Busca Facetada
Turma- Terceira Câmara (29,283)
- Segunda Câmara (27,810)
- Primeira Câmara (25,086)
- Segunda Turma Ordinária d (17,966)
- Primeira Turma Ordinária (16,484)
- Primeira Turma Ordinária (16,434)
- 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR (16,295)
- Primeira Turma Ordinária (16,295)
- Segunda Turma Ordinária d (16,013)
- Segunda Turma Ordinária d (14,534)
- Primeira Turma Ordinária (13,106)
- Primeira Turma Ordinária (12,545)
- Segunda Turma Ordinária d (12,516)
- Quarta Câmara (11,514)
- Primeira Turma Ordinária (11,508)
- Quarta Câmara (85,721)
- Terceira Câmara (68,184)
- Segunda Câmara (57,010)
- Primeira Câmara (21,265)
- 3ª SEÇÃO (16,295)
- 2ª SEÇÃO (11,352)
- 1ª SEÇÃO (6,874)
- Pleno (788)
- Sexta Câmara (302)
- Sétima Câmara (172)
- Quinta Câmara (133)
- Oitava Câmara (123)
- Terceira Seção De Julgame (127,921)
- Segunda Seção de Julgamen (115,679)
- Primeira Seção de Julgame (77,486)
- Primeiro Conselho de Cont (49,053)
- Segundo Conselho de Contr (48,969)
- Câmara Superior de Recurs (38,117)
- Terceiro Conselho de Cont (25,979)
- IPI- processos NT - ressa (5,020)
- Outros imposto e contrib (4,458)
- PIS - ação fiscal (todas) (4,062)
- IRPF- auto de infração el (3,972)
- PIS - proc. que não vers (3,963)
- IRPJ - AF - lucro real (e (3,943)
- Cofins - ação fiscal (tod (3,868)
- Simples- proc. que não ve (3,681)
- IRPF- ação fiscal - Dep.B (3,045)
- IPI- processos NT- créd.p (2,251)
- IRPF- ação fiscal - omis. (2,215)
- Cofins- proc. que não ver (2,102)
- IRPJ - restituição e comp (2,088)
- Finsocial -proc. que não (1,996)
- IRPF- restituição - rendi (1,991)
- Não Informado (56,476)
- GILSON MACEDO ROSENBURG F (5,545)
- RODRIGO DA COSTA POSSAS (4,442)
- WINDERLEY MORAIS PEREIRA (4,272)
- CLAUDIA CRISTINA NOIRA PA (4,256)
- PEDRO SOUSA BISPO (4,108)
- HELCIO LAFETA REIS (3,893)
- ROSALDO TREVISAN (3,243)
- CHARLES MAYER DE CASTRO S (3,219)
- MARCOS ROBERTO DA SILVA (3,150)
- Não se aplica (2,936)
- PAULO GUILHERME DEROULEDE (2,840)
- WILDERSON BOTTO (2,657)
- RODRIGO LORENZON YUNAN GA (2,651)
- LIZIANE ANGELOTTI MEIRA (2,636)
- 2020 (41,088)
- 2021 (35,847)
- 2019 (30,960)
- 2018 (26,046)
- 2024 (25,923)
- 2012 (23,622)
- 2023 (22,473)
- 2014 (22,376)
- 2013 (21,088)
- 2011 (20,979)
- 2025 (19,653)
- 2010 (18,059)
- 2008 (17,137)
- 2017 (16,841)
- 2009 (15,846)
- 2009 (69,612)
- 2020 (39,854)
- 2021 (34,153)
- 2019 (30,463)
- 2023 (25,918)
- 2024 (23,872)
- 2014 (23,412)
- 2018 (23,139)
- 2025 (19,745)
- 2026 (18,907)
- 2013 (16,584)
- 2017 (16,398)
- 2008 (15,520)
- 2006 (14,857)
- 2022 (13,225)
Numero do processo: 10945.001316/2008-78
Data da sessão: Thu Aug 26 00:00:00 UTC 2010
Ementa: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI
Período de apuração: 01/01/2002 a 31/03/2002
CRÉDITO-PRESUMIDO, DIREITO
Somente faze jus ao crédito-presumido do IPI, como ressarcimento de PIS e Cofins, as empresas produtoras e exportadoras de mercadorias nacionais cujas industrializações foram efetivamente realizadas por elas.
Os produtos classificados como não-tributados (NT) pelo IPI, ainda que beneficiados e exportados, não-geram crédito-presumido do IPI,
CRÉDITOS PRESUMIDOS. INSUMOS ADQUIRIDOS DE PESSOAS FiSICAS
O ressarcimento das contribuições para o PIS e Cofins, a título de créditos presumido de IPI, está condicionado à efetiva incidência dessas contribuições na etapa imediatamente anterior.
RESSARCIMENTO. JUROS COMPENSATÓRIOS À TAXA SELIC
Incabível o pagamento de juros compensatório, à taxa Selic, sobre os
ressarcimentos de créditos-presumido de IPI.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3301-000.643
Decisão: ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade votos, negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator.
Os Conselheiros Antônio Lisboa Cardoso e Maria Teresa Martínez López votaram pelas conclusões.
Matéria: IPI- processos NT- créd.presumido ressarc PIS e COFINS
Nome do relator: JOSÉ ADÃO VITORINO DE MORAIS
1.0 = *:*
toggle all fields
materia_s : IPI- processos NT- créd.presumido ressarc PIS e COFINS
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:17:28 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201008
ementa_s : IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/01/2002 a 31/03/2002 CRÉDITO-PRESUMIDO, DIREITO Somente faze jus ao crédito-presumido do IPI, como ressarcimento de PIS e Cofins, as empresas produtoras e exportadoras de mercadorias nacionais cujas industrializações foram efetivamente realizadas por elas. Os produtos classificados como não-tributados (NT) pelo IPI, ainda que beneficiados e exportados, não-geram crédito-presumido do IPI, CRÉDITOS PRESUMIDOS. INSUMOS ADQUIRIDOS DE PESSOAS FiSICAS O ressarcimento das contribuições para o PIS e Cofins, a título de créditos presumido de IPI, está condicionado à efetiva incidência dessas contribuições na etapa imediatamente anterior. RESSARCIMENTO. JUROS COMPENSATÓRIOS À TAXA SELIC Incabível o pagamento de juros compensatório, à taxa Selic, sobre os ressarcimentos de créditos-presumido de IPI. Recurso Voluntário Negado.
numero_processo_s : 10945.001316/2008-78
conteudo_id_s : 6181165
dt_registro_atualizacao_tdt : Thu Apr 23 00:00:00 UTC 2020
numero_decisao_s : 3301-000.643
nome_arquivo_s : Decisao_10945001316200878.pdf
nome_relator_s : JOSÉ ADÃO VITORINO DE MORAIS
nome_arquivo_pdf_s : 10945001316200878_6181165.pdf
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade votos, negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator. Os Conselheiros Antônio Lisboa Cardoso e Maria Teresa Martínez López votaram pelas conclusões.
dt_sessao_tdt : Thu Aug 26 00:00:00 UTC 2010
id : 8205898
ano_sessao_s : 2010
atualizado_anexos_dt : Tue Oct 19 19:17:02 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1714076937601679360
conteudo_txt : Metadados => date: 2010-11-24T16:33:24Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.6; pdf:docinfo:title: ; xmp:CreatorTool: CNC PRODUÇÃO; Keywords: ; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; subject: ; dc:creator: CNC Solutions; dcterms:created: 2010-11-24T16:33:24Z; Last-Modified: 2010-11-24T16:33:24Z; dcterms:modified: 2010-11-24T16:33:24Z; dc:format: application/pdf; version=1.6; xmpMM:DocumentID: uuid:b148c46a-8b84-4a12-b49b-e8136fcd7014; Last-Save-Date: 2010-11-24T16:33:24Z; pdf:docinfo:creator_tool: CNC PRODUÇÃO; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:keywords: ; pdf:docinfo:modified: 2010-11-24T16:33:24Z; meta:save-date: 2010-11-24T16:33:24Z; pdf:encrypted: false; modified: 2010-11-24T16:33:24Z; cp:subject: ; pdf:docinfo:subject: ; Content-Type: application/pdf; pdf:docinfo:creator: CNC Solutions; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; creator: CNC Solutions; meta:author: CNC Solutions; dc:subject: ; meta:creation-date: 2010-11-24T16:33:24Z; created: 2010-11-24T16:33:24Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 9; Creation-Date: 2010-11-24T16:33:24Z; pdf:charsPerPage: 1539; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; meta:keyword: ; Author: CNC Solutions; producer: CNC Solutions; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: CNC Solutions; pdf:docinfo:created: 2010-11-24T16:33:24Z | Conteúdo => S3-C3T1 F I I 204 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo n" 10945.001316/2008-78 Recurso n" 515,984 Voluntário Acórdão n" 3301-00.643 — 3" Câmara / 1" Turma Ordinária Sessão de 26 de agosto de 2010 Matéria RESSARCIMENTO CRÉDITO-PRESUMIDO DO IPI Recorrente AB COMÉRCIO DE. INSUMOS LTDA, Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/01/2002 a 31/03/2002 CRÉDITO-PRESUMIDO, DIREITO Somente faze jus ao crédito-presumido do IPI, como ressarcimento de PIS e Cofins, as empresas produtoras e exportadoras de mercadorias nacionais cujas industrializações foram efetivamente realizadas por elas. Os produtos classificados como não-tributados (NT) pelo IPI, ainda que beneficiados e exportados, não-geram crédito-presumido do IPI, CRÉDITOS PRESUMIDOS. INSUMOS ADQUIRIDOS DE. PESSOAS FiSICAS O ressarcimento das contribuições para o PIS e Cofins, a título de créditos- presumido de IPI, está condicionado à efetiva incidência dessas contribuições na etapa imediatamente anterior, RESSARCIMENTO. JUROS COMPENSATÓRIOS À TAXA SELIC Incabível o pagamento de juros compensatório, à taxa Selic, sobre os ressarcimentos de créditos-presumido de IPI. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade votos, negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator. Os Conselheiros Antônio Lisboa Cardoso e Maria Teresa Martínez López votaram pelas conclusões, d Co a INssas - Presidente José Adã rino de Morais - Relator Participaram do presente julgamento, os Conselheiros José Adão Vitorino de Morais, Antônio Lisboa Cardoso, Maurício Taveira e Silva, Maria Teresa Martinez López e Rodrigo da Costa Pôssas. Ausente temporariamente o Conselheiro Rodrigo Pessoa de Mello. Relatório Trata-se de recurso voluntário interposto contra decisão da DRJ Ribeirão Preto, SP, que julgou improcedente a manifestação de inconformidade apresentada contra o despacho decisório às fls. 1.051/1,087 que indeferiu o pedido de ressarcimento de crédito- presumido de IPI referente ao 1° trimestre de 2002, sob os fundamentos de que a recorrente não faz jus ao crédito pleiteado pelo fato de apenas beneficiar e exportar produtos não-tributados (NT) e, ainda, por emitir notas fiscais com destino à exportação com o CTOP de produtos de revenda ou venda no mercado interno ou ainda por adquirir mercadorias de pessoas físicas. Cientificada do despacho decisório, inconformada, a recorrente interpôs manifestação de inconformidade, alegando razões que foram assim sintetizadas por aquela DRJ: "a) Na lei inexiste previsão que diga que o beneficio é concedido ao produto classificado numa ou noutra posição da TIPI; ou que o produto deve ser tributado ou não tributado pelo IPI, PIS/PASEP ou COFINS; se trata ou não de contribuinte do IPI, se trata de produto industrializado, ou ainda, de as aquisições de pessoas físicas ou de cooperativas não ensejam direito ao crédito; b) Instruções Normativos são normas complementares das Leis (art 100 do CTN) e não podem transpor, inovar ou modificar texto das normas que complementam. As leis são claras e em nenhuma delas há qualquer artigo que estabeleça qualquer condição em relação à origem dos insumos aplicados às mercadorias exportadas e tampouco em relação à incidência ou não de IPI; e) A empresa satisfaz os requisitos necessários definidos na Lei n° 9363/96 e n° 10,276/01, ou seja, é produtora e exportadora de mercadorias nacionais; d) Os créditos que vierem a ser identificados e ressarcidos deverão ser corrigidos, mediante a aplicação da taxa SELIC, a partir do mês subseqüente a cada período de apuração do crédito; e) Para corroborar com a posição da empresa, apresenta diversos acórdãos do Conselho de Contribuintes acerca da matéria em discussão, além de vasta toutr a e / julgados que cita, . 4.1 Por fim, protesta pela produção de todas as provas em direito admi -, especialmente pela juntada ulterior de novos documentos, ou se necessárifirfo sejam baixados os autos em diligência." Analisada a manifestação de inconformidade, aquela DRJ julgou-a improcedente e indeferiu o ressarcimento pleiteado, conforme acórdão 0 0 14-25.693, datado de 12/08/2009, às fls. 1,140/1.1,51, sob as seguintes ementas: "CRÉDITO PRESUMIDO DO IPI RECEITAS DE EXPORTAÇÃO. PRODUTO NT Processo n" 10945.001316/2008-78 s3-c3TI Acórdão n a 3301-00443 Fl 1 205 A exportação de produtos NT não gera direito ao crédito presumido do IPI instituído para ressarcimento do PIS/Pasep e da Cotins. Não se consideram produtores, para efeitos fiscais, os estabelecimentos que confeccionam mercadorias constantes da TIPI com a notação NT CRÉDITO PRESUMIDO, VENDAS PARA ElkIPRESAS COMERCIAIS EXPORTADORAS Não geram direito ao crédito presumido, as VendaS para empresas comerciais exportadoras quando não 1- star comprovada a saída dos produtos com o . finr e.sp cifico exportação nos termos da legislação do IPI, CRÉDITO PRESUMIDO. EMPRESA PRODUTORA- EXPORTADORA . A simples revenda para o exterior de mercadorias adquiridas de terceiros, sem sofrer qualquer processo de industrialização, não está contemplada no incentivo fiscal. CRÉDITO PRESUMIDO. BASE DE CÁLCULO, AQUISIÇÕES DE MATÉRIAS-PRIMAS DE PESSOAS FÍSICAS, COOPERATIVAS E EMPRESAS COMERCIAIS O valor dos irisamos adquiridos de pessoas . fisicas, cooperativas e afins, não contribuintes do PIS/Pasep e da Co fins, não se inclui na base de cálculo do crédito presumido do IPI. Também não integra a base de cálculo, o valor dos produtos adquiridos de terceiros e que não tenham sido submetidos a qualquer processo de industrialização pelo exportador. CRÉDITO PRESUMIDO. JUROS PELA TAXA SELIC POSSIBILIDADE. Inexiste previsão legal para abonar atualização monetária ou acréscimo de ¡uras equivalentes á taxa SELIC a valores objeto de ressarcimento de crédito de ILEGALIDADE DE ATOS NORMATIVOS A autoridade administrativa é incompetente para se manifestar acerca de suscitada ilegalidade de atos normativos regularmente editados. JUNTADA POSTERIOR DE DOCUMENTOS Sob pena de prechrsão temporal, o momento processual para o oferecimento da impugnação, ou da manifestação de inconfOrmidade, é o Illare0 para apresentação de prova e 4alegações com o condão de modificar; impedir ou e.xtin . a pretensão fiscal, consideradas as exceções previstas no . .4.a processual tributário. J PEDIDO DE DILIGÊNCIA. PRESCINDIBILID"ADE. INDEFERIMENTO. Estando presentes nos autos todos os elementos de convicção necessários á adequada solução da lide, indefere-se, por prescindível, o pedido de diligência ou perícia .....a/.-------- ElkIPRESAS VendaS para nã.o star e.sp cifico 3 ÔNUS DA PROVA Cabe ao interessado o ônus da prova dos fatos constitutivo do direito que pleiteia Inconformada com essa decisão, a recorrente interpôs o recurso voluntário às fls. 1153/1.195, requerendo a sua reforma a fim de que seja deferido o ressarcimento pleiteado, inclusive, acrescido de juros compensatórios à taxa Selic, desde o primeiro mês subseqüente ao da apuração do crédito, alegando, em síntese, que: a) faz jus ao crédito- presumido, nos termos da Lei n° 10.276, de 10/09/2001; b) ilegalidade das restrições do beneficio, vedando sua extensão aos produtos NT; c) ilegalidade das INs SRF que excluíram os produtos classificados nos códigos fiscais de operações (CFOP) de vendas de mercadorias; d) ilegitimidade da exclusão dos insumos adquiridos de pessoas físicas; e, d) o ressarcimento a ser deferido deverá ser corrigido pela Selic em face do decurso temporal entre o pedido e seu ressarcimento nos termos da Lei IV 9.250, de 26/12/1995, art. 39, § 4'. Para fundamentar seu recurso, expendeu, às fls. 1,156/1194, extenso arrazoado sobre: i) o crédito presumido do IPI — histórico legal necessário; ii) ilegalidade da restrição às mercadorias com saída N'T — não tributadas e conceito de receita de exportação; iii) a qualidade da empresa exportadora e vendas para comercial exportadora; iv) a ilegítima restrição aos créditos pela utilização de CFOP de venda de mercadorias; v) a ilegítima exclusão de insumos adquiridos de pessoas fisicas da base de cálculo do crédito presumido referente à exportação de mercadoria nacional; vi) a correção dos créditos pela Selic; vii) os óbices temporais e administrativos, concluindo, ao final, que faz jus ao ressarcimento pleiteado. É o relatório. Voto Conselheiro José Adão Vitorino de Morais, Relator O recurso apresentado atende aos requisitos de admissibilidade previstos no Decreto n" 70.235, de 06 de março de 1972. Assim, dele conheço. Em que pese o extenso arrazoado expendido pela recorrente, em seu recurso voluntário, as questões opostas nesta fase recursal se restringem ao seu direito ou não ao crédito-presumido do IPI pleiteado, decorrente de exportação de produtos não-industri çfs por ela e apurado sobre: a) produtos adquiridos de terceiros e exportados sem que t' vess4 sido industrializados por ela; e, b) sobre aquisições de pessoas físicas; e, ainda, o pagame si - juros compensatório à taxa Selic sobre beneficio fiscal passível de ressarcimento, i) crédito-presumido sobre matérias-prima. insumos e materiais intermediários utilizados em produtos NT exportados. O beneficio fiscal denominado "crédito-presumido do 1PI", a título de ressarcimento do PIS e da Cofins incidentes nas aquisições de matérias-prima, insurnos e materiais intermediários utilizados em produtos industrializados e exportados foi inicialmente instituído pela Lei n° 9.363, de 13/12/1996 e, posteriormente, por meio da Lei if 10.276, de 10/09/2001, foi criado o regime alternativo, adotado pela recorrente, estendendo esse beneficio a uma gama maior de *nsu utilizados na industrialização de produtos exportados, assim dispondo in verbis: 4 Processo n" 10945.001316/2008-78 Acórdão n " 3301-00.643 S3-C3TI Fl 1 206 "Ari. 12 Alternativamente ao disposto na Lei n 2 9.363, de 13 de dezembro de 1996, a pessoa jurídica produtora e exportadora de mercadorias nacionais para o exterior poderá determinar o valor do crédito presumido do Imposto sobre Produtos Industrializados (1P1), como ressarcimento relativo às contribuições para os Programas de Integração Social e de Formação do Patrimônio do Servidor' Público (P1S/PASEP) e para a Seguridade Social (COFINS), de conformidade com o disposto em regulamento. § 1 J-.' A base de cálculo do crédito presumido será o somatório dos seguintes custos, sobre os quais incidiram as contribuições referidas no capta. I - de aquisição de i1151111105", correspondentes a matérias-primas, a produtos intermediários e a materiais de embalagem, bem assim de energia elétrica e combustíveis, adquiridos no mercado interno e utilizados no processo produtivo; - correspondentes ao valor da prestação de serviços decorrente de inthrstrialização por encomenda, na hipótese em que o encomendante seja o contribuinte do JPI, na forma da legislação deste imposto. ) § 4 A opção pela alternativa constante deste artigo será exercida de conformidade com normas estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal e abrangerá, obrigatoriamente.. ), II - todo o ano-calendário, quando exercida nos anos subseqüentes. ) Posteriormente, foi editada a IN SRF if 69, de 06/08/2001, que re ntdu a aplicação desse dispositivo, assim dispondo, in verbis: "Art. .5° Fará jus ao crédito presumido a que se refere o art. 1"a empresa produtora e exportadora de produtos industrializados nacionais §1° O direito ao crédito presumido aplica-se inclusive. I - a produto industrializado sujeito a &iguala zero; - nas vendas a empresa comercial exportadora, com o fim especifico de ex-portação §2" O crédito presumido relativo a produtos oriundos da atividade rural, conforme definida no art. 2" da Lei n" 8.023, de 12 de abril de 1990, utilizados como matéria-prima, produto intermediário ou material de embalagem, na industrialização de produtos exportados, será calculado, ex.clusivamente, em relação 5 às aquisições, efetuadas de pessoas jurídicas, sujeitas à contribuição para o PIS/Pasep e à Colins," Ora, segundo os dispositivos legais citados e transcritos acima, o crédito- presumido do IPI contempla apenas e tão somente os produtos industrializados nacionais exportados para o exterior diretamente pelo próprio produtor exportador e/ ou via empresa comercial exportadora. Produtos não-tributados (NT) pelo IPI, nos termos da legislação desse imposto, não se classificam como produtos industrializados. Aliás, a própria recorrente reconheceu que os produtos beneficiados por ela c os adquiridos de terceiros, já beneficiados, soja, milho e trigo, todos "in naturct", exportados por ela, estão classificados na TIPI como NT, ou seja, não-tributados pelo IPI, estando, portanto, excluídos do campo da incidência desse imposto e também excluídos do conceito de produtos industrializados. Dessa forma, não há que se falar em ressarcimento do crédito-presumido do IPI decorrente da exportação de tais produtos. ii) produtos adquiridos de terceiros e exportados sem que tivessem sido industrializados por ela Ora conforme demonstrado no item anterior, o crédito-presumido do IPI contempla apenas e tão somente os produtos industrializados e exportados diretamente pelo próprio produtor exportador e/ ou via comercial exportadora. Produtos adquiridos de terceiros e exportados sem que tenham sido submetidos a quaisquer processos de industrialização nos termos da legislação do IPI, conforme provam os artigos 1" da Lei if 10.276, de 2001, e 5' da IN SRF n" 69, de 2001, ambos citados e transcritos anteriormente, não foram contemplados com o crédito-presumido do IPI, III) aquisições de pessoas fisicas. Também ao contrário do que defende a recorrente, as aquisições de pessoas físicas não geram crédito-presumido do IPI, a título de ressarcimento do PIS e Cofins, pelo fato de não terem sofrido a incidência dessas contribuições. A Lei if 9.363, de 1996, que instituiu o crédito-presumido do IPI, para o ressarcimento do valor do PIS/Pasep e da Cofins, como incentivos fiscais às empresas produtoras e exportadoras de produtos industrializados e, posteriormente, a Lei n." 10.276, de 2001, que criou o regime alternativo, têm como objetivo incentivar as exportações de produtos industrializados, reduzindo a carga tributária cumulativa sobre os custo de industrialização. Assim, por meio daquelas leis, criou-se um mecanismo pelo qual a carga tributária sobre os produtos industriais exportados ficou reduzida, permitindo ao produtor exportador se ressarcir dos custos do PIS e da Cofins pagos, quando das aquisiçõ matérias-prima, insumos e materiais intermediários utilizados nas suas produções, evit exportação de tributos e aumentando a capacidade de competência dos produtos nacionais 1s mercados externos. Como nas aquisições efetuadas diretamente de pessoas físicas, no presente caso, de produtores rurais, não houve incidência de PIS e Cofins. Assim, não há que se falar em ressarcimento de tributos que não foram desembolsados. Além disto, o crédito-presumido do IPI instituído pela referida lei é um beneficio fiscal e, sendo assim, a sua concessão deve ser interpretada restritivamente, a teOdo 6 manifestou: Processo n" 10945.001316/2008-78 S.3-C3TI Acórdão o " 3301-0W643 F1 1 207 disposto no art. 111 do Código Tributário Nacional - CTN, para que não se estenda a exoneração fiscal a casos semelhantes. Tratando-se de norma em que o Estado abre mão de determinada receita tributária, a interpretação não admite alargamentos do texto legal. Nesse sentido, Carlos Maximiliano, discorrendo sobre a hermenêutica das leis fiscais, ensina: "402 — Hl O rigor é maior em se tratando de disposição excepcional, de isenções ou abrandamentos de ônus em proveito de indivíduos ou corporações. Não se presume o intuito de abrir mão de direitos inerentes à autoridade suprema. A outorga deve ser feita em termos claros, irretorquíveis; .ficar provada até a evidência, e se não estender além das hipóteses figuradas no texto; jamais será inferida de fatos que não indiquem irresistivelmente a existência da concessão ou de um contrato que a envolva. No caso, não tem cabimento o brocardo célebre; na dúvida, se decide contra as isenções totais ou parciais, e a favor do . fisco; ou, melhor, presume-se não haver o Estado aberto mão de sua autoridade para exigir tributos "1 O art. 1" transcrito anteriormente restringe o beneficio fiscal ao "ressarcimento de contribuições [ ..1 incidentes nas respectivas aquisições". O legislador referiu-se ao PIS e à Cofins incidentes sobre as operações de vendas faturadas pelos fornecedores para as empresas produtoras/exportadoras, ou seja, nesse caso, se as vendas de insumos efetuadas pelos fornecedores não sofreram a incidência daquelas contribuições, não há como enquadrá-las naquele dispositivo legal. Há entendimentos, defendendo que o incentivo alcançaria todas as aquisições, inclusive as que não sofreram incidência das referidas contribuições. Contudo, o fato de o crédito presumido visar à desoneração de mais de urna etapa da cadeia produtiva não autoriza que se interprete extensivamente a norma, concedendo o incentivo a todas as aquisições efetuadas pelo contribuinte, independentemente, de tais contribuições terem sido pagas ou não na etapa anterior. Alfredo Augusto Becker, ao se referir à interpretação exterri~s—sim se ". na extensão não há interpretação, mas criação de regra jurídica nova. Com efeito, o intérprete constata que o fluo por ele focalizado não realiza a hipótese de incidência da regra jurídica; entretanto, em virtude de certa analogia, o intérprete estende ou alarga a hipótese de incidência da regra jurídica de modo a abranger o fato por ele .focalizado Ora, isto é criar regra jurídica nova, cuja hipótese de incidência passa a ser alargada pelo intérprete e que não era a hipótese de incidência da regra jurídica velha." Ora, se a interpretação extensiva cria regra jurídica nova, é claro que sua aplicação é vedada pelo art. 111 do CTN, quando se trata de incentivo fiscal. Assim, não há como ampliar o disposto no art. 1° da Lei n° 9.363, de 1996, que limita expressamente o incentivo fiscal ao ressarcimento das contribuições incidentes sobre as aquisições do produtor- exportador, não o estendendo a todas as aquisições da cadeia comercial do produto I Hermenêutica e Aplicação do Direito, 111, Forense, Rio de Janeiro, 1992, pp. 333/334 7 Portanto, se na etapa anterior da cadeia produtiva dos insumos não houve o pagamento de PIS e de Cofins, o ressarcimento tal como foi concebido não alcança tais insumos. Se assim não fosse, não haveria necessidade de a norma especificar que se trata de ressarcimento das contribuições incidentes sobre as respectivas aquisições, ou, o que dá no mesmo, incidentes sobre as aquisições da empresa produtora/exportadora Esse entendimento é reforçado pelo fato de o art. 5 0 da Lei n° 9,363, de 1996 prever o imediato estorno das parcelas do incentivo a que faz jus o produtor/exportador quando houver restituição ou compensação da contribuição para o PIS e Cofins pagas pelo fornecedor de matérias-primas na etapa anterior, ou seja, o estorno da parcela de incentivo que corresponda às aquisições de fornecedores que obtiveram a restituição ou a compensação dos referidos tributos. Havendo imposição legal para estornar as correspondentes parcelas de incentivos na hipótese em que as contribuições pagas pelo fornecedor lhes foram, posteriormente, restituídas, não se pode utilizar, no cálculo do incentivo, as aquisições em que estes mesmos fornecedores não arcaram com os tributos incidentes nas vendas dos respectivos insumos. Dessa forma, não há que se falar em créditos-presumido de IPI decorrentes de PIS e Cofins nas aquisições de pessoas físicas, posto que não são contribuintes dessas contribuições. Ressalte-se, ainda que, intimada a apresentar os arquivos arquivo contendo as compras, com direito ao crédito-presumido, de matérias-primas, produtos intermediários e materiais de embalagem, informando os totais mensais e relacionando as respectivas notas fiscais de entrada com todos os dados da compra, a recorrente atendeu à intimação e os apresentou. Contudo, de seus exame, verificou-se que todas as compras foram efetuadas diretamente de pessoas físicas, fato não contestado por ela e que implica no não- reconhecimento do seu direito ao ressarcimento pleiteado pelo seu total, independentemente das alegações de que produtos adquiridos de outras pessoas jurídicas e exportados por ela sem que tenham sofrido quaisquer tipos de industrialização em seu estabelecimento geraria crédito- presumido de IPI. d) juros compensatórios sobre ressarcimento Ainda que fosse reconhecido o seu direito parcial e/ ou integr ressarcimento pleiteado, o que não é o caso, inexiste previsão legal para o pagamento de j e . , compensatórios à taxa Selic sobre tais valores. Somente estão sujeitos a juros compensatóri os valores dos indébitos tributários repetidos/compensados, conforme determina a Lei n° 9,250, de 1995, art. 39, § 4'. O ressarcimento de IPI, não constitui indébito tributário decorrente de pagamento indevido e/ ou a maior, passível de repetição e/ ou compensação. Trata-se de um beneficio fiscal concedido pelo Poder Executivo por meio de lei e tem como objetivo incentivar as exportações de produtos industrializados. Assim, ao contrário do entendimento da requerente, não se aplica a ele o disposto naquela lei. No caso de ressarcimento não há ingresso indevido de valores nos cofres públicos, mas sim renúncia fiscal com o objetivo de estimular determinado seguimento da economia, cuja concessão se subsume estritamente aos termos e condições estipuladas pelo poder concedente. Por se tratar de situação excepcional concessão de beneficio, não cabe ao intérprete ir além do que nela foi estipulado. 1 Processo n" 10945.001316/2008-78 S3-C3T1 Acórdão n." 3301-00443 Fl 1 208 A previsão legal para a incidência de juros à taxa Selic prevista na Lei n" 9..250, de 26/12/1995, art. 39, § 4", somente se refere aos casos de restituição de tributos. Ao mencionar a compensação, é claro que o dispositivo refere-se aos valores que podem ser restituídos, não permitindo interpretação extensiva, Também o texto daquela lei é claro, não havendo como aplicar por analogia aquele dispositivo legal aos casos de ressarcimentos de tributos, a titulo de incentivos fiscal. Além disto, o parágrafo 5" do art, 51 da IN SRF n" 460, de 2004, veda, expressamente, a atualização monetária de créditos de IPI a serem ressarcidos: Art. 51, O crédito relativo a tríbulo ou contribuição administrados pela SRF, passível de restituição, será restituído ou compensado com o acréscimo de juros equivalentes à tara referencial do Sistema Especial de Liquidação e de Custódia (Selic) para títulos federais, acumulados mensalmente, e de juros de I% (um por cento) no mês em que: ) .52 Não incidirão juros compensatórios no ressarcimento de créditos do IP); da Contribuição para o PIS/Pasep e da Coibis, bem como na compensação de referidos créditos. Tal dispositivo foi mantido na IN SRF n° 600, de 2005, art.. 52, parágrafo 5'. Dessa forma, não há que se falar em incidência de juros compensatórios sobre ressarcimentos. Em face do exposto e de tudo o mais que consta d, ao presente recurso, rovimento José A. / (nino de Morais 9
score : 1.0
Numero do processo: 10280.005014/2004-14
Data da sessão: Mon Jul 05 00:00:00 UTC 2010
Ementa: IRPJ/CSLL. DECADÊNCIA. Para os casos dos tributos sujeitos à forma de apuração por homologação, aplica-se a regra decadencial prevista no § 4º do artigo 150 do Código Tributário Nacional, salvo nos casos de dolo, fraude ou simulação
Numero da decisão: 9101-000.611
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar
provimento ao recurso da Fazenda Nacional para os três primeiros trimestres do ano calendário de 1998 e, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso da Fazenda Nacional para o último trimestre do ano calendário de 1998, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. Vencidos os Conselheiros Leonardo de Andrade Couto, Viviane Vidal Wagner e Carlos Alberto Freitas Barreto.
Nome do relator: Karem Jureidini Dias
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:17:28 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201007
ementa_s : IRPJ/CSLL. DECADÊNCIA. Para os casos dos tributos sujeitos à forma de apuração por homologação, aplica-se a regra decadencial prevista no § 4º do artigo 150 do Código Tributário Nacional, salvo nos casos de dolo, fraude ou simulação
numero_processo_s : 10280.005014/2004-14
conteudo_id_s : 6318336
dt_registro_atualizacao_tdt : Mon Jan 18 00:00:00 UTC 2021
numero_decisao_s : 9101-000.611
nome_arquivo_s : Decisao_10280005014200414.pdf
nome_relator_s : Karem Jureidini Dias
nome_arquivo_pdf_s : 10280005014200414_6318336.pdf
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso da Fazenda Nacional para os três primeiros trimestres do ano calendário de 1998 e, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso da Fazenda Nacional para o último trimestre do ano calendário de 1998, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. Vencidos os Conselheiros Leonardo de Andrade Couto, Viviane Vidal Wagner e Carlos Alberto Freitas Barreto.
dt_sessao_tdt : Mon Jul 05 00:00:00 UTC 2010
id : 8629900
ano_sessao_s : 2010
atualizado_anexos_dt : Tue Oct 19 19:17:42 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1714076937606922240
conteudo_txt : Metadados => date: 2010-10-07T15:04:13Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.6; pdf:docinfo:title: ; xmp:CreatorTool: CNC PRODUÇÃO; Keywords: ; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; subject: ; dc:creator: CNC Solutions; dcterms:created: 2010-10-07T15:04:13Z; Last-Modified: 2010-10-07T15:04:13Z; dcterms:modified: 2010-10-07T15:04:13Z; dc:format: application/pdf; version=1.6; xmpMM:DocumentID: uuid:8e8310bc-368d-4262-9dfc-f14c53ba4e2c; Last-Save-Date: 2010-10-07T15:04:13Z; pdf:docinfo:creator_tool: CNC PRODUÇÃO; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:keywords: ; pdf:docinfo:modified: 2010-10-07T15:04:13Z; meta:save-date: 2010-10-07T15:04:13Z; pdf:encrypted: false; modified: 2010-10-07T15:04:13Z; cp:subject: ; pdf:docinfo:subject: ; Content-Type: application/pdf; pdf:docinfo:creator: CNC Solutions; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; creator: CNC Solutions; meta:author: CNC Solutions; dc:subject: ; meta:creation-date: 2010-10-07T15:04:13Z; created: 2010-10-07T15:04:13Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 5; Creation-Date: 2010-10-07T15:04:13Z; pdf:charsPerPage: 1557; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; meta:keyword: ; Author: CNC Solutions; producer: CNC Solutions; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: CNC Solutions; pdf:docinfo:created: 2010-10-07T15:04:13Z | Conteúdo => CSRF-T1 Fl 1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS Processo n° 10280.005014/2004-14 Recurso n° 156,7.35 Especial do Procurador Acórdão n° 9101-00.611 — 1" Turma Sessão de 05 de julho de 2010 Matéria IRP,I E OUTRO Recorrente FAZENDA NACIONAL Interessado PALATE COMÉRCIO, IMPORTAÇÃO E EXPORTAÇÃO LTDA. IRPJ/CSLL. DECADÊNCIA. Para os casos dos tributos sujeitos à forma de apuração por homologação, aplica-se a regra decadencial prevista no § 4 0 do artigo 150 do Código Tributário Nacional, salvo nos casos de dolo, fraude ou simulação. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso da Fazenda Nacional para os três primeiros trimestres do ano calendário de 1998 e, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso da Fazenda Nacional para o último trimestre do ano calendário de 1998, nos ten. s do relatório e voto que integram o presente julgado. Vencidos os Conselheiros Leonar o de Andrade Couto, Viviane Vidal Wagner e Carlos Alberto Freitas Barreto4 CARLOS ALBERIP 1EITAS BIRRETO - Presidente. KAREM JUR(EIDINI, IAS - Relat ra. EDITADO EM: 1 7 SET 2 1O Participaram do presente julgamento os conselheiros: Francisco Sales Ribeiro de Queiroz, Alexandre Andrade Lima da Fonte Filho, Leonardo de Andrade Couto, Karem Jureidini Dias, Claudemir Rodrigues Malaquias, Viviane Vidal Wagner, Valmir Sandri, Susy Gomes Hoffinann e Carlos Alberto Freitas Barreto, Ausente, justificadamente o Conselheiro Antonio Carlos Guidoni Filho. 2 Relatório Trata-se de Recurso Especial apresentado pela Fazenda Nacional, com base no artigo 70, inciso II do antigo Regimento Interno da Câmara Superior Recursos Fiscais, em face do Acórdão n° 107-09.064, da então Sétima Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes. O processo trata de Auto de Infração para a exigência de IRR1 e CSLL referente aos quatro trimestres do ano-calendário de 1998, cuja ciência foi dada ao contribuinte em 28/12/2004 (fls. 193) e 24/12/2004 (fls. 192), São duas notificações, pois houve a intimação de co-responsáveis. Houve aplicação de multa qualificada em 150%. Impugnado o lançamento, sobreveio o acórdão da Delegacia da Receita Federal de Julgamento (fls.369/401), que julgou o lançamento improcedente. Sobrevieram, então, Recurso de Oficio, e o acórdão da Sétima Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, o qual, negou provimento ao recurso de oficio, desqualificando a multa de oficio de 150% para 75%, bem como reconhecendo a decadência pleiteada. A Fazenda Nacional apresentou, então, Recurso Especial (fls. 427/434), no qual alega, em suma, que deve ser aplicado o prazo previsto no artigo 173, inciso I, em detrimento do artigo 150, §4°, ambos do Código Tributário Nacional, independentemente da comprovação de conduta fraudulenta. O Despacho de fls. 451/453 deu seguimento ao Recurso da Fazenda Nacional, Intimado, o contribuinte não apresentou suas contra-razões as fls. 672/675. É o relatório, 3 Processo if 10280.0050t4/2004-14 Acórdão n " 9101-00.611 CSRF-T1 F 1 2 Voto Conselheira KAREM JUREIDINI DIAS A matéria versa sobre decadência do IRRT e CSLL mais especificamente, se é aplicável o prazo previsto no artigo 173, inciso 1 ou no artigo 150, §40, ambos do Código Tributário Nacional. Para tanto, verifica-se que: (1) o acórdão recorrido aplicou o prazo decadencial previsto no artigo 150, § 4° do Código Tributário Nacional; (ii) o acórdão recorrido, neste passo, cancelou a exigência fiscal referente ao ano-calendário de 1998, tendo em vista que a ciência do auto de infração lavrado para a constituição do crédito tributário se verificou em 28/12/2004; e (iii) o Recurso Especial pugna pela aplicação do artigo 173 do Código Tributário Nacional; (iv) houve a redução da multa de oficio de 150% para 75%. A desqualificação da penalidade foi feita em primeira instância; e (v) a Procuradoria da Fazenda Nacional menciona a existência de recolhimento parcial ("recolhimento insuficiente) - fls. 431. Primeiramente, importante aspecto a ser analisado é o método de apuração aplicado aos tributos em comento, O Código Tributário Nacional adotou três modalidades distintas de apuração de tributos, sendo elas: modalidade por declaração (artigo 147), modalidade de oficio (artigo 149) e modalidade por homologação (artigo 150). Atualmente, a modalidade mais comum é a do "autolançamento", ou modalidade por homologação, na qual é outorgada ao contribuinte a tarefa de providenciar a constituição do crédito tributário, mediante a introdução no ordenamento jurídico de norma individual e concreta que, em seu conseqüente, apura a base de cálculo do tributo, aplica a alíquota prevista em lei e identifica os sujeitos passivo e ativo. O lançamento dos tributos sujeitos à sistemática de apuração por homologação é regido pelo artigo 150 do Código Tributário Nacional, o qual, em seu parágrafo 4°, impõe à Autoridade Administrativa o prazo de 5 (cinco) anos para homologação dos procedimentos adotados pelo particular. Decorrido tal prazo, são tacitamente homologados os procedimentos de apuração do tributo, O IRPT e a CSLL, assim como a grande maioria dos tributos hoje previstos no sistema tributário brasileiro, são tributos sujeitos à apuração por homologação, sendo aplicáveis, pois, as disposições do artigo 150, §40 do Código Tributário Nacional. Portanto, devem obediência às disposições do Código Tributário Nacional, Lei Complementar que determina as normas gerais de aplicação tributária no país, inclusive o prazo decadencial de 5 (cinco) anos para a autoridade administrativa analisar os procedimentos adotado pelo contribuinte, na constituição do crédito tributário, cabendo a ela homologá-los ou não. / 4 Ademais, não compartilho da tese de que sempre que se tratar de lançamento de oficio, portanto, efetuado pela Administração Pública, a regra aplicável é aquela prevista no artigo 173 do Código Tributário Nacional. Isto porque, o lançamento propriamente dito é sempre de oficio, sob pena de se negar vigência ao artigo 142 do Código Tributário Nacional, o qual dispõe que "compete privativamente à autoridade administrativa constituir o crédito tributário pelo lançamento Ainda, em interpretação sistemática das normas existentes no Código Tributário Nacional em relação de coordenação, extrai-se que as modalidades previstas na Seção II do Código referem-se a modalidades de apuração do tributo. Ou seja, o tributo pode ser constituído e apurado pelo contribuinte, por meio de expedição de norma individual e concreta com força de lançamento, ou o tributo pode ser constituído e apurado pela autoridade administrativa, por meio do lançamento propriamente dito. Para efeito de escolha entre a aplicação da norma decadencial prevista no artigo 150 ou no artigo 173, ambos do Código Tributário Nacional, deve-se verificar a forma de apuração originariamente prevista para o tributo em análise. O lançamento, portanto efetuado pela autoridade administrativa, é resultado de uma das duas operações: ou da não homologação da apuração efetuada pelo contribuinte, ou da apuração a que está originariamente obrigada, em atividade vinculada, a Administração Pública. Para esta última hipótese, existe previsão no inciso I do artigo 149 do Código Tributário Nacional, enquanto que para a modalidade de apuração por homologação, aplicam-se outras previsões para o lançamento, como aquelas dos incisos II e III, ambos do mesmo dispositivo legal. Os incisos se prestam justamente a demonstrar as diferentes situações: uma coisa é o lançamento de oficio como modalidade originária, outra coisa é o lançamento de oficio efetuado em revisão de apuração que ficou originariamente a cargo do contribuinte. A meu ver, admitir que o fato de haver lançamento por parte da autoridade administrativa, em razão da não homologação da apuração efetuada pelo contribuinte, substitui a modalidade de apuração prevista para um tipo de tributo implica em negar vigência ao disposto no artigo 149 e também ao disposto no artigo 150, § 4', ambos do Código Tributário Nacional, Ainda, importa essa interpretação em tornar sem efeito a disposição última do citado artigo. Isto porque, o referido dispositivo legal expressamente determina que é apenas no caso de comprovada ocorrência de dolo, fraude ou simulação que, na modalidade de apuração por homologação, este prazo se desloca para aquele disposto no artigo 173, inciso I, do mesmo Código. Ora, nos casos de apuração por homologação apenas haverá constatação de dolo, fraude ou simulação se houver lançamento de oficio, mas nem sempre que há o lançamento de oficio existe a constatação de dolo, fraude ou simulação. Assim, se a norma legal especifica as hipóteses em que o prazo previsto no artigo 150 do Código Tributário Nacional se desloca para aquele previsto no artigo 173 do mesmo código, então tal prazo não pode ser aplicado para qualquer lançamento de oficio, senão apenas nos casos em que ocorrer lançamento de oficio que implique em não homologação do procedimento adotado pelo contribuinte e com constatação de dolo, fraude ou simulação. O prazo previsto no artigo 173 do Código Tributário Nacional é também aplicável aos tributos cuja modalidade de apuração é originariamente de oficio, conforme dispõe o inciso 1 do artigo 149 do Código Tributário Nacional. Do exposto, entendo que o artigo 173 do Código Tributário Nacional se refere apenas a prazo decadencial para os tributos sujeitos à apuração pela modalidade originária de lançamento de oficio ou para os lançamentos efetuados em procedimento de revisão e que impliquem em constatação de dolo, fraude ou simulação, ou no máximo, quando KAREM JUREIfát AS - Relatora Processo na 10280005014/2004-14 Acórdão n 9101-00.611 CSRF-T1 Fl. 3 inexistir qualquer apuração a ser homologada. Já o artigo 150, § 4' do Código Tributário Nacional assevera norma decadencial para os tributos cuja forma de apuração é a de homologação, corno ocorre no presente caso. Portanto, a regra prevista no artigo 150, § 4° do Código Tributário Nacional se aplica aos tributos em discussão, quando lançado de oficio e não verificado dolo, fraude ou a simulação não procedendo o entendimento exarado no voto vencido do acórdão recorrido de que não haveria lançamento por homologação e, portanto, seria aplicável o artigo 173, inciso 1 do Código Tributário Nacional. Desta forma, não há que se falar na aplicação, in casu, da regra prevista no o artigo 173, inciso 1 do Código Tributário Nacional, urna vez ser aplicável o artigo 150, § 4" do Código Tributário Nacional. De outra parte, mesmo adotando o entendimento do Superior Tribunal de Justiça, no sentido de que o artigo 150, § 4° do Código Tributário Nacional é aplicável somente quando resta comprovada a existência de recolhimento parcial, verifica-se que a Procuradoria da Fazenda Nacional menciona que houve, in castt, recolhimento parcial (fis. 431), razão pela qual também deve ser considerado como termo a quo o fato gerador do tributo. Neste passo, em se tratando de fatos geradores ocorridos no ano-calendário de 1998 e, considerando que a ciência do auto de infração ao contribuinte ocorreu em 28/12/2004, constata-se a decadência conforme o acórdão recorrido, nos termos do artigo 150, § 4° do Código Tributário Nacional. Por todo o exposto, voto por negar provimento ao recurso Especial da Fazenda Nacional,
score : 1.0
Numero do processo: 11176.000087/2007-12
Data da sessão: Tue Jun 08 00:00:00 UTC 2010
Ementa: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS
Período de apuração: 01/10/1998 a 30/07/2006
CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PATRONAIS DESTINADAS AO INSS, AO
SAT/RAT E A OUTRAS ENTIDADES (SENAR), INCIDENTES SOBRE A
COMERCIALIZAÇÃO DA PRODUÇÃO RURAL
O produtor rural pessoa jurídica está obrigado a recolher as contribuições incidentes sobre a receita bruta proveniente da comercialização de sua produção rural, destinadas ao INSS, SAT e SENAR, em substituição às contribuições sociais incidentes sobre a folha de pagamento dos segurados empregados e trabalhadores avulsos, previstas nos incisos I e II do art. 22 da
Lei n" 8,212, de 1991.
DECADÊNCIA PARCIAL
De acordo com a Súmula Vinculante n" 08, do STF, os artigos 45 e 46 da Lei nº 8212/1991 são inconstitucionais, devendo prevalecer, no que tange à decadência e prescrição, as disposições do Código Tributário Nacional.
Nos termos do art.. 10.3-A da Constituição Federal, as Súmulas Vinculantes
aprovadas pelo Supremo Tribunal Federal, a partir de sua publicação na
imprensa oficial, terão efeito vinculante em relação aos demais órgãos do
Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas
federal, estadual e municipal.
LANÇAMENTO DE OFICIO - AUSÊNCIA DE. ANTECIPAÇÃO DOTRIBUTO, 1\i
No caso em que o lançamento é de ofício, para o qual não houve pagamento
antecipado do tributo, aplica-se o prazo decadeneial previsto no art... 17.3, do
CTN.
TAXA SELIC - IMPOSSIBILIDADE DE. APRECIAÇÃO DE
INCONST1TUCIONALIDADE
A utilização da taxa de juros SELIC encontra amparo legal no artigo 34 da
Lei 8.212/91.
Impossibilidade de apreciação de inconstitucionalidade da lei no âmbito
administrativo.
PERÍCIA INDEFERIMENTO
A perícia será indeferida sempre que a autoridade julgadora entender ser
prescindível e meramente piotelatória e quando não houver dúvidas a serem
sanadas.
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Crédito Tributário Mantido em Parte.
Numero da decisão: 2301-001.480
Decisão: ACORDAM os membros da 3ª câmara / 1ª turma ordinfida da segunda
SEÇÃO DE JULGAMENTO, por voto de qualidade, com fundamento no artigo 173, 1 do CTN, vencidos os Conselheiros Leonardo Henrique Pires Lopes, Edgar Silva Vidal e Damião Cordeiro de Moraes que entenderam que deveria se aplicar o artigo 150, §4° CTN, em acatar a preliminar de decadência de parte do período a que se refere o lançamento para provimento parcial ao recurso e no mérito, por unanimidade de votos, em manter os demais valores,
Matéria: Outros imposto e contrib federais adm p/ SRF - ação fiscal
Nome do relator: BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS
1.0 = *:*
toggle all fields
materia_s : Outros imposto e contrib federais adm p/ SRF - ação fiscal
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:17:28 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201006
ementa_s : CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/10/1998 a 30/07/2006 CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PATRONAIS DESTINADAS AO INSS, AO SAT/RAT E A OUTRAS ENTIDADES (SENAR), INCIDENTES SOBRE A COMERCIALIZAÇÃO DA PRODUÇÃO RURAL O produtor rural pessoa jurídica está obrigado a recolher as contribuições incidentes sobre a receita bruta proveniente da comercialização de sua produção rural, destinadas ao INSS, SAT e SENAR, em substituição às contribuições sociais incidentes sobre a folha de pagamento dos segurados empregados e trabalhadores avulsos, previstas nos incisos I e II do art. 22 da Lei n" 8,212, de 1991. DECADÊNCIA PARCIAL De acordo com a Súmula Vinculante n" 08, do STF, os artigos 45 e 46 da Lei nº 8212/1991 são inconstitucionais, devendo prevalecer, no que tange à decadência e prescrição, as disposições do Código Tributário Nacional. Nos termos do art.. 10.3-A da Constituição Federal, as Súmulas Vinculantes aprovadas pelo Supremo Tribunal Federal, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terão efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal. LANÇAMENTO DE OFICIO - AUSÊNCIA DE. ANTECIPAÇÃO DOTRIBUTO, 1\i No caso em que o lançamento é de ofício, para o qual não houve pagamento antecipado do tributo, aplica-se o prazo decadeneial previsto no art... 17.3, do CTN. TAXA SELIC - IMPOSSIBILIDADE DE. APRECIAÇÃO DE INCONST1TUCIONALIDADE A utilização da taxa de juros SELIC encontra amparo legal no artigo 34 da Lei 8.212/91. Impossibilidade de apreciação de inconstitucionalidade da lei no âmbito administrativo. PERÍCIA INDEFERIMENTO A perícia será indeferida sempre que a autoridade julgadora entender ser prescindível e meramente piotelatória e quando não houver dúvidas a serem sanadas. Recurso Voluntário Provido em Parte. Crédito Tributário Mantido em Parte.
numero_processo_s : 11176.000087/2007-12
conteudo_id_s : 6237697
dt_registro_atualizacao_tdt : Wed Jul 22 00:00:00 UTC 2020
numero_decisao_s : 2301-001.480
nome_arquivo_s : Decisao_11176000087200712.pdf
nome_relator_s : BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS
nome_arquivo_pdf_s : 11176000087200712_6237697.pdf
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : ACORDAM os membros da 3ª câmara / 1ª turma ordinfida da segunda SEÇÃO DE JULGAMENTO, por voto de qualidade, com fundamento no artigo 173, 1 do CTN, vencidos os Conselheiros Leonardo Henrique Pires Lopes, Edgar Silva Vidal e Damião Cordeiro de Moraes que entenderam que deveria se aplicar o artigo 150, §4° CTN, em acatar a preliminar de decadência de parte do período a que se refere o lançamento para provimento parcial ao recurso e no mérito, por unanimidade de votos, em manter os demais valores,
dt_sessao_tdt : Tue Jun 08 00:00:00 UTC 2010
id : 8366587
ano_sessao_s : 2010
atualizado_anexos_dt : Tue Oct 19 19:17:21 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1714076937609019392
conteudo_txt : Metadados => date: 2010-12-15T10:41:39Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.6; pdf:docinfo:title: ; xmp:CreatorTool: CNC PRODUÇÃO; Keywords: ; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; subject: ; dc:creator: CNC Solutions; dcterms:created: 2010-12-15T10:41:39Z; Last-Modified: 2010-12-15T10:41:39Z; dcterms:modified: 2010-12-15T10:41:39Z; dc:format: application/pdf; version=1.6; xmpMM:DocumentID: uuid:ae8c6521-d811-4f43-aed3-ecc5c6ab0dcd; Last-Save-Date: 2010-12-15T10:41:39Z; pdf:docinfo:creator_tool: CNC PRODUÇÃO; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:keywords: ; pdf:docinfo:modified: 2010-12-15T10:41:39Z; meta:save-date: 2010-12-15T10:41:39Z; pdf:encrypted: false; modified: 2010-12-15T10:41:39Z; cp:subject: ; pdf:docinfo:subject: ; Content-Type: application/pdf; pdf:docinfo:creator: CNC Solutions; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; creator: CNC Solutions; meta:author: CNC Solutions; dc:subject: ; meta:creation-date: 2010-12-15T10:41:39Z; created: 2010-12-15T10:41:39Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 8; Creation-Date: 2010-12-15T10:41:39Z; pdf:charsPerPage: 1819; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; meta:keyword: ; Author: CNC Solutions; producer: CNC Solutions; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: CNC Solutions; pdf:docinfo:created: 2010-12-15T10:41:39Z | Conteúdo => S2-C3 fl 1: 1 1 MINISTÉRIO DA FAZENDA •edt CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO • Processo n" 11176,000087/2007-12 Recurso n" 147363 Voluntário Acórdão n" 2301-01.,480 — 3" Câmara / I" Turma Ordinária Sessão de 8 de junho de 2010 Matéria AGROINDÚSTRIA OU PRODUTOR RURAL Recorrente AGROIBEMA AGRICULTURA E PECUÁRIA LTDA Recorrida DRJ-CURITIBA/PR ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/10/1998 a 30/07/2006 CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PATRONAIS DESTINADAS AO INSS, AO SAT/RAT E A OUTRAS ENTIDADES (SENAR), INCIDENTES SOBRE A COMERCIALIZAÇÃO DA PRODUÇÃO RURAL O produtor rural pessoa jurídica está obrigado a recolher as contribuições incidentes sobre a receita bruta proveniente da comercialização de sua produção rural, destinadas ao INSS, SAT e SENAR, em substituição às contribuições sociais incidentes sobre a folha de pagamento dos segurados empregados e trabalhadores avulsos, previstas nos incisos I e II do art. 22 da Lei n" 8,212, de 1991. DECADÊNCIA PARCIAL De acordo com a Súmula Vinculante n" 08, do STF, os artigos 45 e 46 da Lei n" 8212/1991 são inconstitucionais, devendo prevalecer, no que tange à decadência e prescrição, as disposições do Código Tributário Nacional. Nos termos do art.. 10.3-A da Constituição Federal, as Súmulas Vinculantes aprovadas pelo Supremo Tribunal Federal, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terão efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal. LANÇAMENTO DE OFICIO - AUSÊNCIA DE. ANTECIPAÇÃO DO TRIBUTO, 1\i No caso em que o lançamento é de ofício, para o qual não houve pagamento antecipado do tributo, aplica-se o prazo decadeneial previsto no art... 17.3, do CTN. TAXA SELIC - IMPOSSIBILIDADE DE. APRECIAÇÃO DE INCONST1TUCIONALIDADE A utilização da taxa de juros SELIC encontra amparo legal no artigo 34 da Lei 8.212/91. Impossibilidade de apreciação de inconstitucionalidade da lei no âmbito administrativo. PERÍCIA INDEFERIMENTO A perícia será indeferida sempre que a autoridade julgadora entender ser prescindível e meramente piotelatória e quando não houver dúvidas a serem sanadas. Recurso Voluntário Provido em Parte. Crédito Tributário Mantido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 3" câmara / 1" turma ordinfida da segunda SEÇÃO DE JULGAMENTO, por voto de qualidade, com fundamento no artigo 173, 1 do CTN, vencidos os Conselheiros Leonardo Henrique Pires Lopes, Edgar Silva Vidal e Damião Cordeiro de Moraes que entenderam que deveria se aplicar o artigo 150, §4° CTN, em acatar a preliminar de decadência de parte do período a que se refere o lançamento para provimento parcial ao recurso e no mérito, por unanimidade de votos, em manter os demais valores, JULIO CaAR&IIEIRA GOMES - Presidente, .'\ ,, ) ço BERNA.D.ETE DE OLIVEIRA BARROS - Relatora, EDITADO EM: 26/07/2010 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Julio Cesar Vieira GOlTleS (Presidente), Bernadete de Oliveira Barros, Leonardo Henrique Pires Lopes, Mauro José Silva, Damião Cordeiro de Moraes, Relatório Trata-se de crédito previdenciário lançado contra a empresa acima identificada, referente às contribuições devidas à Seguridade Social e ao Sat/Rat, incidentes 2 Processo o" 11176 000087/200T I 2 S2-C3T1 Acórdão o" 2301-01.480 Fl. 2 sobre a receita bruta proveniente da comercialização da produção rural, e a destinadas a Outras Entidades (Senar). Conforme Relatório Fiscal (fls. 82/86), a empresa se enquadra no conceito de Produtor Rural Pessoa Jurídica, nos termos das Leis o' 8.212/91 e n° 8.870/94, contribuindo, a partir de 08/1994, sobre a receita bruta proveniente da comercialização da produção rural, em substituição às contribuições sociais incidentes sobre a folha de pagamento dos segurados empregados e trabalhadores avulsos, previstas nos incisos 1 e 11 do art. 22 da Lei n" 8..212, de 1991. A recorrente impugnou o débito via peça de fls. 295 a 305 e a Secretaria da Receita Federal do Brasil, por meio do Acórdão o" 06-14,494, da 7' Turma da DRJ/CTA (fis. 318 a 324), julgou o lançamento procedente. A notificada, inconformada com a decisão, apresentou recurso tempestivo (fis. .330 a 338), reiterando os temos de sua impugnação. Preliminarmente, alega decadência de parte do débito, nos termos do art. 150, § 40, do CTN, e no mérito insurge-se contra os juros aplicados, argumentando ilegalidade e inconstitucionalidade da utilização da taxa SEL1C para correção dos débitos tributários. Defende a necessidade de realização de perícia, e elenea os quesitos a serem respondidos, indicando uma perita. É o relatório,. Voto Conselheira BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Relatara O recurso é tempestivo e não há óbice para seu conhecimento. A recorrente alega, preliminarmente, decadência de parte do débito, defendendo a aplicação do prazo deeadencial previsto no art. 150, § 4°, do CTN. Verifica-se que a fiscalização lavrou a NFLD discutida com amparo na Lei 8.212/91 que, em seu art. 45, dispõe que o direito da Seguridade Social apurar e constituir seus créditos extingue-se após 10 (dez) anos contados do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o crédito poderia ter sido constituído. No entanto, o Supremo Tribunal Federal, entendendo que apenas lei complementar pode dispor sobre prescrição e decadência em matéria tributária, nos termos do artigo 146, 1. 11, b' da Constituição Federal, negou provimento por unanimidade aos Recursos Extraordinários n" 556664, 559882, 559943 e 560626, em decisão plenária que declarou a inconstitucionalidade dos artigos 45 e 46, da Lei n. 8212/91,. Na oportunidade, foi editada a Súmula Vinculante n" 08 a respeito do tema, publicada em 20/06/2008, transcrita abaixo: 3 Súmula Vinculante 8 "São inconstitucionais os parágrafo único do artigo 5" do Decreto-lei 1569/77 e os artigos 45 e 46 da Lei 8 212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário" Cumpre ressaltar que o art. 62, da Portaria 256/2009, que aprovou o Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, veda o afastamento de aplicação ou inobservância de legislação sob fundamento de inconstitucionalidade, Porém, determina, no inciso I do § único, que o disposto no caput não se aplica a dispositivo que tenha sido declarado inconstitucional por decisão plenária definitiva do Supremo Tribunal Federal: Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstinicimialidade Parágrafb único O disposto no capto não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo.. - que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão plenária definitiva do Supremo Tribunal Federal, ou Portanto, em Lazão da declaração de inconstitucionalidade dos arts 45 e 46 da Lei n" 8.212/1991 pelo STF, restaram extintos os créditos cujo lançamento tenha ocorrido após o prazo decadencial e prescricional previsto nos artigos 173 e 150 do Código Tributário Nacional, É necessário observar ainda que as súmulas aprovadas pelo STF possuem efeitos vinculantes, conforme se depreende do art. 103-A e parágrafos da Constituição Federal, que foram inseridos pela Emenda Constitucional n" 45/2004. in verbis: "Art. 103-A. O Supremo Tribunal Federal podei á, de oficio ou por provocação, mediante decisão de dois terços dos seus membros, após reiteradas decisões sobre matéria constitucional, aprovar súmula que, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terá efeito vinca/ante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferasfederal, estadual e municipal, bem como proceder à sua revisão ou cancelamento, na _fbrina estabelecida em lei. I" A súmula terá por objetivo a validade, a interpretação e a eficácia de normas determinar/as, acerca das quais haja controvérsia atual entre órgãos . judiciários ou entre esses e a administração pública que acarrete grave insegurança jurídica e relevante multiplicação de processos sobre questão idêntica. 2" Sem prejuizo do que vier a ser estabelecido em lei, a aprovação, revisão ou cancelamento de súmula poderá ser provocada por aqueles que podem propor a ação direta de inconstitucionalidade. 3" Do ato administrativo ou decisão judicial que contrariar a súmula aplicável ou que indevidamente a aplicar ., caberá reclamação ao Supremo Tribunal Federal que, julgando-a procedente, anulará o ato administrativo ou cassará a decisão judicial reclamada, e determinará que outra seja proferida com ou sem a aplicação da súmula, confirme o caso (g. . 11 ) 4 Processo n" 1 I I 76 000087/2007-12 S2-C3T1 Acórdão n " 2301-01,480 F1 3 Da leitura do dispositivo constitucional acima, conclui-se que a vinculação à súmula alcança a administração pública e, por conseqüência, os julgadores no âmbito do contencioso administrativo fiscal. Ademais, no termos do artigo 64-B da Lei 9,784/99, com a redação dada pela Lei 11,417/06, as autoridades administrativas devem se adequar ao entendimento do STF, sob pena de responsabilização pessoal nas esferas cível, administrativa e penal, 64-11 Acolhida pelo Supremo Tribunal Federal a reclamação ,fundada em violação de enunciado da súmula vinca/ante, dar-se-á ciência à autoridade pra/atam e ao ó; gão competente para o julgamento do recurso, que deverão adequar as futuras decisões administrativas em casos _semelhantes, sob pena de responsabilização pessoal nas esferas cível, administrativa e penal" O STJ pacificou o entendimento de que nos casos de lançamento em que o sujeito passivo antecipa parte do pagamento da contribuição, aplica-se o prazo previsto no § 4" do art, 150 do CTN, ou seja, o prazo de cinco anos passa a contar da ocorrência do fato gerador, uma vez que resta caracterizado o lançamento por homologação, No caso presente, a empresa deixou de recolher a contribuição devida incidente sobre a comercialização da produção rural, Assim, trata-se de lançamento de oficio onde não houve pagamento antecipado da contribuição, aplicando-se, portanto, o disposto no art, 173 do Código Tributário Nacional, transcrito a seguir: .Art./ 73 - O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário evingue-se após 5 (cinco) anos, contados: I - do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter .sido efetuado; II - da data em que se tornar definitiva à decisão que houver anulado, por vício fbrmal, o lançamento anteriormente efetuado Parágralb Único - O direito a que se refere este artigo extingue- se definitivamente com o decurso do prazo nele previsto, contado da data em que tenha sido iniciada a constituição do crédito tributário pela notificação, ao sujeito passivo, de qualquer medida preparatótia indispensável ao lançamento. A NFLD foi consolidada em :30/11/2006, e sua cientificação ao sujeito passivo se deu em 08/12/2006. Dessa forma, considerando o exposto acima, constata-se que se operara a decadência do direito de constituição do crédito apenas para os valores lançados nas competências compreendidas entre 10/1998 a 11/2000, inclusive. Para a competência 12/2000, o lançamento poderia ter sido lançado em 01/2001, iniciando-se a contagem do prazo em 01/01/2002, que é o primeiro dia do exercício seguinte àquele que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos temos do dispositivo legal transcrito acima, Assim, acato parcialmente a preliminar de decadência . 5 No mérito, a recorrente insurge-se contra os juros aplicados, argumentando ilegalidade e inconstitucionalidade da utilização da taxa SELIC para Correção dos débitos tributários, Contudo, cumpre salientar que a utilização da Taxa SELIC para atualizações e correções dos débitos apurados encontra respaldo no art. 34, da Lei 8.212/91, vigente à época cio lançamento. Portanto, não há que se falar em ilegalidade das referidas exações, Cabe destacar, ainda, que a atividade administrativa é plenamente vinculada ao cumprimento das disposições legais. Nesse sentido, o ilustre jurista Alexandre de Moraes ( curso de direito constitucional, 17" ed. São Paulo., Editora Atlas 2004314) colaciona valorosa lição: "o tradicional principio da legalidade, previsto no art. 5 0, H, da CF, aplica-se normalmente na administração pública, porém de fOrma mais rigorosa e especial, pois o administrador público somente poderá fazer o que estiver expressamente autorizado em lei e nas demais espécies normativas, inexistindo, pois, incidência de vontade subjetiva. Esse principio coaduna-se com a própria função administrativa, de executor do direito, que atua sem finalidade própria, mas sem em respeito à finalidade imposta pela lei, e com a necessidade de preservar-se a ordem jurídica" Vale esclarecer, ainda, que o Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria 256/2009, veda aos Conselhos de Contribuintes afastar aplicação de lei ou decreto sob fundamento de inconstitucionalidade, conforme disposto em seu art 62. Ademais, o Conselho Pleno, no exercício de sua competência, uniformizou a jurisprudência administrativa sobre a matéria, por meio do Enunciado 03/2007, transcrito a seguir: Enunciado n°03 É cabivel a cobrança de juros de mora sobre os débitos para com a União decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal com base na taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia – Sebe para títulos federais A notificada alega, ainda, que, por possuir presunção de legitimidade, recai sobre a Administração o dever cabal de provar a ocorrência do fato jurídico, não tratando-se de ônus, mas sim de um dever, de forma que, sendo veiculado um ato de lançamento sem provas que confortem a subsistência da imposição fiscal, impõe-se que a autoridade retire do ordenamento jurídico tal ato, já que viciado em sua motivação Todavia, o lançamento em tela não possui vício de qualquer natureza, pois encontra-se plenamente motivado, tendo a autoridade lançadora juntado, aos autos, os elementos probatórios da ocorrência do fato gerador. Verifica-se que a NFLD foi lavrada de acordo com os dispositivos legais e normativos que disciplinam a matéria, tendo o agente notificante demonstrado, de forma clara e precisa, a ocorrência do fato gerador da contribuição previdenciária, fazendo constar, nos relatórios que compõem a Notificação, os fundamentos legais que amparam o procedimento adotado e as rubricas lançadas. O Relatório Fiscal traz todos os elementos que motivaram a lavratura da NFLD e o relatório Fundamentos Legais do Débito – FM), encerra todos os dispositivos legais /-2 6 P MCCSSO e 11176 .00008712007-12 S2-C3T1 Acórdão n " 2301-01480 Fl 4 que dão suporte ao procedimento do lançamento, separados por assunto e período correspondente, garantindo, dessa forma, o exercício do contraditório e ampla defesa à notificada. Restou demonstrado, nos autos, que a empresa deixou de recolher a contribuição devida sobre a comercialização de sua produção rural. A fiscalização juntou, aos autos, cópia de documentos da própria empresa que comprovam a ocorrência do fato gerador da contribuição social. Dessa forma, não procede o argumento de que a fiscalização não demonstrou a origem da infração e a existência de débito, já que anexou, à NFLD, cópias dos Livros Diários, das Notas Fiscais de Entrada e Saída, dos Livros Fiscais (Entrada, Saída e Apuração de ICMS), e das telas do conta corrente da empresa, extraídas dos sistemas informatizados da Previdência Social. Dessa forma, a Autoridade Fiscal, ao constatar que a empresa comercializou produtos rurais e não recolheu a contribuição devida incidente sobre o valor da receita bruta proveniente dessa comercialização, lavrou corretamente a presente NFLD, em observância ao disposto no art. .37 da Lei 8212/91: Art. .37. Constatado o atraso total ou parcial no recolhimento de contribuições tratadas nesta Lei, ou em caso de filha de pagamento de beneficio reembolsado, a fiscalização lavrará notificação de débito, com discriminação clara e precisa dos fatos geradores, das contribuições devidas e dos períodos a que se referem, conforme dispuser o regulamento A recorrente protesta, ainda, pela realização de perícia. Todavia, da análise dos autos, verifica-se que não existem dúvidas a serem sanadas, já que o Relatório Fiscal está claro e a NFLD muito bem fundamentada, tendo o agente notificante juntado provas da ocorrência do fato gerador da contribuição devida.. O art.. 18, da Lei do Processo Administrativo Fiscal (Dec. 70.235/72), estabelece: Ar!. 18 - A autoridade julgadora de primeira instância determinará, de oficio ou a requerimento do impugnante, a realização de diligências ou perícias, quando entendê-las necessárias, indeferindo as que considerar prescindíveis ou impraticáveis, observado o disposto no art 28, ia tine Portanto, os julgadores de primeira instância, ao entenderem ser prescindível a produção de novas provas, indeferiram, com muita propriedade, o pedido de diligência.. Assim, indefere-se o pedido de diligência, por considerá-la prescindível e meramente protelatória. Nesse sentido e CONSIDERANDO tudo o mais que dos autos consta; 7 Voto no sentido de CONHECER do recurso, e DAR-LHE PROVIMENTO • PARCIAL para acatar parcialmente a preliminar de decadência e excluir do lançamento os valores correspondentes ao período de 10/1998 a 11/2000, inclusive. É como voto. Sala das sessões, em 8 de junho de 2010. BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Relatora 8
score : 1.0
Numero do processo: 35172.001421/2006-64
Data da sessão: Mon Jul 05 00:00:00 UTC 2010
Ementa: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS
Período de apuração: 01/12/2005 a 31/12/2005
RETROATIVIDADE BENIGNA. GFIP. MEDIDA PROVISÓRIA Nº 0449,
REDUÇÃO DA MULTA.
As multas em GFIP foram alteradas pela Medida Provisória n ° 449 de 2008, que beneficiam o infrator . Foi acrescentado o art, 32-A A Lei nº 8.212.
Conforme previsto no art. 106, inciso II do CTN, a lei aplica-se a ato ou fato pretérito, tratando-se de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de defini-lo como infração; b) quando deixe de tratá-lo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; c) quando lhe
comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua pratica.
Recurso Voluntário Provido em Parte
Crédito Tributário Mantido em Parte
Numero da decisão: 2302-000.519
Decisão: ACORDAM os membros da 3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária da Segunda Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, nos termos do voto da relatora reconhecendo a retroatividade benigna da Medida Provisória nº 449
Nome do relator: Adriana Sato
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:17:28 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201007
ementa_s : OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Período de apuração: 01/12/2005 a 31/12/2005 RETROATIVIDADE BENIGNA. GFIP. MEDIDA PROVISÓRIA Nº 0449, REDUÇÃO DA MULTA. As multas em GFIP foram alteradas pela Medida Provisória n ° 449 de 2008, que beneficiam o infrator . Foi acrescentado o art, 32-A A Lei nº 8.212. Conforme previsto no art. 106, inciso II do CTN, a lei aplica-se a ato ou fato pretérito, tratando-se de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de defini-lo como infração; b) quando deixe de tratá-lo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua pratica. Recurso Voluntário Provido em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte
numero_processo_s : 35172.001421/2006-64
conteudo_id_s : 6299660
dt_registro_atualizacao_tdt : Mon Nov 23 00:00:00 UTC 2020
numero_decisao_s : 2302-000.519
nome_arquivo_s : Decisao_35172001421200664.pdf
nome_relator_s : Adriana Sato
nome_arquivo_pdf_s : 35172001421200664_6299660.pdf
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : ACORDAM os membros da 3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária da Segunda Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, nos termos do voto da relatora reconhecendo a retroatividade benigna da Medida Provisória nº 449
dt_sessao_tdt : Mon Jul 05 00:00:00 UTC 2010
id : 8560595
ano_sessao_s : 2010
atualizado_anexos_dt : Tue Oct 19 19:17:35 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1714076937643622400
conteudo_txt : Metadados => date: 2011-03-10T13:02:33Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 7; pdf:PDFVersion: 1.6; pdf:docinfo:title: ; xmp:CreatorTool: CNC PRODUÇÃO; Keywords: ; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; subject: ; dc:creator: CNC Solutions; dcterms:created: 2011-03-10T13:02:33Z; Last-Modified: 2011-03-10T13:02:33Z; dcterms:modified: 2011-03-10T13:02:33Z; dc:format: application/pdf; version=1.6; xmpMM:DocumentID: uuid:aee5e01f-8364-4413-b0d6-0919f9ea4ec8; Last-Save-Date: 2011-03-10T13:02:33Z; pdf:docinfo:creator_tool: CNC PRODUÇÃO; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:keywords: ; pdf:docinfo:modified: 2011-03-10T13:02:33Z; meta:save-date: 2011-03-10T13:02:33Z; pdf:encrypted: false; modified: 2011-03-10T13:02:33Z; cp:subject: ; pdf:docinfo:subject: ; Content-Type: application/pdf; pdf:docinfo:creator: CNC Solutions; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; creator: CNC Solutions; meta:author: CNC Solutions; dc:subject: ; meta:creation-date: 2011-03-10T13:02:33Z; created: 2011-03-10T13:02:33Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 3; Creation-Date: 2011-03-10T13:02:33Z; pdf:charsPerPage: 1605; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; meta:keyword: ; Author: CNC Solutions; producer: CNC Solutions; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: CNC Solutions; pdf:docinfo:created: 2011-03-10T13:02:33Z | Conteúdo => VIEIRA — Presidente abf—) A SAIO - Relatora S2-C3I2 El I MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo n" 35172,001421/2006-64 Recurso n° 245.411 Voluntário Acórdão n" 2302-00.519 — 3' Câmara / 2 Turma Ordinária Sessão de 05 de julho de 2010 Matéria AUTO DE INFRAÇÃO: GFIP. FATOS GERADORES Recorrente NORDESA COMERCIO E REPRESENTAÇÕES LIDA Recorrida DELEGACIA DA RECEITA PREVIDENCIARIA DE JOÃO PESSOA / PB ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Período de apuração: 01/12/2005 a 31/12/2005 RETROATIVIDADE BENIGNA. GFIP. MEDIDA PROVISÓRIA N 0449, REDUÇÃO DA MULTA. As multas em GFIP foram alteradas pela Medida Provisória n ° 449 de 2008, que beneficiam o infrator . Foi acrescentado o art, 32-A A Lei n " 8.212. Conforme previsto no art. 106, inciso II do CTN, a lei aplica-se a ato ou fato pretérito, tratando-se de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de defini-lo como infração; b) quando deixe de tratá-lo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua pratica. Recurso Voluntário Provido em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 3' Câmara / 2' Turma Ordinária da Segunda Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, nos termos do voto da relatorar-re-cie a ret satividade benigna da Medida Provisória n A ' 449. Participaram do presente .julgamento os conselheiros: Liege Lacroix Thomasi, Adriana Sato, Arlindo Costa e Silva, Manoel Coelho Arruda Júnior, Thiago Davila Melo Fernandes e Marco André Ramos Vieira (presidente). Relatório Trata-se de Auto de Infração lavrado em 02/08/2006, cuja ciência do Recorrente ocorreu na mesma data. De acordo com o Relatório Fiscal de fls,12, o Recorrente deixou de declarar a Guia de Recolhimento do FGTS e Informações para a Previdência Social — GF1P referente a competência 1.3/2005, ou seja, o décimo terceiro de 2005. A multa foi aplicada de acordo com o artigo 284, I e II, §1 0 do RPS aprovado pelo Decreto 3048/99 e da Portaria MPS 119 de 18/04/2006, O Recorrente apresentou defesa tempestiva, alegando que a citada GFIP foi transmitida no dia 03/01/2006 As 17 horas e 25 minutos. A DN julgou o lançamento procedente, e, inconformado, o Recorrente interpôs recurso voluntário, alegando em síntese: - a emissão da GFIP so foi possível ser gerada algum tempo depois, todavia foi efetivamente feita a atualização dos dados para efeito de controle do INSS em nada prejudica seus controles. A DRP apresentou contra-razões. É o Relatório. Voto Conselheira ADRIANA SATO, Relatara Sendo tempestivo, CONHEÇO DO RECURSO e passo ao exame das questões suscitadas pelo Recorrente . O Recorrente juntou em seu recurso voluntário a GFIP referente ao décimo terceiro salário de 2005 emitida em 26/12/2006. Mencionado ato do Recorrente confirma a ocorrência da infração, uma vez que mencionada guia foi emitida extemporaneamente. Assim, não resta dúvida que o recorrente cometeu a infração, pois não apresentou a documentação exigida no prazo estabelecido pela legislação . Contudo, ha que se observar a retroatividade benigna prevista no art. 106, inciso II do CTN. As multas em GFIP foram alteradas pela Medida Provisória n 0 449 de 2008, que beneficiam o inflator. Foi acrescentado o art. 32-A A Lei n 0 8,212, nestas palavras: 2 A SAIO Processo n°35172 001421/2006-64 S2-C312 Auk-a° n 2302-0M19 11 2 "Art, 32-A. O contribuinte que deixar de apresentar a declaração de que trata o inciso IV do art. 32 no prazo fixado ou que a apresentar com incorreções ou omissões será intimado a apresentá-la ou a prestar esclarecimentos e sujeitar-se-6 às seguintes inultas.• I - de dois por cento ao mês-calendário ou fração, incidente sobre o montante das contribuições informadas, ainda que integralmente pagas, no caso de falta de entrega da declaração ou entrega após o prazo, limitada a vinte por cento, observado o disposto no § 3'• e II - de R$ 20,00 (vinte reais) para cada grupo de dez informações incorretas ou omitidas § 10 Para efeito de aplicação da multa prevista no inciso I do calm', será considerado como termo inicial o dia seguinte ao término do prazo .fixado para entrega da declaração e como termo final a data da efetiva entrega ou, no caso de não- apresentação, a data da lavratura do auto de infração ou da notificação de lançamento ,sr 2' Observado o disposto no § as multas serão reduzidas: I - à metade, quando a declaração for apresentada após o prazo, mas antes de qualquer procedimento de oficio; ou II - a setenta e cinco por cento, se houver apresentação da declaração no prazo fixado em intimagão. § .3' A multa minima a ser aplicada será de: I - RS 200,00 (duzentos reais), tratando-se de omissão de declaração s•em ocorrência de fatos geradores de contribuição previdenciária; e II - R$ 500,00 ( quinhentos reais), nos demais casos. " (NR) Conforme previsto no art. 106, inciso II do GIN, a lei aplica-se a ato ou fato pretérito, tratando-se de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de defini-lo como infração; b) quando deixe de tratá-lo corno contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua pratica, Entendo que ha cabimento do art. 106, inciso II, alinea "c" do CTN. CONCLUSÃO Pelo exposto, voto por DAR PROVIMENTO PARCIAL ao recurso, para que a multa seja calculada considerando as disposições da Medida Provisória 11 `) 449 de 2008, mais precisamente o art, 32-A, inciso I, que na conversão pela Lei n ° 11.941 foi renurnerado para o art, 32-A, inciso II da Lei n 08.212 de 1991 na redação conferida pela Lei n 11,941. S a das Sessões, em 05 de julho de 2010 3
score : 1.0
Numero do processo: 17310.720036/2012-54
Data da sessão: Thu Jul 29 00:00:00 UTC 2021
Data da publicação: Fri Sep 10 00:00:00 UTC 2021
Ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA (IRPF)
Exercício: 2008
DESPESAS MÉDICAS. COMPROVAÇÃO. APRESENTAÇÃO DE RECIBOS. SOLICITAÇÃO DE ELEMENTOS DE PROVA ADICIONAIS. POSSIBILIDADE.
A apresentação de recibo, por si só, não exclui a possibilidade de exigência de elementos comprobatórios adicionais, tais como provas da efetiva prestação do serviço e de seu pagamento.
Numero da decisão: 9202-009.681
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em dar-lhe provimento, vencidos os conselheiros Ana Cecilia Lustosa da Cruz, João Victor Ribeiro Aldinucci e Marcelo Milton da Silva Risso, que lhe negaram provimento.
(documento assinado digitalmente)
Maria Helena Cotta Cardozo Presidente em exercício
(documento assinado digitalmente)
Pedro Paulo Pereira Barbosa - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Mario Pereira de Pinho Filho, Ana Cecilia Lustosa da Cruz, Pedro Paulo Pereira Barbosa, Joao Victor Ribeiro Aldinucci, Mauricio Nogueira Righetti, Marcelo Milton da Silva Risso, Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim (suplente convocado(a)), Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente em exercício). Ausente a conselheira Rita Elisa da Costa Bacchieri, substituída pelo conselheiro Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim.
Nome do relator: Não informado
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:17:28 UTC 2021
anomes_sessao_s : 202107
ementa_s : ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA (IRPF) Exercício: 2008 DESPESAS MÉDICAS. COMPROVAÇÃO. APRESENTAÇÃO DE RECIBOS. SOLICITAÇÃO DE ELEMENTOS DE PROVA ADICIONAIS. POSSIBILIDADE. A apresentação de recibo, por si só, não exclui a possibilidade de exigência de elementos comprobatórios adicionais, tais como provas da efetiva prestação do serviço e de seu pagamento.
dt_publicacao_tdt : Fri Sep 10 00:00:00 UTC 2021
numero_processo_s : 17310.720036/2012-54
anomes_publicacao_s : 202109
conteudo_id_s : 6468840
dt_registro_atualizacao_tdt : Fri Sep 10 00:00:00 UTC 2021
numero_decisao_s : 9202-009.681
nome_arquivo_s : Decisao_17310720036201254.PDF
ano_publicacao_s : 2021
nome_relator_s : Não informado
nome_arquivo_pdf_s : 17310720036201254_6468840.pdf
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em dar-lhe provimento, vencidos os conselheiros Ana Cecilia Lustosa da Cruz, João Victor Ribeiro Aldinucci e Marcelo Milton da Silva Risso, que lhe negaram provimento. (documento assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo Presidente em exercício (documento assinado digitalmente) Pedro Paulo Pereira Barbosa - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Mario Pereira de Pinho Filho, Ana Cecilia Lustosa da Cruz, Pedro Paulo Pereira Barbosa, Joao Victor Ribeiro Aldinucci, Mauricio Nogueira Righetti, Marcelo Milton da Silva Risso, Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim (suplente convocado(a)), Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente em exercício). Ausente a conselheira Rita Elisa da Costa Bacchieri, substituída pelo conselheiro Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim.
dt_sessao_tdt : Thu Jul 29 00:00:00 UTC 2021
id : 8968523
ano_sessao_s : 2021
atualizado_anexos_dt : Tue Oct 19 19:18:25 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1714076937647816704
conteudo_txt : Metadados => date: 2021-09-03T12:08:33Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.5; xmp:CreatorTool: Microsoft® Word 2010; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; language: pt-BR; dcterms:created: 2021-09-03T12:08:33Z; Last-Modified: 2021-09-03T12:08:33Z; dcterms:modified: 2021-09-03T12:08:33Z; dc:format: application/pdf; version=1.5; Last-Save-Date: 2021-09-03T12:08:33Z; pdf:docinfo:creator_tool: Microsoft® Word 2010; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:modified: 2021-09-03T12:08:33Z; meta:save-date: 2021-09-03T12:08:33Z; pdf:encrypted: true; modified: 2021-09-03T12:08:33Z; Content-Type: application/pdf; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; dc:language: pt-BR; meta:creation-date: 2021-09-03T12:08:33Z; created: 2021-09-03T12:08:33Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 3; Creation-Date: 2021-09-03T12:08:33Z; pdf:charsPerPage: 1943; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; pdf:docinfo:created: 2021-09-03T12:08:33Z | Conteúdo => CSRF-T2 Ministério da Economia Conselho Administrativo de Recursos Fiscais Processo nº 17310.720036/2012-54 Recurso Especial do Procurador Acórdão nº 9202-009.681 – CSRF / 2ª Turma Sessão de 29 de julho de 2021 Recorrente FAZENDA NACIONAL Interessado DULCELENE PESSANHA GOMES ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA (IRPF) Exercício: 2008 DESPESAS MÉDICAS. COMPROVAÇÃO. APRESENTAÇÃO DE RECIBOS. SOLICITAÇÃO DE ELEMENTOS DE PROVA ADICIONAIS. POSSIBILIDADE. A apresentação de recibo, por si só, não exclui a possibilidade de exigência de elementos comprobatórios adicionais, tais como provas da efetiva prestação do serviço e de seu pagamento. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em dar-lhe provimento, vencidos os conselheiros Ana Cecilia Lustosa da Cruz, João Victor Ribeiro Aldinucci e Marcelo Milton da Silva Risso, que lhe negaram provimento. (documento assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo – Presidente em exercício (documento assinado digitalmente) Pedro Paulo Pereira Barbosa - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Mario Pereira de Pinho Filho, Ana Cecilia Lustosa da Cruz, Pedro Paulo Pereira Barbosa, Joao Victor Ribeiro Aldinucci, Mauricio Nogueira Righetti, Marcelo Milton da Silva Risso, Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim (suplente convocado(a)), Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente em exercício). Ausente a conselheira Rita Elisa da Costa Bacchieri, substituída pelo conselheiro Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim. Relatório Cuida-se de Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional contra o Acórdão nº 2001-001.142, proferido na Sessão de 31 de janeiro de 2019, que deu provimento ao Recurso Voluntário, nos seguintes termos: AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 17 31 0. 72 00 36 /2 01 2- 54 Fl. 107DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 2 do Acórdão n.º 9202-009.681 - CSRF/2ª Turma Processo nº 17310.720036/2012-54 Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade, em dar provimento ao Recurso Voluntário. Vencidos os Conselheiros José Ricardo Moreira e Fernanda Melo Leal que lhe negavam provimento. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Jorge Henrique Backes. O Acórdão foi assim ementado: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA (IRPF) Exercício: 2008 DESPESAS MÉDICAS. RECIBOS GLOSADOS SEM QUE TENHAM SIDO APONTADOS INDÍCIOS DE SUA INIDONEIDADE. Os recibos de despesas médicas não tem valor absoluto para comprovação de despesas médicas, podendo ser solicitados outros elementos de prova, mas a recusa a sua aceitação, pela autoridade fiscal, deve ser acompanhada de indícios consistentes que indiquem sua inidoneidade. Na ausência de indicações desabonadoras, os recibos comprovam despesas médicas. O recurso visa rediscutir a seguinte matéria: Critério de comprovação de despesas médicas. Em suas razões recursais a Fazenda Nacional aduz, em síntese, que não obstante admitir-se os recibos para dedução, é possível a exigência pelo fisco de documentos adicionais para comprovação da efetividade dos tratamentos e do real desembolso para pagamento da despesa; que no caso as despesas médicas superaram 30% dos rendimentos declarados; que previamente à autuação a autoridade fiscal intimou o contribuinte a comprovar a efetividade das despesas médicas, tendo o contribuinte permanecido inerte; que nessas condições, os recibos, sem outros elementos de prova não são suficientes para comprovar a despesa. Invoca jurisprudência. O contribuinte não apresentou Contrarrazões. Voto Conselheiro Pedro Paulo Pereira Barbosa, Relator. O recurso é tempestivo e atende aos demais pressupostos de admissibilidade. Dele conheço. Quanto ao mérito cuida-se da situação tantas vezes enfrentadas neste Colegiado de glosa de despesas médicas por falta de comprovação da efetividade dos pagamentos, em resposta a intimação feita pela autoridade lançadora. O Acórdão de Recurso Voluntário deu provimento ao recurso por entender que, embora o recibo não seja prova absoluta da realização da despesa, a desconsideração dos recibos e a glosa das despesas só poderia ocorrer mediante a apresentação de claros fundamentos ou indícios de sua inidoneidade, posição contra a qual se insurge a Fazenda Nacional. Pois bem, entendo, e neste ponto estou de acordo com o recorrido, que os recibos, embora possam ser aceitos como comprovação de despesas médicas, não representam prova absoluta da despesa, podendo a autoridade lançadora, consideradas as circunstâncias do caso, cobrar elementos adicionais, como a comprovação da efetividade dos pagamentos e/ou da Fl. 108DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 3 do Acórdão n.º 9202-009.681 - CSRF/2ª Turma Processo nº 17310.720036/2012-54 prestação dos serviços. É que os recibos são meios de prova, mas não a prova em si. É documento particular, e como tal faz prova apenas entre as partes. No presente caso a contribuinte pleiteou deduções de despesas com psicólogo e fisioterapeuta em montante que superava 20% dos rendimentos brutos declarados, o que justificava, a meu juízo, a cautela do Fisco em cobrar a apresentação de elementos adicionais de prova, como comprovantes de transferência bancárias, cheques ou saques bancários compatíveis com os pagamentos, além dos próprios recibos, os quais, como dito, não foram apresentados. A alegação de que os pagamentos foram feitos em espécie não socorrem a defesa. É que, embora não haja nenhuma proibição legal de que pagamentos sejam feitos em espécie, causa estranheza que todos os pagamentos tenham sido feitos em espécie, o que, convenhamos, não é prática comum, fato que deve ser levado em consideração na formação da convicção do julgador na valoração dos elementos à disposição para o deslinde do feito, mormente neste caso em que a contribuinte é funcionária de um banco, como neste caso. Diga-se também que declarações apresentadas pelos supostos prestadores dos serviços confirmando os mesmos nada acrescenta, pois, da mesma forma, são documentos particulares, além do que, ao proceder à glosa, em momento algum se afirmou que os recibos não foram emitidos e assinados pelos profissionais, mas apenas de que não restou comprovada a efetividade do pagamento e/ou da prestação dos serviços. Nessas condições, considerando as circunstâncias do caso concreto, penso que não restou comprovada a efetividade da despesa, devendo ser restabelecidas as glosas. Ante o exposto, conheço do Recurso Especial da procuradoria e, no mérito, dou- lhe provimento. (documento assinado digitalmente) Pedro Paulo Pereira Barbosa Fl. 109DF CARF MF Documento nato-digital
score : 1.0
Numero do processo: 14041.000085/2008-10
Data da sessão: Tue Jan 26 00:00:00 UTC 2010
Ementa: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS
Período de apuração: 01/09/2003 a 30/01/2007 REMUNERAÇÃO INDIRETA - UTILIDADES - PAGAMENTO DE PRÊMIO - PRODUTIVIDADE - INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÃO Incide contribuição previdenciária sob os pagamentos realizados, por intermédio de empresa interposta, de remuneração dos empregados que prestam serviços à empresa.
Crédito Tributário Mantido
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 2301-001.031
Decisão: ACORDAM os membros da 3ª câmara 1ª P turma ordinária Segunda Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, rejeitar as preliminares suscitadas e, no mérito, em negar provimento ao recurso, N. s termos do voto da Relatora
Matéria: Outros imposto e contrib federais adm p/ SRF - ação fiscal
Nome do relator: BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS
1.0 = *:*
toggle all fields
materia_s : Outros imposto e contrib federais adm p/ SRF - ação fiscal
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:17:28 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201001
ementa_s : CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/09/2003 a 30/01/2007 REMUNERAÇÃO INDIRETA - UTILIDADES - PAGAMENTO DE PRÊMIO - PRODUTIVIDADE - INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÃO Incide contribuição previdenciária sob os pagamentos realizados, por intermédio de empresa interposta, de remuneração dos empregados que prestam serviços à empresa. Crédito Tributário Mantido Recurso Voluntário Negado
numero_processo_s : 14041.000085/2008-10
conteudo_id_s : 6219468
dt_registro_atualizacao_tdt : Wed Jun 24 00:00:00 UTC 2020
numero_decisao_s : 2301-001.031
nome_arquivo_s : Decisao_14041000085200810.pdf
nome_relator_s : BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS
nome_arquivo_pdf_s : 14041000085200810_6219468.pdf
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : ACORDAM os membros da 3ª câmara 1ª P turma ordinária Segunda Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, rejeitar as preliminares suscitadas e, no mérito, em negar provimento ao recurso, N. s termos do voto da Relatora
dt_sessao_tdt : Tue Jan 26 00:00:00 UTC 2010
id : 8311722
ano_sessao_s : 2010
atualizado_anexos_dt : Tue Oct 19 19:17:12 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1714076937650962432
conteudo_txt : Metadados => date: 2010-05-03T12:45:59Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.6; pdf:docinfo:title: ; xmp:CreatorTool: CNC PRODUÇÃO; Keywords: ; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; subject: ; dc:creator: CNC Solutions; dcterms:created: 2010-05-03T12:45:58Z; Last-Modified: 2010-05-03T12:45:59Z; dcterms:modified: 2010-05-03T12:45:59Z; dc:format: application/pdf; version=1.6; Last-Save-Date: 2010-05-03T12:45:59Z; pdf:docinfo:creator_tool: CNC PRODUÇÃO; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:keywords: ; pdf:docinfo:modified: 2010-05-03T12:45:59Z; meta:save-date: 2010-05-03T12:45:59Z; pdf:encrypted: false; modified: 2010-05-03T12:45:59Z; cp:subject: ; pdf:docinfo:subject: ; Content-Type: application/pdf; pdf:docinfo:creator: CNC Solutions; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; creator: CNC Solutions; meta:author: CNC Solutions; dc:subject: ; meta:creation-date: 2010-05-03T12:45:58Z; created: 2010-05-03T12:45:58Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 6; Creation-Date: 2010-05-03T12:45:58Z; pdf:charsPerPage: 1155; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; meta:keyword: ; Author: CNC Solutions; producer: CNC Solutions; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: CNC Solutions; pdf:docinfo:created: 2010-05-03T12:45:58Z | Conteúdo => S2-C3TI Fl. 173 .fins" MINISTÉRIO DA FAZENDA • = CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS . SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo n° 14041.000085/2008-10 Recurso n° 168.088 Voluntário Acórdão n° 2301-01.031 — 3' Câmara / P Turma Ordinária Sessão de 26 de janeiro de 2010 Matéria SALÁRIO INDIRETO: PREMIAÇÃO INCENTIVO Recorrente FEDERAÇÃO NACIONAL DAS ASSOCIAÇÕES DO PESSOAL DA CEF Recorrida DRJBSA ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/09/2003 a 30/01/2007 REMUNERAÇÃO INDIRETA - UTILIDADES - PAGAMENTO DE PRÊMIO - PRODUTIVIDADE - INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÃO - Incide contribuição previdenciária sob os pagamentos realizados, por intermédio de empresa interposta, de remuneração dos empregados que prestam serviços à empresa. Crédito Tributário Mantido Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 3° câmara 1 P turma ordinária Segunda Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, rejeitar as preliminares suscitadas e, no mérito, em negar provimento ao recurso, N. s termos do voto da Relatora. 1/2411 JULIO CE AR VI IRA GOMES — Presidente L c)". a... e_ BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS — Relatora Processo o' 14041.000085/2008-10 S2-C3T1 Acórdão n.° 2301-01.031 Fl. 174 Participaram, do presente julgamento, os Conselheiros Bernadete de Oliveira Barros,Francisco de Assis de Oliveira Júnior (suplente) ,Leonardo Henrique Pires Lopes,Edgar Silva Vidal,Damião Cordeiro de Moraes e Julio Cesar Vieira Gomes (presidente) Relatório Trata-se de crédito previdenciário lançado contra a empresa acima identificada, referente às contribuições devidas à Seguridade Social, correspondentes à contribuição dos empregados, à da empresa, à destinada ao financiamento dos benefícios decorrentes dos riscos ambientais do trabalho e aos terceiros. Consta do Relatório da NFLD (fiz 18 a 26) que o objeto do lançamento são as contribuições sociais incidentes sobre a remuneração paga aos segurados por meio de um sistema de premiação, que consiste no fornecimento de cartões eletrônicos, fornecidos pela empresa administradora do programa SPIRIT INCENTIVO & FIDELIZAÇÃO LTDA. A autoridade lançadora informa que os salários de contribuição foram aferidos indiretamente, tendo em vista que a notificada, apesar de intimada por meio de TIAD, não apresentou a totalidade dos documentos solicitados. A notificada Unpugnou o débito (fls. 47 a 135) e a Secretaria da Receita Federal do Brasil, por meio do Acórdão 03-28.508, da 5' Turma da DRJ/BSA (fls. 138 a 146), julgou o lançamento procedente. Inconformada com a decisão, a notificada apresentou recurso tempestivo (fls. 150 a 169), alegando, em síntese, o que se segue. Inicialmente, discorre sobre o programa de premiação e a natureza jurídica dos prémios pagos na forma de pontos, alegando que essa forma de compensação pela indicação de produtos da Caixa Seguros não se reveste de caráter remuneratório, pois não visa recompensar a prestação de qualquer serviço à recorrente. Esclarece que os participantes não recebem produtos, mas são contemplados com pontos, que serão convertidos em prêmios ou serviços quando o saldo acumulado se igualar ao mesmo valor em pontos de determinado produto, e que as pessoas fisicas beneficiadas não prestaram qualquer serviço à recorrente. Entende que mesmo que a outorga de pontos sejam considerados como premiação, e não produtos e serviços em que são convertidos, ainda assim não se configuraria a necessidade de recolhimento dos tributos em tela, já que sua concessão não decorre de uma autentica prestação de serviços a cargo dos participantes. Transcreve o inciso V, do artigo 12, da Lei 8.212/91, que trata de contribuintes individuais, analisando cada atividade ali descrita, já que, conforme entende, os participantes ora considerados não se encaixam nas classes de empregados, e concluindo que não há como serem classificados também como contribuintes individuais ou autônomos, já que não realizam vendas, pois o negócio jurídico é fechado entre a sociedade seguradora e o cliente. 2 Processo n° 14041.00008512008-10 S2-C3T1 Acórdão n.° 2301-01.031 Fl. 175 Traz o conceito de remuneração para afirmar que os valores percebidos pelos segurados não são rotineiros, mas eventuais e individualizados, de forma que funcionários da mesma lotação não recebem valores iguais num mesmo mês, e que tais pontos são concedidos por ocasião de fatos aleatórios, como alcance de meta, sorteios, entre outros. É o relatório. Voto Conselheira BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Relatora O recurso é tempestivo e não há óbice para seu conhecimento. Da analise do recurso apresentado, registro o que se segue. Verifica-se um esforço da recorrente em tentar demonstrar que os prêmios pagos na forma de pontos, por meio de empresa interposta, como modo de compensação pela indicação de produtos da Caixa Seguros, não se revestem de caráter remuneratório. Entende que tais pagamentos não visam recompensar a prestação de qualquer serviço à recorrente e, na sua concessão, estão ausentes a retributividade, a tipicidade tributária e a habitualidade Todavia, a Constituição Federal, preceitua, no § 4° do art. 201, renumerado para o § 11, com a redação dada pela Emenda Constitucional n° 20/98, o seguinte: § II. Os ganhos habituais do empregado, a qualquer título, serão incorporados ao salário para efeito de contribuição previdenciária e conseqüentemente repercussão em beneficios, nos casos e na \forma da lei. (grifei) A Lei 8.212/91 consubstanciou o disposto na Constituição Federal, ao estabelecer: "Entende-se por salário de contribuição: 1 - para o empregado e trabalhador avulso: a remuneração auferida em uma ou mais empresas, assim entendida a totalidade dos rendimentos pagos, devidos ou creditados a qualquer título, durante o mês, destinados a retribuir o trabalho, qualquer que seja a sua forma, ...". Restou claro, nos autos, que a concessão de cartões eletrônicos de premiação aos empregados como incentivo pelo cumprimento de uma meta, conforme afirmado pela recorrente (fi. 165), não é eventual e esporádica, e sim habitual. Tais verbas possuem a natureza de prêmio. E, segundo Amauri Mascaro Nascimento: "A natureza jurídica do prêmio não sofre, praticamente, contestações. É uma forma de salário vinculado a um fator de ordem pessoal do empregado ou geral de muitos empregados, via de regra a sua produção. Dai falar-se, também, em salário por rendimento ou salário por produção. Caracteriza-se, também, pelo seu aspecto condicionaL Uma vez verificada a condição de que resultam, devem ser pagos". (In "Teoria Jurídica do Salário", Editora LTR, 1994, pg. 256). Assim, prêmio é remuneração. Esse também é o entendimento do TST: e 3 Processo te 14042000085/2008-10 S2-C3T1 Acórdão a° 2301-01.031 E. 176 "Prémio é gratificação, e gratificação é salário, se ajustada expressa ou tacitamente, porque a CLT não exige o ajuste expresso TST pleno E-RR 1943/82 - DJU 06/12/85 - pág. 22644". Dessa forma, os valores referentes aos prêmios concedidos pela recorrente aos segurados que lhe prestam serviços integram o salário de contribuição, conforme inciso I, art 28, da Lei 8.212/91, com a redação dada pela Medida Provisória n° 1.596-14/1997, convertida na Lei 9.528/97. Ademais, é oportuno lembrar que, conforme art. 176 do CTN, a isenção, ainda que prevista em contrato, é sempre decorrente de lei que especifique as condições e requisitos exigidos para a sua concessão...". No presente caso, não resta dúvida que os prêmios concedidos por meio da empresa SPIRIT INCENTIVO & FIDELIZAÇÃO LTDA não estão incluídos nas hipóteses legais de isenção previdenciária, previstas no .§ 9°, art. 28, da Lei 8 212/91. Nem toda utilidade fornecida ao trabalhador tem caráter contraprestacional, sendo necessário distinguir a utilidade fornecida como retribuição pelo trabalho, que se caracteriza "salário-utilidade" e que deve ser incluída na base de cálculo da contribuição previdenciária, daquela fornecida como instrumento de trabalho, ou para o trabalho, que não se caracteriza salário-utilidade, eis que meramente instrumental para o desempenho das ffinções do trabalhador. Resta claro que o pagamento feito pela recorrente, por meio da empresa Spirit, em favor dos seus empregados não se trata de fornecimento de meio para que esses trabalhadores possam exercer suas funções, e sim uma vantagem que representa um acréscimo indireto à remuneração, devendo, portanto, sofrer incidência de contribuição previdenciária. Em que pese o esforço argumentativo da recorrente, verifica-se que o pagamento em tela realmente se a amolda ao figurino legal que delimita a base-de-cálculo da contribuição previdenciária, como bem entendeu a fiscalização e a relatora do voto condutor do acórdão recorrido. A Recorrente entende que a verba em comento não teria natureza salarial já que ausente de qualquer característica retributiva. Em verdade, essa verba oferecida por mera liberalidade, ainda que de forma condicionada, pelo empregador aos seus empregados por meio de empresa interposta, não nega sua característica salarial, já que é decorrência única e exclusiva do contrato de trabalho existente entre ambos, e mais, remesenta ganho obtido da empresa, o que nos mostra uma vinculação entre seu fornecimento e o labor do seu beneficiário, indicadora da sua natureza contraprestativa, numa forma indireta, como bem dito na decisão guerreada A condição de se tratar ou não de salário, não está vinculada ao interesse da fonte pagadora em, com aquele pagamento, assalariar ou não seu empregado. Ou seja, não é o nome do pagamento ou a vontade da empresa em si que vai determinar sua natureza jurídica. Sem espaço para dúvidas, a verba vertida para fugir da tributação previdenciária deve ou enquadrar-se nas hipóteses excluídas pelo parágrafo 9°. mencionado acima, ou simplesmente 1-1 4 Processo n° 14041.000085/2008-10 S2-C3T1 Acórdão 2301-01.031 F1. 177 não acompanhar o enquadramento legal do inciso 1 do art. 28, o que restou claro que não é o caso presente. Da mesma forma, constata-se que não estamos diante de um pagamento eventual, como veementemente sustenta a recorrente, já que o ganho habitual passível de exação não é necessariamente aquele valor auferido mês a mês, trimestralmente ou mesmo bimestralmente etc. Há verbas pagas no decorrer do contrato de trabalho, ainda que não sejam auferidas nessas condições, e que não podem ser vistas como meramente eventuais. No caso sob análise, não há dúvida de que o pagamento do prêmio por meio de cartões eletrônicos reveste-se de habitualidade, já que é de conhecimento de todos os empregados que com o alcance de determinada meta, ou ao participarem de eventos culturais e artísticos, farão jus ao recebimento do prêmio. Assim, o conhecimento prévio de que tal pagamento será realizado quando • implementada a condição para seu recebimento retira-lhe o caráter da eventualidade, tomando- o habitual. Há, portanto, uma expectativa criada que se sobrepõe ao fato de os valores percebidos pelos segurados empregados não serem rotineiros ou serem de diferentes valores em vários meses. Essa expectativa criada, o costume e a certeza do beneficio em se caracterizando a situação pré-definida pelo empregador gera a habitualidade e afasta por completo a eventualidade. A concessão não é fortuita, pois a cada meta atingida, ou a cada participação em eventos, entre outros, será concedido o beneficio, desde que existente o vínculo trabalhista. Desse modo, a verba ora em discussão representa, na verdade uma gratificação ajustada, paga por mera liberalidade do empregador, e condicionada ao cumprimento de uma meta, da mesma forma com que tem nítida repercussão econômica, com características de habitualidade, não se enquadrando em nenhuma das hipóteses excludentes do parágrafo 9°. do art. 28 da Lei no. 8.212/91, sendo, portanto, de natureza salarial. Nesse sentido e Considerando tudo o mais que dos autos consta. Voto no sentido de CONHECER do recurso e, no mérito, NEGAR-LHE PROVIMENTO. É como voto Sala das Sessões, em 26 de janeiro de 2010 n—• BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS -Relatora Processo n° 14041.000085/2008-10 S2-C3T1 Acórdão e.° 2301-01.031 Fl. 178 6
score : 1.0
Numero do processo: 37218.001403/2006-34
Data da sessão: Mon Jan 25 00:00:00 UTC 2010
Numero da decisão: 2301-000.049
Decisão: RESOLVEM os membros da Terceira Câmara, Primeira Turma Ordinária da Segunda Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência à Repartição de Origem, nos termos do voto do relator.
Nome do relator: LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:17:28 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201001
numero_processo_s : 37218.001403/2006-34
conteudo_id_s : 6389848
dt_registro_atualizacao_tdt : Thu May 27 00:00:00 UTC 2021
numero_decisao_s : 2301-000.049
nome_arquivo_s : Decisao_37218001403200634.pdf
nome_relator_s : LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES
nome_arquivo_pdf_s : 37218001403200634_6389848.pdf
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : RESOLVEM os membros da Terceira Câmara, Primeira Turma Ordinária da Segunda Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência à Repartição de Origem, nos termos do voto do relator.
dt_sessao_tdt : Mon Jan 25 00:00:00 UTC 2010
id : 8815106
ano_sessao_s : 2010
atualizado_anexos_dt : Tue Oct 19 19:18:01 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1714076937672982528
conteudo_txt : Metadados => date: 2010-06-16T12:01:10Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.6; pdf:docinfo:title: ; xmp:CreatorTool: CNC PRODUÇÃO; Keywords: ; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; subject: ; dc:creator: CNC Solutions; dcterms:created: 2010-06-16T12:01:10Z; Last-Modified: 2010-06-16T12:01:10Z; dcterms:modified: 2010-06-16T12:01:10Z; dc:format: application/pdf; version=1.6; Last-Save-Date: 2010-06-16T12:01:10Z; pdf:docinfo:creator_tool: CNC PRODUÇÃO; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:keywords: ; pdf:docinfo:modified: 2010-06-16T12:01:10Z; meta:save-date: 2010-06-16T12:01:10Z; pdf:encrypted: false; modified: 2010-06-16T12:01:10Z; cp:subject: ; pdf:docinfo:subject: ; Content-Type: application/pdf; pdf:docinfo:creator: CNC Solutions; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; creator: CNC Solutions; meta:author: CNC Solutions; dc:subject: ; meta:creation-date: 2010-06-16T12:01:10Z; created: 2010-06-16T12:01:10Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 6; Creation-Date: 2010-06-16T12:01:10Z; pdf:charsPerPage: 937; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; meta:keyword: ; Author: CNC Solutions; producer: CNC Solutions; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: CNC Solutions; pdf:docinfo:created: 2010-06-16T12:01:10Z | Conteúdo => S2-C3T 1 Fl. 525 1- 4 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo n' 37218.00140312006-34 Recurso o° 145976 Resolução n° 2301-00049 — 3 Câmara I I' Turma Ordinária Data 25 de janeiro 2010 Assunto Solicitação de Diligência Recorrente TECNOSONSA S/A Recorrida SECRETARIA DA RECEITA PREVIDENCIÁRIA RESOLUÇÃO Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. RESOLVEM os membros da Terceira Câmara, Primeira Turrna Ordinária da Segunda Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência à Repartição dbOrigertaçáos termos do voto do relator. 1 1 N 1 1,1 t n 111 JULIO CESAR VIEIR SMES — Presidente . •NARD t4 • I* - PIRES LOPES - Relator Participaram do julgamento os Conselheiros. Bemadete de Olheira Barros, Leonardo Henrique Pires Lopes, Damião Cordeiro de Moraes, Edgar Silva Vida! (suplente), Francisco de Assis de Oliveira Júnior, Julio Cesar Vieira Gomes (presidente). Processo n° 37218.001403/2006-34 S2-Cri Erro! A origem da referência não foi encontrada. n.° 2301-00049 F/. 526 RELATÓRIO Trata-se de Notificação Fiscal de lançamento de Débito, lavrada em 24/05/05, em desfavor de Tecnosonda S/A, pelo não atendimento ao disposto no art. 31, da Lei 8.212/91, vez que a Autuada não efetuou a retenção de 11% (onze por cento) do valor bruto da nota fiscal ou da fatura de prestação de serviços de construção civil prestados mediante cessão de mão-de- obra, nem realizou o seu recolhimento, durante o período de 02/99 a 10/04. O fato gerador do débito teve como base os valores constantes nas notas fiscais de serviço emitidas pelas empresas contratadas e registrados nos Livros Contábeis, nas contas de Serviço Prestado — PJ- RJ e Serviço Prestado — PJ — BA e relacionados em planilha de fls. 110/114. Inconformada, apresentou Defesa tempestiva de fls. 268/280, tendo a Decisão- Notificação (fls. 398/402), julgado procedente o lançamento. Irresiguada apresentou Recurso Voluntário tempestivo (fls. 423/436), alegando em síntese: a) a nulidade da intimação da Recorrente, posto que não foi encaminhada para seu endereço, mas sim para a residência de um dos seus diretores; b) a nulidade da decisão recorrida, por cerceamento ao direito de defesa, eis que o pedido de realização de perícia fora negado; c) a decadência parcial do lançamento; d) há uma duplicidade na cobrança das contribuições, urna vez que a empresa que prestou o serviço de mão-de-obra à Recorrente efetuou o devido recolhimento das contribuições incidentes sobre a folha de salário, não podendo, portanto, as contribuições serem exigidas duas vezes; Às fls. 446/447 consta Manifestação Fiscal do contencioso administrativo informando que o Recurso Voluntário apresentado foi interposto com 7 (sete) dias de atraso, ou seja, intempestivamente. Em seguida, às fls. 454/456, consta petição da Recorrente alegando a ilegalidade do ato de intimação da DN, posto que se deu por um terceiro, que trabalha na portaria do prédio residencial de um dos diretores. Assim, para que tal ato tivesse validade, imprescindível possuir uma procuração para fazê-lo. Informa, ainda, que a data de protocolo nos Correios foi dia 23.02.2006 e não em 24.02.2006, como pretendido pela prolatora da decisão, estando, portanto, dentro do prazo para interposição do Recurso. Às fls. 4 .60/463 há decisão do contencioso administrativo reconsiderando a decisão de fls. 446/447 e declarando o Recurso tempestivo. Intima, ainda, a Recorrente, para que proceda, no prazo de cinco dias, o oferecimento de arrolamento de bens, bem como anula o Termo de Transito em Julgado de fls. 448/449. Posteriormente, consta às fls. 479/481, Informação Fiscal negando seguimento ao Recurso, em face de sua deserção. Alega que em caso de apresentação de bens imóveis para arrolamento, como no caso em apreço, o contribuinte tem de trazer aos autos declaração 2 Processo n° 37218.001403/2006-34 S2-C3TI Erro! A origem da referência não foi encontrada. n.° 2301-00049 Fl. 527 atestando não possuir bens imóveis para anojamento. Assim, mesmo após a concessão de prazo suplementar de cinco dias para efetuar a regularização do arrolamento, a Recorrente não o fez, acarretando na deserção do Recurso. A ora Recorrente, em sua petição de fls. 492/495, alega que está acobertada por medida judicial que determinou o processamento do seu Recurso Voluntário com o arrolamento de bens previsto na legislação que rege o processo administrativo fiscal de competência da Secretaria da Receita Federal. Requer, assim, a reconsideração do despacho que culminou na lavratura do Termo de Transito em Julgado. Por último, ás fis. 509/511, consta Contra-Razões opinando pela procedência da notificação. É o relatório. VOTO Conselheiro LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Relator DOS PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE Sendo o Recurso tempestivo, passo ao seu exame. Da Decadência Em preliminar, aduz o Recorrente a decadência do direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário. A decisão recorrida, a seu turno, entendeu que o prazo de decadência de que goza o INSS para constituir seus créditos é de 10 (dez) anos, contados a partir do primeiro dia do ano seguinte ao da ocorrência do fato gerador, nos termos do art. 45 da Lei 8.212/01. Pois bem. A NFLD em questão foi lavrada em 24/05/2005 e dela o contribuinte teve ciência em 25/05/2005 e abrange competências de 02/1999 a 10/2004. • Logo, todas as competências anteriores a 12/99 foram atingidas pela decadêndia, pois nas sessões plenárias dos dias 11 e 12/06/2008, respectivamente, o Supremo Tribunal Federal - STF, por unanimidade, declarou inconstitucionais os artigos 45 e 46 da Lei n° 8.212, de 24/07/91 e editou a Súmula Vinculante n° 08. Seguem transcrições: Parte final do voto proferido pelo EX7120 Senhor Ministro Gilmar Mendes, Relatar: Resultam inconstitucionais, portanto, os artigos 45 e 46 da Lei n" 8.212/91 e o parágrafo único do art.5" do Decreto-lei n° L569/77, que versando sobre normas gerais de Direito Tributário, invadiram conteúdo material sob a reserva constitucional de lei complementar. 3 Processo n° 37218.001403/2006-34 S2-C3T1 Erro! A origem da referência não foi encontrada. n.° 2301-00049 E. 528 Sendo inconstitucionais os dispositivos, mantém-se higicla a legislação anterior, com seus prazos qüinqüenais de prescrição e decadência e regras de fluência, que não acolhem a hipótese de suspensão da prescrição durante o arquivamento administrativo das execuções de pequeno valor, o que equivale a assentar que, como os demais tributos, as contribuições de Seguridade Social sujeitam-se, entre outros, aos artigos 150, § 4`, 173 e 174 do CTN. Diante do exposto, conheço dos Recursos Extraordinários e lhes nego provimento, para confirmar a proclamada inconstitucionalidade dos arts. 45 e 46 da Lei 8.212/91, por violação do art. 146, III, b, dá Constituição, e do parágrafo único do art. 5" do Decreto-lei n°1.569/77, frente ao 1° do art. 18 da Constituição de 1967, com a redação dada pela Emenda Constitucional 01/69. É corno voto. Súmula Vinculante n°08; "São inconstitucionais os parágrafo único do artigo 5" do Decreto-lei 1569/77 e os artigos 45 e 46 da Lei 8212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário Os efeitos da Súmula Vinculante São previstos no artigo 103-A da Constituição Federal, regulamentado pela Lei n°11.417, de 19/12/2006, in verbis: Art. 103-A. O Supremo Tribunal Federal poderá, de oficio ou por provocação, mediante decisão de dois terços dos seus membros, após reiteradas decisões sobre matéria constitucional, aprovar súmula que, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terá efèito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal, bem como proceder à sua revisão ou cancelamento, na forma estabelecida em lei. (Incluído pela Emenda Constitucional n°45, de 2004). Lei n° 11.417, de 19/1212006: Regulamenta o art. 103-A da Constituição Federal e altera a Lei no 9.784, de 29 de janeiro de 1999, disciplinando a edição, a revisão e o cancelamento de enunciado de súmula vinculante pelo Supremo Tribunal Federal, e dá outras providências. Art. 2o O Supremo Tribunal Federal poderá, de oficio ou por provocação, após reiteradas decisões sobre matéria constitucional, editar enunciado de sumula que, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terá efeito vincula nte em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal, bem como proceder à sua revisão ou cancelamento, na forma prevista nesta Lei. ,53 lo O enunciado da súmula terá por objeto a validade, a interpretação e a eficácia de normas determinadas, acerca das quais haja, entre órgãos judiciários ou entre esses e a administração pública, controvérsia atual que acarrete grave insegurança jurídica e relevante multiplicação de processos sobre idêntica questão. Temos que a partir da publicação na imprensa oficial, que se deu em 20/0612008, todos os órgãos judiciais e administrativos ficam obrigados a acatarem a Súmula Vinculante. 4 Processo n°372 / 8.001403/2006-34 S2-C3T1 Erro! A origem da referência não foi encontrada. n.° 2301-00049 Fl. 529 Assim, afastado por inconstitucionalidade o artigo 45 da Lei n° 8.212/91, resta verificar qual regra de decadência prevista no Código Tributário Nacional - CTN se aplicar ao caso concreto. No caso em apreço, inclino-me à tese jurídica na Súmula Vinculante n° 08 para acatar o prazo decadencial exposto no Código Tributário Nacional, artigo 173, inciso I: Art. 173. O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extingue-se após 5 (cinco) anos, contados: • - do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado; II - da data em que se tornar definitiva a decisão que houver anulado, por vicio formal, o lançamento anteriormente efetuado. Parágrafo único. O direito a que se refere este artigo extingue-se definitivamente com o decurso do prazo nele previsto, contado da data em que tenha sido iniciada a constituição do crédito tributário pela notificação, ao sujeito passivo, de qualquer medida preparatória indispensável ao lançamento. Considerando que a consolidação do crédito previdenciário se deu em 25/05/2005 e que a autuação abrange as competências de 02/99 a 10/04, tenho como certo que todas as competências anteriores a 12/99 foram atingidas pela decadência qüinqüenal. DO MÉRITO O ceme da questão consiste na ausência de retenção e recolhimento dos 11% do valor bruto da nota fiscal ou fatura de prestação de serviço, em nome da empresa cedente de mão-de-obra, pela empresa contratante, ora Recorrente, no período de 02/99 a 10/04, no montante de RSI 63.213,95 (cento e sessenta e três mil, duzentos e treze reais e noventa e cinco centavos). A Recorrente se defende alegando que há urna duplicidade na cobrança das contribuições, uma vez que a empresa que prestou o serviço de mão-de-obra à Recorrente efetuou o devido recolhimento das contribuições incidentes sobre a folha de salário, não podendo, portanto, as contribuições serem exigidas duas vezes. Pois bem. Não vislumbro a possibilidade de julgamento deste processo, pelo menos neste momento, em razão de a Fiscalização não ter apreciado a documentação acostada pela ora Recorrente quando da apresentação de sua Defesa, que, segundo suas alegações, trata- se de documentos comprobatórios dos recolhimentos efetuados pelas prestadoras de serviços dos valores relativos as contribuições incidentes sobre a folha de salários (da prestadora). Assim, uma vez que a Decisão Notificação de fls. 398/402 julgou procedente a NFLD, sem, contudo, analisar a documentação comprobatória das alegações da ora Recorrente, resta patente a necessidade de conversão do julgamento em diligência, a fim de que a fiscalização verifique se a documentação acostada juntamente com a defesa de lls. 268/280, guarda pertinência com o presente lançamento, notadamente no que diz respeito ao intitulado doc. 03, comprovantes de recolhimento das obrigações previdenciárias das prestadoras de serviços. 5 Processo n° 37218 0014012006-34 S2-C3T.: Erro: À origem da referência não foi encontrada. n.° 2301-00049 Fl. 530 DA CONCLUSÃO Ante o exposto, conheço do recurso, e determino a conversão do julgamento em diligência, para determinar que a Receita Federal do Brasil proceda com a análise dos documentos acostados pela Recorrente juntamente com a sua defesa, nos termos acima articulados. É como voto. Sala das Sessõ =-, em 25 de '•neiro 2010 ,• •/' joL • *NAJA!, -r Pg. • IQU t • ES LOPES 6
score : 1.0
Numero do processo: 37028.001250/2006-62
Data da sessão: Tue Apr 27 00:00:00 UTC 2010
Ementa: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS
Data do fato gerador: 05/04/2007
AUTO DE INFRAÇÃO GFIP. RELEVAÇÃO DA MULTA. CABIMENTO.
A apresentação de Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social - GFIP, em desacordo com o respectivo Manual de Orientação, constitui infração a legislação previdenciária. A correção da falta e pedido de relevação da multa apresentados dentro do prazo de defesa, sendo a Infratora primária c não tendo Incorrido em circunstâncias agravantes, enseja a relevação da multa.
RECURSO DE OFICIO NÃO CONHECIDO.
Numero da decisão: 2402-000.808
Decisão: ACORDAM os membros da 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária da Segunda Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso de oficio, nos termos do voto do relator.
Nome do relator: LOURENÇO FERREIRA DO PRADO
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 08:47:28 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201004
ementa_s : CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Data do fato gerador: 05/04/2007 AUTO DE INFRAÇÃO GFIP. RELEVAÇÃO DA MULTA. CABIMENTO. A apresentação de Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social - GFIP, em desacordo com o respectivo Manual de Orientação, constitui infração a legislação previdenciária. A correção da falta e pedido de relevação da multa apresentados dentro do prazo de defesa, sendo a Infratora primária c não tendo Incorrido em circunstâncias agravantes, enseja a relevação da multa. RECURSO DE OFICIO NÃO CONHECIDO.
numero_processo_s : 37028.001250/2006-62
conteudo_id_s : 6490149
dt_registro_atualizacao_tdt : Tue Oct 05 00:00:00 UTC 2021
numero_decisao_s : 2402-000.808
nome_arquivo_s : Decisao_37028001250200662.pdf
nome_relator_s : LOURENÇO FERREIRA DO PRADO
nome_arquivo_pdf_s : 37028001250200662_6490149.pdf
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : ACORDAM os membros da 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária da Segunda Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso de oficio, nos termos do voto do relator.
dt_sessao_tdt : Tue Apr 27 00:00:00 UTC 2010
id : 9001765
ano_sessao_s : 2010
atualizado_anexos_dt : Tue Oct 19 19:18:36 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1714076937681371136
conteudo_txt : Metadados => date: 2010-06-16T12:04:57Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.6; pdf:docinfo:title: ; xmp:CreatorTool: CNC PRODUÇÃO; Keywords: ; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; subject: ; dc:creator: CNC Solutions; dcterms:created: 2010-06-16T12:04:57Z; Last-Modified: 2010-06-16T12:04:57Z; dcterms:modified: 2010-06-16T12:04:57Z; dc:format: application/pdf; version=1.6; Last-Save-Date: 2010-06-16T12:04:57Z; pdf:docinfo:creator_tool: CNC PRODUÇÃO; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:keywords: ; pdf:docinfo:modified: 2010-06-16T12:04:57Z; meta:save-date: 2010-06-16T12:04:57Z; pdf:encrypted: false; modified: 2010-06-16T12:04:57Z; cp:subject: ; pdf:docinfo:subject: ; Content-Type: application/pdf; pdf:docinfo:creator: CNC Solutions; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; creator: CNC Solutions; meta:author: CNC Solutions; dc:subject: ; meta:creation-date: 2010-06-16T12:04:57Z; created: 2010-06-16T12:04:57Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 5; Creation-Date: 2010-06-16T12:04:57Z; pdf:charsPerPage: 1389; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; meta:keyword: ; Author: CNC Solutions; producer: CNC Solutions; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: CNC Solutions; pdf:docinfo:created: 2010-06-16T12:04:57Z | Conteúdo => — — - 62-C4T2 16 246 ,o644_14;1.4 1- .7.fl'•• à.—vy,,,'' "1 MINISTÉRIO DA FAZENDA it 1i .L.L.CCi 14 CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS a...„-rzt....4, ..4.8y=.2gfiti) SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo n° 37028.00125012006-62 Recurso n° 146.224 De Oficio Acórdão Ir 2402-00.808 — e Câmara f r Turma Ordinária Sessão de 27 de abril de 2010 Matéria CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS Recorrente SECRETARIA DA RECEITA PREVIDENCIÁRIA - SRP Interessado NACIONAL DE GRAFITE LTDA ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Data do fato gerador: 05/04/2007 AUTO DE INFRAÇÃO GFIP. RELEVAÇÃO DA MULTA. CABIMENTO. A apresentação de Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social - GFIP, em desacordo com o respectivo Manual de Orientação, constitui infração a legislação previdenciária. A correção da falta e pedido de relevação da multa apresentados dentro do prazo de defesa, sendo a Infratora primária c não tendo Incorrido em circunstâncias agravantes, enseja a relevação da multa. RECURSO DE OFICIO NÃO CONHECIDO. Vistos, relatados c discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 4' Câmara / r Turma Ordinária da Segunda Seção de Julgamento, por unanimidade de yptosrein nabfonhecer do recurso de oficio, nos termos do voto do relator. __, --- xel --e-. 7.--1 7. .,,,...I ARCEL: ILIVEIRA - residente idetr .--___----------:-:2" RENÇO FERREIRA DO PRADO — Relator i Participaram, do presente julgamento, os Conselheiros: Marcelo Oliveira, Ana Maria Bandeira, Rogério de Lellis Pinto, L: erreira do Prado, Ronaldo de Lima Macedo e Maria da Glória Faria (Suplente • n I kik) 2 Processo n° 37028.00125012006-62 82-C4T2 Acórdão n.° 2402-00.808 Fl. 247 Relatório Trata o presente auto de infração, lavrado em desfavor da empresa recorrida, em virtude do descumprimento do art. 32, IV, da Lei n ° 8.212/1991, com a multa punitiva aplicada conforme dispõe o art. 284, II do RPS, aprovado pelo Decreto n ° 3.048/1999. Segundo a fiscalização previdenciária, a autuada prestou infonnações inexatas à previdência social por meio da GFIP relativamente aos fatos geradores de contribuições previdenciárias. No caso, a fiscalização apurou a ocorrência de diversos fatos geradores de contribuição previdenciária que não foram informados à Previdência através da GFIP. E, ainda que algumas informações prestadas em desacordo com a legislação vigente foram alteradas para menor o valor da contribuição devida. Informa ainda o relatório de fls. 19, que a empresa retificou todas as inconsistências apontadas no curso da ação fiscal. Às fis.64/66 a empresa requer a relevação da multa ante a retificação das falhas apontadas, bem como a anulação do Auto de Infração. Às fls. 239, houve despacho determinando diligencia para verificação da correção integral das faltas apontadas. Em resposta a auditoria manifestou-se no sentido de que as falhas foram todas sanadas (11.240). A Decisão de Notificação de fls.241/244 considerou procedente a autuação, relevou a multa aplicada e recorreu de oficio de sua decisão. É o relatóri ) 3 • Voto Conselheiro Lourenço Ferreira do Prado, Relator Cuidam os autos apenas a relevação da multa aplicada no Auto de Infração. Com efeito, a Portaria ME m°3 de 3 de janeiro de 2008 estabelece que haverá recurso de oficio sempre que a decisão exonerar o sujeito passivo do pagamento de tributo e encargos de multa, em valor total superior a R$ 1.000.000,00 (um milhão de reais). E, tendo o presente recurso valor inferior (R$ 232.433,85) a alçada estabelecido, tenho que não alcança o conhecimento. Com estas considerações, NÃO CONHEÇO DO RECURSO DE OFíCIO. É como voto. Sala das Sessões, em 27 de abril de 2010 NE-1-Z7--5—FERREIR .12Mbo PRADO - Relator 4 _vgaa MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS QUARTA CÂMARA - SEGUNDA SEÇÃO -Processo n°: 37028.001250/2006-62 Recurso tf: 146 224 TERMO DE INTIMAÇÃO Em cumprimento ao disposto no parágrafo 3° do artigo 81 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria Ministerial n° 256, de 22 de junho de 2009, intime-se o(a) Senhor(a) Procurador(a) Representante da Fazenda Nacional, credenciado junto à Quarta Câmara da Segunda Seção, a tomar ciência do Acórdão n° 2402-00.808. Brasíl, 25 d maio de 2010 ELIAS SA O FREIRE Presidente da Quarta Câmara Ciente, com a observação abaixo: [ Apenas com Ciência [ ] Com Recurso Especial [ ] Com Embargos de Declaração Data da ciência: / / Procurador (a) da Fazenda Nacional
score : 1.0
Numero do processo: 10120.010204/2009-92
Data da sessão: Wed Jul 11 00:00:00 UTC 2012
Ementa: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS
Período de apuração: 01/02/2005 a 31/07/2008
CONTRIBUIÇÃO PARA O SENAR. IMUNIDADE TRIBUTÁRIA. NÃO OCORRENCIA.
A receita oriunda da exportação constitui base de cálculo da contribuição para o SENAR, posto não possuir tal exação natureza jurídica de contribuição social ou de intervenção no domínio econômico, mas, sim, de interesse das categorias profissionais ou econômicas, espécie de contribuição que não se inclui na hipótese de imunidade tributária prevista no inciso I do §2° do art.
149 da Constituição Federal, acrescido pela Emenda Constitucional 33/2001.
MANDADO DE SEGURANÇA. SUSPENSÃO DA EXIGIBILIDADE DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO. LANÇAMENTO PARA PREVENÇÃO DA DECADÊNCIA. POSSIBILIDADE.
A suspensão da exigibilidade do crédito tributário, concedida mediante Liminar em sede de Mandado de Segurança, não se configura como óbice à constituição de crédito previdenciário objeto de discussão judicial, com o fito de prevenir a decadência, permanecendo tal crédito com a sua exigibilidade
suspensa até a prolação de decisão definitiva no âmbito do Poder Judiciário, a teor do art. 63 da Lei nº 9.430/96.
AIOP. JUROS E MULTA MORATÓRIOS. LEGALIDADE. PERÍODO DE APURAÇÃO ANTERIOR A NOVEMBRO/2008.
O crédito decorrente de contribuições de interesse das categorias
profissionais ou econômicas não integralmente pagas na data de vencimento será acrescido de juros de mora equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC
a que se refere o artigo 13 da Lei 9.065/95, incidentes sobre o valor atualizado, nos termos do art. 161 do CTN
c.c. art. 34 da Lei nº 8.212/91, e de multa moratória na gradação detalhada pelo art. 35, II e §4º da Lei nº 8.212/91, com a redação dada pela lei nº 9.876/99, todos de caráter irrelevável, seja qual for o motivo determinante da falta.
AUTO DE INFRAÇÃO DE OBRIGAÇÃO PRINCIPAL. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. PENALIDADE PELO DESCUMPRIMENTO. PRINCÍPIO TEMPUS REGIT ACTUM.
As multas decorrentes do descumprimento de obrigação tributária principal foram alteradas pela Medida Provisória nº 449/2008, a qual deu nova redação ao art. 35 e fez acrescentar o art. 35A
à Lei nº 8.212/91.
Na hipótese de lançamento de ofício, por representar a novel legislação encartada no art. 35A da Lei nº 8.212/91, inserida pela MP nº 449/2008, um tratamento mais gravoso ao sujeito passivo, inexistindo hipótese de a legislação superveniente impor multa mais branda que aquela revogada, sempre incidirá ao caso o princípio tempus regit actum, devendo ser aplicada em cada competência, a legislação pertinente à multa por descumprimento de obrigação principal vigente à data de ocorrência do fato gerador não adimplido.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 2302-001.956
Decisão: ACORDAM os membros da 2ª TO/3ª CÂMARA/2ª SEJUL/CARF/MF/DF, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o julgado.
Nome do relator: Arlindo da Costa e Silva
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:17:28 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201207
ementa_s : CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/02/2005 a 31/07/2008 CONTRIBUIÇÃO PARA O SENAR. IMUNIDADE TRIBUTÁRIA. NÃO OCORRENCIA. A receita oriunda da exportação constitui base de cálculo da contribuição para o SENAR, posto não possuir tal exação natureza jurídica de contribuição social ou de intervenção no domínio econômico, mas, sim, de interesse das categorias profissionais ou econômicas, espécie de contribuição que não se inclui na hipótese de imunidade tributária prevista no inciso I do §2° do art. 149 da Constituição Federal, acrescido pela Emenda Constitucional 33/2001. MANDADO DE SEGURANÇA. SUSPENSÃO DA EXIGIBILIDADE DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO. LANÇAMENTO PARA PREVENÇÃO DA DECADÊNCIA. POSSIBILIDADE. A suspensão da exigibilidade do crédito tributário, concedida mediante Liminar em sede de Mandado de Segurança, não se configura como óbice à constituição de crédito previdenciário objeto de discussão judicial, com o fito de prevenir a decadência, permanecendo tal crédito com a sua exigibilidade suspensa até a prolação de decisão definitiva no âmbito do Poder Judiciário, a teor do art. 63 da Lei nº 9.430/96. AIOP. JUROS E MULTA MORATÓRIOS. LEGALIDADE. PERÍODO DE APURAÇÃO ANTERIOR A NOVEMBRO/2008. O crédito decorrente de contribuições de interesse das categorias profissionais ou econômicas não integralmente pagas na data de vencimento será acrescido de juros de mora equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC a que se refere o artigo 13 da Lei 9.065/95, incidentes sobre o valor atualizado, nos termos do art. 161 do CTN c.c. art. 34 da Lei nº 8.212/91, e de multa moratória na gradação detalhada pelo art. 35, II e §4º da Lei nº 8.212/91, com a redação dada pela lei nº 9.876/99, todos de caráter irrelevável, seja qual for o motivo determinante da falta. AUTO DE INFRAÇÃO DE OBRIGAÇÃO PRINCIPAL. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. PENALIDADE PELO DESCUMPRIMENTO. PRINCÍPIO TEMPUS REGIT ACTUM. As multas decorrentes do descumprimento de obrigação tributária principal foram alteradas pela Medida Provisória nº 449/2008, a qual deu nova redação ao art. 35 e fez acrescentar o art. 35A à Lei nº 8.212/91. Na hipótese de lançamento de ofício, por representar a novel legislação encartada no art. 35A da Lei nº 8.212/91, inserida pela MP nº 449/2008, um tratamento mais gravoso ao sujeito passivo, inexistindo hipótese de a legislação superveniente impor multa mais branda que aquela revogada, sempre incidirá ao caso o princípio tempus regit actum, devendo ser aplicada em cada competência, a legislação pertinente à multa por descumprimento de obrigação principal vigente à data de ocorrência do fato gerador não adimplido. Recurso Voluntário Negado.
numero_processo_s : 10120.010204/2009-92
conteudo_id_s : 6328024
dt_registro_atualizacao_tdt : Wed Feb 03 00:00:00 UTC 2021
numero_decisao_s : 2302-001.956
nome_arquivo_s : Decisao_10120010204200992.pdf
nome_relator_s : Arlindo da Costa e Silva
nome_arquivo_pdf_s : 10120010204200992_6328024.pdf
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : ACORDAM os membros da 2ª TO/3ª CÂMARA/2ª SEJUL/CARF/MF/DF, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o julgado.
dt_sessao_tdt : Wed Jul 11 00:00:00 UTC 2012
id : 8656107
ano_sessao_s : 2012
atualizado_anexos_dt : Tue Oct 19 19:17:45 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1714076937691856896
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 27; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2512; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C3T2 Fl. 590 1 589 S2C3T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10120.010204/200992 Recurso nº 001.956 Voluntário Acórdão nº 230201.956 – 3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 11 de julho de 2012 Matéria CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS NFLD Recorrente MAEDA S/A. AGROINDUSTRIAL Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/02/2005 a 31/07/2008 CONTRIBUIÇÃO PARA O SENAR. IMUNIDADE TRIBUTÁRIA. NÃO OCORRENCIA. A receita oriunda da exportação constitui base de cálculo da contribuição para o SENAR, posto não possuir tal exação natureza jurídica de contribuição social ou de intervenção no domínio econômico, mas, sim, de interesse das categorias profissionais ou econômicas, espécie de contribuição que não se inclui na hipótese de imunidade tributária prevista no inciso I do §2° do art. 149 da Constituição Federal, acrescido pela Emenda Constitucional 33/2001. MANDADO DE SEGURANÇA. SUSPENSÃO DA EXIGIBILIDADE DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO. LANÇAMENTO PARA PREVENÇÃO DA DECADÊNCIA. POSSIBILIDADE. A suspensão da exigibilidade do crédito tributário, concedida mediante Liminar em sede de Mandado de Segurança, não se configura como óbice à constituição de crédito previdenciário objeto de discussão judicial, com o fito de prevenir a decadência, permanecendo tal crédito com a sua exigibilidade suspensa até a prolação de decisão definitiva no âmbito do Poder Judiciário, a teor do art. 63 da Lei nº 9.430/96. AIOP. JUROS E MULTA MORATÓRIOS. LEGALIDADE. PERÍODO DE APURAÇÃO ANTERIOR A NOVEMBRO/2008. O crédito decorrente de contribuições de interesse das categorias profissionais ou econômicas não integralmente pagas na data de vencimento será acrescido de juros de mora equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC a que se refere o artigo 13 da Lei 9.065/95, incidentes sobre o valor atualizado, nos termos do art. 161 do CTN c.c. art. 34 da Lei nº 8.212/91, e de multa moratória na gradação detalhada pelo art. 35, II e §4º da Lei nº 8.212/91, com a redação dada pela lei nº Fl. 590DF CARF MF Impresso em 30/07/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/07/2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 12/07/ 2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 30/07/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA 2 9.876/99, todos de caráter irrelevável, seja qual for o motivo determinante da falta. AUTO DE INFRAÇÃO DE OBRIGAÇÃO PRINCIPAL. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. PENALIDADE PELO DESCUMPRIMENTO. PRINCÍPIO TEMPUS REGIT ACTUM. As multas decorrentes do descumprimento de obrigação tributária principal foram alteradas pela Medida Provisória nº 449/2008, a qual deu nova redação ao art. 35 e fez acrescentar o art. 35A à Lei nº 8.212/91. Na hipótese de lançamento de ofício, por representar a novel legislação encartada no art. 35A da Lei nº 8.212/91, inserida pela MP nº 449/2008, um tratamento mais gravoso ao sujeito passivo, inexistindo hipótese de a legislação superveniente impor multa mais branda que aquela revogada, sempre incidirá ao caso o princípio tempus regit actum, devendo ser aplicada em cada competência, a legislação pertinente à multa por descumprimento de obrigação principal vigente à data de ocorrência do fato gerador não adimplido. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 2ª TO/3ª CÂMARA/2ª SEJUL/CARF/MF/DF, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o julgado. Marco André Ramos Vieira Presidente. Arlindo da Costa e Silva Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marco André Ramos Vieira (Presidente de Turma), Manoel Coelho Arruda Junior (Vicepresidente de turma), Liége Lacroix Thomasi, Adriana Sato, Wilson Antonio de Souza Correa e Arlindo da Costa e Silva. Relatório Período de apuração: 01/02/2005 a 31/07/2008. Data da lavratura do AIOP: 24/09/2009. Data da Ciência do AIOP: 24/09/2009. Fl. 591DF CARF MF Impresso em 30/07/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/07/2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 12/07/ 2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 30/07/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Processo nº 10120.010204/200992 Acórdão n.º 230201.956 S2C3T2 Fl. 591 3 Tratase de Auto de Infração de Obrigação Principal lavrado em desfavor do Recorrente em referência, tendo por objeto contribuições previdenciárias a cargo da empresa incidentes sobre a comercialização da produção própria ou de produção própria e adquirida de terceiros, destinadas ao SENAR, conforme destacado no Relatório Fiscal a fls. 45/50. Relata a Autoridade Lançadora que a empresa MAEDA S/A AGROINDUSTRIAL, utilizouse de empresa localizada no Brasil para viabilizar as vendas de produtos rurais destinados é exportação. Estas operações realizadas através das chamadas "trading companies" não gozam de imunidade das contribuições previdenciárias, como previsto em nos parágrafos 1° e 2° do art. 245 da IN/MPS/SRP n° 3, de 14/07/05. A empresa em tela impetrou, perante a 4ª Vara da Justiça Federal – Seção Judiciária do Estado de Goiás, Mandado de Segurança Preventivo nº 2008.35.00.0110897 em face do Delegado da Receita Federal de Goiânia, arguindo a legalidade e a constitucionalidade da exação em debate, requerendo, alfim, a concessão de medida liminar para suspender a exigibilidade do crédito tributário decorrente da exportação de soja realizados por intermédio de trading companies, imediatamente e doravante, sem observar as normas previstas nos §§ 1º e 2º do art. 245 da IN SRP nº 3/2005. Tal decisão houvese pro ratificada pela sentença a fls. 354/361. Decisão proferida nos autos do Mandado de Segurança suso aludido, a fls. 344/347, concedeu a liminar requerida para suspender a exigibilidade, a partir da data de concessão, das contribuições previdenciárias incidentes sobre as receitas auferidas pela impetrante com a comercialização de seus produtos com a finalidade especifica de exportação, por intermédio de sociedades que visem exclusivamente à exportação. Irresignado com o supracitado lançamento tributário, o sujeito passivo apresentou impugnação a fls. 67/106. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento no Distrito Federal lavrou Decisão Administrativa textualizada no Acórdão a fls. 513/522, julgando procedente o lançamento tributário em julgamento, mantendo o crédito tributário em sua integralidade. O Sujeito Passivo foi cientificado da decisão de 1ª Instância no dia 25 de novembro de 2011, conforme Aviso de Recebimento – AR, a fl. 525. Não se conformando com a decisão exarada pelo órgão administrativo julgador a quo, o ora recorrente interpôs recurso voluntário, a fls. 527/568, respaldando sua contrariedade em argumentação desenvolvida nos seguintes termos: • Que uma vez concedida a segurança, não poderia o Fisco praticar qualquer ato tendente a exigir o pagamento das contribuições previdenciárias discutidas. Aduz que a lavratura do Auto de Infração constituise verdadeira desobediência à Decisão Judicial; • Que as exportações realizadas através de trading companies também são beneficiárias de imunidade tributária; • Que as normas inscritas na IN SRP nº 3/2005 não seriam aplicáveis à hipótese dos autos. Aduz que a norma tributária inscrita no art. 245 da IN Fl. 592DF CARF MF Impresso em 30/07/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/07/2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 12/07/ 2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 30/07/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA 4 SRP nº 3/2005 fere os princípios da isonomia e da capacidade contributiva; • Que não poderiam ser lançadas as contribuições previdenciárias relativas a fevereiro a julho/2005, pela impossibilidade de cobrança retroativa à IN SRP nº 3/2005; • Impossibilidade de lançamento em relação aos valores depositados; • Que não incidem encargos moratórios sobre os valores depositados; • Que é indevida a multa de mora e a de ofício, em razão de o crédito estar com exigibilidade suspensa; Ao fim, requer que o presente recurso seja recebido, com a consequente reforma do acórdão recorrido. Relatados sumariamente os fatos relevantes. Voto Conselheiro Arlindo da Costa e Silva, Relator. 1. DOS PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE O sujeito passivo foi válida e eficazmente cientificado da decisão recorrida no dia 25/11/2011. Havendo sido o recurso voluntário protocolado no dia 26 de dezembro do mesmo ano, há que se reconhecer a tempestividade do recurso interposto. Estando cumpridos os demais requisitos de admissibilidade do recurso, dele conheço. Ante a inexistência de questões preliminares, passamos diretamente ao exame do mérito. 2. DO MÉRITO Cumpre, de plano, assentar que não serão objeto de apreciação por este Colegiado as matérias não expressamente contestadas pelo Recorrente, as quais se presumirão verdadeiras. 2.1. DA CONTRIBUIÇÃO PARA O SENAR Fl. 593DF CARF MF Impresso em 30/07/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/07/2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 12/07/ 2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 30/07/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Processo nº 10120.010204/200992 Acórdão n.º 230201.956 S2C3T2 Fl. 592 5 O Serviço Nacional de Aprendizagem Rural SENAR foi criado pela Lei 8.315, de 23 de dezembro de 1991, nos termos do Artigo 62 do Ato das Disposições Constitucionais Transitórias, que determinou sua criação nos moldes do SENAI e SENAC, sendo, posteriormente, regulamentado pelo Decreto nº 566, de 10 de junho de 1992, com alterações introduzidas pelo Decreto 790/93, e pelas Leis 9.528/97, e 10.256/2001. Tratase o SENAR de uma Instituição de direito privado, paraestatal, vinculada à Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil CNA, mantida com recursos provenientes da contribuição compulsória sobre a comercialização de produtos agrossilvipastoris, nos termos do art. 3º da Lei nº 8.315/91, e tem como objetivo organizar, administrar e executar em todo território nacional, o ensino da formação profissional rural e a promoção social dos trabalhadores rurais. Lei nº 8.315, de 23 de dezembro de 1991 Art. 3º Constituem rendas do SENAR: I contribuição mensal compulsória, a ser recolhida à Previdência Social, de 2,5% (dois e meio por cento) sobre o montante da remuneração paga a todos os empregados pelas pessoas jurídicas de direito privado, ou a elas equiparadas, que exerçam atividades: a) agroindustriais; b) agropecuárias; c) extrativistas vegetais e animais; d) cooperativistas rurais; e) sindicais patronais rurais. II doações e legados; III subvenções da União, Estados e Municípios; IV multas arrecadadas por infração de dispositivos, regulamentos e regimentos oriundos esta Lei; V rendas oriundas de prestação de serviços e da alienação ou locação de seus bens; VI receitas operacionais; VII contribuição prevista no artigo 1º do DecretoLei nº 1.989, de 28 de dezembro de 1982, combinando com o artigo 5º do DecretoLei nº 1.146, de 31 de dezembro de 1970, que continuará sendo recolhida pelo Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária INCRA, VIII rendas eventuais; §1º A incidência da contribuição a que se refere o inciso I deste artigo não será cumulativa com as contribuições destinadas ao Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial SENAI e ao Serviço Nacional de Aprendizagem Comercial SENAC, prevalecendo em favor daquele ao qual os seus empregados são beneficiários diretos. §2º As pessoas jurídicas ou a elas equiparadas, que exerçam concomitantemente outras atividades não relacionadas no inciso I deste artigo, permanecerão contribuindo para as outras entidades de formação profissional nas atividades que lhes correspondam especificamente. Fl. 594DF CARF MF Impresso em 30/07/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/07/2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 12/07/ 2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 30/07/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA 6 §3º A arrecadação da contribuição será feita juntamente com a da Previdência Social e o seu produto será posto, de imediato, à disposição do SENAR, para aplicação proporcional nas diferentes Unidades da Federação, de acordo com a correspondente arrecadação, deduzida a cota necessária às despesas de caráter geral. §4º A contribuição definida na alínea "a", do inciso I, deste artigo, incidirá sobre o montante da remuneração paga aos empregados da agroindústria que atuem exclusivamente na produção primária de origem animal e vegetal. Posteriormente, em julho de 2001 foi promulgada a Lei nº 10.256/2001 que incluiu o parágrafo quinto ao art. 22A da Lei nº 8.212/91, dispondo que a agroindústria passaria a contribuir para o SENAR com o adicional de zero vírgula vinte e cinco por cento da receita bruta proveniente da comercialização da produção. Lei nº 10.256/2001, de 09 de julho de 2001 Art. 1o A Lei no 8.212, de 24 de julho de 1991, passa a vigorar com as seguintes alterações: "Art. 22A. A contribuição devida pela agroindústria, definida, para os efeitos desta Lei, como sendo o produtor rural pessoa jurídica cuja atividade econômica seja a industrialização de produção própria ou de produção própria e adquirida de terceiros, incidente sobre o valor da receita bruta proveniente da comercialização da produção, em substituição às previstas nos incisos I e II do art. 22 desta Lei, é de: (...) §5o O disposto no inciso I do art. 3o da Lei no 8.315, de 23 de dezembro de 1991, não se aplica ao empregador de que trata este artigo, que contribuirá com o adicional de zero vírgula vinte e cinco por cento da receita bruta proveniente da comercialização da produção, destinado ao Serviço Nacional de Aprendizagem Rural (SENAR)." Mostrase conveniente esclarecer que mesmo a receita oriunda da exportação constitui base de cálculo dessa contribuição, posto não ter natureza de contribuição social ou de intervenção no domínio econômico, mas, sim, de interesse das categorias profissionais ou econômicas, espécie de contribuição que não se inclui na hipótese de não incidência qualificada prevista no inciso I do §2° do art. 149 da Constituição Federal, acrescido pela Emenda Constitucional 33/2001. Constituição Federal Art. 149. Compete exclusivamente à União instituir contribuições sociais, de intervenção no domínio econômico e de interesse das categorias profissionais ou econômicas, como instrumento de sua atuação nas respectivas áreas, observado o disposto nos arts. 146, III, e 150, I e III, e sem prejuízo do previsto no art. 195, §6º, relativamente às contribuições a que alude o dispositivo. §1º Os Estados, o Distrito Federal e os Municípios instituirão contribuição, cobrada de seus servidores, para o custeio, em Fl. 595DF CARF MF Impresso em 30/07/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/07/2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 12/07/ 2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 30/07/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Processo nº 10120.010204/200992 Acórdão n.º 230201.956 S2C3T2 Fl. 593 7 benefício destes, do regime previdenciário de que trata o art. 40, cuja alíquota não será inferior à da contribuição dos servidores titulares de cargos efetivos da União. (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 41, 19.12.2003) §2º As contribuições sociais e de intervenção no domínio econômico de que trata o caput deste artigo: (Incluído pela Emenda Constitucional nº 33, de 2001) I não incidirão sobre as receitas decorrentes de exportação; (Incluído pela Emenda Constitucional nº 33, de 2001) II incidirão também sobre a importação de produtos estrangeiros ou serviços; (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 42, de 19.12.2003) Com efeito, a Emenda Constitucional nº 33/2001 introduziu no ordenamento um novo regramento de imunidade visando a diminuir a carga tributária incidente sobre receitas decorrentes de exportações, mediante a inclusão do §2º ao art. 149 da Constituição Federal. A identificação da natureza jurídica das contribuições tributárias tem grande importância prática, pois determina o seu regime jurídico. De acordo com o caput do art. 149, são três as espécies de contribuições: a) Contribuições sociais – com finalidade de custeio da seguridade social; b) Contribuições de intervenção no domínio econômico através das quais o Estado intervém na econômica, controlandoa e incrementandoa com tal tributação. c) Contribuições de interesse de categorias profissionais e econômicas ligadas a órgãos representativos de categorias profissionais ou econômicas; Assim, apesar de o caput do dispositivo constitucional em realce prever a existência de três espécies distintas de contribuições as sociais, as de intervenção no domínio econômico e as de interesse das categorias profissionais e econômicas , a regra da não incidência tributária perfilada em seu §2° abraçou, tão somente, as duas primeiras, não incluindo no campo da renuncia fiscal em voga as contribuições de interesse das categorias profissionais e econômicas, como é o caso do SENAR. Tal compreensão não discrepa do entendimento adotado no Parecer PFE INSS/CGMT/DCMT 16/2004 e Nota COSIT 312/2007, o que vem a consolidar o entendimento sobre tal matéria no âmbito administrativo tributário. Nos termos do §3º do art. 3º da lei nº 8.315/91, a arrecadação das contribuições destinadas ao SENAR deve ser realizada pelos seus contribuintes legais aos cofres públicos juntamente com as contribuições previdenciárias destinadas ao custeio da seguridade social, devendo ser observadas todas as regras atinentes a prazos, período de arrecadação, acréscimos legais decorrente de atraso no recolhimento, etc. Além disso, a Fl. 596DF CARF MF Impresso em 30/07/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/07/2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 12/07/ 2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 30/07/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA 8 fiscalização da regularidade de seu recolhimento e a competência para efetuar o lançamento de ofício também foi atribuída ao órgão fazendário responsável pela fiscalização das contribuições para o INSS. Devese registrar, por relevante, que os efeitos da demanda judicial capitaneada pelo Mandado de Segurança nº 2008.35.00.0110897, impetrado perante a 4ª Vara da Justiça Federal – Seção Judiciária do Estado de Goiás, em face do Delegado da Receita Federal de Goiânia, não espraia seus efeitos sobre o presente lançamento. A uma, porque a contribuição objeto do Auto de Infração em debate não se encontra inserida na hipótese de não incidência tributária prevista no inciso I do §2º ao art. 149 da Constituição Federal. A duas, porque o pedido formulado no aludido writ circunscreveuse às contribuições previdenciárias, gênero do qual não integra a contribuição para o SENAR, conforme se dessume do excerto transcrito do mencionado mandamus. VII DO PEDIDO 127. Em face do exposto, a Impetrante requer que V. Exa. se digne de (a) conceder a medida liminar, nos termos do artigo 7° inciso II da Lei n° 1.533/51, dandose a esta os efeitos do artigo 151, inciso IV do Código Tributário Nacional, para suspender a exigibilidade do crédito tributário decorrente da inclusão das de exportação de soja realizadas por “trading companies” na base de cálculo das contribuições previdenciárias devidas, imediatamente e doravante, sem observar, portanto, as normas previstas nos §1º e §2º do art. 245 da Instrução Normativa n° 03/2005; (b) determinar à D. Autoridade Coatora que se abstenha de exigir os créditos tributários relativos às contribuições previdenciárias, na conformidade do pedido acima que restar deferido; (c) determinar a expedição de ofício à D. Autoridade Coatora, notificandoa a prestar as informações que julgar necessárias, no prazo legal; d) determinar a intimação do I. representante do Ministério Público para oferecimento de seu parecer; tudo para afinal; (e) conceder em definitivo a segurança pleiteada, para assegurar o direito liquido e certo da Impetrante de: (i) não incluir as receitas decorrentes da exportação de soja realizadas por trading companies na base de cálculo das contribuições previdenciárias, nos termos do artigo 149, §2° inciso I da Constituição Federal; declarandose, para tanto, incidenter tantum a inconstitucionalidade dos §1º e §2º do art. 245 da Instrução Normativa n° 03/2005; e (ii) recuperar os valores indevidamente recolhidos a titulo de contribuições previdenciárias sobre as receitas de exportação de soja realizadas por trading companies desde maio de 2003, devidamente corrigidos com a aplicação da Taxa SELIC. Fl. 597DF CARF MF Impresso em 30/07/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/07/2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 12/07/ 2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 30/07/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Processo nº 10120.010204/200992 Acórdão n.º 230201.956 S2C3T2 Fl. 594 9 (f) requer, por fim, que as intimações relativas ao presente feito sejam feitas em nome dos advogados Raquel Cristina Ribeiro Novais, Daniella Zagari Gonçalves, Marcelo Fortes e Marco Antônio Gomes Behrndt, inscritos, respectivamente, na OAB/SP sob os n° 76.649, 116.343, 144.994 e 173.362, todos com endereço na Avenida Brigadeiro Faria Lima, nº 3144, 11º andar, São Paulo SP. Os grifos não constam no original. São nossos. A três, porque os §1º e §2º do art. 245 da IN SRP nº 3/2005, dos quais se requereu à declaração incidenter tantum de inconstitucionalidade apenas se refere a contribuições previdenciárias, não a contribuições de interesse de categorias profissionais e econômicas, gênero do qual a contribuição para o SENAR é espécie. A quatro, porque a liminar concedida pela 4ª Vara da Justiça Federal – Seção Judiciária do Estado de Goiás, nos autos do Mandado de Segurança nº 2008.35.00.0110897, apenas determinou, de forma expressa, a suspensão das contribuições previdenciárias, não se referindo, nem mesmo indiretamente, às contribuições de interesse de categorias profissionais e econômicas. A cinco, porque a sentença de mérito apenas reconheceu a inexigibilidade das contribuições previdenciárias incidentes sobre as receitas auferidas pela impetrante em face da comercialização de soja em grãos, com a finalidade específica de exportação, com sociedades intermediarias exportadoras, não produzindo, igualmente, qualquer referência, nem mesmo indireta, a contribuições de interesse de categorias profissionais e econômicas. Conforme demonstrado, a demanda judicial cingiuse, tão somente, sobre contribuições previdenciárias, não produzindo qualquer efeito sobre as contribuições de interesse de categorias profissionais e econômicas. Dessai das razões ora expendidas que no caso em exame não restou caracterizada a Tríplice identidade dos elementos identificadores da causa, posto que as, embora as partes sejam as mesmas, a causa de pedir e o pedido são completamente distintos. Muito embora haja identidade das partes, os efeitos do aludido Mandado de Segurança não se aplicam ao imposto de renda e à COFINS devidos pelo Recorrente à Secretaria da Receita Federal do Brasil (identidade das partes). Isso porque a causa de pedir (imunidade prevista no art. 149, §2º, I da CF/88) e o pedido (inexigibilidade de contribuições previdenciárias) não guardam relação com tais exações. Da mesma forma, a decisão proferida no writ em debate não se reflete sobre as contribuições para o SENAR. Apesar de as partes serem as mesmas, a causa de pedir (imunidade prevista no art. 149, §2º, I da CF/88) e o pedido (inexigibilidade de contribuições previdenciárias) não guardam, igualmente, qualquer relação com as contribuições de interesse de categorias profissionais e econômicas. Fl. 598DF CARF MF Impresso em 30/07/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/07/2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 12/07/ 2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 30/07/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA 10 Mostrase alvissareiro alertar que as contribuições para o SENAR são completamente independentes e autônomas em relação às contribuições previdenciárias, inexistindo qualquer conexão jurídica interligando a contribuição para o SENAR e a contribuição previdenciária, tampouco esta se revela principal em relação àquela. As duas contribuições são totalmente autônomas, distintas e independentes; ostentam natureza jurídica diversa; possuem destinação constitucional bastante divisa uma em relação à outra; foram criadas e disciplinadas por documentos legislativos próprios e diversos, além de os beneficiários de tais contribuições serem pessoas jurídicas diferentes. A lei apenas atribuiu à Secretaria da Receita Federal do Brasil a competência para planejar, executar, acompanhar e avaliar as atividades relativas à tributação, fiscalização, arrecadação, cobrança e o recolhimento das contribuições sociais devidas a terceiros, assim entendidas outras entidades e fundos, na forma da legislação em vigor, aplicandose em relação a essas contribuições, no que couber, as disposições legais referentes às contribuições previdenciárias. Frizese que, nos termos do §3º do art. 3º da lei nº 8.315/91, a arrecadação das contribuições destinadas ao SENAR deve ser realizada pelos seus contribuintes legais aos cofres públicos juntamente com as contribuições previdenciárias destinadas ao custeio da seguridade social, devendo ser observadas todas as regras atinentes a prazos, período de arrecadação, acréscimos legais decorrente de atraso no recolhimento, etc. Além disso, a fiscalização da regularidade de seu recolhimento e a competência para efetuar o lançamento de ofício também foram atribuídas ao órgão fazendário responsável pela fiscalização das contribuições destinadas ao custeio da Seguridade Social. Apesar disso, a contribuição em relevo se revela totalmente autônoma em relação às contribuições previdenciárias em questão, muito embora a matéria tributável lhes seja idêntica. De maneira análoga, eventuais isenções e imunidades concedidas a uma exação não produz efeitos em relação à outra, em razão da exegese restritiva exigida pelo art. 111 do CTN. Do exame de tudo o quanto se considerou no presente julgado, podese asselar categoricamente que o presente lançamento tramita totalmente apartado e alheio aos motivos ensejadores da ação judicial em debate, não sendo alcançada pelos efeitos das decisões já proferidas em seu curso. Assim, a exigibilidade do crédito tributário objeto do vertente lançamento não se encontra suspensa por força da liminar concedida pela 4ª Vara da Justiça Federal – Seção Judiciária do Estado de Goiás, nos autos do Mandado de Segurança nº 2008.35.00.0110897, eis que tal decisão liminar limitouse a determinar, de forma expressa, a suspensão das contribuições previdenciárias, conforme assim também cingiuse o pedido, não se referindo, nem mesmo indiretamente, às contribuições de interesse de categorias profissionais e econômicas, como se mostra a natureza jurídica das contribuições para o SENAR. 2.2. DA LAVRATURA DO AUTO DE INFRAÇÃO Alega o Recorrente que, uma vez concedida a segurança, não poderia o Fisco praticar qualquer ato tendente a exigir o pagamento das contribuições previdenciárias discutidas. Aduz que a lavratura do Auto de Infração constituise verdadeira desobediência à Decisão Judicial. Fl. 599DF CARF MF Impresso em 30/07/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/07/2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 12/07/ 2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 30/07/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Processo nº 10120.010204/200992 Acórdão n.º 230201.956 S2C3T2 Fl. 595 11 A alegação não procede. Encontrase explicitado no art. 151 do CTN que a concessão de medida liminar em Mandado de Segurança tem o condão de suspender a exigibilidade do crédito tributário, por obvio, tão somente, quando nesse sentido expressamente disponha a decisão liminar. Não se deve confundir exigibilidade com exequibilidade. Exigibilidade é a qualidade daquilo que é exigível. Exigível é a obrigação que não se encontra mais submetida a qualquer condição, termo, encargo ou outro empecilho e que pode ter seu adimplemento solicitado pelo credor ao devedor, mediante colaboração da vontade deste. Dessarte, a exigibilidade do crédito tributário configurase na aptidão que permeia o crédito constituído de se integrar no patrimônio ativo do credor e, consequentemente, no patrimônio passivo do devedor. Já a exequibilidade é a qualidade daquilo que é exequível, isto é, a aptidão para ensejar um rito processual de execução forçada, em razão do não adimplemento espontâneo pelo sujeito passivo da obrigação tributária correspondente, mediante o ajuizamento da competente ação de execução fiscal. Tratase da eficácia processual ao crédito que já era exigível. Concluise, portanto, que, enquanto exigibilidade é conceito de direito material, a exequibilidade se nos apresenta como conceito de direito processual. Para ser exequível é condição sine qua non que o crédito querido seja liquido, certo e exigível. A Obrigação líquida é aquela certa quanto à sua existência, e determinada quanto ao seu objeto e valor. Ou seja, a obrigação líquida existe e tem valor preciso. A característica da certeza diz respeito à existência material de uma obrigação tributária (rectius, crédito tributário), em razão da qual o agente passivo esteja obrigado a uma prestação de dar quantia certa em benefício do agente ativo. A obrigação tributária é abstrata e concretizase no fato gerador, mas individualizase qualitativa e quantitativamente através do lançamento. Tal espécie de obrigação, por si só, não contém os aspectos da exigibilidade, da certeza e da liquidez, próprios de um crédito. Para que a obrigação tributária se revista com tais atributos, fazse necessária a realização de um procedimento de parte da administração pública fazendária, consistente no lançamento. Assim, ao ornar a obrigação tributária com as vestes da certeza e liquidez, o lançamento a transforma em crédito tributário. Portanto, é o ato do lançamento que confere certeza e liquidez à obrigação tributária. A inexistência de impedimentos jurídicos a torna exigível. A suspensão da exigibilidade, assentada no art. 151 do CTN, ataca a exigibilidade do crédito tributário constituído, desobrigando o sujeito passivo do recolhimento Fl. 600DF CARF MF Impresso em 30/07/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/07/2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 12/07/ 2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 30/07/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA 12 imediato do crédito atacado, enquanto perdurar os efeitos da suspensão ou a existência do crédito tributário. Conforme explicitado no texto legal, a norma tributária se refere à suspensão do crédito tributário, não à suspensão da obrigação tributária. Para que haja a existência do crédito tributário é indispensável que este já esteja constituído, mediante a devida convolação da obrigação tributária correspondente, condição que se alcança com a efetiva formalização do lançamento, assim compreendido o procedimento administrativo levado a cabo como o objetivo de verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido e identificar o sujeito passivo. Nessa prumada, somente após a conclusão do lançamento poderseá falar em crédito tributário. Antes não. Haverá, tão somente, obrigação tributária. Registrese que crédito tributário é direito subjetivo do fisco, em face do qual podese opor o devedor. O poder/dever de convolar a obrigação tributária em crédito tributário é direito potestativo da Fazenda. Nesse contexto, ao contrário do que entende o Recorrente, a suspensão da exigibilidade do crédito tributário não apõe qualquer blindagem na prerrogativa que possui a autoridade fazendária competente de efetivar o lançamento. A suspensão apenas desobriga o sujeito passivo correspondente do recolhimento do crédito constituído, seja espontaneamente, seja mediante execução forçada. Tão só. Registrese por relevante que o próprio ordenamento jurídico prevê a autonomia do Fisco de proceder ao lançamento, com fito de prevenir a decadência, mesmo nas hipóteses de suspensão do crédito tributário em razão da concessão de medida liminar em mandado de segurança ou de medida liminar ou de tutela antecipada em outras espécies de ação judicial. Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996 Art. 63. Na constituição de crédito tributário destinada a prevenir a decadência, relativo a tributo de competência da União, cuja exigibilidade houver sido suspensa na forma dos incisos IV e V do art. 151 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966, não caberá lançamento de multa de ofício. (Redação dada pela Medida Provisória nº 2.15835, de 2001) §1º O disposto neste artigo aplicase, exclusivamente, aos casos em que a suspensão da exigibilidade do débito tenha ocorrido antes do início de qualquer procedimento de ofício a ele relativo. §2º A interposição da ação judicial favorecida com a medida liminar interrompe a incidência da multa de mora, desde a concessão da medida judicial, até 30 dias após a data da publicação da decisão judicial que considerar devido o tributo ou contribuição. Por outro viés, mas ária de outra ópera, conforme detalhadamente esclarecido no tópico precedente, a exigibilidade do crédito tributário objeto do vertente lançamento não se encontra suspensa por força da liminar concedida pela 17ª Vara da Justiça Federal – Seção Judiciária do Distrito Federal, nos autos do Mandado de Segurança nº 2005.34.00.0278650, eis que tal decisão liminar limitouse a determinar, de forma expressa, a suspensão das contribuições previdenciárias, conforme assim também cingiuse o pedido, não se referindo, Fl. 601DF CARF MF Impresso em 30/07/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/07/2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 12/07/ 2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 30/07/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Processo nº 10120.010204/200992 Acórdão n.º 230201.956 S2C3T2 Fl. 596 13 nem mesmo indiretamente, às contribuições de interesse de categorias profissionais e econômicas, como se mostra a natureza jurídica das contribuições para o SENAR. Não procede, pelas mesmas razões acima desfiadas, a alegação a respeito da impossibilidade da formalização do lançamento em relação aos valores depositados. Da mesma forma como decorre da concessão medida liminar em mandado de segurança, o depósito do montante integral também produz como efeito de estilo a suspenção do crédito tributário a que se refere, a teor do inciso II do mesmo art. 151 do CTN. Código Tributário Nacional CTN Art. 151. Suspendem a exigibilidade do crédito tributário: I moratória; II o depósito do seu montante integral; III as reclamações e os recursos, nos termos das leis reguladoras do processo tributário administrativo; IV a concessão de medida liminar em mandado de segurança. V – a concessão de medida liminar ou de tutela antecipada, em outras espécies de ação judicial; (Incluído pela Lcp nº 104, de 10.1.2001) VI – o parcelamento. (Incluído pela Lcp nº 104, de 10.1.2001) Parágrafo único. O disposto neste artigo não dispensa o cumprimento das obrigações assessórios dependentes da obrigação principal cujo crédito seja suspenso, ou dela consequentes. Com efeito, o contribuinte, visando a questionar a exigibilidade do crédito tributário, detém a faculdade de efetivar o depósito integral do valor exigido pela Fazenda Pública, tanto na via administrativa quanto na judicial, impedindo, assim, a incidência de encargos moratórios – juros e multa , bem como a deflagração da execução fiscal. Sagrandose vencedor o contribuinte, o depósito efetuado poderá ser por ele levantado. De forma contrária, o depósito será convertido em renda em favor da Fazenda Pública, extinguindo, mediante o pagamento, o crédito tributário constituído por meio do lançamento em debate, a teor do art. 156, VI, do CTN. Além do mais, conforme detalhado no tópico anterior, sendo o SENAR uma contribuição de interesse das categorias profissionais ou econômicas, ela não se encontra incluída na hipótese de não incidência prevista no art. 149, §2º, I da CF/88, não estando tal contribuição incluída na causa de pedir e no pedido do Mandado de Segurança impetrado pelo Recorrente, tampouco albergada pela Liminar proferida pela 4ª Vara da Justiça Federal – Seção Judiciária do Estado de Goiás, não havendo que se falar em suspensão da exigibilidade do crédito tributário objeto do vertente lançamento. Diante dos motivos acima elencados, se nos apresenta como correto o procedimento levado a efeito pela autoridade fiscal. Fl. 602DF CARF MF Impresso em 30/07/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/07/2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 12/07/ 2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 30/07/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA 14 2.3. DOS ENCARGOS MORATÓRIOS SOBRE O VALOR DEPOSITADO Pondera o Recorrente não incidirem encargos moratórios sobre os valores depositados. Razão não lhe assiste. Não resta dúvida que o contribuinte, visando a questionar a exigibilidade do crédito tributário, detém a faculdade de efetivar o depósito integral do valor exigido pela Fazenda Pública, tanto na via administrativa quanto na judicial, impedindo, assim, a incidência de encargos moratórios – juros e multa , bem como a deflagração da execução fiscal. A expressão montante integral do crédito tributário, todavia, corresponde ao valor exigido pela Fazenda Pública, segundo sua memória de cálculo, e não ao reconhecido pelo sujeito passivo da obrigação tributária. Contudo, no regime do lançamento por homologação, é o contribuinte quem informa a base de cálculo, ressalvado à Administração o direito de não homologála, de modo que a integralidade do depósito dependerá apenas da coincidência entre os valores declarados pelo contribuinte na esfera administrativa e a alíquota correspondente com os valores constantes dos autos processuais. Contudo, a suspensão da incidência de juros e multa moratória somente passa a produzir efeitos a partir da efetivação do depósito, operando ex nunc. Dessarte, deve o contribuinte atentarse não só para o quantum da exação, como também para a data limite do seu recolhimento, sob pena de se sujeitar aos acréscimos legais desde o vencimento da obrigação até a data da efetivação do depósito. Atentese ao fato de o Recorrente, no item 12 de seu Recurso Voluntário a fl. 531, in fine, já admitir que o depósito por ele realizado apenas honrou contemplar os valores controvertidos do tributo, com o acréscimo dos juros moratórios (SELIC), MAS SEM A INCIDÊNCIA DE MULTA DE MORA, circunstância que de per se já é indiciária de que o depósito pode ser insuficiente para cobrir, integralmente, o tributo exigido. Colhemos, todavia, das provas dos autos que a Guia de Depósitos Judiciais e Extrajudiciais a fl. 287 encontrase expressamente vinculada ao Mandado de Segurança nº 2008.35.00.0110897, em trâmite na 4ª Vara da Justiça Federal – Seção Judiciária do Estado de Goiás. Conforme já esclarecido à exaustão no tópico que a este antecede, a contribuição para SENAR, objeto do presente lançamento, não se encontra abraçada pela causa de pedir, nem incluída no pedido formulado pelo Recorrente à Autoridade Judiciária, nem, tampouco, houvese por contemplada ou mencionada, nem mesmo indiretamente, na decisão proferida pelo Órgão Judiciário federal em tela. Diante do que se coligiu até o momento, resta visível que o depósito efetuado pelo Recorrente (fl. 287) visa a garantir, tão somente, o lançamento referente às contribuições previdenciárias objeto do Mandado de Segurança acima mencionado, não espraiando efeitos sobre o presente lançamento. Sagrandose vencedor o contribuinte naquela demanda judicial, o depósito efetuado poderá ser por ele levantado. De forma contrária, o depósito será convertido em renda Fl. 603DF CARF MF Impresso em 30/07/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/07/2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 12/07/ 2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 30/07/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Processo nº 10120.010204/200992 Acórdão n.º 230201.956 S2C3T2 Fl. 597 15 em favor da Fazenda Pública, extinguindo, mediante o pagamento, o crédito tributário constituído por meio do lançamento atacado no citado mandamus, a teor do art. 156, VI, do CTN. Sendo a demanda ajuizada pelo contribuinte acolhida apenas parcialmente, somente a parcela devida deverá ser convertida em renda. O excedente, se houver, poderá então ser levantado pelo depositante. Sendo o valor do depósito realizado pelo contribuinte inferior ao montante exigido pelo Fisco, na hipótese de sucumbência do depositante, também serão devidos os acréscimos legais referentes à diferença entre o valor devido, nos termos da decisão definitiva, e o montante efetivamente depositado pela empresa. Por tais razões, não estando as contribuições de interesse de categorias profissionais e econômicas ora em constituição albergadas pela liminar concedida pela 4ª Vara da Justiça Federal – Seção Judiciária do Estado de Goiás, nos autos do Mandado de Segurança nº 2008.35.00.0110897, nem tampouco cobertas pelo depósito judicial a fl. 287, não há que se falar em não incidência de juros e multa. Ao tratar dos acréscimos pecuniários do crédito tributário, o art. 161 do Código Tributário Nacional – CTN, topograficamente inserido no Capítulo que versa sobre a Extinção do Crédito Tributário, estabeleceu que o crédito não integralmente pago no vencimento é acrescido de juros de mora, seja qual for o motivo determinante da falta, sem prejuízo da imposição das penalidades cabíveis: Código Tributário Nacional Art. 161. O crédito não integralmente pago no vencimento é acrescido de juros de mora, seja qual for o motivo determinante da falta, sem prejuízo da imposição das penalidades cabíveis e da aplicação de quaisquer medidas de garantia previstas nesta Lei ou em lei tributária. §1º Se a lei não dispuser de modo diverso, os juros de mora são calculados à taxa de um por cento ao mês. §2º O disposto neste artigo não se aplica na pendência de consulta formulada pelo devedor dentro do prazo legal para pagamento do crédito. Salientese que o percentual enunciado no parágrafo primeiro acima transcrito será o aplicável se a lei não dispuser de modo diverso. Ocorre que a lei de custeio da seguridade social disciplinou inteiramente a matéria relativa aos acessórios financeiros do crédito previdenciário em constituição e de forma distinta, devendo esta ser observada em detrimento do percentual previsto no §1º do art. 161 do CTN. Nesse sentido já se manifestou o Tribunal Regional Federal da 4ª Região ao proferir, ipsis litteris: “Na esfera infraconstitucional, o Código Tributário Nacional, norma de caráter complementar, não proíbe a capitalização de juros nem limita a sua cobrança ao patamar de 1% ao mês. pois o art. 161, §1º desse diploma legal prevê que essa taxa de juros somente será aplicada se a lei não dispuser de modo contrário. Assim, não tendo o Código Tributário Nacional determinado a necessidade de lei complementar, pode a lei ordinária fixar taxas de juros diversas daquela prevista no citado art. 161, §1º do CTN, donde se conclui Fl. 604DF CARF MF Impresso em 30/07/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/07/2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 12/07/ 2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 30/07/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA 16 que a incidência da SELIC sobre os créditos fiscais se dá por forca de instrumento legislativo próprio (lei ordinária) sem importar qualquer afronta à Constituição Federal” (TRF 4ª Região, Apelação Cível 200471100006514, Rel. Álvaro Eduardo Junqueira; 1ª Turma; DJ de 15/06/2005, p. 552). A disciplina atinente à aplicação de multa de natureza moratória decorrente do descumprimento tempestivo de obrigações tributárias principais de cunho previdenciário ficou a cargo da Lei nº 8.212/91, cujo art. 35 estatuiu, de forma objetiva, que as contribuições sociais e outras importâncias arrecadadas pelo INSS, incluídas ou não em notificação fiscal de lançamento, pagas com atraso, objeto ou não de parcelamento, ficam sujeitas a juros moratórios de caráter irrelevável. Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991 Art. 35. Sobre as contribuições sociais em atraso, arrecadadas pelo INSS, incidirá multa de mora, que não poderá ser relevada, nos seguintes termos: (Redação dada pela Lei nº 9.876/99). I para pagamento, após o vencimento de obrigação não incluída em notificação fiscal de lançamento: a) oito por cento, dentro do mês de vencimento da obrigação; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). b) quatorze por cento, no mês seguinte; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). c) vinte por cento, a partir do segundo mês seguinte ao do vencimento da obrigação; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). II para pagamento de créditos incluídos em notificação fiscal de lançamento: a) vinte e quatro por cento, em até quinze dias do recebimento da notificação; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). b) trinta por cento, após o décimo quinto dia do recebimento da notificação; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). c) quarenta por cento, após apresentação de recurso desde que antecedido de defesa, sendo ambos tempestivos, até quinze dias da ciência da decisão do Conselho de Recursos da Previdência Social CRPS; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). d) cinquenta por cento, após o décimo quinto dia da ciência da decisão do Conselho de Recursos da Previdência Social CRPS, enquanto não inscrito em Dívida Ativa; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). III para pagamento do crédito inscrito em Dívida Ativa: a) sessenta por cento, quando não tenha sido objeto de parcelamento; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). b) setenta por cento, se houve parcelamento; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). Fl. 605DF CARF MF Impresso em 30/07/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/07/2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 12/07/ 2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 30/07/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Processo nº 10120.010204/200992 Acórdão n.º 230201.956 S2C3T2 Fl. 598 17 c) oitenta por cento, após o ajuizamento da execução fiscal, mesmo que o devedor ainda não tenha sido citado, se o crédito não foi objeto de parcelamento; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). d) cem por cento, após o ajuizamento da execução fiscal, mesmo que o devedor ainda não tenha sido citado, se o crédito foi objeto de parcelamento. (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). §1º Na hipótese de parcelamento ou reparcelamento, incidirá um acréscimo de vinte por cento sobre a multa de mora a que se refere o caput e seus incisos. §2º Se houver pagamento antecipado à vista, no todo ou em parte, do saldo devedor, o acréscimo previsto no parágrafo anterior não incidirá sobre a multa correspondente à parte do pagamento que se efetuar. §3º O valor do pagamento parcial, antecipado, do saldo devedor de parcelamento ou do reparcelamento somente poderá ser utilizado para quitação de parcelas na ordem inversa do vencimento, sem prejuízo da que for devida no mês de competência em curso e sobre a qual incidirá sempre o acréscimo a que se refere o § 1º deste artigo. §4º Na hipótese de as contribuições terem sido declaradas no documento a que se refere o inciso IV do art. 32, ou quando se tratar de empregador doméstico ou de empresa ou segurado dispensados de apresentar o citado documento, a multa de mora a que se refere o caput e seus incisos será reduzida em cinquenta por cento. (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). Com efeito, as contribuições de interesse de categorias profissionais e econômicas, da mesma forma que as contribuições sociais destinadas ao custeio da seguridade social, estão sujeitas não somente à incidência de multa moratória, como também de juros computados segundo a taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e de Custódia SELIC, nos termos do art. 34 da Lei nº 8.212/91 que, pela sua importância ao deslinde da questão, o transcrevemos a seguir, com a redação vigente à época da ocorrência dos fatos geradores. Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991 Art. 34. As contribuições sociais e outras importâncias arrecadadas pelo INSS, incluídas ou não em notificação fiscal de lançamento, pagas com atraso, objeto ou não de parcelamento, ficam sujeitas aos juros equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e de Custódia SELIC, a que se refere o art. 13 da Lei nº 9.065, de 20 de junho de 1995, incidentes sobre o valor atualizado, e multa de mora, todos de caráter irrelevável. (Restabelecido com redação alterada pela MP nº 1.571/97, reeditada até a conversão na Lei nº 9.528/97) Fl. 606DF CARF MF Impresso em 30/07/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/07/2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 12/07/ 2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 30/07/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA 18 A matéria relativa à incidência da taxa SELIC já foi bater à porta da Suprema Corte de Justiça, que firmou jurisprudência no sentido de sua legalidade, consoante ressai do julgado a seguir ementado: TRIBUTÁRIO. PARCELAMENTO DE DÉBITO. JUROS MORA TÓRIOS. TAXA SELIC. CABIMENTO. 1. O artigo 161 do CTN estipulou que os créditos não pagos no vencimento serão acrescidos de juros de mora calculados à taxa de 1%, ressalvando, expressamente, em seu parágrafo primeiro, a possibilidade de sua regulamentação por lei extravagante, o que ocorre no caso dos créditos tributários, em que a Lei 9.065/95 prevê a cobrança de juros equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e de Custódia SELIC para títulos federais (art. 13). 2. Diante da previsão legal e considerando que a mora é calculada de acordo com a legislação vigente à época de sua apuração, nenhuma ilegalidade há na aplicação da Taxa SELIC sobre os débitos tributários recolhidos a destempo, ou que foram objeto de parcelamento administrativo. 3. Também , há de se considerar que os contribuintes têm postulado a utilização da Taxa SELIC na compensação e repetição dos indébitos tributários de que são credores. Assim, reconhecida a legalidade da incidência da Taxa SELIC em favor dos contribuintes, do mesmo modo deve ser aplicada na cobrança do crédito fiscal diante do princípio da isonomia. 4. Embargos de divergência a que se dá provimento. STJ EREsp nº 396.554/SC, Rel. Min. TEORI ALBINO ZAVASCKI; 1ª SEÇÃO; DJ 13/09/2004; p. 167. Em reforço a tal assertiva jurisdicional, iluminese o Enunciado da Súmula nº 03 do Segundo Conselho de Contribuintes, vazado nos seguintes termos: SÚMULA CARF nº 3 É cabível a cobrança de juros de mora sobre os débitos para com a União decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil com base na taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia – Selic para títulos federais. Nesse contexto, não estando o crédito tributário objeto do presente lançamento com a exigibilidade suspensa, devidos são, além do principal, também os juros e multa moratórios, na forma assentada nos artigos 34 e 35 da Lei nº 8.212/91, com a redação vigente à época da ocorrência dos fatos geradores. 2.4. DA RETROATIVIDADE DA IN SRP nº 3/2005 Argumenta o Recorrente que não poderiam ser lançadas as contribuições previdenciárias relativas as competências de fevereiro a julho de2005, pela impossibilidade de cobrança retroativa à IN SRP nº 3/2005. Fl. 607DF CARF MF Impresso em 30/07/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/07/2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 12/07/ 2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 30/07/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Processo nº 10120.010204/200992 Acórdão n.º 230201.956 S2C3T2 Fl. 599 19 Razão não lhe assiste. Conforme já esclarecido à exaustão, o processo em julgamento não tem por objeto contribuições previdenciárias, mas, sim, contribuições de interesse de categorias profissionais e econômicas, as quais não sofrem ingerência dos preceitos inscritos no art. 245 da IN SRP nº 3/2005. A imunidade tributária de que trata o aludido dispositivo infralegal apenas alcança as contribuições sociais e as contribuições de intervenção no domínio econômico, mas, não, as contribuições de interesse das categorias profissionais ou econômicas, gênero do qual a contribuição para o SENAR é espécie. O lançamento hostilizado tem por fundamento jurídico a Lei nº 8.315, de 23 de dezembro de 1991 e o art. 22A da Lei nº 8.212/91, cujo §5º, inserido pela Lei nº 10.256/2001, estatuiu que a contribuição da agroindústria para o SENAR seria de 0,25% da receita bruta proveniente da comercialização da produção, não estando tal gênero de contribuição abraçado pela hipótese de não incidência prevista no inciso I do §2º do art. 149 da CF/88. Revelase improcedente, portanto, a alegação de que a norma tributária inscrita no art. 245 da IN SRP nº 3/2005 fere os princípios da isonomia e da capacidade contributiva. 2.5. DA LEGISLAÇÃO APLICÁVEL AOS ENCARGOS MORATÓRIOS Não concordamos, todavia, com o critério de aplicação da multa de mora e da multa de ofício adotado pela Autoridade Lançadora, corroborada pelo Órgão Julgador de 1ª Instância. Urge, de plano, ser destacado que no Direito Tributário vigora o princípio tempus regit actum, conforme expressamente estatuído pelo art. 144 do CTN, de modo que o lançamento tributário é regido pela lei vigente à data de ocorrência do fato gerador, ainda que posteriormente modificada ou revogada. Código Tributário Nacional CTN Art. 144. O lançamento reportase à data da ocorrência do fato gerador da obrigação e regese pela lei então vigente, ainda que posteriormente modificada ou revogada. §1º Aplicase ao lançamento a legislação que, posteriormente à ocorrência do fato gerador da obrigação, tenha instituído novos critérios de apuração ou processos de fiscalização, ampliado os poderes de investigação das autoridades administrativas, ou outorgado ao crédito maiores garantias ou privilégios, exceto, neste último caso, para o efeito de atribuir responsabilidade tributária a terceiros. §2º O disposto neste artigo não se aplica aos impostos lançados por períodos certos de tempo, desde que a respectiva lei fixe Fl. 608DF CARF MF Impresso em 30/07/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/07/2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 12/07/ 2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 30/07/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA 20 expressamente a data em que o fato gerador se considera ocorrido. Nessa perspectiva, dispõe o código tributário, ad litteram, que o fato de a norma tributária haver sido revogada, ou modificada, após a ocorrência concreta do fato jurígeno imponível, não se constitui motivo legítimo, tampouco jurídico, para se desconstituir o crédito tributário correspondente. O princípio jurídico suso invocado, no entanto, não é absoluto, sendo excepcionado pela superveniência de lei nova, nas estritas hipóteses em que o ato jurídico tributário, ainda não definitivamente julgado, deixar de ser definido como infração ou deixar de ser considerado como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo, ou ainda, quando a novel legislação lhe cominar penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. Ocorre, no entanto, que as normas jurídicas que disciplinavam a cominação de penalidades pecuniárias decorrentes do não recolhimento tempestivo de contribuições previdenciárias foram alteradas pela Medida Provisória nº 449/2008, posteriormente convertida na Lei nº 11.941/2009. Tais modificações legislativas resultaram na aplicação de sanções que se mostraram mais benéficas ao infrator no caso do recolhimento espontâneo a destempo pelo obrigado, porém mais severas para o sujeito passivo, no caso de lançamento de ofício, do que aquelas então derrogadas. Nesse panorama, a supracitada Medida Provisória, ratificada pela Lei nº 11.941/2009, revogou o art. 34 e deu nova redação ao art. 35 ambos da Lei nº 8.212/91, estatuindo que os débitos com a União decorrentes das contribuições sociais previstas nas alíneas “a”, “b” e “c” do parágrafo único do art. 11 da Lei nº 8.212/91, das contribuições instituídas a título de substituição e das contribuições devidas a terceiros, assim entendidas outras entidades e fundos, não pagos nos prazos previstos em legislação, seriam acrescidos de multa de mora e juros de mora nos termos do art. 61 da Lei nº 9.430/96. Mas não parou por ai. Na sequência da lapidação legislativa, a mencionada Medida Provisória, ratificada pela Lei nº 11.941/2009, fez inserir no texto da Lei de Custeio da Seguridade Social o art. 35A que fixou, nos casos de lançamento de ofício, a aplicação de multa de ofício de 75%, Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991 Art. 35. Os débitos com a União decorrentes das contribuições sociais previstas nas alíneas a, b e c do parágrafo único do art. 11 desta Lei, das contribuições instituídas a título de substituição e das contribuições devidas a terceiros, assim entendidas outras entidades e fundos, não pagos nos prazos previstos em legislação, serão acrescidos de multa de mora e juros de mora, nos termos do art. 61 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996.(Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009). Art. 35A. Nos casos de lançamento de ofício relativos às contribuições referidas no art. 35 desta Lei, aplicase o disposto no art. 44 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996. (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009). Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996 Fl. 609DF CARF MF Impresso em 30/07/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/07/2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 12/07/ 2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 30/07/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Processo nº 10120.010204/200992 Acórdão n.º 230201.956 S2C3T2 Fl. 600 21 Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) II de 50% (cinquenta por cento), exigida isoladamente, sobre o valor do pagamento mensal: (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) a) na forma do art. 8o da Lei no 7.713, de 22 de dezembro de 1988, que deixar de ser efetuado, ainda que não tenha sido apurado imposto a pagar na declaração de ajuste, no caso de pessoa física; (Incluída pela Lei nº 11.488, de 2007) b) na forma do art. 2o desta Lei, que deixar de ser efetuado, ainda que tenha sido apurado prejuízo fiscal ou base de cálculo negativa para a contribuição social sobre o lucro líquido, no anocalendário correspondente, no caso de pessoa jurídica. (Incluída pela Lei nº 11.488, de 2007) §1o O percentual de multa de que trata o inciso I do caput deste artigo será duplicado nos casos previstos nos arts. 71, 72 e 73 da Lei no 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) I (revogado); (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) II (revogado); (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) III (revogado); (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) IV (revogado); (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) V (revogado pela Lei no 9.716, de 26 de novembro de 1998). (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) §2o Os percentuais de multa a que se referem o inciso I do caput e o §1o deste artigo serão aumentados de metade, nos casos de não atendimento pelo sujeito passivo, no prazo marcado, de intimação para: (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) I prestar esclarecimentos; (Renumerado da alínea "a", pela Lei nº 11.488, de 2007) II apresentar os arquivos ou sistemas de que tratam os arts. 11 a 13 da Lei no 8.218, de 29 de agosto de 1991; (Renumerado da alínea "b", com nova redação pela Lei nº 11.488, de 2007) III apresentar a documentação técnica de que trata o art. 38 desta Lei. (Renumerado da alínea "c", com nova redação pela Lei nº 11.488, de 2007) §3º Aplicamse às multas de que trata este artigo as reduções previstas no art. 6º da Lei nº 8.218, de 29 de agosto de 1991, e no art. 60 da Lei nº 8.383, de 30 de dezembro de 1991. §4º As disposições deste artigo aplicamse, inclusive, aos contribuintes que derem causa a ressarcimento indevido de tributo ou contribuição decorrente de qualquer incentivo ou benefício fiscal. Fl. 610DF CARF MF Impresso em 30/07/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/07/2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 12/07/ 2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 30/07/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA 22 Art. 61. Os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, cujos fatos geradores ocorrerem a partir de 1º de janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos na legislação específica, serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso. §1º A multa de que trata este artigo será calculada a partir do primeiro dia subsequente ao do vencimento do prazo previsto para o pagamento do tributo ou da contribuição até o dia em que ocorrer o seu pagamento. §2º O percentual de multa a ser aplicado fica limitado a vinte por cento. §3º Sobre os débitos a que se refere este artigo incidirão juros de mora calculados à taxa a que se refere o § 3º do art. 5º, a partir do primeiro dia do mês subsequente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento. Nessa perspectiva, o regramento da penalidade pecuniária a ser aplicada ao recolhimento espontâneo feito a destempo e ao lançamento de ofício de contribuições previdenciárias que, antes da metamorfose legislativa promovida pela MP nº 449/2008, encontravamse acomodados em um mesmo dispositivo legal, o art. 35 da Lei nº 8.212/91, agora encontramse dispostos em separado, respectivamente nos artigos 61 e 44 da Lei nº 9.430/96, por força dos preceitos inscritos nos art. 35 e 35A da Lei nº 8.212/91, com a redação dada pela Lei nº 11.941/2009. Dispensando um enfoque, exclusivamente, ao lançamento de ofício, que é a matéria posta em apreciação no vertente caso, observamos que a novel legislação severizou a penalidade a ser aplicada ao descumprimento total ou parcial da obrigação tributária principal. Com efeito, enquanto que a legislação anterior previa multa pecuniária variando de 24% a 50%, em função da fase processual em que se encontrar o correspondente Processo Administrativo Fiscal de constituição do crédito tributário, a legislação atual prevê, em qualquer caso, a multa de ofício no valor fixo de 75%, circunstância que demonstra que a novel legislação sempre se mostrará mais gravosa ao sujeito passivo do que a legislação então revogada. Ocorre que a Secretaria da Receita Federal do Brasil editou a IN RFB nº 1.027/2010, que assim dispôs em seu art. 4º: Instrução Normativa RFB nº 1.027, de 22 de abril de 2010 Art. 4º A Instrução Normativa RFB nº 971, de 2009, passa a vigorar acrescida do art. 476A: Art. 476A. No caso de lançamento de oficio relativo a fatos geradores ocorridos: I até 30 de novembro de 2008, deverá ser aplicada a penalidade mais benéfica conforme disposto na alínea “c” do inciso II do art. 106 da Lei nº 5.172, de 1966 (CTN), cuja análise será realizada pela comparação entre os seguintes valores: Fl. 611DF CARF MF Impresso em 30/07/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/07/2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 12/07/ 2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 30/07/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Processo nº 10120.010204/200992 Acórdão n.º 230201.956 S2C3T2 Fl. 601 23 a) somatório das multas aplicadas por descumprimento de obrigação principal, nos moldes do art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à Lei nº 11.941, de 2009, e das aplicadas pelo descumprimento de obrigações acessórias, nos moldes dos §§ 4º, 5º e 6º do art. 32 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à Lei nº 11.941, de 2009; e b) multa aplicada de ofício nos termos do art. 35A da Lei nº 8.212, de 1991, acrescido pela Lei nº 11.941, de 2009. II a partir de 1º de dezembro de 2008, aplicamse as multas previstas no art. 44 da Lei nº 9.430, de 1996. §1º Caso as multas previstas nos §§ 4º, 5º e 6º do art. 32 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, tenham sido aplicadas isoladamente, sem a imposição de penalidade pecuniária pelo descumprimento de obrigação principal, deverão ser comparadas com as penalidades previstas no art. 32A da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009. §2º A comparação de que trata este artigo não será feita no caso de entrega de GFIP com atraso, por se tratar de conduta para a qual não havia antes penalidade prevista. Óbvio está que os dispositivos selecionados encartados na IN RFN nº 1.027/2010 extravasaram o campo reservado pela CF/88 à atuação dos órgãos administrativos, que não podem ultrapassar o âmbito da norma que rege a matéria ora em relevo, tampouco inovar o ordenamento jurídico. Para os fatos geradores ocorridos antes da vigência da MP nº 449/2008, não vislumbramos existir motivo para serem somadas as multas por descumprimento da obrigação principal e com aquelas decorrentes da inobservância de obrigações acessória, para, em seguida, se confrontar tal somatório com o valor da multa calculada segundo a metodologia descrita no art. 35A da Lei nº 8.212/1991, para, só então, se apurar qual a pena administrativa se revela mais benéfica ao infrator. Entendo que, no caso, o exame da retroatividade benigna deve adstringirse ao confronto entre a penalidade imposta pelo descumprimento de obrigação principal, calculada segundo a lei vigente à data de ocorrência dos fatos geradores e a penalidade pecuniária prevista na novel legislação pelo descumprimento da mesma obrigação, não havendo que se imiscuir com a multa decorrente de lançamento de ofício de obrigação tributária acessória. Lé com lé, cré com cré. A análise da lei mais benéfica não pode superar tais condições de contorno, pois, como já afirmado alhures, tratase de obrigação principal que é absolutamente independente de qualquer obrigação acessória a ela associada. Notese que o princípio tempus regit actum somente será afastado quando a lei nova cominar ao FATO PRETÉRITO, in casu, o descumprimento de obrigação principal, penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. Dessarte, nos termos do CTN, para fins de retroatividade de lei nova, é incabível a comparação entre (a) o Fl. 612DF CARF MF Impresso em 30/07/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/07/2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 12/07/ 2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 30/07/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA 24 somatório das multas aplicadas por descumprimento de obrigação principal, nos moldes do art. 35 e das multas aplicadas pelo descumprimento de obrigações acessórias, nos moldes dos §§ 4º, 5º e 6º do art. 32, ambos da Lei nº 8.212/991, em sua redação anterior à Lei nº 11.941, de 2009; e (b) multa aplicada de ofício nos termos do art. 35A da Lei nº 8.212/91, acrescido pela Lei nº 11.941/2009, inexistindo regra de hermenêutica que nos autorize a extrair dos documentos normativos acima revisitados interpretação jurídica que admita a comparação entre a multa derivada do somatório previsto na alínea ‘a’ do inciso I do art. 476A da IN RFB nº 971/2009 e o valor da penalidade prevista na alínea ‘b’ do inciso I do mesmo dispositivo legislativo suso aludido, para fins de retroatividade de lei tributária mais benéfica. De outro eito, mas trigo de outra safra, o art. 97 do CTN estatui que somente a lei formal pode dispor sobre a cominação de penalidades para as ações ou omissões contrárias a seus dispositivos e tratar de hipóteses de exclusão, suspensão e extinção de créditos tributários, ou de dispensa ou redução de penalidades. Código Tributário Nacional CTN Art. 97. Somente a lei pode estabelecer: I a instituição de tributos, ou a sua extinção; II a majoração de tributos, ou sua redução, ressalvado o disposto nos artigos 21, 26, 39, 57 e 65; III a definição do fato gerador da obrigação tributária principal, ressalvado o disposto no inciso I do §3º do artigo 52, e do seu sujeito passivo; IV a fixação de alíquota do tributo e da sua base de cálculo, ressalvado o disposto nos artigos 21, 26, 39, 57 e 65; V a cominação de penalidades para as ações ou omissões contrárias a seus dispositivos, ou para outras infrações nela definidas; VI as hipóteses de exclusão, suspensão e extinção de créditos tributários, ou de dispensa ou redução de penalidades. Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: I em qualquer caso, quando seja expressamente interpretativa, excluída a aplicação de penalidade à infração dos dispositivos interpretados; II tratandose de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de definilo como infração; b) quando deixe de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. Mostrase flagrante que a alínea ‘a’ do inciso I do art. 476A da Instrução Normativa RFB nº 971/2009, acrescentado pela IN RFB nº 1.027/2010, é tendente a excluir, sem previsão de lei formal, penalidade pecuniária imposta pelo descumprimento de obrigação acessória nos casos em que a multa de ofício, aplicada pelo descumprimento de obrigação principal, for mais benéfica ao infrator. Tal hipótese não se enquadra, de forma alguma, na situação de retroatividade benigna prevista pelo art. 106, II, ‘c’ do CTN, pois emprega como Fl. 613DF CARF MF Impresso em 30/07/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/07/2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 12/07/ 2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 30/07/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Processo nº 10120.010204/200992 Acórdão n.º 230201.956 S2C3T2 Fl. 602 25 parâmetros de comparação penalidades de natureza jurídica diversa, uma pelo descumprimento de obrigação principal e a outra, pelo de obrigação acessória. Há que se reconhecer que as penalidades acima apontadas são autônomas e independentes entre si, pois que a aplicação de uma não afasta a incidência da outra e vice versa. Nesse contexto, não se trata de retroatividade da lei mais benéfica, mas, sim, de dispensa de penalidade pecuniária estabelecida mediante Instrução Normativa, favor tributário que somente poderia emergir da lei formal, a teor do inciso VI, in fine, do art. 97 do CTN. É mister ainda destacar que o art. 35A da Lei nº 8.212/91, incluído pela Medida Provisória nº 449/2008, apenas se refere ao lançamento de ofício das contribuições previdenciárias previstas nas alíneas ‘a’, ‘b’ e ‘c’ do parágrafo único do art. 11 dessa mesma Lei, das contribuições instituídas a título de substituição e das contribuições devidas a outras entidades e fundos, não produzindo qualquer menção às penalidades administrativas decorrentes do descumprimento de obrigação acessória, assim como não o faz o remetido art. 44 da Lei nº 9.430/96. Assim, em virtude da total independência e autonomia entre as obrigações tributárias principal e acessória, o preceito inscrito no art. 35A da Lei nº 8.212/91, incluído pela MP nº 449/2008, não projeta qualquer efeito sobre os Autos de Infração lavrados em razão exclusiva de descumprimento de obrigação acessória associada às Guias de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social. Uma vez que as disciplinas acerca da imposição de penalidades pelo descumprimento de obrigações acessória e principal encontramse previstas em lei, somente o Poder Legislativo dispõe de competência para dela dispor. A legislação complementar, na forma de Instrução Normativa emanada do Poder Executivo, é pai pequeno no terreiro, não podendo dispor autonomamente de forma contrária a diplomas normativos de mais graduada estatura na hierarquia do ordenamento jurídico, in casu, a lei formal, e assim extrapolar os limites de sua competência concedendo anistia para exclusão de crédito tributário, em flagrante violação às disposições insculpidas no §6º do art. 150 da CF/88, o qual exige lei em sentido estrito. Vislumbrase inaplicável, portanto, a referida IN RFB nº 1.027/2010, por ser flagrantemente ilegal. Como demonstrado, é possível a aplicação da multa isolada em GFIP, mesmo que o sujeito passivo haja promovido, tempestivamente, o exato recolhimento do tributo correspondente, conforme assentado no art. 32A da Lei nº 8.212/91. Nesse contexto, afastada por ilegalidade a norma estatuída pela IN RFB nº 1.027/2010, por representar a novel legislação encartada no art. 35A da Lei nº 8.212/91 um tratamento mais gravoso ao contribuinte, inexistindo hipótese de a legislação superveniente impor multa mais branda que aquela revogada, sempre incidirá ao caso o princípio tempus regit actum, devendo ser aplicada em cada competência, a legislação pertinente à multa por descumprimento de obrigação principal vigente à data de ocorrência do fato gerador não adimplido. Assim, para os fatos geradores ocorridos até a competência novembro/2008, inclusive, devese observância aos comandos inscritos no art. 35 da Lei nº 8.212/91, com a redação dada pela lei nº 9.876/99. Fl. 614DF CARF MF Impresso em 30/07/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/07/2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 12/07/ 2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 30/07/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA 26 Na sequência, para os fatos geradores ocorridos a partir da competência dezembro/2008, inclusive, incide a regra estampada nos artigos 35 e 35A da Lei nº 8.212/91, com a redação dada pela Lei nº 11.941/2009. 2.6. DA INCIDÊNCIA DA MULTA DE MORA E DE OFÍCIO. Alega o Recorrente ser indevida a multa de mora e a multa de ofício, em virtude de o crédito tributário estar suspenso. A razão não lhe assiste. Conforme iluminado no tópico que a este antecede, em relação à penalidade pecuniária decorrente do inadimplemento da obrigação principal, até a competência novembro/2008, inclusive, são aplicáveis as regras fixadas no art. 35 da Lei nº 8.212/91, com a redação dada pela lei nº 9.876/99. A partir de então, da competência dezembro/2008, inclusive, em diante, passa a incidir o regramento estatuído pelos artigos 35 e 35A da Lei nº 8.212/91, com a redação dada pela Lei nº 11.941/2009. No caso sobre o qual nos debruçamos, todos os fatos geradores houveramse por ocorridos em competências anteriores a novembro/2008, de maneira que a legislação aplicável aos encargos moratórios será aquela estabelecida pelo art. 35, II e §4º da Lei nº 8.212/91, com a redação dada pela lei nº 9.876/99. Reportandonos ao Auto de Infração a fl. 02, verificamos que, no vertente caso, somente houvese por lançada a multa de mora, nos termos do art. 35, II e §4º da Lei nº 8.212/91, na redação dada pela Lei nº 9.876/99, mas não a multa de ofício. Por outro viés, conforme já detalhado alhures, não estando a exigibilidade do crédito tributário objeto do vertente lançamento suspensa por nenhuma das modalidades previstas no art. 151 do CTN, devida é a multa moratória, nos termos acima pontuados, por todo o período decorrido após o vencimento da obrigação, nos termos da legislação vigente à época da ocorrência dos respectivos fatos geradores. 3. CONCLUSÃO: Pelos motivos expendidos, CONHEÇO do recurso voluntário para, no mérito, NEGARLHE PROVIMENTO. É como voto. Arlindo da Costa e Silva Fl. 615DF CARF MF Impresso em 30/07/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/07/2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 12/07/ 2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 30/07/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Processo nº 10120.010204/200992 Acórdão n.º 230201.956 S2C3T2 Fl. 603 27 Fl. 616DF CARF MF Impresso em 30/07/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/07/2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 12/07/ 2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 30/07/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA
score : 1.0
Numero do processo: 10384.002918/2003-31
Data da sessão: Tue May 11 00:00:00 UTC 2010
Ementa: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL - ITR
Exercício: 1999
IMPOSTO TERRITORIAL RURAL. VALOR DA TERRA NUA. EXISTÊNCIA DE DOIS LAUDOS, SENDO UM PARA FINS DE GARANTIA DE FINANCIAMENTO JUNTO À INSTITUIÇÃO FINANCEIRA E OUTRO PARA APURAÇÃO DO ITR. DIVERGÊNCIA
DE VALORES ENTRE SI. POSSIBILIDADE DA AUTORIDADE FISCAL VALER-SE DO LAUDO DE MAIOR VALOR, NO CASO AQUELE ELABORADO PARA FINS DE FINANCIAMENTO JUNTO AO BANCO.
Constitui prova válida, para fins de lançamento do ITR, o valor existente em laudo elaborado para fins de financiamento agrícola, ainda que divergente do valor declarado quando da entrega da DITA.
Recurso especial provido.
Numero da decisão: 9202-000.846
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso.
Matéria: ITR - notific./auto de infração eletrônico - valor terra nua
Nome do relator: Moisés Giacomelli Nunes da Silva
1.0 = *:*
toggle all fields
materia_s : ITR - notific./auto de infração eletrônico - valor terra nua
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:17:28 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201005
ementa_s : IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL - ITR Exercício: 1999 IMPOSTO TERRITORIAL RURAL. VALOR DA TERRA NUA. EXISTÊNCIA DE DOIS LAUDOS, SENDO UM PARA FINS DE GARANTIA DE FINANCIAMENTO JUNTO À INSTITUIÇÃO FINANCEIRA E OUTRO PARA APURAÇÃO DO ITR. DIVERGÊNCIA DE VALORES ENTRE SI. POSSIBILIDADE DA AUTORIDADE FISCAL VALER-SE DO LAUDO DE MAIOR VALOR, NO CASO AQUELE ELABORADO PARA FINS DE FINANCIAMENTO JUNTO AO BANCO. Constitui prova válida, para fins de lançamento do ITR, o valor existente em laudo elaborado para fins de financiamento agrícola, ainda que divergente do valor declarado quando da entrega da DITA. Recurso especial provido.
numero_processo_s : 10384.002918/2003-31
conteudo_id_s : 6240301
dt_registro_atualizacao_tdt : Fri Jul 24 00:00:00 UTC 2020
numero_decisao_s : 9202-000.846
nome_arquivo_s : Decisao_10384002918200331.pdf
nome_relator_s : Moisés Giacomelli Nunes da Silva
nome_arquivo_pdf_s : 10384002918200331_6240301.pdf
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso.
dt_sessao_tdt : Tue May 11 00:00:00 UTC 2010
id : 8373173
ano_sessao_s : 2010
atualizado_anexos_dt : Tue Oct 19 19:17:22 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1714076937705488384
conteudo_txt : Metadados => date: 2010-06-16T12:06:14Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.6; pdf:docinfo:title: ; xmp:CreatorTool: CNC PRODUÇÃO; Keywords: ; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; subject: ; dc:creator: CNC Solutions; dcterms:created: 2010-06-16T12:06:13Z; Last-Modified: 2010-06-16T12:06:14Z; dcterms:modified: 2010-06-16T12:06:14Z; dc:format: application/pdf; version=1.6; Last-Save-Date: 2010-06-16T12:06:14Z; pdf:docinfo:creator_tool: CNC PRODUÇÃO; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:keywords: ; pdf:docinfo:modified: 2010-06-16T12:06:14Z; meta:save-date: 2010-06-16T12:06:14Z; pdf:encrypted: false; modified: 2010-06-16T12:06:14Z; cp:subject: ; pdf:docinfo:subject: ; Content-Type: application/pdf; pdf:docinfo:creator: CNC Solutions; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; creator: CNC Solutions; meta:author: CNC Solutions; dc:subject: ; meta:creation-date: 2010-06-16T12:06:13Z; created: 2010-06-16T12:06:13Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 6; Creation-Date: 2010-06-16T12:06:13Z; pdf:charsPerPage: 1199; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; meta:keyword: ; Author: CNC Solutions; producer: CNC Solutions; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: CNC Solutions; pdf:docinfo:created: 2010-06-16T12:06:13Z | Conteúdo => CSRF-T2 F1.1 .»:4TAF K--1424"--.7 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS Processo n° 10384.002918/2003-31 Recurso ti° 336.449 Especial do Procurador Acórdão n° 9202-00.846 — 2 2 Turma Sessão de 11 de maio de 2010 Matéria ITR Recorrente FAZENDA NACIONAL Interessado FRANCISCO MENDES DO VALE ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL - ITR Exercício: 1999 IMPOSTO TERRITORIAL RURAL. VALOR DA TERRA NUA. EXISTÊNCIA DE DOIS LAUDOS, SENDO UM PARA FINS DE GARANTIA DE FINANCIAMENTO JUNTO À INSTITUIÇÃO FINANCEIRA E OUTRO PARA APURAÇÃO DO ITR. DIVERGÊNCIA DE VALORES ENTRE SI. POSSIBILIDADE DA AUTORIDADE FISCAL VALER-SE DO LAUDO DE MAIOR VALOR, NO CASO AQUELE ELABORADO PARA FINS DE FINANCIAMENTO JUNTO AO BANCO. Constitui prova válida, para fins de lançamento do ITR, o valor existente em laudo elaborado para fins de financiamento agrícola, ainda que divergente do valor declarado quando da entrega da DITA. Recurso especial provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, po unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso. CARLOS ALBERTO ' - S BARRET• - Presidente — *ta MO1SES GIACOMELLI E DA SILVA — Relator 3 1 MAI 2010EDITADO EM: Participaram, do presente julgamento, os Conselheiros Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente), Susy Gomes Hoffmann (Vice-Presidente), Caio Marcos Candido, Gonçalo Bonet Allage, Julio César Vieira Gomes, Manoel Coelho Arruda Junior, Moises Giacomelli Nunes da Silva, Nelson Mallmatm (Suplente convocado), Ryeardo Henrique Magalhães de Oliveira e Elias Sampaio Freire. Ausente, justificadamente, o Conselheiro Francisco de Assis Oliveira Junior. Relatório Contra o contribuinte acima nominado foi lavrado auto de infração de fls. 2/3, em razão da falta de recolhimento do Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural — ITR, no exercício de 1999, referente ao imóvel rural "Barra do Tigre", localizado no Município de Beneditos/PI. Segundo a fiscalização, o contribuinte informou indevidamente em sua declaração do ITR/1999, a utilização de 400 hectares de pastagens. Intimado a comprovar a atividade pecuária, o contribuinte apresentou laudo de vistoria de fls. 15, emitido em 25/08/2003, pela EMATER, que aponta a existência de 120 animais de grande porte, 350 animais de médio porte e uma área de pastagem nativa de 400 hectares. Da mesma forma, anexou e - cópias do laudo de avaliação patrimonial (fls. 18/19), confeccionado para fins de proposta de investimento rural, firmado em 15/06/1998 onde consta o Valor da Terra Nua – VTN avaliado em 128 48.131,48. Assim, a fiscalização, em razão da data do lançamento, utilizou como base as informações do laudo de avaliação patrimonial, alterou a área de pastagens, o grau de utilização, o valor total do imóvel, o valor da terra nua, a aliquota do imposto e o valor do imposto devido, calculado em R$ 1.578,34. O acórdão recorrido (fl. 67171), proferido pela Segunda Câmara do Terceiro Conselho de Contribuintes, por maioria de votos, deu provimento ao recurso voluntário, para anular o lançamento, nos termos da ementa abaixo transcrita: ITR - Imposto Territorial Rural. Não havendo prova da incorreção do valor atribuído pelo contribuinte à terra nua, deve prevalecer a presunção de veracidade da sua declaração. Lançamento nulo. RECURSO VOLUNTÁRIO PROVIDO. Sustentou o Eminente Relator Marcelo Ribeiro Nogueira que a função do laudo de avaliação patrimonial apresentado pelo contribuinte era somente a de possibilitar a obtenção de financiamentos bancários, sendo que tal documento, por si só, não se prestaria para a apuração da base de cálculo do 1TR. Ademais, não tendo a fiscalização logrado em produzir qualquer prova de que o VTN estaria defasado, prevalecem as informações constantes na declaração apresentada pelo contribuinte. Regularmente intimada, a Fazenda Nacional ingressou com o recurso especial de fls. 76 e seguintes, alegando contrariedade à lei e à evidência das provas. Sustenta que o VTN foi alterado com base cru laudo apresentado pelo próprio contribuinte. Justifica que não poder haver uma verdade para fins de investimento rural e outra para fins tributários. 2 Processo n" 10384.002918/2003-31 CSRF-T2 Acórdão n.° 9202-09846 Fl. 2 O recurso foi admitido às fls. 83/84 e recorrido apresentou contrarraiões de fls. 89 e seguintes. É o relatório. Voto Conselheiro MOISÉS GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Relator O recurso é tempestivo, foi interposto por parte legitima e está devidamente fundamentado. Ao tratar da admissibilidade de recurso especial, à Câmara superior de Recursos Fiscais, nos artigos 7° e 15, do Regimento Interno vigente à época, assim dispunha: Art 70. Compete à Câmara Superior de Recursos Fiscais, por suas Turmas, julgar recurso especial interposto contra: 1— decisão não-unânime de Câmara, quando for contrária à lei ou à evidência da prova; e II — decisão que der à lei tributária interpretação divergente da que lhe tenha dado outra Câmara ou a própria Câmara Superior de Recursos Fiscais. "-- Art. 15. O recurso especial, do Procurador da Fazenda Nacional ou do sujeito passivo, deverá ser formalizado em petição dirigida ao Presidente da Câmara que houver prolatmlo a decisão recorrida, no prazo de quinze dias contados da data da ciência da decisão. § 1'. Na hipótese de que trata o inciso I do art. 70 deste Regimento, o recurso deverá demonstrar, fundamentadamente, a contrariedade à lei ou à evidência da prova e, havendo matérias autônomas, o recurso especial alcançará apenas a parte da decisão não unânime contrária à Fazenda Nacional. § 2 0. Na hipótese de que trata o inciso II do art. 7° deste Regimento, o recurso deverá demonstrar, fundamentadamente, a divergência argüida, indicando a decisão divergente e comprovando-a mediante a apresentação de cópia de inteiro teor ou de cópia de publicação em que tenha sido divulgada, ou mediante cópia de publicação de até duas ementas, nãos acórdãos serão examinados pelo Presidente da Câmara Recorrida. § 3°. A cópia de publicação de ementa referida no § 2°, quando extraída da internei, deverá ser impressa diretamente da página dos Conselhos de Contribuintes ou da Imprensa Nacional. No caso dos autos se está diante de recurso interposto com base no artigo 7°, I, do Regimento Interno, em face de decisão proferida por maioria de votos, entendendo que o documento que a autoridade fiscal utilizou-se para atribuir o valor da terra nua não pode prevalecer por se tratar de laudo de avaliação patrimonial apresentando cru proposta d financiamento e custeio rural (fls. 16). tkl 3 Sustenta o acórdão recorrido que o referido documento não informa qual critério técnico utilizado para a fixação do VTH e que tinha sido elaborado para facilitar financiamento bancário, portanto, não se prestando para fins de lançamento de VTN até porque não se encontra instruido com a Anotação de Responsabilidade Técnica. Assim, segundo o acórdão recorrido, deve prevalecer o valor atribuído pelo contribuinte quando do preenchimento da declaração. Tenho que o recurso especial preenche os requisitos de admissibilidade no que diz respeito à possibilidade da decisão recorrida ter contrariado a prova dos autos. Com tais considerações, conheço do recurso e passo ao exame do mérito. Inicialmente, destaco que a falta de ART é questão de ordem administrativa do profissional que subscreve o laudo técnico frente ao CREA. A ausência da respectiva ART, documento relacionado a serviços e obras de engenharia, não toma inexistente a obra ou o serviço. Nesse sentido, basta ler os artigos 1°, 2° e 3°, da Lei n°6.496, de 1977, em especial este último, que segue transcrito, que prevê que a falta da ART sujeita o profissional à multa. Art. 1' Todo contrato, escrito ou verbal, para a execução de obras ou prestação de quaisquer serviços profissionais referentes à Engenharia, à Arquitetura e à Agronomia fica sujeito à "Anotação de Responsabilidade Técnica" (ART). Art. 2° A ART define para os efeitos legais os responsáveis técnicos pelo empreendimento de engenharia, arquitetura e agronomia. § A ART será efetuada pelo profissional ou pela empresa no Conselho Regional de Engenharia, Arquitetura e Agronomia - CREA, de acordo com Resolução própria do Conselho Federal de Engenharia. Arquitetura e Agronomia - CONFEA. 53 2° O CONFEA fixará os critérios e os valores das taxas da ART ad referendum do Ministro do Trabalho, Art. 3° A falta da ART sujeitará o profissional ou a empresa à multa prevista na alínea a do artigo 73 da Lei n°5.194, de 24 de dezembro de 1966, e demais com/nações legais. Ainda, em relação à exigência da ART, não se pode desconsiderar que o sistema CONFEA-CREAs só libera o referido documento mediante pagamento de taxa fixada por meio de Resolução do Conselho Federal Engenharia, Arquitetura e Agronomia — CONFEA, procedimento este que se constitui em exigência de tributo sem lei que o estabeleça, contrariando o disposto no artigo 150, inciso I, da Constituição Federal e artigo 97, inciso!, e IV, do CTN. Tal entendimento encontra-se uniformizado pelo Tribunal Regional Federal da Quarta Região, em que cito, a título de exemplo, o recurso n°200770.00013915-1 confirmado pelo STJ, quando do julgamento do REsp n° 997.559, tendo como Relator o Ministro Hermann Benjamin, que em 11/06/2008, ratificou a decisão do Tribunal Regional Federal da Primeira Região, resumido na seguinte ementa: ADMINISTRATIVO. CONSELHO FEDERAL DE ENGENHARIA, ARQUITETURA E AGRONOMIA — CONFEA. EMPRESAS QUE SE DEDICAM À INDUSTRIALIZAÇÃO, COMÉRCIO E MANUTENÇÃO DE ELEVADORES. INEXISTÊNCIA DE OFENSA AO PRINCÍPIO DA BITRIBUTAÇÃO. DELEGAÇÃO DO PODER DE TRIBUTAR. VIOLAÇÃO AOS ARTS. 150, DA CF, 7' E 97, DO CTN. 4 Processo ri° 10384.00291812003-31 CSRF-T2 Acórdão n.° 9202-00.846 A. 3 1. A Anotação de Responsabilidade Técnica — ART, instituída expressamente como TAXA pela Lei 6.994/82, configura-se como manifestação do exercício do Poder de Policia conferido ao sistema CONFEA-CREA para fiscalização do exercício das profissões englobadas pelo Conselho, nos termos do art. 145, II, da Constituição Federal de 19881 II. A Lei 6.496/77, art. 2; § 2; delegou o poder de tributar ao CONFE,4, ao determinar que esse órgão deveria fixar os critérios e os valores das taxas da ART ad referendum do Ministro do Trabalho. A fixação das aliquotas da taxa da ART (Lei 6.994/82, art. 2 0, parágrafb único) igualmente fora delegada ao CONFEA, desde que observado o limite máximo de cinco Mns. Referidas Leis não observaram, ao instituir a taxa da ART, o Principio da Legalidade Tributária, da Tipicidade e a regra do art. 97 do C72V, ao atribuir ao CONFEA a competência para fixar a aliquota e as bases de cálculo, a cominação de penalidade para ações contrárias aos seus dispositivos, elementos que a própria lei deve definir de modo taxativo e completo. IV. Apelação e remessa oficial a que se nega provimento. Retomando a matéria, quanto ao fato do laudo elaborado para fins de financiamento agrícola não preencher as normas da ABNT, tal fato é irrelevante, pois o que deve prevalecer é o conteúdo material do laudo e não aspectos formais. Ainda em relação as questões relacionadas aos aspectos formais dos laudos de avaliação é sabido, e para tal basta conferir o dia a dia do funcionamento do poder judiciário ou as próprias avaliações feitas pela Caixa Econômica e demais agentes financeiros, para fins de financiamento de imóveis, que são raros os laudos que atentam aos requisitos formais especificados nas normas da ABNT. Nem por isto deixam de ser válidos tanto para fins de avaliações judiciais como administrativas ou particulares. Superadas as questões dos aspectos formais dos laudos e da existência ou •inexistência de ART, volto a análise da matéria destacando a existência de dois laudos, sendo um da Emater, subscrito no ano de 2003, e outro particular, referente ao ano de 1998, elaborado para fins de investimento de financiamento rural. Não pode existir dois valores da terra nua, sendo um para fins do 1TR e outro para fins de financiamento. Assim, correto o procedimento da autoridade fiscal que adotou o laudo de avaliação elaborado para fins de financiamento por entender que este era o que melhor refletia o valor do imóvel. 2 5 ISTO POSTO, voto no sentido de dar provimento o recurso especial da Fazenda Nacional, para restabelecer o valor da terra nua em R$ 43.131,48, especificado no laudo de fls. 16. É o voto. • Moises mcome 1 -bines da • va - Relator 6
score : 1.0
