percorreu o caminho seguro da legalidade, da razoabilidade e da transparência, sendo a declaração de nulidade a medida que se impõe; DO MÉRITO. DA COMPROVAÇÃO INEQUÍVOCA DA POSSIBILIDADE DE COMPENSAÇÃO j. Entende que a autoridade julgadora de primeira instancia aplicou interpretação restritiva e equivocada à demonstração do contribuinte de que os valores exigidos no auto de infração poderiam perfeitamente ser compensados com créditos decorrentes de pagamentos reconhecidamente indevidos de CSLL feitos pelo contribuinte; Fl. 315DF CARF MF Impresso em 19/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/11/2013 por ROBERTO MASSAO CHINEN, Assinado digitalmente em 07/11/201 3 por ROBERTO MASSAO CHINEN, Assinado digitalmente em 08/11/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES 4 k. Cita trechos do voto; l. Relata que antes de proceder ao lançamento da multa, a autoridade fiscal intimou o fiscalizado a apresentar as justificativas para o não pagamento das estimativas, e considerou insuficientes as justificativas apresentadas pelo fiscalizado; m. Resume que restou configurada após o julgamento de primeira instância que a seguinte situação: 1) reconhecimento de que ocorrera equívoco no preenchimento da DIPJ/2002 em prejuízo do contribuinte, com valores pagos e que não foram declarados como pagos no campo próprio; 2) o esclarecimento de que se esses valores pagos houvessem sido registrados na DIPJ/2002 restaria demonstrado o "saldo negativo" do imposto naquela declaração; 3) a informação de que apenas o "saldo negativo" na declaração seria passível de compensação, mesmo estando agora comprovado, a toda evidência, os pagamentos e o equívoco de seu não lançamento; e 4) a conclusão de que não tendo havido pedido de compensação por procedimento específico (Per/Dcomp), não seria possível fazêlo no presente processo administrativo fiscal, mesmo diante do reconhecimento de que é devida a compensação, sendo a revisão apenas profisco; n. Discorda das restrições impostas pelos julgadores de primeira instância e passa a esclarecer ponto a ponto os motivos da insurgência. Não são os valores da CSLL recolhidos que foram contestados, e sim a evidenciação destes valores na DIPJ/2002. É evidente que a estrutura do direito é preservada, mas que, por outro lado, em um momento seguinte, o seu exercício restou controlado por normatividade de inspiração não tributária e o contribuinte se vê compelido a mutuar dinheiro ao Fisco sem base em qualquer previsão de lei; o. Não se prevê no nosso ordenamento jurídico a possibilidade de que a disponibilidade de um crédito contra o Fisco, assim reconhecido pela lei tributária, venha a ser neutralizada pelo legislador sem fundamento em qualquer razão que esteja expressamente albergada no sistema constitucional tributário, mas com base apenas no desiderato de ordem prática de garantir produtividade à imposição de tributos. Como a empresa está impossibilitada de retificar a DIPJ/2002 solicita por intermédio do presente processo o direito de aproveitar esse crédito na compensação dos débitos, que em 2004 não se encontravam decaídos; p. Cita trechos do TVF acerca do indiscutível reconhecimento de que ocorreram pagamentos a maior. Para corroborar e demonstrar que tais pagamentos ocorreram e não foram informados na DIPJ/2002, transcreve os comprovantes de pagamentos (fls.248250) e o trecho específico daquela declaração (DIPJ/2002 às fls. 3037), onde consta apenas o valor de R$ 9.135,15; q. Observa que, se estivesse a DIPJ/2002 com todas as informações, a linha 38 acima contaria com valor de R$ 92.646,90 (R$ 9.135,15 + R$ 24.874,65 + R$ 17.692,18 + R$ 40.944,92) e a linha 42 apresentaria o saldo negativo de R$ 83.511,75; r. Reclama que o julgador entendeu que seria fundamental a informação do "saldo negativo" na DIPJ para que fosse possível a compensação, e que a compensação apenas poderia ser feita por intermédio de Processo Administrativo Fiscal específico e não naquele Processo Administrativo Fiscal que fizesse revisão de suas declarações; s. Sobre esses assuntos, justifica que o contribuinte reconhecidamente cometeu um equívoco no preenchimento da DJPJ, mas que tais equívocos, Fl. 316DF CARF MF Impresso em 19/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/11/2013 por ROBERTO MASSAO CHINEN, Assinado digitalmente em 07/11/201 3 por ROBERTO MASSAO CHINEN, Assinado digitalmente em 08/11/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10380.720468/200814 Acórdão n.º 1801001.714 S1TE01 Fl. 315 5 quando em desfavor do contribuinte, são largamente revistos pelo Fisco em sede de Processo Administrativo Fiscal, com o lançamento peremptório das diferenças devidas. Questiona porque não haveriam de ser igualmente revistos pelo Fisco em sede de Processo Administrativo Fiscal quanto beneficiem o contribuinte. Afirma inexistir qualquer justificativa para lógica tão perversa de que o Processo Administrativo Fiscal somente tem o condão de agravar a situação do contribuinte e nunca beneficiálo, mesmo diante de caudalosas provas em seu favor; t. Argumenta que o presente recurso busca garantir que o contribuinte não venha a ser alcançado injustamente por circunstâncias negativas decorrentes de inadimplência que de fato não existe. Os fatos demonstrados já desde a impugnação apenas não foram reconhecidos porque, ao invés de dar consequência ao contencioso administrativo, as autoridades fiscais entenderam que o PAF não seria a sede adequada para o contribuinte desvencilharse da cobrança, mesmo que apresentando fundamentos de que é indevida; u. Insurgese contra o trecho contido no acórdão, de que o direito de realizar a compensação teria decaído. Esclarece que os pagamentos realizados a maior datam de 2001, os débitos a serem compensados são de 2004 e a fiscalização que originou o presente processo administrativo fiscal encerrouse em 2008. Cita os artigos 165 e 168 do CTN, e defende que o pagamento antecipado não extingue o crédito tributário, mas apenas deflagra um processo de extinção desse crédito, que chega ao término com o ato homologatório, expresso ou tácito. Assim, considerando que o pedido de compensação foi veiculado, no mínimo, quando da impugnação, ou seja, em dezembro de 2008, e que a homologação tácita do pagamento que se pretende compensar ocorreu tacitamente em 2006, se observa a toda evidência não haver decadência do pedido que ora se reafirma; v. Reclama que as julgadoras de primeira instância não se ocuparam em afirmar que o contribuinte não efetuou o pagamento a maior. A DRJ na realidade se negou a dar consequência àquilo que se entende ser o objeto central de um Processo Administrativo Fiscal: o estabelecimento de contraditório, para propiciar àquele que está sendo suscitado pela Administração, o real direito de defesa e a demonstração, dentre outras matérias de defesa, de que existem valores pagos a maior em poder do Fisco passíveis de encontro de contas com aqueles que estão sendo exigidos; w. Tece comentários acerca da verdade material e assevera que o PAF é o momento mais que oportuno para se demonstrar a possibilidade de liquidação dentro de contexto de busca da verdade real; Pedidos x. Ao final, requer: i) seja anulado o auto de infração em face dos apontados vícios no procedimento fiscal quanto à ausência de MPF; ii) seja cancelada a totalidade dos débitos objeto da autuação, incluindo o débito principal, multa e juros; iii) seja o recorrente intimado para realização de sustentação oral quando da sessão de julgamento do processo administrativo fiscal; iv) pugna pela juntada posterior de outros documentos e informações que sejam úteis ao perfeito esclarecimento dos fatos aqui aduzidos. Fez sustentação oral pela Recorrente o Dr. Hugo Mendes Plutarco, OAB/DF nº 25.090. É o relatório. Fl. 317DF CARF MF Impresso em 19/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/11/2013 por ROBERTO MASSAO CHINEN, Assinado digitalmente em 07/11/201 3 por ROBERTO MASSAO CHINEN, Assinado digitalmente em 08/11/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES 6 Voto Conselheiro Roberto Massao Chinen, Relator. Conheço do recurso interposto, por tempestivo. O contribuinte foi autuado, mediante auto de infração, pelo qual foram exigidos créditos tributários de CSLL, relativo ao ano calendário de 2004, e multa isolada por falta de recolhimento das estimativas de CSLL. Os lançamentos decorreram de procedimento de revisão interna da DIPJ, em que foi detectada incorreção na contribuição a pagar calculado pela empresa (valor ZERO), já que o valor apurado pela fiscalização foi R$ 215.451,12. A DRJ/Fortaleza manteve integralmente os lançamentos, em decisão resumida na seguinte ementa: ASSUNTO. NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Anocalendário:2004 MPF. REVISÃO DE DECLARAÇÃO. DISPENSA. O Mandado de Procedimento Fiscal não é exigível no procedimento de fiscalização da modalidade Revisão de Declaração. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2004 INCONSTITUCIONALIDADE E EFEITO DE CONFISCO. PROCESSO ADMINISTRATIVO. IMPOSSIBILIDADE DE APRECIAÇÃO. No âmbito do processo administrativo fiscal é vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade, salvo nos casos expressamente excepcionados na lei. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Anocalendário: 2004 GLOSA DE ESTIMATIVA NÃO PAGA. COMPENSAÇÃO NÃO COMPROVADA. Para fins de apuração da CSLL no ajuste anual, somente são passíveis de dedução as estimativas efetivamente liquidadas. A liquidação de estimativas de CSLL por compensação com créditos decorrentes de pagamentos indevidos de períodos anteriores só se admite através de Per/Dcomp, de acordo com as normas legais e administrativas aplicáveis a essa modalidade de extinção condicional de crédito tributário. Fl. 318DF CARF MF Impresso em 19/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/11/2013 por ROBERTO MASSAO CHINEN, Assinado digitalmente em 07/11/201 3 por ROBERTO MASSAO CHINEN, Assinado digitalmente em 08/11/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10380.720468/200814 Acórdão n.º 1801001.714 S1TE01 Fl. 316 7 MULTA ISOLADA. FALTA DE PAGAMENTO DE ESTIMATIVA. Procedente o lançamento da multa isolada de que trata o art. 44, II, da Lei nº 9.430/96, quando comprovado que o sujeito passivo não liquidou as estimativas devidas de CSLL. Preliminar. Nulidade. Ausência de MPF. No recurso voluntário, preliminarmente, a recorrente pede a nulidade dos lançamentos, por falta de expedição do MPF. Alega que o procedimento excedeu em muito a revisão interna de declarações. Que a fiscalização se prolongou por mais de um ano. Que o MPF é muito mais do que “mero instrumento de controle interno” do Fisco, sendo mecanismo de garantia do direito do contribuinte. Que as autoridades fiscais não podem agir ao seu arbítrio, isto é, investigar livros, documentos e contabilidade das empresas que bem entenderem, apenas com ordem específica, proveniente da autoridade competente, com delimitação do escopo e indicação do sujeito passivo a ser fiscalizado. Que a fiscalização não guardou as características de malha fiscal, transbordando para uma fiscalização de escopo amplo e sem prazo definido. Que a exigência está prevista no Decreto 3.724/2001 e Portaria da Receita Federal do Brasil RFB n° 11.371, artigo 2° ao 6º. Não acolho a preliminar de nulidade. Na data do início da ação fiscal (17/09/2007, pelo Termo de Intimação Revisão DIPJ de fl. 46/48) estava em vigor a Portaria RFB nº 4.066, de 2 de maio de 2007, que expressamente determina, em seu art. 11 inciso IV, que nos procedimentos de revisão interna de declarações não será exigido o MPF. No curso da fiscalização, foi publicada a Portaria RFB nº 11.371, de 12 de dezembro de 2007, em que consta o mesmo dispositivo, no art. 10: Art. 11. O MPF não será exigido nas hipóteses de procedimento de fiscalização: ......................................................................................................... IV relativo à revisão interna das declarações, inclusive para aplicação de penalidade pela falta ou atraso na sua apresentação (malhas fiscais); Os procedimentos de revisão interna de declarações consistem em verificações que a autoridade fiscal efetua nos valores declarados ou informados pelo contribuinte (DCTF e DIPJ), confrontados com informações disponíveis em outras bases de dados, como a de pagamentos, compensações e retenções. Mediante esse cruzamento de dados, pode haver divergência na apuração do imposto ou contribuição a pagar, o que obriga o fisco a intimar o contribuinte para prestar esclarecimentos. Foi exatamente o que ocorreu no caso concreto. No primeiro contato com o contribuinte, o Termo de Intimação Revisão DIPJ, consta a seguinte divergência apurada internamente no cálculo da CSLL do ano calendário 2004, à fl 47: FICHA 17 CÁLCULO DA CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO LINHA VALOR DECLARADO VALOR CALCULADO 39. Total da CSLL 245.676,58 245.676,58 43. () CSLL Mensal Estimativa 245.676,58 0,00 Fl. 319DF CARF MF Impresso em 19/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/11/2013 por ROBERTO MASSAO CHINEN, Assinado digitalmente em 07/11/201 3 por ROBERTO MASSAO CHINEN, Assinado digitalmente em 08/11/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES 8 46. () CSLL Ret Fonte Or Pub Fed 0,00 1.096,51 47. () CSLL Ret Fonte Outras PF 0,00 29.128,95 51. CSLL a pagar 0,00 215.451,12 Ao final do procedimento, foi exigido exatamente o mesmo valor apurado pela DRF/Fortaleza, conforme se constata no auto de infração de fls. 02/11. A simplicidade do procedimento derruba por completo a alegação de que teria havido excessos ou arbítrio ou investigação profunda em livros, documentos e contabilidade da empresa. O tempo gasto no procedimento não induz, por si só, ao entendimento de que a operação tenha sido transformada numa ação fiscal, e pode ser explicada pelo fato de ter havido revisão também para o IRPJ, PIS e Cofins, e pela análise dos documentos e explicações fornecidos pelo sujeito passivo. E ademais, sou partidário da premissa de que o MPF constitui em instrumento de controle interno da RFB, de modo que sua falta ou eventuais irregularidades em sua emissão não invalidam o procedimento fiscal. É essa a jurisprudência dominante na instância administrativa, inclusive no âmbito da CSRF, consoante os seguintes precedentes: Número do Processo 10120.009665/200246, Tipo do Recurso Recurso Voluntário, Data da Sessão 23/01/2006, Relator(a) Henrique Pinheiro Torres, Nº Acórdão CSRF/0202.187 Por maioria de votos, NEGAR provimento ao recurso. Vencidos os Conselheiros Rogério Gustavo Dreyer, Francisco Maurício R. de Albuquerque Silva e Mário Junqueira Franco Júnior que deram provimento ao recurso. NORMAS PROCESSUAIS MPF É de ser rejeitada a nulidade do lançamento, por constituir o Mandado de Procedimento Fiscal elemento de controle da administração tributária, não influindo na legitimidade do lançamento tributário. Recurso especial negado. ____________________________________________________ Número do Processo 10120.002508/200391, Tipo do Recurso Recurso Voluntário, Data da Sessão 11/11/2008, Relator(a) Alexandre Andrade Lima da Fonte Filho, Nº Acórdão CSRF/01 06.085 Por unanimidade de votos, NEGAR provimento ao recurso especial. Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido CSLL Anocalendário: 1998, 1999, 2000, 2001, 2002, 2003 NORMAS PROCESSUAIS MPF É de ser rejeitada a nulidade do lançamento, por constituir o Mandado de Procedimento Fiscal elemento de controle da administração tributária, não influindo na legitimidade do lançamento tributário. Recurso especial negado. Superada a preliminar de nulidade, passo à apreciação do mérito. Mérito. CSLL. Multa isolada. No mérito, a recorrente, em síntese, alega inequívoca possibilidade de compensação. Contesta a decisão da autoridade julgadora de primeira instância, que aplicou interpretação restritiva e equivocada à demonstração do contribuinte de que os valores exigidos Fl. 320DF CARF MF Impresso em 19/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/11/2013 por ROBERTO MASSAO CHINEN, Assinado digitalmente em 07/11/201 3 por ROBERTO MASSAO CHINEN, Assinado digitalmente em 08/11/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10380.720468/200814 Acórdão n.º 1801001.714 S1TE01 Fl. 317 9 no auto de infração poderiam perfeitamente ser compensados com créditos decorrentes de pagamentos reconhecidamente indevidos de CSLL. Argumenta que houve equívoco no preenchimento da DIPJ/2002 em prejuízo do contribuinte, com valores pagos e que não foram declarados como pagos no campo próprio. Que a empresa está impossibilitada de retificar a DIPJ/2002 e por isso solicita por intermédio do presente processo o direito de aproveitar esse crédito na compensação dos débitos, que em 2004 não se encontravam decaídos. Que as julgadoras de primeira instância não se ocuparam em afirmar que o contribuinte não efetuou o pagamento a maior, e se negaram a dar consequência ao objeto central de um Processo Administrativo Fiscal: o estabelecimento de contraditório. Que o PAF é o momento mais que oportuno para se demonstrar a possibilidade de liquidação dentro de contexto de busca da verdade real. O exame da matéria indica que a decisão recorrida não merece reparos. Conforme o quadro demonstrativo da CSLL acima transcrito, a DRF/Fortaleza constatou que o contribuinte informou, na DIPJ/2005, pagamentos de estimativas em valor coincidente à CSLL apurada antes das deduções (R$ 245.676,58), chegandose a um valor ZERO de contribuição a pagar. Como não foi constatado nenhum pagamento de estimativa, a empresa foi instada a se pronunciar. Na resposta, o contribuinte juntou comprovantes de pagamento e alegou que as estimativas foram compensadas com crédito de pagamento indevido do ano calendário 2001. A autoridade fiscal rejeitou as justificativas, tendo observado que os pagamentos apresentados eram dos períodos 2000 e 2001 e que não houve pedido de compensação. Essa mesma discussão foi travada em sede de impugnação, cuja decisão foi igualmente desfavorável ao contribuinte. E não há motivo algum para alterar o que foi decidido. É que a partir da Lei n° 10.632, de 30/12/2002 (ou, mais exatamente, a partir da MP n° 66, de 29/08/2002, que foi convertida naquela lei), a compensação somente pode ser efetuada mediante a entrega, pelo sujeito passivo, da declaração de compensação, conforme o art. 74 da Lei n° 9.430/96: Art. 74. O sujeito passivo que apurar crédito, inclusive os judiciais com trânsito em julgado, relativo a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados por aquele Órgão.(Redação dada pela Lei nº 10.637, de 2002) (Vide Decreto nº 7.212, de 2010) § 1o A compensação de que trata o caput será efetuada mediante a entrega, pelo sujeito passivo, de declaração na qual constarão informações relativas aos créditos utilizados e aos respectivos débitos compensados.(Incluído pela Lei nº 10.637, de 2002) É essa a jurisprudência que prevalece no CARF, consoante os seguintes precedentes recentes: Processo nº 15504.004818/200944, Recurso nº Voluntário, Acórdão nº 1802001.355 – 2ª Turma Especial, Sessão de 11 de setembro de 2012, Relator(a) NELSO KICHEL Vistos, relatados e discutivos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, REJEITAR a preliminar suscitada e, no mérito, NEGAR provimento ao Fl. 321DF CARF MF Impresso em 19/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/11/2013 por ROBERTO MASSAO CHINEN, Assinado digitalmente em 07/11/201 3 por ROBERTO MASSAO CHINEN, Assinado digitalmente em 08/11/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES 10 recurso. (documento assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa Presidente. (documento assinado digitalmente) Nelso Kichel Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, José de Oliveira Ferraz Corrêa, Nelso Kichel, Marciel Eder Costa, Marco Antônio Nunes Catilho e Gustavo Junqueira Carneiro Leão. COMPENSAÇÃO TRIBUTÁRIA DIRETA NA ESCRITURAÇÃO CONTÁBIL E INFORMADA NAS DCTF RETIFICADORAS. IMPOSSIBILIDADE. INSTITUIÇÃO DA DCOMP. A partir de 1º o de outubro de 2002, a compensação tributária de créditos com débitos de tributos, ainda que de mesma natureza, deve ser formalizada mediante entrega de Declaração de Compensação DCOMP em meio eletrônico (transmissão eletrônica), mediate utilização do programa gerador PER/DCOMP. ____________________________________________________ Processo nº 10882.001698/200731 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 1102000.824 – 1ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 04 de dezembro de 2012, Relator(a) ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA COMPENSAÇÃO. DÉBITOS E CRÉDITOS DA MESMA ESPÉCIE. DCTF. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO Até 30/09/2002, a compensação de débitos com créditos da mesma espécie deveria ser formalizada mediante registro na escrituração da pessoa jurídica e declarada em DCTF, e a partir de 01/10/2002, também se tornou obrigatória a apresentação da Declaração de Compensação. As estimativas compensadas sem observância de tais requisitos legais devem ser glosadas na apuração de ajuste ao final do período. Quanto à multa isolada por falta de recolhimento das estimativas de CSLL, entendo ser procedente essa exigência, que tem previsão legal expressa no art. 44, §1° inciso IV da Lei nº 9.430/96, abaixo transcrita, na redação em vigor à época dos fatos: Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas, calculadas sobre a totalidade ou diferença de tributo ou contribuição: (Vide Lei nº 10.892, de 2004) (Vide Mpv nº 303, de 2006) (Vide Medida Provisória nº 351, de 2007) [...] § 1º As multas de que trata este artigo serão exigidas: (Vide Mpv nº 303, de 2006) (Vide Medida Provisória nº 351, de 2007) [...] IV isoladamente, no caso de pessoa jurídica sujeita ao pagamento do imposto de renda e da contribuição social sobre o lucro líquido, na forma do art. 2º, que deixar de fazêlo, ainda que tenha apurado prejuízo fiscal ou base de cálculo negativa para a contribuição social sobre o lucro líquido, no ano calendário correspondente; A título de reforço, registro que os lançamentos de IRPJ e de multa isolada por falta de recolhimento das estimativas, lavrados na mesma ação fiscal, já foi julgada em Fl. 322DF CARF MF Impresso em 19/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/11/2013 por ROBERTO MASSAO CHINEN, Assinado digitalmente em 07/11/201 3 por ROBERTO MASSAO CHINEN, Assinado digitalmente em 08/11/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10380.720468/200814 Acórdão n.º 1801001.714 S1TE01 Fl. 318 11 segunda instância, na data de 11/06/2013, sendo mantidas todas as exigências, conforme as seguintes ementas: Processo nº 10380.720467/200861 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 1101000.900 – 1ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 11 de junho de 2013 ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2004, 2005, 2006, 2007, 2008 MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL. PROCEDIMENTO DE REVISÃO DE DECLARAÇÃO. DESNECESSIDADE. Nos casos de Revisão de Declaração, é prescindível o Mandado de Procedimento Fiscal, de modo que a sua não expedição não acarreta a nulidade da fiscalização correlata e dos lançamentos que a sucedem. IRPJ. ESTIMATIVAS NÃO RECOLHIDAS E UTILIZADAS PELO SUJEITO PASSIVO PARA ABATIMENTO, NO AJUSTE, DO IMPOSTO A PAGAR. LANÇAMENTO PROCEDENTE. Na hipótese dos autos, o contribuinte deixou de recolher estimativas sob o fundamento de que teriam elas sido liquidadas com créditos havidos por recolhimentos a maior de estimativas de exercícios pretéritos, créditos esses que jamais foram objeto de Pedido de Compensação ou DCOMP. Lançamento de IRPJ indevidamente minorado pelo contribuinte pelas estimativas alegadamente compensadas procedente. MULTA ISOLADA. FALTA DE RECOLHIMENTO DE ESTIMATIVAS. O nãorecolhimento de estimativas sujeita a pessoa jurídica à multa de ofício isolada, ainda que encerrado o anocalendário. CUMULAÇÃO COM MULTA DE OFÍCIO. COMPATIBILIDADE. É compatível com a multa isolada a exigência da multa de ofício relativa ao tributo apurado ao final do anocalendário por caracterizarem penalidades distintas. MULTA PELA NÃO APRESENTAÇÃO NO PRAZO DE ARQUIVOS MAGNÉTICOS. CABIMENTO. A apresentação de livros contábeis, ou de relatórios e arquivos produzidos por sistemas de processamento eletrônico de dados, mas de conteúdo distinto daquele exigido pelo Fisco, não afasta a aplicação da penalidade prevista no art. 12, inciso III da Lei nº 8.218, de 1991. A alegação de impossibilidade de validação dos arquivos para apresentação à autoridade fiscal não enseja a redução da penalidade ao valor previsto no inciso I do mesmo dispositivo. A fiscalizada deve apresentar os arquivos magnéticos em outro formato para alcançar esta redução prevista na lei. Acordam os membros do colegiado, em: 1) por unanimidade de votos, REJEITAR a argüição de nulidade do lançamento; 2) por unanimidade de votos, NEGAR PROVIMENTO ao recurso Fl. 323DF CARF MF Impresso em 19/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/11/2013 por ROBERTO MASSAO CHINEN, Assinado digitalmente em 07/11/201 3 por ROBERTO MASSAO CHINEN, Assinado digitalmente em 08/11/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES 12 voluntário, relativamente à falta de recolhimento do IRPJ no ajuste anual; 3) por voto de qualidade, NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário, vencido o Relator Conselheiro Benedicto Celso Benício Júnior, acompanhado pelos Conselheiros Nara Cristina Takeda Taga e José Ricardo da Silva, relativamente à multa isolada por falta de recolhimento de estimativas; e 4) por maioria de votos, NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário, vencido o Relator Conselheiro Benedicto Celso Benício Júnior, acompanhado pelo Conselheiro José Ricardo da Silva, relativamente à multa por falta de entrega dos arquivos magnéticos, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado. Designada para redigir o voto vencedor a Conselheira Edeli Pereira Bessa, que também fez declaração de voto. Ao final da peça de defesa, a recorrente requer que seja intimado para realização de sustentação oral quando da sessão de julgamento do processo administrativo fiscal, e pugna pela juntada posterior de outros documentos e informações que sejam úteis ao perfeito esclarecimento dos fatos aqui aduzidos. O requerimento de intimação deve ser rejeitado, tendo em conta que a divulgação da pauta de julgamento é feita diretamente pelo site do CARF, conforme assim estipula o art. 55 §único do Regimento Interno do CARF (Ricarf), “a pauta será publicada no Diário Oficial da União com 10 (dez) dias de antecedência e divulgada no sítio do CARF na Internet”. Quanto à juntada posterior de outras provas, o pleito é viável, desde que se demonstre a impossibilidade de apresentação oportuna, ou se refira a fato ou direito superveniente, ou se destine a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos, de acordo com o disposto no art. 16 do PAF. CONCLUSÃO. Por todo o exposto, voto em rejeitar a preliminar de nulidade, e, no mérito, negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Roberto Massao Chinen Fl. 324DF CARF MF Impresso em 19/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/11/2013 por ROBERTO MASSAO CHINEN, Assinado digitalmente em 07/11/201 3 por ROBERTO MASSAO CHINEN, Assinado digitalmente em 08/11/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES
score : 1.0
Numero do processo: 13116.002329/2008-15
Turma: Primeira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Nov 19 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Tue Feb 11 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2006
PENSÃO ALIMENTÍCIA. HOMOLOGAÇÃO JUDICIAL DE ACORDO. NORMAS DO DIREITO DE FAMÍLIA. ALCANCE.
A legislação de regência estabelece que as despesas dos alimentandos, quando arcadas pelo alimentante em decorrência de decisão judicial ou acordo homologado judicialmente, são dedutíveis no ajuste anual, em campo próprio, respeitando-se o limite anual individual. Cabe ao Poder Judiciário o controle legal quanto ao fato de o acordo estar ou não em consonância com as normas do direito de família.
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 2801-003.266
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, dar provimento parcial ao recurso para restabelecer o valor de R$ 46.598,08 declarado a título de pensão alimentícia judicial, nos termos do voto do Relator. Vencido o Conselheiro Marcelo Vasconcelos de Almeida, que dava provimento parcial ao recurso em menor extensão e que fará declaração de voto.
Assinado digitalmente
Tânia Mara Paschoalin Presidente.
Assinado digitalmente
Carlos César Quadros Pierre - Relator.
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Tânia Mara Paschoalin, Ewan Teles Aguiar, Carlos César Quadros Pierre, Marcelo Vasconcelos de Almeida e Marcio Henrique Sales Parada. Ausente o Conselheiro José Valdemir da Silva.
Nome do relator: CARLOS CESAR QUADROS PIERRE
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2006 PENSÃO ALIMENTÍCIA. HOMOLOGAÇÃO JUDICIAL DE ACORDO. NORMAS DO DIREITO DE FAMÍLIA. ALCANCE. A legislação de regência estabelece que as despesas dos alimentandos, quando arcadas pelo alimentante em decorrência de decisão judicial ou acordo homologado judicialmente, são dedutíveis no ajuste anual, em campo próprio, respeitando-se o limite anual individual. Cabe ao Poder Judiciário o controle legal quanto ao fato de o acordo estar ou não em consonância com as normas do direito de família. Recurso Voluntário Provido em Parte.
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HOMOLOGAÇÃO JUDICIAL DE ACORDO. NORMAS DO DIREITO DE FAMÍLIA. ALCANCE. A legislação de regência estabelece que as despesas dos alimentandos, quando arcadas pelo alimentante em decorrência de decisão judicial ou acordo homologado judicialmente, são dedutíveis no ajuste anual, em campo próprio, respeitandose o limite anual individual. Cabe ao Poder Judiciário o controle legal quanto ao fato de o acordo estar ou não em consonância com as normas do direito de família. Recurso Voluntário Provido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, dar provimento parcial ao recurso para restabelecer o valor de R$ 46.598,08 declarado a título de pensão alimentícia judicial, nos termos do voto do Relator. Vencido o Conselheiro Marcelo Vasconcelos de Almeida, que dava provimento parcial ao recurso em menor extensão e que fará declaração de voto. Assinado digitalmente Tânia Mara Paschoalin – Presidente. Assinado digitalmente Carlos César Quadros Pierre Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 11 6. 00 23 29 /2 00 8- 15 Fl. 88DF CARF MF Impresso em 11/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/12/2013 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 11/12/2013 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 11/12/2013 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 22/12/2013 por TANIA MARA PASCHOALIN Processo nº 13116.002329/200815 Acórdão n.º 2801003.266 S2TE01 Fl. 89 2 Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Tânia Mara Paschoalin, Ewan Teles Aguiar, Carlos César Quadros Pierre, Marcelo Vasconcelos de Almeida e Marcio Henrique Sales Parada. Ausente o Conselheiro José Valdemir da Silva. Relatório Adoto como relatório aquele utilizado pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento, 3ª Turma da DRJ/BSB (Fls. 61), na decisão recorrida, que transcrevo abaixo: Contra o contribuinte em epígrafe foi emitida Notificação de Lançamento do Imposto de Renda da Pessoa Física – IRPF (fls. 37/39), referente ao exercício 2006, anocalendário 2005, por Auditor Fiscal da Receita Federal, da DRF/AnápolisGO. Após a revisão da Declaração foram apurados os seguintes valores (fl. 37): Demonstrativo do Crédito Tributário Cód. DARF Valores Imposto de Renda Pessoa Física – Suplementar (sujeito à multa de ofício) 2904 11.550,10 Multa de Ofício (passível de redução) 8.662,57 Juros de Mora (calculado até 29/08/2008) 3.197,06 Imposto de Renda Pessoa Física – Suplementar (sujeito à multa de mora) 0211 0,00 Multa de Mora (não passível de redução) 0,00 Juros de Mora (calculado até 29/08/2008) 0,00 Valor do Crédito Tributário Apurado 23.409,73 O lançamento acima foi decorrente das seguintes infrações: Dedução Indevida de Despesas Médicas. Glosa de R$2.074,00, por falta de comprovação. Regularmente intimado, o contribuinte não atendeu à intimação. Enquadramento legal nos autos (fl. 38, verso). Dedução Indevida de Pensão Alimentícia Judicial. Glosa de R$49.998,08 por falta de comprovação. Regularmente intimado, o contribuinte não atendeu à intimação. Enquadramento legal nos autos (fl. 38). O contribuinte apresenta impugnação (fls. 35/36), na qual, em síntese, expõe os motivos de fato e de direito que se seguem: Fl. 89DF CARF MF Impresso em 11/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/12/2013 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 11/12/2013 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 11/12/2013 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 22/12/2013 por TANIA MARA PASCHOALIN Processo nº 13116.002329/200815 Acórdão n.º 2801003.266 S2TE01 Fl. 90 3 Em relação à dedução pleiteada com Pensão Alimentícia, bem assim as despesas médicas, tais valores estão devidamente informados, com a juntada dos comprovantes de Rendimentos Pagos e de Retenção de Imposto de Renda na Fonte. Esclarece que as despesas médicas deduzidas estão informadas no rodapé do aludido comprovante. Requer a insubsistência da Ação Fiscal e cancelamento do débito. Passo adiante, a 3ª Turma da DRJ/BSB entendeu por bem julgar a Impugnação procedente em parte, em decisão que restou assim ementada: DEDUÇÃO INDEVIDA DE DESPESAS MÉDICAS. COMPROVAÇÃO. A comprovação por documentação hábil e idônea dos valores informados a título de dedução de despesas médicas na Declaração do Imposto de Renda importa no restabelecimento das despesas. DEDUÇÃO INDEVIDA DE PENSÃO ALIMENTÍCIA JUDICIAL. REQUISITOS. Somente são dedutíveis na Declaração do Imposto de Renda os pagamentos efetuados a título de pensão alimentícia, quando em cumprimento de decisão judicial ou acordo homologado judicialmente. Cientificada em 23/05/2011 (Fls. 71), o Recorrente interpôs Recurso Voluntário em 21/06/2011 (fls. 72 e 73), reforçando os argumentos apresentados quando da impugnação. É o Relatório. Voto Conselheiro Carlos César Quadros Pierre, Relator. Conheço do recurso, posto que tempestivo e com condições de admissibilidade. Resta em litígio a glosa da dedução efetuada na base de cálculo do IRPF, no período fiscalizado, a título de Pensão Alimentícia Judicial, pagas a exesposa e a filha do contribuinte. Entendeu a DRJ que o contribuinte havia comprovado o pagamento, mas não provou que tal pagamento se deu em virtude de determinação de decisão judicial ou acordo homologado judicialmente; in verbis: Compulsando os autos, especialmente os documentos acostados à impugnação, verificase que não foi acostada a Decisão Fl. 90DF CARF MF Impresso em 11/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/12/2013 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 11/12/2013 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 11/12/2013 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 22/12/2013 por TANIA MARA PASCHOALIN Processo nº 13116.002329/200815 Acórdão n.º 2801003.266 S2TE01 Fl. 91 4 Judicial ou o Acordo Homologado Judicialmente, mas tão somente a comprovação do pagamento (fl. 40). Assim, em face da ausência de requisito probatório essencial, exigido pela legislação tributária, há que se manter a glosa.(pág 64 dos autos) Quanto a dedução da pensão alimentícia, de acordo com a legislação, somente são dedutíveis as importâncias pagas a titulo de pensão alimentícia decorrentes de decisão judicial ou de acordo homologado judicialmente. Assim estabelece a legislação: art. 78 do Regulamento do Imposto de Renda — RIR199, aprovado pelo Decreto 3.000/99 Art. 78. Na determinação da base de cálculo sujeita a incidência mensal do imposto, poderá ser deduzida a importância paga a titulo de pensão alimentícia em face das normas do Direito de Família, quando em cumprimento de decisão judicial ou acordo homologado judicialmente, inclusive a prestação de alimentos provisionais (Lei n°9.250, de 1995, art. 4°, inciso II). Neste ponto, alertado pela DRJ da necessidade de provar que os pagamentos foram realizados em virtude de decisão ou acordo judicial, o contribuinte juntou decisão judicial na qual se homologa acordo em que se fixa a pensão para sua exesposa Evaniza Nepomuceno Cavalcanti, correspondente a 35% dos seus vencimentos, e para sua filha Cristina Nepomuceno de Araújo, correspondente a 35% dos seus vencimentos. Compulsando os autos, verifico que o comprovante de pagamento de folhas 40 dos autos informa o desconto em folha de valor correspondente a 70% dos vencimentos do contribuinte a título de pensão; justamente a soma dos percentuais determinados judicialmente. Assim, ante a existência de prova de que os pagamentos se deram em decorrência de acordo homologado judicialmente, deve ser restabelecida a dedução da pensão alimentícia declarada. Cabe ressaltar que, embora a autoridade lançadora e a DRJ não tenham se manifestado, a filha do recorrente tinha mais de 24 anos no ano de 2005. Contudo, entendo que tal fato não obsta a dedução declarada. Insta frisar que as disposições acerca de pensão alimentícia, mais precisamente aquelas estabelecidas no Código Civil, art. 1694 a 1710, não condicionam a fixação de alimentos à idade dos alimentandos, a separação dos cônjuges e nem mesmo limita o dever de pagar alimentos a cônjuges e pais, estendendoo aos ascendentes, descendentes, irmãos, enfim, aos parentes, contemplando uma noção abrangente de família para tal propósito. Por lógico, estabelece condições para que os alimentos sejam fixados pelo juiz, tais como a necessidade de quem pede e à capacidade do reclamado em suportálos. Importante observar, ainda, que a Lei nº. 9,250, de 1995, ao cuidar da dedução a título de pensão alimentícia, apenas estabeleceu: Fl. 91DF CARF MF Impresso em 11/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/12/2013 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 11/12/2013 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 11/12/2013 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 22/12/2013 por TANIA MARA PASCHOALIN Processo nº 13116.002329/200815 Acórdão n.º 2801003.266 S2TE01 Fl. 92 5 Art. 4º. Na determinação da base de cálculo sujeita à incidência mensal do imposto de renda poderão ser deduzidas: (...) II as importâncias pagas a título de pensão alimentícia em face das normas do Direito de Família, quando em cumprimento de decisão ou acordo judicial, inclusive a prestação de alimentos provisionais; III a quantia de R$ 117,00 (cento e dezessete reais) por dependente;(Redação dada pela Lei nº 11.119, de 25/05/2005) (...) Art. 8º A base de cálculo do imposto devido no anocalendário será a diferença entre as somas: (...) II das deduções relativas: (...) f) às importâncias pagas a título de pensão alimentícia em face das normas do Direito de Família, quando em cumprimento de decisão judicial ou acordo homologado judicialmente, inclusive a prestação de alimentos provisionais; (...) § 3º As despesas médicas e de educação dos alimentandos, quando realizadas pelo alimentante em virtude de cumprimento de decisão judicial ou de acordo homologado judicialmente, poderão ser deduzidas pelo alimentante na determinação da base de cálculo do imposto de renda na declaração, observado, no caso de despesas de educação, o limite previsto na alínea b do inciso II deste artigo.(grifos acrescidos) Observase que a Lei cuidou de estabelecer que as despesas com instrução dos alimentandos, quando arcadas pelo alimentante em decorrência de decisão judicial ou acordo homologado judicialmente, são dedutíveis no ajuste anual, em campo próprio, respeitandose o limite anual individual correspondente. No mais, limitouse a determinar que estava tratando das pensões pagas em face das normas do Direito de Família e condicionar à existência de acordo homologado judicialmente ou decisão judicial. Portanto, no caso, deve ser considerada a existência de acordo homologado judicialmente estabelecendo a obrigação do contribuinte de pagar alimentos à filha, perfeitamente compatível com as normas do Direito de Família. Assim, temos que o entendimento do poder judiciário transitado em julgado deve ser acatado pela administração pública. A decisão da ação judicial é soberana devendo ser cumprida pela administração nos seus exatos termos, sob pena de afronta ao princípio da legalidade e da hierarquia das normas, bem como ofensa à moralidade administrativa. Fl. 92DF CARF MF Impresso em 11/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/12/2013 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 11/12/2013 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 11/12/2013 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 22/12/2013 por TANIA MARA PASCHOALIN Processo nº 13116.002329/200815 Acórdão n.º 2801003.266 S2TE01 Fl. 93 6 É imperativo que a administração pública acate as ordens judiciais e cumpra a norma individual e concreta emanada do Poder Judiciário; pois a este poder foi outorgada a competência para interpretar a lei e dirimir as lides instauradas. Impende salientar que toda decisão judicial transitada em julgado é norma individual e concreta de caráter compulsório para a administração pública. Aliás, pela sistemática constitucional, todo ato jurídico, inclusive o administrativo, está sujeito ao controle do Poder Judiciário, sendo este, em relação à esfera administrativa, instância superior e autônoma. Superior, porque tem competência para revisar, cassar, anular ou confirmar o ato administrativo; e autônoma, porque o contribuinte não está obrigado a recorrer, antes, às instâncias administrativas, para ingressar em juízo. Logo, deve ser restabelecido o valor de R$46.598,08 declarado a título de pensão alimentícia judicial para a exesposa e para a filha do recorrente. Ante tudo acima exposto e o que mais constam nos autos, voto por dar provimento parcial ao recurso. Assinado digitalmente Carlos César Quadros Pierre Declaração de Voto Conselheiro Marcelo Vasconcelos de Almeida Permitome discordar do Ilustre Relator, Conselheiro Carlos César Quadros Pierre, pelos motivos que passo a expor. A pensão foi estipulada em favor da excônjuge do Recorrente, Sra. Evanizia Nepomuceno Cavalcanti, e de sua filha, Sra. Cristina Nepomuceno de Araújo (fls. 81/84 deste processo digital), no percentual de 35% do salário do Interessado para cada uma delas. A declaração de ajuste anual relativa ao exercício de 2006 (fls. 44/46) revela, no entanto, que foram deduzidos, a título de pensão alimentícia, valores cuja destinação se deu em favor dos seguintes beneficiários: Evanizia Nepomuceno Cavalcanti – R$ 46.598,08. Filomena Lopes Pitanga – R$ 3.400,00. Fl. 93DF CARF MF Impresso em 11/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/12/2013 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 11/12/2013 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 11/12/2013 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 22/12/2013 por TANIA MARA PASCHOALIN Processo nº 13116.002329/200815 Acórdão n.º 2801003.266 S2TE01 Fl. 94 7 A inexistência, nos autos, de sentença judicial ou acordo homologado judicialmente em relação à beneficiária Filomena Lopes Pitanga é, por si só, em meu entendimento, motivo suficiente à glosa de pensão alimentícia no valor de R$ 3.400,00. A outra parte glosada, no valor de R$ 46.598,08, representa 70,33% dos rendimentos do Recorrente, e deveria ter sido paga, nos termos do acordo judicial, à exesposa do Interessado e à sua filha, metade para cada uma. Ocorre que tal valor foi deduzido exclusivamente em nome da beneficiária Sra. Evanizia Nepomuceno Cavalcanti (fl. 45). À exceção da Sra. Filomena Lopes Pitanga, a excônjuge do Recorrente foi a única beneficiária de pensão alimentícia descontada dos Rendimentos do Recorrente. É o que comprova os “Comprovantes de Rendimentos Pagos e de Retenção na Fonte” acostados aos autos em fls. 6/8. Nesse contexto, entendo que o Interessado não poderia deduzir, em sua declaração de ajuste anual, o percentual de 70,33% de seus rendimentos, haja vista que destinados exclusivamente à sua exesposa, Sra. Evanizia Nepomuceno Cavalcanti. Em outras palavras: o percentual de 70,33% destinado à Sra. Evanizia Nepomuceno Cavalcanti está em descompasso com o percentual previsto no acordo judicial, que era de 35% dos rendimentos do Recorrente. Assim, penso que deve ser restabelecido, a título de pensão alimentícia, o valor de R$ 23.189,55, que corresponde a 35% dos rendimentos do Interessado (R$ 66.255,85 x 35% = R$ 23.189,55), valor este que está em consonância como o que foi definido no acordo homologado judicialmente. A parcela paga a mais, em meu entendimento, configura mera liberalidade do Interessado. Em face do exposto acima, entendo desnecessário tecer qualquer consideração acerca da (im) possibilidade de se deduzir pensão alimentícia paga a filhos maiores de idade, uma vez que, além de não ter sido deduzida qualquer parcela em nome da filha do Recorrente, Sra. Cristina Nepomuceno de Araújo, não foi colacionado aos autos qualquer documento que demonstre que a referida filha, maior de idade à época dos fatos, percebeu pensão alimentícia. Nesse cenário, peço vênia ao Ilustre Relator, Conselheiro Carlos César Quadros Pierre, e voto por dar provimento parcial ao recurso para restabelecer pensão alimentícia no valor de R$ R$ 23.189,55. Assinado digitalmente Marcelo Vasconcelos de Almeida Fl. 94DF CARF MF Impresso em 11/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/12/2013 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 11/12/2013 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 11/12/2013 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 22/12/2013 por TANIA MARA PASCHOALIN
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Numero do processo: 10410.901044/2009-27
Turma: Segunda Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Dec 03 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Mon Dec 30 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2001
DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. NÃO COMPROVAÇÃO DO DIREITO CREDITÓRIO.
A certeza e a liquidez do crédito são indispensáveis para a efetivação da compensação autorizada por lei. Ausentes estes requisitos, mantém-se a negativa em relação à compensação.
Numero da decisão: 1802-001.925
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Ester Marques Lins de Sousa- Presidente.
(assinado digitalmente)
José de Oliveira Ferraz Corrêa - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, José de Oliveira Ferraz Corrêa, Marciel Eder Costa, Nelso Kichel, Gustavo Junqueira Carneiro Leão e Marco Antonio Nunes Castilho.
Nome do relator: JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA
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NÃO COMPROVAÇÃO DO DIREITO CREDITÓRIO. A certeza e a liquidez do crédito são indispensáveis para a efetivação da compensação autorizada por lei. Ausentes estes requisitos, mantémse a negativa em relação à compensação. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa Presidente. (assinado digitalmente) José de Oliveira Ferraz Corrêa Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, José de Oliveira Ferraz Corrêa, Marciel Eder Costa, Nelso Kichel, Gustavo Junqueira Carneiro Leão e Marco Antonio Nunes Castilho. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 41 0. 90 10 44 /2 00 9- 27 Fl. 49DF CARF MF Impresso em 30/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/12/2013 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 13/12/2013 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 27/12/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10410.901044/200927 Acórdão n.º 1802001.925 S1TE02 Fl. 3 2 Relatório Tratase de recurso voluntário contra decisão da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Recife/PE, que manteve a negativa de homologação em relação a declaração de compensação apresentada pela Contribuinte, nos mesmos termos que já havia decidido anteriormente a Delegacia de origem. Os fatos que deram origem ao presente processo estão assim descritos no relatório da decisão recorrida, Acórdão nº 1135.792, às fls. 24 a 26: A interessada acima qualificada apresentou Declaração de Compensação — DCOMP de fls. 16/20, por meio da qual compensou crédito do Imposto de Renda Pessoa Jurídica IRPJ com débito de sua responsabilidade. O crédito informado, no valor de R$ 261,45, seria decorrente de pagamento indevido ou a maior do imposto apurado por estimativa em junho de 2001. 2. Através do despacho de fl. 08, emitido eletronicamente, a Delegacia da Receita Federal — DRF em Maceió identificou integral utilização anterior do pagamento para quitação de débito do IRPJ, em face do que não homologou a compensação declarada. 3. A interessada apresentou manifestação de inconformidade (fls. 01/02), afirmando que, em janeiro de 2001, pagou IRPJ no valor de R$ 760,77, apurado através de balanço mensal de redução. Alega que o valor foi recolhido indevidamente, pois teria encerrado o exercício com prejuízo. Pretende, assim, compensar o crédito com débito de estimativa apurado em exercício posterior. Sustenta desconhecer quais débitos motivaram a não homologação da compensação, requerendo que lhe sejam informadas a espécie e a competência do débito que foi alocado ao crédito por ela declarado. Como mencionado, a Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Recife/PE manteve a negativa em relação à compensação, expressando suas conclusões com a seguinte ementa: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2001 COMPENSAÇÃO. REQUISITOS. A certeza e a liquidez dos créditos são requisitos indispensáveis para a compensação autorizada por lei. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. UTILIZAÇÃO INTEGRAL. COMPENSAÇÃO NÃO HOMOLOGADA. Fl. 50DF CARF MF Impresso em 30/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/12/2013 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 13/12/2013 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 27/12/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10410.901044/200927 Acórdão n.º 1802001.925 S1TE02 Fl. 4 3 Mantémse o despacho decisório que não homologou a compensação quando constatado que o recolhimento indicado como fonte de crédito foi integralmente utilizado na quitação de débito confessado em DCTF. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Inconformada com essa decisão, da qual tomou ciência em 31/08/2012 (sextafeira), a Contribuinte apresentou recurso voluntário em 02/10/2012, com os argumentos descritos abaixo: DOS FATOS o contribuinte efetuou indevidamente em julho de 2001, pagamento de DARF no valor de R$ 760,77, relativo ao IRPJ apurado involuntariamente por Estimativa Mensal em junho de 2001, quando o seu Balancete de Suspensão do período apresentava saldo negativo da base de cálculo do Imposto de Renda, conforme demonstrado às Fichas1 e 3, Fichas11 Fls. 7,8,9 e 10, e ficha12A Fls. 11 de sua DIPJ/2002 (em anexo); por entender que o imposto era devido, declarou desnecessariamente em DCTF, motivo pelo qual o pagamento foi reconhecido como integralmente vinculado ao suposto débito pela DRF/Maceió; como o imposto declarado foi pago indevidamente, representando crédito fiscal em favor do contribuinte, este por sua vez apresentou Declaração de Compensação DCOMP para compensar débito do IRPJ apurado por estimativa mensal em julho de 2005, e involuntariamente no preenchimento do referido Pedido de Compensação, no campo "TIPO DE CRÉDITO" selecionou a opção "PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR" em lugar de "SALDO NEGATIVO DE IRPJ"; DO ESCLARECIMENTO o contribuinte reconhece que cometeu erro ao pagar em julho de 2001, o IRPJ apurado aleatoriamente no mês de junho quando o seu Balanço de Suspensão/Redução apresentava Saldo negativo; reconhece também que cometeu erro por declarar em DCTF o imposto pago, que não era devido; reconhece por fim ter cometido erro de digitação no momento da seleção da opção no campo "TIPO DE CRÉDITO" da DCOMP; DO DIREITO o contribuinte é optante do referido pagamento mensal previsto na Lei 9.430/1996, o qual utiliza uma base de calculo estimada, sendo devido o imposto sempre que o contribuinte gere receita. Porém, nos meses em que se pleiteia tal restituição, o contribuinte apresentou saldo fiscal negativo, desobrigandose, de acordo com os dispositivos legais, do pagamento do imposto; Fl. 51DF CARF MF Impresso em 30/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/12/2013 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 13/12/2013 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 27/12/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10410.901044/200927 Acórdão n.º 1802001.925 S1TE02 Fl. 5 4 logo, se o contribuinte não possui saldo positivo na apuração da receita bruta mensal, concluise pela desnecessidade de pagamento de tributo; DA OBRIGATORIEDADE DE UTILIZAÇÃO DA DECLARAÇÃO DE CONTRIBUIÇÕES E TRIBUTOS FEDERAIS – DCTF em virtude da obrigatoriedade de apresentação de DCTF, o contribuinte declarou a existência do imposto equivocadamente, o qual foi pago, consolidando o imposto, pago indevidamente, ao débito declarado; ressaltase que a DCTF vinculou o valor pago indevidamente ao débito presumido, como se confissão fosse, efetivando um equívoco inicial e retirando do contribuinte um credito que é seu por direito, suprimindoo ao pagamento de um imposto que não existiu; DO RESPALDO NA LEI N° 8.383/1991 E NO CÓDIGO TRIBUTÁRIO NACIONAL o simples fato de a DCTF ter vinculado os valores pagos equivocadamente a um tributo que não se devia, não faz nascer para a Fazenda Pública a garantia de permanecer com tais valores, consolidar o débito indevido e permanecer com tal decisão, denegando ao contribuinte o direito ao crédito compensatório; é tão verdade o direito do contribuinte que em decisão a um recurso voluntário interposto em caso similar ao caso em tela, a Seção do Conselho Administrativo De Recursos Fiscais do Distrito Federal, em julgado anterior, julgou procedente o referido recurso, confirmando o direito do contribuinte em reaver os valores efetuados de forma indevida, gerado em virtude de erro no preenchimento da DCTF; DA OFENSA AO PRINCÍPIO CONSTITUCIONAL DA VERDADE MATERIAL de acordo com o princípio constitucional da verdade material ou real, a Administração deve tomar decisões com base nos fatos tais como se apresentam na realidade, não se satisfazendo com a versão oferecida pelos sujeitos. Para tanto, tem o direito e o dever de carrear para o expediente todos os dados, informações, documentos a respeito da matéria tratada, sem estar jungida aos aspectos considerados pelos sujeitos; diante do exposto, mostrase ofendido tal princípio, tendo em vista que a documentação anexada ao pedido de inconformidade faz meio de prova material, tido como lícito e capaz de instruir o processo e levar o órgão decisório a têlo como base para seu referido acórdão; A CONCLUSÃO à vista de todo o exposto, demonstrada a improcedência da decisão recorrida, espera e requer a recorrente seja acolhido o presente recurso para o fim de assim ser decidido, cancelandose o débito fiscal reclamado. Este é o Relatório. Fl. 52DF CARF MF Impresso em 30/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/12/2013 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 13/12/2013 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 27/12/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10410.901044/200927 Acórdão n.º 1802001.925 S1TE02 Fl. 6 5 Voto Conselheiro José de Oliveira Ferraz Corrêa, Relator. O recurso é tempestivo e dotado dos pressupostos para a sua admissibilidade. Portanto, dele tomo conhecimento. A Contribuinte questiona decisão que não homologou declaração de compensação por ela apresentada em 31/03/2006 (fls. 18 a 22), na qual utiliza parte de um alegado crédito decorrente de “pagamento indevido” a título de estimativa de IRPJ referente ao mês de junho de 2001. O DARF gerador do crédito foi recolhido em 23/07/2001 e possui o valor de R$ 760,77. A compensação abrange débito de estimativa de IRPJ referente ao mês de julho de 2005. A negativa da Delegacia de origem se deu pelo argumento de que o referido pagamento de R$ 760,77 já havia sido integralmente utilizado para a quitação de débito da Contribuinte (declarado em DCTF), conforme consta do Despacho Decisório de fls. 10. A Contribuinte apresentou manifestação de inconformidade, informando que a referida estimativa havia sido recolhida indevidamente, porque teria encerrado o exercício com prejuízo. Sustentou ainda que desconhecia os débitos que motivaram a não homologação da compensação, solicitando que lhe fosse informado a espécie e a competência do débito que foi alocado ao crédito pleiteado. Na seqüência, a Delegacia de Julgamento (DRJ) manteve a negativa em relação à compensação, considerando que não estavam presentes os requisitos de certeza e liquidez para o reconhecimento do direito creditório, nos seguintes termos: [...] 5. Como se observa nos autos, a interessada efetuou, em julho de 2001, pagamento de DARF no valor de R$ 760,77, relativo ao IRPJ apurado por estimativa em junho de 2001. Por entender indevido ou a maior o pagamento, transmitiu a declaração ora em exame, por via da qual utilizou o suposto crédito para compensar débito do IRPJ apurado por estimativa em julho de 2005. 6. A DRF/Maceió constatou a existência do pagamento, todavia observou que o recolhimento fora integralmente vinculado ao próprio débito do IRPJ apurado por estimativa em junho de 2001, que, conforme declarado em DCTF, importou em R$ 760,77, o exato valor do pagamento efetuado pela empresa. Ressaltese que o referido débito está claramente indicado no despacho decisório, nele constando o valor, o código de receita e o período de apuração. Fl. 53DF CARF MF Impresso em 30/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/12/2013 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 13/12/2013 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 27/12/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10410.901044/200927 Acórdão n.º 1802001.925 S1TE02 Fl. 7 6 7. Em consulta ao banco de dados da Receita Federal, verifiquei que a contribuinte efetivamente apresentou DCTF em que fez constar haver apurado por estimativa, em junho de 2001, débito do IRPJ no valor de R$ 760,77, vinculandoo ao pagamento realizado através de DARF no mesmo montante (fl. 21). 8. Assim, não poderia a autoridade a quo reconhecer crédito algum para a interessada, dado que o valor recolhido já fora, ao tempo do decisório, integralmente alocado a débito regularmente confessado pelo sujeito passivo. E, não sendo líquido e certo o crédito contra a Fazenda Pública, não pode ser postulada sua compensação para extinguir débitos do sujeito passivo (art. 170 do Código Tributário Nacional CTN) . 9. Ante o exposto, voto por julgar improcedente a manifestação de inconformidade. Na primeira instância administrativa, a Contribuinte procurou comprovar o alegado direito creditório com a apresentação de folha do livro Razão onde estavam registrados os pagamentos de estimativa de IRPJ e de CSLL feitos ao longo do ano de 2001. Contudo, não haviam dúvidas sobre a existência do pagamento em questão, eis que o próprio despacho decisório já havia atestado esse fato, indicando o código de receita, o valor do DARF e a data de arrecadação. O mesmo despacho decisório também indicou precisamente o débito ao qual o pagamento estava vinculado, discriminando o valor do débito, o código de receita e o período de apuração, não havendo razão para que a Contribuinte alegasse desconhecimento do débito que motivou a não homologação da compensação. O referido débito, aliás, foi declarado em DCTF pela própria Contribuinte. Estas circunstâncias evidenciam que Contribuinte pouco contribuiu para o esclarecimentos dos fatos na primeira fase do processo. Desde o início, a controvérsia diz respeito à disponibilidade do recolhimento de estimativa, que a contribuinte alega como indevido ou a maior, e caberia a ela demonstrar a ocorrência de erro na informação prestada em DCTF. Quanto a isso, a Contribuinte simplesmente alegou na primeira instância administrativa que recolheu indevidamente estimativa de IRPJ, por ter apurado prejuízo fiscal. Ao proferir sua decisão, a Delegacia de Julgamento novamente tratou da falta de comprovação da certeza e liquidez do direito creditório, uma vez que a Contribuinte alegava ter realizado “pagamento indevido” de estimativa ao mesmo tempo em que havia confessado débito no valor do recolhimento. No que toca à comprovação de um indébito, é sempre importante lembrar que o processo administrativo fiscal não contém uma fase probatória específica, como ocorre, por exemplo, com o processo civil. Fl. 54DF CARF MF Impresso em 30/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/12/2013 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 13/12/2013 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 27/12/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10410.901044/200927 Acórdão n.º 1802001.925 S1TE02 Fl. 8 7 Especialmente nos processos iniciados pelo Contribuinte, como o aqui analisado, há toda uma dinâmica na apresentação de elementos de prova, uma vez que a Administração Tributária se manifesta sobre esses elementos quando profere os despachos e decisões com caráter terminativo, e não em decisões interlocutórias, de modo que não é incomum a carência de prova ser suprida nas instâncias seguintes. Como já mencionado, desde o início a controvérsia diz respeito à disponibilidade do recolhimento de estimativa, que a contribuinte alega como indevido ou a maior. Nessa fase recursal, a Contribuinte anexou cópias parciais de uma DIPJ retificadora (Fichas 11 e 12A), que registram sinteticamente valores negativos como base de cálculo de IRPJ nos meses de 2001. E segue alegando que apurou prejuízo nos meses de 2001 e que teria recolhido indevidamente as estimativas mensais. Não consta a data em que essa DIPJ retificadora foi apresentada. A Contribuinte também não procurou esclarecer a razão do erro no recolhimento das estimativas, informando apenas “que cometeu erro ao pagar em Julho de 2001, o IRPJ apurado aleatoriamente no mês de Junho de 2001 quando o seu Balanço de Suspensão/Redução apresentava Saldo negativo”. Além disso, não há nos autos demonstração da apuração do lucro real (LALUR), seja para os períodos mensais, seja para o período anual; não há balancetes mensais de suspensão/redução que a Contribuinte alegou possuir (e que tornariam a própria estimativa a maior ou indevida); não há sequer um demonstrativo de apuração do resultado anual, com as correspondentes receitas e despesas, ainda que de forma globalizada (DRE). Já foi destacado que o processo administrativo fiscal possui uma dinâmica própria no que toca à formação da prova, que em alguns casos a carência de prova pode ser suprida pelo contribuinte no desenrolar do processo, etc., mas, mesmo assim, o contribuinte deve realizar um esforço probatório mínimo no intuito de dar substância às suas alegações. Nesse sentido, vale registrar que de acordo com o art. 333, I, do Código de Processo Civil Brasileiro – CPC, “o ônus da prova incumbe ao autor, quanto ao fato constitutivo do seu direito”. No caso, os elementos dos autos não são suficientes nem mesmo para demonstrar a apuração de prejuízo no ano em questão, inviabilizando inclusive a restituição/ compensação da estimativa na forma de saldo negativo. A certeza e a liquidez do crédito são indispensáveis para a efetivação da compensação autorizada por lei. Ausentes estes requisitos, mantémse a negativa em relação à compensação. Fl. 55DF CARF MF Impresso em 30/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/12/2013 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 13/12/2013 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 27/12/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10410.901044/200927 Acórdão n.º 1802001.925 S1TE02 Fl. 9 8 Deste modo, voto no sentido de negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) José de Oliveira Ferraz Corrêa Fl. 56DF CARF MF Impresso em 30/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/12/2013 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 13/12/2013 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 27/12/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA
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Numero do processo: 11020.007706/2008-46
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Fri Sep 02 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Tue Jan 07 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 01/04/2005 a 30/06/2005
CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. APURAÇÃO MENSAL DOS CUSTOS DOS INSUMOS EMPREGADOS NOS PRODUTOS EXPORTADOS. LEIS Nº 9.363/96 E Nº 10.276/2001.
Nos termos das Leis nº 9.363/96 e nº 10.276/2001, e respectivo regulamentação, na determinação dos custos relativos à aquisição de insumos (MP, PI e ME), empregados no processo produtivo destinado à exportação, a ausência de apuração mensal dos estoques impede a quantificação dos insumos utilizados na fabricação dos produtos, impedindo também, por via de conseqüência, a determinação da base de cálculo do incentivo e a sua própria aplicação.
Recurso Improvido.
Numero da decisão: 3301-001.108
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado.
[assinado digitalmente]
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente.
[assinado digitalmente]
Antônio Lisboa Cardoso - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: José Adão Vitorino de Morais, Antônio Lisboa Cardoso (relator), Maurício Taveira e Silva, Fábio Luiz Nogueira, Maria Teresa Martínez López e Rodrigo da Costa Pôssas (presidente)
Nome do relator: ANTONIO LISBOA CARDOSO
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/04/2005 a 30/06/2005 CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. APURAÇÃO MENSAL DOS CUSTOS DOS INSUMOS EMPREGADOS NOS PRODUTOS EXPORTADOS. LEIS Nº 9.363/96 E Nº 10.276/2001. Nos termos das Leis nº 9.363/96 e nº 10.276/2001, e respectivo regulamentação, na determinação dos custos relativos à aquisição de insumos (MP, PI e ME), empregados no processo produtivo destinado à exportação, a ausência de apuração mensal dos estoques impede a quantificação dos insumos utilizados na fabricação dos produtos, impedindo também, por via de conseqüência, a determinação da base de cálculo do incentivo e a sua própria aplicação. Recurso Improvido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. [assinado digitalmente] Rodrigo da Costa Pôssas Presidente. [assinado digitalmente] Antônio Lisboa Cardoso Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: José Adão Vitorino de Morais, Antônio Lisboa Cardoso (relator), Maurício Taveira e Silva, Fábio Luiz Nogueira, Maria Teresa Martínez López e Rodrigo da Costa Pôssas (presidente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 02 0. 00 77 06 /2 00 8- 46 Fl. 75DF CARF MF Impresso em 07/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/10/2013 por ANTONIO LISBOA CARDOSO, Assinado digitalmente em 19/11/20 13 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 24/10/2013 por ANTONIO LISBOA CARDOSO 2 Relatório Cuidase de recurso voluntário em face do acórdão da DRJ de Porto Alegre, que indeferiu o pedido de ressarcimento de crédito presumido de IPI, nos termos da Lei nº 9.363 de 1996, com apuração feita segundo o método alternativo de que trata a Lei nº 10.276, de 2001, correspondente ao valor da Contribuição para o PIS/Pasep e da Contribuição para a Seguridade Social (Cofins), incidentes na aquisição de insumos empregados na industrialização de produtos exportados, referente ao período de apuração de 01/04/2005 a 30/06/2005, , requerido através do PER/DCOMP 24063.12116.100805.1.1.017019, sintetizado na ementa de fl. 57, in verbis: Acórdão 1030.233 3 a Turma da DRJ/POA Sessão de 10 de março de 2011 Processo 11020.007706/200846 Interessado CRACCO INDÚSTRIA E COMÉRCIO DE JÓIAS LTDA. Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados I P I Período de apuração: 01/04/2005 a 30/06/2005 CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. APURAÇÃO DOS CUSTOS DOS INSUMOS EMPREGADOS NOS PRODUTOS EXPORTADOS. I Para fruição do incentivo fiscal representado pelo crédito presumido de IPI, não basta a simples fabricação e exportação de produtos nacionais, devendo o beneficiário fornecer à autoridade administrativa todos os elementos comprobatórios do seu direito, consoante previsto na legislação. II A apuração do crédito presumido de IPI será feita mensalmente, considerando os custos das matériasprimas, dos produtos intermediários, dos materiais de embalagem e dos combustíveis utilizados no processo produtivo durante os respectivos meses de apuração. Manifestação de Inconformidade Improcedente. Direito Creditório Não Reconhecido De acordo com o voto condutor do acórdão recorrido, o contribuinte não efetuava levantamentos mensais de estoque para fins de apuração do crédito presumido, socorrendose da escrituração do livro Registro de Inventário feita no final do anocalendário para apurar os custos dos insumos empregados nos produtos exportados, o que não encontraria amparo nas normas específicas do crédito presumido, pelo que não poderia invocar as normas do IRPJ e CSLL para esquivarse de suas obrigações como contribuinte do IPI, e de demonstrar cabalmente a procedência de seu pedido, vez que é o maior interessado na solução da lide. Cientificada através do AR (fl. 63, em 04/04/2011), a interessada apresentou recurso voluntário em 26/04/2011, alegando, em síntese, que a falta da escrituração mensal dos Fl. 76DF CARF MF Impresso em 07/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/10/2013 por ANTONIO LISBOA CARDOSO, Assinado digitalmente em 19/11/20 13 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 24/10/2013 por ANTONIO LISBOA CARDOSO Processo nº 11020.007706/200846 Acórdão n.º 3301001.108 S3C3T1 Fl. 76 3 estoques, não impede nem inviabiliza a apuração precisa do crédito presumido de IPI, e que a falta de levantamento de estoques mensais, sem que tenha havido a utilização antecipada do crédito, via compensação, como é o caso presente, não interfere no valor final do benefício. Muito embora os períodos de apuração sejam mensais, com a possibilidade de formular pedidos de ressarcimento trimestrais, a legislação que rege o crédito presumido de IPI, exige que o cálculo seja efetuado, considerando as receitas decorrentes de vendas para o mercado interno e externo, acumuladas no ano. De igual modo, estabelece a legislação específica, que a base de cálculo do incentivo é o valor das aquisições das matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem, acumulados no anocalendário, nos termos do art. 10 da Instrução Normativa SRF n° 315, de 03 de abril de 2003 \ inverbis: Art. 10. Para efeito de determinação do crédito presumido correspondente a cada mês, o estabelecimento matriz da pessoa jurídica deverá: I apurar o total acumulado, desde o início do ano até o mês a que se referir o crédito, dos custos referidos no art. 6º; II apurar o fator a ser aplicado, de conformidade com o art. 7º, considerando os valores da receita operacional bruta, da receita de exportação e dos custos, acumulados desde o início do ano até o mês a que se referir o crédito; Noutras palavras, o cálculo do crédito presumido de IPI é efetuado, mês a mês. Todavia, o cálculo sofre ajustes durante todo o anocalendário, uma vez que é determinado com base nos valores acumulados da receita (mercado interno e externo) e dos insumos desde o início do anocalendário, até o mês de referência, tornandose, portanto, definitivo, somente no final de cada exercício. Assim, o benefício fiscal, no final do ano calendário, terá um único resultado, seja ele apurado considerando os estoques de insumos mês a mês ou considerando o estoque existente no início e no final do ano. Ou dito de outra forma, o resultado dos produtos não altera os fatores, ou ainda, existe mais de uma metodologia para se encontrar um mesmo resultado. Portanto, a falta de estoques mensais, desde que acompanhada do valor dos estoques no início e no final de cada anocalendário, não afeta o valor final do crédito presumido, já que a base de cálculo do incentivo é determinada pela equação: estoque inicial (Io de janeiro) + compras de todo o anocalendário estoque final (31 de dezembro). De sorte que a falta de levantamento de estoques mensais (intermediários), quando acompanhada da apresentação do estoque existente no início e no final de cada ano, não inviabiliza o cálculo do crédito presumido de IPI, nem interfere na determinação do valor final do benefício. É o relatório Voto Fl. 77DF CARF MF Impresso em 07/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/10/2013 por ANTONIO LISBOA CARDOSO, Assinado digitalmente em 19/11/20 13 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 24/10/2013 por ANTONIO LISBOA CARDOSO 4 Conselheiro ANTÔNIO LISBOA CARDOSO O recurso é tempestivo e encontrase revestido dos demais requisitos de admissibilidade, devendo o mesmo ser conhecido. Conforme relatado, no presente caso tratase de pedido de ressarcimento de IPI, como ressarcimento das contribuições de PIS e Cofins, nos termos das da Lei n° 9.363 de 1996, ou ainda apurado pelo método alternativo da Lei n° 10.276 de 2001. De acordo com o art. 1º da Lei nº 10.276, de 2001, a apuração do crédito presumido de IPI, destinado ao ressarcimento das contribuições PIS e Cofins incidentes nas aquisições de matérias primas, produtos intermediários e material de embalagem, empregados na fabricação de produtos exportados, deverá ser processado de acordo com o disposto em regulamento, nos seguintes termos: Art. 1º Alternativamente ao disposto na Lei nº 9.363, de 13 de dezembro de 1996, a pessoa jurídica produtora e exportadora de mercadorias nacionais para o exterior poderá determinar o valor do crédito presumido do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI), como ressarcimento relativo às contribuições para os Programas de Integração Social e de Formação do Patrimônio do Servidor Público (PIS/PASEP) e para a Seguridade Social (COFINS), de conformidade com o disposto em regulamento. (grifado). Por sua vez, dispõe a IN SRF nº 315, de 2003, em seu art. 15, que a apuração do referido credito presumido, deverá ocorrer, “em cada mês”, in verbis: Art. 15. A pessoa jurídica que não mantiver sistema de custos coordenado e integrado com a escrituração comercial ou a que, mesmo que mantenha tal sistema, não consiga efetuar os cálculos de que t r a ta o artigo 13, deverá apurar a quantidade de MP, PI, ME e combustíveis utilizados no processo industrial, em cada mês, somando a quantidade em estoque no início do mês com as quantidades adquiridas e diminuindo do total a soma das quantidades em estoque no final do mês, as saídas não aplicadas no processo industrial e as transferências. (grifado). Neste sentido já teve ocasião de decidir este colendo CARF, através do Acórdão n° 20310.681, in verbis: Destarte, a determinação de que a avaliação dos insumos seja feita pelo método PEPS não se constitui em irregularidade, mas apenas numa adequação a um sistema de custos não coordenado e não integrado com a escrituração comercial. A jurisprudência deste colegiado partilha desse entendimento: “Não mantendo a empresa sistema de contabilidade de custos integrado e coordenado com o restante da escrituração, a avaliação do estoque é feita pelo sistema PEPS (primeiro a entrar, primeiro a sair), de modo que os bens que deveriam estar no estoque são avaliados pelos preços mais recentes.” (Ac. 1° CC 10178.982/89) Fl. 78DF CARF MF Impresso em 07/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/10/2013 por ANTONIO LISBOA CARDOSO, Assinado digitalmente em 19/11/20 13 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 24/10/2013 por ANTONIO LISBOA CARDOSO Processo nº 11020.007706/200846 Acórdão n.º 3301001.108 S3C3T1 Fl. 77 5 Quanto à utilização do custo médio para avaliação dos estoques na ausência de um sistema de custo integrado e coordenado com a escrituração, manifestouse este Conselho: Para que possam ser avaliados pelo custo médio de estoques, de produtos acabados, é necessário manterse sistema de contabilidade de custos integrado e coordenado com o restante da escrituração, não se harmonizando com as disposições legais o uso da média aritmética anual, relativa ás aquisições e um exercício inteiro. (Ac. 1° CC 101 73.383/82). (grifado). No mesmo sentido merece ser transcrita a ementa do acórdão nº 20175.239, de relatoria do ilustre Conselheiro e ilustre Professor José Roberto Vieira, também mencionado no voto condutor do acórdão recorrido, in verbis: IPI. CRÉDITO PRESUMIDO EM RELAÇÃO ÀS EXPORTAÇÕES (LEI N° 9.363/96). MENSURAÇÃO DOS INSUMOS UTILIZADOS NO PROCESSO PRODUTIVO. As empresas que não mantêm sistema de custos coordenado e integrado com a escrituração comercial devem apurar a quantidade mensal de insumos utilizados na produção somando se a quantidade em estoque no inicio do mês com as quantidades adquiridas e diminuindose do total a soma das quantidades em estoque no final do mês, as saídas não aplicadas na produção e as transferências (artigo 3°, §§ 7° e 8°, da Portaria MF n° 38/97), hipótese em que a avaliação dos insumos utilizados na produção mensal será efetuada pelo método PEPS, que, neste caso, deixa de ser opcional para se tomar obrigatório. Recurso voluntário negado. De acordo com o voto condutor do referido acórdão citado, a ausência de apuração mensal dos estoques “...impede a quantificação dos insumos utilizados na fabricação dos produtos, impedindo também, por via de conseqüência, a determinação da base de cálculo do incentivo e a sua própria aplicação!” (grifado). Desta forma, considerando que a recorrente não procedeu em conformidade com as normas regulamentadoras fixadas pela RFB, para a apuração do crédito presumido, sobretudo, no que se refere à apuração mensal dos custos relativos a MP, PI, e ME, não há como ser atendido o pleito da Recorrente. Em face do exposto, voto no sentido de negar provimento ao recurso. Antônio Lisboa Cardoso Relator Fl. 79DF CARF MF Impresso em 07/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/10/2013 por ANTONIO LISBOA CARDOSO, Assinado digitalmente em 19/11/20 13 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 24/10/2013 por ANTONIO LISBOA CARDOSO 6 Fl. 80DF CARF MF Impresso em 07/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/10/2013 por ANTONIO LISBOA CARDOSO, Assinado digitalmente em 19/11/20 13 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 24/10/2013 por ANTONIO LISBOA CARDOSO
score : 1.0
Numero do processo: 10680.910382/2010-11
Turma: Primeira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Jan 30 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Mon Feb 24 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2004
PEDIDO DE COMPENSAÇÃO. ERRO DE FATO. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO DOS CRÉDITOS. COMPENSAÇÃO NÃO-HOMOLOGADA.
A prova do indébito tributário, fato jurídico a dar fundamento ao direito de repetição ou à compensação, compete ao sujeito passivo que teria efetuado o pagamento indevido ou maior que o devido.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 3801-002.789
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Flávio De Castro Pontes - Presidente.
(assinado digitalmente)
Marcos Antonio Borges - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flávio de Castro Pontes (Presidente), Paulo Sérgio Celani, Sidney Eduardo Stahl, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Marcos Antonio Borges e Paulo Antonio Caliendo Velloso da Silveira.
Nome do relator: MARCOS ANTONIO BORGES
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ERRO DE FATO. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO DOS CRÉDITOS. COMPENSAÇÃO NÃO HOMOLOGADA. A prova do indébito tributário, fato jurídico a dar fundamento ao direito de repetição ou à compensação, compete ao sujeito passivo que teria efetuado o pagamento indevido ou maior que o devido. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Flávio De Castro Pontes Presidente. (assinado digitalmente) Marcos Antonio Borges Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flávio de Castro Pontes (Presidente), Paulo Sérgio Celani, Sidney Eduardo Stahl, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Marcos Antonio Borges e Paulo Antonio Caliendo Velloso da Silveira. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 68 0. 91 03 82 /2 01 0- 11 Fl. 39DF CARF MF Impresso em 24/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 18/02/201 4 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 21/02/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10680.910382/201011 Acórdão n.º 3801002.789 S3TE01 Fl. 40 2 Relatório Adoto o relatório da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento, que narra bem os fatos: O presente processo trata de Manifestação de Inconformidade contra Despacho Decisório nº rastreamento 880511492 emitido eletronicamente em 06/09/10, fls. 7, referente ao PER/DCOMP nº 02903.43554.260107.1.3.040405 (doc. de fls. 1418). A Declaração de Compensação gerada pelo programa PER/DCOMP foi transmitida com o objetivo de ter reconhecido o direito creditório correspondente a COFINS – Código de Receita 2172, no valor original na data de transmissão de R$2.834,17, representado por Darf recolhido em 15/06/04 e de compensar o(s) débito(s) discriminado(s) no referido PER/DCOMP. De acordo com o Despacho Decisório a partir das características do DARF descrito no PER/DCOMP acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. Assim, diante da inexistência de crédito, a compensação declarada NÃO FOI HOMOLOGADA. Como enquadramento legal citouse: arts. 165 e 170, da Lei nº 5.172 de 25 de outubro de 1966 (Código Tributário Nacional CTN), art. 74 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996. DA MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE Cientificado do Despacho Decisório, o interessado apresenta manifestação de inconformidade (fl. 2), alegando que no período de 31/05/2004 o valor do imposto, código 2172 foi informado indevidamente através da DCTF de 13/08/2004; que o mesmo foi recolhido em 15/06/2004 no valor de R$ 3677,40; que posteriormente apurouse o valor correto de R$ 843,23, originando o crédito; que naquela época o contador não retificou a DCTF; que a empresa tentou retificar a DCTF, mas não obteve êxito. Requer a reavaliação do Despacho Decisório. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Belo Horizonte (MG) julgou improcedente a manifestação de inconformidade com base na seguinte ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Ano calendário: 2004 Fl. 40DF CARF MF Impresso em 24/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 18/02/201 4 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 21/02/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10680.910382/201011 Acórdão n.º 3801002.789 S3TE01 Fl. 41 3 PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. CRÉDITO NÃO COMPROVADO. Na falta de comprovação do pagamento indevido ou a maior, não há que se falar de crédito passível de compensação. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Inconformada, a contribuinte recorre a este Conselho, conforme recurso voluntário apresentado, no qual, alega, em síntese, que: · A Recorrente após verificação analítica em sua escrita fiscal percebeu que havia recolhido a maior valores devidos a título de contribuição para Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social COFINS. · Em momento algum do feito foi questionado pela Recorrida a existência do crédito, sua origem e legalidade. As decisões foram tomadas apenas com base no descumprimento de obrigação acessória.; · ausência de retificação da DCTF não retira do contribuinte o direito ao crédito, ele existe, e, em momento algum foi questionado. · A apropriação de créditos extemporâneos das contribuições ao Pis e a Cofins não pressupõe a retificação de obrigações acessórias e tampouco a observância do princípio jurídicocontábil da competência, o que implica afirmar que o entendimento adotado no r. acórdão não encontra respaldo legal. É o Relatório. Fl. 41DF CARF MF Impresso em 24/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 18/02/201 4 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 21/02/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10680.910382/201011 Acórdão n.º 3801002.789 S3TE01 Fl. 42 4 Voto Conselheiro Marcos Antonio Borges O recurso é tempestivo e atende aos demais pressupostos recursais, portanto dele tomase conhecimento. A recorrente sustenta que o seu direito creditório decorre da apuração da COFINS, do período de apuração de 31/05/2004, que teria sido paga a maior. Alega ainda que efetuou erroneamente o lançamento referente à esse débito na respectiva DCTF. O direito creditório não existiria, segundo o despacho decisório inicial e o acórdão de primeira instância, porque os pagamentos constantes do pedido estariam integralmente vinculados a débitos em DCTF e não teriam sido demonstradas a liquidez e a certeza dos indébitos. Por certo, na sistemática da análise dos PERDCOMPs de pagamento indevido ou a maior, na qual é feito um batimento entre o pagamento informado como indevido e sua situação no conta corrente – disponível ou não, não se está analisando efetivamente o mérito da questão, cuja análise somente será viável a partir da manifestação de inconformidade apresentada pelo requerente, na qual, esperase, seja descrita a origem do direito creditório pleiteado e sua fundamentação legal. A alegação de erro na apuração dos débitos que teriam dado ensejo ao crédito de pagamento indevido ou a maior não foi acompanhada na peça impugnatória da retificação da respectiva DCTF, instrumento de confissão de dívida, que a princípio estaria na esfera de responsabilidade do contribuinte. O entendimento predominante deste Colegiado é no sentido da prevalência da verdade material, sendo que a falta de apresentação de DCTF retificadora, por se tratar de prova indiciária, não excluiria o direito da recorrente à repetição do indébito, nos termos do art. 165 do CTN, caso acompanhado de documentos comprobatórios, o que inclusive poderia acarretar em eventual retificação de ofício. No entanto, o Recorrente não trouxe aos autos elementos suficientes para comprovar a origem do seu crédito ou que se pudesse ao menos considerar como prova indiciária. Não apresentou nenhuma prova do seu direito creditório, em especial, a escrituração fiscal e contábil do período de apuração em que se pleiteou o crédito. Se limitou, tãosomente, a argumentar que houve um erro de fato no preenchimento da DCTF original e que, por isso, faz jus ao reconhecimento do crédito. Para que se possa superar a questão de eventual erro de fato e analisar efetivamente o mérito da questão, deveriam estar presentes nos autos os elementos comprobatórios que pudéssemos considerar no mínimo como indícios de prova dos créditos alegados e necessários para que o julgador possa aferir a pertinência do crédito declarado, o que não se verifica no caso em tela. Fl. 42DF CARF MF Impresso em 24/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 18/02/201 4 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 21/02/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10680.910382/201011 Acórdão n.º 3801002.789 S3TE01 Fl. 43 5 No mais, considerandose que as informações prestadas na DCTF situamse na esfera de responsabilidade do próprio contribuinte, cabe a este demonstrar, mediante adequada instrução probatória dos autos, os fatos eventualmente favoráveis às suas pretensões. Em sede de restituição/compensação compete ao contribuinte o ônus da prova do fato constitutivo do seu direito, consoante a regra basilar extraída do Código de Processo Civil, artigo 333, inciso I. Assim, nos termos do artigo 170 do Código Tributário Nacional, falta ao crédito indicado pelo contribuinte certeza e liquidez, que são indispensáveis para a compensação pleiteada. Diante do exposto, voto no sentido de negar provimento ao Recurso Voluntário, para NÃO HOMOLOGAR o pedido de compensação. (assinado digitalmente) Marcos Antonio Borges Fl. 43DF CARF MF Impresso em 24/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 18/02/201 4 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 21/02/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES
score : 1.0
Numero do processo: 10882.910052/2011-22
Turma: Segunda Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Nov 26 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Thu Feb 20 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/08/2000 a 31/08/2000
PER/DCOMP. RESTITUIÇÃO. HOMOLOGAÇÃO TÁCITA IMPOSSIBILIDADE. PROVA DO CRÉDITO. ÔNUS DO SUJEITO PASSIVO.
Nos casos de PER/Dcomp transmitida visando a restituição ou ressarcimento de tributos, não há que se falar em homologação tácita por falta de previsão legal. Restituição e compensação se viabilizam por regimes distintos. Logo, o prazo estipulado no §5º, do art. 74, da Lei nº 9.430/1996 para a homologação tácita da declaração de compensação não é aplicável aos pedidos de ressarcimento ou restituição.
Recurso Voluntário Negado.
Direito Creditório Não Reconhecido.
Numero da decisão: 3802-002.192
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS - Presidente, em exercício.
(assinado digitalmente)
SOLON SEHN - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Francisco Jose Barroso Rios (Presidente em exercício), Mara Cristina Sifuentes, Solon Sehn, Waldir Navarro Bezerra, Bruno Mauricio Macedo Curi e Claudio Augusto Gonçalves Pereira.
Nome do relator: SOLON SEHN
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Período de apuração: 01/08/2000 a 31/08/2000 PER/DCOMP. RESTITUIÇÃO. HOMOLOGAÇÃO TÁCITA IMPOSSIBILIDADE. PROVA DO CRÉDITO. ÔNUS DO SUJEITO PASSIVO. Nos casos de PER/Dcomp transmitida visando a restituição ou ressarcimento de tributos, não há que se falar em homologação tácita por falta de previsão legal. Restituição e compensação se viabilizam por regimes distintos. Logo, o prazo estipulado no §5º, do art. 74, da Lei nº 9.430/1996 para a homologação tácita da declaração de compensação não é aplicável aos pedidos de ressarcimento ou restituição. Recurso Voluntário Negado. Direito Creditório Não Reconhecido.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS - Presidente, em exercício. (assinado digitalmente) SOLON SEHN - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Francisco Jose Barroso Rios (Presidente em exercício), Mara Cristina Sifuentes, Solon Sehn, Waldir Navarro Bezerra, Bruno Mauricio Macedo Curi e Claudio Augusto Gonçalves Pereira.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/08/2000 a 31/08/2000 PER/DCOMP. RESTITUIÇÃO. HOMOLOGAÇÃO TÁCITA IMPOSSIBILIDADE. PROVA DO CRÉDITO. ÔNUS DO SUJEITO PASSIVO. Nos casos de PER/Dcomp transmitida visando a restituição ou ressarcimento de tributos, não há que se falar em homologação tácita por falta de previsão legal. Restituição e compensação se viabilizam por regimes distintos. Logo, o prazo estipulado no §5º, do art. 74, da Lei nº 9.430/1996 para a homologação tácita da declaração de compensação não é aplicável aos pedidos de ressarcimento ou restituição. Recurso Voluntário Negado. Direito Creditório Não Reconhecido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS Presidente, em exercício. (assinado digitalmente) SOLON SEHN Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 2. 91 00 52 /2 01 1- 22 Fl. 43DF CARF MF Impresso em 20/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/02/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 06/02/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 19/02/2014 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Francisco Jose Barroso Rios (Presidente em exercício), Mara Cristina Sifuentes, Solon Sehn, Waldir Navarro Bezerra, Bruno Mauricio Macedo Curi e Claudio Augusto Gonçalves Pereira. Relatório Tratase de recurso voluntário interposto em face de decisão da 2ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Porto Alegre/RS, que julgou improcedente a manifestação de inconformidade apresentada pelo Recorrente, com base nos fundamentos resumidos na ementa seguinte (fls. 24): ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de Apuração: 01/08/2000 a 31/08/2000 Ementa: RESTITUIÇÃO. HOMOLOGAÇÃO TÁCITA. IMPOSSIBILIDADE. Sendo diferentes os regimes pelos quais a restituição e a compensação podem ou não ser viabilizadas, e por falta de previsão legal, o prazo estipulado no §5º, do art. 74, da Lei nº 9.430/1996 para a homologação tácita da declaração de compensação não é aplicável aos pedidos de ressarcimento ou restituição. RESTITUIÇÃO/COMPENSAÇÃO Direitos creditórios pleiteados via Declaração de Compensação Nos termos do artigo 170 do Código Tributário Nacional, essencial a comprovação da liquidez e certeza dos créditos para a efetivação do encontro de contas. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido O interessado apresentou o PER/Dcomp (Pedido Eletrônico de Restituição, Ressarcimento ou Reembolso e Declaração de Compensação), sem retificar a Dctf (Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais). Tal fato fez com que o pagamento continuasse atrelado à quitação do débito originário, inviabilizando a homologação da compensação. Por sua vez, o sujeito passivo apresentou manifestação de inconformidade alegando ter ocorrido a homologação tácita do pedido, devido ao decurso de cinco anos entre a apresentação do PER/Dcomp e a prolação do despacho decisório. A DRJ entendeu que o prazo estipulado no §5º, do art. 74, não seria aplicável aos pedidos de ressarcimento ou restituição, em decorrência da diversidade do regime jurídico da restituição e da compensação, bem como por ausência de previsão legal. O Recorrente, nas razões recursais de fls. 33, reitera a alegação de homologação tácita, requerendo o provimento do recurso voluntário e a consequente reforma da decisão recorrida. É o Relatório. Fl. 44DF CARF MF Impresso em 20/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/02/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 06/02/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 19/02/2014 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS Processo nº 10882.910052/201122 Acórdão n.º 3802002.192 S3TE02 Fl. 44 3 Voto Conselheiro Solon Sehn O Recorrente teve ciência da decisão no dia 29/04/2013 (fls. 31), interpondo recurso tempestivo em 15/05/2013 (fls. 33). Assim, presentes os demais requisitos de admissibilidade do Decreto no 70.235/1972, o mesmo pode ser conhecido. A Lei nº 10.637/2002, ao alterar o art. 74 da Lei nº 9.430/1996, teve por objetivo unificar o regime de compensação, extinguindo a compensação realizada na Dctf (Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais), na escrituração contábil ou condicionada ao deferimento de pedido administrativo. Todas essas modalidades foram substituídas pelo regime de autocompensação, que ressaltadas as contribuições previdenciárias compensadas na Gfip (Guia de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social) é aplicável aos tributos administrados pela Receita Federal. No regime da autocompensação, como se sabe, a extinção do crédito tributário é considerada tacitamente homologada após o decurso do prazo de cinco anos, nos termos do § 5º do art. 74 da Lei nº 9.430/1996: Art. 74. O sujeito passivo que apurar crédito, inclusive os judiciais com trânsito em julgado, relativo a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados por aquele Órgão. (Redação dada pela Lei nº 10.637, de 2002). § 1º A compensação de que trata o caput será efetuada mediante a entrega, pelo sujeito passivo, de declaração na qual constarão informações relativas aos créditos utilizados e aos respectivos débitos compensados.(Incluído pela Lei nº 10.637, de 2002) § 2º A compensação declarada à Secretaria da Receita Federal extingue o crédito tributário, sob condição resolutória de sua ulterior homologação. (Incluído pela Lei nº 10.637, de 2002) [...] § 5º O prazo para homologação da compensação declarada pelo sujeito passivo será de 5 (cinco) anos, contado da data da entrega da declaração de compensação. (Redação dada pela Lei nº 10.833, de 2003). Notase, portanto, que o prazo do §5º do art. 74 não é aplicável aos pedidos de ressarcimento ou restituição. O fato destes serem transmitidos pelo mesmo instrumento da declaração de compensação (o PER/Dcomp) não autoriza nem mesmo por analogia, como sustentou a Recorrente a aplicação do prazo de cinco anos para a homologação tácita, até porque, ao contrário do que ocorre na compensação, não haveria uma extinção do crédito tributário prévia a ser homologada. Votase, assim, pelo conhecimento e integral desprovimento do recurso. Fl. 45DF CARF MF Impresso em 20/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/02/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 06/02/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 19/02/2014 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS 4 (assinado digitalmente) Solon Sehn Relator Fl. 46DF CARF MF Impresso em 20/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/02/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 06/02/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 19/02/2014 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS
score : 1.0
Numero do processo: 11080.013629/2008-59
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Oct 17 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Thu Nov 21 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2005, 2006
OMISSÃO DE RENDIMENTOS - DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA - ARTIGO 42, DA LEI Nº. 9.430, de 1996
Caracteriza omissão de rendimentos a existência de valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações.
ILEGITIMIDADE PASSIVA
A titularidade dos depósitos bancários pertence às pessoas indicadas nos dados cadastrais, salvo quando comprovado com documentação hábil e idônea o uso da conta por terceiros (Súmula CARF no.32).
ÔNUS DA PROVA.
Se o ônus da prova, por presunção legal, é do contribuinte, cabe a ele a prova da origem dos recursos utilizados para acobertar seus acréscimos patrimoniais. A simples alegação em razões defensórias, por si só, é irrelevante como elemento de prova, necessitando para tanto seja acompanhada de documentação hábil e idônea para tanto.
Recurso negado.
Numero da decisão: 2202-002.513
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso.
(Assinado digitalmente)
Pedro Paulo Pereira Barbosa Presidente
(Assinado digitalmente)
Antonio Lopo Martinez Relator
Composição do colegiado: Participaram do presente julgamento os Conselheiros Antonio Lopo Martinez, Rafael Pandolfo, Marcio de Lacerda Martins (Suplente Convocado), Fabio Brun Goldschmidt, Pedro Anan Júnior e Pedro Paulo Pereira Barbosa.
Nome do relator: ANTONIO LOPO MARTINEZ
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2005, 2006 OMISSÃO DE RENDIMENTOS - DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA - ARTIGO 42, DA LEI Nº. 9.430, de 1996 Caracteriza omissão de rendimentos a existência de valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. ILEGITIMIDADE PASSIVA A titularidade dos depósitos bancários pertence às pessoas indicadas nos dados cadastrais, salvo quando comprovado com documentação hábil e idônea o uso da conta por terceiros (Súmula CARF no.32). ÔNUS DA PROVA. Se o ônus da prova, por presunção legal, é do contribuinte, cabe a ele a prova da origem dos recursos utilizados para acobertar seus acréscimos patrimoniais. A simples alegação em razões defensórias, por si só, é irrelevante como elemento de prova, necessitando para tanto seja acompanhada de documentação hábil e idônea para tanto. Recurso negado.
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ILEGITIMIDADE PASSIVA A titularidade dos depósitos bancários pertence às pessoas indicadas nos dados cadastrais, salvo quando comprovado com documentação hábil e idônea o uso da conta por terceiros (Súmula CARF no.32). ÔNUS DA PROVA. Se o ônus da prova, por presunção legal, é do contribuinte, cabe a ele a prova da origem dos recursos utilizados para acobertar seus acréscimos patrimoniais. A simples alegação em razões defensórias, por si só, é irrelevante como elemento de prova, necessitando para tanto seja acompanhada de documentação hábil e idônea para tanto. Recurso negado. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso. (Assinado digitalmente) Pedro Paulo Pereira Barbosa – Presidente (Assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 08 0. 01 36 29 /2 00 8- 59 Fl. 1381DF CARF MF Impresso em 21/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/11/2013 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 19/11/201 3 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 06/11/2013 por ANTONIO LOPO MARTINEZ 2 Antonio Lopo Martinez – Relator Composição do colegiado: Participaram do presente julgamento os Conselheiros Antonio Lopo Martinez, Rafael Pandolfo, Marcio de Lacerda Martins (Suplente Convocado), Fabio Brun Goldschmidt, Pedro Anan Júnior e Pedro Paulo Pereira Barbosa. Fl. 1382DF CARF MF Impresso em 21/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/11/2013 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 19/11/201 3 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 06/11/2013 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 11080.013629/200859 Acórdão n.º 2202002.513 S2C2T2 Fl. 3 3 Relatório Em desfavor da contribuinte, MARIA DA GRAÇA HINRICHSEN, foi autuada por omitir rendimentos caracterizados por depósitos bancários de origem não comprovada. A autuada, regularmente intimada, não comprovou com documentos hábeis e idôneos a origem dos recursos depositados em contas bancarias de sua titularidade. A autuação importou no montante de R$1.590.438,98 lançado de ofício a título de Imposto Suplementar (cód. 2904). A autuada apresentou impugnação ao AI em 24/12/2008 alegando: Como preliminar que não é parte legítima para figurar no passivo da obrigação visto que as movimentações eram feitas pelo cônjuge Pedro Sebastião Pereira Nunes. Aduz que os depósitos que deram origem ao AI são idênticos aos do AI nº 1010100.2008.010117 lavrado contra o cônjuge. Alega nulidade do AI por ter extrapolado o prazo fixado no Mandado de Procedimento Fiscal (120 dias), sem comunicação ao autuado. No mérito, alega que parte dos depósitos considerados no lançamento fiscal, são movimentações entre contas do mesmo titular e, portanto, não constituem rendimentos. Discorre sobre a presunção de omissão de receita cujo fundamento dá suporte ao lançamento para concluir que os depósitos bancários excedentes aos rendimentos declarados não configuram a existência de fato gerador do IRPF. Aduz que o artigo 42 da Lei nº 9.430/96 que considera os depósitos bancários, a priori, como omissão de receita foi revogado de forma tácita pelo § 4º do artigo 5º da Lei Complementar nº 105/2001. Questiona a constitucionalidade da presunção de receita através dos depósitos bancários de origem não comprovada sob alegação de que, no máximo, constituem indícios e não poderiam ser tomados como fatos geradores do IRPF. Conclui a impugnante que o AI não reflete a real movimentação financeira ocorrida, pois não excluiu as transferências entre contas do mesmo titular e entre o titular e seu cônjuge. Que o AI foi lançado em duplicidade pois considerou as mesma base para o lançamento do AI nº 1010100.2008.010125 e que a impugnante não é pólo passivo da obrigação tributária. É o relatório.A DRJ julga a impugnação improcedente, nos termos da ementa a seguir: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Período de apuração: 31/01/2004 a 31/12/2005 SUJEITO PASSIVO DA OBRIGAÇÃO TRIBUTÁRIA. Fl. 1383DF CARF MF Impresso em 21/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/11/2013 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 19/11/201 3 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 06/11/2013 por ANTONIO LOPO MARTINEZ 4 O sujeito passivo da obrigação tributária é o titular da disponibilidade econômica. No caso de omissão de rendimentos decorrentes de depósitos bancários de origens não comprovadas o sujeito passivo da obrigação é o titular da conta bancária e coresponsável no caso de contas conjuntas. MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL MPF NULIDADES. Não há nulidade do lançamento quando o prazo do MPF for extrapolado e o auto de infração houver sido constituído de acordo com o disposto na legislação vigente. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. LANÇAMENTO COM BASE EM DEPÓSITOS BANCÁRIOS. Para os fatos geradores ocorridos a partir de 1º de janeiro de 1997, o art. 42 da Lei nº 9.430, de 1996, autoriza a presunção legal de omissão de rendimentos com base em depósitos bancários de origem não comprovada pelo sujeito passivo. PRESUNÇÃO LEGAL. ÔNUS DA PROVA. Se o ônus da prova, por presunção legal, é do contribuinte, cabe a ele a prova da origem dos recursos utilizados para acobertar seus depósitos bancários, que não pode ser substituída por meras alegações. Excluídos parte dos depósitos bancários tendo em vista a comprovação da origem dos mesmos mediante documentação hábil e idônea. DECISÕES JUDICIAIS. As decisões judiciais, à exceção das proferidas pelo STF sobre a inconstitucionalidade das normas legais, não se constituem em normas gerais, razão pela qual seus julgados não se aproveitam em relação a qualquer outra ocorrência, senão àquela objeto da decisão. DA APLICAÇÃO DA LEGISLAÇÃO. CONSTITUCIONALIDADE. Não cabe à administração tributária manifesta rse sobre a constitucionalidade ou legalidade da norma, restringindose a aplicála no sentido literal, sob pena de responsabilidade funcional. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Intimado do acórdão proferido pela DRJ, a contribuinte interpôs recurso voluntário, onde reitera argumentos da impugnação. no que toca aos pontos principais, destacando os seguintes aspectos no final de seu recurso. que o lançamento se fez com base em presunção legal; que os depósitos ali lançados se referem a transferência de contas da mesma titular. Indica que não foi aplicada a Súmula CARF no, 61, que excluiria os depósitos de valores iguais ou inferiores a R$ 12000, cujo somatório não ultrapasse R$ 80.000,00 . que não houve identificação dos depósitos de forma individualizada. E que não foram excluídos os valores transferidos de conta poupança para conta corrente É o relatório. Fl. 1384DF CARF MF Impresso em 21/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/11/2013 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 19/11/201 3 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 06/11/2013 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 11080.013629/200859 Acórdão n.º 2202002.513 S2C2T2 Fl. 4 5 Voto Conselheiro Antonio Lopo Martinez, Relator Os recursos estão dotados dos pressupostos legais de admissibilidade devendo, portanto, ser conhecido. Da Presunção baseada em Depósitos Bancários O lançamento fundamentase em depósitos bancários. A presunção legal de omissão de rendimentos com base nos depósitos bancários está condicionada apenas à falta de comprovação da origem dos recursos que transitaram, em nome do sujeito passivo, em instituições financeiras, ou seja, pelo artigo 42 da Lei n° 9.430/1996, temse a autorização para considerar ocorrido o “fato gerador” quando o contribuinte não logra comprovar a origem dos créditos efetuados em sua conta bancária, não havendo a necessidade do fisco juntar qualquer outra prova. Via de regra, para alegar a ocorrência de “fato gerador”, a autoridade deve estar munida de provas. Mas, nas situações em que a lei presume a ocorrência do “fato gerador” (as chamadas presunções legais), a produção de tais provas é dispensada. Neste caso, ao Fisco cabe provar tãosomente o fato indiciário (depósitos bancários) e não o fato jurídico tributário (obtenção de rendimentos). No texto abaixo reproduzido, extraído de “Imposto sobre a Renda Pessoas Jurídicas” (JustecRJ; 1979:806), José Luiz Bulhões Pedreira sintetiza com muita clareza essa questão: O efeito prático da presunção legal é inverter o ônus da prova: invocandoa, a autoridade lançadora fica dispensada de provar, no caso concreto, que ao negócio jurídico com as características descritas na lei corresponde, efetivamente, o fato econômico que a lei presume cabendo ao contribuinte, para afastar a presunção (se é relativa) provar que o fato presumido não existe no caso. Assim, o comando estabelecido pelo art. 42 da Lei nº 9430/1996 cuida de presunção relativa (juris tantum) que admite a prova em contrário, cabendo, pois, ao sujeito passivo a sua produção. Nesse passo, como a natureza nãotributável dos depósitos não foi comprovada pelo contribuinte, estes foram presumidos como rendimentos. Assim, deve ser mantido o lançamento. Antes de tudo cumpre salientar que a presunção não foi estabelecida pelo Fisco e sim pelo art. 42 da Lei n° 9.430/1996. Tal dispositivo outorgou ao Fisco o seguinte poder: se provar o fato indiciário (depósitos bancários não comprovados), restará demonstrado o fato jurídico tributário do imposto de renda (obtenção de rendimentos). Assim, não cabe ao julgador discutir se tal presunção é equivocada ou não, pois se encontra totalmente vinculado aos ditames legais (art. 116, inc. III, da Lei n.º 8.112/1990), mormente quando do exercício do controle de legalidade do lançamento tributário (art. 142 do Código Tributário Nacional CTN). Nesse passo, não é dado apreciar questões que importem a negação de vigência e eficácia do preceito legal que, de modo inequívoco, estabelece a presunção legal de omissão de receita ou de rendimento sobre os valores Fl. 1385DF CARF MF Impresso em 21/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/11/2013 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 19/11/201 3 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 06/11/2013 por ANTONIO LOPO MARTINEZ 6 creditados em conta de depósito mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações (art. 42, caput, da Lei n.º 9.430/1996). É inadmissível aceitar alegações quando desacompanhadas de provas. Assim, a ocorrência do fato gerador decorre, no presente caso, da presunção legal estabelecida no art. 42 da Lei n° 9.430/1996. Verificada a ocorrência de depósitos bancários cuja origem não foi devidamente comprovada pelo contribuinte, é certa também a ocorrência de omissão de rendimentos à tributação, cabendo ao contribuinte o ônus de provar a irrealidade das imputações feitas. Ausentes esses elementos de prova, resulta procedente o feito fiscal em nome do contribuinte. Notase portanto a coerência do arrazoado da autoridade recorrida, afastando os argumentos que o recorrente suscitou na impugnação e que agora no recurso reitera mais uma vez. Ainda que o recorrente tenha argumentado que a origem dos recursos seriam de atividades do cônjuge, cabe ao recorrente demonstrar o que alega. Se o ônus da prova, por presunção legal, é do contribuinte, cabe a ele a prova da origem dos recursos utilizados para acobertar seus acréscimos patrimoniais. Súmula CARF nº 26: A presunção estabelecida no art. 42 da Lei nº 9.430/96 dispensa o Fisco de comprovar o consumo da renda representada pelos depósitos bancários sem origem comprovada. Dos Argumentos no Recurso Da Transferência de Recurso de Mesma titularidade A recorrente questiona que a autoridade deveria considerar todo os depósitos indicados com sendo originados de outra conta de sua titularidade. Entendo que esse procedimento não se compatibiliza com a natureza do tipo de lançamento de depósitos bancários. Onde todos os valores devem ser individualizamente. comprovados. Caberia a recorrente apontar os caso em que houvesse essa duplicidade. Dos depósitos até R$ 12.000,00 A Súmula CARF no, 61, que excluiria os depósitos de valores iguas oiu inferiores a R$ 12000, cujo somatório não ultrapasse R$ 80.000,00, não se aplica a recorrente pois existe uma grande quantidade superir a R$ 80.000, de depósitos com valor menor que R$ 12.000. Desse modo não há como excluir qualquer valor. Da identificação dos depósitos de forma individualizada. Nos autos se identifica claramente quais são os depósitos lançados. Das Provas Apresentadas É oportuno para o caso concreto, recordar a lição de MOACYR AMARAL DOS SANTOS: “Provar é convencer o espírito da verdade respeitante a alguma coisa.” Ainda, entende aquele mestre que, subjetivamente, prova ‘é aquela que se forma no espírito do juiz, seu principal destinatário, quanto à verdade deste fato”. Já no campo objetivo, as provas “são meios destinados a fornecer ao juiz o conhecimento da verdade dos fatos deduzidos em juízo.” Fl. 1386DF CARF MF Impresso em 21/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/11/2013 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 19/11/201 3 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 06/11/2013 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 11080.013629/200859 Acórdão n.º 2202002.513 S2C2T2 Fl. 5 7 Assim, consoante MOACYR AMARAL DOS SANTOS, a prova teria: a) um objeto são os fatos da causa, ou seja, os fatos deduzidos pelas partes como fundamento da ação; b) uma finalidade a formação da convicção de alguém quanto à existência dos fatos da causa; c) um destinatário o juiz. As afirmações de fatos, feitas pelos litigantes, dirigemse ao juiz, que precisa e quer saber a verdade quanto aos mesmos. Para esse fim é que se produz a prova, na qual o juiz irá formar a sua convicção. Podese então dizer que a prova jurídica é aquela produzida para fins de apresentar subsídios para uma tomada de decisão por quem de direito. Não basta, pois, apenas demonstrar os elementos que indicam a ocorrência de um fato nos moldes descritos pelo emissor da prova, é necessário que a pessoa que demonstre a prova apresente algo mais, que transmita sentimentos positivos a quem tem o poder de decidir, no sentido de enfatizar que a sua linguagem é a que mais aproxima do que efetivamente ocorreu. A recorrente apresenta argumentos verossímeis, entretanto não logrou comprovar individualizadamente os depósitos realizados, caberia a mesma apresentar provas conclusiva que firmassem a convicção no julgador. Ademais, cabe a recorrente por força da presunção legal, compete a ela provar a natureza especifica de cada depósitos, na medida em que, ninguém melhor do que ela própria trazer o comprovante de cada depósito. Dessa forma, cabe a máxima de que “allegatio et non probatio, quase non allegatio” (alegar e não provar é quase não alegar). Ante ao exposto, voto por negar provimento ao recurso. (Assinado digitalmente) Antonio Lopo Martinez Fl. 1387DF CARF MF Impresso em 21/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/11/2013 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 19/11/201 3 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 06/11/2013 por ANTONIO LOPO MARTINEZ
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Numero do processo: 10865.003928/2009-76
Turma: Primeira Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Mon Feb 13 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Thu Feb 20 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2005, 2006
Arbitramento. Hipóteses Legais.
A não escrituração dos livros contábeis a que se sujeita o contribuinte acarreta o arbitramento consoante previsto no artigo 530 e incisos do Regulamento do Imposto de Renda vigente - RIR/99 (Decreto nº 3.000/99). Todavia, não prescinde o arbitramento de prévia intimação fiscal para que a contribuinte apresente a contabilidade completa, sendo-lhe, desta forma, facultado escriturá-la retroativamente.
Tributação Reflexa.
O decidido em relação à tributação do IRPJ deve acompanhar as autuações reflexas de PIS, COFINS e CSLL.
Numero da decisão: 1801-001.873
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da Relatora.
(assinado digitalmente)
Ana de Barros Fernandes Presidente e Relatora
Participaram da sessão de julgamento, os Conselheiros: Maria de Lourdes Ramirez, Alexandre Fernandes Limiro, Carmen Ferreira Saraiva, Leonardo Mendonça Marques, Fernando Daniel de Moura Fonseca e Ana de Barros Fernandes.
Nome do relator: ANA DE BARROS FERNANDES
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HIPÓTESES LEGAIS. A não escrituração dos livros contábeis a que se sujeita o contribuinte acarreta o arbitramento consoante previsto no artigo 530 e incisos do Regulamento do Imposto de Renda vigente RIR/99 (Decreto nº 3.000/99). Todavia, não prescinde o arbitramento de prévia intimação fiscal para que a contribuinte apresente a contabilidade completa, sendolhe, desta forma, facultado escriturála retroativamente. TRIBUTAÇÃO REFLEXA. O decidido em relação à tributação do IRPJ deve acompanhar as autuações reflexas de PIS, COFINS e CSLL. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da Relatora. (assinado digitalmente) Ana de Barros Fernandes – Presidente e Relatora Participaram da sessão de julgamento, os Conselheiros: Maria de Lourdes Ramirez, Alexandre Fernandes Limiro, Carmen Ferreira Saraiva, Leonardo Mendonça Marques, Fernando Daniel de Moura Fonseca e Ana de Barros Fernandes. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 86 5. 00 39 28 /2 00 9- 76 Fl. 538DF CARF MF Impresso em 20/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2014 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 18/02/2 014 por ANA DE BARROS FERNANDES 2 Relatório A empresa recorre do Acórdão nº 0125.058/12 exarado pela PrimeiraTurma de Julgamento da DRJ em Belém/PA, fls. 477 a 491, que decidiu julgar procedente em parte o lançamento tributário consubstanciado no Auto de Infração lavrado para a exigência de IRPJ, CSLL, PIS e Cofins, relativos aos anoscalendários de 2005 e 2006, por ausência de apresentação de livros fiscais e Caixa, ensejando o lançamento tributário com fulcro no artigo 42 da Lei nº 9.430/96, que trata de presunção de omissão de receitas, evidenciada em créditos bancários. O acórdão restou assim ementado: PRESUNÇÃO JURIS TANTUM. INVERSÃO DO ÔNUS DA PROVA. FATO INDICIÁRIO. FATO JURÍDICO TRIBUTÁRIO. A presunção legal juris tantum inverte o ônus da prova. Nesse caso, a autoridade lançadora fica dispensada de provar que o depósito bancário não comprovado (fato indiciário) corresponde, efetivamente, ao auferimento de rendimentos (fato jurídico tributário), nos termos do art. 334, IV, do Código de Processo Civil. Cabe ao contribuinte provar que o fato presumido não existiu na situação concreta. EXCLUSÃO DO SIMPLES. RECURSO. EFEITOS. O recurso contra o ato executivo que exclui o contribuinte do SIMPLES não tem efeito suspensivo, apenas devolve o objeto de litígio para ser apreciado em outra instância do contencioso administrativo. EXCLUSÃO DO SIMPLES. EFEITOS. ESCRITURAÇÃO. A pessoa jurídica excluída do SIMPLES se submete às normas de tributação aplicáveis às demais pessoas jurídicas, a partir do período em que se processarem os efeitos da exclusão. ARBITRAMENTO DO LUCRO. ATO VINCULADO. O arbitramento do lucro do contribuinte, nas hipóteses de que fala o art. 47 da Lei n° 8.981/95, é ato vinculado da administração tributária, devendo ser fielmente seguida pela autoridade administrativa, mormente quando do exercício do lançamento tributário, sob pena de responsabilidade funcional. ARBITRAMENTO DO LUCRO. AUSÊNCIA DO LIVRO CAIXA. O arbitramento do lucro é medida necessária quando o contribuinte, sob intimação, não apresenta os livros exigidos para apuração do lucro real ou presumido, conforme o caso. OMISSÃO DE RECEITA. DEPÓSITO BANCÁRIO. REGIME DE APURAÇÃO. A receita omitida, caracterizada pelo depósito bancário de origem não comprovada, deve ser apurada segundo o regime de caixa. Aproveito trechos do relatório e voto do aresto vergastado para historiar os fatos: “[...] Fl. 539DF CARF MF Impresso em 20/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2014 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 18/02/2 014 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10865.003928/200976 Acórdão n.º 1801001.873 S1TE01 Fl. 3 3 De acordo com os fatos narrados pela autoridade lançadora, o sujeito passivo incorreu na infração de omissão de receitas, caracterizada por depósitos de origem não comprovada, com reflexo no IRPJ, CSLL, PIS e COFINS. Há ainda o lançamento de IRPJ e CSLL sobre a receita declarada. O lucro do contribuinte foi arbitrado em razão da falta de apresentação dos livros e documentos da escrituração. Para justificar a exação, a autoridade lançadora assevera que: [...] Devido à movimentação expressiva nos anos calendários de 2005 e 2006, foi requisitada a ampliação do MPF para esse período. [...] foi realizada a intimação fiscal de 29/07/2009 (fl. ), que solicitou os extratos bancários das contascorrentes e de poupança desses anos, bem como, a comprovação através de documentação idônea da(s) origem(ens) dos depósitos realizados nessas contas durante esses anos (fl. ). [...] Em 02/10/2009, o Contribuinte foi reintimado a comprovar através de documentação adequada a(s) origem(ens) das diferenças entre os depósitos e as receitas já declaradas no Simples nos anoscalendários de 2005 e 2006 (fl. ), conforme planilha anexada. [...] O sujeito passivo tomou ciência do lançamento em 15/12/2009 (fls. 439) e apresentou sua impugnação em 13/01/2010 (fls. 441463), na qual alegou em síntese que: Do arbitramento do lucro 1. O arbitramento do lucro, por desclassificação da escrita contábil, só é aplicável quando o contribuinte, intimado a regularizar sua escrita, não o faz. O que não ocorreu; 2. O inciso apontado como base para o arbitramento remete ao art. 527 do RIR, que traz uma série de obrigações à pessoa jurídica optante pelo lucro presumido. Entretanto, não estava obrigado à escrituração comercial neste regime de tributação; 3. Todos os documentos de escrituração obrigatória foram postos à disposição da autoridade fiscal; 4. Nos termos do art. 1 ° da Lei n° 9.317/96 estaria dispensada da escrituração dos livros e documentos comerciais e fiscais, ou o Livro Caixa; 5. O arbitramento foi determinado com base na receita bruta conhecida; 6. A receita dos depósitos bancários, sem origem comprovada, não pode ser considerada como receita bruta conhecida, por afronta ao art. 224 do RIR; 7. O método utilizado deveria seguir o art. 535 do RIR; 8. Não cabe a adoção do regime de caixa para o reconhecimento de receita no lucro arbitrado; Fl. 540DF CARF MF Impresso em 20/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2014 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 18/02/2 014 por ANA DE BARROS FERNANDES 4 Do crédito tributário 9. O crédito tributário deve gozar da presunção de certeza e liquidez; 10. Não consta nenhuma lista/planilha anexa aos autos de infração, para que possa servir de base para comprovar a iliquidez e incerteza das exigências lançadas; 11. O demonstrativo apresentado pela autoridade fiscalizadora, como base para o lançamento, apresenta inconsistências suficientes para macular o lançamento, a exemplo dos valores registrados na tabela às folhas 452453; 12. Não há como prosperar a exigência de créditos tributários, vez que não é possível determinar com segurança o montante apurado pela fiscalização; Da omissão de receita 13. Deve ser considerado como optante do SIMPLES, pois os atos que levaram à sua exclusão dessa sistemática ainda não foram definitivamente julgados nos autos do processo n° 10865.001694/200922; 14. Na forma do art. 18 da Lei n° 9.317/96, a presunção de que trata o art. 42 da Lei n° 9.430/96 não poderia ser aplicada ao caso concreto, porque: a. A Lei n° 9.430/96l não estava em vigor na época da edição da Lei n° 9.317/96; b. A apuração se deu com base exclusiva nos extratos bancários; 15. O § 3° do art. 11 da Lei n° 9.311/96 vedava a utilização dos registros da CPMF para a constituição do crédito tributário relativo a outros tributos; 16. Os depósitos bancários foram originados das vendas de frutas, verduras, raízes, tubérculos, hortaliças e legumes frescos, que eram pagos em 40 dias do fechamento da semana, algumas vezes com desconto de 5%; 17. A apresentou à fiscalização cópias de algumas notas fiscais, acompanhadas dos relatórios de cobrança, colocando à disposição todo o talonário de notas, que nunca foi solicitado; 18. O demonstrativo elaborado pela fiscalização não traduz a real movimentação financeira da recorrente. Desta forma, não pode ser obrigado a comprovar créditos que não existem; 19. Os depósitos bancários não materializam o fato gerador do imposto de renda; Do lançamento reflexo 20. As objeções trazidas para a tributação do IRPJ devem ser consideradas oponíveis aos autos de infração lavrados por via reflexa; Da taxa SELIC 21. Não se aplicam as taxas de juros SELIC sobre a multa de ofício. [...] Voto [...] Fl. 541DF CARF MF Impresso em 20/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2014 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 18/02/2 014 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10865.003928/200976 Acórdão n.º 1801001.873 S1TE01 Fl. 4 5 Os créditos apurados neste processo possuem duas origens: a omissão de receita, caracterizada por depósitos bancários de origem não comprovada; e a exclusão do contribuinte do SIMPLES, com o consequente arbitramento do lucro. [...] A presunção de omissão de receita de que trata o art. 42 da Lei n° 9.430/96 passou a produzir efeitos a partir de 01/01/1997, data que foi possibilitada a apuração dos tributos federais com base no SIMPLES. De efeito, nos termos do art. 18 da Lei n° 9.317/96, desde os primórdios da utilização da sistemática do SIMPLES, já era possível utilização da presunção estabelecida pelo art 42 da lei n° 9.430/96. E ainda na hipótese de concepção da infração em momento posterior à criação do SIMPLES, seria também possível a aplicação aos fatos geradores posteriores. É que a eficácia da lei material é imediata em relação a fatos geradores futuros, respeitadas as garantias da anterioridade (art. 150, III, "b", e 195, §6°, CF/88). No caso concreto, os créditos tributários têm fatos geradores ocorridos em 2005 e 2006. Portanto, legítim a a aplicabilidadedo art. 42 da lei n° 9.430/96. [...] No que se refere à sistemática de apuração dos tributos, a recorrente alega que deveria ser considerada como optante do SIMPLES, pois os atos que levaram à sua exclusão do SIMPLES ainda não foram definitivamente julgados. Ocorre que, o recurso contra ato executivo que exclui o contribuinte do SIMPLES não tem efeito suspensivo, apenas devolve o objeto de litígio para ser apreciado em outra instância do contencioso administrativo. Diferentemente do que ocorre com os recursos contra a exigência do crédito tributário, onde, por expressa disposição legal (art. 151, III, CTN), há suspensão da exigibilidade do crédito tributário até a extinção do processo administrativo. Em decorrência do ato de exclusão do SIMPLES, a recorrente passou a se sujeitar, a partir do período em que se processarem os efeitos da exclusão, às normas de tributação aplicáveis às demais pessoas jurídicas (art. 16, Lei n° 9317/96). [...] A partir do período em que a exclusão do SIMPLES começou a produzir efeitos, a recorrente também passou a se submeter às normas de tributação aplicáveis às demais pessoas jurídicas (art. 16, Lei n° 9317/96). Por conseguinte, ficou obrigada a elaborar a escrituração contábil e fiscal exigida para os contribuintes submetidos ao lucro real, ou a exigida para o lucro presumido, se houvesse essa opção. A fiscalização alega que o arbitramento se deu em razão de "o contribuinte notificado a apresentar os livros e documentos da sua escrituração, conforme Termo de Início de Fiscalização e termo(s) de intimação em anexo, deixou de apresentálos''", na forma do art. 50, III, do RIR/99. [...] A norma procedimental, que autoriza o arbitramento do lucro (art. 530, RIR/99), não exige, como requisito do arbitramento, que o contribuinte seja intimado a refazer sua escrita contábil, mas apenas que seja intimado a apresentála. [...]” Fl. 542DF CARF MF Impresso em 20/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2014 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 18/02/2 014 por ANA DE BARROS FERNANDES 6 A empresa interpôs tempestivamente1 o Recurso de e fls. 498 a 534, reiterando os termos da defesa exordial. É o suficiente para o relatório. Passo ao voto. 1 Edital – 08/08/12, efls. 497; Recurso – 06/09/12,efls. 498 Voto Conselheira Ana de Barros Fernandes, Relatora Conheço do recurso interposto, por tempestivo. De plano, verifico dos autos que a recorrente não foi, com efeito, intimada a apresentar a contabilidade completa, ponto suscitado pela recorrente e que deve ser analisado previamente. Por ser optante do regime de tributação favorecido, diferenciado e simplificado do Simples (antes de ser excluída), a fiscalização restringiuse a intimála a apresentar os Livros de Registro de Saídas, Registro de Entradas e Caixa, relativos ao ano calendário de 2004. Nos presentes autos, consoante noticia a própria descrição dos fatos inserida no bojo do Auto de Infração, fls. 04 e 05, assim se pronunciou a autoridade fiscal: “Em cumprimento ao MPF n° 08112.2008.01022, foram iniciados os procedimentos de auditoria através da ciência ao Termo de Inicio de Fiscalização em 30/12/2008(fl. ). Nele, foram requisitados os documentos inicialmente necessários para a verificação da movimentação financeira do Contribuinte no anocalendário de 2004, o que resultou no lançamento de oficio dos créditos tributários decorrentes das receitas não declaradas no SIMPLES durante o A/C de 2004, cujo processo administrativo é de n°: 10865.001694/200922. Devido à movimentação expressiva nos anos calendários de 2005 e 2006, foi requisitada a ampliação do MPF para esse período. Sendo assim, estaremos descrevendo os fatos e lançando no presente auto de infração, os créditos decorrentes do que ocorreu nos anos de 2005 e 2006. Para isso, foi realizada a intimação fiscal de 29/07/2009 (fl.), que solicitou os extratos bancários das contas correntes e de poupança desses anos, bem como, a comprovação através de documentação idônea da(s) origem(ens) dos depósitos realizados nessas contas durante esses anos (fl. ).” No Termo de Intimação Fiscal de fls. 53, a autoridade fiscal restringese a exigir a apresentação dos extratos bancários de várias contas correntes da recorrente, bem como apresentar documentos que comprovem a origem dos recursos que ingressaram nas contas, relativamente aos anoscalendários de 2005 e 2006. Fl. 543DF CARF MF Impresso em 20/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2014 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 18/02/2 014 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10865.003928/200976 Acórdão n.º 1801001.873 S1TE01 Fl. 5 7 Nos autos nº 10865.001694/200922 verificase, às efls. 203, que consta no Termo de Início de Fiscalização, lavrado contra a recorrente, a solicitação dos seguintes documentos: “1) cópia do Contrato Social e todas alterações até então. 2) Extratos das movimentações financeiras, cópia da ficha cadastral e cartão de assinatura de suas contascorrentes e poupanças nos bancos: BANCO DO BRASIL, HSBC BANK BRASIL, BANCO MERCANTIL DO BRASIL, BANCO ABN AMRO REAL e NOSSACAIXA. Período de interesse: anocalendário de 2004. 3) Os Livros Registro de Entradas, Saldas e Caixa do período acima referenciado. 4) Comprovação através de documentação hábil e fidedigna da origem dos valores movimentados nas contascorrentes dos bancos supracitados.” E há a ressalva, neste Termo, que a empresa era optante do Simples, na ocasião. Este fato a dispensava da obrigação de apresentar a contabilidade completa, com exceção dos Livros Fiscais e Caixa, com toda a movimentação financeira devidamente escriturada. Por esta razão, a contabilidade completa não foi solicitada pela fiscalização quando lavrou o Termo de Início dos trabalhos fiscais. Ao se deparar com a ausência da apresentação do Livro Caixa, embora tenham sido entregues os Livros de Registros de Entradas e Saídas de Mercadorias, a fiscalização levantou a receita bruta da empresa com fulcro em sua movimentação financeira. Verificou que, por este indício, a empresa deveria ser excluída da sistemática de tributação do Simples por presunção de omissão de receitas (art. 42 da Lei nº 9.430/96) em valor superior àquele que a legislação permitia para permanecer no Simples. Procedeu corretamente à representação fiscal para providências quanto à exclusão, lavrou o Auto de Infração relativo ao anocalendário de 2004 (pelo Simples) e deu seqüência aos trabalhos estendendo a fiscalização para os anoscalendários de 2005 e 2006. Ocorre que, ao estender a auditoria para os outros anos, é dever da fiscalização intimar a contribuinte a apresentar a contabilidade completa, em vista da sua exclusão de ofício do Simples, para os anos subseqüentes à exclusão, medida que não foi tomada no presente caso. A intimação para apresentar a contabilidade completa devese pelo fato de que, por ato de ofício, tornouse obrigada a mantêla e apurar os tributos pela modalidade do Lucro Real, retroativamente. A empresa, até o ato de ofício de exclusão, mantevese no Simples, indevidamente, e não pode mais optar pelo Lucro Presumido, pois não cumpriu na época própria os termos exigíveis pela legislação tributária. Esta Intimação Fiscal deve diferir, portanto, dos termos do Termo de Início de Fiscalização quando a empresa fora tratada como optante pelo Simples, até concluirse pela sua exclusão do sistema. E equivale a intimar a contribuinte a proceder à escrituração devida. Não vejo relevância nesta nuance salientada pela Turma de Julgamento de Primeira Instância, divergindo de seu entendimento. O que importa, no presente caso, é que não foi facultado à contribuinte a possibilidade de apresentar a escrituração completa, por falta de Intimação Fiscal neste concernente, optandose de imediato para o arbitramento do lucro. Este procedimento é defeso à fiscalização. Assiste, pois, razão à recorrente e o lançamento tributário não pode subsistir. Fl. 544DF CARF MF Impresso em 20/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2014 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 18/02/2 014 por ANA DE BARROS FERNANDES 8 Voto em dar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Ana de Barros Fernandes Fl. 545DF CARF MF Impresso em 20/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2014 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 18/02/2 014 por ANA DE BARROS FERNANDES
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