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Numero do processo: 11020.720287/2011-37
Turma: Segunda Turma Extraordinária da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 06 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Apr 11 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Ano-calendário: 2009
MULTA POR ATRASO. ENTREGA EXTEMPORÂNEA DE DIRPF. INCIDÊNCIA.
É devida a multa por atraso na entrega de DIRPF fora do prazo normativamente estabelecido.
Numero da decisão: 1002-000.023
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e Voto que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Julio Lima Souza Martins - Presidente.
(assinado digitalmente)
Aílton Neves da Silva - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Júlio Lima Souza Martins (Presidente), Breno do Carmo Moreira Vieira, Aílton Neves da Silva, e Leonam Rocha de Medeiros.
Nome do relator: AILTON NEVES DA SILVA
1.0 = *:*
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ementa_s : Assunto: Obrigações Acessórias Ano-calendário: 2009 MULTA POR ATRASO. ENTREGA EXTEMPORÂNEA DE DIRPF. INCIDÊNCIA. É devida a multa por atraso na entrega de DIRPF fora do prazo normativamente estabelecido.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e Voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Julio Lima Souza Martins - Presidente. (assinado digitalmente) Aílton Neves da Silva - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Júlio Lima Souza Martins (Presidente), Breno do Carmo Moreira Vieira, Aílton Neves da Silva, e Leonam Rocha de Medeiros.
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ENTREGA EXTEMPORÂNEA DE DIRPF. INCIDÊNCIA. É devida a multa por atraso na entrega de DIRPF fora do prazo normativamente estabelecido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e Voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Julio Lima Souza Martins Presidente. (assinado digitalmente) Aílton Neves da Silva Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Júlio Lima Souza Martins (Presidente), Breno do Carmo Moreira Vieira, Aílton Neves da Silva, e Leonam Rocha de Medeiros. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 02 0. 72 02 87 /2 01 1- 37 Fl. 41DF CARF MF 2 Relatório Por economia processual, adoto o relatório produzido pela DRJ/CGE: A Notificação de Lançamento de fls. 05, exige do contribuinte, já qualificado nos autos, o recolhimento do crédito tributário originário, no valor de R$ 3.399,69 (três mil, trezentos e noventa e nove reais e sessenta e nove centavos). O lançamento originou se da entrega da declaração de ajuste anual fora do prazo. Na impugnação oferecida, às fl. 02/03, o autuado alegou, em síntese, que: · Seja reconsiderada a multa lançada para no valor mínimo, pois não agiu de máfé; · Requer a revisão do lançamento. A exigência tributária foi impugnada pelo contribuinte e julgada procedente pela DRJ/CGE, conforme acórdão n. 0430.974, que está assim ementado: (efl. 27): ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2010 MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DA DIRPF Restando comprovada a obrigatoriedade de entrega da DIRPF, a multa por atraso na entrega de declaração deve ser declarada procedente, independentemente da intenção do contribuinte. Inconformado com a decisão de primeira instância, o Recorrente apresentou Recurso Voluntário praticamente idêntico a sua impugnação, no qual ratifica os fundamentos de fato e de direito já apresentados e requer o deferimento de seu pleito. E o Relatório. Voto Conselheiro Aílton Neves da Silva Relator O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, portanto, dele conheço. Primeiramente, é de se destacar que o atraso na entrega da DIRPF do ano calendário de 2009 é fato incontroverso, eis que não é alvo de contestação pelo Recorrente. Em segundo lugar, observo que o Recorrente não tece uma linha sequer para rebater os fundamentos de fato e de direito consignados no acórdão de impugnação recorrido, repetindo ipsis litteris a argumentação expendida em sua impugnação. Fl. 42DF CARF MF Processo nº 11020.720287/201137 Acórdão n.º 1002000.023 S1C0T2 Fl. 3 3 A defesa da Recorrente baseiase unicamente no fato de não ter agido de má fé na entrega da DIRPF em atraso. Esta matéria foi alvo de percuciente análise no acórdão exarado pela DRJ/CGE e não merece reparos por parte deste colegiado, motivo pelo qual peço vênia para colacionar trechos daquela decisão onde estão consignados os fundamentos para indeferimento do pleito do contribuinte, os quais, de acordo com o § 3º do artigo 57 do Ricarf, desde já adoto como razões de decidir: (...) Atentese que o ato do lançamento da multa por descumprimento de obrigação acessória pela Autoridade Lançadora, é um ato vinculado como se depreende do Parágrafo Único, do artigo 142, do Código Tributário Nacional, in verbis: Art. 142. Compete privativamente à autoridade administrativa constituir o crédito tributário pelo lançamento, assim entendido o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo caso, propor a aplicação da penalidade cabível. Parágrafo único. A atividade administrativa de lançamento é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional. Além do mais, a responsabilidade do contribuinte perante as infrações previstas na legislação tributária é objetiva, como se aduz do artigo 163, do Código Tributário Nacional, in verbis: Art. 136. Salvo disposição de lei em contrário, a responsabilidade por infrações da legislação tributária independe da intenção do agente ou do responsável e da efetividade, natureza e extensão dos efeitos do ato. Consequentemente, não há como acolher as alegações do impugnante. Ante o exposto, voto por negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Aílton Neves da Silva Fl. 43DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10925.001955/2006-18
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Mon Apr 08 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Mon May 20 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural - ITR
Exercício: 2005
OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DA DECLARAÇÃO - DITR.
A entrega Declaração do Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural (DITR) após o prazo previsto pela legislação tributária sujeita o contribuinte à incidência da multa correspondente.
DENÚNCIA ESPONTÂNEA. SÚMULA CARF Nº 49.
O instituto da denúncia espontânea não alcança a prática de ato puramente formal do contribuinte, consistente na entrega, com atraso, da declaração do Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural (DITR). Aplicação da Súmula Carf nº 49.
Numero da decisão: 2301-005.957
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, NEGAR PROVIMENTO ao recurso.
João Maurício Vital - Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Reginaldo Paixão Emos, Wesley Rocha, Cleber Ferreira Nunes Leite, Marcelo Freitas de Souza Costa, Antônio Savio Nastureles e João Maurício Vital (Presidente), ausente a conselheira Juliana Marteli Fais Feriato.
Nome do relator: JOAO MAURICIO VITAL
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural - ITR Exercício: 2005 OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DA DECLARAÇÃO - DITR. A entrega Declaração do Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural (DITR) após o prazo previsto pela legislação tributária sujeita o contribuinte à incidência da multa correspondente. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. SÚMULA CARF Nº 49. O instituto da denúncia espontânea não alcança a prática de ato puramente formal do contribuinte, consistente na entrega, com atraso, da declaração do Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural (DITR). Aplicação da Súmula Carf nº 49.
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MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DA DECLARAÇÃO DITR. A entrega Declaração do Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural (DITR) após o prazo previsto pela legislação tributária sujeita o contribuinte à incidência da multa correspondente. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. SÚMULA CARF Nº 49. O instituto da denúncia espontânea não alcança a prática de ato puramente formal do contribuinte, consistente na entrega, com atraso, da declaração do Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural (DITR). Aplicação da Súmula Carf nº 49. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, NEGAR PROVIMENTO ao recurso. João Maurício Vital Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Reginaldo Paixão Emos, Wesley Rocha, Cleber Ferreira Nunes Leite, Marcelo Freitas de Souza Costa, Antônio Savio Nastureles e João Maurício Vital (Presidente), ausente a conselheira Juliana Marteli Fais Feriato. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 92 5. 00 19 55 /2 00 6- 18 Fl. 29DF CARF MF Processo nº 10925.001955/200618 Acórdão n.º 2301005.957 S2C3T1 Fl. 3 2 Relatório O presente recurso foi objeto de julgamento na sistemática prevista no art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, adoto o relatório objeto do Acórdão nº 2301005.953, de 08 de abril de 2019 3ª Câmara/1ª Turma Ordinária, proferido no âmbito do processo n° 10925.001941/200696, paradigma deste julgamento, com adaptações na forma a seguir apresentada. Tratase de Auto de Infração de Multa Por Atraso na Entrega da Declaração do Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural (DITR), referente ao exercício de 2005. Contra a Notificação de Lançamento, foi apresentada impugnação tempestiva, limitandose a impugnante a relatar a situação crítica da arrecadação municipal e a solicitar a relevação da multa aplicada. Em seguida, a 1ª Turma de julgamento da DRJ Campo Grande (MS) proferiu o acórdão de 1ª instância, considerando o lançamento procedente e mantendo o crédito tributário. Nessa decisão foi consignado que a apresentação anual da DITR é uma obrigação acessória prevista em lei, cujo prazo foi fixado por norma infralegal, sujeitando o contribuinte à multa pelo descumprimento desse prazo, e que não há hipótese legal para relevação da penalidade. Inconformada, a recorrente apresentou Recurso Voluntário, reproduzindo os argumentos da impugnação e acrescentando seu entendimento de que o art. 138 do CTN ampara sua pretensão, na medida em que a situação caracteriza denúncia espontânea, citando jurisprudências. É o relatório. Voto Conselheiro João Maurício Vital. Este processo foi julgado na sistemática prevista no art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão nº 2301005.953, de 08 de abril de 2019 3ª Câmara/1ª Turma Ordinária, proferido no âmbito do processo n° 10925.001941/200696, paradigma deste julgamento. Apresentase, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o teor do voto proferido na susodita decisão paradigma, a saber, Acórdão nº 2301005. 953, de 08 de abril de 2019 3ª Câmara/1ª Turma Ordinária, na forma descrita a seguir. O recurso é tempestivo. Presentes os pressupostos de admissibilidade, conheço do recurso interposto e passo a julgálo. Verificase, no Auto de Infração, que a DITR foi apresentada no dia 07/02/2006, caracterizando o atraso, pois o prazo para apresentação da DITR 2005 era o Fl. 30DF CARF MF Processo nº 10925.001955/200618 Acórdão n.º 2301005.957 S2C3T1 Fl. 4 3 previsto no art. 3º da Instrução Normativa SRF nº 554/2005, ou seja, de 08/08/2005 a 30/09/2005. Como dito na decisão da DRJ, a obrigatoriedade de apresentação anual da DITR e a exigência da multa por atraso na sua apresentação têm previsão legal nos artigos 7º, 8º e 9º da lei 9.393/1996. Nos termos do art. 142 do Código Tributário Nacional, o lançamento do tributo é atividade administrativa plenamente vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional. Ou seja, constatado o atraso na apresentação da declaração o lançamento da multa é obrigatório, por determinação legal. Quanto à possibilidade de relevação da multa aplicada, esta somente poderia ser efetuada por meio anistia concedida por lei, nos termos dos artigos 180 a 182 do CTN. A autoridade administrativa não detém essa competência. Portanto, é impossível o atendimento dessa solicitação por absoluta falta de previsão legal. Quanto ao pedido para aplicação do instituto da denúncia espontânea ao presente caso, é forçoso também refutar tal solicitação. Isto por que a penalidade por infração formal, decorrente de obrigação acessória, não é passível de ser afastada pela denúncia espontânea. Tal entendimento encontrase pacificado no âmbito do STJ, conforme AIRESP 1613696 (Relator Ministro Herman Benjamin; DJE 24/04/2017). Por sua vez, no âmbito do CARF, foi editada Súmula de caráter vinculante no mesmo sentido, conforme abaixo: Súmula CARF nº 49 A denúncia espontânea (art. 138 do Código Tributário Nacional) não alcança a penalidade decorrente do atraso na entrega de declaração. (Vinculante, conforme Portaria MF nº 277, de 07/06/2018, DOU de 08/06/2018). Em suma, restam afastadas todas as pretensões da recorrente. Conclusão Pelo exposto, voto por NEGAR PROVIMENTO ao recurso. É como voto. João Maurício Vital Relator Fl. 31DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10680.014080/2005-45
Turma: Segunda Turma Extraordinária da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Apr 24 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Fri May 10 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2000, 2001
DESPESAS MÉDICAS. COMPROVAÇÃO.
É licita a exigência de outros elementos de prova além dos recibos das despesas médicas quando a autoridade fiscal não ficar convencida da efetividade da prestação dos serviços ou da materialidade dos respectivos pagamentos.
Numero da decisão: 2002-000.981
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em afastar a preliminar de nulidade e, no mérito, por maioria de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário, vencido o conselheiro Thiago Duca Amoni que lhe deu provimento parcial para afastar a glosa de Igor Giannini (R$4.330,00).
(assinado digitalmente)
Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez - Presidente
(assinado digitalmente)
Mônica Renata Mello Fereira Stoll - Relatora
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez, Mônica Renata Mello Fereira Stoll, Thiago Duca Amoni e Virgílio Cansino Gil.
Nome do relator: MONICA RENATA MELLO FERREIRA STOLL
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em afastar a preliminar de nulidade e, no mérito, por maioria de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário, vencido o conselheiro Thiago Duca Amoni que lhe deu provimento parcial para afastar a glosa de Igor Giannini (R$4.330,00). (assinado digitalmente) Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez - Presidente (assinado digitalmente) Mônica Renata Mello Fereira Stoll - Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez, Mônica Renata Mello Fereira Stoll, Thiago Duca Amoni e Virgílio Cansino Gil.
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COMPROVAÇÃO. É licita a exigência de outros elementos de prova além dos recibos das despesas médicas quando a autoridade fiscal não ficar convencida da efetividade da prestação dos serviços ou da materialidade dos respectivos pagamentos. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em afastar a preliminar de nulidade e, no mérito, por maioria de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário, vencido o conselheiro Thiago Duca Amoni que lhe deu provimento parcial para afastar a glosa de Igor Giannini (R$4.330,00). (assinado digitalmente) Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez Presidente (assinado digitalmente) Mônica Renata Mello Fereira Stoll Relatora AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 68 0. 01 40 80 /2 00 5- 45 Fl. 141DF CARF MF Processo nº 10680.014080/200545 Acórdão n.º 2002000.981 S2C0T2 Fl. 142 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez, Mônica Renata Mello Fereira Stoll, Thiago Duca Amoni e Virgílio Cansino Gil. Relatório Tratase de Auto de Infração (efls. 05/09) lavrado em nome do sujeito passivo acima identificado, relativo ao Imposto de Renda Pessoa Física – IRPF dos anos calendário 2000 e 2001. O lançamento decorre da apuração de Dedução Indevida de Despesas Médicas, conforme detalhado no Termo de Verificação Fiscal (efls. 10/20). A contribuinte apresentou Impugnação (efls. 78/93) cujos argumentos foram sintetizados no relatório do acórdão recorrido (efls. 114/115): 1. Relativamente aos pagamentos ao Sr. Igor Giannini, parte o AuditorFiscal da premissa de que todas as despesas médicas da impugnante não passaram de uma tentativa de burlar o Fisco, violando o disposto no art. 5°, inciso LVII da Constituição Federal. Solicita a impugnante perícia para comprovar o tratamento com o Sr. Igor conforme quesitos de fl. 83 e indica como perito o próprio Sr. Igor. 2. Concorda com as glosas feitas referentes aos pagamentos a Dermato Sociedade Simples Ltda e Unidade de Medicina Cutânea Ltda, pois, alega que houve erro de digitação. 3. Quanto às glosas mencionadas no item 2 discorda, tão somente, da multa, solicitando que seja minorada, tendo em vista a total ausência da máfé da impugnante e atendendo aos princípios da capacidade contributiva, da razoabilidade e do nãoconfisco. No final, requer em preliminar que seja revisto o cálculo do crédito tributário, diante de sua divergência com o Termo de Verificação Fiscal e seja determinada a união do presente processo ao de n° l0680.0l408l/200590, por serem conexos e se tratarem do mesmo assunto, evitandose decisões antagônicas. O lançamento foi julgado procedente pela 5ª Turma da DRJ/BHE em decisão assim ementada (efls. 112/118): ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICAIRPF Exercício: 2001, 2002. AJUSTE ANUAL. ÔNUS DA PROVA. Todas as deduções pleiteadas no ajuste anual estão sujeitas à comprovação ou justificação, a juízo da autoridade lançadora. Fl. 142DF CARF MF Processo nº 10680.014080/200545 Acórdão n.º 2002000.981 S2C0T2 Fl. 143 3 MULTA DE OFÍCIO. PEDIDO DE DISPENSA DO PAGAMENTO DE PENALIDADES. Somente a lei pode estabelecer as hipóteses de dispensa ou redução de penalidades. Cientificada do acórdão de primeira instância em 20/02/2008 (efls. 124), a interessada ingressou com Recurso Voluntário em 20/03/2008 (efls. 125/132) com os argumentos a seguir sintetizados. Inicialmente requer seja alterado o endereço de seus procuradores para fins de intimação. Apresenta breve descrição dos fatos processuais. Alega a nulidade do acórdão recorrido por violação ao princípio da ampla defesa e do contraditório, uma vez que indeferiu o pedido de perícia técnica sem a devida fundamentação. Expõe que apresentou todos os comprovantes das despesas dedutíveis do IRPF, nos termos do artigo 8°, inciso II, alínea “a”, § 2° e seus incisos, da Lei n° 9.250/95, e defende que, se a discordância fiscal reside apenas no pagamento, a busca pela verdade dos fatos através de procedimento probatório próprio é medida que se impõe. Sustenta que apresentou todos os comprovantes das despesas declaradas nos ajustes anuais e que a questão controvertida está no fato de o fisco não aceitar que tais pagamentos foram efetuados em dinheiro, como se esse procedimento fosse ilícito. Assevera que o pagamento das próprias despesas em espécie, além de ser lícito, ainda é a forma mais natural e frequente na contemporaneidade. Aduz que o acórdão violou a literalidade do que dispõe o artigo 8°, inciso II, alínea “a”, § 2° e seus incisos, da Lei n° 9.250/95 e também o art. 80 do RIR/99. Entende que o fisco está exigindo uma obrigação inexistente na Lei 9.250/95 e que as despesa apenas não seriam dedutíveis se este demonstrasse a inidoneidade dos comprovantes, haja vista que possui meios próprios para tanto. Apresenta jurisprudência sobre o tema. Voto Conselheira Mônica Renata Mello Ferreira Stoll O Recurso Voluntário é tempestivo e reúne os requisitos de admissibilidade, portanto, dele tomo conhecimento. Extraise do Termo de Verificação Fiscal (efls. 10/20) que a autoridade lançadora procedeu à glosa de parte da despesa com a Clínica Dermato no ano calendário 2000 (R$ 3.000,00) e da despesa com Igor Giannini (R$ 4.330,00) e de parte da despesa com a Unidade de Medicina Cutânea (R$ 3.000,00) no ano calendário 2001 por não ter a contribuinte, devidamente intimada, comprovado o seu efetivo pagamento. Fl. 143DF CARF MF Processo nº 10680.014080/200545 Acórdão n.º 2002000.981 S2C0T2 Fl. 144 4 O lançamento foi parcialmente impugnado e a decisão de primeira instância manteve as glosas efetuadas, corroborando as razões expostas pela fiscalização (efls. 112/118). Cumpre ressaltar, inicialmente, que o lançamento foi regularmente constituído por autoridade competente e preenche todas as exigências formais previstas na legislação de regência. O sujeito passivo, a descrição dos fatos, os dispositivos legais infringidos e a penalidade aplicada foram corretamente identificados no Auto de Infração e no Termo de Constatação Fiscal que o acompanha, não havendo vício que enseje a sua nulidade. Também não merece ser acolhida a alegação de que houve cerceamento do direito de defesa da contribuinte, uma vez que esta teve pleno conhecimento dos fatos que deram origem à autuação e que lhe foram concedidas diversas oportunidades para apresentar documentos e esclarecimentos a fim de elidir a tributação contestada. Impõese observar nesse ponto que, ao contrário do que alega a recorrente, a perícia técnica solicitada na Impugnação não foi indeferida sem a devida fundamentação pelo Colegiado a quo, conforme se verifica no trecho do voto condutor a seguir reproduzido: No que concerne aos pedidos de perícias e oitiva de testemunhas são indeferidos. Esclareçase que na relação jurídicotributária o ônus da prova incumbe a quem alega o direito. Assim, à autoridade fiscal compete investigar, diligenciar, demonstrar e provar a ocorrência ou não do fato tributário, observando os princípios do devido processo legal, da verdade material, do contraditório e da ampla defesa. Ao sujeito passivo, por sua vez, cabe apresentar prova em contrário, por meio dos elementos que demonstrem a efetividade do direito alegado, bem como hábeis para afastar, a imputação. da irregularidade apontada. Ao julgador administrativotributário, somente “cabe complementar e ir em busca de provas para formar o seu livre convencimento, não lhe competindo suprir elementos que deveriam ser trazidos aos autos pelas partes do processo. Vale lembrar que, de acordo com o art. 29 do Decreto nº 70.235/72, a autoridade julgadora de primeira instância é livre para formar sua convicção na apreciação de provas, podendo determinar a realização de diligências ou perícias quando entendêlas necessárias e indeferir as que considerar prescindíveis ou impraticáveis, nos termos do art. 18 do mesmo Decreto. Cabe esclarecer que a dedução de despesas médicas na Declaração de Ajuste Anual está sujeita à comprovação por documentação hábil e idônea a juízo da autoridade lançadora, nos termos do art. 73 do Regulamento do Imposto de Renda RIR/99, aprovado pelo Decreto 3.000/99. Dessa forma, ainda que a contribuinte tenha apresentado recibos emitidos pelos profissionais, é licito a autoridade fiscal exigir, a seu critério, outros elementos de prova caso não fique convencida da efetividade da prestação dos serviços ou da materialidade dos respectivos pagamentos. Havendo questionamento acerca das despesas declaradas, cabe ao sujeito passivo o ônus de comproválas de maneira inequívoca, sem deixar margem a dúvidas. Ressaltese que tal exigência não está relacionada à constatação de inidoneidade dos recibos examinados, ao contrário do que entende a recorrente, mas tão somente à formação de convicção da autoridade lançadora. Fl. 144DF CARF MF Processo nº 10680.014080/200545 Acórdão n.º 2002000.981 S2C0T2 Fl. 145 5 As decisões a seguir, proferidas pela Câmara Superior de Recursos Fiscais CSRF e pela 1ª Turma da 4ª Câmara da 2ª Seção do CARF, corroboram esse entendimento: IRPF. DESPESAS MÉDICAS.COMPROVAÇÃO. Todas as deduções declaradas estão sujeitas à comprovação ou justificação, mormente quando há dúvida razoável quanto à sua efetividade. Em tais situações, a apresentação tãosomente de recibos e/ou declarações de lavra dos profissionais é insuficiente para suprir a não comprovação dos correspondentes pagamentos. (Acórdão nº9202005.323, de 30/3/2017) DEDUÇÃO. DESPESAS MÉDICAS. APRESENTAÇÃO DE RECIBOS. SOLICITAÇÃO DE OUTROS ELEMENTOS DE PROVA PELO FISCO. Todas as deduções estão sujeitas à comprovação ou justificação, podendo a autoridade lançadora solicitar motivadamente elementos de prova da efetividade dos serviços médicos prestados ou dos correspondentes pagamentos. Em havendo tal solicitação, é de se exigir do contribuinte prova da referida efetividade. (Acórdão nº9202005.461, de 24/5/2017) IRPF. DEDUÇÃO DE DESPESAS MÉDICAS. NECESSIDADE DE COMPROVAÇÃO DA EFETIVA PRESTAÇÃO DOS SERVIÇOS E DO CORRESPONDENTE PAGAMENTO. A Lei nº 9.250/95 exige não só a efetiva prestação de serviços como também seu dispêndio como condição para a dedução da despesa médica, isto é, necessário que o contribuinte tenha usufruído de serviços médicos onerosos e os tenha suportado. Tal fato é que subtrai renda do sujeito passivo que, em face do permissivo legal, tem o direito de abater o valor correspondente da base de cálculo do imposto sobre a renda devido no ano calendário em que suportou tal custo. Havendo solicitação pela autoridade fiscal da comprovação da prestação dos serviços e do efetivo pagamento, cabe ao contribuinte a comprovação da dedução realizada, ou seja, nos termos da Lei nº 9.250/95, a efetiva prestação de serviços e o correspondente pagamento. (Acórdão nº2401004.122, de 16/2/2016) A contribuinte deve levar em consideração que o pagamento de despesas médicas não envolve apenas ela e o profissional, mas também o Fisco, caso haja intenção de se beneficiar da dedução correspondente em sua Declaração de Ajuste Anual. Por esse motivo, deve se acautelar na guarda de elementos de prova da efetividade dos pagamentos e dos serviços prestados. É possível que a recorrente tenha feito seus pagamentos em espécie, tal como alega, não havendo nada de ilegal neste procedimento. A legislação não impõe que se faça Fl. 145DF CARF MF Processo nº 10680.014080/200545 Acórdão n.º 2002000.981 S2C0T2 Fl. 146 6 pagamentos de uma forma em detrimento de outra. Não obstante, verificase que esta não trouxe aos autos nenhum documento bancário a fim de demonstrar a correspondência de datas e valores entre os saques efetuados em sua conta bancária e os recibos apresentados, permanecendo sem comprovação o efetivo pagamento das despesas. Importa salientar que não é o Fisco que precisa provar que as despesas médicas declaradas não existiram, mas o contribuinte que deve apresentar as devidas comprovações quando solicitado. Isto porque, sendo a inclusão de despesas médicas na Declaração de Ajuste Anual nada mais do que um benefício concedido pela legislação, incumbe ao interessado provar que faz jus ao direito pleiteado. Cabe mencionar, ainda, que as decisões trazidas pela recorrente somente vinculam as partes envolvidas naqueles litígios, não podendo ser estendidas genericamente a outros casos. Apenas a jurisprudência do CARF espelhada nas decisões reiteradas e uniformes de seus Colegiados e consolidada através de súmula é de observância obrigatória no julgamento dos recursos, não sendo este o presente caso. Quanto ao pedido de alteração do endereço de seus procuradores para fins de intimação, devese esclarecer à contribuinte que é incabível a intimação dirigida aos advogados do sujeito passivo, nos termos da Súmula CARF n° 110 abaixo reproduzida: No processo administrativo fiscal, é incabível a intimação dirigida ao endereço de advogado do sujeito passivo. Por todo o exposto, voto por rejeitar a preliminar de nulidade e, no mérito, negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Mônica Renata Mello Fereira Stoll Fl. 146DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10805.902233/2014-41
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Mar 28 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Thu May 16 00:00:00 UTC 2019
Numero da decisão: 3302-001.009
Decisão: Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do relator.
(assinado digitalmente)
Paulo Guilherme Déroulède - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Gilson Macedo Rosenburg Filho, Walker Araujo, Corintho Oliveira Machado, Jose Renato Pereira de Deus, Jorge Lima Abud, Raphael Madeira Abad e Paulo Guilherme Deroulede (Presidente). Ausente justificadamente o Conselheiro Muller Nonato Cavalcanti Silva (Suplente Convocado) para participar de julgamento na 1º Turma Ordinária da 4º Câmara da 3º Seção de Julgamento.
Relatório
Nome do relator: PAULO GUILHERME DEROULEDE
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decisao_txt : Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède - Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Gilson Macedo Rosenburg Filho, Walker Araujo, Corintho Oliveira Machado, Jose Renato Pereira de Deus, Jorge Lima Abud, Raphael Madeira Abad e Paulo Guilherme Deroulede (Presidente). Ausente justificadamente o Conselheiro Muller Nonato Cavalcanti Silva (Suplente Convocado) para participar de julgamento na 1º Turma Ordinária da 4º Câmara da 3º Seção de Julgamento. Relatório
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 3; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1915; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C3T2 Fl. 2 1 1 S3C3T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10805.902233/201441 Recurso nº Voluntário Resolução nº 3302001.009 – 3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Data 28 de março de 2019 Assunto Solicitação de diligência Recorrente DIAUTO DISTRIBUIDORA DE AUTOMOVEIS VILA PAULA LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Gilson Macedo Rosenburg Filho, Walker Araujo, Corintho Oliveira Machado, Jose Renato Pereira de Deus, Jorge Lima Abud, Raphael Madeira Abad e Paulo Guilherme Deroulede (Presidente). Ausente justificadamente o Conselheiro Muller Nonato Cavalcanti Silva (Suplente Convocado) para participar de julgamento na 1º Turma Ordinária da 4º Câmara da 3º Seção de Julgamento. Relatório Trata o presente processo do PER/DCOMP, transmitido pelo contribuinte acima identificado por meio do qual solicita o reconhecimento de um direito creditório referente à COFINS, para fins de sua compensação com débitos próprios. O Despacho Decisório constante dos autos, emitido de forma eletrônica, não homologou a compensação pleiteada, sob o fundamento de não haver crédito disponível para tanto, pelo fato de o pagamento informado no DARF correspondente haver sido integralmente utilizado para quitação de débitos do contribuinte. Anteriormente à emissão do referido Despacho Decisório, foi disponibilizada ao contribuinte a Análise Preliminar do Direito Creditório, no sítio da RFB, com a informação de que, no caso de inconsistências constatadas na referida Análise, ser a ele concedido o prazo de RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 08 05 .9 02 23 3/ 20 14 -4 1 Fl. 273DF CARF MF Processo nº 10805.902233/201441 Resolução nº 3302001.009 S3C3T2 Fl. 3 2 45 dias a contar dessa disponibilização, para o seu saneamento, através da transmissão de PERDCOMP retificador, ou ainda de outras declarações retificadoras, como DCTF, DIPJ, Dacon, Redarf, DIRF, etc. Contra a referida decisão, o contribuinte apresentou Manifestação de Inconformidade, em que alegou basicamente o seguinte: Através de auditoria em seus controles internos, constatou a ocorrência de pagamento a maior da COFINS do período de apuração em questão, tendo apresentado pedido de compensação do referido crédito, através de PERDCOMP retificador, desacompanhado, porém, da retificação das demais Declarações que compõem sua obrigação acessória – como DACON e DCTF, nas quais o débito devido da referida contribuição social foi declarado com erro. Somente após o recebimento do Despacho Decisório em comento, procedeu à retificação das declarações DACON e DCTF, conforme anexadas aos autos, e nas quais fez refletir o valor a menor devido a título de COFINS, como origem de seu direito creditório, cuja liquidez e certeza restaria então comprovada. Assim, a Defendente requer que seja julgada procedente a presente Manifestação de Inconformidade, com a consequente homologação da compensação pleiteada. A Delegacia da Receita Federal de Julgamento no Rio de Janeiro, por unanimidade de votos, julgou improcedente a impugnação, entendendo não restar comprovada a certeza e liquidez do direito creditório pleiteado. Assentou ainda, o colegiado a quo, ser ônus do contribuinte a comprovação documental do direito creditório informado em declaração de compensação. Intimado da decisão a Recorrente interpôs recurso voluntário, no qual reproduz as alegações oferecidas na impugnação e aduz que a decisão de primeira instância trouxe os fatos e razões novas que merecem ser contrapostos, tais como a insuficiência da apresentação da DCTF e da DACON retificadoras para provar o direito da recorrente, daí porque no recurso voluntário traz balancete de verificação que discrimina as contas tributadas indevidamente. É o relatório. Voto Conselheiro Paulo Guilherme Deroulede O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido na Resolução 3302001.004, de 28 de março de 2019, proferido no julgamento do processo 10805.902226/201449, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevemse, como solução deste litígio, nos termos regimentais, os entendimentos que prevaleceram naquela decisão (Resolução 3302001.004): Fl. 274DF CARF MF Processo nº 10805.902233/201441 Resolução nº 3302001.009 S3C3T2 Fl. 4 3 "O recurso voluntário é tempestivo, e considerando o preenchimento dos demais requisitos de sua admissibilidade, merece ser apreciado. Sem embargo de a recorrente não ter trazido todas as provas necessárias à comprovação do seu direito na manifestação de inconformidade, houve um esforço nesse sentido, com a apresentação da DCTF e da DACON retificadoras. Agora em recurso voluntário, o balancete de verificação e as explicações produzidas demonstram continuação do esforço de comprovar seu direito, todavia surgiu apenas verossimilhança do direito da recorrente, notase que as provas trazidas aos autos são documentos produzidos unilateralmente pela contribuinte, e não foram alvo de inspeção pela auditoriafiscal. Nesse diapasão, voto por converter o julgamento em diligência, para que a unidade de origem do lançamento proceda a análise detalhada dos lançamentos contábeis das contas da escrituração da contribuinte em que ocorreram o pagamento a maior (receitas financeiras oriundas de juros, descontos, rendimentos de aplicação financeira e variações monetárias ativas, bem como o não aproveitamento de crédito sobre a depreciação de prédio em que está instalada a empresa) e pronunciese, de forma fundamentada, em relatório fiscal conclusivo se, de fato, a contribuinte tem direito ao crédito pleiteado. Após, dar ciência ao sujeito passivo do resultado da diligência, com reabertura do prazo de 30 (trinta dias) para apresentação de manifestação da recorrente, no tocante às conclusões da diligência proposta. Ao fim do prazo, com ou sem manifestação, devolvase o processo a este Conselho para a conclusão do julgamento." Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado decidiu por converter o julgamento em diligência, para que a unidade de origem do lançamento proceda a análise detalhada dos lançamentos contábeis das contas da escrituração da contribuinte em que ocorreram o pagamento a maior (receitas financeiras oriundas de juros, descontos, rendimentos de aplicação financeira e variações monetárias ativas, bem como o não aproveitamento de crédito sobre a depreciação de prédio em que está instalada a empresa) e pronunciese, de forma fundamentada, em relatório fiscal conclusivo se, de fato, a contribuinte tem direito ao crédito pleiteado. Após, dar ciência ao sujeito passivo do resultado da diligência, com reabertura do prazo de 30 (trinta dias) para apresentação de manifestação da recorrente, no tocante às conclusões da diligência proposta. Ao fim do prazo, com ou sem manifestação, devolvase o processo a este Conselho para a conclusão do julgamento." (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Deroulede Fl. 275DF CARF MF
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Numero do processo: 10880.910057/2009-51
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Apr 17 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Wed Jun 05 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2004
DECADÊNCIA - FATOS PRETÉRITOS COM REPERCUSSÃO FUTURA - INOCORRÊNCIA
O fenômeno da decadência atinge, apenas, o direito do fisco de constituir a obrigação tributária (ou de não homologar a compensação), não afastando a possibilidade de se reexaminar fatos contábeis pretéritos (ocorridos há mais de 5 anos) com repercussão futura.
IRPJ - SALDO NEGATIVO - DIREITO CREDITÓRIO - IRRF - SUMULA 80
A mingua de comprovação, por parte do contribuinte, de que as receitas que geraram a retenção na fonte do IRPJ foram efetiva e concretamente levadas à tributação, tornam-se indedutíveis as parcelas do IRRF suportadas para fins de apuração de eventual saldo negativo do imposto.
Numero da decisão: 1302-003.527
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar de decadência e, no mérito, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto do relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplica-se o decidido no julgamento do processo 10880.687517/2009-31, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado.
(assinado digitalmente)
Luiz Tadeu Matosinho Machado - Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Luiz Tadeu Matosinho Machado (Presidente), Paulo Henrique Silva Figueiredo, Marcos Antônio Nepomuceno Feitosa, Ricardo Marozzi Gregório, Rogério Aparecido Gil, Maria Lúcia Miceli, Flávio Machado Vilhena Dias e Gustavo Guimarães da Fonseca.
Nome do relator: LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO
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IRPJ SALDO NEGATIVO DIREITO CREDITÓRIO IRRF SUMULA 80 A mingua de comprovação, por parte do contribuinte, de que as receitas que geraram a retenção na fonte do IRPJ foram efetiva e concretamente levadas à tributação, tornamse indedutíveis as parcelas do IRRF suportadas para fins de apuração de eventual saldo negativo do imposto. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar de decadência e, no mérito, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto do relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplicase o decidido no julgamento do processo 10880.687517/200931, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. (assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Luiz Tadeu Matosinho Machado (Presidente), Paulo Henrique Silva Figueiredo, Marcos Antônio Nepomuceno AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 91 00 57 /2 00 9- 51 Fl. 243DF CARF MF Processo nº 10880.910057/200951 Acórdão n.º 1302003.527 S1C3T2 Fl. 3 2 Feitosa, Ricardo Marozzi Gregório, Rogério Aparecido Gil, Maria Lúcia Miceli, Flávio Machado Vilhena Dias e Gustavo Guimarães da Fonseca. Relatório Cuida o feito de pedido de compensação de pagamento indevido ou efetuado em valores superiores aos efetivamente devidos a título de ajuste de IRPJ, apurado no ano calendário de 2004. Pelo que se infere do despacho decisório eletrônico proferido nestes autos o pleito da empresa recorrente foi indeferido pela Unidade de Origem sob o argumento de que o valor descrito no DARF, apontado na respectiva declaração de compensação, estaria integralmente alocado para a quitação de débitos do contribuinte, inexistindo saldo disponível para compensação dos débitos em sua declaração de compensação. Em manifestação de inconformidade regularmente apresentada o contribuinte busca esclarecer que, em verdade, no anocalendário em testilha, consideradas as estimativas pagas e o imposto retido na fonte, conforme DIRFs apresentadas, teria apurado um saldo negativo de imposto (ao invés de valor a pagar), sendo este o motivo de seu pedido de compensação. Informa, mais, que por um lapso, teria deixado de fazer a necessária informação em DCTF, equívoco que teria sido corrigido mediante retificação da predita declaração. Instada a decidir o caso, a DRJ de Salvador houve por bem julgar improcedente a manifestação de inconformidade oposta. Nos termos do acórdão recorrido, não obstante, de fato, o contribuinte ter informado valores retidos na fonte no importe de R$ 1.058.299,14, concernentes à receitas financeiras percebidas pela empresa, não constariam da DIPJ acostada aos autos demonstrações que indicariam a tributação de tais valores, não podendo considerálos para a formação do pretendido saldo negativo. Devidamente intimado do conteúdo do julgamento acima, o contribuinte apresentou o seu recurso voluntário por meio do qual, em apertada síntese, sustentou: a) em prejudicial de mérito, a decadência do direito da Fazenda de revisitar a apuração do IRPJ ocorrida ano de 2004, a fim de considerar não demonstrado o direito creditório pretendido; b) no mérito, que, além de inovar a discussão (a questão afeita à tributação das receitas financeiras não teria sido suscitada até o advento do julgamento levado a cabo pela DRJ), que as preditas receitas teriam, sim, sido incluídas em seu resultado operacional, trazendo, agora, para comprovar as suas alegações, além dos documentos já acostados em sua manifestação, cópias de razões relativos aos anoscalendários de 2001 a 2004; c) a possibilidade de apresentar novos documentos (especificamente os livros tratados anteriormente), a luz do princípio da verdade material Ao final de sua peça, além de requerer o provimento de seu apelo, pede a conversão do julgamento em diligência. Este é o relatório. Fl. 244DF CARF MF Processo nº 10880.910057/200951 Acórdão n.º 1302003.527 S1C3T2 Fl. 4 3 Voto Conselheiro Luiz Tadeu Matosinho Machado Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º, 2º e 3º, do Anexo II, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão nº 1302003.521, de 17/04/2019, proferido no julgamento do Processo nº 10880.687517/2009 31, paradigma ao qual o presente processo fica vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão nº 1302003.521): I Admissibilidade do recurso. O recurso é tempestivo. Contudo, a despeito de entender satisfeitos os demais pressupostos de cabimento, até por dever de lealdade, me cabe expor de forma mais detida os motivos pelos quais admitoo neste momento, particularmente, em relação ao argumento e aos documentos novos trazidos por ocasião, apenas, da interposição do apelo. De fato, tenho um entendimento já sedimentado e, na maioria das vezes, isolado, de que, em procedimentos compensatórios, o limite temporal e processual para se fazer a prova sobre "a liquidez e certeza" do direito creditório pretendido é a manifestação de inconformidade, notadamente a luz dos preceitos combinados dos artigos 170, caput, do CTN e 16, § 4º, do Decreto 70.235/72. É que, a partir do preceptivo de lei complementar, fixase o ônus da prova quanto a própria existência do crédito, cuja repetição se perquira, nos ombros do contribuinte interessado, cabendo a ele, e não à Administração Pública, tal mister. Neste particular, transmitida DCOMP e verificada, prima facie, a inexistência dos requisitos necessários ao reconhecimento do direito postulado, a subsequente manifestação de conformidade (=impugnação art. 74, § 11, da Lei 9.430/96) deverá ser instruída com todos os documentos essenciais a: a) refutar os motivos declinados pela Unidade de Origem para indeferir seu pleito compensatório; b) evidenciar, consequentemente, o próprio direito creditório. Em outras palavras, o contribuinte deve demonstrar, por ocasião da oposição de sua manifestação de inconformidade, que as premissas adotadas pela Autoridade Fiscal não se sustentam a luz de suficiente, idônea e hábil, documentação. Daí, em casos muito comumente analisados por este Colegiado, em que o interessado transmite uma DCOMP veiculando um crédito inexistente (dada a alocação integral do DARF para a quitação de uma determinada obrigação), quando, assim advertido, se limita, em suas razões de insurgência (manifestação de inconformidade) a trazer, v.g., uma DCTF retificadora, sem expor os motivos desta retificação e sem comprovar tais motivos, por meio de documentos hábeis e idôneos. Isto é, na hipótese acima, as razões declinadas pela Unidade de Origem não são refutadas simplesmente porque a DCTF retificadora, de per si¸ não evidencia a Fl. 245DF CARF MF Processo nº 10880.910057/200951 Acórdão n.º 1302003.527 S1C3T2 Fl. 5 4 correção dos novos fatos nela apontados, sendo imperioso a sua efetiva e concreta demonstração, inclusive, a teor do entendimento exarado, recentemente, pela RFB por meio do Parecer Cosit de nº 2, de 2018. A hipótese dos autos, todavia, se afasta do exemplo alhures aventado. Isto porque, a par do contribuinte ter informado um crédito de pagamento indevido (ou efetivado por valor superior ao efetivamente devido1) oriundo de DARF inicialmente utilizado para a quitação de outra obrigação (sem que restasse qualquer saldo compensável de tributo), ao opor a sua "defesa" dirigida à DRJ trouxe documentos razoavelmente suficientes para comprovar que o aludido indébito realmente existia, quais sejam: a) a DCTF retificadora; b) a DIPJ; c) as DIRFs, que demonstram os valores por ele suportados, a título de IRPJ, na fonte; d) os DARFs concernentes às estimativas pagas ao longo do período de apuração. Ou seja, tais documentos comprovam que ao invés de um valor de ajuste a ser recolhido, a empresa teria, outrossim, e em tese, apurado um saldo negativo... se, contudo, a dedução do IRFonte dependeria de um segundo conjunto probatório, é questão até aqui não apontada, já que, insistase, o pressuposto do indeferimento do direito creditório era, tão só, a própria inexistência do saldo negativo. Também como já expus em casos pretéritos, e ainda que sustente que o ônus da prova, aqui, recaia sobre os postulantes, defendo e propago, de outra sorte, que a própria instrução do processo/procedimento de compensação deverá se nortear pela verdade material, mesmo que, neste caso, semelhante princípio se aplique tão só para garantir ao contribuinte a oportunidade para corretamente demonstrar o seu direito. Explicando melhor, a contribuinte deve ser, quando menos, informado sobre qual prova deva produzir, a fim de, assim, adimplir com o seu mister (ônus). Ainda que a limitação da atividade instrutória, no caso, tenha se dado como decorrência do próprio erro incorrido confessadamente pela empresa, o fato é que não se observa, em nenhum momento, qualquer pretensão da autoridade administrativa de questionar a concretização (ou não) das parcelas que comporiam o predito saldo negativo... não houve, aí, qualquer intimação subsequente ao recorrente para que demonstrasse a efetiva tributação das receitas geradoras do IRFonte . O processo se instaurou a partir da resistência ofertada pela Unidade de Origem, delimitada pela inexistência de saldo restituível do imposto ante a vinculação dos respectivos DARF ao pagamento de outra obrigação (a relação jurídicoprocessual é delimitada pela causa de pedir e pela pretensão resistida), surgindo o questionamento relativo ao IRFonte, apenas quando do julgamento realizado pela DRJ. Não é razoável admitirse que esta prova (oferecimento à tributação das receitas financeiras) deveria ser desde logo produzida, até porque, como dito, o contribuinte estava limitado aos motivos declinados pela Unidade de Origem. Em outras palavras, este questionamento deve ser considerado "novo", 1 Recusome, peremptoriamente, a utilizar a expressão "pagamento a maior", não só porque sintáticamente equivocada, mas, também, porque estéticamente inadequada. Fl. 246DF CARF MF Processo nº 10880.910057/200951 Acórdão n.º 1302003.527 S1C3T2 Fl. 6 5 adequandose, pois, aqui, o caso concreto, à hipótese contida no art. 16, § 4º, alínea "c", do Decreto 70.235/72: § 4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: (...) c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos. Para deixar ainda mais evidente, na presente demanda, o cabimento da exceção processual acima mencionada, vale destacar que o contribuinte não se contrapõe à falta de declinação de valores concernentes às receitas tributárias na linha própria de sua DIPJ, apontada, pela Turma Julgadora a quo. As novas provas não se destinam a comprovar que, no anocalendário de 2004, as receitas geradoras do IRFonte foram, naquele período, tributadas; pelo contrário, assevera (como será melhor explorado mais adiante), que tais receitas foram, "pulverizadamente", ofertadas à tributação ao longo dos anos de 2001 a 2004, sendo este motivo pelo qual não teria informado qualquer valor dessa natureza no campo próprio de sua DIPJ. O primeiro momento que a empresa teve para esclarecer os argumentos acima se deu no ato da interposição de seu recurso administrativo, dado que arguidos como contraponto às "razões posteriormente trazidas". A luz destas ponderações, conheço, integralmente do recurso e dos documentos nele veiculados. II Preliminares. II.1 Vinculação aos demais processos compensatórios que tem por objeto partes do direito creditório ora analisado. Aqui, e de forma bastante breve, esclarecese que este feito está sendo julgado sob o rito do art. 47, § 1º, do RICARF. Objetivamente, o que for decidido aqui, prevalecerá quanto aos demais processos descritos no recurso voluntário (a luz dos preceitos do § 3º deste mesmo preceito regulamentar), dado que tais demanadas compõem lote formado "por processos conexos, decorrentes ou reflexos, de mesma matéria ou concentração temática". II.2 Decadência. A alegação do contribuinte não é nova é já foi objeto de sucessivas decisões por parte deste Conselho, em especial em questões análogas como, v.g., de fatos que contribuíram para a formação de ágio.. Com efeito, a decadência a que alude o art. 150, §4º, do CTN (e também a contemplada pelo art. 173, I) referese ao direito de lançar o tributo uma vez verificada a ocorrência de seu fato gerador. Isto é, o quinquênio tratado nestes preceitos tem o seu termo a quo a partir da constituição (na sua acepção técnica) da obrigação tributária que, na hipótese em testilha, seria a compensação do saldo negativo de IRPJ (em que se apura a existência ou não do crédito cujo ressarcimento/compensação se postula)... a decadência, pois, não abarca os fatos pretéritos que contribuam para a formação do fato imponível; a extinção a que alude o art. 156, V, do CTN é do direito de lançar o tributo (ou de não homologar a Fl. 247DF CARF MF Processo nº 10880.910057/200951 Acórdão n.º 1302003.527 S1C3T2 Fl. 7 6 compensação) e não do direito de examinar as premissas que detenham repercussão na formação da obrigação. Outro entendimento engessaria a atividade fiscalizadora e reduziria, de forma ilícita, os prazos descritos nos já citados arts. 150, § 4º e 173, I, do CTN e, ainda, aquele contemplado pelo art. 74, § 5º, da Lei 9.430/96. Daí, o posicionamento atualmente adotado por este CARF, consoante extraído dos julgamentos abaixo reproduzidos: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Anocalendário: 2002 IRPJ. CSLL. SALDO NEGATIVO. AJUSTES NO PASSADO COM REPERCUSÃO FUTURA. DECADÊNCIA. HOMOLOGAÇÃO TÁCITA. INOCORRÊNCIA. Somente pode se falar em contagem do prazo decadencial após a data de ocorrência dos fatos geradores, não importando a data contabilização de fatos passados que possam ter repercussão futura. O art. 113, § 1º, do CTN aduz que “A obrigação principal surge com a ocorrência do fato gerador” e o papel de Fisco de efetuar o lançamento, nos termos do art. 142 do Estatuto Processual, nada mais é do que o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente. Não é papel do Fisco auditar as demonstrações contábeis dos contribuintes a fim de averiguar sua correição à luz dos princípios e normas que norteiam as ciências contábeis. A preocupação do Fisco deve ser sempre o reflexo tributário de determinados fatos, os quais, em inúmeras ocasiões, advém dos registros contábeis. Ressaltese o § 4º do art. 9º do Decreto nº 70.235, de 1972, prevê que seja efetuado o lançamento também nas hipóteses em que, constatada infração à legislação tributária, dela não resulte exigência de crédito tributário. O prazo decadencial somente tem início após a ocorrência do fato gerador (art. 150, § 4º, do CTN), ou após o primeiro dia do exercício seguinte ao que o lançamento poderia ter sido efetuado nas hipóteses do art. 173, I, do CTN. Não se submetem à homologação tácita os saldos negativos de IRPJ e da CSLL apurados nas declarações apresentadas, a serem regularmente comprovados pelo sujeito passivo, quando objeto de declaração de compensação, devendo, para tanto, ser mantida a documentação pertinente até que encerrados os processos que tratam da utilização daquele crédito. Recurso Voluntário Improvido (Acórdão nº 1402001.590, publicado em 20/08/2014). Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Data do fato gerador: 31/12/2004 Fl. 248DF CARF MF Processo nº 10880.910057/200951 Acórdão n.º 1302003.527 S1C3T2 Fl. 8 7 DECADÊNCIA. PREJUÍZOS FISCAIS DE PERÍODOS ANTERIORES AO DA OCORRÊNCIA DO FATO GERADOR. INOCORRÊNCIA. Somente pode se falar em contagem do prazo decadencial após a data de ocorrência dos fatos geradores, não importando a data contabilização de fatos passados que possam ter repercussão futura. A obrigação principal surge com a ocorrência do fato gerador e somente a partir de então pode se falar em lançamento (Acórdão nº 1402001.515, publicado em 23/01/2014). Não faço, vejam bem, ouvidos moucos às teses deduzidas nos acórdãos veiculados pelo embargante em seu recurso voluntário. Sei que tais julgados se opõe ao entendimento que ora exponho mas, venia concessa, simplesmente não concordo com as premissas lá adotadas. Quando a fiscalização recompõe o saldo negativo, entendo, não está promovendo novo lançamento de ofício (até porque o lançamento se reporta à data da ocorrência do fato gerador art. 146 do CTN). Neste caso, estarseá apenas verificando a existência de fato do crédito, formado a partir de informações pretéritas com repercussão futura e, como já dito, sobre os quais não se opera o ocaso decadencial. Notem, o Fisco não poderia, realmente, na forma do artigo 142 do CTN, efetuar o lançamento quanto ao período em que o saldo negativo foi apurado (identificandose, neste passo, o sujeito passivo e, se assim couber, aplicandose a penalidade cabível no caso, multa isolada por estimativas pretensamente não recolhidas); mas, impedir que o fisco examine a escrita contábil utilizada pelo contribuinte para, justamente, formar o aludido saldo, representaria, como já afirmei, engessamento desarrazoado da atividade descrita no já tratado § 5º do art. 74 da Lei .9.430/96. E a falta de razoabilidade, aqui, é palpável bastando, para tanto considerarse a seguinte situação (inclusive observável neste feito): a) o contribuinte apura saldo negativo de IRPJ no anocalendário de 2004 sendolhe, neste passo, franqueado o compensar já no ano de 2005; b) deixa para compensar saldos negativos do imposto às vesperas do decurso dos prescricional (para postular a compensação) e decadencial (para operar, contra o fisco, a extinção do direito de constituir o respectivo crédito tributário); c) neste caso, ao invés de 5 anos para "homologar" a predita compensação o fisco teria alguns poucos meses. Enfim... a decadência se opera em relação ao fato gerador e ao consequente direito do fisco de constituir a obrigação tributária, não atingindo os fatos contábeis considerados pelo contribuinte para a apuração de seus tributos. Afasto, pois, a prejudicial em análise. III Mérito. III.1 A tese do recorrente. Como não descrevi de forma mais clara os fundamentos que permeiam as pretensões recursais, me permitam, aqui, declinar, ainda que de forma concisa, a tese sustentada pela empresa para demonstrar o seu direito creditório. Fl. 249DF CARF MF Processo nº 10880.910057/200951 Acórdão n.º 1302003.527 S1C3T2 Fl. 9 8 Pois bem, como se extrai do acórdão recorrido, a turma a quo teria se pronunciado pela inexistência do direito creditório levando em conta o fato de que, a partir das informações contidas na DIPJ, para se chegar ao saldo negativo apontado pelo recorrente, terseia que considerar, além dos valores relativos às estimativas pagas (consideradas comprovadas pela decisão ora combatida), os valores retidos e recolhidos por terceiros (instituições financeiras). O problema aventado pelo aresto de primeira instância é que, justamente os valores concernentes ao IRFonte, decorreriam de receitas financeiras, a priori, não tributadas pela empresa insurgente. Com efeito, da predita DIPJ, extraise a dedução do montante de R$1.058.299,14, os quais, de outra sorte, a teor, inclusive, dos preceitos da Súmula/CARF 80, somente poderiam ser abatidos do imposto devido se, e quando, comprovada a tributação das respectivas receitas (que, in casu, perfaziam o importe de R$ 5.291.496,04). Como pontuado pela DRJ, este último valor não foi informado na citada declaração no anocalendário de 2004, e, portanto, os valores das receitas financeiras acima mencionado não teria sido objeto de tributação. No seu recurso voluntário o contribuinte explica que, em verdade, considerandose estar sujeita a regime de competência, os rendimentos provenientes de suas aplicações teriam sido reconhecidos na medida de sua disponilibização, ocorrida ao longo dos anos calendários de 2001 a 2004, trazendo, para tanto, as cópias dos seus livros Razão e das DIPJs relativas aos mesmos períodos. Passo seguinte, sustenta que, nada obstante o reconhecimento prévio das preditas receitas, o IRRF se sujeitaria ao regime de caixa, de sorte que seu recolhimento somente se daria (ou se deu) a partir do pagamento, pela instituição financeira, dos aludidos rendimentos (v. as DIRFs trazidas juntamente com a impugnação). Em linhas gerais, o valor de R$ 1.058.299,14 teria sido retido e recolhido no ano calendário de 2004, ainda que, sob a ótica do recorrente, as receitas geradoras do aludido IRFonte tenham sido reconhecidas e ofertadas à tributação ao longo dos anos de 2001 a 2004 (inclusive). Para melhor explicitar a tese sustentada pela empresa insurgente, peço vênia para reproduzir a seguinte demonstração gráfica, extraída do próprio apelo voluntário: Fl. 250DF CARF MF Processo nº 10880.910057/200951 Acórdão n.º 1302003.527 S1C3T2 Fl. 10 9 Este primeiro quadro, vejam bem, apenas descreve as receitas financeiras suportadas no curso dos anos de 2001 a 2004, e os respectivos impostos retidos e recolhidos, a partir dos informes de rendimentos apresentados quanto ao ano de 2004 e com base na ficha 43 das DIPJ relativas aos demais anoscalendários. O segundo quadro, abaixo, é que, de fato, se prestaria para demonstrar a diluição das receitas, objeto desta análise, no período defendido pelo contribuinte. Vejase As informações inseridas no quadro acima teriam sido extraídas das DIPJs trazidas pela empresa, com exceção dos dados concernentes ao anocalendário de 2004 que, como já pontuado pela própria DRJ, não contemplaria qualquer informação relativa à eventuais receitas financeiras percebidas pelo recorrente no citado anocalendário. O contribuinte, destaquese, nada diz (ao menos explicitamente) sobre falta de registro de receitas financeiras no ano de 2004. Todavia, na DIPJ/2005 (AC 2004) vêse uma anotação, feita a mão, ao lado da linha 30, em que, pretensamente, o valor ali descrito (R$ 1.351.958,09), teria sido inserido de forma parcialmente equivocada. Realmente, até por remição contida na própria anotação, é possível inferir que, pelo Razão juntado ao feito, aquele valor seria assim formado: a) R$ 316.177,72, refeririamse à "outras receitas operacionais", consoante informações lançadas à contacontábil de nº 7.9.99.00.9; b) o restante, seria formado a partir de dois lançamentos, feitos, respectivamente, nas contas de nos 7.14.10.00.7 ("rendas aplica oper" R$ 234.429,41) e 7.15.10.00.0 ("rendas tits renda" R$ 801.341,72), pretensamente relativos à resultados de aplicações financeiras. Ou seja, o valor total de R$ 1.035.771,13 (resultante da soma dos rendimentos tratados em "b", supra), deveria ter sido registrado na linha 24 da DIPJ/2005 e não Fl. 251DF CARF MF Processo nº 10880.910057/200951 Acórdão n.º 1302003.527 S1C3T2 Fl. 11 10 na linha 30; haveria, pois, aí, uma erro no preenchimento desta declaração (ainda que, insistase, tal equívoco não tenha sido informado ou mesmo declarado pelo contribuinte, do forma oficiosa ou expressa). Mesmo assim, todavia (e considerado o equívoco incorrido pelo recorrente quando do preenchimento de sua declaração a par de seu silêncio), esta importância não coincide, nem de perto, com o valor de R$ 5.291.496,04 que, ao fim e ao cabo, é o cerne do problema tratado aqui neste feito. Esta disparidade, digase, poderia ser justificada acaso entendamos correta a tese da empresa insurgente (e consideremos a possibilidade deste montante ter sido tributado de forma diluída, no curso dos anos de 2001 a 2004). E, não obstante uma aparente coerência e razoabilidade extraível dos argumentos do contribuinte, passo a demonstrar que, em verdade, as premissas por ele deduzidas são, indubitavelmente, falaciosas. III.2 Os sofismas incorridos pelo recorrente. Objetivamente, o interessado embasa seus argumentos em dois pilares: a) os rendimentos provenientes de aplicações financeiras realizadas em Certificados de Depósitos Bancários CDB, são disponibilizados pelas instituições Bancárias ou assemelhadas ao longo de um determinado período (impondo o seu oferecimento à tributação segundo o regime de competência), mas seu pagamentos somente se daria, v.g., com o encerramento do contrato ou em momento posterior (quando, então, se verificaria a retenção do imposto devido pela instituição pagadora segundo o regime de caixa); b) o somatório das receitas descritas no quadro 1 e sua comparação com aquelas receitas descritas no quadro 2 (reproduzido anteriormente) comprovaria a diluição das preditas receitas ao longo dos anos de 2001 a 2004, mormente a se considerar a identidade entre os valores totais descritos nos preditos quadros, o que confirmaria a tese firmada no item "a", acima. Me atendo, neste primeiro momento, apenas na premissa fática apontada em "b", acima, de antemão já se demonstra a sua falsidade. Isto porque, os quadros reproduzidos anteriormente consideram, na base de comparação, receitas que não podem, por conta do regime tributário que lhe é aplicável, ser comparadas. Notem que particularmente quanto ao ano de 2002, o contribuinte insere, ali, ganhos concernentes ao "mercado de renda variável" (dos razões juntados, em princípio, depreendese que tais ganhos decorreriam de operações de swap). Ora, o valor R$ 5.291.496,04, como se infere dos informes de rendimentos apresentados é composto, exclusivamente, por rendimentos produzidos a partir de aplicações em renda fixa (CDB). Para que os preditos quadros fizessem algum sentido, seria necessário efetuarse a comparação apenas entre os rendimentos desta mesma natureza (CDB). Retirandose do quadro elaborado pelo próprio contribuinte as importâncias concernentes aos rendimentos de renda variável, a diferença entre os valores apontados nos informes de rendimentos e aqueles declinados no resultado da empresa, através de DIPJ (e que, portanto, teriam, como alega o recorrente, suportado a tributação), seria superior a R$ 2,6 milhões. Em outras palavras, considerando correta a tese do contribuinte a partir da premissa descrita em "a", acima, pela simples comparação entre os dados extraídos de suas DIPJs e os informes de rendimentos (apresentados em relação ao ano 2004, e informados na ficha 43 das DIPJs relativas aos anos de 2001 a 2003), chegarseia a conclusão de que a empresa não logrou demonstrar, de forma indiscutível, o Fl. 252DF CARF MF Processo nº 10880.910057/200951 Acórdão n.º 1302003.527 S1C3T2 Fl. 12 11 oferecimento à tributação de cerca de R$ 2,6 milhões de reais (R$ 5.291.496,04 R$ 2.656.893,95). É claro, todavia, que o raciocínio acima intentado não seria definitivo, já que, para termos absoluta certeza de que os rendimentos provenientes de aplicações em renda fixa não foram tributados de forma diluída, como pretende o recorrente, seria necessário explodir os dados inseridos, por exemplo, no primeiro quadro (o que seria possível a partir da análise dos Razões trazidos). Tal medida, no entanto, é, de toda sorte, despicienda. Isto porque a própria premissa apontada em "a", pilar de sustentação de toda a tese recursal, também é falaciosa... não é possível, e juridicamente sustentável, separar, no caso vertente, quanto aos rendimentos provenientes de aplicação em CDB/RDB2, o momento de sua disponibilização (disponibilidade jurídica competência), do momento de seu efetivo pagamento (disponibilidade econômica caixa). Com efeito, a teor dos preceitos do art. 30, § 1º, da Lei 4.728/65, entendese por "CDB" a "promessa de pagamento à ordem da importância do depósito, acrescida do valor da correção e dos juros convencionados". O rendimento, portanto, objeto de possível tributação nos contratos de CDB/RDB é produzido pelos juros pagos ou creditados pela instituição financeira, como contraprestação pelo "empréstimo" realizado pelo correntista. Considerese, de outro turno, as regras preconizadas pelo Banco Central do Brasil (vigentes à época dos fatos aqui tratados) sobre a remuneração das aplicações realizadas em CDB/RDB, particularmente aquelas contidas na Resolução de no 105/68, cujo o inciso primeiro, alíneas "a" e "b", assim dispunha: I Fica revigorada a faculdade atribuída aos bancos comerciais, mediante aprovação prévia do Banco Central do Brasil, para receberem de pessoas físicas ou jurídicas depósitos de prazo fixo, com cláusula de correção monetária, e emitirem certificados de depósitos, nominativos, observadas as seguintes condições: a)os depósitos da espécie serão regidos pelas condições estabelecidas nos itens III e IV da Resolução nº 31, de 30.7.1966; b)os certificados respectivos não poderão ter valor inferior a NCr$1.000,00 (hum mil cruzeiros novos), nem prazo inferior a 12 (doze) meses, admitido, porém, o pagamento dos juros e da correção monetária por períodos mínimos de 3 (três) meses. Ora, comparandose as DIRFs apresentadas nos autos, à previsão contida na alínea "b", acima, está mais que evidenciado que os valores percebidos pela recorrente no ano de 2004, referemse, efetivamente, aos montantes de juros e correção monetária devidos em decorrência da contratação dos preditos depósitos a prazo. Agora, particularmente quanto a esta modalidade de investimento, o Decreto 3.000/99 (Regulamento do Imposto de Renda vigente à época dos fatos tratados no processo), estabelece algumas regras importantes para análise do caso. Primeiramente, vejase que o dispunha o art. 729, caput: 2 A distinção entre CDB e RDB cinge, tão só, à impossibilidade de alienação deste último tipo de rendimento (RDB). Fl. 253DF CARF MF Processo nº 10880.910057/200951 Acórdão n.º 1302003.527 S1C3T2 Fl. 13 12 Art. 729. Está sujeito ao imposto, à alíquota de vinte por cento, o rendimento produzido, a partir de 1º de janeiro de 1998, por aplicação financeira de renda fixa, auferido por qualquer beneficiário, inclusive pessoa jurídica imune ou isenta. Já o art. 730 do mesmo diploma regulamentar estendia a regra acima transcrita também "aos rendimentos auferidos pela entrega de recursos a pessoa jurídica, sob qualquer forma e a qualquer título, independentemente de ser ou não a fonte pagadora instituição autorizada a funcionar pelo Banco Central do Brasil e em operações de empréstimos em ações (inciso III), hipótese que se adequa, perfeitamente, ao conceito extraído da Lei 4.728, alhures tratado. O § 2º do art. 731, de outro turno, estabelecia que o IR incidirá sobre valor dos rendimentos produzidos em razão das aplicações contempladas pelo inciso III do art. 730 retro ao passo que o art. 732, II, determina que o tributo seja retido, em casos tais, "por ocasião do pagamento dos rendimentos, ou da alienação do título ou da aplicação". Outrossim, o art. 770 do RIR/99, preconizava que os rendimentos em testilha integrariam o lucro real (§ 2º, inciso II). Por fim, atentem para o que rezava a regra encartada no art. 773 do RIR: Art. 773. O imposto de renda retido na fonte sobre os rendimentos de aplicações financeiras de renda fixa e de renda variável ou pago sobre os ganhos líquidos mensais será: I deduzido do devido no encerramento de cada período de apuração ou na data da extinção, no caso de pessoa jurídica tributada com base no lucro real, presumido ou arbitrado. O que se pode dessumir do compêndio legislativo trazido acima, é o seguinte: a) os contratos de CDB geram rendimentos tributáveis a partir do creditamento dos respectivos encargos remuneratórios; b) tais encargos podiam (ao menos no período em análise) ser pagos integralmente quando do vencimento do contrato ou trimestralmente (interpretação apreensível dos preceitos do inciso I, "a", da Resolução/BACEN de nº 105/68); c) se, de fato, o IRPJ segue o regime de competência, e, portanto, impõe o seu pagamento a partir da simples disponibilização jurídica da renda, é igualmente inegável que em aplicações financeiras de renda fixa, notadamente, o CDB, a disponibilidade em questão somente será observada quando do creditamento dos respectivos juros (trimestralmente ou ao final do contrato). Acaso o contrato de depósito firmado pelo recorrente juntamente ao Citybank estabelecesse regra de remuneração a ser paga apenas quando do fim de sua vigência, a lógica trazida em sua peça de defesa seria razoavelmente aceitável. Fosse esta a realidade, a tendência, aqui, seria até pela conversão do julgamento em diligência a fim de verificar se, realmente, haveria, na espécie, a geração de renda ao longo do período do contrato e o pagamento efetivo da respectiva remuneração, apenas, ao final. Reprisese, todavia, que as DIRFs exibidas indiciam, senão comprovam, que o contribuinte fazia jus ao pagamento trimestral dos juros remuneratórios decorrentes do seu contrato de CDB (basta atentarse para as guias "Mês" e "Rendimento Nominal"); estivéssemos, de fato, diante de contrato com previsão de percepção de Fl. 254DF CARF MF Processo nº 10880.910057/200951 Acórdão n.º 1302003.527 S1C3T2 Fl. 14 13 juros apenas com o resgate do respectivo depósito, não haveria lógica na inserção de dados concernentes aos pagamentos devidos ao longo dos trimestres do ano 2004 (cada DIRF apresentada, referese a um trimestre daquele ano). E aí, digase, revelase a falácia contida na tese ora analisada... os rendimentos em questão foram produzidos no ano de 2004 e não em anos anteriores, justamente pela forma de contratação do CDB intentada pelo contribuinte ("pagamento dos juros e da correção monetária por períodos mínimos de 3 (três) meses"), inferível a partir da própria estrutura das DIRFs juntadas ao processo. Não há, no caso vertente, distinção entre os momentos da disponibilização da renda (competência) e pagamento (caixa); pelos elementos constantes dos autos, os fatos geradores do imposto e da obrigação concernente ao fonte ocorreram simultaneamente, no próprio ano de 2004 À toda evidência, as receitas financeiras que deram origem ao IRFonte que compôs o valor do pretenso saldo negativo do IRPJ não foram ofertadas a tributação, seja no ano de 2004 como exposto anteriormente, não é possível, mesmo considerando a anotação "a mão" posta na DIPJ, atestar nem mesmo que parte destes rendimentos tenham sido incluídos no resultado da empresa , seja nos anos anteriores, atraindo para a hipótese o entendimento plasmado na já mencionada Súmula 80, deste CARF, isto é, o IRRF não é, aqui, abatível do montante do imposto apurado. E assim o sendo, como demonstrado no acórdão recorrido, em se desconsiderando o IRRF para a formação do aludido saldo, apurase, em verdade, imposto a pagar, e não um direito creditório qualquer. Não obstante criativas e muito bem construídas as alegações do contribuinte, as provas trazidas ao processo dão conta de sua procedência. III.3 Inovação pela DRJ. Por fim, o contribuinte tangencia uma possível nulidade do acórdão recorrido por pretensa inovação... realmente, a empresa recorrente chega a mencionar que, ao exigir a comprovação do oferecimento das receitas financeiras à tributação, teria desbordado dos limites da decisão proferida pela Unidade Origem (que tinha se calcado, apenas, no problema da indisponibilidade de crédito oriundo do DARF informado no PERDCOMP). Esquecese, todavia, que o contribuinte somente dera notícia da retificação de sua DCTF e da correta origem do direito creditório pleiteado quando da oposição de sua manifestação de inconformidade; assim, quem, realmente, inovou a lide foi o próprio recorrente, e não a DRJ, que apenas se opôs ao novo argumento trazido ao feito. Não haveria, portanto, inovação intentada pela turma a quo. A inovação argumentativa, insistase, adveio da própria manifestação de inconformidade. IV Conclusão. A luz do exposto, voto por NEGAR PROVIMENTO ao RECURSO VOLUNTÁRIO. Fl. 255DF CARF MF Processo nº 10880.910057/200951 Acórdão n.º 1302003.527 S1C3T2 Fl. 15 14 Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º, 2º e 3º do art. 47, do Anexo II, do RICARF, voto por NEGAR PROVIMENTO ao RECURSO VOLUNTÁRIO. (assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado Fl. 256DF CARF MF
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Numero do processo: 10783.904945/2014-08
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 26 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Fri Apr 26 00:00:00 UTC 2019
Numero da decisão: 3302-000.963
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência para esclarecer divergências entre o despacho decisório e a informação fiscal que lhe serviu de fundamento
(assinado digitalmente)
Paulo Guilherme Deroulede - Presidente
(assinado digitalmente)
José Renato Pereira de Deus - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Gilson Macedo Rosenburg Filho, Walker Araujo, Corintho Oliveira Machado, Jose Renato Pereira de Deus, Jorge Lima Abud, Raphael Madeira Abad, Muller Nonato Cavalcanti Silva (Suplente Convocado) e Paulo Guilherme Deroulede (Presidente).
Relatório
Nome do relator: JOSE RENATO PEREIRA DE DEUS
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Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência para esclarecer divergências entre o despacho decisório e a informação fiscal que lhe serviu de fundamento (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Deroulede Presidente (assinado digitalmente) José Renato Pereira de Deus Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Gilson Macedo Rosenburg Filho, Walker Araujo, Corintho Oliveira Machado, Jose Renato Pereira de Deus, Jorge Lima Abud, Raphael Madeira Abad, Muller Nonato Cavalcanti Silva (Suplente Convocado) e Paulo Guilherme Deroulede (Presidente). Relatório Por bem retratar os fatos até o presente momento, reproduzse o relatório da do acórdão da DRJ de Juiz de Fora, nº 0966111, da 2ª Turma de Julgamento: O interessado transmitiu o PER nº 29506.18276.310812.1.1.099742, no qual requer ressarcimento de crédito relativo à Cofins não cumulativa – exportação referente ao 2º trimestre de 2012; RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 07 83 .9 04 94 5/ 20 14 -0 8 Fl. 560DF CARF MF Processo nº 10783.904945/201408 Resolução nº 3302000.963 S3C3T2 Fl. 3 2 Posteriormente transmitiu a Dcomp nº 35716.35115.310812.1.3.09 4471, visando compensar os débitos nela declarados com o crédito acima; A DRF VITÓRIA/ES emitiu Despacho Decisório no qual não reconhece o direito creditório e não homologa as compensações pleiteadas; A empresa apresenta manifestação de inconformidade na qual alega, em síntese: a) da nulidade do despacho decisório: b) Do conceito de insumos para fins de registro de crédito de PIS no regime nãocumulativo; b.1) A legislação do PIS e da COFINS não traz conceito de insumos e não faz referência à legislação do IPI; b.2) A legislação do PIS e COFINS afastase implicitamente da legislação do IPI pela própria natureza dos créditos admitidos; b.3) A materialidade do PIS e da COFINS não é semelhante à materialidade do IPI; b.4) própria legislação do PIS e da COFINS determina que os créditos dessas contribuições são distintos daqueles calculados para fins de IPI; c) Fretes; d) Serviços portuários; e) Arrendamento de estabelecimento industrial; f) Do crédito presumido; f.1) Do valor do crédito presumido glosado; g) Dos créditos indicados na linha 9 da Ficha 16A do DACON; h) Dos créditos indicados na linha 10 da Ficha 06A do DACON;. No acórdão, do qual o relatório acima foi retirado, por unanimidade de votos dos membros da Turma Julgadora, a manifestação de inconformidade foi julgada parcialmente procedente, ementado da seguinte forma: ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Ano calendário: 2012 PIS/PASEP COFINS. INSUMOS O conceito de insumos para fins de crédito de PIS/Pasep e COFINS é o previsto no § 5º do artigo 66 da Instrução Normativa SRF 247/2002, que se repetiu na IN 404/2004. PIS/PASEP COFINS. CRÉDITO SOBRE FRETE Somente os valores das despesas realizadas com fretes contratados para a entrega de mercadorias diretamente aos clientes adquirentes, desde que o ônus tenha sido suportado pela pessoa jurídica vendedora, é que podem gerar direito a créditos a serem descontados das Contribuições. Manifestação de Inconformidade Procedente em Parte Direito Creditório Reconhecido em Parte Inconformada com a r. decisão acima transcrita a recorrente, interpôs Fl. 561DF CARF MF Processo nº 10783.904945/201408 Resolução nº 3302000.963 S3C3T2 Fl. 4 3 recurso voluntário onde repisa os argumentos trazidos na manifestação de inconformidade, requerendo em preliminar a anulação do acórdão e, no mérito, o reconhecimento do direito aos créditos objeto do pedido de ressarcimento. Paço seguinte, os autos foram distribuídos a esse Conselheiro para relatar. É o relatório. Voto Conselheiro José Renato Pereira de Deus Relator Pois bem. O processo encontrase em termos, trata de matéria relacionada à competência dessa D. Turma, atende aos pressupostos de admissibilidade, portanto dele tomo conhecimento. I – Preliminar – Nulidade por ausência de motivação e falta de clareza dos critérios utilizados para glosa dos créditos A recorrente alega a existência de ausência de motivação da decisão se primeira instância, uma vez que a decisão seria constituída de mera citação de dispositivos legais, o que acarretaria preterição do direito de defesa, além de entender que os critérios utilizados para a glosa dos créditos não serem suficientemente claros. No entanto, não assiste razão à recorrente. Os motivos que determinaram a glosa de parte dos créditos de insumos utilizados pela recorrente estão expostos, ainda que de forma sucinta e claramente considerou o conceito de insumos utilizado pelo IPI para lastrear suas conclusões. Descabe a declaração de nulidade requerida pela recorrente, por cerceamento de seu direito de defesa, pois o relatório fiscal e seus anexos contêm a descrição pormenorizada dos fatos que lhes foram imputados, indicando os dispositivos legais que amparam o lançamento e expõem de forma clara e precisa os elementos que levara a fiscalização a concluir pela efetiva ocorrência dos fatos jurídicos tributários que levaram ao lançamento. A mera discordância dos fundamentos da decisão recorrida pelo contribuinte não é causa de nulidade, que apenas ocorre se demonstrada qualquer das hipóteses do art. 59 do Decretolei nº 70.235/72, demonstração essa, ao meu ver, não alcançada pela recorrente. Somase ao acima descrito, o fato de a recorrente, de forma robusta vertida em peças explicativas e juntadas de grande quantidade de documentos, ter combatido de forma apurada todas as imputações trazidas pelo auto de infração, o que demonstra de forma clara o exercício de seu direito de defesa. Assim, não devem prosperar as alegações relacionadas às supostas nulidades apresentadas pela recorrente. II Do mérito Conforme exposto anteriormente, a Recorrente apresentou o PER nº 29506.18276.310812.1.1.099742, no qual requer ressarcimento de crédito relativo à Cofins nãocumulativa – exportação referente ao 2º trimestre de 2012. Fl. 562DF CARF MF Processo nº 10783.904945/201408 Resolução nº 3302000.963 S3C3T2 Fl. 5 4 Nos termos da conclusão do despacho decisório de fls.340367, a fiscalização não reconheceu o direito creditório apurado pela Recorrente nos seguintes termos: 65. Diante de todo o exposto, em conformidade com o disposto no art. 2º da Portaria RFB nº 1.453, de 2016, c/c o art. 3º da Portaria 1.098, de 2013, alterado pela Portaria nº 1.454, de 2016, e com base nos resultados mostrados na tabela 6 acima, NÃO RECONHEÇO o direito creditório, a que se refere o PER/DCOMP nº 29506.18276.310812.1.1.099742, em nome de ADM DO BRASIL LTDA, CNPJ 02.003.402/000175, no 2º trimestre de 2012, relativo aos créditos da Cofins, apurados na forma do art 3º da Lei nº 10.833, de 2003, e que não pôde ser utilizado no desconto de débitos das respectiva contribuição. 66. Por conseguinte, não homologo as compensações relacionadas na tabela 1 deste Despacho Decisório, ou quaisquer outras que dependam do direito creditório referido no PER/DCOMP nº 29506.18276.310812.1.1.099742. 67. É facultada manifestação de inconformidade à Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento – DRF/RJO II, no prazo de 30 (trinta) dias a contar da ciência deste despacho decisório, nos termos do art. 74, §§ 7º a 11, da Lei nº 9.430/96, com a redação dada pela legislação superveniente. 68. Ressaltase que a individualização das medidas mencionadas não prejudica a observância de outras, porventura cabíveis, tendentes a salvaguardar os interesses da Fazenda Nacional. No citado despacho, constatase que a fiscalização se baseou na análise dos bens e serviços fornecidos pela Recorrente por meio das planilhas carreadas às fls. 189, 190 e 191 (arquivo não paginável) relativo ao período de abril, maio e junho de 2012, conforme trecho extraído da decisão: Ressaltase que toda apuração efetuada pela Fiscalização se baseou, também, na análise das planilhas entregues pelo contribuinte, abaixo especificadas. Esta documentação se encontra em poder da Fiscalização visando consultas futuras. Eis as planilhas: • Planilha eletrônica “04 Analitico Abr 2012” • Planilha eletrônica “05 Analitico Mai 2012” • Planilha eletrônica “06 Analitico Jun 2012” Entretanto, em que pese o despacho decisório ter analisado as planilhas do 2º Trimestre de 2012, levando a crer que os itens glosados dizem respeito ao crédito apurado do 2º Trim/2012, há nos autos a planilha em excel carreada às folhas 192 (arquivo não paginável) denominado "glosa de créditos no 2º trimestre de 2012" que, com exceção do crédito presumido, elenca bens e serviços do 1º trimestre de 2012, causando, assim, imprecisão em relação ao exato período que foi glosado pela fiscalização. Tal fato foi devidamente evidenciado pela Recorrente, a saber: Fl. 563DF CARF MF Processo nº 10783.904945/201408 Resolução nº 3302000.963 S3C3T2 Fl. 6 5 Por fim, mas não menos importante, a planilha apresentada pelas dd. autoridades fiscais para suportar a glosa em questão e que deveria conter a relação dos créditos questionados se refere ao primeiro trimestre de 2012 e não ao segundo. Com efeito, os questionamentos apresentados pelas dd. autoridades fiscais estariam suportados pela planilha “Glosa Créditos_ADM_2trim2012”, que contém as abas “ABR12”, “MAIO12”, “JUN12”, “CRÉDITO PRESUMIDO”, “Linha 9 fichas 6A_16A” e “Linha 10 fichas 6A_16A”. Ocorre que, da análise das informações constantes na referida planilha, vêse que apenas a aba “Crédito Presumido” contém informações relativas ao 2º Trimestre de 2012. Todas as demais abas trazem informações pertinentes somente ao 1º Trimestre de 2012. Frisese que tal fato foi observado pela r. decisão recorrida, que afastou a glosa dos créditos referentes a “BENS DE INFORMÁTICA” e “MÁQUINAS E EQUIPAMENTOS” porque na planilha apresentada pelas dd. autoridades fiscais constou apenas o crédito referente ao mês de março de 2012. Leiase o seguinte trecho da r. decisão recorrida: “DOS CRÉDITOS INDICADOS NA LINHA 10 DA FICHA 06A DO DACON manifestante alega que "na planilha apresentada pelas dd. autoridades fiscais constam apenas despesas relativas ao mês de março de 2012 e que, portanto, não tem nenhuma relação com o presente caso, tendo em vista que o crédito pleiteado pela Defendente referese ao 2º trimestre de 2012". De fato, na planilha "Glosa de créditos no 2º trimestre de 2012" que consta do arquivo não paginável de fl. 192 só foi relacionado o mês de março/2012. Assim, os créditos glosados referentes a “BENS DE INFORMÁTICA" e “MÁQUINAS E EQUIPAMENTOS" devem ser revertidos.” Ora, se as dd. autoridades julgadoras reconheceram tal falha para os créditos indicados na linha 10 da ficha 06A do DACON e cancelaram a glosa, o mesmo procedimento deve ser realizado para os demais créditos glosados. Desta forma, considerando o acima exposto, proponho converter o presente julgamento em diligência para que a autoridade preparadora esclareça se os itens glosados são de fato aqueles informados na planilha de efls 192. A autoridade da RFB responsável pela realização da diligência apresentará relatório circunstanciado e conclusivo a respeito da diligência, podendo trazer aos autos outros elementos e informações que entenda relevantes para o deslinde do presente processo. Por fim deve ser intimando a Recorrente para que se manifeste expressamente sobre o resultado da presente diligência. Após, retornem a este colegiado para continuidade do presente julgamento. É como voto. (assinado digitalmente) José Renato Pereira de Deus Relator. Fl. 564DF CARF MF Processo nº 10783.904945/201408 Resolução nº 3302000.963 S3C3T2 Fl. 7 6 Fl. 565DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 16062.000133/2011-52
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Apr 10 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Mon May 20 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2009
IRPF. RENDIMENTOS RECEBIDOS ACUMULADAMENTE. ANO-CALENDÁRIO DE 2008. DECISÃO DO STF DE INCONSTITUCIONALIDADE SEM REDUÇÃO DE TEXTO DO ART. 12 DA LEI 7.713/88 COM REPERCUSSÃO GERAL RECONHECIDA. VINCULAÇÃO OBRIGATÓRIAS DO CARF.
Aos rendimentos recebidos acumuladamente (RRA) recebidos no ano-calendário de 2007 aplica-se o regime de competência, calculando-se o imposto de renda com base nas tabelas vigentes a cada mês a que se refere o rendimento. Aplicação do entendimento manifesto pelo STF no RE 614.406/RS.
Numero da decisão: 2301-005.995
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam, os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer parcialmente do recurso e, na parte conhecida, dar-lhe parcial provimento para que o IRPF sobre os rendimentos recebidos acumuladamente seja calculado com base no regime de competência.
João Maurício Vital - Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antônio Sávio Nastureles, Wesley Rocha, Reginaldo Paixão Emos, Virgílio Cansino Gil (suplente convocado), Cleber Ferreira Nunes Leite, Marcelo Freitas de Souza Costa, José Alfredo Duarte Filho (suplente convocado) e João Maurício Vital (Presidente). Ausente a conselheira Juliana Marteli Fais Feriato, substituída pelo conselheiro Virgílio Cansino Gil.
Nome do relator: JOAO MAURICIO VITAL
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RENDIMENTOS RECEBIDOS ACUMULADAMENTE. ANO CALENDÁRIO DE 2008. DECISÃO DO STF DE INCONSTITUCIONALIDADE SEM REDUÇÃO DE TEXTO DO ART. 12 DA LEI 7.713/88 COM REPERCUSSÃO GERAL RECONHECIDA. VINCULAÇÃO OBRIGATÓRIAS DO CARF. Aos rendimentos recebidos acumuladamente (RRA) recebidos no ano calendário de 2007 aplicase o regime de competência, calculandose o imposto de renda com base nas tabelas vigentes a cada mês a que se refere o rendimento. Aplicação do entendimento manifesto pelo STF no RE 614.406/RS. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam, os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer parcialmente do recurso e, na parte conhecida, darlhe parcial provimento para que o IRPF sobre os rendimentos recebidos acumuladamente seja calculado com base no regime de competência. João Maurício Vital Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antônio Sávio Nastureles, Wesley Rocha, Reginaldo Paixão Emos, Virgílio Cansino Gil (suplente convocado), Cleber Ferreira Nunes Leite, Marcelo Freitas de Souza Costa, José Alfredo Duarte Filho (suplente convocado) e João Maurício Vital (Presidente). Ausente a conselheira Juliana Marteli Fais Feriato, substituída pelo conselheiro Virgílio Cansino Gil. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 06 2. 00 01 33 /2 01 1- 52 Fl. 463DF CARF MF 2 Tratase de notificação de lançamento (efls. 361 a 367) de Imposto sobre a Renda de Pessoa Física, exercício de 2009, em face de 1) omissão de rendimentos recebidos acumuladamente de pessoa jurídica decorrente de ação judicial; 2) dedução indevida de incentivo, e 3) compensação indevida de imposto complementar. Consta do relatório que acompanha o acórdão recorrido que o sujeito passivo apresentou impugnação nos termos seguintes: Em sua peça impugnatória de fls.02/16, instruída com os elementos de fls.33/340, o contribuinte acima identificado, por meio de seus bastante procuradores nomeados pelo instrumento de fls.17, contesta o lançamento efetuado, argumentando, em apertada síntese, que: 1) A quantia apontada pelo Fisco foi recebida pelo notificado graças ao êxito que teve em Ação Ordinária (Processo nº 471.01.2002.0002807) movida contra o INSS na 2ª Vara Cível da Comarca da Justiça Estadual em Porto Feliz/SP; 2) “Os rendimentos pagos acumuladamente, devem ser observados para a incidência de imposto de renda os valores mensais e não o montante global auferido”, segundo entendimento expresso pelo Superior Tribunal de Justiça; 3) “O imposto de renda incidente sobre os benefícios pagos acumuladamente deve ser calculado de acordo com as tabelas e alíquotas vigentes à época em que os valores deveriam ter sido adimplidos, observando a renda auferida mês a mês pelo segurado e, sendo assim, não é legítima a cobrança de imposto de renda com parâmetro no montante global pago extemporaneamente”; 4) No processo em foco o impugnante “simplesmente buscou o restabelecimento de um benefício previdenciário, cujo atendimento demandou o tempo necessário para que a Autarquia examinasse a pretensão”; 5) Conforme se verifica em sua declaração de rendimentos IRPF/2009, inúmeras doações foram feitas a entidades que cuidam e amparam crianças e “não se pode aplicar a norma legal quando apenas depositada a doação em fundos estatais de proteção à criança e ao adolescente, a finalidade do depósito é a mesma quando feito em uma instituição privada”; 6) “Toda aplicação de sanção deve ser proporcional ao gravame do ilícito cometido, sob pena de serem violados direitos e garantias constitucionais tais como a aplicação proporcional das penas e a isonomia jurídica”; 7) Constitui medida antiética a cobrança de multa e juros de mora, se mora não há. “O impugnante não se encontra em mora pela elementar razão de que o vencimento da obrigação só poderia existir se houvesse algum ilícito tributário”. A impugnação foi considerada improcedente. Foi manejado recurso voluntário no qual o recorrente, após relatar seu dramático infortúnio pessoal, pugna por 1) excluir, dos rendimentos, o valor dos honorários advocatícios; 2) excluir a glosa do IRRF no valor de R$ 9.324,12, e 3) por se tratar de rendimentos recebidos acumuladamente, aplicar o regime de competência. É o relatório. Voto Fl. 464DF CARF MF Processo nº 16062.000133/201152 Acórdão n.º 2301005.995 S2C3T1 Fl. 460 3 Conselheiro João Maurício Vital, Relator. O recurso é tempestivo e dele conheço, exceto quanto à dedução dos honorários advocatícios por ausência de prequestionamento. Quanto à glosa da compensação de imposto complementar, o que ocorreu foi que o contribuinte informou, indevidamente, como imposto complementar o que, na verdade, foi o imposto de renda retido na fonte. Esse valor, como se verifica na notificação de lançamento (efl. 365), foi considerado quando da constituição do crédito. A glosa, a rigor, não resultou em prejuízo ao contribuinte, apenas adequou a natureza da parcela. Quanto ao rendimentos recebidos acumuladamente, consoante o inc. II do § 12 do art. 67 do Regimento Interno do Carf aprovado pela Portaria MF nº 343, de 9 de junho de 2015, é imperiosa a aplicação do entendimento esposado no RE 614.406, do STF1, que, sob o rito de repercussão geral, reconheceu a inconstitucionalidade parcial, sem redução de texto, do art. 12 da Lei nº 7.713, de 1988, e estabeleceu o regime de competência para efeito do cálculo do Imposto de Renda sobre RRA. Ou seja, o cálculo deverá observar as tabelas vigentes em cada mês a que se refere o rendimento recebido acumuladamente. Conclusão Voto por conhecer, em parte, do recurso e, na parte conhecida, DARLHE PARCIAL PROVIMENTO para que o IRPF sobre os rendimentos recebidos acumuladamente seja calculado com base no regime de competência. João Maurício Vital Relator 1 O entendimento foi confirmado no Agravo Regimental no Recurso Extraordinário nº 1.022.792 e a matéria resta reconhecida como de repercussão geral, Tema 368 do STF. Fl. 465DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10880.919176/2015-17
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 27 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Tue May 28 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Ano-calendário: 2011
COMPENSAÇÃO. LIQUIDEZ E CERTEZA DO CRÉDITO. COMPROVAÇÃO. OBRIGATORIEDADE.
Para fazer jus à compensação pleiteada, o contribuinte deve comprovar a existência do crédito reclamado à Secretaria da Receita Federal do Brasil, sob pena de restar seu pedido indeferido.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3301-005.899
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Winderley Morais Pereira - Presidente e Relator
Participaram da presente sessão de julgamento os Conselheiros Winderley Morais Pereira (Presidente), Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Valcir Gassen, Liziane Angelotti Meira, Ari Vendramini, Salvador Cândido Brandão Junior, Marco Antonio Marinho Nunes e Semíramis de Oliveira Duro.
Nome do relator: WINDERLEY MORAIS PEREIRA
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Ano-calendário: 2011 COMPENSAÇÃO. LIQUIDEZ E CERTEZA DO CRÉDITO. COMPROVAÇÃO. OBRIGATORIEDADE. Para fazer jus à compensação pleiteada, o contribuinte deve comprovar a existência do crédito reclamado à Secretaria da Receita Federal do Brasil, sob pena de restar seu pedido indeferido. Recurso Voluntário Negado.
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LIQUIDEZ E CERTEZA DO CRÉDITO. COMPROVAÇÃO. OBRIGATORIEDADE. Para fazer jus à compensação pleiteada, o contribuinte deve comprovar a existência do crédito reclamado à Secretaria da Receita Federal do Brasil, sob pena de restar seu pedido indeferido. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Presidente e Relator Participaram da presente sessão de julgamento os Conselheiros Winderley Morais Pereira (Presidente), Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Valcir Gassen, Liziane Angelotti Meira, Ari Vendramini, Salvador Cândido Brandão Junior, Marco Antonio Marinho Nunes e Semíramis de Oliveira Duro. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 91 91 76 /2 01 5- 17 Fl. 83DF CARF MF Processo nº 10880.919176/201517 Acórdão n.º 3301005.899 S3C3T1 Fl. 3 2 Relatório Tratase de recurso voluntário contra decisão que manteve a não homologação da compensação do débito declarada pela contribuinte, em virtude de constar nos sistemas da RFB que o alegado recolhimento indevido já tinha sido utilizado integralmente para quitação de outros débitos. Confirase o teor do Despacho Decisório na origem: A partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos, abaixo relacionados, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. Em manifestação de inconformidade, sustentou a contribuinte que o Despacho Decisório não teria fundamentação, tampouco motivação. Por isso, teria havido cerceamento do seu direito de defesa. A DRJ/BHE, no acórdão n° 02072.950, negou provimento ao apelo. Em recurso voluntário, a Recorrente aduz que: a) A decisão de piso não levou em consideração a eficácia dos princípios constitucionais da motivação dos atos administrativos e da ampla defesa, o que impediu a empresa de se defender adequadamente, bem como demonstrar a existência do crédito; b) O princípio da motivação dos atos administrativos foi desrespeitado, uma vez que a autoridade indeferiu a homologação das compensações, utilizando como fundamento a inexistência do crédito, sem qualquer esclarecimento adicional; c) Restou violado o direito à ampla defesa, pois, como afirmado anteriormente, sem conhecer os motivos pelos quais sua compensação não foi homologada, a apresentação de qualquer defesa fica prejudicada. Ao final, defende a reforma da decisão de primeira instância, para declarar insubsistente o despacho decisório que não homologa a compensação e acolher o recurso para homologála. É o relatório. Fl. 84DF CARF MF Processo nº 10880.919176/201517 Acórdão n.º 3301005.899 S3C3T1 Fl. 4 3 Voto Conselheiro Winderley Morais Pereira, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3301005.882, de 27 de março de 2019, proferido no julgamento do processo 10880.903814/201405, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevemse, como solução deste litígio, nos termos regimentais, os entendimentos que prevaleceram naquela decisão (Acórdão 3301005.882): "O recurso voluntário reúne os pressupostos legais de interposição, dele, portanto, tomo conhecimento. Sustenta a empresa que o Despacho Decisório é nulo por ausência de motivação, o que lhe impede de fazer a comprovação do direito ao crédito, constituindo o cerceamento de defesa. Aduz: “como pode a recorrente argumentar e apresentar defesa sem saber ao certo por qual motivo sua compensação não foi homologada?”. A resposta a tal questão é límpida pelo teor do ato administrativo: A partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos, abaixo relacionados, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. Assim, a devida motivação reside no fato de que o alegado pagamento indevido não foi restituído, porque já tinha sido utilizado para quitar outros débitos. Por outro lado, não se observa as hipóteses do art. 59, II, do Decreto n° 70.235/72, sendo inexistente, por conseguinte, qualquer nulidade. Ademais, a Recorrente não traz apontamento da origem do indébito e tampouco qualquer elemento de prova. Limitouse em sede de manifestação de inconformidade apenas a afirmar que: A requerente, ao calcular o quantum debeatur da COFINS, utilizouse de base de cálculo com valores que indevidamente a integravam, ou seja, de base de cálculo ampliada. Fl. 85DF CARF MF Processo nº 10880.919176/201517 Acórdão n.º 3301005.899 S3C3T1 Fl. 5 4 Incluiu nesta base de cálculo, não só a receita decorrente de seu faturamento, ou seja, de suas vendas, mas sim as demais receitas que não devem compôlas. Para tanto, utilizouse de algumas teses tributárias já julgadas pelo Supremo Tribunal Federal de forma favorável aos contribuintes, a exemplo a ampliação da base de cálculo por alterar o conceito de faturamento, a exclusão da base de cálculo de determinadas despesas, entre outros. Por esta razão é que postulou a restituição/compensação do valor que pagou a maior desta exação. Tais afirmações sequer foram reiteradas no recurso voluntário. É sabido que a contribuinte tem direito subjetivo à compensação, desde que prove a liquidez e certeza de seu crédito. Entretanto, a Recorrente não demonstrou a base de cálculo utilizada para apurar a COFINS paga. Dessa forma, não houve demonstração da base de cálculo utilizada na apuração da COFINS, para a verificação de que os recolhimentos abrangeram receitas mensais que não faziam parte da atividade da empresa. Em pedido de iniciativa da contribuinte, cabialhe: a) Apresentar planilha com base de cálculo da COFINS, relativa ao valor da receita bruta mensal e o valor das receitas indevidamente incluídas na apuração; b) Apontar no livro razão/balancete os valores indicados; c) Exibir DIPJ, DCTF original e o DARF; d) Mostrar outros documentos fiscais e contábeis que permitissem afirmar que houve recolhimento sobre as outras receitas, que não compusessem o seu faturamento. Isso porque, dispõe o art. 170, do CTN que a compensação depende da comprovação da liquidez e certeza dos créditos do sujeito passivo contra a Fazenda Pública. Dessa forma, na ausência de documentação referente ao crédito, entendo que a pretensão da Recorrente não merece acolhida, uma vez que, regra geral, considerase que o ônus de provar recai a quem alega o fato ou o direito, nos termos do art. 373 do CPC/15. Logo, é da própria empresa o ônus de registrar, guardar e apresentar os documentos e demais elementos que testemunhem o seu direito ao creditamento. Fl. 86DF CARF MF Processo nº 10880.919176/201517 Acórdão n.º 3301005.899 S3C3T1 Fl. 6 5 Então, restou demonstrado que a interessada se omitiu em produzir a prova que lhe cabia, segundo as regras de distribuição do ônus probatório do processo administrativo fiscal. Não o fazendo, acertadamente, a compensação não foi homologada. Do exposto, voto por negar provimento ao recurso voluntário." Importa registrar que nos autos ora em apreço, a situação fática e jurídica encontra correspondência com a verificada no paradigma, de tal sorte que o entendimento lá esposado pode ser perfeitamente aqui aplicado. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado decidiu por negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Fl. 87DF CARF MF
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Numero do processo: 11020.001034/2003-51
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Sep 28 00:00:00 UTC 2010
Ementa: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO
PERÍODO DE APURAÇÃO: 01/01/2003 a 31/03/2003
Ementa.
TAXA SELIC - É imprestável como instrumento de correção monetária, não justificando a sua adoção, por analogia, em processos de ressarcimento de créditos incentivados, por implicar na concessão de um "plus", sem expressa previsão legal. O ressarcimento não é espécie do gênero restituição, portanto inexiste previsão legal para atualização dos valores objeto deste instituto.
Numero da decisão: 9303-001.142
Decisão: ACORDAM os Membros da 3ª TURMA DA CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS, pelo voto de qualidade, negar provimento ao recurso especial. Vencidos os Conselheiros Nanci Gama, Luciano Lopes de Almeida Moraes, Leonardo Siade Manzan, Maria Teresa Martinez López e Susy Gomes Hoffmann, que davam provimento.
Matéria: IPI- processos NT- créd.presumido ressarc PIS e COFINS
Nome do relator: Gilson Macedo Rosenburg Filho
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RECURSOS FISCAIS Processo n" 11020001034/2003-51 Recurso n" 203-252293 Especial do Contribuinte Acórdão n° 9.303-001142 — 3" Turma Sessão de 28 de setembro de 2010 Matéria IPI Recorrente TREBOL MOVEIS LIDA Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO PERÍODO DE APURAÇÃO: 01/01/2003 a 31/03/2003 Ementa.. TAXA SELIC - É imprestável como instrumento de correção monetária, não justificando a sua adoção, por analogia, em processos de ressarcimento de créditos incentivados, por implicar na concessão de um "pila", sem expressa previsão legal. O ressarcimento não é espécie do gênero restituição, portanto inexiste previsão legal para atualização dos valores objeto deste instituto Vistos, relatados e discutidos os presentes autos ACORDAM os Membros da 3' TURMA DA CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS, pelo voto de qualidade, negar provimento ao recurso especial. Vencidos os Conselheiros Nanci Gama, Luciano Lopes de Almeida Moraes, Leonardo Siade Manzan, Maria Teresa Martinez López e Susy Gomes Hoffmann, que davam provimento Henrique Pinheiro Torres — Presidente Substituto Gilson Macedo Rosenburg Filho - Relator Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros Luis Marcelo Guerra de Castro (Substituto convocado), Nanci Gama, Judith do Amaral Marcondes Armando, Luciano Lopes de Almeida Moraes (Substituto convocado), Gilson Macedo Rosenburg Filho, Leonardo Siade Manzan, José Adão Vitorino de Morais (Substituto convocado), Maria Teresa Martinez López, Susy Gomes Hoffmarm. Relatório Cuida-se de recurso especial do Sujeito Passivo, fis, 201/214, contra decisão do acórdão n 203-13371, da Terceira Câmara do Segundo Conselho, que negou a inclusão dos gastos com energia elétrica e combustíveis no cálculo do crédito presumido previsto na Lei ri' 10.276/2001, em virtude da falta de comprovação, bem corno a aplicação da taxa Selic sobre os créditos reconhecidos, O recorrente pugna para que seja autorizada a utilização dos créditos presumidos de IN decorrentes dos custos com energia elétrica e combustíveis e que seja atualizados pela Selic o valor a ser ressarcido O recurso foi admitido apenas quanto a aplicação da taxa Selic, por intermédio do despacho n° 203-014, fls, 280/281. A Fazenda apresentou contrarrazões às fls. 308/313, É o Relatório Voto Conselheiro Gilson Macedo .Rosenburg Filho, Relator O recurso foi apresentado com observância do prazo previsto, bem como dos demais requisitos de admissibilidade, Sendo assim, dele tomo conhecimento e passo a apreciar.. A pedra angular do litígio posta nos autos cinge-se na possibilidade de incidência da taxa SELIC no ressarcimento de TI. Preliminarmente, para decidir esta matéria é de suma importância registrar a diferença dos institutos do ressarcimento da restituição, A restituição é a repetição de um indébito. Decorre de pagamento indevido ou a maior que o devido. Já o ressarcimento não está vinculado a qualquer pagamento indevido, mas decorre de concessão legal. Sobretudo, não se pode olvidar que o direito subjetivo ao ressarcimento somente é constituído com o advento do despacho da autoridade competente, em oposição ao que ocorre com a repetição do indébito, em que o direito de repetir já nasce imediatamente com o pagamento indevido ou a maior, independentemente de qualquer ato da autoridade administrativa. Nesta linha, fica evidente existir duas figuras que não se confundem: a) restituição por pagamento indevido ou a maior do que o devido (repetição de indébito); e b) ressarcimento, previsto em lei concessiva. 2 ri Processo o' 1102000 W34/2003-51 Acórdão o " 9303-001142 CSRF-T3 Fl .316 É. certo que restituição e ressarcimento compartilham alguns aspectos, como o de ser ambos passíveis de satisfação em dinheiro ou mediante compensação, mas de nenhum modo ressarcimento é espécie do gênero restituição. Noutro giro, não há que se falar em desvalorização do valor a ser ressarcido, mesmo porque o ambiente de ampla correção monetária que vigia no passado foi abolido pelo Legislador. Com efeito, o Legislador aboliu e repudiou o sistema geral de indexação da economia através da aprovação das normas legais que consolidaram o Plano Real, inexistindo atualmente previsão de atualização monetária tanto para caso de ressarcimento como para caso de restituição. Nesse contexto, inadmissível pensar na aplicação da Taxa Selic como um meio de reposição do valor real da moeda.. A Taxa Selic é, isto sim, a expressão numérica dos juros. Não se trata de atualização monetária. Juros, por sua vez, é um acréscimo ao principal, é um plus que inclusive se caracteriza como renda para aquele que o aufere. Ora, o Estado não pode pagar rendimentos — na forma de Taxa Selic, vale dizer, de .juros — sem previsão legal, mormente quando o que seria o valor principal (ressarcimento) é, ele próprio, dependente de lei concessiva,. A previsão legal para a incidência de juros Selic, por sua vez, somente se refere aos casos de restituição. Ao mencionar a compensação (art. 39, § 4"), é claro que o dispositivo refere-se aos valores que poderiam ser restituídos, não permitindo interpretação extensiva. O texto da Lei no 9.250, de 1995, é claro, não havendo como aplicar por analogia aquele dispositivo ao caso do ressarcimento. Neste sentido deve-se dizer que o art. 39, § 4", da Lei no 9,250195, inclusive não estabeleceu a atualização de valores restituídos ao contribuinte com base na Taxa Selic. Isto porque, simplesmente, tal taxa expressa juros, não correção ou atualização monetária. O que foi previsto para casos de restituição foi a aplicação de juros, calculados com base na Taxa Selic. Depois, o dispositivo trata de restituição, nada falando de ressarcimento. Por fim, a data prevista para o início da incidência dos juros é a do pagamento indevido ou a maior do que o devido, data essa que somente pode ser identificada se se tratar de pedido de restituição. A incidência dos juros Selic a partir da data de protocolo do processo de pedido de ressarcimento é critério que não consta da legislação, o que reforça a tese de que os juros não podem incidir, nesse caso. Forte nestes argumentos, nego provimento ao recurso do sujeito passivo. É como voto, Sala das Sessões, em 28 de setembro de 2010 Gilson Macedo Rosenburg Filho 3
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Numero do processo: 10314.720248/2017-67
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Apr 24 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Mon May 20 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/06/2013 a 31/07/2016
CONCOMITÂNCIA. SÚMULA CARF nº 1.
Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial.
Assim, não devem ser conhecidos os argumentos que concernentes à exigência do Adicional de 1% da COFINS - Importação, que foi objeto de propositura de ação judicial.
MULTAS DE OFÍCIO E ADUANEIRA. PRINCÍPIOS DA RAZOABILIDADE E PROPORCIONALIDADE. PRINCÍPIO DA COSUNÇÃO
Não base a este colegiado afastar a aplicação de multas cujos dispositivos legais encontravam-se plenamente em vigor nas datas das autuações e aos quais se subsumiam os fatos identificados pela fiscalização.
FALTA DE PREVISÃO LEGAL. JUROS SOBRE MULTAS DE OFÍCIO E ADUANEIRA
De acordo com as Súmula CARF n° 4, incidem juros Selic sobre débitos tributários. Especificamente sobre a incidência sobre a multa de ofício, há a Súmula CARF n° 108.
Numero da decisão: 3301-006.067
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer em parte do recurso voluntário e, na parte conhecida, negar provimento.
(assinado digitalmente)
Winderley Morais Pereira - Presidente
(assinado digitalmente)
Marcelo Costa Marques d'Oliveira - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Larissa Nunes Girard (suplente convocada), Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Ari Vendramini, Salvador Cândido Brandão Junior, Marco Antonio Marinho Nunes, Semíramis de Oliveira Duro, Valcir Gassen e Winderley Morais Pereira (Presidente). Ausente a Conselheira Liziane Angelotti Meira.
Nome do relator: MARCELO COSTA MARQUES D OLIVEIRA
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/06/2013 a 31/07/2016 CONCOMITÂNCIA. SÚMULA CARF nº 1. Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. Assim, não devem ser conhecidos os argumentos que concernentes à exigência do Adicional de 1% da COFINS - Importação, que foi objeto de propositura de ação judicial. MULTAS DE OFÍCIO E ADUANEIRA. PRINCÍPIOS DA RAZOABILIDADE E PROPORCIONALIDADE. PRINCÍPIO DA COSUNÇÃO Não base a este colegiado afastar a aplicação de multas cujos dispositivos legais encontravam-se plenamente em vigor nas datas das autuações e aos quais se subsumiam os fatos identificados pela fiscalização. FALTA DE PREVISÃO LEGAL. JUROS SOBRE MULTAS DE OFÍCIO E ADUANEIRA De acordo com as Súmula CARF n° 4, incidem juros Selic sobre débitos tributários. Especificamente sobre a incidência sobre a multa de ofício, há a Súmula CARF n° 108.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/06/2013 a 31/07/2016 CONCOMITÂNCIA. SÚMULA CARF nº 1. Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. Assim, não devem ser conhecidos os argumentos que concernentes à exigência do Adicional de 1% da COFINS Importação, que foi objeto de propositura de ação judicial. MULTAS DE OFÍCIO E ADUANEIRA. PRINCÍPIOS DA RAZOABILIDADE E PROPORCIONALIDADE. PRINCÍPIO DA COSUNÇÃO Não base a este colegiado afastar a aplicação de multas cujos dispositivos legais encontravamse plenamente em vigor nas datas das autuações e aos quais se subsumiam os fatos identificados pela fiscalização. FALTA DE PREVISÃO LEGAL. JUROS SOBRE MULTAS DE OFÍCIO E ADUANEIRA De acordo com as Súmula CARF n° 4, incidem juros Selic sobre débitos tributários. Especificamente sobre a incidência sobre a multa de ofício, há a Súmula CARF n° 108. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer em parte do recurso voluntário e, na parte conhecida, negar provimento. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 31 4. 72 02 48 /2 01 7- 67 Fl. 1543DF CARF MF Processo nº 10314.720248/201767 Acórdão n.º 3301006.067 S3C3T1 Fl. 1.544 2 (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Presidente (assinado digitalmente) Marcelo Costa Marques d'Oliveira Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Larissa Nunes Girard (suplente convocada), Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Ari Vendramini, Salvador Cândido Brandão Junior, Marco Antonio Marinho Nunes, Semíramis de Oliveira Duro, Valcir Gassen e Winderley Morais Pereira (Presidente). Ausente a Conselheira Liziane Angelotti Meira. Relatório Adoto o relatório da decisão de primeira instância: " Trata o presente de auto de infração que constituiu e exige: 1. Adicional de ponto percentual de COFINS Importação (§ 21 do art. 8º da Lei n. 10.865/2004) sobre importações realizadas pela contribuinte entre 01/06/2013 e 31/07/2016 de produtos [farmacêuticos] de posição 3002, 3003, 3004, 3005 e 9018 (especificados nos anexos da auto de infração, e também às fls. 30 e 31 do Relatório Fiscal), a despeito deles serem bens com alíquota de COFINS Importação reduzida a zero (§ 11 do art. 8º da Lei n. 10.865/2004). 2. Multa de ofício (75%) e juros de mora sobre essa adicional de ponto porcentual de Cofins Importação; 3. Multa administrativa aduaneira por prestação de informação inexata (§ 1º do artigo 69 da Lei 10.833/2003, c/c art. 84 da MP 2.15835, de 2001). A autoridade fiscal entende que apesar desses bens terem sido importados com COFINS à alíquota reduzida, consoante o § 11 do art. 8º da Lei n. 10.865/2004, é obrigatória a incidência do ponto adicional de COFINS Importação previsto no § 21 do art. 8º da Lei n. 10.865/2004, como reconheceu o Parecer Normativo COSIT n. 10, de 2014. Em sua análise das importações desses produtos realizadas por esse contribuinte nesse período, ela constatou que a contribuinte recolheu esse adicional em várias importações exatamente dos mesmos produtos, enquanto que os produtos objeto desse auto de infração elas deixou de incluir na Declaração de importação e de efetuar o recolhimento devido. Além disso, a autoridade fiscal entende que: “o importador declarou incorretamente a alíquota da CofinsImportação nas DI's sujeitas ao respectivo adicional de 1%, e que a mesma se enquadra dentre as informações de natureza administrativotributária, cambial ou comercial necessárias à determinação do procedimento de controle aduaneiro apropriado a serem prestadas pelo importador, incide a multa por declaração inexata prevista na legislação acima mencionada. Fl. 1544DF CARF MF Processo nº 10314.720248/201767 Acórdão n.º 3301006.067 S3C3T1 Fl. 1.545 3 O importador deveria ter informado, no campo apropriado da Declaração de Importação, a alíquota de referente à Cofins, no momento em que efetuou o registro da DI, e recolhido o respectivo tributo que seria corretamente calculado automaticamente pelo próprio Sistema Integrado de Comércio Exterior – Siscomex. Mas, conforme extratos das DI's anexados ao presente auto de infração, visualizase que o importador declarou no referido campo a alíquota incorreta de 0% referente a CofinsImportação, ao invés do 1% correto. Em razão disso, o Siscomex foi induzido a erro e não efetuou o cálculo do tributo devido. Resta, portanto, configurada a infração regulamentada no Art. 711, III, do Decreto 6.759 de 2009.” (p. 46 do Relatório Fiscal e Auto de Infração) A contribuinte ingressou com Impugnação por meio da qual alega: A ação coletiva n. 2086136.2014.4.01.3400 ingressada pela entidade sindical, da qual a contribuinte é parte, proferiu sentença favorável à tese da contribuinte (de que não há ponto adicional de COFINS Importação quando houve redução da alíquota a zero); invoca o Parecer Normativo COSIT n. 7 de 2014, e pede suspensão do julgamento até que haja decisão final e definitiva; Ser indevida a cobrança do ponto adicional sobre medicamentos, no caso sob análise, pois há disposição em lei que define a redução a zero para esses tipos de produtos, e que deve prevalecer a regra específica sobre a regra geral. Para demonstrar sua razão a contribuinte argumenta, em suas palavras: 13. A instituição da COFINSImportação se deu com a edição da Lei n° 10.865, de 30.4.2004 ("Lei n° 10.865/04'"). mais especificamente através de seus artigos 1° e seguintes: Art. 1° Ficam instituídas a Contribuição para os Programas de Integração Social e de Formação do Patrimônio do Servidor Público incidente na Importação de Produtos Estrangeiros ou Serviços PIS/PASEPImportação e a Contribuição Social para o Financiamento da Seguridade Social devida pelo Importador de Bens Estrangeiros ou Serviços do Exterior COFINSImportação, com base nos arts. 149, § 2o, inciso II, e 195, inciso IV, da Constituição Federal, observado o disposto no seu art. 195, § 6o. 14. A Lei n° 10.865/04 também dispõe sobre a forma de cálculo geral da COFINSImportação, estipulando as alíquotas incidentes sobre a base de cálculo desse tributo, conforme disposto no artigo 8o da referida Lei: "Art. 8o. As contribuições serão calculadas mediante aplicação, sobre a base de cálculo de que trata o art. 7o desta Lei, das alíquotas de: I na hipótese do inciso I do caput do art. 3o, de : a) 2,1% (dois inteiros e um décimo por cento), para a Contribuição para o PIS/PASEPImportação; e b) 9,65% (nove inteiros e sessenta e cinco centésimos por cento), para a COFINSImportação." 15. Especificamente para os casos como o da Requerente, a Lei n° 10.865/04 prevê que, sobre a importação dos produtos classificados no Capítulo 30 do NCM, referente aos produtos farmacêuticos, a alíquota da COFINSImportação poderia ser reduzida a zero pelo Fl. 1545DF CARF MF Processo nº 10314.720248/201767 Acórdão n.º 3301006.067 S3C3T1 Fl. 1.546 4 Poder Público, de acordo com o disposto no § 11, do artigo 8o, da Lei n° 10.865/04, abaixo transcrito: "§ 11. Fica o Poder Executivo autorizado a reduzir a 0 (zero) e a restabelecer as alíquotas do PIS/PASEPImportação e da COFINSImportação, incidentes sobre: I produtos químicos e farmacêuticos classificados nos Capítulos 29 e 30 da NCM: (...)" II produtos destinados ao uso em hospitais, clínicas e consultórios médicos e odontológicos, campanhas de saúde realizadas pelo Poder Público e laboratórios de anatomia patológica, citológica ou de análises clínicas, classificados nas posições 30.02, 30.06. 39.26. 40.15 e 90.18 da NCM. (não destacado no original) 16. Com fundamento no parágrafo acima transcrito, o Poder Executivo promulgou o Decreto n° 6.426/08, reduzindo a zero as alíquotas da COFINSImportação dos produtos classificados no Capítulo 301 (produtos farmacêuticos) e Posições 032, 043 (medicamentos) e código 3005.10.IO4 (gazes, ataduras e etc). Vejamos: "Art. 2o. Ficam reduzidas a zero as alíquotas da Contribuição para o PIS/PASEPImportação e da COFINSImportação, incidentes sobre a operação de importação dos produtos farmacêuticos classificados, na NCM: (...) IV na posição 30.03. exceto no código 3003.90.56; V na posição 30.04. exceto no código 3004.90.46 VI no código 3005.10.10:" (não destacado no original) 17. Ainda neste sentido, o Decreto n° 6.426/08, em seu artigo 1o, inciso III, determinou a redução a zero das alíquotas da COFINSImportação para outros produtos, quando destinados para situações específicas: "Art. 1o Ficam reduzidas a zero as alíquotas da Contribuição para o PIS/PASEP, da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social COFINS, da Contribuição para o PIS/PASEPImportação e da COFINS Importação incidentes sobre a receita decorrente da venda no mercado interno e sobre a operação de importação dos produtos: (...) III destinados ao uso em hospitais, clínicas e consultórios médicos e odontológicos, campanhas de saúde realizadas pelo Poder Público, laboratório de anatomia patológica, citológica ou de análises clínicas, classificados nas posições 30.02, 30.06, 39.26, 40.15 e 90.18 da NCM, relacionadas no Anexo III deste Decreto. 18. Portanto, da análise da legislação específica, verificase que o Poder Executivo optou por zerar a alíquota da COFINSImportação para os medicamentos. Tal medida, conforme divulgado pela própria Casa Civil do Governo Federal, "permite à indústria farmoquímica, estabelecida no país, reduzir os custos incidentes na produção de fármacos". Fl. 1546DF CARF MF Processo nº 10314.720248/201767 Acórdão n.º 3301006.067 S3C3T1 Fl. 1.547 5 19. Os medicamentos importados pela Requerente e objeto da presente autuação enquadramse entre os produtos elencados nos artigos destacados acima, logo, sujeitamse à alíquota zero de COFINSImportação. 20. Ocorre que, como mencionado acima, posteriormente à edição do Decreto n° 6.426/08, a Lei n° 12.844/13 alterou a Lei geral que instituiu a COFINS Importação, acrescentando um novo parágrafo ao já referido artigo 8o da Lei n° 10.865/04. 21. O novo parágrafo 21, do artigo 8o, da Lei n° 10.865/04 instituiu um adicional de 1% às alíquotas gerais de COFINSImportação previstas no caput do referido artigo. Vejamos: "Art. 8o. As contribuições serão calculadas mediante aplicação, sobre a base de cálculo de que trata o art. 7o desta Lei, das alíquotas de: I na hipótese do inciso I do caput do art. 3o, de: a) 2,1% (dois inteiros e um décimo por cento), para a Contribuição para o PIS/PASEPImportação; e b) 9,65% (nove inteiros e sessenta e cinco centésimos por cento), para a COFINSImportação. (...) § 21. As alíquotas da CofinsImportação de que trata este artigo ficam acrescidas de um ponto percentual na hipótese de importação dos bens classificados na Tipi, aprovada pelo Decreto n° 7.660, de 23 de dezembro de 2011, relacionados no Anexo I da Lei n° 12.546, de 14 de dezembro de 2011. (Redação dada pela Lei n° 12.844, de 19 de julho de 2013) (Vide art. 49, inc III da Lei n° 12.844/2013)" 22. Entretanto, ao contrário do que sustenta a D. Fiscalização, muito embora a nova regra seja direcionada à aplicação do acréscimo de 1% sobre as alíquotas da COFINS Importação aplicáveis à importação de bens (2,1% e 9,65%), as DD. Autoridades Fiscais pretendem, por meio do presente Auto de Infração, exigir o recolhimento deste valor, contrariando de forma totalmente injustificada o disposto no Decreto n° 6.426/08. 23. Ocorre que a Requerente não pode concordar com o entendimento das DD. Autoridades Fiscais no presente caso, uma vez que se pretende aplicar regra geral em hipótese na qual existe regra específica que estabelece alíquota zero para os medicamentos importados pela Requerente. 24. Ora, a inclusão do parágrafo 21, do artigo 8o, da Lei n° 10.865/04, em momento algum revogou a autorização contida no parágrafo 11 do mesmo diploma legal, que faculta ao Poder Público a redução a zero da alíquota da COFINSImportação sobre os medicamentos. 25. Tampouco poderia o parágrafo 21, do artigo 8o, da Lei n° 10.865/04, revogar a determinação do Decreto n° 6.426/08, que prevê alíquota específica incidente sobre os medicamentos, com fundamentação justamente no parágrafo 11, do artigo 8o, da Lei n° 10.865/04. Fl. 1547DF CARF MF Processo nº 10314.720248/201767 Acórdão n.º 3301006.067 S3C3T1 Fl. 1.548 6 26. Não se pode admitir que a regra trazida pelo Decreto n° 6.426/08 seja suprimida sob o pretexto de existir norma geral representada pelo parágrafo 21, do artigo 8°, da Lei n° 10.865/04. Isso porque, sendo o referido Decreto norma específica e com fundamento na própria Lei n° 10.865/04, ele deverá prevalecer no caso da Requerente. 27. Portanto, deve prevalecer a norma que regulamenta a situação concreta e específica do contribuinte, como é o caso do Decreto n° 6.426/08, inclusive em atenção ao princípio da especialidade (lex specialis derogat legi generali) previsto no artigo 2°, § 2o, da Lei de Instrução às normas do Direito Brasileiro instruída pelo DecretoLei n° 4.657, de 4 de setembro de 1942 ("DecretoLei n° 4.657/42"): "Art. 2o Não se destinando à vigência temporária, a lei terá vigor até que outra a modifique ou revogue. (...) 6 2° A lei nova, que estabeleça disposições gerais ou especiais a par das já existentes, não revoga nem modifica a lei anterior." 28. No que se refere à aplicação do princípio da especialidade, vale observar a farta jurisprudência do E. Superior Tribunal de Justiça ("STJ"), que ao analisar casos de conflito normativo decidiu pela aplicação da lei especial sobre a lei genérica, principalmente quando a norma especial foi editada para disciplinar a situação de contribuintes determinados, como ocorre no presente caso. Vejamos. [excertos de decisões proferidas pelo STJ; Resp 1.161.467/RS, 2ª T, Relator Ministro Castro Meira, DJ 17/5/2012; AgRg no Resp n. 1.075.094/MG, 5ª T, Relator ministro Adilson Vieira Macabu, DJ 15/2/2011] 29. Portanto, diante das regras expostas acima, confirmadas pelo entendimento sedimentado pela jurisprudência pátria, resta incontroverso que o entendimento das DD. Autoridades Fiscais está equivocado, e que se deve aplicar a norma especial aos casos especificamente regulamentados por ela, em detrimento da norma geral, que se presta à regulamentação de situações genéricas e abstratas. 30. A exigência do adicional de 1% à alíquota da COFINSImportação incidente na importação de medicamentos é completamente absurda no caso dos produtos farmacêuticos, de forma que a Requerente não consegue sequer compreender as razões que levaram as DD. Autoridades Fiscais a questionar a aplicação de ato emanado pelo Poder Público em favor do desenvolvimento da saúde pública. 31. Além disso, a tentativa de afastar o Decreto n° 6.426/08 no presente caso vai contra o princípio constitucional da segurança jurídica das relações jurídicas, que deveria nortear a relação entre Estado e contribuintes. Isso sem falar na ofensa ao princípio da estrita legalidade em matéria tributária, previsto no artigo 150, inciso I, da CF/88 e no artigo 97 do Código Tributário Nacional ("CTN"). 32. Por fim, resta comprovada a improcedência da cobrança do adicional de 1% sobre a alíquota da COFINSImportação, haja vista que deve prevalecer o disposto no Decreto n° 6.426/08, que determinou a incidência de alíquota zero da COFINSImportação sobre Fl. 1548DF CARF MF Processo nº 10314.720248/201767 Acórdão n.º 3301006.067 S3C3T1 Fl. 1.549 7 medicamentos, preservando a norma específica sobre a norma geral, em respeito à segurança jurídica. As multas de ofício (75%) e administrativa por informação inexata (1%) são desproporcionais e não razoáveis; a aplicação simultânea das duas multas fere o ordenamento jurídico, pois se penaliza duas vezes por um mesmo ato, e se deve adotar o princípio da consunção (a conduta menos grave serve com meio para atingir a mais nociva); a situação demanda cancelamento da autuação; ou alternativamente prevalecer apenas a referente à infração mais grave, e extinguindo a menos grave; A não incidência de juros de mora sobre multa de ofício por falta de previsão legal. Traz decisões proferidas no CARF e na Câmara Superior de Recursos Fiscais (CSRF). Ao final, ela pede: 64. Assim sendo, diante de tudo o que foi exposto, e com base na doutrina e jurisprudência mencionadas, a Requerente requer seja INTEGRALMENTE ACOLHIDA a presente Impugnação, para o fim de que, em preliminar, seja o presente processo administrativo suspenso até que seja proferida decisão final nos autos da Ação Ordinária n° 2086136.2014.4.01.3400, nos termos do Parecer Normativo COSIT n° 7/2014. 65. Entretanto, caso assim não entenda essa D. Delegacia de Julgamento, o que se admite a título meramente argumentativo, a Requerente requer seja INTEGRALMENTE ACOLHIDA a presente Impugnação para que, no mérito, seja reconhecida a total improcedência do Auto de Infração lavrado (principal, multa de ofício de 75% sobre o valor do suposto crédito tributário, multa de 1% do valor aduaneiro e juros SELIC), com o consequente arquivamento do processo administrativo correlato, uma vez que não houve qualquer omissão de receita, muito menos ausência de recolhimento de tributo. 66. Na remota hipótese dos pedidos acima não serem acolhidos, a Requerente requer (i) a diminuição da multa de ofício e da multa de 1% a patamares razoáveis e condizentes com a suposta infração cometida;(ii) o cancelamento da multa de 1% do valor aduaneiro, por ser claramente indevida, haja vista que não houve prestação de informação inexata; e (iii) o cancelamento da multa de ofício de 75%, visando tratarse de aplicação de penalidade em duplicidade, em respeito ao princípio da consunção e (ii) a não incidência da taxa SELIC sobre o valor da multa aplicada, uma vez que é penalidade e não tem natureza tributária. 67. Por fim, a Requerente protesta pela juntada posterior de documentos que possam se fazer necessários, nos termos do artigo 16, § 4o, alínea "a" do Decreto 70.235/72, bem como do princípio da verdade material que orienta o processo administrativo fiscal. É o relatório." Em 10/10/17, a DRJ em Curitiba (PR) julgou a impugnação improcedente e o Acórdão n° 06060.545 foi assim ementado: "Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins Período de apuração: 01/06/2013 a 31/07/2016 Fl. 1549DF CARF MF Processo nº 10314.720248/201767 Acórdão n.º 3301006.067 S3C3T1 Fl. 1.550 8 Ementa: CONCOMITÂNCIA. APLICAÇÃO DA INTELIGÊNCIA DO PARECER NORMATIVO COSIT N. 7, DE 22/08/2014 (DOU DE 27/08/2014, seção 1, p. 65) Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO. INCIDÊNCIA. LEGALIDADE. A multa de ofício, sendo parte integrante do crédito tributário, está sujeitaà incidência dos juros de mora, calculados com base na taxa Selic, a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao do vencimento. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido" Inconformado, o contribuinte interpôs recurso voluntário, em que repisa os argumentos apresentados na impugnação e adiciona contestação à decisão da DRJ de não conhecer das alegações relacionadas à incidência do Adicional de 1% à COFINS Importação, em decorrência de concomitância. Em síntese, alega que não está vinculada à ação judicial, porém o sindicato de que faz parte. É o relatório. Voto Conselheiro Relator Marcelo Costa Marques d'Oliveira Tratase de auto de infração para cobrança do Adicional de 1% à COFINS Importação (§ 21 do art. 8° da Lei n° 10.865/04) e multa de 1% sobre o valor aduaneiro (inciso III do art. 711 do Decreto n° 6.759/09 / Regulamento Aduaneiro RA), por erro no preenchimento de Declarações de Importação (DI), incidentes sobre importações realizadas no período de agosto de 2013 a dezembro de 2016. Preliminar Concomitância ou suspensão do julgamento Antes de adentrar no exame propriamente dito da questão em epígrafe, consigno o Acórdão da DRJ suscita dúvidas quanto à abrangência da concomitância, senão vejamos (trechos do Acórdão, fls. 1.444 a 1.462): Fl. 1550DF CARF MF Processo nº 10314.720248/201767 Acórdão n.º 3301006.067 S3C3T1 Fl. 1.551 9 Dispositivo "Acordam os membros da 4ª TURMA DE JULGAMENTO, por unanimidade, julgar improcedente a impugnação." Conclusão do voto "Conclusão Proponho (i) o reconhecimento da concomitância (ação coletiva n. 2086136.2014.4.01.3400 ingressada pela entidade sindical ) com relação à questão da incidência do ponto adicional de COFINS Importação para os produtos incluídos no auto de infração, e para a conseqüente exigência de multa de ofício e da multa administrativa por prestar informação incorreta nas declarações de importação, NÃO CONHECENDO DA IMPUGNAÇÂO QUANTO A ESTAS MATÉRIAS, DECLARANDO A DEFINITIVIDADE DA EXIGÊNCIA DECORRENTE (ii) a improcedência da impugnação nos demais questionamentos e alegações que extravasam ao que foi submetido à apreciação do Poder Judiciário." A incerteza surge, pelos seguintes motivos: o dispositivo julga a impugnação improcedente para tanto, em princípio, teve de conhecêla integralmente; "conclusão" do voto, dispuseram que não conheceram dos argumentos acerca da exigência do Adicional de 1% à COFINS Importação e das multas de ofício e administrativa, tendo restado tão somente a discussão acera dos juros sobre a multa de ofício; e no corpo do voto condutor, as alegações concernentes às multas, a princípio, não conhecidas, foram apreciadas e devidamente afastadas. Apesar de um tanto confuso, é possível concluir que todos os argumentos de defesa foram apreciados pela DRJ, tendo sido considerados como não conhecidos, exclusivamente, os atinentes à cobrança do Adicional de 1% da COFINS Importação. Dito isto, passo à análise dos autos. No Relatório Fiscal (fls. 614 e 615) e recurso voluntário (fls. 1.503 a 1.505), confirmados com as informações contidas no sítio virtual do Tribunal Regional Federal da 1° Região, consta que o Sindicato das Indústrias de Produtos Farmacêuticos do Estado de São Paulo (SINDUSFARMA), do qual a recorrente faz parte, propôs a Ação Ordinária n° 20861 36.2014.4.01.3400, com o intuito de obter declaração de que o Adicional de 1% à COFINS Importação não incide sobre os produtos importados cuja alíquota regular da COFINS Importação, prevista na alínea "b" do inciso II do caput do art. 8° da Lei n° 10.865/04, tenha sido reduzida a zero pelo Decreto n° 6.426/08. Com efeito, até a conclusão deste voto, a Ação Ordinária n° 20861 36.2014.4.01.3400 ainda não havia sido concluída. A decisão de primeira instância foi desfavorável. Porém, em sede de apelação, foi cancelada, tendo os autos retornados para a primeira instância, para instrução e então novo julgamento. Fl. 1551DF CARF MF Processo nº 10314.720248/201767 Acórdão n.º 3301006.067 S3C3T1 Fl. 1.552 10 A concomitância decretada pela DRJ se dá, quando há identidade entre os objetos e as partes, e tem como fundamento o "Princípio da Jurisdição Una", estabelecido no inciso XXXV do art. 5° da Constituição Federal. No tocante à concomitância, a recorrente não contesta que há identidade de objetos, porém tão somente em relação às partes, pois entende que apenas a entidade sindical estaria vinculada. Por outro lado, requer a suspensão do presente feito, até que seja proferida decisão final na ação judicial, como segue (recurso voluntário, fls. 1.503 e 1.504): "(. . .) 13. Conforme exposto anteriormente, a Recorrente reitera que existe ação judicial ajuizada pelo SINDUSFARMA, atualmente em curso perante a 3a Vara Federal da Seção Judiciária do Distrito Federal, que trata da mesma questão debatida no presente caso. 14. Tratase da Ação Ordinária no 2086136.2014.4.01.3400, ajuizada pelo SINDUSFARMA, entidade sindical da qual a Recorrente faz parte, em 2014 e, objetivando justamente a declaração de que o acréscimo de 1% na alíquota de COFINSImportação não abrange os produtos químicos e farmacêuticos a que se refere o § 11, do artigo 80, da Lei no 10.865/04. 15. Vale ressaltar, ainda, que em 24.3.2014 foi proferida sentença nos autos da referida Ação Ordinária manifestando o entendimento daquele I. Juízo no sentido de que as "Leis n° 12.715/2012 e 12.844/2013 não revogaram o § 11, inciso I, do artigo 8° da Lei n0 10.865/2004, de sorte que as alíquotas expressas no Decreto n° 6.426/2008 permanecem com a taxa zero." (doc. no 4 da Impugnação). 16. A Recorrente esclarece que a referida sentença, muito embora tenha julgado extinto o processo sem resolução de mérito tão somente por entender estar ausente naqueles autos comprovação de que os sindicalizados estejam sendo compelidos ao pagamento da alíquota de 1% de COFINSImportação sobre os produtos farmacêuticos (diferentemente do presente caso, visto que este é exatamente o objeto da presente autuação), ainda assim aquele I. Juízo concordou com o entendimento do Sindicato quanto à prevalência da regra específica que reduz a zero a alíquota da COFINSImportação. 17. Por essa razão, tendo em vista que a discussão originada pela referida Ação Ordinária é idêntica àquela do caso em análise e que, consequentemente, a resolução do mérito da referida Ação Ordinária é questão prejudicial à resolução do presente processo administrativo, a Recorrente requer seja o presente Processo Administrativo suspenso até que seja proferida decisão final nos autos da Ação Ordinária de no 2086136.2014.4.01.3400. 18. Ao analisar a questão, o V. Acórdão recorrido limitouse a afirmar que o pedido de suspensão deveria ser indeferido diante da suposta falta de previsão legal e estaria caracterizada concomitância entre o presente processo administrativo e a Ação Ordinária ajuizada pelo SINDUSFARMA. 19. Ocorre que, ao contrário do que restou consignado pelo V. Acórdão recorrido, neste caso não há que se falar em concomitância entre o presente processo administrativo e a Ação Ordinária no 2086136.2014.4.01.3400. Isso Fl. 1552DF CARF MF Processo nº 10314.720248/201767 Acórdão n.º 3301006.067 S3C3T1 Fl. 1.553 11 porque, conforme anteriormente explicitado pela Recorrente, a referida Ação Ordinária foi ajuizada pelo SINDUSFARMA, entidade sindical da qual a Recorrente faz parte, de modo que não é a Recorrente mas sim a entidade que está vinculada. 20. Ora, a existência de ação judicial ajuizada por entidade coletiva não pode servir de óbice a Recorrente de, por conta própria, poder discutir a referida matéria em sede administrativa. O que deve ser reconhecido neste caso, é a relação de prejudicialidade entre ambas as ações e a consequente necessidade de suspensão do presente processo administrativo até que seja proferida decisão final transitada em julgado nos autos da Ação Ordinária no 2086136.2014.4.01.3400. 21. Ao analisar o pedido de suspensão da Recorrente, o V. Acórdão recorrido limitouse a afastar tal possibilidade com base em suposta falta de previsão legal. Ocorre que, ao contrário do que restou consignado pelas DD. Autoridades Julgadoras, a possibilidade de suspensão do processo em casos como o presente encontrase prevista no artigo 313, inciso V, alínea "a", do Código de Processo Civil ("CPC"): "Art. 313. Suspendese o processo: (...) V Quando a sentença de mérito: a) depender do julgamento de outra causa ou da declaração de existência ou de inexistência de relação jurídica que constitua o objeto principal de outro processo pendente; (. . .)" 22. Por fim, vale notar que a aplicação subsidiária do CPC aos Processos Administrativos também se encontra expressamente prevista, nos termos do artigo 15 do referido diploma legal, de forma que, por mais esta razão, não há que se falar em ausência de previsão legal para suspensão do presente processo administrativo. (. . .)" (g.n.) Não há dúvida de que há concomitância não somente entre os objetos, porém também em relação às partes. De acordo com o artigo 5º, inciso XXI, da Constituição Federal, combinado com o 503 do Novo Código Civil (Lei n° 13.105/15) as associações tem legitimidade para representar judicialmente seus representados, os quais, inclusive a recorrente, aproveitarseão da coisa julgada. Por outro lado, não há previsão regimental que permita o sobrestamento do presente processo até a conclusão da referida ação judicial. Assim sendo, a Súmula CARF n° 1 e deixo de conhecer os argumentos que concernentes à exigência do Adicional de 1% à COFINS Importação. As demais alegações são conhecidas, posto que o recurso voluntário preenche os requisitos legais de admissibilidade. Mérito Fl. 1553DF CARF MF Processo nº 10314.720248/201767 Acórdão n.º 3301006.067 S3C3T1 Fl. 1.554 12 "A ABUSIVIDADE DAS MULTAS APLICADAS" Aduz que as multas de ofício de 75% sobre o tributo e administrativa de 1% sobre o valor aduaneiro, individualmente, ultrapassam os limites da razoabilidade e proporcionalidade, pelo que devem ser canceladas ou, pelo menos reduzidas. Transceve trecho de decisão do STJ, que dispõe que a Administração Pública deve atuar em linha com tais parâmetros. Os parâmetros da razoabilidade e proporcionalidade, também previstos na Lei n° 9.784/99, não podem ser utilizados por este colegiado para afastar a aplicação de dispositivos legais que se encontravam plenamente em vigor e aos quais se subsumiam os fatos apurados pela fiscalização, quais sejam: 75% de multa de ofício sobre o Adicional de 1% da COFINS Importação não lançado e não pago (inciso I do art. 44 da Lei n° 9.430/96); e multa administrativa de 1% sobre o valor aduaneiro, por erro na identificação da alíquota da COFINS nos documentos de importação (inciso III do art. 711 do Decreto n° 6.759/09 / Regulamento Aduaneiro RA c/c Anexo Único da IN SRF n° 680/06). Portanto, nego provimento aos argumentos. Naturalmente que a cobrança das referidas multas dependerá do desfecho da citada ação judicial. "A APLICAÇÃO INDEVIDA DA MULTA PREVISTA NO ARTIGO 711 DO REGULAMENTO ADUANEIRO" A recorrente alega que a alíquota adotada está certa, não sendo cabível a multa de 1% sobre o valor aduaneiro. E repisa os argumentos tratados no tópico anterior, de que a penalidade fere os princípios da razoabilidade e proporcionalidade. A fiscalização aplicou de forma correta a multa de administrativa, pois identificou erro na informação prestada sobre a alíquota da COFINS. Naturalmente que a cobrança desta multa dependerá do desfecho da citada ação judicial. As demais alegações já foram apreciadas e devidamente afastadas no tópico anterior. Assim, nego provimento aos argumentos. "IMPOSSIBILIDADE DE A RECORRENTE SER PENALIZADA DUPLAMENTE POR UM MESMO ATO — PRINCÍPIO DA CONSUNÇÃO" Com base "Princípio da Cosunção", derivado do Direito Penal, alega que a infração mais grave (1% sobre o valor aduaneiro) absorve a menos gravosa (multa de ofício de 75%), pelo que esta última deveria ser cancelada. O contribuinte não deve ser duplamente punido pela mesmo fato. Não cabe a este colegiado afastar a aplicação de dispositivos legais que se encontravam plenamente em vigor e aos quais se subsumiam os fatos apurados pela fiscalização, em razão da aplicação do citado princípio. Fl. 1554DF CARF MF Processo nº 10314.720248/201767 Acórdão n.º 3301006.067 S3C3T1 Fl. 1.555 13 Nego provimento aos argumentos. "IMPOSSIBILIDADE DE INCIDÊNCIA DE JUROS SELIC SOBRE A MULTA" A recorrente argumenta que não há base legal para a cobrança de juros Selic sobre as multas de ofício e administrativa de 1%. Nego provimento, com base na Súmula CARF n° 4 e, especificamente no caso da multa de ofício, também na Súmula CARF n° 108: "Súmula CARF nº 4: A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais." "Súmula CARF nº 108: Incidem juros moratórios, calculados à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC, sobre o valor correspondente à multa de ofício." Conclusão Conheço parcialmente do recurso voluntário e, com relação à parte conhecida, nego provimento. É como voto. (assinado digitalmente) Marcelo Costa Marques d'Oliveira Fl. 1555DF CARF MF
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