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Numero do processo: 16682.721751/2015-66
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Jan 31 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Wed Apr 24 00:00:00 UTC 2019
Numero da decisão: 3201-001.736
Decisão:
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em remeter os autos para a unidade de origem, a fim de que sejam apensados, por conexão de matérias, ao processo em que tratado o PER/DCOMP respectivo.
(assinado digitalmente)
Charles Mayer de Castro Souza - Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza (Presidente), Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisário, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinícius Toledo de Andrade, Laércio Cruz Uliana Júnior.
Nome do relator: CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA
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decisao_txt : Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em remeter os autos para a unidade de origem, a fim de que sejam apensados, por conexão de matérias, ao processo em que tratado o PER/DCOMP respectivo. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza - Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza (Presidente), Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisário, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinícius Toledo de Andrade, Laércio Cruz Uliana Júnior.
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(assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza (Presidente), Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisário, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinícius Toledo de Andrade, Laércio Cruz Uliana Júnior. Relatório O Trata o presente processo de auto de infração de multa em decorrência de DCOMP não homologada. O contribuinte foi cientificado e apresentou impugnação que, após o julgamento, manteve a cobrança do crédito tributário. Inconformada, a ora Recorrente apresentou, no prazo legal, Recurso Voluntário, por meio do qual requer que a decisão da DRJ seja reformada, alegando que: RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 66 82 .7 21 75 1/ 20 15 -6 6 Fl. 285DF CARF MF Processo nº 16682.721751/201566 Resolução nº 3201001.736 S3C2T1 Fl. 3 2 Do Direito Da Nulidade do Auto de Infração A Recorrente alega que a aplicação da multa, no presente caso, não encontra motivação válida, uma vez que não restou demonstrado no auto de infração qualquer conduta ilícita ou abusiva por parte da impugnante. Em seu apoio cita doutrina e jurisprudência. Cumulação de Multa Configurando BIS IN IDEM A Recorrente alega que há cumulação da multa de ofício com a multa de mora, entendendo que as duas multas partilham da mesma essência. Nesse raciocínio afirma que a intenção de fazer incidir a multa isolada, sem qualquer evidência de ilicitude ou abusividade, configura verdadeiro bis in idem. Da Apensação A Recorrente explica que a cobrança da multa, prevista no art. 74 §17 da Lei nº 9.430/96, ocorreu em virtude da não homologação do PER/DCOMP constante do PAF 16682.720030/201539. Nesse sentido, exige que os autos deste processo sejam juntados por apensação ao PAF 16682.720030/201539. Da Suspensão No caso dos processos não serem juntados, a Recorrente pede a suspensão do presente processo até o trânsito em julgado do PAF 16682.720030/201539. Nessa linha, argumenta que este processo seria subsidiário ao PAF 16682.720030/201539. Dos Pedidos Ao final requer: a) seja anulado o presente auto de infração ante a inexistência de conduta ilícita ou abusiva do contribuinte a justificar a aplicação da penalidade prevista no art. 74 §§15 e 17, da Lei nº 9.430/96, na redação da Lei nº 12.249/2010; b) na eventualidade de superar os itens anteriores, que seja reconhecida a cobrança de multa em bis in idem, uma vez que a multa de mora, única devida no presente caso (na hipótese da manifestação de inconformidade não logre o êxito almejado pela contribuinte, fato que se admite pela necessidade de argumentação), não pode ser acrescida da multa isolada, uma vez que não houve qualquer comprovação de ilicitude ou abusividade a ensejar a sua incidência; c) a apensação do presente processo ao PAF 16682.720030/201539; d) que todas as intimações pertinentes a este processo sejam feitas ao procurador da requerente. É o relatório. Fl. 286DF CARF MF Processo nº 16682.721751/201566 Resolução nº 3201001.736 S3C2T1 Fl. 4 3 Voto Conselheiro Charles Mayer de Castro Souza, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido na Resolução nº 3201001.718, de 31 de janeiro de 2019, proferido no julgamento do processo 16682.721714/201558, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevemse, como solução deste litígio, nos termos regimentais, os entendimentos que prevaleceram naquela decisão (Resolução nº 3201001.718): "Em breve síntese a Recorrente explica que a cobrança da multa, prevista no art. 74 §17 da Lei nº 9.430/96, ocorreu em virtude da não homologação do PER/DCOMP 14194.20200.240211.1.7.041872 constante do PAF 16682.7200030/201539. Nesse sentido, requer que os autos deste processo sejam juntados por apensação ao PAF 16682.720030/201539. Em atendimento ao requerimento da recorrente, resolvo em remeter os autos para a unidade de origem, a fim de que sejam apensados, por conexão de matérias, ao processo em que tratado o PER/DCOMP respectivo. Após a juntada o processo deve retornar ao CARF para continuidade do julgamento." Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado decidiu remeter os autos para a unidade de origem, a fim de que sejam apensados (ou confirmada a apensação), por conexão de matérias, ao processo em que tratado o PER/DCOMP respectivo. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza Fl. 287DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13603.720128/2007-21
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 12 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Thu Mar 28 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural - ITR
Exercício: 2004
INTIMAÇÃO POR EDITAL. REGULARIDADE
A intimação poderá ser realizada por edital, quando demonstrando que a intimação via postal foi improfícua.
RECURSO VOLUNTÁRIO. INTEMPESTIVO.
É intempestivo o recurso voluntário apresentado após o decurso do prazo de trinta dias, contados da data de ciência da decisão de primeira instância.
Numero da decisão: 2202-005.023
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso.
(assinado digitalmente)
Ronnie Soares Anderson. - Presidente
(assinado digitalmente)
Rorildo Barbosa Correia - Relator
Participaram do presente julgamento os conselheiros Marcelo de Sousa Sáteles, Martin da Silva Gesto, Ricardo Chiavegatto de Lima, Ludmila Mara Monteiro de Oliveira, Rorildo Barbosa Correa, José Alfredo Duarte Filho (suplente convocado), Leonam Rocha de Medeiros e Ronnie Soares Anderson. Ausente a conselheira Andrea de Moraes Chieregatto
Nome do relator: RORILDO BARBOSA CORREIA
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural - ITR Exercício: 2004 INTIMAÇÃO POR EDITAL. REGULARIDADE A intimação poderá ser realizada por edital, quando demonstrando que a intimação via postal foi improfícua. RECURSO VOLUNTÁRIO. INTEMPESTIVO. É intempestivo o recurso voluntário apresentado após o decurso do prazo de trinta dias, contados da data de ciência da decisão de primeira instância.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso. (assinado digitalmente) Ronnie Soares Anderson. - Presidente (assinado digitalmente) Rorildo Barbosa Correia - Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros Marcelo de Sousa Sáteles, Martin da Silva Gesto, Ricardo Chiavegatto de Lima, Ludmila Mara Monteiro de Oliveira, Rorildo Barbosa Correa, José Alfredo Duarte Filho (suplente convocado), Leonam Rocha de Medeiros e Ronnie Soares Anderson. Ausente a conselheira Andrea de Moraes Chieregatto
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REGULARIDADE A intimação poderá ser realizada por edital, quando demonstrando que a intimação via postal foi improfícua. RECURSO VOLUNTÁRIO. INTEMPESTIVO. É intempestivo o recurso voluntário apresentado após o decurso do prazo de trinta dias, contados da data de ciência da decisão de primeira instância. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso. (assinado digitalmente) Ronnie Soares Anderson. Presidente (assinado digitalmente) Rorildo Barbosa Correia Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros Marcelo de Sousa Sáteles, Martin da Silva Gesto, Ricardo Chiavegatto de Lima, Ludmila Mara Monteiro de Oliveira, Rorildo Barbosa Correa, José Alfredo Duarte Filho (suplente convocado), Leonam AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 60 3. 72 01 28 /2 00 7- 21 Fl. 321DF CARF MF 2 Rocha de Medeiros e Ronnie Soares Anderson. Ausente a conselheira Andrea de Moraes Chieregatto Relatório Tratase de recurso voluntário interposto contra o acórdão nº 0331.495 proferido pela 1ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Brasília/DF DRJ/BSA, a qual julgou procedente o lançamento e manteve o crédito tributário correspondente ao Imposto Territorial Rural ITR, exercício de 2004, referente ao imóvel rural denominado Fazenda Bela Vista, com área total de 622,5 ha., NIRF 3.578.7686, localizado no município de Sarzedo/MG (fls. 252/269 e 284/311). Do Lançamento Tributário No tocante ao lançamento tributário, o relatório que acompanha a decisão da DRJ/BSA (fl. 254) mencionou o seguinte: Contra a contribuinte interessada foi emitida, em 01.10.2007, a Notificação de Lançamento n° 06110/00007/2007 de fls. 01/05, pelo qual se exige o pagamento do crédito tributário no montante de R$ 512.988,95, a título de Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural ITR, do exercício de 2004, acrescido de multa de oficio (75,0%) e juros legais calculados até 28.09.2007, incidentes sobre o imóvel rural denominado "Fazenda Bela Vista", cadastrado na RFB, sob o n° 3.578.7686, com área de 622,5 ha, localizado no Município de Sarzedo/MG. Regulamente intimada do lançamento, a Agro Industrial Bela Vista Ltda apresentou impugnação que foi julgada improcedente pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Brasília DRJ/BSA (fls. 252/269). Da Decisão da Delegacia da Receita Federal de Julgamento Quando da apreciação do caso, a Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Brasília/DF julgou procedente o lançamento, conforme ementas a seguir transcritas (fls. 252/253): ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL ITR Exercício: 2004 DA NULIDADE DO LANÇAMENTO CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. Tendo a contribuinte compreendido as matérias tributadas e exercido de forma plena o seu direito de defesa, por meio da entrega tempestiva de sua impugnação, não há que se falar em NULIDADE do lançamento, que contém todos os requisitos obrigatórios previstos no Processo Administrativo Fiscal PAF. A intimação inicial para apresentação de documentos não é de natureza obrigatória, podendo ser dispensada, a critério da autoridade fiscal. Fl. 322DF CARF MF Processo nº 13603.720128/200721 Acórdão n.º 2202005.023 S2C2T2 Fl. 322 3 DAS ÁREAS DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE E DE RESERVA LEGAL. As áreas de preservação permanente e de reserva legal, para fins de exclusão do ITR, cabem ser reconhecidas como de interesse ambiental pelo IBAMA, ou pelo menos, que seja comprovada a protocolização, em tempo hábil, do requerimento do competente ADA. DO VALOR DA TERRA NUA Para fins de revisão do VTN arbitrado pela fiscalização, com base nos VTN/ha apontados no SIPT, exigese que o Laudo Técnico de Avaliação, emitido por profissional habilitado, atenda aos requisitos das Normas da ABNT, demonstrando, de forma inequívoca, o valor fundiário do imóvel e a existência de possíveis características particulares desfavoráveis, que pudessem justificar o valor pretendido. DA MULTA DE OFÍCIO LANÇADA E DOS JUROS DE MORA. Apurado imposto suplementar em procedimento de fiscalização, no caso de informação incorreta na declaração do ITR e/ou subavaliação do VTN declarado, cabe exigilo juntamente com os juros e a multa aplicados aos demais tributos. Lançamento Procedente Da Ciência ao Contribuinte da Decisão de Primeira Instância Administrativa O acórdão nº 0331.495 foi julgado pela 1ª Turma da DRJ/BSA em 17 de junho de 2009, com a decisão foi encaminhado, em 24 de julho de 2009, para ciência ao contribuinte, por via postal, para o endereço Fazenda Bela Vista, s/n, Bairro Sarzedo, Ibirité/MG, sendo devolvido pelos Correios à RFB, como não procurado (fls. 274/275). A decisão do referido acórdão foi novamente encaminhada, em 30 de setembro de 2009, para ciência ao contribuinte, por via postal, para o endereço Rua Felipe do Santos, 667 apto 104 Bairro de Lourdes Belo Horizonte MG, sendo devolvido pelos Correios à RFB, com três tentativas de entrega não concretizadas (fls. 276/277). Após duas tentativas de ciência ao contribuinte por vai postal não realizadas, a Delegacia da Receita Federal do Brasil em Contagem/MG, com o objetivo de cientificar a empresa, em 04 de novembro de 2009, publicou o edital nº 061/2009 intimado à contribuinte para, no prazo de quinze dias, tomar ciência do acórdão referente à decisão proferida pela DRJ/BSA, com a retirada do edital em 19 de novembro de 2009 e, logo em seguida, lavrou o Termo de Perempção (fls. 278/279). Do Recurso Voluntário A Recorrente apresentou recurso voluntário (fls. 284/311 e 320), em primeiro de março de 2010, contestando a decisão da DRJ/BSA. Em sede de recurso voluntário, a recorrente se insurgiu contra o acórdão da decisão proferida pela DRJ/BSA, preliminarmente alegando ausência de perempção e a tempestividade do recurso, afirmando que tomou ciência do teor da decisão, ora recorrida, em 09 de fevereiro de 2010 e que o recurso deve ser recebido com efeito suspensivo. Fl. 323DF CARF MF 4 A recorrente questionou a intimação por meio de edital, alegando que houve ilegalidade neste procedimento (fls. 286/290): O meio do edital somente deve ser utilizado quando restarem improfícuos os outros meios de intimação, ou seja, via postal e via pessoal. E isso inclui, obviamente, a notificação por meio dos procuradores regularmente constituídos.(fl. 290 ). Contestando o acórdão nº 0331.495 proferido pela 1ª Turma DRJ/BSA, a recorrente alegou que houve nulidade, afirmando que (fl. 292): 16) Ora, tal decisão não se pode admitir!! A própria relatora entende que o procedimento de intimação "visa evitar a formalização de notificações e autos de infração inconsistentes, desnecessários, em prejuízo da administração tributária e do próprio contribuinte, que teria que arcar com os custos de sua defesa". Além disso, como ela mesma afirmou, o termo é dispensado quando o auditor fiscal entende ser o mesmo desnecessário. No presente caso, se o auditor entendeu necessário que a recorrente prestasse esclarecimentos, o prazo para sua prestação deveria ter sido respeitado. No seu recurso, em relação a área de reserva legal e área de preservação permanente, a recorrente se insurgiu contra a decisão da DRJ/BSA, alegando o seguinte (fls. 292/299): 27) Conforme já mencionado, mesmo exaustivamente comprovada a existência das áreas de reserva legal e preservação permanente, e o entendimento dominante de que a apresentação do ADA não é determinante para a isenção do ITR, a recorrente requereu, em 2007, referente ao exercício de 2006, seu ADA. 28) Ora, por todo exposto percebese que (e não poderia ser diferente) que o que determina a exclusão das áreas de reserva legal e de preservação permanente são a sua existência material, e sendo a mesma comprovada, como ocorreu no presente caso, não há que falar em desconsideração da mesma em virtude de sua comprovação não se dar por meio do ADA, devendo, portanto a presente decisão ser reformada para retirar da área tributável do imposto as áreas declaradas e comprovadamente existentes relativas à preservação permanente e reserva legal. Em relação ao valor da terra nua VTN, a recorrente apresentou laudo de avaliação elaborado por engenheiro com a finalidade de demonstrar o VTN, alegando o seguinte (fls. 299/306 ): O Laudo referente à Fazenda Boa Vista alcança a pontuação necessária, conforme exigido nas Tabelas 1 e 2 do item 9.2 e Tabela 3 do item 9.3 da NBR citada acima, pois atinge mais do que os 36 pontos exigidos para Fundamentação II, bem como a amplitude, conforme pontuação apresentada pelo Engenheiro Agrônomo Rodrigo Octávio Monteiro de Sousa Lima, responsável pelo Laudo • Técnico (doc. 2). (fl. 302). Fl. 324DF CARF MF Processo nº 13603.720128/200721 Acórdão n.º 2202005.023 S2C2T2 Fl. 323 5 Assim, diante do exposto, requerse que seja reformada a decisão constante do Acórdão 0331.495, substituindo o valor arbitrado pelo fiscal, com base no SPIT, que aponta o valor de R$ 8.000,00 por hectare (4.864.000,00 pela área total), pelo valor constante do laudo técnico de R$ 1233,08 (hum mil duzentos e trinta e três reais e oito centavos) por hectare, no periodo considerado, segundo laudo técnico, elaborado segundo os parâmetros requeridos pela Receita, com minuciosa pesquisa realizada junto a órgãos oficiais e privados, corret ores especializados, proprietários, por ser o valor gerado pelo SPIT totalmente incompatível com a realidade da região em que se encontra a propriedade.(fl. 306). Alegou ainda que houve inconstitucionalidade na aplicação da multa e na aplicação da Taxa Selic (fls. 306/310): 40) Primeiramente, em relação à multa aplicada, este percentual previsto na lei 9430196, de 75%, é flagrantemente inconstitucional, por majorar de forma absurdaa penalidade pelo não cumprimento da obrigação principal.(fl. 307). 41) Também se configura inconstitucional a taxa utilizada para cálculo dos juros de mora, como já demonstrado na impugnação apresentada. Vale destacar, mais uma vez, que a Administração pode sim, aliás, tomase um dever, deixar de aplicar norma inconstitucional, pelas razões já expostas.(fl. 308). A Recorrente, com o objetivo de corroborar seus argumentos, ainda apresentou, ao longo do seu recurso, legislação, doutrina, jurisprudências e acórdãos de decisões proferidos pelo CARF. Ao final, a recorrente requer que (fls. 310/311) : a) Que seja recebido o presente recurso com efeito suspensivo, na forma do art. 35 do Decreto 70235/72, com a suspensão da exigibilidade do débito, relativo ao ITR 2004, tido como pendência constante das informações cadastrais da empresa, para que a recorrente não seja impedida de retirarsua certidão negativa junto a Receita Federal; b) Que seja declarada nula a intimação realizada no presente feito, e consequentemente invalidado o termo de perempção, considerandose a não intimação dos procuradores regularmente constituídos bem como a impossibilidade de utilização do edital sem que fossem esgotadas as formas cabíveis de localização da ora recorrente; c) Seja, assim, recebido o presente recurso e analisado seu mérito, pela absoluta ausência de perempção, como demonstrado neste feito; d) Que seja anulado o Termo de Intimação Fiscal 0611010001212007 que gerou a presente notificação de lançamento, uma vez que desrespeitado o prazo para que a recorrente apresentasse a documentação necessária para Fl. 325DF CARF MF 6 esclarecimento da autoridade fiscal, o que tomaria desnecessário o presente feito; e) Que seja reformada a decisão relativa a glosa das áreas de reserva legal e preservação permanente, sendo as mesmas retiradas da base tributável do imposto devido; f) Seja revisto o valor determinado para a terra nua previsto pelo SPIT e substituído pelo valor apontado pelo laudo elaborado por profissional habilitado, no valor de R$ 1233,08 (hum mil duzentos e trinta e três reais e oito centavos) por hectare. g) Que não seja aplicada a multa de 75%, por ser a mesma de caráter claramente confiscatório, e, portanto, inconstitucional; h) Que não seja aplicada a taxa SELIC relativa aos juros de mora, aplicandose o art. 161, § 1º do CTN, por não ser lícita a cobrança de juros remuneratórios não aplicáveis a relações tributárias, como demonstrado acima; i) Caso não entenda esse Egrégio Conselho Administrativo de Recursos Fiscais pela improcedência dos itens V, "g", e "h", pelo princípio da eventualidade, requer sejam aplicados juros e multa apenas sobre o valor real do tributo, descontadas as áreas de reserva legal e de preservação permanente, bem como considerando os valores para terra nua constantes do laudo técnico. A impugnante requer, ainda, seja aberta possibilidade de apresentação de novos documentos caso necessários. Por fim, a recorrente requer seja intimada sempre por meio de seus representantes legais, no seguinte endereço: Rua Timbiras 1560, si. 1103, Bairro Lourdes, Belo HorizonteMG, CEP 30140061. É o relatório. Voto Conselheiro Rorildo Barbosa Correia Relator Preliminar: Alegação de Tempestividade De acordo com o Termo de Encaminhamento emitido pela Seção de Controle e Acompanhamento Tributário da Delegacia da Receita Federal do Brasil em Contagem/MG (fl. 320), a Agro Industrial Bela Vista Ltda apresentou recurso voluntário intempestivamente em primeiro de março de 2010, nos seguintes termos: Por oportuno informo que foram feitas duas tentativas de intimar o interessado a tomar ciência do resultado do julgamento feito pela DRJ/BSA – DF, conforme envelopes que retornaram devolvidos, fl.240 e 241, motivo pelo qual lavrouse Edital de ciência, a qual se deu em 19/11/2009. Observese que a Fl. 326DF CARF MF Processo nº 13603.720128/200721 Acórdão n.º 2202005.023 S2C2T2 Fl. 324 7 intimação de ciência foi enviada para dois endereços: da empresa e do responsável. Por outro lado, a recorrente, em sede de recurso voluntário, se insurgiu contra o acórdão da decisão proferida pela DRJ/BSA, preliminarmente, alegando ausência de perempção e pela tempestividade do recurso, afirmando que tomou ciência do teor da decisão, ora recorrida, em 09 de fevereiro de 2010 e que o recurso deve ser recebido com efeito suspensivo. Dessa forma, como a recorrente alegou tempestividade em seu recurso, fezse necessário apreciar tal alegação, em relação a este ponto. Assim sendo, passouse a analisar em qual momento a recorrente tomou ciência do acórdão nº 0331.495 proferido pela DRJ/BSA. Compulsando os autos, precisamente as folhas 274/277, conforme AR, notase que houve duas tentativas de cientificar a Agro Industrial Bela Vista Ltda por via postal, uma em 24 de julho de 2009 e outra, em 30 de setembro de 2009, nos termos do art. 23, inciso II, do Decreto 70.235/72. Todavia, verificase que as duas tentativas que a DRF/Contagem/MG realizou para cientificar a empresa foram improficuas, não restando outra alternativa ao Órgão preparador, a publicação de edital, conforme disciplina o art. 23, § 1º do Decreto 70.235/72, para dar ciência ao sujeito passivo do acórdão referido. Neste sentido, observase que a DRF/Contagem/MG, com o objetivo de cumprir suas obrigações legais, no que se refere cientificar à empresa do resultado do julgamento, publicou o Edital nº 061/2009 em 04 de novembro de 2009 e desafixouo em 19 de novembro de 2009 (fls. 279), com o seguinte teor: Pelo presente EDITAL, nos termos do artigo 23, item III do Decreto n° 70.235, de 06 de março de 1972, alterado pelo artigo 67 da Lei 9.532, de 10 de dezembro de 1997, por se encontrar(em) em lugar(es) incerto (s) e ignorado(s), fica(m) intimado(s) o(s) contribuinte(s) abaixo relacionado(s), bem como seus representantes legais, a tomarem ciência dos Acórdãos de n° 03 31.495 e 0331.496, de, 17 de junho de 2009, proferidos pela 1ª Turma da DRJ/BSA DF, dentro do prazo de 15 dias, contados do dia da afixação deste, cujo(s) processo(s) se encontra(m) nesta SACAT, 1° andar. Após a publicação do Edital em 04 de novembro de 2009, a contribuinte foi considerada devidamente cientificada do acórdão nº 0331.495 proferido DRJ/BSA, em 19 de novembro de 2009, depois de transcorrido o prazo de 15 dias, conforme dispõe o inciso IV, do § 2°, do art. 23, do Decreto nº 70.235/72. Assim, passado trinta dias da ciência sem que o contribuinte tivesse apresentado alguma contestação sobre a exigência do crédito, a DRF/Contagem/MG emitiu termo de perempção (fl. 279). Transcorrido o prazo regulamentar de 30 (trinta) dias (Decreto n° 70.235/1972, art. 33) e não tendo o interessado apresentado recurso à instância superior da decisão da autoridade de primeira instância, lavrase este termo de perempção na forma da legislação vigente. Fl. 327DF CARF MF 8 Por sua vez, o Recurso Voluntário foi apresentado no dia 01/03/2010 (fls. 284/311), conforme Termo de Encaminhamento emitido pela Seção de Controle e Acompanhamento Tributário da Delegacia da Receita Federal do Brasil em Contagem/MG (fl. 320), no qual o sujeito passivo alegou que houve irregularidade na intimação realizada (285/286): Ora, é flagrante a irregularidade da intimação realizada. Primeiramente, pela não tentativa de localização dos procuradores regularmente constituídos da ora recorrente; e, além disso, pelo absurdo não encaminhamento da carta de cobrança nem à parte pessoalmente, nem a seus procuradores. 06) Assim, o presente recurso é tempestivo, uma vez que o inicio do prazo deve contar a partir da ciência do interessado, o que, repitase, ocorreu somente em 09/02/2010, quando o mesmo fez o requerimento de certidão negativa. Neste ponto, entendo que não podem prosperar os argumentos e os questionamentos apresentados pela recorrente, pois não houve nenhuma irregularidade quando da realização da ciência do resultado do julgamento de primeira instância administrativa, uma vez que o acórdão proferido pela DRJ/BSA foi encaminhado por via postal para o endereço da contribuinte, como previsto no art. 23, inciso II, do Decreto nº 70.235/72, como resultou improfícua a tentativa de ciência, a contribuinte foi intimada por edital, nos termos do art. 23, § 1º, do Decreto nº 70.235/72. Isto posto, notase que as alegações apresentadas pela recorrente, questionando a tempestividade, não encontram suporte no ordenamento jurídico de que trata a matéria, uma vez que a forma de intimação do contribuinte está definida pelo art. 23 do Decreto 70.235/72 e foi fielmente cumprida pela órgão preparador. Além disso, cabe frisar que os prazos não se suspendem, salvo motivo de força maior devidamente comprovado, o que não é o caso, conforme dispõe o artigo 67 da Lei nº 9.784 de 29 de janeiro de 1999. Neste caso, como o recurso voluntário foi interposto em 01/03/2010, após o prazo regulamentar de 30 dias, conforme disciplinado pelo art. 33 do Decreto n° 70.235, de 06 de março de 1972, há que se declarar o recurso intempestivo. No mesmo sentido, cabe frisar que a aplicabilidade do art. 28 do referido decreto nº 70.235/72 ficou prejudicada, dada a incompatibilidade entre a preliminar e o mérito. Art. 28. Na decisão em que for julgada questão preliminar será também julgado o mérito, salvo quando incompatíveis, e dela constará o indeferimento fundamentado do pedido de diligência ou perícia, se for o caso. (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) (grifos nossos) Deste modo, como não foi acolhida a preliminar de tempestividade argüida, ocorreu a preclusão processual, ficando impedido o julgador de apreciar as razões de mérito e de conhecer o teor do recurso voluntário. Por este motivo, temse por inócua quanto à possibilidade de suspensão do crédito tributário, na forma do Art. 151, III, do Código Tributário Nacional, limitandose o presente voto à apreciação da preliminar de tempestividade invocada. Destarte, não conheço das razões de mérito do recurso voluntário apresentado, haja vista que a intempestividade é prejudicial ao exame do mérito. Fl. 328DF CARF MF Processo nº 13603.720128/200721 Acórdão n.º 2202005.023 S2C2T2 Fl. 325 9 Decisão Diante do exposto, voto por não conhecer do recurso voluntário. (assinado digitalmente) Rorildo Barbosa Correia Fl. 329DF CARF MF
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Numero do processo: 13896.907882/2016-16
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Mar 28 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Tue Apr 23 00:00:00 UTC 2019
Numero da decisão: 3201-001.889
Decisão:
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do Recurso em diligência.
(assinado digitalmente)
Charles Mayer de Castro Souza - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza, Marcelo Giovani Vieira, Tatiana Josefovicz Belisario, Paulo Roberto Duarte Moreira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laercio Cruz Uliana Junior.
Relatório
Nome do relator: CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA
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(assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza, Marcelo Giovani Vieira, Tatiana Josefovicz Belisario, Paulo Roberto Duarte Moreira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laercio Cruz Uliana Junior. Relatório Trata o processo de Recurso Voluntário contra decisão que julgou improcedente a manifestação de inconformidade em face da não homologação da compensação apresentada pela contribuinte. Segundo o despacho decisório, as compensações não foram homologadas em razão de não ter sido apurada a existência de direito creditório. Tais conclusões, ao que consta, encontram amparo no Termo de Verificação Fiscal carreado aos autos. No aludido TVF, emitido em decorrência da necessidade de análise das DCTF retificadoras apresentadas e, também, dos esclarecimentos que posteriormente foram prestados pela contribuinte, consta que “as receitas auferidas pela CATHO, decorrentes de sua atividade RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 38 96 .9 07 88 2/ 20 16 -1 6 Fl. 480DF CARF MF Processo nº 13896.907882/201616 Resolução nº 3201001.889 S3C2T1 Fl. 3 2 fim, não se enquadram na exceção prevista no inciso XXV do artigo 10 da Lei nº 10.833/2003, estando sujeitas, portanto, ao regime NÃO CUMULATIVO de apuração do PIS e do COFINS.” Consta, portanto, que as DCTF retificadoras não deveriam ser homologadas e que, por não existirem, os créditos não deveriam ser reconhecidos. Na manifestação de inconformidade apresentada, a contribuinte, após resumo dos fatos, esclarece que houve mudança no controle acionário da empresa e que, em razão disso, foi submetida a uma profunda revisão de políticas e procedimentos. Em decorrência, diz que teria identificado que suas atividades vinham sendo indevidamente qualificadas para fins de PIS e de Cofins, sendo necessário, portanto, a retificação das DCTF. A seguir, discorre sobre a sua atividade. Afirma que os serviços prestados não abrangem promessa de emprego ou obrigação presente ou futura de recolocação ou obtenção de emprego para seus clientes. Aduz, ainda, que o seu site na internet “é somente uma ferramenta online que permite ao assinante consultar vagas, enviar currículos e acessar demais conteúdos aí disponibilizados” sem “qualquer garantia de colocação profissional” nem “qualquer cobrança relacionada a essas atividades.” Em suma, conforme afirma, “simplesmente disponibiliza conteúdo na Internet aos Assinantes e não desenvolve qualquer atividade de intermediação.” Salienta que se qualifica como empresa de Internet, com atividade de portal ou empresa provedora de conteúdo e de informações, e que sua atividade vem descrita na Norma 004/95, aprovada pela Portaria nº 148, de 1995, item 3, letras ‘e’ e ‘f’ do Ministério das Comunicações. Objetivando o acesso às informações especializadas que são disponibilizadas, afirma que desenvolveu ferramenta própria (software), “cujo uso é liberado/cedido para seus clientes, os Assinantes.” Insiste que não promove a intermediação de contratação de mão de obra. Aduz que “sua tarefa se esgota em permitir o acesso à informação que integra seus bancos de dados: currículos e vagas.” Chama a atenção para o contido no inc. XXV do art. 10 da Lei nº 10.833, de 2003 e diz que conforme Solução de Consulta nº 309, de 2011, “a RFB confirmou, expressamente, que, para o contribuinte aplicar o regime cumulativo dessas contribuições sociais, basta exercer apenas uma das atividades mencionadas no inciso XXV citado anteriormente.” Na seqüência, diz que se deve destacar “que a simples não homologação das declarações retificadoras não é fato que, por si só, é capaz de fundamentar a não homologação das compensações realizadas.” Diz ser incabível a revisão de ofício da homologação pois ela não teria ocorrido por erro “mas sim pelo correto enquadramento legal da situação ora analisada”. Se houve erro, aduz, ele teria ocorrido com a revisão. Reclama, ainda, que não existe base legal para a revisão de ofício. Insiste na necessidade de cancelamento do despacho decisório. Ao final, requer a reforma do despacho decisório e a homologação das compensações. Subsidiariamente requer o cancelamento do despacho decisório em face da Fl. 481DF CARF MF Processo nº 13896.907882/201616 Resolução nº 3201001.889 S3C2T1 Fl. 4 3 impossibilidade de revisão de ofício no caso de erro de direito. Protesta pelo direito de provar o alegado por todos os meios de prova e informa que “não está questionando judicialmente a matéria discutida nestes autos.” A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Curitiba/PR julgou improcedente a manifestação de inconformidade do contribuinte e não reconheceu o direito creditório. Inconformada a contribuinte, apresentou recurso voluntário no qual repisa mesmos argumentos pleiteados em manifestação de inconformidade para o deferimento integral dos valores que constam do pedido de restituição. Suscita em seu pedido: i. Seja declarada a nulidade do v. acórdão recorrido, com o retorno dos autos à origem, para que (a) nova decisão seja proferida, com adstrição aos limites objetivos da lide fixados no Termo de Verificação Fiscal e na manifestação de inconformidade; ou (b) subsidiariamente, para que seja devolvido à recorrente o prazo para manifestação, garantindo lhe o exercício do direito de defesa em relação aos pontos novos suscitados pelo v. acórdão, tudo sob pena de contrariedade e negativa de vigência aos arts. 16, 17 e 18, parágrafo 3o, do Decreto n. 70.235, à luz do art. 5o, inciso LIV e LV, da Constituição de 1988; ii. Na eventualidade da superação da preliminar acima, seja reformado o v. acórdão, com o integral cancelamento das exigências fiscais, em razão da declaração: a. da nulidade do r. despacho decisório, por ter configurado revisão de ofício de lançamento, por erro de direito, com violação aos arts. 145 e 149 do CTN; b. da nulidade do r. despacho decisório, por carência de motivação, por ter se baseado em termo de verificação fiscal que não analisou o direito creditório discutido nestes autos, com violação ao art. 9o do Decreto n. 70,235; c. da improcedência do r. despacho decisório, tendo em vista a legitimidade da inclusão das receitas da recorrente no regime cumulativo de apuração da contribuição ao PIS e da COFINS, com a consequente homologação da declaração de compensação, sob pena de contrariedade e negativa de vigência aos arts. 10, inciso XXV e 15, inciso V, da Lei n. 10.833; d. eventualmente, caso se entenda que a requerente se encontra submetida ao regime não cumulativo das contribuições, seja reconhecida a inexistência de crédito tributário passível de cobrança, sob pena de bis in idem. É o relatório. Voto Conselheiro Charles Mayer de Castro Souza, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido na Resolução nº Fl. 482DF CARF MF Processo nº 13896.907882/201616 Resolução nº 3201001.889 S3C2T1 Fl. 5 4 3201001.853, de 26 de março de 2019, proferido no julgamento do processo 13896.720975/201638, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevemse, como solução deste litígio, nos termos regimentais, os entendimentos que prevaleceram naquela decisão (Resolução nº 3201001.8539): "O Recurso Voluntário atende aos requisitos de admissibilidade, razão pela qual dele tomo conhecimento. Antes de adentrar ao exame do Recurso apresentado, cumpre esclarecer que o presente processo tramita na condição de paradigma, nos termos do art. 47 do Anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 09 de junho de 2015: Art. 47. Os processos serão sorteados eletronicamente às Turmas e destas, também eletronicamente, para os conselheiros, organizados em lotes, formados, preferencialmente, por processos conexos, decorrentes ou reflexos, de mesma matéria ou concentração temática, observando se a competência e a tramitação prevista no art. 46. § 1º Quando houver multiplicidade de recursos com fundamento em idêntica questão de direito, o Presidente de Turma para o qual os processos forem sorteados poderá sortear 1 (um) processo para definilo como paradigma, ficando os demais na carga da Turma. § 2º Quando o processo a que se refere o § 1º for sorteado e incluído em pauta, deverá haver indicação deste paradigma e, em nome do Presidente da Turma, dos demais processos aos quais será aplicado o mesmo resultado de julgamento. Nesse aspecto, é preciso esclarecer que cabe a este Conselheiro o relatório e voto apenas deste processo, ou seja, o entendimento a seguir externado terá por base exclusivamente a análise dos documentos, decisões e recurso anexados neste processo. Feito tal esclarecimento, passase ao exame das razões de Recurso. A pretensão da contribuinte de requalificar a natureza jurídica de seus serviço, de intermediação para atividades de internet, enquadrando as receitas auferidas no regime cumulativo foi indeferido no despacho decisório proferido com base nas conclusões do TVF que consta do dossiê nº 10010.014822/021604, formalizado para análise das DCTFs retificadoras transmitidas para espelharem o procedimento de requalificação. De fato, concluiu o procedimento fiscal que os serviços prestados pelo contribuinte não poderiam ser qualificados como serviços de internet (art. 10, XXV e art. 15, V, da Lei nº 10.833/03), mas sim de intermediação, mantendoos no regime de apuração não cumulativo. Fl. 483DF CARF MF Processo nº 13896.907882/201616 Resolução nº 3201001.889 S3C2T1 Fl. 6 5 A principal matéria em litígio envolve a rejeição pela autoridade fiscal em sede de despacho decisório da requalificação das atividades da recorrente e a mudança para o regime cumulativo de apuração da Contribuição para o PIS e para a Cofins. Os argumentos da fiscalização são no sentido de que o regime a que se submete as receitas das atividades desenvolvidas pela Catho para apuração e recolhimento continuava a ser o da não cumulatividade, pois não se tratam de serviços de informática (desenvolvimento de software ou de páginas eletrônicas) nos termos do art. 10, XXV, da Lei nº 10.833/03 uma vez que a atividade seria a prestação de serviços de intermediação ao profissional que busca se posicionar no mercado de trabalho. Nada obstante, o TVF assevera que para que a receita auferida subsumase à sistemática da apuração cumulativa devese comprovar que esta (receita) advenha da prestação de alguns dos serviços listados no referido dispositivo da Lei 10.833/03. Pois bem, compulsando os autos, em especial os termos e demais peças que constam do dossiê nº 10010.014822/021604 verificase que em momento algum a contribuinte fora intimada a comprovar a natureza de suas receitas. Ao contrário, a intimação limitouse a solicitar esclarecimentos e informações que resultaram na requalificação das receitas, como se vê: De ressaltar, contudo, que o fundamento para o indeferimento do pleito creditório é a natureza da receitas das atividades prestadas pela Catho conforme descritos nos autos, que não se qualificam como sujeitas à apuração cumulativa. O acórdão da DRJ trilha o mesmo fundamento de indeferimento e não homologação das compensações exarados no despacho decisório. Evidenciouse naquela decisão que o sítio da internet da Catho é uma mera ferramenta para quer o assinante consulte vagas de trabalho, envie currículos e acesse outros conteúdos. Poderseia concordar com os argumentos daqueles julgadores conquanto não trouxessem argumento subsidiário no qual reconhecem a possibilidade da contribuinte fazer prova de que determinadas atividades auferem receitas cuja apuração se dá no regime cumulativo. Vejase o excerto do voto condutor do acórdão recorrido: É possível concluir, portanto, que algumas de suas receitas podem estar sujeitas à apuração cumulativa das contribuições, ensejando, assim, a real possibilidade de enquadramento da empresa na modalidade de apuração mista das contribuições Fl. 484DF CARF MF Processo nº 13896.907882/201616 Resolução nº 3201001.889 S3C2T1 Fl. 7 6 (circunstância que, sendo eficazmente comprovada, pode evidenciar um possível erro no preenchimento da DCTF original). A forma como a existência de tal erro – que deve ser corrigido via DCTF retificadora – pode vir a ser acatado administrativamente irá depender da apresentação de provas (conforme estabelece o §1º do art. 147 do CTN), baseadas na escrituração contábil/fiscal do período analisado, ou seja, da apresentação de provas capazes de demonstrar, sem possibilidade de dúvida, quais receitas foram efetivamente auferidas nos períodos sob análise e a que tipo de serviço/atividade elas se vinculam. Ressaltese que, para fazer jus à apuração cumulativa, devese comprovar que as receitas advêm efetivamente da prestação de serviços, no caso, de informática (tal como listado no inc. XXV do art. 10 da Lei nº 10.833, de 2003, já transcrito). Evidentemente, as receitas assim enquadradas, devem ser passíveis de segregação, com vistas à correta tributação. Sem que tais comprovações existam nos autos, inviável será o deferimento do pleito. Resta claro que no mérito a decisão recorrida reconheceu a possibilidade do contribuinte fazer prova a seu favor, providência esta até então não determinada pela autoridade fiscal e se insere nas situações que o art. 16 do Decreto nº 70.235/72 PAF prevê regra de exceção para a apresentação extemporânea de conjunto probatório após a impugnação (manifestação de inconformidade): Decreto n° 70.235, de 1972: Art. 14. A impugnação da exigência instaura a fase litigiosa do procedimento. Art. 15. A impugnação, formalizada por escrito e instruída com os documentos em que se fundamentar, será apresentada ao órgão preparador no prazo de trinta dias, contados da data em que for feita a intimação da exigência. [...]Art. 16. A impugnação mencionará: [...]III os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir. [...]§ 4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) b) refirase a fato ou a direito superveniente; (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos. (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) Fl. 485DF CARF MF Processo nº 13896.907882/201616 Resolução nº 3201001.889 S3C2T1 Fl. 8 7 Assim, entendo que os autos devam retornar à unidade preparadora para apreciação do Laudo Técnico apresentado pela Recorrente. Ante o exposto, voto no sentido de CONVERTER O JULGAMENTO EM DILIGÊNCIA, a fim de que a autoridade preparadora analise o Laudo Técnico colacionado aos autos pela Recorrente e identifique as atividades cujas receitas inseremse no regime de apuração cumulativa nos termos do inciso XXV do art. 10 e inciso V do art. 15, ambos da Lei nº 10.833/03. Se entender necessário, deverá intimar a Recorrente para, ainda no curso da diligência, apresentar outros documentos e/ou esclarecimentos a respeito do litígio. Ao término do procedimento, deve elaborar Relatório Fiscal sobre os fatos apurados na diligência, sendolhe oportunizado manifestarse sobre a existência de outras informações e/ou observações que julgar pertinentes ao esclarecimento dos fatos. Encerrada a instrução processual, a Recorrente deverá ser intimada para manifestarse no prazo de 30 (trinta) dias, findo o qual, sem ou com apresentação de manifestação, devem os autos serem devolvidos a este Colegiado para continuidade do julgamento. Importante frisar que as situações fática e jurídica presentes no processo paradigma encontram correspondência nos autos ora em análise. Desta forma, os elementos que justificaram a conversão do julgamento em diligência no caso do paradigma também a justificam no presente caso. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado decidiu por converter o julgamento em diligência, a fim de que a autoridade preparadora analise o Laudo Técnico colacionado aos autos pela Recorrente e identifique as atividades cujas receitas inseremse no regime de apuração cumulativa nos termos do inciso XXV do art. 10 e inciso V do art. 15, ambos da Lei nº 10.833/03. Se entender necessário, deverá intimar a Recorrente para, ainda no curso da diligência, apresentar outros documentos e/ou esclarecimentos a respeito do litígio. Ao término do procedimento, deve elaborar Relatório Fiscal sobre os fatos apurados na diligência, sendolhe oportunizado manifestarse sobre a existência de outras informações e/ou observações que julgar pertinentes ao esclarecimento dos fatos. Encerrada a instrução processual, a Recorrente deverá ser intimada para manifestarse no prazo de 30 (trinta) dias, findo o qual, sem ou com apresentação de manifestação, devem os autos serem devolvidos a este Colegiado para continuidade do julgamento. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza Fl. 486DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 15504.724933/2017-49
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Mon Feb 25 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Mon Mar 25 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2012
RENDIMENTOS RECEBIDOS ACUMULADAMENTE. COMPROVAÇÃO.
O contribuinte comprovou tratar-se de rendimentos recebidos acumuladamente.
Numero da decisão: 2001-001.172
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Jorge Henrique Backes - Presidente e Relator
Participaram das sessões virtuais não presenciais os conselheiros Jorge Henrique Backes (Presidente), Jose Alfredo Duarte Filho e Fernanda Melo Leal.
Nome do relator: JORGE HENRIQUE BACKES
1.0 = *:*
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COMPROVAÇÃO. O contribuinte comprovou tratarse de rendimentos recebidos acumuladamente. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Jorge Henrique Backes Presidente e Relator Participaram das sessões virtuais não presenciais os conselheiros Jorge Henrique Backes (Presidente), Jose Alfredo Duarte Filho e Fernanda Melo Leal. Relatório Tratase de pedido de revisão de lançamento de imposto de renda pessoa física referente a rendimentos recebidos acumuladamente. O Recurso Voluntário foi apresentado pelo relator para a Turma, assim como os demais documentos do processo. Não se destacaram algumas dessas partes, pois tanto o AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 50 4. 72 49 33 /2 01 7- 49 Fl. 115DF CARF MF 2 presente acórdão como o inteiro processo ficam disponíveis a todos os julgadores durante a sessão. A ementa do acórdão de impugnação foi dispensada. Restou como parte litigiosa, conforme o acórdão da DRJ o seguinte: "Contudo, os valores que teriam sido recebidos em 2011 parceladamente em decorrência do acordo judicial, bem como o número de meses a que se referem, não estão discriminados nos autos. Da planilha apresentada às fls. fls.60/61 não é possível extrair com clareza se os valores informados na DAA correspondem, de fato, aos rendimentos recebidos acumuladamente nem mesmo o número de meses a que correspondem. Há diversas rubricas de pagamento e os valores deduzidos a título de IRRF e Previdência Oficial, que seriam correspondentes ao recebimento acumulado, também não estão demonstrados. Assim, caberia ao contribuinte buscar, junto à sua fonte pagadora, documento que demonstrasse os valores acumulados a que fez jus parceladamente em decorrência do acordo firmado pela desistência do Precatório, bem como os valores de IRRF e Contribuição Oficial correspondentes, e no qual se baseou para preencher sua Declaração. Em suma, a Omissão de Rendimentos apurada bem como as glosas relacionadas de IRRF e Contribuição Previdenciária Oficial devem ser mantidas. O contribuinte reitera as alegações feitas na impugnação. Pede que seja considerado o DARF da declaração original (o lançamento se baseou na declaração retificadora). Indica documentos no processo que comprovam o alegado. Fl. 116DF CARF MF Processo nº 15504.724933/201749 Acórdão n.º 2001001.172 S2C0T1 Fl. 3 3 Fl. 117DF CARF MF 4 Voto Conselheiro Jorge Henrique Backes, Relator Verificada a tempestividade do recurso voluntário, dele conheço e passo à sua análise. Tratase de discussão relativa a rendimentos recebidos acumuladamente, matéria de prova. Os rendimentos recebidos acumuladamente possuem tributação diferenciada, existindo entendimento administrativo reconhecendo jurisprudência dos tribunais (Ato Declaratório (AD) PGFN nº 1, de 27 de março de 2009), e posteriormente, em 2010, houve alteração na legislação. Em 2010, a Lei nº 12.350, de 2010, conversão da Medida Provisória nº 497, também de 2010, alterou o art. 12 da Lei nº 7.713, de 22 de dezembro de 1988, transpondo para a lei, o que judiciário já vinha reconhecendo. Lei nº 12.350, de 2010, dispôs assim: A Lei no 7.713, de 22 de dezembro de 1988, passa a vigorar acrescida do seguinte art. 12A: “Art. 12A. Os rendimentos do trabalho e os provenientes de aposentadoria, pensão, transferência para a reserva remunerada ou reforma, pagos pela Previdência Social da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, quando correspondentes a anoscalendários anteriores ao do recebimento, serão tributados exclusivamente na fonte, no mês Fl. 118DF CARF MF Processo nº 15504.724933/201749 Acórdão n.º 2001001.172 S2C0T1 Fl. 4 5 do recebimento ou crédito, em separado dos demais rendimentos recebidos no mês. Examinando as alegações, e os documentos, fls. 60 a 70, entendemos que fica comprovado o recebimento de rendimentos recebidos acumuladamente, na forma indicada no recurso. Conclusão Em razão do exposto, voto por dar provimento ao recurso voluntário. É como voto. (assinado digitalmente) Jorge Henrique Backes Relator Fl. 119DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10880.915924/2013-21
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 27 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Tue Apr 02 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/01/2010 a 31/03/2010
INSUMOS. CONCEITO ESTABELECIDO PELO RESP 1.221.170/PR
À luz decisão do STJ, sob a sistemática dos recursos repetitivos, que deve ser adotada por este colegiado (§ 2° do art. 62 do Anexo II do RICARF), em razão de sua essencialidade, devem ser considerados como insumos, para fins de creditamento de COFINS, os materiais de limpeza e desinfecção das máquinas e equipamentos industriais, produtos para tratamento das águas residuais do processo produtivo, reagentes químicos para análise da qualidade do leite e materiais de embalagem para transporte.
Numero da decisão: 3301-005.786
Decisão:
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso voluntário. Vencida a Conselheira Liziane Angelotti Meira, que manteve as glosas de material de embalagem para transporte.
(assinado digitalmente)
Winderley Morais Pereira - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Ari Vendramini, Salvador Cândido Brandão Junior, Marco Antonio Marinho Nunes, Semíramis de Oliveira Duro, Valcir Gassen e Winderley Morais Pereira (Presidente).
Nome do relator: WINDERLEY MORAIS PEREIRA
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/01/2010 a 31/03/2010 INSUMOS. CONCEITO ESTABELECIDO PELO RESP 1.221.170/PR À luz decisão do STJ, sob a sistemática dos recursos repetitivos, que deve ser adotada por este colegiado (§ 2° do art. 62 do Anexo II do RICARF), em razão de sua essencialidade, devem ser considerados como insumos, para fins de creditamento de COFINS, os materiais de limpeza e desinfecção das máquinas e equipamentos industriais, produtos para tratamento das águas residuais do processo produtivo, reagentes químicos para análise da qualidade do leite e materiais de embalagem para transporte.
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CONCEITO ESTABELECIDO PELO RESP 1.221.170/PR À luz decisão do STJ, sob a sistemática dos recursos repetitivos, que deve ser adotada por este colegiado (§ 2° do art. 62 do Anexo II do RICARF), em razão de sua essencialidade, devem ser considerados como insumos, para fins de creditamento de COFINS, os materiais de limpeza e desinfecção das máquinas e equipamentos industriais, produtos para tratamento das águas residuais do processo produtivo, reagentes químicos para análise da qualidade do leite e materiais de embalagem para transporte. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso voluntário. Vencida a Conselheira Liziane Angelotti Meira, que manteve as glosas de material de embalagem para transporte. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Ari Vendramini, Salvador Cândido Brandão Junior, Marco Antonio Marinho Nunes, Semíramis de Oliveira Duro, Valcir Gassen e Winderley Morais Pereira (Presidente). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 91 59 24 /2 01 3- 21 Fl. 337DF CARF MF Processo nº 10880.915924/201321 Acórdão n.º 3301005.786 S3C3T1 Fl. 3 2 Relatório Trata o presente processo de compensação de contribuição não cumulativa, que não restou integralmente homologada em razão do indeferimento parcial do crédito que originava tal pedido, nos termos da informação fiscal que instrui os autos. Cientificado desta decisão, o contribuinte apresentou manifestação de inconformidade tempestiva, alegando, em síntese, que: • Preliminarmente, solicitase a reunião dos 54 processos administrativos, decorrentes dos 54 despachos decisórios proferidos, em apenas dois, um relativo ao PIS, e outro à Cofins, em razão dos princípios da economia processual, da razoabilidade e da eficiência, assegurados no art. 37 da Constituição, considerando que a questão controvertida é a mesma em todos os casos; • Ainda em sede preliminar, alegase a impossibilidade de se exigir crédito tributário com base apenas no despacho decisório, o que leva à nulidade da exigência formulada, uma vez que somente poderia ser feita por meio de lançamento, nos termos dos arts. 142 do CTN, 9º do Decreto nº 70.235/72, 38 do Decreto nº 7.574/2011; • A autoridade administrativa não pode cobrar débitos sem que tenham sido constituídos por meio do lançamento. Caso a cobrança seja feita de forma diversa e não prevista em lei, será improcedente, devendo ser cancelada; • Nesse sentido, citase jurisprudência do CARF e do STJ; • Assim, resta evidente a necessidade de se anular o despacho decisório, visto que este não é via competente para se fazer cobrança; • O texto das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003 não define o conceito de insumo, nem estabelece quais seriam os bens e serviços passíveis de creditamento; • A autoridade fiscal diverge do entendimento firmado pela doutrina e pela jurisprudência administrativa sobre tal conceito, considerando o disposto nas IN nºs 247/2002 e 404/2004, que interpretaram tal conceito de forma restritiva, tomando por base o conceito de insumo estabelecido na legislação do ICMS e do IPI; • No entanto, tal conceito deve ser analisado de forma ampla, contemplando a totalidade dos dispêndios essenciais para o processo produtivo da empresa, do qual resulta seu faturamento, pois as citadas Leis não apresentam qualquer ressalva quanto ao conceito de insumo, seja em relação à natureza dos bens e serviços adquiridos, seja no que se refere à sua aplicação, direta ou indiretamente, no processo produtivo; • Citase doutrina acerca de tal questão; Fl. 338DF CARF MF Processo nº 10880.915924/201321 Acórdão n.º 3301005.786 S3C3T1 Fl. 4 3 • O conceito de insumo deve estar atrelado a tudo que colabora de forma imprescindível à formação de receita, incorporando todas as despesas que sejam essenciais para a atividade comercial e geração de receitas da sociedade; • Assim, a definição do termo “insumo” nas referidas IN não encontra amparo nas Leis citadas, pois restringe o direito ao desconto de créditos de forma arbitrária e sem fundamento, desvirtuandose do princípio da estrita legalidade previsto no art. 150I da Constituição e no art. 97 do CTN, bem como da própria sistemática não cumulativa do PIS e da Cofins, prevista no art. 195, § 12, da Constituição; • As IN expedidas pela RFB são normas secundárias, cuja finalidade exclusiva é esclarecer as disposições contidas em lei, não lhes cabendo inová las ou contrariálas; • O conceito de “insumo” para fins de PIS e Cofins deve ser assemelhado aos conceitos de “custo de produção” e “despesas necessárias”, previstos nos arts. 290I e 299 do RIR, mais amplos que aqueles contidos nas IN citadas; • Ao contrário do ICMS e do IPI, o PIS e a Cofins não dependem de operações específicas para que ocorra seu fato gerador. Ao contrário, dependem apenas da geração de receita/faturamento; • A requerente entende que não apenas o bem ou serviço consumido por sua aplicação direta ao produto final deve ser considerado insumo, mas também os bens ou serviços indispensáveis ao processo produtivo e à geração de receita; • Citase jurisprudência do CARF e da CSRF; • Especificamente em relação às glosas efetuadas, em razão do ramo de atividade exercido pela requerente, é nítida a essencialidade de gastos com materiais de limpeza utilizados na higienização e sanitização de equipamentos e máquinas, assim como os produtos adquiridos com o fim de dispensar tratamento às águas residuais do processo produtivo e os reagentes químicos adquiridos com o fim de realizar análise da qualidade do leite; • Tais gastos são empregados diretamente no processo produtivo, seja para garantir a não contaminação do leite, seja para permitir sua conservação, caracterizandose como insumos por sua essencialidade; • Além disso, tais despesas não são mera liberalidade da requerente, mas exigidas pelos órgãos governamentais para a industrialização e comercialização do leite, ou seja, são imprescindíveis à atividade da empresa. Nesse sentido, citase a Portaria nº 370/1997 e a IN nº 62/2011, do Ministério da Agricultura, órgão responsável pelo controle da industrialização e pelo comércio do leite, além da Portaria nº 177/1999, da Secretaria de Vigilância Sanitária; • Citase decisão do STJ, relativa à aquisição de materiais de limpeza aplicados ao ambiente produtivo, e jurisprudência do CARF; Fl. 339DF CARF MF Processo nº 10880.915924/201321 Acórdão n.º 3301005.786 S3C3T1 Fl. 5 4 • Quanto aos materiais de embalagem, a autoridade fiscal incorreu em erro ao efetuar a glosa, uma vez que fazem parte do processo de produção da requerente, tanto a embalagem que envolve o leite, com conteúdo de 1 litro, como também a caixa que acondiciona as doze embalagens e o plástico que as circunda; • Conforme comprovam as fotos da linha de produção da requerente, a máquina responsável pelo acondicionamento do leite inicia a produção inserindo o leite na embalagem de 1 litro e, dentro da mesma máquina, essas embalagens são lacradas e acondicionadas na caixa contendo material mais resistente, voltada para a segurança do produto; • Após, a mesma máquina envolve a caixa com o plástico, para garantir que não haja dano, contaminação ou sujeira nas embalagens durante o transporte; • Assim, a caixa contendo 12 embalagens e o plástico que a envolve não são utilizados pela requerente apenas por opção e conveniência de transporte, mas para segurança do produto. A embalagem individual necessita de uma embalagem de acondicionamento, sob o risco de estourar ou apresentar vazamentos. Logo, tais materiais fazem parte do processo produtivo e integram o produto; • Tal questão já foi objeto de julgamento no STJ e no CARF, conforme decisões transcritas; • Sem a utilização de tais itens seria impossível o transporte e a comercialização do leite, não se tratando de excesso ou de algo desnecessário, não essencial, supérfluo, nem ocasional, mas de embalagem fundamental para a atividade fim da sociedade; • Sobre a glosa das despesas com soro de leite, a requerente esclarece que não tomou crédito sobre tais despesas no período objeto do despacho decisório – 1º tri/2006; • Considerando as alegações trazidas, a empresa requer a realização de diligência, para que, por meio de perícia técnica, seja demonstrada a essencialidade das despesas objeto das glosas, trazendo os quesitos que pretende ver respondidos e indicando seu assistente técnico; • Além disso, a falta de homologação das compensações por parte da autoridade fiscal não pode ensejar a cobrança de multa e juros moratórios, em razão da suspensão da exigibilidade dos créditos tributários; • Para a exigência de tais acréscimos, é condição necessária que o contribuinte encontrese em atraso com o pagamento de crédito tributário, o que não se verifica no presente caso. A requerente só estaria em mora caso houvesse transcorrido 30 dias, contados da data em que teve ciência da decisão que homologou parcialmente seus pedidos de compensação, conforme ordem de intimação a ela encaminhada; • Tal prazo não transcorreu. Pretender tal exigência antes do referido prazo é ato ilegal. Além disso, a presente manifestação suspende a Fl. 340DF CARF MF Processo nº 10880.915924/201321 Acórdão n.º 3301005.786 S3C3T1 Fl. 6 5 exigibilidade do crédito. Mesmo depois de findo tal prazo, nenhum valor a título de multa e juros de mora poderá ser exigido enquanto o processo administrativo encontrarse me curso; • A compensação realizada é legal e válida, e implicou quitação do valor compensado, supostamente devido pela requerente. Assim, não há acréscimos a serem cobrados; • Por fim, ainda que algum valor fosse devido a este título, tendo em vista que a requerente, ao proceder à compensação, observou todas as normas e atos administrativos expedidos pela autoridade fiscal, de acordo com o art. 100, parágrafo único, do CTN, deve ser excluída da base de cálculo do tributo “a imposição de penalidades, a cobrança de juros de mora e a atualização do valor monetário”. O colegiado a quo julgou improcedente esta manifestação de inconformidade, nos termos do Acórdão nº 12080.871 Inconformado, o contribuinte interpôs recurso voluntário, no qual repete os argumentos apresentados na manifestação de inconformidade. É o relatório. Voto Conselheiro Winderley Morais Pereira, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3301005.757, de 27 de fevereiro de 2019, proferido no julgamento do processo 10880.915900/201371, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevemse, como solução deste litígio, nos termos regimentais, os entendimentos que prevaleceram naquela decisão (Acórdão 3301005.757): "O recurso voluntário preenche os requisitos legais de admissibilidade e deve ser conhecido. Tratase de indeferimento parcial de créditos de COFINS e consequente homologação de compensações até o limite do crédito admitido (Despacho Decisório, fl. 90). O Fisco revisou Pedidos de Ressarcimento (PER) e glosou créditos calculados sobre compras de materiais de limpeza e desinfecção das máquinas e equipamentos industriais, produtos para tratamento às águas residuais do processo produtivo, reagentes químicos para análise da qualidade do leite, materiais de embalagem para transporte e soro de leite. Fl. 341DF CARF MF Processo nº 10880.915924/201321 Acórdão n.º 3301005.786 S3C3T1 Fl. 7 6 Antes de adentrar nas preliminares e mérito, consigno que a recorrente pleiteou a reunião de 54 processos administrativos, cujas discussões são idênticas ao presente, quais sejam, legitimidade de créditos de COFINS ou PIS, objetos de, aos quais foram vinculados Pedidos de Compensação (DCOMP). O presente processo será julgado sob a sistemática dos "recursos repetitivos", com reunião para julgamento em conjunto de todos os processos conexos que se encontram no CARF. Passemos então à análise dos argumentos de defesa. PRELIMINAR "Nulidade da exigência fiscal vício formal" Alegou que o Despacho Decisório (fl. 90) é nulo, por conter vício formal, pois não pode ser utilizado para exigir créditos tributários decorrentes da instauração de mandado de procedimento fiscal. Apresenta como fundamento o art. 142 do CTN, o art. 9° do Decreto n° 70.235/72, decisões do CARF (Acórdãos n° 20401.613, de 21.8.2006; 10514.097, de 13.5.2003; e 10704.172, de 15.5.1997) e do STJ (Embargos de Divergência do Recurso Especial nº 576.661/RS). Em sua opinião, assim deveria ter procedido a fiscalização (recurso voluntário, fl. 266): "(. . .) 31. Com efeito, uma vez apresentado o pedido de compensação pelo contribuinte, cabe à D. Autoridade Fiscal analisar a procedência do crédito e, posteriormente, homologar ou não a compensação. Caso não seja homologada, deverá ser realizado de ofício o lançamento do débito apurado, mediante a lavratura de Auto de Infração ou Notificação de Lançamento, sob pena de nulidade do ato. 32. Sendo assim, resta claro que há necessidade de reforma do V. Acórdão recorrido, com o reconhecimento da nulidade formal da exigência fiscal formulada, uma vez que o r. despacho decisório não é a via competente para se fazer uma cobrança decorrente de Mandado de Procedimento Fiscal, e tal fato contraria expressamente o disposto no artigo 142, caput e parágrafo único do CTN, além dos artigos 9º do Decreto nº 70.235/72 e 38 do Decreto nº 7.574/2011. (. . .)" Divirjo da recorrente. Não houve lançamentos de ofício, porém cobrança de tributos já lançados, que restaram em aberto, em decorrência da não homologação da compensação. Adoto como fundamento, o Fl. 342DF CARF MF Processo nº 10880.915924/201321 Acórdão n.º 3301005.786 S3C3T1 Fl. 8 7 seguinte trecho da decisão de piso, com fulcro no § 1° do art. 50 da Lei n° 9.784/99: "(. . .) DA NULIDADE DO DESPACHO DECISÓRIO Ainda em sede preliminar, o contribuinte alega a impossibilidade de se exigir crédito tributário com base no despacho decisório, pretendendo a nulidade da exigência formulada, uma vez que somente poderia ser feita por meio de lançamento, nos termos dos artigos 142 do CTN, 9º do Decreto nº 70.235/72 e 38 do Decreto nº 7.574/2011. O contribuinte informou no PER/DCOMP nº 24770.42497.080808.1.3.11 8497 a compensação do direito creditório ora em análise com débito de IRPJ, relativo ao PA mar/2008. Em conseqüência do reconhecimento parcial do direito pleiteado, restou um saldo não compensado deste débito, no valor original de R$ 41.256,22, objeto de cobrança no próprio despacho decisório. A utilização de direito de crédito para fins de compensação com débitos administrados pela RFB encontrase prevista e disciplinada pela Lei nº 9.430/96, conforme dispositivos abaixo transcritos: 'Art. 74. O sujeito passivo que apurar crédito, inclusive os judiciais com trânsito em julgado, relativo a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados por aquele Órgão. § 1o A compensação de que trata o caput será efetuada mediante a entrega, pelo sujeito passivo, de declaração na qual constarão informações relativas aos créditos utilizados e aos respectivos débitos compensados. § 2o A compensação declarada à Secretaria da Receita Federal extingue o crédito tributário, sob condição resolutória de sua ulterior homologação. (...) § 6o A declaração de compensação constitui confissão de dívida e instrumento hábil e suficiente para a exigência dos débitos indevidamente compensados. § 7o Não homologada a compensação, a autoridade administrativa deverá cientificar o sujeito passivo e intimálo a efetuar, no prazo de 30 (trinta) dias, contado da ciência do ato que não a homologou, o pagamento dos débitos indevidamente compensados. Fl. 343DF CARF MF Processo nº 10880.915924/201321 Acórdão n.º 3301005.786 S3C3T1 Fl. 9 8 § 8o Não efetuado o pagamento no prazo previsto no § 7o, o débito será encaminhado à ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional para inscrição em Dívida Ativa da União, ressalvado o disposto no § 9o. § 9o É facultado ao sujeito passivo, no prazo referido no § 7o, apresentar manifestação de inconformidade contra a nãohomologação da compensação. § 10. Da decisão que julgar improcedente a manifestação de inconformidade caberá recurso ao Conselho de Contribuintes. § 11. A manifestação de inconformidade e o recurso de que tratam os §§ 9o e 10 obedecerão ao rito processual do Decreto no 70.235, de 6 de março de 1972, e enquadram se no disposto no inciso III do art. 151 da Lei no 5.172, de 25 de outubro de 1966 Código Tributário Nacional, relativamente ao débito objeto da compensação. (...)'(Grifouse) Desta forma, não procede a alegação do contribuinte, uma vez que a própria Lei que instituiu a compensação nos moldes em que é realizada atualmente equiparou a Declaração de Compensação a instrumento hábil e suficiente para exigência dos débitos nela declarados, não havendo, portanto, necessidade de se realizar o lançamento para viabilizar a cobrança de tais valores, na hipótese de a compensação não ser homologada, ou ser homologada parcialmente, como ocorreu no presente caso. Na hipótese de não pagamento dos débitos, a Lei prevê, inclusive, sua inscrição em Dívida Ativa da União. Portanto, apresentado o PER/DCOMP pelo contribuinte, os créditos tributários nele confessados e compensados já estão aptos a serem exigidos, na eventual hipótese de não homologação da compensação, ou de sua homologação parcial, independentemente de qualquer ato de ofício da autoridade fiscal relativo à sua constituição, constituindo se a própria Declaração de Compensação em título de cobrança administrativa e execução judicial, por expressa autorização legal. (. . .)" Com base no acima exposto, nego provimento à preliminar de nulidade. MÉRITO A fiscalização glosou créditos calculados sobre compras de materiais de limpeza e desinfecção das máquinas e equipamentos industriais, produtos para tratamento às águas residuais do processo produtivo, reagentes químicos para Fl. 344DF CARF MF Processo nº 10880.915924/201321 Acórdão n.º 3301005.786 S3C3T1 Fl. 10 9 análise da qualidade do leite e materiais de embalagem para transporte. Os produtos não se enquadrariam no conceito de insumos, previsto nas IN SRF n° 247/02 e 400/04, que disciplinaram os artigos 3° das Leis n° 10.637/02 e 10.833/03. Em sede do REsp n° 1.221.170/PR, julgado sob a sistemática dos recursos repetitivos, a cuja decisão este colegiado está vinculado (§ 2° do art. 62 do RICARF), o STJ considerou ilegal o conceito de insumos previsto nas IN SRF 247/02 e 400/04 e dispôs que o enquadramento ou não no conceito de insumos deve levar em conta "(. . .) essencialidade ou relevância, vale dizer, considerandose a imprescindibilidade ou a importância de determinado item – bem ou serviço – para o desenvolvimento da atividade econômica desempenhada pelo contribuinte." Reproduzo a ementa da decisão: "EMENTA TRIBUTÁRIO. PIS E COFINS. CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS. NÃO CUMULATIVIDADE. CREDITAMENTO. CONCEITO DE INSUMOS. DEFINIÇÃO ADMINISTRATIVA PELAS INSTRUÇÕES NORMATIVAS 247/2002 E 404/2004, DA SRF, QUE TRADUZ PROPÓSITO RESTRITIVO E DESVIRTUADOR DO SEU ALCANCE LEGAL. DESCABIMENTO. DEFINIÇÃO DO CONCEITO DE INSUMOS À LUZ DOS CRITÉRIOS DA ESSENCIALIDADE OU RELEVÂNCIA. RECURSO ESPECIAL DA CONTRIBUINTE PARCIALMENTE CONHECIDO, E, NESTA EXTENSÃO, PARCIALMENTE PROVIDO, SOB O RITO DO ART. 543C DO CPC/1973 (ARTS. 1.036 E SEGUINTES DO CPC/2015). 1. Para efeito do creditamento relativo às contribuições denominadas PIS e COFINS, a definição restritiva da compreensão de insumo, proposta na IN 247/2002 e na IN 404/2004, ambas da SRF, efetivamente desrespeita o comando contido no art. 3o., II, da Lei 10.637/2002 e da Lei 10.833/2003, que contém rol exemplificativo. 2. O conceito de insumo deve ser aferido à luz dos critérios da essencialidade ou relevância, vale dizer, considerandose a imprescindibilidade ou a importância de determinado item – bem ou serviço – para o desenvolvimento da atividade econômica desempenhada pelo contribuinte. 3. Recurso Especial representativo da controvérsia parcialmente conhecido e, nesta extensão, parcialmente provido, para determinar o retorno dos autos à instância de origem, a fim de que se aprecie, em cotejo com o objeto social da empresa, a possibilidade de dedução dos créditos relativos a custo e despesas com: água, combustíveis e Fl. 345DF CARF MF Processo nº 10880.915924/201321 Acórdão n.º 3301005.786 S3C3T1 Fl. 11 10 lubrificantes, materiais e exames laboratoriais, materiais de limpeza e equipamentos de proteção individualEPI. 4. Sob o rito do art. 543C do CPC/1973 (arts. 1.036 e seguintes do CPC/2015), assentamse as seguintes teses: (a) é ilegal a disciplina de creditamento prevista nas Instruções Normativas da SRF ns. 247/2002 e 404/2004, porquanto compromete a eficácia do sistema de não cumulatividade da contribuição ao PIS e da COFINS, tal como definido nas Leis 10.637/2002 e 10.833/2003; e (b) o conceito de insumo deve ser aferido à luz dos critérios de essencialidade ou relevância, ou seja, considerandose a imprescindibilidade ou a importância de terminado item bem ou serviço para o desenvolvimento da atividade econômica desempenhada pelo Contribuinte. ACÓRDÃO Vistos, relatados e discutidos estes autos, acordam os Ministros da Primeira Seção do Superior Tribunal de Justiça, na conformidade dos votos e das notas taquigráficas a seguir, prosseguindo no julgamento, por maioria, após o realinhamento feito, conhecer parcialmente do Recurso Especial e, nessa parte, darlhe parcial provimento, nos termos do voto do Sr. Ministro Relator, que lavrará o ACÓRDÃO. Votaram vencidos os Srs. Ministros Og Fernandes, Benedito Gonçalves e Sérgio Kukina. O Sr. Ministro Mauro Campbell Marques, Assusete Magalhães (voto vista), Regina Helena Costa e Gurgel de Faria (que se declarou habilitado a votar) votaram com o Sr. Ministro Relator. Não participou do julgamento o Sr. Ministro Francisco Falcão. Brasília/DF, 22 de fevereiro de 2018 (Data do Julgamento). NAPOLEÃO NUNES MAIA FILHO MINISTRO RELATOR" (g.n.) A meu ver, a decisão do STJ está essencialmente em linha com a maior parte das decisões sobre o tema que vêm sendo proferidas pelo CARF e, em particular, com os posicionamentos que este relator tem adotado. Em razão da decisão do STJ, em 18/12/18, a RFB publicou o PN COSIT n° 5/18, em que traz um novo conceito de insumos a ser aplicado no âmbito da RFB e ainda analisa a situação de alguns tipos de bens e serviços à luz do REsp n° 1.221.170/PR. Fl. 346DF CARF MF Processo nº 10880.915924/201321 Acórdão n.º 3301005.786 S3C3T1 Fl. 12 11 Extraio os trechos da conclusão do PN COSIT n° 5/18 que demonstram de forma patente a mudança no conceito antes aplicado pela RFB: "(. . .) b) permitese o creditamento para insumos do processo de produção de bens destinados à venda ou de prestação de serviços, e não apenas insumos do próprio produto ou serviço comercializados pela pessoa jurídica; c) o processo de produção de bens encerrase, em geral, com a finalização das etapas produtivas do bem e o processo de prestação de serviços geralmente se encerra com a finalização da prestação ao cliente, excluindose do conceito de insumos itens utilizados posteriormente à finalização dos referidos processos, salvo exceções justificadas (como ocorre, por exemplo, com os itens que a legislação específica exige aplicação pela pessoa jurídica para que o bem produzido ou o serviço prestado possam ser comercializados, os quais são considerados insumos ainda que aplicados sobre produto acabado); (. . .) e) a subsunção do item ao conceito de insumos independe de contato físico, desgaste ou alteração química do bem insumo em função de ação diretamente exercida sobre o produto em elaboração ou durante a prestação de serviço; (. . .) h) havendo insumos em todo o processo de produção de bens destinados à venda e de prestação de serviços, permitese a apuração de créditos das contribuições em relação a insumos necessários à produção de um bem insumo utilizado na produção de bem destinado à venda ou na prestação de serviço a terceiros (insumo do insumo); i) não são considerados insumos os itens destinados a viabilizar a atividade da mão de obra empregada pela pessoa jurídica em qualquer de suas áreas, inclusive em seu processo de produção de bens ou de prestação de serviços, tais como alimentação, vestimenta, transporte, educação, saúde, seguro de vida, etc., ressalvadas as hipóteses em que a utilização do item é especificamente exigida pela legislação para viabilizar a atividade de produção de bens ou de prestação de serviços por parte da mão de obra empregada nessas atividades, como no caso dos equipamentos de proteção individual (EPI); (. . .)" Consignado o conceito de insumos, transcrevo excertos da "Informação Fiscal" (fls. 67 a 84) que instruiu o Despacho Fl. 347DF CARF MF Processo nº 10880.915924/201321 Acórdão n.º 3301005.786 S3C3T1 Fl. 13 12 Decisório (fl. 90), em que o agente fiscal dispõe sobre os tipos de produtos cujos créditos foram glosados: "(. . .) DOS BENS E SERVIÇOS UTILIZADOS COMO INSUMOS PRODUTOS QUÍMICOS UTILIZADOS EM OPERAÇÕES ACESSÓRIAS AO PROCESSO PRODUTIVO (. . .) 51. Tendo em vista que a interessada tem como objeto a produção e venda de derivados de leite e laticínios em geral, os materiais de limpeza utilizados na higienização e sanitização de equipamentos e máquinas são, no âmbito da produção executada pela interessada, insumos indiretos de produção e, como não estão literalmente dispostos na legislação pertinente, não geram direito a crédito, tanto no cálculo da Contribuição para o PIS/Pasep quanto no da Cofins, nos termos do art. 3º, inciso II, respectivamente das Leis nº 10.637, de 2002, e nº 10.833, de 2003. 52. O mesmo pode se dizer a respeito dos produtos adquiridos com o fim de dispensar tratamento às águas residuais do processo produtivo e os reagentes químicos adquiridos com o fim de realizar análise da qualidade, que não têm vínculo intrínseco com a produção e são, na verdade, necessários a operações paralelas que dão suporte ao processo produtivo. (. . .) DOS MATERIAIS DE EMBALAGEM (. . .) 62. No caso em tela, como já consignado, o sujeito passivo atua no ramo de laticínios e tem como principal atividade a produção e venda de leite industrializado. 63. Encontramos em suas planilhas descritivas de créditos aquisições de papelão cortado em forma própria, moldados para a montagem de caixotes; e bobinas de filme plástico classificados nos códigos NCM 39.20.10.99, 3920.10, 3920.10.10, 3920.10.90, 3920.10.99, 3921.19, 48.19.10.01, 4819.00, 4819.10, 4819.10.01, 4819.50 e 4823.90.99. 64. Uma parte do filme plástico é utilizada pelo sujeito passivo para envolver o conjunto de caixotes contendo 12 caixas de 1 litro de leite transportados em pallets. Vale dizer que esse plástico sequer chega ao consumidor final, sendo descartado pelos varejistas assim que o Fl. 348DF CARF MF Processo nº 10880.915924/201321 Acórdão n.º 3301005.786 S3C3T1 Fl. 14 13 produto é integrado ao estoque, enquadrandose, portanto, no conceito de “embalagem para transporte”. 65.Já o papelão moldado e a outra parte do filme plástico são utilizados para a confeccionar e envolver os caixotes para o transporte de 12 caixas de leite do tipo “Tetrapak” contendo 1 litro cada envoltas em filme plástico. 66. Vale lembrar que o leite é vendido ao consumidor no varejo individualmente por cada caixa de 1 litro. Os caixotes de papelão, embora encontrados na venda a varejo, ali estão por liberalidade do vendedor, não sendo praticada a compra do caixote contendo 12 litros de leite e sim a compra individual de 12 caixas de 1 litro de leite, de modo que o caixote é levado por conveniência das partes com o objetivo de facilitar o transporte. 67. Fica claro que os caixotes de papelão e o filme plástico que os envolve enquadramse na definição de “embalagem para transporte” e, assim, não ensejam apuração de créditos das contribuições. 68. Desta forma, o papelão moldado, utilizado na confecção de caixotes, e o filme plástico, utilizados para envolver individualmente ou em conjunto os referidos caixotes para transporte em pallets, foram glosados pela Fiscalização. (. . .)" (g.n.) Meu voto é no sentido de acatar todos os créditos em discussão, quais sejam, os calculados sobre compras de materiais de limpeza e desinfecção das máquinas e equipamentos industriais, produtos para tratamento às águas residuais do processo produtivo, reagentes químicos para análise da qualidade do leite e materiais de embalagem para transporte. Entendo que são elementos essenciais para a conclusão satisfatória do processo produtivo, bem como para garantir que os produtos (alimentícios) sejam oferecidos aos clientes em perfeitas condições. Não se admite que uma empresa do ramo alimentício não empregue os devidos esforços para manter em perfeito estado de limpeza e conservação as máquinas que preparam alimentos para consumo humano. E este rigor deve ser ainda maior, quando se trata de verificar se os produtos estão aptos para o consumo, por meio de testes de qualidade. Em sua defesa, a recorrente menciona a Portaria do Ministério da Agricultura e do Abastecimento n° 370/1997, que exige que o industrial aplique testes para certificarse de que o leite atende aos padrões legais exigidos. Fl. 349DF CARF MF Processo nº 10880.915924/201321 Acórdão n.º 3301005.786 S3C3T1 Fl. 15 14 Com relação às embalagem, conforme descrição contida na "Informação Fiscal", acima transcrita, tratase de filme plástico e caixa de papelão. Consta da peça recursal que se destinam à proteção das caixas "Tetrapak", onde é acondicionado o leite. O processo de produção somente pode ser tido como concluído, após a obtenção do produto final, no formato em que será transportado para o consumo. E todos os elementos que são adicionados ao produto têm sua função, posto que nenhum empresário deseja onerar desnecessariamente o custo de seu produto, em prejuízo de sua margem de lucro ou mesmo que o obrigasse a aumentar o preço, reduzindo sua competitividade no mercado. O filme plástico e a caixa de papelão são imprescindíveis à manutenção da integridade do leite, produto para consumo humano. Passa, sem sombra de dúvida, por qualquer teste que adote o critério de "essencialidade ou relevância" estabelecido pela citada decisão do STJ. E, por fim, não se poderia admitir que bem os resíduos industriais fossem dispensados, sem o devido tratamento, posto que colocariam em risco o meio ambiente, o que ao certo colidiria com a legislação aplicável. Assim, reputo que estão compreendidos no conceito de insumos e podem ser computados nas bases de cálculo dos créditos de COFINS. Não obstante, cumpre destacar que, exceto quanto os créditos sobre material de embalagem para transporte, os demais foram expressamente citados pelo PN COSIT n° 5/18 como produtos que devem ser tidos como insumos, à luz da decisão do STJ, como segue (trechos do PN COSIT n° 5/18): "(. . .) 53.São exemplos de itens utilizados no processo de produção de bens ou de prestação de serviços pela pessoa jurídica por exigência da legislação que podem ser considerados insumos para fins de creditamento da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins: a) no caso de indústrias, os testes de qualidade de produtos produzidos exigidos pela legislação4; b) tratamento de efluentes do processo produtivo exigido pela legislação c) no caso de produtores rurais, as vacinas aplicadas em seus rebanhos exigidas pela legislação, etc. (. . .) 98. Como relatado, na presente decisão da Primeira Seção do Superior Tribunal de Justiça, os Ministros consideraram elegíveis ao conceito de insumos os “materiais de limpeza” descritos pela recorrente como “gastos gerais de fabricação” de produtos alimentícios. Fl. 350DF CARF MF Processo nº 10880.915924/201321 Acórdão n.º 3301005.786 S3C3T1 Fl. 16 15 99. Aliás, também no REsp 1246317 / MG, DJe de 29/06/2015, sob relatoria do Ministro Mauro Campbell Marques, foram considerados insumos geradores de créditos das contribuições em tela “os materiais de limpeza e desinfecção, bem como os serviços de dedetização quando aplicados no ambiente produtivo de empresa fabricante de gêneros alimentícios”. 100. Malgrado os julgamentos citados refiramse apenas a pessoas jurídicas dedicadas à industrialização de alimentos (ramo no qual a higiene sobressai em importância), parece bastante razoável entender que os materiais e serviços de limpeza, desinfecção e dedetização de ativos utilizados pela pessoa jurídica na produção de bens ou na prestação de serviços podem ser considerados insumos geradores de créditos das contribuições. 101. Isso porque, à semelhança dos materiais e serviços de manutenção de ativos, tratase de itens destinados a viabilizar o funcionamento ordinário dos ativos produtivos (paralelismo de funções com os combustíveis, que são expressamente considerados insumos pela legislação) e bem assim porque em algumas atividades sua falta implica substancial perda de qualidade do produto ou serviço disponibilizado, como na produção de alimentos, nos serviços de saúde, etc. (. . .) 150.De outra banda, a análise é mais complexa acerca dos testes de qualidade aplicados sobre produtos que já finalizaram sua montagem industrial ou sua produção (produtos acabados). Conquanto tais testes sejam realizados em momento bastante avançado do processo de produção, é inexorável considerálos essenciais ao este processo, na medida em que sua exclusão priva o processo de atributos de qualidade. 151.Assim, são considerados insumos do processo produtivo os testes de qualidade aplicados anteriormente à comercialização sobre produtos que já finalizaram sua montagem industrial ou sua produção, independentemente de os testes serem amostrais ou populacionais. 152.Por fim, salientase que os testes de qualidade versados nesta seção são aqueles aplicados por escolha da pessoa jurídica, vez que os testes de qualidade aplicados por exigência da legislação estão versados na seção BENS E SERVIÇOS UTILIZADOS POR IMPOSIÇÃO LEGAL. (. . .)" (g.n.) Por outro lado, apesar de propor que sejam acatados os créditos correlatos, também consigno que a RFB manteve o Fl. 351DF CARF MF Processo nº 10880.915924/201321 Acórdão n.º 3301005.786 S3C3T1 Fl. 17 16 entendimento de que material de embalagem para transporte não gera créditos: "(. . .) 56. Destarte, exemplificativamente não podem ser considerados insumos gastos com transporte (frete) de produtos acabados (mercadorias) de produção própria entre estabelecimentos da pessoa jurídica, para centros de distribuição ou para entrega direta ao adquirente6, como: a) combustíveis utilizados em frota própria de veículos; b) embalagens para transporte de mercadorias acabadas; c) contratação de transportadoras. (. . .)" Isto posto, voto por dar provimento integral ao recurso voluntário." Importa registrar que nos autos ora em apreço, a situação fática e jurídica encontra correspondência com a verificada no paradigma, de tal sorte que o entendimento lá esposado pode ser perfeitamente aqui aplicado. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado decidiu por dar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Fl. 352DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 12448.723526/2017-48
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 20 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Wed Mar 13 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2013
NULIDADE. BUSCA PELA VERDADE MATERIAL. PRESUNÇÕES.
A lei não estabeleceu rito especial a ser seguido no procedimento administrativo que visa determinar a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária correspondente; logo, a metodologia da investigação fiscal situa-se na competência discricionária da Autoridade Administrativa, que pode retirar suas conclusões tanto de fatos quanto de presunções, já que, na busca pela verdade material, o Fisco pode valer-se, para comprovar suas alegações, de todos os meios de prova admitidos em Direito julgados necessários, até mesmo as presuntivas.
DECADÊNCIA. IRPJ E CSLL. INOCORRÊNCIA.
Nos casos de lançamentos de IRPJ e CSLL, tratando-se de fato gerador que abrande todo o período de apuração, mesmo com a incidência das normas do art. 150, § 4º, do CTN, os fatos geradores relativos ao ano de 2012 somente estariam decaídos caso lançamento tivesse ocorrido após 31/12/2017 o que não ocorreu.
GLOSA DE DISPÊNDIOS. DESPESAS NÃO COMPROVADAS.
A dedutibilidade de custos e despesas de prestação de serviços condiciona-se, além da apresentação da nota fiscal ou documento que lhe substitua, à prova do efetivo pagamento e da prestação de serviços.
GLOSA DE DISPÊNDIOS. DESPESAS CONSIDERADAS NÃO NECESSÁRIAS. FUNDAMENTAÇÃO INCORRETA. IMPROCEDÊNCIA.
A dedutibilidade de custos e despesas da apuração do lucro real exige a demonstração da necessidade à atividade da empresa e à manutenção da respectiva fonte produtora, além de estes serem usuais e normais. No entanto, não apresentado a empresa as notas fiscais comprobatórias dos lançamentos, cabível a glosa por despesa não comprovada em vez de despesa não comprovada.
MULTA DE OFÍCIO. VEDAÇÃO AO CONFISCO.
O Princípio de Vedação ao Confisco é dirigido ao legislador de forma a orientar a feitura da lei, que deve observar a capacidade contributiva e não pode dar ao tributo a conotação de confisco. Portanto, uma vez positivada a norma, é dever da autoridade fiscal aplicá-la. Além disso, é de se ressaltar que a multa de ofício é devida em face da infração à legislação tributária e, por não constituir tributo, mas penalidade pecuniária estabelecida em lei, é inaplicável o conceito de confisco.
Numero da decisão: 1401-003.134
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos afastar as arguições de nulidade e de decadência para, no mérito, por maioria de votos, dar parcial provimento ao recurso mantendo as glosas tão somente das despesas consideradas não necessárias, relativas à conta 5.1.10.00.3002. - Aluguel de Veículos Produção (valor de R$ 192.801,88), e das despesas consideradas não comprovadas, relativas às contas 5.1.10.50.1001 - Serv. Prestados - Bureau Veritas (valor de R$108.083,33), 5.1.10.50.1004 - Consultoria Técnica - Vereda (valor de R$61.625,15), 5.1.10.50.2019 - Serviços Toniolo Busnello (valor de R$312.118,95), 6.1.10.30.1050 - Serviços Corporativos Grupo EBX (valor de R$100.414,60). Vencido o Conselheiro Carlos André Soares Nogueira que negava provimento ao recurso em maior extensão.
(assinado digitalmente)
Luiz Augusto de Souza Gonçalves - Presidente.
(assinado digitalmente)
Abel Nunes de Oliveira Neto - Relator.
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Abel Nunes de Oliveira Neto, Daniel Ribeiro Silva Luiz, Cláudio de Andrade Camerano, Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Carlos André Soares Nogueira, Letícia Domingues Costa Braga, Bárbara Santos Guedes (suplente convocada), Luiz Augusto de Souza Gonçalves (Presidente).
Nome do relator: ABEL NUNES DE OLIVEIRA NETO
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BUSCA PELA VERDADE MATERIAL. PRESUNÇÕES. A lei não estabeleceu rito especial a ser seguido no procedimento administrativo que visa determinar a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária correspondente; logo, a metodologia da investigação fiscal situase na competência discricionária da Autoridade Administrativa, que pode retirar suas conclusões tanto de fatos quanto de presunções, já que, na busca pela verdade material, o Fisco pode valerse, para comprovar suas alegações, de todos os meios de prova admitidos em Direito julgados necessários, até mesmo as presuntivas. DECADÊNCIA. IRPJ E CSLL. INOCORRÊNCIA. Nos casos de lançamentos de IRPJ e CSLL, tratandose de fato gerador que abrande todo o período de apuração, mesmo com a incidência das normas do art. 150, § 4º, do CTN, os fatos geradores relativos ao ano de 2012 somente estariam decaídos caso lançamento tivesse ocorrido após 31/12/2017 o que não ocorreu. GLOSA DE DISPÊNDIOS. DESPESAS NÃO COMPROVADAS. A dedutibilidade de custos e despesas de prestação de serviços condicionase, além da apresentação da nota fiscal ou documento que lhe substitua, à prova do efetivo pagamento e da prestação de serviços. GLOSA DE DISPÊNDIOS. DESPESAS CONSIDERADAS NÃO NECESSÁRIAS. FUNDAMENTAÇÃO INCORRETA. IMPROCEDÊNCIA. A dedutibilidade de custos e despesas da apuração do lucro real exige a demonstração da necessidade à atividade da empresa e à manutenção da respectiva fonte produtora, além de estes serem usuais e normais. No entanto, não apresentado a empresa as notas fiscais comprobatórias dos lançamentos, cabível a glosa por despesa não comprovada em vez de despesa não comprovada. MULTA DE OFÍCIO. VEDAÇÃO AO CONFISCO. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 12 44 8. 72 35 26 /2 01 7- 48 Fl. 954DF CARF MF Processo nº 12448.723526/201748 Acórdão n.º 1401003.134 S1C4T1 Fl. 955 2 O Princípio de Vedação ao Confisco é dirigido ao legislador de forma a orientar a feitura da lei, que deve observar a capacidade contributiva e não pode dar ao tributo a conotação de confisco. Portanto, uma vez positivada a norma, é dever da autoridade fiscal aplicála. Além disso, é de se ressaltar que a multa de ofício é devida em face da infração à legislação tributária e, por não constituir tributo, mas penalidade pecuniária estabelecida em lei, é inaplicável o conceito de confisco. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos afastar as arguições de nulidade e de decadência para, no mérito, por maioria de votos, dar parcial provimento ao recurso mantendo as glosas tão somente das despesas consideradas não necessárias, relativas à conta 5.1.10.00.3002. 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Relatório Inicio com a transcrição do relatório da Decisão de Piso. Cuida o presente processo de Autos de Infração de IRPJ (fls. 2 a 9), CSLL (fls. 11 a 17) e IRRF (fls. 19 a 23), lavrados no bojo do Procedimento Fiscal nº 0710800.2014.00185, em que a Autoridade Fiscal constatou a dedução Fl. 955DF CARF MF Processo nº 12448.723526/201748 Acórdão n.º 1401003.134 S1C4T1 Fl. 956 3 indevida de despesas desnecessárias à atividade empresarial desempenhada pela pessoa jurídica ou não comprovadas apropriadamente. Em decorrência, apurou multa isolada sobre a falta de recolhimento do IRPJ e da CSLL sobre a base de cálculo estimada, além de, nos casos dos pagamentos a beneficiário não identificado, pagamento sem causa ou de operação não comprovada, fez incidir o IRRF na forma da legislação de regência (art. 674, do Decreto nº 3.000/1999). O Termo de Verificação Fiscal (fls. 25 a 46) cuida de delimitar o objeto da investigação às parcelas redutoras do lucro real e da base de cálculo da CSLL, tiradas da DIPJ, Ficha 4, Linha 18 (Serviços Prestados por Pessoa Jurídica), Ficha 4, Linha 21 (Outros Custos) e Ficha 5A, Linha 34 (Outras Despesas Operacionais). Intimada a apresentar a documentação comprobatória dessas parcelas, a contribuinte epigrafada (doravante denominada Impugnante), não logrou fazêlo de maneira completa, ao ver da Autoridade Fiscal, que cuidou de relacionar as contas contábeis e as razões de havêlas rejeitado, seja por ausência de prova de prestação/pagamento, seja por desnecessidade à atividadefim. O trabalho da fiscalização pode, assim, ser resumido pela tabela reproduzida a seguir: Fl. 956DF CARF MF Processo nº 12448.723526/201748 Acórdão n.º 1401003.134 S1C4T1 Fl. 957 4 O resultado do procedimento fiscal acarretou o lançamento de IRPJ, da CSLL e de IRRF nas quantias de R$ 10.793.756,74, R$ 3.938.115,08 e R$ 313.514,92, nesta ordem, todas acrescidas de multa de ofício e juros de mora. Nada obstante, houve o lançamento de multa isolada prevista no art. 44, II, "b", da Lei nº 9.430/1996, de R$ 5.538.729,90 (IRPJ) e R$ 807.827,06 (CSLL). Cientificada do lançamento em 12/07/2017 através de consulta à caixa postal do domicílio tributário eletrônico (fl. 843), a Impugnante apresentou sua defesa (fls. 847 a 878) em 11/08/2017. Nela, preliminarmente, requer a anulação dos autos de infração por afronta ao art. 142 do Código Tributário Nacional, pois a Autoridade Fiscal falhou com seu dever de descortinar adequadamente a matéria tributária e buscar a verdade material, pautandose em presunções não ilididas com base nos meios legais a sua disposição; cita, como exemplo, que a Fiscalização poderia ter efetuado a circularização junto aos beneficiários das rubricas, mas não o fez. Prejudicialmente, suscita a decadência de parte dos pagamentos sem causa que deram origem à imputação do IRRF, mais precisamente àqueles ocorridos no período de 01/01/2012 a 12/07/2012, com base no § 2º do art. 674 do Decreto nº 3.000/1999 e no art. 150, § 4º, do Código Tributário Nacional. No mérito, inicia a discussão conceituando renda, acréscimo patrimonial e despesas dedutíveis à luz do Regulamento do Imposto de Renda, antes de se debruçar sobre algumas despesas, tais como: as com projetos de recuperação ambiental, que, em seu entender, são obrigações impostas a toda coletividade além de agregarem valor a sua marca; os aluguéis de veículos para viagens corporativas; os contratos de rateio formalizados nos estritos termos legais com sociedade de seu grupo empresarial; ou mesmo as hoteleiras. Assevera que não houve falha na comprovação, mas sim discordância da Autoridade Fiscal quanto aos atributos da necessidade e da usualidade. No mais, defende, genericamente, a dedutibilidade das demais despesas glosadas nos seguintes termos: Sob as mesmas premissas trazidas no presente tópico, enquadramse todas aos outras despesas objeto de glosa Fiscal, visto que são úteis para a empresa, visa o efetivo exercício de suas atividades e possuem alguma relação com sua função social. Sobre as despesas não comprovadas, nos serviços tomados com terceiros, afirma que a Auditoria teve acesso às notas fiscais, aos comprovantes de pagamento e aos lançamentos contábeis, bem como nos serviços corporativos, aos contratos e às notas de débito, não se tratando de falta de comprovação, mas sim de glosa por desnecessidade. Após, destaca a impropriedade da cumulação do IRRF incidente sobre supostos pagamentos sem causa e a glosa de despesas que alargam o lucro real e a base de cálculo da CSLL por se tratar de bis in idem, aplicandose efeito econômico tributário a um mesmo fato tributável, além de constituir Fl. 957DF CARF MF Processo nº 12448.723526/201748 Acórdão n.º 1401003.134 S1C4T1 Fl. 958 5 verdadeiro confisco. Com este mesmo argumento, repudia a multa de ofício no patamar de 75%, defendendo sua diminuição para percentuais de 20% ou 30%, além de ratificar a impossibilidade de incidência de juros de mora sobre as penalidades pecuniárias. Ao término, requer prova pericial, produz questionamentos e o nome do preposto que deseja que acompanhe a perícia. É o relatório. Analisando a impugnação a Delegacia de Julgamento julgou procedente em parte a impugnação para cancelar o auto de infração do IRRF. Tendo em vista que o valor exonerado não ultrapassou o valor de alçada, o acórdão não foi submetido ao reexame necessário. Cientificado da decisão o contribuinte apresentou recurso voluntário no qual aduziu as seguintes razões: Da nulidade da autuação. Alega que apresentou a escrituração fiscal e justificou a realização dos pagamentos. Inobstante a fiscalização, sem maiores alegações, entendeu por considerar não justificadas as causas dos pagamentos, ou considerálas desnecessárias, glosando as despesas e lançando os valores devidos de IRPJ e CSLL. Alega que a DRJ cancelou somente o auto de IRRF, no entanto não acatou a nulidade do procedimento da fiscalização e manteve as autuações de IRPJ e CSLL. Da decadência. Alega que estariam decaídos os créditos tributários relativos aos períodos de apuração decorridos entre 01/01/2012 e 12/07/2012, tendo em vista a ocorrência de pagamentos e que deveria, desta forma, ser aplicada a norma do art. 150, § 4º, do CTN. Da Legitimidade das despesas. Despesas não necessárias. Recuperação ambiental. Aluguel de veículos para viagens diárias dos funcionários. Contrato de rateio de custos com empresas do grupo. Hospedagens no hotel Windsor Asturias. Alega que estas despesas foram consideradas desnecessárias, mas que apresentou prova da necessidade destas para a atividade empresarial e que seria insubsistente a glosa baseada em critérios subjetivos da fiscalização. Das despesas não comprovadas. Alega que apresentou a devida comprovação das despesas que não foram aceitas pela fiscalização nem pela DRJ. Penalidades. Princípio do não confisco. Indeferimento do pedido de perícia. É o relatório. Fl. 958DF CARF MF Processo nº 12448.723526/201748 Acórdão n.º 1401003.134 S1C4T1 Fl. 959 6 Voto Conselheiro Abel Nunes de Oliveira Neto O recurso é tempestivo e preenche os requisitos legais, assim dele tomo conhecimento. Iniciemos a análise do recurso a partir dos pontos de discordância apresentados pelo recorrente. Vejamos. Da nulidade da autuação. Alega que apresentou a escrituração fiscal e justificou a realização dos pagamentos. Inobstante a fiscalização, sem maiores alegações, entendeu por considerar não justificadas as causas dos pagamentos, ou considerálas desnecessárias, glosando as despesas e lançando os valores devidos de IRPJ e CSLL. Alega que a DRJ cancelou somente o auto de IRRF, no entanto não acatou a nulidade do procedimento da fiscalização e manteve as autuações de IRPJ e CSLL. Assim se pronunciou a Delegacia de Julgamento a respeito desta preliminar. Pronunciome. Diante da alegação de nulidade, cumpre notar que não se verifica nesses autos qualquer das hipóteses previstas no art 59 do Decreto nº 70.235/1972: Art. 59. São nulos; I – os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II – os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. Sendo os atos e termos, lavrados por pessoa competente, dentro da estrita legalidade, e garantido o mais absoluto direito de defesa, não há que se cogitar de nulidade dos autos de infração. Também prescreve o citado Decreto que: Art. 14. A impugnação da exigência instaura a fase litigiosa do procedimento. Art. 15. A impugnação, formalizada por escrito e instruída com os documentos em que se fundamentar, será apresentada ao órgão preparador no prazo de 30 (trinta) dias, contados da data em que for feita a intimação da exigência. Numa leitura atenta dos dispositivos acima transcritos, verificase que a impugnação da exigência instaura a fase litigiosa do procedimento Fl. 959DF CARF MF Processo nº 12448.723526/201748 Acórdão n.º 1401003.134 S1C4T1 Fl. 960 7 administrativo. Antes disso, na fase oficiosa, não há que se falar em litígio ou cerceamento de direito de defesa. Após a ciência do lançamento, o contribuinte tem o prazo de trinta dias para vistas do inteiro teor do processo no órgão preparador e apresentar impugnação escrita, instruída com os documentos em que se fundamentar, exercitando seu direito ao contraditório e à ampla defesa. Não se constatou nenhum vício de forma no lançamento, tendo sido observadas as prescrições contidas no Decreto nº 70.235/1972, estando cristalina e minuciosamente demonstrados no processo a fundamentação legal, a matéria tributável, os valores apurados e os fatos motivadores da autuação, permitindo à impugnante conhecer todos os elementos componentes da ação fiscal e, assim, propiciandolhe todos os meios para livre e plenamente manifestar suas razões de defesa. Prova da inexistência de prejuízo ao direito de defesa do interessado é sua própria contestação, na qual pôde rebater cada uma das acusações, demonstrando ter plena compreensão e entendimento das infrações apontadas. Bem verdade que o procedimento / processo administrativo tributário pauta se pela busca da verdade material, a fim de assegurar o cumprimento da obrigação tributária por parte dos sujeitos passivos, e que todos estão obrigados a prestar as informações requeridas pela Autoridade Tributária, particularmente o contribuinte e os terceiros com quem transacionou, mas tal princípio não pode ensejar o protraimento desmedido e ad infinitum da fase oficiosa do procedimento administrativo, considerada ainda a iminência da decadência quinquenal. Daí quê essa busca não se exaure no lançamento, mas repercute na fase litigiosa, com a valoração dos elementos probatórios acostados pelo contribuinte para rebater as acusações fiscais. Correto ainda afirmar que a lei não estabeleceu rito especial a ser seguido na fase oficiosa e inquisitorial do procedimento administrativo, encerrada com a ciência válida do lançamento por parte do contribuinte. Por conseguinte, a metodologia adotada pela Autoridade Fiscal inscrevese em sua discricionariedade, podendo tecer conclusões baseadas tanto em fatos, como também em presunções, pois o Fisco pode valerse, para comprovar suas alegações, de todos os meios de prova admitidos em Direito, até mesmo as presuntivas. Ao contribuinte, resta a contra prova, realizada na fase contenciosa do procedimento administrativo, tendente a desconstituir as conclusões firmemente estabelecidas na fase oficiosa e apurar a obrigação tributária devida. Fl. 960DF CARF MF Processo nº 12448.723526/201748 Acórdão n.º 1401003.134 S1C4T1 Fl. 961 8 Com respeito ao caso aqui presente, a Autoridade Administrativa intimou à Impugnante a apresentar a documentação comprobatória que respaldasse as despesas e os custos redutores do lucro real e da base de cálculo da CSLL. Após recepcionar as respostas, entendeu que os documentos carreados e os esclarecimentos prestados não comprovaram, à luz da legislação de regência, as parcelas questionadas, julgando, por bem, glosálas, acarretando repercussão na apuração dos tributos supracitados e, em alguns casos, até no IRRF. Portanto, para a Autoridade presidente do procedimento de fiscalização, a circularização era prescindível, dado estar de posse de elementos bastantes para formar sua conclusão sobre a matéria tributária. Tratase de questão metodológica, que não compete a esta Autoridade Julgadora debater, salvo em casos de flagrante arbitrariedade ou ações contrárias às imposições normativas e legais. No mais, estando a fundamentação do lançamento subsumida à hipótese normativa contida na legislação tributária e respeitados os aspectos formais do ato administrativo, cabenos, apenas, a rejeição da preliminar de nulidade suscitada pela Impugnante, nos termos expostos acima. Complementando o pensamento da decisão de Piso temos que, em verdade, as alegações do contribuinte prendemse à própria análise do mérito da autuação e não a uma nulidade em si. Não se vislumbra no procedimento causas de nulidade, mas sim procedimentos adotados pela fiscalização aos quais a empresa não anui. Ocorre que não concordar com os procedimentos adotados não implica, por si só, em nulidade. Por isso, concordando com o apresentado pela Decisão de Piso, rejeito a preliminar levantada. Da Decadência. Alega que estariam decaídos os créditos tributários relativos aos períodos de apuração decorridos entre 01/01/2012 e 12/07/2012, tendo em vista a ocorrência de pagamentos e que deveria, desta forma, ser aplicada a norma do art. 150, § 4º, do CTN. IRPJ/CSLL. Com relação ao IRPJ e à CSLL, levandose em consideração que a apuração destes tributos é anual e se refere ao ano de 2012 o início do prazo de decadência ocorreu em 01/01/2013 e, assim, encerrouse em 31/12/2017. Como o lançamento foi cientificado em julho/2017, temos que não se completou o prazo de decadência em relação aos mesmos, razão pela qual nego a preliminar aventada. IRRF. Em relação ao IRRF, levandose em consideração que a Delegacia de Origem exonerou integralmente a autuação relativa ao IRRF e, em razão do valor exonerado não alcançar o valor de alçada esta exoneração não estar sujeita ao recurso necessário, não há objeto a analisar quanto a este ponto. Fl. 961DF CARF MF Processo nº 12448.723526/201748 Acórdão n.º 1401003.134 S1C4T1 Fl. 962 9 Do exposto, rejeito a preliminar de decadência. Da Legitimidade das despesas. Despesas não necessárias. Recuperação ambiental. Aluguel de veículos para viagens diárias dos funcionários. Contrato de rateio de custos com empresas do grupo. Hospedagens no hotel Windsor Asturias. Alega que estas despesas foram consideradas desnecessárias, mas que apresentou prova da necessidade destas para a atividade empresarial e que seria insubsistente a glosa baseada em critérios subjetivos da fiscalização. Com relação à glosa de despesas consideradas não necessárias há um verdadeiro conflito de opiniões entre o entendimento da fiscalização e da Delegacia de Julgamento e o da recorrente. Todos estes entendimentos citam os dispositivos do RIR para embasar sua opinião, no entanto, o elemento principal a se analisar, em relação a cada glosa, é a definição, após a análise da documentação, do conteúdo destas em face dos documentos apresentados. Sinceramente, sem adentrar no mérito da análise, causoume estranheza a condensação das argumentações tanto da fiscalização, quanto do recorrente na análise dos pontos. No meu entender, quando se trata de análise probatória a fiscalização tem de ser específica quanto à não necessidade de cada glosa e os motivos de fato e de direito. No TVF foram incluídas todas as glosas em um único tópico sem uma separação metodológica do motivo de cada uma. No recurso a recorrente também apresenta exemplos do que entende indevido sem se aprofundar em cada item. Achei inadequados os dois tipos de procedimento, no entanto, como minha opinião pessoal sobre o trabalho dos outros não pode levar ao ponto de considerar tudo imprestável, passarei a, de acordo com a metodologia que entendo ser adequada para tratar o caso, apresentar a análise de cada item da autuação de acordo com os documentos apresentados e as justificativas da fiscalização e do recorrente. Vejamos a tabela elaborada pela fiscalização. Fl. 962DF CARF MF Processo nº 12448.723526/201748 Acórdão n.º 1401003.134 S1C4T1 Fl. 963 10 DESPESAS NÃO NECESSÁRIAS Conta 5.1.10.50.5004 Pagamentos à MACRO VISÃO CONSULTORIA AMBIENTAL e GBIO Valores lançados: Motivo: As notas fiscais referiamse a projeto de recuperação ambiental e de monitoramento da biodiversidade. Justifica que as despesas não guardam relação com o objeto da empresa e que, por isso, seriam desnecessárias. Documentos apresentados: Notas fiscais Conclusão: Neste ponto a empresa alega que o monitoramento da biodiversidade e o monitoramento do meio ambiente são sem despesas essenciais da atividade pois visam a cumprir as normas ambientais a que a atividade de mineração está sujeita. Neste ponto entendo assistir razão ao recorrente. Em verdade este acórdão já estava redigido desde fins de dezembro e agora, já em fevereiro, quando de sua revisão e após o acontecimento do estouro da barragem da empresa Vale em Brumadinho demonstrase, mais ainda, que as despesas incorridas pelas mineradoras com estudos, proteção e recuperação do meio ambiente são necessárias sim para o exercício da atividade, vez que as normas ambientais Fl. 963DF CARF MF Processo nº 12448.723526/201748 Acórdão n.º 1401003.134 S1C4T1 Fl. 964 11 assim o determinam, cabendo à empresa a prevenção de acidentes e a manutenção e recuperação do meio ambiente em razão da atividade de mineração que, é de sabença geral, traz sérios danos ambientais. Pelo exposto não posso concordar com a fiscalização de que tais despesas seriam desnecessárias. Não pelo fato de a empresa ser boazinha com o meio ambienta, mas sim porque para conseguir as licenças de funcionamento e ambientais tem sim de cumprir uma série de requisitos que demandam o trabalho de empresas especializadas em meio ambiente. Pelo exposto, neste ponto voto por dar provimento ao recurso voluntário para cancelar as glosas das despesas pagas às empresa MACRO VISÃO CONSULTORIA AMBIENTAL e GBIO. Conta 5.1.10.50.2019 SGO ATELIER GRÁFICO Valores lançados: R$ 44.360,00 SGO ATELIER GRÁFICO Motivo: Não foi comprovada a prestação do serviço e nem a necessidade da despesas Documentos apresentados: Não apresentou comprovação da prestação dos serviços só NF Conclusão: Neste ponto entendo que a glosa deve ser cancelada em razão do incorreto enquadramento da exigência. Vejamos. Se a empresa não comprovou a prestação dos serviços informados na nota fiscal então, em verdade, não se considera prestado o serviço e, assim, a glosa deveria ser realizada em razão da não comprovação das despesas. Vejase que para que as despesas fossem consideradas desnecessaárias, a condição básica é que de que estivessem devidamente comprovadas e, após constatada sua comprovação, aí sim poderia a fiscalização analisar o mérito da necessidade ou não desta despesa na forma da legislação. Por isso, entendo incorreto o enquadramento da infração por parte da fiscalização e, assim, voto por dar provimento ao recurso neste ponto para cancelar a glosa das despesas pagas à empresa SGO ATELIER GRÁFICO. Conta 5.1.10.00.3002. Aluguel de Veículos Produção Fl. 964DF CARF MF Processo nº 12448.723526/201748 Acórdão n.º 1401003.134 S1C4T1 Fl. 965 12 Valores lançados: R$ 192.801,88 AVIPAM TURISMO E TECNOLOGIA LTDA Motivo: A empresa informa que os serviços são de locação de veículos leves para as atividades diárias na área da empresa. A fiscalização alega que a empresa em questão atua na área de Gestão de Viagens Coporativas e que não foram entregues elementos que comprovassem que as despesas estão vinculadas a atividade operacional da empresa. Documentos apresentados: Apenas as notas fiscais. Conclusão: A recorrente alega que o aluguel de veículos para utilização pelos diversos funcionários da empresa é despesas corriqueira nas empresa e é necessária em razão da necessidade de deslocamento destes para tratar com clientes, fornecedores, etc. Neste ponto, apesar de entender que as despesas são realmente corriqueiras para o tipo de atividade desenvolvida, faltou ao recorrente fundamentar suas alegações com documentos que demonstrassem a utilização de veículos no cotidiano da empresa. Vejase que o aluguel de veículos em geral pode ser despesas necessária mas, de outro lado, podem ser alugados veículos de luxo para simples uso dos gerentes e diretores da empresa em seu transporte pessoal, não vinculado especificamente às operações da empresa. Assim, diante da falta de identificação acerca vinculação do uso dos veículos nas atividades da empresa, entendo que deve ser negado provimento ao recurso. Conta 1.1.45.00.1002 Almoxarifado Geral Bens de Consumo Valores lançados: R$ 2.281.101,30 Motivo: A fiscalização alega que a empresa não apresentou documentos fiscais para comprovar e justificar a necessidade da aquisição de bens de consumo que depois foram baixados como despesas do exercício 2012. Documentos apresentados: Não apresentou documentos fiscais Conclusão: Neste ponto entendo que a glosa deve ser cancelada em razão do incorreto enquadramento da exigência. Vejamos. Se a empresa não comprovou a prestação dos serviços informados na nota fiscal então, em verdade, não se considera prestado o serviço e, assim, a glosa deveria ser realizada em razão da não comprovação das despesas. Neste item específico o TVF informa, literalmente o seguinte: Em relação à conta 1.1.45.00.1002 Almoxarifado central não foram apresentados documentos fiscais para comprovar e justificar a necessidade das aquisições de bens de consumo que posteriormente foram baixadas como despesas no exercício de 2012. O valor informado pelo sujeito passivo cujo saldo desta conta compõem a linha 21 na DIPJ é de R$ 2.281.101,30. Fl. 965DF CARF MF Processo nº 12448.723526/201748 Acórdão n.º 1401003.134 S1C4T1 Fl. 966 13 Com base nessas considerações não é possível perceber se a empresa apresentou documentos que a fiscalização considerou insuficientes ou se a empresa simplesmente não apresentou documentos comprobatórios. Procurando nos diversos documento anexados ao processo verifiquei, no documento 08, uma resposta da empresa à fiscalização informando que, o que eu acho ser relativo a este item, apresentava uma relação dos bens que foram posteriormente baixados. Não localizei nenhum outro documento relativo ao ponto. Assim, no meu entender, a glosa deve se referir a despesa não comprovada, em razão da falta de apresentação de documentos para comproválas. Vejase que para que as despesas fossem consideradas desnecessárias, a condição básica é que de que estivessem devidamente comprovadas e, após constatada sua comprovação, aí sim poderia a fiscalização analisar o mérito da necessidade ou não desta despesa na forma da legislação. Por isso, entendo incorreto o enquadramento da infração por parte da fiscalização e, assim, voto por dar provimento ao recurso neste ponto para cancelar a glosa das despesas relativas à conta Conta 1.1.45.00.1002 Almoxarifado Geral Bens de Consumo. Conta 5.1.10.10.2003. Peças e Materiais para manutenção predial Valores lançados: R$ 14.047,13 Motivo: Divergências entre as notas fiscais comprobatórias das despesas e os valores escriturados, resultando que as notas fiscais comprovaram despesas em valor menor do que o contabilizado pela empresa. Documentos apresentados: Notas fiscais das despesas em valores menor do que os contabilizados. Conclusão: Neste ponto entendo que a glosa deve ser cancelada em razão do incorreto enquadramento da exigência. Vejamos. Se a empresa não comprovou com notas fiscais o valor integral das despesas escrituradas então, em verdade, estas despesas contabilizadas e não suportadas por documentos contábeis consideramse não comprovadas e não desnecessárias como alegado pela fiscalização. Neste item específico o TVF informa, literalmente o seguinte: Em relação à conta 5.1.10.10.2003 Peças e Materiais P Manutenção Predial foram encontradas divergências em relação às seguintes notas: nº 12688 (Doc. 9) referente a despesa paga à empresa NEPIIN cuja nota apresenta o valor de R$ 10.000,00 e está contabilizado em dois lançamentos no livro razão em 06/02/2012, nos valores de R$ 1.000,00 e R$ 10.000,00, que somados ultrapassam o valor da nota fiscal apresentada; nº 1571 (Doc. 10) referente a Fl. 966DF CARF MF Processo nº 12448.723526/201748 Acórdão n.º 1401003.134 S1C4T1 Fl. 967 14 despesa paga à empresa SEW EURODRI cuja nota apresenta o valor de R$ 35.066,24 e está contabilizado em três lançamentos no livro razão em 27/02/2012, nos valores de R$ 1.684,16, R$ 33.679,11 e R$ 1.382,95, que somados ultrapassam o valor da nota fiscal apresentada; nº 8009 (Doc. 11) referente a despesa paga à empresa INDUSTRIA MECÂNICA IRMÃOS CORGOZINHO cuja nota apresenta o valor de R$ 23.394,56 e está contabilizado em três lançamentos no livro razão em 19/03/2012, nos valores de R$ 23.394,56, 2.807,35 e R$ 2.620,19, que somados ultrapassam o valor da nota fiscal apresentada; nº 1980 (Doc. 12) referente a despesa paga à empresa SEW EURODRI cuja nota apresenta o valor de R$ 24.585,12 e está contabilizado em dois lançamentos no livro razão em 04/10/2012, nos valores de R$ 24.585,12 e R$ 1.229,26, que somados ultrapassam o valor da nota fiscal apresentada; nº 25104 (Doc. 13) referente a suposta despesa lançada em 31/10/2012 paga à empresa METSO BH no valor de R$ 2.249,50 foi apresentada nota fiscal emitida pela MMX para devolução de mercadorias à METSO, restando a despesa não justificada; nº 237 (Doc. 14) referente a despesa paga à empresa MARCOPOLO cuja nota apresenta o valor de R$ 2.456,67 que está contabilizada em duplicidade no livro razão nas datas de 10/10/2012 e 16/10/2012 (Doc. 15). Ao final temos um total de lançamentos no valor de R$ 109.545,54 e o correspondente em notas fiscais comprovadas no valor de R$ 95.503,59, correspondendo a uma divergência no montante de R$ 14.047,13 Vejase que para que as despesas fossem consideradas desnecessárias, a condição básica é que de que estivessem devidamente comprovadas e, após constatada sua comprovação, aí sim poderia a fiscalização analisar o mérito da necessidade ou não desta despesa na forma da legislação. Por isso, entendo incorreto o enquadramento da infração por parte da fiscalização e, assim, voto por dar provimento ao recurso neste ponto para cancelar a glosa das despesas relativas à Conta 5.1.10.10.2003. Peças e Materiais para manutenção predial. Conta 6.1.10.30.1051 Serviços Corporativos MMX Valores lançados: R$ 3.829.514,33 Motivo: Despesas desnecessárias e que não teriam sido comprovadas. Documentos apresentados: Notas de débito e contrato de compartilhamento de custos. Conclusão: Novamente neste item a fiscalização confunde a falta de comprovação com a desnecessidade das despesas. O que ocorreu é que a fiscalização, após receber a documentação da empresa como o contrato de compartilhamento, o razão e as notas de débito, intimou a empresa a comprovar com documentos algumas das despesas realizadas. Fl. 967DF CARF MF Processo nº 12448.723526/201748 Acórdão n.º 1401003.134 S1C4T1 Fl. 968 15 A empresa respondeu com os mesmos documentos já apresentados, ou seja, não apresentou os documentos comprobatórios requeridos pela fiscalização. Mesmo ante a falta de comprovação das despesas a fiscalização realizou a glosa destas sob a alegação de que seriam decorrentes de falta de comprovação. Vejase o que foi escrito no TVF Portanto, não há como a fiscalização aceitar que as despesas que estão englobadas no contrato entre MMX Corumbá e MMX Metálicos sejam necessárias, normais e usuais, e ainda as mesmas não restaram comprovadas perante o procedimento em curso, pois não foi apresentado sequer um documento fiscal a fazer prova de qualquer pagamento. Portanto, o montante das despesas consideradas não necessárias foi de R$ 3.829.514,33. Como já dito anteriormente em outro item. As glosas relativas à falta de comprovação e a não necessidade das despesas tem fundamentos jurídicos diversos. A falta de comprovação decorre da inexistência de documentos fiscais que suportem as notas de débitos contabilizadas pela empresa e que restam baseadas em contrato. Quando a fiscalização entende que tem de conferir os percentuais de atribuição de custos e a natureza das despesas, a falta de apresentação desta documentação implica em não comprovação das despesas. Vejase que a glosa foi realizada pela fiscalização como relativa a despesas não necessárias. Ora, se nem ao menos foram apresentadas os documentos comprobatórios para conferência pela fiscalização, as demais alegações realizadas pela fiscalização decorrem de análise subjetiva, eis que não baseadas em documentos fiscais que demonstrem os motivos e fundamentos de sua realização. Pelo exposto, entendo que a fiscalização, incorretamente tipificou a glosa como de despesa não necessária em vez de têla tipificado como despesa não comprovada, como se depreende pelos termos por ela apresentados no TVF. Assim, neste ponto voto por dar provimento ao recurso para cancelar a glosa de despesas da Conta 6.1.10.30.1051 Serviços Corporativos MMX. Conta 6.1.30.10.2002 Desp. Vendas ME Fretes Rodoviários Valores lançados: R$ 6.618.695,98 Motivo: Falta de apresentação de diversas notas fiscais das despesas Documentos apresentados: Só foram apresentadas notas da empresa VM Transportes. A glosa foi realizada na parte das despesas não comprovadas. Conclusão: Novamente neste item a fiscalização confunde a falta de comprovação com a desnecessidade das despesas. A empresa respondeu a intimação apresentando apenas parte dos documentos comprobatórios, ou seja, em relação aos demais não apresentou os documentos comprobatórios Fl. 968DF CARF MF Processo nº 12448.723526/201748 Acórdão n.º 1401003.134 S1C4T1 Fl. 969 16 requeridos pela fiscalização. Mesmo ante a falta de comprovação das despesas a fiscalização realizou a glosa destas sob a alegação de que seriam decorrentes de não necessidade das despesas. Vejase o que foi escrito no TVF 6.1.30.10.2002 – Desp Vend ME Fretes Rodoviários: Na DIPJ 2013 essa despesa representa R$7.129.425,88 do total das “Outras despesas operacionais”. O sujeito passivo foi intimado em 20 de março de 2014 a comprovar com documentação hábil e idônea, coincidente em datas e valores relacionados a escritura fiscal transmitida via SPED. Em resposta entregue em 18 de agosto de 2014 o contribuinte apresentou somente as notas fiscais n° 264, 308, 368, 443, 447, 453 e 984 pagas a empresa VM Transportes em um valor total de R$510.729,90. Portanto, não há como a fiscalização aferir se as demais despesas são necessárias às atividades da empresa, sendo o montante de R$6.618.695,98 a ser glosado no presente auto (Doc. 27). Como já dito anteriormente em outro item. As glosas relativas à falta de comprovação e a não necessidade das despesas tem fundamentos jurídicos diversos. A falta de comprovação decorre da inexistência de documentos fiscais que suportem as notas de débitos contabilizadas pela empresa e que restam baseadas em contrato. Quando a fiscalização entende que tem de conferir os percentuais de atribuição de custos e a natureza das despesas, a falta de apresentação desta documentação implica em não comprovação das despesas. Vejase que a glosa foi realizada pela fiscalização como relativa a despesas não necessárias. Ora, se nem ao menos foram apresentadas os documentos comprobatórios para conferência pela fiscalização, como esta pode presumir que as despesas seriam desnecessárias sem analisar os documentos. Pelo exposto, entendo que a fiscalização, incorretamente tipificou a glosa como de despesa não necessária em vez de têla tipificado como despesa não comprovada, como se depreende pelos termos por ela apresentados no TVF. Assim, neste ponto voto por dar provimento ao recurso para cancelar a glosa de despesas da Conta 6.1.30.10.2002 Desp. Vendas ME Fretes Rodoviários. Conta 6.1.30.10.2004 Desp. Vendas ME Fretes Fluviais Valores lançados: R$ 8.746.860,95 Motivo: Despesas não seriam necessárias Documentos apresentados: Relação de despesas e contabilização Fl. 969DF CARF MF Processo nº 12448.723526/201748 Acórdão n.º 1401003.134 S1C4T1 Fl. 970 17 Conclusão: Novamente neste item a fiscalização confunde a falta de comprovação com a desnecessidade das despesas. A empresa respondeu a intimação apresentando apenas parte dos documentos comprobatórios, ou seja, em relação aos demais não apresentou os documentos comprobatórios requeridos pela fiscalização. Mesmo ante a falta de comprovação das despesas a fiscalização realizou a glosa destas sob a alegação de que seriam decorrentes de não necessidade das despesas. Vejase o que foi escrito no TVF 6.1.30.10.2004 – Desp Vend ME Fretes Fluviais: Na DIPJ 2013 essa despesa foi informada com o valor de R$ 45.593.067,32. O contribuinte foi intimado em 20 de março de 2014 a comprovar com documentação hábil e idônea, coincidente em datas e valores relacionados a escritura fiscal transmitida via SPED. Foram apresentados pelo sujeito passivo em 18 de agosto de 2014 arquivos digitais sendo um deles denominado INTIMAÇÃO NOTAS UABL E INTERBAGEM “sic” (uma planilha com a descrição das operações de fretes e os respectivos contratos de câmbio) e arquivos com as faturas e os respectivos contratos de câmbio citados no arquivo anterior para comprovar as despesas de fretes fluviais. Na contabilidade verificouse que os fretes foram, em sua maioria, efetuados por duas empresas sediadas no exterior sendo elas a UABL SA (Argentina) e a INTERBARGE SA (Paraguai), portanto, os pagamentos foram efetuados através de contratos de câmbio para transferência de recursos ao exterior. No entanto, o contribuinte não apresentou a documentação referente ao montante de R$8.746.860,95 do valor informado na DIPJ 2013 que foi considerada desnecessária já que não foram apresentadas informações suficientes para que a fiscalização possa averiguar a vinculação à atividade operacional (Doc. 28). Como já dito anteriormente em outro item. As glosas relativas à falta de comprovação e a não necessidade das despesas tem fundamentos jurídicos diversos. A falta de comprovação decorre da inexistência de documentos fiscais que suportem as notas de débitos contabilizadas pela empresa e que restam baseadas em contrato. Quando a fiscalização entende que tem de conferir os percentuais de atribuição de custos e a natureza das despesas, a falta de apresentação desta documentação implica em não comprovação das despesas. Vejase que a glosa foi realizada pela fiscalização como relativa a despesas não necessárias. Ora, se nem ao menos foram apresentadas os documentos comprobatórios para conferência pela fiscalização, como esta pode presumir que as despesas seriam desnecessárias sem analisar os documentos. Pelo exposto, entendo que a fiscalização, incorretamente tipificou a glosa como de despesa não necessária em vez de têla tipificado como despesa não comprovada, como se depreende pelos termos por ela apresentados no TVF. Fl. 970DF CARF MF Processo nº 12448.723526/201748 Acórdão n.º 1401003.134 S1C4T1 Fl. 971 18 Assim, neste ponto voto por dar provimento ao recurso para cancelar a glosa de despesas da Conta 6.1.30.10.2004 Desp. Vendas ME Fretes Fluviais. Conta 6.1.30.10.2006 Desp Vend ME Terminais Ferrov Port Aerop Valores lançados: R$ 6.809.534,10 Motivo: Despesas não seriam necessárias Documentos apresentados: Relação de despesas e contabilização Conclusão: Novamente neste item a fiscalização confunde a falta de comprovação com a desnecessidade das despesas. A empresa respondeu a intimação apresentando apenas parte dos documentos comprobatórios, ou seja, em relação aos demais não apresentou os documentos comprobatórios requeridos pela fiscalização. Mesmo ante a falta de comprovação das despesas a fiscalização realizou a glosa destas sob a alegação de que seriam decorrentes de não necessidade das despesas. Vejase o que foi escrito no TVF 6.1.30.10.2006 – Desp Vend ME Terminais Ferrov Port Aerop: Essa despesa foi informada na DIPJ 2013/AC 2012 pelo valor de R$7.624.363,19. O contribuinte foi intimado em 20 de março de 2014 a comprovar com documentação hábil e idônea, coincidente em datas e valores, lançamentos relacionados relativos a escritura fiscal transmitida via SPED. Em resposta apresentada em 18 de agosto de 2014 o sujeito passivo apresentou somente cópia do livro razão demonstrando o que parece ser o estorno e reclassificação de alguns lançamentos, sem nenhuma explicação adicional. Em resposta apresentada pelo sujeito passivo em 22 de outubro de 2014 foram entregues somente duas notas fiscais, as de n° 21 e 55 pagas à empresa Granel Química Ltda. totalizando o valor de R$814.829,09. Portanto, não foi feita a comprovação da necessidade da despesa e sua vinculação à receita operacional do valor de R$6.809.534,10 (Doc. 29). Como já dito anteriormente em outro item. As glosas relativas à falta de comprovação e a não necessidade das despesas tem fundamentos jurídicos diversos. A falta de comprovação decorre da inexistência de documentos fiscais que suportem as notas de débitos contabilizadas pela empresa e que restam baseadas em contrato. Quando a fiscalização entende que tem de conferir os percentuais de atribuição de custos e a natureza das despesas, a falta de apresentação desta documentação implica em não comprovação das despesas. Vejase que a glosa foi realizada pela fiscalização como relativa a despesas não necessárias. Ora, se nem ao menos foram apresentadas os documentos comprobatórios para Fl. 971DF CARF MF Processo nº 12448.723526/201748 Acórdão n.º 1401003.134 S1C4T1 Fl. 972 19 conferência pela fiscalização, como esta pode presumir que as despesas seriam desnecessárias sem analisar os documentos. Pelo exposto, entendo que a fiscalização, incorretamente tipificou a glosa como de despesa não necessária em vez de têla tipificado como despesa não comprovada, como se depreende pelos termos por ela apresentados no TVF. Assim, neste ponto voto por dar provimento ao recurso para cancelar a glosa de despesas da Conta 6.1.30.10.2006 Desp Vend ME Terminais Ferrov Port Aerop. Conta 6.1.30.10.2007 Desp Vend ME Combustível Valores lançados: R$ 7.286.326,04 Motivo: Despesas não seriam necessárias Documentos apresentados: Relação de despesas e contabilização Conclusão: Novamente neste item a fiscalização confunde a falta de comprovação com a desnecessidade das despesas. A empresa respondeu a intimação apresentando apenas parte dos documentos comprobatórios, ou seja, em relação aos demais não apresentou os documentos comprobatórios requeridos pela fiscalização. Mesmo ante a falta de comprovação das despesas a fiscalização realizou a glosa destas sob a alegação de que seriam decorrentes de não necessidade das despesas. Vejase o que foi escrito no TVF 6.1.30.10.2007 – Desp Vend ME Combustível: Essa despesa foi informada na DIPJ 2013/AC 2012 pelo valor de R$8.717.266,85. O contribuinte foi intimado em 20 de março de 2014 a comprovar com documentação hábil e idônea, coincidente em datas e valores, lançamentos relacionados relativos a escritura fiscal transmitida via SPED. Em resposta apresentada em 18 de agosto de 2014 o sujeito passivo comprovou as seguintes despesas (Doc. 30): NF 433 paga a empresa KENPORT, cujo lançamento foi efetuado no livro razão em 30/11/12 no valor de R$318.398,87; NF 680 paga a empresa FUSKEL, cujo lançamento foi efetuado no livro razão em 30/11/12 no valor de R$30.5916,85; NF 3503 e 3977 pagas a empresa MONTE ALEGRE, cujos lançamentos foram efetuados no livro razão em 30/11/12 no valor de R$264.069,00 e em 31/12/2012 no valor de R$249.648,00, respectivamente; IRRF lançado no livro razão em 28/05/12 no valor de R$ 133.695,48; NF 3611 e 3612 pagas a empresa BARCOS E RODADOS SA, cujos lançamentos foram efetuados no livro razão em 31/05/12 nos valores de R$78.250,48 e R$80.962,13, respectivamente. Sem os demais documentos hábeis a fiscalização não pode averiguar se o combustível foi utilizado no processo produtivo, ou seja, se poderia ser deduzida como custo. Portanto, foram consideradas Fl. 972DF CARF MF Processo nº 12448.723526/201748 Acórdão n.º 1401003.134 S1C4T1 Fl. 973 20 desnecessárias as despesas no montante de R$7.286.326,04 do saldo da despesa conforme informado na DIPJ 2013. Como já dito anteriormente em outro item. As glosas relativas à falta de comprovação e a não necessidade das despesas tem fundamentos jurídicos diversos. A falta de comprovação decorre da inexistência de documentos fiscais que suportem as notas de débitos contabilizadas pela empresa e que restam baseadas em contrato. Quando a fiscalização entende que tem de conferir os percentuais de atribuição de custos e a natureza das despesas, a falta de apresentação desta documentação implica em não comprovação das despesas. Vejase que a glosa foi realizada pela fiscalização como relativa a despesas não necessárias. Ora, se nem ao menos foram apresentadas os documentos comprobatórios para conferência pela fiscalização, como esta pode presumir que as despesas seriam desnecessárias sem analisar os documentos. Pelo exposto, entendo que a fiscalização, incorretamente tipificou a glosa como de despesa não necessária em vez de têla tipificado como despesa não comprovada, como se depreende pelos termos por ela apresentados no TVF. Assim, neste ponto voto por dar provimento ao recurso para cancelar a glosa de despesas da Conta 6.1.30.10.2007 Desp Vend ME Combustível Conta 7.2.10.10.2003 Redução ao Valor recuperável Imobilizado Valores lançados: R$ 6.990.998,30 Motivo: Despesas estavam registradas no imobilizado diferido e foram baixadas como despesa do exercício sem que a empresa tenha apresentado maiores informações acerca dos objetivos dos projetos e prazos de utilização. Documentos apresentados: Pastas com os documentos de cada projeto. Conclusão: Em verdade, em relação a esta glosa é confusa a alegação da fiscalização quanto aos motivos. A empresa apresentou a documentação comprobatória dos projetos, os comprovantes de despesas e alega que após a crise de 2008 resolveu por abandonar os projetos e, assim, baixou os gastos que tinham sido imobilizados como despesa do exercício de 2012. Por seu turno a fiscalização assim informa em seu TVF: A justificativa informada pelo sujeito passivo é que o projeto foi descontinuado devido à crise de 2008, ano em que foram iniciados dois projetos em setembro (planta de beneficiamento R$190.787,97 e aumento da capacidade R$804.784,28) e outro em novembro (implantação do jigue R$5.693.416,00). Outros projetos se seguiram no ano de 2009 (barragem sul 1 R$159.250,73) e 2010 (adequação da mina 63 R$142.759,32). Cabe Fl. 973DF CARF MF Processo nº 12448.723526/201748 Acórdão n.º 1401003.134 S1C4T1 Fl. 974 21 ressaltar que conforme afirmado pelo responsável nos documentos apresentados todas as fases dos projetos foram realizadas, entregues satisfatoriamente e foram alcançando os resultados esperados. Ou seja, não há como se afirmar que 4 anos após 2008 e ainda, mais de anos de concluídos os projetos, os mesmos foram abandonados. Não foi informado à fiscalização a natureza de tais projetos, como por exemplo, qual a expectativa de rentabilidade futura que se esperava de tais investimentos. Isso seria necessário para que a fiscalização pudesse averiguar por quantos exercícios essas despesas iriam afetar o resultado, portanto, as mesmas foram consideradas não necessárias e serão glosadas no montante de R$6.990.998,30. Em verdade acho que a fiscalização confundiuse em relação pa tipificação da acusação. As despesas foram comprovadas, conforme a própria fiscalização afirma, os projetos foram executados e concluídos e somente após quatro anos a empresa os considerou abandonados. Entendendo que na verdade a baixa do imobilizado para despesas foi feita antes do momento, a fiscalização intimou a empresa a apresentar as informações sobre a natureza dos projetos e o prazo de rentabilidade para averiguar por quantos exercícios essas despesas iriam afetar o resultado. Ou seja, entendese que a fiscalização considerou que a baixa antecipada dos gastos que tinham sido ativados foi irregular, posto que somente poderiam ser baixados durante o prazo de produção de rendimentos dos investimentos. Neste caso, o lançamento deveria ter se baseado nas normas do art. 273, do Regulamento do Imposto de Renda, aprovado pelo Decreto nº 3.000/99, tendo em vista que se trata de inobservância do regime de competência, conforme norma abaixo descrita: Seção VIII Inobservância do Regime de Competência Art. 273. A inexatidão quanto ao período de apuração de escrituração de receita, rendimento, custo ou dedução, ou do reconhecimento de lucro, somente constitui fundamento para lançamento de imposto, diferença de imposto, atualização monetária, quando for o caso, ou multa, se dela resultar (DecretoLei nº 1.598, de 1977, art. 6º, § 5º): I a postergação do pagamento do imposto para período de apuração posterior ao em que seria devido; ou II a redução indevida do lucro real em qualquer período de apuração. § 1º O lançamento de diferença de imposto com fundamento em inexatidão quanto ao período de apuração de competência de receitas, rendimentos ou deduções será feito pelo valor líquido, depois de compensada a diminuição do imposto lançado em outro período de apuração a que o contribuinte tiver direito em decorrência da aplicação do disposto no § 2º do art. 247 (DecretoLei nº 1.598, de 1977, art. 6º, § 6º). § 2º O disposto no parágrafo anterior e no § 2º do art. 247 não exclui a cobrança de atualização monetária, quando for o caso, multa de mora e Fl. 974DF CARF MF Processo nº 12448.723526/201748 Acórdão n.º 1401003.134 S1C4T1 Fl. 975 22 juros de mora pelo prazo em que tiver ocorrido postergação de pagamento do imposto em virtude de inexatidão quanto ao período de competência (DecretoLei nº 1.598, de 1977, art. 6º, § 7º, e DecretoLei nº 1.967, de 23 de novembro de 1982, art. 16). Desta forma entendo que o caso apresentado pela fiscalização não se relaciona à não necessidade das despesas, até mesmo porque, conforme consta do próprio TVF os projetos foram concluídos e produziram resultados, tendo sido devidamente comprovadas as despesas a ele relativas. O que a empresa não apresentou à fiscalização foram justamente as informações relativas ao prazo de produção de frutos para fins de apropriação das despesas que haviam sido imobilizadas e, claramente, este elemento é tratado no dispositivo acima do RIR, não sendo, no meu entender, cabível a aplicação pura e simples do dispositivo que trata da não necessidade das despesas. Assim, entendendo que não agiu corretamente a fiscalização a tipificar esta acusação, não entendo haver outra solução que não a de dar provimento ao recurso para Cancelar a glosa da Conta 7.2.10.10.2003 Redução ao Valor recuperável Imobilizado Das despesas não comprovadas. Alega que apresentou a devida comprovação das despesas que não foram aceitas pela fiscalização nem pela DRJ. Conta 5.1.10.50.1001 Serv. Prestados Bureau Veritas Valores lançados: R$ 108.083,33 Motivo: Não foi comprovada a prestação de serviços da NF Documentos apresentados: Não foram apresentados documentos relativos às despesas Conclusão: Entendo que deve ser mantida autuação neste ponto. Caberia à empresa demonstrar a realização do serviço que foi indicado na nota fiscal, ônus que não se desincumbiu nem durante a fiscalização, nem quando da impugnação ou no recurso voluntário. Pior, sequer a recorrente traz argumentos a justificar a prestação dos serviços em seu recurso. Apresenta apenas argumentos genéricos só pontuando alguns casos. Assim, entendo por negar provimento ao recurso neste ponto. Fl. 975DF CARF MF Processo nº 12448.723526/201748 Acórdão n.º 1401003.134 S1C4T1 Fl. 976 23 Conta 5.1.10.50.1004 Consultoria Técnica Vereda Consultoria Valores lançados: R$ 61.625,15 Motivo: Falta de apresentação da nota fiscal. Documentos apresentados: Não apresentou a nota fiscal. Conclusão: Há de se manter a exigência, posto que não foi apresentado o documento fiscal comprobatório da despesa. Assim, entendo que deve ser negado provimento ao recurso neste ponto. Conta 5.1.10.50.2019 Serviços TONIOLO, BUSNELLO Valores lançados: R$ 312.118,95 Não foi comprovada a prestação de serviços da NF Documentos apresentados: Não foram apresentados documentos relativos às prestações de serviço das despesas Conclusão: Entendo que deve ser mantida autuação neste ponto. Caberia à empresa demonstrar a realização do serviço que foi indicado na nota fiscal, ônus que não se desincumbiu nem durante a fiscalização, nem quando da impugnação ou no recurso voluntário. Pior, sequer a recorrente traz argumentos a justificar a prestação dos serviços em seu recurso. Apresenta apenas argumentos genéricos só pontuando alguns casos. Assim, entendo por negar provimento ao recurso neste ponto. Conta 6.1.10.30.1050 Serviços Corporativos Grupo EBX Valores lançados: R$ 100.414,60 Motivo: A empresa apresentou apenas o contrato de compartilhamento e as notas de débito. Não apresentou as medições e os cálculos de rateio das despesas dos meses de abril e maio de 2012. Documentos apresentados: Apenas o contrato de compartilhamento e a nota de débito. Conclusão: Assim informou a fiscalização a respeito deste item: Fl. 976DF CARF MF Processo nº 12448.723526/201748 Acórdão n.º 1401003.134 S1C4T1 Fl. 977 24 Para que a fiscalização pudesse aferir adequadamente a alocação de despesas da MMX Corumbá, eram necessárias mais informações, intimandose o contribuinte em 15 de julho, com ciência via AR em 22 de julho de 2016, a apresentar: as medições feitas pela EBX (Time Sheet), o cálculo do percentual ponderado por centro de custo, assim como a divisão proporcional dos custos referentes à “EBX Recursos Compartilhados”. Em resposta entregue em 18 de agosto de 2016 (Doc. 19) o sujeito passivo deixou de apresentar os itens acima descritos, ou seja, não comprovou a despesa, para os seguintes meses de 2012: abril ND 0970 no valor de R$50.736,56, cujo lançamento foi efetuado no razão em 22 de maio de 2012 e o pagamento foi efetuado em 28 de maio de 2012 através da conta 1.1.10.20.1001 BANCO ITAU 1; e maio ND 2455 no valor de R$ 49.678,04, cujo lançamento foi efetuado no razão em 30 de junho de 2012 e o pagamento foi efetuado em 27 de junho de 2012 através da conta 1.1.10.20.1001 BANCO ITAU 1 (Doc. 19 e 20). Portanto, o montante de despesas não comprovadas foi de R$100.414,60. Neste ponto a única alegação específica da empresa é a de que a fiscalização deveria ter intimado a empresa do grupo que era responsável pelo cálculo do rateio. Não trouxe nenhum outro argumento. Neste ponto, entendemos não ser cabível a alegação recursal. Ora, apresentada a nota de débito e o contrato de compartilhamento é evidente que a fiscalização poderia exigir os cálculos do rateio, haja vista que os percentuais de atribuição das despesas não eram fixos mês a mês e se fazia necessário, pelo menos a conferência dos valores. Atribuir à fiscalização a obrigação de intimar terceiros em relação a documentos de um contrato do qual a recorrente é parte e, com isso, tem pleno acesso a todos os documentos a ele relativos é inverter a ordem normal de proceder. Pelo exposto, voto no sentido de negar provimento ao recurso neste ponto tendo em vista que a recorrente não logrou comprovar adequadamente a realização das despesas. Penalidades. Princípio do não confisco. Neste ponto o recurso ataca a multa aplicada no percentual de 75%, aplicado pela fiscalização de acordo com as normas do art. 44, da lei nº 9.430/96. Quanto a este ponto, até mesmo pelo tema, não foram apresentados novos argumentos além dos já apresentados na impugnação. Assim, entendo por suficiente a análise realizada pela Delegacia de Julgamento quanto ao pedido. Por isso passo a transcrever o trecho do analisado pela DRJ. DOS PERCENTUAIS DA MULTA DE OFÍCIO Fl. 977DF CARF MF Processo nº 12448.723526/201748 Acórdão n.º 1401003.134 S1C4T1 Fl. 978 25 A Impugnante socorrese ao princípio da vedação ao confisco e da capacidade contributiva para ver reduzido o valor da multa de ofício de 75% a patamares ditos razoáveis, de 20% ou 30%. Sobre este tema, não cabe à Autoridade Julgadora afastar a exigência fiscal baseado nesse argumento. Importante é a previsão contida na legislação tributária como suficiente, dantes citada. Assim, quaisquer discussões acerca da inconstitucionalidade ou ilegalidade das leis derivadas de ofensa a princípios tributários exorbitam da competência das autoridades administrativas, às quais cabe, apenas, cumprir as determinações da legislação em vigor, principalmente em se tratando de norma validamente editada, segundo o processo legislativo constitucionalmente estabelecido. Estando a exigência fiscal em conformidade com a legislação tributária, não cabe qualquer alegação de inconstitucionalidade e ilegalidade no contencioso administrativo, vez que não compete à autoridade administrativa examinar a validade de dispositivo regularmente inserido no sistema tributário nacional, sendo tal atribuição do Poder Judiciário. Isto porque a apreciação das autoridades administrativas limitase às questões de sua competência, estando fora de seu alcance o debate sobre aspectos da validade, constitucionalidade ou legalidade da legislação, vez que o controle da constitucionalidade das normas é de competência exclusiva do Poder Judiciário e, no sistema difuso, centrado em última instância revisional no Supremo Tribunal Federal art. 102, I, “a”, III da CF de 1988. Consignese que, atualmente, encontrase em vigor o artigo 26A do Decreto nº 70.235, de 06/03/1972, que disciplina o Processo Administrativo Fiscal PAF, introduzido pela Medida Provisória nº 449/2008, convertida na Lei nº 11.941, de 27/05/2009, que dispõe: Art. 26A. No âmbito do processo administrativo fiscal, fica vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. Não se pode furtarse de mencionar a Súmula nº 2 do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF), que consigna que: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Logo, resta prejudicada a análise no contencioso administrativo das arguições da Impugnante de afronta da legislação tributária aos princípios constitucionais, visto que a exigência fiscal fundamentase em leis regularmente inseridas no sistema tributário nacional. No caso da multa aplicada ao lançamento fiscal, há expressa disposição legal, não havendo qualquer dúvida sobre sua aplicação ou ausência de norma a Fl. 978DF CARF MF Processo nº 12448.723526/201748 Acórdão n.º 1401003.134 S1C4T1 Fl. 979 26 respeito, cuja legislação consta expressa nos Fundamentos Legais do Débito que integram a autuação fiscal. Por conveniência se reproduz o necessário dispositivo do art. 44, I, da Lei nº 9.430, de 1996: Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: (Vide Lei nº 10.892, de 2004) (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; Feita essa exposição, afasto o pedido de redução do percentual da multa de ofício e mantido o percentual de 75%, legalmente devido. Desta forma, utilizando os fundamentos de decidir manejados pela Decisão de Piso como os fundamentos de decidir este ponto, voto por negar provimento ao recurso neste ponto. Indeferimento do pedido de perícia. Em relação ao pedido de perícia indeferido pela Decisão de Piso, a recorrente entende que a análise dos documentos necessita de um conhecimento especial, fato que foi rechaçado pela Decisão de Piso. Não entendo assistir razão ao recorrente. Da análise do presente processo verificase que as acusações prenderamse apenas a despesas não comprovadas ou despesas não necessárias para os quais a análise dos documentos não demanda nenhum conhecimento específico do julgador, apenas a análise de documentos e sua adequação ao processo produtivo da empresa. Por isso, desnecessário tecerse maiores esclarecimentos, posto que, inobstante a irresignação do recorrente, não vislumbramos nenhuma necessidade de conhecimentos específicos além dos já utilizados na análise do presente recurso por este relator e que serão objeto de análise por parte da turma julgadora. Assim, neste ponto voto por negar provimento ao recurso. CONCLUSÃO Por todo o exposto, voto no sentido de rejeitar as preliminares de nulidade e de decadência e no mérito voto para dar parcial provimento apenas para cancelar as glosas dos seguintes itens: Fl. 979DF CARF MF Processo nº 12448.723526/201748 Acórdão n.º 1401003.134 S1C4T1 Fl. 980 27 Conta 5.1.10.50.5004 despesas pagas às empresa MACRO VISÃO CONSULTORIA AMBIENTAL e GBIO. Total lançado R$ 360.352,27. Conta 5.1.10.50.2019 Valores lançados: R$ 44.360,00 SGO ATELIER GRÁFICO Conta 1.1.45.00.1002 Almoxarifado Geral Bens de Consumo Valores lançados: R$ 2.281.101,30 Conta 5.1.10.10.2003. Peças e Materiais para manutenção predial Valores lançados: R$ 14.047,13 Conta 6.1.10.30.1051 Serviços Corporativos MMX Valores lançados: R$ 3.829.514,33 Conta 6.1.30.10.2002 Desp. Vendas ME Fretes Rodoviários Valores lançados: R$ 6.618.695,98 Conta 6.1.30.10.2004 Desp. Vendas ME Fretes Fluviais Valores lançados: R$ 8.746.860,95 Conta 6.1.30.10.2006 Desp Vend ME Terminais Ferrov Port Aerop Valores lançados: R$ 6.809.534,10 Conta 6.1.30.10.2007 Desp Vend ME Combustível Valores lançados: R$ 7.286.326,04 Conta 7.2.10.10.2003 Redução ao Valor recuperável Imobilizado Valores lançados: R$ 6.990.998,30 É como voto. (assinado digitalmente) Abel Nunes de Oliveira Neto Relator Fl. 980DF CARF MF
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Numero do processo: 11080.928474/2009-38
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 27 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Tue Apr 09 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/07/2005 a 31/07/2005
DILIGÊNCIA FISCAL. INEXISTÊNCIA DE PEDIDO NA FASE MANIFESTAÇÃO. AUSÊNCIA DE REALIZAÇÃO DE OFÍCIO. NULIDADE DA DECISÃO. IMPOSSIBILIDADE.
No âmbito do processo administrativo fiscal, a determinação de realização diligência fiscal, de ofício ou a pedido do contribuinte, é uma prerrogativa legal assegurada à autoridade julgadora, quando convencida da necessidade de complementação probatória iniciada pelas partes, não se constituindo, portanto, em obrigação.
Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/07/2005 a 31/07/2005
CONTRATO DE COMPRA E VENDA DE ENERGIA DE LONGO PRAZO. REAJUSTE PELO IGP-M. DESCARACTERIZAÇÃO DA CONDIÇÃO DE PREÇO PREDETERMINADO. MANUTENÇÃO DA TRIBUTAÇÃO DA RECEITA PELO REGIME DE CUMULATIVO. POSSIBILIDADE.
A adoção do IGP-M não descaracteriza o preço pré-determinado, a priori, desde que sua variação não seja superior à evolução dos custos de produção ou à variação de índice que reflita a variação ponderada dos custos dos insumos utilizados, nos termos do inciso II do § 1 º do art. 27 da Lei n º 9.069, de 29 de junho de 1995.
Numero da decisão: 3302-006.733
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário, reconhecendo a aplicação do regime cumulativo às receitas auferidas nos contratos CER- PA/2002 209-1, CER-PI/2002 210-1, CER-CO/2002 211-1, CER-CO/2002 212/1, de 17/10/2002, e CERCEEE-D de 11/11/2002, devendo a autoridade fiscal efetivar a homologação das declarações de compensação até o limite do direito creditório apurado.
(assinado digitalmente)
Paulo Guilherme Déroulède - Presidente e Relator
Participaram do julgamento os Conselheiros Paulo Guilherme Déroulède (Presidente), Gilson Macedo Rosenburg Filho, Walker Araujo, Corintho Oliveira Machado, Jose Renato Pereira de Deus, Jorge Lima Abud, Raphael Madeira Abad, Muller Nonato Cavalcanti Silva (Suplente Convocado).
Nome do relator: PAULO GUILHERME DEROULEDE
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/07/2005 a 31/07/2005 DILIGÊNCIA FISCAL. INEXISTÊNCIA DE PEDIDO NA FASE MANIFESTAÇÃO. AUSÊNCIA DE REALIZAÇÃO DE OFÍCIO. NULIDADE DA DECISÃO. IMPOSSIBILIDADE. No âmbito do processo administrativo fiscal, a determinação de realização diligência fiscal, de ofício ou a pedido do contribuinte, é uma prerrogativa legal assegurada à autoridade julgadora, quando convencida da necessidade de complementação probatória iniciada pelas partes, não se constituindo, portanto, em obrigação. Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Período de apuração: 01/07/2005 a 31/07/2005 CONTRATO DE COMPRA E VENDA DE ENERGIA DE LONGO PRAZO. REAJUSTE PELO IGP-M. DESCARACTERIZAÇÃO DA CONDIÇÃO DE PREÇO PREDETERMINADO. MANUTENÇÃO DA TRIBUTAÇÃO DA RECEITA PELO REGIME DE CUMULATIVO. POSSIBILIDADE. A adoção do IGP-M não descaracteriza o preço pré-determinado, a priori, desde que sua variação não seja superior à evolução dos custos de produção ou à variação de índice que reflita a variação ponderada dos custos dos insumos utilizados, nos termos do inciso II do § 1 º do art. 27 da Lei n º 9.069, de 29 de junho de 1995.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário, reconhecendo a aplicação do regime cumulativo às receitas auferidas nos contratos CER- PA/2002 209-1, CER-PI/2002 210-1, CER-CO/2002 211-1, CER-CO/2002 212/1, de 17/10/2002, e CERCEEE-D de 11/11/2002, devendo a autoridade fiscal efetivar a homologação das declarações de compensação até o limite do direito creditório apurado. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède - Presidente e Relator Participaram do julgamento os Conselheiros Paulo Guilherme Déroulède (Presidente), Gilson Macedo Rosenburg Filho, Walker Araujo, Corintho Oliveira Machado, Jose Renato Pereira de Deus, Jorge Lima Abud, Raphael Madeira Abad, Muller Nonato Cavalcanti Silva (Suplente Convocado).
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INEXISTÊNCIA DE PEDIDO NA FASE MANIFESTAÇÃO. AUSÊNCIA DE REALIZAÇÃO DE OFÍCIO. NULIDADE DA DECISÃO. IMPOSSIBILIDADE. No âmbito do processo administrativo fiscal, a determinação de realização diligência fiscal, de ofício ou a pedido do contribuinte, é uma prerrogativa legal assegurada à autoridade julgadora, quando convencida da necessidade de complementação probatória iniciada pelas partes, não se constituindo, portanto, em obrigação. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/07/2005 a 31/07/2005 CONTRATO DE COMPRA E VENDA DE ENERGIA DE LONGO PRAZO. REAJUSTE PELO IGPM. DESCARACTERIZAÇÃO DA CONDIÇÃO DE PREÇO PREDETERMINADO. MANUTENÇÃO DA TRIBUTAÇÃO DA RECEITA PELO REGIME DE CUMULATIVO. POSSIBILIDADE. A adoção do IGPM não descaracteriza o preço prédeterminado, a priori, desde que sua variação não seja superior à evolução dos custos de produção ou à variação de índice que reflita a variação ponderada dos custos dos insumos utilizados, nos termos do inciso II do § 1 º do art. 27 da Lei n º 9.069, de 29 de junho de 1995. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário, reconhecendo a aplicação do regime cumulativo às AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 08 0. 92 84 74 /2 00 9- 38 Fl. 738DF CARF MF Processo nº 11080.928474/200938 Acórdão n.º 3302006.733 S3C3T2 Fl. 739 2 receitas auferidas nos contratos CER PA/2002 2091, CERPI/2002 2101, CERCO/2002 2111, CERCO/2002 212/1, de 17/10/2002, e CERCEEED de 11/11/2002, devendo a autoridade fiscal efetivar a homologação das declarações de compensação até o limite do direito creditório apurado. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Presidente e Relator Participaram do julgamento os Conselheiros Paulo Guilherme Déroulède (Presidente), Gilson Macedo Rosenburg Filho, Walker Araujo, Corintho Oliveira Machado, Jose Renato Pereira de Deus, Jorge Lima Abud, Raphael Madeira Abad, Muller Nonato Cavalcanti Silva (Suplente Convocado). Relatório Tratase de processo de declaração de compensação não homologada, em razão de o DARF objeto do crédito ter sido integralmente utilizado para quitar débito declarado. A recorrente apresentou DCTF retificadora, após a ciência do despacho decisório, tornando o crédito disponível e pleiteando a homologação da compensação, embora tivesse transmitido Daconn retificador, antes do referido despacho. A DRJ julgou improcedente a manifestação de inconformidade, por falta de provas, considerando que a simples entrega de DCTF retificadora, sem qualquer explicação e comprovação da base de cálculo, não consiste em elemento suficiente a comprovar o indébito pleiteado. Em recurso voluntário, a recorrente pugnou pela nulidade da decisão de primeira instância, expôs que parte de suas receitas decorriam de contratos de longo prazo (prazo superior a um ano) a preços prédeterminados, sujeitas ao regime cumulativo das contribuições, tendo elaborado em equívoco quando da apuração original das contribuições devidas, sendo o indébito decorrente da reclassificação das receitas do regime nãocumulativo para o regime cumulativo, com o estorno correspondente dos créditos da nãoumulatividade, além de antecipar em um mês o reconhecimento das receitas. Apresentou contratos de fornecimento de energia elétrica, balancetes contábeis e parte do Dacon retificador. Ao final, pleiteou a realização de diligência para verificação dos fatos alegados e das provas apresentadas, em homenagem ao princípio da verdade material. O julgamento foi convertido em diligência para que a autoridade fiscal verificasse a veracidade das informações prestadas e dos alegados créditos. Em cumprimento da diligência, a autoridade fiscal verificou que os contratos sofreram reajuste preços em função do IGPM, fato que descaracterizava o preço prédeterminado, segundo o Parecer PGFN/CAT nº 1.610/2007. Em manifestação acerca da conclusão da autoridade fiscal, a recorrente pugnou pela não descaracterização do preço prédeterminado, em razão de que a própria IN SRF nº 658/2006 determinava que o reajuste de preços somente descaracterizaria o preço pré Fl. 739DF CARF MF Processo nº 11080.928474/200938 Acórdão n.º 3302006.733 S3C3T2 Fl. 740 3 determinado se fosse superior aos custos de produção ou à variação de índice que refletisse a variação ponderada dos custos dos insumos utilizados e que tal fato não provado pela autoridade fiscal. Além disso, defendeu que a cláusula de reajuste de preços não desnatura o preço prédeterminado, pois tratase de mera recomposição monetária, que o IGPM se enquadra na previsão do artigo 109 da Lei nº 11.196/2005. Na sessão de 28/02/2018, o julgamento foi convertido novamente em diligência para que a autoridade fiscal intimasse a recorrente a: 1. Discriminar as receitas auferidas ao contrato do qual decorrem; 2. Identificar o primeiro reajustamento ocorrido após 31/10/2003, relativamente às receitas auferidas; 3. Esclarecer se houve alguma revisão do contrato visando a manutenção do equilíbrio econômicofinanceiro; 4. Elaborar comparativo entre a evolução dos custos de produção e o reajuste adotado, relativo aos períodos correspondente ao reajuste ocorrido imediatamente anterior a 31/10/2003 e os ocorridos até a competência do crédito objeto da DCOMP, disponibilizando os lançamentos contábeis e fiscais que suportaram o comparativo, em meio digital ou papel, a critério da autoridade fiscal. Em cumprimento da diligência, a recorrente discriminou as receitas auferidas mensalmente, por contrato, identificando as contas contábeis respectivas, esclareceu que não houve revisão contratual destinada à manutenção do equilíbrio econômicofinanceiro e elaborou planilhas com os comparativos de custos incorridos x IGPM. A autoridade fiscal, com base nas premissas adotadas no voto vencedor da Resolução nº 3302000.698, nos demonstrativos apresentados pela recorrente e no §3º do artigo 3º da IN SRF nº 658/2006, atestou que a evolução dos custos préoperacionais decorrentes da formação do ativo imobilizado e dos custos operacionais no fornecimento de energia elétrica foram superiores à variação do IGPM, concluindo que as receitas auferidas decorrentes do contratos analisados se sujeitam ao regime cumulativo das contribuições, conforme o artigo 10, inciso XI, da Lei nº 10.833/2003. Cientificada, a recorrente não se manifestou. É o relatório. Voto Conselheiro Paulo Guilherme Déroulède, Relator. O recurso voluntário atende aos pressupostos processuais e dele tomo conhecimento. Fl. 740DF CARF MF Processo nº 11080.928474/200938 Acórdão n.º 3302006.733 S3C3T2 Fl. 741 4 Da preliminar de nulidade Em preliminar, a recorrente alegou nulidade da decisão recorrida por cerceamento do direito de defesa, ao deixar de determinar de ofício a realização de diligência. A respeito, transcrevo parte do voto vencido, proferido pelo Conselheiro José Fernandes do Nascimento, na Resolução nº 3302000.698, cujos fundamentos adoto como razão de decidir, nos termos do §1º do artigo 50 da Lei nº 9.784/99: "Em sede de preliminar, a recorrente alegou a nulidade da decisão por cerceamento do direito de defesa, sob o argumento de que, ao determinar a realização de diligência de ofício, para fim de apurar a certeza e liquidez do indébito compensado, o órgão de julgamento de primeiro grau havia afrontado o princípio e causado evidente prejuízo ao direito de defesa da recorrente. Previamente, cabe esclarecer que, na telegráfica impugnação de fls. 11/12, a recorrente limitouse a apresentar a DCTF retificadora, sem contudo apresentar qualquer documento comprobatório do valor do novo débito da Cofins declarado. E sequer a recorrente solicitou a realização de diligência. Nesse contexto, diferente do alegado pela recorrente, o órgão de julgamento de primeiro grau não estava obrigado a determinar a realização, de ofício, de diligência fiscal, para fim de produzir prova em favor da recorrente. Aliás, no âmbito do processo administrativo fiscal, a autoridade julgadora é destinatária da prova, que deve ser produzida por quem alega possuir o direito alegado. E na ausência dessa prerrogativa, seja por parte do sujeito passivo, seja por parte autoridade fiscal, a autoridade julgadora não tem a obrigação suprir, de ofício, a omissão de produção de prova a cargo das partes intervenientes no processo. Somente quando entender necessária a realização de diligência, a autoridade julgador determinará, de ofício, a realização da diligência. Portanto, em vez de obrigação, como alegou a recorrente, a realização de diligência é uma prerrogativa atribuída a autoridade julgadora que a determinará, de ofício ou a requerimento das partes, somente se se convencer de que tal providência revelase imprescindível para o deslinde da contenda. Esse é o entendimento que se extrai da interpretação combinada dos arts. 18, 28 e 29 do Decreto 70.235/1972, com as alterações posteriores, que seguem transcritos: Art. 18. A autoridade julgadora de primeira instância determinará, de ofício ou a requerimento do impugnante, a realização de diligências ou perícias, quando entendêlas necessárias, indeferindo as que considerar prescindíveis ou impraticáveis, observando o disposto no art. 28, in fine. [...] Fl. 741DF CARF MF Processo nº 11080.928474/200938 Acórdão n.º 3302006.733 S3C3T2 Fl. 742 5 Art. 28. Na decisão em que for julgada questão preliminar será também julgado o mérito, salvo quando incompatíveis, e dela constará o indeferimento fundamentado do pedido de diligência ou perícia, se for o caso. Art. 29. Na apreciação da prova, a autoridade julgadora formará livremente sua convicção, podendo determinar as diligências que entender necessárias. Assim, por se tratar de uma prerrogativa e não de uma obrigação, a autoridade fiscal de primeiro grua não estava obrigada a determinar de oficio a realização da alegada diligência. Cabe ressaltar que, somente no recurso em apreço, além do expresso pedido de realização de diligência, a recorrente apresentou elementos probatórios, que convenceram a antiga composição deste Colegiada da realização da alegada diligência fiscal; e por meio da Resolução nº 330200.147, proferida na Sessão de 11 de agosto de 2011, os autos foram convertidos em diligência perante a unidade de origem da Receita Federal do Brasil, para fosse verificada “a veracidade das informações prestadas e dos alegados créditos lançados pelo Recorrente em suas DCTF e DACON retificadoras”. Com base nessas considerações, rejeitase a presente preliminar de nulidade suscitada pela recorrente." Do mérito A lide se refere ao alcance da expressão "preço predeterminado", e, consequentemente, da sujeição das receitas auferidas à incidência nãocumulativa ou cumulativa das contribuições. Passase, assim, à análise dos requisitos para exclusão das receitas em questão da incidência nãocumulativa das contribuições e da definição de preço predeterminado. As receitas decorrentes de determinados contratos firmados antes de 31/10/2003 foram excluídas da incidência nãocumulativa das contribuições, a partir da vigência do inciso XI do artigo 10 da Lei nº 10.833/2003, aplicado ao PIS/Pasep pelo art. 15 da referida lei: Art. 10. Permanecem sujeitas às normas da legislação da COFINS, vigentes anteriormente a esta Lei, não se lhes aplicando as disposições dos arts. 1o a 8o: (Produção de efeito) [...]XI as receitas relativas a contratos firmados anteriormente a 31 de outubro de 2003: a) com prazo superior a 1 (um) ano, de administradoras de planos de consórcios de bens móveis e imóveis, regularmente autorizadas a funcionar pelo Banco Central; Fl. 742DF CARF MF Processo nº 11080.928474/200938 Acórdão n.º 3302006.733 S3C3T2 Fl. 743 6 b) com prazo superior a 1 (um) ano, de construção por empreitada ou de fornecimento, a preço predeterminado, de bens ou serviços; c) de construção por empreitada ou de fornecimento, a preço predeterminado, de bens ou serviços contratados com pessoa jurídica de direito público, empresa pública, sociedade de economia mista ou suas subsidiárias, bem como os contratos posteriormente firmados decorrentes de propostas apresentadas, em processo licitatório, até aquela data; [...]Art. 15. Aplicase à contribuição para o PIS/PASEP não cumulativa de que trata a Lei no 10.637, de 30 de dezembro de 2002, o disposto: (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) [...]V no art. 10, incisos VI, IX e XI a XXI desta Lei; e (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) V nos incisos VI, IX a XXV do caput e no § 2o do art. 10 desta Lei; (Redação dada pela Lei nº 11.051, de 2004) V nos incisos VI, IX a XXVII do caput e nos §§ 1o e 2o do art. 10 desta Lei; (Redação dada pela Lei nº 11.196, de 2005) Regulamentando o dispositivo, a RFB editou a IN SRF 468/2004, que, em seu art.2º, estipulou que a implementação do primeiro reajuste ou a revisão para manutenção do equilíbrio econômicofinanceiro dos contratos, após 31/10/2003, descaracterizariam o preço predeterminado, nos seguintes termos: Art. 2o Para efeito desta Instrução Normativa, preço predeterminado é aquele fixado em moeda nacional como remuneração da totalidade do objeto do contrato. § 1 o Considerase também preço predeterminado aquele fixado em moeda nacional por unidade de produto ou por período de execução. § 2 o Se estipulada no contrato cláusula de aplicação de reajuste, periódico ou não, o caráter predeterminado do preço subsiste somente até a implementação da primeira alteração de preços verificada após a data mencionada no art. 1 o . § 3 º Se o contrato estiver sujeito a regra de ajuste para manutenção do equilíbrio econômicofinanceiro, nos termos dos arts. 57, 58 e 65 da Lei n º 8.666, de 21 de junho de 1993, o caráter predeterminado do preço subsiste até a eventual implementação da primeira alteração nela fundada após a data mencionada no art. 1 º . Posteriormente, a Lei nº 11.196/2005, em seu art. 109, dispôs que o reajuste de preços em função do custo de produção ou da variação de índice que reflita a variação ponderada dos custos não seria considerado para fins de descaracterização do preço determinado: Art. 109. Para fins do disposto nas alíneas b e c do inciso XI do caput do art. 10 da Lei no 10.833, de 29 de dezembro de 2003, o Fl. 743DF CARF MF Processo nº 11080.928474/200938 Acórdão n.º 3302006.733 S3C3T2 Fl. 744 7 reajuste de preços em função do custo de produção ou da variação de índice que reflita a variação ponderada dos custos dos insumos utilizados, nos termos do inciso II do § 1o do art. 27 da Lei no 9.069, de 29 de junho de 1995, não será considerado para fins da descaracterização do preço predeterminado. Parágrafo único. O disposto neste artigo aplicase desde 1o de novembro de 2003. Novamente, regulamentando a matéria, a RFB editou a IN SRF nº 658/2006, revogando a IN SRF nº 468/2004 e incorporando as disposições do art. 109 acima mencionado, nos seguintes termos: Do Preço Predeterminado Art. 3º Para efeito desta Instrução Normativa, preço predeterminado é aquele fixado em moeda nacional como remuneração da totalidade do objeto do contrato. § 1º Considerase também preço predeterminado aquele fixado em moeda nacional por unidade de produto ou por período de execução. § 2º Ressalvado o disposto no § 3º, o caráter predeterminado do preço subsiste somente até a implementação, após a data mencionada no art. 2º1, da primeira alteração de preços decorrente da aplicação: I de cláusula contratual de reajuste, periódico ou não; ou II de regra de ajuste para manutenção do equilíbrio econômicofinanceiro do contrato, nos termos dos arts. 57, 58 e 65 da Lei nº 8.666, de 21 de junho de 1993. § 3º O reajuste de preços, efetivado após 31 de outubro de 2003, em percentual não superior àquele correspondente ao acréscimo dos custos de produção ou à variação de índice que reflita a variação ponderada dos custos dos insumos utilizados, nos termos do inciso II do § 1º do art. 27 da Lei nº 9.069, de 29 de junho de 1995, não descaracteriza o preço predeterminado.(grifo não original) Art. 4º Na hipótese de pactuada, a qualquer título, a prorrogação do contrato, as receitas auferidas depois de vencido o prazo contratual vigente em 31 de outubro de 2003 sujeitarse ão à incidência nãocumulativa das contribuições. Verificase que a Receita Federal considerou que as hipóteses de reajuste e de revisão dos contratos administrativos, destinados à manutenção do equilíbrio econômico financeiro, expressos no art. 55, inciso III, 57, 58 e 65 da Lei nº 8.666/93, descaracterizariam o preço predeterminado, excetuando o reajuste não superior àquele correspondente ao acréscimo dos custos de produção ou à variação de índice que reflita a variação ponderada dos custos dos insumos utilizados. 1 A data é 31/10/2003. Fl. 744DF CARF MF Processo nº 11080.928474/200938 Acórdão n.º 3302006.733 S3C3T2 Fl. 745 8 A revisão contratual decorre de fatos imprevisíveis ou previsíveis, porém de conseqüências incalculáveis, retardadores ou impeditivos da execução do ajustado, ou, ainda, em caso de força maior, caso fortuito ou fato do príncipe, configurando álea econômica extraordinária e extracontratual2. Já o reajuste é cláusula necessária nos contratos administrativos3 e "objetiva reconstituir os preços praticados no contrato em razão de fatos previsíveis, é dizer, álea econômica ordinária, no momento da contratação, ante a realidade existente, como a variação inflacionária. Por decorrência, o reajuste deve retratar a alteração dos custos de produção a fim de manter as condições efetivas da proposta contratual, embora muitas vezes não alcance este desiderato relativamente a certo segmento ou agente econômicos". A legislação distingue as duas figuras, como se observa na Lei nº 8.987/95, que, dispondo sobre o regime de concessão de serviços públicos, especifica em seu art. 9º, §3º4, a possibilidade de revisão da tarifa decorrente da criação ou alteração de tributos. Já o artigo 18 da referida lei dispõe que o edital de licitação deverá prever os critérios de reajuste e revisão da tarifa, também ocorrendo a referida distinção nos artigos 23 e 29. A situação aqui tratada referese a reajuste e não a revisão contratual e se o procedimento altera o preço predeterminado. A definição desta expressão adotada pela RFB era a disposta na IN SRF nº 21/79: 3 Produção em Longo Prazo O contrato de construção por empreitada ou de fornecimento, a preço predeterminado, de bens e serviços a serem produzidos, com prazo de execução física superior a 12 (doze) meses, terá seu resultado apurado, em cada períodobase, segundo o progresso dessa execução: 3.1 Preço predeterminado é aquele fixado contratualmente, sujeito ou não a reajustamento, para execução global; no caso de construções, bens ou serviços divisíveis, o preço predeterminado é o fixado contratualmente para cada unidade. 2 Art. 65, inciso II, alínea "d" da Lei nº 8.666/93 3 Art. 55, inciso III da Lei nº 8.666/93 4 Lei 8.987/95: Art. 9o A tarifa do serviço público concedido será fixada pelo preço da proposta vencedora da licitação e preservada pelas regras de revisão previstas nesta Lei, no edital e no contrato. [..~] § 2o Os contratos poderão prever mecanismos de revisão das tarifas, a fim de manterse o equilíbrio econômicofinanceiro. § 3o Ressalvados os impostos sobre a renda, a criação, alteração ou extinção de quaisquer tributos ou encargos legais, após a apresentação da proposta, quando comprovado seu impacto, implicará a revisão da tarifa, para mais ou para menos, conforme o caso. [...] Art. 23. São cláusulas essenciais do contrato de concessão as relativas: [...] IV ao preço do serviço e aos critérios e procedimentos para o reajuste e a revisão das tarifas; Art. 29. Incumbe ao poder concedente: [...] V homologar reajustes e proceder à revisão das tarifas na forma desta Lei, das normas pertinentes e do contrato; Fl. 745DF CARF MF Processo nº 11080.928474/200938 Acórdão n.º 3302006.733 S3C3T2 Fl. 746 9 A instrução normativa acima foi utilizada como fundamento em diversas soluções de consulta da RFB, após a edição do inciso XI do art. 10 da Lei nº 10.833/2003. O entendimento era pacífico neste sentido até a edição da IN SRF 468/2004. Porém a RFB editou a referida instrução, modificando o entendimento sobre a definição de preço predeterminado, sem que qualquer lei tenha sido publicada alterando tal definição. Foi meramente nova interpretação normativa que suscitou rebates por parte dos contribuintes, tendo o STJ se pronunciado sobre a ilegalidade da IN SRF 468/2004: AgRg no RECURSO ESPECIAL Nº 1.310.284 PR (2012/00355487) EMENTA TRIBUTÁRIO E PROCESSUAL CIVIL. VIOLAÇÃO DO ART. 557 DO CPC. INEXISTÊNCIA. ALEGAÇÃO GENÉRICA. SÚMULA 284/STF. COFINS. REGIME DE CONTRIBUIÇÃO. LEI N. 10.833/03. INSTRUÇÃO NORMATIVA 468/2004. VIOLAÇÃO DO PRINCÍPIO DA LEGALIDADE. 1. A eventual nulidade da decisão monocrática calcada no art. 557 do CPC fica superada com a reapreciação do recurso pelo órgão colegiado, na via de agravo regimental, como bem analisado no REsp 824.406/RS de Relatoria do Min. Teori Albino Zavascki, em 18.5.2006. 2. A Secretaria da Receita Federal, por meio da Instrução Normativa 468/04, ao definir o que é "preço predeterminado", estabeleceu que "o caráter predeterminado do preço subsiste somente até a implementação da primeira alteração de preços" e, assim, acabou por conferir, de forma reflexa, aumento das alíquotas do PIS (de 0,65% para 1,65%) e da COFINS (de 3% para 7,6%). 3. Somente é possível a alteração, aumento ou fixação de alíquota tributária por meio de lei, sendo inviável a utilização de ato infralegal para este fim, sob pena de violação do princípio da legalidade tributária. Precedentes: REsp 1.089.998RJ, DJe 30/11/2011; REsp 1.109.034PR, DJe 6/5/2009; e REsp 872.169RS, Dje 13/5/2009. RECURSO ESPECIAL Nº 1.169.088 MT (2009/02357184) EMENTA PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. RECURSO ESPECIAL. ART. 535, II, DO CPC. ALEGAÇÕES GENÉRICAS. SÚMULA 284/STF. INTIMAÇÃO PESSOAL DA FAZENDA. FUNDAMENTO CONSTITUCIONAL. MANDADO DE SEGURANÇA. NATUREZA PREVENTIVA. SÚMULA 7/STJ. ART. 10, XI, "B' DA LEI 10.833/03. CONCEITO DE PREÇO PREDETERMINADO. IN SRF 468/04. ILEGALIDADE. PRECEDENTE. ART. 538, PARÁGRAFO ÚNICO, DO CPC. MULTA. AFASTAMENTO. SÚMULA 98/STJ. [...]4. O preço predeterminado em contrato, previsto no art. 10, XI, "b", da Lei 10.833/03, não perde sua natureza simplesmente Fl. 746DF CARF MF Processo nº 11080.928474/200938 Acórdão n.º 3302006.733 S3C3T2 Fl. 747 10 por conter cláusula de reajuste decorrente da correção monetária. Ilegalidade da IN n.º 468/04. Precedente. 5. A multa fixada com base no art. 538, parágrafo único, do CPC, deve ser afastada quando notório o propósito de prequestionamento dos embargos de declaração. Incidência da Súmula 98/STJ. 6. Recurso especial conhecido em parte e provido também em parte. RECURSO ESPECIAL Nº 1.089.998 RJ (2008/02056082) EMENTA TRIBUTÁRIO. COFINS. REGIME DE CONTRIBUIÇÃO. LEI N. 10.833/03. INSTRUÇÃO NORMATIVA N. 468/2004. VIOLAÇÃO DO PRINCÍPIO DA LEGALIDADE. 1. Cuidase de recurso especial interposto pelo contribuinte, questionando o poder regulamentar da Secretaria da Receita Federal, na edição da Instrução Normativa n. 468/04, que regulamentou o art. 10 da Lei n. 10.833/03. 2. O art. 10, inciso XI, da Lei n. 10.833/03 determina que os contratos de prestação de serviço firmados a preço determinado antes de 31.10.2003, e com prazo superior a 1 (um) ano, permanecem sujeitos ao regime tributário da cumulatividade para a incidência da COFINS. (Grifo meu.) 3. A Secretaria da Receita Federal, por meio da Instrução Normativa n. 468/04, ao definir o que é "preço predeterminado", estabeleceu que "o caráter predeterminado do preço subsiste somente até a implementação da primeira alteração de preços " e, assim, acabou por conferir, de forma reflexa, aumento das alíquotas do PIS (de 0,65% para 1,65%) e da COFINS (de 3% para 7,6%). 4. Somente é possível a alteração, aumento ou fixação de alíquota tributária por meio de lei, sendo inviável a utilização de ato infralegal para este fim, sob pena de violação do princípio da legalidade tributária. 5. No mesmo sentido do voto que eu proferi, o Ministério Público Federal entendeu que houve ilegalidade na regulamentação da lei pela Secretaria da Receita Federal, pois "a simples aplicação da cláusula de reajuste prevista em contrato firmado anteriormente a 31.10.2003 não configura, por si só, causa de indeterminação de preço, uma vez que não muda a natureza do valor inicialmente fixado, mas tão somente repõe, com fim na preservação do equilíbrio econômicofinanceiro entre as partes, a desvalorização da moeda frente à inflação ." (Fls. 335, grifo meu.) Mantenho o voto apresentado, no sentido de dar provimento ao recurso especial. Fl. 747DF CARF MF Processo nº 11080.928474/200938 Acórdão n.º 3302006.733 S3C3T2 Fl. 748 11 De fato, a IN SRF nº 468/2004 extrapolou a legislação vigente ao estipular que o reajuste implicaria em descaracterização do preço predeterminado. Entretanto, o advento do art. 109 da Lei nº 11.196/2005 alterou o arcabouço legislativo sobre a matéria. O art. 109 mencionou expressamente que "o reajuste de preços em função do custo de produção ou da variação de índice que reflita a variação ponderada dos custos dos insumos utilizados, nos termos do inciso II do § 1o do art. 27 da Lei no 9.069/95, não será considerado para fins da descaracterização do preço predeterminado". O art. 109 faz referência à Lei 9.069/95, conversão das MPs que criaram o Plano Real, na qual estipulava que a correção monetária, em virtude de estipulação legal ou em negócio jurídico, deveria darse pelo Índice de Preços ao Consumidor, Série r IPCr, de acordo com o art. 27 da Lei nº 9.069/95, mas ressalvadas as hipóteses de seu parágrafo primeiro: § 1º O disposto neste artigo não se aplica: I às operações e contratos de que tratam o Decretolei nº 857, de 11 de setembro de 1969, e o art. 6º da Lei nº 8.880, de 27 de maio de 1994; II aos contratos pelos quais a empresa se obrigue a vender bens para entrega futura, prestar ou fornecer serviços a serem produzidos, cujo preço poderá ser reajustado em função do custo de produção ou da variação de índice que reflita a variação ponderada dos custos dos insumos utilizados; III às hipóteses tratadas em lei especial. Foi justamente sobre o inciso II do §1º que o art. 109 fez a ressalva quanto ao reajuste não descaracterizar o preço predeterminado e não sobre o IPCr. Salientase que a Lei nº 10.192/2001, conversão de MPs que se originaram da MP nº 1.503/95, extinguiu o IPCr em seu art. 8º: Art. 8o A partir de 1o de julho de 1995, a Fundação Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística IBGE deixará de calcular e divulgar o IPCr. § 1o Nas obrigações e contratos em que haja estipulação de reajuste pelo IPCr, este será substituído, a partir de 1o de julho de 1995, pelo índice previsto contratualmente para este fim. § 2o Na hipótese de não existir previsão de índice de preços substituto, e caso não haja acordo entre as partes, deverá ser utilizada média de índices de preços de abrangência nacional, na forma de regulamentação a ser baixada pelo Poder Executivo. A mesma lei, em seu artigo 2º, dispôs que: Art. 1o As estipulações de pagamento de obrigações pecuniárias exeqüíveis no território nacional deverão ser feitas em Real, pelo seu valor nominal. Fl. 748DF CARF MF Processo nº 11080.928474/200938 Acórdão n.º 3302006.733 S3C3T2 Fl. 749 12 Parágrafo único. São vedadas, sob pena de nulidade, quaisquer estipulações de: I pagamento expressas em, ou vinculadas a ouro ou moeda estrangeira, ressalvado o disposto nos arts. 2o e 3o do Decreto Lei no 857, de 11 de setembro de 1969, e na parte final do art. 6o da Lei no 8.880, de 27 de maio de 1994; II reajuste ou correção monetária expressas em, ou vinculadas a unidade monetária de conta de qualquer natureza; III correção monetária ou de reajuste por índices de preços gerais, setoriais ou que reflitam a variação dos custos de produção ou dos insumos utilizados, ressalvado o disposto no artigo seguinte. Art. 2o É admitida estipulação de correção monetária ou de reajuste por índices de preços gerais, setoriais ou que reflitam a variação dos custos de produção ou dos insumos utilizados nos contratos de prazo de duração igual ou superior a um ano. § 1o É nula de pleno direito qualquer estipulação de reajuste ou correção monetária de periodicidade inferior a um ano. § 2o Em caso de revisão contratual, o termo inicial do período de correção monetária ou reajuste, ou de nova revisão, será a data em que a anterior revisão tiver ocorrido. § 3o Ressalvado o disposto no § 7o do art. 28 da Lei no 9.069, de 29 de junho de 1995, e no parágrafo seguinte, são nulos de pleno direito quaisquer expedientes que, na apuração do índice de reajuste, produzam efeitos financeiros equivalentes aos de reajuste de periodicidade inferior à anual. O Decreto nº 1.544/95 estipulou que, na hipótese de não existir previsão de índice para substituir o IPCr e na falta de acordo entre as partes, deveria ser utilizada a média aritmética entre o Índice Nacional de Preços ao Consumidor INPC do IBGE e o Índice Geral de Preços Disponibilidade Interna IGPDI da Fundação Getúlio Vargas (FGV). Art. 1º Na hipótese de não existir previsão de índice de preços substituto, e caso não haja acordo entre as partes, a média de índices de preços de abrangência nacional a ser utilizada nas obrigações e contratos anteriormente estipulados com reajustamentos pelo IPCr, a partir de 1º de julho de 1995, será a média aritmética simples dos seguintes índices: I Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC), da Fundação Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE); II Índice Geral de Preços Disponibilidade Interna (IGPDI), da Fundação Getúlio Vargas (FGV). Observase que a própria legislação, já em 1995, cuidou de diferenciar o reajuste em função de índices gerais ou setoriais do reajuste em função do custo de produção ou da variação de índice que reflita a variação ponderada dos custos dos insumos utilizados, Fl. 749DF CARF MF Processo nº 11080.928474/200938 Acórdão n.º 3302006.733 S3C3T2 Fl. 750 13 inicialmente no art. 27 da Lei 9.069/95 e posteriormente nos artigos 1º e 2º da Lei nº 10.192/2001 (na realidade, a diferença temporal entre as disposições é de apenas 10 dias). O art. 109, ao se referir apenas ao reajuste em função do custo de produção ou da variação de índice que reflita a variação ponderada dos custos dos insumos utilizados, acabou inovando a definição de preço predeterminado, estabelecendo uma distinção até então inexistente. Quisesse apenas referirse a reajuste em geral, bastaria têlo feito nos termos do art. 2º da Lei nº 10.192/2001. Reforçam este entendimento, as emendas feitas à MP 252/2005, citadas na Nota Técnica 224/2006 SFFANEEL: Emendas n° 224 (Dep. Eduardo Gomes), 225 (Dep. Eduardo Sciarra), e 353 (Dep. Max Rosenmann): EMENDA ART. 44A. O art. 10, inciso XI,da Lei nº 10.833, de 2003, passa a vigorar com a seguinte redação: "Art. 10........................................................................... ........................................................................................ XI as receitas relativas a contratos firmados anteriormente a 31 de outubro de 2003, independentemente de a eles serem aplicados reajustamentos previstos em cláusulas contratuais." JUSTIFICATIVA: a redação proposta , com adição da locução "independentemente de a eles serem aplicados reajustamentos previstos em cláusulas contratuais" fazse necessária, visto que o Poder Executivo através da Instrução Normativa nº 468/2004, da SRF, mudou a interpretação do conceito de "preço predeterminado" passando a impedir que os contratos abrigados pela Lei nº 10.833/2003, deixem de usufruir o direito de permanecer sob o regime da cumulatividade. A IN em questão entende que o simples reajuste de preço por índices oficiais já caracteriza uma mudança da base do preço e desta forma afasta a eficácia do dispositivo legal. No fundo o que a IN faz é, na prática, equiparar o conceito de preço predeterminado " ao conceito de preço fixo, uma vez que praticamente não existe contrato com prazo superior a um ano sem previsão de reajustamento. Tivesse sido assim publicado o artigo 109, a interpretação forçosamente retornaria ao texto da IN SRF nº 21/79, mas não foi o ocorrido. Todavia, a redação da IN SRF 658/2006 não se limitou, exatamente, à redação do art. 109, ao dispor no §3º do art. 3º: § 3 º O reajuste de preços, efetivado após 31 de outubro de 2003, em percentual não superior àquele correspondente ao acréscimo dos custos de produção ou à variação de índice que reflita a variação ponderada dos custos dos insumos utilizados, nos termos do inciso II do § 1 º do art. 27 da Lei n º 9.069, de 29 de junho de 1995, não descaracteriza o preço predeterminado. Fl. 750DF CARF MF Processo nº 11080.928474/200938 Acórdão n.º 3302006.733 S3C3T2 Fl. 751 14 A redação da lei que era "reajuste de preços em função do" foi regulamentada como "reajuste de preços em percentual não superior". A redação da instrução normativa não exclui, a priori, a utilização do IGPM, desde que ele não ultrapasse o acréscimo dos custos de produção ou à variação de índice que reflita a variação ponderada dos custos dos insumos utilizados. Ressaltase que o art. 109 está em consonância com o fundamento econômico para o reajuste que é a variação dos custos, como dispõe o inciso XI do art. 40 da Lei nº 8.666/93 e o inciso XVIII do art. 3º da Lei nº 9.427/96, que instituiu a Agência Nacional de Energia Elétrica ANEEL: Lei nº 8.666/93: Art. 40. O edital conterá no preâmbulo o número de ordem em série anual, o nome da repartição interessada e de seu setor, a modalidade, o regime de execução e o tipo da licitação, a menção de que será regida por esta Lei, o local, dia e hora para recebimento da documentação e proposta, bem como para início da abertura dos envelopes, e indicará, obrigatoriamente, o seguinte: [...]XI critério de reajuste, que deverá retratar a variação efetiva do custo de produção, admitida a adoção de índices específicos ou setoriais, desde a data prevista para apresentação da proposta, ou do orçamento a que essa proposta se referir, até a data do adimplemento de cada parcela; (Redação dada pela Lei nº 8.883, de 1994) Lei nº 9.427/96: Art. 3o Além das atribuições previstas nos incisos II, III, V, VI, VII, X, XI e XII do art. 29 e no art. 30 da Lei no 8.987, de 13 de fevereiro de 1995, de outras incumbências expressamente previstas em lei e observado o disposto no § 1o, compete à ANEEL: (Redação dada pela Lei nº 10.848, de 2004) (Vide Decreto nº 6.802, de 2009). [...]XVIII definir as tarifas de uso dos sistemas de transmissão e distribuição, sendo que as de transmissão devem ser baseadas nas seguintes diretrizes: (Incluído pela Lei nº 10.848, de 2004) a) assegurar arrecadação de recursos suficientes para cobertura dos custos dos sistemas de transmissão; e (Incluído pela Lei nº 10.848, de 2004) a) assegurar arrecadação de recursos suficientes para a cobertura dos custos dos sistemas de transmissão, inclusive das interligações internacionais conectadas à rede básica; (Redação dada pela Lei nº 12.111, de 2009) b) utilizar sinal locacional visando a assegurar maiores encargos para os agentes que mais onerem o sistema de transmissão; (Incluído pela Lei nº 10.848, de 2004) Concluindo, entendo que não se pode descaracterizar o preço pré determinado em função da aplicação do IGPM, a priori, devendo ser comparado o percentual Fl. 751DF CARF MF Processo nº 11080.928474/200938 Acórdão n.º 3302006.733 S3C3T2 Fl. 752 15 do reajuste do IGPM com o percentual do acréscimo dos custos de produção, uma vez que não existe, para este setor econômico, índice que reflita a variação ponderada dos custos dos insumos utilizados. Assim, para cada contrato, deve ser avaliado se o percentual utilizado é inferior à evolução dos custos de produção, apurado no mesmo período de variação do IGPM, sendo que a primeira apuração se refere ao período compreendido entre o último reajuste anterior a 31/10/2003 e o primeiro reajuste posterior a esta data. A comparação deverá se estender, período a período, até a data do reajuste imediatamente anterior ao período objeto da lide, sendo que uma vez detectado que o percentual de variação do IGPM seja superior à variação dos custos de produção, todas as receitas auferidas após tal reajuste ficam sujeitas ao regime nãocumulativo das contribuições, definitivamente. Esta comparação foi realizada mediante a Resolução nº 3302000.694, tendo a autoridade fiscal atestado que os reajustes pelo IGPM foram inferiores à evolução do custos incorridos, concluindo pela sujeição ao regime cumulativo das contribuições. Diante do exposto, voto para dar provimento parcial ao recurso voluntário, reconhecendo a aplicação do regime cumulativo às receitas auferidas nos contratos CER PA/2002 2091, CERPI/2002 2101, CERCO/2002 2111, CERCO/2002 212/1, de 17/10/2002, e CERCEEED de 11/11/2002, devendo a autoridade fiscal efetivar a homologação das declarações de compensação até o limite do direito creditório apurado. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Fl. 752DF CARF MF
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Numero do processo: 10950.002204/2002-70
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 26 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Fri Mar 22 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/01/2002 a 31/03/2002
EMBARGOS INOMINADOS. FUNÇÃO DO INSTRUMENTO. HIPÓTESES. ARTIGO 66 DO RICARF. CABIMENTO DE OFÍCIO. AUSÊNCIA DE PRAZO.
O silêncio do RICARF a respeito do prazo para a oposição dos embargos inominados não deve ser visto como uma lacuna a ser integrada pela disciplina do Código de Processo Civil e pelo artigo 65, §1º do RICARF (prazo de cinco dias dos embargos de declaração). A ausência do prazo é, isto sim, uma opção legislativa, que se coaduna com a função desse instrumento e com a sua regulamentação dentro do processo administrativo fiscal.
De acordo com o artigo 66 do RICARF, pelos embargos inominados o que se busca é a correção de inexatidão material, devida a lapso manifesto, e de erros de escrita ou de cálculo. Portanto, trata-se de instrumento para correção questões objetivas, sobre as quais não pairam dúvidas.
Tais problemas, apesar de terem necessariamente que ser objeto de novo acórdão, podem ser solucionados de ofício, conforme determina o artigo 32 do Decreto 70.235/72 e, por conseguinte, não há que se falar em utilização de prazo para tanto.
INEXATIDÕES MATERIAIS DO JULGADO. AUSÊNCIA DE VOTO VENCEDOR E EQUÍVOCO QUANTO AO TEOR DA EMENTA EM FACE DO QUE FORA JULGADO. ERROS PASSÍVEIS DE COGNIÇÃO DE OFÍCIO PELO JULGADOR. APLICAÇÃO SUBSIDIÁRIA DO CPC.
Em se tratando de inexatidões materiais do julgado, pode o julgador, de ofício, reconhecê-las, nos termos do art. 494, inciso I do CPC, c.c. o art. 15 do mesmo Codex.
Numero da decisão: 3402-006.236
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em conhecer dos embargos inominados interpostos. Vencido o Conselheiro Diego Diniz Ribeiro (relator), que não conhecia dos embargos por intempestivo e tomava conhecimento dos vícios de ofício. Por unanimidade de votos, sanar as inexatidões materiais do acórdão embargado, integrado com os itens III e IV do voto do relator. Os Conselheiros Rodrigo Mineiro Fernandes, Maria Aparecida Martins de Paula, Larissa Nunes Girard (suplente convocada) acompanharam o relator pelas conclusões. Designada a Conselheira Thais de Laurentiis Galkowicz.
(assinado digitalmente)
Waldir Navarro Bezerra - Presidente
(assinado digitalmente)
Diego Diniz Ribeiro- Relator
(assinado digitalmente)
Thais de Laurentiis Galkowicz - Redatora designada
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Rodrigo Mineiro Fernandes, Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Larissa Nunes Girard (suplente convocada), Cynthia Elena de Campos, Thais De Laurentiis Galkowicz e Waldir Navarro Bezerra. Ausente o conselheiro Pedro Sousa Bispo, substituído pela conselheira Larissa Nunes Girard.
Nome do relator: DIEGO DINIZ RIBEIRO
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/01/2002 a 31/03/2002 EMBARGOS INOMINADOS. FUNÇÃO DO INSTRUMENTO. HIPÓTESES. ARTIGO 66 DO RICARF. CABIMENTO DE OFÍCIO. AUSÊNCIA DE PRAZO. O silêncio do RICARF a respeito do prazo para a oposição dos embargos inominados não deve ser visto como uma lacuna a ser integrada pela disciplina do Código de Processo Civil e pelo artigo 65, §1º do RICARF (prazo de cinco dias dos embargos de declaração). A ausência do prazo é, isto sim, uma opção legislativa, que se coaduna com a função desse instrumento e com a sua regulamentação dentro do processo administrativo fiscal. De acordo com o artigo 66 do RICARF, pelos embargos inominados o que se busca é a correção de inexatidão material, devida a lapso manifesto, e de erros de escrita ou de cálculo. Portanto, trata-se de instrumento para correção questões objetivas, sobre as quais não pairam dúvidas. Tais problemas, apesar de terem necessariamente que ser objeto de novo acórdão, podem ser solucionados de ofício, conforme determina o artigo 32 do Decreto 70.235/72 e, por conseguinte, não há que se falar em utilização de prazo para tanto. INEXATIDÕES MATERIAIS DO JULGADO. AUSÊNCIA DE VOTO VENCEDOR E EQUÍVOCO QUANTO AO TEOR DA EMENTA EM FACE DO QUE FORA JULGADO. ERROS PASSÍVEIS DE COGNIÇÃO DE OFÍCIO PELO JULGADOR. APLICAÇÃO SUBSIDIÁRIA DO CPC. Em se tratando de inexatidões materiais do julgado, pode o julgador, de ofício, reconhecê-las, nos termos do art. 494, inciso I do CPC, c.c. o art. 15 do mesmo Codex.
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LEATHER INDÚSTRIA E COMÉRCIO DE COUROS LTDA. e FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/01/2002 a 31/03/2002 EMBARGOS INOMINADOS. FUNÇÃO DO INSTRUMENTO. HIPÓTESES. ARTIGO 66 DO RICARF. CABIMENTO DE OFÍCIO. AUSÊNCIA DE PRAZO. O silêncio do RICARF a respeito do prazo para a oposição dos embargos inominados não deve ser visto como uma lacuna a ser integrada pela disciplina do Código de Processo Civil e pelo artigo 65, §1º do RICARF (prazo de cinco dias dos embargos de declaração). A ausência do prazo é, isto sim, uma opção legislativa, que se coaduna com a função desse instrumento e com a sua regulamentação dentro do processo administrativo fiscal. De acordo com o artigo 66 do RICARF, pelos embargos inominados o que se busca é a correção de inexatidão material, devida a lapso manifesto, e de erros de escrita ou de cálculo. Portanto, tratase de instrumento para correção questões objetivas, sobre as quais não pairam dúvidas. Tais problemas, apesar de terem necessariamente que ser objeto de novo acórdão, podem ser solucionados de ofício, conforme determina o artigo 32 do Decreto 70.235/72 e, por conseguinte, não há que se falar em utilização de prazo para tanto. INEXATIDÕES MATERIAIS DO JULGADO. AUSÊNCIA DE VOTO VENCEDOR E EQUÍVOCO QUANTO AO TEOR DA EMENTA EM FACE DO QUE FORA JULGADO. ERROS PASSÍVEIS DE COGNIÇÃO DE OFÍCIO PELO JULGADOR. APLICAÇÃO SUBSIDIÁRIA DO CPC. Em se tratando de inexatidões materiais do julgado, pode o julgador, de ofício, reconhecêlas, nos termos do art. 494, inciso I do CPC, c.c. o art. 15 do mesmo Codex. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 95 0. 00 22 04 /2 00 2- 70 Fl. 416DF CARF MF 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em conhecer dos embargos inominados interpostos. Vencido o Conselheiro Diego Diniz Ribeiro (relator), que não conhecia dos embargos por intempestivo e tomava conhecimento dos vícios de ofício. Por unanimidade de votos, sanar as inexatidões materiais do acórdão embargado, integrado com os itens III e IV do voto do relator. Os Conselheiros Rodrigo Mineiro Fernandes, Maria Aparecida Martins de Paula, Larissa Nunes Girard (suplente convocada) acompanharam o relator pelas conclusões. Designada a Conselheira Thais de Laurentiis Galkowicz. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra Presidente (assinado digitalmente) Diego Diniz Ribeiro Relator (assinado digitalmente) Thais de Laurentiis Galkowicz Redatora designada Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Rodrigo Mineiro Fernandes, Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Larissa Nunes Girard (suplente convocada), Cynthia Elena de Campos, Thais De Laurentiis Galkowicz e Waldir Navarro Bezerra. Ausente o conselheiro Pedro Sousa Bispo, substituído pela conselheira Larissa Nunes Girard. Relatório 1. Adoto aqui o relatório desenvolvido no acórdão CARF n. 340200.852 (fls. 223/237), de relatoria da então Conselheira Nayra Bastos Manatta, o que passo a fazer nos seguintes termos: Tratase de pedido de ressarcimento de credito presumido de IPI a ser usado em compensação com débitos declarados. O direito creditório foi reconhecido parcialmente, tendo sido efetuado ajustes relativos ao calculo do credito presumido do IPI para excluir as aquisições de pessoas físicas. Também não foi reconhecida a atualização do credito com base na taxa Selic. As compensações foram homologadas até o limite do direito creditório reconhecido. A contribuinte apresentou manifestação de inconformidade argüindo: • As aquisições de pessoas físicas não poderiam ter sido glosadas pois a lei se refere ao valor total das aquisições e não somente aos fornecedores contribuintes do PIS e da COFINS; Fl. 417DF CARF MF Processo nº 10950.002204/200270 Acórdão n.º 3402006.236 S3C4T2 Fl. 251 3 • Não se poderia ter excluído das Receitas de Exportação as revendas de mercadorias para o exterior e mantido os mesmos valores na Receita Operacional Bruta; • É legitima a atualização dos créditos com base na taxa Selic A DRJ em Ribeirão Preto indeferiu a solicitação. A contribuinte interpôs recurso voluntário alegando em sua defesa as mesmas razões da inicial acerca da exclusão de aquisições de pessoas físicas e incidência de taxa selic sobre os valores a serem ressarcidos. (...). 2. Devidamente processado, o recurso voluntário interposto pelo contribuinte foi julgado procedente pelo aludido voto, nos termos da ementa abaixo transcrita: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados IPI Período de apuração: 01/01/2002 a 31/03/2002 Ementa: INSUMOS adquiridos de não contribuintes (pessoas físicas) Excluise da base de cálculo do crédito presumido do IPI as aquisições de insumos que não sofreram incidência das contribuições ao PIS e à COFINS no fornecimento ao produtor exportador. CORREÇÃO MONETÁRIA. À falta de disposição legal de amparo é inadmissível a aplicação de correção monetária no caso de ressarcimento de credito presumido do IPI, bem como de saldo credor de IPI. RECEITA DE EXPORTAÇÃO: INCLUSÃO PRODUTOS ADQUIRIDOS DE TERCEIROS E EXPORTADOS. Não há vedação expressa na Lei para que seja desconsiderado no cômputo da receita bruta de exportação a venda para o exterior e para empresa comercial exportadora de mercadorias nacionais adquiridas de terceiros. Recurso parcialmente provido. 3. Uma vez intimados, o contribuinte (fls. 275/295) e a União (fls. 373/382) interpuseram seus respectivos recursos especiais. 4. Ato contínuo, distribuído o caso na Câmara Superior deste Tribunal, o Relator sorteado, Conselheiro Demes Brito, promoveu o despacho de fl. 411, chancelado pelo então Presidente substituto deste Tribunal, no sentido de devolver os autos para a Turma Ordinária prolatora da decisão atacada, uma vez que, por um lapso material, o acórdão recorrido carecia de voto vencedor. Fl. 418DF CARF MF 4 5. Devolvido o processo para esta Turma Ordinária, já na sua atual composição, o seu r. Presidente, Conselheiro Waldir Navarro Bezerra, interpôs os embargos inominados de fls. 413/415, ao fundamento de que o acórdão atacado apresenta dois erros materiais, sendo o primeiro deles decorrente do descompasso entre o teor da ementa e o que restou consignado no resultado do julgamento e, o segundo deles, na medida em que o acórdão embargado carece de voto vencedor. 6. É o relatório. Voto Vencido Conselheiro Relator Diego Diniz Ribeiro I. Da intempestividade dos embargos de declaração interpostos 7. Com a devida vênia, insta destacar que os embargos de declaração interpostos são manifestamente intempestivos, haja vista o disposto no art. 65, §1º do RICARF, in verbis: Art. 65. Cabem embargos de declaração quando o acórdão contiver obscuridade, omissão ou contradição entre a decisão e os seus fundamentos, ou for omitido ponto sobre o qual deveria pronunciarse a turma. §1º Os embargos de declaração poderão ser interpostos, mediante petição fundamentada dirigida ao presidente da Turma, no prazo de 5 (cinco) dias contado da ciência do acórdão: 8. Nem se alegue que, na hipótese de embargos inominados, capitulado no art. 66 do RICARF1, tal recurso não se sujeitaria a prazo algum, por inexistir previsão nesse sentido em relação a tal recurso. Primeiramente porque não há que se falar em prática de ato processual sem prazo, em especial no caso de interposição de recurso2, sob pena de o processo tornarse uma história sem fim, o que conflita com inúmeros princípios processuais, dentre os quais destacamse o da celeridade, duração razoável do processo, efetividade da tutela jurisdicional, impulso oficial e da primazia da decisão de mérito. Daí, inclusive, a existência de previsões legais como o disposto no art. 218, § 3o do CPC3. 9. Não obstante, o art. 66 do RICARF não pode ser visto de forma isolada, como se uma ilha fosse. Referido dispositivo está inserido na Seção I ("Dos embargos de declaração") do Capítulo IV ("Dos recursos"), tópico este do regimento que trata, exatamente, do recurso de embargos, o qual, como visto alhures, apresenta expressa previsão no sentido de que sua interposição deve se dar no prazo de 5 dias (art. 65, §1º do RICARF) 1 "Art. 66. As alegações de inexatidões materiais devidasba lapso manifesto e os erros de escrita ou de cálculo existentes na decisão, provocados pelos legitimados para opor embargos, deverão ser recebidos como embargos inominados para correção, mediante a prolação de um novo acórdão. " 2 O qual está intimamente ligado à ideia de preclusão, inclusive para fins de fixação de trânsito em julgado e, por conseguinte, permitir o advento de coisa julgada. 3 "Art. 218. Os atos processuais serão realizados nos prazos prescritos em lei. (...). § 3o Inexistindo preceito legal ou prazo determinado pelo juiz, será de 5 (cinco) dias o prazo para a prática de ato processual a cargo da parte. (...)." Fl. 419DF CARF MF Processo nº 10950.002204/200270 Acórdão n.º 3402006.236 S3C4T2 Fl. 252 5 10. Nesse sentido, o prazo de 5 (cinco) dias alhures indicado teve início quando o então Presidente da Turma julgadora que também assinou o acórdão n. 340200.852 (fls. 223/237) teve ciência da formalização da aludida decisão nos autos, o que provavelmente ocorreu entre novembro e dezembro de 2010, haja vista que tal resolução foi julgada em sessão realizada em 27/10/2010. A substituição do Presidente de Turma julgadora quando do retorno do processo em razão do despacho saneador de fl. 411 não tem o condão de reabrir o citado prazo processual, sob pena, inclusive, de não se falar mais em preclusões processuais neste tipo de situação. 11. Logo, encaminho o presente voto para não conhecer dos embargos interpostos. II. Das inexatidões materiais no julgado 12. Apesar da intempestividade dos embargos interpostos, resta claro que a decisão aqui referida apresenta duas patentes inexatidões materiais, uma vez que o teor da ementa consigna teor diverso do que fora decidido pelo Colegiado e, ainda, porque tal decisão carece de voto vencedor apto a retratar a sessão de julgamento em que a decisão foi proferida. 13. Por se tratar de inexatidões materiais mister se faz aqui aplicar o disposto no art. 32 do Decreto n. 70.235/72, in verbis: Art. 32. As inexatidões materiais devidas a lapso manifesto e os erros de escrita ou de cálculos existentes na decisão poderão ser corrigidos de ofício ou a requerimento do sujeito passivo. 14. No mesmo diapasão é o prescrito no art. 494, inciso I do Estatuto Processual Civil: Art. 494. Publicada a sentença, o juiz só poderá alterála: I para corrigirlhe, de ofício ou a requerimento da parte, inexatidões materiais ou erros de cálculo; (..). 15. Assim, o primeiro vício a ser corrigido decorre da inconsistência entre o teor da ementa e o resultado do julgamento. Conforme se observa dos autos, a decisão aqui citada restou assim ementada: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados IPI Período de apuração: 01/01/2002 a 31/03/2002 Ementa: INSUMOS adquiridos de não contribuintes (pessoas físicas) Excluise da base de cálculo do crédito presumido do IPI as aquisições de insumos que não sofreram incidência das contribuições ao PIS e à COFINS no fornecimento ao produtorexportador. CORREÇÃO MONETÁRIA. Fl. 420DF CARF MF 6 À falta de disposição legal de amparo é inadmissível a aplicação de correção monetária no caso de ressarcimento de credito presumido do IPI, bem como de saldo credor de IPI. RECEITA DE EXPORTAÇÃO: INCLUSÃO PRODUTOS ADQUIRIDOS DE TERCEIROS E EXPORTADOS. Não há vedação expressa na Lei para que seja desconsiderado no cômputo da receita bruta de exportação a venda para o exterior e para empresa comercial exportadora de mercadorias nacionais adquiridas de terceiros. Recurso parcialmente provido. (grifos nosso). 16. Por sua vez, tal julgado apresenta o seguinte resultado: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos de recurso interposto por M.S. LEATHER INDUSTRIA E COMERCIO DE COUROS LTDA. ACORDAM os Membros da Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, por maioria de votos em dar provimento ao recurso. Vencidos o Conselheiro Fernando Luiz da Gama Lobo D’Eça quanto à inclusão na receita de exportação de valores relativos a mercadorias nacionais adquiridas de terceiros. Nayra Bastos Manatta e Julio Cesar Alves Ramos quanto à aquisição de pessoa física e correção monetária dos valores a serem ressarcidos. Designado Leonardo Siade Manzan para redigir o voto vencedor. (grifos constante no original). 17. Da análise de tais trechos é possível perceber que (i) o recurso voluntário interposto pelo contribuinte foi, por maioria de votos, julgado totalmente procedente e não parcialmente procedente, como consta da parte final da sobredita ementa e, ainda, (ii) que os trechos negritados da ementa acima transcrita não refletem o teor do julgado, o que decorre da segunda inexatidão material já destacada, qual seja, a ausência de voto vencedor. 18. Logo, convém agora suprir esse segundo vício, de modo a integrar o acórdão n. 340200.852, o qual deverá ser lido com os seguintes tópicos em acréscimo para fins de configuração do voto vencedor: III. Do ressarcimento de IPI e do crédito oriundo de pessoas físicas 19. De forma muito objetiva, o que se discute aqui é se o contribuinte possui ou não direito a crédito presumido do IPI na hipótese de aquisições de pessoas físicas, no mercado interno, de matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem, para utilização no seu processo produtivo. 20. E a referida discussão decorre do disposto no §2° do art. 2º. da Instrução Normativa n. 23/974 vis a vis do que prevê o art. 1º. da lei n. 9.363/96. Isso porque a referida 4 "Art. 2º Fará jus ao crédito presumido a que se refere o artigo anterior a empresa produtora e exportadora de mercadorias nacionais. (...) § 2º O crédito presumido relativo a produtos oriundos da atividade rural, conforme definida no art. 2º da Lei nº 8.023, de 12 de abril de 1990, utilizados como matériaprima, produto intermediário ou embalagem, na produção bens exportados, será calculado, exclusivamente, em relação às aquisições, efetuadas de pessoas jurídicas, sujeitas às contribuições PIS/PASEP e COFINS." Fl. 421DF CARF MF Processo nº 10950.002204/200270 Acórdão n.º 3402006.236 S3C4T2 Fl. 253 7 Instrução Normativa, ao pretexto de regulamentar a sobredita lei, criou uma restrição ao crédito em comento, o qual estaria limitado à hipótese de aquisição de insumos de pessoas jurídicas sujeitas à incidência de PIS e COFINS. 21. Acontece que, ao proceder dessa forma, a Receita Federal do Brasil não se limitou a regulamentar a aludida lei, mas implicou verdadeira restrição ao uso do crédito conformado legalmente, extrapolando, portanto, suas funções5. Registrese, por oportuno, que essa discussão já foi travada no âmbito do contencioso judicial, sendo objeto de decisão do Superior Tribunal de Justiça em sede de recurso especial julgado sob o rito de recursos repetitivos, oportunidade em que o referido Tribunal assim se manifestou: PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. IPI. CRÉDITO PRESUMIDO PARA RESSARCIMENTO DO VALOR DO PIS/PASEP E DA COFINS. EMPRESAS PRODUTORAS E EXPORTADORAS DE MERCADORIAS NACIONAIS. LEI 9.363/96. INSTRUÇÃO NORMATIVA SRF 23/97. CONDICIONAMENTO DO INCENTIVO FISCAL AOS INSUMOS ADQUIRIDOS DE FORNECEDORES SUJEITOS À TRIBUTAÇÃO PELO PIS E PELA COFINS. EXORBITÂNCIA DOS LIMITES IMPOSTOS PELA LEI ORDINÁRIA. SÚMULA VINCULANTE 10/STF. OBSERVÂNCIA. INSTRUÇÃO NORMATIVA (ATO NORMATIVO SECUNDÁRIO). CORREÇÃO MONETÁRIA. INCIDÊNCIA. EXERCÍCIO DO DIREITO DE CRÉDITO POSTERGADO PELO FISCO. NÃO CARACTERIZAÇÃO DE CRÉDITO ESCRITURAL. TAXA SELIC. APLICAÇÃO. VIOLAÇÃO DO ARTIGO 535, DO CPC. INOCORRÊNCIA. 1. O crédito presumido de IPI, instituído pela Lei 9.363/96, não poderia ter sua aplicação restringida por força da Instrução Normativa SRF 23/97, ato normativo secundário, que não pode inovar no ordenamento jurídico, subordinandose aos limites do texto legal. 2. A Lei 9.363/96 instituiu crédito presumido de IPI para ressarcimento do valor do PIS/PASEP e COFINS, ao dispor que: "Art. 1º A empresa produtora e exportadora de mercadorias nacionais fará jus a crédito presumido do Imposto sobre Produtos Industrializados, como ressarcimento das contribuições de que tratam as Leis Complementares nos 7, de 7 de setembro de 1970, 8, de 3 de dezembro de 1970, e de dezembro de 1991, incidentes sobre as respectivas aquisições, no mercado interno, de matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem, para utilização no processo produtivo. Parágrafo único. O disposto neste artigo aplicase, inclusive, nos casos de venda a empresa comercial exportadora com o fim específico de exportação para o exterior." 5 Isso porque "a Administração possui função executiva e não legislativa, o que proíbe que os funcionários públicos coloquem em dúvida a validade da lei.". (ÁVILA, Humberto. 'Sistema constitucional tributário'. 3ª. ed. São Paulo: Saraiva, 2008. p. 123.). Em outros termos, não compete ao Poder Executivo qualquer modificação no conteúdo da lei, seja ampliando ou reduzindo seu teor. Compete a ele apenas dispor sobre a operacionalização e a perfeita execução dos mandamentos previstos na lei. Fl. 422DF CARF MF 8 3. O artigo 6º, do aludido diploma legal, determina, ainda, que "o Ministro de Estado da Fazenda expedirá as instruções necessárias ao cumprimento do disposto nesta Lei, inclusive quanto aos requisitos e periodicidade para apuração e para fruição do crédito presumido e respectivo ressarcimento, à definição de receita de exportação e aos documentos fiscais comprobatórios dos lançamentos, a esse título, efetuados pelo produtor exportador". 4. O Ministro de Estado da Fazenda, no uso de suas atribuições, expediu a Portaria 38/97, dispondo sobre o cálculo e a utilização do crédito presumido instituído pela Lei 9.363/96 e autorizando o Secretário da Receita Federal a expedir normas complementares necessárias à implementação da aludida portaria (artigo 12). 5. Nesse segmento, o Secretário da Receita Federal expediu a Instrução Normativa 23/97 (revogada, sem interrupção de sua força normativa, pela Instrução Normativa 313/2003, também revogada, nos mesmos termos, pela Instrução Normativa 419/2004), assim preceituando: "Art. 2º Fará jus ao crédito presumido a que se refere o artigo anterior a empresa produtora e exportadora de mercadorias nacionais. § 1º O direito ao crédito presumido aplicase inclusive: I Quando o produto fabricado goze do benefício da alíquota zero; II nas vendas a empresa comercial exportadora, com o fim específico de exportação. § 2º O crédito presumido relativo a produtos oriundos da atividade rural, conforme definida no art. 2º da Lei nº 8.023, de 12 de abril de 1990, utilizados como matériaprima, produto intermediário ou embalagem, na produção bens exportados, será calculado, exclusivamente, em relação às aquisições, efetuadas de pessoas jurídicas, sujeitas às contribuições PIS/PASEP e COFINS." 6. Com efeito, o § 2º, do artigo 2º, da Instrução Normativa SRF 23/97, restringiu a dedução do crédito presumido do IPI (instituído pela Lei 9.363/96), no que concerne às empresas produtoras e exportadoras de produtos oriundos de atividade rural, às aquisições, no mercado interno, efetuadas de pessoas jurídicas sujeitas às contribuições destinadas ao PIS/PASEP e à COFINS. 7. Como de sabença, a validade das instruções normativas (atos normativos secundários) pressupõe a estrita observância dos limites impostos pelos atos normativos primários a que se subordinam (leis, tratados, convenções internacionais, etc.), sendo certo que, se vierem a positivar em seu texto uma exegese que possa irromper a hierarquia normativa sobrejacente, viciarseão de ilegalidade e não de inconstitucionalidade (Precedentes do Supremo Tribunal Federal: ADI 531 AgR, Rel. Ministro Celso de Mello, Tribunal Pleno, julgado em 11.12.1991, DJ 03.04.1992; e ADI 365 AgR, Rel. Ministro Celso de Mello, Tribunal Pleno, julgado em 07.11.1990, DJ 15.03.1991). 8. Conseqüentemente, sobressai a "ilegalidade" da instrução normativa que extrapolou os limites impostos pela Lei 9.363/96, ao excluir, da base de cálculo do benefício do crédito Fl. 423DF CARF MF Processo nº 10950.002204/200270 Acórdão n.º 3402006.236 S3C4T2 Fl. 254 9 presumido do IPI, as aquisições (relativamente aos produtos oriundos de atividade rural) de matériaprima e de insumos de fornecedores não sujeito à tributação pelo PIS/PASEP e pela COFINS (Precedentes das Turmas de Direito Público: REsp 849287/RS, Rel. Ministro Mauro Campbell Marques, Segunda Turma, julgado em 19.08.2010, DJe 28.09.2010; AgRg no REsp 913433/ES, Rel. Ministro Humberto Martins, Segunda Turma, julgado em 04.06.2009, DJe 25.06.2009; REsp 1109034/PR, Rel. Ministro Benedito Gonçalves, Primeira Turma, julgado em 16.04.2009, DJe 06.05.2009; REsp 1008021/CE, Rel. Ministra Eliana Calmon, Segunda Turma, julgado em 01.04.2008, DJe 11.04.2008; REsp 767.617/CE, Rel. Ministro Luiz Fux, Primeira Turma, julgado em 12.12.2006, DJ 15.02.2007; REsp 617733/CE, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, Primeira Turma, julgado em 03.08.2006, DJ 24.08.2006; e REsp 586392/RN, Rel. Ministra Eliana Calmon, Segunda Turma, julgado em 19.10.2004, DJ 06.12.2004). 9. É que: (i) "a COFINS e o PIS oneram em cascata o produto rural e, por isso, estão embutidos no valor do produto final adquirido pelo produtorexportador, mesmo não havendo incidência na sua última aquisição"; (ii) "o Decreto 2.367/98 Regulamento do IPI , posterior à Lei 9.363/96, não fez restrição às aquisições de produtos rurais"; e (iii) "a base de cálculo do ressarcimento é o valor total das aquisições dos insumos utilizados no processo produtivo (art. 2º), sem condicionantes" (REsp 586392/RN). 10. A Súmula Vinculante 10/STF cristalizou o entendimento de que: "Viola a cláusula de reserva de plenário (CF, artigo 97) a decisão de órgão fracionário de tribunal que, embora não declare expressamente a inconstitucionalidade de lei ou ato normativo do poder público, afasta sua incidência, no todo ou em parte." 11. Entrementes, é certo que a exigência de observância à cláusula de reserva de plenário não abrange os atos normativos secundários do Poder Público, uma vez não estabelecido confronto direto com a Constituição, razão pela qual inaplicável a Súmula Vinculante 10/STF à espécie. 12. A oposição constante de ato estatal, administrativo ou normativo, impedindo a utilização do direito de crédito de IPI (decorrente da aplicação do princípio constitucional da não cumulatividade), descaracteriza referido crédito como escritural (assim considerado aquele oportunamente lançado pelo contribuinte em sua escrita contábil), exsurgindo legítima a incidência de correção monetária, sob pena de enriquecimento sem causa do Fisco (Aplicação analógica do precedente da Primeira Seção submetido ao rito do artigo 543C, do CPC: REsp 1035847/RS, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 24.06.2009, DJe 03.08.2009). 13. A Tabela Única aprovada pela Primeira Seção (que agrega o Manual de Cálculos da Justiça Federal e a jurisprudência do Fl. 424DF CARF MF 10 STJ) autoriza a aplicação da Taxa SELIC (a partir de janeiro de 1996) na correção monetária dos créditos extemporaneamente aproveitados por óbice do Fisco (REsp 1150188/SP, Rel. Ministra Eliana Calmon, Segunda Turma, julgado em 20.04.2010, DJe 03.05.2010). 14. Outrossim, a apontada ofensa ao artigo 535, do CPC, não restou configurada, uma vez que o acórdão recorrido pronunciouse de forma clara e suficiente sobre a questão posta nos autos. Salientese, ademais, que o magistrado não está obrigado a rebater, um a um, os argumentos trazidos pela parte, desde que os fundamentos utilizados tenham sido suficientes para embasar a decisão, como de fato ocorreu na hipótese dos autos. 15. Recurso especial da empresa provido para reconhecer a incidência de correção monetária e a aplicação da Taxa Selic. 16. Recurso especial da Fazenda Nacional desprovido. 17. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008. (STJ; REsp 993.164/MG, Rel. Ministro LUIZ FUX, PRIMEIRA SEÇÃO, julgado em 13/12/2010, DJe 17/12/2010) (g.n.). 22. Referido precedente redundou na súmula 494 do STJ, in verbis: O benefício fiscal do ressarcimento do crédito presumido do IPI relativo às exportações incide mesmo quando as matérias primas ou os insumos sejam adquiridos de pessoa física ou jurídica não contribuinte do PIS/PASEP." 23. O sobredito julgado tido como precedente é análogo ao caso aqui tratado, uma vez que lá também se discutiu a possibilidade de empresa exportadora se valer de crédito presumido de IPI (art. 1º. da lei n. 9.363/96) na hipótese de adquirir insumos de pessoas físicas e/ou cooperativas, afastando, por conseguinte, a restrição indevidamente imposta pelo §2° do art. 2º da Instrução Normativa n. 23/97, exatamente como ocorre no caso em tela. 24. Nesse esteio, referido precedente pretoriano tem força vinculativa para este julgador, nos exatos termos do que prevê o art. 62, §2° do Regimento Interno do CARF, razão pela qual mister se faz dar provimento ao recurso voluntário em análise neste tópico. IV. A correção do crédito presumido 25. Outro ponto levantado pelo contribuinte em seu recurso voluntário diz respeito à possibilidade ou não de correção pela SELIC dos créditos presumidos de IPI. Referida questão, por sua vez, já foi objeto de análise pelo Superior Tribunal de Justiça, em sede de recurso especial julgado sob o rito de repetitivo, oportunidade em que o referido Tribunal assim se manifestou: PROCESSO CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. IPI. PRINCÍPIO DA NÃO CUMULATIVIDADE. EXERCÍCIO DO DIREITO DE CRÉDITO POSTERGADO PELO FISCO. NÃO CARACTERIZAÇÃO DE CRÉDITO ESCRITURAL. CORREÇÃO MONETÁRIA. INCIDÊNCIA. Fl. 425DF CARF MF Processo nº 10950.002204/200270 Acórdão n.º 3402006.236 S3C4T2 Fl. 255 11 1. A correção monetária não incide sobre os créditos de IPI decorrentes do princípio constitucional da nãocumulatividade (créditos escriturais), por ausência de previsão legal. 2. A oposição constante de ato estatal, administrativo ou normativo, impedindo a utilização do direito de crédito oriundo da aplicação do princípio da nãocumulatividade, descaracteriza referido crédito como escritural, assim considerado aquele oportunamente lançado pelo contribuinte em sua escrita contábil. 3. Destarte, a vedação legal ao aproveitamento do crédito impele o contribuinte a socorrerse do Judiciário, circunstância que acarreta demora no reconhecimento do direito pleiteado, dada a tramitação normal dos feitos judiciais. 4. Consectariamente, ocorrendo a vedação ao aproveitamento desses créditos, com o consequente ingresso no Judiciário, postergase o reconhecimento do direito pleiteado, exsurgindo legítima a necessidade de atualizálos monetariamente, sob pena de enriquecimento sem causa do Fisco (Precedentes da Primeira Seção: EREsp 490.547/PR, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 28.09.2005, DJ 10.10.2005; EREsp 613.977/RS, Rel. Ministro José Delgado, julgado em 09.11.2005, DJ 05.12.2005; EREsp 495.953/PR, Rel. Ministra Denise Arruda, julgado em 27.09.2006, DJ 23.10.2006; EREsp 522.796/PR, Rel. Ministro Herman Benjamin, julgado em 08.11.2006, DJ 24.09.2007; EREsp 430.498/RS, Rel. Ministro Humberto Martins, julgado em 26.03.2008, DJe 07.04.2008; e EREsp 605.921/RS, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 12.11.2008, DJe 24.11.2008). 5. Recurso especial da Fazenda Nacional desprovido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008. (STJ; REsp 1.035.847/RS, Rel. Ministro LUIZ FUX, PRIMEIRA SEÇÃO, julgado em 24/06/2009, DJe 03/08/2009) (g.n.). 26. A análise do sobredito julgado, em especial do voto do Relator, deixa claro que, para evitar o “enriquecimento ilícito do Estado”, há a possibilidade de correção de créditos presumidos de IPI pela SELIC sempre que o contribuinte se deparar com “oposição estatal” na validação dos referidos créditos, oposição essa que também se caracteriza pela mora fiscal em uma resposta. 27. No caso a ser decidido, o contribuinte pleiteou o ressarcimento do seu crédito, sendo que até a presente data ainda não obteve uma resposta fiscal definitiva para a questão, o que se deve a oposição indevida do Fisco. 28. Assim, comparando de forma analógicoproblemática os casos em questão (precedente e decidendo), percebese que estamos diante de fatos semelhantes e que, portanto, reclamam decisões materialmente iguais6. 6 Neste mesmo sentido são as iterativas decisões deste E. Tribunal Administrativo, conforme se observa, exemplarmente, no caso cuja ementa segue abaixo transcrita: "Ementa Fl. 426DF CARF MF 12 29. Logo, diante de tudo o que fora exposto, o recurso voluntário do contribuinte também merece provimento neste item, i.e., para reconhecer que, havendo crédito a ser ressarcido, o valor apurado deverá ser atualizado pela taxa Selic, a qual incidirá a partir da data do dia seguinte ao protocolo do pedido de ressarcimento. Dispositivo 30. Ante o exposto, voto em não conhecer dos embargos de declaração interpostos, por ser intempestivo, mas conhecer de ofício as inexatidões materiais que maculavam o acórdão n. 340200.852, o qual passará a ser integrado com os itens III e IV do presente voto, bem como com a seguinte ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados IPI Período de apuração: 01/01/2002 a 31/03/2002 Ementa: RECEITA DE EXPORTAÇÃO: INCLUSÃO PRODUTOS ADQUIRIDOS DE TERCEIROS E EXPORTADOS. Não há vedação expressa na Lei para que seja desconsiderado no cômputo da receita bruta de exportação a venda para o exterior e para empresa comercial exportadora de mercadorias nacionais adquiridas de terceiros. CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. AQUISIÇÃO DE INSUMOS PERANTE PESSOAS FÍSICAS. POSSIBILIDADE DE APROVEITAMENTO DO CRÉDITO. PRECEDENTE VINCULATIVO DO STJ A restrição imposta pela IN/SRF n. 23/97 para fins de fruição de crédito presumido do IPI é indevida, sendo admissível o creditamento também na hipótese de aquisição de insumos de pessoas físicas e/ou cooperativas. Precedente do STJ retratado no REsp n. 993.164, julgado sob o rito de recursos repetitivos, apto, portanto, para vincular este Tribunal Administrativo, nos termos do art. 62, §2° do RICARF. CORREÇÃO DE CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI PELA SELIC. PRECEDENTE DO STJ JULGADO SOB O RITO DE RECURSO REPETITIVO. Segundo precedente vinculante do STJ (REsp n. 035.847/RS) é passível de correção pela SELIC o crédito presumido de IPI, correção essa que deverá incidir no dia seguinte ao do protocolo do pedido de ressarcimento. Recurso voluntário provido. 31. É como voto. (assinado digitalmente) Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados IPI Anocalendário: 2006. RESSARCIMENTO DE IPI. CORREÇÃO. TAXA SELIC. A postergação do uso do crédito por parte do fisco, seja em razão da oposição de ato estatal, seja em razão da mora na apreciação do pedido, rende ensejo à correção do valor ressarcido pela taxa Selic, a partir da data de protocolo do pedido. Precedente do STJ RESP 1.035.847, julgado na sistemática do art. 543C do CPC. Recurso provido." (Número do Processo: 13854.000113/9711; Contribuinte: COINBRAFRUTESP S.A.; Tipo do Recurso: RECURSO VOLUNTÁRIO; Data da Sessão: 11/12/2014; Relator: ANTONIO CARLOS ATULIM; Nº Acórdão: 3403003.460). Fl. 427DF CARF MF Processo nº 10950.002204/200270 Acórdão n.º 3402006.236 S3C4T2 Fl. 256 13 Diego Diniz Ribeiro. Voto Vencedor Conselheira Thais De Laurentiis Galkowicz, Redatora Designada Com a devida vênia, ouso divergir do Ilustre relator no que tange ao conhecimento dos embargos inominados, mais especificamente sobre a sua tempestividade. Isto porque, ao meu sentir, o silêncio do Regimento Interno deste Conselho (Portaria MF n. 343, de 9 de junho de 2015, com as alterações que lhe sucederam RICARF) a respeito do prazo para a oposição dos referidos embargos não deve ser visto como uma lacuna a ser integrada pela disciplina do Código de Processo Civil, como propõe o relator. A ausência do prazo para a apresentação dos embargos inominados é, isto sim, uma opção legislativa, que se coaduna com a função desse instrumento e com a sua regulamentação dentro do processo administrativo fiscal. Explico. Vejamos o teor do artigo 66 do RICARF, que disciplina os embargos inominados: Art. 66. As alegações de inexatidões materiais devidas a lapso manifesto e os erros de escrita ou de cálculo existentes na decisão, provocados pelos legitimados para opor embargos, deverão ser recebidos como embargos inominados para correção, mediante a prolação de um novo acórdão. Do texto supra transcrito constatase que, pelos embargos inominados, o que se busca é a correção de inexatidão material, devida a lapso manifesto, e de erros de escrita ou de cálculo. Portanto, tratase de instrumento para correção questões objetivas, sobre as quais não pairam dúvidas. Até a edição do Decreto nº 7.574, de 2011, tais correções podiam ser promovidas por meio de despacho do Presidente da Câmara. Entretanto, após a edição do referido Decreto, que em seu artigo 67 determina que as inexatidões materiais deverão ser corrigidas "mediante a prolação de um novo acórdão", houve uma integração ao conteúdo dos artigos 31 e 32 do Decreto 70.235/72 (sabidamente, disciplinador processo administrativo fiscal), devendo ser prolatado novo julgamento pelo Colegiado para a correção dos referidos pontos. Ou seja, os embargos inominados tem função bastante singela e específica, nunca podendo ser manejados como forma de rever o quanto decidido pelo acórdão embargado. Quotidianamente vemos a utilização dos embargos inominados pra os fins que lhe são próprios no CARF, como a adequação da ementa ao conteúdo do acórdão; a correção de determinados números que foram objeto de erros de digitação; dentre outros. Dentro desse contexto, aparece o já citado artigo 32 do Decreto 70.235/72, o qual estabelece : Fl. 428DF CARF MF 14 Art. 32. As inexatidões materiais devidas a lapso manifesto e os erros de escrita ou de cálculos existentes na decisão poderão ser corrigidos de ofício ou a requerimento do sujeito passivo Assim, os "erros crassos" em acórdãos do CARF (inexatidões materiais devidas a lapso manifesto e os erros de escrita ou de cálculos existentes na decisão), que são justamente aqueles abarcados pelos embargos inominados, podem ser corrigidos de ofício. Isto quer dizer que tais vícios, pela sua natureza, merecem ser corrigidos a qualquer tempo, como ocorre com toda questão que possa ser de ofício aventada e solucionada processualmente. Vêse que a situação descrita não se assemelha àquela relativa aos embargos de declaração (artigo 65 do RICARF), cuja função é totalmente diversa (solucionar problemas de acórdão contendo obscuridade, omissão ou contradição entre a decisão e os seus fundamentos, ou for omitido ponto sobre o qual deveria pronunciarse a turma, potencialmente com efeitos infringentes), e, por isso, possuem prazo específico de apresentação (de cinco dias, conforme o §1º do artigo 65 do RICARF). Pois bem. No presente caso o que se busca é a utilização dos embargos inominados justamente para um dos fins a que se destina: sanar inexatidões materiais constatadas nos autos, uma vez que o teor da ementa consigna conteúdo diverso do que fora decidido pelo Colegiado e, ainda, porque tal decisão carece de voto vencedor apto a retratar a sessão de julgamento em que a decisão foi proferida. Dessarte, tais problemas, apesar de terem necessariamente que ser objeto de novo acórdão (artigo 67 do Decreto nº 7.574/2011), podem ser solucionados de ofício, conforme determina o artigo 32 do Decreto 70.235/72 e, por conseguinte, não há que se falar em utilização de prazo para tanto. Afinal, como acima exposto, o prazo de cinco dias aplicase unicamente aos embargos de declaração (artigo 65, §1º do RICARF). Não por outra razão, inclusive, que o próprio relator acabou, de ofício, conhecendo e solucionando os problemas apresentados pelos embargos inominados, por meio de voto com o qual coaduno integralmente (itens II, III e IV do voto acima). Por essas razões, voto no sentido de conhecer os embargos inominados, uma vez que não há que se falar em intempestividade in casu. (assinado digitalmente) Thais De Laurentiis Galkowicz. Fl. 429DF CARF MF
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Numero do processo: 13116.902498/2011-52
Turma: Terceira Turma Extraordinária da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 12 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Mon Apr 01 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2004
PER/DCOMP. COMPROVAÇÃO DA LIQUIDEZ E CERTEZA.
O procedimento de apuração do direito creditório não prescinde comprovação inequívoca da liquidez e da certeza do valor de direito creditório pleiteado.
INEXATIDÃO MATERIAL.
Somente podem ser corrigidas de ofício ou a pedido as informações declaradas no caso de verificada a circunstância objetiva de inexatidão material e congruentes com os demais dados constantes nos registros internos da RFB.
Numero da decisão: 1003-000.498
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Carmen Ferreira Saraiva Relatora e Presidente
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carmen Ferreira Saraiva (Presidente), Bárbara Santos Guedes e Mauritânia Elvira de Sousa Mendonça. Ausente justificadamente o Conselheiro Wilson Kazumi Nakayama.
Nome do relator: CARMEN FERREIRA SARAIVA
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2004 PER/DCOMP. COMPROVAÇÃO DA LIQUIDEZ E CERTEZA. O procedimento de apuração do direito creditório não prescinde comprovação inequívoca da liquidez e da certeza do valor de direito creditório pleiteado. INEXATIDÃO MATERIAL. Somente podem ser corrigidas de ofício ou a pedido as informações declaradas no caso de verificada a circunstância objetiva de inexatidão material e congruentes com os demais dados constantes nos registros internos da RFB. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Carmen Ferreira Saraiva – Relatora e Presidente Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carmen Ferreira Saraiva (Presidente), Bárbara Santos Guedes e Mauritânia Elvira de Sousa Mendonça. Ausente justificadamente o Conselheiro Wilson Kazumi Nakayama. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 11 6. 90 24 98 /2 01 1- 52 Fl. 135DF CARF MF Processo nº 13116.902498/201152 Acórdão n.º 1003000.498 S1C0T3 Fl. 136 2 A Recorrente formalizou o Pedido de Ressarcimento ou Restituição/Declaração de Compensação (Per/DComp) nº 40096.16468.050307.1.2.042020, em 05.03.2007, efls. 6870, utilizandose do crédito relativo ao pagamento a maior de Imposto de Renda Pessoa Jurídica (IRPJ), código 0220, do segundo trimestre do anocalendário de 2004 no valor de R$390,26 recolhido em 22.03.2005 apurado pelo regime de tributação com base no lucro real, para compensação dos débitos ali confessados. Consta no Despacho Decisório Eletrônico, efl. 576, que as informações relativas ao reconhecimento do direito creditório foram analisadas das quais se concluiu pelo indeferimento do pedido: Valor do crédito pleiteado do PER/DCOMP: 390,26 A partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP acima identificado foram localizados um ou mais pagamentos abaixo relacionados, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para restituição. [...] Diante da inexistência do crédito, INDEFIRO o Pedido de Restituição. Enquadramento Legal: Art. 165 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 (CTN). Cientificada, a Recorrente apresentou a manifestação de inconformidade. Está registrado na ementa do Acórdão da 3ª Turma/DRJ/REC/PE nº 1144.466, de 20.12.2013, efls. 7579: PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. REQUISITOS. A certeza e a liquidez dos créditos são requisitos indispensáveis para a restituição autorizada por lei. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. UTILIZAÇÃO INTEGRAL. RESTITUIÇÃO INDEFERIDA. Mantémse o despacho decisório que indeferiu o pedido de restituição quando constatado que o recolhimento indicado como fonte de crédito foi integralmente utilizado na quitação de débito confessado em DCTF. IRPJ. RESTITUIÇÃO INDEFERIDA. PARCELAMENTO EM ANDAMENTO. É vedada a restituição de recolhimentos relativos a crédito tributário incluído em processo de parcelamento em andamento, por faltarlhes os atributos de certeza e liquidez. Manifestação de Inconformidade Improcedente Notificada em 16.06.2014, efl. 130, a Recorrente apresentou o recurso voluntário em 15.07.2014, efls. 81129, esclarecendo a peça atende aos pressupostos de admissibilidade. Discorre sobre o procedimento fiscal contra o qual se insurge. Relativamente aos fatos aduz que: Fl. 136DF CARF MF Processo nº 13116.902498/201152 Acórdão n.º 1003000.498 S1C0T3 Fl. 137 3 III DO DIREITO DO PRINCÍPIO DA VERDADE MATERIAL No processo administrativo, o julgador deve sempre buscar a verdade material dos. fatos, ainda que, para isso, tenha que se valer de outros elementos além. daqueles trazidos aos autos pelos interessados. A busca pela verdade deve funcionar como verdadeiro norte do processo administrativo, de modo que a autoridade administrativa competente deve sempre sopesar os dados contidos nos autos e a realidade aplicável ao caso, podendo e devendo buscar todos os elementos que possam influir seu convencimento. [...] Como se vê, em decorrência do principio da verdade material, corolário do processo administrativo, temse que o julgador não pode se ater aos dados contidos nos autos, devendo utilizar de todos os meios possíveis e ilícitos para alcançar a verdade dos fatos. No presente caso, em que pese a PER/DCOMP ter vinculado DARF utilizado para pagamento de débito devidamente declarado em DCTF, tal pagamento ocorreu quando já havia iniciado fiscalização na empresa Recorrente, motivo pelo qual o auditor autuante não considerou o pagamento efetivado, sob argumento de falta de espontaneidade. Assim, o i. auditor fiscal autuante [...] lavrou auto de infração para a cobrança do Imposto de Renda da Pessoa Jurídica IRPJ e Contribuição Social sobre o lucro Liquido CSSL, abarcando os valores objeto da DCTF retificadora apresentada em 09/01/2006. Ora, ilustres julgadores! Se os valores objeto da presente PER/DCOMP tivessem sido integralmente vinculados e utilizados para pagamento do débito confessado em DCTF, como aduzido [...] no julgamento do manifesto de inconformidade, qual a necessidade de se lavrar auto de infração para cobrança destes mesmos valores? É fato certo e notório que os valores utilizados para pagamento do débito confessado em DCTF não foram considerados pelo fiscal autuante. O próprio Termo de Verificação Fiscal deixa claro tal fato ao enunciar que "Devese ressaltar que durante os trabalhos fiscais foram efetuados alguns pagamentos pela contribuinte de IRPJ e CSLL, até então em atraso. Esses pagamentos não foram considerados quando da lavratura do auto de infração, em razão de a contribuinte estar sob procedimento fiscal, portanto, sujeita ao lançamento da multa de oficio. Esses valores poderão ser objeto de pedido de compensação com os valores lançados" [...]. Todavia, não obstante a realidade existente (auto de infração para cobrança dos valores declarados em DCTF retificadora, por não considerar os pagamentos efetuados), a Delegacia da Receita Federal do Brasil não se valeu do princípio da verdade material, se atendo ao simples fato de que o crédito reclamado na PER estava vinculado a débito confessado em DCTF, sem considerar o auto de infração lavrado para cobrança destes valores. Ocorre que o princípio da verdade material é corolário do processo administrativo, devendo ser amplamente observado, sob pena de afronta às disposições legais. Desta maneira, considerando que os pagamentos vinculados aos débitos confessados em DCTF foram objeto de autuação, e devendo a Administração Fl. 137DF CARF MF Processo nº 13116.902498/201152 Acórdão n.º 1003000.498 S1C0T3 Fl. 138 4 Pública valerse do princípio da verdade material, temse que o pedido de compensação merece ser homologado, devendo ser reformada a decisão que indeferiu tal pedido. DA INEXISTÊNCIA DE PRESCRIÇÃO A ilustre julgadora, em citação totalmente fora de contexto, uma vez que em nenhum momento argumentou a respeito da existência de prescrição do direito de pleitear a restituição; citou o artigo 165 e 168, ambos do Código Tributário Nacional, que trata sobre o prazo prescricional. [...] Da data do pagamento indevido até a data de transmissão do pedido de restituição/compensação, decorreu o lapso temporal inferior a 02 (dois) anos. Considerando que nos termos do artigo 168, do CTN, o direito de pleitear a restituição extinguese com o decurso do prazo de 05 (cinco) anos, contados da data da extinção do crédito tributário, em caso de pagamento indevido ou a maior, evidente que o crédito objeto do presente pedido de compensação não se encontra abarcado pela prescrição, uma vez que da data da extinção do crédito tributário [...] até a data do pedido de restituição [...], decorreu lapso temporal bem inferior ao prazo limítrofe de 05 (cinco) anos. Assim, temse que não há o que falar em prescrição do direito de se pleitear a restituição do crédito tributário pago indevidamente. DA CONSISTÊNCIA DO PEDIDO DE COMPENSAÇÃO DO CRÉDITO ORA PLEITEADO COM O DÉBITO INDICADO NA PER/DCOMP O acórdão [...] aduziu que para que o sujeito passivo postule a restituição ou a compensação de tributos, é necessário que seu direito seja líquido e certo, decorrente de crédito tributário por ele comprovadamente extinto em montante indevido ou a maior que o devido è que o parcelamento de débitos não constitui modalidade de extinção do crédito tributário e sim de suspensão. Ainda, afirmou que o crédito que se quer restituir tem origem em recolhimentos que são relativos ao mesmo crédito tributário constante de processo de parcelamento excepcional PAEX em andamento, resultando, daí, que, por não estar o crédito tributário extinto (liquidado), não se lhe reconhece a certeza e liquidez necessárias à pretendida restituição. Por fim, disse que a orientação passada pelo fiscal autuante foi de que os valores poderiam ser objeto de pedido de compensação com os valores lançados, razão pelo qual os pagamentos efetuados deveriam ser objeto de compensação com os valores lançados de oficio. Logo, a autoridade a quo não pode reconhecer crédito algum, porque não sendo líquido e certo o crédito contra a Fazenda Pública, não pode ser postulada sua restituição. Tais argumentos são desprovidos de razão, motivo pelo qual não merecem prosperar. Primeiramente cumpre sa salientar que os argumentos lançados pela i. Julgadora/Relatora são contraditórios. Num primeiro momento aduz que o recolhimento fora integralmente vinculado a débito confessado em DCTF, motivo pelo qual restou inexistente o crédito reclamado na PER. Num segundo momento, aduz de forma contrária, reconhecendo que o crédito que se quer restituir tem origem em recolhimentos que são relativos ao mesmo crédito tributário constante de processo de parcelamento excepcional PAEX em andamento. Todavia, aduz que por Fl. 138DF CARF MF Processo nº 13116.902498/201152 Acórdão n.º 1003000.498 S1C0T3 Fl. 139 5 não estar o crédito tributário extinto (liquidado), não se reconhece a certeza e a liquidez necessárias à pretendida restituição, uma vez que o parcelamento é causa de suspensão da exigibilidade do crédito tributário, e não de extinção. Ora! Razão não assiste a Julgadora Tributária. Em que pese o parcelamento ser causa de suspensão da exigibilidade do crédito tributário, e ainda estar em vigência, tal fato não pode ser motivo para o indeferimento do presente pedido. E assim o é porque, em que pese serem relativos ao mesmo tributo, os créditos objeto do pedido de compensação não foram considerados pelo auditor fiscal autuante, tendo sido lavrado auto de infração que está sendo pago através de parcelamento. Ou seja, tratase de hipóteses distintas, uma vez que o próprio fiscal autuante não considerou os pagamentos efetuados através do DARF, motivo pelo qual não poderiam ser utilizados para pagamento do débito objeto de autuação, e, muito menos, sua compensação com outros débitos ser condicionada ao término do parcelamento. Se o fiscal autuante, no momento da lavratura do auto de infração, não considerou os pagamentos realizados através dos DARF's, autuando a Recorrente pelo não pagamento do tributo, tais pagamentos não poderiam ser utilizados para pagamento do auto de infração. Se os pagamentos realizados através de DARF pudessem ser utilizados para pagamento do débito objeto de fiscalização, o i. auditor fiscal autuante deveria considerar os pagamentos realizados, lavrando auto de infração somente em relação à multa e aos juros, pela não consideração da espontaneidade do pagamento. Ou então, o próprio fisco, no momento da consolidação do débito do Parcelamento Excepcional PAEX, deveria abater o valor dos pagamentos efetuados por meio de DARF's. E se assim não o fez, não pode o Julgador Tributário, ao analisar os pedidos de compensação, condicionar o deferimento da PER/DCOMP ao término do parcelamento, uma vez que ps créditos objeto da PER não foram dados como garantia do parcelamento, até mesmo porque a lei não exige tal garantia, sendo que, em caso de não pagamento das parcelas, o Fisco deve se valer de outros meios legais de cobrança. Ora, ilustres julgadores! Qual outra conduta possível que a Recorrente deveria se valer a não ser o pedido de compensação? O pagamento indevido ocorreu, uma vez que os pagamentos efetivados não foram considerados pelo fiscal autuante e sequer abatidos no momento do parcelamento. Logo, não haveria outra conduta a ser realizada pela Recorrente a não ser valerse do pedido de compensação. E condicionar o deferimento deste pedido ao término do parcelamento, fadaria o crédito à ocorrência de prescrição. Ademais, em pesquisa ao site da Receita Federal do Brasil, no campo perguntas e respostas, constatouse que não podem ser objeto de compensação efetuada pelo sujeito passivo o débito que já tenha sido encaminhado à PGFN para inscrição em Dívida Ativa da União; e o débito consolidado em qualquer modalidade de parcelamento concedido pela RFB. Fl. 139DF CARF MF Processo nº 13116.902498/201152 Acórdão n.º 1003000.498 S1C0T3 Fl. 140 6 Ou seja, como o débito objeto do auto de infração lavrado em desfavor da Recorrente foi parcelado, tendo o débito sido consolidado, não pode ser objeto de compensação. Além disso, o argumento da Julgadora Tributária no sentido de que os pagamentos efetuados deveriam ser objeto de compensação. Com os valores lançados de oficio, em razão da orientação repassada ao contribuinte pelo autuante, não merece prosperar. E assim o é porque no Termo de Verificação Fiscal o fiscal autuante tão somente consignou que os valores poderiam ser objeto de pedido de compensação com os valores lançados. Tal fato não pode induzir o Julgador Tributário à conclusão que chegou de que os pagamentos deveriam ter sido objeto de compensação com os valores lançados de oficio, sendo incluídos no processo de parcelamento. O fato de o fiscal autuante ter facultado a possibilidade de compensação com os débitos lançados, não obrigada o contribuinte a agir de tal maneira, conforme afirma o julgador tributário. A compensação com os valores lançados seria uma faculdade do contribuinte, que pode se valer ou não desta prerrogativa, de acordo com o seu interesse. E por ter a Recorrente aderido ao Parcelamento Excepcional PAEX, para quitação dos débitos, achou por bem compensar os créditos oriundos do pagamento indevido realizado por meio de DARF's com outros débitos que não os lançados, exercendo sua faculdade de compensar os créditos com os débitos que entendeu adequado. Assim, resta evidente que o condicionamento estabelecido pelo i. Julgador Tributário, de deferimento do pedido de compensação ao término do parcelamento é indevido, merecendo ser reformada a r. decisão recorrida, uma vez que a compensação dos pagamentos efetuados com os valores lançados de oficio era mera faculdade do contribuinte, que por ter aderido ao PAEX, entendeu compensar os créditos devidos com outros débitos que não os lançados de oficio. Por fim, cumpre esclarecer, que condicionar o deferimento do pedido de compensação com o término do parcelamento, fere direito líquido e certo da Recorrente.em ter restituído/compensado débito pago indevidamente, uma vez que esperar o término do parcelamento para poder requerer a compensação certamente fará com o direito de compensação esteja prescrito, em total afronta à legislação pátria vigente. DA EXISTÊNCIA DE DECISÃO TOTALMENTE DIFERENTE DA R. RECORRIDA EM RELAÇÃO AO MESMO CASO DOS AUTOS Como visto anteriormente, foram objeto de fiscalização e posterior autuação os seguintes tributos: CSSL e IRPJ. O caminho trilhado em relação aos dois tributos foi o mesmo, qual seja: o contribuinte efetuou o pagamento através de DARF's, sendo que o pagamento não foi considerado pelo auditor fiscal autuante sob o argumento de falta de espontaneidade, uma vez que os pagamentos ocorreram quando já havia iniciado o procedimento fiscalizatório. Em razão de o fiscal autuante não ter considerado os pagamentos efetivados por meio dos DARF's, a Recorrente transmitiu Pedido de Ressarcimento ou Restituição' e Declaração de Compensação PER/DCOMP, para compensar os pagamentos não acolhidos pelo auditor fiscal autuante com outros débitos, uma vez Fl. 140DF CARF MF Processo nº 13116.902498/201152 Acórdão n.º 1003000.498 S1C0T3 Fl. 141 7 que o débito objeto do auto de infração lavrado em seu desfavor fora parcelado através da adesão ao Parcelamento Excepcional PAEX. Em primeira.análise, os pedidos de compensação foram indeferidos, sendo proferido despacho decisório de não homologação de compensação, sob o argumento de que o pagamento foi integralmente utilizado para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação do débito informado na declaração. Inconformado com a decisão, a Recorrente apresentou manifestação de inconformidade em relação a todos os pedidos de compensação, sendo que parte dos manifestos foram encaminhados para julgamento à 4ª Turma DRJ/BSB e outra parte à 3ª Turma da DRJ/REC. Os manifestos de inconformidade encaminhados para julgamento à 3ª Turma da DRJ/REC tiveram o destino delineado anteriormente, cujas argumentos são refutados no presente recurso, em razão do seu indeferimento. Já os manifestos de inconformidade encaminhados para julgamento à 4ª Turma DRJ/BSB, teve caminho totalmente diverso, com a procedência do pedido sob o argumento de que: como afirma o contribuinte, o Auditor Fiscal, ao apurar a diferença entre o valor escriturado e o declarado/pago, deixou de deduzir o valor pago e declarado pela interessada em DCTF retificadora. Em razão disto, resta claro que a empresa recolheu indevidamente e tem direito de repetição do indébito, pois a autuação já contemplou no lançamento de oficio aquele valor. a compensação pode ser homologada até o limite daquele crédito, tendo em vista que comprovada nos autos a existência de crédito do sujeito passivo contra a Fazenda Nacional para absorver o débito tributário. por fim, aduz que a compensação de créditos tributários (débitos do contribuinte) pode ser efetuada com crédito liquido e certo do sujeito passivo, que é o caso dos autos, motivo pelo qual julgou procedente a manifestação de inconformidade formulada, reconhecendo o crédito do sujeito passivo, homologando a compensação até o limite daquele crédito, nos termos da legislação de regência. Como se vê, em relação ao mesmo caso, alguns manifestos de inconformidade teve destino totalmente diverso, sendo julgados procedentes, em total atenção à realidade ocorrida nos autos, por restar liquido e certo o direito da Recorrente à compensação. Portanto, temse que, no presente caso, devese dado o mesmo tratamento dispensado aos pedidos de compensação julgados pela 4ª Turma DRJ/BSB, com o julgamento de procedência do presente Recurso Voluntário, pela existência de direito líquido e certo da Recorrente à compensação e por ser medida da mais lidime justiça. Com o objetivo de fundamentar as razões apresentadas na peça de defesa, interpreta a legislação pertinente, indica princípios constitucionais que supostamente foram violados e faz referência a entendimentos doutrinários e jurisprudenciais em seu favor. Concernente ao pedido expõe que: IV DO PEDIDO Por todo o exposto, requer: Fl. 141DF CARF MF Processo nº 13116.902498/201152 Acórdão n.º 1003000.498 S1C0T3 Fl. 142 8 a) Que seja recebido e processado o presente RECURSO VOLUNTÁRIO, reconhecendo a existência de crédito e anulando a r. decisão recorrida que não homologou as compensações efetivadas, uma vez que devidamente comprovada a existência do crédito; b) a homologação do pedido de compensação realizado através de PER/DCOMP, pelos próprios e jurídicos fundamentos deste Recurso; c) a juntada dos documentos (PER/DCOMP, DCTF, DARF, auto de infração, Termo de Verificação Fiscal e comprovante de parcelamento) ora anexados; d) o cadastramento do Advogado MÁRCIO EMRICH GUIMARÃES LEÃO. OAB/GO 19.964, para o recebimento das intimações provenientes destes autos, no endereço constante do rodapé desta; e) Pugna, ainda, pela juntada posterior de documentos que reputar pertinentes. É o Relatório. Voto Conselheira Carmen Ferreira Saraiva, Relatora O recurso voluntário apresentado pela Recorrente atende aos requisitos de admissibilidade previstos nas normas de regência, em especial no Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972. Assim, dele tomo conhecimento. A Recorrente solicita a realização de todos os meios de prova. Sobre a matéria, vale esclarecer que no presente caso se aplicam as disposições do processo administrativo fiscal que estabelece que a peça de defesa deve ser formalizada por escrito incluindo todas as teses e instruída com os todos documentos em que se fundamentar, precluindo o direito de a Recorrente praticar este ato e apresentar novas razões em outro momento processual, salvo a ocorrência de quaisquer das circunstâncias ali previstas, tais como fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior, refirase a fato ou a direito superveniente ou se destine a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos1. Embora lhe fossem oferecidas várias oportunidades no curso do processo, a Recorrente não apresentou a comprovação inequívoca de quaisquer fatos que tenham correlação com as situações excepcionadas pela legislação de regência. A realização desses meios probantes é prescindível, uma vez que os elementos probatórios produzidos por meios lícitos constantes nos autos são suficientes para a solução do litígio. A justificativa arguida pela defendente, por essa razão, não se comprova. Os argumentos atinentes ao Auto de Infração formalizado no processo nº 13116.000427/200656, efls. 3853 e 133134, devem ser ali tratados (art. 142 do Código Tributário Nacional e art. 11 do Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972). A Recorrente não instaurou no tempo, no lugar e na forma própria a fase litigiosa no procedimento (art. 14 do 1 Fundamentação legal: art. 16 do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972. Fl. 142DF CARF MF Processo nº 13116.902498/201152 Acórdão n.º 1003000.498 S1C0T3 Fl. 143 9 Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972), que se encontra no ARQUIVO DEL REC FED EM ANAPOLISGO desde 29.07.2010. Ocorre que o contencioso do lançamento de ofício não pode ser inaugurado nos presentes autos, que trata do Per/DComp, cujo rito está previsto no art. 74 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996. No que se refere as alegações pertinentes ao parcelamento formalizado nos processos nºs 18208.001246/200712, 18208.001247/200767 e 18208.001248/200710, efls. 5455, vale ressaltar que cabe a autoridade preparadora da unidade de origem de circunscrição da Recorrente analisar a matéria, nos termos do art. 270 do Anexo I do Regimento Interno da Secretaria da Receita Federal do Brasil RFB, aprovado pela Portaria MF nº 430, de 09 de outubro de 2017. Ademais, o referido processo encontrase no SETOR PROC ELETRÔNICO REFIS DRF ANA GO desde 01.06.2007, efl. 132. Para fins de esclarecimento vale discriminar os débitos de IRPJ objeto de parcelamento, efls. 5455, e aqueles que foram lançados, conforme o Auto de Infração, efls. 3853: Período de Apuração Débitos de IRPJ Parcelamento Valores Originais R$ Débitos de IRPJ Auto de Infração Valores Originais R$ 1º Trimestre de 2001 18.072,18 44.628,47 2º Trimestre de 2001 28.040,19 28.040,19 3º Trimestre de 2001 66.039,94 66.039,94 4º Trimestre de 2001 1º Trimestre de 2002 2º Trimestre de 2002 580,97 580,97 3º Trimestre de 2002 771,22 771,22 4º Trimestre de 2002 1º Trimestre de 2003 3.302,68 2º Trimestre de 2003 3.082,22 3º Trimestre de 2003 2.139,94 4º Trimestre de 2003 11.034,07 60.936,80 1º Trimestre de 2004 4.667,85 107.022,23 31.119,06 107.022,23 2º Trimestre de 2004 95.700,78 3.456,45 23.043,00 95.700,78 3º Trimestre de 2004 1.016,43 1.016,43 4º Trimestre de 2004 O Auto de Infração foi lavrado em 2006 e somente em 2007 a Recorrente efetuou a adesão ao parcelamento e como visto nem todos os débitos de IRPJ lançados no Auto de Infração foram parcelados. Relativamente ao pedido de cadastramento do patrono para o recebimento das intimações provenientes destes autos, temse que consta no enunciado da Súmula CARF nº 110 que "no processo administrativo fiscal, é incabível a intimação dirigida ao endereço de advogado do sujeito passivo". Por conseguinte, o pleito da Recorrente não pode ser deferido, uma vez que "as decisões reiteradas e uniformes do CARF serão consubstanciadas em súmula de observância obrigatória pelos membros do CARF (art. 72 do Anexo II do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 09 de junho de 2015). Fl. 143DF CARF MF Processo nº 13116.902498/201152 Acórdão n.º 1003000.498 S1C0T3 Fl. 144 10 No caso de prescrição da repetição de indébito em relação aos tributos sujeitos ao lançamento por homologação, o termo de início da contagem do prazo prescricional de 5 (cinco) anos começa a fluir a partir da data do pagamento indevido (art. 165 e art. 168 do Código Tributário Nacional e Lei Complementar nº 118, de 9 de fevereiro de 2005). Verifica se que não houve o transcurso do prazo prescricional, haja vista que a Recorrente formalizou o Per/DComp em 05.03.2007, efls. 6870, utilizandose do crédito relativo ao pagamento a maior de IRPJ, código 0220, do segundo trimestre do anocalendário de 2004 no valor de R$390,26 recolhido em 22.03.2005. No que tange ao resultado do julgamento em outro procedimento, vale ressaltar que a cada processo autônomo, como é o caso dos presentes autos, prevalece o princípio da persuasão racional mediante o qual a autoridade julgadora forma livremente sua convicção na apreciação da prova (art. 29 do Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972). A Recorrente discorda do procedimento fiscal. O sujeito passivo que apurar crédito relativo a tributo administrado pela RFB, passível de restituição, pode utilizálo na compensação de débitos. A partir de 01.10.2002, a compensação somente pode ser efetivada por meio de declaração e com créditos e débitos próprios, que ficam extintos sob condição resolutória de sua ulterior homologação. Também os pedidos pendentes de apreciação foram equiparados a declaração de compensação, retroagindo à data do protocolo. Posteriormente, ou seja, em de 30.12.2003, ficou estabelecido que a Per/DComp constitui confissão de dívida e instrumento hábil e suficiente para a exigência dos débitos indevidamente compensados, bem como que o prazo para homologação tácita da compensação declarada é de cinco anos, contados da data da sua entrega. Ademais, o procedimento se submete ao rito do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, inclusive para os efeitos do inciso III do art. 151 do Código Tributário Nacional. 2. O pressuposto é de que a pessoa jurídica deve manter os registros de todos os ganhos e rendimentos, qualquer que seja a denominação que lhes seja dada independentemente da natureza, da espécie ou da existência de título ou contrato escrito, bastando que decorram de ato ou negócio. A escrituração mantida com observância das disposições legais faz prova a favor dela dos fatos nela registrados e comprovados por documentos hábeis, segundo sua natureza, ou assim definidos em preceitos legais3. Instaurada a fase litigiosa do procedimento, a Recorrente deve detalhar os motivos de fato e de direito em que se basear expondo de forma minuciosa os pontos de discordância e suas razões e instruindo a peça de defesa com prova documental préconstituída imprescindível à comprovação das matérias suscitadas. Por seu turno, a autoridade julgadora, orientandose pelo princípio da verdade material na apreciação da prova, deve formar 2 Fundamentação legal: art. 165, art. 168, art. 170 e art. 170A do Códido Tributário Nacional, art. 9º do Decreto Lei nº 1.598, de 26 de dezembro de 1977, 1º e art. 2º, art. 51 e art. 74 da Lei nº 9.430, de 26 de dezembro de 1996, art. 49 da Lei nº 10.637, de 30 de dezembro de 2002 e art. 17 da Lei nº 10.833, de 29 de dezembro de 2003. 3 Fundamentação legal : art. 195 do Código Tributário Nacional, art. 51 da Lei nº 7.450, de 23 de dezembro de 1985, art. 6º e art. 9º do DecretoLei nº 1.598, de 26 de dezembro de 1977, art. 37 da Lei nº 8.981, de 20 de novembro de 1995, art. 6º e art. 24 da Lei nº 9.249, de 26 de dezembro de 1995 e art. 1º e art. 2º da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996. Fl. 144DF CARF MF Processo nº 13116.902498/201152 Acórdão n.º 1003000.498 S1C0T3 Fl. 145 11 livremente sua convicção mediante a persuasão racional decidindo com base nos elementos existentes no processo e nos meios de prova em direito admitidos. Os diplomas normativos de regências da matéria, quais sejam o art. 170 do Código Tributário Nacional e o art. 74 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, deixam clara a necessidade da existência de direto creditório líquido e certo no momento da apresentação do Per/DComp, hipótese em que o débito confessado encontrarseia extinto sob condição resolutória da ulterior homologação. Apenas nas situações comprovadas de inexatidões materiais devidas a lapso manifesto e erros de escrita ou de cálculos podem ser corrigidas de ofício ou a requerimento da Requerente. O erro de fato é aquele que se situa no conhecimento e compreensão das características da situação fática tais como inexatidões materiais devidas a lapso manifesto e os erros de escrita ou de cálculos. A Administração Tributária tem o poder/dever de revisar de ofício o procedimento quando se comprove erro de fato quanto a qualquer elemento definido na legislação tributária como sendo de declaração obrigatória. A este poder/dever corresponde o direito de a Recorrente retificar e ver retificada de ofício a informação fornecida com erro de fato, desde que devidamente comprovado. O conceito de erro material apenas abrange a inexatidão quanto a aspectos objetivos, não resultantes de entendimento jurídico, como um cálculo errado, a ausência de palavras, a digitação errônea, e hipóteses similares. Somente podem ser corrigidas de ofício ou a pedido as informações declaradas no caso de verificada a circunstância objetiva de inexatidão material e congruentes com os demais dados constantes nos registros internos da RFB (art. 32 do Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972 e incisos I e III do art. 145 e inciso IV do art. 149 do Código Tributário Nacional). Por inexatidão material entendemse os pequenos erros involuntários, desvinculados da vontade do agente, cuja correção não inove o teor do ato formalizado, tais como a escrita errônea, o equívoco de datas, os erros ortográficos e de digitação. Diferentemente o erro de direito, que não é escusável, diz respeito à norma jurídica disciplinadora e aos parâmetros previstos nas normas de regência da matéria. Cabe a Recorrente produzir o conjunto probatório nos autos de suas alegações, já que o procedimento de apuração do direito creditório não prescinde comprovação inequívoca da liquidez e da certeza do valor de direito creditório pleiteado. Para que haja o reconhecimento do direito creditório é necessário um cuidadoso exame do pagamento a maior de tributo, uma vez que é absolutamente essencial verificar a precisão dos dados informados em todos os livros de escrituração obrigatórios por legislação fiscal específica bem como os documentos e demais papéis que serviram de base para escrituração comercial e fiscal 4. Conforme determinam os §§ 1º e 3º do art. 9º do DecretoLei nº 1.598, de 26 de dezembro de 1977, a escrituração mantida com observância das disposições legais faz prova a favor do sujeito passivo dos fatos nela registrados e comprovados por documentos hábeis, segundo sua natureza, ou assim definidos em preceitos legais, exceto nos casos em que a lei, por disposição especial, atribua a ele o ônus da prova de fatos registrados na sua escrituração. 4 Fundamentação legal: art. 170 do Código Tributário Nacional, art. 34 da Lei nº 8.981, de 20 de janeiro de 1995 e art. 2º da Lei nº 9.430, 27 de dezembro de 1996. Fl. 145DF CARF MF Processo nº 13116.902498/201152 Acórdão n.º 1003000.498 S1C0T3 Fl. 146 12 A Recorrente tem o ônus de instruir os autos com documentos hábeis e idôneos que justifiquem a retificação das informações retificadas. Nesse sentido também vale ressaltar o disposto no art. o art. 195 do Código Tributário Nacional e o art. 4º do DecretoLei nº 486, de 03 de março de 1969, que preveem, em última análise, "que os livros obrigatórios de escrituração comercial e fiscal e os comprovantes dos lançamentos neles efetuados serão conservados até que ocorra a prescrição dos créditos tributários decorrentes das operações a que se refiram." No presente caso, a partir das características do DARF discriminado no Per/DComp foi identificada a integral alocação integralmente para quitação de débito da Recorrente, não restando crédito disponível para restituição. Verificase que os dados presumidamente errados não podem ser considerados, pois não foram produzidos no processo elementos de prova que evidenciem as alegações da Recorrente (§ 1º do art. 147 do Código Tributário Nacional e 4º do art. 16 do Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972). Logo, não foram carreados aos autos pela Recorrente os elementos essenciais a produzir um conjunto probatório robusto dos argumentos contidos no recurso voluntário. Consta no Acórdão da 3ª Turma/DRJ/REC/PE nº 1144.466, de 20.12.2013, efls. 7579, cujos fundamentos de fato e direito são acolhidos de plano nessa segunda instância de julgamento (art. 50 da Lei nº 9.784, de 29 de janeiro de 1999): Conforme relatado, a DRF constatou a existência do pagamento, todavia observou que o recolhimento fora integralmente vinculado a débito confessado em DCTF. Assim, restou inexistente o crédito reclamado no PER, razão pela qual foi indeferido o pedido de restituição. Alega a inconformada que efetuou pagamento indevido do IRPJ, que restou evidenciado seu crédito, por ocasião da autuação efetuada e relativa ao ano calendário 2004, quando realizou, durante o procedimento fiscal, os recolhimentos listados no quadro à fl. 03, que não foram considerados pelo autuante em razão do procedimento de fiscalização em andamento e, consequente ausência de espontaneidade. Afirma ainda, que os valores lançados de ofício através do Auto de Infração lavrado foram incluídos em processo de parcelamento em 14/09/2006, valores divididos em 120 parcelas, o que comprova com o extrato PAEX fls. 54/55. [...] Como se observa, para que o sujeito passivo postule a restituição ou a compensação de tributos, é necessário que seu direito seja líquido e certo, decorrente de crédito tributário por ele comprovadamente extinto em montante indevido ou a maior que o devido. Por outro lado, sabese que o parcelamento de débitos não constitui modalidade de extinção do crédito tributário, e sim de suspensão, nos termos dos arts. 151 e 156 do CTN, adiante transcritos: [...] No caso concreto, conforme se relatou, o contribuinte pleiteia restituição de recolhimentos do IRPJ relativos ao mesmo tributo e mesmo período de apuração incluído em processo de parcelamento que se encontra em andamento na DRF de sua jurisdição, ou seja, o crédito que se quer restituir tem origem em recolhimentos que são relativos ao mesmo crédito tributário constante de processo de parcelamento excepcional PAEX em andamento, resultando daí que, por não estar o crédito Fl. 146DF CARF MF Processo nº 13116.902498/201152 Acórdão n.º 1003000.498 S1C0T3 Fl. 147 13 tributário extinto (liquidado), não se lhe reconhece a certeza e liquidez necessárias à pretendida restituição. Por fim, transcrevese a seguir orientação repassada ao contribuinte pelo autuante no Termo de Verificação Fiscal cuja, cópia foi trazida pela inconformada, fl. 53: “Devese ressaltar que durante os trabalhos fiscais foram efetuados alguns pagamentos pela contribuinte de IRPJ e CSLL, até então em atraso. Esses pagamentos não foram considerados quando da lavratura do auto de infração, em razão de a contribuinte estar sob procedimento fiscal, portanto, sujeita ao lançamento da multa de ofício. Esses valores poderão ser objeto de pedido de compensação com os valores lançados” Portanto, os pagamentos efetuados deveriam ser objeto de compensação com os valores lançados de ofício, na realidade, deveriam ter sido incluídos no processo de parcelamento, a pedido do interessado, para apuração do montante a parcelar, se não o foram, só após extinção do montante parcelado, é que poderão ser restituídos ou compensados com outros débitos a critério do contribuinte. Assim, não poderia a autoridade a quo reconhecer crédito algum para a interessada, porque não sendo líquido e certo o crédito contra a Fazenda Pública, não pode ser postulada sua restituição, nos termos do art. 170 do CTN). No que concerne à interpretação da legislação e aos entendimentos doutrinários e jurisprudenciais, cabe esclarecer que somente devem ser observados os atos para os quais a lei atribua eficácia normativa, o que não se aplica ao presente caso, nos termos do art. 100 do Código Tributário Nacional. Atinente aos princípios constitucionais, cabe ressaltar que o CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária, uma vez que no âmbito do processo administrativo fiscal, fica vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade5. Temse que nos estritos termos legais o procedimento fiscal está correto, conforme o princípio da legalidade a que o agente público está vinculado (art. 37 da Constituição Federal, art. 116 da Lei nº 8.112, de 11 de dezembro de 1990, art. 2º da Lei nº 9.784, de 29 de janeiro de 1999, art. 26A do Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972 e art. 62 do Anexo II do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 09 de julho de 2015). Em assim sucedendo, voto em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Carmen Ferreira Saraiva 5 Fundamentação legal: art. 26A do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, art. 62 do Anexo II do Regimento Interno do CARF e Súmula CARF nº 2. Fl. 147DF CARF MF
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Numero do processo: 13896.902988/2013-81
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jan 22 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Thu Mar 07 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Exercício: 2010
PROVA DE CRÉDITO. ÔNUS DO CONTRIBUINTE
Apesar de ser ônus do contribuinte apresentar a prova de seu crédito, não tendo entendido ser suficiente a prova apresentada e a sendo em momento posterior, deve ser considerada tendo em vista o diálogo com a decisão recorrida.
Numero da decisão: 1401-003.091
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Luiz Augusto de Souza Gonçalves - Presidente.
(assinado digitalmente)
Letícia Domingues Costa Braga - Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Augusto de Souza Gonçalves (Presidente), Mauritania Elvira de Sousa Mendonça (suplente convocada), Luciana Yoshihara Arcângelo Zanin, Daniel Ribeiro Silva, Abel Nunes de Oliveira Neto, Letícia Domingues Costa Braga, Cláudio de Andrade Camerano e Carlos André Soares Nogueira.
Nome do relator: LETICIA DOMINGUES COSTA BRAGA
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Exercício: 2010 PROVA DE CRÉDITO. ÔNUS DO CONTRIBUINTE Apesar de ser ônus do contribuinte apresentar a prova de seu crédito, não tendo entendido ser suficiente a prova apresentada e a sendo em momento posterior, deve ser considerada tendo em vista o diálogo com a decisão recorrida. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Luiz Augusto de Souza Gonçalves Presidente. (assinado digitalmente) Letícia Domingues Costa Braga Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Augusto de Souza Gonçalves (Presidente), Mauritania Elvira de Sousa Mendonça (suplente convocada), Luciana Yoshihara Arcângelo Zanin, Daniel Ribeiro Silva, Abel Nunes de Oliveira Neto, Letícia Domingues Costa Braga, Cláudio de Andrade Camerano e Carlos André Soares Nogueira. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 89 6. 90 29 88 /2 01 3- 81 Fl. 174DF CARF MF 2 Relatório Adoto como relatório, aquele da decisão de primeira instância, complementando a seguir: A interessada acima qualificada apresentou a Declaração de Compensação – PER/DCOMP nº 36183.13284.280113.1.3.045965, por meio da qual compensou crédito do IRPJ, do período de apuração de 30/09/2010, com os débitos relacionados (R$17.368,09). O crédito informado, no valor original na data da transmissão de R$ 214.096,49, seria decorrente de pagamento a maior relativo ao DARF no valor de R$ 1.274.717,78, recolhido em 29/10/2010. É importante ressaltar que este crédito já foi solicitado no PER/Dcomp nº 19677.42385.310111.1.3.049030 analisado no processo nº 13896.902986/201391. Por meio do Despacho Decisório Eletrônico a Autoridade Competente resolveu NÃO HOMOLOGAR a compensação se fundamentando no fato de o DARF informado já ter sido integralmente utilizado para quitação de débitos da contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. De acordo com a decisão, o valor original total de R$ 1.274.717,78 já havia sido utilizado para quitar débito do código 2362 (período de apuração 30/09/2010) no mesmo valor, não restando crédito passível de compensação. A contribuinte apresentou manifestação de inconformidade alegando o seguinte: Alega que confessou indevidamente em DCTF o valor de R$ 1.214.717,78 relativo ao IRPJ de setembro de 2010. Ressalta que em sua DIPJ consta a apuração correta do IRPJ deste período no valor de R$ 1.060.621,29. Também destaca que retificou a DCTF entregue com equívoco. Nestes termos, requereu que fosse acolhida a sua impugnação para homologar a compensação requerida. Quando da decisão da instância primeva restou decidido conforme ementa abaixo pela inviabilidade do reconhecimento do crédito: ASSUNTO: IMPOSTO DE RENDA PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2010 PER/DCOMP. ERRO DE FATO. NÃO COMPROVAÇÃO. LIQUIDEZ E CERTEZA. Não comprovado o erro de fato no preenchimento da DCTF, com base em documentos hábeis e idôneos, não há que se acatar a DIPJ para fins de comprovar a liquidez e certeza do crédito oferecido para a compensação com os débitos indicados na PER/DCOMP eletrônica. ESPONTANEIDADE O primeiro ato por escrito de servidor competente, cientificando o sujeito passivo da obrigação tributária, Fl. 175DF CARF MF Processo nº 13896.902988/201381 Acórdão n.º 1401003.091 S1C4T1 Fl. 175 3 implica a perda da espontaneidade para retificar as declarações apresentadas. RETIFICAÇÃO DE DECLARAÇÃO A retificação da declaração por iniciativa do próprio declarante, quando vise a reduzir ou a excluir tributo, só é admissível mediante comprovação do erro em que se funde, e antes de notificado o lançamento. COMPENSAÇÃO. REQUISITOS. A certeza e a liquidez dos créditos são requisitos indispensáveis para a compensação autorizada por lei. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido. Apresentou a contribuinte o competente recurso onde apresentou suas razões e juntou mais provas. Este é o relatório Voto Conselheira Relatora Letícia Domingues Costa Braga O recurso é tempestivo e preenche os demais requisitos legais e, portanto dele conheço. Com relação ao alegado crédito de R$214.096,49 apesar de não ter sido apresentado quando da manifestação de inconformidade toda a DIPJ comprovandose assim o erro na DCTF anteriormente informada, certo é que apresentou a contribuinte quando da interposição do recurso a esse Conselho a documentação capaz de comprovar o seu direito. Quanto à espontaneidade para a retificação da DCTF, observo que a Lei não trata de despacho decisório como prazo para a retificação, sendo certo que o prazo coincide com a homologação da decisão, conforme IN 1.110/2010 da própria Receita: Art. 9º (...) § 5º O direito de o contribuinte pleitear a retificação da DCTF extinguese em 5 (cinco) anos contados a partir do 1 º (primeiro) dia do exercício seguinte ao qual se refere a declaração.” Assim, dialogando com a decisão, providenciou a recorrente as provas capazes de demonstrar que faz jus ao crédito original de R$214.096,58, relativo ao pagamento a maior de IRPJ em setembro de 2010. Fl. 176DF CARF MF 4 Não considerar a prova juntada em sede de recurso seria permitir o enriquecimento ilícito do Estado e, ainda, abarrotar o judiciário com celeumas que podem ser resolvidas administrativamente. Ademais, apesar de a legislação explicitar que deve o contribuinte demonstrar seu direito liquido e certo, tendo sido retificada a DCTF após a PERDCOMP, deveria ter a contribuinte juntado aos autos quando da manifestação de inconformidade tal comprovação. Contudo, pelo princípio da verdade material e considerando que restou devidamente comprovado o direito, creio que em alguns casos pode ser relativizado o prazo da apresentação das provas. Isso porque, o regramento do instituto da preclusão visa estabelecer uma ordem no sistema processual com a finalidade de atingir um desempenho satisfatoriamente célere e ordenado. Contudo, se generalizado, por puro formalismo, acaba sendo aplicado de forma exagerada. É sabido que, por vezes, a ausência de um ato no limite temporal aprazado pode levar o julgador a proferir uma decisão de forma definitiva, ocasionando a perda de direito a um julgamento justo na esfera administrativa. Assim, para uma correta e adequada decisão no contencioso administrativo fiscal o julgador deve se utilizar de todos os meios de provas disponíveis ou colocadas a disposição, não deixando de recebêlas em razão de não terem sido apresentadas no momento da instrução do processo. A produção probatória que acontece em momento posterior a instrução do processo administrativo pode ser de ordem complementar àquelas provas apresentadas anteriormente, o que ocorreu no caso em análise. Em qualquer caso, a baliza temporal não deve impedir ou dificultar o exercício do direito no que se refere aos princípios da verdade material, do contraditório e da ampla defesa, pois a nova prova foi apresentada para suprir as alegações da decisão de primeira instância, tendo o contribuinte apresentadoas na primeira oportunidade. Assim, devidamente demonstrado que teria a contribuinte o direito ao crédito e, ainda, sendo esse suficiente para compensar o valor deR$17.368,09 deve ser provido o recurso. Conclusão Pelo acima exposto, conduzo meu voto o sentido de dar provimento ao recurso para reconhecer o direito creditório e homologar a compensação do PER/DCOMP nº 36183.13284.280113.1.3.045965 no limite do crédito reconhecido. (assinado digitalmente) Letícia Domingues Costa Braga Fl. 177DF CARF MF
score : 1.0
