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Numero do processo: 10980.016660/2008-35
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Sep 23 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed Oct 29 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2002, 2003, 2004, 2005
RECURSO DE OFÍCIO. PRESUNÇÃO LEGAL DE OMISSÃO DE RECEITAS. APREENSÃO DE TÍTULOS DE CRÉDITO E DINHEIRO EM ESPÉCIE.
Não se amolda às hipóteses de presunção legal de omissão de receitas, versada no artigo 42 da Lei nº 9.430/96, a mera apreensão de títulos de crédito em poder do contribuinte, devendo o Fisco, neste caso, comprovar a efetiva materialidade tributável das parcelas alegadamente omitidas, Recurso de Ofício ao qual se nega provimento.
Numero da decisão: 1301-001.645
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros da 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Primeira Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso de ofício.
(assinado digitalmente)
Valmar Fonseca de Menezes
Presidente
(assinado digitalmente)
Edwal Casoni de Paula Fernandes Junior
Relator
Participaram do julgamento os Conselheiros: Valmar Fonseca de Menezes, Wilson Fernandes Guimarães, Paulo Jakson da Silva Lucas, Valmir Sandri, Edwal Casoni de Paula Fernandes Junior e Carlos Augusto de Andrade Jenier.
Nome do relator: EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR
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Recorrente Fazenda Nacional Recorrida Dourada Corretora de Câmbio Ltda ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2002, 2003, 2004, 2005 RECURSO DE OFÍCIO. PRESUNÇÃO LEGAL DE OMISSÃO DE RECEITAS. APREENSÃO DE TÍTULOS DE CRÉDITO E DINHEIRO EM ESPÉCIE. Não se amolda às hipóteses de presunção legal de omissão de receitas, versada no artigo 42 da Lei nº 9.430/96, a mera apreensão de títulos de crédito em poder do contribuinte, devendo o Fisco, neste caso, comprovar a efetiva materialidade tributável das parcelas alegadamente omitidas, Recurso de Ofício ao qual se nega provimento. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Primeira Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso de ofício. (assinado digitalmente) Valmar Fonseca de Menezes Presidente (assinado digitalmente) Edwal Casoni de Paula Fernandes Junior Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 98 0. 01 66 60 /2 00 8- 35 Fl. 2533DF CARF MF Impresso em 29/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/10/2014 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalm ente em 10/10/2014 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalmente em 22/10/2014 p or VALMAR FONSECA DE MENEZES 2 Participaram do julgamento os Conselheiros: Valmar Fonseca de Menezes, Wilson Fernandes Guimarães, Paulo Jakson da Silva Lucas, Valmir Sandri, Edwal Casoni de Paula Fernandes Junior e Carlos Augusto de Andrade Jenier. Relatório Tratase de análise de Recurso de Ofício. Com efeito, esta Turma Julgadora, em decisão de minha relatoria proferiu o acórdão de folhas 2.434 a 2.444, dando parcial provimento ao Recurso Voluntário. Este enfrentamento tem, portanto, a finalidade de suprir a omissão na apreciação por esta Câmara, passando à análise material do Recurso de Ofício. Para os fins de nortear a pretendida apreciação, reproduzo abaixo o relatório que fiz por ocasião do julgamento do Recurso Voluntário. [...] Versa o processo administrativo em análise, acerca de autos infração relativos ao Imposto de Renda Pessoa Jurídica (fls. 1571 1583), à Contribuição para o PIS/PASEP (fls. 1.584 1.595), à Contribuição para Financiamento da Seguridade Social (fls. 1.596 1.607), e à Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (fls. 1.608 1.618). Os referidos autos de infração decorreu das constatações inseridas no âmbito do Termo de Verificação e Encerramento (fls. 1.619 1.644), no qual se detalhou os fatos e circunstâncias relevantes, bem como os fundamentos pelos quais a Fiscalização se convenceu da prática do cometimento de infrações fiscais. Verificase que a fiscal em comento foi deflagrada pelo recebimento de Ofício (fls. 15 06), pelo qual o Poder Judiciário comunicava a existência de indícios da prática de ilícitos fiscais, o compartilhamento das provas colhidas nos autos criminais e encaminhava diversos documentos, incluindo cópia do recebimento da Denúncia, e de depoimentos colhidos na fase inquisitorial. A Fiscalização solicitou e obteve vistas e cópia dos autos da Ação Penal e após diversas intimações para a prestação de esclarecimentos, e os correspondentes pronunciamentos por parte da fiscalizada, o Fisco se convenceu da prática das infrações assim descritas no campo próprio do auto de infração: I – OMISSÃO DE RECEITAS — RECEITAS NÃO CONTABILIZADAS: Fl. 2534DF CARF MF Impresso em 29/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/10/2014 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalm ente em 10/10/2014 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalmente em 22/10/2014 p or VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 10980.016660/200835 Acórdão n.º 1301001.645 S1C3T1 Fl. 3 3 2 – OMISSÃO DE RECEITAS — DEPÓSITOS BANCÁRIOS NÃO CONTABILIZADOS: 3 – OMISSAÃO DE RECEITAS PAGAMENTOS EFETUADOS COM RECURSOS ESTRANHOS À CONTABILIDADE; 4 – ADIÇÕES NÃO COMPUTADAS NA APURAÇÃO DO LUCRO REAL – REALIZAÇÃO DA RESERVA DE REAVALIAÇÃO NÃO ADICIONADAS AO LUCRO LÍQUIDO: 5 – ADIÇOES NÃO COMPUTADAS NA APURAÇÃO DO LUCRO REAL – LICRO INFLACIONÁRIO REALIZADO – REALIZAÇÃO MÍNIMA. Devidamente cientificada do lançamento (fl. 1.578), a recorrente apresentou Impugnação (fls. 1.6621.695), alegando em síntese, a nulidade do auto de infração pela utilização de provas ilícitas, consistentes em interceptações telefônicas, aduzindo para tanto que a fiscalização teve acesso a reproduções de trechos de interceptações telefônicas o que jamais foi autorizado pelo Poder Judiciário, e que tal fato tornaria nulas as provas e todo o procedimento, porquanto as conclusões da fiscalização estariam todas construídas a partir desses elementos de prova ilícita. Sustentou ainda a ausência de provas dos atos afirmados pela fiscalização — Autuação com base em indícios e presunções — ofensas à estrita legalidade e defendeu que o lançamento se baseia, quando muito, em indícios e provas indiretas, acrescentando que não foram realizadas diligências perante os emitentes das notas promissórias ou dos cheques apreendidos. tendentes a averiguar o motivo pelo qual os documentos se encontravam em sua posse. Apontou o que seriam contradições no Termo de Verificação Fiscal, e afirmou que a conclusão de que as contas TORAN seriam de sua titularidade e que o sr. Nabi agiria sob o manto da pessoa jurídica, careceria de qualquer embasamento probatório, porquanto a fiscalização baseouse unicamente em dois documentos, o laudo da perícia técnica da Policia Federal de folhas 138 a 148 e o documento chamado 'Contact 0563' de folha 830. Seguiu arrazoando a ausência de provas de que seja responsável pelas aludidas contas adicionando que as provas estão a indicar que os valores nelas depositados pertenciam a terceiros e que ainda que restasse provada sua responsabilidade sobre as contas, a jurisprudência tanto judicial quanto administrativa — seria pacífica no sentido de ser ilegítimo o lançamento do imposto de renda arbitrado com base apenas em extratos ou depósitos bancários, a teor da Súmula 182 do extinto Tribunal Federal de Recursos. Afirmou ainda, no tocante à glosa de Omissão de Receitas — Apreensão de cheques, Notas Promissórias e Dinheiro em Espécie (TIFs OS a 12)— Item 5.2 do TVF, que a fiscalização concluiu ter havido omissão de receitas pela pessoa jurídica, em razão da apreensão de cheques, notas promissórias e dinheiro em espécie em seu estabelecimento, qualificando como contraditória tal conclusão, argumentando que, ao mesmo tempo em que se afirma que a recorrente teria realizado operações de empréstimo de dinheiro e remessa de Fl. 2535DF CARF MF Impresso em 29/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/10/2014 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalm ente em 10/10/2014 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalmente em 22/10/2014 p or VALMAR FONSECA DE MENEZES 4 dinheiro de clientes ao exterior, concluiu que os valores integrais das notas promissórias, cheques e dinheiro em espécie encontrados em sua sede seriam receitas próprias. Afirmou ser evidente a nulidade do auto de infração, seja pelo equívoco na eleição do sujeito passivo, seja por não terem sido realizadas diligências junto aos emitentes dos cheques e notas promissórias para averiguar sua origem, e também se os valores respectivos realmente representavam receita sua. Adicionando que tal apreensão representa mero indício, insuficiente para ensejar sua autuação. Quanto aos cheques apreendidos, afirmou que estes não representavam recebíveis seus, mas que a fiscalização entendeu o contrário, chegando a concluir que um cheque de dez mil euros, sem assinatura do emitente, representaria receita sua, enfatizando que caberia à fiscalização diligenciar junto aos emitentes dos cheques para certificarse a que título lhe foram entregues, o que não ocorreu, tornando inafastável a conclusão de que a autuação se assenta em meros indícios. Afirmou, no mais, que os cheques foram entregues em confiança ao Sr. Nabi Mellen pelos respectivos credores e serviam como forma de garantia dada pelos emitentes a terceiros, em negociações muitas vezes intermediadas pelo Sr. Nabi, como sinal de que os cheques não representavam recebíveis, aduzindo que não haviam sido depositados, apesar de muitos apresentarem datas de emissão bastante antigas e que muitos dos cheques considerados como receitas omitidas já estavam prescritos. Quanto às Notas Promissórias apreendidas, reitera a alegação de que o Fisco deveria diligenciar em face dos emitentes das notas promissórias. Argumentou que a nota promissória representa mera promessa de pagamento e que sua posse não induz à conclusão de que seu titular tenha disponibilidade econômica ou jurídica sobre os valores nela representados. Aduziu que foi considerada omissão de receita nota promissória que sequer foi assinada pelo suposto devedor. Na sequência, teceu considerações individualizadas a diversas notas promissórias, concluindo que nenhuma delas foi sacada em seu favor e que muitas foram sacadas há mais de cinco anos da data da lavratura do auto de infração, o que implicaria a decadência do direito do respectivo lançamento bem como se teria relacionado notas promissórias em duplicidade e algumas que sequer foram assinadas pelos emitentes, ou que não apresentam o nome do devedor ou do credor, ou a data do vencimento não havendo prova do pagamento das notas promissórias, a evidenciar que a recorrente ou seus sócios não tiveram disponibilidade econômica ou jurídica dos valores nelas estampados. Quanto ao dinheiro apreendido, afirmou que o fato de ter sido apreendido dinheiro em sua sede e nas residências de familiares de seus sócios não representa prova de omissão de receita, enfatizando que valores encontrados em outros locais que não sua sede não podem levar à conclusão de que se trata de receita omitida da pessoa jurídica, reconhecendo que os valores pertencentes aos familiares e o saldo que estava contabilizado não foram considerados receita omitida, mas reclama que valores comprovadamente pertencentes a Luiz Fernando Araújo Costa o foram, argumentando também Fl. 2536DF CARF MF Impresso em 29/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/10/2014 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalm ente em 10/10/2014 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalmente em 22/10/2014 p or VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 10980.016660/200835 Acórdão n.º 1301001.645 S1C3T1 Fl. 4 5 que as importâncias de R$ 554.125,00 e R$ 493.416,24 se referem a cheques, mas foram consideradas, equivocadamente, como dinheiro apreendido. Em relação à considerada omissão de receita decorrente de “Pagamento não contabilizado”, sustentou a recorrente, reportandose ao documento que constou do item E do TVF 008, que se trata de possível cópia de email apócrifo no qual, embora se faça referência a um Sr. Nabi, a dita operação não teria envolvido a impugnante nem seu representante legal. Tratando da glosa atinente à “capitalização da reserva de reavaliação”, a recorrente contestou o entendimento da fiscalização e discorreu sobre alterações sofridas pela legislação de regência, que implicariam diferimento da tributação. Por fim, quanto à “realização mínima do lucro inflacionário”, sustentou que o auto de infração aponta corno base legal apenas o RIR, que seria um decreto, e não lei em sentido estrito. Também suscita a decadência, afirmando que o art. 8º da Lei nº 9.065/95 prevê a realização mensal do lucro inflacionário, afirmando que o lucro inflacionário não se subsume ao conceito de renda, descrito no art. 43 do CTN. A 1ª Turma da DRJ em Curitiba/PR, nos termos do acórdão e voto de folhas 1.762 a 1.781, julgou o lançamento parcialmente procedente, assentando para tanto, no tocante às alegadas nulidades, que o mero fato de existirem nos autos cópias de folhas de processo penal contendo resumos de conversações telefônicas interceptadas com autorização judicial não enseja a nulidade do lançamento, se este não estiver fundamentado em tais provas, como se deu no caso concreto. Em suma, a DRJ em Curitiba/PR, manteve em parte o auto de infração, afastando os casos pontuais de duplicidade, falta de assinatura dos títulos e demais questões formais que se verificou. Ciente da decisão parcialmente desfavorável (fl. 1.792), a contribuinte interpôs Recurso Voluntário (fls. 1.793 – 1.820), insistindo na nulidade da autuação, porquanto lastreada em provas ilícitas, já que a Fiscalização teve acesso às interceptações telefônicas, reputando que a autuação careceria de motivação. Reiterou que não haveria provas de que a recorrente seria responsável pelas indicadas contas mantidas no exterior e que os depoimentos dos sócios e responsáveis seriam igualmente imprestáveis para tais conclusões, eis que derivados das provas obtidas de maneira nula. Insistiu que o laudo técnico emitido pela Polícia Federal (fls. 138 – 148), não seria conclusivo para embasar a autuação, afirmando ainda, haver claro erro na identificação do sujeito passivo, pois não se teria demonstrado que os valores glosados pertenciam à Dourada, de sorte que não havendo prova da titularidade dos recursos, não seria aplicável a presunção constante no artigo 42 da Lei nº 9.430/96. Fl. 2537DF CARF MF Impresso em 29/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/10/2014 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalm ente em 10/10/2014 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalmente em 22/10/2014 p or VALMAR FONSECA DE MENEZES 6 Quanto aos cheques, duplicatas e dinheiro em espécie apreendidos, reiterou os argumentos já relatados, inclusive fazendo detida refutação de modo individualizado para cada título glosado. Por fim, requereu a reforma da decisão recorrida e a improcedência dos lançamentos. [...] O Acórdão proferido por este Colegiado (fls. 2.434 a 2.444), apreciando tão somente o Recurso Voluntário, ficou assim ementado: [...] PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. NULIDADE. INTERCEPTAÇÕES TELEFÔNICAS. O mero fato de existirem nos autos cópias de folhas de processo penal contendo resumos de conversações telefônicas interceptadas com autorização judicial não enseja a nulidade do lançamento, se este não estiver fundamentado em tais provas. DEPÓSITO EM CONTA BANCÁRIA ABERTA NO EXTERIOR EM NOME DE OFF SHORE. A instituição financeira nacional que realize em suas dependências e com sua estrutura operacional – operações financeiras clandestinas mediante conta aberta por seus diretores em banco no exterior em nome de empresa off shore, responde pelo movimento dessa conta, devendo comprovar a origem dos recursos nela depositados, sob pena de caracterizarem receitas omitidas por força de presunção legal expressa. APREENSÃO DE TÍTULOS DE CRÉDITO E DINHEIRO EM ESPÉCIE.OMISSÃO DE RECEITAS.NÃO CARACTERIZAÇÃO. A mera apreensão de títulos de crédito e dinheiro em espécie não caracteriza omissão de receitas. [...] Remanesce agora, como já anotado alhures, o enfretamento da parcela exonerada pela DRJ, que compreendeu alguns títulos de crédito por imperfeições formais. É o relatório. Fl. 2538DF CARF MF Impresso em 29/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/10/2014 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalm ente em 10/10/2014 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalmente em 22/10/2014 p or VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 10980.016660/200835 Acórdão n.º 1301001.645 S1C3T1 Fl. 5 7 Voto Conselheiro Edwal Casoni de Paula Fernandes Jr., Relator. O Recurso de Ofício atende aos pressupostos legais e regimentais. Admitoo para julgamento. A questão da omissão no enfretamento do Recurso de Ofício, se não se justifica, ao menos se compreende pela extensão e alcance do que foi decidido no Recurso Voluntário. Verificase que a parcela exonerada pela decisão recorrida, objeto do Recurso de Ofício aqui apreciado, se deu no tópico atienente à imputação de omissão de receitas apuradas com base em títulos de crédito e dinheiro em espécie apreendidos no estabelecimento da contribuinte ou em posse dos seus sócios, não em relação à imputação propriamente dita, mas sim no tocante aos títulos apreendidos que não conteriam assinaturas dos sacados, data de vencimento ou outros defeitos formais. A decisão que apreciou o Recurso Voluntário, por seu turno, entendeu que toda e qualquer apreensão contida naquele item da autuação seria indevida, logo, abarcou também o objeto que havia sido exonerado pela decisão da DRJ. Confirase o que dispôsse na apreciação do Recurso Voluntário: [...] Na ordem dos argumentos veiculados pela recorrente, convém o enfretamento da parcela da autuação relacionada à apreensão dos cheques na sede da recorrente, em relação aos quais, entende a contribuinte ser igualmente nula a autuação, situação que pelos mesmo argumentos, afasto por completo, e em relação aos quais, falo dos cheques, a decisão recorrida julgou improcedente a autuação em relação aos títulos que não estavam assinados, excluindo da autuação a importância de R$ 35.270,10, lançada no mês de janeiro de 2005. Assenta a recorrente, na mesma ordem das ideias invocadas na impugnação, que os cheques apreendidos não se traduzem em omissão de receitas, porquanto a mera posse do título de crédito não representa a titularidade da disponibilidade econômica, cumprindo ao fisco diligenciar perante cada emitente e verificar origem dos títulos em questão. Abstraindo, neste momento, as considerações casuísticas de cada título de crédito apreendido, e sem prejuízo de considerar devidamente comprovada a titularidade da recorrente em relação às contas bancárias mantidas no exterior, entendo que a parcela da autuação atinente aos títulos de crédito e dinheiro em espécie apreendidos merece ser cancelada. Muito embora se depreenda do presente processo que a recorrente atuou de forma duvidosa no desempenho de suas atividades, não se pode perder de vista que o presente processo versa autuação por omissão de receitas, estas Fl. 2539DF CARF MF Impresso em 29/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/10/2014 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalm ente em 10/10/2014 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalmente em 22/10/2014 p or VALMAR FONSECA DE MENEZES 8 consideradas, no tópico em análise, pela mera apreensão de títulos de crédito e dinheiro em espécie na sede da empresa recorrente. Ora, sabidamente tais apreensões não indicam, por si só, ter havido omissão de receita tributável, e em situação oposta aos depósitos bancários de origem não comprovada, analisados no item precedente, não se tem para a hipótese de apreensão de títulos de crédito e dinheiro em espécie, qualquer presunção legal que desobrigue o fisco de comprovar a materialidade tributável da receita considerada omitida. Reafirmo, portanto, que a independer da análise casuística de cada título de crédito (cheques ou duplicatas), e mesmo de sua natureza jurídica de “ordem de pagamento a vista” ou cártula representativa de conteúdo econômico, é fato que a fiscalização não demonstrou (i) que tais títulos representam receita da recorrente (ii) e que representando receita não foram oferecidos à tributação. Seguramente a obrigação tributária está adstrita à legalidade, e ausentes os elementos capazes de indicar que a recorrente auferiu aquelas receitas e que as omitiu, não se pode considerar que a mera posse, por ocasião da apreensão, de títulos cambiários induza à presunção de disponibilidade econômica ou jurídica sobre os valores neles representados, estando correta a contribuinte ao concluir que os princípios que regem o direito cambiário em nada interferem nessa conclusão. Assento em conclusão, portanto, que a despeito de a recorrente explorar as atividades de intermediação de operações de câmbio e outras expressamente autorizadas, em conjunto, pelo Banco Central do Brasil e pela Comissão de Valores Mobiliários (alínea "s” da Cláusula Terceira do Contrato Social, reproduzido fl. 1.483) e mesmo de manter, comprovadamente, atividades no mercado clandestino de moeda estrangeira (principalmente na modalidade "Cabo”) conforme depoimentos pessoais acostados às folhas 103 a 137, a fiscalização não está autorizada (por lei) a presumir que a posse de títulos de crédito e dinheiro em espécie implique na omissão de receitas. Nem mesmo a considerada atividade de empréstimo de dinheiro, que a recorrente não afasta a constatação de tal prática que fora confessada pelo próprio Sr. Nabi Kernmel Mellem (fls. 111) e corroborada pelo sócio Rafael Augusto Formighieri Mellen (fls. 119) autorizam esta presunção. Por certo não se desconhece que a decisão recorrida ao fundamentar a prevalência de tais glosas o fez de forma a apresentar os fundamentos que resultariam na omissão de receitas, no entanto, data maxima venia, daquele órgão julgador, não me parece suficiente, para indicação de omissão de receitas, elucubrar que não seria crível que a recorrente tivesse em seu poder tantos títulos sem qualquer conteúdo econômico. Ainda que não seja crível, como de fato não é, a circunstância de tais títulos terem conteúdo econômico e serem oponíveis ao sacado, não é fato que por si só indique que tais valores (i) eram receita da recorrente e (ii) que estas receitas são tributáveis e foram omitidas. [...] Fl. 2540DF CARF MF Impresso em 29/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/10/2014 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalm ente em 10/10/2014 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalmente em 22/10/2014 p or VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 10980.016660/200835 Acórdão n.º 1301001.645 S1C3T1 Fl. 6 9 Tratandose de omissão de receita, portanto, não me parece indício suficiente a existência de títulos de crédito em favor da contribuinte, de sorte que, por carecer de comprovação da materialidade tributável, deve ser reformada a decisão recorrida para os fins de afastar a glosa que contemple omissão de receitas com base em títulos de crédito e dinheiro em espécie apreendidos. [...] Ora, se a decisão da DRJ reconheceu que haveria omissão de receitas indicadas por tais elementos apreendidos, afastando apenas aqueles que apresentavam imperfeições formais, e a conclusão desta Turma foi de que todo o item era improcedente, a fortiori o eram, improcedentes, aqueles que a DRJ afastou, impondose assim o desprovimento do Recurso de Ofício. Sala das Sessões, em 23 de setembro de 2014 (assinado digitalmente) Edwal Casoni de Paula Fernandes Jr. Fl. 2541DF CARF MF Impresso em 29/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/10/2014 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalm ente em 10/10/2014 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalmente em 22/10/2014 p or VALMAR FONSECA DE MENEZES
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Numero do processo: 13971.720638/2011-96
Turma: Primeira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Nov 04 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed Nov 12 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural - ITR
Exercício: 2008
CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. ARBITRAMENTO DO VALOR DA TERRA NUA (VTN) COM BASE NOS DADOS DO SIPT. INOCORRÊNCIA.
Sempre que o contribuinte, regularmente intimado, não apresente laudo técnico que comprove o VTN declarado, legítimo o arbitramento efetuado pelo fisco com base nas informações contidas no Sistema de Preços de Terras da Secretaria da Receita Federal - SIPT, alimentado com os valores de terras e demais dados recebidos das Secretarias de Agricultura ou entidades correlatas.
Nesse caso, descabe a argüição de cerceamento de direito de defesa, uma vez que os critérios adotados pelo fisco estão previstos na própria legislação que rege a matéria.
VALOR DA TERRA NUA (VTN). ARBITRAMENTO. IMPROCEDÊNCIA.
A falta dos elementos de prova indispensáveis à comprovação do ilícito dá ensejo à improcedência da infração imputada ao interessado.
ÁREA DE RESERVA LEGAL. AVERBAÇÃO DE TERMO DE COMPROMISSO COM EFEITOS ASSEMELHADOS.
Quando a averbação de Termo de Preservação de Floresta com o órgão ambiental, ainda que não formalmente intitulada de reserva legal, impuser à área restrições típicas daquelas previstas para a reserva legal, caracteriza-se como de utilização limitada e deve ser aceita sua exclusão da área tributável.
MULTA OFÍCIO. INCIDÊNCIA.
Em se tratando de crédito tributário apurado em procedimento de ofício, impõe-se a aplicação da multa de ofício prevista no art. 44 da Lei no 9.430/1996.
JUROS MORATÓRIOS. TAXA SELIC. APLICAÇÃO.
A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC para títulos federais. (Súmula CARF nº 4)
ARGÜIÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE.
O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária (Súmula CARF nº 2).
Preliminar Rejeitada.
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 2801-003.800
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar a preliminar suscitada e, no mérito, dar provimento parcial ao recurso para considerar a área de 120,07 ha de área de utilização limitada e restabelecer o Valor da Terra Nua - VTN declarado, nos termos do voto da Relatora.
Assinado digitalmente
Tânia Mara Paschoalin - Presidente e Relatora.
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Tânia Mara Paschoalin, José Valdemir da Silva, Flavio Araujo Rodrigues Torres, Carlos César Quadros Pierre, Marcelo Vasconcelos de Almeida e Marcio Henrique Sales Parada.
Nome do relator: TANIA MARA PASCHOALIN
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ARBITRAMENTO DO VALOR DA TERRA NUA (VTN) COM BASE NOS DADOS DO SIPT. INOCORRÊNCIA. Sempre que o contribuinte, regularmente intimado, não apresente laudo técnico que comprove o VTN declarado, legítimo o arbitramento efetuado pelo fisco com base nas informações contidas no Sistema de Preços de Terras da Secretaria da Receita Federal SIPT, alimentado com os valores de terras e demais dados recebidos das Secretarias de Agricultura ou entidades correlatas. Nesse caso, descabe a argüição de cerceamento de direito de defesa, uma vez que os critérios adotados pelo fisco estão previstos na própria legislação que rege a matéria. VALOR DA TERRA NUA (VTN). ARBITRAMENTO. IMPROCEDÊNCIA. A falta dos elementos de prova indispensáveis à comprovação do ilícito dá ensejo à improcedência da infração imputada ao interessado. ÁREA DE RESERVA LEGAL. AVERBAÇÃO DE TERMO DE COMPROMISSO COM EFEITOS ASSEMELHADOS. Quando a averbação de Termo de Preservação de Floresta com o órgão ambiental, ainda que não formalmente intitulada de reserva legal, impuser à área restrições típicas daquelas previstas para a reserva legal, caracterizase como de utilização limitada e deve ser aceita sua exclusão da área tributável. MULTA OFÍCIO. INCIDÊNCIA. Em se tratando de crédito tributário apurado em procedimento de ofício, impõese a aplicação da multa de ofício prevista no art. 44 da Lei no 9.430/1996. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 97 1. 72 06 38 /2 01 1- 96 Fl. 207DF CARF MF Impresso em 17/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/11/2014 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 11/11/201 4 por TANIA MARA PASCHOALIN Processo nº 13971.720638/201196 Acórdão n.º 2801003.800 S2TE01 Fl. 208 2 JUROS MORATÓRIOS. TAXA SELIC. APLICAÇÃO. A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. (Súmula CARF nº 4) ARGÜIÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária (Súmula CARF nº 2). Preliminar Rejeitada. Recurso Voluntário Provido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar a preliminar suscitada e, no mérito, dar provimento parcial ao recurso para considerar a área de 120,07 ha de área de utilização limitada e restabelecer o Valor da Terra Nua VTN declarado, nos termos do voto da Relatora. Assinado digitalmente Tânia Mara Paschoalin Presidente e Relatora. Participaram do presente julgamento os conselheiros: Tânia Mara Paschoalin, José Valdemir da Silva, Flavio Araujo Rodrigues Torres, Carlos César Quadros Pierre, Marcelo Vasconcelos de Almeida e Marcio Henrique Sales Parada. Relatório Tratase de recurso voluntário apresentado contra decisão proferida pela 1ª Turma da DRJ/CGE/MS. Por bem descrever os fatos, reproduzse abaixo o relatório da decisão recorrida: “Exigese da interessada o pagamento do crédito tributário lançado em procedimento fiscal de verificação do cumprimento das obrigações tributárias, relativamente ao ITR, aos juros de mora e à multa por informações inexatas na Declaração do ITR DITR/2008, no valor total de R$ 625.324,11, referente ao imóvel rural com Número na Receita Federal –NIRF 1.004.121 4, denominado: Fazenda Guaricanas II, localizado no município de Blumenau SC, com Área Total – ATI de 664,8ha, conforme Fl. 208DF CARF MF Impresso em 17/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/11/2014 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 11/11/201 4 por TANIA MARA PASCHOALIN Processo nº 13971.720638/201196 Acórdão n.º 2801003.800 S2TE01 Fl. 209 3 Notificação de Lançamento NL, fls. 02 a 07, cuja descrição dos fatos e enquadramentos legais constam das fls. 03, 04 e 07. 2. Inicialmente, com a finalidade de viabilizar a análise dos dados declarados nos exercícios 2007 e 2008, especialmente a Área de Preservação Permanente –APP, Área de Reserva Legal – ARL e o Valor da Terra Nua – VTN, a declarante foi intimada a apresentar diversos documentos comprobatórios, sendolhe informado, inclusive, os valores por hectare dos diversos tipos de terra do município, constantes da tabela Sistema de Preços de Terras da Secretaria da Receita Federal – SIPT: Campo ou Reflorestamento, Mista Mecanizável, Não Mecanizável e Várzea não sistematizada. 3. Com a carta de fls. 13 e 14 foi apresentada a documentação de fls. 15 a 48, composta por: documentos da empresa; procuração; Laudo Técnico e seus anexos; certidões de matrículas do imóvel; entre outros. 4. Na carta, além da relação dos documentos encaminhados, foi explicado que o VTN é aquele informado na DITR e que os valores do Termo de Intimação não guardariam qualquer relação com o imóvel, desprezando suas características e peculiaridades. Especificamente a algumas matrículas e ao ADA/2007 requereu concessão de 15 dias para sua entrega, diante da necessidade de obtêlos junto ao registro de imóveis e ao IBAMA. 5. Posteriormente, com a carta de fl. 49, foram encaminhados os documentos de fls. 50 a 54, os quais são: procuração, certidões de matrículas do imóvel, Certificado de Cadastro de Imóvel Rural – CCIR, do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária –INCRA e ADA/2008. 6. Da Descrição dos Fatos e Enquadramentos Legais a Autoridade Fiscal tratou da análise dos documentos encaminhados pelo sujeito passivo e explicou, entre outros assuntos, o seguinte: Da APP e ARL não houve comprovação das dimensões declaradas, sendo ajustadas conforme atestado no laudo técnico e nas averbações das matrículas do imóvel, respectivamente. Quanto ao VTN, tendo em vista a não apresentação do laudo de avaliação, foi calculado com base na tabela do SIPT, sendo utilizado o menor preço por hectare informado no Termo de Intimação. 7. Procedidas as mencionadas alterações, bem como dos demais dados conseqüentes, foi apurado o crédito tributário e lavrada a NL, cuja ciência foi dada à interessada em 26/04/2011, fl. 55. 8. A interessada solicitou cópia de documentos em 13/05/2011, fls. 57 a 64, e protocolou impugnação em 26/05/2011, fls. 66 a 87, na qual argumentou, em resumo, o seguinte: a) Em Dos Fatos explanou das questões até aqui conhecidas, destacou as razões do lançamento constantes da Descrição da Fl. 209DF CARF MF Impresso em 17/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/11/2014 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 11/11/201 4 por TANIA MARA PASCHOALIN Processo nº 13971.720638/201196 Acórdão n.º 2801003.800 S2TE01 Fl. 210 4 NL e registrou que foram expedidas duas NL abrangendo os exercícios de 2007 a 2008, nos quais foram apontados os mesmos motivos para a autuação. b) Em Dos fundamentos jurídicos, apresentou sua discordância sob 13 itens (letras A a M). No primeiro item, A – Julgados da DRJ de Campo Grande sobre o imóvel da empresa, mencionou que em relação ao mesmo imóvel sob análise já foram expedidas outras quatro NL, que se referem aos anos de 2003 a 2006 e que nos respectivos processos foram proferidos acórdãos aceitando vários fundamentos que também estariam sendo defendidos nesta impugnação. Tais precedentes, se aplicados neste caso concreto, reduziriam, substancialmente, o lançamento impugnado, mas, que haveria outros fundamentos que comprovam a improcedência da NL em pauta. 9. Neste aspecto, tendo em vista que os itens abordados nas impugnações anteriores são os mesmos aqui apresentados, cuja essência visa anular e/ou cancelar a NL, na seqüencia serão reproduzidos trechos dos argumentos da impugnação constante do Acórdão 0421.552 desta DRJ, de 20/08/2010, relativamente ao exercício 2006 e de lavratura deste mesmo relator: Em A – Nulidade da Notificação Fiscal, alegou cerceamento do direito de defesa com o argumento de ausência de base legal na NL e de elementos indispensáveis à exata compreensão da exigência, bem como questionou a alteração do VTN com base no SIPT, por se tratar de sistema de acesso restrito apenas a servidores da Receita Federal, e que nem a base de cálculo foi indicada pela fiscalização, pois, a NL apontou apenas o VTN já calculado, não sendo informado qual seria o valor por hectare arbitrado para o imóvel, bem como observou que o lançamento deve necessariamente determinar a matéria tributável. B – Caberia ao Fisco comprovar que seria incorreta a declaração de ITR apresentada pela impugnante. Discordou de que a contribuinte deveria ter comprovado os dados glosados, afirmando que, na realidade, a fiscalização é quem deveria ter comprovado eventual incorreção das declarações. Alongouse nesta questão destacando, inclusive, a base legal que dispensa a prévia comprovação das áreas isentas declaradas e finalizou este item afirmando que a NL deve ser cancelada, haja vista que o Fisco não comprovou a ocorrência de qualquer fato gerador em relação à impugnante. C – A declaração do ITR não depende de comprovação. Neste item, praticamente, reiterou as razões constantes do item anterior. Na seqüência dos 10 itens, reproduzindo pareceres doutrinários e jurisprudência que tratam de assunto similar, a impugnante prosseguiu em sua discordância afirmando que não houve questionamento, por parte do Fisco, da existência da APP e AUL ou VTN do imóvel, resumindose o lançamento na ausência de comprovação por parte da interessada, não sendo nem mesmo Fl. 210DF CARF MF Impresso em 17/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/11/2014 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 11/11/201 4 por TANIA MARA PASCHOALIN Processo nº 13971.720638/201196 Acórdão n.º 2801003.800 S2TE01 Fl. 211 5 alegado que seriam improcedentes as informações constantes na declaração, sendo flagrante a insubsistência da NL. D – O Fisco não questionou em nenhum momento a existência da área de reserva legal e ou o VTN do imóvel. Em resumos disse que a Fiscalização sustentou que a impugnante não comprovou a ARL e o VTN constantes da DITR, mas, nunca defendeu que seriam falsas ou improcedentes as informações declaradas pela empresa. E – A averbação no Registro de Imóveis não é condição à isenção. Como o título indica, questionou a exigência da averbação da ARL e, entre outros argumentos, reiterou a não necessidade de prévia comprovação da declaração. F – A Área de Reserva Legal é aquela indicada no laudo técnico. Aqui tratou das áreas atestadas no laudo e que, independentemente de qualquer averbação, toda a ARL existente no imóvel deve ser considerada isenta do ITR e, sob este aspecto, a NL merece ser cancelada. G – Não há justificativa legal para arbitramento do VTN. Entre outros argumentos disse que a alegada ausência de laudo comprovando o VTN declarado não poderia justificar o arbitramento. H – O VTN é aquele declarado pela contribuinte. Acrescentou que o VTN do imóvel é exatamente aquele declarado e que não sabe como foi apurado o VTN arbitrado, exageradamente elevado, e que, seguramente, não é compatível com as características e particularidades do imóvel da impugnante, que, além de se localizar na área rural de uma pequena cidade do interior de Santa Catarina, apresenta uma série de restrições ao seu efetivo aproveitamento, como consta do laudo técnico. Na seqüencia, sob títulos específicos, alegando, entre outros, inconstitucionalidade, questionou Da progressividade das alíquotas, Inconstitucionalidade da multa e, a utilização da Taxa SELIC (Sistema Especial de Liquidação e Custódia) para cálculo dos juros de mora. 10. Em III – Do requerimento, relativo à impugnação autuada neste processo, exercício 2007, requereu: a) Preliminarmente, o agrupamento dos processos decorrentes das NL em pauta, para que as respectivas impugnações sejam julgadas em conjunto. b) No mérito, seja julgada procedente a impugnação, para proclamar: I) a nulidade da NL, em virtude do vício apontado, ou; II) – cancelar, integralmente, ou; III) excluir, do montante exigido, os valores relativos: ao VTN arbitrado, à ARL, à progressividade da alíquota, à multa cominada e, à taxa SELIC.” Fl. 211DF CARF MF Impresso em 17/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/11/2014 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 11/11/201 4 por TANIA MARA PASCHOALIN Processo nº 13971.720638/201196 Acórdão n.º 2801003.800 S2TE01 Fl. 212 6 A impugnação foi julgada improcedente, conforme Acórdão de fls. 120/133, que restou assim ementado: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL – ITR Exercício: 2008 Áreas de Florestas Preservadas Requisitos de Isenção A concessão de isenção de ITR para as Áreas de Preservação Permanente APP ou de Utilização Limitada AUL, como Área de Reserva Legal ARL, está vinculada à comprovação de sua existência, como laudo técnico específico e averbação na matrícula até a data do fato gerador, respectivamente, e de sua regularização junto aos órgãos ambientais competentes, como o Ato Declaratório Ambiental ADA, cujo requerimento deve ser protocolado no Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis IBAMA, em até seis meses após o prazo final para entrega da Declaração do ITR. A prova de uma não exclui a da outra. Isenção Hermenêutica A legislação tributária para concessão de benefício fiscal deve ser interpretada literalmente, assim, se não atendidos os requisitos legais para a isenção, a mesma não deve ser concedida. VALOR da Terra Nua VTN O lançamento que tenha alterado o VTN declarado, utilizando valores de terras constantes do Sistema de Preços de Terras da Secretaria da Receita Federal SIPT, nos termos da legislação, é passível de modificação somente se, na contestação, forem oferecidos elementos de convicção, embasados em Laudo Técnico, elaborado em consonância com as normas da Associação Brasileira de Normas Técnicas ABNT, que apresente valor de mercado diferente relativo ao ano base questionado. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Regularmente cientificada daquele acórdão em 03/02/2012 (fl. 136), a interessada, representada por seu advogado (fl. 58), interpôs recurso voluntário de fls. 137/167, em 05/03/2012, no qual reitera os argumentos expendidos na impugnação. Conforme Resolução 2801000.245, às fls. 171/175, o julgamento do presente processo foi convertido em diligência para que a autoridade competente anexasse aos autos as informações do SIPT, para o exercício em análise e o município de localização do imóvel, que embasaram o procedimento fiscal em apreço. Em cumprimento, foram carreadas aos autos as telas de fls. 179/180, referentes aos municípios de Apiuna e Blumenau. Cientificada do procedimento de diligência, a Interessada manifestouse, às fls. 194/197, no sentido de que o imóvel localizase no município de Ascurra, não servindo os Fl. 212DF CARF MF Impresso em 17/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/11/2014 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 11/11/201 4 por TANIA MARA PASCHOALIN Processo nº 13971.720638/201196 Acórdão n.º 2801003.800 S2TE01 Fl. 213 7 dados dos extratos de VTN dos municípios de Apiuna e Blumenau para o arbitramento do imóvel em apreço. A numeração de folhas citada nesta decisão referese à serie de números do arquivo PDF. É o Relatório. Voto Conselheira Tânia Mara Paschoalin, Relatora. O recurso é tempestivo e atende às demais condições de admissibilidade, portanto merece ser conhecido. O Contribuinte arguiu na impugnação e reiterou no recurso a nulidade do lançamento por alegado cerceamento do direito de defesa que estaria caracterizado pela insuficiência na fundamentação da exigência. A alegação, todavia, não merecer prosperar, mormente considerando que é legítimo o arbitramento efetuado pelo fisco com base nas informações contidas no Sistema de Preços de Terras da Secretaria da Receita Federal SIPT, alimentado com os valores de terras e demais dados recebidos das Secretarias de Agricultura ou entidades correlatas, sempre que o contribuinte, regularmente intimado, não apresente laudo técnico que comprove o VTN declarado. Assim, considerando que os critérios adotados pelo fisco estão previstos na própria legislação que rege a matéria, concluise que o auto de infração expôs com clareza as razões que levaram à autuação e os fundamentos da exigência, tanto que a defesa não encontrou nenhuma dificuldade para articular suas razões, tendo identificado com precisão as infrações imputadas e compreendido o fundamento legal da exigência. Em que pese a Recorrente não ter apresentado laudo de avaliação que comprovasse o valor de terra nua declarado, verificase, em decorrência do procedimento de diligência, que o arbitramento não se baseou nas informações constantes do Sistema de Preços de Terra, SIPT, para o município de localização do imóvel, haja vista que o imóvel rural em tela está localizado no município de Ascurra/SC, conforme as matrículas do imóvel (1920, 1921, 1922 e 1923) anexadas às fls. 36/48, conquanto o arbitramento utilizou as informações disponíveis no SIPT para o município de Blumenau, conforme se deduz do pronunciamento da autoridade fiscal responsável pela realização da diligência, à fl. 204: Tratase o presente processo decorrente de Malha ITRExercício de 2008, em cujo julgamento o CARF converteu em diligência para que fosse juntado extrato comprovando o valor SIPT aplicado. Importante ressaltar que o Sistema SIPT é alimentado através de dados fornecidos anualmente pela Secretaria de Agricultura do Estado de Santa Catarina, em conformidade com a legislação do ITR vigente.Em sua Manifestação de Inconformidade, o contribuinte rebelase com o fato de ter se anexado o Extrato do valor SIPT referente ao município de Blumenau alegando que o imóvel se localiza no município de Ascurra, não se atentando que o próprio contribuinte informou na DITR do Exercício de 2008 que o imóvel se localiza no Fl. 213DF CARF MF Impresso em 17/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/11/2014 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 11/11/201 4 por TANIA MARA PASCHOALIN Processo nº 13971.720638/201196 Acórdão n.º 2801003.800 S2TE01 Fl. 214 8 município de Blumenau, conforme pode ser verificado nos autos do processo onde encontrase apensada cópia da DITR. Assim sendo, tendo sido cumprida a Diligência solicitada pela autoridade julgadora, encaminhese o presente processo a SACAT/Blumenau/SC. Portanto, ante a falta dos elementos de prova indispensáveis à comprovação do ilícito, não pode prevalecer o lançamento, devendo ser restabelecido o VTN declarado. No que tange às alterações procedidas em relação às áreas de preservação permanente (de 317,7 ha para 83,4 ha) e de reserva legal (de 144,4 ha para 97,7 ha) da incidência do ITR, a fiscalização indicou os seguintes motivos: Segundo Laudo Técnico apresentado pelo próprio contribuinte, a área de preservação permanente é de 83,4 hectares, sendo glosado o valor acima deste. Verificandose as matriculas, foi constatado que só se encontra averbado o valor ora mantido de 97,7 hectares, sendo glosado o que ultrapassa tal valor; Ressaltese que consta, a fl. 54, Ato Declaratório Ambiental – ADA, referente ao Exercício 2008, protocolado em 22/09/2008, com o registro de 317,17 ha de área de preservação permanente e 144,4 de área de reserva legal. O laudo técnico apresentado pela Contribuinte (fls. 21/34) apresenta 227,8 ha de reserva legal averbada e 83,4 de área de preservação permanente. As matrículas do imóvel (1920, 1921, 1922 e 1923) anexadas às fls. 36/48 comprovam as seguintes averbações: MATRÍCULA: 1921 AV11921 Certifico, que continua em vigor o constante da averbação AV73360, livro 02, do RI da Comarca de Indaial/SC, ou seja: "Termo de Preservação de Floresta, assinado em 14.07.1980, declarado perante a autoridade floresta! deste Estado, para efeito de manutenção de vegetação de uma área de 73,37 hectares, sendo 24,27ha do terreno matriculado sob n° 3361, livro 02, do RI da Comarca de Indaial/SC e 49,10 ha do imóvel objeto da presente matrícula, não inferior a 20% do total das duas propriedades e compreendida nos limites indicados pela planta apresentada, fica gravada na condição de preservação permanente, não podendo nela ser feita qualquer tipo de exploração, a não ser mediante autorização do I.B.D.F. MATRÍCULA: 1922 AV11922 Certifico, que continua em vigor o constante da averbação AV94372, livro 02, do RI da Comarca de Indaial/SC, ou seja: "Termo de Responsabilidade de Preservação de Floresta, assinado em 18.01.1988, declarado perante a autoridade florestal, que a floresta ou forma de vegetação existente, com área de 14.180 hectares, não inferior a Fl. 214DF CARF MF Impresso em 17/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/11/2014 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 11/11/201 4 por TANIA MARA PASCHOALIN Processo nº 13971.720638/201196 Acórdão n.º 2801003.800 S2TE01 Fl. 215 9 20% do total da propriedade compreendida nos limites indicados no próprio Termo, fica gravada como de preservação permanente, não podendo nela ser feita qualquer tipo de exploração, a não ser mediante autorização do IBDF, comprometendose por si, seus herdeiros e sucessores, a fazer o presente grave valioso". MATRICULA: 1923 AV11923 Certifico, que continua em vigor o constante da averbação AV73361, livro 02, do RI da Comarca de Indaial/SC, ou seja: "Termo de Preservação de Floresta, assinado em 14/07.1980, declarado perante a autoridade florestal deste Estado por Cristais Hering S.A., que para efeito de manutenção de vegetação que uma área de 73,37 hectares, sendo 24,27ha do terreno objeto desta matrícula e 49,10 ha do terreno matriculado sob n° 3360, livro 02, do RI de Indaial/SC, não inferior a 20% do total das duas propriedades; e compreendida nos limites indicados pela planta apresentada, fica gravada na condição de preservação permanente, não podendo nela ser feita qualquer tipo de exploração, a não ser mediante autorização do I.B.D.F. AV31923 Certifico, que continua em vigor o constante da averbação AV183361, livro 02, do RI da Comarca de Indaial/SC, ou seja: "Termo de Compromisso de Manutenção Floresta, assinado em 18.01.1988, a Karsten S.A., declarou perante a Autoridade Florestal que a floresta ou forma de vegetação existente, com área de 56,85 hectares, não inferior a 20% do total da propriedade.compreendida nos limites indicados no próprio termo, fica gravada como de preservação permanente, não podendo nela ser feita qualquer tipo de exploração, a não ser mediante autorização do IBDF, comprometendose, por si, seus herdeiros ou sucessores, a fazer o presente gravame sempre bom, firme e valioso. Verificase que, antes da ocorrência do fato gerador, foram devidamente averbados na matrícula do imóvel os Termos de Preservação da Floresta, imputando restrições típicas de reserva legal ao montante da área averbada, correspondente a 217,77 ha. Nestas circunstâncias, a área de 120,07 ha (diferença entre 217,77 ha 97,7 ha já considerado pela fiscalização) deve ser considerada como de utilização limitada, passível de exclusão da área total tributável pelo ITR, levandose em conta que tal parcela consta consignada no ADA como área de interesse ambiental, ainda que não seja a título de reserva legal. Ressaltese, ainda, que a apuração de infrações em auditoria fiscal é condição suficiente para ensejar a exigência dos tributos mediante lavratura do auto de infração e, por conseguinte, aplicar a multa de oficio de 75% nos termos do artigo 44, inciso I, da Lei nº 9.430/1996. Assim, havendo lançamento de ofício, como neste caso, essa multa é devida. A cobrança dos juros de mora, da mesma forma, está prevista em normas legais em pleno vigor, regularmente citada no auto de infração (artigo 61, § 3º da Lei 9.430 de 1996), portanto, considerase acertada a sua cobrança.. Fl. 215DF CARF MF Impresso em 17/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/11/2014 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 11/11/201 4 por TANIA MARA PASCHOALIN Processo nº 13971.720638/201196 Acórdão n.º 2801003.800 S2TE01 Fl. 216 10 No que tange à aplicação dos juros Selic, cabe trazer à colação a Súmula CARF n° 4, que assim dispõe: A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. Ademais, é oportuno citar a Súmula CARF nº 2, a saber: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária Diante do exposto, voto por rejeitar a preliminar suscitada e, no mérito, dar provimento parcial ao recurso para considerar a área de 120,07 ha de área de utilização limitada e restabelecer o Valor da Terra Nua VTN declarado. Assinado digitalmente Tânia Mara Paschoalin Fl. 216DF CARF MF Impresso em 17/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/11/2014 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 11/11/201 4 por TANIA MARA PASCHOALIN
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Numero do processo: 15586.000853/2008-41
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Sep 11 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Tue Nov 25 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/12/2001 a 31/10/2007
DECADÊNCIA. APLICAÇÃO DAS REGRAS PREVISTAS NO CÓDIGO TRIBUTÁRIO NACIONAL.
De acordo com a Súmula Vinculante nº 08, do STF, os artigos 45 e 46 da Lei nº 8.212/1991 são inconstitucionais, devendo prevalecer, no que tange à decadência e prescrição, as disposições do Código Tributário Nacional.
Nos termos do art. 103-A da Constituição Federal, as Súmulas Vinculantes aprovadas pelo Supremo Tribunal Federal, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terão efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal.
Havendo recolhimento antecipado da contribuição previdenciária devida, aplica-se o prazo decadencial previsto no art. 150, § 4o, do CTN.
Numero da decisão: 2301-004.149
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, I) Por unanimidade de votos: a) em negar provimento ao Recurso de Ofício, nos termos do voto do(a) Relator(a).
Marcelo Oliveira - Presidente.
Adriano Gonzales Silvério - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcelo Oliveira (presidente da turma), Wilson Antonio de Souza Correa, Manoel Coelho Arruda Junior, Mauro José Silva, Daniel Mendes Melo Bezerra e Adriano Gonzales Silvério.
Nome do relator: ADRIANO GONZALES SILVERIO
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/12/2001 a 31/10/2007 DECADÊNCIA. APLICAÇÃO DAS REGRAS PREVISTAS NO CÓDIGO TRIBUTÁRIO NACIONAL. De acordo com a Súmula Vinculante nº 08, do STF, os artigos 45 e 46 da Lei nº 8.212/1991 são inconstitucionais, devendo prevalecer, no que tange à decadência e prescrição, as disposições do Código Tributário Nacional. Nos termos do art. 103-A da Constituição Federal, as Súmulas Vinculantes aprovadas pelo Supremo Tribunal Federal, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terão efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal. Havendo recolhimento antecipado da contribuição previdenciária devida, aplica-se o prazo decadencial previsto no art. 150, § 4o, do CTN.
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ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/12/2001 a 31/10/2007 DECADÊNCIA. APLICAÇÃO DAS REGRAS PREVISTAS NO CÓDIGO TRIBUTÁRIO NACIONAL. De acordo com a Súmula Vinculante nº 08, do STF, os artigos 45 e 46 da Lei nº 8.212/1991 são inconstitucionais, devendo prevalecer, no que tange à decadência e prescrição, as disposições do Código Tributário Nacional. Nos termos do art. 103A da Constituição Federal, as Súmulas Vinculantes aprovadas pelo Supremo Tribunal Federal, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terão efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal. Havendo recolhimento antecipado da contribuição previdenciária devida, aplicase o prazo decadencial previsto no art. 150, § 4o, do CTN. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, I) Por unanimidade de votos: a) em negar provimento ao Recurso de Ofício, nos termos do voto do(a) Relator(a). Marcelo Oliveira Presidente. Adriano Gonzales Silvério Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 58 6. 00 08 53 /2 00 8- 41 Fl. 488DF CARF MF Impresso em 25/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/10/2014 por ADRIANO GONZALES SILVERIO, Assinado digitalmente em 21/11 /2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 07/10/2014 por ADRIANO GONZALES SILVERIO 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcelo Oliveira (presidente da turma), Wilson Antonio de Souza Correa, Manoel Coelho Arruda Junior, Mauro José Silva, Daniel Mendes Melo Bezerra e Adriano Gonzales Silvério. Relatório Tratase de recurso de ofício em face da decisão que julgou parcialmente procedente a impugnação apresentada pelo contribuinte, para reconhecer a decadência dos créditos tributários referentes às competências de dezembro/2001 a outubro/2007. Narra o relatório fiscal que a ARCELORMITTAL TUBARAO COMERCIAL S.A. tomou serviços de uma cooperativa sem recolher a contribuição previdenciária: “3. Na opera ciona1ização das suas atividades, a empresa tomou os serviços de trabalhadores cooperados, intermediados pela COOPMET Cooperativa dos Prestadores de Serviços de Engenharia de Segurança e Medicina do Trabalho, CNPJ 02.778.8671000106, em competências compreendidas no período de 12/2001 a 1012007, não recolhendo a devida contribuição de 15% (quinze por cento) incidente sobre os valores brutos das notas fiscais ou faturas de prestação de serviços emitidas pela cooperativa” (f. 01) Foi apresentada impugnação e o contribuinte juntou aos autos diversas guias de recolhimento referentes ao período autuado. Por essa razão, a autoridade fiscal retificou o auto de infração, para excluir os valores cujos recolhimentos foram comprovados. O acórdão da primeira instância reconheceu a decadência das competências de 12/2001 a 11/2003, com a aplicação do artigo 150, § 4º, do CTN. Devidamente intimado da decisão (fls. 904), o contribuinte não apresentou recurso. Dessa forma, os autos foram enviados para análise e julgamento do recurso de ofício por este Conselho. Voto Conselheiro Adriano Gonzales Silvério O recurso reúne as condições de admissibilidade e dele conheço. Decadência O Supremo Tribunal Federal, entendendo que apenas lei complementar pode dispor sobre prescrição e decadência em matéria tributária, nos termos do artigo 146, III, ‘b’ da Constituição Federal, negou provimento por unanimidade aos Recursos Extraordinários nº Fl. 489DF CARF MF Impresso em 25/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/10/2014 por ADRIANO GONZALES SILVERIO, Assinado digitalmente em 21/11 /2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 07/10/2014 por ADRIANO GONZALES SILVERIO Processo nº 15586.000853/200841 Acórdão n.º 2301004.149 S2C3T1 Fl. 975 3 556664, 559882, 559943 e 560626, em decisão plenária que declarou a inconstitucionalidade dos artigos 45 e 46, da Lei n. 8212/91. Na oportunidade, foi editada a Súmula Vinculante nº 08 a respeito do tema, publicada em 20/06/2008, transcrita abaixo: Súmula Vinculante 8 “São inconstitucionais os parágrafo único do artigo 5º do Decretolei 1569/77 e os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário” Cumpre ressaltar que o art. 62, da Portaria 256/2009, que aprovou o Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, veda o afastamento de aplicação ou inobservância de legislação sob fundamento de inconstitucionalidade. Porém, determina, no inciso I do § único, que o disposto no caput não se aplica a dispositivo que tenha sido declarado inconstitucional por decisão plenária definitiva do Supremo Tribunal Federal: Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. Parágrafo único. O disposto no caput não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: I que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão plenária definitiva do Supremo Tribunal Federal; ou Portanto, em razão da declaração de inconstitucionalidade dos arts. 45 e 46 da Lei nº 8.212/1991 pelo STF, restaram extintos os créditos cujo lançamento tenha ocorrido após o prazo decadencial e prescricional previsto nos artigos 173 e 150 do Código Tributário Nacional. É necessário observar ainda que as súmulas aprovadas pelo STF possuem efeitos vinculantes, conforme se depreende do art. 103A e parágrafos da Constituição Federal, que foram inseridos pela Emenda Constitucional nº 45/2004. in verbis: “Art. 103A. O Supremo Tribunal Federal poderá, de ofício ou por provocação, mediante decisão de dois terços dos seus membros, após reiteradas decisões sobre matéria constitucional, aprovar súmula que, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terá efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal, bem como proceder à sua revisão ou cancelamento, na forma estabelecida em lei. § 1º A súmula terá por objetivo a validade, a interpretação e a eficácia de normas determinadas, acerca das quais haja controvérsia atual entre órgãos judiciários ou entre esses e a administração pública que acarrete grave insegurança jurídica e relevante multiplicação de processos sobre questão idêntica. § 2º Sem prejuízo do que vier a ser estabelecido em lei, a aprovação, revisão ou cancelamento de súmula poderá ser Fl. 490DF CARF MF Impresso em 25/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/10/2014 por ADRIANO GONZALES SILVERIO, Assinado digitalmente em 21/11 /2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 07/10/2014 por ADRIANO GONZALES SILVERIO 4 provocada por aqueles que podem propor a ação direta de inconstitucionalidade. § 3º Do ato administrativo ou decisão judicial que contrariar a súmula aplicável ou que indevidamente a aplicar, caberá reclamação ao Supremo Tribunal Federal que, julgandoa procedente, anulará o ato administrativo ou cassará a decisão judicial reclamada, e determinará que outra seja proferida com ou sem a aplicação da súmula, conforme o caso (g.n.)." Da leitura do dispositivo constitucional acima, concluise que a vinculação à súmula alcança a administração pública e, por conseqüência, os julgadores no âmbito do contencioso administrativo fiscal. Ademais, no termos do artigo 64B da Lei 9.784/99, com a redação dada pela Lei 11.417/06, as autoridades administrativas devem se adequar ao entendimento do STF, sob pena de responsabilização pessoal nas esferas cível, administrativa e penal. “Art. 64B. Acolhida pelo Supremo Tribunal Federal a reclamação fundada em violação de enunciado da súmula vinculante, darseá ciência à autoridade prolatora e ao órgão competente para o julgamento do recurso, que deverão adequar as futuras decisões administrativas em casos semelhantes, sob pena de responsabilização pessoal nas esferas cível, administrativa e penal” Afastado, pois, o prazo previsto originalmente no citado artigo 45, cabe agora verificar o prazo aplicável, se aquele do 150, § 4º ou 173, inciso I, ambos da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966, Código Tributário Nacional. Temos adotado a posição doutrinária e jurisprudencial no sentido de que havendo pagamento antecipado por parte do contribuinte, em relação ao fato gerador posto em discussão, deve incidir o prazo decadencial qüinqüenal previsto no mencionado artigo 150, § 4º. Nesse sentido a decisão proferida pelo Egrégio Superior Tribunal de Justiça, na sistemática de recurso repetitivo, nos autos do Recurso Especial 973.733/SC, a qual deve ser atendida, por força do disposto no artigo 62A Portaria 256/2009, que aprovou o Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais: “PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. DECADÊNCIA DO DIREITO DE O FISCO CONSTITUIR O CRÉDITO TRIBUTÁRIO. TERMO INICIAL. ARTIGO 173, I, DO CTN. APLICAÇÃO CUMULATIVA DOS PRAZOS PREVISTOS NOS ARTIGOS 150, § 4º, e 173, do CTN. IMPOSSIBILIDADE. 1. O prazo decadencial qüinqüenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito (Precedentes da Primeira Seção: REsp 766.050∕PR, Rel. Fl. 491DF CARF MF Impresso em 25/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/10/2014 por ADRIANO GONZALES SILVERIO, Assinado digitalmente em 21/11 /2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 07/10/2014 por ADRIANO GONZALES SILVERIO Processo nº 15586.000853/200841 Acórdão n.º 2301004.149 S2C3T1 Fl. 976 5 Ministro Luiz Fux, julgado em 28.11.2007, DJ 25.02.2008; AgRg nos EREsp 216.758∕SP, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.03.2006, DJ 10.04.2006; e EREsp 276.142∕SP, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 13.12.2004, DJ 28.02.2005). 2. É que a decadência ou caducidade, no âmbito do Direito Tributário, importa no perecimento do direito potestativo de o Fisco constituir o crédito tributário pelo lançamento, e, consoante doutrina abalizada, encontrase regulada por cinco regras jurídicas gerais e abstratas, entre as quais figura a regra da decadência do direito de lançar nos casos de tributos sujeitos ao lançamento de ofício, ou nos casos dos tributos sujeitos ao lançamento por homologação em que o contribuinte não efetua o pagamento antecipado (Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 163∕210). 3. O dies a quo do prazo qüinqüenal da aludida regra decadencial regese pelo disposto no artigo 173, I, do CTN, sendo certo que o "primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado" corresponde, iniludivelmente, ao primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível, ainda que se trate de tributos sujeitos a lançamento por homologação, revelandose inadmissível a aplicação cumulativa∕concorrente dos prazos previstos nos artigos 150, § 4º, e 173, do Codex Tributário, ante a configuração de desarrazoado prazo decadencial decenal (Alberto Xavier, "Do Lançamento no Direito Tributário Brasileiro", 3ª ed., Ed. Forense, Rio de Janeiro, 2005, págs. 91∕104; Luciano Amaro, "Direito Tributário Brasileiro", 10ª ed., Ed. Saraiva, 2004, págs. 396∕400; e Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 183∕199). 5. In casu, consoante assente na origem: (i) cuidase de tributo sujeito a lançamento por homologação; (ii) a obrigação ex lege de pagamento antecipado das contribuições previdenciárias não restou adimplida pelo contribuinte, no que concerne aos fatos imponíveis ocorridos no período de janeiro de 1991 a dezembro de 1994; e (iii) a constituição dos créditos tributários respectivos deuse em 26.03.2001. 6. Destarte, revelamse caducos os créditos tributários executados, tendo em vista o decurso do prazo decadencial qüinqüenal para que o Fisco efetuasse o lançamento de ofício substitutivo. 7. Recurso especial desprovido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08∕2008.” No caso dos autos a decisão recorrida aplicou o prazo previsto no artigo 150, § 4º, do CTN tendo em vista a verificação de que houve pagamento antecipado, nos seguintes termos: Fl. 492DF CARF MF Impresso em 25/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/10/2014 por ADRIANO GONZALES SILVERIO, Assinado digitalmente em 21/11 /2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 07/10/2014 por ADRIANO GONZALES SILVERIO 6 12. No caso em tela, embora à época da ação fiscal a autoridade lançadora não tenha considerado os recolhimentos destinados às contribuições ora apuradas, durante a diligência fiscal constatou que a empresa havia efetuado recolhimentos parciais relativos a estes fatos geradores, tanto que a autoridade fiscal emitiu as planilhas de fls. 392/410, retificando o lançamento, portanto, presente a antecipação parcial do pagamento, como entende o referido Parecer. 13. Considerando a vinculação das DRJ ao Parecer PGFN/CAT n° 1617/2008, supracitado, entendese que a este caso se aplica a regra de fluência contida no artigo 150, § 4° do CTN. Portanto, considerando que a Defendente foi autuada em 29/12/2008, as competências 12/2001 a 11/2003 foram alcançadas pela decadência e devem ser excluídas do lançamento, conforme DADR, em anexo. A decisão a quo está em consonância com a Súmula 99 do CARF: Súmula CARF nº 99: Para fins de aplicação da regra decadencial prevista no art. 150, § 4°, do CTN, para as contribuições previdenciárias, caracteriza pagamento antecipado o recolhimento, ainda que parcial, do valor considerado como devido pelo contribuinte na competência do fato gerador a que se referir a autuação, mesmo que não tenha sido incluída, na base de cálculo deste recolhimento, parcela relativa a rubrica especificamente exigida no auto de infração. Ante o exposto, VOTO no sentido de NEGAR PROVIMENTO ao recurso de ofício, mantendose como decadentes as competências de 12/2001 a 11/2003. Adriano Gonzales Silvério Relator Fl. 493DF CARF MF Impresso em 25/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/10/2014 por ADRIANO GONZALES SILVERIO, Assinado digitalmente em 21/11 /2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 07/10/2014 por ADRIANO GONZALES SILVERIO
score : 1.0
Numero do processo: 10980.009895/2009-51
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jul 09 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Fri Nov 28 00:00:00 UTC 2014
Numero da decisão: 1401-000.248
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em CONVERTER o julgamento em diligência, nos termos do voto do relator.
(assinado digitalmente)
Jorge Celso Freire da Silva Presidente
(assinado digitalmente)
Alexandre Antonio Alkmim Teixeira
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Jorge Celso Freire da Silva (Presidente), Alexandre Antonio Alkmim Teixeira, Sergio Luiz Bezerra Presta, Antonio Bezerra Neto, Fernando Luiz Gomes de Mattos, Sérgio Luiz Bezerra Presta e Maurício Pereira Faro.
Nome do relator: ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em CONVERTER o julgamento em diligência, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Jorge Celso Freire da Silva Presidente (assinado digitalmente) Alexandre Antonio Alkmim Teixeira Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Jorge Celso Freire da Silva (Presidente), Alexandre Antonio Alkmim Teixeira, Sergio Luiz Bezerra Presta, Antonio Bezerra Neto, Fernando Luiz Gomes de Mattos, Sérgio Luiz Bezerra Presta e Maurício Pereira Faro.
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Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em CONVERTER o julgamento em diligência, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Jorge Celso Freire da Silva Presidente (assinado digitalmente) Alexandre Antonio Alkmim Teixeira Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Jorge Celso Freire da Silva (Presidente), Alexandre Antonio Alkmim Teixeira, Sergio Luiz Bezerra Presta, Antonio Bezerra Neto, Fernando Luiz Gomes de Mattos, Sérgio Luiz Bezerra Presta e Maurício Pereira Faro. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 09 80 .0 09 89 5/ 20 09 -5 1 Fl. 1032DF CARF MF Impresso em 28/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/11/2014 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA, Assinado digitalmente em 26/11/2014 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 25/11/2014 por ALEXANDRE ANT ONIO ALKMIM TEIXEIRA Processo nº 10980.009895/200951 Resolução nº 1401000.248 S1C4T1 Fl. 3 2 RELATÓRIO Por bem demonstrar os fatos em discussão neste processo, adoto e transcrevo o relatório constante da decisão recorrida, in litteris: Este processo trata dos autos de infração de Imposto de Renda Pessoa Jurídica — IRPJ (fls. 4149) e de Contribuição Social sobre o Lucro Liquido — CSLL (fls. 52 59), mediante os quais se exige da contribuinte o crédito tributário total de R$ 1.280.322,90, incluindo juros moratórios calculados até 30/10/2009, conforme discriminado nos Demonstrativos Consolidados do Crédito Tributário do Processo espelhados às fls. 0102. Duas são as infrações atribuídas à contribuinte. A primeira consiste na falta de recolhimento ou confissão, mediante declaração em DCTF, dos saldos a pagar resultantes dos ajustes anuais de sua DIPJ/2007 espelhados na Ficha 12A (IRPJ), reproduzida às fls. 27; e Ficha 17 (CSLL), reproduzida às fls. 30, cabendo esclarecer que a fiscalização informa haver lançado o valor já deduzido das estimativas recolhidas, uma vez que a contribuinte não adotara tal providência em sua DIPJ. A Segunda infração consiste na falta/insuficiência de recolhimento das estimativas mensais de ambas as exações, nos anos calendário 2005 e 2006, conforme demonstrativos de fls. 3839 (IRPJ) e 40 (CSLL) razão pela qual foi lançada a multa de oficio isolada respectiva. Os fundamentos legais das exações lançadas se encontram transcritos no campo próprio do respectivo auto de infração. A contribuinte foi cientificada do lançamento em 25/11/2009 (fls. 65), e apresentou tempestivamente, em 18/12/2009, a impugnação de fls. 6768, alegando que o lançamento tem base em suas DIPJ, mas que as informações das DIPJ foram retificadas e que se faz necessária revisão da totalidade dos valores lançados, modificando e/ou anulando este, haja vista que erros podem acontecer, inclusive por parte da Receita Federal do Brasil, como no caso do lançamento, uma vez que a autuante teria deixado de incluir em sua planilha valores recolhidos pela empresa relativos aos meses de fevereiro e março de 2006. Intentando demonstrar o alegado, elabora quadro demonstrativo dos valores que teria recolhido. Pleiteia modificação e/ou anulação do lançamento com base nos seguintes documentos retificados que afirma trazer à colação: (i) LALUR que teria dado base a suspensão das estimativas do IRPJ e CSLL; DARF dos recolhimentos efetuados; (ii) 1ª alteração contratual e (iii) procuração. Colocase à disposição para atender eventual diligência e também quanto ao encaminhamento de outros documentos eventualmente considerados necessários. Foram juntados os documentos de fls. 69205. Posteriormente, foram juntados os documentos de fls. 207231. É o relatório. Fl. 1033DF CARF MF Impresso em 28/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/11/2014 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA, Assinado digitalmente em 26/11/2014 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 25/11/2014 por ALEXANDRE ANT ONIO ALKMIM TEIXEIRA Processo nº 10980.009895/200951 Resolução nº 1401000.248 S1C4T1 Fl. 4 3 VOTO Conselheiro Alexandre Antonio Alkmim Teixeira O recurso é tempestivo e, atendidos os demais requisitos de lei, dele conheço. É entendimento corrente no âmbito do processo administrativo federal o princípio da verdade real, ainda que apurada por documentos juntados aos autos no curso do processo. Entendo, assim, deva o presente feito ser baixado em diligência, com o objetivo de que seja verificada documentação apresentada pelo Recorrente, mediante a devida conferência junto aos livros fiscais apresentados, em especial o livro diário, apresentandose parecer conclusivo acerca da matéria em litígio. Após a notificação do contribuinte acerca do resultado da diligência, que retornem os autos a este Conselho para julgamento. É como voto. (assinado digitalmente) Alexandre Antonio Alkmim Teixeira Relator Fl. 1034DF CARF MF Impresso em 28/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/11/2014 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA, Assinado digitalmente em 26/11/2014 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 25/11/2014 por ALEXANDRE ANT ONIO ALKMIM TEIXEIRA
score : 1.0
Numero do processo: 10675.906302/2009-51
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Nov 13 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Fri Oct 31 00:00:00 UTC 2014
Numero da decisão: 9303-000.049
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do Colegiado, por maioria de votos, em sobrestar o julgamento do recurso especial até a decisão definitiva do Supremo Tribunal Federal em matéria de repercussão geral, em face do art. 62-A do Regimento Interno do CARF. Vencido o Conselheiro Luiz Eduardo de Oliveira Santos.
Luiz Eduardo de Oliveira Santos - Presidente Substituto
Maria Teresa Martínez López - Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Nanci Gama, Júlio César Alves Ramos, Rodrigo Cardozo Miranda, Rodrigo da Costa Pôssas, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva, Joel Miyazaki, Maria Teresa Martínez López, Susy Gomes Hoffmann e Luiz Eduardo de Oliveira Santos.
Nome do relator: Não se aplica
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do Colegiado, por maioria de votos, em sobrestar o julgamento do recurso especial até a decisão definitiva do Supremo Tribunal Federal em matéria de repercussão geral, em face do art. 62-A do Regimento Interno do CARF. Vencido o Conselheiro Luiz Eduardo de Oliveira Santos. Luiz Eduardo de Oliveira Santos - Presidente Substituto Maria Teresa Martínez López - Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Nanci Gama, Júlio César Alves Ramos, Rodrigo Cardozo Miranda, Rodrigo da Costa Pôssas, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva, Joel Miyazaki, Maria Teresa Martínez López, Susy Gomes Hoffmann e Luiz Eduardo de Oliveira Santos.
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Resolvem os membros do Colegiado, por maioria de votos, em sobrestar o julgamento do recurso especial até a decisão definitiva do Supremo Tribunal Federal em matéria de repercussão geral, em face do art. 62A do Regimento Interno do CARF. Vencido o Conselheiro Luiz Eduardo de Oliveira Santos. Luiz Eduardo de Oliveira Santos Presidente Substituto Maria Teresa Martínez López Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Nanci Gama, Júlio César Alves Ramos, Rodrigo Cardozo Miranda, Rodrigo da Costa Pôssas, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva, Joel Miyazaki, Maria Teresa Martínez López, Susy Gomes Hoffmann e Luiz Eduardo de Oliveira Santos. Relatório Tratase de pedido de restituição de PIS ancorada em ação judicial proposta pela contribuinte, transitada em julgado, na qual foi reconhecida a inconstitucionalidade do § 1º do art. 3º da Lei 9.718/98. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 06 75 .9 06 30 2/ 20 09 -5 1 Fl. 308DF CARF MF Impresso em 31/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/12/2013 por MARIA TERESA MARTINEZ LOPEZ, Assinado digitalmente em 04/ 12/2013 por MARIA TERESA MARTINEZ LOPEZ, Assinado digitalmente em 11/12/2013 por LUIZ EDUARDO DE OLI VEIRA SANTOS Processo nº 10675.906302/200951 Resolução nº 9303000.049 CSRFT3 Fl. 308 2 Contra a decisão da DRJ de origem, que negou provimento ao recurso, a contribuinte interpôs recurso voluntário, que por sua vez foi julgado improcedente pela Câmara a quo. Nessa oportunidade, a Recorrente interpôs recurso especial e sustentou que a decisão recorrida interpretou equivocadamente a decisão prolatada pelo eg. Supremo Tribunal Federal no RE 401.348/MG, devendo ser reformada para que a base de cálculo do PIS limitese à receita bruta das vendas de mercadoria e da prestação de serviços, sem a inclusão da receita financeira decorrente das operações bancárias. O i. Presidente da 1ª Câmara da 3ª Seção de Julgamento do CARF deu seguimento ao recurso especial por considerar que restou comprovada a divergência jurisprudencial. Pede a Fazenda Nacional, em suas contrarrazões, para que seja mantida a decisão guerreada. É o Relatório. Voto Conselheira Maria Teresa Martínez López, Relatora Conforme se verifica nos autos, a questão central neste processo é definir a base de cálculo da contribuição para as financeiras. Ainda que o pedido de restituição de PIS esteja ancorada em ação judicial proposta pela contribuinte, transitada em julgado, esta, reconheceu, tão somente a inconstitucionalidade do § 1º do art. 3º da Lei 9.718/98. Então tudo continua na mesma, pois sendo uma empresa financeira, fica a critério dos aplicadores do direito interpretar se as receitas financeiras (remuneração decorrente do pagamento de empréstimos bancários, spreads, prêmios, deságios, juros oriundos da intermediação ou aplicação de recursos financeiros próprios ou de terceiros, financiamentos, colocação e negociação de títulos e valores mobiliários, aplicações e investimentos, capitalização etc) integram ou não o faturamento. A questão das receitas que devem integrar a base de cálculo da contribuição devida por instituições financeiras é objeto do RE nº 609.096 (Tema 372), em relação ao qual o Supremo Tribunal Federal decidiu que existe repercussão geral e sobrestou os demais feitos judiciais em andamento, conforme se depreende do despacho do Ministro Ricardo Lewandowski, que transcrevo a seguir: “RE 609096 / RS RIO GRANDE DO SUL RECURSO EXTRAORDINÁRIO Relator(a): Min. RICARDO LEWANDOWSK Fl. 309DF CARF MF Impresso em 31/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/12/2013 por MARIA TERESA MARTINEZ LOPEZ, Assinado digitalmente em 04/ 12/2013 por MARIA TERESA MARTINEZ LOPEZ, Assinado digitalmente em 11/12/2013 por LUIZ EDUARDO DE OLI VEIRA SANTOS Processo nº 10675.906302/200951 Resolução nº 9303000.049 CSRFT3 Fl. 309 3 Julgamento: 10/06/2011 Publicação DJe115 DIVULG 15/06/2011 PUBLIC 16/06/2011 Partes RECTE.(S) : MINISTÉRIO PÚBLICO FEDERAL PROC.(A/S)(ES) : PROCURADORGERAL DA REPÚBLICA RECTE.(S) : UNIÃO PROC.(A/S)(ES): PROCURADORGERAL DA FAZENDA NACIONAL RECDO.(A/S) : BANCO SANTANDER (BRASIL) S/A ADV.(A/S):MARCOS JOAQUIM GONCALVES ALVES E OUTRO(A/S) Decisão Petição 73745/2010STF. Federação Brasileira dos Bancos – FEBRABAN requer seu ingresso neste recurso extraordinário na condição de amicus curiae, bem como “a suspensão de todos os processos que tramitam em primeiro e segundo graus de jurisdição, que versem sobre a questão constitucional debatida nestes autos” (fl. 666). No caso, tratase de recursos extraordinários interpostos pela União e pelo Ministério Público Federal contra acórdão que entendeu que as receitas financeiras das instituições financeiras não se enquadram no conceito de faturamento para fins de incidência da COFINS e da contribuição para o PIS. Esta Corte reconheceu a existência de repercussão geral do tema versado neste recurso. Transcrevo a ementa: “CONSTITUCIONAL. TRIBUTÁRIO. COFINS E CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS. INCIDÊNCIA. RECEITAS FINANCEIRAS DAS INSTITUIÇÕES FINANCEIRAS. CONCEITO DE FATURAMENTO. EXISTÊNCIA DE REPERCUSSÃO GERAL” (fl. 1.054). É o breve relatório. Decido. De acordo com o § 6º do art. 543A do Código de Processo Civil: “O Relator poderá admitir, na análise da repercussão geral, a manifestação de terceiros, subscrita por procurador habilitado, nos termos do Regimento Interno do Supremo Tribunal Federal”. Por sua vez, o § 2º do art. 323 do RISTF assim disciplinou a matéria: “Mediante decisão irrecorrível, poderá o(a) Relator(a) admitir de ofício ou a requerimento, em prazo que fixar, a manifestação de terceiros, subscrita por procurador habilitado, sobre a questão da repercussão geral”. Fl. 310DF CARF MF Impresso em 31/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/12/2013 por MARIA TERESA MARTINEZ LOPEZ, Assinado digitalmente em 04/ 12/2013 por MARIA TERESA MARTINEZ LOPEZ, Assinado digitalmente em 11/12/2013 por LUIZ EDUARDO DE OLI VEIRA SANTOS Processo nº 10675.906302/200951 Resolução nº 9303000.049 CSRFT3 Fl. 310 4 A esse respeito, assim se manifestou o eminente Min. Celso de Mello, Relator, no julgamento da ADI 3.045/DF: “a intervenção do amicus curiae, para legitimarse, deve apoiarse em razões que tornem desejável e útil a sua atuação processual na causa, em ordem a proporcionar meios que viabilizem uma adequada resolução do litígio constitucional”. Verifico que a requerente atende aos requisitos necessários para participar desta ação na qualidade de amicus curiae. Quanto ao pedido de suspensão dos processos que tratam da mesma matéria versada nesses autos que tramitam em primeiro e segundo graus, entendo que não merece acolhida. É que os arts. 543B do CPC e 328 do RISTF tratam do sobrestamento de recursos extraordinários interpostos em razão do reconhecimento da repercussão geral da matéria neles discutida, e não de ações que ainda não se encontram nessa fase processual. Além disso, uma vez que esta Corte já reconheceu a repercussão geral da matéria aqui debatida, os recursos extraordinários que versam sobre o mesmo assunto ficarão sobrestados, na origem, por força do próprio art. 543B do CPC. Isso posto, defiro o pedido de ingresso da FEBRABAN na qualidade de amicus curiae e indefiro o pedido de suspensão requerido. Publiquese. Brasília, 10 de junho de 2011. Ministro RICARDO LEWANDOWSKI” (Grifei) Considerando que houve determinação de sobrestamento por parte do STF dos demais feitos relativos à mesma questão que tramitam no Judiciário, voto no sentido de que este E. Colegiado aplique o art. 62A do Regimento Interno do CARF para sobrestar o julgamento do recurso voluntário até que sobrevenha decisão definitiva do STF no RE nº 609.096 (Tema 372). Maria Teresa Martínez López Fl. 311DF CARF MF Impresso em 31/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/12/2013 por MARIA TERESA MARTINEZ LOPEZ, Assinado digitalmente em 04/ 12/2013 por MARIA TERESA MARTINEZ LOPEZ, Assinado digitalmente em 11/12/2013 por LUIZ EDUARDO DE OLI VEIRA SANTOS
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Numero do processo: 10830.917788/2011-37
Turma: Primeira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Oct 15 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Mon Nov 10 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2001, 2002, 2003, 2004
INCONSTITUCIONLIDADE DO §1º DO ART. 3º DA LEI Nº 9.718/98. BASE DE CÁLCULO DA COFINS
O Supremo Tribunal Federal pacificou o entendimento de que a COFINS deve incidir sobre o faturamento. Nos termos do artigo 62A do Regimento Interno do CARF, este Conselho deve seguir as decisões proferidas pelo plenário do STF.
ÔNUS DA PROVA. FATO CONSTITUTIVO DO DIREITO. INCUMBÊNCIA DO INTERESSADO. PROCEDÊNCIA.APURAÇÃO DO CRÉDITO. VERDADE MATERIAL
Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado. Havendo prova nos autos que foi recolhido valor a maior do que o devido, deve-se conceder o direito ao creditamento, inclusive na carência de DCTF retificadora, pelo princípio da verdade material.
Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 3801-004.432
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado.
(assinatura digital)
Flávio de Castro Pontes - Presidente.
(assinatura digital)
Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira - Redator designado.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Sérgio Celani, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Marcos Antônio Borges, Paulo Antônio Caliendo Velloso Da Silveira, Jacques Maurício Ferreira Veloso de Melo e Flavio de Castro Pontes.
Nome do relator: PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA
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BASE DE CÁLCULO DA COFINS O Supremo Tribunal Federal pacificou o entendimento de que a COFINS deve incidir sobre o faturamento. Nos termos do artigo 62A do Regimento Interno do CARF, este Conselho deve seguir as decisões proferidas pelo plenário do STF. ÔNUS DA PROVA. FATO CONSTITUTIVO DO DIREITO. INCUMBÊNCIA DO INTERESSADO. PROCEDÊNCIA.APURAÇÃO DO CRÉDITO. VERDADE MATERIAL Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado. Havendo prova nos autos que foi recolhido valor a maior do que o devido, devese conceder o direito ao creditamento, inclusive na carência de DCTF retificadora, pelo princípio da verdade material. Recurso Voluntário Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado. (assinatura digital) Flávio de Castro Pontes Presidente. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 83 0. 91 77 88 /2 01 1- 37 Fl. 66DF CARF MF Impresso em 10/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/11/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 10/11/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 04/11/2014 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA 2 (assinatura digital) Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira Redator designado. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Sérgio Celani, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Marcos Antônio Borges, Paulo Antônio Caliendo Velloso Da Silveira, Jacques Maurício Ferreira Veloso de Melo e Flavio de Castro Pontes. Fl. 67DF CARF MF Impresso em 10/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/11/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 10/11/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 04/11/2014 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Processo nº 10830.917788/201137 Acórdão n.º 3801004.432 S3TE01 Fl. 9 3 Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto nos autos do processo nº 10830.917788/201137, contra o acórdão nº 0948.364, julgado pela 2ª. Turma da Delegacia Regional de Julgamento de Juiz de Fora (DRJ/JFA), na sessão de julgamento de 04 de dezembro de 2013, em que julgou improcedente a manifestação de inconformidade apresentada pela contribuinte. Por bem descrever os fatos, adoto o relatório da Delegacia Regional de Julgamento de origem, que assim os relatou: “O interessado transmitiu o PER/DCOMP nº 23443.88822.050406.1.2.041649, visando a restituição do crédito oriundo de pagamento indevido ou a maior, código 2172, efetuado em 15/9/2003, e/ou compensação dos débitos nela declarados com o mesmo crédito; A DRF Campinas/SP emitiu Despacho Decisório eletrônico, no qual não reconhece o direito creditório e/ou não homologa as compensações pleiteadas; A empresa apresenta manifestação de inconformidade, na qual alega, em síntese que; a) DA FORÇA CONSTITUTIVA DO PERDCOMP. NULIDADE DO DESPACHO DECISÓRIO; b) DA LEGITIMIDADE DO CRÉDITO PLEITEADO. VALORES INDEVIDAMENTE RECOLHIDOS SOBRE DEMAIS RECEITAS. INCONSTITUCIONALIDADE DO §1°, ART. 3º, DA LEI 9.718/98; c) DOS EFEITOS DA DECLARAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE. DA INVALIDADE (INEFICÁCIA) DAS DECLARAÇÕES PREENCHIDAS COM BASE NO DISPOSITIVO DECLARADO INCONSTITUCIONAL; d) DA PROVA DA EXISTÊNCIA DO CRÉDITO REQUERIDO; e) DO PEDIDO DE DILIGÊNCIA; É o breve relatório.” A DRJ de Juiz de Fora (DRJ/JFA) decidiu pela improcedência da manifestação de inconformidade apresentada pela contribuinte. Colaciono a ementa do referido julgado: Fl. 68DF CARF MF Impresso em 10/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/11/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 10/11/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 04/11/2014 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA 4 ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Anocalendário: 2001, 2002, 2003, 2004 COMPENSAÇÃO. NÃO HOMOLOGAÇÃO. ARGÜIÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI Não cabe ao julgador administrativo apreciar a matéria do ponto de vista constitucional. COMPENSAÇÃO. NECESSIDADE DE DCTF ANTERIOR À TRANSMISSÃO DA DCOMP. A compensação pressupõe a existência de direito creditório líquido e certo direito esse evidenciado na DCTF anterior ou, no máximo, contemporânea à Dcomp. PIS/PASEP COFINS. BASE DE CÁLCULO. INCONSTITUCIONALIDADE DECLARADA PELO STF. CONTROLE DIFUSO. A decisão exarada pelo Supremo Tribunal Federal (STF), no âmbito de recurso extraordinário, que reconheceu a inconstitucionalidade do alargamento da base de cálculo das contribuições, surte efeitos jurídicos apenas entre as partes envolvidas no processo, eis que proferida em sede de controle difuso de constitucionalidade, não produzindo efeitos erga omnes, não podendo beneficiar ou prejudicar terceiros. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Inconformada com improcedência de sua manifestação de inconformidade, a contribuinte interpôs Recurso Voluntário em que expõe: 1 Pela inconstitucionalidade do 1º, do art. 3º da Lei nº 9.718/98, julgada em regime de repercussão geral, RE 585.235MG, deve ser reconhecido o crédito de COFINS, conforme art. 62A do Regimento Interno do CARF; 2 Desnecessidade de retificação da DCTF para o reconhecimento do crédito, entendendo ser a DCOMP instrumento hábil para constituição de crédito; 3 Comprovação do direito a crédito pela apuração de crédito baseada na cópia da ficha razão com o registro e outras receitas e cópia da ficha razão da conta de tributos a recolher. É o sucinto relatório. Fl. 69DF CARF MF Impresso em 10/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/11/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 10/11/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 04/11/2014 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Processo nº 10830.917788/201137 Acórdão n.º 3801004.432 S3TE01 Fl. 10 5 Voto Conselheiro Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira Relator. O recurso voluntário foi apresentado dentro do prazo legal, reunindo, ainda, os demais requisitos de admissibilidade. Portanto, dele conheço. Inconstitucionalidade do parágrafo 1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98. Base de cálculo da Cofins O direito a creditamento pleiteado está consubstanciado na inconstitucionalidade do parágrafo 1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98, pelo Plenário do STF, ao ampliar o conceito de receitas para envolver todas as receitas auferidas pela empresa, sem a observação do tipo de atividades ou a classificação destas. “.(...) CONTRIBUIÇÃO SOCIAL PIS RECEITA BRUTA NOÇÃO INCONSTITUCIONALIDADE DO § 1º DO ARTIGO 3º DA LEI Nº 9.718/98. A jurisprudência do Supremo, ante a redação do artigo 195 da Carta Federal anterior à Emenda Constitucional nº 20/98, consolidouse no sentido de tomar as expressões receita bruta e faturamento como sinônimas, jungindoas à venda de mercadorias, de serviços ou de mercadorias e serviços. É inconstitucional o § 1ºdo artigo 3º da Lei nº9.718/98, no que ampliou o conceito de receita bruta para envolver a totalidade das receitas auferidas por pessoas jurídicas, independentemente da atividade por elas desenvolvida e da classificação contábil adotada.” (Recurso Extraordinário nº 358.273, Rel. Min. Marco Aurélio)” Não há dúvida sobre o direito a crédito decorrente da inconstitucionalidade do parágrafo 1º do art. 3ª da Lei nº 9.718/98, devendo ser aplicado o entendimento da Suprema Corte por força do art. 62A do Regimento Interno do CARF, na redação dada recentemente pela Portaria MF nº 586, de 21/12/2010: Fl. 70DF CARF MF Impresso em 10/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/11/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 10/11/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 04/11/2014 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA 6 Art. 62A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelo artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. § 1º Ficarão sobrestados os julgamentos dos recursos sempre que o STF também sobrestar o julgamento dos recursos extraordinários da mesma matéria, até que seja proferida decisão nos termos do art. 543B.} § 2º O sobrestamento de que trata o § 1º será feito de ofício pelo relator ou por provocação das partes. (grifos e destaques nossos) Nestes termos, entendo que assiste razão ao contribuinte, devendo ser reconhecido o crédito de COFINS pelo recolhimento a maior da contribuição durante a vigência do parágrafo 1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98 cuja inconstitucionalidade restou reconhecida pelo Pleno do STF. Da comprovação do crédito e da prescindibilidade da retificadora A controvérsia do caso reside no fato de o contribuinte ter realizado pedido de compensação/restituição sem ter feito retificadora da DCTF. No Conselho, dentro do procedimento de compensação, a declaração retificadora seria o instrumento de apuração de direito líquido e certo do contribuinte, devendo ser realizada anteriormente ao pedido de compensação. Não obstante ao apontado, existe a predominância do entendimento de que a DCTF retificadora poderá ser apresentada após o despacho decisório de negou o crédito, desde que sejam apresentados documentos contábeis suficientes, como os apresentados à fl. 23/27, para comprovar que o crédito alegado na PERDCOMP e a correção da DCTF de fato transparecem o direito. A exigência apontada é reflexo dos julgamentos das turmas do Conselho. Esse entendimento nada mais é que a primazia da verdade material em detrimento da forma e procedimento. Isto é, uma vez exigida a juntada de documentação contábil que comprove o valor lançado de DCTF retificadora como crédito, abrese à discussão da matéria de fato, entendose que a contabilidade da empresa possui força probatória para a constituição de direito creditório, superior a mera declaração deste. Uma vez comprovado, pela contabilidade da empresa, o recolhimento da COFINS com inclusão de todas as receitas auferidas pela empresa na base de cálculo por exigência legal e que, pela posterior extinção desta exigência, a empresa teria direito a crédito, resta comprovada a prescindibilidade da apresentação da DCTF retificadora por ter o contribuinte apresentado documentação contábil condizente ao direito pretendido. Fl. 71DF CARF MF Impresso em 10/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/11/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 10/11/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 04/11/2014 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Processo nº 10830.917788/201137 Acórdão n.º 3801004.432 S3TE01 Fl. 11 7 Possuo o entendimento que o julgamento exige o claro convencimento sobre a liquidez e certeza da existência do crédito, sendo que a ausência de documentos suficientes para a declaração de sua certeza exige a realização de diligências. Nas situações onde o direito de crédito é certo, sendo necessária tão somente a apuração de sua liquidez entendo que é possível o provimento do pedido, com a subseqüente liquidação posterior pela autoridade fiscal. Entendo que deve ser dado provimento ao presente recurso voluntário, devendo ser homologada a PerDcomp de fl. 31/33, com a sua apuração pela Delegacia de Origem. É importante consignar que compete a autoridade administrativa, com base na escrita fiscal e contábil, efetuar os cálculos e apurar o valor do direito creditório. Em face do exposto, encaminho o voto para DAR PROVIMENTO ao recurso voluntário, devendo a liquidez do crédito ser apurada pela Delegacia de Origem. É assim que voto. Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira – Relator. Fl. 72DF CARF MF Impresso em 10/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/11/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 10/11/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 04/11/2014 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA
score : 1.0
Numero do processo: 13900.001088/2008-41
Turma: Primeira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Apr 18 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Mon Nov 24 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2005
DEDUÇÃO DESPESAS MÉDICAS
O direito suas deduções condiciona-se à comprovação não só da efetividade dos serviços prestados, mas também dos correspondentes pagamentos. Artigo 73, 80, §1°, III, e 797 do Regulamento de Imposto de Renda (Decreto n° 3.000/99).
DEDUÇÕES DESPESAS MÉDICAS COM TITULAR E DEPENDENTES
Somente podem ser aceitas como dedutíveis, as despesas médicas referentes ao contribuinte e seus dependentes declarados.
DEDUÇÃO DESPESAS COM PREVIDÊNCIA PRIVADA/FAPI
À míngua de comprovação através de documentação hábil e idônea, das despesas efetivamente realizadas, devida é a glosa fiscal.
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 2801-002.379
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso para restabelecer dedução com despesas médicas no valor de R$ 1.052,85, nos termos do voto do Relator.
Assinado digitalmente
Tânia Mara Paschoalin
Presidente do Colegiado na data de formalização da decisão (21/11/2014), em substituição ao Presidente Antônio de Pádua Athayde Magalhães, e Redatora ad hoc na data de formalização da decisão (21/11/2014), em substituição ao Conselheiro Relator Luiz Cláudio Farina Ventrilho.
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Antônio de Pádua Athayde Magalhães, Tânia Mara Paschoalin, Walter Reinaldo Falcão Lima, Carlos César Quadros Pierre e Luiz Claudio Farina Ventrilho. Ausente o Conselheiro Sandro Machado dos Reis.
Nome do relator: LUIZ CLAUDIO FARINA VENTRILHO
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Artigo 73, 80, §1°, III, e 797 do Regulamento de Imposto de Renda (Decreto n° 3.000/99). DEDUÇÕES DESPESAS MÉDICAS COM TITULAR E DEPENDENTES Somente podem ser aceitas como dedutíveis, as despesas médicas referentes ao contribuinte e seus dependentes declarados. DEDUÇÃO DESPESAS COM PREVIDÊNCIA PRIVADA/FAPI À míngua de comprovação através de documentação hábil e idônea, das despesas efetivamente realizadas, devida é a glosa fiscal. Recurso Voluntário Provido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso para restabelecer dedução com despesas médicas no valor de R$ 1.052,85, nos termos do voto do Relator. Assinado digitalmente Tânia Mara Paschoalin AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 90 0. 00 10 88 /2 00 8- 41 Fl. 112DF CARF MF Impresso em 24/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/11/2014 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 21/11/201 4 por TANIA MARA PASCHOALIN Processo nº 13900.001088/200841 Acórdão n.º 2801002.379 S2TE01 Fl. 113 2 Presidente do Colegiado na data de formalização da decisão (21/11/2014), em substituição ao Presidente Antônio de Pádua Athayde Magalhães, e Redatora ad hoc na data de formalização da decisão (21/11/2014), em substituição ao Conselheiro Relator Luiz Cláudio Farina Ventrilho. Participaram do presente julgamento os conselheiros: Antônio de Pádua Athayde Magalhães, Tânia Mara Paschoalin, Walter Reinaldo Falcão Lima, Carlos César Quadros Pierre e Luiz Claudio Farina Ventrilho. Ausente o Conselheiro Sandro Machado dos Reis. Relatório Adoto como relatório aquele utilizado pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento na decisão recorrida, que transcrevo abaixo: Tratase de Notificação de Lançamento (fls. 3/5), referente ao ano calendário de 2004, que resultou no lançamento de um crédito tributário total de R$ 15.148,66, já incluídos juros de mora e multa de oficio. Na Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal (fls. 4 e 4 vso.), consta que o contribuinte não atendeu A intimação e, portanto, não comprovou a legitimidade das deduções a titulo de Previdência Priva / FAPI, Despesas Médicas e(sic). Lavrada a Notificação de Lançamento, o contribuinte apresentou a defesa de fls. 01, na qual alega que recebeu, em 08/09/2008, intimação para apresentação dos comprovantes de contribuição à previdência privada e FAPI, despesas médicas e decisão judicial ou acordo homologado judicialmente referente à prestação alimentícia (para os anos calendário de 2004 e 2005). De todos os documentos exigidos, não possuía de imediato o Acordo Homologado Judicialmente, razão pela qual aguardou a chegada do documento, requerido no órgão competente, para só então efetuar a apresentação de todos. No entanto, em 13/11/2008, recebeu as notificações de lançamentos, forçando lhe A apresentação da impugnação. E o relatório. Passo adiante, em 11 de fevereiro de 2010, através do Acórdão 1738.273, a 8a Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em São Paulo/SP (SPII), entendeu por bem julgar improcedente a impugnação, mantendo o crédito tributário apurado, em decisão que restou assim ementada: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2005 GLOSA DE DEDUÇÕES. Fl. 113DF CARF MF Impresso em 24/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/11/2014 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 21/11/201 4 por TANIA MARA PASCHOALIN Processo nº 13900.001088/200841 Acórdão n.º 2801002.379 S2TE01 Fl. 114 3 0 direito As suas deduções condicionase à comprovação não só da efetividade dos serviços prestados, mas também dos correspondentes pagamentos. Artigo 73, 80, §1°, III, e 797 do Regulamento de Imposto de Renda (Decreto n° 3.000/99). Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Cientificada em 10/03/2010 (fl. 69), o Recorrente, interpôs Recurso Voluntário em 09/04/2010 (fls. 73 a 78 e documentos), reiterando os argumentos expostos quando da apresentação da impugnação. É o Relatório. Voto Conselheiro Luiz Cláudio Farina Ventrilho, Relator: Conheço do recurso, posto que tempestivo e com condições de admissibilidade. Inexistem preliminares suscitadas pelo contribuinte/recorrente. Apesar do julgamento da DRJ mencionar questões atinentes a pensão alimentícia, na página 04 dos presentes autos, se verifica que a autuação fiscal se deu em razão da fiscalização haver considerado indevida a dedução à título de despesas médicas no montante de R$ 22.683,35 e dedução indevida de Previdência Privada e FAPI, esta, no montante de R$ 2.141,37, sendo este o limite de análise do presente processo. DEDUÇÕES INDEVIDAS. PREVIDÊNCIA PRIVADA E DESPESAS MÉDICAS a) DAS DESPESAS MÉDICAS NÃO ACEITAS O ora recorrente declarou à título despesas médicas o valor de R$ 22.683,35. Nesta esteira, no tópico despesas médicas, a DRJ entendeu que o contribuinte não se desincumbiu do mister que lhe recaía sob os ombros, que era o de comprovar a efetividade do pagamento e da prestação dos serviços, mantendo integralmente referidas glosas atinentes aos profissionais mencionados, findando por mencionar que, verbis: “Esclarecido o ônus da prova e a forma de comprovação das despesas,cumpre consignar que, para nenhum dos recibos apresentados, emitidos por Maria Helena Piovesan (fls. 20/22), Fábio Zan de Campos (fls. 21/32), Virginia Rezende de Siqueira (fls.33/34), Antônio Wilson de Alencar Ferreira (fls. 35/37) e Scheilla de Mesquita Campoy (fls.38/48), há prova do efetivo pagamento ou da efetiva prestação de serviços.” Desde o início do procedimento fiscal, foi o contribuinte intimado, na ocasião para apresentar provas da efetividade dos serviços prestados, bem como do efetivo desembolso, Fl. 114DF CARF MF Impresso em 24/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/11/2014 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 21/11/201 4 por TANIA MARA PASCHOALIN Processo nº 13900.001088/200841 Acórdão n.º 2801002.379 S2TE01 Fl. 115 4 tais como cópia de cheques, ordens de pagamento, transferências bancárias, saques coincidentes em datas e valores com a prestação dos serviços, entre outros, se limitando o contribuinte ora recorrente a apresentar recibos dos prestadores que em alguns casos nem sequer cumpriam os requisitos formais exigidos em Lei, tais como os recibos de fls. 33/37, nos quais consta a ausência de endereço, especificação dos serviços realizados e beneficiário dos tratamentos. No processo administrativo fiscal, em especial quanto as comprovações de deduções de despesas médicas é o contribuinte quem deve comprovar perante a Autoridade Fiscal, por documentação idônea e inequívoca, a realização de tais despesas, bem como da efetividade dos pagamentos. Ademais as exigências fiscais têm em todos os casos embasamento legal constante do art. 8° da Lei n 9.250, de 26 de dezembro de 1995, que assim determina, in verbis: “Art. 8° A base de cálculo do imposto devido no ano calendário será a diferença entre as somas: I de todos os rendimentos percebidos durante o anocalendário, exceto os isentos, os nãotributáveis, os tributáveis exclusivamente na fonte e os sujeitos a tributação definitiva; II das deduções relativas: a) aos pagamentos efetuados, no anocalendário, a médicos, dentistas, psicólogos, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais e hospitais,bem como as despesas com exames laboratoriais, serviços radiológicos,aparelhos ortopédicos e próteses ortopédicas e dentárias; (...) § 2° O disposto na alínea a do inciso II: I aplicase, também, aos pagamentos efetuados a empresas domiciliadas no Pais, destinados a cobertura de despesas com hospitalização, médicas e odontológicas, bem Como a entidades que assegurem direito de atendimento ou ressarcimento de despesas da mesma natureza; II restringese aos pagamentos efetuados pelo contribuinte, relativos ao próprio tratamento e ao de seus dependentes; III limitase a pagamentos especificados e comprovados, com indicação do nome, endereço e número de inscrição no Cadastro de Pessoas Físicas – CPF ou no Cadastro Geral de Contribuintes CGC de quem os recebeu, podendo, na falta de documentação, ser feita indicação do cheque nominativo pelo qual foi efetuado o pagamento; IV omissis; V omissis” Fl. 115DF CARF MF Impresso em 24/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/11/2014 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 21/11/201 4 por TANIA MARA PASCHOALIN Processo nº 13900.001088/200841 Acórdão n.º 2801002.379 S2TE01 Fl. 116 5 Ora, o normativo legal acima é por demais claro e aplicável a todos os contribuintes, devendo ser seguido in litteris por todos aqueles que, a exemplo do recorrente, pretenderem efetuar deduções de despesas médicas da base de cálculo do imposto de renda a ser recolhido a Receita Federal do Brasil, prevendo inclusive o inciso III, de forma alternativa, que na ausência da documentação exigida, a possibilidade de ser apresentada indicação do cheque nominativo pelo qual foi efetuado o pagamento. Este procedimento não foi observado pelo contribuinte, que não comprovou perante a Autoridade Fiscal o efetivo pagamento, tampouco a efetiva realização de tais procedimentos. Por esta razão, a fim de explicitar perante a Autoridade Fiscal, que já havia apontado as falhas desde os primórdios do processo, caberia ao contribuinte comprovar de forma esmiuçada e através de documentos hábeis e inequívocos, o efetivo desembolso e a efetiva realização de tais procedimentos, que presumemse serem importantes, até mesmo pelos valores envolvidos. Desta forma, a míngua do cumprimento pelo recorrente dos requisitos legais constantes do art. 8° da Lei nº. 9.250, de 26 de dezembro de 1995, entende este Relator, por devidas e corretas as glosas referentes as deduções de despesas médicas, eis que efetivamente não comprovados seu efetivo pagamento pelo contribuinte tampouco a efetiva prestação dos serviços, devendo portanto ser mantidas as glosas referidas. b) DAS DESPESAS MÉDICAS ACEITAS Especificamente quanto ao documento colacionado aos autos à fl. 93 (Declaração da UNIMED), verificase que se refere a despesas havidas no ano calendário em análise, que contudo menciona como beneficiárias, MARIA ADELAIDE C.V. LINO, MARIANA DE C. VELOSO LINO, RITA MONTEIRO LIMA e TELMA PINTO. Quanto ao documento de fl. 94 (BRADESCO SAÚDE) verificase que se referem a despesas havidas no ano calendário em análise, que contudo menciona como beneficiárias, MARIA ADELAIDE C.V. LINO e MARIANA DE C. VELOSO LINO e RITA MONTEIRO LIMA. Da análise da DIRPF do recorrente, não existe qualquer menção à dependente, não sendo possível a este Colegiado aferir se, tratase de uma falha da Declaração apresentada ou se a filha estaria declarada como dependente na DIRPF de sua genitora, que igualmente não está juntada aos autos. Desta forma, de acordo com o regramento fiscal, somente podem ser considerados como dedutíveis despesas médicas havidas com o contribuinte e seus dependentes,e no presente caso, como inexistem dependentes declarados, somente podem ser aceitas as despesas médicas havidas com o recorrente, devendo no caso do documento de fl. 93 e 94, ser restabelecida despesas médicas no valor de R$ 216,00 referentes ao plano de saúde (UNIMED) e de R$ 836,85 (BRADESCO SAÚDE) Quanto a dedução referente a Previdência Privada/FAPI, o recorrente apesar de expressamente mencionar a juntada do documento comprobatório (APLUB) apto a enfrentar a glosa fiscal, não o colaciona aos autos, devendo, pois, por esta razão, ser mantida a glosa fiscal neste sentido. Fl. 116DF CARF MF Impresso em 24/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/11/2014 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 21/11/201 4 por TANIA MARA PASCHOALIN Processo nº 13900.001088/200841 Acórdão n.º 2801002.379 S2TE01 Fl. 117 6 Conclusão Por todo o exposto, voto por dar provimento parcial ao recurso, para restabelecer despesas médicas no valor de R$ 1.052,85. Assinado digitalmente Tânia Mara Paschoalin Redatora ad hoc, em substituição ao Conselheiro Relator Luiz Cláudio Farina Ventrilho. Fl. 117DF CARF MF Impresso em 24/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/11/2014 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 21/11/201 4 por TANIA MARA PASCHOALIN
score : 1.0
Numero do processo: 15375.005027/2009-54
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Oct 09 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Fri Oct 10 00:00:00 UTC 2014
Numero da decisão: 2302-000.339
Decisão: Assunto: Obrigações Acessórias
Data do fato gerador: 11/07/2005
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
RESOLVEM os membros da 2ª TO/3ª CÂMARA/2ª SEJUL/CARF/MF/DF, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, para que seja juntada aos autos, a cópia da decisão definitiva relativa à Notificação Fiscal de Lançamento de Débito DEBCAD n.º 35.758.383-3, proferida no PAF nº 10665.000194/2010-63.
Liége Lacroix Thomasi Presidente de Turma.
Arlindo da Costa e Silva Relator ad hoc.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Liége Lacroix Thomasi (Presidente de Turma), André Luis Mársico Lombardi, Leo Meirelles do Amaral, Fábio Pallaretti Calcini e Arlindo da Costa e Silva.
Nome do relator: Não se aplica
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decisao_txt : Assunto: Obrigações Acessórias Data do fato gerador: 11/07/2005 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. RESOLVEM os membros da 2ª TO/3ª CÂMARA/2ª SEJUL/CARF/MF/DF, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, para que seja juntada aos autos, a cópia da decisão definitiva relativa à Notificação Fiscal de Lançamento de Débito DEBCAD n.º 35.758.383-3, proferida no PAF nº 10665.000194/2010-63. Liége Lacroix Thomasi Presidente de Turma. Arlindo da Costa e Silva Relator ad hoc. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Liége Lacroix Thomasi (Presidente de Turma), André Luis Mársico Lombardi, Leo Meirelles do Amaral, Fábio Pallaretti Calcini e Arlindo da Costa e Silva.
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RESOLVEM os membros da 2ª TO/3ª CÂMARA/2ª SEJUL/CARF/MF/DF, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, para que seja juntada aos autos, a cópia da decisão definitiva relativa à Notificação Fiscal de Lançamento de Débito DEBCAD n.º 35.758.3833, proferida no PAF nº 10665.000194/201063. Liége Lacroix Thomasi – Presidente de Turma. Arlindo da Costa e Silva – Relator ad hoc. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Liége Lacroix Thomasi (Presidente de Turma), André Luis Mársico Lombardi, Leo Meirelles do Amaral, Fábio Pallaretti Calcini e Arlindo da Costa e Silva. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 53 75 .0 05 02 7/ 20 09 -5 4 Fl. 673DF CARF MF Impresso em 10/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/10/2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 09/10/ 2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 09/10/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 15375.005027/200954 Resolução nº 2302000.339 S2C3T2 Fl. 674 2 1. RELATÓRIO Período de apuração: 01/01/1999 a 30/04/2005 Data da lavratura do Auto de Infração: 11/07/2005. Data da Ciência do Auto de Infração: 11/07/2005. Temse em pauta Recurso Voluntário interposto em face de Decisão Administrativa de 1ª Instância proferida pela Delegacia da Receita Federal do Brasil Previdenciária em Belo Horizonte/MG, que julgou improcedente a impugnação oferecida pelo sujeito passivo do crédito tributário lançado por intermédio do Auto de Infração de Obrigação Acessória nº 35.758.3625, Código de Fundamentação Legal nº 68, lavrado em decorrência do descumprimento de obrigação acessória prevista no inciso IV do art. 32 da Lei de Custeio da Seguridade Social, conforme descrito no Relatório Fiscal do Auto de Infração a fls. 26/27, e anexo a fls. 39/237. De acordo com o Relatório Fiscal a fl. 13, o presente Auto de Infração foi lavrado em decorrência de infringência ao art. 32, IV e §5° da Lei 8212/91 c/c o artigo 225, IV, §4° do Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto 3048/99, em razão de ter a empresa apresentado GFIP com dados não correspondentes aos fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias, no período de 01/1999 a 04/2005. CFL 68 Apresentar a empresa GFIP/GRFP com dados não correspondentes aos fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias, seja em ralação às bases de cálculo, seja em relação às informações que alterem o valor das contribuições, ou do valor que seria devido se não houvesse isenção (Entidade Beneficente) ou substituição (SIMPLES, Clube de Futebol, produção rural) – Art. 284, II na redação do Dec.4.729, de 09/06/2003. A multa aplicada corresponde a 100% do valor da contribuição devida e não declarada, calculada por competência, respeitado o limite mensal conforme o número de segurados da empresa, de acordo com o Relatório Fiscal de Aplicação da multa a fls. 28/37. Relata a Autoridade Lançadora que a empresa foi autuada por ter apresentado GFIP com omissão de fatos geradores de contribuições previdenciárias dos segurados empregados, segurados contribuintes individuais pessoas físicas transportadores autônomos, retiradas pro labore dos diretores, comercialização de produtos rurais (leite) e reclamatórias trabalhistas, conforme descrito no Relatório Fiscal do Auto de Infração a fls. 26/27, e anexo a fls. 39/237. Fl. 674DF CARF MF Impresso em 10/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/10/2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 09/10/ 2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 09/10/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 15375.005027/200954 Resolução nº 2302000.339 S2C3T2 Fl. 675 3 Inconformado com a autuação, o Sujeito Passivo apresentou impugnação administrativa a fls. 241/324. A Delegacia da Receita Federal do Brasil Previdenciária em Belo Horizonte/MG lavrou Decisão Administrativa textualizada na DecisãoNotificação nº 11.401.4/0260/2005, a fls. 459/471, julgando procedente a autuação e mantendo o crédito tributário em sua integralidade. O Sujeito Passivo foi cientificado da decisão de 1ª Instância no dia 16/11/2005, conforme Aviso de Recebimento a fl. 473. Inconformado com a decisão exarada pelo órgão administrativo julgador a quo, o ora Recorrente interpôs recurso voluntário a fls. 479/561, respaldando sua inconformidade em argumentação desenvolvida nos termos que se vos seguem: · Impossibilidade do desmembramento do presente auto de infração a obrigação principal; · Obrigatoriedade da lavratura de apenas um auto para cada tipo de infração; · Inaplicabilidade da multa em decorrência do recolhimento do tributo; · Que a multa pelo não recolhimento absorve a multa pelo descumprimento de obrigação tributária acessória; · Inexistência de contribuições devidas ou declaradas – inocorrência de infração; · Os Autos de Infração 357583825 e 358583841 foram lavrados com base no mesmo artigo 32, IV da Lei 8.212/91; · Ilegalidade do mínimo adotado como mínimo da multa; · Limitação por competência do valor da multa; · Decadência da Obrigação Principal; · Que é indevida a extensão de responsabilidade tributária aos sócios da empresa; Considerando que a obrigação principal correspondente aos mesmíssimos fatos geradores tratados neste Auto de Infração foi objeto da Notificação Fiscal de Lançamento de Débito NFLD nº 35.758.3833, lavrada na mesma ação fiscal, e que o Sujeito Passivo, ora recorrente, ofereceu impugnação à NFLD acima referida, como medida de reconhecida prudência, almejando esquivarmos de decisões contraditórias, o julgamento do feito houvese por convertido em diligência fiscal, até que se consumasse o Trânsito em Julgado da decisão administrativa relativa à NFLD n° 35.758.3833, conforme Resolução nº 2302000.194 – 3ª Câmara/2ª Turma Ordinária, de 21 de novembro de 2012, a fls. 616/618. Fl. 675DF CARF MF Impresso em 10/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/10/2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 09/10/ 2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 09/10/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 15375.005027/200954 Resolução nº 2302000.339 S2C3T2 Fl. 676 4 Despacho SACAT/DRF/DIV, a fls. 633/667, aviando revisão de ofício da NFLD nº 35.758.3833, tendo em vista o teor da Súmula Vinculante nº 8 do STF. O Sujeito Passivo houvese por cientificado do resultado da Diligência Fiscal acima referida em 14/03/2014, conforme documento a fl. 669, não se manifestando nos autos do processo. Relatados sumariamente os fatos relevantes. 2. DA ADMISSIBILIDADE DO RECURSO O sujeito passivo foi válida e eficazmente cientificado da decisão recorrida no dia 16/11/2005. Havendo sido o recurso recebido pelo órgão fazendário em 14/12/2005, há que se reconhecer a tempestividade do recurso interposto. Presentes os demais requisitos de admissibilidade do recurso, dele conheço. 3. DA FUNDAMENTAÇÃO E MÉRITO Cumpre destacar, inicialmente, que a obrigação principal correspondente aos mesmíssimos fatos geradores tratados neste Auto de Infração é objeto da Notificação Fiscal de Lançamento de Débito NFLD nº 35.758.3833, lavrada na mesma ação fiscal, objeto do Processo Administrativo Fiscal nº 10665.000194/201063. Em virtude da flagrante relação de prejudicialidade existente entre os fundamentos de fato e de direitos inerentes ao vertente Auto de Infração de Obrigação Acessória e a Notificação Fiscal de Lançamento de Débito NFLD nº 35.758.3833, lavrada na mesma ação fiscal, como medida de reconhecida prudência, e almejando evitar a prolação de decisões conflitantes, houvese o julgamento do presente feito convertido em diligência fiscal, nos termos da Resolução nº 2302000.194 – 3ª Câmara/2ª Turma Ordinária, de 21 de novembro de 2012, a fls. 616/618, até que se consumasse o Trânsito em Julgado da decisão administrativa relativa à NFLD n° 35.758.3833. A Resolução nº 2302000.194 – 3ª Câmara/2ª Turma Ordinária, de 21 de novembro de 2012, foi clara e expressa ao determinar que: “A diligência deve ser concluída com a juntada aos presentes autos de cópia da decisão definitiva proferida no PAF em que se debate o mérito do lançamento aviado na NFLD n° 35.758.3833”. A DILIGÊNCIA FISCAL NÃO FOI CUMPRIDA !!! Fl. 676DF CARF MF Impresso em 10/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/10/2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 09/10/ 2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 09/10/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 15375.005027/200954 Resolução nº 2302000.339 S2C3T2 Fl. 677 5 Os autos retornaram a este Colegiado sem que fosse juntada aos presentes autos a cópia da decisão definitiva proferida no PAF nº 10665.000194/201063, em que se debate o mérito do lançamento aviado na NFLD n° 35.758.3833, sendo negligenciada a determinação expressa comandada pela diligência fiscal contida na Resolução nº 2302000.194 – 3ª Câmara/2ª Turma Ordinária, de 21 de novembro de 2012, a fls. 616/618. Não supre a Decisão Administrativa definitiva referente à NFLD n° 35.758.383 3 o Despacho SACAT/DRF/DIV, a fls. 633/667, uma vez que este não informa quais foram efetivamente os fatos geradores mantidos no lançamento objeto da NFLD acima citada. Por tais razões, pugnamos pela conversão do julgamento em nova diligência fiscal para que a Secretaria da Receita Federal do Brasil, sem desídia, CUMPRA EFETIVAMENTE as determinações aviadas na Resolução nº 2302000.194, de 21 de novembro de 2012, mediante a juntada aos presentes autos de cópia da decisão definitiva referente ao lançamento veiculado por intermédio da NFLD n° 35.758.3833, proferida no PAF nº 10665.000194/201063. Além disso, conforme comandado na Resolução acima mencionada, antes de os autos retornarem a este Colegiado, deve ser promovida a ciência do Contribuinte a respeito do conteúdo e resultado da diligência fiscal ora requestada, sendolhe concedido o prazo normativo para que, desejando, possa se manifestar nos autos do processo. 4. CONCLUSÃO Pelos motivos expendidos, voto pela CONVERSÃO do julgamento EM DILIGÊNCIA FISCAL, nos termos assinalados nos parágrafos anteriores. É como voto. Arlindo da Costa e Silva, Relator ad hoc. Fl. 677DF CARF MF Impresso em 10/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/10/2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 09/10/ 2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 09/10/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI
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Numero do processo: 19515.722756/2012-83
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Sep 09 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Tue Oct 14 00:00:00 UTC 2014
Ementa: null
null
Numero da decisão: 2201-002.502
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar as preliminares e, no mérito, dar provimento parcial ao recurso para excluir da exigência os itens 2 (Omissão de Rendimentos Recebidos de Pessoas Físicas) e 4 (Multa Isolada do Carnê- Leão) do Auto de Infração.
Assinado Digitalmente
MARIA HELENA COTTA CARDOZO - Presidente.
Assinado Digitalmente
EDUARDO TADEU FARAH - Relator.
EDITADO EM: 25/09/2014
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: MARIA HELENA COTTA CARDOZO (Presidente), VINICIUS MAGNI VERCOZA (Suplente convocado), GUILHERME BARRANCO DE SOUZA (Suplente convocado), FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, EDUARDO TADEU FARAH e NATHALIA MESQUITA CEIA. Ausente, justificadamente, o Conselheiro GUSTAVO LIAN HADDAD. Presente ao julgamento o Procurador da Fazenda Nacional, Dr. JULES MICHELET PEREIRA QUEIROZ E SILVA.
Nome do relator: EDUARDO TADEU FARAH
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USO DE INFORMAÇÕES DA CPMF PARA A CONSTITUIÇÃO DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO. LEGALIDADE. SÚMULA CARF Nº 35. “O art. 11, § 3º, da Lei nº 9.311/96, com a redação dada pela Lei nº 10.174/2001, que autoriza o uso de informações da CPMF para a constituição do crédito tributário de outros tributos, aplicase retroativamente”. INTIMAÇÃO FISCAL. CONTRIBUINTE DE OUTRA JURISDIÇÃO. SÚMULA CARF Nº 27. “É válido o lançamento formalizado por AuditorFiscal da Receita Federal do Brasil de jurisdição diversa da do domicílio tributário do sujeito passivo”. IRPF. CERCEAMENTO DIREITO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA. Rejeitase a preliminar de nulidade do lançamento, quando não configurado vício ou omissão de que possa ter decorrido o cerceamento do direito de defesa. OMISSÃO DE RENDIMENTOS RECEBIDOS DE PESSOA FÍSICA. FALTA DE COMPROVAÇÃO DA OCORRÊNCIA DO FATO GERADOR. Quanto o crédito bancário tiver sua origem conhecida, a partir da figura do depositante, não é lícito à fiscalização simplesmente presumilos como rendimento omitido de pessoa física. Para caracterizálo como tal, deve a autoridade autuante comprovar a ocorrência do fato gerador, conforme determina as Leis nº 7.713/1988 e 8.134/1990. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. INAPLICABILIDADE DAS NORMAS ATINENTES À TRIBUTAÇÃO DA ATIVIDADE RURAL. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 72 27 56 /2 01 2- 83 Fl. 508DF CARF MF Impresso em 14/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/09/2014 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 29/09/2014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 25/09/2014 por EDUARDO TADEU FARAH 2 O fato de a atividade preponderante do contribuinte ser a atividade rural não permite concluir que todos os depósitos existentes em sua conta referemse a essa mesma atividade. Para tanto, é necessário que o contribuinte faça prova de que tais valores transitaram em suas contas bancárias. NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. CTN. ART. 112. INAPLICABILIDADE. Inaplicável o art. 112 do CTN quando o conjunto probatório é sólido e suficiente para a formação da convicção da autoridade julgadora. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar as preliminares e, no mérito, dar provimento parcial ao recurso para excluir da exigência os itens 2 (Omissão de Rendimentos Recebidos de Pessoas Físicas) e 4 (Multa Isolada do Carnê Leão) do Auto de Infração. Assinado Digitalmente MARIA HELENA COTTA CARDOZO Presidente. Assinado Digitalmente EDUARDO TADEU FARAH Relator. EDITADO EM: 25/09/2014 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: MARIA HELENA COTTA CARDOZO (Presidente), VINICIUS MAGNI VERCOZA (Suplente convocado), GUILHERME BARRANCO DE SOUZA (Suplente convocado), FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, EDUARDO TADEU FARAH e NATHALIA MESQUITA CEIA. Ausente, justificadamente, o Conselheiro GUSTAVO LIAN HADDAD. Presente ao julgamento o Procurador da Fazenda Nacional, Dr. JULES MICHELET PEREIRA QUEIROZ E SILVA. Relatório Trata o presente processo de lançamento de ofício relativo ao Imposto de Renda Pessoa Física, anocalendário 2007, consubstanciado no Auto de Infração, fls. 256/261, acompanhado do Termo de Verificação Fiscal de fls. 220/252 e dos demonstrativos de fls. 253/255, pelo qual se exige o pagamento do crédito tributário total no valor de R$ 11.695.207,53, calculado até 30/11/2012. A fiscalização apurou omissão de rendimentos do trabalho sem vínculo empregatício recebidos de pessoas jurídicas; omissão de rendimentos do trabalho sem vínculo empregatício recebidos de pessoas físicas sujeitas ao carnêleão; omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários com origem não comprovada e multa isolada por falta de recolhimento do IRPF devido a título de carnêleão. Fl. 509DF CARF MF Impresso em 14/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/09/2014 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 29/09/2014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 25/09/2014 por EDUARDO TADEU FARAH Processo nº 19515.722756/201283 Acórdão n.º 2201002.502 S2C2T1 Fl. 3 3 Cientificado do lançamento, o contribuinte apresenta Impugnação alegando, conforme se extrai do relatório de primeira instância, verbis: DAS PRELIMINARES: 1. DA QUEBRA DO SIGILO BANCÁRIO A autoridade fiscal, em seu procedimento, quebrou o sigilo bancário do fiscalizado de forma ilegal, ferindo nossa Carta Magna, ao intimar o fiscalizado a apresentar os documentos. No Termo de Início de Fiscalização, a autoridade lançadora intimou o contribuinte apresentar os extratos de movimentação bancária do período de 01/01/2007 a 31/12/2007 das contas correntes e aplicações financeiras (inclusive caderneta de poupança) mantidas pelo fiscalizado na qualidade de titular e cotitular, nas instituições financeiras: Unibanco União de Bancos Brasileiros S.A. e Banco Bradesco S.A., com base nos artigos 844, 904, 911 e 927 do Regulamento do Imposto de Renda aprovado pelo Decreto n° 3.000/99. Os artigos citados em nenhum momento autorizam o agente fiscal intimar o contribuinte entregar seus extratos bancários. A intimação realizada com base nos artigos mencionados é nula, pois a exigência é ilegal. A fiscalização feriu o princípio da legalidade. A tutela da liberdade, da inviolabilidade da intimidade, da vida privada e do sigilo de dados constitui garantia assegurada às pessoas físicas e jurídicas, pelo que a invasão da base de dados e informações, sem prévia autorização judicial, pela Receita Federal, configura agressão aos direitos e garantias mencionados. No caso presente é mais terrível, pois a quebra se deu com ameaça de arbitramento dos rendimentos conforme previsto no art. 845, assim como da aplicação da multa agravada, conforme previsto no artigo 959, todos do RIR/99, sem prejuízo de outras sanções legais que couberem. Os artigos 844 e 927 tratam da obrigação do fiscalizado de prestar esclarecimentos ou informações, nunca de apresentar os extratos bancários. A matéria relativa ao sigilo de dados e operações financeiras possui estatura constitucional inserta no rol das garantias individuais, de modo que a sua flexibilização excepcional só pode ocorrer mediante ordem judicial. Cita acórdão do STF no Recurso Extraordinário 389.808. Em virtude do exposto, requer que todos os dados fornecidos pelo fiscalizado sob ameaça de aplicação de penalidades agravadas deve ser extirpada do processo pois fere o que STF já decidiu, sendo, portanto, prova obtida de forma ilícita que não pode ser utilizada para exigência de tributo. Assim, todos os documentos bancários fornecidos pelo fiscalizado devem ser desconsiderados e qualquer exação com base nos mesmos considerada nula. Fl. 510DF CARF MF Impresso em 14/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/09/2014 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 29/09/2014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 25/09/2014 por EDUARDO TADEU FARAH 4 2. DA INTIMAÇÃO SEM MPFD A autoridade fiscal informa no Termo de Verificação Fiscal que intimou o Sr. Jose Luciano Franco Rezende, conforme Intimação lavrada em 20/09/2012. À leitura deste Termo de Intimação, notamos as seguintes irregularidades: não existe no Termo de Intimação menção da MPFD vinculada e do código de acesso ao sítio da RFB para ciência do contribuinte, conforme previsto no parágrafo único do artigo 4º da Portaria RFB 3014/11; quebra do sigilo fiscal do intimado, com verificação de sua DAA do exercício de 2008, ano calendário de 2007, sem MPF D devidamente emitida, o que constitui infração administrativa gravíssima; o intimado não pertence a área de competência da autoridade fiscal, ferindo portanto o artigo 6º, § 1º da Portaria RFB 3014/11. A intimação lavrada pela autoridade fiscal é totalmente nula por ser ela incompetente para tal ato, conforme legislação de regência. Este fato contaminou todo o procedimento fiscal, conforme artigo 59 do Decreto 70.235/72. Em virtude do exposto, requer que seja cancelada a exação consubstanciada no Auto de Infração. 3. CERCEAMENTO DE DIREITO DE DEFESA O fiscalizado não teve em nenhum momento, dentro do prazo da impugnação, acesso ao processo. A AFRFB intimou contribuintes sem MPFD, e obteve informações que expõe em seu Termo de Verificação Fiscal sem dar ciência ao fiscalizado. Em virtude deste fato, requer o cancelamento da exação. Caso seja negado o pleito, requer também abertura de novo prazo para impugnação e cópia do processo administrativo para ciência de todos os fatos lá relatados. DO MÉRITO: 1. LANÇAMENTO DE OFÍCIO DOS CRÉDITOS EM CONTA PROVENIENTES DE PESSOA FÍSICA: A presunção de omissão de receita oriunda dos créditos bancários, na conta do impugnante, foi qualificada pela AFRFB nos seguintes itens: desconsideração da operação de empréstimo entre Durval Sanches Galo e Duaril Participações Ltda; os créditos na conta bancária do impugnante tiveram como origem remessas por TED do Sr. Jose Luciano Franco Rezende. A desconsideração da operação de empréstimo entre Durval Sanches Galo e Duaril Participações Ltda deuse porque os Fl. 511DF CARF MF Impresso em 14/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/09/2014 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 29/09/2014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 25/09/2014 por EDUARDO TADEU FARAH Processo nº 19515.722756/201283 Acórdão n.º 2201002.502 S2C2T1 Fl. 4 5 contratos de mútuos foram desconsiderados, pelos motivos a seguir: Nenhum dos contratos apresentados possui comprovação de registro público; Estão ausentes elementos caracterizadores de mútuo: a) não houve comprovação da restituição de valores mutuados; b) não houve comprovação de estabelecimento de cobrança de juros compatíveis com o mercado; c) não pode ser aceita a realização aparentemente dissimulada de negócios jurídicos, os quais devem ser considerados em face do disposto no art. 116, § único do CTN; d) não comprovada a efetiva transferência entre o suposto mutuante e mutuário e o motivo pelo qual veio este recurso para o seu patrimônio. Os argumentos da AFRFB não podem ser aceitos por ferir a legislação vigente, como veremos a seguir. Alega a fiscalização que os contratos de mútuos não possuem registros públicos. Os artigos 127 e 129 da Lei de Registros Públicos tratam da matéria em questão (cita doutrina); o artigo 129 da LRP relaciona os documentos que estão sujeitos a registro no Registro de Títulos e Documentos para surtir efeitos em relação a terceiros, entre os quais não está relacionado o Contrato de Mútuo. A AFRFB invocou, para desconsiderar os contratos de mútuo, o artigo 221 do Código Civil; a LRP é lei especial a que devemos nos ater para ver a obrigatoriedade dos registros. A segunda alegação da AFRFB é que estão ausentes elementos caracterizadores de mútuo, tais como: (a) não houve comprovação da restituição do mútuo (art. 586 do CC) e (b) não houve comprovação de estabelecimento de cobrança de juros compatíveis com o mercado (art. 591 do CC). A falta de cumprimento dos artigos não descaracteriza o mútuo. O preceito do artigo 591 não determina a exigência de juros tout court, as partes podem ou não pactuálos. O fato de não devolver o mútuo e a falta de cobrança de juros não pode descaracterizar a existência dos mesmos, não tem base legal para isto. Para embasar a descaraterização do mútuo a AFRFB se apoiou, também, no parágrafo único do artigo 116 do CTN. Da simples leitura do texto deste dispositivo legal, depreendese que não é completo em si, que não possui todos os elementos necessários para sua aplicação; tal dispositivo não pode ser aplicado até que adquira sua eficácia técnica (cita doutrina). O parágrafo único do art. 116 do CTN prevê que a competência para desconsiderar será exercida "observados os procedimentos a serem estabelecidos em lei ordinária"; isso significa que, enquanto não for devidamente editada a lei ordinária dispondo a respeito, Fl. 512DF CARF MF Impresso em 14/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/09/2014 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 29/09/2014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 25/09/2014 por EDUARDO TADEU FARAH 6 faltará um elemento essencial à aplicabilidade do parágrafo examinado, sendo ilegal o ato administrativo fiscal que, nesse interregno, pretender nele apoiarse. A eventual omissão do legislador não pode ser "superada" pelo agente fiscal, que deve limitarse a aplicar a lei de ofício e não "corrigir" a lei, preenchendo suas eventuais lacunas. Como podemos concluir, a autoridade fiscal feriu o principio da legalidade restrita ao desconsiderar a existência dos mútuos com base em normas legais não aplicáveis ao fato. A AFRFB exigiu o imposto de renda referente aos valores transferidos pelo Sr. Jose Luciano Franco Rezende ao fiscalizado, com autorização da empresa Duaril Participações e Empreendimentos Ltda. Tais valores tem origem na venda da fazenda que passou a se denominar Fazenda Santa Marta da Boa Vista. O depositante dos valores está identificado, que é o Sr. Jose Luciano Franco Rezende. A origem dos recursos depositados está comprovada pela venda da fazenda. Os depósitos bancários de origem não comprovada podem ser presumidos como rendimentos omitidos, na forma do art. 42 da Lei nº 9.430/96. Assim, em tese, os três créditos em discussão poderiam ter sido imputados ao recorrente como omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários de origem não comprovada. Ocorre que esta infração não foi imputada ao recorrente, mas foralhe uma omissão de rendimentos percebidos de pessoa física, pois a autoridade fiscal conhecia o depositante e necessariamente deveria ter investigado a origem da operação junto ao fiscalizado (como o fez), e junto à depositante (como não fez), para esclarecimento da operação. Se a autoridade fiscal tivesse intimado a apresentar a escritura, tudo estaria esclarecido. Mas açodadamente tributou sem obedecer o princípio da investigação. Os valores creditados na conta do fiscalizado nada mais são que um dinheiro da venda da fazenda que deveria ter sido depositado na conta da vendedora, empresa, e não foi. Este procedimento não pode ser fato gerador do imposto de renda no fiscalizado. A verdade real deveria ser pesquisada pela fiscalização. Do ônus investigatório não se desincumbiu a autoridade fiscal, que tinha a obrigação de perscrutar a ocorrência do fato gerador. Cita julgados do Carf. Houve exigência de duas penalidades utilizando a mesma base de cálculo, uma de 50% e outra de 75%. A jurisprudência administrativa afirma ser incabível a aplicação em duplicidade da multa de ofício vinculada ao imposto e a multa isolada do carnêleão. A infração do possível não recolhimento do carnê leão sobre os rendimentos percebidos de pessoa física, apenada com multa isolada de 75% (sic), foi absorvida pela conduta de não ofertar (na opinião da fiscalização) esses rendimentos à tributação no ajuste anual, pois essa última conduta também é apenada com multa de ofício de 75%. Há, na espécie, bis in idem. Cita jurisprudência administrativa. Pelo que foi exposto, requer à autoridade julgadora, com base na legislação vigente, o cancelamento da exação neste tópico do imposto exigido, assim como da multa isolada aplicada por total falta de base legal. Fl. 513DF CARF MF Impresso em 14/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/09/2014 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 29/09/2014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 25/09/2014 por EDUARDO TADEU FARAH Processo nº 19515.722756/201283 Acórdão n.º 2201002.502 S2C2T1 Fl. 5 7 2. RENDIMENTOS OMITIDOS RECEBIDOS DE PESSOA JURÍDICA No caso presente, a AFRFB não fez nenhuma investigação nas pessoas jurídicas para constatar a verdade real. Assim, reiteramos todos os nossos argumentos legais elencados quando discorremos no caso de pessoa física identificada anteriormente. Do ônus investigatório acima não se desincumbiu a autoridade fiscal, que tinha a obrigação de perscrutar a ocorrência do fato gerador. Apenas poderia utilizar a presunção legal de que depósitos de origem não comprovada são rendimentos omitidos, prevista no art. 42 da Lei n° 9.430/96, caso não conhecesse o depositante, situação não ocorrida. Por tudo que foi exposto, requeremos à autoridade julgadora, com base na legislação vigente, o cancelamento da exação neste tópico. 3. DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA No Termo de Verificação, a AFRFB afirma o seguinte: "Os créditos em que os históricos dos lançamentos indicam aparentemente tratarse de remessas efetuadas por pessoas físicas, foram considerados como "OMISSÃO DE RENDIMENTOS CARACTERIZADA POR DEPÓSITOS BANCÁRIOS COM ORIGEM NÃO COMPROVADA", porque não é possível afirmar se o nome é um nome fantasia de uma pessoa jurídica ou um nome de pessoa física." A afirmação da AFRFB é totalmente contraditória: em um momento afirma que os históricos dos lançamentos indicam aparentemente tratarse de remessas efetuadas por pessoas físicas e assim, porque não é possível afirmar se o nome de um nome fantasia de uma pessoa jurídica ou um nome de pessoa jurídica. Pela afirmação da AFRFB, ela não tinha condição de afirmar que se tratava de pagamento de pessoa física ou de pessoa jurídica em uma investigação. Para a consecução de seus objetivos fiscais, a Administração tributária tem o dever de investigar as atividades dos particulares de modo a identificar aquelas que guardam relação com as normas tributárias e, em sendo o caso, proceder ao lançamento do crédito. A busca pela verdade material é princípio de observância indeclinável da Administração tributária no âmbito de suas atividades procedimentais e processuais; deve fiscalizar em busca da verdade material, deve apurar e lançar com base na verdade material. O princípio da verdade material governa o procedimento e o processo administrativo; no processo administrativo tributário, a autoridade administrativa pode e deve promover as diligências averiguatórias e probatórias que contribuam para a aproximação com a verdade objetiva ou material. A AFRFB não foi diligente com o objetivo de apurar a verdade material obrigatória para a constituição do crédito tributário. O Fl. 514DF CARF MF Impresso em 14/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/09/2014 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 29/09/2014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 25/09/2014 por EDUARDO TADEU FARAH 8 lançamento está em possível ocorrência do fato gerador e não da prova efetiva de seu fato. O simples crédito bancário é apenas indício. O dever de investigação é do agente fiscal. Com o final das investigações a autoridade fiscal tem todos os elementos para intimar o fiscalizado, em obediência o art. 42 da Lei n° 9.430/96, e apurar a verdade material. A movimentação financeira é o procedimento inicial de análise e não o final, é a partir dela que a auditoria fiscal deve executar os exames pertinentes e as diligências necessárias para atingir o fim colimado. No quadro normativo constante da Constituição Federal e do Código Tributário Nacional, meros indícios de renda (depósitos bancários) não podem legitimamente ser transformados em acréscimos patrimoniais suscetíveis de tributação, sem que previamente se exerça o dever de prova e investigação que a norma de lançamento exige (art. 142 do CTN). Cita doutrina. O Artigo 112 do CTN estabelece situações em que a legislação tributária deve sempre ser interpretada em favor do sujeito passivo acusado de cometer infrações à legislação tributária. Outro fato não menos importante que deixou de ser observado pela AFRFB trata da exclusão da base de cálculo dos valores dos rendimentos tributados em sua DAA. O valor de R$ 1.901.725,05 é muito inferior ao valor declarado pelo impugnante em sua DAA do exercício de 2008, anocalendário de 2007, informada nos rendimentos da atividade rural, no valor de R$ 3.040.353,06. O Banco Bradesco, agência 0266, conta 15.5837, fica em São Miguel do Araguaia, GO, onde estão localizadas as fazendas do fiscalizado; esta conta serve somente para albergar toda a movimentação de sua receita rural. Não se pode deixar de constatar que todas as receitas da atividade rural transitaram pela referida conta bancária. Assim, onde estariam valores depositados que não fossem originários da receita da atividade rural? A AFRFB não conseguiu demonstrar este fato. Cita jurisprudência administrativa. 4. DATA DE CONSTITUIÇÃO E DATA DE INÍCIO DE ATIVIDADE A autoridade fiscal desconsiderou os empréstimos realizados pela empresa Duaril Participações e Empreendimentos Ltda no valor de R$16.000.000,00 pelos seguintes fatos: l. por ferir o artigo 1.150 do CC/2002, em virtude da data de constituição ser de 19/07/2007 e data de início de atividade 17/06/2007; 2. por ferir o artigo 977 do CC/2002, pois em vários instrumentos de contrato de mútuo apresentados a esta fiscalização é afirmado que Durval Sanches Galo e Arilda Camargo Sanches são casados sob o regime de comunhão total de bens; 3. as quatro notas promissórias em que Durval Sanches Galo promete efetuar pagamentos a Duaril Participações Ltda têm o dia 17/06/2007 como data de emissão, sendo que esta data é a da assinatura da constituição da empresa constante em seu contrato social, anteriormente à data de constituição dessa Fl. 515DF CARF MF Impresso em 14/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/09/2014 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 29/09/2014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 25/09/2014 por EDUARDO TADEU FARAH Processo nº 19515.722756/201283 Acórdão n.º 2201002.502 S2C2T1 Fl. 6 9 empresa que é de 19/07/2007 – afirma a autoridade fiscal que as notas promissórias foram firmadas por uma pessoa jurídica que não existia legalmente; 4. uma vez que o fiscalizado é sócio majoritário da referida empresa, a fiscalização efetuou a intimação da mesma, a qual foi subscrita por seu procurador, no sentido de apresentação de documentos; 5. as notas promissórias não foram registradas em cartório; 6. a empresa não possui instalações próprias e nunca exerceu atividades. Nenhuma afirmação da fiscalização merece fé por ferir o princípio da legalidade, como veremos a seguir. 1. Afirma a ilustre AFRFB que a empresa feriu o artigo 1.150 do CC/2002 (“O empresário e a sociedade empresária vinculamse ao Registro Público de Empresas Mercantis a cargo das Juntas Comerciais, e a sociedade simples ao Registro Civil das Pessoas Jurídicas, o qual deverá obedecer às normas fixadas para aquele registro, se a sociedade simples adotar um dos tipos de sociedade empresária.”). A empresa foi devidamente registrada no órgão competente. Entre a data da assinatura do contrato (17/06/2007) e o seu registro pela JUCESP (19/07/2007) temos 33 dias, logo o contrato social foi protocolado para registro dentro do prazo de 30 dias. Transcreve o art. 1.151 do CC/2002 e o art. 36 da Lei nº 8.934/94 para afirmar que, apesar do registro/data da constituição ter sido em 19/07/2007, a sua validade retroage a 17/06/2007, sendo, portanto, totalmente infundadas as afirmações da AFRFB. 2. O contrato ter marido e mulher em regime de comunhão de bens é matéria de direito comercial e civil estranha à autoridade fiscal para desclassificála. 3. A empresa, na data das assinaturas das notas promissórias, era uma pessoa jurídica existente, conforme já foi esclarecido acima. 4. Intimar o fiscalizado, por ser o sócio majoritário da empresa, a entregar documentos desta sem emissão de MPFD fere frontalmente a legislação de regência, sendo, portanto totalmente nula tal intimação e seus efeitos. 5. O registro das notas promissórias há muito não é obrigatório. 6. A afirmação da AFRFB de que a Duaril Participações e Empreendimentos Ltda não possui instalações próprias e nunca exerceu atividades não se coaduna com declaração do sr. Carlos Alberto Bonini citada no TVF e não tem nenhum embasamento jurídico. Se houvesse constatado esta premissa, a autoridade fiscal deveria protocolizar Representação para Baixa de Ofício Fl. 516DF CARF MF Impresso em 14/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/09/2014 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 29/09/2014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 25/09/2014 por EDUARDO TADEU FARAH 10 do CNPJ; tal procedimento não foi adotado e por este motivo é totalmente descabida a conclusão da AFRFB sobre este fato. Pelo exposto, o impugnante requer: a) prorrogação do prazo da impugnação em virtude de não ter tido acesso à cópia do processo fiscal até a data limite; b) apresentação de peça impugnatória complementar; c) receber e processar a presente impugnação administrativa e anexos, na expectativa de que a final seja conhecida e provida, com a declaração de insubsistência do Termo de Verificação Fiscal e da exação fiscal pelos fatos e direitos elencados na peça exordial; protesta ainda, com base no Art. 38 da Lei 9.784/99, pela inclusão de novos documentos de prova material antes da decisão a ser prolatada. A 17ª Turma da DRJ em São Paulo/SPI julgou integralmente procedente o lançamento, consubstanciado nas ementas abaixo transcritas: PRELIMINAR. QUEBRA DO SIGILO BANCÁRIO. Tendo o próprio contribuinte apresentado os extratos bancários, não se vislumbra quebra de sigilo bancário. Inexistindo decisão do Supremo Tribunal Federal estabelecendo efeito vinculante e/ou aplicação “erga omnes” em relação a julgado que considerou inconstitucional a quebra do sigilo bancário, deve a Autoridade Administrativa, em obediência ao princípio da legalidade, seguir os ditames da legislação vigente. Preliminar afastada. PRELIMINAR. NULIDADE. Não constatada a ocorrência das irregularidades, incorreções ou omissões previstas no artigo 59 do Decreto nº 70.235/72, não ficou configurada nulidade. Preliminar afastada. PRELIMINAR. CERCEAMENTO DE DEFESA. Somente a partir da lavratura do auto de infração é que se instaura o litígio entre o fisco e o contribuinte, podendose, então, falar em contraditório e ampla defesa, sendo improcedente a preliminar de cerceamento do direito de defesa quando concedida, na fase de impugnação, ampla oportunidade de apresentar documentos e esclarecimentos. Preliminar afastada. OMISSÃO DE RENDIMENTOS RECEBIDOS DE PESSOA FÍSICA E DE PESSOAS JURÍDICAS. Face aos elementos constantes dos autos, devem ser mantidos no cálculo do imposto de renda pessoa física os rendimentos tributáveis cuja omissão foi constatada. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. LANÇAMENTO COM BASE EM DEPÓSITOS BANCÁRIOS. FATOS GERADORES A PARTIR DE 01/01/1997. Fl. 517DF CARF MF Impresso em 14/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/09/2014 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 29/09/2014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 25/09/2014 por EDUARDO TADEU FARAH Processo nº 19515.722756/201283 Acórdão n.º 2201002.502 S2C2T1 Fl. 7 11 A Lei nº 9.430/96, que teve vigência a partir de 01/01/1997, estabeleceu, em seu art. 42, presunção legal de omissão de rendimentos que autoriza o lançamento do imposto correspondente quando o titular da conta bancária não comprovar, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos valores depositados em sua conta de depósito ou investimento. O lançamento com base em presunção legal transfere o ônus da prova ao contribuinte em relação aos argumentos que tentem descaracterizar a movimentação bancária detectada. MULTA ISOLADA E MULTA DE OFÍCIO. APLICAÇÃO CONCOMITANTE. Por se tratarem de penalidades aplicáveis pelo cometimento de infrações distintas, justificase a exigência concomitante da multa de ofício e da multa isolada. Impugnação Improcedente Intimado da decisão de primeira instância em 26/06/2013 (fl. 416), Durval Sanches Galo apresenta Recurso Voluntário em 24/07/2013 (fls. 417 e seguintes), sustentando, essencialmente, os mesmos argumentos postos em sua Impugnação. É o relatório. Voto Conselheiro Eduardo Tadeu Farah O recurso é tempestivo e reúne os demais requisitos de admissibilidade. Cuida o presente lançamento de omissão de rendimentos do trabalho sem vínculo empregatício recebidos de pessoas jurídicas; omissão de rendimentos do trabalho sem vínculo empregatício recebidos de pessoas físicas; omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários com origem não comprovada e multa isolada por falta de recolhimento do IRPF devido a título de carnêleão, relativamente a fatos ocorridos no anocalendário 2007. Antes de se entrar no mérito da questão, cumpre enfrentar, de antemão, as preliminares suscitadas pelo recorrente. Quanto à alegada quebra ilegal do sigilo bancário, verifico, pois, que os extratos bancários foram encaminhados à fiscalização pelo próprio recorrente, após regular intimação da autoridade fiscal, conforme se observa do Termo de Início de Ação Fiscal às fls. 17/18, com ciência à fl. 19 e Intimação às fls. 103/105, com ciência à fl. 106. Com efeito, o art. 6º da Lei Complementar nº 105/2001, autoriza o fisco examinar informações relativas ao contribuinte, constantes de documentos, livros e registros de instituições financeiras e de entidades a elas equiparadas, inclusive os referentes a contas de depósitos e de aplicações financeiras, quando houver procedimento de fiscalização em curso e tais exames forem considerados indispensáveis, independentemente de autorização judicial. Fl. 518DF CARF MF Impresso em 14/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/09/2014 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 29/09/2014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 25/09/2014 por EDUARDO TADEU FARAH 12 Sobre a arguição de ilegitimidade no uso de informações da CPMF para a constituição do crédito tributário, impende esclarecer que essa questão foi objeto de Súmula deste Conselho. Tratase da Súmula CARF nº 35: O art. 11, § 3º, da Lei nº 9.311/96, com a redação dada pela Lei nº 10.174/2001, que autoriza o uso de informações da CPMF para a constituição do crédito tributário de outros tributos, aplicase retroativamente. (grifei) As decisões judiciais carreadas pela defesa, especificamente o Acórdão do Recurso Extraordinário n° 389.808 do STF, sem caráter erga omnes, não vinculam os julgadores dos processos administrativos fiscais. Portanto, válida a intimação e o uso de informações sobre movimentação financeira para a constituição do crédito tributário. Em relação à alegada nulidade do procedimento fiscal, em razão da ausência do MPFD para o Sr. José Luciano Franco Rezende, assim como quebra ilegal do sigilo fiscal do intimado e, principalmente, pelo fato de o contribuinte não pertence à área de competência da autoridade fiscal, penso que não há como acolhêlos. Pelo que consta dos autos, não ocorreu qualquer irregularidade no procedimento investigatório em questão. Com efeito, nada há que obste a fiscalização de verificar a regularidade dos rendimentos tributáveis, não tributáveis, isentos, de tributação exclusiva ou definitiva. Ao contrário, tem a fiscalização o dever de averiguar se os rendimentos declarados estão ancorados em documentação hábil e idônea, podendo para tanto intimar o contribuinte ou pessoas correlacionadas, sem que seja necessária qualquer formalidade para tanto. De acordo com a legislação vigente (reproduzida nos arts. 927 e 928 do Decreto nº 3.000/1999 RIR/1999), todas as pessoas físicas ou jurídicas, contribuintes ou não, são obrigadas a prestar as informações e os esclarecimentos exigidos pela fiscalização no exercício de suas funções, não podendo eximirse de fornecer as informações ou esclarecimentos solicitados. Na verdade, o propósito da presente ação fiscal, consoante disposto no MPF regularmente emitido, foi verificar a regularidade do Imposto de Renda Pessoa Física, no ano calendário 2007, sem qualquer restrição. Para analisar adequadamente a natureza econômica e jurídica dos recursos ingressados nas contas fiscalizadas, deve o fisco ter acesso à totalidade dos extratos bancários, e não apenas a parte que o interessado entenda como necessária, bem como a outros documentos que no curso da fase investigatória se mostrem relevantes para o cumprimento do trabalho fiscal. Além do mais, eventual omissão do Mandado de Procedimento Fiscal, não se mostra suficiente para invalidar ato praticado por Auditor Fiscal da Receita Federal do Brasil, cuja competência é derivada diretamente da lei, cabendo a ele, independentemente de observação de normas administrativas, cumprir as determinações contidas no art. 142 do CTN, ou seja, as espécies normativas hierarquicamente inferiores, como a Portaria SRF nº 1.265/1999 substituída pela Portaria SRF nº 3.007/2001, não poderiam restringir ou modificar a ação da autoridade fiscal, seja mediante critérios temporais, territoriais ou de qualquer outra natureza. Portanto, o MPF é procedimento de controle interno da fiscalização e a não existência deste não torna nulo o lançamento. As intimações feitas ao longo de todo o procedimento fiscal tiveram como objetivo averiguar o correto cumprimento das obrigações Fl. 519DF CARF MF Impresso em 14/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/09/2014 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 29/09/2014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 25/09/2014 por EDUARDO TADEU FARAH Processo nº 19515.722756/201283 Acórdão n.º 2201002.502 S2C2T1 Fl. 8 13 tributárias por parte do contribuinte, não se caracterizando, assim, o alegado vício no procedimento fiscal. Em relação à alegação de que o contribuinte intimado não pertence à área de competência da autoridade fiscal, dispensável tecer maiores comentários, eis que o tema já foi pacificado por este Conselho, consoante se infere da leitura da Súmula CARF nº 27: É valido o lançamento formalizado por AuditorFiscal da Receita Federal do Brasil de jurisdição diversa da do domicílio tributário do sujeito passivo. Dessarte, rejeitase a nulidade arguida. No que tange à alegação de cerceamento do direito de defesa, em razão da não disponibilização da documentação que alicerçou o lançamento, constato, pois, que o argumento é estéril e não merece acolhimento. Diferentemente do que alega o contribuinte, a autoridade autuante, convencida da materialidade e autoria da infração, pelas provas do procedimento fiscal, poderia ter encerrado este, sem qualquer pecha de cerceamento do direito de defesa do contribuinte, quer por violação dos princípios da ampla defesa ou do contraditório. Ora, esses princípios constitucionais vigoram, inegavelmente, no âmbito do processo administrativo fiscal. Porém, na fase da autuação, ainda não se tem o processo administrativo fiscal, a lide instaurada, que somente vem a lume quando da Impugnação do lançamento. Com efeito, o contribuinte, para instrumentalizar sua Impugnação e seu Recurso Voluntário, teve acesso aos autos, quando arrostou toda a sua inconformidade. Portanto, ausente prejuízo à defesa do autuado, não há que se cogitar cerceamento de seu direito de defesa. Encerrada a apreciação das questões preliminares, passase ao exame das questões de mérito. Omissão de Rendimentos Recebidos de Pessoa Física Segundo se colhe dos autos, a autoridade fiscal considerou os créditos aportados na conta corrente do recorrente no valor de R$ 13.082.509,83 (R$ 12.100.000,00 10/07/2007; R$ 500.000,00 16/07/2007 e R$ 482.509,83 16/07/2007) como rendimentos omitidos de pessoa física. A autuante também lavrou a multa isolada decorrente de falta de recolhimento de IRPF devido a título de CarneLeão. Por sua vez, alega o recorrente que os créditos recebidos em sua conta referemse à operação de empréstimo entre Durval Sanches Galo, ora recorrente, e Duaril Participações e Empreendimento Ltda., uma vez que os valores são provenientes da venda de uma fazenda da empresa de sua propriedade. Assevera, ainda, que “... os valores foram transferidos pelo Sr. Jose Luciano Franco Rezende ao fiscalizado, com autorização da empresa Duaril Participações e Empreendimentos Ltda. Tais valores tem origem na venda da fazenda que passou a se denominar FAZENDA SANTA MARTA DA BÔA VISTA, conforme escrituras públicas de compra e venda, no valor de R$ 1.876.990,00 , livro 107, fls. 127/128 e no valor de R$29.113.010,00, livro 107, fls.129/131, no Cartório de Registro de Imóveis Tabelionato Primeiro de Notas, conforme documento em anexo que tinha como proprietária, também, a DUARIL PARTICIPAÇÕES E EMPREENDIMENTOS LTDA.”. Fl. 520DF CARF MF Impresso em 14/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/09/2014 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 29/09/2014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 25/09/2014 por EDUARDO TADEU FARAH 14 De pronto, analisando as peças constantes dos autos, penso que assiste razão ao recorrente. De fato, os créditos aportados na conta bancária do contribuinte referemse à venda de uma fazenda da Duaril Participações e Empreendimentos Ltda. para José Luciano Franco Rezende (fls. 175/176). Para justificar a entrada do recurso em sua conta pessoal, já que a pessoa jurídica não possuía conta bancária, o recorrente considerou que estes lhe foram emprestados pela pessoa jurídica Duaril Participações e Empreendimentos Ltda., empresa da qual o autuado é sócio majoritário, apresentando, para tanto, contrato de mútuo firmado entre ele e a empresa. Intimado pela fiscalização, José Luciano Franco Rezende apresentou esclarecimentos e documentos relativos à operação de compra da fazenda, bem como os comprovantes de depósitos na conta do autuado. De posse de todos os documentos coligidos na ação fiscal, entendeu a autoridade lançadora que o recorrente não fez prova do contrato de mútuo, em razão da ausência dos seguintes elementos: registro público, comprovação da restituição de valores mutuados, ausência de registro na contabilidade e falta de cobrança de juros compatíveis com o mercado. Ora, penso que a questão tratada pela fiscalização não pode se restringir, essencialmente, à formalidade do contrato de mútuo. A bem da verdade, o valor depositado na conta do recorrente referese à venda de uma fazenda da pessoa jurídica Duaril Participações e Empreendimentos Ltda., conforme documentos coligidos pela fiscalização, especialmente a contabilidade da empresa, que registra o imóvel rural no valor de R$ 32.500.000,00 (fl. 201). Entendimento semelhante teve a autoridade recorrida quando consignou em sue voto que “A venda da fazenda pela Duaril Participações e Empreendimentos Ltda. ao Sr. Jose Luciano Franco Rezende e os valores correspondentes guardam coerência com os documentos acostados aos autos e com os depósitos bancários em discussão...”. Nesse caso, como o crédito bancário teve sua origem conhecida, a partir da figura do depositante, penso que não é lícito à fiscalização presumilos como rendimento omitido de pessoa física. Para caracterizálo como tal, deveria a autoridade autuante comprovar a ocorrência do fato gerador, conforme determina as Leis nº 7.713/1988 e 8.134/1990. Com efeito, é imprescindível que se faça uma análise dos documentos e informações coligidas aos autos, para que se conclua pelo cabimento ou não de determinado enquadramento fiscal. Nesse sentido, deve a autoridade fiscal verificar a ocorrência do fato gerador efetivo, já que no processo administrativo tributário deve sempre prevalecer à verdade material. Assim, como bem preleciona Vitor Hugo Mota de Menezes1, o princípio da verdade material deve ser buscado no processo, desprezandose as presunções tributárias, ficções legais, arbitramentos ou outros procedimentos que procurem atender apenas à verdade formal, muitas vezes atentando contra a verdade objetiva, devendo a autoridade administrativa promover de ofício as investigações necessárias à elucidação da verdade material. Nesta mesma linha, deve ser invocado o voto pelo i. Conselheiro Naury Fragoso Tanaka proferido no Acórdão nº 10247.457 e acolhido por unanimidade por este Conselho: (...) a verdade material deve sempre constituir objeto de busca pelo procedimento fiscal, mesmo nas situações em que a lei 1 MENEZES, Vitor Hugo Mota de. Teoria geral do processo administrativo tributário. In: ANDRADE, Roberta Ferreira de (coord.). Direito processual tributário. Manaus: Fiscal Amazonas, 2002. p. 22. Fl. 521DF CARF MF Impresso em 14/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/09/2014 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 29/09/2014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 25/09/2014 por EDUARDO TADEU FARAH Processo nº 19515.722756/201283 Acórdão n.º 2201002.502 S2C2T1 Fl. 9 15 permite ao fisco obter o fato gerador por intermédio da ocorrência de outros que a ele estão ligados logicamente. (...) a busca da verdade material que se externa obrigatória pela ordem contida no artigo 142, do CTN, e para que, por utilização inadequada da base presuntiva, evitese formalização de créditos exorbitantes e em descompasso com aquele que realmente seria devido. Não se pode perder de vista que o livre convencimento é prerrogativa do julgador na apreciação dos fatos e de sua prova, conforme preceitua o art. 131 do Código de Processo Civil e do art. 29 do Decreto 70.235/1972, verbis: Art. 131. O juiz apreciará livremente a prova, atendendo aos fatos e circunstâncias constantes dos autos, ainda que não alegados pelas partes; mas deverá indicar, na sentença, os motivos que Ihe formaram o convencimento. (Redação dada pela Lei nº 5.925, de 1º.10.1973) (...) Art. 29. Na apreciação da prova, a autoridade julgadora formará livremente sua convicção, podendo determinar as diligências que entender necessárias. Consolidouse, nesse sentido, a jurisprudência deste Conselho. Vejase: OMISSÃO DE RECEITAS ATIVIDADE RURAL Não havendo consonância entre o pressuposto fático da autuação e a materialidade dos fatos, é de se cancelar o lançamento de oficio. (Acórdão nº 10422.718 Processo n° 10380.010406/200469) IRPJ. OMISSÃO DE COMPRAS. INFORMAÇÃO DE TERCEIROS A omissão de receita, em todos os casos, não dispensa a prova de sua ocorrência. Indícios colhidos junto a terceiros demandam maior aprofundamento da ação fiscal no sentido de levar ao julgador a convicção de que o ilícito fiscal realmente ocorreu. Recurso de ofício a que se nega provimento. (Acórdão n° 10322476 Processo nº 13807.013368/9917) Assim, em função dos documentos, informações e diligências constantes dos autos, dando conta que a origem dos depósitos na conta do autuado era de fato da venda de uma fazenda, não tem sentido considerar o valor recebido pelo contribuinte como rendimento auferido de pessoa física. Com efeito, o lançamento respaldado em legislação específica não comporta presunção. Isso posto, deve ser afastado o item 2 do Auto de Infração. Em razão do provimento do recurso relativo aos rendimentos recebido de pessoa física, deve ser também afastado o item 4 do Auto de Infração, qual seja, multa isolada sobre a falta de recolhimento do IRPF devido a título de carnêleão. Omissão de Rendimentos Recebidos de Pessoa Jurídica No que tange aos rendimentos recebidos de pessoa jurídica, penso que o lançamento perpetrado pela autoridade lançadora está correto e não carece de reparo. Na Fl. 522DF CARF MF Impresso em 14/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/09/2014 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 29/09/2014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 25/09/2014 por EDUARDO TADEU FARAH 16 verdade, a autoridade fiscal identificou os depositantes e, consequentemente, foi aplicada à espécie a legislação específica prevista na legislação vigente à época em que foram auferidos ou recebidos. Na verdade, o contribuinte foi intimado pela autoridade fiscal e não apresentou qualquer prova que pudesse desconstituir o lançamento. Nesse caso, para afastar a autuação, caberia ao autuado a produção de prova em contrário, ou seja, provar que o valor recebido não é decorrente de rendimento omitido. Ante a esses argumentos, entendo que a exigência tributária, nesta parte, deve ser mantida. Omissão de Rendimentos Caracterizada por Depósitos Bancários de Origem Não Comprovada Quanto à omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários de origem não comprovada, cumpre trazer novamente a lume a legislação que serviu de base ao lançamento, no caso, o art. 42 da Lei nº 9.430/1996, verbis: Art.42 Caracterizamse também omissão de receita ou de rendimento os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. De acordo com o dispositivo supra, basta ao fisco demonstrar a existência de depósitos bancários de origem não comprovada para que se presuma, até prova em contrário, a ocorrência de omissão de rendimentos. Tratase de uma presunção legal do tipo juris tantum (relativa), e, portanto, cabe ao fisco comprovar apenas o fato definido na lei como necessário e suficiente ao estabelecimento da presunção, para que fique evidenciada a omissão de rendimentos. Quanto à argumentação de que os depósitos bancários não conduziriam à presunção de disponibilidade econômica, vale registrar que o fato gerador do Imposto de Renda, conforme art. 43 do Código Tributário Nacional2, alberga tanto as disponibilidades econômicas quanto as disponibilidades jurídicas de renda ou proventos de qualquer natureza. Passando às questões pontuais de mérito, alega o recorrente que os depósitos bancários são oriundos de receita de atividade rural, uma vez que os valores transitaram por suas contas bancárias. Assevera ainda que “... declarou como receita tributável de atividade agrícola no ano calendário de 2007, a importância de R$ 3.040.353,06, muito superior ao valor apurado pela fiscalização”. No que tange à alegação supra, cumpre esclarecer que a comprovação de origem, nos termos do disposto no art. 42 da Lei 9.430/1996, significa dizer que o contribuinte deve apresentar documentação hábil e idônea que possa identificar a fonte do crédito, o valor, a data e, principalmente, que demonstre de forma inequívoca a que título os créditos foram efetuados na conta corrente. Assim, deve o recorrente estabelecer uma relação entre cada crédito em conta e a origem que se deseja comprovar, com razoável coincidência de data e valor, não cabendo a comprovação feita de forma genérica com indicação de uma receita 2 CTN – Lei n° 5.172, de 1966 – Art. 43. O imposto, de competência da União, sobre a renda e proventos de qualquer natureza tem como fato gerador a aquisição da disponibilidade econômica ou jurídica: I – de renda, assim entendido o produto do capital, do trabalho ou da combinação de ambos; II – de proventos de qualquer natureza, assim entendidos os acréscimos patrimoniais não compreendidos no inciso anterior. Fl. 523DF CARF MF Impresso em 14/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/09/2014 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 29/09/2014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 25/09/2014 por EDUARDO TADEU FARAH Processo nº 19515.722756/201283 Acórdão n.º 2201002.502 S2C2T1 Fl. 10 17 (atividade rural) a comprovar vários créditos em conta. Como abordado neste voto, o ônus dessa prova recai exclusivamente sobre o contribuinte. Ainda há de se levar em conta que o § 5° do art. 61 do Regulamento do Imposto de Renda, aprovado pelo Decreto nº 3.000/1999, determina que as receitas advindas da atividade rural devem ser comprovadas por documentos usualmente utilizados nessas negociações, uma vez que se trata de tributação mais benéfica ao contribuinte. Vejase: Art. 61 (...) § 5º A receita bruta, decorrente da comercialização dos produtos, deverá ser comprovada por documentos usualmente utilizados, tais como nota fiscal do produtor, nota fiscal de entrada, nota promissória rural vinculada à nota fiscal do produtor e demais documentos reconhecidos pelas fiscalizações estaduais. Ademais, compulsandose a Declaração de Ajuste, fls. 04/16, verificase que o contribuinte obteve outros rendimentos que não da atividade rural. Esclareçase ainda que o fato de a atividade preponderante do contribuinte ser a atividade rural não permite concluir que os depósitos existentes em sua conta referemse a essa mesma atividade. Notese que o art. 42 da Lei nº 9.430/1996 referese à comprovação da origem dos depósitos de forma individualizada. Não se trata, portanto, de se apontar possíveis fontes que dariam lastro aos depósitos, é preciso demonstrar a origem imediata dos créditos, isto é, de onde saíram os recursos depositados. Ressaltese que o fato de o processo administrativo fiscal ser informado pelo princípio da verdade material, em nada macula os autos. No momento em que se invoca o princípio da verdade material, não significa dizer que o dever do ônus probandi é do fisco, pois, como o ônus da prova afeta tanto o fisco como o sujeito passivo, não cabe a qualquer das partes manteremse passiva, apenas alegando fatos que as favorecem sem carrear provas que as sustentem. Com efeito, o recorrente fundamentou sua peça recursal, basicamente, em questões de direito, não se manifestando quanto às questões de fato, deixando de apresentar, nessa fase, as provas da origem dos recursos dos depósitos em suas contas correntes. Por fim, inexistindo dúvida sobre a matéria, incabível se falar nas disposições contidas no art. 112 do CTN. Nessas condições penso que, neste ponto, não merece acolhida a pretensão da defesa. Ante a todo o exposto, voto por rejeitar as preliminares e, no mérito, dar provimento parcial ao recurso para excluir da exigência os itens 2 (Omissão de Rendimentos Recebidos de Pessoas Físicas) e 4 (Multa Isolada do Carnê Leão) do Auto de Infração. Assinado Digitalmente Eduardo Tadeu Farah Fl. 524DF CARF MF Impresso em 14/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/09/2014 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 29/09/2014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 25/09/2014 por EDUARDO TADEU FARAH 18 Fl. 525DF CARF MF Impresso em 14/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/09/2014 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 29/09/2014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 25/09/2014 por EDUARDO TADEU FARAH
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Numero do processo: 10640.003894/2009-54
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jul 16 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Tue Nov 04 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2005 a 31/12/2006
PREVIDENCIÁRIO - CUSTEIO - AUTO DE INFRAÇÃO - OBRIGAÇÃO PRINCIPAL - CONTRIBUIÇÃO DESTINADA A TERCEIRO - FNDE - PAGAMENTOS INDIRETOS - DESCUMPRIMENTO DA LEI - - INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÃO - COMPETÊNCIA DA AUDITORIA PREVIDENCIÁRIA
A fiscalização previdenciária possui competência para arrecadar e fiscalizar as contribuições destinadas a terceiros, conforme art. 94 da Lei 8.212/91.
Uma vez estando no campo de incidência das contribuições previdenciárias, para não haver incidência é mister previsão legal nesse sentido, sob pena de afronta aos princípios da legalidade e da isonomia.
O pagamento de participação nos lucros em desacordo com a lei 10.101, inviabiliza que a referida verba seja excluída do salário de contribuição, razão porque correto o lançamento de contribuição previdenciária.
PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS - DESCUMPRIMENTO DOS PRECEITOS LEGAIS - ESTIPULAÇÃO - AUSÊNCIA DE ASSINATURA DO SINDICATO.
Não demonstrou o recorrente que os acordos realizados com as comissões possuíam assinatura do respectivo sindicato, o que fere dispositivo da legislação que regula a matéria, atribuindo-se natureza salarial a verba PLR.
ARQUIVAMENTO DO ACORDO DE PLR - ENTIDADE SINDICAL - EXIGÊNCIA LEGAL
A exigência de arquivamento do acordo de PLR na entidade sindical correspondente a categoria de empregados da empresa é exigência legal, não podendo ser mitigada por mera interpretação do recorrente.
ACORDO PRÉVIO - ASSINATURA DE ACORDO NO EXERCÍCIO POSTERIOR - METAS ESTIPULADAS PARA EXERCÍCIO JÁ ENCERRADO - IMPOSSIBILIDADE DE PARTICIPAÇÃO DO EMPREGADO NO CAPITAL DA EMPRESA.
Ao descumprir os preceitos legais e efetuar pagamentos de participação nos lucros, sem a existência de acordo prévio o recorrente assumiu o risco de não se beneficiar pela possibilidade de que tais valores estariam desvinculados do salário.
Não há que se falar em metas estipuladas se o acordo foi firmado em data posterior ao término do exercício. Impossibilidade de estimulo do empregado a participar do capital, se o exercício já encontra-se encerrado.
FOLHA DE PAGAMENTO - DIFERENÇAS - CONTRIBUINTES INDIVIDUAIS - NÃO IMPUGNAÇÃO EXPRESSA.
A não impugnação expressa dos fatos geradores objeto do lançamento importa em renúncia e consequente concordância com os termos da autuação.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 2401-003.101
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do colegiado, pelo voto de qualidade, negar provimento ao recurso. Vencidos os conselheiros Igor Araújo Soares, Carolina Wanderley Landim e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira, que davam provimento parcial para excluir do lançamento os fatos geradores da filial 0005 do exercício de 2007 (PLR 2006) e, ainda, votaram pelas conclusões por entenderem que os acordos firmados antes do pagamento das parcelas, mesmo que após o período de apuração a que se referem, não descaracterizam a PLR.
Elias Sampaio Freire - Presidente
Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira Relatora
Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Elias Sampaio Freire, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Kleber Ferreira de Araújo, Igor Araújo Soares, Carolina Wanderley Landim e Ricardo Henrique Magalhães de Oliveira.
Nome do relator: ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2005 a 31/12/2006 PREVIDENCIÁRIO - CUSTEIO - AUTO DE INFRAÇÃO - OBRIGAÇÃO PRINCIPAL - CONTRIBUIÇÃO DESTINADA A TERCEIRO - FNDE - PAGAMENTOS INDIRETOS - DESCUMPRIMENTO DA LEI - - INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÃO - COMPETÊNCIA DA AUDITORIA PREVIDENCIÁRIA A fiscalização previdenciária possui competência para arrecadar e fiscalizar as contribuições destinadas a terceiros, conforme art. 94 da Lei 8.212/91. Uma vez estando no campo de incidência das contribuições previdenciárias, para não haver incidência é mister previsão legal nesse sentido, sob pena de afronta aos princípios da legalidade e da isonomia. O pagamento de participação nos lucros em desacordo com a lei 10.101, inviabiliza que a referida verba seja excluída do salário de contribuição, razão porque correto o lançamento de contribuição previdenciária. PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS - DESCUMPRIMENTO DOS PRECEITOS LEGAIS - ESTIPULAÇÃO - AUSÊNCIA DE ASSINATURA DO SINDICATO. Não demonstrou o recorrente que os acordos realizados com as comissões possuíam assinatura do respectivo sindicato, o que fere dispositivo da legislação que regula a matéria, atribuindo-se natureza salarial a verba PLR. ARQUIVAMENTO DO ACORDO DE PLR - ENTIDADE SINDICAL - EXIGÊNCIA LEGAL A exigência de arquivamento do acordo de PLR na entidade sindical correspondente a categoria de empregados da empresa é exigência legal, não podendo ser mitigada por mera interpretação do recorrente. ACORDO PRÉVIO - ASSINATURA DE ACORDO NO EXERCÍCIO POSTERIOR - METAS ESTIPULADAS PARA EXERCÍCIO JÁ ENCERRADO - IMPOSSIBILIDADE DE PARTICIPAÇÃO DO EMPREGADO NO CAPITAL DA EMPRESA. Ao descumprir os preceitos legais e efetuar pagamentos de participação nos lucros, sem a existência de acordo prévio o recorrente assumiu o risco de não se beneficiar pela possibilidade de que tais valores estariam desvinculados do salário. Não há que se falar em metas estipuladas se o acordo foi firmado em data posterior ao término do exercício. Impossibilidade de estimulo do empregado a participar do capital, se o exercício já encontra-se encerrado. FOLHA DE PAGAMENTO - DIFERENÇAS - CONTRIBUINTES INDIVIDUAIS - NÃO IMPUGNAÇÃO EXPRESSA. A não impugnação expressa dos fatos geradores objeto do lançamento importa em renúncia e consequente concordância com os termos da autuação. Recurso Voluntário Negado.
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Uma vez estando no campo de incidência das contribuições previdenciárias, para não haver incidência é mister previsão legal nesse sentido, sob pena de afronta aos princípios da legalidade e da isonomia. O pagamento de participação nos lucros em desacordo com a lei 10.101, inviabiliza que a referida verba seja excluída do salário de contribuição, razão porque correto o lançamento de contribuição previdenciária. PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS DESCUMPRIMENTO DOS PRECEITOS LEGAIS ESTIPULAÇÃO AUSÊNCIA DE ASSINATURA DO SINDICATO. Não demonstrou o recorrente que os acordos realizados com as comissões possuíam assinatura do respectivo sindicato, o que fere dispositivo da legislação que regula a matéria, atribuindose natureza salarial a verba PLR. ARQUIVAMENTO DO ACORDO DE PLR ENTIDADE SINDICAL EXIGÊNCIA LEGAL A exigência de arquivamento do acordo de PLR na entidade sindical correspondente a categoria de empregados da empresa é exigência legal, não podendo ser mitigada por mera interpretação do recorrente. ACORDO PRÉVIO ASSINATURA DE ACORDO NO EXERCÍCIO POSTERIOR METAS ESTIPULADAS PARA EXERCÍCIO JÁ AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 64 0. 00 38 94 /2 00 9- 54 Fl. 921DF CARF MF Impresso em 04/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/08/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 26/08/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 03/11/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 2 ENCERRADO IMPOSSIBILIDADE DE PARTICIPAÇÃO DO EMPREGADO NO CAPITAL DA EMPRESA. Ao descumprir os preceitos legais e efetuar pagamentos de participação nos lucros, sem a existência de acordo prévio o recorrente assumiu o risco de não se beneficiar pela possibilidade de que tais valores estariam desvinculados do salário. Não há que se falar em metas estipuladas se o acordo foi firmado em data posterior ao término do exercício. Impossibilidade de estimulo do empregado a participar do capital, se o exercício já encontrase encerrado. FOLHA DE PAGAMENTO DIFERENÇAS CONTRIBUINTES INDIVIDUAIS NÃO IMPUGNAÇÃO EXPRESSA. A não impugnação expressa dos fatos geradores objeto do lançamento importa em renúncia e consequente concordância com os termos da autuação. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do colegiado, pelo voto de qualidade, negar provimento ao recurso. Vencidos os conselheiros Igor Araújo Soares, Carolina Wanderley Landim e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira, que davam provimento parcial para excluir do lançamento os fatos geradores da filial 0005 do exercício de 2007 (PLR 2006) e, ainda, votaram pelas conclusões por entenderem que os acordos firmados antes do pagamento das parcelas, mesmo que após o período de apuração a que se referem, não descaracterizam a PLR. Elias Sampaio Freire Presidente Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira – Relatora Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Elias Sampaio Freire, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Kleber Ferreira de Araújo, Igor Araújo Soares, Carolina Wanderley Landim e Ricardo Henrique Magalhães de Oliveira. Fl. 922DF CARF MF Impresso em 04/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/08/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 26/08/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 03/11/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 10640.003894/200954 Acórdão n.º 2401003.101 S2C4T1 Fl. 3 3 Relatório O presente Auto de Infração de Obrigação Principal, lavrado sob o n. 37.197.3953, em desfavor da recorrente tem por objeto as contribuições destinadas a terceiros, mais especificamente FNDE, tendo em vista convênio, considerando que a empresa não cumpriu com sua obrigação perante aquele órgão. Conforme descrito no relatório fiscal, fl. 26 e seguintes, analisada a documentação as Contribuições destinadas a terceiros tiveram como FATO GERADOR: 4 . 1 . SALÁRIO FAMÍLIA INDEVIDO : Saláriofamília pago sem observância aos termos previstos na Lei n° 8.213/91 artigo 67. Sendo irregular a compensação de seu valor nas contribuições previdenciárias devidas pela empresa. No presente Auto de Infração está sendo glosada essa compensação e cobrada a contribuição previdenciária devida pelo contribuinte, à época do pagamento desse benefício vide relatório QUADRO C SALÁRIO FAMÍLIA INDEVIDO. Nesse relatório estão discriminados os nomes dos Segurados Empregados, a irregularidade observada e o valor pago glosado; 4.2. PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS OU RESULTADOS Remuneração paga, devida ou creditada aos Segurados Empregados a título de PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS ou Resultados em desacordo com a legislação vigente Lei N? 10.101/2000 que regula a participação dos trabalhadores nos lucros ou resultados da empresa; 4.3. FOLHA DE PAGAMENTO: A remuneração paga, devida ou creditada aos segurados empregados, lançadas pela própria empresa, nas Folhas de Pagamentos, RAIS, DIRF, Recibos de Pagamentos, Termos de Rescisão de Contrato de Trabalho e Recibos de Férias e não declarados em GFIP vide relatório Base de Cálculo Apurada em Folha de Pagamento Patronal + Segurados. As bases apuradas resultaram da conciliação entre Folha de Pagamento, GFIP, RAIS e DIRF. As contribuições apuradas no presente levantamento, foram assim, especificadas: 9.2. Durante a Ação Fiscal, são criados Levantamentos codificados, que servem para conter e agrupar lançamentos de valores devidos, relativos às Bases de Cálculos dos Fatos Geradores de mesma natureza, mantendose os valores originários (valores da época, em moeda da época); 9.3. No presente caso foram criados os Levantamentos: 9 . 3 . 1 . POl PARTICIPAÇÃO NOS RESULTADOS que engloba pagamentos a Segurados Empregados SEM APRESENTAÇÃO DE GFIP PERÍODO: 02 a 06 081012 Fl. 923DF CARF MF Impresso em 04/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/08/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 26/08/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 03/11/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 4 2006 ESTABELECIMENTO 000177 Multa de Ofício de 75% mais benéfica ao contribuinte; 9.3.2. P02 PARTICIPAÇÃO NOS RESULTADOS que engloba pagamentos a Segurados Empregados SEM APRESENTAÇÃO DE GFIP PERÍODO: 02 a 042007 ESTABELECIMENTO 000177 Multa de Ofício de 7 5% mais benéfica ao contribuinte; 9.3.3. P03 PARTICIPAÇÃO NOS RESULTADOS que engloba pagamentos a Segurados Empregados SEM APRESENTAÇÃO DE GFIP PERÍODO: 082007 a 112007 ESTABELECIMENTO 000177 Multa de Ofício de 7 5% mais benéfica ao contribuinte; 9.3.4. P04 PARTICIPAÇÃO NOS RESULTADOS que engloba pagamentos a Segurados Empregados SEM APRESENTAÇÃO DE GFIP PERÍODO: 0305060809 2008 ESTABELECIMENTO 000177 Multa de Ofício de 75% mais benéfica ao contribuinte; 9.3.5. P05 PARTICIPAÇÃO NOS RESULTADOS que engloba pagamentos a Segurados Empregados SEM APRESENTAÇÃO DE GFIP PERÍODO: 122008; 04 e 05 2009 ESTABELECIMENTO 000177 Multa de Ofício de 75% MULTA AGRAVADA; 9.3.6. P06 PARTICIPAÇÃO NOS RESULTADOS que engloba pagamentos a Segurados Empregados SEM APRESENTAÇÃO DE GFIP PERÍODO: 10122006 ESTABELECIMENTO 000258 Multa de Ofício de 7 5% mais benéfica ao contribuinte; 9.3.7. P07 PARTICIPAÇÃO NOS RESULTADOS que engloba pagamentos a Segurados Empregados SEM APRESENTAÇÃO DE GFIP PERÍODO: 032007 ESTABELECIMENTO 000258 Multa de Ofício de 7 5% mais benéfica ao contribuinte; 9.3.8. P08 PARTICIPAÇÃO NOS RESULTADOS que engloba pagamentos a Segurados Empregados SEM APRESENTAÇÃO DE GFIP PERÍODO: 08 a 102007 ESTABELECIMENTO 000258 Multa de Ofício de 7 5% mais benéfica ao contribuinte; 9.3.9. P09 PARTICIPAÇÃO NOS RESULTADOS que engloba pagamentos a Segurados Empregados SEM APRESENTAÇÃO DE GFIP PERÍODO010205 a 102008 ESTABELECIMENTO 000258 Multa de Ofício de 7 5% mais benéfica ao contribuinte; 9.3.10. PIO PARTICIPAÇÃO NOS RESULTADOS que engloba pagamentos a Segurados Empregados SEM APRESENTAÇÃO DE GFIP PERÍODO: 042009 a 052009 ESTABELECIMENTO 000258 Multa de Ofício de 7 5% MULTA AGRAVADA; 9 . 3 . 1 1 . P l l PARTICIPAÇÃO NOS RESULTADOS que engloba pagamentos a Segurados Empregados SEM Fl. 924DF CARF MF Impresso em 04/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/08/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 26/08/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 03/11/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 10640.003894/200954 Acórdão n.º 2401003.101 S2C4T1 Fl. 4 5 APRESENTAÇÃO DE GFIP PERÍODO: 122006 ESTABELECIMENTO 000339 Multa de Ofício de 7 5% mais benéfica ao contribuinte; 9.3.12. P12 PARTICIPAÇÃO NOS RESULTADOS que engloba pagamentos a Segurados Empregados SEM APRESENTAÇÃO DE GFIP PERÍODO: 02 a 042007 ESTABELECIMENTO 000339 Multa de Ofício de 7 5% mais benéfica ao contribuinte; 9.3.13. P13 PARTICIPAÇÃO NOS RESULTADOS que engloba pagamentos a Segurados Empregados SEM APRESENTAÇÃO DE GFIP PERÍODO: 08 e 102007 ESTABELECIMENTO 000339 Multa de Ofício de 7 5% mais benéfica ao contribuinte; 9.3.14. P14 PARTICIPAÇÃO NOS RESULTADOS que engloba pagamentos a Segurados Empregados SEM APRESENTAÇÃO DE GFIP PERÍODO: 010205 a 08 10 2008 ESTABELECIMENTO 000339 Multa de Ofício de 75% mais benéfica ao contribuinte; 9.3.15. P15 PARTICIPAÇÃO NOS RESULTADOS que engloba pagamentos a Segurados Empregados SEM APRESENTAÇÃO DE GFIP PERÍODO: 122008;010204 e 052009 ESTABELECIMENTO 000339 Multa de Ofício de 75% MULTA AGRAVADA; 9.3.16. P16 PARTICIPAÇÃO NOS RESULTADOS que engloba pagamentos a Segurados Empregados SEM APRESENTAÇÃO DE GFIP PERÍODO: 052007 ESTABELECIMENTO 000410 Multa anterior à vigência da MP 449/2008, convertida na Lei 11.941/2009, mais benéfica ao contribuinte; 9.3.17. P17 PARTICIPAÇÃO NOS RESULTADOS que engloba pagamentos a Segurados Empregados SEM APRESENTAÇÃO DE GFIP PERÍODO: 062007 ESTABELECIMENTO 000410 Multa anterior à vigência da MP 449/2008, convertida na Lei 11.941/2009, mais benéfica ao contribuinte; 9.3.18. P18 PARTICIPAÇÃO NOS RESULTADOS que engloba pagamentos a Segurados Empregados SEM APRESENTAÇÃO DE GFIP PERÍODO: 09 e 102007 ESTABELECIMENTO 000410 Multa de Ofício de 7 5% mais benéfica ao contribuinte; 9.3.19. P19 PARTICIPAÇÃO NOS RESULTADOS que engloba pagamentos a Segurados Empregados SEM APRESENTAÇÃO DE GFIP PERÍODO: 0105 a 0709 e 10 2008 ESTABELECIMENTO 000410 Multa de Ofício de 7 5% mais benéfica ao contribuinte; 9.3.20. P20 PARTICIPAÇÃO NOS RESULTADOS que engloba pagamentos a Segurados Empregados SEM Fl. 925DF CARF MF Impresso em 04/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/08/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 26/08/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 03/11/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 6 APRESENTAÇÃO DE GFIP PERÍODO: 122008; 0102 04 2009 ESTABELECIMENTO 000410 Multa de Ofício de 7 5% MULTA AGRAVADA; 9.3.21. P21 PARTICIPAÇÃO NOS RESULTADOS que engloba pagamentos a Segurados Empregados SEM APRESENTAÇÃO DE GFIP PERÍODO: 09 e 102007 ESTABELECIMENTO 000509 Multa de Ofício de 7 5% mais benéfica ao contribuinte; 9.3.22. P22 PARTICIPAÇÃO NOS RESULTADOS que engloba pagamentos a Segurados Empregados SEM APRESENTAÇÃO DE GFIP PERÍODO: 03 e 052008 ESTABELECIMENTO 000509 Multa de Ofício de 7 5% mais benéfica ao contribuinte; 9.3.23. P23 PARTICIPAÇÃO NOS RESULTADOS que engloba pagamentos a Segurados Empregados SEM APRESENTAÇÃO DE GFIP PERÍODO: 042009 a 052009 ESTABELECIMENTO 000509 Multa de Ofício de 7 5% MULTA AGRAVADA; 9.3.24. P24 PARTICIPAÇÃO NOS RESULTADOS que engloba pagamentos a Segurados Empregados SEM APRESENTAÇÃO DE GFIP PERÍODO: 03 a 05082006 e 02 a 042007 ESTABELECIMENTO 000681 Multa de Ofício de 7 5% mais benéfica ao contribuinte; 9.3.25. P25 PARTICIPAÇÃO NOS RESULTADOS que engloba pagamentos a Segurados Empregados SEM APRESENTAÇÃO DE GFIP PERÍODO: 082007 a 112007 ESTABELECIMENTO 000681 Multa de Ofício de 7 5% mais benéfica ao contribuinte; 9.3.26. P26 PARTICIPAÇÃO NOS RESULTADOS que engloba pagamentos a Segurados Empregados SEM APRESENTAÇÃO DE GFIP PERÍODO: 01052008 a 10 2008 ESTABELECIMENTO 000681 Multa de Ofício de 75% mais benéfica ao contribuinte; 9.3.27. P27 PARTICIPAÇÃO NOS RESULTADOS que engloba pagamentos a Segurados Empregados SEM APRESENTAÇÃO DE GFIP PERÍODO: 042009 a 052009 ESTABELECIMENTO 000681 Multa de Ofício de 7 5% MULTA AGRAVADA; 9.3.28. M i l CONTRIBUINTE INDIVIDUAL que engloba pagamentos a Segurados Contribuintes Individuais SEM APRESENTAÇÃO DE GFIP PERÍODO: 01070911 2006; 01 e 052007 Multa anterior à vigência da MP 449/2008, convertida na Lei 11.941/2009, mais benéfica ao contribuinte; 9.3.29. MI2 CONTRIBUINTE INDIVIDUAL que engloba pagamentos a Segurados Contribuintes Individuais SEM APRESENTAÇÃO DE GFIP PERÍODO: 0607122007 Multa anterior à vigência da MP 449/2008, convertida na Lei 11.941/2009, mais benéfica ao contribuinte; Fl. 926DF CARF MF Impresso em 04/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/08/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 26/08/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 03/11/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 10640.003894/200954 Acórdão n.º 2401003.101 S2C4T1 Fl. 5 7 9.3.30. MI3 CONTRIBUINTE INDIVIDUAL que engloba pagamentos a Segurados Contribuintes Individuais SEM APRESENTAÇÃO DE GFIP PERÍODO: 042008 Multa anterior à vigência da MP 449/2008, convertida na Lei 11.941/2009, mais benéfica ao contribuinte; 9.3.31. X01 PARTICIPAÇÃO NOS RESULTADOS que engloba pagamentos a Segurados Empregados SEM APRESENTAÇÃO DE GFIP PERÍODO: 010709112006 ESTABELECIMENTO 000177 Multa anterior à vigência da MP 449/2008, convertida na Lei 11.941/2009, mais benéfica ao contribuinte; 9.3.32. X02 PARTICIPAÇÃO NOS RESULTADOS que engloba pagamentos a Segurados Empregados SEM APRESENTAÇÃO DE GFIP PERÍODO: 01 e 052007 ESTABELECIMENTO 000177 Multa anterior à vigência da MP 449/2008, convertida na Lei 11.941/2009, mais benéfica ao contribuinte; 9.3.33. X03 PARTICIPAÇÃO NOS RESULTADOS que engloba pagamentos a Segurados Empregados SEM APRESENTAÇÃO DE GFIP PERÍODO: 06072007 ESTABELECIMENTO 000177 Multa anterior à vigência da MP 449/2008, convertida na Lei 11.941/2009, mais benéfica ao contribuinte; 9.3.34. X04 PARTICIPAÇÃO NOS RESULTADOS que engloba pagamentos a Segurados Empregados SEM APRESENTAÇÃO DE GFIP PERÍODO: 042008 ESTABELECIMENTO 000177 Multa anterior à vigência da MP 449/2008, convertida na Lei 11.941/2009, mais benéfica ao contribuinte; 9.3.35. X05 PARTICIPAÇÃO NOS RESULTADOS que engloba pagamentos a Segurados Empregados SEM APRESENTAÇÃO DE GFIP PERÍODO: 09112006 ESTABELECIMENTO 000258 Multa anterior à vigência da MP 449/2008, convertida na Lei 11.941/2009, mais benéfica ao contribuinte; 9.3.36. X06 PARTICIPAÇÃO NOS RESULTADOS que engloba pagamentos a Segurados Empregados SEM APRESENTAÇÃO DE GFIP PERÍODO: 01 e 052007 ESTABELECIMENTO 000258 Multa anterior à vigência da MP 449/2008, convertida na Lei 11.941/2009, mais benéfica ao contribuinte; 9.3.37. X07 PARTICIPAÇÃO NOS RESULTADOS que engloba pagamentos a Segurados Empregados SEM APRESENTAÇÃO DE GFIP PERÍODO: 06 e 122007 ESTABELECIMENTO 000258 Multa anterior à vigência da MP 449/2008, convertida na Lei 11.941/2009, mais benéfica ao contribuinte; Fl. 927DF CARF MF Impresso em 04/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/08/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 26/08/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 03/11/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 8 9.3.38. X08 PARTICIPAÇÃO NOS RESULTADOS que engloba pagamentos a Segurados Empregados SEM APRESENTAÇÃO DE GFIP PERÍODO: 042008 ESTABELECIMENTO 000258 Multa anterior à vigência da MP 449/2008, convertida na Lei 11.941/2009, mais benéfica ao contribuinte; 9.3.39. X09 PARTICIPAÇÃO NOS RESULTADOS que engloba pagamentos a Segurados Empregados SEM APRESENTAÇÃO DE GFIP PERÍODO: 112006 ESTABELECIMENTO 000339 Multa anterior à vigência da MP 449/2008, convertida na Lei 11.941/2009, mais benéfica ao contribuinte; 9.3.40. XIO PARTICIPAÇÃO NOS RESULTADOS que engloba pagamentos a Segurados Empregados SEM APRESENTAÇÃO DE GFIP PERÍODO: 01 e 052007 ESTABELECIMENTO 000339 Multa anterior à vigência da MP 449/2008, convertida na Lei 11.941/2009, mais benéfica ao contribuinte; 9.3.41. XI1 PARTICIPAÇÃO NOS RESULTADOS que engloba pagamentos a Segurados Empregados SEM APRESENTAÇÃO DE GFIP PERÍODO: 0607122007 ESTABELECIMENTO 000339 Multa anterior à vigência da MP 449/2008, convertida na Lei 11.941/2009, mais benéfica ao contribuinte; 9.3.42. XI2 PARTICIPAÇÃO NOS RESULTADOS que engloba pagamentos a Segurados Empregados SEM APRESENTAÇÃO DE GFIP PERÍODO: 042008 ESTABELECIMENTO 000339 Multa anterior à vigência da MP 449/2008, convertida na Lei 11.941/2009, mais benéfica ao contribuinte; 9.3.43. X13 PARTICIPAÇÃO NOS RESULTADOS que engloba pagamentos a Segurados Empregados SEM APRESENTAÇÃO DE GFIP PERÍODO: 122007 ESTABELECIMENTO 000410 Multa anterior à vigência da MP 449/2008, convertida na Lei 11.941/2009, mais benéfica ao contribuinte; 9.3.44. X14 PARTICIPAÇÃO NOS RESULTADOS que engloba pagamentos a Segurados Empregados SEM APRESENTAÇÃO DE GFIP PERÍODO: 042008 ESTABELECIMENTO 000410 Multa anterior à vigência da MP 449/2008, convertida na Lei 11.941/2009, mais benéfica ao contribuinte; 9.3.45. X15 PARTICIPAÇÃO NOS RESULTADOS que engloba pagamentos a Segurados Empregados SEM APRESENTAÇÃO DE GFIP PERÍODO: 122007 ESTABELECIMENTO 000509 Multa anterior à vigência da MP 449/2008, convertida na Lei 11.941/2009, mais benéfica ao contribuinte; 9.3.46. X16 PARTICIPAÇÃO NOS RESULTADOS que engloba pagamentos a Segurados Empregados SEM APRESENTAÇÃO DE GFIP PERÍODO: 042008 Fl. 928DF CARF MF Impresso em 04/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/08/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 26/08/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 03/11/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 10640.003894/200954 Acórdão n.º 2401003.101 S2C4T1 Fl. 6 9 ESTABELECIMENTO 000509 Multa anterior à vigência da MP 449/2008, convertida na Lei 11.941/2009, mais benéfica ao contribuinte; 9.3.47. X17 PARTICIPAÇÃO NOS RESULTADOS que engloba pagamentos a Segurados Empregados SEM APRESENTAÇÃO DE GFIP PERÍODO: 0107092006 e 01 e 052007 ESTABELECIMENTO 000681 Multa anterior à vigência da MP 449/2008, convertida na Lei 11.941/2009, mais benéfica ao contribuinte; 9.3.48. X18 PARTICIPAÇÃO NOS RESULTADOS que engloba pagamentos a Segurados Empregados SEM APRESENTAÇÃO DE GFIP PERÍODO: 06072007 ESTABELECIMENTO 000681 Multa anterior à vigência da MP 449/2008, convertida na Lei 11.941/2009, mais benéfica ao contribuinte; 9.3.49. XI9 PARTICIPAÇÃO NOS RESULTADOS que engloba pagamentos a Segurados Empregados SEM APRESENTAÇÃO DE GFIP PERÍODO: 042008 ESTABELECIMENTO 000681 Multa anterior à vigência da MP 449/2008, convertida na Lei 11.941/2009, mais benéfica ao contribuinte; 9.3.50. FP1 FOLHA DE PAGAMENTO que engloba pagamentos a Segurados Empregados SEM APRESENTAÇÃO DE GFIP PERÍODO: 01 a 132005 ESTABELECIMENTO 000177 Multa de Ofício de 75% mais benéfica ao contribuinte MULTA AGRAVADA; 9 . 3 . 5 1 . FP2 FOLHA DE PAGAMENTO que engloba pagamentos a Segurados Empregados SEM APRESENTAÇÃO DE GFIP PERÍODO: 01 a 132005 ESTABELECIMENTO 000258 Multa de Ofício de 75% mais benéfica ao contribuinte MULTA AGRAVADA; 9.3.52. FP3 FOLHA DE PAGAMENTO que engloba pagamentos a Segurados Empregados SEM APRESENTAÇÃO DE GFIP PERÍODO: 01 a 132005 ESTABELECIMENTO 000339 Multa de Ofício de 75% mais benéfica ao contribuinte M U LTA AG RAVADA; 9.3.53. FP4 FOLHA PE PAGAMENTO que engloba pagamentos a Segurados Empregados SEM APRESENTAÇÃO DE GFIP PERÍODO: 01 a 132005 ESTABELECIMENTO 000410 Multa de Ofício de 75% mais benéfica ao contribuinte MULTA AGRAVADA; 9.3.54. FP5 FOLHA DE PAGAMENTO que engloba pagamentos a Segurados Empregados SEM APRESENTAÇÃO DE GFIP PERÍODO: 01 a 10 e 132005 ESTABELECIMENTO 000509 Multa de Ofício de 75% mais benéfica ao contribuinte MULTA AGRAVADA; Fl. 929DF CARF MF Impresso em 04/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/08/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 26/08/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 03/11/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 10 9.3.55. FP6 FOLHA DE PAGAMENTO que engloba pagamentos a Segurados Empregados SEM APRESENTAÇÃO DE GFIP PERÍODO: 05 a 132005 ESTABELECIMENTO 000681 Multa de Ofício de 75% mais benéfica ao contribuinte MULTA AGRAVADA; 9.3.56. SF1 SALÁRIO FAMÍLIA INDEVIDO que engloba pagamentos a Segurados Empregados SEM APRESENTAÇÃO DE GFIP PERÍODO: 01 a 112005 ESTABELECIMENTO 000177 Multa de Ofício de 75% mais benéfica ao contribuinte MULTA AGRAVADA; 9.3.57. SF4 SALÁRIO FAMÍLIA INDEVIDO que engloba pagamentos a Segurados Empregados SEM APRESENTAÇÃO DE GFIP PERÍODO: 01 a 122005 ESTABELECIMENTO 000410 Multa de Ofício de 75% mais benéfica ao contribuinte MULTA AGRAVADA; 9.3.58. SF6 SALÁRIO FAMÍLIA INDEVIDO que engloba pagamentos a Segurados Empregados SEM APRESENTAÇÃO DE GFIP PERÍODO: 05 a 122005 ESTABELECIMENTO 000681 Multa de Ofício de 75% mais benéfica ao contribuinte MULTA AGRAVADA; O cálculo da contribuição dos segurados empregados, foi calculada levando em consideração o limite máximo do salário de contribuição. Quanto a multa imposta, destaca que os fatos geradores apurados não foram declarados nas GFIP o que ensejou a lavratura do presente AI com a multa de 75 % sobre o valor das contribuições apuradas para todas as competências posteriores a 12/2008, e devida comparação, das multas até a vigência da Medida Provisória 449/2008 com a multa após a vigência da referida MP, aplicando a mais benigna, conforme demonstrado no relatório do AI. Descreveu, ainda o auditor que para a comparação não consideramos as contribuições destinadas a OUTRAS ENTIDADES e FUNDOS no cálculo da multa de mora e da multa de 75%, pois a infração por não declarar ou declarar com omissão/inexatidão inclui, apenas, as contribuições previdenciárias. Também não considerou, o auditor, na comparação a qualificação e o agravamento da multa (§§ I o e 2o do art. 4 4 da Lei n ° 9.430/96). Importante, destacar que a lavratura do AI deuse em 23/11/2009, tendo a cientificação ao sujeito passivo ocorrido no dia 27/11/2009. Não conformada com a autuação a recorrente apresentou defesa, fls. 122 a 135, destacando, que em relação ao salário família glosado, está providenciando ao pagamento da contribuição devida, bem como impugnando os demais levantamentos, por entender serem indevidos. Foi exarada a Decisão de 1 instância que confirmou a procedência do lançamento, fls. 492 a 498. Assunto : Outros Tributos ou Contribuições Período de apuração: 01/01/2005 a 31/12/2006 PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS E RESULTADOS. FOLHA DE PAGAMENTO. Fl. 930DF CARF MF Impresso em 04/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/08/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 26/08/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 03/11/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 10640.003894/200954 Acórdão n.º 2401003.101 S2C4T1 Fl. 7 11 A participação nos lucros e resultados paga em desconformidade com a legislação específica implica na sua consideração como saláriode contribuição. Não há que se falar em desconformidade DIRF/GFIP quando a fiscalização pautase em outros documentos como folha de pagamento para embasar o lançamento. Acórdão Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Não concordando com a decisão do órgão previdenciário, foi interposto recurso pela notificada, conforme fls. 463 a 468, contendo em síntese os mesmo argumentos da impugnação, os quais podemos descrever de forma sucinta: 1. Os auditores na verdade emitiram juízo de valor em relação as metas acordadas com os empregados, não tendo focado a análise nas disposições legais, mas sim, nas metas estipuladas, o que lhe é absolutamente vedado. 2. A DRJ não emitiu juízo sobre as metas, no entanto concluir por manter o lançamento sob a alegação de descumprimento dos requisitos formais estipulados na lei de regência da PLR. 3. Verificase, portanto, que a análise deve cingirse aos dispositivos legais e ao que foi indicado como motivo do ato administrativo de lançamento e mantido pela decisão de primeira instância, a saber, a suposta falha na indicação e ou identificação do representante dos empregados na negociação dos acordos e a ausência de registro do documento na entidade sindical. 4. Quanto a representatividade e registro sindical, não há vícios na indicação dos representantes dos empregados: 4.1. as filiais 000509 e 000177, foram efetivados via acordo coletivo; 4.2. os acordos das filiais 000410 e 000258 e 000339, foram negociados por meio de comissão de empregados, sendo assinados e indicada o CPF dos empregados. 5. Destacou que a intenção da lei 10.101 foi permitir o envolvimento dos empregados na elaboração e definição das metas, tendo em vista ser um instrumento de integração entre o capital e trabalho. 6. Identificase a participação dos empregados na definição das metas, sendo que eventuais detalhes formais não podem sobrepor à finalidade da lei, quando atingida a sua essência. 7. Quanto ao registro do instrumento no sindicato, o mesmo serve para conferir publicidade, facilitando o cumprimento dos termos avençados, sendo que sua ausência não altera a natureza do pagamento. Transcreve julgado do STJ a respeito. 8. Além dos ditos aspectos formais o lançamento foi mantido sob a alegação de caráter material de que os valores pagos aos empregados a título de PLR mais teria se assemelhado ao pagamento de prêmio pelo atingimento de metas, do que integração dos empregados ao capital. Devese deixar claro que as razões conferidas sequer foram Fl. 931DF CARF MF Impresso em 04/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/08/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 26/08/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 03/11/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 12 elaboradas tendo em vista os elementos constantes dos presentes autos, sendo apenas transcrição de declaração de voto de um dos acórdãos citados pelo recorrente. 9. Os auditores fiscais que efetuaram o lançamento, em momento algum descreveram os pagamentos como se não fossem PLR, considerando que as formalidades para que referido pagamento fosse excluído do conceito de salário de contribuição não foram restaram cumpridas. Não poderia o acordão fundamentarse em conclusões tiradas por outro conselheiro, quando do julgamento. 10. Quanto à participação nos lucros, lança os seguintes argumentos: 10.1. O conteúdo dos planos de participação nos lucros foram verificados pela auditoria que não deixou de reconhecer a que título foram pagos os respectivos valores. Tais planos foram negociados por meio de acordo coletivo ou com comissão de empregados (folha 1106). 10.2. Os pagamentos a título de PLR obedeceram estritamente o que determina a Lei 10.101/2001, em seus artigos 2o , §§1° e 2o , e 3o, §2°. 10.3. As regras foram "suficientemente descritas nos programas." (folha 1108) Quanto à divulgação de forma relativa das metas, isto se deu em razão de "que as metas muito têm a ver com estratégias da empresa para reduzir seus custos e atender melhor seus clientes" (folha 1109). Os "instrumentos foram assinados ou pelo representante do sindicato ou pelos membros da comissão ou por ambos" (folha 1109) e "eram amplamente divulgadas pela Impugnante no local de trabalho, conforme se constata pelo documento anexo (cfr. Doe. 04)." Alega também que "nenhuma lei impõe que a negociação seja prévia à apuração dos lucros ou resultados". Colaciona decisões do Conselho de Contribuintes nesse último sentido (folhas l l l O e 1111). 10.4. O texto da CRFB, art. 7o , inciso XI é autoaplicável e, mesmo que não o fosse, as regras da Lei 10.101/2000 tem caráter meramente indicativo. 11. Alega que os valores não lançados em GFIP, apurados a partir de folha de pagamento, RAIS e DIRF, não o foram por não integrarem o saláriodecontribuição (folha 1113). Foram, no entanto, informados na DIRF conforme determinação da Lei 10.101/2000. Do recurso identificase que a PLR não deve constituir salário de contribuição. A DRFB encaminhou o processo para julgamento no âmbito do CARF. É o relatório. Fl. 932DF CARF MF Impresso em 04/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/08/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 26/08/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 03/11/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 10640.003894/200954 Acórdão n.º 2401003.101 S2C4T1 Fl. 8 13 Voto Conselheira Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Relatora PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE: O recurso foi interposto tempestivamente, conforme informação à fl. 896. Superados os pressupostos, passo as preliminares ao exame do mérito. DO MÉRITO COMPETÊNCIA PARA ARRECADAR CONTRIBUIÇÃO DE TERCEIROS Inicialmente, vale ressaltar que fiscalização previdenciária possui competência para arrecadar e fiscalizar as contribuições destinadas a terceiros, conforme art. 94 da Lei 8.212/91. DA MATÉRIA NÃO OBJETO DE RECURSO No recurso em questão, o contribuinte atacou a natureza do pagamento de PLR, discordando da contribuição lançada, por entender não constituir salário de contribuição, contudo, não insurgiuse quanto as bases de cálculo apuradas, nem tampouco, quanto aos levantamentos que descrevem diferenças de Folha de Pagamento não declarados em GFIP, nem fez qualquer menção aos levantamentos de contribuintes individuais. Assim descreveu o auditor em seu relatório: 4.3. FOLHA DE PAGAMENTO: A remuneração paga, devida ou creditada aos segurados empregados, lançadas pela própria empresa, nas Folhas de Pagamentos, RAIS, DIRF, Recibos de Pagamentos, Termos de Rescisão de Contrato de Trabalho e Recibos de Férias e não declarados em GFIP vide relatório Base de Cálculo Apurada em Folha de Pagamento Patronal + Segurados. As bases apuradas resultaram da conciliação entre Folha de Pagamento, GFIP, RAIS e DIRF. Dessa forma, em relação aos mencionados fatos geradores, descritos detalhadamente no relatório fiscal, planilhas detalhadas anexas ao lançamento, nos levantamentos constantes do relatório DAD, como não houve recurso expresso aos pontos da Decisão de Primeira Instância presumese a concordância da recorrente com a referida decisão. Notese que para os pagamentos pelo programa descrito pela auditoria como PEPR apresentou o recorrente em sua impugnação argumentos de que constituiriam Programa Especial de Participação nos Resultados de indenização compensatória em função da redução do valor do ticketrefeição aos trabalhadores prejudicados, contudo, tais fundamentos restaram afastados pelo órgão julgador, não tendo o recorrente apresentado no recursos, seja os mesmos Fl. 933DF CARF MF Impresso em 04/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/08/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 26/08/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 03/11/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 14 fundamentos, ou qualquer outro elemento, que consubstanciasse a exclusão dos referidos valores da base de cálculo. Esse programa, foi assim indicado pelo auditor autuante em seu relatório: 4.2.4.6.1.1.3. O pagamento de PEPR 2005 padeceu também dos mesmos vícios: acordo assinado em 01022006, pagamento em janeiro de 2006. O ANEXO I I DETALHAMENTO DO PROGRAMA DE PARTICIPAÇÃO NOS RESULTADOS também foi assinado posteriormente ao pagamento. Aqui, a periodicidade é por semestre civil, tendo início no segundo semestre de 2005. A Empresa não apresentou esclarecimentos sobre as diferenças entre PPR e PEPR (com prazo de vigência indeterminado) na Folha de Pagamento é a verba 202 e serve tanto para um programa como para o outro; não apresentou detalhamento da forma de aferição das metas acordadas com comprovação por estabelecimento, setor, departamento e Empregado das metas alcançadas. Pela leitura do item do ANEXO I I , item 5 B, mesmo o Empregado que não tenha atingido a meta, "o PPR a ser pago será proporcional ao número de dias de efetivo trabalho realizado pelo empregado no semestre". A Lei 10.101/2000 é clara ao dizer que para que o trabalhador tenha direito a Participação nos Lucros e Resultados torna se necessário que o mesmo participe de um RESULTADO que se baseie em regras claras e objetivas quanto à fixação dos direitos substantivos da participação e que tenha o intuito de incentivar a produtividade. Isso, não ocorre aqui. Não atende ao exigido pela Lei sendo o pagamento de Participação no Resultado somente um meio de se remunerar o Segurado Empregado sem o pagamento de Contribuição Previdenciária e sem repercussão nos demais direitos trabalhistas. Uma vez que houve concordância, lide não se instaurou em relação a esses pontos e, portanto, deve ser mantida a Decisão proferida pela DRJ, tanto em relação a FOLHA, como ao Programa PEPR. QUANTO AO PAGAMENTO DE PLR Quanto aos levantamentos de PLR, que digase constituem a grande parte do crédito lançado, devemos primeiramente identificar os fundamentos da autoridade fiscal, para que referidos valores constituíssem salário de contribuição, para então baseados na peça recursal e impugnatória, determinar a procedência do lançamento frente aos argumentos do julgador de primeira instância. No relatório fiscal, assim descreveu o auditor as regras para que o pagamento de PLR não constitua salário de contribuição: 4.2. P A R T I C I P A Ç Ã O N O S LUCROS OU R E S U L T A D O S Remuneração paga, devida ou creditada aos Segurados Empregados a título de PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS ou Resultados em desacordo com a legislação vigente Lei n. 10.101/2000 que regula a participação dos trabalhadores nos lucros ou resultados da empresa; Fl. 934DF CARF MF Impresso em 04/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/08/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 26/08/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 03/11/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 10640.003894/200954 Acórdão n.º 2401003.101 S2C4T1 Fl. 9 15 4 . 2 . 1 . A Constituição Federal, nos termos do art. 7 o , inciso X I , assegura aos empregados o direito à participação nos lucros ou resultados da empresa desvinculada da remuneração, quando concedida de acordo com lei específica, que é a Lei n°. 10.101, de 19/12/2000; 4.2.2. A Lei n°. 10.101, de 19/12/2000 regula a participação dos trabalhadores nos lucros ou resultados da empresa, como um instrumento de integração entre o capital e o trabalho e de incentivo à produtividade; 4.2.3. Para que o Segurado Empregado tenha direito à PLR tornase necessário que o mesmo participe de um RESULTADO que se baseie em regras claras e objetivas de metas a serem alcançadas e que tenha o intuito de incentivar a produtividade. 4.2.3.1. Para a Participação dos Empregados nos Lucros ou Resultados da empresa, a Lei N9 10.101/2000 estabelece as seguintes condições: a) a PLR deve ser objeto de negociação entre a empresa e seus empregados, mediante um dos procedimentos abaixo, escolhidos pelas partes de comum acordo: > Comissão escolhida pelas partes, integrada, também, por um representante indicado pelo sindicato da categoria; —• Convenção ou acordo coletivo. b) Dos instrumentos decorrentes da negociação, deverão constar regras claras e objetivas quanto à fixação dos direitos substantivos da participação e das regras adjetivas, inclusive mecanismos de aferição das informações pertinentes ao cumprimento do acordado, periodicidade da distribuição, período de vigência e prazos para revisão do acordo, podendo ser considerados, entre outros, os seguintes critérios e condições: —> índice de produtividade, qualidade ou lucratividade da empresa; > Programas de metas, resultados e prazos, pactuados previamente; 4.2.3.2. O instrumento de acordo celebrado deve ser arquivado na entidade sindical dos trabalhadores; 4.2.3.3. Quando o instrumento de negociação for a comissão escolhida pelas partes, a ata elaborada deverá ser assinada pelo representante do sindicato; 4.2.3.4. O item 4.2.3.2. e 4.2.3.3. fazse necessário para garantir a "integração entre o capital e o trabalho" [ i t em 4 . 2 . 2 . ]. Fl. 935DF CARF MF Impresso em 04/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/08/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 26/08/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 03/11/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 16 4.2.3.5. E, é claro, os programas de metas, resultados e prazos, pactuados previamente; 4.2.4. POIS BEM: 4 . 2 . 4 . 1 . Através do TIPF, datado de 20 de Fevereiro de 2009, intimamos a Empresa inicialmente para apresentar o Regulamento da Participação nos Lucros ou Resultados, junto com outros documentos, como Acordos e Convenções Coletivas. A Empresa não apresentou a documentação exigida relativa ao PLR; 4.2.4.2. Em 15/04/2009 TIF N° 001 foi solicitado Regras de distribuição, periodicidade, vigência e prazos de revisão. A Empresa apresentou parte dos Acordos Coletivos celebrados entre Empresa e Empregados; 4.2.4.3. Em 04/06/2009 TIF N° 002 foi solicitado Acordos e Convenções Coletivas Para Participação nos Lucros Anexo com Detalhamento do Programa Especial de Participação nos Resultados e Programa de Participação nos Resultados. Em caso de comissão escolhida pelas partes Ata dos acordos negociados com a assinatura dos representantes do sindicato da categoria. A Empresa não apresentou nenhum documento novo. E finalmente em 19/06/2009 TIF N° 004, item 2.2. abaixo: 2.2. Prazo: 5 dias Período de apuração: 01/2005 a 05/2009. 2.2.1. PARA TODOS OS ESTABELECIMENTOS DA EMPRESA: A Empresa devera apresentar de forma detalhada através de documento escrito resposta às seguintes questões: 2.2.1.1 Diferenciar PEPR Programa Especial de Participação nos Lucros de PPR Programa de Participação nos Lucros; 2.2.1.2 Os estabelecimentos que celebraram acordo através de COMISSÃO escolhida entre as partes devera apresentar as Atas do processo de escolha dos representantes dos trabalhadores; indicar o representante do sindicato da categoria (cf. art. 2° , I da lei 10.101 de 19 de Dezembro de 2000); Atas das reuniões entre as partes; data do arquivamento da Ata (com assinatura do representante sindical) no Sindicato dos trabalhadores (justificar o não arquivamento se for o caso); 2.2.1.3 Detalhar a forma de aferição das metas acordadas com comprovação por Estabelecimento, setor, departamento e Empregado das metas alcançadas; 2.2.2. PARA O ESTABELECIMENTO 000177: 2.2.2.1 Apresentar o detalhamento dos Programas de Participação nos Lucros 2006 e 2007. Explicitar se houve Fl. 936DF CARF MF Impresso em 04/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/08/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 26/08/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 03/11/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 10640.003894/200954 Acórdão n.º 2401003.101 S2C4T1 Fl. 10 17 pagamento de PPR sem que esse documento fosse elaborado (se for o caso); 2.2.3. PARA O ESTABELECIMENTO 000339: 2.2.3.1 Apresentar o PPR e o detalhamento dos Programas de Participação nos Lucros 2005, 2006 e 2007. Explicitar se houve pagamento de PPR sem que esses documentos fossem elaborados (se for o caso); 2.2.4. PARA O ESTABELECIMENTO 000410: 2.2.4.1 Apresentar o PPR e o detalhamento dos Programas de Participação nos Lucros 2005. Explicitar se houve pagamento de PPR sem que esse documento fosse elaborado (se for o caso); 2.2.5. PARA O ESTABELECIMENTO 000509: 2.2.5.1 Apresentar o PPR e o detalhamento dos Programas de Participação nos Lucros 2007 e 2008. Explicitar se houve pagamento de PPR sem que esses documentos fossem elaborados (se for o caso); 4.2.4.5 Nenhum dos esclarecimentos e/ou documentos solicitados mencionados no item 4.2.4.4. foi apresentado pela Empresa. CONCLUSÕES DO AUDITOR QUANTO AO PLR DA EMPRESA Face as solicitações procedeu o auditor a análise dos documentos apresentados, concluindo: CNPJ 000177: 4 . 2 . 4 . 6 . 1 . 1 . Acordo Coletivo de 2005 a 2007 validade até 31122007: 4 . 2 . 4 . 6 . 1 . 1 . 1 . PPR de 2005: acordo assinado em 01 022006, pagamento em janeiro de 2006 (portanto, antes da assinatura do acordo e do programa). O ANEXO I DETALHAMENTO DO PROGRAMA DE PARTICIPAÇÃO NOS RESULTADOS PARA O EXERCÍCIO DE 2005 também foi assinado posteriormente ao pagamento; as metas estabelecidas (todas corporativas) já estavam para o ano de 2005 superadas e conhecidas impossível estabelecer meta para o ano anterior; 4.2.4.6.1.1.2. Para os anos de 2006 e 2007 a Empresa não apresentou o Detalhamento do Programa de Participação nos Resultados nem mesmo detalhou a forma de aferição de metas acordadas com comprovação por estabelecimento, setor, departamento e empregado das metas alcançadas. Ou seja, para os anos de 2006 e 2007 embora exista um documento intitulado PROGRAMA DE PARTICIPAÇÃO NOS RESULTADOS PPR 20052007 não existe o Fl. 937DF CARF MF Impresso em 04/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/08/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 26/08/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 03/11/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 18 detalhamento do programa, o que o torna inconsistente, uma vez que inexiste meta, objetivo, vigência; 4.2.4.6.1.2. Acordo coletivo de 20082009 e PPR 2008 2009: 4 . 2 . 4 . 6 . 1 . 2 . 1 . O ANEXO I DETALHAMENTO DO PROGRAMA DE PARTICIPAÇÃO NOS RESULTADOS PARA O PERÍODO JANEIRO A DEZEMBRO DE 2008, foi assinado em 25 de março de 2009, portanto, com metas e objetivos já conhecidas e superadas. O acordo PPR foi firmado entre a Empresa e a COMISSÃO DE PPR CAS JFA, conforme visto nos itens 4.2.4.4. e 4.2.4.5. a Empresa não apresentou nenhum daqueles documentos nem os relativos a COMISSÃO, nem o detalhamento do Programa, nem os de aferição das metas acordadas; enquanto a Lei impõe regras claras e objetivas, o campo observação do item 1 do ANEXO I diz: "a meta poderá ser divulgada de forma relativa em função de sua natureza sensível para o mercado e/ou em virtude de sigilo de informações"; CNPJ 000258: 4 . 2 . 4 . 6 . 2 . 1 . Acordo coletivo 20052007 validade até 31122007: 4 . 2 . 4 . 6 . 2 . 1 . 1 . PPR e PEPR de Outubro de 2005 a Setembro de 2006: acordo assinado em 20092006, pagamento em Setembro de 2006. O ANEXO I DETALHAMENTO DO PROGRAMA DE PARTICIPAÇÃO NOS RESULTADOS PARA O PERÍODO OUTUBRO DE 2005 A SETEMBRO DE 2006 também foi assinado na mesma data; as metas a serem alcançadas já estavam para o período superadas e conhecidas impossível estabelecer meta para período quase que 9 7 , 5% transcorrido: meta é um objetivo, um alvo. A meta t em que ser estabelecida previamente para que os envolvidos possam através de seus esforços atingilas e atender ao espírito da Lei 10.101/2000. Enquanto a Lei impõe regras claras e objetivas, o campo observação do item 1 do ANEXO I diz: "a meta poderá ser divulgada de forma relativa em função de sua natureza sensível para o mercado e/ou em virtude de sigilo de informações"; 4.2.4.6.2.1.2. Para o período de I o de Janeiro a 31 de Dezembro de 2007 a empresa não apresentou o Detalhamento do Programa de Participação nos Resultados nem mesmo detalhou a forma de aferição de metas acordadas. A empresa não esclareceu, mas pela leitura do ANEXO IIIDETALHAMENTO DO PROGRAMA DE PARTICIPAÇÃO NOS RESULTADOS PARA O PERÍODO JANEIRO A DEZEMBRO DE 2006, assinado em 16 de maio de 2007, o acordo foi repactuado, o período passa de Janeiro a Dezembro de 2006, as metas são diferentes e tudo se repete: nos instrumentos firmados entre a Empresa e a COMISSÃO DO PPR não há assinatura do representante sindical conforme exigência do art. 2 o , inciso I, da Lei 10.101/2000; não consta seu arquivamento na entidade Fl. 938DF CARF MF Impresso em 04/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/08/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 26/08/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 03/11/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 10640.003894/200954 Acórdão n.º 2401003.101 S2C4T1 Fl. 11 19 sindical representante dos trabalhadores da categoria naquela base sindical, não há detalhamento da forma de aferição de metas acordadas; 4.2.4.6.2.2. Acordo Coletivo 2008/2009: 4 . 2 . 4 . 6 . 2 . 2 . 1 . Acordo Coletivo e o Programa de Participação nos Resultados referente o período de JANEIRO A DEZEMBRO DE 2008 apresenta algumas contradições: (a) Acordo Coletivo assinado em 22 de agosto de 2008, na cidade de Goiânia; já o PPR 2008/2009 assinado em março de 2007 (sem precisão de dia) na cidade do Rio de Janeiro; (b) Os representantes dos trabalhadores na COMISSÃO, nas duas oportunidades são diferentes, são COMISSÕES diversas; nada a opor, todavia, notese que o ANEXO I I I citado no item 4.2.4.6.2.1.2. para o período de JANEIRO A DEZEMBRO DE 2006 foi firmado em Goiânia em 16 de maio de 2007 por outra COMISSÃO, também aqui não há nada a opor. Mas devemos registrar as inúmeras COMISSÕES em atuação concomitante sem participação da representação sindical determinada por Lei. 4.2.4.6.2.2.2. O ANEXO I DETALHAMENTO DO PROGRAMA DE PARTICIPAÇÃO NOS RESULTADOS PARA O PERÍODO DE JANEIRO A DEZEMBRO DE 2008 apresenta os mesmos vícios apontados anteriormente: aqui também verificamos que enquanto a Lei impõe regras claras e objetivas, o campo observação do item 1 do ANEXO I diz: "a meta poderá ser divulgada de forma relativa em função de sua natureza sensível para o mercado e/ou em virtude de sigilo de informações"; o acordo PPR foi firmado entre a Empresa e a COMISSÃO DE PPR CASGNA; e conforme visto no item 4.2.4.4. e 4.2.4.5. a Empresa não apresentou nenhum daqueles esclarecimentos nem os relativos a COMISSÃO, nem o detalhamento do Programa, nem os de aferição das metas acordadas. O ANEXO A do ANEXO I informa que o objetivo 1: Receita Líquida Terceiro, foi eliminado. Quem eliminou? A Brasil Center Comunicações Ltda? A COMISSÃO? Os dois? Quando? Por quê? Qual o critério?; 4.2.4.6.3. CNPJ 000339: 4 . 2 . 4 . 6 . 3 . 1 . Acordo Coletivo de 2005 a 2007: 4 . 2 . 4 . 6 . 3 . 1 . 1 . Conforme visto no item 4.2.4.4. e 4.2.4.5. a Empresa não apresentou nenhum daqueles documentos e esclarecimentos. Nada absolutamente nada; 4.2.4.6.3.2. Programa de Participação nos Resultados de 20082009: 4 . 2 . 4 . 6 . 3 . 2 . 1 . Aqui também a Empresa não apresentou os documentos e esclarecimentos solicitados, conforme visto no item 4.2.4.4 e 4.2.4.5; Fl. 939DF CARF MF Impresso em 04/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/08/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 26/08/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 03/11/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 20 4.2.4.6.3.2.2. O Programa de Participação nos Resultados PPR 20082009 apresentado, não tem, portanto, o detalhamento da forma de aferição das metas acordadas, assinatura do representante do sindicato, data do arquivamento no estabelecimento sindical; 4.2.4.6.3.2.3. O ANEXO A do ANEXO I DETALHAMENTO DO PROGRAMA DE PARTICIPAÇÃO NOS RESULTADOS PARA O PERÍODO JANEIRO A DEZEMBRO DE 2008 informa que o objetivo 1: Receita Líquida Terceiros, foi eliminado. Quem eliminou? A Brasil Center Comunicações Ltda? A COMISSÃO? Os dois? Quando? Por quê? Qual o critério?; 4.2.4.6.3.2.4. A Empresa apresentou documento (vide anexo GRUPO CNPJ 000339) em que afirma: "O ano de 2008 foi marcado por fortes mudanças e muitos desafios na Brasil Center. Neste cenário, enfrentamos adversidades que não permitiram o alcance dos indicadores operacionais pré definidos para o pagamento do PPR (grifo meu). Apesar do resultado, o presidente do Grupo Embratel, José Formoso Martinez, decidiu pelo reconhecimento de toda equipe BBC..." Assim, embora a empresa não tenha apresentado a forma de aferição das metas, fomos informados que as mesmas não foram alcançadas e que decidiuse pelo pagamento do PPR; 4.2.4.6.4. CNPJ 000410: 4 . 2 . 4 . 6 . 4 . 1 . Acordo Coletivo 2005 2007 e Programa de Participação nos Resultados MAIO/2006 a ABRIL/2007: 4 . 2 . 4 . 6 . 4 . 1 . 1 . Conforme visto no item 4.2.4.4. e 4.2.4.5. a Empresa não apresentou nenhum daqueles documentos e esclarecimentos; 4.2.4.6.4.1.2. PPR MAIO/2006 a ABRIL/2007: Acordo firmado em 11 de maio de 2007, portanto, com metas e objetivos já conhecidas e superadas. O ANEXO I DETALHAMENTO DO PROGRAMA DE PARTICIPAÇÃO NOS RESULTADOS PARA O PERÍODO MAIO/2006 A ABRIL/2007 impossível estabelecer meta para o ano anterior; 4.2.4.6.4.1.3. Para o período de maio/2007 a dezembro/2007 a empresa não apresentou o Detalhamento do Programa de Participação nos Resultados nem mesmo detalhou a forma de aferição de metas acordadas; 4.2.4.6.4.1.5. A empresa não esclareceu, mas pela leitura do ANEXO III DETALHAMENTO DO PROGRAMA DE PARTICIPAÇÃO NOS RESULTADOS PARA O PERÍODO JANEIRO A DEZEMBRO DE 2006 sem data de assinatura , o acordo foi repactuado e o período passa de Janeiro a Dezembro de 2006, as metas são diferentes e tudo se repete: Fl. 940DF CARF MF Impresso em 04/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/08/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 26/08/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 03/11/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 10640.003894/200954 Acórdão n.º 2401003.101 S2C4T1 Fl. 12 21 não há assinatura do representante sindical, não há arquivamento na entidade sindical, ausência de detalhamento da forma de aferição das metas acordadas, etc; com a repactuação para o período de janeiro a abril de 2007 continua valido o ANEXO I; 4.2.4.6.4.2. Acordo Coletivo 20082009 e PPR2008/2009: 4 . 2 . 4 . 6 . 4 . 2 . 1 . Aqui também a Empresa não apresentou os documentos e esclarecimentos solicitados, conforme visto no item 4.2.4.4 e 4.2.4.5; 4.2.4.6.4.2.2. O Programa de Participação nos Resultados PPR/20082009 apresentado, não tem, portanto, o detalhamento da forma de aferição das metas acordadas, assinatura do representante do sindicato, data do arquivamento no estabelecimento sindical; e, também, foi assinado em 30 de março de 2009, portanto, com metas e objetivos já conhecidas e superadas; 4.2.4.6.4.2.3. O ANEXO A do ANEXO I DETALHAMENTO DO PROGRAMA DE PARTICIPAÇÃO NOS RESULTADOS PARA O PERÍODO JANEIRO A DEZEMBRO DE 2008 informa que o objetivo 1: Receita Líquida Terceiros, foi eliminado. Quem eliminou? A Brasil Center Comunicações Ltda? A COMISSÃO? Os dois? Quando? Por quê? Qual o critério?; 4.2.4.6.5. CNP3 000509. 4 . 2 . 4 . 6 . 5 . 1 . Acordo Coletivo 2006 2007 e PPR JANEIRO a DEZEMBRO DE 2006: 4 . 2 . 4 . 6 . 5 . 1 . 1 . Conforme visto no item 4.2.4.4. e 4.2.4.5. a Empresa não apresentou nenhum daqueles documentos e esclarecimentos; 4.2.4.6.5.1.2. PPR JANEIRO/2006 a DEZEMBRO/2006: Acordo firmado em Agosto de 2007, pagamento em 2007. Também assinado em agosto de 2007 o ANEXO I DETALHAMENTO DO PROGRAMA DE PARTICIPAÇÃO NOS RESULTADOS PARA O PERÍODO JANEIRO/2006 A DEZEMBRO/2006 impossível estabelecer meta para o ano anterior; 4.2.4.6.5.1.3. Não foi apresentado documento de Detalhamento do PPR2007; 4.2.4.6.5.2. Acordo Coletivo 2008 2009 e PPR JANEIRO a DEZEMBRO DE 2008: 4 . 2 . 4 . 6 . 5 . 2 . 1 . Conforme visto no item 4.2.4.4. e 4.2.4.5. a Empresa não apresentou nenhum daqueles documentos e esclarecimentos; o PPR 20082009 não tem data de assinatura foi firmado através da COMISSÃO DE PPR CASRJO: pelo histórico dos outros programas assinados pela empresa é lícito supor que também o tenha Fl. 941DF CARF MF Impresso em 04/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/08/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 26/08/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 03/11/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 22 sido feito em data posterior a 31 de dezembro de 2008, quando os objetivos e metas já eram por todos conhecidos; Cabe informar que documento com as mesmas características e valores do PPR JANEIRO a DEZEMBRO DE 2008 e seus anexos foram nos outros estabelecimentos da empresa apresentados em diferentes datas: 25.03.2009;março de 2007;30.03.2009;março de 2009; 4.2.4.6.5.2.2. O ANEXO A do ANEXO I DETALHAMENTO DO PROGRAMA DE PARTICIPAÇÃO NOS RESULTADOS PARA O PERÍODO JANEIRO A DEZEMBRO DE 2008 informa que o objetivo 1: Receita Líquida Terceiros, foi eliminado. Quem eliminou? A Brasil Center Comunicações Ltda? A COMISSÃO? Os dois? Quando? Por quê? Qual o critério? Aqui também verificamos que enquanto a Lei impõe regras claras e objetivas, o campo observação do item 1 do ANEXO I diz: "a meta poderá ser divulgada de forma relativa em função de sua natureza sensível para o mercado e/ou em virtude de sigilo de informações"; 4.2.4.6.6. CNPJ 000681: 4 . 2 . 4 . 6 . 6 . 1 . Acordo Coletivo 2005 2007 e PPR 20052007: 4 . 2 . 4 . 6 . 6 . 1 . 1 . Conforme visto no item 4.2.4.4. e 4.2.4.5. a Empresa não apresentou nenhum daqueles documentos e esclarecimentos; 4.2.4.6.6.1.2. PPR de 01.07.2005 a 31.12.2005: Programa assinado em 18 de janeiro de 2006. As metas (todas corporativas) a serem alcançadas já estavam para o ano de 2005 superadas e conhecidas impossível estabelecer meta para o ano anterior; 4.2.4.6.6.1.3. PPR de 01.01.2006 a 30.06.2006: as metas consideradas estão relacionadas à assiduidade do Empregado pergunto: aonde o estímulo à produtividade e qualidade, exigidos pela Lei e pela Constituição Federal?; 4.2.4.6.6.1.4. O ANEXO I I I DETALHAMENTO DO PROGRAMA DE PARTICIPAÇÃO NOS RESULTADOS PARA O PERÍODO DE JANEIRO A DEZEMBRO DE 2006 assinado em 27 de dezembro de 2006 ou seja, as metas estabelecidas não o foram previamente, já estavam para o ano de 2006 superadas e conhecidas. Como a Empresa não fez os esclarecimentos solicitados pela auditoria fiscal, deduzimos que esse ANEXO I I I referese de forma definitiva ao ano de 2006. Para o ano de 2007 continuou valido o acordo anterior: 100% de presença. Aqui também verificamos que enquanto a Lei impõe regras claras e objetivas, o campo observação do item 1 do ANEXO I diz: "a meta poderá ser divulgada de forma relativa em função de sua natureza sensível para o mercado e/ou em virtude de sigilo de informações"; Fl. 942DF CARF MF Impresso em 04/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/08/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 26/08/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 03/11/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 10640.003894/200954 Acórdão n.º 2401003.101 S2C4T1 Fl. 13 23 4.2.4.6.6.2. Acordo Coletivo 20082009 e PPR de JANEIRO A DEZEMRO DE 2008: 4 . 2 . 4 . 6 . 6 . 2 . 1 . Assinado em março de 2009 portanto, as metas a serem alcançadas já estavam para o período superadas e conhecidas impossível estabelecer meta para período já totalmente transcorrido: meta é um objetivo, um alvo. Verificamos também que enquanto a Lei impõe regras claras e objetivas, o campo observação do item 1 do ANEXO I diz: "a meta poderá ser divulgada de forma relativa em função de sua natureza sensível para o mercado e/ou em virtude de sigilo de informações"; 4.2.4.6.6.2.2. A Empresa não apresentou vale lembrar mais uma vez os mecanismos de aferição das metas acordadas. Da transcrição notase ter o auditor apontado individualmente em cada um dos acordos apresentados as faltas, o que permitiria ao recorrente, impugnar precisamente cada um daqueles pontos de modo a rechaçar os argumentos apresentados pela autoridade fiscal. DA APRECIAÇÃO DOS PAGAMENTOS DE PLR No mérito, foram atacados o fato de entender que a verba PLR é desvinculada do conceito de remuneração, como salário de contribuição para efeitos previdenciários, pelas razões enfrentadas adiante. Porém antes mesmo de apreciar cada um dos argumentos trazidos pelo recorrente, convém apreciar o conceito de salário de contribuição e remuneração que ofertam sustentáculo para o lançamento. DA DEFINIÇÃO DE SALÁRIO DE CONTRIBUIÇÃO De acordo com o previsto no art. 28 da Lei n ° 8.212/1991, para o segurado empregado entendese por saláriodecontribuição: Art.28. Entendese por saláriodecontribuição: I para o empregado e trabalhador avulso: a remuneração auferida em uma ou mais empresas, assim entendida a totalidade dos rendimentos pagos, devidos ou creditados a qualquer título, durante o mês, destinados a retribuir o trabalho, qualquer que seja a sua forma, inclusive as gorjetas, os ganhos habituais sob a forma de utilidades e os adiantamentos decorrentes de reajuste salarial, quer pelos serviços efetivamente prestados, quer pelo tempo à disposição do empregador ou tomador de serviços nos termos da lei ou do contrato ou, ainda, de convenção ou acordo coletivo de trabalho ou sentença normativa; (Redação dada pela Lei nº 9.528, de 10/12/97) grifo nosso. A legislação previdenciária é clara quando destaca, em seu art. 28, §9º, quais as verbas que não integram o salário de contribuição. Tais parcelas não sofrem incidência de contribuições previdenciárias, seja por sua natureza indenizatória ou assistencial. Fl. 943DF CARF MF Impresso em 04/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/08/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 26/08/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 03/11/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 24 Art. 28 (...) § 9º Não integram o saláriodecontribuição para os fins desta Lei, exclusivamente: (Redação dada pela Lei nº 9.528, de 10/12/97) j) a participação nos lucros ou resultados da empresa, quando paga ou creditada de acordo com lei específica; Assim, ao não cumprir os dispositivos legais quanto a concessão do PLR entendeu a autoridade fiscal que assumiu o recorrente o ônus de ter os valores dos benefícios integrando o conceito de salário de contribuição, quando pago em desacordo com as respectivas leis. Contudo, entendo que a questão tenha que ser melhor apreciada, considerando as caraterísticas dos pagamentos e as regras impostas pela lei aos seus pagamentos. PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS Os argumentos trazidos pelo recorrente foram no sentido que mesmo que não cumprido integralmente o rito procedimental, o pagamento de PLR, por si só, já se encontra afastado do conceito de salário de contribuição, e que de forma alguma propôs o auditor alterar a natureza dos pagamentos. Quanto a verba participação nos lucros e resultados, em primeiro lugar deve se ter em mente que é norma constitucional de eficácia limitada, o que de pronto afasta a argumentação, que pela sua natureza já não poderia ser considerada salário de contribuição.. Para fins de esclarecimento, cabe citar, o item 02, do Parecer CJ/MPAS no 547, de 03 de maio de 1996, aprovado pelo Exmo. Sr. Ministro do MPAS, dispõe, verbis: (...) de forma expressa, a Lei Maior remete à lei ordinária , a fixação dos direitos dessa participação. A norma constitucional em foco pode ser entendida, segundo a consagrada classificação de José Afonso da Silva, como de eficácia limitada, ou seja, aquela que depende "da emissão de uma normatividade futura, em que o legislador ordinário, integrandolhe a eficácia, mediante lei ordinária, lhes dê capacidade de execução em termos de regulamentação daqueles interesses". (Aplicabilidade das normas constitucionais, São Paulo, Revista dos Tribunais, 1968, pág. 150). (Grifamos) Vale ressaltar o que o Parecer CJ/MPAS nº 1.748/99 traz em seu bojo acerca da matéria, o que bem esclarece que a CF/88, realmente incentiva as empresas a participarem os seus lucros com seus empregados, todavia o próprio texto constitucional submeteu ditas regras aos limites legais, senão vejamos: DIREITO CONSTITUCIONAL E PREVIDENCIÁRIO TRABALHADOR PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS ART. 7º , INC. XI DA CONSTITUIÇÃO DA REPÚBLICA POSSIBILIDADE DE INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÃO SOCIAL. 1) O art. 7º , inciso XI da Constituição da República de 1988, que estende aos trabalhadores o direito a participação nos lucros desvinculado da remuneração é de Fl. 944DF CARF MF Impresso em 04/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/08/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 26/08/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 03/11/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 10640.003894/200954 Acórdão n.º 2401003.101 S2C4T1 Fl. 14 25 eficácia limitada. 2) O Supremo Tribunal Federal ao julgar o Mandado de Injunção nº 426 estabeleceu que só com o advento da Medida Provisória nº 794, de 24 de dezembro de 1994, passou a ser lícito o pagamento da participação nos lucros na forma do texto constitucional. 3) A parcela paga a título de participação nos lucros ou resultados antes da regulamentação ou em desacordo com essa norma, integra o conceito de remuneração para os fins de incidência da contribuição social. (...) 7. No entanto, o direito a participação dos lucros, sem vinculação à remuneração, não é auto aplicável, sendo sua eficácia limitada a edição de lei, consoante estabelece a parte final do inciso anteriormente transcrito. 8. Necessita portanto, de regulamentação para definir a forma e os critérios de pagamento da participação nos lucros, com a finalidade precípua de se evitar desvirtuamento dessa parcela. 9. A regulamentação ocorreu com a edição da Medida Provisória nº 794, 29 de dezembro de 1994, que dispõe sobre a participação dos trabalhadores nos lucros ou resultados das empresas e dá outras providências, hoje reeditada sob o nº 1.76956, de 8 de abril de 1999. 10. A partir da adoção da primeira Medida Provisória e nos seus termos, passou a ser lícito o pagamento de participação nos lucros desvinculada da remuneração, mas, destaco, a desvinculação da remuneração só ocorrerá se atender os requisitos pré estabelecidos. 11. O SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL ao julgar o Mandado de Injunção nº 426, onde foi Relator o Ministro ILMAR GALVÃO, que tinha por escopo suprir omissão do Poder Legislativo na regulamentação do art. 7º, inc. XI, da Constituição da República, referente a participação nos lucros dos trabalhadores, julgou a citada ação prejudicada, face a superveniência da medida provisória regulamentadora. 12. Em seu voto, o Ministro ILMAR GALVÃO, assim se manifestou: O mandado de injunção pretende o reconhecimento da omissão do Congresso Nacional em regulamentar o dispositivo que garante o direito dos trabalhadores de participarem dos lucros e resultados da empresa (art. 7º, inc. IX, da CF), concedendose a ordem para efeito de implementar in concreto o pagamento de tais verbas, sem prejuízo dos valores correspondentes à remuneração. Tendo em vista a continuação da transcrição a edição, superveniente ao julgamento do presente WRIT injuncional, da Medida Provisória nº 1.136, de 26 de setembro de 1995, que dispõe sobre a participação dos trabalhadores nos lucros Fl. 945DF CARF MF Impresso em 04/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/08/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 26/08/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 03/11/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 26 ou resultados da empresa e dá outras providências, verifica se a perda do objeto desta impetração, a partir da possibilidade de os trabalhadores, que se achem nas condições previstas na norma constitucional invocada, terem garantida a participação nos lucros e nos resultados da empresa. (grifei) 14. O Pretório Excelso confirmou, com a decisão acima, a necessidade de regulamentação da norma constitucional (art. 7º, inc. XI), ficando o pagamento da participação nos lucros e sua desvinculação da remuneração, sujeitas as regras e critérios estabelecidos pela Medida Provisória. 15. No caso concreto, as parcelas referemse a períodos anteriores a regulamentação do dispositivo constitucional, em que o Banco do Brasil, sem a devida autorização legal, efetuou o pagamento de parcelas a título de participação nos lucros. 16. Nessa hipótese, não há que se falar em desvinculação da remuneração, pois, a norma do inc. XI, do art. 7º da Constituição da República não era aplicável, na época, consoante ficou anteriormente dito. (Grifamos) Neste contexto podemos descrever normas constitucionais de eficácia limitada são as que dependem de outras providências normativas (ou exigências legais) para que possam surtir os efeitos essenciais pretendidos pelo legislador constituinte. Ou seja, enquanto não editada a norma, não há que se falar em produção de efeitos, bem como não acato o argumento de que o pagamento de PLR, por si só, já encontrase excluído do conceito de salário de contribuição. Conforme disposição expressa no art. 28, § 9º, alínea “j”, da Lei nº 8.212/91, notase que a exclusão da parcela de participação nos lucros na composição do saláriode contribuição está condicionada à estrita observância da lei reguladora do dispositivo constitucional. Essa regulamentação somente ocorreu com a edição da Medida Provisória nº 794, de 29 de dezembro de 1994, reeditada sucessivas vezes e convertida na Lei nº 10.101, de 19 de dezembro de 2000, que veio regular o assunto em tela. De forma expressa, a Constituição Federal de 1988 remete à lei ordinária a fixação dos direitos da participação nos lucros, nestas palavras: Art. 7º São direitos dos trabalhadores urbanos e rurais, além de outros que visem à melhoria de sua condição social: (...) XI participação nos lucros, ou resultados, desvinculada da remuneração, e, excepcionalmente, participação na gestão da empresa, conforme definido em lei. A Lei nº 8.212/1991, em obediência ao preceito constitucional, na alínea “j”, § 9º, do art. 28, dispõe, nestas palavras: Art. 28 § 9º Não integram o saláriodecontribuição: (...) j) a participação nos lucros ou resultados da empresa, quando paga ou creditada de acordo com lei específica. Fl. 946DF CARF MF Impresso em 04/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/08/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 26/08/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 03/11/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 10640.003894/200954 Acórdão n.º 2401003.101 S2C4T1 Fl. 15 27 A edição da Medida Provisória nº 794, de 29 de dezembro de 1994, que dispunha sobre a participação dos trabalhadores nos lucros ou resultados das empresas, veio atender ao comando constitucional. Desde então, sofreu reedições e remunerações sucessivamente, tendo sofrido poucas alterações ao texto legal, até a conversão na Lei nº 10.101, de 19 de dezembro de 2000. Conforme descrito pela autoridade fiscal os pagamentos referentes à Participação nos Lucros pela recorrente sofrem incidência de contribuição previdenciária, haja vista no período em que foram efetuados terem sido realizadas em desacordo com a totalidade das regras previstas na legislação específica. A Lei nº 10.101/2000 dispõe, nestas palavras : Art. 2º A participação nos lucros ou resultados será objeto de negociação entre a empresa e seus empregados, mediante um dos procedimentos a seguir descritos, escolhidos pelas partes de comum acordo: I comissão escolhida pelas partes, integrada, também, por um representante indicado pelo sindicato da respectiva categoria; II convenção ou acordo coletivo. § 1º Dos instrumentos decorrentes da negociação deverão constar regras claras e objetivas quanto à fixação dos direitos substantivos da participação e das regras adjetivas, inclusive mecanismos de aferição das informações pertinentes ao cumprimento do acordado, periodicidade da distribuição, período de vigência e prazos para revisão do acordo, podendo ser considerados, entre outros, os seguintes critérios e condições: I índices de produtividade, qualidade ou lucratividade da empresa; II programas de metas, resultados e prazos, pactuados previamente. § 2º O instrumento de acordo celebrado será arquivado na entidade sindical dos trabalhadores. (...) Art. 3º (...) § 3º Todos os pagamentos efetuados em decorrência de planos de participação nos lucros ou resultados, mantidos espontaneamente pela empresa, poderão ser compensados com as obrigações decorrentes de acordos ou convenções coletivas de trabalho atinentes à participação nos lucros ou resultados. (...) Isto posto, não há de se acatar a teoria de que os pagamentos à título de PLR já encontramse, por previsão constitucional, fora da base de cálculo conforme argumentado pelo recorrente. Fl. 947DF CARF MF Impresso em 04/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/08/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 26/08/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 03/11/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 28 CUMPRIMENTO DO ART. 2 DA LEI 10.101/00 E MP ANTERIORES O principal fundamento em praticamente todos os períodos é que: descumprido preceito básico, qual seja: ausência dos pressupostos para tornar legitima a comissão, que seria a participação e assinatura do membro do sindicato no acordo firmado, devem os valores pagos a título de PLR compor a base de cálculo de contribuições previdenciárias. Notemos, que em relação aos termos do art. 2º da Lei 10.101/2000, duas são as possibilidades legais de legitimar a participação nos lucros e resultados de forma a afastar a sua natureza salarial: Ø Comissão escolhida pelas partes, integrada, também, por um representante indicado pelo sindicato da respectiva categoria; (grifo nosso) Ø Convenção ou acordo coletivo de trabalho. Dessa forma, os empregados e empregadores de comum acordo poderiam eleger qualquer dos mecanismos descritos no dispositivo legal para atribuir legitimidade ao acordo proposto, porém ao elegêlos, deveriam ter cumprido o rito procedimental para sua formalização, o que não restou demonstrado em todos os casos. Lei 10.101. A participação do sindicato tem por escopo proteger a categoria profissional, frente a superioridade econômica do empregador, dessa forma, não age como mero telespectador, mas intervindo de forma a evitar que o “poder de coerção” do empregador acabe por intimidar empregados a firmar acordos que os prejudicariam mesmo que indiretamente, já que o PLR não refletiria nas demais verbas trabalhistas devidas aos empregados (FGTS, Férias, !3 salário etc.). No plano ideológico há entidades sindicais que não apoiam o sistema de remuneração de participação nos lucros e resultados. Para esta corrente, seria uma forma de rebaixamento de salários e de ganhos reais e de precarização de condições de trabalho. Ao descumprir os preceitos legais e efetuar pagamentos de participação nos lucros sem a devida legitimação, qual seja participação do representante sindical, o recorrente assumiu o risco de não se beneficiar pela possibilidade de que tais valores estariam desvinculados do salário. Ademais, observase que no caso concreto, outro preceito da lei 10.101/2000 foi negligenciado, qual seja, art. 2º, § 2º que descreve o necessário arquivamento do instrumento do acordo na entidade sindical dos trabalhadores. Entendo que a alegação que esse fundamento não altera a natureza do pagamento, posto que visa dar mera publicidade ao ato, não merece acolhida. Rebato, ainda o argumento, que tendo sido formalizados diversos acordos com uma comissão de empregados, estaria suprida a falta da assinatura do sindicato. Ora,, a lei é bem clara; se a intenção do legislador, não fosse “amarrar” a forma com que as empresas irão distribuir lucros desvinculados do salário, qual seria o objetivo de tanto detalhamento na própria lei de PLR. Entendo que neste caso, bastaria, o texto constitucional. Ao contrário do que tenta demonstrar o recorrente, não entendo que os auditores e o julgador tenham simplesmente feito juízo de valor, quanto ao PLR acordado, e as metas estipuladas. Fl. 948DF CARF MF Impresso em 04/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/08/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 26/08/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 03/11/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 10640.003894/200954 Acórdão n.º 2401003.101 S2C4T1 Fl. 16 29 Pelo contrário, entendo estar dentro da competência do auditor observar se os acordos firmados encontramse em conformidade com a exigência legal, estando, ainda, dentro de sua competência o lançamento de importâncias que entender devidas, pelo descumprimento dos referidos requisitos legais. A empresa por outro lado, tem a ampla e irrestrita liberdade de pagar PLR, eleger por qual dos instrumentos previstos na lei irá consolidar o ato, determinar as regras, critérios, metas a serem alcançados ou mesmo a maneira de aferilas, contudo deverá observar as exigências legais quanto a formalização dos atos. Ao contrário do defendido pelo recorrente, no meu entender o descumprimento de qualquer dos requisitos transforma, sim, a natureza do pagamento. Ou seja, não é que a verba deixe de ser distribuição de lucro, mas a sua natureza passa a ser de verba salarial, equiparandose a diversas outras verbas, que pelo seu mero pagamento, são por si só verbas salariais, como é o caso dos prémios, gratificações, gorjetas etc. Quanto a participação do sindicato, entendo que não logrou o recorrente em demonstrar a assinatura do mesmo nos acordos firmados diretamente com a comissão de empregados. Segundo o recorrente os acordos com as filiais 0004, 0002 e 0003, contém a assinatura da comissão dos empregados, inclusive com o CPF, mas nada mencionou em relação a participação do sindicato. E relação aos Acordos Coletivos da filial 0005 e 0001, realmente não se exige a assinatura do representante, mas indicou o auditor como motivo para o lançamento a pactuação tardia, como veremos a seguir, bem como não existir meta a ser alcançada, já que eram estipuladas a posteriore, o que pode ser observado ao analisarmos a cópia do acordo trazida pelo recorrente, fl. 2357. Aliás, o auditor já havia descrito em seu relatório que embora exista um documento intitulado Programa de participação nos resultados, não existe o detalhamento do programa e não estabeleceu como requisito descumprido a participação do sindicato. Na maioria dos casos, não esclareceu o recorrente durante o procedimento aspectos inerentes as metas e regras de aferição. O legislador, não criaria exigências para afastar a natureza salarial, se entendesse que as mesmas não interfeririam na natureza do pagamento. Assim, rechaço totalmente o argumento de que o descumprimento de meras formalidades não alterariam a natureza do pagamento feito ao empregado. Notese que o julgador além de citar a ausência do representante sindical, e do arquivamento, como requisito descumprido, também reforçou o argumento trazido pelo auditor de que não há de se admitir que o acordo sela celebrado ex post facto. Quanto a este ponto, nada falou o recorrente. Na verdade, acredito que o mesmo não tenha entendido os fundamentos da autoridade julgadora quando a mesma transcreveu o trecho da declaração de voto de um acordo mencionado pelo próprio recorrente em seu recurso. Bastanos ler o relatório fiscal e a decisão de primeira instância, para identificar que a celebração de acordo de forma tardia, ou seja, após o exercício a que se refere, é que afasta a concepção de que se trata de uma participação nos lucros, tornandoo mero prêmio ou gratificação já que acordado após o exercício a que se refere. Quanto a isso, por diversas vezes mencionou o auditor em seu relatório: 4.2. P A R T I C I P A Ç Ã O N O S LUCROS OU R E S U L T A D O S Remuneração paga, devida ou creditada aos Fl. 949DF CARF MF Impresso em 04/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/08/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 26/08/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 03/11/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 30 Segurados Empregados a título de PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS ou Resultados em desacordo com a legislação vigente Lei N? 10.101/2000 que regula a participação dos trabalhadores nos lucros ou resultados da empresa; (...) 4.2.3.5. E, é claro, os programas de metas, resultados e prazos, pactuados previamente; 4.2.4. POIS BEM: (...)Face as solicitações procedeu o auditor a análise dos documentos apresentados, concluindo: CNPJ 000177: 4 . 2 . 4 . 6 . 1 . 1 . Acordo Coletivo de 2005 a 2007 validade até 31122007: 4 . 2 . 4 . 6 . 1 . 1 . 1 . PPR de 2005: acordo assinado em 01 022006, pagamento em janeiro de 2006 (portanto, antes da assinatura do acordo e do programa). O ANEXO I DETALHAMENTO DO PROGRAMA DE PARTICIPAÇÃO NOS RESULTADOS PARA O EXERCÍCIO DE 2005 também foi assinado posteriormente ao pagamento; as metas estabelecidas (todas corporativas) já estavam para o ano de 2005 superadas e conhecidas impossível estabelecer meta para o ano anterior; 4.2.4.6.1.2. Acordo coletivo de 20082009 e PPR 2008 2009: 4 . 2 . 4 . 6 . 1 . 2 . 1 . O ANEXO I DETALHAMENTO DO PROGRAMA DE PARTICIPAÇÃO NOS RESULTADOS PARA O PERÍODO JANEIRO A DEZEMBRO DE 2008, foi assinado em 25 de março de 2009, portanto, com metas e objetivos já conhecidas e superadas. CNPJ 000258: 4 . 2 . 4 . 6 . 2 . 1 . Acordo coletivo 20052007 validade até 31122007: 4 . 2 . 4 . 6 . 2 . 1 . 1 . PPR e PEPR de Outubro de 2005 a Setembro de 2006: acordo assinado em 20092006, pagamento em Setembro de 2006. O ANEXO I DETALHAMENTO DO PROGRAMA DE PARTICIPAÇÃO NOS RESULTADOS PARA O PERÍODO OUTUBRO DE 2005 A SETEMBRO DE 2006 também foi assinado na mesma data; as metas a serem alcançadas já estavam para o período superadas e conhecidas impossível estabelecer meta para período quase que 97,5% transcorrido: meta é um objetivo, um alvo. A meta t em que ser estabelecida previamente para que os envolvidos possam através de seus esforços atingilas e atender ao espírito da Lei 10.101/2000. 4.2.4.6.3. CNPJ 000339: 4 . 2 . 4 . 6 . 3 . 1 . Acordo Coletivo de 2005 a 2007: Fl. 950DF CARF MF Impresso em 04/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/08/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 26/08/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 03/11/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 10640.003894/200954 Acórdão n.º 2401003.101 S2C4T1 Fl. 17 31 4 . 2 . 4 . 6 . 3 . 1 . 1 . Conforme visto no item 4.2.4.4. e 4.2.4.5. a Empresa não apresentou nenhum daqueles documentos e esclarecimentos. Nada absolutamente nada; 4.2.4.6.3.2. Programa de Participação nos Resultados de 20082009: 4 . 2 . 4 . 6 . 3 . 2 . 1 . Aqui também a Empresa não apresentou os documentos e esclarecimentos solicitados, conforme visto no item 4.2.4.4 e 4.2.4.5; 4.2.4.6.3.2.2. O Programa de Participação nos Resultados PPR 20082009 apresentado, não tem, portanto, o detalhamento da forma de aferição das metas acordadas, assinatura do representante do sindicato, data do arquivamento no estabelecimento sindical; 4.2.4.6.4. CNPJ 000410: 4 . 2 . 4 . 6 . 4 . 1 . Acordo Coletivo 2005 2007 e Programa de Participação nos Resultados MAIO/2006 a ABRIL/2007: 4 . 2 . 4 . 6 . 4 . 1 . 1 . Conforme visto no item 4.2.4.4. e 4.2.4.5. a Empresa não apresentou nenhum daqueles documentos e esclarecimentos; 4.2.4.6.4.1.2. PPR MAIO/2006 a ABRIL/2007: Acordo firmado em 11 de maio de 2007, portanto, com metas e objetivos já conhecidas e superadas. O ANEXO I DETALHAMENTO DO PROGRAMA DE PARTICIPAÇÃO NOS RESULTADOS PARA O PERÍODO MAIO/2006 A ABRIL/2007 impossível estabelecer meta para o ano anterior; 4.2.4.6.4.2. Acordo Coletivo 20082009 e PPR2008/2009: 4 . 2 . 4 . 6 . 4 . 2 . 1 . Aqui também a Empresa não apresentou os documentos e esclarecimentos solicitados, conforme visto no item 4.2.4.4 e 4.2.4.5; 4.2.4.6.4.2.2. O Programa de Participação nos Resultados PPR/20082009 apresentado, não tem, portanto, o detalhamento da forma de aferição das metas acordadas, assinatura do representante do sindicato, data do arquivamento no estabelecimento sindical; e, também, foi assinado em 30 de março de 2009, portanto, com metas e objetivos já conhecidas e superadas; 4.2.4.6.5. CNP3 000509. 4 . 2 . 4 . 6 . 5 . 1 . Acordo Coletivo 2006 2007 e PPR JANEIRO a DEZEMBRO DE 2006: 4 . 2 . 4 . 6 . 5 . 1 . 1 . Conforme visto no item 4.2.4.4. e 4.2.4.5. a Empresa não apresentou nenhum daqueles documentos e esclarecimentos; Fl. 951DF CARF MF Impresso em 04/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/08/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 26/08/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 03/11/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 32 4.2.4.6.5.1.2. PPR JANEIRO/2006 a DEZEMBRO/2006: Acordo firmado em Agosto de 2007, pagamento em 2007. Também assinado em agosto de 2007 o ANEXO I DETALHAMENTO DO PROGRAMA DE PARTICIPAÇÃO NOS RESULTADOS PARA O PERÍODO JANEIRO/2006 A DEZEMBRO/2006 impossível estabelecer meta para o ano anterior; 4.2.4.6.5.2. Acordo Coletivo 2008 2009 e PPR JANEIRO a DEZEMBRO DE 2008: 4 . 2 . 4 . 6 . 5 . 2 . 1 . Conforme visto no item 4.2.4.4. e 4.2.4.5. a Empresa não apresentou nenhum daqueles documentos e esclarecimentos; o PPR 20082009 não tem data de assinatura foi firmado através da COMISSÃO DE PPR CASRJO: pelo histórico dos outros programas assinados pela empresa é lícito supor que também o tenha sido feito em data posterior a 31 de dezembro de 2008, quando os objetivos e metas já eram por todos conhecidos; Cabe informar que documento com as mesmas características e valores do PPR JANEIRO a DEZEMBRO DE 2008 e seus anexos foram nos outros estabelecimentos da empresa apresentados em diferentes datas: 25.03.2009;março de 2007;30.03.2009;março de 2009; 4.2.4.6.6. CNPJ 000681: 4 . 2 . 4 . 6 . 6 . 1 . Acordo Coletivo 2005 2007 e PPR 20052007: . Conforme visto no item 4.2.4.4. e 4.2.4.5. a Empresa não apresentou nenhum daqueles documentos e esclarecimentos; 4.2.4.6.6.1.2. PPR de 01.07.2005 a 31.12.2005: Programa assinado em 18 de janeiro de 2006. As metas (todas corporativas) a serem alcançadas já estavam para o ano de 2005 superadas e conhecidas impossível estabelecer meta para o ano anterior; Assim, esse fundamento, foi trazido pelo auditor em seu relatório, reforçado pelo órgão julgador e não rebatido pontualmente pelo recorrente. Aliás, entendo que o raciocínio do auditor encontrase em consonância com os fundamentos para o pagamento do PLR de forma, desvinculada. Devemos ter em mente a natureza do pagamento PLR e de sua finalidade, qual seja, estimular o empregado a participar do capital da empresa, onde seu maior esforço gerará maiores lucros, que serão com ele repartidos. Entendo, ser o requisito pacto prévio – fundamental, assim como descrito no relatório fiscal, para que se faça cumprir os preceitos da lei 10.101/00. No caso em questão, a autoridade fiscal, procedeu ao lançamento de contribuições previdenciárias sobre os pagamentos feitos à título de participação nos lucros, também sob o fundamento de falta de acordo prévio ao exercícios em que se baseavam os pagamentos, enfatizando que não haveria de se acatar “estipulação de metas”, se as mesmas eram pactuadas de forma tardia.. Como é sabido, o grande objetivo do pagamento de participação nos lucros e resultados e a participação do empregado no capital da empresa (essa é a base do texto constitucional), de forma que esse se sinta estimulado a trabalhar em prol do empreendimento, Fl. 952DF CARF MF Impresso em 04/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/08/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 26/08/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 03/11/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 10640.003894/200954 Acórdão n.º 2401003.101 S2C4T1 Fl. 18 33 tendo em vista que o seu engajamento, resultará em sua participação no capital (na forma de distribuição dos lucros alcançados). Assim, como falar em envolvimento do empregado na empresa, se o mesmo não tem conhecimento prévio do quanto a sua dedicação irá refletir em termos de participação. É nesse sentido, que entendo que a lei exigiu não apenas o acordo prévio ao trabalho do empregado, ou seja, no início do exercício, bem como o conhecimento por parte do trabalhador de quais as regras (ou mesmo metas), que deverá alcançar para fazer jus ao pagamento. Da mesma forma, vislumbrase a necessidade de critérios para que se mensure o alcance dos resultados inicialmente estipulados, assim, como descreveu a autoridade fiscal. Se assim, não fosse, poderseia vislumbrar que o trabalho exaustivo do empregado durante todo um ano, com a promessa por parte do empregador de uma futura participação nos lucros, resultasse no incremento ínfimo em sua remuneração. Ou seja, para que possa sentirse estimulado o empregado, tem que ter a mínima noção do quanto esse seu empenho, trarlheá de resultados, até para que o mesmo verifique seu interesse em dedicarse de forma mais profícua. Outro ponto que merece destaque é o fato que um dos requisitos a serem apurados diz respeito a absenteísmo. Ora, em julho, ago, set ou mesmo dezembro, ou mesmo no exercício seguinte é que o empregado saberá o quanto sua faltas irão influenciar no PLR que já está em curso??? Assim, não há como considerar como critério “as faltas ao serviço”, se o próprio acordo foi formalizado posteriormente. Vejamos o que diz o art. 2º, § 1º da lei 10.101/2000: § 1º Dos instrumentos decorrentes da negociação deverão constar regras claras e objetivas quanto à fixação dos direitos substantivos da participação e das regras adjetivas, inclusive mecanismos de aferição das informações pertinentes ao cumprimento do acordado, periodicidade da distribuição, período de vigência e prazos para revisão do acordo, podendo ser considerados, entre outros, os seguintes critérios e condições: Assim, ao descumprir os preceitos legais e efetuar pagamentos de participação nos lucros, sem a existência de acordo prévio o recorrente assumiu o risco de não se beneficiar pela possibilidade de que tais valores estariam desvinculados do salário, sendo esse fundamento, também suficiente para manutenção do lançamento. DA FALTA DE ARQUIVAMENTO NO SINDICATO Outro ponto trazido pelo auditor para caracterizar a verba como salário de contribuição, foi o fato da empresa não ter cumprido a regra do arquivamento do acordo no sindicato respectivo. Quanto a este ponto, passemos a apreciar a lei: § 2º O instrumento de acordo celebrado será arquivado na entidade sindical dos trabalhadores. A participação do sindicato (seja na participação do acordo, ou mesmo arquivando o documento resultante), tem por escopo proteger a categoria profissional, frente a superioridade econômica do empregador, dessa forma, não age como mero telespectador, mas Fl. 953DF CARF MF Impresso em 04/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/08/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 26/08/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 03/11/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 34 intervindo de forma a evitar que o “poder de coerção” do empregador acabe por intimidar empregados a firmar acordos que os prejudicariam mesmo que indiretamente. Ademais, o arquivamento do acordo confere legitimidade, para que o sindicato, agindo em nome dos empregados, ingresso em juízo para cumprimento do acordo, ou mesmo fiscalize se o pagamento e critérios para pagamento tem sido obedecidos. Não desincumbiuse o recorrente também de demonstrar o cumprimento desse requisito, razão pela qual também correto a utilização desse argumento para manutenção do crédito. Assim, entendo correto o julgamento realizado, de que deva a verba ser tida como PLR para fins de incidência de contribuição, uma vez que em relação a essa verba, não houve cumprimento dos requisitos, como já destacado no item acima. Em relação ao pagamento de PLR entendo que não logrou o recorrente êxito em demonstrar o cumprimento da legislação para que as verbas sejam excluídas do conceito de salário de contribuição, razão porque correto o lançamento realizado. Por fim, quanto as metas estipuladas, divirjo do entendimento do recorrente de que restaram cumpridas, e que a autoridade julgadora não as apreciou. Na verdade, entendo que o auditor ao apreciar o aspecto material do acordo de PLR, adota entendimento de que o estabelecimento tardio de normas não se coaduna com o pagamento de PLR, mas de mero pagamento de prêmio ou gratificação conforme já abordado nesse voto, vez que quando apresentadas pelo contribuinte, mostraramse pactuadas de forma tardia, o que no seu entender já afasta o cumprimento legal. Por fim, embora em sede de impugnação tenha o recorrente questionado a multa aplicada, nada argumentou a esse respeito em seu recurso, razão pela qual não há o que ser apreciado a esse respeito.Por todo o exposto o lançamento fiscal seguiu os ditames previstos, devendo ser mantido nos termos acima expostos, haja vista que os argumentos apontados pelo recorrente são incapazes de refutar em sua totalidade o lançamento. CONCLUSÃO Pelo exposto, voto pelo CONHECIMENTO do recurso para no mérito NEGARLHE PROVIMENTO. É como voto. Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira Fl. 954DF CARF MF Impresso em 04/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/08/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 26/08/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 03/11/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE
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