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Numero do processo: 13502.902514/2011-53
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 26 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Tue Mar 19 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Data do fato gerador:31/03/2005
RECURSO VOLUNTÁRIO INTERPOSTO FORA DO PRAZO LEGAL. INTEMPESTIVIDADE RECONHECIDA.
É de 30 (trinta) dias o prazo para interposição de Recurso Voluntário pelo contribuinte, conforme prevê o art. 33, caput, do Decreto-lei n. 70.235/72. O não cumprimento do aludido prazo impede o conhecimento do recuso interposto em razão da sua intempestividade.
Numero da decisão: 3402-006.249
Decisão:
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, não conhecer do Recurso Voluntário, por intempestivo.
(assinado digitalmente)
Waldir Navarro Bezerra - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Waldir Navarro Bezerra, Rodrigo Mineiro Fernandes, Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Pedro Sousa Bispo, Cynthia Elena de Campos e Thais De Laurentiis Galkowicz.
Nome do relator: WALDIR NAVARRO BEZERRA
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INTEMPESTIVIDADE RECONHECIDA. É de 30 (trinta) dias o prazo para interposição de Recurso Voluntário pelo contribuinte, conforme prevê o art. 33, caput, do Decretolei n. 70.235/72. O não cumprimento do aludido prazo impede o conhecimento do recuso interposto em razão da sua intempestividade. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, não conhecer do Recurso Voluntário, por intempestivo. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Waldir Navarro Bezerra, Rodrigo Mineiro Fernandes, Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Pedro Sousa Bispo, Cynthia Elena de Campos e Thais De Laurentiis Galkowicz. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 50 2. 90 25 14 /2 01 1- 53 Fl. 66DF CARF MF Processo nº 13502.902514/201153 Acórdão n.º 3402006.249 S3C4T2 Fl. 0 2 Relatório Trata o presente de manifestação de inconformidade contra Despacho Decisório que indeferiu o pedido de restituição, em razão do sistema da Receita Federal apurar que o pagamento em questão foi utilizado integralmente para quitar débitos. Tempestivamente, a manifestante alegou que, na data em destaque recolheu o IPI a maior, porém, ao tomar ciência do Despacho Denegatório constatou que não mais poderia retificar a respectiva DCTF, por ter sido ultrapassado o prazo de cinco anos. Diante disso requer a retificação de ofício, o reconhecimento do direito creditório e a homologação dos débitos que declarou. A manifestação de inconformidade foi julgada improcedente, nos termos do Acórdão nº 14042.363, que firmou entendimento de que é ônus processual da interessada fazer prova dos fatos constitutivos de seu direito, o que não ocorreu no caso em apreço. Diante deste quadro o contribuinte interpôs o recurso voluntário, oportunidade em que repisou as alegações desenvolvidas em sede de impugnação. É o relatório. Voto Conselheiro Waldir Navarro Bezerra O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3402006.237, de 26 de fevereiro de 2019, proferido no julgamento do processo 13502.902501/201184, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevemse, como solução deste litígio, nos termos regimentais, os entendimentos que prevaleceram naquela decisão (Resolução 3402006.237): "I. Da intempestividade do recurso voluntário interposto 5. Como é sabido, o prazo para interposição de Recurso Voluntário no âmbito do processo administrativo federal é de 30 (trinta) dias, conforme prevê o art. 33, caput do Decretolei n. 70.235/72. 6. Não obstante, segundo o disposto no art. 5o. do sobredito Decretolei, os prazos no processo administrativo federal são contínuos e deverão ser contados excluindose na sua contagem o dia do início e incluindose o do vencimento. Este também é o teor do art. 66 da lei n. 9.784/991. 1 "Art. 66. Os prazos começam a correr a partir da data da cientificação oficial, excluindose da contagem o dia do começo e incluindose o do vencimento." Fl. 67DF CARF MF Processo nº 13502.902514/201153 Acórdão n.º 3402006.249 S3C4T2 Fl. 0 3 7. Pois bem. No presente caso o Recorrente foi cientificado eletronicamente da decisão guerreada em 05 de julho de 2013 (sextafeira), o que seu deu pela ciência por decurso de prazo, já que o contribuinte não promoveu a abertura do email encaminhado em sua caixa postal. Logo, levando em consideração as disposições legais acima mencionadas, o termo inicial para a contagem do prazo recursal teve início em 08 (oito) de julho de 2013 (segundafeira), vencendo, por sua vez, no dia 06 (seis) de agosto de 2013 (terçafeira). Acontece que o recurso em apreço só foi interposto mediante postagem por correio efetuada em 07 (sete) de agosto de 2013 (quartafeira) (fl. 35), ou seja, quando já transcorrido o prazo legal. 8. Patente está, portanto, a intempestividade do recurso voluntário interposto. Dispositivo 9. Diante do exposto, em razão da intempestividade do recurso voluntário interposto, deixo de conhecêlo." Importa registrar que nos autos ora em apreço, a situação fática e jurídica encontra correspondência com a verificada no paradigma, de tal sorte que o entendimento lá esposado pode ser perfeitamente aqui aplicado. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado decidiu por não conhecer do Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra Fl. 68DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 16682.721814/2015-84
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Jan 31 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Wed Apr 24 00:00:00 UTC 2019
Numero da decisão: 3201-001.772
Decisão:
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em remeter os autos para a unidade de origem, a fim de que sejam apensados, por conexão de matérias, ao processo em que tratado o PER/DCOMP respectivo.
(assinado digitalmente)
Charles Mayer de Castro Souza - Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza (Presidente), Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisário, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinícius Toledo de Andrade, Laércio Cruz Uliana Júnior.
Nome do relator: CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA
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(assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza (Presidente), Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisário, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinícius Toledo de Andrade, Laércio Cruz Uliana Júnior. Relatório O Trata o presente processo de auto de infração de multa em decorrência de DCOMP não homologada. O contribuinte foi cientificado e apresentou impugnação que, após o julgamento, manteve a cobrança do crédito tributário. Inconformada, a ora Recorrente apresentou, no prazo legal, Recurso Voluntário, por meio do qual requer que a decisão da DRJ seja reformada, alegando que: RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 66 82 .7 21 81 4/ 20 15 -8 4 Fl. 297DF CARF MF Processo nº 16682.721814/201584 Resolução nº 3201001.772 S3C2T1 Fl. 3 2 Do Direito Da Nulidade do Auto de Infração A Recorrente alega que a aplicação da multa, no presente caso, não encontra motivação válida, uma vez que não restou demonstrado no auto de infração qualquer conduta ilícita ou abusiva por parte da impugnante. Em seu apoio cita doutrina e jurisprudência. Cumulação de Multa Configurando BIS IN IDEM A Recorrente alega que há cumulação da multa de ofício com a multa de mora, entendendo que as duas multas partilham da mesma essência. Nesse raciocínio afirma que a intenção de fazer incidir a multa isolada, sem qualquer evidência de ilicitude ou abusividade, configura verdadeiro bis in idem. Da Apensação A Recorrente explica que a cobrança da multa, prevista no art. 74 §17 da Lei nº 9.430/96, ocorreu em virtude da não homologação do PER/DCOMP constante do PAF 16682.720030/201539. Nesse sentido, exige que os autos deste processo sejam juntados por apensação ao PAF 16682.720030/201539. Da Suspensão No caso dos processos não serem juntados, a Recorrente pede a suspensão do presente processo até o trânsito em julgado do PAF 16682.720030/201539. Nessa linha, argumenta que este processo seria subsidiário ao PAF 16682.720030/201539. Dos Pedidos Ao final requer: a) seja anulado o presente auto de infração ante a inexistência de conduta ilícita ou abusiva do contribuinte a justificar a aplicação da penalidade prevista no art. 74 §§15 e 17, da Lei nº 9.430/96, na redação da Lei nº 12.249/2010; b) na eventualidade de superar os itens anteriores, que seja reconhecida a cobrança de multa em bis in idem, uma vez que a multa de mora, única devida no presente caso (na hipótese da manifestação de inconformidade não logre o êxito almejado pela contribuinte, fato que se admite pela necessidade de argumentação), não pode ser acrescida da multa isolada, uma vez que não houve qualquer comprovação de ilicitude ou abusividade a ensejar a sua incidência; c) a apensação do presente processo ao PAF 16682.720030/201539; d) que todas as intimações pertinentes a este processo sejam feitas ao procurador da requerente. É o relatório. Fl. 298DF CARF MF Processo nº 16682.721814/201584 Resolução nº 3201001.772 S3C2T1 Fl. 4 3 Voto Conselheiro Charles Mayer de Castro Souza, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido na Resolução nº 3201001.718, de 31 de janeiro de 2019, proferido no julgamento do processo 16682.721714/201558, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevemse, como solução deste litígio, nos termos regimentais, os entendimentos que prevaleceram naquela decisão (Resolução nº 3201001.718): "Em breve síntese a Recorrente explica que a cobrança da multa, prevista no art. 74 §17 da Lei nº 9.430/96, ocorreu em virtude da não homologação do PER/DCOMP 14194.20200.240211.1.7.041872 constante do PAF 16682.7200030/201539. Nesse sentido, requer que os autos deste processo sejam juntados por apensação ao PAF 16682.720030/201539. Em atendimento ao requerimento da recorrente, resolvo em remeter os autos para a unidade de origem, a fim de que sejam apensados, por conexão de matérias, ao processo em que tratado o PER/DCOMP respectivo. Após a juntada o processo deve retornar ao CARF para continuidade do julgamento." Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado decidiu remeter os autos para a unidade de origem, a fim de que sejam apensados (ou confirmada a apensação), por conexão de matérias, ao processo em que tratado o PER/DCOMP respectivo. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza Fl. 299DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10855.001649/00-51
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 26 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Tue Mar 19 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Normas de Administração Tributária
Período de apuração: 01/03/1998 a 30/09/1998
COMPENSAÇÃO. POSSIBILIDADE DE COMPENSAÇÃO COM OUTROS TRIBUTOS ADMINISTRADOS PELA SECRETARIA DA RECEITA FEDERAL DO BRASIL. DECISÃO JUDICIAL RESTRITIVA. OBSERVÂNCIA.
Os créditos relativos a tributos administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB), reconhecidos por sentença judicial transitada em julgado que tenha permitido apenas a compensação com débitos de tributos da mesma espécie podem ser compensados com débitos próprios relativos a quaisquer tributos administrados pela RFB exceção feita às contribuições previdenciárias e tributos apurados na sistemática do Simples Nacional quando houver legislação superveniente ao trânsito em julgado que assegure igual tratamento aos demais contribuintes ou, ainda, quando a legislação vigente na data do trânsito em julgado não tiver sido fundamento da decisão judicial mais restritiva.
Numero da decisão: 3402-006.285
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. Os Conselheiros Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Cynthia Elena de Campos e Thais de Laurentiis Galkowicz acompanharam o relator pelas conclusões.
(assinado digitalmente)
Waldir Navarro Bezerra - Presidente.
(assinado digitalmente)
Rodrigo Mineiro Fernandes - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os seguintes Conselheiros: Rodrigo Mineiro Fernandes, Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Larissa Nunes Girard (Suplente convocada), Thais de Laurentiis Galkowicz, Cynthia Elena de Campos e Waldir Navarro Bezerra (Presidente). Ausente o conselheiro Pedro Sousa Bispo.
Nome do relator: RODRIGO MINEIRO FERNANDES
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ementa_s : Assunto: Normas de Administração Tributária Período de apuração: 01/03/1998 a 30/09/1998 COMPENSAÇÃO. POSSIBILIDADE DE COMPENSAÇÃO COM OUTROS TRIBUTOS ADMINISTRADOS PELA SECRETARIA DA RECEITA FEDERAL DO BRASIL. DECISÃO JUDICIAL RESTRITIVA. OBSERVÂNCIA. Os créditos relativos a tributos administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB), reconhecidos por sentença judicial transitada em julgado que tenha permitido apenas a compensação com débitos de tributos da mesma espécie podem ser compensados com débitos próprios relativos a quaisquer tributos administrados pela RFB exceção feita às contribuições previdenciárias e tributos apurados na sistemática do Simples Nacional quando houver legislação superveniente ao trânsito em julgado que assegure igual tratamento aos demais contribuintes ou, ainda, quando a legislação vigente na data do trânsito em julgado não tiver sido fundamento da decisão judicial mais restritiva.
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POSSIBILIDADE DE COMPENSAÇÃO COM OUTROS TRIBUTOS ADMINISTRADOS PELA SECRETARIA DA RECEITA FEDERAL DO BRASIL. DECISÃO JUDICIAL RESTRITIVA. OBSERVÂNCIA. Os créditos relativos a tributos administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB), reconhecidos por sentença judicial transitada em julgado que tenha permitido apenas a compensação com débitos de tributos da mesma espécie podem ser compensados com débitos próprios relativos a quaisquer tributos administrados pela RFB — exceção feita às contribuições previdenciárias e tributos apurados na sistemática do Simples Nacional — quando houver legislação superveniente ao trânsito em julgado que assegure igual tratamento aos demais contribuintes ou, ainda, quando a legislação vigente na data do trânsito em julgado não tiver sido fundamento da decisão judicial mais restritiva. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. Os Conselheiros Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Cynthia Elena de Campos e Thais de Laurentiis Galkowicz acompanharam o relator pelas conclusões. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra Presidente. (assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 85 5. 00 16 49 /0 0- 51 Fl. 329DF CARF MF Processo nº 10855.001649/0051 Acórdão n.º 3402006.285 S3C4T2 Fl. 330 2 Rodrigo Mineiro Fernandes Relator. Participaram da sessão de julgamento os seguintes Conselheiros: Rodrigo Mineiro Fernandes, Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Larissa Nunes Girard (Suplente convocada), Thais de Laurentiis Galkowicz, Cynthia Elena de Campos e Waldir Navarro Bezerra (Presidente). Ausente o conselheiro Pedro Sousa Bispo. Relatório Por bem descrever os fatos, adoto o relatório da Resolução Despacho nº 3402000.317 da 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária, de 02 de setembro de 2011 (fls. 01 a 05): Tratase de Auto de Infração objetivando a cobrança da COFINS relativa ao período de março a setembro/98 em virtude de a contribuinte ter efetuado compensações indevidas com indébitos fiscais resultantes de recolhimentos indevidos a título do PIS. Indeferido o pedido de compensação formalizado no processo nº 10855.000700/9834 foi efetuado o lançamento. A contribuinte interpôs impugnação alegando em sua defesa: • nulidade do auto de infração por ter sido lavrado fora do seu estabelecimento, por não ser o auditor fiscal contador; a descrição dos fatos ´[e imprecisa uma vez que existe processo de compensação ainda não julgado definitivamente na esfera administrativa e por possuir liminar garantindolhe o direito de efetuar as compensações; os dispositivos legais citados estão equivocados uma vez que não houve infringência da LC 07/70, mas sim aplicação do art. 6º; a narração dos fatos é imprecisa; não se comprovou que o credito tributário não foi extinto pela compensação efetuada; credito tributário está sendo constituído duplamente , uma vez que os débitos constavam do processo de compensação; não houve impessoalidade no ato administrativo praticado uma vez que nem todas as empresas do ramo foram fiscalização; não foi intimada a prestar esclarecimentos antes da autuação o que representa cerceamento de direito de defesa; discorre sobre a decisão judicial na qual embasou a sua compensação; • pugna pela aplicação da semestralidade no cálculo do indébito; • não tendo havido mora pois o credito tributário devido foi compensado não se pode aplicar juros moratório; • multa aplicada é confiscatória. A DRJ em Ribeirão Preto/SP manifestouse no sentido de manter parcialmente o lançamento, excluindo a aplicação da multa em virtude da aplicação do disposto na Lei nº 10833/03. Inconformada com a decisão proferida a contribuinte apresenta recurso voluntário ao Conselho de Contribuintes, argüindo como razões de defesa as mesmas defendidas na inicial. De acordo com informação proferida pela autoridade competente, fl. 148, foi feito arrolamento de bens garantindo o seguimento do recurso interposto. O julgamento do recurso foi convertido em diligencia para que fossem tomadas Fl. 330DF CARF MF Processo nº 10855.001649/0051 Acórdão n.º 3402006.285 S3C4T2 Fl. 331 3 as seguintes providencias: 1. Anexar cópia da decisão administrativa final referente ao processo administrativo nº10855.000700/9834, que versa sobre a compensação; 2. Verificar se as compensações efetuadas, nos termos da decisão administrativa final do processo de compensação, foram suficientes para cobrir o valor lançado no presente Auto de Infração, elaborando demonstrativo dos cálculos e relatório conclusivo; Em resposta à diligencia proposta foi anexado acórdão proferido por este Conselho que decidiu não conhecer do recurso interposto nos autos do processo administrativo 10855.000700/9834 em razão de a contribuinte ter interposto ação judicial com o mesmo objeto. A Equipe de Acompanhamento de Ações Judicial da Delegacia de origem analisando os autos do MS 98.09031270, interposto pela recorrente, informa que a sentença, datada de 16/10/1998, julgou parcialmente procedente o pedido, cujo tópico dispositivo está redigido nos seguintes termos (fls. 50/59): "Isto posto, JULGO PARCIALMENTE PROCEDE= o pedido para o fim de declarar incidentalmente a inconstitucionalidade das alterações introduzidas pelo DecretoLei nr2 2.445/88 e DecretoLei n9 2.449/88 na contribuição para o Programa de Integração Social — PIS e indevidos os valores que excedam aos termos da exação na forma da LC n9 7, de 7 de setembro de 1970, bem como declarar o direito de compensação do referido indébito cujas guias de recolhimento tenham sido carreadas aos autos com tributos administrados pela Secretaria da Receita Federal, observada a prescrição qüinqüenal, tudo nos termos da fundamentação. Conseqüentemente, CONCEDO A SEGURANÇA a fim de determinar à autoridade coatora que se abstenha de qualquer ato impositivo quanto à compensação efetuada, se nos termos desta sentença, garantida, todavia, a fiscalização quanto ao acerto do procedimento pelo contribuinte. O valor do indébito deverá ser devidamente corrigido pela Ufir até dezembro/95 e após janeiro/96 pela taxa Selic, e sofrer juros compensatórios de 1% ao mês contados do pagamento indevido até o trânsito em julgado e juros moratórios de 1% a.m. após o trânsito.". Quanto à prescrição, ficou decidido que estão prescritos os valores com data de efetivo pagamento anterior ao prazo de cinco anos contados da propositura da ação (24/06/1998), ou seja, prescreveram os pagamentos efetuados anteriormente a 24/06/1993. A autora e a União apelaram, e o Tribunal Regional Federal da 3 4 Região proferiu acórdão em 15/06/2005, publicado em 24/08/2005 (cópia juntada às fls. 163/173), dando parcial provimento às apelações da Impetrante e da União Federal, e à remessa oficial, decidindo, em resumo, o seguinte: Base de cálculo — a base de cálculo do PIS, sob o regime da LC n° 7/70, é o faturamento do sexto mês anterior ao da ocorrência do fato gerador; Prescrição — foi confirmado o entendimento do Juízo "a quo", de que a prescrição é qüinqüenal, estando, portanto, prescritos os pagamentos efetuados anteriormente a 24/06/1993 (anteriores a cinco anos da propositura da ação); Fl. 331DF CARF MF Processo nº 10855.001649/0051 Acórdão n.º 3402006.285 S3C4T2 Fl. 332 4 Da compensação — devido ao ingresso em Juízo o regime normativo a ser aplicado é o disposto na Lei ng 8.383/91, de modo a permitir apenas a compensação do PIS com o próprio PIS; Correção Monetária — o relator reconheceu o direito aos expurgos do IPC (jan/89 — 42,72%, fev/89 — 10,14%, mar/90 — 84,32%, abr/90 — 44,80%, mai/90 — 21,87%, fev/91 — 7,87%), entretanto, considerando a prescrição dos pagamentos anteriores a 24/06/1993, para o caso presente, os mesmos deixarão ser aplicados, ou seja, fica mantida a UFIR até dezembro/1995 e a SELIC a partir de janeiro/1996; Juros — afastou a incidência dos juros compensatórios e dos juros moratórios Cientificada a contribuinte manifestouse argüindo que: • a decisão judicial obtida nos autos do MS 98.09031270 ainda não é a definitiva e portanto pode ser reformulada para admitir a compensação do PIS com a COFINS e alterar a prescrição qüinqüenal aplicada, como, inclusive, vem sendo decidido pelo STJ. • O julgamento do recurso voluntário interposto nos autos do processo de compensação não foi conhecido por ter sido aplicada renuncia à via administrativa, o que significa que o que restar decidido no processo judicial amparará o processo administrativo de compensação; • O julgamento do presente processo depende do que restar definitivamente decidido na ação judicial 98.09031270. A antiga 2ª Turma Ordinária da 4ª Câmara, em sessão realizada em 02 de setembro de 2011, converteu o julgamento em diligência para que fossem tomadas as seguintes providências: • Anexar cópia da decisão final referente ao processo judicial (MS 98.09031270; • Verificar se as compensações efetuadas, nos termos da decisão judicial final do processo de compensação, foram suficientes para cobrir o valor lançado no presente Auto de Infração, elaborando demonstrativo dos cálculos e relatório conclusivo. A unidade de origem elaborou a Informação Fiscal nº 19/2018 RFB/DRF/SOR/EQJUD/EAC02 (fls. 324 a 326), com as seguintes informações: 1. O presente processo trata de auto de infração objetivando a cobrança da COFINS relativa ao período de março a setembro/98, em virtude do contribuinte ter efetuado compensações indevidas com indébitos fiscais resultantes de recolhimentos indevidos a título do PIS. Os pedidos de compensação formalizados no processo nº 10855.000700/9834 foram indeferidos. 2. Houve impugnação administrativa e, em 07/06/2004, a 1ª turma da DRJ/CPS considerou procedente em parte o lançamento, excluindo a multa de ofício.. (fls. 81 a 96). 3. Foi interposto recurso voluntário perante o CARF, que, em 07/11/2006, converteu o julgamento do recurso em diligência nos seguintes termos (fls. 156 a 158): “1. anexar cópia da decisão administrativa final referente ao Processo Fl. 332DF CARF MF Processo nº 10855.001649/0051 Acórdão n.º 3402006.285 S3C4T2 Fl. 333 5 Administrativo nº 10855.000700/9834, que versa sobre a compensação; e 2. verificar se as compensações efetuadas, nos termos da decisão administrativa final do processo de compensação, foram suficientes para cobrir o valor lançado no presente auto de Infração, elaborando demonstrativo dos cálculos e relatório conclusivo.” 4. Cumpridas as diligências, o processo retornou ao CARF. Despacho nº 3402 000.317 – 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária (fls. 1 a 5) transformou novamente em diligência, para que fossem tomadas as seguintes providências: • Anexar cópia da decisão final referente ao processo judicial (MS 98.0903127 0), que decidirá a sorte do processo de compensação e portanto a sorte deste processo; • Verificar se as compensações efetuadas, nos termos da decisão judicial final do processo de compensação, foram suficientes para cobrir o valor lançado no presente Auto de Infração, elaborando demonstrativo dos cálculos e relatório conclusivo. 5. Despacho de fl. 238 remeteu o processo à EQJUD/DRF/SOR, tendo em vista o trânsito em julgado da ação judicial. Da ação judicial nº 090312770.1998.403.6110 6. Tratase de mandado de segurança, com requerimento de concessão liminar, objetivando autorização judicial para compensar os valores pagos a maior, a título de PIS, com os demais tributos sob administração da RFB, nos termos dos artigos 66, 80 e 85 da Lei nº 8.383/91 e artigos 73 e 74 da Lei Federal nº 9.430/96 e Decreto 2.138/97, com aplicação da prescrição decenal, com a atualização do indébito com a variação OTN, BTN, IPC, UFIR e Selic e com a aplicação dos juros compensatórios (fls. 241 a 261) 7. Em 16/10/1998, sentença concedeu a segurança pretendida, reconhecendo o direito à compensação com tributos administrados pela RFB, observada a prescrição quinquenal, devidamente corrigido pela Ufir até 12/95 e após 01/96 pela taxa Selic, com juros compensatórios de 1% ao mês contados do pagamento indevido até o trânsito em julgado e juros moratórios de 1% ao mês após o trânsito. (fls. 262 a 271) 8. Em 15/06/2005, acórdão do TRF 3 deu parcial provimento à apelação da impetrante, da União Federal e da remessa oficial determinando, em suma (fls. 171 a 179): a) o entendimento que a base de cálculo do PIS, sob o regime da LC nº 7/70, é o faturamento do sexto mês anterior ao da ocorrência do fato gerador, surgindo o direito de reaver os valores indevidamente recolhidos; b) a observância da prescrição quinquenal; (reformada em juízo de retratação posteriormente) c) o regime normativo da Lei nº 8.383/91, que permite a compensação do PIS com o próprio PIS; d) a aplicação da Selic a título de correção monetária; e) não cabem juros moratórios ou compensatórios em sede de compensação de tributos. 9. Ressaltase que o voto formador da ementa assim dispõe sobre os índices de correção monetária: IPC referente aos meses de janeiro de 1989 (42.72%), fevereiro de 1989 (10,14%), março (84,32%), abril (44,80%), maio de 1990 (21,87%), bem como fevereiro de 1991 (7,87%), bem como SELIC (Lei nº 9.25095), a partir de janeiro de 2016 10. Embargos de declaração foram rejeitados em 09/10/2008 (fl. 321) 11. Em sede de juízo de retratação, a Terceira Turma do TRF da 3ª Região, em 06/11/2014, deu provimento à apelação da impetrante e parcial provimento à Fl. 333DF CARF MF Processo nº 10855.001649/0051 Acórdão n.º 3402006.285 S3C4T2 Fl. 334 6 apelação da União e à remessa oficial para afastar a aplicação da prescrição quinquenal, ante o entendimento firmado pelo STF no RE nº 566.621. Ademais, determinou que os créditos devem ser atualizados, desde a época do recolhimento indevido, na forma do Manual de Orientação de Procedimentos para os Cálculos da Justiça Federal, com as alterações introduzidas pela Resolução nº 267/2013. (fls. 272 a 277) 12. Recurso especial teve o seguimento negado pela vicepresidente do TRF da 3ª Região em 18/02/2015 (fls. 316 a 320). Ministro do STJ, em 17/12/2015, conheceu dos agravos interpostos pelas partes, negando seguimento ao recurso especial do interessado e determinando que o recurso especial da União fosse reautuado (fls. 278 a 287). Agravada a decisão que negou seguimento ao recurso especial do interessado, a Segunda Turma do STJ negou provimento ao agravo regimental em 01/03/2016 (fls. 288 a 298). Embargos de declaração foram rejeitados em 09/08/2016 (fls. 304 a 309). Em 24/05/2017 foi negado provimento ao recurso especial da União. (fls. 300 a 302). 13. O trânsito em julgado se deu em 23/08/2017 (fl. 303). Conclusão 14. Os pedidos de compensação indeferidos administrativamente estão consignados no processo administrativo nº 10855.000700/9884, sendo que os débitos estão controlados nos processos conforme tabela abaixo: 15. Relatada a ação judicial transitada em julgado, observase que há determinação para observância do regime normativo da Lei n. 8.383/91, que permite a compensação de créditos de PIS com débitos de PIS (fls. 171 a 179). Sendo assim, os débitos de COFINS do presente processo não podem ser objeto da compensação pretendida, vez que o crédito utilizado referese ao PIS. 16. Cumprida a diligência solicitada por meio do Despacho nº 3402000.317 – 4ª Câmara/2ª Turma Ordinária, retorno os autos para julgamento. O processo foi encaminhado a este Conselho para julgamento e posteriormente distribuído a este Relator. É o relatório. Voto Conselheiro Rodrigo Mineiro Fernandes, Relator. O Recurso Voluntário é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, devendo ser conhecido. Fl. 334DF CARF MF Processo nº 10855.001649/0051 Acórdão n.º 3402006.285 S3C4T2 Fl. 335 7 Conforme relatado, tratase de auto de infração objetivando a cobrança da COFINS relativa ao período de março a setembro/98, em virtude de o contribuinte ter efetuado compensações alegadamente indevidas com indébitos fiscais resultantes de recolhimentos indevidos a título do PIS. Os pedidos de compensação formalizados no processo nº 10855.000700/9834 foram indeferidos. Destacase que, no âmbito administrativo, há entendimento consolidado no sentido de que os créditos relativos a tributos administrados pela RFB, reconhecidos por sentença judicial transitada em julgado que tenha permitido apenas a compensação com débitos de tributos da mesma espécie, podem ser compensados com débitos próprios relativos a quaisquer tributos administrados, quando a legislação vigente na data do trânsito em julgado não tiver sido fundamento da decisão judicial mais restritiva. Neste sentido temos os seguintes acórdãos: COMPENSAÇÃO. DECISÃO JUDICIAL TRANSITADA EM JULGADO. LEGISLAÇÃO SUPERVENIENTE MAIS BENÉFICA. Os créditos relativos a tributos administrados pela RFB, reconhecidos por sentença judicial transitada em julgado que tenha permitido apenas a compensação com débitos de tributos da mesma espécie (art. 66, da Lei n° 8.383/91) podem ser compensados com débitos próprios relativos a quaisquer tributos administrados pela RFB (art. 74, da Lei n° 9.430), salvo com contribuições previdenciárias e tributos apurados na sistemática do Simples Nacional, quando houver legislação superveniente ao trânsito em julgado que assegure igual tratamento aos demais contribuintes ou, ainda, quando a legislação vigente na data do trânsito em julgado não tiver sido fundamento da decisão judicial mais restritiva. Assim, devese aplicar sempre a legislação vigente no momento do encontro de contas entre fisco/contribuinte, encontro esse que se dá no momento em que o contribuinte apresenta a declaração de compensação ao Fisco, após o reconhecimento de seu direito ser aferido pelo Judiciário. (Acórdão 3301003.958, sessão de 27 de julho de 2017, relatora Conselheira Semíramis de Oliveira Duro) COMPENSAÇÃO PIS COM COFINS. AÇÃO PROPOSTA APÓS A MUDANÇA DA LEI QUE A PERMITIU. OBSERVÂNCIA DA DECISÃO JUDICIAL, EM SEUS ESTRITOS TERMOS. Se a ação foi proposta após a vigência do art. 74 da Lei nº 9.430/96 e a sentença reconheceu a compensação somente de créditos da Contribuição para o PIS com débitos de mesma espécie, é porque o contribuinte assim delimitou o seu pedido, não se aplicando ao caso a interpretação, já consolidada na jurisprudência administrativa e até mesmo na RFB, de que nas ações propostas antes da vigência da lei "mais benéfica", transitadas antes ou depois da sua vigência, a lei nova é a que deve ser aplicada. (Acórdão 9303006.017, sessão de 29 de novembro de 2017, relator Conselheiro Rodrigo da Costa Pôssas) Nesse sentido, as manifestações da COSIT: Solução de Divergência COSIT nº 2, de 22 de setembro de 2010 Fl. 335DF CARF MF Processo nº 10855.001649/0051 Acórdão n.º 3402006.285 S3C4T2 Fl. 336 8 ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO EMENTA: COMPENSAÇÃO. DECISÃO JUDICIAL TRANSITADA EM JULGADO APÓS LEI Nº 10.637, de 2002, RESTRITIVA A TRIBUTO DE MESMA ESPÉCIE. POSSIBILIDADE DE COMPENSAÇÃO COM OUTROS TRIBUTOS ADMINISTRADOS PELA SECRETARIA DA RECEITA FEDERAL DO BRASIL. Os créditos relativos a tributos administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB), reconhecidos por sentença judicial transitada em julgado que tenha permitido apenas a compensação com débitos de tributos da mesma espécie, ou ainda, que tenha permitido apenas a repetição do indébito, poderão ser compensados com débitos próprios relativos a quaisquer tributos administrados pela RFB (a) se houver legislação superveniente que assegure igual tratamento aos demais contribuintes ou (b) se a legislação vigente quando do trânsito em julgado não tiver sido fundamento da decisão judicial mais restritiva. DISPOSITIVOS LEGAIS: Caput e § 1º do art. 74 da Lei nº 8.383, de 30 de dezembro de 1991; art. 74 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, com a redação dada pelo art. 49 da MP nº 66, de 29 de agosto de 2002, convertida na Lei nº 10.637, de 30 de dezembro 2002. Solução de Consulta COSIT nº 382, de 26 de dezembro de 2014 ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA EMENTA: COMPENSAÇÃO. DECISÃO JUDICIAL TRANSITADA EM JULGADO APÓS LEI Nº 10.637, de 2002; POSSIBILIDADE DE COMPENSAÇÃO COM OUTROS TRIBUTOS ADMINISTRADOS PELA SECRETARIA DA RECEITA FEDERAL DO BRASIL. Os créditos relativos a tributos administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB), reconhecidos por sentença judicial transitada em julgado que tenha permitido apenas a compensação com débitos de tributos da mesma espécie podem ser compensados com débitos próprios relativos a quaisquer tributos administrados pela RFB — exceção feita às contribuições previdenciárias e tributos apurados na sistemática do Simples Nacional — quando houver legislação superveniente ao trânsito em julgado que assegure igual tratamento aos demais contribuintes ou, ainda, quando a legislação vigente na data do trânsito em julgado não tiver sido fundamento da decisão judicial mais restritiva. DISPOSITIVOS LEGAIS: Art. 100 da CRFB/88; art. 108, I, arts. 168 a 170, e art. 174, I, da Lei nº 5.172, de 1966 (CTN); arts. 460 e 543C da Lei nº 5.869, de 1973 (CPC); art. 66 da Lei nº 8.383, de 1991; art. 39 da Lei nº 9.250, de 1995; art. 74 da Lei nº 9.430, de 1996, com a redação dada pelo art. 49 da MP nº66, de 2002, convertida na Lei nº 10.637, de 2002; arts. 41, 81 e 82 da IN RFB nº 1.300, de 2012; Parecer Normativo Cosit/RFB nº 11, de 2014. No caso em tela a decisão judicial fundamentouse na legislação mais restritiva, configurandose na exceção que não permite a compensação de tributos de espécies diferentes. A ação judicial transitada em julgado determinou expressamente a observância do regime normativo da Lei n. 8.383/91, que permite a compensação de créditos Fl. 336DF CARF MF Processo nº 10855.001649/0051 Acórdão n.º 3402006.285 S3C4T2 Fl. 337 9 de PIS com débitos de PIS (fls. 171 a 179), mesmo após a vigência do art. 74 da Lei nº 9.430/96. Transcrevo excerto da decisão judicial de 15 de junho de 2005, da lavra do Desembargador Federal Nery Júnior e a ementa: Tal decisão não foi substancialmente alterada. Conforme relatado, os Embargos de declaração foram rejeitados em 09/10/2008 (fl. 321). Em sede de juízo de retratação, a Terceira Turma do TRF da 3ª Região, em 06/11/2014, deu provimento à apelação da impetrante e parcial provimento à apelação da União e à remessa oficial para afastar a aplicação da prescrição quinquenal, ante o entendimento firmado pelo STF no RE nº 566.621. Ademais, determinou que os créditos fossem atualizados, desde a época do recolhimento indevido, na forma do Manual de Orientação de Procedimentos para os Cálculos da Justiça Federal, com as alterações introduzidas pela Resolução nº 267/2013 (fls. 272 a 277). O Recurso especial teve o seguimento negado pela vicepresidente do TRF da 3ª Região em 18/02/2015 (fls. 316 a 320). Ministro do STJ, em 17/12/2015, conheceu dos agravos interpostos pelas partes, negando seguimento ao recurso especial do interessado e determinando que o recurso especial da União fosse reautuado (fls. 278 a 287). Agravada a decisão que negou seguimento ao recurso especial do interessado, a Segunda Turma do STJ negou provimento ao agravo regimental em 01/03/2016 (fls. 288 a 298). Embargos de declaração foram rejeitados em 09/08/2016 (fls. 304 a 309). Em 24/05/2017 foi negado provimento ao recurso especial da União. (fls. 300 a 302). O trânsito em julgado se deu em 23/08/2017 (fl. 303). Constatase, portanto, que a autoridade julgadora autorizou apenas a compensação de tributos de mesma espécie, mesmo podendo decidir de forma diversa. Sendo assim, os débitos de COFINS do presente processo não podem ser objeto da compensação pretendida, vez que o crédito utilizado se refere ao PIS. Como consequência direta, os valores lançados a título de COFINS, conforme apurado pela autoridade fiscal, devem ser mantidos, visto que a apuração decorreu da glosa dos valores objeto da compensação indeferida. Fl. 337DF CARF MF Processo nº 10855.001649/0051 Acórdão n.º 3402006.285 S3C4T2 Fl. 338 10 Quanto às demais alegações trazidas no Recurso Voluntário, que apenas reproduziram textualmente as alegações da Impugnação, as mesmas devem ser afastadas pelos próprios fundamentos da decisão recorrida, visto que o contribuinte não trouxe aos autos qualquer elemento que poderia modificar ou extinguir aquela decisão, que permanece plenamente válida. Cabe registrar, nos termos do art. 63, §8º do Anexo II do RICARF, que os Conselheiros que votaram pelas conclusões do voto deste Relator fizeramno sob o fundamento de que, no caso concreto, o encontro de contas para a compensação ocorreu sob a vigência da norma anterior mais restritiva (art. 66 da Lei nº 8.383/91), de forma que não haveria a possibilidade de estender o alcance do título judicial para abranger a compensação também com outros tributos, eis que, conforme decidido anteriormente pelo Colegiado no Acórdão nº 3402005.296, isso seria cabível somente na hipótese de declarações de compensação apresentadas pela contribuinte sob a égide da nova legislação mais benéfica (MP nº 66, de 2002, convertida na Lei nº 10.637, de 2002, que deu nova redação ao art. 74 da Lei 9.430/96). Ante o exposto, nego provimento ao recurso voluntário do sujeito passivo. É como voto. (assinado com certificado digital) Rodrigo Mineiro Fernandes Fl. 338DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 16682.905050/2012-35
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 26 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Mon Mar 25 00:00:00 UTC 2019
Numero da decisão: 3201-001.781
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento do Recurso em diligência.
(assinado digitalmente)
Charles Mayer de Castro Souza - Presidente
(assinado digitalmente)
Paulo Roberto Duarte Moreira - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza, Marcelo Giovani Vieira, Tatiana Josefovicz Belisario, Paulo Roberto Duarte Moreira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laercio Cruz Uliana Junior.
Relatório
Nome do relator: PAULO ROBERTO DUARTE MOREIRA
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento do Recurso em diligência. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza - Presidente (assinado digitalmente) Paulo Roberto Duarte Moreira - Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza, Marcelo Giovani Vieira, Tatiana Josefovicz Belisario, Paulo Roberto Duarte Moreira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laercio Cruz Uliana Junior. Relatório
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Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento do Recurso em diligência. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza Presidente (assinado digitalmente) Paulo Roberto Duarte Moreira Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza, Marcelo Giovani Vieira, Tatiana Josefovicz Belisario, Paulo Roberto Duarte Moreira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laercio Cruz Uliana Junior. Relatório Trata o presente processo de pedido de restituição cumulado com declaração de compensação referente à PIS/Pasep (cod 4574) do período de apuração fev/2010 e paga em 19/03/2010, que o contribuinte alega indevido. A DRJ em Fortaleza reconheceu o crédito e homologou a compensação até o limite do crédito disponível. Para bem relatar os fatos, transcrevese o relatório da decisão proferida pela autoridade a quo no Acórdão nº 0831.692: RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 66 82 .9 05 05 0/ 20 12 -3 5 Fl. 117DF CARF MF Processo nº 16682.905050/201235 Resolução nº 3201001.781 S3C2T1 Fl. 118 2 Tratase de manifestação de inconformidade apresentada contra Despacho Decisório nº 074904215, que homologou parcialmente a compensação declarada no PER/DCOMP nº 10147.15639.180811.1.3.043617. 2. O declarante objetiva compensar débito(s) fiscal(is) com pagamento indevido de PIS/Pasep (cod. 4574), referente a fevereiro de 2010 e efetuado em 19/03/2010. O Despacho Decisório considerou inexistente o crédito informado no PER/DCOMP (R$ 74.495,45), já que o pagamento encontrase integralmente utilizado para quitação do débito fiscal correspondente, declarado pelo contribuinte em DCTF. 3. O referido decisório está arrimado no seguinte enquadramento legal: arts. 165 e 170 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 (CTN); art. 74 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996. 4. Cientificado da decisão em 21/01/2014 (fl 53), o interessado apresentou Manifestação de Inconformidade em 19/02/2014 (fls 5/7), instruída com os documentos de fls 10/16, requerendo a homologação da compensação pleiteada com crédito oriundo de pagamento indevido de PIS/Pasep (cod. 4574), configurado a partir da retificação da DCTF.Pede também a redução da multa compensada. 5. Anexei as fls 59 e seguintes. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Fortaleza/CE, por intermédio da 4ª Turma, no Acórdão nº 0831.692, sessão de 11/11/2014, julgou parcialmente procedente a manifestação de inconformidade do contribuinte, assim ementada: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Anocalendário: 2010 DCTF. RETIFICAÇÃO. DECISÓRIO. ESPONTANEIDADE. REDUÇÃO DE TRIBUTO. CONFIGURAÇÃO DE PAGAMENTO A MAIOR OU INDEVIDO. É legítima a declaração retificadora que reduzir ou excluir tributo se apresentada por contribuinte em espontaneidade legal. No entanto, para que se atribua eficácia às informações nela contidas, especificamente em relação àquelas que suportam a caracterização do pagamento a maior ou indevido de tributo, é mister que a retificadora tenha sido entregue antes do decisório. Manifestação de Inconformidade Procedente em Parte Direito Creditório Reconhecido em Parte Irresignada, a contribuinte interpôs recurso voluntário no qual solicita revisão da compensação para o reconhecimento do crédito remanescente no valor de R$ 74.495,45 e que seja homologada a PER/DCOMP N° 10147.15639.180811.1.3.043617. É o relatório. Fl. 118DF CARF MF Processo nº 16682.905050/201235 Resolução nº 3201001.781 S3C2T1 Fl. 119 3 Voto Conselheiro Paulo Roberto Duarte Moreira, Relator Na decisão recorrida, foi reconhecido pagamento a maior de Cofins conforme informada na DCTF retificadora, transmitida em 23/03/2012. A DRJ admitiu que o despacho decisório fez o batimento de DARF e a DCTF original; por conseguinte a homologação na PERDCOMP 10147.15639.180811.1.3.043617 foi parcial. O litígio que se afigura após o julgamento da DRJ versa acerca do inconformismo da contribuinte quanto à decisão que reconheceu um valor de crédito de R$ 1.358,23, ao passo que insiste que seu crédito é de montante maior e suficiente à liquidação do débito. Portanto, há uma divergência no valor do crédito a ser utilizado em compensação na mencionada Perdcomp. Não há controvérsias no tocante aos valores do crédito decorrente de pagamento a maior de PIS/Pasep no período 02/2010 (R$ 226.115,74) e nem na parcela disponível para compensação em razão de pagamento a maior (R$ 74.495,45). O débito a ser liquidado no PERDCOMP do presente processo é de R$ 41.837,54. A recorrente demonstra os valores do crédito utilizados em 3 PERDCOMPs e o saldo remanescente (fl. 76): 1 DARF PIS/Pasep 02/2010 226.115,71 2 Débito na DCTF retificadora 151.620,26 3 Pagamento a maior = crédito informado na DCTF 100.2010.2012.1861677461 (12) 74.495,45 4 Parcela utilizada no PERDCOMP nº 10147.15639.180811.1.3.043617 41.837,74 5 Parcela utilizada no PERDCOMP nº 17103.80104.041111.1.3.04557 6.447,07 6 Parcela utilizada no PERDCOMP nº 03598.90389.141111.1.3.041184 24.981,54 7 Valor remanescente (3456) 1.229,10 A decisão da DRJ demonstra o valor disponível para a compensação de débitos no PERDCOMP nº 10147.15639.180811.1.3.043617 (fl. 65): 1 DARF PIS/Pasep 02/2010 226.115,71 2 Débito na DCTF retificadora 151.620,26 3 Pagamento a maior = crédito (12) 74.495,45 4 Compensações realizadas 73.137,22 5 Valor disponível após compensações realizadas (34) 1.358,23 Fl. 119DF CARF MF Processo nº 16682.905050/201235 Resolução nº 3201001.781 S3C2T1 Fl. 120 4 Como se vê, a DRJ afirma que o crédito disponível no PERDCOMP 10147.15639.180811.1.3.043617 (R$ 1.358,23) não foi suficiente para integral quitação do débito, razão pela qual a homologação foi parcial. Compulsando os autos não se vislumbra em qual(is) compensação(ões) o valor de R$ 73.137,22 foi consumido para liquidação de débitos. A solução do litígio, a meu ver, exige o esclarecimento e verificação da utilização dos valores decorrente do indébito da Cofins do período. Assim, proponho a conversão do julgamento em diligência para que a Unidade Origem, considerando o indébito de R$ 226.115,71, tal como reconhecido na decisão a quo, informe, através de relatório, demonstrativos e outros documentos pertinentes, a parcela remanescente do indébito disponível à compensação do débito no PERDCOMP 10147.15639.180811.1.3.043617. Do resultado da diligência, dêse ciência à contribuinte, com cópias dos elementos coligidos aos autos, concedendolhe o prazo, improrrogável, de 30 (trinta) dias para manifestação, se assim desejar. Cumpridas as providências indicadas, deve o processo retornar ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF para prosseguimento do julgamento. (assinado digitalmente) Paulo Roberto Duarte Moreira Fl. 120DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10380.726883/2017-64
Turma: Segunda Turma Extraordinária da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 27 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Tue Mar 19 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2015
DEDUÇÃO. DESPESAS MÉDICAS.
São dedutíveis da base de cálculo do IRPF, as despesas médicas realizadas pelo contribuinte referentes a si e seus dependentes, desde que comprovadas.
Numero da decisão: 2002-000.824
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, para expungir da condenação os valores atribuídos a recorrente (R$ 6.034,15) e seu dependente João Martins do Nascimento (R$ 5.623,04).
(assinado digitalmente)
Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez - Presidente.
(assinado digitalmente)
Virgílio Cansino Gil - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez (Presidente), Virgílio Cansino Gil, Thiago Duca Amoni e Mônica Renata Mello Ferreira Stoll.
Nome do relator: VIRGILIO CANSINO GIL
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Ano-calendário: 2015 DEDUÇÃO. DESPESAS MÉDICAS. São dedutíveis da base de cálculo do IRPF, as despesas médicas realizadas pelo contribuinte referentes a si e seus dependentes, desde que comprovadas.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, para expungir da condenação os valores atribuídos a recorrente (R$ 6.034,15) e seu dependente João Martins do Nascimento (R$ 5.623,04). (assinado digitalmente) Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez - Presidente. (assinado digitalmente) Virgílio Cansino Gil - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez (Presidente), Virgílio Cansino Gil, Thiago Duca Amoni e Mônica Renata Mello Ferreira Stoll.
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DESPESAS MÉDICAS. São dedutíveis da base de cálculo do IRPF, as despesas médicas realizadas pelo contribuinte referentes a si e seus dependentes, desde que comprovadas. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, para expungir da condenação os valores atribuídos a recorrente (R$ 6.034,15) e seu dependente João Martins do Nascimento (R$ 5.623,04). (assinado digitalmente) Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez Presidente. (assinado digitalmente) Virgílio Cansino Gil Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez (Presidente), Virgílio Cansino Gil, Thiago Duca Amoni e Mônica Renata Mello Ferreira Stoll. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 38 0. 72 68 83 /2 01 7- 64 Fl. 51DF CARF MF Processo nº 10380.726883/201764 Acórdão n.º 2002000.824 S2C0T2 Fl. 3 2 Tratase de Recurso Voluntário (fls. 41/43) contra decisão de primeira instância (fls. 33/35), que julgou improcedente a impugnação do sujeito passivo. Em razão da riqueza de detalhes, adoto o relatório da DRJ, que assim diz: Contra a contribuinte acima identificada foi emitida a Notificação de Lançamento de f. 2226, referente ao Imposto de Renda Pessoa Física, anocalendário 2015, alterando o Imposto a Restituir Declarado de R$ 10.520,21 para o Saldo do Imposto a Restituir Ajustado de R$ 6.747,25, por ter sido apurada dedução indevida de despesas médicas. A autuada foi cientificada do lançamento em 17/08/2017 (f. 27) e apresentou a impugnação em 22/08/2017 (f. 04), alegando a improcedência da glosa no valor de R$ 17.280,23, referente a despesas com o Geap Autogestão em Saúde, apresentando comprovante de pagamento emitido pelo plano de saúde, contendo os valores relativos ao titular e a cada um dos demais beneficiários, discriminadamente. Inconformada, a contribuinte apresentou Recurso Voluntário, reiterando as alegações da impugnação, juntando documentos. É o relatório. Passo ao voto. Voto Conselheiro Virgílio Cansino Gil Relator Recurso Voluntário aviado a modo e tempo, portanto dele conheço. A contribuinte foi notificada em 16/07/2018 (fl. 38); Recurso Voluntário protocolado em 02/08/2009 (fl. 41), assinado pela própria contribuinte. Responde a contribuinte nestes autos, pela seguinte infração: a) Dedução Indevida a Título de Despesas Médicas. Relata a r. decisão, que: “Conforme consulta ao Portal IRPF, a impugnante informou pagamentos ao Geap Autogestão em Saúde nos anos calendário 2013 a 2017. No anocalendário 2017 ela informou como dependentes: João Martins do Nascimento, CPF nº 768.863.52334, nascido em 09/11/1927, e Silvio Heleno do Amaral e Silva, CPF nº 740.687.84868, nascido em 06/11/1952, e nos anoscalendários anteriores, informou somente o primeiro dependente. Conforme o quadro "Pagamentos" da declaração de ajuste anual do ano calendário 2017, a contribuinte informou pagamentos ao GEAP dela como titular e dos dois dependentes acima citados. Fl. 52DF CARF MF Processo nº 10380.726883/201764 Acórdão n.º 2002000.824 S2C0T2 Fl. 4 3 Pelas informações acima, podese inferir que o montante informado pela contribuinte de pagamentos ao GEAP nos anoscalendário anteriores, se referem a ela e aos dois citados dependentes. A glosa deve ser mantida”. Irresignada, a recorrente maneja recurso próprio combatendo o mérito e juntando documentos. Alega a recorrente que, “embora houvesse a documentação comprobatória do pagamento do valor impugnado, a Receita Federal não considerou este, como se a requerente não houvesse pago ao plano de saúde o referido valor”. Parcial razão assiste à recorrente, senão vejamos: Em sua Declaração de Ajuste (fl. 15), consta como dependente o Sr. João Martins do Nascimento (pai da recorrente), anocalendário 2015. O documento de fl. 47, que trata do comprovante de pagamento para efeito de Declaração de Imposto de Renda, ano base 2015, presta a seguinte informação: Nome completo do titular e beneficiários e os valores cobrados referentes a cada um. Maria Orlane do Nascimento e Silva – R$ 5.623,04 – titular e R$ 411,11 – coparticipação Silvio Heleno do Amaral e Silva – R$ 5.623,04 – dependente (marido) João Martins do Nascimento – R$ 5.623,04 – dependente (pai) Assim sendo, a recorrente e seu pai João Martins do Nascimento, dependente na Declaração e no plano de saúde, podem usufruir da dedução, ficando fora o seu marido Silvio Heleno do Amaral e Silva. Entende este relator que os cálculos devem ser refeitos pela DRF/Fortaleza. Isto posto, e pelo que mais consta dos autos, conheço do Recurso Voluntário, e no mérito dáse parcial provimento ao apelo, para expungir da condenação os valores atribuídos a recorrente (R$ 6.034,15) e seu dependente João Martins do Nascimento (R$ 5.623,04). É como voto. (assinado digitalmente) Virgílio Cansino Gil Fl. 53DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10880.653324/2016-14
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 27 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Thu Mar 28 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/07/2013 a 30/09/2013
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. HIPÓTESES DE CABIMENTO.
Cabem embargos de declaração quando o acórdão contiver obscuridade, omissão ou contradição entre a decisão e os seus fundamentos, ou for omitido ponto sobre o qual devia pronunciar-se a turma.
Numero da decisão: 3201-005.133
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em acolher os Embargos Declaratórios interpostos, sem efeitos infringentes, para adequar a fundamentação do voto transcrito no acórdão embargado ao que restou decidido em sede de Embargos no processo nº 19311.720238/2016-45.
(assinado digitalmente)
Charles Mayer de Castro Souza - Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza (Presidente), Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisario, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laercio Cruz Uliana Junior.
Nome do relator: CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA
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HIPÓTESES DE CABIMENTO. Cabem embargos de declaração quando o acórdão contiver obscuridade, omissão ou contradição entre a decisão e os seus fundamentos, ou for omitido ponto sobre o qual devia pronunciarse a turma. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em acolher os Embargos Declaratórios interpostos, sem efeitos infringentes, para adequar a fundamentação do voto transcrito no acórdão embargado ao que restou decidido em sede de Embargos no processo nº 19311.720238/201645. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza (Presidente), Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisario, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laercio Cruz Uliana Junior. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 65 33 24 /2 01 6- 14 Fl. 644DF CARF MF 2 Tratase de Embargos de Declaração interpostos tempestivamente pelo conselheiro relator, contra o Acórdão nº 3201004.231, de 25/09/2018, proferido pela 1ª Turma da 2ª Câmara desta 3ª Seção. Conforme suscitado, houve uma contradição entre os fundamentos do voto condutor do acórdão embargado e a sua parte dispositiva, especificamente quanto à matéria relativa à glosa de créditos presumidos oriundos de aquisição de cana de açúcar de pessoa jurídica "não agroindustrial". É o Relatório. Voto Conselheiro Charles Mayer de Castro Souza, Relator. Com efeito, o acórdão embargado incorreu numa inequívoca contradição, uma vez que, na decisão nele transcrita, proferida nos autos do processo administrativo nº 19311.720238/201645, não obstante negado provimento, na integralidade, ao Recurso de Ofício, conforme parte dispositiva do acórdão, mantevese a redação original do voto levado à sessão de julgamento que lhe dava provimento quanto ao direito aos créditos presumidos oriundos de aquisição de cana de açúcar de pessoa jurídica "não agroindustrial". Eis o excerto em que a matéria é apreciada: Discordamos, no entanto, quanto ao entendimento em relação aos créditos presumidos oriundos de aquisição de cana de açúcar de pessoa jurídica ͞"não agroindustrial". Não obstante admitidos no acórdão recorrido, ao fundamento de que o fato de a empresa vendedora não desenvolver atividade agropecuária não impediria o creditamento, uma vez não haver qualquer exigência legal no sentido de qualificar o vendedor dos bens que ensejariam o crédito presumido em tela, a verdade é que somente a aquisição da canadeaçúcar efetuada junto a pessoa jurídica ou cooperativa de produção que exerça atividade agropecuária dá direito à apuração e à dedução do crédito presumido de que trata o art. 8º da lei nº 10.925, de 2004. É o que se extrai da própria lei (inciso III do § 1º, supra), daí que, ao menos quanto a esta matéria, divergimos do voto acima reproduzido, para manter a glosa efetuada pela fiscalização, de sorte que ao recurso de ofício deve ser dado parcial provimento. Todavia, durante o julgamento do processo nº 19311.720238/201645, modificamos o nosso entendimento e passamos a adotar a decisão proferida pela DRJ com relação à matéria, cujos fundamentos ora reproduzimos, uma vez que, Conforme amostragem realizada pela IMPUGNANTE as fls. 1054 e 1055 desse processo, as pessoas jurídicas, de cujas compras os créditos apurados foram glosados, são produtores de canade açúcar, conforme critério adotado AUTORIDADE FISCAL da DRF/Jundiaí: possuem pelo menos um CNAE em que consta tal atividade. Pesquisas feitas por amostragem nos sistemas internos da RFB a partir da relação das pessoas jurídicas, de cujas compras os créditos apurados foram glosados, também apontam possuir, além do CNAE relacionado pela AUTORIDADE FISCAL da Fl. 645DF CARF MF Processo nº 10880.653324/201614 Acórdão n.º 3201005.133 S3C2T1 Fl. 645 3 DRF/Jundiaí, CNAE relacionado à atividade agroindustrial ou agropecuária. Além disso a informação que consta no CNAE não é por si só suficiente para caracterizar que a empresa não exerça atividade agropecuária. Errada, portanto, a acusação fiscal nessa questão, devendo ser cancelada essa glosa. Ante o exposto, voto por ACOLHER os Embargos Declaratórios interpostos, sem efeitos infringentes, sem efeitos infringentes, para adequar a fundamentação do voto transcrito no acórdão embargado ao que restou decidido em sede de Embargos no processo nº 19311.720238/201645. É como voto. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza Fl. 646DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10880.693331/2009-11
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 27 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Tue Apr 02 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/06/2008 a 30/06/2008
ROYALTIES SOBRE LICENÇA DE USO DE MARCA. NÃO INCIDÊNCIA DE COFINS. PAGAMENTO INDEVIDO NOS TERMOS DO ARTIGO 165 DO CTN.
A remessa de valores a residentes ou domiciliados no exterior, a título de royalties, por simples licença de uso de marca, isto é, sem prestação de serviços vinculados a essa cessão de direitos, não caracteriza contraprestação por serviço prestado, e, por conseguinte, não sofrem a incidência da Cofins-Importação. Portanto, o recolhimento indevido de valor referente a tal tributo, nesse caso específico, se caracteriza como pagamento indevido, nos termos do artigo 165 do CTN.
DCTF RETIFICADORA. VINCULAÇÃO DE DÉBITOS E CRÉDITOS.
Reputam-se verdadeiros os valores declarados em DCTF, vinculando débitos e créditos contra a Fazenda Nacional, os créditos que extinguem débitos, por pagamento, para serem desvinculados, somente através de DCTF retificadora. Enquanto não retificada a DCTF, o débito ali espontaneamente confessado é devido, logo, valor utilizado para quitá-lo não se constitui formalmente em indébito, sem que a recorrente promova a prévia retificação da declaração.
DIREITO DE CRÉDITO. LIQUIDEZ E CERTEZA.
Não é líquido e certo crédito decorrente de pagamento informado como indevido ou a maior, se o pagamento consta nos sistemas informatizados da Secretaria da Receita Federal do Brasil como utilizado integralmente para quitar débito informado em DCTF, sendo que deve prevalecer a decisão administrativa que não homologou a compensação, amparada em informações prestadas pelo sujeito passivo e presentes nos sistemas internos da Receita Federal na data da ciência do despacho decisório.
COMPENSAÇÃO TRIBUTÁRIA NÃO HOMOLOGADA. CAUSA E EFEITOS.
Somente os créditos líquidos e certos são passíveis de compensação tributária, nos termos do artigo 170 do Código Tributário Nacional, sendo que compensação é procedimento facultativo através do qual o sujeito passivo se ressarce de valores pagos indevidamente, ou recolhidos a maior, deduzindo-os das contribuições devidas à Fazenda Nacional. Não atendidas as condições estabelecidas na legislação tributária, e não comprovado atributos essenciais do crédito, como a liquidez e certeza, a compensação pretendida não será homologada pela Administração Pública, com a consequente cobrança do débito confessado em Declaração de Compensação
Numero da decisão: 3301-005.827
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, DAR PROVIMENTO PARCIAL ao recurso voluntário, pra reconhecer o direito creditório referente ao pagamento indevido, cabendo á Unidade de Origem verificar os procedimentos necessários á compensação.
assinado digitalmente
Winderley Morais Pereira - Presidente.
assinado digitalmente
Ari Vendramini - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Windereley Morais Pereira (Presidente), Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques D'Oliveira, Salvador Cândido Brandão Junior, Marco Antonio Marinho Nunes, Semíramis de Oliveira Duro, Valcir Gassen e Ari Vendramini (Relator)
Nome do relator: ARI VENDRAMINI
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Período de apuração: 01/06/2008 a 30/06/2008 ROYALTIES SOBRE LICENÇA DE USO DE MARCA. NÃO INCIDÊNCIA DE COFINS. PAGAMENTO INDEVIDO NOS TERMOS DO ARTIGO 165 DO CTN. A remessa de valores a residentes ou domiciliados no exterior, a título de royalties, por simples licença de uso de marca, isto é, sem prestação de serviços vinculados a essa cessão de direitos, não caracteriza contraprestação por serviço prestado, e, por conseguinte, não sofrem a incidência da Cofins-Importação. Portanto, o recolhimento indevido de valor referente a tal tributo, nesse caso específico, se caracteriza como pagamento indevido, nos termos do artigo 165 do CTN. DCTF RETIFICADORA. VINCULAÇÃO DE DÉBITOS E CRÉDITOS. Reputam-se verdadeiros os valores declarados em DCTF, vinculando débitos e créditos contra a Fazenda Nacional, os créditos que extinguem débitos, por pagamento, para serem desvinculados, somente através de DCTF retificadora. Enquanto não retificada a DCTF, o débito ali espontaneamente confessado é devido, logo, valor utilizado para quitá-lo não se constitui formalmente em indébito, sem que a recorrente promova a prévia retificação da declaração. DIREITO DE CRÉDITO. LIQUIDEZ E CERTEZA. Não é líquido e certo crédito decorrente de pagamento informado como indevido ou a maior, se o pagamento consta nos sistemas informatizados da Secretaria da Receita Federal do Brasil como utilizado integralmente para quitar débito informado em DCTF, sendo que deve prevalecer a decisão administrativa que não homologou a compensação, amparada em informações prestadas pelo sujeito passivo e presentes nos sistemas internos da Receita Federal na data da ciência do despacho decisório. COMPENSAÇÃO TRIBUTÁRIA NÃO HOMOLOGADA. CAUSA E EFEITOS. Somente os créditos líquidos e certos são passíveis de compensação tributária, nos termos do artigo 170 do Código Tributário Nacional, sendo que compensação é procedimento facultativo através do qual o sujeito passivo se ressarce de valores pagos indevidamente, ou recolhidos a maior, deduzindo-os das contribuições devidas à Fazenda Nacional. Não atendidas as condições estabelecidas na legislação tributária, e não comprovado atributos essenciais do crédito, como a liquidez e certeza, a compensação pretendida não será homologada pela Administração Pública, com a consequente cobrança do débito confessado em Declaração de Compensação
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NÃO INCIDÊNCIA DE COFINS. PAGAMENTO INDEVIDO NOS TERMOS DO ARTIGO 165 DO CTN. A remessa de valores a residentes ou domiciliados no exterior, a título de royalties, por simples licença de uso de marca, isto é, sem prestação de serviços vinculados a essa cessão de direitos, não caracteriza contraprestação por serviço prestado, e, por conseguinte, não sofrem a incidência da Cofins Importação. Portanto, o recolhimento indevido de valor referente a tal tributo, nesse caso específico, se caracteriza como pagamento indevido, nos termos do artigo 165 do CTN. DCTF RETIFICADORA. VINCULAÇÃO DE DÉBITOS E CRÉDITOS. Reputamse verdadeiros os valores declarados em DCTF, vinculando débitos e créditos contra a Fazenda Nacional, os créditos que extinguem débitos, por pagamento, para serem desvinculados, somente através de DCTF retificadora. Enquanto não retificada a DCTF, o débito ali espontaneamente confessado é devido, logo, valor utilizado para quitálo não se constitui formalmente em indébito, sem que a recorrente promova a prévia retificação da declaração. DIREITO DE CRÉDITO. LIQUIDEZ E CERTEZA. Não é líquido e certo crédito decorrente de pagamento informado como indevido ou a maior, se o pagamento consta nos sistemas informatizados da Secretaria da Receita Federal do Brasil como utilizado integralmente para quitar débito informado em DCTF, sendo que deve prevalecer a decisão administrativa que não homologou a compensação, amparada em informações prestadas pelo sujeito passivo e presentes nos sistemas internos da Receita Federal na data da ciência do despacho decisório. COMPENSAÇÃO TRIBUTÁRIA NÃO HOMOLOGADA. CAUSA E EFEITOS. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 69 33 31 /2 00 9- 11 Fl. 283DF CARF MF 2 Somente os créditos líquidos e certos são passíveis de compensação tributária, nos termos do artigo 170 do Código Tributário Nacional, sendo que compensação é procedimento facultativo através do qual o sujeito passivo se ressarce de valores pagos indevidamente, ou recolhidos a maior, deduzindoos das contribuições devidas à Fazenda Nacional. Não atendidas as condições estabelecidas na legislação tributária, e não comprovado atributos essenciais do crédito, como a liquidez e certeza, a compensação pretendida não será homologada pela Administração Pública, com a consequente cobrança do débito confessado em Declaração de Compensação Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, DAR PROVIMENTO PARCIAL ao recurso voluntário, pra reconhecer o direito creditório referente ao pagamento indevido, cabendo á Unidade de Origem verificar os procedimentos necessários á compensação. assinado digitalmente Winderley Morais Pereira Presidente. assinado digitalmente Ari Vendramini Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Windereley Morais Pereira (Presidente), Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques D'Oliveira, Salvador Cândido Brandão Junior, Marco Antonio Marinho Nunes, Semíramis de Oliveira Duro, Valcir Gassen e Ari Vendramini (Relator) Relatório 1. Tratam os presentes autos de recurso voluntário interposto em face do Acórdão DRJ/Rio de Janeiro nº 12088.177, exarado pela 17ª Turma daquele órgão julgador, que manteve o decidido no Despacho Decisório Eletrônico nº de rastreamento 849801865, emitido pela DERAT/SP (fls. 06 dos autos digitais), o qual não homologou a compensação declarada na DCOMP – Declaração de Compensação de nº 26345.75688.180708.1.3.040180, transmitida pela recorrente pelo Programa PER/DCOMP, da Secretaria da Receita Federal, sob o fundamento de que “ o limite do crédito analisado, correspondente ao valor do crédito original na data de transmissão informado no PER/DCOMP, foi de R$ 82.160,61. Foram localizados um ou mais pagamentos, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP.” 2. O Despacho Decisório Eletrônico indica que o DARF de valor R$ 82.160,00, recolhido em 25/02/2008, foi utilizado para quitar débito declarado pelo requerente, no mesmo valor, sob código de receita 5442 – COFINS IMPORTAÇÃO DE SERVIÇOS, portanto, estando o valor pleiteado vinculado a débito declarado, não resta saldo credor para efetivação da compensação pretendida. Fl. 284DF CARF MF Processo nº 10880.693331/200911 Acórdão n.º 3301005.827 S3C3T1 Fl. 284 3 3. Os presentes autos foram constituídos para tratamento manual dos documentos eletrônicos mencionados, diante da apresentação de Manifestação de Inconformidade pelo requerente. 4. Reproduzo parte do relatório do Acórdão DRJ/RJO, por bem descrever os fatos : DA MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE (fls. 10/27) 3. O contribuinte cientificado do Despacho Decisório, referente a cobrança da COFINS, relativo a competência de junho de 2008, pela não homologação da Declaração de Compensação, no valor original de R$ 85.923,57; apresenta Manifestação de Inconformidade em 07/12/2009, alegando, em síntese, que: 3.1. A referida compensação é oriunda de pagamento indevido de COFINS incidente sobre importação, ocorrido em fevereiro/2008, conforme declarado em DCTF (docs. 03, 04 e 05). 3.2. A não homologação da compensação pleiteada foi fundamentada, basicamente, na alegação de inexistência do crédito pretendido. 3.3. O crédito glosado pela Fiscalização referese a recolhimento de COFINS sobre importação (código de receita 5442), realizado em 25.02.2008 (doc. 03). 3.4. O despacho decisório está minimamente fundamentado, não estão bem expostos e conhecidos os motivos que levaram glosa do crédito declarado. 3.5. Informa que possui contrato de licença de uso de marca com a sociedade empresária “Alstom” francesa, pelo que é devido a título de royalties o valor de 1% sobre as vendas da ora Recorrente. 3.6. O referido recolhimento corresponde à tributação da COFINS/Importação, sobre valores remetidos ao exterior a titulo de contraprestação (royalties) pelo uso da marca "Alstom", nos termos do contrato. 3.7. A Recorrente efetuou, no período referente a fevereiro/2008, remessa de R$ 932.009,46 à Alstom francesa, em decorrência do referido contrato de cessão de marca, e que, aplicandose a alíquota da COFINS (7,65%) chegase ao valor de R$ 82.160,61, valor exato do crédito invocado. 3.8. Como os valores remetidos ao exterior a título de royalties pela cessão do uso de marca e tecnologia não estão sujeitos à incidência da COFINS, o recolhimento efetuado tornase indevido. 3.9. Informa que retificou sua DCTF para excluir o débito de COFINS/Importação sobre royalties, e que utilizou o recolhimento efetuado em 25/02/2008 na compensação informada na PER/DCOMP (fl.15). 3.10. Requer a homologação da compensação informada, ou, caso não seja atendida, que do cálculo do montante apurado pela Fiscalização, seja abatido o crédito de COFINS/Importação não aproveitado pela Recorrente em relação à incidência da aludida contribuição sobre as remessas Fl. 285DF CARF MF 4 de royalties ao exterior ,realizadas em contraprestação à cessão do uso da marca "Alstom". 3.11. Protesta pela produção posterior de provas que se fizerem necessárias. 5. A Manifestação de Inconformidade foi considerada improcedente, conforme Acórdão que restou assim ementado : ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/06/2008 a 30/06/2008 ROYALTIES SOBRE LICENÇA DE USO DE MARCA. NÃO INCIDÊNCIA DE PIS / COFINS. A remessa de valores a residentes ou domiciliados no exterior, a título de royalties, por simples licença de uso de marca, isto é, sem prestação de serviços vinculados a essa cessão de direitos, não caracteriza contraprestação por serviço prestado, e, por conseguinte, não sofrem a incidência da Contribuição para o PIS/PasepImportação e da CofinsImportação. DCTF RETIFICADORA. CONSTITUIÇÃO DO CRÉDITO. Reputamse verdadeiros os valores declarados em DCTF Retificadora,fundamentando o crédito dela advindo. COMPENSAÇÃO NÃO HOMOLOGADA. EFEITOS. Compensação é procedimento facultativo através do qual o sujeito passivo se ressarce de valores pagos indevidamente, ou recolhidos a maior, deduzindoos das contribuições devidas à Fazenda Nacional. Não atendidas as condições estabelecidas na legislação tributária, e não comprovada a certeza e liquidez dos créditos, a compensação pretendida não será homologada pela Administração Pública, com o consequente lançamento de ofício das importâncias que deixaram de ser recolhidas. DO PEDIDO DE PRODUÇÃO. PRECLUSÃO. INDEFERIMENTO. O momento para a produção de provas, no processo administrativo, é juntamente com a impugnação ou manifestação de inconformidade. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido 6. Irresignada com a decisão, a requerente apresentou Recurso Voluntário, com as seguintes alegações : I – DOS FATOS a recorrente submeteu pagamento indevido para compensação,entretanto sobreveio despacho decisório não homologando a compensação pautandose na alegação de que o pagamento do referido débito de COFINSImportação, sob Fl. 286DF CARF MF Processo nº 10880.693331/200911 Acórdão n.º 3301005.827 S3C3T1 Fl. 285 5 montante de R$ 82.160,61 havia sido supostamente utilizado para a quitação de valores declarados em DCTF; a recorrente apresentou manifestação de inconformidade onde produziu prova necessária á identificação do indébito submetido á compensação, demonstrandose, de forma inequívoca, que este refletia um pagamento indevido de COFINSImportação sobre uma remessa á França a título de royalties como se vê, o suporte documental faz constatar claramente que o débito de COFINSImportação foi suportado indevidaente sobre uma remessa ao exterior como contraprestação pela cessão de uso da marca “ALSTOM” o que, por evidente, não representa uma obrigação de fazer apta a deflagrar a incidência do referido tributo; ainda que a manifestação apresentada constitua meio adequado á revisão do lançamento (art. 145, I, do CTN), foi proferido Acórdão pela DRJ/RIO DE JANEIRO ratificando o indeferimento da compensação por se pautar na ausência dos atributos de liquidez e certeza do crédito compensado; o Acórdão recorrido desprezou a prova do indébito submetido á compensação, considerando que não foi providenciada a retificação da DCTFdo período para espelhar o direito ao créditos II – PRELIMINARMENTE – NULIDADE DA DECISÃO RECORRIDA a decisão encontrase maculada por vício de nulidade absoluta, haja vista a falta da análise de todos os pontos suscitados pela recorrente; o artigo 93 da Constituição Federal determina que os despachos deverão estar motivados pelos fundamentos que levaram o julgador acolher ou desaclher a defesa apresentada, sob pena de nulidade; a autoridade julgadora deixou de apreciar a natureza do débito de COFINSImportação suportado indevidamente sobre uma remessa ao exterior a título de pagamento de royalties; a autoridade se pauta unicamente no fato de a DCTF não ter sido retificada para manter a glosa do crédito a que faz a recorrente; é preciso sublinhar que a recorrente nunca se desimcumbiu de demonstrar a legitimaidade de seu direito, até porque realizou toda a demonstração necessária á contextualização de que o indébito efetivamente se reportou a uma remessa feita ao exterior como contraprestação por uso de marca; o que se discute é a forma presumida com a qual autoridade julgadora despereza a origem do crédito, sem que tenham sido emitidos quaisquer termos de intimação para apresentação de escalrecimentos; mesmo que no caso da recorrente nenhuma retificação tenha sido feita em DCTF, é preciso ponderar que a liquidez e certeza do crédito está devidamente demonstrada; impõese a declaração de nulidade da decisão recorrida e a determinação de prolação de nova decisão, seja por falta de fundamentação, seja por falta de análise ao caso concreto, face Fl. 287DF CARF MF 6 a omissão sob diversos aspectos para a prolação da decisão administrativa; a ausência de fundamentação do julgado acarreta violação ao princípio constitucional da ampla defesa e do contraditório julgador não irá analisar e se manifestar expressamente sobre todas as questões aduzidas na defesa , diminuindo a matéria devolvida para apreciação pela autoridade julgadora hierarquicamente superior. III – DO DIREITO III.1 – A EFETIVA DISPONIBILIDADE DO CRÉDITO – PARECER NORMATIVO RFB/COSIT Nº 02/2015 ha que se destacar que independente da retificação feita em DCTF, não há como se mitigar o aproveitamento do crédito pela recorrente que efetivamente suportou o pagamento do tributo indevido, cita o Parecer Normativo RFB/COSIT nº 02/2015; mesmo que se admitisse a necessidade de esclarecimentos adicionais por parte da recorrente, caberia á autoridade julgadora intimála para elucidação dos elementos que impactaram na formação do indébito tributário, convertendo o julgamento em diligência e não simplesmente julgar improcedente a manifestação em razão da ausência da retificação feita em DCTF III.2 A EFICÁCIA DA MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE COMO INSTRUMENTO REVISOR DO LANÇAMENTO ainda que a retificação não tenha sido realizada, a inequívoca demonstração do pagamento indevido, conforme comprovações feitas em sede de manifestação de inconformidade já seria suficiente para amparara a existência de crédito disponível, ou seja, a documentação apresentada pela recorrente não poderia simplesmente ser ignorada, como de fato acabou ocorrendo; sendo assim, falho a decisão ao apontar que a recorrente supostamente se desimcumbiu de seu ônus em provar a realização do pagamento indevido, pois a despeito da retificação feita em DCTF, mas diante das demonstrações feitas em sede de manifestação de inconformidade, não subsistenm dúvidas quanto á disponibilidade do crédito submetido á compensação. III.3 – A EXISTÊNCIA DE CRÉDITO A SER COMPENSADO E A LEGITIMIDADE DE SUA COMPENSÇÃO – O INDÉBITO TRIBUTÁRIO REFLETIDO NO RECOLHIMENTO DA COFINSIMPORTAÇÃO SOBRE REMESSAS A TÍTULO DE ROYALTIES. é cabível a restituição do indébito tributário nos casos previstos no artigo 165 do CTN; uma vez comprovado que a recorrente suportou pagamento indevido, há que se resguardar ao contribuinte a devolução do respectivo montante; diante do arcabouço documenta apresentado (contrato de cessão de marca, averbação do contrato no INPI, comprovação da remessa ao exterior de valor como contraprestação do uso de marca, memória de cálculo que demonstra apuração da quantia referente ao pagamento indevido) não remanescem Fl. 288DF CARF MF Processo nº 10880.693331/200911 Acórdão n.º 3301005.827 S3C3T1 Fl. 286 7 dúvidas quanto á natureza do pagamento consumado pela recorrente, sobre o qual foi realizada compensação. IV – DO PEDIDO requer seja dado provimento ao recurso para decretar a nulidade da decisão proferida pela DRJ/RIO DE JANEIRO, devolvendose a matéria para fins de confirmação, por meio de diligência, dos elementos que impactaram no indébito; alternativamente, seja dado provimento ao recurso para, reformandose a decisão proferida pela DRJ, reconhecer integralmente o crédito em tela, homologandose a compensação efetuada pela recorrente, cancelandose a cobrança dos valores ora exigidos, inclusive mediante a conversão do julgamento em diligência. 7. O processo veio a mim distribuído para relatar. É o relatório Voto Conselheiro Ari Vendramini 8. Estão presentes os requisitos de admissibilidade, por tal razão conheço do recurso. PRELIMINARMENTE – A NULIDADE DO ACÓRDÃO DRJ 9. Não prosperam as acusações da recorrente. 10 Alega a recorrente que o artigo 93 da Constituição Federal ordena que os despachos deverão estar motivados pelos fundamentos que levaram o julgador a acolher ou não a defesa apresentada, sob pena de nulidade. 11. O artigo 93 da Carta Magna está dirigido expressamente ao Poder Judiciário, como se transcreve : Art. 93. Lei complementar, de iniciativa do Supremo Tribunal Federal, disporá sobre o Estatuto da Magistratura, observados os seguintes princípios: (…..) IX todos os julgamentos dos órgãos do Poder Judiciário serão públicos, e fundamentadas todas as decisões, sob pena de nulidade, podendo a lei limitar a presença, em determinados atos, às próprias partes e a seus advogados, ou somente a estes, em casos nos quais a preservação do direito à intimidade do interessado no sigilo não prejudique o interesse público à informação Fl. 289DF CARF MF 8 X as decisões administrativas dos tribunais serão motivadas e em sessão pública, sendo as disciplinares tomadas pelo voto da maioria absoluta de seus membros; 12. Portanto, equivocada a recorrente ao se utilizar deste argumento para acusar a decisão da DRJ de nula, pois o artigo 93 da CF/88 não se aplica ao caso. 13. A recorrente acusa o julgador da DRJ de não ter apreciado a natureza do débito de COFINSImportação suportado indevidamente sobre uma remessa ao exterior a título de pagamento de royalties. 14. Mais uma vez, equivocada a recorrente, pois a autoridade julgadora abriu dois tópicos em seu voto somente para analisar a natureza do débito, como denomina a recorrente, os tópicos denominados “ do conceito de royalties para fins tributários” e “da incidência do PIS e da Cofins sobre a Importação de Serviços e sobre Royalties” explicitam detalhadamente a natureza do indébito ocorrido no caso, ademais, a autoridade julgadora, em seu voto, expressamente declara que assiste razão á recorrente ao pleitear o direito ao crédito, como transcrevemos trecho do voto ás fls. 246 dos autos digitais : 23. Pacificada a não incidência de PIS e COFINS para os royalties pagos por licenciamento de uso de marca, passemos a análise do caso concreto. 24. A Manifestante guerreia dois argumentos em sua defesa: o primeiro, que o despacho decisório em comento está minimamente fundamentado, não estando bem expostos e conhecidos os motivos que levaram à glosa do crédito declarado, ora mesmo contendo informações de forma resumida; o segundo, que não haveria incidência da COFINS sobre a operação de remessa de royalties ao exterior realizada em contraprestação à cessão do uso da marca "Alstom". 25. Em relação ao primeiro argumento, divirjo da Manifestante, o Despacho Decisório contém a informação que fundamentou o motivo da não homologação, qual seja, a não existência da disponibilidade dos valores pleiteados. 26. O segundo argumento, já foi abordado nos itens acima e, de fato, assiste razão à Manifestante. 15. Portanto, a autoridade julgadora abordou, e de forma completa e específica, o argumento apresentada na Manifestação de Inconformidade, não tendo fundamento a acusação da recorrente. 16. Alega, ainda a recorrente, que a autoridade julgadora agiu de forma presumida ao desprezar a origem do crédito, sem emitir termo de intimação para a apresentação de esclarecimentos que se reputassem necessários. 17. Não prospera o argumento da recorrente, pois a autoridade julgadora não agiu por presunção, e sim efetivou seu julgamento com base em dados apresentados pela recorrente, como os documentos comprobatórios de que o indébito se referia a recolhimento de CofinsImportação sobre royalties e, também, com base em dados extraídos dos sistemas de registro da Secretaria da Receita Federal, para demonstrar que o recolhimento consta dos sistemas e permanece vinculado a débito declarado pela recorrente, inclusive anexando telas de sistema aos autos. Fl. 290DF CARF MF Processo nº 10880.693331/200911 Acórdão n.º 3301005.827 S3C3T1 Fl. 287 9 18. Quanto aos termos de intimação não emitidos, vazia a acusação da recorrente, pois diante das provas constantes dos autos, que já embasavam a convicção do julgador, não foi necessária a intimação da recorrente para apresentar esclarecimentos adicionais. 19. Assim, as acusações de falta de fundamentação, falta de análise do caso concreto e omissão sob aspectos imprescindíveis para a prolação da decisão não prosperam, sendo a decisão perfeitamente elaborada, dentro dos parâmetros legais, não cabendo o seu cancelamento por nulidade. 20. Por derradeiro, as nulidades no âmbito do processo administrativo fiscal tem como base legal o disposto no artigo 59 do Decreto nº 70.235/1972 : Art. 59. São nulos: I os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. 21. Não tendo ocorrido nenhuma das hipóteses elencadas no texto legal, não há nulidade na decisão combatida. 22. Diante do exposto, rejeito as preliminares de nulidade apresentadas. NO MÉRITO 23. Para o deslinde da questão, dois aspectos devem ser analisados : 1) o direito ao crédito e 2) a operacionalização da compensação na esfera tributária. 1 O DIREITO AO CRÉDITO 24. A decisão de piso já reconheceu este direito ao crédito ao consignar em sua ementa que a remessa de valores a residentes ou domiciliados no exterior, a título de royalties, por simples licença de uso de marca, sem prestação de serviços vinculados a essa cessão de direitos, não caracteriza contraprestação por serviço prestado e, por conseguinte, não sofrem a incidência da Contribuição para o PIS/PASEPImportação e da COFINSImportação. 25. O Acórdão DRJ já explorou com precisão os aspectos da legislação e da jurisprudência a respeito da diferença entre royalties e serviços, concluindo, citando decisão do Pleno do STF (RE nº 116.1213/SP) onde se pacifica a definição de que o conceito de conceito de que a locação de bens móveis, à qual se assemelha a licença para uso ou exploração de direitos, constitui típica obrigação de dar, ao contrário dos serviços, que constituem obrigação de fazer. 26. Os documentos acostados aos autos evidenciam que o contrato firmado pela recorrente se refere a contrato de licença de uso de marca, não existindo serviço vinculado a ele : Contrato de Licença (fls. 72/115 dos autos digitais), Requerimento de Averbação de Contratos e Faturas (fls. 117/122 dos autos digitais) do INPI, no qual consta como objeto o Fl. 291DF CARF MF 10 “Uso de Marca”, e Contrato de Câmbio (fls. 129/132 dos autos digitais). 27. Os “royalties”, no direito pátrio são remunerações decorrentes da exploração lucrativa de bens incorpóreos (direito de uso) vinculados à transmissão de tecnologia, representados pela propriedade de invento patenteado, assim como conhecimentos tecnológicos, fórmulas, processos de fabricação, e ainda, marcas de indústria ou comércio notórias, aptas a produzir riqueza através da comercialização, em virtude da aceitação dos produtos que a representam, além do direito de explorar recursos vegetais, minerais e direitos autorais, conforme se verifica do artigo 22 da Lei nº 4.506/64,in verbis: “Art. 22. Serão classificados como “royalties” os rendimentos de qualquer espécie decorrentes do uso, fruição, exploração de direitos, tais como: a) direito de colher ou extrair recursos vegetais, inclusive florestais; b) direito de pesquisar e extrair recursos minerais; c) uso ou exploração de invenções, processos e fórmulas de fabricação e de marcas de indústria e comércio; d) exploração de direitos autorais, salvo quando percebidos pelo autor ou criador do bem ou obra. Parágrafo único. Os juros de mora e quaisquer outras compensações pelo atraso no pagamento dos “royalties” acompanharão a classificação destes.” 28. As hipóteses de incidência da Contribuição para o PIS/PASEPImportação e para a COFINSImportação sobre a importação de serviços foram estabelecidas pelos artigos 1º e 3º da Lei nº 10.865/2004: Art. 1º. Ficam instituídas a Contribuição para os Programas de Integração Social e de Formação do Patrimônio do Servidor Público incidente na Importação de Produtos Estrangeiros ou Serviços – PISPASEPImportação e a Contribuição Social para o Financiamento da Seguridade Social devida pelo Importador de Bens Estrangeiros ou Serviços do Exterior – COFINS importação,com base nos arts. 149, § 2º, inciso II, e 195, incios IV, da Constituição Federal, observado o disposto no seu art. 195, § 6º. § 1º Os serviços a que se refere o caput deste artigo são os provenientes do exterior prestados por pessoa física ou pessoa jurídica residente ou domiciliada no exterior, nas seguintes hipóteses : I – executados no País; ou II – executados no exterior, cujo resultado se verifique no País. [...] Art. 3º. O fato gerador será : [...] II – o pagamento, o crédito, a entrega, o emprego ou a remessa de valores a residentes ou domiciliados no exterior, como contraprestação por serviço prestado. [...] Art. 7º A base de cálculo será : [...] Fl. 292DF CARF MF Processo nº 10880.693331/200911 Acórdão n.º 3301005.827 S3C3T1 Fl. 288 11 II – o valor pago, creditado, entregue, empregado ou remetido para o exterior, antes da retenção do imposto de renda, acrescido do Imposto sobre Serviços de Qualquer Natureza – ISS e do valor das próprias contribuições, na hipótese do inciso II do caput do art. 3º desta Lei. (grifouse) 28. É expressa e clara a definição do fato gerador das contribuições em exame, PIS/PasepImportação e CofinsImportação, como sendo “o pagamento, o crédito, a entrega, o emprego ou a remessa de valores a residentes ou domiciliados no exterior, como contraprestação por serviço prestado”. Merece ainda, destaque, a atenção que o legislador deu à execução dos serviços, em especial nos citados incisos constantes do § 1º, art. 1º, da Lei nº 10.865/2004, acima transcritos. A referência à execução remete diretamente à natureza jurídica característica da obrigação de fazer dos serviços. 29. Considerando que os royalties são rendimentos decorrentes do uso, fruição e exploração de direitos (obrigação de dar), e não de prestação de serviços (obrigação de fazer), concluise que os valores referentes aos royalties não são atingidos pelas referidas contribuições, considerando ainda que, nos casos em que houver previsão contratual de fornecimento concomitante de serviços, o contrato deve ser suficientemente claro para discriminar os royalties, os serviços técnicos e a assistência técnica de forma individualizada, de forma a não haver incidência de PIS/PasepImportação e CofinsImportação sobre o valor pago a título de royalties. Neste caso, as contribuições sobre a importação incidirão apenas sobre os valores dos serviços conexos contratados. 30. No presente caso os requisitos para a não incidência estão configurados: o contrato é de cessão de marca, estão devidamente descritos os valores devidos a esse título e não há serviços conexos. 31. Assim, o recolhimento efetivado a título de COFINSImportação sobre os royalties vinculados ao contrato de cessão de marca foi feito de forma incorreta, caracterizando o pagamento como indevido, nos termos do inciso I do artigo 165 do Código Tributário Nacional : Art. 165. O sujeito passivo tem direito, independentemente de prévio protesto, à restituição total ou parcial do tributo, seja qual for a modalidade do seu pagamento, ressalvado o disposto no § 4º do artigo 162, nos seguintes casos: I cobrança ou pagamento espontâneo de tributo indevido ou maior que o devido em face da legislação tributária aplicável, ou da natureza ou circunstâncias materiais do fato gerador efetivamente ocorrido. 32. Por consequência, deve ser reconhecido o direito creditório, no montante do recolhimento efetivado indevidamente. 2 – A OPERACIONALIZAÇÃO DA COMPENSAÇÃO NA ESFERA TRIBUTÁRIA 33. O artigo 74 da Lei nº 9.430/1996, com suas várias alteracões, estipula que : Art. 74. O sujeito passivo que apurar crédito, inclusive os judiciais com trânsito em julgado, relativo a tributo ou Fl. 293DF CARF MF 12 contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados por aquele Órgão. § 1o A compensação de que trata o caput será efetuada mediante a entrega, pela sujeito passivo, de declaração na qual constarão informações relativas aos créditos utilizados e aos respectivos débitos compensados. (…) § 14. A Secretaria da Receita Federal SRF disciplinará o disposto neste artigo, inclusive quanto à fixação de critérios de prioridade para apreciação de processos de restituição, de ressarcimento e de compensação. 34. Cumprindo a determinação contida no § 14 do artigo 74 da Lei nº 9.430/1996, a Secretaria da Receita Federal emitiu Instrução Normativa que regula a matéria, hoje vigora a IN RFB nº 1.717/2017, que assim dispõe : Art. 65. O sujeito passivo que apurar crédito, inclusive o crédito decorrente de decisão judicial transitada em julgado, relativo a tributo administrado pela RFB, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios, vencidos ou vincendos, relativos a tributos administrados pela RFB, ressalvada a compensação de que trata a Seção VII deste Capítulo. § 1º A compensação de que trata o caput será efetuada, pelo sujeito passivo, mediante declaração de compensação, por meio do programa PER/DCOMP ou, na impossibilidade de sua utilização, mediante o formulário Declaração de Compensação, constante do Anexo IV desta Instrução Normativa. Art. 66. A compensação declarada à RFB extingue o crédito tributário, sob condição resolutória da ulterior homologação do procedimento. Parágrafo único. A declaração de compensação constitui confissão de dívida e instrumento hábil e suficiente para a exigência dos débitos indevidamente compensados. 35. Os débitos a que se refere o texto normativo são aqueles declarados em DCTF – Declaração de Contribuições e Tributos Federais, instrumento onde o contribuinte declara, como confissão de dívida, os débitos contra a Fazenda Pública e sua extinção, por pagamento ou compensação ou sua suspensão, por parcelamento, por recurso administrativo ou ordem judicial. 36. A DCTF, com fundamento no art. 5º, §1º, do Decreto–lei nº 2.124, de 13/06/1984 representa confissão de dívida dos débitos nelas declarados, sendo pacífico o entendimento judicial, consolidado na Súmula STJ nº 436, de que a entrega de declaração em que, a exemplo da DCTF, o contribuinte reconhece débito fiscal “constitui o crédito tributário, dispensada qualquer outra providência neste sentido por parte do fisco”, portanto, se a autoridade administrativa, segundo critérios de aprofundamento por ela definidos e após eventuais batimentos eletrônicos, admite o valor do tributo confessado em DCTF como compatível com o do efetivamente devido, pode, a partir dos elementos de que internamente já Fl. 294DF CARF MF Processo nº 10880.693331/200911 Acórdão n.º 3301005.827 S3C3T1 Fl. 289 13 dispõe, decidir o direito à restituição (e, por decorrência, à compensação) por comparação entre o valor pago do tributo e o correspondente montante declarado em DCTF, sendo dispensável, dado o caráter confessional da DCTF, a intimação do requerente para prestar esclarecimentos ou apresentar provas. 37. A Secretaria da Receita Federal emitiu o Parecer Normativo COSIT nº 02/2015, citado pela recorrente, onde trata da situação em que o sujeito passivo da obrigação tributária apresenta Pedido Eletrônico de Restituição, Ressarcimento, Reembolso ou Declaração de Compensação – PER/DCOMP, envolvendo crédito de pagamento indevido ou a maior, sendo o pedido indeferido em razão de o pagamento estar totalmente alocado a débito confessado em Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais (DCTF) sem que esta tenha sido retificada, decisão contra a qual o interessado apresenta manifestação de inconformidade, assim dispôs sobre o cruzamento de informações DCTF X PER/DCOMP : 10.2. Nesse diapasão, a DCTF é a forma com que o sujeito passivo dá conhecimento à autoridade administrativa da ocorrência do fato jurídicotributário e informa o pagamento do valor correspondente ao tributo. Como se depreende da sua própria denominação, é uma declaração contendo débitos e créditos tributários federais. (...) 10.4 Segundo o § 1º do art. 5º do Decretolei nº 2.124, de 13 de junho de 1984, “o documento que formalizar o cumprimento de obrigação acessória, comunicando a existência de crédito tributário, constituirá confissão de dívida e instrumento hábil e suficiente para a exigência do referido crédito”. Tratase de confissão extrajudicial da existência daqueles débitos, conforme arts. 348, 350 e 353 do atualmente vigente Código de Processo Civil (CPC) Lei nº5.869, de 11 de janeiro de 1973, e por isso é título executivo. Conforme decidido pelo STJ em sede de recursos repetitivos. (...) 10.5. Desse modo, por se tratar de uma confissão de dívida do sujeito passivo, inclusive podendo ser contra ele cobrado na falta de pagamento, ele necessariamente terá de alterar essa confissão se entender que pagou um valor indevido, para então poder requerer um pedido de restituição ou apresentar uma DCOMP. Tratase de simetria de formas. Fazendo uma analogia, é a mesma situação daquela contida no art. 352 do CPC, pois ali também depende de uma atuação de quem fez a confissão para ela poder ser revogada. No presente caso, a atuação do sujeito passivo se dá mediante retificação da declaração que constituiu o crédito tributário perante o Fisco, conforme item 10. Inclusive o CARF já decidiu que o crédito alocado em DCTF não retificada não é líquido e certo, e o indébito pressupõe a retificação da DCTF: INDÉBITO PLEITEADO DECLARADO EM DCTF. NECESSIDADE DE RETIFICAÇÃO PRÉVIA Enquanto não retificada a DCTF, o débito ali espontaneamente confessado é devido, logo, valor utilizado para quitálo não se constitui formalmente em indébito, sem que a recorrente promova a prévia retificação da declaração. (Acórdão nº 1302 Fl. 295DF CARF MF 14 001.571, Rel. Cons. Alberto Pinto Souza Júnior, 25 de novembro de 2014). DCTF RETIFICADORA APRESENTADA APÓS CIÊNCIA DO DESPACHO DECISÓRIO. EFEITOS. A DCTF retificadora apresentada após a ciência da contribuinte do Despacho Decisório que indeferiu o pedido de compensação não é suficiente para a comprovação do crédito tributário pretendido, sendo indispensável à comprovação do erro em que se funde o que não ocorreu. NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. DIREITO DE CRÉDITO. LIQUIDEZ E CERTEZA. Não é líquido e certo crédito decorrente de pagamento informado como indevido ou a maior, se o pagamento consta nos sistemas informatizados da Secretaria da Receita Federal do Brasil como utilizado integralmente para quitar débito informado em DCTF e a contribuinte não prova com documentos e livros fiscais e contábeis erro na DCTF.(Acórdão nº 3801¬002.926, Rel. Cons. Paulo Antonio Caliendo Velloso da Silveira, Sessão de 25/02/2014) 18.1. Se a retificação da DCTF ocorrer depois do Despacho Decisório, ou mesmo depois da apresentação da manifestação de inconformidade, dentro da livre convicção para análise das provas no caso concreto, o julgador administrativo pode verificar que as razões do sujeito passivo são procedentes e que o indeferimento do crédito decorreu da falta de retificação prévia da DCTF. Evidentemente que, nessa hipótese, o despacho decisório que indeferiu o pedido de restituição ou não homologou a compensação estava correto, pois o valor do pagamento da DCTF não estava disponível (vide item 10.5). (...) 20 .O despacho decisório de indeferimento do PER ou da não homologação da compensação é ato jurídico perfeito e foi corretamente proferido, já que, de fato, na data de sua emissão, o crédito declarado no PER/DCOMP não se apresentava para a autoridade administrativa líquido e certo. O foco da questão aqui tratada não deve ser a formalidade e efetividade de um ato da autoridade administrativa, mas o efeito de um ato do sujeito passivo – retificar sua DCTF – em momento que ainda lhe é permitido pela norma e que confirme ato por ele também praticado anteriormente (a compensação ou o pedido de restituição) quando já fora objeto de análise pela autoridade administrativa. 38. A vinculação de débitos e créditos declarados em DCTF são de absoluta responsabilidade do declarante, e podem ser retificados, como admite a Instrução Normativa RFB nº 1.599/2015, que trata da DCTF, dispondo em seu artigo 9º : Art. 9º A alteração das informações prestadas em DCTF, nas hipóteses em que admitida, será efetuada mediante apresentação de DCTF retificadora, elaborada com observância das mesmas normas estabelecidas para a declaração retificada. Fl. 296DF CARF MF Processo nº 10880.693331/200911 Acórdão n.º 3301005.827 S3C3T1 Fl. 290 15 § 1º A DCTF retificadora terá a mesma natureza da declaração originariamente apresentada e servirá para declarar novos débitos, aumentar ou reduzir os valores de débitos já informados ou efetivar qualquer alteração nos créditos vinculados. 39. Desta forma, para alterar os dados declarados, como débitos indevidos ou inexistentes, obrigatoriamente devese informar á Secretaria da Receita Federal, através da DCTF RETIFICADORA, para que, ao efetivar o cruzamento de informações, no caso em exame, de valores declarados em DCTF e valores declarados em DCOMP, sejam compatíveis para que o sistema eletrônico possa efetivar a compensação ou emitir despacho não homologando a compensação, com a devida fundamentação. 40. É o que acontece no caso presente, claramente explicitado pelo julgador da DRJ/RIO DE JANEIRO, no Acórdão DRJ combatido. 41. Reproduzimos as claras explicações constantes da decisão de piso : 28. Registrese que a falta de retificação da DCTF por iniciativa do próprio contribuinte não constitui óbice para o reconhecimento de erro nela contida, desde que devidamente constatado o equívoco no seu preenchimento, pois, nos termos do art. 147, § 2º, do Código Tributário Nacional CTN, a declaração pode ser retificada de ofício pela autoridade administrativa competente 29. E o direito de o contribuinte compensar débitos de tributos federais com crédito oriundo de pagamento indevido ou a maior está assegurado pelo art. 74 da Lei nº 9.430/1996 30. Contudo, a situação acima descrita não é a que se vê no presente caso. 31. A Manifestante afirma em sua peça defensiva que RETIFICOU sua DCTF; e de fato, ela o fez – mais de uma vez – contudo, em todas as retificações o valor declarado devido de COFINS FOI MANTIDO. 32. Verificase ainda que, na mesma data de envio da DCOMP, 18/07/2008, a Contribuinte apresentou uma DCTF Retificadora (nº 100.2008.2008.1810022943), na qual reitera o valor devido. 33. A tela inserta abaixo demonstra a alocação do valor recolhido na DCTF relativa ao 25o dia de fevereiro de 2008. Fl. 297DF CARF MF 16 42. Assi m, no cruzamento de informações prestadas pela recorrente, na DCTF e na DCOMP,. O sistema de registro eletrônico da Secretaria da Receita Federal detectou que o recolhimento efetuado havia sido vinculado a um débito existente e confessado, extinguindo, portanto, o crédito por pagamento. 43. Por este motivo, o fundamento da não homologação da compensação foi o de haver um ou mais pagamentos integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível par compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. 44. Portanto, correta a afirmação da autoridade julgadora da DRJ ao afirmar que : 38. No caso concreto o que se vê é que a Manifestante: Fl. 298DF CARF MF Processo nº 10880.693331/200911 Acórdão n.º 3301005.827 S3C3T1 Fl. 291 17 A) Continua informando em sua DCTF o pretenso crédito como valor devido. B) Promove o recolhimento de diversos DARFs sob o mesmo código de receita – 5442 – o que, com a documentação apresentada nos autos não é possível saber a vinculação de cada um deles. C) Não traz aos autos prova escritural que permita a vinculação inequívoca do valor recolhido com a remessa de royalties por uso de marca. 39. Assim, entendo que não há reparo a ser feito no Despacho Decisório. O valor recolhido em 25/02/2008 foi corretamente alocado ao débito confessado de fevereiro/2008, NÃO RESTANDO VALOR A SER UTILIZADO PARA A COMPENSAÇÃO PRETENDIDA – Junho/2008. 45. A própria recorrente admite não ter retificado a DCTF quando afirma ás fls. 7 do seu recurso voluntário (fls. 263 dos autos digitais) que “ e, nesse diapasão, mesmo que no caso da Recorrente nenhuma retificação tenha sido feita em DCTF, é preciso ponderar que a certeza e liquidez do crédito devidamente demonstrada.” 46. Por derradeiro, há que se considerar que, uma vez que o pagamento indevido foi vinculado, como crédito, a valor de débito confessado em DCTF, extinguindo, portanto, o débito, não pode ser pagamento ou crédito ser utilizado novamente em sede de compensação, pois que tal crédito seria inexistente para o devido encontro de contas no instituto da compensação, nos termos dos artigos 368 e 369 do Código Civil Brasileiro (Lei nº 10.406/2002 Art. 368. Se duas pessoas forem ao mesmo tempo credor e devedor uma da outra, as duas obrigações extinguemse, até onde se compensarem; Art. 369. A compensação efetuase entre dívidas líquidas, vencidas e de coisas fungíveis.) e do artigo 170 do Código Tributário Nacional (Lei nº 5.172/1966 Art. 170. A lei pode, nas condições e sob as garantias que estipular, ou cuja estipulação em cada caso atribuir à autoridade administrativa, autorizar a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda pública.), por faltar ao crédito os atributos da liquidez e certeza, pois que o crédito alegado já não mais existia á época da transmissão da DCOMP, restando o débito para ser cobrado pela Fazenda Nacional. 47. Restou, pois, á recorrente, a retificação da DCTF, para alterar a vinculação do débito ao crédito que se pretenda compensar. 48. Não é possível, portanto, diante de tais regras, admitir o direito á compensação de crédito reconhecido mas utilizado indevidamente, no caso para extinguir débito confessado, desta forma, inexistente o crédito é época da compensação e, por consequência, faltandolhe liquidez e certeza. 49. Quanto á homologação e operacionalização da compensação não compete a este CARF tais atribuições, e sim ás Delegacias da Receita Federal, unidades jurisdicionantes dos requerentes/declarantes. Conclusão Fl. 299DF CARF MF 18 50. Diante de todo o exposto, dou provimento parcial ao recurso voluntário apresentado somente para reconhecer o direito creditório referente ao pagamento indevido, cabendo á Unidade de Origem verificar os procedimentos necessários á compensação. É o meu voto. Assinado digitalmente Ari Vendramini Relator Fl. 300DF CARF MF
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Numero do processo: 10675.000509/2003-24
Turma: Segunda Câmara
Seção: Segundo Conselho de Contribuintes
Data da sessão: Thu May 07 00:00:00 UTC 2009
Ementa: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS - IPI
Período de apuração: 01/01/1998 a 31/03/1998
CREDITO PRESUMIDO DE IPI. INCIDÊNCIA DA TAXA SELIC. O § 4º do art. 39 da Lei n°9.250/1995 determina a aplicação da taxa SELIC somente
sobre os valores oriundos de indébitos passíveis de restituição ou
compensação, não contemplando valores oriundos de tributos recolhidos regularmente e ressarcidos a título de beneficio fiscal.
Recurso negado.
Numero da decisão: 2101-000.074
Decisão: ACORDAM os membros da 1ª câmara / 1ª turma ordinária do segunda
seção de julgamento, por unanimidade de votos, em negar o provimento ao recurso.
Matéria: IPI- processos NT- créd.presumido ressarc PIS e COFINS
Nome do relator: MARIA CRISTINA ROZADA COSTA
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INCIDÊNCIA DA TAXA SELIC. O § 4" do art. 39 da Lei n°9.250/1995 determina a aplicação da taxa SELIC somente sobre os valores oriundos de indébitos passíveis de restituição ou compensação, não contemplando valores oriundos de tributos recolhidos regularmente e ressarcidos a título de beneficio fiscal. Recurso negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da I* câmara / P turma ordinária do segunda seção de julgamento, por unanimidade de votos, em • - .rovimento ao recurso. —_ 1 / Off te 1111 --- 0 MARCOS CÂNDIDO 'residente r"---T e / 11ARIA CRISTINA RO ISDA COSTA Relatora Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros Gustavo Kelly Alencar, Antonio Zomer, Antônio Lisboa Cardoso, Antonio Carlos Atulim, Domingos de Sá Filho e Maria Teresa Martinez López. i Processo n° 10675.000509/2003-24 S2-CITI Acórdão n.°2101-00.074 E. 239 Relatório Trata-se de recurso voluntário apresentado contra decisão proferida pela 3a Turma de Julgamento da DRJ em Juiz de Fora, MG. Por bem descrever os fatos e por economia processual reproduzo abaixo o relatório da decisão recorrida: "Em julgamento o pedido de ressarcimento de fl. 11 (que substituiu o pedido de fl. 01), relativo ao 1" trimestre de 1998, no valor total de R$ [1, fitndado nos termos da Lei n°9.363/96 e da Portaria ME n° 38/97 (crédito presumido). Nesse total, está embutida uma parcela referente à atualização pela taxa SELIC, tendo em vista que o crédito foi extemporaneamente apurado pela empresa. No processo 10675.000925/2003-22, em apenso, encontra-se a compensação vinculada ao pleito de ressarcimento. [excluído] Os resultados da verificação da legitimidade dos créditos solicitados em ressarcimento estilo consolidados na informação fiscal de fls. 153/157. A autoridade fiscal, a partir dos livros, documentos fiscais e informações obtidas junto à empresa, procedeu à apuração do crédito presumido, estando o resultado consolidado no demonstrativo de fls.155/156. Comparando-se os valores originais os cálculos do auditor fiscal resultaram na apuração do crédito presumido deste trimestre em montante superior ao apurado pela própria empresa. O indeferimento parcial do pedido diz respeito, tão-somente, à atualização pela taxa Selic que a empresa fez incidir sobre o valor original do beneficio, que foi apurado extemporaneamente (f7. 63). Por intermédio do despacho decisório de fls. 163/165 a autoridade competente da DRF/Uberhindia ratificou o procedimento da fiscalização, indeferindo parcialmente o ressarcimento pleiteado e não homologando a compensação declarada no montante que excedeu ao crédito então reconhecido. A contribuinte apresentou manifestação de inconformidade às fls.. 172/181, por intermédio da qual insurge-se contra o indeferimento proveniente da glosa da 'atualização' pela taxa Selic. Solicita, de forma bastante sucinta: "(...) requer a ora Reclamante seja a presente Reclamação conhecida e, ao final, integralmente provida, para efeitos de restar reconhecida a impropriedade e ilegalidade da glosa efetuada_pela Autoridade Tributária sob o vetusto fundamento de que não seria devida a 'atualização monetária ou acréscimo de litros compensatórios sobre o crédito presumido. haja vista a inexistência de previsão legal'. eis que como o ressarcimento é uma espécie do género restituição, (...). nele incide sim a Taxa Selic_prevista no arti2o 39. 4". da Lei n" 9.250/95 (.)". 2 Processo n° 10675.000509/2003-24 S2-CITI Acórdão n.° 2101-00.074 Fl. 240 Apreciando as razões de inconformidade apresentadas, a Turma Julgadora proferiu decisão escorçada na seguinte ementa: "Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI Período de apuração: 01/01/1998 a 31/03/1998 CRÉDITO PRESUMIDO. APURAÇÃO EXTEMPORÂNEA. TAXA SELIC. Não existe previsão legal a autorizar a incidência da taxa Selic sobre valor original de crédito presumido apurado extemporaneamente." Cientificada da decisão em 08/06/2007 a empresa apresentou em 10/07/2007 recurso voluntário a este Eg. Conselho de Contribuintes com as mesmas razões de dissentir postas na manifestação de inconformidade, agregando decisões dos Conselhos de Contribuintes e da Câmara Superior de Recursos Fiscais, nos quais está expresso entendimento no sentido de reconhecer o direito à atualização pela taxa selic, mesmo nos casos de requerimento extemporâneo. Requer a reforma da decisão e a manutenção da integralidade do ressarcimento pretendido com atualização dos créditos desde a época de sua constituição (fato gerador), ou, eventualmente, desde a data do protocolo. É o relatório. Voto Conselheira MARIA CRISTINA ROZA DA COSTA, Relatora O recurso voluntário é tempestivo e preenche as demais condições legais, necessárias à sua admissibilidade e conhecimento. A matéria da lide é, exclusivamente, a atualização pela taxa Selic que a empresa fez incidir sobre o valor original do beneficio, que foi apurado com extemporaneidade. O período de apuração está compreendido entre janeiro e março de 1998 e foi protocolado em 25/02/2003. Não cabem reparos à decisão recorrida. Seus fundamentos se mantêm por?" eles mesmos, no sentido de que a apuração do beneficio muito tempo depois do permitido pela norma se deu por absoluta decisão da recorrente, sem que para isso contribuísse o Fisco. E que as decisões proferidas pelos Conselhos de Contribuintes, quando reconhecem o direito à -, atualização do crédito presumido de IPI, o faz a partir da data do protocolo do pedido e não desde as aquisições dos insumos. Acresça-se, quanto a essa matéria, que também entendo incabível a atualização pelos índices estabelecidos para a taxa Selic, do valor a ser ressarcido, por absoluta ausência de previsão legal. O § 4° do art. 39 da Lei n°9.250/1995 determina a aplicação da taxa SELIC somente sobre os valores oriundos de indébitos passíveis de restituição ou CÁ/L- 1 e. Processo n° 10675.000509/2003-24 S2-CITI Acórdão n.• 2101-00.074 A. 241 compensação, não contemplando valores oriundos de tributos recolhidos regularmente e ressarcidos a título de beneficio fiscal. A improcedência do pedido de atualizar os valores a partir da data em que poderiam ter sido escriturados é flagrante. A recorrente pretende transferir para o Tesouro Nacional a mora no exercício de seu direito de requerer os ressarcimentos. A decisão recorrida esclarece bem quanto às decisões proferidas pelos Conselhos de Contribuintes, no sentido de que a atualização, quando admitida, é a partir da data do pedido e não a partir da data da aquisição que deu direito ao pedido de ressarcimento. As decisões trazidas pela recorrente não formam a jurisprudência dominante que é no sentido de não reconhecer a atualização monetária de beneficias fiscais em geral. Em que pese o ressarcimento seja direito da recorrente estabelecido em lei, o mesmo não ocorre com a atualização do valor a ressarcir pela taxa Selic ou qualquer outro índice. O principio da indisponibilidade da coisa pública toma imperativa a existência de previsão legal para transferência da coisa pública para o domínio privado Antes do advento do citado art. 39, § 4°, da Lei n° 9.250/95 a incidência da atualização monetária dos valores a restituir, segundo o parágrafo único do art. 167 do Código Tributário Nacional, só ocorria "a partir do trânsito em julgado da decisão definitiva" que determinasse a sua restituição, sendo, inclusive, este o teor do Enunciado n° 188 da Súmula da Jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça. Fez-se necessário a edição da referida norma legal para que os indébitos tivessem o mesmo tratamento econômico dado aos tributos recolhidos com atraso. E o texto legal é restritivo pois não alcança todo e qualquer valor a ser entregue ao particular pelo Tesouro Nacional. A atualização monetária está limitada somente à restituição de tributo recolhido a maior ou indevidamente, nos termos do artigo 165 do CTN, ou seja, ao indébito. O direito legal ao ressarcimento do beneficio fiscal está estabelecido na Lei n° 9.363/96, porém a referida norma restringe o quantum a ressarcir dos tributos calculados de forma presumida, delimitando a base de cálculo. E não entendo como afronta ao principio da moralidade administrativa ou da isonomia o fato de não ressarcir o beneficio fiscal com incidência da taxa Selic. Trata-se, meramente, de ausência de previsão legal. Atribuir taxa Selic ao ressarcimento do crédito presumido do IPI corresponde - a legislar positivamente uma vez que a referida taxa, consoante decisões dos tribunais 7 superiores, possui natureza híbrida — juros de mora e correção monetária —, e também o fato de a correção monetária ter sido extinta pela Lei n° 9.249/95, por seu art. 36, II. O fato de a legislação tributária prever a incidência da taxa Selic sobre os créditos tributários recolhidos indevidamente não autoriza a analogia com o ressarcimento do crédito presumido do IPI. A primeira situação tem permissão legal — parágrafo único do art. 161 do CTN conjugado com art. 61, § 3° da Lei n° 9.430/96. Para a segunda inexiste previsão ou permissão legal. 01(- 4 is Processo n° 10675.000509/2003-24 S2-CIT1 • Acórdão C 21(11-00.074 Fl. 242 O próprio Supremo Tribunal Federal decidiu pela incompetência para assim proceder, menos ainda poderá fazê-lo o julgador administrativo. Com essas considerações voto por negar provimento ao recurso voluntário. Sala das Sessões, em 07 de maio de 2009. 4 ere,, es_ v C(/mRIA CRISTINA ROZ A COSTA 5 Page 1 _0053900.PDF Page 1 _0054000.PDF Page 1 _0054100.PDF Page 1 _0054200.PDF Page 1
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Numero do processo: 10240.720972/2011-14
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Feb 21 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Thu Mar 21 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Exercício: 2011
ISENÇÃO. IPI. DEFICIENTE FÍSICO.
É de se indeferir o pedido de isenção de IPI de que trata a Lei nº 8.989/95 e alterações posteriores quando o laudo médico não atesta a presença de deficiência prevista em seu art.1º, bem como àquelas previstas no Decreto nº 3298/99, conforme interpretação expressa no art. 2º, §1º, inciso I, da Instrução Normativa SRF nº 607/2006.
IOF. ISENÇÃO. OPERAÇÃO DE FINANCIAMENTO NA AQUISIÇÃO DE VEÍCULO AUTOMOTOR DE ATÉ 127 HP POR DEFICIENTE FÍSICO. DESCABIMENTO.
A condição física da interessada não se enquadra nas hipóteses legais de deficiência física, para fins de isenção do IOF, no financiamento para a aquisição de automóvel.
Recurso do Procurador provido.
Numero da decisão: 9303-008.134
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em dar-lhe provimento, vencida a conselheira Tatiana Midori Migiyama, que lhe negou provimento.
(Assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente
(Assinado digitalmente)
Jorge Olmiro Lock Freire Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas, Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luis Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Erika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello.
Nome do relator: JORGE OLMIRO LOCK FREIRE
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI Exercício: 2011 ISENÇÃO. IPI. DEFICIENTE FÍSICO. É de se indeferir o pedido de isenção de IPI de que trata a Lei nº 8.989/95 e alterações posteriores quando o laudo médico não atesta a presença de deficiência prevista em seu art.1º, bem como àquelas previstas no Decreto nº 3298/99, conforme interpretação expressa no art. 2º, §1º, inciso I, da Instrução Normativa SRF nº 607/2006. IOF. ISENÇÃO. OPERAÇÃO DE FINANCIAMENTO NA AQUISIÇÃO DE VEÍCULO AUTOMOTOR DE ATÉ 127 HP POR DEFICIENTE FÍSICO. DESCABIMENTO. A condição física da interessada não se enquadra nas hipóteses legais de deficiência física, para fins de isenção do IOF, no financiamento para a aquisição de automóvel. Recurso do Procurador provido.
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IPI. DEFICIENTE FÍSICO. É de se indeferir o pedido de isenção de IPI de que trata a Lei nº 8.989/95 e alterações posteriores quando o laudo médico não atesta a presença de deficiência prevista em seu art.1º, bem como àquelas previstas no Decreto nº 3298/99, conforme interpretação expressa no art. 2º, §1º, inciso I, da Instrução Normativa SRF nº 607/2006. IOF. ISENÇÃO. OPERAÇÃO DE FINANCIAMENTO NA AQUISIÇÃO DE VEÍCULO AUTOMOTOR DE ATÉ 127 HP POR DEFICIENTE FÍSICO. DESCABIMENTO. A condição física da interessada não se enquadra nas hipóteses legais de deficiência física, para fins de isenção do IOF, no financiamento para a aquisição de automóvel. Recurso do Procurador provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em darlhe provimento, vencida a conselheira Tatiana Midori Migiyama, que lhe negou provimento. (Assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente (Assinado digitalmente) Jorge Olmiro Lock Freire – Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 24 0. 72 09 72 /2 01 1- 14 Fl. 130DF CARF MF 2 Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas, Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luis Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Erika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello. Relatório Tratase de Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional (fls. 106/117), admitido pelo Despacho de fls. 120/122, contra o Acórdão nº 3802002.122.089, o qual, por maioria de votos, deu provimento ao recurso voluntário, e cuja ementa dispõe: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Anocalendário: 2011 IPI. ISENÇÃO. DEFICIENTE FÍSICO. Laudo oficial emitido por entidade integrante do SUS, que atesta ser a interessada portadora de “limitação de punhos por artrite reumatóide (adquirida)”, complementado por laudo expedido por junta de médicos credenciados junto a Departamento Estadual de Trânsito, segundo o qual a recorrente só está habilitada para dirigir veículos com transmissão automática e direção hidráulica, comprovam a condição de deficiente físico necessária ao reconhecimento do direito à aquisição de veículo com isenção do IPI, nos termos do artigo 1º, § 1º, da Lei nº 8.989/95, c/c o artigo 4º, inciso I, do Decreto nº 3.298/99. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE OPERAÇÕES DE CRÉDITO, CÂMBIO E SEGUROS OU RELATIVAS A TÍTULOS OU VALORES MOBILIÁRIOS IOF Exercício: 2011 IOF. ISENÇÃO. FINANCIAMENTO NA AQUISIÇÃO DE VEÍCULO AUTOMOTOR DE ATÉ 127 HP POR DEFICIENTE FÍSICO. Faz jus à isenção do IOF o portador de deficiência física que comprove, mediante laudo atestado pelo Departamento de Trânsito Estadual, o tipo do defeito físico e a necessidade de dirigir veículo com adaptação especial (artigo, 72, inciso IV, da Lei nº 8.383/91). Recurso ao qual se dá provimento. Alega a Fazenda Nacional que as lei instituidoras das isenções de IPI (art. 1º, IV, da Lei 8.989/95) e IOF (art. 72, IV, da Lei 8.383/91), quando financiado, na aquisição de automóveis de passageiros de fabricação nacional equipados com motor de cilindrada não Fl. 131DF CARF MF Processo nº 10240.720972/201114 Acórdão n.º 9303008.134 CSRFT3 Fl. 3 3 superior a dois mil centímetros cúbicos, de no mínimo quatro portas inclusive a de acesso ao bagageiro, movidos a combustíveis de origem renovável ou sistema reversível de combustão, estipularam que não é qualquer problema de ordem física que dá direito ao seu portador à aquisição daqueles bens com as referidas isenções. Entende que para o gozo do benefício o comprometimento da função física deve se dar nos termos do que "dispõe o art. 2º, §1º, inciso I, da Instrução Normativa SRF nº 607/2006, pela observação conjunta do §1º do art. 1º da Lei nº 8.989/95, com o inciso I, do art. 4º, do Decreto nº 3.298/99, alterado pelo Decreto nº 5.296/2004". Faz leitura dessas normas conclui que para fruição dos benefícios fiscais em questão o interessado deve se subsumir aos seguintes requisitos normativos: a) que haja alteração completa ou parcial de um ou mais segmentos do corpo humano; b) que tal modificação tenha acarretado o comprometimento da função física; c) que a citada alteração se apresente sob a forma de: paraplegia, paraparesia, monoplegia, monoparesia, tetraplegia, tetraparesia, triplegia, triparesia, hemiplegia, hemiparesia, ostomia, amputação ou ausência de membro, paralisia cerebral, nanismo, membros com deformidade congênita ou adquirida; e d) que as moléstias citadas no item imediatamente acima não configurem meras deformidades estéticas; impliquem, pois, dificuldades para o desempenho de funções. E resume que "o sujeito passivo que se insira no conceito jurídico de deficiência física, assim entendida a alteração completa ou parcial de um ou mais segmentos do corpo, acarretando o comprometimento da função física, apresentandose sob a forma de paraplegia, paraparesia, monoplegia, monoparesia, tetraplegia, tetraparesia, triplegia, triparesia, hemiplegia, hemiparesia, ostomia, amputação ou ausência de membro, paralisia cerebral, nanismo, membros com deformidade congênita ou adquirida, exceto as deformidades estéticas e as que não produzam dificuldades para o desempenho de funções". Acresce que no caso em apreço o laudo médico, apesar de atestar que a contribuinte possui deficiência física caracterizada pela limitação de punhos por artrite reumatóide (adquirida), CID M06.8, M81.0 e M17.0, não expressa em que forma se apresenta a deficiência física da recorrente, bem como não relata as consequências da doença que permitam identificar o enquadramento como deficiência física constante no art. 4º do Decreto 3.298/1999. E conclui: Ora, no caso em comento o contribuinte não se desincumbiu do ônus de colacionar aos autos laudo médico que demonstre que a doença que possui se manifesta na forma de uma das hipóteses de deficiência física contempladas pela legislação. Logo, não faz jus à isenção pleiteada. Registrese, por fim, que o caput do art. 111 e seu inciso II, ambos do Código Tributário Nacional, determinam expressamente a interpretação literal da legislação tributária que disponha sobre outorga de isenção. Assim sendo, inexiste Fl. 132DF CARF MF 4 a possibilidade de flexibilização dos requisitos para gozo do benefício fiscal. Em relação específica ao IOF, a recorrente deveria ter apresentado laudo de perícia médica do DETRAN que atestasse a deficiência física e especificasse o tipo de defeito físico, sua total incapacidade para dirigir automóveis convencionais, e sua habilitação para dirigir veículo com adaptações especiais. O laudo apresentado, contudo, apenas atesta que a recorrente poderá dirigir veículo automotor com transmissão automática e veículo automotor com direção hidráulica e que sua carteira de habilitação seria da categoria “B”. Ante tais argumentos, postula o provimento do especial para reformar o recorrido, indeferindo o pedido de isenção de IPI e IOF. Cientificada (fl. 126), a peticionante não apresentou contrarrazões. É o relatório. Voto Conselheiro Jorge Olmiro Lock Freire Conheço do recurso nos termos em que processado. Preliminarmente de ressaltar, determina o art. 111 do CTN, que a norma isentiva deve ser interpretada restritivamente, eis que o Estado está abrindo mão de uma receita com um fim econômico, ou social, como in casu. Assim, entendo que o rol de doenças que a norma isentiva arrolou são numerus clausus. Não faz o menor sentido o legislador ordinário veicular norma isentiva apenas a título de exemplificação, deixando em aberta sua tipificação pelo intérprete. Portanto, meu voto parte do pressuposto que só pode ser considerada "pessoa portadora de deficiência física" aquela cuja deficiência enquadrese nos estritos termos veiculados pelo art. 1º da Lei 8.989/1995 (e suas alterações posteriores Leis 10.690/2003 e 10.754/2003) e seu § 1º, IV, e, no caso do IOF, Lei 8.383/91, art. 721. Ademais, o art. 3º2 daquela norma 1 Art. 72. Ficam isentas do IOF as operações de financiamento para a aquisição de automóveis de passageiros de fabricação nacional de até 127 HP de potência bruta (SAE), quando adquiridos por: ... IV pessoas portadoras de deficiência física, atestada pelo Departamento de Trânsito do Estado onde residirem em caráter permanente, cujo laudo de perícia médica especifique; a) o tipo de defeito físico e a total incapacidade do requerente para dirigir automóveis convencionais; ... § 1° O benefício previsto neste artigo: a) poderá ser utilizado uma única vez; b) será reconhecido pelo Departamento da Receita Federal mediante prévia verificação de que o adquirente possui os requisitos. 2 Art. 3º A isenção será reconhecida pela Secretaria da Receita Federal do Ministério da Fazenda, mediante prévia verificação de que o adquirente preenche os requisitos previstos nesta lei. Fl. 133DF CARF MF Processo nº 10240.720972/201114 Acórdão n.º 9303008.134 CSRFT3 Fl. 4 5 delegou à então SRF o reconhecimento da referida isenção, "mediante prévia verificação de que o adquirente preenche os requisitos previstos" na lei. Para tanto, a RFB editou a IN RFB 988/2009, posteriormente alterada pela IN RFB 1.639/2013. Vejase o teor das normas que importam ao deslinde da quaestio: Lei 8.989/95: Art. 1oFicam isentos do Imposto Sobre Produtos Industrializados IPI os automóveis de passageiros de fabricação nacional, equipados com motor de cilindrada não superior a dois mil centímetros cúbicos, de no mínimo quatro portas inclusive a de acesso ao bagageiro, movidos a combustíveis de origem renovável ou sistema reversível de combustão, quando adquiridos por: ... IV – pessoas portadoras de deficiência física, visual, mental severa ou profunda, ou autistas, diretamente ou por intermédio de seu representante legal; § 1º Para a concessão do benefício previsto no art. 1º é considerada também pessoa portadora de deficiência física aquela que apresenta alteração completa ou parcial de um ou mais segmentos do corpo humano, acarretando o comprometimento da função física, apresentandose sob a forma de paraplegia, paraparesia, monoplegia, monoparesia, tetraplegia, tetraparesia, triplegia, triparesia, hemiplegia, hemiparesia, amputação ou ausência de membro, paralisia cerebral, membros com deformidade congênita ou adquirida, exceto as deformidades estéticas e as que não produzam dificuldades para o desempenho de funções. (grifei) Decreto 3.298/99 Art. 4º É considerada pessoa portadora de deficiência a que se enquadra nas seguintes categorias: I deficiência físicaalteração completa ou parcial de um ou mais segmentos do corpo humano, acarretando o comprometimento da função física, apresentandose sob a forma de paraplegia, paraparesia, monoplegia, monoparesia, tetraplegia, tetraparesia, triplegia, triparesia, hemiplegia, hemiparesia, ostomia, amputação ou ausência de membro, paralisia cerebral, nanismo, membros com deformidade congênita ou adquirida, exceto as deformidades estéticas e as que não produzam dificuldades para o desempenho de funções; (Redação dada pelo Decreto nº 5.296, de 2004) A Instrução Normativa nº 988/2009 assim dispõe: Art. 3º Para habilitarse à fruição da isenção, a pessoa portadora de deficiência física, visual, mental severa ou Fl. 134DF CARF MF 6 profunda ou o autista deverá apresentar, diretamente ou por intermédio de seu representante legal, formulário de requerimento, conforme modelo constante do Anexo I, acompanhado dos documentos a seguir relacionados, à unidade da RFB de sua jurisdição, dirigido ao Delegado da Delegacia da Receita Federal do Brasil (DRF) ou ao Delegado da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Administração Tributária (Derat): I – Laudo de Avaliação, na forma dos Anexos IX, X ou XI, emitido por prestador de: a) serviço público de saúde; ou b) serviço privado de saúde, contratado ou conveniado, que integre o Sistema Único de Saúde (SUS); II – Declaração de Disponibilidade Financeira ou Patrimonial da pessoa portadora de deficiência ou do autista, apresentada diretamente ou por intermédio de seu representante legal, na forma do Anexo II, disponibilidade esta compatível com o valor do veículo a ser adquirido; ... § 6º Para efeito do disposto no inciso I do caput, poderá ser considerado, para fins de comprovação da deficiência, laudo de avaliação obtido: I – no Departamento de Trânsito (Detran) ou em suas clínicas credenciadas, desde que contenha todas as informações constantes dos Anexos IX, X ou XI; e II– por intermédio de Serviço Social Autônomo, sem fins lucrativos, criado por lei, fiscalizado por órgão dos Poderes Executivo ou Legislativo da União, observados os modelos de laudo constantes dos Anexos IX, X ou XI. O Laudo de fl. 04 atesta que a contribuinte possui deficiência física, especificando: “limitação de punhos por artrite reumatóide (adquirida)”, enquadrando nos CID M06.8, M81.0 e M.17.0. O segundo laudo (fls. 46/47 ) conclui que a periciada "é portadora de artrite reumatismo (sic) comprometimento da articulação do punho e mãos direita e tornozelos com dores”, conlcuindo que a "usuária poderá dirigir veículo automotor com transmissão automática código D e veículo automotor com direção hidráulica". Constatase que, o indeferimento deuse por dois motivos: a) não entrega da declaração de disponibilidade financeira; e b) não enquadramento da deficiência apontada no laudo médico dentre aquelas elencadas no Decreto nº 3.298/99. Dessa forma, a interessada não apresentou a declaração de disponibilidade financeira, nos termos do art. 3º, inc. II, da Instrução Normativa nº. 988/2009, conforme evidencia o despacho decisório, não fazendo a juntada nem mesmo na fase impugnatória. Isto posto, não há como acatar a solicitação da interessada, tendo em vista o não atendimento dos requisitos previstos na legislação de regência da matéria. Demais disso, o laudo (fl. 4) apenas certificou que a interessada possuía deficiência física por "limitação de punho por artrite reumatóide (adquirida)". Fl. 135DF CARF MF Processo nº 10240.720972/201114 Acórdão n.º 9303008.134 CSRFT3 Fl. 5 7 Ao se efetuar o cotejo entre a descrição da enfermidade da pleiteante e a norma legal transcrita, percebese que a deficiência não se enquadra, de forma literal, em nenhuma das hipóteses descritas no Decreto nº 3.298/1999, como se depreende com a análise dos laudo médicos referidos. Quanto à isenção de IOF, o benefício está condicionado à apresentação de laudo do DETRAN que ateste a deficiência física e que especifique o tipo de defeito físico e a total incapacidade do requerente para dirigir automóveis convencionais e, ainda, a habilitação do requerente para dirigir veículos com adaptações especiais, as quais devem estar descritas no referido laudo, conforme art. 72, inciso IV, da Lei 8.383, de 30 de dezembro de 1991. O laudo apresentado pela requerente às fls. 45/46 atesta que a usuária poderá dirigir veículo automotor com transmissão automática código D e veículo automotor com direção hidráulico, código F. CNH categoria B. Dessa forma, concluise que a requerente não necessita de veículo adaptado. Isso impede a concessão da isenção de IOF. Portanto, entendo correto o despacho decisório local que indeferiu o pleito de isenção. CONCLUSÃO Ante o exposto, conheço do recurso especial de divergência do Procurador e doulhe provimento, desta forma revigorando o despacho decisório de fls. 35/41, que indeferiu o pleito isentivo. (Assinado digitalmente) Jorge Olmiro Lock Freire Fl. 136DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 16682.722934/2015-07
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Mon Feb 25 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Mon Mar 25 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/01/2011 a 31/12/2011
NULIDADE. CARÊNCIA DE FUNDAMENTAÇÃO. CERCEAMENTO DE DEFESA. AUSÊNCIA.
Segundo o Decreto no 70.235/1972, que rege o processo de determinação e exigência de crédito tributário, com reconhecida estatura legal, são razões de nulidade apenas aquelas arroladas em seu artigo 59 (cerceamento do direito de defesa e incompetência da autoridade), com as condicionantes ali estabelecidas. Eventuais problemas em relação ao art. 10 do mesmo decreto, ou mesmo a outros artigos, não são por ele tratadas como nulidades, em análise sistemática do texto. Não evidenciado cerceamento de defesa, no caso, em função de alegada carência de fundamentação, resta improcedente a demanda por nulidade processual.
JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO. CABIMENTO. SÚMULA CARF 108.
Incidem juros moratórios, calculados à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC, sobre o valor correspondente à multa de ofício.
Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/01/2011 a 31/12/2011
REPETRO. BIPARTIÇÃO DOS CONTRATOS DE "AFRETAMENTO" DE PLATAFORMA E DE PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS DE EXPLORAÇÃO DE PETRÓLEO. POSSIBILIDADE.
Não há qualquer ilegalidade ou artificialidade no simples fato da empresa habilitada ao REPETRO contratar, separadamente, o afretamento de plataforma e a prestação do serviço de exploração de petróleo. Se existe planejamento tributário abusivo, este deve ser plenamente demonstrado na autuação.
BIPARTIÇÃO DOS CONTRATOS DE "AFRETAMENTO" DE PLATAFORMA E DE PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS DE EXPLORAÇÃO DE PETRÓLEO. PLANEJAMENTO ABUSIVO. BASE DE CÁLCULO.
Caso comprovada a ocorrência de um planejamento tributário abusivo, a base de cálculo do lançamento não pode exceder ao valor comprovadamente desviado, de forma simulada, de um contrato para o outro.
Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/01/2011 a 31/12/2011
REPETRO. BIPARTIÇÃO DOS CONTRATOS DE "AFRETAMENTO" DE PLATAFORMA E DE PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS DE EXPLORAÇÃO DE PETRÓLEO. POSSIBILIDADE.
Não há qualquer ilegalidade ou artificialidade no simples fato da empresa habilitada ao REPETRO contratar, separadamente, o afretamento de plataforma e a prestação do serviço de exploração de petróleo. Se existe planejamento tributário abusivo, este deve ser plenamente demonstrado na autuação.
BIPARTIÇÃO DOS CONTRATOS DE "AFRETAMENTO" DE PLATAFORMA E DE PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS DE EXPLORAÇÃO DE PETRÓLEO. PLANEJAMENTO ABUSIVO. BASE DE CÁLCULO.
Caso comprovada a ocorrência de um planejamento tributário abusivo, a base de cálculo do lançamento não pode exceder ao valor comprovadamente desviado, de forma simulada, de um contrato para o outro.
Numero da decisão: 3401-005.920
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar as alegações preliminares de nulidade, na sessão de janeiro de 2019, e, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso, vencidos os Conselheiros Rosaldo Trevisan (relator), Mara Cristina Sifuentes e Tiago Guerra Machado, que votaram por negar provimento. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Lazaro Antônio Souza Soares.
(assinado digitalmente)
ROSALDO TREVISAN Presidente e Relator.
(assinado digitalmente)
LÁZARO ANTONIO SOUZA SOARES - Redator Designado
Participaram do presente julgamento os conselheiros Rosaldo Trevisan (presidente), Mara Cristina Sifuentes, Tiago Guerra Machado, Lázaro Antonio Souza Soares, Carlos Henrique Seixas Pantarolli, Rodolfo Tsuboi (suplente convocado), Maria Eduarda Alencar Câmara Simões (suplente convocada) e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (vice-presidente).
Nome do relator: ROSALDO TREVISAN
1.0 = *:*
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camara_s : Quarta Câmara
ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/01/2011 a 31/12/2011 NULIDADE. CARÊNCIA DE FUNDAMENTAÇÃO. CERCEAMENTO DE DEFESA. AUSÊNCIA. Segundo o Decreto no 70.235/1972, que rege o processo de determinação e exigência de crédito tributário, com reconhecida estatura legal, são razões de nulidade apenas aquelas arroladas em seu artigo 59 (cerceamento do direito de defesa e incompetência da autoridade), com as condicionantes ali estabelecidas. Eventuais problemas em relação ao art. 10 do mesmo decreto, ou mesmo a outros artigos, não são por ele tratadas como nulidades, em análise sistemática do texto. Não evidenciado cerceamento de defesa, no caso, em função de alegada carência de fundamentação, resta improcedente a demanda por nulidade processual. JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO. CABIMENTO. SÚMULA CARF 108. Incidem juros moratórios, calculados à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC, sobre o valor correspondente à multa de ofício. Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/01/2011 a 31/12/2011 REPETRO. BIPARTIÇÃO DOS CONTRATOS DE "AFRETAMENTO" DE PLATAFORMA E DE PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS DE EXPLORAÇÃO DE PETRÓLEO. POSSIBILIDADE. Não há qualquer ilegalidade ou artificialidade no simples fato da empresa habilitada ao REPETRO contratar, separadamente, o afretamento de plataforma e a prestação do serviço de exploração de petróleo. Se existe planejamento tributário abusivo, este deve ser plenamente demonstrado na autuação. BIPARTIÇÃO DOS CONTRATOS DE "AFRETAMENTO" DE PLATAFORMA E DE PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS DE EXPLORAÇÃO DE PETRÓLEO. PLANEJAMENTO ABUSIVO. BASE DE CÁLCULO. Caso comprovada a ocorrência de um planejamento tributário abusivo, a base de cálculo do lançamento não pode exceder ao valor comprovadamente desviado, de forma simulada, de um contrato para o outro. Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Período de apuração: 01/01/2011 a 31/12/2011 REPETRO. BIPARTIÇÃO DOS CONTRATOS DE "AFRETAMENTO" DE PLATAFORMA E DE PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS DE EXPLORAÇÃO DE PETRÓLEO. POSSIBILIDADE. Não há qualquer ilegalidade ou artificialidade no simples fato da empresa habilitada ao REPETRO contratar, separadamente, o afretamento de plataforma e a prestação do serviço de exploração de petróleo. Se existe planejamento tributário abusivo, este deve ser plenamente demonstrado na autuação. BIPARTIÇÃO DOS CONTRATOS DE "AFRETAMENTO" DE PLATAFORMA E DE PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS DE EXPLORAÇÃO DE PETRÓLEO. PLANEJAMENTO ABUSIVO. BASE DE CÁLCULO. Caso comprovada a ocorrência de um planejamento tributário abusivo, a base de cálculo do lançamento não pode exceder ao valor comprovadamente desviado, de forma simulada, de um contrato para o outro.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar as alegações preliminares de nulidade, na sessão de janeiro de 2019, e, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso, vencidos os Conselheiros Rosaldo Trevisan (relator), Mara Cristina Sifuentes e Tiago Guerra Machado, que votaram por negar provimento. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Lazaro Antônio Souza Soares. (assinado digitalmente) ROSALDO TREVISAN Presidente e Relator. (assinado digitalmente) LÁZARO ANTONIO SOUZA SOARES - Redator Designado Participaram do presente julgamento os conselheiros Rosaldo Trevisan (presidente), Mara Cristina Sifuentes, Tiago Guerra Machado, Lázaro Antonio Souza Soares, Carlos Henrique Seixas Pantarolli, Rodolfo Tsuboi (suplente convocado), Maria Eduarda Alencar Câmara Simões (suplente convocada) e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (vice-presidente).
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(nova denominação de REPSOL YPF BRASIL S.A.) Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/01/2011 a 31/12/2011 NULIDADE. CARÊNCIA DE FUNDAMENTAÇÃO. CERCEAMENTO DE DEFESA. AUSÊNCIA. Segundo o Decreto no 70.235/1972, que rege o processo de determinação e exigência de crédito tributário, com reconhecida estatura legal, são razões de nulidade apenas aquelas arroladas em seu artigo 59 (cerceamento do direito de defesa e incompetência da autoridade), com as condicionantes ali estabelecidas. Eventuais problemas em relação ao art. 10 do mesmo decreto, ou mesmo a outros artigos, não são por ele tratadas como nulidades, em análise sistemática do texto. Não evidenciado cerceamento de defesa, no caso, em função de alegada carência de fundamentação, resta improcedente a demanda por nulidade processual. JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO. CABIMENTO. SÚMULA CARF 108. Incidem juros moratórios, calculados à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC, sobre o valor correspondente à multa de ofício. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/01/2011 a 31/12/2011 REPETRO. BIPARTIÇÃO DOS CONTRATOS DE "AFRETAMENTO" DE PLATAFORMA E DE PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS DE EXPLORAÇÃO DE PETRÓLEO. POSSIBILIDADE. Não há qualquer ilegalidade ou artificialidade no simples fato da empresa habilitada ao REPETRO contratar, separadamente, o afretamento de plataforma e a prestação do serviço de exploração de petróleo. Se existe AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 68 2. 72 29 34 /2 01 5- 07 Fl. 3947DF CARF MF Processo nº 16682.722934/201507 Acórdão n.º 3401005.920 S3C4T1 Fl. 3.948 2 planejamento tributário abusivo, este deve ser plenamente demonstrado na autuação. BIPARTIÇÃO DOS CONTRATOS DE "AFRETAMENTO" DE PLATAFORMA E DE PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS DE EXPLORAÇÃO DE PETRÓLEO. PLANEJAMENTO ABUSIVO. BASE DE CÁLCULO. Caso comprovada a ocorrência de um planejamento tributário abusivo, a base de cálculo do lançamento não pode exceder ao valor comprovadamente desviado, de forma simulada, de um contrato para o outro. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/01/2011 a 31/12/2011 REPETRO. BIPARTIÇÃO DOS CONTRATOS DE "AFRETAMENTO" DE PLATAFORMA E DE PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS DE EXPLORAÇÃO DE PETRÓLEO. POSSIBILIDADE. Não há qualquer ilegalidade ou artificialidade no simples fato da empresa habilitada ao REPETRO contratar, separadamente, o afretamento de plataforma e a prestação do serviço de exploração de petróleo. Se existe planejamento tributário abusivo, este deve ser plenamente demonstrado na autuação. BIPARTIÇÃO DOS CONTRATOS DE "AFRETAMENTO" DE PLATAFORMA E DE PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS DE EXPLORAÇÃO DE PETRÓLEO. PLANEJAMENTO ABUSIVO. BASE DE CÁLCULO. Caso comprovada a ocorrência de um planejamento tributário abusivo, a base de cálculo do lançamento não pode exceder ao valor comprovadamente desviado, de forma simulada, de um contrato para o outro. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar as alegações preliminares de nulidade, na sessão de janeiro de 2019, e, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso, vencidos os Conselheiros Rosaldo Trevisan (relator), Mara Cristina Sifuentes e Tiago Guerra Machado, que votaram por negar provimento. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Lazaro Antônio Souza Soares. (assinado digitalmente) ROSALDO TREVISAN – Presidente e Relator. (assinado digitalmente) LÁZARO ANTONIO SOUZA SOARES Redator Designado Fl. 3948DF CARF MF Processo nº 16682.722934/201507 Acórdão n.º 3401005.920 S3C4T1 Fl. 3.949 3 Participaram do presente julgamento os conselheiros Rosaldo Trevisan (presidente), Mara Cristina Sifuentes, Tiago Guerra Machado, Lázaro Antonio Souza Soares, Carlos Henrique Seixas Pantarolli, Rodolfo Tsuboi (suplente convocado), Maria Eduarda Alencar Câmara Simões (suplente convocada) e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (vicepresidente). Relatório Versa o presente sobre o Auto de Infração de fls. 2410 a 24321, datado de 26/11/2015, com ciência em 26/11/2015 (fl. 2504), exigindo Contribuição para o PIS/PASEP importação e COFINSimportação, sobre valores correspondentes a remessas para o exterior, para a beneficiária STENA DRILLMAX I KFT, referentes ao período de janeiro a dezembro de 2011, totalizando, a título de original, respectivamente, R$ 6.035.378,41 e R$ 27.799.318,76, a serem acrescidos de juros de mora e multa de ofício (no patamar de 75%). No Termo de Verificação Fiscal (TVF) anexo à autuação (fls. 2433 a 2498), narra a fiscalização que: (a) a empresa autuada tem como objeto, individualmente ou associada a terceiros, o desenvolvimento de atividades de exploração e produção de hidrocarbonetos líquidos e gasosos no território nacional; (b) o procedimento fiscal voltouse à apuração de incidência de IRRF, CIDE sobre pagamentos efetuados em favor de empresa estrangeira / CIDEremessas, Contribuição para o PIS/PASEPimportação, COFINSimportação, no ano calendário de 2011; (c) com base em procedimentos fiscais anteriores, apurouse que o padrão de contratação, em empresas do gênero, consistia em um contrato de afretamento de unidade (plataforma ou sonda) com empresa estrangeira “A”, e um contrato de prestação de serviços com empresa nacional “B”, sendo “A” e “B” empresas do mesmo grupo econômico, em geral controladas por uma holding do grupo; (d) a empresa “B” deveria prestar serviços de sondagem, perfuração, completação, workover e correlatos utilizando a unidade (plataforma ou sonda) fornecida pela empresa “A”; (e) havia estreita vinculação e interdependência entre os contratos de afretamento e serviços, cujas remunerações eram calculadas a partir dos mesmos critérios de medição, mas, comparando os valores atribuídos aos dois contratos, constatouse que o contrato de afretamento absorvia quase a totalidade do montante de ambos contratos, sendo que, em geral, o afretamento correspondia a cerca de 90% (noventa por cento) do total contratado com o mesmo grupo econômico, e a prestação de serviços a cerca de 10% (dez por cento); (f) a maior remuneração, atribuída ao afretamento, era remetida para o exterior, assim, sem pagamento do Imposto de Renda na Fonte, alegandose aplicável a alíquota zero prevista no art. 1o da Lei no 9.481/97, enquanto que a remuneração atribuída à prestação de serviços, via de regra, não era suficiente sequer para cobrir os custos da atividade da empresa nacional, gerando sucessivos prejuízos contábeis e fiscais; (g) houve, então, artifício na bipartição dos contratos, com o intuito de mascarar o real objetivo da Contratante e do grupo econômico contratado: uma só contratação, para a prestação de serviços de prospecção, perfuração, completação e workover, de que o fornecimento da unidade apenas fazia parte, como apreciado em julgamentos administrativos (Acórdãos DRJ 1328.138/2010 e 1232.209/2010, e Acórdão 1 Todos os números de folhas indicados nesta decisão são baseados na numeração eletrônica da versão digital do processo (eprocessos). Fl. 3949DF CARF MF Processo nº 16682.722934/201507 Acórdão n.º 3401005.920 S3C4T1 Fl. 3.950 4 CARF 3403002.702), e como lançado em anos anteriores para a mesma empresa (v.g., 2009 – Acórdão DRJ 1267.480 e 481/2014); (h) com fundamento no art. 1o da Lei no 9.481/97, e no art. 8o da Lei no 9.779/99, e na disciplina da IN SRF no 252/2002, a aplicação de alíquota zero para IRRF fica condicionada a quatro requisitos cumulativos: natureza do pagamento (receita de frete, aluguel ou arrendamento), natureza do bem (necessariamente embarcação estrangeira), regularidade da operação (atestada pela autoridade competente), e domicílio do beneficiário (vedado a domiciliado em paraíso fiscal ou país com tributação favorecida); (i) a unidade STENA DRILLMAX I (HUNGARY) KFT, contratada para atividades de perfuração offshore, a serviço da autuada, recebeu remessas no valor de R$ 245.413.477,02, sem incidência de IRRF, e R$ 7.553.498,52 com incidência, em 2011, conforme declarado em DIRF, o que ensejou intimação para esclarecimento, sintetizado à tabela de fl. 2447; (j) intimada a empresa a apresentar os contratos de aluguel, frete ou arrendamento de embarcação que ampararam as operações, houve apresentação de apenas um contrato, depois complementado com apêndices, após intimações para apresentar documentação relacionada às operações (v.g., faturas e documentos de comprovação de domicílio da empresa estrangeira); (k) o pagamento dos quatro tributos em análise, no período, foi sintetizado na tabela de fl. 2452, onde se percebe que os pagamentos classificados como “aluguel de embarcação” não sofreram nenhuma tributação, os pagamentos classificados como “aluguel de equipamentos” sofreram apenas a retenção de IRRF, à alíquota de 15% (quinze por cento), os pagamentos classificados como “serviços administrativos” sofreram apenas a retenção de IRRF, à alíquota de 25% (vinte e cinco por cento), e os pagamentos classificados como “serviços técnico profissionais” foram tributados pelo IRRF à alíquota de 25% (vinte e cinco por cento), pelo PISImportação e pela COFINSImportação; (l) foram assinados “contratos de afretamento” entre a autuada e a STENA DRILLMAX I (HUNGARY) KFT simultâneos a contratos de prestação de serviços – com a STENA SERVICES BRAZIL LTDA, ambas subsidiárias da STENA AB, empresa principal do Grupo STENA (relação entre as empresas detalhada às fls. 2444/2445), percebendose a estreita relação entre os contratos, havendo, no contrato de afretamento, disposições pertinentes à prestação de serviços de perfuração, e, no contrato de serviços, provisões relativas ao fornecimento da unidade afretada; (m) da análise das cláusulas contratuais (fls. 2456 a 2466 – cláusulas 1.4, 1.6.1,”a”, 2.27, “c”, “iii”, e 7.5/C.A.2009; cláusulas 7.5, 7.1.3, “d” e 11.5/C.S.2009; cláusulas 1.4, 2.27 e 4.8/C.A.2011; e cláusulas 1.2, 4.12.2, 7.5 11.5 e Anexo 12/C.S.2011; além de cláusulas comuns), extraise a clara confusão entre o afretamento e os serviços prestados, concluindose que os contratos de afretamento e de serviços não podem ser considerados isoladamente, não só porque vigoraram simultaneamente, mas porque definiram relações jurídicas interligadas, cujo efeito tributário é preciso ponderar; (n) em resposta a intimação, revelou a autuada que os pagamentos efetuados ao amparo do contratos de afretamento com a STENA DRILLMAX justificam a totalidade dos pagamentos, tanto a título de aluguel como de serviços; (o) na ausência de repartição contratual expressa dos pagamentos, e diante da divisão efetuada pela empresa, na qual a quase totalidade destinouse a aluguel de embarcação, a natureza dos pagamentos pode ser investigada a partir das faturas comerciais (fls. 2467 a 2474), nas quais se percebe que a pessoa que assina como representante da STENA DRILLMAX consta na DIPJ da STENA BRAZIL como administrador com vinculo empregatício, e que faturas tidas como de aluguel possuem pagamentos nitidamente vinculados a prestação de serviços técnicos, como sondagem e perfuração, e faturas tidas como de aluguel de equipamentos foram oferecidas à tributação à alíquota de IRRF de 15% quando deveriam ser tributadas a 25%, por ser a empresa beneficiária sediada em país de tributação favorecida (Hungria, como se detalha às fls. 2475 a 2479); (p) a realidade fática, no desempenho destes contratos concretos, é de que a atividade contratada é de prestação de serviços de sondagem e perfuração, com uso de sonda da contratada, pois o fornecimento da unidade é apenas parte integrante e instrumental dos serviços contratados, e, e entender o contrário seria admitir, por Fl. 3950DF CARF MF Processo nº 16682.722934/201507 Acórdão n.º 3401005.920 S3C4T1 Fl. 3.951 5 exemplo, que uma empresa contratada para a retirada de entulho de uma obra cobrasse um valor pela retirada e outro pelo uso do seu caminhão de entulho não se pode perder de vista que, neste caso concreto, a unidade de perfuração/sondagem/exploração pertence ao grupo econômico contratado para prestar os serviços de perfuração/sondagem/exploração; (q) nos contratos analisados, a rescisão do contrato de prestação de serviços acarreta a rescisão do contrato de afretamento; (r) a empresa STENA BRAZIL, contratada para prestar os serviços, não dispunha de pessoal próprio suficiente para prestálos, contrariando expressa exigência do contrato (cláusula 3.7/C.S.2009); (s) os pagamentos efetuados em favor da empresa estrangeira correspondem, de fato, à remuneração por serviços prestados, sujeita à incidência do IRRF e da CIDE, e, e em razão da natureza técnica dos serviços, sujeitamse também à incidência de PISImportação e COFINSImportação, e, não tendo a fiscalizada apurado tributos sobre estas remessas, cabe o lançamento de ofício de IRRF, CIDE, PISImportação e COFINSImportação (quadrosresumo às fls. 2497/2498); e (t) a base de cálculo da CIDE deve ser o valor bruto da remessa, e não o líquido (sem IRRF), já que o IRRF integra o rendimento auferido pelo beneficiário no exterior, ainda que a fonte pagadora brasileira tenha assumido o ônus do imposto (quadroresumo à fl. 2499). Como o presente lançamento, embora fundado no relatório que se presta à análise de quatro tributos, referese tãosomente a Contribuição para o PIS/PASEPimportação, COFINSimportação, tomarseá em conta, no voto, apenas a fundamentação referente a tais contribuições. Ciente da autuação, e do TVF, em 26/11/2015 (fl. 2502), a empresa apresentou, em 23/12/2015, a Impugnação de fls. 2510 a 2560, alegando, em síntese, que: (a) a autoridade fiscal não estabelece se desconsiderou e requalificou os contratos de afretamento e de prestação de serviços em razão da verificação de um suposto vício de simulação ou, em um sentido distinto, de um abuso de formas, parecendo confundir essas figuras jurídicas ao longo do seu TVF, o que leva à nulidade do Auto de Infração pela sua falta de fundamentação e consequente prejuízo do direito de defesa, nos termos dos artigos 10, inciso III, e 59, inciso II, do Decreto no 70.235/72 (não indicação precisa do vício que serviria de fundamento para a desconsideração/requalificação dos contratos); (b) a estrutura contratual adotada não incorre em qualquer violação ao ordenamento jurídico, bem como os contratos de afretamento e de prestação de serviços firmados pela empresa são negócios jurídicos válidos perante sua legislação de regência, de modo que esses devem se sujeitar cada qual ao tratamento tributário próprio previsto em lei, nos termos do artigo 110 do CTN, não havendo espaço para que a autoridade fiscal desconsidere, no caso, os negócios jurídicos e requalifique aqueles pagamentos feitos às empresas estrangeiras a título de afretamento das embarcações; (c) a estrutura contratual adotada não representa qualquer novidade para a Receita Federal do Brasil, mas se trata de modelo por excelência utilizado pelas empresas que desenvolvem as atividades de exploração e produção de petróleo e gás natural, regulamentado pela entidade competente (mencionando normas de regulação do REPETRO); (d) a coligação em negócios jurídicos não é ilegal/irregular, e é estudada pela doutrina civilista, que ensina que desta não resulta um único contrato, sendo a execução simultânea inclusive obrigatória no REPETRO (cf. IN RFB no 844/2008, art. 5o, §3o); (e) há diferenças entre os contratos de afretamento e de prestação de serviços, e a fiscalização não tem qualquer parâmetro ou knowhow para comparar e refutar os preços constantes dos contratos de afretamento e de prestação de serviços, muito menos quando se vale de um método comparativo, que avalia os valores de uma espécie de contrato em relação à outra, e não houve simulação, nem abuso de formas (fundado no art. 116, parágrafo único, do CTN, que demanda regulamentação); (f) há critérios, inclusive, de valoração dos contratos, na legislação (art. 106 da Lei no 13.043/2014), para fins de limitação a zero de IRRF, no caso de execução simultânea; (g) o STF já se posicionou sobre a impossibilidade de incidência de “ISS” em contratos de locação de bem móvel (Súmula Fl. 3951DF CARF MF Processo nº 16682.722934/201507 Acórdão n.º 3401005.920 S3C4T1 Fl. 3.952 6 Vinculante no 31), o que endossa a distinção entre a prestação de serviços e a locação; (h) uma vez disponibilizada a embarcação que lhe foi cedida por meio do contrato de afretamento realizado com a empresa estrangeira STENA DRILLMAX I (HUNGARY) KFT, coube à empresa, por meio de seu pessoal e, ainda, através da conjugação de uma gama de prestadores de serviços contratados, executar as atividades próprias da exploração e produção de campos de petróleo; (i) os serviços foram prestados pela STENA SERVICES BRAZIL LTDA, empresa domiciliada no Brasil, de forma que não há a incidência de PIS/COFINSImportação, tendo em vista que não houve, de fato, importação de serviço, inexistindo o fato gerador de tais contribuições; e (j) não incidem juros de mora sobre o valor da multa de ofício lançada. A decisão de primeira instância (fls. 3587 a 3630), proferida em 26/09/2016, foi, por maioria de votos, pela improcedência da impugnação, sob os seguintes fundamentos, extraídos do voto condutor: (a) a autoridade fiscal não se referiu expressamente a “simulação” ou “abuso de formas”, no entanto, isso não implicou cerceamento do direito de defesa; (b) para definição do fato gerador e aplicação da lei tributária, o auditor fiscal não deve se ater tão somente à nomenclatura utilizada nos contratos firmados, mas sim à realidade fática comprovada na execução das referidas avenças, como de depreende das particularidades contratuais apontadas pela fiscalização (v.g., as contratadas são empresas que pertencem ao mesmo grupo econômico; as contratadas assumem direitos e obrigações recíprocos, dividem receitas e custos e arcam com responsabilidade solidária; os contratos são celebrados e executados simultaneamente, e a rescisão de um implica a rescisão do outro; e as cláusulas do contrato de afretamento preveem obrigações típicas relacionadas à prestação de serviços como: inspeção, manutenção da sonda, além de fornecimento de pessoal técnico especializado para operação); (c) todo o conjunto probatório presente nos autos conduz a uma única conclusão, com a qual a autoridade julgadora compartilha: “tratase de artifício pelo qual a prestação de serviços de sondagem, perfuração e exploração de poços foi formalmente bipartida em dois contratos, um de afretamento e um de serviços, tendo de um lado, como contratante, a fiscalizada, e de outro, como contratadas, empresas pertencentes a um mesmo grupo econômico, detentor tanto do equipamento como do knowhow para a prestação de tais serviços”; (d) a bipartição de contratos do gênero já foi analisada em precedentes do CARF (Acórdãos 3403002.702 e 2202003.063); (e) no REPETRO, a vinculação e a execução simultânea dos contratos determinada pela regulamentação visa assegurar o controle aduaneiro dos equipamentos, evitando que estes sejam utilizados em outras atividades que não a exploração de petróleo; (f) o art. 106 da Lei no 13.043/2014, com vigência a partir de 2015, corrobora o entendimento da autoridade lançadora, em período anterior, como se endossa no Agravo de Instrumento no 2014.00.00.1087851 (TRF2); (g) conforme constatado na auditoria fiscal, há extensa evidência de que não se trata de um simples afretamento de embarcação a casco nu: há desde cláusulas contratuais que implicam a prestação de serviços relativos à exploração e produção de petróleo, além de recursos humanos utilizados indistintamente pelas duas contratadas, boletins de medição e atestados diários de perfuração, tudo demonstrando que a remuneração do afretamento era de acordo com os serviços executados; (h) o contrato de afretamento não tem mesma natureza que contrato de locação de bens móveis; (i) a empresa nacional sequer tinha quadro de funcionários suficiente para a prestação de serviço e, conforme se verifica da análise das provas existentes nos autos, a autoridade fiscal efetuou a tributação pois concluiu que a natureza desses pagamentos, remetidos à empresa com sede no exterior, consistia em remuneração a título de prestação de serviços técnicos, incluindo o afretamento da plataforma, o que caracteriza a ocorrência do fato gerador de PIS/COFINSImportação; e (j) é legítima a incidência de juros de mora sobre a multa de ofício. Em relação ao voto do relator, manifestaram discordância dois julgadores da turma da DRJ, um deles consignando as razões de divergência em declaração de voto (fls. 3611 a 3615), que se restringem a não entender Fl. 3952DF CARF MF Processo nº 16682.722934/201507 Acórdão n.º 3401005.920 S3C4T1 Fl. 3.953 7 como “artificial” a construção bipartida dos contratos, mas legítima e endossada pelo advento do art. 106 da Lei no 13.043/2014, de natureza declaratória, que somente poderia ser afastada pela fiscalização (cf. Solução de Consulta COSIT no 225/2014) se identificado “planejamento fiscal abusivo”, que demandaria comprovação do efetivo prejuízo aos cofres públicos, decorrente da referida bipartição adotada. Concordaram com o voto vencedor, mas pelas conclusões, os outros dois julgadores de piso, um deles manifestando seu entendimento às fls. 3616 a 3630, da seguinte forma: concordou com a tese de que toda a contratação compreendeu, em essência, uma única prestação de serviços, e que a celebração do contrato de afretamento correspondeu a um artifício meramente formal utilizado apenas com o fim de desmembrar a maior parte dos valores contratados, e afastálos da tributação no Brasil; mas discordou de premissa adotada tanto pela fiscalização quanto pelo relator de que seria vedada a segregação da operação em dois contratos, pois tal construção efetivamente encontra amparo na legislação do REPETRO. Ciente da decisão de piso em 03/10/2016 (fl. 3634), a empresa interpôs, em 01/11/2016 (fl. 3635), o Recurso Voluntário de fls. 3636 a 3688, no qual endossa as razões externadas em impugnação e agrega, basicamente, que: (a) a falta de fundamentação na autuação alastrase pela decisão da DRJ; (b) a DRJ se equivoca ao confundir os objetos dos contratos, endossando a autuação (anexando parecer de tributarista sobre a autonomia contratual fls. 3736 a 3843), e fundamentando a validade dos atos no art. 107 do Código Civil Brasileiro e no art. 110 do CTN; (c) o voto do relator, na DRJ, é contraditório ao afirmar que a situação anterior ao art. 106 da Lei no 13.043/2014 era legal, mas resultava em ilícita economia tributária, pois não pode o negócio ser legal e ilícito ao mesmo tempo; (d) não é possível sustentar, como pretende a DRJ, que a bipartição contratual ocorreu exclusivamente para fins de economia fiscal, porque o propósito negocial da estrutura contratual adotada teve como causa a legislação do REPETRO; e (e) os contratos de aluguel e afretamento possuem a mesma natureza, aplicandose, ao caso, a Súmula Vinculante no 31, do STF, endossado pelo STJ em relação ao afretamento a casco nu. Contrarrazões à peça recursal são apresentadas pela Fazenda Nacional, em 02/02/2017, às fls. 3854 a 3905, no sentido de que: (a) não existe nulidade no lançamento, pois a autuação não acusa a prática de vício, mas tãosomente desconsidera a partição dos contratos, por artificial, desnecessária e que resultou em ilícita economia de tributos; (b) a forma de contratação fracionada em serviços e afretamento, praxe no tipo de negócio, como se atesta em diversos processos, inclusive da própria fiscalizada (lista à fl. 3867), mencionando que já foi a matéria objeto de análise nos Acórdãos no 2202003.063, no 3403002.702 e no 3302003.095, nos quais se entendeu a bipartição como artificial, não retratando a realidade material das execuções (transcrevendose excertos dos julgados), posicionamento que já encontra guarida no Poder Judiciário, como destacado na decisão de piso; (c) as contratadas a estrangeira e a brasileira pertencem a um mesmo grupo econômico, detentor do equipamento e do knowhow da prestação de serviços, e desempenharam de forma conjunta e solidária as atividades formalmente contratadas de forma segregada, repisando a análise das cláusulas contratuais descritas no TVF; (d) a partir das faturas e dos pagamentos, está devidamente demonstrado que os pagamentos realizados pela empresa, na verdade, correspondiam à contraprestação pelos serviços técnicos contratados (pesquisa e a exploração de poços de petróleo); (e) a recorrente pretende que a fiscalização fique restrita a uma análise meramente formal dos contratos, sem perscrutar a essência do negócio jurídico, como se a liberdade para contratar operasse como uma “blindagem” para a operação, perante o fisco; (f) a IN regulamentadora do REPETRO em momento algum diz respeito à contratação separada de duas pessoas jurídicas, uma para o fornecimento de bens e outra para a prestação de serviços, mas de execução simultânea em relação à mesma pessoa jurídica; (g) sendo o contratante do serviço domiciliado no exterior, Fl. 3953DF CARF MF Processo nº 16682.722934/201507 Acórdão n.º 3401005.920 S3C4T1 Fl. 3.954 8 incidem a Contribuição para o PIS/PASEPimportação e COFINSimportação; e (h) é legítima a incidência de juros de mora sobre a multa de ofício. Ainda em 02/02/2017 o processo é enviado à Terceira Seção do CARF (fl. 3906), sendo distribuído a este relator, por sorteio, em junho de 2018. No CARF, o julgamento foi iniciado em janeiro de 2019, tendo solicitado vistas a Conselheira Mara Cristina Sifuentes. É o relatório. Voto Vencido Conselheiro Rosaldo Trevisan, Relator O recurso apresentado atende aos requisitos de admissibilidade e, portanto, dele se conhece. Restam contenciosas, no presente processo, que se refere à incidência de Contribuição para o PIS/PASEPimportação e COFINSimportação, sobre remessas para o exterior, para a beneficiária STENA DRILLMAX I KFT, referentes ao período de janeiro a dezembro de 2011, as seguintes questões: (a) preliminar referente a eventual nulidade por falta de fundamentação da autuação e da decisão da DRJ; (b) possiblidade jurídica da forma contratual bipartida adotada (à luz do art. 110 do CTN, da legislação que rege o REPETRO, da legislação civil, e das diferenças entre as duas espécies de contrato afretamento e prestação de serviços), em tese; (c) a existência de artificialismo na bipartição contratual adotada (à luz dos elementos presentes nos autos e da legislação superveniente); e (d) incidência de juros de mora sobre o valor da multa de ofício lançada. Da preliminar de falta de fundamentação Alega a recorrente, desde em sua peça de defesa inaugural, que a autoridade fiscal não estabelece se desconsiderou e requalificou os contratos de afretamento e de prestação de serviços em razão da verificação de um suposto vício de simulação ou, em um sentido distinto, de um abuso de formas, parecendo confundir essas figuras jurídicas ao longo do seu TVF, o que leva à nulidade do Auto de Infração pela sua falta de fundamentação e consequente prejuízo do direito de defesa, nos termos dos artigos 10, inciso III, e 59, inciso II, do Decreto no 70.235/72 (não indicação precisa do vício que serviria de fundamento para a desconsideração/requalificação dos contratos), e, em seu recurso voluntário, acrescenta que a falta de fundamentação na autuação alastrase pela decisão da DRJ. Fl. 3954DF CARF MF Processo nº 16682.722934/201507 Acórdão n.º 3401005.920 S3C4T1 Fl. 3.955 9 Vêse que há, em relação a tal preliminar, duas aparentes confusões por parte da defesa: a primeira, de que eventual carência de fundamentação seria necessariamente ensejadora de nulidade do lançamento, e a segunda, de que a fiscalização deve se amoldar a classificações doutrinárias em seus procedimentos fiscais. Esclareçase que eventual falta de fundamentação na autuação seria razão de sua improcedência, e não de sua nulidade. Segundo o Decreto no 70.235/1972, que rege o processo de determinação e exigência de crédito tributário, com reconhecida estatura legal, são razões de nulidade apenas aquelas arroladas em seu artigo 59 (cerceamento do direito de defesa e incompetência da autoridade), com as condicionantes ali estabelecidas. Eventuais problemas em relação ao art. 10 do mesmo decreto, ou mesmo a outros artigos, não são por ele tratadas como nulidades, em análise sistemática do texto. E as eventuais classificações doutrinárias existentes buscam explicar o Direito Positivo, facilitando sua intelecção por meio de agrupamentos em categorias didaticamente identificadas como relacionadas, e não para que o Direito Positivo a tais classificações se amolde ou vincule. Em síntese, basta que o autuante promova o enquadramento legal da conduta praticada e a descreva no relatório fiscal, permitindo que a defesa e o julgador possam compreender as razões doe autuação que, obviamente, se insuficientes, ensejariam a improcedência, e não a nulidade. Arrematese que, para que a falta de fundamentação acarretasse nulidade, ela deveria ser tamanha que impossibilitasse o próprio direito de defesa, incidindo o art. 59, II do Decreto no 70.235/1972. Não é o que se vê no presente processo. No TVF anexo à autuação (fls. 2433 a 2498), são descritas e tipificadas todas as condutas imputadas à empresa, havendo sucessivas intimações e respostas, permitindo ampla compreensão e total acompanhamento do procedimento em curso, e que culmina na autuação, sendo clara a divergência jurídica entre os posicionamentos encampados pelo fisco e pela empresa, que serão analisados, no mérito, nos tópicos seguintes deste voto. Não há divergência fática, mas apenas nas leituras jurídicas das partes sobre o que efetivamente ocorreu. O fisco não defende ser formalmente inválido ou inexistente um ou outro contrato, apenas informa que deve ser observada a realidade da operação, perante o fisco. Isto fica claro, por exemplo, na afirmação fiscal constante às fls. 2480/81 do TVF: “A conclusão que se impõe, a partir do conjunto probatório analisado, é de que a empresa estrangeira e a empresa nacional, contratadas pela REPSOL, desempenharam, em conjunto, atividades formalmente contratadas de forma segregada, tendo como objetivo único a prestação de serviços de perfuração para a contratante. No caso examinado, o serviço de perfuração absorve o afretamento, visto que a prestação do serviço de perfuração é a atividadefim, para a qual o afretamento é atividademeio. (...) E a natureza dos pagamentos não é simples decorrência das cláusulas contratuais (já suficientes, neste caso, para afastar o Fl. 3955DF CARF MF Processo nº 16682.722934/201507 Acórdão n.º 3401005.920 S3C4T1 Fl. 3.956 10 conceito de afretamento autônomo), mas também, e principalmente, da realidade fática produzida no desempenho do contrato. E a realidade fática, no desempenho destes contratos concretos, é de que a atividade contratada é de prestação de serviços de sondagem e perfuração, com uso de sonda da contratada.” (grifo nosso) Ademais, a matéria de fundo, em discussão, é bem compreendida por todas as partes, e está presente em diversos contenciosos julgados por este tribunal (ao menos dezoito, nos últimos cinco anos, conforme busca ao sítio web do CARF, sendo dois deles referentes à própria recorrente, em contratos de 2009, inclusive para a unidade de perfuração “STENA DRILLMAX” Acórdãos no 3302004.754, de 26/09/2017, e no 2402005.822, de 10/05/2017). Sobre tais precedentes, trataremos na análise de mérito, já cabendo destacar a conclusão à qual se chegou, em relação à alegação preliminar, de forma unânime, nos dois aqui especificamente mencionados, da mesma empresa, em contratos do mesmo gênero: “AUTO DE INFRAÇÃO. MOTIVAÇÃO ADEQUADA. INEXISTÊNCIA DE PREJUÍZO AO DIREITO DE DEFESA. VÍCIO DE NULIDADE. INEXISTÊNCIA. 1. A apuração da ocorrência do fato gerador dispensa o exame acerca da validade ou invalidade dos negócios jurídicos celebrados entre as partes. O lançamento não está motivado na invalidade dos contratos celebrados pela recorrente, mas na desconsideração do negócio aparente e na consideração do real negócio jurídico realizado pela autuada. 2. O lançamento prescinde da prévia declaração das causas de nulidade ou anulabilidade do negócio jurídico, porque a autoridade administrativa tem a prerrogativa de desconsiderar atos ou negócios jurídicos praticados com a finalidade de ocultar a ocorrência do fato gerador do tributo ou a natureza dos elementos constitutivos da obrigação tributária. 3. A exaustiva descrição fática e a adequada fundamentação jurídica constantes do Termo de Verificação Fiscal (TVF) revela que não houve qualquer prejuízo ao direito de defesa da autuada. DECISÃO RECORRIDA. INEXISTÊNCIA DE CONTRADIÇÃO. NULIDADE. IMPOSSIBILIDADE. Não é passível de nulidade por contradição a decisão recorrida que, em consonância com os motivos da autuação, entendeu que o lançamento do crédito tributário prescindia da expressa declaração de nulidade dos contratos de afretamento artificialmente engendrados.” (Acórdão 3302004.754, REPSOL SINOPEC BRASIL SA, Rel Cons. José Fernandes do Nascimento, unânime em relação a estes itens, sessão de 26.set.2017) (grifo nosso) “NULIDADE DO AUTO DE INFRAÇÃO. PREJUÍZO AO DIREITO DE DEFESA. CONTRADIÇÃO ENTRE OS FUNDAMENTOS DA DECISÃO RECORRIDA. INEXISTÊNCIA. 1. O lançamento não está motivado na invalidade dos negócios jurídicos celebrados pela recorrente, mas sim no que se Fl. 3956DF CARF MF Processo nº 16682.722934/201507 Acórdão n.º 3401005.920 S3C4T1 Fl. 3.957 11 entendeu ser a operação real. 2. A autoridade administrativa tem competência para verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária, de tal forma que o lançamento prescinde da verificação de causas de nulidade ou anulabilidade do negócio jurídico. 3. Diante da exaustiva narração fática e da extensa fundamentação jurídica constantes do Termo de Verificação Fiscal TVF, a recorrente não teve qualquer prejuízo ao seu direito de defesa. 4. A utilização de fundamentação jurídica subsidiária não macula a autuação, porque busca viabilizar o lançamento sobre os valores pagos a título de afretamento, caso se entenda que tal atividade foi contratada de forma realmente autônoma. 5. A decisão recorrida não é contraditória, pois, assim como o TVF, simplesmente entendeu que a apuração do fato gerador prescindiria da afirmação e verificação de que os contratos seriam nulos.” (Acórdão 2402005.822, REPSOL SINOPEC BRASIL SA, Rel Cons. João Victor Ribeiro Aldinucci, unânime em relação a estes itens, sessão de 10.mai.2017) (grifo nosso) Além de endossarmos as considerações sobre a inexistência de nulidade no lançamento, fazemos coro ainda à conclusão de que não há relação necessária (nem contradição) entre a manutenção da argumentação fiscal (referente aos efeitos tributários dos contratos, diante da situação de fato evidenciada) a e eventual declaração de invalidade formal dos contratos, pelo que rechaçamos também as alegações de nulidade da decisão de piso, no presente caso. Da forma contratual bipartida adotada, em tese Sustenta a recorrente, também, desde sua peça de defesa inaugural, que a estrutura contratual adotada (bipartida entre afretamento e prestação de serviços) não incorre em qualquer violação ao ordenamento jurídico (em referência especial à legislação civil e ao art. 110 do CTN), e é, inclusive, endossada pela própria Receita Federal na legislação do REPETRO (IN RFB no 844/2008, art. 5o, § 3o), e que não houve simulação ou abuso de formas, sendo que a fiscalização não tem qualquer parâmetro ou knowhow para comparar e refutar os preços constantes dos contratos de afretamento e de prestação de serviços. Sobre a legislação do regime aduaneiro especial brasileiro de REPETRO, alega a recorrente que lhe socorre o disposto no art. 5o, § 3o, da IN RFB no 844/2008 (que foi incluído pela IN RFB no 941/2009, que acrescentou ainda um § 4o):2 “Art. 5o O Repetro será utilizado exclusivamente por pessoa jurídica habilitada pela Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB). 2 O REPETRO, esclareçase, é um regime aduaneiro especial brasileiro que trata, entre outros, na importação, de suspensão da exigibilidade de tributos federais, para bens destinados às atividades de pesquisa e de lavra das jazidas de petróleo e de gás natural (conforme artigos 458 a 462 do Regulamento Aduaneiro Decreto no 6.759/2009). O REPETRO, assim, não se aplica à tributação de serviços, mas apenas à eventual tributação da mercadoria que permaneça no país, ainda que durante a realização de serviços destinados à execução das atividades objeto da concessão ou autorização de que trata a Lei no 9.478/1997 (“Lei do Petróleo”). Fl. 3957DF CARF MF Processo nº 16682.722934/201507 Acórdão n.º 3401005.920 S3C4T1 Fl. 3.958 12 § 1o Poderá ser habilitada ao Repetro a pessoa jurídica: I detentora de concessão ou autorização, nos termos da Lei no 9.478, de 6 de agosto de 1997, para exercer, no País, as atividades de que trata o art. 1o; e II contratada pela pessoa jurídica referida no inciso I para a prestação de serviços destinados à execução das atividades objeto da concessão ou autorização, bem como as suas subcontratadas. (...) § 3o O fornecimento de bens pela pessoa jurídica mencionada no inciso II do § 1º poderá estar previsto em contrato de afretamento, de aluguel, de arrendamento operacional ou de empréstimo, o qual deverá ter execução simultânea com o de prestação de serviços. (Incluído pela Instrução Normativa RFB no 941, de 25 de maio de 2009) § 4 o Poderá ser habilitada ao Repetro empresa com sede no País formalmente designada pela pessoa jurídica de que trata o inciso I do § 1o, para promover a importação dos bens que sejam objeto de afretamento, de aluguel, de arrendamento operacional ou de empréstimo, desde que vinculados à execução de contrato de prestação de serviços celebrado entre elas, relacionado às atividades a que se refere o art. 1o. (Incluído pela Instrução Normativa RFB no 941, de 25 de maio de 2009)” (grifo nosso) Ambos os parágrafos tiveram nova redação dada pela IN RFB no 1070/2010, já vigente ao tempo dos períodos de apuração analisados na autuação (janeiro a dezembro de 2011). A IN RFB no 1.070/2010 incluiu, ainda um § 7o ao art. 17 da IN RFB no 844/2008, dando nova redação a seu inciso III (para adequação ao acréscimo do art. 461A ao Regulamento Aduaneiro, pelo Decreto no 7.296/2010): “§ 3o Quando a pessoa jurídica contratada de que trata o inciso II do § 1o não for sediada no País, poderá ser habilitada ao Repetro a empresa com sede no País por ela designada para promover a importação dos bens, observado o disposto na legislação específica. § 4 o A pessoa jurídica designada deverá constar do contrato de prestação de serviço ou de afretamento por tempo. (...) Art. 17. A solicitação do regime será formulada mediante apresentação do Requerimento de Concessão do Regime (RCR), de acordo com o modelo constante do Anexo II à Instrução Normativa SRF no 285, de 2003. § 1o O RCR deverá ser instruído com: (...) Fl. 3958DF CARF MF Processo nº 16682.722934/201507 Acórdão n.º 3401005.920 S3C4T1 Fl. 3.959 13 III cópia do contrato de afretamento, de arrendamento operacional, de aluguel ou de empréstimo, para os bens constantes do Anexo Único à Instrução Normativa RFB no 844, de 2008; e (...) § 7 o Na hipótese do § 3o do art. 5o, a empresa designada deverá apresentar, também, cópia do contrato de prestação de serviço firmado entre a concessionária ou autorizada e a contratada domiciliada no exterior.” (grifo nosso) Das disposições extraídas das normas infralegais/procedimentais do REPETRO (e que, ainda que reformuladas, permanecem, de forma geral, na atual legislação que rege o regime, IN RFB no 1.415/2013), decorre o reconhecimento da possibilidade de haver dois contratos, um referente ao arrendamento (dos bens admitidos no regime embarcação e acessórios) e outro referente à prestação de serviços, inclusive vinculados, mormente em atividades como as previstas na Lei no 9.478/1997, relacionadas a petróleo. Ademais, as referências à legislação civil apontam para um mesmo sentido: a não proibição à bipartição dos contratos. Havendo efetivamente afretamento e prestação de serviços, podem os contratos ser bipartidos. Nisso concordamos, em parte, com a declaração de voto, expressa na instância de piso, pelo julgador Murillo Lo Visco (fls. 3616 a 3630), que invoca como endosso a Solução de Consulta COSIT no 225/2014, no sentido de que a prestação de serviços de sondagem, perfuração e exploração de poços de petróleo, contratada pela recorrente, poderia constar em contrato apartado do referente ao afretamento, ainda que ambos fossem vinculados. Obviamente, desde que refletissem a realidade da operação. De fato, paupérrima seria a acusação fiscal se fosse limitada a afirmar que todo o objeto de ambos os contratos seria único, de prestação de serviços, simplesmente por ser proibida formalmente a bipartição (embora haja excertos da autuação que, lidos fora de contexto, poderiam apontar equivocadamente para tal linha de raciocínio). Da mesma forma, seria de extrema pobreza a defesa se sustentasse que a simples possibilidade jurídica de existirem dois contratos bastaria para impedir que a fiscalização verificasse efetivamente a realidade da operação (e isso também pode ser extraído de leitura de excertos da defesa, descontextualizados). No presente processo, o lançamento, repitase, não tem como alicerce a impossibilidade formal de contratação bipartida, mas, ultrapassando tal discussão, como sugere a referida Solução de Consulta COSIT no 225/2014, aqui também tomada como endosso de fundamento (e não como fundamento), a fiscalização efetivamente busca verificar a realidade da operação, e se esta é refletida na contratação formalmente bipartida. Aliás, o fato de o fundamento da autuação ir além da simples forma contratual adotada resta patente também nas ementas dos dois julgamentos de casos anteriores da mesma empresa, aqui já reproduzidas, e que gozaram de assentimento unânime, no sentido Fl. 3959DF CARF MF Processo nº 16682.722934/201507 Acórdão n.º 3401005.920 S3C4T1 Fl. 3.960 14 de que o lançamento não foi motivado na invalidade dos negócios jurídicos celebrados pela recorrente, mas sim no que se entendeu ser a operação real. Desse “ir além”, surge a menção a eventual “artificialismo”, suscitado pelo autuante. A existência ou não do “artificialismo” imputado é certamente elemento decisivo no presente contencioso, porque extrapola a simples discussão formal sobre a possibilidade de bipartição, conduzindo à análise da realidade da operação efetivamente praticada. É o labor que se empreende a seguir. Da existência de artificialismo na bipartição contratual adotada Sobre a possibilidade jurídica, em tese, da bipartição formal dos contratos, tratamos no tópico anterior, esclarecendo que o tema não se confunde com a análise da realidade da operação, no caso concreto, que extrapola o aspecto formal, e será aqui efetuada à luz dos elementos presentes nos autos e da legislação superveniente. A fiscalização narra, após exposição de análises em relação a períodos anteriores, que, para 2011, foram verificadas remessas da recorrente à empresa estrangeira STENA DRILLMAX I (HUNGARY) KFT – LUXEMBOURG BRANCH, no montante de R$ 245.413.477,02, sem retenção de IRRF, e de R$ 7.553.498,52 com retenção, tendo solicitado os contratos referentes aos pagamentos. Em resposta, a recorrente apresentou, em síntese, as informações sintetizadas no quadro de fl. 2447 (que resume ainda os tributos pagos em relação às operações): Ou seja, a recorrente informou que, dos R$ 252.966.975,54 remetidos ao exterior, R$ 245.413.477,02 se referiam a pagamento de aluguel de embarcação, e R$ 31.361,68 tratavamse de remuneração de serviços técnicos profissionais, anexando, como justificativa, apenas cópias de contratos de câmbio (fls. 7 a 411). Em nova intimação (fls. 412/413), a fiscalização solicitou os contratos referentes aos aluguéis e às prestações de serviços, recebendo, inicialmente, cópia do “contrato de afretamento de sonda de perfuração offshore” (tradução juramentada 4377/2013 fls. 422 a 576), celebrado entre a recorrente e a empresa estrangeira STENA DRILLMAX I (HUNGARY) KFT, depois complementado por apêndices (fls. 588 a 740). Como o contrato de afretamento apresentado fazia referência a outro contrato, denominado de “contrato brasileiro de prestação de serviços de perfuração”, firmado Fl. 3960DF CARF MF Processo nº 16682.722934/201507 Acórdão n.º 3401005.920 S3C4T1 Fl. 3.961 15 na mesma data ou em data próxima, entre a recorrente e a STENA SERVICES BRAZIL LTDA, a fiscalização intimou novamente a empresa a apresentar tal contrato, e a detalhar a forma de contabilização das diferentes rubricas de pagamentos efetuados à empresa estrangeira (fls. 1044 a 1046). Em resposta a recorrente apresentou cópia de “contrato de afretamento de sonda de perfuração offshore” (tradução juramentada 5205/2013 fls. 1119 a 1383), seguido de “acordo de serviços de perfuração offshore no Brasil”, celebrado entre a recorrente e a empresa STENA SERVICES BRAZIL LTDA (fls. 1386 a 1596), detalhando a forma de contabilização às fls. 1600 a 1607. A recorrente foi, então, reintimada a apresentar contrato de prestação de serviços com a empresa estrangeira que justificasse a remessa dos valores correspondentes, em 2011, e contrato de afretamento referente à primeira metade do ano, visto que somente foi apresentada contratação referente a afretamento firmada em julho/2011. Foi ainda demandada pelo fisco a apresentação das respectivas faturas e relatórios de medição referentes aos serviços (fls. 1614/1616). Em resposta, informou a empresa que (fl. 1610): E apresentou ainda a recorrente cópia de “contrato de afretamento de sonda de perfuração offshore” (tradução juramentada 1295/2009 fls. 1661 a 1815), celebrado entre a recorrente e a empresa estrangeira STENA DRILLMAX I (HUNGARY) KFT, declarada pela recorrente como sediada em Luxemburgo (apesar e nos contratos e nas remessas figurar a Hungria como destino das remessas esclarecimentos às fls. 2400/2401), e cópia de “contrato de prestação de serviços de perfuração offshore no Brasil”, celebrado entre a recorrente e a empresa STENA SERVICES BRAZIL LTDA (tradução juramentada 4820/2013 fls. 1823 a 2039), ambos datados de 2009. A empresa apresentou ainda tabela com faturas emitidas em 2011 (fls. 2040 a 2042) e cópias de faturas (fls. 2043 a 2330, 2396 a 2399, e 2402 a 2405), realizando o mesmo procedimento para notas fiscais emitidas para serviços prestados à STENA SERVICES BRAZIL LTDA (fls. 2331 a 2377). Agregou ainda a empresa tabela contendo bases de cálculo da CIDE (fls. 2384 a 2386). Vejase, que, até então, a fiscalização oportunizou à empresa o discernimento do que efetivamente se referia a afretamento e do que versava sobre prestação de serviços, em relação às remessas, buscando verificar qual era a efetiva realidade das operações. E o fisco concluiu, após análise da documentação apresentada, que a operação efetuada, de fato, consistia em prestação de serviços, utilizando embarcação estrangeira, mormente, pelas seguintes razões: (1) o procedimento detectado reproduz o anteriormente adotado pela empresa, e autuado pelo fisco, em procedimentos diversos, sendo as autuações mantidas; (2) foram assinados “contratos de afretamento” entre a autuada e a STENA DRILLMAX I (HUNGARY) KFT simultâneos a contratos de prestação Fl. 3961DF CARF MF Processo nº 16682.722934/201507 Acórdão n.º 3401005.920 S3C4T1 Fl. 3.962 16 de serviços com a STENA SERVICES BRAZIL LTDA, ambas subsidiárias da STENA AB, empresa principal do Grupo STENA (relação entre as empresas detalhada às fls. 2444/2445), percebendose a estreita relação entre os contratos, havendo, no contrato de afretamento, disposições pertinentes à prestação de serviços de perfuração, e, no contrato de serviços, provisões relativas ao fornecimento da unidade afretada, sendo que nos contratos analisados, a rescisão do contrato de prestação de serviços acarreta a rescisão do contrato de afretamento; (3) da análise das cláusulas contratuais (fls. 2456 a 2466 – cláusulas 1.4, 1.6.1,”a”, 2.27, “c”, “iii”, e 7.5/C.A.2009; cláusulas 7.5, 7.1.3, “d” e 11.5/C.S.2009; cláusulas 1.4, 2.27 e 4.8/C.A.2011; e cláusulas 1.2, 4.12.2, 7.5 11.5 e Anexo 12/C.S.2011; além de cláusulas comuns), extraise a clara confusão entre o afretamento e os serviços prestados, concluindose que os contratos de afretamento e de serviços não podem ser considerados isoladamente, não só porque vigoraram simultaneamente, mas porque definiram relações jurídicas interligadas, cujo efeito tributário é preciso ponderar; (4) em resposta a intimação, revelou a autuada que os pagamentos efetuados ao amparo do contratos de afretamento com a STENA DRILLMAX justificam a totalidade dos pagamentos, tanto a título de aluguel como de serviços; (5) na ausência de repartição contratual expressa dos pagamentos, e diante da divisão efetuada pela empresa, na qual a quase totalidade destinouse a aluguel de embarcação, a natureza dos pagamentos pode ser investigada a partir das faturas comerciais (fls. 2467 a 2474), nas quais se percebe que a pessoa que assina como representante da STENA DRILLMAX consta na DIPJ da STENA BRAZIL como administrador com vinculo empregatício, e que faturas tidas como de aluguel possuem pagamentos nitidamente vinculados a prestação de serviços técnicos, como sondagem e perfuração; (6) a realidade fática, no desempenho destes contratos concretos, é de que a atividade contratada é de prestação de serviços de sondagem e perfuração, com uso de sonda da contratada, pois o fornecimento da unidade é apenas parte integrante e instrumental dos serviços contratados, e entender o contrário seria admitir, por exemplo, que uma empresa contratada para a retirada de entulho de uma obra cobrasse um valor pela retirada e outro pelo uso do seu caminhão de entulho não se pode perder de vista que, neste caso concreto, a unidade de perfuração/sondagem/exploração pertence ao grupo econômico contratado para prestar os serviços de perfuração/sondagem/exploração; (7) a empresa STENA BRAZIL, contratada para prestar os serviços, não dispunha de pessoal próprio suficiente para prestálos, contrariando expressa exigência do contrato (cláusula 3.7/C.S.2009); e (8) os pagamentos efetuados em favor da empresa estrangeira correspondem, de fato, à remuneração por serviços prestados, sujeita à incidência do Fl. 3962DF CARF MF Processo nº 16682.722934/201507 Acórdão n.º 3401005.920 S3C4T1 Fl. 3.963 17 IRRF e da CIDE, e, e em razão da natureza técnica dos serviços, sujeitamse também à incidência de PISImportação e COFINS Importação. Quanto a haver autuações anteriores, sob o mesmo fundamento, mantidas pelas instâncias julgadoras, cabe encarar tal informação como precedente jurisprudencial, e não como prova de existência de irregularidade. De fato, já destacamos que foram identificados, em busca ao sítio web do CARF, dezoito julgamentos sobre temas conexos (seja de PIS/COFINS, de IRPJ, IRRF ou CIDE), nos últimos cinco anos, dos quais dezesseis debatem eventual artificialismo na bipartição dos contratos. E, desses dezesseis, dois analisam exatamente contratos da recorrente, e que abrangem bipartições referentes à sonda da STENA DRILLMAX: os já mencionados Acórdãos no 3302004.754, de 26/09/2017 (CIDE/2009), e no 2402005.822, de 10/05/2017 (IRRF /2009), que chegam, basicamente, às seguintes conclusões, majoritariamente: “CONTRATO DE AFRETAMENTO DE SONDA DE PERFURAÇÃO VINCULADO A CONTRATO DE PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS DE EXPLORAÇÃO, PRODUÇÃO E PERFURAÇÃO DE POÇO DE PETRÓLEO. REAL NATUREZA DOS PAGAMENTOS PARA FINS TRIBUTÁRIOS. INCIDÊNCIA DA CIDE. POSSIBILIDADE. 1. Para fins tributários, prevalece a natureza real do negócio jurídico realizado e não a declaração formal contida nos instrumentos contratuais. Segundo os fatos comprovados nos autos, o único contrato existente foi o de prestação de serviços de exploração, produção e perfuração de poços de petróleo, embora, formalmente, tenham sido firmados dois contratos, um de afretamento da sonda de perfuração e outro de prestação de serviços, bipartidos com o único propósito de evitar a incidência da CIDE. 2. Se o fornecimento da embarcação, aparelhada com os equipamentos necessários, é parte integrante e indissociável do real contrato prestação dos serviços de prospecção e perfuração de poços de petróleo, os valores remetidos ao exterior a título de remuneração dos mencionados serviços sujeitamse à incidência da CIDE e integram a base de cálculo da referida contribuição.” (Acórdão 3302004.754, REPSOL SINOPEC BRASIL SA, Rel Cons. José Fernandes do Nascimento, maioria, em relação ao tema, vencido o Cons. Walker Araújo, sessão de 26.set.2017) (grifo nosso) “CONTRATOS DE AFRETAMENTO E DE PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS. REALIDADE MATERIAL. NEGÓCIO JURÍDICO ÚNICO. PRINCÍPIO NEGOCIAL. IRRF. INCIDÊNCIA. ALÍQUOTA APLICÁVEL. 15%. 1. A verificação da ocorrência do fato gerador dispensa o exame acerca da validade ou invalidade dos negócios jurídicos celebrados pela recorrente. 2. As circunstâncias e as peculiaridades do caso concreto demonstram que os serviços absorveram o afretamento. Este se constituiu em mera atividademeio. 3. Os pagamentos efetuados em favor das empresas estrangeiras corresponderam, de fato, à remuneração por serviços prestados. Fl. 3963DF CARF MF Processo nº 16682.722934/201507 Acórdão n.º 3401005.920 S3C4T1 Fl. 3.964 18 4. A divisão entre afretamento e prestação de serviços foi meramente formal. 5. O que importa para o direito tributário é a realidade dos fatos, e não a aparente realidade resultante dos contratos, mormente porque o princípio da realidade sobrepõe se ao aspecto formal, considerados os elementos tributários. 6. Deve ser analisada a essência do fato gerador, pois nem mesmo importa a sua forma de exteriorização (princípio negocial ou Geschäfsprinzip), observadas as exceções estabelecidas na própria legislação. 7. A recorrente estava obrigada a fazer a retenção do IRRF, na dicção dos arts. 682, 685 e 708 do Regulamento do Imposto de Renda RIR. 8. Os pagamentos foram realizados em favor de empresas situadas no exterior, os quais se destinaram a remunerar serviços técnicos, sendo aplicável a alíquota de 15% resultante da combinação do art. 708 do Regulamento com o art. 3º da MP 2.15970/2001.” (Acórdão 2402005.822, REPSOL SINOPEC BRASIL SA, Rel Cons. João Victor Ribeiro Aldinucci, maioria, em relação a estes itens, vencidos os Cons. Theodoro Vicente Agostinho e Bianca Felícia Rothschild, sessão de 10.mai.2017) (grifo nosso) Em outros julgamentos, já havia se manifestado o CARF (inclusive com a presença deste relator) sobre contratos bipartidos, em relação à sonda da STENA DRILLMAX Acórdãos no 3403002.702, de 29/01/2014 (CIDE/2008), no 3302003.095, de 15/03/2016 (CIDE/2009) e no 2202003.063, de 09/12/2015 (IRRF/2010): “CONTRATO DE “AFRETAMENTO” DE PLATAFORMAS DE PETRÓLEO. CONTRATO DE PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS DE PRODUÇÃO E PROSPECÇÃO DE PETRÓLEO. NATUREZA DOS PAGAMENTOS PARA FINS TRIBUTÁRIOS. A bipartição dos serviços de produção e prospecção marítima de petróleo em contratos de aluguel de unidades de operação (naviossonda, plataformas semissubmersíveis, navios de apoio à estimulação de poços e unidades flutuantes de produção, armazenamento e transferência) e de prestação de serviços propriamente dita é artificial e não retrata a realidade material das suas execuções. O fornecimento dos equipamentos é parte integrante e indissociável aos serviços contratados, razão pela qual os pagamentos efetuados ao amparo dos contratos ditos de “afretamento” sujeitamse à incidência da Contribuição.” (Acórdão 3403002.702, PETROBRAS, Rel Cons. Alexandre Kern, qualidade, em relação a estes itens, vencidos os Cons. Domingos de Sá Filho, Ivan Allegretti e Marcos Tranchesi Ortiz, sessão de 29.jan.2014) (grifo nosso) “ARTIFICIALIDADE DA BIPARTIÇÃO DOS CONTRATOS DE "AFRETAMENTO" DE PLATAFORMA E DE PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS DE EXPLORAÇÃO DE PETRÓLEO. REALIDADE MATERIAL. CONTRATO ÚNICO. A bipartição dos serviços de exploração marítima de petróleo em contratos de aluguel de unidades de operação e de prestação de serviços propriamente dita nos casos é artificial e Fl. 3964DF CARF MF Processo nº 16682.722934/201507 Acórdão n.º 3401005.920 S3C4T1 Fl. 3.965 19 não retrata a realidade material das suas execuções. O fornecimento dos equipamentos é parte integrante e indissociável aos serviços contratados, razão pela qual se trata de um único contrato de prestação de serviços.” (Acórdão 3302 003.095, PETROBRAS, Rel Cons. Domingos de Sá Filho, maioria, em relação a estes itens, vencidos os Cons. Domingos de Sá Filho, Walker Araújo e Lenisa Prado, sessão de 15.mar.2016) (grifo nosso) “ARTIFICIALIDADE DA BIPARTIÇÃO DOS CONTRATOS DE "AFRETAMENTO" DE PLATAFORMA E DE PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS DE EXPLORAÇÃO DE PETRÓLEO. REALIDADE MATERIAL. CONTRATO ÚNICO. A bipartição dos serviços de exploração marítima de petróleo em contratos de aluguel de unidades de operação e de prestação de serviços propriamente dita é artificial e não retrata a realidade material das suas execuções. O fornecimento dos equipamentos é parte integrante e indissociável aos serviços contratados, razão pela qual se trata de um único contrato de prestação de serviços. (Acórdão 2202 003.063, PETROBRAS, Rel Cons. Marco Aurélio de Oliveira Barbosa, maioria, em relação a estes itens, vencidos os Cons. Martin da Silva Gesto, Junia Roberta Gouveia Sampaio e José Alfredo Duarte Filho, sessão de 09.fev.2015) (grifo nosso) Existem, contudo, precedentes referentes a outras e empresas e a outros contratos, com situações fáticas sensivelmente distintas, tanto em sentido favorável às alegações do fisco (Acórdãos no 2402005.452, de 17/08/2016 IRRF/2009, no 3201003.022, de 25/07/2017 CIDE/2009, 1402002.276, de 15/08/2017 – IRPJ 20103, no 3302004.822, de 24/10/2017 CIDE/2008, no 3302005.383, de 17/04/2018 – PIS/COFINS 20089, no 2202 004.581, de 03/07/2018 – IRRF/2011, e no 2301005.520, de 08/08/2018 IRRF/2009), quanto em sentido contrário (Acórdãos no 2401005.149, de 05/12/2017 IRRF/2008, no 3201 003.150, de 26/09/2017 COFINS/200910, e no 3301004.591 e 592, de 19/06/2018 PIS/COFINS e CIDE/2011 serviços de manutenção e operação). Assim, embora seja majoritário, no CARF, o posicionamento, em geral, pelo artificialismo nas bipartições contratuais da espécie, e unânime, nas operações encontradas que envolvem a sonda da STENA DRILLMAX (que possuem, basicamente, a mesma estrutura contratual), há que se endossar que tais posicionamentos, apesar de operarem como relevantes precedentes, não dispensam a análise individualizada das imputações decorrentes do caso concreto. Conforme narra a fiscalização, os contratos de afretamento foram assinados entre a recorrente e a STENA DRILLMAX I (HUNGARY) KFT, em 07/08/2009 e 14/07/2011, e são simultâneos aos contratos de prestação de serviços celebrados com a STENA SERVICES BRAZIL LTDA, ambas subsidiárias da STENA AB, empresa principal do Grupo STENA. A relação entre as empresas detalhada às fls. 2444/2445, e não questionada especificamente pela recorrente, revela que, conforme DIPJ da prestadora de serviços, em 2011, a recorrente foi a única cliente da STENA SERVICES BRAZIL LTDA, que não dispunha de estrutura de equipamentos ou pessoal para prestar os serviços contratados, contando apenas com 5 funcionários, todos de nacionalidade inglesa, dos quais 4 se Fl. 3965DF CARF MF Processo nº 16682.722934/201507 Acórdão n.º 3401005.920 S3C4T1 Fl. 3.966 20 inscreveram no cadastro CPF em 2009, ano dos primeiros contratos de afretamento entre o grupo STENA e a recorrente (aliás, tal situação está em desconformidade com a cláusula 3.7 do contrato de prestação de serviços de 2009, havendo cláusula idêntica no contrato de 2011 (3.7.1), pois o “pessoalchave”, que deveria ser composto de funcionários permanentes da contratada, era, em verdade, composto por cinco funcionários cedidos pela empresa estrangeira). Assim, passam a existir evidências de que a recorrente, pretendendo contratar serviços de perfuração em área licenciada, recorreu ao Grupo STENA, que prestou os desejados serviços com sua sonda STENA DRILLMAX, sendo o fornecimento da unidade parte integrante da prestação de serviços. Compulsando os contratos, a fiscalização destaca que existem, no contrato de afretamento, disposições pertinentes à prestação de serviços de perfuração, e, no contrato de serviços, provisões relativas ao fornecimento da unidade afretada, sendo que nos contratos analisados, a rescisão do contrato de prestação de serviços acarreta a rescisão do contrato de afretamento. A fiscalização afirma que, da análise das cláusulas contratuais (fls. 2456 a 2466 – cláusulas 1.4, 1.6.1,”a”, 2.27, “c”, “iii”, e 7.5/C.A.2009; cláusulas 7.5, 7.1.3, “d” e 11.5/C.S.2009; cláusulas 1.4, 2.27 e 4.8/C.A.2011; e cláusulas 1.2, 4.12.2, 7.5, 11.5 e Anexo 12/C.S.2011; além de cláusulas comuns), extraise a clara confusão entre o afretamento e os serviços prestados, concluindose que os contratos de afretamento e de serviços não podem ser considerados isoladamente, não só porque vigoraram simultaneamente, mas porque definiram relações jurídicas interligadas, cujo efeito tributário é preciso ponderar. Verifiquemos a referidas disposições contratuais, entre outras, semelhantes, nos contratos de 2009 e 2011, de afretamento e de prestação de serviços: “Contrato de afretamento de sonda de perfuração offshore” (tradução juramentada 1295/2009 fls. 1661 a 1815), celebrado entre a recorrente (“contratante”) e a empresa estrangeira STENA DRILLMAX I (HUNGARY) KFT /2009 “Contrato de afretamento de sonda de perfuração offshore” (tradução juramentada 5205/2013 fls. 1119 a 1383, celebrado entre a recorrente (“contratante”) e a empresa estrangeira STENA DRILLMAX I (HUNGARY) KFT /2011 Fl. 3966DF CARF MF Processo nº 16682.722934/201507 Acórdão n.º 3401005.920 S3C4T1 Fl. 3.967 21 “Contrato de prestação de serviços de perfuração offshore no Brasil”, celebrado entre a recorrente e a empresa STENA SERVICES BRAZIL LTDA (tradução juramentada 4820/2013 fls. 1823 a 2039) / 2009 “Acordo de serviços de perfuração offshore no Brasil”, celebrado entre a recorrente e a empresa STENA SERVICES BRAZIL LTDA (tradução juramentada sn/2011 fls. 1386 a 1596) / 2011 Fl. 3967DF CARF MF Processo nº 16682.722934/201507 Acórdão n.º 3401005.920 S3C4T1 Fl. 3.968 22 Fl. 3968DF CARF MF Processo nº 16682.722934/201507 Acórdão n.º 3401005.920 S3C4T1 Fl. 3.969 23 As disposições contratuais em comento estabelecem, inequivocamente, que os contratos (de afretamento, entre recorrente e a empresa estrangeira, e de prestação de serviços, entre a recorrente e empresa nacional do mesmo grupo da estrangeira) são vinculados (com execução simultânea e interdependência), e que a rescisão no contrato de serviços ocasiona o direito de rescisão do contrato de afretamento (digase, entre pessoas jurídicas distintas, inclusive de nacionalidade diversa). Essa mescla entre os contratos se converte um primeiro sinal de artificialismo quando se percebe que a própria remuneração dos contratos obedece a critérios pouco compatíveis com os objetos, dificultando o discernimento de qual parcela de pagamento se referiria a um ou outro contrato. Na cláusula 2.27, “c”, iii do contrato de afretamento de 2009 (e também do contrato de 2011), estabelecese a que a remuneração do afretamento decorre dos serviços de sondagem/perfuração, mais precisamente de relatórios diários do sondador, o que contribui para a referida mescla dificultadora de discernimento. Na cláusula 1.6.1, “a” do contrato de afretamento de 2009, há, por exemplo, previsão para que a contratada (“STENA DRILLMAX I HUNGARY KFT”) realize para a contratante (recorrente) ou sua filiada, serviços em outra área de permissão, no caso de cessão ou sublocação, o que não parece pertinente a um contrato de afretamento, ainda que sua execução se vincule a outro. Na cláusula 7.1.3, “d” do contrato de afretamento de 2009 também está presente a mescla entre as empresas/atividades, sob a denominação “SOCIEDADE”, ocorrendo o mesmo fenômeno, na cláusula 1.2 do contrato de serviços de 2011, sob a denominação “Grupo da Contratada”, assim definido: Fl. 3969DF CARF MF Processo nº 16682.722934/201507 Acórdão n.º 3401005.920 S3C4T1 Fl. 3.970 24 A mescla/confusão está bem retratada, ainda, pela fiscalização, nas cláusulas 4.12.2 e 11.5 do contrato de serviços de 2011, e na existência de diversas cláusulas que são comuns aos contratos de afretamento e de prestação de serviços. Há ainda, no Anexo 12 do Contrato de prestação de serviços de 2011, quadro em que figuram lado a lado as empresas “STENA SERVICES”, a recorrente, e a empresa “STENA HUNGARY” (que sequer é parte naquele contrato): Citese a afirmação fiscal de que a empresa, em resposta a intimação, revelou que os pagamentos efetuados ao amparo dos contratos de afretamento com a STENA DRILLMAX justificam a totalidade dos pagamentos, tanto a título de aluguel como de serviços. Tal afirmação endossa a conclusão no sentido de mescla denotadora de artificialismo, pois mesmo os valores que seriam destinados a remunerar serviço foram remetidos à empresa estrangeira que figura no contrato de afretamento. Diante da dificuldade em discernir a que se referiam os pagamentos (afretamento ou prestação de serviços), a fiscalização buscou, inicialmente, apartar as rubricas, intimando a empresa a detalhar/individualizar os pagamentos, o que foi feito por meio de planilhas e contratos de câmbio. Como tais documentos continham descrições genéricas, partiu a fiscalização, em homenagem à verdade material, para as faturas comerciais (invoices). Fl. 3970DF CARF MF Processo nº 16682.722934/201507 Acórdão n.º 3401005.920 S3C4T1 Fl. 3.971 25 E aí já verificou uma anomalia preliminar, pois grande parte das invoices continham assinatura de Keith Ernest George Burrows (qualificado como “rig manager stena drillmax”) e de Adrian Charles Beevers (como “rig manager stena services brazil ltda”). Ocorre que Keith Ernest George Burrows, de nacionalidade inglesa, consta da DIPJ de “STENA SERVICES BRAZIL”, como administrador com vínculo empregatício, tal qual Adrian Charles Beever, também de nacionalidade inglesa. Verifica, assim, a fiscalização, que invoices enviadas à recorrente para cobrança de valores vinculados ao contrato de afretamento, a serem pagos à empresa estrangeira, exibem a assinatura de funcionário da empresa nacional contratada para prestação de serviços. Ademais, em invoices identificadas como “aluguel de embarcação”, os valores cobrados, conforme contratos e pagamentos, eram vinculados à eficiência e à produtividade da prestação de serviços de sondagem e perfuração. Tanto a remuneração do afretamento quanto a remuneração pela prestação de serviços são calculadas em taxas diárias, multiplicadas pelo número de das de operação da sonda (e, mesmo em casos de incidentes que afetam a produtividade, ambas as taxas diárias são reduzidas no mesmo percentual). As invoices referentes a remessas indicadas como “aluguel de equipamentos” informam taxas diárias que não têm relação com as taxas diárias do afretamento, e mencionam terceiros, fornecedores, e se referem a equipamentos necessários à prestação de serviços, que não pertenciam originalmente à sonda. E as invoices relativas a “serviços técnicoprofissionais” e “serviços administrativos” representam o ressarcimento à “STENA” por serviços diversos (elaboração de planos de emergência em caso de poluição, inspeção técnica, limpeza de tanques, manutenção e reposição de equipamentos, entre outros), executados por terceiros (refaturamento / “rebill”), no Brasil, sendo a “STENA” remunerada com percentuais de 2%, 5% e 10%, conforme previsto em cláusulas contratuais. Conclui o fisco, no cenário exposto, que a realidade fática, na execução destes contratos concretos, é de que a operação corresponde a prestação de serviços de sondagem e perfuração, com uso de sonda da contratada, pois o fornecimento da unidade é apenas parte integrante e instrumental dos serviços contratados. Isso não implica, enfatizese, descaracterização formal de um contrato, ou sua invalidade perante as partes, mas apenas da oposição de seus efeitos ao fisco, diante da realidade detectada, e do artificialismo da bipartição. E não está o fisco a alterar conceitos de direito privado, presentes na legislação civil, o que é vedado pelo art. 110 do CTN, mas exatamente a aplicar tais conceitos à realidade evidenciada, e que não corresponde à formalmente descrita. Improcedentes, assim, os argumentos de defesa no sentido de que deveria a fiscalização, necessariamente, afastar a validade jurídica dos contratos para efetuar o lançamento. Assim como são as partes livres para contratar, sob a denominação e a forma por elas eleita, tais contratações devem refletir a realidade das operações pactuadas. E, se verifica a fiscalização que não refletem, e que os efeitos fiscais da real operação são diversos, cabível o lançamento. Fl. 3971DF CARF MF Processo nº 16682.722934/201507 Acórdão n.º 3401005.920 S3C4T1 Fl. 3.972 26 Como se destaca de excertos dos julgados deste CARF em relação à mesma recorrente, a substância prevalece sobre a forma: “(...). 1. Para fins tributários, prevalece a natureza real do negócio jurídico realizado e não a declaração formal contida nos instrumentos contratuais. Segundo os fatos comprovados nos autos, o único contrato existente foi o de prestação de serviços de exploração, produção e perfuração de poços de petróleo, embora, formalmente, tenham sido firmados dois contratos, um de afretamento da sonda de perfuração e outro de prestação de serviços, bipartidos com o único propósito de evitar a incidência (...). 2. Se o fornecimento da embarcação, aparelhada com os equipamentos necessários, é parte integrante e indissociável do real contrato prestação dos serviços (...) sujeitamse à incidência (...).” (Acórdão 3302 004.754, REPSOL SINOPEC BRASIL SA, Rel Cons. José Fernandes do Nascimento, maioria, em relação ao tema, vencido o Cons. Walker Araújo, sessão de 26.set.2017) (grifo nosso) “(...). 2. As circunstâncias e as peculiaridades do caso concreto demonstram que os serviços absorveram o afretamento. Este se constituiu em mera atividademeio. 3. Os pagamentos efetuados em favor das empresas estrangeiras corresponderam, de fato, à remuneração por serviços prestados. 4. A divisão entre afretamento e prestação de serviços foi meramente formal. 5. O que importa para o direito tributário é a realidade dos fatos, e não a aparente realidade resultante dos contratos, mormente porque o princípio da realidade sobrepõese ao aspecto formal, considerados os elementos tributários. 6. Deve ser analisada a essência do fato gerador, pois nem mesmo importa a sua forma de exteriorização (princípio negocial ou Geschäfsprinzip), observadas as exceções estabelecidas na própria legislação. (...).” (Acórdão 2402005.822, REPSOL SINOPEC BRASIL SA, Rel Cons. João Victor Ribeiro Aldinucci, maioria, em relação a estes itens, vencidos os Cons. Theodoro Vicente Agostinho e Bianca Felícia Rothschild, sessão de 10.mai.2017) (grifo nosso) Em sua defesa, a recorrente sustenta ainda que há diferenças entre os contratos de afretamento e de prestação de serviços, e que a fiscalização não tem qualquer parâmetro ou knowhow para comparar e refutar os preços constantes dos contratos de afretamento e de prestação de serviços, muito menos quando se vale de um método comparativo, que avalia os valores de uma espécie de contrato em relação à outra, e que não houve simulação, nem abuso de formas (fundado no art. 116, parágrafo único, do CTN, que demanda regulamentação). Assim, ao invés de refutar especificamente as alegações fiscais, a empresa defendese de forma genérica, desqualificando a análise jurídica efetuada pela fiscalização sob o pretexto de que o fisco não tem parâmetro / knowhow para comparar e refutar preços, quando a própria defesa não detalha porque tal parâmetro adotado estaria incorreto, e qual seria, de fato, o correto. Fl. 3972DF CARF MF Processo nº 16682.722934/201507 Acórdão n.º 3401005.920 S3C4T1 Fl. 3.973 27 Enquanto a fiscalização apresenta elementos objetivos para apontar para suas conclusões, a defesa desqualifica genericamente tais elementos, sem atacálos individualizadamente. Não há observações específicas, na defesa, sobre a mãodeobra empregada na prestação de serviços, sobre as faturas de arrendamento assinadas por representante da empresa prestadora de serviços, ou sobre o fato de pagamento de serviços ter sido objeto de remessa ao exterior. No mais, caminha a defesa no sentido de buscar estender alargadamente ao caso em análise o teor da Súmula Vinculante no 31, do STF, que trata de “ISS” sobre locação de bem móvel: “É inconstitucional a incidência do Imposto sobre Serviços de Qualquer Natureza – ISS sobre operações de locação de bens móveis.” Além de se estar tratando no presente processo de espécie tributária distinta, cabe transcrever excerto do debate sobre a aprovação da referida Súmula, com conteúdo que remete a situação relacionada à realidade fática encontrada nestes autos, e demonstra a inaplicabilidade da súmula à hipótese que aqui se está a analisar. A proposta de texto para a citada Súmula, inicialmente, era: “É inconstitucional a incidência do Imposto sobre Serviços de Qualquer Natureza – ISS sobre operações de locação de bens móveis dissociadas da prestação de serviços”. Durante os debates, o Ministro Cezar Peluso propôs a retirada da parte final, por entendêla desnecessária. Quanto à supressão, manifestou preocupação o Ministro Joaquim Barbosa: “O SENHOR MINISTRO JOAQUIM BARBOSA – Eu não vejo prejuízo na supressão dessa expressão. A minha preocupação foi em relação àquelas situações em que a prestação de serviço vem escamoteada sob a forma de locação. Por exemplo: locação de maquinário, e vem o seu operador. Nessa hipótese, muito comum. O SENHOR MINISTRO CEZAR PELUSO Então, esse caso aí é a prestação de serviços típica, não é a locação de móvel como tal.” Seguiramse os debates, entendendo a Ministra Carmen Lúcia que deveria ser suprimida a parte final, até para cobrir exatamente aquilo que foi consolidado como matéria discutida no tribunal. E o Ministro Marco Aurélio, último a se manifestar no debate, endossou a decisão, assim concluindo: “O SENHOR MINISTRO MARCO AURELIO – Presidente, com isso ficamos fiéis ao que assentado pela Corte, já que quando da formalização do leading case, não houve o exame da matéria quanto à conjugação “locação de bem móvel e serviço”. Devese esperar, portanto, reiterados pronunciamentos do Tribunal sobre possível controvérsia, envolvida a junção, para posteriormente editarse um verbete” Fl. 3973DF CARF MF Processo nº 16682.722934/201507 Acórdão n.º 3401005.920 S3C4T1 Fl. 3.974 28 Realmente, a preocupação do Ministro Joaquim Barbosa faz todo o sentido, ainda mais diante de casos como o que aqui se contempla. Vejase que a fiscalização chega a comparar o caso em análise ao de uma empresa contratada, v.g., para a retirada de entulho de uma obra, que cobra um valor pela retirada e outro pelo uso do seu caminhão de entulho, recordando que, no caso concreto, a unidade de perfuração/sondagem/exploração pertence ao grupo econômico contratado para prestar os serviços de perfuração/sondagem/exploração. Mais refinado, a nosso ver, o exemplo trazido pelo Cons. Alexandre Kern (que, antes de julgador, teve experiência no ramo petrolífero), em excerto de voto de sua lavra, cujo teor acompanhamos, no julgamento do Acórdão no 3403002.702, no qual afirma que as unidades são fornecidas justamente porque não há como prestar o serviço sem elas, e que bastaria, no caso, um contrato único de prestação de serviços, o que, aliás, é exatamente o modelo de contratação para a perfuração e produção de petróleo em terra, e que a empresa do ramo petrolífero “...não se dá ao trabalho de contratar o aluguel de uma sonda de perfuração de terra – SPT e, simultaneamente, contratar a prestação do serviço, pois ilógico, desnecessário, antieconômico (No insight de Michael J. Graetz, “...a deal done by very smart people that, absent tax considerations, would be very stupid”. Disponível em https://www.nytimes.com/2008/09/10/business/businessspecial3/10TAX.html. Acessado em 31/08/2013)”. E complementa, em raciocínio absolutamente aplicável ao presente caso: “se ainda assim, por qualquer razão que se nos escape, a (...) insistisse nesse modelo de contratação, a hipotética locatária dos equipamentos jamais admitiria que os mesmos (sic) fossem operados por terceiros”. Vejase, de fato quem eram os operadores da sonda, no presente processo, como demonstrado pela fiscalização. Sobre a repartição dos valores remetidos entre os contratos, que como visto, pela análise das invoices, não refutada especificamente pela defesa, é também avessa à realidade da operação, limitase a recorrente a afirmar que o fisco não tem parâmetro / know how para comparar e refutar preços. Ainda que a defesa não esclareça quais seriam esses parâmetros, ou detalhe especificamente em que aspecto estão incorretos os parâmetros adotados pela fiscalização (digase, com base nos contratos e em seus anexos), cabe análise da matéria ainda em face de possíveis efeitos de legislação superveniente, mencionada na peça recursal. Incumbe, então, verificar se o advento de legislação posterior poderia afetar as conclusões alcançadas. Sobre a Lei no 13.043/2014, que altera a incidência do Imposto de Renda Retido na Fonte (IRRF), prevista na Lei no 9.481/1997, produzindo efeitos a partir de 01/01/2015, e contemplando expressamente (art. 1o, § 2o) “...execução simultânea de contrato de afretamento ou aluguel de embarcações marítimas e de contrato de prestação de serviço, relacionados à exploração e produção de petróleo ou gás natural, celebrados com pessoas jurídicas vinculadas entre si”, e prevendo que a redução a zero da alíquota de IRRF sobre afretamento, no caso, fica limitada a percentuais mínimos, entendemos que não criou nova hipótese de contratação, mas apenas limitou hipótese já existente (desde que espelhasse a realidade da operação, como exposto ao longo deste voto), para feitos de incidência de IRRF. Fl. 3974DF CARF MF Processo nº 16682.722934/201507 Acórdão n.º 3401005.920 S3C4T1 Fl. 3.975 29 Dispôs o art. 106 da Lei no 13.043/2014, dando nova redação ao art. 1o da Lei no 9.481/1997 (que trata dos casos de redução a zero da alíquota do IRRF para, entre outros, “receitas de afretamento de embarcações estrangeiras inciso I”), que: “§ 2o No caso do inciso I do caput deste artigo, quando ocorrer execução simultânea do contrato de afretamento ou aluguel de embarcações marítimas e do contrato de prestação de serviço, relacionados à prospecção e exploração de petróleo ou gás natural, celebrados com pessoas jurídicas vinculadas entre si, do valor total dos contratos a parcela relativa ao afretamento ou aluguel não poderá ser superior a: I 85% (oitenta e cinco por cento), no caso de embarcações com sistemas flutuantes de produção e/ou armazenamento e descarga (Floating Production Systems FPS); II 80% (oitenta por cento), no caso de embarcações com sistema do tipo sonda para perfuração, completação, manutenção de poços (naviossonda); e III 65% (sessenta e cinco por cento), nos demais tipos de embarcações. (...) § 6o A parcela do contrato de afretamento que exceder os limites estabelecidos no § 2o sujeitase à incidência do imposto de renda na fonte à alíquota de 15% (quinze por cento) ou de 25% (vinte e cinco por cento), quando a remessa for destinada a país ou dependência com tributação favorecida, ou quando o arrendante ou locador for beneficiário de regime fiscal privilegiado, nos termos dos arts. 24 e 24A da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996. § 7o Para efeitos do disposto no § 2o, será considerada vinculada a pessoa jurídica proprietária da embarcação marítima sediada no exterior e a pessoa jurídica prestadora do serviço quando forem sócias, direta ou indiretamente, em sociedade proprietária dos ativos arrendados ou locados. § 8o O Ministro da Fazenda poderá elevar ou reduzir em até 10 (dez) pontos percentuais os limites de que trata o § 2o.” (grifo nosso) Mais recentemente, a Lei no 13.586/2017, resultante da conversão da Medida Provisória no 795/2017, deu nova redação aos dispositivos, mantendo os percentuais (até 31/12/2017), mas ampliando as hipóteses em que se considera haver vinculação, e agregando novos percentuais a partir de 2018, nos §§ 9o a 12, com considerações ainda sobre outros tributos federais: “§ 9o A partir de 1o de janeiro de 2018, a redução a 0% (zero por cento) da alíquota do imposto sobre a renda na fonte, na Fl. 3975DF CARF MF Processo nº 16682.722934/201507 Acórdão n.º 3401005.920 S3C4T1 Fl. 3.976 30 hipótese prevista no § 2o deste artigo, fica limitada aos seguintes percentuais: I 70% (setenta por cento), quanto às embarcações com sistemas flutuantes de produção ou armazenamento e descarga; II 65% (sessenta e cinco por cento), quanto às embarcações com sistema do tipo sonda para perfuração, completação e manutenção de poços; e III 50% (cinquenta por cento), quanto aos demais tipos de embarcações. § 10. O disposto nos §§ 2o e 9o deste artigo não se aplica às embarcações utilizadas na navegação de apoio marítimo, definida na Lei no 9.432, de 8 de janeiro de 1997, vedada, inclusive, a aplicação retroativa do § 2o deste artigo em relação aos fatos geradores ocorridos antes da vigência da Lei no 13.043, de 13 de novembro de 2014. § 11. Para fins de aplicação do disposto no inciso I do caput deste artigo, quando ocorrer execução simultânea de contrato de afretamento ou aluguel de embarcações marítimas e de contrato de prestação de serviço relacionados às atividades de transporte, movimentação, transferência, armazenamento e regaseificação de gás natural liquefeito, celebrados entre pessoas jurídicas vinculadas entre si, a redução a 0% (zero por cento) da alíquota do imposto de renda na fonte fica limitada à parcela relativa ao afretamento ou aluguel, calculada mediante a aplicação do percentual de 60% (sessenta por cento) sobre o valor total dos contratos. § 12. A aplicação dos percentuais estabelecidos nos§§ 2o, 9o e 11 deste artigo não acarreta a alteração da natureza e das condições do contrato de afretamento ou aluguel para fins de incidência da Contribuição de Intervenção de Domínio Econômico (Cide) de que trata a Lei no10.168, de 29 de dezembro de 2000, e da Contribuição para os Programas de Integração Social e de Formação do Patrimônio do Servidor Público incidente na Importação de Produtos Estrangeiros ou Serviços (PIS/PasepImportação) e da Contribuição Social para o Financiamento da Seguridade Social devida pelo Importador de Bens Estrangeiros ou Serviços do Exterior (Cofins Importação), de que trata a Lei no 10.865, de 30 de abril de 2004.” (grifo nosso) A questão de estabelecimentos de percentuais, nas leis, parece buscar parâmetros objetivos, dispensando a apuração efetiva, caso a caso, por parte da fiscalização, a partir de dados (que nem sempre) são fornecidos (detalhadamente) pelos contribuintes. Se, por um lado, poupa trabalho à fiscalização, fundandose em estândares internacionais, por outro, dá segurança jurídica aos contribuintes, evitando a desconsideração completa dos contratos de afretamento, como destaca a Exposição de Motivos da Medida Provisória no 795/2017, convertida na Lei no 13.586/2017: Fl. 3976DF CARF MF Processo nº 16682.722934/201507 Acórdão n.º 3401005.920 S3C4T1 Fl. 3.977 31 “4. O art. 2o deste Projeto altera os §§ 2o a 8o e acrescenta os §§ 9o a 12 ao art. 1o da Lei no 9.481, de 1997, que tratam da incidência do Imposto sobre a Renda Retido na Fonte IRRF nas remessas ao exterior a título de afretamento ou aluguel de embarcações marítimas. 4.1. A alteração promovida pelo art. 106 da Lei no 13.043, de 13 de novembro de 2014, no § 2o do art. 1o da Lei no 9.481, de 1997, estabeleceu, para fins de redução a zero da alíquota do IRRF, percentuais máximos atribuídos aos contratos de afretamento ou aluguel de embarcações marítimas relacionados à prospecção e exploração de petróleo ou gás natural. A referida alteração visava a limitar o benefício fiscal de redução a zero da alíquota do IRRF e, simultaneamente, dar segurança jurídica, uma vez que o Fisco estava desconsiderando os contratos de afretamento realizados pelas empresas do setor. 4.2. Entretanto, os percentuais atualmente estabelecidos apresentam um desequilíbrio econômico e não estão compatíveis com os percentuais adotados por outros países. Nesse sentido, o § 9o ajusta os percentuais a fim de manter a segurança jurídica. 4.3. As alterações promovidas nos §§ 2o a 6o e no § 8o têm como objetivo adequar a redação às alterações mencionadas anteriormente e esclarecer acerca da incidência de IRRF à alíquota de vinte e cinco por cento sobre a totalidade da remessa destinada a país com tributação favorecida ou a beneficiário de regime fiscal privilegiado. 4.4. A alteração promovida no § 7o tem como objetivo ajustar a definição de empresa vinculada a pessoa jurídica prestadora do serviço. O conceito anterior não alcançava situações importantes de vinculação, tal como a hipótese de controle societário ou administrativo comum. 4.5. O § 11 estabelece o percentual máximo atribuído ao contrato de afretamento ou aluguel de embarcações marítimas e do contrato de prestação de serviço, relacionados às atividades de transporte, movimentação, transferência, armazenamento e regaseificação de gás natural liquefeito para fins de aplicação da redução a zero de IRRF prevista no inciso I do caput, visando a evitar o abuso na utilização do referido benefício e a transferência de lucros para o exterior. 4.6. Por fim, o § 12 traz norma que esclarece que os percentuais definidos nos §§ 2o e 9o não se aplicam à apuração da contribuição de intervenção de domínio econômico CIDE de que trata a Lei no 10.168, de 29 de dezembro de 2000, da Contribuição para os Programas de Integração Social e de Formação do Patrimônio do Servidor Público incidente na Importação de Produtos Estrangeiros ou Serviços PIS/PASEP Importação e da Contribuição Social para o Financiamento da Seguridade Social devida pelo Importador de Bens Estrangeiros ou Serviços do Exterior COFINSImportação, permanecendo válidas, para efeitos de apuração desses tributos, a natureza e Fl. 3977DF CARF MF Processo nº 16682.722934/201507 Acórdão n.º 3401005.920 S3C4T1 Fl. 3.978 32 as condições do contrato de afretamento ou aluguel.”” (grifo nosso) A Lei no 13.586/2017 e sua exposição de motivos fazem questão de esclarecer que os percentuais estabelecidos, assim como os anteriormente fixados, são limitados à aplicação de alíquota zero do IRRF, não acarretando “...a alteração da natureza e das condições do contrato de afretamento ou aluguel para fins de incidência da...” CIDE, da Contribuição para o PIS/PASEPimportação e da COFINSimportação”. Disso, há que se concluir que: (a) nos casos de contratos de afretamento de embarcação estrangeira vinculados a contratos de prestação de serviços, incumbe ao fisco, mediante solicitação de informações à empresa, apurar se a proporção da remuneração pactuada entre os distintos contratos, entre outros aspectos, reflete a realidade da operação, efetuando, em caso negativo, o lançamento correspondente, no que se refere aos tributos federais incidentes (v.g., Contribuição para o PIS/PASEP, inclusive importação, COFINS, inclusive importação, CIDE e IRRF); (b) a partir de 01/01/2015, para o IRRF, o legislador, na Lei no 13.043/2014, estabeleceu limites percentuais a partir dos quais sequer é necessária apuração de eventual desproporção, por parte do fisco. Tais percentuais, referentes ao IRRF, foram alterados a partir de 01/01/2018, conforme Lei no 13.586/2017; e (c) a edição das Leis no 13.043/2014 e no 13.586/2017 não trata de tributos diversos do IRRF, nem impede a fiscalização de apurar se a proporção da remuneração pactuada entre os distintos contratos, entre outros aspectos, reflete a realidade da operação. Tais observações se prestam, por um lado, para confirmar a impossibilidade de aplicação das disposições legais supervenientes às espécies tributárias distintas de IRRF, e, por outro, para revelar quais são os parâmetros internacionais do negócio, que a defesa afirma que o fisco desconhece. E tais parâmetros, digase, estão distantes daqueles adotados no caso em concreto, o que só endossa o artificialismo. Em suma, opta a defesa por um caminho formal, avesso à realidade da operação detectada pela fiscalização, evitando analisar especificamente o caso concreto, parecendo desejar, em geral, que a forma prevaleça sobre a realidade. Sobre as alegações recursais de que o voto do relator, na DRJ, é contraditório ao afirmar que a situação anterior ao art. 106 da Lei no 13.043/2014 era legal, mas resultava em ilícita economia tributária, pois não pode o negócio ser legal e ilícito ao mesmo tempo; e que não é possível sustentar, como pretende a DRJ, que a bipartição contratual ocorreu exclusivamente para fins de economia fiscal, porque o propósito negocial da estrutura contratual adotada teve como causa a legislação do REPETRO, cabe salientar que resultam de má contextualização/compreensão sistemática da decisão da DRJ, ou do já exposto Fl. 3978DF CARF MF Processo nº 16682.722934/201507 Acórdão n.º 3401005.920 S3C4T1 Fl. 3.979 33 posicionamento aqui rechaçado, de início, pela impossibilidade de bipartição dos contratos em tese. A bipartição contratual anterior (assim como a posterior) ao art. 106 da Lei no 13.043/2014, como aqui exposto, é admitida pela legislação, obviamente, desde corresponda à realidade da operação. Quanto ao fato de ensejar economia fiscal, não se entende aqui (nem entendeu o julgador de piso) que o REPETRO determinou que a empresa adotasse forma de contratação bipartida encontrada no caso concreto, aqui analisada, com todas as suas mesclas e artificialidades, mas aquela que entendemos, em tese, permitida na parte inicial do voto, que seja condizente com a efetiva operação. E o que a nova legislação estabeleceu, como se esclareceu, foram parâmetros, com base nas práticas internacionais, justamente para adequar as contratações (evitando deturpações nacionais, reiteradamente vistas neste tribunal), e dar segurança jurídica às próprias empresas do ramo (ainda que a novel legislação tenha sido limitada a um tributo IRRF). Neste processo, como exposto, estáse a exigir Contribuição para o PIS/PASEPimportação em COFINSImportação, tributos que são disciplinados na Lei no 10.865/2004, da seguinte forma: “Art. 1o Ficam instituídas a Contribuição para os Programas de Integração Social e de Formação do Patrimônio do Servidor Público incidente na Importação de Produtos Estrangeiros ou Serviços PIS/PASEPImportação e a Contribuição Social para o Financiamento da Seguridade Social devida pelo Importador de Bens Estrangeiros ou Serviços do Exterior COFINSImportação, com base nos arts. 149, § 2o, inciso II, e 195, inciso IV, da Constituição Federal, observado o disposto no seu art. 195, § 6o. § 1o Os serviços a que se refere o caput deste artigo são os provenientes do exterior prestados por pessoa física ou pessoa jurídica residente ou domiciliada no exterior, nas seguintes hipóteses: I executados no País; ou (...) Art. 3o O fato gerador será: (...) II o pagamento, o crédito, a entrega, o emprego ou a remessa de valores a residentes ou domiciliados no exterior como contraprestação por serviço prestado. (...) Art. 4o Para efeito de cálculo das contribuições, considerase ocorrido o fato gerador: (...) Fl. 3979DF CARF MF Processo nº 16682.722934/201507 Acórdão n.º 3401005.920 S3C4T1 Fl. 3.980 34 IV na data do pagamento, do crédito, da entrega, do emprego ou da remessa de valores na hipótese de que trata o inciso II do caput do art. 3o desta Lei. (...)” (grifo nosso) Como exposto ao longo deste voto, a realidade da operação detectada pela fiscalização, e aqui endossada, foi no sentido de que os pagamentos efetuados em favor da empresa estrangeira correspondem, de fato, à remuneração por serviços prestados (de perfuração offshore), sujeita à incidência da Contribuição para o PIS/PASEPImportação e da COFINSImportação, o que encontra guarida na disciplina estabelecida pela Lei no 10.865/2004. A alegação de defesa de que os serviços foram prestados pela “STENA SERVICES BRAZIL LTDA”, empresa domiciliada no Brasil, de forma que não haveria a incidência de PIS/COFINSImportação, tendo em vista que não ocorreu, de fato, importação de serviço, inexistindo o fato gerador de tais contribuições, busca novamente fazer prevalecer a forma sobre o conteúdo, ainda mais quando a própria empresa reconhece, como aqui exposto, que todos os valores remetidos ao exterior decorrem do contrato de afretamento (inclusive aquele que seria, segundo ela, o único referente a pagamento pelos “serviços técnicos” prestados). Ademais, as considerações efetuadas neste voto sobre o quadro de pessoal da empresa tida como prestadora nacional de serviços corroboram a existência de artificialismo na bipartição, sendo de fato a operação uma prestação de serviço por parte de empresa estrangeira (que participa com a sonda e o pessoal que a opera), o que é reforçado pelas observações efetuadas sobre as invoices. E, sobre o tema, é de se recordar a recorrente se defende apenas genericamente (fl. 3680 e fls. 3682 a 3684), afirmando (sem qualquer documentação de amparo, e em desacordo com o evidenciado pela fiscalização) que estaria a seu cargo o corpo técnico apto a operar a sonda, e que da leitura do termo de verificação fiscal não se depreenderia nenhuma razão para entender que o contrato seria com a empresa estrangeira, e não com a nacional (ignorando a robustez da imputação fiscal sobre o artificialismo na bipartição contratual, minuciada ao longo deste voto). Conforme resta claro, nos comandos presentes na Lei no 10.865/2004, incidem a Contribuição para o PIS/PASEPImportação e a COFINSImportação nas remessas de valores ao exterior como contraprestação de serviços, como os aqui analisados, de perfuração offshore. Dos juros de mora sobre o valor da multa de ofício lançada A matéria derradeira, sobre a incidência de juros de mora sobre o valor da multa de ofício lançada, já foi objeto de controvérsia no âmbito deste CARF. Fl. 3980DF CARF MF Processo nº 16682.722934/201507 Acórdão n.º 3401005.920 S3C4T1 Fl. 3.981 35 No entanto, tal tema foi, recentemente, sumulado no âmbito deste tribunal administrativo, dele já não mais podendo se distanciar, por expressa disposição regimental, as turmas ordinárias do CARF. Aplicase, assim, ao caso, sobre o tema, o teor da Súmula CARF no 108: “Incidem juros moratórios, calculados à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC, sobre o valor correspondente à multa de ofício” Pelo exposto, não merecem prosperar as razões de defesa também em relação ao assunto. Das considerações finais Tendo em vista as considerações aqui efetuadas, voto por negar provimento ao recurso voluntário apresentado. (assinado digitalmente) Rosaldo Trevisan Fl. 3981DF CARF MF Processo nº 16682.722934/201507 Acórdão n.º 3401005.920 S3C4T1 Fl. 3.982 36 Voto Vencedor Conselheiro Lázaro Antonio Souza Soares, Redator Designado Com as vênias de estilo, em que pese o como de costume bem fundamentado voto do Conselheiro Relator Rosaldo Trevisan, ouso dele discordar em relação às seguintes questões: i) a conclusão de que, em vista dos elementos apresentados pela fiscalização, que mostram a realidade material da operação, a bipartição dos contratos de afretamento de embarcação (sonda) e de prestação de serviços seria artificial, ficando caracterizado que o arrendamento da sonda é instrumental à prestação de serviço; ii) a base de cálculo utilizada pela Autoridade Fiscal autuante para calcular o valor dos tributos, em tese, devidos; e iii) o enquadramento da matéria tributável utilizado pela Autoridade Fiscal autuante. Em relação à primeira matéria, devese destacar, inicialmente, que restou incontroverso nos autos o efetivo arrendamento de uma embarcação, bem este que foi objeto de contrato de afretamento para ser utilizado na atividade de exploração de petróleo, cuja execução simultânea com o respectivo contrato de prestação de serviços foi inclusive ressaltada no Termo de Verificação Fiscal (TVF). Também não consta nos autos qualquer indício de descumprimentos dos requisitos para obtenção dos benefícios fiscais constantes do regime aduaneiro especial denominado de Repetro. O TVF, à fl. 2.446, informa quais são estes requisitos: A teor da legislação aplicável, depreendese que o benefício da alíquota zero é vinculado a quatro requisitos cumulativos: • da natureza do pagamento – receita de frete, afretamento, aluguel ou arrendamento; • da natureza do bem – necessariamente embarcação estrangeira (ou aeronave); • da regularidade da operação – autorização da autoridade competente; e • do domicílio do beneficiário – beneficiário não domiciliado em paraíso fiscal ou em país com tributação favorecida. Nesse contexto, não vejo como considerar a bipartição contratual em questão como artificial. Tendo sido cumpridos os requisitos do regime, o recorrrente faz jus a se beneficiar do Repetro. Analisando o TVF, verificase que os indícios apontados pelo AuditorFiscal conduziriam à suspeita de que poderia ter sido praticada a conduta de sonegação, através de um planejamento tributário abusivo, no qual custos e receitas referentes ao contrato de prestação de Fl. 3982DF CARF MF Processo nº 16682.722934/201507 Acórdão n.º 3401005.920 S3C4T1 Fl. 3.983 37 serviços, cujos pagamentos são tributados, estariam sendo desviados para o contrato de afretamento, cujo pagamento é desonerado de diversos tributos em virtude do regime do Repetro, mas sem contestar, em nenhum momento, que tenha existido uma embarcação afretada para a execução dos serviços. Vejamos algumas excertos do TVF, às fls. 2455, 2456, 2464, 2465 e 2466: Neste ponto, já há fortes indícios de que estamos diante do modelo de contratação descrito no item 3 deste Termo. À evidência, a contratante REPSOL, pretendendo contratar serviços de perfuração em área licenciada, recorreu ao Grupo STENA, que prestou os desejados serviços com sua sonda STENA DRILLMAX. O fornecimento da unidade afigurase parte integrante da prestação de serviços. Com efeito, a análise mais detida das cláusulas contratuais, e dos demais documentos obtidos no decorrer do procedimento fiscal, demonstrará que, em verdade, tratase de artifício pelo qual a prestação de serviços de sondagem, perfuração e exploração de poços foi formalmente bipartida em dois contratos, um de afretamento e um de serviços, tendo de um lado, como contratante, a fiscalizada, e de outro, como contratadas, empresas pertencentes a um mesmo grupo econômico, detentor tanto do equipamento como do knowhow para a prestação de tais serviços. Veremos que, no contexto concreto das contratações efetuadas, em que pese a bipartição formal em dois contratos, inexiste afretamento autônomo, uma vez que o fornecimento da unidade de perfuração e sondagem era apenas parte instrumental, integrante e indissociável dos serviços contratados. (...) Contrato de serviços de 2011 – Anexo 12 No quadro abaixo, extraído do contrato de serviços, figuram lado a lado os nomes das empresas STENA SERVICES e STENA HUNGARY, cabendo ressaltar que a segunda é a empresa contratada para o afretamento. Mais um indício de que se trata, na verdade, de uma só contratação. (...) A cláusula 3.8.3, encontrada tanto no contrato de serviços como no de afretamento, atribui a manutenção da sonda à “CONTRATADA”, que garantiria a utilização até a capacidade máxima. Ocorre que, ao menos formalmente, a “CONTRATADA” no contrato de afretamento seria uma empresa, e no contrato de serviços, outra. Mais um indício de que estamos diante de uma só contratação, formalmente bipartida entre empresas de um mesmo grupo empresarial. (...) De todo o exposto, concluise que os contratos de afretamento e de serviços não podem ser considerados isoladamente. Não só Fl. 3983DF CARF MF Processo nº 16682.722934/201507 Acórdão n.º 3401005.920 S3C4T1 Fl. 3.984 38 porque vigoraram simultaneamente, mas porque definiram relações jurídicas interligadas, cujo efeito tributário é preciso ponderar. Mas as cláusulas contratuais são apenas uma fração do conjunto probatório obtido no curso da Fiscalização. Abordaremos, nos próximos itens, os outros elementos de prova. Como se depreende facilmente dos textos acima, a tese acusatória é a de que, em decorrência de alguns fatos constatados ao longo do procedimento fiscal, a bipartição contratual seria materialmente inexistente, apesar de existirem, formalmente, dois contratos independentes. Vejase o início do segundo parágrafo acima: "a análise mais detida das cláusulas contratuais, e dos demais documentos (...) demonstrará que (...) tratase de artifício pelo qual a prestação de serviços (...) foi formalmente bipartida em dois contratos". Assim, na interpretação dada pela Autoridade Tributária para os fatos, o que existe no plano material, no mundo real e concreto, é um único contrato de prestação de serviços, do qual o afretamento é apenas parte instrumental, integrante e indissociável. Essa afirmação, entretanto, não é verdadeira. Existem sim, dois contratos, um para a prestação de serviços e outro para o afretamento da embarcação. Todos os fatos descritos na acusação fiscal não levam a uma conclusão diferente, pois a única forma de sustentar a tese do Fisco, em meu entendimento, seria comprovar a inexistência do afretamento, e não que este não pode ser separado da prestação de serviços, independentemente das cláusulas existentes nestes contratos. Repito aqui a conclusão que consta à fl. 2466 do processo fiscal, logo no primeiro parágrafo: "De todo o exposto, concluise que os contratos de afretamento e de serviços não podem ser considerados isoladamente". Toda e qualquer empreitada de exploração e produção de petróleo envolve, basicamente, duas grandes despesas: (i) com a contratação de bens para serem utilizados nesta atividade, como embarcações com sistemas flutuantes de produção ou armazenamento e descarga e embarcações com sistema do tipo sonda para perfuração, completação e manutenção de poço, dentre outras embarcações e equipamentos diversos; e (ii) com a prestação de serviços para a operação destes bens, o que envolve, quase que unicamente, despesas com mão de obra especializada. O fornecimento da unidade de perfuração e sondagem é parte instrumental, integrante e indissociável não dos serviços contratados, como afirma a Autoridade Fiscal, mas sim da própria empreitada global de exploração e produção de petróleo. O legislador, com o objetivo de desonerar esse setor da economia e incentivar investimentos no setor petrolífero, entendeu por bem distinguir essas duas atividades, integrantes da empreitada global, e deu a cada uma delas tratamento tributário distinto: para o afretamento de embarcações, realizou a desoneração tributária; para a prestação de serviços, manteve a incidência de tributos. A bipartição contratual, inclusive, é estritamente necessária para que o regime do Repetro possa ser utilizado. O próprio recorrente afirma que esta bipartição é uma condição para a utilização do Repetro, tendo o legislador determinado, de forma indireta, que esta deveria ser a modelagem contratual para as empresas que desejem se habilitar ao regime. Vejamos o que consta na IN RFB nº 844/2008, com redação dada pelas IN RFB nº 1070/2010 e IN RFB nº 1089/2010: Fl. 3984DF CARF MF Processo nº 16682.722934/201507 Acórdão n.º 3401005.920 S3C4T1 Fl. 3.985 39 Art. 5º O Repetro será utilizado exclusivamente por pessoa jurídica habilitada pela Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB). § 1º Poderá ser habilitada ao Repetro a pessoa jurídica: (Redação dada pelo(a) Instrução Normativa RFB nº 1070, de 13 de setembro de 2010) I detentora de concessão ou autorização, nos termos da Lei nº 9.478, de 6 de agosto de 1997, para exercer, no País, as atividades de que trata o art. 1º; e II contratada pela pessoa jurídica referida no inciso I em afretamento por tempo ou para a prestação de serviços destinados à execução das atividades objeto da concessão ou autorização, bem como as suas subcontratadas. (Redação dada pela Instrução Normativa RFB nº 1070, de 13 de setembro de 2010) § 2º A pessoa jurídica contratada de que trata o inciso II do §1º, ou sua subcontratada, também poderá ser habilitada ao Repetro para promover a importação de bens objeto de contrato de afretamento, em que seja parte ou não, firmado entre pessoa jurídica sediada no exterior e a detentora de concessão ou autorização, desde que a importação dos bens esteja prevista no contrato de prestação de serviço ou de afretamento por tempo. (Redação dada pela Instrução Normativa RFB nº 1070, de 13 de setembro de 2010) (...) § 4º A pessoa jurídica designada deverá constar do contrato de prestação de serviço ou de afretamento por tempo. (Redação dada pelo(a) Instrução Normativa RFB nº 1070, de 13 de setembro de 2010) (...) § 8º Na hipótese prevista no § 9º do art. 17, as pessoas jurídicas de que trata o inciso II do § 1º poderão ser habilitadas ao Repetro com base no contrato de prestação de serviços, desde que haja execução simultânea com os contratos de afretamento a casco nu, de arrendamento operacional, de aluguel ou de empréstimo. (Incluído(a) pelo(a) Instrução Normativa RFB nº 1089, de 30 de novembro de 2010) As cláusulas contratuais e demais documentos juntados ao processo, a meu ver, não levam à conclusão de que os contratos em questão não podem ser considerados isoladamente, mas são, isso sim, indícios de que poderia haver uma manipulação de valores entre os dois contratos. Contudo, o AuditorFiscal não procurou demonstrar, ao longo do procedimento fiscal, que os valores atribuídos ao contrato de prestação de serviços seriam insuficientes para a consecução da empreitada. Para tanto, poderia utilizarse de perícia técnica Fl. 3985DF CARF MF Processo nº 16682.722934/201507 Acórdão n.º 3401005.920 S3C4T1 Fl. 3.986 40 para obter uma estimativa de quantidade de mão de obra necessária para realizar o serviço contratado, ou refazer as planilhas de custos das empresas. Esse seria o primeiro passo. Em seguida, chegandose à conclusão de que houve a manipulação de valores, a próxima etapa seria quantificar quais valores deveriam estar inseridos no contrato de prestação de serviços mas tinham sido fraudulentamente desviados para o contrato de afretamento. Partindo dos custos inerentes a cada contrato, poderia ter comprovado este planejamento tributário abusivo, com vistas à sonegação de tributos. Não dispondo de elementos confiáveis para tanto, poderia, em último caso, arbitrar os valores para cada contrato. Neste ponto reside minha segunda divergência em relação ao voto apresentado pelo ilustre relator. Considerandose que os elementos probatórios trazidos pelo AuditorFiscal aos autos já seriam suficientes para comprovar que os valores dos contratos foram manipulados de forma a reduzir, artificialmente/simuladamente, a carga tributária, deveria ter sido quantificado este valor, até mesmo por arbitramento, caso não fosse possível fazêlo de forma confiável com os documentos fornecidos pelo fiscalizado. No entanto, o AuditorFiscal optou por tributar o valor total de ambos os contratos, como se nada tivesse sido pago a título de afretamento. Na verdade, tal procedimento se mostra coerente com a lógica do seu trabalho: como havia concluído que, por conta das cláusulas contratuais e demais documentos, o fornecimento da embarcação seria parte integrante da prestação de serviços, inexistindo afretamento autônomo, todo o valor da empreitada global deveria estar no único contrato existente, que a seu ver seria o contrato de prestação de serviços. Entendo que esta decisão da Autoridade Fiscal é equivocada. Se é fato incontroverso nos autos que existiu o afretamento de embarcação para exploração de petróleo, e nada tendo sido contestado quanto ao cumprimentos dos requisitos para sua permanência no regime de Repetro, a base de cálculo para o lançamento de ofício deve ser, exclusivamente, a parcela dos pagamentos que se refere à prestação de serviços mas que foi indevidamente incluída nos pagamentos realizados por conta do contrato de afretamento. Foi alegado na tribuna, durante a sessão, pelo representante da Fazenda Nacional, a impossibilidade de apurar tal parcela, até mesmo pela negativa de informações do contribuinte. Por este motivo, o correto seria realmente calcular os tributos tendo como base de cálculo o valor integral da operação. Contudo, devo discordar desta afirmação. Para situações nas quais não há a colaboração do contribuinte, ou na inexistência de documentos ou qualquer impossibilidade de apuração da efetiva base de cálculo, o legislador já previu a sistemática de arbitramento da base de cálculo, a qual sempre é possível, pois tal método consiste em estimar, com base em critérios lógicos e razoáveis, qual seria a base de cálculo aceitável para tal operação. Em caso de discordância do contribuinte, caberia a ele impugnar o arbitramento, seja comprovando que forneceu elementos confiáveis para a apuração, o que implicaria a nulidade da autuação; seja apresentando a sua própria estimativa, com base nos elementos de prova que julgar necessários, cujo julgamento lhe sendo favorável poderia levar à procedência parcial ou integral do seu recurso. Fl. 3986DF CARF MF Processo nº 16682.722934/201507 Acórdão n.º 3401005.920 S3C4T1 Fl. 3.987 41 Por fim, cabe esclarecer o terceiro e último ponto de divergência em relação ao voto do relator, referente ao enquadramento realizado pelo AuditorFiscal sobre o tributo a ser lançado. Talvez pelo fato do regime do Repetro prever a desoneração de tributos incidentes na importação dos bens, o AuditorFiscal lavrou, de forma automática, o lançamento sobre estes tributos. Contudo, de acordo com a narrativa do TVF, a infração constatada pela Autoridade Fiscal deveria levar a um procedimento diverso, com a autuação se referindo a outros tributos. Tal equívoco não passou despercebido pelo recorrente, que assim se manifestou em sua Impugnação, à fl. 2556: Por conseguinte, caso seja superada toda a gama de argumentos já expendidos ao longo desta Impugnação para se exigir tributos sobre as remessas feitas ao exterior, pela IMPUGNANTE, a título de afretamento de embarcações, deverseia aplicar aquela alíquota do “IRRF” relacionada à prestação de serviços por pessoas jurídicas nacionais, no patamar de 1,5% (um e meio por cento). Não há, portanto, qualquer incidência de PIS/COFINS Importação em tais pagamentos, tendo em vista que estamos diante de prestação de serviços efetuada em território brasileiro, que não enseja o fato gerador de PIS/COFINS Importação, conforme dispositivo legal supracitado, razão pela qual deve ser cancelado o Auto de Infração ora impugnado. Assiste razão ao recorrente. Com efeito, se a Autoridade Fiscal afirma que não existe afretamento autônomo, pois o fornecimento da unidade de perfuração e sondagem era apenas parte instrumental, integrante e indissociável dos serviços contratados, consequentemente o único contrato que subsiste é o de prestação de serviços entre a recorrente e a Stena Services Brazil Ltda. Sendo assim, o tributo que deveria ter sido lançado seria o PIS e a Cofins que deixaram de ser retidos na fonte pelo recorrente, referentes aos pagamentos feitos pelo afretamento mas que, segundo a tese do autuante, pertenceriam ao contrato de prestação de serviços. Ora, em contratos de prestação de serviços o tomador destes deve proceder à retenção na fonte do PIS e da Cofins que deveriam ser pagos pelo prestador. A legislação do tributo impõe que o tomador faça essa retenção, sendo um típico caso de responsabilidade por substituição progressiva, prevista no art. 128 do CTN e no art. 150, § 7º, da Constituição Federal: CTN Art. 128. Sem prejuízo do disposto neste capítulo, a lei pode atribuir de modo expresso a responsabilidade pelo crédito tributário a terceira pessoa, vinculada ao fato gerador da respectiva obrigação, excluindo a responsabilidade do contribuinte ou atribuindoa a este em caráter supletivo do cumprimento total ou parcial da referida obrigação. CONSTITUIÇÃO FEDERAL Art. 150. Sem prejuízo de outras garantias asseguradas ao contribuinte, é vedado à União, aos Estados, ao Distrito Federal e aos Municípios: Fl. 3987DF CARF MF Processo nº 16682.722934/201507 Acórdão n.º 3401005.920 S3C4T1 Fl. 3.988 42 (...) § 7ºA lei poderá atribuir ao sujeito passivo de obrigação tributária a condição de responsável pelo pagamento de imposto ou contribuição, cujo fato gerador deva ocorrer posteriormente, assegurada a imediata e preferencial restituição da quantia paga, caso não se realize o fato gerador presumido. Por fim, vale destacar que, em recente julgamento, datado de 23/10/2018, relativo ao processo judicial n° 004018575.2015.4.01.3400, o juízo da 14ª Vara da Justiça Federal de Brasília proferiu decisão favorável ao Recorrente, em caso bastante semelhante, com a única diferença em relação ao tributo discutido (CIDERemessas), nos seguintes termos: Na espécie, a discussão envolve prática muito comum na estrutura contratual adotada por empresas do setor de petróleo e de gás, na qual há a celebração de duas avenças distintas pela petroleira nacional, quais sejam: uma de afretamento, com a empresa proprietária do bem e domiciliada no exterior; outra de prestação de serviços para operação do objeto afretado, firmado com empresa brasileira prestadora de serviços, mormente integrante do mesmo grupo econômico da sociedade estrangeira proprietária do bem. O ponto fulcral da presente demanda é saber se o valor pago a título de afretamento seria, em verdade, remuneração simulada de prestação de serviços, o que justificaria a incidência da CIDE na forma assim sustentada pela União: (...) A Petrobrás aduz que a fiscalização considerou erroneamente que o afretamento é parte integrante e inseparável dos serviços prestados. A RFB entendeu, ainda, que plataformas não são embarcações. (...) Entrementes, quanto à alegação da bipartição artificial de contratos, sobreleva sinalar que o próprio CARF, recentemente, nos autos do processo administrativo n. 16682.721161/201291, em sessão realizada no dia 05/12/2017, por unanimidade, reconheceu a possibilidade de execução simultânea de contratos, aduzindo que a Lei n. 9.481/97, com as alterações estabelecidas pela Lei n. 13.043/2014, trouxe em seu bojo a bipartição de contratos como consequência natural do negócio jurídico. Como a análise fiscal era pertinente a fatos geradores do IRRF, atinente ao anocalendário de 2008, é notório que a própria Administração Fazendária, por meio de seu órgão julgador e colegiado, tenha admitido que tal norma apenas reconheceu uma situação de fato em benefício do contribuinte. Ainda nesta assentada, fixou o entendimento de que “as plataformas (fixas e flutuantes) devem ser consideradas como embarcações”. Fl. 3988DF CARF MF Processo nº 16682.722934/201507 Acórdão n.º 3401005.920 S3C4T1 Fl. 3.989 43 (...) Com efeito, a Lei n. 13.043/2014, acrescentando parágrafos ao artigo 1º da Lei n. 9.481/1997, assim estabeleceu: (...) Ao assim dispor, a legislação prevê a possibilidade de execução simultânea dos contratos de afretamento ou aluguel de embarcações marítimas e prestação de serviços, com pessoas jurídicas vinculadas entre si, estabelecendo, para fins de alíquota do imposto de renda na fonte, os percentuais máximos da parcela relativa ao afretamento ou aluguel. A título elucidativo, ressalto que a recente alteração dos supracitados incisos pela Lei n. 13.586/2017 colocou uma pá de cal sobre a discussão quanto à possibilidade de execução simultânea dos contratos de afretamento e prestação de serviços, o que veio a ser corroborado pela Instrução Normativa n. 1.778, de 19/12/20173, por meio da qual a Receita Federal do Brasil esclarece os procedimentos a serem adotados pelos contribuintes nesses casos, especialmente no que se refere à fruição da alíquota zero do IRRF em operações de afretamento e aluguel de embarcações para atividades de exploração e produção de petróleo e gás. Pelo que consta do Termo de Verificação Fiscal, quanto aos fatos geradores ocorridos no ano de 2008, “na operação, atribuise valor bastante expressivo ao contrato de afretamento (90% da soma dos dois contratos), cujos pagamentos foram destinados ao exterior, sem retenção de serviços, e pago à contratada nacional, com retenção de imposto. Valor menor (10% do total) foi atribuído à prestação de serviços, e pago à contratada nacional com retenção de imposto” (fl. 65verso). A Solução de Consulta Cosit 225/2014, formulada quando da contratação da construção e afretamento de embarcações de última geração para utilização por pessoa jurídica domiciliada no exterior e seus parceiros na exploração de petróleo em águas profundas e ultraprofundas, conclui que, “respeitados os aspectos acima citados nesta solução de consulta, o pagamento, crédito, emprego ou remessa da contraprestação do contrato de afretamento de navios sonda está enquadrado no inciso I do art. 1º da Lei n. 9.841/97, estando sujeito à alíquota zero do IRRF” (fls. 197/200). Posteriormente, a Solução de Consulta Cosit n. 12/2015, formulada por pessoa jurídica no exterior, concluiu que “o pagamento, crédito, emprego ou remessa da contraprestação do contrato de afretamento de plataforma semissubmerssível está sujeito à alíquota zero do IRRF. A parcela relativa ao contrato de afretamento estará limitada a 80% do valor global do contrato, quando houver execução simultânea de prestação de serviço, relacionados à prospecção e Fl. 3989DF CARF MF Processo nº 16682.722934/201507 Acórdão n.º 3401005.920 S3C4T1 Fl. 3.990 44 exploração de petróleo ou gás natural, celebrados com pessoas jurídicas vinculadas entre si (fl. 202). Sendo assim, em que pese a legislação citada (Lei nº 13.043/2014) ser posterior aos fatos geradores e versar sobre tributo diverso (IR) daquele discutido nos autos (CIDE), ela é, não se pode negar, o reconhecimento expresso pela lei da autonomia do contrato de afretamento diante do contrato de prestação de serviço, o que, por conseguinte, demonstra o excesso na lavratura do Auto de Infração em espeque, que tomou por base o valor total dos contratos, sem indicação da quantia considerada abusiva no contrato de afretamento. Esclareço que não se trata de retroatividade de norma interpretativa, mas apenas de paradigma legislativo que reconhece uma situação fática há tempos existente como prática comercial. Nem o contribuinte está certo em superfaturar o contrato de afretamento nem a RFB está com a razão em considerar o valor total dos contratos, como negócio jurídico único, para o fim de proceder ao lançamento e, nessa esteira, fixar multa pela suposta sonegação. Aliás, o Auto é, inclusive, contrário ao novel entendimento do próprio CARF na análise da existência do contrato de afretamento em conjunto com o de prestação de serviços no setor petroleiro, realidade legislativa inconteste, conforme já explicitado. (...) Por essas razões, ante o excesso verificado, a anulação do auto de infração é medida que se impõe. Pelo exposto, confirmo a decisão que antecipou os efeitos da tutela e acolho o pedido autoral para anular o Auto de Infração que deu origem ao processo administrativo fiscal n. 16682.721162/201235, cancelando qualquer cobrança a ele pertinente, facultando à ré a lavratura de novo lançamento, nos termos do art. 148 do CTN, conforme explicitado na fundamentação (art. 487, I, do CPC). O art. 148 do CTN é o que determina a utilização do arbitramento para o cálculo do tributo: Art. 148. Quando o cálculo do tributo tenha por base, ou tome em consideração, o valor ou o preço de bens, direitos, serviços ou atos jurídicos, a autoridade lançadora, mediante processo regular, arbitrará aquele valor ou preço, sempre que sejam omissos ou não mereçam fé as declarações ou os esclarecimentos prestados, ou os documentos expedidos pelo sujeito passivo ou pelo terceiro legalmente obrigado, ressalvada, em caso de contestação, avaliação contraditória, administrativa ou judicial. Fl. 3990DF CARF MF Processo nº 16682.722934/201507 Acórdão n.º 3401005.920 S3C4T1 Fl. 3.991 45 Dessa forma, entendo equivocado o lançamento do PISImportação e da CofinsImportação pela Autoridade Fiscal. Pelo exposto, voto por dar provimento integral ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Lázaro Antonio Souza Soares Fl. 3991DF CARF MF
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