Busca Facetada
Turma- Terceira Câmara (29,282)
- Segunda Câmara (27,810)
- Primeira Câmara (25,086)
- Segunda Turma Ordinária d (17,885)
- Primeira Turma Ordinária (16,419)
- Primeira Turma Ordinária (16,225)
- 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR (16,216)
- Primeira Turma Ordinária (16,172)
- Segunda Turma Ordinária d (15,905)
- Segunda Turma Ordinária d (14,489)
- Primeira Turma Ordinária (13,087)
- Primeira Turma Ordinária (12,513)
- Segunda Turma Ordinária d (12,438)
- Quarta Câmara (11,514)
- Primeira Turma Ordinária (11,488)
- Quarta Câmara (85,202)
- Terceira Câmara (67,872)
- Segunda Câmara (56,642)
- Primeira Câmara (20,751)
- 3ª SEÇÃO (16,216)
- 2ª SEÇÃO (11,306)
- 1ª SEÇÃO (6,854)
- Pleno (788)
- Sexta Câmara (302)
- Sétima Câmara (172)
- Quinta Câmara (133)
- Oitava Câmara (123)
- Terceira Seção De Julgame (126,714)
- Segunda Seção de Julgamen (115,210)
- Primeira Seção de Julgame (77,082)
- Primeiro Conselho de Cont (49,053)
- Segundo Conselho de Contr (48,968)
- Câmara Superior de Recurs (37,972)
- Terceiro Conselho de Cont (25,979)
- IPI- processos NT - ressa (5,020)
- Outros imposto e contrib (4,458)
- PIS - ação fiscal (todas) (4,062)
- IRPF- auto de infração el (3,972)
- PIS - proc. que não vers (3,963)
- IRPJ - AF - lucro real (e (3,943)
- Cofins - ação fiscal (tod (3,868)
- Simples- proc. que não ve (3,681)
- IRPF- ação fiscal - Dep.B (3,045)
- IPI- processos NT- créd.p (2,251)
- IRPF- ação fiscal - omis. (2,215)
- Cofins- proc. que não ver (2,102)
- IRPJ - restituição e comp (2,088)
- Finsocial -proc. que não (1,996)
- IRPF- restituição - rendi (1,991)
- Não Informado (56,551)
- GILSON MACEDO ROSENBURG F (5,508)
- RODRIGO DA COSTA POSSAS (4,442)
- WINDERLEY MORAIS PEREIRA (4,270)
- CLAUDIA CRISTINA NOIRA PA (4,256)
- PEDRO SOUSA BISPO (3,905)
- HELCIO LAFETA REIS (3,868)
- ROSALDO TREVISAN (3,233)
- CHARLES MAYER DE CASTRO S (3,219)
- MARCOS ROBERTO DA SILVA (3,150)
- Não se aplica (2,930)
- PAULO GUILHERME DEROULEDE (2,801)
- WILDERSON BOTTO (2,650)
- LIZIANE ANGELOTTI MEIRA (2,636)
- RODRIGO LORENZON YUNAN GA (2,589)
- 2020 (41,088)
- 2021 (35,842)
- 2019 (30,960)
- 2018 (26,046)
- 2024 (25,923)
- 2012 (23,622)
- 2023 (22,472)
- 2014 (22,376)
- 2013 (21,088)
- 2011 (20,979)
- 2025 (19,615)
- 2010 (18,059)
- 2008 (17,137)
- 2017 (16,841)
- 2009 (15,846)
- 2009 (69,612)
- 2020 (39,854)
- 2021 (34,153)
- 2019 (30,463)
- 2023 (25,918)
- 2024 (23,872)
- 2014 (23,412)
- 2018 (23,139)
- 2025 (19,745)
- 2026 (16,690)
- 2013 (16,584)
- 2017 (16,398)
- 2008 (15,520)
- 2006 (14,857)
- 2022 (13,225)
Numero do processo: 13609.720296/2011-42
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed May 08 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Fri Jul 12 00:00:00 UTC 2019
Ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE (IRRF)
Ano-calendário: 2006
COOPERATIVA DE TRABALHO MÉDICO. SERVIÇOS PRESTADOS A PESSOA JURÍDICA COMPENSAÇÃO.
O valor recebido pelas cooperativas de trabalho, por serviços prestados por meio de seus associados, a outra pessoa ainda que não associado, é ato cooperativo e poderá ser objeto de pedido compensação, respeitadas as condições previstas em lei.
Como no presente caso não existe relação direta entre os valores recebidos, que geraram as retenções sofridas, e os valores pagos aos profissionais, que ocasionou as retenções, as compensações não se enquadram na previsão legal do art. 45 da Lei n° 8.541/1992, não havendo previsão legal para a compensação realizada.
Numero da decisão: 2401-006.464
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplica-se o decidido no julgamento do processo 13609.720142/2011-51, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Declarou-se impedido de participar do julgamento o conselheiro Matheus Soares Leite.
(documento assinado digitalmente)
Miriam Denise Xavier Presidente e Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Cleberson Alex Friess, José Luís Hentsch Benjamin Pinheiro, Rayd Santana Ferreira, Marialva de Castro Calabrich Schlucking, Andréa Viana Arrais Egypto, Luciana Matos Pereira Barbosa e Miriam Denise Xavier (Presidente).
Nome do relator: MIRIAM DENISE XAVIER
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201905
camara_s : Quarta Câmara
ementa_s : ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE (IRRF) Ano-calendário: 2006 COOPERATIVA DE TRABALHO MÉDICO. SERVIÇOS PRESTADOS A PESSOA JURÍDICA COMPENSAÇÃO. O valor recebido pelas cooperativas de trabalho, por serviços prestados por meio de seus associados, a outra pessoa ainda que não associado, é ato cooperativo e poderá ser objeto de pedido compensação, respeitadas as condições previstas em lei. Como no presente caso não existe relação direta entre os valores recebidos, que geraram as retenções sofridas, e os valores pagos aos profissionais, que ocasionou as retenções, as compensações não se enquadram na previsão legal do art. 45 da Lei n° 8.541/1992, não havendo previsão legal para a compensação realizada.
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
dt_publicacao_tdt : Fri Jul 12 00:00:00 UTC 2019
numero_processo_s : 13609.720296/2011-42
anomes_publicacao_s : 201907
conteudo_id_s : 6031909
dt_registro_atualizacao_tdt : Fri Jul 12 00:00:00 UTC 2019
numero_decisao_s : 2401-006.464
nome_arquivo_s : Decisao_13609720296201142.PDF
ano_publicacao_s : 2019
nome_relator_s : MIRIAM DENISE XAVIER
nome_arquivo_pdf_s : 13609720296201142_6031909.pdf
secao_s : Segunda Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplica-se o decidido no julgamento do processo 13609.720142/2011-51, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Declarou-se impedido de participar do julgamento o conselheiro Matheus Soares Leite. (documento assinado digitalmente) Miriam Denise Xavier Presidente e Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Cleberson Alex Friess, José Luís Hentsch Benjamin Pinheiro, Rayd Santana Ferreira, Marialva de Castro Calabrich Schlucking, Andréa Viana Arrais Egypto, Luciana Matos Pereira Barbosa e Miriam Denise Xavier (Presidente).
dt_sessao_tdt : Wed May 08 00:00:00 UTC 2019
id : 7819898
ano_sessao_s : 2019
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:48:57 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713052119271997440
conteudo_txt : Metadados => date: 2019-07-11T17:39:24Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.5; xmp:CreatorTool: Microsoft® Word 2010; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; language: pt-BR; dcterms:created: 2019-07-11T17:39:24Z; Last-Modified: 2019-07-11T17:39:24Z; dcterms:modified: 2019-07-11T17:39:24Z; dc:format: application/pdf; version=1.5; Last-Save-Date: 2019-07-11T17:39:24Z; pdf:docinfo:creator_tool: Microsoft® Word 2010; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:modified: 2019-07-11T17:39:24Z; meta:save-date: 2019-07-11T17:39:24Z; pdf:encrypted: true; modified: 2019-07-11T17:39:24Z; Content-Type: application/pdf; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; dc:language: pt-BR; meta:creation-date: 2019-07-11T17:39:24Z; created: 2019-07-11T17:39:24Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 7; Creation-Date: 2019-07-11T17:39:24Z; pdf:charsPerPage: 1930; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; pdf:docinfo:created: 2019-07-11T17:39:24Z | Conteúdo => S2-C 4T1 Ministério da Economia Conselho Administrativo de Recursos Fiscais Processo nº 13609.720296/2011-42 Recurso Voluntário Acórdão nº 2401-006.464 – 2ª Seção de Julgamento / 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 08 de maio de 2019 Recorrente UNIMED SETE LAGOAS COOPERATIVA DE TRABALHO MEDICO Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE (IRRF) Ano-calendário: 2006 COOPERATIVA DE TRABALHO MÉDICO. SERVIÇOS PRESTADOS A PESSOA JURÍDICA COMPENSAÇÃO. O valor recebido pelas cooperativas de trabalho, por serviços prestados por meio de seus associados, a outra pessoa ainda que não associado, é ato cooperativo e poderá ser objeto de pedido compensação, respeitadas as condições previstas em lei. Como no presente caso não existe relação direta entre os valores recebidos, que geraram as retenções sofridas, e os valores pagos aos profissionais, que ocasionou as retenções, as compensações não se enquadram na previsão legal do art. 45 da Lei n° 8.541/1992, não havendo previsão legal para a compensação realizada. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplica-se o decidido no julgamento do processo 13609.720142/2011-51, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Declarou-se impedido de participar do julgamento o conselheiro Matheus Soares Leite. (documento assinado digitalmente) Miriam Denise Xavier – Presidente e Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Cleberson Alex Friess, José Luís Hentsch Benjamin Pinheiro, Rayd Santana Ferreira, Marialva de Castro Calabrich Schlucking, Andréa Viana Arrais Egypto, Luciana Matos Pereira Barbosa e Miriam Denise Xavier (Presidente). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 60 9. 72 02 96 /2 01 1- 42 Fl. 216DF CARF MF Fl. 2 do Acórdão n.º 2401-006.464 - 2ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 13609.720296/2011-42 Relatório O presente recurso foi objeto de julgamento na sistemática prevista no art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, adoto o relatório objeto do Acórdão nº 2401-006.454, de 08 de maio de 2019 - 4ª Câmara/1ª Turma Ordinária, proferido no âmbito do processo n° 13609.720142/2011-51, paradigma deste julgamento. “Trata-se de Recurso Voluntário interposto em face da decisão da 5ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Ribeirão Preto - SP (DRJ/RPO) que julgou improcedente a manifestação de inconformidade, por entender que cabe ao contribuinte comprovar a liquidez e certeza dos créditos objeto de compensação. O presente processo trata do pedido de compensação declarado em PER/DCOMP apresentado pela Contribuinte, no qual pretende utilizar crédito relativo a Imposto de Renda Retido na Fonte - IRRF - de cooperativas. O Contribuinte, após ser intimado, apresentou os comprovantes de rendimentos pagos e de retenção do Imposto de Renda na fonte relativos aos pagamentos efetuados por Pessoas Jurídicas a ele, com Código Receita 3280. A Delegacia da Receita Federal do Brasil em Sete Lagoas/MG emitiu Despacho Decisório onde homologa parcialmente a compensação, reconhecendo o direito creditório parcial. No Despacho Decisório a Autoridade Fiscal afirma que o art. 64 da Lei nº 8.541/1992 restringiria a compensação ao imposto incidente sobre o montante pago ou creditado por pessoas jurídicas a cooperativas de trabalho, associações de profissionais ou assemelhadas, quando se tratasse de serviços pessoais que lhes fossem prestados por associados das mesmas (Código Receita 3280). Portanto, o imposto incidente sobre a remuneração de serviços gerais prestados a pessoas jurídicas pelas cooperativas (Código Receita 1708) e outras modalidades de retenção não estão abrangidas pelo dispositivo legal. No Despacho foi destacado que o IRRF de Código Receita 1708 somente poderia ser compensado com o saldo credor do IRPJ (receitas oferecidas à tributação decorrentes de atos não cooperados). O Despacho conclui dizendo que as retenções constantes do PER/DCOMP efetuadas com Códigos Receita diferentes de 3280 foram descartados, razão pela qual o direito creditório foi parcialmente reconhecido e o PER/DCOMP parcialmente homologado. A Contribuinte tomou ciência do Despacho Decisório e, inconformado com a decisão proferida, tempestivamente, apresentou sua Manifestação de Inconformidade instruída com os documentos acostados aos autos. O Processo foi encaminhado para a DRJ/RPO que decidiu julgar a Manifestação de Inconformidade IMPROCEDENTE. Fl. 217DF CARF MF Fl. 3 do Acórdão n.º 2401-006.464 - 2ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 13609.720296/2011-42 A Contribuinte tomou ciência do Acórdão proferido pela DRJ/RPO e inconformada com o Acórdão prolatado, tempestivamente, interpôs seu Recurso Voluntário instruído com documentos. Em seu Recurso Voluntário a Contribuinte, em síntese, aduz que: 1. A Prática de ato cooperativo goza de isenção do Imposto de Renda conforme previsto no art.182 do RIR/99 e na Lei nº 5.764/71; 2. Valores recebidos pelas cooperativas de trabalho, em decorrência dos serviços prestados pelos associados, a outras pessoas ainda que não associados, é ato cooperativo, não sendo tributável pelo IRPJ; 3. O entendimento da Autoridade Fiscal, mantida pela DRJ, desprezou todas as provas produzidas no processo administrativo, uma vez que foi demonstrado que até mesmo o IRRF recolhido sob o código 1708 se referiu ao imposto retido por pagamento dos cooperados do Contribuinte; 4. A compensação efetuada pelo Contribuinte foi regular pois se trata de pleitear a compensação de tributos retidos na fonte que não se relacionam na hipótese de incidência do Imposto de Renda; 5. Os serviços a cargo das cooperativas de trabalho se sujeitam à retenção do Imposto de Renda, tenham sido eles efetivamente prestados ou simplesmente colocados à disposição dos Contratantes, portanto, o Acórdão da DRJ, ao afirmar que os valores recebidos nos contratos firmados sob a modalidade pré-pagamento não estariam sujeitos à retenção de IRRF, motivo pelo qual seria inviável a compensação pretendida, incorre em violação ao Princípio da Legalidade. Finaliza seu Recurso pedindo seu provimento para que seja reformado o Acórdão recorrido, homologada integralmente a compensação efetuada e cancelada a cobrança referente aos débitos tidos como "indevidamente compensados". É o relatório.” Voto Conselheira Miriam Denise Xavier, Relatora. Este processo foi julgado na sistemática prevista no art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplica-se o decidido no Acórdão nº 2401-006.454, de 08 de maio de 2019 - 4ª Câmara/1ª Turma Ordinária, proferido no âmbito do processo n° 13609.720142/2011-51, paradigma deste julgamento. Transcreve-se, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o inteiro teor do voto proferido na susodita decisão paradigma, a saber, Acórdão nº 2401-006.454, de 08 de maio de 2019 - 4ª Câmara/1ª Turma Ordinária: Acórdão nº 2401-006.454 - 4ª Câmara/1ª Turma Ordinária “Juízo de admissibilidade Fl. 218DF CARF MF Fl. 4 do Acórdão n.º 2401-006.464 - 2ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 13609.720296/2011-42 O Recurso Voluntário foi apresentado dentro do prazo legal e atende aos requisitos de admissibilidade, portanto, dele tomo conhecimento. Mérito A Recorrente se insurge contra a homologação parcial da compensação por ela efetuada, aduzindo que algumas tomadoras de serviços apresentaram código equivocado do IRRF (1708 – Remuneração Serviços Prestados por Pessoa Jurídica), quando deveriam ter apresentado o código 3280 (Remuneração sobe Serviços Prestados por Associação de Cooperativa de Trabalho). Afirma que é isento do IRPJ quando da prática de atos cooperados e que a compensação das retenções com o Código Receita 1708 são aplicáveis apenas às demais pessoas jurídicas tendo em vista a isenção a que tem direito. O Código Tributário Nacional estabelece a compensação como uma das modalidades de extinção do crédito tributário (art. 156, II), cujo procedimento ocorre entre créditos líquidos e certos, com débitos vencidos e vincendos do sujeito passivo (art. 170), através de estipulação legal e que encontra-se disciplinado através da Lei nº 9.430/96. No tocante à possibilidade de compensação de IRRF por cooperativas de trabalho, cabe destacar que o art. 64 da Lei nº 8.981/95 deu nova redação ao art. 45 da Lei nº 8.541/92, nos seguintes termos: Art. 45. Estão sujeitas à incidência do Imposto de Renda na fonte, à alíquota de 1,5%, as importâncias pagas ou creditadas por pessoas jurídicas a cooperativas de trabalho, associações de profissionais ou assemelhadas, relativas a serviços pessoais que lhes forem prestados por associados destas ou colocados à disposição. (Redação dada pela Lei nº 8.981, de 1995) § 1º O imposto retido será compensado pelas cooperativas de trabalho, associações ou assemelhadas com o imposto retido por ocasião do pagamento dos rendimentos aos associados. (Redação dada pela Lei nº 8.981, de 1995) § 2º O imposto retido na forma deste artigo poderá ser objeto de pedido de restituição, desde que a cooperativa, associação ou assemelhada comprove, relativamente a cada ano-calendário, a impossibilidade de sua compensação, na forma e condições definidas em ato normativo do Ministro da Fazenda. (Redação dada pela Lei nº 8.981, de 1995) Notoriamente, é indubitável a possibilidade de compensação direta entre o IRRF pelos tomadores de serviços e o IRRF quando dos pagamentos (repasses) aos associados das cooperativas de trabalho, como a Recorrente. Destaque-se que a Lei nº 5.764/71, que definiu a Política Nacional de Cooperativismo, institui o regime jurídico das sociedades cooperativas, dispõe o seguinte: Art. 79. Denominam-se atos cooperativos os praticados entre as cooperativas e seus associados, entre estes e aquelas e pelas cooperativas entre si quando associados, para a consecução dos objetivos sociais. Parágrafo único. O ato cooperativo não implica operação de mercado, nem contrato de compra e venda de produto ou mercadoria. No entanto, dentro das atividades da contribuinte, há a prática de outros atos que não os eminentemente os cooperativos, tais como pagamentos efetuados por Fl. 219DF CARF MF Fl. 5 do Acórdão n.º 2401-006.464 - 2ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 13609.720296/2011-42 contratos com preço pré-determinado ou por outros serviços. Vejamos o que preceitua a Lei nº 9.656/98: Art. 1º Submetem-se às disposições desta Lei as pessoas jurídicas de direito privado que operam planos de assistência à saúde, sem prejuízo do cumprimento da legislação específica que rege a sua atividade, adotando-se, para fins de aplicação das normas aqui estabelecidas, as seguintes definições: (Redação dada pela Medida Provisória nº 2.177- 44, de 2001) I - Plano Privado de Assistência à Saúde: prestação continuada de serviços ou cobertura de custos assistenciais a preço pré ou pós estabelecido, por prazo indeterminado, com a finalidade de garantir, sem limite financeiro, a assistência à saúde, pela faculdade de acesso e atendimento por profissionais ou serviços de saúde, livremente escolhidos, integrantes ou não de rede credenciada, contratada ou referenciada, visando a assistência médica, hospitalar e odontológica, a ser paga integral ou parcialmente às expensas da operadora contratada, mediante reembolso ou pagamento direto ao prestador, por conta e ordem do consumidor; (Incluído pela Medida Provisória nº 2.177- 44, de 2001) O Superior Tribunal de Justiça já definiu que as operações realizadas diretamente (e não através de seus cooperados) com terceiros não associados, embora indiretamente se busque a consecução do objeto social da cooperativa, consubstanciam atos não-cooperativos. Vejamos: PROCESSUAL CIVIL. AGRAVO REGIMENTAL. RECURSO ESPECIAL. DIREITO TRIBUTÁRIO. COOPERATIVA DE TRABALHO MÉDICO. UNIMED. CONCEITO DE ATO COOPERATIVO TÍPICO. SERVIÇOS PRESTADOS A TERCEIROS. ATOS NÃO COOPERATIVOS. INCIDÊNCIA DAS CONTRIBUIÇÕES AO PIS E COFINS SOBRE OS ATOS NEGOCIAIS. TEMA JÁ JULGADO PELO REGIME DO ART. 543-C, DO CPC, E DA RESOLUÇÃO STJ 08/08. 1. A jurisprudência deste STJ já se firmou no sentido de que é legítima a incidência do PIS e da COFINS, tendo como base de cálculo o faturamento das cooperativas de trabalho médico, sendo que por faturamento deve ser compreendido o conceito que restou definido pelo STF como receita bruta de mercadorias, de mercadorias e serviços e de serviços de qualquer natureza, por ocasião do julgamento da ADC 01/DF. Precedentes: REsp 635.986/PR, Segunda Turma, Rel. Min. Eliana Calmon, DJe de 25.9.2008; REsp 1081747 / PR, Segunda Turma, Rel. Min. Eliana Calmon, 15.10.2009. 2. O fornecimento de serviços a terceiros não cooperados e o fornecimento de serviços a terceiros não associados inviabiliza a configuração como atos cooperativos, devendo ser tributados normalmente. Precedentes: REsp 635.986/PR, Rel. Ministra Eliana Calmon, Segunda Turma, DJe 25.9.2008; REsp 746.382/MG, Rel. Min. Humberto Martins, DJ de 9.10.2006; REsp 1096776/PB, Segunda Turma, Rel. Min. Mauro Campbell Marques, julgado em 19/08/2010; AgRg no REsp 751.460/MG, Rel. Ministro Mauro Campbell Marques, Segunda Turma, DJe 13.2.2009; AgRg no AgRg no REsp 1033732/SP, Rel. Ministro Francisco Falcão, Primeira Turma, DJe 1.12.2008; EDcl nos EDcl no REsp 875.388/SP, Rel. Ministro Luiz Fux, Primeira Turma, DJe 29.10.2008. 3. O tema referente à tributação pelo IRPJ dos atos praticados pela cooperativa com terceiros não associados já foi objeto de julgamento em sede de recurso especial representativo da controvérsia REsp. n. 58.265 / SP, Primeira Seção, Rel. Min. Luiz Fux, julgado em 09.12.2009. 4. No referido julgamento, embora se estivesse apreciando a hipótese específica voltada ao Imposto de Renda e não às contribuições ao PIS e COFINS, nas razões de decidir restou firmado o pressuposto de que "[...] as operações realizadas com terceiros não associados (ainda que, indiretamente, em busca da consecução do objeto social da Fl. 220DF CARF MF Fl. 6 do Acórdão n.º 2401-006.464 - 2ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 13609.720296/2011-42 cooperativa), consubstanciam 'atos não-cooperativos', cujos resultados positivos devem integrar a base de cálculo do imposto de renda" (REsp. n. 58.265 / SP, Primeira Seção, Rel. Min. Luiz Fux, julgado em 09.12.2009). 5. Desse modo, definido que se tratam de atos não-cooperativos, não há que se falar em isenção do IRPJ, da CSLL e das contribuições ao PIS e COFINS por aplicação do art. 79, da Lei n. 5.764/71. 6. Observar que nos recursos representativos da controvérsia REsp. n. 1.141.667/RS e REsp. n. 1.164.716/MG, pendentes de julgamento, e RE 598.085-RJ o que se discute não é o conceito de ato cooperativo típico (tema já abordado no recurso representativo da controvérsia REsp. n. 58.265/SP, Primeira Seção, Rel. Min. Luiz Fux, julgado em 09.12.2009), mas sim o confronto da isenção para o ato cooperativo típico previsto no art. 79, da Lei n. 5.764/71 com o estabelecido pelo art. 15, da Medida Provisória n. 2.158-35, que restringiu as exclusões da base de cálculo das contribuições ao PIS/PASEP e COFINS somente a determinados valores ali especificados. 7. Agravo regimental não provido. (AgRg no REsp 786.612/RS, Rel. Ministro MAURO CAMPBELL MARQUES, SEGUNDA TURMA, julgado em 17/10/2013, DJe 24/10/2013) De acordo com a decisão de piso, há ainda que se esclarecer que no presente caso a contribuinte formulou consulta através da qual restou estabelecido na Solução de Consulta nº 6.017 - SRRF06/Disit, de 29 de abril de 2016, que os pagamentos efetuados na modalidade pré-pagamento, como as mensalidades, não se sujeitam à retenção do Imposto de Renda. No entanto, embora indevida a retenção do IR na fonte, a compensação realizada pela contribuinte não está abrangida pelo art. 64 da Lei nº 8.981/1995, tendo em vista que não restou comprovado que se trata de importâncias creditadas por pessoas jurídicas a cooperativas de trabalho, relativas a serviços pessoais que lhes forem prestados por associados destas ou colocados à disposição. Com efeito, in casu, não há subsunção do fato à norma do art. 45 da Lei 8.541/92, posto que não se enquadra exclusivamente como atividade cooperada dado o exercício de atividades diversas que não se confundem com as receitas decorrentes da prestação de serviços profissionais de medicina ou correlatos. Destaque-se ainda que as retenções foram realizadas com código da receita 1708 - Remuneração Serviços Prestados por Pessoa Jurídica, sendo que a Recorrente não comprovou se tratar de retenção com o código 3280 - Remuneração sobe Serviços Prestados por Associação de Cooperativa de Trabalho. Vejamos trechos da decisão de piso: As demais retenções foram efetuadas com outros Códigos Receita e as provas constantes do processo levam à conclusão de que realmente não são caso de retenção do IR nos pagamentos efetuados a serviços pessoais prestados pelos associados, e sim nos pagamentos efetuados por contratos com preço pré-determinado ou por outros serviços. Lembro que as provas apresentadas pelo interessado, quando intimado, foram levadas em consideração pelas autoridades fiscais que proferiram o despacho decisório, não tendo comprovado se tratar da retenção do Imposto de Renda com Código Receita 3280. Na manifestação de inconformidade, o contribuinte não trouxe outros documentos de sua escrita contábil e fiscal, ou demonstrativos com força para comprovar as importâncias que, de fato, referem-se à prestação de serviços pessoais pelos associados Fl. 221DF CARF MF Fl. 7 do Acórdão n.º 2401-006.464 - 2ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 13609.720296/2011-42 da cooperativa, limitando-se apresentar apenas planilha com relação de retenções do IR, discriminando CNPJ, banco e valor, o que não comprova o tipo de serviço prestado. Se o Código Receita do IRRF realmente estivesse incorreto, o interessado deveria apresentar, ainda, o Redarf efetuado pelo tomador de serviço, bem como novo comprovante de retenção. Em se tratando de Declaração de Compensação, de interesse do contribuinte, cabe a ele o ônus comprobatório, devendo apresentar provas sobre suas alegações. O reconhecimento do direito creditório depende de liquidez e certeza, atributos que não estão presentes no caso em tela. Dessa forma, a compensação pleiteada pelo contribuinte no presente caso só é aplicável para os casos em que a retenção do Imposto de Renda ocorrer sobre serviços pessoais prestados pelos cooperados. Como não há relação direta entre os valores recebidos, que geraram as retenções sofridas, e os valores pagos aos profissionais, que ocasionou as retenções, as compensações não se enquadram na previsão legal do art. 45 da Lei n° 8.541/1992. Destarte, não há previsão legal que ampare as compensações declaradas. Assim, as retenções sofridas somente poderiam ser utilizadas na dedução do IRPJ devido ou para compor o saldo negativo de IRPJ ao final do período de apuração, cabendo ainda ao contribuinte a restituição do indébito, observando a legislação pertinente. Conclusão Ante o exposto, CONHEÇO do Recurso Voluntário e NEGO-LHE PROVIMENTO.” Ante o exposto, CONHEÇO do Recurso Voluntário e NEGO-LHE PROVIMENTO. (documento assinado digitalmente) Miriam Denise Xavier Fl. 222DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13855.000592/2002-21
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Apr 16 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Wed Jun 19 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 30/04/1997 a 30/06/1997
RECURSO ESPECIAL. VERDADE MATERIAL. DILIGÊNCIA. NÃO CONHECIMENTO.
Para que seja conhecido o recurso especial, imprescindível é a comprovação do dissenso interpretativo mediante a juntada de acórdão paradigma em que, na mesma situação fática, sobrevieram soluções jurídicas distintas, nos termos do art. 67 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais RICARF, aprovado pela Portaria nº 343/2015.
Numero da decisão: 9303-008.459
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Especial.
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em exercício e relator.
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas, Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello.
Nome do relator: RODRIGO DA COSTA POSSAS
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201904
camara_s : 3ª SEÇÃO
ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Período de apuração: 30/04/1997 a 30/06/1997 RECURSO ESPECIAL. VERDADE MATERIAL. DILIGÊNCIA. NÃO CONHECIMENTO. Para que seja conhecido o recurso especial, imprescindível é a comprovação do dissenso interpretativo mediante a juntada de acórdão paradigma em que, na mesma situação fática, sobrevieram soluções jurídicas distintas, nos termos do art. 67 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais RICARF, aprovado pela Portaria nº 343/2015.
turma_s : 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
dt_publicacao_tdt : Wed Jun 19 00:00:00 UTC 2019
numero_processo_s : 13855.000592/2002-21
anomes_publicacao_s : 201906
conteudo_id_s : 6021414
dt_registro_atualizacao_tdt : Wed Jun 19 00:00:00 UTC 2019
numero_decisao_s : 9303-008.459
nome_arquivo_s : Decisao_13855000592200221.PDF
ano_publicacao_s : 2019
nome_relator_s : RODRIGO DA COSTA POSSAS
nome_arquivo_pdf_s : 13855000592200221_6021414.pdf
secao_s : Câmara Superior de Recursos Fiscais
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Especial. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em exercício e relator. Participaram do presente julgamento os Conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas, Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello.
dt_sessao_tdt : Tue Apr 16 00:00:00 UTC 2019
id : 7789798
ano_sessao_s : 2019
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:47:36 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713052119292968960
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 6; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1631; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => CSRFT3 Fl. 696 1 695 CSRFT3 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS Processo nº 13855.000592/200221 Recurso nº Especial do Contribuinte Acórdão nº 9303008.459 – 3ª Turma Sessão de 16 de abril de 2019 Matéria PIS AI Recorrente CONSTRUTORA NORBERTO ODEBRECHT S/A Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 30/04/1997 a 30/06/1997 RECURSO ESPECIAL. VERDADE MATERIAL. DILIGÊNCIA. NÃO CONHECIMENTO. Para que seja conhecido o recurso especial, imprescindível é a comprovação do dissenso interpretativo mediante a juntada de acórdão paradigma em que, na mesma situação fática, sobrevieram soluções jurídicas distintas, nos termos do art. 67 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais RICARF, aprovado pela Portaria nº 343/2015. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Especial. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em exercício e relator. Participaram do presente julgamento os Conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas, Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello. Relatório Tratase de recurso especial interposto tempestivamente pelo contribuinte contra o Acórdão nº 3401001.902, de 18/07/2012, proferido pela Primeira Turma Ordinária da AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 85 5. 00 05 92 /2 00 2- 21 Fl. 696DF CARF MF Processo nº 13855.000592/200221 Acórdão n.º 9303008.459 CSRFT3 Fl. 697 2 Quarta Câmara da Terceira Seção de Julgamento deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF). O Colegiado da Câmara Baixa, por unanimidade de votos, negou provimento ao recurso voluntário do contribuinte, nos termos da ementa, transcrita abaixo: "ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/04/1997 a 30/06/1 997 FALTA DE RECOLHIMENTO PIS. DISCUSSÃO JUDICIAL. LIMITES DA CONTENDA. SUSPENSÃO DA EXIGIBILIDADE. O Recurso Voluntário apresentado pela recorrente deve conter os motivos de fato e de direito em que se fundamenta; os pontos em discordância devem vir acompanhados dos dados e documentos de forma a comprovar os fatos alegados." Intimado do acórdão, o contribuinte interpôs embargos de declaração, alegando omissão, sob o argumento de que "passar em branco o fato de ninguém melhor do que a própria Administração, detentora de todos os dados, para verificar os elementos ventilados pela contribuinte e constatar ou não a sua veracidade". Contudo, analisados os embargos, estes foram rejeitados, nos termos do Acórdão nº 3401002.362 às fls. 578e/580e. Inconformado com a rejeição dos embargos, o contribuinte apresentou recurso especial, suscitando divergência com relação as matérias seguintes; a) princípio da verdade material; e, b) diligência, alegando, em síntese, que cabe "à autoridade julgadora buscar a realidade dos fatos e, para formar sua livre convicção na apreciação da causa, poderá determinar a realização de diligência que considere necessárias à complementação da prova ou ao esclarecimento de dúvida, imprescindível ao deslinde do feito". Alegou ainda que, segundo o art. 29 do Decreto nº 70.235/1972, na apreciação da prova a autoridade julgadora formará sua convicção, inclusive, podendo determinar a realização de diligência. Por meio do Despacho de Admissibilidade às fls. 680e/682e, o Presidente da 4ª Câmara da 3ª Seção admitiu o recurso especial do contribuinte. Notificada do acórdão da Câmara Baixa, do recurso especial do contribuinte e da sua admissibilidade, a Fazenda Nacional apresentou o memorial às fls. 684e/694e, requerendo o não conhecimento do recurso, sob as alegações de que as suscitadas divergências não foram demonstradas e comprovadas, tendo em vista que a matéria decidida no acórdão recorrida não guarda semelhança fática com as dos acórdãos paradigmas; e, se conhecido, negarlhe provimento pelos mesmos fundamentos utilizados no acórdão recorrido. Em síntese é o relatório. Voto Conselheiro Rodrigo da Costa Pôssas, Relator. Fl. 697DF CARF MF Processo nº 13855.000592/200221 Acórdão n.º 9303008.459 CSRFT3 Fl. 698 3 O recurso especial do contribuinte não atende aos requisitos do art. 67 do Anexo II do RICARF; assim, não deve ser conhecido. Conforme relatado, tratase de apelo formulado sob a vigência do RICARF aprovado pela Portaria MF nº 256, de 2009. O § 3º do art. 67 do RICARF admite seguimento de recuso especial unicamente quanto a matéria prequestionada, “...cabendo sua demonstração, com precisa indicação, nas peças processuais.” O recorrente não se preocupou em fazer a demonstração do prequestionamento. O Despacho que admitiu o apelo afirmou que as matérias foram objeto de prequestionamento, considerando para tanto a oposição de embargos de declaração. Compulsando o recurso voluntário, fls. 393 a 412, constato que o recorrente opôs a exceção de extinção do crédito tributário pelo pagamento dos débitos discutidos nos autos do processo nº 15374.001961/9929, que teriam sido lançados em duplicidade no presente processo, e argüiu a nulidade formal do Auto de Infração nº 0000321, por ter sido lavrado em procedimento eletrônico de revisão interna de DCTF, ao arrepio do art. 149 do CTN e do art. 7° do PAF. O Acórdão nº 3401001.902, proferido no julgamento do RV, por sua vez, ao analisar a argüição de lançamento dúplice, asseverou que o recorrente não havia aportado provas aos autos que demonstrassem tratarse dos mesmos valores em discussão no processo nº 15374.001961/9929. Arrematou: Frente a todo o exposto, voto por negar o Recurso Voluntário, pois as alegações da contribuinte devem ser comprovadas objetivamente e não apenas afirmadas. Vêse, portanto, que a decisão não se pronunciou a respeito do princípio da verdade material, nem sobre a necessidade de conversão do feito em diligência e tampouco sobre a nulidade argüida. Ainda em relação à admissibilidade, o desprovimento do recurso voluntário teve como fundamento a falta de comprovação das alegações expendidas no recurso, mais especificamente, a duplicidade do lançamento e a extinção do crédito tributário, mediante a apresentação de dados e documentos, conforme se verifica do voto condutor do acórdão recorrido e da sua ementa, transcrita abaixo. "FALTA DE RECOLHIMENTO PIS. DISCUSSÃO JUDICIAL. LIMITES DA CONTENDA. SUSPENSÃO DA EXIGIBILIDADE. O Recurso Voluntário apresentado pela recorrente deve conter os motivos de fato e de direito em que se fundamenta; os pontos em discordância devem vir acompanhados dos dados e documentos de forma a comprovar os fatos alegados." O contribuinte suscitou divergência em relação: a) ao princípio da verdade material; e b) e à necessidade de diligência. Para a matéria do item "a", apresentou como paradigma os acórdãos nº 3803 003.714 e nº 2101002.491; cujas ementas assim dispõem: Acórdão 3803003.714: Fl. 698DF CARF MF Processo nº 13855.000592/200221 Acórdão n.º 9303008.459 CSRFT3 Fl. 699 4 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. DÉBITO. PARCELA. CONFISSÃO EM DUPLICIDADE. ERRO DE FATO. CANCELAMENTO. A duplicidade na confissão de parcela do débito apurado no mês, consubstanciada em declaração de compensação, uma vez comprovada a absorção do seu valor pelo pagamento integral do débito, efetuado posteriormente, configura erro de fato, a ensejar o cancelamento da DComp transmitida. Acórdão 2101002.491: DESPESAS MÉDICAS. COMPROVAÇÃO A comprovação do alegado pelo contribuinte, nos lermos do Regulamento do Imposto sobre a Retida, deve ser considerada pelo julgador administrativo em sua decisão, em face de sua vinculação COM o princípio da legalidade do lançamento tributário, consubstanciado pelo principio da verdade material que vige no processo administrativo tributário. Do exame do conteúdo das ementas e da fundamentação dos acórdãos paradigmas, verificase que ambos não comprovam a suscitada divergência. Nos dois paradigmas apresentados, o Colegiado deu provimento aos respectivos recursos voluntários sob o fundamento de que os erros alegados pelos contribuintes foram provados, mediante a documentação contábil e fiscal apresentada. Já no acórdão recorrido, o desprovimento do recurso voluntário se deu pela falta de apresentação de documentos contábeis e fiscais comprovando o alegado erro. Em relação à matéria do item "b", apresentou os paradigmas de nº 101 96.296 e nº 3201001472, cujas ementas assim dispõem:. Acórdão 10196.296: NORMAS PROCESSUAIS NULIDADE A eventual possibilidade de violação do princípio do contraditório e ampla defesa resta afastada pela realização de diligência para averiguação das alegações de defesa, com abertura de prazo para manifestação do contribuinte. Acórdão 3201001472: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. DUPLICIDADE DE LANÇAMENTO. NULIDADE. É nulo o Auto de Infração lavrado o qual exige crédito tributário constituído em outro processo administrativo, inclusive atestado através de diligência demandada pelo CARF. Ao contrário do entendimento do contribuinte, conforme se verifica do conteúdo das ementas e dos votos condutores dos acórdãos paradigmas, em ambos, o Colegiado deu provimento aos respectivos recursos, sem o retorno dos autos à unidade de origem para realização de diligência. Ressaltese ainda que, no paradigma nº 10196.296, as preliminares foram rejeitadas por unanimidade de votos. Fl. 699DF CARF MF Processo nº 13855.000592/200221 Acórdão n.º 9303008.459 CSRFT3 Fl. 700 5 Assim, os acórdãos paradigmas não servem para comprovar as divergências suscitadas pelo contribuinte, tendo em vista a falta de similitude entre as matérias decididas no acórdão recorrido e as dos paradigmas. Em face do exposto, NÃO CONHEÇO do recurso especial do contribuinte. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Fl. 700DF CARF MF Processo nº 13855.000592/200221 Acórdão n.º 9303008.459 CSRFT3 Fl. 701 6 Fl. 701DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10880.661884/2012-19
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Mon Jun 17 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Fri Jul 26 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Ano-calendário: 2009
DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. HOMOLOGAÇÃO. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO ANTERIOR. PERDA DE OBJETO.
A homologação de declaração de compensação faz perder o objeto o pedido de restituição anteriormente formulado que pretendia o reconhecimento do direito à restituição do crédito aproveitado na compensação.
Numero da decisão: 3401-006.310
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
Rosaldo Trevisan - Presidente
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Mara Cristina Sifuentes, Tiago Guerra Machado, Lázaro Antonio Souza Soares, Fernanda Vieira Kotzias, Carlos Henrique de Seixas Pantarolli, Oswaldo Gonçalves de Castro Neto, Leonardo Ogassawara de Araújo Branco e Rosaldo Trevisan.
Nome do relator: ROSALDO TREVISAN
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201906
camara_s : Quarta Câmara
ementa_s : Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Ano-calendário: 2009 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. HOMOLOGAÇÃO. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO ANTERIOR. PERDA DE OBJETO. A homologação de declaração de compensação faz perder o objeto o pedido de restituição anteriormente formulado que pretendia o reconhecimento do direito à restituição do crédito aproveitado na compensação.
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Fri Jul 26 00:00:00 UTC 2019
numero_processo_s : 10880.661884/2012-19
anomes_publicacao_s : 201907
conteudo_id_s : 6038477
dt_registro_atualizacao_tdt : Fri Jul 26 00:00:00 UTC 2019
numero_decisao_s : 3401-006.310
nome_arquivo_s : Decisao_10880661884201219.PDF
ano_publicacao_s : 2019
nome_relator_s : ROSALDO TREVISAN
nome_arquivo_pdf_s : 10880661884201219_6038477.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Rosaldo Trevisan - Presidente Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Mara Cristina Sifuentes, Tiago Guerra Machado, Lázaro Antonio Souza Soares, Fernanda Vieira Kotzias, Carlos Henrique de Seixas Pantarolli, Oswaldo Gonçalves de Castro Neto, Leonardo Ogassawara de Araújo Branco e Rosaldo Trevisan.
dt_sessao_tdt : Mon Jun 17 00:00:00 UTC 2019
id : 7832501
ano_sessao_s : 2019
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:49:47 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713052119329669120
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 4; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1414; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C4T1 Fl. 2 1 1 S3C4T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10880.661884/201219 Recurso nº 1 Voluntário Acórdão nº 3401006.310 – 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 17 de junho de 2019 Matéria PIS/COFINS Recorrente NESTLE BRASIL LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Anocalendário: 2009 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. HOMOLOGAÇÃO. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO ANTERIOR. PERDA DE OBJETO. A homologação de declaração de compensação faz perder o objeto o pedido de restituição anteriormente formulado que pretendia o reconhecimento do direito à restituição do crédito aproveitado na compensação. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Rosaldo Trevisan Presidente Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Mara Cristina Sifuentes, Tiago Guerra Machado, Lázaro Antonio Souza Soares, Fernanda Vieira Kotzias, Carlos Henrique de Seixas Pantarolli, Oswaldo Gonçalves de Castro Neto, Leonardo Ogassawara de Araújo Branco e Rosaldo Trevisan. Relatório Tratase de recurso voluntário em face da decisão da Delegacia de Julgamento em Curitiba que julgou improcedente a manifestação de inconformidade, conforme ementa abaixo transcrita: (...) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 66 18 84 /2 01 2- 19 Fl. 80DF CARF MF 2 CRÉDITO DISPONÍVEL PARA RESTITUIÇÃO. O crédito disponível para restituição é o valor comprovado do pagamento indevido ou a maior subtraído das parcelas desse mesmo pagamento já utilizado em compensações ou pedido de restituição anterior. Ciente do acórdão de piso, a empresa protocolou o Recurso Voluntário para repisar os argumentos da Manifestação de Inconformidade, sustentando que a decisão recorrida seria contraditória, uma vez que a compensação, já homologada, teria origem no pedido de restituição, o qual não poderia ser indeferido. É o relatório. Voto Conselheiro Rosaldo Trevsan, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão nº 3401006.308, de 17 de junho de 2019, proferido no julgamento do Processo nº 10880.661882/201211. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão nº 3401006.308): "A controvérsia posta nos autos diz respeito à análise do pedido de restituição formulado no PER/DCOMP. O crédito pleiteado decorre de recolhimento a maior de PIS/COFINS e foi utilizado para compensar débitos de PIS/COFINS por meio do PER/DCOMP, transmitido antes da análise do pedido de restituição.. A decisão recorrida manteve a denegação do pedido de restituição por entender que só é passível de restituição o saldo remanescente de pagamento indevido ou a maior que não tenha sido utilizado em compensações anteriores, ao que a Recorrente sustenta que o deferimento do pedido de restituição é pressuposto da efetivação da compensação, devendo ser deferida a restituição do crédito no presente processo como imperativo lógico da homologação da compensação em que foi empregado este mesmo crédito. O direito à compensação decorre da existência de duas relações obrigacionais, em que o credor de uma é devedor de outra e viceversa. Significa dizer que a compensação tributária exige a prévia existência de um direito de crédito do sujeito passivo contra a Fazenda Pública, o que ocorre quando este tem direito à restituição de tributo pago a maior ou indevidamente. O atual regime de compensação de tributos e contribuições, previsto no art. 74 da Lei n° 9.430/1996, após as modificações introduzidas pela Lei n° 10.637/2002, passou a permitir que o contribuinte efetuasse a compensação independentemente de Fl. 81DF CARF MF Processo nº 10880.661884/201219 Acórdão n.º 3401006.310 S3C4T1 Fl. 3 3 prévia autorização administrativa, apresentando uma declaração de compensação em que são registrados o crédito a ser aproveitado e o débito a ser quitado pelo encontro de contas, extinguindose este sob condição resolutória da ulterior homologação. A Recorrente afirma que ao registrar o segundo PER/DCOMP, convertera o pedido de restituição em “pedido de compensação”. Este instrumento não encontra previsão na sistemática instituída pela legislação em vigor. Em verdade, ao registrar o segundo PER/DCOMP, transmitiu uma declaração de compensação, com a qual se operou a compensação pretendida pela Recorrente, extinguindose o débito tributário, sob condição resolutória da ulterior homologação, a qual já ocorreu. Isto significa que o direito de crédito discutido nos presentes autos já foi plenamente reconhecido quando da análise da declaração de compensação. Não faria sentido a administração ter homologado uma compensação que pretendia aproveitar crédito ainda pendente de reconhecimento. A análise fiscal da declaração de compensação abrangeu a análise do direito creditório. Perdeu objeto o presente pedido de restituição, pois o direito à restituição do valor pago a maior já foi reconhecido e satisfeito através da compensação. Ante o exposto, voto por CONHECER do Recurso Voluntário e, no mérito, NEGAR PROVIMENTO ao mesmo." Importa registrar que nos autos ora em apreço, a situação fática e jurídica encontra correspondência com a verificada no paradigma, de tal sorte que o entendimento lá esposado pode ser perfeitamente aqui aplicado. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, o colegiado decidiu por CONHECER do Recurso Voluntário e, no mérito, NEGAR PROVIMENTO ao mesmo. (assinado digitalmente) Rosaldo Trevsan Fl. 82DF CARF MF 4 Fl. 83DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10580.723765/2009-38
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Apr 23 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Fri Jun 21 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2005 a 31/12/2005
CONHECIMENTO. SIMILITUDE FÁTICA. REQUISITO REGIMENTAL PARA CONHECIMENTO DO RECURSO ESPECIAL.
Não há que se falar em divergência jurisprudencial quando os julgados em confronto não guardam similitude fática
Numero da decisão: 9202-007.784
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Especial.
(Assinado digitalmente)
Maria Helena Cotta Cardozo Presidente em exercício
(Assinado digitalmente)
Ana Paula Fernandes Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Mário Pereira de Pinho Filho, Patrícia da Silva, Pedro Paulo Pereira Barbosa, Ana Paula Fernandes, Miriam Denise Xavier (suplente convocada), Ana Cecília Lustosa da Cruz, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente em exercício).
Nome do relator: ANA PAULA FERNANDES
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201904
camara_s : 2ª SEÇÃO
ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2005 a 31/12/2005 CONHECIMENTO. SIMILITUDE FÁTICA. REQUISITO REGIMENTAL PARA CONHECIMENTO DO RECURSO ESPECIAL. Não há que se falar em divergência jurisprudencial quando os julgados em confronto não guardam similitude fática
turma_s : 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
dt_publicacao_tdt : Fri Jun 21 00:00:00 UTC 2019
numero_processo_s : 10580.723765/2009-38
anomes_publicacao_s : 201906
conteudo_id_s : 6022101
dt_registro_atualizacao_tdt : Fri Jun 21 00:00:00 UTC 2019
numero_decisao_s : 9202-007.784
nome_arquivo_s : Decisao_10580723765200938.PDF
ano_publicacao_s : 2019
nome_relator_s : ANA PAULA FERNANDES
nome_arquivo_pdf_s : 10580723765200938_6022101.pdf
secao_s : Câmara Superior de Recursos Fiscais
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Especial. (Assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo Presidente em exercício (Assinado digitalmente) Ana Paula Fernandes Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Mário Pereira de Pinho Filho, Patrícia da Silva, Pedro Paulo Pereira Barbosa, Ana Paula Fernandes, Miriam Denise Xavier (suplente convocada), Ana Cecília Lustosa da Cruz, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente em exercício).
dt_sessao_tdt : Tue Apr 23 00:00:00 UTC 2019
id : 7790312
ano_sessao_s : 2019
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:47:38 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713052119332814848
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 5; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1377; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => CSRFT2 Fl. 9 1 8 CSRFT2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS Processo nº 10580.723765/200938 Recurso nº Especial do Contribuinte Acórdão nº 9202007.784 – 2ª Turma Sessão de 23 de abril de 2019 Matéria Contribuições Previdenciárias Recorrente SARTRE EMPREENDIMENTOS EDUCACIONAIS LTDA Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2005 a 31/12/2005 CONHECIMENTO. SIMILITUDE FÁTICA. REQUISITO REGIMENTAL PARA CONHECIMENTO DO RECURSO ESPECIAL. Não há que se falar em divergência jurisprudencial quando os julgados em confronto não guardam similitude fática Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Especial. (Assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo – Presidente em exercício (Assinado digitalmente) Ana Paula Fernandes – Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Mário Pereira de Pinho Filho, Patrícia da Silva, Pedro Paulo Pereira Barbosa, Ana Paula Fernandes, Miriam Denise Xavier (suplente convocada), Ana Cecília Lustosa da Cruz, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente em exercício). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 58 0. 72 37 65 /2 00 9- 38 Fl. 2801DF CARF MF 2 Relatório O presente Recurso Especial trata de pedido de análise de divergência motivado pelo Contribuinte face ao acórdão 280301.598, proferido pela 3ª Turma Especial / 2ª Seção de Julgamento. Tratase de Auto de Infração (AI) que lança contribuições devidas à Seguridade Social, correspondentes, exclusivamente, à parte patronal, incidentes sobre a remuneração paga a segurados empregados e contribuintes individuais não declaradas em Guias de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social (GFIP), referente ao período de 01/2005 a 13/2005, totalizando o valor de R$ 278.474,17 (duzentos e setenta e oito mil quatrocentos e setenta e quatro reais e dezessete centavos), consolidado em 20/07/2009. O Contribuinte apresentou a impugnação. A DRJ/SDR, às fls. 2674/2684, julgou pela improcedência da impugnação apresentada, mantendo o crédito tributário na forma originalmente lançado. O Contribuinte apresentou Recurso Voluntário às fls. 2695/2717. A 3ª Turma Especial da 2ª Câmara de Julgamento da 2ª Seção de Julgamento, às fls. 2721/2727, DEU PARCIAL PROVIMENTO ao Recurso Voluntário, para reformar a decisão a quo e decretar a nulidade dos créditos lançados em razão de valores pagos a título de auxílioalimentação. A Decisão restou assim ementada: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2005 a 31/12/2005 PROVAS. ÔNUS PROBATÓRIO DA PARTE. NATUREZA INDENIZATÓRIA. É ônus probatório da recorrente demonstrar que os valores pagos aos seus funcionários tem natureza indenizatória. PREVIDENCIÁRIO. CUSTEIO. NOTIFICAÇÃO FISCAL DE LANÇAMENTO DE DÉBITO. ALIMENTAÇÃO FORNECIDA PELO EMPREGADOR. PAGAMENTO IN NATURA. NÃO INCIDÊNCIA DA TRIBUTAÇÃO. INSCRIÇÃO NO PAT. DESNECESSIDADE. AJUDA DE CUSTO. HABITUALIDADE. VERBA TRIBUTÁVEL. O auxílioalimentação ou fornecimento de alimentação in natura não sofre a incidência da contribuição previdenciária, por não possuir natureza salarial, esteja o empregador inscrito ou não no Programa de Alimentação do Trabalhador PAT. ALEGAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE NÃO APRECIADA PELO CARF, ART. 62, DO REGIMENTO INTERNO. O CARF não pode afastar a aplicação de decreto ou lei sob alegação de inconstitucionalidade, salvo nas estritas hipóteses do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais. Fl. 2802DF CARF MF Processo nº 10580.723765/200938 Acórdão n.º 9202007.784 CSRFT2 Fl. 10 3 Recurso Voluntário Provido Em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte À fl. 2729, a União manifestouse para informar não haver interesse na interposição de recurso. Às fls. 2747/2757, o Contribuinte interpôs Recurso Especial, arguindo divergência jurisprudencial acerca da seguinte matéria: aplicação da presunção sem comprovação do ocorrência do fato gerador – ônus probatório. O acórdão recorrido aduzindo que uma vez realizado o lançamento, independente das provas produzidas e juntadas pelo Fisco o ônus probatório é do contribuinte; afirma que, sem utilização de presunção legal, aferição, devese manter o lançamento mesmo sem informação sobre a ocorrência do fato gerador. Já o acórdão paradigma considera que cabe ao Fisco investigar, diligenciar, demonstrar e provar a efetiva ocorrência do fato jurídico tributário, em respeito ao devido processo legal, a verdade material, o contraditório e a ampla defesa, sendo que o lançamento tributário é vinculado e não comporta incertezas, por força do disposto no art. 112 do Código Tributário Nacional; considera que sem utilização de presunção legal devese excluir o lançamento que não tenha informação sobre a ocorrência do fato gerador. Ao realizar o Exame de Admissibilidade do Recurso Especial interposto pelo Contribuinte, às fls. 2785/2791, a 3ª Câmara da 2ª Seção de Julgamento, DEU SEGUIMENTO ao recurso, concluindo restar demonstrada a divergência de interpretação em relação à seguinte matéria: aplicação da presunção sem comprovação do ocorrência do fato gerador – ônus probatório. Às fls. 2793/2799, a União apresentou contrarrazões, alegando, preliminarmente, a não comprovação da divergência e, no mérito, reiterando as razões aduzidas no próprio acórdão recorrido. É o relatório. Voto Fl. 2803DF CARF MF 4 Conselheira Ana Paula Fernandes Relatora DO CONHECIMENTO O Recurso Especial interposto pelo Contribuinte é tempestivo, todavia, quanto aos demais pressupostos de admissibilidade, são necessárias algumas considerações. Analisando o acórdão recorrido e o paradigma observamos que este último não se mostro apto a permitir admissibilidade do presente recurso especial. O tema inicialmente admitido na admissibilidade trata da aplicação da presunção sem comprovação do ocorrência do fato gerador – ônus probatório. Insta esclarecer, contudo, que não houve lançamento por presunção, os pagamentos foram comprovadamente realizados, e assim o foram apontados pela fiscalização que neste momento abriu prazo ao Contribuinte para alegar os elementos impediditos da lavratura do crédito tributário. Ou seja, comprovada a existência do fato gerador resta como ônus do contribuinte comprovar que tais valores estavam na regra de exceção se fosse o caso não sofrendo a incidência do art. 28, I, da Lei n. 8.212/1991. Não menos importante é compreender o que decidiu o acórdão recorrido, o qual foi claro em apontar que o motivo do não provimento do recurso voluntário quanto as verbas: A BOLSA ESTÁGIO, B ABONO DE FÉRIAS, C AVISO PRÉVIO o motivo do indeferimento consiste na falta de elementos probatórios por parte da Recorrente de que os valores pagos seriam realmente de natureza indenizatória, ou que, estaria nos casos clássicos de isenção pontuados pela lei de regência do custeio previdenciário. O que demonstra que compulsando o acórdão recorrido e o paradigma não é possível afirmar que estes decidiriam de modo divergente. No caso do recorrido houve a correta demonstração do fato gerador, uma vez que mesmo ao longo dos autos o Contribuinte não fez a prova da natureza diversa da verba em litígio, enquanto no caso do paradigma, não houve a comprovada demonstração dos elementos do vínculo os quais inferem na configuração do fato gerador. DA SIMILITUDE FÁTICA O acórdão recorrido trata de contribuição previdenciária sobre folha de pagamento em razão do pagamento de verbas aos empregados sem o devido recolhimento da contribuição previdenciária, uma vez que o contribuinte não logrou êxito em comprovar a que titulo foram pagos tais rendimentos. Embora o paradigma tenha de fato firmado entendimento de que a decisão paradigma define que se deve excluir o lançamento que não tenha informação sobre a ocorrência do fato gerador, o caso lá julgado (omissão de receitas advindas do exercício da atividade rural) não coincide com o julgado pelo recorrido. Diante do exposto voto por não conhecer do Recurso Especial interposto pelo Contribuinte. Fl. 2804DF CARF MF Processo nº 10580.723765/200938 Acórdão n.º 9202007.784 CSRFT2 Fl. 11 5 É como voto. (assinado digitalmente) Ana Paula Fernandes Fl. 2805DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 15374.964107/2009-53
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jun 13 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Mon Jul 29 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Normas de Administração Tributária
Ano-calendário: 2007
DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. NATUREZA DO CRÉDITO. ERRO NO PREENCHIMENTO. RETIFICAÇÃO APÓS DECISÃO. POSSIBILIDADE.
Quando verificado nos autos que houve erro na indicação da natureza do crédito, o processo deverá retornar a unidade de jurisdição para proceda nova análise
Numero da decisão: 1302-003.703
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto do relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplica-se o decidido no julgamento do processo 15374.964111/2009-11, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado.
(assinado digitalmente)
Luiz Tadeu Matosinho Machado - Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Tadeu Matosinho Machado, Ricardo Marozzi Gregorio, Paulo Henrique Silva Figueiredo, Rogério Aparecido Gil, Maria Lúcia Miceli, Flávio Machado Vilhena Dias, Marcelo José Luz de Macedo (Suplente convocado) e Gustavo Guimarães da Fonseca.
Nome do relator: LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201906
camara_s : Terceira Câmara
ementa_s : Assunto: Normas de Administração Tributária Ano-calendário: 2007 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. NATUREZA DO CRÉDITO. ERRO NO PREENCHIMENTO. RETIFICAÇÃO APÓS DECISÃO. POSSIBILIDADE. Quando verificado nos autos que houve erro na indicação da natureza do crédito, o processo deverá retornar a unidade de jurisdição para proceda nova análise
turma_s : Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
dt_publicacao_tdt : Mon Jul 29 00:00:00 UTC 2019
numero_processo_s : 15374.964107/2009-53
anomes_publicacao_s : 201907
conteudo_id_s : 6038988
dt_registro_atualizacao_tdt : Tue Jul 30 00:00:00 UTC 2019
numero_decisao_s : 1302-003.703
nome_arquivo_s : Decisao_15374964107200953.PDF
ano_publicacao_s : 2019
nome_relator_s : LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO
nome_arquivo_pdf_s : 15374964107200953_6038988.pdf
secao_s : Primeira Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto do relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplica-se o decidido no julgamento do processo 15374.964111/2009-11, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. (assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado - Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Tadeu Matosinho Machado, Ricardo Marozzi Gregorio, Paulo Henrique Silva Figueiredo, Rogério Aparecido Gil, Maria Lúcia Miceli, Flávio Machado Vilhena Dias, Marcelo José Luz de Macedo (Suplente convocado) e Gustavo Guimarães da Fonseca.
dt_sessao_tdt : Thu Jun 13 00:00:00 UTC 2019
id : 7837023
ano_sessao_s : 2019
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:49:52 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713052119339106304
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 9; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1543; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C3T2 Fl. 2 1 1 S1C3T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 15374.964107/200953 Recurso nº 1 Voluntário Acórdão nº 1302003.703 – 3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 13 de junho de 2019 Matéria DCOMP Recorrente SYNAPSIS BRASIL LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Anocalendário: 2007 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. NATUREZA DO CRÉDITO. ERRO NO PREENCHIMENTO. RETIFICAÇÃO APÓS DECISÃO. POSSIBILIDADE. Quando verificado nos autos que houve erro na indicação da natureza do crédito, o processo deverá retornar a unidade de jurisdição para proceda nova análise Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto do relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplicase o decidido no julgamento do processo 15374.964111/200911, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. (assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Tadeu Matosinho Machado, Ricardo Marozzi Gregorio, Paulo Henrique Silva Figueiredo, Rogério Aparecido Gil, Maria Lúcia Miceli, Flávio Machado Vilhena Dias, Marcelo José Luz de Macedo (Suplente convocado) e Gustavo Guimarães da Fonseca. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 37 4. 96 41 07 /2 00 9- 53 Fl. 714DF CARF MF 2 Relatório A recorrente apresentou Declaração de Compensação na qual pretende utilizar crédito de pagamento indevido ou maior. Após análise, a DERAT/Rio de Janeiro não homologou a compensação por não ter apurado crédito disponível, uma vez que o pagamento estaria totalmente utilizado para quitação de débito do contribuinte. A interessada apresentou manifestação de inconformidade, alegando resumidamente: => que sua filial situada em Fortaleza/CE, através do Ato Declaratório Executivo nº 001, de 07 de janeiro de 2008, da Delegacia da Receita Federal do Brasil em Fortaleza/CE, teve reconhecido o direito a redução do Imposto de Renda e adicionais não restituíveis, calculados com base no lucro da exploração, no percentual de 75% (setenta e cinco por cento), com início de prazo de fruição no anocalendário 2007 e término no anocalendário 2016. => cumprindo com sua obrigações tributárias, procedeu ao pagamento do Imposto de Renda do anocalendário 2007 em sua integralidade, sobrevindo o Ato Declaratório concedendo a redução de 75%, gerando assim um crédito a seu favor, utilizando para compensação débitos tributários do anocalendário de 2008. A 5ª Turma da DRJ/Rio de Janeiro julgou improcedente a manifestação de inconformidade, com a seguinte ementa: "ASSUNTO": NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2008 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. CRÉDITO UTILIZADO. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. INOCORRÊNCIA. NÃO HOMOLOGAÇÃO. Se do confronto entre a DIPJ e a DCTF resultar valores de débitos informados a maior nesta última declaração, a falta de comprovação, mediante apresentação de documentação hábil e idônea, de que o erro de preenchimento se deu em relação à DCTF, resulta o impedimento do reconhecimento da existência de direito creditório em relação aos pagamentos para os quais correspondam débitos regularmente confessados. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR.ESTIMATIVA. SALDO CREDOR. INDEFERIMENTO. Não se defere a compensação de crédito por pagamento indevido ou a maior de estimativas pagas que formaram saldo credor de IRPJ. O recurso voluntário foi apresentado trazendo as seguintes alegações: Fl. 715DF CARF MF Processo nº 15374.964107/200953 Acórdão n.º 1302003.703 S1C3T2 Fl. 3 3 que o Acórdão está eivado de contradições, citando legislação que não se aplica ao caso, e concluindo que os demonstrativos apresentados pela interessada não se prestam a comprovar o direito creditório alegado. o direito creditório já foi reconhecido em Ato Declaratório Executivo nº 001, de 07 de janeiro de 2008, da Delegacia da Receita Federal do Brasil em Fortaleza/CE. não há que se discutir a existência deste crédito. a recorrente obteve o beneficio fiscal a que fazia jus, direito reconhecido pela própria RFB, e não ser reconhecido o efetivo gozo desse direito constitui abuso injustificável e total violação aos preceitos jurídicos. cita a legislação que disciplina o benefício obtido, tendo a DRF/Fortaleza emitindo o citado Ato Declaratório Executivo nº 001 em 07/01/2008, com efeitos retroativos ao anocalendário de 2007. assim, a recorrente procedeu pagamento na sua integralidade, sobrevindo o citado Ato, gerando um crédito a seu favor. é inaceitável aduzir que não há direito creditório em virtude da falta de comprovação de sua liquidez e certeza, já que o reconhecimento ao benefício fiscal feito pela própria Receita Federal gerou o inconteste crédito. a Administração deve se pautar no Princípio da Verdade Material, e o julgador administrativo não poderá ignorar documentos apresentados pelo contribuinte. caso tivesse ainda dúvidas, poderia baixar o processo em diligência, verificando a fundo os argumentos do contribuinte, para depois proferir decisão. finalizando entendimento do acórdão, o relator descreveu que a interessada deveria ter requerido a compensação com crédito de saldo negativo apurado no anocalendário, e não como pagamento, tendo em vista que esta levou para o seu saldo credor de IRPJ o somatório dos pagamentos a título de estimativas mensais, incluindo os valores pagos a maior. a fundamentação do relator é dada no artigo 10 da IN SRF nº 600/2005, atualmente revogado pela IN SRF 900/2008. em um primeiro momento, quando do despacho decisório negando a compensação, a autoridade determinou que somente se pudesse utilizar o crédito de pagamento indevido ou a maior no fim do período de apuração, e não durante o anocalendário, sendo essa assertiva totalmente desprovida de amparo legal e utilizada equivocadamente pela Receita Federal, violando direito líquido e certo do contribuinte na utilização de seu crédito. pela análise do artigo 10 da IN SRF nº 600/2005 verificase ofensa a vários direitos e garantias individuais do contribuinte, além de princípios constitucionais. requer o provimento do recurso voluntário, homologando a declaração de compensação. Fl. 716DF CARF MF 4 Posteriormente à apresentação do recurso voluntário, foi apresentada petição na qual a recorrente apresenta Laudo Pericial Contábil, elaborado pela Tax Accounting Auditoria & Consultoria Tributária, esclarecendo que: O trabalho realizado teve como escopo a preparação do referido laudo, com o objetivo de formar opinião sobre a situação concreta dos autos, qual seja, a materialidade dos créditos requeridos para compensação à luz da verdade material, uma vez que houve apenas imprecisão formal quando do preenchimento das DCOMP'S que, quando do detalhamento do tipo de crédito que estava sendo utilizada para fins de compensação, foi descrita a situação "pagamento indevido ou a maior", quando, na verdade, deveria ser "saldo negativo de IRPJ". Esse mero erro de preenchimento não pode invalidar todo o suporte jurídico que embasa o Direito da ora peticionante." É o relatório. Voto Conselheiro Luiz Tadeu Matosinho Machado, Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º, 2º e 3º, do Anexo II, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão nº 1302003.700, de 13/06/2019, proferido no julgamento do Processo nº 15374.964111/2009 11, paradigma ao qual o presente processo fica vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão nº 1302003.700): O recurso voluntário é tempestivo, e atende aos demais requisitos de admissibilidade. Assim, dele eu conheço. De pronto, cabe esclarecer que o recorrente, no recurso voluntário apresentado, traz duas linhas de defesa: 1) que seu direito creditório já foi reconhecido pelo Ato Declaratório Executivo nº 001, de 07 de janeiro de 2008, da Delegacia da Receita Federal do Brasil em Fortaleza/CE. 2) que a decisão recorrida teria utilizado o artigo 10 da IN SRF nº 600/2005 para concluir que a recorrente deveria ter requerido a compensação com crédito de saldo negativo apurado no anocalendário. Posteriormente, ao apresentar Laudo elaborado por firma contratada, inclui em sua defesa a alegação de que teria incorrido em erro de fato ao informar na DCOMP que o crédito teria origem em pagamento indevido ou a maior, sendo que o correto seria crédito de saldo negativo de IRPJ. Passo a julgar. Entendo que é equivocada a afirmação de que o direito creditório já teria sido reconhecido pelo Ato Declaratório Executivo nº 001, de 07 de janeiro de 2008, da Fl. 717DF CARF MF Processo nº 15374.964107/200953 Acórdão n.º 1302003.703 S1C3T2 Fl. 4 5 Delegacia da Receita Federal do Brasil em Fortaleza/CE, pois este reconheceu o direito à redução do imposto de renda devido, que não se confunde com indébito tributário. O reconhecimento do direito creditório depende do confronto do valor devido (se for o caso) com o efetivamente recolhido aos cofres públicos, para que sejam aferidas a certeza e liquidez do crédito, nos termos do artigo 170 do CTN. Daí a necessidade de apresentação de documentos hábeis e idôneos que demonstrem os dois fatores que serão confrontados: o valor devido e o pagamento. Com base nessa premissa, o julgador a quo apontou que, para demonstrar o valor devido a título de estimativa de IRPJ, com base em balancetes de suspensão ou redução, conforme optou a recorrente da análise da Ficha 11 da DIPJ/2008, a recorrente deveria comprovar a transcrição no Livro Diário, para que aquela forma de apuração fosse considerada válida, nos termos da alínea “a”, do §1º, do art. 35, da Lei nº 8.981, de 20 de janeiro de 1995. Em outras palavras, no entendimento do julgador a quo, o qual eu compartilho, não basta a apresentação de tão somente a DIPJ/2008, que é preenchida pela própria recorrente, fato que enfraquece sua força probante. A par disso, ao analisar a DIPJ/2008 retificadora, apresentada em 11/10/2008, o julgador a quo verificou que a recorrente computou, na apuração do IRPJ no final do anocalendário de 2007, todos os pagamentos efetuados a título de estimativa de IRPJ, obtendo como resultado crédito de saldo negativo, que poderá ser objeto de compensação ou restituição. Explicase melhor. O artigo 2º da Lei nº 9.430/96 determina que a pessoa jurídica sujeita a tributação com base no lucro real, apuração anual, poderá optar por efetuar recolhimentos mensais por estimativas de IRPJ. Ao final do anocalendário, deverá confrontar o IRPJ devido com a totalidade do imposto de renda pago a título de estimativa ou retido na fonte, incidente sobre receitas computadas na determinação do lucro real. Se o resultado deste confronto for negativo (saldo negativo de IRPJ), o artigo 6º, §1º, inciso II determina que este crédito poderá ser objeto de restituição ou compensação. Com base na legislação citada, passemos a analisar a DIPJ/2008 no que tange os valores devidos a título de estimativa de IRPJ (FICHA 11) e a apuração no final do ano (FICHA 12). Compulsando a Ficha 11 Cálculo do Imposto de Renda Mensal, elaborei tabela onde estão demonstrados, para cada mês, os valores relativos às antecipações do imposto de renda. Incluí na tabela os valores dos efetivos recolhimentos, que são objeto de crédito a titulo de pagamento indevido ou a maior das Declarações de Compensação, que se encontram em julgamento neste colegiado: Ficha 11 da DIPJ/2008 PA IRRF IRPJ a pagar Pagamentos jan/07 77.018,37 95.832,92 235.821,52 fev/07 3.062,24 82.420,72 206.456,93 mar/07 56.639,50 0,00 abr/07 mai/07 173.545,12 0,00 234.681,46 jun/07 85.573,50 17.147,38 88.098,04 jul/07 78.075,46 122.858,38 168.257,39 ago/07 36.218,63 121.012,77 155.687,81 Fl. 718DF CARF MF 6 set/07 10.754,60 out/07 115.381,57 59.520,50 nov/07 203.877,20 dez/07 636.268,99 439.272,17 1.352.400,85 Passo a analisar a apuração do final do anocalendário, Ficha 12 A Cálculo do Imposto de Renda sobre o Lucro Real, no qual o contribuinte deve fazer o confronto entre o valor apurado de IRPJ e as antecipações constantes na Ficha 11: Ficha 12A Cálculo do Imposto de Renda sobre o Lucro Real Valor R$ IRPJ 15% 1.245.826,42 Adicional IRPJ 10% 806.550,94 DEDUÇÕES () Programa de Alimentação do Trabalhador 11.850,75 () Isenção e Redução do Imposto 1.180.633,86 () Imposto de Renda Retido na Fonte 153.437,98 () Imposto de Renda Mensal pago por estimativa 1.988.669,84 IMPOSTO DE RENDA A PAGAR 1.282.215,07 Do comparativo dos valores constantes entre as tabelas, notase que a recorrente, ao apurar o tributo devido no final do ano, optou por considerar como antecipação de IRPJ todos os pagamentos recolhidos, em sua totalidade, ao somar R$ 636.268,99 (IRRF) com R$ 1.352.400,85 (valores pagos em DARF), obtendo o valor de R$ 1.988.669,84. Desta forma, todos os pagamentos a título de estimativa, na sua integralidade, compõem o crédito de saldo negativo de IRPJ no valor de R$ 1.282.215,07. Ao constatar este fato, o julgador a quo consignou em seu voto condutor, verbis: No entanto, verifico que mesmo que o benefício fiscal estivesse escriturado conforme as alegações da interessada, seu pedido de compensação não poderia ser admitido, pois a interessada deveria ter requerido a compensação com crédito de saldo credor apurado no anocalendário e não com pagamento indevido, tendo em vista que esta levou para o seu saldo credor do Imposto de Renda na DIPJ o somatório dos pagamentos declarados a título de estimativas mensais, incluindo os valores pagos a maior. Por essa razão o somatório das estimativas mensais declaradas na ficha 11 alcança o valor de R$ 439.272,17, e o valor de registrado de pagamento de estimativa de IRPJ, constante ficha 12A foi de R$ 1.988.669,84. (grifei) O relator do voto condutor não aplicou o artigo 10 da IN SRF nº 600/2005, como alegou a recorrente. Tão somente consignou em seu voto o procedimento adotado pela própria recorrente. Ratificando o entendimento do julgador a quo, o próprio Laudo Pericial Contábil trazido pela recorrente corrobora com a decisão recorrida, ao concluir que: Fl. 719DF CARF MF Processo nº 15374.964107/200953 Acórdão n.º 1302003.703 S1C3T2 Fl. 5 7 Em razão da conclusão do laudo, a recorrente alega que teria ocorrido erro no preenchimento da DCOMP, ao informar que crédito teria origem em "pagamento indevido ou a maior", quando, na verdade, deveria ser "saldo negativo de IRPJ", mas que esse equívoco formal não poderia invalidar todo o suporte jurídico que embasa o seu direito ao crédito. A princípio, poderseia afirmar que a recorrente teria inovado sua defesa alegando que teria crédito de saldo negativo de IRPJ, e não mais de pagamento indevido. Entretanto, esta questão veio a lume em razão da dialética do contencioso, já que o julgador a quo apontou que todos os supostos créditos de pagamento a maior da estimativas de IRPJ estariam compondo o crédito de saldo negativo no final do período, conforme verificado na DIPJ/2008. Ou seja, em momento algum houve a afirmativa que o crédito era inexistente, mas sim que este teria sido formalizado no final do anocalendário a título de saldo negativo, e não mensalmente, nos moldes das DCOMP apresentadas. Acerca deste tema erro no preenchimento do DCOMP quanto à natureza do crédito, os julgados do CARF já por diversas vezes se posicionou de forma favorável ao contribuinte, conforme ementas a seguir: "ASSUNTO": NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário:2003 SALDO NEGATIVO DE IRPJ. PER/DCOMP. ERRO.PREENCHIMENTO. AVERIGUAÇÃO CRÉDITO Eventual erro de fato no preenchimento do formulário pode ser sanado sem que se proceda, necessariamente, à retificação do Per/Dcomp. Constitui medida de bom alvitre o retorno dos autos à unidade de origem a fim de averiguar crédito pleiteado mediante despacho decisório complementar a fim de não haver supressão de instância. (Acórdão nº 1002000697, da sessão de 09 de maio de 2019, do i. Conselheiro Breno do Carmo Moreira Vieira) RETIFICAÇÃO DO PER/DCOMP APÓS O DESPACHO DECISÓRIO. ERRO DE FATO. Erro de fato no preenchimento de Dcomp não possui o condão de gerar um impasse insuperável, uma situação em que o contribuinte não pode apresentar uma nova declaração, não pode retificar a declaração original, e nem pode ter o erro saneado no processo administrativo, sob pena de tal interpretação estabelecer uma preclusão que inviabiliza a busca Fl. 720DF CARF MF 8 da verdade material pelo processo administrativo fiscal, além de permitir um indevido enriquecimento ilícito por parte do Estado, ao auferir receita não prevista em lei. Reconhecese a possibilidade de transformar a origem do crédito pleiteado em saldo negativo, mas sem deferir o pedido de repetição do indébito ou homologar a compensação, por ausência de análise da sua liquidez e certeza pela unidade de origem, com o conseqüente retorno dos autos à jurisdição da contribuinte, para verificação da existência, suficiência e disponibilidade do crédito pretendido, nos termos do Parecer Normativo Cosit nº 8, de 2014. (Acórdão nº 1401003.371, da sessão de 17 de abril de 2019, do i. Conselheiro Cláudio de Andrade Camerano) Este colegiado também recentemente acatou a possibilidade de retorno do processo a unidade de origem, para que o crédito fosse analisado como saldo negativo, conforme ementa do Acórdão nº 1302003.600, da lavra o i. Conselheiro Ricardo Marozzi Gregorio seguir: "ASSUNTO": NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário:2003 COMPENSAÇÃO. EQUÍVOCO NA FORMULAÇÃO DO PEDIDO. ANÁLISE SEGUNDO A VERDADEIRA NATUREZA DO CRÉDITO ENVOLVIDO. É possível que pedidos de restituição ou compensação sejam analisados segundo a verdadeira natureza do crédito envolvido quando há equívoco na formulação do pedido. Em situações como essa, quando uma instância anterior não admite a compensação com base em argumento de direito, caso superado o fundamento da decisão, aquela instância deve proceder à análise do mérito do pedido, garantindose ao contribuinte direito ao contencioso administrativo completo em caso de insucesso ou sucesso parcial. É importante destacar que o reconhecimento ao benefício da redução de 75% ocorreu em 07/01/2008, nos termos do ADE nº 001, emitido pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Fortaleza, com efeitos retroativos a janeiro de 2007. Ou seja, durante todo o anocalendário de 2007, as estimativas de IRPJ foram calculadas sem considerar o benefício obtido posteriormente, situação que reforça a possibilidade existência do crédito. Não pretende esta conselheira, nesta instância do julgamento, se manifestar sobre o direito creditório, já que a comprovação da certeza e liquidez do crédito de saldo negativo depende de outros elementos, e que em nenhum momento foram apreciados no curso deste processo. No mais, a competência para apreciação de direito creditório é da unidade de jurisdição sobre o domicílio tributário do sujeito passivo, conforme artigo 119 da IN SRF nº 1.717/2017. Conclusão Diante de todo o exposto, voto por dar provimento parcial ao recurso voluntário, para o que o processo retorne à unidade de origem, e o crédito seja analisado como saldo negativo de IRPJ apurado no anocalendário de 2007. Fl. 721DF CARF MF Processo nº 15374.964107/200953 Acórdão n.º 1302003.703 S1C3T2 Fl. 6 9 Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º, 2º e 3º do art. 47, do Anexo II, do RICARF, voto por dar provimento parcial ao recurso voluntário, para o que o processo retorne à unidade de origem, e o crédito seja analisado como saldo negativo de IRPJ apurado no anocalendário de 2007. (assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado Fl. 722DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10882.721984/2017-98
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jun 04 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Thu Jun 27 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2013 a 31/12/2013
RECURSO VOLUNTÁRIO. MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. NÃO CONHECIMENTO.
A matéria não contestada na impugnação é insuscetível de conhecimento em grau recursal.
CESTA BÁSICA. PAGAMENTO EM DINHEIRO.
Conforme o entendimento de todas as turmas de julgamento do CARF, a alimentação fornecida em dinheiro sem a devida inscrição no PAT sofre a incidência de contribuição previdenciária.
AUTONOMIA DOS ENTES MUNICIPAIS
A Constituição da República estabelece a competência privativa da União para legislar sobre a seguridade social (art. 22, XXIII). A Lei 8212/91, que dispõe sobre a organização da Seguridade Social e institui Plano de Custeio, estabelece, em seu artigo 15, que deve ser considerado empresa, para os fins de aplicação das normas previdenciárias, os órgãos e entidades da administração pública direta, indireta e fundacional. Assim, ocorrido o fato gerador, nasce a obrigação tributária decorrente da relação jurídica legalmente estabelecida, cabendo ao fisco, no caso de inadimplemento, a constituição do crédito tributário, pelo lançamento (art. 142 do CTN).
VALE-TRANSPORTE. PAGAMENTO EM DINHEIRO. NÃO INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÕES. SÚMULA CARF 89.
A contribuição social previdenciária não incide sobre valores pagos a título de vale-transporte, mesmo que em pecúnia. Súmula CARF 89.
DEMAIS VERBAS.
As contribuições devidas à seguridade social incidem sobre a remuneração paga ao trabalhador, assim entendida a totalidade dos rendimentos pagos, devidos ou creditados a qualquer título, durante o mês, destinados a retribuir o trabalho, qualquer que seja a sua forma.
Numero da decisão: 2402-007.311
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer parcialmente do recurso voluntário para, na parte conhecida, dar-lhe provimento parcial, excluindo-se do lançamento os valores referentes ao vale-transporte.
(assinado digitalmente)
Denny Medeiros da Silveira - Presidente
(assinado digitalmente)
João Victor Ribeiro Aldinucci - Relator
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Denny Medeiros da Silveira, Paulo Sergio da Silva, João Victor Ribeiro Aldinucci, Mauricio Nogueira Righetti, Gabriel Tinoco Palatnic (Suplente Convocado), Luis Henrique Dias Lima, Renata Toratti Cassini e Gregorio Rechmann Junior.
Nome do relator: JOAO VICTOR RIBEIRO ALDINUCCI
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201906
camara_s : Quarta Câmara
ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2013 a 31/12/2013 RECURSO VOLUNTÁRIO. MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. NÃO CONHECIMENTO. A matéria não contestada na impugnação é insuscetível de conhecimento em grau recursal. CESTA BÁSICA. PAGAMENTO EM DINHEIRO. Conforme o entendimento de todas as turmas de julgamento do CARF, a alimentação fornecida em dinheiro sem a devida inscrição no PAT sofre a incidência de contribuição previdenciária. AUTONOMIA DOS ENTES MUNICIPAIS A Constituição da República estabelece a competência privativa da União para legislar sobre a seguridade social (art. 22, XXIII). A Lei 8212/91, que dispõe sobre a organização da Seguridade Social e institui Plano de Custeio, estabelece, em seu artigo 15, que deve ser considerado empresa, para os fins de aplicação das normas previdenciárias, os órgãos e entidades da administração pública direta, indireta e fundacional. Assim, ocorrido o fato gerador, nasce a obrigação tributária decorrente da relação jurídica legalmente estabelecida, cabendo ao fisco, no caso de inadimplemento, a constituição do crédito tributário, pelo lançamento (art. 142 do CTN). VALE-TRANSPORTE. PAGAMENTO EM DINHEIRO. NÃO INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÕES. SÚMULA CARF 89. A contribuição social previdenciária não incide sobre valores pagos a título de vale-transporte, mesmo que em pecúnia. Súmula CARF 89. DEMAIS VERBAS. As contribuições devidas à seguridade social incidem sobre a remuneração paga ao trabalhador, assim entendida a totalidade dos rendimentos pagos, devidos ou creditados a qualquer título, durante o mês, destinados a retribuir o trabalho, qualquer que seja a sua forma.
turma_s : Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
dt_publicacao_tdt : Thu Jun 27 00:00:00 UTC 2019
numero_processo_s : 10882.721984/2017-98
anomes_publicacao_s : 201906
conteudo_id_s : 6023687
dt_registro_atualizacao_tdt : Fri Jun 28 00:00:00 UTC 2019
numero_decisao_s : 2402-007.311
nome_arquivo_s : Decisao_10882721984201798.PDF
ano_publicacao_s : 2019
nome_relator_s : JOAO VICTOR RIBEIRO ALDINUCCI
nome_arquivo_pdf_s : 10882721984201798_6023687.pdf
secao_s : Segunda Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer parcialmente do recurso voluntário para, na parte conhecida, dar-lhe provimento parcial, excluindo-se do lançamento os valores referentes ao vale-transporte. (assinado digitalmente) Denny Medeiros da Silveira - Presidente (assinado digitalmente) João Victor Ribeiro Aldinucci - Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: Denny Medeiros da Silveira, Paulo Sergio da Silva, João Victor Ribeiro Aldinucci, Mauricio Nogueira Righetti, Gabriel Tinoco Palatnic (Suplente Convocado), Luis Henrique Dias Lima, Renata Toratti Cassini e Gregorio Rechmann Junior.
dt_sessao_tdt : Tue Jun 04 00:00:00 UTC 2019
id : 7797745
ano_sessao_s : 2019
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:48:03 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713052119343300608
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 11; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2019; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C4T2 Fl. 322 1 321 S2C4T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10882.721984/201798 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2402007.311 – 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 4 de junho de 2019 Matéria CONTRIBUIÇÕES DEVIDAS À SEGURIDADE SOCIAL. Recorrente MUNICIPIO DE SAO CAETANO DO SUL Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2013 a 31/12/2013 RECURSO VOLUNTÁRIO. MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. NÃO CONHECIMENTO. A matéria não contestada na impugnação é insuscetível de conhecimento em grau recursal. CESTA BÁSICA. PAGAMENTO EM DINHEIRO. Conforme o entendimento de todas as turmas de julgamento do CARF, a alimentação fornecida em dinheiro sem a devida inscrição no PAT sofre a incidência de contribuição previdenciária. AUTONOMIA DOS ENTES MUNICIPAIS A Constituição da República estabelece a competência privativa da União para legislar sobre a seguridade social (art. 22, XXIII). A Lei 8212/91, que dispõe sobre a organização da Seguridade Social e institui Plano de Custeio, estabelece, em seu artigo 15, que deve ser considerado empresa, para os fins de aplicação das normas previdenciárias, os órgãos e entidades da administração pública direta, indireta e fundacional. Assim, ocorrido o fato gerador, nasce a obrigação tributária decorrente da relação jurídica legalmente estabelecida, cabendo ao fisco, no caso de inadimplemento, a constituição do crédito tributário, pelo lançamento (art. 142 do CTN). VALETRANSPORTE. PAGAMENTO EM DINHEIRO. NÃO INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÕES. SÚMULA CARF 89. A contribuição social previdenciária não incide sobre valores pagos a título de valetransporte, mesmo que em pecúnia. Súmula CARF 89. DEMAIS VERBAS. As contribuições devidas à seguridade social incidem sobre a remuneração paga ao trabalhador, assim entendida a totalidade dos rendimentos pagos, AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 2. 72 19 84 /2 01 7- 98 Fl. 322DF CARF MF Processo nº 10882.721984/201798 Acórdão n.º 2402007.311 S2C4T2 Fl. 323 2 devidos ou creditados a qualquer título, durante o mês, destinados a retribuir o trabalho, qualquer que seja a sua forma. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer parcialmente do recurso voluntário para, na parte conhecida, darlhe provimento parcial, excluindose do lançamento os valores referentes ao valetransporte. (assinado digitalmente) Denny Medeiros da Silveira Presidente (assinado digitalmente) João Victor Ribeiro Aldinucci Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: Denny Medeiros da Silveira, Paulo Sergio da Silva, João Victor Ribeiro Aldinucci, Mauricio Nogueira Righetti, Gabriel Tinoco Palatnic (Suplente Convocado), Luis Henrique Dias Lima, Renata Toratti Cassini e Gregorio Rechmann Junior. Relatório Tratase de recurso voluntário interposto contra decisão que julgou improcedente a impugnação apresentada pelo contribuinte, em face de Auto de Infração que constituiu as contribuições previdenciárias devidas à seguridade social, parte do empregador, inclusive o adicional SAT/GILRAT. Segue a ementa da decisão: APRECIAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE E ILEGALIDADE Não cabe a esta instância julgadora apreciar argumentos de inconstitucionalidade e ilegalidade de norma por ser matéria reservada ao Poder Judiciário. DECISÕES ADMINISTRATIVAS E JUDICIAIS É vedada a extensão administrativa dos efeitos de decisões judiciais contrárias à orientação estabelecida para a administração direta e autárquica em atos de caráter normativo ordinário. Fl. 323DF CARF MF Processo nº 10882.721984/201798 Acórdão n.º 2402007.311 S2C4T2 Fl. 324 3 RGPS COMPETÊNCIA PRIVATIVA DA UNIÃO. Municípios não detêm a capacidade de alterar o regramento de custeio do RGPS por intermédio de legislação própria, sob pena de afronta à Carta Magna. Somente as parcelas expressamente previstas em lei não se sujeitam à incidência previdenciária e podem ser excluídas do saláriodecontribuição para fins de apuração da base de cálculo correspondente, desde que sejam atendidas todas as condições legais e sua correspondente regulamentação. SALÁRIODECONTRIBUIÇÃO. PARCELAS INTEGRANTES. EXCLUSÕES LEGAIS. O saláriodecontribuição para o segurado empregado corresponde à totalidade dos rendimentos pagos a qualquer título, durante o mês, destinados a retribuir o trabalho, qualquer que seja a sua forma, inclusive os ganhos habituais sob a forma de utilidades, exceção feita tão somente para as parcelas definidas de forma expressa e exaustiva na legislação. A impugnação deve mencionar os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir. VALIDADE DO LANÇAMENTO O Auto de Infração é válido e eficaz visto que foi lavrado com discriminação clara e precisa dos fatos geradores, das contribuições devidas e dos períodos a que se referem, conforme dispuser o regulamento. Conforme relatado na decisão recorrida, que se reporta à acusação fiscal: 9. A partir da análise das respostas apresentadas aos Termos de Intimação Fiscal 01 e 02, verificouse que, indevidamente, foram excluídas diversas rubricas da base de cálculo das contribuições previdenciárias, conforme exposto nos capítulos seguintes. 2.2. Pagamentos de Cesta Básica em Folha de Pagamento 2.3. Pagamentos Diversos em Folha de Pagamento 16. Em resposta ao item 1 do Termo de Intimação Fiscal 01 a Prefeitura apresentou diversas Leis Municipais para justificar a não incidência das contribuições previdenciárias nas seguintes rubricas: 10 Salário Esposa; 83 Abono Especial Lei 4217/04; 140 Diferença Abono Esp. L. 4217/04; 270 Gratificação de Atendimento L. 4608/08; 363 Gratificação de Apoio Técnico; 364 Diferença de Gratificação de Apoio Técnico. [...] 19. Ao analisar as Leis Municipais, bem como a folha de pagamento (MANAD), constatouse que às rubricas foram indevidamente excluídas do campo de incidência das contribuições previdenciárias, uma vez que os pagamentos foram Fl. 324DF CARF MF Processo nº 10882.721984/201798 Acórdão n.º 2402007.311 S2C4T2 Fl. 325 4 creditados aos servidores conforme critérios e condições definidas nas Leis Municipais. Ficou evidente que as referidas rubricas possuem caráter salarial. Além disso, não se verificou na Legislação Federal a previsão da não incidência em nenhum dos pagamentos. [...] 2.4. Pagamentos em Folha de Pagamento Reconhecidos como Base de Cálculo pela Prefeitura 21. Em resposta ao item 1 do Termo de Intimação Fiscal 02, a seguir transcrita, a Prefeitura reconheceu que todas as rubricas constantes no anexo da intimação (com exceção de uma), foram indevidamente excluídas da base de cálculo das contribuições previdenciárias. “Esclarecemos que todas as rubricas acima com exceção da rubrica 82 – vale transporte são proventos que constituem a base de cálculo das contribuições previdenciárias. ” 22. Dessa forma, foram adicionados à base de cálculo das contribuições previdenciárias todas as rubricas listadas no demonstrativo anexo a este Termo de Verificação Fiscal, por mês de competência, consignadas em Folhas de Pagamento, uma vez que a Prefeitura as reconheceu como integrantes do salário de contribuição dos seus servidores. A seguir é apresentado o resumo mensal dos valores totalizando R$ 1.218.610,42. O sujeito passivo foi intimado da decisão em 15/3/18, através de carta com aviso de recebimento (fl. 234 do eProcesso), e interpôs recurso voluntário em 11/4/18 (fls. 235 e seguintes do eProcesso), através do qual reiterou os mesmos fundamentos de sua manifestação acerca do(a): natureza não remuneratória da cesta básica, do vale transporte e dos demais benefícios arrolados pela auditoria fiscal; autonomia dos municípios para legislar sobre a natureza não salarial das rubricas que compuseram o lançamento; impossibilidade de o auditor e o ato administrativo declararem a inconstitucionalidade da lei municipal; competência exclusiva do Judiciário para declarar a inconstitucionalidade da lei; não incidência das contribuições sobre os abonos e demais verbas indenizatórias; O município recorrente ainda acrescentou que os conselheiros tutelares não teriam vínculo empregatício que justificasse a sua inclusão em folha de pagamento e o consequente recolhimento previdenciário, asseverando, ainda, que tais conselheiros seriam segurados facultativos. Sem contrarrazões ou manifestação pela Procuradoria. Fl. 325DF CARF MF Processo nº 10882.721984/201798 Acórdão n.º 2402007.311 S2C4T2 Fl. 326 5 É o relatório. Voto Conselheiro João Victor Ribeiro Aldinucci Relator 1 Conhecimento O recurso voluntário é tempestivo, visto que interposto dentro do prazo legal de trinta dias, mas não deve ser totalmente conhecido. A tese relativa aos conselheiros tutelares não foi suscitada na impugnação e é, portanto, insuscetível de conhecimento nesta fase recursal. A impugnação da exigência, a qual deve ser formalizada por escrito e instruída com os documentos em que se fundamentar, instaura a fase litigiosa do procedimento, considerandose não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo sujeito passivo. Somente a impugnação regular é capaz de atrair o poderdever do Estado de fazer a prestação jurisdicional, dirimindo a controvérsia iniciada com o lançamento fiscal mas efetivamente instaurada com a sua (da impugnação) apresentação. Vejase, nesse sentido, os seguintes dispositivos constantes do Decreto nº 70.235/1972: Art. 14. A impugnação da exigência instaura a fase litigiosa do procedimento. Art. 15. A impugnação, formalizada por escrito e instruída com os documentos em que se fundamentar, será apresentada ao órgão preparador no prazo de trinta dias, contados da data em que for feita a intimação da exigência. Art. 16. A impugnação mencionará: [...] Art. 17. Considerarseá não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante. Justamente em função da falta de impugnação, a DRJ não julgou a matéria ora suscitada, de forma que o seu conhecimento aviltaria o princípio constitucional do duplo grau de jurisdição. Com apoio na doutrina da professora Maria Rita Ferragut, cabe dizer que "as normas de preclusão são indispensáveis ao devido processo legal e, de modo algum, relevam se incompatíveis com o direito de ampla defesa"1. É que a parte somente perde o direito de contestar determinado ponto e de apresentar as provas cabíveis pelo decurso do prazo previsto na legislação, como ocorreu no presente caso. 1 FERRAGUT, Maria Rita. As provas e o direito tributário: teoria e prática como instrumentos para a construção da verdade jurídica. São Paulo: Saraiva, 2016, p. 61. Fl. 326DF CARF MF Processo nº 10882.721984/201798 Acórdão n.º 2402007.311 S2C4T2 Fl. 327 6 2 Cesta básica Muito embora o entendimento deste relator esteja em consonância com o voto vencido do então conselheiro Fábio Piovesan Bozza, acórdão 2301004.764, de 12 de julho de 2016, segundo o qual o auxílioalimentação, em dinheiro, não teria natureza remuneratória, venho, em homenagem ao princípio da colegialidade, que privilegia a estabilidade das relações e o princípio maior da segurança jurídica, conformarme à posição de todas as Turmas Ordinárias desta Seção de Julgamento e à própria posição da Câmara Superior de Recursos Fiscais, as quais preconizam que o auxílioalimentação pago em pecúnia integra o salário de contribuição. Com isso, ressalvo o meu entendimento pessoal a respeito da matéria, resguardando, até certo ponto, a minha independência pessoal, mas submeto tal entendimento a um princípio maior, inclusive para evitar a redação de votos vencedores pelos meus pares, em matéria reiteradamente decidida. Nesse contexto, e de acordo com os precedentes abaixo, deve ser negado provimento ao recurso neste ponto. Vejase: Ementa(s) [...] AUXÍLIOALIMENTAÇÃO PAGO EM PECÚNIA. INCIDÊNCIA PREVIDENCIÁRIA.Integram o saláriodecontribuição os pagamentos efetuados em pecúnia a título de vale alimentação, inclusive é entendimento pacificado do STJ que o auxilio alimentação pago em dinheiro ou em depósito em conta, corresponde a verba de caráter remuneratório, o que gera a incidência de contribuições previdenciárias. Recurso Negado. (Número do Processo 11516.722893/201468, RECURSO VOLUNTÁRIO, Data da Sessão 12/07/2016, Relator(a) ABIO PIOVESAN BOZZA, Acórdão 2301004.764) .... Ementa(s) [...] ALIMENTAÇÃO. PAGAMENTO EM PECÚNIA. A não incidência da contribuição previdenciária sobre alimentação restringese ao seu fornecimento in natura ou à hipótese de inscrição no PAT. A alimentação fornecida em pecúnia sem a devida inscrição no PAT sofre a incidência da contribuição previdenciária. Inteligência do Parecer PGFN/CRJ/Nº 2.117/2011. [...]. Recurso Voluntário Provido em Parte. (Número do Processo 16832.000607/200983, RECURSO VOLUNTÁRIO, Data da Sessão 16/02/2016, Relator(a) ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Acórdão 2401004.097) ... Fl. 327DF CARF MF Processo nº 10882.721984/201798 Acórdão n.º 2402007.311 S2C4T2 Fl. 328 7 Ementa(s) [...] CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. SALÁRIO DE CONTRIBUIÇÃO. AUXÍLIO ALIMENTAÇÃO PAGO EM PECÚNIA. INCIDÊNCIA.O auxílio alimentação pago em pecúnia integra o salário de contribuição, independentemente de empresa estar ou não inscrita no Programa de Alimentação ao Trabalhador PAT. [...].Recurso Voluntário Negado. (Número do Processo 18088.000628/200902, RECURSO VOLUNTÁRIO, Data da Sessão 10/05/2017, Relator(a) MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Acórdão 2202003.851) Da CSRF, e no ponto que interessa: Ementa(s) [...] AUXÍLIO ALIMENTAÇÃO. PAGAMENTO EM PECÚNIA. Integram o saláriodecontribuição os pagamentos efetuados em pecúnia a título de auxílioalimentação [...]. (Número do Processo 10166.722657/201072, RECURSO ESPECIAL DO PROCURADOR, Data da Sessão 30/11/2017, Relator(a) MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Nº Acórdão 9202006.283) Aliás, ao julgar o recurso voluntário do mesmo contribuinte, a 1ª Turma Ordinária da 4ª Câmara desta 2ª Seção decidiu o seguinte em relação à ajuda de custo para complementação da cesta básica: [...] CESTA BÁSICA. PAGAMENTO EM ESPÉCIE No entanto, no caso nos autos se trata de situação em que o referido auxílio foi atribuído aos segurados em espécie, razão pela qual está em desacordo ao estabelecido legislação que rege a matéria. Assim, referida verba integra a base de cálculo das contribuições previdenciárias.DEMAIS VERBAS No que tange às parcelas pagas a título de salário esposa, abono especial, gratificação de atendimento, gratificação de apoio técnico, referidas verbas não se encontram elencadas no rol contido no §9º do artigo 28 da Lei nº 8.212/1991 e por isso, integram o salário de contribuição para fins de constituição do crédito tributário em questão. [...] (CARF, Acórdão 2401005.545, julgado em 05/06/18, por unanimidade neste ponto) Fl. 328DF CARF MF Processo nº 10882.721984/201798 Acórdão n.º 2402007.311 S2C4T2 Fl. 329 8 Já sobre a alegada autonomia dos entes municipais, adiro aos seguintes fundamentos constantes do voto condutor do acórdão recorrido, o que faço com base no art. 57, § 3º, do RICARF: Conforme preceitua o art. 149 da Constituição da República Federativa do Brasil, a competência para instituir contribuições sociais é exclusiva da União, de sorte que apenas a ela compete a legislar sobre a matéria, não podendo fazêlo outro ente da federação. A estes cabe tão somente instituir contribuições – e, portanto, legislar sobre a matéria – para o custeio de seus regimes próprios de previdência (art. 149, §1º, da CRF/88). Em síntese, à União compete legislar privativamente sobre seguridade social (art. 22, XXIII, da CRF/88). Já a competência legislativa sobre previdência social é concorrente, cabendo à União, entretanto, a edição de normas gerais (art. 24, XII e §1º, da CRF/88). É justamente por isso, que a Previdência Social é regida, no âmbito federal, pela Lei nº 8.212/1991, denominada “Lei Geral da Previdência Social” ou “Lei Orgânica da Previdência Social” e cujo “Regulamento”, aprovado pelo Decreto nº 3.048/1999, que estabelecem as regras válidas para o Regime Geral da Previdência Social – RGPS. É bem verdade que os entes federativos (inclusive os Municípios) podem optar por um Regime Próprio de Previdência Social – RPPS, o que está previsto na Lei 9.717/1998. De qualquer forma, aqui tal questão não é relevante, uma vez que, em relação aos específicos servidores, a contribuinte e estes segurados estão enquadrados no RGPS. Destarte, é fácil perceber que, em relação aos seus colaboradores abarcados pelo Regime Geral de Previdência Social RGPS o Município não pode imiscuirse no regramento de custeio através de sua produção legislativa, sob pena de afronta à Carta Magna. Em sendo assim, inaplicável, portanto, a legislação municipal, tal como pretende a impugnante. Ressalvo, apenas, que não há necessidade de ser declarada a inconstitucionalidade da lei municipal, mas sim de eleger, entre duas normas conflitantes (lei municipal x lei federal e nacional), aquela que melhor se conforma à Constituição, por ser realmente competente para dispor acerca da matéria. Isto é, sendo da competência da lei federal dispor sobre o regime geral de previdência, e dando ela um tratamento diferente daquele previsto pela lei municipal, por óbvio deve prevalecer a lei federal, sem necessidade, entretanto, de ser declarada a inconstitucionalidade da norma do município. Expressandose de outra forma, caso determinada rubrica se amolde ao conceito de remuneração previsto no art. 28, inc. I, da Lei 8212/91, ela está sujeita ao pagamento das contribuições previdenciárias devidas à seguridade social. Sobre a matéria, cabe transcrever o seguinte precedente deste Conselho: AUTONOMIA DOS ENTES MUNICIPAIS Fl. 329DF CARF MF Processo nº 10882.721984/201798 Acórdão n.º 2402007.311 S2C4T2 Fl. 330 9 A Constituição da República estabelece a competência privativa da União para legislar sobre a seguridade social (art. 22, XXIII). A Lei nº 8.212/91, que dispõe sobre a organização da Seguridade Social e institui Plano de Custeio, estabelece em seu artigo 15 que deve ser considerado empresa, para os fins de aplicação das normas previdenciárias, os órgãos e entidades da administração pública direta, indireta e fundacional. Assim, ocorrido o fato gerador, nasce a obrigação tributária decorrente da relação jurídica legalmente estabelecida, cabendo ao fisco, no caso de inadimplemento, a constituição do crédito tributário pelo lançamento (art. 142 do CTN). (CARF, Acórdão 2401005.545, julgado em 05/06/18, por unanimidade neste ponto) Logo, nego provimento ao recurso voluntário neste ponto. 3 Vale transporte A pretensão da recorrente está amparada na Súmula CARF 89, segundo a qual não incide contribuição previdenciária sobre o valetransporte, mesmo que pago em dinheiro. Vejase: Súmula CARF nº 89: A contribuição social previdenciária não incide sobre valores pagos a título de valetransporte, mesmo que em pecúnia. Tal verbete está em consonância com o entendimento do STF, abaixo reproduzido, segundo o qual "a cobrança de contribuição previdenciária sobre o valor pago, em dinheiro, a título de valestransporte, pelo recorrente aos seus empregados afronta a Constituição, sim, em sua totalidade normativa". EMENTA: RECURSO EXTRAORDINÁRIO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. INCIDÊNCIA. VALETRANSPORTE. MOEDA. CURSO LEGAL E CURSO FORÇADO. CARÁTER NÃO SALARIAL DO BENEFÍCIO. ARTIGO 150, I, DA CONSTITUIÇÃO DO BRASIL. CONSTITUIÇÃO COMO TOTALIDADE NORMATIVA. 1. Pago o benefício de que se cuida neste recurso extraordinário em valetransporte ou em moeda, isso não afeta o caráter não salarial do benefício. 2. A admitirmos não possa esse benefício ser pago em dinheiro sem que seu caráter seja afetado, estaríamos a relativizar o curso legal da moeda nacional. 3. A funcionalidade do conceito de moeda revelase em sua utilização no plano das relações jurídicas. O instrumento monetário válido é padrão de valor, enquanto instrumento de pagamento sendo dotado de poder liberatório: sua entrega ao credor libera o devedor. Poder liberatório é qualidade, da moeda enquanto instrumento de pagamento, que se manifesta exclusivamente no plano jurídico: somente ela permite essa liberação indiscriminada, a todo sujeito de direito, no que tange a débitos de caráter patrimonial. 4. A aptidão da moeda para o cumprimento dessas funções decorre da circunstância de ser ela tocada pelos atributos do curso legal e do curso forçado. 5. A exclusividade de circulação Fl. 330DF CARF MF Processo nº 10882.721984/201798 Acórdão n.º 2402007.311 S2C4T2 Fl. 331 10 da moeda está relacionada ao curso legal, que respeita ao instrumento monetário enquanto em circulação; não decorre do curso forçado, dado que este atinge o instrumento monetário enquanto valor e a sua instituição [do curso forçado] importa apenas em que não possa ser exigida do poder emissor sua conversão em outro valor. 6. A cobrança de contribuição previdenciária sobre o valor pago, em dinheiro, a título de valestransporte, pelo recorrente aos seus empregados afronta a Constituição, sim, em sua totalidade normativa. Recurso Extraordinário a que se dá provimento.(RE 478410, Relator(a): Min. EROS GRAU, Tribunal Pleno, julgado em 10/03/2010, DJe 086 DIVULG 13052010 PUBLIC 14052010 EMENT VOL 0240104 PP00822 RDECTRAB v. 17, n. 192, 2010, p. 145166) Logo, o recurso voluntário deve ser provido neste particular. 4 Demais verbas Quanto às demais verbas, o recurso voluntário deve ser desprovido. O inc. I do art. 28 da Lei 8.212/1991 explicita que o saláriodecontribuição constitui uma remuneração destinada a retribuir o trabalho. Em consonância com o art. 195, inc I, alínea a, da CF, tal norma estabelece que as contribuições devidas à seguridade social incidem sobre a remuneração paga ao trabalhador, assim entendida a totalidade dos rendimentos pagos, devidos ou creditados a qualquer título, durante o mês, destinados a retribuir o trabalho, qualquer que seja a sua forma, inclusive as gorjetas, os ganhos habituais sob a forma de utilidades e os adiantamentos decorrentes de reajuste salarial, quer pelos serviços efetivamente prestados, quer pelo tempo à disposição do empregador ou tomador de serviços nos termos da lei ou do contrato ou, ainda, de convenção ou acordo coletivo de trabalho ou sentença normativa. Significar dizer que a base de cálculo da contribuição é composta de valores destinados à remuneração pelo trabalho prestado ou colocado à disposição do empregador ou tomador de serviços, não importando a forma e nem o nome que se dê à rubrica paga ou creditada ao trabalhador.. O art. 22, inc. I, da Lei 8.212/1991, igualmente preleciona o total das remunerações como base imponível das contribuições. Em tese de repercussão geral, o STF, no RE 565160/SC, afirmou que “a contribuição social a cargo do empregador incide sobre ganhos habituais do empregado, quer anteriores ou posteriores à Emenda Constitucional 20/1998” 2. As demais verbas que compuseram a base de cálculo do lançamento foram pagas de forma habitual e não estavam presentes nenhuma das hipóteses de exclusão previstas no § 9º do art. 28 da Lei. Como demonstrado pelo Fisco, há nítida natureza remuneratória nas verbas pagas sob os mais diversos títulos, porém com origem (condição de aquisição do direito à percepção da verba) prevista no contrato de trabalho e pagas com habitualidade, ou seja, nas 2 http://www.stf.jus.br/portal/cms/verNoticiaDetalhe.asp?idConteudo=339440, acórdão ainda não publicado, acesso em 30 de março de 2017. Fl. 331DF CARF MF Processo nº 10882.721984/201798 Acórdão n.º 2402007.311 S2C4T2 Fl. 332 11 condições previamente estabelecidas para o pagamento da avença laboral, razões pelas quais voto por negar provimento ao recurso neste particular. 5 Conclusão Diante do exposto, voto por conhecer parcialmente do recurso voluntário, para, na parte conhecida, darlhe parcial provimento, a fim de excluir da autuação os valores pagos em dinheiro a título de vale transporte. (assinado digitalmente) João Victor Ribeiro Aldinucci Fl. 332DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10380.904316/2011-60
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jun 12 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Wed Jul 31 00:00:00 UTC 2019
Ementa: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO
Ano-calendário: 2003
NULIDADE.
Além de não se enquadrar nas causas enumeradas no art. 59 do Decreto nº 70.235, de 1972, e não se tratar de caso de inobservância dos pressupostos legais aplicáveis ao caso, é incabível falar em nulidade do despacho decisório quando não houve transgressão alguma ao devido processo legal.
DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. AFERIÇÃO DA CERTEZA E LIQUIDEZ DO INDÉBITO TRIBUTÁRIO. FATOS OCORRIDOS EM PERÍODOS ANTERIORES ATINGIDOS PELA DECADÊNCIA DO DIREITO DE CONSTITUIR CRÉDITO TRIBUTÁRIO.
A análise da regularidade da determinação do saldo negativo do IRPJ não pode implicar lançamento de ofício de diferenças porventura apuradas após o transcurso do prazo decadencial, mas tal fato não significa automática homologação do saldo negativo demonstrado na DIPJ correspondente, com consequente restituição ou compensação sem aferição da certeza e liquidez dos indébitos tributários que lhe fundamentam; logo, na aferição da liquidez e certeza do indébito alegado junto à Fazenda Pública, utilizado nas compensações então submetidas à apreciação da administração pública, deve a autoridade administrativa retroagir sua análise a fatos que tenham ocorrido em períodos de apuração anteriores, ainda que já atingidos pela decadência do direito de constituir crédito tributário, quando daquelas apurações decorra o crédito que venha integrar o saldo negativo do período apontado na declaração de compensação.
DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. FALTA DE COMPROVAÇÃO DA DIFERENÇA DO DIREITO CREDITÓRIO RECLAMADA NA MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE.
Inexistindo comprovação da diferença do direito creditório reclamada na manifestação de inconformidade, é de se confirmar a homologação apenas parcial da compensação declarada nos autos.
Numero da decisão: 1401-003.502
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar as preliminares de nulidade suscitadas, negar o pedido de conversão do feito em diligência e, no mérito, negar provimento ao recurso voluntário.
(documento assinado digitalmente)
Luiz Augusto de Souza Gonçalves - Presidente
(documento assinado digitalmente)
Eduardo Morgado Rodrigues - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Abel Nunes de Oliveira Neto, Carlos André Soares Nogueira, Cláudio de Andrade Camerano, Daniel Ribeiro Silva, Eduardo Morgado Rodrigues, Letícia Domingues Costa Braga, Mauritânia Elvira de Sousa Mendonça (suplente convocada para substituir a Conselheira Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin) e Luiz Augusto de Souza Gonçalves (Presidente).
Nome do relator: EDUARDO MORGADO RODRIGUES
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201906
camara_s : Quarta Câmara
ementa_s : ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Ano-calendário: 2003 NULIDADE. Além de não se enquadrar nas causas enumeradas no art. 59 do Decreto nº 70.235, de 1972, e não se tratar de caso de inobservância dos pressupostos legais aplicáveis ao caso, é incabível falar em nulidade do despacho decisório quando não houve transgressão alguma ao devido processo legal. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. AFERIÇÃO DA CERTEZA E LIQUIDEZ DO INDÉBITO TRIBUTÁRIO. FATOS OCORRIDOS EM PERÍODOS ANTERIORES ATINGIDOS PELA DECADÊNCIA DO DIREITO DE CONSTITUIR CRÉDITO TRIBUTÁRIO. A análise da regularidade da determinação do saldo negativo do IRPJ não pode implicar lançamento de ofício de diferenças porventura apuradas após o transcurso do prazo decadencial, mas tal fato não significa automática homologação do saldo negativo demonstrado na DIPJ correspondente, com consequente restituição ou compensação sem aferição da certeza e liquidez dos indébitos tributários que lhe fundamentam; logo, na aferição da liquidez e certeza do indébito alegado junto à Fazenda Pública, utilizado nas compensações então submetidas à apreciação da administração pública, deve a autoridade administrativa retroagir sua análise a fatos que tenham ocorrido em períodos de apuração anteriores, ainda que já atingidos pela decadência do direito de constituir crédito tributário, quando daquelas apurações decorra o crédito que venha integrar o saldo negativo do período apontado na declaração de compensação. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. FALTA DE COMPROVAÇÃO DA DIFERENÇA DO DIREITO CREDITÓRIO RECLAMADA NA MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE. Inexistindo comprovação da diferença do direito creditório reclamada na manifestação de inconformidade, é de se confirmar a homologação apenas parcial da compensação declarada nos autos.
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
dt_publicacao_tdt : Wed Jul 31 00:00:00 UTC 2019
numero_processo_s : 10380.904316/2011-60
anomes_publicacao_s : 201907
conteudo_id_s : 6041193
dt_registro_atualizacao_tdt : Wed Jul 31 00:00:00 UTC 2019
numero_decisao_s : 1401-003.502
nome_arquivo_s : Decisao_10380904316201160.PDF
ano_publicacao_s : 2019
nome_relator_s : EDUARDO MORGADO RODRIGUES
nome_arquivo_pdf_s : 10380904316201160_6041193.pdf
secao_s : Primeira Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar as preliminares de nulidade suscitadas, negar o pedido de conversão do feito em diligência e, no mérito, negar provimento ao recurso voluntário. (documento assinado digitalmente) Luiz Augusto de Souza Gonçalves - Presidente (documento assinado digitalmente) Eduardo Morgado Rodrigues - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Abel Nunes de Oliveira Neto, Carlos André Soares Nogueira, Cláudio de Andrade Camerano, Daniel Ribeiro Silva, Eduardo Morgado Rodrigues, Letícia Domingues Costa Braga, Mauritânia Elvira de Sousa Mendonça (suplente convocada para substituir a Conselheira Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin) e Luiz Augusto de Souza Gonçalves (Presidente).
dt_sessao_tdt : Wed Jun 12 00:00:00 UTC 2019
id : 7839579
ano_sessao_s : 2019
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:50:03 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713052119361126400
conteudo_txt : Metadados => date: 2019-07-25T22:18:22Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.5; xmp:CreatorTool: Microsoft® Word 2010; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; language: pt-BR; dcterms:created: 2019-07-25T22:18:22Z; Last-Modified: 2019-07-25T22:18:22Z; dcterms:modified: 2019-07-25T22:18:22Z; dc:format: application/pdf; version=1.5; Last-Save-Date: 2019-07-25T22:18:22Z; pdf:docinfo:creator_tool: Microsoft® Word 2010; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:modified: 2019-07-25T22:18:22Z; meta:save-date: 2019-07-25T22:18:22Z; pdf:encrypted: true; modified: 2019-07-25T22:18:22Z; Content-Type: application/pdf; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; dc:language: pt-BR; meta:creation-date: 2019-07-25T22:18:22Z; created: 2019-07-25T22:18:22Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 14; Creation-Date: 2019-07-25T22:18:22Z; pdf:charsPerPage: 2239; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; pdf:docinfo:created: 2019-07-25T22:18:22Z | Conteúdo => S1-C 4T1 MINISTÉRIO DA ECONOMIA Conselho Administrativo de Recursos Fiscais Processo nº 10380.904316/2011-60 Recurso Voluntário Acórdão nº 1401-003.502 – 1ª Seção de Julgamento / 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 12 de junho de 2019 Recorrente CONSERVADORA AMAZONAS LIMITADA - EPP Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Ano-calendário: 2003 NULIDADE. Além de não se enquadrar nas causas enumeradas no art. 59 do Decreto nº 70.235, de 1972, e não se tratar de caso de inobservância dos pressupostos legais aplicáveis ao caso, é incabível falar em nulidade do despacho decisório quando não houve transgressão alguma ao devido processo legal. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. AFERIÇÃO DA CERTEZA E LIQUIDEZ DO INDÉBITO TRIBUTÁRIO. FATOS OCORRIDOS EM PERÍODOS ANTERIORES ATINGIDOS PELA DECADÊNCIA DO DIREITO DE CONSTITUIR CRÉDITO TRIBUTÁRIO. A análise da regularidade da determinação do saldo negativo do IRPJ não pode implicar lançamento de ofício de diferenças porventura apuradas após o transcurso do prazo decadencial, mas tal fato não significa automática homologação do saldo negativo demonstrado na DIPJ correspondente, com consequente restituição ou compensação sem aferição da certeza e liquidez dos indébitos tributários que lhe fundamentam; logo, na aferição da liquidez e certeza do indébito alegado junto à Fazenda Pública, utilizado nas compensações então submetidas à apreciação da administração pública, deve a autoridade administrativa retroagir sua análise a fatos que tenham ocorrido em períodos de apuração anteriores, ainda que já atingidos pela decadência do direito de constituir crédito tributário, quando daquelas apurações decorra o crédito que venha integrar o saldo negativo do período apontado na declaração de compensação. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. FALTA DE COMPROVAÇÃO DA DIFERENÇA DO DIREITO CREDITÓRIO RECLAMADA NA MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE. Inexistindo comprovação da diferença do direito creditório reclamada na manifestação de inconformidade, é de se confirmar a homologação apenas parcial da compensação declarada nos autos. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 38 0. 90 43 16 /2 01 1- 60 Fl. 204DF CARF MF Fl. 2 do Acórdão n.º 1401-003.502 - 1ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10380.904316/2011-60 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar as preliminares de nulidade suscitadas, negar o pedido de conversão do feito em diligência e, no mérito, negar provimento ao recurso voluntário. (documento assinado digitalmente) Luiz Augusto de Souza Gonçalves - Presidente (documento assinado digitalmente) Eduardo Morgado Rodrigues - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Abel Nunes de Oliveira Neto, Carlos André Soares Nogueira, Cláudio de Andrade Camerano, Daniel Ribeiro Silva, Eduardo Morgado Rodrigues, Letícia Domingues Costa Braga, Mauritânia Elvira de Sousa Mendonça (suplente convocada para substituir a Conselheira Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin) e Luiz Augusto de Souza Gonçalves (Presidente). Relatório O presente feito trata-se de Recurso Voluntário (fls. 164 a 199) interposto contra o Acórdão nº 06-45.584, proferido pela 1ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Curitiba/PR (fls. 151 a 160), que, por unanimidade, julgou improcedente a manifestação de inconformidade apresentada pela ora Recorrente, decisão esta consubstanciada na seguinte ementa: " ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Ano-calendário: 2003 NULIDADE. Além de não se enquadrar nas causas enumeradas no art. 59 do Decreto nº 70.235, de 1972, e não se tratar de caso de inobservância dos pressupostos legais aplicáveis ao caso, é incabível falar em nulidade do despacho decisório quando não houve transgressão alguma ao devido processo legal. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. AFERIÇÃO DA CERTEZA E LIQUIDEZ DO INDÉBITO TRIBUTÁRIO. FATOS OCORRIDOS EM PERÍODOS ANTERIORES ATINGIDOS PELA DECADÊNCIA DO DIREITO DE CONSTITUIR CRÉDITO TRIBUTÁRIO. A análise da regularidade da determinação do saldo negativo do IRPJ não pode implicar lançamento de ofício de diferenças porventura apuradas após o transcurso do prazo decadencial, mas tal fato não significa automática homologação do saldo negativo demonstrado na DIPJ correspondente, com consequente restituição ou compensação sem aferição da certeza e liquidez dos indébitos tributários que lhe Fl. 205DF CARF MF Fl. 3 do Acórdão n.º 1401-003.502 - 1ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10380.904316/2011-60 fundamentam; logo, na aferição da liquidez e certeza do indébito alegado junto à Fazenda Pública, utilizado nas compensações então submetidas à apreciação da administração pública, deve a autoridade administrativa retroagir sua análise a fatos que tenham ocorrido em períodos de apuração anteriores, ainda que já atingidos pela decadência do direito de constituir crédito tributário, quando daquelas apurações decorra o crédito que venha integrar o saldo negativo do período apontado na declaração de compensação. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. FALTA DE COMPROVAÇÃO DA DIFERENÇA DO DIREITO CREDITÓRIO RECLAMADA NA MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE. Inexistindo comprovação da diferença do direito creditório reclamada na manifestação de inconformidade, é de se confirmar a homologação apenas parcial da compensação declarada nos autos. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido" Por sua precisão na descrição dos fatos que desembocaram no presente processo, peço licença para adotar e reproduzir os termos do relatório da decisão da DRJ de origem: " Trata o presente processo da declaração de compensação (fls. 02-06) apresentada com utilização de direito creditório oriundo do saldo negativo de R$ 15.278,70 de IRPJ do 4º trimestre/2003: 2. A DRF/Fortaleza, por meio do Despacho Decisório proferido em 06/06/2011, rastreamento 932624611 (fls. 07-10), não reconheceu parcela alguma do direito creditório de saldo negativo de IRPJ porquanto confirmou apenas R$ 46,02 de parcelas de composição do crédito (IRRF), sendo que era devido R$ 8.966,20 de IRPJ: Fl. 206DF CARF MF Fl. 4 do Acórdão n.º 1401-003.502 - 1ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10380.904316/2011-60 3. Em consequência, não foi homologada a compensação declarada no PER/DCOMP nº 03297.96442.071106.1.7.023099. 4. Regularmente cientificada por via postal em 15/06/2011 (fl. 11), a reclamante apresentou, em 14/07/2011, a tempestiva manifestação de inconformidade de fls. 1233, instruída com os documentos de fls. 34146. cujo teor é sintetizado a seguir: a) no tópico “Da homologação tácita dos valores que serviram de base para a compensação – Decadência” argui que a não homologação da compensação sob a alegação de não existir o saldo negativo de IRPJ ressai totalmente insubsistente, na medida em que, ao não reconhecer o direito creditório, a Administração estará refazendo a apuração das bases após o prazo decadencial por força da homologação tácita; b) que a partir da homologação tácita das informações prestadas pelo contribuinte, o Fisco não mais poderá rever as bases apuradas e declaradas na apresentação da DIPJ, pois, além de ser contraditório com a homologação anteriormente praticada pela própria Administração, os créditos foram extintos pela decadência; c) que desde 2010 ocorreu a homologação tácita da compensação, e por conseguinte, a extinção do crédito tributário (art. 156, II, do CTN), razão pela qual ressumbra evidente ser indevida a cobrança perfectibilizada pelo Fisco através do despacho decisório que não homologou a compensação em virtude da não consideração do saldo negativo de imposto de renda já homologado tacitamente; d) que a Administração somente poderá questionar ou modificar as apuração efetuadas pelos contribuintes, através de declaração ao Fisco, dentro do prazo legal, sendo-lhe defeso considerar devido tributo para um determinado exercício quando as informações prestados pelo contribuinte já se tornaram imutáveis pela decadência; e) que o despacho decisório deve ser imediatamente anulado a fim de que seja restabelecida a ordem jurídica, principalmente após a comprovação inequívoca dos créditos de imposto de renda na fonte devidamente homologados (tacitamente) pela Fazenda, conforme assevera o art. 53 da Lei nº 9.784, de 1999; f) no tópico “Da responsabilidade tributária” aduz que a nulidade do despacho decisória deve ser observada, tendo em vista que foi imputado à peticionante a responsabilidade pelo não recolhimento do tributo retido pelo tomador do serviços e responsável tributário pela retenção e recolhimento do mesmo; g) que a empresa peticionante está sujeita à retenção na fonte pelos serviços que presta a pessoas jurídicas e a órgãos públicos, sendo o tomador do serviço o Fl. 207DF CARF MF Fl. 5 do Acórdão n.º 1401-003.502 - 1ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10380.904316/2011-60 responsável pela retenção e recolhimento dos tributos em tela; que os arts. 717 e 722 do RIR de 1999 dispõem de forma clara acerca da responsabilidade da fonte pagadora quanto ao recolhimento do imposto mesmo que não o tenha retido; h) no tópico “Da comprovação das retenções efetuadas através das notas fiscais de serviço” alega que no presente caso não haveria que se falar em saldo negativo de crédito, na medida em que as retenções na fonte efetivamente ocorreram, conforme se comprova por meio dos documentos em anexo (notas fiscais e DIPJ); a falta de informação das retenções é mero erro dos tomadores de serviços, devendo ser levada em consideração a verdade material devidamente comprovada em face dos documentos do crédito e das retenções devidamente efetuadas; i) que no processo administrativo há de se ater à verdade material e ao princípio da legalidade, principalmente após o advento da C.F. de 1988, razão pela qual o lançamento fiscal somente poderá ser formalizado com a prova segura a cargo de quem alega; no presente caso haveria que ser levado em consideração toda a documentação em poder da empresa relativa aos serviços efetuados, as retenções ocorridas nas notas fiscais, as DIPJ em que constam os créditos, a fim de se verificar a realidade material dos fatos efetivamente ocorridos; j) no tópico “Da diligência para comprovação das retenções na fonte” pede a realização de diligência fiscal, na forma do art. 18 do Decreto nº 70.235, de 1972, junto às fontes pagadoras para que seja constatado que efetivamente ocorreu a retenção do IRRF, porquanto não possui mais em seu poder os informes de rendimentos relativos ao ano-calendário de 2003, cujo prazo de guarda e conservação de cinco anos já se esgotou; k) protesta pela juntada posterior de novos documentos a fim de comprovar a verdade material, no sentido de que efetivamente ocorreram as retenções pelas fontes pagadoras." Inconformada com a decisão de primeira instância que refutou as suas teses, a Recorrente apresentou seu recurso reiterando as alegações realizadas na primeira instância, inclusive o pedido de diligência, e adicionando o argumento de que o acórdão ora combatido teria reconhecido a retenção na fonte de R$ 24.198,88, suficiente para a homologação da compensação. É o relatório. Voto Conselheiro Eduardo Morgado Rodrigues, Relator. Fl. 208DF CARF MF Fl. 6 do Acórdão n.º 1401-003.502 - 1ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10380.904316/2011-60 O presente Recurso Voluntário é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, portanto, dele conheço. Repisando, versa o presente feito sobre às DCOMPs (fls. 02 a 06) por meio das quais se buscou compensar créditos de IRPJ no valor de R$ 15.278,70, decorrente de saldo negativo apurado no 4º Trimestre de 2003, com débitos de períodos posteriores. Conforme Despacho Decisório de fl. 7 a 10, a DRF de origem buscou conferir todas as retenções na fonte ocorridas para comprovar a composição do saldo negativo a ser utilizado. Não tendo conseguido reconhecer a maioria das parcelas indicadas pela Contribuinte, não houve saldo negativo reconhecido, razão pela qual não homologou as compensações pleiteadas. A DRJ de origem, verificando as DIPJ's e esclarecimentos trazidos pela Recorrente em sede de Manifestação de Inconformidade, decidiu pela impossibilidade de se reconhecer qualquer outra retenção além das já reconhecidas, portanto, manteve a não homologação nos termos do Despacho Decisório. Pois bem, face a multiplicidade de argumentos trazidos pela Recorrente, passaremos a analisá-los um a um. 1 DAS PRELIMINARES 1.1 DA DECADÊNCIA/HOMOLOGAÇÃO TÁCITA Aduz a Recorrente que desde 2009 já teria se operado a homologação tácita das informações prestadas na DIPJ de 2004, referentes as retenções realizadas no ano calendário de 2003, portanto, não poderia o Despacho Decisório exarado em 2011 revisitar tais fatos. Contudo, se deve lembrar que não se trata de lançamento de eventual crédito tributário de períodos já alcançados pela decadência, mas sim de apreciação de compensação pleiteada pela empresa e, nesse caso, segundo o que dispõe o art. 170 do Código Tributário Nacional, há que restar demonstradas a liquidez e a certeza dos créditos apontados. Segundo esse dispositivo legal, a extinção do crédito tributário pela compensação requer a comprovação da certeza e da liquidez do crédito correspondente, que passa, necessariamente, por uma análise profunda de todos os elementos que originaram aquele crédito, principalmente, se tais créditos não foram utilizados em compensações anteriores. Desta forma, entendo que o art. 150 do CTN invocado pela Recorrente não se aplica aos fatos em tela, não sendo, portanto, procedente esta arguição de nulidade. Em uso da autorização concedida pelo §3º do art. 57 do RICARF, e por concordar com seu teor, adoto as razões exaradas pela decisão da DRJ ora combatida. Para tanto, reproduzo os tópicos atinentes às matérias ora tratadas: "(...) Aplicando ao despacho decisório contestado as regras previstas no Decreto nº 70.235, de 1972 (PAF), conforme determina o 11 do artigo 74 da Lei nº 9.430, de 1996, verifica-se que não ocorreu no presente caso nenhuma das causas de nulidade previstas no artigo 59 do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, in verbis: Fl. 209DF CARF MF Fl. 7 do Acórdão n.º 1401-003.502 - 1ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10380.904316/2011-60 “Art. 59. São nulos: I - os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II - os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa.” 9. A DRF/Fortaleza analisou as informações prestadas pela contribuinte e os dados disponíveis nos sistemas eletrônicos da RFB para concluir que inexiste crédito líquido e certo no valor pleiteado pela reclamante, passível de ser utilizado na compensação, conforme exigido pelo artigo 170 do CTN. Em obediência ao princípio constitucional do contraditório e ampla defesa, foi facultado ao sujeito passivo apresentar manifestação de inconformidade, cuja entrega em 14/03/2011 deu início à fase litigiosa do procedimento. 10. Com relação à alegação de que o Fisco estaria impedido de reapurar, em 14/02/2011, o saldo negativo do ano-calendário de 2004, em razão do prazo decadencial previsto no artigo 150, § 4º, do CTN, cumpre destacar que com o decurso do prazo de decadência de cinco anos apenas o dever/poder de constituir o crédito tributário estaria obstado, tendo em conta que a decadência é uma das modalidades de extinção do crédito tributário (art. 156, V e VII do CTN). Não se pode inferir, a partir daí, que com o transcurso do prazo decadencial para efetuar o lançamento também estariam tacitamente homologados quaisquer outros fatos jurídicos tributários que pudessem repercutir em períodos de apuração futuros. 11. A análise da regularidade da determinação do saldo negativo do IRPJ/CSLL não pode implicar lançamento de ofício de diferenças porventura apuradas após o transcurso do prazo decadencial, mas tal fato não significa automática homologação do saldo negativo demonstrado na DIPJ correspondente, com consequente restituição ou compensação sem aferição da certeza e liquidez dos indébitos tributários que lhe fundamentam. 12. No contexto do procedimento de homologação da compensação, no qual deve ser atestada a existência e a suficiência do direito creditório invocado para a extinção dos débitos compensados, a única limitação imposta à atuação da autoridade fiscal diz respeito ao prazo de cinco anos, contado da data de entrega da declaração de compensação, para homologação das compensações declaradas pelo sujeito passivo, depois do qual os débitos compensados são extintos, independentemente da existência do crédito indicado (art. 74, § 5º da Lei nº 9.430, de 1996). 13. Cabe ao órgão competente da RFB o pronunciamento acerca da certeza e liquidez do crédito invocado em favor do sujeito passivo para extinção dos débitos fiscais a ele vinculados por meio das declarações de compensação. Não se pode admitir que a determinação da certeza e liquidez dos indébitos tributários, relativos aos saldos negativos de IRPJ e CSLL, possa ser aferida sem uma verificação de valores que compõem esses saldos negativos e decorrem de fatos ocorridos em períodos de apuração anteriores. 14. Consequentemente, ainda que a retificação da base de cálculo do tributo somente seja cabível mediante lançamento de ofício, a verificação também deve ser efetuada no âmbito da análise de declarações de compensação vinculadas ao saldo negativo de IRPJ/CSLL, para efeito de determinação da certeza e liquidez do crédito invocado pelo sujeito passivo para extinção de outros débitos fiscais. Fl. 210DF CARF MF Fl. 8 do Acórdão n.º 1401-003.502 - 1ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10380.904316/2011-60 15. Ademais, no exercício do dever/poder de verificação da regularidade do cumprimento das obrigações tributárias pelos contribuintes também se insere a verificação das compensações por eles efetuadas, sem qualquer prévio procedimento de ofício relacionado ao reconhecimento do indébito tributário assim utilizado, haja vista tratar-se de extinção do crédito tributário sob condição resolutória de sua posterior homologação. 16. Acrescente-se que homologação tácita prevista no artigo 150, § 4º do CTN incide apenas sobre o pagamento do crédito tributário efetuado pelo sujeito passivo e vinculado a uma base de cálculo positiva sujeita à tributação (lucro real e base de cálculo positiva de CSLL). Não há previsão legal para que a homologação tácita se aplique à apuração de saldos negativos do IRPJ ou da CSLL. 17. Nesse contexto, na aferição da liquidez e certeza do indébito alegado junto à Fazenda Pública, utilizado nas compensações então submetidas à apreciação da administração pública, deve a autoridade administrativa retroagir sua análise a fatos que tenham ocorrido em períodos de apuração anteriores, ainda que já atingidos pela decadência do direito de constituir crédito tributário, quando daquelas apurações decorra o crédito que venha integrar o saldo negativo do período apontado na declaração de compensação. 18. Atente-se que a aferição da certeza e liquidez do crédito alegado pelos contribuintes junto à Fazenda Pública é atribuída à autoridade administrativa pelo artigo 170 do CTN, não havendo que se impor qualquer restrição à verificação de consistência nas informações prestadas que respaldam o alegado indébito, requisitos imprescindíveis a sua existência e inerentes à utilização para extinção de créditos tributários. 19. Assim, no momento em que for formalizada a declaração de compensação, vinculada a saldo negativo de IRPJ ou CSLL, deve o sujeito passivo ter instrumentos hábeis a comprovar a regularidade do direito invocado. É somente por ocasião do exercício, pelo contribuinte, do direito de compensação de saldo negativo que se instaura, para o Fisco, o dever/poder de exigir a comprovação da regularidade de seu exercício. 20. Sobre o assunto, a Solução de Consulta Interna nº 16 – Cosit, de 18 de julho de 2012, esclarece que a homologação tácita limita-se às compensações, e não ao crédito em si: “25. Não se pode concluir que a autoridade fiscal deva aprovar o saldo negativo de IRPJ demonstrado na DIPJ correspondente, e decidir pela homologação da compensação, sem a verificação prévia da liquidez e certeza do indébito tributário que lhe dá suporte. A norma específica que versa sobre Dcomp não deixa dúvidas quanto à limitação da homologação tácita somente às compensações, e não ao crédito em si. 26. Assim, é dever da autoridade, ao analisar os valores informados em Dcomp para fins de decisão de homologação ou não da compensação, investigar a exatidão do crédito apurado pelo sujeito passivo. No caso sub examine, o crédito provém de saldo negativo de IRPJ resultante de pagamento a maior de estimativas quitadas em períodos anteriores, mediante compensações tacitamente homologadas, que está sendo utilizado em compensação no período atual. Para tanto, não há como se furtar do levantamento do valor do imposto devido ao final do ano em que foram Fl. 211DF CARF MF Fl. 9 do Acórdão n.º 1401-003.502 - 1ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10380.904316/2011-60 quitadas as estimativas, conforme a sistemática brevemente relatada nos itens 10 a 13, mesmo que não seja mais possível o lançamento de eventual diferença apurada nessa verificação.” (Grifou-se) (...)" Desta forma, REJEITO esta preliminar. 1.2 DA RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA Ainda, entende a Recorrente estar o despacho decisório eivado de uma segunda nulidade porquanto teria imputado a ela responsabilidade pelo não recolhimento do tributo retido pelo tomador do serviço e responsável tributário pela retenção e recolhimento do mesmo. Ora, não se deve confundir a responsabilidade pela retenção e recolhimento do imposto com o contribuinte do mesmo. Ambas as figuras são detalhadas no art. 121 do CTN: Art. 121. Sujeito passivo da obrigação principal é a pessoa obrigada ao pagamento de tributo ou penalidade pecuniária. Parágrafo único. O sujeito passivo da obrigação principal diz-se: I - contribuinte, quando tenha relação pessoal e direta com a situação que constitua o respectivo fato gerador; II - responsável, quando, sem revestir a condição de contribuinte, sua obrigação decorra de disposição expressa de lei. No caso, o fato de as empresas tomadoras do serviço terem a obrigação, na condição de sujeito passivo responsável, de reter e repassar aos cofres públicos determinada parcela do valor a ser pago ao prestador do serviço, a título de imposto retido na fonte, tal circunstância não faz dela o efetivo contribuinte da obrigação tributária. Em última análise, quem deve o tributo é o titular da receita auferida, no caso, o prestador do serviço. Quando a tomadora procede ao recolhimento referente à retenção na fonte, o faz em favor da quitação de uma obrigação tributária cujo verdadeiro contribuinte é a outra parte. Tal expediente se traduz apenas em uma sistemática para facilitar a arrecadação por parte da administração pública, sem, contudo, alterar a condição de contribuinte que recai sobre o prestador do serviço. Por consequencia, não tendo a responsável pela retenção na fonte realizado o devido recolhimento, continua o sujeito passivo contribuinte responsável por providenciar o seu adimplemento. Fl. 212DF CARF MF Fl. 10 do Acórdão n.º 1401-003.502 - 1ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10380.904316/2011-60 Por fim, salienta-se que ao final de cada período de apuração é responsabilidade de cada contribuinte promover a declaração e recolhimento de todos os tributos devidos, inclusive os que deixaram de sofrer a devida retenção na fonte. Diante disto, por economia processual, mais uma vez replico e adoto os fundamentos da decisão de piso: "(...) 21. Com relação à alegação de que lhe foi imputada a responsabilidade pelo não recolhimento do tributo retido pelo tomador do serviços, cabe salientar que a responsabilidade da fonte pagadora pela retenção e recolhimento do imposto extingue- se na data prevista para o encerramento do período de apuração em que o rendimento for tributado, conforme esclareceu o Parecer Normativo nº 1, de 24 de setembro de 2002, in verbis: “12. Como o dever do contribuinte de oferecer os rendimentos à tributação surge tão somente na declaração de ajuste anual, no caso de pessoa física, ou, na data prevista para o encerramento do período de apuração em que o rendimento for tributado, seja trimestral, mensal estimado ou anual, no caso de pessoa jurídica, ao se atribuir à fonte pagadora a responsabilidade tributária por imposto não retido, é importante que se fixe o momento em que foi verificada a falta de retenção do imposto: se antes ou após os prazos fixados, referidos acima. 13. Assim, se o fisco constatar, antes do prazo fixado para a entrega da declaração de ajuste anual, no caso de pessoa física, ou, antes da data prevista para o encerramento do período de apuração em que o rendimento for tributado, seja trimestral, mensal estimado ou anual, no caso de pessoa jurídica, que a fonte pagadora não procedeu à retenção do imposto de renda na fonte, o imposto deve ser dela exigido, pois não terá surgido ainda para o contribuinte o dever de oferecer tais rendimentos à tributação. Nesse sentido, dispõe o art. 722 do RIR /1999, verbis: (...) 14. Por outro lado, se somente após a data prevista para a entrega da declaração de ajuste anual, no caso de pessoa física, ou, após a data prevista para o encerramento do período de apuração em que o rendimento for tributado, seja trimestral, mensal estimado ou anual, no caso de pessoa jurídica, for constatado que não houve retenção do imposto, o destinatário da exigência passa a ser o contribuinte. Com efeito, se a lei exige que o contribuinte submeta os rendimentos à tributação, apure o imposto efetivo, considerando todos os rendimentos, a partir das datas referidas não se pode mais exigir da fonte pagadora o imposto.” (Grifou-se) 22. A reclamante juntou aos autos as cópias de notas fiscais de sua emissão de fls. 229232 para comprovar, por amostragem, as retenções efetuadas por alguns dos tomadores de serviços, mas constata-se que os valores descontados referem-se a retenção para a Seguridade Social prevista na Lei nº 9.711, de 20 de novembro de 1998, que introduziu a obrigatoriedade da retenção pela empresa contratante de serviços mediante cessão de mão de obra ou empreitada, de 11% sobre o valor total dos serviços contidos na nota fiscal emitida pela prestador do serviço. Fl. 213DF CARF MF Fl. 11 do Acórdão n.º 1401-003.502 - 1ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10380.904316/2011-60 23. Contudo, nas parcelas de composição do crédito discriminadas na declaração de compensação inicial foram indicadas retenções com os seguintes códigos de receita: . 6190 – Serviços-Retenção em Pagamento por Órgão Público: retenção de 9,45% prevista no artigo 34 da Lei nº 10.833, de 29 de dezembro de 2003, que instituiu a obrigatoriedade de retenção na fonte do imposto de renda (4,8%), da CSLL (1,0%), da Cofins (3,0%) e do PIS (0,65%) pelo fornecimento de bens ou prestação às empresas públicas, sociedades de economia mista e demais entidades em que a União, direita ou indiretamente, detenha a maioria do capital social com direito a voto, e que dela receberam recursos do Tesouro Nacional e estejam obrigadas a registrar sua execução orçamentária e financeira na modalidade total no SIAFI; . 1708 – Remuneração de Serviços Profissionais Prestados por Pessoa Jurídica (art. 52 da Lei nº 7.450, de 1985): retenção de 1,5% sobre as importâncias pagas ou creditadas por pessoas jurídicas a outras pessoas jurídicas civis ou mercantis pela prestação de serviços caracterizadamente de natureza profissional. 24. Com relação aos comprovantes de recolhimento por DARF com códigos de receita 6147 e 6190 (fls. 130-134 e 137-146), verifica-se que referem-se a retenções diversas das discriminas nas parcela de composição do crédito. 25. Para comprovação do imposto de renda na fonte pretendido pela reclamante é imprescindível a apresentação do comprovante de retenção previsto no artigo 86 da Lei nº 8.981, de 20 de janeiro de 1995 (disciplinado pela IN SRF nº 119, de 28 de dezembro de 2000): “Art. 86. As pessoas físicas ou jurídicas que efetuarem pagamentos com retenção do Imposto de Renda na 0fonte, deverão fornecer à pessoa física ou jurídica beneficiária, até o dia 31 de janeiro, documento comprobatório, em duas vias, com indicação da natureza e do montante do pagamento, das deduções e do Imposto de Renda retido no ano-calendário anterior, quando for o caso. § 1º. No documento de que trata este artigo, o imposto retido na fonte, as deduções e os rendimentos, deverão ser informados por seus valores em Reais (...)” (Grifou-se) 25. A necessidade de apresentação do comprovante de retenção emitido pela fonte pagadora para compensação do imposto retido com o valor devido no ajuste anual encontra-se prevista no artigo 55 da Lei nº 7.450, de 1985, e artigo 815 do RIR de 1999: “Lei nº 7.450, de 22 de dezembro de 1985 Art 55 O imposto de renda retido na fonte sobre quaisquer rendimentos somente poderá ser compensado na declaração de pessoa física ou jurídica, se o contribuinte possuir comprovante de retenção emitido em seu nome pela fonte pagadora dos rendimentos.” “RIR de 1999 Fl. 214DF CARF MF Fl. 12 do Acórdão n.º 1401-003.502 - 1ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10380.904316/2011-60 Art. 815. As pessoas jurídicas que compensarem com o imposto devido em sua declaração o retido na fonte, deverão comprovar a retenção correspondente com uma das vias do documento fornecido pela fonte pagadora (Lei nº 4.154, de 1962, art. 13, § 3º, e Lei nº 9.430, de 1996, art. 64).” (...)" Diante destas constatações, REJEITO, também, esta preliminar. 2 DO MÉRITO 2.1 DA CONFIRMAÇÃO DA RETENÇÃO POR PARTE DA FAZENDA No mérito, defende a Recorrente que a decisão ora combatida teria reconhecido, às fls. 159, a retenção na fonte do valor de R$ 24.198,88. E uma vez que tal retenção fora reconhecida pela própria administração, não haveria como excluir esta parcela do cálculo referente ao montante do saldo negativo a ser considerado. De plano, analisando o citado trecho da decisão de primeira instância não vislumbro o suposto reconhecimento da retenção nos moldes trazidos pela Recorrente. Na aludida página do acórdão de primeira instância tem-se a seguinte tabela: A primeira vista, a tabela exibida na decisão de piso até pode parece corroborar as alegações da Recorrente, porquanto na coluna "Parc. Confirm." realmente está incluído diversas parcelas que somam o montante por ela apontado. Contudo, tal planilha já esbarra em contradição dentro de si mesma, na coluna "Valor Retido" consta valor R$ 0,00 em todas as linhas que tiveram supostas parcelas confirmadas. Ora, não é logicamente possível confirmar qualquer valor se, inicialmente, tem-se que não houve retenção alguma. A título de ilustração, nota-se que planilha semelhante foi apresentada no processo similar a este de nº 10380.900036/2011-82 (julgado nesta mesma sessão), naquele processo percebe-se que a coluna "Valor Retido" foi corretamente preenchida com as retenções indicadas Fl. 215DF CARF MF Fl. 13 do Acórdão n.º 1401-003.502 - 1ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10380.904316/2011-60 pela Recorrente, enquanto na coluna "Parc.Confirm." foi indicado o montante confirmado de cada uma destas parcelas. Outrossim, independente da tabela apresentada, a decisão de piso diz expressamente que apenas a retenção de R$ 57,39 fora possível de ser confirmada, como segue: " 29. Das parcelas de composição do crédito informadas na declaração de compensação foi confirmada, no sistema DIRF (fl. 150), apenas a retenção de R$ 57,39 de IRRF com código de receita 1708 da fonte pagadora CNPJ 13.004.510/000189, valor insuficiente para formação de saldo negativo no 4º trimestre/2003." Assim, ainda que seja evidente a contradição na decisão de piso, a análise do processo como um todo deixa perfeitamente claro que o erro residiu na formulação da planilha. Sendo correto entender que jamais quis a decisão de piso reconhecer nada além do valor já reconhecido pela DRF de origem. Assim, resta claro que não tem procedência a alegação da Recorrente quanto a este ponto. 2.2 DA DILIGÊNCIA PARA COMPROVAÇÃO DAS RETENÇÕES A Recorrente argumenta que não possui mais em seus arquivos os comprovantes de retenção fornecidos pelas fontes pagadoras referentes ao ano calendário de 2004, período onde se origina o crédito a ser utilizado nas compensações. Outrossim, entende que só estava obrigada a guardá-los pelo período de cinco anos. Nesta linha, requer que este colegiado converta o feito em diligência para que as fontes pagadoras sejam intimadas em apresentar os comprovantes necessários à comprovação do crédito ora pleiteado. Ocorre que, diferente do entendido pela Recorrente, não existe tal regra jurídica que determine que toda documentação fiscal deva ser guardada apenas pelo período de cinco anos e após o transcurso deste prazo fica o Contribuinte isento de qualquer responsabilidade pelos mesmos. Os documentos e escriturações atinentes a atividade empresarial são de guarda e responsabilidade exclusiva de cada empresa, pelo tempo que se fizerem necessários a seus interesses. Comumente se trabalha com o período de cinco anos pois este coincide com o período que a Autoridade Fiscal dispõe para fiscalizar as atividades da empresa e, se for o caso, proceder ao lançamento tributário. Contudo, caso haja circunstância em que se faça necessário a produção de provas por parte da empresa, é dever desta ter a referida documentação guardada, independente do prazo. Agir diverso é uma decisão da própria Interessada, sob sua conta e risco. Fl. 216DF CARF MF Fl. 14 do Acórdão n.º 1401-003.502 - 1ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10380.904316/2011-60 No caso em tela, é cediço que o dever de comprovar a certeza e liquidez do crédito a ser utilizado é da própria Recorrente. Tendo esta apresentado os PER/DCOMP's em apreço, era de sua responsabilidade manter todos os documentos necessários para comprovação de seu direito até que as mesmas fossem homologadas, seja por homologação expressa, tácita ou via processo administrativo. Destarte, considerando que a Recorrente não apresentou qualquer documentação nova em seu Recurso, bem como os preexistentes nos autos não demonstram qualquer valor a ser reconhecido além dos já verificado, tanto pela DRF, quanto pela DRJ de origem, não vejo razão para converter o feito em diligência, portanto, NEGO o pedido realizado. 3 CONCLUSÃO Em face a todo o exposto, VOTO por REJEITAR as preliminares de nulidade suscitadas, NEGAR o pedido de conversão do feito em diligência e, finalmente, NEGAR PROVIMENTO ao Recurso Voluntário, mantendo in totum a decisão de primeira instância. É como voto. (documento assinado digitalmente) Eduardo Morgado Rodrigues Fl. 217DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 11040.904322/2009-16
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu May 23 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Thu Jun 13 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/05/2005 a 31/05/2005
PRELIMINAR. NULIDADE DA DECISÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA. NÃO OCORRÊNCIA.
Inexiste nulidade quando a decisão é exarada por pessoa autoridade competente, sem preterição do direito de defesa, devidamente fundamentada em análise dos documentos carreados aos autos e na legislação aplicável.
PRELIMINAR. CERCEAMENTO DE DEFESA. NÃO OCORRÊNCIA.
O inconformismo diante de decisão contrária às pretensões firmadas em recurso não permite concluir pelo cerceamento de defesa, mormente quando resta assegurado à contribuinte o prosseguimento da lide, ocasião em que pode reafirmar seu pleito e, se for o caso, obter decisão que lhe é satisfatória, e também quando a referida decisão é fundamentada, pauta-se na análise do caso de acordo com a legislação e provas dos autos.
PRELIMINAR. PERÍCIA. DESNECESSIDADE.
Estando presentes nos autos todos os elementos de convicção necessários à adequada solução da lide, indefere-se, por prescindível, o pedido de diligência ou perícia.
COFINS. SERVIÇOS PRESTADOS A PESSOA JURÍDICA NO EXTERIOR. NÃO INCIDÊNCIA. REQUISITOS. CUMPRIMENTO.
Os documentos carreados autos confirmam a efetiva prestação de serviços a pessoas jurídicas domiciliadas no exterior e, consequentente, o ingresso de divisa. O fato de haver um terceiro mandatário intermediando o pagamento não desconfigura o ingresso de divisas necessário para que tal pagamento chegue ao prestador brasileiro, eis que o ingresso divisas é decorrência lógica da natureza deste tipo de operação, não sendo ônus da Recorrente a apresentação de contrato cambial para a sua comprovação.
Numero da decisão: 3301-006.215
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, conhecer do recurso voluntário, afastar as preliminares nele suscitadas e, no mérito, dar-lhe provimento.
(assinado digitalmente)
Winderley Morais Pereira Presidente.
(assinado digitalmente)
Marco Antonio Marinho Nunes - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Winderley Morais Pereira (presidente da turma), Valcir Gassen (vice-presidente), Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Salvador Cândido Brandão Júnior, Ari Vendramini, Marco Antonio Marinho Nunes e Semíramis de Oliveira Duro.
Nome do relator: MARCO ANTONIO MARINHO NUNES
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201905
camara_s : Terceira Câmara
ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Período de apuração: 01/05/2005 a 31/05/2005 PRELIMINAR. NULIDADE DA DECISÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA. NÃO OCORRÊNCIA. Inexiste nulidade quando a decisão é exarada por pessoa autoridade competente, sem preterição do direito de defesa, devidamente fundamentada em análise dos documentos carreados aos autos e na legislação aplicável. PRELIMINAR. CERCEAMENTO DE DEFESA. NÃO OCORRÊNCIA. O inconformismo diante de decisão contrária às pretensões firmadas em recurso não permite concluir pelo cerceamento de defesa, mormente quando resta assegurado à contribuinte o prosseguimento da lide, ocasião em que pode reafirmar seu pleito e, se for o caso, obter decisão que lhe é satisfatória, e também quando a referida decisão é fundamentada, pauta-se na análise do caso de acordo com a legislação e provas dos autos. PRELIMINAR. PERÍCIA. DESNECESSIDADE. Estando presentes nos autos todos os elementos de convicção necessários à adequada solução da lide, indefere-se, por prescindível, o pedido de diligência ou perícia. COFINS. SERVIÇOS PRESTADOS A PESSOA JURÍDICA NO EXTERIOR. NÃO INCIDÊNCIA. REQUISITOS. CUMPRIMENTO. Os documentos carreados autos confirmam a efetiva prestação de serviços a pessoas jurídicas domiciliadas no exterior e, consequentente, o ingresso de divisa. O fato de haver um terceiro mandatário intermediando o pagamento não desconfigura o ingresso de divisas necessário para que tal pagamento chegue ao prestador brasileiro, eis que o ingresso divisas é decorrência lógica da natureza deste tipo de operação, não sendo ônus da Recorrente a apresentação de contrato cambial para a sua comprovação.
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Thu Jun 13 00:00:00 UTC 2019
numero_processo_s : 11040.904322/2009-16
anomes_publicacao_s : 201906
conteudo_id_s : 6020569
dt_registro_atualizacao_tdt : Thu Jun 13 00:00:00 UTC 2019
numero_decisao_s : 3301-006.215
nome_arquivo_s : Decisao_11040904322200916.PDF
ano_publicacao_s : 2019
nome_relator_s : MARCO ANTONIO MARINHO NUNES
nome_arquivo_pdf_s : 11040904322200916_6020569.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, conhecer do recurso voluntário, afastar as preliminares nele suscitadas e, no mérito, dar-lhe provimento. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Presidente. (assinado digitalmente) Marco Antonio Marinho Nunes - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Winderley Morais Pereira (presidente da turma), Valcir Gassen (vice-presidente), Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Salvador Cândido Brandão Júnior, Ari Vendramini, Marco Antonio Marinho Nunes e Semíramis de Oliveira Duro.
dt_sessao_tdt : Thu May 23 00:00:00 UTC 2019
id : 7782139
ano_sessao_s : 2019
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:47:17 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713052119387340800
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 16; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2129; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C3T1 Fl. 2.426 1 2.425 S3C3T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 11040.904322/200916 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3301006.215 – 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 23 de maio de 2019 Matéria COFINS ISENÇÃO Recorrente TECON RIO GRANDE S/A Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/05/2005 a 31/05/2005 PRELIMINAR. NULIDADE DA DECISÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA. NÃO OCORRÊNCIA. Inexiste nulidade quando a decisão é exarada por pessoa autoridade competente, sem preterição do direito de defesa, devidamente fundamentada em análise dos documentos carreados aos autos e na legislação aplicável. PRELIMINAR. CERCEAMENTO DE DEFESA. NÃO OCORRÊNCIA. O inconformismo diante de decisão contrária às pretensões firmadas em recurso não permite concluir pelo cerceamento de defesa, mormente quando resta assegurado à contribuinte o prosseguimento da lide, ocasião em que pode reafirmar seu pleito e, se for o caso, obter decisão que lhe é satisfatória, e também quando a referida decisão é fundamentada, pautase na análise do caso de acordo com a legislação e provas dos autos. PRELIMINAR. PERÍCIA. DESNECESSIDADE. Estando presentes nos autos todos os elementos de convicção necessários à adequada solução da lide, indeferese, por prescindível, o pedido de diligência ou perícia. COFINS. SERVIÇOS PRESTADOS A PESSOA JURÍDICA NO EXTERIOR. NÃO INCIDÊNCIA. REQUISITOS. CUMPRIMENTO. Os documentos carreados autos confirmam a efetiva prestação de serviços a pessoas jurídicas domiciliadas no exterior e, consequentente, o ingresso de divisa. O fato de haver um terceiro mandatário intermediando o pagamento não desconfigura o ingresso de divisas necessário para que tal pagamento chegue ao prestador brasileiro, eis que o ingresso divisas é decorrência lógica da natureza deste tipo de operação, não sendo ônus da Recorrente a apresentação de contrato cambial para a sua comprovação. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 04 0. 90 43 22 /2 00 9- 16 Fl. 2426DF CARF MF Processo nº 11040.904322/200916 Acórdão n.º 3301006.215 S3C3T1 Fl. 2.427 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, conhecer do recurso voluntário, afastar as preliminares nele suscitadas e, no mérito, darlhe provimento. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira – Presidente. (assinado digitalmente) Marco Antonio Marinho Nunes Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Winderley Morais Pereira (presidente da turma), Valcir Gassen (vicepresidente), Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Salvador Cândido Brandão Júnior, Ari Vendramini, Marco Antonio Marinho Nunes e Semíramis de Oliveira Duro. Relatório Cuidase de Recurso Voluntário interposto contra o Acórdão nº 1049.544 2ª Turma da DRJ/POA, que manteve o Despacho Decisório com o numero de rastreamento nº 848647215, por intermédio do qual não foi homologada a compensação declarada no PER/DCOMP nº 18432.28048.130209.1.3.043243. Por bem descrever o caso a ser apreciado, adoto o relatório desenvolvido pelo órgão julgador de primeira instância, ao qual farei os devidos acréscimos. Relatório A contribuinte supracitada solicitou restituição de Cofins do mês de apuração de maio de 2005, com vencimento em junho de 2005, para fins de compensação com débitos, conforme Dcomps de fls.3/71. Posteriormente, foi emitido o Despacho Decisório de fls.8/11, indeferindo o pleito da contribuinte, por inexistência de créditos disponíveis para utilização na compensação pleiteada. Irresignada, apresenta manifestação de inconformidade de fls.12/13. Nesta, informa que foi entregue DCTF retificadora do mês de maio de 2005, que fundamentaria corretamente o pleito solicitado, em 01/10/2009, mas que não teria sido considerada no Despacho Decisório emitido em 07/10/2009. Por isso, solicita a revisão do Despacho Decisório, de forma a homologar os débitos compensados e extinguir a exigência fiscal. Diante dos fatos, foi solicitada diligência pela DRJ para verificar a liquidez e certeza do crédito pleiteado, diante da existência de DCTF retificadora enviada em data anterior ao Despacho Decisório, nos termos do Despacho de fl.54. Após intimação da contribuinte e análise dos documentos enviados, dos fatos e da legislação, a DRF de origem emitiu a resposta no documento de fls.290/293 na 1 O número de folhas é do sistema eprocesso Fl. 2427DF CARF MF Processo nº 11040.904322/200916 Acórdão n.º 3301006.215 S3C3T1 Fl. 2.428 3 qual concluiu que “não foi comprovada a prestação de serviços para pessoa situada no exterior, como também não foi comprovado que os pagamentos recebidos pelo interessado representam ingresso de divisas. Em conseqüência da falta de comprovação das condições necessárias para que o interessado faça jus a não incidência da Cofins, prevista no inciso II do art. 6º da Lei 10.833/2003, com redação dada pela Lei 10.865/2004, não existe base legal que ampare as retificações na DACON. Sendo assim, não foi apurado pagamento a maior de Cofins para o período.”. Reaberto o prazo para manifestação de inconformidade, a contribuinte apresentou a contestação de fls.302/313. Nesta, inicia argumentando que a diligência realizada neste processo não ocorreu, pois os processos citados na Intimação 06/01/2012 são referentes a outros processos de créditos de Cofins do anocalendário de 2004, diferente do período dos autos, sem contar que não foi feita diligência na empresa, trazendo prejuízo ao contraditório e a ampla defesa. Mesmo assim, alega que os requerimentos da Fiscalização da DRF de origem teriam sido atendidos, inclusive referentes aos Despachos Decisórios de nº 108,109 e 110, atinentes aos créditos dos meses de junho, julho e agosto de 2004, no momento da manifestação de inconformidade destes, e que a necessidade de documentação original teria sido solicitada em outros processos administrativos e não neste em apreço. Logo, o ente fiscal deve se ater aos documentos juntados aos autos para solucionar o litígio e não em outras referências. Após o intróito referente à diligência, a contribuinte explica sua atividade, que assim se resume: __ presta serviços portuários às empresas transportadoras sediadas e domiciliadas no exterior, cujas embarcações atracam em seu porto para as operações, dentre outras, de embarque e desembarque de mercadorias, sendo que as empresas transportadoras estrangeiras contratam a manifestante, através de seus agentes, representantes no Brasil, para execução de serviços portuários; __ as transferências dos recursos do exterior e para o exterior, são disciplinadas pelo Banco Central do Brasil BACEN, através da Circular n° 3.280, de 09 de março de 2005, sendo obrigatória, a intervenção de uma agência marítima como representante da empresa de navegação estrangeira, nos termos do § 2o, art. 4o, da IN RFB N° 800, de 27 de dezembro de 2007; __ há duas hipóteses de transferência de valores entre o transportador estrangeiro e o agente marítimo no País, regulados pela Circular n° 3.280, de 09 de março de 2005, tanto no envio de divisas do exterior para o País, abordando a questão das despesas portuárias, e o envio do País para o exterior, envolvendo o pagamento do transporte internacional e dedução das despesas portuárias, sendo que as duas hipóteses acima citadas, ao final das operações cambiais o saldo no balanço de pagamentos na conta de transações correntes é o mesmo e há sempre os contratos de câmbio, celebrados entre o transportador estrangeiro e a agência de navegação, para evidenciar as operações de prestação de serviços, considerando que a manifestante não é responsável pelo fechamento do câmbio, já que o contrato de câmbio é celebrado entre o transportador estrangeiro e a agência marítima, seu representante no Brasil.; __ conceitua o relacionamento do transportador estrangeiro, do agente do transportador estrangeiro, e o prestador do serviço (manifestante/contribuinte), Fl. 2428DF CARF MF Processo nº 11040.904322/200916 Acórdão n.º 3301006.215 S3C3T1 Fl. 2.429 4 informando que se algumas notas fiscais são emitidas em face do agente do transportador estrangeiro, estas não teriam o condão de descaracterizar a natureza da operação de exportação de serviços, sendo que as notas fiscais informariam o nome do navio de bandeira estrangeira e o período de atracação no porto. Posteriormente, ataca o mérito do indeferimento do seu pleito. Salienta que origem do crédito decorre de receitas auferidas na prestação de serviços para pessoa jurídica domiciliada no exterior, sendo isenta das contribuições de PIS e Cofins, nos termos do II, do art. 6º, da Lei nº 10.833/2003 e inciso II do art. 5º, da Lei nº 10.637/2002, na redação dada pelo art. 21 da Lei nº 10.865/2004 e ainda pela IN SRF n° 247, de 21 de novembro de 2002, devendo o valor pago indevidamente sobre as receitas mencionadas ser objeto de restituição. Para comprovar nexo causal do ingresso de divisas, alega que faz novamente nos autos através de juntada de alguns contratos celebrados com os transportadores estrangeiros e pela amostragem das notas fiscais emitidas contra estes aos cuidados de sua agência marítima ou de seu representante no Brasil. Afirma que a existência das agências de navegação, que seria uma terceira pessoa na relação contratual com os transportadores, não desfigura o efetivo ingresso de divisas, pois estas representam os transportadores e fazem os pagamentos e recebimentos por estes. Ainda ressalta que os contratos de câmbio celebrados entre os transportadores estrangeiros e as agências marítimas são de propriedade destas, não podendo ser exigidos da manifestante, sendo que apresenta os contratos com as transportadoras traduzidos para o idioma pátrio e alguns contratos de empresa do seu grupo empresarial para comprovar as relações entre a instituição financeira, o agente de navegação e o transportador estrangeiro. Então, segundo a contribuinte/manifestante, o ingresso de divisas também ficaria comprovado nos contratos formais firmados entre esta e os transportares estrangeiros, trazendo aos autos alguns exemplos. Nesta relação de atividade, seria freqüente o contrato informal (solicitações por email ou por telefone), que não desfiguraria a relação jurídica, sendo que poderia comprovar o relacionamento jurídico por outros instrumentos, como nota fiscal emitida contra o transportador estrangeiro ou contra seu agente/representante no Brasil, registros contábeis, ou, ainda, através de perícia técnica. Traz cópias de contratos traduzidos para o português para alicerçar sua defesa. Para reforçar sua alegação apresenta solução de consultas a não incidência/isenção de PIS/Pasep e da Cofins sobre as receitas decorrentes de prestação de serviços a pessoas jurídicas domiciliadas ou com sede no exterior, mesmo mediante a intermediação do agente/representante do transportador estrangeiro no Brasil, haja vista a efetividade do ingresso de divisas. Por conseguinte, argumenta que estariam provados seus ao crédito decorrente da não incidência/isenção da Cofins sobre a receita oriunda da prestação de serviços de operação portuária ao transportador estrangeiro, pessoa jurídica domiciliada ou com sede no exterior, cujo pagamento configura o ingresso de divisas no País, ainda que realizado mediante intermediação de agente/representante do transportador estrangeiro no Brasil. Por fim, requer a conversão do julgamento em diligência ser realizada por servidor estranho aos autos, a fim de que fique comprovado o pagamento a Fl. 2429DF CARF MF Processo nº 11040.904322/200916 Acórdão n.º 3301006.215 S3C3T1 Fl. 2.430 5 maior da contribuição em face dos serviços prestados aos transportadores estrangeiros. Regularmente processada a Manifestação de Inconformidade, a 2ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Porto Alegre/RS, por maioria de votos, indeferiu a preliminar de cerceamento de defesa/nulidade, rejeitou o pedido de diligência/perícia, bem como julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade, em julgado cuja ementa consta a seguir reproduzida: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins Período de apuração: 01/05/2005 a 31/05/2005 PRELIMINAR DE NULIDADE. INEXISTÊNCIA DE CERCEAMENTO DE DEFESA. IMPROCEDÊNCIA. Não ocorre a nulidade por cerceamento de defesa quando a contribuinte se pronunciou sobre o assunto em litígio, abrangendo as questões de mérito, de forma a demonstrar o conhecimento dos fatos apontados. ISENÇÃO PRESTAÇÃO DE SERVIÇO INGRESSO DE DIVISAS. A isenção para a receita de prestação de serviços para pessoa física ou jurídica domiciliada no exterior é condicionada à comprovação documental das operações e do ingresso de divisas no país. COMPROVAÇÃO DOCUMENTAL OBRIGAÇÃO DA CONTRIBUINTE . A comprovação documental das provas que comprovam o alegado é de obrigação da contribuinte/manifestante, nos termos do art.333, inciso II do CPC. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Irresignada com a decisão, a contribuinte apresenta Recurso Voluntário em que reafirma os argumentos apresentados em sua Manifestação de Inconformidade. Em complementação, alega nulidade da decisão recorrida pelas seguintes razões: a) a questão da comprovação das operações que passou ao largo da análise da unidade de origem, que limitou se a indeferir por outro motivo, qual seja, inadequação à legislação; e b) utilização pela DRF como base para o Despacho Decisório a Intimação nº 06/01/2012, por erro ou por generalização da conclusão. É o Relatório. Voto Conselheiro Marco Antonio Marinho Nunes, Relator. Fl. 2430DF CARF MF Processo nº 11040.904322/200916 Acórdão n.º 3301006.215 S3C3T1 Fl. 2.431 6 O Recurso Voluntário é tempestiva e preenche os demais requisitos de admissibilidade, devendo ser conhecido e apreciado. Preliminares Nulidade A Recorrente alega nulidade da decisão recorrida pelas seguintes razões: a) a questão da comprovação das operações que passou ao largo da análise da unidade de origem, que limitouse a indeferir por outro motivo, qual seja, inadequação à legislação; e b) utilização pela DRF como base para o Despacho Decisório a Intimação nº 06/01/2012, por erro ou por generalização da conclusão. Assim, entende que estes fatos acarretam a nulidade do processo administrativo, uma vez que o lançamento não pode conter erros que prejudiquem a matéria tributável (art. 142 do CTN). Destaca que a Intimação nº 06/01/2012 faz referência a outros processos administrativos, e não ao presente processo administrativo. Dessa forma, a fiscalização, por erro, incluiu o processo em questão no resultado de sua fiscalização. O procedimento fiscal vinculado à Intimação 06/01/2012, citada no resultado da diligência, faz referência ao crédito da Cofins do período de 01/01/2004 a 31/12/2004, sendo que o Processo Administrativo em tela referese ao período de 01/05/2005 a 31/05/2005. Conclui que não há como argumentar que se tratam de processos com o mesmo objeto, pois está evidente nos autos que o trabalho da fiscalização levou em conta períodos de apuração diversos do período abrangido por este processo, fato que, inexoravelmente, acarreta a nulidade do lançamento, sob pena, em sentido contrário, de se ferir frontalmente o disposto no art. 142 do CTN. Passo à análise dessa preliminar. A Recorrente ora pede a nulidade da decisão recorrida, ora a nulidade do processo como um todo, requerendo, inclusive, nulidade de lançamento, quando estes autos envolvem apenas análise de direito creditório em PER/DCOMP, nada se referindo a constituição de exigência por intermédio de lançamento fiscal. Quanto à alegação de nulidade da decisão recorrida, sabese que as causas de nulidades são estipuladas art. 59 do Decreto nº 70.235/1972, a saber: Art. 59. São nulos: I os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. Não se verificou nesses autos, entretanto, qualquer das hipóteses acima previstas. A DRJ/POA, por sua vez, cuidou de analisar, com bastante minúcia, a mesma argumentação de nulidade decorrente do uso pela fiscalização da Intimação nº 06/01/2012 nos trabalhos destes autos, onde também concluiu aquele órgão julgador por sua improcedência, conforme reprodução a seguir: Fl. 2431DF CARF MF Processo nº 11040.904322/200916 Acórdão n.º 3301006.215 S3C3T1 Fl. 2.432 7 Preliminarmente, argumenta que a diligência realizada neste processo não ocorreu, pois os processos citados na Intimação 06/01/2012 são referentes a outros processos de créditos de Cofins do anocalendário de 2004, diferente do período dos autos, sem contar que não foi feita diligência na empresa, trazendo prejuízo ao contraditório e a ampla defesa. Na Intimação nº 06/01/2012, de fl.64, que é citado no Despacho da DRF de fls. 290/293, consta como tendo sido solicitada informações sobre os processos administrativos 16636.001407/200964, 16636.001408/200917, 16636.001412/200966, 16636.001402/200931, 16636.001409/200953, 16636.001412/200977, 16636.001411/200922, 16636.001410/200988, 11040.904319/200901, 11040.904310/200927, 11040.904573/200909 e 11040.904321/200971. Estes processos envolvem o PIS e a Cofins dos anos de 2004 e 2005, sendo que a maioria já foi julgada por este órgão julgador administrativo. Tratam do mesmo objeto deste processo administrativo, que é a solicitação de isenção de receitas pela prestação de serviços para o exterior. O fato da DRF de origem ter citado a nº 06/01/2012, seja por erro ou por generalização da conclusão, já que o objeto do pleito é o mesmo, não prejudicou a contribuinte, tendo em vista que esta entendeu que seu pleito de crédito foi indeferido por falta de liquidez e certeza e apresentou a documentação e argumentação que julga suficiente para comprovar seu alegado direito na manifestação de inconformidade. Ou seja, a contribuinte exerceu seu direito de defesa, contradizendo a conclusão da autoridade fiscal da DRF, conforme se observa em sua detalhada contestação juntada aos autos. Logo, não se pode falar em nulidade das conclusões da DRF de origem, haja vista que não houve cerceamento do direito de defesa. A jurisprudência administrativa segue idêntico entendimento, conforme se verifica abaixo: “ CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/07/1997 a 31/12/1997 AUTO DE INFRAÇÃO. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. AUSÊNCIA DE PREJUÍZO. Os recursos administrativos apresentados pela recorrente, demonstrando compreensão da descrição dos fatos contida na autuação e enfrentando as imputações que lhe são feitas, afastam a alegação de nulidade por cerceamento de defesa, não restando caracterizado óbice ao exercício do direito de defesa. .. Recurso Voluntário Negado. (Acórdão 3302002.295 – 3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária; sessão de 24/09/2013) “ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/06/2003 a 30/06/2003 .... ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/06/2003 a 30/06/2003 NULIDADE. ERRO NA CAPITULAÇÃO LEGAL. Fl. 2432DF CARF MF Processo nº 11040.904322/200916 Acórdão n.º 3301006.215 S3C3T1 Fl. 2.433 8 O erro na capitulação legal da infração cometida não acarreta a nulidade do lançamento, quando comprovado, pela correta descrição dos fatos nele contida e pela defesa apresentada pela contribuinte contra as imputações que lhe foram feitas, que não ocorreu cerceamento do direito de defesa. (Acórdão nº 3201001.365 – 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária; sessão de 27/07/2013) ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/01/2004 a 31/12/2004 PRELIMINAR DE NULIDADE. INEXISTÊNCIA DE CERCEAMENTO DE DEFESA. IMPROCEDÊNCIA. Não ocorre a nulidade por cerceamento de defesa do Auto de Infração que contém todos os requisitos legais exigidos pela legislação e quando a contribuinte se pronunciou sobre o assunto em litígio, abrangendo as questões de mérito, de forma a demonstrar o conhecimento dos fatos apontados. (3801002.767 – 1ª Turma Especial; sessão de 29 de janeiro de 2014).” No mesmo sentido, não se pode deixar de observar que a solicitação de documentação da contribuinte através de intimação é válida, não sendo necessária a visita à sede da empresa para se obter as informações para a verificação da liquidez e certeza do crédito se a Fiscalização obtém informações para formar sua convicção sobre o litígio e esclarecêlo. Outrossim, referências a solicitações/informações de outros processos/despachos decisórios devem ser apreciados nos próprios, já que por si só não são a razão principal do indeferimento no processo em apreço e a contribuinte apresentou manifestações de inconformidade naqueles. Por isso, como foram apreciadas as provas juntadas aos autos pela contribuinte na manifestação de inconformidade, ficam superadas as alegações contra estas referências, pois o conjunto probatório apresentado pela defesa, que as englobaria, não foi suficiente para comprovar seu direito creditório, conforme se demonstrará na apreciação do mérito do litígio. Por conseguinte, a preliminar de cerceamento de defesa/nulidade das conclusões da DRF de origem, em resposta a intimação da DRJ que solicitava a verificação da liquidez e certeza, não procede. Assim, deve ser afastada a preliminar de nulidade, uma vez que a decisão foi devidamente fundamentada em análise dos documentos carreados aos autos e na legislação aplicável. Cerceamento de Defesa e Pedido de Perícia Segundo a Recorrente, o v. Acórdão nº 1049.544, proferido pela 2ª Turma da DRJ/POA aponta, mormente no voto divergente, que a análise dos documentos juntados pela Recorrente à Impugnação passou ao largo da unidade de origem, que sequer questionou os demonstrativos juntados ao processo, assim como a documentação carreada aos autos, afirmando categoricamente que, se caso persistissem dúvidas quanto à documentação, seria de se cogitar, inclusive, a hipótese de remessa dos autos em perícia para que a unidade de origem verificasse de maneira mais acurada a documentação pertinente às operações embasadoras do direito creditório. Fl. 2433DF CARF MF Processo nº 11040.904322/200916 Acórdão n.º 3301006.215 S3C3T1 Fl. 2.434 9 Portanto, o CARF, na sua função imparcial de "juízo" dos litígios tributários em segunda instância administrativa, não pode negar à análise da documentação acostada aos autos, bem como toda aquela que se encontra no estabelecimento da Recorrente, que comprova a realidade inerente às operações realizadas pela Recorrente, objetivando o reconhecimento da não incidência do PIS/Cofins na prestação de serviços portuários efetuada a armadores estrangeiros domiciliados no exterior. Consequentemente, a realização de diligência já requerida quando do oferecimento da Manifestação de Inconformidade, deve agora ser deferida para a realização de perícia técnica, e por servidor estranho aos autos, a fim de que fique comprovado o pagamento indevido do PIS e da Cofins, sob pena de cerceamento de defesa. Passo à correspondente análise. De fato, é robusta a documentação acostada aos autos pela Recorrente. Vejo que a Recorrente se esforçou para reunir a gama de documentos aqui juntados, diversos carreados, inclusive, após a apresentação de sua Manifestação de Inconformidade. No entanto, o indeferimento de pedido de conversão do julgamento em diligência/perícia, quando fundamentado, como o foi pelo órgão julgador a quo, não tem o condão de representar cerceamento de defesa, mormente quando resta assegurado à contribuinte o prosseguimento da lide, ocasião em que pode reafirmar seu pleito e, se for o caso, obter decisão que lhe é satisfatória. O inconformismo diante de uma decisão contrária às pretensões firmadas em recurso não permite concluir pelo cerceamento de defesa, e também quando a referida decisão é fundamentada, pautase na análise do caso de acordo com a legislação e provas dos autos. Ademais, a despeito da apreciação da prova, a autoridade julgadora formará livremente a sua convicção, conforme determina o Decreto nº 70.235, de 1.972, ao dispor na Seção VI acerca do julgamento de primeira instância. Logo, não há que se falar em cerceamento de defesa quando o julgador a quo proferiu decisão devidamente motivada, explicitando as razões pertinentes à formação de sua livre convicção. Neste ponto, ressalto haver limites estipulados no Decreto n° 70.235, de 1972, e que devem ser observados, sobretudo para fins de apresentação a destempo de novos documentos aos autos, cabendo ao contribuinte o ônus de demonstrar as razões que ensejariam a admissibilidade da prova documental apresentada a posteriori. Contudo, a autoridade julgadora de segunda instância pode apreciar a prova acostada aos autos, sob o prisma da verdade material, e por ser destinatária dela (prova), o que, inclusive, será feito por este julgador, lembrando que, na apreciação da prova, este julgador formará livremente sua convicção. Assim, a insatisfação do contribuinte, sobre este ponto, não tem o condão de anular a decisão de primeira instância, sendo matéria atinente à interposição de recurso voluntário, a ser objeto de deliberação pelo colegiado de segunda instância. Fl. 2434DF CARF MF Processo nº 11040.904322/200916 Acórdão n.º 3301006.215 S3C3T1 Fl. 2.435 10 Quanto à reafirmação do pedido de perícia, entendo por sua desnecessidade, porquanto a realização de perícia se justificaria na hipótese de necessidade de apreciações técnicas, por especialistas com conhecimento específico em determinadas matérias, com o intuito de esclarecer aspectos controvertidos que não ficaram suficientemente demonstrados pelas provas aportadas ao processo. Entretanto, essa não é a hipótese presente nos autos, visto que não se faz necessária a apreciação técnica de especialista para subsidiar o julgamento da lide. Portanto, estas preliminares também hão de ser rechaçadas. Mérito Os autos tratam da análise do PER/DCOMP nº 18432.28048.130209.1.3.04 3243, por meio do qual a Recorrente informa crédito de pagamento indevido ou a maior cuja gênese seria o recolhimento, em 15/06/2005, para a Cofins, código de receita 5856 (Cofins não cumulativa), período de apuração 05/2005, no valor de R$ 965.265,28, do qual o valor creditória seria R$ 709.947,13. Por intermédio do Despacho Decisório nº de Rastreamento 848647215, a Delegacia da Receita Federal do Brasil em Pelotas/RS não homologou a Declaração de Compensação, em razão da insuficiência de crédito disponível, uma vez que o pagamento efetuado por meio do DARF indicado já teria sido totalmente utilizado para quitar débito do próprio contribuinte. A Recorrente apresentou, inicialmente, Manifestação de Inconformidade onde alegou que transmitira DCTF retificadora para corrigir o débito do período de apuração de seu crédito (Cofins de 05/2005), mas referida retificadora não teria sido considerada no Despacho Decisório. A DRJ/POA, então, baixou os autos em diligência, para "análise envolvendo a demonstração e composição da base de cálculo dos créditos referentes ao período de apuração em questão, inclusive com a comprovação por meio de documentos contábeis e/ou fiscais, devendo a DRF pronunciarse a respeito da legitimidade dos referidos créditos e eventual saldo remanescente após o encontro de contas". No curso da diligência, a unidade de origem salientou que a DCOMP 18432.28048.130209.1.3.043243 foi lastreada em crédito referente a pagamento a maior de COFINS em decorrência de retificações na DACON feitas com base no entendimento de que a intermediação de agente ou representante, no Brasil, de empresa estrangeira, tomadora de serviços portuários não descaracteriza a exportação desses serviços, conforme Solução de Consulta nº 58, de 7 da abril de 2006. Em sua análise, porém, a unidade de origem concluiu que "não foi comprovada a prestação de serviços para pessoa situada no exterior, como também não foi comprovado que os pagamentos recebidos pelo interessado representam ingresso de divisas. Em conseqüência da falta de comprovação das condições necessárias para que o interessado faça jus a não incidência da Cofins, previstas no inciso II do art. 6º da Lei nº 10.833/2003, com redação dada pela Lei 10.865/2004, não existe base legal que ampare as retificações na DACON. Sendo assim, não foi apurado pagamento a maior de Cofins para o período". Fl. 2435DF CARF MF Processo nº 11040.904322/200916 Acórdão n.º 3301006.215 S3C3T1 Fl. 2.436 11 A partir de então, com a reabertura de prazo para apresentação de Manifestação de Inconformidade, instaurouse o litígio administrativo tendo como tema central a possibilidade, ou não, de a Recorrente valerse da não incidência da Cofins sobre as receitas decorrentes de operações de prestação de serviços para pessoa física ou jurídica domiciliada no exterior, cujo pagamento represente ingresso de divisas. Inicialmente, fazse necessário transcrever a norma que disciplina o assunto em debate, em sua redação original: Lei 10.833/2003 Art. 6o A COFINS não incidirá sobre as receitas decorrentes das operações de: [...] II prestação de serviços para pessoa física ou jurídica domiciliada no exterior, com pagamento em moeda conversível; Posteriormente, essa norma foi alterada pelo art. 21 da Lei 10.865/2004, que passou a produzir seus efeitos a partir de 01/05/2004, consoante art. 53 do mesmo diploma legal, com nova redação a seguir: Lei 10.833/2003 Art. 6o A COFINS não incidirá sobre as receitas decorrentes das operações de: [...] II prestação de serviços para pessoa física ou jurídica residente ou domiciliada no exterior, cujo pagamento represente ingresso de divisas; (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004)” Da leitura da norma, extraímos a necessidade do preenchimento de dois requisitos cumulativos para a configuração da não incidência da Cofins quanto ao caso, a saber: a) prestação de serviços para a pessoa física ou jurídica residente ou domiciliada no exterior; e b) cujo pagamento represente ingresso de divisas. Na analise do presente caso, entendo que os referidos requisitos foram satisfeitos pela Recorrente. Vejamos. A Recorrente tem como objeto principal a exploração do terminal de contêineres do Porto de Rio Grande/RS, na qualidade de operador portuário. E, nessa condição, presta serviços portuários (carga, descarga etc.) a empresas transportadoras sediadas e domiciliadas no exterior, mediante contratos. Para a consecução de suas atividades e, em razão natureza inerente a essas atividades, as empresas transportadoras estrangeiras pessoas jurídicas domiciliadas no exterior, que operam linhas de transporte marítimo internacional de carga relativas a Fl. 2436DF CARF MF Processo nº 11040.904322/200916 Acórdão n.º 3301006.215 S3C3T1 Fl. 2.437 12 importações e exportações brasileiras contratam a Recorrente, através de seus agentes, representantes no Brasil, para execução de serviços portuários, sendo estes os responsáveis pelo pagamento dos serviços prestados pela Recorrente mediante prestação de contas junto ao transportador estrangeiro. Essa relação de intermediação e seus conceitos são expostos pela Recorrente em seu recurso. Vale transcrevêla: a) Transportador Estrangeiro São as empresas transportadoras estrangeiras, pessoas jurídicas domiciliadas no exterior, que operam linhas de transporte marítimo internacional de cargas relativas a importações e exportações brasileiras e que contratam a Recorrente, através de seus agentes/representantes no Brasil, para a execução de serviços portuários. b) Agente do Transportador Estrangeiro (agência marítima) É o representante obrigatório no Brasil dos interesses do transportador estrangeiro, administrando os contratos de prestação de serviços em nome do seu principal. Ele recebe do exterior (câmbio tipo 03) ou utiliza receitas auferidas pelo transportador estrangeiro, transferíveis ao exterior, para fazer face aos pagamentos dos serviços contratados pelo transportador estrangeiro. Assim, a agência de navegação efetua a contratação do câmbio, conforme Carta Circular nº 3.280, de 09/05/2005, emitida pelo Banco Central do Brasil e paga aos fornecedores e efetua a prestação de contas junto ao transportador estrangeiro. c) Prestador de Serviços Ele executa as operações de embarque, descarga, movimentação e armazenagem de mercadorias destinadas ou oriundas do ou ao exterior, cumprindo o contrato firmado com o transportador estrangeiro. Também fatura tais serviços ao transportador estrangeiro aos cuidados do seu agente no Brasil e recebe os valores em reais do agente no Brasil, através dos recursos provenientes do exterior, conforme as normas emitidas pelo Banco Central do Brasil. A presença de intermediário, agente do transportador estrangeiro, na operação não descaracteriza a situação de não incidência da Cofins. Nesse sentido foi a conclusão da Solução de Consulta SRRF/08 nº 58, de 07/04/2006, exarada no Processo Administrativo nº 11050.003099/200545, em resposta à demanda da própria Recorrente, levando em conta sua situação particular: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins Ementa: PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS. EXPORTAÇÃO. NÃO INCIDÊNCIA. A Cofins não incide sobre as receitas decorrentes das operações de prestação de serviços para pessoa física ou jurídica residente ou domiciliada no exterior, cujo pagamento represente ingresso de divisas. A intermediação de agente ou representante, no Brasil, de empresa estrangeira tomadora de Fl. 2437DF CARF MF Processo nº 11040.904322/200916 Acórdão n.º 3301006.215 S3C3T1 Fl. 2.438 13 serviços portuários, por si só, não é suficiente para descaracterizar a situação. Dispositivos Legais: Lei nº 10.833, de 2003, art. 6º, II com a redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004; Circular Bacen nº 3.280, de 2005. Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Ementa: PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS. EXPORTAÇÃO. NÃO INCIDÊNCIA. A Contribuição para o PIS/Pasep não incide sobre as receitas decorrentes das operações de prestação de serviços para pessoa física ou jurídica residente ou domiciliada no exterior, cujo pagamento represente ingresso de divisas. A intermediação de agente ou representante, no Brasil, de empresa estrangeira tomadora de serviços portuários, por si só, não é suficiente para descaracterizar a situação. Dispositivos Legais: Lei nº 10.637, de 2002, art. 5º, II com a redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004; Circular Bacen nº 3.280, de 2005. Nos termos acima, temse, ainda, já com a alteração das redações das contribuições não cumulativas do PIS e da Cofins pela Lei nº 10.865/2004, a Solução de Consulta SRRF/07 nº 23, 22/03/2011, no Processo Administrativo 10768.007322/201041, cuja ementa é a seguinte: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins NÃO INCIDÊNCIA OU ISENÇÃO. Para fins de não incidência ou isenção da Cofins sobre a receita decorrente da prestação de serviços para pessoa física ou jurídica residente ou domiciliada no exterior, o pagamento deve necessariamente representar ingresso de divisas no País. PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS EM FAVOR DE ARMADOR ESTRANGEIRO. REPRESENTANTE DO ARMADOR ATUANDO NO PAÍS COMO MERO MANDATÁRIO. Na hipótese de prestação de serviços, efetuada por empresa domiciliada no País, para pessoa física ou jurídica residente ou domiciliada no exterior, a existência de terceira pessoa agindo na condição de mero mandatário da pessoa no exterior não descaracteriza a relação jurídica a que aludem o art. 6º, II, da Lei nº 10.833, de 2003, e o art. 14, III, da Medida Provisória nº 2.15835, de 2001, para fins de reconhecimento da não incidência ou isenção da Cofins. [...] Ainda, temse a Solução de Consulta Cosit nº 346, de 26 de junho de 2017, com a seguinte ementa (trecho): [...] Fl. 2438DF CARF MF Processo nº 11040.904322/200916 Acórdão n.º 3301006.215 S3C3T1 Fl. 2.439 14 Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins NÃOINCIDÊNCIA. ISENÇÃO. RECEITAS DECORRENTES DE PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS A PESSOA FÍSICA OU JURÍDICA RESIDENTE OU DOMICILIADA NO EXTERIOR. POSSIBILIDADE DE MERA INTERMEDIAÇÃO ENTRE A PRESTADORA DOS SERVIÇOS E A PESSOA RESIDENTE OU DOMICILIADA NO EXTERIOR. EFETIVIDADE DO INGRESSO DE DIVISAS. A existência de terceira pessoa, desde que agindo como mera mandatária, ou seja, cuja atuação não seja em nome próprio, mas em nome e por conta do mandante estrangeiro, entre a pessoa física ou jurídica residente, domiciliada ou com sede no exterior e a prestadora de serviços nacional, não afeta a relação jurídica negocial exigida para enquadramento nos arts. 6°, inciso II, da Lei n° 10.833, de 2003, e 14, inciso III, da MP 2.15835, de 2001, para o fim de reconhecimento da não incidência/isenção da Cofins. [...] Enfim, a Administração Tributária reconhece que a existência de terceira pessoa agindo na condição de mero mandatário da pessoa no exterior não descaracteriza a relação jurídica a que alude o art. 6º, II, da Lei nº 10.833, de 2003, para fins de reconhecimento da não incidência ou isenção da Cofins. Portanto, neste ponto não há controvérsia. A controvérsia pautase na comprovação da efetiva prestação de serviços ao transportador estrangeiro e, consequentemente, no ingresso de divisas. A farta documentação carreada aos autos pela Recorrente, abrangendo notas fiscais de serviço, contratos com armadores estrangeiros, bem como declarações firmadas por estes, e respectivas tabelas de preços praticados, demonstram a efetividade dos serviços prestados e, por decorrência, o ingresso de divisas. Verificase nos documentos acostados aos autos que a Recorrente, em virtude de contrato de prestação de serviços com armadores no exterior, às fls. 361592, 1.4331.588 e 1.6011.665, presta serviços portuários a estes e emite nota fiscal de serviços, às fls. 5931.163 e 1.2781.421, em nome dos tomadores estrangeiros, mas aos cuidados de seus representantes/agentes marítimos, os quais atuam como intermediários nessa operação. Considero, portanto, ser incontroversa a comprovação dos serviços prestados diante de arcabouço documental que traz os detalhes da operação de prestação de serviços. No que diz respeito ao ingresso de divisas, embora a fiscalização e a DRJ tenham concluído competir à Recorrente a apresentação dos contratos cambiais para sua comprovação, entendo não ser ônus da dela a apresentação de tais documentos. Conforme mencionado anteriormente, a própria Fazenda Pública entende não descaracterizada a situação de não incidência da Cofins quando, na operação de prestação de serviço para pessoa física ou jurídica domiciliada no exterior, haja representante do armador estrangeiro atuando no país como mero mandatário. Fl. 2439DF CARF MF Processo nº 11040.904322/200916 Acórdão n.º 3301006.215 S3C3T1 Fl. 2.440 15 Nessa situação, havendo o intermediário na operação, este é quem legalmente detém os referidos contratos, em razão da sistemática deste tipo de operação. Logo, não pode a Recorrente ser compelida a apresentar documento da qual não é proprietária e da qual sequer tem posse. Por sua vez, a norma isentiva da Cofins, Lei 10.833, de 2003, não estipulou que competiria ao prestador de serviço a comprovação do ingresso de divisas, em especial nessa situação em que há operação de intermediação. Dessa forma, sendo permitida a intermediação de mandatário do armador estrangeiro na prestação de serviço sem descaracterizar a não incidência da Cofins, a exigência dos contratos cambiais como único instrumento de comprovação dos ingressos de divisas a quem não os detenha acaba por impossibilitar, na prática, o uso deste benefício fiscal (não incidência legal), o que, certamente, não é a finalidade da norma isentiva. Dessa forma, compreendo que o ingresso divisas é decorrência lógica da natureza deste tipo de operação, não sendo ônus da Recorrente a apresentação de contrato cambial para a sua comprovação. A corroborar as conclusões acima, valhome da pertinente análise do mesmo assunto e mesmo contribuinte efetuada pelo Conselheiro Walker Araújo no bojo do Processo Administrativo nº 17437.720221/201565, Resolução nº 3302000.772, de 21/06/2018: O fato da Recorrente não ter apresentado cópia dos contratos de câmbio digase, documentos que não pertencem è ela, logo não poderia haver exigência nesse sentido , não pode servir único fundamento/justificativa para fiscalização afastar o direito do contribuinte e, desconsiderar os demais documentos hábeis à comprovar a origem dos registros contábeis. Com efeito, restou comprovado nos autos que a Recorrente firmou contratos com diversos transportadores estrangeiros (fls.1.0071.615) para prestar serviços de embarque, descarga, movimentação e armazenagem de mercadorias em embarcações utilizadas para navegações de longo curso. Referidos transportadores estrangeiros nomeiam agentes marítimos para intermediar os negócios objeto dos contratos firmados entre as partes e, realizar os pagamentos à Recorrente pela prestação dos serviços anteriormente citados, na condição de mandatários dos transportadores estrangeiros. A Recorrente, por sua vez, emite nota fiscal de serviços (fls.1.6162.604) em nome dos transportadores estrangeiros, mas aos cuidados de seus agentes marítimos. Tais fatos operacionais estão totalmente de acordo com o artigo 4º, da Instrução Normativa 800/2007 que, obriga aos transportes estrangeiros utilizarem agentes marítimos, senão vejamos: Art. 4o A empresa de navegação é representada no País por agência de navegação, também denominada agência marítima. § 1o Entendese por agência de navegação a pessoa jurídica nacional que represente a empresa de navegação em um ou mais portos no País. § 2o A representação é obrigatória para o transportador estrangeiro. Fl. 2440DF CARF MF Processo nº 11040.904322/200916 Acórdão n.º 3301006.215 S3C3T1 Fl. 2.441 16 § 3o Um transportador poderá ser representado por mais de uma agência de navegação, a qual poderá representar mais de um transportador. Nestes termos, o argumento utilizado pela RFB no sentido de que a Recorrente não teria comprovado o ingresso de divisa no país por meio de contratos câmbio, deve ser totalmente rechaçado, posto que os documentos colacionados aos autos comprovam que as receitas registradas em sua contabilidade decorrem de operações de prestação de serviços à pessoas jurídicas domiciliadas no exterior. Portanto, entendo que não deve haver a incidência das contribuições ao PIS e COFINS, porque (i) os documentos carreados autos confirmam a efetiva prestação de serviços à pessoas jurídicas domiciliadas no exterior e, consequentente o ingresso de divisa; e (ii) o fato de haver um terceiro mandatário intermediando o pagamento não desconfigura o ingresso de divisas necessário para que tal pagamento chegue ao prestador brasileiro. Reforça o direito da Recorrente, a Solução de Consulta nº 58, de 07/04/2006, da 10ª SRRF, contida no processo administrativo 11050.003099/200545, de solicitação da própria contribuinte, no sentido de que o pagamento por Agente Marítimo em nome de Transportador Estrangeiro denota ingresso de divisas, conforme se verifica na ementa abaixo: [...] IV. Conclusão Diante do exposto, afasto as preliminares de nulidade e, no mérito, dou provimento ao recurso voluntário. É como voto. Em razão de todo o exposto, voto no sentido de conhecer do recurso voluntário, afastar as preliminares nele suscitadas e, no mérito, darlhe provimento. (assinado digitalmente) Marco Antonio Marinho Nunes Fl. 2441DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13005.000624/2007-11
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed May 15 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Wed Jun 19 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 01/04/2004 a 30/06/2004
Súmula CARF nº 125
No ressarcimento da COFINS e da Contribuição para o PIS não cumulativas não incide correção monetária ou juros, nos termos dos artigos 13 e 15, VI, da Lei nº 10.833, de 2003.
Numero da decisão: 9303-008.605
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em dar-lhe provimento.
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em Exercício
(assinado digitalmente)
Demes Brito - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros:Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello, Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente em Exercício).
Nome do relator: DEMES BRITO
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201905
camara_s : 3ª SEÇÃO
ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Período de apuração: 01/04/2004 a 30/06/2004 Súmula CARF nº 125 No ressarcimento da COFINS e da Contribuição para o PIS não cumulativas não incide correção monetária ou juros, nos termos dos artigos 13 e 15, VI, da Lei nº 10.833, de 2003.
turma_s : 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
dt_publicacao_tdt : Wed Jun 19 00:00:00 UTC 2019
numero_processo_s : 13005.000624/2007-11
anomes_publicacao_s : 201906
conteudo_id_s : 6021397
dt_registro_atualizacao_tdt : Wed Jun 19 00:00:00 UTC 2019
numero_decisao_s : 9303-008.605
nome_arquivo_s : Decisao_13005000624200711.PDF
ano_publicacao_s : 2019
nome_relator_s : DEMES BRITO
nome_arquivo_pdf_s : 13005000624200711_6021397.pdf
secao_s : Câmara Superior de Recursos Fiscais
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em dar-lhe provimento. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em Exercício (assinado digitalmente) Demes Brito - Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros:Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello, Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente em Exercício).
dt_sessao_tdt : Wed May 15 00:00:00 UTC 2019
id : 7789688
ano_sessao_s : 2019
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:47:35 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713052119394680832
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 4; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1364; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => CSRFT3 Fl. 223 1 222 CSRFT3 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS Processo nº 13005.000624/200711 Recurso nº Especial do Procurador Acórdão nº 9303008.605 – 3ª Turma Sessão de 15 de maio de 2019 Matéria ATUALIZAÇÃO TAXA SELIC SÚMULA CARF Nº 125 Recorrente FAZENDA NACIONAL Interessado FRS S/A AGRO AVICOLA INDUSTRIAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/04/2004 a 30/06/2004 Súmula CARF nº 125 No ressarcimento da COFINS e da Contribuição para o PIS não cumulativas não incide correção monetária ou juros, nos termos dos artigos 13 e 15, VI, da Lei nº 10.833, de 2003. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em darlhe provimento. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em Exercício (assinado digitalmente) Demes Brito Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros:Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello, Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente em Exercício). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 00 5. 00 06 24 /2 00 7- 11 Fl. 223DF CARF MF 2 Relatório Tratase de recurso especial de divergência, tempestivo, interposto pela Fazenda Nacional, ao amparo do art. 67, Anexo II, do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 256, de 22 de junho de 2009, em face do Acórdão nº 3202001.441, de 10/12/2014, cuja ementa está assim redigida: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/04/2004 a 30/06/2004 CRÉDITOS. VALORAÇÃO. ATUALIZAÇÃO PELA TAXA SELIC. POSSIBILIDADE. O art. 13 da Lei nº 10.833/2003, que veda a atualização monetária e a incidência dos juros, não se aplica quando a mora decorre de impedimento ou de óbice da Administração Fazendária. No caso vertente, é de se aplicar a taxa SELIC, a partir da data da protocolização do pedido de ressarcimento, para a correção do quantum referente ao crédito da recorrente. Recurso Voluntário Provido A divergência suscitada pela Fazenda Nacional, diz respeito a incidência da taxa Selic sobre o ressarcimento de créditos de PIS e da COFINS. Do juízo de admissibilidade, o Presidente da 2ª Câmara da 3ª Seção do CARF, deu seguimento ao recurso, nos termos do despacho de admissibilidade, ás efls. 197 198. A Contribuinte apresentou contrarrazões, ás efls. 206/216. Regularmente processado o apelo, esta é a síntese do essencial, motivo pelo qual encerro meu relato. Devidamente informado passo a decidir. Voto Conselheiro Demes Brito Relator O recurso foi apresentado com observância do prazo previsto, bem como dos demais requisitos de admissibilidade. Sendo assim, dele tomo conhecimento e passo a decidir. Primeiramente, se faz necessário relembrar e reiterar que a interposição de Recurso Especial junto à Câmara Superior de Recursos Fiscais, ao contrário do Recurso Voluntário, é de cognição restrita, limitada à demonstração de divergência jurisprudencial, além da necessidade de atendimento a diversos outros pressupostos, estabelecidos no artigo 67 do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 09 de junho de 2015. Fl. 224DF CARF MF Processo nº 13005.000624/200711 Acórdão n.º 9303008.605 CSRFT3 Fl. 224 3 Por isso mesmo, essa modalidade de apelo é chamada de Recurso Especial de Divergência e tem como objetivo a uniformização de eventual dissídio jurisprudencial, verificado entre as diversas Turmas do CARF. Neste passo, ao julgar o Recurso Especial de Divergência, a Câmara Superior de Recursos Fiscais não constitui uma Terceira Instância, mas sim a Instância Especial, responsável pela pacificação dos conflitos interpretativos e, conseqüentemente, pela garantia da segurança jurídica dos conflitos. Decido. In caso, trata o presente processo de Pedido de Ressarcimento de Créditos da Cofins Exportação (formulário instituído pela lN SRF nº563, de 2005) relativo ao segundo trimestre de 2004. A decisão recorrida deu provimento ao recurso voluntário quanto à incidência da taxa Selic, admitindoa a partir da data de protocolização do pedido de ressarcimento dos créditos de Cofins exportação. Com relação à questão da correção monetária e incidência da taxa Selic sobre os créditos de PIS e da COFINS, importante lembrar pela impossibilidade do pedido, face à expressa vedação por dispositivo legal, da Lei nº 10.833, de 29/12/2003 (conversão da MP 135, de 31/10/2003, que tratou da cofins nãocumulativa). Esta discussão foi definitivamente dirimida por este Conselho, por meio da edição da Súmula nº 125. Vejamos: Súmula CARF nº 125 No ressarcimento da COFINS e da Contribuição para o PIS não cumulativas não incide correção monetária ou juros, nos termos dos artigos 13 e 15, VI, da Lei nº 10.833, de 2003. Dispositivo Ex positis, dou provimento ao Recurso interposto pela Fazenda Nacional. É como voto. (Assinado digitalmente) Demes Brito Fl. 225DF CARF MF 4 Fl. 226DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13502.900569/2009-12
Turma: Terceira Turma Extraordinária da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jun 05 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Mon Jun 24 00:00:00 UTC 2019
Ementa: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO
Ano-calendário: 2006
RETENÇÃO DE TRIBUTOS.
Os pagamentos efetuados por órgãos, autarquias e fundações da administração pública federal a pessoas jurídicas, pela fornecimento de bens ou prestação de serviços, estão sujeitos à incidência, na fonte, do IRPJ, CSLL, Cofins e Pis. O valor do imposto e das contribuições sociais retido será considerado como antecipação do que for devido pela contribuinte em relação ao mesmo imposto e às mesmas contribuições. O valor retido correspondente ao imposto de renda e a cada contribuição social somente poderá ser compensado com o que for devido em relação à mesma espécie de imposto ou contribuição.
PER/DCOMP. COMPROVAÇÃO DA LIQUIDEZ E CERTEZA. INEXATIDÃO MATERIAL.
O procedimento de apuração do direito creditório não prescinde comprovação inequívoca da liquidez e da certeza do valor de direito creditório pleiteado.
Somente podem ser corrigidas de ofício ou a pedido as informações declaradas no caso de verificada a circunstância objetiva de inexatidão material e congruentes com os demais dados constantes nos registros internos da RFB.
Numero da decisão: 1003-000.740
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Carmen Ferreira Saraiva Relatora e Presidente
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carmen Ferreira Saraiva (Presidente), Bárbara Santos Guedes, Mauritânia Elvira de Sousa Mendonça e Wilson Kazumi Nakayama.
Nome do relator: CARMEN FERREIRA SARAIVA
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201906
ementa_s : ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Ano-calendário: 2006 RETENÇÃO DE TRIBUTOS. Os pagamentos efetuados por órgãos, autarquias e fundações da administração pública federal a pessoas jurídicas, pela fornecimento de bens ou prestação de serviços, estão sujeitos à incidência, na fonte, do IRPJ, CSLL, Cofins e Pis. O valor do imposto e das contribuições sociais retido será considerado como antecipação do que for devido pela contribuinte em relação ao mesmo imposto e às mesmas contribuições. O valor retido correspondente ao imposto de renda e a cada contribuição social somente poderá ser compensado com o que for devido em relação à mesma espécie de imposto ou contribuição. PER/DCOMP. COMPROVAÇÃO DA LIQUIDEZ E CERTEZA. INEXATIDÃO MATERIAL. O procedimento de apuração do direito creditório não prescinde comprovação inequívoca da liquidez e da certeza do valor de direito creditório pleiteado. Somente podem ser corrigidas de ofício ou a pedido as informações declaradas no caso de verificada a circunstância objetiva de inexatidão material e congruentes com os demais dados constantes nos registros internos da RFB.
turma_s : Terceira Turma Extraordinária da Primeira Seção
dt_publicacao_tdt : Mon Jun 24 00:00:00 UTC 2019
numero_processo_s : 13502.900569/2009-12
anomes_publicacao_s : 201906
conteudo_id_s : 6022369
dt_registro_atualizacao_tdt : Mon Jun 24 00:00:00 UTC 2019
numero_decisao_s : 1003-000.740
nome_arquivo_s : Decisao_13502900569200912.PDF
ano_publicacao_s : 2019
nome_relator_s : CARMEN FERREIRA SARAIVA
nome_arquivo_pdf_s : 13502900569200912_6022369.pdf
secao_s : Primeira Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Carmen Ferreira Saraiva Relatora e Presidente Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carmen Ferreira Saraiva (Presidente), Bárbara Santos Guedes, Mauritânia Elvira de Sousa Mendonça e Wilson Kazumi Nakayama.
dt_sessao_tdt : Wed Jun 05 00:00:00 UTC 2019
id : 7791711
ano_sessao_s : 2019
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:47:41 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713052119397826560
conteudo_txt : Metadados => date: 2019-06-17T00:11:30Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.5; xmp:CreatorTool: Microsoft® Word 2010; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; language: pt-BR; dcterms:created: 2019-06-17T00:11:30Z; Last-Modified: 2019-06-17T00:11:30Z; dcterms:modified: 2019-06-17T00:11:30Z; dc:format: application/pdf; version=1.5; Last-Save-Date: 2019-06-17T00:11:30Z; pdf:docinfo:creator_tool: Microsoft® Word 2010; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:modified: 2019-06-17T00:11:30Z; meta:save-date: 2019-06-17T00:11:30Z; pdf:encrypted: true; modified: 2019-06-17T00:11:30Z; Content-Type: application/pdf; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; dc:language: pt-BR; meta:creation-date: 2019-06-17T00:11:30Z; created: 2019-06-17T00:11:30Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 11; Creation-Date: 2019-06-17T00:11:30Z; pdf:charsPerPage: 2074; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; pdf:docinfo:created: 2019-06-17T00:11:30Z | Conteúdo => SS11--TTEE0033 MMiinniissttéérriioo ddaa EEccoonnoommiiaa CCOONNSSEELLHHOO AADDMMIINNIISSTTRRAATTIIVVOO DDEE RREECCUURRSSOOSS FFIISSCCAAIISS PPrroocceessssoo nnºº 13502.900569/2009-12 RReeccuurrssoo nnºº Voluntário AAccóórrddããoo nnºº 1003-000.740 – 1ª Seção de Julgamento / 3ª Turma Extraordinária SSeessssããoo ddee 05 de junho de 2019 RReeccoorrrreennttee RECONCAVO E&P S/A IInntteerreessssaaddoo FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Ano-calendário: 2006 RETENÇÃO DE TRIBUTOS. Os pagamentos efetuados por órgãos, autarquias e fundações da administração pública federal a pessoas jurídicas, pela fornecimento de bens ou prestação de serviços, estão sujeitos à incidência, na fonte, do IRPJ, CSLL, Cofins e Pis. O valor do imposto e das contribuições sociais retido será considerado como antecipação do que for devido pela contribuinte em relação ao mesmo imposto e às mesmas contribuições. O valor retido correspondente ao imposto de renda e a cada contribuição social somente poderá ser compensado com o que for devido em relação à mesma espécie de imposto ou contribuição. PER/DCOMP. COMPROVAÇÃO DA LIQUIDEZ E CERTEZA. INEXATIDÃO MATERIAL. O procedimento de apuração do direito creditório não prescinde comprovação inequívoca da liquidez e da certeza do valor de direito creditório pleiteado. Somente podem ser corrigidas de ofício ou a pedido as informações declaradas no caso de verificada a circunstância objetiva de inexatidão material e congruentes com os demais dados constantes nos registros internos da RFB. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Carmen Ferreira Saraiva – Relatora e Presidente Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carmen Ferreira Saraiva (Presidente), Bárbara Santos Guedes, Mauritânia Elvira de Sousa Mendonça e Wilson Kazumi Nakayama. Relatório AC ÓR Dà O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 50 2. 90 05 69 /2 00 9- 12 Fl. 164DF CARF MF Fl. 2 do Acórdão n.º 1003-000.740 - 1ª Sejul/3ª Turma Extraordinária Processo nº 13502.900569/2009-12 A Recorrente formalizou o Pedido de Ressarcimento ou Restituição/Declaração de Compensação (Per/DComp) nº 32174.13898.300307.1.3.02-0201 em 30.03.2007, fls. 90-100, utilizando-se do saldo negativo de Imposto de Renda Pessoa Jurídica (IRPJ) no valor original de R$98.033,85, apurado pelo regime de tributação com base no lucro real anual do ano-calendário de 2006 para compensação dos débitos ali confessados. Consta no Despacho Decisório Eletrônico, fl. 01, que as informações relativas ao reconhecimento do direito creditório foram analisadas das quais se concluiu pelo indeferimento do pedido: Analisadas as informações prestadas no documento acima identificado, não foi possível confirmar a apuração do crédito, pois o valor informado na Declaração de Informações Econômico-Fiscais da Pessoa Jurídica (DIPJ) não corresponde ao valor do saldo negativo informado no PER/DCOMP. Valor original do saldo negativo informado no PER/DCOMP com demonstrativo de crédito: R$ 98.033,85 Valor do saldo negativo informado na DIPJ: R$ 65.988,64 Diante do exposto, NÃO HOMOLOGO a compensação declarada nos seguintes PER/DCOMP: 32174.13898.300307.1.3.02-0201 28387.17975.250407.1.3.02-8092 [...] Enquadramento Legal: Parágrafo 1º do art. 6º e art. 28 da Lei 9.430, de 1996. Art. 5º da IN SRF 600, de 2005. Art. 74 da Lei 9.430, de 27 de dezembro de 1996. Cientificada, a Recorrente apresentou a manifestação de inconformidade. Está registrado na ementa e dispositivo do Acórdão da 1ª Turma/DRJ/SDR/BA nº 15-29.770, de 09.02.2012, e-fls. 125-132: RESTITUIÇÃO. COMPENSAÇÃO. SALDO NEGATIVO. LIQUIDEZ E CERTEZA. Cabível a restituição e compensação do saldo negativo apurado ao final do ano- calendário quando demonstrada a liquidez e a certeza do crédito pleiteado. DECLARAÇÕES ELETRÔNICAS. ERRO MATERIAL. DIREITO CREDITÓRIO. Os erros materiais no preenchimento das declarações eletrônicas por si só não possuem força suficiente para afetar o direito creditório dos contribuintes. Impugnação Procedente em Parte [...] Acordam os membros da 1ª Turma de Julgamento, por unanimidade de votos, em considerar parcialmente procedente a presente Manifestação de Inconformidade para reconhecer o direito creditório relativo ao saldo negativo do IRPJ apurado no ano-calendário de 2006 no valor de R$ 76.502,33, homologando os débitos declarados nos Per/Dcomp relacionados no Despacho Decisório 820966085, até o limite do valor ora reconhecido. Notificada em 16.03.2012, e-fl. 139, a Recorrente apresentou o recurso voluntário em 17.04.2012, e-fls. 141-148, esclarecendo a peça atende aos pressupostos de admissibilidade. Discorre sobre o procedimento fiscal contra o qual se insurge. Relativamente aos fundamentos de fato e de direito aduz que: I) DO ACÓRDÃO RECORRIDO E DA MATÉRIA IMPUGNADA Fl. 165DF CARF MF Fl. 3 do Acórdão n.º 1003-000.740 - 1ª Sejul/3ª Turma Extraordinária Processo nº 13502.900569/2009-12 O acórdão recorrido considerou parcialmente procedente a manifestação de inconformidade apresentada pelo Contribuinte para reconhecer o direito creditório relativo ao saldo negativo de IRPJ apurado no ano-calendário de 2006 no valor de R$ 76.502,33, homologando os débitos declarados nos PER/DCOMP's relacionados no Despacho Decisório 820966085, até o limite do valor reconhecido. A questão de fundo que deu ensejo a citada decisão trata-se de manifestação de inconformidade apresentada contra decisão proferida pela DRF de Salvador, através do Despacho Decisório n° 820966085, que indeferiu a homologação da declaração de compensação que envolvia direito creditório referente a Saldo Negativo de IRPJ apurado no ano-calendário de 2006, para compensação com débitos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, através da PER/DCOMP 32174.13898.300307.1.3.02.0201 e 2838.17975.250407.1.3.02-8092. Entendeu a RFB que havia divergência entre os valores do saldo negativo informado no PER/DCOMP, que foi de R$ 98.033,85 e o valor informado na DIPJ, que foi de R$ 65.988,64, o que teria impossibilitado a confirmação do crédito pleiteado. [...] Fica claro, neste primeiro momento - inclusive está devidamente fundamentado no acórdão recorrido - que o crédito fiscal informado pelo contribuinte de, fato restou confirmado na decisão, não havendo mais dúvida sobre a sua legitimidade. Assim se manifestou o Julgador: Consulta ao sistema DIRF indica que de fato a Impugnante é beneficiária de retenções na fonte no ano-calendário de 2006, nos seguintes valores: Banco do Brasil, Código de Retenção 3426, no valor de R$ 32.725,31. Petrobrás, Código de Retenção 6147, no valor de R$ 495.546,46. As retenções referentes ao código 3426, referem-se exclusivamente ao IRPJ. Já as retenções efetuadas pela Petrobrás (Código 6174, são decorrentes da aplicação do art. 64 da lei 9.430/96, que foi regulamentada pela IN/SRF n° 306/2003, onde restou estabelecidos os percentuais de retenção de cada tributo. Assim, conforme quadro inserido no acórdão ora vergastado, o percentual total aplicado a referida retenção é de 5,85%, sendo 1,2% IR, 1,0% CSLL, 3,0% CONFINS e 0,65% PIS. A irresignação que enseja a interposição do presente recurso voluntário reside no fato de que a decisão da DRJ/SDR apenas considerou apto à compensar com o IRPJ (2006) o montante do tributo retido sob o código 6147 (Petrobrás) no percentual de 1,2%, que é referente ao IR, excluindo os percentuais retidos a título de CSLL, PIS e COFINS, fato que ensejou a homologação apenas parcial da compensação pretendida. [...] Percebe-se do julgado que apenas foi aceito como dedução do IRPJ/2006 a pagar o montante de R$ 101.650,55 (1,2% do IR retido) decorrente da retenção na fonte efetuada pela Petrobrás sob o código 6147, cujo valor total é R$ 495.546,46. Nobre Relator, a vedação de compensação do IRPJ ano-calendário 2006 com todos os valores retidos na fonte sob o código 6147 não mais tem lugar com a sistemática atual do instituto no âmbito da Receita Federal do Brasil. É, portanto, descabida a homologação da compensação pretendida de forma parcial, eis que o crédito apresentado é mais do que suficiente para extinção do saldo remanescente do IRPJ devido pela empresa. II) DO DIREITO À COMPENSAÇÃO ENTRE TRIBUTOS DIVERSOS ADMINISTRADOS PELA RECEITA FEDERAL. Já está consolidado no âmbito dos processos administrativos fiscais que o contribuinte que apurar crédito relativo a tributo ou contribuição administrado pela Fl. 166DF CARF MF Fl. 4 do Acórdão n.º 1003-000.740 - 1ª Sejul/3ª Turma Extraordinária Processo nº 13502.900569/2009-12 Secretaria da Receita Federal poderá compensá-lo com outros tributos da mesma espécie e destinação constitucional, ou seja, administrados pela SRF. Na esfera federal, a Lei nº 8.383/91, em seu art. 66, autorizou a compensação para os 'casos de pagamento indevido ou a maior de tributos e contribuições federais, mesmo quando resultante de reforma, anulação, revogação ou rescisão de decisão condenatória'. Prescreveu que, a compensação só poderá ser efetuada entre tributos e contribuições da mesma espécie, facultando ao contribuinte a opção pelo pedido de restituição, conforme dito anteriormente. A Lei nº 9.430/96, por meio de seus arts. 73 e 74, veio permitir a utilização dos créditos do contribuinte a serem restituídos ou ressarcidos para quitar quaisquer tributos administrados pela Receita Federal, mediante requerimento do interessado. Assim, todo e qualquer tributo, pago indevidamente, poderá ser compensado diretamente pelo sujeito passivo da obrigação tributária, com tributos vincendos, desde que pertinentes àqueles administrados pela Secretaria da Receita Federal. [...] Conforme visto anteriormente, dúvidas não mais existem acerca da existência e legitimidade do crédito oposto ao Fisco para fins de compensação. A discussão focou- se apenas no entendimento do r. Acórdão no sentido de prescrever que somente 1,2% do valor retido sob o código 6147 pela Petrobrás poderia ser utilizado para compensação com IRPJ devido pela empresa no exercício de 2006. Destarte, resta claro que a Recorrente ao apresentar os pedidos de compensação 32174.13898.300307.1.3.02.0201 e 28387.17975.250407.1.3.02-8092, este último objeto da controvérsia suscitada no presente recurso, agiu de acordo com o que preceitua a legislação que rege o tema e em compasso com o entendimento do próprio órgão, que nitidamente é no sentido de compensar quaisquer tributos que estão sob sua administração. No que tange especificamente aos valores apresentados, o saldo remanescente não homologado (R$ 19.471,11) pode perfeitamente ser abatido dos R$ 393.895,91, valor decorrente da retenção na fonte efetuada pela Petrobrás sob o código da receita 6147, referente a CSLL, COFINS e PIS. Conforme se vê, o crédito apresentado é mais do que suficiente para quitação do débito, fato que torna imperiosa a homologação total da compensação pretendida. No que concerne ao pedido conclui que: III) DO PEDIDO Diante do exposto, requer a Recorrente seja dado provimento ao presente recurso, a fim de que seja reformada a decisão de primeira instância administrativa, para reconhecer o direito creditório da Recorrente e proceder a homologação in totum da compensação pretendida através dos PER/DCOMP's mencionados. É o Relatório. Voto Conselheira Carmen Ferreira Saraiva, Relatora O recurso voluntário apresentado pela Recorrente atende aos requisitos de admissibilidade previstos nas normas de regência, em especial no Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972. Assim, dele tomo conhecimento. A Recorrente discorda do procedimento fiscal. Fl. 167DF CARF MF Fl. 5 do Acórdão n.º 1003-000.740 - 1ª Sejul/3ª Turma Extraordinária Processo nº 13502.900569/2009-12 O sujeito passivo que apurar crédito relativo a tributo administrado pela RFB, passível de restituição, pode utilizá-lo na compensação de débitos. A partir de 01.10.2002, a compensação somente pode ser efetivada por meio de declaração e com créditos e débitos próprios, que ficam extintos sob condição resolutória de sua ulterior homologação. Também os pedidos pendentes de apreciação foram equiparados a declaração de compensação, retroagindo à data do protocolo (art. 165, art. 168, art. 170 e art. 170-A do Código Tributário Nacional, art. 74 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996 com redação dada pelo art. 49 da Medida Provisória nº 66, de 29 de agosto de 2002, que entrou em vigor em 01.10.2002 e foi convertida na Lei nº 10.637, de 30 de dezembro de 2002). Posteriormente, ou seja, em 31.10.2003, ficou estabelecido que a Per/DComp constitui confissão de dívida e instrumento hábil e suficiente para a exigência dos débitos indevidamente compensados, bem como que o prazo para homologação tácita da compensação declarada é de cinco anos, contados da data da sua entrega. Ademais, o procedimento se submete ao rito do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, inclusive para os efeitos do inciso III do art. 151 do Código Tributário Nacional (§1º do art. 5º do Decreto-Lei nº 2.124, de 13 de junho de 1984, art. 17 da Medida Provisória nº 135, de 30 de outubro de 2003 e art. 17 da Lei nº 10.833, de 29 de dezembro de 2003). O pressuposto é de que a pessoa jurídica deve manter os registros de todos os ganhos e rendimentos, qualquer que seja a denominação que lhes seja dada independentemente da natureza, da espécie ou da existência de título ou contrato escrito, bastando que decorram de ato ou negócio. A escrituração mantida com observância das disposições legais faz prova a favor dela dos fatos nela registrados e comprovados por documentos hábeis, segundo sua natureza, ou assim definidos em preceitos legais (art. 195 do Código Tributário Nacional, art. 51 da Lei nº 7.450, de 23 de dezembro de 1985, art. 6º e art. 9º do Decreto-Lei nº 1.598, de 26 de dezembro de 1977 e art. 37 da Lei nº 8.981, de 20 de novembro de 1995). Instaurada a fase litigiosa do procedimento, a Recorrente deve detalhar os motivos de fato e de direito em que se basear expondo de forma minuciosa os pontos de discordância e suas razões e instruindo a peça de defesa com prova documental pré-constituída imprescindível à comprovação das matérias suscitadas. Por seu turno, a autoridade julgadora, orientando-se pelo princípio da verdade material na apreciação da prova, deve formar livremente sua convicção mediante a persuasão racional decidindo com base nos elementos existentes no processo e nos meios de prova em direito admitidos. Os diplomas normativos de regências da matéria, quais sejam o art. 170 do Código Tributário Nacional e o art. 74 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, deixam clara a necessidade da existência de direto creditório líquido e certo no momento da apresentação do Per/DComp, hipótese em que o débito confessado encontrar-se-ia extinto sob condição resolutória da ulterior homologação. Apenas nas situações comprovadas de inexatidões materiais devidas a lapso manifesto e erros de escrita ou de cálculos podem ser corrigidas de ofício ou a requerimento da Requerente. O erro de fato é aquele que se situa no conhecimento e compreensão das características da situação fática tais como inexatidões materiais devidas a lapso manifesto e os erros de escrita ou de cálculos. A Administração Tributária tem o poder/dever de revisar de ofício o procedimento quando se comprove erro de fato quanto a qualquer elemento definido na legislação tributária como sendo de declaração obrigatória. A este poder/dever corresponde o direito de a Recorrente retificar e ver retificada de ofício a informação fornecida com erro de fato, desde que devidamente comprovado. Fl. 168DF CARF MF Fl. 6 do Acórdão n.º 1003-000.740 - 1ª Sejul/3ª Turma Extraordinária Processo nº 13502.900569/2009-12 O conceito de erro material apenas abrange a inexatidão quanto a aspectos objetivos, não resultantes de entendimento jurídico, como um cálculo errado, a ausência de palavras, a digitação errônea, e hipóteses similares. Somente podem ser corrigidas de ofício ou a pedido as informações declaradas no caso de verificada a circunstância objetiva de inexatidão material e congruentes com os demais dados constantes nos registros internos da RFB (art. 32 do Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972 e incisos I e III do art. 145 e inciso IV do art. 149 do Código Tributário Nacional). Por inexatidão material entendem-se os pequenos erros involuntários, desvinculados da vontade do agente, cuja correção não inove o teor do ato formalizado, tais como a escrita errônea, o equívoco de datas, os erros ortográficos e de digitação. Diferentemente o erro de direito, que não é escusável, diz respeito à norma jurídica disciplinadora e aos parâmetros previstos nas normas de regência da matéria. Cabe a Recorrente produzir o conjunto probatório nos autos de suas alegações, já que o procedimento de apuração do direito creditório não prescinde comprovação inequívoca da liquidez e da certeza do valor de direito creditório pleiteado. Para que haja o reconhecimento do direito creditório é necessário um cuidadoso exame do pagamento a maior de tributo, uma vez que é absolutamente essencial verificar a precisão dos dados informados em todos os livros de escrituração obrigatórios por legislação fiscal específica bem como os documentos e demais papéis que serviram de base para escrituração comercial e fiscal (art. 170 do Código Tributário Nacional). Conforme determinam os §§ 1º e 3º do art. 9º do Decreto-Lei nº 1.598, de 26 de dezembro de 1977, a escrituração mantida com observância das disposições legais faz prova a favor do sujeito passivo dos fatos nela registrados e comprovados por documentos hábeis, segundo sua natureza, ou assim definidos em preceitos legais, exceto nos casos em que a lei, por disposição especial, atribua a ele o ônus da prova de fatos registrados na sua escrituração. A Recorrente tem o ônus de instruir os autos com documentos hábeis e idôneos que justifiquem a retificação das informações. Nesse sentido também vale ressaltar o disposto no art. o art. 195 do Código Tributário Nacional e o art. 4º do Decreto-Lei nº 486, de 03 de março de 1969, que preveem, em última análise, "que os livros obrigatórios de escrituração comercial e fiscal e os comprovantes dos lançamentos neles efetuados serão conservados até que ocorra a prescrição dos créditos tributários decorrentes das operações a que se refiram." A pessoa jurídica pode deduzir do tributo devido o valor dos incentivos fiscais previstos na legislação de regência, do tributo pago ou retido na fonte, incidente sobre receitas computadas na determinação do lucro real, bem como a IRPJ determinado sobre a base de cálculo estimada no caso utilização do regime com base no lucro real anual, para efeito de determinação do saldo de IRPJ a pagar ou a ser compensado no encerramento do ano-calendário, ocasião em que se verifica a sua liquidez e certeza (art. 170 do Código Tributário Nacional, art. 34 da Lei nº 8.981, de 20 de janeiro de 1995 e art. 2º da Lei nº 9.430, 27 de dezembro de 1996). No presente caso, analisadas as informações prestadas a RFB não foi possível confirmar a apuração do crédito, pois o valor informado na DIPJ não corresponde aquele saldo negativo de IRPJ de R$98.033,85 do ano-calendário de 2006 no Per/DComp. As pessoas jurídicas qualificadas como fontes pagadoras são obrigadas a prestar aos órgãos da RFB, no prazo legal, informações sobre os rendimentos que pagaram ou creditaram no ano-calendário anterior, por si ou como representantes de terceiros, com indicação da natureza das respectivas importâncias, do nome, endereço e número de inscrição no CNPJ, das pessoas que o receberam, bem como o imposto de renda retido da fonte, mediante a Declaração de Imposto de Renda Retido na Fonte (DIRF). Também as pessoas jurídicas que Fl. 169DF CARF MF Fl. 7 do Acórdão n.º 1003-000.740 - 1ª Sejul/3ª Turma Extraordinária Processo nº 13502.900569/2009-12 efetuarem pagamentos com retenção do tributo na fonte devem fornecer à pessoa jurídica beneficiária, até o dia 31 de janeiro, documento comprobatório, em duas vias, com indicação da natureza e do montante do pagamento, das deduções e do imposto retido no ano-calendário anterior, que no caso é o Informe de Rendimentos. Assim, o valor retido na fonte somente pode ser compensado se a pessoa jurídica possuir comprovante de retenção emitido em seu nome pela fonte pagadora para fins de apuração do saldo negativo de IRPJ no encerramento do período (art. 86 da Lei nº 8.981, de 20 de janeiro de 1995, art. 11 do Decreto-Lei nº 1.968, de 23 de novembro de 1982 e art. 10 do Decreto-Lei nº 2.065, de 26 de outubro de 1983). Em relação à dedução de tributo retido na fonte, a legislação prevê que no regime de tributação com base no lucro real a pessoa jurídica pode deduzir do valor apurado no encerramento do período, o valor retido na fonte sobre as receitas que integraram a base de cálculo correspondente (Súmula CARF nº 80). O IRPJ deve ser apurado conforme os critérios previstos na legislação tributária e a pessoa jurídica submetida ao regime de tributação com base no lucro real pode deduzir no encerramento do período a fonte incidente sobre as receitas computadas na sua determinação, inclusive como antecipação devida referente ao código de arrecadação nº 6147 a título de receita proveniente de prestação de serviços a órgãos, autarquias e fundações da administração pública federal, conforme a Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996: Art.64. Os pagamentos efetuados por órgãos, autarquias e fundações da administração pública federal a pessoas jurídicas, pela fornecimento de bens ou prestação de serviços, estão sujeitos à incidência, na fonte, do imposto sobre a renda, da contribuição social sobre o lucro líquido, da contribuição para seguridade social-COFINS e da contribuição para o PIS/PASEP. §1º A obrigação pela retenção é do órgão ou entidade que efetuar o pagamento. §2º O valor retido, correspondente a cada tributo ou contribuição, será levado a crédito da respectiva conta de receita da União. §3º O valor do imposto e das contribuições sociais retido será considerado como antecipação do que for devido pela contribuinte em relação ao mesmo imposto e às mesmas contribuições. §4º O valor retido correspondente ao imposto de renda e a cada contribuição social somente poderá ser compensado com o que for devido em relação à mesma espécie de imposto ou contribuição. §5º O imposto de renda a ser retido será determinado mediante a aplicação da alíquota de quinze por cento sobre o resultado da multiplicação do valor a ser pago pela percentual de que trata o art. 15 da Lei nº 9.249, de 26 de dezembro de 1995, aplicável à espécie de receita correspondente ao tipo de bem fornecido ou de serviço prestado. §6º O valor da contribuição social sobre o lucro líquido, a ser retido, será determinado mediante a aplicação da alíquota de um por cento, sobre o montante a ser pago. §7º O valor da contribuição para a seguridade social-COFINS, a ser retido, será determinado mediante a aplicação da alíquota respectiva sobre o montante a ser pago. §8º O valor da contribuição para o PIS/PASEP, a ser retido, será determinado mediante a aplicação da alíquota respectiva sobre o montante a ser pago. (grifos acrescentados) Verifica-se que, diferente do entendimento da Recorrente, o valor retido correspondente ao imposto de renda somente pode ser compensado com o que for devido em relação à mesma espécie de imposto Instrução Normativa SRF nº 306, de 12 de março de 2003, Instrução Normativa RFB nº 1.234, 11 de janeiro de 2012 e art. 34 das Lei 10.833, de 29 de dezembro de 2003). A Recorrente teve oportunidade de esclarecer as divergências, conforme Termo de Intimação, regularmente cientificado, fls. 03-05, nos seguintes termos: Fl. 170DF CARF MF Fl. 8 do Acórdão n.º 1003-000.740 - 1ª Sejul/3ª Turma Extraordinária Processo nº 13502.900569/2009-12 O valor do saldo negativo informado no PER/DCOMP é diferente do apurado na DIPJ. A soma das parcelas de crédito demonstradas no PER/DCOMP deve ser suficiente para comprovar a quitação da contribuição ou imposto devido, se houver, e a apuração do saldo negativo. Apuração: EXERCÍCIO 2007 - 01/01/2006 a 31/12/2006 DIPJ: Valor do Saldo Negativo R$ 65.988,64 PER/DCOMP: Valor do Saldo Negativo R$ 98.033,85 Demonstrativo parcelas crédito DIPJ: R$ 123.862,17 (Somatório dos valores da FICHA 12A, LINHAS 11 A 17) Demonstrativo parcelas crédito PER/DCOMP: R$ 98.033,85 (Somatório das informações das fichas Imposto de Renda pago no exterior, Imposto de Renda Retido na Fonte, Pagamentos, Estimativas compensadas com saldo de períodos anteriores, Estimativas parceladas e Demais estimativas compensadas) Solicita-se retificar a DIPJ correspondente ou apresentar PER/DCOMP retificador indicando corretamente o valor do saldo negativo apurado no Período e, se for o caso, corrigindo o detalhamento do crédito utilizado na sua composição. Outras divergências entre as informações do PER/DCOMP, da DIPJ e da DCTF do período deverão ser sanadas pela apresentação de declarações retificadoras no prazo estabelecido nesta intimação. Base legal: Art. 6º , Parágrafo 1°, Inciso II e art. 74 da Lei n° 9.430, de 1996, com as alterações posteriores. Arts. 4º e 56 a 61 da Instrução Normativa SRF n° 600, de 2005. Verifica-se que todos os documentos constantes nos autos foram analisados. As informações constantes na peça de defesa não podem ser consideradas, pois não foram produzidos no processo elementos de prova mediante assentos contábeis e fiscais que evidenciem as alegações ali constantes, nos termos do art. 145 e art. 147 do Código Tributário Nacional, bem como art. 15, art. 16 e art. 29 do Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972, que estabelecem critérios de adoção do princípio da verdade material. Observe-se que não foram carreados aos autos pela Recorrente os dados essenciais a produzir um conjunto probatório robusto da liquidez e certeza do direito creditório pleiteado. Consta no Acórdão da 1ª Turma/DRJ/SDR/BA nº 15-29.770, de 09.02.2012, e-fls. 125-132, cujos fundamentos de fato e direito são acolhidos de plano nessa segunda instância de julgamento (art. 50 da Lei nº 9.784, de 29 de janeiro de 1999): Conforme relatado, o contribuinte teve indeferido o seu alegado direito creditório, sob a justificativa de que a divergência entre os valores do saldo negativo informado no Per/Dcomp (98.033,85.) e o valor informado na DIPJ (R$ 65.988,64), o que teria impossibilitado a confirmação do crédito pleiteado. Em sua Manifestação de Inconformidade, o contribuinte alega que teria ocorrido apenas um erro no preenchimento da sua DIPJ, cuja retificação já teria sido enviada em 10/03/2009, com a mesma natureza da original, substituindo-a na íntegra. Como se vê, tais razões sugerem a possibilidade de erro no preenchimento da DIPJ ou do PER/DCOMP, fato que por si só não poderia configurar situação capaz de conceder ou excluir o direito creditório do contribuinte. Por outro lado, constata-se que o indeferimento do pedido sustentou-se apenas do confronto entre o valor informado na DIPJ, declaração econômico-fiscal de natureza apenas informativa, e aquele informado na PER/DCOMP do demonstrativo do alegado crédito do Fl. 171DF CARF MF Fl. 9 do Acórdão n.º 1003-000.740 - 1ª Sejul/3ª Turma Extraordinária Processo nº 13502.900569/2009-12 contribuinte, não sendo, assim, analisadas a liquidez e a certeza do indébito tributário ora objeto do “PER/DCOMP” ali relacionado. Esta Turma de Julgamento tem decidido reiteradamente, que a análise do direito material dos contribuintes deve ser enfrentada na primeira instância decisória com base na integralidade da documentação contábil e fiscal, e não apenas em cruzamentos eletrônicos, especialmente quando estes dados apresentam informações imprecisas. Do exposto observa-se que a simplicidade do despacho decisório ao indeferir o direito creditório do contribuinte com base apenas em cruzamento de dados eletrônicos de informações econômico-fiscais, sem efetuar uma análise mais aprofundada da substância do crédito a que a declaração faz referência, não possui força suficiente para conceder ou desconstituir o direito material em análise. Os erros materiais no preenchimento da DIPJ, da DCTF ou do Per/Dcomp, na forma do que dispõe o §2°, do art. 147, do Código Tributário Nacional, podem ser retificados de ofício pela autoridade fiscal, sem qualquer provocação do contribuinte, e, isoladamente, não podem afastar o seu direito creditório. [...] Pelo exposto conclui-se que a ausência de análise da matéria efetiva que ensejou o direito material do contribuinte (existência ou não do saldo negativo do ano- calendário de 2006), que seria a fundamentação válida do ato administrativo, poderia implicar em diligência saneadora ao órgão de origem. Ocorre, entretanto, que os documentos ora anexados aos autos (fls. 107 a 124), nos permitem concluir, que as alegações do contribuinte são verdadeiras e de fato restam confirmadas, motivo pelo qual passaremos a analisar a matéria. Quanto ao mérito, observa-se que referente ao ano-calendário de 2006, o contribuinte apresentou sua DIPJ original 27/06/2007, mantendo-a inalterada até a presente data, [...] Observa-se, ainda, que, tanto na DIPJ retificada quanto na DIPJ retificadora, não ocorreu nenhuma alteração nos valores do Lucro Real apurado, conforme indicam os extratos abaixo inseridos: [...] CONSULTA DECLARAÇÃO - DIPJ/2007 USUÁRIO: GLIMAR CNPJ: 06.235.572/0001-36 L.REAL AC - 2006 RF- 05 DECL.- 1532185 DV - 00 [...] 47. LUCRO REAL 1.286.077,67 [...] CONSULTA DECLARAÇÃO - DIPJ/2007 USUÁRIO: GLIMAR CNPJ: 06.235.572/0001-36 L.REAL AC - 2006 RF- 05 DECL.- 1023271 DV - 07 [...] 47. LUCRO REAL 1.286.077,67 [...] O exame comparativo dos valores da Ficha 12 A da DIPJ vigente e da retificada, indica que, de fato, restam comprovados os erros alegados pela Impugnante, conforme abaixo demonstrado: [...] CONSULTA DECLARAÇÃO - DIPJ/2007 USUÁRIO: GLIMAR CNPJ: 06.235.572/0001-36 L.REAL AC - 2006 RF- 05 DECL.- 1532185 DV - 00 [...] 18.IMPOSTO DE RENDA A PAGAR -98.033,85 [...] CONSULTA DECLARAÇÃO - DIPJ/2007 USUÁRIO: GLIMAR CNPJ: 06.235.572/0001-36 L.REAL AC - 2006 RF- 05 DECL.- 1023271 DV - 07 [...] 18.IMPOSTO DE RENDA A PAGAR -65.988,64 [...] Conclui-se, desta forma, que as alterações efetuadas na DIPJ retificadora atualmente vigente, limitaram-se aos valores que foram deduzidos do IRPJ a pagar, Fl. 172DF CARF MF Fl. 10 do Acórdão n.º 1003-000.740 - 1ª Sejul/3ª Turma Extraordinária Processo nº 13502.900569/2009-12 em razão de antecipações por retenção na fonte, que segundo informações contidas na defesa, foram efetivadas pelo Banco do Brasil e pela Petrobrás. Assim, considerando-se que as estimativas devidas também foram compensadas com o IRRF, bem como inexiste qualquer quitação através de DARF para os códigos 5993 IRPJ-OPTANTES APURAÇÃO C/ BASE NO LUCRO REAL-ESTIMATIVA MENSAL e 2362 IRPJ- PJ OBRIGADAS AO LUCRO REAL - ENTIDADES NÃO FINANCEIRAS - ESTIMATIVA MENSAL, resta comprovar em DIRF se efetivamente estas retenções ocorreram e confirmados os valores retidos, se estes são suficientes para suportar os valores que foram deduzidos do IRPJ a pagar na DIPJ vigente (R$ 155.907,38). Consulta ao sistema DIRF da RFB indica que de fato a Impugnante é beneficiária de retenções na fonte no ano-calendário de 2006 , nos seguintes valores: Banco do Brasil, Código de Retenção 3426, no valor de R$ 32.725,31. Petrobrás, Código de Retenção 6147, no valor de R$ 495.546,46. As retenções referentes ao código 3426, referem-se exclusivamente ao IRPJ. Já as retenções efetuadas pela Petrobrás (Código 6147), são decorrentes da aplicação do art. 64 da Lei 9.430, de 27 de dezembro de 1996, cujo teor é o seguinte: Art. 64. Os pagamentos efetuados por órgãos, autarquias e fundações da administração pública federal a pessoas jurídicas, pelo fornecimento de bens ou prestação de serviços, estão sujeitos à incidência, na fonte, do imposto sobre a renda, da contribuição social sobre o lucro líquido, da contribuição para seguridade social - COFINS e da contribuição para o PIS/PASEP. Este dispositivo foi regulamentado pela Instrução Normativa SRF nº 306, de 12 de março de 2003, que estabeleceu os percentuais de retenção de cada tributo, bem como os códigos de receita correspondentes, conforme quadro indicado nos itens abaixo: Código de Receita 6147 – Produtos – Retenção em Pagamentos por Órgão Público - Percentual de retenção aplicado – 5,85%. NATUREZA DO BEM FORNECIDO OU DO SERVIÇO PRESTADO (01) ALÍQUOTAS PERCENTUAL A SER APLICADO (06) CÓDIGO DA RECEITA (07) IR (02) CSLL (03) COFINS (04) PIS/PASEP (05) Alimentação; Energia elétrica; Serviços prestados com o emprego de materiais, inclusive de limpeza; Serviços hospitalares; Transporte de cargas; Mercadorias e bens em geral, exceto as relacionadas nos códigos 6875, 6883, 8726, 8739, 8754, 8767, 8770 e 9060. Veículos classificados nos códigos 8432.30 e 87.11 adquiridos de fabricantes ou de importadores 1,2 2,0 3,0 0,65 5,85 6147 Fl. 173DF CARF MF Fl. 11 do Acórdão n.º 1003-000.740 - 1ª Sejul/3ª Turma Extraordinária Processo nº 13502.900569/2009-12 Do valor retido pela Petrobrás em nome da Impugnante sob o código 6147 (R$ 495.546,46), apenas 1,2% (R$ 101.650,55), refere-se ao IRPJ e, por conseqüência poderá ser compensado com o IRPJ a pagar. Somando-se este valor ao valor retido pelo Banco do Brasil (R$ 32.725,31), do IRPJ devido no ano-calendário de 2006, poderá ser deduzido como IRRF, o valor total de R$ 134.375,86. Conclui-se assim, que do valor do IRPJ devido no ano-calendário de 2006 (R$ 192.911,65 + R$ 104.607,77 = 297.519,42), poderá ser abatido o montante de R$ 239.645,89 a título de isenção/redução do imposto e R$ 134.375,86 como antecipação do IRPJ por retenção na fonte, o que implica em saldo negativo de R$ 76.502,33, diferente dos R$ 98.033,95, pleiteado neste PAF. Ante o exposto, VOTO pela procedência parcial da presente Manifestação de Inconformidade para reconhecer o direito creditório relativo ao saldo negativo do IRPJ do ano-calendário de 2006 no valor de R$ 76.502,33, homologando os débitos declarados nos Per/Dcomp relacionados no Despacho Decisório 820966085, até o limite do valor ora reconhecido. Tem-se que nos estritos termos legais este entendimento está de acordo com o princípio da legalidade a que o agente público está vinculado (art. 37 da Constituição Federal, art. 116 da Lei nº 8.112, de 11 de dezembro de 1990, art. 2º da Lei nº 9.784, de 29 de janeiro de 1999, art. 26-A do Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972 e art. 62 do Anexo II do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 09 de julho de 2015). Em assim sucedendo, voto em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Carmen Ferreira Saraiva Fl. 174DF CARF MF
score : 1.0
