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Numero do processo: 10650.900562/2009-09
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Sep 13 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Oct 18 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 2005
RECURSO ESPECIAL. REQUISITOS DE ADMISSIBILIDADE. NÃO CONHECIMENTO.
A falta de caracterização de divergência inviabiliza o processamento do recurso especial. No caso paradigma, a negativa em relação à compensação com a estimativa de 1995 não se deu em razão de a contribuinte ter reivindicado crédito a título de pagamento de estimativa, mas sim porque não havia indicação da existência da formação de saldo negativo naquele ano, passível de restituição/compensação, como havia ocorrido em relação a 1996. O acórdão paradigma deixou muito claro que não estava reconhecendo a compensação com o crédito de 1995 porque a declaração de ajuste apontava a existência de CSLL a recolher (ou seja, tributo a pagar, saldo positivo) e porque a contribuinte não comprovou a existência de bases (de cálculo) negativas. No caso dos presentes autos, a contribuinte havia apurado prejuízo (base de cálculo negativa) e isso era uma evidencia direta de que as estimativas recolhidas formavam saldo negativo passível de restituição/ compensação. Foi por essa razão que o acórdão recorrido reconheceu o direito creditório, na forma de saldo negativo. O acórdão recorrido e o paradigma, portanto, seguiram exatamente a mesma linha de interpretação no julgamento da compensação. Não há divergência jurisprudencial, e sim convergência entre as decisões cotejadas.
Numero da decisão: 9101-003.796
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Especial. Ausente, momentaneamente, a conselheira Cristiane Silva Costa.
(assinado digitalmente)
Rafael Vidal de Araujo Relator e Presidente em Exercício.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: André Mendes de Moura, Cristiane Silva Costa, Flávio Franco Corrêa, Luis Flávio Neto, Viviane Vidal Wagner, Gerson Macedo Guerra, Demetrius Nichele Macei, Rafael Vidal de Araújo (Presidente em Exercício).
Nome do relator: RAFAEL VIDAL DE ARAUJO
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ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2005 RECURSO ESPECIAL. REQUISITOS DE ADMISSIBILIDADE. NÃO CONHECIMENTO. A falta de caracterização de divergência inviabiliza o processamento do recurso especial. No caso paradigma, a negativa em relação à compensação com a estimativa de 1995 não se deu em razão de a contribuinte ter reivindicado crédito a título de pagamento de estimativa, mas sim porque não havia indicação da existência da formação de saldo negativo naquele ano, passível de restituição/compensação, como havia ocorrido em relação a 1996. O acórdão paradigma deixou muito claro que não estava reconhecendo a compensação com o crédito de 1995 porque a declaração de ajuste apontava a existência de CSLL a recolher (ou seja, tributo a pagar, saldo positivo) e porque a contribuinte não comprovou a existência de bases (de cálculo) negativas. No caso dos presentes autos, a contribuinte havia apurado prejuízo (base de cálculo negativa) e isso era uma evidencia direta de que as estimativas recolhidas formavam saldo negativo passível de restituição/ compensação. Foi por essa razão que o acórdão recorrido reconheceu o direito creditório, na forma de saldo negativo. O acórdão recorrido e o paradigma, portanto, seguiram exatamente a mesma linha de interpretação no julgamento da compensação. Não há divergência jurisprudencial, e sim convergência entre as decisões cotejadas. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Especial. Ausente, momentaneamente, a conselheira Cristiane Silva Costa. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 65 0. 90 05 62 /2 00 9- 09 Fl. 211DF CARF MF Processo nº 10650.900562/200909 Acórdão n.º 9101003.796 CSRFT1 Fl. 3 2 (assinado digitalmente) Rafael Vidal de Araujo – Relator e Presidente em Exercício. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: André Mendes de Moura, Cristiane Silva Costa, Flávio Franco Corrêa, Luis Flávio Neto, Viviane Vidal Wagner, Gerson Macedo Guerra, Demetrius Nichele Macei, Rafael Vidal de Araújo (Presidente em Exercício). Relatório Tratase de recurso especial de divergência interposto pela Procuradoria Geral da Fazenda Nacional (PGFN), fundamentado atualmente no art. 67 e seguintes do Anexo II da Portaria MF nº 343, de 09/06/2015, que aprova o Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF), em que se alega divergência jurisprudencial quanto ao que se decidiu sobre direito creditório apurado a partir de recolhimento de estimativa mensal de CSLL. A recorrente insurgese contra o Acórdão nº 180201.121, de 01/02/2012, por meio do qual a 2a Turma Especial da 1a Seção de Julgamento do CARF, por maioria de votos, deu provimento a recurso voluntário da contribuinte acima identificada, para fins de reconhecer direito creditório apurado a partir de recolhimento de estimativa mensal de CSLL, na forma de saldo negativo. O acórdão recorrido contém a ementa e a parte dispositiva descritas abaixo: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Data do fato gerador: 31/12/2005 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO INDÉBITO FORMADO A PARTIR DE RECOLHIMENTO DE ESTIMATIVA MENSAL As estimativas mensais não podem ser objeto de restituição, e nem de compensação direta com outros tributos. O que se restitui ou compensa é sempre o saldo negativo. Mas isso não implica dizer que o exame do direito creditório fica inviabilizado porque a Contribuinte indicou como crédito o recolhimento feito a título de estimativa mensal, e não o saldo negativo do período, que é maior que o valor da estimativa a ser restituída/compensada. Tanto as retenções na fonte quanto as estimativas representam antecipações do devido ao final do período. Considerando que os recolhimentos a título de estimativa são referentes, no seu conjunto, a um mesmo período (anocalendário), que o pagamento reivindicado como indébito corresponde ao mesmo período anual (2005) e ao mesmo tributo (CSLL) do saldo negativo que seria restituível/compensável, e que a Contribuinte apurou base negativa de CSLL no período, as antecipações de pagamento configuram indébito a ser restituído ou compensado, eis que caracterizam a formação de saldo negativo, ainda que a Ficha 17 da DIPJ não tenha sido devidamente preenchida. O art. 165 do CTN não condiciona o direito à restituição de indébito, fundado em pagamento indevido ou a Fl. 212DF CARF MF Processo nº 10650.900562/200909 Acórdão n.º 9101003.796 CSRFT1 Fl. 4 3 maior, a requisitos dessa espécie. O que realmente interessa é a averiguação acerca da existência e da liquidez do alegado crédito do Sujeito Passivo contra a Fazenda Pública. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso voluntário. Vencida a Conselheira Ester Marques Lins de Sousa, que negava provimento ao recurso. A PGFN afirma que o acórdão recorrido deu à legislação tributária interpretação divergente da que tem sido dada em outros processos, relativamente à matéria acima mencionada. Para o processamento de seu recurso, a PGFN desenvolve os argumentos a seguir: SÍNTESE DOS FATOS insurgese a União (Fazenda Nacional) contra acórdão da 2ª Turma Especial da 1ª Seção de Julgamento do CARF que deu provimento ao recurso voluntário para homologar a compensação no limite do crédito tributário reconhecido; entendeu a Turma que mesmo tendo o contribuinte informado como crédito passível de compensação o valor pago a título de recolhimento de estimativas, a compensação deveria ser homologada se no final do exercício fosse apurado saldo negativo; DO CABIMENTO DO RECURSO ESPECIAL o entendimento jurisprudencial que fundamenta o presente recurso diverge do adotado pela e. Câmara a quo, e está representado em acórdão, cuja ementa está abaixo transcrita: Acórdão 10708.989: CSLL. RECOLHIMENTO POR ESTIMATIVA. PRETENSÃO DE COMPENSAÇÃO DOS VALORES. IMPOSSIBILIDADE. Os valores recolhidos a título de estimativa devem ser levados à declaração de ajuste anual, sendo possível ao contribuinte, verificando o pagamento de contribuição em montante superior ao devido no exercício de apuração, pugnar pela restituição do saldo negativo. Os recolhimentos por estimativa não são, por si só, passíveis de restituição. COMPENSAÇÃO DECLARADA E NÃO HOMOLOGADA. MULTA DE OFÍCIO. INEXIGÊNCIA. Com o advento do art. 18 da Lei 10.833 de 2003, não é cabível a aplicação de multa de ofício de 75% nos casos de compensação declarada pelo contribuinte. Em face do consagrado princípio da retroatividade benigna é cabível a aplicação de norma editada em momento posterior ao fato. Fl. 213DF CARF MF Processo nº 10650.900562/200909 Acórdão n.º 9101003.796 CSRFT1 Fl. 5 4 pela leitura do acórdão paradigma concluise que após o término do ano calendário, não é dado ao contribuinte pleitear a restituição de valores recolhidos a título de estimativa, tampouco indicar tais valores como créditos em DCOMP. Afinal, o eventual pagamento a maior de estimativa também é absorvido no cálculo da CSLL efetivamente devida e, por inerência, repercute na composição do saldo positivo ou negativo da contribuição. Cabe ao contribuinte, portanto, solicitar a restituição ou compensar eventual saldo negativo de CSLL digase de passagem, o que não foi observado pelo contribuinte, pelo menos não tempestivamente; a 2ª Turma Especial da 1ª Seção de Julgamento do CARF, por outro lado, entendeu que o pagamento a maior de estimativa de CSLL em fevereiro/2005 caracterizou indébito e, desse modo, poderia ser compensado por meio da apresentação da DCOMP transmitida em 17/05/2006; dessa forma, demonstrada a divergência jurisprudencial diante da ementa anexa, encontramse presentes os requisitos de admissibilidade do presente recurso especial; DOS FUNDAMENTOS PARA A REFORMA DO R. ACÓRDÃO. como se sabe, a pessoa jurídica optante pela apuração anual do lucro real é obrigada a efetuar o pagamento do imposto mensalmente – as chamadas estimativas –, na forma definida pelos arts. 2º e 6º da Lei nº 9.430/96: [...]; o montante recolhido a título de estimativa consiste em um dos fatores que, aliado a uma série de outros elementos (e.g., o imposto retido na fonte e os incentivos fiscais de redução), repercute no cálculo da CSLL devida no encerramento do período de apuração. Podese dizer, nesse passo, que as estimativas são consideradas antecipações do tributo efetivamente devido em 31 de dezembro do anocalendário; dessa forma, é intuitivo que as estimativas pagas ao longo dos meses são absorvidas na apuração definitiva da contribuição, de maneira que, encerrado o períodobase, não há que se falar em estimativa a pagar ou a restituir, mas apenas no saldo negativo ou positivo de CSLL, como se infere a partir do art. 2º, § 4º, IV, c/c o art. 6º, § 1º, da Lei nº 9.430/96; por conseqüência, após a apuração anual da CSLL, não é dado ao Fisco exigir estimativas inadimplidas no curso do anobase. De fato, em decorrência da absorção no cálculo do saldo da contribuição, cabe ao agente fazendário efetuar o lançamento do tributo acaso devido; noutro giro, após o término do anocalendário, não é dado ao contribuinte pleitear a restituição de valores recolhidos a título de estimativa, tampouco indicar tais valores como créditos em DCOMP. Afinal, o eventual pagamento a maior de estimativa também é absorvido no cálculo da CSLL efetivamente devida e, por inerência, repercute na composição do saldo positivo ou negativo da contribuição. Cabe ao contribuinte, portanto, solicitar a restituição ou compensar eventual saldo negativo de CSLL – digase de passagem, o que não foi observado pelo recorrido, pelo menos não tempestivamente já que a DCTF retificadora não deve ser admitida; registrese, por oportuno, que esse é o entendimento adotado na jurisprudência do CARF, como exposto nos seguintes julgados: [...]; Fl. 214DF CARF MF Processo nº 10650.900562/200909 Acórdão n.º 9101003.796 CSRFT1 Fl. 6 5 essa peculiaridade, subjacente à sistemática de recolhimento por estimativa, foi explicitada no art. 10 da IN SRF nº 600/2005 (art. 10 da IN SRF nº 460/2004), in verbis: [...]; é importante frisar que a lei confere ao contribuinte que optar pelo pagamento do imposto por estimativa a faculdade de suspender, reduzir ou dispensar o pagamento do imposto mensal, promovendo verdadeira compensação, quando comprovar que o valor acumulado já pago excede o valor do imposto calculado com base no lucro real do período em curso. Esta é a inteligência do art. 35 da Lei 8.981/95, bem como do art. 230 do RIR/99; contudo, tal possibilidade exige, pelo menos, duas condições para que seja factível, quais sejam: 1) a elaboração de balanços ou balancetes que demonstrem o crédito; e 2) a utilização destes créditos dentro do mesmo anocalendário; os balancetes constituem exigência legal para que o contribuinte apenas se valha de créditos que efetiva e comprovadamente estejam certos quanto à sua existência e quantificação. Tratamse do instrumento em que estará materializado o crédito aventado com base no qual se pretende obter compensação; a utilização dos créditos no mesmo anocalendário, por seu turno, consiste em requisito que decorre da própria sistemática do recolhimento do imposto por estimativa. Isso porque, como já visto, as diferenças porventura existentes nas apurações mensais estimadas devem ser incorporadas ao cálculo da CSLL, passando a compor o saldo final, positivo ou negativo, do tributo; e, uma vez transposto o anocalendário sem o manejo dos aludidos créditos, perde o contribuinte o direito de compensar os créditos derivados do pagamento decorrente da base de cálculo estimada na forma do art. 35 da Lei 8.981, restandolhe apenas a possibilidade de promover compensação nos moldes previstos nos arts. 2.º e 6.º da Lei n.º 9.430/96. Esta é uma constatação que decorre diretamente dos termos das leis de regência; DO PEDIDO. em face do exposto, requer a União (Fazenda Nacional) seja conhecido e provido o presente recurso para que seja mantida a não homologação da compensação. Quando do exame de admissibilidade do Recurso Especial da PGFN, o Presidente da 2ª Câmara da 1ª Seção de Julgamento do CARF, por meio do Despacho nº 1200 00.132, de 13/05/2013, deu seguimento ao recurso, fazendo a seguinte análise sobre a divergência suscitada: [...] I Matérias objeto do recurso especial O dissídio jurisprudencial se manifesta quanto à discussão da possibilidade de interposição de pedido de restituição ou de compensação para haver de volta o valor do recolhimento a título de estimativas maior que o devido. [...] Fl. 215DF CARF MF Processo nº 10650.900562/200909 Acórdão n.º 9101003.796 CSRFT1 Fl. 7 6 III Análise da admissibilidade do Recurso Especial Seguem abaixo o acórdão apontado como sendo paradigma seguido de sua respectiva ementa: Acórdão nº 10708.989 CSLL. RECOLHIMENTO POR ESTIMATIVA. PRETENSÃO DE COMPENSAÇÃO DOS VALORES. IMPOSSIBILIDADE. Os valores recolhidos a título de estimativa devem ser levados à declaração de ajuste anual, sendo possível ao contribuinte, verificando o pagamento de contribuição em montante superior ao devido no exercício de apuração, pugnar pela restituição do saldo negativo. Os recolhimentos por estimativa não são, por si só, passíveis de restituição. COMPENSAÇÃO DECLARADA E NÃO HOMOLOGADA. MULTA DE OFÍCIO. INEXIGÊNCIA. Com o advento do art. 18 da Lei 10.833 de 2003, não é cabível a aplicação de multa de ofício de 75% nos casos de compensação declarada pelo contribuinte. Em face do consagrado princípio da retroatividade benigna é cabível a aplicação de norma editada em momento posterior ao fato. [...] Do simples confronto da ementa e voto do acórdão recorrido com a ementa e voto do acórdão apontado como paradigma, é possível se concluir que houve o dissídio jurisprudencial. Isso porque se trata da mesma matéria fática e a divergência de julgados, nos termos Regimentais, referese a interpretação divergente em relação ao mesmo dispositivo legal, que no caso em questão é a discussão da possibilidade de interposição de pedido de restituição ou de compensação para haver de volta o valor do recolhimento a título de estimativas maior que o devido. Assim, o mero cotejo entre as ementas e os votos (recorrido e paradigma) já é possível caracterizar a divergência, haja vista que tipifica tratamentos diferenciados, vez que, no recorrido concluise, que o recolhimento a título de estimativas em montante maior que o devido após retificação na base de cálculo faz gerar indébito passível de repetição pela via da compensação. Por sua vez, o acórdão apontado como sendo paradigma conclui, que os valores recolhidos a título de estimativa devem ser levados à declaração de ajuste anual, sendo possível ao contribuinte, verificando o pagamento de contribuição em montante superior ao devido no exercício de apuração, pugnar pela restituição do saldo negativo. Os recolhimentos por estimativa não são, por si só, passíveis de restituição. IV Conclusão Assim sendo, com fundamento nos artigos 68 e 69, do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (RICARF), aprovado pela Portaria MF nº 256, de 22/06/2009, DOU SEGUIMENTO ao recurso especial, interposto pela Fazenda Nacional, para que seja reapreciada a discussão sobre a possibilidade de interposição de pedido de restituição ou de compensação para haver de volta o valor do recolhimento a título de estimativas maior que o devido. Fl. 216DF CARF MF Processo nº 10650.900562/200909 Acórdão n.º 9101003.796 CSRFT1 Fl. 8 7 Em 06/09/2013, a contribuinte foi cientificada do Acórdão nº 180201.121, do recurso especial da PGFN, e do despacho que deu seguimento a esse recurso, e ela não apresentou contrarrazões. É o relatório. Fl. 217DF CARF MF Processo nº 10650.900562/200909 Acórdão n.º 9101003.796 CSRFT1 Fl. 9 8 Voto Conselheiro Rafael Vidal de Araujo, Relator. Não há condições para se conhecer do recurso especial. De início é preciso esclarecer que o acórdão recorrido reconheceu o direito creditório na forma de saldo negativo (de uma parte do saldo negativo), e não direito creditório relativo ao pagamento de estimativa em si mesmo. Mas a PGFN, destacando o antigo art. 10 da IN SRF nº 600/2005, desenvolve uma série de argumentos nesse outro sentido, ou seja, de que o acórdão recorrido teria reconhecido crédito relativo a pagamento a maior ou indevido da própria estimativa. Há alguns trechos do recurso que evidenciam bem isso: "o eventual pagamento a maior de estimativa também é absorvido no cálculo da CSLL efetivamente devida e, por inerência, repercute na composição do saldo positivo ou negativo da contribuição"; "as diferenças porventura existentes nas apurações mensais estimadas devem ser incorporadas ao cálculo da CSLL"; e "uma vez transposto o anocalendário sem o manejo dos aludidos créditos, perde o contribuinte o direito de compensar os créditos derivados do pagamento decorrente da base de cálculo estimada". O despacho de exame de admissibilidade também seguiu essa linha: "DOU SEGUIMENTO ao recurso especial, interposto pela Fazenda Nacional, para que seja reapreciada a discussão sobre a possibilidade de interposição de pedido de restituição ou de compensação para haver de volta o valor do recolhimento a título de estimativas maior que o devido". Aliás, se fosse esse o tipo de situação examinada pelo acórdão recorrido, a situação estaria resolvida pela Súmula CARF nº 84, segundo a qual o "pagamento indevido ou a maior a título de estimativa caracteriza indébito na data de seu recolhimento, sendo passível de restituição ou compensação". Mas como já tido nos parágrafos acima, não é esse o contexto do acórdão recorrido. No caso dos presentes autos, a contribuinte tinha apurado prejuízo em 2005, e o entendimento do acórdão recorrido foi no sentido de que, como as estimativas são antecipações, elas foram convertidas em saldo negativo passível de restituição/compensação. O acórdão recorrido, portanto, reconheceu o direito creditório na forma de saldo negativo, como evidencia a sua própria ementa, já transcrita anteriormente. Vale a pena transcrever o voto que orientou o acórdão recorrido: [...] Fl. 218DF CARF MF Processo nº 10650.900562/200909 Acórdão n.º 9101003.796 CSRFT1 Fl. 10 9 Conforme relatado, a Contribuinte questiona a não homologação de uma Declaração de Compensação enviada em 17/05/2006. O crédito informado na DCOMP corresponde a um recolhimento no valor original de R$ 22,26, a título de estimativa de CSLL do mês de fevereiro/2005, e o débito a ser compensado também corresponde a CSLL/estimativa, referente ao mês de dezembro de 2004. A estimativa de fevereiro/2005 foi paga em 24/04/2006, com acréscimos legais. O DARF de fls. 92, que embasa o reivindicado crédito, indica a seguinte composição de valores: [...] A decisão recorrida está fundamentada nos seguintes termos: (...) O não reconhecimento do direito creditório ocorreu porque o crédito, indicado na Dcomp, referese a pagamento a título de estimativa mensal da contribuição social sobre o lucro líquido e somente pode ser utilizada na dedução da CSLL devida ao final do período de apuração ou para compor o saldo negativo da CSLL, no caso, do anocalendário de 2005. Aduz a contribuinte que os valores, pagos por estimativa, compõem o saldo negativo da CSLL, pois a empresa apurou base de cálculo negativa da CSLL no encerramento do anocalendário de 2005. Assim, os créditos indicados nas declarações de compensação, relativos a pagamentos indevidos ou a maiores a título de estimativa mensal, referemse especificamente ao saldo negativo desse ano. Da análise dos documentos extraídos dos sistemas informatizados da RFB, fls. 45 a 54, verificase que não consta na DIPJ/2006, apresentada pela contribuinte em 28/06/2006, mais especificamente na Ficha 17 “CÁLCULO DA CONTRIBUIÇÃO SOBRE O LUCRO LÍQUIDO”, a apuração do saldo negativo para o anocalendário de 2005. Constatase ainda que a contribuinte promoveu o cancelamento, através de retificação da DCTF em 18/04/2006, de todos os valores declarados a título de estimativa mensal do referido ano. Sobre a situação fálica supra evidenciada, concluise que o direito creditório, indicado na Dcomp, referese, na verdade, ao pagamento relativo à estimativa devida mensalmente e não ao saldo negativo, conforme alegado, não havendo que se falar em erro de fato. E mais, a pretensão da requerente, aduzida na manifestação de inconformidade, no sentido de alterar a origem do crédito, de pagamento a maior de estimativa para saldo negativo, equivale a um pedido de retificação do crédito. Tal solicitação não é possível nessa fase processual. (...) Além disso, a análise de pedido de retificação da Dcomp é de competência da DRF de jurisdição do contribuinte. Nas lides que versam sobre declaração de compensação, a Delegacia de Julgamento Fl. 219DF CARF MF Processo nº 10650.900562/200909 Acórdão n.º 9101003.796 CSRFT1 Fl. 11 10 somente possui competência para apreciar manifestação de inconformidade contra a nãohomologação das compensações declaradas, de acordo com disposições contidas no Regimento Interno da RFB, aprovado pela Portaria MF n° 587, de 2010. A empresa não apresentou pedido de retificação da DCOMP anteriormente à ciência (02/04/2009 fl. 43) do Despacho Decisório eletrônico de fl. 3, que não homologou a compensação, e, pelas razões expostas acima, não cabe aqui ser formulado, tampouco apreciado. Por todo o exposto, voto por julgar IMPROCEDENTE a manifestação de inconformidade e ratificar o Despacho Decisório de fl. 3. Realmente, as estimativas mensais não podem ser objeto de restituição, e nem de compensação direta com outros tributos. O que se restitui ou compensa é sempre o saldo negativo. Contudo, isso não implica dizer que o exame do direito creditório fica inviabilizado porque a Contribuinte indicou como crédito o recolhimento feito a título de estimativa mensal. Não é incomum a ocorrência de processos em que pedidos de restituição/compensação de IR/fonte e IRPJCSLL/estimativa são examinados na ótica de sua repercussão no resultado final do período, na medida em que contribuem para a caracterização de saldo negativo. Isto porque tanto as retenções na fonte quanto as estimativas representam antecipações do devido ao final do período. Na sistemática da apuração anual, caso haja tributo devido no encerramento do ano, as antecipações se convertem em pagamento definitivo. Por outro lado, se houver prejuízo fiscal ou base negativa de CSLL, ou ainda se as antecipações superarem o valor do tributo devido ao final do período, fica configurado o indébito, a ser restituído ou compensado, mas somente a partir do ajuste. No caso, a Contribuinte enviou a Declaração de Compensação após o encerramento do anocalendário. Também é importante destacar que os recolhimentos a título de estimativa são referentes, no seu conjunto, a um mesmo período (ano calendário), e que embora a Contribuinte tenha indicado como crédito a ser compensado nestes autos apenas a estimativa de fevereiro/2005, e não o saldo negativo total do ano, o pagamento reivindicado como indébito corresponde ao mesmo período anual (2005) e ao mesmo tributo (CSLL) do saldo negativo que seria restituível/compensável. A indicação do crédito como sendo uma das estimativas mensais (antecipação), e não o saldo negativo final, realmente, não pode ser obstáculo ao pleito da Contribuinte. O que importa é saber se houve ou não apuração de tributo devido no anocalendário de 2005, e qual a repercussão da estimativa em questão no ajuste final. Vêse, pela DIPJ acostada aos autos (fls. 140 a 163), que a Contribuinte apurou estimativas de CSLL com base na receita bruta até o Fl. 220DF CARF MF Processo nº 10650.900562/200909 Acórdão n.º 9101003.796 CSRFT1 Fl. 12 11 mês de abril/2005, e que a partir do mês de maio passou a apurar balancetes de suspensão, indicando bases negativas até o final do ano, com saldo negativo de CSLL a pagar em dezembro de 2005, no valor de R$ 9.323,69. O fato de a Contribuinte não ter deduzido na Ficha 17 da DIPJ (fls. 156) as estimativas recolhidas ao longo do ano com base na receita bruta, para fins de indicar nesta ficha o mesmo valor de R$ 9.323,69 a título de saldo negativo não pode prejudicar a restituição/compensação do indébito. Se ela apurou base negativa no período, e esta se encontra homologada, eis que não há nenhuma notícia de reversão do resultado por meio de auto de infração, as antecipações de pagamento configuram indébito a ser restituído ou compensado. Como já mencionado, a estimativa é um pagamento, ainda que antecipado, e no caso de ela se configurar como um pagamento indevido, que caracteriza a formação de saldo negativo, subsiste o direito à repetição, mesmo diante de um equívoco no preenchimento da DIPJ (não preenchimento adequado da Ficha 17). Com efeito, o art. 165 do CTN não condiciona o direito à restituição de indébito, fundado em pagamento indevido ou a maior, a requisitos dessa espécie. O que realmente interessa é a averiguação acerca da existência e da liquidez do alegado crédito do Sujeito Passivo contra a Fazenda Pública. Nesse mesmo passo, também não há maiores problemas em relação à retificação equivocada das DCTF, para zerar as estimativas mensais anteriormente declaradas/confessadas. Em relação a isso, é importante lembrar que as estimativas declaradas em DCTF e não recolhidas, nem mesmo são encaminhadas à execução fiscal, porque o art. 44 da Lei 9.430/1996 prevê um tratamento específico para o caso de falta de recolhimento de estimativa, que consiste na aplicação de multa isolada. Assim, o fato de não mais constar da DCTF o valor recolhido a título de estimativa, em razão da retificação desta declaração, não tem qualquer reflexo na formação/caracterização de saldo negativo a ser restituído/ compensado. A ausência de declaração em DCTF não suprime o efeito das antecipações que foram efetivamente recolhidas. No caso, a estimativa foi paga e a Contribuinte apurou base negativa no período, que se encontra homologada pelo decurso do tempo. Portanto, há o direito à repetição do que foi pago indevidamente, a título de antecipação. Tratandose de estimativa mensal efetivamente recolhida, o fato de o “débito” a título de estimativa não constar de DCTF é ainda mais irrelevante, eis que ao final do período em que se apurou base negativa, o pagamento antecipado (correspondente àquele débito) passa a configurar indébito a ser restituído/compensado. Finalmente, em relação ao caso sob exame, vale registrar que o recolhimento da estimativa de fevereiro/2005 se deu com acréscimos legais, Fl. 221DF CARF MF Processo nº 10650.900562/200909 Acórdão n.º 9101003.796 CSRFT1 Fl. 13 12 em razão de atraso, e que a Contribuinte, corretamente, reivindicou a repetição apenas da rubrica principal. Com o recolhimento da estimativa, ainda que em atraso, ela se desincumbe de seu dever de “antecipação”, e evita a aplicação da multa isolada prevista no art. 44 da Lei 9.430/1996. E em razão da apuração de base negativa, a rubrica principal se apresenta como saldo negativo a ser restituído/compensado. Os acréscimos legais, por sua vez, eram e continuam sendo devidos em razão do atraso no recolhimento da estimativa, não gerando direito à repetição, porque a Contribuinte é obrigada ao recolhimento das estimativas (salvo se houver balancete de suspensão), ainda que posteriormente estas venham ser restituídas sob a forma de saldo negativo. Diante do exposto, voto no sentido de dar provimento ao recurso, para homologar a compensação, no limite do crédito tributário reconhecido. Vêse que o acórdão recorrido não reconheceu direito creditório decorrente de pagamento indevido ou a maior de estimativa, passível de restituição/compensação deste a data de seu recolhimento. Nos presentes autos, não houve nenhum erro no cálculo das estimativas. Como já mencionado, o acórdão recorrido reconheceu o direito creditório na forma de saldo negativo. A parte inicial de sua ementa é bastante esclarecedora disso: "as estimativas mensais não podem ser objeto de restituição, e nem de compensação direta com outros tributos. O que se restitui ou compensa é sempre o saldo negativo". Como a contribuinte tinha apurado prejuízo em 2005, entendeuse que as estimativas recolhidas conforme a lei (sem erro de cálculo) configuravam saldo negativo. E o direito creditório reconhecido nestes autos (referente à estimativa de fevereiro/2005) representava uma parte desse saldo negativo. Não bastasse esse problema em relação à linha de argumentação da recorrente, que trata de situação diferente daquela examinada pelo acórdão recorrido, há outro aspecto que inviabiliza mais ainda o conhecimento do recurso especial. É que o caso paradigma, ao contrário do que defende a recorrente, apresenta na verdade uma linha de convergência com o acórdão recorrido, e não de divergência. Também é importante demonstrar os contornos do acórdão paradigma: Acórdão n°: 10708.989 RELATÓRIO A Recorrente foi autuada por insuficiente recolhimento da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSSL) no anocalendário de 1997, sendo exigido pelo lançamento de ofício o pagamento de R$ 135.405,00, sendo R$ 109.128,44 relativo a parcela discutida em juízo (com depósito integral efetuado pela Recorrente), e R$ 26.276,56 relativo a compensações efetuadas diretamente pela Recorrente com recolhimentos por estimativa nos anos de 1995 e 1996. Fl. 222DF CARF MF Processo nº 10650.900562/200909 Acórdão n.º 9101003.796 CSRFT1 Fl. 14 13 O lançamento foi impugnado (fls. 12) sob o argumento de ser inexigível o crédito ante sua extinção pela compensação e pelo depósito efetuado na ação judicial n°. 98.0001372. A impugnação foi parcialmente acolhida pela Delegacia da Receita Federal de Julgamento de Curitiba (PR), nestes termos: "AÇÃO JUDICIAL. Em face do princípio constitucional de unidade de jurisdição, a existência de ação judicial, em nome da interessada, importa renúncia às instâncias administrativas quanto à mesma matéria, sendo de se aplicar o que for definitivamente decidido pelo Poder Judiciário. COMPENSAÇÃO. O saldo negativo de CSLL apurado em período anterior pode ser compensado com os valores a recolher nos anoscalendário seguintes. Lançamento procedente em parte." A decisão proferida pela Delegacia de Julgamento pode ser assim sintetizada: (i) foi desconsiderada a compensação de R$ 12.161,74, referente a estimativas do anocalendário de 1995, posto que inexistente, nesse exercício, saldo negativo de CSLL; (ii) foi cancelada a exigência de R$ 14.114,82 ante a declaração de regularidade da compensação efetuada com saldo negativo de CSLL no ano de 1996; e (iii) tomou definitiva a exigência de R$ 109.128,44, porquanto objeto de ação judicial proposta pela Recorrente, o que importa em renúncia da impugnação administrativa, aguardandose a decisão judicial para se definir os reflexos quanto a multa de oficio e juros de mora. Contra a decisão interpôs o contribuinte o recurso de fls. 118122, impugnando exclusivamente a decisão no tópico referente à desconsideração da compensação de R$ 12.161,74. É o relatório. VOTO Conselheiro — HUGO CORREIA SOTERO, Relator. Recurso tempestivo. Presentes os requisitos necessários a seu conhecimento. A controvérsia se resume à possibilidade de compensação de recolhimentos por estimativa em exercícios nos quais não existia saldo negativo passível de compensação; em outras palavras, cumpre decidir se os recolhimentos por estimativa ensejam, por si só, direito de compensação ao contribuinte. Entendo que os recolhimentos por estimativa, por si só, não geram direito a compensação (direta) pelo contribuinte, posto que devem ser considerados na apuração da contribuição devida no final do exercício e, configurada a existência de bases negativas ou de recolhimento a maior de contribuição, pode o contribuinte pleitear restituição/compensação do saldo negativo. Fl. 223DF CARF MF Processo nº 10650.900562/200909 Acórdão n.º 9101003.796 CSRFT1 Fl. 15 14 A consideração dos valores das estimativas recolhidas durante o exercício é apenas um dos elementos levados em consideração no procedimento de apuração. Assim, a definição do saldo passível de restituição/compensação pressupõe, necessariamente, o lançamento das estimativas (devidamente quantificadas) na declaração de ajuste do exercício, para que, tributados os ganhos e consideradas as retenções efetuadas, possa ser composto o resultado do exercício. Não tendo o contribuinte lançado as estimativas na declaração de ajuste que, ressaltese, apontou a existência de CSLL a recolher , não faz jus à restituição/compensação alegada. Ademais, cumpre destacar, que a Recorrente não faz prova nos autos de quaisquer valores passíveis de compensação, nem apresenta suas DIRPJ, elemento essencial para comprovar a existência de bases negativas. Por fim, tendo em vista que os valores ora exigidos são decorrentes de compensações informadas pela Recorrente em sua DCTF, não há como manter a multa de lançamento de ofício. Acerca do tema cumpre transcrever o disposto no art. 18 da Lei 10.833 de 2003. Vejamos: [...] Conforme é possível verificar, em caso de compensação declarada e não homologada o lançamento de oficio está limitado à aplicação da multa isolada. Desta forma, não há como prosperar no presente caso a manutenção da multa de 75%, visto que a Recorrente apresenta em sua DCTF a compensação efetuada. Outrossim, apenas para evitar questionamentos no tocante a aplicação da referida norma a fato pretérito a sua edição, entendo pela consagração do princípio da retroatividade benigna. Com estas considerações, conheço do recurso para darlhe parcial provimento ao recurso, excluindo, desta feita, a multa de 75%. É como voto Sala das Sessões — DF, em 25 de abril de 2007 HUGO CORREIA SOTERO No caso paradigma, vêse que tanto a decisão de primeira instância (DRJ) quanto a decisão de segunda instância administrativa (acórdão paradigma) seguiram exatamente o mesmo caminho do acórdão recorrido. Constatando que havia apuração de saldo negativo em 1996, a DRJ admitiu a compensação pleiteada pela contribuinte, mesmo tendo a contribuinte indicado como direito creditório o pagamento a título de estimativa. O direito creditório foi reconhecido na forma de saldo negativo. Fl. 224DF CARF MF Processo nº 10650.900562/200909 Acórdão n.º 9101003.796 CSRFT1 Fl. 16 15 Não foi admitida a compensação com o crédito do ano de 1995, porque não havia saldo negativo para aquele período. E a decisão de segunda instância administrativa (acórdão paradigma), confirmou a decisão anterior, deixando muito claro que não estava reconhecendo a compensação com o crédito de 1995 porque a declaração de ajuste apontava a existência de CSLL a recolher (ou seja, tributo a pagar, saldo positivo) e porque a contribuinte não comprovou a existência de bases (de cálculo) negativas. A negativa em relação à compensação com a estimativa de 1995, tanto pela decisão da DRJ quanto pela decisão de segunda instância (acórdão paradigma) não se deu em razão de a contribuinte ter reivindicado crédito a título de pagamento de estimativa, mas sim porque não havia indicação da existência da formação de saldo negativo naquele ano, passível de restituição/compensação, como havia ocorrido em relação a 1996. Se fosse essa a situação, o paradigma também teria acatado a compensação relativa ao direito creditório de 1995. No caso dos presentes autos, a contribuinte havia apurado prejuízo (base de cálculo negativa) e isso era uma evidencia direta de que as estimativas recolhidas formavam saldo negativo passível de restituição/compensação. Foi por essa razão que o acórdão recorrido reconheceu o direito creditório, na forma de saldo negativo. O acórdão recorrido e o paradigma, portanto, seguiram exatamente a mesma linha de interpretação no julgamento da compensação. Não há divergência jurisprudencial, e sim convergência entre as decisões cotejadas. E a falta de caracterização de divergência inviabiliza o processamento do recurso especial. Desse modo, voto no sentido de NÃO CONHECER do recurso especial da PGFN. (assinado digitalmente) Rafael Vidal de Araujo Fl. 225DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10983.909576/2012-13
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Aug 30 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Sep 17 00:00:00 UTC 2018
Numero da decisão: 3402-001.404
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento do recurso em diligência, nos termos do voto do relator.
(assinado digitalmente)
Waldir Navarro Bezerra - Presidente.
(assinado digitalmente)
Diego Diniz Ribeiro- Relator.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Waldir Navarro Bezerra, Rodrigo Mineiro Fernandes, Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Pedro Sousa Bispo, Renato Vieira de Avila (suplente convocado) e Cynthia Elena de Campos. Ausente justificadamente a Conselheira Thais De Laurentiis Galkowicz, sendo substituída pelo Conselheiro Renato Vieira de Avila (suplente convocado).
Nome do relator: DIEGO DINIZ RIBEIRO
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Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento do recurso em diligência, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra Presidente. (assinado digitalmente) Diego Diniz Ribeiro Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Waldir Navarro Bezerra, Rodrigo Mineiro Fernandes, Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Pedro Sousa Bispo, Renato Vieira de Avila (suplente convocado) e Cynthia Elena de Campos. Ausente justificadamente a Conselheira Thais De Laurentiis Galkowicz, sendo substituída pelo Conselheiro Renato Vieira de Avila (suplente convocado). Relatório 1. Por bem retratar o caso em apreço emprego como meu o relatório desenvolvido pela DRJ de Ribeirão Preto/SP (acórdão n. 1445.051 fls. 103/106), o que faço nos seguintes termos: Trata o presente de manifestação de inconformidade contra o Despacho Decisório que não homologou a compensação do débito declarado, por falta de direito creditório contra a Fazenda Nacional, em razão de constar nos sistemas da Secretaria da Receita Federal do RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 09 83 .9 09 57 6/ 20 12 -1 3 Fl. 246DF CARF MF Processo nº 10983.909576/201213 Resolução nº 3402001.404 S3C4T2 Fl. 247 2 Brasil, que o alegado recolhimento indevido já tinha sido utilizado integralmente para quitação de outros débitos do contribuinte. Tempestivamente o interessado manifestou sua inconformidade alegando basicamente que, ao tomar ciência da denegação, retificou a DCTF, assim resolvendo a causa impeditiva da compensação. Portanto, requer o reconhecimento do direito creditório e a homologação da compensação. (...). 2. Tal pedido foi indeferido, o que motivou a recorrente interpor a manifestação de inconformidade de fl. 02, ratificada as fls. 96/97, a qual foi julgada improcedente pelo sobredito acórdão, assim ementado: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Data do fato gerador: 15/09/2008 ÔNUS DA PROVA. Cabe à defesa o ônus da prova dos fatos modificativos, impeditivos ou extintivos da pretensão fazendária. Manifestação de Inconformidade Improcedente. Direito Creditório Não Reconhecido. 3. Uma vez intimado, o contribuinte apresentou o recurso voluntário de fls. 112/114, oportunidade em que repisou as razões desenvolvidas em sua manifestação de inconformidade, bem como trouxe novos documentos fiscais (fls. 03/67) que dariam sustentação probatória ao crédito vindicado. 4. É o relatório. Voto Conselheiro Relator Diego Diniz Ribeiro 5. Primeiramente, insta destacar que o despacho denegatório da compensação perpetrada pautouse pelo fato do crédito utilizado pelo contribuinte ter sido utilizado para saldar outro débito de IPI apontado pelo próprio recorrente em DCTF, ou seja, pelo fato do crédito apontado pelo contribuinte já ter sido utilizado previamente. 6. Ciente deste despacho, o contribuinte retificou a DCTF sobredita, acostando documentos fiscais com sua manifestação de inconformidade (fls. 03/67) e informando em suas razões que o débito para o qual o crédito foi utilizado era inexistente, uma vez que no período em comento o contribuinte possuía saldo credor de IPI suficiente para saldar tal dívida. Alegou, portanto, que o apontamento de tal débito em DCTF seria um erro, sanado pela mencionada retificação. Logo, o importe pago de R$ 100.087,32 (fl. 67) seria indevido e redundaria no crédito então vindicado. Fl. 247DF CARF MF Processo nº 10983.909576/201213 Resolução nº 3402001.404 S3C4T2 Fl. 248 3 7. O acórdão recorrido, por seu turno, entendeu que o contribuinte não fez prova suficiente do seu direito, uma vez que a simples retificação da DCTF não seria suficiente para atestar seu direito, a qual deveria ser acompanhada do Livro de Registro de Apuração do IPI correspondente. 8. Assim, em sede de recurso voluntário, o contribuinte trouxe aos autos cópia do sobredito livro fiscal para o período em tela (fls. 207/243), documento este que, aparentemente, atesta o direito creditório do contribuinte. 9. Embora não se olvide do disposto no art. 16, §4o do Decreto n. 70.235/72, não é demais frisar que no processo administrativo fiscal vige o princípio da verdade material1 que, por sua vez, reforça a existência de outro princípio que ganhou novo fôlego com o advento do CPC/2015: o princípio da primazia da decisão de mérito, que visa prestigiar a decisão que resolva definitivamente a lide posta para julgamento. 10. Assim, no presente caso, parecenos que a simples chancela da tecnicamente adequada decisão da DRJ de Ribeirão Preto resultaria em um convite para que o contribuinte continuasse discutindo a presente demanda pelos mesmos fundamentos aqui expostos, só que agora em outro palco, i.e., no âmbito do Poder Judiciário. 11. Tal postura, pura e simples, implicaria em uma sobrecarga do já assoberbado Poder Judiciário, bem como da própria Procuradoria da Fazenda Nacional, além de poder redundar, em ultima ratio, em uma condenação da Fazenda Pública em honorários advocatícios que, diante do CPC/2015, pode ter impactos significativos aos cofres públicos em razão do disposto no art. 85, §3o da novel legislação2. Em suma, tal postura se demonstraria assaz afrontosa a ideia de interesse público primário3, bem como ao princípio da moralidade, que devem nortear a Administração Pública. 1 O princípio da verdade material é valor normativo que aqui se convoca não como uma ferramenta mágica, semelhante a uma "varinha de condão" dotada de aptidão para "validar" preclusões e atecnias e transformar tais defeitos em um processo administrativo "regular". Com a devida vênia, este tipo de interpretação a respeito do princípio da verdade material só se presta a apequenar e, até mesmo, achincalhar esta importante norma. Assim, quando se fala em verdade material o que se quer aqui exprimir é a possibilidade de reconstruir fatos sociais no universo jurídico por intermédio de uma metodologia jurídica mais flexível, ou seja, menos apegada à forma, o que se dá, preponderantemente, em razão da relevância do valor jurídico do fato social que se pretende provar juridicamente. Em outros termos, "verdade material" é sinônimo de uma maior flexibilização probante em sede de processos administrativos, o que, se for usado com a devida prudência à luz do caso decidendo, só tem a contribuir para a qualidade da prestação jurisdicional atipicamente prestada em tais processos. 2 "Art. 85. A sentença condenará o vencido a pagar honorários ao advogado do vencedor. (..). § 3o Nas causas em que a Fazenda Pública for parte, a fixação dos honorários observará os critérios estabelecidos nos incisos I a IV do § 2o e os seguintes percentuais: I mínimo de dez e máximo de vinte por cento sobre o valor da condenação ou do proveito econômico obtido até 200 (duzentos) saláriosmínimos; II mínimo de oito e máximo de dez por cento sobre o valor da condenação ou do proveito econômico obtido acima de 200 (duzentos) saláriosmínimos até 2.000 (dois mil) saláriosmínimos; III mínimo de cinco e máximo de oito por cento sobre o valor da condenação ou do proveito econômico obtido acima de 2.000 (dois mil) saláriosmínimos até 20.000 (vinte mil) saláriosmínimos; IV mínimo de três e máximo de cinco por cento sobre o valor da condenação ou do proveito econômico obtido acima de 20.000 (vinte mil) saláriosmínimos até 100.000 (cem mil) saláriosmínimos; V mínimo de um e máximo de três por cento sobre o valor da condenação ou do proveito econômico obtido acima de 100.000 (cem mil) saláriosmínimos." 3 O qual se configura como interesse de toda uma coletividade e não da Administração Pública enquanto parte (no caso, enquanto parte litigante). Fl. 248DF CARF MF Processo nº 10983.909576/201213 Resolução nº 3402001.404 S3C4T2 Fl. 249 4 12. Diante de tais razões, entendo por bem converter o julgamento em diligência para que a unidade preparadora: (i) analise os documentos acostados aos autos e, sem prejuízo de outros que possam ser solicitados, verifique se o contribuinte faz ou não jus ao crédito de IPI vindicado, apresentado eventual planilha analítica a fundamentar suas considerações. 13. Uma vez realizada a diligência acima (ii) o Recorrente deverá ser intimado para, facultativamente, manifestarse em 30 (trinta) dias a seu respeito, nos termos do art. 35 do Decreto nº 7.574/2011. 14. É a resolução. (assinado digitalmente) Diego Diniz Ribeiro. Fl. 249DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 11065.720200/2017-09
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Aug 28 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Oct 26 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 01/07/2012 a 31/12/2013
AQUISIÇÕES DE INSUMOS DESONERADOS. PRINCÍPIO DA NÃO CUMULATIVIDADE. CREDITAMENTO. IMPOSSIBILIDADE. MATÉRIA JULGADA NA SISTEMÁTICA DE REPERCUSSÃO GERAL PELO STF.
Insumos adquiridos, desonerado do IPI, ou seja, sujeitos a isenção, não incidência ou alíquota zero, não geram direito ao crédito presumido de IPI. Nos termos do § 2º do artigo 62 do Regimento Interno do CARF, as decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal, em matéria constitucional, e pelo Superior Tribunal de Justiça, em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543-B e 543-C da lei nº 5.869/1973, ou dos artigos 1.036 a 1.041 da Lei nº 13.105/2015 - Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos Conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. Aplicação do RE nº 398.365 RG/RS do STF, em sede de repercussão geral.
Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 01/07/2012 a 21/12/2013
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL - NULIDADES - CERCEAMENTO DE DEFESA - PRORROGAÇÃO DE PRAZO PARA APRESENTAÇÃO DE DEFESA OU ELEMENTOS DE PROVA. ADITAMENTO DE PEÇA IMPUGNATÓRIA FORA DO PRAZO LEGAL. PRAZO DE SESSENTA DIAS PARA CONCLUSÃO DE AÇÃO FISCAL. NEGATIVA DE REALIZAÇÃO DE PERÍCIA. NÃO OCORRÊNCIA.
Tais argumentos não se caracterizam como cerceadores de defesa, nem como causa de nulidade de auto de infração regularmente processado em consonância com a legislação de regência.
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. POSSIBILIDADE DE COMPROVAÇÃO DO DIREITO EM QUALQUER FASE PROCESSUAL. PRINCÍPIO DA VERDADE MATERIAL. REALIZAÇÃO DE PERÍCIA.
Cabe ao detentor do direito a comprovação documental da certeza e liquidez de seu direito, nos termos do inciso I do artigo 373 do Código de Processo Civil (Lei Nº 13.105/2015). Ao julgador cabe a determinação de realização de diligências ou perícias quando houver dúvidas na análise das provas apresentadas.
MULTA DE OFÍCIO. CARÁTER CONFISCATÓRIO.
As multas lançadas de ofício tem caráter sancionatório e são definidas em textos legais, com objetivo exclusivo de coibir a conduta que fere a legislação tributária. Não existe caráter confiscatório na multa prevista no artigo 80 da Lei nº 4.502/1964.
JUROS MORATÓRIOS. TAXA SELIC.
Aplica-se ao caso a Súmula CARF nº 4 - A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC para títulos federais.
ENFRENTAMENTO PELO TRIBUNAL ADMINISTRATIVO DE INCONSITUCIONALIDADE DE NORMA LEGAL.
Aplica-se ao caso a Súmula CARF nº 2 - O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária
Numero da decisão: 3301-004.999
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário.
assinado digitalmente
Winderley Morais Pereira - Presidente
assinado digitalmente
Ari Vendramini - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Winderley Morais Pereira (Presidente), Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques D'Oliveira, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Salvador Cândido Brandão Junior, Semíramis de Oliveira Duro, Valcir Gassen e Ari Vendramini (Relator)
Nome do relator: ARI VENDRAMINI
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PRINCÍPIO DA NÃO CUMULATIVIDADE. CREDITAMENTO. IMPOSSIBILIDADE. MATÉRIA JULGADA NA SISTEMÁTICA DE REPERCUSSÃO GERAL PELO STF. Insumos adquiridos, desonerado do IPI, ou seja, sujeitos a isenção, não incidência ou alíquota zero, não geram direito ao crédito presumido de IPI. Nos termos do § 2º do artigo 62 do Regimento Interno do CARF, as decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal, em matéria constitucional, e pelo Superior Tribunal de Justiça, em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da lei nº 5.869/1973, ou dos artigos 1.036 a 1.041 da Lei nº 13.105/2015 Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos Conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. Aplicação do RE nº 398.365 RG/RS do STF, em sede de repercussão geral. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/07/2012 a 21/12/2013 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL NULIDADES CERCEAMENTO DE DEFESA PRORROGAÇÃO DE PRAZO PARA APRESENTAÇÃO DE DEFESA OU ELEMENTOS DE PROVA. ADITAMENTO DE PEÇA IMPUGNATÓRIA FORA DO PRAZO LEGAL. PRAZO DE SESSENTA DIAS PARA CONCLUSÃO DE AÇÃO FISCAL. NEGATIVA DE REALIZAÇÃO DE PERÍCIA. NÃO OCORRÊNCIA. Tais argumentos não se caracterizam como cerceadores de defesa, nem como causa de nulidade de auto de infração regularmente processado em consonância com a legislação de regência. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 06 5. 72 02 00 /2 01 7- 09 Fl. 455DF CARF MF 2 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. POSSIBILIDADE DE COMPROVAÇÃO DO DIREITO EM QUALQUER FASE PROCESSUAL. PRINCÍPIO DA VERDADE MATERIAL. REALIZAÇÃO DE PERÍCIA. Cabe ao detentor do direito a comprovação documental da certeza e liquidez de seu direito, nos termos do inciso I do artigo 373 do Código de Processo Civil (Lei Nº 13.105/2015). Ao julgador cabe a determinação de realização de diligências ou perícias quando houver dúvidas na análise das provas apresentadas. MULTA DE OFÍCIO. CARÁTER CONFISCATÓRIO. As multas lançadas de ofício tem caráter sancionatório e são definidas em textos legais, com objetivo exclusivo de coibir a conduta que fere a legislação tributária. Não existe caráter confiscatório na multa prevista no artigo 80 da Lei nº 4.502/1964. JUROS MORATÓRIOS. TAXA SELIC. Aplicase ao caso a Súmula CARF nº 4 A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. ENFRENTAMENTO PELO TRIBUNAL ADMINISTRATIVO DE INCONSITUCIONALIDADE DE NORMA LEGAL. Aplicase ao caso a Súmula CARF nº 2 O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário. assinado digitalmente Winderley Morais Pereira Presidente assinado digitalmente Ari Vendramini Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Winderley Morais Pereira (Presidente), Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques D'Oliveira, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Salvador Cândido Brandão Junior, Semíramis de Oliveira Duro, Valcir Gassen e Ari Vendramini (Relator) Relatório Fl. 456DF CARF MF Processo nº 11065.720200/201709 Acórdão n.º 3301004.999 S3C3T1 Fl. 456 3 1. Versam os presentes autos sobre infração cometida pela recorrente contra a legislação do Imposto sobre Produtos Industrializados – IPI, conforme descrito no Acórdão DRJ/JUIZ DE FORA/MG nº 0963.775, contra o qual a recorrente se insurge. 2. Por bem narrados os fatos no relatório do citado Acórdão nº 0963.775, exarado pela 3ª Turma da DRJ/JUIZ DE FORA, objeto do Recurso Voluntário, adotamos seus dizeres : Contra o contribuinte acima identificado foi lavrado Auto de Infração, para exigência do Imposto sobre Produtos Industrializados IPI no valor de R$18.253.263,10, acrescido da multa de ofício qualificada de R$13.689.947,18 e dos juros de mora (calculados até 02/2017) de R$7.858.801,78, totalizando a exigência de R$39.802.012,06, cuja motivação fática encontrase no próprio documento e no Relatório da Ação Fiscal, dos quais, pela pertinência, reproduzemse os seguintes trechos: AUTO DE INFRAÇÃO CRÉDITOS INDEVIDOS ENTRADAS/AQUISIÇÕES INFRAÇÃO: CRÉDITO BÁSICO INDEVIDO O estabelecimento industrial deixou de recolher o imposto em decorrência da escrituração e utilização de crédito indevido de IPI Imposto sobre Produtos Industrializados, conforme Relatório da Ação Fiscal,parte integrante deste Auto de Infração. RELATÓRIO DA AÇÃO FISCAL (...) 2 Resumo da matéria analisada A Análise teve como foco créditos extemporâneos escriturados no período de 07/2012 a 12/2013, cujo o montante foi superior a 20 milhões de reais. 3 – Dos procedimentos executados durante a ação fiscal (...) Em relação aos créditos extemporâneos, solicitamos os cálculos que deram embasamento aos mesmos e o motivo da escrituração de ajuste de créditos no RAIPI de 2012 e 2013, em relação a estes créditos. (...) Logo em seguida, no dia 20/07/2016, foram solicitadas à fiscalizada, através do Termo de Intimação Fiscal nº 02/2016, as seguintes informações e documentos: 1) notas fiscais que comprovassem a origem dos créditos; 2) planilha com as informações relativas às referidas notas fiscais, contendo o nº da nota fiscal, o fornecedor, o valor, a data de emissão e a descrição do produto. (...) 4 – Das Infrações cometidas – créditos extemporâneos indevidos de IPI nas operações com isenção, nãoincidência ou alíquota zero. Analisando as informações prestadas pela contribuinte, os arquivos e os livros digitais da fiscalizada, bem como as informações em nota fiscal eletrônica e nos valendo dos sistemas internos da Receita Federal do Brasil, concluímos que a fiscalizada creditouse indevidamente de IPI nas operações com isenção, não incidência ou alíquota zero, chegamos a esta conclusão após as análises e observações adiante enumeradas. (...) Em que pese as explicações dadas pela fiscalizada, o Supremo Tribunal Federal já firmou jurisprudência sobre a impossibilidade de empresas aproveitarem créditos do IPI na aquisição de insumos isentos, não tributados ou sujeitos à alíquota zero. A decisão adotada pelo STF teve repercussão geral do tema, fixando entendimento consolidado de que os princípios da nãocumulatividade e da seletividade não asseguram o direito de crédito presumido de IPI para o contribuinte adquirente de insumos não tributados ou sujeitos à alíquota zero. Fl. 457DF CARF MF 4 Transcrevemos abaixo, o Recurso Extraordinário nº 398.365 RG/RS, julgado pelo plenário do Supremo Tribunal de Federal, com Repercussão geral (...) 3. Cientificada do Auto de Infração, a recorrente apresentou impugnação contra o lançamento formalizado. 4. Após analisar a impugnação, assim decidiu a DRJ/JUIZ DE FORA : ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/07/2012 a 31/12/2013 IPI. GLOSA DE CRÉDITOS. RECONSTITUIÇÃO DA ESCRITA FISCAL. DÉBITO DO IMPOSTO. LANÇAMENTO DA DIFERENÇA INADIMPLIDA. O saldo devedor de IPI decorrente da reescrituração fiscal, após glosas de créditos do imposto, sujeita o contribuinte ao lançamento dos montantes inadimplidos, considerados os recolhimentos feitos a menor previamente ao início da ação fiscal como parcelas redutoras da exigência a ser formulada. CRÉDITOS DE IPI. AQUISIÇÃO DE INSUMOS DESONERADOS DO IMPOSTO. IMPOSSIBILIDADE. ÔNUS DA PROVA. Ao buscar o reconhecimento de créditos do IPI, incumbe ao requerente a demonstração de que o valor pleiteado goza de liquidez e certeza, devendo produzir as provas necessárias do respectivo fato constitutivo. Cabe ao contribuinte apresentar os documentos fiscais comprobatórios das aquisições de insumos com destaque do IPI para possibilitar o creditamento do imposto. As aquisições de insumos com isenção, nãoincidência ou alíquota zero, visto não ter havido exação de IPI, não geram crédito do referido imposto. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/07/2012 a 31/12/2013 PRAZO DE SESSENTA DIAS PARA NOTIFICAR O PROSSEGUIMENTO DA FISCALIZAÇÃO. NULIDADE. O fato de a fiscalização, eventualmente, deixar de encaminhar à fiscalizada ato por escrito que indique o prosseguimento dos trabalhos, por mais de sessenta dias, não implica nulidade do lançamento quando realizado. PEDIDO DE PERÍCIA. É de se indeferir o pedido de perícia quando considerada prescindível à solução do litígio. MULTA DE OFÍCIO. CARÁTER CONFISCATÓRIO. O princípio constitucional da vedação ao confisco é aplicável apenas aos tributos ou contribuições, não guardando relação com as penalidades. Não existe caráter confiscatório na multa prevista no art. 80I da Lei 4.502/64 com a redação dada pelo art. 45, da Lei nº 9.430/96. JUROS DE MORA PELA TAXA SELIC O artigo 13 da Lei 9.065/95 e o artigo 61, parágrafo 3º, da Lei 9.430/96, estão em perfeita harmonia com o Código Tributário Nacional, fixando a taxa de juros de mora em percentuais flutuantes, equivalentes à taxa referencial do Sistema de Liquidação e Custódia para títulos federais (SELIC), acumulada mensalmente, até o último dia útil do mês anterior ao do pagamento, e de um ponto percentual no mês do pagamento. JULGAMENTO ADMINISTRATIVO. COMPETÊNCIA. Descabe ao julgamento administrativo apreciar questões de ordem constitucional ou doutrinária, mas tãosomente aplicar o direito tributário positivo, desde que pautado no entendimento da Secretaria de Receita Federal, e, enquanto não declarado inconstitucional pelo Supremo Tribunal Federal. As normas e determinações previstas na Fl. 458DF CARF MF Processo nº 11065.720200/201709 Acórdão n.º 3301004.999 S3C3T1 Fl. 457 5 legislação tributária presumemse revestidas do caráter de constitucionalidade e legalidade, contando com validade e eficácia, não cabendo à esfera administrativa questionálas ou negarlhes aplicação. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido 5. Após analisar a impugnação, assim decidiu a DRJ/JUIZ DE FORA : ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/07/2012 a 31/12/2013 IPI. GLOSA DE CRÉDITOS. RECONSTITUIÇÃO DA ESCRITA FISCAL. DÉBITO DO IMPOSTO. LANÇAMENTO DA DIFERENÇA INADIMPLIDA. O saldo devedor de IPI decorrente da reescrituração fiscal, após glosas de créditos do imposto, sujeita o contribuinte ao lançamento dos montantes inadimplidos, considerados os recolhimentos feitos a menor previamente ao início da ação fiscal como parcelas redutoras da exigência a ser formulada. CRÉDITOS DE IPI. AQUISIÇÃO DE INSUMOS DESONERADOS DO IMPOSTO. IMPOSSIBILIDADE. ÔNUS DA PROVA. Ao buscar o reconhecimento de créditos do IPI, incumbe ao requerente a demonstração de que o valor pleiteado goza de liquidez e certeza, devendo produzir as provas necessárias do respectivo fato constitutivo. Cabe ao contribuinte apresentar os documentos fiscais comprobatórios das aquisições de insumos com destaque do IPI para possibilitar o creditamento do imposto. As aquisições de insumos com isenção, nãoincidência ou alíquota zero, visto não ter havido exação de IPI, não geram crédito do referido imposto. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/07/2012 a 31/12/2013 PRAZO DE SESSENTA DIAS PARA NOTIFICAR O PROSSEGUIMENTO DA FISCALIZAÇÃO. NULIDADE. O fato de a fiscalização, eventualmente, deixar de encaminhar à fiscalizada ato por escrito que indique o prosseguimento dos trabalhos, por mais de sessenta dias, não implica nulidade do lançamento quando realizado. PEDIDO DE PERÍCIA. É de se indeferir o pedido de perícia quando considerada prescindível à solução do litígio. MULTA DE OFÍCIO. CARÁTER CONFISCATÓRIO. O princípio constitucional da vedação ao confisco é aplicável apenas aos tributos ou contribuições, não guardando relação com as penalidades. Não existe caráter confiscatório na multa prevista no art. 80I da Lei 4.502/64 com a redação dada pelo art. 45, da Lei nº 9.430/96. JUROS DE MORA PELA TAXA SELIC O artigo 13 da Lei 9.065/95 e o artigo 61, parágrafo 3º, da Lei 9.430/96, estão em perfeita harmonia com o Código Tributário Nacional, fixando a taxa de juros de mora em percentuais flutuantes, equivalentes à taxa referencial do Sistema de Liquidação e Custódia para títulos federais (SELIC), acumulada mensalmente, até o último dia útil do mês anterior ao do pagamento, e de um ponto percentual no mês do pagamento. JULGAMENTO ADMINISTRATIVO. COMPETÊNCIA. Descabe ao julgamento administrativo apreciar questões de ordem constitucional ou doutrinária, mas tãosomente aplicar o direito tributário positivo, desde que pautado no entendimento da Secretaria de Fl. 459DF CARF MF 6 Receita Federal, e, enquanto não declarado inconstitucional pelo Supremo Tribunal Federal. As normas e determinações previstas na legislação tributária presumemse revestidas do caráter de constitucionalidade e legalidade, contando com validade e eficácia, não cabendo à esfera administrativa questionálas ou negarlhes aplicação. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido 6. Inconformada com a decisão da DRJ/JUIZ DE FORA, a empresa, após ter ciência do Acórdão em 08/08/2017, conforme Termo de Abertura de Documento ás fls. 407 dos autos digitais, apresenta Recurso Voluntário, aos 08/09/2017,conforme Termo de Solicitação de Juntada, ás fls. 409 dos autos digitais, onde alega : I – breve síntese dos fatos : tendo sido glosados créditos do IPI apurados e sua escrita fiscal reconstituída, a recorrente apresentou impugnação, que restou desacolhida, a despeito da argumentação apresentada e do expresso pedido de realização de prova pericial, por tal motivo se vê impelida a recorrer ao CARF por se achar inconformada com a decisão, claramente nula e contraditória, devendo ser reformada pelas razões demonstradas no Recurso. II – o direito aplicável à espécie 1 – a nulidade da decisão – cerceamento de defesa – necessidade de prova pericial : a decisão ora atacada deve ser de plano anulada uma vez que não respeitou os mais basilares princípios administrativos e constitucionais que norteiam os atos administrativos, notadamente no que diz respeito ao contraditório e á ampla defesa pois, quando analisa o pedido de prorrogação do prazo de defesa, o julgador esclarece que dada sua vinculação aos dispositivos legais e ao procedimento previsto, não haveria como autorizarse qualquer intervenção no processo fora do prazo previsto em lei, refutando a possibilidade de aditamento da peça impugnatória e atribuindo o ônus da comprovação da validade dos créditos ao contribuinte, concluindo o decisor ser inviável o aditamento da peça, uma vez que o contribuinte deveria, no prazo de 30 (trinta) dias que lhe é conferido apresentar todos os elementos inerentes á sua defesa. na sequência, entretanto, quando instado a manifestarse sobre a nulidade pelo transcurso do prazo legal para a lavratura do Auto de Infração, este mesmo julgador, simplesmente relativizou o prazo insculpido no § 2º do artigo 7º do Decreto 70.235/72, sob o argumento de “ eventualmente passados 60 dias do início do procedimento fiscal, o contribuinte fiscalizado tão somente readquire a espontaneidade, o que não resulta no encerramento da ação fiscal para todos os efeitos, bem como não promove a nulidade do procedimento fiscal.” como resultado dessa esquiva, quanto á nulidade da decisão, o julgador sequer analisou os argumentos apresentados, e não se referiu ao fato de que a fiscalização expediu por três vezes meros pedidos de retirada de documentos. outra impropriedade e contradição da decisão reside no fato da negativa á realização de prova pericial, mesmo após o próprio julgador repetir ser ônus do contribuinte apresentar elementos que corroborassem sua tese, ocorrendo que o prazo conferido para análise e apresentação da defesa (30 dias) revelouse exíguo, especialmente pelo volume de documentos que envolvem a autuação (48 caixas de arquivo). a contribuinte não teria alternativa senão postular a realização de perícia sem o prazo peremptório de 30 dias para apresentação de sua defesa, observandose que a fiscalização passou oito meses analisando documentos, como exigir do contribuinte a reunião dos elementos para comprovar a validade de seus créditos em 30 dias, sendo que tal negativa se caracteriza como cerceamento de defesa. 2 – o princípio da verdade material que norteia o processo administrativo, possibilidade de comprovação do direito creditório em qualquer fase processual : Fl. 460DF CARF MF Processo nº 11065.720200/201709 Acórdão n.º 3301004.999 S3C3T1 Fl. 458 7 citando doutrina pátria a recorrente, alegando homenagem ao princípio da verdade material, pugna pela realização de perícia, consequente complementação da defesa, se o processo não for devolvido á DRJ para novo julgamento. 3 – inaplicabilidade da multa aplicada em face do princípio constitucional do não confisco e dos princípios administrativos da razoabilidade e da proporcionalidade : a recorrente repisa o argumento apresentado na impugnação, do caráter confiscatório da multa de ofício aplicada, manifestamente excessivo, ferindo o princípio constitucional do não confisco e os princípios administrativos da razoabilidade e da proporcionalidade, extrapolando os ditames constitucionais, pois se caracteriza como espoliativa e confiscatória em seus percentuais. 4 – inaplicabilidade da Taxa SELIC aos supostos débitos como juros de mora. Limitação dos juros de mora dada pelo Código Tributário Nacional: repisando argumentos já expendidos na impugnação, a recorrente defende que a taxa de juros moratórios de 15 ao mês, fixada pelo § 1º do artigo 161 do CTN é o limite máximo que pode ser aplicado, devendo a expressão “se a lei não dispuser de modo contrário” ser compreendida como autorização para que a lei estabeleça taxa inferior, mas jamais superior ao limite fixado, e que é ilegal a utilização da Taxa SELIC para o cálculo dos juros moratórios a partir de abril/95, por também estar excedendo o limite máximo fixado pelo § 1º do artigo 161 do Código Tributário Nacional, alegando dentro dessa linha de argumentação deverão ser excluídos dos débitos combatidos a ilegal correção fundamentada pela Taxa SELIC, notadamente quanto a esta ultrapassar o limite de 1% ao mês. 5 – possibilidade do enfrentamento pelo Tribunal Administrativo do argumento de inconstitucionalidade de norma legal : tema também já trazido pela recorrente na impugnação, resta revisitado no Recurso Voluntário, destacando que tornase evidente que o reconhecimento de inconstitucionalidade no âmbito do processo administrativo é mais do que uma possibilidade do julgador, mas um dever, sob pena de violação dos princípios do contraditório e da ampla defesa, pois o processo administrativo tem a finalidade de, através de seus órgãos, promover a justiça fiscal na formação do título extrajudicial. ao final requer : a manutenção da suspensão da exigibilidade do crédito tributário lançado até final decisão do processo; a declaração de nulidade da decisão, ante a fronta aos princípios do contraditório e ampla defesa, evidenciada pelo cerceamento de defesa através da prova pericial; não sendo declarado nula, de pronto, a decisão, seja a mesma reformada, dandose provimento ao recurso voluntário, consoante toda argumentação exposta e, principalmente, em observância ao princípio da busca pela verdade material; alternativamente a realização de perícia contábil, mediante acompanhamento de assistente técnico da empresa, que nomeia, com escopo de revisão e levantamento dos créditos legitimamente apropriados pela empresa, bem como do próprio procedimento fiscal, a ser realizado “nota a nota”; também alternativamente a declaração de ilegalidade e consequente inexigibilidade da multa aplicada, determinandose a aplicação de multa moratória de 20%, no caso de improcedência dos demais pedidos, a exclusão da Taxa SELIC no cômputo dos valores devidos, quando esta for superior ao percentual de 1% ao mês e a devida análise dos argumentos lançados na inicial, Fl. 461DF CARF MF 8 notadamente no que concerne á possibilidade de afastamento (não aplicação) dos dispositivos tidos como inconstitucionais. É o relatório Voto Conselheiro Ari Vendramini Relator 7. O Recurso Voluntário é tempestivo (ciência do Acórdão DRJ/JFA, por Caixa Postal Eletrônica, em 08/08/2017 – fls. 407 dos autos digitais, e juntou o Recurso Voluntário em 08/09/2017 – fls. 409 dos autos digitais), atende aos demais requisitos de admissibilidade, portanto dele tomo conhecimento. 8. Passamos á análise das razões de recurso, meramente processuais, esclarecendo que a decisão de piso, exarada pela DRJ/JUIZ DE FORA não merece reparos, por claramente redigida. PRELIMINARMENTE 9. Analisemos a questão suscitada de nulidade da decisão DRJ. 10. a ) a nulidade da decisão – cerceamento de defesa – necessidade de prova pericial alega a recorrente que ocorreu nulidade da decisão da DRJ/JFA, por cerceamento de defesa, por parte da autoridade julgadora da DRJ, por diversas razões, uma por não ter a autoridade julgadora autorizado prorrogação do prazo de defesa, duas por não ter autorizado o aditamento da peça impugnatória atribuindo o ônus da prova de validade dos créditos á recorrente, três por ter relativizado a questão do prazo legal para lavratura do Auto de Infração constante do §2º do artigo 7º do Decreto nº 70.235/72 que é de 60 dias, quatro por não ter enfrentado o argumento apresentado de o fato de a fiscalização ter expedido três meros pedidos de retirada de documentos, e cinco por ter negado a realização de prova pericial mesmo depois de a recorrente ter exposto na peça impugnatória que o prazo de 30 dias para apresentação de defesa é exíguo. não cabe razão á recorrente, a decisão de piso, como já dito, foi clara em seus argumentos, não cabendo qualquer reparo em suas razões. b) quanto á prorrogação de prazo para apresentação de razões de defesa ou elementos de prova e a autorização para aditamento da peça impugnatória, a decisão de piso foi expressa em se declarar submissa aos ditames legais, estes impostos pelos artigos 15 e 16 do Decreto nº 70.235/72, que rege o processo administrativo fiscal, que determinam : Art. 15. A impugnação, formalizada por escrito e instruída com os documentos em que se fundamentar, será apresentada ao órgão preparador no prazo de trinta dias, contados da data em que for feita a intimação da exigência. Parágrafo único. (Revogado pela Lei nº 11.941, de 2009) Fl. 462DF CARF MF Processo nº 11065.720200/201709 Acórdão n.º 3301004.999 S3C3T1 Fl. 459 9 Art. 16. A impugnação mencionará: I a autoridade julgadora a quem é dirigida; II a qualificação do impugnante; III os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir; (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) IV as diligências, ou perícias que o impugnante pretenda sejam efetuadas, expostos os motivos que as justifiquem, com a formulação dos quesitos referentes aos exames desejados, assim como, no caso de perícia, o nome, o endereço e a qualificação profissional do seu perito. (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) V se a matéria impugnada foi submetida à apreciação judicial, devendo ser juntada cópia da petição. (Incluído pela Lei nº 11.196, de 2005) § 1º Considerarseá não formulado o pedido de diligência ou perícia que deixar de atender aos requisitos previstos no inciso IV do art. 16. (Incluído pela Lei nº 8.748, de 1993) § 2º É defeso ao impugnante, ou a seu representante legal, empregar expressões injuriosas nos escritos apresentados no processo, cabendo ao julgador, de ofício ou a requerimento do ofendido, mandar riscálas. (Incluído pela Lei nº 8.748, de 1993) § 3º Quando o impugnante alegar direito municipal, estadual ou estrangeiro, provarlheá o teor e a vigência, se assim o determinar o julgador. (Incluído pela Lei nº 8.748, de 1993) § 4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior;(Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) b) refirase a fato ou a direito superveniente;(Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos.(Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) § 5º A juntada de documentos após a impugnação deverá ser requerida à autoridade julgadora, mediante petição em que se demonstre, com fundamentos, a ocorrência de uma das condições previstas nas alíneas do parágrafo anterior. (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) § 6º Caso já tenha sido proferida a decisão, os documentos apresentados permanecerão nos autos para, se for interposto recurso, serem apreciados pela autoridade julgadora de segunda instância. (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) (grifos nossos) Fl. 463DF CARF MF 10 desta feita, não existe previsão legal para prorrogação de prazo ou para aditamento da peça inicial, após tal prazo, com as exceções para apresentação apenas de prova documental nas hipóteses elencadas no § 4º acima transcrito. portanto, nenhum reparo a ser feito na decisão de piso. c) quanto ao prazo estabelecido no § 2º do artigo 7º do Decreto nº 70.235/72 e a questão da expedição de pedidos de retirada de documentos, também clara a decisão de piso a esse respeito. o prazo estabelecido no dispositivo legal citado assim se lê : Art. 7º O procedimento fiscal tem início com: I o primeiro ato de ofício, escrito, praticado por servidor competente, cientificado o sujeito passivo da obrigação tributária ou seu preposto; II a apreensão de mercadorias, documentos ou livros; III o começo de despacho aduaneiro de mercadoria importada. § 1° O início do procedimento exclui a espontaneidade do sujeito passivo em relação aos atos anteriores e, independentemente de intimação a dos demais envolvidos nas infrações verificadas. § 2° Para os efeitos do disposto no § 1º, os atos referidos nos incisos I e II valerão pelo prazo de sessenta dias, prorrogável, sucessivamente, por igual período, com qualquer outro ato escrito que indique o prosseguimento dos trabalhos. a decisão DRJ bem explicou ao dizer “ quanto á preliminar de nulidade levantada pela impugnante, de extravasamento do prazo legal para lavratura do auto de infração, em que pese as diversas intimações da fiscalização juntadas aos autos, é curial assinalar o entendimento de que, eventualmente passados 60 dias do início do procedimento fiscal, o contribuinte fiscalizado tão somente readquire a espontaneidade, o que não resulta no encerramento da ação fiscal para todos os efeitos, bem como não promove a nulidade do procedimento fiscal.” como bem se nota o dispositivo citado faz referência ao disposto no § 1º anterior, que é expresso ao tratar da espontaneidade do sujeito passivo, portanto, desobedecido o prazo de 60 dias de qualquer ato escrito que indique o prosseguimento dos trabalhos, o sujeito passivo apenas readquire a espontaneidade, não significando o encerramento da ação fiscal, pois nada no texto legal permite que se infira tal raciocínio. ao se referir ás diversas intimações da fiscalização juntadas aos autos, a decisão DRJ enfrentou a questão dos “ pedidos de retirada de documentos” a que se refere a recorrente, pois tais atos foram consubstanciados nas Intimações Fiscais de nºs 003/2016, 004/2016 e 005/2016, datadas de 15/09/2016, 04/11/2016 e 05/12/2016, caracterizandose, portanto, como “qualquer outro ato por escrito que indique o prosseguimento dos trabalhos” como determina o texto legal, expedidos em intervalos que não excederam o prazo de 60 dias. d) quanto á negativa de realização de perícia, não se pode alegar como cerceamento de defesa, pois o pedido de diligência ou perícia deve ser deferido em ocasiões onde o julgador Fl. 464DF CARF MF Processo nº 11065.720200/201709 Acórdão n.º 3301004.999 S3C3T1 Fl. 460 11 percebe a necessidade de esclarecimentos em pontos específicos da ação fiscal ou das razões recursais, em que haja necessidade de verificações mais acuradas, diante de dúvidas ou imprecisões que possam influenciar no julgamento da lide. No caso presente, diante do preciso trabalho da autoridade fiscal, oferecendo diversas oportunidades para que a recorrente pudesse justificar ou mesmo demonstrar a liquidez e certeza dos créditos apropriados, não se verifica necessidade de diligência ou perícia, pois se estaria, desta forma, realizando o trabalho que deveria ter sido feito pelo requerente, no momento em que se apropriou dos créditos pois, para tal, a recorrente obrigatoriamente deveria ter os documentos e os lançamentos contábeis que dessem lastro a tais créditos, para, a qualquer momento em que fosse questionada sobre a liquidez e certeza destes, teria em mãos a sua comprovação, mormente em função dos elevados valores de créditos. a autoridade julgadora administrativa, a teor do art. 18 do Decreto nº 70.235/1972, pode determinar, de ofício ou a requerimento do interessado, a realização de diligências ou perícias, mas somente quando entendêlas necessárias ao seu convencimento, devendo indeferir as prescindíveis ao julgamento, pois devese ter em conta, que tais previsões legais não existem com o propósito de suprir o ônus da prova colocado às partes, mas sim de elucidar questões pontuais mantidas controversas mesmo em face dos documentos trazidos pelo requerente. por sua vez, as diligências existem para resolver dúvidas acerca de questão controversa originada da confrontação de elementos de prova trazidos pelas partes, mas não para permitir que seja feito aquilo que a lei já impunha como obrigação, desde a instauração do litígio, às partes componentes da relação jurídica. Já as perícias existem para fins de que sejam dirimidas questões para as quais se exige conhecimento técnico especializado, ou seja, matéria impossível de ser resolvida a partir do conhecimento das partes e do julgador, assim, não cabe à autoridade julgadora diligenciar ou determinar a realização de perícia para fins de, de ofício, promover a produção de prova da legitimidade do crédito alegado pelo contribuinte. A prova da certeza e liquidez dos créditos apropriados não foi feita pela recorrente nas oportunidades a ela conferidas, logo, com fundamento no art. 16 do Decreto nº 70.235/72, descabe qualquer pedido de diligência e perícia. para espancar qualquer dúvida da recorrente, devese esclarecer que as razões de nulidade no processo administrativo fiscal estão elencadas no artigo 59 do Decreto nº 70.235/72 : Das Nulidades Art. 59. São nulos: I os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. por derradeiro, citamos o Acórdão nº 1071.827, exarado pela antiga 7ªCâmara do extinto Primeiro Conselho de Contribuintes, de lavra do Conselheiro Relator Jonas Francisco de Oliveira : PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL NULIDADES Não dá causa á nulidade do lançamento a lavratura de auto de infração na repartição fiscal, se o sujeito passivo tomou ciência deste, Fl. 465DF CARF MF 12 notadamente se, na sua feitura, forma atendidos todos os pressupostos estabelecidos pelo Decreto 70.235/72. Igualmente, não se pode cogitar da nulidade ao argumento de que a ação fiscal foi concluída após passados mais de sessenta dias de seu início, posto que este fato apenas devolve ao contribuinte a espontaneidade em relação aos atos anteriormente praticados. As nulidades, no processo administrativo fiscal, são as elencadas no art. 59 do Dec. 70.235/72. por não ter ocorrido o alegado cerceamento de defesa, pois a recorrente teve pleno conhecimento dos motivos da autuação e seu fundamento legal, e a negativa de realização de perícia, por parte do julgador ter sido feita em perfeita sintonia com a legislação de regência, tanto que contra tais motivos a recorrente se insurgiu em sua impugnação, não ocorreu a nulidade alegada. assim, NEGO PROVIMENTO AO RECURSO neste quesito. NO MÉRITO 11. o princípio da verdade material que norteia o processo administrativo, possibilidade de comprovação do direito creditório em qualquer fase processual. Realização de perícia. o que se busca, no processo administrativo fiscal, é a legalidade da tributação, ou seja, diante do Princípio Constitucional da Legalidade, nada pode ser exigido do contribuinte, em matéria tributária, que não tenha lastro em bases legais, para isso, diferentemente do processo judicial, onde o juiz analisa as provas apresentadas nos autos, o julgador administrativo, em respeito ao Princípio da Verdade Material, tem uma maior liberdade para apreciar provas trazidas em várias fases processuais, ou mesmo para determinar a realização de diligências ou perícias. para tal mister, foi expedido o Decreto nº 70.235/1972, com alterações posteriores, com o fim específico de regulamentar os procedimentos relativos ao processo administrativo fiscal, portanto, diante destas regras específicas, as regras gerais relativas ao processo administrativo, ditadas pela Lei nº 9.784/1999 é aplicada em caráter subsidiário, entretanto, como regra geral do processo civil, o ônus da prova incumbe ao autor, quanto ao fato constitutivo de seu direito, conforme estabelece o inciso I do artigo 373 do Código de Processo Civil ( Lei nº 13.105/2015). neste norte de raciocínio, as provas, no processo administrativo fiscal, devem ser apresentadas nas oportunidades previstas no seu regulamento, sob pena de que o processo, conceituado como uma sequência de atos predefinidos ou elencados de acordo com a lei, com o objetivo de se chegar a uma conclusão lógica, se torne um amontoado desorganizado de regras desconexas. o regulamento, portanto, define os prazos e os procedimentos para todas as partes envolvidas no litígio desencadeado. alega a recorrente que, diante do Princípio da Verdade Material, há de ser oportunizada, nessa fase processual de recurso voluntário, a devida realização da perícia e consequente complementação da defesa. como já exposto, por este Relator, no item 8.d) das preliminares ( quanto á negativa de realização de perícia), a autoridade julgadora administrativa, a teor do art. 18 do Decreto nº Fl. 466DF CARF MF Processo nº 11065.720200/201709 Acórdão n.º 3301004.999 S3C3T1 Fl. 461 13 70.235/1972, pode determinar, de ofício ou a requerimento do interessado, a realização de diligências ou perícias, mas somente quando entendêlas necessárias ao seu convencimento, devendo indeferir as prescindíveis ao julgamento, pois devese ter em conta, que tais previsões legais não existem com o propósito de suprir o ônus da prova colocado às partes, mas sim de elucidar questões pontuais mantidas controversas mesmo em face dos documentos trazidos pelo requerente. também como já exposto no mesmo tópico, No caso presente, diante do preciso trabalho da autoridade fiscal, oferecendo diversas oportunidades para que a recorrente pudesse justificar ou mesmo demonstrar a liquidez e certeza dos créditos apropriados, não se verifica necessidade de diligência ou perícia, pois se estaria, desta forma, realizando o trabalho que deveria ter sido feito pelo requerente, no momento em que se apropriou dos créditos pois, para tal, a recorrente obrigatoriamente deveria ter os documentos e os lançamentos contábeis que dessem lastro a tais créditos, para, a qualquer momento em que fosse questionada sobre a liquidez e certeza destes, teria em mãos a sua comprovação, mormente em função dos elevados valores de créditos. assim, as perícias existem para fins de que sejam dirimidas questões para as quais se exige conhecimento técnico especializado, ou seja, matéria impossível de ser resolvida a partir do conhecimento das partes e do julgador, assim, não cabe à autoridade julgadora diligenciar ou determinar a realização de perícia para fins de, de ofício, promover a produção de prova da legitimidade do crédito alegado pelo contribuinte. A prova da certeza e liquidez dos créditos apropriados não foi feita pela recorrente nas oportunidades a ela conferidas, logo, com fundamento no art. 16 do Decreto nº 70.235/72, descabe qualquer pedido de diligência e perícia. portanto, NEGO PROVIMENTO DO RECURSO neste quesito. 12. inaplicabilidade da multa aplicada em face do princípio constitucional do não confisco e dos princípios administrativos da razoabilidade e da proporcionalidade : repetindo argumentos já trazidos em fase impugnatória, e já devidamente analisados pela decisão de piso, a recorrente defende novamente o argumento da ilegalidade e inconstitucionalidade da multa aplicada sobre o montante supostamente devido, por ser seu valor excessivo, ferindo os princípios constitucionais do não confisco e os princípios administrativos da razoabilidade e da proporcionalidade. como bem delineado na decisão DRJ “ a garantia constitucional prevista no artigo 150, inciso IV, da Constituição Federal, diz respeito apenas a tributos. E tributos, na definição do próprio texto constitucional abrangem os impostos, as taxas e as contribuições de melhoria ( CF/1988, artigo 145 I, II e III), dentre outros, mas não as multas, que não são tributos, como aliás, já define o Código Tributário Nacional (Lei nº 5.172/1966, artigo 3º), determinando inclusive que estes não se constituam em sanção de ato ilícito, distinguindoos, assim, exatamente das multas, que visam punir uma conduta ilegal.” Fl. 467DF CARF MF 14 as multas de ofício, como sancionatórias de infrações contra a legislação, são graduadas pelo próprio legislador, ao estabelecer o seu percentual, como forma de punir o infrator pela conduta que fere a legislação, no caso em tela, do tributo IPI, com objetivo exclusivo de coibir a conduta, vedada pela regra que comanda o tributo. para o caso presente, a multa vem definida expressamente no caput do artigo 80 da Lei nº 4.502/1964, com nova redação dada pelo artigo 13 da lei nº 11.488/2007 ( Art. 80. A falta de lançamento do valor, total ou parcial, do imposto sobre produtos industrializados na respectiva nota fiscal ou a falta de recolhimento do imposto lançado sujeitará o contribuinte à multa de ofício de 75% (setenta e cinco por cento) do valor do imposto que deixou de ser lançado ou recolhido. ) e a aplicou corretamente a autoridade fiscal, pois como bem delimitado no Relatório da Ação Fiscal, a recorrente escriturou créditos extemporâneos, oriundos de insumos desonerados do IPI, em frontal dissonância da legislação regente do tributo e de entendimento pacificado pelo STF, descritos na planilha de fls. 304 dos autos digitais, os quais foram glosados, a escrita fiscal foi reconstituída, gerando um saldo devedor do tributo, sem recolhimento, o que ensejou o lançamento de ofício, nos termos da legislação citada. ainda, por ratificar o entendimento aqui relatado, colecionamos a ementa do REsp nº 1.670.990PR, do STJ, de autoria do Relator Ministro Gurgel de Faria : RECURSO ESPECIAL Nº 1.670.990 PR (2017/01080700) RELATOR : MINISTRO GURGEL DE FARIA RECORRENTE : FAZENDA NACIONAL RECORRIDO : ISPL INDUSTRIA SULAMERICANA DE PRODUTOS DE LIMPEZA LTDA ADVOGADO : MÁRCIO RODRIGO FRIZZO E OUTRO (S) PR033150 DECISÃO Tratase de recurso especial interposto pela UNIÃO (FAZENDA NACIONAL), contra acórdão proferido pelo Tribunal Regional Federal da 4ª Região, assim ementado: MANDADO DE SEGURANÇA. PARCELAMENTO. LEI Nº 12.966, DE 2014. LEI Nº 11.941, DE 2009. MULTA DE OFÍCIO. VENCIMENTO VINCULADO AO PRINCIPAL. INCLUSÃO. POSSIBILIDADE. 1. A multa de ofício objetiva penalizar o contribuinte que deixa de recolher os tributos de forma voluntária e, com isso, obriga o Fisco, mediante procedimento de fiscalização, a verificar a ocorrência do fato gerador, determinar a matéria tributável e calcular o montante do tributo devido. 2. Dada a natureza jurídica da penalidade, ela está vinculada ao débito principal, cujos fatos geradores são anteriores a 31122013, de forma que é possível, portanto, sua inclusão em regime de parcelamento de débitos. (grifos nossos) desta feita, correta a aplicação da multa de ofício, no percentual de 75% com definido em texto legal. portanto, NEGO PROVIMENTO AO RECURSO neste quesito. 13. inaplicabilidade da Taxa SELIC aos supostos débitos como juros de mora. Limitação dos juros de mora dada pelo Código Tributário Nacional outro tema revisitado pela recorrente, já também analisado pela decisão de piso, alegando que “ a despeito da decisão paradigma utilizada pelo julgador, não há na mesma o enfrentamento da questão atinente á limitação da SELIC ao patamar máximo de 1% ao mês, mas tão apenas justificativas para a validade de sua utilização, o que são teses distintas. Fl. 468DF CARF MF Processo nº 11065.720200/201709 Acórdão n.º 3301004.999 S3C3T1 Fl. 462 15 Logo, cabe qui repisar o argumento lançado na impugnação, de forma que seja o mesmo propriamente apreciado.” não procede a alegação de que a decisão de piso não enfrentou o tema, pois o julgador foi bem claro nas suas explanações, citando expressamente “ sobre os juros de mora calculados pela taxa SELIC, apesar de refutados pela impugnante, sua aplicação é plenamente legítima sobre os valores de imposto exigidos no auto de infração, uma vez que há previsão expressa na legislação tributária para tanto, além de não haver transgressão á disposição contida no § 1º do art. 161 do Código Tributário Nacional.” defende a recorrente duas teses, uma de que a taxa de juros moratórios de 1% ao mês, fixada pelo §1º do artigo 161 do CTN, é o limite máximo que pode ser aplicado, devendo a expressão “se a lei não dispuser de modo contrário” ser compreendida como a autorização para que a lei estabeleça taxa inferior, mas jamais superior ao limite fixado, outra de que é ilegal a utilização da taxa SELIC para o cálculo de juros moratórios a partir de abril/95, por também estar excedendo o limite fixado pelo §1º do artigo 161 do CTN. por serem teses defendidas pela recorrente, somente cabe a este Relator esclarecer que ,diante da determinação legal, somente cabe ao julgador aplicar a norma ao fato. dispõe o art. 113 do CTN: " Art. 113. A obrigação tributária é principal ou acessória. § 1º A obrigação principal surge com a ocorrência do fato gerador, tem por objeto o pagamento de tributo ou penalidade pecuniária e extinguese juntamente com o crédito dela decorrente. (. . .)" (grifo nosso) a redação do art. 113 do CTN já foi objeto de inúmeras críticas por parte de conceituados tributaristas, que repelem o conceito de obrigação tributária compreender tributo e penalidade. Entretanto, entendem que deve ser aplicado tal conceito legal, assim, o conceito de obrigação tributária abrange tributos e multa. Sobre a incidência dos juros, temos o art. 161 do CTN: "Art. 161. O crédito não integralmente pago no vencimento é acrescido de juros de mora, seja qual for o motivo determinante da falta, sem prejuízo da imposição das penalidades cabíveis e da aplicação de quaisquer medidas de garantia previstas nesta Lei ou em lei tributária. (. . .)" (grifo nosso) há que se esclarecer, também, que a legislação define especificamente a aplicação da taxa SELIC, como segue : Lei nº 9.065/1995 Art. 13. A partir de 1º de abril de 1995, os juros de que tratam a alínea c do parágrafo único do art.14 da Lei nº 8.847, de 28 Fl. 469DF CARF MF 16 de janeiro de 1994, com a redação dada pelo art. 6º da Lei nº 8.850, de 28 de janeiro de 1994, e pelo art 90 da Lei nº 8.981, de 1995. o art. 84. inciso i eu art. 91, par[ágrafo único , alínea a2, da Lei Nº 8.981, DE 1995, serão equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e de Custódia SELIC para títulos federais, acumulada mensalmente. Lei nº 9.430/1996 – Art. 61. Os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, cujos fatos geradores ocorrerem a partir de 1º de janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos na legislação específica, serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso. §1º A multa de que trata este artigo será calculada a partir do primeiro dia subseqüente ao do vencimento do prazo previsto para o pagamento do tributo ou da contribuição até o dia em que ocorrer o seu pagamento. § 2º O percentual de multa a ser aplicado fica limitado a vinte por cento. § 3º Sobre os débitos a que se refere este artigo incidirão juros de mora calculados à taxa a que se refere o § 3º do art. 5º, a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento. portanto, é lícita a incidência de juros sobre a obrigação tributária, consistente em tributo e/ou penalidade pecuniária. Sobre a taxa de juros a ser aplicada, aplicase à Súmula CARF n° 4: "A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais." portanto, correta a aplicação da taxa SELIC no caso em exame e, desta foram, NEGO PROVIMENTO AO RECURSO neste quesito. 14. possibilidade do enfrentamento pelo Tribunal Administrativo do argumento de inconstitucionalidade de norma legal mais um tema repisado, já atacado pela decisão DRJ, que a recorrente traz novamente em suas razões de recurso. alega a recorrente que “ conforme se depreende do julgado atacado, o Decisor de origem não apreciou as alegações tendentes á inconstitucionalidade das normas, limitandose a defender que “ Descabe ao julgamento administrativo apreciar questões de ordem constitucional ou doutrinária, mas tão somente aplicar o direito tributário positivo, desde que pautado no entendimento da Secretaria da Receita Federal e, enquanto não declarado inconstitucional pelo Supremo Tribunal Federal. As normas e determinações previstas na legislação tributária presumemse revestidas do caráter de constitucionalidade e legalidade contando com validade e eficácia, não cabendo á esfera administrativa questionálas ou negarlhes aplicação.”” nenhum reparo a ser feito na decisão de piso, o julgador foi preciso nas suas palavras, não cabendo o inconformismo da recorrente, poiso verdadeiro guardião da Constituição Federal é o Supremo Tribunal Federal, que detém o poder originário de se manifestar sobre a adequação das normas legais ao Texto Maior, não cabendo aos tribunais administrativos tal mister. Fl. 470DF CARF MF Processo nº 11065.720200/201709 Acórdão n.º 3301004.999 S3C3T1 Fl. 463 17 aplicase ao caso a Súmula nº 2 do CARF : “O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária “ desta forma, NEGO PROVIMENTO AO RECURSO neste quesito. 15. Quanto aos pedidos finais, assim os respondo : a manutenção da suspensão da exigibilidade do crédito tributário lançado até final decisão do processo : este pedido é garantido pela legislação tributária, contida no inciso III do artigo 151 do Código Tributário Nacional : Art. 151. Suspendem a exigibilidade do crédito tributário: I moratória; II o depósito do seu montante integral; III as reclamações e os recursos, nos termos das leis reguladoras do processo tributário administrativo; IV a concessão de medida liminar em mandado de segurança. V – a concessão de medida liminar ou de tutela antecipada, em outras espécies de ação judicial; VI – o parcelamento. Parágrafo único. O disposto neste artigo não dispensa o cumprimento das obrigações assessórios dependentes da obrigação principal cujo crédito seja suspenso, ou dela conseqüentes.(grifos nossos) a declaração de nulidade da decisão, ante a fronta aos princípios do contraditório e ampla defesa, evidenciada pelo cerceamento de defesa através da prova pericial por todo o exposto por este Relator, a decisão DRJ é plenamente válida, não contendo nenhum vício que possa ensejar sua nulidade. não sendo declarado nula, de pronto, a decisão, seja a mesma reformada, dandose provimento ao recurso voluntário, consoante toda argumentação exposta e, principalmente, em observância ao princípio da busca pela verdade material como já cediço, foi negado provimento ao recurso voluntário, não havendo motivo para reforma da decisão DRJ. alternativamente a realização de perícia contábil, mediante acompanhamento de assistente técnico da empresa, que nomeia, com escopo de revisão e levantamento dos créditos legitimamente apropriados pela empresa, bem como do próprio procedimento fiscal, a ser realizado “nota a nota” como já consta do texto do voto, indefiro o pedido de perícia, pelos motivos já expostos. também alternativamente a declaração de ilegalidade e consequente inexigibilidade da multa aplicada, determinandose a aplicação de multa moratória de 20%, no caso de Fl. 471DF CARF MF 18 improcedência dos demais pedidos, a exclusão da Taxa SELIC no cômputo dos valores devidos, quando esta for superior ao percentual de 1% ao mês e a devida análise dos argumentos lançados na inicial, notadamente no que concerne á possibilidade de afastamento (não aplicação) dos dispositivos tidos como inconstitucionais tais pedidos já fizerem parte do recurso, também já rechaçados por este Relator. Portanto, indefiro tais pedidos. 16. Por derradeiro, para corroborar a motivação do auto de infração, corretamente aplicado, e ratificar a validade da decisão DRJ, em todos os seus fundamentos, citamos, a decisão do STF, em sede de repercussão geral, exarada no RE 398.365 RG/RS, em sessão plenária realizada em 27/08/2015, onde, por maioria de votos, o STF confirmou sua jurisprudência sobre a impossibilidade de empresas aproveitarem créditos do IPI na aquisição de insumos isentos, não tributados ou sujeitos á aliquota zero. Seguindo a sugestão do Min. Gilmar Mendes, os ministros reconheceram a repercussão geral do tema e fixaram o entendimento consolidado de que os princípios da não cumulatividade e da seletividade não asseguram direito de crédito presumido de IPI para o contribuinte adquirente de insumos não tributados ou sujeitos á alíquota zero. Com a decisão, o STF faz prevalecer a posição adotada a partir de 2007, quando a Suprema Corte reverteu o entendimento que preponderou entre 1998 e 2002, como citado, a favor do aproveitamento dos créditos. 17. Cumpre destacar que, por imposição do § 2º do artigo 62 do Regimento Interno do CARF – RICARF, as decisões definitivas de mérito, proferidas pelo STF e pelo STJ, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. Assim está redigido o dispositivo citado : Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. ……………………… § 2º As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática dos arts. 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 1973, ou dos arts. 1.036 a 1.041 da Lei nº 13.105, de 2015 Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. (Redação dada pela Portaria MF nº 152, de 2016). Conclusão 18. Por todo o exposto, voto por NEGAR provimento ao Recurso Voluntário, nos quesitos nulidade da decisãocerceamento de defesanecessidade de prova pericial; principio da verdade material que norteia o processo administrativopossibilidade de comprovação do direito creditório em qualquer fase processual; inaplicabilidade da multa aplicada em face do princípio constitucional do não confisco e dos princípios administrativos da razoabilidade e da proporcionalidade; inaplicabilidade da taxa SELIC aos supostos débitos como juros de mora – limitação dos juros de mora pelo Código Tributário Nacional; possibilidade do enfrentamento pleo tribunal administrativo do argumento de inconstitucionalidade de norma legal. Assinado digitalmente Conselheiro Ari Vendramini Relator Fl. 472DF CARF MF Processo nº 11065.720200/201709 Acórdão n.º 3301004.999 S3C3T1 Fl. 464 19 Fl. 473DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10930.907092/2011-74
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Sep 26 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Oct 26 00:00:00 UTC 2018
Numero da decisão: 3402-001.428
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do Recurso em diligência, nos termos do voto do relator.
Waldir Navarro Bezerra - Presidente e Relator
(assinado digitalmente)
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Waldir Navarro Bezerra, Rodrigo Mineiro Fernandes, Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Pedro Sousa Bispo, Renato Vieira de Ávila (suplente convocado) e Cynthia Elena de Campos. Ausente justificadamente a Conselheira Thais De Laurentiis Galkowicz, sendo substituída pelo Conselheiro Renato Vieira de Ávila (suplente convocado).
Nome do relator: WALDIR NAVARRO BEZERRA
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Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do Recurso em diligência, nos termos do voto do relator. Waldir Navarro Bezerra Presidente e Relator (assinado digitalmente) Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Waldir Navarro Bezerra, Rodrigo Mineiro Fernandes, Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Pedro Sousa Bispo, Renato Vieira de Ávila (suplente convocado) e Cynthia Elena de Campos. Ausente justificadamente a Conselheira Thais De Laurentiis Galkowicz, sendo substituída pelo Conselheiro Renato Vieira de Ávila (suplente convocado). Relatório Trata o presente processo de recurso voluntário contra o indeferimento de manifestação de inconformidade postulada ante o não reconhecimento de pedido de restituição de contribuição (PIS/Cofins) formulado pela recorrente. A restituição foi indeferida porque o crédito pleiteado encontravase totalmente alocado a débito declarado pelo contribuinte. Na manifestação apresentada, a interessada afirma que o § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718, de 1998 teve a sua inconstitucionalidade declarada pelo STF. Salienta que a manifestação contida no despacho decisório decorre de informação prestada em DCTF nos anos de 2000 a 2004, ou seja, consoante previsão legal então vigente. Acredita que a conclusão deve ser a de procedência do pedido, afinal, nos termos das decisões existentes as receitas não RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 09 30 .9 07 09 2/ 20 11 -7 4 Fl. 125DF CARF MF Processo nº 10930.907092/201174 Resolução nº 3402001.428 S3C4T2 Fl. 146 2 operacionais devem ser excluídas das bases de cálculo do PIS e da Cofins. Salienta que as declarações prestadas anteriormente devem ser revistas e diz que para ocorrer o deferimento bastará à Autoridade Julgadora proceder à análise das DCTF apresentadas, tendo por base planilha anexada à manifestação. Aduz, adicionalmente, que a discussão principal contida no processo diz respeito à matéria de direito, “devendo o órgão julgador apreciar a procedência da tese”, intimando a contribuinte a provar o direito mediante prova documental. A impugnação acima aludida foi julgada parcialmente procedente pela DRJ, que não reconheceu o direito creditório face a ausência de sua comprovação. Cientificado desta decisão o contribuinte interpôs o presente recurso voluntário, onde alega que a decisão proferida pela DRJ teria alterado o critério jurídico do despacho de indeferimento atacado, o que implicaria a nulidade da decisão proferida, bem como apresenta documentos fiscais que atestariam a validade do seu crédito. É o relatório. Resolução Conselheiro Waldir Navarro Bezerra O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido na Resolução 3402001.422, de 26 de setembro de 2018, proferido no julgamento do processo 10930.907066/201146, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevemse, como solução deste litígio, nos termos regimentais, os entendimentos que prevaleceram naquela decisão (Resolução 3402001.422): "5. Conforme se observa dos autos, em despacho eletrônico de fls. 05/06, o crédito vindicado pelo contribuinte foi indeferido ao fundamento que: (...). A partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos abaixo relacionados, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para restituição. (...). 6. Todavia, já em sede de julgamento de manifestação de inconformidade, o acórdão ora atacado entendeu por manter o indeferimento, mas agora sob o seguinte fundamento: (...). No caso, como a contribuinte nada apresentou no sentido de efetivamente comprovar que na composição da base de Fl. 126DF CARF MF Processo nº 10930.907092/201174 Resolução nº 3402001.428 S3C4T2 Fl. 147 3 cálculo da contribuição relativa ao aludido período de apuração estavam incluídas receitas compreendidas no alargamento da base de cálculo, não há como reconhecer o direito creditório buscado. Em assim sendo, dada a ausência de provas sobre a liquidez e certeza do direito creditório pleiteado, entendese que devem ser mantidos em todos os seus termos o Despacho Decisório contestado que, aliás, está fundamentado em informação prestada pela própria contribuinte em DCTF constante dos sistemas controlados pela RFB. (...) (grifos constantes no original). 7. Diante deste quadro, o contribuinte apresentou os documentos fiscais de fls. fls. 84/118, os quais compreendem guias DARF, livro razão e planilhas, que atestariam que o crédito vindicado é realmente decorrente do inconstitucional alargamento da base de cálculo do PIS e da COFINS veiculado pela lei n. 9.718/98 e rechaçado pelo STF no âmbito do julgamento do RE n. 585.235. 8. Percebese, portanto, que diante dos fatos aqui expostos e dos documentos acostados nos autos, é possível vislumbrar que de fato o contribuinte possui um crédito em seu favor. Logo, levando ainda em consideração que no âmbito do processo administrativo vigora o princípio da verdade material1, e, ainda, com especial respeito aos valores da eficiência e da moralidade, que devem conformar as ações da Administração Pública, é salutar que o presente caso seja convertido em julgamento para que: · a unidade preparadora, com base nos documentos acostados nos autos, bem como outros que venha a solicitar junto ao contribuinte, analise se de fato o crédito vindicado pelo contribuinte decorre do indevido pagamento de PIS e COFINS sobre receitas financeiras e, em caso positivo, detalhe analiticamente o impacto de tal crédito para o pedido formulado pelo contribuinte. 9. Elaborado o sobredito relatório fiscal, o contribuinte deverá ser intimado para, facultativamente, se manifestar a respeito em 30 (trinta) dias, exatamente como prescreve o parágrafo único do art. 35 do Decreto n. 7.574/2011. 10. É a resolução." Importante frisar que as situações fática e jurídica presentes no processo paradigma encontram correspondência nos autos ora em análise. Desta forma, os elementos 1 "Registrese, desde já, que este importante valor normativo não se assemelha a uma ferramenta mágica, como pretendem alguns, e, por óbvio, não tem a aptidão de "validar" preclusões e atecnias, nem de transformar tais defeitos em um processo administrativo "regular". Este tipo de interpretação a respeito do princípio da verdade material só se presta a apequenar esta importante norma. Assim, quando se fala em verdade material o que se quer exprimir é a possibilidade de reconstruir a relação jurídica de direito material conflituosa por intermédio de uma metodologia jurídica mais flexível, ou seja, menos apegada à forma, o que se dá pelas características peculiares do direito material vindicado processualmente, i.e., pela sua contextualização." (RIBEIRO, Diego Diniz. O CPC/2015 e seus reflexos no processo administrativo tributário. In: Paulo de Barros Carvalho, Priscila de Souza. (Orgs.). Racionalização do sistema tributário. São Paulo: Noeses, 2017, p. 219240.). Fl. 127DF CARF MF Processo nº 10930.907092/201174 Resolução nº 3402001.428 S3C4T2 Fl. 148 4 que justificaram a conversão do julgamento em diligência no caso do paradigma também a justificam no presente caso. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado decidiu por converter o julgamento em diligência, para que: · a unidade preparadora, com base nos documentos acostados nos autos, bem como outros que venha a solicitar junto ao contribuinte, analise se de fato o crédito vindicado pelo contribuinte decorre do indevido pagamento de PIS e COFINS sobre receitas financeiras e, em caso positivo, detalhe analiticamente o impacto de tal crédito para o pedido formulado pelo contribuinte. Elaborado o sobredito relatório fiscal, o contribuinte deverá ser intimado para, facultativamente, se manifestar a respeito em 30 (trinta) dias, exatamente como prescreve o parágrafo único do art. 35 do Decreto n. 7.574/2011. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra Fl. 128DF CARF MF
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Numero do processo: 10880.919721/2014-94
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jul 26 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Sep 26 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 2011
RECURSO VOLUNTÁRIO QUE NÃO REBATE AS RAZÕES DA DECISÃO DA DRJ.. AUSÊNCIA DE DIALETICIDADE.
Recurso voluntário que não apresente indignação contra os fundamentos da decisão supostamente recorrida ou traga qualquer motivo pelos quais deva ser modificada deve ser mantido por falta de dialeticidade com a decisão recorrida.
Numero da decisão: 1401-002.758
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
Luiz Augusto de Souza Gonçalves - Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Augusto de Souza Gonçalves (Presidente), Lívia De Carli Germano, Luciana Yoshihara Arcângelo Zanin, Daniel Ribeiro Silva, Abel Nunes de Oliviera Neto, Letícia Domingues Costa Braga, Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa e Cláudio de Andrade Camerano.
Nome do relator: LUIZ AUGUSTO DE SOUZA GONCALVES
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Ano-calendário: 2011 RECURSO VOLUNTÁRIO QUE NÃO REBATE AS RAZÕES DA DECISÃO DA DRJ.. AUSÊNCIA DE DIALETICIDADE. Recurso voluntário que não apresente indignação contra os fundamentos da decisão supostamente recorrida ou traga qualquer motivo pelos quais deva ser modificada deve ser mantido por falta de dialeticidade com a decisão recorrida.
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AUSÊNCIA DE DIALETICIDADE. Recurso voluntário que não apresente indignação contra os fundamentos da decisão supostamente recorrida ou traga qualquer motivo pelos quais deva ser modificada deve ser mantido por falta de dialeticidade com a decisão recorrida. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Luiz Augusto de Souza Gonçalves Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Augusto de Souza Gonçalves (Presidente), Lívia De Carli Germano, Luciana Yoshihara Arcângelo Zanin, Daniel Ribeiro Silva, Abel Nunes de Oliviera Neto, Letícia Domingues Costa Braga, Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa e Cláudio de Andrade Camerano. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 91 97 21 /2 01 4- 94 Fl. 69DF CARF MF Processo nº 10880.919721/201494 Acórdão n.º 1401002.758 S1C4T1 Fl. 3 2 Relatório Adoto como relatório, aquele da decisão de primeira instância, complementando a seguir: O presente processo trata de Manifestação de Inconformidade contra o Despacho Decisório [...], referente ao PER/DCOMP nº 32620.67323.180314.1.3.048440. O PerDcomp foi transmitido com o objetivo de compensar o(s) débito(s) nele discriminado(s) com crédito de IRPJ, Código de Receita 2089, decorrente de recolhimento com Darf efetuado em 29/07/2011, no valor de R$ 46.209,07. De acordo com o Despacho Decisório, a partir das características do DARF descrito no PER/DCOMP acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados. Assim, diante da inexistência de crédito, a compensação declarada NÃO FOI HOMOLOGADA. Como enquadramento legal citouse: arts. 165 e 170, da Lei nº 5.172 de 25 de outubro de 1966 (Código Tributário Nacional CTN), art. 74 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996. MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE O interessado apresentou manifestação de inconformidade alegando, em síntese, o que se segue: que a alegação de que não restou crédito disponível não pode ser entendida como fundamento para o DD; que a autoridade administrativa quedouse inerte na análise de qualquer situação que legitima o crédito postulado; que o processo administrativo no âmbito federal tem regulamentação própria e deve ser observada pela autoridade julgadora; que a Lei 9784, de 1999, no art. 2, inciso VIII, dispõe, entre outros, sobre os princípios da legalidade, motivação e observância das formalidades; que a autoridade não se deu nem sequer ao trabalho de motivar seu despacho; que se torna evidente que a não homologação desta compensação ocorreu por uma questão de sistema de informática, porque o crédito propriamente dito nem sequer foi apreciado; Fl. 70DF CARF MF Processo nº 10880.919721/201494 Acórdão n.º 1401002.758 S1C4T1 Fl. 4 3 que a autoridade administrativa limitouse a verificar se o pagamento realizado estava disponível em seus sistemas; que a única conclusão que se chega é a de que se trata do encontro de contas realizado pelo sistema da Receita Federal entgre o débito recolhido por DARF e o crédito declarado em DCTF; que diversas situações que acarretariam na restituição do valor recolhido, seja pela inclusão indevida de valores na base de cálculo, seja por erro de fato na apuração do imposto, seja por situações que autorizam o contribuinte a reduzir valores da base de cálculo, hipóteses que são regulamentadas pela IN 1.300/2012; que a autoridade administrativa furtouse em analisar qualquer das possibilidades que ensejaria a restituição postulada; que simplesmente não homologar a compensação sem explicar os motivos da suposta indisponibilidade do crédito, torna a decisão totalmente nula, por não oferecer os elementos necessários para que a empresa possa promover sua defesa e a prova da existência deste crédito; que houve cerceamento de direito de defesa, porque a autoridade não analisou o mérito da compensação efetuada e nem sequer intimou a empresa a prestar os esclarecimentos necessários; em observância ao princípio constitucional da eficiência, a administração está obrigada a intimar o interessado a fazer os esclarecimentos necessários e comprovar o alegado, sempre que lhe restar dúvidas; que o crédito é legítimo, porque o valor efetivamente pago é maior do que o valor correto do débito apurado pela empresa; o contribuinte, ao calcular o débito, incluiu na base de cálculo não só a receita decorrente do seu faturamento, mas também receitas que não a deveriam compor; não providenciou a devida retificação da DCTF, para que ela apresentasse os valores efetivamente devidos; que ficou impossibilitada a oportuna apresentação de prova do direito alegado, já que nem a autoridade administrativa sabe o motivo do indeferimento, tampouco a impugnante; há de ser aplicada a regra autorizadora da produção posterior de provas, para o momento em que a lide esteja delineada em seus termos. Ao final, pedese que seja determinada a suspensão da exigibilidade do crédito tributário e que seja acatada a preliminar de nulidade. A decisão restou assim ementada: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Fl. 71DF CARF MF Processo nº 10880.919721/201494 Acórdão n.º 1401002.758 S1C4T1 Fl. 5 4 Anocalendário: 2011 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. CRÉDITO NÃO COMPROVADO. Não se admite a compensação se o contribuinte não comprovar a existência de crédito líquido e certo. Manifestação de Inconformidade Improcedente. Direito Creditório Não Reconhecido. Inconformada a contribuinte interpôs recurso voluntário sem contudo, apresentar as razões do recurso. Foi intimada a contribuinte a apresentar as razões em 10 dias. Apresentadas as razões, a contribuinte alega apenas a nulidade do despacho decisório por não ter sido fundamentado. Alega que os atos administrativos devem ser fundamentados para que fosse possível à Recorrente compreender qual o motivo da não homologação da compensação. Por fim, não junta qualquer documento, tampouco rebate a fundamentação da decisão primeva. Esse é o relatório do essencial. Fl. 72DF CARF MF Processo nº 10880.919721/201494 Acórdão n.º 1401002.758 S1C4T1 Fl. 6 5 Voto Conselheiro Luiz Augusto de Souza Gonçalves Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º, 2º e 3º, do Anexo II, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão nº 1401002.752, de 26/07/2018, proferido no julgamento do Processo nº 10880.959034/2013 21, paradigma ao qual o presente processo fica vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão nº 1401002.752): O recurso é tempestivo e dele conheço. Cuidam os autos de compensação de débito(s) com crédito de IRPJ, Código de Receita 2089, decorrente de recolhimento com Darf efetuado em 29/01/2010, no valor de R$38.217,54. O despacho decisório concluiu que o DARF citado do alegado crédito já foi devidamente compensado com outros débitos. Ou seja, estamos diante de um fato em que deveria a contribuinte, ora recorrente, demonstrar que os valores não foram compensados com outros débitos. Sendo assim, a questão é meramente de fato e exige provas da contribuinte para que lhe seja garantido seu suposto direito. Contudo, não restou demonstrado qualquer direito e tão somente sua indignação pela falta de fundamentação do despacho decisório. A DRJ analisou o pedido conforme exposto abaixo: Motivação do Despacho Decisório O despacho não deixa dúvida quanto à sua motivação: o fundamento de fato para a não homologação é a inexistência do crédito utilizado na compensação; o fundamento legal é, entre outros, o art. 74 da Lei n.º 9.430, de 1996. O caput do referido artigo diz que o sujeito passivo que apurar crédito passível de restituição ou de ressarcimento poderá utilizálo na compensação de débitos próprios. Isso significa que, se o sujeito passivo não apurar crédito passível de restituição ou ressarcimento, não poderá fazer compensação. Fl. 73DF CARF MF Processo nº 10880.919721/201494 Acórdão n.º 1401002.758 S1C4T1 Fl. 7 6 Portanto, a inexistência do crédito utilizado no PER/DCOMP é fundamento de fato legítimo e suficiente para a não homologação. Ele explicita de maneira fundamentada, como se concluiu pela inexistência do crédito pretendido. Consta do despacho decisório que o Darf apresentado como crédito foi utilizado para pagar débito a ele vinculado. Foram informados, ainda, em relação ao débito vinculado ao DARF, o código do tributo, seu período de apuração e seu valor original. Demonstrase, assim, que o despacho traz, de forma explícita, a motivação da não homologação. A exposição é clara e exaustiva. O interessado, por sua vez, demonstra que a compreendeu perfeitamente no trecho da manifestação abaixo reproduzido: Limitouse a autoridade administrativa, em fazer uma verificação prévia se o pagamento realizado indevidamente ou a maior estava disponível em seus sistemas. Teve, portanto, a cognição dos fatos e do direito pertinentes ao objeto do ato contestado em toda sua extensão e complexidade. Assim sendo, não houve preterição do direito de defesa. A análise da motivação é questão de mérito. Sua eventual improcedência não é motivo de nulidade e não afeta o estabelecimento da relação jurídica processual. Falta de Intimação Para Prestar Esclarecimentos Pelo que dispõe o Decreto nº 70.235, de 1972, não constitui irregularidade a falta de oportunidade para a manifestação do sujeito passivo antes da ciência do despacho decisório de nãohomologação da compensação. Por outro lado, o recurso apenas argui a falta de fundamentação do despacho decisório, sem ao menos "dialogar" com a decisão da DRJ. Nesse sentido, a falta de dialeticidade do recurso impede qualquer nova decisão sobre a matéria. Essa é a jurisprudência desse Conselho sobre a matéria, conforme ementa de recurso julgado pela brilhante Conselheira integrante desse turma, Lívia De Carli Germano: IMPUGNAÇÃO. PRINCÍPIO DO CONTRADITÓRIO. AUSÊNCIA DE DIALETICIDADE. REGIMENTO INTERNO DO CARF. Recurso voluntário que não apresente indignação contra os fundamentos da decisão supostamente recorrida ou traga qualquer motivo pelos quais deva ser modificada autoriza a adoção, como razões de decidir, dos Fl. 74DF CARF MF Processo nº 10880.919721/201494 Acórdão n.º 1401002.758 S1C4T1 Fl. 8 7 fundamentos da decisão recorrida, por expressa previsão do regimento interno do CARF. Processo nº 10935.002797/201072 Acórdão nº 1401 002.365 – 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 11 de abril de 2018 Recorrente JORGE TOME EPP/ Recorrida FAZENDA NACIONAL Nesse sentido, não há qualquer direito a ser reconhecido, tampouco qualquer nova razão. Não restou demonstrada a não fundamentação da decisão recorrida, pelo que a mantenho pelos seus próprios fundamentos. Conclusão Pelo acima exposto, conduzo meu voto no sentido de negar provimento ao recurso. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º, 2º e 3º do art. 47, do Anexo II, do RICARF, voto por negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto acima transcrito. (assinado digitalmente) Luiz Augusto de Souza Gonçalves Fl. 75DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10880.909466/2010-48
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Fri Aug 17 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Oct 01 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Data do fato gerador: 31/10/2002
LEGISLAÇÃO NÃO APLICÁVEL. DECISÃO NULA.
Deve ser anulada a decisão que se baseou em legislação não mais aplicável e que não analisou o fundamento do Despacho Decisório objeto da manifestação de inconformidade.
Numero da decisão: 1201-002.420
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em anular a decisão de primeira instância, nos termos do voto da relatora.
(assinado digitalmente)
Ester Marques Lins de Sousa - Presidente e Relatora
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa (Presidente), Eva Maria Los, Luis Fabiano Alves Penteado, José Carlos de Assis Guimarães, Luis Henrique Marotti Toselli, Rafael Gasparello Lima, Paulo Cezar Fernandes de Aguiar e Gisele Barra Bossa.
Nome do relator: ESTER MARQUES LINS DE SOUSA
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 31/10/2002 LEGISLAÇÃO NÃO APLICÁVEL. DECISÃO NULA. Deve ser anulada a decisão que se baseou em legislação não mais aplicável e que não analisou o fundamento do Despacho Decisório objeto da manifestação de inconformidade. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em anular a decisão de primeira instância, nos termos do voto da relatora. (assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa Presidente e Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa (Presidente), Eva Maria Los, Luis Fabiano Alves Penteado, José Carlos de Assis Guimarães, Luis Henrique Marotti Toselli, Rafael Gasparello Lima, Paulo Cezar Fernandes de Aguiar e Gisele Barra Bossa. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 90 94 66 /2 01 0- 48 Fl. 64DF CARF MF Processo nº 10880.909466/201048 Acórdão n.º 1201002.420 S1C2T1 Fl. 3 2 Relatório Trata o presente processo de Declaração de Compensação cujo crédito é decorrente de pagamento a maior que o devido. Pelo Despacho Decisório, o crédito não foi reconhecido e a compensação não foi homologada em face de o pagamento informado estar integralmente utilizado para a quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação do débito informado no PER/DCOMP. Protocolada a Manifestação de Inconformidade, foi julgada improcedente, pelo fundamento de que na hipótese de ter sido efetuado pagamento indevido ou maior que o devido de IRPJ calculado por estimativa, esse valor somente poderia ser utilizado na dedução do IRPJ apurado ao final daquele período de apuração, ou para compor o saldo negativo de IRPJ. Foi manejado o Recurso Voluntário no qual é alegado que, à época do fato, a legislação permitia a restituição do pagamento de estimativa feito indevidamente ou a maior que o devido. A restrição só ocorreu posteriormente, por legislação superveniente ao fato. Desse modo, independentemente da data da apresentação da Dcomp, é aplicável a legislação vigente à época do pagamento de estimativa efetuado indevidamente ou a maior. É o relatório. Voto Conselheira Ester Marques Lins de Sousa, Relatora. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º, 2º e 3º, do Anexo II, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão nº 1201002.418, de 17/08/2018, proferido no julgamento do Processo nº 10880.968411/2009 36, paradigma ao qual o presente processo fica vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão nº 1201002.418): "Admissibilidade. Fl. 65DF CARF MF Processo nº 10880.909466/201048 Acórdão n.º 1201002.420 S1C2T1 Fl. 4 3 O recurso voluntário é tempestivo e atende aos demais pressupostos de admissibilidade, dele devendose conhecer. Mérito. Como visto, no Despacho Decisório o crédito não foi reconhecido em face de utilização total do pagamento para a amortização de débitos da interessada. Manejada a manifestação de inconformidade, o fundamento nela exposto, consentâneo com a motivação do Despacho Decisório, não foi analisado na decisão de primeira instância, que não reconheceu o crédito e não homologou a compensação em face de que, na hipótese de ter sido efetuado pagamento indevido ou maior que o devido de IRPJ calculado por estimativa, esse valor somente poderia ser utilizado na dedução do IRPJ apurado ao final daquele período de apuração, ou para compor o saldo negativo de IRPJ. A Solução de Consulta Interna nº 19 Cosit, de 5 de dezembro de 2011, assim dispõe: ESTIMATIVAS. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. RESTITUIÇÃO E COMPENSAÇÃO. O art. 11 da IN RFB nº 900, de 2008, que admite a restituição ou a compensação de valor pago a maior ou indevidamente de estimativa, é preceito de caráter interpretativo das normas materiais que definem a formação do indébito na apuração anual do Imposto de Renda da Pessoa Jurídica ou da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido, aplicandose, portanto, aos PER/DCOMP originais transmitidos anteriormente a 1º de janeiro de 2009 e que estejam pendentes de decisão administrativa. Caracterizase como indébito de estimativa inclusive o pagamento a maior ou indevido efetuado a este título após o encerramento do período de apuração, seja pela quitação do débito de estimativa de dezembro dentro do prazo de vencimento, seja pelo pagamento em atraso da estimativa devida referente a qualquer mês do período, realizado em ano posterior ao do período da estimativa apurada, mesmo na hipótese de a restituição ter sido solicitada ou a compensação declarada na vigência das IN SRF nº 460, de 2004, e IN SRF nº 600, de 2005. A nova interpretação dada pelo art. 11 da IN RFB nº 900, de 2008, aplicase inclusive aos PER/DCOMP retificadores apresentados a partir de 1º de janeiro de 2009, relativos a PER/DCOMP originais transmitidos durante o período de vigência da IN SRF nº 460, de 2004, e IN SRF nº 600, de 2005, desde que estes se encontrem pendentes de decisão administrativa. Fl. 66DF CARF MF Processo nº 10880.909466/201048 Acórdão n.º 1201002.420 S1C2T1 Fl. 5 4 A Dcomp foi apresentada anteriormente à edição da IN RFB nº 900, de 2008. Contudo, o Despacho Decisório só foi emitido após 1º de janeiro de 2009 e, por óbvio, também a decisão recorrida. Vêse, portanto, que o fundamento da decisão de primeira instância não só não poderia ser mais utilizado, como também não foi analisado o fundamento inicial (Despacho Decisório). Conclusão. Em face do exposto, voto por conhecer do recurso voluntário para anular a decisão de primeira instância, com o retorno dos autos à DRJ de origem." Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º, 2º e 3º do art. 47, do Anexo II, do RICARF, voto por anular a decisão de primeira instância, nos termos do voto acima transcrito. (assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa Fl. 67DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10070.001763/2007-82
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jun 30 00:00:00 UTC 2011
Ementa: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2007 Ementa: ASSUNTO: SIMPLES NACIONAL Ano-calendário: 2007 SIMPLES NACIONAL.PEDIDO DE INCLUSÃO. PERÍODO E MEIO INADEQUADOS.DÉBITOS DE CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. O pedido de opção pelo Simples Nacional, para o ano de 2007, devia ser realizado por meio da internet no período de 01/07/2007 a 20/08/2007. Impossibilidade de migração automática do Simples Federal para o Simples Nacional em virtude de débitos de contribuições previdenciárias.
Numero da decisão: 1302-000.650
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso.
Nome do relator: MARCOS RODRIGUES DE MELLO
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ementa_s : Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2007 Ementa: ASSUNTO: SIMPLES NACIONAL Ano-calendário: 2007 SIMPLES NACIONAL.PEDIDO DE INCLUSÃO. PERÍODO E MEIO INADEQUADOS.DÉBITOS DE CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. O pedido de opção pelo Simples Nacional, para o ano de 2007, devia ser realizado por meio da internet no período de 01/07/2007 a 20/08/2007. Impossibilidade de migração automática do Simples Federal para o Simples Nacional em virtude de débitos de contribuições previdenciárias.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 6; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1528; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C3T2 Fl. 183 1 182 S1C3T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10070.001763/200782 Recurso nº 888.969 Voluntário Acórdão nº 130200.650 – 3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 30/06/2011 Matéria SIMPLES INCLUSÃO Recorrente FORMA TOTAL ACADEMIA LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Anocalendário: 2007 Ementa: ASSUNTO: SIMPLES NACIONAL Anocalendário: 2007 SIMPLES NACIONAL.PEDIDO DE INCLUSÃO. PERÍODO E MEIO INADEQUADOS.DÉBITOS DE CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. O pedido de opção pelo Simples Nacional, para o ano de 2007, devia ser realizado por meio da internet no período de 01/07/2007 a 20/08/2007. Impossibilidade de migração automática do Simples Federal para o Simples Nacional em virtude de débitos de contribuições previdenciárias. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso. (documento assinado digitalmente) MARCOS RODRIGUES DE MELLO Presidente. e relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Rodrigues de Mello, Daniel Salgueiro da Silva, Eduardo de Andrade, Lavínia Moraes de Almeida Nogueira Junqueira, Wilson Fernandes Guimarães e Irineu Bianchi Fl. 200DF CARF MF Emitido em 05/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 05/07/2011 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Assinado digitalmente em 05/07/2011 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Processo nº 10070.001763/200782 Acórdão n.º 130200.650 S1C3T2 Fl. 184 2 Relatório Tratase de Recurso voluntário em relação ao acórdão DRJ que negou provimento à Manifestação de Inconformidade ante o indeferimento do Pedido de Inclusão no Simples Nacional com data retroativa, protocolado em 15/10/2007, fls. 01 e 02, originando o presente processo. O indeferimento deuse por intermédio do Despacho Decisório Derat/RJO s/nº, de 10/11/2009, fls. 58/59. A autoridade administrativa, na decisão denegatória, apresenta as seguintes justificativas para o indeferimento do pleito: . não consta solicitação de opção pelo Simples Nacional para 2007, mas somente para 2008 e 2009, conforme fls. 49; a opção pelo Simples Nacional darseá por meio da Internet, de acordo com o art. 7º da Res. CGSN nº 04/2007; . para o ano de 2007 poderia solicitar a opção de 01/01 a 20/08/2007, produzindo efeitos a partir de 01/07/2007; . a interessada não fez a opção pela Internet e somente solicitou opção fora do prazo, em 15/10/2007, pelo presente processo; . as solicitações para 2008 e 2009 foram indeferidas, para 2008 devido a pendências de débitos com a RFB e relativa à atividade econômica vedada – clínicas de estética e similares CNAE 96092/01, fl. 51 e para 2009, devido a débitos de natureza previdenciária, fls. 53/54; . foi alterado CNAE para 93131/00 – atividade de condicionamento físico, fl. 52; . apresenta débitos previdenciários desde 09/2004, fl. 45, ainda não regularizados, fl. 48, o que o impede de recolher como Simples Nacional, conforme inciso V do art. 17 da Lei Complementar 123/2006. Cientificado em 09/12/2009, fl. 60, a interessada apresentou Manifestação de Inconformidade, fls. 62/63, em 08.01.2010, alegando em síntese, que: . conforme a LC 123/2006, a vigorar a partir de 01/07/2007, as empresas optantes pelo Simples Federal migrariam automaticamente para o Simples Nacional, independente de débitos ou pendências, gerando uma série de polêmicas e desencontros. O prazo foi prorrogado para 20/08/2007, sendo orientada a aguardar até final de setembro/2007, quando deu entrada no processo de inclusão no Cac/Catete; . declara que foi prejudicada pelo sistema da RFB que alterou o código de atividade de 93131/00 para 96092/01 relativo a clínicas de estéticas e similares, vetado para Fl. 201DF CARF MF Emitido em 05/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 05/07/2011 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Assinado digitalmente em 05/07/2011 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Processo nº 10070.001763/200782 Acórdão n.º 130200.650 S1C3T2 Fl. 185 3 migração, sem qualquer tipo de solicitação ou pedido de alteração contratual por parte da requerente; . tentou alterar o código referente à sua atividade – condicionamento físico que prevalesceu de 2007 a 2008, o que só conseguiu com pedido de alteração do CNAE com data do evento 01/01/2007; . 2 (dois) sistemas tributários no mesmo exercício, ao invés de alterar no mês de janeiro de cada ano gerou desencontros de opinião entre os contribuintes; . anexa cópias de guias INSS de 03/2004 a 08/2005 e 04/2009 a 07/2009, e SEFIP retificadoras, fls. 76/160. A DRJ decidiu: ASSUNTO: SIMPLES NACIONAL Anocalendário: 2007 SIMPLES NACIONAL.PEDIDO DE INCLUSÃO. PERÍODO E MEIO INADEQUADOS.DÉBITOS DE CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. O pedido de opção pelo Simples Nacional, para o ano de 2007, devia ser realizado por meio da internet no período de 01/07/2007 a 20/08/2007. Impossibilidade de migração automática do Simples Federal para o Simples Nacional em virtude de débitos de contribuições previdenciárias. A recorrente tomou ciência em 14/05/2010 e apresentou recurso em 10/06/2010. Em seu recurso alega que sua inclusão retroativa no sistema Simples não foi concretizada por motivo de conexão no sistema do programa e posteriormente de 20/08/2007 e só conseguindo a referida solicitação de opção pelo Simples Nacional no dia 22/08/2007, quando já havia aspirado ao prazo para opção juntamente com uma mensagem, para que aguardasse até o dia 20/09/2007 fato que não ocorreu até a data prevista, o que motivou a requerente através do seu representante legal, a formar um processo administrativo no CAC Catete — RJ. no dia 27/10/2007, que tramitou nos órgãos da Secretaria da Receita Federal do Brasil em analise e julgamento durante 2 anos e 7 meses, pois a requerente só foi cientificada do seu indeferimento em 18/11/2009, pela Empresa Brasileira de Correios e Telégrafos, cuja demora para ciência do indeferimento, impossibilitou a mesma, de tomar providencias com relação decisão pelo indeferimento. Outrossim, devemos informar a V.Sa, que no decorrer do ano de 2007 o sistema da Receita Federal do Brasil, alterou seu código CNAE de 9313 1/00 Atividade de Condicionamento Físico para 96092/01 Clinica de Estéticas e Similares, código este vetado para sua inclusão no Simples Nacional, fato este que contribuiu também para o indeferimento de seu pedido de inclusão no mesmo. A requerente esclarece ainda a V.Sa, que tentou inúmeras vezes alterar seu CNAE para sua atividade 93131/00 porem não conseguindo, pois atividade CNAE 96092/01 que permaneceu durante 2 anos e s6 tendo conseguido em 2009, através de informação obtida no setor de CNPJ sala 938 por orientação de seu funcionário Sr.Airton que fizesse uma Fl. 202DF CARF MF Emitido em 05/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 05/07/2011 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Assinado digitalmente em 05/07/2011 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Processo nº 10070.001763/200782 Acórdão n.º 130200.650 S1C3T2 Fl. 186 4 alteração contratual retroativa 01/01/2007, como data do Evento no sistema da Receita quando então consegui a respectiva mudança de seu CNAE PARA 93131/00. Voto Conselheiro MARCOS RODRIGUES DE MELLO O recurso voluntário é tempestivo e deve ser conhecido. O acórdão DRJ se manifestou sobre a não inclusão da recorrente no Simples Com relação à não inclusão automática da interessada no Simples Nacional, observo que no requerimento efetuado à fls. 01 e 02, de 15/10/2007, a interessada alega que não havia motivo para não ser incluída automaticamente por não se encontrar em nenhuma das hipóteses impeditivas, tanto que apresenta Certidões conjuntas negativas de débito de tributos federais e Dívida ativa da União, juntadas às fls. 23/25. Ocorre que, de acordo com o Parecer anexo ao Despacho Decisório, fl. 48 e cópia de fl. 68, juntada pela própria interessada, o que comprova sua ciência do Parecer, consta que havia pendências de Contribuições Previdenciárias nas competências 01/2009 e 03/2004 a 08/2005, “tendo em vista os valores declarados pela empresa em GFIP(s) e os valores recolhidos pela mesma.” Vale observar que as Certidões anexadas pela interessada não cobriam os débitos originados das contribuições previdenciárias. Vejamos a Resolução CGSN ( Comite Gestor do Simples Nacional) nº 4, de 30 de maio de 2007DOU de 1º.6.2007, que normatizava a matéria: ... Art. 12. Não poderão recolher os impostos e contribuições na forma do Simples Nacional a ME ou a EPP: XVI – que possua débito com o Instituto Nacional do Seguro Social (INSS), ou com as Fazendas Públicas Federal, Estadual ou Municipal, cuja exigibilidade não esteja suspensa; Para o anocalendário de 2007, a opção para entrada no Simples Nacional podia ter sido exercida entre o primeiro dia útil do mês de julho até 20 de agosto de 2007, com efeitos a partir de 1o de julho do mesmo ano: Fl. 203DF CARF MF Emitido em 05/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 05/07/2011 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Assinado digitalmente em 05/07/2011 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Processo nº 10070.001763/200782 Acórdão n.º 130200.650 S1C3T2 Fl. 187 5 Art. 17. Excepcionalmente, para o anocalendário de 2007, a opção a que se refere o art. 7o poderá ser realizada do primeiro dia útil de julho de 2007 até 20 de agosto de 2007, produzindo efeitos a partir de 1o de julho de 2007. (Redação dada pela Resolução CGSN no 19, de 13 de agosto de 2007). Sobre a migração automática que a interessada alega que deveria ter ocorrido, já que estava no Simples federal, estava subordinada às seguintes condições: Art. 18. Serão consideradas inscritas no Simples Nacional, em 1° de julho de 2007, as ME e EPP regularmente optantes pelo regime tributário de que trata a Lei n° 9.317, de 5 de dezembro de 1996, salvo as que estiverem impedidas de optar por alguma das vedações previstas nesta Resolução. (Redação dada pela Resolução CGSN n° 20, de 15 de agosto de 2007) § 1º Para fins da opção tácita de que trata o caput, consideram se regularmente optantes as ME e as EPP inscritas no CNPJ como optantes pelo regime tributário de que trata a Lei nº 9.317, de 1996, que até 30 de junho de 2007 não tenham sido excluídas dessa sistemática de tributação ou, se excluídas, que até essa data não tenham obtido decisão definitiva na esfera administrativa ou judicial com relação a recurso interposto. § 2º No mês de junho de 2007, a RFB disponibilizará, por meio da internet, relação de contribuintes optantes pelo regime tributário de que trata a Lei nº 9.317, de 1996, que não tiveram pendências detectadas relativamente à possibilidade de opção pelo Simples Nacional. § 3º A verificação de que trata o § 2º implica o deferimento da opção tácita para o Simples Nacional, desde que as ME e EPP não incorram em nenhuma das vedações previstas nesta Resolução até 30 de junho de 2007. § 4º Em julho de 2007, será disponibilizado, por meio da internet, o resultado da opção tácita de que trata este artigo. § 5º A opção tácita realizada de conformidade com o caput submeterá o contribuinte à sistemática do Simples Nacional a partir de 1º de julho de 2007, sendo irretratável para todo o segundo semestre do anocalendário de 2007, ressalvado o disposto no § 6º. Conforme se constata nas normas citadas, ao contrário do que alega a interessada, ocorrendo qualquer pendência ou restrição, não seria efetivada a migração do Simples Federal para o Simples Nacional, e a interessada deveria, tempestivamente, tomar as providências para sanear sua situação, no prazo estabelecido acima, até 20/08/2007. Assim, para que a mesma pudesse usufruir dos benefícios desse tratamento diferenciado, deveria buscar a opção voluntária, que no caso, conforme o art. 7o, da mesma Resolução CGSN nº 4 de 2007, deveria ser: Fl. 204DF CARF MF Emitido em 05/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 05/07/2011 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Assinado digitalmente em 05/07/2011 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Processo nº 10070.001763/200782 Acórdão n.º 130200.650 S1C3T2 Fl. 188 6 Art. 7º A opção pelo Simples Nacional darseá por meio da internet, sendo irretratável para todo o anocalendário. Ocorre que a interessada não solicitou sua inclusão no Simples Nacional pela Internet e somente protocolou intempestivamente seu pedido via processo administrativo em 15/10/2007, não tendo gerado o Termo de indeferimento relativo ao ano calendário de 2007. Por último, em sua manifestação de inconformidade trouxe as Guias GPS INSS que envolvem o período de 03/2004 a 08/2005 e 04/2009 a 07/2009, fls. 76/83, onde se pode verificar que a data de pagamento das referidas Guias são as datas de 24/12/2009 e 30/12/2009, comprovando portanto a existência dos referidos débitos de contribuições previdenciárias à época da transposição do Simples Federal para o Simples Nacional, em 01/07/2007, o que a impedia de ser incluída automaticamente no Simples Nacional. Quanto às suas alegações referentes às atividades vedadas, não há elementos nos autos para se concluir a respeito, além de não modificarem a conclusão da lide. Como se pode observar, a não inclusão da recorrente no Simples Nacional se deu pela existência de débitos de contribuições, débitos esses que, mesmo em sede de impugnação e recurso a recorrente não logrou êxito em demonstrar a inexistência. Acrescente que, em sede de recurso voluntário, a recorrente nem mesmo cita a matéria, devendo ser mantida a decisão recorrida. Diante do exposto, voto no sentido de negar provimento ao recurso. (documento assinado digitalmente) MARCOS RODRIGUES DE MELLO Relator Fl. 205DF CARF MF Emitido em 05/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 05/07/2011 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Assinado digitalmente em 05/07/2011 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO
score : 1.0
Numero do processo: 10660.905842/2011-09
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Jul 26 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Oct 04 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Normas de Administração Tributária
Data do Fato Gerador: 13/10/2000
FALTA DE RETIFICAÇÃO NA DCTF.
Nos pedidos de restituição e compensação PER/DCOMP, a falta de retificação da DCTF do período em análise não é impedimento para deferimento do pedido, desde que o contribuinte demonstre no processo administrativo fiscal, por meio de prova cabal, a existência da liquidez e certeza do crédito pleiteado.
Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Data do Fato Gerador: 13/10/2000
INCONSTITUCIONALIDADE DO ART. 3º, §1º, DA LEI Nº 9.718/1998. RECONHECIMENTO.
Quanto à ampliação da base de cálculo prevista pela Lei nº 9.718/1998, tal fato já foi decidido pelo Supremo Tribunal Federal em regime de repercussão geral, RE 585.235. Por força do Art. 62-A, Anexo II, do regimento interno deste Conselho, é obrigatória a aplicação do entendimento do STF sobre o conceito de faturamento, não se incluindo nesta concepção as receitas financeiras, salvo se estas forem receitas operacionais da pessoa jurídica.
Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Data do Fato Gerador: 13/10/2000
COMPENSAÇÃO. ÔNUS DA PROVA DO CONTRIBUINTE.
Pertence ao contribuinte o ônus de comprovar a certeza e a liquidez do crédito para o qual pleiteia compensação. A mera alegação do direito creditório, desacompanhada de provas baseadas na escrituração contábil/fiscal do período, não é suficiente para demonstrar que as receitas (de natureza diversa das de vendas de mercadorias e de serviços) afastadas da incidência foram incluídas indevidamente na base de cálculo da contribuição.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 3301-004.876
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplica-se o decidido no julgamento do processo 10660.905839/2011-87, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado.
(assinado digitalmente)
Winderley Morais Pereira - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Winderley Morais Pereira (presidente da turma), Valcir Gassen (vice-presidente), Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Semíramis de Oliveira Duro, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Ari Vendramini, Salvador Cândido Brandão Junior.
Nome do relator: WINDERLEY MORAIS PEREIRA
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camara_s : Terceira Câmara
ementa_s : Assunto: Normas de Administração Tributária Data do Fato Gerador: 13/10/2000 FALTA DE RETIFICAÇÃO NA DCTF. Nos pedidos de restituição e compensação PER/DCOMP, a falta de retificação da DCTF do período em análise não é impedimento para deferimento do pedido, desde que o contribuinte demonstre no processo administrativo fiscal, por meio de prova cabal, a existência da liquidez e certeza do crédito pleiteado. Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Data do Fato Gerador: 13/10/2000 INCONSTITUCIONALIDADE DO ART. 3º, §1º, DA LEI Nº 9.718/1998. RECONHECIMENTO. Quanto à ampliação da base de cálculo prevista pela Lei nº 9.718/1998, tal fato já foi decidido pelo Supremo Tribunal Federal em regime de repercussão geral, RE 585.235. Por força do Art. 62-A, Anexo II, do regimento interno deste Conselho, é obrigatória a aplicação do entendimento do STF sobre o conceito de faturamento, não se incluindo nesta concepção as receitas financeiras, salvo se estas forem receitas operacionais da pessoa jurídica. Assunto: Processo Administrativo Fiscal Data do Fato Gerador: 13/10/2000 COMPENSAÇÃO. ÔNUS DA PROVA DO CONTRIBUINTE. Pertence ao contribuinte o ônus de comprovar a certeza e a liquidez do crédito para o qual pleiteia compensação. A mera alegação do direito creditório, desacompanhada de provas baseadas na escrituração contábil/fiscal do período, não é suficiente para demonstrar que as receitas (de natureza diversa das de vendas de mercadorias e de serviços) afastadas da incidência foram incluídas indevidamente na base de cálculo da contribuição. Recurso Voluntário Negado
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
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decisao_txt : Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplica-se o decidido no julgamento do processo 10660.905839/2011-87, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira - Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Winderley Morais Pereira (presidente da turma), Valcir Gassen (vice-presidente), Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Semíramis de Oliveira Duro, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Ari Vendramini, Salvador Cândido Brandão Junior.
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Recorrente MAHLE COMPONENTES DE MOTORES DO BRASIL LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Data do Fato Gerador: 13/10/2000 FALTA DE RETIFICAÇÃO NA DCTF. Nos pedidos de restituição e compensação PER/DCOMP, a falta de retificação da DCTF do período em análise não é impedimento para deferimento do pedido, desde que o contribuinte demonstre no processo administrativo fiscal, por meio de prova cabal, a existência da liquidez e certeza do crédito pleiteado. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Data do Fato Gerador: 13/10/2000 INCONSTITUCIONALIDADE DO ART. 3º, §1º, DA LEI Nº 9.718/1998. RECONHECIMENTO. Quanto à ampliação da base de cálculo prevista pela Lei nº 9.718/1998, tal fato já foi decidido pelo Supremo Tribunal Federal em regime de repercussão geral, RE 585.235. Por força do Art. 62A, Anexo II, do regimento interno deste Conselho, é obrigatória a aplicação do entendimento do STF sobre o conceito de faturamento, não se incluindo nesta concepção as receitas financeiras, salvo se estas forem receitas operacionais da pessoa jurídica. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do Fato Gerador: 13/10/2000 COMPENSAÇÃO. ÔNUS DA PROVA DO CONTRIBUINTE. Pertence ao contribuinte o ônus de comprovar a certeza e a liquidez do crédito para o qual pleiteia compensação. A mera alegação do direito creditório, desacompanhada de provas baseadas na escrituração contábil/fiscal do período, não é suficiente para demonstrar que as receitas (de natureza diversa das de vendas de mercadorias e de serviços) afastadas da incidência foram incluídas indevidamente na base de cálculo da contribuição. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 66 0. 90 58 42 /2 01 1- 09 Fl. 159DF CARF MF Processo nº 10660.905842/201109 Acórdão n.º 3301004.876 S3C3T1 Fl. 3 2 Recurso Voluntário Negado Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplicase o decidido no julgamento do processo 10660.905839/201187, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Winderley Morais Pereira (presidente da turma), Valcir Gassen (vicepresidente), Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Semíramis de Oliveira Duro, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Ari Vendramini, Salvador Cândido Brandão Junior. Relatório Trata o presente processo administrativo de pedido de restituição realizado através de PER/DCOMP para obter reconhecimento de direito creditório do tributo por suposto pagamento a maior ou indevido. A unidade de origem proferiu despacho decisório indeferindo o crédito pleiteado, sob o fundamento de que o pagamento da guia DARF do período foi identificado, no entanto, integralmente utilizado para quitação dos débitos declarados pelo contribuinte, não restando crédito disponível para restituição. Intimada da decisão, a contribuinte apresentou manifestação de inconformidade para instaurar o contencioso administrativo, juntando demonstrativos para subsidiar a existência de seu crédito. Em síntese, a contribuinte afirmou: o Despacho Decisório adotou equivocada premissa de que inexiste crédito a ser restituído, porque não converteu o julgamento em diligência para solicitar esclarecimentos ou a apresentação de documentos que comprovassem o valor exato do crédito pretendido; Não considerou que o valor informado em DCTF como devido foi apurado em conformidade com a ilegal e inconstitucional base de cálculo instituída pela Lei nº 9.718; o Supremo Tribunal Federal, em julgamento de Recursos Extraordinários, consolidou o entendimento no sentido da inconstitucionalidade da ampliação da base de cálculo das referidas contribuições, promovida pelo § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718, de 1998, deixando de considerar como faturamento receita de natureza diversa da venda de mercadorias e de serviços. Fl. 160DF CARF MF Processo nº 10660.905842/201109 Acórdão n.º 3301004.876 S3C3T1 Fl. 4 3 A retificação da DCTF para a apresentação do PER/DCOMP representa requisito meramente formal que não pode se sobrepor à verdade material, uma vez comprovada, por outros meios, a liquidez e certeza do crédito pleiteado. Ressalta que as informações contidas nos documentos que instruem a manifestação atestam, de forma inquestionável, que a restituição abordada no Per/Dcomp deve ser deferida, quer por força do dever de busca da verdade material, quer sob pena de cerceamento do direito de defesa, mediante a análise das razões e dos documentos que acompanham este recurso, eventuais diligências administrativas e a realização de prova pericial, que se requer. A DRJ julgou a manifestação de inconformidade improcedente, nos termos do Acórdão nº 06046.532. O fundamento adotado, em síntese, foi pela inexistência nos autos de documentação comprobatória do direito alegado. Inconformada da r. decisão, a contribuinte apresentou, no prazo, seu Recurso Voluntário que ora se analisa, repisando os argumentos trazidos em sua manifestação de inconformidade e insistindo na realização de perícia. É a síntese do necessário. Voto Conselheiro Winderley Morais Pereira, Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3301004.872, de 26 de julho de 2018, proferido no julgamento do processo 10660.905839/201187, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3301004.872): "O recurso voluntário foi interposto no prazo e reúne os pressupostos legais de interposição. Realizada a suma adrede, passase a analisar as questões levantadas, especialmente sobre i) a decisão de indeferimento fundamentada no valor informado em DCTF com a correspondente quitação do montante declarado, não havendo crédito a compensar; ii) a declaração de inconstitucionalidade proferida pelo STF no RE nº 585.235 sob o rito da repercussão geral, art. 543 B do STF; ii) a declaração de inconstitucionalidade proferida pelo STF no RE nº 585.235 sob o rito da repercussão geral, art. 543B do STF; iii) a análise do crédito decorrente de receitas financeiras a partir das provas juntadas aos autos. I) Do indeferimento do pedido de restituição diante da inexistência de retificação da DCTF Neste ponto, é relevante a análise da decisão que indeferiu o pedido de restituição, sob a fundamentação de que foi efetuada uma declaração por Fl. 161DF CARF MF Processo nº 10660.905842/201109 Acórdão n.º 3301004.876 S3C3T1 Fl. 5 4 DCTF e a DARF discriminada no PER/DCOMP foi inteiramente utilizada para quitar o débito do contribuinte, não restando crédito para a restituição, verbis: A partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos abaixo relacionados, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para restituição. O significado que se extrai deste despacho decisório é que a Recorrente apresentou o PER/DCOMP, mas não realizou a retificação da DCTF do período correspondente, qual seja, 06/2000. Desta feita, o montante pago foi utilizado para cobrir integralmente um débito declarado, não havendo excesso resultante do pagamento indevido. Ressaltese, no entanto, que a retificação da DCTF, por si só, não se presta para solidificar a liquidez e certeza do crédito pleiteado pelo contribuinte, sendo indispensável a apresentação de prova, tais como demonstrativos contábeis e fiscais, para aferição do crédito. Neste sentido, já se pronunciou a Câmara Superior de Recursos Fiscais deste E. CARF, no julgamento do processo 10909.900175/200812, manifestando o entendimento no acórdão nº 9303005.520 (sessão de 15/08/2017), no sentido de que, mesmo no caso de uma a retificação posterior ao Despacho Decisório, não haveria impedimentos para o deferimento do pedido quando acompanhada de provas documentais comprovando a erro cometido no preenchimento da declaração original, comparecendo nos autos com qualquer prova documental hábil a demonstrar o erro que cometera no preenchimento da DCTF (escrita contábil e fiscal): Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Período de apuração: 01/02/2004 a 29/02/2004 DCTF RETIFICADORA APRESENTADA APÓS CIÊNCIA DO DESPACHO DECISÓRIO. EFEITOS. A retificação da DCTF após a ciência do Despacho Decisório que indeferiu o pedido de restituição não é suficiente para a comprovação do crédito, sendo indispensável a comprovação do erro em que se funde. Recurso Especial do Contribuinte negado. Este entendimento vem sendo adotado em sede de Recurso Voluntário pelo E. CARF, conforme se destaca das ementas abaixo: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Data do fato gerador: 14/11/2003 REPETIÇÃO DE INDÉBITO. RETIFICAÇÃO DE DCTF. PROVA DO INDÉBITO. O direito à repetição de indébito não está condicionado à prévia retificação de DCTF que contenha erro material. A DCTF (retificadora ou original) não faz prova de liquidez e certeza do Fl. 162DF CARF MF Processo nº 10660.905842/201109 Acórdão n.º 3301004.876 S3C3T1 Fl. 6 5 crédito a restituir. Na apuração da liquidez e certeza do crédito pleiteado, devese apreciar as provas apresentadas pelo contribuinte. Recurso Voluntário Provido em Parte. (Número do Processo 10283.902681/200913. Relator WALBER JOSE DA SILVA. Data da Sessão 21/05/2013. Nº Acórdão 3302 002.104) Assunto: Normas de Administração Tributária Anocalendário: 2001 CONEXÃO. IMPOSSIBILIDADE. Os processos referemse a períodos diferentes, o que ocasiona fatos jurídicos tributários diferentes, com a consequente, diferenciação no que concerne à produção probatória, impossibilitando a conexão. FALTA DE RETIFICAÇÃO NA DCTF. Ainda que o sujeito passivo não tenha retificado a DCTF, mas demonstre, por meio de prova cabal, a existência de crédito, a referida formalidade não se faz necessária. Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Anocalendário: 2011 INCONSTITUCIONALIDADE DO ART. 3º, §1º, DA LEI Nº 9.718/1998. RECONHECIMENTO. Quanto à ampliação da base de cálculo prevista pela Lei nº 9.718/1998, tal fato já foi decidido pelo Supremo Tribunal Federal em regime de repercussão geral, RE 585.235 QORG. (Número do Processo 10280.905792/201126. Relatora SARAH MARIA LINHARES DE ARAUJO PAES DE SOUZA. Data da Sessão 27/07/2017. Nº Acórdão 3302004.623) (grifo não consta do original) Esta colenda 1ª TO da 3ª Câmara da 3ª Seção do CARF tem manifestado entendimento no mesmo sentido, segundo a qual, em razão da verdade material, a liquidez e certeza do crédito pleiteado pelo contribuinte pode ser demonstrado por outros elementos de prova, independentemente da retificação da DCTF, conforme é possível constatar pelo recente acórdão relatado pela ilustre conselheira Semíramis de Oliveira Duro: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Anocalendário: 2012 COMPENSAÇÃO. APRESENTAÇÃO DE DCTF RETIFICADORA APÓS O DESPACHO DECISÓRIO. Fl. 163DF CARF MF Processo nº 10660.905842/201109 Acórdão n.º 3301004.876 S3C3T1 Fl. 7 6 POSSIBILIDADE. Se transmitida a PER/Dcomp sem a retificação ou com retificação após o despacho decisório da DCTF, por imperativo do princípio da verdade material, o contribuinte tem direito subjetivo à compensação, desde que prove a liquidez e certeza de seu crédito. (...) Recurso Voluntário provido. (Número do Processo 11060.900738/201311. Relatora SEMIRAMIS DE OLIVEIRA DURO. Data da Sessão 17/04/2018. Nº Acórdão 3301004.545) Desta feita, o que é necessário verificar é a existência de comprovação pela Recorrente, nos autos, trazendo elementos de prova capaz de trazer liquidez e certeza de seu crédito. II) Da declaração de inconstitucionalidade proferida pelo STF no RE nº 585.235 sob o rito da repercussão geral, art. 543B do STF Quanto ao ponto sobre a incidência da contribuição ao PIS sobre receitas financeiras, auferidas por entidade que não desenvolva atividade financeira. Sobre este assunto, o Supremo Tribunal Federal já se manifestou, inclusive em sede de repercussão geral, acerca da inconstitucionalidade do art. 3º, § 1º da Lei 9.718/1998, por pretender alargar o conceito de faturamento, estabelecendo as receitas totais da pessoa jurídica como base de cálculo das contribuição para o PIS e COFINS. Tratase do RE nº 585.235 e desde 2010 a PGFN já se manisfestou formalmente, por meio da Portaria PGFN 294/2010, no sentido de dispensar os procuradores da fazenda nacional a contestar ou recorrer nesta matéria: Item 1, Anexo I, Portaria PGFN nª 294/2010 Resumo: É inconstitucional o alargamento da base de cálculo do PIS e da COFINS, promovido pelo art. 3º, §1º da Lei n. 9.718/98, eis que tais exações devem incidir, apenas, sobre as receitas decorrentes da venda de mercadorias e da prestação de serviços (conceito restritivo de receita bruta), e não sobre a totalidade das receitas auferidas pela pessoa jurídica (conceito ampliativo de receita bruta). (...) DELIMITAÇÃO DA MATÉRIA DECIDIDA: o PIS/COFINS deve incidir somente sobre as receitas operacionais das empresas, escapando da incidencia do PIS/COFINS as receitas não operacionais. Consideramse receitas operacionais as oriundas dos serviços financeiros prestados pelas instituições financeiras (serviços remunerados por tarifas e atividades de intermediação financeira). Nestes termos, é de rigor a aplicação do art. 62, § 1º, I e II, "b" e "c" do anexo II do RICARF, no sentido de que os membros das turmas de julgamento do CARF estão autorizados afastar a aplicação lei sob fundamento de inconstitucionalidade nos casos em que este entendimento já foi manifestado por decisão definitiva em sessão plenária do Supremo Tribunal Federal ou decisão definitiva do Supremo Tribunal Federal em sede de julgamento Fl. 164DF CARF MF Processo nº 10660.905842/201109 Acórdão n.º 3301004.876 S3C3T1 Fl. 8 7 realizado em repercussão geral nos termos dos arts. 543B do CPC/1973, ou mesmo no caso de existência de Ato Declaratório da ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional (PGFN) aprovado pelo Ministro de Estado da Fazenda, nos termos dos arts. 18 e 19 da Lei nº 10.522, de 19 de julho de 2002. Preenchese as três hipóteses do Regimento Interno do CARF (RICARF) neste caso de alargamento da base cálculo das contribuições PIS/COFINS intentada pelo disposto no art. 3º, § 1º da Lei 9.718/1998. Neste sentido: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/01/2000 a 30/11/2002, 01/07/2003 a 31/07/2004, 01/09/2004 a 30/09/2004 Ementa: NÃO INCIDÊNCIA DO PIS SOBRE RECEITAS NÃO OPERACIONAIS E VARIAÇÃO CAMBIAL ATIVA. REGIME CUMULATIVO DO PIS. CONCEITO DE FATURAMENTO PARA INCIDÊNCIA NA BASE DE CÁLCULO. SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL. Por força do Art. 62A, Anexo II, do regimento interno deste Conselho, é obrigatória a aplicação do entendimento do STF sobre o conceito de faturamento ("faturamento corresponde à receita das vendas de mercadorias, de serviços ou de mercadoria e serviços" vejam julgamentos dos Recursos Extraordinários 346.084, DJ 01/09/2006 Rel p/ acórdão Min. Marco Aurélio, 357.950, 358.273 e 390.840 todos DJ 15.08.06 Rel. Min. Marco Aurélio). Sendo "receitas" não operacionais e variações cambiais ativas, e, portanto, não se tratando de "faturamento" vinculado às receitas oriundas das prestações de bens e serviços, não há como incidir o PIS. (Número do Processo 13502.000463/200585. Nº Acórdão 3201 003.681. Data da Sessão 22/05/2018) Resta, portanto, consolidado o entendimento acerca da não incidência de PIS sobre receitas financeiras, quando não constituírem receita operacional da empresa, no contexto da aplicação da Lei 9.718/1998. Como o período de apuração em que se discute o pagamento indevido é 06/2000, em tal momento aplicavase para a Recorrente o regime de tributação previsto na Lei 9.818/1998. Isto posto, caso comprovada a inclusão das receitas financeiras na base de cálculo da contribuição ao PIS no período em referência, demonstrandose a liquidez e certeza do crédito a restituir declarado pelo contribuinte, será de rigor reconhecer o direito à restituição pleiteado pelo contribuinte. É o que se passa a analisar. III) Da liquidez e certeza do crédito Neste ponto, a Recorrente argumentou que no mês de apuração em foco (06/2000), considerando a original vigência da Lei nº 9.718/1998, apurou a contribuição com a inclusão de receitas financeiras à base de cálculo. Fl. 165DF CARF MF Processo nº 10660.905842/201109 Acórdão n.º 3301004.876 S3C3T1 Fl. 9 8 No entanto, em que pese a Recorrente ressaltar em seu Recurso Voluntário que os documentos juntados aos autos atestam, de forma inquestionável, a restituição pleiteada em seu pedido, o que se tem, na verdade, é um simples demonstrativo de cálculo da contribuição, onde traz o total do faturamento, as exclusões permitidas, o valor devido da contribuição, o valor do recolhimento e o crédito objeto do pedido de restituição. Estes demonstrativos não possui força probatória isoladamente, desacompanhada de outros documentos oficiais, como registros contábeis e fiscais. A afirmação de que o Fisco já detém todas as informações, por todas as obrigações acessórias já cumpridas, bastando baixar em diligência para verificar a informação também não é pertinente e não merece guarida o alegado cerceamento de defesa daí decorrente. Nos pedidos de restituição o ônus da prova da existência do crédito é do contribuinte, não tendo a Recorrente se desincumbido de tal tarefa. Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/06/2006 a 30/06/2006 PROVA. APRECIAÇÃO INICIAL EM SEGUNDA INSTÂNCIA. PRINCÍPIO DA VERDADE MATERIAL. LIMITES. PRECLUSÃO. A apreciação de documentos não submetidos à autoridade julgadora de primeira instância é possível nas hipóteses previstas no art. 16, § 4º do Decreto nº 70.235/1972 e, excepcionalmente, quando visem à complementar instrução probatória já iniciada quando da interposição da manifestação de inconformidade. COMPENSAÇÃO. ÔNUS PROBATÓRIO DO CONTRIBUINTE. Pertence ao contribuinte o ônus de comprovar a certeza e a liquidez do crédito para o qual pleiteia compensação. (Número do Processo 10880.674831/200954. Relatora LARISSA NUNES GIRARD. Data da Sessão 13/06/2018. Nº Acórdão 3002000.234) (grifos não constam do original) A Recorrente não trouxe aos autos, nas duas oportunidades em que neles compareceu manifestação de inconformidade e recurso voluntário, qualquer prova documental hábil capaz de sustentar a veracidade e existência de seu direito de crédito (escrita contábil e fiscal). Não constam dos autos balancetes e demonstrações contábeis, nem mesmo a DIPJ do contribuinte para evidenciar o quantum de receitas financeiras levadas à tributação do PIS, sendo desnecessária, portanto, a realização da perícia requerida. A perícia será necessária quando a matéria exigir conhecimento técnico específico diferente da análise que deve ser realizada pela autoridade administrativa competente para o reconhecimento do crédito. Ademais, a demonstração do crédito, neste caso, seria possível com a simples apresentação de prova documental, não realizada pelo contribuinte. Desta feita, diante da ausência de comprovação da liquidez e certeza do crédito pleiteado, devese negar provimento ao presente recurso voluntário Fl. 166DF CARF MF Processo nº 10660.905842/201109 Acórdão n.º 3301004.876 S3C3T1 Fl. 10 9 Isto posto, conheço do recurso voluntário para, no mérito, negar provimento." Importa registrar que nos autos ora em apreço, a situação fática e jurídica encontra correspondência com a verificada no paradigma, de tal sorte que o entendimento lá esposado pode ser perfeitamente aqui aplicado. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o Colegiado decidiu negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Fl. 167DF CARF MF
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Numero do processo: 10410.720076/2006-81
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Aug 03 00:00:00 UTC 2011
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA - IRPJ Exercício: 2003 PEDIDO DE COMPENSAÇÃO. HOMOLOGAÇÃO. LANÇAMENTO TRIBUTÁRIO. DISTINÇÃO. Descabe aplicar ao instituto da COMPENSAÇÃO normas disciplinadoras da atividade de LANÇAMENTO TRIBUTÁRIO, em especial as impeditivas do direito de a autoridade administrativa competente aferir o atendimento de condição expressa pela lei. REPETIÇÃO DE INDÉBITO. COMPENSAÇÃO. Para que a autoridade administrativa possa reconhecer o direito creditório do contribuinte e, por via de consequência, considerar as compensações tributárias pleiteadas, é necessário que sejam aportados aos autos documentos que demonstrem a certeza e liquidez do crédito alegado, ex vi do disposto no art. 170 do CTN. SALDO NEGATIVO. COMPENSAÇÃO INFERIOR AO MONTANTE DECLARADO. POSSIBILIDADE. Não existe óbice à utilização, para fins de compensação, de montante inferior ao crédito pleiteado, não sendo aceitável que, em virtude da ausência do uso integral do direito creditório, se possa concluir pela inexistência da parcela não utilizada. No caso vertente, a conclusão revela-se ainda mais equivocada quando se constata que a unidade administrativa que primeiro analisou o pedido da contribuinte cuidou de confirmar a não utilização da diferença de crédito.
Numero da decisão: 1302-000.682
Decisão: ACORDAM os membros da 3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária da Primeira Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso.
Nome do relator: WILSON FERNANDES GUIMARÃES
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HOMOLOGAÇÃO. LANÇAMENTO TRIBUTÁRIO. DISTINÇÃO. Descabe aplicar ao instituto da COMPENSAÇÃO normas disciplinadoras da atividade de LANÇAMENTO TRIBUTÁRIO, em especial as impeditivas do direito de a autoridade administrativa competente aferir o atendimento de condição expressa pela lei. REPETIÇÃO DE INDÉBITO. COMPENSAÇÃO. Para que a autoridade administrativa possa reconhecer o direito creditório do contribuinte e, por via de consequência, considerar as compensações tributárias pleiteadas, é necessário que sejam aportados aos autos documentos que demonstrem a certeza e liquidez do crédito alegado, ex vi do disposto no art. 170 do CTN. SALDO NEGATIVO. COMPENSAÇÃO INFERIOR AO MONTANTE DECLARADO. POSSIBILIDADE. Não existe óbice à utilização, para fins de compensação, de montante inferior ao crédito pleiteado, não sendo aceitável que, em virtude da ausência do uso integral do direito creditório, se possa concluir pela inexistência da parcela não utilizada. No caso vertente, a conclusão revelase ainda mais equivocada quando se constata que a unidade administrativa que primeiro analisou o pedido da contribuinte cuidou de confirmar a não utilização da diferença de crédito. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária da Primeira Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso. Fl. 416DF CARF MF Emitido em 10/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 09/08/2011 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Assinado digitalmente em 09/08/2011 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, 10/08/2011 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Processo nº 10410.720076/200681 Acórdão n.º 130200.682 S1C3T2 Fl. 411 2 “documento assinado digitalmente” Marcos Rodrigues de Mello Presidente “documento assinado digitalmente” Wilson Fernandes Guimarães Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Marcos Rodrigues de Mello, Wilson Fernandes Guimarães, Daniel Salgueiro da Silva, Irineu Bianchi, Eduardo de Andrade e Lavínia Moraes de Almeida Nogueira Junior. Fl. 417DF CARF MF Emitido em 10/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 09/08/2011 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Assinado digitalmente em 09/08/2011 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, 10/08/2011 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Processo nº 10410.720076/200681 Acórdão n.º 130200.682 S1C3T2 Fl. 412 3 Relatório COPERTRADING COMÉRCIO EXPORTAÇÃO E IMPORTAÇÃO S/A, já devidamente qualificada nestes autos, recorre a este Conselho contra a decisão prolatada pela 3ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Recife, Pernambuco, que indeferiu a manifestação de inconformidade apresentada contra a decisão da Delegacia da Receita Federal do Brasil em Maceió, Alagoas. Trata o processo de pedido de restituição de saldo negativo de Imposto de Renda Pessoa Jurídica, cumulado com pedidos de compensação, referente ao anocalendário de 2002. Apreciando o pedido formalizado pela contribuinte, a Delegacia da Receita Federal do Brasil em Maceió, o deferiu em parte sob a alegação de que, do total de R$ 1.413.335,88 declarados a título de estimativas recolhidas, apenas R$ 643.379,83 haviam sido objeto de pedido de parcelamento, enquanto a diferença, R$ 769.956,05, não havia sido recolhida nem declarada em DCTF. Inconformada, a contribuinte apresentou manifestação de inconformidade (fls. 227/238) , por meio da qual sustentou: a suspensão da exigibilidade dos débitos; que as estimativas no valor de R$ 769.956,05 foram compensadas com saldos negativos de períodos anteriores, conforme assentamentos fiscais e contábeis; que por se tratar de estimativas referentes a setembro e outubro de 2002, a compensação já teria se consumado pelo decurso do prazo de cinco anos; que a exclusão das estimativas, se fosse feita, deveria tomar por base o saldo negativo, e não o valor do crédito original informado. Requereu, ao final, a realização de diligência, com o intuito de confirmar a compensação das estimativas. A 3ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Recife analisou a manifestação de inconformidade apresentada pela contribuinte e, por meio do acórdão nº. 1129.389, de 07 de abril de 2000, indeferiu a solicitação, conforme ementa que ora transcrevo. COMPENSAÇÃO. REQUISITOS. A certeza e a liquidez dos créditos são requisitos indispensáveis para a compensação autorizada por lei. COMPENSAÇÃO. OPÇÃO DO SUJEITO PASSIVO. A compensação é opção do contribuinte, que deve ser exercida mediante procedimentos estabelecidos na legislação de regência. Fl. 418DF CARF MF Emitido em 10/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 09/08/2011 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Assinado digitalmente em 09/08/2011 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, 10/08/2011 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Processo nº 10410.720076/200681 Acórdão n.º 130200.682 S1C3T2 Fl. 413 4 PEDIDO DE DILIGÊNCIA. DESNECESSIDADE. Indeferese a realização de diligências quando os documentos integrantes dos autos revelamse suficientes para formação de convicção e consequente julgamento do feito. Ciente da Decisão de primeira instância em 05 de outubro de 2010, conforme Aviso de Recebimento de folha 389, a contribuinte apresentou recurso voluntário em 04 de novembro de 2011, conforme registro de recepção de folha 391, por meio do qual ofereceu, em síntese, os seguintes argumentos: que ocorreu a homologação tácita da quitação mediante compensação de R$ 769.956,05, realizada em 2002 pela empresa, na forma do art. 150, § 4º, do CTN; que as estimativas dos meses de setembro e outubro de 2002 foram devidamente compensadas com a base negativa de IRPJ do exercício 2002, ano base 2001; que a comprovação do alegado pode ser feita mediante simples aferição das informações apostas no próprio pedido de restituição alusivo à base negativa do ano base 2002, em que consta que os valores de R$ 210.610,67 (estimativa de setembro de 2002) e R$ 559.345,38 (estimativa de outubro de 2002) foram compensados com o saldo negativo de IRPJ do ano base de 2001, exercício 2002 que os valores dessas estimativas foram devidamente contabilizados; que na DIPJ exercício 2002, ano base 2001, temse na Ficha 12A que o valor da base negativa de IRPJ do exercício de 2002 é de R$ 769.956,05, exatamente o valor das estimativas de setembro e outubro de 2002, as quais foram compensadas, via LALUR, com essa base negativa, base negativa esta que não foi, em momento algum, questionada pela Receita Federal; que impende não se perder de vista que por se tratar de estimativas compensadas referentes aos meses de setembro e outubro de 2002, a convalidação da sua compensação já se consumou pelo decurso de prazo; que a autoridade julgadora de primeira instância laborou em equívoco ao excluir da composição da base negativa o valor de R$ 118.471,98, isso porque este valor sequer foi utilizado por ela; que ainda que não seja certificado o valor de R$ 2.172.189,40, por certo o valor a ser certificado é de R$ 1.402.233,24, e não o valor de R$ 1.283.761,26, pois não tem sentido abater do crédito homologado numerário que não foi sequer utilizado por ela. É o Relatório. Fl. 419DF CARF MF Emitido em 10/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 09/08/2011 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Assinado digitalmente em 09/08/2011 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, 10/08/2011 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Processo nº 10410.720076/200681 Acórdão n.º 130200.682 S1C3T2 Fl. 414 5 Voto Conselheiro Wilson Fernandes Guimarães, Relator Atendidos os requisitos de admissibilidade, conheço do apelo. Trata o processo de pedido de restituição de saldo negativo de Imposto de Renda Pessoa Jurídica, cumulado com pedidos de compensação, referente ao anocalendário de 2002. De acordo com a DIPJ/2003 (fls. 153/154), o SALDO NEGATIVO apurado pela contribuinte no anocalendário de 2002 teve a seguinte composição: IR sobre o Lucro Real (inclusive adicional).....................R$ 772.962,98 IR na Fonte........................................................................R$ 1.531.816,39 Estimativa..........................................................................R$ 1.413.335,88 SALDO NEGATIVO........................................................R$ 2.172.189,29 Em conformidade com o Parecer de fls. 218/221, do total do SALDO NEGATIVO apurado (R$ 2.172.189,29), a contribuinte requereu compensações que alcançaram o montante de R$ 2.053.717,42, inexistindo informações de que a diferença (R$ 118.471,98) tenha sido de alguma forma compensada, seja por meio de declarações de compensação, seja através de processos administrativos. Consta ainda do referido Parecer, as seguintes informações: 1. considerados os controles internos da Receita Federal, o valor correspondente ao imposto de renda retido na fonte (R$1.531.816,39) está correto; 2. o valor das estimativas computado na apuração do SALDO NEGATIVO (R$ 1.413.335,88) decorreu de antecipações obrigatórias referentes aos meses de setembro e outubro, nos montantes de R$ 210.610,65 e R$ 1.202.725,23; 3. relativamente a tais estimativas, não foram identificados registros de pagamentos e de DCTF’s correspondentes, contudo, verificouse que, relativamente à estimativa do mês de outubro, a contribuinte requereu parcelamento de R$ 643.379,83; 4. a partir de tais constatações, a Delegacia da Receita Federal em Maceió concluiu que o valor do SALDO NEGATIVO de Imposto de Renda do ano de 2002 deveria ser de R$ 1.402.233,24, conforme abaixo indicado; IR sobre o Lucro Real (inclusive adicional).....................R$ 772.962,98 IR na Fonte........................................................................R$ 1.531.816,39 Fl. 420DF CARF MF Emitido em 10/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 09/08/2011 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Assinado digitalmente em 09/08/2011 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, 10/08/2011 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Processo nº 10410.720076/200681 Acórdão n.º 130200.682 S1C3T2 Fl. 415 6 Estimativa..........................................................................R$ 643.379,83 SALDO NEGATIVO........................................................R$ 1.402.233,24 5. concluiu ainda, a referida unidade administrativa, que o crédito a ser reconhecido seria de R$ 1.283.761,26, resultante da subtração da parcela não utilizada (R$ 118.471,98) do SALDO NEGATIVO apurado (R$ 1.402.233,24). Passo, pois, a apreciar as razões trazidas por meio do recurso. HOMOLOGAÇÃO TÁCITA Sustenta a Recorrente que ocorreu a homologação tácita da quitação mediante compensação de R$ 769.956,05, realizada em 2002, na forma do art. 150, § 4º, do CTN. Descabe falar em homologação tácita da compensação com base no parágrafo 4º do art. 150 do Código Tributário Nacional, eis que, como é cediço, a norma ali estampada está direcionada para homologação de lançamento. A análise da legislação que disciplina o instituto da compensação no âmbito tributário conduz a conclusões que demonstram de forma inequívoca que não se pode aplicar, como pretende a Recorrente, as normas relativas à constituição do crédito tributário ao instituto da compensação, senão vejamos: 1. o Código Tributário Nacional, ao dispor sobre a matéria, estabeleceu (art. 170, caput): a) que compete à lei autorizar a compensação; b) que a lei pode atribuir à autoridade administrativa poderes para estipular condições e garantias para que a compensação seja deferida; c) que a compensação de débitos do contribuinte envolve, necessariamente, créditos líquidos e certos desse mesmo sujeito passivo contra a Fazenda Pública; 2. a Receita Federal está autorizada pela lei a expedir instruções necessárias à efetivação da compensação (Lei nº 8.383/91, parágrafo 4º); 3. a compensação submetese a procedimento homologatório, ainda que pela via tácita (Lei nº 9.430/96, art. 74, parágrafos 2º e 5º); 4. o procedimento de homologação da compensação se submete a prazo, e o início de sua contagem se dá a partir do momento em que a compensação é requerida nos termos e condições estabelecidos pela lei (Lei nº 9.430/96, art. 74, parágrafo 5º); 5. a não homologação da compensação pleiteada faculta ao contribuinte a apresentação de manifestação de inconformidade e eventual recurso, nos exatos termos do Decreto nº 70.235, de 1972 (Lei nº 9.430/96, art. 74, parágrafos 9º, 10 e 11); 6. a manifestação de inconformidade e o recurso eventualmente apresentados suspendem a exigibilidade do débito tido como indevidamente compensado nos termos do art. 151 do Código Tributário Nacional (Lei nº 9.430/96, art. 74, parágrafo 11, in fine); A legislação referenciada deixa fora de dúvida de que à COMPENSAÇÃO TRIBUTÁRIA são aplicadas normas especiais no que tange à competência para a apreciação Fl. 421DF CARF MF Emitido em 10/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 09/08/2011 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Assinado digitalmente em 09/08/2011 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, 10/08/2011 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Processo nº 10410.720076/200681 Acórdão n.º 130200.682 S1C3T2 Fl. 416 7 dos pedidos correspondentes, à necessária homologação dos citados pedidos, ao prazo para a efetivação da homologação e ao rito processual aplicável à matéria. Rejeito, assim, os argumentos da Recorrente no tocante ao presente item. COMPENSAÇÃO Alega a Recorrente que as estimativas dos meses de setembro e outubro de 2002 foram devidamente compensadas com o saldo negativo de IRPJ do exercício 2002, ano calendário de 2001. Diz que a comprovação do alegado pode ser feita mediante simples aferição das informações apostas no próprio pedido de restituição alusivo ao saldo negativo do anocalendário de 2002, em que consta que os valores de R$ 210.610,67 (estimativa de setembro de 2002) e R$ 559.345,38 (estimativa de outubro de 2002) foram compensados com o saldo negativo de IRPJ do anocalendário de 2001. Afirma que os valores dessas estimativas foram devidamente contabilizados. Esclarece que na DIPJ exercício 2002, anobase 2001, tem se na Ficha 12A que o valor do saldo negativo de IRPJ é de R$ 769.956,05, exatamente o valor das estimativas de setembro e outubro de 2002, as quais foram compensadas, via LALUR. Afasto, em primeiro lugar, a alegação da Recorrente de que as alegadas compensações podem ser comprovadas com as informações apostas no pedido de restituição, vez que, visto com rigor, a compensação relativa à estimativa de outubro deveria ter sido promovida por meio da apresentação da competente declaração de compensação, pois vigente a Medida Provisória nº 66/2002 (Lei nº 10.637, de 2002), e, no que tange a de setembro, além do dever do registro em DCTF, a compensação em questão deveria estar refletida na escrituração contábil, revelandose absolutamente imprópria a utilização do LALUR para demonstrar a providência. Ainda que se ultrapasse a questão da dúvida acerca da necessidade de declaração de compensação (DCOMP) em relação ao quarto trimestre de 2002 nos casos envolvendo tributos da mesma espécie, eis que o programa gerador de DCTF continuou admitindo que se informasse compensação sem vinculação com DCOMP ou processo, é certo que a compensação da estimativa de outubro de 2002 deveria estar declarada e, mais do que isso, deveria ter sido contabilizada. No caso vertente, a Recorrente não comprova nem uma coisa nem outra, isto é, não demonstra ter declarado em DCTF as alegadas compensações e não traz aos autos comprovação de que as contabilizou. A título de esclarecimento, devese ressaltar que o que deveria ter restado demonstrado era contabilização das compensações, e não a contabilização das estimativas apuradas. Assim, na mesma linha do decidido em primeira instância, sou pela manutenção da glosa de R$ 769.956,05, tidos aqui como referentes a estimativas não recolhidas e não compensadas. DIREITO CREDITÓRIO RECONHECIDO Argumenta a Recorrente que a autoridade julgadora de primeira instância laborou em equívoco ao excluir da composição do saldo negativo o valor de R$ 118.471,98, Fl. 422DF CARF MF Emitido em 10/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 09/08/2011 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Assinado digitalmente em 09/08/2011 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, 10/08/2011 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Processo nº 10410.720076/200681 Acórdão n.º 130200.682 S1C3T2 Fl. 417 8 isso porque este valor sequer foi utilizado por ela. Afirma que ainda que não seja certificado o valor de R$ 2.172.189,40, por certo o valor a ser reconhecido é de R$ 1.402.233,24, e não o valor de R$ 1.283.761,26, pois não tem sentido abater do crédito homologado numerário que não foi sequer utilizado por ela. Creio que seja merecedor de acolhimento o alegado pela Recorrente. Com efeito, a Delegacia da Receita Federal do Brasil em Maceió, analisando a consistência das informações prestadas na DIPJ, verificou que, não obstante o saldo negativo de R$ 2.172.189,29, a Recorrente requereu compensações no montante de R$ 2.053.717,42, ocasião em que afirmou que a diferença não utilizada (R$ 118.471,98) não tinha sido utilizada em outra compensação, fosse por meio de declarações de compensação, fosse com base em processos administrativos. Diante dessa circunstância e considerados os elementos reunidos nos autos, não vejo como aceitável a conclusão da autoridade julgadora de primeira instância no sentido de que a Recorrente, ao indicar para compensação montante inferior ao crédito objeto de restituição, estaria informando que dispunha de crédito no valor correspondente ao saldo negativo diminuído da diferença não utilizada (R$ 118.471,98). Em convergência com o sustentado pela Recorrente, entendo que, no caso, o direito creditório a ser reconhecido deve corresponder ao montante de SALDO NEGATIVO aferido, isto é, R$ 1.402.233,14. Por todo o exposto, conduzo meu voto no sentido de DAR PROVIMENTO PARCIAL ao recurso para reconhecer o crédito adicional de R$ 118.471,98. Sala das Sessões, em 03 de agosto de 2011 “documento assinado digitalmente” Wilson Fernandes Guimarães Fl. 423DF CARF MF Emitido em 10/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 09/08/2011 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Assinado digitalmente em 09/08/2011 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, 10/08/2011 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO
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Numero do processo: 10680.933459/2009-80
Turma: Segunda Turma Extraordinária da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Oct 02 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Oct 25 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Normas de Administração Tributária
Período de apuração: 01/07/2003 a 31/07/2003
NÃO HOMOLOGAÇÃO DE PER/DCOMP. CRÉDITO DESPIDO DOS ATRIBUTOS LEGAIS DE LIQUIDEZ E CERTEZA. CABIMENTO.
Correta a não homologação de declaração de compensação quando comprovado que o crédito nela pleiteado não possui os requisitos legais de liquidez e certeza, eis que fora objeto de compensação em outro PER/DCOMP válido, transmitido pelo próprio sujeito passivo.
Numero da decisão: 1002-000.413
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e Voto que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Aílton Neves da Silva - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Aílton Neves da Silva (Presidente), Breno do Carmo Moreira Vieira, Leonam Rocha de Medeiros e Ângelo Abrantes Nunes.
Nome do relator: AILTON NEVES DA SILVA
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Período de apuração: 01/07/2003 a 31/07/2003 NÃO HOMOLOGAÇÃO DE PER/DCOMP. CRÉDITO DESPIDO DOS ATRIBUTOS LEGAIS DE LIQUIDEZ E CERTEZA. CABIMENTO. Correta a não homologação de declaração de compensação quando comprovado que o crédito nela pleiteado não possui os requisitos legais de liquidez e certeza, eis que fora objeto de compensação em outro PER/DCOMP válido, transmitido pelo próprio sujeito passivo. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e Voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Aílton Neves da Silva Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Aílton Neves da Silva (Presidente), Breno do Carmo Moreira Vieira, Leonam Rocha de Medeiros e Ângelo Abrantes Nunes. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 68 0. 93 34 59 /2 00 9- 80 Fl. 67DF CARF MF 2 Relatório Por bem sintetizar os fatos até o momento processual anterior ao do julgamento da Manifestação de Inconformidade contra a não homologação da compensação, transcrevo e adoto o relatório produzido pela DRJ/BHE (in verbis): A contribuinte acima qualificada apresentou, em 11/01/2006, declaração de compensação numerada 00822.49310.110106.1.3.046801, informando pagamento indevido ou a maior, no valor de R$ 1.460,82, relativo a tributo do código 6106 e período de apuração 31/07/2003 (fls. 15/21). A compensação não foi homologada pela autoridade jurisdicionante, sob o alegação de que o pagamento havia sido integralmente utilizado para quitação de débitos informados na DCOMP nº 31980.34858.221205.1.3.041132, conforme Despacho Decisório a fl. 3. Ciente da decisão em 20/10/2009 (fl. 23), a contribuinte apresentou, em 10/11/2009, a fl. 2, sua manifestação de inconformidade, em que alega o seguinte: Que a empresa acima qualificada teve a sua exclusão do Simples no Ano de 2003 e que antes de ser excluída recolheu os seus tributos com base no Simples; e que a mesma neste mesmo ano retificou a declaração para Lucro Presumido de acordo com o faturamento do Simples; e ao mesmo tempo foi feito o DCTF do mesmo período de 2003 e sendo assim o imposto recolhido no Simples foi locado para Lucro Presumido; foi feito o PERD/COMP de acordo com a compensação e foi apurado um crédito maior no ano de 2003, superior ao débito de acordo com DCTF e o PERD/COMP. Sendo assim, anexa as guias pagas no SIMPLES e o DCTF, PERD/COMP assim demonstrado e que seja compensado o processo acima. Assim sendo pede que seja considerada a declaração entregue com base no Lucro Presumido e o cancelamento dos débitos. Instruem a manifestação de inconformidade, entre outros documentos, DarfSimples a fl. 4. A manifestação de inconformidade foi indeferida pela DRJ/BHE, conforme acórdão n. 0235.747, de 27 de outubro de 2011 (efl. 32), que recebeu a seguinte ementa: ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Período de apuração: 01/07/2003 a 31/07/2003 Ementa: Fl. 68DF CARF MF Processo nº 10680.933459/200980 Acórdão n.º 1002000.413 S1C0T2 Fl. 68 3 A compensação declarada pelo sujeito passivo não será homologada quando todo o crédito apurado já tiver sido utilizado em outra declaração de compensação. Irresignado, o Recorrente apresenta Recurso Voluntário (efls. 43), no qual, oferece os argumentos abaixo. Sustenta que (sic)"a empresa verificou que não foi compensado através do PERDCOMP a totalização do crédito que a empresa tinha referente ao Simples" e que "ficaram alguns meses tais como, 03/2003,04/2003,08/2003,11/2003 e 12/2003 não foi efetuada a compensação e por isso gerou um débito no Ano de 2003". Solicita (sic)"que seja feita a compensação assim demonstrado abaixo: >Total do débito (saldo remanescente) pelo Lucro Presumido R$ 7.378,74 (valor liquido),valor de crédito a qual não foi compensado R$ 7.582,27 (valor liquido) saldo de crédito R$ 204,13 (valor liquido)". Ao final, requer o acolhimento da Manifestação de Inconformidade. É o relatório do necessário. Voto Conselheiro Aílton Neves da Silva, Relator Admissibilidade Inicialmente, reconheço a plena competência deste Colegiado para apreciação do Recurso Voluntário, na forma do art. 23B do Regimento Interno do CARF, com redação dada pela Portaria MF n.º 329. Demais disso, observo que o recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, portanto, dele conheço. Mérito Quanto ao mérito, observo que o ora Recorrente não teve homologado o PER/DCOMP de nº 00822.49310.110106.1.3.046801, sob a alegação de que o crédito nele informado já havia sido integralmente utilizado no PER/DCOMP nº 31980.34858.221205.1.3.041132, conforme mostra o excerto do Despacho Decisório Eletrônico abaixo (observações e grifos do original): Fl. 69DF CARF MF 4 Examinando o processo, constato que em 22/12/2005 o Recorrente efetivamente transmitiu o PERDCOMP nº 31980.34858.221205.1.3.041132, no qual informou crédito de R$ 1.460,82 decorrente de recolhimento indevido de tributo de código 6106 Simples (efls. 25/29) e, posteriormente, em 11/01/2006, voltou a informar o mesmo crédito no PERDCOMP 00822.49310.110106.1.3.046801 (efls. 15/21), o que deixa claro que a não homologação deste último PERDCOMP pelo Despacho Decisório eletrônico foi acertada, pois, do contrário, estarseia admitindo indevidamente compensação de crédito em duplicidade a favor do Recorrente. Aduzo que o Despacho Decisório Eletrônico foi emitido com base em informações extraídas da base de dados da RFB e constantes de declarações prestadas pelo próprio Recorrente, o qual não apresentou qualquer contestação ou elemento de prova no recurso com o propósito de desconstituílas. A ausência do requisito de liquidez e certeza do crédito pleiteado inviabiliza a homologação do pedido de compensação, a teor do que dispõe o artigo 170 do Código Tributário Nacional CTN (grifos nossos): Art. 170. A lei pode, nas condições e sob as garantias que estipular, ou cuja estipulação em cada caso atribuir à autoridade administrativa, autorizar a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda pública. Diante do exposto, entendo que não há reparos a fazer no acórdão recorrido, devendo ser mantida a decisão de piso. Conclusão Fl. 70DF CARF MF Processo nº 10680.933459/200980 Acórdão n.º 1002000.413 S1C0T2 Fl. 69 5 Considerando que o artigo 170 do CTN só autoriza a compensação de débitos tributários com créditos líquidos e certos dos interessados frente à Fazenda Pública; que o crédito de R$ 1.460,82 de período de apuração de 31/07/2003 já foi integralmente utilizado na quitação de débitos informados no PERDCOMP nº 31980.34858.221205.1.3.041132; que não consta dos autos que esta declaração tenha sido invalidada ou substituída; e, ainda, que o Recorrente não traz nenhum elemento adicional de prova contrário aos fatos aqui narrados, voto por negar provimento ao recurso. É como voto. (assinado digitalmente) Aílton Neves da Silva Fl. 71DF CARF MF
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