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Numero do processo: 11040.904347/2009-10
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jun 22 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Fri Aug 11 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2003
RESTITUIÇÃO E COMPENSAÇÃO DE INDÉBITO FISCAL. COMPROVAÇÃO CERTA E LÍQUIDA DO INDÉBITO. NÃO CONFIGURAÇÃO.
A comprovação deficiente do indébito fiscal ao qual se deseja compensar ou ter restituído não pode fundamentar tais direitos. Somente o direito creditório comprovado de forma certa e líquida dará ensejo a compensação e/ou restituição do indébito fiscal.
Numero da decisão: 1402-002.663
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Leonardo de Andrade Couto - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Mateus Ciccone, Caio Cesar Nader Quintella, Marco Rogério Borges, Leonardo Luis Pagano Gonçalves, Evandro Correa Dias, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Demetrius Nichele Macei e Leonardo de Andrade Couto (Presidente).
Nome do relator: LEONARDO DE ANDRADE COUTO
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2003 RESTITUIÇÃO E COMPENSAÇÃO DE INDÉBITO FISCAL. COMPROVAÇÃO CERTA E LÍQUIDA DO INDÉBITO. NÃO CONFIGURAÇÃO. A comprovação deficiente do indébito fiscal ao qual se deseja compensar ou ter restituído não pode fundamentar tais direitos. Somente o direito creditório comprovado de forma certa e líquida dará ensejo a compensação e/ou restituição do indébito fiscal.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2003 RESTITUIÇÃO E COMPENSAÇÃO DE INDÉBITO FISCAL. COMPROVAÇÃO CERTA E LÍQUIDA DO INDÉBITO. NÃO CONFIGURAÇÃO. A comprovação deficiente do indébito fiscal ao qual se deseja compensar ou ter restituído não pode fundamentar tais direitos. Somente o direito creditório comprovado de forma certa e líquida dará ensejo a compensação e/ou restituição do indébito fiscal. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Leonardo de Andrade Couto Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Mateus Ciccone, Caio Cesar Nader Quintella, Marco Rogério Borges, Leonardo Luis Pagano Gonçalves, Evandro Correa Dias, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Demetrius Nichele Macei e Leonardo de Andrade Couto (Presidente). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 04 0. 90 43 47 /2 00 9- 10 Fl. 57DF CARF MF Processo nº 11040.904347/200910 Acórdão n.º 1402002.663 S1C4T2 Fl. 3 2 Relatório Tratase de manifestação de inconformidade contra despacho decisório da DRF que não reconheceu direito creditório de Imposto de Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ), não homologando as compensações com base no valor pretendido. A interessada apresentou PER/Dcomp informando disponibilidade de crédito em seu favor, derivada do pagamento indevido ou a maior de estimativa mensal de IRPJ, efetuado por Darf. A contribuinte foi regularmente cientificada da decisão da DRF e apresentou tempestivamente manifestação de inconformidade. A contribuinte alega a existência de pagamento a maior do tributo. Sustenta que as divergências foram devidas a erro no preenchimento da DCTF: as informações de recolhimentos de IRPJ e CSLL não foram relacionadas no trimestre de sua competência e sim em outro trimestre. Acrescenta que a DIPJ também não relacionou, equivocadamente, os pagamentos por estimativa. Reconhece que haveria que se retificar a DCTF e DIPJ. A manifestação de inconformidade restou julgada improcedente, não lhe reconhecendo o direito creditório. Essencialmente, o contribuinte não teria apresentado provas do erro alegado e admitido pelo contribuinte, na forma dos arts. 15 e 16, § 4°, do Decreto 70.235/72, posto que o Darf foi utilizado inicialmente para quitar débito, em princípio devido até que se provasse o contrário , de estimativa. Inconformada com tal entendimento, interpôs Recurso Voluntário a este Conselho alegando, principalmente com base no Princípio da Verdade Material, que o equívoco do contribuinte não pode resultar na supressão de seu direito creditório, e que não há amparo legal para a negativa de seu pleito. Não foram apresentadas Contrarrazões pela PGFN. É o relatório. Voto Conselheiro Leonardo de Andrade Couto, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão nº 1402002.628, de 22.06.2017, proferido no julgamento do Processo nº 1040.900104/200911, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão nº 1402002.628): O Recurso Voluntário é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, razão pela qual, dele conheço. Por inexistir preliminares, passo a análise de mérito. Fl. 58DF CARF MF Processo nº 11040.904347/200910 Acórdão n.º 1402002.663 S1C4T2 Fl. 4 3 MÉRITO Ainda que o contribuinte não tenha explicitado em seu Recurso, considerando que recolhe IRPJ e CSLL por estimativa mensal, concluise que apure tais tributos pelo lucro real anual. Nos termos do art. 10 da IN SRF nº 460/2004 e art. 10, da IN SRF nº 600/2005, “a pessoa jurídica tributada pelo lucro real anual que efetuar pagamento indevido ou a maior de imposto de renda ou de CSLL a título de estimativa mensal, somente poderá utilizar o valor pago ou retido na dedução do IRPJ ou da CSLL devida ao final do período de apuração em que houve a retenção ou pagamento indevido ou para compor o saldo negativo de IRPJ ou de CSLL do período.” Ou seja, durante a vigência de ambas as instruções normativas, não era permitido, mesmo por PER/DCOMP, utilizarse diretamente de créditos decorrentes de pagamento com DARF em valores indevidos ou maior do que o devido. Essa situação perdurou até o advento da IN RFB 900/2008, que revogou a IN SRF 600/2005 e não trouxe, em seu bojo, a vedação contida na instrução normativa revogada, de tal forma que, a partir de sua vigência, poderia o contribuinte optar em realizar, de imediato, a compensação de DARF pago a título de IRPJ ou CSLL por estimativa de forma indevida ou maior do que a devida e/ou, a seu critério, aguardar o ajuste na DIPJ, de tal forma que os valores recolhidos a maior compusessem o seu saldo negativo de IRPJ ou CSLL. As instruções normativas posteriores – IN RFB 1.300/2012 e alterações posteriores, que tratam da compensação, mantiveram a possibilidade inaugurada com o advento da IN RFB 900/2008. Para por fim a quaisquer dúvidas, foi expedida a Solução de Consulta Interna nº 19 COSIT, que pacificou o seguinte entendimento: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO ESTIMATIVAS. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. RESTITUIÇÃO E COMPENSAÇÃO. O art. 11 da IN RFB nº 900, de 2008, que admite a restituição ou a compensação de valor pago a maior ou indevidamente de estimativa, é preceito de caráter interpretativo das normas materiais que definem a formação do indébito na apuração anual do Imposto de Renda da Pessoa Jurídica ou da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido, aplicandose, portanto, aos PER/DCOMP originais transmitidos anteriormente a 1º de janeiro de 2009 e que estejam pendentes de decisão administrativa. Caracterizase como indébito de estimativa inclusive o pagamento a maior ou indevido efetuado a este título após o encerramento do período de apuração, seja pela quitação do débito de estimativa de dezembro dentro do prazo de vencimento, seja pelo pagamento em atraso da estimativa devida referente a qualquer mês do período, realizado em ano posterior ao do período da estimativa apurada, mesmo na hipótese de a restituição ter sido solicitada ou a compensação declarada na vigência das IN SRF nº 460, de 2004, e IN SRF nº 600, de 2005. Fl. 59DF CARF MF Processo nº 11040.904347/200910 Acórdão n.º 1402002.663 S1C4T2 Fl. 5 4 A nova interpretação dada pelo art. 11 da IN RFB nº 900, de 2008, aplicase inclusive aos PER/DCOMP retificadores apresentados a partir de 1º de janeiro de 2009, relativos a PER/DCOMP originais transmitidos durante o período de vigência da IN SRF nº 460, de 2004, e IN SRF nº 600, de 2005, desde que estes se encontrem pendentes de decisão administrativa. Dispositivos Legais: Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, arts. 2º e 74; IN SRF nº 460, de 18 de outubro de 2004; IN SRF nº 600, de 28 de dezembro de 2005; IN RFB nº 900, de 30 de dezembro de 2008. Fixada a premissa que o contribuinte poderia apresentar PER/DCOMP em razão de pagamento indevido ou maior do que o devido de IRPJ ou CSLL por estimativa, passase a análise de certeza e liquidez dos créditos. A DRF responsável pela análise do PER/DCOMP e emissão do despacho decisório respectivo não questionou a existência do DARF e o seu recolhimento. Apontou, contudo, que o referido DARF teria sido integralmente utilizado para o pagamento da própria estimativa informada como devida e, desta forma, não haveria saldo para a compensação pleiteada pelo contribuinte ou, em alguns casos, reconheceu o pagamento a maior, homologando a compensação até o limite do crédito confirmado. O contribuinte reconhece, notadamente em sua impugnação, que cometeu erros nas informações prestadas em DCTF, embora não esclareça quais, bem como que não informou, nem em DCTF, nem em DIPJ, os recolhimentos das estimativas. Não é possível, à míngua de provas, especular qual seria o erro do contribuinte nas informações prestadas em DCTF. Contudo, a informação de que não teria informado, em DIPJ, os recolhimentos das estimativas, denota que é possível que mesmo no ajuste anual não tenha apurado os saldos negativos de IRPJ e CSLL que faria jus, os quais seriam, nos termos da legislação, passíveis de compensação com quaisquer tributos administrados pela Receita Federal do Brasil, exceto previdenciários. Mesmo com a decisão da DRJ em mãos, o que possibilitou a apresentação de recurso voluntário dirigido a este Conselho, o contribuinte não apresentou documentos que pudessem dar a este Julgador elementos para aferir se, de fato, ele possui créditos líquidos e certos passíveis de compensação que pudessem justificar uma mudança no teor da decisão recorrida. Não foi apresentado, por exemplo, uma memória de cálculo com a apuração mensal das estimativas devidas, correlacionadas com os DARF’s pagos e, ao final do período de apuração, o fechamento do valor devido a título de IRPJ e CSLL, em linha com a DIPJ apresentada, para que se pudesse aferir que as estimativas recolhidas durante o ano pudessem ser em valor maior do que os tributos devidos e, assim, verificar a existência de saldo negativo passível de compensação. Desta forma, como não foi possível aferir a liquidez e certeza dos créditos oferecidos à compensação, pressuposto para a homologação (art. 170, CTN), pela inexistência de documentos Fl. 60DF CARF MF Processo nº 11040.904347/200910 Acórdão n.º 1402002.663 S1C4T2 Fl. 6 5 que pudessem comprovar o quanto alegado pelo contribuinte, nego provimento ao recurso voluntário, mantendo a decisão de primeira instância e a não homologação das compensações declaradas. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, nego provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Leonardo de Andrade Couto Fl. 61DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 16327.001291/2006-12
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jan 25 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon Aug 07 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2003
IRPJ - RESPONSABILIDADE DA SUCESSORA. MULTA FISCAL PUNITIVA APÓS A INCORPORAÇÃO-A responsabilidade da sucessora, nos estritos termos do art. 132 do Código Tributário Nacional e da lei ordinária (Decreto-lei n° 1.598/77, art. 5°), restringe-se aos tributos não pagos pela sucedida. A transferência de responsabilidade sobre a multa fiscal somente se dá quando ela tiver sido lançada antes do ato sucessório, porque, neste caso, trata-se de um passivo da sociedade incorporada, assumido pela sucessora.
SALDO NEGATIVO JÁ UTILIZADO EM PER/DCOMP. IMPOSSIBILIDADE DE APROVEITAMENTO EM LANÇAMENTO FISCAL.
O Saldo Negativo de IRPJ aproveitado, por meio de PER/DCOMP, para restituição de IRPJ e/ou compensação com tributos administrados pela Receita Federal não pode ser utilizado em lançamentos fiscais que apuraram fato gerador do IRPJ, sob pena de seu aproveitamento em duplicidade.
JUROS SELIC. Súmula CARF nº 4.
A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC para títulos federais.
Numero da decisão: 1401-001.761
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, em dar provimento parcial ao recurso, nos seguintes termos: I) quanto à dedutibilidade do PLR, por maioria de votos, em negar provimento. Vencida a Conselheira Lívia De Carli que dava provimento e apresentará declaração de voto; II) Por maioria de votos, em negar provimento quanto à recomposição da base de cálculo pelo aproveitamento do saldo negativo. Vencida a Conselheira Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin (Relatora). Designado Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa para redigir o voto vencedor; III) Pelo voto de qualidade, em dar provimento ao recurso para cancelar a multa na sucessão.Vencidos os Conselheiros Guilherme Adolfo dos Santos Mendes, Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa e Abel Nunes de Oliveira Neto; e III) Por unanimidade de votos, em negar provimento em relação aos juros selic. Declarou-se impedido de votar o Conselheiro José Roberto Adelino da Silva.
(assinado digitalmente)
Antonio Bezerra Neto - Presidente.
(assinado digitalmente)
Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin - Relatora.
(assinado digitalmente)
Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa - Redator Designado.
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Antonio Bezerra Neto, Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Guilherme Adolfo dos Santos Mendes, Livia De Carli Germano, Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa, Abel Nunes de Oliveira Neto e José Roberto Adelino da Silva.
Nome do relator: LUCIANA YOSHIHARA ARCANGELO ZANIN
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2003 IRPJ - RESPONSABILIDADE DA SUCESSORA. MULTA FISCAL PUNITIVA APÓS A INCORPORAÇÃO-A responsabilidade da sucessora, nos estritos termos do art. 132 do Código Tributário Nacional e da lei ordinária (Decreto-lei n° 1.598/77, art. 5°), restringe-se aos tributos não pagos pela sucedida. A transferência de responsabilidade sobre a multa fiscal somente se dá quando ela tiver sido lançada antes do ato sucessório, porque, neste caso, trata-se de um passivo da sociedade incorporada, assumido pela sucessora. SALDO NEGATIVO JÁ UTILIZADO EM PER/DCOMP. IMPOSSIBILIDADE DE APROVEITAMENTO EM LANÇAMENTO FISCAL. O Saldo Negativo de IRPJ aproveitado, por meio de PER/DCOMP, para restituição de IRPJ e/ou compensação com tributos administrados pela Receita Federal não pode ser utilizado em lançamentos fiscais que apuraram fato gerador do IRPJ, sob pena de seu aproveitamento em duplicidade. JUROS SELIC. Súmula CARF nº 4. A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC para títulos federais.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, em dar provimento parcial ao recurso, nos seguintes termos: I) quanto à dedutibilidade do PLR, por maioria de votos, em negar provimento. Vencida a Conselheira Lívia De Carli que dava provimento e apresentará declaração de voto; II) Por maioria de votos, em negar provimento quanto à recomposição da base de cálculo pelo aproveitamento do saldo negativo. Vencida a Conselheira Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin (Relatora). Designado Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa para redigir o voto vencedor; III) Pelo voto de qualidade, em dar provimento ao recurso para cancelar a multa na sucessão.Vencidos os Conselheiros Guilherme Adolfo dos Santos Mendes, Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa e Abel Nunes de Oliveira Neto; e III) Por unanimidade de votos, em negar provimento em relação aos juros selic. Declarou-se impedido de votar o Conselheiro José Roberto Adelino da Silva. (assinado digitalmente) Antonio Bezerra Neto - Presidente. (assinado digitalmente) Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin - Relatora. (assinado digitalmente) Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa - Redator Designado. Participaram do presente julgamento os Conselheiros Antonio Bezerra Neto, Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Guilherme Adolfo dos Santos Mendes, Livia De Carli Germano, Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa, Abel Nunes de Oliveira Neto e José Roberto Adelino da Silva.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 16; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2008; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C4T1 Fl. 623 1 622 S1C4T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 16327.001291/200612 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 1401001.761 – 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 25 de janeiro de 2017 Matéria IRPJ Recorrente HSBC BANK BRASIL S.A. BANCO MULTIPLO Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2003 IRPJ RESPONSABILIDADE DA SUCESSORA. MULTA FISCAL PUNITIVA APÓS A INCORPORAÇÃOA responsabilidade da sucessora, nos estritos termos do art. 132 do Código Tributário Nacional e da lei ordinária (Decretolei n° 1.598/77, art. 5°), restringese aos tributos não pagos pela sucedida. A transferência de responsabilidade sobre a multa fiscal somente se dá quando ela tiver sido lançada antes do ato sucessório, porque, neste caso, tratase de um passivo da sociedade incorporada, assumido pela sucessora. SALDO NEGATIVO JÁ UTILIZADO EM PER/DCOMP. IMPOSSIBILIDADE DE APROVEITAMENTO EM LANÇAMENTO FISCAL. O Saldo Negativo de IRPJ aproveitado, por meio de PER/DCOMP, para restituição de IRPJ e/ou compensação com tributos administrados pela Receita Federal não pode ser utilizado em lançamentos fiscais que apuraram fato gerador do IRPJ, sob pena de seu aproveitamento em duplicidade. JUROS SELIC. Súmula CARF nº 4. A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, em dar provimento parcial ao recurso, nos seguintes termos: I) quanto à dedutibilidade do PLR, por maioria de votos, em negar provimento. Vencida a Conselheira Lívia De Carli que dava provimento e apresentará AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 32 7. 00 12 91 /2 00 6- 12 Fl. 623DF CARF MF 2 declaração de voto; II) Por maioria de votos, em negar provimento quanto à recomposição da base de cálculo pelo aproveitamento do saldo negativo. Vencida a Conselheira Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin (Relatora). Designado Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa para redigir o voto vencedor; III) Pelo voto de qualidade, em dar provimento ao recurso para cancelar a multa na sucessão.Vencidos os Conselheiros Guilherme Adolfo dos Santos Mendes, Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa e Abel Nunes de Oliveira Neto; e III) Por unanimidade de votos, em negar provimento em relação aos juros selic. Declarouse impedido de votar o Conselheiro José Roberto Adelino da Silva. (assinado digitalmente) Antonio Bezerra Neto Presidente. (assinado digitalmente) Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin Relatora. (assinado digitalmente) Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa Redator Designado. Participaram do presente julgamento os Conselheiros Antonio Bezerra Neto, Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Guilherme Adolfo dos Santos Mendes, Livia De Carli Germano, Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa, Abel Nunes de Oliveira Neto e José Roberto Adelino da Silva. Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto contra Acórdão n. 1618.875, proferido pela 8ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento de São Paulo I/SP, que julgo improcedente a impugnação apresentada mantendo integralmente o lançamento representado pela autuação da glosa de despesa deduzida relativa às gratificações e participações nos lucros pagas aos diretores do Banco Lloyds TSB S/A e constituiu o crédito tributário de Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica ("IRPJ"), acrescido dos juros de mora e da multa de oficio. Por bem delimitar os contornos da lide, transcrevo parte do relatório que acompanhou a decisão de piso: Tratase de impugnação (fls. 186 a 245) apresentada por HSBC BANK BRASIL S. A. — BANCO MÚLTIPLO, supra qualificado, contra Auto de Infração (fls. 165 a 172) relativo ao Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ, relacionados a fatos geradores ocorridos no ano calendário de 2003. 2. No tópico "DESCRIÇÃO DOS FATOS E ENQUADRAMENTO(S) LEGAL(IS)" (fls. 166 a 169), a Auditora Fiscal autuante informa que o contribuinte é sucessor, por incorporação, do Banco HSBC S. A., que considerou dedutiveis no Fl. 624DF CARF MF Processo nº 16327.001291/200612 Acórdão n.º 1401001.761 S1C4T1 Fl. 624 3 lucro liquido do ano calendário de 2003 as gratificações e as participações nos lucros atribuídas a seus administradores, contrariando a legislação fiscal. 2.1. Citando os artigos 303, 462 e 463, do RIR199, afirma que são dedutíveis do lucro liquido as participações dos empregados, mas não a de dirigentes ou administradores. Acrescenta que o conceito fiscal de administrador é dado pelos itens 130 e 131 da Instrução Normativa SRF n°. 2/69. 2.2. Diz que o contribuinte negociou plano de participação nos lucros e/ou resultados com seus empregados, retroativo a 1° de janeiro de 2002, na forma disposta na Lei n°. 10.101/00 e que quanto as gratificações pagas aos funcionários no ano calendário de 2003, o contribuinte identificou três tipos de gratificação: gratificação especial I: calculada com base na política de desligamento praticada pelo grupo Lloyds TSB, considerando o tempo de serviço como base de cálculo. gratificação especial II: paga aos funcionários com a finalidade de reter recursos chaves, sendo que os funcionários que a receberam foram comunicados, no inicio das negociações, sobre a potencial venda do banco, e se comprometeram a permanecer na organização até a conclusão do negócio, contribuindo para a continuidade dos negócios e/ou para fornecer as informações necessárias aos potenciais compradores. gratificação especial III: paga aos funcionários que contribuíram de forma significativa para o êxito da venda das operações do Grupo Lloyds TSB no Brasil. 2.2. A Auditora Fiscal declara que, segundo o Estatuto Social do fiscalizado, a administração da sociedade — que é uma sociedade anônima fechada — abe à Diretoria (artigos 7° e 8°). E diz: "Desse modo, se a orientação geral dos ócios do contribuinte é dada pela sua diretoria, é certo que os seus membros enquadramse na qualidade de administradores para os fins da legislação fiscal, como entendido nos pareceres acima citados. Ademais, os diretores estão e que se sujeitam à responsabilização pelo Banco Central do Brasil, em caso de infrações aos dispositivos da Lei n°. 4.595/64 (art. 44), a qual dispôs sobre as instituições do Sistema Financeiro Nacional." 2.3. Em vista do exposto, a Autoridade Fiscal lavrou o Auto de Infração, por entender como indedutíveis as gratificações e participações distribuídas aos diretores e administradores, com o crédito tributário constituído de R$ 7.811.084,14, já incluídos a multa de oficio e os juros de mora até 31/07/2006. E a base legal indicada é a dos artigos 303 e 463, do RIR/99 (fls. 169). 3. Tendo tomado ciência deste lançamento em 28/08/2006 (fls. 165), o contribuinte, por intermédio de seus advogados (does. a fls. 247 a 249 e 251, 252) interpôs impugnação (fls. 186 a 245), protocolizada em 27/09/2006, relatando e alegando o que segue. 3.1. Na inicial descrição dos fatos, o impugnante afirma: "Além dos valores correspondentes •a participação nos lucros, que foram pagos a todos os seus funcionários no ano calendário de 2002, o Banco Lloyds TSB S/a também concedeu, durante o ano calendário de 2003, determinadas "gratificações" aos seus empregados que cumpriram as condições necessárias para o gozo desse beneficio." 3.2. Alega, inicialmente, a incompetência territorial do Agente Autuante, pois, entende que, como estava em vigor a Portaria da SRF n°. 1.096/2005, os Auditores Fl. 625DF CARF MF 4 Fiscais subordinados à DEINF/SP só podem agir dentro dos limites geográficos do estado de São Paulo. Logo, em sua interpretação, já que os atos de fiscalização foram praticados por agente incompetente, o conseqüente Auto de Infração é nulo. 3.3. Desenvolve, a seguir, extensa argumentação sobre as distinções entre administrador e empregado, partindo da conceituação de empregado e de administrador e passando pela discussão sobre a definição de empregador e vinculo empregatício dos diretores, concluindo que, para se diferenciar se o empregado eleito diretor é administrador ou não vai depender exclusivamente da subordinação jurídica. 3.4. Na seqüência, descreve a situação de cada um dos cinco diretores do Banco Lloyds TSB S/A citados no Auto de Infração — Roberto Paschoali, Conrado Engel, Reinaldo Le Grazie, Carlos Cândido da Silva e Emerson Piovesan — com o objetivo de demonstrar que eram pessoas físicas que prestavam, com habitualidade e exclusividade, serviços sob subordinação jurídica, mediante o recebimento de salários, enchendo as condições necessárias prevista no artigo 3 0, da CLT, ou seja, que eram empregados do banco. 3.5. Passa a discursar sobre as gratificações e prêmios, conclusão que todas as gratificações pagas aos funcionários do Banco Lloyds TSB S/A, durante o ano calendário de 2003 eram ajustadas, integravam os salários dos diretores e compuseram a base de cálculo para o pagamento das verbas rescisórias, e, portanto, compõem as despesas operacionais, sendo dedutíveis do lucro liquido. E encerra: "Portanto, mesmo que os diretores do Banco Lloyds TSB S/A fossem considerados administradores de fato, não há como subsistir a glosa das despesas relativas "gratificacdo especial 3", tendo em vista que a legislação tributária não veda a dedutibilidade dessa despesa operacional." 3.6. Analisando a legislação trabalhista, societária e tributária conclui que as gratificações pagas aos diretores do banco integraram as suas remunerações, nos termos do artigo 457, da CLT e do Parecer Normativo Cosit no. 11/92, e são dedutiveis na apuração do lucro real, nos termos do artigo 357 do RIR199. 3.7. Com relação as despesas relativas à participação nos lucros paga aos diretores afirma que não pode prosperar sua glosa porque entende ter comprovado a condição de empregados dos diretores e que a Constituição Federal não distinguiu entre diretores e empregados ao conferir esse direito de participação nos lucros aos trabalhadores. 3.8. Passa a atacar a cobrança da multa de oficio, pois entende que o sucessor responde apenas pelos tributos devidos até a data da sucessão, não lhe cabendo responsabilidade sobre multa fiscal lançada após o ato sucessório. 3.9. Combate o lançamento do IRPJ, afirmando ter sido incorreta sua apuração, pois, diz, "a fiscalização constituiu o crédito tributário em face da suposta indedutibilidade das despesas, sem efetuar, contudo, a recomposição do lucro real do Impugnante, cingindose apenas e tão somente a aplicar a alíquota do IRPJ sobre os montantes das despesas supostamente indedutíveis." Se tivesse sido feita essa recomposição, afirma, teria sido verificado que haveria, apenas, a redução do saldo negativo de IRPJ apurado no período e nunca um valor a pagar, já que houve diversos recolhimentos por estimativa. 3.10. Alega que também houve erro na apuração da base de cálculo do IRPJ, pois diz que os valores pagos aos diretores Reinaldo Le Grazie e Emerson Piovesan a titulo de "gratificação especial I" correspondem a R$ 378.452,14 e R4 6.942,46, respectivamente, conforme consta dos seus Termos de Rescisão dos Contratos de Trabalho, enquanto que os valores utilizados pela Autoridade Fiscal foram R$ 549.056,14 e 420.842,00. Fl. 626DF CARF MF Processo nº 16327.001291/200612 Acórdão n.º 1401001.761 S1C4T1 Fl. 625 5 3.11. Combate a utilização da taxa SELIC para cálculo dos juros de mora, por estar em desconformidade com preceitos constitucionais. 3.12. Requer a realização de diligência fiscal junto ao Ministério do Trabalho e ao Ministério Público do Trabalho. 3.13. Pleiteia a desconstituição do crédito tributário exigido e o cancelamento do Auto de Infração. 4. É o Relatório. Submetida a matéria a exame pela Delegacia da Receita Federal de Julgamento de São Paulo I, os membros da 8ª Turma proferiram o acórdão nº 1618.875, e, por unanimidade de votos, decidiram pela manutenção do crédito tributário, conforme ementa do julgado transcrita abaixo: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2003 Ementa: AUTORIDADE JURISDICIONANTE. Em sendo o servidor competente, os procedimentos de fiscalização e lançamento podem ser efetuados por servidor de jurisdição diversa daquela do contribuinte. PRODUÇÃO DEPROVA. • COMPLEMENTAÇÃO. Dispensável a complementar produção de provas, quando os documentos integrantes dos autos revelamse suficientes para formação de convicção e conseqüente deslinde do feito. PERÍCIA E DILIGÊNCIA. DESNECESSÁRIAS. A autoridade julgadora não está obrigada a deferir pedidos de realização de diligencias ou perícias. Tais requerimentos somente são deferidos quando entendidos necessários à formação de convicção por parte do julgador. Considerase não formulado o pedido de perícia que deixe de atender aos requisitos previstos em lei. DIRETORES. ADMINISTRADORES GRATIFICAÇÕES. Diretores de instituições financeiras, COM a incumbência de definir políticas de pessoal, são administradores e as gratificações a eles atribuídas são indedutíveis como custos ou despesas operacionais. MULTA DE OFÍCIO. INCORPORAÇÃO. RESPONSABILIDADE DO SUCESSOR. A responsabilidade do sucessor alcança os fatos geradores verificados ate a data da sucessão, devendo ser mantida, por conseguinte, a multa de oficio exigida, mormente porque, in casu, a baixa do CNPJ ainda não havia sido efetivada e, ainda, a ação fiscal que culminou no lançamento tributário iniciouse anteriormente ao evento societário. JUROS DE MORA. TAXA SELIC. O crédito não integralmente pago no vencimento é acrescido de juros de mora, seja qual for o motivo determinante da falta, sem prejuízo da imposição das penalidades cabíveis e da aplicação de quaisquer medidas de garantia previstas em lei tributária. A utilização da taxa SELIC para o cálculo dos juros de mora decorre de lei, sobre cuja aplicação não cabe aos órgãos do Poder Executivo deliberar. Fl. 627DF CARF MF 6 Lançamento Procedente Inconformada com a decisão de primeira instância, a Recorrente interpôs Recurso Voluntário reafirmando os argumentos aventados na Impugnação. Pela Resolução 1401000.256, o então Conselheiro Alexandre Antônio Alkmim Teixeira acertadamente votou por baixar o processo em diligência nos seguintes termos: Como exposto no relatório, a Recorrente alega que os recolhimentos por estimativa efetuados no ano calendário de 2003, mesmo considerando as supostas despesas indedutíveis que foram glosadas pela fiscalização, já seriam suficientes para pagar o IRPJ apurado pelo contribuinte, posto que ainda sobraria um saldo negativo a ser utilizado na compensação de quaisquer tributos administrados pela RFB. Ao analisar a DIPJ relativa ao ano calendário de 2003, constatase um saldo negativo apurado durante o ano calendário de 2003 no montante de R$6.789.386,07, em função do pagamento a maior de estimativas mensais naquele exercício. Tendose em vista que o referido saldo negativo seria, em tese, suficiente para pagar todo o IRPJ autuado, proponho seja o presente feito baixado em diligência para que seja verificado se houve o aproveitamento do saldo negativo em outras compensações. Em resposta à diligência sobreveio o seguinte resultado: Sobre o resultado da diligência, manifestouse a Recorrente reiterando o pedido de cancelamento da autuação. Voto Vencido Conselheira Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin O recurso voluntário é tempestivo, portanto, dele tomo conhecimento. Preliminares: Fl. 628DF CARF MF Processo nº 16327.001291/200612 Acórdão n.º 1401001.761 S1C4T1 Fl. 626 7 Incompetência do Agente Autuante. A regularidade quanto à competência do agente autuante com jurisdição diversa do domicílio tributário do contribuinte é solucionada pela súmula CARF nº 27, segundo à qual: "É valido o lançamento formalizado por AuditorFiscal da Receita Federal do Brasil de jurisdição diversa da do domicílio tributário do sujeito passivo" Por isso, afastada a primeira preliminar arguida. Cerceamento do direito de defesa. Alega a recorrente cerceamento do direito de defesa pelo indeferimento do pedido de diligência formalizado perante a primeira instancia de julgamento. Tal questão restou superada com a Resolução 1401000.256, do então Conselheiro Alexandre Antônio Alkmim Teixeira acertadamente votou por baixar o processo em diligência acolhendo o pleito do Recorrente. Mérito: O mérito da autuação decorre da glosa de despesa deduzida relativa às gratificações e participações nos lucros pagas aos diretores do Banco Lloyds TSB S/A. Em sede de Voluntário a Recorrente tece diversas considerações a respeito do conceito de empregado e administrador para fins de dedutibilidade de seus rendimentos em relação ao Imposto de Renda, todas já exauridas no acórdão recorrido, diante da seguinte fundamentação: 8.3. 0 reclamante procura impingir a qualidade de "empregados" a seus diretores, procurando retirarlhes qualquer atributo de "administradores". E, nessa tentativa, apresenta documentos que, no seu entender comprovariam a condição de empregados. Vejamos. Os documentos apresentados para cada um dos cinco diretores foram: Ficha de Registro de Empregado; Ficha Paralela de Empregado — Completa; Aviso de Desligamento; Comunicação de Dispensa; Termo de Rescisão do Contrato de Trabalho; Cópia de Guia GRFC. Em nenhum deles há qualquer indicação sobre as funções efetivamente exercidas pelos diretores, individualmente. 0 único documento, presente nos autos, capaz de demonstrar cabalmente o que seriam as funções dos diretores 6, precisamente, o Estatuto Social, peça utilizada pela Auditora Fiscal para efetuar essa caracterização e lavrar o Auto de Infração. 8.4. Apresentou, também, um documento intitulado "RPA Regras e Procedimentos Human Resources" (fls. 260 a 298) que, segundo diz, serviria para comprovar que o Sr. Roberto Paschoali apenas executava as políticas ditadas pelo grupo inglês Lloyds Bank Subsidiaries Ltd, acionista majoritário do Banco Lloyds TSB S/A. Ora, tal documento 6, simplesmente, um manual da área de Recursos Humanos e que, na mesma página 3, citada pelo reclamante, traz a seguinte observação: "Quando for introduzidas políticas locais, para aumentar os requisitos do Grupo, ou para assegurar o cumprimento da legislação local, estas deverão conter Orientação para os funcionários sobre o que se espera deles um Fl. 629DF CARF MF 8 compromisso para os funcionários sobre o que eles podem esperar da organização e de seus colegas Um meio pelo qual os funcionários podem expor as suas preocupações. Orientação sobre qualquer legislação local aplicável" 8.5. Essa orientação é suficiente para mostrar que, mesmo na área de recursos humanos, poderia haver políticas definidas localmente. Ora, por quem seriam estabelecidas essas políticas locais? Não é dificil entender que só poderiam emanar, tais diretrizes, da diretoria local. Dessa forma, não havendo documentação hábil e capaz de comprovála e na presença desse texto, é impossível aceitar a tese do impugnante de que os diretores locais seriam meros "cumpridores de ordens" do sócio majoritário. 8.6. Tem, ainda, a pretensão de ver a "recomposição do lucro real". Ora, para efetuar os cálculos para a definição de seu lucro, o reclamante deduziu todos os valores que considerou como despesas, incluindo os valores ora glosados. Ou seja, partiu de um valor de receita — valor não discutido pela Fiscalização — e subtraiu todas as despesas. Assim, quando se glosa um valor que foi subtraído, ele deve ser tributado como se receita fosse, sem qualquer dedução, já que todas as despesas já foram utilizadas para a redução do valor inicial da receita. Descabida, portanto, sua pretensão. 8.7. Também diz o reclamante que houve erro na apuração da base de cálculo do IRPJ, com relação aos valores da "Gratificação Especial I" considerados para os diretores Reinaldo Le Grazie e Emerson Piovesan. Vamos ver. Os valores utilizados pela Auditora Fiscal autuante estão a fls. 70 e 71, constantes de documentos apresentados, pelo reclamante, em resposta ao Termo de Intimação Fiscal n°. 07. Agora, contradizendo o que demonstrara anteriormente, o impugnante afirma que os valores estão errados e na tentativa de corroborar seu argumento, apenas apresenta uma cópia de um Termo de Rescisão de Contrato como "prova". Esse documento é insuficiente para essa comprovação. 8.8. No entanto, analisando os valores apresentados (fls. 69 a 73), verificamos haver no Auto de Infração, de fato, valor lançado a menor, como pode ser verificado nos dois quadros abaixo. 0 primeiro deles é o apresentado pela Auditora Fiscal a fls. 168 e o segundo é o que levantamos com base na documentação apresentada pelo contribuinte (fls. 69 a 73): 8.9. Entre os dois quadros, podemos ver uma discrepância no valor relativo A participação nos lucros (2 a parcela de 2002), tendo sido lançado a menor o valor de Fl. 630DF CARF MF Processo nº 16327.001291/200612 Acórdão n.º 1401001.761 S1C4T1 Fl. 627 9 R$ 951.424,00, correspondente ao pagamento ao diretor Conrado Engel. IId, ainda em relação a este diretor, uma resposta ao Termo de Intimação Fiscal n°. 10, onde. constam os pagamentos efetuados no 3° Trimestre de 2003 (fls. 112), confirmando os valores das gratificações especiais, mas sem se referir ao pagamento da 2a parcela da PLR de 2002 (porque este havia sido feito em fevereiro de 2003 — ver fls. 72). 8.10. Portanto, A vista do discutido e a titulo de conclusão: os diretores do impugnante são administradores, não há que se providenciar a recomposição do lucro real e houve um equivoco no valor lançado, que ensejaria a complementação deste Auto de Infração, desde que dentro do prazo decadencial. Portanto, mesmo que os diretores tenham sido contratados como empregados, não resta dúvida de que as participações nos lucros e resultados recebidas não preenchem os requisitos necessários, por não estarem qualificadas no espectro do acordo trabalhista como determinam artigos 2º e 3º, § 1º, da Lei nº 10.101/00, verbis: Art.2o A participação nos lucros ou resultados será objeto de negociação entre a empresa e seus empregados, mediante um dos procedimentos a seguir descritos, escolhidos pelas partes de comum acordo: I comissão escolhida pelas partes, integrada, também, por um representante indicado pelo sindicato da respectiva categoria; II convenção ou acordo coletivo. (...) Art. 3º (...) §1o Para efeito de apuração do lucro real, a pessoa jurídica poderá deduzir como despesa operacional as participações atribuídas aos empregados nos lucros ou resultados, nos termos da presente Lei, dentro do próprio exercício de sua constituição. (grifei) Assim, ao contrário do pretendido pela Recorrente, não faz sentido, dizer que a glosa é injustificada porque não teria havido demonstração de que as pessoas beneficiárias da participação, mesmo ocupando cargo de diretoria, desempenhavam funções de administradores. Como já assentado, para justificar a glosa, é suficiente a constatação de que as participações pagas não obedeceram as condições estabelecidas em acordo trabalhista, visto que, não foi produzida nenhuma prova nesse sentido, ao contrário, a fiscalização provou, sim, que os beneficiários em questão exerceram a função administrativa. O Art. 463 do RIR/99, traz em seu enunciado: Art. 463. Serão adicionadas ao lucro líquido do período de apuração, para efeito de determinar o lucro real, as participações nos lucros da pessoa jurídica atribuídas a partes beneficiárias de sua emissão e a seus administradores (DecretoLei nº 1.598, de 1977, art. 58, parágrafo único). Se os recursos financeiros foram concedidos aos administradores a título de participações nos lucros ou resultados, não se pode meramente descaracterizálos e considerá Fl. 631DF CARF MF 10 los gratificações ou outra forma qualquer de remuneração. Não podem ser consideradas participações de empregados porque não atendem as condições do acordo trabalhista, mas não deixam de ser caracterizadas como participações (de administradores). As participações de terceiros nos lucros têm disciplina própria no direito societário. Vejase, nesse sentido, o seguinte excerto da Lei nº 6.404/76 (Lei das S.A.): Lucro Dedução de Prejuízos e Imposto sobre a Renda Art. 189. Do resultado do exercício serão deduzidos, antes de qualquer participação, os prejuízos acumulados e a provisão para o Imposto sobre a Renda. Parágrafo único. o prejuízo do exercício será obrigatoriamente absorvido pelos lucros acumulados, pelas reservas de lucros e pela reserva legal, nessa ordem. Participações Art. 190. As participações estatutárias de empregados, administradores e partes beneficiárias serão determinadas, sucessivamente e nessa ordem, com base nos lucros que remanescerem depois de deduzida a participação anteriormente calculada. Parágrafo único. Aplicase ao pagamento das participações dos administradores e das partes beneficiárias o disposto nos parágrafos do artigo 201. Lucro Líquido Art. 191. Lucro líquido do exercício é o resultado do exercício que remanescer depois de deduzidas as participações de que trata o artigo 190. Portanto, se o direito privado trata as participações nos lucros como um instituto específico, o direito tributário pode tomar o seu conceito para atribuirlhe os seus próprios efeitos (a adição ao lucro líquido veiculada no artigo 463 do RIR/99). Isso tudo na conformidade do que é previsto no artigo 109 do CTN, verbis: Art. 109. Os princípios gerais de direito privado utilizamse para pesquisa da definição, do conteúdo e do alcance de seus institutos, conceitos e formas, mas não para definição dos respectivos efeitos tributários. Destarte, não se pode dar guarida à pretensa equiparação com os efeitos atribuídos ao instituto das gratificações, sendo correta a glosa. Portanto, nego provimento ao recurso quanto à dedutibilidade do PLR. Resultado da diligência. Conforme demonstrado pelo resultado da diligência, existia saldo negativo no período autuado (2003) em valor suficiente para o cancelamento integral da autuação de despesa deduzida relativa às gratificações e participações nos lucros pagas aos diretores do Banco Lloyds TSB S/A, caso tivesse sido efetuada a necessária compensação de ofício dos valores em apreço no momento da lavratura o auto em questão. Fl. 632DF CARF MF Processo nº 16327.001291/200612 Acórdão n.º 1401001.761 S1C4T1 Fl. 628 11 De forma que restou demonstrado que a fiscalização não considerou para a autuação o montante compensável, que mostravase suficiente para quitar integralmente a obrigação tributária supostamente devida, não restando qualquer justificativa para a falta de imputação destes valores no momento da constituição do crédito tributário. Razão pela qual, assiste razão à Recorrente quando conclui que a autoridade administrativa, ao desconsiderar a correta forma de apuração do imposto supostamente devido em razão da indedutibilidade da despesas com pagamento de gratificações e PLR, agiu em desacordo com o que determinam os artigos 142 do CTN e 10 do Decreto 70.235/72, gravando o lançamento com falta de liquidez e certeza, já que à época do lançamento fiscal, o saldo negativo de imposto de renda apurado corresponderia ao valor de R$ 6.789.386,07 para o ano calendário de 2003, que caso apropriado corretamente teria sido suficiente para absorver a glosa, razão pela qual, o lançamento de ofício nos moldes em que foi feito, não pode prevalecer. Neste sentido: IRPJ — COMPENSAÇÃO DE PREJUÍZO FISCAL NO LANÇAMENTO EX OFFICIO — Na apuração da base de cálculo do tributo exigido de ofício deve ser levado em consideração o prejuízo fiscal apurado no período, mesmo que este já tenha sido compensado em exercícios posteriores, devendo a fiscalização recompor, se for o caso, a base de cálculo do Imposto de Renda no período onde ocorrerá a insuficiência de prejuízos fiscais a compensar."(Acórdão n. 108 06326, Rel. Nelson Lósso Filho, Sessão de 07122000) IRPJ — 1994, 1995 PREJUÍZOS FISCAIS. RECOMPOSIÇÃO DO LUCRO REAL. Com a exclusão das operações de day trade, deve ser refeito o lucro real da autuada, não podendo a fiscalização tributar diretamente os valores glosados como se base de cálculo fossem. Os prejuízos fiscais acumulados, bem como os prejuízos dos próprios períodos de apuração objeto da ação fiscal, devem ser considerados pela fiscalização e, ante a falta de tal providência, pela autoridade julgadora. (Acórdão n°. : 10194.286, Rel. Raul Pimentel, sessão de 03 de julho de 2003) Nesse seguir, voto no sentido de dar provimento ao recurso voluntário quanto à recomposição da base de cálculo pelo aproveitamento do saldo negativo. Multa na Sucessão Em relação a pena de multa, anoto que caso vencida nos tópicos anteriores, somente a lei de forma inequívoca pode transferir responsabilidades tributárias da sucedida para a sucessora, dada a incontestável autonomia das pessoas jurídicas, conforme art. 132, CTN. Art. 132. A pessoa jurídica de direito privado que resultar de fusão, transformação ou incorporação de outra ou em outra é responsável pelos tributos devidos até à data do ato pelas pessoas jurídicas de direito privado fusionadas, transformadas ou incorporadas. Fl. 633DF CARF MF 12 Parágrafo único. O disposto neste artigo aplicase aos casos de extinção de pessoas jurídicas de direito privado, quando a exploração da respectiva atividade seja continuada por qualquer sócio remanescente, ou seu espólio, sob a mesma ou outra razão social, ou sob firma individual. Não se discute nos autos a ocorrência de incorporação realizada com observância da legislação pertinente, contudo, a partir do art. 3o. do CTN, segundo o qual: "Tributo é toda prestação pecuniária compulsória, em moeda ou cujo valor nela se possa exprimir, que não constitua sanção de ato ilícito, instituída em lei e cobrada mediante atividade administrativa plenamente vinculada". verificase que o tributo é incompatível com a multa. A multa somente se transfere ao sucessor quando já tiver sido lançada porque, aí, integrava o passivo da empresa, na data da incorporação, e, assim, já configurava a existência de um crédito tributário. O art. 129 trata a matéria de forma geral e o art. 132 é específico para os casos de fusão, transformação ou incorporação, e ao fazêlo limita expressamente a responsabilidade aos tributos até a data desses atos. Afastando qualquer dúvida a respeito, a lei ordinária expressamente determina que a transferência de responsabilidade restringese a tributos. A pena tem que ser aplicada a quem praticou a infração que lhe deu causa, ou seja, à pessoa jurídica sucedida e não à pessoa jurídica sucessora. Daí, entenderse que sua aplicação deve preceder ao ato sucessório para que a pessoa jurídica sucessora seja alcançada. Não se pode punir os sócios ou acionistas que têm personalidade jurídica distinta da pessoa jurídica pelas infrações por elas cometidas, ainda que estejam à frente dela, a não ser que tenham agido com dolo (CTN, art.137). Não há como sancionar um (sócio ou acionista) por outra (sociedade sucedida) como se pretende nos autos por não encontrar supedâneo nos arts. 132 e 133 do CTN, ou fora dele, como se vê do art. 5° do Decretolei n° 1.598/77. Descabe estender a lei tributária para punir situação nela não prevista, a pretexto de suprir lacuna da lei. O CTN, em seu art. 112 , concede ao contribuinte o benefício da dúvida na interpretação da lei tributária que define infrações, ou lhe comina penalidades. Neste ponto, dou provimento ao Recurso Voluntário para cancelar a multa na sucessão. Juros Selic Quanto a possibilidade de incidência de juros moratórios à taxa referencial do sistema SELIC, a Sumúla CARF n. 4, assegura a sua legitimidade. Súmula CARF nº 4: A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. Ante o exposto, afastadas as preliminares, voto no sentido dar provimento parcial ao recurso para afastar a possibilidade da dedução do PLR e reconhecer a recomposição da base de cálculo pelo aproveitamento do saldo negativo, afastar a multa em relação ao sucessor e manter a aplicação dos Juros Selic. Fl. 634DF CARF MF Processo nº 16327.001291/200612 Acórdão n.º 1401001.761 S1C4T1 Fl. 629 13 (assinado digitalmente) Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin Relatora Voto Vencedor Em que pese o entendimento firmado pela I. Conselheira, peço venia para dela divergir quanto ao aproveitamento do saldo negativo do ano atingido pelo lançamento fiscal (2003). Após pedido da recorrente para aproveitamento do saldo negativo, esta turma do CARF resolveu converter o julgamento em diligência, para que a unidade de origem verificasse a existência do referido saldo negativo, conforme Resolução nº 1401000.256, de 07 de agosto de 2013, de efls. 566 a 571, transcrita parcialmente abaixo: Como exposto no relatório, a Recorrente alega que os recolhimentos por estimativa efetuados no anocalendário de 2003, mesmo considerando as supostas despesas indedutíveis que foram glosadas pela fiscalização, já seriam suficientes para pagar o IRPJ apurado pelo contribuinte, posto que ainda sobraria um saldo negativo a ser utilizado na compensação de quaisquer tributos administrados pela RFB. Ao analisar a DIPJ relativa ao anocalendário de 2003, constatase um saldo negativo apurado durante o anocalendário de 2003 no montante de R$ 6.789.386,07, em função do pagamento a maior de estimativas mensais naquele exercício. Tendose em vista que o referido saldo negativo seria, em tese, suficiente para pagar todo o IRPJ autuado, proponho seja o presente feito baixado em diligência para que seja verificado se houve o aproveitamento do saldo negativo em outras compensações. Em seguimento ao pedido desta turma do CARF, a fiscalização efetuou a diligência necessária ao atendimento do pleito e elaborou informação fiscal em que afirma que o saldo negativo existente no anocalendário de 2003, no montante de R$ 6.789.386,07, já havia sido utilizado para fins de compensação de débitos tributários perante a Receita Federal, veja (efl. 581): Fl. 635DF CARF MF 14 Intimada do teor da Informação Fiscal supra, a recorrente apresenta resposta (efls. 587 a 591) em que confessa ter utilizado o saldo negativo apurado no anocalendário de 2003 no pedido de restituição e compensação eletrônico (PER/DCOMP nº 32384.35837.270204.1.3.023002) constante no processo nº 16327.000321/200746, o qual, por sua vez, já havia sido homologado pela Receita Federal. Ainda assim, entende que seu pedido deve ser atendido, pelas seguintes razões: Fl. 636DF CARF MF Processo nº 16327.001291/200612 Acórdão n.º 1401001.761 S1C4T1 Fl. 630 15 Como visto, a recorrente utilizou o saldo negativo apurado no anocalendário de 2003, mas pede que também seja aproveitado para reduzir, ou, no caso concreto, "zerar" o lançamento fiscal. Entendo que não tem razão a recorrente. O saldo negativo de IRPJ deriva de recolhimento a maior do IRPJ apurado pelo lucro real anual, devido às antecipações efetuadas durante o anocalendário por estimativa pura (com base em receita bruta e acréscimos) ou monitorada (com base em balanço/balancete de suspensão/redução). Como se trata de saldo credor que a empresa tem perante o fisco, a legislação permite que as empresas utilizem tal saldo para restituição ou para se compensar com valores de débito (perante a Fazenda Pública) do IRPJ ou de outros tributos administrados pela Receita Federal. Quanto ao prazo para o pedido, o art. 168 do CTN aduz que "O direito de pleitear a restituição extinguese com o decurso do prazo de 5 (cinco) anos...". Assim sendo, se uma empresa opta por utilizar o saldo negativo de IRPJ e informa aos sistemas da RFB que tal saldo está devidamente ligado a um débito que possui perante a Fazenda Nacional, somente com a análise deste pedido é que a RFB deverá se pronunciar sobre tal crédito. No caso concreto, a empresa é quem fez a opção da utilização do saldo negativo por meio do PER/DCOMP nº 32384.35837.270204.1.3.023002, entregue na data de 27/02/2004, ou seja, logo após o encerramento do exercício de 2004, anocalendário de 2003 e, portanto, antes do início da fiscalização e da autuação fiscal. Assim sendo, correta a conduta da fiscalização pelo não aproveitamento do saldo negativo de IRPJ, que se justifica pelo fato de sua inexistência no momento da lavratura do auto de infração. Além disso, a recorrente colaciona julgados que nada se encaixam ao pedido aqui rejeitado, pois citados acórdãos tratam de aproveitamento de prejuízo fiscal, e não de saldo negativo de IRPJ, institutos díspares e, por conseguinte, merecedores de tratamento distintos. Veja os acórdãos: Fl. 637DF CARF MF 16 O prejuízo fiscal existente pode ser utilizado para mitigação do lançamento fiscal, mas desde que solicitado pela empresa autuada. Entretanto, como não se trata do mesmo objeto deste auto de infração, o tratamento dispensado ao prejuízo fiscal não pode ser aqui aplicado. Conclusão Por todo o exposto, voto no sentido de NEGAR provimento ao recurso voluntário para afastar o pedido de aproveitamento do saldo negativo de IRPJ do ano calendário de 2003. Em relação aos demais aspectos, a decisão se deu conforme o voto da I. Relatora. (assinado digitalmente) Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa Fl. 638DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10530.904858/2011-71
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Jun 29 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Thu Aug 10 00:00:00 UTC 2017
Numero da decisão: 3201-000.973
Decisão: Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência.
(assinado digitalmente)
Winderley Morais Pereira - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Winderley Morais Pereira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisario, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade, Orlando Rutigliani Berri (Suplente convocado), Marcelo Giovani Vieira e Renato Vieira de Ávila (Suplente convocado).
Nome do relator: WINDERLEY MORAIS PEREIRA
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Recorrida FAZENDA NACIONAL Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Winderley Morais Pereira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisario, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade, Orlando Rutigliani Berri (Suplente convocado), Marcelo Giovani Vieira e Renato Vieira de Ávila (Suplente convocado). Relatório Tratase de Recurso Voluntário apresentado pelo contribuinte supra identificado em face do acórdão da DRJ Belo Horizonte/MG que julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade manejada para se requerer a reforma do despacho decisório exarado pela repartição de origem. De acordo com o despacho decisório, o crédito informado na Declaração de Compensação já se encontrava integralmente alocado a outro débito do sujeito passivo, decorrendo daí o indeferimento do pedido de restituição. Na Manifestação de Inconformidade, o contribuinte requereu o reconhecimento do direito à restituição da contribuição recolhida sobre receitas estranhas ao conceito de faturamento, em face da inconstitucionalidade do art. 3º, § 1º, da Lei nº 9.718/1998, declarada inconstitucional pelo Supremo Tribunal Federal em julgamento submetido à sistemática da repercussão geral, cujo teor deve ser reproduzido pelos Conselheiros do CARF, por força do disposto no art. 62A do Regimento Interno do CARF. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 05 30 .9 04 85 8/ 20 11 -7 1 Fl. 1127DF CARF MF Processo nº 10530.904858/201171 Resolução nº 3201000.973 S3C2T1 Fl. 3 2 A decisão da DRJ Belo Horizonte/MG, denegatória do direito pleiteado, fundamentouse na falta de comprovação da liquidez e certeza do crédito, dada a ausência de apresentação da prova do indébito. Cientificado da decisão de primeira instância, o contribuinte interpôs Recurso Voluntário, reiterando a existência do crédito tributário postulado e requerendo seu integral deferimento, tendose em conta o princípio da verdade material que exige o aprofundamento da investigação dos fatos por parte da Fiscalização, em face do conjunto probatório por ele produzido. É o relatório. Voto Conselheiro Winderley Morais Pereira, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido na Resolução nº 3201000.905, de 29/06/2017, proferido no julgamento do processo 10530.904837/201156, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Resolução nº 3201000.905): A questão em apreço se resolveria pela aplicação do decidido pelo Supremo Tribunal Federal em sede de repercussão geral, conforme ementa a seguir transcrita: "RECURSO. Extraordinário. Tributo. Contribuição social. PIS. COFINS. Alargamento da base de cálculo. Art. 3º, § 1º, da Lei nº 9.718/98. Inconstitucionalidade. Precedentes do Plenário (RE nº 346.084/PR, Rel. orig. Min. ILMAR GALVÃO, DJ de 1º.9.2006; REs nos 357.950/RS, 358.273/RS e 390.840/MG, Rel. Min. MARCO AURÉLIO, DJ de 15.8.2006) Repercussão Geral do tema. Reconhecimento pelo Plenário. Recurso improvido. É inconstitucional a ampliação da base de cálculo do PIS e da COFINS prevista no art. 3º, § 1º, da Lei nº 9.718/98." (RE 585235 QORG, Relator(a): Min. CEZAR PELUSO, julgado em 10/09/2008, REPERCUSSÃO GERAL MÉRITO DJe227 DIVULG 27 112008 PUBLIC 28112008 EMENT VOL0234310 PP02009 RTJ VOL0020802 PP00871 ) Temse, então, que o § 1° do art. 3° da Lei 9.718/98 foi declarado inconstitucional pelo Supremo Tribunal Federal. Como sabido, a aplicação do decidido pela Corte Suprema em sede de repercussão geral é de aplicação obrigatória por parte deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF, conforme se depreende da redação do art. do RICARF: "Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. § 1º O disposto no caput não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: Fl. 1128DF CARF MF Processo nº 10530.904858/201171 Resolução nº 3201000.973 S3C2T1 Fl. 4 3 (...) II que fundamente crédito tributário objeto de: (...) b) Decisão definitiva do Supremo Tribunal Federal o u do Superior Tribunal de Justiça, em sede de julgamento realizado nos termos dos arts. 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 1973, ou dos arts. 1.036 a 1.041 da Lei n º 13.105, de 2015 Código de Processo Civil, na forma disciplinada pela Administração Tributária; (Redação dada pela Portaria MF nº 152, de 2016)" A jurisprudência deste colegiado administrativo é pacífica em relação ao tema. Vejamos: "Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins Período de apuração: 01/09/2001 a 30/09/2001 COFINS. BASE DE CÁLCULO. ART. 3º, § 1º, DA LEI Nº 9.718/1998. INCONSTITUCIONALIDADE DE DECLARADA PELO STF. RECURSO EXTRAORDINÁRIO. REPERCUSSÃO GERAL. APLICAÇÃO DO ART. 62 DO REGIMENTO INTERNO DO CARF. OBRIGATORIEDADE DE REPRODUÇÃO DO ENTENDIMENTO. O §1º do art. 3º da Lei nº 9.718/1998 foi declarado inconstitucional pelo STF no julgamento do RE nº 346.084/PR e no RE nº 585.235/RG, este último decidido em regime de repercussão geral (CPC, art. 543B). Assim, deve ser aplicado o disposto no art. 62 do Regimento Interno do Carf, o que implica a obrigatoriedade do reconhecimento da inconstitucionalidade do referido dispositivo legal." (Processo 11516.002621/200719; Acórdão 3401003.239; Conselheiro LEONARDO OGASSAWARA DE ARAUJO BRANCO, Sessão de 26/09/2016) Ocorre que, no caso em debate tanto o despacho decisório, quanto a decisão proferida em sede de manifestação de inconformidade informam não estar comprovada a certeza e a liquidez do direito creditório. A decisão, portanto, foi no sentido de que inexiste crédito apto a lastrear o pedido da recorrente. No entanto, entendo como razoável as alegações produzidas pela recorrente aliado aos documentos apresentados nos autos, o que atesta que procurou se desincumbir do seu ônus probatório em atestar a existência dos créditos alegados. A recorrente além das DCTF's apresentou planilha de cálculo, balancete e comprovante de arrecadação referente ao período em apreço e, por fim, juntamente com o seu recurso anexa o LivroRazão. Neste contexto, a teor do que preconiza o art. 373 do diploma processual civil, teve a manifesta intenção de provar o seu direito creditório, sendo que tal procedimento, também está pautado pela boafé. Saliento o fato de assistir razão à recorrente quando alega que a falta de retificação de declaração não tem o condão de tornar devido o que é indevido, sob pena de ofensa aos princípios da legalidade e da verdade material. Fl. 1129DF CARF MF Processo nº 10530.904858/201171 Resolução nº 3201000.973 S3C2T1 Fl. 5 4 Neste sentido já decidiu o CARF: "Assunto: Normas de Administração Tributária Anocalendário: 2002 CONEXÃO. IMPOSSIBILIDADE. Os processos referemse a períodos diferentes, o que ocasiona fatos jurídicos tributários diferentes, com a consequente diferenciação no que concerne à produção probatória, impossibilitando a conexão. FALTA DE RETIFICAÇÃO NA DCTF. Ainda que o sujeito passivo não tenha retificado a DCTF, mas demonstre, por meio de prova cabal, a existência de crédito, a referida formalidade não se faz necessária. Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins Anocalendário: 2002 INCONSTITUCIONALIDADE DO ART. 3º, §1º, DA LEI Nº 9.718/1998. RECONHECIMENTO. Quanto à ampliação da base de cálculo prevista pela Lei nº 9.718/1998, tal fato já foi decidido pelo Supremo Tribunal Federal em regime de repercussão geral, RE 585235 QORG." (Processo 10280.905801/2011 89; Acórdão 3302003.619; Conselheira SARAH MARIA LINHARES DE ARAÚJO PAES DE SOUZA; Sessão de 21/02/2017) (nosso destaque) Recentemente, em questão similar, em processo relatado pela Conselheira Tatiana Josefovicz Belisário (10830.917695/201111 Resolução 3201000.848), esta Turma por unanimidade de votos, decidiu em converter o julgamento em diligência, conforme a seguir transcrito: "Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto da Relatora." Do voto da relatora destaco: "Na hipótese dos autos, observase que não houve inércia do contribuinte na apresentação de documentos. O que se verifica é que os documentos inicialmente apresentados em sede de Manifestação de Inconformidade se mostraram insuficientes para que a Autoridade Julgadora determinasse a revisão do crédito tributário. E, imediatamente após tal manifestação, em sede de Recurso Voluntário, foram apresentados novos documentos. Ademais, não se pode olvidar que se está diante de um despacho decisório eletrônico, ou seja, a primeira oportunidade concedida ao contribuinte para a apresentação de documentos comprobatórios do seu direito foi, exatamente, no momento da apresentação da sua Manifestação de Inconformidade. E, foi apenas em sede de acórdão, que tais documentos foram tidos por insuficientes. Sabese quem em autuações fiscais realizadas de maneira ordinária, é, em regra, concedido ao contribuinte diversas oportunidades de apresentação de documentos e esclarecimentos, por meio dos Termos de Intimação emitidos durante o procedimento. Assim, limitar, na autuação eletrônica, a oportunidade de apresentação de documentos à manifestação de inconformidade, aplicando a preclusão relativamente ao Recurso Voluntário, não me parece razoável ou isonômico, além de atentatório aos princípios da ampla defesa e do devido processo legal." Ademais, em casos análogos envolvendo a recorrente, este conselho administrativo nos processos 10530.902899/201123 e Fl. 1130DF CARF MF Processo nº 10530.904858/201171 Resolução nº 3201000.973 S3C2T1 Fl. 6 5 10530.902898/201189 decidiu por converter o julgamento em diligência através das Resoluções 3801000.816 e 3801000.815. Assim, entendo que há dúvida razoável no presente processo acerca da liquidez, certeza e exigibilidade do direito creditório, o que justifica a conversão do feito em diligência, não sendo prudente julgar o recurso em prejuízo da recorrente, sem que as questões aventadas sejam dirimidas. Diante do exposto, voto pela conversão do julgamento em diligência à repartição de origem, para que possa ser apurado e informado, de modo pormenorizado, o valor do débito e do crédito existentes na data de transmissão dos PER/DCOMPs dos processos, bem como a existência do crédito postulado a partir de toda a documentação apresentada pelo contribuinte e outras diligências que possam ser realizadas a critério da autoridade competente, com a elaboração do devido relatório. Deve, ainda, a autoridade administrativa informar se há o direito creditório alegado pela recorrente e se o mesmo é suficiente para a extinção do débito existente tomando por base toda a documentação apresentada pelo contribuinte. Isto posto, deve ser oportunizada à recorrente o conhecimento dos procedimentos efetuados pela repartição fiscal, com abertura de vistas pelo prazo de 30 (trinta) dias, prorrogável por igual período, para que se manifeste nos autos e apresente documentos adicionais, caso entenda necessário, para, na sequência, retornarem os autos a este colegiado para prosseguimento do julgamento. Importante frisar que os documentos juntados pelo contribuinte no processo paradigma, como prova do direito creditório, também foram juntados em cópias nestes autos (planilha, balancete e/ou razão). Dessa forma, os elementos que justificaram a conversão do julgamento em diligência no caso do paradigma também a justificam no presente caso. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, decido por converter o julgamento em diligência, para que a Autoridade Preparadora certifique a efetiva existência do crédito postulado, a partir dos documentos apresentados pelo contribuinte e por meio de outras diligências que se mostrarem necessárias, apurando os valores do débito e do crédito existentes na data de transmissão do PER/DCOMP, consignandoos em relatório pormenorizado. Após a realização da diligência, concedase vista ao contribuinte pelo prazo de 30 (trinta dias) para se manifestar acerca das conclusões. Após, retornemse os autos para julgamento. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Fl. 1131DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 19515.003489/2005-12
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Aug 15 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon Sep 25 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2000
Ementa:
DESPESA A TÍTULO DE DISTRIBUIÇÃO DE JUROS SOBRE CAPITAL PRÓPRIO. DEDUTIBILIDADE
Somente serão dedutíveis na determinação do lucro real e na base de cálculo da contribuição social quando, observado o regime de competência, os juros sobre o capital próprio forem pagos ou creditados individualmente a titular, sócios ou acionistas da pessoa jurídica, bem como efetuada a retenção e recolhimento do IRRF correspondente.
DESPESA NÃO DEDUTÍVEL
O imposto de renda na fonte incidente sobre os juros sobre o capital próprio deveria ser recolhido no prazo de 15 dias contados a partir da data do encerramento do período-base em que os juros foram reconhecidos, sob pena de tornar não dedutível a despesa com os juros.
Numero da decisão: 1302-002.337
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos negaram provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Ester Marques Lins de Sousa - Presidente-Substituta
(assinado digitalmente)
Rogério Aparecido Gil - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Antônio Nepomuceno Feitosa, Paulo Henrique Silva Figueiredo, Rogério Aparecido Gil, Gustavo Guimarães da Fonseca, Júlio Lima Souza Martins (Suplente Convocado), Eduardo Morgado Rodrigues (Suplente Convocado) e Ester Marques Lins de Sousa (Presidente-Substituta)
Nome do relator: ROGERIO APARECIDO GIL
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Ano-calendário: 2000 Ementa: DESPESA A TÍTULO DE DISTRIBUIÇÃO DE JUROS SOBRE CAPITAL PRÓPRIO. DEDUTIBILIDADE Somente serão dedutíveis na determinação do lucro real e na base de cálculo da contribuição social quando, observado o regime de competência, os juros sobre o capital próprio forem pagos ou creditados individualmente a titular, sócios ou acionistas da pessoa jurídica, bem como efetuada a retenção e recolhimento do IRRF correspondente. DESPESA NÃO DEDUTÍVEL O imposto de renda na fonte incidente sobre os juros sobre o capital próprio deveria ser recolhido no prazo de 15 dias contados a partir da data do encerramento do período-base em que os juros foram reconhecidos, sob pena de tornar não dedutível a despesa com os juros.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos negaram provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa - Presidente-Substituta (assinado digitalmente) Rogério Aparecido Gil - Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Antônio Nepomuceno Feitosa, Paulo Henrique Silva Figueiredo, Rogério Aparecido Gil, Gustavo Guimarães da Fonseca, Júlio Lima Souza Martins (Suplente Convocado), Eduardo Morgado Rodrigues (Suplente Convocado) e Ester Marques Lins de Sousa (Presidente-Substituta)
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REMESSAS AO EXTERIOR. COMPROVAÇÃO. RETENÇÕES NA FONTE Recorrente VIVO PARTICIPAÇÕES S.A. (SUCESSORA DA TELESP CELULAR PARTICPAÇÕES S.A. ) Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2000 Ementa: DESPESA A TÍTULO DE DISTRIBUIÇÃO DE JUROS SOBRE CAPITAL PRÓPRIO. DEDUTIBILIDADE Somente serão dedutíveis na determinação do lucro real e na base de cálculo da contribuição social quando, observado o regime de competência, os juros sobre o capital próprio forem pagos ou creditados individualmente a titular, sócios ou acionistas da pessoa jurídica, bem como efetuada a retenção e recolhimento do IRRF correspondente. DESPESA NÃO DEDUTÍVEL O imposto de renda na fonte incidente sobre os juros sobre o capital próprio deveria ser recolhido no prazo de 15 dias contados a partir da data do encerramento do períodobase em que os juros foram reconhecidos, sob pena de tornar não dedutível a despesa com os juros. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos negaram provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa PresidenteSubstituta (assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 00 34 89 /2 00 5- 12 Fl. 1340DF CARF MF Processo nº 19515.003489/200512 Acórdão n.º 1302002.337 S1C3T2 Fl. 3 2 Rogério Aparecido Gil Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Antônio Nepomuceno Feitosa, Paulo Henrique Silva Figueiredo, Rogério Aparecido Gil, Gustavo Guimarães da Fonseca, Júlio Lima Souza Martins (Suplente Convocado), Eduardo Morgado Rodrigues (Suplente Convocado) e Ester Marques Lins de Sousa (PresidenteSubstituta) Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto face ao Acórdão nº 1612.621 de 06 de março de 2007 da 5ª Turma da DRJ São Paulo I (DRJ/SPOI) que, por unanimidade de votos, considerou procedente o lançamento, mantendo o crédito tributário exigido, registrando se a seguinte ementa: DESPESA A TÍTULO DE DISTRIBUIÇÃO DE JUROS SOBRE CAPITAL PRÓPRIO. DEDUTIBILIDADE Somente serão dedutíveis na determinação do lucro real e na base de cálculo da contribuição social quando, observado o regime de competência, os JUROS sobre o CAPITAL PRÓPRIO forem pagos ou creditados individualmente a titular, sócios ou acionistas da pessoa jurídica, bem como efetuada a retenção e recolhimento do IRRF correspondente. DESPESA NÃO DEDUTÍVEL O imposto de renda na fonte incidente sobre os juros sobre o capital próprio deveria ser recolhido no prazo de 15 dias contados a partir da data do encerramento do períodobase em que os juros foram reconhecidos, sob pena de tornar não dedutível a despesa com os juros. Lançamento Procedente A Fiscalização registrou os seguintes fatos, também destacados no Acórdão recorrido: 2 Dedução na DIPJ/2001 de juros sobre o capital próprio, no valor de R$60.907.728,63 (ficha 06 A, linha 35), em desacordo com o valor declarado na DIRF n° 18000001219, correspondente ao mesmo período, onde consta o valor de R$ 16.327.567,32. 2.1 Como esse valor, R$ 60.907.728,63, não constou na DIRF do ano calendário de 2000, a Fiscalização glosou o valor como despesa e efetuou o seu lançamento por infringir o art. 251, parágrafo único, 299 e parágrafos 1º e 2º, arts. 347 e 374, inciso I do RIR/ 99 c/c o art. 30 da IN/SRF n° 11/1996. 2.2 Compensação indevida de imposto de renda retido na fonte, em que não foi comprovado se houve o recolhimento correspondente ao valor de R$4.979.835,04, relativo ao IRRF que a empresa utilizou para deduzir o imposto de renda sobre o lucro real (ficha 12 A, linha 13). A empresa tampouco registrou essa compensação na DCTF do período correspondente a essa compensação. Desse modo, esse valor foi lançado com base no art. 1º parágrafo 3º da lei n° 9.249/1995, arts 231, inciso III e 943, parágrafo 2º do RIR/99. 2.3 Compensação indevida de imposto de renda mensal pago por estimativa, pois não foi comprovado, nem localizado recolhimento relativo ao Fl. 1341DF CARF MF Processo nº 19515.003489/200512 Acórdão n.º 1302002.337 S1C3T2 Fl. 4 3 valor de R$456.243,05 que, embora a empresa tenha alegado que utilizou créditos compensáveis de anos anteriores, saldo negativo da DIPJ/99, tal fato não ficou comprovado, nem informado na DCTF relativa ao período. Por falta de comprovação, foi lançado esse valor, com base no art. 11 e parágrafo 3º da Lei n° 9.249/1995, arts. 231, inciso III e 943 , parágrafo 2º do RIR /99. 3 Desse modo, em 15/12/2005 foi lavrado o competente Auto de Infração relativo ao Imposto de Renda Pessoa Jurídica IRPJ e seus reflexos, a seguir discriminados: 3.1 Imposto de Renda Pessoa Jurídica IRPJ (fls. 89 a 91): Total do crédito tributário, R$ 53.596.713,54, incluídos o tributo, multa e juros de mora. Fundamento legal:, art. 251, parágrafo único, 299 e parágrafos Io e 2o, 374 e 890, inciso I do RIR/ 99. 3.2 Contribuição Social sobre o Lucro Líquido CSLL (fls. 94 a 96): Total do crédito tributário, R$ 12.643.469,93, incluídos o tributo, multa e os juros de mora. Fundamento legal: art. 2o e §§ da Lei n° 7.689/1988; art.19 da Lei n° 9.249/1995; art. 1º da Lei n° 9.316/1996 e art. 28 da Lei n° 9.430/1996 e art. 6º da Medida Provisória n° 1858/1999 e reedições. 4 A contribuinte tomou ciência do auto de infração em 15/12/2005 e apresentou impugnação em 13/01/2006, nos termos da petição acostada aos autos (fls. 145 a 153 a 73), alegando, em síntese, o que segue: 4.1 Alega que o lançamento é nulo pois foi baseado apenas na diferença de valores apresentada entre a DIRF e a DIPJ da contribuinte e, em momento algum a Fiscalização requereu a apresentação dos documentos que embasaram os valores apresentados, imputando à impugnante o ônus da comprovação dos fatos. 4.2 Argumenta que a Fiscalização não levou em conta que os pagamentos de juros aos acionistas do exterior, pois a DIRF só permite inclusão de dados associados a CPF ou CNPJ e aos isentos/imunes que, por não terem retenção na fonte, não são listados na DIRF. 4.3 Reconhece que informou incorretamente o valor de R$ 4.979.835,04 na linha 13 da ficha 12a da DIPJ/2001, pois afirma que, na realidade, o valor a que tem direito é maior, de R$ 9.866.664,01, relativo à retenção na fonte, incidente sobre R$65.777.760,04 de juros pagos sobre o capital próprio. Além disso, alega que essas informações constam na DIRF que a empresa apresentou e que, em nenhum momento foi questionada pelo Fisco. Esclarece também que apresentou tempestivamente a DCTF de retificação onde constam todos os valores já informados na DIRF. 4.4 Reclama que os recolhimentos antecipados em relação aos meses de janeiro e fevereiro foram efetuados, compensandose com o IRPJ a restituir em relação ao anocalendário de 1999, no valor de R$13.040.344,23, apurado na DIPJ/2000, ficha 13A. Entende que esses valores foram homologados pelo Fisco e que a ela, contribuinte, afigurase intempestiva essa objeção ao crédito de IRPJ apurado. 4.5 Reconhece mais uma vez erro no preenchimento das DCTF, relativo às estimativas de IRPJ dos meses de janeiro e fevereiro de 2000, deixando de consignar a referida compensação, mas considera esse erro, mero erro de natureza formal, não atingindo o mérito da obrigação tributária. Fl. 1342DF CARF MF Processo nº 19515.003489/200512 Acórdão n.º 1302002.337 S1C3T2 Fl. 5 4 4.6 Requer perícia contábil para demonstrar o pagamento de juros sobre o capital próprio efetuado em favor de seus acionistas e para demonstrar o valor do crédito de IRRF apurado em 2000, dedutível do valor de IRPJ apurado em relação ao anocalendário de 2000, nomeando para tanto seu perito contábil, cujo endereço seria o mesmo da empresa, embora tenha sido escrito de forma errônea na impugnação . 4.7 Elenca ainda, mais algumas averiguações a serem feitas pela perícia destinadas a comprovar os valores apurados e utilizados pela impugnante nas suas declarações fiscais. 4.8 Por fim, requer a juntada posterior de documentos a serem fornecidos pelo Banco Real, e que seja reconhecida a procedência da impugnação, verificandose a insubsistência do auto de infração, extinguindose o crédito tributário. 5 Ao examinar o processo em 11/04/2006, a 7ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento de São Paulo I decidiu baixar o processo em diligência para que fossem verificados os seguintes pontos (fls. 307 a 311): 5.1 Junto à empresa Telesp Celular S.A. CNPJ 02.319.126/000159, qual era o valor correto dos juros pagos à empresa Telesp Celular Participações S.A. CNPJ 02.558.074/000173, e qual o valor correto do IRRF retido; 5.2 Se a DIRF/2001 estava correta, uma vez que o valor declarado na DCTF era diferente; 5.3 A empresa Telesp Celular Participações S.A. CNPJ 02.558.074/0001 73, declarou três valores diferentes na DIRF, DCTF e D IP J/2001 de valores de juros pagos aos acionistas e IRRF retido; pela documentação da empresa, qual valor estaria correto, bem como qual o valor do IRRF que deveria ter sido retido e recolhido. 5.4 Qual seria o valor do IRRF relativo às remessas ao exterior, e quais eram os beneficiários imunes/isentos, pois, segundo a empresa, os valores apresentados nas declarações divergiram porque não foram considerados pela Fiscalização os beneficiários residentes no exterior e os isentos; 5.5 Relativamente às compensações efetuadas pela empresa Telesp Celular Participações S.A, cujas planilhas de compensação estão anexadas aos autos (fls. 252 a 255 e 302 a 304) e que serviram para justificar o não recolhimento de IRRF e da antecipação do IRPJ/2001, bem como gerar o valor de R$ R$ 4.979.853,08 de créditos compensáveis, utilizado pela empresa na alínea 13 ficha 12 A, na DIPJ/2001, verificar se estão corretas e baseadas em documentos; 5.6 Quanto ao lançamento efetuado, quais foram as razões pelas quais que a Fiscalização preferiu efetuar o lançamento pelo valor total informado na DIPJ/2001, de R$ 60.907.728,63, referentes aos juros pagos aos acionistas e o IRRF correspondente, sem considerar, no cálculo do valor tributável, os valores já informados na DIRF/2001, apresentada pela impugnante Telesp Celular Participações S.A. 6 O Termo Fiscal lavrado em 19/10/2006 (fls. 350 a 353), informa o seguinte: 6.1 Que o Banco Espírito Santo Securities do Brasil S/A, informou que, em 10/07/2001, foi efetuada remessa somente ao beneficiário Portugal Telecom Fl. 1343DF CARF MF Processo nº 19515.003489/200512 Acórdão n.º 1302002.337 S1C3T2 Fl. 6 5 Investimentos SGPS S/A, no valor de R$ 11.584.976,25, cuja origem foi o pagamento pela Telesp Celular Participações S/A de dividendos sobre o capital próprio, creditados pela companhia Brasileira de Liquidação e Custódia = CBLC, junto ao BESSecurities. Essa informação está em desacordo com a informação constante na DIPJ, relativo ao valor pago pela CBLC e o valor pago pela VIVO Participações S/A (sucessora da Telesp Celular Participações S/A.); 6.2 A VIVO informa que o valor dos juros pagos sobre o capital próprio aos acionistas foi declarado na DIPJ/2001, anocalendário 2000, porém não foi declarado na DCTF do período em questão; 6.3 Embora demonstre os valores pagos a dirigentes, sócios ou titular, não apresentou nenhuma documentação comprobatória; 6.4 Relativamente ao IRRF de remessas ao exterior não identificou os beneficiários imunes e isentos que justifiquem suas alegações de que os valores apresentados nas declarações divergem porque não foram considerados pela fiscalização os beneficiários residentes no exterior e os isentos; 6.5 Relativamente às compensações efetuadas conforme planilhas anexadas à impugnação e que serviram para o não recolhimento do IRRF, e da antecipação do IRPJ/2001, bem como gerar o valor de R$ 4.979.853,00 de créditos compensáveis utilizados na ficha 2A, linha 13 da DIPJ/2001, a empresa não apresentou nenhum documento de suporte; 6.6 A Telesp Celular S/A, embora informe que pagou a VIVO Participações S/A o valor de R$ 65.777.760,04, referentes a juros sobre o capital próprio, retendo desse valor o IRRF de R$ 9.866.004,01 que, por sua vez , foi compensado em janeiro de 2001 com o saldo negativo de IRPJ do ano calendário de 1999, nada declarou essas operações na DCTF do período; 6.7 A Fiscalização opina por manter o lançamento tendo em vista que na análise da D IP J/2001 a empresa declara e deduz de suas receitas operacionais, na ficha 06A, linha 35 o valor de 60.907.728,63, que não está em correspondência com a DIRF n° 180000001219 que apresenta o valor de R$16.327.567,32, não apresentando também qualquer comprovação que apontasse para um ou para o outro valor. Também não declarou qualquer valor em DCTF. 7 A VIVO Participações S/A, ao ser cientificada do Termo Fiscal em 19/10/2006, apresentou, manifestação (fls. 369 a 376), a seguir, em resumo: 7.1 Entende não haver qualquer divergência entre os valores declarados em DIPJ e em DIRF e que os documentos que apresentou comprovam, a exaustão , o que alega, invocando ainda a correspondência emitida pelo Banco Real, do extrato emitido pela Telesp Participações S/A e pelos dados constantes na ficha 42 da D IP J/2001. Repisa que a diferença ocorreu pois a DIRF não permite a inclusão de beneficiários residentes no exterior; 7.2 Relativamente à remessa de JCP Ouros sobre o capital próprio) pela CBLC, alega que não houve divergências de informações pois a Portugal Telecom Investimentos SGPS S/A incorporou a empresa INBRUG Investimentos e Serviços Ltda. e, por esse motivo, toda a remessa de R$ 11.584.976,25 foi feita para a Portugal Telecom, por escolha dessa última. Quanto ao valor propriamente dito, entende que a documentação apresentada prova de maneira incontestável a remessa efetuada. Fl. 1344DF CARF MF Processo nº 19515.003489/200512 Acórdão n.º 1302002.337 S1C3T2 Fl. 7 6 7.3 Acusa a Receita Federal de ser incoerente em seus procedimentos fiscais, pois o processo administrativo n° 11610.001400/200321, reconheceu que a quantia de R$ 16.327.567,32 deveria ser reconhecida como JCP, enquanto no presente processo, a glosa foi integral da despesa de JCP; 7.4 Além disso, argumenta que o processo administrativo n° 19515.001361/200603, cuja autuação a título de IRRF sobre pagamento sem causa, também milita a favor da empresa, uma vez que o Fisco só não aceitou que o valor de R$ 11.584.976,25 integraria a remuneração dos acionistas em virtude de sua participação societária, pelo que restaria legítima a causa do restante da remessa. 7.5 Apresenta planilha demonstrativa dos valores pagos a título de JCP aos acionistas (residentes, nãoresidentes e isentos) que demonstraria a veracidade das informações prestadas pela contribuinte, pois retrata fielmente os valores declarados na ficha 42A da DIPJ e os dados constantes da tabela do Banco Real. 7.6 Protesta pela regularidade da compensação do IRRF incidente sobre a receita de juros sobre o capital próprio relativo a empresa Telesp Celular S/A, pois os valores compensados constam na DIRF apresentada por essa empresa, que levou ao conhecimento do Fisco o valor da remuneração paga e o IRRF retido. 7.7 Repisa mais uma vez que a divergência de informações entre a DIPJ e a DIRF devese ao fato que a DIRF não permite a inclusão dos dados de acionistas estrangeiros, não residentes no Brasil; 7.8 Alega que as antecipações de IRPJ de janeiro e fevereiro de 2000 que foram compensadas com o saldo negativo relativo ao ano de 1999 foram regulares e havia crédito suficiente para cobrir o valor das estimativas e, apenas por um "vício na externalização da vontade" (sic), a contribuinte preencheu equivocadamente a DCTF relativa a esse período. Entende também que a entrega de DCTF é uma obrigação acessória, não se confundindo com a obrigação tributária e assim, o simples fato de a informação da compensação não ter sido prestada, não autoriza o Fisco a deduzir o descumprimento da obrigação principal; 7.9 Argumenta que, por essas razões, é imperativo o reconhecimento dos recolhimentos estimados efetuados mediante a compensação com o crédito apontado, afigurandose despropositada a recusa do Fisco em computar as antecipações de IRPJ como dedução do valor do imposto de renda negativo apurado no final do exercício de 1999 que, segundo a empresa, já teria sido homologado pelo decurso de prazo; (...) 8 O Relatório Fiscal (fls. 379 a 382) repete os termos do Termo Fiscal acima descrito. 9 Em 13/11/2006, a empresa enviou nova correspondência informando que, na data do envio do valor R$ 11.584.976,25 a Portugal Telecom, essa empresa já havia incorporado integralmente por fusão a Inbrug Investimentos e Serviços Ltda. e por esse motivo os rendimentos foram creditados inteiramente a Portugal Telecom (fls. 384 a 401). Fl. 1345DF CARF MF Processo nº 19515.003489/200512 Acórdão n.º 1302002.337 S1C3T2 Fl. 8 7 10 Em 12/12/2006, a empresa enviou nova correspondência explicando que a planilha formulada pela Fiscalização no Termo de Verificação Fiscal (fls. 84), baseada em documento recolhido pela Fiscalização na empresa Vivo e juntado ao processo (fls. 83), não possui valor oficial, tendo sido produzido em 29/11 quando o ano ainda estava em curso e foi elaborado para o planejamento do caixa, não se preocupando a empresa com o valor discriminado para cada acionista, embora o valor total calculado dos juros esteja correto (R$ 60.907.728,63). Com esse esclarecimento adicional entende demonstrar a ausência das divergências aventadas pela Fiscalização, (fls. 414 a 415) Recurso Voluntário A Recorrente foi intimada do acórdão recorrido, em 26/04/2007 (fl. 621) e interpôs Recurso Voluntário, em 25/05/2007 (fl. 623). Representação processual formalizada às fls. 642/679, cujas razões são a seguir sintetizadas: a) não haveria amparo legal para a Fiscalização exigir a apresentação de DIRF para a comprovação dos valores e beneficiários do pagamento de JCP. Ao exigir tal prova, a DRJ teria inovado, pelo fato de que a Fiscalização não teria registrado no TVF a necessidade de se provar as retenções na fonte; b) que juntou extratos bancários e declarações de instituições financeiras que participaram da custódia das ações; que teriam pago rendimentos; e informado os respectivos beneficiários. Salientou que a Fiscalização não teria se dignado a apreciar tais provas, limitandose à diferença verificada entre os respectivos valores lançados em DIPJ, comparandose com os valores constantes de sua DIRF; c) que a Fiscalização não teria requisitado prova quanto ao efetivo pagamento de JCP; d) que não seria correta a exigência da DRJ, quanto à observância do regime de competência, em 2000, para a retenção na fonte do imposto sobre a renda, pelo fato de que a ação fiscal referirseia ao período de 01/01/2001 a 31/12/2001; e) que efetuou o pagamento de JCP no valor informado em DIPJ e que tem lhe assegurado a respectiva dedutibilidade (art. 9º, Lei nº 9.249/95); f) que a Fiscalização não considerou suas explicações quanto à impossibilidade de indicar na DIRF, beneficiários residentes no exterior (IN SRF nº 03/2001, art. 17, § 8º); g) que também não haveria como constar da DIRF, os beneficiários que demonstraram ser isentos e imunes, perante o Banco Real. h) que seus registro contábeis, comerciais e institucionais, bem assim, as informações prestadas pelas instituições financeiras que intermediaram os pagamentos de JCP (Banco Real, CBLC, BES Securities do Brasil), comprovariam o efetivo pagamento de JCP, no valor declarado em DIPJ. Fl. 1346DF CARF MF Processo nº 19515.003489/200512 Acórdão n.º 1302002.337 S1C3T2 Fl. 9 8 i) que, a Fiscalização não verificou que na petição de 13/11/2016 (fls. 384/400), informouse que, na data do pagamento de JCP, a Portugal Telecom Investimentos SGPS S.A. havia incorporado integralmente a Imbrug investimentos e Serviços Ltda. Por esse motivo, os JCP foram pagos única e diretamente para a Portugal Telecom Investimentos SGPS S.A.; j) que há contradição no procedimento da Fiscalização, pois, se havia divergência entre o valor declarado na Ficha 42A da DIPJ (R$16.327.567,32) e o valor da DIRF (R$60.907.728,63), deveria, ao menos, considerar o valor da DIPJ, e não glosar integralmente a declaração e lançar crédito tributário de R$60.907.728,63; Com relação ao apontamento da Fiscalização, sobre a não declaração em DCTF dos valores de imposto de renda retidos na fonte, relativamente ao pagamento de JCP, a Recorrente alega que, se a falta de informação em DCTF levou o Fisco a inadmitir a compensação do IR retido quando do recebimento de JCP com o valor do IR cuja retenção cabia à Recorrente, em virtude do pagamento de JCP aos seus acionistas, deveria o crédito de IRRF sobre recebimento de JCP ser deduzido na ficha 12A, linha 13 da DIPJ (fls. 18). Ainda sobre os créditos de retenção de imposto de renda na fonte, alega a Recorrente que, o Fisco desconstituiu o restante dos créditos de IRRF informados em DIPJ, ficha 12A, linha 13, incidente sobre aplicações financeiras de titularidade da Recorrente, sem demonstrar a inexistência dessas retenções efetuadas pelas instituições financeiras, informadas na DIPJ da Recorrente (R$777.298,69 = R$9.866.664,01 R$5.664.127,62 R$4.202.536,39). Ou seja, o valor de R$777.298,69 integra a dedução, informada na DIPJ, filha 12A, linha 13 (fls. 18), do cálculo do imposto devido em 31 de dezembro (R$777.298,69 + R$4.202.536,39 = R$4.979.835,08). No que concerne à suposta omissão de declaração, por parte da TELESP CELULAR S.A., quanto ao pagamento de JCP à Recorrente e ao IRRF sobre ele incidente, salientou que a alegação seria improcedente, pois teriam constado da DIRF tais informações, levando ao conhecimento do fisco o valor da remuneração e o IRRF correspondente (enviada em 03/11/2002, cf. doc. n° 07 da impugnação, fls. 242). Durante todo o período após a recepção da DIRF, o fisco, em nenhum momento, questionou a TELESP CELULAR S.A. a respeito da suposta omissão, donde se conclui que foram acatadas as informações prestadas. Além disso, a empresa responsável pelo pagamento dos juros apresentou tempestivamente DCTF retificadora, fazendo dela constar as informações já prestadas na DIRF, relativas ao pagamento de JCP e ao IRRF correspondente (doe. n° 08 da impugnação, fls. 247 a 251). Alega, ainda, que tendo sido informada a retenção na fonte pela TELESP CELULAR S.A, se o Fisco tem dúvidas quanto ao seu recolhimento, deveria intimar a responsável pela retenção e dela exigir o imposto informado como retido e deduzido do valor pago à Recorrente. Com relação aos recolhimentos antecipados de IRPJ, em relação aos meses de janeiro e fevereiro de 2000, efetuados mediante compensação com saldo negativo de 1999, apresentou os seguintes argumentos: Os recolhimentos das estimativas de IRPJ dos meses de janeiro e fevereiro de 2000 foram reputados carentes de comprovação pela fiscalização. Todavia, a objeção é Fl. 1347DF CARF MF Processo nº 19515.003489/200512 Acórdão n.º 1302002.337 S1C3T2 Fl. 10 9 improcedente, pois, embora não tenha havido pagamentos mediante DARF, os débitos foram extintos mediante compensação com o IRPJ a restituir em relação ao anocalendario 1999, no valor de R$13.040.344,23, apurado na DIPJ/2000, ficha 13A (doc. 09 da impugnação, fls. 278 a 300). Atentese que, em relação ao exercício mencionado, foram homologados todos os pagamentos que compuseram o saldo negativo de IRPJ (crédito da Recorrente), pelo que se afigura intempestiva a objeção, a esta altura, ao crédito de IRPJ apurado pela Recorrente. Referese à planilha em anexo (doc. 10 da impugnação, fls. 301 a 304) para indicar as compensações efetuadas com o saldo negativo relativo ao ano de 1999, decorrente de pagamentos acima do IRPJ devido. Verificase que a extinção dos débitos estimados de IRPJ foi regular, pois havia crédito suficiente para cobrir o valor das estimativas. Ressalta, entretanto, que em decorrência de vício na externalização da vontade, preencheu equivocadamente os dados da DCTF relativos às estimativas de IRPJ dos meses de janeiro e fevereiro de 2000, deixando de consignar a referida compensação. Sem embargo, considerando que o processo administrativo tributário é regido pelo princípio da verdade material, a retificação da informação de compensação merece ser apreciada pelos julgadores administrativos, tendo em vista que a omissão da informação na declaração constitui um erro de natureza formal, que não atinge o mérito da obrigação tributária. Alega que a DCTF seria apenas obrigação acessória e que a Fiscalização, em função do equívoco nas informações, poderia apenas atribuir multa, e não desconsiderar a verdade material. Finaliza alegando que, por ser de direito, seria imperativo o reconhecimento dos recolhimentos estimados efetuados mediante compensação com o crédito apontado, afigurandose despropositada a recusa do Fisco em computar as antecipações de IRPJ, como dedução do valor do imposto de renda apurado no final do exercício. É o relatório. Voto Conselheiro Rogério Aparecido Gil Relator Na forma relatada, o Recurso Voluntário é tempestivo e a Recorrente está devidamente representada. Conheço do Recurso. Preliminar CDRom com Informações Analíticas sobre Beneficiários e Valores Pagos de JCP. Dirfs de Instituições Financeiras que Intermediaram o Pagamento de JCP (Fontes Pagadoras) A recorrente apresentou pedido para retirada de pauta (fl. 1322) deste processo para que fossem requisitados os autos físicos do processo aberto, especificamente, para manter arquivados dois CDRom, nos quais estariam gravadas informações analíticas, prestadas por instituições que intermediaram as transações, por meio das quais seria possível identificar os nomes e das pessoas beneficiárias e respectivos dos valores pagos pela empresa a título de JCP. Fl. 1348DF CARF MF Processo nº 19515.003489/200512 Acórdão n.º 1302002.337 S1C3T2 Fl. 11 10 Enfatizou que, tais informações não teriam sido analisadas com profundidade pela Fiscalização e que seria fundamental para a demonstração de suas alegações a análise, no âmbito do CARF. Conforme certificado no Relatório Fiscal de fls.1278/1282, a DRJ converteu o julgamento em diligência fiscal, com o objetivo de esclarecer as alegações da Recorrente. Conforme Termo Fiscal apresentado às fls. 998/1106, a Recorrente juntou o documento n° 07 (fl. 995), incluindo CDRom (fl. 1106) contendo informações fornecidas por instituição financeira, em arquivo texto, e planilha eletrônica contendo a relação analítica dos beneficiários de JCP. Devido à quantidade de dados, não foi possível anexálos ao eProcesso. Cadastrouse processo físico vinculado ao presente Processo n° 19.515.003489/200512, para manterse arquivado o CDRom contendo os seguintes arquivos magnéticos: Arquivos em texto e planilhas Excel: CD 02 Arquivo DIRF_1.TXT, Arquivo DIRF_2.TXT, Arquivo DlRF_3.TXT, Arquivo DIRF_4.TXT, Arquivo DIRF_5.TXT, Arquivo DIRF_parte1.xlsm, Arquivo DIRF_parte2.xlsm, Arquivo DIRF_parte3.xlsm, Arquivo DIRF_parte4.xlsm, Arquivo DIRF_parte5.xlsm. Nesse sentido, com o intuito de verificar a imprescindibilidade da análise do conteúdo do CDRom, analisei os fundamentos do TVF e verifiquei que os lançamentos foram efetuados, essencialmente, pela falta de comprovação do recolhimento e omissão de declaração na DCTF do IRRF, correspondente à Receita de Juros sobre o Capital Próprio (cód. 5706). Verifiquei que, não obstante as deduções e compensações registradas em DIPJ, a Recorrente não confessou os débitos nas respectivas DCTF, nem mesmo formalizou a referida compensação, por meio do sistema PER/DCOMP. A Fiscalização também registrou a falta de comprovação de pagamento de antecipações por estimativa mensais de IRPJ e de CSLL. Nesse contexto, entendo, com a devida vênia, que os referidos dados analíticos sobre os nomes e valores dos beneficiários do pagamento de JCP; e as informações prestadas pelas instituições financeiras que intermediaram tal distribuição de resultados, não seriam imprescindíveis para a apreciação das razões de recurso. Pois, na forma realçada pela Recorrente os dados permitiriam identificar os beneficiários e os valores que teria pago a título de JCP, mas não comprovariam os recolhimentos e não supririam a falta de registros em DCTF e PER/DCOMP. Pelo exposto, entendo que os autos contemplam informações e documentos suficientes para a apreciação das razões de recurso voluntário, podendose dispensar a requisição dos dados gravados em CDRom, mantidos no referido processo físico na DRF. Intimações para Prestação de Informações e Apresentação de Documentos O Acórdão recorrido afastou a alegação de que a Fiscalização não teria requerido a comprovação dos pagamentos efetuados, a título de juros de capital próprio, bem como os documentos relativos a retenção na fonte incidente sobre os juros pagos, com base nos seguintes fundamentos: Fl. 1349DF CARF MF Processo nº 19515.003489/200512 Acórdão n.º 1302002.337 S1C3T2 Fl. 12 11 14 O Termo de Início da Fiscalização (fls.05 a 06) relaciona claramente os documentos e livros fiscais a serem apresentados pela empresa, sendo que no item 4 e 5 da letra "A" consta explicitamente: "4 Guias de recolhimentos de impostos, taxas e contribuições do período de 05/2000 em diante e preenchimento das informações gerais conforme disquete anexo; 5 Documentação fiscal e contábil que deu suporte a escrituração da empresa, no período de 01/02/2001 a 31/12/2001;" 15 E no item 1 da fls. 06 consta que a empresa deve tornar disponíveis os documentos que suportam os recolhimentos de tributos e contribuições administrados pela SRF, a saber, DARF, processos administrativos, DCTF e outros, relativos ao período de 05/2000 em diante. 16 Ora, qualquer primeiro analista de contabilidade sabe o que são os livros fiscais e documentos que embasam sua escrituração. Se a douta representante da contribuinte ignora que documentos fiscais e contábeis solicitados se referem aos documentos que corroboram os valores apresentados nas declarações fiscais e são a base da escrituração contábil da empresa, isso não lhe dá o direito de denegrir injustamente o trabalho efetuado pela Fiscalização. 17 Desse modo, se os documentos apresentados não comprovaram o que informou a empresa nas declarações fiscais ou pior, se nem ao menos logrou apresentálos quando intimada em 02/05/2005, não lhe cabe razão nesse ponto. 18 Embora esperneie contra o trabalho fiscal, mesmo quando da apresentação da peça impugnatória, a empresa apresenta como comprovação dos pagamentos efetuados, algumas listagens e planilhas (fls. 222 a 237) em cópias simples, onde não consta nenhuma assinatura de responsáveis pelas informações, nem qualquer comprovação documental dos dados apresentados. Entende a impugnante que o simples fato de apresentar qualquer listagem e cópias publicadas de seus balanços constitui prova suficiente para embasar suas afirmações. 19 Protesta pela apresentação posterior de documentos e requer perícia contábil a ser efetuada, pois alega que a maior parte dos juros sobre capital próprio foi pago a residentes no exterior ou a contribuintes isentos ou imunes, mas não junta qualquer comprovante de recolhimento de IRRF relativo às remessas ao exterior, nem documentação relativa aos supostos contribuintes isentos, a não ser a já citadas planilhas que, repitase, não tem qualquer identificação do autor ou responsável pela sua confecção. 20 Além disso, por ter sido o presente processo baixado em diligência, novamente foram solicitados os livros fiscais e documentos que embasaram todas as operações relativas ao Auto de Infração lavrado (fls. 319). 21 Desse modo, afastase definitivamente a pretensão da empresa à nulidade do processo. Dessa forma, verificase que, assegurouse à Recorrente o devido processo legal, o contraditório e a ampla defesa, mediante as intimações para comprovar os efetivos pagamentos de JCP e respectivos recolhimentos de IRRF. Não há, portanto, fundamento para a alegação de que não teriam sido requisitados os referidos documentos essenciais para os procedimentos de fiscalização. Fl. 1350DF CARF MF Processo nº 19515.003489/200512 Acórdão n.º 1302002.337 S1C3T2 Fl. 13 12 Por todo o exposto, voto no sentido de rejeitar tal preliminar. JCP. Dedução. IRRF. Compensação O Acórdão recorrido destacou a pesquisa realizada pela Fiscalização nos sistemas da Receita Federal, registrandose que, a Recorrente não efetuou recolhimento de IRRF, (cód. 5706) em 2000, relativos aos alegados pagamentos de juros sobre capital próprio, nem mesmo IRRF (cód. 9453 e 9953) sobre juros sobre capital próprio de residentes no exterior. Salientou que, nos procedimentos de fiscalização, quanto ao processo de compensação pretendido pela Recorrente, o AFRF apurou que, em realidade, a empresa estava em débito com o Fisco. Propôsse, assim, lançamento suplementar (fls. 215 a 217). A explicação da Recorrente sobre os valores de JCP que teriam sido pagos a residentes no exterior, também não foi acolhida. Verificouse que não houve comprovação de recolhimento de IRRF, sobre tais pagamentos. Destacouse que, embora não fossem constar na DIRF, essas remessas não são isentas de IRRF. Registrouse que, não obstante o fato de a Recorrente ter declarado em DIRF, pagamento de R$16.327.567,32 a titulo de JCP, com IRRF de R$2.433.513,99, na DCTF do mesmo período declarou o valor de R$ 4.733.340,17, como IRRF sobre JCP, cujo valor compensou com saldo negativo de período anterior. No entanto, a Fiscalização certificouse que não houve recolhimento algum, a esse título. Com relação ao IRRF (R$9.886.664,01) relativos aos juros sobre capital próprio que teriam sido retidos pela empresa Telesp Celular S/A (sucedida pela Recorrente), a Telesp Celular S/A declarou, no entanto, em DCTF relativa ao período, o valor de R$ 7.655.044,99 de IRRF. Posteriormente retificou esse valor para R$9.886.664,01 em 11/01/2006, e informou que compensou o valor a ser pago, com pagamentos indevidos ou a maior. O Acórdão recorrido registrou, ainda, que a Telesp Celular S/A retificou também a DIRF 2001 em 09/01/2006, para que constasse o valor pago como JCP, o valor de R$65.777.760,04, com retenção de R$9.866.664,01. Todavia, não apresentou documentação comprobatória com relação a essas operações, durante a diligência fiscal. A Recorrente foi intimada a esclarecer o não recolhimento de IRRF relativo ao valor dos juros pagos aos acionistas, declarados na linha 35, ficha 06A, como R$60.907.728,63. Em resposta, apresentou demonstrativo à Fiscalização, reproduzido no Termo de Verificação Fiscal (fl.85) onde utiliza o valor de R$ 9.866.664,01, acima descrito, para compensar com o IRRF devido, gerando valor que, somados à supostas compensações de período anterior, resultou no valor de R$ R$ 4.979.853,08 de créditos compensáveis em favor da contribuinte, utilizado pela empresa na alínea 13 ficha 12A, na DIPJ/2001. Posteriormente, em 12/12/2006, a própria Recorrente desclassificou esse demonstrativo, dizendoo sem nenhum valor oficial (fls. 414) e evidenciando que prestou informações errôneas ao Fisco Federal durante o procedimento fiscal. Conforme assinalado no Acórdão recorrido, em virtude das informações contraditórias, o processo foi baixado em diligência e o respectivo Relatório Fiscal (fls. 379/382) concluiu por manter o lançamento fiscal conforme já havia sido consignado no Auto de Infração. O AFRF fundamentou tal conclusão no fato de que a empresa não comprovou, por Fl. 1351DF CARF MF Processo nº 19515.003489/200512 Acórdão n.º 1302002.337 S1C3T2 Fl. 14 13 meio de documentos hábeis e idôneos suas alegações, limitandose aos relatórios e planilhas elaborados por ela própria que não demonstraram suficientemente suas pretensões. Destacouse, também, que a empresa, embora tenha apresentado longa manifestação a respeito da diligência fiscal (fls.369 a 376), não apresentou qualquer documento, limitandose a citar os documentos que já havia apresentado na impugnação. Frisouse que, toda a fundamentação baseouse em documentos e informações em planilhas e declarações de instituições que teriam participado da distribuição de resultados da Recorrente, como as cópias de informações prestadas pelo BES Securities, CBLC e Banco Real (fls.325 a 328). Na forma demonstrada no Acórdão recorrido, a documentação apresentada pelas instituições financeiras não foi suficiente para comprovar as alegações da Recorrente, pois o extrato do Banco Real, conforme atestado pela diligência fiscal, não identifica os beneficiários, contendo apenas informação genérica. A informação prestada pelo BES Securities também informa valor diferente das remessas efetuadas a Portugal Telecom e o declarado da DIPJ /2001, ficha 42A, mesmo que se considere a incorporação da Inbrug pela Portugal Telecom. Temse, ainda, o DOCeletrônico constante às fls. 332 a 334, que, como destacou a diligência, também informa valor diverso pago a Portugal Telecom. De acordo com o Relatório Fiscal, embora intimada, a empresa não pode esclarecer essa diferença na contabilidade. Ressaltouse que a própria empresa tem consciência da falta de informações uniformes pois em correspondência datada de 04/12/2006 (fls. 226 a 227), declarou que deviam ser desconsideradas as informações prestadas durante o procedimento fiscal, relativas às planilhas apresentadas, reconhecendo, por via indireta, que prestou informações errôneas ao Fisco Federal. Atentese ainda que essa "descoberta" só foi feita cinco meses depois do lançamento fiscal, quando ficou evidenciado que em face de informações contraditórias sobre um mesmo fato, necessariamente algumas delas têm que estar incorretas. Mais ainda, a alegação que a informação foi prestada em 29/11 quando o ano fiscal ainda estava em curso e, por esse motivo, foi produzido para planejamento do caixa e não continham informações definitivas. Nesse sentido, registrouse que não havia como ser acolhida. O AFRF frisou que os procedimentos de fiscalização iniciaramse em, em 02/05/2005 (fl. 05). Requisitaramse informações relativas aos fatos ocorridos durante o ano calendário de 2001, cuja DIPJ foi apresentada em 2002. Nesse ponto, chamou a atenção para o fato de que, o ano fiscal que estava em curso durante o procedimento fiscal era de 2005, que não tinha relação com os fatos ocorridos em 2000 e 2001 e, portanto, não havia razão para a apresentação das informações incorretas. Considerou como comprovada a inexistência de escrituração correta por parte da empresa. Nesse ponto, na forma inicialmente analisada, não obstante os recentes pedidos da Recorrente, quanto à necessidade de se requisitar o CDRom contendo arquivos com informações analíticas, sobre as pessoas beneficiárias dos valores pagos pela empresa a título de JCP, é importante frisar que tais pontos em questão exigem cumprimento de obrigações legais, as quais não poderiam ser supridas, com base em tal conteúdo do CDRom. Fl. 1352DF CARF MF Processo nº 19515.003489/200512 Acórdão n.º 1302002.337 S1C3T2 Fl. 15 14 Assim, concluise que, a falta de comprovação dos respectivos recolhimentos de IR Fonte, relativo aos alegados pagamentos de JCP, em valores compatíveis com as informações indicadas em planilhas confeccionadas pela Recorrente; bem assim, a falta de compensação válida para a extinção do referido crédito tributário, foi determinante para a manutenção da autuação, em relação à qual não encontro fundamento para reforma. Mantenho, portanto, o acórdão recorrido, por seus próprios fundamentos. Alegação de Julgamentos Divergentes Quanto à alegada "incoerência" da Receita Federal em julgar de maneira diferente os diferentes processos administrativos em que a empresa é parte interessada, a DRJ também concluiu que não assistiria razão à contribuinte. Ressaltou que, no referido processo administrativo n° 11610.001400/200321 não houve reconhecimento de crédito algum em favor da Recorrente. Nem mesmo a quantia de R$ 16.327.567,32 registrada em DIPJ, foi reconhecida. Não houve homologação da compensação pleiteada (fls. 215 a 217). Essa conclusão fundamentouse no resultado de diligências, cujas constatações foram analisadas no Acórdão recorrido, conforme a seguir transcrito: 39 Do trabalho fiscal resultante, a Fiscalização apurou que nem mesmo o valor R$ 16.327.567,32 deveria ser aceito, pois embora tenha declarado em DIRF, a empresa não conseguiu apresentar comprovação documental da informação prestada. 40 Por outro lado, o processo administrativo n° 19515.001361/200603, referese ao não recolhimento de IRRF nas remessas ao exterior que foram consideradas pagamentos sem causa, ou seja, pagamentos a terceiros, sócios acionistas ou titular, contabilizados ou não quando não for comprovada a operação e a causa. 41 Ora, pagamentos sem causa não podem se inserir dentro do JCP, pois, segundo a fiscalização não foi comprovada a causa da operação, ou seja, o envio existiu conforme a documentação apresentada pelas instituições financeiras, embora em valor diverso do declarado pela contribuinte na DIPJ, mas a empresa não logrou comprovar que a remessa foi motivada por remessa de juros sobre capital próprio, sendo coerente a glosa integral do valor declarado como JCP. 42 Observese ainda que se está tratando aqui apenas de dois valores que constam nos documentos apresentados pela contribuinte: R$ 16.327.567,32 declarados em DIRF embora sem comprovação e R$11.584.976,25 que seriam as remessas ao exterior identificadas. Quanto ao restante dos R$60.907.728,63 declarados como JPC, a empresa não foi capaz de apresentar documentação comprobatória nem no presente processo, nem no processo administrativo n° 11610.001400/200321. 43 Relativamente às compensações efetuadas tanto pela Telesp Celular Participações como pela Telesp Celular S/A, observase o seguinte: 43.1 A empresa Telesp Celular S/A declarou, em DIRF de retificação, entregue em 09/01/2006, ter pago à empresa Telesp Celular Participações S/A, atual Vivo Participações S/A (Recorrente), o valor de R$65.777.760,04, retendo R$9.866.664,01 de IRRF. Esse último valor não foi Fl. 1353DF CARF MF Processo nº 19515.003489/200512 Acórdão n.º 1302002.337 S1C3T2 Fl. 16 15 recolhido pois foi compensado com o saldo negativo de IRPJ referente ao ano calendário de 1999. A própria empresa confessa não ter declarado essa compensação na DCTF do período (fls. 315 a 316). 43.2 Ocorre que, tratandose de saldo negativo de IRPJ do ano calendário de 1999, a empresa deveria ter entrado com pedido de restituição e pedido de compensação para compensar o IRRF com o IRPJ, além de, obrigatoriamente, declarar esta compensação em DCTF, pois são tributos distintos de períodos de apuração distintos. Não procedendo desta maneira, nada foi compensado, pois, para a Receita Federal, a contribuinte não manifestou o desejo de compensação nem confessou o débito a ser compensado. Nunca é demais lembrar que tanto o Pedido de Compensação, mais tarde convertido em Declaração de Compensação, quanto a DCTF constituem confissão de dívida dos débitos e cuja apresentação ao Fisco Federal é imprescindível para que a compensação seja considerada. 43.3 Já as compensações efetuadas pela Vivo Participações S/A também foram desconsideradas pela fiscalização, pois os únicos documentos apresentados foram planilhas (fls. 302 a 304) onde não estão identificados, como já dito anteriormente sequer o autor e o responsável pela prestação das informações. Durante a diligência, conforme o Relatório Fiscal, a empresa não trouxe a luz qualquer documentação contábil e fiscal que embasasse essas operações (fls. 353).Também não apresentou essas compensações em DCTF e na impugnação ainda minimizou a importância da apresentação correta desse documento fiscal. 44 Por conseguinte, tornase impossível levar em conta os argumentos apresentados pela empresa, pois não há qualquer elemento nos autos que possa embasar seus argumentos. 45 Lembrase também à empresa que a mera publicação de deliberação de Assembléia Geral no Diário Oficial do Estado de São Paulo só faz prova do valor efetivamente distribuído aos sócios, acionistas e dirigentes, relativo ao JPC, quando lastreados por documentação idônea e probante. 46 Por oportuno, transcrevese abaixo lapidar acórdão do 1º Conselho de Contribuintes a respeito do assunto: ÔNUS DA PROVA Na relação jurídicotributária o ônus probandi incumbit ei qui dicit. Inicialmente cabe ao Fisco investigar, diligenciar, demonstrar e provar a ocorrência, ou não, do fato jurídico tributário, no sentido de realizar o devido processo, a verdade material, o contraditório e a ampla defesa. Ao sujeito passivo, entretanto, compete, igualmente, apresentar os elementos que provam o direito alegado, bem assim elidir a imputação da irregularidade apontada. " (Acórdão n° 10320481, 1º C.C.) 47 À vista do exposto, considerandose a velha máxima de que "allegatio sine probatione veluti campana sine pistillo est" Alegação sem prova é como sino sem badalo dado que as supostas provas que a impugnante entendeu apresentar, demonstraramse insuficientes, não há como aceitar as alegações da empresa. Assim, verificase que as constatações que levaram às conclusões contrárias às alegações da Recorrente e resultaram na autuação e nas exigências fiscais em questão, não puderam ser afastadas, até o encerramento dos procedimentos fiscais, conforme demonstrado no Acórdão recorrido. Fl. 1354DF CARF MF Processo nº 19515.003489/200512 Acórdão n.º 1302002.337 S1C3T2 Fl. 17 16 Por todo o exposto, voto no sentido de negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Rogério Aparecido Gil Fl. 1355DF CARF MF
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Numero do processo: 19647.010753/2006-50
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Jun 28 00:00:00 UTC 2011
Ementa: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO
Ano-calendário:2003
RESTITUIÇÃO. COMPENSAÇÃO. ADMISSIBILIDADE.
Somente são dedutíveis da CSLL apurada no ajuste anual as estimativas pagas em conformidade com a lei. O pagamento a maior de estimativa caracteriza indébito na data de seu recolhimento e, com o acréscimo de juros à taxa SELIC, acumulados a partir do mês subseqüente ao do recolhimento indevido, pode ser compensado, mediante apresentação de DCOMP. Eficácia retroativa da Instrução Normativa RFB nº. 900/2008.
RECONHECIMENTO DO DIREITO CREDITÓRIO. ANÁLISE INTERROMPIDA.
Inexiste reconhecimento implícito de direito creditório quando a apreciação da restituição/compensação restringe-se a aspectos como a possibilidade do pedido. A homologação da compensação ou deferimento do pedido de restituição, uma vez superada esta questão, depende da análise da existência, suficiência e disponibilidade do crédito pela autoridade administrativa que
jurisdiciona a contribuinte.
Numero da decisão: 1801-00.600
Decisão: Acordam, os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso voluntário, determinando o retorno dos autos à unidade de jurisdição da recorrente para se pronunciar sobre os valores dos créditos pleiteados nas Declarações de Compensação, nos termos do voto da relatora.
Nome do relator: Maria de Lourdes Ramirez
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COMPENSAÇÃO. ADMISSIBILIDADE. Somente são dedutíveis da CSLL apurada no ajuste anual as estimativas pagas em conformidade com a lei. O pagamento a maior de estimativa caracteriza indébito na data de seu recolhimento e, com o acréscimo de juros à taxa SELIC, acumulados a partir do mês subseqüente ao do recolhimento indevido, pode ser compensado, mediante apresentação de DCOMP. Eficácia retroativa da Instrução Normativa RFB nº. 900/2008. RECONHECIMENTO DO DIREITO CREDITÓRIO. ANÁLISE INTERROMPIDA. Inexiste reconhecimento implícito de direito creditório quando a apreciação da restituição/compensação restringese a aspectos como a possibilidade do pedido. A homologação da compensação ou deferimento do pedido de restituição, uma vez superada esta questão, depende da análise da existência, suficiência e disponibilidade do crédito pela autoridade administrativa que jurisdiciona a contribuinte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam, os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso voluntário, determinando o retorno dos autos à unidade de jurisdição da recorrente para se pronunciar sobre os valores dos créditos pleiteados nas Declarações de Compensação, nos termos do voto da relatora. (assinado digitalmente) Fl. 136DF CARF MF Emitido em 06/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 04/07/2011 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ Assinado digitalmente em 04/07/2011 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, 05/07/2011 por ANA DE BARROS FERNA NDES 2 ______________________________________ Ana de Barros Fernandes – Presidente (assinado digitalmente) ______________________________________ Maria de Lourdes Ramirez – Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Carmen Ferreira Saraiva, Guilherme Pollastri Gomes da Silva, Maria de Lourdes Ramirez, Magda Azario Kanaan Polanczyk, Marcos Vinicius Barros Ottoni e Ana de Barros Fernandes. Relatório Trata o presente processo de Declaração de Compensação (fls. 02/06), transmitida eletronicamente em 16/01/2004, pela qual pretende a interessada a compensação de débito de estimativa de CSLL apurada em maio de 2003, com direito creditório oriundo de pagamento indevido ou a maior de estimativa de CSLL apurada no mês de março de 2003 (recolhimento em abril/2003), no valor de R$ 14.106,31. Analisando o pleito a DRF em Recife/PE, após diligências realizadas, concluiu pela inexistência do crédito apontado, razão pela qual pelo Despacho Decisório de fl. 11 não reconheceu o direito creditório e não homologou as compensações, ao fundamento de que, de acordo com o disposto no artigo 10 da IN SRF n°. 600, de 2005, a pessoa jurídica somente poderia utilizar o valor pago indevidamente ou a maior a título de estimativa mensal, ao final do período de apuração em que houve o referido pagamento, para dedução do valor da CSLL devida ou para compor o saldo negativo porventura apurado. A empresa TIM Nordeste S/A, CNPJ n° 01.009.686/000144, sucessora da Telern Celular S/A, apresentou manifestação de inconformidade alegando, em síntese: a) que o art. 10 da Instrução Normativa SRF n° 600, de 2005, não tem amparo legal, já que a Lei n° 9.430, de 27 de dezembro de 1996, não prevê a restrição nele estabelecida e adotada na decisão da DRF/Recife e que quando da realização das compensações ainda não existia a regra do art. 10 da Instrução Normativa SRF n° 600, de 2005; b) se não fosse realizada a compensação da CSLL recolhida a maior haveria saldo negativo ao final do ano. Terseia, então, no máximo um problema de inobservância de exercício, vez que o saldo negativo seria passível de compensação a partir do final do ano de 2003; c) a Secretaria da Receita Federal aceita a compensação de IRPJ/CSLL recolhido indevidamente ou a maior nos meses posteriores; d) se não fosse realizada a compensação da CSLL de março de 2003 recolhida a maior, haveria saldo negativo ao final do ano; Fl. 137DF CARF MF Emitido em 06/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 04/07/2011 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ Assinado digitalmente em 04/07/2011 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, 05/07/2011 por ANA DE BARROS FERNA NDES Processo nº 19647.010753/200650 Acórdão n.º 180100.600 S1TE01 Fl. 116 3 e) que o despacho decisório decorre da revisão de oficio havida nos autos do processo n° 19647.009690/200699 e que dessa revisão teria decorrido aumento do crédito tributário original, em afronta aos arts. 145 a 149 da Lei n° 5.172, de 25 de outubro de 1966, Código Tributário Nacional (CTN). Apreciando o litígio a 4a. Turma da DRJ em Recife/PE, por meio do Acórdão 1126.775 (fls. 65/71) indeferiu a manifestação de inconformidade. Aquela autoridade observou, inicialmente, que não haveria previsão legal para compensação de recolhimentos mensais por estimativa e que de acordo com os artigos 222, 223 e 228 a 230 do RIR/99, o lucro real deve ser apurado trimestralmente havendo possibilidade de sua apuração anual, desde que hajam os recolhimentos antecipados. Nesta ultima modalidade haveria possibilidade de levantamentos de balanços/balancetes intermediários para reduzir ou suspender os recolhimentos antecipados, mas não haveria nenhuma previsão de sua compensação. Dessa forma o art. 10 da IN SRF n°. 600, de 2005, não teria introduzido critério novo, pois a própria Lei no. 9.430, de 1996, não teria previsto a possibilidade de compensação de estimativas de IRPJ ou de CSLL recolhidas em um mês com valores devidos em meses subseqüentes, cabendo ao contribuinte, apenas, a possibilidade de ajuste ao final do período de apuração e a posterior utilização em compensações futuras do saldo negativo porventura apurado. Enfatizou que os autos de infração constantes do processo n° 19647.009690/200699 em nada influenciaram nestes autos e que as alegações de defesa contra a revisão de ofício lá praticada não seriam apreciadas por impertinentes. Rejeitou o pedido de sobrestamento do feito. Intimada da decisão a interessada apresentou, em 21/09/2009, o Recurso Voluntário de fls. 76 a 93. Em suas razões de defesa informa, inicialmente, que o presente processo seria decorrente de revisão de ofício em lançamento efetuado no âmbito dos autos n° 19647.009690/200699, especificamente em itens que trataram de (i) deduções indevidas no ajuste anual de antecipações de IRPJ e de CSLL não comprovadas e (ii) imposição de multa isolada por falta de pagamento de IRPJ e de CSLL devidos por estimativa mensal, revisão essa que não teria sido devidamente fundamentada, o que impedia a adequada defesa. Assim, teria sido intimada, em março de 2007, de um Relatório de Informação Fiscal, datado de 13.12.2006, no qual os fiscais responsáveis pela revisão de ofício informaram que tomaram conhecimento de uma solução de consulta interna da Receita Federal (de n° 18/06), a qual previa metodologia de cálculo diferente da que havia sido adotada por eles quando da fiscalização, razão pela qual alguns valores teriam sido excluídos do processo n° 19647.009690/200699, e passaram a ser tratados em processos específicos, dentre os quais o presente processo de compensação. Reafirma que a premissa adotada pela autoridade julgadora da DRJ implicaria na apuração de saldo negativo de CSLL em 2003, passível de compensação e que a previsão contida no artigo 10 da IN SRF n°. 600, de 2005, não teria amparo legal. Todas as vedações atinentes à compensação teriam sido expressamente previstas no artigo 74 da Lei n°. 9.430, de 1996, assim como as compensações consideradas não declaradas, não se Fl. 138DF CARF MF Emitido em 06/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 04/07/2011 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ Assinado digitalmente em 04/07/2011 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, 05/07/2011 por ANA DE BARROS FERNA NDES 4 encontrando, em nenhuma delas, a referência ao recolhimento indevido ou a maior a título de estimativas mensais e que o disciplinamento do instituto pela Receita Federal não poderia levar ao estabelecimento de novas vedações não previstas na Lei. Observou que os comandos normativos citados pela autoridade julgadora da DRJ que tratariam da referida vedação em verdade cuidariam da forma de pagamento do imposto calculado por estimativa e não de compensação, o que foi disciplinado unicamente pelo artigo 74 da Lei n°. 9.430, de 1996. Assim, o procedimento adotado guardaria consonância também com o quanto disciplinado pelo § 1°, II, do artigo 6° da Lei n° 9.430/96, na medida em que teria havido o recolhimento a maior de CSLL em abril de 2003, portanto, passível de restituição, e que foi compensado com débitos de tributos federais de períodos posteriores. Reafirmou que ainda que se considere a sua legalidade, à época da formalização das compensações declaradas não vigoravam as disposições do artigo 10 da IN SRF n° 600, de 2005, vigendo, à época, a IN SRF n°. 210, de 2002, que não trazia tal vedação em seu bojo. A DRJ teria, assim, aplicado retroativamente dispositivo normativo a fim de restringir seu direito, violando disposições legais e constitucionais, pois tal comando não teria o escopo de dar interpretação mas unicamente de inserir novas regras restritivas ao sistema de compensação. Reproduz as alegações de que a RFB aceitaria a compensação de indébitos de IRPJ e de CSLL, de que haveria apuração de saldo negativo caso não seja realizada a compensação pleiteada, de vinculação destes autos ao processo de n° 19647.009690/200699 e de indevida revisão de ofício no lançamento perpetrado naqueles autos. Ao final pede pela reforma daquele decisum. É o relatório. Voto Conselheira Maria de Lourdes Ramirez, Relatora. O Recurso é tempestivo e dotado dos pressupostos para sua admissibilidade, pelo que dele tomo conhecimento. Preliminar. LIMITES DO LITÍGIO. Delimitandose o presente litígio cumpre consignar que a DRJ em Recife/PE esclareceu que o presente processo, que trata de Declarações de Compensação, não decorre dos autos do processo administrativo n° 19647.009690/200699. Ademais, enquanto o processo de Fl. 139DF CARF MF Emitido em 06/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 04/07/2011 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ Assinado digitalmente em 04/07/2011 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, 05/07/2011 por ANA DE BARROS FERNA NDES Processo nº 19647.010753/200650 Acórdão n.º 180100.600 S1TE01 Fl. 117 5 n° 19647.009690/200699 trata de lançamento de ofício decorrente de procedimento de fiscalização direta, estes autos tratam de declarações de compensação transmitidas eletronicamente e que foram baixadas para tratamento manual neste processo e o único fundamento alegado pela DRF para indeferir o pedido de homologação foi a inexistência de crédito do contribuinte que pudesse ser utilizado para compensar com débitos próprios, pois, conforme preceitua o artigo 10 da IN SRF n° 600/05, eventual valor pago a maior a título de estimativa mensal somente poderia vir a ser utilizado ao final do período de apuração, para dedução do valor do imposto afinal devido ou para compor o saldo negativo de CSLL do período. Portanto, as argüições contra a revisão de ofício praticada no âmbito do processo administrativo n° 19647.009690/200699, que trata de lançamento de ofício para exigência de crédito tributário são alheias ao presente feito e devem ser tratadas unicamente no âmbito daqueles autos, razão pela qual deixo de tomar conhecimento de tais alegações. Mérito A questão que se coloca para análise nestes autos se refere à possibilidade de haver recolhimento indevido ou a maior no cálculo e pagamento de estimativas mensais no curso do anocalendário e, havendo tal possibilidade, se isto geraria um indébito a favor do contribuinte passível de restituição e compensação. Nesse sentido registro que a questão é tormentosa e não se encontra pacificada neste Órgão Colegiado. Muito longe disso, há divergências inúmeras acerca da questão. Há aqueles que comungam do entendimento esposado pelas autoridades administrativas da DRF e DRJ, consignado nas decisões proferidas nestes autos, no sentido de que para as pessoas jurídicas tributadas com base nas regras do lucro real, o crédito ou o débito decorrente do confronto do pagamento das estimativas, de que trata o artigo 2° da Lei n° 9.430, de 1996, com o valor devido a título de IRPJ e CSLL, só seria apurado em 31 de dezembro de cada anocalendário. Antes do encerramento do anocalendário não haveria, pois, que se falar em tributo a restituir, já que até o último momento poderiam ocorrer eventos que viriam a alterar o quantum devido a título de IRPJ e CSLL. Assim, partindo da premissa de que o fato gerador do imposto de renda e da contribuição social para as pessoas jurídicas tributadas com base no lucro real somente se concretizaria no final de cada anocalendário, seria a partir deste evento que se encontraria o saldo do imposto a pagar ou a recuperar, nos termos do artigo 6º, § 1°, I e II, da Lei nº. 9.430, de 1996: Art. 6° .... § 1º O saldo do imposto apurado em 31 de dezembro será: I pago em quota única, até o último dia útil do mês de março do ano subseqüente, se positivo, observado o disposto no § 2º; II compensado com o imposto a ser pago a partir do mês de abril do ano subseqüente, se negativo, assegurada a alternativa de requerer, após a entrega da declaração de rendimentos, a restituição do montante pago a maior. Fl. 140DF CARF MF Emitido em 06/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 04/07/2011 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ Assinado digitalmente em 04/07/2011 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, 05/07/2011 por ANA DE BARROS FERNA NDES 6 Por conta dessa interpretação não haveria que se falar em fluência de juros a partir do recolhimento indevido da estimativa, mas, somente a partir do mês subseqüente do anocalendário seguinte, dado que a geração do indébito somente ocorreria em 31/12 de cada ano, com o surgimento do saldo negativo de IRPJ ou de CSLL. A interpretação é válida e encontra robustos fundamentos. Ao afastar entendimentos contrários no sentido de que o artigo 74 da Lei n°. 9.430, de 1996, que regula a compensação, ao se referir as vedações, não dispôs expressamente acerca de qualquer restrição à compensação de estimativas pagas a maior ou indevidamente, essa corrente teoriza o entendimento de que não haveria necessidade de se inserir dispositivo específico nesse sentido, pois se estaria a registrar o óbvio já previsto na própria legislação que regulamenta a apuração e o pagamento de estimativas mensais. Nesse contexto, em relação às críticas quanto às restrições contidas em atos normativos infralegais, como por exemplo, o discutido artigo 10 da IN SRF n°. 600, de 2005 (também previsto na IN SRF n° 460, de 2004), destacam que tais normas administrativas não se prestariam a criar, modificar ou extinguir direitos, mas sim disciplinar ou regulamentar o exercício de prerrogativas previstas em Lei, esta em sentido formal. Seria possível, assim, fazer referência a um ato administrativo subseqüente em relação à situação pretérita, desde que a situação fosse prevista em lei. Surgem, contudo, interpretações em outros sentidos, também apoiadas em fortes e sólidos argumentos. Depois de refletir sobre o assunto e sobre os posicionamentos doutrinários estudados, passo a fazer minhas considerações. Nesse sentido peço permissão para reproduzir as palavras da Ilustre Conselheira Edeli Pereira Bessa, proferidas em recentes julgados nesta 1a. Seção de Julgamento do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, que há muito tempo vem estudando o tema com profundidade. Ressalta, assim, a Conselheira, que é certo que a legislação consolidada no Regulamento do Imposto de Renda – RIR/99 (art. 895) autoriza a Receita Federal a expedir instruções necessárias à efetivação de compensação pelos contribuintes. No mesmo sentido veio também redigido o §5o incluído no art. 74 da Lei nº. 9.430/96, pela Medida Provisória nº. 66/2002, atualmente transportado para o § 14 desde a edição da Lei nº. 11.051/2004: Art. 74. O sujeito passivo que apurar crédito, inclusive os judiciais com trânsito em julgado, relativo a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados por aquele Órgão.(Redação dada pela Lei nº 10.637, de 2002) [...] § 14. A Secretaria da Receita Federal SRF disciplinará o disposto neste artigo, inclusive quanto à fixação de critérios de prioridade para apreciação de processos de restituição, de ressarcimento e de compensação. (Incluído pela Lei nº. 11.051, de 2004) E este poder normativo pode se materializar tanto no âmbito da definição de procedimentos operacionais, como na fixação de restrições materiais já presentes na lei que estabelece a incidência tributária ou concede benefícios fiscais. Contudo, ao operar sob este segundo direcionamento, temse a dita eficácia retroativa da norma interpretativa, que se verifica ainda que a Administração Tributária assim não a declare expressamente. Fl. 141DF CARF MF Emitido em 06/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 04/07/2011 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ Assinado digitalmente em 04/07/2011 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, 05/07/2011 por ANA DE BARROS FERNA NDES Processo nº 19647.010753/200650 Acórdão n.º 180100.600 S1TE01 Fl. 118 7 Relativamente aos indébitos de estimativas, não há como tratar a restrição inserta a partir da Instrução Normativa SRF nº. 460/2004 como procedimental. Não se vislumbra espaço para a Administração Tributária definir, para além das normas que estabelecem a incidência do IRPJ ou da CSLL, em qual momento é possível pleitear a restituição ou compensar um recolhimento indevido decorrente de erro na determinação ou recolhimento de estimativas. Poderia se cogitar de tal possibilidade em razão destes recolhimentos não se constituírem, propriamente, em pagamentos, na medida em que não extinguem uma obrigação tributária principal, aproximandose, mais, de obrigações acessórias impostas aos contribuintes que optam pela apuração anual do lucro real e da base de cálculo da CSLL, para não se sujeitar à regra geral de apuração trimestral destas bases de cálculo. Esta interpretação, porém, exigiria que a Administração Tributária se posicionasse contrariamente à formação de indébitos de estimativas a qualquer tempo, e não apenas na vigência das Instruções Normativas que veicularam a dita proibição. Neste aspecto, relevante notar que durante a vigência das Instruções Normativas SRF nº. 460/2004 e 600/2005, ou seja, no período de 29/10/2004 a 30/12/2008 (até ser publicada a Instrução Normativa RFB nº. 900/2008), a Receita Federal buscou coibir a utilização imediata de indébitos provenientes de estimativas recolhidas a maior, assim dispondo: Instrução Normativa SRF nº. 460, de 18 de outubro de 2004 Art. 10. A pessoa jurídica tributada pelo lucro real, presumido ou arbitrado que sofrer retenção indevida ou a maior de imposto de renda ou de CSLL sobre rendimentos que integram a base de cálculo do imposto ou da contribuição, bem assim a pessoa jurídica tributada pelo lucro real anual que efetuar pagamento indevido ou a maior de imposto de renda ou de CSLL a título de estimativa mensal, somente poderá utilizar o valor pago ou retido na dedução do IRPJ ou da CSLL devida ao final do período de apuração em que houve a retenção ou pagamento indevido ou para compor o saldo negativo de IRPJ ou de CSLL do período. Instrução Normativa SRF nº. 600, de 28 de dezembro de 2005 Art. 10. A pessoa jurídica tributada pelo lucro real, presumido ou arbitrado que sofrer retenção indevida ou a maior de imposto de renda ou de CSLL sobre rendimentos que integram a base de cálculo do imposto ou da contribuição, bem assim a pessoa jurídica tributada pelo lucro real anual que efetuar pagamento indevido ou a maior de imposto de renda ou de CSLL a título de estimativa mensal, somente poderá utilizar o valor pago ou retido na dedução do IRPJ ou da CSLL devida ao final do período de apuração em que houve a retenção ou pagamento indevido ou para compor o saldo negativo de IRPJ ou de CSLL do período. Assim, as antecipações recolhidas deveriam ser, primeiro, confrontadas com o tributo determinado na apuração anual, e só então, se evidenciada a existência de saldo negativo, seria possível a utilização do indébito. E este crédito, na forma da interpretação Fl. 142DF CARF MF Emitido em 06/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 04/07/2011 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ Assinado digitalmente em 04/07/2011 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, 05/07/2011 por ANA DE BARROS FERNA NDES 8 veiculada no Ato Declaratório Normativo SRF nº. 03/2000, seria atualizado com juros à taxa SELIC a partir do mês subseqüente ao do encerramento do anocalendário: O SECRETÁRIO DA RECEITA FEDERAL, no uso de suas atribuições e tendo em vista o disposto no § 4º do art. 39 da Lei Nº. 9.250, de 26 de dezembro de 1995, nos arts. 1º e 6º da Lei Nº. 9.430, de 27 de dezembro de 1996, e no art. 73 da Lei Nº. 9.532, de 10 de dezembro de 1997, declara que os saldos negativos do Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica e da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido, apurados anualmente, poderão ser restituídos ou compensados com o imposto de renda ou a contribuição social sobre o lucro líquido devidos a partir do mês de janeiro do anocalendário subseqüente ao do encerramento do período de apuração, acrescidos de juros equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia Selic para títulos federais, acumulada mensalmente, calculados a partir do mês subseqüente ao do encerramento do período de apuração até o mês anterior ao da restituição ou compensação e de um por cento relativamente ao mês em que estiver sendo efetuada. EVERARDO MACIEL Entretanto, a própria Receita Federal mudou seu entendimento, ao suprimir parte da redação do dispositivo, quando da edição da IN RFB nº. 900, de 2009, como se verifica a seguir: Instrução Normativa RFB nº. 900, de 30 de dezembro de 2008 Art. 11. A pessoa jurídica tributada pelo lucro real, presumido ou arbitrado que sofrer retenção indevida ou a maior de imposto de renda ou de CSLL sobre rendimentos que integram a base de cálculo do imposto ou da contribuição somente poderá utilizar o valor retido na dedução do IRPJ ou da CSLL devida ao final do período de apuração em que houve a retenção ou para compor o saldo negativo de IRPJ ou de CSLL do período. Não é por demais relembrar que o artigo 74 da Lei nº. 9.430, de 1996, já previu, expressamente os casos em que é vedada a compensação: Art. 74. O sujeito passivo que apurar crédito, inclusive os judiciais com trânsito em julgado, relativo a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados por aquele Órgão. [...] § 3º Além das hipóteses previstas nas leis específicas de cada tributo ou contribuição, não poderão ser objeto de compensação mediante entrega, pelo sujeito passivo, da declaração referida no § 1º: I o saldo a restituir apurado na Declaração de Ajuste Anual do Imposto de Renda da Pessoa Física; II os débitos relativos a tributos e contribuições devidos no registro da Declaração de Importação. III os débitos relativos a tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal que já tenham sido encaminhados à ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional para inscrição em Dívida Ativa da União; Fl. 143DF CARF MF Emitido em 06/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 04/07/2011 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ Assinado digitalmente em 04/07/2011 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, 05/07/2011 por ANA DE BARROS FERNA NDES Processo nº 19647.010753/200650 Acórdão n.º 180100.600 S1TE01 Fl. 119 9 IV o débito consolidado em qualquer modalidade de parcelamento concedido pela Secretaria da Receita Federal SRF V o débito que já tenha sido objeto de compensação não homologada, ainda que a compensação se encontre pendente de decisão definitiva na esfera administrativa; e VI o valor objeto de pedido de restituição ou de ressarcimento já indeferido pela autoridade competente da Secretaria da Receita Federal SRF, ainda que o pedido se encontre pendente de decisão definitiva na esfera administrativa. É verdade que, pela Medida Provisória n° 449, de 3 de dezembro de 2008, se procurou acrescentar novas restrições à compensação, por meio da inserção dos incisos VII a IX, ao § 3° do artigo 74 da Lei n° 9.430, de 1996, dentre elas a compensação de indébitos de estimativas. Seria essa a redação: Art. 29. A Lei nº. 9.430, de 27 de dezembro de 1996, passa a vigorar com as seguintes alterações: "Artigo 74. (...).....(...) (...).(...) § 3º (...)....(...)....(...) (...) VII os débitos relativos a tributos e contribuições de valores originais inferiores a R$ 500,00 (quinhentos reais); VIII os débitos relativos ao recolhimento mensal obrigatório da pessoa física apurados na forma do art. 8º da Lei nº 7.713, de 1988; e IX os débitos relativos ao pagamento mensal por estimativa do Imposto sobre a Renda da Pessoa Jurídica IRPJ e da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido CSLL apurados na forma do art. 2º. (...) § 12. (...) (...) Entretanto, na conversão da referida MP 449, de 2008, na Lei no. 11.941, de 2009, não se manteve a alteração acima: Lei n°. 11.941, de 27 de maio de 2009 (fruto da conversão da MP 449/2008): Art. 30. A Lei nº. 9.430, de 27 de dezembro de 1996, passa a vigorar com as seguintes alterações: "Artigo 74. (...) Fl. 144DF CARF MF Emitido em 06/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 04/07/2011 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ Assinado digitalmente em 04/07/2011 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, 05/07/2011 por ANA DE BARROS FERNA NDES 10 (...) § 12. (...) (...) Portanto, não foi da vontade do legislador vedar a compensação de indébitos de estimativas de IRPJ e de CSLL. É verdade que há questões de ordem operacional que merecem a atenção da Administração Tributária, especialmente quanto a eventuais abusos na alegação de indébitos desta natureza, com vistas a antecipar a utilização de saldo negativo que somente se formaria ao final do anocalendário. Todavia, confrontando as disposições normativas e o conteúdo da Lei nº. 9.430/96, observase que a supressão da vedação veiculada com a Instrução Normativa RFB nº. 900/2008 melhor se adequou à sistemática de apuração anual do IRPJ e da CSLL. De outro giro é possível interpretar, também, que a Lei nº. 9.430/96, ao autorizar a dedução das antecipações recolhidas, admite somente aquelas recolhidas em conformidade com caput de seu art. 2o: Art.2º A pessoa jurídica sujeita a tributação com base no lucro real poderá optar pelo pagamento do imposto, em cada mês, determinado sobre base de cálculo estimada, mediante a aplicação, sobre a receita bruta auferida mensalmente, dos percentuais de que trata o art. 15 da Lei nº. 9.249, de 26 de dezembro de 1995, observado o disposto nos §§1º e 2º do art. 29 e nos arts. 30 a 32, 34 e 35 da Lei nº. 8.981, de 20 de janeiro de 1995, com as alterações da Lei nº. 9.065, de 20 de junho de 1995. §1o O imposto a ser pago mensalmente na forma deste artigo será determinado mediante a aplicação, sobre a base de cálculo, da alíquota de quinze por cento. §2o A parcela da base de cálculo, apurada mensalmente, que exceder a R$ 20.000,00 (vinte mil reais)ficará sujeita à incidência de adicional de imposto de renda à alíquota de dez por cento. §3o A pessoa jurídica que optar pelo pagamento do imposto na forma deste artigo deverá apurar o lucro real em 31 de dezembro de cada ano, exceto nas hipóteses de que tratam os §§1º e 2º do artigo anterior. §4º Para efeito de determinação do saldo de imposto a pagar ou a ser compensado, a pessoa jurídica poderá deduzir do imposto devido o valor: I dos incentivos fiscais de dedução do imposto, observados os limites e prazos fixados na legislação vigente, bem como o disposto no § 4º do art. 3º da Lei nº 9.249, de 26 de dezembro de 1995; II dos incentivos fiscais de redução e isenção do imposto, calculados com base no lucro da exploração; Fl. 145DF CARF MF Emitido em 06/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 04/07/2011 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ Assinado digitalmente em 04/07/2011 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, 05/07/2011 por ANA DE BARROS FERNA NDES Processo nº 19647.010753/200650 Acórdão n.º 180100.600 S1TE01 Fl. 120 11 III do imposto de renda pago ou retido na fonte, incidente sobre receitas computadas na determinação do lucro real; IV do imposto de renda pago na forma deste artigo. (destacouse) Diante deste contexto, temse que as estimativas recolhidas a maior não poderiam ser deduzidas na apuração anual do IRPJ ou da CSLL – já que o recolhimento efetuado a maior não observou o regramento acima, posto que feito a maior que o devido e o crédito daí decorrente, poderia ser utilizado em compensação, mediante apresentação de DCOMP, evidentemente sem a dedução das parcelas excedentes. Eventualmente o contribuinte pode, por facilidade operacional, computar estimativas recolhidas indevidamente na formação do saldo negativo, mas este procedimento em nada prejudica o Fisco, na medida em que desloca para momento futuro a data de formação do indébito e assim reduz os juros de mora sobre ele aplicáveis. Por outro lado, se o contribuinte erra ao calcular ou recolher a estimativa mensal, não se vislumbra, ante o contexto exposto, obstáculo legal ao pedido de restituição ou à compensação deste indébito antes de seu prévio cômputo na apuração ao final do ano calendário. Comprovado o erro e, por conseqüência, o indébito, o pedido de restituição ou a declaração de compensação já podem ser apresentados, incorrendo juros de mora contra a Fazenda a partir do mês subseqüente ao do pagamento a maior, na forma do art. 39, § 4o da Lei nº. 9.250/95 c/c art. 73 da Lei nº. 9.532/97. Em conseqüência, por ocasião do ajuste anual, o contribuinte deve confrontar, apenas, as estimativas que considerou devidas, sob pena de duplo aproveitamento do mesmo crédito. Ainda, interpretandose que somente as estimativas devidas na forma da Lei nº. 9.430/96 são passíveis de dedução na apuração anual do IRPJ ou da CSLL, concluise que, mesmo após o encerramento do anocalendário, se o contribuinte identificar um erro em sua apuração e ele repercutir não só em sua apuração final, mas também no resultado de seus balancetes de suspensão/redução, tem ele o direito de pleitear o indébito na data do recolhimento da estimativa correspondente, ao invés de apenas reconstituir a apuração anual do IRPJ ou da CSLL. Esta interpretação, frisese, tem por pressuposto a ocorrência de erro no cálculo ou no recolhimento da estimativa. Não está aqui abarcada a mudança de opção quanto à sistemática de cálculo das estimativas, formalizada definitivamente quando o contribuinte determina o valor inicialmente recolhido com base na receita bruta e acréscimos ou em balancetes de suspensão/redução. Logo, não é admissível que o contribuinte, após apurar e recolher estimativa com base em balancete de suspensão/redução, sem o prévio confronto com o valor devido com base na receita bruta e acréscimos, pretenda como indébito o excedente que se verificaria caso tivesse adotado esta segunda sistemática para cálculo da estimativa. Da mesma forma, não lhe cabe, após efetuar recolhimentos com base na receita bruta e acréscimos, apurar estimativas menores com base em balancetes de suspensão/redução, para pleitear a diferença como se indébitos fossem. A legislação tributária está erigida no sentido da definitividade daquela opção de cálculo ao exigir, por exemplo, que os balancetes de suspensão/redução estejam escriturados Fl. 146DF CARF MF Emitido em 06/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 04/07/2011 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ Assinado digitalmente em 04/07/2011 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, 05/07/2011 por ANA DE BARROS FERNA NDES 12 até a data fixada para o seu pagamento. O art. 35 da Lei nº. 8.981, de 1995, referenciado no art. 2o da Lei nº. 9.430, de 1996, assim dispõe acerca dos balanços ou balancetes de suspensão ou redução de estimativas: Art. 35. A pessoa jurídica poderá suspender ou reduzir o pagamento do imposto devido em cada mês, desde que demonstre, através de balanços ou balancetes mensais, que o valor acumulado já pago excede o valor do imposto, inclusive adicional, calculado com base no lucro real do período em curso. § 1º Os balanços ou balancetes de que trata este artigo: a) deverão ser levantados com observância das leis comerciais e fiscais e transcritos no livro Diário; b) somente produzirão efeitos para determinação da parcela do imposto de renda e da contribuição social sobre o lucro devidos no decorrer do anocalendário. § 2º O Poder Executivo poderá baixar instruções para a aplicação do disposto no parágrafo anterior. E, com maior detalhamento, a Instrução Normativa SRF nº. 51, de 31 de outubro de 1995, especificou a forma a ser observada no levantamento dos referidos balanços ou balancetes de suspensão ou redução: Art. 10. A pessoa jurídica poderá: I suspender o pagamento do imposto, desde que demonstre que o valor do imposto devido, calculado com base no lucro real do período em curso (art. 12), é igual ou inferior à soma do imposto de renda pago, correspondente aos meses do mesmo ano calendário, anteriores àquele a que se refere o balanço ou balancete levantado. II reduzir o valor do imposto ao montante correspondente à diferença positiva entre o imposto devido no período em curso, e a soma do imposto de renda pago, correspondente aos meses do mesmo anocalendário, anteriores àquele a que se refere o balanço ou balancete levantado. § 1º A diferença verificada, correspondente ao imposto de renda pago a maior, no período abrangido pelo balanço de suspensão, não poderá ser utilizada para reduzir o montante do imposto devido em meses subseqüentes do mesmo anocalendário, calculado com base nas regras previstas nos arts. 3º a 6º. § 2º Caso a pessoa jurídica pretenda suspender ou reduzir o valor do imposto devido, em qualquer outro mês do mesmo ano calendário, deverá levantar novo balanço ou balancete. [...] Art. 12. Para os efeitos do disposto no art. 10: [...] Fl. 147DF CARF MF Emitido em 06/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 04/07/2011 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ Assinado digitalmente em 04/07/2011 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, 05/07/2011 por ANA DE BARROS FERNA NDES Processo nº 19647.010753/200650 Acórdão n.º 180100.600 S1TE01 Fl. 121 13 § 1º O resultado do período em curso deverá ser ajustado por todas as adições determinadas e exclusões e compensações admitidas pela legislação do imposto de renda, observado o disposto nos arts. 25 a 27. § 2º O disposto no parágrafo anterior alcança, inclusive, o ajuste relativo ao diferimento do lucro inflacionário não realizado do período em curso, observados os critérios para sua realização. § 3º Para fins de determinação do resultado, a pessoa jurídica deverá promover, ao final de cada período de apuração, levantamento e avaliação de seus estoques, segundo a legislação específica, dispensada a escrituração do livro "Registro de Inventário". § 4º A pessoa jurídica que possuir registro permanente de estoques, integrado e coordenado com a contabilidade, somente estará obrigada a ajustar os saldos contábeis, pelo confronto com a contagem física, ao final do anocalendário ou do encerramento do período de apuração, nos casos de incorporação, fusão, cisão ou encerramento de atividade. § 5º O balanço ou balancete, para efeito de determinação do resultado do período em curso, será: a) levantado com observância das disposições contidas nas leis comerciais e fiscais; b) transcrito no livro Diário até a data fixada para pagamento do imposto do respectivo mês. § 6º Os balanços ou balancetes somente produzirão efeitos para fins de determinação da parcela do imposto de renda e da contribuição social sobre o lucro, devidos no decorrer do ano calendário. [...] Art. 14. A demonstração do lucro real relativa ao período abrangido pelos balanços ou balancetes a que se referem os arts. 10 a 13, deverá ser transcrita no Livro de Apuração do Lucro Real LALUR, observandose o seguinte: I a cada balanço ou balancete levantado para fins de suspensão ou redução do imposto de renda, o contribuinte deverá determinar um novo lucro real para o período em curso, desconsiderando aqueles apurados em meses anteriores do mesmo anocalendário. II as adições, exclusões e compensações, computadas na apuração do lucro real correspondentes aos balanços ou balancetes, deverão constar, discriminadamente, na Parte A do LALUR, para fins de elaboração da demonstração do lucro real do período em curso, não cabendo nenhum registro na Parte B do referido Livro. Fl. 148DF CARF MF Emitido em 06/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 04/07/2011 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ Assinado digitalmente em 04/07/2011 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, 05/07/2011 por ANA DE BARROS FERNA NDES 14 Destaquese, ainda, que não há indébitos quando, após efetuar recolhimentos estimados com base na receita bruta, o contribuinte passa a suspendêlos ou reduzilos por meio dos balancetes, demonstrando que o valor do imposto/contribuição já pago, ou o somatório dele com a estimativa do mês, supera o devido com base no lucro real (balancetes suspensão/redução). As únicas alternativas no curso do ano calendário são: pagar com base na receita bruta, reduzir esse valor com base no balancete ou suspender o pagamento com base também em balancete. Ou seja, se o valor pago no decorrer do período superar o devido com base em balancete de suspensão/redução, o máximo efeito que o contribuinte pode extrair dos referidos balancetes é deixar de pagar o tributo, até que ele se torne novamente devido, seja pela mera apuração da estimativa com base na receita bruta, seja com base no lucro acumulado em balancetes de redução. Logo, o pagamento indevido de estimativas caracterizase na hipótese de erro no recolhimento. Assim, se o valor efetivamente pago foi superior ao devido, seja com base na receita bruta, seja com base no balancete de suspensão/redução, essa diferença é passível de restituição ou compensação, e esse pedido ou utilização pode, inclusive, ser feito no curso do anocalendário, já que independente de evento futuro e incerto. Neste sentido, aliás, já se manifestou a Secretaria da Receita Federal do Brasil, por meio da Divisão de Tributação da 9a Região Fiscal, ao publicar a Solução de Consulta no 285/2009, em resposta ao questionamento formulado nos autos do processo administrativo no 10909.000244/200969: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ SALDO NEGATIVO. PAGAMENTO A MAIOR. COMPENSAÇÃO. Em regra, o saldo negativo de IRPJ apurado anualmente poderá ser restituído ou compensado com o imposto de renda devido a partir do mês de janeiro do ano calendário subseqüente ao do encerramento do período de apuração, mediante a entrega do PER/Dcomp. A diferença a maior, decorrente de erro do contribuinte, entre o valor efetivamente recolhido e o apurado com base na receita bruta ou em balancetes de suspensão/redução, está sujeita à restituição ou compensação mediante entrega do PER/Dcomp. Dispositivos Legais: Lei nº 9.430, de 1996, arts. 2º e 6º; Lei nº 8.981, de 1995, art. 35; ADN SRF nº 3, de 2000; IN RFB nº 900, de 2008, arts. 2º a 4º e 34. Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido CSLL SALDO NEGATIVO. PAGAMENTO A MAIOR. COMPENSAÇÃO. Em regra, o saldo negativo de CSLL apurado anualmente poderá ser restituído ou compensado com devido a contribuição devida a partir do mês de janeiro do ano calendário subseqüente ao do encerramento do período de apuração, mediante a entrega do PER/Dcomp; A diferença a maior, decorrente de erro do contribuinte, entre o valor efetivamente recolhido e o apurado com base na receita bruta ou em balancetes de suspensão/redução, está sujeita à restituição ou compensação mediante entrega do PER/Dcomp. Fl. 149DF CARF MF Emitido em 06/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 04/07/2011 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ Assinado digitalmente em 04/07/2011 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, 05/07/2011 por ANA DE BARROS FERNA NDES Processo nº 19647.010753/200650 Acórdão n.º 180100.600 S1TE01 Fl. 122 15 Dispositivos Legais: Lei nº 9.430, de 1996, arts. 2º e 6º; Lei nº 8.981, de 1995, art. 35; ADN SRF nº 3, de 2000; IN RFB nº 900, de 2008, arts. 2º a 4º e 34. No presente caso, a contribuinte alega que errou ao apurar e pagar a estimativa de CSLL relativa ao mês de março de 2003, em valor maior que o devido, e assim apontou o indébito para compensações com outros tributos, posteriormente, inclusive, à apuração do ajuste anual em 31/12/2003, já que a DCOMP foi formalizada em janeiro de 2004. Entretanto, há notícias nos autos que os recolhimentos a maior a título de estimativas (de IRPJ e de CSLL), cujo indébito é pleiteado nestes autos a título de direito creditório – especificamente nestes autos o indébito de estimativa de CSLL foram aproveitados como dedução e compuseram o saldo final do tributo –CSLL – apurada, ao final do período de apuração, em 31/12/2003, em procedimento fiscal de revisão de ofício de lançamento. Dito de outra forma, o valor aqui pleiteado já teria sido reconhecido pela auditoria fiscal, na revisão de ofício, e aproveitado nas antecipações a título de estimativas, servindo como dedução ou compondo o tributo ao final apurado. Por relevante, transcrevo o teor do item “6” do Relatório de Informação Fiscal relativo ao processo n° 19647.009690/200699, cuja cópia encontrase acostada às fls. 95 a 99: “6. Os pagamentos de est imativa mensal de IRPJ e da CSLL indevidos ou a maior foram aproveitados (nesta revisão) no ajuste anual, respectivamente, para dedução do Imposto de Renda da Pessoa Jurídica e da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido devidos no anocalendário em que houve o pagamento indevido ou para compor o saldo negativo do período, conforme art. 10 da IN N."600/2005. . . .” Imperioso, portanto, para homologação da compensação, a confirmação da existência, suficiência e disponibilidade do indébito alegado. Ou seja, a homologação expressa exige que a contribuinte comprove, perante a autoridade administrativa que a jurisdiciona, o erro cometido, seja na apuração da estimativa com base em receita bruta, seja com base em balancete de suspensão/redução, a sua adequação para a formação do indébito de R$ 14.106,31 e a correspondente disponibilidade, mediante prova de que não se valeu desta antecipação para liquidação da CSLL devida no ajuste anual, ou para formação do correspondente saldo negativo. E isto porque, em verdade, o fato de o único fundamento da decisão ser a impossibilidade de aproveitamento de indébitos decorrentes de recolhimentos estimados, não permite concluir pela integridade da formação do crédito. A autoridade administrativa centrou sua decisão, exclusivamente, na possibilidade do pedido, e assim não analisou a efetiva existência do crédito. Superado este ponto, necessário se faz a apreciação do mérito pela autoridade administrativa competente, quanto aos demais requisitos para homologação da compensação. Cumpre registrar, inclusive, que, enquanto a contribuinte não for cientificada de uma nova decisão quanto ao mérito de sua compensação, os débitos compensados permanecem com a exigibilidade suspensa, por não se verificar decisão definitiva acerca de seus procedimentos. E, caso tal decisão não resulte na homologação total das compensações promovidas, develhe ser facultada nova manifestação de inconformidade, possibilitandolhe a discussão do mérito da compensação nas duas instâncias administrativas de julgamento. Fl. 150DF CARF MF Emitido em 06/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 04/07/2011 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ Assinado digitalmente em 04/07/2011 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, 05/07/2011 por ANA DE BARROS FERNA NDES 16 Por todo o exposto, voto no sentido de dar provimento parcial ao recurso voluntário, para reconhecer a possibilidade de formação de indébitos em recolhimentos por estimativa, mas sem homologar a compensação por ausência de análise do mérito pela autoridade preparadora, com o conseqüente retorno dos autos à jurisdição da contribuinte, para verificação da existência, suficiência e disponibilidade do crédito pretendido em compensação. (assinado digitalmente) ______________________________________ Maria de Lourdes Ramirez – Relatora Fl. 151DF CARF MF Emitido em 06/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 04/07/2011 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ Assinado digitalmente em 04/07/2011 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, 05/07/2011 por ANA DE BARROS FERNA NDES
score : 1.0
Numero do processo: 10935.001085/2007-31
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Aug 31 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon Oct 16 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/03/2005 a 31/12/2005
PEDIDO DE JUNTADA DE NOVAS PROVAS DOCUMENTAIS. PRECLUSÃO.
Indefere-se pedido não fundamentado de apresentação de novos documentos, tendentes a produzir provas das alegações da impugnante, por ter precluído seu direito de apresentação de prova documental, não juntada na impugnação, e não sendo o caso das exceções legalmente previstas.
OMISSÃO DE RECEITA. DIFERENÇA ENTRE VALOR ESCRITURADO E VALOR DECLARADO. AUSÊNCIA DE PROVAS.
Não procede a arguição de que a receita omitida deve ser deduzida dos impostos não cumulativos, conforme art. 224 do RIR/99, sendo que a contribuinte não comprovou a incidência daqueles tributos ou mesmo a devolução de vendas.
Numero da decisão: 3301-004.037
Decisão: Recurso Voluntário Negado
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
(ASSINADO DIGITALMENTE)
José Henrique Mauri - Presidente Substituto.
(ASSINADO DIGITALMENTE)
Liziane Angelotti Meira- Relatora.
Participaram da presente sessão de julgamento os conselheiros José Henrique Mauri (Presidente Substituto), Semíramis de Oliveira Duro, Marcelo Costa Marques DOliveira, Liziane Angelotti Meira, Valcir Gassen, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões e Marcos Roberto da Silva (suplente convocado).
Nome do relator: LIZIANE ANGELOTTI MEIRA
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Período de apuração: 01/03/2005 a 31/12/2005 PEDIDO DE JUNTADA DE NOVAS PROVAS DOCUMENTAIS. PRECLUSÃO. Indefere-se pedido não fundamentado de apresentação de novos documentos, tendentes a produzir provas das alegações da impugnante, por ter precluído seu direito de apresentação de prova documental, não juntada na impugnação, e não sendo o caso das exceções legalmente previstas. OMISSÃO DE RECEITA. DIFERENÇA ENTRE VALOR ESCRITURADO E VALOR DECLARADO. AUSÊNCIA DE PROVAS. Não procede a arguição de que a receita omitida deve ser deduzida dos impostos não cumulativos, conforme art. 224 do RIR/99, sendo que a contribuinte não comprovou a incidência daqueles tributos ou mesmo a devolução de vendas.
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decisao_txt : Recurso Voluntário Negado Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. (ASSINADO DIGITALMENTE) José Henrique Mauri - Presidente Substituto. (ASSINADO DIGITALMENTE) Liziane Angelotti Meira- Relatora. Participaram da presente sessão de julgamento os conselheiros José Henrique Mauri (Presidente Substituto), Semíramis de Oliveira Duro, Marcelo Costa Marques DOliveira, Liziane Angelotti Meira, Valcir Gassen, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões e Marcos Roberto da Silva (suplente convocado).
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PRECLUSÃO. Indeferese pedido não fundamentado de apresentação de novos documentos, tendentes a produzir provas das alegações da impugnante, por ter precluído seu direito de apresentação de prova documental, não juntada na impugnação, e não sendo o caso das exceções legalmente previstas. OMISSÃO DE RECEITA. DIFERENÇA ENTRE VALOR ESCRITURADO E VALOR DECLARADO. AUSÊNCIA DE PROVAS. Não procede a arguição de que a receita omitida deve ser deduzida dos impostos não cumulativos, conforme art. 224 do RIR/99, sendo que a contribuinte não comprovou a incidência daqueles tributos ou mesmo a devolução de vendas. Recurso Voluntário Negado Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. (ASSINADO DIGITALMENTE) José Henrique Mauri Presidente Substituto. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 93 5. 00 10 85 /2 00 7- 31 Fl. 178DF CARF MF Processo nº 10935.001085/200731 Acórdão n.º 3301004.037 S3C3T1 Fl. 179 2 (ASSINADO DIGITALMENTE) Liziane Angelotti Meira Relatora. Participaram da presente sessão de julgamento os conselheiros José Henrique Mauri (Presidente Substituto), Semíramis de Oliveira Duro, Marcelo Costa Marques D’Oliveira, Liziane Angelotti Meira, Valcir Gassen, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões e Marcos Roberto da Silva (suplente convocado). Relatório Visando à elucidação do caso e a economia processual adoto e cito o relatório do constante da decisão embargada, Acórdão no 0624.441 3' Turma da DRJ/CTA (fls 154/158): Trata o processo de Auto de Infração de Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins, às fls. 52/57, que exige R$ 90.275,85 de Cofins, R$ 67.706,85 de multa de ofício, além dos acréscimos legais; e Auto de Infração de Contribuição para o Programa de Integração Social — PIS, às fls. 124/129, que exige R$ 19.559,73 de PIS, R$ 14.669,76 de multa de ofício, além dos acréscimos legais; em decorrência de diferença apurada entre o valor escriturado na contabilidade e o declarado/pago, nos períodos de apuração de 03/2005 a 12/2005. Em atendimento ao art. 1° e 20 da Portaria n° 6.129, de 2005, foi juntado, por anexação, às fls. 72/148, o processo relativo ao PIS/Pasep, protocolado originalmente sob o n° 10935.001086/200785, por se tratar de exigências do mesmo sujeito passivo, formalizadas com base nos mesmos elementos de prova. Cientificada dos lançamentos em 11/04/2007 (fls. 55 e 127), a interessada, por intermédio de seus procuradores legalmente constituídos (fls. 69/70), apresentou, em 10/05/2007, as impugnações de fls. 63/68 e 135/140, individualizadas para a Cofins e para o PIS/Pasep, respectivamente, tecendo as mesmas argumentações que a seguir estão sintetizadas. Alega que o auto de infração não se apóia em elementos fáticos capazes de sustentar a sua exigência, porque não ocorreram os fatos descritos pela autoridade fiscal. Entendendo estar incorreto o procedimento fiscal, diz que não foi levado em consideração, quando da determinação da receita bruta para fins de tributação, a impossibilidade de inclusão de impostos nãocumulativos, sendo imperioso que esses valores sejam deduzidos da base de cálculo. Salienta que no PAF n° 10935.001084/200796 (de IRPJ, decorrente dos mesmos fatos) foram acostadas fotocópias do balanço da empresa no anocalendário de 2005, o qual demonstra os valores relativos à receita bruta decorrente de vendas, nos seguintes termos: Vendas de mercadorias — matriz (R$ 3.980.279,73), Vendas de mercadorias — filial (R$ Fl. 179DF CARF MF Processo nº 10935.001085/200731 Acórdão n.º 3301004.037 S3C3T1 Fl. 180 3 278.118,74), Serviços (R$ 648.718,64) , Deduções (R$ 615.644,46). Por fim, pede que seja afastada a aplicação da Taxa Selic e solicita concessão de prazo para a juntada de documentos. Analisada a manifestação de inconformidade, a Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento no Rio de Janeiro I (RJ), julgou improcedente, com a seguinte ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE a SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/03/2005 a 31/12/2005 LANÇAMENTO. DIFERENÇAS APURADAS EM INFORMAÇÃO PRESTADA EM DCTF. As diferenças apuradas entre os valores registrados na contabilidade e as informações prestadas em DCTF, relativamente aos débitos da contribuição à Cofins, devem ser objeto de lançamento de ofício. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/03/2005 a 31/12/2005 LANÇAMENTO. DIFERENÇAS APURADAS EM INFORMAÇÃO PRESTADA EM DCTF. As diferenças apuradas entre os valores registrados na contabilidade e as informações prestadas em DCTF, relativamente aos débitos da contribuição ao PIS, devem ser objeto de lançamento de ofício. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/03/2005 a 31/12/2005 JUNTADA DE PROVAS DOCUMENTAIS. As provas documentais devem ser apresentadas juntamente com a peça impugnatória, sob pena de preclusão, salvo exceções taxativamente ali previstas. JUROS DE MORA. TAXA SELIC. LEGALIDADE. A utilização da taxa Selic como juros moratórios decorre de expressa disposição legal. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Foi apresentado Recurso Voluntário (fls. 157/176) , alegandose, em síntese, o seguinte que: · o contribuinte tem o direito de apresentar documentos a qualquer momento no processo administrativo fiscal, a fim de que a autoridade julgadora possa estabelecer a correta revisão do lançamento lavrado pela autoridade fiscal; · em momento algum, a Recorrente foi cientificada acerca do deferimento ou não de seu pedido de concessão de prazo, para que então pudesse anexar aos autos os documentos que já possuía dentro do prazo estipulado; · a Recorrente está reunindo a documentação necessária para ser apresentada aos autos, com vistas à comprovação da tese da defesa; · a análise dos fundamentos utilizados pela autoridade fiscal para encerrar a lavratura do auto de infração é suficiente para se perceber a necessidade de se estabelecer a extinção do processo ou, quando menos, a revisão do lançamento; · a autoridade fiscal não levou em consideração, quando da determinação da receita bruta para fins de tributação, a necessidade de não inclusão dos impostos não cumulativos e que tais valores devem ser deduzidos da base de cálculo do tributo exigido, sob pena de ilegalidade dos lançamentos; · pugna pela posterior apresentação e comprovação dos valores a serem deduzidos e/ou compensados; Fl. 180DF CARF MF Processo nº 10935.001085/200731 Acórdão n.º 3301004.037 S3C3T1 Fl. 181 4 · "em outro processo formalizado com base nos mesmos critérios (PAF n° 10935.001084/200796), foram acostadas fotocópias do balanço da empresa, o qual demonstra os valores relativos à Receita Bruta decorrente das vendas"; · demonstrará que não subsiste o lançamento dos valores incidentes sobre tais receitas, comprovando inclusive a inexistência do suposto saldo credor de caixa. · na hipótese de não restar demonstrada em sua totalidade a regularidade da escrita contábil da empresa Recorrente, ao menos deverá ser acolhida em parte para que se promova a redução da base de cálculo e a conseqüente extinção parcial do crédito tributário formalizado por meio dos mencionados a tos de infração; · todos os registros contábeis mencionados podem ser verificados por meio de simples diligência. É o relatório. Voto Conselheira Liziane Angelotti Meira O recurso voluntário é tempestivo e atende aos demais pressupostos legais de admissibilidade e deve ser conhecido. Cumpre consignar inicialmente que o processo 10935.001084/200796 (mencionado pela Recorrente), relativo ao IRPJ e reflexos, também fruto do mesmo MPFF: 09103002006002062 , já foi objeto de decisão final deste CARF, com a seguinte ementa (fl. 168 do referido processo): PEDIDO DE JUNTADA DE NOVAS PROVAS DOCUMENTAIS. PRECLUSÃO. Indeferese pedido de apresentação de novos documentos, tendentes a produzir provas das alegações da impugnante, por ter precluído seu direito de apresentação de prova documental, não juntada na impugnação, e não sendo o caso das exceções legalmente previstas. OMISSÃO DE RECEITA. DIFERENÇA ENTRE VALOR ESCRITURADO E VALOR DECLARADO. AUSÊNCIA DE PROVAS. Não procede a arguição de que a receita omitida deve ser deduzida dos impostos não cumulativos, conforme art. 224 do RIR/99, sendo que a contribuinte não comprovou a incidência daqueles tributos ou mesmo a devolução de vendas. Recurso volutário negado. Sobre a juntada de novos documentos, alega a impugnante que teria o direito de apresentar provas a qualquer tempo, informa que ainda vai produzilas e requer a juntada posterior sem esclarecer o fundamento de não as ter juntado no momento adequado. Nesse sentido, tendo em conta que até o presente momento tais provas não foram apresentadas, adotamos o mesmo entendimento constante da decisão do Processo nº 10935.001084/200796, de que não procede e não tem fundamento o pedido para posterior apresentação dos documentos. Fl. 181DF CARF MF Processo nº 10935.001085/200731 Acórdão n.º 3301004.037 S3C3T1 Fl. 182 5 No que concerne à determinação da receita bruta, alega a Recorrente que a autoridade fiscal não levou em conta a devida não inclusão dos impostos não cumulativos, nos termos do art. 224 do RIR/99 e inicso I, § 2º do art. 3º da Lei nº 9.718/98. No entanto, verificouse que a Recorrente se limitou a alegar os motivos de direito em que fundamenta sua discordância, mas não apresentou os fundamentos fáticos do seu pretenso direito. Ante a ausência de provas, não procedem as alegações da Recorrente. Diante do exposto, voto por negar provimento ao recurso voluntário. Liziane Angelotti Meira Relatora Fl. 182DF CARF MF
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Numero do processo: 19679.005879/2005-54
Turma: Segunda Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed May 25 00:00:00 UTC 2011
Ementa: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Ano-calendário: 1998 PEDIDO DE RESTITUIÇÃO - PRAZO PARA A REPETIÇÃO DE INDÉBITOS O art. 168, I, do Código Tributário Nacional - CTN assegura ao Contribuinte o direito de pleitear a restituição de indébitos no prazo de cinco anos, contados da data da extinção do crédito tributário. No caso de tributo sujeito a lançamento por homologação, a extinção ocorre no momento do pagamento antecipado de que trata o § 1º do art. 150 da referida Lei. Ultrapassado esse prazo de cinco anos, tais créditos não podem mais ser restituídos ou compensados, uma vez que o direito à restituição encontra-se fulminado pela prescrição.
Numero da decisão: 1802-000.901
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em NEGAR provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator.
Nome do relator: José de Oliveira Ferraz Corrêa
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 1998 PEDIDO DE RESTITUIÇÃO PRAZO PARA A REPETIÇÃO DE INDÉBITOS O art. 168, I, do Código Tributário Nacional CTN assegura ao Contribuinte o direito de pleitear a restituição de indébitos no prazo de cinco anos, contados da data da extinção do crédito tributário. No caso de tributo sujeito a lançamento por homologação, a extinção ocorre no momento do pagamento antecipado de que trata o § 1º do art. 150 da referida Lei. Ultrapassado esse prazo de cinco anos, tais créditos não podem mais ser restituídos ou compensados, uma vez que o direito à restituição encontrase fulminado pela prescrição. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em NEGAR provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator. (assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa Presidente. (assinado digitalmente) José de Oliveira Ferraz Corrêa Relator. Fl. 1DF CARF MF Emitido em 15/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 10/06/2011 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA Assinado digitalmente em 10/06/2011 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, 14/06/2011 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 19679.005879/200554 Acórdão n.º 180200.901 S1TE02 Fl. 129 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, José de Oliveira Ferraz Corrêa, André Almeida Blanco, Nelso Kichel, Marcelo Assis Guerra e Marco Antônio Castilho. Fl. 2DF CARF MF Emitido em 15/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 10/06/2011 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA Assinado digitalmente em 10/06/2011 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, 14/06/2011 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 19679.005879/200554 Acórdão n.º 180200.901 S1TE02 Fl. 130 3 Relatório Tratase de Recurso Voluntário contra decisão da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em São Paulo/SP I, que manteve a negativa em relação a Declarações de Compensação apresentadas pela Contribuinte, nos mesmos termos que já havia decidido anteriormente a Delegacia de origem. Por muito bem descrever os fatos, reproduzo o relatório constante da decisão de primeira instância, Acórdão nº 1623.950, às fls. 92 a 95: O contribuinte apresentou Declaração de Compensação (fls. 01 e 02) em 09.06.2005 pretendendo compensar os saldos negativos de IRPJ e CSLL apurados no anocalendário de 1998 com débitos de tributos de códigos 2172 e 8109. Posteriormente transmitiu diversas DCOMP vinculadas ao mesmo direito creditório, conforme tabela a seguir: Nº da DCOMP DATA DE TRANSMISSÃO 18855.49635.310706.1.3.022960 31.07.2006 27491.19606.140706.1.3.023787 14.07.2006 24837.18486.140606.1.3.021208 14.06.2006 12600.86089.250506.1.3.020962 25.05.2006 21594.84699.100709.1.7.021526 10.07.2009 17502.03255.100709.1.7.022938 10.07.2009 42147.29868.250507.1.7.027600 25.05.2007 28032.08360.250507.1.7.027639 25.05.2007 42874.01051.051006.1.7.029218 05.10.2006 21562.01760.150806.1.3.024707 15.08.2006 19786.54949.250506.1.7.027057 25.05.2006 24920.51592.151205.1.7.026619 15.12.2005 19640.14229.191006.1.3.025640 19.10.2006 Fl. 3DF CARF MF Emitido em 15/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 10/06/2011 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA Assinado digitalmente em 10/06/2011 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, 14/06/2011 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 19679.005879/200554 Acórdão n.º 180200.901 S1TE02 Fl. 131 4 A autoridade recorrida entendeu ter ocorrido a decadência do direito de pleitear a restituição, uma vez que decorridos mais de 5 anos a partir do dia 1º de janeiro de 1999. Quanto ao prazo de 5 anos, buscou como fundamento os artigos 168, I e 150, §1º, ambos do CTN, bem como o artigo 3º da Lei Complementar nº 118/2005. O prazo inicial para a contagem, no caso específico de saldos negativos de IRPJ e CSLL, foi considerado como sendo o dia 1º de janeiro do ano seguinte ao da apuração, visto que só no dia 31 de dezembro daquele ano ocorreu a extinção do crédito tributário. As estimativas, assim, sendo meros adiantamentos, apenas com a ocorrência do fato gerador do IRPJ e da CSLL podem se transformar em pagamento a maior. Cita em reforço à sua tese o Ato Declaratório SRF nº 03/2000, que permite a restituição ou compensação dos saldos negativos de IRPJ e CSLL, apurados anualmente, a partir do mês de janeiro do anocalendário subseqüente ao do encerramento do período de apuração. Assim, o direito pleiteado pelo contribuinte foi alcançado pela decadência desde 01.01.2004, pelo que indeferiu a restituição e não homologou as compensações. Cientificado da decisão em 22.10.2009, o contribuinte apresenta, em 19.11.2009, manifestação de inconformidade. Afirma que entendimento consolidado do STJ, anteriormente à edição da Lei Complementar nº 118/2005, estabelecia que a data de extinção do crédito tributário a ser considerada para fins de início do prazo decadencial (artigo 168, I do CTN) é a da homologação, expressa ou tácita, para os tributos sujeitos ao lançamento por essa modalidade (artigo 150, §1º do CTN). No seu entender, a Lei Complementar nº 118/2005, que dispõe que a extinção do crédito tributário, para fins de contagem do prazo decadencial, ocorre no momento do pagamento antecipado, apesar de declararse norma interpretativa (com isso pretendendo retroagir seus efeitos, conforme artigo 106, I do CTN), não tem esse caráter, já que efetivamente modificou o prazo para restituição, já consolidado jurisprudencialmente, criando nova regra de conduta. Conclui, então, que a mencionada lei complementar não pode retroagir seus efeitos, citando nesse sentido decisão do STJ admitindo a sua aplicação apenas aos pagamentos efetuados a partir de sua vigência (09.06.2005), permanecendo os pagamentos efetuados anteriormente àquela data submetidos ao regime anterior, limitado o prazo a cinco anos a partir da vigência da nova lei. Requer, por isso, a reforma do despacho decisório e a homologação das compensações declaradas. Fl. 4DF CARF MF Emitido em 15/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 10/06/2011 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA Assinado digitalmente em 10/06/2011 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, 14/06/2011 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 19679.005879/200554 Acórdão n.º 180200.901 S1TE02 Fl. 132 5 Como já mencionado, a DRJ São Paulo/SP I manteve a negativa em relação às Declarações de Compensação, expressando suas conclusões com a seguinte ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Anocalendário: 1998 Pedido de Restituição. Data inicial para contagem do prazo decadencial do direito à restituição de tributo pago a maior. A Lei Complementar nº 118/2005 é expressa no sentido de que o prazo iniciase com o pagamento antecipado. Tendo natureza de norma interpretativa, aplicase aos fatos anteriores à sua vigência. O julgador administrativo não pode deixar de dar aplicação à lei, a não ser que retirada do sistema por decisão vinculante do Poder Judiciário. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Inconformada com essa decisão, da qual tomou ciência em 22/02/2010, a Contribuinte apresentou em 19/03/2010 o recurso voluntário de fls. 105 a 119, onde reitera as mesmas razões de sua impugnação, conforme descrito nos parágrafos anteriores. Este é o Relatório. Fl. 5DF CARF MF Emitido em 15/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 10/06/2011 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA Assinado digitalmente em 10/06/2011 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, 14/06/2011 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 19679.005879/200554 Acórdão n.º 180200.901 S1TE02 Fl. 133 6 Voto Conselheiro José de Oliveira Ferraz Corrêa, Relator. O recurso é tempestivo e dotado dos pressupostos para a sua admissibilidade. Portanto, dele tomo conhecimento. Conforme relatado, o litígio versa sobre Declarações de Compensação, por meio das quais a Contribuinte pretende quitar vários débitos com crédito referente a saldo negativo de IRPJ e CSLL do anocalendário 1998. A negativa em relação às compensações está fundamentada na data de apresentação das referidas declarações. Quanto ao prazo para a repetição de indébitos, no caso dos tributos sujeitos a lançamento por homologação, cabe registrar, nos termos do § 1º do art. 150 do CTN, que o pagamento antecipado pelo obrigado extingue o crédito tributário, sob condição resolutória da ulterior homologação ao lançamento. Para o IRPJ e a CSLL apurados no regime anual, com recolhimento de estimativas mensais, o fato gerador ocorre em 31 de dezembro, data em que as estimativas, consideradas como antecipação de pagamento, extinguem o crédito tributário sob condição resolutória, podendo ainda configurarse como indébito, designado como “saldo negativo”. Por sua vez, o § 4º desse mesmo art. 150 estabelece que se a lei não fixar prazo à homologação, será ele de cinco anos, a contar da ocorrência do fato gerador. E uma vez expirado esse prazo, sem que a Fazenda Pública tenha se pronunciado, devese considerar homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação. Já o art. 168, I, do CTN, na hipótese de pagamento de tributo indevido ou a maior que o devido, assegura ao Contribuinte o direito de pleitear a restituição no prazo de cinco anos, contados da data da extinção do crédito tributário. Nesse contexto, e sem olvidar das divergências doutrinárias e jurisprudenciais sobre o momento em que se define a extinção do crédito tributário, e, via de conseqüência, o termo inicial do prazo para se pleitear restituição, adoto o entendimento no sentido de que a extinção do crédito tributário ocorre no momento do pagamento do tributo e não somente após o decurso do prazo de homologação previsto no § 4º do art. 150 do CTN. A meu ver, a homologação tácita, que configura uma ficção jurídica, ao suprir a falta do lançamento tributário por parte da Administração Pública, garante uma coerência lógica ao sistema traçado pelo CTN. Ou seja, com o decurso do prazo de cinco anos contados do fato gerador, considerase homologado o lançamento, e, com isso, fica implicitamente reconhecida a existência deste, pois só se homologa o que existe. Fl. 6DF CARF MF Emitido em 15/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 10/06/2011 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA Assinado digitalmente em 10/06/2011 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, 14/06/2011 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 19679.005879/200554 Acórdão n.º 180200.901 S1TE02 Fl. 134 7 Mas, ao mesmo tempo em que esse artifício jurídico dá substância ao crédito tributário (pela existência ficta de um lançamento), ele também o extingue definitivamente, em função do pagamento realizado anteriormente. Assim, não me parece razoável que o CTN, após considerar definitivamente extinto um determinado crédito tributário, venha contar somente daí o prazo para que esse crédito (que já está definitivamente extinto) possa se transformar em indébito. Com efeito, a característica da definitividade tem a função de solidificar as relações jurídicas, fixando quem é o credor, quem é o devedor, o valor da dívida etc., no intuito de gerar segurança às duas partes envolvidas, e não apenas a uma delas. Por isso, considero que o prazo para a repetição deve ser contado a partir da data em que foi realizado o pagamento, fase em que o crédito tributário ainda não goza da definitividade conferida pelo § 4º do art. 150 do CTN. E a transitoriedade em relação ao crédito tributário já pago, certamente, contribui para que ele venha a se configurar como indébito. Essa linha de raciocínio foi confirmada pelo texto da Lei Complementar nº 118, de 09 de fevereiro de 2005, que solucionou toda a controvérsia acerca desta matéria, nos seguintes termos: Art. 3º Para efeito de interpretação do inciso I do art. 168 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 Código Tributário Nacional, a extinção do crédito tributário ocorre, no caso de tributo sujeito a lançamento por homologação, no momento do pagamento antecipado de que trata o § 1º do art. 150 da referida Lei. O texto da lei é claro quanto ao seu caráter interpretativo, e, como visto, nenhuma incoerência apresenta em relação ao CTN. A incoerência está em pretender iniciar a contagem do prazo para reexame de um crédito tributário somente e justamente quando o CTN passa a tratar esse crédito como “definitivamente extinto”. Além disso, a partir da Lei Complementar nº 118/2005, mesmo para aqueles que entendem de forma diferente, a decisão no âmbito administrativo não poderia ser outra, porque falece a esse órgão de julgamento competência para afastar a aplicação de norma legal vigente, por suposto vício de inconstitucionalidade alegado pela Contribuinte. Oportuno lembrar que apenas de modo excepcional, havendo prévia decisão por parte do Supremo Tribunal Federal, e cumpridos os requisitos do Decreto nº 2.346/97 ou do art. 103A da Constituição, o que não ocorre no presente caso, é que a Administração Pública deixaria de aplicar a norma legal acima transcrita. Assim, não remanesce qualquer dúvida de que o direito à restituição dos alegados saldos negativos de IRPJ e CSLL encontramse fulminado por decurso de prazo, uma vez que se passaram mais de cinco anos entre a data da extinção do crédito tributário (31/12/1998) e a data de apresentação das referidas Declarações de Compensação. Fl. 7DF CARF MF Emitido em 15/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 10/06/2011 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA Assinado digitalmente em 10/06/2011 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, 14/06/2011 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 19679.005879/200554 Acórdão n.º 180200.901 S1TE02 Fl. 135 8 Diante do exposto, voto no sentido de negar provimento ao recurso (assinado digitalmente) José de Oliveira Ferraz Corrêa Fl. 8DF CARF MF Emitido em 15/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 10/06/2011 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA Assinado digitalmente em 10/06/2011 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, 14/06/2011 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA
score : 1.0
Numero do processo: 10320.722314/2014-10
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Sep 13 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Fri Sep 22 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Ano-calendário: 2010, 2011
RECURSO DE OFÍCIO. LIMITE DE ALÇADA.
Para fins de conhecimento de recurso de ofício, aplica-se o limite de alçada vigente na data de sua apreciação em segunda instância. (Súmula CARF 103.)
PRELIMINAR DE NULIDADE.
Não se configurando nenhuma das hipóteses arroladas no art. 59 do Decreto 70.235, de 1972 que rege o processo administrativo fiscal, não ocorre nulidade, mormente quando fica demonstrado à saciedade que a recorrente teve oportunidade e exerceu o mais amplo direito de defesa.
CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS A CARGO DA EMPRESA E DOS SEGURADOS EMPREGADOS E CONTRIBUINTES INDIVIDUAIS.
Nos termos da legislação previdenciária, incidem contribuições previdenciárias sobre a remuneração paga pelo Município a segurados empregados e contribuintes individuais.
GILRAT.
A contribuição para o financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho é variável em função do grau de risco da atividade preponderante da empresa, conforme a Relação de Atividades Preponderantes e Correspondentes Graus de Risco, elaborada com base na Classificação Nacional de Atividade Econômica, constante do Anexo V do RPS. O enquadramento nos graus de risco obedece, no caso, ao Anexo V do RPS alterado pelo Decreto nº 6.957, de 2009.
INFRAÇÃO À LEGISLAÇÃO PREVIDENCIÁRIA.
Impõe-se a aplicação de multa por descumprimento de obrigação acessória à empresa que (a) deixar de arrecadar, mediante desconto da remuneração, as contribuições dos segurados a seu serviço e (b) à empresa que não preparar as folhas de pagamento das remunerações pagas ou creditadas aos segurados a seu serviço. de acordo com os padrões e normas estabelecidos pelo órgão competente da seguridade social.
Numero da decisão: 2301-005.131
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos: (a) não conhecer do recurso de ofício e (b) quanto ao recurso voluntário, rejeitar as preliminares e, no mérito, lhe negar provimento.
JOÃO BELLINI JÚNIOR Presidente e Relator.
EDITADO EM: 19/09/2017
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Andrea Brose Adolfo, Fabio Piovesan Bozza, João Maurício Vital, Alexandre Evaristo Pinto, Denny Medeiros Silveira, Wesley Rocha (suplente convocado), Thiago Duca Amoni (suplente convocado) e João Bellini Júnior (Presidente).
Nome do relator: JOAO BELLINI JUNIOR
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LIMITE DE ALÇADA. Para fins de conhecimento de recurso de ofício, aplicase o limite de alçada vigente na data de sua apreciação em segunda instância. (Súmula CARF 103.) PRELIMINAR DE NULIDADE. Não se configurando nenhuma das hipóteses arroladas no art. 59 do Decreto 70.235, de 1972 que rege o processo administrativo fiscal, não ocorre nulidade, mormente quando fica demonstrado à saciedade que a recorrente teve oportunidade e exerceu o mais amplo direito de defesa. CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS A CARGO DA EMPRESA E DOS SEGURADOS EMPREGADOS E CONTRIBUINTES INDIVIDUAIS. Nos termos da legislação previdenciária, incidem contribuições previdenciárias sobre a remuneração paga pelo Município a segurados empregados e contribuintes individuais. GILRAT. A contribuição para o financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho é variável em função do grau de risco da atividade preponderante da empresa, conforme a Relação de Atividades Preponderantes e Correspondentes Graus de Risco, elaborada com base na Classificação Nacional de Atividade Econômica, constante do Anexo V do RPS. O enquadramento nos graus de risco obedece, no caso, ao Anexo V do RPS alterado pelo Decreto nº 6.957, de 2009. INFRAÇÃO À LEGISLAÇÃO PREVIDENCIÁRIA. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 32 0. 72 23 14 /2 01 4- 10 Fl. 986DF CARF MF 2 Impõese a aplicação de multa por descumprimento de obrigação acessória à empresa que (a) deixar de arrecadar, mediante desconto da remuneração, as contribuições dos segurados a seu serviço e (b) à empresa que não preparar as folhas de pagamento das remunerações pagas ou creditadas aos segurados a seu serviço. de acordo com os padrões e normas estabelecidos pelo órgão competente da seguridade social. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos: (a) não conhecer do recurso de ofício e (b) quanto ao recurso voluntário, rejeitar as preliminares e, no mérito, lhe negar provimento. JOÃO BELLINI JÚNIOR – Presidente e Relator. EDITADO EM: 19/09/2017 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Andrea Brose Adolfo, Fabio Piovesan Bozza, João Maurício Vital, Alexandre Evaristo Pinto, Denny Medeiros Silveira, Wesley Rocha (suplente convocado), Thiago Duca Amoni (suplente convocado) e João Bellini Júnior (Presidente). Relatório Tratase de recurso voluntário em face do Acórdão 1052.204, exarado pela 6ª Turma da DRJ em Porto Alegre (efls. 926 a 943). Os autos de infração referemse a: 1) Descumprimento da Obrigação Principal a) Debcad n° 51.062.1295 – contribuições da empresa incidentes sobre a remuneração dos segurados empregados contratados e dos contribuintes individuais, entre estes os condutores autônomos de veículos automotores, bem como das contribuições para o financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho, incidentes sobre as remunerações dos segurados empregados; períodos de apuração 01/2010 a 12/2011; montante do crédito, consolidado em 04/08/2014: R$8.702.689,32; b) Debcad n° 51.062.1309 – contribuições dos segurados empregados contratados e contribuintes individuais, entre eles os segurados condutores autônomos de veículos automotores, não descontadas de sua remuneração; períodos de apuração 01/2010 a 12/2011; montante do crédito, consolidado em 04/08/2014: R$2.842.738,03; c) Debcad n° 51.062.1317 – contribuições da empresa (quota patronal) e das contribuições para o financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho, incidentes sobre as remunerações dos segurados em cargo comissionado; períodos de apuração 01/2010 a 12/2011; montante do crédito, consolidado em 04/08/2014: R$ 684.410,72; d) Debcad n° 51.062.1325 – contribuições dos segurados em cargo comissionado, não descontadas de sua remuneração; períodos de apuração: 01/2010 a 12/2011 montante do crédito, consolidado em 04/08/2014: R$203.558,27. Fl. 987DF CARF MF Processo nº 10320.722314/201410 Acórdão n.º 2301005.131 S2C3T1 Fl. 3 3 Descumprimento de Obrigação Acessória e) Debcad n° 51.062.1333 (CFL 59), em razão do sujeito passivo ter deixado de arrecadar, mediante desconto das remunerações, as contribuições dos segurados empregados em cargo comissionado e contratados, conforme previsto no artigo 30, I, "a" da Lei n° 8.212/1991, assim como dos contribuintes individuais a seu serviço, de acordo com previsão do artigo 4° da Lei n° 10.666/2003, combinados com o artigo 216, I, "a" do Regulamento da Previdência Social (RPS), aprovado pelo Decreto n° 3.048, de 1999; a multa aplicada, no valor de R$1.812,87, está capitulada nos artigos 92 e 102 da Lei n° 8.212, de 1991 e nos artigos 283, I "g" e 373 do RPS, e foi atualizada de acordo com o artigo 8°, IV da Portaria Interministerial MPS/MF n° 19, de 2014; f) Debcad n° 51.062.1341 (CFL 30), em razão do sujeito passivo ter deixado de preparar as folhas de pagamento das remunerações pagas ou creditadas aos segurados a seu serviço de acordo com os padrões e normas estabelecidos pelo órgão competente da Seguridade Social, conforme previsto no artigo 32, I da Lei n° 8.212., de 1991, combinado com o artigo 225, I e § 9° do RPS. A fiscalização identificou que: (f.1) os segurados não estavam relacionados coletivamente por estabelecimento (no caso em questão, CNPJ da Prefeitura), com a respectiva totalização, conforme previsto no artigo 225, § 9° do RPS; (f.2) as folhas foram confeccionadas por Secretaria/Departamento/Unidade Escolar, uma vez que não há uma numeração seqüencial de páginas, o que demonstra a existência de várias folhas de pagamento independentes e totalizadas separadamente, no âmbito da Prefeitura; (f.3) não foram elaboradas as folhas de pagamento dos servidores contribuintes individuais, dificultando a coleta de dados e a respectiva consolidação dos mesmos. A coleta e a consolidação foram feitas após levantamento de cada contribuinte individual, por meio dos empenhos e ordens de pagamentos; a multa aplicada, no valor de R$ 1.812,87, está capitulada nos arts. 92 e 102 da Lei n° 8.212, de 1991 e nos artigos 283, I "a" e 373 do RPS, e foi atualizada de acordo com o artigo 8°, IV da Portaria Interministerial MPS/MF n° 19, de 2014; g) Debcad n° 51.062.1350 (CFL 77), em razão do sujeito passivo não ter apresentado as Guias de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social (Gfip) das competências 01/2010 a 13/2011; nenhuma remuneração dos segurados foi informada em Gfip naquele período, conforme planilha "Total dos Servidores não Declarados em GFIP"; a multa aplicada, no valor de R$ 1.213.917,64, está capitulada no artigo 32A, caput, inciso II e parágrafos 1°, 2° e 3° da Lei n° 8.212, de 1991, acrescentados pela MP n° 449, de 2008, convertida na Lei n° 11.941, de 2009. De acordo com o relatório fiscal (efls. 64 a 73), ao analisar as folhas de pagamento e ordens de pagamento emitidas pelo sujeito passivo, encontrou (a) pagamentos a segurados em cargo comissionado, segurados contratados e segurados contribuintes individuais que não constavam nas Gfip dos períodos, e (b) valores pagos ou creditados aos segurados em cargo comissionado e segurados contratados que não eram considerados pelo Ente Federativo como base de cálculo das contribuições previdenciárias; ou seja, não foram considerados saláriodecontribuição e não houve o desconto das contribuições previdenciárias destes servidores. O inciso II do artigo 4º da Lei nº 0993/1994, que instituiu o Regime Próprio de Previdência do Município de Pedreiras, incluiu como segurados os servidores não efetivos ocupantes de cargo em comissão, em desacordo com o artigo 40 e § 13 da Constituição Federal. Esta determinação perdurou até 21/06/2013, quando foi retirada pelo § 1º do artigo 9º da Lei nº 1.358/2013. Além disso, todos e quaisquer prestadores de serviços contratados e não concursados foram considerados pelo Município como pertencentes ao Regime Próprio. O Fl. 988DF CARF MF 4 artigo 4º da Lei nº 0993/1994 é contrário ao que determina o § 13 do artigo 40 da Constituição Federal, modificado pela Emenda Constitucional nº 20/1998. Os créditos previdenciários constituídos no processo são originados, exclusivamente, das remunerações pagas ou creditadas aos segurados vinculados obrigatoriamente ao Regime Geral de Previdência Social, tendo sido excluídos de qualquer levantamento os segurados pertencentes ao Regime Próprio do Município. Impugnados os lançamentos, a impugnação foi julgada parcialmente procedente para exonerar o sujeito passivo do crédito tributário exigido no Auto de Infração Debcad nº 51.062.1350; o acórdão recebeu as seguintes ementas: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/01/2010 a 31/12/2011 ALEGAÇÕES DE NULIDADE. O lançamento que observa as disposições da legislação para a espécie não incorre em vício de nulidade. Não há que se falar em cerceamento de defesa quando o procedimento fiscal obedece ao princípio da legalidade, sendo prestadas as informações necessárias ao sujeito passivo para que este exerça o seu direito à defesa. ALEGAÇÕES SEM COMPROVAÇÃO. As alegações desacompanhadas de provas são incapazes de desconstituir lançamento regularmente efetuado em conformidade com a legislação. PRODUÇÃO DE PROVAS. Devem ser indeferidos os pedidos de diligência e de perícia quando constatada sua prescindibilidade para a solução do litígio. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO VEDAÇÃO CONSTITUCIONAL AO CONFISCO. A vedação constitucional ao confisco dirigese ao legislador, devendo este observála no momento da elaboração da lei. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2010 a 31/12/2011 AI Debcad n° 51.062.1295, 51.062.1309, 51.062.1317 e 51.062.1325 AUTO DE INFRAÇÃO. OBRIGAÇÃO PRINCIPAL. CONTRIBUIÇÕES DA EMPRESA. CONTRIBUIÇÕES DOS SEGURADOS EMPREGADOS E CONTRIBUINTES INDIVIDUAIS. Nos termos da legislação previdenciária, incidem contribuições previdenciárias sobre a remuneração paga pelo Município a segurados empregados e contribuintes individuais. Fl. 989DF CARF MF Processo nº 10320.722314/201410 Acórdão n.º 2301005.131 S2C3T1 Fl. 4 5 GILRAT. A contribuição para o financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho é variável em função do grau de risco da atividade preponderante da empresa, cujo enquadramento é de sua responsabilidade e deve ser feito mensalmente, conforme a Relação de Atividades Preponderantes e Correspondentes Graus de Risco, elaborada com base na Classificação Nacional de Atividade Econômica CNAE, constante do Anexo V do RPS. O enquadramento nos graus de risco obedece à legislação de regência, no caso, o Anexo V do RPS alterado pelo Decreto n° 6.957, de 09/09/2009, com produção de efeitos a partir de 01/01/2010. ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Período de apuração: 01/01/2010 a 31/12/2011 AI Debcad n° 51.062.1333 INFRAÇÃO À LEGISLAÇÃO PREVIDENCIÁRIA. DEIXAR A EMPRESA DE ARRECADAR, MEDIANTE DESCONTO DA REMUNERAÇÃO, AS CONTRIBUIÇÕES DOS SEGURADOS A SEU SERVIÇO. AI Debcad n° 51.062.1341 INFRAÇÃO À LEGISLAÇÃO PREVIDENCIÁRIA. DEIXAR A EMPRESA DE PREPARAR AS FOLHAS DE PAGAMENTO DAS REMUNERAÇÕES PAGAS OU CREDITADAS AOS SEGURADOS A SEU SERVIÇO DE ACORDO COM OS PADRÕES E NORMAS ESTABELECIDOS PELO ÓRGÃO COMPETENTE DA SEGURIDADE SOCIAL. Constatada a infração à legislação previdenciária, impõese a aplicação da multa. AI Debcad n° 51.062.1350 INFRAÇÃO À LEGISLAÇÃO PREVIDENCIÁRIA. DEIXAR A EMPRESA DE APRESENTAR AS GUIAS DE RECOLHIMENTO DO FGTS E INFORMAÇÕES À PREVIDÊNCIA SOCIAL. A multa de ofício de 75% prevista no artigo 44, I da Lei n° 9.430/1996 é única, já que visa apenar de forma conjunta tanto o não pagamento do tributo devido como a não apresentação da declaração, e não pode ser cumulada nas mesmas competências com a multa por descumprimento da obrigação acessória decorrente da não entrega da GFIP. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte Fl. 990DF CARF MF 6 Em face de ter sido cancelada multa no valor de R$1.213.917,64, relativa ao Debcad nº 51.062.1350, houve recurso de ofício. A ciência dessa decisão ocorreu em 24/10/2014 (efl. 945). Em 25/11/2014, foi apresentado recurso voluntário (efls. 947 a 971), sendo alegado, em síntese: (a) a nulidade das autuações: (a.1) em razão da adoção do procedimento de aferição indireta com base em documentos obtidos junto ao Tribunal de Contas do Estado, antes de esgotados todos os meios possíveis e legais para a obtenção da documentação; (a.2) por violação ao artigo 9° do Decreto n° 70.235/1972 e afronta aos princípios da ampla defesa e do contraditório; (b) a nulidade da decisão recorrida, por afronta à ampla defesa, por ter sido indeferida a realização de diligência; (c) imprestabilidade dos documentos obtidos junto ao Tribunal de Contas do Estado (empenhos, ordens de pagamento e recibos de pagamentos), já que os valores apresentados comportam despesas com segurados, contratos com terceiros, contratos de transporte escolar, dentre outras despesas que são classificadas como despesas com pessoal pelo TCE, mas que não constituem fato gerador da obrigação tributária; (d) que a esfera de competência da autoridade fiscal para reputar inconstitucional o inciso II do artigo 4° da Lei Municipal n° 0993/1994, dispositivo com total aplicabilidade até o mês de junho/2013, esbarra nos limites da atuação administrativa, não podendo subsumirse à função jurisdicional e retirar a eficácia de dispositivo legal; a atividade do julgador administrativo é materialmente jurisdicional, mas organicamente administrativa, e que as regras do controle da constitucionalidade estão previstas no próprio texto constitucional, não podendo ser autuada por que o fiscal entendeu inconstitucional a lei municipal; o recolhimento das obrigações previdenciárias para o instituto de previdência municipal obedeceu a mais estrita legalidade; o fiscal se olvida que o § 13 do art. 40 da CF referese apenas a cargos comissionados, mas há diversos servidores que não exerceram de modo exclusivo a função comissionada; (e) no que tange às alíquotas RAT e FAT, que estas variam de acordo com a atividade preponderante do empregador, estando os entes públicos inseridos na alíquota de 1% (um por cento), chamada de risco baixo; a cobrança de alíquotas maiores que 1% representa ilegalidade; (f) que não prospera a aplicação de multas ao caso concreto, já que, uma vez inexistente a obrigação principal. Requereu o acatamento das preliminares, ou, alternativamente, o cancelamento das autuações. É o relatório. Voto Conselheiro Relator João Bellini Júnior DO RECURSO DE OFÍCIO Fl. 991DF CARF MF Processo nº 10320.722314/201410 Acórdão n.º 2301005.131 S2C3T1 Fl. 5 7 Foi exonerado o montante de R$1.213.917,64, relativa ao Debcad nº 51.062.1350. Presentemente, no teor da Portaria MF nº 63, de 2017, o reexame necessário ocorre quando o acórdão da Delegacia da Receita Federal de Julgamento (DRJ) exonerar sujeito passivo do pagamento de tributo e encargos de multa, em valor total superior a R$2.500.000,00 (dois milhões e quinhentos mil reais): Art. 1º O Presidente de Turma de Julgamento da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento (DRJ) recorrerá de ofício sempre que a decisão exonerar sujeito passivo do pagamento de tributo e encargos de multa, em valor total superior a R$ 2.500.000,00 (dois milhões e quinhentos mil reais). § 1º O valor da exoneração deverá ser verificado por processo. § 2º Aplicase o disposto no caput quando a decisão excluir sujeito passivo da lide, ainda que mantida a totalidade da exigência do crédito tributário. De acordo com a Súmula CARF 103, para fins de conhecimento de recurso de ofício, aplicase o limite de alçada vigente na data de sua apreciação em segunda instância. Considerando que foi exonerado montante inferior ao definido no art. 1º da Portaria MF nº 63, de 2017, não conheço do recurso de ofício. DO RECURSO VOLUNTÁRIO DAS NULIDADES A recorrente sustenta a nulidade (a) dos autos de infração (a.1) em razão da adoção do procedimento de aferição indireta com base em documentos obtidos junto ao Tribunal de Contas do Estado, antes de esgotados todos os meios possíveis e legais para a obtenção da documentação; (a.2) por violação ao artigo 9° do Decreto n° 70.235/1972 e afronta aos princípios da ampla defesa e do contraditório e (b) decisão recorrida, por afronta à ampla defesa, por ter sido indeferida a realização de diligência. Não lhe assiste razão. É consabido que no processo administrativo fiscal as causas de nulidade se limitam às que estão elencadas no artigo 59 do Decreto 70.235, de 1972: Art. 59. São nulos: I – os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II – os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. § 1º A nulidade de qualquer ato só prejudica os posteriores que dele diretamente dependam ou sejam conseqüência. Fl. 992DF CARF MF 8 § 2º Na declaração de nulidade, a autoridade dirá os atos alcançados, e determinará as providências necessárias ao prosseguimento ou solução do processo. § 3º Quando puder decidir do mérito a favor do sujeito passivo a quem aproveitaria a declaração de nulidade, a autoridade julgadora não a pronunciará nem mandará repetir o ato ou suprirlhe a falta. (Parágrafo acrescentado pela Lei 8.748, de 1993.) A teor do art. 60 do mesmo diploma legislativo, as irregularidades, incorreções e omissões diferentes das retromencionadas não configuram nulidade, devendo ser sanadas se “resultarem em prejuízo para o sujeito passivo, salvo se este lhes houver dado causa, ou quando não influírem na solução do litígio”: Art. 60. As irregularidades, incorreções e omissões diferentes das referidas no artigo anterior não importarão em nulidade e serão sanadas quando resultarem em prejuízo para o sujeito passivo, salvo se este lhes houver dado causa, ou quando não influírem na solução do litígio. No caso concreto, a análise dos empenhos, ordens de pagamento e recibos de pagamento emitidos pela recorrente terem sido obtidos do Tribunal de Contas do Estado não configura hipótese de aferição indireta, pois não houve levantamento por meios indiretos da base tributável das contribuições previdenciárias, mas sim a utilização direta dos dados ali constantes, como o montante da despesa e/ou o nome do prestador do serviço, cotejados com as informações constantes das folhas de pagamento; são documentos elaborados pelo próprio Município, relativos à despesa com a prestação do serviço pelas pessoas físicas. Caso discorde das bases de cálculo assim determinadas, a recorrente pode demonstrar, com documentação hábil e idônea, a base de cálculo que considera correta, inclusive no caso de haver excesso na determinação da base de cálculo. Não há violação ao art. 9° do Decreto n° 70.235, de 1972 ou afronta aos princípios da ampla defesa e do contraditório. A assertiva genérica de “análise superficial de folhas de pessoal, recibos e ordens de pagamento não é suficiente para concluir que o recorrente é devedor de contribuições sociais previdenciárias” não elide a recorrente de provar o que alega. Já o contraditório e ampla defesa se concretizam no próprio processo administrativo fiscal, no qual a contribuinte pode apresentar alegações, provas, jurisprudência, e receber decisão motivada de provimento ou desprovimento. A seu turno, também não incorreu em nulidade a decisão recorrida por entender desnecessária a realização de perícias e diligências, as quais não são um direito subjetivo do impugnante, a teor do art. 18 do Decreto nº 70.235, de 1972, e principalmente se há, como no caso concreto, inversão do ônus da prova. Decreto nº 70.235, de 1972 Art. 18. A autoridade julgadora de primeira instância determinará, de ofício ou a requerimento do impugnante, a realização de diligências ou perícias, quando entendêlas necessárias, indeferindo as que considerar prescindíveis ou impraticáveis, observando o disposto no art. 28, in fine. (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) Fl. 993DF CARF MF Processo nº 10320.722314/201410 Acórdão n.º 2301005.131 S2C3T1 Fl. 6 9 No caso, pretendiase a reanálise de documentos pertencentes ao sujeito passivo e que já houveram sido objeto de verificação pela fiscalização. Corretamente decidiu a decisão recorrida ao afirmar que “caberia à impugnante comparar os seus documentos com as planilhas elaboradas pela fiscalização e demonstrar, concretamente, a existência de alguma inconsistência no lançamento, sendo desnecessária perícia para este fim”. DOS DOCUMENTOS OBTIDOS JUNTO AO TRIBUNAL DE CONTAS DO ESTADO É alegada a imprestabilidade dos documentos obtidos junto ao Tribunal de Contas do Estado (empenhos, ordens de pagamento e recibos de pagamentos), já que os valores apresentados comportam despesas com segurados, contratos com terceiros, contratos de transporte escolar, dentre outras despesas que são classificadas como despesas com pessoal pelo TCE, mas que não constituem fato gerador da obrigação tributária. Como argutamente restou decidido no acórdão combatido, não assiste razão à recorrente, pois tais documentos são os que registram as despesas com os pagamentos às pessoas físicas que prestam serviços ao Município. Ou seja, o lançamento não foi efetuado com base na definição de despesa com pessoal prevista na Lei de Responsabilidade Fiscal, como alegou o sujeito passivo, mas sim com base na documentação emitida pelo próprio sujeito passivo, entre os quais as folhas de pagamento e as ordens de pagamentos, onde foi possível identificar a remuneração aos segurados empregados e contribuintes individuais listados pela autoridade preparadora. Reproduzo os exemplos do acórdão recorrido: a ordem de pagamento nº 04148 (fls. 250), em que a despesa bruta importa em R$ 6.020,00 e a despesa líquida totaliza R$ 5.899,60, e cuja discriminação é: “Vlr. que se empenha nesta data ref. Folha de pagamento de plantões dos bioquímicos e auxiliares do laboratório da Séc/Mun/de Saúde, ref. o mes de junho/2010 – PAB”. Por sua vez, a folha de pagamento de junho/2010 (fls. 251) discrimina todas as pessoas físicas (bioquímicos e auxiliares) que receberam os pagamentos constantes da ordem de pagamento nº 04148. DA MOTIVAÇÃO DO LANÇAMENTO CONCERNENTE AOS CARGOS EM COMISSÃO A recorrente assevera que a esfera de competência da autoridade fiscal para reputar inconstitucional o inciso II do artigo 4° da Lei Municipal n° 0993/1994, dispositivo com total aplicabilidade até o mês de junho/2013, esbarra nos limites da atuação administrativa, não podendo subsumirse à função jurisdicional e retirar a eficácia de dispositivo legal; a atividade do julgador administrativo é materialmente jurisdicional, mas organicamente administrativa, e que as regras do controle da constitucionalidade estão previstas no próprio texto constitucional, não podendo ser autuada por que o fiscal entendeu inconstitucional a lei municipal; o recolhimento das obrigações previdenciárias para o instituto de previdência municipal obedeceu a mais estrita legalidade; o fiscal se olvida que o § 13 do art. 40 da CF referese apenas a cargos comissionados, mas há diversos servidores que não exerceram de modo exclusivo a função comissionada. A argumentação da recorrente parte de uma premissa correta: os órgãos e servidores do Poder Executivo não detém competência para exercer o controle repressivo de constitucionalidade. Analisemos os efeitos dessa premissa nos autos de infração. Fl. 994DF CARF MF 10 Os lançamentos respeitantes aos cargos comissionados são analisados no relatório fiscal nos itens 8 a 15 (efls. 65 e 66) e nos tópicos “IV Auto de Infração DEBCAD n° 51.062.1317 (sonegação patronal comissionados)” e “V Auto de Infração DEBCAD n° 51.062.1325 (sonegação segurados comissionados) (efls. 69 e 70). Verifico que, mesmo desconhecendo das considerações sobre a inconstitucionalidade da lei municipal há motivação suficiente para a manutenção da autuação, ou seja, a falta de observância à legislação previdenciária federal – ausência de declaração em Gfip e do desconto de contribuições obrigatórias, previstos na Lei 8.212, de 1991, art. 12, I, "g", e ao Regulamento da Previdência Social. A transcrição dos itens 8 a 15 do relatório fiscal, somente na parte que pode ser conhecida, aponta para as infrações à legislação previdenciária (que será esmiuçada nos itens “IV Auto de Infração DEBCAD n° 51.062.1317” e “V Auto de Infração DEBCAD n° 51.062.1325): 8. Analisando as Folhas de Pagamento e Ordens de Pagamento, foram encontrados: a) Pagamentos a Segurados em Cargo Comissionado, Segurados Contratados e a Segurados Contribuintes Individuais que não constavam nas"GFIP's do período; b) Valores pagos ou creditados aos Segurados Cargo Comissionado e Segurados Contratados que não são considerados pelo Ente Federativo como base de cálculo das contribuições previdenciárias; ou seja: não foram considerados como saláriodecontribuição e não houve o desconto das Contribuições Previdenciárias relativas a esses servidores. 9. Esclarecendo através do Ofício/CI/N0 07/2014 sobre os fatos constatados, o Gestor declarou que o Município instituiu Regime Próprio de Previdência através da Lei n° 0993/1994 (de 30/09/1994). 10. O Inciso II do Art. 4o da Lei do Regime Próprio inclui como Segurado os Servidores não Efetivos ocupantes de Cargos em Comissão. Tal determinação perdurou até 21/06/2013, quando foi retirada pela gestão, atual através do § Iº do Art. n° 9 da Lei nº 1.358/2013. (...) 13. As Folhas de Pagamentos apresentadas à fiscalização mostram haver descontos previdenciários dos Servidores Contratados e dos Servidores em Cargo Comissionado exclusivamente para o Instituto da Seguridade Social dos Servidores de Pedreiras ISSSP. 14. O anexo "09 Folhas de Pagamentos (amostragem)" apresenta as folhas dos Contratados (Serviços Prestados) e dos Efetivos (Estatutários), sendo que na dos Efetivos foram considerados para fins de levantamento de créditos previdenciários apenas os Servidores em Cargo Comissionado (destacados com um asterisco à esquerda do nome). Tal destaque foi possível devido à entrega pelo Ente Público da Lista "2.1Cadastro de Trabalhadores", que apresenta todos os Servidores em Cargo Comissionado. Todos os servidores Fl. 995DF CARF MF Processo nº 10320.722314/201410 Acórdão n.º 2301005.131 S2C3T1 Fl. 7 11 destacados foram condensados na planilha "Pagamentos a Servidores em Cargo Comissionado (por unidade)". 15. A planilha “Pagamentos a Servidores em Cargo Comissionado (por unidade)” apresenta todos os Servidores em Cargo Comissionado encontrados em folhas de pagamento. A planilha “Pagamentos a Servidores Contratados (por unidade)” apresenta todos os Servidores Contratados e a planilha “Pagamentos a Plantonistas Contratados” apresenta a consolidação dos Pagamentos a todos os servidores Contratados que prestaram serviços em Plantões Hospitalares.(Grifouse.) Como referido, nos itens “IV Auto de Infração DEBCAD n° 51.062.1317 (sonegação patronal comissionados)” e “V Auto de Infração DEBCAD n° 51.062.1325 (sonegação segurados comissionados) não há qualquer consideração sobre a inconstitucionalidade de lei municipal, mas tão somente, que não houve a declaração em Gfip e o desconto de contribuições obrigatórias, em face da Lei 8.212, de 1991: 4. Os créditos aqui lançados referemse às contribuições relativas aos Segurados em Cargo Comissionado que incidem sobre as remunerações pagas aos mesmos, conforme descrito no "Discriminativo do Débito". 5. Para todos os Segurados em Cargo Comissionado, foi constatada, além da não inclusão em GFIP, a não efetivação dos descontos das suas contribuições previdenciárias devidas ao Regime Geral de Previdência. Fato que constitui infração ao dispositivo legal constante do art. 12°, inciso I, alínea "g", da Lei no 8.212, ' j' de 24 de julho de 1991 e ao art. 9, inciso I, alínea "i", do Regulamento da Previdência Social RPS, V, aprovado pelo Decreto n° 3.048/99 e alterações posteriores. Além disso, na fundamentação legal os créditos, também não há qualquer menção à inconstitucionalidade da norma municipal, somente à legislação federal, mormente a Lei 8.212, de 1991, art. 12°, I, "g", e ao Regulamento da Previdência Social (efl. 47 e 57). Assim, mesmo ao se desconhecer as alegações de inconstitucionalidade da lei municipal há motivação correta e suficiente para a manutenção das autuações, uma vez que, embora o recorrente tenha observado a legislação previdenciária municipal, não observou a legislação previdenciária federal, conforme apontado nos autos de infração. DAS ALÍQUOTAS RAT E FAT O recorrente aduz, que as alíquotas RAT e FAT variam de acordo com a atividade preponderante do empregador, estando os entes públicos inseridos na alíquota de 1% (um por cento), chamada de risco baixo; a cobrança de alíquotas maiores que 1% representa ilegalidade. Não lhe assiste razão, pois, o § 3º do artigo 22 da Lei nº 8.212, de 1991, autoriza o Ministério do Trabalho e da Previdência Social, com base nas estatísticas de acidentes do trabalho, alterar o enquadramento das empresas para efeito da contribuição a cargo da empresa para o financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho, incidentes Fl. 996DF CARF MF 12 sobre o total das remunerações pagas aos servidores vinculados ao Regime Geral de Previdência Social. Assim, o percentual de 1%, aplicável à administração pública em geral na previsão do Anexo V do RPS na CNAE 75.116, foi modificado pelo Decreto nº 6.042, de 2007, atribuindo ao código CNAE 84.11600 (Administração Pública em Geral) a alíquota de 2% (dois por cento), a partir de 06/2007. Tal enquadramento se manteve no Decreto nº 6.957, de 2009. Pelo exposto, não há alterações a fazer no lançamento referente à cobrança da contribuição para o financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho à alíquota de 2%. DA APLICAÇÃO DAS MULTAS O Município alega que não prospera a aplicação de multas ao caso concreto, já que, uma vez inexistente a obrigação principal. Não lhe assiste razão. Restou mantida toda a matéria sujeita a recurso voluntário. Mantidas as autuações por descumprimento da obrigação principal, não há alterações a fazer nas autuações por descumprimento das obrigações acessórias. Conclusão Pelo exposto, voto, portanto, por NÃO CONHECER DO RECURSO DE OFÍCIO e, quanto ao recurso voluntário, REJEITAR AS PRELIMINARES e, no mérito, lhe NEGAR PROVIMENTO. (assinado digitalmente) João Bellini Júnior Relator Fl. 997DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13897.720149/2015-06
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jul 06 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Thu Aug 10 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2012
DIRPF. DEDUÇÕES. DESPESAS MÉDICAS. COMPROVAÇÃO. EXIGÊNCIAS. MOTIVAÇÃO.
A base de cálculo do imposto, no ano calendário, poderá ser deduzida das despesas relativas aos pagamentos efetuados a médicos, dentistas, psicólogos e outros profissionais da saúde, porém restringe-se a pagamentos efetuados pelo contribuinte, especificados e comprovados, nos termos da legislação pertinente, relativos ao próprio tratamento e ao de seus dependentes (Lei nº 9.250, de 1995, artigo 8º).
Todas as deduções estão sujeitas a comprovação ou justificação, a juízo da autoridade lançadora (Decreto-Lei n° 5.844, de 1943, art. 11, § 3°). Tal faculdade deve ser concretizada por meio da lavratura de um termo, isto é, de um documento no qual está expressa a pretensão da Administração, de modo que o sujeito passivo tenha prévio conhecimento daquilo que o Fisco está a exigir, proporcionando-lhe, antecipadamente à constituição do crédito tributário, a possibilidade de atendimento do pleito formulado.
Hipótese em que o contribuinte foi regularmente intimado a comprovar o efetivo pagamento da despesa e não o fez.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 2202-004.055
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, pelo voto de qualidade, negar provimento ao recurso, vencidos os Conselheiros Martin da Silva Gesto (Relator), Junia Roberta Gouveia Sampaio, Dilson Jatahy Fonseca Neto e Fernanda Melo Leal, que deram provimento integral ao recurso. Foi designado o Conselheiro Marcio Henrique Sales Parada para redigir o voto vencedor.
(assinado digitalmente)
Marco Aurélio de Oliveira Barbosa - Presidente
(assinado digitalmente)
Martin da Silva Gesto - Relator
(assinado digitalmente)
Marcio Henrique Sales Parada - Redator designado
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Marco Aurelio de Oliveira Barbosa, Junia Roberta Gouveia Sampaio, Dilson Jatahy Fonseca Neto, Fernanda Melo Leal, Denny Medeiros da Silveira, Rosy Adriane da Silva Dias, Martin da Silva Gesto e Marcio Henrique Sales Parada.
Nome do relator: MARTIN DA SILVA GESTO
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2012 DIRPF. DEDUÇÕES. DESPESAS MÉDICAS. COMPROVAÇÃO. EXIGÊNCIAS. MOTIVAÇÃO. A base de cálculo do imposto, no ano calendário, poderá ser deduzida das despesas relativas aos pagamentos efetuados a médicos, dentistas, psicólogos e outros profissionais da saúde, porém restringe-se a pagamentos efetuados pelo contribuinte, especificados e comprovados, nos termos da legislação pertinente, relativos ao próprio tratamento e ao de seus dependentes (Lei nº 9.250, de 1995, artigo 8º). Todas as deduções estão sujeitas a comprovação ou justificação, a juízo da autoridade lançadora (Decreto-Lei n° 5.844, de 1943, art. 11, § 3°). Tal faculdade deve ser concretizada por meio da lavratura de um termo, isto é, de um documento no qual está expressa a pretensão da Administração, de modo que o sujeito passivo tenha prévio conhecimento daquilo que o Fisco está a exigir, proporcionando-lhe, antecipadamente à constituição do crédito tributário, a possibilidade de atendimento do pleito formulado. Hipótese em que o contribuinte foi regularmente intimado a comprovar o efetivo pagamento da despesa e não o fez. Recurso Voluntário Negado
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DEDUÇÕES. DESPESAS MÉDICAS. COMPROVAÇÃO. EXIGÊNCIAS. MOTIVAÇÃO. A base de cálculo do imposto, no ano calendário, poderá ser deduzida das despesas relativas aos pagamentos efetuados a médicos, dentistas, psicólogos e outros profissionais da saúde, porém restringese a pagamentos efetuados pelo contribuinte, especificados e comprovados, nos termos da legislação pertinente, relativos ao próprio tratamento e ao de seus dependentes (Lei nº 9.250, de 1995, artigo 8º). Todas as deduções estão sujeitas a comprovação ou justificação, a juízo da autoridade lançadora (DecretoLei n° 5.844, de 1943, art. 11, § 3°). Tal faculdade deve ser concretizada por meio da lavratura de um termo, isto é, de um documento no qual está expressa a pretensão da Administração, de modo que o sujeito passivo tenha prévio conhecimento daquilo que o Fisco está a exigir, proporcionandolhe, antecipadamente à constituição do crédito tributário, a possibilidade de atendimento do pleito formulado. Hipótese em que o contribuinte foi regularmente intimado a comprovar o efetivo pagamento da despesa e não o fez. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, pelo voto de qualidade, negar provimento ao recurso, vencidos os Conselheiros Martin da Silva Gesto (Relator), Junia Roberta Gouveia Sampaio, Dilson Jatahy Fonseca Neto e Fernanda Melo Leal, que deram provimento integral ao recurso. Foi designado o Conselheiro Marcio Henrique Sales Parada para redigir o voto vencedor. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 89 7. 72 01 49 /2 01 5- 06 Fl. 133DF CARF MF Processo nº 13897.720149/201506 Acórdão n.º 2202004.055 S2C2T2 Fl. 134 2 (assinado digitalmente) Marco Aurélio de Oliveira Barbosa Presidente (assinado digitalmente) Martin da Silva Gesto Relator (assinado digitalmente) Marcio Henrique Sales Parada Redator designado Participaram do presente julgamento os Conselheiros Marco Aurelio de Oliveira Barbosa, Junia Roberta Gouveia Sampaio, Dilson Jatahy Fonseca Neto, Fernanda Melo Leal, Denny Medeiros da Silveira, Rosy Adriane da Silva Dias, Martin da Silva Gesto e Marcio Henrique Sales Parada. Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto nos autos do processo nº 13897.720149/201506, em face do acórdão nº 0266.305, julgado pela 7ª. Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Belo Horizonte (DRJ/BHE), na sessão de julgamento de 31 de julho de 2015, no qual os membros daquele colegiado entenderam por julgar improcedente a impugnação apresentada pelo contribuinte. Por bem descrever os fatos, adoto o relatório da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento de origem, que assim relatou os fatos: "Contra o contribuinte acima identificado foi lavrada a Notificação de Lançamento nº 2012/316840692791270, expedida em 02/02/2015, referente a imposto sobre a renda de pessoa física, exercício 2012, anocalendário 2011, código 2904, formalizando a exigência de imposto suplementar no valor de R$10.459,79 e seus consectários legais, totalizando R$20.848,45, com juros de mora calculados até 30/01/2015, fls. 10 a 14. O lançamento decorreu da apuração das seguintes infrações: a) Omissão de rendimentos do trabalho com vínculo e/ou sem vínculo empregatício, no valor de R$5.001,16, proveniente da fonte pagadora Banco do Brasil S/A, sendo que na apuração do imposto devido foi compensado o imposto de renda retido na fonte sobre os rendimentos omitidos no valor de R$150,03. b) Dedução indevida de despesas médicas, no valor de R$33.580,00, com a seguinte manifestação da autoridade lançadora: Fl. 134DF CARF MF Processo nº 13897.720149/201506 Acórdão n.º 2202004.055 S2C2T2 Fl. 135 3 Contribuinte devidamente intimado não comprovou o efetivo pagamento de despesas médicas. Cumpre informar que declarações apresentadas pelos profissionais não substituem a comprovação do efetivo pagamento. Cientificado da notificação em 20/02/2015 (sextafeira), fls. 22, o contribuinte apresentou impugnação em 23/03/2015, fls. 2 a 8, acompanhada dos documentos de fls. 16 a 20, contestando parcialmente o lançamento. Alega que a omissão de rendimentos se trata de uma causa trabalhista, referente aos planos Bresser e Collor, quando de sua atuação junto ao Inamps, que ocorreu até o ano de 1997, quando pediu demissão. Argumenta que elaborou sua declaração de ajuste anual com os informes de rendimentos fornecidos pelas fontes pagadoras para as quais labora e acreditou que neles estavam incluídos todos os valores recebidos no ano 2011. Sustenta que os recibos e as declarações apresentados são suficientes para a comprovação do direito à dedução de despesas médicas. Pondera que tentou identificar os cheques ou extratos bancários que demonstrassem o efetivo pagamento, mas não logrou êxito em tal busca. Assinala que fez pagamentos com cheques de terceiros ou da esposa, além de moeda em espécie." Inconformado com a improcedência de sua impugnação, o contribuinte interpôs Recurso Voluntário às fls. 40/41, onde são reiterados, em parte, os argumentos já lançados na impugnação, apresentando, em anexo ao recurso, documentos às fls. 42/64, no intuito de comprovar seu direito. Em 22 de setembro de 2016, esta Colenda Turma proferiu a Resolução nº 2202000.723, pelas seguintes razões, consoante voto vencedor da Conselheira Cecilia Dutra Pillar: "Peço vênia para divergir do voto do ilustre Relator quanto ao mérito deste processo por considerar necessário aprimorar a instrução processual, a fim de que se tenha o julgamento adequado da lide. A controvérsia se resume à efetiva comprovação dos pagamentos das despesas médicas deduzidas pelo contribuinte em sua DIRPF do exercício de 2012, anocalendário 2011. Embora a Notificação de Lançamento afirme que o contribuinte, devidamente intimado, não comprovou o efetivo pagamento das despesas médicas, tal intimação não foi acostada aos autos. Fl. 135DF CARF MF Processo nº 13897.720149/201506 Acórdão n.º 2202004.055 S2C2T2 Fl. 136 4 Sendo assim, VOTO pela conversão do julgamento em DILIGÊNCIA para que a Unidade preparadora, responsável pelo feito fiscal, tome as seguintes providências: a) anexe aos autos o "dossiê de fiscalização", em especial o termo de intimação do contribuinte para apresentar a comprovação do efetivo pagamento, acompanhado do comprovante de sua ciência; b) dê ciência ao recorrente do resultado da diligência para, querendo, manifestarse no prazo de 30 (trinta) dias. Após vencido o prazo, retornem os autos a este CARF para prosseguimento do julgamento." O Dossiê Fiscal foi juntado aos autos pela autoridade preparadora, onde verificase à fl. 116 dos autos que o contribuinte foi intimado para apresentar comprovação do efetivo pagamento das despesas. Assim consta o Termo de Intimação: O contribuinte recebeu esta intimação por AR, em 17/11/2014, consoante fl. 118 dos autos. Em resposta ao referido Termo, a contribuinte apresentou declarações dos referidos profissionais, com firma reconhecida em cartório. É o relatório. Fl. 136DF CARF MF Processo nº 13897.720149/201506 Acórdão n.º 2202004.055 S2C2T2 Fl. 137 5 Voto Vencido Conselheiro Martin da Silva Gesto Relator O recurso voluntário foi apresentado dentro do prazo legal, reunindo, ainda, os demais requisitos de admissibilidade. Portanto, dele conheço. Primeiramente, quanto aos documentos juntados em anexo ao recurso voluntário, entendo que devem ser recebidos como prova do alegado, por força do princípio da verdade material e formalismo moderado. Necessário, também, delimitar a presente lide. Quanto a omissão de rendimentos, a DRJ considerou matéria não impugnada. O contribuinte, em recurso voluntário, apresenta recurso tão somente quanto a glosa de despesas médicas, as quais foram glosadas no valor de R$ 33.580,00. As despesas médicas glosadas questionadas pelo contribuinte são as seguintes, conforme fl. 4 dos autos: Entendeu a DRJ de origem que para afastar a glosa seria necessário a apresentação de comprovação por documentação hábil, qual seja: A dedução fica condicionada ainda a que os pagamentos sejam especificados e comprovados, com indicação do nome, endereço e CPF ou CNPJ de quem os recebeu, podendo, na falta de documentação, ser feita indicação de cheque nominativo pelo qual foi efetuado o pagamento, não se aplicando às despesas ressarcidas por entidade de qualquer espécie ou cobertas por contrato de seguro Ainda, foi exigido do contribuinte que apresentasse comprovação da efetividade dos pagamentos. No entanto, a Lei nº 9.250/95, em seu art. 8º, inciso II, “a”, e § 2º , incisos I a V, cujos dispositivos seguem abaixo transcritos, estabelece que: Fl. 137DF CARF MF Processo nº 13897.720149/201506 Acórdão n.º 2202004.055 S2C2T2 Fl. 138 6 Art. 8º A base de cálculo do imposto devido no anocalendário será a diferença entre as somas: [...] II das deduções relativas: a) aos pagamentos efetuados, no anocalendário, a médicos, dentistas, psicólogos, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais e hospitais, bem como as despesas com exames laboratoriais, serviços radiológicos, aparelhos ortopédicos e próteses ortopédicas e dentárias; ....... § 2º O disposto na alínea a do inciso II: I aplicase, também, aos pagamentos efetuados a empresas domiciliadas no País, destinados à cobertura de despesas com hospitalização, médicas e odontológicas, bem como a entidades que assegurem direito de atendimento ou ressarcimento de despesas da mesma natureza; II restringese aos pagamentos efetuados pelo contribuinte, relativos ao próprio tratamento e ao de seus dependentes; III limitase a pagamentos especificados e comprovados, com indicação do nome, endereço e número de inscrição no Cadastro de Pessoas Físicas CPF ou no Cadastro Geral de Contribuintes CGC de quem os recebeu, podendo, na falta de documentação, ser feita indicação do cheque nominativo pelo qual foi efetuado o pagamento; IV não se aplica às despesas ressarcidas por entidade de qualquer espécie ou cobertas por contrato de seguro; V no caso de despesas com aparelhos ortopédicos e próteses ortopédicas e dentárias, exigese a comprovação com receituário médico e nota fiscal em nome do beneficiário. (grifouse) Entendo que as seguintes despesas abaixo foram glosadas indevidamente, pois há nos autos prova idônea para permitir a dedução de despesa médica. · Despesa com o dentista Hélio Ferrari (R$ 2.450,00), conforme declaração/recibo do dentista (fl. 16), ratificada pelos recibos de fls. 42/43; · Despesa com a médica Nicole Daher Coser (R$ 3.750,00), de clínica de especialidade cirurgia plástica, conforme declaração/recibo da médica (fl. 17), ratificada pelos recibos de fl. 44/46; · Despesa com o médico Helcio Valerio Passos (R$ 9.000,00), de clínica de especialidade cardiologia, conforme declaração/recibo do médico (fl. 18), ratificada pelos recibos de fls. 51/59; Fl. 138DF CARF MF Processo nº 13897.720149/201506 Acórdão n.º 2202004.055 S2C2T2 Fl. 139 7 · Despesa com a dentista Cristine Mary Yoshinaga Pereira Leite (R$ 8.280,00), conforme declaração/recibo da dentista (fl. 19), ratificada pelos recibos de fl. 49/50; · Despesa com o dentista Mauricio Pereira Leite (R$ 10.100,00), conforme declaração/recibo do dentista (fl. 20), ratificada pelos recibos de fl. 47/48; Deste modo, entendo como comprovas as despesas médicas, no valor de R$ 33.580,00 efetuados pelo contribuinte. Quanto a forma de pagamento destas despesas, entendo que nada impede ao contribuinte de realizar tal pagamento em dinheiro, sendo o recibo prova suficiente para comprovação desta despesa, não havendo indícios, neste caso, para exigir do contribuinte que prove o pagamento com outras provas. Portanto, pelo demonstrado pela prova dos autos, não há razões para manter a glosa impugnada. Face a isto, prosperam as razões apresentadas pelo contribuinte, devendo ser afastada glosa de despesa médica no valor de R$ 33.580,00, consubstanciada na notificação de lançamento. Ante o exposto, voto no sentido de dar provimento ao recurso voluntário, afastandose a glosa no valor de R$ 33.580,00, em relação a dedução de despesas médicas. (assinado digitalmente) Martin da Silva Gesto Relator Voto Vencedor Conselheiro Marcio Henrique Sales Parada, Redator designado. Peço licença ao ilustre Relator, Conselheiro Martin da Silva Gesto, para divergir de seu bem traçado voto, pelas razões que passo a expor. Como se disse no Acórdão 2202003.858, de 10/05/2017: DESPESAS MÉDICAS. DEDUÇÃO. GLOSA. RESTABELECIMENTO. A dedução de despesas médicas lançadas na declaração de ajuste anual pode ser condicionada, pela Autoridade lançadora, à comprovação do efetivo dispêndio, desde que o sujeito passivo tenha prévio conhecimento daquilo que o Fisco está a exigir, proporcionandolhe, antecipadamente à constituição do crédito tributário, a possibilidade de atendimento do pleito formulado. Hipótese em que não consta dos autos o termo que supostamente teria intimado o contribuinte a comprovar o efetivo pagamento.(sublinhei) Fl. 139DF CARF MF Processo nº 13897.720149/201506 Acórdão n.º 2202004.055 S2C2T2 Fl. 140 8 Acontece que aqui, diferentemente daqueles autos, cujo Acórdão acima se transcreveu, conforme constatado em procedimento de diligência, descrito pelo nobre Relator, o contribuinte foi prévia e regularmente intimado pela Autoridade Fiscal para comprovar o efetivo pagamento das despesas médicas que pretende deduzir da base de cálculo. O Dossiê Fiscal foi juntado aos autos pela autoridade preparadora, onde verificase à fl. 116 dos autos que o contribuinte foi intimado para apresentar comprovação do efetivo pagamento das despesas. Assim consta o Termo de Intimação: (...) O contribuinte recebeu esta intimação por AR, em 17/11/2014, consoante fl. 118 dos autos. Nada obsta que a Administração Tributária exija que o Interessado comprove o efetivo pagamento das despesas médicas realizadas, quando a Autoridade fiscal assim entender necessário, na linha do disposto no § 3º do art. 11 do DecretoLei nº 5.844, de 23 de setembro de 1943 e no art. 73 do Regulamento do Imposto de Renda RIR, aprovado pelo Decreto n° 3.000, de 26 de março de 1999, assim descritos: Decreto Lei nº 5.844/1943 Art. 11. (...) § 3° Todas as deduções estarão sujeitas a comprovação ou justificação, a juízo da autoridade lançadora. RIR, aprovado pelo Decreto n° 3.000/1999 Art. 73. Todas as deduções estão sujeitas a comprovação ou justificação, a juízo da autoridade lançadora (Decreto Lei n° 5.844, de 1943, art. 11, § 3°). (sublinhei) Observo, por oportuno, que tal faculdade deve ser concretizada por meio de um ato cuja materialização se dá com a lavratura de um termo, isto é, de um documento no qual está expressa a pretensão da Administração, de modo que o sujeito passivo tenha prévio conhecimento daquilo que o Fisco está a exigir, proporcionandolhe, antecipadamente à constituição do crédito tributário, a possibilidade de atendimento do pleito formulado. De acordo com o artigo 80 do RIR/1999, Regulamento do Imposto de Renda aprovado pelo Decreto nº 3.000, de 26 de março de 1999, os recibos são documentos comprovantes das despesas médicas, salvo quando, a juízo da autoridade lançadora, são exigidos comprovantes adicionais, como por exemplo “o efetivo pagamento”, normalmente consubstanciado pela prova da efetiva transferência de numerário entre o tomador e o prestador dos serviços médicos. Tenho sustentado que não é possível se fazer 'juízo sobre o juízo', ou seja, a faculdade conferida por lei à Autoridade Lançadora, para concluir se havia ou não motivos para que exigisse a comprovação do pagamento. Poderseia, apenas, verificar se o procedimento transcorreu na devida forma, oportunizando ao contribuinte a apresentação de documentos que façam prova a seu favor. O recibo não é prova inquestionável da efetividade do pagamento, para fins de comprovação junto ao Fisco, na verificação do cumprimento das Fl. 140DF CARF MF Processo nº 13897.720149/201506 Acórdão n.º 2202004.055 S2C2T2 Fl. 141 9 obrigações tributárias. No caso, entendo que as declarações apresentadas pelos profissionais, tem o mesmo valor probatório dos recibos e não substituem as exigências feitas na intimação. Não é proibido pagar em dinheiro, mas obviamente que perante o Fisco, ao se efetuar esse tipo de pagamento, devese acobertálo de cuidados, com um zelo adicional e os simples recibos, questionados, não fazem prova irrefutável do pagamento. Entendo que esteve regular a exigência efetuada pela autoridade fiscal e que o contribuinte não logrou êxito em atendêla, não se demonstrando nestes autos a comprovação do efetivo pagamento das despesas pleiteadas. Dessa feita, VOTO por negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Marcio Henrique Sales Parada, Redator designado. Fl. 141DF CARF MF
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Numero do processo: 15169.000101/2016-19
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Mar 23 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Sat Sep 23 00:00:00 UTC 2017
Numero da decisão: 9303-000.102
Decisão: Interessados:QUALY MARCAS COMÉRCIO E EXPORTAÇÃO DE CEREAIS LTDA. e FAZENDA NACIONAL
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do Colegiado, por maioria de votos, reconhecer a nulidade do Acórdão nº 9303-001.319, proferido pela 3ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais do CARF, no âmbito do Processo Administrativo Fiscal nº 13674.000107/99-90, nos termos do voto do relator.
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em exercício e Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Júlio César Alves Ramos, Tatiana Midori Migiyama, Andrada Márcio Canuto Natal, Demes Brito, Érika Costa Camargos Autran, Charles Mayer de Castro Souza (Suplente convocado), Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas.
Nome do relator: RODRIGO DA COSTA POSSAS
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decisao_txt : Interessados:QUALY MARCAS COMÉRCIO E EXPORTAÇÃO DE CEREAIS LTDA. e FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do Colegiado, por maioria de votos, reconhecer a nulidade do Acórdão nº 9303-001.319, proferido pela 3ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais do CARF, no âmbito do Processo Administrativo Fiscal nº 13674.000107/99-90, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em exercício e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Júlio César Alves Ramos, Tatiana Midori Migiyama, Andrada Márcio Canuto Natal, Demes Brito, Érika Costa Camargos Autran, Charles Mayer de Castro Souza (Suplente convocado), Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas.
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Resolvem os membros do Colegiado, por maioria de votos, reconhecer a nulidade do Acórdão nº 9303001.319, proferido pela 3ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais do CARF, no âmbito do Processo Administrativo Fiscal nº 13674.000107/99 90, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em exercício e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Júlio César Alves Ramos, Tatiana Midori Migiyama, Andrada Márcio Canuto Natal, Demes Brito, Érika Costa Camargos Autran, Charles Mayer de Castro Souza (Suplente convocado), Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas. Relatório Trata o presente processo da Representação de Nulidade nº 02/2016 (fl. 218), de 10 de agosto de 2016, em face do Acórdão 9303001.319, proferido pela 3ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais do CARF, no âmbito do Processo Administrativo Fiscal nº 13674.000107/9990, formalizada pelo Presidente do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF, no uso da atribuição que lhe confere o art. 80 do Anexo II do Regimento RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 51 69 .0 00 10 1/ 20 16 -1 9 Fl. 301DF CARF MF Processo nº 15169.000101/201619 Resolução nº 9303000.102 CSRFT3 Fl. 302 2 Interno do CARF (RICARF), aprovado pela Portaria MF nº 343, de 9 de junho de 2016, tendo em vista a Arguição de Nulidade apresentada pela CorregedoriaGeral do Ministério da Fazenda, encaminhada pelo Memorando nº 609/2016/COGER/GMF/MFDF (fl. 2), recepcionada como Representação de Nulidade, nos termos do §3º do citado artigo 80. A referida decisão do processo administrativo fiscal 13674.000107/9990, foi proferida pela 3ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, em julgamento ocorrido em 01/02/2011, em que eram partes a interessada QUALY MARCAS COMÉRCIO E EXPORTAÇÃO DE CEREAIS LTDA, atual denominação de Indústria e Comércio de Café Irmãos Julio Ltda, e FAZENDA NACIONAL. Em apertada síntese, relembro o trâmite processual: O referido processo tratava de pedido de restituição, cumulado com pedidos de compensação de débitos próprios e de terceiros, relativo a créditos originados nos autos da ação ordinária 91.00026417. O sujeito passivo reivindicou a correção dos créditos pela SELIC e o cômputo dos expurgos inflacionários. Julgada improcedente a Manifestação de Inconformidade, sobreveio o Acórdão 301302.227 que não conheceu do recurso. Em julgamento de embargos opostos pelo sujeito passivo, foi proferido o Acórdão 30130.458, que deu provimento parcial ao recurso, determinando a conversão do crédito em UFIR e a aplicação de juros de 1% ao mês até 01/01/1996 e, após, juros moratórios pela taxa SELIC, rejeitando o pedido em relação aos expurgos inflacionários. O Acórdão CSRF/0304.462 deu provimento ao recurso especial de divergência do contribuinte determinando a inclusão dos expurgos inflacionários requeridos. Esse acórdão foi posteriormente retificado pelo Acórdão CSRF/03.05.570 que, acolhendo os embargos declaratórios da autoridade executora, restabeleceu o acórdão da câmara baixa, no qual não eram acolhidos os expurgos inflacionários. O Acórdão 9303001.319, ora combatido, julgou os embargos de declaração opostos pela Fazenda Nacional e pelo sujeito passivo em face do Acórdão CSRF/0305.570, que modificou o Acórdão CSRF/0304.462, para fins de excluir do cálculo da restituição os expurgos inflacionários. Naquela decisão os embargos foram conhecidos por maioria de votos, vencidos os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres e Gilson Macedo Rosenburg Filho; no mérito, por maioria de votos, foram acolhidos os embargos para retificar o Acórdão CSRF/0305.570, para acusar a inexistência de lapso manifesto e declarar intempestivos os embargos inominados opostos pela DRF Divinópolis, também vencidos os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres e Gilson Macedo Rosenburg Filho. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Caio Marcos Cândido (Presidente Substituto), Judith do Amaral Marcondes Armando (Relatora), Henrique Pinheiro Torres, Nanci Gama, Leonardo Siade Manzan, Rodrigo da Costa Pôssas, Rodrigo Cardozo Miranda, Gilson Macedo Rosenburg Filho, Maria Teresa Martínez López e Suzy Gomes Hoffmann. Portanto, o Acórdão 9303001.319 restabeleceu o decidido no Acórdão CSRF/04.462, que determinou a inclusão dos expurgos inflacionários requeridos. Por fim, o Acórdão de embargos 930301.827, que não foram conhecidos por maioria de votos na CSRF sob a alegação de preclusão temporal e consumativa. Fl. 302DF CARF MF Processo nº 15169.000101/201619 Resolução nº 9303000.102 CSRFT3 Fl. 303 3 Deflagrada a Operação Zelotes, a CorregedoriaGeral do Ministério da Fazenda identificou naquele processo situações que entendeu suficientes a caracterizar a nulidade da decisão do CARF, devido à participação do Conselheiro Leonardo Siade Manzan na sessão de julgamento ocorrida em 01/02/2011, e de possível participação da Conselheira Judith do Amaral Marcondes Armando em irregularidades durante a tramitação do julgamento. As acusações e documentos que deram suporte à argüição de nulidade do Acórdão 9303001.319 referemse à imputação de impedimento do então conselheiro Leonardo Siade Manzan, com base no art. 42 do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 256/2009, que serão tratadas neste voto. Em despacho de fls. 221 a 223, o Presidente do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF , encaminhou os autos ao Serviço de Seção da 3ª Seção para as seguintes providências: (a) providenciar solicitação, à autoridade preparadora (DRF em Divnópolis/MG), do retorno do processo administrativo fiscal n° 13674.000107/9990, ao CARF; (b) apensação do presente processo ao processo administrativo fiscal n° 13674.000107/9990; (c) expedição do processo administrativo fiscal, e este apenso, para intimação da Procuradoria Geral da Fazenda nacional, para manifestação no prazo de 10 (dez) dias e posterior retorno ao CARF; (d) em seguida, expedição do processo administrativo fiscal e este apenso, à autoridade preparadora, para que seja dada ciência ao contribuinte (Qualy Marcas Comércio e Exportação de Cereais Ltda.). Após, à exconselheira (Judith do Amaral Marcondes Armando) dos documentos de (i) Representação de nulidade n° 02/2016 (efl. 218), (ii) Arguição de nulidade (Memorando n° 609/2016/COGER/GMF/MFDF e seu anexo: Relatório de Análise 12/2016 efls. 5/24), para manifestação no prazo de 10 (dez) dias e posterior retorno ao CARF; (e) após o recebimento do processo, em retorno, seu encaminhamento a esta Presidência da 3ª Turma da CSRF, para relatoria da representação de nulidade do acórdão 9303001.319; e (f) abertura de prazo de 10 (dez) dias, para recurso pelas partes do processo administrativo fiscal (a Fazenda Nacional e o contribuinte Qualy Marcas Comércio e Exportação de Cereais Ltda.), e prosseguimento, nos termos do art. 80 do Anexo II do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF n° 343, de 2015, e alterações subsequentes. O referido despacho foi complementado pelo Despacho S/N (fl. 267), no qual foi determinado também a ciência do exConselheiro Leonardo Siade Manzan, integrante da 3ª Turma da CSRF à época do julgamento do processo 13674.000107/9990. Quanto às providências dos itens (a) e (b), os processos se encontram eletronicamente no CARF , e foram devidamente apensados (Termo de apensação à fl. 220). Fl. 303DF CARF MF Processo nº 15169.000101/201619 Resolução nº 9303000.102 CSRFT3 Fl. 304 4 Quanto à intimação da Procuradoria da Fazenda Nacional, em 26/09/2016, a PFN requereu que fosse declarada a nulidade do Acórdão nº 930301.319, por alegada violação ao art. 42, inciso II, do Anexo II do RICARF vigente à época do julgamento, conforme Relatório de 14/9/2015 da CorregedoriaGeral do Ministério da Fazenda, complementado pelo Relatório de Análise nº 12/2016. Requereu, ainda, a juntado do “Relatório de Análise de 14/9/2015”. Quanto à cientificação dos exConselheiros Judith do Amaral Marcondes Armando e Leonardo Siade Manzan, dos documentos de Representação de nulidade n° 02/2016 e Arguição de nulidade, as mesmas ocorreram em 02/12/2016 (fls. 5752, 5756 e 5757 do processo apensado). Foi apresentada a manifestação da exconselheira Judith às fls. 5729 a 5731 e documentos correlatos. Quanto à intimação o contribuinte Qualy Marcas Comércio e Exportação de Cereais Ltda, a mesma ocorreu em 28/10/2016 (AR às fls. 270) e o interessado apresentou suas considerações em 09/11/2016 (fls. 272 a 284). O processo retornou a este Conselho e foi encaminhado a esta Presidência da 3ª Turma da CSRF, para relatoria da representação de nulidade do acórdão 9303001.319. É o Relatório. Voto Conselheiro Rodrigo da Costa Pôssas, Relator A Representação de Nulidade nº 02/2016, em apreciação, decorre da Arguição de Nulidade apresentada pela CorregedoriaGeral do Ministério da Fazenda, encaminhada pelo Memorando nº 609/2016/COGER/GMF/MFDF (fl. 2), recepcionada como Representação de Nulidade, nos termos do §3º do citado artigo 80, contra decisão da 3ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais do CARF, Acórdão 9303001.319, proferido no âmbito do Processo Administrativo Fiscal nº 13674.000107/9990. A Representação de Nulidade atende os requisitos dos §§ 1º a 7º do art. 80 do RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 343/2015, com as alterações da Portaria MF nº 169, de 10 de maio de 2016, e deve ser ser conhecida. A Procuradoria da Fazenda Nacional requereu que fosse declarada a nulidade do Acórdão nº 930301.319, por alegada violação ao art. 42, inciso II, do Anexo II do RICARF vigente à época do julgamento, conforme Relatório de 14/9/2015 da CorregedoriaGeral do Ministério da Fazenda, complementado pelo Relatório de Análise nº 12/2016. A interessada Qualy Marcas requereu a improcedência da declaração de nulidade, com os seguintes argumentos: (i) a responsabilidade penal do Representante Legal da Empresa não foi declarada pelo Poder Judiciário; (ii) a matéria relativa à nulidade está sendo discutida no âmbito do Poder Judiciário, o que impediria a manifestação na esfera administrativa; e (iii) os Embargos Declaratórios propostos pela DRJ Divinópolis, cujo Fl. 304DF CARF MF Processo nº 15169.000101/201619 Resolução nº 9303000.102 CSRFT3 Fl. 305 5 julgamento se discute a nulidade, seriam manifestamente improcedentes por se tratar de matéria reconhecida pelo STJ. A exConselheira Judith do Amaral Marcondes Armando apresentou resposta à Intimação n.1356/2016DIOR/DRFBRASILIA, afirmando que sua participação no julgamento em questão não seria causa de qualquer nulidade, com base nos art. 42 e 62 do RICARF, e que os fatos que deram origem à referida investigação estão sendo apurados na esfera criminal nos autos da Ação Penal 2869267.2016.4.01.3400, anexando sua manifestação no referido processo. Afirma, ainda, que entende como razoável a anulação do referido julgamento, caso restam devidamente demonstradas as causas de nulidade aventadas nas Representações. A partir das arguições da CorregedoriaGeral da Fazenda Nacional, no Relatório de Análise nº 12/2016, os fatos a serem apreciados para averiguação da ocorrência de nulidade do julgamento, de que trata o art. 80 do RICARF, dizem respeito à violação do art. 42, inciso II, do Anexo II do RICARF aprovado pela Portaria MF nº 256/2009, vigente à época do julgamento. Para a solução da questão, inicialmente importanos conhecer o teor do referido artigo 80 do Anexo II do RICARF, que tratou das hipóteses de nulidade do julgamento no âmbito do CARF: Art. 80. Sem prejuízo de outras situações previstas na legislação e neste Regimento Interno, as decisões proferidas em desacordo com o disposto nos arts. 42 e 62 enquadramse na hipótese de nulidade a que se refere o inciso II do caput do art. 59 do Decreto n° 70.235, de 6 de março de 1972. § 1° A nulidade de que trata o caput será declarada pelo colegiado que proferiu a decisão, mediante julgamento de representação de nulidade, nos termos dos arts. 53 e 54 da Lei n° 9.784, de 29 de janeiro de 1999. (Redação dada pela Portaria MF n° 169, de 2016) § 2° Na hipótese de extinção do colegiado que proferiu a decisão, a representação de nulidade deve ser sorteada para Turma Ordinária integrante da mesma Seção de Julgamento. (Redação dada pela Portaria MF n° 169, de 2016) § 3° A representação de nulidade será apresentada pelo Presidente do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, de ofício ou mediante arguição: I pelo Secretário da Receita Federal do Brasil; II pelo ProcuradorGeral da Fazenda Nacional; III pelo CorregedorGeral do Ministério da Fazenda; e IV pelo Ministério Público Federal. (Redação dada pela Portaria MF n° 169, de 2016) § 4° A arguição de nulidade deverá ser direcionada ao Presidente do CARF, acompanhada dos elementos comprobatórios do impedimento de conselheiro ou da demonstração fundamentada da violação ao disposto no art. 62. (Redação dada pela Portaria MF n° 169, de 2016) § 5° A representação de nulidade não configura reclamação ou recurso previsto no inciso III do art. 151 da Lei n° 5.172, de 25 de outubro de 1966 Código Tributário Nacional, e sua apresentação não implica a Fl. 305DF CARF MF Processo nº 15169.000101/201619 Resolução nº 9303000.102 CSRFT3 Fl. 306 6 suspensão da exigibilidade do crédito tributário. (Redação dada pela Portaria MF n° 169, de 2016) § 6° A representação será autuada em apenso ao processo administrativo fiscal em que foi proferida a decisão. (Redação dada pela Portaria MF n° 169, de 2016) § 7° Apresentada a representação, serão intimados para manifestação, no prazo de 10 (dez) dias: I as partes do processo administrativo fiscal; e II o conselheiro ou exconselheiro, na hipótese de imputação de impedimento.(Redação dada pela Portaria MF n° 169, de 2016) § 8° A representação será julgada em sessão extraordinária convocada pelo Presidente do colegiado para exame e deliberação da matéria, cuja decisão deverá ser formalizada por meio de resolução. (Redação dada pela Portaria MF n° 169, de 2016) § 9° Aberta a sessão, o Presidente do colegiado relatará a representação, facultará a palavra aos demais membros do colegiado para manifestação e, encerrado o debate, terá início a votação. (Redação dada pela Portaria MF n° 169, de 2016) § 10 Em caso de imputação de impedimento, o conselheiro representado deverá ser substituído no julgamento da representação. (Redação dada pela Portaria MF n° 169, de 2016) § 11 Da decisão de Turma Ordinária que declarar ou rejeitar a nulidade caberá recurso administrativo à Turma da CSRF competente para apreciar a matéria objeto do processo administrativo fiscal. (Redação dada pela Portaria MF n° 169, de 2016) § 12 O recurso poderá ser interposto no prazo de 10 (dez) dias, contado da ciência da decisão pelas partes do processo administrativo fiscal. (Redação dada pela Portaria MF n° 169, de 2016) § 13 O recurso será relatado pelo Presidente da Turma da CSRF, e processado nos termos dos §§ 8° e 9°. (Redação dada pela Portaria MF n° 169, de 2016) § 14 Declarada a nulidade da decisão pela Turma da CSRF, ou transcorrido o prazo sem interposição de recurso, o processo será sorteado para relatoria entre os conselheiros integrantes do colegiado que proferiu a decisão anulada, ou entre os conselheiros do colegiado que julgou a representação de nulidade, na hipótese prevista no §2°. (Redação dada pela Portaria MF n° 169, de 2016) § 15 O processo deverá ser colocado em pauta até a segunda reunião de julgamento subsequente ao sorteio para o relator, salvo prorrogação justificada do Presidente da Turma. (Redação dada pela Portaria MF n° 169, de 2016) § 16 A decisão de Turma da CSRF que declarar ou rejeitar a nulidade de que trata o caput, inclusive na hipótese de apreciação de suas próprias decisões, será definitiva na esfera administrativa, e dela será Fl. 306DF CARF MF Processo nº 15169.000101/201619 Resolução nº 9303000.102 CSRFT3 Fl. 307 7 dada ciência aos interessados. (Redação dada pela Portaria MF n° 169, de 2016) Por sua vez, assim dispunha o referido artigo 42 do Regimento Interno do CARF que vigia à época dos fatos: Art. 42. O conselheiro estará impedido de atuar no julgamento de recurso, em cujo processo tenha: I atuado como autoridade lançadora ou praticado ato decisório monocrático; II interesse econômico ou financeiro, direto ou indireto; III como parte, cônjuge, companheiro, parentes consanguíneos ou afins até o terceiro grau; IV participado do julgamento em primeira instância. Parágrafo único. Para os efeitos do inciso II, considerase existir interesse econômico ou financeiro, direto ou indireto, nos casos em que o conselheiro representante dos contribuintes: I preste consultoria, assessoria, assistência jurídica ou contábil ao interessado, ou dele perceba remuneração sob qualquer título, no período da instauração do processo administrativo fiscal e até a data da sessão em que for concluído o julgamento do recurso; e II atue como advogado, firmando petições, em ação judicial cujo objeto, matéria, ou pedido seja idêntico ao do recurso em julgamento. A nulidade do ato processual está assim disposta no inciso II do caput do art. 59 do Decreto n° 70.235, de 6 de março de 1972. Art. 59. São nulos: […] II os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. [...] § 2ºNa declaração de nulidade, a autoridade dirá os atos alcançados, e determinará as providências necessárias ao prosseguimento ou solução do processo. Já os artigos 53 e 54 da Lei n° 9.784/1999 estão assim dispostos: Art. 53. A Administração deve anular seus próprios atos, quando eivados de vício de legalidade, e pode revogálos por motivo de conveniência ou oportunidade, respeitados os direitos adquiridos. Art. 54. O direito da Administração de anular os atos administrativos de que decorram efeitos favoráveis para os destinatários decai em cinco anos, contados da data em que foram praticados, salvo comprovada máfé. § 1º No caso de efeitos patrimoniais contínuos, o prazo de decadência contarseá da percepção do primeiro pagamento. Fl. 307DF CARF MF Processo nº 15169.000101/201619 Resolução nº 9303000.102 CSRFT3 Fl. 308 8 § 2º Considerase exercício do direito de anular qualquer medida de autoridade administrativa que importe impugnação à validade do ato. Portanto, para configurarmos que a decisão em questão estava em desacordo com o disposto no artigo 42 do RICARF, configurando hipótese de nulidade a que se refere o inciso II do caput do art. 59 do Decreto n° 70.235/72, devemos constatar se algum dos conselheiros, que participou da sessão de 01/02/2011, estava impedido de atuar no julgamento dos embargos. No presente caso analisaremos a existência (i) de interesse econômico ou financeiro, direto ou indireto e (ii) da participação, como parte, de cônjuge, companheiro, parentes consanguíneos ou afins até o terceiro grau. O parágrafo único do artigo 42 do RICARF previa as seguintes situações que configuravam interesse econômico ou financeiro, direto ou indireto: (a) nos casos em que o conselheiro representante dos contribuintes preste consultoria, assessoria, assistência jurídica ou contábil ao interessado, ou dele perceba remuneração sob qualquer título, no período da instauração do processo administrativo fiscal e até a data da sessão em que for concluído o julgamento do recurso; e (b) atue como advogado, firmando petições, em ação judicial cujo objeto, matéria, ou pedido seja idêntico ao do recurso em julgamento. Segundo a Representação, o Conselheiro Leonardo Siade Manzan estaria impedido de atuar naquele julgamento por ter interesse econômico ou financeiro, direto ou indireto no processo em causa. Assim, o objeto de verificação quanto à situação de impedimento, recai tão somente sobre o então Conselheiro Leonardo Siade Manzan e suas atuações diretas ou indiretas, com relação ao Processo Administrativo Fiscal 13674.000107/9990. A vinculação entre o Conselheiro Leonardo Siade Manzan configurarseia pela relação entre o empresário proprietário da QUALY, RAMIRO JÚLIO FERREIRA JUNIOR (Juninho), que teria contratado a defesa da empresa no CARF com o escritório de advocacia de LEOVEGILDO MORAIS, que, por conseguinte, teria firmado contrato de parceria sob o objeto da referida defesa com a SBS CONSULTORIA, empresa que tem como sócio AGENOR MANZANO, pai de LEONARDO MANZAN. Passo à apreciação dos elementos probantes e à análise dos fatos. Com base nos autos, não obstante o contrato firmado entre a QUALY MARCAS e a LEOVEGILDO CONSULTORIA E ASSESSORIA (fls. 25 a 27), de LEOVEGILDO MORAIS, os demais envolvidos também asseguraram o proveito de suas participações no caso por intermédio de contratos de parceria. Nesse sentido, foram firmados com a empresa SBS CONSULTORIA EMPRESARIAL e com FLAVIO FERREIRA DE OLIVEIRA o “Contrato Particular de Constituição de Sociedade em Conta de Participação (SCP) (fls. 28 a 31), cujo objeto era a prestação de serviços necessários a viabilizar o recebimento pela empresa MOKA TRADING COMPANY (denominação anterior da interessada), dos valores a restituir dos autos do processo administrativo 13674.000107/9990. Fl. 308DF CARF MF Processo nº 15169.000101/201619 Resolução nº 9303000.102 CSRFT3 Fl. 309 9 Destacase que, além da constatação de que a empresa subcontratada SBS CONSULTORIA EMPRESARIAL era de copropriedade de AGENOR MANZANO, pai de LEONARDO MANZAN, os documentos de fls. 32 a 43 comprovam que o exconselheiro tinha participação efetiva na consultoria, conforme demonstra diversos documentos com o timbre da SBS CONSULTORIA assinados por ele, tais como contratos de prestação de serviços e procurações. A possível vinculação entre LEONARDO MANZAN e a QUALY MARCAS não passou despercebida pelos prestadores de serviço, conforme demonstra o email abaixo reproduzido, enviado por Jorge Victor Rodrigues (sócio da SBS) e LEOVEGILDO MORAIS (advogado inicialmente contratado): A troca de mensagem abaixo, extraída do Relatório de Análise nº 12/2016 também configura a participação de LEONARDO MANZAN nas discussões acerca do caso: Fl. 309DF CARF MF Processo nº 15169.000101/201619 Resolução nº 9303000.102 CSRFT3 Fl. 310 10 Também configura interesse direito do exconselheiro a proximidade com o o empresário proprietário da QUALY, RAMIRO JÚLIO FERREIRA JUNIOR (Juninho), conforme demonstra a troca de mensagem abaixo reproduzida, enviadas por LEONARDO MANZAN, também extraídas do Relatório de Análise nº 12/2016: O Relatório de Análise nº 12/2016 destaca também que entre os meses de janeiro de 2010 e agosto de 2012, os terminais telefônicos associados a LEONARDO MANZAN e LEOVEGILDO realizaram 25 ligações entre si, concentradas principalmente em janeiro de 2011, setembro de 2011 e abril de 2012. A primeira ligação ocorreu em 18/01/2011, 14 (quatorze) dias antes da sessão de julgamento do processo de interesse da QUALY. O relatório também demonstra a ocorrência de registros telefônicos entre LEONARDO MANZAN e o empresário RAMIRO JÚLIO, sócioproprietário da QUALY, de forma bidirecional, totalizando 141 ligações espaçadas em 68 dias, com destaque para os meses de janeiro de 2011 (véspera do julgamento), setembro de 2011 e dezembro de 2011. Conforme demonstrado no Relatório de Análise nº 12/2016, foi creditado na conta corrente bancária de LEONARDO MANZAN o montante de $1.030.000,00, proveniente de VR Assessoria e Consultoria Ltda, de propriedade de JORGE VICTOR RODRIGUES, Fl. 310DF CARF MF Processo nº 15169.000101/201619 Resolução nº 9303000.102 CSRFT3 Fl. 311 11 também sócio da SBS CONSULTORIA, subcontratada para prestar serviços à QUALY MARCAS. No Termo de Declarações IPL 0004/2014 CGPEFAZ/DPF (fls.208 a 214) JORGE VICTOR RODRIGUES, declarou: “QUE conhece LEONARO MANZAN desde que nasceu, haja visa estreita amizada com AGENOR, pai de LEONARDO; QUE nunca trabalhou com LEONARDO MANZAN; que entretanto cedeu o nome de uma de suas empresas, a VR CONSULTORIA, para celebração de alguns contratos de interesse pessoal de LEONARDO”. Também constatase uma ligação patrimonial entre LEONARDO MANZAN e seu pai e sócio da SBS CONSULTORIA, AGENOR MANZANO, conforme demonstra sua declaração de bens e direitos, onde consta diversas “doações” recebidas de seu pai. Diante de todos os fatos acima relatados e demais elementos que constam dos autos, constatase que o exconselheiro LEONARDO SIADE MANZAN efetivamente tinha interesse direto no resultado do julgamento do processo 13674.000107/9990, especialmente no julgamento objeto do Acórdão 9303001.319, estando configurada a existência de interesse econômico e financeiro, de forma direta (presumida) e indireta (comprovada, pelos valores recebidos de empresa ligada à subcontratada SBS CONSULTORIA, VR CONSULTORIA, e por seu pai). Portanto, como o o exconselheiro LEONARDO SIADE MANZAN não se declarou impedido conforme dispunha o art. 42 do RICARF anteriormente vigente, o Acórdão 9303001.319 é nulo, por ter sido proferido por autoridade julgadora incompetente, conforme dispõe o inciso II do art. 59 do Decreto n° 70.235/72. Não procede a alegação da interessada de que o reconhecimento da nulidade do referido Acórdão configura em reconhecimento de ato de corrupção por esta instância administrativa. No presente caso, o colegiado está apreciando se o julgamento anterior estava eivado de vício, pelo impedimento de conselheiro que participou do julgamento. Qualquer outra análise decorrente daquele ato, com reflexos de natureza penal, não cabe a este julgador administrativo. Também não procede a alegação de que os Embargos Declaratórios propostos pela DRJ Divinópolis, cujo julgamento se discute a nulidade, seriam manifestamente improcedentes por se tratar de matéria reconhecida pelo STJ. Este colegiado está vinculado à previsão regimental em se analisar a nulidade do julgamento em questão, independentemente do desfecho do novo julgamento e das teses majoritárias. Diante do exposto, voto por reconhecer a nulidade do Acórdão nº 9303001.319, proferido pela 3ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais do CARF, no âmbito do Processo Administrativo Fiscal nº 13674.000107/9990. O referido processo deverá ser sorteado para relatoria entre os conselheiros integrantes deste colegiado, para julgamento dos embargos de declaração opostos pela Fazenda Nacional e pelo contribuinte, em face do Acórdão CSRF/0305.570. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Fl. 311DF CARF MF
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