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Numero do processo: 10980.003310/2003-02
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Nov 29 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Thu Dec 13 00:00:00 UTC 2012
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 31/01/2003 a 31/03/2003
DCOMP. DÉBITOS VENCIDOS. ATUALIZAÇÃO.
Nos termos do art. 61, da Lei nº 9.430/96, os débitos vencidos indicados em declarações de compensação devem ser acrescidos de juros e multa moratória.
IPI. CRÉDITO ESCRITURAL. ACRÉSCIMO DE TAXA SELIC.
De acordo com precedente do E. STJ submetido ao regime do artigo 543-C, do CPC, e aplicável ao processo administrativo fiscal por força do artigo 62-A, do RICARF (REsp no. 1.035.847), o ressarcimento de créditos de IPI está sujeito a acréscimo da Taxa SELIC entre as datas do protocolo do pedido e aquela em que o postulante fruir efetivamente o direito.
Recurso voluntário provido em parte.
Numero da decisão: 3403-001.865
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso para reconhecer o direito de o contribuinte corrigir o ressarcimento pela Taxa Selic entre a data de apresentação do pedido de ressarcimento e a data da efetiva utilização do crédito.
(assinado digitalmente)
Antonio Carlos Atulim Presidente
(assinado digitalmente)
Marcos Tranchesi Ortiz Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Robson José Bayerl, Domingos de Sá Filho, Rosaldo Trevisan, Ivan Allegretti, Marcos Tranchesi Ortiz e Antonio Carlos Atulim.
Nome do relator: MARCOS TRANCHESI ORTIZ
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI Período de apuração: 31/01/2003 a 31/03/2003 DCOMP. DÉBITOS VENCIDOS. ATUALIZAÇÃO. Nos termos do art. 61, da Lei nº 9.430/96, os débitos vencidos indicados em declarações de compensação devem ser acrescidos de juros e multa moratória. IPI. CRÉDITO ESCRITURAL. ACRÉSCIMO DE TAXA SELIC. De acordo com precedente do E. STJ submetido ao regime do artigo 543-C, do CPC, e aplicável ao processo administrativo fiscal por força do artigo 62-A, do RICARF (REsp no. 1.035.847), o ressarcimento de créditos de IPI está sujeito a acréscimo da Taxa SELIC entre as datas do protocolo do pedido e aquela em que o postulante fruir efetivamente o direito. Recurso voluntário provido em parte.
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DÉBITOS VENCIDOS. ATUALIZAÇÃO. Nos termos do art. 61, da Lei nº 9.430/96, os débitos vencidos indicados em declarações de compensação devem ser acrescidos de juros e multa moratória. IPI. CRÉDITO ESCRITURAL. ACRÉSCIMO DE TAXA SELIC. De acordo com precedente do E. STJ submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e aplicável ao processo administrativo fiscal por força do artigo 62 A, do RICARF (REsp no. 1.035.847), o ressarcimento de créditos de IPI está sujeito a acréscimo da Taxa SELIC entre as datas do protocolo do pedido e aquela em que o postulante fruir efetivamente o direito. Recurso voluntário provido em parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso para reconhecer o direito de o contribuinte corrigir o ressarcimento pela Taxa Selic entre a data de apresentação do pedido de ressarcimento e a data da efetiva utilização do crédito. (assinado digitalmente) Antonio Carlos Atulim – Presidente AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 98 0. 00 33 10 /2 00 3- 02 Fl. 149DF CARF MF Impresso em 14/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/12/2012 por MARCOS TRANCHESI ORTIZ, Assinado digitalmente em 08/12/20 12 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 05/12/2012 por MARCOS TRANCHESI ORTIZ 2 (assinado digitalmente) Marcos Tranchesi Ortiz – Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Robson José Bayerl, Domingos de Sá Filho, Rosaldo Trevisan, Ivan Allegretti, Marcos Tranchesi Ortiz e Antonio Carlos Atulim. Relatório Tratase de ressarcimento de saldo credor de IPI acumulado no primeiro trimestre de 2003 e requerido em 08.04.2003 pelo estabelecimento matriz da recorrente, com fundamento nos artigos 11, da Lei nº 9.779/99 e 1º, inciso II, da Lei nº 8.402/92 (fls. 4). Seguiuse ao pedido declaração de compensação, formalizada em 30.07.2003, por meio da qual a interessada pretendia empregar os créditos objeto do ressarcimento na extinção de débitos tributários próprios. No despacho decisório que proferiu ao término da análise do pleito, o órgão de origem (fls. 59/62): (i) reconheceu integralmente o direito creditório reivindicado; (ii) verificou da declaração de compensação que a recorrente não acrescera os débitos tributários nela confessados dos correspondentes consectários da mora, não obstante já estivessem vencidos por ocasião da respectiva transmissão; e, em razão desta desconformidade; (iii) homologou parcialmente a compensação, até o limite do crédito reconhecido. Cientificada da decisão, a recorrente manifestou inconformidade restringindo sua irresignação ao item (ii) acima exposto. Sustentou a respeito que, ao tempo em que transmitiu as declarações de compensação objeto dos autos inexistia norma vigente no sistema prescrevendo o acréscimo de encargos moratórios sobre os débitos compensados, o que teria sido modificado somente com a edição das INs SRF nº 323/03 e 360/03, esta última em vigor desde 01.10.2003, apenas. Daí porque, sob pena de retroatividade não respaldada pelo artigo 106 do CTN, os débitos compensados nestes autos estariam a salvo da incidência de juros e de multa moratória. Ainda que assim não fosse, porém, seu direito de crédito haveria de receber semelhante tratamento, imputandoselhe a correção monetária do mesmo período (fls. 68/81). Por meio do v. acórdão de fls. 122/129 a DRJRibeirão Preto/SP julgou improcedente a inconformidade aos seguintes principais fundamentos: (a) a incidência de juros e de multa de mora aos débitos fiscais não adimplidos tempestivamente tem fundamento no próprio artigo 61, da Lei nº 9.430/96 e não em normativos infralegais expedidos pela Secretaria da Receita Federal, de sorte que a prescrição vigorava validamente já ao tempo em que realizadas as compensações objeto destes autos; e Fl. 150DF CARF MF Impresso em 14/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/12/2012 por MARCOS TRANCHESI ORTIZ, Assinado digitalmente em 08/12/20 12 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 05/12/2012 por MARCOS TRANCHESI ORTIZ Processo nº 10980.003310/200302 Acórdão n.º 3403001.865 S3C4T3 Fl. 7 3 (b) por falta de amparo legal, é incabível a atualização de créditos tributários escriturais passíveis de ressarcimento. Irresignada, a recorrente interpõe o presente voluntário repetindo, in verbis, os argumentos já expostos na inconformidade (fls. 134/146). É o relatório. Voto Conselheiro Marcos Tranchesi Ortiz O recurso é tempestivo e, observadas as demais formalidades aplicáveis, dele tomo conhecimento. Dois temas foram devolvidos à apreciação deste Colegiado, no voluntário interposto pela ora recorrente. São eles (i) a sujeição a acréscimos moratórios (juros e multa) dos débitos tributários compensados depois do prazo dos respectivos vencimentos, e (ii) o direito do contribuinte à atualização monetária dos créditos de IPI objeto de ressarcimento, segundo a variação da Taxa Selic. Debruçandose sobre o primeiro ponto, a recorrente se esforça em sustentar que a previsão de acréscimo de juros e de multa de mora aos débitos compensados depois do prazo de seus respectivos vencimentos apenas foi introduzida no sistema pela IN SRF nº 323/03, por meio da modificação que trouxe ao artigo 28 da anterior IN SRF nº 210/02. Sustenta, ainda, que “detalhes importantes” do programa gerador da declaração de compensação foram definidos ainda depois disso, através da IN SRF nº 360/03, cuja produção de efeitos se iniciou em 01.10.2003. Daí porque, sob sua ótica, a exigência de consectários da mora sobre débitos compensados antes de então significaria aplicação retroativa da norma tributária. O argumento, contudo, não procede. Bem equacionou a questão a DRJ recorrida, afirmando que a disciplina dos acréscimos moratórios aos débitos tributários extintos além do prazo de vencimento está posta na própria lei – Lei nº 9.430/96, artigo 61 –, de sorte que a reiteração da regra em nível infralegal sempre foi prescindível. Dizer que, sob tais circunstâncias, a imposição dos acréscimos ainda supusesse a disposição por veículo expedido pelo Executivo, significaria condicionar a eficácia da lei onde ela mesma não o prevê. Mas vou além para consignar que, na sua redação original, vigente antes do advento da IN SRF nº 323/03, o artigo 28 da IN SRF nº 210/02 também já previa a fluência de acréscimos moratórios entre as datas de vencimento do débito tributário e de transmissão da declaração de compensação. Vejase: "Art. 28. A compensação deverá ser efetuada considerandose as seguintes datas: II do ingresso do pedido de ressarcimento, quando destinado à compensação com débito vencido;" Semelhante é a conclusão que se extrai do próprio artigo 74, da Lei nº 9.430/96, na redação já vigente à época dos fatos. Com as modificações que a Lei nº 10.637/02 Fl. 151DF CARF MF Impresso em 14/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/12/2012 por MARCOS TRANCHESI ORTIZ, Assinado digitalmente em 08/12/20 12 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 05/12/2012 por MARCOS TRANCHESI ORTIZ 4 introduziu no dispositivo, a compensação de créditos passíveis de restituição ou ressarcimento com débitos tributários do sujeito passivo passou a se processar através de declaração, cuja transmissão produz a extinção destes últimos sob condição resolutória da futura não homologação (§2º). Ora, se a extinção da obrigação é efeito da entrega de declaração, até a prática deste ato o débito a cargo do contribuinte remanesce insatisfeito. E insatisfeito que está, sujeitase aos encargos do atraso. Simples assim. Neste particular, portanto, o apelo não convence. Examino, agora, a segunda pretensão formulada no recurso, consistente na aplicação de atualização monetária, pela Taxa SELIC, aos créditos reivindicados em ressarcimento. Sobre o tema, este Colegiado da Quarta Câmara da Terceira Seção do CARF decidiu recentemente, sob inspiração do acórdão prolatado pelo E. STJ no recurso especial no. 1.035.847, julgado sob o rito do artigo 543C do CPC, que o postulante ao ressarcimento de créditos tributários de IPI tem direito à remuneração do principal a partir da data em que formaliza sua pretensão perante a administração tributária. Reportome ao votovencedor do Conselheiro Robson José Bayerl no acórdão no. 340301.569: “(...), em minha opinião, o fundamento para o reconhecimento do direito à atualização monetária não reside especificamente no óbice ao aproveitamento do crédito, caracterizado pela oposição de ato estatal ou vedação à sua utilização, mas sim no indesejado enriquecimento sem causa por parte do Estado, quando ocorrente tais hipóteses, como restou demarcado no voto condutor do REsp 1.035.847/RS, citado no REsp 993.164/MG, cujo excerto transcrevo: ‘Consectariamente, ocorrendo a vedação ao aproveitamento desses créditos, com o conseqüente ingresso no Judiciário, postergase o reconhecimento do direito pleiteado, exsurgindo legítima a necessidade de atualizálos monetariamente, sob pena de enriquecimento sem causa do Fisco.’ Em meu sentir, a oposição de ato estatal ou vedação à percepção do direito creditório pode se concretizar tanto de forma comissiva, pela expedição de ato administrativo que restrinja o direito, como de forma omissiva, pela inércia em examinar o pleito formulado em prazo razoável. (...) Não se está aqui a defender o direito à correção monetária de créditos escriturais registrados extemporaneamente, mas, na esteira do raciocínio engendrado pelo STJ, a necessária atualização monetária do crédito requerido e garantido por lei a partir do protocolo do pedido junto à RFB, quando então passaria a Administração Tributária a incorrer em mora perante o contribuinte. Mais uma vez, o obstáculo à fruição de um direito assegurado pela lei pode se verificar tanto por um “fazer o que não é devido” (comissão), como um “não fazer o que é devido” (omissão), de modo que qualquer destes comportamentos, Fl. 152DF CARF MF Impresso em 14/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/12/2012 por MARCOS TRANCHESI ORTIZ, Assinado digitalmente em 08/12/20 12 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 05/12/2012 por MARCOS TRANCHESI ORTIZ Processo nº 10980.003310/200302 Acórdão n.º 3403001.865 S3C4T3 Fl. 8 5 adotados a partir do protocolo do pedido, enseja o direito à atualização monetária. Importante acentuar que o caso concreto examinado no REsp 1.035.847/RS, paradigma do recurso repetitivo (art. 543C do Código de Processo Civil), envolvia ressarcimento de saldo credor de IPI, requerido com lastro no art. 11 da Lei nº 9.779/99. Demais disso, aquela corte judicial deferiu a correção monetária desde a data de apuração do saldo até a sua utilização, do que se depreende que, com maior razão, deverá ser admitido para aquelas hipóteses em que o reajuste do valor tenha como dies a quo a formulação do pedido. Em conclusão, deve ser admitida a atualização do valor a ser ressarcido pela taxa selic, não porém a partir da apuração, pois até então a Fazenda Nacional não estaria em mora, por assim dizer, mas sim, como marco inicial, o protocolo do pedido administrativo, podendo, daí, configurar o obstáculo no reconhecimento do direito, seja pela oposição de ato estatal, seja pela inação em prontamente examinar o pleito, até a data da utilização por compensação ou, no caso de ressarcimento em espécie, até a sua efetivação.” No caso em análise, recordo que originalmente a pretensão fora formulada sob a forma de pedido de ressarcimento de saldos credores em pecúnia (em 08.04.2003), seguida, depois, de declaração de compensação por meio da qual a recorrente aplicou total/parcialmente o direito de que se dizia titular na extinção de obrigações tributárias a seu cargo (em 30.07.2003). Aplicadas à hipótese dos autos, as conclusões acima conduzemme a reconhecer à ora recorrente o direito ao acréscimo da Taxa SELIC sobre o montante do crédito que lhe foi assegurado pelo despacho decisório de fls. 59/62, aplicandose o índice desde a data do protocolo do pedido (08.04.2003) até a data da respectiva utilização, seja ela na transmissão da respectiva DCOMP, seja ela na entrega de numerário em espécie, em havendo excedente para ressarcimento em pecúnia. Isso posto, voto pelo provimento parcial do recurso voluntário para reconhecer ao sujeito passivo tributário o direito à atualização do crédito objeto do ressarcimento, nos termos em que acima definido. (assinado digitalmente) Marcos Tranchesi Ortiz Fl. 153DF CARF MF Impresso em 14/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/12/2012 por MARCOS TRANCHESI ORTIZ, Assinado digitalmente em 08/12/20 12 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 05/12/2012 por MARCOS TRANCHESI ORTIZ 6 Fl. 154DF CARF MF Impresso em 14/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/12/2012 por MARCOS TRANCHESI ORTIZ, Assinado digitalmente em 08/12/20 12 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 05/12/2012 por MARCOS TRANCHESI ORTIZ
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Numero do processo: 10768.005460/2007-91
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Aug 14 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Mon Nov 05 00:00:00 UTC 2012
Numero da decisão: 2201-000.072
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do Relator
Assinatura digital
Pedro Paulo Pereira Barbosa - Relator
Assinatura digital
Maria Helena Cotta Cardozo Presidente
EDITADO EM: 28/09/2012
Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente), Pedro Paulo Pereira Barbosa (Relator), Eduardo Tadeu Farah, Rodrigo Santos Masset Lacombe, Gustavo Lian Haddad e Rayana Alves de Oliveira França.
Nome do relator: PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do Relator Assinatura digital Pedro Paulo Pereira Barbosa - Relator Assinatura digital Maria Helena Cotta Cardozo Presidente EDITADO EM: 28/09/2012 Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente), Pedro Paulo Pereira Barbosa (Relator), Eduardo Tadeu Farah, Rodrigo Santos Masset Lacombe, Gustavo Lian Haddad e Rayana Alves de Oliveira França.
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Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do Relator Assinatura digital Pedro Paulo Pereira Barbosa Relator Assinatura digital Maria Helena Cotta Cardozo – Presidente EDITADO EM: 28/09/2012 Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente), Pedro Paulo Pereira Barbosa (Relator), Eduardo Tadeu Farah, Rodrigo Santos Masset Lacombe, Gustavo Lian Haddad e Rayana Alves de Oliveira França. Relatório MARIA CONCEIÇÃO CORREIA CASSIANO interpôs recurso voluntário contra acórdão da DRJRIO DE JANEIRO/RJ II (fls. 76) que julgou procedente em parte o lançamento, formalizado por meio da notificação de lançamento de fls. 20/23, para exigência de Imposto sobre Renda de Pessoa Física – IRPF, referente ao exercício de 2005, no valor de RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 07 68 .0 05 46 0/ 20 07 -9 1 Fl. 199DF CARF MF Impresso em 05/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/10/2012 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 29/ 10/2012 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 31/10/2012 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO Processo nº 10768.005460/200791 Erro! A origem da referência não foi encontrada. n.º 2201000.072 S2C2T1 Fl. 3 2 R$ 64.906,93, acrescido de multa de ofício e de juros de mora, perfazendo um crédito tributário total lançado de R$ 101.118,50. A infração que ensejou o lançamento foi a dedução indevida de imposto de renda retido na fonte. Segundo o relatório fiscal, tratase de valores declarados de IRRF tendo como fontes pagadoras Sindicato dos Trabalhadores Com. Hot. e Sims. do Rio de Janeiro (R$ 49.529,67) e Federação Nac. dos Empregados do Com. Hoteleiro e Similares (R$ 15.377,26), tendo em vista o não recolhimento do imposto pela fonte pagadora, conforme batimento DIRF/DARF. A Contribuinte impugnou o lançamento e solicitou o acolhimento parcial da impugnação para que seja reconhecido o Recolhimento de quatro DARF no ano de 2004 pela pessoa jurídica Sindicato dos Trabalhadores no Comércio Hoteleiro e Similares do Município do Rio de Janeiro, totalizando R$ 12.461,36. A DRJRIO DE JANEIRO/RJ II acolheu a alegação da defesa quanto aos quatro recolhimentos, que foram comprovados. Quanto aos demais valores, ressaltou que a Contribuinte em sua impugnação concordou expressamente com a exigência. A Contribuinte tomou ciência da decisão de primeira instância em 18/04/2011 (fls. 18v) e, em 12/05/2011, interpôs o recurso voluntário de fls. 80/81, que ora se examina, e no qual aduz, em síntese, que com a diligência deteminada pela DRJ vieram aos autos comprovantes fornecidos pelas fontes pagadoras da retenção e recolhimento do imposto e que foram desconsiderados pela decisão de primeira instância. Junta os mesmos elementos ao recurso e pede que os mesmo sejam examinados com o julgamento da improcedência do lançamento. É o relatório. Voto Conselheiro Pedro Paulo Pereira Barbosa – Relator O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade. Dele conheço. Fundamentação Como se colhe do relatório, a Contribuinte, na impugnação, limitouse a pedir que a DRJ considerasse quatro DARF no valor total de R$ 12.461,26, e a DRJ acolheu a alegação, subrtraindo este valor da autuação. No recurso, a Contribuinte observa que, com a diligência determinada pela DRJ, vieram aos autos novos elementos que comprovariam o recolhimento do imposto de renda remanescente, que lhe está sendo exigido. De fato, em resposta às intimações emitidas em razão das diligências determinadas pela DRJ, as fontes pagadoras Sindicato dos Trabalhadores do Comércio Hoteleiro e Similares do Município do Rio de Janeiro e Federação Nacional dos Trabalhadores do Comércio Hoteleiro e Similares do Município do Rio de Janeiro confirmaram os valores informados nas DIRF, que dão conta de ter havido retenção na fonte de imposto, sobre Fl. 200DF CARF MF Impresso em 05/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/10/2012 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 29/ 10/2012 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 31/10/2012 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO Processo nº 10768.005460/200791 Erro! A origem da referência não foi encontrada. n.º 2201000.072 S2C2T1 Fl. 4 3 rendimentos pagos à ora Recorrente, de R$ 49.529,67, o primeiro (fls. 47/48), e R$ 19.945,91, o segundo (fls. 56/57). Foram juntados também cópias dos DARF que corresponderiam a tais recolhimentos (fls. 49/55 e 58/70). Ora, ainda que a Contribuinte tenha inicialmente se conformado com a exigência de eventual imposto pela falta de recolhimento pela fonte pagadora, diante da evidência de que, contrariamente ao que se pensava, houve tal recolhimento, inclusive porque alguns desses recolhimentos ocorreram, aparentemente, após a autuação, em razão do princípio da verdade material, é dever do julgador considerar tais pagamentos. Isto porque, certamente, não é interesse do Estado receber em duplicidade um mesmo imposto. Temse neste caso, porém, apenas cópias de DARF sem que se tenha segurança sobre a efetividade dos recolhimentos, o que demanda, por segurança, uma verificação por parte da autoridade administrativa da efetividade desses recolhimentos, bem como que se estabeleça a correlação entre eles as DIRF correspondentes para que se possa apurar se, de fato, os recolhimentos compreendem os valores declaradamente retidos pela fonte pagadora com relação à Contribuinte. Ante o exposto, proponho a conversão do presente julgamento em diligência para que a Delegacia da Receita Federal do Brasil no Rio de Janeiro – DRF RJ I: ateste a autenticidade dos DARF de fls. 49/55 e 58/70; Caso afirmativo, identifique a DIRF/DCTF, juntando cópias das mesmas, a que estão vinculados os tais pagamentos. Conclusão Ante o exposto, proponho a conversão do julgamento em diligência para as providências acima. Assinatura digital Pedro Paulo Pereira Barbosa Fl. 201DF CARF MF Impresso em 05/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/10/2012 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 29/ 10/2012 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 31/10/2012 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO
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Numero do processo: 10670.720071/2010-73
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Oct 18 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Mon Dec 03 00:00:00 UTC 2012
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 01/01/2005 a 31/12/2005
OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. DESCUMPRIMENTO. PRAZO DECADENCIAL.
O fisco dispõe de cinco anos, contados do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que ocorreu a infração, para constituir o crédito correspondente à penalidade por descumprimento de obrigação acessória.
Recurso Voluntário Provido em Parte
Nos casos em que tenha havido falta de recolhimento das contribuições e declaração incorreta dos fatos geradores em GFIP, para a aferição da multa mais benéfica, deve-se cotejar a soma da multa por inadimplemento da obrigação principal (art. 35 da Lei n.º 8.212/1991) e da multa por descumprimento da obrigação acessória (§ 5.º do art. 32 da Lei n.º 8.212/1991) com a atual multa de ofício (art. 35-A da Lei n.º 8.212/1991), prevalecendo a que seja mais favorável ao contribuinte.
Numero da decisão: 2401-002.736
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, por dar provimento parcial ao recurso, para que seja excluída a multa correspondente à falta de declaração das horas extras.
Elias Sampaio Freire - Presidente
Kleber Ferreira de Araújo - Relator
Participaram do presente julgamento o(a)s Conselheiro(a)s Elias Sampaio Freire, Kleber Ferreira de Araújo, Walter Murilo Melo de Andrade, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Marcelo Freitas de Souza Costa e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira.
Nome do relator: KLEBER FERREIRA DE ARAUJO
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AUTUAÇÃO DECORRENTE DO DESCUMPRIMENTO DA OBRIGAÇÃO PRINCIPAL DECLARADA PROCEDENTE. SUBSISTÊNCIA DA OBRIGAÇÃO DE DECLARAR OS MESMOS FATOS GERADORES. Sendo declarada a procedência do crédito relativo à exigência da obrigação principal, deve seguir o mesmo destino a lavratura decorrente da falta de declaração dos fatos geradores correspondentes na GFIP. FALTA DE PAGAMENTO DO TRIBUTO E DECLARAÇÃO INCORRETA EM GFIP. MULTA MAIS BENÉFICA. AFERIÇÃO CONSIDERANDO TODOS AS LAVRATURAS EFETUADAS NA AÇÃO FISCAL. Nos casos em que tenha havido falta de recolhimento das contribuições e declaração incorreta dos fatos geradores em GFIP, para a aferição da multa mais benéfica, devese cotejar a soma da multa por inadimplemento da obrigação principal (art. 35 da Lei n.º 8.212/1991) e da multa por descumprimento da obrigação acessória (§ 5.º do art. 32 da Lei n.º 8.212/1991) com a atual multa de ofício (art. 35A da Lei n.º 8.212/1991), prevalecendo a que seja mais favorável ao contribuinte. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/01/2005 a 31/12/2005 OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. DESCUMPRIMENTO. PRAZO DECADENCIAL. O fisco dispõe de cinco anos, contados do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que ocorreu a infração, para constituir o crédito correspondente à penalidade por descumprimento de obrigação acessória. Recurso Voluntário Provido em Parte AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 67 0. 72 00 71 /2 01 0- 73 Fl. 170DF CARF MF Impresso em 03/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/11/2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 16/11 /2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 26/11/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, por dar provimento parcial ao recurso, para que seja excluída a multa correspondente à falta de declaração das horas extras. Elias Sampaio Freire Presidente Kleber Ferreira de Araújo Relator Participaram do presente julgamento o(a)s Conselheiro(a)s Elias Sampaio Freire, Kleber Ferreira de Araújo, Walter Murilo Melo de Andrade, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Marcelo Freitas de Souza Costa e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira. Fl. 171DF CARF MF Impresso em 03/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/11/2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 16/11 /2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 26/11/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 10670.720071/201073 Acórdão n.º 2401002.736 S2C4T1 Fl. 171 3 Relatório Tratase do Auto de Infração – AI n.º 37.299.8500, lavrado contra o sujeito passivo acima para imposição de multa pelo descumprimento da obrigação acessória de declarar a totalidade dos fatos geradores de contribuições previdenciárias na Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social GFIP. O Relatório Fiscal da Infração, fls. 06/07, menciona que a empresa deixou de incluir na GFIP verbas remuneratórias referentes a horas extras devidas, valor de subsídio na compra em supermercados e na compra de material escolar. Os relatórios com as remunerações e contribuições não declarados em GFIP, discriminados por estabelecimento, competência e nome do beneficiário estão anexados aos Autos de Infração 37.299.8518, 37.299.8534 e 37.299.8542, lavrados para exigência da obrigação principal. O Relatório Fiscal da Aplicação da Multa, fl. 08, informa que a penalidade para a única competência integrante do AI, 02/2005, foi aplicada com esteio no revogado § 5.º do art. 32 da Lei n.º 8.212/1991, considerandose as alterações promovidas pela MP n.º 449/2008, posteriormente convertida na Lei n.º 11.941/2009, com observância do valor mais benéfico ao sujeito passivo, quando se comparou a totalidade das autuações lavradas na ação fiscal. Cientificada em 13/12/2010, a empresa ofertou impugnação, fls. 28/61, na qual alegou que: a) ocorreu decadência do direito do Fisco de lançar a multa; b) devese aplicar a multa prevista no art. 32A da Lei n.º 8.212/1991, por ser específica para infração apontada; c) não houve omissão de fatos geradores, já que as verbas supostamente não declaradas estão fora do campo de incidência das contribuições sociais; d) expõe síntese das alegações apresentadas nos processos relativos a exigências da obrigação principal, para demonstrar a insubsistência dos mesmos. Por fim, pede o reconhecimento da decadência; cancelamento do AI ou a redução do valor da multa. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento – DRJ em Belo Horizonte (MG) declarou improcedente a impugnação, fls. 97/113. Não foi acolhida a decadência, por entender a DRJ que deveria ser aplicado na espécie o art. 173, I, do CTN, posto que o lançamento diz respeito à aplicação de multa por descumprimento de obrigação acessória. Fl. 172DF CARF MF Impresso em 03/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/11/2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 16/11 /2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 26/11/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 4 Para a DRJ, as verbas denominadas “subsídio alimentação” e “subsídio material escolar” não se enquadram nas hipóteses de exclusão do § 9.º do art. 28 da Lei n.º 8.212/1991, sendo lícita a tributação sobre as mesmas e obrigatória a correspondente declaração na GFIP. O órgão recorrido entendeu que a redução do intervalo intrajornada não encontra amparo na jurisprudência dominante e que o cálculo levado a efeito pelo Fisco não mereceria reparos, sendo correta a aplicação da multa pela falta de declaração da verba na GFIP. A multa aplicada, segundo a DRJ, foi fixada com correção, conforme determina o Parecer PGFN/CAT n.º 433/2009. O sujeito passivo interpôs recurso voluntário, fls. 117/155, no qual repete os argumentos apresentados na defesa e pede: a) declaração da decadência; b) reconhecimento de que os fatos geradores são improcedentes; e c) redução no valor da multa. É o relatório. Fl. 173DF CARF MF Impresso em 03/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/11/2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 16/11 /2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 26/11/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 10670.720071/201073 Acórdão n.º 2401002.736 S2C4T1 Fl. 172 5 Voto Conselheiro Kleber Ferreira de Araújo, Relator Admissibilidade O recurso merece conhecimento, posto que preenche os requisitos de tempestividade e legitimidade. Decadência Com a declaração de inconstitucionalidade do art. 45 da Lei n.º 8.212/1991 pela Súmula Vinculante n.º 08, editada pelo Supremo Tribunal Federal em 12/06/2008, o prazo decadencial para as contribuições previdenciárias passou a ser aquele fixado no CTN. Quanto à norma a ser aplicada para fixação do marco inicial para a contagem do quinquídio decadencial, o CTN apresenta três normas que merecem transcrição: Art. 150 (...) § 4º Se a lei não fixar prazo a homologação, será ele de cinco anos, a contar da ocorrência do fato gerador; expirado esse prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considerase homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação. ................................................................................................ Art. 173. O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados: I do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado; II da data em que se tornar definitiva a decisão que houver anulado, por vício formal, o lançamento anteriormente efetuado. (...) A jurisprudência majoritária do CARF, seguindo entendimento do Superior Tribunal de Justiça, tem adotado o § 4.º do art. 150 do CTN para os casos em que há antecipação de pagamento do tributo. O art. 173, I, tem sido tomado para as situações em que comprovadamente o contribuinte não tenha antecipado o pagamento das contribuições, na ocorrência de dolo, fraude ou simulação e também para os casos de aplicação de multa por descumprimento de obrigação acessória. Fl. 174DF CARF MF Impresso em 03/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/11/2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 16/11 /2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 26/11/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 6 Por fim, o art. 173, II, merece adoção quando se está diante de novo lançamento lavrado em substituição ao que tenha sido anulado por vício formal. Na situação sob enfoque, verifico que se tratando de aplicação de multa por descumprimento de obrigação acessória, típico lançamento de ofício, há de se aplicar o art. 173, I, do CTN. Não ocorreu a decadência, haja vista que a cientificação do lançamento deu se em 13/12/2010 e o AI envolve a competência 02/2005. A infração No julgamento do AI n.º 37.299.8542, onde foram lançadas as contribuições patronais, essa Turma conclui há pouco que as verbas denominadas “subsídio alimentação” e “subsídio material escolar” devem sofrer a incidência previdenciária. Assim, devemos concluir que a empresa deveria têlas informado na GFIP. Ao contrário, no julgamento do AI n.º 37.299.8534, que contemplou as contribuições patronais incidentes sobre as horas extras decorrentes da redução do intervalo intrajornada, foi decidido, também nessa sessão de julgamento, que o lançamento é improcedente. Consequência disso é que é inexigível a obrigação de declarar a verba na guia informativa. Concluindo, devese excluir do AI a multa correspondente a falta de declaração na GFIP das horas extras. A aplicação da multa mais benéfica Para análise do argumento relativo ao prejuízo da empresa em razão do fisco terlhe aplicado a multa mais gravosa é de se fazer uma retrospectiva dos dispositivos legais que tratam da questão. Observase que com o advento da Medida Provisória MP n. 449/2008, convertida na Lei n. 11.941/2009, houve profunda alteração no cálculo das multas decorrentes de descumprimento das obrigações relacionadas à GFIP. Na sistemática anterior, a infração de omitir fatos geradores em GFIP era punida com a multa correspondente a cem por cento da contribuição não declarada, ficando a penalidade limita a um teto calculado em função do número de segurados da empresa. Quanto havia lançamento da obrigação principal relativo aos fatos geradores não declarados, o sujeito passivo ficava também sujeito à aplicação da multa sobre as contribuições não recolhidas, num percentual do valor principal que variava de acordo com a fase processual do lançamento, ou seja, quanto mais cedo o contribuinte quitava o débito, menor era a multa imposta. Com a nova legislação, há duas sistemáticas de aplicação da multa. Inexistindo o lançamento das contribuições, aplicase apenas a multa de ofício prevista no art. 32A da Lei n. 8.212/1991, que é calculada a partir de um valor fixo para cada grupo de 10 informações incorretas ou omitidas, nos seguintes termos: Art. 32A. O contribuinte que deixar de apresentar a declaração de que trata o inciso IV do caput do art. 32 desta Lei no prazo fixado ou que a apresentar com incorreções ou omissões será intimado a apresentála ou a prestar esclarecimentos e sujeitar seá às seguintes multas:(Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). Fl. 175DF CARF MF Impresso em 03/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/11/2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 16/11 /2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 26/11/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 10670.720071/201073 Acórdão n.º 2401002.736 S2C4T1 Fl. 173 7 I – de R$ 20,00 (vinte reais) para cada grupo de 10 (dez) informações incorretas ou omitidas; e (...) Todavia pelo art. 35A da mesma Lei, também introduzido pela Lei n. 11.941/2009, ocorrendo o lançamento da obrigação principal, a penalidade decorrente do erro ou omissão na GFIP fica incluída na multa decorrente do inadimplemento da obrigação principal. Deixa, assim, de haver cumulação de multa punitiva e multa moratória, condensandose ambas em valor único. Vejam o diz o dispositivo: Art. 35A. Nos casos de lançamento de ofício relativos às contribuições referidas no art. 35 desta Lei, aplicase o disposto no art. 44 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996. É que o art. 44, I, da Lei n. 9.430/19961 prevê que, havendo declaração inexata ou omissa de tributo, acompanhado da falta de recolhimento do mesmo, devese aplicar a multa ali especificada. Como já exposto, nessas situações, a multa agora é una para ambas as infrações, descumprimento das obrigações principal e acessória. Diante das considerações acima expostas, não há como se aplicar na situação em tela o art. 32A da Lei n. 8.212/1991, como requer o sujeito passivo, posto que houve na espécie lançamento das contribuições correlatas. A situação sob enfoque pede a aplicação do art. 35A da mesma Lei, o qual, no caso, é mais gravoso ao contribuinte, conforme demonstrado pelo Fisco. Nesse sentido, correta a aplicação da multa prevista no § 5.º do art. 32 da Lei n.º 8.212/1991, posto que mais favorável ao sujeito passivo, quando se comparou a totalidade dos lançamentos efetuados na ação fiscal. Conclusão Diante do exposto, voto por afastar a decadência e, no mérito, por dar provimento parcial ao recurso, para que seja excluída a multa correspondente à falta de declaração das horas extras. Kleber Ferreira de Araújo 1 Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; (...) Fl. 176DF CARF MF Impresso em 03/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/11/2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 16/11 /2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 26/11/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 8 Fl. 177DF CARF MF Impresso em 03/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/11/2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 16/11 /2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 26/11/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE
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Numero do processo: 12269.000389/2010-10
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jul 10 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Mon Jan 07 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/11/2008 a 31/05/2009
PREVIDENCIÁRIO - CUSTEIO - IRREGULARIDADE NA LAVRATURA DO AIOP - INOCORRÊNCIA.
Tendo o fiscal autuante demonstrado de forma clara e precisa os fatos que suportaram o lançamento, oportunizando ao contribuinte o direito de defesa e do contraditório, bem como em observância aos pressupostos formais e materiais do ato administrativo, nos termos da legislação de regência, especialmente artigo 142 do CTN, não há que se falar em nulidade do lançamento.
PREVIDENCIÁRIO - CUSTEIO - ALEGAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE DA LEGISLAÇÃO ORDINÁRIA - NÃO APRECIAÇÃO NO ÂMBITO ADMINISTRATIVO.
A legislação ordinária de custeio previdenciário não pode ser afastada em âmbito administrativo por alegações de inconstitucionalidade, já que tais questões são reservadas à competência, constitucional e legal, do Poder Judiciário.
Neste sentido, o art. 26-A, caput do Decreto 70.235/1972 e a Súmula nº 2 do CARF, publicada no D.O.U. em 22/12/2009, que expressamente veda ao CARF se pronunciar acerca da inconstitucionalidade de lei tributária.
PREVIDENCIÁRIO - CUSTEIO - AJUDA DE CUSTO - MUDANÇA - INTEGRAÇÃO AO SALÁRIO-DE-CONTRIBUIÇÃO.
Integra o Salário-de-Contribuição a ajuda de custo paga sem os requisitos previstos no art. 28, § 9°, g, da Lei 8.212/1991.
PREVIDENCIÁRIO - CUSTEIO - PEDIDO DE PRODUÇÃO DE PROVAS - REQUISITOS - INDEFERIMENTO.
Quanto à solicitação de produção de provas, verifica-se que o momento processual ocorre em sede de Impugnação, conforme arts. 15 e 16, Decreto 70.2351972 e também nos arts. 55 e 56, Decreto 7574/2011 precluindo o direito de o impugnante fazê-lo em outro momento processual, com as exceções do art.16, § 4º, Decreto 70.235/1972.
Como o pedido de produção de prova documental não possui os requisitos previstos na legislação, considera-se não formulado.
PREVIDENCIÁRIO - CUSTEIO - MULTA DE OFÍCIO - EXCLUSÃO
O lançamento reporta-se à data da ocorrência do fato gerador da obrigação e rege-se pela lei então vigente, ainda que posteriormente modificada ou revogada.
Se à época dos fatos geradores a multa de ofício não existia para o tributo em questão, ela deve ser excluída do lançamento.
Recurso Voluntário Provido em Parte
Numero da decisão: 2403-001.489
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do Colegiado, no mérito, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso na questão da tributação da ajuda de custo. Vencidos os Conselheiros Ivacir Julio de Souza e Marcelo Magalhães Peixoto, que entenderam pela prevalência da convenção coletiva na isenção da tributação da ajuda de custo. E por maioria de votos, determinar a exclusão da multa de ofício da competência 11/2008. Vencido o relator, designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Carlos Alberto Mees Stringari.
Carlos Alberto Mees Stringari Presidente e Relator Designado
Paulo Maurício Pinheiro Monteiro - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Carlos Alberto Mees Stringari, Ivacir Júlio de Souza, Paulo Maurício Pinheiro Monteiro, Marcelo Magalhães Peixoto, Maria Anselma Coscrato dos Santos e Ewan Teles Aguiar.
Nome do relator: PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO
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Tendo o fiscal autuante demonstrado de forma clara e precisa os fatos que suportaram o lançamento, oportunizando ao contribuinte o direito de defesa e do contraditório, bem como em observância aos pressupostos formais e materiais do ato administrativo, nos termos da legislação de regência, especialmente artigo 142 do CTN, não há que se falar em nulidade do lançamento. PREVIDENCIÁRIO CUSTEIO ALEGAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE DA LEGISLAÇÃO ORDINÁRIA NÃO APRECIAÇÃO NO ÂMBITO ADMINISTRATIVO. A legislação ordinária de custeio previdenciário não pode ser afastada em âmbito administrativo por alegações de inconstitucionalidade, já que tais questões são reservadas à competência, constitucional e legal, do Poder Judiciário. Neste sentido, o art. 26A, caput do Decreto 70.235/1972 e a Súmula nº 2 do CARF, publicada no D.O.U. em 22/12/2009, que expressamente veda ao CARF se pronunciar acerca da inconstitucionalidade de lei tributária. PREVIDENCIÁRIO CUSTEIO AJUDA DE CUSTO MUDANÇA INTEGRAÇÃO AO SALÁRIODECONTRIBUIÇÃO. Integra o SaláriodeContribuição a ajuda de custo paga sem os requisitos previstos no art. 28, § 9°, g, da Lei 8.212/1991. PREVIDENCIÁRIO CUSTEIO PEDIDO DE PRODUÇÃO DE PROVAS REQUISITOS INDEFERIMENTO. Quanto à solicitação de produção de provas, verificase que o momento processual ocorre em sede de Impugnação, conforme arts. 15 e 16, Decreto AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 12 26 9. 00 03 89 /2 01 0- 10 Fl. 174DF CARF MF Impresso em 07/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/12/2012 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 12/12/2012 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 13/12/2012 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI 2 70.2351972 e também nos arts. 55 e 56, Decreto 7574/2011 precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, com as exceções do art.16, § 4º, Decreto 70.235/1972. Como o pedido de produção de prova documental não possui os requisitos previstos na legislação, considerase não formulado. PREVIDENCIÁRIO CUSTEIO MULTA DE OFÍCIO EXCLUSÃO O lançamento reportase à data da ocorrência do fato gerador da obrigação e regese pela lei então vigente, ainda que posteriormente modificada ou revogada. Se à época dos fatos geradores a multa de ofício não existia para o tributo em questão, ela deve ser excluída do lançamento. Recurso Voluntário Provido em Parte Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, no mérito, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso na questão da tributação da ajuda de custo. Vencidos os Conselheiros Ivacir Julio de Souza e Marcelo Magalhães Peixoto, que entenderam pela prevalência da convenção coletiva na isenção da tributação da ajuda de custo. E por maioria de votos, determinar a exclusão da multa de ofício da competência 11/2008. Vencido o relator, designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Carlos Alberto Mees Stringari. Carlos Alberto Mees Stringari – Presidente e Relator Designado Paulo Maurício Pinheiro Monteiro Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Carlos Alberto Mees Stringari, Ivacir Júlio de Souza, Paulo Maurício Pinheiro Monteiro, Marcelo Magalhães Peixoto, Maria Anselma Coscrato dos Santos e Ewan Teles Aguiar. Fl. 175DF CARF MF Impresso em 07/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/12/2012 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 12/12/2012 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 13/12/2012 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI Processo nº 12269.000389/201010 Acórdão n.º 2403001.489 S2C4T3 Fl. 175 3 Relatório Tratase de Recurso Voluntário, fls. 104 a 120, interposto pela Recorrente – KUNZLER FILHO & CIA. LTDA. contra Acórdão nº 1035.168 7ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento de Porto Alegre RS, fls. 87 a 94, que julgou procedente a autuação por descumprimento de obrigação principal, Auto de Infração de Obrigação Principal – AIOP nº. 37.248.4875, às fls. 01, com valor consolidado de R$ 42.627,75. O crédito previdenciário se refere às contribuições previdenciárias destinadas à Seguridade Social, no período de 11/2008 a 05/2009, correspondentes a: contribuições patronais, inclusive as destinadas ao financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho RAT, incidentes sobre a parcela paga a segurados empregados denominada "ajuda de custo"; contribuição patronal incidente sobre valores pagos a segurados contribuintes individuais que prestaram serviço por intermédio da Cooperativa de Trabalho Metropolitan CÔoperativa dos Trabalhadores Autônomos das Vilas da Região Metropolitana Ltda.; contribuição patronal incidente sobre a remuneração de segurados contribuintes individuais, cujos valores foram contabilizados na conta de passivo código 2203001001 Lyiz Carlos Kunzler; contribuição patronal incidente sobre os valores pagos aos segurados contribuintes individuais Luiz Alberto Bohrer e Jalvi de Freitas Batista, aferidos indiretamente, já que não foram contabilizados. O Relatório Fiscal, às fls. 17 a 21, informa os fatos geradores verificados durante a auditoria para a apuração da base de cálculo dos créditos previdenciários: 5.1 Rubrica "Ajuda de Custo" por força de convenção coletiva a empresa paga aos seus segurados empregados,remuneração denominada 'Ajuda de Custo", expressa como 08 (oito) nas cláusulas econômicas das convenções coletivas de trabalho (transcrita a seguir, cláusula 08, convenção 2007). Cláusula econômica: 08 AJUDA DE CUSTO. As empresas pagarão a todos os seus empregados, a partir de julho de 2007, R$50,78 Fl. 176DF CARF MF Impresso em 07/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/12/2012 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 12/12/2012 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 13/12/2012 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI 4 (cinqüenta reais e setenta e oito centavos) mensais, a título de ajuda de custo, não integrável ao salário, para qualquer efeito". Analisando a tabela de eventos da folha de pagamento, o resumo da folha e a guia da previdência social, verificase que a rubrica não integra a base de cálculo do INSS. Condições de pagamento, da rubrica "Ajuda de Custo" paga/devida ou creditada a todos segurados empregados (exceto motoristas) em todos os meses em valor fixo e reajustável, nas mesmas épocas dos reajustes salariais, sem a intenção de ressarcir despesas ou de reembolsar gastos feitos pelos empregados. Portanto, a rubrica "ajuda de custo" se enquadra no conceito de salário de contribuição da previdência social, expresso no artigo 28, inciso I da Lei N° 8.212/91, e integra a base de cálculo do INSS. Em anexo, planilha excel com os valores pagos individualmente bem como a base de incidência do INSS, por competência. 5.2 Mão de obra fornecida por Cooperativa de Trabalho exame na conta de despesa "3101002003002 serviços terceiros pessoa jurídica", contrato de fornecimento de serviços e notas fiscais de serviço, verificouse a ocorrência de prestação de serviços a Kunzler Filho Cia Ltda, de contribuintes individuais (sócios cooperados), por intermédio, da Metropolitan Cooperativa dos Trabalhadores Autônomos das Vilas da Região Metropolitana Ltda CNPJ: 04.651.124/000198, no período 03/2005 a 05/2009, sem a correspondente informação dos valores na GFIP e a quitação da quota patronal a cargo da contratante. No documento "Relatório de Lançamentos" consta o número e o valor de cada nota fiscal de serviço emitida contra o sujeito passivo. 5.3 Prestação de serviços de contribuintes individuais (autônomos) remuneração contabilizadaauditagem na contabilidade da empresa constatou pagamentos a contribuintes individuais, registrados em contas inapropriadas. O Livro Razão número 35 do exercício de 2005 indica que ela assumiu R$1.005.191,15 (um milhão cinco mil cento e noventa e um reais e quinze centavos) de compromisso, a título de empréstimo para capital de giro. No razão 36 foi baixado a crédito da conta caixa e a débito da conta "2.02.01.01.00022Empréstimos Capital de Giro" por conta de pagamento de empréstimo o total de R$ 303.500,00 (trezentos e três mil e quinhentos reais), sem discriminar nos lançamentos os favorecidos. Em 2007, os lançamentos debitados na conta: "2.2.01.001.003 Empréstimos Capital de Giro" e, creditados em Caixa ou Bancos, confirmam que o sujeito passivo baixou as importâncias a título de "pagamento de dívidas"; contabilização e histórico que não guardam nenhuma relação com o fato gerador efetivamente ocorrido, o qual corresponde à remuneração de contribuintes individuais. Para demonstrar o ocorrido, apresentamos extrato com alguns lançamentos referentes à conta Empréstimos Capital de Giro (...) As contabilizações de 16/04,15/05 e 15/06 de 2007, relacionadas no quadro "Extrato de conta com alguns lançamentos exercício 2007", informam "pagamentos de empréstimos a Jalvi",porém, de fato, conforme consta expressamente nos RPAs Recibos de Fl. 177DF CARF MF Impresso em 07/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/12/2012 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 12/12/2012 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 13/12/2012 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI Processo nº 12269.000389/201010 Acórdão n.º 2403001.489 S2C4T3 Fl. 176 5 Pagamento a Autônomos, devidamente assinados pelo favorecido, correspondem à quitação por conta de prestação de serviços de logística. Também. os valores de R$2.500,00 (dois mil e quinhentos reais),registrados em 05/07/2007, 20/07/2007, 06/09/2007 e 21/09/2007, contabilizados a título de "pagamento de empréstimo", efetivamente, correspondem à remuneração contabilizada que foi paga ao Sr. Luiz Alberto Bohrer, respectivamente, a primeira e segunda, parcelas remuneratórias de cada mês. Além dos segurados Jalvi de Freitas Batista e Luiz Alberto Bohrer existem outros trabalhadores citados nominalmente na contabilidade como: Roberta Boff.Janete Samurio, Mônica Ribeiro da Silva, Fernando Possoli, Alexandre André Dalpiaz.Geraldina, Carolina Santana da Silva, João Cardoso, José Luiz da Silva, Paulo Crestani, Lúcia P.V. Barcelos, Jair Pinheiro de Siqueira, Luis Sandro e Dilson Witt Serpa. No exercício de 2008, a sociedade utilizou o mesmo procedimento, entretanto, creditou os pagamentos na conta 1101001004 Caixa Filial e debitou na conta 2203001001Luiz Carlos Kunzler, registrando as operações a título de "Distribuição de Lucros". Portanto, em 2006,2007 e 2008 os valores registrados nas contas passivas "Empréstimos capital de Giro" e Luiz Carlos Kunzler" foram tributados considerando seus registros a débito como remuneração de contribuintes individuais.Este Alauto de infração corresponde somente aos débitos na conta passiva "Luiz Carlos Kunzler" já que ele lança apenas as competências 11 e 12/2008. Segue, em anexo, planilhas excel com os nomes dos trabalhadores quando constante na escrituração ou fornecido o papel de caixa contabilizado.. 5.4 Mão de obra de contribuintes individuais não contabilizada remuneração aferida exame na contabilidade do sujeito passivo, inclusive determinados papéis de caixa e dados extraídos de processo trabalhista confirmam a prestação de serviço do segurado Luiz Alberto Bohrer.Junto aos documentos de caixa existem mensagens eletrônicas "email" enviadas por empregados e empresas compradoras da Kunzler dando ciência ao Sr. Bohrer da ocorrência de determinados fatos.Também operações registradas em contas diversas envolvendo o segurado confirmam a sua prestação dos serviços (vide quadro abaixo: "Operações contabilizadas que demonstram a prestação serviços de Bohrer"). Além disso, em diligência junto à justiça do trabalho local a fiscalização examinou o processo 00245 2009.01404004, no qual o autor Luiz Alberto Bohrer informa que laborou para a Kunzler Filho e Cia Ltda, na função de "Gerente Financeiro", no período de 15/02/2004 a 02/02/2009. Percebia por mês o montante de R$7.800,00 (sete mil e oitocentos reais), sendo R$2.800,00 (dois mil e oitocentos reais), "por fora" a título de comissão. Consta registrada contabilmente a quantia mensal de R$5.000,00(cinco mil reais), somente em 2007 e 2008. Fl. 178DF CARF MF Impresso em 07/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/12/2012 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 12/12/2012 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 13/12/2012 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI 6 (...) Tendo em vista que a contabilidade, folha de pagamento e guia do fundo de garantia e informações à previdência social não registram a real remuneração do trabalhador seus ganhos foram aferidos indiretamente: R$7.800,00 (sete mil e oitocentos reais) mensais, em 2005, 2006 e janeiro de 2009. Para os exercícios de 2007 e 2008 em que houve a contabilização, mesmo incorreta, da importância mensal de R$5.000,00 (cinco mil reais) foi tributado como ganho extracontábil, somente o valor de R$2.800,00 (dois mil e oitocentos reais) que informou receber "por fora" a título de comissão. Em 2008 esta comissão corresponde a R$2.228,38, já que a média contabilizada no ano equivale a R$5.571,62. Vai anexa planilha excel com as importâncias lançadas por aferição. Foram utilizados os seguintes códigos de lançamento correspondentes ao fatos geradores das contribuições previdenciárias lançadas: 7.1 Levantamento AC1 e AC2 REMUNERAÇÃO AJUDA DE CUSTO valores devidos a título da quota^patronal incidente sobre a remuneração ajuda de custo paga/devida ou creditada aos segurados empregados. 7.2 Levantamento FC1 e FC2 FATURAMENTO COOPERATIVA DE TRABALHO valores da parte patronal devidos em valores de notas fiscais de serviços emitidas por cooperativa de trabalho 7.3 Levantamento RA1 e RA2 REMUNERAÇÃO AFERIDA CONTRIBUINTES INDIVIDUAIS valores devidos da quota patronal incidentes sobre as remunerações pagas aos contribuintes individuais e aferidas indiretamente. 7.4 Levantamento RM e RI2 REMUNERAÇÃO CONTRIBUINTES INDIVIDUAIS valores devidos a título da parte patronal incidentes sobre as remunerações pagas a contribuintes individuais. 7.5 Levantamento FP FOLHA DE PAGAMENTO o levantamento folha de pagamento constante no RADA relativo às bases de cálculo e contribuições declaradas em GFIP, antes do início do procedimento fiscal, foi criado para fins de apropriação dos créditos no período, sendo qüe não houve lançamento de débito para este levantamento. Em relação ao cálculo da multa, informa o Relatório Fiscal, às fls. 17 a 21, que foi realizado o comparativo de multas, conforme as alterações advindas da MP 449/2008 convertida na Lei 11.941/2009, com a incidência da mais benéfica ao contribuinte: 12. A multa incidente sobre as contribuições devidas à Previdência Social acrescida àquelas por descumprimento de obrigações acessórias referentes às informações prestadas em Guias de Recolhimento do Fundo de Garantia e Tempo de Serviço e de Informações à Previdência Social GFIP, de acordo com o contido na alínea "c" do inciso II do artigo 106 do Fl. 179DF CARF MF Impresso em 07/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/12/2012 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 12/12/2012 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 13/12/2012 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI Processo nº 12269.000389/201010 Acórdão n.º 2403001.489 S2C4T3 Fl. 177 7 Código Tributário Nacional CTN, foram devidamente comparadas, por competência, entre a legislação vigente à época dos fatos geradores, conforme o art. 35 da Lei 8212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei 11941, de 2009, e a calculada na forma do art. 35A da Lei 8212, de 1991, acrescido pela Lei 11941, de 2009, aplicandose a penalidade mais benéfica. Vide quadro demonstrativo abaixo denominado "Planilha Comparativo de Multa" Multa de Ofício 75% Atual Art. 35A da Lei 8212/91, acrescido pela Lei 11941/ 2009, aplicada sobre as contribuições devidas à Previdência Social, apuradas no DD Discriminativo do Débito. Multa de mora de 24% Anterior Art. 35 da Lei 8212/91, anterior à redação dada pela Lei 11941/ 2009 vigente à época do fato gerador, aplicada sobre as contribuições devidas à Previdência Social, apuradas no DD Discriminativo do Débito. AIOA 68 Auto de Infração de Obrigações Acessórias, Código de Fundamentação Legal CFL 68 correspondente a 100% do valor da contribuição previdenciária devida relativa à contribuição não declarada em GFIP, apurada por competência, observado o limite mensal previsto no § 4° do art. 32 da Lei n°8.212/ 91, que considera o número total de segurados da empresa. Revogado a partir das alterações implementadas através Medida Provisória 449 de 03 de dezembro de 2008, transformada na Lei 11941 de 27 de maio de 2009 O Relatório Fiscal, às fls. 17 a 21, informa que na presente auditoria fiscal foram lavradas as seguintes autuações: DOCUMENTOS NUMERO DO DOCUMENTO DESCRIÇÃO AlCFL30 37.248.4794 Deixar de preparar a folha de pagamento de acordo com padrões e normas estabelecidas pela RFB Receita Federal do Brasil AICFL34 37.248.4832 Deixar de lançar fatos geradores de contribuições previdenciárias em títulos próprios da contabilidade AICFL38 37.248.4840 Deixar de apresentar documentos de caixa que deram cobertura a lançamentos em contas passivas de valores pagos a contribuintes individuais. AICFL68 – 37.248.4859 Apresentar a GFIP omitindo total ou parcialmente fatos geradores de contribuições previdenciárias Al 37.248.4867 Contribuições Previdenciárias da parte patronal Incidindo sobre mão de obra direta, de contribuintes individuais e fornecida por terceiros .Lançamento:03/05 a 10/08 Al 37.248.4875 Contribuições Previdenciárias da parte patronal incidindo sobre mão de obra direta, de contribuintes individuais e fornecida por terceiros .Lançamento:11/08 a 05/09 Fl. 180DF CARF MF Impresso em 07/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/12/2012 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 12/12/2012 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 13/12/2012 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI 8 Al 37.248.4883 Contribuições Previdenciárias da parte dos segurados incidindo sobre mão de obra direta, de contribuintes Individuais e fornecida por terceiros ,Lançamento:03/05 a 10/08 Al 37.273.1554 Contribuições Previdenciárias da parte dos segurados incidindo sobre mão de obra direta, de contribuintes individuais e fornecida por terceiros .Lançamento: 11/08 a 05/09 Al 37.273.1562 Contribuições destinadas aos Terceiros.Lançamento:03/05 a 10/08 Al 37.273.1570 Contribuições destinadas aos Terceiros. Lançamento: 11/08 a 05/09 A Recorrente teve ciência do TIPF – Termo de Início do Procedimento Fiscal, às fls. 29 a 30, na qual consta o Mandado de Procedimento Fiscal – MPF nº 1010100.2009.01136. O período objeto do auto de infração, conforme o Relatório Fiscal, às fls. 17 a 21, é de 11/2008 a 05/2009. A Recorrente teve ciência do auto de infração no dia 31.03.2010, às fls. 01. A Recorrente apresentou Impugnação, às fls. 40 a 44, com as seguintes alegações, conforme o relatório da decisão de primeira instância: Discorre sobre o dever da administração pública de anular atos administrativos ilegais. Afirma que a administração pública deve obediência aos princípios da legalidade, moralidade e eficiência, dentre outros, conforme artigo 37 da Constituição Federal. Nesse sentido é a Lei n° 9.784/99, artigo 53, que determina à Administração Pública o dever de anular seus atos quando maculados por qualquer ilegalidade, cuja competência para a declaração da nulidade, encontrase no artigo 61 do Decreto n° 70.235/72. Assevera que, uma vez pautado por tais princípios, deve o agente público seguir rigorosamente os ditames legais, conhecendo e observando o ordenamento jurídico como um todo sistemático, integrado não só por normas administrativas e fiscais, mas também por aquelas de cunho trabalhista. O agente fiscal afastouse do princípio da verdade real ao desconsiderar os fatos regidos pela lei trabalhista, criando uma artificialidade jurídica e presumindo que a impugnante deixou de recolher tributos sobre parte de sua folha de pagamento. Ao exceder a legalidade, o procedimento administrativo deixou de ser razoável e desfez o liame entre a sua conduta e a finalidade da norma ferindo o artigo 37 da Constituição Federal. Entende que a parcela paga a título de ajuda de custo, em decorrência de previsão contida em Convenção Coletiva de Fl. 181DF CARF MF Impresso em 07/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/12/2012 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 12/12/2012 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 13/12/2012 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI Processo nº 12269.000389/201010 Acórdão n.º 2403001.489 S2C4T3 Fl. 178 9 Trabalho, itens 7 e 8 do título VI, não deve sofrer incidência das contribuições previdenciárias em razão do que determina a legislação trabalhista. Aduz que não apenas a empresa, como os agentes fiscais, devem obediência a previsão contida no inciso XXVI do artigo 7o da Constituição Federal, reconhecendo as convenções e os acordos coletivos de trabalho, eis que se revestem na condição de lei entre os sindicatos dos empregados e patronais, não podendo ser ignorados. Ademais disso, afirma que os pagamentos de ajudas de custo não se sujeitam à incidência das contribuições previdenciárias, em razão do que prescreve o parágrafo 2o do artigo 457 da Consolidação das Leis do TrabalhoCLT, que exclui da composição do salário as ajudas de custo, desde que não excedentes a metade dos seus ganhos. Salienta que o artigo 457, conceitua a remuneração "para todos os efeitos legais". Assevera que tal parcela tem caráter indenizatório por tratarse de ressarcimento de custos tidos pelos empregados. A conduta da fiscalização violou a norma coletiva, vindo de encontro à manifestação da] vontade nela disposta. Além da obediência ao princípio da legalidade, não pode o Poder Público negar o Direito, nem a sistematização das regras, devendo ser o primeiro a cumprilas com a máxima exatidão, em consonância com a Carta Política e a Lei n° 9.784/99. A Recorrida analisou a autuação e a impugnação, julgando procedente a autuação, nos termos do Acórdão nº 1035.168 7ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento de Porto Alegre RS, fls. 87 a 94, conforme Ementa a seguir: ASSUNTO : CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/11/2008 a 31/05/2009 Auto de Infração AI 37.248.4875 CONSTITUCIONALIDADE E LEGALIDADE . A constitucionalidade e a legalidade das leis são vinculadas para a Administração Pública. NULIDADE . A autuação encontrase revestida de todas as formalidades legais exigíveis, inexistindo motivos para a sua anulação. SALÁRIODECONTRIBUIÇÃO . A incidência de contribuição se dá sobre a remuneração total do segurado empregado, com exclusão, apenas, daquelas parcelas expressamente definidas em lei. OBRIGAÇÃO TRIBUTÁRIA . Fl. 182DF CARF MF Impresso em 07/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/12/2012 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 12/12/2012 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 13/12/2012 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI 10 A obrigação tributária decorre de lei, não podendo a Administração Pública dispensar o seu cumprimento, quando inexistente qualquer previsão em lei tributária que determine a sua exclusão. MULTA DE OFÍCIO E MULTA DE MORA . NOVA PREVISÃO LEGAL . MULTA MAIS BENÉFICA. JUROS As contribuições previdenciárias incluídas em lançamento fiscal, sujeitamse à incidência de multa de mora ou de ofício, na competência, prevalecendo para as competências anteriores à vigência da nova lei, a mais benéfica para o sujeito passivo. Os juros incidentes sobre o valor originário das contribuições devidas obedecem a legislação vigente à época dos fatos geradores. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Inconformada com a decisão de 1ª instância, a Recorrente apresentou Recurso Voluntário, fls. 104 a 120, onde combate fundamentadamente a decisão de primeira instância e reitera as argumentações deduzidas em sede de Impugnação, em apertada síntese: Em sede Preliminar. (i) DA CONSTITUCIONALIDADE E LEGALIDADE. Portanto, visando o bem comum, e diante de vícios de legalidade, a Administração Pública deve sim anular seus próprios atos, dever este previsto pela Lei n° 9.784/99, artigo 53. Portanto, as razões jurídicas expostas ensejam a nulidade do Auto de Infração ora recorrido, por serem inconstitucionais e ilegais, não havendo que se falar em vinculação da Administração Pública. No Mérito. (ii) DA INCIDÊNCIA SOBRE PAGAMENTOS DE AJUDAS DE CUSTO. A decisão ora recorrida afirma que a "ajuda de custo" fornecida pela Recorrente não está prevista no artigo 9 da Lei n° 8.212/91, mas apenas em Convenção Coletiva de Trabalho, devendo ser tributada como saláriodecontribuição, por suposta distinção e autonomia do Direito Tributário em relação aos demais ramos do direito. Assim, embora não prevista na Lei 8.212/91, a ajuda de custo fornecida pela Recorrente está corretamente embasada na Convenção Coletiva de trabalho. Fl. 183DF CARF MF Impresso em 07/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/12/2012 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 12/12/2012 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 13/12/2012 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI Processo nº 12269.000389/201010 Acórdão n.º 2403001.489 S2C4T3 Fl. 179 11 Ora, se a própria Constituição Federal prevê o direito do trabalhador ao reconhecimento das Convenções Coletivas, não pode a Administração Pública alegar a distinção do Direito Tributário em relação aos demais ramos do direito. Não se trata apenas de direito previsto na CLT, ou ainda da Convenção Coletiva de Trabalho, mas principalmente direito previsto pela própria legislação constitucional. A decisão atacada afirma que, embora as partes se sujeitem às condições acordadas nas Convenções Coletivas de Trabalho, é sem efeito qualquer previsão que tenha a intenção de adentrar no campo da incidência tributária. (iii) DO RESSARCIMENTO DE CUSTOS A Recorrente realiza o pagamento de ajuda de custo aos seus funcionários, por decorrência de gastos médios que estes tenham com ligações telefônicas, deslocamentos, alimentação, ou demais despesas que porventura possam surgir no cotidiano. Caso Vossas Senhorias entendam realmente necessária a apresentação, pela Recorrente, de todos os comprovantes fornecidos por seus funcionários, quando do recebimento da ajuda de custo, requer então a abertura de prazo para que sejam fornecidos todos estes documentos, os quais devem ser obtidos junto ao escritório terceirizado, responsável pela contabilidade da empresa. (iv) DA NULIDADE De tudo isso, a interpretação literal do §2° do artigo 457 da Consolidação das Leis do Trabalho torna indiscutível a legalidade da não tributação dos valores pagos aos funcionários da Recorrente a título de "ajuda de custo", bem como a não realização de recolhimentos previdenciários, e por conseguinte, deixa clara a nulidade do Auto de Infração, pelo que se requer a sua exclusão, em conjunto com os encargos financeiros e multas. (v) DA MULTA DE MORA, DA MULTA DE OFICIO E DOS JUROS. Um dos pontos sobre o qual recai a irresignação da Recorrente é quanto aos percentuais exigidos a título de multa de mora, multa de ofício e juros, o^s quais são flagrantemente ilegais e inconstitucionais, em virtude do excesso de exação neles contidos. Ora, multa e juros em percentual tão elevado sobre os valores não recolhidos, sobressaemse inconteste tratarse de evidente confisco, com violação flagrante do disposto na própria Carta Magna, sem seu artigo 150, IV. Fl. 184DF CARF MF Impresso em 07/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/12/2012 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 12/12/2012 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 13/12/2012 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI 12 Ainda, foi colacionado aos autos informação de que o Recorrente encontrase em processo de recuperação judicial: Posteriormente, os autos foram enviados ao Conselho, para análise e decisão, fls. 171. É o Relatório. Fl. 185DF CARF MF Impresso em 07/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/12/2012 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 12/12/2012 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 13/12/2012 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI Processo nº 12269.000389/201010 Acórdão n.º 2403001.489 S2C4T3 Fl. 180 13 Voto Vencido Conselheiro Paulo Maurício Pinheiro Monteiro , Relator PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE O recurso foi interposto tempestivamente, conforme informação à fl. 171. Avaliados os pressupostos, passo para as Questões Preliminares e ao Mérito. DAS QUESTÕES PRELIMINARES (A) Da regularidade do lançamento. Analisemos. Não obstante a argumentação do Recorrente, não confiro razão ao mesmo pois, de plano, notase que o procedimento fiscal atendeu a todas as determinações legais, não havendo, pois, nulidade por vício insanável e tampouco cerceamento de defesa. Foi realizada auditoriafiscal que resultou no lançamento do Auto de Infração de Obrigação Principal – AIOP, de contribuições destinadas à Seguridade Social correspondente a parte patronal. O crédito previdenciário se refere às contribuições previdenciárias destinadas à Seguridade Social, no período de 11/2008 a 05/2009, correspondentes a: contribuições patronais, inclusive as destinadas ao financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho RAT, incidentes sobre a parcela paga a segurados empregados denominada "ajuda de custo"; contribuição patronal incidente sobre valores pagos a segurados contribuintes individuais que prestaram serviço por intermédio da Cooperativa de Trabalho Metropolitan CÔoperativa dos Trabalhadores Autônomos das Vilas da Região Metropolitana Ltda.; Fl. 186DF CARF MF Impresso em 07/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/12/2012 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 12/12/2012 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 13/12/2012 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI 14 contribuição patronal incidente sobre a remuneração de segurados contribuintes individuais, cujos valores foram contabilizados na conta de passivo código 2203001001 Lyiz Carlos Kunzler; contribuição patronal incidente sobre os valores pagos aos segurados contribuintes individuais Luiz Alberto Bohrer e Jalvi de Freitas Batista, aferidos indiretamente, já que não foram contabilizados. O Relatório Fiscal, às fls. 17 a 21, informa os fatos geradores verificados durante a auditoria para a apuração da base de cálculo dos créditos previdenciários: 5.1 Rubrica "Ajuda de Custo" por força de convenção coletiva a empresa paga aos seus segurados empregados,remuneração denominada 'Ajuda de Custo", expressa como 08 (oito) nas cláusulas econômicas das convenções coletivas de trabalho (transcrita a seguir, cláusula 08, convenção 2007). Cláusula econômica: 08 AJUDA DE CUSTO. As empresas pagarão a todos os seus empregados, a partir de julho de 2007, R$50,78 (cinqüenta reais e setenta e oito centavos) mensais, a título de ajuda de custo, não integrável ao salário, para qualquer efeito". Analisando a tabela de eventos da folha de pagamento, o resumo da folha e a guia da previdência social, verificase que a rubrica não integra a base de cálculo do INSS. Condições de pagamento, da rubrica "Ajuda de Custo" paga/devida ou creditada a todos segurados empregados (exceto motoristas) em todos os meses em valor fixo e reajustável, nas mesmas épocas dos reajustes salariais, sem a intenção de ressarcir despesas ou de reembolsar gastos feitos pelos empregados. Portanto, a rubrica "ajuda de custo" se enquadra no conceito de salário de contribuição da previdência social, expresso no artigo 28, inciso I da Lei N° 8.212/91, e integra a base de cálculo do INSS. Em anexo, planilha excel com os valores pagos individualmente bem como a base de incidência do INSS, por competência. 5.2 Mão de obra fornecida por Cooperativa de Trabalho exame na conta de despesa "3101002003002 serviços terceiros pessoa jurídica", contrato de fornecimento de serviços e notas fiscais de serviço, verificouse a ocorrência de prestação de serviços a Kunzler Filho Cia Ltda, de contribuintes individuais (sócios cooperados), por intermédio, da Metropolitan Cooperativa dos Trabalhadores Autônomos das Vilas da Região Metropolitana Ltda CNPJ: 04.651.124/000198, no período 03/2005 a 05/2009, sem a correspondente informação dos valores na GFIP e a quitação da quota patronal a cargo da contratante. No documento "Relatório de Lançamentos" consta o número e o valor de cada nota fiscal de serviço emitida contra o sujeito passivo. 5.3 Prestação de serviços de contribuintes individuais (autônomos) remuneração contabilizadaauditagem na contabilidade da empresa constatou pagamentos a contribuintes individuais, registrados em contas inapropriadas. O Livro Razão número 35 do exercício de 2005 indica que ela assumiu R$1.005.191,15 (um milhão cinco mil cento e noventa e um reais e quinze centavos) de compromisso, a título de empréstimo para capital de giro. No razão 36 foi baixado a crédito da conta caixa Fl. 187DF CARF MF Impresso em 07/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/12/2012 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 12/12/2012 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 13/12/2012 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI Processo nº 12269.000389/201010 Acórdão n.º 2403001.489 S2C4T3 Fl. 181 15 e a débito da conta "2.02.01.01.00022Empréstimos Capital de Giro" por conta de pagamento de empréstimo o total de R$ 303.500,00 (trezentos e três mil e quinhentos reais), sem discriminar nos lançamentos os favorecidos. Em 2007, os lançamentos debitados na conta: "2.2.01.001.003 Empréstimos Capital de Giro" e, creditados em Caixa ou Bancos, confirmam que o sujeito passivo baixou as importâncias a título de "pagamento de dívidas"; contabilização e histórico que não guardam nenhuma relação com o fato gerador efetivamente ocorrido, o qual corresponde à remuneração de contribuintes individuais. Para demonstrar o ocorrido, apresentamos extrato com alguns lançamentos referentes à conta Empréstimos Capital de Giro (...) As contabilizações de 16/04,15/05 e 15/06 de 2007, relacionadas no quadro "Extrato de conta com alguns lançamentos exercício 2007", informam "pagamentos de empréstimos a Jalvi",porém, de fato, conforme consta expressamente nos RPAs Recibos de Pagamento a Autônomos, devidamente assinados pelo favorecido, correspondem à quitação por conta de prestação de serviços de logística. Também. os valores de R$2.500,00 (dois mil e quinhentos reais),registrados em 05/07/2007, 20/07/2007, 06/09/2007 e 21/09/2007, contabilizados a título de "pagamento de empréstimo", efetivamente, correspondem à remuneração contabilizada que foi paga ao Sr. Luiz Alberto Bohrer, respectivamente, a primeira e segunda, parcelas remuneratórias de cada mês. Além dos segurados Jalvi de Freitas Batista e Luiz Alberto Bohrer existem outros trabalhadores citados nominalmente na contabilidade como: Roberta Boff.Janete Samurio, Mônica Ribeiro da Silva, Fernando Possoli, Alexandre André Dalpiaz.Geraldina, Carolina Santana da Silva, João Cardoso, José Luiz da Silva, Paulo Crestani, Lúcia P.V. Barcelos, Jair Pinheiro de Siqueira, Luis Sandro e Dilson Witt Serpa. No exercício de 2008, a sociedade utilizou o mesmo procedimento, entretanto, creditou os pagamentos na conta 1101001004 Caixa Filial e debitou na conta 2203001001Luiz Carlos Kunzler, registrando as operações a título de "Distribuição de Lucros". Portanto, em 2006,2007 e 2008 os valores registrados nas contas passivas "Empréstimos capital de Giro" e Luiz Carlos Kunzler" foram tributados considerando seus registros a débito como remuneração de contribuintes individuais.Este Alauto de infração corresponde somente aos débitos na conta passiva "Luiz Carlos Kunzler" já que ele lança apenas as competências 11 e 12/2008. Segue, em anexo, planilhas excel com os nomes dos trabalhadores quando constante na escrituração ou fornecido o papel de caixa contabilizado.. 5.4 Mão de obra de contribuintes individuais não contabilizada remuneração aferida exame na contabilidade do sujeito Fl. 188DF CARF MF Impresso em 07/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/12/2012 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 12/12/2012 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 13/12/2012 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI 16 passivo, inclusive determinados papéis de caixa e dados extraídos de processo trabalhista confirmam a prestação de serviço do segurado Luiz Alberto Bohrer.Junto aos documentos de caixa existem mensagens eletrônicas "email" enviadas por empregados e empresas compradoras da Kunzler dando ciência ao Sr. Bohrer da ocorrência de determinados fatos.Também operações registradas em contas diversas envolvendo o segurado confirmam a sua prestação dos serviços (vide quadro abaixo: "Operações contabilizadas que demonstram a prestação serviços de Bohrer"). Além disso, em diligência junto à justiça do trabalho local a fiscalização examinou o processo 00245 2009.01404004, no qual o autor Luiz Alberto Bohrer informa que laborou para a Kunzler Filho e Cia Ltda, na função de "Gerente Financeiro", no período de 15/02/2004 a 02/02/2009. Percebia por mês o montante de R$7.800,00 (sete mil e oitocentos reais), sendo R$2.800,00 (dois mil e oitocentos reais), "por fora" a título de comissão. Consta registrada contabilmente a quantia mensal de R$5.000,00(cinco mil reais), somente em 2007 e 2008. (...) Tendo em vista que a contabilidade, folha de pagamento e guia do fundo de garantia e informações à previdência social não registram a real remuneração do trabalhador seus ganhos foram aferidos indiretamente: R$7.800,00 (sete mil e oitocentos reais) mensais, em 2005, 2006 e janeiro de 2009. Para os exercícios de 2007 e 2008 em que houve a contabilização, mesmo incorreta, da importância mensal de R$5.000,00 (cinco mil reais) foi tributado como ganho extracontábil, somente o valor de R$2.800,00 (dois mil e oitocentos reais) que informou receber "por fora" a título de comissão. Em 2008 esta comissão corresponde a R$2.228,38, já que a média contabilizada no ano equivale a R$5.571,62. Vai anexa planilha excel com as importâncias lançadas por aferição. Foram utilizados os seguintes códigos de lançamento correspondentes ao fatos geradores das contribuições previdenciárias lançadas: 7.1 Levantamento AC1 e AC2 REMUNERAÇÃO AJUDA DE CUSTO valores devidos a título da quota^patronal incidente sobre a remuneração ajuda de custo paga/devida ou creditada aos segurados empregados. 7.2 Levantamento FC1 e FC2 FATURAMENTO COOPERATIVA DE TRABALHO valores da parte patronal devidos em valores de notas fiscais de serviços emitidas por cooperativa de trabalho 7.3 Levantamento RA1 e RA2 REMUNERAÇÃO AFERIDA CONTRIBUINTES INDIVIDUAIS valores devidos da quota patronal incidentes sobre as remunerações pagas aos contribuintes individuais e aferidas indiretamente. 7.4 Levantamento RM e RI2 REMUNERAÇÃO CONTRIBUINTES INDIVIDUAIS valores devidos a título da parte patronal incidentes sobre as remunerações pagas a contribuintes individuais. Fl. 189DF CARF MF Impresso em 07/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/12/2012 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 12/12/2012 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 13/12/2012 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI Processo nº 12269.000389/201010 Acórdão n.º 2403001.489 S2C4T3 Fl. 182 17 7.5 Levantamento FP FOLHA DE PAGAMENTO o levantamento folha de pagamento constante no RADA relativo às bases de cálculo e contribuições declaradas em GFIP, antes do início do procedimento fiscal, foi criado para fins de apropriação dos créditos no período, sendo qüe não houve lançamento de débito para este levantamento. Desta forma, conforme o artigo 37 da Lei n° 8.212/91, foi lavrado AIOP nº 37.248.4875 que, conforme definido no inciso IV do artigo 633 da IN MPS/SRP n° 03/2005, é o documento constitutivo de crédito relativo às contribuições devidas à Previdência Social e a outras importâncias arrecadadas pela SRP, apuradas mediante procedimento fiscal: (redação à época da lavratura do AIOP nº 37.248.4875) Lei n° 8.212/91 Art. 37. Constatado o atraso total ou parcial no recolhimento de contribuições tratadas nesta Lei, ou em caso de falta de pagamento de beneficio reembolsado, a fiscalização lavrará notificação de débito, com discriminação clara e precisa dos fatos geradores, das contribuições devidas e dos períodos a que se referem, conforme dispuser o regulamento. IN MPS/SRP n° 03/2005 Art. 633. São documentos de constituição do crédito tributário, no âmbito da SRP: IV Notificação Fiscal de Lançamento de Débito NFLD, que é o documento constitutivo de crédito relativo às contribuições devidas à Previdência Social e a outras importâncias arrecadadas pela SRP, apuradas mediante procedimento fiscal; Podese elencar as etapas necessárias à realização do procedimento: · A autorização por meio da emissão de TIAF – Termo de Início da Ação Fiscal, o qual contém o Mandado de Procedimento Fiscal – MPF F, com a competente designação do AuditorFiscal responsável pelo cumprimento do procedimento; · A intimação para a apresentação dos documentos conforme Termo de Intimação para Apresentação de Documentos – TIAD, intimando o contribuinte para que apresentasse todos os documentos capazes de comprovar o cumprimento da legislação previdenciária; · A autuação dentro do prazo autorizado pelo referido Mandado, com a apresentação ao contribuinte dos fatos geradores e fundamentação legal que constituíram a lavratura do auto de infração ora contestado, com as Fl. 190DF CARF MF Impresso em 07/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/12/2012 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 12/12/2012 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 13/12/2012 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI 18 informações necessárias para que o autuado pudesse efetuar as impugnações que considerasse pertinentes: a. IPC Instruções para o Contribuinte (que tem a finalidade de comunicar ao contribuinte como regularizar seu débito, como apresentar defesa e outras informações); b. DD Discriminativo do Débito; c. RDA – Relatório de Documentos Apresentados. d. RADA Relatório de Apropriação de Documentos Apresentados e. FLD Fundamentos Legais do Débito (que indica os dispositivos legais que autorizam o lançamento e a cobrança das contribuições exigidas, de acordo com a legislação vigente à época do respectivo fato gerador); f. VÍNCULOS Relatório de Vínculos (que lista todas as pessoas físicas ou jurídicas em razão de seu vínculo com o sujeito passivo, indicando o tipo de vínculo existente e o período); g. TIPF – Termo do Procedimento Fiscal; h. TEPF Termo do Procedimento Fiscal;. i. REFISC – Relatório Fiscal. Cumprenos esclarecer ainda, que o lançamento fiscal foi elaborado nos termos do artigo 142 do Código Tributário Nacional, especialmente a verificação da efetiva ocorrência do fato gerador tributário, a matéria sujeita ao tributo, bem como o montante individualizado do tributo devido. De plano, o art. 142, CTN, estabelece que: “Art. 142. Compete privativamente à autoridade administrativa constituir o crédito tributário pelo lançamento, assim entendido o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo caso, propor a aplicação da penalidade cabível. Parágrafo único. A atividade administrativa de lançamento é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional.” Analisandose o AIOP nº 37.248.4875, temse que foi cumprido integralmente os limites legais dispostos no art. 142, CTN. Ademais, não compete ao AuditorFiscal agir de forma discricionária no exercício de suas atribuições. Desta forma, em constatando a falta de recolhimento, face a ocorrência do fato gerador, cumprilhe lavrar de imediato a notificação fiscal de lançamento de Fl. 191DF CARF MF Impresso em 07/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/12/2012 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 12/12/2012 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 13/12/2012 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI Processo nº 12269.000389/201010 Acórdão n.º 2403001.489 S2C4T3 Fl. 183 19 débito de forma vinculada, constituindo o crédito previdenciário. O art. 243 do Decreto 3.048/99, assim dispõe neste sentido: Art.243. Constatada a falta de recolhimento de qualquer contribuição ou outra importância devida nos termos deste Regulamento, a fiscalização lavrará, de imediato, notificação fiscal de lançamento com discriminação clara e precisa dos fatos geradores, das contribuições devidas e dos períodos a que se referem, de acordo com as normas estabelecidas pelos órgãos competentes. (i) DA CONSTITUCIONALIDADE E LEGALIDADE. Portanto, visando o bem comum, e diante de vícios de legalidade, a Administração Pública deve sim anular seus próprios atos, dever este previsto pela Lei n° 9.784/99, artigo 53. Portanto, as razões jurídicas expostas ensejam a nulidade do Auto de Infração ora recorrido, por serem inconstitucionais e ilegais, não havendo que se falar em vinculação da Administração Pública. Analisemos. Não assiste razão à Recorrente pois o previsto no ordenamento legal não pode ser anulado na instância administrativa por alegações de inconstitucionalidade, já que tais questões são reservadas à competência, constitucional e legal, do Poder Judiciário. Neste sentido, o art. 26A, caput do Decreto 70.235/1972, que dispõe sobre o processo administrativo fiscal, e dá outras providências: “Art. 26A. No âmbito do processo administrativo fiscal, fica vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009) § 1o (Revogado). (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009) § 2o (Revogado). (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009) § 3o (Revogado). (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009) § 4o (Revogado). (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009) § 5o (Revogado). (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009) § 6o O disposto no caput deste artigo não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009) Fl. 192DF CARF MF Impresso em 07/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/12/2012 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 12/12/2012 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 13/12/2012 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI 20 I – que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão definitiva plenária do Supremo Tribunal Federal; (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009) II – que fundamente crédito tributário objeto de: (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009) a) dispensa legal de constituição ou de ato declaratório do ProcuradorGeral da Fazenda Nacional, na forma dos arts. 18 e 19 da Lei no 10.522, de 19 de julho de 2002; (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009) b) súmula da AdvocaciaGeral da União, na forma do art. 43 da Lei Complementar no 73, de 10 de fevereiro de 1993; ou (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009) c) pareceres do AdvogadoGeral da União aprovados pelo Presidente da República, na forma do art. 40 da Lei Complementar no 73, de 10 de fevereiro de 1993. (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009)”(gn). Ademais, há a Súmula nº 2 do CARF, publicada no D.O.U. em 22/12/2009, que expressamente veda ao CARF se pronunciar acerca da inconstitucionalidade de lei tributária. Súmula CARFnº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. DO MÉRITO (ii) DA INCIDÊNCIA SOBRE PAGAMENTOS DE AJUDAS DE CUSTO. A decisão ora recorrida afirma que a "ajuda de custo" fornecida pela Recorrente não está prevista no artigo 9 da Lei n° 8.212/91, mas apenas em Convenção Coletiva de Trabalho, devendo ser tributada como saláriodecontribuição, por suposta distinção e autonomia do Direito Tributário em relação aos demais ramos do direito. (iii) DO RESSARCIMENTO DE CUSTOS A Recorrente realiza o pagamento de ajuda de custo aos seus funcionários, por decorrência de gastos médios que estes tenham com ligações telefônicas, deslocamentos, alimentação, ou demais despesas que porventura possam surgir no cotidiano. Caso Vossas Senhorias entendam realmente necessária a apresentação, pela Recorrente, de todos os comprovantes fornecidos por seus funcionários, quando do recebimento da ajuda de custo, requer então a abertura de prazo para que sejam fornecidos todos estes documentos, os quais devem ser obtidos Fl. 193DF CARF MF Impresso em 07/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/12/2012 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 12/12/2012 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 13/12/2012 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI Processo nº 12269.000389/201010 Acórdão n.º 2403001.489 S2C4T3 Fl. 184 21 junto ao escritório terceirizado, responsável pela contabilidade da empresa. (iv) DA NULIDADE De tudo isso, a interpretação literal do §2° do artigo 457 da Consolidação das Leis do Trabalho torna indiscutível a legalidade da não tributação dos valores pagos aos funcionários da Recorrente a título de "ajuda de custo", bem como a não realização de recolhimentos previdenciários, e por conseguinte, deixa clara a nulidade do Auto de Infração, pelo que se requer a sua exclusão, em conjunto com os encargos financeiros e multas. Analisemos conjuntamente os itens (ii), (iii) e (iv). De plano, temos que a apreciação de inconstitucionalidade em sede de Recurso Voluntário já foi analisada no item (i) e que a questão de nulidade relacionada à regularidade do lançamento já foi analisada no tópico (A). O Relatório Fiscal, às fls. 45 a 51, informa dentre os fatos geradores verificados durante a auditoria para a apuração da base de cálculo dos créditos previdenciários, a ajuda de custo paga em desacordo com a legislação tributárioprevidenciária: 5.1 Rubrica "Ajuda de Custo" por força de convenção coletiva a empresa paga aos seus segurados empregados,remuneração denominada 'Ajuda de Custo", expressa como 08 (oito) nas cláusulas econômicas das convenções coletivas de trabalho (transcrita a seguir, cláusula 08, convenção 2007). Cláusula econômica: 08 AJUDA DE CUSTO. As empresas pagarão a todos os seus empregados, a partir de julho de 2007, R$50,78 (cinqüenta reais e setenta e oito centavos) mensais, a título de ajuda de custo, não integrável ao salário, para qualquer efeito". Analisando a tabela de eventos da folha de pagamento, o resumo da folha e a guia da previdência social, verificase que a rubrica não integra a base de cálculo do INSS. Condições de pagamento, da rubrica "Ajuda de Custo" paga/devida ou creditada a todos segurados empregados (exceto motoristas) em todos os meses em valor fixo e reajustável, nas mesmas épocas dos reajustes salariais, sem a intenção de ressarcir despesas ou de reembolsar gastos feitos pelos empregados. Portanto, a rubrica "ajuda de custo" se enquadra no conceito de salário de contribuição da previdência social, expresso no artigo 28, inciso I da Lei N° 8.212/91, e integra a base de cálculo do INSS. Em anexo, planilha excel com os valores pagos individualmente bem como a base de incidência do INSS, por competência. Por outro lado, a Recorrente, repetindo o argumento utilizado em sede de Impugnação, aduz que esta ajuda de custo se refere a pagamento de ajuda de custo aos seus funcionários, por decorrência de gastos médios que estes tenham com ligações telefônicas, deslocamentos, alimentação, ou demais despesas que porventura possam surgir no cotidiano. No entanto, observase que a Recorrente não traz novos elementos de prova que possam se contrapor à decisão de primeira instância que ratificou o entendimento da Auditoria Fiscal. Ou seja, a Recorrente não restou comprovado em sede de Recurso Voluntário Fl. 194DF CARF MF Impresso em 07/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/12/2012 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 12/12/2012 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 13/12/2012 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI 22 que a hipótese dos pagamentos efetuados a título de ajuda de custo se referem a verbas indenizatórias, seja por motivo de mudança de local de trabalho do empregado ou ainda por reembolso de despesas efetuadas pelos empregados na execução dos serviços. Neste sentido, temse que a legislação previdenciária ao prever que a ajuda de custo não integra o salário de contribuição na hipótese disposta no art. 28, § 9º, g, Lei 8.212/1991, implica então afirmar que a hipótese concreta do presente processo não se enquadra no art. 28, § 9º, g, Lei 8.212/1991: Art. 28. Entendese por saláriodecontribuição: (...) §9º Não integram o saláriodecontribuição para os fins desta Lei, exclusivamente: (Redação dada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97) (...) g) a ajuda de custo, em parcela única, recebida exclusivamente em decorrência de mudança de local de trabalho do empregado, na forma do art. 470 da CLT; (Redação dada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97). Ademais, o disposto em Convenção Coletiva de Trabalho não tem o condão de afastar a exigência de lei que especifique as condições e requisitos exigidos para a isenção de contribuições sociais previdenciárias, nos termos do art. 97, CTN c/c art. 175, I, CTN c/c art. 176, CTN: Art. 97. Somente a lei pode estabelecer: (..)VI as hipóteses de exclusão, suspensão e extinção de créditos tributários, ou de dispensa ou redução de penalidades. Art. 175. Excluem o crédito tributário: I a isenção; Art. 176. A isenção, ainda quando prevista em contrato, é sempre decorrente de lei que especifique as condições e requisitos exigidos para a sua concessão, os tributos a que se aplica e, sendo caso, o prazo de sua duração. Parágrafo único. A isenção pode ser restrita a determinada região do território da entidade tributante, em função de condições a ela peculiares. Quanto ao pedido de abertura de prazo para a produção de provas documentais, verificamos que a mesma encontrase de acordo com o previsto na legislação: Decreto 70.235/1972 – Art. 16. A impugnação mencionará: (...) § 4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior;(Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) b) refirase a fato ou a direito superveniente;(Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) Fl. 195DF CARF MF Impresso em 07/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/12/2012 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 12/12/2012 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 13/12/2012 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI Processo nº 12269.000389/201010 Acórdão n.º 2403001.489 S2C4T3 Fl. 185 23 c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos.(Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) § 5º A juntada de documentos após a impugnação deverá ser requerida à autoridade julgadora, mediante petição em que se demonstre, com fundamentos, a ocorrência de uma das condições previstas nas alíneas do parágrafo anterior. (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) § 6º Caso já tenha sido proferida a decisão, os documentos apresentados permanecerão nos autos para, se for interposto recurso, serem apreciados pela autoridade julgadora de segunda instância. (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) No entanto, considero que o atual pedido de produção de prova documental, provas estas que deveriam ter sido produzidas em sede de Impugnação, contraria o disposto no art. 16, § 4º, Decreto 70.235/1972 de modo que como o pedido de produção de prova documental não possui os requisitos previstos na legislação, consideroo não formulado. Diante do exposto, não prospera a argumentação da Recorrente. (v) DA MULTA DE MORA, DA MULTA DE OFICIO E DOS JUROS. Um dos pontos sobre o qual recai a irresignação da Recorrente é quanto aos percentuais exigidos a título de multa de mora, multa de ofício e juros, o^s quais são flagrantemente ilegais e inconstitucionais, em virtude do excesso de exação neles contidos. Ora, multa e juros em percentual tão elevado sobre os valores não recolhidos, sobressaemse inconteste tratarse de evidente confisco, com violação flagrante do disposto na própria Carta Magna, sem seu artigo 150, IV. Analisemos. De plano, temos que a apreciação de inconstitucionalidade em sede de Recurso Voluntário já foi analisada no item (i). Outrossim, em relação ao cálculo da multa, informa o Relatório Fiscal, às fls. 17 a 21, que foi realizado o comparativo de multas, conforme as alterações advindas da MP 449/2008 convertida na Lei 11.941/2009, com a incidência da mais benéfica ao contribuinte: 12. A multa incidente sobre as contribuições devidas à Previdência Social acrescida àquelas por descumprimento de obrigações acessórias referentes às informações prestadas em Guias de Recolhimento do Fundo de Garantia e Tempo de Serviço e de Informações à Previdência Social GFIP, de acordo com o contido na alínea "c" do inciso II do artigo 106 do Código Tributário Nacional CTN, foram devidamente comparadas, por competência, entre a legislação vigente à época dos fatos geradores, conforme o art. 35 da Lei 8212, de Fl. 196DF CARF MF Impresso em 07/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/12/2012 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 12/12/2012 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 13/12/2012 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI 24 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei 11941, de 2009, e a calculada na forma do art. 35A da Lei 8212, de 1991, acrescido pela Lei 11941, de 2009, aplicandose a penalidade mais benéfica. Vide quadro demonstrativo abaixo denominado "Planilha Comparativo de Multa" Multa de Ofício 75% Atual Art. 35A da Lei 8212/91, acrescido pela Lei 11941/ 2009, aplicada sobre as contribuições devidas à Previdência Social, apuradas no DD Discriminativo do Débito. Multa de mora de 24% Anterior Art. 35 da Lei 8212/91, anterior à redação dada pela Lei 11941/ 2009 vigente à época do fato gerador, aplicada sobre as contribuições devidas à Previdência Social, apuradas no DD Discriminativo do Débito. AIOA 68 Auto de Infração de Obrigações Acessórias, Código de Fundamentação Legal CFL 68 correspondente a 100% do valor da contribuição previdenciária devida relativa à contribuição não declarada em GFIP, apurada por competência, observado o limite mensal previsto no § 4° do art. 32 da Lei n°8.212/ 91, que considera o número total de segurados da empresa. Revogado a partir das alterações implementadas através Medida Provisória 449 de 03 de dezembro de 2008, transformada na Lei 11941 de 27 de maio de 2009 Diante do exposto, não prospera a argumentação da Recorrente. DA RECUPERAÇÃO JUDICIAL Foi colacionado aos autos informação de que o Recorrente encontrase em processo de recuperação judicial: Fl. 197DF CARF MF Impresso em 07/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/12/2012 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 12/12/2012 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 13/12/2012 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI Processo nº 12269.000389/201010 Acórdão n.º 2403001.489 S2C4T3 Fl. 186 25 Desta forma, a unidade da Receita Federal do Brasil deverá, quando da execução administrativa do julgado, ter ciência do processo de recuperação judicial a que o Recorrente está submetido com vistas às providências cabíveis. CONCLUSÃO Voto no sentido de CONHECER do recurso, NO MÉRITO, NEGAR PROVIMENTO AO RECURSO. É como voto. Paulo Maurício Pinheiro Monteiro Voto Vencedor Conselheiro Carlos Alberto Mees Stringari, Redator Designado MULTA DE OFÍCIO A divergência com o voto do relator está restrita à questão da multa de ofício aplicada na competência 11/2008. Estabelece o CTN que o lançamento reportase à data da ocorrência do fato gerador da obrigação e regese pela lei então vigente, ainda que posteriormente modificada ou revogada. Art. 144. O lançamento reportase à data da ocorrência do fato gerador da obrigação e regese pela lei então vigente, ainda que posteriormente modificada ou revogada. § 1º Aplicase ao lançamento a legislação que, posteriormente à ocorrência do fato gerador da obrigação, tenha instituído novos critérios de apuração ou processos de fiscalização, ampliado os poderes de investigação das autoridades administrativas, ou Fl. 198DF CARF MF Impresso em 07/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/12/2012 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 12/12/2012 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 13/12/2012 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI 26 outorgado ao crédito maiores garantias ou privilégios, exceto, neste último caso, para o efeito de atribuir responsabilidade tributária a terceiros. § 2º O disposto neste artigo não se aplica aos impostos lançados por períodos certos de tempo, desde que a respectiva lei fixe expressamente a data em que o fato gerador se considera ocorrido. Constatase que à época dos fatos geradores (competência 11/2008), não existia multa de ofício para as contribuições previdenciárias. Entendo que a Lei 11.941/2009 inovou. Trouxe para o ordenamento legal das contribuições previdenciárias, quando criou o artigo 35 – A na Lei 8.212/91, a multa de ofício. Art. 35A. Nos casos de lançamento de ofício relativos às contribuições referidas no art. 35 desta Lei, aplicase o disposto no art. 44 da Lei no9.430, de 27 de dezembro de 1996.(Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). No caso do presente processo, que trata de contribuições previdenciárias, em novembro de 2008, a multa de ofício não existia. Por essa inexistência à época dos fatos geradores, entendo que a multa de ofício não poderia ser aplicada Entendo ser esse motivo suficiente para determinar sua exclusão do lançamento. CONCLUSÃO Voto pela exclusão da multa de ofício da competência 11/2008. Carlos Alberto Mees Stringari Fl. 199DF CARF MF Impresso em 07/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/12/2012 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 12/12/2012 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 13/12/2012 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI
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Numero do processo: 10935.000408/2008-50
Turma: Segunda Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Sep 25 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Mon Nov 26 00:00:00 UTC 2012
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/10/2005 a 31/12/2005
CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP. CRÉDITO PRESUMIDO. FORMA DE UTILIZAÇÃO. RESSARCIMENTO OU COMPENSAÇÃO. IMPOSSIBILIDADE.
O valor do crédito presumido das contribuições PIS/Pasep e COFINS, calculados sobre o valor dos insumos adquiridos de pessoa física ou recebidos de cooperado pessoa física, utilizados na fabricação dos produtos destinados à alimentação humana ou animal, previsto no art. 8º da Lei nº 10.925, de 23 de julho de 2004, não pode ser objeto de compensação nem de ressarcimento em dinheiro. Tais créditos somente podem ser utilizados na dedução do valor devido da respectiva contribuição, calculado sobre valor das receitas tributáveis decorrentes das vendas realizadas no mercado interno no mesmo período de apuração.
Recurso ao qual se nega provimento.
Numero da decisão: 3802-001.248
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Regis Xavier Holanda - Presidente.
(assinado digitalmente)
Francisco José Barroso Rios - Relator.
EDITADO EM: 08/10/2012
Participaram, ainda, da presente sessão de julgamento, os conselheiros Bruno Maurício Macedo Curi, Cláudio Augusto Gonçalves Pereira, José Fernandes do Nascimento e Solon Sehn.
Nome do relator: FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS
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Recorrida Fazenda Nacional ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/10/2005 a 31/12/2005 CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP. CRÉDITO PRESUMIDO. FORMA DE UTILIZAÇÃO. RESSARCIMENTO OU COMPENSAÇÃO. IMPOSSIBILIDADE. O valor do crédito presumido das contribuições PIS/Pasep e COFINS, calculados sobre o valor dos insumos adquiridos de pessoa física ou recebidos de cooperado pessoa física, utilizados na fabricação dos produtos destinados à alimentação humana ou animal, previsto no art. 8º da Lei nº 10.925, de 23 de julho de 2004, não pode ser objeto de compensação nem de ressarcimento em dinheiro. Tais créditos somente podem ser utilizados na dedução do valor devido da respectiva contribuição, calculado sobre valor das receitas tributáveis decorrentes das vendas realizadas no mercado interno no mesmo período de apuração. Recurso ao qual se nega provimento. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Regis Xavier Holanda Presidente. (assinado digitalmente) Francisco José Barroso Rios Relator. EDITADO EM: 08/10/2012 AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 93 5. 00 04 08 /2 00 8- 50 Fl. 335DF CARF MF Impresso em 26/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/10/2012 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 16/ 10/2012 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 22/11/2012 por REGIS XAVIER HOLAND A 2 Participaram, ainda, da presente sessão de julgamento, os conselheiros Bruno Maurício Macedo Curi, Cláudio Augusto Gonçalves Pereira, José Fernandes do Nascimento e Solon Sehn. Relatório Tratase de recurso voluntário interposto contra decisão da 3a Turma da DRJ Curitiba (fls. 147/150), a qual, por unanimidade de votos, não acolheu as razões contidas na manifestação de inconformidade formalizada pela interessada, relativamente a pedido de ressarcimento acolhido apenas em parte pela autoridade administrativa responsável pelo exame inicial do pleito. De acordo com o relatório objeto da decisão recorrida, a lide decorre de pedido de ressarcimento de créditos do PIS/Pasep Mercado Externo, no valor de 1.952,34, apurado segundo o regime de incidência nãocumulativa, correspondente ao quarto trimestre de 2005. O pedido foi fundamentado no § 1º do art. 5º da Lei nº 10.637, de 30 de dezembro de 2002. A DRF em Cascavel/PR, por meio do Despacho Decisório de fls. 124/128, deferiu apenas parcialmente o pedido formulado, tendo reconhecido o direito creditório no montante de R$ 1.093,89. Nos termos do relatório objeto da decisão recorrida, dentre as glosas efetuadas pela autoridade administrativa não foi consentido, para fins de compensação ou de ressarcimento, o aproveitamento do crédito presumido da agroindústria relativo ao mercado externo, por entender referida autoridade que o aproveitamento do crédito presumido em tela é legalmente admitido apenas para desconto da correspondente contribuição devida. Inconformada, a interessada apresentou manifestação de inconformidade, cujos argumentos, todavia, não foram acolhidos pela primeira instância de julgamento administrativo, que indeferiu o pleito em decisão assim ementada: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/10/2005 a 31/12/2005 RESSARCIMENTO. OPERAÇÕES NO MERCADO EXTERNO. O ressarcimento em dinheiro somente poderá ser solicitado pela pessoa jurídica, após a dedução da contribuição devida e da compensação com débitos próprios, em relação às receitas decorrentes de operações para o exterior e utilizandose tão somente dos créditos básicos apurados na forma do art. 3º da Lei nºs 10.637, de 2002. CRÉDITO PRESUMIDO. NÃO CUMULATIVIDADE. FORMA DE UTILIZAÇÃO. O valor do crédito presumido previsto no art. 8º da Lei nº 10.925, de 2004, não pode ser objeto de compensação ou de ressarcimento, devendo ser utilizado somente para a dedução da contribuição apurada no regime de incidência não cumulativa. RESSARCIMENTO. JUROS EQUIVALENTES A TAXA SELIC. É incabível a incidência de juros compensatórios com base na taxa SELIC sobre valores recebidos a título de ressarcimento, por falta de previsão legal. Fl. 336DF CARF MF Impresso em 26/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/10/2012 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 16/ 10/2012 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 22/11/2012 por REGIS XAVIER HOLAND A Processo nº 10935.000408/200850 Acórdão n.º 3802001.248 S3TE02 Fl. 134 3 Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido A ciência da decisão de primeira instância ocorreu em 24/06/2011 (fls. 152). Inconformada, a interessada apresentou, em 25/07/2011 (fls. 153), o recurso voluntário de fls. 153/161, onde se insurge contra o lançamento com fundamento nos mesmos argumentos já expostos na primeira instância recursal, ou seja, alegando resumidamente o seguinte: a) que o artigo 8o da Lei no 10.925/04 reconheceu o direito ao crédito presumido em relação a algumas pessoas jurídicas ou cooperativas que produzissem produtos de origem vegetal ou animal para alimentação humana; b) que a suspensão de que trata a IN SRF no 660/2006 abarcou apenas as receitas brutas de vendas de produtos in natura, dentre eles a soja (NCM 12.01), realizadas no mercado interno por cerealistas para agroindústrias tributadas pelo lucro real; c) que, como efeito prático, a recorrente: i) com respeito à comercialização dos produtos in natura, está desobrigada de recolher as contribuições sociais sobre as vendas no mercado interno; ii) em relação à industrialização de produtos de origem vegetal, essencialmente a soja, teria direito ao crédito presumido previsto no artigo 8o da Lei 10.925/04, c/c artigo 5o, inciso I, alínea “d”, da IN 660/06, crédito este calculado sobre os insumos da industrialização e comercialização da soja; d) assim, a interessada teria direito ao crédito presumido do PIS e da COFINS sobre a receita bruta da atividade agroindustrial, no mercado interno e externo, podendo inclusive, em relação às suas exportações, utilizar os créditos para fins de compensação ou ressarcimento; nesse sentido, os créditos, embora reconhecidos, foram equivocadamente glosados pela autoridade fiscal, que autorizou sua utilização unicamente para desconto da correspondente contribuição apurada; e) ressalta que a vedação de que trata o § 2o do artigo 5o da IN 660/06, segundo o qual “é vedado às pessoas jurídicas de que tratam os incisos I a III do caput do art. 3º a utilização de créditos presumidos na forma deste artigo”, se restringe unicamente às vendas de soja realizadas com suspensão, ou seja, apenas às vendas realizadas no mercado interno; assim, tal vedação não alcançaria as exportações de produtos industrializados de origem vegetal (soja), porquanto não se está falando de vendas com suspensão, mas sim de nãoincidência; f) se contrapõe à exegese oficial que, alicerçada no artigo 8o da Lei no 10.925/04, entendeu que o crédito presumido da agroindústria relativo ao mercado externo não pode ser objeto de compensação ou ressarcimento; neste comenos, ressalta que não há incidência de contribuições sociais sobre as receitas decorrentes de exportação, a teor do disposto no artigo 149, § 2o, I, da Constituição Federal; Fl. 337DF CARF MF Impresso em 26/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/10/2012 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 16/ 10/2012 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 22/11/2012 por REGIS XAVIER HOLAND A 4 g) quanto ao direito ao aproveitamento dos créditos presumidos do PIS e da COFINS para fins de ressarcimento ou compensação, assevera que tal direito lhe é assegurado pelo artigo 17 da Lei n° 11.033/04 (que autorizou a manutenção dos créditos presumidos de PIS e COFINS decorrentes da não incidência dessas exações), bem como pelo artigo 16 da Lei n° 11.116/05 (que autorizou expressamente o ressarcimento ou a compensação, com quaisquer tributos e contribuições, do saldo credor da contribuição para o PIS e para a COFINS depois da dedução com as correspondentes exações); h) questiona o Ato Declaratório Interpretativo SRF n° 15/2005, que, ao vedar a compensação do crédito presumido do PIS e da COFINS com os tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, estaria indo de encontro ao disposto na Lei no 11.116/05; i) ressalta que o legislador objetivou desonerar o contribuinte, vedando a incidência, em cascata, do PIS e da COFINS; no caso da recorrente, considerando que suas vendas se limitam à exportação de produtos industrializados, jamais poderia usufruir de tais créditos diante da não incidência destas contribuições sociais, por vedação de um ato interpretativo que não tem o condão de contrariar dispositivo legal expresso. Com base nos argumentos em tela, requer seja dado provimento ao seu recurso, com o consequente reconhecimento do direito ao crédito presumido do PIS e da COFINS decorrente das vendas da agroindústria ao exterior, devidamente corrigido pela taxa SELIC, desde a protocolização do pedido. É o relatório. Voto Conselheiro Francisco José Barroso Rios Conforme argumentos aduzidos em seu recurso voluntário, vêse que a lide se restringe ao suposto direito de utilização, para fins de ressarcimento ou de compensação, do crédito presumido da contribuição para o PIS decorrente das vendas da agroindústria efetuadas para o exterior. O problema inerente à forma de utilização do crédito presumido da contribuição para o PIS/Pasep previsto no artigo 8o da Lei no 10.925, de 2004, já foi objeto de julgamento por esta Turma quando do exame do processo no 10945.004981/200732, julgado em 05/05/2011 (acórdão no 380200.457), da relatoria do i. Conselheiro José Fernandes do Nascimento, cujo entendimento, abaixo transcrito, também adoto como razões para decidir a presente contenda: Da forma de utilização do crédito presumido da Contribuição para o PIS/Pasep, previsto no art. 8º da Lei nº 10.925, de 2004. Preambularmente, entendo oportuno apresentar um breve resumo da evolução do tratamento legal que foi conferido a forma de utilização do crédito presumido da Contribuição para o PIS/Pasep, calculado sobre o valor dos insumos adquiridos de pessoa física ou recebidos de cooperado pessoa física e utilizados na fabricação dos produtos destinados à alimentação humana ou animal. Fl. 338DF CARF MF Impresso em 26/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/10/2012 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 16/ 10/2012 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 22/11/2012 por REGIS XAVIER HOLAND A Processo nº 10935.000408/200850 Acórdão n.º 3802001.248 S3TE02 Fl. 135 5 A instituição do referido benefício fiscal foi feita pela Lei nº 10.684, de 30 de maio de 2003, que acrescentou os §§ 10 e 11 ao art. 3º da Lei nº 10.637, de 2002. A forma de utilização do mencionado crédito presumido foi expressamente definida no § 10 do citado preceito legal, ao passo que [a] forma de apuração do seu valor foi estabelecida no § 11. Tais preceitos legais tinham a seguinte redação, in verbis: Art. 3o Do valor apurado na forma do art. 2o a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: (...) § 10. Sem prejuízo do aproveitamento dos créditos apurados na forma deste artigo, as pessoas jurídicas que produzam mercadorias de origem animal ou vegetal, classificadas nos capítulos 2 a 4, 8 a 12 e 23, e nos códigos 01.03, 01.05, 0504.00, 0701.90.00, 0702.00.00, 0706.10.00, 07.08, 0709.90, 07.10, 07.12 a 07.14, 15.07 a 15.14, 1515.2, 1516.20.00, 15.17, 1701.11.00, 1701.99.00, 1702.90.00, 18.03, 1804.00.00, 1805.00.00, 20.09, 2101.11.10 e 2209.00.00, todos da Nomenclatura Comum do Mercosul, destinados à alimentação humana ou animal poderão deduzir da contribuição para o PIS/Pasep, devida em cada período de apuração, crédito presumido, calculado sobre o valor dos bens e serviços referidos no inciso II do caput deste artigo, adquiridos, no mesmo período, de pessoas físicas residentes no País. (Revogado pela Lei nº 10.925, de 2004) (grifos não originais) §11. Relativamente ao crédito presumido referido no § 10: (Incluído pela Lei nº 10.684, de 30.5.2003) (Revogado pela Lei nº 10.925, de 2004) I seu montante será determinado mediante aplicação, sobre o valor das mencionadas aquisições, de alíquota correspondente a setenta por cento daquela constante do art. 2o ; (Incluído pela Lei nº 10.684, de 30.5.2003) (Revogado pela Lei nº 10.925, de 2004) II o valor das aquisições não poderá ser superior ao que vier a ser fixado, por espécie de bem ou serviço, pela Secretaria da Receita Federal. (Incluído pela Lei nº 10.684, de 30.5.2003) Revogado pela Lei nº 10.925, de 2004) (...). Em seguida, as formas de utilização e de cálculo do citado crédito presumido, inclusive da Cofins, passaram a ser integralmente disciplinadas no caput e nos §§ 2º e 3º do art. 8º da Lei nº 10.925, de 2004, com as alterações posteriores, que têm o seguinte teor, ipsis litteris: Art. 8o As pessoas jurídicas, inclusive cooperativas, que produzam mercadorias de origem animal ou vegetal, classificadas nos capítulos 2, 3, exceto os produtos vivos desse capítulo, e 4, 8 a 12, 15, 16 e 23, e nos códigos 03.02, 03.03, 03.04, 03.05, 0504.00, 0701.90.00, 0702.00.00, 0706.10.00, 07.08, 0709.90, 07.10, 07.12 a 07.14, exceto os códigos 0713.33.19, 0713.33.29 e 0713.33.99, 1701.11.00, 1701.99.00, 1702.90.00, 18.01, 18.03, 1804.00.00, 1805.00.00, 20.09, 2101.11.10 e 2209.00.00, todos da NCM, destinadas à alimentação humana ou animal, poderão deduzir da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins, devidas em cada período de apuração, crédito presumido, calculado sobre o valor dos bens referidos no inciso II do caput do art. 3o das Leis nos 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e 10.833, de 29 de dezembro de 2003, adquiridos de pessoa física ou recebidos de cooperado pessoa física. (Redação dada pela Lei nº 11.051, de 2004) (...) § 2o O direito ao crédito presumido de que tratam o caput e o § 1o deste artigo só se aplica aos bens adquiridos ou recebidos, no mesmo período Fl. 339DF CARF MF Impresso em 26/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/10/2012 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 16/ 10/2012 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 22/11/2012 por REGIS XAVIER HOLAND A 6 de apuração, de pessoa física ou jurídica residente ou domiciliada no País, observado o disposto no § 4o do art. 3o das Leis nos 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e 10.833, de 29 de dezembro de 2003. § 3o O montante do crédito a que se referem o caput e o § 1o deste artigo será determinado mediante aplicação, sobre o valor das mencionadas aquisições, de alíquota correspondente a: I 60% (sessenta por cento) daquela prevista no art. 2o das Leis nos 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e 10.833, de 29 de dezembro de 2003, para os produtos de origem animal classificados nos Capítulos 2 a 4, 16, e nos códigos 15.01 a 15.06, 1516.10, e as misturas ou preparações de gorduras ou de óleos animais dos códigos 15.17 e 15.18; e II 50% (cinqüenta por cento) daquela prevista no art. 2º das Leis nºs 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e 10.833, de 29 de dezembro de 2003, para a soja e seus derivados classificados nos Capítulos 12, 15 e 23, todos da TIPI; e (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) III 35% (trinta e cinco por cento) daquela prevista no art. 2º das Leis nos 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e 10.833, de 29 de dezembro de 2003, para os demais produtos. (Incluído pela Lei nº 11.488, de 2007) (...). Compulsando os preceitos legais transcritos, observase que, desde a sua instituição, o valor do referido crédito presumido somente poderia ser utilizado para fim de dedução ou abatimento do valor da Contribuição para o PIS/Pasep devido em cada período de apuração. Não consta nos referidos dispositivos legais, nem em qualquer outro diploma legal, referência a alguma outra forma distinta de utilização do referido crédito presumido que não seja, exclusivamente, mediante a dedução da contribuição devida, apurada no respectivo período. Nesse sentido, é elucidativa a parte inicial do texto do § 10 do art. 3º da Lei nº 10.637, de 2002, ao ressaltar que, “sem prejuízo do aproveitamento dos créditos apurados na forma” do regime não cumulativo, as pessoas jurídicas, inclusive cooperativas, que produzam mercadorias de origem animal ou vegetal, poderão deduzir da contribuição para o PIS/Pasep, devida em cada período de apuração, o valor do crédito presumido, calculado sobre o valor dos insumos adquiridos, no mesmo período, de pessoas físicas residentes no País, e empregados na fabricação dos produtos destinados à alimentação humana ou animal. [...] Na verdade, [...] tanto os preceitos legais revogados como os revogadores dispuseram sobre as formas de utilização e de apuração do mencionado crédito presumido, conforme dispõem, respectivamente, os §§ 10 e 11 do art. 3º da Lei nº 10.637, de 2002, e o caput e os §§ 2º e 3º do art. 8º da Lei nº 10.925, de 2004. Tratase, evidentemente, de disciplinamento legal expresso que, em face da clareza e precisão dos termos empregados, não apresenta qualquer incongruência, omissão ou ambiguidade que, ao meu ver, pudesse ensejar qualquer dúvida a respeito do conteúdo, significado e alcance jurídicos dos comandos normativos que instituíram o benefício fiscal em comento. Não se pode olvidar que, em se tratando de benefício fiscal, o texto veiculado no referido preceito legal deve ser interpretado de forma literal ou restritiva, conforme determinação contida no art. 1111 do CTN. 1 "Art. 111 Interpretase literalmente a legislação tributária que disponha sobre: Fl. 340DF CARF MF Impresso em 26/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/10/2012 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 16/ 10/2012 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 22/11/2012 por REGIS XAVIER HOLAND A Processo nº 10935.000408/200850 Acórdão n.º 3802001.248 S3TE02 Fl. 136 7 Além disso, por força do disposto no inciso II do art. 97 do CTN, a concessão de qualquer benefício fiscal que implique redução de tributo somente pode ser concedida por lei. Neste sentido, o legislador ordinário goza de plenas prerrogativas para delimitar a extensão e a forma de utilização do benefício concedido. [...] Assim, por contrariar frontalmente tais determinações legais, não tem cabimento a pretensão da Recorrente no sentido de atribuir interpretação extensiva ao disposto no art. 8º da Lei nº 10.925, de 2004 [...]. Principalmente, tendo em conta que a interpretação sistemática dos comandos legais que tratam da forma de utilização do mencionado crédito presumido [...] conduz a conclusão inarredável de que o entendimento exarado no Acórdão recorrido, com suporte no ADI SRF nº 15, de 2005, está em perfeita consonância com o tratamento legal conferido a matéria em apreço, conforme se demonstrará a seguir. Também não procede a alegação da Recorrente de que o novel disciplinamento legal, instituído pelo art. 8º da Lei nº 10.925, de 2004, visou apenas alterar a forma de apuração do valor do referido crédito, reduzindo as alíquotas aplicáveis aos valores dos insumos adquiridos de pessoa física ou recebidos de cooperado pessoa física. Na verdade, contrariando tal afirmação, verificase que os preceitos legais revogados, assim como os revogadores, disciplinaram e continuam disciplinando as formas de utilização e de apuração do mencionado crédito presumido, conforme estabelecido, respectivamente, nos §§ 10 e 11 do art. 3º da Lei nº 10.637, de 2002, e no caput e §§ 2º e 3º do art. 8º da Lei nº 10.925, de 2004. Alegou ainda a Recorrente que o direito a compensação/ ressarcimento dos créditos ordinários e presumidos da Contribuição para o PIS/Pasep, acumulados em face da imunidade e da nãocumulatividade, continuaria em pleno vigor. A alegação da Recorrente é verdadeira apenas em relação aos créditos ordinários, ou seja, aqueles apurados de acordo com o regime da nãocumulatividade, instituído no art. 3º da Lei nº 10.637, de 2002, e desde que tais créditos estejam vinculados exclusivamente à receita de exportação de mercadorias ou da prestação de serviços para o exterior, conforme expressamente determina o § 3º do art. 6º da Lei nº 10.833, de 2003, que, apesar se referir à Cofins, também se aplica à Contribuição para o PIS/Pasep nãocumulativa de que trata a Lei no 10.637, de 2002, conforme disposto no inciso III do art. 152 da Lei nº 10.833, de 2003. I suspensão ou exclusão do crédito tributário; II outorga de isenção; III dispensa do cumprimento de obrigações tributárias acessórias". 2 "Art. 15. Aplicase à contribuição para o PIS/PASEP nãocumulativa de que trata a Lei no 10.637, de 30 de dezembro de 2002, o disposto: (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) (...) III nos §§ 3º e 4º do art. 6º desta Lei; (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) (...)". Fl. 341DF CARF MF Impresso em 26/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/10/2012 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 16/ 10/2012 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 22/11/2012 por REGIS XAVIER HOLAND A 8 Em face da importância que representa para o esclarecimento da presente controvérsia, transcrevo a seguir o inteiro teor do § 3º do referido art. 6º: Art. 6o A COFINS não incidirá sobre as receitas decorrentes das operações de: I exportação de mercadorias para o exterior; II prestação de serviços para pessoa física ou jurídica residente ou domiciliada no exterior, cujo pagamento represente ingresso de divisas; (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) III vendas a empresa comercial exportadora com o fim específico de exportação. § 1o Na hipótese deste artigo, a pessoa jurídica vendedora poderá utilizar o crédito apurado na forma do art. 3o, para fins de: I dedução do valor da contribuição a recolher, decorrente das demais operações no mercado interno; II compensação com débitos próprios, vencidos ou vincendos, relativos a tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, observada a legislação específica aplicável à matéria. § 2o A pessoa jurídica que, até o final de cada trimestre do ano civil, não conseguir utilizar o crédito por qualquer das formas previstas no § 1o poderá solicitar o seu ressarcimento em dinheiro, observada a legislação específica aplicável à matéria. § 3o O disposto nos §§ 1o e 2o aplicase somente aos créditos apurados em relação a custos, despesas e encargos vinculados à receita de exportação, observado o disposto nos §§ 8o e 9o do art. 3o. (...). (grifos não originais). É oportuno esclarecer ainda que, somente dão direito ao crédito ordinário ou normal (i) os bens adquiridos de pessoa jurídica domiciliada no País e (ii) os custos e despesas incorridos, pagos ou creditados a pessoa jurídica domiciliada no País. Da mesma forma, também não dão direito a crédito o valor da aquisição de bens ou serviços não sujeitos ao pagamento da citada Contribuição. Neste sentido dispõem o inciso II do § 2º e os incisos I e II do § 3º, ambos do artigo 3º da Lei nº 10.637, de 2002 , a seguir reproduzidos: Art. 3o Do valor apurado na forma do art. 2o a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: (...) § 2o Não dará direito a crédito o valor: (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) I de mãodeobra paga a pessoa física; e (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) II da aquisição de bens ou serviços não sujeitos ao pagamento da contribuição, inclusive no caso de isenção, esse último quando revendidos ou utilizados como insumo em produtos ou serviços sujeitos à alíquota 0 (zero), isentos ou não alcançados pela contribuição. (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) § 3o O direito ao crédito aplicase, exclusivamente, em relação: I aos bens e serviços adquiridos de pessoa jurídica domiciliada no País; II aos custos e despesas incorridos, pagos ou creditados a pessoa jurídica domiciliada no País; III aos bens e serviços adquiridos e aos custos e despesas incorridos a partir do mês em que se iniciar a aplicação do disposto nesta Lei. Fl. 342DF CARF MF Impresso em 26/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/10/2012 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 16/ 10/2012 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 22/11/2012 por REGIS XAVIER HOLAND A Processo nº 10935.000408/200850 Acórdão n.º 3802001.248 S3TE02 Fl. 137 9 (...) (grifos não originais) A contrário sensu, não dão direito ao crédito normal ou ordinário os bens adquiridos de pessoas físicas, bem como o valor das aquisições de bens não sujeitos ao pagamento da respectiva Contribuição, inclusive no caso isenção. Assim, interpretados de forma sistemática o conjunto de preceitos que trata da matéria, resta indubitável que as formas de compensação e de ressarcimento, admitidas nos §§ 1º e 2º do art. 5º3 da Lei nº 10.637, de 2002, aplicamse exclusivamente aos créditos ordinários ou normais vinculados à receita de exportação, apurados segundo o regime da nãocumulativida da Contribuição para o PIS/Pasep. Por outro lado, em consonância com o disposto no § 3º do art. 6º da Lei nº 10.833, de 2003, é forçoso concluir que os crédito presumidos em apreço não podem ser utilizados para fim de compensação ou de ressarcimento em dinheiro, conforme pretendido pela Recorrente. Dessa forma, fica devidamente esclarecido que a única forma de utilização do valor do crédito presumido em apreço é apenas aquela autorizada no caput do art. 8º da Lei nº 10.925, de 2004, ou seja, exclusivamente mediante dedução do valor devido da Contribuição para o PIS/Pasep, calculado sobre valor das receitas tributáveis decorrentes das vendas realizadas no mercado interno do respectivo período de apuração. (os destaques em sublinhado não constam do original) Vale lembrar que exegese acima é plenamente aplicável à COFINS, a qual, juntamente com o PIS, é objeto de tratamento no caput do artigo 8o da Lei no 10.925/04. Chamo atenção para a parte em que o nobre relator destacou a possibilidade de utilização de compensação e ressarcimento mas unicamente em relação aos créditos “apurados de acordo com o regime da nãocumulatividade, instituído no art. 3º da Lei nº 10.637, de 2002, e desde que tais créditos estejam vinculados exclusivamente à receita de exportação de mercadorias ou da prestação de serviços para o exterior, conforme expressamente determina o § 3º do art. 6º da Lei nº 10.833, de 2003 [...]”. Portanto, aduzido direito de compensação ou ressarcimento não alcança os créditos presumidos de que trata a Lei no 10.925/04, que, conforme ressaltado, são passíveis de utilização unicamente para a dedução da correspondente contribuição devida. 3 Art. 5º A contribuição para o PIS/Pasep não incidirá sobre as receitas decorrentes das operações de: I exportação de mercadorias para o exterior; II prestação de serviços para pessoa física ou jurídica residente ou domiciliada no exterior, cujo pagamento represente ingresso de divisas; (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) III vendas a empresa comercial exportadora com o fim específico de exportação. § 1º Na hipótese deste artigo, a pessoa jurídica vendedora poderá utilizar o crédito apurado na forma do art. 3º para fins de: I dedução do valor da contribuição a recolher, decorrente das demais operações no mercado interno; II compensação com débitos próprios, vencidos ou vincendos, relativos a tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, observada a legislação específica aplicável à matéria. § 2º A pessoa jurídica que, até o final de cada trimestre do ano civil, não conseguir utilizar o crédito por qualquer das formas previstas no § 1º, poderá solicitar o seu ressarcimento em dinheiro, observada a legislação específica aplicável à matéria". Fl. 343DF CARF MF Impresso em 26/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/10/2012 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 16/ 10/2012 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 22/11/2012 por REGIS XAVIER HOLAND A 10 Quanto ao disposto no § 2o do artigo 5o da IN 660/064, segundo o qual “é vedado às pessoas jurídicas de que tratam os incisos I a III do caput do art. 3º a utilização de créditos presumidos na forma deste artigo”, entendo que a impossibilidade de utilização dos créditos presumidos da recorrente para fins de ressarcimento ou de compensação com outros tributos ocorre não exclusivamente por força do referenciado dispositivo, mas sim em vista de a norma não prever tal possibilidade, posto que restringe o emprego dos referenciados créditos para dedução da contribuição correspondente, conforme caput do artigo 8o da Lei no 10.925/04. Em outras palavras, a vedação contida na IN encontrase em conformidade com os limites para a utilização do crédito presumido definidos pelo legislador. A interessada aduziu também que o direito a aproveitamento dos créditos presumidos do PIS e da COFINS para fins de ressarcimento ou de compensação seria assegurado pelo artigo 17 da Lei n° 11.033/04, bem como pelo artigo 16 da Lei n° 11.116/05. Transcrevo os correspondentes dispositivos: Lei no 11.033/04 Art. 17. As vendas efetuadas com suspensão, isenção, alíquota 0 (zero) ou não incidência da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS não impedem a manutenção, pelo vendedor, dos créditos vinculados a essas operações. Lei 11.116/05 Art. 16. O saldo credor da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins apurado na forma do art. 3o das Leis nos 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e 10.833, de 29 de dezembro de 2003, e do art. 15 da Lei n o 10.865, de 30 de abril de 2004, acumulado ao final de cada trimestre do anocalendário em virtude do disposto no art. 17 da Lei n o 11.033, de 21 de dezembro de 2004, poderá ser objeto de: I compensação com débitos próprios, vencidos ou vincendos, relativos a tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, observada a legislação específica aplicável à matéria; ou II pedido de ressarcimento em dinheiro, observada a legislação específica aplicável à matéria. Parágrafo único. Relativamente ao saldo credor acumulado a partir de 9 de agosto de 2004 até o último trimestrecalendário anterior ao de publicação desta Lei, a compensação ou pedido de ressarcimento poderá ser efetuado a partir da promulgação desta Lei. Da leitura dos dispositivos referenciados pela suplicante vêse que os mesmos não tratam de crédito presumido, mas unicamente do desconto de créditos segundo o 4 Art. 5º A pessoa jurídica que exerça atividade agroindustrial, na determinação do valor da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins a pagar no regime de nãocumulatividade, pode descontar créditos presumidos calculados sobre o valor dos produtos agropecuários utilizados como insumos na fabricação de produtos: I destinados à alimentação humana ou animal, classificados na NCM: [...] d) nos capítulos 8 a 12, 15 e 16; (redação original) d) nos capítulos 8 a 12, e 15, exceto o código 1502.00.1; (redação dada pela IN RFB nº 977, de 14/12/2009) d) nos capítulos 8 a 12, e 15, exceto os códigos 0901.1 e 1502.00.1; (redação dada pela IN RFB nº 1.223, de 23/12/2011) [...] § 1º O direito ao desconto de créditos presumidos na forma do caput aplicase, também, à sociedade cooperativa que exerça atividade agroindustrial. § 2º É vedado às pessoas jurídicas de que tratam os incisos I a III do caput do art. 3º a utilização de créditos presumidos na forma deste artigo. Fl. 344DF CARF MF Impresso em 26/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/10/2012 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 16/ 10/2012 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 22/11/2012 por REGIS XAVIER HOLAND A Processo nº 10935.000408/200850 Acórdão n.º 3802001.248 S3TE02 Fl. 138 11 regime da não cumulatividade, previstos no artigo 3o da Leis no 10.637/02 (PIS) e 10.833/03 (COFINS), bem como no artigo 15 da Lei no 10.865/04 (PIS e COFINS incidentes na importação). Portanto, os enunciados em evidência não garantem o direito reclamado pela recorrente. No tocante ao disposto no Ato Declaratório Interpretativo SRF n° 15/2005, o qual veda expressamente a utilização do crédito presumido para fins de compensação ou ressarcimento, tal dispositivo infralegal veio somente esclarecer aquilo que a lei já trazia em seu bojo. Assim, tal norma complementar de direito tributário não desbordou de seu cunho meramente interpretativo, posto que restringiuse unicamente à sua função complementar de esclarecer e uniformizar a aplicação da norma tributária stricto senso. Para terminar, importa ressaltar que o entendimento acima está em perfeita sintonia com o seguinte julgado do Superior Tribunal de Justiça, que, ao examinar o Recurso Especial no 200900758996, assim se manifestou: TRIBUTÁRIO. RECURSO ESPECIAL. MANDADO DE SEGURANÇA. COMPENSAÇÃO. CRÉDITOS PRESUMIDOS DECORRENTES DA LEI 10.925/04 COM QUAISQUER TRIBUTOS ADMINISTRADOS PELA SECRETARIA DA RECEITA FEDERAL. CRÉDITOS NÃO PREVISTOS NA NORMA LEGAL AUTORIZADORA. ART. 11 DA LEI 11.116/05. DIREITO LÍQUIDO E CERTO NÃO EVIDENCIADO. 1. Recurso especial interposto nos autos de mandado de segurança, impetrado pela contribuinte com objetivo de ver reconhecido o direito de compensar seus créditos presumidos de PIS e de COFINS, oriundos da Lei 10.925/04, com quaisquer tributos administrados pela Receita Federal, nos termos do art. 16 da Lei 11.116/05. Aduz que são ilegais os atos regulamentares do Poder Executivo (Ato Interpretativo Declaratório 15/2005 e a Instrução Normativa SRF 660/2006) que se contrapõem a essa pretensão. 2. O direito à compensação tributária deve ser analisado à luz do princípio da legalidade estrita, em conformidade com o que dispõe o art. 170 do CTN: "A lei pode, nas condições e sob as garantias que estipular, ou cuja estipulação em cada caso atribuir à autoridade administrativa, autorizar a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda Pública". Precedentes: AgRg no Ag 1.207.543/PR, de minha relatoria, PRIMEIRA TURMA, DJe 17/06/2010; AgRg no AgRg no REsp 1012172/SP, Rel. Ministro Luiz Fux, Primeira Turma, DJe 11/5/2010; AgRg no REsp 965.419/RS, Rel. Ministro Francisco Falcão, Primeira Turma, DJe 5/3/2008. 3. Dispõe o art. 16, inciso I, da Lei 11.116/05: "O saldo credor da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins apurado na forma do art. 3º das Leis 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e 10.833, de 29 de dezembro de 2003, e do art. 15 da Lei nº 10.865, de 30 de abril de 2004, acumulado ao final de cada trimestre do anocalendário em virtude do disposto no art. 17 da Lei nº 11.033, de 21 de dezembro de 2004, poderá ser objeto de: I compensação com débitos próprios, vencidos ou vincendos, relativos a tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, observada a legislação específica aplicável à matéria". 4. A compensação autorizada pelo art. 16 da Lei 11.116/05 não contempla a utilização dos créditos presumidos disciplinados na Lei 10.925/04, o que, por si só, à luz do art. 170 do CTN, afasta o direito líquido e certo vindicado nesta impetração. 5. Além disso, a concessão de créditos presumidos pela Lei 10.925/04 tem por escopo a redução da carga tributária incidente na cadeia produtiva dos alimentos, na medida em que a venda de bens por Fl. 345DF CARF MF Impresso em 26/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/10/2012 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 16/ 10/2012 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 22/11/2012 por REGIS XAVIER HOLAND A 12 pessoa física ou por cooperado pessoa física para a impetrante (cerealista) não sofre a tributação do PIS e da COFINS, ou seja, dessa operação, pela sistemática da não cumulatividade, não há, efetivamente, tributo devido para a adquirente se creditar. 6. Essa finalidade é suficiente para diferenciar esses créditos presumidos daqueles expressamente admitidos pela Lei 11.116/05, os quais são efetivamente existentes, por decorrerem da sistemática da não cumulatividade prevista nas Leis 10.637/02, 10.833/03 e 10.865/04. Aliás, a Lei 10.637/02 (com redação incluída pela Lei 10.865/04), em seu art. 3º, § 2º, inciso II, exclui de sua sistemática o crédito derivado "da aquisição de bens ou serviços não sujeitos ao pagamento da contribuição, inclusive no caso de isenção, esse último quando revendidos ou utilizados como insumo em produtos ou serviços sujeitos à alíquota 0 (zero), isentos ou não alcançados pela contribuição". 7. Ademais, a própria Lei 10.925/04, em seus arts. 8º e 15, só prevê a utilização desses créditos presumidos para o desconto daquilo que for devido de PIS e de COFINS. 8. Portanto, os atos regulamentares expedidos pelo Poder Executivo ora impugnados pela recorrente, ao impedirem a compensação ora postulada, não inovaram no plano normativo nem contrariaram o disposto no art. 16 da Lei 11.116/05, mas, apenas explicitaram vedação que, como visto, já estava contida na legislação tributária vigente. 9. Recurso especial não provido. (STJ. Primeira Turma. Recurso Especial no 200900758996. Relator: Min Benedito Gonçalves. Data da decisão: 24/08/2010. Publicado em 31/08/2010. Decisão unânime) (grifos nossos) Da conclusão Diante das considerações acima expostas, voto para negar provimento ao recurso voluntário interposto pela recorrente. Sala de Sessões, em 25 de setembro de 2012. (assinado digitalmente) Francisco José Barroso Rios Relator Fl. 346DF CARF MF Impresso em 26/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/10/2012 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 16/ 10/2012 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 22/11/2012 por REGIS XAVIER HOLAND A
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Numero do processo: 10860.900323/2006-22
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Sep 12 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Mon Dec 03 00:00:00 UTC 2012
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 2012
OMISSÃO NO ACORDÃO. EMBARGOS DE DECLARAÇÃO ACOLHIDOS. Verificado que o acórdão recorrido deixou de se manifestar acerca de questão relacionada a erro material no preenchimento da DIPJ, acolhem-se os embargos de declaração para exame da matéria, atribuindo-lhes efeitos infringentes.
Embargos Acolhidos.
Numero da decisão: 1402-001.183
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, acolher os embargos de declaração e retificar o Acórdão 1402-00.689; atribuindo-lhe efeitos infringentes, para reconhecer o saldo negativo do IRPJ no ano-calendário de 1998 no valor de R$ 10.072,02 e homologar o direito ao crédito no montante de R$ 6.989,27; o qual deve ser adicionado ao crédito anteriormente reconhecido no valor de R$ 3.082,75.
(assinado digitalmente)
Leonardo de Andrade Couto - Presidente
(assinado digitalmente)
Moisés Giacomelli Nunes da Silva - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antônio José Praga de Souza, Carlos Pelá, Frederico Augusto Gomes de Alencar, Moisés Giacomelli Nunes da Silva, Leonardo Henrique Magalhães de Oliveira e Leonardo de Andrade Couto.
Matéria: IRPJ - restituição e compensação
Nome do relator: MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA
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EMBARGOS DE DECLARAÇÃO ACOLHIDOS. Verificado que o acórdão recorrido deixou de se manifestar acerca de questão relacionada a erro material no preenchimento da DIPJ, acolhemse os embargos de declaração para exame da matéria, atribuindo lhes efeitos infringentes. Embargos Acolhidos. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, acolher os embargos de declaração e retificar o Acórdão 140200.689; atribuindolhe efeitos infringentes, para reconhecer o saldo negativo do IRPJ no anocalendário de 1998 no valor de R$ 10.072,02 e homologar o direito ao crédito no montante de R$ 6.989,27; o qual deve ser adicionado ao crédito anteriormente reconhecido no valor de R$ 3.082,75. (assinado digitalmente) Leonardo de Andrade Couto Presidente (assinado digitalmente) Moisés Giacomelli Nunes da Silva Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antônio José Praga de Souza, Carlos Pelá, Frederico Augusto Gomes de Alencar, Moisés Giacomelli Nunes da Silva, Leonardo Henrique Magalhães de Oliveira e Leonardo de Andrade Couto. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 86 0. 90 03 23 /2 00 6- 22 Fl. 221DF CARF MF Impresso em 03/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/11/2012 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente e m 23/11/2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 12/11/2012 por MOISES GIACOMELL I NUNES DA SILVA Processo nº 10860.900323/200622 Acórdão n.º 1402001.183 S1C4T2 Fl. 0 2 Relatório O contribuinte apresentou o pedido de compensação de fl. 03 apontando saldo negativo do anocalendário de 1998, no valor de R$ 10.072,02. No decorrer do processo, assim como em memoriais entregues, o embargante esclareceu que o valor de R$ 10.072,02 indicado como saldo negativo era composto, na verdade, de R$ 9.346,66 correspondente ao ano de 1988 e R$ 725,36 de saldo negativo remanescente do ano de 1997. Os valores pretendidos compensar encontramse sintetizados no demonstrativo de 61. A autoridade fiscal reconheceu crédito de apenas R$ 3.082,75. Assim, para chegarse aos R$ 10.072,02 há uma diferença de R$ 6.989,27. Intimada do acórdão nº 1402.00.689, a parte interessada apresentou, de forma tempestiva, apresentou embargos. Aduz a embargante que há omissão nos fundamentos do acórdão embargado, pois o colegiado não teria se manifestado quanto a seguinte questão recorrida: “a contribuinte teria incorrido em mero erro equivoco material ao preencher a DIPJ/99, anobase 1998, tendo indicado o saldo negativo do ano de 1997 na linha referente as retenções sofridas no ano de 1998”. Destaca, ainda, que o colegiado teria deixado de manifestarse relação aos seguintes fundamentos: “A Recorrente apura os tributos sobre o resultado com base no lucro real. No anocalendário de 1997, foi apurado saldo negativo de IRPJ no valor originário de R$ 8.789,62 (oito mil, setecentos e oitenta e nove reais e sessenta e dois centavos). E isso porque, tendo a cooperativa apurado na declaração de ajuste IRPJ a recolher no valor de R$ 15.285,03, valor este suportado pelas estimativas procedidas, as retenções na fonte sofridas, equivalentes a R$ 8.789,62, dão origem exatamente ao saldo negativo acima narrado. ... Esclareçase, no entanto, que ao preencher a DIPJ correspondente, a Recorrente equivocouse na identificação daqueles valores, conforme se depreende do quadro comparativo abaixo, o qual desde já se requer seja aceito como retificadora da declaração originalmente enviada.” Fl. 222DF CARF MF Impresso em 03/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/11/2012 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente e m 23/11/2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 12/11/2012 por MOISES GIACOMELL I NUNES DA SILVA Processo nº 10860.900323/200622 Acórdão n.º 1402001.183 S1C4T2 Fl. 0 3 “Tenhase que a despeito da ficha 08 da DIPJ do AC 97 indicar como saldo negativo 19,19, tenhase que tal realidade decorre exclusivamente da ausência de indicação do IRRF na linha 15, por equivoco, o qual está perfeitamente indicado na ficha 09 daquela mesma declaração acima citada. ... Temse, no entanto que, considerandose as compensações procedidas pela Recorrente do saldo negativo do AC 1997 correspondente a R$ 8.798,62 com os recolhimentos por estimativa do AC 1998 do qual foram utilizados R$ 8.073,26, resultaram em Imposto de Renda pago por antecipação (via pagamento e compensação), corresponde a R$ 10.505,79 e não R$ 2.432,53 (como havia sido declarado originalmente). Vejase os termos nos quais deveria ter sido apresentada a DIPJ: Tenhase ainda, que a despeito da Recorrente indicar como saldo negativo o R$ 10.072,02 na DCOMP correspondente, deixou de explicitar a composição daquele, que representa a soma do saldo negativo do anocalendário de 1998, correspondente a R$ 9.346,66 ao remanescente do saldo negativo do anocalendário de 1997, correspondente a R$ 725,36, mas apenas por mero erro material decorrente do equivoco no preenchimento da DIPJ correspondente, solicitandose o processamento da retificação daquela declaração nos termos acima.” Os embargos foram admitidos, conforme despacho de fls. 110. É o relatório. Fl. 223DF CARF MF Impresso em 03/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/11/2012 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente e m 23/11/2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 12/11/2012 por MOISES GIACOMELL I NUNES DA SILVA Processo nº 10860.900323/200622 Acórdão n.º 1402001.183 S1C4T2 Fl. 0 4 Voto Conselheiro Moisés Giacomelli Nunes da Silva, Relator. Os embargos interpostos no dia 24/10/2011 (segundafeira), às fls. 191196, são tempestivos (ciência em 17/10/2011), e atendem os preceitos regimentais (art. 64, inciso I do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF 256/2009). Na sessão de 09 de agosto de 2012, por meio do acórdão nº 140200.175, de minha relatoria, este colegiado firmou entendimento que pode ser sintetizado na seguinte ementa: DCTF. INSTRUMENTO HÁBIL À CONSTITUIÇÃO DE CRÉDITO TRIBUTÁRIO. RETIFICAÇÃO. PRAZO QUINQUENAL. O débito confessado por meio de DCTF só pode ser alterado mediante retificação desta, que deve ocorrer no prazo de cinco anos. A DCTF entregue pelo sujeito passivo se constitui em instrumento por meio do qual o contribuinte informa o valor do crédito tributário apurado em favor do Fisco. Havendo erro na apuração a parte interessada tem prazo de cinco anos para retificála. O prazo quinquenal de que trata o artigo 149, parágrafo único, do CTN, é aplicável tanto ao Fisco quanto do contribuinte. Decorrido o prazo de cinco anos não é lícito ao sujeito passivo retificar a DCTF para alterar o valor apurado no passado, objetivando diminuir o imposto a pagar e fazer aflorar créditos a serem utilizados por meio de compensação. COMPENSAÇÃO. NECESSIDADE DA EXISTÊNCIA DE CRÉDITO. A compensação pressupõe a existência de crédito do devedor para com o credor. No momento em que o sujeito passivo não retificou a DCTF, antes do prazo decadencial, não fez com que se materializasse o valor pago a maior, cujo montante pretende utilizar, mediante compensação, para extinguir outros débitos. (acórdão 1402001.175). O julgamento acima estava relacionado à situação na qual o sujeito passivo tinha apurado crédito tributário adotando base de cálculo de 32% e, posteriormente, quando decorrido mais de cinco anos, retificou as DIPJ para adotando base de calculo de 8%. No caso dos autos, o acórdão embargado seguiu a mesma linha de entendimento contido na ementa acima transcrita. Contudo, segundo a embargante, a situação é diferente. Argumenta a parte interessada que houve mero equivoco material ao preencher a DIPJ/99, anobase 1998, tendo indicado o saldo negativo do ano de 1997 na linha referente às retenções sofridas no ano de 1998”. Neste contexto, os embargos devem ser conhecidos para, mediante análise, emitir juízo de valor acerca da existência ou não de erro material. Observo que no caso dos autos, pelo que se extrai dos embargos, não há pretensão de alteração de matéria tributável, base de cálculo ou inclusão de elemento que já deveria ter sido inserido na declaração original. Fl. 224DF CARF MF Impresso em 03/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/11/2012 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente e m 23/11/2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 12/11/2012 por MOISES GIACOMELL I NUNES DA SILVA Processo nº 10860.900323/200622 Acórdão n.º 1402001.183 S1C4T2 Fl. 0 5 Na Ficha 09 da DIPJ do anocalendário de 1997 (fl. 119), a recorrente apurou base de cálculo no valor de R$ 101.900,26, imposto devido no valor de R$ 15.285,03, estimativas no valor de R$ 15.304,22, IRRF no valor de R$ 12.832,99, IRPJ a pagar no valor de –R$ 12.858,18 e CSLL a pagar no valor de –R$ 10,22. Porém, na folha de rosto da declaração e, segundo a autoridade fiscal, também na Ficha 08, valor do IRPJ a pagar constou como sendo –R$ 19,19. O valor da CSLL foi registrado de forma correta. Do imposto devido em 1997, R$ 4.034,37 foram pagos na forma indicada no livro razão, conforme quadro que extraio da fl. 154. Identificado o saldo negativo de 1997, no valor de R$ 8.798,62, resta analisar os demais pontos. Ao apresentar a DIPJ retificadora de fls. 40 e seguintes, relativa ao ano calendário de 1988, a recorrente informou na linha 13 da Ficha 13 IRRF o valor de R$ 18.145,28. Questionada acerca da origem deste valor a recorrente esclareceu que: a) R$ 9.346,66 seria correspondente a IRRF no ano de 1998 e R$ 8.798,22 referente a saldo negativo de período anterior (9.346,66 + 8.798,62 = 18.145,28). Na verdade, o período anterior a que se referia a embargante era o ano de 1997. Apesar de estarmos tratando de retificação, a recorrente cometeu novo erro. Registrou em uma única linha o IRRF em 1998 (R$ 9.346,66) e o saldo negativo de ano de 1997 (R$ 8.798,62 8. Neste sentido visualizamos os valores abaixo: O informe de rendimentos existentes à fl. 37, no ano de 1998, indica IRRF no valor de 11.156,27. A Ficha 13 da DIPJ (fl. 51) registra imposto apurado no valor de R$ 10.505,79, com R$ 2.432,28 pago por estimativa. Se somarmos o IRRF com o recolhimento por estimativa temse R$ 13.588,55 (11.156,27 + 2.432,28 = 13.588,55), que diminuído do valor do imposto devido resulta em crédito, em favor da contribuinte, no valor de R$ 3.082,10, já reconhecido pela decisão recorrida. Fl. 225DF CARF MF Impresso em 03/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/11/2012 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente e m 23/11/2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 12/11/2012 por MOISES GIACOMELL I NUNES DA SILVA Processo nº 10860.900323/200622 Acórdão n.º 1402001.183 S1C4T2 Fl. 0 6 Das questões até aqui expostas resulta a seguinte indagação: O que deve prevalecer: A apuração feita na Ficha 09 da DIPJ onde a parte recorrente informa a base de cálculo e apura o valor do imposto a pagar (fl. 119) ou o valor especificados no recibo de entrega de fl. 118, onde consta R$ 19,19?. Não há dúvida que deve prevalecer o procedimento pelo qual se apura o efetivo imposto devido. Neste sentido temse o seguinte quadro: Saldo negativo ano 1997 8.798,62 8.798,62 Imposto devido em 1998 10.505,79 IRRF em 1998 (fl. 37) 11.156,27 Estimativas em 1988 2.432,53 Saldo negativo em 1998 3.082,10 Soma do saldo negativo de 1997 e 1998 11.880,72 Ocorre que o saldo negativo de 1998 no valor de R$ 3.082,10 já foi considerado pela decisão “a quo”. Neste sentido os embargos de declaração destinamse a reconhecer somente o crédito de 1997, no valor de R$ 8.798,62. A recorrente, nos erros que praticou, ao preencher a DIPJ, apanhou o saldo negativo de 1997 R$ 8.798,62 e somou aos R$ 9.346,66 que tinha lançado como IRRF em 1998. (8.798,62 + 9.346,66 = R$ 18.145,28). Ocorre que o IRRF não era de R$ 9.347,66 e nem de 18.145,28, lançados a título de IRRF, mas sim de R$ 11.156,27 e, na DIPJ, não podia ter sido adicionado ao saldo do exercício anterior. Tendo por norte que no decorrer do processo, assim como em memoriais entregues e na sustentação oral o embargante esclareceu que o valor de R$ 10.072,02 indicado como saldo negativo era composto, na verdade, de R$ 9.346,66 correspondente ao ano de 1988 e R$ 725,36 de saldo negativo remanescente do ano de 1997, considerando que a autoridade fiscal já reconheceu o valor de R$ 3.082,75, estes embargos devem ser acolhidos para reconhecimento da diferença de R$ 6.989,27 (3.082,75 + 6.989,27 = 10.072,02). ISSO POSTO, voto no sentido de acolher os embargos de declaração e retificar o acórdão 140200689, atribuindolhes efeitos infringentes para reconhecer o saldo negativo do anocalendário de 1998 no valor de 10.072,02 e homologar o direito ao crédito no montante de R$ 6.989,27; o qual deve ser adicionado ao crédito anteriormente reconhecido no valor de R$ 3.082,75. (assinado digitalmente) Moisés Giacomelli Nunes da Silva Fl. 226DF CARF MF Impresso em 03/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/11/2012 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente e m 23/11/2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 12/11/2012 por MOISES GIACOMELL I NUNES DA SILVA
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Numero do processo: 11052.001142/2010-85
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Dec 05 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Tue Feb 26 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2006
SUSPENSÃO DE ISENÇÃO.
As alegações contra a suspensão da isenção devem ser discutidas no processo relativo ao ato declaratório suspensivo e não podem ser examinadas em impugnação ou recurso ao decorrente auto de infração.
DESPESAS DE SERVIÇOS. COMPROVAÇÃO.
Deve ser glosada a dedução de despesas relativas a serviços cuja efetiva prestação não foi confirmada.
CSLL. DECORRÊNCIA.
Estendem-se ao lançamento decorrente as conclusões da decisão prolatada no lançamento principal.
Numero da decisão: 1402-001.288
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Leonardo de Andrade Couto - Presidente.
(assinado digitalmente)
Frederico Augusto Gomes de Alencar - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Antônio José Praga de Souza, Carlos Pelá, Frederico Augusto Gomes de Alencar, Moises Giacomelli Nunes da Silva, Leonardo Henrique Magalhães de Oliveira e Leonardo de Andrade Couto.
Nome do relator: FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2006 SUSPENSÃO DE ISENÇÃO. As alegações contra a suspensão da isenção devem ser discutidas no processo relativo ao ato declaratório suspensivo e não podem ser examinadas em impugnação ou recurso ao decorrente auto de infração. DESPESAS DE SERVIÇOS. COMPROVAÇÃO. Deve ser glosada a dedução de despesas relativas a serviços cuja efetiva prestação não foi confirmada. CSLL. DECORRÊNCIA. Estendem-se ao lançamento decorrente as conclusões da decisão prolatada no lançamento principal.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 7; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1746; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C4T2 Fl. 1.647 1 1.646 S1C4T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 11052.001142/201085 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 1402001.288 – 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 5 de dezembro de 2012 Matéria IRPJ Recorrente FUNDAÇÃO DE APOIO À UNIVERSIDADE DO RIO DE JANEIRO UNIRIO FURJ Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2006 SUSPENSÃO DE ISENÇÃO. As alegações contra a suspensão da isenção devem ser discutidas no processo relativo ao ato declaratório suspensivo e não podem ser examinadas em impugnação ou recurso ao decorrente auto de infração. DESPESAS DE SERVIÇOS. COMPROVAÇÃO. Deve ser glosada a dedução de despesas relativas a serviços cuja efetiva prestação não foi confirmada. CSLL. DECORRÊNCIA. Estendemse ao lançamento decorrente as conclusões da decisão prolatada no lançamento principal. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Leonardo de Andrade Couto Presidente. (assinado digitalmente) Frederico Augusto Gomes de Alencar Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 05 2. 00 11 42 /2 01 0- 85 Fl. 1647DF CARF MF Impresso em 26/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/02/2013 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 06/02/2013 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 26/02/2013 por LEONA RDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 11052.001142/201085 Acórdão n.º 1402001.288 S1C4T2 Fl. 1.648 2 Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Antônio José Praga de Souza, Carlos Pelá, Frederico Augusto Gomes de Alencar, Moises Giacomelli Nunes da Silva, Leonardo Henrique Magalhães de Oliveira e Leonardo de Andrade Couto. Fl. 1648DF CARF MF Impresso em 26/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/02/2013 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 06/02/2013 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 26/02/2013 por LEONA RDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 11052.001142/201085 Acórdão n.º 1402001.288 S1C4T2 Fl. 1.649 3 Relatório A Fundação de Apoio à Universidade do Rio de Janeiro UNIRIO FURJ recorre a este Conselho contra decisão de primeira instância proferida pela 1ª Turma da DRJ Rio de Janeiro 01/RJ, pleiteando sua reforma, com fulcro no artigo 33 do Decreto nº 70.235 de 1972 (PAF). Por pertinente, transcrevo o relatório da decisão recorrida (verbis): “Cuida o presente processo dos autos de infração de fls. 1.308/1.321, lavrados em 09.12.2010, pela DRF Rio de Janeiro 1 RJ, contra Fundação de Apoio à Universidade do Rio de Janeiro Unirio FURJ, relativos ao ano calendário 2006, para exigir o Imposto sobre a Renda da Pessoa Jurídica – IRPJ no valor de R$ 5.312.164,87 e a Contribuição Social sobre o Lucro Líquido – CSLL no valor de R$ 1.921.019,35, acrescidos de multa proporcional de 75% e de juros de mora. Conforme Termo de Verificação de fls. 1.277/1.283, os lançamentos decorreram da suspensão da isenção prevista no artigo 174 do RIR/99 (REGULAMENTO DO IMPOSTO DE RENDA , APROVADO PELO DECRETO Nº 3.000/99), determinada pelo Ato Declaratório Executivo nº 417, de 30.07.2010 (fls. 115/116). De acordo com a Notificação Fiscal de 19.04.2010 (fls. 43/45), a perda do benefício fora motivada pela constatação de que o autuado descumprira os requisitos para o gozo da isenção, estabelecidos nos artigos 170 e 174 do RIR/99, tendo em vista que ele não logrou comprovar a efetividade de serviços que lhe foram prestados por 17 pessoas jurídicas, por meio da apresentação de documentação hábil, tal como projetos, plantas, relatórios, identificação das pessoas que executaram os serviços e nome das pessoas com as quais eram f eitos os contratos. Diante do afastamento da isenção e considerando que o autuado não apurara o lucro real, a fiscalização efetuou o demonstrativo de receitas e despesas e, após excluir as receitas de período anterior e as despesas relativas aos serviços cuja efetividade não fora comprovada, apurou o lucro líquido e o real e constituiu o crédito tributário (f ls. 1.282/1.283 e 1.284/1.307). Cientificado das autuações por meio de edital publicado em 12.01.2011 (fls. 1.478/1.479), o autuado apresentou, em 17.01.2011, as impugnações de fls. 1.373/1.412 e 1.413/1.457, com as seguintes alegações, em síntese: a) Foi instituída como fundação de direito privado, sem fins lucrativos, para desenvolver projetos de apoio à Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro Unirio, bem como outros de cunho educacional, assistencial e desenvolvimento institucional, inclusive com terceiros, como se observa pelo art. 2° de seu estatuto; b) Durante o procedimento, demonstrou que não transgrediu o art. 14 do CTN, não se sustentando a perda da imunidade, no entanto, foi editado o ato declaratório suspendendo sua isenção tributária; c) Não houve ciência pessoal do ato declaratório, em desrespeito ao Decreto nº 70.235/72; Fl. 1649DF CARF MF Impresso em 26/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/02/2013 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 06/02/2013 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 26/02/2013 por LEONA RDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 11052.001142/201085 Acórdão n.º 1402001.288 S1C4T2 Fl. 1.650 4 d) A intimação de 19.04.2010 também foi irregular, pois a recepcionista Bruna não possuía vínculo com o autuado e, assim, não poderia recebêla; e) Apesar de ter pedido efeito suspensivo na impugnação ao ato declaratório de suspensão da isenção, foram lavrados os autos de infração, sem ser comunicada sobre o acolhimento ou rejeição da impugnação; f) A ciência dos autos de infração deveriam ser feitas por edital, já que o autuado não foi encontrado, em virtude de mudança de endereço. Tal falha violou o devido processo legal e o princípio do contraditório e da ampla defesa, ensejando a nulidade processual; g) Discorre sobre a observância de princípios legais, a interpretação das regras, a proibição de excesso, a proporcionalidade, a discricionariedade, a verdade material e a segurança jurídica, dentre outros, e cita doutrina; h) Não é correta a conclusão da fiscalização de que os serviços pagos pelo autuado não teriam sido efetivamente prestados, pois as notas fiscais são suficientes para a comprovação, mesmo na ausência de relatórios ou outros documentos relativos aos serviços, conforme jurisprudência citada, motivo pelo qual as despesas não podiam ser glosadas; i) Os termos de verificação da fiscalização adotaram certo subjetivismo na análise, seja ao desconsiderar a atestação da nota fiscal, seja ao se basear no fato de as empresas prestadoras estarem irregulares; j) Diante da mudança de gestão, da dificuldade financeira e da falta de funcionários, o autuado não dispunha de técnicos competentes para atender aos minuciosos pedidos de documentos formulados pela fiscalização, obstáculo que agravouse em virtude de muitos documentos estarem sob a posse de antigos parceiros, principalmente, a Unirio; k) São imunes as receitas das instituições sem fins lucrativos que promovem atividades de interesse da sociedade, conforme artigo 150, inciso VI, alínea “c”, da Constituição Federal, desde que cumpridos os requisitos estabelecidos no art. 14 do CTN, incluindo as receitas provenientes de todas as atividades previstas no estatuto social e necessárias à manutenção do objetivo social; Em 2006, a atividade realizada pelo autuado teve clara correlação com as finalidades estatutárias; l) A competência para o controle da legalidade dos convênios celebrado entre o autuado e entidades públicas é do Tribunal de Contas, assim sendo, a fiscalização não podia considerar irregulares atos praticados pelo autuado e, se houvesse dúvidas, o que caberia seria investigar a pessoa jurídica que recebeu o serviço prestado pelo autuado; m) É inconstitucional a lei ordinária ou o decreto que fixe requisitos para a fruição da imunidade tributária, que só podem ser estabelecidos por lei complementar, por força dos art. 146, II, e 150, VI, c, da Constituição, razão pela qual só devem ser examinadas as condições previstas no art. 14 do CTN, que foram observadas pelo autuado; n) A Lei nº 9.532/97 (art. 12) e o RIR/99 Regulamento do Imposto de Renda, aprovado pelo Decreto nº 3.000/99 (art. 170) violam a norma constitucional quando exigem requisitos além dos elencados no CTN; o) A Lei nº 9.532/97 (art. 15) estende a isenção à CSLL; Fl. 1650DF CARF MF Impresso em 26/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/02/2013 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 06/02/2013 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 26/02/2013 por LEONA RDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 11052.001142/201085 Acórdão n.º 1402001.288 S1C4T2 Fl. 1.651 5 p) Finaliza, pedindo que seja concedido efeito suspensivo à impugnação, que sejam reconsideradas as alegações e provas apresentadas em 11.06.2010, que seja apreciada a impugnação apresentada em 05.11.2010 e que sejam declarados nulas todas as intimações realizadas em desacordo com o Decreto nº 70.235/72, iniciando pela Notificação de 19.04.2010, tornando ineficaz os atos posteriores e revogando o ato declaratório suspensivo da isenção; É o relatório.” A decisão de primeira instância, representada no Acórdão da DRJ nº 12 41.596 (fls. 1.5521.558) de 20/10/2011, por unanimidade de votos, considerou procedente o lançamento. A decisão foi assim ementada. “Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Anocalendário: 2006 SUSPENSÃO DE ISENÇÃO. As alegações contra a suspensão da isenção devem ser discutidas na impugnação ao ato declaratório suspensivo e não podem ser examinadas na impugnação ao decorrente auto de infração. DESPESAS DE SERVIÇOS. COMPROVAÇÃO. Deve ser glosada a dedução de despesas relativas a serviços cuja efetiva prestação não foi confirmada. CSLL. DECORRÊNCIA. Estendemse ao lançamento decorrente as conclusões da decisão prolatada no lançamento principal.” Contra a aludida decisão, da qual foi cientificada em 24/11/2011 (Termo de fl.1.565) a interessada interpôs recurso voluntário em 23/12/2011 (fls. 1.5931.617) onde repisa os argumentos apresentados em sua Impugnação. É o relatório. Fl. 1651DF CARF MF Impresso em 26/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/02/2013 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 06/02/2013 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 26/02/2013 por LEONA RDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 11052.001142/201085 Acórdão n.º 1402001.288 S1C4T2 Fl. 1.652 6 Voto Conselheiro Frederico Augusto Gomes de Alencar. O recurso voluntário reúne os pressupostos de admissibilidade previstos na legislação que rege o processo administrativo fiscal. Dele, portanto, tomo conhecimento. Em consonância com o rito processual estabelecido pelo artigo 32 da Lei nº 9.430/96, o autuado apresentou, em 05.11.2010, suas razões de defesa contra a suspensão da isenção determinada pelo Ato Declaratório Executivo nº 417/2010, formalizado no processo administrativo nº 11052.000316/201092, por meio da impugnação de fls. 1.510/1.533, que foi apreciada pela DRJ Rio de Janeiro 01/RJ, que proferiu o Acórdão nº 1236.815, de 19.04.2011 (fls. 1.534/1.551), negando provimento à impugnação. Assim sendo, todas as alegações contra a suspensão da isenção, sejam elas de cunho formal ou material, deviam ser trazidas naquela etapa processual, precluindo o direito de discutilas no presente processo, que trata de auto de infração decorrente da suspensão aludida. Passo, então, a apreciar as demais alegações. A lavratura dos autos de infração em momento anterior ao da ciência da decisão que julgou a impugnação ao ato declaratório não foi irregular, como afirmou o autuado. A leitura dos parágrafos 6º e 8º do artigo 32 da Lei nº 9.430/96 deixa claro que, uma vez editado o ato declaratório suspendendo a imunidade ou a isenção, a lavratura do auto de infração não deve aguardar o julgamento da impugnação ao ato declaratório, pois ela não tem efeito suspensivo, até porque, se não fosse assim, certamente decairia o direito de constituição do crédito tributário. Quanto à ciência dos autos de infração, não há controvérsia, pois ela foi realizada exatamente da forma invocada na defesa: por edital. E assim foi, justamente com o intuito de resguardar o direito ao contraditório, já que o aviso de recebimento (AR) havia retornado com a atestação da ciência (fl. 1.475) mas, posteriormente, o envelope foi devolvido com recusa de recebimento (fls. 1.490/1.491). Com relação à glosa das despesas de serviços, entendo, assim como entendido na decisão recorrida, que as notas fiscais das empresas prestadoras não são suficientes para confirmar a efetividade dos serviços, no presente caso. Diante da dúvida sobre a existência dos serviços, derivada dos fatos apontados no Termo de Verificação de fls. 1.277/1.283 e na Notificação Fiscal de fls. 43/45, cabia ao autuado exibir documentos capazes de confirmálos. Assim, foi a Interessada intimada por mais de uma vez a apresentar documentação tal como projetos, plantas, relatórios, identificação das pessoas que executaram os serviços e nome das pessoas com as quais eram feitos os contratos. Nas palavras do julgador de primeira instância “Se os serviços realmente tivessem sido prestados, certamente seria grande a quantidade de documentos relativos a eles e seria muito fácil reunir os documentos e apresentálos à fiscalização”. Como o autuado não os apresentou, seja durante o procedimento Fl. 1652DF CARF MF Impresso em 26/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/02/2013 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 06/02/2013 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 26/02/2013 por LEONA RDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 11052.001142/201085 Acórdão n.º 1402001.288 S1C4T2 Fl. 1.653 7 fiscal, seja em sede de impugnação ou recurso, é forçoso concluir que os serviços não aconteceram. A respeito do assunto, cito dois acórdãos deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais: "PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS Somente são admitidas, como operacionais , as despesas com prestação deserviços, quando efetivamente comprovada a sua realização, não bastando como elemento probante apenas a apresentação de notas fiscais, mormente quando com descrição insuficiente dos serviços supostamente prestados (Ac. 1° CC 10311.926/92 DO 18/08/92). PROVA DA PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS – Somente são admitidas, como operacionais, as despesas com prestação de serviços quando efetivamente provada a sua realização, não bastando como elemento probante apenas a apresentação de contrato e notas fiscais que nada especificam (Ac. 1° CC 10311.219/91 DO 17/01/92) ” Ao lançamento da CSLL, que decorreu dos mesmos fatos, aplicase a mesma conclusão do lançamento principal, em virtude da relação de causa e efeito que os une. Por fim, esclareço que a impugnação e recurso apresentados no presente processo já produzem o efeito suspensivo em relação às exigências de IRPJ e CSLL, peliteado pela recorrente. Em face do exposto, VOTO por negar provimento ao recurso voluntário apresentado. (assinado digitalmente) Frederico Augusto Gomes de Alencar Relator. Fl. 1653DF CARF MF Impresso em 26/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/02/2013 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 06/02/2013 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 26/02/2013 por LEONA RDO DE ANDRADE COUTO
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Numero do processo: 16643.720017/2011-12
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Nov 07 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Fri Dec 21 00:00:00 UTC 2012
Numero da decisão: 1402-000.152
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento do recurso em diligência, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Leonardo de Andrade Couto Presidente
(assinado digitalmente)
Antônio José Praga de Souza Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antônio José Praga de Souza, Carlos Pelá, Frederico Augusto Gomes de Alencar, Moises Giacomelli Nunes da Silva, Leonardo Henrique Magalhães de Oliveira e Leonardo de Andrade Couto.
Nome do relator: Não se aplica
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento do recurso em diligência, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. (assinado digitalmente) Leonardo de Andrade Couto Presidente (assinado digitalmente) Antônio José Praga de Souza Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antônio José Praga de Souza, Carlos Pelá, Frederico Augusto Gomes de Alencar, Moises Giacomelli Nunes da Silva, Leonardo Henrique Magalhães de Oliveira e Leonardo de Andrade Couto.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento do recurso em diligência, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. (assinado digitalmente) Leonardo de Andrade Couto – Presidente (assinado digitalmente) Antônio José Praga de Souza – Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antônio José Praga de Souza, Carlos Pelá, Frederico Augusto Gomes de Alencar, Moises Giacomelli Nunes da Silva, Leonardo Henrique Magalhães de Oliveira e Leonardo de Andrade Couto. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 66 43 .7 20 01 7/ 20 11 -1 2 Fl. 915DF CARF MF Impresso em 24/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/11/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 28/ 11/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 20/12/2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 16643.720017/201112 Resolução nº 1402000.152 S1C4T2 Fl. 916 2 Relatório NORMUS EMPREENDIMENTOS E PARTICIPACOES LTDA. recorre a este Conselho contra a decisão de primeira instância administrativa, que julgou procedente a exigência, pleiteando sua reforma, com fulcro no artigo 33 do Decreto nº 70.235/1972(PAF). Transcrevo e adoto o relatório da decisão recorrida: Em decorrência de ação fiscal levada a efeito junto ao contribuinte acima identificado e, em razão de irregularidades apuradas, foram lavrados 2 (dois) Autos de Infração, em 29/09/2011, com ciência dada em 30/09/2011. Os créditos tributários constituídos foram: IRPJ R$99.978.508,03 e CSLL R$36.010.597,82. 2. Totalizaram, portanto, tais lançamentos, a importância de R$135.989.105,85, aí incluídos os valores dos tributos, das multas de ofício e dos juros de mora (estes calculados até 31/08/2011). Os enquadramentos legais utilizados para fundamentar as autuações encontramse nos respectivos autos de infração. 3. Os autos foram lavrados em decorrência de irregularidades apuradas com respeito à tributação de lucros apurados no exterior por controlada. 4. A fiscalização apresenta, por meio do “Termo de Verificação Fiscal” (TVF), resumidamente, o seguinte. 4.1. A “Normus Empreendimentos e Participações Ltda” (Normus) foi constituída, 06/12/2001, por duas pessoas físicas e, em 17/12/2002, as quotas foram adquiridas, dentre elas 97 pela “Votorantim Exportadora e Participações S.A.” e 2 pela “Votorantim Celulose e Papel S.A”. 4.2. O objeto social da empresa é: “participação, como sócia, acionista ou quotista, em outras sociedades civis ou comerciais e em empreendimentos comerciais de qualquer natureza, e a administração de bens próprios”. 4.3. A Normus constituiu, em 2002, a empresa “VCP Overseas Holding Kft”, localizada em Budapeste (Hungria) com filial na Suíça e escritório em Hong Kong, visando centralizar as operações internacionais da Votorantim Celulose e Papel S.A., controladora da Normus. A empresa VCP, pelo objeto social, se caracteriza como sendo uma “Holding”. 4.4. A fiscalização, com análise dos dados apresentados, concluiu que: “se trata de mera sociedade destinada exclusivamente a se aproveitar de acordo para evitar dupla tributação entre o Brasil e a Hungria, podendo ter sido constituída em qualquer outro lugar do planeta”. 4.5 Informa que pelas demonstrações financeira da VCP, somente 16% do resultado foi apurado nas operações desenvolvidas na Hungria e, mesmo assim, efetuado dentro do grupo empresarial, o que poderia ser concretizado em qualquer outro país. Fl. 916DF CARF MF Impresso em 24/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/11/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 28/ 11/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 20/12/2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 16643.720017/201112 Resolução nº 1402000.152 S1C4T2 Fl. 917 3 4.6. Foi apurado que o contribuinte não ofereceu à tributação o resultado da sua controlada VCP na Hungria. Foi apurada a variação do patrimônio líquido da VCP para, por meio dela, tributar o lucro apurado no anocalendário de 2007 da VCP e refletido na controladora Normus. O valor apurado e tributado foi: DESCRIÇÃO ANO US$ TX R$ Capital/Lucro Acum. 31/12/06 474.924.192,90 2,1380 1.015.387.924,42 31/12/07 474.924.192,90 1,7713 841.233.222,88 Variação Cambial (174.154.701,54) Lucro Ano 2007 204.766.398,59 1,7713 362.702.721,82 Avaliação Patri.Líqui 188.548.020,28 4.7. A fiscalização declara que, como não houve o oferecimento do lucro no exterior até o segundo anocalendário subseqüente ao de sua apuração, eventual imposto pago no exterior à época não poderá ser compensado com o tributo devido no Brasil, conforme previsto no artigo 395 do RIR/99. 4.8. O enquadramento utilizado foi: artigo 74 da MP 2.15835/2001 e artigos: 1º; 4º e 7º da IN SRF nº 213/2002. 4.9. Quanto ao enquadramento, a fiscalização informa que o artigo 74 da MP nº 2.15835/2001 definiu o momento da disponibilização dos lucros, para determinação da base de cálculo do IRPJ e da CSLL, nos termos do artigo 25 da Lei nº 9.249/95, ou seja, na data da apuração do balanço de 31 de dezembro. E, com isso revogou tacitamente o § 6º, deste artigo 25, que previa que o resultado da avaliação dos resultados no exterior, pelo método da equivalência patrimonial, não seria tributável. 4.10. Logo, o artigo 7º da IN SRF nº 213/2002 que determina a adição, à base de cálculo do IRPJ e da CSLL, dos resultados positivos da equivalência patrimonial em investimentos no exterior está regulamentando a revogação tácita do parágrafo 6º do artigo 25 da Lei nº 9.249/95. Diz que “Não haverá duplicidade ou bis in idem, já que a tributação do resultado positivo da equivalência traduz a tributação do lucro apurado por intermédio das coligadas ou controladas estrangeiras, tornando efetiva a regra vinculada à apuração desses lucros. Portanto, neste particular, a referida instrução normativa não inovou, pois apenas cumpriu o comando estabelecido pela aludida Medida Provisória”. 4.11. Quanto às operações da VCP, a fiscalização informa que “a única receita da empresa húngara é referente a operações financeiras (intra grupo), sendo as operações comerciais levadas a cabo em sua filial sediada na Suíça, país com o qual o Brasil não detém acordo para evitar a Dupla Tributação”. 4.12. Quanto ao tratado contra bitributação a fiscalização declara que: Cabenos, desde logo, destacar que não se deve confundir a tributação das coligadas e controladas no exterior que apresentem lucro, com a questão da tributação no controlador brasileiro dos lucros auferidos no exterior em coligadas e controladas; Fl. 917DF CARF MF Impresso em 24/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/11/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 28/ 11/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 20/12/2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 16643.720017/201112 Resolução nº 1402000.152 S1C4T2 Fl. 918 4 (....); É extremamente importante perceber claramente que, em razão de nossa rede de tratados, o Brasil não pode tributar controladas e coligadas no exterior que apresentem lucros, mas pode tributar, sem ofensa aos tratados, os lucros destas coligadas e controladas que se encontrarem devidamente disponibilizados por competência no sócio controlador, pessoa jurídica residente no Brasil; 4.13. A fiscalização reproduz decisão neste sentido, conforme relatório do MM. Juiz Federal Fernando César Baptista de Mattos da Sétima Vara Federal do Rio de Janeiro, em apelação em mandado de segurança movido pela Cia/Vale do Rio Doce contra a Fazenda Nacional, autos n° 000293709.2003.4.02.5101. IMPUGNAÇÃO 5. A Empresa tempestivamente apresentou impugnação, protocolada em 31/10/2011, contestando a lavratura dos Autos de Infração, nos seguintes termos, resumidamente. I Nulidade do Auto de Infração 5.1. A fiscalização apurou o valor de R$188.548.020,28 da equivalência patrimonial, objeto da autuação, porém, o valor correto é de R$147.989.327,00. 5.2. Impõese, portanto, o reconhecimento da nulidade da autuação ora impugnada. O artigo 142 do CTN prevê com precisão a formalidade que deve revestir os atos administrativos. 5.3. Tal contradição impede que a Impugnante refute a autuação com segurança necessária. “Com efeito, se o que se está tributando na presente autuação são os resultados de equivalência patrimonial, como sustenta o I. Auditor Fiscal em seu Termo de Verificação, o valor não é o autuado. Se, por outro lado, o que se pretende tributar são os lucros auferidos pela controlada estrangeira os fundamentos de tal autuação não são os que a embasam”. 5.4. “Com efeito, R$188.548.020,28 corresponde aos lucros auferidos pela controlada da Impugnante no exterior antes do pagamento do imposto de renda no país em que se encontra constituída tal controlada (Hungria) e em outras jurisdições em que ela atua diretamente. Não corresponde, em absoluto, ao valor dos resultados de equivalência patrimonial registrados pela Impugnante”. II Do Mérito II. 1 – Dos Fatos Alegados como Pressupostos da Autuação 5.5. A descrição dos fatos subjacentes aos autos de infração não corresponde à realidade prevalecente no período objeto da autuação. a) Objeto Social da VCP 5.5.1. Ao contrário da conclusão da fiscalização, de que se trata de uma holding, constatase que a principal atividade da sociedade era a de uma trading company, dedicada à venda por atacado de produto intermediário, conforme consta do contrato social até 16/12/2006, tendo a atividade de administração de bens sido eliminada do Contrato Social. b) Administração da VCP 5.5.2. A fiscalização menciona que o Sr. Valdir Roque, sócio da Impugnante e residente no Brasil, é diretor executivo da VCP, concluindo que a empresa é, na verdade, administrada no Brasil e não na Hungria. 5.5.3. Infundada tal ilação, visto que o próprio documento referido pela fiscalização indica a existência de três diretores executivos, um residente no Brasil e dois residentes na Hungria. Fl. 918DF CARF MF Impresso em 24/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/11/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 28/ 11/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 20/12/2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 16643.720017/201112 Resolução nº 1402000.152 S1C4T2 Fl. 919 5 5.5.4. Outra ilação é o fato da fiscalização mencionar que: mais uma evidência de que a sociedade foi constituída na Hungria para se aproveitar de acordo para evitar a dupla tributação com o Brasil é a deliberação dos sócios da VCP de registrar os atos societários em dólares norteamericanos. Ao contrário da conclusão da fiscalização, a adoção de uma moeda funcional diversa da moeda local para registro contábil das atividades sociais é exigência dos padrões de contabilidade internacionais (IAS 21). 5.5.5. Quanto à afirmação da fiscalização de que a sociedade poderia ter sido constituída em qualquer outro lugar do planeta, ela não passa de um truísmo, visto que configura direito respaldado na Constituição da República, que dispõe sobre os princípios gerais da atividade econômica e liberdade de iniciativa. c) Operações Financeiras da VCP 5.5.6. A fiscalização baseouse em documentação societária não mais em vigor, no período da autuação (2007), ao afirmar que a VCP tem como atividade principal “outras concessões de crédito” dentro do próprio grupo societário. Concluiu, ainda, que as receitas na VCP, basicamente, se originam de operações financeiras (intra grupo), sendo as operações comerciais desenvolvidas na Suíça, país que o Brasil não mantêm acordo para evitar a dupla tributação. 5.5.7. As atividades de crédito somente poderiam ser realizadas com empresas do grupo, devido a restrição da legislação húngara, que como a brasileira, trataria a VCP como uma instituição financeira na hipótese de ela vir a celebrar operações de crédito com terceiros. 5.5.8. “Quanto ao local em que foram perpetradas tais atividades comerciais este constitui um aspecto da economia interna da sociedade que deverá estar em harmonia com a legislação do país que rege o funcionamento da sociedade e não do país de sede do sócio controlador”. 5.5.9. “Para os fins de apuração da renda deste é irrelevante se as atividades eram perpetradas pela sociedade húngara a partir do território húngaro ou no exterior por meio de escritórios, representações, sucursais ou filiais. A única exceção a esta regra se consubstancia na hipótese em que a sociedade húngara tivesse filial no Brasil, esta sim sujeita à tributação, o que a própria fiscalização admite que não ocorre no caso em exame”. d) Estabelecimento da VCP fora da Hungria 5.5.10. A fiscalização pretende promover a alocação de resultados entre a sociedade sediada na Hungria (VCP Overseas Kft.), e os estabelecimentos desta mesma sociedade fora daquele País (filial na Suíça e escritórios em Shanghai), atribuindo valores a uns e a outros como se fossem sociedades distintas. e) A Existência Legal e Física das operações da VCP 5.5.11. A fiscalização “acusa” a Impugnante de ter eleito uma jurisdição “beneficiada” por tratado para evitar a dupla tributação celebrado com o Brasil, o que comporta a insinuação de que a VCP poderia eventualmente, a despeito da existência legal, carecer de existência física, constituindo mera sociedade de fachada. 5.5.12. As razões negociais é que levaram a Impugnante a centralizar suas operações de comércio exterior em país do Leste Europeu, estando anexado aos presentes autos análise funcional das atividades desenvolvidas no âmbito da VCP efetuada por firma de auditoria internacional de reconhecida idoneidade para fins de cumprimento da legislação húngara de preços de transferência, em que evidencia de Fl. 919DF CARF MF Impresso em 24/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/11/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 28/ 11/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 20/12/2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 16643.720017/201112 Resolução nº 1402000.152 S1C4T2 Fl. 920 6 maneira insofismável a natureza das atividades comerciais efetivamente desenvolvidas pela VCP. Tal sociedade encontrase em funcionamento desde de 2002. f) A Suposta Tributação Favorecida pela Hungria 5.5.13. Pretende a fiscalização com suas constatações concluir que a tributação na Hungria obedeça aos ditames da tributação favorecida como definido pela legislação brasileira (alíquota inferior a 20%). 5.5.14. Não é o que ocorre, visto que o imposto sobre a renda líquida excedia o patamar de 20%, como certificado por firma de advogados local de idoneidade inconteste (Horvath & Partners Law Firm), associados ao escritório global DLA PIPER. Além disso, na lista dos países com tributação favorecida divulgada pelas autoridades brasileiras não se encontra arrolada no períodobase de autuação (2007) a Hungria. II. 2 – Do Direito Aplicável 5.6. A impugnante quanto ao direito aplicável, conclui: Em suma, o presente auto de infração carece de fundamentação factual e jurídica, visto que: 1o O art. 74 da MP n° 2.15835/01 constitui regra especial antielisiva e como tal tem sua aplicação condicionada à demonstração por parte da autoridade fiscalizadora de, ao menos, alguma evidência de manobra elisiva, não constituindo a mera titularidade do controle de sociedade no exterior sequer indício de que a Impugnante tenha praticado ou tentado praticar atos de elisão fiscal, especialmente diante da circunstância de que, sob a égide da legislação anterior, a Impugnante não se encontrava submetida à incidência tributária, em decorrência da aplicação inequívoca da regra do artigo VII do tratado firmado entre Brasil e Hungria para evitar a dupla tributação da renda; 2o O art. 74 da MP n° 2.15835/01 limitase a regular o aspecto temporal da hipótese de incidência definindo tão somente o momento em que se dá a tributação dos lucros auferidos por controladas no exterior (quando de sua apuração em balanço, ao invés de quando da distribuição, como determinava a legislação anterior). O aspecto material desde a instituição da tributação em bases universais para as pessoas jurídicas é o auferimento de lucros por controladas estrangeiras, a ser adicionado ao lucro líquido da controladora para efeitos de apuração do lucro real desta; 3o Os resultados de equivalência patrimonial registrados pelo investidor brasileiro não se submetem à tributação no Brasil, seja em decorrência das disposições legais que reconhecem a não incidência do IRPJ e da CSLL sobre tais resultados (art. 25, § 6o da Lei n° 9.249/95, combinado com o art. 23 e parágrafo único do DecretoLei n° 1.598/77), seja pela impossibilidade jurídica de se subsumir ao conceito constitucional de renda mero acréscimo patrimonial reflexo; 4o A sociedade constituída em país com o qual o Brasil tenha firmado acordo para evitar dupla tributação conta com a proteção do tratado não somente no que concerne à matriz e filiais em operação no país do tratado, mas também no que diz respeito às filiais instaladas em terceiros países, constituindo a organização das atividades operacionais da sociedade estrangeira matéria afeta à economia interna da própria empresa, submetida não à legislação brasileira, mas à legislação do país de constituição da sociedade estrangeira. De resto, sobre os resultados apurados Fl. 920DF CARF MF Impresso em 24/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/11/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 28/ 11/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 20/12/2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 16643.720017/201112 Resolução nº 1402000.152 S1C4T2 Fl. 921 7 pela filial suíça da VCP Overseas Kft. não podem incidir multa de ofício nem juros, tendo em vista a existência de ato normativo que respalda o procedimento adotado pela Impugnante; e 5o O crédito dos impostos pagos no exterior há de ser reconhecido não somente com base no direito interno, mas especialmente com fulcro nas disposições do tratado aplicável à espécie. Em suma, a manutenção da presente autuação acarreta ofensa direta às seguintes normas do ordenamento jurídico pátrio: Art. 142 do Código Tributário Nacional, que estabelece os requisitos obrigatórios do lançamento tributário; Art. 25 da Lei n° 9.249/95, combinado com o art. 74 da MP n° 2.15835/01, que estabelece a incidência sobre lucros auferidos no exterior pela sociedade controlada a ocorrer quando de sua apuração, e não sobre resultados de equivalência patrimonial da sociedade brasileira controladora; Art. VII do Tratado para evitar a dupla tributação firmado entre o Brasil e a Hungria, que estabelece a competência exclusiva daquele país para tributar lucros de sociedades ali constituídas; Art. 153, III, da Constituição da República, que consagra o conceito de renda como denotativo de acréscimo patrimonial disponível, na esteira de remansosa jurisprudência da Suprema Corte; Art. 43, caput, e § 2º, do Código Tributário Nacional que estabelecem a prévia disponibilidade econômica ou jurídica da renda para configuração do fato gerador do tributo; Art. 150, I, da Constituição da República, que consagra o princípio da legalidade estrita em matéria tributária; Art. 145, § Iº, da Constituição da República, que consagra o princípio da capacidade contributiva, a impedir a incidência de tributação sobre renda ficta; Art. XXIII, "a", (1), do Tratado firmado entre o Brasil e a Hungria para evitar a dupla tributação que estabelece a obrigatoriedade da concessão de crédito fiscal no Brasil de modo a deduzir o imposto pago no exterior; Art. 25, § 6º, da Lei n° 9.249/95, art. 2º, § Iº, "c", 4, da Lei n° 7.689/88, art. 23, caput, e correspondente parágrafo único do DecretoLei n° 1.598/77, com a redação dada pelo DecretoLei n° 1.648/78, que consagram regra isencional para os resultados de equivalência patrimonial, ressalvada a tributação de lucros auferidos no exterior, a constituírem figurajurídica inteiramente distinta da equivalência patrimonial; Art. 84, IV, combinado com o art. 150, I, da Constituição da República, que veda a expedição de atos regulamentares que extrapolem o permissivo legal, como perpetrado pela Instrução Normativa SRF n° 213/02; Art. 98 do Código Tributário Nacional, a determinar a prevalência da regra do tratado sobre a lei interna; Fl. 921DF CARF MF Impresso em 24/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/11/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 28/ 11/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 20/12/2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 16643.720017/201112 Resolução nº 1402000.152 S1C4T2 Fl. 922 8 Art. 100, parágrafo único, do Código Tributário Nacional, a determinar o afastamento de multa e juros sempre que observados os atos normativos expedidos pelas autoridades administrativas; ADN n° 2 de 11.02.1980, a determinar a plena aplicação dos tratados às filiais instaladas em terceiros países das sociedades constituídas nos países com os quais o Brasil tenha celebrado acordo para evitar a dupla tributação da renda; e Art. 110 do Código Tributário Nacional, que veda a alteração, para fins de tributação, da definição, conteúdo e alcance de institutos jurídicos contemplados na Constituição Federal, como ocorre com respeito ao conceito de renda. A decisão recorrida está assim ementada: CONTROLADA NO EXTERIOR. EQUIVALÊNCIA PATRIMONIAL. Conforme previsto no §1º, do artigo 7º, da IN/SRF nº 213/2002, o valor do resultado positivo da equivalência patrimonial deverá ser considerado para apuração do lucro real e a da base de cálculo da CSLL. NULIDADE. ERRO NA BASE DE CÁLCULO. Mesmo que tivesse sido provada a ocorrência de erro na apuração da base de cálculo do lançamento de ofício, o que não ocorreu, não seria motivo de anulação dos auto de infração. TRATADO INTERNACIONAL. BRASIL HUNGRIA. O Tratado firmado entre Brasil e Hungria não impede a tributação na controladora no Brasil dos lucros auferidos por controlada no exterior. ALEGAÇÕES DE INCONSTITUCIONALIDADES E/OU ILEGALIDADES. A apreciação de alegações de inconstitucionalidades e/ou ilegalidades é de exclusiva competência do Poder Judiciário. Matérias que as questionam não são apreciadas na esfera administrativa. AUTO REFLEXO. CSLL. O decidido no mérito do IRPJ repercute na tributação reflexa. Impugnação improcedente. Cientificada da aludida decisão, a contribuinte apresentou recurso voluntário, no qual contesta as conclusões do acórdão recorrido, repisa as alegações da peça impugnatória e, ao final, requer o provimento nos seguintes termos (verbis): Fl. 922DF CARF MF Impresso em 24/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/11/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 28/ 11/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 20/12/2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 16643.720017/201112 Resolução nº 1402000.152 S1C4T2 Fl. 923 9 Fl. 923DF CARF MF Impresso em 24/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/11/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 28/ 11/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 20/12/2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 16643.720017/201112 Resolução nº 1402000.152 S1C4T2 Fl. 924 10 Fl. 924DF CARF MF Impresso em 24/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/11/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 28/ 11/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 20/12/2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 16643.720017/201112 Resolução nº 1402000.152 S1C4T2 Fl. 925 11 Fl. 925DF CARF MF Impresso em 24/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/11/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 28/ 11/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 20/12/2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 16643.720017/201112 Resolução nº 1402000.152 S1C4T2 Fl. 926 12 Fl. 926DF CARF MF Impresso em 24/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/11/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 28/ 11/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 20/12/2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 16643.720017/201112 Resolução nº 1402000.152 S1C4T2 Fl. 927 13 Fl. 927DF CARF MF Impresso em 24/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/11/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 28/ 11/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 20/12/2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 16643.720017/201112 Resolução nº 1402000.152 S1C4T2 Fl. 928 14 É o relatório. Fl. 928DF CARF MF Impresso em 24/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/11/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 28/ 11/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 20/12/2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 16643.720017/201112 Resolução nº 1402000.152 S1C4T2 Fl. 929 15 Voto Conselheiro Antonio Jose Praga de Souza, Relator. O recurso é tempestivo e preenche os demais requisitos legais e regimentais para sua admissibilidade, dele conheço. Conforme relatado, trata o presente processo de lançamentos de oficio para constituição de credito tributário de IRPJ e CSLL (anoscalendário 2007), motivados pela inobservância ao art. 74 da Medida Provisória nº 2.15835/2001, isto é, pela ausência de tributação dos lucros auferidos no exterior por intermédio da empresa controlada VCP Overseas Holding KFT. Consoante descrito no Termo de Verificação Fiscal, apesar de haver reconhecido em sua contabilidade os resultados produzidos no exterior, via equivalência patrimonial, a empresa Normus (recorrente) deixou de oferecêlos à tributação no país, por entender que estariam resguardados pelo Artigo VII do Tratado celebrado entre Brasil e Hungria para evitar a dupla tributação e a evasão fiscal. Por sua vez a Fiscalização concluiu, à luz da Convenção BrasilHungria, que os resultados (acréscimo patrimonial) auferido no exterior pela Normus não se enquadra no mencionado Art. VII, mas no Art. X, que permite a tributação pelo Brasil. Logo, em primeiro plano, o cerne do processo litígio reside em qualificar os lucros disponibilizados na forma do art. 74 da MP nº 2.15835/2001 em face do Tratado Brasil Hungria para evitar a dupla tributação e prevenir a evasão fiscal, ou seja, definir qual artigo do acordo internacional deve reger a tributação. Na apreciação dessa matéria pelo Colegiado, quando do julgamento do processo 16561.000136/20078 (da própria Normus), acórdão 140200.391, formei entendimento diverso ao do ilustre Conselheiro Carlos Pela, Relator daquele recurso, em vários aspectos, pelo que fui designado para redigir o voto vencedor. Ocorre que antes da reapreciação do mérito, fazse necessário converter o julgamento em diligência para que a Fiscalização manifeste sobre os seguintes pontos: 1) Verificar a alegação de erro no valor da base de cálculo, haja vista que segundo a recorrente a equivalência patrimonial apurada no período seria de R$ 147.989.327,00 e não o valor de 188.538.020,28 (vide pag. 11 do recurso voluntário); 2) Apurar o valor a compensar, relativo aos tributos pagos no exterior, conforme já decido por este Colegiado no acórdão 140200.391. Fica a cargo e critério da Fiscalização efetuar outros procedimentos, concernentes ao escopo da diligência, que entender cabíveis. Ao final, a Fiscalização deverá elaborar relatório consubstanciado, e intimar a contribuinte para, caso deseje, se manifestar no prazo de 30 dias. (assinado digitalmente) Antônio José Praga de Souza Fl. 929DF CARF MF Impresso em 24/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/11/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 28/ 11/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 20/12/2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO
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Numero do processo: 15374.930041/2008-17
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Nov 28 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Fri Feb 22 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Data do Fato gerador: 13/09/2002
DÉBITO DECLARADO. PAGAMENTO ALOCADO. EXTINÇÃO PARCIAL.
A parte do recolhimento efetuado, mediante darf, alocada ao débito tributário declarado na Dcomp e não levada em conta pelo contribuinte, extinguiu parte daquele débito, no mesmo valor alocado.
DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. HOMOLOGAÇÃO.
Provada a certeza e liquidez de parte do crédito financeiro declarado, homologa-se parcialmente a compensação do débito fiscal, efetuada pelo contribuinte, mediante a transmissão de Declaração de Compensação (Dcomp), até o limite reconhecido.
Recurso Voluntário Provido em Parte
Inadmissível a apreciação em grau de recurso de matéria não suscitada em primeira instância, exceto quando deva ser reconhecida de ofício.
CRÉDITO TRIBUTÁRIO DECLARADO. DECADÊNCIA.
A declaração do débito tributário na respectiva DCTF e sua transmissão tempestiva implicou constituição do crédito tributário, dentro do prazo qüinqüenal de que a Fazenda Pública dispunha para sua exigência.
Numero da decisão: 3301-001.678
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário, nos termos do voto Relator. Fez sustentação oral pela recorrente o advogado Heyrovsky Torres Rodrigues, OAB/DF 33838.
(ASSINADO DIGITALMENTE)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente.
(ASSINADO DIGITALMENTE)
José Adão Vitorino de Morais - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rodrigo da Costa Possas, Maria Teresa Martínez López, José Adão Vitorino de Morais, Antônio Lisboa Cardoso, Paulo Guilherme Déroulède e Andréa Medrado Darzé.
Nome do relator: JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS
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NULIDADE. Não provada a alegada inovação dos fundamentos da decisão recorrida, em relação ao despacho decisório, afastase a suscitada preliminar de sua nulidade. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Data do fato gerador: 14/06/2002 CRÉDITO FINANCEIRO. CERTEZA E LIQUIDEZ. PROVAS Compete ao contribuinte demonstrar e apresentar as provas da certeza e liquidez do crédito financeiro utilizado na Declaração de Compensação (Dcomp) transmitida, visando sua homologação. DÉBITO FISCAL DECLARADO E PAGO. RETIFICAÇÃO A retificação do débito fiscal apurado, declarado na respectiva DCTF e pago tempestivamente, somente é aceita, mediante a apresentação de documentos fiscais e contábeis, comprovando erro na apuração do valor inicialmente apurado, declarado e pago. INDÉBITO TRIBUTÁRIO. ERRO. RECEITA DE VARIAÇÃO CAMBIAL. PRECLUSÃO. Inadmissível a apreciação em grau de recurso de matéria não suscitada em primeira instância, exceto quando deva ser reconhecida de ofício. CRÉDITO TRIBUTÁRIO DECLARADO. DECADÊNCIA. A declaração do débito tributário na respectiva DCTF e sua transmissão tempestiva implicou constituição do crédito tributário, dentro do prazo qüinqüenal de que a Fazenda Pública dispunha para sua exigência. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 37 4. 93 00 41 /2 00 8- 17 Fl. 221DF CARF MF Impresso em 25/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/12/2012 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 15 /12/2012 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 19/02/2013 por RODRIGO DA COSTA POSSAS 2 ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do Fato gerador: 13/09/2002 DÉBITO DECLARADO. PAGAMENTO ALOCADO. EXTINÇÃO PARCIAL. A parte do recolhimento efetuado, mediante darf, alocada ao débito tributário declarado na Dcomp e não levada em conta pelo contribuinte, extinguiu parte daquele débito, no mesmo valor alocado. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. HOMOLOGAÇÃO. Provada a certeza e liquidez de parte do crédito financeiro declarado, homologase parcialmente a compensação do débito fiscal, efetuada pelo contribuinte, mediante a transmissão de Declaração de Compensação (Dcomp), até o limite reconhecido. Recurso Voluntário Provido em Parte Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário, nos termos do voto Relator. Fez sustentação oral pela recorrente o advogado Heyrovsky Torres Rodrigues, OAB/DF 33838. (ASSINADO DIGITALMENTE) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente. (ASSINADO DIGITALMENTE) José Adão Vitorino de Morais Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rodrigo da Costa Possas, Maria Teresa Martínez López, José Adão Vitorino de Morais, Antônio Lisboa Cardoso, Paulo Guilherme Déroulède e Andréa Medrado Darzé. Relatório Tratase de recurso voluntário interposto contra decisão da DRJ Rio de Janeiro II que julgou improcedente a manifestação de inconformidade interposta contra despacho decisório que homologou, em parte, a compensação do débito de Cofins, declarado na Declaração de Compensação (Dcomp) às fls. 4/8, com crédito financeiro decorrente de pagamento a maior desta mesma contribuição, referente à competência de maio de 2002, recolhida em 14/6/2002. A Derat no Rio de Janeiro reconheceu crédito financeiro disponível de apenas R$20.926,27 e homologou a compensação do débito declarado até este limite, sob o argumento de que a outra parte do alegado pagamento a maior foi integralmente utilizado para extinguir débitos da Cofins (2172) declarados, conforme despacho decisório às fls. 10. A recorrente descordou daquele despacho e apresentou manifestação de inconformidade (fls. 12/16), insistindo na homologação integral da compensação do débito declarado, alegando razões, assim resumidas por aquela DRJ: Fl. 222DF CARF MF Impresso em 25/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/12/2012 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 15 /12/2012 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 19/02/2013 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 15374.930041/200817 Acórdão n.º 3301001.678 S3C3T1 Fl. 222 3 “De acordo com a apuração da empresa e os pagamentos realizados, houve um montante recolhido a maior no valor de, no mínimo, R$ 1.835.858,39. Não houve, por parte da RFB, uma análise mais profunda da existência ou não do crédito. A simples análise da DCTF retificadora demonstra de forma clara a existência de crédito disponível à compensação. Na DCTF ativa (doc. 07), a requerente apurou um débito de Cofins para o mês de maio/2002 no montante de R$ 148.803,80. Como forma de pagamento, vinculou R$ 132.895,10 de um DARF de valor total R$ 2.027.844,28 (doc. 06). Este DARF não foi vinculado a nenhum outro pagamento, constituindose um direito creditório de R$ 1.879.040,48 (R$ 2.027.844,28 – R$ 148.803,80). Por meio de PER/DCOMP em questão pediu a restituição do pagamento a maior de R$ 1.908.925,55, utilizou parte deste montante (R$ 1.835.858,39 – valor histórico) para quitar débito de Cofins referente a agosto/2002, no valor de R$ 1.908.925,55. Já havia utilizado este mesmo crédito para quitação deste mesmo débito, por meio de compensação realizada diretamente em DCTF. Em 20.12.2007 retificou a DCTF do 3º trimestre de 2002 e transmitiu a declaração de compensação eletrônica, como forma de formalizar o procedimento outrora realizado em DCTF. A DCOMP e o débito compensado diretamente em DCTF se referem ao mesmo direito creditório, e compensam débitos do mesmo período de competência. A vinculação entre o DARF utilizado e a compensação em DCTF impediu a visualização da disponibilidade do direito creditório. Entende deva ser abstraída a compensação diretamente realizada em DCTF, uma vez que a DCOMP foi transmitida posteriormente, como forma de adequação ao procedimento que vigorava por ocasião da retificação da DCTF. Excluindo este pagamento, verificase a origem da disponibilidade do crédito, o que implicaria no seu reconhecimento pela autoridade administrativa. Dispõe dos créditos compensados, tendo sido os mesmos apurados em sua escrita contábil. Ao preencher a DCTF retificadora, deixou de informar o número da DCOMP transmitida, permanecendo a informação de compensação direta em DCTF, sem número de processo. Tal erro não pode prevalecer sobre o direito ao crédito. Ao final requer a juntada posterior de documentos que se façam necessários, visto a impossibilidade de se obter toda a documentação necessária em tempo hábil, face o porte da empresa, do período e por se tratar de crédito de sociedade incorporada pela requerente.” Analisada a manifestação de inconformidade, aquela DRJ julgoua improcedente, conforme Acórdão nº 1329.614, datado de 31 de maio de 2010, às fls. 76/80, sob as seguintes ementas: “JUNTADA POSTERIOR DE DOCUMENTOS. Fl. 223DF CARF MF Impresso em 25/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/12/2012 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 15 /12/2012 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 19/02/2013 por RODRIGO DA COSTA POSSAS 4 O contribuinte deve instruir a peça impugnatória com todos os documentos comprobatórios de suas alegações, sob pena de preclusão, exceto em situações específicas previstas na legislação pertinente. MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE. ALEGAÇÃO SEM PROVAS. Cabe ao contribuinte no momento da apresentação da manifestação de inconformidade trazer ao julgado todos os dados e documentos que entende comprovadores dos fatos que alega.” Cientificada dessa decisão, inconformada, a recorrente interpôs recurso voluntário (91/111), requerendo, em preliminar, a sua nulidade, sob o argumento de que esta inovou a fundamentação do despacho decisório; e, no mérito, a sua reforma a fim de que se homologue a compensação do débito declarado, alegando, em síntese, as mesmas razões expendidas na manifestação de inconformidade, de que a documentação apresentada comprova a existência do crédito financeiro declarado. Inovou, ainda, nesta fase recursal, discorrendo sobre tributação de receitas decorrentes de variação cambial, sua escrituração e obrigatoriedade da adoção do regime de competência para sua apropriação, bem como sobre a decadência do direito de o Fisco revisar o lançamento do PIS referente à competência de maio de 2002. É o relatório. Voto Conselheiro José Adão Vitorino de Morais O recurso apresentado atende aos requisitos de admissibilidade previstos no Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972. Assim, dele conheço. A suscitada preliminar de nulidade da decisão recorrida sob o argumento de esta inovou a fundamentação, em relação ao despacho decisório, é equivocada. Ao contrário do entendimento da recorrente, não houve inovação alguma em relação ao despacho decisório. Dele consta expressamente que a homologação parcial teve como fundamento a disponibilidade de crédito financeiro, no valor de apenas R$20.926,27. A compensação do saldo do débito declarado não foi homologada por inexistência de crédito financeiro suficiente para sua extinção. O valor recolhido e constante do darf indicado na Dcomp, em discussão, foi integralmente utilizado para quitar débitos da Cofins (2172), declarados nas respectivas DCTF, referentes às competências de maio e agosto de 2002, nos valores de R$148.803,80 e R$1.807.117,21, respectivamente, e o valor de R$50.997,00, foi utilizado na Dcomp nº 07727.14421.240904.1.3.042001. O saldo disponível, no valor de R$20.926,27, foi então utilizado na homologação parcial do débito declarado. Também, a decisão recorrida teve como fundamento a inexistência de crédito financeiro suficiente para homologar integralmente a compensação do débito declarado na Dcomp e, ainda, a falta de apresentação de documentos hábeis comprovando o indébito. Fl. 224DF CARF MF Impresso em 25/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/12/2012 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 15 /12/2012 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 19/02/2013 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 15374.930041/200817 Acórdão n.º 3301001.678 S3C3T1 Fl. 223 5 Assim, não há que se falar em nulidade da decisão recorrida por inovação na fundamentação legal, em relação ao despacho decisório. Nesta fase recursal, a recorrente inovou suas razões de mérito, quanto à certeza e liquidez do crédito financeiro declarado, questionando a tributação das receitas de variação cambial, sua escrituração contábil e obrigatoriedade da adoção do regime de competência, bem como a decadência do direito de a Fazenda Pública revisar o crédito tributário referente à competência de maio de 2002 As razões suscitadas, em relação à receita cambial, constituem matérias preclusas, não opostas à autoridade julgadora de primeira instância. A fase litigiosa do procedimento se instaura com a interposição da manifestação de inconformidade, quando aquela matéria deveria ter sido contestada, conforme estabelece o Decreto nº 70.235, de 6/3/1972, art. 15. Também, o art. 17, deste mesmo diploma legal, estabelece que “considerarseá não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante”. Assim, demonstrado que aquelas matérias não foram suscitadas na manifestação de inconformidade, não se toma conhecimento delas nesta fase recursal por ter ocorrido a preclusão temporal do direito de a recorrente fazêlo. Já em relação à decadência, embora não tenha sido oposta à autoridade julgadora de primeira instância, por se tratar de matéria de ordem pública, deve ser apreciada nesta fase recursal. Ao contrário do entendimento da recorrente, no presente caso, não houve revisão do lançamento do crédito tributário referente à competência de maio de 2002 pela autoridade administrativa competente. A não homologação da compensação não teve como fundamento a revisão do crédito tributário referente àquela competência, que foi constituído pela própria recorrente, mediante declaração do seu valor na respectiva DCTF, e sim a não existência do crédito financeiro declarado na Dcomp. Assim, demonstrado que não houve revisão do valor do crédito tributário declarado pela própria recorrente na respectiva DCTF, não há que se falar em decadência do direito de a Fazenda Pública revisar tal débito. Embora, a recorrente tenha suscitado várias matérias, o presente processo trata exclusivamente da homologação da compensação do débito de Cofins (2172), no valor de R$1.908.925,55, vencido na data de 13/9/2002, com crédito financeiro decorrente de pagamento a maior desta mesma contribuição, na data de 14/6/2002, no valor original de R$1.835.858,93, declarados na Dcomp às fls. 3/8. Assim, a questão de mérito se restringe à certeza e liquidez do crédito financeiro declarado na Dcomp em discussão, tendo em vista que o débito foi confessado por ela. Segundo, a recorrente o indébito (crédito financeiro) decorreu de pagamento a maior da contribuição referente à competência de maio de 2002, em virtude de erro na Fl. 225DF CARF MF Impresso em 25/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/12/2012 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 15 /12/2012 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 19/02/2013 por RODRIGO DA COSTA POSSAS 6 apuração do seu valor. Embora errado, o valor foi declarado na respectiva DCTF e pago tempestivamente. Percebido o erro, transmitiu DCTF retificadora informando o valor correto. A retificação da DCTF visando alterar o valor do débito declarado é possível, mediante a comprovação de erro, de fato, na apuração do débito. A comprovação deve ser demonstrada, mediante a apresentação de demonstrativo de apuração do valor correto da contribuição devida, acompanhado dos documentos contábeis, cópia do livro Razão, contendo os lançamentos errados da escrituração das receitas, os estornos dos lançamentos errados e os lançamentos corretos, e também de documentos fiscais, cópias dos livros de saída de mercadorias e/ ou de prestação de serviços, contendo as receitas corretas. No presente caso, a recorrente apresentou somente cópia da DCTF retificadora, desacompanhada de quaisquer documentos contábeis e fiscais. A simples apresentação da retificadora, desacompanhada do demonstrativo de apuração do valor correto, com respectiva memória de cálculo e, principalmente, daqueles documentos, não prova o alegado erro nem permite a apuração do valor correto. Nos pedidos de restituição/compensação o ônus de provar a certeza e liquidez do crédito financeiro utilizado na Dcomp é do requerente e não do Fisco. A Lei nº 9.784, de 29/1/1999, art. 36, assim estabelece: “Art. 36. Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado, sem prejuízo do dever atribuído ao órgão competente para a instrução e do disposto no artigo 37 desta Lei.” Também, segundo a Lei nº 5.869, de 11/1/1973 (Código de Processo Civil), art. 333, o ônus da prova é de quem alega, assim dispondo: “Art. 333. O ônus da prova incumbe: (...); II – ao réu, quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor.” Dessa forma, não tendo a recorrente demonstrado o erro na apuração do valor da Cofins, declarado para a competência de maio de 2002, nem apresentado documentos comprovandoo e necessários à apuração do valor correto, não há que se falar em repetição/compensação do indébito reclamado. No entanto, do exame do despacho decisório, verificase que o recolhimento estampado no darf indicado na Dcomp em discussão, no valor de R$2.027.844,28, foi assim utilizado: R$50.997,00 na Dcomp nº 07727.14421.240904.1.3.042001; R$148.803,80 para quitar a Cofins (2172) declarada para a competência de maio de 1992; e R$1.807.117,21 para a quitar parte da Cofins (2172) declarada para agosto de 2002, objeto da Dcomp em discussão, e o saldo, no valor de R$20.926,27, utilizado na homologação de parte do mesmo débito da Cofins (2172) de agosto de 2002. No entanto, do exame do despacho decisório, verificase que o recolhimento estampado no darf indicado na Dcomp em discussão, no valor de R$2.027.844,28, foi assim utilizado: R$50.997,00, na Dcomp nº 07727.14421.240904.1.3.042001; R$148.803,80, para quitar a Cofins (2172) declarada para a competência de maio de 2002; e R$1.807.117,21, para Fl. 226DF CARF MF Impresso em 25/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/12/2012 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 15 /12/2012 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 19/02/2013 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 15374.930041/200817 Acórdão n.º 3301001.678 S3C3T1 Fl. 224 7 quitar parte da Cofins (2172) de agosto 2002, remanescendo o saldo de R$20.926,27 que foi utilizado para homologar parte da mesma Cofins de agosto de 2002, objeto da Dcomp em discussão. Assim, levandose em conta que o valor da Cofins de agosto de 2002 foi de R$1.908.925,55, remanesce em aberto apenas o saldo devedor de R$8.125,94, resultante da seguinte operação: Darf, valor reconhecido no Desp. Dec. = R$ 2.027.844,28 Vr. utilizado Dcomp 2001. . . . . . . . . . = (R$ 50.997,00) Vr. utilizado p/Cofns PA 31/05/2002. .= (R$ 148.803,80) Saldo disponível . . . . . . . . . . . . . . . . . . .= R$ 1.828.043,48 Acrescendo a este saldo juros compensatórios à taxa Selic aumulada até 13/9/2002, no valor de 3,98% (Dcomp), resulta um montante de R$1.900.799,61, disponível para compensar a Cofins (2172) de 31/8/2002, objeto da Dcomp em discussão, no valor de R$1.908.925,55, remanescendo, um saldo devedor de R$8.125,94. Em face do exposto, dou parcial provimento ao recurso voluntário para reconhecer a homologação da compensação parcial do débito declarado na Dcomp em discussão, até o limite de R$1.900.799,61, exigindo da recorrente o saldo remanescente, no valor de R$ 8.125,94 (oito mil cento e vinte e cinco reais e noventa e quatro centavos), acrescido das cominações legais. (ASSINADO DIGITALMENTE) José Adão Vitorino de Morais Relator Fl. 227DF CARF MF Impresso em 25/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/12/2012 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 15 /12/2012 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 19/02/2013 por RODRIGO DA COSTA POSSAS
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Numero do processo: 10660.004799/2002-63
Turma: Segunda Câmara
Seção: Segundo Conselho de Contribuintes
Data da sessão: Thu Jul 12 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Mon Jan 07 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 31/01/1999 a 31/12/1999
PEDIDO DE RESTITUIÇÃO/COMPENSAÇÃO. PRESCRIÇÃO
O prazo para repetição de indébito, para pedidos efetuados até 08 de junho de 2005, seja na modalidade de restituição, seja na de compensação, era de 10 anos, contados da ocorrência do fato gerador do tributo pago indevidamente ou a maior que o devido (tese dos 5 + 5), a partir de 9 de junho de 2005, com o vigência do art. 3º da Lei complementar nº 118/2005, esse prazo passou a ser de 5 anos, contados da extinção do crédito pelo pagamento efetuado.
Recurso Especial do Procurador Provido em Parte.
Numero da decisão: 9303-002.069
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso especial para restabelecer a glosa de créditos referentes a indébitos relativos a fatos geradores ocorridos até janeiro/1989.
Otacílio Dantas Cartaxo - Presidente
Henrique Pinheiro Torres - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Nanci Gama, Júlio César Alves Ramos, Rodrigo Cardozo Miranda, Rodrigo da Costa Pôssas, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva, Marcos Aurélio Pereira Valadão, Maria Teresa Martínez López, Gileno Gurjão Barreto e Otacílio Dantas Cartaxo.
Matéria: PIS - ação fiscal (todas)
Nome do relator: HENRIQUE PINHEIRO TORRES
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso especial para restabelecer a glosa de créditos referentes a indébitos relativos a fatos geradores ocorridos até janeiro/1989. Otacílio Dantas Cartaxo - Presidente Henrique Pinheiro Torres - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Nanci Gama, Júlio César Alves Ramos, Rodrigo Cardozo Miranda, Rodrigo da Costa Pôssas, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva, Marcos Aurélio Pereira Valadão, Maria Teresa Martínez López, Gileno Gurjão Barreto e Otacílio Dantas Cartaxo.
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LTDA. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 31/01/1999 a 31/12/1999 PEDIDO DE RESTITUIÇÃO/COMPENSAÇÃO. PRESCRIÇÃO O prazo para repetição de indébito, para pedidos efetuados até 08 de junho de 2005, seja na modalidade de restituição, seja na de compensação, era de 10 anos, contados da ocorrência do fato gerador do tributo pago indevidamente ou a maior que o devido (tese dos 5 + 5), a partir de 9 de junho de 2005, com o vigência do art. 3º da Lei complementar nº 118/2005, esse prazo passou a ser de 5 anos, contados da extinção do crédito pelo pagamento efetuado. Recurso Especial do Procurador Provido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso especial para restabelecer a glosa de créditos referentes a indébitos relativos a fatos geradores ocorridos até janeiro/1989. Otacílio Dantas Cartaxo Presidente Henrique Pinheiro Torres Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Nanci Gama, Júlio César Alves Ramos, Rodrigo Cardozo Miranda, Rodrigo da Costa Pôssas, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva, Marcos Aurélio Pereira Valadão, Maria Teresa Martínez López, Gileno Gurjão Barreto e Otacílio Dantas Cartaxo. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 66 0. 00 47 99 /2 00 2- 63 Fl. 213DF CARF MF Impresso em 09/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/12/2012 por CLEIDE LEITE, Assinado digitalmente em 11/12/2012 por HEN RIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 14/12/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO 2 Relatório A decisão a quo assim descreveu os fatos: Tratase de recurso contra decisão que manteve o levantamento fiscal de débito para o PIS, relativo ao período de apuração de 31/01/99 a 31/12/99, cuja compensação foi desconsiderada por entender a autoridade julgadora que os créditos utilizados, referentes ao período de apuração julho/88 a setembro/95, teriam sido alcançados pelo transcurso do prazo de 5(cinco) anos, contados da data da extinção do crédito tributário. Diz, ainda, que a contribuinte teria apurado valores do PIS a compensar, utilizando a alíquota de 0,75% na base de cálculo do sexto mês anterior ao mês de competência e que a empresa deixou de adicionar, na base de cálculo, o valor das parcelas das vendas, nos meses de outubro/99 e dezembro/99. "Ementa: LANÇAMENTO DE OFICIO. Sujeitamse a lançamento de oficio os valores apurados em decorrência de auditoria fiscal, cabendo à autoridade administrativa constituir o crédito tributário nos termos do art. 142 do CTN. Assunto: Contribuição para PIS/Pasep Período de apuração: 31/01/1993 a 30/09/1995 Ementa: PIS. COMPENSAÇÃO. Eventuais créditos de PIS decorrentes de recolhimentos efetuados com base em legislação considerada inconstitucional, cuja compensação foi efetuada, pelo contribuinte, só merecem acolhida, se dentro dos estritos limites determinados pela legislação de regência. Lançamento Procedente". Em síntese, o Fisco não reconhece o período de apuração utilizando a base de cálculo no sexto mês anterior para apurar o valor do PIS a pagar, em seu entendimento, está totalmente em desacordo com as determinações das legislações referentes ao PIS. A recorrente aduz, em sua impugnação de fls. 94/100, que efetivou compensação com créditos decorrentes de recolhimentos indevidos relativos ao PIS, o que foi compensado com débitos do próprio PIS, referente aos meses de janeiro de 1999 a dezembro de 1999. Disse que o crédito compensado decorre da declaração de inconstitucionalidade dos Decretos Leis n2s 2.445 e 2.449, ambos de 1988, conforme Resolução do Senado Federal, concluindo que os créditos aproveitados foram apurados de acordo com a Lei Complementar n2 7/70. Disse também que a base cálculo da contribuição ao PIS é o valor do faturamento do sexto mês anterior ao mês de competência, conforme dispõe o art. 62, parágrafo único, da LC n2 7/70. No tocante à decadência/prescrição aventada pelo Fisco, em seu levantamento com arrimo no item I do Ato Declaratório SRF n2 96, de 26/11/99, disse que há duas correntes dominantes na Fl. 214DF CARF MF Impresso em 09/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/12/2012 por CLEIDE LEITE, Assinado digitalmente em 11/12/2012 por HEN RIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 14/12/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 10660.004799/200263 Acórdão n.º 9303002.069 CSRFT3 Fl. 204 3 jurisprudência, a primeira no sentido de que a decadência do direito de pleitear a restituição começa a fluir com o decurso do prazo de cinco anos, contados da ocorrência do fato gerador, acrescido de mais cinco anos da data em que ocorreu a homologação tácita do lançamento. a segunda no sentido de que o prazo prescricional se dá com o decurso de cinco anos, contados da data em que o Supremo Tribunal Federal declarou inconstitucional a lei que fundamenta a questão, tendo por conseguinte a conclusão de que todos os fatos geradores de pagamentos indevidos, ocorridos nos últimos dez anos (art. 168 do CTN) anteriores à data de declaração de inconstitucionalidade pelo STF, podem ser objeto de pedido de restituição nos cinco anos seguintes à data em que o STF se manifestou. Concluiu que tanto a repetição de indébito quanto a compensação de créditos são formas paralelas e equivalentes de restituição de tributos pagos indevidamente ou a maior. Pleiteou exigência do PIS, mediante a alíquota de 0,75%, aplicável a base de cálculo correspondente ao faturamento do sexto mês anterior ao mês de competência; que se declarem a existência do crédito a ser restituído ou compensar com débitos do PIS. No recurso, solicita homologação da compensação efetivada e o cancelamento do crédito tributário constituído através do auto de infração. Julgando o feito, a câmara recorrida deu provimento parcial ao recurso voluntário apresentado pelo sujeito passivo, em acórdão assim ementado. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 31/01/1999 a 31/12/1999 A base de cálculo do PIS, nos termos da LC n2 7/70, corresponde ao faturamento do sexto mês anterior ao de ocorrência do fato gerador, sem correção monetária. Recurso provido em parte. Irresignada, a Douta ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional apresentou recurso especial, onde pugna pelo restabelecimento da glosa de créditos mantida pela decisão de primeira instância, por entender que o termo inicial para repetição do indébito é a data de extinção do crédito tributário pelo pagamento. O apelo fazendário foi admitido, conforme despacho de fls. 179/180. Regularmente intimado do despacho de admissibilidade do apelo fazendário, o sujeito passivo apresentou contrarrazões às fls. 187 a 197. É o relatório. Voto Fl. 215DF CARF MF Impresso em 09/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/12/2012 por CLEIDE LEITE, Assinado digitalmente em 11/12/2012 por HEN RIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 14/12/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO 4 Conselheiro Henrique Pinheiro Torres, Relator O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, razões que me fazem dele conhecer. A teor do relatado, a questão que se apresenta a debate diz respeito a auto de infração lavrado para glosar compensação de crédito realizada pelo sujeito passivo. A questão que subiu a esse colegiado diz respeito ao termo inicial do prazo para repetição de indébito, na modalidade de compensação. De um lado, a câmara a quo entendeu que o termo inicial seria o da publicação da Resolução 49 do Senado Federal, de outro lado, a Fazenda Nacional defende os 5 anos contados da extinção do crédito pelo pagamento. Nesta matéria, já me pronunciei inúmeras vezes, entendendo que o termo inicial para repetir indébito é o previsto no artigo 168 do CTN, com a interpretação dada pelo art. 3º da Lei Complementar 118/2005, ou seja, o da extinção do crédito pelo pagamento indevido. Esse entendimento vinha prevalecendo neste Colegiado, quando se resolveu sobrestar a matéria até que o Supremo Tribunal Federal se pronunciasse sobre a constitucionalidade do art. 4º da Lei Complementar suso mencionada, que determinava a aplicação retroativa da interpretação autêntica dada pelo citado artigo 3º. A decisão do STF foi no sentido de que o termo inicial do prazo para repetição de indébito, a partir de 09/06/2005, vigência da Lei Complementar 118/2005, era a data da extinção do crédito pelo pagamento; já para as ações de restituição ingressadas até a vigência dessa lei, deverseia aplicar o prazo dos 10 anos, consubstanciado na tese dos 5 mais 5 (cinco anos para homologar e mais 5 para repetir), prevalente no Superior Tribunal de Justiça. Para melhor clareza do aqui exposto, transcrevese a ementa do acórdão pretoriano que decidiu a questão. 04/08/2011 PLENÁRIO RECURSO EXTRAORDINÁRIO 566.621 Rio GRANDE DO Sul. RELATORA : MIN. ELLEN GRACIE DIREITO TRIBUTÁRIO LEI INTERPRETATIVA APLICAÇÃO RETROATIVA DA LEI COMPLEMENTAR Nº 118/2005 DESCABIMENTO VIOLAÇÃO À SEGURANÇA JURÍDICA NECESSIDADE DE OBSERVÂNCIA DA VACACIO LEGIS APLICAÇÃO DO PRAZO REDUZIDO PARA REPETIÇÃO OU COMPENSAÇÃO DE INDÉBITOS AOS PROCESSOS AJUIZADOS A PARTIR DE '9 DE JUNHO DE 2005. Quando do advento da LC 118/05, estava consolidada a orientação da Primeira Seção do STJ no sentido de que, para os tributos sujeitos a lançamento por homologação, o prazo para repetição ou compensação de indébito era de 10 anos contados do seu fato gerador, tendo em conta a aplicação combinada dos arts. 150, § 4º, 156, VII, e 168, 1, do CTN. A LC 118/05, embora tenha se autoproclamado interpretativa, implicou inovação normativa, tendo reduzido o prazo de 10 anos contados do fato gerador para 5 anos contados do pagamento indevido. Fl. 216DF CARF MF Impresso em 09/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/12/2012 por CLEIDE LEITE, Assinado digitalmente em 11/12/2012 por HEN RIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 14/12/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 10660.004799/200263 Acórdão n.º 9303002.069 CSRFT3 Fl. 205 5 Lei supostamente interpretativa que, em verdade, inova no mundo jurídico deve ser considerada como lei nova. Inocorrência de violação à autonomia e independência dos Poderes, porquanto a lei expressamente interpretativa também se submete, como qualquer Outra, ao controle judicial quanto à sua natureza, validade e aplicação. A aplicação retroativa de novo e reduzido prazo para a repetição ou compensação de indébito tributário estipulado por lei nova, fulminando, de imediato, pretensões deduzidas tempestivamente à luz do prazo então aplicável, bem como a aplicação imediata às pretensões pendentes de ajuizamento quando da publicação da lei, sem resguardo de nenhuma regra de transição, implicam ofensa ao Principio da segurança jurídica em seus conteúdos de proteção da confiança e de garantia do acesso à justiça. Afastandose as aplicações inconstitucionais e resguardandose, no mais, a eficácia da norma, permitese a aplicação do prazo reduzido relativamente às ações ajuizadas após a vacatio legis, conforme entendimento consolidado por esta Corte no enunciado 445 da Súmula do Tribunal. O prazo de vatatio legis de 120 dias permitiu aos contribuintes não apenas que tomassem ciência do novo prazo, mas também que ajuizassem as ações necessárias à tutela dos seus direitos. lnaplicabilidade do art. 2.028 do Código Civil, pois, não havendo lacuna na LC 118/05, que pretendeu a aplicação do novo prazo na maior extensão possível, descabida sua aplicação por analogia. Além disso, não se trata de lei geral, tampouco impede iniciativa legislativa em contrário. Reconhecida a inconstitucionalidade art. 4º, segunda parte, da LC 118/05, considerandose válida a aplicação do novo prazo de 5 anos tãosomente às ações ajuizadas após o decurso da vacacio legis de 120 dias, ou seja, a partir de 9 de junho de 2005. Aplicação do art. 54343, § 3, do CPC aos recursos sobrestados. Recurso extraordinário desprovido. AC0RDÃO Vistos, relatados e discutidos estes autos, acordam os Ministros do Supremo Tribunal Federal, em Sessão Plenária, sob a RE 66.621 / RS Presidência do Senhor Ministro Cezar Peluso, na conformidade da ata de julgamento e das notas taquigráficas, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso extraordinário, nos termos do voto da relatora. Essa decisão não deixa margem a dúvida de que o artigo 3º da Lei Complementar nº 118/2005 só produziram efeitos a partir de 9 de junho de 2005, com isso, Fl. 217DF CARF MF Impresso em 09/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/12/2012 por CLEIDE LEITE, Assinado digitalmente em 11/12/2012 por HEN RIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 14/12/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO 6 quem ajuizou ação judicial de repetição de indébito, em período anterior a essa data, gozava do prazo decenal (tese dos 5 + 5) para repetição de indébito, contado a partir do fato gerador da obrigação tributária. Ademais, não se pode olvidar que a Constituição é aquilo que o Supremo Tribunal Federal diz que ela é, com isso, em matéria de controle de constitucionalidade, a última palavra é do STF, por conseguinte, deve todos os demais tribunais e órgãos administrativos observarem suas decisões. Doutro lado, não se alegue que predita decisão seria inaplicável ao CARF já que o acórdão do STF teria vedado a aplicação retroativa da lei aos casos de ação judicial impetradas até o início da vigência da lei interpretativa, pois o fundamento para declarar a inconstitucionalidade da segunda parte do art. 4º acima citado, foi justamente a ofensa ao princípio da segurança jurídica e da confiança, o que se aplica, de igual modo, aos pedidos administrativos, não havendo qualquer motivo, nesse quesito – segurança jurídica – para diferenciálos dos pedidos judiciais. De todo o exposto, temse que aos pedidos administrativos de repetição de indébito, formalizados até 8 de junho de 2005, aplicase o prazo decenal. Assim, no caso sob exame, temse que os créditos referentes pagamentos relativos a fatos geradores ocorridos até janeiro de 1989, na data em que efetuado o encontro de contas, fevereiro de 1999, referente a débitos de janeiro de 1999, encontravamse alcançados pela prescrição. Com essas considerações, voto no sentido de dar provimento parcial ao recurso da Fazenda Nacional para reconhecer a prescrição do direito à repetição de créditos decorrentes de pagamentos a maior relativos a fatos geradores ocorridos até janeiro de 1989. Henrique Pinheiro Torres Fl. 218DF CARF MF Impresso em 09/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/12/2012 por CLEIDE LEITE, Assinado digitalmente em 11/12/2012 por HEN RIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 14/12/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO
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