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Numero do processo: 10935.004179/2010-67
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Aug 07 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Oct 08 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 31/01/2005 a 31/12/2008
CONTRIBUIÇÃO SOCIAL. EMPREGADOR RURAL PESSOA FÍSICA. LEI 10.256/2001.
É constitucional formal e materialmente a contribuição social do empregador rural pessoa física, instituída pela Lei 10.256/2001, incidente sobre a receita bruta obtida com a comercialização de sua produção. (STF, Tese de Repercussão Geral 669.)
Numero da decisão: 2301-005.488
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, (a) não conhecer do recurso na questão relativa à incidência de contribuição previdenciária sobre receitas de exportação, e respectivos encargos moratórios, e na questão afeta à exigência de garantias; no mérito, (b) negar provimento ao recurso, nos termos do voto do relator. Nos termos do Art. 58, §5º, Anexo II do Ricarf, o conselheiro Reginaldo Paixão Emos não votou nesse julgamento, por se tratar de questão já votada pela conselheira Mônica Renata Mello Ferreira Stoll na reunião anterior. Declarou-se impedida de participar do julgamento a conselheira Juliana Marteli Fais Feriato, substituída pelo conselheiro Thiago Duca Amoni. Julgamento iniciado na reunião de 07/2018.
(assinado digitalmente)
João Bellini Júnior - Presidente.
(assinado digitalmente)
João Maurício Vital - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: João Bellini Junior (Presidente), Marcelo Freitas de Souza Costa, João Maurício Vital, Antônio Sávio Nastureles, Thiago Duca Amoni, Alexandre Evaristo Pinto, Reginaldo Paixão Emos e Wesley Rocha.
Nome do relator: JOAO MAURICIO VITAL
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 31/01/2005 a 31/12/2008 CONTRIBUIÇÃO SOCIAL. EMPREGADOR RURAL PESSOA FÍSICA. LEI 10.256/2001. É constitucional formal e materialmente a contribuição social do empregador rural pessoa física, instituída pela Lei 10.256/2001, incidente sobre a receita bruta obtida com a comercialização de sua produção. (STF, Tese de Repercussão Geral 669.)
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, (a) não conhecer do recurso na questão relativa à incidência de contribuição previdenciária sobre receitas de exportação, e respectivos encargos moratórios, e na questão afeta à exigência de garantias; no mérito, (b) negar provimento ao recurso, nos termos do voto do relator. Nos termos do Art. 58, §5º, Anexo II do Ricarf, o conselheiro Reginaldo Paixão Emos não votou nesse julgamento, por se tratar de questão já votada pela conselheira Mônica Renata Mello Ferreira Stoll na reunião anterior. Declarou-se impedida de participar do julgamento a conselheira Juliana Marteli Fais Feriato, substituída pelo conselheiro Thiago Duca Amoni. Julgamento iniciado na reunião de 07/2018. (assinado digitalmente) João Bellini Júnior - Presidente. (assinado digitalmente) João Maurício Vital - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: João Bellini Junior (Presidente), Marcelo Freitas de Souza Costa, João Maurício Vital, Antônio Sávio Nastureles, Thiago Duca Amoni, Alexandre Evaristo Pinto, Reginaldo Paixão Emos e Wesley Rocha.
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EMPREGADOR RURAL PESSOA FÍSICA. LEI 10.256/2001. É constitucional formal e materialmente a contribuição social do empregador rural pessoa física, instituída pela Lei 10.256/2001, incidente sobre a receita bruta obtida com a comercialização de sua produção. (STF, Tese de Repercussão Geral 669.) Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, (a) não conhecer do recurso na questão relativa à incidência de contribuição previdenciária sobre receitas de exportação, e respectivos encargos moratórios, e na questão afeta à exigência de garantias; no mérito, (b) negar provimento ao recurso, nos termos do voto do relator. Nos termos do Art. 58, §5º, Anexo II do Ricarf, o conselheiro Reginaldo Paixão Emos não votou nesse julgamento, por se tratar de questão já votada pela conselheira Mônica Renata Mello Ferreira Stoll na reunião anterior. Declarouse impedida de participar do julgamento a conselheira Juliana Marteli Fais Feriato, substituída pelo conselheiro Thiago Duca Amoni. Julgamento iniciado na reunião de 07/2018. (assinado digitalmente) João Bellini Júnior Presidente. (assinado digitalmente) João Maurício Vital Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 93 5. 00 41 79 /2 01 0- 67 Fl. 5990DF CARF MF 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: João Bellini Junior (Presidente), Marcelo Freitas de Souza Costa, João Maurício Vital, Antônio Sávio Nastureles, Thiago Duca Amoni, Alexandre Evaristo Pinto, Reginaldo Paixão Emos e Wesley Rocha. Relatório Tratase do Auto de Infração nº 37.212.5050, constituído em 29/07/2010 (e fl. 5853), para exigência de contribuições previdenciárias descontadas dos produtores rurais pessoas físicas, referentes ao período de 01/2006 a 12/2008, incidentes sobre a receita bruta proveniente da comercialização da sua produção com a Recorrente, nos termos do art. 25 da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991, devidas por subrogação. Inconformada, a Recorrente apresentou impugnação (efls. 5855 a 5879), na qual alegou: a) inconstitucionalidade da contribuição social do empregador rural, nos termos do art. 25 da Lei nº 8.212, de 1991, mesmo após a edição da Lei nº 10.256, de 9 de julho de 2001, porque esta, ao alterar apenas o caput do 25 da Lei nº 8.212, de 1991, não teria o condão de validar os respectivos incs. I e II, declarados inconstitucionais no RE nº 363.852; b) os conceitos de receita e de faturamento não se aplicaria ao produtor rural, aplicandoselhe o conceito de resultado, nos termos do § 8º do art. 195 da Constituição Federal; c) imunidade das receitas decorrentes de exportação e, alternativamente, o descabimento de juros e multa moratórios sobre as contribuições incidentes sobre as receitas de exportação; e) a conexão e continência do presente processo com os que veiculam os autos de infração nº 37.212.5069, 37.212.5107, 37.212.5115 e 37.212.5182, sobre os quais deve a decisão deste processo deverá incidir direta ou indiretamente A impugnação foi considerada improcedente, nos termos do Acórdão nº 06 32.046 (efls. 5969 a 5974). No recurso voluntário (efls. 5980 a 5985), a Recorrente reafirmou os termos da impugnação e aduziu: a) inconstitucionalidade da exigência de garantias como condição para o apelo recursal, e b) o reconhecimento da conexão ou continência do presente processo com os autos de infração nºs 37.289.6375, 37.289.6332, 37.289.6480, 37.289.6383, 37.289.6391, 37.289.6464, 37.289.6472, 37.289.6421, 37.289.6448, 37.289.6430, 37.289.6413, 37.289.6405, 37.289.6367, 37.289.6456, 37.289.6340, 37.289.6359, 37.212.5034, 37.212.5042, 37.212.5050, 37.212.5077, 37.212.5085, 37.212.5093, 37.212.5123 e 37.212.5174. É o relatório. Fl. 5991DF CARF MF Processo nº 10935.004179/201067 Acórdão n.º 2301005.488 S2C3T1 Fl. 5.991 3 Voto João Maurício Vital Relator. 1 Do conhecimento O recurso é tempestivo. Segundo consta do Relatório Fiscal (efl. 1366), o auto de infração em análise referese tãosomente às contribuições descontadas dos produtores rurais e não declaradas em Gfip até o início da ação fiscal, as quais estão detalhadas nos levantamentos QC, QC1 e QC2 (efl. 815 a 888). Esta contribuição em tela está fundada no art. 25 da Lei nº 8.212, de 1991 (e fl. 1296). A contribuição sobre a receita bruta de agroindústrias, definida no art. 22A da mesma lei, não compôs o lançamento. Não conheço, pois, da matéria relacionada à imunidade de receitas provenientes de exportação, bem como respectivos encargos moratórios, por ser alheia aos autos. Deixo de conhecer também da questão relativa à exigência de garantias porque não está na lide. Ademais, o recurso interposto não foi condicionado à prestação de qualquer garantia. Conheço do apelo, entretanto, quanto às demais matérias. 2 Das preliminares 2.1 DA CONEXÃO E DA CONTINÊNCIA ENTRE PROCESSOS Embora esta matéria não componha a lide, a Recorrente solicita o reconhecimento da conexão ou continência do presente processo com os autos de infração nºs 37.289.6375, 37.289.6332, 37.289.6480, 37.289.6383, 37.289.6391, 37.289.6464, 37.289.6472, 37.289.6421, 37.289.6448, 37.289.6430, 37.289.6413, 37.289.6405, 37.289.6367, 37.289.6456, 37.289.6340, 37.289.6359, 37.212.5034, 37.212.5042, 37.212.5050, 37.212.5077, 37.212.5085, 37.212.5093, 37.212.5123 e 37.212.5174. Admito a existência de conexão, nos termos do inc. I do § 1º do art. 6º do Regimento Interno do Carf (Ricarf) 1, entre este processo e os autos de infração nºs 37.212.506 9, 37.212.5107, 37.212.5115, não está provada a conexão com os demais autos de infração citados pela Recorrente.. A esse respeito, registrese que os processos resultantes da mesma ação fiscal foram distribuídos para o mesmo relator, de modo a, quando possível e necessário, presentes as 1 Art. 6º Os processos vinculados poderão ser distribuídos e julgados observandose a seguinte disciplina: §1º Os processos podem ser vinculados por: I conexão, constatada entre processos que tratam de exigência de crédito tributário ou pedido do contribuinte fundamentados em fato idêntico, incluindo aqueles formalizados em face de diferentes sujeitos passivos; Fl. 5992DF CARF MF 4 iguais situações de fato e de direito e mesmos elementos de prova, procederse a conclusões convergentes. 3 Do mérito 3.1 DA INCONSTITUCIONALIDADE DA CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA PREVISTA NO ART. 25 DA LEI Nº 8.212, DE 1991 A Recorrente invocou o RE nº 363.852/MG para alegar a inconstitucionalidade dos incs. I e II do art. 25 da Lei nº 8.212, de 1991. O Egrégio Supremo afastou, por inconstitucionalidade, o art. 1º da Lei nº 8.540, de 1992, em razão da ausência de lei complementar. Admitiu, entretanto, o STF, que a inconstitucionalidade persistiria até que legislação nova, arrimada na Emenda Constitucional nº 20/98, viesse a instituir a contribuição. A matéria apreciada pelo STF pode ser assim sintetizada: a Lei nº 8.540, de 1992, instituiu a contribuição previdenciária sobre a receita, enquanto que o art. 195, inc. I, da Constituição Federal apenas previa, como bases imponíveis daquela exação, a folha de salários, o faturamento e o lucro. Porém, com o advento da Emenda Constitucional nº 20, de 1998, o novo panorama constitucional passou a permitir a tributação sobre a receita e, nesse novo contexto, foi editada a Lei nº 10.256, de 2001, que deu nova redação ao art. 25 da Lei nº 8.212, de 1991. A alegação da Recorrente de que o conceito de receita não se aplicaria ao produtor rural não tem qualquer fundamento teórico, doutrinário, jurisprudencial ou legal. Ao contrário, os incs. I e II do art. 25 da Lei nº 8.212, de 1991, definem como base imponível a receita bruta proveniente da comercialização da produção. O comando constitucional daqueles dispositivos é a alínea b do inc. I do art. 195 da Constituição Federal, e não o seu § 8º. Por fim, o STF firmou tese de repercussão geral, nos autos do RE nº 718.874, com o seguinte teor: Tema 669: É constitucional formal e materialmente a contribuição social do empregador rural pessoa física, instituída pela Lei 10.256/2001, incidente sobre a receita bruta obtida com a comercialização de sua produção. Nos termos do § 2º do art. 62 do Ricarf, a tese é de observância obrigatória nos julgamentos do Carf. Portanto, não há como atribuir razão à Recorrente nesta matéria. 4 Conclusões Voto por não conhecer do recurso na questão relativa à incidência de contribuição previdenciária sobre receitas de exportação, e respectivos encargos moratórios, e na questão afeta à exigência de garantias; no mérito, voto por NEGAR PROVIMENTO ao recurso. (assinado digitalmente) João Maurício Vital Relator. Fl. 5993DF CARF MF Processo nº 10935.004179/201067 Acórdão n.º 2301005.488 S2C3T1 Fl. 5.992 5 Fl. 5994DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 12278.720414/2014-91
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Sep 12 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Sep 20 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2011
IRPF. ISENÇÃO. MOLÉSTIA GRAVE. COMPROVAÇÃO. SÚMULA CARF Nº 63.
Para gozo da isenção do imposto de renda da pessoa física pelos portadores de moléstia grave, os rendimentos devem ser provenientes de aposentadoria, reforma, reserva remunerada ou pensão e a moléstia deve ser devidamente comprovada por laudo pericial emitido por serviço médico oficial da União, dos Estados, do Distrito Federal ou dos Municípios.
Numero da decisão: 2401-005.755
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Miriam Denise Xavier - Relatora e Presidente.
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Miriam Denise Xavier, Cleberson Alex Friess, Andrea Viana Arrais Egypto, Francisco Ricardo Gouveia Coutinho, Rayd Santana Ferreira, José Luiz Hentsch Benjamin Pinheiro, Luciana Matos Pereira Barbosa e Matheus Soares Leite.
Nome do relator: MIRIAM DENISE XAVIER
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Ano-calendário: 2011 IRPF. ISENÇÃO. MOLÉSTIA GRAVE. COMPROVAÇÃO. SÚMULA CARF Nº 63. Para gozo da isenção do imposto de renda da pessoa física pelos portadores de moléstia grave, os rendimentos devem ser provenientes de aposentadoria, reforma, reserva remunerada ou pensão e a moléstia deve ser devidamente comprovada por laudo pericial emitido por serviço médico oficial da União, dos Estados, do Distrito Federal ou dos Municípios.
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ISENÇÃO. Recorrente LÚCIA DIAS PACHECO ESPÓLIO Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2011 IRPF. ISENÇÃO. MOLÉSTIA GRAVE. COMPROVAÇÃO. SÚMULA CARF Nº 63. Para gozo da isenção do imposto de renda da pessoa física pelos portadores de moléstia grave, os rendimentos devem ser provenientes de aposentadoria, reforma, reserva remunerada ou pensão e a moléstia deve ser devidamente comprovada por laudo pericial emitido por serviço médico oficial da União, dos Estados, do Distrito Federal ou dos Municípios. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Miriam Denise Xavier Relatora e Presidente. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Miriam Denise Xavier, Cleberson Alex Friess, Andrea Viana Arrais Egypto, Francisco Ricardo Gouveia Coutinho, Rayd Santana Ferreira, José Luiz Hentsch Benjamin Pinheiro, Luciana Matos Pereira Barbosa e Matheus Soares Leite. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 12 27 8. 72 04 14 /2 01 4- 91 Fl. 90DF CARF MF Processo nº 12278.720414/201491 Acórdão n.º 2401005.755 S2C4T1 Fl. 91 2 Relatório Tratase de notificação de lançamento de imposto de renda pessoa física IRPF, fls. 3/6, decorrente de revisão da Declaração de Ajuste Anual (DAA) anocalendário 2011, que apurou imposto suplementar de R$ 31.511,99, acrescido de juros de mora e multa de ofício, em virtude de omissão de rendimentos indevidamente considerados como isentos por moléstia grave. Consta da descrição dos fatos que a contribuinte omitiu rendimentos tributáveis recebidos de pessoas jurídicas, sujeitos à tabela progressiva, no valor de R$ 355.990,88, indevidamente declarados como isentos, em razão do contribuinte não ter comprovado ser portador de moléstia considerada grave para fins de isenção do imposto de renda, pois não foi apresentado laudo pericial emitido por serviço oficial. Em impugnação apresentada à fl. 2, o contribuinte contesta o lançamento efetuado, argumentando, em síntese, que os rendimentos são isentos por corresponderem a rendimentos de pensão recebidos por portadora de moléstia grave, conforme documentação anexada. A DRJ/JFA, julgou improcedente a impugnação, mantendo o crédito tributário, conforme acórdão 0962.671 de fls. 63/67, assim ementado: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2012 RENDIMENTOS ISENTOS E NÃO TRIBUTÁVEIS. PROVENTOS DE PENSÃO. MOLÉSTIA GRAVE. Os proventos de pensão percebidos pelos portadores de moléstia grave especificada em lei serão considerados rendimentos isentos desde que a doença seja comprovada mediante laudo pericial emitido por serviço médico oficial da União, dos Estados, do Distrito Federal ou dos Municípios. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Consta do acórdão de impugnação que: A condição de pensionista da mencionada senhora foi acatada pela autoridade revisora, após análise da documentação apresentada durante a ação fiscal em resposta ao Termo de Intimação Fiscal nº 380/2014. Quanto à segunda condição, observo que o contribuinte trouxe aos autos, durante a ação fiscal, entre outros documentos, a Declaração de fls.27 firmada em 11/03/2013 pelo médico ortopedista Dr. José Inácio Trevisanato em papel timbrado da Secretaria Municipal de Saúde/Prefeitura Municipal de Indaiatuba, e o Relatório Médico de fls.28, emitido em 19/12/2012 pelo médico ortopedistaoncologista Dr. Alejandro Fl. 91DF CARF MF Processo nº 12278.720414/201491 Acórdão n.º 2401005.755 S2C4T1 Fl. 92 3 Enzo Cassone em papel timbrado da Clínica ORTHOS, os quais não foram aceitos pela autoridade revisora. Juntamente com a peça contestatória, o contribuinte apresentou, para apreciação da autoridade julgadora, o Laudo Pericial anexado a fls.07, emitido em 02/10/2014 pelo médico cardiologista Dr. Luiz Carlos Chiaparine, declarando que a Sra. Lúcia Dias Pacheco era portadora desde 15/04/2009 de neoplasia maligna (CID 90). Contudo, no campo “carimbo de identificação do serviço médico oficial” do documento em pauta, foi aposto apenas “HOSPITAL DIA INDAIATUBA”, sequer o CNPJ foi indicado. Não há como comprovar, portanto, o enquadramento da referida instituição hospitalar como “serviço médico oficial, assim considerado aquele instituído e mantido pelo poder público do município, do estado, do distrito federal ou da União”. Observo também que não consta no mencionado documento o número de registro no órgão público (matrícula) do médico emitente do laudo pericial, de maneira a comprovar o seu vínculo com o serviço médico oficial. Considero, portanto, que o Laudo Pericial em foco não se reveste de todos os requisitos necessários para ser considerado elemento hábil a comprovar a ocorrência da moléstia grave. Cientificado do Acórdão em 31/3/17 (cópia de Aviso de Recebimento AR de fl. 70), o contribuinte apresentou recurso voluntário em 25/4/17, fl. 72, no qual requer o deferimento do recurso, pois o laudo pericial apresentado está em conformidade com a lei, constando o CNPJ, o CRM do médico e número de matrícula. Apresenta novo laudo do Hospital Dia de Indaiatuba, fl. 74, no qual consta que a paciente é portadora de neoplasia maligna desde 15/4/09 (CID 90), no qual consta o CRM do médico e o CNPJ da instituição. É o relatório. Voto Conselheira Miriam Denise Xavier, Relatora. ADMISSIBILIDADE O recurso voluntário foi oferecido no prazo legal, assim, deve ser conhecido. ISENÇÃO Quanto a isenção, assim dispõe o CTN: Art. 111. Interpretase literalmente a legislação tributária que disponha sobre: [...] Fl. 92DF CARF MF Processo nº 12278.720414/201491 Acórdão n.º 2401005.755 S2C4T1 Fl. 93 4 II outorga de isenção; [...] Sobre o gozo da isenção do imposto sobre a renda da pessoa física pelos portadores de moléstia grave, a Lei 7.713/88 determina que: Art. 6º Ficam isentos do imposto de renda os seguinte rendimentos percebidos por pessoas físicas: [...] XIV – os proventos de aposentadoria ou reforma motivada por acidente em serviço e os percebidos pelos portadores de moléstia profissional, tuberculose ativa, alienação mental, esclerose múltipla, neoplasia maligna, cegueira, hanseníase, paralisia irreversível e incapacitante, cardiopatia grave, doença de Parkinson, espondiloartrose anquilosante, nefropatia grave, hepatopatia grave, estados avançados da doença de Paget (osteíte deformante), contaminação por radiação, síndrome da imunodeficiência adquirida, com base em conclusão da medicina especializada, mesmo que a doença tenha sido contraída depois da aposentadoria ou reforma; No mesmo sentido, o Regulamento do Imposto sobre a Renda (RIR/99), Decreto 3.000/99, assim dispõe: Art. 39. Não entrarão no cômputo do rendimento bruto: [...] XXXI os valores recebidos a título de pensão, quando o beneficiário desse rendimento for portador de doença relacionada no inciso XXXIII deste artigo, exceto a decorrente de moléstia profissional, com base em conclusão da medicina especializada, mesmo que a doença tenha sido contraída após a concessão da pensão (Lei nº 7.713, de 1988, art. 6º, inciso XXI, e Lei nº 8.541, de 1992, art. 47); [...] XXXIII os proventos de aposentadoria ou reforma, desde que motivadas por acidente em serviço e os percebidos pelos portadores de moléstia profissional, tuberculose ativa, alienação mental, esclerose múltipla, neoplasia maligna, cegueira, hanseníase, paralisia irreversível e incapacitante, cardiopatia grave, doença de Parkinson, espondiloartrose anquilosante, nefropatia grave, estados avançados de doença de Paget (osteíte deformante), contaminação por radiação, síndrome de imunodeficiência adquirida, e fibrose cística (mucoviscidose), com base em conclusão da medicina especializada, mesmo que a doença tenha sido contraída depois da aposentadoria ou reforma (Lei nº 7.713, de 1988, art. 6º, inciso XIV, Lei nº 8.541, de 1992, art. 47, e Lei nº 9.250, de 1995, art. 30, § 2º); [...] Fl. 93DF CARF MF Processo nº 12278.720414/201491 Acórdão n.º 2401005.755 S2C4T1 Fl. 94 5 § 4º Para o reconhecimento de novas isenções de que tratam os incisos XXXI e XXXIII, a partir de 1º de janeiro de 1996, a moléstia deverá ser comprovada mediante laudo pericial emitido por serviço médico oficial da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, devendo ser fixado o prazo de validade do laudo pericial, no caso de moléstias passíveis de controle (Lei nº 9.250, de 1995, art. 30 e § 1º). § 5º As isenções a que se referem os incisos XXXI e XXXIII aplicamse aos rendimentos recebidos a partir: I do mês da concessão da aposentadoria, reforma ou pensão; II do mês da emissão do laudo ou parecer que reconhecer a moléstia, se esta for contraída após a aposentadoria, reforma ou pensão; III da data em que a doença foi contraída, quando identificada no laudo pericial. § 6º As isenções de que tratam os incisos XXXI e XXXIII também se aplicam à complementação de aposentadoria, reforma ou pensão. Sendo assim, verificase que para a fruição da isenção, exigese o preenchimento cumulativo de três requisitos: a) que o rendimento seja proveniente de aposentadoria, reforma ou pensão; b) que o rendimento seja recebido por portador de moléstia grave relacionada em lei; e c) que a moléstia seja comprovada por laudo pericial emitido por serviço médico oficial da União, dos Estados, do Distrito Federal ou dos Municípios. Acrescentese a isso o enunciado da Súmula Carf nº 63, aprovada em 29/11/10: Para gozo da isenção do imposto de renda da pessoa física pelos portadores de moléstia grave, os rendimentos devem ser provenientes de aposentadoria, reforma, reserva remunerada ou pensão e a moléstia deve ser devidamente comprovada por laudo pericial emitido por serviço médico oficial da União, dos Estados, do Distrito Federal ou dos Municípios. (grifo nosso) No presente caso, conforme ressaltado no acórdão recorrido, a condição de pensionista foi acatada, contudo afirmouse que o contribuinte deixou de apresentar laudo médico oficial que comprovasse a moléstia apontada. Conforme laudo de fl. 74 a contribuinte é portadora de neoplasia maligna desde 15/4/09 (CID 90), no qual consta o CRM do médico e o CNPJ da instituição, que se trata de hospital da Prefeitura de Indaiatuba, fato não reconhecido pela fiscalização e que determinou o lançamento (fl. 4 da notificação). Fl. 94DF CARF MF Processo nº 12278.720414/201491 Acórdão n.º 2401005.755 S2C4T1 Fl. 95 6 Assim, em que pese a ausência de número de matrícula do médico que emitiu o laudo, como entendido pela DRJ, entendo que restou comprovado que a contribuinte é portadora de moléstia grave, sendo o rendimento percebido isento, pois restaram preenchidos os requisitos legais para o gozo da isenção. CONCLUSÃO Voto por conhecer do recurso, dandolhe provimento. (assinado digitalmente) Miriam Denise Xavier Fl. 95DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 11080.007616/2009-21
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Apr 10 00:00:00 UTC 2013
Ementa: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO
Exercício: 2006
OMISSÃO DE RECEITAS. MULTA QUALIFICADA. PROVA DIRETA.
Constitui-se prova direta da omissão de receitas aquela decorrente do confronto entre a escrituração contábil e os documentos que a lastreiam.
O dolo da contribuinte é inegável diante de lançamentos contábeis tão absurdos e repetidos, os quais afastam qualquer alegação de mero equívoco.
Numero da decisão: 1302-001.070
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por maioria, em negar provimento ao recurso voluntário, vencido o conselheiro Márcio Frizzo (relator).
Nome do relator: ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR
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Multa de Ofício Qualificada Recorrente FS COMERCIO DE CONFECCOES LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Exercício: 2006 OMISSÃO DE RECEITAS. MULTA QUALIFICADA. PROVA DIRETA. Constituise prova direta da omissão de receitas aquela decorrente do confronto entre a escrituração contábil e os documentos que a lastreiam. O dolo da contribuinte é inegável diante de lançamentos contábeis tão absurdos e repetidos, os quais afastam qualquer alegação de mero equívoco. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria, em negar provimento ao recurso voluntário, vencido o conselheiro Márcio Frizzo (relator). (assinado digitalmente) EDUARDO DE ANDRADE Presidente. (assinado digitalmente) MÁRCIO RODRIGO FRIZZO Relator. (assinado digitalmente) ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Redator designado. EDITADO EM: 05/08/2013 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Eduardo de Andrade, Márcio Rodrigo Frizzo, Luiz Tadeu Matosinho Machado, Alberto Pinto Souza Junior e Gulherme Pollastri Gomes da Silva. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 08 0. 00 76 16 /2 00 9- 21 Fl. 496DF CARF MF Impresso em 02/09/2013 por EVA RIBEIRO BARROS CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/08/2013 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 14/0 8/2013 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 15/08/2013 por EDUARDO DE ANDRADE, Assina do digitalmente em 06/08/2013 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR 2 Relatório Tratase de recurso voluntário, interposto em face do Acórdão da 5ª Turma da DRJ/POA, que manteve a aplicação da multa qualificada, julgando improcedente a impugnação apresentada pelo contribuinte contra o Auto de Infração n.º 01.202037. O presente processo tem origem no Mandado de Procedimento Fiscal n.º 10.1.01.002009008280, cujo objetivo era fiscalizar o cumprimento das obrigações tributárias relativas ao anocalendário de 2006, quando o contribuinte fez a opção pelo Lucro Real. Foram expedidas intimações solicitando informações e documentos, o que foi atendido pela recorrida (fls. 61,63, 252 e 253). De posse das informações apresentadas, o auditor fiscal apurou a omissão de receitas representadas por saldos credores, constantes na conta “clientes diversos”, não contabilizados como receita e que, no decorrer da ação fiscal, foram admitidos como tal e declarados como receita em DIPJ retificadora. Melhor esclarecendo. Ao se analisar os livros fiscais, e toda demais documentações apresentadas pelo contribuinte, ficou constatado que as receitas de vendas são registradas através do débito na conta 100070 (“Clientes Diversos”) e crédito nas contas 400088 (“Revenda de Mercadorias”) e 400105 (“Venda de Prod. de Fab. Própria”), não existindo controle individual de clientes. Salientase que os valores referentes a este exercício, lançados nestas contas, guardam conformidade com o Livro Reg. De Saídas do ICMS, totalizando R$ 4.555.734,70. Observouse, outrossim, que os recebimentos das vendas, via bancos, eram registrados através do débito na conta “Bancos”, e crédito na conta 100070 (“Clientes Diversos”), aparentando adiantamentos de clientes, o que resultou em saldo credor mensal no montante de R$ 3.361.544,10, valor que foi transferido, em 31/12/2006, para a conta 201110 (“Adiantamento Rec. de Clientes”). Assim, o contribuinte foi intimado (fls. 254 e 255) a apresentar os extratos bancários, e outros documentos, e para identificar quando e quais clientes efetuaram os adiantamentos lançados na conta 10007, posteriormente transferidos para a conta 20111, quando prestou informações (fls. 264 a 266) de que houve um equívoco no lançamento de tais valores, anexando email trocado com sua contadora para corrigilo, e cópias da DIPJ retificadora, apresentada em 13/10/2009 (fls. 267 a 297). Neste sentido, restou caracterizado que, no anocalendário de 2006, o contribuinte deixou de declarar, na DIPJ (fls. 84 a 215), receitas auferidas e recebidas, como verificado através do Livro Razão, e, também, pelo reconhecimento do contribuinte de que o saldo credor da conta 100070 tratavase de receita tributável, caracterizando crime contra a ordem tributária, consoante art. 1º, inciso II, da Lei 8.137/90, aplicandose o disposto no art. 44, II, da Lei 9.430/96. Desta forma, houve a constituição de crédito tributário referente ao IRPJ e a Contribuição Social sobre o Lucro Líquido, bem como concernente a respectiva contribuição para o PIS e a COFINS, com multa de 150%, conforme Demonstrativo Consolidado do Crédito Tributário (fls. 01), o qual totalizou R$ 2.605.308,58. Fl. 497DF CARF MF Impresso em 02/09/2013 por EVA RIBEIRO BARROS CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/08/2013 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 14/0 8/2013 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 15/08/2013 por EDUARDO DE ANDRADE, Assina do digitalmente em 06/08/2013 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 11080.007616/200921 Acórdão n.º 1302001.070 S1C3T2 Fl. 497 3 Em face da constituição do crédito tributário em seu desfavor, o contribuinte apresentou impugnação, argumentando a impossibilidade de aplicação da multa do art. 44, inciso II, da Lei 9.430/96, vigente à época, pelos seguintes motivos (fl. 236 e ss.): (i) A autoridade aplicou multa qualificada, no importe de 150%, com base no inciso II, do art. 44, da Lei 9.430/96, vigente à época; (ii) A omissão de receitas ocorreu de um equívoco de escrituração contábil da empresa, conforme comprovado por email entre a representante da empresa e sua contadora, através do qual requereu que fosse corrigido o registro, afirmando, ainda, que não houve intenção de praticar o crime de sonegação; (iii) O tipo penal do art. 71, da Lei 4.502/64, aplicável ao caso, exige conduta omissiva dolosa, o que restou descaracterizada pela apresentação do todos os documentos contábeis fiscais e a DIPJ retificadora; (iv) Portanto, uma vez não caracterizada o dolo na omissão das informações, inaplicável a multa qualificada de 150%, devendo incidir a multa simples, de 75%. A Quinta Turma de Julgamento da DRJ/POA declarou improcedente a impugnação, proferindo o Acórdão nº 1027.069 (fls. 436/438) e, portanto, manteve a multa qualificada, no importe de 150%, com a seguinte ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Anocalendário: 2006 MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA. CABIMENTO. Cabível a imposição da multa qualificada de 150% quando demonstrado o evidente intuito de fraudar o fisco. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Em razão da manutenção da multa qualificada, o contribuinte apresentou recurso voluntário (fls. 444/452) ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aduzindo em síntese: (i) Quando do procedimento de fiscalização, ao concluir pela existência de infração por omissão de receitas, os auditores aplicaram multa de 150%, fundamentada no art. 44, inciso II, da Lei 9.430/96, revogado pela Lei 11.488/07; (ii) Em sendo a lei nova mais benéfica ao contribuinte do que a vigente na época do fato gerador, esta deve ser aplicada segundo o preceito exarado no art. 106, II, c, do CTN; Fl. 498DF CARF MF Impresso em 02/09/2013 por EVA RIBEIRO BARROS CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/08/2013 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 14/0 8/2013 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 15/08/2013 por EDUARDO DE ANDRADE, Assina do digitalmente em 06/08/2013 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR 4 (iii) Ocorrido este evento, está instaurada a relação jurídica em face do sujeito ativo (União) e sujeito passivo (responsável), sendo que a extinção da referida obrigação ocorrerá apenas por uma das hipóteses previstas em lei, conforme o art. 97 do CTN; (iv) Assim, alega inconsistência no auto de infração e na aplicação da multa de 150%, devendo esta ser afastada integralmente; (v) Cita a súmula 14, do 1º Conselho de Contribuintes, ressaltando a necessidade de comprovação do dolo, o que não aconteceu; (vi) Requer a reforma da decisão proferida pela 5ª Turma de Julgamento, afastandose, assim, integralmente, a multa aplicada; (vii) Ressalta, outrossim, a inexistência de dolo pelo registro equivocado das receitas, requerendo, subsidiariamente, na hipótese de ser mantida a multa, que seja limitada a 50%, consoante art. 44, inciso II, da Lei 9.430/96. É o relatório. Voto Vencido Conselheiro Márcio Rodrigo Frizzo O recurso voluntário apresentado é tempestivo e apresenta todos os requisitos de admissibilidade, então dele conheço. 1. DA APLICAÇÃO DE MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA A aplicação de multa de oficio qualificada realizada pelo AFRFB, conforme notase no processo administrativo, ocorreu em decorrência dos seguintes fundamentos: (i) A empresa fiscalizada, no anocalendário de 2006, era optante pelo regime do Lucro Real, com manutenção de escrituração contábil completa; (ii) Nos livros Diário e Razão foram escrituradas as operações realizadas no AC de 2006, de forma a registrar a efetiva movimentação bancária; (iii) No entanto, ao receber dos clientes o produto das vendas e escriturar a crédito de clientes valores superiores aos debitados pelas vendas, resultando em saldo credor na conta patrimonial "Clientes Diversos", integrante do Ativo (Bens e Direitos) e, ao encerrar o Balanço Patrimonial, em 31/12/2006, transferir para o Passivo (obrigações) na conta "Adiantamento Rec. De Clientes", evidenciou a intenção dolosa de ocultar o conhecimento, por parte da autoridade tributária, da Fl. 499DF CARF MF Impresso em 02/09/2013 por EVA RIBEIRO BARROS CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/08/2013 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 14/0 8/2013 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 15/08/2013 por EDUARDO DE ANDRADE, Assina do digitalmente em 06/08/2013 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 11080.007616/200921 Acórdão n.º 1302001.070 S1C3T2 Fl. 498 5 ocorrência do fato gerador, materializado na omissão de vendas e evidenciado no registro do saldo credor da conta "Clientes Diversos". (iv) Com a omissão de receita, a DIPJ registra prejuízo em todos os trimestres do AC 2006, pelo que não houve pagamento do IRPJ e da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido; (v) A contribuição para a COFINS e para o PIS foi efetuada apenas nos limites das bases de cálculo constantes na contabilidade, bases estas inferiores às efetivamente incorridas; (vi) Nas Declarações de Débitos e Créditos Tributários Federais – DCTF também foram declarados como tributos devidos somente montantes compatíveis com as bases de cálculo consignadas na contabilidade. Os motivos acima resumidamente enumerados foram utilizados pelo AFRFB como fundamento fático para que houvesse a incidência da qualificação da multa de ofício de 75%, prevista no art. 44, § 1º da lei 9430/96, que dispõe: Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; [...] § 1o O percentual de multa de que trata o inciso I do caput deste artigo será duplicado nos casos previstos nos arts. 71, 72 e 73 da Lei no 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. O dispositivo acima transcrito é claro ao vincular a aplicação da qualificação da multa aos casos previstos nos arts. 71, 72 e 73 da lei 4502/64, que trata dos institutos da sonegação, fraude e conluio, nos seguintes termos: Art . 71. Sonegação é toda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, o conhecimento por parte da autoridade fazendária: I da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, sua natureza ou circunstâncias materiais; II das condições pessoais de contribuinte, suscetíveis de afetar a obrigação tributária principal ou o crédito tributário correspondente. Art . 72. Fraude é tôda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, ou a excluir ou Fl. 500DF CARF MF Impresso em 02/09/2013 por EVA RIBEIRO BARROS CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/08/2013 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 14/0 8/2013 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 15/08/2013 por EDUARDO DE ANDRADE, Assina do digitalmente em 06/08/2013 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR 6 modificar as suas características essenciais, de modo a reduzir o montante do impôsto devido a evitar ou diferir o seu pagamento. Art . 73. Conluio é o ajuste doloso entre duas ou mais pessoas naturais ou jurídicas, visando qualquer dos efeitos referidos nos arts. 71 e 72. Desta forma, não há dúvidas que no presente caso, pelos motivos expostos pelo AFRFB, e por mim resumidos logo no início desta argumentação, que a aplicação da multa qualificada de 150% teve como fundamento o fato de o contribuinte ter recebido receitas de vendas e escriturado como adiantamento de clientes (passivo), omitindo tais receitas da correspondente tributação, situação esta que, segundo o AFRFB, coadunase diretamente ao disposto no art. 71 ou 72 ou 73, da lei 4502/64. Desta forma ficou claro que o fato de o contribuinte ter escriturado receitas de vendas como adiantamentos, demonstrando pela DIPJ que apresentou prejuízo em todos os trimestres do AC 2006, foi entendida pela autoridade fiscal como caracterizadora da conduta dolosa do recorrente de se eximir do imposto devido e, portanto, merecedora da imposição da majoração da multa imposta de ofício. No entanto, tal entendimento se mostra equivocado uma vez que a simples conduta ora mencionada não pode, por si só, qualificar a multa prevista no art. 44, I da lei 9430/96. Explico. O AFRFB fundamentou o lançamento da multa qualificada sob o argumento de que poderseia inferir que as condutas do recorrente, quais sejam: escriturar receitas de vendas como adiantamentos, seriam suficientes para a caracterização da intenção dolosa e fraudulenta de impedir ou retardar através de meios ilícitos o conhecimento das infrações bem como a ocorrência dos fatos geradores, de forma a ocultar receitas auferidas ou não escrituradas/auferidas. É de se notar que, com a devida vênia, a conduta praticada pelo recorrente é punível segundo o disposto no inciso I do art. 44 da lei 9430/96, ou seja, com multa de 75% apenas. O evidente intuito de fraude é claramente o fundamento utilizado pelo AFRFB para aplicação da qualificação, uma vez que, segundo o auto de infração, o recorrente teria omitido receitas tributáveis, informadas como adiantamentos, escriturando prejuízos trimestrais, deixando, por consequência, de recolher IRPJ e Contribuição Social sobre o Lucro Líquido, e, dessa forma, segundo o entendimento do ilustre AFRFB, teria deixado de escriturar receitas auferidas, através de meios escusos e fraudulentos. Resumidamente, o AFRFB entendeu que a conduta do recorrente, tanto nas informações prestadas na declaração do imposto de renda, quanto naquelas prestadas durante a fiscalização, foi com o único objetivo de diminuir o tributo devido. Veja que, no entanto, tal conduta caracteriza no máximo uma simples omissão de receita. Ora, a autoridade lançadora poderia a qualquer momento desconsiderar as informações e valores prestados e fazer o lançamento de ofício normal, que, frisese, possui multa prevista no valor de 75%. Fl. 501DF CARF MF Impresso em 02/09/2013 por EVA RIBEIRO BARROS CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/08/2013 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 14/0 8/2013 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 15/08/2013 por EDUARDO DE ANDRADE, Assina do digitalmente em 06/08/2013 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 11080.007616/200921 Acórdão n.º 1302001.070 S1C3T2 Fl. 499 7 A recorrente prestou todas as informações solicitadas pelo AFRFB, nas quais este se baseou para fazer o presente lançamento. Não obstante a aplicação da multa qualificada (art. 44, § 1º da lei 9430/96) ocorrer de forma generalizada pelas autoridades lançadoras, há de se buscar os casos que efetivamente resta comprovada a conduta evidentemente fraudulenta. Neste sentido existe amplo número de decisões deste Egrégio Conselho das quais colaciono alguns exemplos abaixo: MULTA AGRAVADA. INADMISSIBILIDADE. A apresentação de declarações inexatas, por si só, não comporta a imputação de evidente intuito de fraude, sonegação ou conluio para fins de aplicação da multa qualificada. Descabe a aplicação da multa agravada quando, mesmo tendo informado receitas a menor, as receitas foram apuradas pela fiscalização a partir dos valores escriturados no livro caixa. (Ac. 110300502 – CARF – 1ª Seção – 1ª Câmara – 1ª Turma – Rel. Hugo Correia Sotero, j. 30 de junho de 2011). MULTA DE OFÍCIO DE 150%. É cabível a aplicação da multa de ofício, no percentual de 150%, sobre os valores dos tributos exigidos, nos casos de evidente intuito de fraude, nos termos dos arts. 71, 72 e 73 da Lei n° 4.502/64. (Ac. 110300.502. – CARF – 1ª Seção – 2ª Câmara – 2ª Turma – Rel. Carlos Alberto Donassolo, j. 27 de junho de 2011). MULTA DE OFÍCIO. PERCENTUAL DE 150%. CABIMENTO. A qualificação da multa de ofício apenas é justificada quando a fiscalização devidamente demonstra o evidente intuito de fraude do contribuinte (art.44, II, da Lei nº 9.430/96, redação à época dos fatos geradores). (Ac. 140100.484 – 1ª Seção – 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária – Rel. Eduardo Martins Neiva Monteiro, j. 24 de fevereiro de 2011). MULTA QUALIFICADA EVIDENTE INTUITO DE FRAUDE AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO MERA OMISSÃO DE RENDIMENTOS Somente é justificável a exigência da multa qualificada prevista no artigo art. 44, II, da Lei n 9.430, de 1996, quando o contribuinte tenha procedido com evidente intuito de fraude, nos casos definidos nos artigos 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502/64. O evidente intuito de fraude deverá ser minuciosamente justificado e comprovado nos autos. Nos termos do enunciado nº 14 da Súmula deste Primeiro Conselho, não há que se falar em qualificação da multa de ofício nas hipóteses de mera omissão de rendimentos, sem a devida comprovação do intuito de fraude. (1CC Proc. 15586.000733/200509 6ª C. Rel. Giovanni Christian Nunes Campos DOU 03.09.2008) Fl. 502DF CARF MF Impresso em 02/09/2013 por EVA RIBEIRO BARROS CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/08/2013 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 14/0 8/2013 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 15/08/2013 por EDUARDO DE ANDRADE, Assina do digitalmente em 06/08/2013 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR 8 MULTA QUALIFICADA – CABIMENTO – Cabível a aplicação da multa de lançamento de ofício qualificada, quando a contribuinte, mediante fraude, modifica as características essenciais do fato gerador e da obrigação tributária, reduzindo o montante do tributo. (Acórdão 10517.249. 1º Conselho de Contribuintes. 5ª Câmara. Publicado em 15.10.2008). Neste sentido dispõe o art. 957, II do RIR/99: Art. 957. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas, calculadas sobre a totalidade ou diferença de imposto (Lei nº 9.430, de 1996, art. 44): [...] II de cento e cinqüenta por cento, nos casos de evidente intuito e fraude, definido nos arts. 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502, de 1964,independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. Neste contexto há de se asseverar que não há possibilidade de presunção da fraude. Os fatos que a caracterizem devem estar presentes e perfeitamente identificados nos autos, seja na conduta do recorrente, seja em omissões deliberadas. O que não se pode admitir é que o AFRFB entenda que a simples atitude de omitir receita, através do lançamento de receita de vendas (ativo) como adiantamentos (passivo), evidencie o dolo do contribuinte. É de se espantar que muitos entendam que a simples omissão de receitas ou rendimentos, a simples declaração inexata de custos, despesas, receitas, a classificação equivocada de receitas na DIPJ, falta de comprovação de determinada operação comercial ou ato financeiro, inclusão ou exclusão de qualquer valor, bem ou direito na Declaração de Bens ou Direitos, prestação de informações divergentes às levantadas pelo Fisco, entre outras, caracterizem a incidência da multa qualificada sob o fundamento de evidente intuito de fraude. Tais condutas de maneira alguma, por si só, com vênia aos que pensam em contrário, podem ser consideradas como atividades com evidente intuito de fraude. Há de se verificar positivamente no processo um plus fraudulento às condutas acima mencionadas para que se entenda pela aplicação da tal qualificadora, sob pena de se desvirtuar a natureza de cada instituto. O equívoco me parece estar exatamente nos casos de lançamento de oficio de tributos com base em presunção legal de omissão de receita ou rendimentos. A simples omissão de receita baseada na presunção legal e a inclusão de valores e informações nas declarações do imposto de renda não caracterizam de maneira alguma o evidente intuito de fraude. Estarseia em um perigoso processo de equiparação dos casos de simples infração fiscal de omissão de receita a casos graves caracterizadores de evidente atitude fraudulenta. As condutas que caracterizam a presunção legal de omissão de receita, aos quais se aplica a multa de 75%, em nada se assemelham aos casos de fraude manifesta, estes sim ensejadores da aplicação da multa majorada de 150%. Fl. 503DF CARF MF Impresso em 02/09/2013 por EVA RIBEIRO BARROS CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/08/2013 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 14/0 8/2013 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 15/08/2013 por EDUARDO DE ANDRADE, Assina do digitalmente em 06/08/2013 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 11080.007616/200921 Acórdão n.º 1302001.070 S1C3T2 Fl. 500 9 Tais condutas com evidente intuito de fraude em nada se assemelham ao praticado pelo recorrente, como disposto no auto de infração como fundamento para a aplicação de tão gravosa penalidade. O recorrente, ao escriturar receitas tributáveis como adiantamentos (não tributáveis), deveria ter sido, sim, penalizado pela infração de omissão de receita, mas jamais pela atitude evidente de fraude. Há grande distância entre a conduta do recorrente e àquelas que carecem de penalidade qualificada, como movimentações bancárias através de terceiros "laranjas", falecidos, adulteração de comprovantes, falsificação documental, falsidade ideológica, notas fiscais falsas ou calçadas, notas de empresas inexistentes, subfaturamentos na exportação entre outros. Estas condutas exemplificadas acima, sim, possuem grande teor fraudulento. Têm o evidente intuito de enganar ou ludibriar a autoridade lançadora de forma que totalmente aplicável o disposto no art. 44, § 1º da lei 9430/96. A simples constatação da omissão de receita evidencia a necessidade de tributação de ofício e com ela a aplicação da multa de ofício no valor de 75%. No entanto, conforme analisado no presente processo, não ficou evidente o intuito de fraude na conduta do recorrente, requisito necessário para que seja aplicada a multa de 150%. O AFRFB deve demonstrar de forma clara e através de fatos e informações presentes no auto de infração que o contribuinte agiu com dolo na tentativa de fraudar ou sonegar. A situação resumidamente consiste no seguinte resumo: (i) A negligência, equívoco, lapso, desorganização e até omissão proposital do contribuinte, que poderá ocasionar a presunção de omissão de receita, o que resulta na tributação de ofício e com ela a multa de 75%; (ii) O dolo evidente de fraudar através de condutas que efetivamente busquem ludibriar, falsificar, enganar, alterar com o resultado de sonegar tributos, desde que minuciosamente justificado e comprovado nos autos, resulta na multa majorada de 150%. Se passarmos a considerar a simples omissão de receita como fato ensejador da multa qualificada no valor de 150% o que ocorrerá com a multa de ofício normal 75%? De certo que se tornará letra morta de lei. Marco Aurélio Greco, examinando o descabimento da multa qualificada nos casos de suposta fraude com base no art. 44, II da lei 9430/96 que possui exatamente o mesmo texto legal do art. 957 do RIR/99, se manifesta no seguinte sentido: "Outra observação a ser feita é a de que a incidência do inciso II do artigo 44 da Lei n°9430/96, que leva à multa mais onerosa, supõe a ocorrência inequívoca de intuito fraudulento. Vale dizer, não é toda e qualquer hipótese de falta de pagamento, etc, prevista no inciso I que vai levar à multa em dobro. Fl. 504DF CARF MF Impresso em 02/09/2013 por EVA RIBEIRO BARROS CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/08/2013 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 14/0 8/2013 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 15/08/2013 por EDUARDO DE ANDRADE, Assina do digitalmente em 06/08/2013 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR 10 Se não houve intuito de enganar, esconder, iludir, mas se, pelo contrário, o contribuinte agiu de forma clara, deixando explícitos seus atos e negócios, de modo a permitir a ampla fiscalização pela autoridade fazendária, e se agiu na convicção e certeza de que seus atos tinham determinado perfil legalmente protegido — que levava ao enquadramento em regime ou previsão legal tributariamente mais favorável — não se trata de caso regulado pelo inciso II do artigo 44, mas sim de divergência de qualificação jurídica dos fatos; hipótese completamente distinta da fraude a que se refere o dispositivo. A multa agravada só tem cabimento se o elemento subjetivo do tipo for a fraude no sentido de enganar, esconder, iludir, etc. (GRECO. Marco Aurélio. Planejamento Tributário. São Paulo: Dialética, 2004). Corroborando tal entendimento estão as razões do voto da cons. Heloiza Guarita Souza, ao analisar o instituto da simulação, proferidas no acórdão 10423.129, em 23 de abril de 2008 conforme abaixo: Porém, o que deve ser considerado é que a simulação, por si só, não é causa geradora de sonegação, fraude e conluio. Diante das premissas aqui expostas, pode até se admitir que as operações tenham sido simuladas, com o objetivo de evitar a ocorrência de fatos geradores de IRPJ e IRPF, mas, em momento algum, vejo a caracterização de intuito doloso ou a identificação de elementos e/ou negócios e atos jurídicos falsos, ilegítimos ou fraudulentos, capazes de caracterizar a ocorrência de sonegação, fraude e conluio, isolada ou conjuntamente. As ações desenvolvidas pelas partes, os negócios jurídicos realizados estão dentro daquele verdadeiro direito do contribuinte de optar pela conduta menos onerosa tributariamente, arcando com os riscos dela inerentes, utilizandose, para tanto, da prática de atos totalmente lícitos, abertos, feitos às claras, transparentemente, de conhecimento público e geral. E, mais, principal e essencialmente, deve ser levado em conta, também, que, na época em que as operações foram realizadas, eram elas aceitas, lícitas, não havendo a "pecha" de ilícitas, sendo, inclusive, referendadas por esse Conselho de Contribuintes. Tratavase, pois, de operações de planejamento tributário (sim, reconhecidamente), mas tidos como possíveis e aceitos, já que lícitos todos os seus atos. Isso tudo, fundamentado naquela máxima de que o contribuinte não está obrigado a usar o caminho mais gravoso economicamente para concretizar os seus atos jurídicos, desde que não haja imposição legal expressa a esse respeito. Assumir que o evidente intuito de fraude pode ser presumido é desvirtuar não somente a sistemática do procedimento administrativo fiscal, mas todo o ordenamento jurídico brasileiro. Dessa forma, dou provimento ao recurso voluntário interposto pelo recorrente no sentido da não aplicação da multa de ofício qualificada em razão da inexistência de Fl. 505DF CARF MF Impresso em 02/09/2013 por EVA RIBEIRO BARROS CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/08/2013 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 14/0 8/2013 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 15/08/2013 por EDUARDO DE ANDRADE, Assina do digitalmente em 06/08/2013 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 11080.007616/200921 Acórdão n.º 1302001.070 S1C3T2 Fl. 501 11 comprovação clara no presente processo administrativo por parte do AFRFB da efetiva conduta fraudulenta ou com evidente intuito doloso de sonegação fiscal. 3. CONCLUSÃO Ante ao exposto, dar provimento ao recurso voluntário, para manter a multa de ofício na sua forma simples, no patamar de 75%, nos termos do relatório e voto. (assinado digitalmente) Marcio Rodrigo Frizzo – Relator. Fl. 506DF CARF MF Impresso em 02/09/2013 por EVA RIBEIRO BARROS CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/08/2013 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 14/0 8/2013 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 15/08/2013 por EDUARDO DE ANDRADE, Assina do digitalmente em 06/08/2013 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR 12 Voto Vencedor Conselheiro Alberto Pinto S. Jr. Com a devida vênia do I. Relator, ouso divergir do seu voto, pois entendo que, in casu, a prova da omissão de receitas não é indireta, razão pela qual cabe a qualificação da multa de ofício. Como se sabe, a presunção juris tantum é prova indireta que decorre de norma legal que autoriza o aplicador do Direito a presumir ocorrido um determinado fato não conhecido a partir da constatação da ocorrência de determinado indício. Por exemplo, a partir da constatação do saldo credor de caixa (indício), a norma autoriza que se conclua pela ocorrência da omissão de receitas. Da mesma forma, são indícios que autorizam a presunção legal de omissão de receitas: o passivo fictício, o suprimento de numerário, etc. No caso em tela, porém, a omissão de receitas está demonstrada e comprovada nos autos por prova direta, colhida da própria escrita contábil da contribuinte, razão pela qual não há falar em aplicação da Súmula CARF 14, se não vejamos como descreve a autoridade lançadora os lançamentos verificados nos livros da recorrente: “ c) No entanto, ao receber dos clientes o produto das vendas e escriturar a crédito de clientes valores superiores aos debitados pelas vendas, resultando em saldo credor na conta patrimonial "Clientes Diversos", integrante do Ativo (Bens e Direitos) e ao encerrar o Balanço Patrimonial em 31/12/2006, transferir para o Passivo (obrigações) na conta "Adiantamento Rec. de Clientes" evidenciou a intenção dolosa de ocultar o conhecimento por parte da autoridade tributária, da ocorrência do fato gerador, materializado na omissão de vendas e evidenciado no registro do saldo credor da conta Clientes Diversos (fls. 102 a 183); d) Com a omissão de receita a DIPJ registra prejuízo em todos os trimestres do AC 2006 e não houve pagamento do IRPJ, da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido;”. O dolo da contribuinte é inegável diante de lançamentos contábeis tão absurdos e repetidos, os quais afastam qualquer alegação de ter sido por mero equívoco. Aliás, deixam claro que tinham o propósito de omitir receitas, ou seja, de evitar os lançamentos de receitas em resultado, o que se configura na conduta tipificada no art. 71 da Lei 4.502/64 impedir ou retardar, total ou parcialmente, o conhecimento por parte da autoridade fazendária da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal. O fato de a escrita sempre ter estado a disposição do Fisco não desconstitui a conduta dolosa da recorrente no intuito de impedir ou retardar o conhecimento do Fisco das receitas omitidas. Com efeito, assumiu a recorrente o risco de sua conduta dolosa, pois, da mesma forma que tais lançamentos foram objetos de fiscalização, poderiam não o ser até que houvesse a decadência de tais créditos tributários. Em face do exposto, voto por negar provimento ao recurso voluntário. Alberto Pinto S. Jr. – Redator designado. . Fl. 507DF CARF MF Impresso em 02/09/2013 por EVA RIBEIRO BARROS CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/08/2013 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 14/0 8/2013 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 15/08/2013 por EDUARDO DE ANDRADE, Assina do digitalmente em 06/08/2013 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 11080.007616/200921 Acórdão n.º 1302001.070 S1C3T2 Fl. 502 13 Fl. 508DF CARF MF Impresso em 02/09/2013 por EVA RIBEIRO BARROS CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/08/2013 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 14/0 8/2013 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 15/08/2013 por EDUARDO DE ANDRADE, Assina do digitalmente em 06/08/2013 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR
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Numero do processo: 10840.909826/2011-69
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Jul 12 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Sep 11 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Data do Fato Gerador: 14/06/2002
DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA.
Incumbe ao sujeito passivo a demonstração, acompanhada das provas hábeis, da composição e a existência do crédito que alega possuir junto à Fazenda Nacional para que sejam aferidas sua liquidez e certeza pela autoridade administrativa.
Numero da decisão: 9303-007.191
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em negar-lhe provimento, vencidas as conselheiras Érika Costa Camargos Autran e Tatiana Midori Migiyama, que lhe deram provimento.
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em Exercício e Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente em Exercício).
Nome do relator: RODRIGO DA COSTA POSSAS
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decisao_txt : Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em negar-lhe provimento, vencidas as conselheiras Érika Costa Camargos Autran e Tatiana Midori Migiyama, que lhe deram provimento. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em Exercício e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente em Exercício).
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DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA. Recorrente FUGINI ALIMENTOS LTDA. Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Data do Fato Gerador: 14/06/2002 DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA. Incumbe ao sujeito passivo a demonstração, acompanhada das provas hábeis, da composição e a existência do crédito que alega possuir junto à Fazenda Nacional para que sejam aferidas sua liquidez e certeza pela autoridade administrativa. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em negarlhe provimento, vencidas as conselheiras Érika Costa Camargos Autran e Tatiana Midori Migiyama, que lhe deram provimento. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em Exercício e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente em Exercício). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 84 0. 90 98 26 /2 01 1- 69 Fl. 153DF CARF MF Processo nº 10840.909826/201169 Acórdão n.º 9303007.191 CSRFT3 Fl. 3 2 Relatório Tratase de Recurso Especial de Divergência interposto pelo Contribuinte contra o acórdão n.º 3802002.479, de 25 de março de 2014, proferido pela Segunda Turma Especial da Terceira Seção de Julgamento deste CARF, decisão que, por unanimidade de votos, negou provimento ao recurso voluntário. Na parte de interesse, o acórdão recorrido possui a seguinte ementa: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do Fato Gerador: 14/06/2002 INDÉBITO TRIBUTÁRIO. LIQUIDEZ E CERTEZA NÃO DEMONSTRADAS. RESTITUIÇÃO. IMPOSSIBILIDADE A restituição de indébitos tributários decorrente de suposto pagamento a maior ou indevido (CTN, artigo 165, I) exige seja o direito demonstrado por parte do sujeito passivo, o qual tem o ônus de provar, com a apresentação de documentação suficiente, o direito em que se alicerça. (...) Recurso ao qual se nega provimento. O Contribuinte interpôs Recurso Especial suscitando divergência quanto às seguintes matérias: 1 Exclusão do ICMS da base de cálculo do PIS e da COFINS; 2 Necessidade de diligência fiscal, com a obrigatoriedade de apreciação de novas provas das alegações do contribuinte, em face do princípio da verdade material. O Recurso Especial do Contribuinte foi admitido parcialmente, conforme despacho de admissibilidade do então Presidente da Segunda Câmara da Terceira Seção do CARF, apenas quanto à segunda matéria (questão da prova). O seguimento parcial foi ratificado pelo reexame da admissibilidade. A Fazenda Nacional apresentou contrarrazões manifestando pelo não provimento do recurso especial do Contribuinte. É o relatório, em síntese. Fl. 154DF CARF MF Processo nº 10840.909826/201169 Acórdão n.º 9303007.191 CSRFT3 Fl. 4 3 Voto Conselheiro Rodrigo da Costa Pôssas, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 9303007.177, de 12/07/2018, proferido no julgamento do processo 10840.900016/201228, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 9303007.177): "Da Admissibilidade O Recurso Especial da Contribuinte é tempestivo e, depreendendose da análise de seu cabimento, entendo pela admissibilidade do recurso conforme despacho de fls.150 a 154, senão vejamos: Com relação matéria que foi admitida, entendo que restou comprovada a divergência jurisprudencial, argumentando que acórdão recorrido, ao examinar questão relativa à restituição de indébitos tributários decorrente de suposto pagamento a maior ou indevido, decidiu que não caberia a conversão do julgamento em diligência, sob o entendimento de que o ônus de provar o direito alegado, sua liquidez e certeza, é do sujeito passivo. Por sua vez, o acórdão paradigma firma entendimento diverso, ao tratar da mesma matéria relativa à repetição de indébito, decidiu que cabe à autoridade preparadora o ônus de promover a análise da liquidez e certeza do alegado crédito, com base nos documentos existentes dos autos e outros mais que entender necessários, intimando o contribuinte para apresentálos se for o caso, em face do princípio da verdade material. Desta maneira, entendo que o contraste das ementas e do teor dos votos das decisões evidencia a divergência entre o entendimento exarado no acórdão recorrido e os acórdãos paradigmas. Diante do exposto, comprovada a divergência, voto no sentido de conhecer do recurso interposto pelo Contribuinte. Do Mérito (...)1 Respeitosamente, divirjo da i. relatora quanto ao provimento do recurso especial de divergência da contribuinte. 1 Deixouse de transcrever a parte do voto da relatora do processo paradigma que tratou do mérito, por ter sido posição que restou vencida, não se aplicando, portanto, à solução do litígio deste processo. Contudo, a íntegra do voto consta do acórdão do paradigma (9303007.177). Fl. 155DF CARF MF Processo nº 10840.909826/201169 Acórdão n.º 9303007.191 CSRFT3 Fl. 5 4 Tendo em vista que o recurso especial foi conhecido apenas em razão do acórdão paradigma que abordava a necessidade de diligência fiscal e da obrigatoriedade de apreciação de novas provas das alegações do contribuinte, em face do princípio da verdade material, me fixarei nesse tema. O referido paradigma, de nº 3302002.225, traz o entendimento de que nos autos não constava nenhuma comprovação do direito creditório alegado, decorrente de pagamento indevido ou maior, e por isso o contribuinte requereu diligência a fim de que se apurasse o crédito pleiteado em sua PER/DCOMP. Pelo princípio da verdade material, considerouse que a autoridade fiscal teria a obrigação de realizar a análise dos fatos alegados pela contribuinte solicitando inclusive a realização de diligências e apresentação de novas provas das alegações da contribuinte. Contudo, não entendo que essa seja a melhor interpretação da legislação aplicável. O caput do artigo 170 do CTN, ao tratar da extinção do crédito tributário pela compensação, estipula: Art. 170. A lei pode, nas condições e sob as garantias que estipular, ou cuja estipulação em cada caso atribuir à autoridade administrativa, autorizar a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda pública. (Grifei.) Já na Lei nº 9.430/1996, em seu art. 74, está determinado: Art. 74. O sujeito passivo que apurar crédito, inclusive os judiciais com trânsito em julgado, relativo a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados por aquele Órgão. (...) § 14. A Secretaria da Receita Federal SRF disciplinará o disposto neste artigo, inclusive quanto à fixação de critérios de prioridade para apreciação de processos de restituição, de ressarcimento e de compensação. (Grifei.) A então SRF, cumprindo a disposição legal, editou a IN SRF nº 600 de 28/12/2005, na qual estipulava: COMPENSAÇÃO. COMPENSAÇÃO EFETUADA PELO SUJEITO PASSIVO Art. 26. O sujeito passivo que apurar crédito, inclusive o reconhecido por decisão judicial transitada em julgado, relativo a tributo ou contribuição administrados pela SRF, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios, vencidos ou vincendos, relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados pela SRF. § 1º A compensação de que trata o caput será efetuada pelo sujeito passivo mediante apresentação à SRF da Declaração de Compensação gerada a partir do Programa PER/DCOMP ou, na impossibilidade de sua utilização, mediante a apresentação à SRF do Fl. 156DF CARF MF Processo nº 10840.909826/201169 Acórdão n.º 9303007.191 CSRFT3 Fl. 6 5 formulário Declaração de Compensação constante do Anexo IV, ao qual deverão ser anexados documentos comprobatórios do direito creditório. (Grifei.) Além de reproduzir o ditame legal em seu caput, o art. 26 no § 1º já indicava a necessidade de documentos comprobatórios a serem anexados de imediato, nos casos em que a compensação fosse realizada através de formulários em papel. A contribuinte realizou seu PER/DCOMP, solicitando crédito no montante originário de R$ 44.025,53 e, em face do despacho decisório à efl. 05, pelo qual os créditos do DARF que suportavam seu pedido, de R$ 226.212,51, estariam totalmente alocados; restringiuse à discussão jurídica sobre restituição de indébitos de ICMS, sem apontar como concluiu pelos valor pleiteado, ou qualquer documento que indicasse tais valores de ICMS. Solicitou também a realização de diligência para apuração do crédito, contudo, pela legislação transcrita, há de se observar que a compensação é ato de iniciativa do contribuinte, em face de suposta existência de créditos por ele alegada, devendo esses créditos serem líquidos e certos e por ele apurados. Uma vez que alega a existência de um direito frente à administração, todo o ônus probatório sobre ele recai e deve providenciar as comprovação do que apurou, diferentemente dos casos em que há lançamento de ofício, quando o ônus de apurar o valor do crédito exigido é do fisco. Caberia à autoridade fiscal, em face das provas juntadas pela contribuinte, aferir a liquidez e certeza do crédito requerido. Adicionalmente, no voto condutor do acórdão de manifestação de inconformidade nº 1441.381, da 6ª Turma da DRJ/RPO, se encontra: Mas, para tanto, a alegação deveria vir acompanhada da documentação comprobatória da existência do pagamento a maior, mesmo porque, nesse caso, o ônus da comprovação do direito creditório é do contribuinte, pois se trata de uma solicitação de restituição, de seu exclusivo interesse. Nesse contexto, não se pode olvidar que nos termos do artigo 333, inciso I, do Código de Processo Civil, ao autor incumbe o ônus da prova dos fatos constitutivos do seu direito. Conseqüentemente, as PER/DCOMP devem estar, necessariamente, instruídas com as devidas provas do indébito tributário no qual se fundamentam, sob pena de indeferimento. (Negritei.) Mesmo assim, em sede de recurso voluntário a contribuinte volta a requerer diligência, sem indicar qualquer prova relativamente à apuração do valor do crédito pleiteado. Por isso penso que andou bem o acórdão a quo ao negar provimento ao recurso voluntário em face da ausência de comprovação do direito creditório. Pelo exposto, voto pelo desprovimento do recurso especial de divergência da contribuinte." Importante observar que, da mesma forma que ocorreu no caso do paradigma, no presente processo a contribuinte também não indicou "qualquer prova relativamente à apuração do valor do crédito pleiteado". Fl. 157DF CARF MF Processo nº 10840.909826/201169 Acórdão n.º 9303007.191 CSRFT3 Fl. 7 6 Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, o recurso especial do contribuinte foi conhecido e, no mérito, o colegiado negoulhe provimento. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Fl. 158DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10331.000193/2010-91
Turma: Segunda Turma Extraordinária da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jul 25 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Sep 06 00:00:00 UTC 2018
Numero da decisão: 2002-000.032
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por maioria de votos, converter o julgamento do recurso em diligência à Unidade de Origem, solicitando que a unidade preparadora junte aos autos a Declaração de Ajuste Anual (DAA) da contribuinte, referente ao ano calendário 2008/exercício 2009, para fins de comprovação de que André Luís Melo Soares foi declarado como dependente. Ainda solicita-se que a contribuinte carreie aos autos declaração de YARA CLÍNICA ODONTOLÓGICA LTDA e de JOSÉ FRANCISCO BEZERRA NUNES com indicação do registro profissional no órgão competente. Vencida a conselheira Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez que votou contra a realização da diligência por entendê-la prescindível.
(Assinado digitalmente)
Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez - Presidente
(Assinado digitalmente)
Thiago Duca Amoni - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez, Fábia Marcília Ferreira Campêlo, Thiago Duca Amoni e Virgilio Cansino Gil.
Nome do relator: THIAGO DUCA AMONI
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Resolvem os membros do colegiado, por maioria de votos, converter o julgamento do recurso em diligência à Unidade de Origem, solicitando que a unidade preparadora junte aos autos a Declaração de Ajuste Anual (DAA) da contribuinte, referente ao ano calendário 2008/exercício 2009, para fins de comprovação de que André Luís Melo Soares foi declarado como dependente. Ainda solicitase que a contribuinte carreie aos autos declaração de YARA CLÍNICA ODONTOLÓGICA LTDA e de JOSÉ FRANCISCO BEZERRA NUNES com indicação do registro profissional no órgão competente. Vencida a conselheira Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez que votou contra a realização da diligência por entendêla prescindível. (Assinado digitalmente) Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez Presidente (Assinado digitalmente) Thiago Duca Amoni Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez, Fábia Marcília Ferreira Campêlo, Thiago Duca Amoni e Virgilio Cansino Gil. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 03 31 .0 00 19 3/ 20 10 -9 1 Fl. 64DF CARF MF Erro! A origem da referência não foi encontrada. Fls. 65 ___________ RELATÓRIO Notificação de lançamento Trata o presente processo de notificação de lançamento – NL (efls. 04 a 09), relativa a imposto de renda da pessoa física, pela qual se procedeu a glosa de diversas despesas médicas indevidamente deduzidas, bem como a glosa de dedução indevida com despesas de instrução. Tal autuação gerou lançamento de imposto de renda pessoa física suplementar de R$ 3.803,46, acrescido de multa de ofício no importe de 75%, bem como juros de mora. Impugnação A notificação de lançamento foi objeto de impugnação, às efl. 02 a 26 dos autos, sob fundamento de cometeu erro no preenchimento da DAA relativo ao valor de R$120,00 informado como despesa com instrução. Ainda, informa que as despesas médicas no valor de R$6.565,00 são próprias e R$5.080,00 são referentes a despesas com o dependente André Luís Melo Soares. A impugnação foi apreciada na 6ª Turma da DRJ/CTA que por unanimidade, em 20/09/2013, no acórdão 0643.849, às efls. 47 a 50, julgou a impugnação improcedente. Recurso voluntário Ainda inconformada, a contribuinte, apresentou recurso voluntário, às efls. 58 a 60, no qual alega, em resumo, que os recibos apresentados, efls. 10 a 23, são documentos hábeis para comprovação das despesas médicas. É o relatório. VOTO Conselheiro Thiago Duca Amoni Relator Pelo que consta no processo, o recurso é tempestivo, já que o contribuinte foi intimado do teor do acórdão da DRJ em 26/09/2013, efls. 56, e interpôs o presente Recurso Voluntário em 08/10/2013, efls. 58, posto que atende aos requisitos de admissibilidade e, portanto, dele conheço. Primeiramente fazse necessário a delimitação da lide em sede de recurso voluntário. O contribuinte foi autuado pela glosa as seguintes despesas, conforme notificação de lançamento às e.fls09: · UNIMED PARNAÍBA COOPERATIVA R$4.205,15; · HOSPITAL DE OLHOS FRANCISCO VILAR R$4.515,00; · EDSON JANSEN PEDROSA DE MIRANDA R$80,00; Fl. 65DF CARF MF Processo nº 10331.000193/201091 Resolução nº 2002000.032 S2C0T2 Fl. 66 3 · YARA CLÍNICA ODONTOLÓGICA LTDA. R$1.800,00; · JOSÉ FRANCISCO BEZERRA NUNES R$5.000,00; · ANDREIA DE MEDEIROS CUNHA R$250,00 · DESPESA COM INSTRUÇÃO R$120,00 Apresentada impugnação, a contribuinte não contesta a despesa com instrução no valor de R$120,00 e nem o valor deduzido com a UNIMED PARNAÍBA COOPERATIVA, no valor de R$4.205,15. A DRJ manteve a autuação sob os seguintes fundamentos: (...) 10. Como os documentos apresentados não identificavam o paciente, ndicando apenas a contribuinte como pagante do serviço, as despesas foram glosadas (art. 8º, §2º, II da Lei 9.250/1995). 11. Em sua defesa, a contribuinte alega que os valore glosados se referem a pagamento de despesas médicas próprias e de seu dependente, inclusive despesa glosada declarada como despesa com instrução, porém encaminha documentos (notas fiscais, recibos e declarações) que informam seu nome como pagante do serviço prestado, não identificando, ainda, o paciente que teria se submetido aos tratamentos. 12. Mera alegação desprovida de provas não tem o condão de alterar o ato administrativo devidamente motivado, pois este goza do atributo de presunção relativa de legalidade e veracidade, cabendo ao contribuinte a obrigação de comprovar e justificar o que alega. 13. Concluise, portanto, que o pressuposto de fato do lançamento não foi afastado devendo ser mantida a glosa das despesas, conforme Notificação de Lançamento impugnada. Conclusão 14. Assim, VOTO pela improcedência da impugnação parcial apresentada e manutenção do crédito tributário exigido. Em sede de recurso voluntário, a contribuinte reitera que os recibos emitidos por profissionais são documentos hábeis para comprovação da prestação de serviço. Feitas estas considerações, não constam nos autos documentação necessária para o desfecho da presente lide. Diante do exposto, voto por converter o julgamento em diligência solicitando que a unidade preparadora junte aos autos a Declaração de Ajuste Anual (DAA) da contribuinte, referente ao ano calendário 2008/exercício 2009, para fins de comprovação de que André Luís Melo Soares foi declarado como dependente. Fl. 66DF CARF MF Processo nº 10331.000193/201091 Resolução nº 2002000.032 S2C0T2 Fl. 67 4 Ainda solicito que a contribuinte carreie aos autos declaração de YARA CLÍNICA ODONTOLÓGICA LTDA e de JOSÉ FRANCISCO BEZERRA NUNES com indicação do registro profissional no órgão competente. (Assinado digitalmente) Thiago Duca Amoni Fl. 67DF CARF MF
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Numero do processo: 13808.001627/98-01
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Fri Aug 17 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Sep 10 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 1993
HOMOLOGAÇÃO TÁCITA. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO
Em que pese o princípio da eficiência dever ser um norte para a administração, inclusive a tributária, a demora na análise de pedido de restituição de crédito tributário supostamente pago indevidamente pelo contribuinte, não tem o condão de homologar tacitamente aquele pedido.
PEDIDO DE RESTITUIÇÃO
É dever do contribuinte, em pedido de restituição de crédito tributário, comprovar o seu direito creditório, inclusive com a apresentação de declarações retificadoras, como determinava a legislação vigente à época dos fatos geradores.
Numero da decisão: 1302-003.076
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto do relator. Ausente, justificadamente, c conselheiro Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa que foi substituído no colegiado pela Conselheira Bárbara Santos Guedes (suplente convocada).
(assinado digitalmente)
Luiz Tadeu Matosinho Machado - Presidente.
(assinado digitalmente)
Flávio Machado Vilhena Dias - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Cesar Candal Moreira Filho, Gustavo Guimarães da Fonseca, Paulo Henrique Silva Figueiredo, Rogério Aparecido Gil, Maria Lucia Miceli, Bárbara Santos Guedes (suplente convocada para substituir o conselheiro ausente), Flávio Machado Vilhena Dias e Luiz Tadeu Matosinho Machado.
Nome do relator: FLAVIO MACHADO VILHENA DIAS
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 1993 HOMOLOGAÇÃO TÁCITA. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO Em que pese o princípio da eficiência dever ser um norte para a administração, inclusive a tributária, a demora na análise de pedido de restituição de crédito tributário supostamente pago indevidamente pelo contribuinte, não tem o condão de homologar tacitamente aquele pedido. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO É dever do contribuinte, em pedido de restituição de crédito tributário, comprovar o seu direito creditório, inclusive com a apresentação de declarações retificadoras, como determinava a legislação vigente à época dos fatos geradores.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto do relator. Ausente, justificadamente, c conselheiro Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa que foi substituído no colegiado pela Conselheira Bárbara Santos Guedes (suplente convocada). (assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado - Presidente. (assinado digitalmente) Flávio Machado Vilhena Dias - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Cesar Candal Moreira Filho, Gustavo Guimarães da Fonseca, Paulo Henrique Silva Figueiredo, Rogério Aparecido Gil, Maria Lucia Miceli, Bárbara Santos Guedes (suplente convocada para substituir o conselheiro ausente), Flávio Machado Vilhena Dias e Luiz Tadeu Matosinho Machado.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 1993 HOMOLOGAÇÃO TÁCITA. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO Em que pese o princípio da eficiência dever ser um norte para a administração, inclusive a tributária, a demora na análise de pedido de restituição de crédito tributário supostamente pago indevidamente pelo contribuinte, não tem o condão de homologar tacitamente aquele pedido. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO É dever do contribuinte, em pedido de restituição de crédito tributário, comprovar o seu direito creditório, inclusive com a apresentação de declarações retificadoras, como determinava a legislação vigente à época dos fatos geradores. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto do relator. Ausente, justificadamente, c conselheiro Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa que foi substituído no colegiado pela Conselheira Bárbara Santos Guedes (suplente convocada). (assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado Presidente. (assinado digitalmente) Flávio Machado Vilhena Dias Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 80 8. 00 16 27 /9 8- 01 Fl. 144DF CARF MF 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Cesar Candal Moreira Filho, Gustavo Guimarães da Fonseca, Paulo Henrique Silva Figueiredo, Rogério Aparecido Gil, Maria Lucia Miceli, Bárbara Santos Guedes (suplente convocada para substituir o conselheiro ausente), Flávio Machado Vilhena Dias e Luiz Tadeu Matosinho Machado. Relatório Nos termos consignados nos autos, o presente processo administrativo se iniciou com pedido de restituição formalizado pelo contribuinte Bull Tecnologia da Informação Ltda., ora Recorrente, que foi protocolizado junto à repartição fazendária em 19/02/1998. A pedido se baseou, em síntese, no fato de o contribuinte ter supostamente pago a maior valor de IRPJ devido sobre o lucro inflacionário, na medida em que houve o pagamento daquele tributo, em cota única, em 19/02/1993, pela alíquota única de 5%, sem que houvesse respaldo legal para tanto. Em seu pedido (formulado em papel), o contribuinte alegou que, "diante da revogação da Lei 8.200/91, as empresas não mais estavam obrigadas a recolher o IR sobre o saldo credor da diferença de correção monetária IPC/BTNF, caso optassem, pelo recolhimento do IR sobre o lucro inflacionário, em cota única". Afirma, assim, que, mesmo com a edição da Lei nº 8.682/93, que convalidou os atos praticados com base na MP 312/93, "as empresas que recolhem o IR sobre o lucro inflacionário, no período de 11.02.93 a 14.07.93, pela alíquota de 5%, não estavam obrigadas a tal pagamento". Junta aos autos solução de consulta formulada por outro contribuinte, no qual a Receita Federal afirma que o IR "sobre o saldo credor da diferença de correção monetária IPC/BTNF na vigência da Medida Provisória 312/92" não seria devido pelos contribuintes. O pedido do Recorrente restou indeferido pela Receita Federal após transcorridos quase 14 anos, contados da data do pedido de restituição (intimação do contribuinte da decisão se deu em 16/02/2012). No despacho decisório, após concluir pela desnecessidade de pagamento do lucro inflacionário no período compreendido entre 11/02/1993 e 14/07/1993, consta a seguinte motivação para o indeferimento do pleito do Recorrente: 16. Portanto, somente com a recomposição dos ajustes do lucro real dos períodos base em questão, via apresentação de declarações retificadoras, é que se poderia verificar, por meio de comparação, se a interessada teria direito a algum valor a ser restituído. 17. Contudo, não consta nos autos, nem nos sistemas da Receita Federal, declarações retificadoras que demonstrem tal recomposição dos ajustes do lucro real dos períodosbase em questão, não sendo possível o cotejamento do valor pago a título de IRPJ na forma do art.31 da Lei nº 8.541/1992, tendo como hipótese de incidência o saldo credor da correção monetária IPC/BTNF (estabelecido pela Lei nº 8.200/1991), com os valores Fl. 145DF CARF MF Processo nº 13808.001627/9801 Acórdão n.º 1302003.076 S1C3T2 Fl. 145 3 devidos a partir de 14 de julho de 1993 (Lei nº 8.682/1991), até a data do protocolo do presente processo. 18. Pelo exposto, apesar do imposto ter sido pago em período no qual a Lei nº 8.200/1991 estava revogada; considerando que citada Lei foi posteriormente revigorada pela Lei nº 8.682/1993; considerando que a interessada não procedeu ao ajuste contábil e fiscal das declarações de IRPJ dos períodos base em questão; não há que se falar em restituição, uma vez que o imposto sobre o lucro inflacionário, inclusive sobre o saldo credor da correção monetária BTNF/IPC permaneceu devido. Devidamente intimado da decisão proferida, o Recorrente apresentou manifestação de inconformidade, que foi analisada pela Delegacia da Receita Federal de Julgamento de Recife (PE). Contudo, o pedido formulado não foi acatado por aquela DRJ, tendo o acórdão proferido recebido a seguinte ementa: RESTITUIÇÃO. REQUISITOS Nos termos do art. 170 do CTN, somente são restituíveis os créditos líquidos e certos do sujeito passivo contra a Fazenda Pública. Manifestação de Inconformidade Improcedente O Recorrente foi intimado do acórdão proferido pela DRJ de Recife (PE), apresentando, em seguida, Recuso Voluntário, no qual alega, em síntese, (i) que houve homologação tácita do pedido de restituição, na medida em que houve o "transcurso de 14 anos entre o pedido feito e a primeira decisão comunicada" ao Recorrente; e (ii) que não podem subsistir os argumentos da DRJ, já que feita a retificação das declarações e que o seu direito creditório estava, de fato, comprovado. Este é o relatório. Voto Conselheiro Flávio Machado Vilhena Dias Relator Como se denota dos autos, o Recorrente foi intimado eletronicamente do teor do acórdão recorrido (fl. 132), em 01/11/2017, apresentando o Recurso Voluntário ora analisado no dia 23/11/2017 (comprovante de fl. 135), ou seja, dentro do prazo de 30 dias, nos termos do que determina o artigo 33 do Decreto nº 70.235/72. Assim, por cumprir os demais requisitos de admissibilidade, o Recurso Voluntário deve ser conhecido e analisado por este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais. DA SUPOSTA HOMOLOGAÇÃO TÁCITA DO PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. Fl. 146DF CARF MF 4 Como demonstrado acima, o Recorrente apresentou pedido (em papel) de restituição de tributo pago indevidamente no dia 19/02/1998, sendo transcorridos 14 anos para que fosse proferida decisão administrativa, uma vez que a intimação do contribuinte quanto ao indeferimento do seu pleito só se deu em 16/02/2012. Assim, o Recorrente alega que houve a "homologação tácita" do seu pedido, o que imporia, em tese, o reconhecimento do seu direito creditório. Afirma que "o crédito da ora Recorrente já estava tacitamente aceito a partir de 20/02/2003, ou seja, 05 anos após o protocolo do pedido de ressarcimento." Invoca, para corroborar com as sua argumentações, o artigo 24 da Lei nº 11.457/07, que impõe que as decisões administrativas deverão, obrigatoriamente, ser proferidas no "prazo máximo de 360 dias a contar do protocolo de petições, defesas ou recursos administrativos do contribuinte." Não assiste razão ao Recorrente. Explicase. De pronto, devese registrar que compartilhase da indignação do contribuinte, que teve que aguardar 14 anos para a Administração proferir um simples despacho acerca de um pedido de restituição de tributos pagos indevidamente. Administração esta regida, dentre outros, pelo princípio da eficiência (artigo 37 da Constituição Federal de 1988). Com todo respeito, não se consegue enxergar eficiência neste caso. Contudo, apesar da inércia do órgão administrativo, que não entrega em tempo hábil as respostas aos pleitos dos contribuintes, não há embasamento legal que referende a tese de "homologação tácita" no caso de pedido de restituição de tributos pagos indevidamente. De fato, o disposto no § 5º, do artigo 74 da Lei nº 9.430/96, fala em homologação tácita da compensação, no prazo de 05 anos, contados da apresentação do pedido pelo contribuinte. Vejas: Art. 74. O sujeito passivo que apurar crédito, inclusive os judiciais com trânsito em julgado, relativo a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados por aquele Órgão. (...) § 5o O prazo para homologação da compensação declarada pelo sujeito passivo será de 5 (cinco) anos, contado da data da entrega da declaração de compensação. Entretanto, o dispositivo se aplica tão somente aos pedidos de compensação, porque, nestes casos, a autoridade fazendária tem o que homologar, que é justamente o pagamento do débito tributário, declarado no pedido de compensação. Já no pedido de restituição, não há o que homologar e, por consequência, não há que se falar em homologação tácita, como argumenta o Recorrente. Este entendimento já foi exarado em outros julgados proferidos por este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, como se depreende das ementas abaixo colacionadas: Fl. 147DF CARF MF Processo nº 13808.001627/9801 Acórdão n.º 1302003.076 S1C3T2 Fl. 146 5 Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/07/2008 a 30/09/2008 PEDIDO RESSARCIMENTO. CRÉDITO DE PIS/PASEP E COFINS INCIDENTES SOBRE PRODUTOS SUJEITOS À TRIBUTAÇÃO MONOFÁSICA. COMERCIANTE REVENDEDOR. INDEFERIMENTO. No regime monofásico de tributação não há previsão de ressarcimento de tributos pagos na fase anterior da cadeia de comercialização, haja vista que a incidência efetivase uma única vez, sem previsão de fato gerador futuro e presumido, como ocorre no regime de substituição tributária para frente.Após a vigência do regime monofásico de incidência, não há previsão legal para o pedido de ressarcimento da contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins incidente sobre a venda de automóveis e autopeças para o comerciante atacadista ou varejista. PER/DCOMP. RESTITUIÇÃO. HOMOLOGAÇÃO TÁCITA. IMPOSSIBILIDADE. Nos casos de PER/DCOMP transmitidas visando a restituição ou ressarcimento de tributos, não há que se falar em homologação tácita por falta de previsão legal. Restituição e compensação se viabilizam por regimes distintos. Logo, o prazo estipulado no §5º do art. 74 da Lei n. 9.430/1996 para a homologação tácita da declaração de compensação não é aplicável aos pedidos de ressarcimento ou restituição. PRAZO DECISÃO ADMINISTRATIVA. ART. 24, 5º DA LEI Nº 11.457/2007. 360 (TREZENTOS E SESSENTA) DIAS. INAPLICABILIDADE NOS PEDIDOS DE RESSARCIMENTO. O prazo previsto no art. 24, § 5º da Lei nº 11.457/2007 é aplicado aos julgamentos de processos administrativos instaurados, que não se assemelha ao pedido de ressarcimento apresentado pelo contribuinte.Recurso Voluntário NegadoDireito Creditório Não Reconhecido (Número do Processo 12585.000525/201081 Acórdão nº 3302005.144 Sessão de 30/01/2018) (destacouse). Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Período de apuração: 01/06/2001 a 30/06/2001 PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. DIREITO DE CRÉDITO. PRAZO PARA HOMOLOGAÇÃO TÁCITA. INOCORRÊNCIA Inexiste norma legal que preveja a homologação tácita do Pedido de Restituição no prazo de 5 anos. O art. 150, § 4º do CTN, cuida de regulamentar o prazo decadencial para a homologação do lançamento, não se podendo confundir o lançamento com o Pedido de Restituição. O artigo 74 da Lei nº 9.430/96, cuida de prazo para homologação de Declaração de Fl. 148DF CARF MF 6 Compensação, não se aplicando à apreciação de Pedidos de Restituição ou Ressarcimento. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. DIREITO DE CRÉDITO. ALARGAMENTO DA BASE DE CÁLCULO. COMPROVAÇÃO. Comprovado nos autos que a origem do crédito apurado pelo Contribuinte diz respeito as receitas financeiras, excluídas da base de cálculo do PIS/COFINS por conta da decisão do STF que declarou inconstitucional a ampliação da base de cálculo, o crédito pleiteado deve ser admitido.Recurso Voluntário Provido em Parte. Direito Creditório Reconhecido em Parte (Número do Processo 10930.907064/201157 Acórdão 3302004.965 Sessão de 30/01/2018) (destacouse) Por outro lado, não se desconhece o teor do artigo 24 da Lei nº 11.457/2007, que estipula o prazo de 360 dias, a contar do protocolo de petições, defesas ou recursos administrativos do contribuinte, para que a administração profira decisões. Contudo, mesmo tendose o entendimento de que esse dispositivo se aplica a toda a administração, inclusive aos órgãos vinculados ao Ministério da Fazenda, como no caso da Receita Federal do Brasil e do CARF, tal dispositivo não tem o condão de extinguir o crédito tributário ou de homologar tacitamente o pedido de restituição de tributos pagos indevidamente. Não há na legislação, em especial, no Código Tributário Nacional, previsão que acarrete nessa consequencia. In casu, uma vez transcorrido aquele prazo, fixado na legislação, entendese que o contribuinte, data venia, poderia ter se valido do Poder Judiciário para que este determinasse que a administração proferisse a pretendida decisão. São inúmeros os precedentes dos Tribunais que determinam/impõe que a administração profira decisões, quando há a constatação de morosidade por parte do poder público. Neste sentido, é o teor da decisão proferida no REsp 1138206/RS, que foi submetido, inclusive, à sistemática dos recursos repetitivos. Contudo, não se tem notícia nos autos que o contribuinte se insurgiu contra a morosidade do poder público, sendo temerário, neste momento processual, com base no artigo 24 da Lei nº 11.457/2007, se arguir a "homologação tácita" do pedido de restituição do indébito tributário. Mais uma vez reforçando que se compartilha da indignação do contribuinte, não se pode acatar, contudo, o argumento de que houve homologação tácita do pedido de restituição administrativa. Portanto, neste ponto, NEGO provimento ao Recurso Voluntário. DO PEDIDO DE RESTITUIÇÃO DO INDÉBITO TRIBUTÁRIO. Como restou acima relatado, o contribuinte, com base em entendimento consolidado pela Receita Federal do Brasil, formalizou (em papel) pedido de restituição de créditos tributários pagos indevidamente, uma vez que não existia previsão legal para cobrança e, por consequencia, pagamento de tributo efetivamente pago, via DARF, pelo contribuinte. Como se denota do pedido formulado, o crédito tributário se refere "a IR sobre o lucro inflacionário, no período de 11.02.93 a 14.07.93, pela alíquota de 5%" que, a princípio, foi efetivamente pago indevidamente pelo Recorrente. Da leitura dos autos (fls. 02 a 85), se verifica que o Recorrente embasou o seu pedido com vários documentos, dentre eles podese destacar: DARF de pagamento com código 3320, Declaração de Rendimentos 94 (ano calendário 1994) retificadora e LALUR. Fl. 149DF CARF MF Processo nº 13808.001627/9801 Acórdão n.º 1302003.076 S1C3T2 Fl. 147 7 Contudo, como demonstrado acima, ao indeferir o pleito do contribuinte, a Delegacia da Receita Federal do Brasil argumentou que não poderia se analisar o direito creditório, porque o contribuinte não teria retificado as suas declarações, em especial que não teria recomposto os "ajustes do lucro real dos períodos base em questão". A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Recife (PE) ratificou aquele entendimento, quando julgou como improcedente a Manifestação de Inconformidade apresentada pelo Recorrente. Em seu Recurso Voluntário, o Recorrente, entretanto, não trouxe qualquer elemento ou até mesmo argumento que pudesse desconstruir o que restou assentado no Despacho Decisório e no acórdão recorrido. E, pela análise dos autos, em especial do LALUR juntado às fls. 72, inferese que não houve a devida recomposição do saldo credor do IPC/BTNF no período, para fazer a adição determinada no artigo 3º, inciso II, da 8.200/91. Desta forma, como razões de decidir, nos termos do artigo 57, parágrafo 3º do RICARF, adoto o que restou assentado no acórdão recorrido, in verbis: " A manifestação de inconformidade é tempestiva e preenche os demais requisitos de admissibilidade, dela se conhecendo. Não há nenhum reparo a ser efetuado no presente despacho. Nos termos do art. 170 do CTN3, para que o sujeito passivo postule a restituição/compensação de tributos é necessário que seu direito seja líquido e certo. Assim, à Administração, cabe investigar a certeza e liquidez do crédito suplicado. Já, ao interessado, fazer prova do seu direito, para o caso, a efetiva apuração do pagamento indevido ou a maior, além de evidenciar sua efetiva disponibilidade para a aspirada utilização. No caso em tela, conforme se relatou, constando igualmente no despacho decisório que ora se refuta, a interessada, tendo efetuado, em 19/02/1993, pagamento do IRPJ sobre o lucro inflacionário, quando se encontrava revogada a Lei nº 8.200/19914 5, optou pela tributação incentivada prevista no art. 31 da Lei nº 8.541, de 23 de dezembro de 19926, utilizandose dos valores apresentados nas declarações, já que não as retificou. Concluiu, portanto, que apesar do imposto ter sido pago em período no qual a Lei nº 8.200/1991 estava revogada, como foi posteriormente revigorada pela Lei nº 8.682/1993 e referido valor passou a constituir uma adição obrigatória ao lucro real dos exercícios (P.A.) encerrados a partir do advento dessa última lei, teria, a interessada, que ter efetuado a recomposição dos ajustes do lucro real dos períodos em questão, via apresentação de declarações retificadoras, o que não ocorreu, impedindo a comparação entre o valor pago a título de IRPJ na forma do art.31 da Lei nº 8.541/1992, tendo como hipótese de incidência o saldo credor da correção monetária IPC/BTNF (estabelecido pela Lei nº 8.200/1991), com os valores devidos a Fl. 150DF CARF MF 8 partir de 14 de julho de 1993 (Lei nº 8.682/1991), até a data do protocolo do pedido. Corretíssimo o entendimento da autoridade fiscal, que não se limitou à identificação do pagamento (momento em que foi efetuado), para concluir pelos atributos estatuídos pelo art. 170 do CTN, necessários à restituição/compensação, como quer fazer valer a manifestante. Ressaltese, ao optar, em momento posterior ao pagamento, pela tributação incentivada prevista no art. 31 da Lei nº 8.541/92, deveria ter a mesma evidenciado em sua contabilidade e declarações já apresentadas, estas últimas através de retificadoras7, ou, então, refutado a conclusão da autoridade fiscal, na manifestação apresentada, demonstrando "os efeitos da exclusão" ou "da não inclusão" do referido "pagamento indevido" na sua contabilidade, para considerálo apto a ser restituído/compensado. Lembramos a este respeito a regra contida no artigo 17 do Decreto nº 70.235/1972, o qual regulamenta o Processo Administrativo Fiscal: “Art. 17. Considerarseá não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante.” Logo, carecendo, o direito creditório pleiteado, dos atributos de certeza e liquidez, não há como postular a sua restituição/compensação em função do que dispõe o art. 170 do CTN. # CONCLUSÃO Ante o exposto, voto por considerar improcedente a manifestação de inconformidade, para manter o despacho. Por todo exposto, VOTO POR NEGAR PROVIMENTO ao Recurso Voluntário apresentado, mantendo, na íntegra, o que restou decidido pela Turma Julgadora a quo. (assinado digitalmente) Flávio Machado Vilhena Dias Relator. Fl. 151DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 15504.002738/2008-73
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue May 08 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Oct 22 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/04/1999 a 28/02/2004
NORMAIS GERAIS. PAF. INTERPOSIÇÃO APÓS O PRAZO LEGAL. NÃO CONHECIMENTO. INTEMPESTIVIDADE.
A tempestividade é pressuposto intransponível para o conhecimento do recurso. É intempestivo o recurso voluntário interposto após o decurso de trinta dias da ciência da decisão. Não se conhece das razões de mérito contidas na peça recursal intempestiva.
Numero da decisão: 2401-005.472
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso voluntário, por ser intempestivo.
(assinado digitalmente)
Miriam Denise Xavier - Presidente
(assinado digitalmente)
Rayd Santana Ferreira - Relator
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Cleberson Alex Friess, Andrea Viana Arrais Egypto, Francisco Ricardo Gouveia Coutinho, Rayd Santana Ferreira, Jose Luis Hentsch Benjamin Pinheiro, Fernanda Melo Leal (suplente convocada), Matheus Soares Leite e Miriam Denise Xavier. Ausente justificadamente a conselheira Luciana Matos Pereira Barbosa.
Nome do relator: Rayd Santana Ferreira
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/04/1999 a 28/02/2004 NORMAIS GERAIS. PAF. INTERPOSIÇÃO APÓS O PRAZO LEGAL. NÃO CONHECIMENTO. INTEMPESTIVIDADE. A tempestividade é pressuposto intransponível para o conhecimento do recurso. É intempestivo o recurso voluntário interposto após o decurso de trinta dias da ciência da decisão. Não se conhece das razões de mérito contidas na peça recursal intempestiva.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso voluntário, por ser intempestivo. (assinado digitalmente) Miriam Denise Xavier - Presidente (assinado digitalmente) Rayd Santana Ferreira - Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: Cleberson Alex Friess, Andrea Viana Arrais Egypto, Francisco Ricardo Gouveia Coutinho, Rayd Santana Ferreira, Jose Luis Hentsch Benjamin Pinheiro, Fernanda Melo Leal (suplente convocada), Matheus Soares Leite e Miriam Denise Xavier. Ausente justificadamente a conselheira Luciana Matos Pereira Barbosa.
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PAF. INTERPOSIÇÃO APÓS O PRAZO LEGAL. NÃO CONHECIMENTO. INTEMPESTIVIDADE. A tempestividade é pressuposto intransponível para o conhecimento do recurso. É intempestivo o recurso voluntário interposto após o decurso de trinta dias da ciência da decisão. Não se conhece das razões de mérito contidas na peça recursal intempestiva. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 50 4. 00 27 38 /2 00 8- 73 Fl. 208DF CARF MF 2 Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso voluntário, por ser intempestivo. (assinado digitalmente) Miriam Denise Xavier Presidente (assinado digitalmente) Rayd Santana Ferreira Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: Cleberson Alex Friess, Andrea Viana Arrais Egypto, Francisco Ricardo Gouveia Coutinho, Rayd Santana Ferreira, Jose Luis Hentsch Benjamin Pinheiro, Fernanda Melo Leal (suplente convocada), Matheus Soares Leite e Miriam Denise Xavier. Ausente justificadamente a conselheira Luciana Matos Pereira Barbosa. Fl. 209DF CARF MF Processo nº 15504.002738/200873 Acórdão n.º 2401005.472 S2C4T1 Fl. 3 3 Relatório FUNDAÇÃO HOSPITALAR ESTADO DE MINAS GERAIS FHEMIG, contribuinte, pessoa jurídica, já qualificada nos autos do processo em referência, recorre a este Conselho da decisão da 6a Turma da DRJ em Belo Horizonte/MG, Acórdão nº 0222.430/2009, às efls. 165/168, que julgou procedente em parte o lançamento fiscal, referente às contribuições destinadas à Seguridade Social, relativo a parte patronal e parte dos segurados, esta a partir de 04/2003, incidentes sobre a remuneração paga a segurados contribuintes individuais médicos residentes, em relação as competências de abril/1999 à fevereiro/2004, conforme Relatório Fiscal, às fls. 89/101 e demais documentos que instruem o processo. O Relatório Fiscal sobre o fato gerado versa o seguinte: (...) 10 — Logo, baseado nos dispositivos legais transcritos no item anterior o médico residente é contribuinte obrigatório do Regime Geral de Previdência Social desde 07 de julho de 1.981, na 40 qualidade de autônomo, que atualmente é denominado contribuinte individual. Nessa condição, faz jus a todos os benefícios previdenciários da categoria. 11 — Considerando que a fiscalização previdenciária procedeu no sentido de identificar os pressupostos necessários ao enquadramento dos médicoresidentes como segurado obrigatório da Previdência Social observouse, criteriosamente, o disposto no § 15 do artigo 9 0 do Decreto n°. 3048/1999 com a redação dada pelo Decreto 3.265, de 29/11/1999,(...) Regularmente intimada e inconformada com a parte mantida pela Decisão recorrida, a autuada apresentou Recurso Voluntário, às efls. 189/194, procurando demonstrar sua improcedência, desenvolvendo em síntese as seguintes razões: Após breve relato das fases processuais, bem como dos fatos que permeiam o lançamento, repisa às alegações da impugnação, preliminarmente pugna pela realização de prova pericial para verificar o quantum efetivamente devido, haja vista a obrigatoriedade da ampla defesa, do contraditório e da indisponibilidade do interesse público. Aduz que este argumento, simples e direto, é suficiente para reformar a decisão e determinar que seja elaborada perícia a fim de se verificar os valores lançados, mediante acompanhamento dos trabalhos por expert indicado pela FHEMIG. Por fim, requer o conhecimento e provimento do seu recurso, para decretar a decadência do lançamento, tornandoo sem efeito e, no mérito, a sua absoluta improcedência. Não houve apresentação de contrarrazões. É o relatório. Fl. 210DF CARF MF 4 Voto Conselheiro Rayd Santana Ferreira Relator ADMISSIBILIDADE Para conhecimento e analise do recurso voluntário, este deve obedecer o pressuposto de admissibilidade contido nos artigos 5° e 33 do Decreto 70.235/72, que assim dispõe: Art. 5° Os prazos serão contínuos, excluindose na sua contagem o dia de início e incluindose o do vencimento. Parágrafo único. Os prazos só se iniciam ou vencem no dia de expediente normal no órgão em que corra o processo ou deva ser praticado o ato. (...) Art. 33. Da decisão caberá recurso voluntário, total ou parcial, com efeito suspensivo, dentro dos trinta dias seguintes à ciência da decisão. Como se extraí dos dispositivos encimados, o prazo para interposição de recurso é de 30 (trinta) dias. No presente caso, conforme as datas relatadas, o recurso é intempestivo. A contribuinte foi cientificada do acórdão de impugnação em 13/11/2009 (sextafeira), conforme AR de efls. 175, o prazo para a interposição se iniciou em 16/11/2009 (segundafeira); portanto, seu termo final foi o dia 15/12/2009 (terçafeira). Entretanto o recurso foi protocolado em 16/12/2009, ou seja, após o prazo legal para interposição do recurso. Por todo o exposto, não preenchidos os pressupostos de admissibilidade, VOTO NO SENTIDO DE NÃO CONHECER DO RECURSO VOLUNTÁRIO POR SER INTEMPESTIVO, pelas razões de fato e de direito acima esposadas. É como voto. (assinado digitalmente) Rayd Santana Ferreira. Fl. 211DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10865.900384/2008-10
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Jul 10 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Oct 01 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Data do fato gerador: 15/06/2000
RECURSO ESPECIAL DE DIVERGÊNCIA. ADMISSIBILIDADE.
A admissibilidade do recurso especial de divergência está condicionada à demonstração de que outro Colegiado do CARF ou dos extintos Conselhos de Contribuintes, julgando matéria similar, tenha interpretado a mesma legislação de maneira diversa da assentada no acórdão recorrido.
Conseqüentemente, não há que se falar divergência jurisprudencial, quando estão em confronto situações diversas, que atraem incidências específicas, cada qual regida por legislação própria.
Da mesma forma, se os acórdãos apontados como paradigma só demonstram divergência com relação a um dos fundamentos assentados no acórdão recorrido e o outro fundamento, por si só, é suficiente para a manutenção do decisum, não há como se considerar demonstrada a necessária divergência de interpretação.
Numero da decisão: 9303-007.064
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Especial.
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em Exercício e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros:Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello, Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente em Exercício).
Nome do relator: RODRIGO DA COSTA POSSAS
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Data do fato gerador: 15/06/2000 RECURSO ESPECIAL DE DIVERGÊNCIA. ADMISSIBILIDADE. A admissibilidade do recurso especial de divergência está condicionada à demonstração de que outro Colegiado do CARF ou dos extintos Conselhos de Contribuintes, julgando matéria similar, tenha interpretado a mesma legislação de maneira diversa da assentada no acórdão recorrido. Conseqüentemente, não há que se falar divergência jurisprudencial, quando estão em confronto situações diversas, que atraem incidências específicas, cada qual regida por legislação própria. Da mesma forma, se os acórdãos apontados como paradigma só demonstram divergência com relação a um dos fundamentos assentados no acórdão recorrido e o outro fundamento, por si só, é suficiente para a manutenção do decisum, não há como se considerar demonstrada a necessária divergência de interpretação.
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BASE DE CÁLCULO. BONIFICAÇÕES. Recorrente FAZENDA NACIONAL Recorrida INDÚSTRIA CERÂMICA FRAGNANI LTDA ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Data do fato gerador: 15/06/2000 RECURSO ESPECIAL DE DIVERGÊNCIA. ADMISSIBILIDADE. A admissibilidade do recurso especial de divergência está condicionada à demonstração de que outro Colegiado do CARF ou dos extintos Conselhos de Contribuintes, julgando matéria similar, tenha interpretado a mesma legislação de maneira diversa da assentada no acórdão recorrido. Conseqüentemente, não há que se falar divergência jurisprudencial, quando estão em confronto situações diversas, que atraem incidências específicas, cada qual regida por legislação própria. Da mesma forma, se os acórdãos apontados como paradigma só demonstram divergência com relação a um dos fundamentos assentados no acórdão recorrido e o outro fundamento, por si só, é suficiente para a manutenção do decisum, não há como se considerar demonstrada a necessária divergência de interpretação. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Especial. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em Exercício e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros:Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello, Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente em Exercício). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 86 5. 90 03 84 /2 00 8- 10 Fl. 514DF CARF MF Processo nº 10865.900384/200810 Acórdão n.º 9303007.064 CSRFT3 Fl. 3 2 Relatório Tratase de recurso especial interposto pela Fazenda Nacional ao amparo do art. 67, do Anexo II, do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 256, de 22 de junho de 2009, em face do Acórdão n° 3401001.956, que, na parte de interesse ao presente julgamento, possui a seguinte ementa: (...) BASE DE CÁLCULO. SAÍDAS DE PRODUTOS EM BONIFICAÇÃO NÃO DEPENDENTES DA IMPLEMENTAÇÃO DE QUALQUER CONDIÇÃO. EXCLUSÃO PERMITIDA. PAGAMENTO A MAIOR CONFIRMADO PARCIALMENTE. Equiparamse aos “descontos concedidos incondicionalmente” a que alude a exclusão legal permitida da base de cálculo das contribuições devidas ao PIS/Pasep e à Cofins as “bonificações” perfeitamente identificadas com as notas fiscais de venda a que se referiram, ainda que não tenham constado desta, mas, sim, em outro documento fiscal apartado. Não conformada com tal decisão, a Fazenda Nacional interpõe o presente recurso. Aduz divergência de interpretação da legislação tributária referente à conceituação de desconto incondicional. Para comprovar a divergência apresentou o acórdão nº 20403.303. Mediante despacho de exame de admissibilidade o Presidente da 4ª Câmara da 3ª Seção do CARF deu seguimento ao recurso. Devidamente cientificada, a Contribuinte apresentou contrarrazões pugnando pelo não conhecimento do especial interposto. Alternativamente, caso o Colegiado entenda pelo conhecimento do recurso, requer lhe seja negado provimento. No essencial é o Relatório. Fl. 515DF CARF MF Processo nº 10865.900384/200810 Acórdão n.º 9303007.064 CSRFT3 Fl. 4 3 Voto Conselheiro Rodrigo da Costa Pôssas, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 9303007.055, de 10/07/2018, proferido no julgamento do processo 10865.900236/200897, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 9303007.055): "O Recurso foi apresentado com observância do prazo previsto, restando contudo investigar adequadamente o atendimento aos demais pressupostos de admissibilidade, prerrogativa, em última análise, da composição plenária da Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, a qual tem competência para não conhecer de recurso especiais nos quais não estejam presentes os pressupostos de admissibilidade respectivos. Primeiramente, se faz necessário relembrar e reiterar que a interposição de Recurso Especial junto à Câmara Superior de Recursos Fiscais, ao contrário do Recurso Voluntário, é de cognição restrita, limitada à demonstração de divergência jurisprudencial, além da necessidade de atendimento a diversos outros pressupostos, estabelecidos no artigo 67 do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 09 de junho de 2015. Por isso mesmo, essa modalidade de apelo é chamado de Recurso Especial de Divergência e tem como objetivo a uniformização de eventual dissídio jurisprudencial, verificado entre as diversas Turmas do CARF. Neste passo, ao julgar o Recurso Especial de Divergência, a Câmara Superior de Recursos Fiscais não constitui uma Terceira Instância, mas sim a Instância Especial, responsável pela pacificação dos conflitos interpretativos e, conseqüentemente, pela garantia da segurança jurídica dos conflitos, não tendo espaço para questões fáticas, que já ficaram devidamente julgadas no Recurso Voluntário. Após essa breve introdução, passemos, então, ao exame do caso em espécie. In caso, tratase de processo que retorna de julgamento em face da conclusão da diligência deliberada pelo Colegiado a quo por meio da Resolução nº 340100.083,de 27/10/2010. Após a conclusão de diligência, a 1ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Ribeirão Preto SP indeferiu os termos da Manifestação de Inconformidade por entender que: “As bonificações concedidas em mercadorias configuram descontos incondicionais, podendo ser excluídas da receita bruta para efeito de apuração da Fl. 516DF CARF MF Processo nº 10865.900384/200810 Acórdão n.º 9303007.064 CSRFT3 Fl. 5 4 base de cálculo da Cofins, apenas quando constarem da Nota Fiscal de venda dos bens e não dependerem de evento posterior à emissão desse documento”. Com efeito, a 4ª Câmara/1ª Turma Ordinária da 3º Seção de Julgamento do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, deu provimento parcial ao Recurso Voluntário, por entender que as bonificações para serem excluídas da base de cálculo do PIS/Pasep e da Cofins, há de serem caracterizadas como descontos incondicionais concedidos, assim definidos na INSRF n° 51, de 1978, devendo atender duas condições: constar em nota fiscal de venda dos bens, e não depender de evento posterior à emissão desse documento. A partir do resultado de diligência empreendida por requisição do Colegiado recursal, constatou que, não obstante as bonificações não tenham constado do corpo das notas fiscais de venda, uma parte delas teve a sua emissão na mesma data, ao mesmo cliente, com numeração seqüencial imediata, envolveu o mesmo transportador e as mesmas placas dos veículos transportadores. Sob essas condições, concluiu que a operação não dependia de evento posterior à emissão da nota fiscal de venda, concluindo que as mercadorias recebidas em bonificação configuravam descontos incondicionais concedidos”, considerando ainda irrelevante, porquanto não fundada em lei, o preenchimento da condição de que constem da própria nota fiscal de venda e não de um documento em separado desta. Por sua vez, a Fazenda Nacional aduz divergência à respeito da conceituação de desconto incondicional. Visando comprovar o dissenso aponta como paradigma, o Acórdão nº 204.03.303, que possui a seguinte ementa, transcrita na parte de interesse: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/02/1999 a 30/06/2003. BASE DE CÁLCULO. BONIFICAÇÕES RECEBIDAS. DESCARACTERIZAÇÃO. Somente se configura o recebimento de bonificação em mercadorias, cujo valor não é computado como receita para fins de apuração da base de cálculo do PIS e da Cofins na forma definida na Lei n 9.718/98, quando constem discriminadas na própria nota fiscal de venda das mercadorias sobre a qual se concedeu a bonificação. Mercadorias recebidas gratuitamente, em nota fiscal própria, configuram doações, cuja contrapartida é obrigatoriamente registrada a conta de receita e tributada pelas contribuições na vigência daquela Lei. Recurso Voluntário Negado Relatório Em Termo de Verificação Fiscal de fls. 09 e 10 dos autos, a autoridade fiscal esclarece a divergência ocorrida entre os meses de fevereiro de 1999 e dezembro de 2000: "não inclusão das demais receitas auferidas" e não inclusão da totalidade das mercadorias recebidas em bonificação. No termo não há qualquer esclarecimento acerca das divergências verificadas nos demais meses, limitandose a autoridade a afirmar que os créditos utilizáveis pelo Fl. 517DF CARF MF Processo nº 10865.900384/200810 Acórdão n.º 9303007.064 CSRFT3 Fl. 6 5 contribuinte na sistemática nãocumulativa já estavam considerados no lançamento.A ele se seguem planilhas demonstrativas da composição da base de cálculo adotada pela fiscalização, mês a mês, desde fevereiro de 1999. Delas, percebese que as contas adicionadas são as mesmas, seja na sistemática cumulativa, seja na nãocumulativa. A DRJ em Ribeirão Preto/SP houve por bem determinar a realização de diligência na qual a autoridade fiscal promovesse a juntada de cópias dos livros contábeis (razão e diário) que demonstrassem a contabilização das operações com mercadorias recebidas em bonificação e destinadas à revenda, "... ou seja, (das contas) de "Mercadorias Bonificadas e Mercadorias para revenda, bem como das respectivas contas de encerramento (contas para as quais foram transferidos os saldos daquelas)...verificando, na oportunidade, se os valores contabilizados são iguais aos tributados". Não houve determinação expressa para novos procedimentos, nem mesmo para ciência da interessada. Em suma, procurou demonstrar que as bonificações aqui tributadas não atenderiam às exigências constantes nos diverSos atos da SRF sobre o assunto (inclusive a publicação "perguntas e respostas citada pela impugnante em sua peça de defesa) para que possam ser excluídas da base de cálculo do PIS e da Cofins, qual seja a de figurarem nas notas fiscais de vendas, quais descontos incondicionais, como redutores do preço cobrado. No caso em discussão, seriam mercadorias recebidas por meio de notas fiscais próprias com a inserção do código fiscal de operações 5.99. Em que pese o exame de admissibilidade ter reconhecido o dissenso, pelo confronto entre as razões de decidir do acórdão recorrido e o excerto do voto condutor do paradigma, não se comprova divergência. A decisão recorrida deu provimento ao Recurso Voluntário, com base em perguntas e respostas da Receita Federal do Brasil (RFB) reconhecendo a existência de pagamento a maior no recolhimento da Contribuição, advindo da inclusão na base de cálculo do valor das mercadorias recebidas em bonificação. Já o acórdão paradigma apontado pela Fazenda Nacional, o qual foi objeto de Embargos de Declaração, acolhido com efeito infringente ( acórdão nº 220200.124) tendo o Colegiado excluído o valor das bonificações da base de cálculo das contribuições por entender que á luz da inconstitucionalidade declarada pelo STF ao disposto pelo parágrafo 1º do artigo 3º da lei nº 9718, em que essa cobrança, não caberia tributação do PIS e da COFINS. Como se vê, o paradigma apresentado, não demonstra nenhuma divergência, a tese encampada pela Fazenda Nacional, demonstra entendimento favorável a Contribuinte, pois prestam à demonstrar dissenso favorável, considerando a tributação do PIS/COFINS sobre bonificações concedidas, independente de seu enquadramento em "desconto incondicional". No acórdão recorrido, foi conferido a Contribuinte o direito de excluir as bonificações em que estivesse caracterizado o desconto incondicional, ou seja, mesmo não sendo as bonificações objeto da mesma nota fiscal, nas quais, em diligência, restou comprovada a emissão conjuntamente á nora fiscal de venda, estaria reconhecido o direito de excluir o montante correspondente ás bonificações de cálculo das contribuições. O paradigma, por meio dos Embargos de Declaração entendeu que a Contribuinte tinha o direito de excluir toda e qualquer receita "bonificação", visto que esta não Fl. 518DF CARF MF Processo nº 10865.900384/200810 Acórdão n.º 9303007.064 CSRFT3 Fl. 7 6 se enquadra no conceito de faturamento ( base de cálculo constitucionalmente eleita para o PIS e COFINS) conforme entendimento do STF. Deste modo, as dessemelhanças fáticas e normativas impedem o estabelecimento de base de comparação para fins de dedução da divergência jurisprudencial. Em se tratando de espécies díspares nos fatos embasadores da questão jurídica, não há como se estabelecer comparação e deduzir divergência. Neste sentido, reportome ao Acórdão no CSRF/010.956: “Caracterizase a divergência de julgados, e justificase o apelo extremo, quando o recorrente apresenta as circunstâncias que assemelhem ou identifiquem os casos confrontados. Se a circunstância, fundamental na apreciação da divergência a nível do juízo de admissibilidade do recurso, é “tudo que modifica um fato em seu conceito sem lhe alterar a essência” ou que se “agrega a um fato sem alterálo substancialmente” (Magalhães Noronha, in Direito Penal, Saraiva, 1o vol., 1973, p. 248), não se toma conhecimento de recurso de divergência, quando no núcleo, a base, o centro nevrálgico da questão, dos acórdãos paradigmas, são díspares. Não se pode ter como acórdão paradigma enunciado geral, que somente confirma a legislação de regência, e assente em fatos que não coincidem com os do acórdão inquinado.” Dispositivo Ex positis, em razão das dessemelhanças fáticas e normativas que impedem o estabelecimento de base de comparação para fins de dedução de divergência jurisprudencial, não tomo conhecimento do Recurso interposto pela Fazenda Nacional." Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, o recurso especial da Fazenda Nacional não foi conhecido. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Fl. 519DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 11128.720018/2017-68
Turma: Segunda Turma Extraordinária da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jun 12 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Sep 10 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Data do fato gerador: 27/11/2013
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. AÇÃO COLETIVA. CONCOMITÂNCIA. INEXISTÊNCIA.
A existência de Medida Judicial Coletiva interposta por associação de classe não tem o condão de caracterizar renúncia à esfera administrativa por concomitância.
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 3002-000.208
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao Recurso Voluntário, afastando a concomitância e determinando o retorno dos autos à DRJ para que profira novo julgamento analisando todas as alegações da Impugnação.
(assinado digitalmente)
Larissa Nunes Girard - Presidente.
(assinado digitalmente)
Carlos Alberto da Silva Esteves - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Larissa Nunes Girard (Presidente), Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Alan Tavora Nem e Carlos Alberto da Silva Esteves.
Nome do relator: CARLOS ALBERTO DA SILVA ESTEVES
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AÇÃO COLETIVA. CONCOMITÂNCIA. INEXISTÊNCIA. A existência de Medida Judicial Coletiva interposta por associação de classe não tem o condão de caracterizar renúncia à esfera administrativa por concomitância. Recurso Voluntário Provido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao Recurso Voluntário, afastando a concomitância e determinando o retorno dos autos à DRJ para que profira novo julgamento analisando todas as alegações da Impugnação. (assinado digitalmente) Larissa Nunes Girard Presidente. (assinado digitalmente) Carlos Alberto da Silva Esteves Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 12 8. 72 00 18 /2 01 7- 68 Fl. 208DF CARF MF Processo nº 11128.720018/201768 Acórdão n.º 3002000.208 S3C0T2 Fl. 199 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Larissa Nunes Girard (Presidente), Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Alan Tavora Nem e Carlos Alberto da Silva Esteves. Relatório Tratase de Recurso Voluntário contra o Acórdão 16078.331 da DRJ/SPO, que manteve integralmente o Crédito Tributário lançado pelo Auto de Infração, que exige da contribuinte a multa pelo atraso na prestação de informações sobre veículo ou carga nele transportada, penalidade prevista no art. 107, inciso IV, alínea "e", do DecretoLei nº 37, de 1966, cuja redação foi alterada pela Lei 10.833, de 2003. A partir desse ponto, transcrevo o relatório do Acórdão recorrido por bem retratar as vicissitudes do presente processo: "Trata o presente processo de auto de infração, lavrado em 20/01/2017, em face do contribuinte em epígrafe, formalizando a exigência de multa regulamentar, no valor de R$ 5.000,00, em virtude dos fatos a seguir descritos. Empresa de transporte internacional/prestadora de serviços de transporte internacional expresso porta a porta/agente de carga, deixou de prestar as informações sobre veículo ou carga transportada, ou sobre operações que executou, identificadas em Tabela anexa, parte constante deste Auto, na forma e no prazo estabelecidos pela RFB, na Instrução Normativa RFB n° 800, de 27 de dezembro de 2007 e Ato Declaratório Executivo Corep n° 3, de 28 de março de 2008. O Agente de Carga FOX CARGO DO BRASIL LTDA, CNPJ N°05317708000194, concluiu a desconsolidação relativa ao Conhecimento Eletrônico (CE) MHBL 151305250055255 a destempo em/a partir de 27/11/2013 16:21, segundo o prazo previamente estabelecido pela Secretaria da Receita Federal do Brasil RFB, com o registro extemporâneo do(s) Conhecimento(s) Eletrônico(s) (CE) Agregado(s) HBL/MHBL 151305250659940. A carga objeto da desconsolidação em comento foi trazida ao Porto de Santos acondicionada no(s) container(es) TEMU3499497, pelo Navio M/V SUNNY OASIS, em sua viagem 3206A, com atracação registrada em 29/11/2013 14:47. Os documentos eletrônicos de transporte que ampararam a chegada da embarcação para a carga são: ü Escala 13000402348, Manifesto Eletrônico 1513502858680, Conhecimento Eletrônico (CE) MBL 151305247691812, Fl. 209DF CARF MF Processo nº 11128.720018/201768 Acórdão n.º 3002000.208 S3C0T2 Fl. 200 3 Conhecimento(s) Eletrônico(s) (CE) MHBL 151305250055255, 151305248354356 e Conhecimento(s) Eletrônico(s) (CE) Agregado(s) HBL/MHBL 151305250659940. Para o caso concreto em análise, a perda de prazo se deu pela inclusão do conhecimento eletrônico house em referência em tempo inferior a quarenta e oito horas anteriores ao registro da atracação no porto de destino do conhecimento genérico. Destaquese ainda que o Conhecimento Eletrônico (CE) MHBL 151305250055255 foi incluído em 27/11/2013 10:05, momento a partir do qual se tornou possível o registro do conhecimento eletrônico agregado. RESPONSÁVEL PELA INFRAÇÃO NO CASO Examinada a documentação juntada aos autos, especialmente os extratos com o registro da conclusão da desconsolidação, verificase que figura como agente de carga transportador/representante do NVOCC embarcador, para o(s) Conhecimento(s) Eletrônico(s) (CE) Agregado(s) HBL/MHBL 151305250659940, a empresa FOX CARGO DO BRASIL LTDA, CNPJ N° 05317708000194. Nos termos das normas de procedimentos em vigor, a empresa supra é considerada responsável para efeitos legais e fiscais pela apresentação dos dados e informações eletrônicas na forma e no prazo estabelecidos pela Receita Federal do Brasil RFB. Diante do exposto, aplicase a multa no valor de R$ 5.000,00 (cinco mil reais), para cada ocorrência relatada acima, pelo descumprimento de obrigação acessória (prestação de informação fora do prazo estabelecido pela Secretaria da Receita Federal do Brasil), com base na alinea "e" do inciso IV do art. 107 do DecretoLei n° 37, de 18/11/1966, com redação dada pelo art. 77 da Lei n° 10.833, de 29/12/2003. Cientificado do auto de infração, por via eletrônica, em 17/02/2017 (fls. 97) o contribuinte, protocolizou impugnação, tempestivamente em 14/03/2017, na forma do artigo 56 do Decreto nº 7.574/2011, de fls. 101 à 119, instaurando assim a fase litigiosa do procedimento. O impugnante em sua defesa alegou os seguintes pontos: · I. Preliminar. Da exigibilidade suspensa por força de decisão judicial. Preliminarmente, cabe ressaltar que o crédito tributário discutido no presente Auto de Infração está com sua exigibilidade suspensa, tendo em vista a antecipação dos efeitos da tutela concedida nos autos do Processo 000523886.2015.4.03.6100, em trâmite perante a 14a Vara Federal Cível de São Paulo/SP. · II. Da autuação. Fl. 210DF CARF MF Processo nº 11128.720018/201768 Acórdão n.º 3002000.208 S3C0T2 Fl. 201 4 Segundo a fiscalização, o agente de carga Requerente não observou o prazo mínimo para prestação das informações relativas à conclusão da desconsolidação de 01 (um) conhecimento eletrônico, tendo sido as informações dos aludidos Conhecimentos Eletrônicos Agregados HBL prestadas de forma extemporânea. A fundamentação para a autuação na espécie, consiste no suposto fato de que a Requerente não obedeceu o disposto nos artigos 22 e 50 da IN NRFB n° 800/07, que estabelecem os prazos para prestação de informações pelo agente de carga, configurando esse atraso em descumprimento de obrigação acessória. Diante disso, concluiu a fiscalização que a responsabilidade por infrações à legislação tributária independe da intenção do agente (art. 136 do CTN), impondo à Requerente, por conseguinte, a pena de multa pecuniária no valor de R$ 5.000,00 (cinco mil reais), com fundamento no art. 107, inciso IV, aliena “e”, do DecretoLei n° 37/66, com redação dada pelo art. 77 da Lei n° 10.833/03. · III Boa Fé e Inexistência de prejuízo à fiscalização. Trata o presente, de autuação pelo descumprimento de obrigação acessória, com a aplicação ao agente de carga da pena de multa pecuniária no valor de R$ 5.000,00 (Cinco mil reais). Da leitura da peça acusatória, verificase que a Requerente foi penalizada por não prestar informações na forma e no prazo estabelecido pela Receita Federal (RFB). Embora haja fundamentação no sentido de que a Requerente não prestou suas informações no prazo regulamentar, NÃO há quaisquer indícios de que a mesma tenha praticados atos contrários à boafé, causando eventual impedimento ou embaraço à ação da fiscalização. Do exame atento dos autos, observase que no primeiro momento em que se constatou o atraso, a Requerente informou prontamente à fiscalização todos os dados de sua responsabilidade, não causando qualquer prejuízo ao controle aduaneiro. · IV. Denúncia espontânea. Exclusão da penalidade aplicação da lei 12.350/2010. Precedente judicial proc. 0005238 86.2015.4.03.6100 4 Vara Cível Federal São Paulo. Tratase, na espécie, de auto de infração com imposição de penalidade administrativa (multa) imposta à Requerente por “suposta prestação extemporânea de informações no Sistema da Receita Federal”. No caso em tela, é evidente que todas as informações prestadas pela Requerente foram inseridas no "SISCARGA" antes da Fl. 211DF CARF MF Processo nº 11128.720018/201768 Acórdão n.º 3002000.208 S3C0T2 Fl. 202 5 lavratura do auto de infração ora impugnado. (como também antes da atracação da respectiva embarcação). E, de fato, é incontroverso que o procedimento fiscalizatório só ocorreu após a notificação espontânea da Requerente, que se efetivou com a prestação das informações relativas à desconsolidação no SISCARGA, sendo certo de que todas as informações foram prontamente apresentadas antes do início de qualquer procedimento administrativo ou medida de fiscalização. Nem se diga, por outro lado, que não seria aplicável o instituto da denúncia espontânea, eis que segundo o artigo 683, §3° do Regulamento Aduaneiro (Decreto 6.759/09), depois de formalizada a entrada do veículo procedente do exterior, não mais se tem por espontânea a denúncia de infração imputável ao transportador. No caso dos autos, é indiscutível que todas as informações relativas à desconsolidação foram prontamente apresentadas pela Requerente antes da atracação do veículo transportador M/V SUNNY OASIS, que se efetivou somente em 29/11/2013, às 14:47 horas, sendo plenamente aplicável a esta o instituto da denúncia espontânea. · V Do pedido e requerimentos finais À vista do exposto e invocandose os doutos suplementos dos ilustres julgadores, pede e espera a Requerente que julgado T O T A L M E N T E IMPROCEDENTE o auto de infração ora impugnado, determinandose, outrossim, o cancelamento e conseqüente arquivamento do presente processo administrativo fiscal. Requer, ainda, seja imediatamente determinada a suspensão da cobrança do crédito tributário correspondente, nos termos do que dispõe o artigo 151, inciso III do Código Tributário Nacional. Derradeiramente, requer a produção de todos os meios de prova em direito admitidos, em especial, prova pericial, bem como a juntada posterior de documentos, etc..." Analisando as argumentações da contribuinte, a Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em São Paulo (DRJ/SPO) julgou a Impugnação de modo a não conhecêla, quanto à matéria objeto de ação judicial, e julgála improcedente, quanto à matéria diferenciada, por Acórdão que possui a seguinte ementa: ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Data do fato gerador: 27/11/2013 Fl. 212DF CARF MF Processo nº 11128.720018/201768 Acórdão n.º 3002000.208 S3C0T2 Fl. 203 6 A empresa de transporte internacional deixou de prestar informação sobre carga transportada. A multa está sendo aplicada à pessoa designada em lei para responder pela infração, não cabendo falar em cominação de pena transpassando a pessoa responsável. Configurada a infração, não é passível de denunciação com adimplemento posterior. CONCOMITÂNCIA ENTRE PROCESSO ADMINISTRATIVO E JUDICIAL. Não se conhece da impugnação no tocante à matéria objeto de ação judicial. Suspensão de exigibilidade do crédito tributário. A existência do crédito tributário ocorre via lançamento. O lançamento é o procedimento necessário para que a Fazenda Pública se veja a salvo do ônus da DECADÊNCIA. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Em seqüência, após ser cientificada dessa decisão, a contribuinte apresenta Recurso Voluntário (173/187), no qual requereu a reforma do Acórdão recorrido, repisando e reforçando argumentos jurídicos já apresentados e argumentando que não há concomitância entre o processo judicial e o administrativo, pois a recorrente figuraria apenas como substituída naquele. Ademais, alega que a decisão viola os Princípios do Contraditório e da Ampla Defesa. É o relatório, em síntese. Voto Conselheiro Carlos Alberto da Silva Esteves Relator O direito creditório envolvido no presente processo encontrase dentro do limite de alçada das Turmas Extraordinárias, conforme disposto no art. 23B do RICARF. O Recurso Voluntário é tempestivo e preenche os requisitos formais de admissibilidade e, portanto, dele tomo conhecimento. Fl. 213DF CARF MF Processo nº 11128.720018/201768 Acórdão n.º 3002000.208 S3C0T2 Fl. 204 7 A principal controvérsia posta sob análise cingese à existência ou não de concomitância entre o processo administrativo e o judicial em casos de ações coletivas propostas por associações de classe, da qual o contribuinte faça parte. Essa matéria se mostra, atualmente, pacificada no âmbito desta Corte, como demonstram os recentes Acórdãos: Acórdão 1402001.629: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Período de apuração: 01/01/1997 a 31/12/1997 NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. NULIDADE. PROCESSO TRIBUTÁRIO. CONCOMITÂNCIA. MANDADO DE SEGURANÇA COLETIVO. INOCORRÊNCIA. A impetração de mandado de segurança coletivo por associação de classe não impede que o contribuinte associado pleiteie individualmente tutela de objeto semelhante ao da demanda coletiva, já que aquele (mandado de segurança) não induz litispendência e não produz coisa julgada em desfavor do contribuinte nos termos da lei. A renúncia à instância administrativa de que trata o art. 38 da Lei n. 6.830/80 pressupõe ato de vontade do contribuinte expressado mediante litisconsórcio com a associação na ação coletiva ou propositura de ação individual de objeto análogo ao processo administrativo, o que não se verifica na hipótese. CERCEAMENTO DO DIREITO À AMPLA DEFESA. NÃO ENFRENTAMENTO DE TODOS OS ARGUMENTOS DE DEFESA. NULIDADE DA DECISÃO RECORRIDA. DUPLO GRAU DE JURISDIÇÃO. Afastadas a concomitância e a renúncia à discussão administrativa, é de se reconhecer a nulidade da decisão de primeira instância que deixou de apreciar todos os argumentos de impugnação. Nova decisão deve ser proferida, em atenção ao duplo grau de jurisdição previsto nas regras de regência do processo administrativo fiscal. Acórdão 9303005.472: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/10/1999 a 30/09/2004 Fl. 214DF CARF MF Processo nº 11128.720018/201768 Acórdão n.º 3002000.208 S3C0T2 Fl. 205 8 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. MANDADO DE SEGURANÇA COLETIVO. CONCOMITÂNCIA. INEXISTÊNCIA. A impetração de mandado de segurança coletivo, por substituto processual, não se configura hipótese em que se deva declarar a renúncia à esfera administrativa. Recurso Especial do Procurador negado. Acórdão 9303005.057 ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 31/10/1995 a 31/10/1998 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. MANDADO DE SEGURANÇA COLETIVO. CONCOMITÂNCIA. INEXISTÊNCIA. A impetração de mandado de segurança coletivo por associação de classe não impede que o contribuinte associado pleiteie individualmente tutela de objeto semelhante ao da demanda coletiva, já que aquele (mandado de segurança) não induz litispendência e não produz coisa julgada em desfavor do contribuinte nos termos da lei. Ainda que haja alcance dos efeitos jurídicos da decisão para os representados da entidade, não se materializa a identidade entre os sujeitos dos processos, ou seja, autor da medida judicial e recorrente no âmbito administrativo, diante da qual é possível aferir a manifestação de vontade (critério subjetivo) que exige a renúncia. Assim, a existência de Medida Judicial Coletiva interposta por associação de classe não tem o condão de caracterizar renúncia à esfera administrativa por concomitância. Embora seja certo que as entidades de classe, quando propõem ações coletivas, estão agindo no interesse de seus filiados, também é correto supor que estes podem não ter manifestado sua concordância com a propositura daquelas ações. Mesmo quando assembléias aprovam o caminho judicial a ser seguido pela entidade, ainda assim, devemos ter em conta que a decisão da maioria não reflete, necessariamente, a vontade de todos os filiados. Creio oportuno trazer a colação as Súmulas do Supremo Tribunal Federal que ratificam a independência das entidades de classe, quanto à propositura de ações coletivas: Súmula STF nº 629 A impetração de mandado de segurança coletivo por entidade de classe em favor dos associados independe da autorização destes. Fl. 215DF CARF MF Processo nº 11128.720018/201768 Acórdão n.º 3002000.208 S3C0T2 Fl. 206 9 Súmula STF nº 630 A entidade de classe tem legitimação para o mandado de segurança ainda quando a pretensão veiculada interesse apenas a uma parte da respectiva categoria. (grifos nossos) Assim, pareceme não ser razoável o reconhecimento da concomitância somente pela existência de uma ação coletiva movida por entidade de classe, da qual o contribuinte faça parte, sem que esteja clara a vontade deste, pois diferentemente das ações individuais, nas quais resta cristalina a intenção de o contribuinte optar pela via judicial, nas coletivas, isto, em princípio, não ocorre. Ademais, quando o sujeito passivo impetra uma ação individual versando sobre a mesma matéria discutida em processo administrativo, ocorre uma presunção legal absoluta da desistência tácita ao contencioso administrativo. Contudo, em ações coletivas, ajuizadas por substitutos processuais, não se aplica tal presunção, pois do contrário, estaria se violando os Direitos Constitucionais ao Contraditório e à Ampla Defesa. Desta forma, entendo não existir concomitância no presente caso. Assim sendo, por todo o exposto, voto no sentido de dar provimento parcial ao Recurso Voluntário, afastando a concomitância e determinando a devolução do processo à instância a quo para que profira novo julgamento analisando todas as alegações da Impugnação. (assinado digitalmente) Carlos Alberto da Silva Esteves Fl. 216DF CARF MF
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Numero do processo: 10380.720315/2007-88
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Jul 11 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Sep 11 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/01/2006 a 31/03/2006
PEDIDO DE RESSARCIMENTO. COFINS NÃO-CUMULATIVA. ATUALIZAÇÃO PELA TAXA SELIC. DESCABIMENTO, POR EXPRESSA DISPOSIÇÃO LEGAL EM CONTRÁRIO.
Por expressa disposição legal, o aproveitamento de créditos solicitados em Pedidos de Ressarcimento da Cofins não-cumulativa não enseja atualização monetária ou incidência de juros sobre os respectivos valores (art. 13 da Lei nº 10.833/2003).
Numero da decisão: 9303-007.141
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em dar-lhe provimento, vencidas as conselheiras Tatiana Midori Migiyama, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello, que lhe negaram provimento.
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em exercício e Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas.
Nome do relator: RODRIGO DA COSTA POSSAS
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Período de apuração: 01/01/2006 a 31/03/2006 PEDIDO DE RESSARCIMENTO. COFINS NÃO-CUMULATIVA. ATUALIZAÇÃO PELA TAXA SELIC. DESCABIMENTO, POR EXPRESSA DISPOSIÇÃO LEGAL EM CONTRÁRIO. Por expressa disposição legal, o aproveitamento de créditos solicitados em Pedidos de Ressarcimento da Cofins não-cumulativa não enseja atualização monetária ou incidência de juros sobre os respectivos valores (art. 13 da Lei nº 10.833/2003).
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em dar-lhe provimento, vencidas as conselheiras Tatiana Midori Migiyama, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello, que lhe negaram provimento. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em exercício e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 5; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1651; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => CSRFT3 Fl. 232 1 231 CSRFT3 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS Processo nº 10380.720315/200788 Recurso nº Especial do Procurador Acórdão nº 9303007.141 – 3ª Turma Sessão de 11 de julho de 2018 Matéria Taxa SELIC Ressarcimento Créditos Cofins Recorrente FAZENDA NACIONAL Interessado CASCAVEL COUROS LTDA. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/01/2006 a 31/03/2006 PEDIDO DE RESSARCIMENTO. COFINS NÃOCUMULATIVA. ATUALIZAÇÃO PELA TAXA SELIC. DESCABIMENTO, POR EXPRESSA DISPOSIÇÃO LEGAL EM CONTRÁRIO. Por expressa disposição legal, o aproveitamento de créditos solicitados em Pedidos de Ressarcimento da Cofins nãocumulativa não enseja atualização monetária ou incidência de juros sobre os respectivos valores (art. 13 da Lei nº 10.833/2003). Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em darlhe provimento, vencidas as conselheiras Tatiana Midori Migiyama, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello, que lhe negaram provimento. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em exercício e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 38 0. 72 03 15 /2 00 7- 88 Fl. 232DF CARF MF Processo nº 10380.720315/200788 Acórdão n.º 9303007.141 CSRFT3 Fl. 233 2 Relatório Tratase de Recurso Especial de Divergência interposto pela Procuradoria da Fazenda Nacional (fls. 200 a 206), contra Acórdão proferido pela 3ª Turma Ordinária da 4ª Câmara da 3ª Sejul do CARF (fls. 187 a 196), sob a seguinte Ementa: Acórdão nº: 3403001.291 ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/01/2006 a 31/03/2006 PEDIDO DE RESSARCIMENTO. SALDO DE CRÉDITO DE PIS E COFINS NÃOCUMULATIVOS. ATUALIZAÇÃO ENTRE O PEDIDO E O DEFERIMENTO. CABIMENTO. O direito à atualização no período compreendido entre a data do protocolo do pedido de ressarcimento e a data em que se concretiza o ressarcimento ao contribuinte, decorre da demora a que dá causa a própria Administração Tributária em reconhecer o direito do contribuinte. Entendimento judicial consolidado a respeito do ressarcimento de IPI (STJ, EREsp 468926/SC, DJ 02/05/2005), inclusive em caráter de recurso repetitivo (STJ, REsp 1035847/RS, DJe 03/08/2009), que deve ser transportado para o PIS/Cofins não cumulativo. Recurso provido. Em seu Recurso Especial, ao qual foi dado seguimento (fls. 213), a PGFN alega que o artigo 13 da Lei n° 10.833/2003 veda expressamente a incidência da Taxa SELIC sobre créditos oriundos de ressarcimento da Cofins nãocumulativa. O contribuinte apresentou Contrarrazões (fls. 219 a 222). É o Relatório. Voto Conselheiro Rodrigo da Costa Pôssas, Relator Observados os requisitos e preenchidas as formalidades regimentais, conheço do Recurso Especial. A aplicação extensiva, para a Cofins nãocumulativa, das decisões judiciais vinculantes do STJ relativas à atualização pela Taxa SELIC de créditos do IPI solicitados em Fl. 233DF CARF MF Processo nº 10380.720315/200788 Acórdão n.º 9303007.141 CSRFT3 Fl. 234 3 ressarcimento (ainda com ressalvas) é, com a devida vênia, descabida, pois, para a contribuição, há expressa disposição legal em contrário, na Lei nº 10.833/2003: Art. 13. O aproveitamento de crédito na forma do § 4º do art. 3º, do art. 4º e dos §§ 1º e 2º do art. 6º, bem como do § 2º e inciso II do § 4º e § 5º do art. 12, não ensejará atualização monetária ou incidência de juros sobre os respectivos valores. Há Acórdãos recentes desta mesma Turma neste sentido, como exemplificado a seguir (este, inclusive, de minha lavra): Acórdão nº 9303006.305 (de 26/01/2008) .................... CONTRIBUIÇÃO SOCIAL NÃO CUMULATIVA. RESSARCIMENTO. ATUALIZAÇÃO PELA TAXA SELIC. IMPOSSIBILIDADE. Por expressa disposição legal, é vedada a correção monetária ou o abono de juros sobre os valores de PIS e de Cofins aproveitados mediante ressarcimento. Como é cediço dizer, “a lei me basta”, mas, sabendo que há posições em contrário, utilizome, em caráter enfático, da mesma jurisprudência do STJ aventada no Acórdão recorrido, para demonstrar que a relativa aos créditos do IPI não se aplica às contribuições, analisando, primeiramente, a contrario sensu, o que diz o Ministro Luiz Fux logo ao início da Ementa do Acórdão no REsp nº 1.035.847/RS: PROCESSO CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. IPI. PRINCÍPIO DA NÃO CUMULATIVIDADE. EXERCÍCIO DO DIREITO DE CRÉDITO POSTERGADO PELO FISCO. NÃO CARACTERIZAÇÃO DE CRÉDITO ESCRITURAL. CORREÇÃO MONETÁRIA. INCIDÊNCIA. 1. A correção monetária não incide sobre os créditos de IPI decorrentes do princípio constitucional da nãocumulatividade (créditos escriturais), por ausência de previsão legal. 2. A oposição constante de ato estatal, administrativo ou normativo, impedindo a utilização do direito de crédito oriundo da aplicação do princípio da nãocumulatividade, descaracteriza referido crédito como escritural, assim considerado aquele oportunamente lançado pelo contribuinte em sua escrita contábil. Notese também, que a Súmula nº 411, do mesmo STJ, só fala do IPI: Súmula 411: É devida a correção monetária ao creditamento do IPI quando há oposição ao seu aproveitamento decorrente de resistência ilegítima do Fisco. Fl. 234DF CARF MF Processo nº 10380.720315/200788 Acórdão n.º 9303007.141 CSRFT3 Fl. 235 4 Complementando (pois, conforme já dito, a lei me dá guarida, de forma expressa, ao não reconhecimento da aplicação da Taxa SELIC) as minhas razões de decidir, grifei o Item 2 da Ementa acima transcrita – e também parte da Súmula nº 411 –, para consignar que, ainda que este julgamento fosse aplicável também para PIS/Cofins, no caso concreto, não houve oposição estatal ilegítima (que se configura somente quando a decisão da Unidade de Origem foi revertida nas instâncias administrativas de julgamento), o que se vê reiterado, como causa para a aplicação da Taxa SELIC, na outra decisão do STJ trazida no Acórdão recorrido (REsp nº 993.164/MG, também de relatoria do Ministro Luiz Fux) a qual, apesar de versar sobre o Crédito Presumido de IPI na exportação (Lei nº. 9.363/96), nada mais faz, em relação ao tema sob discussão, que dar “aplicação analógica” à primeira decisão: PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. IPI. CRÉDITO PRESUMIDO PARA RESSARCIMENTO DO VALOR DO PIS/PASEP E DA COFINS. EMPRESAS PRODUTORAS E EXPORTADORAS DE MERCADORIAS NACIONAIS. LEI 9.363/96 ... CORREÇÃO MONETÁRIA. INCIDÊNCIA. EXERCÍCIO DO DIREITO DE CRÉDITO POSTERGADO PELO FISCO. NÃO CARACTERIZAÇÃO DE CRÉDITO ESCRITURAL... .................... 12. A oposição constante de ato estatal, administrativo ou normativo, impedindo a utilização do direito de crédito de IPI (decorrente da aplicação do princípio constitucional da não cumulatividade), descaracteriza referido crédito como escritural (assim considerado aquele oportunamente lançado pelo contribuinte em sua escrita contábil), exsurgindo legítima a incidência de correção monetária, sob pena de enriquecimento sem causa do Fisco (Aplicação analógica do precedente da Primeira Seção submetido ao rito do artigo 543C, do CPC: REsp 1035847/RS, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 24.06.2009, DJe 03.08.2009). Para comprovar que não houve reversão do decidido pela Unidade de Origem, transcrevo trecho do Relatório de Acórdão recorrido a respeito: Relatório Tratase de Pedido Eletrônico de Ressarcimento de Créditos da Contribuição para o PIS/Pasep (*) transmitido pelo contribuinte em 14/03/2007, correspondente ao saldo de créditos acumulado no 1º trimestre de 2006 (fl. 1). A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Fortaleza/CE (DRF), por meio do Despacho Decisório de fls. 71, que ratificou as conclusões da Informação Fiscal de fls. 69/70, reconheceu o direito de crédito, destacando, no entanto, que sem a incidência de juros na forma SELIC, por se tratar de ressarcimento, ... (*) Na realidade, foi da Cofins (fls. 005). Na sua Manifestação de Inconformidade (fls. 140), o contribuinte pugna tão somente que o Despacho Decisório seja reformado “na parte em que negou o direito da Fl. 235DF CARF MF Processo nº 10380.720315/200788 Acórdão n.º 9303007.141 CSRFT3 Fl. 236 5 Recorrente a incidência da SELIC sobre o valor do crédito da COFINS reconhecido administrativamente ...” (anotandose que a Manifestação de Inconformidade foi considerada improcedente pela DRF/Fortaleza – fls. 151 a 153), único pedido, da mesma forma, reiterado no Recurso Voluntário (fls. 170). Por derradeiro, afasto aqui o argumento, que alguns defendem, de que o ressarcimento seria “espécie do gênero restituição". São dois institutos completamente distintos (pois senão não faria qualquer sentido a discussão em tela sobre a atualização monetária, pois expressamente prevista em lei para a repetição do indébito). O direito à restituição é decorrência "automática" do pagamento indevido ou maior que o devido, conforme art. 165, I, do CTN. O ressarcimento tem que estar previsto em lei (a regra geral é só a possibilidade da compensação dos créditos da nãocumulatividade com débitos do próprio tributo). À vista do exposto, voto por dar provimento ao Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Fl. 236DF CARF MF
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