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Numero do processo: 16004.000240/2007-99
Data da sessão: Thu Mar 12 00:00:00 UTC 2009
Data da publicação: Thu Mar 12 00:00:00 UTC 2009
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA- IRPJ
Ano-calendário: 2005
OMISSÃO DE RENDIMENTOS - DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE
ORIGEM NÃO COMPROVADA - ARTIGO 42, DA LEI N° 9.430.
DE 1996 - Caracteriza omissão de rendimentos a existência de valores
creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a
instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa fisica ou jurídica,
regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e
idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações.
MULTA DE OFÍCIO. PROCEDÊNCIA. APLICAÇÃO DO ART. 44, DA
LEI 9.430/96. Aplicabilidade da multa de oficio de 75% nos casos de falta de
pagamento ou recolhimento, além das hipóteses de ausência ou declaração
inexata.
ERRO DO SUJEITO PASSIVO. INAPLICABILIDADE. Procedente
lançamento fundamentado em movimentações financeiras da Pessoa Jurídica
em conta bancária da Pessoa Física do sócio-administrador.
Preliminar Rejeitada.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 1202-000.012
Decisão: ACORDAM os Membros da 2º câmara / 2º turma ordinária do primem
SEÇÃO DE JULGAMENTO, por unanimidade de votos, REJEITAR a preliminar de nulidade por erro na identificação do sujeito passivo e, no mérito, NEGAR provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado.
Matéria: Simples - ação fiscal - insuf. na apuração e recolhimento
Nome do relator: Orlando José Gonçalves Bueno
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DE 1996 - Caracteriza omissão de rendimentos a existência de valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa fisica ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. MULTA DE OFÍCIO. PROCEDÊNCIA. APLICAÇÃO DO ART. 44, DA LEI 9.430/96. Aplicabilidade da multa de oficio de 75% nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, além das hipóteses de ausência ou declaração inexata. ERRO DO SUJEITO PASSIVO. INAPLICABILIDADE. Procedente lançamento fundamentado em movimentações financeiras da Pessoa Jurídica em conta bancária da Pessoa Física do sócio-administrador. Preliminar Rejeitada. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos de recurso interposto por HATTORI & BATALHA COMÉRCIO DE ARTIGOS DE VESTUÁRIO LTDA. C2f) Processo n° 16004.000240/2007-99 SI-C2T2 Acórdão n.° 1202-00.012 Fl. 2 ACORDAM os Membros da r câmara / r turma ordinária do primem SEÇÃO DE JULGAMENTO, por unanimidade de votos, REJEITAR a preliminar de nulidade por erro na identificação do sujeito passivo e, no mérito, NEGAR provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. NELSON Ly‘O F I , • ORLA 10 JOSÉ G 0 , ALVES BUENO Relator FORMALIZADO EM: 28 JUL 2009 Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros CÂNDIDO RODRIGUES NEUBER, IRINEU BIANCHI, VALERIA CABRAL GÉO VERÇOZA e MÁRIO SÉRGIO FERNANDES BARROSO, JOSÉ DE OLIVEIRA FERRAZ CORRÊA (Suplente Convocado) e EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JÚNIOR (Suplente Convocado). Ausentes, justificadamente, os Conselheiros JOSÉ CARLOS TEIXEIRA DA FONSECA e ICAREM JUREIDINI DIAS. 7/9 2 Processo n° 16004.000240/2007-99 SI-C2T2 Acórdão n.° 1202-00.012 Fl. 3 Relatório Trata-se de Procedimento Administrativo instaurado pela Contribuinte ao impugnar Auto de Infração de IRPJ e seus acessórios em PIS, COFINS e Contribuição para Seguridade Social (INSS), lançados sob os fundamentos de omissão de receitas e insuficiência de recolhimento, aplicando-se àquele multa de oficio qualificada de 150% e ao último de 75%, além de juros de mora. Conforme Termo de Constatação Fiscal às fls. 311/314 foi apurado em procedimento fiscalizatório supostas irregularidades decorrentes de: 001) OMISSÃO DE RECEITAS — RECEITAS NÃO ESCRITURADAS: Conforme análise dos Livros de Saída: (i) verificou-se uma diferença entre um faturamento anual registrado no montante inferior ao informado pela Contribuinte na própria declaração PJSI/2006; (ii) verificou-se também uma diferença entre aos apurados em depósitos bancários da mesma, decorrente de vendas à margem de escrituração, ou seja, sem a emissão e/ou com insuficiência do documento fiscal de venda. 002) OMISSÃO DE RECEITAS — DEPÓSITO BANCÁRIO NÃO ESCRITURADO: • (i) configurado pela não escrituração de valores constantes nas contas bancárias da pessoa fisica, de titularidade do sócio da empresa, Sr. Daniel Akinaga Hattori, em que demonstram depósitos de valores recebidos pela pessoa jurídica parcialmente utilizados para pagamento de despesas desta; (ii) diferenças existentes nas contas bancárias da própria pessoa jurídica, as quais embora escrituradas não entraram no computo da apuração das receitas. 003) INSUFICIÊNCIA DE RECOLHIMENTO: Configurado pela insuficiência e/ou falta de valor recolhido, em decorrência da omissão de receitas anteriormente explicitada. Aos presentes AIIM, tempestivamente, a Contribuinte apresentou suas Razões de Impugnação, de onde, em síntese se extraí os seguintes argumentos: Inicialmente, impugna a Contribuinte não proceder a aplicação da multa de oficio qualificada a 150% por inexistência de dolo, uma vez que, se a mesma quisesse agir com intuito de fraude ou dolo teria realizado as referidas movimentações em contas bancárias em nome de terceiros. Aponta ainda que nenhuma dificuldade foi encontrada pelo agente administrativo durante o procedimento fiscalizatório. (71/0 3 Processo n° 16004.000240/2007-99 SI-C2T2 Acórdão n.° 1202-00.012 Fl. 4 Após as considerações iniciais a Contribuinte consigna que os valores tomados como omissão de receitas não podem sustentar a esta pretensão, sob os seguintes fundamentos: (i) que os depósitos bancários realizados em nome da pessoa fisica dos sócios não têm correlação com os negócios da empresa, pois são movimentações transitórias, não se traduzindo em fatos geradores dos tributos; que o referido lançamento tributário fimdamenta-se em presunção legal; (ii) que o Fisco partiu da presunção de que os depósitos bancários maiores que os declarados na apuração mensal/anual como faturamento da pessoa jurídica, e em seu nome movimentados, caracteriza-se à omissão de receitas; (iii) que ainda persistente alguma correlação, esta não poderia ser imputada aos referidos depósitos e movimentações realizadas em contas dos sócios; que esta se concretiza em meros indícios, e não em presunção, sendo insuficientes para sustentar a presente tributação; (iv) que não condiz com a realidade a conclusão do Fisco acerca da concordância do representante legal da empresa HATTORI & BATALHA COMÉRCIO DE ARTIGOS VESTUARIOS LTDA quanto aos valores movimentados na conta da pessoa fisica do sócio da empresa, DANIEL AICINAGA HATTORI, serem relativos ao faturamento daquela pessoa jurídica; (v) que a referida pessoa do sócio da empresa também administra negócios de seu pai (produtor rural) e que enquanto pessoa fisica, dedica-se a negócios de capital e de prestação pessoal de serviços; (vi) que não cuidou o Fisco na busca da verdade material, pois deixou de apurar o total de compras e estoques da Contribuinte; (vii) que o Fisco teria, por exemplo, para um total de compras (custos) • determinado uma receita cuja margem de lucro seria mais de 600%, ignorando que no ramo de comércio de vestuários, em uma cidade do interior, o IVA (índice de valor acrescido) do setor, para o Fisco Estadual, é estimado em 42,38%. Quanto ao item 003 do Auto de Infração - Insuficiência de Recolhimentos — informa que a mesma está procedendo uma conciliação, embora não tenha encontrada justificativas para a reclamação, motivo pelo qual contesta os valores lançados. Por fim, em relação aos lançamentos reflexos de PIS, COF1NS, CSLL e Contribuição Previdenciária (INSS), requer a observância dos mesmos fundamentos apresentados ao lançamento principal de IRPJ, requerendo ao final o cancelamento de todos os Autos de Infração ora lançados. Em vista aos argumentos apresentados pelo Contribuinte, a DRJ — Ribeirão Preto / SP manifestou-se, em fis. 487/493, nos termos seguintes: 4• Processo n° 16004.000240/2007-99 S1-C2T2 Acórdão n.° 1202-00.012 Fl. 5 "Assunto: Sistema Integrado de Pagamentó de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte — Simples. Ano-calendário: 2005 OMISSÃO DE RECEITAS. DEPÓSITO BANCÁRIOS. A Lei n.° 9430, de 1996, em seu art. 42, autoriza a presunção de omissão de receita com base nos valores depositados em conta bancária para os quais o contribuinte titular, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. DEMAIS TRIBUTOS PIS, COFIAIS, CSLL. MESMOS EVENTOS. DECORRÊNCIA. Aplica-se a tributação reflexa idêntica solução dada ao lançamento principal em face da estreita relação de causa e efeito. Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário. Ano-calendário: 2005 PRESUNÇÕES LEGAIS RELATIVAS. DISTRIBUIÇÃO DO ÓNUS DA PROVA. As presunções legais relativas obrigam a autoridade fiscal a comprovar, tão somente, a ocorrência das hipóteses sobre as quais se sustentam as referidas presunções, atribuindo ao contribuinte o ônus de provar que os fatos concretos não ocorreram na forma como presumidos pela lei. MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA. HIPÓTESE DE INAPLICABILIDADE. O agravamento da multa de oficio não se aplica nos casos em que a omissão do contribuinte já tem conseqüências especificas previstas na legislação. Lançamento Procedente em Parte". • Assim, entendeu a Autoridade Julgadora a quo que: (i)em relação aos depósitos bancários realizados em nome da pessoa jurídica não escriturados, a fiscalização intimou a empresa a esclarecer e comprovar adequadamente a origem dos recursos depositados em suas contas-corrente, incompatíveis com suas receitas declaradas, sendo que não restou comprovada pela Contribuinte essa origem durante a ação fiscal, sendo, portanto, imputado a presunção legal conforme disposto no art. 42, da Lei n.° 9.430/96, quanto a materialidade do fato gerador da obrigação lançada; (ii)quanto aos depósitos bancários em nome do sócio DANIEL AKENAGA HATTORI, que quando o contribuinte foi intimado a apresentar, entre outros documentos, os extratos de todas as contas bancárias da. empresa, inclusive de pessoas fisicas, sócias ou não, que tenham sido movimentadas com valores pertencentes à Pessoa Jurídica, a Contribuinte entregou junto à fiscalização os extratos bancários pertencentes ao referido sócio, admitindo assim expressamente a imputada ocorrência. Ademais, não juntara nenhum outroc#:Hcumento .5 Processo n° 16004.000240/2007-99 SI-C2T2 Acórdão n.° 1202-00.012 Fl. 6 que pudesse comprovar que tais receitas seriam provenientes de outros negócios, mantendo-se no campo das meras alegações. (iii) quanto aos autos de infração reflexos de CSLL, PIS, COMNS e Contribuição ao INSS, sendo decorrentes da mesma infração tributária que motivou o lançamento principal de IRPJ, deverá ser aplicada idêntica solução; (iv)quanto a multa de oficio qualificada de 150% esta não pode ser mantida, urna vez não estar presente o pressuposto de fato necessário para tal medida, qual seja, aferir a vontade do contribuinte em cometer o ilícito. A não comprovação da origem dos depósitos caracteriza-se tão somente a omissão de receitas, o que não obsta a atividade fiscal, pelo contrário, a facilita, pois tal conduta coloca a presunção legal contra a Contribuinte, autorizando o lançamento de oficio. A Contribuinte, tempestivamente, interpôs Recurso Voluntário, contra decisão proferida pela P Turma da OU/RIBEIRÃO PRETO — SP, que julgou procedente em parte a exigência fiscal, mantendo integralmente os lançamentos de I.R.P.J (Simples) e seus reflexos no PIS, COFINS, C.S.L.L. e Contribuição ao I.N.S.S., referente ao Ano-Calendário de 2.005 (Exercício 2006), desqualificando a multa de oficio, reduzindo-a de 150% para 75% por entender não evidenciado a situação de fato ensejadora do agravamento da multa. Reapresentando as argumentações expendidas na impugnação inicial quanto a presunção legal no ato do lançamento tributário, ora imputado, apresentando entendimento de o presente julgado não merecer prosperar pois: (i) em relação aos valores não recolhidos estes se resumem em erros quanto aos percentuais adotados para cálculos do quanto pago e recolhido, não havendo para tanto questionamentos quanto às bases declaradas, não devendo assim ser aplicado quaisquer multa penal, aplicando-se tão apenas a exigida moratória; (ii)e quanto à imputação das movimentações financeiras realizadas na pessoa fisica do sócio, estas devem ser desconsideradas por erro na pessoa do sujeito passivo da obrigação tributária, ainda que os referidos depósitos bancários pudessem se constituir em fato gerador do imposto de renda. Por fim, requer a Contribuinte que a presente decisão seja reformada em suas razões de decidir, sendo dado provimento ao presente recurso voluntário a fim de seja declarado nulo os presentes lançam s. É o relatório. C:2/9 6 Processo n° 16004.000240/2007-99 SI-C2T2 Acórdão n.° 1202-00.012 Fl. 7 Voto Conselheiro ORLANDO JOSÉ GONÇALVES BUENO, Relator O Recurso Voluntário preenche aos requisitos de admissibilidade e dele tomo conhecimento. 1.DA LEGITIMIDADE DA MULTA DE OFÍCIO Não assiste razão a Recorrente quanto ao questionamento de ilegitimidade da multa de oficio, uma vez que independe a fundamentação desta a ocorrência fática de alteração valorativa no lançamento tributário e/ou intuito de sonegação. O art. 44 da Lei 9:430/96, assim define as hipótese de lançamento das multas de oficio, in verbis "Art 44. Nos casos de lançamento de oficio, serão aplicadas as seguintes multas: I - de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; (..)" Como podemos observar, o dispositivo legal é explícito quanto a aplicabilidade da multa de oficio de 75% nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, sendo abarcado pela lei as hipóteses também imputadas pela Recorrente quanto à declaração inexata. Assim, não assiste qualquer razão aos fundamentos descritos no Recurso Voluntário, motivo pelo qual, persiste .a aplicação da multa de oficio de 75% nos termos da decisão da instância julgadora a quo. 2. DO ERRO NA PESSOA DO SUJEITO PASSIVO DA OBRIGAÇÃO TRIBUTÁRIA Mais uma vez não assiste qualquer razão aos fundamentos apresentados pela Recorrente quanto ao alegado erro na pessoa do sujeito passivo da obrigação tributária, pelos fundamentos que passo a descrever. Conforme depreende da análise do Termo de Intimação Fiscal (fls. 03) a Autoridade de Fiscalização solicitou à Recorrente para que apresentasse os extratos de todas as contas bancárias da empresa, para o ano de 2.005, inclusive contas bancárias de pessoas fisicas, sócias ou não, em que tenham sido movimentadas com valores pertencentes à pessoa jurídica. P7a r‘ Processo n° 16004.000240/2007-99 SI-C2T2 Acórdão n.• 1202-00.012 EL 8 Em atendimento a esta Intimação Fiscal a Recorrente apresentou espontaneamente os extratos bancários referente à pessoa fisica de DANIEL AICINAGA HATTORI, conforme depreende às fls. 21 e seguintes. Neste mesmo sentido, conforme consta no Termo de Constatação Fiscal às fls. 293 e 294, o próprio sócio e titular das referidas contas da pessoa fisica declarou concordância e reconheceu como "valores de faturamento créditos nas contas bancária da pessoa fisica". Divergente deste posicionamento, a Recorrente alega que as movimentações financeiras das respectivas contas bancárias da pessoa física do sócio englobariam valores pertencentes à outra pessoa jurídica e de outros negócios particulares da própria pessoa do sócio. Em que pese a reiterada alegação, deixou a Contribuinte de apresentar, tanto em sua peça impugnatória, quanto neste momento recursal, quaisquer documento hábil probatório que pudesse embasar tais alegações. Assim, por não trazer aos presentes autos qualquer documento probante a fim de afastar a alegada imputação de responsabilidade tributária, inexiste qualquer razão que sustente erro na pessoa do sujeito passivo da obrigação tributária, mantendo-se, portanto, o presente lançamento. 3. DA PRESUNÇÃO LEGAL Por último, em que pese os fundamentos apontados em sua peça recursal, a Recorrente não trouxe, mais uma vez, nenhum documento hábil e idôneo que autorize a modificação da decisão a quo, que está fundamentada na presunção legal relativa, disposta no art. 42 da Lei n.° 9.430/1.996. Este dispositivo normativo determina que a simples constatação de depósitos ou créditos em contas correntes bancárias, para as quais o sujeito passivo, regularmente intimado, não comprove as correspondentes origens, gera a presunção de que tais valores decorreram de receitas omitidas. Tratando-se, assim, de presunção legal, o ónus probante passa a ser do sujeito passivo. Cabe a ele, portanto, apresentar documentos hábeis e idôneos capazes de elidir a pretensão da autoridade fiscal. Lançamento mantido. Processo n° 16004.000240/2007-99 SI-C2T2 Acórdão n.'' 1202-00.012 Fl. 9 Diante de todo o exposto, voto por negar provimento ao recurso voluntário, mantendo integralmente o entendimento da instância julgadora a guo. • Sala das Sessões - DF, em 12 de março de 2009. ORLAN O JOSÉ G e ALVES BUENO 9 Page 1 _0050800.PDF Page 1 _0050900.PDF Page 1 _0051000.PDF Page 1 _0051100.PDF Page 1 _0051200.PDF Page 1 _0051300.PDF Page 1 _0051400.PDF Page 1 _0051500.PDF Page 1
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Numero do processo: 13560.000047/2003-21
Data da sessão: Tue Dec 08 00:00:00 UTC 2009
Data da publicação: Tue Dec 08 00:00:00 UTC 2009
Ementa: ANO CALENDÁRIO: 2002
CSLL. CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO. PEDIDO
DE RESTITUIÇÃO. APRESENTAÇÃO DE RETIFICAÇÃO DO
FORMULÁRIO DE PAPEL, INCLUSÃO DE VALOR SUPERIOR AO
RETIFICADO, IMPOSSIBILIDADE. ARTIGO 58 DA INSTRUÇÃO
NORMATIVA 460/2004.
A retificação da Declaração de Compensação gerada a partir do Programa PER/DCOMP ou elaborada mediante utilização de formulário (papel) não será admitida quanto tiver por objeto a inclusão de novo débito ou o aumento do valor do débito compensado mediante a apresentação da Declaração de Compensação à SRF.
Numero da decisão: 1802-000.296
Decisão: ACORDAM os Membros do Colegiado, por unanimidade de votos, negar
provimento ao recurso, nos termo do relatório e voto que integram o presente julgado.
Matéria: CSL- que não versem sobre exigência de cred. trib. (ex.:restituição.)
Nome do relator: Edwal Casoni de Paula Fernandes Júnior
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Recorrente Ipam - Indústria de Produtos Alimanticios Moenda Ltda. Recorrida 1" T-urma/DRJ - Salvador/BA, ANO CALENDÁRIO: 2002 CSLL. CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. APRESENTAÇÃO DE RETIFICAÇÃO DO FORMULÁRIO DE PAPEL, INCLUSÃO DE VALOR SUPERIOR AO RETIFICADO, IMPOSSIBILIDADE. ARTIGO 58 DA INSTRUÇÃO NORMATIVA 460/2004. A retificação da Declaração de Compensação gerada a partir do Programa PER/DCOMP ou elaborada mediante utilização de formulário (papel) não será admitida quanto tiver por objeto a inclusão de novo débito ou o aumento do valor do débito compensado mediante a apresentação da Declaração de Compensação à SRF. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os Dembros do Colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso, nos teI 11-6-.4ela e vs ej rfio presente julgado. Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa (Presidente de Turma), Jose de Oliveira Ferraz Correa, Nelso Kichel (Suplente Convocado), Leonardo Henrique M. De Oliveira (Suplente Convocado), Edwal Casoni de Paula Fernandes Junior, João Francisco Bianco.. Processo ri" 13560 000047/200,3-21 S1-1E02 Ac6rcHio " 1802 -00.296 Fl 2 Relatório Trata-se de Recurso Voluntário apresentado pela contribuinte acima qualificada, por meio do qual tenciona reformar decisão proferida pela 1" Turma da DRJ de Salvador/BA . Cuida-se de pedido de restituição de base de cálculo negativa de CSLL referente ao ano calendário 2002 — formulário de papel e PERADCOMP As folhas 01 e 02 e 29 a 36, respectivamente - cumulado com pedido de compensação de debito relativo à estimativa da CSLL do mês de janeiro de 2003, com vencimento em 28/02/2003. Em análise do aludido pedido, a autoridade administrativa proferiu o Despacho Decisório de folhas 172 a 175, por meio do qual não se homologou as compensações e não se reconheceu o direito creditório sobre a fundamentação de ser necessário verificar-se se houve a correta apuração das bases negativas de CSLL na correspondente declaração de rendimentos, e a par disso, verificar se esta base negativa não foi objeto de compensações anteriores. Nessa ordem de ideias, relembrou a autoridade administr ativa que a recorrente pretendeu valer-se de valores pagos a titulo de estimativa mensal de CSLL para calcular o efetivo saldo de CSLL a pagar no exercício 2003, e caberia nesse contexto, verificar a real quitação desses valores, de forma a autorizar a sua utilização para reduzir a CSLL a pagar de todo o período e, assim, compor o saldo negativo, e nesse particular, afirmou-se consoante consulta ao Sistema SINAL 05 (fls. 161), que no ano calendário 2002 fbi efetuado o recolhimento de R$ 17.057,85 (dezessete mil cinqüenta e sete reais e oitenta e cinco centavos) sob o código 2484 — CSLL — estimativa mensal. Parte das parcelas referentes aos meses de maio e junho do ano calendário 2002 trariam como forma de quitação nas DCTF de folhas 80 e 81 compensação com base negativa apurada em 31/12/1999 — DIPJ/2000, e tais parcelas, a seu turno, não poderiam ser consideradas como quitadas, na medida em que, na Ficha 30, linhas 25 e 27 da DIPJ/2000, (fl. 163) a recorrente teria procedido deduções indevidas. Esclarece-se, destarte, que na Linha 25 da DIPJ/2000, a utilização de 1/3 da COF1NS efetivamente paga está limitada ao valor da CSLL apurada no per lodo, não podendo o valor excedente gerar saldo a restituir ou compensar, consoante o disposto no artigo 8", § 2' da Lei IV. 9.718/98 e artigo 9', § 2', II, "a", da IN 06/99. Já no que respeita à Linha 27 da DIPJ/2000, entendeu a autoridade achninisti ativa que de conformidade com o que se demonstrou As folhas 164 a 171, os valores referentes As parcelas de CSLL — estimativa mensais do respectivo ano calendário, não poderiam ser levados ao ajuste anual, conquanto estariam incluídos em parcelamento ainda não extinto, pelo que não haveriam de ser consideradas pagas. A parcela referente ao mês de julho de 2002 foi considerada declarada ern DCTF como quitada com base negativa de CSLL apurada na DIPJ/2002, todavia, conforme o demonstrado As folhas 162, não foi apurado base negativa no respectivo período e por fin', Processo n" 1.3560 000047/200.3-21 S1-11E02 AcOrdiio n." 1802-00.296 FL 3 assentou a autoridade administrativa que não houve na DIPJ/2003 indicações de outros pagamentos. Nessa contextura a autoridade administrativa refez o demonstrativo de apuração da CSLL a partir das informações prestadas pela recorrente na DIP.112003, observando-se que não foi confirmada a existência de saldo negativo de CSL,L, para o período em tela, remanescendo, inclusive, saldo a pagar de CSL,L/2003. Devidamente cientificada a recorrente apresentou Manifestação de Inconformidade (fls. 180 — 183), alegando em síntese, que houve equivoco nas informações prestadas nas DIN dos anos calendário de 1999 a 2002, esclarecendo que se efetuaria as alterações necessárias, ajustando a utilização do crédito da COFINS ao limite da CSLL. devida no período, em consonância ao disposto no artigo 8', § 2', da Lei n". 9.718/98. Ademais, para comprovar os recolhimentos efetuados nos anos calendário 1999 e 2001, a recorrente encartou aos autos, cópias dos respectivos DARE (fls. 184 —202), esclarecendo que os pagamentos não foram efetuados via parcelamento obtido com os beneficios da Lei n". 10.684/0,3 — que instituiu o PAES — contestando assim, a exclusão de tais valores como o fez a autoridade fiscal. Após tecer seus argumentos e reproduzir demonstrativos numei icos, demonstrou a recorrente que seu saldo negativo ficaria da seguinte forma: ANO CALENDÁRIO SALDO NEGATIVO 1999 (-)15.453,31 2000 2001 (-) 14.616,09 9002 (-)9,876,02 Corolário das retificações efetuadas, concluiu a recorrente que do montante total compensado no presente processo, teria utilizado R$ 2.449,58 além do saldo negativo que realmente possuía em 31/12/2002, propondo seu recolhimento. Conheceu da Manifestação de Inconformidade a 1" Turma da DRJ de Salvador/BA, que nos termos do acórdão e voto de folhas 215 a 221 inclefcriu a solicitação. De inicio, registrou-se que o extrato de consulta emitido pelo Sistema PAES indica que a recorrente, por meio do processo 10540.451440/2004-18, entre outros tributos, teria parcelado a CSLL referente aos períodos de apuração 0.3 a 12 de 1999 e 02 a 07 de 2000 (fis. 212 — 213), tendo recolhido a primeira quota de parcelamento em 31/07/2003 e a última em 31/05/2007, todas com código de receita especifica do PAES - 7122 ou 7114). A despeito disso, a recorrente teria anexado em sua Manifestação de Inconformidade, cópias dos DARF comprovando recolhimentos de CSLL — código 2484 — referentes aos anos calendário de 1999 e 2001, todos devidamente confirmados no Sistema SINAL (ft. 214), e os tais documentos, a seu turno, evidenciariam que os pagamentos foram Processo n" 13560 000047/200.3-21 SI - I E02 Acárcliio n ° 1802 -00.296 F1 4 efetuados b. margem do parcelamento obtido por meio do PAES, indicando assim, possível pagamento de CSLL em duplicidade. Diante disso, restaria comprovado que os pagamentos cujos DARF foram anexados aos autos, podendo ser deduzidos da apuração anual, já que foram recolhidos fora do parcelamento, não se materializando desta forma, as alegações contidas no Despacho Decisório. Assentou-se na decisão recorrida, entretanto, que a despeito das retificações efetuadas pela recorrente nas DIPJ dos anos calendário 1999, 2000, 2001 e 2002, o saldo negativo apurado em 31/12/2002, se manteve no valor de R$ 9.876,02, montante insuficiente para suportar o presente pedido, porquanto além da Declaração de Compensação ora em análise (RS 1.134,46), o aludido saldo negativo de 2002, também respaldaria os pedidos de compensação formalizados eletronicamente por meio das DCOMP 22344.80661.141103.1.3.03-2010, código de receita 2172, periodo de apuração 04/03, no valor de R$ 9.743,29, e 04943.67030.151203,1,3.03-2006, código de receita 6912, período de apuração 11/03, no valor de R$ 1.447,85, e diante disso, ao somar o valor compensado no presente processo (R$ 1.134,46) aos valores compensados nas DCOMP eletrônicas (R$ 11.191,14), ter-se-ia um montante compensado no ano calendário 2003 de R$ 12.235,60 a ser deduzido do saldo negativo apurado em 2002, que segundo informações da própria recorrente corresponderia a R$ 9.876,02, e indicando compensação indevida no valor de R$ 2.449,58, fat° de igual modo confessado' pela recorrente ao propor o recolhimento dessa diferença (fl, 182). Não bastasse isso, constou-se na decisão recorrida que apesar da afirmação da contribuinte de que as alterações na DIP' do ano calendário 1999 seriam efetuadas, ate aquela data o saldo negativo informado ainda contemplaria dedução do crédito da COF efetivamente paga, em valor superior ao da CSLL devida — procedimento vedado pelo § 2" do artigo 8' da Lei n". 9.718/98 (11. 209). Diante desse panorama afirmou-se na decisão recorrida que a previsão legal para compensação contida no artigo 170 do Código Tributário Nacional reclama certeza e liquidez do credito, o que não espécie não se verificou, sendo de rigor indeferir-se a solicitação da recorrente. Cientificada da decisão desfavorável (fl. 228) e com ela inconformada, contribuinte apresentou Recurso Voluntário (ris. 229 — 233), relembrando que se trata de Pedido de Restituição de CSLL ano calendário 2002 — bem como declaração de compensação — em papel — corn débito relativo à CSLL estimativa PA 01/03, com vencimento em 28/02/2003, no valor de R$ 1.134,46, e tarnbém das declarações de compensações eletrônicas 22344,80661.141103.1.3.03-2010, código de receita 2172, período de apuração 04/03, no valor de R$ 9.743,29, e 04943.67030.151203.1.3.03-2006 código de receita 6912, período de apuração 11/03, no valor de R$ 1.447,85. Voltou a insistir nos equívocos e correções con espondentes que teria efetivado, e para suporte dos valores compensados, afirmou haver efetuado retificação no Pedido de Restituição em papel, cio valor originalmente estampado para RS 9.876,02 saldo real da CSLL apurado em 31/12/2002 (fl. 234), No mais, reiterou os argumentos expendidos em sede de Manifestação de Inconformidade e pugnou por provimento. Processo n" 13560.000047/2003-21 S1-TE02 Acórdflo n " 1802-00.296 [1 5 É o relatório. Edwal Caso e Paula Fe randes Junior Processo n" 13560.000047/2003-21 S1-1E02 AcOrdi-lo n." 1802-00.296 Fl 6 Voto Conselheiro Relator, Edwal Casoni de Paula Fernandes Junior 0 recurso é tempestivo e reúne os demais requisitos de admissibilidade, dele tomo conhecimento. No relatório acima lançado, verifica-se que a recorrente teve negado o reconhecimento do direito creditorio, por ausência de certeza e liquidez no crédito indicado. Afirma a recorrente, que as imperfeições apontadas pela autoridade administrativa em seu Despacho Decisório e reafirmadas na decisão recorrida, foram sanadas e diante disso, efetuara a retificação do Pedido de Restituição em papel, no valor de R$ lA 68,15 (mil cento e sessenta e oito reais e quinze centavos) conforme formulário de folhas 01 a 06, para R$ 9.876,02 (nove mil oitocentos e setenta e seis reais e dois centavos) conforme Pedido retificador de folha 234, apresentado em 25/02/2008. Diante da retificação apresentada pela recorrente em momento ulterior consignando-se valor creditório superior, mesmo a questão da certeza e liquidez invocada na decisão recorrida, fica renegada ao segundo plano e o não provimento do Recurso Voluntário se impõe. Ocorre, que a Instrução Normativa da Secretaria da Receita Federal n'. 460/04 (atual IN 600 mesmo artigo), veda tal expediente nos termos do seu artigo 58 cujo teor é abaixo reproduzido, Artigo 58. A retificação da Declaração de Compensação gerada a partir do Programa PER/DCOMP ou elaborada mediante utilização de formuleirio (payed) não será admitida quanto tiver por oh/ato a inclusão de novo débito ou o aumento do valor do débito compensado mediante a apresentação da Declaração de Compensação à SRF: Parágrafo único. Na hipótese prevista no caput, o sujeito passivo que desejar compensar o novo débito ou a diferença de débito deveryi apresentar a SRF nova Declaração de Compensação. Assim sendo, diante da retificação levada à efeito, bem como, a impossibilidade de sua aceitação, conheço do Recurso Voluntário e nego-lhe provimento. Sala das Sessõ em 08 se dezembro de 2009. 6 Processo 13560 000047/2003-21 AcOrcEio n " 1802-00196 Sl-TE02 Fl 7 7
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Numero do processo: 10120.006115/2007-80
Data da sessão: Wed Mar 13 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Mon Apr 08 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Data do fato gerador: 17/09/2007
PREVIDENCIÁRIO - CUSTEIO - NOTIFICAÇÃO FISCAL DE LANÇAMENTO DE DÉBITO - GFIP - TERMO DE CONFISSÃO DE DÍVIDA - SEGURADOS EMPREGADOS INCLUÍDOS EM FOLHA DE PAGAMENTO - CONTRIBUINTES INDIVIDUAIS - NÃO IMPUGNAÇÃO EXPRESSA
A não impugnação expressa dos fatos geradores objeto do lançamento da obrigação principal, importa em renúncia e consequente concordância com os termos da Decisão de Primeira Instância. No auto de infração de obrigação principal não houve o questionamento sobre
PREVIDENCIÁRIO - CUSTEIO - AUTO DE INFRAÇÃO - ARTIGO 32, IV, § 5º E ARTIGO 41 DA LEI N.º 8.212/91 C/C ARTIGO 284, II DO RPS, APROVADO PELO DECRETO N.º 3.048/99 - NFLD CORRELATAS
A sorte de Autos de Infração relacionados a omissão em GFIP, está diretamente relacionado ao resultado das NFLD lavradas sobre os mesmos fatos geradores.
MULTA - RETROATIVIDADE BENIGNA
Na superveniência de legislação que estabeleça novos critérios para a apuração da multa por descumprimento de obrigação acessória, faz-se necessário verificar se a sistemática atual é mais favorável ao contribuinte que a anterior.
No caso, se mais benéfico ao contribuinte, deverá ser adotada o disciplinado no art. 44, I da Lei no 9.430, de 1996, deduzidos os valores levantados a título de multa nas NFLD correlatas.
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 2401-002.935
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do colegiado, pelo voto de qualidade, dar provimento parcial ao recurso, para que se recalcule o valor da multa, se mais benéfico ao contribuinte, de acordo com o disciplinado no art. 44, I da Lei no 9.430, de 1996, deduzidos os valores levantados a título de multa nas NFLD correlatas. Vencidos os conselheiros Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira, Igor Araújo Soares e Marcelo Freitas de Souza Costa, que aplicavam a regra do art. 32-A da Lei nº 8.212/91.
Elias Sampaio Freire - Presidente
Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira - Relatora
Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Elias Sampaio Freire, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Kleber Ferreira de Araújo, Igor Araújo Soares, Marcelo Freitas de Souza Costa e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira.
Nome do relator: ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Data do fato gerador: 17/09/2007 PREVIDENCIÁRIO - CUSTEIO - NOTIFICAÇÃO FISCAL DE LANÇAMENTO DE DÉBITO - GFIP - TERMO DE CONFISSÃO DE DÍVIDA - SEGURADOS EMPREGADOS INCLUÍDOS EM FOLHA DE PAGAMENTO - CONTRIBUINTES INDIVIDUAIS - NÃO IMPUGNAÇÃO EXPRESSA A não impugnação expressa dos fatos geradores objeto do lançamento da obrigação principal, importa em renúncia e consequente concordância com os termos da Decisão de Primeira Instância. No auto de infração de obrigação principal não houve o questionamento sobre PREVIDENCIÁRIO - CUSTEIO - AUTO DE INFRAÇÃO - ARTIGO 32, IV, § 5º E ARTIGO 41 DA LEI N.º 8.212/91 C/C ARTIGO 284, II DO RPS, APROVADO PELO DECRETO N.º 3.048/99 - NFLD CORRELATAS A sorte de Autos de Infração relacionados a omissão em GFIP, está diretamente relacionado ao resultado das NFLD lavradas sobre os mesmos fatos geradores. MULTA - RETROATIVIDADE BENIGNA Na superveniência de legislação que estabeleça novos critérios para a apuração da multa por descumprimento de obrigação acessória, faz-se necessário verificar se a sistemática atual é mais favorável ao contribuinte que a anterior. No caso, se mais benéfico ao contribuinte, deverá ser adotada o disciplinado no art. 44, I da Lei no 9.430, de 1996, deduzidos os valores levantados a título de multa nas NFLD correlatas. Recurso Voluntário Provido em Parte.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do colegiado, pelo voto de qualidade, dar provimento parcial ao recurso, para que se recalcule o valor da multa, se mais benéfico ao contribuinte, de acordo com o disciplinado no art. 44, I da Lei no 9.430, de 1996, deduzidos os valores levantados a título de multa nas NFLD correlatas. Vencidos os conselheiros Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira, Igor Araújo Soares e Marcelo Freitas de Souza Costa, que aplicavam a regra do art. 32-A da Lei nº 8.212/91. Elias Sampaio Freire - Presidente Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira - Relatora Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Elias Sampaio Freire, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Kleber Ferreira de Araújo, Igor Araújo Soares, Marcelo Freitas de Souza Costa e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira.
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DE CONSTRUÇÃO LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Data do fato gerador: 13/08/2007 PREVIDENCIÁRIO CUSTEIO AUTO DE INFRAÇÃO ARTIGO 32, IV, § 5º E ARTIGO 41 DA LEI N.º 8.212/91 C/C ARTIGO 284, II DO RPS, APROVADO PELO DECRETO N.º 3.048/99 OMISSÃO EM GFIP PREVIDENCIÁRIO A inobservância da obrigação tributária acessória é fato gerador do autode infração, o qual se constitui, principalmente, em forma de exigir que a obrigação seja cumprida; obrigação que tem por finalidade auxiliar o INSS na administração previdenciária. Inobservância do art. 32, IV, § 5º da Lei n ° 8.212/1991, com a multa punitiva aplicada conforme dispõe o art. 284, II do RPS, aprovado pelo Decreto n ° 3.048/1999.: “ informar mensalmente ao Instituto Nacional do Seguro SocialINSS, por intermédio de documento a ser definido em regulamento, dados relacionados aos fatos geradores de contribuição previdenciária e outras informações de interesse do INSS. (Incluído pela Lei 9.528, de 10.12.97)”. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 17/09/2007 PREVIDENCIÁRIO CUSTEIO NOTIFICAÇÃO FISCAL DE LANÇAMENTO DE DÉBITO GFIP TERMO DE CONFISSÃO DE DÍVIDA SEGURADOS EMPREGADOS INCLUÍDOS EM FOLHA DE PAGAMENTO CONTRIBUINTES INDIVIDUAIS NÃO IMPUGNAÇÃO EXPRESSA A não impugnação expressa dos fatos geradores objeto do lançamento da obrigação principal, importa em renúncia e consequente concordância com os termos da Decisão de Primeira Instância. No auto de infração de obrigação principal não houve o questionamento sobre AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 12 0. 00 61 15 /2 00 7- 80 Fl. 214DF CARF MF Impresso em 08/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/04/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 03/04/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 05/04/2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 2 PREVIDENCIÁRIO CUSTEIO AUTO DE INFRAÇÃO ARTIGO 32, IV, § 5º E ARTIGO 41 DA LEI N.º 8.212/91 C/C ARTIGO 284, II DO RPS, APROVADO PELO DECRETO N.º 3.048/99 NFLD CORRELATAS A sorte de Autos de Infração relacionados a omissão em GFIP, está diretamente relacionado ao resultado das NFLD lavradas sobre os mesmos fatos geradores. MULTA RETROATIVIDADE BENIGNA Na superveniência de legislação que estabeleça novos critérios para a apuração da multa por descumprimento de obrigação acessória, fazse necessário verificar se a sistemática atual é mais favorável ao contribuinte que a anterior. No caso, se mais benéfico ao contribuinte, deverá ser adotada o disciplinado no art. 44, I da Lei no 9.430, de 1996, deduzidos os valores levantados a título de multa nas NFLD correlatas. Recurso Voluntário Provido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do colegiado, pelo voto de qualidade, dar provimento parcial ao recurso, para que se recalcule o valor da multa, se mais benéfico ao contribuinte, de acordo com o disciplinado no art. 44, I da Lei no 9.430, de 1996, deduzidos os valores levantados a título de multa nas NFLD correlatas. Vencidos os conselheiros Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira, Igor Araújo Soares e Marcelo Freitas de Souza Costa, que aplicavam a regra do art. 32A da Lei nº 8.212/91. Elias Sampaio Freire Presidente Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira Relatora Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Elias Sampaio Freire, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Kleber Ferreira de Araújo, Igor Araújo Soares, Marcelo Freitas de Souza Costa e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira. Fl. 215DF CARF MF Impresso em 08/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/04/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 03/04/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 05/04/2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 10120.006115/200780 Acórdão n.º 2401002.935 S2C4T1 Fl. 3 3 Relatório Tratase de retorno de diligência comandada por meio da Resolução nº 2401 00.212 desta 4ª Câmara de Julgamento no intuito de identificar o andamento das NFLD vinculadas aos fatos geradores constantes desse Auto de infração, evitando decisões discordantes, fl. 169 a 172. Para retomar as informações pertinentes ao processo , importante destacar as informações acerca do lançamento efetuado. Trata o presente auto de infração, lavrado sob o n. 37.055.6712, Trata o presente auto de infração, lavrado em desfavor do recorrente, originado em virtude do descumprimento do art. 32, IV, § 5º da Lei n ° 8.212/1991, com a multa punitiva aplicada conforme dispõe o art. 284, II do RPS, aprovado pelo Decreto n ° 3.048/1999. Segundo a fiscalização previdenciária, o autuado não informou à previdência social por meio da GFIP todos os fatos geradores de contribuições previdenciárias. No caso, a empresa deixou de informar em GFIP o valor dos fretes pagos aos Transportadores Autônomos pessoa física, nas competências 06/1999 a 02/2007, na Guia de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social GFIP, o que constitui infração ao artigo 32, inciso IV, § 5o. da Lei 8.212191, com redação da Lei 9.528197. Os Segurados Transportadores Autônomos não declarados na Guia de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social GFIP estão na TABELA I SEGURADOS TRANSPORTADORES AUTÔNOMOS NÃO DECLARADOS NA GFIP, encontramse em relação anexa ao AI, tendo sido entregue à empresa por meio de CD (Arquivo Digital). Importante, destacar que a lavratura do AI deuse em 13/08/2007, tendo a cientificação ao sujeito passivo ocorrido no dia 15/08/2007. Não conformada com a autuação a recorrente apresentou impugnação, fls. 101 a 111. Foi exarada a DecisãoNotificação DN que confirmou a procedência do parcial do lançamento, conforme fls. 127 a 134. Vejamos ementa da referida decisão: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Data do fato gerador: 13/08/2007 AI 37.055.6712 MULTA POR DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA PRAZO DECADENCIAL. SÚMULA VINCULANTE N° 08 DO STF. Prescreve a Súmula Vinculante n° 8, do STF, que são inconstitucionais os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência, razão pela qual, em se tratando de Fl. 216DF CARF MF Impresso em 08/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/04/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 03/04/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 05/04/2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 4 multa por descumprimento de obrigação acessória, exigível mediante lançamento de ofício, é aplicável o art. 173, I do CTN, para fins de revisão do lançamento. OMISSÃO DE FATOS GERADORES EM GFIP. Determina a lavratura de autodeinfração a omissão de fatos geradores previdenciários na declaração prestada pela empresa em GFIP. MULTA. ALTERAÇÃO LEGISLATIVA. RETROATIVIDADE BENIGNA. Tratandose de autodeinfração decorrente do descumprimento de obrigação tributária acessória não definitivamente julgado, aplicase a lei superveniente, na ocorrência do pagamento, quando cominar penalidade menos severa que a prevista naquela vigente ao tempo de sua lavratura. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte Não concordando com a decisão do órgão previdenciário, foi interposto recurso pela notificada, conforme fls. 139 a 149. Em síntese, a recorrente em seu recurso alega ser a multa indevida, senão vejamos: À luz do artigo 173 do CTN, estão prescritas as cobranças efetivadas até agosto de 2002, somente podendo ser cobradas após esse período, e não somente até 12/2001. É certo e inarredável que o acórdão n° 03 33.134, de 15109109, proferido pela 5a Turma, do DRJ/BSA, não fez justiça para com a Recorrente, muito embora tenha sido parcialmente procedente, vez que acatou em parte as considerações feitas pelo contribuinte, merecendo, pois, reparos no que concerne aos seguintes termos: que a multa aplicada é confiscatória; Ora, vem a Recorrente, discordar cabalmente de tal afirmação, pois a aplicação de multas, sejam meramente administrativas ou punitivas, devem levar em conta sempre, o grau de falta, os antecedentes fiscais do contribuinte, o dano sofrido pelo erário público, a existência o não de conluio, fraude fiscal, a máfé, ou o dolo, enfim os elementos subjetivos devem ser analisados e perqueridos pelo aplicador da Lei, afim de que esta seja aplicada em seus princípios teleológicos não aleatoriamente, punindose a falta mais leve, com a pena maior. Com efeito, no presente caso, se o próprio julgador de primeiro grau reconheceu a primariedade da Recorrente, a não aplicação da gradação da multa aplicada, é ir de encontro à doutrina e jurisprudência Requer, ao final, seja julgado insubsistente o débito apurado no AI, por encontraremse prescritos, bem como seja declarada insubsistente a incidência de multa por não ter havido dolo ou culpa. A DRFB encaminhou o recurso a este conselho para julgamento. É o relatório. Fl. 217DF CARF MF Impresso em 08/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/04/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 03/04/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 05/04/2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 10120.006115/200780 Acórdão n.º 2401002.935 S2C4T1 Fl. 4 5 A Delegacia da Receita Federal do Brasil, encaminhou o processo a este Conselho para julgamento, após cumprimento da diligência determinada, fl. 179, destacando que a NFLD correlata encontrase no CARF. Estando a NFLD correlata no âmbito do CARF e não tendo a mesma sido distribuída, requereu está relatora a conexão dos processos para que se pudesse dar continuidade a julgamento, considerando que a procedência da obrigação acessória depende do julgamento da principal. É o relatório. Fl. 218DF CARF MF Impresso em 08/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/04/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 03/04/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 05/04/2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 6 Voto Conselheira Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Relatora PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE: Em se tratando de retorno de diligência comandado por este conselho, despiciendo a análise dos pressupostos, tendo em vista já terem sido avaliados quando do primeiro julgamento. DAS QUESTÕES PRELIMINARES: Tendo a diligência sido cumprida, tenho que o primeiro ponto a ser apreciado diz respeito a preliminar de decadência, considerando que o lançamento envolve o período de 06/1999 a 02/2007, todavia a decisão de primeira instância já procedeu a exclusão até 11/2001, competindonos apreciar a partir desse ponto. DA DECADÊNCIA Em primeiro lugar, devemos considerar que se trata de auto de infração, que ao contrário das NFLD, constitui obrigação acessória de “fazer” ou “deixar de fazer”, sendo irrelevante a existência ou não de recolhimentos antecipados. Porém, antes de identificar o período abrangido pela decadência, exponho a tese que adoto sobre o assunto. O STF em julgamento proferido em 12 de junho de 2008, declarou a inconstitucionalidade do art. 45 da Lei n º 8.212/1991, tendo inclusive no intuito de eximir qualquer questionamento quanto ao alcance da referida decisão, editado a Súmula Vinculante de n º 8, senão vejamos: Súmula Vinculante nº 8“São inconstitucionais os parágrafo único do artigo 5º do Decretolei 1569/77 e os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário”. O texto constitucional em seu art. 103A deixa claro a extensão dos efeitos da aprovação da súmula vinculando, obrigando toda a administração pública ao cumprimento de seus preceitos. Dessa forma, entendo que este colegiado deverá aplicála de pronto, mesmo nos casos em que não argüida a decadência qüinqüenal por parte dos recorrentes. Assim, prescreve o artigo em questão: Art. 103A. O Supremo Tribunal Federal poderá, de ofício ou por provocação, mediante decisão de dois terços dos seus membros, após reiteradas decisões sobre matéria constitucional, aprovar súmula que, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terá efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal, bem como proceder à sua revisão ou cancelamento, na forma estabelecida em lei. Ao declarar a inconstitucionalidade do art. 45 da Lei n º 8.212, prevalecem as disposições contidas no Código Tributário Nacional – CTN, quanto ao prazo para a autoridade Fl. 219DF CARF MF Impresso em 08/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/04/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 03/04/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 05/04/2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 10120.006115/200780 Acórdão n.º 2401002.935 S2C4T1 Fl. 5 7 previdenciária constituir os créditos resultantes do inadimplemento de obrigações previdenciárias. O Código Tributário Nacional, ao dispor sobre a decadência, causa extintiva do crédito tributário, nos casos de lançamentos em que não houve antecipação do pagamento assim estabelece em seu artigo 173: "Art. 173. O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados: I do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado; II da data em que se tornar definitiva a decisão que houver anulado, por vício formal, o lançamento anteriormente efetuado. Parágrafo único. O direito a que se refere este artigo extinguese definitivamente com o decurso do prazo nele previsto, contado da data em que tenha sido iniciada a constituição do crédito tributário pela notificação, ao sujeito passivo, de qualquer medida preparatória indispensável ao lançamento." Já em se tratando de tributo sujeito a lançamento por homologação, quando ocorre pagamento antecipado inferior ao efetivamente devido, sem que o contribuinte tenha incorrido em fraude, dolo ou simulação, aplicase o disposto no § 4º, do artigo 150, do CTN, segundo o qual, se a lei não fixar prazo à homologação, será ele de cinco anos, a contar da ocorrência do fato gerador, Senão vejamos o dispositivo legal que descreve essa assertiva: Art.150 O lançamento por homologação, que ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, operase pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa. § 1º O pagamento antecipado pelo obrigado nos termos deste artigo extingue o crédito, sob condição resolutória da ulterior homologação do lançamento. § 2º Não influem sobre a obrigação tributária quaisquer atos anteriores à homologação, praticados pelo sujeito passivo ou por terceiro, visando à extinção total ou parcial do crédito. § 3º Os atos a que se refere o parágrafo anterior serão, porém considerados na apuração do saldo porventura devido e, sendo o caso, na imposição de penalidade, ou sua graduação. § 4º Se a lei não fixar prazo a homologação, será ele de cinco anos a contar da ocorrência do fato gerador; expirado esse prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considerase homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação. (grifo nosso) Fl. 220DF CARF MF Impresso em 08/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/04/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 03/04/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 05/04/2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 8 Contudo, para que possamos identificar o dispositivo legal a ser aplicado, seja o art. 173 ou art. 150 do CTN, devemos identificar a natureza das contribuições para que, só assim, possamos declarar da maneira devida a decadência de contribuições previdenciárias. No caso, a aplicação do art. 150, § 4º, é possível quando realizado pagamento de contribuições, que em data posterior acabam por ser homologados expressa ou tacitamente. Porém, conforme descrito anteriormente, tratase de lavratura de Auto de Infração por não ter a empresa informado em GFIP todos os fatos geradores de contribuições previdenciárias. Dessa forma, não há que se falar em recolhimento antecipado devendo a decadência ser avaliada a luz do art. 173 do CTN. Assim, no lançamento em questão a lavratura do AI deuse 13/08/2007, tendo a cientificação ao sujeito passivo ocorrido no dia 15/08/2007., os fatos geradores não excluídos pela julgador a quo envolvem o período a partir de 11/2001, razão porque entendo correto o posicionamento adotado pelo julgador de primeira instância, não havendo decadência a ser declarada para os períodos subsequentes. Superadas as preliminares, passo ao mérito. DO MÉRITO Toda e argumentação do recorrente está em demonstrar a impossibilidade de exigir multa, considerando sua primariedade e o caráter confiscatório da mesma. Contudo, nenhum dos argumentos apontados pelo recorrente são capazes de desconstituir a autuação. O procedimento adotado pelo AFPS na aplicação do presente autode infração seguiu a legislação previdenciária, conforme fundamentação legal descrita. Conforme prevê o art. 32, IV da Lei n ° 8.212/1991, o contribuinte é obrigado informar ao INSS, por meio de documento próprio, informações a respeito dos fatos geradores de contribuições previdenciárias, nestas palavras: Art. 32. A empresa é também obrigada a: (...) IV informar mensalmente ao Instituto Nacional do Seguro SocialINSS, por intermédio de documento a ser definido em regulamento, dados relacionados aos fatos geradores de contribuição previdenciária e outras informações de interesse do INSS. (Incluído pela Lei 9.528, de 10.12.97) (grifo nosso) Segundo a fiscalização previdenciária, a recorrente deixou de informar a remuneração das pessoas físicas transportadores (contribuintes individuais), fato este não constestado no recurso do auto de infração da obrigação principal. Assim, justificável apenas a necessária apreciação do desfecho do julgamento da NFLD que indicou como fatos geradores os pagamentos aos transportadores. No caso, importante identificar o resultado das NFLD lavradas, que se encontra em julgamento nessa mesma sessão, Processo10120.006170/200770. Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/1997 a 31/03/2007 Fl. 221DF CARF MF Impresso em 08/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/04/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 03/04/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 05/04/2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 10120.006115/200780 Acórdão n.º 2401002.935 S2C4T1 Fl. 6 9 PREVIDENCIÁRIO CUSTEIO – NOTIFICAÇÃO FISCAL DE LANÇAMENTO DE DÉBITO – GFIP – TERMO DE CONFISSÃO DE DÍVIDA SEGURADOS EMPREGADOS INCLUÍDOS EM FOLHA DE PAGAMENTO CONTRIBUINTES INDIVIDUAIS – NÃO IMPUGNAÇÃO EXPRESSA A GFIP é termo de confissão de dívida em relação aos valores declarados e não recolhidos. A não impugnação expressa dos fatos geradores objeto do lançamento importa em renúncia e consequente concordância com os termos da Decisão de Primeira Instância. PREVIDENCIÁRIO CUSTEIO – NOTIFICAÇÃO FISCAL DE LANÇAMENTO DE DÉBITO – APLICAÇÃO DE JUROS SELIC – Dispõe a Súmula nº 03, do 2º Conselho de Contribuintes, aprovada na Sessão Plenária de 18 de setembro de 2007, publicadas no DOU de 26/09/2007, Seção 1, pág. 28: “É cabível a cobrança de juros de mora sobre os débitos para com a União decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil com base na taxa referencial do Sistema Especial de Liqüidação e Custódia – Selic para títulos federais.” MULTA MORATÓRIA PREVISÃO LEGAL O contribuinte inadimplente tem que arcar com o ônus de sua mora, ou seja, os juros e a multa legalmente previstos. Com as alterações introduzidas pela Lei 11.941/09, a multa passa a ter novo limite, passando a ser observado a multa de 20% em relação aos valores declarados e não recolhidos, conforme os termos do art. 61 da lei 9.430/06. Recurso Voluntário Provido em Parte Dessa maneira, não tem porque o presente autodeinfração ser anulado em virtude da ausência de vício formal na elaboração. Foi identificada a infração, havendo subsunção desta ao dispositivo legal infringido. Os fundamentos legais da multa aplicada foram discriminados e aplicados de maneira adequada. Destacase que as obrigações acessórias são impostas aos sujeitos passivos como forma de auxiliar e facilitar a ação fiscal. Por meio das obrigações acessórias a fiscalização conseguirá verificar se a obrigação principal foi cumprida. Como é sabido, a obrigação acessória é decorrente da legislação tributária e não apenas da lei em sentido estrito, conforme dispõe o art. 113, § 2º do CTN, nestas palavras: Art. 113. A obrigação tributária é principal ou acessória. § 1º A obrigação principal surge com a ocorrência do fato gerador, tem por objeto o pagamento de tributo ou penalidade Fl. 222DF CARF MF Impresso em 08/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/04/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 03/04/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 05/04/2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 10 pecuniária e extinguese juntamente com o crédito dela decorrente. § 2º A obrigação acessória decorre da legislação tributária e tem por objeto as prestações, positivas ou negativas, nela previstas no interesse da arrecadação ou da fiscalização dos tributos. § 3º A obrigação acessória, pelo simples fato da sua inobservância, convertese em obrigação principal relativamente à penalidade pecuniária. A legislação engloba as leis, os tratados e as convenções internacionais, os decretos e as normas complementares que versem, no todo ou em parte, sobre tributos e relações jurídicas a eles pertinentes, conforme dispõe o art. 96 do CTN. Assim, foi correta a aplicação do autodeinfração ao presente caso, contudo, devendo o cálculo da multa aplicada pela omissão de fatos geradores, ser reapreciada nos termos abaixo expostos. Não obstante a correção do auditor fiscal em proceder ao lançamento nos termos do normativo vigente à época da lavratura do AI, foi editada a Medida Provisória MP 449/09, convertida na Lei 11.941/2009, que revogou o art. 32, § 4o, da Lei 8.212/91. Assim, no que tange ao cálculo da multa, é necessário tecer algumas considerações, face à edição da referida MP, convertida em lei. A citada MP alterou a sistemática de cálculo de multa por infrações relacionadas à GFIP. Para tanto, a MP 449/2008, inseriu o art. 32A, o qual dispõe o seguinte: “Art. 32A. O contribuinte que deixar de apresentar a declaração de que trata o inciso IV do caput do art. 32 desta Lei no prazo fixado ou que a apresentar com incorreções ou omissões será intimado a apresentála ou a prestar esclarecimentos e sujeitar seá às seguintes multas: I – de R$ 20,00 (vinte reais) para cada grupo de 10 (dez) informações incorretas ou omitidas; e II – de 2% (dois por cento) ao mêscalendário ou fração, incidentes sobre o montante das contribuições informadas, ainda que integralmente pagas, no caso de falta de entrega da declaração ou entrega após o prazo, limitada a 20% (vinte por cento), observado o disposto no § 3o deste artigo. § 1o Para efeito de aplicação da multa prevista no inciso II do caput deste artigo, será considerado como termo inicial o dia seguinte ao término do prazo fixado para entrega da declaração e como termo final a data da efetiva entrega ou, no caso de não apresentação, a data da lavratura do auto de infração ou da notificação de lançamento. § 2o Observado o disposto no § 3o deste artigo, as multas serão reduzidas: I – à metade, quando a declaração for apresentada após o prazo, mas antes de qualquer procedimento de ofício; ou Fl. 223DF CARF MF Impresso em 08/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/04/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 03/04/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 05/04/2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 10120.006115/200780 Acórdão n.º 2401002.935 S2C4T1 Fl. 7 11 II – a 75% (setenta e cinco por cento), se houver apresentação da declaração no prazo fixado em intimação. § 3o A multa mínima a ser aplicada será de: I – R$ 200,00 (duzentos reais), tratandose de omissão de declaração sem ocorrência de fatos geradores de contribuição previdenciária; e II – R$ 500,00 (quinhentos reais), nos demais casos.” Entretanto, a MP 449, Lei 11.941/2009, também acrescentou o art. 35A que dispõe o seguinte, “Art. 35A. Nos casos de lançamento de ofício relativos às contribuições referidas no art. 35 desta Lei, aplicase o disposto no art. 44 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996.” O inciso I do art. 44 da Lei 9.430/96, por sua vez, dispõe o seguinte: “Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata “ Com a alteração acima, em caso de atraso, cujo recolhimento não ocorrer de forma espontânea pelo contribuinte, levando ao lançamento de ofício, a multa a ser aplicada passa a ser a estabelecida no dispositivo acima citado. As contribuições decorrentes da omissão em GFIP foram objeto de lançamento, por meio da notificação já mencionada e, tendo havido o lançamento de ofício, não se aplicaria o art. 32A, sob pena de bis in idem. Considerando o princípio da retroatividade benigna previsto no art. 106. inciso II, alínea “c”, do Código Tributário Nacional, há que se verificar a situação mais favorável ao sujeito passivo, face às alterações trazidas. No caso da notificação conexa e já julgada, prevaleceu o valor de multa aplicado nos moldes do art. 35, inciso II, revogado pela MP 449/2008, convertida na Lei 11.941/2009. No caso da autuação em tela, a multa aplicada ocorreu nos termos do art. 32, inciso IV, § 5º, da Lei nº 8.212/1991 também revogado, o qual previa uma multa no valor de cem por cento da contribuição não declarada, limitada aos limites previstos no § 4º do mesmo artigo. Para efeitos da apuração da situação mais favorável, há que se observar qual das seguintes situações resulta mais favorável ao contribuinte: Fl. 224DF CARF MF Impresso em 08/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/04/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 03/04/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 05/04/2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 12 Norma anterior, pela soma da multa aplicada nos moldes do art. 35, inciso II com a multa prevista no art. 32, inciso IV, § 5º, observada a limitação imposta pelo § 4º do mesmo artigo, ou Norma atual, pela aplicação da multa de setenta e cinco por cento sobre os valores não declarados, sem qualquer limitação, excluído o valor de multa mantido na notificação. Nesse sentido, entendo que na execução do julgado, a autoridade fiscal deverá verificar, com base nas alterações trazidas, a situação mais benéfica ao contribuinte, conforme descrito acima. Diante o exposto e de tudo o mais que dos autos consta. CONCLUSÃO Voto no sentido de CONHECER recurso, para rejeitar a preliminar de decadência, DARLHE PROVIMENTO PARCIAL, para que se recalcule o valor da multa, se mais benéfico ao contribuinte, de acordo com o disciplinado no art. 44, I da Lei no 9.430, de 1996, deduzidos os valores levantados a título de multa nas NFLD correlatas. É como voto. Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira Fl. 225DF CARF MF Impresso em 08/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/04/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 03/04/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 05/04/2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE
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Numero do processo: 13971.003290/2010-98
Data da sessão: Mon Mar 12 00:00:00 UTC 2012
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF
Exercício: 2007, 2008, 2009
PRELIMINAR DE NULIDADE. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA
Descabida a alegação de nulidade da decisão recorrida por alegado
cerceamento do direito de defesa quando nela foram analisados todos os argumentos expostos em sede de Impugnação.
PEDIDO DE PERÍCIA. INDEFERIMENTO. JUSTIFICATIVA.
Nos termos do art. 18 do Decreto nº 70.235/72, pode a autoridade julgadora indeferir pedido de perícia quando entender que a sua realização é desnecessária. A realização de perícia é procedimento excepcional, que somente se justifica em determinados casos.
IRPF. OMISSÃO DE RENDIMENTOS RECEBIDOS DE PESSOAS JURÍDICAS. MÚTUOS NÃO COMPROVADOS.
Está correto o lançamento para exigência de IRPF incidente sobre valores recebidos alegadamente a título de mútuo. Diante da inexistência de prova de que os mútuos tomados pelo Recorrente perante a pessoa jurídica da qual é diretor tenham sido quitados, e somando-se a este fato diversas outras características apontadas pela autoridade fiscal, não se pode acolher como
comprovadas as operações de mútuo, devendo os rendimentos recebidos ser considerados como tributáveis.
MULTA QUALIFICADA. EVIDENTE INTUITO DE FRAUDE. APLICAÇÃO AO CASO CONCRETO.
É justificável a exigência da multa qualificada prevista no artigo art. 44, II, da Lei n 9.430, de 1996, quando o contribuinte tenha procedido com evidente intuito de fraude, nos casos definidos nos artigos 71, 72 e 73 da Lei nº. 4.502,
de 1964, e conforme minuciosamente apurado pela autoridade fiscal.
IRPF. OMISSÃO. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. COMPROVAÇÃO DA ORIGEM.
Comprovado que parte dos depósitos efetuados nas contas do Recorrente tinham origem em transferências oriundas da conta corrente de uma outra pessoa física, caberia à autoridade autuante ter diligenciado no sentido de buscar a natureza destes pagamentos, sob pena de não se aperfeiçoar a presunção do art. 42 da Lei nº 9.430/96.
Numero da decisão: 2102-001.870
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em REJEITAR as preliminares e, no mérito, em DAR PARCIAL provimento ao Recurso para que seja excluído da base de cálculo do lançamento o valor de R$ 35.000,00 no ano-calendário 2007.
Nome do relator: ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI
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CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA Descabida a alegação de nulidade da decisão recorrida por alegado cerceamento do direito de defesa quando nela foram analisados todos os argumentos expostos em sede de Impugnação. PEDIDO DE PERÍCIA. INDEFERIMENTO. JUSTIFICATIVA. Nos termos do art. 18 do Decreto nº 70.235/72, pode a autoridade julgadora indeferir pedido de perícia quando entender que a sua realização é desnecessária. A realização de perícia é procedimento excepcional, que somente se justifica em determinados casos. IRPF. OMISSÃO DE RENDIMENTOS RECEBIDOS DE PESSOAS JURÍDICAS. MÚTUOS NÃO COMPROVADOS. Está correto o lançamento para exigência de IRPF incidente sobre valores recebidos alegadamente a título de mútuo. Diante da inexistência de prova de que os mútuos tomados pelo Recorrente perante a pessoa jurídica da qual é diretor tenham sido quitados, e somandose a este fato diversas outras características apontadas pela autoridade fiscal, não se pode acolher como comprovadas as operações de mútuo, devendo os rendimentos recebidos ser considerados como tributáveis. MULTA QUALIFICADA. EVIDENTE INTUITO DE FRAUDE. APLICAÇÃO AO CASO CONCRETO. É justificável a exigência da multa qualificada prevista no artigo art. 44, II, da Lei n 9.430, de 1996, quando o contribuinte tenha procedido com evidente intuito de fraude, nos casos definidos nos artigos 71, 72 e 73 da Lei nº. 4.502, de 1964, e conforme minuciosamente apurado pela autoridade fiscal. Fl. 1441DF CARF MF Impresso em 11/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/06/2012 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGE, Assinado digitalmente e m 08/06/2012 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGE, Assinado digitalmente em 11/06/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS 2 IRPF. OMISSÃO. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. COMPROVAÇÃO DA ORIGEM. Comprovado que parte dos depósitos efetuados nas contas do Recorrente tinham origem em transferências oriundas da contacorrente de uma outra pessoa física, caberia à autoridade autuante ter diligenciado no sentido de buscar a natureza destes pagamentos, sob pena de não se aperfeiçoar a presunção do art. 42 da Lei nº 9.430/96. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em REJEITAR as preliminares e, no mérito, em DAR PARCIAL provimento ao Recurso para que seja excluído da base de cálculo do lançamento o valor de R$ 35.000,00 no anocalendário 2007. Assinado Digitalmente Giovanni Christian Nunes Campos Presidente Assinado Digitalmente Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti Relatora EDITADO EM: 12/03/2012 Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros Giovanni Christian Nunes Campos (Presidente), Rubens Mauricio Carvalho, Nubia Matos Moura, Atilio Pitarelli, Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti e Carlos Andre Rodrigues Pereira Lima. Relatório Em face do contribuinte acima identificado, foi lavrado o Auto de Infração de fls. 264/277 para exigência de IRPF em razão da omissão de rendimentos recebidos de pessoa jurídica e ainda em razão da presunção de omissão de rendimentos, fundada na existência de depósitos bancários de origem não comprovada, em contas de sua titularidade. A multa aplicada ao lançamento foi qualificada em 150% em relação à omissão de rendimento recebido de pessoa jurídica. O procedimento fiscal teve origem em solicitação do Ministério Público Federal (fls. 745/746), e tinha como objetivo inicial investigar a discrepância entre o valor dos rendimentos declarados pelo contribuinte e os valores transitados por suas contas bancárias, o quais foram obtidos via CPMF. Entre os documentos apresentados à fiscalização para justificar a origem dos depósitos efetuados em suas contas, o contribuinte apresentou contrato de mútuo firmado com empresa da qual era Diretor Presidente (Monte Claro Participações S/A). A fiscalização entendeu, então que o valor recebido de tal pessoa jurídica não correspondia a verdadeiro mútuo, mas que se tratava de pagamento recebido da empresa e por isso tributável. Releva notar ainda que em meio à fiscalização levada a efeito em face do contribuinte, foi ele também intimado a apresentar documentação em nome da referida pessoa Fl. 1442DF CARF MF Impresso em 11/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/06/2012 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGE, Assinado digitalmente e m 08/06/2012 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGE, Assinado digitalmente em 11/06/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS Processo nº 13971.003290/201098 Acórdão n.º 210201.870 S2C1T2 Fl. 1.439 3 jurídica, na qualidade de seu representante, tendo em vista que a intimação dirigida ao endereço da empresa retornou à fiscalização. Daí foi lavrado o Auto de Infração para exigência do imposto sobre a omissão de rendimentos recebidos de pessoa jurídica e pela omissão decorrente dos depósitos bancários cuja origem não foi comprovada. Quanto à parte relativa à omissão de rendimentos de pessoa jurídica, eis os esclarecimentos que constam do Termo de Verificação Fiscal: De tudo o exposto no item anterior, inevitável a conclusão de que os valores recebidos da MONTE CLARO, a título de mútuo, de fato tratamse de verbas remuneratórias. Vários são os indicativos que dão conta desta caracterização, todos já descritos anteriormente, valendo à pena repisar os mais relevantes: a) O mutuário obteve, ao longo dos anos de 2006, 2007 e 2008, empréstimos mensais, sucessivos, em valores substanciais; b) Não houve qualquer tipo de amortização da dívida ao longo dos anos de 2006, 2007 e 2008. Registrese que foi solicitada a comprovação das amortizações realizadas, inclusive em 2009 e 2010, sendo que não foi apresentado nenhum tipo de documentação por ROLF KUEHNRICH, tampouco pela MONTE CLARO. Ou seja, de se concluir que este mútuo permanece ainda ativo, 04 anos após as primeiras concessões, sem nenhum tipo de amortização; c) Há uma clara rotina de pagamentos no início de cada mês (próximo ao dia 05), do valor exato de R$ 60.000,00, com uma complementação, variável e de menor valor, na segunda quinzena de cada mês; d) O saldo da dívida em 31/12/2008 era de R$ 2.570.431,816, considerando os valores de atualização monetária. Em valores históricos, foi concedido um total de R$ 2.492.600,00. Cumpre registrar que, como explicitado, a atualização monetária teve como base algum índice de risco, o que gerou atualização negativa em vários períodos. Do acima, verificase que o ganho nominal obtido pela MONTE CLARO foi mínimo; e) Os contratos não prevêem nenhum tipo de garantia da dívida; f) O contribuinte atesta que os valores recebidos destinaramse a despesas pessoais. Ou seja, o montante milionário não foi recebido para a aquisição de um bem ou outro investimento qualquer. Simplesmente foi consumido como despesas pessoais; g) A dívida, em valor substancial, não obstante existir desde 2006, não consta nas DIRPF de 2006 e 2007 do Fiscalizado; h) Os contratos de mútuo apresentados não foram averbados em registro público, não sendo oponível a terceiros, nos termos dos artigos 1 35 e 1067 do Código Civil Brasileiro; Fl. 1443DF CARF MF Impresso em 11/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/06/2012 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGE, Assinado digitalmente e m 08/06/2012 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGE, Assinado digitalmente em 11/06/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS 4 i) O Mutuário era à época, e ainda é, DiretorPresidente da Mutuante, sendo que também tinha influência sobre a TEKA, empresa que fez as transferências financeiras a crédito em sua conta; j) A Mutuante apresentava prejuízos acumulados substanciais, e dívidas milionárias em seu passivo, não justificando a concessão de outros empréstimos em relação aos quais não envidou esforços no recebimento; k) As atas das assembléias da Mutuante MONTE CLARO prevêem o pagamento de honorários aos seus diretores, sendo que a contabilidade da mesma não registra nenhum tipo de pagamento a este título; É fora de dúvida, portanto, que as ocorrências tratadas neste tópico materializamse como pagamento de verbas de natureza remuneratória, as quais não foram submetidas à tributação do IRPF. Da mesma ação fiscal decorreu a lavratura de outros Autos de Infração, relacionados ao IRRF (processo 13971.003293/201021), e à contribuição previdenciária (processos 13971.003319/201031, 13971.003320/201066, e 13971.003321/2010 19). O lançamento abrangeu fatos geradores ocorridos entre os anos de 2006 e 2008, e o contribuinte dele foi cientificado em 06.10.2010, como faz prova o AR de fls. 307. Nesta ocasião, apresentou a impugnação de fls. 334/351, na qual requereu: (a) seja determinada a reunião e/ou o julgamento único dos processos administrativos no s 13971.003319/201031, 13971.003292/201087,' 13971.003293/201021, 13971.003320/201066, 13971.003321/201019 e' 13971.003290/201098, pelo fato de existir identidade de partes, fatos, fundamentos e vários elementos de prova (art. 98 , § 1 9 , do Decreto nQ 70.235/72);: (b) o integral cancelamento do Auto de Infração, pela ausência de infração à legislação vigente e, consequentemente, pela inexistência de qualquer contribuição devida; ou, caso assim não se entenda, (c) a exclusão dos valores referentes à suposta omissão de receitas decorrentes (c.1) verbas remuneratórias; e (c.2) depósitos sem origem; ou, caso assim não se entenda, (d) a exclusão da multa de 150%, reduzindoa a 75%. Na análise de suas alegações, os integrantes da DRJ em Florianópolis decidiram pela integral manutenção do lançamento, em julgado do qual se extrai a seguinte ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física IRPF Ano calendário: 2006, 2007, 2008 EMPRÉSTIMO NÃO COMPROVADOS. A retirada de numerário da empresa por sócio, a título de empréstimo sob a forma de contrato de mútuo não comprovado, configura retirada de prólabore. Fl. 1444DF CARF MF Impresso em 11/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/06/2012 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGE, Assinado digitalmente e m 08/06/2012 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGE, Assinado digitalmente em 11/06/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS Processo nº 13971.003290/201098 Acórdão n.º 210201.870 S2C1T2 Fl. 1.440 5 OPERAÇÃO DE MÚTUO. São indispensáveis para a comprovação da operação de mútuo, contrato registrado no registro público e a apresentação de documentos hábeis e idôneos, sendo insuficientes para opor a operação à terceiros, a simples apresentação de documentos particulares. | DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA Não basta mera alegação para comprovar a origem dos depósitos albergados pelo art 42 da Lei n° 9.430/96. O recorrente tem que identificar a origem do depósito, com identidade de data e valor. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. Caracterizam omissão de rendimentos os valores creditados em conta de depósito mantida junto à instituição financeira, quando o contribuinte, regularmente intimado, não comprova, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. I AFIRMAÇÕES RELATIVAS A FATOS. NECESSIDADE DE COMPROVAÇÃO O conhecimento de afirmações relativas a fatos, apresentadas pelo contribuinte para contraditar elementos regulares de prova trazidos aos autos pela autoridade fiscal, demanda sua consubstanciação por via de outros elementos probatórios, pois sem substrato mostramse como meras alegações, processualmente inacatáveis. MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA. APLICABILIDADE. É aplicável a multa de ofício de 150%, naqueles casos em que, no procedimento de ofício, constatado resta que à conduta do contribuinte esteve associado aos casos previstos nos arts. 71 e 73 da Lei no 4.502, de 1964. Não tendo se conformado, o contribuinte interpôs o Recurso Voluntário de fls. 371/392, no qual alegou que: seria nulo o acórdão recorrido por não ter analisado todos os seus argumentos, especificamente no que diz respeito à inexistência de simulação nos contratos de mútuo firmados entre as partes. Teria sido violado o art. 5º, inc. LIV e LV da Constituição Federal; seria contraditório o acórdão recorrido, na medida em que entendeu que ele não teria comprovado a existência dos mútuos, mas ao mesmo tempo, afirmou que novas provas seriam desnecessárias; deveriam ser reunidos os processos decorrentes do mesmo procedimento fiscal (13971.003292/201087 e 13971.003293/201021), por envolverem os mesmos fatos geradores e elementos de prova, nos termos do art. 9º , § 1º , do Decreto n° 70.235/72; no mérito, sustentou que não houve infração, pois os mútuos foram efetivamente celebrados e comprovados, não se podendo falar em omissão; Fl. 1445DF CARF MF Impresso em 11/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/06/2012 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGE, Assinado digitalmente e m 08/06/2012 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGE, Assinado digitalmente em 11/06/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS 6 as alegações da fiscalização e da decisão recorrida para desconsiderar os mútuos não passam de meros indícios. Nos termos do art. 112 do CTN, a dúvida jamais poderia justificar um lançamento; nos termos do art. 107 do Código Civil ("A validade da declaração de vontade não dependerá de forma especial, senão quando a lei expressamente a exigir") não se pode exigir que os contratos de mútuo fossem registrados em cartório; afirmou enfim que não houve simulação, pois todos os contratos de mútuo foram devidamente contabilizados e declarados ao Fisco pela empresa Monte Claro; e quanto aos depósitos bancários, alegou que os mesmos seriam justificados por empréstimos perante o banco (cheque especial) e perante o Sr. Eno Schmitt. Pugnou, por fim, pela desqualificação da multa. Os autos foram então remetidos a este Conselho para julgamento. É o Relatório. Voto Conselheira Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti, Relatora O contribuinte teve ciência da decisão recorrida em 10.06.2011, como atesta o AR de fls. 371. O Recurso Voluntário foi interposto em 11.07.2011 (dentro do prazo legal para tanto), e preenche os requisitos legais por isso dele conheço. Conforme relatado, tratase de lançamento para exigência de IRPF em razão da omissão de rendimentos recebidos de pessoa jurídica, e também da presunção de omissão de rendimentos decorrente da aplicação do art. 42 da Lei nº 9.430/96. A decisão recorrida manteve integralmente o lançamento. Em sua defesa, o Recorrente suscita os seguintes pontos, que justificariam a reforma da referida decisão: a) nulidade do acórdão recorrido por não ter analisado todos os seus argumentos, especialmente no que diz respeito à ocorrência de simulação; b) contradição no acórdão recorrido, que entendeu pela inexistência do mútuo mas dispensou a produção de prova pericial, entendendoa desnecessária; c) necessidade de reunião dos processos decorrentes do mesmo procedimento fiscal (13971.003292/201087 e 13971.003293/201021), por envolverem os mesmos fatos geradores e elementos de prova, nos termos do art. 9º , § 1º , do Decreto n° 70.235/72; d) inexistência de omissão, pois os mútuos foram efetivamente celebrados e comprovados; e e) quanto aos depósitos bancários, alegou que os mesmos seriam justificados por empréstimos perante o banco (cheque especial) e perante o Sr. Eno Schmitt. Das Preliminares No que diz respeito às preliminares suscitadas quanto à nulidade da decisão recorrida e contradição nesta mesma decisão, nenhuma das duas merece acolhida. Em relação à nulidade, não há que se falar em cerceamento do direito de defesa do Recorrente, pois a decisão recorrida tratou sim da questão atinente à alegada simulação, sendo que este assunto foi tratado inclusive na parte em que foi analisada a Fl. 1446DF CARF MF Impresso em 11/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/06/2012 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGE, Assinado digitalmente e m 08/06/2012 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGE, Assinado digitalmente em 11/06/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS Processo nº 13971.003290/201098 Acórdão n.º 210201.870 S2C1T2 Fl. 1.441 7 qualificação da multa de ofício. Assim, não há que se falar em cerceamento do direito de defesa. Da mesma forma, também não há que se falar em contradição, pois a decisão recorrida entendeu ser desnecessária a realização da perícia, já que a documentação acostada aos autos seria suficiente a formar a convicção dos julgadores. De fato, o art. 18 do Decreto nº 70.235/72 assim dispõe quanto à realizações de diligências/perícias: Art. 18. A autoridade julgadora de primeira instância determinará, de ofício ou a requerimento do impugnante, a realização de diligências ou perícias, quando entendêlas necessárias, indeferindo as que considerar prescindíveis ou impraticáveis, observando o disposto no art. 28, in fine. Já o art. 28 mencionado assim determina: Art. 28. Na decisão em que for julgada questão preliminar será também julgado o mérito, salvo quando incompatíveis, e dela constará o indeferimento fundamentado do pedido de diligência ou perícia, se for o caso. Percebese daí que a realização de perícias somente é deferida quando as autoridades julgadoras entenderem que são necessárias ao deslinde da controvérsia e/ou à elucidação de algum ponto controvertido. No caso dos autos, tal fundamentação consta às fls. 1097. Por estes motivos, não merecem acolhida as preliminares suscitadas. Do Pedido de Reunião dos Processos O Recorrente pugna pela reunião dos processos 13971.003292/201087 e 13971.003293/201021, por serem todos decorrentes do mesmo procedimento fiscal. Fundamenta seu pedido no art. 9º, § 1º do Decreto nº 70.235/72, que assim dispõe: Art. 9o A exigência do crédito tributário e a aplicação de penalidade isolada serão formalizados em autos de infração ou notificações de lançamento, distintos para cada tributo ou penalidade, os quais deverão estar instruídos com todos os termos, depoimentos, laudos e demais elementos de prova indispensáveis à comprovação do ilícito. (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009) § 1o Os autos de infração e as notificações de lançamento de que trata o caput deste artigo, formalizados em relação ao mesmo sujeito passivo, podem ser objeto de um único processo, quando a comprovação dos ilícitos depender dos mesmos elementos de prova. (Redação dada pela Lei nº 11.196, de 2005) Decorre desta norma que os processos podem ser reunidos quando decorram dos mesmos elementos de prova. Tal reunião, porém, não é obrigatória. Assim, o pedido do Recorrente não merece acolhida. Fl. 1447DF CARF MF Impresso em 11/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/06/2012 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGE, Assinado digitalmente e m 08/06/2012 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGE, Assinado digitalmente em 11/06/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS 8 Da omissão de rendimentos recebidos de pessoa jurídica No que diz respeito à omissão de rendimentos recebidos de pessoas jurídicas, esta decorreu da interpretação dada pela autoridade fiscal aos valores recebidos pelo Recorrente a título de mútuos, pagos pela empresa Monte Claro Participações S/A, da qual ele era Diretor Presidente. Eis os motivos que levaram a fiscalização a desconsiderar tais contratos como verdadeiros mútuos: (...) De tudo o exposto no item anterior, inevitável a conclusão de que os valores recebidos da MONTE CLARO, a título de mútuo, de fato tratamse de verbas remuneratórias. Vários são os indicativos que dão conta desta caracterização, todos já descritos anteriormente, valendo à pena repisar os mais relevantes: a) O mutuário obteve, ao longo dos anos de 2006, 2007 e 2008, empréstimos mensais, sucessivos, em valores substanciais; b) Não houve qualquer tipo de amortização da dívida ao longo dos anos de 2006, 2007 e 2008. Registrese que foi solicitada a comprovação das amortizações realizadas, inclusive em 2009 e 2010, sendo que não foi apresentado nenhum tipo de documentação por ROLF KUEHNRICH, tampouco pela MONTE CLARO. Ou seja, de se concluir que este mútuo permanece ainda ativo, 04 anos após as primeiras concessões, sem nenhum tipo de amortização; c) Há uma clara rotina de pagamentos no início de cada mês (próximo ao dia 05), do valor exato de R$ 60.000,00, com uma complementação, variável e de menor valor, na segunda quinzena de cada mês; d) O saldo da dívida em 31/12/2008 era de R$ 2.570.431,816, considerando os valores de atualização monetária. Em valores históricos, foi concedido um total de R$ 2.492.600,00. Cumpre registrar que, como explicitado, a atualização monetária teve como base algum índice de risco, o que gerou atualização negativa em vários períodos. Do acima, verificase que o ganho nominal obtido pela MONTE CLARO foi mínimo; e) Os contratos não prevêem nenhum tipo de garantia da dívida; f) O contribuinte atesta que os valores recebidos destinaramse a despesas pessoais. Ou seja, o montante milionário não foi recebido para a aquisição de um bem ou outro investimento qualquer. Simplesmente foi consumido como despesas pessoais; g) A dívida, em valor substancial, não obstante existir desde 2006, não consta nas DIRPF de 2006 e 2007 do Fiscalizado; h) Os contratos de mútuo apresentados não foram averbados em registro público, não sendo oponível a terceiros, nos termos dos artigos 1 35 e 1067 do Código Civil Brasileiro; Fl. 1448DF CARF MF Impresso em 11/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/06/2012 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGE, Assinado digitalmente e m 08/06/2012 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGE, Assinado digitalmente em 11/06/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS Processo nº 13971.003290/201098 Acórdão n.º 210201.870 S2C1T2 Fl. 1.442 9 i) O Mutuário era à época, e ainda é, DiretorPresidente da Mutuante, sendo que também tinha influência sobre a TEKA, empresa que fez as transferências financeiras a crédito em sua conta; j) A Mutuante apresentava prejuízos acumulados substanciais, e dívidas milionárias em seu passivo, não justificando a concessão de outros empréstimos em relação aos quais não envidou esforços no recebimento; k) As atas das assembléias da Mutuante MONTE CLARO prevêem o pagamento de honorários aos seus diretores, sendo que a contabilidade da mesma não registra nenhum tipo de pagamento a este título; (...) Como se viu, o trabalho da autoridade fiscal foi bastante minucioso e detalhado, e as conclusões tomadas por ela não podem ser desconsideradas sem uma documentação que demonstrasse, de forma contundente, porque aquelas conclusões não estariam corretas. Ressaltese que tais conclusões não levaram em consideração um ou outro aspecto das operações efetuadas, mas sim o conjunto de fatores envolvidos entre as partes nas operações, que, somados, fizeram com que a conclusão tomada pela autoridade fiscal fosse a de que correspondiam a verdadeiros pagamentos, e não mútuos. Realmente, diante de todos os fatos lá demonstrados, é lícito concluir que não faz sentido que uma empresa deficitária, que acumula dívidas milionárias fizesse um empréstimo tão vultoso a um diretor seu. Além disso, outros argumentos reforçam a tese esboçada pela autoridade fiscal. São eles: ► os empréstimos eram mensais, em valores semelhantes, dando a entender que se tratavam de verdadeira remuneração; ► não houve motivação para tais empréstimos, ou ao menos esta não foi demonstrada nos autos. Caso o Recorrente tivesse demonstrado que tais mútuos tinham um objetivo específico – que não o de custear suas despesas habituais (como a compra de um bem imóvel, por exemplo), poderseia têlos como verdadeiros; ► não houve a demonstração da devolução do valor mutuado, e nem tampouco há sinal de que tal devolução tenha ocorrido. Neste ponto, há que se ressaltar ainda que já se passaram 6 (seis) anos desde o primeiro mútuo, sem que qualquer prova de sua quitação tenha sido trazida aos autos. A alegação de que os valores não foram devolvidos em razão da tomada de novos empréstimos torna ainda mais frágil a defesa do Recorrente, pois não é crível que uma empresa deficitária fosse prosseguir com a concessão de crédito a alguém que não quita os saldos devedores e não tem nenhuma perspectiva de fazêlo. Devese ressaltar ainda que a legislação brasileira (NCC, Lei nº 10.406/2002) assim define o mútuo: Art. 586. O mútuo é o empréstimo de coisas fungíveis. O mutuário é obrigado a restituir ao mutuante o que dele recebeu em coisa do mesmo gênero, qualidade e quantidade. Fl. 1449DF CARF MF Impresso em 11/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/06/2012 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGE, Assinado digitalmente e m 08/06/2012 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGE, Assinado digitalmente em 11/06/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS 10 Como se vê, é da essência da operação de mútuo que aquilo que se emprestou seja devolvido. Sem o empréstimo ou sem a devolução, pode existir qualquer outra operação, mas não o mútuo. No caso em exame, como se viu, não há prova de que os valores mutuados tenham sido devolvidos, o que descaracteriza as operações como tal. Importante ainda ressaltar que, como não há prova de quitação do mútuo, poderseia concluir que a dívida teria sido perdoada, o que significaria – da mesma forma – a percepção destes valores pelo Recorrente como rendimentos tributáveis, reforçando a correção do lançamento efetuado. Em resumo, o registro contábil na empresa, por si só, serve apenas para formalmente comprovar a existência destes mútuos, o que não significa que em razão do preenchimento de seus requisitos formais, devam eles ser aceitos como tais. Diante do exposto, sob qualquer ângulo que se analise a questão, a única conclusão a que se pode chegar é a de que está correta a interpretação dada pela autoridade fiscal aos mútuos celebrados entre o Recorrente a empresa Monte Claro Participações S/A, razão pela qual é de ser mantido o lançamento neste ponto. Da Qualificação da Multa A multa aplicada a esta parcela do lançamento (relativa aos mútuos) foi qualificada em 150%. Os fundamentos adotados pela autoridade fiscal para fazêlo foram os seguintes: Assim, o contribuinte, ao celebrar contrato de mútuo com empresa da qual é DiretorPresidente, e por meio deste contrato receber valores que de fato têm natureza de verbas remuneratórias, praticou, inequivocamente, uma ação dolosa, intencional e consciente, a qual retardou o conhecimento dos fatos por parte do Fisco. O FISCALIZADO não praticou estes atos de forma involuntária, ou incorreu em erro em sua conduta. Desta forma, a conduta sob análise amoldase à hipótese prevista para a sonegação (art. 71), uma vez que por meio dela o contribuinte retardou o conhecimento dos fatos por parte do Fisco. Por fim, tendo havido a participação do FISCALIZADO e da empresa MONTE CLARO nas condutas acima descritas, está caracterizado o enquadramento no art. 73, ou seja, no conluio. Assim, por tudo o acima exposto, de se aplicar, em relação à infração descrita no item 3.1 acima, a multa de ofício em seu percentual duplicado, 1 50%, pela simples adequação da conduta praticada ao disposto no art. 44, inciso II da Lei 9.430/96. Para os fatos geradores de 31/01/2007 a 31/12/2008, serve de fundamento o mesmo artigo 44, porém com redação dada pelo art. 14 da Lei 11.488/2007. Por outro lado, a qualificação da multa foi mantida pela decisão recorrida pelos seguintes motivos: Verificouse a conduta intencional do contribuinte, quando este apresenta documentação que não corresponde a realidade, consumando a tentativa de acobertar a realidade das operações Fl. 1450DF CARF MF Impresso em 11/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/06/2012 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGE, Assinado digitalmente e m 08/06/2012 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGE, Assinado digitalmente em 11/06/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS Processo nº 13971.003290/201098 Acórdão n.º 210201.870 S2C1T2 Fl. 1.443 11 financeiras efetuadas, propositalmente denominadas de mútuo. Estas transações na realidade se constituíram em transferências de valores na forma de remuneração, da empresa para a conta bancária pessoal do seu Diretor Presidente. A norma legal que ampara a aplicação da referida multa (qualificada), aplicada à hipótese em exame, é o art. 44, inc. II da Lei nº 9.430/96, que determina: Art.44.Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas, calculadas sobre a totalidade ou diferença de tributo ou contribuição: (...) IIcento e cinqüenta por cento, nos casos de evidente intuito de fraude, definido nos arts. 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. (grifos não constantes do original) Os arts. 71, 72 e 73 da Lei nº Lei 4502/64, por seu turno, assim dispõem: Art . 71. Sonegação é tôda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, o conhecimento por parte da autoridade fazendária: I da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, sua natureza ou circunstâncias materiais; II das condições pessoais de contribuinte, suscetíveis de afetar a obrigação tributária principal ou o crédito tributário correspondente. Art . 72. Fraude é tôda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, ou a excluir ou modificar as suas características essenciais, de modo a reduzir o montante do impôsto devido a evitar ou diferir o seu pagamento. Art . 73. Conluio é o ajuste doloso entre duas ou mais pessoas naturais ou jurídicas, visando qualquer dos efeitos referidos nos arts. 71 e 72. Da leitura de tais artigos, é forçoso concluir que só pode ser exigida a multa de 150% (multa qualificada) aos lançamentos de ofício em que restar caracterizado o evidente intuito de fraude do contribuinte – e não a todo e qualquer lançamento de ofício. No caso ora em exame, como se viu acima, este intuito foi devidamente comprovado pelas autoridades fiscal e julgadora. Os atos praticados pelo Recorrente (celebração de contratos de mútuo) não corresponderam à real intenção das partes (pagamento de rendimentos pela pessoa jurídica à pessoa física de seu Diretor), razão pela qual foram praticados com o único intuito de escapar à tributação, de forma que a hipótese se amolda perfeitamente às normas acima transcritas. Fl. 1451DF CARF MF Impresso em 11/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/06/2012 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGE, Assinado digitalmente e m 08/06/2012 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGE, Assinado digitalmente em 11/06/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS 12 Merece, portanto, ser mantida a qualificação da multa. Dos depósitos bancários A segunda parte do lançamento que aqui se discute versa sobre a presunção de omissão de rendimentos decorrente da existência de depósitos bancários cuja origem não foi comprovada pelo Recorrente. Os depósitos cuja origem não foi comprovada constam de tabela às fls. 315 dos autos, e referemse a determinados meses dos anos de 2006 e 2007. Segundo a defesa apresentada, todos eles estariam justificados, quer por empréstimos tomados do banco (utilização do limite de cheque especial), quer por empréstimos tomados com o Sr. Eno Schmitt. Tais argumentos não foram acolhidos pela decisão recorrida em razão da falta de comprovação dos alegados empréstimos. No que diz respeito aos empréstimos bancários, o Recorrente de fato não traz qualquer documento que o comprove. Limitase a alegar que: 88. Entretanto, conforme defendido desde o início da fiscalização pelo Recorrente, os valores em comento têm origem em empréstimos bancários decorrentes do limite de seu cheque especial (que, na época, era R$ 35.000,00). Além disso, os valores também se referiam à cobertura de saldos devedores em contacorrente e a mútuos firmados com o Sr. Eno Schmitt. 89. Ressaltase que as transações bancárias do Recorrente em relação ao período demonstram que os valores de débito e crédito guardam relação entre si, confirmando a existência de operações de mútuo com Sr. Enio Schmitt, em transações de concessão (créditos) e pagamento (cheques ou transferências) dos valores. Aqui, mais uma vez, o Recorrente se limita a alegar que tais empréstimos existiram, sem mais uma vez o comprovar documentalmente. No entanto, para justificar suas alegações, caberia a ele ter solicitado ao banco uma cópia ou segunda via dos contratos de empréstimo celebrados, o que não foi feito. Acresçase a isto que a utilização do limite do cheque especial para acobertar saldo devedor em contacorrente poderia ser justificativa para a apuração de variação patrimonial (pois representaria uma origem). Porém, não tem o condão de justificar a origem de depósitos específicos efetuados em suas contas, e não se presta a justificar lançamento fundado no art. 42 da Lei nº 9.430/96. Por outro lado, no que diz respeito aos empréstimos tomados do Sr. Eno Schmidt, a decisão recorrida assim se manifestou acerca do pedido do Recorrente: O contribuinte alega ainda a existência de operações de mútuo com o Sr. Enio Schmitt, em transações de concessão (créditos) e pagamento (cheques e transferências) dos valores. Os valores foram depositados em dezembro de 2007, na conta do contribuinte. Com relação este suposto mútuo existente com o Sr. Enio Schmitt, o impugnante já havia sido intimado a apresentar esclarecimentos sobre estes depósitos, conforme se pode Fl. 1452DF CARF MF Impresso em 11/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/06/2012 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGE, Assinado digitalmente e m 08/06/2012 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGE, Assinado digitalmente em 11/06/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS Processo nº 13971.003290/201098 Acórdão n.º 210201.870 S2C1T2 Fl. 1.444 13 constatar do Termo de Verificação Fiscal, fl. 297 dos autos. No curso da ação fiscal, não apresentou qualquer documentação comprobatória para demonstrar os fatos alegados. Da mesma forma, em sede de impugnação, não acostou aos autos documentos no sentido de comprovar que a origem dos valores depositados em sua conta bancário seria proveniente de operação de mútuo, com o Sr. Enio Schmitt, com alega. Desta forma, não há como acatar as justificativas apresentadas pelo impugnante. De fato, além do Recorrente não demonstrar de que forma e em que termos se dera tal mútuo, eles não constam das DIRPF 2007 e 2008 apresentadas pelo Recorrente, razão pela qual não há como acolher – em princípio – a tese de defesa de que tais valores se referiam a mútuos. Entretanto, deve ser feita aqui uma ressalva. É que apesar de o Recorrente não ter demonstrado a efetiva existência do alegado mútuo, está comprovado que o Sr. Eno fez três depósitos em sua conta no ano de 2007, depósitos estes que foram considerados como de origem não comprovada. Ocorre que a origem destes depósitos é sabida – os valores vieram de uma conta do Sr. Eno para a conta do Recorrente, o que foi reconhecido inclusive pela decisão recorrida como se viu acima. Tais informações já haviam sido disponibilizadas desde a época do procedimento fiscal (tanto é que consta especificamente do TIF nº 12), sendo certo que poderia a autoridade lançadora ter diligenciado no sentido de intimar o Sr. Eno para que justificasse a natureza dos depósitos efetuados na conta do Recorrente. Mas isto não foi feito. Por isso, entendo que devam ser excluídos do lançamento os valores relativos a depósitos originados de contas do Sr. Eno, por reputar como comprovada a origem dos respectivos valores. Tais depósitos foram de R$ 5.000,00 e R$ 20.000,00 (no dia 17.12.2007) e de R$ 10.000,00 (no dia 18.12.2007), cf. quadro de fls. 249. Diante do exposto, VOTO no sentido de REJEITAR as preliminares suscitadas e, no mérito, DAR PARCIAL provimento ao Recurso para que seja excluído da base de cálculo do lançamento o valor de R$ 35.000,00 no anocalendário 2007. Assinado Digitalmente Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti Fl. 1453DF CARF MF Impresso em 11/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/06/2012 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGE, Assinado digitalmente e m 08/06/2012 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGE, Assinado digitalmente em 11/06/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS 14 Fl. 1454DF CARF MF Impresso em 11/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/06/2012 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGE, Assinado digitalmente e m 08/06/2012 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGE, Assinado digitalmente em 11/06/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS
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Numero do processo: 13972.000005/2004-29
Data da sessão: Wed Sep 12 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Fri Oct 26 00:00:00 UTC 2012
Ementa: Assunto: Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte - Simples
Ano-calendário: 2000
SIMPLES. ATIVIDADE VEDADA. PROFISSÃO REGULAMENTADA. TÉCNICO AGRÍCOLA.
É vedada a opção pelo Simples Federal para a pessoa jurídica que preste serviços profissionais de Técnico Agrícola, profissão regulamentada, cujo exercício depende de formação e habilitação específica.
Numero da decisão: 1302-000.973
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do Colegiado, por maioria, em negar provimento ao recurso voluntário, vencidos os Conselheiros Paulo Roberto Cortez e Marcio Rodrigo Frizzo. Designado o Conselheiro Luiz Tadeu Matosinho Machado para redigir o voto vencedor.
(assinado digitalmente)
Luiz Tadeu Matosinho Machado - Presidente em exercício
(assinado digitalmente)
Paulo Roberto Cortez - Relator
(assinado digitalmente)
Luiz Tadeu Matosinho Machado Redator Designado
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Luiz Tadeu Matosinho Machado, Paulo Roberto Cortez, Lavínia Moraes de Almeida Nogueira Junqueira, Andrada Marcio Canuto Natal, Eduardo de Andrade e Marcio Rodrigo Frizzo.
Matéria: Simples- proc. que não versem s/exigências cred.tributario
Nome do relator: PAULO ROBERTO CORTEZ
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ementa_s : Assunto: Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte - Simples Ano-calendário: 2000 SIMPLES. ATIVIDADE VEDADA. PROFISSÃO REGULAMENTADA. TÉCNICO AGRÍCOLA. É vedada a opção pelo Simples Federal para a pessoa jurídica que preste serviços profissionais de Técnico Agrícola, profissão regulamentada, cujo exercício depende de formação e habilitação específica.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por maioria, em negar provimento ao recurso voluntário, vencidos os Conselheiros Paulo Roberto Cortez e Marcio Rodrigo Frizzo. Designado o Conselheiro Luiz Tadeu Matosinho Machado para redigir o voto vencedor. (assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado - Presidente em exercício (assinado digitalmente) Paulo Roberto Cortez - Relator (assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado Redator Designado Participaram do presente julgamento os Conselheiros Luiz Tadeu Matosinho Machado, Paulo Roberto Cortez, Lavínia Moraes de Almeida Nogueira Junqueira, Andrada Marcio Canuto Natal, Eduardo de Andrade e Marcio Rodrigo Frizzo.
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ATIVIDADE VEDADA. PROFISSÃO REGULAMENTADA. TÉCNICO AGRÍCOLA. É vedada a opção pelo Simples Federal para a pessoa jurídica que preste serviços profissionais de Técnico Agrícola, profissão regulamentada, cujo exercício depende de formação e habilitação específica. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por maioria, em negar provimento ao recurso voluntário, vencidos os Conselheiros Paulo Roberto Cortez e Marcio Rodrigo Frizzo. Designado o Conselheiro Luiz Tadeu Matosinho Machado para redigir o voto vencedor. (assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado Presidente em exercício (assinado digitalmente) Paulo Roberto Cortez Relator (assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado – Redator Designado Participaram do presente julgamento os Conselheiros Luiz Tadeu Matosinho Machado, Paulo Roberto Cortez, Lavínia Moraes de Almeida Nogueira Junqueira, Andrada Marcio Canuto Natal, Eduardo de Andrade e Marcio Rodrigo Frizzo. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 97 2. 00 00 05 /2 00 4- 29 Fl. 101DF CARF MF Impresso em 26/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/10/2012 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assinado digitalmente em 04/10/2012 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assinado digitalmente em 04/10/2012 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO Processo nº 13972.000005/200429 Acórdão n.º 1302000.973 S1C3T2 Fl. 102 2 Relatório MÁRIO CESAR PEREIRA ME., firma individual já qualificada nos presentes autos, recorre a este colegiado (fls. 95/97), contra decisão da 2ª Turma de Julgamento da DRJ/Curitiba, consubstanciada no acórdão nº 0617.499 (fls. 87/91) que indeferiu sua manifestação de inconformidade contra a inclusão no SIMPLES. Em 21/01/2004 a contribuinte protocolou o pedido de inclusão com efeito retroativo a julho de 2000 ao Simples, sob o argumento de que, por lapso, deixou de preencher o código de evento 301, quando de sua inscrição no CNPJ. Afirma ter recolhido os tributos e apresentado as declarações próprias, fato que comprovaria sua intenção de aderir à sistemática. Juntou aos autos os documentos de fls. 03 a 21. Por ocasião do exame do pedido a autoridade "a quo" intimou a interessada a apresentar documentos. O representante da empresa apresentou os de fls. 28 a 62. O pleito da contribuinte foi indeferido nos termos do Relatório de fls. 68/69, que acompanha o Despacho Decisório SACAT n° 326/2006, ao argumento de que a atividade de assessoria técnica na agricultura e topografia é vedada ao Simples por configurar atividade de consultor ou assemelhado e serviço de arquiteto, técnico de grau médio ou assemelhado. Cientificado em 10/11/2006, apresentou manifestação de inconformidade (fls.74/76), onde alega que não concorda com a decisão que lhe foi encaminhada; que sua atividade não está expressamente mencionada no inciso XIII do artigo 9° da lei; que não realiza serviços de arquiteto, nem de consultor; que elabora projetos agrícolas e acompanhamento aos agricultores; que o titular possui qualificação de técnico agrícola; que a lista, prevista no artigo 90 é exaustiva, que o Conselho de Contribuintes e o Superior Tribunal de Justiça já se manifestaram no sentido de que a expressão "ou assemelhados" não pode ser aplicada de forma indiscriminada e; assim, pede o cancelamento do despacho atacado com o conseqüente reconhecimento de seu direito de aderir ao Simples. Ao apreciar a manifestação da contribuinte, a turma julgadora de primeiro grau indeferiu seu pleito, conforme decisão proferida no acórdão acima mencionado, cuja ementa possui a seguinte redação: Assunto: Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte Simples Anocalendário: 2000 Ementa: ADESÃO AO SIMPLES. A adesão ao benefício ocorre por ato volitivo do contribuinte, sujeito a posterior verificação do fisco; assim, mantémse o indeferimento ao pedido de inclusão retroativa quando comprovado o exercício de atividade que Fl. 102DF CARF MF Impresso em 26/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/10/2012 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assinado digitalmente em 04/10/2012 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assinado digitalmente em 04/10/2012 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO Processo nº 13972.000005/200429 Acórdão n.º 1302000.973 S1C3T2 Fl. 103 3 necessita de habilitação especifica, quer a nível superior ou mesmo, a nível técnico. Solicitação Indeferida Inconformado com a decisão de primeira instância, da qual teve ciência em 24/04/2008 (fls. 94), e com ela não se conformando, apresentou Recurso Voluntário em 26/05/2008 (fls. 95), onde expõe os seguintes argumentos: a) apesar de reconhecer parte dos direitos do Contribuinte, equivocouse porém a 2° turma de Julgamento, ao imputar a condição de Impedimento de Opção ao Simples sob a alegação de que os serviços que desenvolve o Contribuinte, são semelhantes ao do engenheiro agrônomo. O conteúdo expresso do art. 9°, inciso XIII da Lei 9.317/96, não descreve como impedida de optar pelo SIMPLES, a atividade desenvolvida pela requerente, qual seja, a de Serviços de elaboração de Projetos Agrícolas, Assistência e acompanhamento; b) a requerente não realiza serviços de Engenheiro Agrônomo, e os serviços por ela realizados de elaboração de projetos agrícolas e acompanhamento aos agricultores, em absolutamente nada, se assemelham aos serviços de Engenheiro Agrônomo; c) os serviços prestados pela requerente, são realizados pelo titular da empresa que tem formação de Técnico Agrícola e, afora a larga experiência acumulada ao longo dos anos, e o conhecimento de cultivos do solo, nenhuma habilitação profissional lhe é exigida e/ou necessária para o desempenho de suas funções. O Fato de o Titular ter formação de Técnico Agrícola não implica necessariamente que se trate de atividade atinente ao engenheiro agrônomo e aos técnicos da área; d) é impossível atribuir à reclamante o exercício de atividade atinentes a Engenheiro Agrônomo. Os serviços de planejamento técnico agropecuário não podem ser atribuídos à atividade de Agrônomo, pois não enquadram se na atividade atinente ao engenheiro agrônomo. É o relatório. Fl. 103DF CARF MF Impresso em 26/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/10/2012 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assinado digitalmente em 04/10/2012 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assinado digitalmente em 04/10/2012 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO Processo nº 13972.000005/200429 Acórdão n.º 1302000.973 S1C3T2 Fl. 104 4 Voto Vencido Conselheiro Paulo Roberto Cortez, Relator O recurso é tempestivo e dele conheço. Como visto do relato, a recorrente solicitou a adesão ao SIMPLES, fato que foi rejeitado pela repartição de origem, sob o entendimento de que a atividade de assessoria técnica na agricultura e topografia é vedada de opção pelo SIMPLES por configurar atividade de consultor ou assemelhado e serviço de arquiteto, técnico de grau médio ou assemelhado. Desde a defesa inicial, a interessada vem afirmando que não realiza serviços de engenheiro arquiteto, tampouco de consultor, sendo que os serviços por ela realizados de elaboração de projetos agrícolas e acompanhamento aos agricultores, em absolutamente nada, se assemelham aos serviços técnicos de engenharia. Argumenta ainda, que os serviços prestados são realizados pelo titular da empresa cuja qualificação é a de Técnico Agrícola e nenhuma habilitação profissional lhe é exigida e/ou necessária para o desempenho de suas funções. Por seu turno, a turma julgadora de primeiro grau decidiu pelo não atendimento ao pleito do contribuinte ao entendimento de que as atividades exercidas são atividades típicas da profissão de agrônomo ou de técnicos de nível superior e de grau médio, portanto, expressamente vedadas à opção pelo sistema simplificado. Das notas fiscais anexadas aos autos depreendese que efetivamente os serviços prestados pela recorrente tratamse de projetos agrícolas e acompanhamento aos agricultores na área do cultivo, cuja atividade é abrangente e genérica, não sendo cabível, de forma alguma, o entendimento de se tratar de uma área restrita a arquitetos, engenheiros ou assemelhados. É claro que se houvesse no processo evidências de que a atividade desenvolvida pela empresa representasse atuação na área de assessoria, de projetos que requeressem a participação de engenheiro e/ou arquiteto, ou mesmo de assemelhados, então estaria caracterizada razão impeditiva ao sistema SIMPLES, porém, a atividade da recorrente evidentemente não está vedada ao SIMPLES, e qualquer interpretação que pretenda equiparar o serviço prestado por um técnico agrícola com o de profissão regulamentada antes descrita, não se aplica ao presente caso. Nos autos não se encontram quaisquer evidências de atividades impeditivas à opção pelo regime simplificado, não há nenhuma prova, somente mera suposição de atividade impeditiva, aliás, as atividades da recorrente nada têm de assemelhadas com arquitetura ou engenharia, ademais, não se demonstrou o menor grau de certeza quanto aos fatos de acusação. É notório que o legislador, ao descrever de forma expressa, no art. 9° da Lei 9.317/96, quais as hipóteses excludentes para o ingresso no sistema "SIMPLES", o fez de forma exaustiva, ou seja, foram expressamente elencadas as situações em que as Fl. 104DF CARF MF Impresso em 26/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/10/2012 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assinado digitalmente em 04/10/2012 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assinado digitalmente em 04/10/2012 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO Processo nº 13972.000005/200429 Acórdão n.º 1302000.973 S1C3T2 Fl. 105 5 Microempresas e Empresas de Pequeno Porte não podem aderir ao sistema, o que em outras palavras, assegura que, aquelas que não se enquadrem nas hipóteses de exclusão, como é o caso da atividade desenvolvida pela requerente, terão o ingresso no sistema assegurado. Por todo o exposto, voto por dar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Paulo Roberto Cortez Fl. 105DF CARF MF Impresso em 26/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/10/2012 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assinado digitalmente em 04/10/2012 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assinado digitalmente em 04/10/2012 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO Processo nº 13972.000005/200429 Acórdão n.º 1302000.973 S1C3T2 Fl. 106 6 Voto Vencedor Conselheiro Luiz Tadeu Matosinho Machado – Redator designado Tratase de voto de divergência, acolhido por maioria de votos, em relação ao posicionamento dado pelo relator do presente acórdão que dava provimento ao recurso voluntário por entender que a atividade de assistência técnica agrícola exercida pela recorrente não seria impeditiva de opção para o regime de recolhimento de tributos pelo Simples Federal. Em que pesem os respeitáveis argumentos do Relator, a atividade exercida pela recorrente se enquadra entre aquelas classificadas como o exercício de profissões regulamentadas, cuja opção pelo Simples é vedada pelo inciso XIII do art. 9º da Lei nº 9.317/1996. A recorrente alega em seu recurso que não realiza serviços de Engenheiro Agrônomo, e os serviços por ela realizados de elaboração de projetos agrícolas e acompanhamento aos agricultores, em absolutamente nada, se assemelham aos serviços de Engenheiro Agrônomo. Afirma ainda que os serviços prestados pela recorrente, são realizados pelo titular da empresa que tem formação de Técnico Agrícola e, afora a larga experiência acumulada ao longo dos anos, e o conhecimento de cultivos do solo, nenhuma habilitação profissional lhe é exigida e/ou necessária para o desempenho de suas funções. Ocorre que a atividade de Técnico Agrícola ou AgroPecuário enquadrase entre aquelas que é exigida habilitação técnica específica. A regulamentação da profissão encontrase definida no Decreto nº 90.922, de 06 de fevereiro de 1985, que estabelece: Art. 1º Para efeito do disposto neste Decreto, entendemse por técnico industrial e técnico agrícola de 2º grau ou, pela legislação anterior, de nível médio, os habilitados nos termos das Leis nºs 4.024, de 20 DEZ 1961, 5.692, de 11 AGO 1971, e 7.044, de 18 OUT 1982. (...) Art. 6º As atribuições dos técnicos agrícolas de 2º grau em suas diversas modalidades, para efeito do exercício profissional e da sua fiscalização, respeitados os limites de sua formação, consistem em: I desempenhar cargos, funções ou empregos em atividades estatais, paraestatais e privadas; II atuar em atividades de extensão, associativismo e em apoio à pesquisa, análise, experimentação, ensaio e divulgação técnica; III ministrar disciplinas técnicas de sua especialidade, constantes dos currículos do ensino de 1º e 2º graus, desde que Fl. 106DF CARF MF Impresso em 26/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/10/2012 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assinado digitalmente em 04/10/2012 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assinado digitalmente em 04/10/2012 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO Processo nº 13972.000005/200429 Acórdão n.º 1302000.973 S1C3T2 Fl. 107 7 possua formação específica, incluída a pedagógica, para o exercício do magistério nesses dois níveis de ensino; IV responsabilizarse pela elaboração e execução de projetos compatíveis com a respectiva formação profissional; V elaborar orçamentos relativos às atividades de sua competência; VI prestar assistência técnica e assessoria no estudo e desenvolvimento de projetos e pesquisas tecnológicas, ou nos trabalhos e vistorias, perícia, arbitramento e consultoria, exercendo, dentre outras, as seguintes tarefas: 1) coleta de dados de natureza técnica; 2) desenho de detalhes de construções rurais; 3) elaboração de orçamentos de materiais, insumos, equipamentos, instalações e mãodeobra; 4) detalhamento de programas de trabalho, observando normas técnicas e de segurança no meio rural; 5) manejo e regulagem de máquinas e implementos agrícolas; 6) assistência técnica na aplicação de produtos especializados; 7) execução e fiscalização dos procedimentos relativos ao preparo do solo até à colheita, armazenamento, comercialização e industrialização dos produtos agropecuários; 8) administração de propriedades rurais; 9) colaboração nos procedimentos de multiplicação de sementes e mudas, comuns e melhoradas, bem como em serviços de drenagem e irrigação; VII conduzir, executar e fiscalizar obra e serviço técnico, compatíveis com a respectiva formação profissional; VIII elaborar relatórios e pareceres técnicos, circunscritos ao âmbito de sua habilitação; IX executar trabalhos de mensuração e controle de qualidade; X dar assistência técnica na compra, venda e utilização de equipamentos em materiais especializados, assessorando, padronizando, mensurando e orçando; XI emitir laudos e documentos de classificação e exercer a fiscalização de produtos de origem vegetal, animal e agroindustrial; XII prestar assistência técnica na comercialização e armazenamento de produtos agropecuários; XIII administrar propriedades rurais em nível gerencial; Fl. 107DF CARF MF Impresso em 26/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/10/2012 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assinado digitalmente em 04/10/2012 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assinado digitalmente em 04/10/2012 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO Processo nº 13972.000005/200429 Acórdão n.º 1302000.973 S1C3T2 Fl. 108 8 XIV prestar assistência técnica na multiplicação de sementes e mudas, comuns e melhoradas; XV conduzir equipe de instalação, montagem e operação, reparo ou manutenção; XVI treinar e conduzir equipes de execução de serviços e obras de sua modalidade; XVII desempenhar outras atividades compatíveis com a sua formação profissional. § 1º Os técnicos em Agropecuária poderão, para efeito de financiamento de investimento e custeio pelo sistema de crédito rural ou industrial e no âmbito restrito de suas respectivas habilitações, elaborar projetos de valor não superior a 1.500 MVR. § 2º Os técnicos agrícolas do setor agroindustrial poderão responsabilizarse pela elaboração de projetos de detalhes e pela condução de equipe na execução direta de projetos agroindustriais. (grifei) O exercício da atividade profissional de técnico agrícola depende, ainda, de registro perante um dos Conselhos Regionais de Engenharia e Agronomia. As atividades desenvolvidas pela recorrente consistem na elaboração de projetos e na prestação de assistência técnica a agricultores, que fazem parte do rol de atribuições de Técnico Agrícola. Não se trata, portanto, de vedação de opção pelo Simples Federal em decorrência do exercício de atividade assemelhada a de engenheiro agrônomo. A vedação decorre do exercício de atividade técnica própria, profissão regulamentada, cujo exercício depende de formação e habilitação específica, nos termos do inc. XIII do art. 9º da Lei nº 9.317/1996. Face ao exposto, o pedido de opção retroativa pelo Simples Federal formulado pela recorrente não pode ser aceito. Assim, voto por negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado Fl. 108DF CARF MF Impresso em 26/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/10/2012 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assinado digitalmente em 04/10/2012 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assinado digitalmente em 04/10/2012 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO
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Numero do processo: 14337.000017/2008-35
Data da sessão: Thu Sep 23 00:00:00 UTC 2010
Data da publicação: Mon Oct 15 00:00:00 UTC 2012
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/04/2001 a 30/04/2002
CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. PRAZO DECADENCIAL. CINCO ANOS. SÚMULA VINCULANTE N° 08 DO STF.
O Supremo Tribunal Federal, conforme entendimento exarado na Súmula Vinculante nº 8, no julgamento proferido em 12 de junho de 2008, reconheceu a inconstitucionalidade do art. 45 da Lei n° 8.212 de 1991.
Nesse sentido, como houve recolhimento parcial de contribuições, encontram-se atingidos pela fluência do prazo decadencial, nos termos do art.150, § 4° do CTN, todos os fatos geradores apurados pela fiscalização, uma vez que só houve a constituição definitiva do crédito em 16 de outubro de 2007, enquanto o crédito é referente a contribuições previdenciárias com fatos geradores ocorridos de janeiro a dezembro de 1999.
Recurso Voluntário Provido
Numero da decisão: 2302-000.662
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros da SEGUNDA TURMA ORDINÁRIA da TERCEIRA CÂMARA da SEGUNDA SEÇÃO do CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso, reconhecendo a fluência do prazo decadencial, nos termos do voto do relator. Vencido o Conselheiro Arlindo da Costa e Silva que entendeu aplicar-se o art. 173, inciso I do CTN.
Liege Lacroix Thomasi Relatora ad hoc e Presidente Substituta na época de formalização do Acórdão.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marco André Ramos Vieira (Presidente da Turma), Liege Lacroix Thomasi, Eduardo Oliveira (Suplente), Arlindo da Costa e Silva, Rogério de Lellis Pinto (Suplente) e Thiago D'Ávila Melo Fernandes.
Matéria: Outros imposto e contrib federais adm p/ SRF - ação fiscal
Nome do relator: THIAGO D AVILA MELO FERNANDES
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/04/2001 a 30/04/2002 CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. PRAZO DECADENCIAL. CINCO ANOS. SÚMULA VINCULANTE N° 08 DO STF. O Supremo Tribunal Federal, conforme entendimento exarado na Súmula Vinculante nº 8, no julgamento proferido em 12 de junho de 2008, reconheceu a inconstitucionalidade do art. 45 da Lei n° 8.212 de 1991. Nesse sentido, como houve recolhimento parcial de contribuições, encontram-se atingidos pela fluência do prazo decadencial, nos termos do art.150, § 4° do CTN, todos os fatos geradores apurados pela fiscalização, uma vez que só houve a constituição definitiva do crédito em 16 de outubro de 2007, enquanto o crédito é referente a contribuições previdenciárias com fatos geradores ocorridos de janeiro a dezembro de 1999. Recurso Voluntário Provido
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Recorrente ESTACON ENGENHARIA S/A Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/04/2001 a 30/04/2002 CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. PRAZO DECADENCIAL. CINCO ANOS. SÚMULA VINCULANTE N° 08 DO STF. O Supremo Tribunal Federal, conforme entendimento exarado na Súmula Vinculante nº 8, no julgamento proferido em 12 de junho de 2008, reconheceu a inconstitucionalidade do art. 45 da Lei n° 8.212 de 1991. Nesse sentido, como houve recolhimento parcial de contribuições, encontramse atingidos pela fluência do prazo decadencial, nos termos do art.150, § 4° do CTN, todos os fatos geradores apurados pela fiscalização, uma vez que só houve a constituição definitiva do crédito em 16 de outubro de 2007, enquanto o crédito é referente a contribuições previdenciárias com fatos geradores ocorridos de janeiro a dezembro de 1999. Recurso Voluntário Provido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da SEGUNDA TURMA ORDINÁRIA da TERCEIRA CÂMARA da SEGUNDA SEÇÃO do CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso, reconhecendo a fluência do prazo decadencial, nos termos do voto do relator. Vencido o Conselheiro Arlindo da Costa e Silva que entendeu aplicarse o art. 173, inciso I do CTN. Liege Lacroix Thomasi – Relatora ad hoc e Presidente Substituta na época de formalização do Acórdão. AC ÓR Dà O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 14 33 7. 00 00 17 /2 00 8- 35 Fl. 1DF CARF MF Impresso em 16/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/10/2012 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 02/10/201 2 por LIEGE LACROIX THOMASI 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marco André Ramos Vieira (Presidente da Turma), Liege Lacroix Thomasi, Eduardo Oliveira (Suplente), Arlindo da Costa e Silva, Rogério de Lellis Pinto (Suplente) e Thiago D'Ávila Melo Fernandes. Relatório Tratase de Recurso Voluntário (fls. 514/546) contra o Acórdão na 01 10.768, de fls. 488/510, proferido pela 4ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Belém Pará, que indeferiu a impugnação apresentada pelo contribuinte, julgando subsistente o lançamento tributário formulado. Como demonstra o Relatório Fiscal, a Notificação Fiscal de Lançamento de Débito NFLD DEBCAD nº 37.118.7222, lançada pela fiscalização contra a recorrente, referese às contribuições devidas à Seguridade Social correspondente a parte dos segurados empregados da empresa, inclusive para o financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa, decorrente dos riscos ambientais do trabalho, incidentes sobre a remuneração dos segurados empregados na obra de construção civil matriculada no Cadastro Específico do INSS CEI n° 4351000857/78, totalizando o valor de R$ 111.145,05, consolidado em 16/10/2007, correspondente a competência de 04/2001 a 04/2002. Importante ressaltar que, a edificação supracitada foi contratada sob o regime da empreitada total, sem previsão contratual da retenção prevista na Lei 9.711/98 capaz de eliminar a solidariedade entre a Construtora, ora Recorrente, e a Empresa Brasileira de Telecomunicações S/A Embratel. Ademais, por não se enquadrar nas hipóteses de exclusão prevista no art. 184 da IN Instrução Normativa SRP na 03, de 14/07/2005, a Tomadora dos Serviços responde solidariamente com a Contratada por todos os débitos fiscais relativos à obra em debate, justificada, pois, encontrase a intimação e apresentação da defesa administrativa nos autos. O contribuinte principal, ora Recorrente, inconformada com a autuação, também apresentou defesa tempestiva conforme demonstra as fls. 447/474, acompanhada de documentação complementar. A 4ª Turma da DRJ/BEL de Belém (PA) lavrou o acórdão n.º 0110.768 de fls. 488/510, julgando o lançamento PROCEDENTE, consoante demonstra a ementa do decisório de primeira instância: "ASSUNTO: PREVIDENCIARIAS CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS Período de apuração: 01/04/2001 a 30/04/2002 NFLD N°37.118.7222. OBRIGAÇÃO PRINCIPAL. COMPENSAÇÃO. PARCELAS INTEGRANTES DO SALARIO DE CONTRIBUIÇÃO.INCONSTITUCIONALiDADE DE LEI. DILIGÊNCIA E PERÍCIA. As remunerações de empregados informadas em GFIPs constituemse em termo de confissão de dívida em caso de inadimplemento, servindo o lançamento para formalizar a exigência. Fl. 2DF CARF MF Impresso em 16/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/10/2012 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 02/10/201 2 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 14337.000017/200835 Acórdão n.º 2302000.662 S2C3T2 Fl. 748 3 A compensação é uma prerrogativa deferida ao contribuinte; no entanto, este deve observar os procedimentos fixados pela Administração Tributária a fim de fazer valer o seu direito. Não cabe a compensação de oficio, autorizada apenas em caso de verificação de débitos quando da análise de pedido de restituição, previsto no art. 205 da IN MPS/SRP nº.03/2005. Em se tratando de empreitada total, o valor retido na forma do art. 31 da lei 8.212/91, somente pode ser compensado pela matrícula CEI que sofreu a retenção, na qual foi emitida a nota fiscal de prestação de serviços, vedada a compensação entre estabelecimentos distintos. É vedado aos órgãos do Poder Executivo afastar, no âmbito administrativo, a aplicação de lei, decreto ou ato normativo, por inconstitucionalidade ou ilegalidade. O Décimo Terceiro Salário e o adicional de 1/3 de férias integra a base de cálculo das contribuições previdenciárias conforme disposto inciso I e § 70 do artigo 28 da Lei n° 8.212/91 e alterações posteriores, regulamentado pelo Decreto n" 3.048/99, art. 214, §§4° e 6°. O crédito previdenciário plenamente regular, de conformidade com o art. 37 da Lei n° 8.212/91 e alterações c/c art. 142 do CTN, inclusive constituído de provas dos fatos geradores lançados, somente será elidido mediante a apresentação de provas, pelo contribuinte, que comprove a não ocorrência desses fatos. A autoridade julgadora de primeira instância determinará, de oficio ou a requerimento do impugnante, a realização de diligências ou perícias, quando entendêIas necessárias, indeferindo as que considerar prescindíveis ou impraticáveis (art. 11° caput, da Portaria RFB Receita Federal do Brasil, n? 10.875, de 16/08/07). Será indeferido o requerimento de perícia quando esta não se mostrar útil para a solução da lide. A realização de diligência ou de perícia não se presta à produção de provas que o sujeito passivo tinha o dever de trazer à colação junto com a peça impugnatória. Lançamento Procedente” A Empresa Estacon se insurgiu contra o acórdão emitido pelo órgão administrativo por meio de Recurso Voluntário de fls. 514/546, alegando, em síntese, que: a) É devida a compensação dos débitos levantados com créditos existentes em função da retenção de 11% efetuada pelo tomador de serviço e também em decorrência de pagamentos realizados a maior, não sendo Fl. 3DF CARF MF Impresso em 16/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/10/2012 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 02/10/201 2 por LIEGE LACROIX THOMASI 4 possível a imposição de qualquer restrição a compensação de contribuições destinadas a terceiros; b) Com relação à autuação referente às parcelas referentes ao Seguro de Acidente de Trabalho SAT, aduziu que não foram considerados os recolhimentos supostamente feitos pelo contribuinte por ocasião dos depósitos judiciais feitos no período compreendido entre 10/2000 e 13/09/2002, relativo ao processo judicial n° 2000.39.00.0098043/PA; c) A Autoridade Fiscalizadora deixou de efetuar a dedução das contribuições previdenciárias retidas no percentual de 11% calculado com base no valor bruto do contrato celebrado com a Contratante, bem como pagamentos realizados a maior; d) Requereu o acatamento da preliminar de decadência do débito que embasa a presente NFLD, com base na orientação da Súmula Vinculante n° 08, do Supremo Tribunal Federal; e) Por fim, requereu o provimento do recurso voluntário ou o deferimento de realização de nova diligência fiscal, na qual afirma que provará todo o alegado. A Embratel, em seu Recurso aduziu, em resumo, a nulidade da decisão administrativa de 1° grau, frente a não apreciação da peça Impugnatória apresentada pela Empresa; a decadência das contribuições objeto do presente Lançamento Tributário; a improcedência do crédito fiscal com a posterior conversão do feito em diligência; e a ilegalidade do percentual de multa aplicada. A Autarquia Federal não apresentou contrarrazões. É o relatório. Fl. 4DF CARF MF Impresso em 16/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/10/2012 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 02/10/201 2 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 14337.000017/200835 Acórdão n.º 2302000.662 S2C3T2 Fl. 749 5 Voto Conselheira Liege Lacroix Thomasi Relatora ad hoc 1.DOS PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE Como se aduz da simples vista de fls. 513 dos autos, a Estacon foi intimada do Acórdão DRJ/BEL n° 0110768 em 18 de junho de 2008, tendo interposto Recurso no dia 08 de julho de 2008 (v. fls. 514). Sendo assim, atestada está a tempestividade do recurso interposto. Frente à tempestividade do recurso, dele tomo conhecimento atribuindolhe o efeito suspensivo da decisão de primeira instância, consoante determinação contida no art. 33 do Decreto 70.235/72, que regulamenta o Processo Administrativo Fiscal. Assim sendo, impõese a análise do presente Recurso Voluntário, com relação às questões ventiladas, senão vejamos. 2. DA QUESTÃO PRELIMINAR 2.1 DA DECADÊNCIA O Supremo Tribunal Federal, conforme entendimento exarado na Súmula Vinculante nº 8, aprovada em sessão realizada em 12 de junho de 2008, reconheceu a inconstitucionalidade dos artigos 45 e 46 da Lei n ° 8.212/91, nos termos que se vos seguem: Súmula Vinculante n° 8 "São inconstitucionais o parágrafo único do artigo 5° do Decretolei 1569/77 e os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário". Como exposto anteriormente, foi estatuído no art. 103A da Constituição Federal, que as súmulas vinculantes são de observância obrigatória tanto pelos órgãos do Poder Judiciário, quanto pela Administração Pública, .devendo este Colegiado aplicála de imediato. Art. 103A. O Supremo Tribunal Federal poderá, de ofício ou por provocação, mediante decisão de dois terços dos seus membros, após reiteradas decisões sobre matéria constitucional, aprovar súmula que, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terá efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal, bem como proceder à sua revisão ou cancelamento, na forma estabelecida em lei. Seguindo o posicionamento consolidado na Suprema Corte, o legislativo federal revogou os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/91 por meio da Lei Complementar n° 128 de 19 de dezembro de 2008. Fl. 5DF CARF MF Impresso em 16/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/10/2012 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 02/10/201 2 por LIEGE LACROIX THOMASI 6 Sendo assim, afastada por inconstitucionalidade a eficácia das normas inscritas nos artigos 45 e 46 da Lei n ° 8.212 e posteriormente revogadas as suas disposições pela LC n° 128/2008, devem ser aplicadas as regras relativas à matéria em relevo inscritas no Código Tributário Nacional CTN e nas demais leis de regência, diferentemente do que estatui o acórdão de primeira instância (n° 0614.911 fls. 124/127), lavrado pela DRFBJ de Curitiba (PR). Uma vez que as contribuições previdenciárias são tributos sujeitos a lançamento por homologação, a Doutrina e a Jurisprudência pátrias são unânimes em preceituar que se aplica a regra do art. 150, § 4° do CTN (e não a do art. 173, I do mesmo diploma) para o cômputo da decadência, qual seja, prazo de 5 anos a contar da data do fato gerador, desde que tenha ocorrido algum pagamento antecipado (ainda que parcial): Art. 150. O lançamento por homologação, que ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, operase pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa. (...) § 4° Se a lei não fixar prazo a homologação, será ele de cinco anos, a contar da ocorrência do fato gerador; expirado esse prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considerase homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação. O antigo Conselho de Contribuintes e a Câmara Superior de Recursos Fiscais possuem diversas decisões no sentido firmado neste voto. Nesse âmbito, podemos citar, a título exemplificativo, os seguintes julgamentos da CSRF: Processo 10980.010992/9945, 1ªª Câmara, j. 15.10.2002, rel. Maria Goretti de Bulhões Carvalho; e Processo10680.004198/200131, 1ª Câmara, rel. Maria Goretti de Bulhões Carvalho, j. 16.02.2004. No mesmo sentido consolidouse o posicionamento do STJ (v.g. REsp 1024092/SC, Rel. Ministro CASTRO MEIRA, SEGUNDA TURMA, julgado em 07.08.2008, DJe 04.09.2008). Traçadas essas premissas, é de bom alvitre salientar que a hipótese vertente trata de contribuições previdenciárias, tributos sujeitos a lançamento por homologação e que houve recolhimento parcial de algumas contribuições, aplicandose, portanto, a regra do art. 150, § 4° do CTN, pela qual o prazo decadencial de 5 anos deve ser computado a partir da ocorrência do fato gerador dos tributos. Sendo assim, uma vez que os créditos referentes à presente autuação restaram consolidados apenas em 16 de outubro de 2007, mas dizem respeito a contribuições destinadas à Previdência Social referentes às competências de janeiro a dezembro de 1999, impõese a decretação da decadência de todos os valores apurados, .uma vez que transcorreram mais de cinco anos da ocorrência do fato gerador dos tributos mencionados, nos termos do art. 150, § 4° do CTN. 3. CONCLUSÃO: Pelo exposto, CONHEÇO do recurso voluntário, para acolher a preliminar de decadência e DARLHE PROVIMENTO INTEGRAL, reconhecendo a caducidade de todas as Fl. 6DF CARF MF Impresso em 16/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/10/2012 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 02/10/201 2 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 14337.000017/200835 Acórdão n.º 2302000.662 S2C3T2 Fl. 750 7 contribuições previdenciárias objeto do lançamento fiscal, desconstituindo o lançamento tributário. É como voto. Liege Lacroix Thomasi Relatora – ad hoc Fl. 7DF CARF MF Impresso em 16/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/10/2012 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 02/10/201 2 por LIEGE LACROIX THOMASI
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Numero do processo: 10768.003508/2003-01
Data da sessão: Tue Apr 09 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Tue Apr 23 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2002
DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. SALDO NEGATIVO FORMADO POR RETENÇÕES NA FONTE.
As retenções na fonte configuram antecipações de pagamento e o fato de não constarem de demonstrativo apresentado pela Contribuinte em atendimento a intimação fiscal, ou de lá constarem em valor menor do que o efetivamente se deu, não justifica a sua exclusão ou a redução de seu valor para a formação do saldo negativo do período.
Numero da decisão: 1802-001.589
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em dar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator.
(assinado digitalmente)
Ester Marques Lins de Sousa- Presidente.
(assinado digitalmente)
José de Oliveira Ferraz Corrêa - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, José de Oliveira Ferraz Corrêa, Marciel Eder Costa, Nelso Kichel, Gustavo Junqueira Carneiro Leão e Marco Antonio Nunes Castilho.
Nome do relator: JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2002 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. SALDO NEGATIVO FORMADO POR RETENÇÕES NA FONTE. As retenções na fonte configuram antecipações de pagamento e o fato de não constarem de demonstrativo apresentado pela Contribuinte em atendimento a intimação fiscal, ou de lá constarem em valor menor do que o efetivamente se deu, não justifica a sua exclusão ou a redução de seu valor para a formação do saldo negativo do período.
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SALDO NEGATIVO FORMADO POR RETENÇÕES NA FONTE. As retenções na fonte configuram antecipações de pagamento e o fato de não constarem de demonstrativo apresentado pela Contribuinte em atendimento a intimação fiscal, ou de lá constarem em valor menor do que o efetivamente se deu, não justifica a sua exclusão ou a redução de seu valor para a formação do saldo negativo do período. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em dar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator. (assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa Presidente. (assinado digitalmente) José de Oliveira Ferraz Corrêa Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, José de Oliveira Ferraz Corrêa, Marciel Eder Costa, Nelso Kichel, Gustavo Junqueira Carneiro Leão e Marco Antonio Nunes Castilho. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 76 8. 00 35 08 /2 00 3- 01 Fl. 871DF CARF MF Impresso em 23/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/04/2013 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 19/04/2013 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 22/04/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10768.003508/200301 Acórdão n.º 1802001.589 S1TE02 Fl. 3 2 Relatório Tratase de recurso voluntário contra decisão da Delegacia da Receita Federal de Julgamento do Rio de Janeiro – DRJ/RJ I, que manteve a negativa de homologação em relação a declaração de compensação apresentada pela Contribuinte (fls. 1 e 2), nos mesmos termos que já havia decidido anteriormente a Delegacia de origem. Esta declaração de compensação envolve crédito correspondente a saldo negativo de IRPJ no anocalendário de 2002, no valor de R$ 113.097,29, e débitos de Cofins de janeiro/2003 e PIS de fevereiro/2003. Os fatos que deram origem ao presente processo estão assim descritos no relatório da decisão recorrida, Acórdão nº 1213.526, às fls. 703 a 705: Versa o presente processo sobre a Declaração de Compensação (DComp) de fls. 1/2. Através do Despacho Decisório — Parecer n° 001/2005 (fls. 643/648 e 651/652), não foi homologada a compensação “considerando que do valor de Imposto de Renda Retido na Fonte pleiteado pelo interessado em sua DIPJ/2003 (ano calendário 2002 — R$ 1.178.146,01 só foram comprovados e constaram das DIRF´s apresentadas pelas fontes pagadoras um total de R$ 1.052.099,67, existindo uma diferença de R$126.035,62 (conforme tabela retro) o que supera em R$12.938,33 o valor pleiteado pelo interessado como imposto a restituir/compensar (R$113.097,29)”. Foi dada ciência ao interessado em 20/04/2006 (fl. 698). O interessado apresentou, em 23/05/2006, a manifestação de inconformidade de fls. 657/662. Nesta peça, alega, em síntese, que: os valores corretos são exatamente os constantes das DIRFs de fls. 62 a 93; as DIRFs são documentos suficientes para a averiguação das competentes retenções, conforme entendimento do Conselho de Contribuintes. Encerra solicitando o reconhecimento da compensação. Como mencionado, a DRJ do Rio de Janeiro manteve a negativa em relação à compensação, expressando suas conclusões com a seguinte ementa: ASSUNTO: OUTROS TRIBUTOS OU CONTRIBUIÇÕES Anocalendário: 2002 COMPENSAÇÃO NÃO HOMOLOGADA. Fl. 872DF CARF MF Impresso em 23/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/04/2013 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 19/04/2013 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 22/04/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10768.003508/200301 Acórdão n.º 1802001.589 S1TE02 Fl. 4 3 Mantémse o Despacho Decisório proferido na forma da legislação de regência. Solicitação indeferida Os fundamentos da decisão de primeira instância administrativa estão assim apresentados: A autoridade lançadora, através do Despacho Decisório — Parecer n° 001/2005 (fls. 643/648 e 651/652), não homologou a compensação “considerando que do valor de Imposto de Renda Retido na Fonte pleiteado pelo interessado em sua DIPJ/2003 (anocalendário 2002 — R$1.178.146,01 só foram comprovados e constaram das DIRF's apresentadas pelas fontes pagadoras um total de R$1.052.099,67, existindo uma diferença de R$126.035,62 (conforme tabela retro) o que supera em R$12.938,33 o valor pleiteado pelo interessado como imposto a restituir/compensar (R$113.097,29)”. No Parecer, na tabela à fl. 647, encontramse indicados os valores pedidos, os valores concedidos e os valores indeferidos. Os valores concedidos (que foram comprovados e constaram das DIRFs) foram demonstrados nas planilhas de fls. 590/591 e 639/642, elaboradas a partir da análise dos documentos juntados aos Autos. Ao contrário do que entende o interessado, a DIRF não comprova a efetiva retenção. O entendimento da autoridade lançadora não merece reparo. Os valores que constam das DIRFs devem ser comprovados. Apenas os valores comprovados e que constaram das DIRFs podem ser aceitos. A jurisprudência não tem força vinculante. Não comprovado o direito credit6rio, não há que se falar em compensação. Inconformada com essa decisão, da qual tomou ciência em 02/05/2007 (AR às fls. 708), a Contribuinte apresentou em 01/06/2007 o recurso voluntário de fls. 709 a 717, com os argumentos mencionados abaixo: DA NULIDADE DA DECISÃO é imperioso destacar a nulidade da decisão de primeira instância em virtude da D. Autoridade Julgadora jamais ter efetuado a diligência necessária à verificação das diferenças entre a DIRF da Recorrente e as DIRFs das fontes retentoras, já que, conforme se verifica nos autos, apenas confrontou as referidas declarações sem jamais ter intimado as fontes a prestarem esclarecimentos; a D. Autoridade Julgadora efetuou um exame superficial dos fatos, confrontando genericamente as declarações entregues, concluindo pela ausência de crédito suficiente, sem diligenciar de maneira pormenorizada sobre a efetiva ocorrência das retenções informadas pela Recorrente; Fl. 873DF CARF MF Impresso em 23/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/04/2013 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 19/04/2013 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 22/04/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10768.003508/200301 Acórdão n.º 1802001.589 S1TE02 Fl. 5 4 deixando de intimar as fontes pagadoras a confirmar as informações apresentadas pela Recorrente em sua DIRF, a D. Autoridade Administrativa está agindo em clara afronta ao princípio da verdade material que norteia o processo administrativo; DO MÉRITO a Recorrente verificou terem sido trazidas aos autos todas as retenções na fonte sofridas (fls. 62 a 93), ou seja, independentemente das informações constantes dos documentos apresentados quando do atendimento das intimações recebidas, a D. Autoridade Administrativa tinha total conhecimento de todas as retenções ocorridas, não havendo que se falar em ausência de crédito suficiente à pretensão em questão; conforme se pode depreender da decisão anteriormente recorrida, a D. Autoridade Administrativa reconheceu a retenção na fonte dos seguintes valores: Código de Valor Recolhimento Reconhecido 1708 70.631,24 3426 0 5706 726.172,58 8045 38.194,73 a planilha anexa (Doc. 03), por sua vez, demonstra que os valores corretos para o pleito de compensação são exatamente aqueles constantes das Declarações de Imposto de Renda Retido na Fonte DIRFs de fls. 62 a 93: Código de Valores Recolhimento Corretos 1708 91.305,24 3426 81.754,71 5706 747.565,17 8045 47.298,57 verificase haver uma diferença de R$ 132.925,14 entre os valores comprovadamente retidos na fonte e aqueles deferidos pela D. Autoridade Administrativa; tendo em vista não haver qualquer motivo para o não reconhecimento dos valores lançados nas DIRFs, documentação hábil e idônea para comprovar os valores efetivamente retidos e recolhidos — inclusive, a sua não contestação comprova que a retenção e o recolhimento foram devidamente efetuados —, pleiteia a Recorrente que os montantes constantes das DIRFs em questão sejam definitivamente reconhecidos como crédito que suporta a compensação pretendida, homologandose em definitivo as compensações efetuadas; Fl. 874DF CARF MF Impresso em 23/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/04/2013 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 19/04/2013 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 22/04/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10768.003508/200301 Acórdão n.º 1802001.589 S1TE02 Fl. 6 5 conforme entendimento exarado pelo Conselho de Contribuintes, as DIRFs são documentos suficientes para a averiguação das competentes retenções (transcrita a ementa do Acórdão 10707829); a Recorrente postula o conhecimento do presente recurso, para que seja reformada a decisão proferida, decretandose a sua nulidade e/ou reconhecendose o direito da Recorrente de efetuar a compensação pretendida diante da comprovação da existência de crédito suficiente para tanto, conforme as DIRFs anexadas aos autos. Este é o Relatório. Fl. 875DF CARF MF Impresso em 23/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/04/2013 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 19/04/2013 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 22/04/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10768.003508/200301 Acórdão n.º 1802001.589 S1TE02 Fl. 7 6 Voto Conselheiro José de Oliveira Ferraz Corrêa, Relator. O recurso é tempestivo e dotado dos pressupostos para a sua admissibilidade. Portanto, dele tomo conhecimento. Conforme relatado, a Contribuinte questiona a não homologação de declaração de compensação por ela apresentada, em que utiliza crédito correspondente a saldo negativo de IRPJ no anocalendário de 2002 para quitar débitos de PIS e COFINS do início do ano seguinte. Em 2002, a Contribuinte apurou saldo negativo de imposto de renda em sua DIPJ no valor de R$ 113.091,48 (fls. 58), e reivindicou em sua declaração de compensação R$ 113.097,29 a esse mesmo título (fl. 1). A formação do saldo negativo do período abrangeu várias rubricas, mas a controvérsia se deu sobre o valor das retenções na fonte utilizadas como dedução do imposto: IR fonte utilizado em abril/2002 184.056,95 IR fonte utilizado em dezembro/2002 880.997,58 IR fonte utilizado no ajuste 113.091,48 Total 1.178.146,01 O relatório das DIRF/2002 (fls. 62 a 93) indicava a ocorrência de retenções nos seguintes códigos e valores: Código de Valores Recolhimento em DIRF 1708 91.305,24 3426 81.754,71 5706 747.565,17 8045 47.298,57 Total 967.923,69 Diante da divergência entre o montante deduzido pela Contribuinte a título de IR fonte e os valores informados em DIRF, a unidade de origem intimou a Contribuinte a: 1 Apresentar cópias autenticadas do Livro Razão Analítico (ou outros mais que julgar cabíveis) demonstrando todos os lançamentos e as operações efetuadas (estornos e compensação inclusive) envolvidas no presente processo (em especial, no que diz respeito à formação do saldo negativo do 1RPJ de 2002); Fl. 876DF CARF MF Impresso em 23/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/04/2013 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 19/04/2013 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 22/04/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10768.003508/200301 Acórdão n.º 1802001.589 S1TE02 Fl. 8 7 2 Quadro demonstrativo contendo todos os valores compensáveis de Imposto de Renda Retido na Fonte (IRRF) de que o interessado tenha sido beneficiário no anocalendário de 2002; 3 Cópias dos comprovantes de retenção de Imposto de Renda na Fonte que corroborem os valores apresentados no quadro demonstrativo citado no item 2; 4 Comprovação do recolhimento de imposto no exterior sobre lucros, rendimentos e ganhos de capital, no valor de R$ 465.418,63, no mês de dezembro de 2002, com explicação detalhada sobre a fonte pagadora dos rendimentos, o pais de origem, o tipo de imposto pago e a conversão de moeda. O sítio eletrônico da Receita Federal apresenta a seguinte descrição para os códigos de recolhimento acima mencionados: 1708 IRRF REMUNERAÇÃO SERVIÇOS PRESTADOS POR PESSOA JURÍDICA 3426 IRRF APLICAÇÕES FINANCEIRAS DE RENDA FIXA PESSOA JURÍDICA 5706 IRRF JUROS SOBRE O CAPITAL PRÓPRIO 8045 IRRF OUTROS RENDIMENTOS Em resposta à intimação fiscal, a Contribuinte apresentou esclarecimentos e uma grande quantidade de documentos, e também apresentou o Demonstrativo de fls. 148 e 149, discriminando retenções cujo somatório resultava nos seguintes montantes: IRRF assessoria técnica 177.749,83 IRRF juros s/ capital próprio (JCP) 808.024,10 IRRF comissões 194.033,80 Total 1.179.807,73 A Contribuinte informou que o IRRF sobre as receitas de comissões e corretagens decorrentes da colocação e negociação de títulos e valores mobiliários deve ser recolhido pela instituição prestadora dos serviços (ou seja, por ela mesma); que realizou diversas operações de colocação e negociação de títulos no anobase de 2002, nas quais foi a responsável pelo recolhimento do IRRF; e que para fins de comprovação, encaminhava as cópias das guias de recolhimento do IRRF destas operações (DARFs com código 8045). Informou também, em relação aos juros sobre o capital próprio JCP, que adotava o procedimento de reconhecer o IRRF apenas no momento do pagamento dos juros, não obstante a receita ser contabilizada quando da deliberação do pagamento; que em função disso, diversos valores contabilizados em 2002 decorreram de JCP deliberados em 2001, os quais devem ter sido informados pela fonte pagadora na DIRF do anobase de 2001; que estava apresentando quadro demonstrativo com o IRRF relativo aos JCP deliberados em 2001 e que foram pagos em 2002; que em 31/12/2002, alterou o procedimento para reconhecer o IRRF quando da deliberação dos JCP, e que, portanto, naquela data registrou contabilmente todos os valores de IRRF que já haviam sido deliberados, mas ainda não haviam sido pagos. A Contribuinte ainda registrou que os comprovantes de IRRF sobre os JCP são preparados e fornecidos pela instituições financeiras custodiantes das ações; que não Fl. 877DF CARF MF Impresso em 23/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/04/2013 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 19/04/2013 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 22/04/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10768.003508/200301 Acórdão n.º 1802001.589 S1TE02 Fl. 9 8 recebeu todos os informes de rendimentos e que os Bancos estavam em greve, não sendo possível a obtenção da 2ª via destes comprovantes; que apresentava como comprovante de retenção, para os casos em que não tinha o informe de rendimentos, o relatório enviado pela Companhia Brasileira de Liquidação e Custódia – CBLC; e que na cópia do Razão também apresentado em atendimento à intimação, ela incluiu a data em que os valores de IRRF constam no relatório da CBLC. A análise das informações prestadas e da documentação apresentada resultou no Demonstrativo de fls. 639 a 642 e no Parecer nº 001/2005 da DEINF/RJO, às fls. 643 a 648, que reconheceu os seguintes valores a título de retenção na fonte para o anocalendário de 2002: Código de Valores Recolhimento reconhecidos 1708 70.631,24 3426 5706 726.172,58 8045 38.194,73 8045 * 217.101,12 Total 1.052.099,67 * O valor de R$ 217.101,12 corresponde aos DARF recolhidos pela própria Recorrente, conforme demonstrativo de fls 590/591. Como a Contribuinte havia deduzido na DIPJ o valor de R$ 1.178.146,01 a título de IR fonte, e só foram reconhecidos R$ 1.052.099,67, restou prejudicado o saldo negativo do período, eis que a diferença não reconhecida (R$ 126.046,34) superou o valor do saldo negativo reivindicado (R$ 113.097,29). Os valores admitidos para os códigos 1708, 3426 e 5706 foram inferiores àqueles que constavam do relatório das DIRF/2002, mas houve um reconhecimento adicional para o código 8045, em razão dos DARF recolhidos pela própria Contribuinte. Por esta razão, o montante do valor aceito pela Delegacia de origem (R$ 1.052.099,67) ficou superior ao valor que constava das DIRF/2002 (R$ 967.923,69). O Demonstrativo de fls. 639 a 642 discrimina por código de recolhimento e por fonte pagadora os seguintes dados: valores indicados no Demonstrativo de fls. 148/149 (apresentado pela Contribuinte); valores constantes da DIRF/2002; valores constantes da DIRF/2001; valores constantes dos comprovantes de rendimentos de 2001; valores constantes dos comprovantes de rendimentos de 2002; folhas dos autos em que foram juntados estes comprovantes de rendimentos; e valores aceitos. É preciso fazer várias considerações sobre o procedimento realizado pela Delegacia de origem. Em primeiro lugar, a controvérsia envolvendo o valor das retenções não decorre de “diferenças entre a DIRF da Recorrente e as DIRFs das fontes retentoras”. Fl. 878DF CARF MF Impresso em 23/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/04/2013 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 19/04/2013 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 22/04/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10768.003508/200301 Acórdão n.º 1802001.589 S1TE02 Fl. 10 9 Aliás, o relatório de retenções, às fls. 62 a 93, cujos valores são defendidos pela Recorrente, não é nada mais que uma síntese das informações extraídas das DIRF das próprias fontes pagadoras, que foram selecionadas e agrupadas em função do beneficiário dos pagamentos (no caso, a Recorrente). A Recorrente alega que a autoridade fiscal deveria ter intimado as fontes pagadoras a prestar esclarecimentos sobre as tais diferenças, mas como restará caracterizado adiante não é esse o problema. Isso já basta para rejeitar a preliminar de nulidade suscitada no recurso. Mas a negativa do direito creditório pela Delegacia de origem também não está fundada na falta de comprovação, pela interessada, dos valores informados em DIRF pelas fontes pagadoras. O Demonstrativo de fls. 639 a 642, relativamente ao código 5706, evidencia os critérios utilizados na aceitação ou não dos valores a título de retenção de IR. A unidade de origem: reconheceu valores que estavam apenas em DIRF, sem a apresentação do comprovante anual de rendimentos (é o caso das fontes: Telemar Norte Leste, Embraer, CBLC, Duratex, Tele Ceará e Tractebel); reconheceu valores constantes da DIRF do ano anterior – 2001 (é o caso das fontes: Perdigão, Tele Celular Sul, Telesp, Celular CRT, Cemig, Coteminas, Gerdau S/A, Tele Ceará, Tractebel); reconheceu crédito quando o Demonstrativo da Contribuinte apresentava valor maior que o informado em DIRF, levando em conta os comprovantes apresentados pela Contribuinte (é o caso da fonte Centrais Elét. Bras.). Foram, portanto, admitidos valores das DIRF/2002 e DIRF/2001, e também valores que embora não constassem em DIRF, estavam amparados por comprovantes anuais de rendimentos apresentados pela Contribuinte. Mas o que é importante destacar é que a unidade de origem limitou o reconhecimento do crédito ao valor que a Contribuinte discriminou no Demonstrativo de fls. 148/149 relativamente a cada fonte pagadora. O caso da retenção feita pela Telemar Centro Oeste Cel. no código 5706 é ilustrativo: tanto a DIRF/2002, quanto o comprovante anual de rendimentos (fls. 484 renumerada), indicavam retenção no valor de R$ 15.294,75, mas o “valor aceito” foi apenas de R$ 15.105,72, que é o constante do Demonstrativo de fls. 148/149. Há várias outras situações semelhantes para o código 5706, em que o reconhecimento do crédito ficou limitado ao valor constante do Demonstrativo apresentado pela Contribuinte (é o caso das fontes: Tele Celular Sul, Telesp, Sadia S/A, CST, Telemar Norte Leste, Petrobrás, Gerdau S/A, Bradesco, CBLC, Metalúrgica Gerdau, Tele Ceará, IR Tesouraria Pactual Asset Man). Fl. 879DF CARF MF Impresso em 23/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/04/2013 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 19/04/2013 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 22/04/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10768.003508/200301 Acórdão n.º 1802001.589 S1TE02 Fl. 11 10 No início do Parecer nº 001/2005 (fls. 643 a 648), a unidade de origem, após mencionar o novo regramento para a compensação de tributos, instituído pela Lei 10.637/2002 e pelas IN SRF 210/2002 e IN SRF 323/2003, fez o registro do critério que adotaria mais adiante para o reconhecimento do crédito: De acordo com estes diplomas normativos somente passou a ser apreciado o direito creditório do interessado, relativamente ao valor utilizado para levar a efeito a compensação declarada, havendo, em decorrência da análise do direito ao crédito, a proposta de homologação ou não da compensação. Assim, mesmo levando em conta as DIRF de 2002 e 2001, os comprovantes anuais de rendimentos e ainda os DARF recolhidos pela própria Contribuinte com o código 8045, o valor das retenções admitidas não alcançou R$ 1.178.146,01 (IRRF deduzido na DIPJ), porque a unidade de origem limitou o reconhecimento das retenções aos valores que constavam do Demonstrativo de fls. 148/149, relativamente a cada uma das fontes pagadoras lá indicadas pela Contribuinte. Realmente, tanto a apreciação quanto os efeitos de uma declaração de compensação devem ficar adstritos ao direito creditório nela reivindicado. No curso do processo administrativo, em regra, não são admitidas mudanças que impliquem em inovação do pedido inicial quanto a natureza do crédito, período de sua apuração, aumento de seu valor, etc. Mas também é preciso deixar claro que estamos tratando aqui de declaração de compensação em que o crédito utilizado corresponde a saldo negativo de IRPJ no ano calendário em 2002, no valor de R$ 113.097,29. Não estamos tratando de compensação de IR fonte, e todos os aspectos das retenções, inclusive aquelas listadas pela Contribuinte em seu Demonstrativo de fls. 148/149, devem ser examinados no sentido de verificar em que medida elas contribuem para a formação do saldo negativo em questão. As retenções na fonte configuram antecipações de pagamento e o fato de não constarem do demonstrativo apresentado pela Contribuinte em atendimento a intimação fiscal, ou de lá contarem em valor menor do que o efetivamente se deu, não justifica a sua exclusão ou a redução de seu valor para a formação do saldo negativo do período. Quanto às retenções no código 5706, o quadro abaixo evidencia o montante das glosas em razão do critério de limitar o reconhecimento do crédito aos valores constantes do referido Demonstrativo que foi apresentado pela Contribuinte: Fonte Pagadora Valor das Crédito reconhecido, Diferença que Retenções limitado ao valor do poderia ainda ser DIRF / Comprovante Demonstrativo reconhecida de rendimentos de fls. 148/149 Tele Celular Sul 3.882,67 3.036,41 846,26 Tele Centro Oeste Cel. 21.294,77 15.105,72 6.189,05 Fl. 880DF CARF MF Impresso em 23/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/04/2013 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 19/04/2013 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 22/04/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10768.003508/200301 Acórdão n.º 1802001.589 S1TE02 Fl. 12 11 Telesp 51.329,86 33.698,63 17.631,23 Sadia S/A 19.665,95 17.217,34 2.448,61 CST 22.716,08 10.568,69 12.147,39 Telemar Norte Leste 13.720,75 13.567,12 153,63 Petrobrás 27.420,30 17.939,96 9.480,34 Gerdau S/A 105.441,71 1.536,48 103.905,23 Bradesco 14.362,05 3.233,07 11.128,98 CBLC 9.000,00 3.000,00 6.000,00 Metalúrgica Gerdau 55.691,40 55.691,40 Tele Ceará 3.752,67 3.608,06 144,61 IR Tesouraria (Pactual Asset Man) 51.000,00 51.000,00 276.766,73 Há uma situação semelhante para o código 1708, em que a retenção de R$ 23.799,47, realizada por “IR Tesouraria Pactual Asset Man”, ficou limitada ao valor de R$ 360,00. O mesmo pode ser dito em relação às retenções em 2002, com o código 3426, no valor de R$ 81.754,71, que embora estivessem constando das DIRF das fontes pagadoras, também não foram computadas porque não estavam discriminadas no referido Demonstrativo de fls. 148/149. Não há base, portanto, para a glosa das retenções, que ensejou a reversão total do saldo negativo reivindicado pela Contribuinte. As diferenças apontadas acima, somadas às retenções já reconhecidas pela Delegacia de origem, são mais que suficientes para o restabelecimento do saldo negativo em 2002, no valor de R$ 113.097,29, este sim um montante limitador do crédito a ser reconhecido, porque é o que foi reivindicado pela Contribuinte em sua declaração de compensação. Deste modo, voto no sentido de rejeitar a preliminar de nulidade, e, no mérito, dou provimento ao recurso voluntário para reconhecer o saldo negativo no valor de R$ 113.097,29, e também para homologar a compensação objeto destes autos, no limite do crédito reconhecido. (assinado digitalmente) José de Oliveira Ferraz Corrêa Fl. 881DF CARF MF Impresso em 23/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/04/2013 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 19/04/2013 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 22/04/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10768.003508/200301 Acórdão n.º 1802001.589 S1TE02 Fl. 13 12 Fl. 882DF CARF MF Impresso em 23/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/04/2013 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 19/04/2013 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 22/04/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA
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Numero do processo: 13706.000005/2004-79
Data da sessão: Tue May 27 00:00:00 UTC 2008
Data da publicação: Tue May 27 00:00:00 UTC 2008
Ementa: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 1994 -
Ementa: DESLIGAMENTO VOLUNTÁRIO — PDV - DECADÊNCIA AFASTADA. O início da contagem do prazo de decadência para pleitear a restituição dos valores recolhidos a título de imposto de renda sobre os montantes pagos como incentivo pela adesão a Programas de Desligamento Voluntário - PDV, começa a fluir a partir da data em que o contribuinte viu reconhecido, pela administração tributária, o direito de pleitear a restituição. No momento em que a Secretaria da Receita Federal editou a Instrução Normativa SRF n° 165, de 31/12/1998, que foi publicada no Diário Oficial da União que circulou no dia 06/01/1999, são tempestivos os pedidos protocolizados até 06/01/2004.
Recurso especial negado.
Numero da decisão: CSRF/04-00.894
Decisão: ACORDAM os Membros da Quarta Turma da Câmara Superior de
Recursos Fiscais, por maioria de votos, NEGAR provimento ao recurso especial e determinar o retomo dos autos à DRF de origem para apreciar as demais questões relacionados ao pleito,
nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. Vencidas as Conselheiras Maria Helena Cotta Cardozo e Ana Maria Ribeiro dos Reis que deram provimento ao recurso
Matéria: IRPF- restituição - rendim.isentos/não tributaveis(ex.:PDV)
Nome do relator: Moisés Giacomelli Nunes da Silva
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I MINISTÉRIO DA FAZENDAet"; `'Sf.W4 CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS QUARTA TURMA Processo n° 13706.000005/2004-79 Recurso n° 104-149873 Especial do Procurador Matéria PDV Acórdão n° 04-00.894 Sessão de 27 de maio de 2008 Recorrente FAZENDA NACIONAL Interessado MÁRCIO VIEIRA MUN1Z Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF -Exercício: 1994 Ementa: DESLIGAMENTO VOLUNTÁRIO — PDV - DECADÊNCIA AFASTADA. O início da contagem do prazo de decadência para pleitear a restituição dos valores recolhidos a título de imposto de renda sobre os montantes pagos corno incentivo pela adesão a Programas de Desligamento Voluntário - PDV, começa a fluir a partir da data em que o contribuinte viu reconhecido, pela administração tributária, o direito de pleitear a restituição. No momento em que a Secretaria da Receita Federal editou a Instrução Normativa SRF n° 165, de 31/12/1998, que foi publicada no Diário Oficial da União que circulou no dia 06/01/1999, são tempestivos os pedidos protocolizados até 06/01/2004. Recurso especial negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos de recurso. ACORDAM os Membros da Quarta Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, por maioria de votos, NEGAR provimento ao recurso especial e determinar o retomo dos autos à DRF de origem para apreciar as demais questões relacionados ao pleito, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. Vencidas as Conselheiras Maria Helena Cott. Cardozo e Ana Maria Ribeiro dos Reis que deram provimento ao recurso. ANTONI • P ./• • Presidente á 1111~ MOISES GIA • • EL to ES DA SILVA Relator Processo n° 13706.000005/2004-79 CSRF1T04 Acórdão n.° 04-00.894 Fls. 2 FORMALIZADO EM: 20 MAR 2009 Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Ivete Malaquias Pessoa Monteiro, Maria Helena Cotta Cardozo, Gustavo Lian Haddad, Ana Maria Ribeiro dos Reis, Gonçalo Bonet Allage e Alexandre Andrade Lima da Fonte Filho. Relatório Trata-se de processo que tem por objeto pedido de restituição de valor de Imposto de Renda Retido na Fonte, correspondente ao exercício de 1994, sobre verbas trabalhistas pagas em face de implantação de Programa de Demissão Voluntária - PDV. O pedido de restituição foi protocoliz. ado em 05 de janeiro de 2004, sendo a decisão recorrida, por maioria de votos, afastou a decadência e determinou o retomo dos autos à origem para exame do mérito. Intimada da decisão, a Fazenda Nacional ingressou com recurso especial sustentando que a interpretação correta em relação ao inciso I do artigo 168 do CTN, é no sentido de que o prazo decadencial para requerer a restituição é de cinco anos, contados da data do pagamento indevido. Admitido o recurso, o contribuinte foi intimado, mas não apresentou contra razões, sendo a matéria objeto de recurso foi encaminhada para análise nesta Câmara Superior de Recursos Fiscais. É o relatório. Voto Conselheiro MOISÉS GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Relator O recurso preenche os requisitos de admissibilidade, razão pela qual dele tomo conhecimento e passo ao exame do mérito. O recurso preenche os requisitos de admissibilidade, razão pela qual dele tomo conhecimento e passo ao exame do mérito. Partindo do conceito legal de tributo, de que trata o artigo 3° do CTN, como sendo "toda a prestação de natureza pecuniária compulsória, em moeda ou cujo valor nela se possa exprimir, que não constitua sanção de ato ilícito, instituída em lei e cobrada mediante atividade administrativa plenamente vinculada", tem-se que editada norma pela Administração exigindo tributo cabe ao particular, independentemente de sua vontade ou concordância, satisfazer a exigência tributária. - Mesmo nas hipóteses em que a norma que exige o tributo esteja em desconformidade com o texto constitucional cabe ao sujeito passivo a obrigação de satisfazer o pagamento, pois os atos editados pelo poder público, até decisão em contrário, gozam d presunção de legalidade. 2 Processo n° 13706.000005/2004-79 CSRF/T04 Acórdão n.° 04-00.894 Fls. 3 Nesta linha, mesmo diante das hipóteses de exigência indevida de tributo cabe ao sujeito passivo efetuar o pagamento até que se verifique uma das seguintes hipóteses: a) Decisão do Supremo Tribunal Federal, em controle concentrado de constitucionalidade, declarando a inconstitucionalidade da norma que instituiu o tributo; b) Resolução do Senado Federal editada nos termos do artigo 52, X, da CF, suspendendo a execução, no todo ou em parte, da norma declarada inconstitucional por decisão definitiva do Supremo Tribunal Federal e c) A Administração Pública, através de ato competente, reconhece que o tributo cobrado é indevido. No caso do PDV, a SRF editou a Insti-ução Normativa 165/98, datada de 31 de dezembro de 1998, e publicada no D.O.0 em 06/01/99, reconhecendo a não incidência de imposto de renda sobre as parcelas pagas por adesão a Programa de Demissão Voluntária. Publicada a instrução normativa nasceu em favor do contribuinte o direito subjetivo de se dirigir à Administração para requerer a restituição do valor pago indevidamente. Neste sentido destaco o seguinte precedente da Câmara Superior de Recursos Fiscais: IRRF — RESTITUIÇÃO DE TRIBUTO PAGO (RETIDO) INDEVIDAMENTE — PRAZO — DECADÊNCIA —INOCORRÊNCIA — PARECER COSIT N° 4/99 — O imposto de renda retido na fonte é tributo sujeito ao lançamento por homologação, que ocorre quando o contribuinte, nos termos do capuz' do artigo 150 do CTIV, por delegação da legislação fiscal, promove aquela atividade da autoridade administrativa de lançamento (art. 142 do CTN). Assim, o contribuinte, por delegação legal, irá verificar a ocorrência do fato gerador, determinar a matéria tributável, identificar o sujeito passivo, calcular o tributo devido e, sendo o caso, aplicar a penalidade cabível. Além do lançamento, para consumação daquela hipótese prevista no artigo 150 do CTN, é necessário o recolhimento do débito pelo contribuinte sem prévio exame das autoridades administrativas. Havendo o lançamento e pagamento antecipado pelo contribuinte, ato homologatório este que consuma a extinção do crédito tributário (art. 156, VII, do CTN). Não ocorrendo a homologação expressa, o crédito se extingue com o decurso do prazo de 5 (cinco) anos da ocorrência do fato gerador (art. 150, ,¢ 4°, do CTN), a chamada homologação tácita. Ademais, o Parecer COSIT n° 4/99 concede o prazo 'de 5 anos para restituição do tributo pago indevidamente contado a partir do ato administrativo que reconhece, no âmbito administrativo fiscal, o indébito tributário, in casu, a Instrução Normativa n° 165 de 31.12.98. O contribuinte, portanto, segundo o Parecer, poderá requerer a restituição do indébito do imposto de renda incidente sobre verbas percebidas por adesão à PDV até dezembro de 2003, razão pela qual não há que se falar em decurso do prazo no requerimento do Recorrente feita em 1999. A Câmara Superior de Recursos Fiscais decidiu, em questão semelhante, que 'em caso de conflito quanto à inconstitucionalidade da exação tributária, o termo inicial para contagem do prazo decadencial do direito de pleitear a restituição de tributo pago indevidamente inicia- se: a) da publicação do acórdão proferido pelo Supremo Tribunal Federal em ADIN; b) da Resolução do Senado que confere efeito erga 3 ' Processo n° 13706.000005/2004-79 CSRF/T04 Acórdão n.° 04-00.894 Fls. 4 omnes à decisão proferida inter partes em processo que reconhece a inconstitucionalidade de tributo; c) da publicação de ato administrativo que reconhece caráter indevido de exação tributário.' (Acórdão CSRF/01-03.239). Ao efetuar retenções na fonte e incluir as parcelas do PDV na base de cálculo anual do tributo, tanto a fonte pagadora quanto o sujeito passivo agiram sob a presunção de ser legítima a exação. Mais, seguiram orientações expressas da administração tributária, sob pena de serem autuados. Entretanto, reconhecido pelo Superior Tribunal de Justiça e, posteriormente, por ato da administração pública, que as parcelas recebidas como incentivo ao desligamento voluntário estão fora do campo de incidência do imposto de renda, surge para o contribuinte o direito ao não recolhimento do tributo, como também a repetição aos valores recolhidos indevidamente. No meu sentir, desta forma, se homenageiam princípios basilares do direito como o da moralidade, isonomia, boa fé, lealdade, vedação do enriquecimento sem causa e o da segurança jurídica. Do contrário, estar-se-ia disseminando a desconfiança na lei e na Administração Tributária que orientou o contribuinte e a fonte pagadora ao cumprimento de exigência tributária desprovida de fundamento legal para tanto. Por outro lado, o lançamento é ato administrativo vinculado à lei. Nesta, encontram-se todos os elementos que compõem a obrigação tributária. O controle da legalidade, a ser efetuado pela própria Administração ou pelo Poder Judiciário, é imperativo de ordem pública. Constatada a ilegalidade da cobrança do tributo, a Administração tem o poder/dever de anular o lançamento e restituir o pagamento indevido. Em síntese, no momento em que a Secretaria da Receita Federal editou a Instrução Normativa SRF n° 165, de 31/12/98 (DOU de 06/01/99) tem-se que os pedidos protocolizados até 06/01/2004 são tempestivos, pois a decadência somente se efetivou em 07 de janeiro de 2004. Em relação às situações em que a Fazenda Nacional fundamenta seu recurso com base em argumentos de que a Lei Complementar n° 105, de 2005, se constitui em norma interpretativa do artigo 168, I, do CTN, fixando entendimento de que o prazo para pedir a restituição de pagamento indevido é de cinco anos contados da data do pagamento, há que se ter por norte que por força do disposto no art. 105, III, a, da Constituição Federal, compete ao Superior Tribunal de Justiça, em última instância, unificar a interpretação atribuída à lei. Nesta linha, no caso da decadência relativa a tributos sujeitos a lançamento por homologação, depois de inúmeras oscilações, a 1' Seção do STJ, no julgamento do EREsp 435.835/SC, relator para o acórdão Min. JOSE DELGADO, sessão de 24.03.2004, consagrou o entendimento segundo o qual o prazo prescricional para pleitear a restituição de tributos sujeitos a lançamento por homologação é de cinco anos, contados da data da homologação do lançamento, que, se for tácita, ocorre após cinco anos da realização do fato gerador - sendo irrelevante, para fins de cômputo do prazo prescricional, a causa do débito. Após a uniformização do entendimento acima referido, conhecido como a tese dos 5 + 5, em 2005 foi aprovada a Lei Complementar n° 118, de 2005, cujo artigo 3° determina "para efeito de interpretação" do art. 168, I, do CTN, que a extinção do crédito tributário como termo a quo do prazo de cinco anos para repetição ou compensação de tributos sujeitos a lançamento por homologação pagos indevidamente seja considerada ocorrida no momento do pagamento antecipado de que trata o § 1° do art. 150. O art. 4° da Lei Complementar n° 118, de 2005, por sua vez, estabelece que seja "observado, quanto ao art. 3°, o disposto no art. 106 -A/ 4 Processo n° 13706.000005/2004-79 CSRF/T04 • Acórdão n.° 04-00.894 Fls. 5 inciso I, da Lei n° 5.172, de 25 de outubro de 1966", ou seja, a determinação de aplicação retroativa das leis interpretativas. Temos, pois, conforme observa o Dr. Leandro Paulsen l , com as considerações abaixo transcritas, uma lei que se pretende interpretativa. "Mas cabe ao aplicador do Direito verificar se realmente é disso que se cuida e se, portanto, existe a possibilidade de aplicação ao caso do art. 106, 1, do CTN, sem violação a normas constitucionais. O STF, aliás, já afirmou outrora: "Mesmo as leis interpretativas expõem-se ao exame e à interpretação dos juízes e tribunais. Não se revelam, assim, espécies normativas imunes ao controle jurisdicionaL..". 2 O controle da constitucionalidade de tal lei é viável, como de qualquer outra, em face da supremacia da Constituição. Importa, também, desde já, bem definir o que se pode considerar como lei interpretativa, afastando a idéia de que haja qualquer margem de liberdade para o que legislador assim qualifique novo dispositivo legal. Aliás, a própria idéia de lei interpretativa é controversa, conforme já ensinava CARLOS MAXIMILIANO em sua clássica obra Hermenêutica e Aplicação do Direito, publicada pela primeira vez em 1924: "... não há propriamente interpretação autêntica; se o Poder Legislativo . declara o sentido e alcance de um texto, o seu ato, embora reprodutivo e explicativo de outro anterior, é uma verdadeira norma jurídica, e só por isso tem força obrigatória... ".3 Admitindo-se que haja leis passíveis de serem consideradas como meramente interpretativas, enquadráveis na previsão do art. 106, I, do CTIV, impende que se observem determinados critérios e requisitos na análise daquelas que assim se pretendam. a) em primeiro lugar, cada lei, mesmo as que expressamente se dizem interpretativas, constituem leis novas e, portanto, como tal devem ser consideradas. b) lei interpretativa é a que não inova no ordenamento jurídico no sentido de dar ensejo ao surgimento de novas normas aplicáveis aos casos concretos. A lei meramente interpretativa apenas torna expressas normas jurídicas já reconhecidas e aplicadas com suporte em textos legais vigentes quando do seu advento. c) é do STJ a competência para estabelecer, em última instância, a interpretação da lei federal, de modo ,que, no âmbito federal, lei interpretativa é aquela que consagra interpretação da lei anterior de modo coincidente com a interpretação que lhe dava o Judiciário, particularmente o STJ. I LC 118/05 - REDUÇÃO DO PRAZO PARA RESTITUIÇÃO E COMPENSAÇÃO DE INDÉBITOS TRIBUTÁRIOS - Leandro Paulsen (Publicada no Jornal Síntese n° 97 - MARÇO/2005, pág. 9 e no CD Júris Síntese 10B n° 66, julho- agosto/2007. 2 STF, ADIn 605-3/DF, liminar, Rel. Min. Celso de Mello, out. 1991. 3 Forense, 11. ed., 1990, p. 91/92. A?) 5 Processo n° 13706.000005/2004-79 CSRF/T04 • Acórdão n.° 04-00.894 Fls. 6 De fato, "... ainda que o C7'N admita aplicação retroativa da norma meramente interpretativa (art. 106, I), isso somente é possível quando inexistente outra interpretação ".4 Observados tais pressupostos, tem-se que, se as leis interpretativas meramente esclarecerem o sentido de outra anterior, não estarão inovando na ordem jurídica, de maneira que, mesmo que seu texto preveja aplicação retroativa à data da lei interpretada e tal encontre guarida no art. 106, I, do CT1V, nenhuma influência maior terão senão de esclarecimento para os agentes públicos e contribuintes. Essa retroatividade será meramente aparente, vigente que estava a lei interpretada, da qual se já se extraía a mesma norma. Implicando, porém, o surgimento de ' norma distinta, antes não vislumbrada como aplicável pelo ST.T na sua função de interpretação da legislação vigente, não se caracterizará como meramente interpretativa, ainda que assim se declare. Aliás, havendo qualquer agravamento na situação do contribuinte, será considerada ofensiva ao sobreprincípio da segurança jurídica e, em particular, ao princípio da irretroatividade das leis, merecendo atenção, ainda, as regras de anterioridade de exercício e nonagésimal mínima ou de anterioridade especial. Colocado o tema, vejamos. Em face da LC 118/05, considera-se extinto o crédito tributário no momento do pagamento antecipado para o fim de contagem do prazo de repetição ou compensação nos casos de tributos sujeitos a lançamento por homologação. O prazo, pois, no regime da LC 118/05, é de 5 anos contados do pagamento indevido. A LC 118/05, com isso, implicou redução do prazo relativamente ao entendimento anterior dos 5 + 5. De fato, até então tínhamos o dispositivo do art. 168, I, do CTN, dispondo no sentido de que o prazo para repetição do indébito contava-se da extinção do crédito tributário; e o art. 156, VII, do CTN, dispondo no sentido de que a extinção do crédito tributário se dava com "o pagamento antecipado e a homologação do lançamento nos termos do disposto no art. 150 e seus §§ 1° e 4"". Mediante interpretação sistemática do C7'7V, chegava-se à norma aplicável nos casos de tributos sujeitos a lançamento por homologação, qual seja, a de que o prazo para a repetição seria contado da extinção do crédito tributário pela homologação tácita ocorrida após 5 anos da ocorrência do fato gerador. Daí o prazo de 5 anos + 5 anos = 10 anos. Embora nem sempre tenha sido este o entendimento dos tribunais sobre a contagem de tal prazo, certo é que o STJ firmara posição nesse sentido, estando a mesma absolutamente consolidada. Evidencia-se, assim, que a LC 118/05, ao pretender alterar o termo a quo do prazo para repetição, que não mais será o momento da extinção do crédito, mas o momento do pagamento antecipado, ainda que pendente de homologação, agora considerado como de extinção para 4 TRF P R., 3a T., AC 93.01.11941/DF, Rel. Juiz Osmar Tognolo, maio 1996. 6 • Processo n° 13706.000005/2004-79 CSRF/T04 • Acórdão n.° 04-00.894 Fls. 7 fins da nova contagem de prazo, realmente inovou, alterando a norma jurídica aplicável. No particular, é importante atentar para a distinção entre preceito (mandamento abstrato constante do texto de cada dispositivo legal em particular) e norma (o mandamento para o caso concreto obtido pelo aplicador mediante análise de todo o ordenamento). Mesmo que mantendo intocados os preceitos dos arts. 168, I, e 156, VII, do CTN, preservados na sua literalidade, a LC 118/05 alterou a norma jurídica aplicável, o que revela não se tratar de simples lei interpretativa. Da norma "5 + 5 = 10", passamos à norma "5 ". Sua aplicação relativamente a indébitos anteriores, pois, tem de ser criticada. Embora se coloque expressamente como interpretativo ("para efeito de interpretação '), em verdade o art. 3' da LC 118/05 inova na ordem jurídica de maneira mais gravosa para o contribuinte, de modo que não pode ter aplicação retroativa, ainda que tal esteja determinado pelo art. 4" da mesma lei complementar. De fato, tendo alterado a norma anterior, não se pode considerá-la como lei meramente interpretativa, de modo que não lhe é aplicável o art. 106, I, do C7W. O art. 4° da LC 118/05, ao determinar a aplicação de tal dispositivo que prevê a retroatividade, revela-se inconstitucional. Isso porque o princípio da segurança jurídica impõe que se resguarde a irretroatividade, fulminando, por inconstitucionalidade, o art. 4° da LC 118/05 no que diz respeito à determinação de observância do art. 106, I, do CPC (aplicação retroativa), por ocasião da aplicação do art. 3° da própria LC 118/05. Não há espaço, aqui, para aprofundar a análise do princípio da segurança jurídica, bastando, no momento, a referência à singela, mas profunda afirmação de JOSÉ SOUTO MAIOR BORGES: "... a segurança postula, para a sua efetividade, uma especificação, uma determinação dos critérios preservadores dela própria, no interior do ordenamento jurídico. [.. 1 ... quais os valores que a segurança jurídica busca preservar, no âmbito do sistema constitucional tributário? A irretroatividade? A legalidade? A isonomia? A efetividade da jurisdição tributária, administrativa ou judicial? Tudo isso junto e muito mais que isso".5 Assim, a aplicação do art. 3° da LC 118/05 só poderá se dar relativamente a pagamentos indevidos posteriores à sua vigência, estabelecida para 120 dias após a sua publicação, ocorrida em 09.02.2005. Ou seja: I - os pagamentos indevidos ocorridos a partir da sua vigência implicarão termo a quo para a contagem do prazo, nos termos da LC 118/05, que, vigente, incidirá; 5 Princípio da Segurança Jurídica na Criação e Aplicação do Tributo. RDT, São Paulo: Malheiros, n. 63, p. 206, 1997. 7 ' . .• Processo n° 13706.000005/2004-79 CSRF/T04 Acórdão n.° 04-00.894 Fls. 8 II - os pagamentos indevidos anteriores, contudo, não sofrem sua incidência, pois implicaria retroatividade; continuam, assim, regrados pela norma anterior dos 10 anos (5 anos mais 5 anos). O art. 3° da Lei Complementar n° 118, de 2005, a pretexto de interpretar os arts. 150, § 1° e 168, I, do CTN, conferiu-lhes, na verdade, um sentido e um alcance diferente daquele dado pelo Judiciário. Assim, não há como negar que a lei nova inovou no plano normativo, pois retirou das disposições interpretadas um dos seus sentidos possíveis, justamente aquele tido como correto pelo STJ, intérprete e guardião da legislação federal. Portanto, o art. 3° da Lei Complementar n° 118, de 2005, por ter inovado no plano legislativo, só tem eficácia prospectiva, incidindo apenas sobre situações que venham a ocorrer a partir da sua vigência. Pelo exposto, NEGO PROVIMENTO ao recurso especial da Fazenda Nacional. Sala das Sessões - DF, 27 de maio de 2008. MOISES • • ELLI N ES DA SILVA iv 8
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Numero do processo: 35018.000081/2007-18
Data da sessão: Thu Aug 20 00:00:00 UTC 2009
Data da publicação: Thu Aug 20 00:00:00 UTC 2009
Ementa: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/02/1998 a.30/03/2000 DECADÊNCIA.
O Supremo Tribunal Federal, através da Súmula Vinculante n° 08, declarou inconstitucionais os artigos 45 e 46 da Lei n° 8.212, de 24/07/91. Tratando-se de tributo sujeito ao lançamento por homologação, que é o caso das contribuições previdenciárias, devem ser observadas as regras do Código Tributário Nacional - CTN.
Recurso Voluntário Provido
Numero da decisão: 2301-000.583
Decisão: ACORDAM os membros da 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Segunda Seção de Julgamento, por unanimidade de votos; acatar a preliminar de decadência para provimento do recurso.
Matéria: Outros imposto e contrib federais adm p/ SRF - ação fiscal
Nome do relator: Edgar Silva Vidal
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Recorrida DRJ/SALVADOR/BA ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/02/1998 a.30/03/2000 DECADÊNCIA. O Supremo Tribunal Federal, através da Súmula Vinculante n° 08, declarou inconstitucionais os artigos 45 e 46 da Lei n° 8.212, de 24/07/91. Tratando-se de tributo sujeito ao lançamento por homologação, que é o caso das contribuições previdenciárias, devem ser observadas as regras do Código Tributário Nacional - CTN. Recurso Voluntário Provido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. • Processo n°35018.000081/2007-18 S2-C3T1 Acórdão n.° 2301-00.583 Fl. 266 ACORDAM os membros da 3 a Câmara / i a Turma Ordinária da Segunda Seção de Julgamento, po uni, imidade de votos; acatar a preliminar de decadência para provimento do recurso. I4 I R4 Ván'" JULIO VIEI GOMES Presidenl-or E! AR ILVA V AL elator Participaram do julgamento os conselheiros: Damião Cordeiro di oraes, Edgar Silva Vidal (Suplente), Maria Helena Lima dos Santos (Suplente), Bernadete Barros, Leonardo Henrique Pires Lopes e Julio Cesar Vieira Gomes (Presidente)4( 2 Processo n°35018.000081/2007-18 S2-C3T1 Acórdão n.° 2301-00.583 Fl. 267 Relatório Trata-se de crédito lançado pela fiscalização contra a empresa acima identificada, referente às contribuições devidas à Seguridade Social, correspondentes à parte da empresa e parte dos segurados não retida, as destinadas ao financiamento dos beneficios concedidos em razão do grau de incidência da incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho. — GILRAT (antigo SAT) e a Terceiros — Salário Educação, INCRA, SEBRAE, incidentes sobre as remunerações pagas a segurados empregados( participação nos lucros), no período de 02/1998 a 03/2000. Ciência ao sujeito passivo do lançamento em 02/05/2007 (fls. 143). A recorrente impugnou o lançamento; no entanto, o lançamento foi julgado procedente. Inconformada com a decisão, interpôs recurso, alegando, em síntese, além das questões de mérito, a decadência do direito de o fisco realizar o lançamento. A recorrente não efetuou o depósito recursal no valor de 30% do lançamento, previsto no § 1° do art. 126, da Lei 8.213/91, haja vista a revogação daquele dispositivo legal pelo art. 19 da Medida Provisória n° 413, de 03 de janeiro de 2008, publicada no DOU da mesma data em edição extra. É o relatório. 3 Processo n° 35018.000081/2007-18 S2-C3T1 Acórdão n.° 2301-00.583 Fl. 268 Voto Conselheiro EDGAR SILVA VIDAL, Relator Sendo tempestivo, CONHEÇO do Recurso e passo ao exame das questões preliminares suscitadas pela recorrente. DAS QUESTÕES PRELIMINARES DECADÊNCIA Nas sessões plenárias dos dias 11 e 12/06/2008, respectivamente, o Supremo Tribunal Federal - STF, por unanimidade, declarou inconstitucionais os artigos 45 e 46 da Lei n° 8.212, de 24/07/91 e editou a Súmula Vinculante n° 08. Seguem transcrições: Parte final do voto proferido pelo Exmo Senhor Ministro Gilmar Mendes, Relator: Resultam inconstitucionais, portanto, os artigos 45 e 46 da Lei n° 8.212/91 e o parágrafo único do art.5° do Decreto-lei n° 1.569/77, que versando sobre normas gerais de Direito Tributário, invadiram conteúdo material sob a reserva constitucional de lei complementar. Sendo inconstitucionais os dispositivos, mantêm-se higida a legislação anterior, com seus prazos qüinqüenais de prescrição e decadência e regras de fluência, que não acolhem a hipótese de suspensão da prescrição durante o arquivamento administrativo das execuções de pequeno valor, o que equivale a assentar que, como os demais tributos, as contribuições de Seguridade Social sujeitam-se, entre outros, aos artigos 150, § 4°, 173 e 174 do C1751. Diante do exposto, conheço dos Recursos Extraordinários e lhes nego provimento, para confirmar a proclamada inconstitucionalidade dos arts. 45 e 46 da Lei 8.212/91, por violação do art. 146, III, b, da Constituição, e do parágrafo único do art. 5° do Decreto-lei n° 1.569/77, frente ao § 1° do art. 18 da Constituição de 1967, com a redação dada pela Emenda Constitucional 01/69. É como voto. Súmula Vinculante n° 08: "São inconstitucionais os parágrafo único do artigo 5° do Decreto-lei 1569/77 e os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário". Os efeitos da Súmula Vinculante são previ -Is s no artigo 103-A da Constituição Federal, regulamentado pela Lei n° 11.417, de 19/12/fr 6, in verbis: 41111 4 Processo n°35018.000081/2007-18 S2-C3T1 Acórdão n.° 2301-00.583 Fl. 269 Art. 103-A. O Supremo Tribunal Federal poderá, de oficio ou por provocação, mediante decisão de dois terços dos seus membros, após reiteradas decisões sobre matéria constitucional, aprovar súmula que, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terá efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal, bem como proceder à sua revisão ou cancelamento, na forma estabelecida em lei. (Incluído pela Emenda Constitucional n°45, de 2004). Lei n°11.417, de 19/12/2006: Regulamenta o art. 103-A da Constituição Federal e altera a Lei ri' 9.784, de 29 de janeiro de 1999, disciplinando a edição, a revisão e o cancelamento de enunciado de súmula vinculante pelo Supremo Tribunal Federal, e dá outras providências. • • - Art. 2' O Supremo Tribunal Federal poderá, de oficio ou por provocação, após reiteradas decisões sobre matéria constitucional, editar enunciado de súmula que, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terá efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal, bem como proceder à sua revisão ou cancelamento, na forma prevista nesta Lei. O enunciado da súmula terá por objeto a validade, a interpretação e a eficácia de normas determinadas, acerca das quais haja, entre órgãos judiciários ou entre esses e a administração pública, controvérsia atual que acarrete grave insegurança jurídica e relevante multiplicação de processos sobre idêntica questão. Como se constata, a partir da publicação na imprensa oficial, todos os órgãos judiciais e administrativos ficaram m obrigados a acatarem a Súmula Vinculante n°. 08. Assim, tendo em vista que a regra de incidência de cada tributo é que define a sistemática de seu lançamento e, tendo a Contribuição Previdenciária natureza tributária, cuja legislação atribui ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento, sem prévio exame da autoridade administrativa, amoldando-se à sistemática de lançamento por homologação, a contagem do prazo decadencial desloca-se da regra geral estatuída no art. 173 do CTN, para encontrar respaldo no § 4° do art. 150, do mesmo Código, hipótese em que os cinco anos têm como termo inicial a data da ocorrência do fato gerador. Como a inércia da Fazenda Pública homologa tacitamente o lançamento e extingue definitivamente o crédito tributário, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação (CTN, art. 150, § 42), o que não se tem notícia nos autos, entendo decadente o direito da Fazenda Nacional de constituir o crédito tributário relativamente à contribuição, para os fatos geradores ocorridos há mais de 5 anos. Mesmo para aqueles que não concordam com a aplicação do art. ;: I, §4", do CTN, o crédito previdenciário lançado também está atingido pela decadência. 5 Processo n°35018.000081/2007-18 S2-C3T1 Acórdão n.° 2301-00.583 Fl. 270 Neste caso, a contribuinte tomou ciência da NFLD em 02/05/2007. Logo, em se tratando de tributos cujos fatos geradores ocorreram no período de 02/1998 a 03/2000, conclui-se que o crédito tributário foi atingido pela decadência. CONCLUSÃO: Em razão do exposto, acato a preliminar de decadência para provimento do recurso interposto. Sala das Sessões, em 201 e e agosto de 2009 EDGA SILVA VI IP AL - Relator • 6
score : 1.0
Numero do processo: 13005.001595/2008-88
Data da sessão: Thu Jan 31 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Tue Mar 26 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/07/2006 a 31/12/2006
AGROINDÚSTRIA. CONTRIBUIÇÕES. APURAÇÃO DE CRÉDITOS. PRODUTOS AGRÍCOLAS. VENDA SEM SUSPENSÃO. CRÉDITOS BÁSICOS.
As pessoas jurídicas que produzam mercadorias de origem animal ou vegetal, classificadas nos capítulos especificados no texto da Lei 10.925/04, destinadas à alimentação humana ou animal têm direito a deduzir crédito presumido da Contribuição para o PIS/Pasep e Cofins nas compras efetuadas com suspensão das Contribuições, inclusive de pessoa jurídica que realiza atividade agropecuária. Nas compras realizadas sem a suspensão das Contribuições, de empresas que não realizam atividade agropecuária, deve ser reconhecido o direito de apuração de crédito básico.
Recurso Voluntário Provido
Numero da decisão: 3102-001.755
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Luis Marcelo Guerra de Castro - Presidente.
(assinado digitalmente)
Ricardo Paulo Rosa - Relator.
EDITADO EM: 19/03/2013
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Luis Marcelo Guerra de Castro, Nanci Gama, Ricardo Paulo Rosa, Álvaro Arthur Lopes de Almeida Filho, Winderley Morais Pereira e Helder Massaaki Kanamaru.
Nome do relator: RICARDO PAULO ROSA
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/07/2006 a 31/12/2006 AGROINDÚSTRIA. CONTRIBUIÇÕES. APURAÇÃO DE CRÉDITOS. PRODUTOS AGRÍCOLAS. VENDA SEM SUSPENSÃO. CRÉDITOS BÁSICOS. As pessoas jurídicas que produzam mercadorias de origem animal ou vegetal, classificadas nos capítulos especificados no texto da Lei 10.925/04, destinadas à alimentação humana ou animal têm direito a deduzir crédito presumido da Contribuição para o PIS/Pasep e Cofins nas compras efetuadas com suspensão das Contribuições, inclusive de pessoa jurídica que realiza atividade agropecuária. Nas compras realizadas sem a suspensão das Contribuições, de empresas que não realizam atividade agropecuária, deve ser reconhecido o direito de apuração de crédito básico. Recurso Voluntário Provido
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Luis Marcelo Guerra de Castro - Presidente. (assinado digitalmente) Ricardo Paulo Rosa - Relator. EDITADO EM: 19/03/2013 Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Luis Marcelo Guerra de Castro, Nanci Gama, Ricardo Paulo Rosa, Álvaro Arthur Lopes de Almeida Filho, Winderley Morais Pereira e Helder Massaaki Kanamaru.
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COMÉRCIO, INDÚSTRIA e EXPORTAÇÃO Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/07/2006 a 31/12/2006 AGROINDÚSTRIA. CONTRIBUIÇÕES. APURAÇÃO DE CRÉDITOS. PRODUTOS AGRÍCOLAS. VENDA SEM SUSPENSÃO. CRÉDITOS BÁSICOS. As pessoas jurídicas que produzam mercadorias de origem animal ou vegetal, classificadas nos capítulos especificados no texto da Lei 10.925/04, destinadas à alimentação humana ou animal têm direito a deduzir crédito presumido da Contribuição para o PIS/Pasep e Cofins nas compras efetuadas com suspensão das Contribuições, inclusive de pessoa jurídica que realiza atividade agropecuária. Nas compras realizadas sem a suspensão das Contribuições, de empresas que não realizam atividade agropecuária, deve ser reconhecido o direito de apuração de crédito básico. Recurso Voluntário Provido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Luis Marcelo Guerra de Castro Presidente. (assinado digitalmente) Ricardo Paulo Rosa Relator. EDITADO EM: 19/03/2013 AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 00 5. 00 15 95 /2 00 8- 88 Fl. 394DF CARF MF Impresso em 26/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2013 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 25/03/2013 p or LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 19/03/2013 por RICARDO PAULO ROSA 2 Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Luis Marcelo Guerra de Castro, Nanci Gama, Ricardo Paulo Rosa, Álvaro Arthur Lopes de Almeida Filho, Winderley Morais Pereira e Helder Massaaki Kanamaru. Relatório Por bem descrever os fatos, adoto o relatório que embasou a decisão de primeira instância, que passo a transcrever. Trata o presente processo de Pedidos de Ressarcimento eletrônicos transmitidos pela contribuinte em 24/10/2006 e 30/01/2007 relativos a valores de PIS nãocumulativo (mercados externo e interno) referentes ao terceiro e quarto trimestres de 2006, onde foram apurados créditos no montante total de R$ 233.685,73, conforme documentos de fls. 01/14. A SAFIS da DRF de origem adotou procedimentos para confirmação da legitimidade do crédito pleiteado, efetuando a necessária fiscalização, emitindo Termo de Intimação Fiscal e procedendo às verificações entendidas cabíveis, tendo sido produzido o Relatório de Ação Fiscal de fls. 24/31, com os demonstrativos de fls. 32/37, onde, em especial, assentou o agente fiscal: Da análise dos documentos e registros apresentados pela empresa foram verificadas irregularidades no preenchimento de determinadas linhas das DACON, que ocasionaram divergências entre os valores de crédito apurados pela empresa e os valores de créditos calculados pelo AuditorFiscal da Receita Federal do Brasil, doravante denominado AFRFB. (fl. 24) Foram excluídos dos valores informados pela empresa nesta linha da Dacon, os montantes referentes a aquisições de soja e ervamate, demonstrados na tabela abaixo (coluna 3), obtidos da planilha demonstrativa das compras destes produtos no período fiscalizado (...) apresentada pela empresa à fiscalização (...). Estes valores foram excluídos da Linha 02 da Ficha 06A da Dacon em razão de que compras de produtos agropecuários (soja e ervamate) são geradoras de crédito presumido, sendo que nesta linha são informados os valores geradores de crédito básico. Isto porque, da análise das informações prestadas pela empresa referentes à composição dos valores informados na linha 02 da Dacon no período de agosto/2006 a setembro/2007, verificouse que foram incluídos valores de aquisição de produtos agropecuários (soja e ervamate). Este procedimento não se harmoniza com o disposto na IN SRF n° 660, de 17 de julho de 2006, normatizadora da Lei n°10.925, de 23 de julho de 2004, que instituiu o crédito presumido e que determina em seu art. 2°, inc. IV, que as vendas de produtos agropecuários que sejam utilizados como insumos na fabricação dos produtos elencados em seu art. 5°, inc. I, sejam efetuadas com suspensão da exigibilidade da contribuição para o PIS, e, em razão desta suspensão nas operações de venda, a empresa agroindustrial que os adquire poderá descontar crédito presumido, à alíquota de 35% (sobre as compras de soja, até junho/2007, e ervamate em todo o período) e 50% (sobre as compras de soja, a partir de julho/2007) da alíquota normal do PIS [1,65%], na determinação do valor da contribuição apagar. (fls. 25/26) (...) as compras de produtos agropecuários, sejam de pessoas físicas ou jurídicas, geram crédito presumido, em razão de que adquiridas por empresa que exerce atividade agroindustrial sujeita ao regime de nãocumulatividade da Fl. 395DF CARF MF Impresso em 26/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2013 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 25/03/2013 p or LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 19/03/2013 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 13005.001595/200888 Acórdão n.º 3102001.755 S3C1T2 Fl. 3 3 contribuição para o PIS, tendo estes produtos servidos de insumos na fabricação de produtos destinados à alimentação humana ou animal, classificados nos códigos da NCM dispostos nos inc. I e II do art. 5° da IN SRF 660/2006, cujas vendas pelos fornecedores devem ser efetuadas com suspensão da exigibilidade do PIS, conforme determina o art. 2° desta Instrução Normativa. (fl. 27) À fl. 39 está anexado o Despacho Decisório DRF/SCS n° 380, de 23/10/2008, onde o Sr. Delegado da Receita Federal do Brasil em Santa Cruz do Sul (RS), considerando o Relatório de Ação Fiscal, resolveu: a)reconhecer parcialmente o direito creditório da contribuinte frente à Fazenda Pública da União, no montante de R$ 74.767,35 (setenta e quatro mil, setecentos e sessenta e sete reais e trinta e cinco centavos), referente ao PIS não cumulativo exportação do 3° e 40 trimestres de 2006 e não reconhecer o direito creditório referente ao PIS nãocumulativo mercado interno do 3° trimestre de 2006; b)homologar as compensações declaradas e juntadas ao presente processo até o limite do crédito reconhecido anteriormente. Determinou fosse a contribuinte cientificada da decisão exarada, bem como da possibilidade de apresentação de manifestação de inconformidade relativamente àquela decisão. A contribuinte foi cientificada em 05/11/2008 — AR de fl. 41. Foram anexados novos PER/DCOMPs, informando compensações. Em 03/12/2008 a contribuinte apresentou, através de procurador, a manifestação de inconformidade de fls. 84/100, argüindo o que, em síntese, está exposto a seguir: DOS FATOS E DO DESPACHO DECISÓRIO ATACADO • a empresa foi intimada de Despacho Decisório que reconheceu parcialmente o seu direito ao ressarcimento de créditos de PIS por operações de exportação realizadas no 3º e 4° trimestres de 2006; • o reconhecimento parcial do crédito está sustentado no entendimento de que a empresa não teria direito à utilização daqueles na forma prevista pelo art. 3°, II, da Lei n° 10.637, de 2002 (bens e serviços utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bem ou produtos destinados à venda) quando da aquisição de soja e ervamate; • o direito da empresa seria apenas à utilização do crédito presumido previsto nos arts. 8°, 9° e 15 da Lei n° 10.925, de 2004, eis que tanto a soja quanto a erva mate seriam produtos agropecuários, na forma do art. 2°, IV, da IN SRF n° 660, de 2006; • sua manifestação de inconformidade busca a reforma do Despacho Decisório e o conseqüente reconhecimento, em sua integralidade, do direito creditório pleiteado. RAZÕES DE REFORMA DO DESPACHO DECISÓRIO RECORRIDO • a questão em análise está centrada, única e exclusivamente, no tratamento conferido pela autoridade fiscal aos créditos oriundos das aquisições de soja e erva mate efetuadas pela empresa; Fl. 396DF CARF MF Impresso em 26/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2013 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 25/03/2013 p or LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 19/03/2013 por RICARDO PAULO ROSA 4 • se tratados como produtos agropecuários destinados à fabricação dos produtos referidos no art. 5°, I, da IN n° 660, de 2006, as aquisições de soja e erva mate confeririam ao seu adquirente o direito ao lançamento de crédito presumido calculados à razão de 3,8% (50% de 7,6%) e 2,66% (35% de 7,6%), respectivamente, sobre o valor das aquisições. Se tratados na regra geral de insumos, prevista no art. 3°, II, da Lei n° 10.637, de 2002, as mesmas aquisições confeririam à empresa o direito ao lançamento de crédito integral, calculado à razão de 7,6% sobre o valor das aquisições. Transcreve parte do Relatório de Ação Fiscal; • conclui que o procedimento adotado pelo Fisco redundou na redução dos créditos pleiteados pela empresa, vez que o cálculo dos créditos presumidos é feito com base na aplicação de alíquota substancialmente menor do que aquela utilizada na apuração dos créditos previstos no art. 3°, II, da Lei n. 10.637, de 2002. DOS CRÉDITOS PRESUMIDOS EM MATÉRIA DE PIS E COFINS — ANÁLISE DOS MOTIVOS QUE LEVARAM À SUA INSTITUIÇÃO • traça arrazoado acerca da instituição da sistemática de apuração nãocumulativa do PIS e da COFINS, estabelecida pelas Leis ri% 10.637, de 2002, e 10.833, de 2003, referindo à legislação, às alterações introduzidas na sistemática e à tentativa de neutralizar os custos suportados pelas pessoas físicas que atuam nos ramos da agricultura e da pecuária. Cita a Lei n° 10.925, de 2004 (posteriormente alterada pela Lei n° 11.051, de 2004), transcrevendo o art. 8°; • entende que a Lei citada, assim como previu a possibilidade de utilização do crédito presumido de PIS e de COFINS quando da aquisição de insumos de pessoas físicas ou cooperado pessoa fisica, instituiu, também, o direito de aproveitamento do mesmo crédito quando da aquisição de insumos de pessoas jurídicas que exerçam as atividades de agropecuária e/ou de cerealista; • em contrapartida, a Lei determinou a suspensão da cobrança do PIS e da COFINS nas vendas realizadas por aquelas pessoas jurídicas desde que o adquirente apurasse o IR com base no lucro rela, exercesse a atividade agroindustrial (o que deveria ser comprovado mediante a apresentação de declarações) e utilizasse o produto adquirido com suspensão na fabricação de produtos destinados à alimentação humana ou animal ou classificados no código 22.04 da NCM. Fala sobre esta forma de apuração de créditos. DOS CRÉDITOS VINCULADOS ÀS AQUISIÇÕES DE ERVAMATE CANCHEADA • o Fisco entendeu pela glosa de todos os valores que excederam ao cálculo do crédito presumido de 35% do montante da alíquota do PIS, donde, ao invés de reconhecer o direito da empresa ao lançamento de um crédito integral, calculado mediante a aplicação do percentual de 7,6% sobre as aquisições de ervamate, permitiu apenas o aproveitamento de créditos da contribuição limitados a 2,66% da compras de tal produto; • a justificativa do Fisco para a limitação do direito creditório pleiteado está única e exclusivamente na aplicação do art. 2°, IV, da IN n° 660, de 2006, que determina a suspensão da contribuição na venda dos produtos agropecuários que sejam utilizados como insumos na fabricação dos produtos relacionados no art. 5°, I, daquele diploma infralegal; • passa a esclarecer as atividades exercidas pela empresa no que tange à compra de insumos e a posterior fabricação de ervamate; • a análise das notas fiscais que deram origem ao crédito de PIS e COFINS cujo ressarcimento ou compensação com outros tributos era pleiteado pela empresa Fl. 397DF CARF MF Impresso em 26/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2013 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 25/03/2013 p or LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 19/03/2013 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 13005.001595/200888 Acórdão n.º 3102001.755 S3C1T2 Fl. 4 5 demonstra, sem margem a dúvidas, que os produtos por si adquiridos eram classificados como ervamate cancheada (código NCM 09.03.0010), ou seja, aquela adquirida de produtores rurais e submetida ao processo de trituração das folhas de ervamate que precede a sua industrialização; • há de ser analisado se está correto o enquadramento da ervamate cancheada na hipótese prevista no art. 2°, IV, da IN n° 660, de 2006, assim como a necessidade de aplicação da regra de lançamento de créditos presumidos quando da aquisição de tal produto em detrimento do crédito integral garantido pelo art. 3°, II, da Lei n° 10.637, de 2002; • a primeira inconsistência da tese defendida pelo Fisco para imposição do lançamento de apenas créditos presumidos quando da aquisição de ervamate cancheada está na classificação desta como produto agropecuário. A atividade agropecuária, na forma do art. 3°, § 1°, II, da IN n° 660, de 2006, é aquela consistente do cultivo da terra e/ou de criação de peixes, aves e outros animais, nos termos do art. 2° da Lei n° 8.023, de 1990. No caso em tela, a ervamate cancheada não pode ser considerada um produto agropecuário, à medida que se trata de produto resultante da atividade de extrativismo; • não tendo a ervamate cancheada origem no cultivo da terra, vez que suas folhas são extraídas de árvores pertencentes a reservas naturais em que não houve a atuação do homem (como ocorre em qualquer outra atividade de extrativismo mineral, como a obtenção de carvão, água, petróleo), suas vendas não devem se submeter à regra de suspensão da incidência do PIS e da COFINS e, conseqüentemente, as despesas com sua aquisição geram direito ao crédito das contribuições na forma prevista nos arts. 3 0, II, das Leis n's 10.637, de 2002, e 10.833, de 2003; • o Poder Executivo caracterizou a atividade agropecuária como sendo a atividade econômica de cultivo da terra e/ou criação de aves, peixes e outros animais, donde o produto agropecuário a ser vendido com suspensão da incidência de PIS e COFINS haverá de ser aquele decorrente do exercício daquela atividade; • o ponto nevrálgico da presente discussão é que os créditos lançados pela empresa de maneira integral, tendo como base o disposto nos arts. 2° e 3 0, II, da Lei n° 10.637, de 2002, não obstante decorrentes da aquisição de ervamate (em tese, um produto agropecuário), não tem como origem uma venda realizada por pessoa jurídica que exerça atividade agropecuária; • o fluxo de produção da ervamate passa por diversas fases até chegar a industrialização propriamente dita. A empresa inicia a sua atividade de industrialização após promover a aquisição da ervamate cancheada, ou seja, aquela que já passou pelo processo de sapeco, secagem e cancheamento; • se a ervamate cancheada fosse adquirida de pessoa fisica ou jurídica que promovesse o cultivo direto da terra, não haveria dúvidas sobre a necessidade de aproveitamento do crédito presumido. Mas, no caso concreto, a ervamate cancheada é adquirida de pessoas jurídicas que não promovem o cultivo da terra, vez que compram a ervamate de terceiros. Estes, geralmente pessoas fisicas, são os que efetivamente promovem a extração da ervamate e repassam a outras pessoas jurídicas para a realização das demais etapas da cadeia produtiva; • no caso concreto, não houve a aquisição de produtos agropecuários beneficiados com a suspensão de PIS e COFINS sobre as receitas auferidas com suas vendas. Isso porque, ao contrário do que entendeu o Fisco, a ervamate Fl. 398DF CARF MF Impresso em 26/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2013 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 25/03/2013 p or LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 19/03/2013 por RICARDO PAULO ROSA 6 cancheada comprada pela manifestante e que de origem aos créditos glosados foi fornecida por pessoas jurídicas que não exercem atividade agropecuária, eis que não promovem o cultivo da terra e/ou a criação de aves, peixes e outros animais; • só poderia ter sido promovida a restrição ao direito de crédito caso as aquisições tivessem sido promovidas diretamente daqueles que promovem a extração da ervamate. A existência de uma terceira pessoa, que se insere na cadeia produtiva entre o produtor primário e a pessoa jurídica responsável pela industrialização da ervamate com vistas a realizar uma das etapas de tal processo, impede a incidência da norma de suspensão da incidência das contribuições e, conseqüentemente, torna impossível o aproveitamento do crédito presumido previsto na legislação; • as vendas de ervamate cancheada efetuadas para a empresa, jamais foram feitas com suspensão de PIS e COFINS prevista na legislação para as hipóteses de vendas realizadas por pessoas jurídicas que exercem atividades agropecuárias. Sempre houve a incidência das contribuições sobre as receitas auferidas pelas pessoas jurídicas vendedoras, com o conseqüente direito ao crédito das contribuições para as adquirentes; • não poderia ser outro o procedimento adotado pelos produtores de ervamate cancheada, porquanto, se pretendessem promover a venda com suspensão da incidência das contribuições, seria absolutamente fácil para o Fisco, a partir do confronto entre as notas fiscais de entrada de ervamate e de saída de ervamate cancheada, comprovar que o exercício da atividade agropecuária estaria concentrado apenas naquele que efetuou a extração vegetal, não se alastrando para a pessoa jurídica que alterou as condições do produto in natura; • a empresa buscou junto aos seus fornecedores de ervamate cancheada declarações de que não executam o cultivo da terra ou atividade extrativa vegetal, de que adquirem de terceiros as folhas e galhos de ervamate utilizada na produção da ervamate cancheada que lhe é vendida e, ainda, de que calculam e recolhem o PIS e a COFINS sobre as receitas auferidas com as vendas de ervamate cancheada. Relaciona as empresas e entende serem válidas as declarações; • caso a DRJ repute não serem suficientes os elementos de prova trazidos aos autos, poderá converter o julgamento em diligência para os esclarecimentos que julgar necessários; • a empresa não poderá ser prejudicada com a suspensão de seus créditos se, ao mesmo tempo, os fornecedores de ervamate cancheada não forem beneficiados com a suspensão de incidência das contribuições. Tendo havido o pagamento do PIS e COFINs na etapa anterior da cadeia produtiva, deve ser reconhecido o crédito em favor do adquirente, sob pena de se colocar à fona a nãocumulatividade almejada pelo legislador; • prova cabal da incidência das contribuições sobre as receitas auferidas com as vendas de ervamate cancheada efetuadas para a empresa está no fato desta última jamais ter cumprido a exigência constante do art. 40 da IN n° 660, de 2006, no sentido de emitir declarações que pudessem sustentar a venda de insumos para sua produção com suspensão de PIS e COFINS. Não tendo assim procedido, resta evidente que as pessoas jurídicas vendedoras, pela ausência de cumprimento das claras condições estabelecidas na legislação, haveriam de tributar normalmente as vendas, sob pena de posterior autuação por parte do Fisco Federal; • o fato da não expedição das declarações é impossível de ser comprovado pela empresa, vez que se tem, em tal hipótese, a caracterização precisa daquilo que tecnicamente é conhecido como prova negativa; Fl. 399DF CARF MF Impresso em 26/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2013 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 25/03/2013 p or LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 19/03/2013 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 13005.001595/200888 Acórdão n.º 3102001.755 S3C1T2 Fl. 5 7 • se o entendimento da empresa não for respaldado pelo DRJ, se estará diante de manifesta ofensa ao princípio da separação dos poderes, fundamental para a manutenção de um Estado Democrático de Direito, porquanto terão as autoridades administrativas responsáveis pela análise do crédito em questão, com a chancela da DRJ, criando nova hipótese de suspensão da incidência do PIS e da COFINS sem o respaldo de qualquer dispositivo legal; • estarseá definindo, pois, a possibilidade de duas suspensões de incidência das contribuições na mesma cadeia produtiva, sendo que apenas uma das vendas (a primeira, de ervamate in natura) é efetivamente realizada por pessoa fisica que exerce atividade agropecuária, uma vez que a segunda (de ervamate cancheada) é promovida por pessoa jurídica QUE NÃO TRABALHA NO CULTIVO DA TERRA, POIS A ERVAMATE CANCHEADA É RESULTADO DE PROCESSO APLICADO SOBRE VEGETAL CUJA EXTRAÇÃO FOI PROMOVIDA POR TERCEIROS; • conclui ser manifesto o desacerto do Despacho Decisório atacado, devendo os créditos que foram transferidos pelo Fisco da linha 02 para a linha 26 da DACON voltar a sua origem, recalculandose o montante de crédito passível de ressarcimento a que faz jus a empresa em razão da aquisição de ervamate cancheada de fornecedores que não exercem a atividade agropecuária, na forma do art. 3°, § 1°, II, da IN SRF n° 660, de 2006, e, conseqüentemente, não produzem os produtos agropecuários previstos no art. 2°, IV, do mesmo diploma infralegal. DOS CRÉDITOS VINCULADOS ÀS AQUISIÇÕES DE SOJA • a exemplo da ervamate cancheada, as aquisições de soja também foram consideradas oriundas de pessoas jurídicas que exercem atividade agropecuária; • a empresa informa que, do mesmo modo como ocorrera em relação à ervamate, sempre foram feitas junto a pessoas jurídicas que não exercem a atividade agropecuária definida no art. 3°, § 1°, II, da IN n° 660, 2006. A fim de evitar tautologia, não irá repetir os argumentos já apostos em relação à ervamate cancheada; • toda a soja foi comprada de pessoas jurídicas que já a haviam adquirido de produtores rurais, responsáveis pelo cultivo da terra. Assim, a operação realizada com suspensão de incidência de PIS e COFINS foi aquela realizada entre o produtor e esse adquirente, que posteriormente revendeu tal produto para a empresa; • a receita auferida com a venda de soja para a empresa foi submetida normalmente à tributação pelo PIS e pela COFINS. Como não poderia deixar de ser, gerou, também, o direito ao creditamento de valores a serem calculados sobre o montante despendido em tais aquisições, na forma do art. 3°, II, das Leis n's 10.637, de 2002, e 10.833, de 2003; • refere à provas que diz ter carreado aos autos (cita duas empresas) e entende que para a imposição do lançamento de crédito presumido vinculado às aquisições de soja, não se pode considerar os fornecedores relacionados pelo Fisco como cerealistas, na forma do art. 8°, § 1°, da Lei n° 10.925, de 2004; • se deve reconhecer, também em relação à soja adquirida de pessoas jurídicas que não exercem atividade agropecuária, o direito a créditos de COFINS calculados de acordo com o previsto nos arts. 2°c 3 0, II, da Lei n° 10.637, de 2002. Do PEDIDO DE REALIZAÇÃO DE DILIGÊNCIA Fl. 400DF CARF MF Impresso em 26/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2013 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 25/03/2013 p or LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 19/03/2013 por RICARDO PAULO ROSA 8 • em itens anteriores, a empresa pleiteou a realização de diligências que têm como objetivo esclarecer, de maneira cabal, a forma como foram realizadas as operações de compra e venda de soja e ervamate cancheada entre ela e seus fornecedores; • tal pedido, além de encontrar arrimo no art. 16, IV, do Decreto n° 70.235, de 1972, vias, em última análise, à aplicação do princípio da busca da verdade real, norteador do PAF; • a empresa entende que dois devem ser os questionamentos a serem respondidos pela autoridade fiscal, ou por outra que for designada para realização de tal tarefa: 1. os valores estampados em cada uma das notas fiscais que deram origem aos créditos de PIS glosados compuseram a base de incidência do mesmo tributo para os respectivos fornecedores de ervamate cancheada e soja à manifestante ou tais vendas foram realizadas com suspensão de incidência da contribuição? 2. as vendas de ervamate cancheada e soja que deram origem aos créditos de PIS glosados, vinculadas às notas fiscais relacionadas no Relatório de Ação Fiscal, estavam sustentadas por alguma declaração emitida pela Baldo S/A que permitisse a não incidência da contribuição sobre as receitas com elas auferidas? • com base na resposta a tais questionamentos, claro estará que as aquisições promovidas pela empresa foram integralmente tributadas, não havendo razão para a imposição de aproveitamento de apenas créditos presumidos vinculados a tais aquisições; • não se deve alegar que poderia a manifestante ter promovido a juntada de documentos que comprovem as circunstâncias argüidas. Além das declarações que já estão anexadas a esta peça, nenhum outro documento poderia ser juntado, vez que não há qualquer regra que obrigue às pessoas jurídicas vendedoras a concederem vista de seus registros fiscais a terceiros. Somente o Fisco, no exercício de sua atividade fiscalizatória, poderá ter acesso, sem restrições, aos elementos que sustentarão as respostas aos questionamentos formulados; • caso entenda a DRJ que as declarações anexadas aos autos não são suficientes para demonstrar o direito da empresa ao lançamento dos créditos glosados pelo Despacho Decisório atacado, imprescindível a realização da diligência solicitada, para que se ateste, de maneira inequívoca, o direito à apuração dos créditos de PIS na forma prevista nos arts. 2° e 3°, II, da Lei n° 10.637, de 2002. DO REQUERIMENTO • a empresa requer: a) a conversão do processo em diligência, a fim de que sejam respondidas pela autoridade responsável pela: elaboração do Despacho Decisório ora atacado, ou por outra designada para tal fim, as questões constantes da peça de contestação; b) independentemente da realização de diligência, a reforma do Despacho Decisório atacado, de modo a ser reconhecido o crédito integral de PIS, na forma em que postulado nos PER/DCOMPs que deram origem ao presente processo administrativo. • pede deferimento. Junto à manifestação de inconformidade a contribuinte apresentou os documentos de fls. 101/198 e 201/246. O órgão de origem anexou cópia de AR de fl. 247 e encaminhou o processo a esta DRJ (fl. 248). Fl. 401DF CARF MF Impresso em 26/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2013 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 25/03/2013 p or LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 19/03/2013 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 13005.001595/200888 Acórdão n.º 3102001.755 S3C1T2 Fl. 6 9 Assim a Delegacia da Receita Federal de Julgamento sintetizou, na ementa correspondente, a decisão proferida. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/07/2006 a 31/12/2006 AFRONTA A PRINCÍPIO CONSTITUCIONAL. Compete privativamente ao Poder Judiciário apreciar questão que envolva possível afronta a princípio constitucional. PEDIDO DE REALIZAÇÃO DE PERÍCIA. PRESCINDIBILIDADE. INDEFERIMENTO. Estando presentes nos autos todos os elementos de convicção necessários à adequada solução da lide, indeferese, por prescindível, o pedido de diligência ou perícia. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/07/2006 a 31/12/2006 AGROINDÚSTRIA. APURAÇÃO DE CRÉDITOS. PRODUTOS AGRÍCOLAS ADQUIRIDOS SEM SUSPENSÃO DA EXIGIBILIDADE. A agroindústria pode calcular créditos da contribuição sobre o valor dos insumos, nos termos do art. 3° da Lei n° 10.637, de 2002, desde que atendidas todas as condições previstas na legislação, dentre elas a de que os bens adquiridos estejam sujeitos ao pagamento da contribuição. Insatisfeita com a decisão de primeira instância, a recorrente apresenta recurso voluntário a este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais. As questões de direito foram decididas favoravelmente à recorrente no âmbito da Delegacia da Receita Federal de Julgamento; contudo, foram incluídos nos cálculos dos créditos apenas os valores referentes às aquisições de ervamate e soja das empresas referidas na fundamentação, delimitando a concessão ao universo de empresas identificadas nas declarações anexadas pela Recorrente. A parte requereu, em sede de Recurso Voluntário, a inclusão das demais empresas das quais adquiriu os produtos nas compras objeto da lide. Esclareceu não ter condições de trazer aos autos, ela própria, declarações dos seus fornecedores que atestem a sua condição de contribuintes de PIS e COFINS se estes, de modo voluntário, não o fizerem. O julgamento foi convertido em diligência para que fosse identificada a verdadeira condição dos fornecedores da empresa autuada, com o encaminhamento do processo à repartição de origem para que a fiscalização, a seu juízo, determinasse os esclarecimentos que julgasse necessários à perfeita instrução processual, devendo ainda responder às questões a seguir reproduzidas, em observância ao pleito consignado pela autuada a este Conselho. 1. Os valores estampados em cada uma das notas fiscais que deram origem aos créditos de PIS/COFINS glosados (excetuados aqueles já reconhecidos como legítimos pelas autoridades julgadores de primeira instância, vinculados aos Fl. 402DF CARF MF Impresso em 26/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2013 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 25/03/2013 p or LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 19/03/2013 por RICARDO PAULO ROSA 10 fornecedores relacionados na manifestação de inconformidade) compuseram a base de incidência do mesmo tributo para os respectivos fornecedores de ervamate cancheada e soja à recorrente ou tais vendas foram realizadas com suspensão de incidência da contribuição? 2. As vendas de ervamate cancheada e soja que deram origem aos créditos de PIS/COFINS glosados, vinculadas às notas fiscais relacionadas no Relatório de Ação Fiscal, estavam sustentadas por alguma declaração emitida pela Baldo S/A que permitisse a não incidência da contribuição sobre as receitas com elas auferidas? Atendida a diligência, o processo retorna a este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais para decisão definitiva. É o relatório. Voto Conselheiro Relator Preenchidos os requisitos de admissibilidade, tomo conhecimento do recurso voluntário. Conforme se depreende do relato da Autoridade Fiscal encarregada da diligência demandada por este Colegiado, o contribuinte foi intimado a apresentar planilha demonstrativa dos fornecedores pessoa jurídica de ervamate, que efetuaram vendas no período de agosto de 2006 a dezembro de 2007 sob as quais foi apurado crédito de PIS/COFINS calculados à alíquota integral, exceto os já informados na Manifestação de Inconformidade. De posse dessa informação, a Fiscalização enviou intimação às empresas indicadas pela Requerente, buscando os esclarecimentos demandados na diligência. A conclusão foi a seguinte. Os fornecedores Ervateira São Mateus Ltda, CNPJ 77.752.038/000226, Bujio Alimentos Ltda, CNPJ 06.369.361/000196 e Ervateira Urubici Ltda, CNPJ 83.594.424/00159 apresentaram resposta informando que as vendas não foram efetuadas com suspensão do PIS/COFINS (quesito 1), que não houve declaração da Baldo S.A. que permitisse a nãoincidência de PIS/COFINS sobre as receitas com as referidas vendas (quesito 2) e que a erva mate vendida foi adquirida de produtores/terceiros (quesito 3). Os fornecedores Cerealista Quatro Irmãos Ltda, CNPJ 75.724.161/000127, JCP Importação e Exportação de Alimentos Ltda, CNPJ 05.679.940/000172 e Indústria de Erva Mate Três Irmãos Ltda, CNPJ 01.880.469/000125 não apresentaram resposta à aludida Intimação. Os Avisos de Recebimento – AR dos fornecedores Restinga dos Paióis, CNPJ 04.945.090/000131 e Hercílio J Fernandes, CNPJ 85.379.089/000100 retornaram sem o recebimento dos mesmos, tendo sido registrado como motivo da devolução “recusado” e “falecido” respectivamente. Desta forma e para estes fornecedores, foram efetuadas consultas aos sistemas internos da Receita Federal do Brasil – RFB, constatandose que nenhum possui código Classificação Nacional de Atividades Econômicas – CNAE que compreenda o cultivo de ervamate. Fl. 403DF CARF MF Impresso em 26/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2013 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 25/03/2013 p or LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 19/03/2013 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 13005.001595/200888 Acórdão n.º 3102001.755 S3C1T2 Fl. 7 11 Conforme entendimento que fundamentou a decisão tomada em primeira instância, a empresa faz jus ao crédito básico, conforme pretende, desde que os produtos tenham sido adquiridos de pessoa jurídica que não exerça atividade agropecuária. Por sua vez, a Fiscalização Federal decidiu pela glosa dos valores por entender que a aquisição de produtos agropecuários por empresa que, como a Requerente, exerce atividade agroindustrial, se dá com suspensão, na venda, da exigibilidade das Contribuições. A seguir excerto do Relatório Fiscal. No cálculo do AFRFB foram informados nesta linha da DACON os valores das aquisições de produtos agropecuários efetuadas pela empresa requerente, que exerce atividade agroindustrial sujeita ao regime de nãocumulatividade da contribuição para a COFINS, cujos produtos serviram de insumos na fabricação de outros produtos destinados à alimentação humana ou animal, classificados nos códigos da NCM dispostos nos inc. I e II do art. 5° da IN SRF 660/2006, cujas vendas pelos fornecedores devem ser efetuadas com suspensão da exigibilidade da COFINS, conforme determina o art. 2° desta Instrução Normativa. Não tendo sido levado em conta que, nos casos de vendas realizadas por pessoa jurídica, apenas as que exercem atividade agropecuária, ao venderem às pessoas jurídicas que produzem mercadorias de origem animal ou vegetal classificadas nos capítulos contemplados no texto legal, geram direito a crédito presumido (e não básico), o Fisco terminou por não demonstrar e buscar comprovação para reduzir o direito de crédito pretendido pela Recorrente. A própria Delegacia da Receita Federal de Julgamento fez menção à ausência de elementos probantes. Atentese, ainda, que: a) a observação das peças processuais juntadas pela Fiscalização não permite a clara e objetiva interpretação de que às empresas relacionadas (vendedoras) se pudesse aplicar a modalidade de suspensão da exigibilidade do PIS e da COFINS; b) ao contrário, preocupouse a contribuinte em demonstrar que tais empresas não se enquadravam como exercendo atividade agropecuária, estando elas sujeitas ao recolhimento das contribuições pela alíquota normal. A resposta à diligência demandada por este Colegiado não modifica o quadro. Em lugar disso, acrescenta mais um elemento em favor da pretensão da Recorrente. Para partes das empresas, foi obtida informação dando conta de que as vendas não foram efetuadas com suspensão do PIS/COFINS, que não houve declaração da Baldo S.A. que permitisse a nãoincidência de PIS/COFINS sobre as receitas com as referidas vendas e que a erva mate vendida foi adquirida de produtores/terceiros. Em relação às empresas que não responderam à Intimação do Fisco, constatouse que nenhum possui código Classificação Nacional de Atividades Econômicas – CNAE que compreenda o cultivo de ervamate, restando, dessa forma, ausente qualquer razão para glosa dos créditos básicos utilizados pela Recorrente. VOTO POR DAR INTEGRAL PROVIMENTO ao Recurso Voluntário para reconhecer o direito ao aproveitamento de crédito básico na compra de ervamate das empresas informadas pela Recorrente em resposta à intimação encaminhada pelo Fisco. Fl. 404DF CARF MF Impresso em 26/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2013 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 25/03/2013 p or LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 19/03/2013 por RICARDO PAULO ROSA 12 Sala de Sessões, 31 de janeiro de 2013. (assinado digitalmente) Ricardo Paulo Rosa Relator Fl. 405DF CARF MF Impresso em 26/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2013 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 25/03/2013 p or LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 19/03/2013 por RICARDO PAULO ROSA
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