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Numero do processo: 10120.722701/2013-13
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jan 20 00:00:00 UTC 2015
Ementa: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS
Período de apuração: 01/02/2011 a 30/06/2012
Ementa:
GLOSA DE COMPENSAÇÃO. AUSÊNCIA DE LIQUIDEZ E CERTEZA.
Demonstrado nos autos que faleciam aos créditos utilizados na compensação os requisitos de liquidez e certeza exigidos pela legislação, mostra-se correta a glosa a respectiva exigência das contribuições previdenciárias que deixaram de ser recolhidas.
COMPENSAÇÃO. UTILIZAÇÃO DE PRECATÓRIOS ADQUIRIDOS DE TERCEIROS. FALTA DE PREVISÃO LEGAL. IMPOSSIBILIDADE.
Não há previsão legal autorizando a compensação de contribuições sociais com créditos de precatórios adquirido de terceiros.
MULTA ISOLADA. FALTA DE DEMONSTRAÇÃO DE FRAUDE NO PROCESSO DE COMPENSAÇÃO. INAPLICABILIDADE.
Inaplicável a multa isolada de 150% nos casos em que o fisco fundamente a sua imposição apenas na incorreta declaração da GFIP.
JUROS SELIC. INCIDÊNCIA SOBRE OS DÉBITOS TRIBUTÁRIOS ADMINISTRADOS PELA RFB.
A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC para títulos federais.
Numero da decisão: 2301-004.275
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado.
Nome do relator: MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR
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ementa_s : CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/02/2011 a 30/06/2012 Ementa: GLOSA DE COMPENSAÇÃO. AUSÊNCIA DE LIQUIDEZ E CERTEZA. Demonstrado nos autos que faleciam aos créditos utilizados na compensação os requisitos de liquidez e certeza exigidos pela legislação, mostra-se correta a glosa a respectiva exigência das contribuições previdenciárias que deixaram de ser recolhidas. COMPENSAÇÃO. UTILIZAÇÃO DE PRECATÓRIOS ADQUIRIDOS DE TERCEIROS. FALTA DE PREVISÃO LEGAL. IMPOSSIBILIDADE. Não há previsão legal autorizando a compensação de contribuições sociais com créditos de precatórios adquirido de terceiros. MULTA ISOLADA. FALTA DE DEMONSTRAÇÃO DE FRAUDE NO PROCESSO DE COMPENSAÇÃO. INAPLICABILIDADE. Inaplicável a multa isolada de 150% nos casos em que o fisco fundamente a sua imposição apenas na incorreta declaração da GFIP. JUROS SELIC. INCIDÊNCIA SOBRE OS DÉBITOS TRIBUTÁRIOS ADMINISTRADOS PELA RFB. A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC para títulos federais.
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AUSÊNCIA DE LIQUIDEZ E CERTEZA. Demonstrado nos autos que faleciam aos créditos utilizados na compensação os requisitos de liquidez e certeza exigidos pela legislação, mostra-se correta a glosa a respectiva exigência das contribuições previdenciárias que deixaram de ser recolhidas. COMPENSAÇÃO. UTILIZAÇÃO DE PRECATÓRIOS ADQUIRIDOS DE TERCEIROS. FALTA DE PREVISÃO LEGAL. IMPOSSIBILIDADE. Não há previsão legal autorizando a compensação de contribuições sociais com créditos de precatórios adquirido de terceiros. MULTA ISOLADA. FALTA DE DEMONSTRAÇÃO DE FRAUDE NO PROCESSO DE COMPENSAÇÃO. INAPLICABILIDADE. Inaplicável a multa isolada de 150% nos casos em que o fisco fundamente a sua imposição apenas na incorreta declaração da GFIP. JUROS SELIC. INCIDÊNCIA SOBRE OS DÉBITOS TRIBUTÁRIOS ADMINISTRADOS PELA RFB. A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC para títulos federais. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Fl. 484DF CARF MF Impresso em 13/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/04/2015 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 13/ 04/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 13/04/2015 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. MARCELO OLIVEIRA - Presidente. MANOEL COELHO ARRUDA JÚNIOR - Relator. EDITADO EM: 13/04/2015 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: MARCELO OLIVEIRA (Presidente), DANIEL MELO MENDES BEZERRA, CLEBERSON ALEX FRIESS, MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, ADRIANO GONZALES SILVERIO. Relatório O crédito tributário foi constituído contra a empresa CIFARMA CIENTIFICA FARMACEUTICA LTDA, por meio dos Autos de Infração, consolidados em16/04/2013, AI DEBCAD Nº 51.035.492-0, no valor de R$ 5.659.451,11 (Cinco milhões,seiscentos e cinqüenta e nove mil, quatrocentos e cinquenta e um reais e onze centavos) e AI - DEBCAD nº 51.035.491-2, no valor de R$ 6.386.294,89 (seis milhões, trezentos e oitenta e seis mil, duzentos e noventa e quatro reais e oitenta e nove centavos) referentes a apuração de valores devidos à Seguridade Social, decorrentes de glosa de compensações indevidamente declaradas e lançamento de multa isolada, respectivamente, relativos ao período de 02/2011 a05/2012. Conforme Relatório Fiscal, quando intimado pela fiscalização a apresentar a base legal e o memorial de cálculo dos créditos utilizados na compensação, a empresa CIFARMA Científica Farmacêutica Ltda - CNPJ 17.562.075/0001-69 informou ter requerido, administrativamente (processos COMPROT de n° 10120725087/201180,10120.726923/2011- 43 e 10120.001783/2011-05), a extinção de tributos e contribuições previdenciárias, com fulcro no artigo 78 do Ato das Disposições Constitucionais Transitórias(ADCT), incluído pelo artigo 2o da Emenda constitucional (EC) n° 30, de 13/09/2000, que concede aos precatórios não pagos o poder liberatório do pagamento de tributos de entidade devedora, administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB). Como justificativa dos valores no período de 02/2011 a 05/2012, a empresa fiscalizada relatou naqueles requerimentos ter adquirido da empresa Rios & Associados SC Ltda - CNPJ 00.397.826/0001-36, direitos creditórios consubstanciados no Precatório Requisitório n° 292/97 de 13/06/97 do Tribunal Regional do Trabalho da 21ª Região, processo TRT n° 25-00290-97-5, expedido nos autos da Reclamação Trabalhista n°614/91, que tramitou perante a 3a Junta de Conciliação e Julgamento de Natal - RN, nos termosda permissão constitucional contida nas Emendas Constitucionais n° 30/00 e 62/09, para onegócio jurídico realizado. Fl. 485DF CARF MF Impresso em 13/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/04/2015 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 13/ 04/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 13/04/2015 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR Processo nº 10120.722701/2013-13 Acórdão n.º 2301-004.275 S2-C3T1 Fl. 485 3 A recorrente alegou ter notificado extrajudicialmente a Procuradoria Regional da União(3a região), a qual se manteve inerte. Desse modo, ante a moratória declarada e a ausência de demonstração, por parte do ente devedor (a União), de qualquer intenção de liquidar os precatórios, a fiscalizada, na condição de credora-contribuinte, foi obrigada a requerer a liberação, com consequente extinção do crédito tributário, como única medida para satisfazer parcialmente o direito a que entendia fazer jus. Entretanto, antes do pronunciamento aos pedidos de compensação a recorrente efetuou compensação das contribuições previdenciárias nas GFIPs relativas ao período de fevereiro de 2011 a maio de 2011. Cumpre salientar, que a fiscalização verificou, em consulta processual, que o Precatório Requisitório nº 29000-46.1997.5.21, objeto da compensação efetuada, foi cancelado. Consoante Certidão e Despacho de 29/11/2011, acessíveis via consulta ao processo RT n° 03- 0614-91, "foi juntada cópia do despacho proferido nos autos do Precatório (2518/2519), na qual o Exmo. Sr. Presidente do E. TRT informa, em suma, que não existe crédito a ser executado pelos substituídos desta RT, inclusive, a baixa do referido Precatório, estando este cancelado (...)". A fiscalização concluiu que o Precatório Requisitório (PR) TRT PR 29000- 46 (n° antigo 25-00290-97-5) é inservível para fins de extinção ou de compensação de tributos administrados pela RFB, eis que nos respectivos autos o Presidente do TRT da 21a Região, por meio de despacho datado de 08/09/1998, determinou cancelamento do citado Precatório e, desde então, não há decisão definitiva. Os valores compensados pelo contribuinte no período de 02/2011 a 05/2012 foram glosados pela fiscalização, pelos seguintes motivos: - O precatório encontra-se cancelado; - O artigo 78, § 2o, do ADCT está com sua eficácia suspensa e necessita de regulamentação prévia para que a compensação ali prevista possa ser levada a efeito pelo Sujeito Passivo; e - Caso houvesse algum crédito a executar, o procedimento deveria retornara um momento anterior, sendo competente o Juízo de Execução para tomar as providências devidas, conforme diretrizes estabelecidas no provimento TRT n° 002/2011. Foi verificado pela fiscalização que a recorrente entregou novas GFIPs, relativas ao período de 02/2011 a 05/2011, com retificação do campo de compensações, no qual excluiu as compensações objeto de glosa deste AI. No entanto, na data dessas retificações o recorrente já estava sob ação fiscal. Constatou-se falsidade nas GFIP apresentadas pelo Sujeito Passivo, consubstanciada na inserção de créditos inexistentes de fato, foi aplicada a multa isolada de 150% (cento e cinquenta por cento) sobre o total do crédito compensado indevidamente, conforme prevê o artigo 46 da Instrução Normativa RFB n° 900, de 30 de dezembro de 2008. O fato gerador ocorreu nas competências de 03/2011 a 06/2012. A fiscalização constatou que o contribuinte inseriu nas GFIP, do período de 02/2011 a 06/2012, créditos inexistentes e, mediante essa prática, obteve redução da contribuição social previdenciária devida. Referida conduta caracteriza, em tese, o delito de Fl. 486DF CARF MF Impresso em 13/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/04/2015 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 13/ 04/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 13/04/2015 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR 4 Falsificação de Documento Público, tipificado no Código Penal Brasileiro, art. 297, § 3o, inciso III, do Decreto-lei n° 2.848/40 (incluído pela Lei n° 9.983, de 14/07/00). A recorrente interpôs impugnação, em que alegou que pleiteou administrativamente a extinção das apurações das contribuições previdenciárias do período de 02/2011 a 06/2012 via Poder Liberatório atribuído a Precatório de sua titularidade, vencido e não pago pela Fazenda Nacional, que ainda estão em andamento, isto é não houve transito em julgado, o que torna nulo ao Auto de Infração. Alega que a impugnante tornou-se detentora de créditos deprecatório judicial vencido e não pago, a saber TRT 25-0290/97, expedido pelo TRT da 21ªRegião, através de Escritura de Cessão de Direitos Creditórios, adquirindo-o de Rios &Associados Ltda., que os adquiriu de Multiplus Compra e Venda de Direitos Creditórios S.A,que, por sua vez, os adquiriu de TranstradeInternational Brasil Expsort Ltda, credora devidamente habilitada nos autos da Reclamação Trabalhista que deu azo a expedição do Precatório. Entende que o pedido de extinção dos débitos, via Poder Liberatório, tem expressa permissão legal no art. 100 da CF e art. 78 do ADCT e que é inegável a auto aplicabilidade da norma constitucional que estatuiu o Poder Liberatório, de forma que, se extrai que o Precatório vencido e não pago, adquire automaticamente Poder Liberatório de Pagamento de Tributos.Cita doutrina e jurisprudência que entende se aplicar ao caso e discorre a respeito do Precatório Expedido, citando o art. 74 da Lei 9.430/96. Alega que a multa isolada foi aplicada com base no art. 89 da Lei 8.212/91, porém em nenhum momento a impugnante pleiteou compensação de débitos na forma do referido artigo. O procedimento adotado pela impugnante tem fundamento constitucional e não corresponde a hipótese prevista no art. 89 da Lei 8.212. São modalidades distintas. Entende que não se enquadra na hipótese do § 10 do art. 89 da referida Lei também porque não promoveu compensação indevida, nem tão pouco prestou declaração falsa.Considera também a multa isolada absolutamente inconstitucional e abusiva, fugindo aos princípios da Razoabilidade e Isonomia e representa valor exorbitante. A autuada apenas exerceu um Direito Constitucional que não pode ser interpretado como dolo, muito menos como ilícito, a ponto de aplicar multa de qualquer espécie. A imposição da multa importa,ainda, em violação ao Direito de Petição, consagrado no art. 5º, inciso XXXIV da CF. Após análise do relatório fiscal e da impugnação da recorrente, em 16/07/2013, acordaram os membros da 5ª Turma de Julgamento da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Brasília – DF por unanimidade de votos, julgar improcedente a impugnação e manter o crédito exigido. Segue ementa – acórdão 03-53.104: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/02/2011 a 30/06/2012 DEBCAD Nº 51.035.492-0 – GLOSA DE COMPENSAÇÃO 51.035.491-2 - MULTA ISOLADA COMPENSAÇÃO. GLOSA. Serão glosados pelo Fisco os valores compensados indevidamente pelo sujeito passivo. COMPENSAÇÃO. CESSÃO DE CRÉDITOS. AÇÃO JUDICIAL. A aquisição de direito de crédito de terceiros em ação judicial, transferido mediante cessão, não autoriza o adquirente utilizá-lo para fins de compensação com os tributos da Seguridade Social. Fl. 487DF CARF MF Impresso em 13/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/04/2015 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 13/ 04/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 13/04/2015 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR Processo nº 10120.722701/2013-13 Acórdão n.º 2301-004.275 S2-C3T1 Fl. 486 5 COMPENSAÇÃO. PRECATÓRIO. ART. 78 ADCT. Não há amparo a procedimento de compensação com supedâneo no art. 78do ADCT, por estar com eficácia suspensa em sede de medida cautelar em Ação Direta de Inconstitucionalidade (STF - ADI nº 2.356). COMPENSAÇÃO. PRECATÓRIO. ART. 100 CF. ARTS. 30 A 45 LEI12.431/2011. A compensação prevista no art. 100 da Constituição Federal, regulada pelos arts. 30 a 45 da Lei nº 12.431/2011 é procedimento de ofício do Poder Judiciário, e não do sujeito passivo autor da ação. INCONSTITUCIONALIDADE. ILEGALIDADE. ARGUIÇÃO. A instância administrativa é incompetente para se manifestar sobre a constitucionalidade ou legalidade de ato normativo em vigor. CARÁTER CONFISCATÓRIO DA MULTA Não é confiscatória a multa exigida nos estritos limites do previsto em lei para o caso concreto, não sendo competência funcional do órgão julgador administrativo apreciar alegações de ilegalidade ou inconstitucionalidade da legislação vigente. PROVA PERICIAL DESNECESSÁRIA. A produção da prova pericial só é cabível quando o julgador administrativo entender que seu convencimento necessita da produção desta prova, não configurando seu indeferimento cerceamento do direito de defesa. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Intimado da decisão do acórdão em 19/07/2013, o recorrente interpôs Recurso Voluntário, no dia 20/08/2013, conforme previsão legal, o artigo 33 do Decreto 70.235/72. Preliminarmente, alega a recorrente, a nulidade da autuação, devido ao excesso de exação devido a lançamento e cobrança em duplicidade perpetrado pelo Fisco. Aduz que o Fisco alega que s compensações são supostamente indevidas. Informa que os débitos do auto de infração já se encontram constituídos e em cobrança na conta corrente da contribuinte e assim não há como se legitimar o auto de infração. A recorrente alega a nulidade da decisão de primeira instancia, eis que segundo a recorrente, a decisão carece de clareza e exatidão, acrescenta ainda que a R. Decisão não abordou com a devida tenacidade e abrangência as questões invocadas pela contribuinte, diz que a multa isolada foi ponto não suficientemente abordado. Insiste ainda, argumentando que a inobservância e a supressão de tais pontos caracterizam, a nulidade da decisão por cerceamento de defesa, por configurar violação ao Direito Constitucional do Contribuinte ao Contraditório e Ampla Defesa. Fl. 488DF CARF MF Impresso em 13/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/04/2015 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 13/ 04/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 13/04/2015 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR 6 No que se refere ao mérito, a recorrente alega que a Auto de Infração já foi constituído e encontra-se em cobrança ativa praticada pelo Fisco e diante disso não há que se falar em glosa por se configurar cobrança em duplicidade. Informa, que os créditos utilizados nos procedimentos de extinção do débito intentados pelo Contribuinte foram adquiridos legalmente, consoante expressa permissão Constitucional e que os documentos carreados atestam se tratar de credito judicial transitado em julgado e não de expectativa de crédito. Quanto à compensação reitera os fatos alegados na impugnação. A recorrente, no que tange a análise de inconstitucionalidade, alega que a Instancia Administrativa pode sim reconhecer as matérias inconstitucionais, notadamente, as que já tenham sido objeto de apreciação pelo Poder Judiciário, tal como ocorre com as matérias suscitadas pela Contribuinte. Quanto aos demais pontos, a Contribuinte reitera as alegações feitas na impugnação. No pedido, requer a declaração da insubsistência da presente Autuação, em razão da nulidade decorrente do excesso de exação, subsidiariamente requer a declaração de nulidade da R. Decisão de Primeira Instancia, requer ainda que seja dado integral provimento ao recurso voluntário para o fim de ser cancelado o auto de infração e por conseguinte, os débitos fiscais reclamados. É o relatório. Voto Conselheiro MANOEL COELHO ARRUDA JÚNIOR - Relator Atendido o pressuposto de admissibilidade, frente à tempestividade, conheço dos recursos e passo ao seu exame. I PRELIMINARMENTE Segundo consta dos autos a fiscalização glosou os valores compensados em GFIP, haja vista considerar que os créditos apurados pela autuada careciam de liquidez e certeza, circunstâncias essas que estão evidenciadas no Relatório Fiscal. Em suma o presente lançamento apurou o fato tributável dentro do que determina a legislação de regência, identificando o contribuinte e dando-lhe plena ciência da infração apurada. O direito à ampla defesa e, ao contraditório, assegurado pela Constituição Federal, não foram maculados em razão do lançamento ter sido efetuado através do exame dos documentos de posse da notificada, por ela elaborados, o que lhe permite contradizer e defender-se sem qualquer restrição, eis que forçosamente, é de seu conhecimento os elementos oferecidos para exame. Ademais, foram cumpridos todos os requisitos do artigo 11 do Decreto n° 70.235, de 06 de março de 1972, verbis: Fl. 489DF CARF MF Impresso em 13/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/04/2015 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 13/ 04/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 13/04/2015 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR Processo nº 10120.722701/2013-13 Acórdão n.º 2301-004.275 S2-C3T1 Fl. 487 7 “Art. 11. 'A notificação de lançamento será expedida pelo órgão que administra o tributo e conterá obrigatoriamente: I - a qualificação do notificado; II - o valor do crédito tributário e o prazo para recolhimento ou impugnação; III - a disposição legal infringida, se for o caso; IV -a assinatura do chefe do órgão expedidor ou de outro servidor autorizado e a indicação de seu cargo ou função e o número de matrícula.” O recorrente foi devidamente intimado de todos os atos processuais, assegurando-lhe a oportunidade de exercício da ampla defesa e do contraditório, nos termos do artigo 23 do mesmo Decreto. “Art. 23. Far-se-á a intimação: I - pessoal, pelo autor do procedimento ou por agente do órgão preparador, na repartição ou fora dela, provada com a assinatura do sujeito passivo, seu mandatário ou preposto, ou, nó caso de recusa, com declaração escrita de quem o intimar; (Redação dada pela Lei n° 9.532, de 10.12.1997) II - por via postal, telegráfica ou por qualquer outro meio ou via, com prova de recebimento no domicílio tributário eleito pelo sujeito passivo; (Redação dada pela Lei n° 9.532, de 10.12.1997)” Diante dessas considerações, rejeito a alegação de nulidade da autuação fiscal. II DA REGULARIDADE DA GLOSA As demais alegações recursais confundem-se com o mérito propriamente dito, isto é, a existência e validade dos créditos utilizados em GFIP para liquidar, mediante compensação, débitos relativos às contribuições previdenciárias devidas no período apurado pelo Fisco. A discussão presente nos autos cinge-se à legalidade do procedimento de compensação de parte das contribuições previdenciárias devidas no período de 02/2011 a 06/2012 pela empresa ora Recorrente. De acordo com o Relatório Fiscal, quando intimado pela fiscalização a apresentar a base legal e o memorial de cálculo dos créditos utilizados na compensação, a empresa CIFARMA Científica Farmacêutica Ltda - CNPJ 17.562.075/0001-69 informou ter requerido, administrativamente (processos COMPROT de n° 10120725087/201180, 10120.726923/2011-43 e 10120.001783/2011-05), a extinção de tributos e contribuições previdenciárias, com fulcro no artigo 78 do Ato das Disposições Constitucionais Transitórias (ADCT), incluído pelo artigo 2o da Emenda constitucional (EC) n° 30, de 13/09/2000, que concede aos precatórios não pagos o poder liberatório do pagamento de tributos de entidade devedora, administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB). Fl. 490DF CARF MF Impresso em 13/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/04/2015 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 13/ 04/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 13/04/2015 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR 8 Como justificativa dos valores no período de 02/2011 a 05/2012, a empresa fiscalizada relatou naqueles requerimentos ter adquirido da empresa Rios & Associados SC Ltda - CNPJ 00.397.826/0001-36, direitos creditórios consubstanciados no Precatório Requisitório n° 292/97 de 13/06/97 do Tribunal Regional do Trabalho da 21a Região, processo TRT n° 25-00290-97-5, expedido nos autos da Reclamação Trabalhista n° 614/91, que tramitou perante a 3a Junta de Conciliação e Julgamento de Natal - RN, nos termos da permissão constitucional contida nas Emendas Constitucionais n° 30/00 e 62/09, para o negócio jurídico realizado. A questão central do mérito resume-se em decidir se a utilização de créditos adquiridos de terceiros, consistentes em precatórios, são instrumentos legítimos a serem utilizados na compensação com contribuições da empresa devidas à Seguridade Social. A legislação previdenciária, ao regular a compensação de contribuições previdenciárias, estatui no art. 89 da Lei 8.212/91 (redação vigente à época da compensação): Art. 89. Somente poderá ser restituída ou compensada contribuição para a Seguridade Social arrecadada pelo Instituto Nacional do Seguro Social INSS na hipótese de pagamento ou recolhimento indevido. (Redação dada ao caput e parágrafos pela Lei nº 9.129, de 20.11.95). § 1º Admitir-se-á apenas a restituição ou a compensação de contribuição a cargo da empresa, recolhida ao INSS, que, por sua natureza, não tenha sido transferida ao custo de bem ou serviço oferecido à sociedade. § 2º Somente poderá ser restituído ou compensado, nas contribuições arrecadadas pelo INSS, o valor decorrente das parcelas referidas nas alíneas a, b e c, do parágrafo único do art. 11 desta Lei. § 3º Em qualquer caso, a compensação não poderá ser superior a trinta por cento do valor a ser recolhido em cada competência. § 4º Na hipótese de recolhimento indevido, as contribuições serão restituídas ou compensadas, atualizadas monetariamente. § 5º Observado o disposto no § 3º, o saldo remanescente em favor do contribuinte, que não comporte compensação de uma só vez, será atualizado monetariamente. § 6º A atualização monetária de que tratam os §§ 4º e 5º deste artigo observará os mesmos critérios utilizados na cobrança da própria contribuição. § 7º Não será permitida ao beneficiário a antecipação do pagamento de contribuições para efeito de recebimento de benefícios." Não há, portanto, previsão de compensação de créditos de terceiros ou que não se refiram a contribuições previdenciárias. A lei possibilita a compensação apenas de créditos do mesmo contribuinte, e somente na hipótese de pagamento ou recolhimento indevido de contribuições à seguridade social. Fl. 491DF CARF MF Impresso em 13/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/04/2015 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 13/ 04/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 13/04/2015 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR Processo nº 10120.722701/2013-13 Acórdão n.º 2301-004.275 S2-C3T1 Fl. 488 9 A utilização de créditos apurados em precatórios, seja do mesmo contribuinte, seja de terceiros, só seria possível através de expressa previsão legal, o que inocorre in casu. Nessa linha já decidiu o Superior Tribunal de Justiça. TRIBUTÁRIO. AGRAVO REGIMENTAL NO AGRAVO DE INSTRUMENTO. DÉBITOS TRIBUTÁRIOS. COMPENSAÇÃO COM CRÉDITOS DE PRECATÓRIOS. MEDIDA QUE RECLAMA A EXISTÊNCIA DE LEI LOCAL AUTORIZADORA. ENTENDIMENTO PACÍFICO NO ÂMBITO DO SUPERIOR TRIBUNAL DE JUSTIÇA. AGRAVO NÃO PROVIDO. 1. "A jurisprudência pacificada desta Corte considera que a compensação de tributos depende da existência de lei autorizativa editada pelo respectivo ente federativo" (AgRg no RMS 35.365/PR, Segunda Turma, Rel. Min. CASTRO MEIRA, DJe 10/5/12). 2. Agravo regimental não provido. AgRg no AREsp 120392 / RS; DJe 11/09/2012 Inexistindo lei que autorize a compensação de contribuições sociais com crédito decorrentes de precatórios, é inviável o procedimento efetuado pelo sujeito passivo, não havendo reparos ao que ficou decidido pela DRJ quanto a essa questão. Não há de se acolher a tese de que o art. 170 do CTN e o art. 66 da Lei n.º 8.383/1991 dariam guarida ao procedimento de compensação. Vejamos. Assim dispõe o CTN: Art. 170. A lei pode, nas condições e sob as garantias que estipular, ou cuja estipulação em cada caso atribuir à autoridade administrativa, autorizar a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda pública. O texto legal é cristalino ao dispor que a autorização para o encontro de contas Fisco-Contribuinte é dependente da existência de lei autorizativa. No caso das contribuições sociais, inexiste lei prevendo a possibilidade de compensação com créditos de terceiros, oriundos de precatórios. A Lei n.º 8.383/1991 estipula: Art. 66. Nos casos de pagamento indevido ou a maior de tributos, contribuições federais, inclusive previdenciárias, e receitas patrimoniais, mesmo quando resultante de reforma, anulação, revogação ou rescisão de decisão condenatória, o contribuinte poderá efetuar a compensação desse valor no recolhimento de importância correspondente a período subseqüente. (Redação dada pela Lei nº 9.069, de 29.6.1995) (Vide Lei nº 9.250, de 1995) Fl. 492DF CARF MF Impresso em 13/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/04/2015 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 13/ 04/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 13/04/2015 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR 10 § 1º A compensação só poderá ser efetuada entre tributos, contribuições e receitas da mesma espécie. (Redação dada pela Lei nº 9.069, de 29.6.1995) § 2º É facultado ao contribuinte optar pelo pedido de restituição. (Redação dada pela Lei nº 9.069, de 29.6.1995) § 3º A compensação ou restituição será efetuada pelo valor do tributo ou contribuição ou receita corrigido monetariamente com base na variação da UFIR. (Redação dada pela Lei nº 9.069, de 29.6.1995) § 4º As Secretarias da Receita Federal e do Patrimônio da União e o Instituto Nacional do Seguro Social INSS expedirão as instruções necessárias ao cumprimento do disposto neste artigo. (Redação dada pela Lei nº 9.069, de 29.6.1995 Conforme as disposições acima, não há permissivo legal para o procedimento adotado pelo sujeito passivo, posto que a compensação somente pode se dar com créditos decorrentes de recolhimento indevido efetuado pelo próprio contribuinte e que se refiram tributos da mesma espécie. Os autos revelam que os créditos foram obtidos de terceiros, portanto, não se referem a pagamentos efetuados pela própria autuada, nem restou comprovada a natureza dos haveres devidos pela Fazenda Pública. Avançando-se na análise, é possível perceber que o crédito utilizado pelo Recorrente na compensação não se revestia dos atributos de liquidez e certeza exigidos pelo art. 170 do CTN. Como visto, sobejam razões para o reconhecimento da ilegalidade do procedimento de compensação adotado pelo Recorrente e, consequentemente, para a glosa dos valores compensados. III – MULTA ISOLADA A questão a ser dirimida no caso concreto diz respeito apenas no que diz respeito aos fundamentos para aplicar a multa agravada de 150%, decorrente da glosa de compensação, a qual, exige a presença de atitude dolosa para sua configuração, isto é, a inserção de informação conhecidamente falsa em declaração objetivando reduzir ônus fiscal. No mérito, insurge-se o recorrente contra a aplicação da multa no percentual de 150%, por entender que a D. fiscalização não teria logrado em provar a falsidade na declaração GFIP, de modo a fazer incidir a regra prevista no artigo 89 da Lei nº 8.212/91, antes de ser alterado pela Lei nº 11.941/2009. Nesse diapasão, transcreve-se a redação original do invocado dispositivo: "Art. 89. Somente poderá ser restituída ou compensada contribuição para a Seguridade Social arrecadada pelo Instituto Nacional do Seguro Social INSS na hipótese de pagamento ou recolhimento indevido. (...) Fl. 493DF CARF MF Impresso em 13/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/04/2015 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 13/ 04/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 13/04/2015 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR Processo nº 10120.722701/2013-13 Acórdão n.º 2301-004.275 S2-C3T1 Fl. 489 11 § 2º Somente poderá ser restituído ou compensado, nas contribuições arrecadadas pelo Instituto Nacional do Seguro Social INSS, o valor decorrente das parcelas referidas nas alíneas "a", "b" e "c" do parágrafo único do art. 11 desta lei. § 3º Em qualquer caso, a compensação não poderá ser superior a trinta por cento do valor a ser recolhido em cada competência. (...) § 10. Na hipótese de compensação indevida, quando se comprove falsidade da declaração apresentada pelo sujeito passivo, o contribuinte estará sujeito à multa isolada aplicada no percentual previsto no inciso I do caput do art. 44 da Lei nº 9.430, de 1996, aplicado em dobro, e terá como base de cálculo o valor total do débito indevidamente compensado.” Observa-se que a aplicação da multa isolada é condicionada a comprovação de falsidade na declaração prestada pelo contribuinte. Na situação sob análise, não há como negar que o sujeito passivo declarou valores a compensar que, embora tivessem origem em precatórios adquiridos de terceiros, não poderiam ser objeto de procedimento compensatório até o transito em julgado da decisão do Judiciário. Para melhor ilustrar o caso dos autos, peço licença para consignar trecho do acórdão recorrido: De acordo com o Relatório Fiscal, quando intimado pela fiscalização a apresentar a base legal e o memorial de cálculo dos créditos utilizados na compensação, a empresa CIFARMA Científica Farmacêutica Ltda - CNPJ 17.562.075/0001-69 informou ter requerido, administrativamente (processos COMPROT de n° 10120725087/201180, 10120.726923/2011-43 e 10120.001783/2011-05), a extinção de tributos e contribuições previdenciárias, com fulcro no artigo 78 do Ato das Disposições Constituicionais Transitórias (ADCT), incluído pelo artigo 2o da Emenda constitucional (EC) n° 30, de 13/09/2000, que concede aos precatórios não pagos o poder liberatório do pagameto de tributos de entidade devedora, administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB). Como justificativa dos valores no período de 02/2011 a 05/2012, a empresa fiscalizada relatou naqueles requerimentos ter adquirido da empresa Rios & Associados SC Ltda - CNPJ 00.397.826/0001-36, direitos creditórios consubstanciados no Precatório Requisitório n° 292/97 de 13/06/97 do Tribunal Regional do Trabalho da 21a Região, processo TRT n° 25- 00290-97-5, expedido nos autos da Reclamação Trabalhista n° 614/91, que tramitou perante a 3a Junta de Conciliação e Julgamento de Natal - RN, nos termos da permissão constitucional contida nas Emendas Constitucionais n° 30/00 e 62/09, para o negócio jurídico realizado. A referida empresa informou, ainda, que os credores originários da União no processo TRT n° 25-00290-97-5, representados pelo Sindicato dos Trabalhadores Federais da Previdência, Fl. 494DF CARF MF Impresso em 13/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/04/2015 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 13/ 04/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 13/04/2015 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR 12 Saúde e Trabalho no Estado do Rio Grande do Norte - SINDPREVS/RN, e detentores dos aludidos direitos creditórios, de ação trabalhista movida contra a Fundação Nacional da Saúde - FUNASA, cederam para a empresa TRANSTADE INTERNATIONAL BRASIL EXPORT Ltda - CNPJ 67.469.270/0001-17, com sede na cidade de São Paulo/SP, por Escritura Pública de Cessão Parcial de Direitos Creditórios, 72,5% (setenta e dois vírgula cinco por cento) do valor total do precatório. A citada empresa, cedeu parte daqueles créditos para a MULTIPLUS COMPRA E VENDA DE DIREITOS CREDITÓRIOS S/A, que posteriormente os transferiu à Rios & Associados SC Ltda, a qual por sua vez cedeu para a CIFARMA CIENTÍFICA FARMACÊUTICA LTDA parte dos seus créditos de precatórios adquiridos. Expõe, ainda, que mencionada ação foi julgada procedente, nos termos do Acórdão n° 1860/93, exarado pelo TRT da 21a Região, transitado em julgado em 27/10/93, que condenou a União a incorporar aos salários dos trabalhadores federais filiados ao Sindicato dos Trabalhadores Federais da Previdência, Saúde e Trabalho no Estado do Rio Grande do Norte - SINDPREVS/RN o percentual de 84,32%, relativo ao IPC de março de 1990, e que foi expedido o Ofício Requisitório n° 832/1997, que encaminhou o Precatório JCJBV n° 24/1997, do qual a empresa CIFARMA tornou-se adquirente de parte do crédito. Alegou ter notificado extrajudicialmente a Procuradoria Regional da União (3a região), a qual se manteve inerte. Desse modo, ante a moratória declarada e a ausência de demonstração, por parte do ente devedor (a União), de qualquer intenção de liquidar os precatórios, a fiscalizada, na condição de credora-contribuinte, foi obrigada a requerer a liberação, com consequente extinção do crédito tributário, como única medida para satisfazer parcialmente o direito a que entendia fazer jus. Afirmou ainda que os pedidos para a realização das compensações foi efetuado com base no direito de petição (art. 5o, inc XXXXIV, alínea "a", da Constituição Federal - CF), bem como no art. 3o, inc. III, da Lei n° 9.784/99, uma vez que para o procedimento em tela inexiste regulamentação específica em normas administrativas. Porém, antes que houvesse pronunciamento sobre os pedidos de compensações, a empresa CIFARMA efetuou a compensação das contribuições previdenciárias nas GFIP relativamente ao período de 02/2011 a 05/2011. Com relação aos requerimentos em que solicita o reconhecimento de crédito oriundo do Precatório Federal n° 292/97, adquirido de terceiros e requer junto à DRF/GOI da RFB a extinção de débitos, referentes às contribuições sociais de sua titularidade, ante o poder liberatório concedido aos precatórios não pagos, a fiscalização informa que as compensações de contribuições previdenciárias efetuadas até o mês de janeiro de 2011 foram objeto de glosa pela auditoria anterior por terem sido consideradas indevidas. Com relação Fl. 495DF CARF MF Impresso em 13/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/04/2015 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 13/ 04/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 13/04/2015 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR Processo nº 10120.722701/2013-13 Acórdão n.º 2301-004.275 S2-C3T1 Fl. 490 13 aos pedidos de extinção de débitos, no que diz respeito aos tributos federais seus pedidos foram indeferidos pelo SEORT. A fiscalização verificou, em consulta processual, que o Precatório Requisitório nº 29000-46.1997.5.21, objeto da compensação efetuada, foi cancelado. Consoante Certidão e Despacho de 29/11/2011, acessíveis via consulta ao processo RT n° 03- 0614-91, "foi juntada cópia do despacho proferido nos autos do Precatório (2518/2519), na qual o Exmo. Sr. Presidente do E. TRT informa, em suma, que não existe crédito a ser executado pelos substituídos desta RT, inclusive, a baixa do referido Precatório, estando este cancelado (...)". No que se refere ao precatório n° 292/97, emitido pelo TRT da 21a Região (Natal/RN), nos autos do processo n° 25-00290-97-5, convém observar que, em fiscalização realizada anteriormente, foi encaminhado o Ofício n° 216/2011/DRF/GOI/Sefis, ao citado TRT, solicitando informações acerca daquele precatório. Em resposta, o TRF/21a Região, encaminhou à Auditora solicitante o Ofício n° TRT PR/J-382/2011, mediante o qual respondeu o seguinte: Referenciando-me ao ofício nº 216/2011/DRFGOI/Sefis, informo a Vossa Senhoria que não há nos autos do Precatório Requisitório TRT PR 29000-46 (n° antigo 25-00290-975), extraído da reclamação trabalhista 614/91, originária da terceira Vara do Trabalho de Natal, créditos passíveis de serem utilizados para abatimentos de dívidas com a União, posto que o direito material vindicado ainda está sob judice, não havendo coisa julgada soberana, o que, por consequência, não gera, até o momento, qualquer titulo executivo (decisão definitiva) em desfavor da Fundação Nacional de Saúde. Informo, mais, que há decisão proferida nos autos da RT 03- 0614/91 que declarou a habilitação da Transtrade Internacional Brasil Export Ltda como credora do percentual de 72,5% do valor devido em favor dos substituídos representados pelo sindicato dos trabalhadores Federais da Previdência e Saúde do Estado de RN - SINPREVS. Diante da informação acima, a fiscalização concluiu que o Precatório Requisitório (PR) TRT PR 29000-46 (n° antigo 25- 00290-97-5) é inservível para fins de extinção ou de compensação de tributos administrados pela RFB, eis que nos respectivos autos o Presidente do TRT da 21a Região, por meio de despacho datado de 08/09/1998, determinou cancelamento do citado Precatório e, desde então, não há decisão definitiva (coisa julgada soberana). Extrai-se da decisão da lavra do Desembargador Presidente do TRT/21ª Região, "que, caso houvesse um título a ser executado nos moldes do art. 100 da CF, não estaria este procedimento corretamente instituído, dado a alteração implementada pela Emenda Constitucional n° 62/2009, que exige, entre outras Fl. 496DF CARF MF Impresso em 13/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/04/2015 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 13/ 04/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 13/04/2015 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR 14 coisas, a solicitação à Fazenda Pública devedora informações sobre os débitos que preencham as condições estabelecidas no § 9o do aludido dispositivo constitucional, conforme inteligência do § 10° do mesmo artigo. Assim sendo, mesmo se houvesse algo a executar, o procedimento deveria retornar a um momento anterior, sendo competente o Juizo de Execução para tomar as providências devidas, conforme diretrizes estabelecidas no provimento TRT n° 002/2011”. Conforme exposto, os valores compensados pelo contribuinte no período de 02/2011 a 05/2012 foram glosados pela fiscalização, pelos seguintes motivos: - O precatório encontra-se cancelado; - O artigo 78, § 2o, do ADCT está com sua eficácia suspensa e necessita de regulamentação prévia para que a compensação ali prevista possa ser levada a efeito pelo Sujeito Passivo; e - Caso houvesse algum crédito a executar, o procedimento deveria retornar a um momento anterior, sendo competente o Juízo de Execução para tomar as providências devidas, conforme diretrizes estabelecidas no provimento TRT n° 002/2011. A fiscalização verificou que a Empresa entregou novas GFIP, relativas ao período de 02/2011 a 05/2012 retificando o campo compensações, no qual excluiu as compensações objeto da glosa deste AI. No entanto na data das referidas retificações o Contribuinte encontrava-se sob ação fiscal. De acordo com o Relatório Fiscal, a fiscalização verificou a existência de petições feitas pelo Contribuinte em questão, nas quais solicita a "extinção" e/ou "liberação de pagamento" de débitos tributários e previdenciários em quantias vultosas, tendo por base a cessão (de uma cadeia com diversos cessionários) deste mesmo crédito, oriundo no Precatório n° 292/97, decorrente do processo TRT n° 25-00290-97-5, originário da Reclamação Trabalhista n° 614/91 (Número Antigo 03-0614-91 - RT), proposto junto à 3a Junta de Conciliação e Julgamento de Natal/RN, sendo que o contribuinte não tem logrado êxito nas aludidas petições. No caso, diante dos argumentos, entendo estar demonstrada a fraude conceituada no art. 72 da Lei n.º 4.502/1964, verbis: Art . 72. Fraude é tôda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, ou a excluir ou modificar as suas características essenciais, de modo a reduzir o montante do impôsto devido a evitar ou diferir o seu pagamento. Diante do exposto, entendo que deva ser mantida a multa isolada. Fl. 497DF CARF MF Impresso em 13/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/04/2015 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 13/ 04/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 13/04/2015 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR Processo nº 10120.722701/2013-13 Acórdão n.º 2301-004.275 S2-C3T1 Fl. 491 15 IV – SELIC Quanto à inaplicabilidade da taxa de juros SELIC para fins tributários, é matéria que já se encontra sumulada nesse Tribunal Administrativo, nos termos da Súmula CARF n. 04: Súmula CARF nº 4: A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. Nesse sentido, sendo a Súmula de observância obrigatória pelos membros do CARF, nos temos do “caput” do art. 72 do Regimento Interno do CARF1., não pode esse colegiado afastar a utilização da taxa de juros aplicada às contribuições lançadas no presente lançamento. V – DISPOSITIVO Pelo exposto, voto por CONHECER do Recurso Voluntário interposto, para, no mérito, NEGAR-LHE PROVIMENTO. É como voto. Manoel Coelho Arruda Júnior - Relator Fl. 498DF CARF MF Impresso em 13/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/04/2015 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 13/ 04/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 13/04/2015 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR Relatório Voto
score : 1.0
Numero do processo: 13897.000293/00-94
Turma: PLENO DA CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: Pleno
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Dec 09 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Fri Jun 26 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/07/1988 a 31/12/1993
Pedido de Desistência e Parcelamento. Efeitos. Recurso da Fazenda Nacional pendente de julgamento.
O parcelamento e a desistência do sujeito passivo configuram renúncia ao direito sobre o qual se fundamenta seu recurso e importa em concordância com as razões do extraordinário fazendário.
Recurso extraordinário fazendário provido.
Numero da decisão: 9900-000.958
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso nos termos do voto do relator.
Carlos Alberto Freitas Barreto - Presidente.
JOEL MIYAZAKI - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Aurélio Pereira Valadão, Antônio Carlos Guidoni Filho, Rafael Vidal de Araújo, João Carlos de Lima Júnior, Valmar Fonseca de Menezes, Valmir Sandri, Jorge Celso Freire da Silva, Paulo Cortez, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Alexandre Naoki Nishioka, Maria Helena Cotta Cardozo, Gustavo Lian Haddad, Marcelo Oliveira, Manoel Coelho Arruda Júnior, Elias Sampaio Freire, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira, Henrique Pinheiro Torres, Nanci Gama, Joel Miyazaki, Rodrigo Cardozo Miranda, Rodrigo da Costa Pôssas, Maria Teresa Martínez López, Júlio César Alves Ramos, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva e Otacílio Dantas Cartaxo (Presidente).
Nome do relator: JOEL MIYAZAKI
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso nos termos do voto do relator. Carlos Alberto Freitas Barreto - Presidente. JOEL MIYAZAKI - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Aurélio Pereira Valadão, Antônio Carlos Guidoni Filho, Rafael Vidal de Araújo, João Carlos de Lima Júnior, Valmar Fonseca de Menezes, Valmir Sandri, Jorge Celso Freire da Silva, Paulo Cortez, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Alexandre Naoki Nishioka, Maria Helena Cotta Cardozo, Gustavo Lian Haddad, Marcelo Oliveira, Manoel Coelho Arruda Júnior, Elias Sampaio Freire, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira, Henrique Pinheiro Torres, Nanci Gama, Joel Miyazaki, Rodrigo Cardozo Miranda, Rodrigo da Costa Pôssas, Maria Teresa Martínez López, Júlio César Alves Ramos, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva e Otacílio Dantas Cartaxo (Presidente).
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Efeitos. Recurso da Fazenda Nacional pendente de julgamento. O parcelamento e a desistência do sujeito passivo configuram renúncia ao direito sobre o qual se fundamenta seu recurso e importa em concordância com as razões do extraordinário fazendário. Recurso extraordinário fazendário provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso nos termos do voto do relator. Carlos Alberto Freitas Barreto Presidente. JOEL MIYAZAKI Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Aurélio Pereira Valadão, Antônio Carlos Guidoni Filho, Rafael Vidal de Araújo, João Carlos de Lima Júnior, Valmar Fonseca de Menezes, Valmir Sandri, Jorge Celso Freire da Silva, Paulo Cortez, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Alexandre Naoki Nishioka, Maria Helena Cotta Cardozo, Gustavo Lian Haddad, Marcelo Oliveira, Manoel Coelho Arruda Júnior, Elias Sampaio Freire, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira, Henrique Pinheiro Torres, Nanci Gama, Joel AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 89 7. 00 02 93 /0 0- 94 Fl. 473DF CARF MF Impresso em 26/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/06/2015 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 17/06/2015 por JO EL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 18/06/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO 2 Miyazaki, Rodrigo Cardozo Miranda, Rodrigo da Costa Pôssas, Maria Teresa Martínez López, Júlio César Alves Ramos, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva e Otacílio Dantas Cartaxo (Presidente). Relatório Cuidase de recurso extraordinário fazendário interposto contra decisão da 2a. Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais que, por maioria de votos, negou provimento a recurso especial em acórdão assim ementado: NORMAS PROCESSUAIS. TERMO A QUO DO PEDIDO ADMINISTRATIVO DE REPETIÇÃO DE INDÉBITO. O termo a quo para contagem do prazo decadencial para pedido administrativo de repetição de indébito de tributo pago indevidamente com base em lei impositiva que veio a ser declarada inconstitucional pelo STF, com posterior Resolução do Senado suspendendo a execução daquela, é a data da publicação desta. No caso dos autos, em 10/10/1995, com a publicação da Resolução do Senado n° 49, de 09/10/95. A partir de tal data, abrese ao contribuinte o prazo decadencial de cinco anos para protocolo do pleito administrativo de repetição do indébito. Recurso especial negado Em breve resumo, o cerne da questão trazida ao debate gira em torno do termo a quo para contagem do prazo decadencial para pedido administrativo de repetição de indébito de tributo pago indevidamente com base em lei impositiva que veio a ser declarada inconstitucional pelo STF. A decisão recorrida determinou que a data a partir da qual se inicia a contagem do prazo prescricional é a data da publicação da Resolução do Senado que suspendeu a execução da referida Lei. Já a Fazenda Nacional pugna pela aplicação dos artigos 165, inciso I e 168, inciso I, ambos do Código Tributário Nacional, qual seja, a data do pagamento indevido é que deveria ser o marco inicial para a contagem do prazo prescricional, juntando paradigma da Quarta Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais. (efls. 312 a 336) Exame de admissibilidade do recurso extraordinário às efls. 338 e 339. A contribuinte, em suas contrarrazões de efls. 394 a 460, alega que consolidou parte de seus débitos (março/97 a dezembro/97) na modalidade RFBDEMAIS ART. 1o. do parcelamento regulamentado pela Lei 11941, de 27 de maio de 2009 e alega ainda que a outra parte dos débitos (Cofins de fevereiro/98 a janeiro/2000) também já foram objeto de parcelamento no processo 13899.001449/200410, tendo havido duplicidade de lançamento, anexando cópias do pedido de desistência, do pedido de revisão de lançamento e da inclusão dos débitos no parcelamento nos autos. É o relatório. Voto Fl. 474DF CARF MF Impresso em 26/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/06/2015 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 17/06/2015 por JO EL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 18/06/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 13897.000293/0094 Acórdão n.º 9900000.958 CSRFPL Fl. 474 3 Conselheiro Joel Miyazaki O recurso fazendário preenche as condições de admissibilidade, de forma que dele conheço. Conforme relatado, a contribuinte desistiu deste processo e efetuou o parcelamento dos débitos que queria ver compensados com a restituição pleiteada no presente pedido. A teor dos §§ 2o. e 3o. do art. 78 do RICARF, o parcelamento importa desistência do recurso e a desistência da contribuinte configura renúncia ao direito sobre o qual se funda o recurso interposto pelo sujeito passivo, inclusive na hipótese de já ter ocorrido decisão favorável ao recorrente. Art. 78. Em qualquer fase processual o recorrente poderá desistir do recurso em tramitação. § 1° A desistência será manifestada em petição ou a termo nos autos do processo. § 2° O pedido de parcelamento, a confissão irretratável de dívida, a extinção sem ressalva do débito, por qualquer de suas modalidades, ou a propositura pelo contribuinte, contra a Fazenda Nacional, de ação judicial com o mesmo objeto, importa a desistência do recurso. § 3º No caso de desistência, pedido de parcelamento, confissão irretratável de dívida e de extinção sem ressalva de débito, estará configurada renúncia ao direito sobre o qual se funda o recurso interposto pelo sujeito passivo, inclusive na hipótese de já ter ocorrido decisão favorável ao recorrente, descabendo recurso da Procuradoria da Fazenda Nacional por falta de interesse. {2} {2} alterações introduzidas pela Port. MF nº 586, de 21 de dezembro de 2010–DOU de 22.12.2010 (grifos nossos) Com estas considerações, tendo a contribuinte renunciado ao seu direito creditório e parcelado seus débitos, DOU PROVIMENTO ao recurso extraordinário fazendário vez que a desistência da contribuinte implica em sua concordância com as razões do recurso da Fazenda Nacional. Joel Miyazaki Relator Fl. 475DF CARF MF Impresso em 26/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/06/2015 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 17/06/2015 por JO EL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 18/06/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO
score : 1.0
Numero do processo: 13027.000058/2010-87
Turma: Segunda Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Sep 11 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Tue May 12 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2008
JUROS MORATÓRIOS. IMPOSTO DE RENDA. INCIDÊNCIA.
Incide o IRPF sobre juros moratórios fixados em ação judicial, exceto se forem pagos no contexto de despedida ou rescisão de contrato de trabalho (STJ Resp 1.227.133/RS repetitivo) ou se atinentes a verba principal igualmente isenta ou fora da incidência do imposto.
DEDUÇÃO INDEVIDA DE CONTRIBUIÇÃO PARA A PREVIDÊNCIA SOCIAL.
Somente podem ser deduzidas da base de cálculo os valores efetivamente comprovados mediante documentação hábil, cujo ônus tenha sido efetivamente do contribuinte.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 2802-003.144
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário nos termos do voto da relatora.
(Assinado digitalmente)
Jorge Cláudio Duarte Cardoso - Presidente.
(Assinado digitalmente)
Ronnie Soares Anderson, Redator ad hoc.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Jorge Claudio Duarte Cardoso (presidente da turma), Jaci de Assis Junior, German Alejandro San Martin Fernandez, Ronnie Soares Anderson, Julianna Bandeira Toscano e Carlos André Ribas de Mello.
Nome do relator: JULIANNA BANDEIRA TOSCANO
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2008 JUROS MORATÓRIOS. IMPOSTO DE RENDA. INCIDÊNCIA. Incide o IRPF sobre juros moratórios fixados em ação judicial, exceto se forem pagos no contexto de despedida ou rescisão de contrato de trabalho (STJ Resp 1.227.133/RS repetitivo) ou se atinentes a verba principal igualmente isenta ou fora da incidência do imposto. DEDUÇÃO INDEVIDA DE CONTRIBUIÇÃO PARA A PREVIDÊNCIA SOCIAL. Somente podem ser deduzidas da base de cálculo os valores efetivamente comprovados mediante documentação hábil, cujo ônus tenha sido efetivamente do contribuinte. Recurso Voluntário Negado.
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IMPOSTO DE RENDA. INCIDÊNCIA. Incide o IRPF sobre juros moratórios fixados em ação judicial, exceto se forem pagos no contexto de despedida ou rescisão de contrato de trabalho (STJ Resp 1.227.133/RS repetitivo) ou se atinentes a verba principal igualmente isenta ou fora da incidência do imposto. DEDUÇÃO INDEVIDA DE CONTRIBUIÇÃO PARA A PREVIDÊNCIA SOCIAL. Somente podem ser deduzidas da base de cálculo os valores efetivamente comprovados mediante documentação hábil, cujo ônus tenha sido efetivamente do contribuinte. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário nos termos do voto da relatora. (Assinado digitalmente) Jorge Cláudio Duarte Cardoso Presidente. (Assinado digitalmente) Ronnie Soares Anderson, Redator ad hoc. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 02 7. 00 00 58 /2 01 0- 87 Fl. 157DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/05/2015 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 11/05/20 15 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 11/05/2015 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Jorge Claudio Duarte Cardoso (presidente da turma), Jaci de Assis Junior, German Alejandro San Martin Fernandez, Ronnie Soares Anderson, Julianna Bandeira Toscano e Carlos André Ribas de Mello. Relatório Na sessão de julgamento, a Conselheira Relatora, Julianna Bandeira Toscano, apresentou o seguinte relatório: "Tratase de lançamento de Imposto de Renda de Pessoa Física IRPF do exercício de 2008, decorrente da omissão de rendimentos recebidos acumuladamente no valor de R$56.591,98, e de dedução indevida de previdência oficial,no valor de R$6.238,20, resultando na cobrança de imposto suplementar de R$13.698,90, acrescido de multa de ofício e juros de mora. Conforme se depreende da complementação da descrição dos fatos na Notificação de Lançamento (fl.5 do processo digital), o valor bruto do rendimento recebido pelo contribuinte teria sido de R$77.150,27. Em sua impugnação o contribuinte esclareceu que os rendimentos de R$77.150,27 são decorrentes de execução de sentença contra o Instituto Nacional do Seguro Social, relativo a honorários de sucumbência nos autos do processo nº 013/1.04.00063648, nos termos dos documentos de fls. 34/40 e que o valor reputado como omitido corresponde à correção monetária e juros recebidos por precatório judicial. Sustentou que os juros de mora e correção monetária não são tributáveis por terem natureza indenizatória, invocando decisões do Superior Tribunal de Justiça. Quanto à dedução de previdência oficial, alega que o valor de R$6. 238,20 decorre de valores recebidos da Caixa Econômica Federal – CEF. A Delegacia da Receita Federal de Julgamento – DRJ em Porto Alegre manteve o lançamento, em acórdão (fls. 128 e seguintes do processo digital) cuja a ementa é a seguinte: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física – IRPF Exercício: 2008 Ementa: OMISSÃO DE RENDIMENTOS RECEBIDOS ACUMULADAMENTE No caso de rendimentos recebidos acumuladamente, o imposto incidirá nomes do recebimento, sobre o total dos rendimentos, inclusive juros e atualização monetária. DEDUÇÃO INDEVIDA DE PREVIDÊNCIA OFICIAL Somente podem ser deduzidas da base de cálculo os valores efetivamente comprovados mediante documentação hábil, cujo ônus tenha sido efetivamente do contribuinte. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Fl. 158DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/05/2015 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 11/05/20 15 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 11/05/2015 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO Processo nº 13027.000058/201087 Acórdão n.º 2802003.144 S2TE02 Fl. 158 3 Regularmente intimado, o contribuinte apresentou recurso voluntário reiterando as razões contidas na impugnação. É o relatório". Voto Conselheiro Ronnie Soares Anderson, Redator ad hoc Reproduzo abaixo o voto apresentado pela Conselheira Relatora na sessão de julgamento: "O recurso é tempestivo, atende aos demais requisitos de admissibilidade e dele tomo conhecimento. Conforme o próprio recorrente esclareceu e está comprovado nos autos por meio da documentação de fls. 34/40, o valor recebido pelo contribuinte, apesar de ser decorrente de ação judicial, não tem natureza de rendimentos recebidos acumuladamente. Com efeito, o que caracteriza os rendimentos recebidos acumuladamente é a percepção em um momento único de valores que seriam, originalmente, devidos no curso de um período de tempo, como por exemplo, diferenças salariais. No caso dos autos o que se verifica é o recebimento de honorários de sucumbência, valor fixado em sentença e devido ao advogado da parte vencedora em uma demanda judicial. Assim, ainda que o recorrente tenha tido que litigar judicialmente para receber o valor que lhe era devido, o mesmo não tem caráter de rendimento recebido acumuladamente, ao contrário do que consta no lançamento e na decisão da DRJ. A matéria em julgamento consiste, portanto, na omissão de rendimentos dos juros recebidos em decorrência de decisão judicial, classificados como rendimentos isentos pelo recorrente em sua declaração de ajuste anual do IRPF. Assim, verbas de natureza remuneratória, como é o caso dos honorários de sucumbência devidos ao advogado em ação judicial, são tributáveis, salvo quando a lei diga, especificamente, que são isentas ou não tributáveis. Os juros pagos sobre essas verbas são igualmente tributáveis, pelo emprego do princípio de que ‘o acessório segue o principal’. Desta forma, por não se tratar de ação trabalhista no contexto da rescisão do contrato de trabalho e por estarem os juros recebidos pelo recorrente relacionados a verba tributável, não há como afastar a incidência do imposto de renda ao caso em julgamento. Esse é o entendimento do Superior Tribunal de Justiça – STJ no REsp nº 1.089.720/RS, em que assentado entendimento de que, como regra geral, incide o IRPF sobre os juros de mora, todavia uma das exceções é que são isentos de IRPF os juros de mora quando pagos no contexto de rescisão do contrato de trabalho, em reclamatórias trabalhistas ou não. Fl. 159DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/05/2015 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 11/05/20 15 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 11/05/2015 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO 4 Devese observar o disposto no art. 55, inciso XIV, do Decreto nº 3.000, de 26 de março de 1999 – Regulamento do Imposto de Renda (RIR/1999): Art.55. São também tributáveis (Lei nº4.506, de 1964, art. 26, Lei nº7.713, de 1988, art. 3º, §4º, e Lei nº9.430, de 1996, arts. 24, §2º, inciso IV, e 70, §3º, inciso I): (...) XIV os juros compensatórios ou moratórios de qualquer natureza, inclusive os que resultarem de sentença, e quaisquer outras indenizações por atraso de pagamento, exceto aqueles correspondentes a rendimentos isentos ou não tributáveis; Com relação à glosa da dedução de contribuição previdenciária oficial no valor de R$6.238,20, não havendo comprovação do respectivo pagamento, fica a mesma mantida. Diante do exposto, voto por negar provimento ao recurso. Julianna Bandeira Toscano Relatora" (Assinado digitalmente) Ronnie Soares Anderson, na qualidade de redator ad hoc Fl. 160DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/05/2015 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 11/05/20 15 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 11/05/2015 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO
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Numero do processo: 13005.000617/2007-10
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Sep 30 00:00:00 UTC 2010
Ementa: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP
Período de apuração: 01/01/2004 a 31/03/2004
CRÉDITO DA CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP NÃO-CUMULATIVA VINCULADO À EXPORTAÇÃO. SALDO REMANESCENTE. ATUALIZAÇÃO MONETÁRIA E ACRÉSCIMOS MORATÓRIOS. VEDAÇÃO LEGAL. IMPOSSIBILIDADE.
Por expressa determinação legal (art. 13, combinado com art. 15, VI, da Lei nº 10.833, de 2003), é vedada a atualização monetária ou incidência de juros, calculado com base na taxa Selic, dos valores originários do saldo remanescente do crédito da contribuição para o PIS/Pasep não-cumulativa, vinculado à operação de exportação.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 3102-00.772
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade, negar provimento ao recurso. Vencidos os Conselheiros Luciano Pontes de Maya Gomes (relator), Beatriz Veríssimo de Sena e Nanci Gama. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro José Fernandes do Nascimento.
Matéria: PIS - proc. que não versem s/exigências de cred. Tributario
Nome do relator: Luciano Pontes de Maya Gomes
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SALDO REMANESCENTE. ATUALIZAÇÃO MONETÁRIA E ACRÉSCIMOS MORATÓRIOS. VEDAÇÃO LEGAL. IMPOSSIBILIDADE. Por expressa determinação legal (art. 13, combinado com art. 15, VI, da Lei nº 10.833, de 2003), é vedada a atualização monetária ou incidência de juros, calculado com base na taxa Selic, dos valores originários do saldo remanescente do crédito da contribuição para o PIS/Pasep não-cumulativa, vinculado à operação de exportação. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade, negar provimento ao recurso. Vencidos os Conselheiros Luciano Pontes de Maya Gomes (relator), Beatriz Veríssimo de Sena e Nanci Gama. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro José Fernandes do Nascimento. (assinado digitalmente) Luis Marcelo Guerra de Castro - Presidente. (assinado digitalmente) Luciano Pontes de Maya Gomes - Relator (assinado digitalmente) Fl. 269DF CARF MF Emitido em 04/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 17/12/2010 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO Assinado digitalmente em 17/12/2010 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, 07/07/2011 por LUCIANO PONTES DE MAYA GOMES, 15/07/2011 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO 2 José Fernandes do Nascimento – Redator designado. EDITADO EM: 17/12/2010 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Luis Marcelo Guerra de Castro, Ricardo Paulo Rosa, Beatriz Veríssimo de Sena, José Fernandes do Nascimento, Luciano Pontes de Maya Gomes e Nanci Gama. Relatório Trata-se de recurso voluntário que chega a este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais em razão da insurgência do contribuinte epigrafado contra o Acórdão n.º 18- 10.940, da 2ª. Turma da Delegacia Regional de Julgamento de Santa Maria/RS. Antes que nos debrucemos sobre as razões recursais, é conveniente que previamente revisitemos os atos e fases processuais já vencidas, pelo que passamos a reproduzir o relato empreendido pela DRJ por este assim retratá-las com fidelidade: Trata o presente processo de Pedido de Ressarcimento de Créditos da Contribuição para o PIS/PASEP Exportação (formulário instituído pela IN SRF nº 563, de 2005) relativo ao primeiro trimestre de 2004, totalizando o valor de R$ 668.480,61, conforme documento de fl. 01. Ao pedido de ressarcimento a contribuinte juntou extenso arrazoado (fls. 02/15) onde informa ter requerido ressarcimento de créditos em espécie, sendo atendida. No entanto, o montante solicitado lhe foi creditado pelo valor original, entendendo que o mesmo seria passível de atualização monetária. À fl. 05, tratando do objeto do presente processo, diz que há o locupletamento na medida em que a União Federal deixa de aplicar a devida atualização entre a data da constituição do crédito e a sua efetiva devolução em espécie. Junto ao seu arrazoado a empresa apresentou os documentos de fls. 17/53. O Órgão de origem anexou os extratos de fls. 54/55, tendo emitido o Parecer DRF/SCS/Saort nº 019/09, de 11/02/2009 (fls. 56/63), constando, também, na fl. 64, o Despacho Decisório DRF/SCS nº 064/09, daquela data, onde o Sr. Delegado Substituto da Receita Federal do Brasil em Santa Cruz do Sul (RS), considerando a solução proposta no Parecer, resolveu não reconhecer o direito creditório pleiteado pela interessada e indeferir o pedido de correção pela SELIC do valor correspondente ao ressarcimento do PIS/PASEP não-cumulativo exportação alcançado no processo nº 13897.000215/2004-67. Determinou fosse o sujeito passivo cientificado da decisão e intimado da possibilidade de apresentação, no prazo legal, de manifestação de inconformidade contra o despacho administrativo proferido. A contribuinte foi cientificada em 18/02/2009 (AR de fl. 66) e, não conformada com o despacho proferido pela autoridade administrativa de origem, apresentou, através de procuradora, Fl. 270DF CARF MF Emitido em 04/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 17/12/2010 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO Assinado digitalmente em 17/12/2010 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, 07/07/2011 por LUCIANO PONTES DE MAYA GOMES, 15/07/2011 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO Processo nº 13005.000617/2007-10 Acórdão n.º 3102-00.772 S3-C1T2 Fl. 116 3 em 11/03/2009 – fls. 67/82 – sua manifestação contrária, onde aponta, em síntese, os seguintes argumentos: DOS FATOS • a empresa protocolizou pedido de ressarcimento de crédito de PIS relativo ao 1º trimestre de 2004, o qual foi atendido em momento bem posterior ao de seu protocolo, sem a devida correção monetária, donde a empresa teve seus créditos significativamente reduzidos, em montante equivalente à diferença da correção monetária computada desde a data da constituição até sua liberação; • os valores em questão não são créditos escriturais, mas sim créditos oriundos de incentivos fiscais outorgados à Manifestante, o que lhe dá direito ao ressarcimento. E esse ressarcimento deve corresponder à integralidade do direito pleiteado; • a pessoa jurídica que efetuar exportações sujeitas à modalidade não-cumulativa do PIS e da COFINS, poderá solicitar o ressarcimento de créditos de PIS nos termos das Leis nºs 10.637, de 2002, e 10.833, de 2003; • a demora no ressarcimento dos valores caracteriza um locupletamento duplo: a) em função da corrosão dos valores entre a data do pagamento do PIS pelos contribuintes das operações anteriores, valores que ficam nos cofres públicos até que seja constituído crédito do exportador, o qual se dá trimestralmente; b) aquele que é objeto do presente pedido, que ocorre na medida em que a União Federal deixa de aplicar a devida atualização entre a data da constituição do crédito e a sua efetiva devolução em espécie. • a falta de correção dos créditos de natureza tributária expressa desigualdade de tratamento entre os contribuintes e o Fisco, em desfavor dos primeiros, eis que os débitos daqueles para com a Fazenda Nacional são sempre acrescidos de correção pela taxa SELIC (a partir de 1º/01/1996); • no presente caso, apenas parte do principal já foi ressarcida, restando uma parcela decorrente da não aplicação da correção, tendo a empresa apresentado pedido complementar (correção monetária pela taxa SELIC), o qual foi indeferido pela RFB; • as razões trazidas pela autoridade administrativa no Despacho ora atacado não merecem prosperar. DO DIREITO DA TAXA SELIC COMO ÍNDICE DE CORREÇÃO MONETÁRIA • a autoridade administrativa afirma que a taxa Selic de juros não pode ser utilizada como índice de atualização monetária, Fl. 271DF CARF MF Emitido em 04/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 17/12/2010 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO Assinado digitalmente em 17/12/2010 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, 07/07/2011 por LUCIANO PONTES DE MAYA GOMES, 15/07/2011 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO 4 assim como jamais o foi pela União Federal em instante algum, somente se prestando a ser empregada enquanto aquilo que é: uma taxa de juros, sendo uma das razões para o indeferimento do pedido, mas não a única; • tal afirmação não merece prevalecer, haja vista que a partir de 01/01/1996, em virtude da regra insculpida no art. 39, § 4º da Lei nº 9.250, de 1995, a compensação ou restituição/ressarcimento de créditos do contribuinte deve ser corrigida apenas pelos juros da taxa SELIC acumulada mensalmente, calculados a partira da data do pagamento indevido ou a maior, até o mês anterior ao da compensação ou restituição e de 1% no mês em que estiver sendo efetuada, excluindo-se qualquer indexador, por que a SELIC tem natureza mista; • considerando-se que a Administração Pública se encontra vinculada aos preceitos normativos veiculados através de normas legais, em atenção ao princípio da legalidade (se refere à completa submissão da Administração às leis, devendo esta tão-somente obedecê-las, cumpri-las, pô-las em prática), deve ela aplicar as disposições da Lei nº 9.250, de 1995, no sentido de aplicar a taxa SELIC sobre os créditos existentes em favor da empresa; • a jurisprudência do STJ é assente quanto à aplicação da taxa SELIC nos ressarcimentos de créditos existentes em favor dos contribuintes. Transcreve ementa de julgado daquela Corte, bem como de decisões do Conselho de Contribuintes, que entende sustentar a sua tese; • existindo lei que determine a utilização da SELIC como índice de correção monetária a partir de 1996, deve a Autoridade Administrativa, em respeito ao princípio da legalidade, dar o devido cumprimento às disposições legais trazidas pela Lei nº 9.250, de 1995. DO DIREITO À CORREÇÃO MONETÁRIA • a correção monetária serve tão-somente para recompor determinado valor corroído pelo tempo, sem, no entanto, representar nenhum acréscimo ao valor principal. Registra posicionamento de doutrinador e discorre acerca de compensação, restituição e ressarcimento, entendendo que o legislador, ao garantir o direito à aplicação da taxa SELIC, objetivou estabelecer um equilíbrio, devolver, indenizar, compensar o contribuinte; • ressalta que a aplicação da sistemática não represente ônus para o devedor, ou vantagem para o credor, pois não retrata acréscimo patrimonial, mas manutenção do valor monetário defasado pelo decurso do tempo; • refere a entendimento adotado pelo Poder Judiciário – se o Fisco cobra os seus créditos acrescidos de SELIC, da mesma forma deve proceder quando a situação é inversa – citando a Súmula 46 do extinto TFR e posicionamento da Corte Superior, Fl. 272DF CARF MF Emitido em 04/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 17/12/2010 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO Assinado digitalmente em 17/12/2010 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, 07/07/2011 por LUCIANO PONTES DE MAYA GOMES, 15/07/2011 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO Processo nº 13005.000617/2007-10 Acórdão n.º 3102-00.772 S3-C1T2 Fl. 117 5 registrando parte de Parecer da Advocacia Geral da União e do art. 66 da Lei nº 8.383, de 1991; • entende que aquele artigo dispõe expressamente sobre o seu caso, dizendo que os créditos relativos ao ressarcimento de PIS não-cumulativo, decorrentes de incentivo fiscal outorgado às exportadoras, e resultantes do pagamento de PIS em produtos exportados, representam direito líquido e certo da empresa; • o ressarcimento de créditos concedidos por lei, sem a devida correção monetária, prejudica em demasia as empresas exportadoras, visto a desvalorização da moeda no período compreendido entre a data da constituição do crédito e a compensação ou o ressarcimento em espécie; • é cristalino que a não aplicação da correção monetária dos créditos ressarcidos, desde a data da sua constituição, implica desnaturação da relação previamente ajustada entre as partes; • pagamento ou ressarcimento sem correção monetária equivale manter o desequilíbrio da prestação e provoca lesão intolerável para o credor, seja ele ente público ou privado. Registra ementas de julgados do Conselho de Contribuintes, ressaltando que nos relatórios daqueles, além da manifestação favorável à correção monetária dos créditos de IPI, percebe-se a menção ao art. 108 do CTN, que dispõe que na ausência de disposição expressa em lei, a autoridade competente para aplicar a legislação tributária poderá valer-se da analogia, ou seja, poderá usar as mesmas regras utilizadas para a restituição de impostos pagos a maior ou indevidamente. Como frisado, o art. 66 da Lei nº 8.383, de 1991, prevê a correção monetária desses valores. Registra entendimentos doutrinário e da CSRF; • entende que no caso em tela se faz necessário o uso da analogia a fim de garantir o direito de ter ressarcido em espécie os crédito de PIS não-cumulativo oriundos de incentivo fiscal, acrescidos da devida correção monetária. DA INCIDÊNCIA DA TAXA SELIC • transcreve parte do art. 39 da Lei nº 9.250, de 1995, cita posicionamento de doutrinador e entende que cumpre à autoridade fiscal aplicar a taxa SELIC sobre os créditos ressarcidos à empresa no período compreendido entre a sua constituição e o ressarcimento, eis que aquela taxa foi o instrumento disponibilizado aos contribuintes credores da União Federal capaz de equiparar os créditos e débitos de natureza tributária, fazendo valer o princípio constitucional da isonomia; • refere à forma de ressarcimento de créditos de PIS decorrentes de incentivos legais, dizendo que não há previsão sancionatória para a demora nos ressarcimentos, levando à conduta protelatória por parte da SRF, em manifesto prejuízo dos contribuintes; Fl. 273DF CARF MF Emitido em 04/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 17/12/2010 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO Assinado digitalmente em 17/12/2010 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, 07/07/2011 por LUCIANO PONTES DE MAYA GOMES, 15/07/2011 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO 6 • a empresa merece ter seus créditos restituídos de forma real, se fazendo necessária a incidência da taxa SELIC desde a respectiva constituição até o ressarcimento; • a taxa SELIC configura remuneração de valores por força do decurso do tempo, na forma com que instituída, ou seja, outra natureza não se pode atribuir àquela taxa senão a que manifesta conotação de correção monetária, a partir de 1º/01/1996. Registra julgados do Conselho de Contribuintes e do Poder Judiciário; • a empresa pugna pela reforma in totum da decisão combatida, ressaltando que a aplicação de dois pesos e de duas medias provoca insegurança no contribuinte, já que todo e qualquer débito (independente da denominação do mesmo) é exigido pela Fazenda Pública com correção monetária, pela taxa SELIC, dos valores já ressarcidos. DO PEDIDO • requer seja julgada procedente a manifestação de inconformidade, reconhecendo-se o direito ao ressarcimento integral dos valores relativos ao presente processo administrativo, referentes à SELIC, por todos os motivos expostos e comprovados anteriormente; • pede e espera deferimento. Junto à manifestação de inconformidade a contribuinte apresentou o documento de fl. 83. O Órgão de origem remeteu o processo a esta DRJ (fl. 84). Ao enfrentar o tema, a 2ª Turma da DRJ de Santa Maria/RS entendeu por manter o despacho decisório, rechaçando os argumentos trazidos pela Recorrente em sua manifestação de inconformidade, pelas razões bem retratadas na ementa do julgado abaixo reproduzida: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Período de apuração: 01/01/2004 a 31/03/2004 CORREÇÃO MONETÁRIA. TAXA SELIC. VEDAÇÃO LEGAL. De acordo com o disposto nos arts. 13 e 15 da Lei nº 10.833, de 2003, não incide correção monetária e juros sobre os créditos de PIS objeto de ressarcimento. DECISÕES ADMINISTRATIVAS E JUDICIAIS. EFEITOS. As decisões administrativas proferidas pelos Órgãos colegiados, bem como as proferidas pelo Poder Judiciário, não se constituem em normas gerais, razão pela qual seus julgados não se aproveitam em relação a qualquer outra ocorrência, senão àquela objeto da decisão. Solicitação Indeferida. Finalmente no Recurso Voluntário (fls. 113/131), que ora é objeto de exame, a empresa epigrafada se indispõe contra o acórdão a quo, pugnando pela sua reforma Fl. 274DF CARF MF Emitido em 04/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 17/12/2010 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO Assinado digitalmente em 17/12/2010 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, 07/07/2011 por LUCIANO PONTES DE MAYA GOMES, 15/07/2011 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO Processo nº 13005.000617/2007-10 Acórdão n.º 3102-00.772 S3-C1T2 Fl. 118 7 para que seja admitida a correção monetária, pela Selic, do pedido de ressarcimento em espécie do crédito da contribuição ao PIS. Como motivação, basicamente reitera a Recorrente seus argumentos já trazidos por ocasião da sua manifestação de inconformidade. Os autos então seguiram ao CARF para conhecimento e julgamento da referida manifestação recursal. É o que interessa ao julgamento. Voto Vencido Conselheiro Luciano Pontes de Maya Gomes, Relator Presentes os requisitos formais de admissibilidade recursal, passo ao respectivo exame. Consoante bem observou a instância de julgamento a quo, observa-se que a lide renovada em sede de recurso voluntário, assim como o foi quando da apresentação da manifestação de inconformidade, restringe-se exclusivamente à questão da atualização monetária, pela taxa Selic, dos créditos objeto de pedidos de ressarcimento acatados pela unidade de origem em seu valor principal histórico. No que tange ao pleito da correção monetária sobre os créditos em questão, informados no pedido de ressarcimento apresentado pela Recorrente, divergimos das conclusões exaradas pela Instância a quo, muito embora reconheçamos não se tratar o caso de pleito de repetição de indébito, para a qual existe expressa previsão legal para a atualização com base na SELIC (art. 66, §3º, da Lei n. 8.383/91), mas de pedido de ressarcimento de créditos presumidos de IPI. Conforme muito bem pontuou a Conselheira Sílvia de Brito Oliveira em voto vencedor sobre o assunto (Acórdão n. 203-11.501), as posições contrárias à atualização monetária nos ressarcimentos de créditos de IPI subdividem-se entre aqueles que se opõem a qualquer espécie de correção por ausência de disposição legal, e, uma segunda linha, que admitem a correção até 31.12.1995, por analogia ao disposto no art. 66, §3º, da Lei n. 8.383, de 30.12.1991. Segundo esta segunda linha de pensamento, tendo sido introduzida a taxa SELIC pelo §4º, do art. 39, da Lei n. 9.250, de 26.12.1995 (cuja entrada em vigor se deu em 1º de janeiro de 1996), como índice a ser aplicado aos pedidos de compensações ou restituições, a analogia não poderia mais ser invocada por não representar referido índice mera recomposição do poder aquisitivo da moeda (inflação), já que atingiria fatores bastante superiores à inflação. Deixo de cogitar qualquer espécie de filiação a primeira corrente, pois não admitir a correção monetária sobre os créditos de IPI, de qualquer espécie, ainda que em sede de pedido de ressarcimento, atentaria contra o direito à propriedade, constitucionalmente assegurado, resultando, ainda, em enriquecimento sem causa do erário federal. Fl. 275DF CARF MF Emitido em 04/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 17/12/2010 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO Assinado digitalmente em 17/12/2010 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, 07/07/2011 por LUCIANO PONTES DE MAYA GOMES, 15/07/2011 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO 8 E não se trata aqui em transbordo da competência desta instância administrativa, pois inexiste norma positivada que vede a incidência da correção monetária em tais situações. Existe, sim, uma lacuna no Ordenamento Jurídico que abre espaço à aplicação da analogia, nos termos do art. 108 do CTN em outra ocasião já citado. Diante disto, o mais razoável seria admitir a atualização monetária, vez que tão somente revelaria a preservação do direito de propriedade do contribuinte mediante a manutenção do poder aquisitivo da moeda, aplicando a analogia de que trata o dispositivo acima citado para fazer incidir os índices aplicados aos pedidos/declarações de compensação ou restituição (SELIC), que segundo expõe com propriedade a Julgadora já outrora citada, somente se diferenciam dos pedidos de ressarcimento “no aspecto temporal da incidência da mora, visto que o indébito caracteriza-se como tal desde o seu pagamento, podendo ser devolvido desde então. Já os créditos de IPI devem antes ser compensados com débitos desse imposto na escrita fiscal e somente se tornariam passíveis de ressarcimento em espécie quando não houver possibilidade de se proceder essa compensação, cabendo então a formalização do pedido de ressarcimento pelo contribuinte que fará as provas necessárias ao Fisco.” (Acórdão n. 203-11.501). Ademais, cai por terra qualquer argumentação restritiva que se funde na superioridade da taxa SELIC em relação aos índices oficiais de atualização monetária, constituindo-se verdadeiros juros moratórios, quando passa a se verificar efetiva mora administrativa a partir do protocolo do pedido de ressarcimento. Por outro lado, enveredar pela não aplicação da analogia mediante a adoção da segunda linha de argumentação acima narrada, seria compactuar com a idéia de que o contribuinte estaria à mercê da boa vontade dos agentes fiscais em homologar seu pedido de ressarcimento, e que, independentemente do tempo decorrido, haveria de ser considerado o valor principal. Aliás, seguindo a linha ora defendida, está a jurisprudência do SUPERIOR TRIBUNAL DE JUSTIÇA, conforme se colhe de esclarecedora passagem do voto condutor do Min. José Delgado, relator do Recurso Especial n. 611.905 – RS: Na hipótese vertente, com muito mais razão se aplica esse entendimento, na medida em que a não aplicação de correção monetária sobre os valores devolvidos tardiamente pela Fazenda Pública colocaria o contribuinte ao arbítrio do administrador que somente faria o ressarcimento quando bem lhe conviesse, mantendo os valores em seu poder, só os entregando ao seu titular quando já corroídos pela inflação. Tal fato, como se vê, contraria a própria lógica, pois não pode o Estado negligenciar e ficar imune aos efeitos de sua conduta. (...) A jurisprudência desta Corte é remansosa no sentido de que as regras atinentes à repetição de indébito são extensíveis ao ressarcimento do IPI. Portanto, tanto em um caso quando no outro, cabe a aplicação de correção monetária e a compensação desses valores com débitos vencidos e vincendos, relativos a quaisquer tributos ou contribuições sob administração da Secretaria da Receita Federal. (...) Fl. 276DF CARF MF Emitido em 04/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 17/12/2010 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO Assinado digitalmente em 17/12/2010 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, 07/07/2011 por LUCIANO PONTES DE MAYA GOMES, 15/07/2011 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO Processo nº 13005.000617/2007-10 Acórdão n.º 3102-00.772 S3-C1T2 Fl. 119 9 Como os pedidos foram formulados após 1.01.96, tendo sido realizados quase dois anos depois, não existe óbice para a aplicação da Taxa SELIC como índice de atualização monetária. Entendimento aplicável à repetição de indébito que, conforme dito, estende-se à hipótese dos autos. De uma forma ou de outra, a despeito das motivações do entendimento aqui esposado, filio-me a tese da possibilidade da adoção do índice em trato nos ressarcimentos de créditos de IPI em respeito a jurisprudência da Câmara Superior de Recursos Fiscais sobre a matéria, conforme indicam as ementas abaixo: Ementa: IPI. RESARCIMENTO. ATUALIZAÇÃO MONETÁRIA. Cabe a atualização monetária dos ressarcimentos de créditos de IPI pela aplicação da taxa SELIC, em atendimento ao princípio da isonomia, da eqüidade e da repulsa ao enriquecimento sem causa. Precedentes do Colegiado. Recurso Negado. (Acórdão CSRF/02-01.690) Ementa: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS (IPI). RESSARCIMENTO. TAXA SELIC – NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO – Incidindo a Taxa SELIC sobre a restituição, nos termos do art. 39, §4º, da Lei n. 9.250/95, a partir de 01.01.96, sendo o ressarcimento uma espécie do gênero restituição, conforme entendimento da Câmara Superior de Recursos Fiscais no Acórdão CRSF/02-0.708, de 04.06.98, além do que, tendo o Decreto n. 2.138/97 tratado restituição o ressarcimento da mesma maneira, a referida taxa incidirá, também, sobre o ressarcimento. Recurso a que se nega provimento. Afasto igualmente as motivações adotadas pelo acórdão recorrido, no sentido de vedar a correção em razão das normas jurídicas previstas nos artigos 13 e 15 da Lei n.º 10.833/03, pois dirigidos a situações específicas que não se confundem com as dos autos. Sendo assim, reconhecida como já o foi pelas instâncias inferiores a pertinência dos créditos objetos dos pedidos de ressarcimento, entendo pela aplicabilidade da correção monetária a partir da data do protocolo do pedido de ressarcimento perante a Autoridade Fazendária competente, com base na taxa SELIC por analogia ao §4º, do art. 39, da Lei n. 9.250/95, situação que deve ser observada no caso presente. Ante ao exposto, voto no sentido de conhecer do presente recurso voluntário para dar-lhe provimento, no sentido de reconhecer a correção monetária, pela Selic, sobre o pedido de ressarcimento dos autos, a partir da data do seu protocolo. Sala das Sessões, em 30 de setembro de 2010. (assinado digitalmente) Luciano Pontes de Maya Gomes Voto Vencedor Fl. 277DF CARF MF Emitido em 04/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 17/12/2010 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO Assinado digitalmente em 17/12/2010 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, 07/07/2011 por LUCIANO PONTES DE MAYA GOMES, 15/07/2011 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO 10 Conselheiro José Fernandes do Nascimento, Redator Designado. Os presentes autos versam sobre pedido de ressarcimento do valor da taxa Selic incidente sobre o valor originário do crédito da Contribuição para o PIS/Pasep não- cumulativa – exportação do 1° trimestre de 2004, pleiteado pela Recorrente por meio do processo administrativo n° 13897.000215/2004-67. De acordo com petição de fls. 02/15, pleiteou a Interessada a atualização do valor do citado crédito, com base na variação da taxa Selic, ocorrida desde a constituição do crédito ou, alternativamente, a partir da data do protocolo do pedido de ressarcimento originário. Segundo as planilhas de fls. 67/68, a base de cálculo utilizada na apuração do valor solicitado foi o valor originário do saldo remanescente pleiteado pela Interessada e não o valor originário do crédito reconhecido pela Autoridade Fiscal, no âmbito do citado processo. Logo, entendo oportuno esclarecer que os aspectos atinentes à apuração do valor do crédito pleiteado não foram analisados no Despacho Decisório de fl. 64 nem no presente Acórdão recorrido. De fato, as razões que serviram de fundamento para o indeferimento do presente pedido foram de natureza exclusivamente jurídica, baseadas no argumento de que havia expressa proibição legal para o pagamento da taxa Selic sobre o valor do ressarcimento do mencionado crédito. Dessa forma, tendo em conta as razões de defesa aduzidas na peça recursal em apreço, tenho que a presente controvérsia restringe-se exclusivamente a questão jurídica, concernente à existência ou não de previsão de amparo jurídico para a incidência da taxa Selic sobre o valor do saldo remanescentes dos crédito da Contribuição para o PIS/Pasep não- Cumulativa – exportação do citado trimestre. Definido o cerne da presente controvérsia, peço vênia ao nobre Relator para manifestar a minha discordância em relação ao seu entendimento. Inicialmente, tenho que os presentes autos não tratam de ressarcimento de crédito presumido do IPI, previsto na Lei nº 9.363, de 1996, conforme entendeu o ilustre Relator. De fato, segundo a própria Recorrente (fl. 03), o pleito em tela trata de pedido de ressarcimento do saldo remanescente do crédito escritural da Contribuição para o PIS/Pasep não-cumulativa – exportação, formulado com fundamento no § 2º do art. 5º da Lei nº 10.637, de 2002, que dispõe o seguinte, in verbis: Art. 5º A contribuição , para o PIS/Pasep não incidirá sobre as receitas decorrentes das operações de: (...) § 2º A pessoa jurídica que, até o final de cada trimestre do ano civil, não conseguir utilizar o crédito por qualquer das formas previstas no § 1º, poderá solicitar o seu ressarcimento em dinheiro, observada a legislação específica aplicável à matéria. Em consequência, contrariamente ao que alegou o nobre Relator, a proibição veiculada no art. 13 da Lei nº 10.833, de 2003, por força disposto no inciso VI do art. 15 deste mesmo diploma legal, com redação dada pela Lei nº10.865, de 2004, também se aplica ao Fl. 278DF CARF MF Emitido em 04/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 17/12/2010 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO Assinado digitalmente em 17/12/2010 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, 07/07/2011 por LUCIANO PONTES DE MAYA GOMES, 15/07/2011 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO Processo nº 13005.000617/2007-10 Acórdão n.º 3102-00.772 S3-C1T2 Fl. 120 11 saldo de crédito remanescente da Contribuição para o PIS/Pasep não-cumulativa – exportação, nos termos a seguir a transcrito: Art. 13. O aproveitamento de crédito na forma do § 4o do art. 3o, do art. 4o e dos §§ 1o e 2o do art. 6o, bem como do § 2o e inciso II do § 4 o e § 5 o do art. 12, não ensejará atualização monetária ou incidência de juros sobre os respectivos valores. (...) Art. 15. Aplica-se à contribuição para o PIS/PASEP não- cumulativa de que trata a Lei no 10.637, de 30 de dezembro de 2002, o disposto: (...) VI - no art. 13 desta Lei. (grifos não originais). Cabe esclarecer que a redação do § 4º 1 do art. 3º da Lei nº 10.833, de 2003, contempla a hipótese de ressarcimento do crédito em destaque. Logo, diante da vedação expressa veiculada nos citados preceitos legais, revela-se totalmente descabida a pretensão da Recorrente. Ainda que assim não fosse melhor sorte não assistiria a Recorrente, pelas razões que a seguir aduzirei. Na peça recursal em apreço, defendeu a Recorrente o direito de atualização do valor do crédito a ser ressarcido, com base na taxa Selic, calculada a partir da data constituição do crédito ou do protocolo do pedido de ressarcimento, com o argumento de que seria penalizada pelo atraso no pagamento do referido valor, assim com haveria grave ofensa aos princípios da isonomia e da vedação ao enriquecimento ilícito. Discordo desse entendimento, com o devido respeito. No que tange ao alegado prejuízo com a mora no pagamento do valor do citado crédito, entendo que ele inexiste no presente caso, pelas seguintes razões: (i) o direito creditório objeto do ressarcimento em tela é proveniente de um benefício fiscal, logo, a falta de atualização monetária ou qualquer outro acréscimo moratório não implicará qualquer prejuízo ao beneficiário, mas apenas não realização de um ganho adicional; e (ii) por força do princípio da indisponibilidade do interesse público, toda e qualquer concessão de recurso ou bem público tem que está amparado em lei, que não existe no caso vertente. Assim, tratando-se de crédito de natureza escritural, decorrente de incentivo fiscal, o ressarcimento do saldo remanescente de crédito da Contribuição para o PIS/Pasep não- cumulativa – exportação, também por falta de previsão legal, não comporta quaisquer acréscimos, seja a título de correção monetária ou de juros moratórios. 1 "Art. 3o Do valor apurado na forma do art. 2o a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: (...) § 4o O crédito não aproveitado em determinado mês poderá sê-lo nos meses subseqüentes. (...)". Fl. 279DF CARF MF Emitido em 04/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 17/12/2010 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO Assinado digitalmente em 17/12/2010 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, 07/07/2011 por LUCIANO PONTES DE MAYA GOMES, 15/07/2011 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO 12 Esse é também o entendimento pacificado na jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça (STJ), conforme ementas dos recentes julgados que seguem transcritas: PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. IPI. CREDITAMENTO. CORREÇÃO MONETÁRIA. RESISTÊNCIA DO FISCO. CABIMENTO. RECURSO REPETITIVO. ART. 543-C DO CPC. REVISÃO. MATÉRIA FÁTICO-PROBATÓRIA. INCIDÊNCIA DA SÚMULA 7/STJ. 1. A Primeira Seção do STJ, no julgamento do REsp 1.035.847/RS (assentada de 24.6.2009), submetido ao rito dos recursos repetitivos (art. 543-C do CPC), pacificou o entendimento de que é indevida a correção monetária dos créditos escriturais de IPI, exceto nos casos em que a oposição constante de ato estatal, administrativo ou normativo, impede a utilização do direito de crédito oriundo da aplicação do princípio da não-cumulatividade. 2. Hipótese em que o Tribunal de origem concluiu, com base na prova dos autos, que "não houve oposição do Fisco ao aproveitamento dos créditos presumidos de IPI, tanto que a empresa não restou obrigada a recorrer ao Judiciário para garantir o direito aos créditos". A revisão desse entendimento implica reexame de fatos e provas, obstado pelo teor da Súmula 7/STJ. 3. Agravo Regimental não provido. (STJ, AgRg no REsp 1.124.555/RS, Rel. Ministro Herman Benjamin, Segunda Turma, julgado em 19/11/2009, DJe 07/12/2009) PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. RECURSO ESPECIAL. TRIBUTÁRIO. IPI. CRÉDITO ESCRITURAL PRESUMIDO. ART. 1º, DA LEI N. 9.363/96. CORREÇÃO MONETÁRIA. IMPOSSIBILIDADE. AUSÊNCIA DE DEMORA DO FISCO EM LIBERAR TAIS CRÉDITOS. ACÓRDÃO RECORRIDO EM DISSONÂNCIA COM A JURISPRUDÊNCIA DO STJ. PRECEDENTES DA PRIMEIRA E SEGUNDA TURMAS. 1. Cuida-se de demanda em que a empresa, ora recorrida, objetiva a correção monetária de valores ressarcidos administrativamente a título de IPI (crédito presumido de IPI), de que trata o art. 4º da Lei 9.363/96. 2. O Tribunal de origem entendeu devida a correção monetária, por meio da taxa SELIC, dos valores de crédito presumido de IPI após decorridos cento e cinquenta dias da formulação do pedido de ressarcimento. Consignou que, embora a impetrante não requeira ordem para que haja análise do pedido administrativo, a incidência de atualização dos créditos está intimamente ligada aos limites de atuação da Fazenda. 3. A jurisprudência do STJ é no sentido de que, em se tratando de créditos escriturais de IPI, só há autorização para atualização monetária de seus valores quando há demora injustificada do Fisco para liberar o pedido de ressarcimento. Tema que já foi julgado pelo regime do artigo 543-C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008, no REsp. nº 1.035.847 - RS, Primeira Seção, Rel. Min. Luiz Fux, julgado em 24.6.2009. Fl. 280DF CARF MF Emitido em 04/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 17/12/2010 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO Assinado digitalmente em 17/12/2010 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, 07/07/2011 por LUCIANO PONTES DE MAYA GOMES, 15/07/2011 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO Processo nº 13005.000617/2007-10 Acórdão n.º 3102-00.772 S3-C1T2 Fl. 121 13 4. No entanto, não se enquadra na hipótese excepcional a simples demora na apreciação do requerimento administrativo de restituição ou compensação de valores, sobretudo quando não há prova da existência de impedimento injustificado ao aproveitamento dos créditos titularizados pelo contribuinte. Precedente: REsp 985.327/SC, Primeira Turma, Rel. Min. José Delgado, julgado em 4.3.2008. 5. Recurso Especial provido. (STJ, REsp 1.115.099/SC, Rel. Ministro Benedito Gonçalves, Primeira Turma, julgado em 16/03/2010, DJe 26/03/2010) Com base no conteúdo das transcritas ementas, resta claro que, se não existe previsão legal para a incidência de atualização monetária ou de juros moratórios, não pode o aplicador da lei, seja ele da esfera judiciária e, muito menos ainda, da seara administrativa, suprindo e invadindo a competência do legislador, numa autêntica função de legislador positivo, autorizar ou permitir que sejam corrigidos monetariamente ou acrescidos de juros moratórios o saldo dessa modalidade de crédito. Se assim o fizesse, tanto aplicador quanto o julgador estariam afrontando os ditames legais que norteiam a competência para o exercício da função administrativa e judicante. Além disso, por força do princípio da separação dos poderes (art. 2º da CF/88), a competência para elaboração de lei está reservada ao Poder Legislativo. Na suposta ausência de lei, no meu entender, não pode o aplicador ou julgador suprir eventual ausência legislativa, com o escopo de fazer justiça no caso concreto, conforme defende alguns. Neste sentido, a jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça (STJ), consignada nos Embargos de Declaração no Agravo Regimental no Recurso Especial nº 16.776⁄RS 2 , cujo excerto da ementa, concernente a matéria em debate, segue transcrita: EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. TRIBUTÁRIO. IPI. PRINCÍPIO DA NÃO-CUMULATIVIDADE. CRÉDITO. PRESCRIÇÃO QÜINQÜENAL. CRÉDITOS ESCRITURAIS. NÃO INCIDÊNCIA DA CORREÇÃO MONETÁRIA. PRECEDENTES JURISPRUDENCIAIS. INTELIGÊNCIA DAS DISPOSIÇÕES CONSTITUCIONAIS E LEGAIS QUE REGULAM A NÃO-CUMULATIVIDADE E AS ISENÇÕES DO IPI (ART. 153, § 3º, II, DA CF⁄88 E ART. 49 DO CTN) (...) 2. A correção monetária incide sobre o crédito tributário devidamente constituído, ou quando recolhido em atraso. Diferencia-se do crédito escritural, técnica de contabilização para a equação entre débitos e créditos, a fim de fazer valer o princípio da não-cumulatividade. 3. Não havendo previsão, falece ao aplicador da lei autorizar, ou mesmo aceitar, sejam os saldos de créditos relativos ao IPI corrigidos monetariamente. Se assim o fizesse, estaria a oficiar 2 BRASIL. Superior Tribunal de Justiça. Embargos de Declaração no Agravo Regimental no Recurso Especial nº 416.776⁄RS, 1ª Turma, Rel. Min. Luiz Fux, DJU de 16⁄02⁄2004, p. 205. Jurisprudência do STJ. Disponível em: <https:ww2.stj.gov.Br/revistaeletrônica> Acesso em: 10 nov. 2007. Fl. 281DF CARF MF Emitido em 04/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 17/12/2010 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO Assinado digitalmente em 17/12/2010 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, 07/07/2011 por LUCIANO PONTES DE MAYA GOMES, 15/07/2011 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO 14 acima e além dos ditames legais que norteiam sua função pública. 4. O Supremo Tribunal Federal vem reiteradamente decidindo que a correção monetária não incide sobre os créditos escriturais. 5. Embargos de declaração acolhidos. (grifos não originais) Também não me impressiona a alegação de que a não atualização dos referidos créditos implicaria grave ofensa ao princípio da isonomia. No caso, é pertinente a seguinte indagação: isonomia com o quê? Segundo a Recorrente, isonomia em relação ao pagamento dos tributos devidos à Fazenda Nacional. Não vejo como ser aferido qualquer critério isonômico entre as duas situações jurídicas em comparação, uma atinente ao pagamento do tributo devido e a outra relativa ao pagamento do crédito a que contribuinte tem direito a ressarcimento. A razão é clara, a começar pela posição que ocupa os sujeitos que integram as respectivas relações jurídicas, onde cada um deles posiciona-se de forma distinta e contraposta. De fato, na relação jurídica tributária, a Fazenda Nacional ocupa a posição de sujeito ativo, enquanto que o contribuinte atua como sujeito passivo. Por outro lado, na relação jurídica de ressarcimento, a posição de cada um dos referidos sujeitos se inverte. Além disso, não se deve olvidar que a previsão de cobrança de juros moratórios sobre o valor dos tributos devidos, com base na taxa Selic, decorre de determinação expressa de lei (art. 61, § 3º, da Lei nº 9.430, de 1996). Por outro lado, tal previsão inexiste no caso da mora no pagamento do ressarcimento do saldo remanescente dos créditos da Contribuição para o PIS/Pasep não-cumulativa – exportação. Dessa forma, fica mais uma vez demonstrado que a questão relevante para o deslindo da presente controvérsia está relacionada também com a falta de previsão legal para a concessão do acréscimo da taxa Selic ao valor originário do saldo remanescente do crédito em apreço. Segundo a Recorrente, se a jurisprudência administrativa e judicial estendeu aos créditos passíveis de ressarcimento a atualização monetária, prevista no art. 66 da Lei nº 8.383, de 1991, por analogia, a partir de janeiro de 1996, também tais créditos deveriam ser acrescidos da taxa Selic, conforme estabelecido no art. 39, § 4°, da Lei nº 9.250, de 1995. Não assiste razão a Recorrente. Com efeito, tanto o § 3º do art. 66 3 da Lei nº 8.383, de 1991, que previa a atualização monetária, quanto o § 4° do art. 39 4 da Lei nº 9.250, 3 "Art. 66. Nos casos de pagamento indevido ou a maior de tributos, contribuições federais, inclusive previdenciárias, e receitas patrimoniais, mesmo quando resultante de reforma, anulação, revogação ou rescisão de decisão condenatória, o contribuinte poderá efetuar a compensação desse valor no recolhimento de importância correspondente a período subseqüente. (Redação dada pela Lei nº 9.069, de 29.6.1995) (...) § 3º A compensação ou restituição será efetuada pelo valor do tributo ou contribuição ou receita corrigido monetariamente com base na variação da UFIR. (Redação dada pela Lei nº 9.069, de 29.6.1995) (...)" 4 Art. 39. A compensação de que trata o art. 66 da Lei nº 8.383, de 30 de dezembro de 1991, com a redação dada pelo art. 58 da Lei nº 9.069, de 29 de junho de 1995, somente poderá ser efetuada com o recolhimento de importância correspondente a imposto, taxa, contribuição federal ou receitas patrimoniais de mesma espécie e destinação constitucional, apurado em períodos subseqüentes. (...) Fl. 282DF CARF MF Emitido em 04/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 17/12/2010 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO Assinado digitalmente em 17/12/2010 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, 07/07/2011 por LUCIANO PONTES DE MAYA GOMES, 15/07/2011 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO Processo nº 13005.000617/2007-10 Acórdão n.º 3102-00.772 S3-C1T2 Fl. 122 15 de 1995, que prevê a incidência da taxa Selic, tratam exclusivamente da restituição do indébito tributário decorrente do pagamento indevido ou a maior de tributos. É cediço que o direito a restituição do indébito tributário não se confunde com o direito ao ressarcimento do crédito da Contribuição para o PIS/Pasep não-cumulativa – exportação. As diferenças entre ambos os institutos jurídicos são marcantes. No quadro a seguir, estão relacionadas as principais: DIREITO DE RESTITUIÇÃO DIREITO DE RESSARCIMENTO Tem origem no fato jurídico do pagamento de tributo indevido. Tem origem no fato jurídico da exportação do insumo industrializado. Trata-se de devolução de tributo irregularmente pago. Trata-se de devolução de tributo regularmente pago. Tem por objetivo recompor a situação patrimonial do contribuinte, indevidamente desfalcado por recolhimento indevido de tributo. Tem por objetivo a concessão de subvenção financeira ao exportador de produtos industrializados no País, como forma de incentivo fiscal ao produtor-exportador. Tem como fundamento axiológico o princípio da vedação ao enriquecimento sem causa. Tem como fundamento axiológico o princípio da extrafiscalidade. Aliás, cabe ressaltar que o ressarcimento do crédito em apreço não representa uma forma de restituição dos valores das contribuições anteriormente recolhidas indevidamente pelo exportador ou até mesmo por outros contribuintes, nas operações anteriores do ciclo econômico dos insumos utilizados no processo produtivo, como alegado pela Recorrente. Na verdade, o ressarcimento do crédito em tela consiste numa forma de subvenção financeira de natureza governamental, concedida sob a forma de incentivo fiscal ao exportador dos produtos nacionais industrializados. Por tudo isso, é forçoso concluir que o fenômeno jurídico da restituição ou repetição do indébito tributário tem fundamento e natureza jurídica distintos do fenômeno do ressarcimento do crédito escritural, portanto, inaplicável ao caso qualquer forma de integração analógica entre os dois institutos jurídicos. É cediço que para o emprego da analogia é necessário que haja ausência de norma, isto é, que a lei seja lacunosa. No âmbito tributário, há norma específica que confirma tal regra, refiro-me ao caput do art. 108 do CTN, segundo o qual a integração da legislação tributária somente pode ser empregada diante da ausência de disposição legal expressa. No caso em tela, não vislumbro tal circunstância, haja vista que a ausência de previsão legal acerca da atualização ou incidência de juros moratórios sobre os valores originários dos créditos objeto de ressarcimento, com base na taxa Selic, não se configura § 4º A partir de 1º de janeiro de 1996, a compensação ou restituição será acrescida de juros equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e de Custódia - SELIC para títulos federais, acumulada mensalmente, calculados a partir da data do pagamento indevido ou a maior até o mês anterior ao da compensação ou restituição e de 1% relativamente ao mês em que estiver sendo efetuada". Fl. 283DF CARF MF Emitido em 04/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 17/12/2010 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO Assinado digitalmente em 17/12/2010 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, 07/07/2011 por LUCIANO PONTES DE MAYA GOMES, 15/07/2011 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO 16 ausência de norma legal, mas, conforme anteriormente demonstrado, omissão desejada pelo legislador, que no uso de sua prerrogativa, não editou a norma concessiva do direito ao acréscimo da taxa Selic sobre tal modalidade de crédito. Não se deve confundir opção legislativa com omissão legislativa. No caso presente, o que houve foi uma clara opção do legislador por não conceder o acréscimo moratório, calculado com base na taxa Selic. Mais uma vez, é oportuno ressaltar que por força do princípio da indisponibilidade do interesse público somente mediante lei poderia ser concedido o direito de atualização reivindicado pela Recorrente. Principalmente, tendo em conta que tal índice tem natureza de juros moratórios, portanto, não se prestando para fim de correção monetária, forma de atualização que, segundo alguns, comportaria acréscimo ao valor originário. Ad argumentadum, em consonância com princípio da eventualidade, ainda que houvesse a suposta lacuna normativa, seria inaplicável ao caso qualquer forma de integração analógica, haja vista que não há entre o instituto da restituição do indébito tributário e do ressarcimento do crédito da Contribuição para o PIS/Pasep não-cumulativa – exportação, um elemento de identidade essencial entre eles, que lhes conferisse verdadeira semelhança, caracterizada pela presença das mesmas razões motivadoras de suas existências. Com essas considerações, entendo inaplicável qualquer modalidade de acréscimo legal, seja a título de correção monetária ou de juros moratórios, calculado com base na taxa Selic, ao valor originário do saldo remanescente do crédito da Contribuição para o PIS/Pasep não-cumulativa – exportação, por duas razões: (i) a existência de expressa vedação legal para tal acréscimo (art. 13, combinado com art. 15, VI, da Lei nº 10.833, de 2003), e, ainda que não existisse tal vedação, o que admito apenas em caráter eventual, (ii) por falta de previsão legal não cabe a referida atualização. Diante do exposto, NEGO PROVIMENTO ao presente Recurso, devendo ser mantido na íntegra o Acórdão recorrido. Sala das Sessões, em 30 de setembro de 2010. (assinado digitalmente) José Fernandes do Nascimento Fl. 284DF CARF MF Emitido em 04/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 17/12/2010 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO Assinado digitalmente em 17/12/2010 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, 07/07/2011 por LUCIANO PONTES DE MAYA GOMES, 15/07/2011 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO
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Numero do processo: 16327.001651/00-57
Turma: Quarta Câmara
Seção: Segundo Conselho de Contribuintes
Data da sessão: Mon Apr 26 00:00:00 UTC 2010
Data da publicação: Thu Jun 11 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/01/1995 a 31/01/1999
IMUNIDADE (CF, art. 150, VI, "c").
Reconhecida a natureza de contribuição social da Cofins e do Pis/Pasep, perde o sentido discutir-se a imunidade do art. 150, VI, "c" da Constituição Federal, porque restrita aos tributos, cujas espécies estão limitadas a impostos, taxas e contribuições de melhoria.
Recurso Especial do Contribuinte Provido em Parte.
Numero da decisão: 9303-000.858
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, I) por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso especial quanto à imunidade, por falta de paradigma; e II) pelo voto de qualidade, em dar provimento ao recurso especial quanto à decadência, para cancelar a exigência fiscal referente aos fatos geradores ocorridos antes de 08/1995. Vencidos os Conselheiros Nanci Gama, Rodrigo Miranda Cardozo, Leonardo Siade Manzan, Maria Teresa Martínez López e Susy Gomes Hoffmann, que reconheciam a decadência a partir da ocorrência do fato gerador, nos termos do art. 150, § 4º, do CTN.
Carlos Alberto Freitas Barreto - Presidente
Gilson Macedo Rosenburg Filho - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Nanci Gama, Judith do Amaral Marcondes Armando, Rodrigo Cardozo Miranda, Gilson Macedo Rosenburg Filho, Leonardo Siade Manzan, Rodrigo da Costa Pôssas, Maria Teresa Martínez López, Susy Gomes Hoffmann e Carlos Alberto Freitas Barreto.
Nome do relator: Gilson Macedo Rosenburg Filho
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Súmula Vinculante n.º 08 do STF. TERMO INICIAL: (a) Primeiro dia do exercício seguinte ao da ocorrência do fato gerador, se não houve antecipação do pagamento (CTN, ART. 173, I); (b) Fato Gerador, caso tenha ocorrido recolhimento, ainda que parcial (CTN, ART. 150, § 4º). ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/01/1995 a 31/01/1999 IMUNIDADE (CF, art. 150, VI, "c"). Reconhecida a natureza de contribuição social da Cofins e do Pis/Pasep, perde o sentido discutirse a imunidade do art. 150, VI, "c" da Constituição Federal, porque restrita aos tributos, cujas espécies estão limitadas a impostos, taxas e contribuições de melhoria. Recurso Especial do Contribuinte Provido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, I) por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso especial quanto à imunidade, por falta de paradigma; e II) pelo voto de qualidade, em dar provimento ao recurso especial quanto à decadência, para cancelar a exigência fiscal referente aos fatos geradores ocorridos antes de 08/1995. Vencidos os Conselheiros Nanci Gama, Rodrigo Miranda Cardozo, Leonardo Siade Manzan, Maria Teresa AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 32 7. 00 16 51 /0 0- 57 Fl. 1788DF CARF MF Impresso em 11/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/09/2013 por CLEIDE LEITE, Assinado digitalmente em 18/02/2015 por CAR LOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 13/02/2015 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO 2 Martínez López e Susy Gomes Hoffmann, que reconheciam a decadência a partir da ocorrência do fato gerador, nos termos do art. 150, § 4º, do CTN. Carlos Alberto Freitas Barreto Presidente Gilson Macedo Rosenburg Filho Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Nanci Gama, Judith do Amaral Marcondes Armando, Rodrigo Cardozo Miranda, Gilson Macedo Rosenburg Filho, Leonardo Siade Manzan, Rodrigo da Costa Pôssas, Maria Teresa Martínez López, Susy Gomes Hoffmann e Carlos Alberto Freitas Barreto. Relatório Tratase de recurso especial interposto pelo sujeito passivo, fls. 799/845, contra decisão do Acórdão nº 20400414 da Quarta Câmara do Segundo Conselho de Contribuintes, que negou provimento ao recurso voluntário do sujeito passivo, cuja ementa foi assim vazada: NORMAS PROCESSUAIS. NULIDADE. A intimação por parte do Fisco para que a contribuinte apresente demonstrativo de base de cálculo e exclusões previstas na lei não são motivos de nulidade do Auto de Infração, quando a contabilidade da entidade não fornece elementos suficientes para que o Fisco efetue as exclusões devidas, consistindo, antes, uma prerrogativa de defesa concedida pela Administração. Preliminar rejeitada. PIS. DECADÊNCIA. Considerase para início de contagem do prazo decadencial o primeiro dia do exercício seguinte em que o lançamento poderia ser efetuado, no caso de inexistência de pagamento da contribuição por parte da contribuinte. ARGÜIÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE E ILEGALIDADE. Às instâncias administrativas não competem apreciar vícios de ilegalidade ou de inconstitucionalidade das normas tributárias, cabendolhes apenas dar fiel cumprimento à legislação vigente. IMUNIDADE ARTIGO 150, III, C DA CONSTITUIÇÃO FEDERAL. A imunidade prevista no art. 150, inciso III, alínea"c" da CF/88 aplicase apenas aos impostos. IMUNIDADE ART. 195, PARAGRAFO 7° da CF/88. As entidades de previdência privada fechadas não podem ser consideradas como entidades beneficentes de assistência social, Fl. 1789DF CARF MF Impresso em 11/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/09/2013 por CLEIDE LEITE, Assinado digitalmente em 18/02/2015 por CAR LOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 13/02/2015 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO Processo nº 16327.001651/0057 Acórdão n.º 9303000.858 CSRFT3 Fl. 953 3 para fruição da imunidade contida no art. 195, § 7° da CF, por falecer dos requisitos essenciais para ser enquadrada como tal. BASE DE CÁLCULO. EXCLUSÕES. A base de cálculo da contribuição para o PIS no caso de entidades de previdência privada fechadas, é a receita bruta operacional, excluídas penas as receitas destinadas à constituição de provisões ou reservas técnicas e as suas respectivas atualizações monetárias. Incabível qualquer outra exclusão por absoluta falta de previsão legal. PRECLUSÃO. Inadmissível a apreciação em grau de recurso, da pretensão do reclamante no que pertine aos juros moratórios, visto que tal matéria não foi suscitada na manifestação de inconformidade apresentada à instância a quo. Recurso negado. Em sua petição recursal, o contribuinte requer a reforma do decisum, alegando, em apertada síntese, que: a) Ocorreu a prescrição/decadência do direito do Fisco de efetuar o lançamento da exação, uma vez que se trata de tributo sujeito ao lançamento por homologação, tendo seu prazo contado nos moldes da regra prevista no art. 150, § 4º do CTN; b) A recorrente é entidade fechada de previdência privada sem fins lucrativos e não contributiva, até julho de 1997. Como organismo do sistema de seguridade social, tem o direito de gozar da imunidade prevista no art. 150, VI, “c”, bem como do art. 195, parágrafo 7º, todos da CF/88; c) O auto de infração guerreado fora lavrado para constituir tributo referente a supostos fatos geradores ocorridos no período compreendido entre janeiro de 1995 e janeiro de 1999. Sendo que na maior parte do referido período, a recorrente era entidade fechada de previdência privada não contributiva, ou seja, as contribuições eram feitas exclusivamente pelas empresas patrocinadoras e não pelos empregados/beneficiários. Assim, restava evidente a observância da súmula 730 do STF. Por intermédio do despacho de fls. 937/938, o recurso foi admitido quanto a questão da decadência e quanto a aplicação da imunidade tributária expressa no art. 150, VI, “c” da CF/88. A Fazenda Pública apresentou contrarazões, fls. 940/949. É o Relatório. Fl. 1790DF CARF MF Impresso em 11/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/09/2013 por CLEIDE LEITE, Assinado digitalmente em 18/02/2015 por CAR LOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 13/02/2015 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO 4 Voto Conselheiro Gilson Macedo Rosenburg Filho, Relator O recurso foi apresentado com observância do prazo previsto, bem como dos demais requisitos de admissibilidade. Sendo assim, dele tomo conhecimento e passo a apreciar. A controvérsia se instaurou por entendimentos divergentes quanto ao prazo decadencial para a constituição do crédito tributário referente ao PIS e a possibilidade de aplicação das regras previstas no art. 150, VI, “c” da CF/88 para essa exação. Com a devida vênia, descordo do exame de admissibilidade quanto ao recebimento da matéria referente a aplicação das regras previstas no art. 150, VI, “c” da CF/88 para o PIS, uma vez que o Acórdão identificado como paradigma diz respeito ao IRPJ e não se refere a contribuições sociais. A discussão nestes autos gira em torno da possibilidade de aplicar as regras do mencionado artigo às contribuições e não na possibilidade de aplicar as regras ao IRPJ. Não é preciso empreender qualquer esforço para concluir que não há semelhança entre o a matéria combatida no acórdão recorrido e a matéria discutida no acórdão apresentado como paradigma. Em virtude dessa observação, não conheço do recurso quanto a essa matéria por inobservância do art. 67 do Regimento Interno do CARF. DECADÊNCIA A recorrente defende que os tributos sujeitos ao lançamento por homologação deve ter seu prazo decadencial regulado pelo art. 150, § 4º, do CTN, independentemente da existência da antecipação de pagamento. É sobremodo importante assinalar que o Supremo Tribunal Federal publicou no Diário Oficial da União, do dia 20/06/2008, o enunciado da Súmula vinculante nº 08, verbis: “Em sessão de 12 de junho de 2008, o Tribunal Pleno editou os seguintes enunciados de súmula vinculante que se publicam no Diário da Justiça e no Diário Oficial da União, nos termos do § 4º do art. 2º da Lei nº 11.417/2006: Súmula vinculante nº 8 São inconstitucionais o parágrafo único do artigo 5º do DecretoLei nº 1.569/1977 e os artigos 45 e 46 da Lei nº 8.212/1991, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário. Precedentes: RE 560.626, rel. Min. Gilmar Mendes, j. 12/6/2008; RE 556.664, rel. Min. Gilmar Mendes, j. 12/6/2008; RE 559.882, rel. Min. Gilmar Mendes, j. 12/6/2008; RE 559.943, rel. Min.Cármen Lúcia, j. 12/6/2008; RE 106.217, rel. Min. Octavio Gallotti, DJ 12/9/1986; RE 138.284, rel. Min. Carlos Velloso, DJ 28/8/1992. Legislação: Fl. 1791DF CARF MF Impresso em 11/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/09/2013 por CLEIDE LEITE, Assinado digitalmente em 18/02/2015 por CAR LOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 13/02/2015 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO Processo nº 16327.001651/0057 Acórdão n.º 9303000.858 CSRFT3 Fl. 954 5 DecretoLei nº 1.569/1997, art. 5º, parágrafo único Lei nº 8.212/1991, artigos 45 e 46 CF, art. 146, III Brasília, 18 de junho de 2008. Sobre o tema “súmula vinculante”, aduzo abordagem digna de aplausos do Ministro Gilmar Mendes: Outra situação decorre de adoção de súmula vinculante (art. 103A da CF, introduzido pela EC n. 45/2004), na qual se afirma que determinada conduta, dada prática ou uma interpretação é inconstitucional. Nesse caso, a súmula acabará por dotar a declaração de inconstitucionalidade proferida em sede incidental de efeito vinculante. A súmula vinculante, ao contrário do que ocorre no processo objetivo, decorre de decisões tomadas em casos concretos, no modelo incidental, no qual também existe, não raras vezes, reclamo por solução geral. Ela só pode ser editada depois de decisão do Plenário do Supremo Tribunal Federal ou de decisões repetidas das Turmas. Desde já, afigurase inequívoco que a referida súmula conferirá eficácia geral e vinculante às decisões proferidas pelo Supremo Tribunal Federal sem afetar diretamente a vigência de leis declaradas inconstitucionais no processo de controle incidental. E isso em função de não ter sido alterada a cláusula clássica, constante do art. 52, X, da Constituição, que outorga ao Senado a atribuição para suspender a execução de lei ou ato normativo declarado inconstitucional pelo Supremo Tribunal Federal. Não resta dúvida de que a adoção de súmula vinculante em situação que envolva a declaração de inconstitucionalidade de lei ou ato normativo enfraquecerá ainda mais o já debilitado instituto da suspensão de execução pelo Senado. É que essa súmula conferirá interpretação vinculante à decisão que declara a inconstitucionalidade sem que a lei declarada inconstitucional tenha sido eliminada formalmente do ordenamento jurídico (falta de eficácia geral da decisão declaratória de inconstitucionalidade). Temse efeito vinculante da súmula, que obrigará a Administração a não mais aplicar a lei objeto da declaração de inconstitucionalidade (nem a orientação que dela se dessume), sem eficácia erga omnes da declaração de inconstitucionalidade. (grifo meu) Portanto, dada a inconstitucionalidade do art. 45 da Lei nº 8.212/91, há de se definir o termo inicial do prazo decadencial nos tributos sujeitos ao lançamento por homologação. Para a solução da presente lide, merece ser colacionado a título de doutrina os Acórdãos do STJ vazados nos seguintes termos: No REsp 879.058/PR, DJ 22.02.2007, a 1ª Turma do STJ assim se pronunciou: Fl. 1792DF CARF MF Impresso em 11/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/09/2013 por CLEIDE LEITE, Assinado digitalmente em 18/02/2015 por CAR LOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 13/02/2015 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO 6 "PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL. ACÓRDÃO RECORRIDO ASSENTADO SOBRE FUNDAMENTAÇÃO DE NATUREZA CONSTITUCIONAL. OMISSÃO NÃO CONFIGURADA. TRIBUTÁRIO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. PRAZO DECADENCIAL DE CONSTITUIÇÃO DO CRÉDITO. TERMO INICIAL: (A) PRIMEIRO DIA DO EXERCÍCIO SEGUINTE AO DA OCORRÊNCIA DO FATO GERADOR, SE NÃO HOUVE ANTECIPAÇÃO DO PAGAMENTO (CTN, ART. 173, I); (B) FATO GERADOR, CASO TENHA OCORRIDO RECOLHIMENTO, AINDA QUE PARCIAL (CTN, ART. 150, § 4º).PRECEDENTES DA 1ª SEÇÃO. 1. omissis 2. omissis 3. O prazo decadencial para efetuar o lançamento do tributo é, em regra, o do art.173, I, do CTN, segundo o qual 'direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados: I do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado '. 4. Todavia, para os tributos sujeitos a lançamento por homologação — que, segundo o art. 150 do CTN, 'ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa' e 'operase pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa' —, há regra específica. Relativamente a eles, ocorrendo o pagamento antecipado por parte do contribuinte, o prazo decadencial para o lançamento de eventuais diferenças é de cinco anos a contar do fato gerador, conforme estabelece o § 4º do art. 150 do CTN. Precedentes da 1ª Seção: ERESP 101.407/SP, Min. Ari Pargendler, DJ de 08.05.2000; ERESP 278.727/DF, Min.Franciulli Netto, DJ de 28.10.2003; ERESP 279.473/SP, Min. Teori Zavascki, DJ de 11.10.2004; AgRg nos ERESP 216.758/SP, Min. Teori Zavascki, DJ de 10.04.2006. 5. No caso concreto, todavia, não houve pagamento. Aplicável, portanto, conforme a orientação acima indicada, a regra do art. 173, I, do CTN. 6. Recurso especial a que se nega provimento." Mais uma vez a 1ª Turma do STJ pronunciouse sobre o tema: “EMENTA CONSTITUCIONAL, PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. ARTIGO 45 DA LEI 8.212/91. OFENSA AO ART. 146, III, B, DA CONSTITUIÇÃO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. PRAZO DECADENCIAL DE CONSTITUIÇÃO DO CRÉDITO. TERMO INICIAL: (A) PRIMEIRO DIA DO EXERCÍCIO SEGUINTE AO DA OCORRÊNCIA DO FATO GERADOR, SE Fl. 1793DF CARF MF Impresso em 11/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/09/2013 por CLEIDE LEITE, Assinado digitalmente em 18/02/2015 por CAR LOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 13/02/2015 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO Processo nº 16327.001651/0057 Acórdão n.º 9303000.858 CSRFT3 Fl. 955 7 NÃO HOUVE ANTECIPAÇÃO DO PAGAMENTO (CTN, ART. 173, I); (B) FATO GERADOR, CASO TENHA OCORRIDO RECOLHIMENTO, AINDA QUE PARCIAL (CTN, ART. 150, § 4º). PRECEDENTES DA 1ª SEÇÃO. 1. "As contribuições sociais, inclusive as destinadas a financiar a seguridade social (CF, art. 195), têm, no regime da Constituição de 1988, natureza tributária. Por isso mesmo, aplicase também a elas o disposto no art. 146, III, b, da Constituição, segundo o qual cabe à lei complementar dispor sobre normas gerais em matéria de prescrição e decadência tributárias, compreendida nessa cláusula inclusive a fixação dos respectivos prazos. Conseqüentemente, padece de inconstitucionalidade formal o artigo 45 da Lei 8.212, de 1991, que fixou em dez anos o prazo de decadência para o lançamento das contribuições sociais devidas à Previdência Social" (Corte Especial, Argüição de Inconstitucionalidade no REsp nº 616348/MG) 2. O prazo decadencial para efetuar o lançamento do tributo é, em regra, o do art. 173, I, do CTN, segundo o qual "o direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados: I do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado ". 3. Todavia, para os tributos sujeitos a lançamento por homologação — que, segundo o art. 150 do CTN, "ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa” e "operase pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa” —, há regra específica. Relativamente a eles, ocorrendo o pagamento antecipado por parte do contribuinte, o prazo decadencial para o lançamento de eventuais diferenças é de cinco anos a contar do fato gerador, conforme estabelece o § 4º do art. 150 do CTN. Precedentes jurisprudenciais. 4. No caso, tratase de contribuição previdenciária, tributo sujeito a lançamento por homologação, e não houve qualquer antecipação de pagamento. Aplicável, portanto, a regra do art. 173, I, do CTN. 5. Recurso especial a que se nega provimento. É a orientação também defendida em doutrina: “Há uma discussão importante acerca do prazo decadencial para que o Fisco constitua o crédito tributário relativamente aos tributos sujeitos a lançamento por homologação. Nos parece claro e lógico que o prazo deste § 4º tem por finalidade dar segurança jurídica às relações tributárias da espécie. Ocorrido o fato gerador e efetuado o pagamento pelo sujeito passivo no prazo do vencimento, tal como previsto na legislação tributária, tem o Fisco o prazo de cinco anos, a contar do fato gerador, para emprestar definitividade a tal situação, homologando expressa ou tacitamente o pagamento realizado, com o que Fl. 1794DF CARF MF Impresso em 11/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/09/2013 por CLEIDE LEITE, Assinado digitalmente em 18/02/2015 por CAR LOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 13/02/2015 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO 8 chancela o cálculo realizado pelo contribuinte e que supre a necessidade de um lançamento por parte do Fisco, satisfeito que estará o respectivo crédito. É neste prazo para homologação que o Fisco deve promover a fiscalização, analisando o pagamento efetuado e, entendendo que é insuficiente, fazendo o lançamento de ofício através da lavratura de auto de infração, em vez de chancelálo pela homologação. Com o decurso do prazo de cinco anos contados do fato gerador, pois, ocorre a decadência do direito do Fisco de lançar eventual diferença. A regra do § 4º deste art. 150 é regra especial relativamente à do art. 173, I, deste mesmo Código. E, em havendo regra especial, prefere à regra geral. Não há que se falar em aplicação cumulativa de ambos os artigos.” (Leandro Paulsen, Direito Tributário, Constituição e Código Tributário à Luz da Doutrina e da Jurisprudência, Ed. Livraria do Advogado, 6ª ed., p. 1011) “Ora, no caso da homologação tácita, pela qual se aperfeiçoa o lançamento, o CTN estabelece expressamente prazo dentro do qual se deve considerar homologado o pagamento, prazo que corre contra os interesses fazendários, conforme § 4o do art. 150 em análise. A conseqüência – homologação tácita, extintiva do crédito – ao transcurso in albis do prazo previsto para a homologação expressa do pagamento está igualmente nele consignada” (Misabel A. Machado Derzi, Comentários ao CTN, Ed. Forense, 3a ed., p. 404). Após breve passeio pela jurisprudência, retornando ao caso em epígrafe, verificase que não houve antecipação de pagamento, de sorte que o prazo decadencial deverá começar a fluir do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos termos do art. 173, I, do CTN. Do exposto, dou provimento parcial ao recurso para cancelar a exigência fiscal referente aos fatos geradores ocorridos antes de 08/1995, já que o direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário tinha sido fulminado pelo efeitos da decadência à época do lançamento. Gilson Macedo Rosenburg Filho Fl. 1795DF CARF MF Impresso em 11/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/09/2013 por CLEIDE LEITE, Assinado digitalmente em 18/02/2015 por CAR LOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 13/02/2015 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO
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Numero do processo: 11080.918927/2012-13
Turma: Primeira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 25 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Mon May 11 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Data do fato gerador: 20/11/2008
PROCESSO ADMINISTRATIVO. DESPACHO DECISÓRIO. ALEGAÇÃO DE NULIDADE. NÃO ACATADA.
Não é nulo o Despacho Decisório que contém os elementos essenciais do ato administrativo.
NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. DIREITO DE CRÉDITO. LIQUIDEZ E CERTEZA.
Não é líquido e certo crédito decorrente de pagamento informado como indevido ou a maior, se o pagamento consta nos sistemas informatizados da Secretaria da Receita Federal do Brasil como utilizado integralmente para quitar débito informado em DCTF e a contribuinte não prova com documentos e livros fiscais e contábeis o direito ao crédito.
NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. NÃO HOMOLOGAÇÃO.
Declaração de compensação fundada em direito de crédito decorrente de pagamento indevido ou a maior não pode ser homologada se a contribuinte não comprovou a existência do crédito.
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. DIREITO DE CRÉDITO. ÔNUS DA PROVA.
O ônus da prova incumbe ao autor, quanto ao fato constitutivo de seu direito.
MULTA E JUROS DE MORA.
Débitos indevidamente compensados por meio de Declaração de Compensação não homologada sofrem incidência de multa e juros de mora.
INCONSTITUCIONALIDADE. DE NORMA INSTÂNCIA ADMINISTRATIVA. INCOMPETÊNCIA. SÚMULA CARF Nº 2.
Não compete aos julgadores administrativos pronunciar-se sobre a inconstitucionalidade de leis ou atos normativos.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3801-005.110
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário. Participou do julgamento o Conselheiro Jacques Mauricio Ferreira Veloso de Melo em substituição ao Conselheiro Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira que se declarou impedido
(assinado digitalmente)
Flávio de Castro Pontes - Presidente.
(assinado digitalmente)
Paulo Sérgio Celani - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flávio de Castro Pontes, Marcos Antônio Borges, Paulo Sérgio Celani, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Cássio Schappo e Jacques Mauricio Ferreira Veloso de Melo.
Nome do relator: PAULO SERGIO CELANI
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DESPACHO DECISÓRIO. ALEGAÇÃO DE NULIDADE. NÃO ACATADA. Não é nulo o Despacho Decisório que contém os elementos essenciais do ato administrativo. NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. DIREITO DE CRÉDITO. LIQUIDEZ E CERTEZA. Não é líquido e certo crédito decorrente de pagamento informado como indevido ou a maior, se o pagamento consta nos sistemas informatizados da Secretaria da Receita Federal do Brasil como utilizado integralmente para quitar débito informado em DCTF e a contribuinte não prova com documentos e livros fiscais e contábeis o direito ao crédito. NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. NÃO HOMOLOGAÇÃO. Declaração de compensação fundada em direito de crédito decorrente de pagamento indevido ou a maior não pode ser homologada se a contribuinte não comprovou a existência do crédito. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. DIREITO DE CRÉDITO. ÔNUS DA PROVA. O ônus da prova incumbe ao autor, quanto ao fato constitutivo de seu direito. MULTA E JUROS DE MORA. Débitos indevidamente compensados por meio de Declaração de Compensação não homologada sofrem incidência de multa e juros de mora. INCONSTITUCIONALIDADE. DE NORMA INSTÂNCIA ADMINISTRATIVA. INCOMPETÊNCIA. SÚMULA CARF Nº 2. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 08 0. 91 89 27 /2 01 2- 13 Fl. 125DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/04/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 29/04/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 05/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 11080.918927/201213 Acórdão n.º 3801005.110 S3TE01 Fl. 3 2 Não compete aos julgadores administrativos pronunciarse sobre a inconstitucionalidade de leis ou atos normativos. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário. Participou do julgamento o Conselheiro Jacques Mauricio Ferreira Veloso de Melo em substituição ao Conselheiro Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira que se declarou impedido (assinado digitalmente) Flávio de Castro Pontes Presidente. (assinado digitalmente) Paulo Sérgio Celani Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flávio de Castro Pontes, Marcos Antônio Borges, Paulo Sérgio Celani, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Cássio Schappo e Jacques Mauricio Ferreira Veloso de Melo. Relatório Inicialmente, esclarecese que estão em julgamento nesta 1ª Turma Especial da 3ª Seção de Julgamento do CARF cento e quarenta e oito processos da mesma contribuinte, em que o cerne da discussão é o mesmo: a certeza e liquidez de crédito pleiteado, decorrente de pagamento indevido ou a maior de Cofins, ou contribuição para o PIS/Pasep ou IPI, e o ônus da prova deste direito. Feitas estas observações, passase ao relato propriamente dito. Tratase de recurso voluntário apresentado contra decisão da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em CuritibaDRJ/CTA que julgou improcedente manifestação de inconformidade apresentada contra despacho decisório da Delegacia da Receita Federal do Brasil de origem. O processo se iniciou com PER/DCOMP, por meio do qual a contribuinte pleiteou o reconhecimento de direito de crédito decorrente de pagamento indevido ou a maior de tributo e a compensação de débitos tributários com o crédito pleiteado. Fl. 126DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/04/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 29/04/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 05/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 11080.918927/201213 Acórdão n.º 3801005.110 S3TE01 Fl. 4 3 De acordo com o Despacho Decisório, a partir das características do DARF informado no PER/DCOMP, foram localizados um ou mais pagamentos, utilizados para quitação de débitos da contribuinte, não restando crédito disponível suficiente para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. Assim, diante da inexistência/insuficiência de crédito, a compensação declarada não foi homologada ou foi homologada apenas parcialmente. Como enquadramento legal foram citados os arts. 165 e 170, da Lei nº 5.172 de 25/10/1966 (Código Tributário Nacional CTN), e o art. 74 da Lei nº 9.430, de 27/12/1996, conforme quadro “3 – FUNDAMENTAÇÃO, DECISÃO E ENQUADRAMENTO LEGAL” do despacho decisório “ Extraio do relatório da decisão recorrida resumo das alegações apresentadas pela contribuinte contra o despacho decisório: “Na manifestação apresentada, a contribuinte argúi em preliminar a nulidade do Despacho Decisório, alegando o não atendimento ao requisito constitucional da fundamentação do ato administrativo, além de ferir os princípios de ampla defesa, contraditório e do devido processo legal, estando, outrossim, revestido de desvio de finalidade. Expõe que o ato administrativo resumiuse a informar a não homologação da compensação declarada com o parco fundamento da inexistência de crédito disponível; entende que o procedimento correto da fiscalização seria o de intimar a contribuinte para que prestasse informações sobre a origem do crédito, bem como do fundamento de validade; e ressalta a necessidade de fundamentação ou motivação dos atos administrativos para o exame de sua legalidade, finalidade e moralidade administrativa. Alega que o Despacho Decisório não se presta a dar início ao contraditório administrativo, eis que carente de fundamentação, restando prejudicado o seu direito de defesa, e que também extrapolou sua função precípua, tornandose meio oblíquo pelo qual a fiscalização buscou interromper o prazo de homologação da compensação declarada. Diz que a autoridade preparadora deixou de cumprir seu dever de ofício de bem instruir o procedimento fiscal, como a solicitação de informações, apreensão de documentos, diligências, dentre outros expedientes. Sob o tema “Do Mérito”, discorre especificamente sobre o princípio da verdade material, citando diversos doutrinadores. Mas nada aduz sobre o origem do suposto crédito, apenas alegando a posterior juntada de documentos que comprovariam as ‘alegações trazidas na presente manifestação’, eis que o direito creditório, diz, pode ser comprovado a qualquer tempo. Por fim, argumenta sobre a inaplicabilidade da multa de mora em face do princípio constitucional de não confisco e dos princípios administrativos da razoabilidade e da proporcionalidade.. A ementa do acórdão da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em CuritibaDRJ/CTA que julgou improcedente a manifestação de inconformidade contém o seguinte teor: “ASSUNTO: ... Data do Fato Gerador: ... CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. INTIMAÇÃO PARA ESCLARECIMENTOS. Fl. 127DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/04/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 29/04/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 05/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 11080.918927/201213 Acórdão n.º 3801005.110 S3TE01 Fl. 5 4 A ausência de pedido de esclarecimentos ou realização de diligência na fase preparatória do procedimento fiscal não caracteriza cerceamento do direito de defesa, que é assegurado na fase do contraditório, inaugurada com a manifestação de inconformidade. 1PIS/PASEP. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. RECOLHIMENTO VINCULADO A DÉBITO CONFESSADO. Correto o Despacho Decisório que não homologou a compensação declarada por inexistência de direito creditório, tendo em vista que o recolhimento alegado como origem do crédito está integral e validamente alocado para a quitação de débito confessado. PAGAMENTO A MAIOR QUE O DEVIDO. COMPROVAÇÃO. A mera alegação do direito creditório, desacompanhada de provas baseadas na escrituração contábil/fiscal do período, não é suficiente para demonstrar a existência de direito creditório pleiteado. MULTA E JUROS DE MORA. DÉBITOS NÃO HOMOLOGADOS. Os débitos indevidamente compensados sofrem a incidência de multa e juros de mora, nos percentuais determinados pela legislação, calculados a partir do primeiro dia subsequente ao do vencimento do prazo previsto para o pagamento da contribuição até o dia em que se efetivar o seu pagamento, uma vez que a declaração de compensação constitui confissão de dívida e instrumento hábil e suficiente para a exigência dos débitos não homologados.” No recurso voluntário a recorrente repete as alegações da manifestação de inconformidade. É o relatório. 1 Nos processos em que o crédito alegado se refere à Cofins, consta COFINS. Nos processos em que o crédito seria originado de Contribuição para o PIS/Pasep, consta PIS/PASEP. Fl. 128DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/04/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 29/04/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 05/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 11080.918927/201213 Acórdão n.º 3801005.110 S3TE01 Fl. 6 5 Voto Conselheiro Paulo Sergio Celani, Relator. Admissibilidade do recurso voluntário. O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos para julgamento nesta turma especial. Preliminar de nulidade do despacho decisório. O processo se iniciou com PER/DCOMP da contribuinte, no qual informou ter realizado pagamento indevido ou a maior do tributo em discussão. A Secretaria da Receita Federal do BrasilRFB, baseandose em dados constantes de seus sistemas informatizados, alimentados por informações prestadas pelo próprio contribuinte, por meio de declarações fiscais próprias, constatou que o pagamento informado foi integralmente utilizado para quitar tributo informado em DCTF, logo, tributo considerado devido, não restando crédito disponível para a compensação declarada. Isto está claro no quadro “3 – FUNDAMENTAÇÃO, DECISÃO E ENQUADRAMENTO LEGAL” do despacho decisório, no qual constam os artigos 165 e 170 da Lei nº 5.172, de 25/10/66 (CTN), e o artigo 74 da Lei nº 9.430, de 27/12/1996, como fundamentos para a não homologação da compensação. No mesmo quadro 3, consta que diante da inexistência do crédito não se homologava a compensação declarada, bem como o valor devedor consolidado, correspondente aos débitos indevidamente compensados, e a data para pagamento. Há, ainda, a informação de que para verificação de valores devedores e emissão de DARF, deveria ser consultado o endereço da internet “www.receita.fazenda.gov.br”, na opção “Onde Encontro” ou através de certificação digital na opção “eCAC”, assunto “PER/DCOMP Despacho Decisório”. Logo, não procede a alegação de que o despacho decisório não contém fundamentação e de que houve desvio de finalidade. Por outro lado, a manifestação de inconformidade, a qual, por força do art. 74, §§ 9º a 11 da Lei nº 9.430, de 1996, aplicamse as regras previstas no Decreto nº 70.235, de 1972, demonstra que a contribuinte exerceu plenamente seu direito ao contraditório, sem nenhuma dificuldade, provando que não houve cerceamento do direito de defesa. Por estas razões, votase por negar provimento às alegações preliminares. Fl. 129DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/04/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 29/04/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 05/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 11080.918927/201213 Acórdão n.º 3801005.110 S3TE01 Fl. 7 6 Certeza e liquidez do crédito pleiteado. Conforme visto acima: i) O processo se iniciou com PER/DCOMP da contribuinte, no qual informou ter realizado pagamento indevido ou a maior de tributo; ii) Foi constatado pela RFB que o pagamento informado como indevido ou a maior fora integralmente utilizado para quitar tributo informado em DCTF, logo, tributo considerado devido; iii) Isto está claro no quadro “3 – FUNDAMENTAÇÃO, DECISÃO E ENQUADRAMENTO LEGAL” do despacho decisório; iv) Esta constatação baseouse em dados constantes do sistemas informatizados da RFB, alimentados por informações prestadas pelo próprio contribuinte, por meio de declarações fiscais próprias. Uma vez que o pagamento informado como indevido ou a maior estava totalmente vinculado a tributo declarado em DCTF como devido, o DARF a ele relativo não prova a existência de crédito algum A DRJ/CTA, tendo em vista que a contribuinte não apresentou documentação fiscal e contábil hábil e suficiente para comprovação da certeza e liquidez do crédito pleiteado, manteve o despacho decisório. As decisões da DRF e da DRJ estão amparadas no fato de a legislação tributária dispor que a DCTF é instrumento de confissão de dívida e constituição definitiva do crédito tributário (art. 5º do DecretoLei nº 2.124, de 1984) e que a compensação de débitos tributários somente pode ser efetuada mediante existência de créditos líquidos e certos do interessado perante a Fazenda Pública (art. 170 do Código Tributário NacionalCTN), e de a lei que trata do processo administrativo tributário federal estabelecer que a prova documental deve ser apresentada na impugnação (art. 16, §4º, do Decreto nº 70.235, de 1972). Apesar de a decisão de primeira instância ter sido fundamentada de modo a dar a conhecer à contribuinte as razões de fato e de direito que levaram ao indeferimento de sua manifestação de inconformidade, nenhum documento ou livro fiscal ou contábil foi apresentado com o recurso voluntário. A recorrente limitouse a discorrer sobre o princípio da verdade material. Tratandose de despacho eletrônico, admitese a apresentação destes documentos e livros após a decisão da DRJ, pois alguns Conselheiros entendem que o princípio da verdade material assim autoriza, outros entendem que se está diante de caso em que a prova se destina a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos, hipótese prevista no art. 16, §4º, letra “c” do Decreto nº 70.235, de 1972. O importante é que a contribuinte, até o presente, não apresentou nenhum documento ou livro, fiscal ou contábil, que pudesse comprovar seu direito. Logo, não comprovou a certeza e liquidez do crédito pleiteado. Fl. 130DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/04/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 29/04/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 05/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 11080.918927/201213 Acórdão n.º 3801005.110 S3TE01 Fl. 8 7 Não é só isso. A recorrente sequer argumentou sobre os fatos ou direito que ensejariam o crédito. Por estas razões, com fundamento no art. 170 do CTN e no art. 333 do CPC, aplicável subsidiariamente ao caso, que determina que o ônus da prova incumbe ao autor quanto ao fato constitutivo de seu direito, não cabe o reconhecimento do crédito pleiteado. Sobre multa e juros de mora Os artigos 61 e 74 da Lei nº 9.430, de 1996, deixam claro que são devidos juros de mora e multa no presente caso. Cito: “Art.61.Os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, cujos fatos geradores ocorrerem a partir de 1º de janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos na legislação específica, serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso. (Vide Decreto nº 7.212, de 2010) §1º A multa de que trata este artigo será calculada a partir do primeiro dia subseqüente ao do vencimento do prazo previsto para o pagamento do tributo ou da contribuição até o dia em que ocorrer o seu pagamento. §2º O percentual de multa a ser aplicado fica limitado a vinte por cento. §3º Sobre os débitos a que se refere este artigo incidirão juros de mora calculados à taxa a que se refere o § 3º do art. 5º, a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento. (Vide Medida Provisória nº 1.725, de 1998) (Vide Lei nº 9.716, de 1998)” “Art. 74. O sujeito passivo que apurar crédito, inclusive os judiciais com trânsito em julgado, relativo a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados por aquele Órgão.(Redação dada pela Lei nº 10.637, de 2002) §1º A compensação de que trata o caput será efetuada mediante a entrega, pelo sujeito passivo, de declaração na qual constarão informações relativas aos créditos utilizados e aos respectivos débitos compensados.(Incluído pela Lei nº 10.637, de 2002) §2º A compensação declarada à Secretaria da Receita Federal extingue o crédito tributário, sob condição resolutória de sua ulterior homologação.(Incluído pela Lei nº 10.637, de 2002) (...) §6º A declaração de compensação constitui confissão de dívida e instrumento hábil e suficiente para a exigência dos débitos Fl. 131DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/04/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 29/04/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 05/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 11080.918927/201213 Acórdão n.º 3801005.110 S3TE01 Fl. 9 8 indevidamente compensados. (Incluído pela Lei nº 10.833, de 2003) §7º Não homologada a compensação, a autoridade administrativa deverá cientificar o sujeito passivo e intimálo a efetuar, no prazo de 30 (trinta) dias, contado da ciência do ato que não a homologou, o pagamento dos débitos indevidamente compensados.(Incluído pela Lei nº 10.833, de 2003) §8º Não efetuado o pagamento no prazo previsto no §7º, o débito será encaminhado à ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional para inscrição em Dívida Ativa da União, ressalvado o disposto no §9º. (Incluído pela Lei nº 10.833, de 2003) §9º É facultado ao sujeito passivo, no prazo referido no § 7º, apresentar manifestação de inconformidade contra a não homologação da compensação. (Incluído pela Lei nº 10.833, de 2003) §10. Da decisão que julgar improcedente a manifestação de inconformidade caberá recurso ao Conselho de Contribuintes.(Incluído pela Lei nº 10.833, de 2003) §11. A manifestação de inconformidade e o recurso de que tratam os §§ 9º e 10 obedecerão ao rito processual do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, e enquadramse no disposto no inciso III do art. 151 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 Código Tributário Nacional, relativamente ao débito objeto da compensação. (Incluído pela Lei nº 10.833, de 2003) (...)” Vejase que os §§ 6º a 8º acima dispõem que a declaração de compensação constitui confissão de dívida e instrumento hábil e suficiente para a exigência dos débitos indevidamente compensados e que, não homologada a compensação e não efetuado o pagamento no prazo previsto no §7º, o débito será encaminhado à ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional para inscrição em Dívida Ativa da União, sendo devidos juros de mora e multa. A exigência do pagamento destes débitos não se submete a julgamento administrativo. Além disso, os membros do CARF não podem afastar aplicação ou deixar de observar lei sob fundamento de inconstitucionalidade, salvo em casos excepcionais não presentes, a teor do disposto no art. 62 do Anexo II do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 256, de 22/6/2009, e do disposto no art. 26A da Decreto nº 70.235, de 1972, com redação dada pela Lei nº 11.941, de 27/5/2009. O mesmo se conclui do enunciado da Súmula CARF nº 2, verbis: Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Fl. 132DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/04/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 29/04/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 05/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 11080.918927/201213 Acórdão n.º 3801005.110 S3TE01 Fl. 10 9 Conclusão Pelo exposto, em especial, pela não comprovação da existência de direito de crédito líquido e certo, voto por negar provimento ao recurso voluntário, mantendose a decisão recorrida. (assinado digitalmente) Paulo Sergio Celani. Fl. 133DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/04/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 29/04/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 05/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES
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Numero do processo: 37216.000687/2007-42
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Jan 27 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Fri May 08 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/07/2001 a 31/12/2005
RECURSO ESPECIAL. PRESSUPOSTO INTRÍNSECO. DIVERGÊNCIA JURISPRUDENCIAL. SIMILITUDE FÁTICA. NÃO DEMONSTRAÇÃO. NÃO CONHECIMENTO.
Para conhecimento do Recurso Especial interposto sob o fundamento de existência de divergência jurisprudencial, deverá o interessado demonstrar fazer constar do recurso interpretação divergente da que lhe dado outra Câmara ou a própria Câmara Superior de Recursos Fiscais.
Examinando o acórdão colacionado como paradigma, verifica-se que a situação enfrentada pela Primeira Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes foi diferente daquela do acórdão recorrido. Tratam-se de premissas fáticas completamente distintas que não se prestam para delinear a divergência pretendida pela Fazenda Nacional, uma vez que o regime jurídico nos casos são diferentes. No acórdão paradigma resta evidente a existência de dolo por parte do contribuinte, com intuito de fraudar a atuação da entidade fiscal uma vez que a pessoa jurídica obsta o registro das contas bancárias sob exame, restando à margem da contabilidade depósitos bancários em montante superior a R$ 20.052.558,71, nos anos de 2002 a 2004. Enquanto isso, no caso em tela, a contribuinte apenas não foi hábil a comprovar a origem dos depósitos em sua conta corrente, fato que, por si só, tem como consequência legal o lançamento por omissão de rendimentos, mas não justifica a qualificação da multa aplicada pelo Fisco. Até porque, não há no presente caso elementos que apontem de forma objetiva o dolo utilizado pela recorrente como justificativa para qualificação da multa.
Recurso especial não conhecido.
Numero da decisão: 9202-003.533
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os menbros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso.
(Assinado digitalmente)
Carlos Alberto Freitas Barreto - Presidente
(Assinado digitalmente)
Manoel Coelho Arruda Junior Relator
EDITADO EM:06/03/2015
Participaram, do presente julgamento, os Conselheiros Carlos Alberto Freitas Barreto, (Presidente), Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Alexandre Naoki Nishioka, Marcelo Oliveira, Manoel Coelho Arruda Junior, Eduardo de Souza Leão (suplente convocado), Maria Helena Cotta Cardozo, Gustavo Lian Haddad e Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira (suplente convocada).
Nome do relator: MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os menbros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso. (Assinado digitalmente) Carlos Alberto Freitas Barreto - Presidente (Assinado digitalmente) Manoel Coelho Arruda Junior Relator EDITADO EM:06/03/2015 Participaram, do presente julgamento, os Conselheiros Carlos Alberto Freitas Barreto, (Presidente), Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Alexandre Naoki Nishioka, Marcelo Oliveira, Manoel Coelho Arruda Junior, Eduardo de Souza Leão (suplente convocado), Maria Helena Cotta Cardozo, Gustavo Lian Haddad e Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira (suplente convocada).
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PRESSUPOSTO INTRÍNSECO. DIVERGÊNCIA JURISPRUDENCIAL. SIMILITUDE FÁTICA. NÃO DEMONSTRAÇÃO. NÃO CONHECIMENTO. Para conhecimento do Recurso Especial interposto sob o fundamento de existência de divergência jurisprudencial, deverá o interessado demonstrar fazer constar do recurso interpretação divergente da que lhe dado outra Câmara ou a própria Câmara Superior de Recursos Fiscais. Examinando o acórdão colacionado como paradigma, verificase que a situação enfrentada pela Primeira Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes foi diferente daquela do acórdão recorrido. Tratamse de premissas fáticas completamente distintas que não se prestam para delinear a divergência pretendida pela Fazenda Nacional, uma vez que o regime jurídico nos casos são diferentes. No acórdão paradigma resta evidente a existência de dolo por parte do contribuinte, com intuito de fraudar a atuação da entidade fiscal uma vez que a pessoa jurídica obsta o registro das contas bancárias sob exame, restando à margem da contabilidade depósitos bancários em montante superior a R$ 20.052.558,71, nos anos de 2002 a 2004. Enquanto isso, no caso em tela, a contribuinte apenas não foi hábil a comprovar a origem dos depósitos em sua conta corrente, fato que, por si só, tem como consequência legal o lançamento por omissão de rendimentos, mas não justifica a qualificação da multa aplicada pelo Fisco. Até porque, não há no presente caso elementos que apontem de forma objetiva o dolo utilizado pela recorrente como justificativa para qualificação da multa. Recurso especial não conhecido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 37 21 6. 00 06 87 /2 00 7- 42 Fl. 1804DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/03/2015 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 07/05/2 015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 26/03/2015 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR 2 Acordam os menbros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso. (Assinado digitalmente) Carlos Alberto Freitas Barreto Presidente (Assinado digitalmente) Manoel Coelho Arruda Junior – Relator EDITADO EM:06/03/2015 Participaram, do presente julgamento, os Conselheiros Carlos Alberto Freitas Barreto, (Presidente), Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Alexandre Naoki Nishioka, Marcelo Oliveira, Manoel Coelho Arruda Junior, Eduardo de Souza Leão (suplente convocado), Maria Helena Cotta Cardozo, Gustavo Lian Haddad e Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira (suplente convocada). Relatório A Fazenda Nacional inconformada com o decidido no Acórdão n° 2301 01.775, proferido pela 1ª Turma Ordinária da 3ª Câmara da 2ª Seção, em 02/12/2010 (fls. 1124/1141), interpôs recurso especial à Câmara Superior de Recursos Fiscais, fls. 1252/1262, com fulcro no art. 67 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF n° 256, de 22 de junho de 2009. Segue abaixo trecho da ementa do acórdão recorrido: "DECADÊNCIA. BOLSA AUXÍLIO EDUCAÇÃO CONCEDIDA AOS DEPENDENTES DOS FUNCIONÁRIOS. NÃO INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÃO. O Supremo Tribunal Federal, através da Súmula Vinculante n° 08, declarou inconstitucionais os artigos 45 e 46 da Lei n° 8.212, de 24/07/91, devendo, portanto, ser aplicadas as regras do Código Tributário Nacional. No presente caso, aplicase a regra do artigo 150, §4", do CTN, haja vista a existência de pagamento parcial do tributo, considerada a totalidade da folha de salários da empresa recorrente. As bolsas concedidas a funcionários e seus dependentes não possuem natureza salarial, pois o benefício se reveste de características próprias no sentido de que são para o trabalho e não pelo trabalho, deixando, portanto, de integrar a base de cálculo da contribuição previdenciária. Recurso Voluntário Provido. Crédito Tributário Exonerado." O Acórdão foi recepcionado na Procuradoria da Fazenda Nacional em 29/03/2011, segundo RM n° 15810, fls. 1143, considerandose intimada 30 (trinta) dias após (§§ T ao 9o, do artigo 23, do Decreto n° 70.235/72, com a redação dada pela Lei n° 11.457, de Fl. 1805DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/03/2015 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 07/05/2 015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 26/03/2015 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR Processo nº 37216.000687/200742 Acórdão n.º 9202003.533 CSRFT2 Fl. 7 3 16/03/2007, D.O.U. de 19/03/2007). Recurso especial apresentado em 12/04/2011, segundo RM n° 11.365, fls. 1144, dentro, portanto, do prazo de 15 (quinze) dias estabelecido no artigo 68 do RICARF. O pedido foi devidamente instruído com cópias dos acórdãos indicados como paradigmas e/ou reprodução integral de suas ementas no corpo do recurso, nos moldes dos §§ 7o a 9o do artigo 67 do RICARF. A Fazenda Nacional se insurge contra o acórdão que, por maioria de votos, vencidos os conselheira Bernadete de Oliveira Barros quanto a decadência, e Mauro José da Silva quanto ao mérito, deu provimento ao recurso, aplicando a regra do artigo 150, §4° do CTN, haja vista a existência de pagamento parcial de tributo, considerada a totalidade da folha de salários da empresa recorrente, entendendo que as bolsas concedidas a funcionários e seus dependentes não possuem natureza salarial, pois o benefício se reveste de características próprias no sentido de que são para o trabalho e não pelo trabalho, deixando, portanto, de integrar a base de cálculo da contribuição previdenciária. Segundo a recorrente, o acórdão recorrido diverge do paradigma que apresenta, cuja ementa será reproduzida abaixo, verbis: Ac. 20601512 Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/11/1997 a 30/12/2006 CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS DECADÊNCIA. De acordo com a Súmula Vinculante nº 08, do STF, os artigos 45 e 46 da Lei nº 8.212/1991 são inconstitucionais, devendo prevalecer, no que tange à decadência e prescrição, as disposições do Código Tributário Nacional. Nos termos do art. 103A da Constituição Federal, as Súmulas Vinculante aprovadas pelo Supremo Tribunal Federal, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terão efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal. SALÁRIO INDIRETO UTILIDADES. Os valores correspondentes a auxílio educação, concedidos pela empresa em favor de seus empregados e em desacordo com a legislação pertinente, integram o salário de contribuição por possuírem natureza salarial. COOPERATIVA. A empresa está obrigada a recolher a contribuição devida relativa a serviços que lhe são prestados por cooperados por intermédio de cooperativa. Impossibilidade de apreciação de inconstitucionalidade da lei no âmbito administrativo. MULTA. A multa de mora encontra amparo legal no artigo 34 da Lei 8.212/91. Recurso Voluntário Provido em Parte. Afirma que no acórdão paradigma frisouse os requisitos da lei, um dos quais que o auxílio educação seja prestado ao próprio trabalhador, jamais aos seus dependentes. Diz que enquanto o acórdão paradigma respeitou os requisitos da lei, o acórdão recorrido desconsiderou os mesmos requisitos, como, inclusive, permitiu isenção de contribuições a um contribuinte que não recebeu, diretamente, o referido auxílio, mas sim outrem (seus dependentes), desrespeitando a taxatividade da lei previdenciária e do próprio CTN. Fl. 1806DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/03/2015 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 07/05/2 015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 26/03/2015 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR 4 Ao final, requer seja dado provimento ao recurso especial para reformar o acórdão recorrido, restabelecendo a decisão de primeira instância. Instado a se manifestar, o i. Presidente da 3ª Câmara da Segunda Seção do CARF decidiu pelo seguimento do REsp. Intimado do REsp, o interessado apresentou contrarrazões que, em síntese, reitera os argumentos dispostos no decisum recorrido. É o relatório. Voto Conselheiro Manoel Coelho Arruda Júnior, Relator O recurso especial interposto pela Fazenda Nacional é tempestivo e passo a analisar a sua admissibilidade no que se refere à configuração da divergência. A apreciação do presente recurso considera o disposto nos arts. 7, inciso I, e 15, do RICSRF (Anexo II da Portaria MF n 147/2007) c/c o art. 4º da Portaria MF n 256/2009, a seguir transcritos: Art. 7 Compete à Câmara Superior de Recursos Fiscais, por suas Turmas,julgar recurso especial interposto contra: I decisão nãounânime da Câmara, quando for contrária à lei ou à evidência da prova; (...) §1 No caso do inciso I, o recurso é privativo do Procurador da Fazenda Nacional; no caso do inciso II, sua interposição é facultada também ao sujeito passivo.(...). Art.15.O recurso especial, do Procurador da Fazenda Nacional ou do sujeito passivo, deverá ser formalizado em petição dirigida ao Presidente da Câmara que houver prolatado a decisão recorrida, no prazo de quinze dias contados da data da ciência da decisão. §1º Na hipótese de que trata o inciso I do art. 7º deste Regimento, o recurso deverá demonstrar, fundamentadamente, a contrariedade à lei ou à evidência da prova e, havendo matérias autônomas, o recurso especial alcançará apenas a parte da decisão não unânime contrária à Fazenda Nacional.(...) Art.4° Os recursos com base no inciso I do art.7°e do art.9°do Regimento Interno da Câmara Superior de Recursos Fiscais,aprovado pela Portaria MF n° 147, de 25 de junho de 2007,interpostos em face de acórdãos proferidos nas sessões de julgamento ocorridas em data anterior à vigência do Anexo II desta Portaria, serão processados de acordo como rito previsto nos arts.15 e 16 e nos arts.43 e 44 daquele Regimento. Conforme acima mencionado, a decisão recorrida decidiu: (i) pela decadência do direito da Fazenda de constituir os créditos tributários relativos às supostas infrações ocorridas no período de julho a outubro de 2001; (ii) quanto ao mérito, pela não incidência das Fl. 1807DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/03/2015 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 07/05/2 015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 26/03/2015 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR Processo nº 37216.000687/200742 Acórdão n.º 9202003.533 CSRFT2 Fl. 8 5 contribuições previdenciárias sobre as bolsas de estudos, de ensino superior, concedidas pela Recorrida aos dependentes de seus funcionários. A PGFN pretende, conforme consta de seu REsp, recorrer do decisum recorrido tendo apresentado acórdão paradigma, decisão proferida pela então 6ª Câmara do Segundo Conselho de Contribuintes, que decidiu serem as verbas pagas pela empresa referentes a bolsas de estudos concedidas aos empregados, sem atendimento dos requisitos previstos na legislação, integram o salário de contribuição para fins de apuração da contribuição previdenciária. A esse respeito, pela simples leitura da ementa do acórdão paradigma, verificase que essa matéria não foi apreciada no Acórdão n. 20601.512, paradigma citado pela PGFN, conforme a seguir transcrito: SALÁRIO INDIRETO UTILIDADES. Os valores correspondentes a auxílio educação, concedidos pela empresa em favor de seus empregados e em desacordo com a legislação pertinente, integram o salário de contribuição por possuírem natureza salarial. COOPERATIVA. A empresa está obrigada a recolher a contribuição devida relativa a serviços que lhe são prestados por cooperados por intermédio de cooperativa. Impossibilidade de apreciação de inconstitucionalidade da lei no âmbito administrativo. MULTA. A multa de mora encontra amparo legal no artigo 34 da Lei 8.212/91. Recurso Voluntário Provido em Parte. Isso fica claro também no seguinte trecho do relatório desse acórdão: [...] Segundo ainda o relato fiscal, a empresa não apresentou, apesar de intimada por intermédio do TIAD, as normas internas que regulamentam a concessão do auxílio educação, tendo sido constatado que o referido benefício não foi disponibilizado a todos os empregados. Assim, e nenhum momento o acórdão paradigma trata de valores referentes às bolsas de estudos concedidas aos dependentes de empregados. Diante disso, não verifico a similitude entre o v. acórdão recorrido e o paradigma apresentado pela Procuradoria, considerando que este não enfrentou a questão jurídica que seria central na reversão do resultado do julgamento no presente caso. No mesmo sentido, está consolidada a jurisprudência desta Câmara Superior no que tange à inadmissibilidade de recursos especiais nos quais os acórdãos paradigmas colacionados não atendem os requisitos legais, transcrevo abaixo alguns julgados: “RECURSO ESPECIAL. NORMAS PROCESSUAIS. ADMISSIBILIDADE. A falta de similitude entre o substrato fático da situação guerreada e aquele do acórdão paradigma impede o conhecimento do recurso especial em face da não caracterização da divergência. Recurso especial não conhecido.(Processo nº 13603.72144/200713, acórdão nº 343.353, 2ª turma da Câmara superior de recursos fiscais, Relator: Gustavo Lian Haddad, data do julgamento 6/11/2013)” Fl. 1808DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/03/2015 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 07/05/2 015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 26/03/2015 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR 6 “RECURSO ESPECIAL. DIVERGÊNCIA NÃO CONFIGURADA. NÃO CONHECIMENTO.Não deve ser conhecido recurso especial interposto com base em acórdão prolatado diante de situação fática que não corresponde à hipótese figurada nos autos em que foi prolatado o acórdão recorrido. Ao passo que o presente processo trata da eficácia da realização de depósito judicial para atender à condição necessária ao gozo da anistia prevista no artigo 12 da MP nº 75/2002,o acórdão utilizado como paradigma referese à análise sobre a possibilidade de que o depósito judicial seja considerado como pagamento para fins da dispensabilidade da lavratura de auto de infração para prevenir a decadência. Recurso Especial do Procurador Não Conhecido. (Processo nº 10680.01856/200362, Acórdão nº 9303002.451, Terceira Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, Relatora: Nanci Gama, data do julgamento 8/10/2013). DISPOSITIVO Em face a todo exposto, voto no sentido de NÃO CONHECER o recurso especial interposto pela Fazenda Nacional por não ter sido configurada a divergência. É como voto. (Assinado digitalmente) Manoel Coelho Arruda Júnior Fl. 1809DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/03/2015 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 07/05/2 015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 26/03/2015 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR
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Numero do processo: 10805.900855/2008-96
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Mar 19 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Tue Jun 30 00:00:00 UTC 2015
Numero da decisão: 3202-000.362
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência.
Irene Souza da Trindade Torres Oliveira Presidente
Charles Mayer de Castro Souza - Relator ad hoc
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Irene Souza da Trindade Torres Oliveira, Gilberto de Castro Moreira Junior, Charles Mayer de Castro Souza, Luís Eduardo Garrossino Barbieri, Tatiana Midori Migiyama, Thiago Moura de Albuquerque Alves.
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CONTRADITÓRIO. Recorrente UNIMED DO ABC COOPERATIVA DE TRABALHO M.E. Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência. Irene Souza da Trindade Torres Oliveira – Presidente Charles Mayer de Castro Souza Relator ad hoc Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Irene Souza da Trindade Torres Oliveira, Gilberto de Castro Moreira Junior, Charles Mayer de Castro Souza, Luís Eduardo Garrossino Barbieri, Tatiana Midori Migiyama, Thiago Moura de Albuquerque Alves. Relatório Tratase de Declaração de Compensação (Dcomp) com aproveitamento de suposto pagamento a maior. A Delegacia da Receita Federal emitiu Despacho Decisório Eletrônico de não homologação da compensação, tendo em vista que o pagamento apontado como origem do direito creditório estaria integralmente utilizado na quitação de débito do contribuinte. A interessada foi cientificada e apresentou manifestação de inconformidade, a qual a DRJ julgou improcedente, nas seguintes palavras:. A não homologação da DCOMP em tela decorreu do fato de o DARF indicado na DCOMP como origem de crédito aproveitado na compensação ter sido integralmente utilizado na quitação de débitos informados pela própria contribuinte. O ato combatido aponta como RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 08 05 .9 00 85 5/ 20 08 -9 6 Fl. 110DF CARF MF Impresso em 30/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/06/2015 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 2 8/06/2015 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 28/06/2015 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA Processo nº 10805.900855/200896 Resolução nº 3202000.362 S3C2T2 Fl. 111 2 causa da não homologação o fato de que, embora localizado o pagamento apontado na DCOMP como origem de crédito, o valor correspondente fora utilizado para a extinção anterior de débito confessado pela interessada. Assim, o exame das declarações prestadas pela própria interessada à Administração Tributária revela que o crédito utilizado na compensação declarada não existia. Por conseguinte, não havia saldo disponível (é dizer, não havia crédito líquido e certo) para suportar uma nova extinção,desta vez por meio de compensação.Decorre disso que o Despacho Decisório foi emitido corretamente, já que baseado nas informações disponíveis para a Administração Tributária. Alega a interessada que a referida declaração de compensação se deu pelo motivo de ter recolhido o PIS pelo regime nãocumulativo, sendo que a Lei nº 10.684, de 30 de maio de 2003, excluiu as cooperativas desse regime, incluindo no regime cumulativo, com efeitos a partir de 01/02/2003. Devido a isso, apresentou DCTF retificadora. Porém afirma a DRJ que esse fato, não implica, por si só, que os valores recolhidos seriam indevidos.Confirase: Entretanto,o fato de ter recolhido o PIS pelo regime nãocumulativo, quando o correto seria pelo regime cumulativo, de forma alguma implica, por si só, que os valores recolhidos seriam indevidos. Com efeito,nada impede que os valores devidos a título de PIS pelo regime não cumulativo sejam inferiores aos devidos segundo o regime cumulativo,pois,mesmo que a alíquota se já superior no primeiro caso, existe a possibilidade de dedução de créditos, o que pode sim fazer com que o valor recolhidos e já menor do que o realmente devido. Assim, o exame das declarações prestadas pela própria interessada à Administração Tributária revela que o crédito utilizado na compensação declarada não existia.Por conseguinte, não havia saldo disponível (é dizer, não havia crédito líquido e certo) para suportar uma nova extinção,desta vez por meio de compensação. Decorre disso que o Despacho Decisório foi emitido corretamente, já que baseado nas informações disponíveis para a Administração Tributária. Por sua vez, a DCTF retificadora foi apresentada após a ciência do despacho decisório,não tendo igualmente o condão de fazer nascer o direito de crédito e de comprometer a decisão que não homologou a declaração de compensação. Por fim, na ótica da DRJ, o impugnante tem que demonstrar a certeza e liquidez do crédito com que pretendeu extinguir a obrigação tributária, através da declaração de compensação, conforme art. 147 do CTN. Fato que não ocorreu no caso narrado. Logo o direito creditório não pode ser admitido.Confirase: Observese que o chamado ônus da prova é da contribuinte no que tange a existência e regularidade do crédito com que pretendeu extinguir a obrigação tributária. Com efeito, ao declarar à Autoridade Tributária que dispunha de crédito capaz de extinguir um débito, o contribuinte assume a incumbência de demonstrar sua liquidez e certeza quando do exame administrativo.Como visto, a disponibilidade do crédito não existia na faze em que aconteceu a conferência eletrônica da compensação e sua liquidez e certeza não foi demonstrada nesta fazer de contestação do despacho resultante. Fl. 111DF CARF MF Impresso em 30/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/06/2015 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 2 8/06/2015 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 28/06/2015 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA Processo nº 10805.900855/200896 Resolução nº 3202000.362 S3C2T2 Fl. 112 3 Concluindo, faltando aos autos a comprovação da existência de pagamento indevido ou a maior, o direito creditório não pode ser admitido e a compensação que dele se aproveita não pode ser homologada. Cientificado do acórdão, acima destacado, a recorrente apresentou recurso voluntário, afirmando que: a) houve a demonstração, por documentos, da existência do crédito e do valor da compensação pleiteada, conforme Anexo I; b) os referidos documentos demonstram seu direito ao crédito; c) apresentou DCTF retificadora, embora essa retificação tenha ocorrido após a identificação do erro por parte do Fisco. Iniciado o julgamento do recurso voluntário, nossa Turma, por unanimidade, decidiu converter o julgamento em diligência, nos seguintes termos: Todavia,entendo que essa não é a solução mais adequada ao caso concreto, uma vez que, diante da apresentação da DCTF retificadora, impende que esta seja analisada para verificar se procede ou não o crédito utilizado na compensação de tributo. Ante o exposto, CONVERTO O JULGAMENTO EM DILIGÊNCIA, para que a unidade preparadora certifique o quantum representaria o crédito da recorrente,com base na documentação existente nos autos,intimando a contribuinte para apresentar dados adicionais, se necessário. Cumprindose ao determinado na Resolução, foi elaborado relatório fiscal e, em seguida, os autos retornaram ao CARF para julgamento. É o relatório. Voto Conselheiro Charles Mayer de Castro Souza, Relator ad hoc. Com fundamento no art. 17, III, do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – RICARF1, aprovado pela Portaria MF 343, de 9 de junho de 2015, incumbiume a Presidente da Turma a formalizar o presente acórdão, cujo relator original, Conselheiro Thiago Moura de Albuquerque Alves, não integra mais nenhum dos colegiados do CARF. 1 Art. 17. Aos presidentes de turmas julgadoras do CARF incumbe dirigir, supervisionar, coordenar e orientar as atividades do respectivo órgão e ainda: (...) III designar redator ad hoc para formalizar decisões já proferidas, nas hipóteses em que o relator original esteja impossibilitado de fazêlo ou não mais componha o colegiado; Fl. 112DF CARF MF Impresso em 30/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/06/2015 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 2 8/06/2015 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 28/06/2015 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA Processo nº 10805.900855/200896 Resolução nº 3202000.362 S3C2T2 Fl. 113 4 Desta forma, a elaboração deste voto deve refletir a posição adotada pelo relator original, que, embora não mais integre os colegiados do CARF, apresentou a minuta do voto na sessão de julgamento, que será adotada na presente formalização. Assim, passase a transcrever, a seguir, o voto que consta da minuta apresentada: Cientificado do acórdão, acima destacado, a recorrente apresentou recurso voluntário, afirmando que: i) houve a demonstração, por documentos, da existência do crédito e do valor da compensação pleiteada, conforme Anexo I; ii) os referidos documentos demonstram seu direito ao crédito; e iii) apresentou DCTF retificadora, embora essa retificação tenha ocorrido após a identificação do erro por parte do Fisco. Iniciado o julgamento do recurso voluntário, nossa Turma, por unanimidade, decidiu converter o julgamento em diligência, nos seguintes termos: Todavia,entendo que essa não é a solução mais adequada ao caso concreto, uma vez que, diante da apresentação da DCTF retificadora, impende que esta seja analisada para verificar se procede ou não o crédito utilizado na compensação de tributo. Ante o exposto, CONVERTO O JULGAMENTO EM DILIGÊNCIA, para que a unidade preparadora certifique o quantum representaria o crédito da recorrente,com base na documentação existente nos autos, intimando a contribuinte para apresentar dados adicionais, se necessário. Cumprindose ao determinado na Resolução, foi elaborado relatório fiscal e, em seguida, os autos retornaram ao CARF para julgamento. Observo, inicialmente, que a recorrente não foi intimada para se pronunciar sobre o relatório fiscal, produzido para atender ao designado em Resolução pelo CARF. Assim, para evitar alegação de nulidade, por descumprimento do contraditório, CONVERTO O JULGAMENTO EM DILIGÊNCIA para que a recorrente seja intimada para, no prazo de trinta dias, se pronuncie sobre o relatório fiscal. É como voto. Charles Mayer de Castro Souza Fl. 113DF CARF MF Impresso em 30/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/06/2015 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 2 8/06/2015 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 28/06/2015 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA
score : 1.0
Numero do processo: 10120.004351/2003-38
Turma: Terceira Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 03 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Fri Apr 24 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Exercício: 1999
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OMISSÃO. ACOLHIMENTO.
Acolhem-se os embargos de declaração, para o fim de suprir contradição que é aquela havida no interior da própria decisão.
DESISTÊNCIA.
No caso de desistência, pedido de parcelamento, confissão irretratável de dívida e de extinção sem ressalva de débito, estará configurada renúncia ao direito sobre o qual se funda o recurso interposto pelo sujeito passivo, inclusive na hipótese de já ter ocorrido decisão favorável ao Recorrente, descabendo recurso da Procuradoria da Fazenda Nacional por falta de interesse.
Numero da decisão: 1803-002.561
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, acolher os embargos de declaração para não conhecer do recurso voluntário e anular o Acórdão da 3ª TE/4ª Câmara/1ª SEJUL/CARF nº 1803-001.235, de 15.03.2012, fls. 225-227 e o Acórdão da 3ª TE/4ª Câmara/1ª SEJUL/CARF nº 1803-002.443, de 23.10.2014, fls. 243-248, ambos por perda de objeto, nos termos do voto da Relatora. Acompanhou pelas conclusões o Conselheiro Sérgio Rodrigues Mendes. Vencidos os Conselheiros Arthur José André Neto e Meigan Sack Rodrigues.
(assinado digitalmente)
Carmen Ferreira Saraiva Relatora e Presidente
Composição do colegiado. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Sérgio Rodrigues Mendes, Arthur José André Neto, Cristiane Silva Costa, Ricardo Diefenthaeler, Meigan Sack Rodrigues e Carmen Ferreira Saraiva.
Nome do relator: CARMEN FERREIRA SARAIVA
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, acolher os embargos de declaração para não conhecer do recurso voluntário e anular o Acórdão da 3ª TE/4ª Câmara/1ª SEJUL/CARF nº 1803-001.235, de 15.03.2012, fls. 225-227 e o Acórdão da 3ª TE/4ª Câmara/1ª SEJUL/CARF nº 1803-002.443, de 23.10.2014, fls. 243-248, ambos por perda de objeto, nos termos do voto da Relatora. Acompanhou pelas conclusões o Conselheiro Sérgio Rodrigues Mendes. Vencidos os Conselheiros Arthur José André Neto e Meigan Sack Rodrigues. (assinado digitalmente) Carmen Ferreira Saraiva Relatora e Presidente Composição do colegiado. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Sérgio Rodrigues Mendes, Arthur José André Neto, Cristiane Silva Costa, Ricardo Diefenthaeler, Meigan Sack Rodrigues e Carmen Ferreira Saraiva.
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OMISSÃO. ACOLHIMENTO. Acolhemse os embargos de declaração, para o fim de suprir contradição que é aquela havida no interior da própria decisão. DESISTÊNCIA. No caso de desistência, pedido de parcelamento, confissão irretratável de dívida e de extinção sem ressalva de débito, estará configurada renúncia ao direito sobre o qual se funda o recurso interposto pelo sujeito passivo, inclusive na hipótese de já ter ocorrido decisão favorável ao Recorrente, descabendo recurso da Procuradoria da Fazenda Nacional por falta de interesse. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, acolher os embargos de declaração para não conhecer do recurso voluntário e anular o Acórdão da 3ª TE/4ª Câmara/1ª SEJUL/CARF nº 1803001.235, de 15.03.2012, fls. 225227 e o Acórdão da 3ª TE/4ª Câmara/1ª SEJUL/CARF nº 1803002.443, de 23.10.2014, fls. 243248, ambos por perda de objeto, nos termos do voto da Relatora. Acompanhou pelas conclusões o Conselheiro Sérgio Rodrigues Mendes. Vencidos os Conselheiros Arthur José André Neto e Meigan Sack Rodrigues. (assinado digitalmente) Carmen Ferreira Saraiva – Relatora e Presidente AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 12 0. 00 43 51 /2 00 3- 38 Fl. 268DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/03/2015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 17/03/2 015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 10120.004351/200338 Acórdão n.º 1803002.561 S1TE03 Fl. 269 2 Composição do colegiado. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Sérgio Rodrigues Mendes, Arthur José André Neto, Cristiane Silva Costa, Ricardo Diefenthaeler, Meigan Sack Rodrigues e Carmen Ferreira Saraiva. Relatório Contra a Recorrente acima identificada foi lavrado o Auto de Infração às fls. 0712, com a exigência do crédito tributário no valor de R$89.367,91, a título de Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL), juros de mora e multa de ofício proporcional apurado pelo regime de tributação com base no lucro real no primeiro trimestre do anocalendário de 1998. O lançamento foi apurado pela falta de recolhimento da CSLL determinada sobre a base de cálculo estimada, código nº 2484, informada na Declaração de Débitos e Créditos Tributário Federais (DCTF) de nº 0000100199900039905, entregue em 03.02.1999. Para tanto foi indicado o seguinte enquadramento legal: art. 1º e art. 4º da Lei nº 7.689, de 15 de dezembro de 1988, art. 25 e art. 57 da Lei nº 8.981, de 27 de dezembro de 1996, art. 1º e art. 19 da Lei nº 9.249, de 26 de dezembro de 1995, Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996 e art. 69 da Lei nº 9.532, de 10 de dezembro de 1997. Cientificada, a Recorrente apresentou a impugnação, fls. 0206. Está registrado como ementa do Acórdão da 4ª TURMA/DRJ/BSA/DF nº 03 24.226, de 21.02.2008, fls. 199201: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Anocalendário: 1998 DCTF Falta de pagamento. Constatado nos autos, mediante diligência, a falta do o pagamento alegado, vinculado ao débito de CSLL informado na DCTF, é de se manter a exigência fiscal cobrada no auto de infração. Lançamento Procedente Notificada, a Recorrente apresentou o recurso voluntário, fls. 216222, esclarecendo a peça atende aos pressupostos de admissibilidade. Discorre sobre o procedimento fiscal contra o qual se insurge. Consta como ementa e dispositivo do Acórdão da 3ª TE/4ª Câmara/1ª SEJUL/CARF nº 1803001.235, de 15.03.2012, fls. 225227: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE o LUCRO LÍQUIDO CSLL Anocalendário: 1998 Fl. 269DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/03/2015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 17/03/2 015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 10120.004351/200338 Acórdão n.º 1803002.561 S1TE03 Fl. 270 3 PROVA DO PAGAMENTO. EXTINÇÃO DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO. Constatado nos autos o pagamento vinculado ao débito é de se afastar a exigência fiscal cobrada no auto de infração. Lançamento Improcedente. [...] Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. Cientificada, a Procuradoria da Fazenda Nacional apresentou embargos de declaração, fls. 230233, argumentando, em síntese que há omissão no Voto condutor do Acórdão da 3ª TE/4ª Câmara/1ª SEJUL/CARF nº 1803001.235, de 15.03.2012, fls. 225227, os quais foram acolhidos, fls. 236239. Ainda, foi proferido o Despacho de Lapso Manifesto, fls. 240242, para fins de sanar as inexatidões materiais, em face da fundamentação do Voto condutor do Acórdão da 3ª TE/4ª Câmara/1ª SEJUL/CARF nº 1803001.235, de 15.03.2012, fls. 225227. Consta como ementa, dispositivo e excerto do Voto condutor do Acórdão da 3ª TE/4ª Câmara/1ª SEJUL/CARF nº 1803002.443, de 23.10.2014, fls. 243248: Assunto: Processo Administrativo Fiscal Exercício: 1999 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OMISSÃO. ACOLHIMENTO. Acolhemse os embargos de declaração, para o fim de suprir contradição que é aquela havida no interior da própria decisão. LAPSO MANIFESTO Acolhese o Despacho de Lapso Manifesto no caso de serem identificadas inexatidões materiais. [...] Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em acolher os embargos de declaração opostos pela Procuradoria da Fazenda Nacional e o Despacho de Lapso Manifesto para rerratificar o Acórdão da 3ª TE/4ª Câmara/1ª SEJUL/CARF nº 1803001.235, de 15.03.2012, fls. 225227, nos termos do voto da Relatora. [...] Em assim sucedendo, voto por em acolher os embargos de declaração opostos pela Procuradoria da Fazenda Nacional e o Despacho de Lapso Manifesto para rerratificar o Acórdão da 3ª TE/4ª Câmara/1ª SEJUL/CARF nº 1803001.235, de 15.03.2012, fls. 225227, afastando a omissão sem alterar o decidido. Cientificada, a DRF/Goiânia/GO apresentou embargos de declaração, fl. 256: Contra o contribuinte em epígrafe foi lavrado auto de infração relativo à CSLL, lavrado nos procedimentos de auditoria interna de pagamentos vinculados a débitos informados em DCTF, no montante de R$89.367,91, sendo R$34.883,45 de contribuição, R$26.162,59 de multa de ofício e R$28.321,87 de juros de mora, calculados até 30/06/2003. A DRJ/BSA considerou o lançamento procedente. Fl. 270DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/03/2015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 17/03/2 015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 10120.004351/200338 Acórdão n.º 1803002.561 S1TE03 Fl. 271 4 Por meio do Acórdão nº 1803001.235 – 3ª Turma Especial, de 15/03/2012, o Conselho Administrativo de Recursos Fiscais deu provimento ao recurso voluntário. A Procuradoria da Fazenda Nacional interpôs Embargos de Declaração, os quais foram acolhidos pelo CARF, mas sem alterar o teor da decisão acima mencionada, como se observa no Acórdão de Embargos de nº 1803002.443, de 23/10/2014. A Fazenda Nacional foi cientificada do resultado dos embargos e não apresentou recurso especial. Os autos foram encaminhados a este serviço – Secat/DRF/GOI em 27/11/2014. Verificase pelo extrato de fl.254 que o crédito tributário encontrase na situação “Extinto– Quitação de Parcelamento”. Consta no histórico do Sistema Sief que, em 30/06/2011, o contribuinte desistiu do recurso voluntário por ter feito adesão ao parcelamento concedido pela Lei nº 11.941/2009 e que em 18/05/2014 o processo foi encerrado pela quitação do parcelamento. Como o sujeito passivo ainda não teve ciência do Acórdão nº 1803001.235, e como a desistência do recurso voluntário foi anterior ao pronunciamento do acórdão, proponho pelo retorno dos autos ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, para que este verifique se há necessidade de o Acórdão de nº 1803001.235 ser retificado. À consideração superior. Toda numeração de folhas indicada nessa decisão se refere à paginação eletrônica dos autos em sua forma digital ou digitalizada. É o Relatório. Voto Conselheira Carmen Ferreira Saraiva, Relatora Os Embargos de Declaração opostos DRF/Goiânia/GO atendem aos requisitos de admissibilidade previstos nas normas de regência, nos termos do art. 65 do Anexo II do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 256, de 22 de junho de 2009. Assim, deles tomo conhecimento, inclusive para os efeitos do inciso III do art. 151 do Código Tributário Nacional. A DRF/Goiânia/GO aduz, em síntese que há contradição, já que “consta no histórico do Sistema Sief que, em 30/06/2011, o contribuinte desistiu do recurso voluntário por ter feito adesão ao parcelamento concedido pela Lei nº 11.941/2009 e que em 18/05/2014 o processo foi encerrado pela quitação do parcelamento”. Restou identificada de forma clara, explícita e congruente a contradição que é aquela havida no interior da própria decisão, ou seja, a desconformidade interna da decisão Fl. 271DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/03/2015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 17/03/2 015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 10120.004351/200338 Acórdão n.º 1803002.561 S1TE03 Fl. 272 5 jurisdicional, porque a Recorrente apresentou petição de desistência total do recurso voluntário em 30.06.2011, fls. 254255. Acerca da desistência total do recurso voluntário, estabelece o art. 78 do Anexo II da Portaria MF nº 256, de 22 de junho de 2009, que aprovou o Regimento Interno do Conselho administrativo de Recursos Fiscais (RICARF): Art. 78. Em qualquer fase processual o recorrente poderá desistir do recurso em tramitação. [...] §3° No caso de desistência, pedido de parcelamento, confissão irretratável de dívida e de extinção sem ressalva de débito, estará configurada renúncia ao direito sobre o qual se funda o recurso interposto pelo sujeito passivo, inclusive na hipótese de já ter ocorrido decisão favorável ao recorrente, descabendo recurso da Procuradoria da Fazenda Nacional por falta de interesse. (redação dada pela Portaria MF nº 586, de 21/12/2010). A Recorrente em 30.06.2011, fls. 254255, apresentou desistência total do recurso voluntário e renunciou a quaisquer alegações de direito sobre as quais ele se fundamenta. A desistência total do recurso voluntário foi formalizada antes de proferido o Acórdão da 3ª TE/4ª Câmara/1ª SEJUL/CARF nº 1803001.235, de 15.03.2012, fls. 225227, do qual a Recorrente não foi cientificada e ainda do Acórdão da 3ª TE/4ª Câmara/1ª SEJUL/CARF nº 1803002.443, de 23.10.2014, fls. 243248. Nesse sentido, restando comprovada a desistência do recurso voluntário que estava em tramitação ficam invalidados todos os atos decisórios administrativos exarados nos presentes autos a partir de 30.06.2011. Por conseguinte, não há mais litígio por falta de objeto. Em assim sucedendo, voto por acolher os embargos de declaração para não conhecer do recurso voluntário e anular o Acórdão da 3ª TE/4ª Câmara/1ª SEJUL/CARF nº 1803001.235, de 15.03.2012, fls. 225227 e o Acórdão da 3ª TE/4ª Câmara/1ª SEJUL/CARF nº 1803002.443, de 23.10.2014, fls. 243248, ambos por perda de objeto. (assinado digitalmente) Carmen Ferreira Saraiva Fl. 272DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/03/2015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 17/03/2 015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA
score : 1.0
Numero do processo: 13116.721486/2011-29
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Sep 10 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Thu Jun 11 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2006, 2008, 2009, 2010
VÍCIO MATERIAL. MUDANÇA DE CRITÉRIO JURÍDICO. ART. 146 DO CTN. ANO-CALENDÁRIO DE 2006.
Mudança de interpretação da autoridade fiscal, que em autuação pretérita considerou o suporte fático analisado como subvenção para investimento resultando na ausência de lançamentos de IRPJ e CSLL, e em procedimento fiscal posterior, relativo ao mesmo ano-calendário e contribuinte, considerou o mesmo suporte fático como subvenção para custeio ou operação, caracteriza a modificação de critério jurídico e esbarra nos limites impostos para a alterabilidade do lançamento previstos no art. 146 do CTN, ensejando nulidade dos lançamentos em decorrência de vício material.
INCENTIVOS FISCAIS. NATUREZAS DIVERSAS.
O gênero incentivos fiscais pode admitir como espécies, dentre outras, subvenções correntes para custeio ou operação, subvenções para investimento, reduções de custo de bens decorrentes de isenções de impostos ou de dispensa de encargos, como juros e atualização monetária, ou, ainda, a disponibilização por parte do ente público de recursos mediante atendimento de condições pela beneficiária, por meio de financiamentos, liquidação antecipada de débitos com abatimento ou mesmo perdão de dívida.
PROGRAMA FOMENTAR. ABATIMENTOS NO VALOR PRINCIPAL DA DÍVIDA DECORRENTES DE LIQUIDAÇÃO ANTECIPADA DOS EMPRÉSTIMOS. NATUREZA DOS RECURSOS. INOCORRÊNCIA DE SUBVENÇÃO PARA INVESTIMENTO.
Ausência de sincronia da intenção do subvencionador com a ação do subvencionado, e da ocorrência da "efetiva e específica" aplicação da subvenção, por parte do beneficiário, nos investimentos previstos na implantação ou expansão do empreendimento econômico projetado, nos termos do Parecer Normativo CST nº 112, de 1978, descaracteriza a natureza de subvenção para investimento dos recursos oriundos do abatimento do valor principal de dívida decorrentes da liquidação antecipada do contrato de financiamento com o ente público.
PROGRAMA FOMENTAR. ABATIMENTOS NO VALOR PRINCIPAL DA DÍVIDA DECORRENTES DE LIQUIDAÇÃO ANTECIPADA DOS EMPRÉSTIMOS. PERDÃO. REMISSÃO DE DÍVIDA. OUTRAS RECEITAS OPERACIONAIS.
I - São formas de geração de receita, dentre outras, a venda de mercadorias e prestação de serviços da entidade, e a extinção parcial ou total de uma exigibilidade, como o perdão de dívida ou da eliminação de passivo pelo desaparecimento do credor.
II - Situação na qual o ente público, na condição de credor, ao levar em consideração circunstâncias novas decorrentes de mudança profunda no cenário macroeconômico, que esvaziaram o objeto do negócio jurídico original, qual seja, o de promover condições propícias para investimentos na modernização e ampliação do empreendimento industrial, e além disso, poderiam levar o devedor a uma situação de inadimplência, renegocia a dívida no sentido de conceder um substancial abatimento do valor original mediante pagamento antecipado de empréstimo, caracteriza um perdão.
III - Valor decorrente de redução de dívida mediante remissão tem natureza de outras receitas operacionais.
ÓRGÃOS ADMINISTRATIVOS. INCONSTITUCIONALIDADE. APRECIAÇÃO. FALTA DE COMPETÊNCIA.
Não compete aos órgãos julgadores administrativos apreciar a constitucionalidade de lançamento fiscal cujos fundamentos encontram-se amparados em lei.
DECADÊNCIA - MULTA ISOLADA - O prazo decadencial para o lançamento da multa isolada pelo não recolhimento, ou recolhimento a menor, do IRPJ ou CSLL por estimativa é contado a partir do mês da ocorrência dos fatos geradores
CSLL. PIS. COFINS. LANÇAMENTOS COM BASE NO MESMO FATO E MATÉRIA TRIBUTÁVEL.
O decidido em relação ao IRPJ estende-se aos lançamentos de CSLL, PIS e Cofins, vez que formalizado com base nos mesmos elementos de prova e se referir à mesma matéria tributável.
MULTA ISOLADA.
Incabível a aplicação concomitante de multa isolada por falta de recolhimento de estimativas no curso do período de apuração e de oficio pela .falta de pagamento de tributo apurado no balanço. A infração relativa ao não recolhimento da estimativa mensal caracteriza etapa preparatória do ato de reduzir o imposto no final do ano. Assim, a primeira conduta é meio de execução da segunda. A aplicação concomitante de multa de oficio e de multa isolada na estimativa implica em penalizar duas vezes o mesmo contribuinte pela imputação de penalidades de mesma natureza, já que ambas estão relacionadas ao descumprimento de obrigação principal que, por sua vez, consubstancia-se no dever de recolher o tributo.
Numero da decisão: 1401-001.041
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado
Em relação ao recurso de ofício:
a) por unanimidade de votos, NEGAR provimento ao recurso de oficio;
Em relação ao recurso voluntário:
pelo voto de qualidade, REJEITAR a preliminar de mudança de critério jurídico, vencidos os Conselheiros Fernando Luiz Gomes de Mattos (Relator), Maurício Pereira Faro e Karem Jureidini Dias;
por unanimidade de votos, ACOLHER a decadência referente a multa isolada de junho de 2006
no mérito, por maioria de votos, DAR provimento parcial ao recurso voluntário, nos seguintes termos:
d.1) Cancelar as multas isoladas de junho de 2008 e dezembro de 2010. Vencidos os Conselheiros Fernando Luiz Gomes de Mattos (Relator) e Antonio Bezerra Neto.
d.2) Manter o auto de infração do IRPJ/CSLL, PIS e COFINS. Vencidos os Conselheiros Alexandre Antonio Alkmim Teixeira, Maurício Pereira Faro e Karem Jureidini Dias.
No tocante aos temas em relação aos quais o Relator foi vencido, foi designado o Conselheiro Alexandre Antonio Alkmim Teixeira para redigir o voto vencedor. Contudo, tendo em vista que, na data da formalização do acórdão, o Conselheiro Alexandre Antônio Alkmim Teixeira não mais faz parte de nenhum dos colegiados que integram o Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, o Presidente da 1ª Câmara da Primeira Seção do CARF determinou como Redator Ad Hoc o Conselheiro Antônio Bezerra Neto, nos termos do item III do art. 17 do Anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF nº 256, de 22 de junho de 2009 (RICARF). Da mesma maneira, pelo fato de o presidente da turma na época da sessão, Conselheiro Jorge Celso Freire da Silva, não mais fazer parte de nenhum dos colegiados que integram o Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, a presente decisão será assinada pelo presidente André Mendes de Moura.
Assinado Digitalmente
ANDRÉ MENDES DE MOURA - Presidente para a Formalização do Acórdão
Assinado Digitalmente
FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS Relator
Assinado Digitalmente
ANTÔNIO BEZERRA NETO Redator Ad Hoc - Designado
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Jorge Celso Freire da Silva (Presidente à época do julgamento), Antonio Bezerra Neto, Fernando Luiz Gomes de Mattos, Karem Jureidini Dias, Mauricio Pereira Faro e Alexandre Antonio Alkmim Teixeira.
Nome do relator: FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado Em relação ao recurso de ofício: a) por unanimidade de votos, NEGAR provimento ao recurso de oficio; Em relação ao recurso voluntário: pelo voto de qualidade, REJEITAR a preliminar de mudança de critério jurídico, vencidos os Conselheiros Fernando Luiz Gomes de Mattos (Relator), Maurício Pereira Faro e Karem Jureidini Dias; por unanimidade de votos, ACOLHER a decadência referente a multa isolada de junho de 2006 no mérito, por maioria de votos, DAR provimento parcial ao recurso voluntário, nos seguintes termos: d.1) Cancelar as multas isoladas de junho de 2008 e dezembro de 2010. Vencidos os Conselheiros Fernando Luiz Gomes de Mattos (Relator) e Antonio Bezerra Neto. d.2) Manter o auto de infração do IRPJ/CSLL, PIS e COFINS. Vencidos os Conselheiros Alexandre Antonio Alkmim Teixeira, Maurício Pereira Faro e Karem Jureidini Dias. No tocante aos temas em relação aos quais o Relator foi vencido, foi designado o Conselheiro Alexandre Antonio Alkmim Teixeira para redigir o voto vencedor. Contudo, tendo em vista que, na data da formalização do acórdão, o Conselheiro Alexandre Antônio Alkmim Teixeira não mais faz parte de nenhum dos colegiados que integram o Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, o Presidente da 1ª Câmara da Primeira Seção do CARF determinou como Redator Ad Hoc o Conselheiro Antônio Bezerra Neto, nos termos do item III do art. 17 do Anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF nº 256, de 22 de junho de 2009 (RICARF). Da mesma maneira, pelo fato de o presidente da turma na época da sessão, Conselheiro Jorge Celso Freire da Silva, não mais fazer parte de nenhum dos colegiados que integram o Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, a presente decisão será assinada pelo presidente André Mendes de Moura. Assinado Digitalmente ANDRÉ MENDES DE MOURA - Presidente para a Formalização do Acórdão Assinado Digitalmente FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS Relator Assinado Digitalmente ANTÔNIO BEZERRA NETO Redator Ad Hoc - Designado Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Jorge Celso Freire da Silva (Presidente à época do julgamento), Antonio Bezerra Neto, Fernando Luiz Gomes de Mattos, Karem Jureidini Dias, Mauricio Pereira Faro e Alexandre Antonio Alkmim Teixeira.
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2006, 2008, 2009, 2010 VÍCIO MATERIAL. MUDANÇA DE CRITÉRIO JURÍDICO. ART. 146 DO CTN. ANO-CALENDÁRIO DE 2006. Mudança de interpretação da autoridade fiscal, que em autuação pretérita considerou o suporte fático analisado como subvenção para investimento resultando na ausência de lançamentos de IRPJ e CSLL, e em procedimento fiscal posterior, relativo ao mesmo ano-calendário e contribuinte, considerou o mesmo suporte fático como subvenção para custeio ou operação, caracteriza a modificação de critério jurídico e esbarra nos limites impostos para a alterabilidade do lançamento previstos no art. 146 do CTN, ensejando nulidade dos lançamentos em decorrência de vício material. INCENTIVOS FISCAIS. NATUREZAS DIVERSAS. O gênero incentivos fiscais pode admitir como espécies, dentre outras, subvenções correntes para custeio ou operação, subvenções para investimento, reduções de custo de bens decorrentes de isenções de impostos ou de dispensa de encargos, como juros e atualização monetária, ou, ainda, a disponibilização por parte do ente público de recursos mediante atendimento de condições pela beneficiária, por meio de financiamentos, liquidação antecipada de débitos com abatimento ou mesmo perdão de dívida. PROGRAMA FOMENTAR. ABATIMENTOS NO VALOR PRINCIPAL DA DÍVIDA DECORRENTES DE LIQUIDAÇÃO ANTECIPADA DOS EMPRÉSTIMOS. NATUREZA DOS RECURSOS. INOCORRÊNCIA DE SUBVENÇÃO PARA INVESTIMENTO. Ausência de sincronia da intenção do subvencionador com a ação do subvencionado, e da ocorrência da "efetiva e específica" aplicação da subvenção, por parte do beneficiário, nos investimentos previstos na implantação ou expansão do empreendimento econômico projetado, nos termos do Parecer Normativo CST nº 112, de 1978, descaracteriza a natureza de subvenção para investimento dos recursos oriundos do abatimento do valor principal de dívida decorrentes da liquidação antecipada do contrato de financiamento com o ente público. PROGRAMA FOMENTAR. ABATIMENTOS NO VALOR PRINCIPAL DA DÍVIDA DECORRENTES DE LIQUIDAÇÃO ANTECIPADA DOS EMPRÉSTIMOS. PERDÃO. REMISSÃO DE DÍVIDA. OUTRAS RECEITAS OPERACIONAIS. I - São formas de geração de receita, dentre outras, a venda de mercadorias e prestação de serviços da entidade, e a extinção parcial ou total de uma exigibilidade, como o perdão de dívida ou da eliminação de passivo pelo desaparecimento do credor. II - Situação na qual o ente público, na condição de credor, ao levar em consideração circunstâncias novas decorrentes de mudança profunda no cenário macroeconômico, que esvaziaram o objeto do negócio jurídico original, qual seja, o de promover condições propícias para investimentos na modernização e ampliação do empreendimento industrial, e além disso, poderiam levar o devedor a uma situação de inadimplência, renegocia a dívida no sentido de conceder um substancial abatimento do valor original mediante pagamento antecipado de empréstimo, caracteriza um perdão. III - Valor decorrente de redução de dívida mediante remissão tem natureza de outras receitas operacionais. ÓRGÃOS ADMINISTRATIVOS. INCONSTITUCIONALIDADE. APRECIAÇÃO. FALTA DE COMPETÊNCIA. Não compete aos órgãos julgadores administrativos apreciar a constitucionalidade de lançamento fiscal cujos fundamentos encontram-se amparados em lei. DECADÊNCIA - MULTA ISOLADA - O prazo decadencial para o lançamento da multa isolada pelo não recolhimento, ou recolhimento a menor, do IRPJ ou CSLL por estimativa é contado a partir do mês da ocorrência dos fatos geradores CSLL. PIS. COFINS. LANÇAMENTOS COM BASE NO MESMO FATO E MATÉRIA TRIBUTÁVEL. O decidido em relação ao IRPJ estende-se aos lançamentos de CSLL, PIS e Cofins, vez que formalizado com base nos mesmos elementos de prova e se referir à mesma matéria tributável. MULTA ISOLADA. Incabível a aplicação concomitante de multa isolada por falta de recolhimento de estimativas no curso do período de apuração e de oficio pela .falta de pagamento de tributo apurado no balanço. A infração relativa ao não recolhimento da estimativa mensal caracteriza etapa preparatória do ato de reduzir o imposto no final do ano. Assim, a primeira conduta é meio de execução da segunda. A aplicação concomitante de multa de oficio e de multa isolada na estimativa implica em penalizar duas vezes o mesmo contribuinte pela imputação de penalidades de mesma natureza, já que ambas estão relacionadas ao descumprimento de obrigação principal que, por sua vez, consubstancia-se no dever de recolher o tributo.
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MUDANÇA DE CRITÉRIO JURÍDICO. ART. 146 DO CTN. ANOCALENDÁRIO DE 2006. Mudança de interpretação da autoridade fiscal, que em autuação pretérita considerou o suporte fático analisado como subvenção para investimento resultando na ausência de lançamentos de IRPJ e CSLL, e em procedimento fiscal posterior, relativo ao mesmo anocalendário e contribuinte, considerou o mesmo suporte fático como subvenção para custeio ou operação, caracteriza a modificação de critério jurídico e esbarra nos limites impostos para a alterabilidade do lançamento previstos no art. 146 do CTN, ensejando nulidade dos lançamentos em decorrência de vício material. INCENTIVOS FISCAIS. NATUREZAS DIVERSAS. O gênero incentivos fiscais pode admitir como espécies, dentre outras, subvenções correntes para custeio ou operação, subvenções para investimento, reduções de custo de bens decorrentes de isenções de impostos ou de dispensa de encargos, como juros e atualização monetária, ou, ainda, a disponibilização por parte do ente público de recursos mediante atendimento de condições pela beneficiária, por meio de financiamentos, liquidação antecipada de débitos com abatimento ou mesmo perdão de dívida. PROGRAMA FOMENTAR. ABATIMENTOS NO VALOR PRINCIPAL DA DÍVIDA DECORRENTES DE LIQUIDAÇÃO ANTECIPADA DOS EMPRÉSTIMOS. NATUREZA DOS RECURSOS. INOCORRÊNCIA DE SUBVENÇÃO PARA INVESTIMENTO. Ausência de sincronia da intenção do subvencionador com a ação do subvencionado, e da ocorrência da "efetiva e específica" aplicação da subvenção, por parte do beneficiário, nos investimentos previstos na implantação ou expansão do empreendimento econômico projetado, nos termos do Parecer Normativo CST nº 112, de 1978, descaracteriza a natureza AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 11 6. 72 14 86 /2 01 1- 29 Fl. 2749DF CARF MF Impresso em 11/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/06/2015 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 05/06/2015 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 09/06/2015 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, As sinado digitalmente em 10/06/2015 por ANDRE MENDES DE MOURA Processo nº 13116.721486/201129 Acórdão n.º 1401001.041 S1C4T1 Fl. 2.750 2 de subvenção para investimento dos recursos oriundos do abatimento do valor principal de dívida decorrentes da liquidação antecipada do contrato de financiamento com o ente público. PROGRAMA FOMENTAR. ABATIMENTOS NO VALOR PRINCIPAL DA DÍVIDA DECORRENTES DE LIQUIDAÇÃO ANTECIPADA DOS EMPRÉSTIMOS. PERDÃO. REMISSÃO DE DÍVIDA. OUTRAS RECEITAS OPERACIONAIS. I São formas de geração de receita, dentre outras, a venda de mercadorias e prestação de serviços da entidade, e a extinção parcial ou total de uma exigibilidade, como o perdão de dívida ou da eliminação de passivo pelo desaparecimento do credor. II Situação na qual o ente público, na condição de credor, ao levar em consideração circunstâncias novas decorrentes de mudança profunda no cenário macroeconômico, que esvaziaram o objeto do negócio jurídico original, qual seja, o de promover condições propícias para investimentos na modernização e ampliação do empreendimento industrial, e além disso, poderiam levar o devedor a uma situação de inadimplência, renegocia a dívida no sentido de conceder um substancial abatimento do valor original mediante pagamento antecipado de empréstimo, caracteriza um perdão. III Valor decorrente de redução de dívida mediante remissão tem natureza de outras receitas operacionais. ÓRGÃOS ADMINISTRATIVOS. INCONSTITUCIONALIDADE. APRECIAÇÃO. FALTA DE COMPETÊNCIA. Não compete aos órgãos julgadores administrativos apreciar a constitucionalidade de lançamento fiscal cujos fundamentos encontramse amparados em lei. DECADÊNCIA MULTA ISOLADA O prazo decadencial para o lançamento da multa isolada pelo não recolhimento, ou recolhimento a menor, do IRPJ ou CSLL por estimativa é contado a partir do mês da ocorrência dos fatos geradores CSLL. PIS. COFINS. LANÇAMENTOS COM BASE NO MESMO FATO E MATÉRIA TRIBUTÁVEL. O decidido em relação ao IRPJ estendese aos lançamentos de CSLL, PIS e Cofins, vez que formalizado com base nos mesmos elementos de prova e se referir à mesma matéria tributável. MULTA ISOLADA. Incabível a aplicação concomitante de multa isolada por falta de recolhimento de estimativas no curso do período de apuração e de oficio pela .falta de pagamento de tributo apurado no balanço. A infração relativa ao não recolhimento da estimativa mensal caracteriza etapa preparatória do ato de reduzir o imposto no final do ano. Assim, a primeira conduta é meio de execução da segunda. A aplicação concomitante de multa de oficio e de multa isolada na estimativa implica em penalizar duas vezes o mesmo contribuinte pela imputação de penalidades de mesma natureza, já que ambas Fl. 2750DF CARF MF Impresso em 11/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/06/2015 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 05/06/2015 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 09/06/2015 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, As sinado digitalmente em 10/06/2015 por ANDRE MENDES DE MOURA Processo nº 13116.721486/201129 Acórdão n.º 1401001.041 S1C4T1 Fl. 2.751 3 estão relacionadas ao descumprimento de obrigação principal que, por sua vez, consubstanciase no dever de recolher o tributo. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado Em relação ao recurso de ofício: a) por unanimidade de votos, NEGAR provimento ao recurso de oficio; Em relação ao recurso voluntário: b) pelo voto de qualidade, REJEITAR a preliminar de mudança de critério jurídico, vencidos os Conselheiros Fernando Luiz Gomes de Mattos (Relator), Maurício Pereira Faro e Karem Jureidini Dias; c) por unanimidade de votos, ACOLHER a decadência referente a multa isolada de junho de 2006 d) no mérito, por maioria de votos, DAR provimento parcial ao recurso voluntário, nos seguintes termos: d.1) Cancelar as multas isoladas de junho de 2008 e dezembro de 2010. Vencidos os Conselheiros Fernando Luiz Gomes de Mattos (Relator) e Antonio Bezerra Neto. d.2) Manter o auto de infração do IRPJ/CSLL, PIS e COFINS. Vencidos os Conselheiros Alexandre Antonio Alkmim Teixeira, Maurício Pereira Faro e Karem Jureidini Dias. No tocante aos temas em relação aos quais o Relator foi vencido, foi designado o Conselheiro Alexandre Antonio Alkmim Teixeira para redigir o voto vencedor. Contudo, tendo em vista que, na data da formalização do acórdão, o Conselheiro Alexandre Antônio Alkmim Teixeira não mais faz parte de nenhum dos colegiados que integram o Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, o Presidente da 1ª Câmara da Primeira Seção do CARF determinou como Redator Ad Hoc o Conselheiro Antônio Bezerra Neto, nos termos do item III do art. 17 do Anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF nº 256, de 22 de junho de 2009 (RICARF). Da mesma maneira, pelo fato de o presidente da turma na época da sessão, Conselheiro Jorge Celso Freire da Silva, não mais fazer parte de nenhum dos colegiados que integram o Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, a presente decisão será assinada pelo presidente André Mendes de Moura. Assinado Digitalmente ANDRÉ MENDES DE MOURA Presidente para a Formalização do Acórdão Fl. 2751DF CARF MF Impresso em 11/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/06/2015 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 05/06/2015 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 09/06/2015 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, As sinado digitalmente em 10/06/2015 por ANDRE MENDES DE MOURA Processo nº 13116.721486/201129 Acórdão n.º 1401001.041 S1C4T1 Fl. 2.752 4 Assinado Digitalmente FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS – Relator Assinado Digitalmente ANTÔNIO BEZERRA NETO – Redator Ad Hoc Designado Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Jorge Celso Freire da Silva (Presidente à época do julgamento), Antonio Bezerra Neto, Fernando Luiz Gomes de Mattos, Karem Jureidini Dias, Mauricio Pereira Faro e Alexandre Antonio Alkmim Teixeira. Fl. 2752DF CARF MF Impresso em 11/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/06/2015 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 05/06/2015 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 09/06/2015 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, As sinado digitalmente em 10/06/2015 por ANDRE MENDES DE MOURA Processo nº 13116.721486/201129 Acórdão n.º 1401001.041 S1C4T1 Fl. 2.753 5 Relatório Por bem descrever os fatos, adoto parcialmente o relatório que integra o Acórdão recorrido (fls. 26502657): Em 30/09/2011, foram lavrados contra a interessada os Autos de Infração do IRPJ, CSLL, PIS e Cofins, atinentes ao ano calendário de 2006, 2008, 2009 e 2010, cujo crédito tributário lançado de ofício perfaz o montante de R$41.965.905,84, assim discriminados por exação fiscal: [...] Em ação fiscal constatouse que o contribuinte havia feito adesão ao FOMENTAR – Fundo de Participação e Fomento à Industrialização, programa de incentivo no qual o Governo do Estado de Goiás concedeu aos participantes um empréstimo de até 70% do montante equivalente ao ICMS devido, visando fomentar atividades industriais. Foi criado pela Lei Estadual nº 9.489, de 31/07/1984, e regulamentado pelo Decreto nº 3.822 de 10/07/1992. Por sua vez, a Lei Estadual nº 13.436, de 30/12/1998, veio dispor sobre a liquidação antecipada dos contratos de financiamento do FOMENTAR, ocasião no qual a fiscalizada beneficiouse de um abatimento no montante de R$67.691.841,56 (sessenta e sete milhões, seiscentos e noventa e um mil, oitocentos e quarenta e um reais e cinquenta e seis centavos), equivalente a 88% do saldo devedor original, como se pode observar no quadro a seguir: [...] Verificou a Fiscalização que tal montante foi considerado pela contribuinte como subvenção para investimento, tendo sido contabilizado no patrimônio líquido como reserva de capital, razão pela qual não foi computado na apuração do lucro real. Analisando a legislação estadual que dispõe sobre o FOMENTAR,constatou a autoridade tributária que a subvenção do qual se beneficiou a contribuinte não era aquela prevista no art. 443 do RIR/99, qual seja, a subvenção para investimento. Na realidade, tratavase daquela disposta no art. 392 do RIR/99, referente às subvenções correntes para custeio ou operação, que devem ser computadas na apuração do lucro operacional. Tomando como base o Parecer Normativo nº 112, de 1978, da CoordenaçãoGeral de Tributação (Cosit), e da Decisão COSIT n° 04/99, proferida em razão de consulta formulada pela Confederação Nacional de Indústrias, concluiu a Fiscalização que: Fl. 2753DF CARF MF Impresso em 11/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/06/2015 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 05/06/2015 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 09/06/2015 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, As sinado digitalmente em 10/06/2015 por ANDRE MENDES DE MOURA Processo nº 13116.721486/201129 Acórdão n.º 1401001.041 S1C4T1 Fl. 2.754 6 25.1. A subvenção para investimento, concedida por pessoa jurídica de direito público, tem que ser direcionada à implantação ou expansão de um empreendimento econômico de propriedade do beneficiário, como dispõe o artigo 443 do Regulamento do Imposto de Renda (item 22, acima); 25.2. A subvenção deve ser liberada mediante a comprovação das aquisições dos itens do projeto (de implantação ou expansão) aprovado pelo subvencionador. Há necessidade de algum sincronismo entre a concessão da verba e a execução do projeto. Se a "lei específica" de concessão do benefício não previr tal sincronismo, então não haverá como garantir que a subvenção será utilizada, efetivamente, para implantar ou expandir o empreendimento econômico que tanto interessa ao Estado. (...) 32.5. Vale ressaltar que existem, claramente, dois momentos distintos. No primeiro, a empresa adere ao financiamento do FOMENTAR, com condições bastante favoráveis, apresentando, para isso, um projeto de incremento de suas atividades industriais. Algum tempo depois, lhe é dada a possibilidade de liquidar este financiamento, antecipadamente e com desconto. Neste segundo momento, não podemos concordar que o desconto concedido seja considerado subvenção para investimento, sem que se exija um novo projeto que, ao menos, expanda o empreendimento beneficiado. A reutilização do projeto antigo, já empregado para a obtenção do financiamento, é incompatível com o que está disposto no artigo 443 do Decreto n° 3.000/99, descaracterizando a subvenção para investimento. Nesse sentido, no que concerne ao IRPJ e a CSLL, constatou a Fiscalização que o benefício em análise não seria uma subvenção para investimento, mas, pelo contrário, uma subvenção para custeio ou operação, receita operacional regularmente tributável. Para o anocalendário de 2006, os valores dos descontos obtidos com a liquidação antecipada foram lançados pela contribuinte a crédito da conta de Patrimônio Líquido 242101 – INCENTIVO DO ESTADO DE GOIÁS, do grupo RESERVAS DE CAPITAL e subgrupo SUBVENÇÕES PARA INVESTIMENTOS. Assim, a autoridade fiscal identificou a infração CONTABILIZAÇÃO IMPRÓPRIA DE SUBVENÇÕES, para acrescer, de ofício, os mencionados valores ao LALUR. Por sua vez, para os anoscalendário de 2008, 2009 e 2010, os valores dos descontos obtidos com a liquidação antecipada foram lançados pela fiscalizada em conta de receita 354121 – DESÁGIO FOMENTAR, referente a Outras Receitas Operacionais. Em seguida, a contribuinte efetuou a exclusão das referidas receitas no LALUR. Diante de tal situação, a Fl. 2754DF CARF MF Impresso em 11/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/06/2015 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 05/06/2015 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 09/06/2015 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, As sinado digitalmente em 10/06/2015 por ANDRE MENDES DE MOURA Processo nº 13116.721486/201129 Acórdão n.º 1401001.041 S1C4T1 Fl. 2.755 7 autoridade tributária tipificou a infração EXCLUSÕES NÃO AUTORIZADAS NA APURAÇÃO DO LUCRO REAL – EXCLUSÕES INDEVIDAS, razão pela qual adicionou de ofício os mencionados valores de receita no LALUR. Sendo a fiscalizada optante do lucro real anual, os acréscimos no LALUR também tiveram como consequência o lançamento de ofício de multa isolada por estimativa referentes aos meses de junho/2006, junho/2008 e dezembro de 2010. Quanto ao PIS e a Cofins, concluiu a Fiscalização que o benefício no importe de R$67.691.841,56 caracterizaria um perdão de dívida, já que o Estado estaria abrindo mão de receber a quase totalidade do montante devido, sendo reconhecida como “outras receitas operacionais”. Assim, não teria ocorrido um simples desconto, o que caracterizaria uma receita financeira o qual, digase de passagem, não é tributável pelo PIS e Cofins. Concluiu a autoridade tributária que, formalmente, o abatimento pela liquidação antecipada do financiamento poderia até ser admitido como um desconto. Contudo, de fato, o Estado de Goiás estaria perdoando uma dívida, já que a essência da transação deve prevalecer sobre seus aspectos formais, conforme previsão no art. 1º, § 2º da Resolução nº 750, de 1993, do Conselho Federal de Contabilidade. Nesse embalo, tendo sido caracterizado um “perdão de dívida”, tratarseia de receita considerada como operacional, e não financeira, entendimento das Soluções de Consulta nº 305, de 2007, da SRRF/Disit da 9ª Região Fiscal e nº 17, de 2010, da SRRF/Disit da 1ª Região Fiscal. Nesse contexto, os descontos obtidos com a liquidação antecipada dos contratos de financiamento, referentes aos anos calendário de 2008, 2009 e 2010, foram acrescidos às bases de cálculo do PIS e da Cofins. Dessa maneira, o aproveitamento dos créditos não cumulativos informados em DACON pela contribuinte foi revisto, de maneira a serem utilizados prioritariamente em períodos de apuração mais antigos, o que resultou em PIS e Cofins a recolher para fatos geradores ocorridos no decorrer do anocalendário de 2010. Em suma, foram efetuados lançamentos de IRPJ e CSLL relativos aos anoscalendário de 2006, 2008, 2009 e 2010, multa isolada por estimativa referentes aos meses de junho/2006, junho/2008 e dezembro de 2010, além de PIS e Cofins para os P.A. dos meses de agosto, setembro, outubro, novembro e dezembro de 2010. Cientificada dos lançamentos, em 14/10/2011 (“AR” à fl. 2452), a interessada apresentou a impugnação de fls. 2467/2505, em 11/11/2011, cujas razões encontramse sintetizadas a seguir. Da Nulidade do Lançamento Por Ausência da Ordem que trata o art. 906 do RIR/99. Para o anocalendário de 2006, a DRFB/Anápolis (GO) já havia realizado procedimento fiscal Fl. 2755DF CARF MF Impresso em 11/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/06/2015 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 05/06/2015 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 09/06/2015 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, As sinado digitalmente em 10/06/2015 por ANDRE MENDES DE MOURA Processo nº 13116.721486/201129 Acórdão n.º 1401001.041 S1C4T1 Fl. 2.756 8 perante o sujeito passivo, processo administrativo nº 13116.000753/200914, no qual foram lançados o PIS e a Cofins incidentes, dentre outras, sobre as receitas ali denominadas como “subvenções para investimento”, justamente aquelas decorrentes da liquidação antecipada dos contratos do FOMENTAR. Contudo, por força do art. 906 do RIR/99, esse mesmo período só poderia ter sido objeto de nova fiscalização mediante ordem de segundo exame emitida pelo Superintendente, pelo Delegado ou pelo Inspetor da Receita Federal do Brasil, o que não ocorreu no caso concreto, implicando em nulidade de todos os autos de infração do presente processo. Tratase de entendimento já manifestado pelo Conselho Administrativo de Recursos Fiscais e pela Câmara Superior de Recursos Fiscais nos Acórdãos n° 104 18.432 e CSRF/0101.477). Da Nulidade do Lançamento Por Nulidade de Critério Jurídico. Na primeira autuação fiscal, do processo administrativo nº 13116.000753/200914, relativa ao ano calendário de 2006, a Fiscalização não efetuou o lançamento referente ao IRPJ e CSLL por entender, naquela ocasião, que o benefício concedido ao Estado era uma “subvenção para investimento”, e, como tal, não integraria a base de cálculo, conforme art. 443 do RIR/99. Por sua vez, ao tratar do PIS e da Cofins, a autoridade fiscal denominou expressamente as receitas como “C.1.7 Demais Receitas – Subvenções Para Investimento”. Resta claro a razão pela qual a DRF/Anápolis não ter lançado o IRPJ e a CSLL na primeira ação fiscal. Para a presente autuação, a autoridade fiscal deu uma interpretação totalmente distinta para a mesma matéria, alegando, agora, que o “benefício em análise não é uma subvenção para investimento”. Resta saber, portanto, em qual das duas teses a DRFB/Anápolis realmente acredita, se na primeira, no qual o benefício fiscal trata de subvenção para investimento, ou na segunda, o da presente autuação, no qual a autoridade tributária, mudando de opinião, entende que a situação é de “perdão de dívida”, no qual a receita deveria ser considerada operacional. De qualquer forma, o presente lançamento representa mudança de critério jurídico, o que contraria o preceptivo gravado no art. 146 do CTN. Ocorre que a imodificabilidade do critério jurídico na atividade de lançamento vem preservar a segurança jurídica, para preservar o sujeito passivo de surpresas e garantir o equilíbrio nas relações entre fisco e contribuinte. Abalizada doutrina predica que, caso a Fazenda Pública pudesse modificar critérios jurídicos a seu favor, a atividade de lançamento passaria a ser discricionária e não vinculada. Súmula do extinto Tribunal Federal de Recursos no verbete nº 227, indica que "A mudança de critério jurídico adotado pelo fisco não autoriza a revisão de lançamento". Jurisprudência do STJ (Resp 1112702/SP) corrobora tal entendimento, razão pela qual o presente lançamento deve ser declarado nulo. Fl. 2756DF CARF MF Impresso em 11/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/06/2015 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 05/06/2015 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 09/06/2015 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, As sinado digitalmente em 10/06/2015 por ANDRE MENDES DE MOURA Processo nº 13116.721486/201129 Acórdão n.º 1401001.041 S1C4T1 Fl. 2.757 9 Breves Considerações sobre a Sistemática do Benefício Fiscal Concedido pelo Estado de Goiás. O incentivo do FOMENTAR somente era atrativo em época de inflação alta, já que o valor do financiamento não sofria nenhuma atualização monetária. Contudo, com a estabilidade econômica, e diante da necessidade de incrementar a industrialização do Estado, o Governo de Goiás, por meio da Lei nº 13.436, de 1998, ampliou o incentivo fiscal, mediante a concessão de desconto em torno de 88% da dívida contraída, sob condição de o beneficiário aplicar esse valor na expansão ou implantação de novo empreendimento no prazo de até 20 anos. Ou seja, o valor do desconto obtido não representa ressarcimento de custos ou mera liberalidade do ente subvencionador, mas um incentivo de interesse do Estado de Goiás, voltado para alavancar a atividade industrial, mediante atendimento de condições. Da Não Incidência dos Tributos e Contribuições Sobre as Subvenções para Investimento. São dois os motivos pelos quais a autoridade tributária entende que o benefício concedido pelo Estado de Goiás não pode ser considerado como subvenção para investimento: falta de sincronismo entre a intenção de subvencionar e a ação do subvencionado, e o fato de a lei conferir o prazo de 20 anos para que o contribuinte destine os recursos. A primeira premissa cai por terra, na medida que a intenção de subvencionar do Estado é de clareza hialina, pois tanto o financiamento a longo prazo do imposto estadual (ICMS) quanto o desconto do saldo devedor são vinculados ao investimento no setor industrial, sob a forma de expansão ou implantação de novo empreendimento. Na redação das Leis Estaduais nº 9.489, de 1984, e 11.180, de 1990, verificase que o incentivo foi inicialmente estruturado sob a forma de alongamento do prazo para pagamento de 70% do saldo devedor do ICMS, com remuneração subsidiada, isto é, sem cobrança de atualização monetária em uma época em que a inflação era uma das mais elevadas do continente. Com a estabilização da moeda, o programa FOMENTAR deixou de ser atrativo, o que levou o governo a adequálo à nova realidade econômica do país, no sentido de conceder desconto do valor financiado do ICMS e, em contrapartida, exigir que o valor da renúncia fosse aplicado na ampliação e/ou modernização do seu parque industrial, dentro do prazo de 20 anos contados a partir da data de realização do leilão, nos termos da Lei Estadual nº 13.436, de 1998. Sendo incentivo concedido pelo agente estatal, vinculado à expansão do empreendimento, tem a natureza de SUBVENÇÃO PARA INVESTIMENTO, cuja contabilização, a partir do ano calendário de 2008, passou a submeterse às regras do Regime Tributário de Transição (RTT) de que cuida a Lei nº 11.941, de 2009. Fl. 2757DF CARF MF Impresso em 11/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/06/2015 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 05/06/2015 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 09/06/2015 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, As sinado digitalmente em 10/06/2015 por ANDRE MENDES DE MOURA Processo nº 13116.721486/201129 Acórdão n.º 1401001.041 S1C4T1 Fl. 2.758 10 Vale lembrar que, antes da vigência da mencionada lei, a contabilização da subvenção para investimento davase diretamente em conta de patrimônio líquido, em reservas de capital, nos termos do art. 443 do RIR/99. Entretanto, a partir do RTT, a contabilização do valor da subvenção passou a ser em conta do resultado pelo regime de competência, para em seguida ser excluída do LALUR para fins de determinação do lucro real, e a manutenção do valor em reservas de incentivos fiscais. Os valores subvencionados pelo Estado referemse aos anos de 2006, 2008, 2009 e 2010, ou seja, dentro do prazo imposto pelo ente estatal para a expansão ou modernização do empreendimento. Ainda, registrese que a empresa dispõe do prazo de 20 anos para expandir ou implantar nova unidade, o que demonstra o sincronismo entre a intenção do subvencionador em alavancar a industrialização do Estado e a do subvencionado em aplicar os recursos em investimentos. Prova disso é a contabilização dos valores em reservas de incentivos fiscais, por exigência legal. No caso concreto, o fiscal cometeu equívocos ao interpretar as normas em questão. Basta observar o teor da Decisão Cosit nº 04, de 1999, para certificarse que se trata de situação diversa da matéria em análise, vez que trata de dedução, a título de despesa financeira, da diferença entre o valor dos encargos de juros cobrados no contrato de financiamento e o praticado no mercado. Ademais, os requisitos para enquadramento como subvenção para investimento contidos na mencionada decisão encontramse atendidos no caso em tela, quais sejam, aplicação dos recursos na implantação ou expansão do empreendimento e sincronismo entre a intenção do subvencionador com ação do subvencionado, o que, in casu, evidenciase pela exigência legal que condiciona a renúncia à aplicação do desconto obtido na ampliação e/ou modernização do seu parque industrial. O relatório fiscal também incorre em equívoco ao entender que, para a habilitação ao benefício fiscal, seria necessária a aplicação dos recursos em ativos. Ora, os recursos já se encontram investidos na empresa, destacados no patrimônio líquido, conforme exigência da Lei nº 1.941, de 2009. Além disso, o agente fiscal não logrou comprovar a ausência de aquisição de ativos, mormente porque os recursos encontramse contabilizados em reserva de incentivos fiscais, o que comprova a não distribuição aos sócios. Se os recursos não foram objeto de distribuição, por certo estão representados na empresa por ativos diversos. O dinheiro é um bem fungível, e nessa condição, é inviável identificar se esse ou aquele bem fora comprado com recursos “A” ou “B”. Por essa razão é que o legislador condicionou apenas que os recursos sejam levados à reserva de incentivos fiscais e que não sejam distribuídos aos sócios. Ademais, o prazo de 20 não milita a favor da impugnante, pois enquanto não expirar esse lapso temporal, jamais poderá o fisco glosar o benefício por ausência de investimento. Fl. 2758DF CARF MF Impresso em 11/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/06/2015 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 05/06/2015 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 09/06/2015 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, As sinado digitalmente em 10/06/2015 por ANDRE MENDES DE MOURA Processo nº 13116.721486/201129 Acórdão n.º 1401001.041 S1C4T1 Fl. 2.759 11 Quanto à natureza do investimento, ainda que in casu fosse aplicado apenas como reforço de capital, as decisões no âmbito do contencioso administrativo têm demonstrando que isso não tem nenhuma relevância, que para a caracterização da subvenção para investimento basta a prova do interesse do subvencionador e a manutenção dos recursos na empresa, e que, mantido o valor em conta de reserva especial do patrimônio líquido, o montante subvencionado está representado em contas de ativo (Acórdãos 10193.716/2002, 910100.566, 107 09492/2008 e 10809767). Tal entendimento pode ser observado também em jurisprudência dos Tribunais Regionais Federais (TRF4, AC 2008.72.00.0131975 e TRF5, REOAC 00662793.1990.4.05.0000). Por fim, sobre a natureza do desconto obtido, cumpre esclarecer que o § 2°, do art. 1º, da Lei instituidora do benefício (Lei n° 13.436/1998) é de hialina clareza ao dispor que: Art. 1º. Omissis: §2°. O montante a que se refere o § 1o é considerado subvenção para investimento, podendo ser incorporado ao capital social da pessoa jurídica titular do estabelecimento beneficiário do incentivo ali mencionado ou mantido em . conta de reserva para futuros aumentos de capital, vedada sua destinação para distribuição de dividendos ou qualquer outra parcela a título de lucro. Por todo o exposto, constatase que os valores apurados pela autoridade fiscal como receita operacional não podem ser assim considerados, vez que, como predica a própria norma, tratase de subvenção para investimento, o que não representa fato gerador do IRPJ, CSLL, PIS e Cofins. Pelo princípio da tributação reflexa, o decidido em relação ao lançamento matriz deve ser estendido aos reflexos. Por fim, ainda que o desconto concedido em decorrência da liquidação antecipada do financiamento seja considerado como receita financeira, como tem entendido essa DRJ, mesmo nessa hipotética situação os lançamentos relativos ao PIS e Cofins não poderiam subsistir, haja vista o disposto no Decreto nº 5.422, de 2005, que conferiu a aplicação da alíquota zero sobre as receitas financeiras a partir de 02 de agosto de 2004. Inclusive em recente decisão essa DRJ decidiu pela improcedência do lançamento do PIS e da Cofins nos termos do Acórdão nº 03 30.124, e também no Acórdão nº 0344.099, no qual a presente autuada era também o sujeito passivo. Da Vedação à Interferência da União em Matéria Privativa dos Estados. Investidas descabidas e ao arrepio da lei promovidas pela União, por meio de tributação, limitam a eficácia do incentivo concedido pelo ente estadual, o que caracteriza uma afronta ao princípio constitucional do pacto federativo. Tratase de entendimento já manifestado em jurisprudência do Tribunal Fl. 2759DF CARF MF Impresso em 11/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/06/2015 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 05/06/2015 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 09/06/2015 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, As sinado digitalmente em 10/06/2015 por ANDRE MENDES DE MOURA Processo nº 13116.721486/201129 Acórdão n.º 1401001.041 S1C4T1 Fl. 2.760 12 Regional da 4ª Região (TRF4, APELAÇÃO CÍVEL N° 00099128820094047200 e TRF4, AC 2009.72.08.0013300). Das Multas Isoladas (Decadência e Improcedência do Lançamento). A multa isolada amoldase perfeitamente à sistemática do lançamento denominado “por homologação” nos termos do § 4º do art. 150 do CTN. A regra decadencial aplicável à multa isolada é análoga à aplicável ao tributo e ela vinculado, não havendo que se falar na regra geral gravada no art. 173, inc. I do CTN. Nesse sentido, resta claro que as multas aplicadas referentes aos períodos de janeiro a setembro de 2006 encontramse fulminadas pela decadência, já que a impugnante teve ciência do lançamento em 14/10/2011. Por sua vez, analisando o mérito dos lançamentos, a multa isolada não poderia ter sido lançada, pois uma vez encerrado o período de apuração do IRPJ e da CSLL, a exigência de recolhimento por estimativa perde sua eficácia, já que o que prevalece é a exigência dos tributos efetivamente devidos, apurados ao final do anocalendário correspondente. O Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (Acórdãos n° 120200.464, 10321302, 10194416, 10319903, 10321030, 10321192, 10321253, 10320572) e o Tribunal Regional da 4ª Região (TRF 4ª Região. 1ª Turma. Relator Dr. Marcos Roberto Araújo dos Santos. Agravo Legal em Apelação Cível/Reexame Necessário. Processo n° 2001.72.00.0038609/SC. D.E de 03/02/2010) já se pronunciaram nesse sentido. Ainda há que se observar que houve cobrança de multa isolada e de multa de ofício sobre bases de cálculo sobrepostas, situação considerada como indevida na jurisprudência administrativa de segunda instância (Acórdãos nº 10612776, 10418702, 101 94416 e CSRF/0104.987). No caso.vertente, ainda que houvesse omissão de receita, a falta de pagamento do tributo estimado seria meio preparatório para a supressão do tributo apurado no final do exercício. Nesse caso, em face do princípio da consunção, oriundo do direito penal, segundo o qual a penalidade maior absorve a menor o primeiro estaria absorvido pelo segundo. Dos Pedidos. Ante todo o exposto, requer: (I) seja recebida e conhecida a, presente impugnação, por atender os pressupostos legais; (II) pelas razões esposadas nas preliminares, sejam julgados nulos os lançamentos relativos ao anocalendário de 2006, em razão tanto da inexistência da necessária e indispensável ordem de reexame prevista no art. 906 do RIR/1999, quanto da mudança de critério jurídico, vedada pelo art. 146 do CTN, ou, se não, que seja reconhecida a decadência com relação à multa isolada, relativamente ao período de janeiro a setembro daquele períodobase; (III) pelo mérito, que seja julgado improcedente os autos de infração ora guerreados, em sua totalidade, haja vista a não incidência dos tributos em questão sobre subvenções para investimentos; e, (IV) caso, porém, não acatado o pedido contido no item anterior, que sejam Fl. 2760DF CARF MF Impresso em 11/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/06/2015 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 05/06/2015 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 09/06/2015 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, As sinado digitalmente em 10/06/2015 por ANDRE MENDES DE MOURA Processo nº 13116.721486/201129 Acórdão n.º 1401001.041 S1C4T1 Fl. 2.761 13 afastadas as exigências relativas ao PIS, à COFINS e à multa isolada. A 2ª Turma da DRJ Brasília, por unanimidade, deu provimento parcial à impugnação, por meio de Acórdão assim ementado, fls. 26472649 ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2006, 2008, 2009, 2010 PRELIMINAR DE NULIDADE. VÍCIO FORMAL. INOCORRÊNCIA. MPF. ORDEM ESCRITA PARA SEGUNDO EXAME. O Mandado de Procedimento Fiscal (MPF) expedido regularmente por autoridade competente para a prática do ato supre a exigência disposta no art. 906 do RIR/99, qual seja, a necessidade de ordem escrita do Superintendente, do Delegado ou do Inspetor da Receita Federal para um segundo exame em relação ao mesmo exercício fiscalizado. VÍCIO MATERIAL. MUDANÇA DE CRITÉRIO JURÍDICO. ART. 146 DO CTN. ANOCALENDÁRIO DE 2006. Mudança de interpretação da autoridade fiscal, que em autuação pretérita considerou o suporte fático analisado como subvenção para investimento resultando na ausência de lançamentos de IRPJ e CSLL, e em procedimento fiscal posterior, relativo ao mesmo anocalendário e contribuinte, considerou o mesmo suporte fático como subvenção para custeio ou operação, caracteriza a modificação de critério jurídico e esbarra nos limites impostos para a alterabilidade do lançamento previstos no art. 146 do CTN, ensejando nulidade dos lançamentos em decorrência de vício material. INCENTIVOS FISCAIS. NATUREZAS DIVERSAS. O gênero incentivos fiscais pode admitir como espécies, dentre outras, subvenções correntes para custeio ou operação, subvenções para investimento, reduções de custo de bens decorrentes de isenções de impostos ou de dispensa de encargos, como juros e atualização monetária, ou, ainda, a disponibilização por parte do ente público de recursos mediante atendimento de condições pela beneficiária, por meio de financiamentos, liquidação antecipada de débitos com abatimento ou mesmo perdão de dívida. PROGRAMA FOMENTAR. ABATIMENTOS NO VALOR PRINCIPAL DA DÍVIDA DECORRENTES DE LIQUIDAÇÃO ANTECIPADA DOS EMPRÉSTIMOS. NATUREZA DOS RECURSOS. INOCORRÊNCIA DE SUBVENÇÃO PARA INVESTIMENTO. Ausência de sincronia da intenção do subvencionador com a ação do subvencionado, e da ocorrência da "efetiva e específica" Fl. 2761DF CARF MF Impresso em 11/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/06/2015 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 05/06/2015 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 09/06/2015 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, As sinado digitalmente em 10/06/2015 por ANDRE MENDES DE MOURA Processo nº 13116.721486/201129 Acórdão n.º 1401001.041 S1C4T1 Fl. 2.762 14 aplicação da subvenção, por parte do beneficiário, nos investimentos previstos na implantação ou expansão do empreendimento econômico projetado, nos termos do Parecer Normativo CST nº 112, de 1978, descaracteriza a natureza de subvenção para investimento dos recursos oriundos do abatimento do valor principal de dívida decorrentes da liquidação antecipada do contrato de financiamento com o ente público. PROGRAMA FOMENTAR. ABATIMENTOS NO VALOR PRINCIPAL DA DÍVIDA DECORRENTES DE LIQUIDAÇÃO ANTECIPADA DOS EMPRÉSTIMOS. PERDÃO. REMISSÃO DE DÍVIDA. OUTRAS RECEITAS OPERACIONAIS. I São formas de geração de receita, dentre outras, a venda de mercadorias e prestação de serviços da entidade, e a extinção parcial ou total de uma exigibilidade, como o perdão de dívida ou da eliminação de passivo pelo desaparecimento do credor. II Situação na qual o ente público, na condição de credor, ao levar em consideração circunstâncias novas decorrentes de mudança profunda no cenário macroeconômico, que esvaziaram o objeto do negócio jurídico original, qual seja, o de promover condições propícias para investimentos na modernização e ampliação do empreendimento industrial, e além disso, poderiam levar o devedor a uma situação de inadimplência, renegocia a dívida no sentido de conceder um substancial abatimento do valor original mediante pagamento antecipado de empréstimo, caracteriza um perdão. III Valor decorrente de redução de dívida mediante remissão tem natureza de outras receitas operacionais. ÓRGÃOS ADMINISTRATIVOS. INCONSTITUCIONALIDADE. APRECIAÇÃO. FALTA DE COMPETÊNCIA. Não compete aos órgãos julgadores administrativos apreciar a constitucionalidade de lançamento fiscal cujos fundamentos encontramse amparados em lei. MULTA ISOLADA. DECADÊNCIA. O prazo decadencial para o lançamento de ofício da multa exigida isoladamente quando a pessoa jurídica não antecipa o pagamento do IRPJ ou da CSLL estimados é de cinco anos contados na forma do art. 173, I, do CTN. MULTA ISOLADA. CABIMENTO APÓS O ENCERRAMENTO DO PERÍODO. Não tendo o contribuinte efetuado os recolhimentos mensais a que estão obrigadas as pessoas jurídicas optantes pela tributação com base no lucro real anual, cabível a aplicação da multa isolada, mesmo após o encerramento do exercício, e ainda que seja apurado prejuízo fiscal. Fl. 2762DF CARF MF Impresso em 11/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/06/2015 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 05/06/2015 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 09/06/2015 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, As sinado digitalmente em 10/06/2015 por ANDRE MENDES DE MOURA Processo nº 13116.721486/201129 Acórdão n.º 1401001.041 S1C4T1 Fl. 2.763 15 MULTA ISOLADA. MULTA DE OFÍCIO. NATUREZA DIVERSA. A multa exigida isoladamente sobre a falta de recolhimento das estimativas mensais é de natureza diversa da multa proporcional incidente sobre a insuficiência de recolhimento do tributo apurado ao fim do anocalendário, no regime do lucro real anual. CSLL. PIS. COFINS. LANÇAMENTOS COM BASE NO MESMO FATO E MATÉRIA TRIBUTÁVEL. O decidido em relação ao IRPJ estendese aos lançamentos de CSLL, PIS e Cofins, vez que formalizado com base nos mesmos elementos de prova e se referir à mesma matéria tributável. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte Nos termos da legislação de regência, houve apresentação de recurso de ofício, dirigido a este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais. Cientificada do Acórdão em 21/06/2012 (fls. 2695), a contribuinte interpôs em 03/07/2012 o recurso voluntário de fls. 26962743, reiterando os argumentos apresentados na fase impugnatória. É o relatório. Fl. 2763DF CARF MF Impresso em 11/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/06/2015 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 05/06/2015 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 09/06/2015 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, As sinado digitalmente em 10/06/2015 por ANDRE MENDES DE MOURA Processo nº 13116.721486/201129 Acórdão n.º 1401001.041 S1C4T1 Fl. 2.764 16 Voto Vencido Conselheiro Fernando Luiz Gomes de Mattos Os recursos atendem aos requisitos legais, razão pela qual devem ser conhecidos. Recurso de ofício A decisão de piso cancelou o lançamento de IRPJ e CSLL referente ao ano calendário de 2006, por considerar que houve mudança de critério jurídico, em afronta ao disposto no art. 146 do CTN: Art. 146 A modificação introduzida, de ofício ou em conseqüência de decisão administrativa ou judicial, nos critérios jurídicos adotados pela autoridade administrativa no exercício do lançamento somente pode ser efetivada, em relação a um mesmo sujeito passivo, quanto a fato gerador ocorrido posteriormente à sua introdução. Tal entendimento foi assim justificado pelo colegiado julgador de 1ª instância, fls. 26632665: Na primeira autuação, formalizada nos autos do processo nº 13116.000753/200914, a Fiscalização ao analisar os valores decorrentes da liquidação antecipada do FOMENTAR, dispôs o seguinte no Termo de Verificação Fiscal do Auto de Infração original, como se pode observar às fls. 2533: A discussão sobre a natureza da receita obtida com a liquidação antecipada dos contratos de financiamento com recursos do FOMENTAR fazse necessária para exigência o Imposto de Renda das Pessoas Jurídicas – IRPJ e da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido – CSLL, haja vista a não inclusão das subvenções para investimento definidas no art. 443, do RIR/99, na base de cálculo destes tributos. Do ponto de vista da Contribuição Social para Financiamento da Seguridade Social – COFINS, resta irrelevante a classificação da receita obtida (...) Desta forma, no “Demonstrativo de Apuração COFINS NãoCumulativa Lei 10.865 – 30/04/2004”, referente ao mês de junho/2006, foi incluído no item Demais Receitas – Subvenções para Investimentos, a receita obtida em virtude da redução do saldo devedor de ICMS, em 26/06/2006, com a liquidação antecipada do contrato de financiamento com recursos do FOMENTAR, no valor de R$20.556.980,91. Diante da análise do anocalendário de 2006, naquela ocasião a autoridade fiscal decidiu não efetuar lançamentos de IRPJ e Fl. 2764DF CARF MF Impresso em 11/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/06/2015 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 05/06/2015 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 09/06/2015 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, As sinado digitalmente em 10/06/2015 por ANDRE MENDES DE MOURA Processo nº 13116.721486/201129 Acórdão n.º 1401001.041 S1C4T1 Fl. 2.765 17 CSLL, tendo efetuado apenas os lançamentos de PIS e Cofins, cujas exigências foram afastadas por esta DRJ/Brasília no Acórdão 0344.099 da sessão de julgamento em 25 de julho de 2011. Fundamentouse a decisão no fato de que a liquidação antecipada dos empréstimos de financiamento do FOMENTAR tinham natureza de receita financeira, submetida à alíquota zero para o PIS e a Cofins. Por sua vez, a presente autuação tratou de examinar, novamente, a mesma situação fática, qual seja, os ingressos decorrentes da liquidação antecipada dos empréstimos de financiamento do FOMENTAR, para o mesmo anocalendário de 2006. Vale observar o item 33 do Termo de Verificação Fiscal da presente autuação: 33. Depois de demonstrarmos que o benefício em análise não é uma subvenção para investimento, precisamos definir em que tipo de receita ele se encaixa. Não resta dúvida de que ocorre uma subvenção para custeio ou operação (receita operacional), e de que esta receita causará impacto no lucro da empresa, sobre o qual incidem o IRPJ e a CSLL. (grifos originais) Nesse contexto, no segundo exame a autoridade fiscal decidiu efetuar os lançamentos de IRPJ e CSLL referentes ao ano calendário de 2006. Vale observar que não foram efetuados novos lançamentos de PIS e Cofins relativos ao anocalendário de 2006 por ocasião do segundo exame da Fiscalização. Nesse caso, percebese que a Fiscalização, diante dos lançamentos pretéritos da primeira autuação, entendeu que um novo lançamento das mencionadas contribuições sociais caracterizaria uma mudança de critério jurídico não autorizada no art. 146 do CTN. Por outro lado, como não foram efetuados lançamentos de IRPJ e CSLL para o anocalendário de 2006 na primeira autuação fiscal, entendeu a Fiscalização que poderia efetuar os lançamentos de IRPJ e CSLL referentes ao anocalendário de 2006 por ocasião do segundo exame ora analisado nos presentes autos. [...] No caso em tela, fica plenamente demonstrado que a autoridade fiscal, no primeiro exame, decidiu por não efetuar os lançamentos de IRPJ e CSLL porque entendeu que a situação fática caracterizava uma subvenção para investimento, excluída da base de cálculo dos imposto de renda e da contribuição social sobre o lucro líquido. Por isso, efetuou apenas os lançamentos fiscais de PIS e Cofins. Assim, não há como considerar como pressuposto apenas a ocorrência de um lançamento fiscal, mas sim, a existência de um exame anterior. No caso concreto, tal exame efetivamente ocorreu, como já demonstrado. Fl. 2765DF CARF MF Impresso em 11/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/06/2015 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 05/06/2015 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 09/06/2015 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, As sinado digitalmente em 10/06/2015 por ANDRE MENDES DE MOURA Processo nº 13116.721486/201129 Acórdão n.º 1401001.041 S1C4T1 Fl. 2.766 18 Tendo ocorrido um exame pretérito, a presente autuação encontra limites no art. 146 do CTN. Nesse contexto, a mudança de interpretação da autoridade fiscal, que na primeira autuação considerou o suporte fático como subvenção para investimento resultando na ausência de lançamentos de IRPJ e CSLL, e na segunda autuação do mesmo anocalendário considerou o mesmo suporte fático como subvenção para custeio ou operação, caracteriza a modificação de critério jurídico e esbarra nos limites impostos para a alterabilidade do lançamento. Tratase de vício de natureza material, razão pela qual os lançamentos de IRPJ e CSLL, referentes ao anocalendário de 2006, devem ser afastados por nulidade absoluta. De fato, é inquestionável que a o Fisco promoveu duas fiscalizações sucessivas relativas ao anocalendário de 2006. Na primeira delas, que culminou com o lançamento apenas de PIS e Cofins, o Fisco considerou que a situação fática caracterizava uma subvenção para investimento. Na segunda fiscalização, contudo, o Fisco pretendeu modificar o critério jurídico adotado na primeira oportunidade, considerando que o mesmo suporte fático caracterizavase como subvenção para custeio, o que permitiria que se constituísse lançamentos referentes ao IRPJ e CSLL. Esta pretensão do Fisco não pode prosperar, uma vez que a mudança de critério jurídico, referente ao mesmo anocalendário, é claramente vedada pelo art. 146 do CTN. Diante do exposto, voto no sentido de negar provimento ao presente recurso de ofício. Recurso voluntário Argüição de mudança de critério jurídico extensão do decidido com relação ao anocalendário de 2006 para os demais anoscalendário (2008, 2009 e 2010) Conforme visto na análise do recurso de ofício, o colegiado julgador de 1ª instância afastou o lançamento do IRPJ e da CSLL, relativamente ao anocalendário de 2006, porque verificaram que, de fato, houve mudança de critério jurídico em relação ao período em questão. Em sede recursal, a contribuinte pleiteou a extensão deste entendimento para os demais anoscalendário (2008, 2009 e 2010). A pretensão da recorrente foi assim fundamentada, fls. 27032708: 2.1.4. De fato, consoante se constata do processo administrativo 13116.000753/200914, resultante da primeira ação fiscal relativa ao anocalendário de 2006, lavrado em abril de 2009, o autuante não efetuou o lançamento referente ao IRPJ e à CSLL por entender, naquela ocasião (abril de 2009), que o benefício concedido pelo Estado de Goiás tratavase de “subvenção para Fl. 2766DF CARF MF Impresso em 11/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/06/2015 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 05/06/2015 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 09/06/2015 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, As sinado digitalmente em 10/06/2015 por ANDRE MENDES DE MOURA Processo nº 13116.721486/201129 Acórdão n.º 1401001.041 S1C4T1 Fl. 2.767 19 investimento” e, como tal, não poderia compor a base de cálculo dos aludidos tributos, por força da orientação contida no art. 443 do RIR/1999. 2.1.5. Realmente, naquele outro processo, ao tratar sobre a falta de recolhimento das contribuições para o PIS e para a COFINS, o nobre fiscal denominou expressamente as receitas de “Demais Receitas – Subvenções para Investimento”, conforme se aduz da fl. 22 do “TERMO DE VERIFICAÇÃO FISCAL”, parte integrante daquele auto de infração. 2.1.6. Reiterando o seu entendimento quanto à natureza das receitas, à fl. 24 do precitado “TERMO DE VERIFICAÇÃO FISCAL”, o autuante assim se pronunciou naqueles autos: A discussão sobre a natureza da receita obtida com a liquidação antecipada dos contratos de financiamento com recursos do FOMENTAR fazse necessária para exigência do Imposto de Renda das Pessoas Jurídicas – IRPJ e da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido – CSLL, haja vista a não inclusão das subvenções para investimento definidas no art. 443, do RIR/99, na base de cálculo destes tributos. Do ponto de vista da Contribuição para o Programa de Integração Social – PIS (e para a Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social – COFINS), resta irrelevante a classificação da receita obtida, segundo dispõe o art. 1º da Lei nº 10.637/02: [...] 2.1.7. Assim, resta clara, pois, a razão pela qual a Delegacia da Receita Federal do Brasil em Anápolis não ter lançado o IRPJ e a CSLL na primeira ação fiscal, o que só veio a fazer neste procedimento, levado a efeito em outubro de 2011, quando então, deu uma interpretação totalmente distinta à anteriormente dada à mesma matéria, alegando, agora, que “o benefício em análise não é uma subvenção para investimento” (item 33 do Termo de Verificação Fiscal), mas sim receita operacional. 2.1.8. O que a Delegacia da Receita Federal do Brasil em Anápolis (GO) fez, por meio da fiscalização realizada em abril de 2009, foi, na verdade, dizer ao contribuinte, mediante documento escrito, que o desconto por ele obtido com a liquidação antecipada do financiamento oferecido pelo FOMENTAR era uma subvenção para investimento, não sujeita, portanto, à incidência do IRPJ e da CSLL. 2.1.9. Desta feita, para os fatos geradores ocorridos anteriormente àquela data, e mesmo para os posteriores, até a data em que a Administração Tributária deu novo entendimento à matéria (outubro de 2011), o critério jurídico que prevaleceu foi o de que os descontos obtidos pela Recorrente tratavamse de subvenção para investimento. 2.1.10. Em síntese, até outubro de 2011, quando foi introduzido novo critério jurídico para a situação em tela, é de se entender Fl. 2767DF CARF MF Impresso em 11/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/06/2015 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 05/06/2015 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 09/06/2015 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, As sinado digitalmente em 10/06/2015 por ANDRE MENDES DE MOURA Processo nº 13116.721486/201129 Acórdão n.º 1401001.041 S1C4T1 Fl. 2.768 20 que prevaleceu aquele critério anteriormente adotado pelo Recorrente, por ser considerado como subvenção para investimento até então, não incidiria IRPJ e CSLL. 2.1.11. Nesse contexto, é de se concluir que não somente é nulo o lançamento relativo ao anocalendário de 2006, mas todos aqueles cujos fatos geradores dos tributos tenham ocorrido anteriormente à introdução do novo critério jurídico, que ocorreu, reprisese, em outubro de 2011. 2.1.12. Isto, aliás, é o que dispõe expressamente o art. 146 do CTN, cujo teor se transcreve, com destaques: Art. 146. A modificação introduzida, de ofício ou em conseqüência de decisão administrativa ou judicial, nos critérios jurídicos adotados pela autoridade administrativa no exercício do lançamento somente pode ser efetivada, em relação ao mesmo sujeito passivo, quanto a fato gerador ocorrido posteriormente à sua introdução. Importante destacar que a tese defendida pela Recorrente encontra amparo na doutrina, conforme bem evidenciou a peça recursal, ao transcrever excertos dos ensinamentos de Hugo de Brito Machado e de Luciano Amaro, a seguir reproduzidos (grifados): O art. 146 do Código Tributário Nacional não se ocupa de revisão do lançamento. Referese, isto sim, a situações de fato que estão consumadas, proibindo a aplicação retroativa de novo critério jurídico. Aplicação retroativa, mesmo a lançamentos originários. E com mais razão, obviamente, a revisão de lançamentos já realizados. (MACHADO, Hugo de Brito. Comentários ao Código Tributário Nacional, Vol. III. São Paulo: Atlas, 2005, p. 132). O que o texto legal de modo expresso proíbe não é a mera revisão de lançamento com base em novos critérios jurídicos; é a aplicação desses novos critérios a fatos geradores ocorridos antes de sua introdução (que não necessariamente terão sido já objeto de lançamento). Se, e quando o fato gerador de ontem, a autoridade não pode, hoje, aplicar novo critério jurídico (diferente do que, no passado, tenha aplicado em relação a outros fatos geradores atinentes ao mesmo sujeito passivo), a questão não se refere (ou não se resume) à revisão do lançamento (velho), mas abarca a consecução de lançamento (novo). É claro que, não podendo o novo critério ser aplicado ao lançamento novo com base em fato gerador ocorrido antes da introdução do critério, com maior razão este também não poderá ser aplicado para rever lançamento velho. Todavia, o que o preceito resguardaria contra a mudança critério não serem apenas lançamentos anteriores, mas fatos geradores passados. (AMARO, Luciano. Direito Tributário Brasileiro. 9. ed. São Paulo: Saraiva, 2003, p. 341). Cumpre mencionar que a Recorrente mencionou precedente deste CARF, corroborando a tese defendida pela Recorrente: Fl. 2768DF CARF MF Impresso em 11/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/06/2015 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 05/06/2015 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 09/06/2015 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, As sinado digitalmente em 10/06/2015 por ANDRE MENDES DE MOURA Processo nº 13116.721486/201129 Acórdão n.º 1401001.041 S1C4T1 Fl. 2.769 21 ATO DE LANÇAMENTO, MODIFICAÇÃO DE CRITÉRIO JURÍDICO. FATOS GERADORES PRETÉRITOS. INAPLICABILIDADE. A modificação introduzida, de ofício, nos critérios jurídicos adotados pela autoridade administrativa no exercício do lançamento, em relação a um mesmo sujeito passivo, somente será aplicada em relação aos fatos geradores futuros (art. 146 do CTN). (Acórdão nº 310200.684 – 1ª Câmara – 2ª Turma Ordinária). Sobre o tema, acrescento a abalizada opinião de Roque Antonio Carraza (in Curso de Direito Constitucional Tributário. 22. ed. rev. amp. e atual. até a EC n.° 052/2006 – São Paulo : Malheiros Editores, 2006. pp. 423425) : O princípio constitucional da segurança jurídica exige, ainda, que os contribuintes tenham condições de antecipar objetivamente seus direitos e deveres tributários, que, por isto mesmo, só podem surgir de lei, igual para todos, irretroativa e votada pela pessoa política competente. [...] Não podemos deixar de mencionar, ainda, o princípio da boafé, que impera também no direito tributário. De fato, ele irradia efeitos tanto sobre o fisco quanto sobre o contribuinte, exigindo que ambos respeitem as conveniências e interesses do outro e não incorram em contradição com sua própria conduta, na qual confia a outra parte (proibição de venire contra factum próprio). [...] Portanto, o atraso desleal do fisco em tomar uma decisão a seu cargo ou em rever uma conduta que, por largo tempo, adotou, levando o contribuinte a, confiantemente, realizar atos de disposição, não pode prejudicálo nem, muito menos, acarretar lhe sanções. Esse é o espírito, digase de passagem, do art. 146 do CTN, que estabelece que ‘a modificação introduzida, de ofício ou em conseqüência de decisão administrativa ou judicial, nos critérios jurídicos adotados pela autoridade administrativa no exercício do lançamento somente pode ser efetivada, em relação a um mesmo sujeito passivo, quanto a fato gerador ocorrido posteriormente à sua introdução’. Nesta senda, entendo que, se fosse possível alterar posicionamento sobre situação jurídica antes deferida, a Fazenda Pública estaria impondo total insegurança jurídica aos contribuintes, os quais se encontram sob o constante risco de no transcorrer de sua vida ou no desenvolvimento de sua atividade serem surpreendidos por um novo entendimento do Órgão Fiscal, imputandolhe obrigações tributárias mesmo após ter acolhido posicionamento em sentido contrário, expresso por ato administrativo editado pela própria Fazenda Pública. Ante tal atuação, restaria totalmente rompida a boafé que deve prevalecer na relação entre contribuinte e Fisco. Fl. 2769DF CARF MF Impresso em 11/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/06/2015 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 05/06/2015 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 09/06/2015 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, As sinado digitalmente em 10/06/2015 por ANDRE MENDES DE MOURA Processo nº 13116.721486/201129 Acórdão n.º 1401001.041 S1C4T1 Fl. 2.770 22 Diante do exposto, considero que os lançamentos de IRPJ e CSLL, referentes aos anoscalendário de 2008, 2009 e 2010, também deveriam ser afastados por nulidade absoluta. Análise do mérito Não obstante meu entendimento, expresso no item antecedente, tendo em vista que, pelo voto de qualidade, restei vencido em relação à preliminar de mudança de critério jurídico, tornase necessário analisar o mérito dos lançamentos de IRPJ e CSLL. Em relação a este tema, adoto e transcrevo parcialmente as razões de decidir constantes do acórdão recorrido, fls. 26752677: Resta, portanto, verificar se os recursos tratados no caso em tela, correspondente à fase final, no montante de R$67.691.841,56, poderiam ser classificados. Relevante constatar que, se enquadrados como subvenção para investimento, não caberia tributação de IRPJ e CSLL. Por sua vez, caso se entendesse que ocorreu uma redução de custo, nos termos dos Acórdãos anteriormente mencionados, não haveria que se falar ingresso de receitas e por consequência em incidência de PIS e Cofins. Por outro lado, se os ingressos em análise foram compreendidos como (i) subvenções correntes para custeio ou operação ou (ii) receitas de natureza operacional, o desdobramento para ambos os casos será o mesmo, ensejando a tributação do IRPJ, CSLL, PIS e Cofins. De plano, mostrase pertinente apreciar o que dispõe o PN CST nº 112, de 1978, ao discorrer sobre as subvenções para investimento: 2.11 Umas das fontes para se pesquisar o adequado conceito de SUBVENÇÕES PARA INVESTIMENTO é o Parecer Normativo CST n° 2/78 [...] No item 5.1 do Parecer encontramos, por exemplo, menção de que a SUBVENÇÃO para INVESTIMENTO seria destinada à aplicação em bens ou direitos. Já no item 7, subentendese um confronto entre as SUBVENÇÕES PARA CUSTEIO ou OPERAÇÃO e as SUBVENÇÕES PARA INVESTIMENTO tendo sido caracterizadas as primeiras pela não vinculação a aplicações específicas. Já o Parecer Normativo CST n° 143/73 [...], sempre que se refere a investimento complementao com a expressão em ativo fixo. Desses subsídios podemos inferir que SUBVENÇÃO PARA INVESTIMENTO é a transferência de recursos para uma pessoa jurídica com a finalidade de auxiliála, não em suas despesas, mas sim, na aplicação específica em bens ou direitos para implantar ou expandir empreendimentos econômicos. 2.12 Observase que a SUBVENÇÃO PARA INVESTIMENTO apresenta características bem marcantes, exigindo até mesmo perfeita sincronia da intenção do subvencionador com a ação do subvencionado. Não basta apenas o "animus" de subvencionar para investimento. Impõese, Fl. 2770DF CARF MF Impresso em 11/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/06/2015 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 05/06/2015 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 09/06/2015 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, As sinado digitalmente em 10/06/2015 por ANDRE MENDES DE MOURA Processo nº 13116.721486/201129 Acórdão n.º 1401001.041 S1C4T1 Fl. 2.771 23 também, a "efetiva e específica" aplicação da subvenção, por parte do beneficiário, nos investimentos previstos na implantação ou expansão do empreendimento econômico projetado. Por outro lado, a simples aplicação dos recursos decorrentes da subvenção em investimentos não autoriza a sua classificação como SUBVENÇÃO PARA INVESTIMENTOS. Analisando o caso concreto, constatase que os recursos oriundos da liquidação antecipada, ainda que estejam com sua utilização submetida a um encargo, não atendem aos requisitos necessários para serem considerados como subvenções para investimento. Merece destaque o item 2.12 do Parecer Normativo CST nº 112/1978, ao dispor sobre a necessidade de que na subvenção para investimento ocorra uma perfeita sincronia da intenção do subvencionador com a ação do subvencionado, e que reste demonstrada a "efetiva e específica" aplicação da subvenção, por parte do beneficiário, nos investimentos previstos na implantação ou expansão do empreendimento econômico projetado. Ao contrário do que aduz o impugnante, não basta que a lei estadual ou os correspondentes atos regulamentares demonstrem a intenção de subvencionar do Estado. Mera menção nos atos normativos estaduais de que o desconto do saldo devedor estaria vinculado ao investimento no setor industrial sob forma de expansão ou implantação de novo empreendimento, por si só, não caracteriza a subvenção para investimento. Busca o impugnante situação bastante cômoda, ao entender que poderia dispor do prazo de vinte anos para prestar satisfações sobre a destinação dos recursos obtidos pela liquidação antecipada do financiamento. Em nenhum momento restou demonstrado nos autos a efetiva aplicação dos recursos para atender às condições estabelecidas em lei. Vale reforçar: o fato de dispor de vinte anos para aplicação dos ingressos não implica que terá que prestar contas apenas ao final do prazo, até mesmo porque se exige um sincronismo entre o recebimento e a aplicação dos recursos. Ademais, não há qualquer razoabilidade em negócio jurídico firmado no sentido de que, não obstante a disponibilização dos recursos ser imediata, a prestação de contas seria efetuada apenas ao final de vinte anos, sem nenhum acompanhamento ou ponto de controle da execução das obrigações contraídas. Ainda que os recursos estivessem representados na empresa por ativos diversos, como quer fazer crer o impugnante às fls. 2487 da peça de defesa, poderiam os registros contábeis trazer as informações necessárias que tornariam possível identificar a aplicação dos ingressos no ativo imobilizado da empresa. Ocorre que o impugnante restringiuse a meras alegações, sem trazer nenhum documento que comprovasse, concretamente, a Fl. 2771DF CARF MF Impresso em 11/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/06/2015 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 05/06/2015 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 09/06/2015 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, As sinado digitalmente em 10/06/2015 por ANDRE MENDES DE MOURA Processo nº 13116.721486/201129 Acórdão n.º 1401001.041 S1C4T1 Fl. 2.772 24 aplicação dos recursos obtidos por meio da liquidação antecipada do empréstimo contraído junto ao governo do Estado de Goiás. Forte nestes argumentos, voto pela manutenção dos lançamentos referentes ao IRPJ e CSLL. Multa isolada Em sede de preliminar, a recorrente argumentou que a contagem do prazo decadencial aplicável à multa isolada deve obedecer a mesma regra aplicável ao tributo a ela vinculado. Sobre o tema, existe farta jurisprudência no âmbito deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, reconhecendo a procedência da alegação da recorrente. A título meramente ilustrativo, menciono os seguintes julgados, todos referidos pela recorrente (fls. 27122713): DECADÊNCIA – MULTA ISOLADA – O prazo decadencial para o lançamento da multa isolada pelo não recolhimento, ou recolhimento a menor, do IRPJ ou CSLL por estimativa é contado a partir do mês da ocorrência dos fatos geradores (Acórdão 10515035). NORMAS GERAIS – DECADÊNCIA – MULTA ISOLADA – A regra decadencial para o lançamento da multa isolada é idêntica à aplicável ao tributo, de forma que o fisco tem o prazo de cinco anos para efetuar o lançamento correspondente (Acórdão nº 10808484) IRPJ – DECADÊNCIA – Ao tributo sujeito à modalidade de lançamento por homologação [...] aplicase a regra especial de decadência insculpida no parágrafo 4ºdo artigo 150 do CTN, refugindo à aplicação do disposto no art. 173 do mesmo Código. Nesse caso, o lapso temporal de cinco anos tem como termo inicial a data da ocorrência do fato gerador. Aplicase à multa isolada a regra de decadência relativa ao tributo à ela vinculado (Acórdão nº 10808509). Assim sendo, considero que os lançamentos de multa isolada de IRPJ e CSLL, referentes aos fatos geradores ocorridos em junho de 2006, merecem ser cancelados, posto que já havia se exaurido o prazo decadencial por ocasião da formalização do presente lançamento (14/10/2011). No tocante aos demais fatos geradores, ocorridos nos anos de 2008 e 2010, a recorrente alegou que a multa isolada não poderia ter sido lançada, já que uma vez encerrado o período de apuração do IRPJ e da CSLL a exigência do recolhimento por estimativa perderia a sua eficácia. Alegou, outrossim, que teria havido cobrança de multa isolada e de multa de ofício sobre bases de cálculo sobrepostas, procedimento condenado pela jurisprudência administrativa de segunda instância. Em relação a estes temas, considero que não assiste razão à recorrente. Fl. 2772DF CARF MF Impresso em 11/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/06/2015 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 05/06/2015 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 09/06/2015 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, As sinado digitalmente em 10/06/2015 por ANDRE MENDES DE MOURA Processo nº 13116.721486/201129 Acórdão n.º 1401001.041 S1C4T1 Fl. 2.773 25 Em relação a tais temas, adoto e transcrevo as razões de decidir constantes do voto condutor do acórdão de piso, fls. 26822684, verbis: A princípio, cabe esclarecer que a Lei nº. 9.430, de 1996, em sua redação original, deixa claro, na dicção de seu art. 44, § 1º, inciso II, in fine, que a multa aplicada em razão do não recolhimento do tributo apurado no regime de estimativa, deve ser exigida isoladamente, mesmo no caso em que a pessoa jurídica, no anocalendário correspondente, tenha apurado prejuízo fiscal ou base de cálculo negativa da CSLL. Por sua vez, a Lei nº. 11.488, de 2007, que alterou a redação do precitado art. 44 da Lei nº. 9.430/1996, não modificou esta condição. Nesse sentido, observese que resta plenamente vinculada a autoridade fiscal, caso verifique divergências de apuração de impostos e contribuições submetidos ao lucro real anual sob o regime de estimativa, devendo aplicar a multa isolada nos termos do comando legal. Registrese ainda que a apuração do resultado positivo ou negativo da pessoa jurídica, no regime de tributação do lucro real anual, somente é possível após o encerramento do ano calendário correspondente, a não ser na hipótese do levantamento dos balanços mensais que demonstrem estar o contribuinte a salvo do recolhimento mensal obrigatório das antecipações, por força de sucessivos resultados negativos. Na esteira deste raciocínio, concluise, por óbvio, ser cabível a aplicação da multa isolada após o encerramento do ano calendário, a não ser, repitase, que os balanços mensais de redução/suspensão comprovem resultados negativos ao longo de todo o anocalendário. Tampouco assiste razão ao protestar sobre suposta cobrança em duplicidade da multa isolada e de ofício. Antes mesmo das modificações introduzidas pela Lei nº 11.488, de 2007, a redação pretérita do art. 44 da Lei nº 9.430, de 1996, já trazia previsão da multa isolada incidente sobre a falta de recolhimento da estimativa, sem prejuízo da multa de ofício, [...] [...] Nesse sentido, verificase que não há ocorrência de concomitância entre a multa exigida isoladamente sobre a falta de recolhimento das estimativas mensais obrigatórias e a multa proporcional, conforme aduz a impugnante, haja vista que se tratam de penalidades distintas, incidentes sobre bases de cálculo igualmente diversas: uma é exigida sobre o tributo ou contribuição apurados ao fim do anocalendário, juntamente com o principal devido; outra incide isoladamente sobre o recolhimento por estimativa que deixou de ser efetuado. Assim, considerando a natureza diversa entre as duas espécies de multa, mostramse cabíveis as imputações da multa de ofício, sobre o valor principal do imposto, e da multa isolada, aplicada aos valores apurados pelo regime de estimativa cujos pagamentos mensais não foram efetuados. Fl. 2773DF CARF MF Impresso em 11/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/06/2015 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 05/06/2015 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 09/06/2015 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, As sinado digitalmente em 10/06/2015 por ANDRE MENDES DE MOURA Processo nº 13116.721486/201129 Acórdão n.º 1401001.041 S1C4T1 Fl. 2.774 26 Assim sendo, em relação à multa isolada, dou provimento parcial ao recurso voluntário, tão somente para acolher a decadência referente à multa isolada de junho de 2006. PIS e Cofins A recorrente defendeu a aplicação do disposto no art. 1º do Decreto nº 5.442/2005, que reduziu a zero as alíquotas do PIS e da Cofins incidentes sobre receitas financeiras auferidas pelas pessoas jurídicas sujeitas ao regime de incidência não cumulativa das aludidas contribuições. Em relação a esta alegação, considero que não assiste razão à recorrente. Indiscutivelmente, os recursos oriundos de abatimento de valor principal de dívida, mediante operação de quitação antecipada, revestemse da natureza de receita. Tais receitas, contudo, possuem natureza diversa da receita financeira, conforme já restou decidido pela Solução de Consulta nº 17/2010 – SRRF/1ª RF/DISIT, verbis: SC N° 17/2010 SRRF/1ª RF/DISIT ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO REMISSÃO DE DÍVIDA. INCIDÊNCIA DE IRPJ, CSLL, PIS/PASEP E COFINS. A remissão de dívida importa para o devedor (remitido) acréscimo patrimonial (receita operacional diversa da receita financeira), por ser uma insubsistência do passivo, cujo fato imponível se concretiza no momento do ato remitente. Dispositivos Legais: art.9°, § 3°, II da Resolução CFC n° 750, de 1993; PARECER CT/CFC N° 11, de 2004; art. 187 da Lei n° 6.404, de 1976; arts. 373 e 374 do RIR, de 1999; art.3° da Lei n° 9.718, de 1998; art. 1°, § 3°, V, "b " da Lei n° 10.833, de 2003; , art. 1°, § 3°, V, "b ", da Lei n° 10.637/2002; art.53 da Lei n° 9.430, de 1996; arts. 2° e 3° do Ato Declaratório Interpretativo SRF n° 25, de 2003; art. 111, II do CTN. (... ) Ante todo o exposto, concluise que a remissão de dívida, por representar um acréscimo patrimonial para o devedor remitido, é tributável tanto pelo IRPJ, quanto pela CSLL, pela Cofins e pelo PIS, uma vez que o lançamento contábil dáse forçosamente mediante crédito de receita operacional (distinta da receita financeira). Para que não fosse tributável haveria a necessidade de norma isentiva, a qual deve ser interpretada literalmente, segundo o art. 111, II, do CTN. (grifei) Assim sendo, considero que devem ser mantidos os lançamentos relativos ao PIS e à Cofins, uma vez que as receitas de que trata o presente processo possuem natureza distinta da receita financeira, razão pela qual se revela inaplicável ao presente caso o Decreto nº Decreto nº 5.442/2005, que foi invocado pela Recorrente. Conclusão Fl. 2774DF CARF MF Impresso em 11/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/06/2015 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 05/06/2015 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 09/06/2015 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, As sinado digitalmente em 10/06/2015 por ANDRE MENDES DE MOURA Processo nº 13116.721486/201129 Acórdão n.º 1401001.041 S1C4T1 Fl. 2.775 27 Diante de todo o exposto, voto no sentido de: a) negar provimento ao recurso de ofício; b) dar parcial provimento ao recurso voluntário, para acolher a decadência referente à multa isolada de junho de 2006 e para cancelar os lançamentos de IRPJ e CSLL, referentes aos anoscalendário de 2008, 2009 e 2010, por nulidade absoluta. (assinado digitalmente) Fernando Luiz Gomes de Mattos Relator Voto Vencedor Conselheiro Antônio Bezerra Neto, Redator Ad Hoc Designado Inicialmente, é de se ressaltar, que em face da necessidade da formalização da decisão proferida nos presentes autos, de competência da 1ª Turma Ordinária/4ª Câmara da Primeira Seção e, tendo em vista que o Conselheiro Alexandre Antonio Alkmim Teixeira, redator designado para o voto vencedor, não mais faz parte de nenhum dos colegiados que integram o Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, o Presidente da 1ª Câmara da Primeira Seção do CARF determinou designar este Conselheiro como Redator Ad Hoc, para formalizar o acórdão já proferido, nos termos do item III do art. 17 do Anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF nº 256, de 22 de junho de 2009 (RICARF). A Turma Julgadora entendeu, pelo voto de qualidade, rejeitar a preliminar de alteração do critério jurídico e por maioria de votos, por cancelar o lançamento da multa isolada concomitante com a multa de ofício, pelo que peço vênia ao douto Conselheiro Relator para proferir as razões de voto vencedor. PRELIMINAR. ALTERAÇÃO DE CRITÉRIO JURÍDICO A Recorrente argui preliminar de alteração do critério jurídico da Fiscalização uma vez que, quando fiscalizada no ano de 2009, não sofreu autuação fiscal pelo registro das entradas como subvenção de investimento, sendo que, em fiscalização ocorrida no ano de 2011, referidas entradas foram reclassificadas como subvenção de custeio. Permissa venia, não vejo como o fato de a classificação da fiscalização de 2009 possa influir na fiscalização de 2011, quando o objeto da primeira fiscalização não tinha por escopo a matéria especificamente tratada na segunda, instaurada mediante autorização específica da Delegacia da Receita Federal. Na verdade, o lançamento constitui norma individual e concreta de tributação. A ausência de lançamento em 2009 é a ausência dessa norma individual e concreta, que somente veio a ser editada com o lançamento de 2011. Nesse sentido, não há vinculação entre um posicionamento tácito de “não lançamento” na primeira fiscalização, com a oposição expressa ocorrida na segunda, Fl. 2775DF CARF MF Impresso em 11/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/06/2015 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 05/06/2015 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 09/06/2015 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, As sinado digitalmente em 10/06/2015 por ANDRE MENDES DE MOURA Processo nº 13116.721486/201129 Acórdão n.º 1401001.041 S1C4T1 Fl. 2.776 28 principalmente se considerado, novamente aqui, a autorização expressa e pontual conferida à Autoridade Fiscal para realizar o lançamento de 2011, conforme permissivo do art. 149 do CTN. Com esses fundamentos, a Turma Julgadora entendeu, pelo voto de qualidade, por rejeitar a preliminar. MULTA ISOLADA Verificase dos Autos de Infração que, além da multa de ofício , a Autoridade Fiscal aplicou a multa isolada por insuficiência no recolhimento das antecipações de IRPJ e CSLL. Em síntese, as omissões de receitas resultaram no aumento do lucro real do anocalendário e, via de conseqüência, as antecipações ao longo do ano passaram a ser insuficientes, já que houve o aumento da base tributável pelo IRPJ e pela CSLL. Da mesma forma, a multa de ofício que é devida e calculada sobre a diferença do tributo que deixou de ser constituído pela contribuinte, também oriunda das mesmas omissões de receitas. Há, portanto, a cumulação das duas penalidades. A cumulação entre a multa de oficio isolada aplicada pelo não recolhimento das estimativas mensais no lucro real de apuração anual não é estranho ao conhecimento desta Corte Administrativa. De fato, é entendimento assente na Câmara Superior de Recursos Fiscais que a multa isolada pelo não recolhimento das estimativas somente é aplicável quando o lançamento se der antes do fechamento do anocalendário, sendo certo que, após este encerramento, a aplicação da multa de oficio, tomando por base o tributo que deixou de ser recolhido no anocalendário e a multa isolada, tomando por base o valor das estimativas que deixaram de ser recolhidas no mesmo período, configura dupla penalização do mesmo fato gerador tributário. Ora, o recolhimento do imposto de renda mensal por estimativa configura antecipação do tributo que será apurado no encerramento do anocalendário, tanto que o montante eventualmente recolhido a maior no curso do ano deve ser restituído caso o fato gerador tributário, após efetivamente ocorrido ao final do período, alcance tributação inferior àquela recolhida por antecipação. Assim, encerrado o exercício fiscal, fazse o imposto recolhido no ano calendário consolidarse face a imposto apurado no exercício em tomo de urna única realidade, qual seja, a ocorrência do fato gerador do imposto de renda ocorrido em 31 de dezembro de cada ano. Assim, não entendo seja possível penalizar o contribuinte (i) pelo não recolhimento das estimativas e (ii) pelo não recolhimento do imposto anual, posto que a primeira nada mais é do que antecipação do segundo. Os Conselheiros da Câmara Superior de Recursos Fiscais, por meio do acórdão n° 910100.526, em sessão de 26/01/2010, invocaram os princípios da consunção da condutameio pela conduta fim e da não repetição da sanção tributária, para afirmar que “encerrado o período de apuração do tributo, a exigência de recolhimentos por estimativa Fl. 2776DF CARF MF Impresso em 11/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/06/2015 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 05/06/2015 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 09/06/2015 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, As sinado digitalmente em 10/06/2015 por ANDRE MENDES DE MOURA Processo nº 13116.721486/201129 Acórdão n.º 1401001.041 S1C4T1 Fl. 2.777 29 deixa de ter eficácia, uma vez que prevalece a exigência do tributo efetivamente devido apurado com base no lucro real anual, e, dessa forma, não comporta a exigência da multa isolada”. Também no acórdão n° 0105.843 a Câmara Superior de Recursos Fiscais sustenta ser “incabível a aplicação concomitante de multa isolada por falta de recolhimento de estimativas no curso do período de apuração e de ofício pela falta de pagamento de tributo apurado no balanço. A infração relativa ao não recolhimento da estimativa mensal caracteriza etapa preparatória do ato de reduzir o imposto no final do ano. Assim, a primeira conduta é o meio de execução da segunda. A aplicação concomitante de multa de ofício e de multa isolada na estimativa implica em penalizar duas vezes o mesmo contribuinte pela imputação de penalidades de mesma natureza, já que ambas estão relacionadas ao cumprimento de obrigação principal que, por sua vez, consubstanciase no recolhimento de tributo.” Neste sentido, seguem outros precedentes da Câmara Superior de Recursos Fiscais, valendo ressaltar os seguintes excertos: Ementa:APLICAÇÃO CONCOMITANTE DE MULTA DE OFICIO E MULTA ISOLADA — Incabível a aplicação concomitante de multa isolada por falta de recolhimento de estimativas no curso do período de apuração e de oficio pela .falta de pagamento de tributo apurado no balanço. A infração relativa ao não recolhimento da estimativa mensal caracteriza etapa preparatória do ato de reduzir o imposto no final do ano. Assim, a primeira conduta é meio de execução da segunda. A aplicação concomitante de multa de oficio e de multa isolada na estimativa implica em penalizar duas vezes o mesmo contribuinte pela imputação de penalidades de mesma natureza, já que ambas estão relacionadas ao descumprimento de obrigação principal que, por sua vez, consubstanciase no dever de recolher o tributo.Recurso especial negado. CSRF/0105.844 Ementa:Assunto, Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica 1RPJExercício: 1999, 2000, 2001, 2002, 2003EmentaMULTA ISOLADA FALTA DE RECOLHIMENTO DE ESTIMATIVA – O artigo 44 da Lei n°9430/96 preceitua que a multa de ofício deve ser calculada sobre a totalidade ou diferença de tributo, materialidade que não se confunde com o valor calculado sob base estimada ao longo do ano. O tributo devido pelo contribuinte surge quando é o lucro apurado em 31 de dezembro de cada ano. Improcede a aplicação de penalidade pelo não recolhimento de estimativa quando a fiscalização apura, após o encerramento do exercício, valor de estimativas superior ao imposto apurado em sua escrita fiscal ao final do exercício. APLICAÇÃO CONCOMITANTE DE MULTA DE OFÍCIO E MULTA ISOLADA NA ESTIMATIVA Incabível a aplicação concomitante de multa isolada por falta de recolhimento de estimativas no curso do período de apuração e de oficio pela falta de pagamento de tributo apurado no balanço. A infração relativa ao não recolhimento da estimativa mensal caracteriza etapa preparatória do ato de reduzir o imposto no final do ano. Pelo critério da consunção, a primeira conduta é meio de execução da segunda. O bem jurídico mais importante é sem dúvida a efetivação da arrecadação tributária, atendida pelo Fl. 2777DF CARF MF Impresso em 11/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/06/2015 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 05/06/2015 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 09/06/2015 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, As sinado digitalmente em 10/06/2015 por ANDRE MENDES DE MOURA Processo nº 13116.721486/201129 Acórdão n.º 1401001.041 S1C4T1 Fl. 2.778 30 recolhimento do tributo apurado ao fim do anocalendário, e o bem jurídico de relevância secundária é a antecipação do fluxo de caixa do governo, representada pelo dever de antecipar essa mesma arrecadação.Recurso especial negado. CSRF/0105 .875 Pelo exposto, a Turma Julgadora, por maioria, deu provimento ao recurso neste particular, para cancelar a aplicação da multa isolada. Assinado Digitalmente Antônio Bezerra Neto, Redator Ad Hoc Designado Fl. 2778DF CARF MF Impresso em 11/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/06/2015 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 05/06/2015 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 09/06/2015 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, As sinado digitalmente em 10/06/2015 por ANDRE MENDES DE MOURA
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