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Numero do processo: 15563.000125/2009-88
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 04 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Wed Mar 18 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Simples Nacional
Ano-calendário: 2005
Ementa OFENSA A PRINCÍPIOS CONSTITUCIONAIS. NULIDADE. NÃO OCORRÊNCIA.
Não demonstradas as casas de nulidade contidas no Decreto nº 70.235/72, não há falar em nulidade no âmbito do PAF. A mera alegação de ofensa a princípios constitucionais não implica em nulidade.
DEPÓSITOS BANCÁRIOS. OMISSÃO DE RECEITAS.
Os depósitos em conta corrente da empresa cujas operações que lhes deram origem restem incomprovadas presumem-se advindos de transações realizadas à margem da contabilidade.
Numero da decisão: 1301-001.796
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros da 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Primeira Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, rejeitadas as preliminares suscitadas e negar provimento ao recurso voluntário
(assinado digitalmente)
Adriana Gomes Rêgo
Presidente
(assinado digitalmente)
Edwal Casoni de Paula Fernandes Junior
Relator
Participaram do julgamento os Conselheiros: Adriana Gomes Rêgo, Wilson Fernandes Guimarães, Paulo Jakson da Silva Lucas, Valmir Sandri, Edwal Casoni de Paula Fernandes Junior e Carlos Augusto de Andrade Jenier.
Nome do relator: EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: SIMPLES NACIONAL Anocalendário: 2005 Ementa OFENSA A PRINCÍPIOS CONSTITUCIONAIS. NULIDADE. NÃO OCORRÊNCIA. Não demonstradas as casas de nulidade contidas no Decreto nº 70.235/72, não há falar em nulidade no âmbito do PAF. A mera alegação de ofensa a princípios constitucionais não implica em nulidade. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. OMISSÃO DE RECEITAS. Os depósitos em conta corrente da empresa cujas operações que lhes deram origem restem incomprovadas presumemse advindos de transações realizadas à margem da contabilidade. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Primeira Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, rejeitadas as preliminares suscitadas e negar provimento ao recurso voluntário (assinado digitalmente) Adriana Gomes Rêgo Presidente (assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 56 3. 00 01 25 /2 00 9- 88 Fl. 883DF CARF MF Impresso em 18/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/03/2015 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalm ente em 16/03/2015 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalmente em 17/03/2015 p or ADRIANA GOMES REGO 2 Edwal Casoni de Paula Fernandes Junior Relator Participaram do julgamento os Conselheiros: Adriana Gomes Rêgo, Wilson Fernandes Guimarães, Paulo Jakson da Silva Lucas, Valmir Sandri, Edwal Casoni de Paula Fernandes Junior e Carlos Augusto de Andrade Jenier. Relatório Cuidase de Recurso Voluntário interposto pela contribuinte acima identificada, contra decisão proferida pela 2ª Turma da DRJ no Rio de Janeiro/RJ. Segundo consta do presente processo administrativo foi efetivada em desfavor da recorrente, exigência fiscal na sistemática do Simples, referente ao anocalendário 2005 (fls. 248 – 312), acrescidos da multa de 75% e encargos moratórios. Os lançamentos estão fundamentados em omissão de receitas, representadas por depósitos bancários sem a comprovação da origem, e em insuficiência de recolhimento de imposto e contribuições sobre valores declarados, conforme Termo de Verificação e Constatação Fiscal (fIs. 245/247) e Auto de Infração de fls. 270/272, em que constam minuciosamente explicitadas a descrição dos fatos e a fundamentação legal da exigência. Segundo a Fiscalização, a infração denominada Insuficiência de Recolhimentos decorre da infração anterior (omissão de receitas), haja vista a geração de recálculo nos valores mensais devidos (fls. 250/256 e 257/262). O Demonstrativo de Percentuais Aplicáveis Sobre a Receita Bruta e Diferenças Apuradas, às fls. 248/249, indicam que a receita bruta acumulada do interessado montou em R$ 16.041.999,21 e ultrapassou o limite estabelecido para as microempresas que era de R$ 120.000,00, sujeitando o interessado à exclusão de ofício a partir de 01.01.2006 de acordo com o art. 9°, ll, art. 14, I, combinado com o art. 15, IV, da Lei N° 9.317/96 (Redação dada pela Lei 11.307, de 2006). Diante da constatação acima foi efetuada a Representação Fiscal Exclusão do Simples, às fls. 02/05, propondo ao Delegado da Delegacia de Nova IguaçuRJ, para que efetuasse a exclusão do interessado do sistema simplificado a partir de 01/01/2006. Às fls. 06, foi juntado o Ato Declaratório n° 057, de 15 de setembro de 2009 referente à exclusão do Simples. Regularmente cientificado em 16/09/2009, respectivamente às fls. 269, 279 ,289, 299, e 309, das autuações referentes ao IRPJ, PIS, CSLL, COFINS e INSS, o contribuinte apresentou Impugnação (fls. 326/352), alegando em síntese que a Fiscalização quebrou de forma indevida o seu sigilo bancário, quando solicitou às instituições financeiras os extratos das contas correntes de sua titularidade, afrontando o artigo 5°, inciso X, da Constituição Federal e que a inviolabilidade dos dados bancários é um direito constitucional no ordenamento jurídico brasileiro, consagrado no inciso XII, do artigo 5°, da Constituição, sendo que a quebra do sigilo bancário, ainda que efetuada pelo poder judiciário, viola uma garantia Fl. 884DF CARF MF Impresso em 18/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/03/2015 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalm ente em 16/03/2015 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalmente em 17/03/2015 p or ADRIANA GOMES REGO Processo nº 15563.000125/200988 Acórdão n.º 1301001.796 S1C3T1 Fl. 3 3 constitucional estabelecida por uma cláusula pétrea, a qual não pode ser mudada nem mesmo por uma emenda constitucional, sob pena de desestabilizar toda ordem legal do Estado. Aduziu que Poder Judiciário é quem tem competência para determinar a quebra do sigilo bancário, nos casos de interesse da ordem social, e não a autoridade administrativa, defende que, no entanto, diz o artigo 6° da Lei complementar n° 105/2001, desde que haja processo administrativo instaurado ou procedimento fiscal em curso, a autoridade administrativa e os agentes fiscais tributários da União, Estados e Municípios poderão solicitar informações referentes aos contribuintes, constantes dos documentos livros e registros das instituições financeiras, inclusive sobre contas de depósitos e aplicações dos mesmos, mas tal atribuição fere a intenção que emana de todo o ordenamento jurídico brasileiro, pois a interpretação do Supremo Tribunal Federal sempre foi no sentido que a quebra do sigilo bancário só pode ser feita mediante ordem judicial e que a lei complementar citada é inconstitucional. Defendeu ainda, não bastasse a inconstitucionalidade desta Lei Complementar, editouse o Decreto n° 3.724/2001, na mesma data, para regulamentar a referida lei, e individualizado em seu artigo segundo as onze hipóteses em que a verificação bancária é indispensável pela autoridade competente da administração fazendária; face ao exposto, pede o cancelamento do auto de infração na totalidade. Mencionou que o autuante, ao sustentar o lançamento em questão, argumentou que não foi comprovada a origem dos depósitos efetuados nas contas bancárias do interessado, tal pretensão não poderia prosperar, eis que a fiscalização incorreu em completo equívoco ao apurar a suposta presunção de omissão de receitas, já que o autuante optou por considerar como omissão de receitas, a diferença entre a receita bruta declarada e a totalidade dos valores descriminados na planilha de relação dos créditos, juntada ao auto de infração e a intenção da fiscalização foi totalizar os valores correspondentes a créditos efetuados nas contas correntes bancárias, mas deveria ser ressaltado que em grande parte tais créditos, conforme os extratos bancários, referemse a transferências entre contas de mesma titularidade, depósito em cheque, liquidação de cobrança, unicobrança, DOCs e TDs identificados e que os valores em questão foram extraídos dos extratos, e não se entende o porquê da não consideração dos valores, cuja origem vem estampada no histórico, e somente poderiam ser considerados como omissão de receitas os valores que, efetivamente, não tiveram sua origem comprovada, nos termos dos artigos 287 e 849 do RIR/99. Aduziu que a maior parte dos créditos que foram efetuados nas contas bancárias de titularidade do interessado, tem origem em transferências entre contas de mesma titularidade, conforme claramente consta nos extratos bancários e seria absurdo considerar transferências interbancárias da mesma titularidade como depósitos sem a comprovação da origem e que foi considerado indevidamente como de origem não comprovada os valores creditados nas contas dos bancos BRADESCO que têm como histórico “TRANSF. MMA. TITULARIDADE” e UNIBANCO com o histórico “TEDRECEBIDA RURAL PINCELLI 2000 lN”, conforme demonstrado na planilha às fls.340/342. Reputa que os valores constantes dessa planilha devem ser expurgados da base tributável e que os depósitos efetuados em cheque, como o próprio histórico afirma, ainda se encontravam bloqueados (não disponiveis), e nem em uma interpretação extremamente fiscalista se pode concluir que ocorreu a disponibilidade econômica e consequentemente o fato gerador do imposto de renda como previsto pelo artigo 43 do CTN, e que no caso em tela nota Fl. 885DF CARF MF Impresso em 18/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/03/2015 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalm ente em 16/03/2015 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalmente em 17/03/2015 p or ADRIANA GOMES REGO 4 se claramente o deslocamento do fato gerador em diversos meses com relação aos depósitos em cheques efetuados no final do mês, conforme se comprova pelos extratos bancários que constam do processo sendo que o crédito disponibilizado referente aos depósitos em cheque somente ocorreu nos meses seguintes, ou seja disponibilidade econômica e a consequente ocorrência do fato gerador efetivamente consumouse nos meses subsequentes, e jamais a fiscalização poderia ter agido como agiu, deslocando ilegalmente, a ocorrência do fato gerador. Defende que a autuação em análise não comporta esse tipo de imprecisão pois fere o artigo 142 do CTN, que define o lançamento como procedimento administrativo que objetiva apurar dentre outros fatos a ocorrência do fato gerador e não o presumir como ocorreu; deve ser lembrado que a data da ocorrência do fato gerador e o período de apuração podem afetar a determinação do montante do tributo, a fixação do prazo decadencial, a eleição da legislação aplicável e o cálculo dos juros de mora; desse modo, pedese a exclusão da base tributável dos valores relativos aos depósitos em cheques; no tocante aos valores que tem como histórico a liquidação de COBRANÇA e UNICOBRANÇA, aduziu que referemse a recebimento de títulos colocados para cobrança na instituição financeira, em face de vendas feitas anteriormente a prazo e vale lembrar que só podem ser consideradas como omissão de receitas os valores que efetivamente, não tiveram sua origem comprovada, sendo que uma grande parte dos valores constantes dos extratos bancários que fazem parte das importâncias a serem tributadas, referemse a recebimentos a título de cobrança bancária, decorrente de vendas pretéritas, e não poderiam ter sido tratados como depósito sem a comprovação da origem. Insistiu que se a origem foi comprovada, e os valores não foram oferecidos a tributação, deverão ser submetidos à tributação com base no parágrafo 2°, do art. 287 e inciso II, do art. 849, ambos do RIR/99, e nunca ser tributado como presunção de omissão de receitas capitulada no artigo 42 da Lei n° 9.430/96, que não é concebível a fiscalização definir a ocorrência do fato gerador do tributo no momento em que o interessado efetivamente recebe os valores decorrente do seu trabalho, já que o regime é o de competência e não o de caixa, afirmando que não menos absurda, é considerar os DOCs e TEDs identificados, como depósitos sem comprovação da origem, uma vez que no próprio extrato bancário vem a discriminação do remetente, ou seja, a comprovação da origem dos recursos, sendo eu o próprio extrato identifica os clientes, ou seja, que a origem, nestes casos, decorre do pagamento de vendas realizadas. Afirmou que analisando mais cuidadosamente os extratos da conta corrente no Banco Rural, constatase que o autuante considerou indevidamente como omissão de receitas valores que foram provenientes do resgate de aplicação em títulos de renda fixa, em nome do interessado, conforme planilhas às fls. 350, e devem ser desconsiderados da base de cálculo apurada, da mesma forma, foram considerados pelo autuante como de origem não comprovada, valores creditados na conta do Banco Rural, que tem como histórico a expressão “TRS DA C/C INV”, que dizem respeito a transferências da conta investimento, que funciona como conta transitória, para a conta de movimento do mesmo titular, conforme demonstra a planilha de fls. 351/352, a insuficiência de recolhimento foi apurada em decorrência da inconsistente presunção de omissão de receita, deve também este item da autuação ser considerado improcedente. Em vista destes argumentos, requereu a improcedência do lançamento ora em questão. Às fls. 354/360, consta impugnação ao Ato Declaratório que informa, resumidamente, ser a exclusão do Simples motivada pela apuração do fisco que constatou receita bruta anual R$ 15.940.479,21 superior à prevista na legislação em vigor para ME a EPP Fl. 886DF CARF MF Impresso em 18/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/03/2015 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalm ente em 16/03/2015 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalmente em 17/03/2015 p or ADRIANA GOMES REGO Processo nº 15563.000125/200988 Acórdão n.º 1301001.796 S1C3T1 Fl. 4 5 à época. No entanto, alega que o auto de infração em que se baseia a exclusão foi impugnado, e, portanto, toda e qualquer sanção para o interessado fica suspensa, inclusive a exigibilidade do crédito tributário nos termos do artigo 151, inciso III, do CTN. Além de ter ocorrido cerceamento ao seu direito de defesa, em virtude de no Termo de Ciência Exclusão do Simples (doc. fls. 319) constar que a exclusão ocorreu através do Ato Declaratório n° 06 de 29 de janeiro de 2009, ao invés do Ato Declaratório de Exclusão n° 57 de 15 de setembro de 2009. A 2a Turma da DRJ no Rio de Janeiro/RJ, nos termos do acórdão e voto de folhas 384 em diante, julgou o lançamento procedente e manteve a exclusão do SIMPLES, ficando assim ementada a decisão: [...] ÁSSUNTO: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE – SIMPLES Anocalendário: 2005 QUEBRA DE SIGILO BANCÁRIO. É lícito ao fisco, mormente após a edição da Lei Complementar n° 105/2001, examinar informações relativas ao contribuinte, constantes de documentos, livros e registros de instituições financeiras e de entidades a elas equiparadas, inclusive os referentes a contas de depósitos e de aplicações financeiras, quando houver procedimento de fiscalização em curso e tais exames forem considerados indispensáveis, independentemente de autorização judicial. A obtenção de informações junto às instituições financeiras, por parte da administração tributária, não implica QUEBRA de SIGILO bancário, mas simples transferência deste, porquanto em contrapartida está o SIGILO fiscal a que se obrigam os agentes fiscais por dever de ofício. MOVIMENTAÇÃO BANCÁRIA. FALTA DE COMPROVAÇÃO DA ORIGEM DOS RECURSOS. PRESUNÇAO LEGAL DE OMISSÃO DE RECEITAS. Correto o lançamento fundado na ausência de comprovação da origem dos depósitos bancários, por constituir presunção legal de omissão de receitas, expressamente autorizada pelo artigo 42 da Lei n° 9.430/1996. INSUFICIÊNCIA DE RECOLHIMENTO. IRPJ, PIS, COFINS, CSLL e INSS. Apurada omissão de receitas, alteramse, por mudança de faixa da receita acumulada, os percentuais utilizados para cálculo dos tributos devidos pelo Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e Empresas de Pequeno Porte Simples. Tal mudança de percentuais acarreta insuficiência de recolhimento, sendo devidas as diferenças lançadas. EXCLUSAO DO SIMPLES. Fl. 887DF CARF MF Impresso em 18/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/03/2015 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalm ente em 16/03/2015 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalmente em 17/03/2015 p or ADRIANA GOMES REGO 6 Não poderá optar pelo SIMPLES, a pessoa jurídica que na condição de empresa de pequeno porte tenha auferido, no ano calendário imediatamente anterior, receita bruta superior ao limite determinado pela Legislação. [...] Devidamente cientificada a contribuinte interpôs Recurso Voluntário (fls. 408 em diante), alegando ter havido cerceamento ao seu direito de defesa já que não teria sido dado prazo suficiente para o levantamento de toda a documentação necessária, tornando nulos os autos de infração. Insistiu ter havido quebra do seu sigilo bancário, pelos argumentos já relatados, bem como, no mérito, reiterou ser ilegal a tributação dos depósitos bancários, segundo súmula do extinto TFR. Acrescentou que esses valores depositados não foram usados para transferências de aplicações, previdência, poupança, compras de grandes valores, ou seja, nada que caracterizasse aumento patrimonial, juntando precedentes que entende aplicáveis e pugnando por provimento. Reputou inconstitucional a multa de 75% e requereu o provimento do seu Recurso Voluntário. É o relatório. Fl. 888DF CARF MF Impresso em 18/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/03/2015 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalm ente em 16/03/2015 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalmente em 17/03/2015 p or ADRIANA GOMES REGO Processo nº 15563.000125/200988 Acórdão n.º 1301001.796 S1C3T1 Fl. 5 7 Voto Conselheiro Edwal Casoni de Paula Fernandes Jr., Relator. O Recurso é tempestivo e dotado dos pressupostos de recorribilidade. Admitoo para julgamento. Duas questões decorrem das constatações trazidas pela Fiscalização, a primeira, e prejudicial da outra, diz com a prevalência dos autos de infração que indicam omissão de receitas e falta/insuficiência de recolhimentos dos tributos apurados na modalidade do SIMPLES, a outra, prevalente a omissão, com o fato de ultrapassarse o limite de opção pela modalidade simplificada e consequente exclusão do regime. Analiso, primeiramente, a questão relativa à omissão de receitas, porquanto, como dito, se traduz em matéria prejudicial à exclusão levada a efeito apenas pelo montante da receita brita ultrapassar o limite de opção após a glosa imposta. Em apertado resumo, apenas para pautar a questão, tradase nos autos de exigência relativa ao IRPJ e seus reflexos, do anocalendário 2005, em vista de constada omissão de receitas, apurada mediante presunção legal desencadeada pela verificação de depósitos bancários cuja origem, intimada a fazêlo, a contribuinte não teria comprovado (art. 42, da Lei nº 9.430/96). Instaurase certa celeuma, aventada pela contribuinte em sede preliminar, porquanto no caso concreto os extratos bancários foram obtidos pela Fiscalização por meio das denominadas Requisições de Movimentação Financeira, expedidas diretamente às instituições financeiras, levando a recorrente a propugnar pelo desacerto de tal medida, que teria implicado na quebra do seu sigilo bancário, punindo o auto de infração. Entendo que a questão relativa às RMF, deve ser enfrentada prioritariamente, porquanto esvazia boa parte das discussões, bem como orienta a aplicação do artigo 42, da Lei nº 9.430/96, base sobre a qual repousa a presunção legal de omissão de receitas. No propósito do enfrentamento da questão colocada, assinalese que quando ainda vigiam as disposições regimentais dos §§ 1º e 2º, do artigo 62A, do Anexo II, do RICARF, determinavase o sobrestamento do feito até que sobreviesse decisão definitiva, do Supremo Tribunal Federal, em âmbito de Repercussão Geral, no RE representativo da controvérsia (RE 601314), a revelar que a matéria ainda não goza de tratamento pacífico no âmbito do Poder Judiciário. Todavia, a determinação regimental de sobrestamento foi suprimida, de sorte que a questão relativa à alegada quebra de sigilo bancário, abusividade e outras acepções tratadas pela contribuinte, precisam ser enfrentadas tendo em conta a plena vigência do artigo 6º, da Lei Complementar nº 105/2001, bem como a adstrição das decisões administrativas à legalidade, vedandose a declaração de inconstitucionalidade na esfera administrativa, consoante pacificado na Súmula CARF nº 02. Fl. 889DF CARF MF Impresso em 18/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/03/2015 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalm ente em 16/03/2015 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalmente em 17/03/2015 p or ADRIANA GOMES REGO 8 Dito isso, conquanto seja eloquente e bem articuladas as razões trazidas pela recorrente, pouco resta senão reconhecer que o expediente das chamadas RMF, encontram suporte no ordenamento jurídico. Quanto ao procedimento adotado pela Fiscalização no caso concreto, a decisão recorrida cuidou de elaborar um histórico dos eventos e os fundamentos legais que autorizaram o Fisco a valerse do expediente de requisitar as informações diretamente às instituições financeiras, de sorte que entendo acertada a conclusão ao proclamar que a recorrente, de fato, não apresentou os extratos bancários solicitados, caracterizando assim, inegável embaraço à fiscalização, situação que deu ensejo e suporte fático, para as RMF. Sendo assim, legítima a obtenção dos extratos bancários pela fiscalização, valendose das requisições diretamente às instituições financeiras, de sorte que não subsistem as alegações preliminares da recorrente quanto ao tópico em questão. Por fim, quanto às alegações preliminares da recorrente, reputouse que na espécie a fiscalização teria cerceado seu direito de defesa, concedendo exíguos prazos para juntar toda documentação. A caracterização do cerceamento ao direito de defesa, para além de uma alegação genérica, precisa resultar num prejuízo efetivo e verificável, capaz de trazer ao processo alguma deficiência insanável no curso do processo administrativo. Na espécie, ainda que muitos sejam os extratos bancários, os lançamentos contábeis, enfim, os documentos envolvidos na questão, a contribuinte não comprova um efetivo prejuízo ao seu direito de defesa. Ao contrário, verificase que apresentou Impugnação ao conteúdo material da exigência tributária, revelando pleno conhecimento da matéria imputada. Apresentou ainda, após a decisão da DRJ, o competente Recurso Voluntário, ora analisado, outra vez se insurgindo contra as imputações com total ciência e desenvoltura, motivo pelo qual, rejeito a alegação de cerceamento ao direito de defesa. Quanto ao mérito, atinente à omissão de receitas apuradas com base em depósitos bancários de origem não comprovada, bem frisou a decisão recorrida que foram efetivadas diversas intimações, em 12/05/2008 (doc. fls. 25/26) e 14/10/2008 (doc. fl. 196) objetivando obter do "interessado informações sobre a sua movimentação financeira e comprovação da origem dos recursos que possibilitaram os ingressos de valores (créditos) nas contas correntes bancárias de sua titularidade, sendo que deixou de fazêlo, autorizando o Fisco, como visto acima, a obter diretamente das instituições financeiras a documentação em análise. Em sede de Recurso Voluntário, cuidou a contribuinte apenas de alegar que os depósitos bancários não podem ser caracterizados como renda, porquanto não representariam qualquer acréscimo patrimonial. Todavia, convém assinalar que a matriz sobre a qual repousa a autuação, consistente no artigo 42 da Lei nº 9.430/96, permite a presunção de receita omitida, em relação aos valores mantidos em conta bancária cuja origem, intimado a fazêlo, o contribuinte não comprova. Portanto, convém registrar que não se desconhece que os depósitos bancários por natureza e de imediato, não se constituem em sinônimos de receita. Por outro turno, como já registrado acima, também não é lícito olvidar a expressa disposição do artigo 42 da Lei nº 9.430/96 consagrador de que caracterizamse como omissão de receita ou de rendimento, os Fl. 890DF CARF MF Impresso em 18/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/03/2015 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalm ente em 16/03/2015 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalmente em 17/03/2015 p or ADRIANA GOMES REGO Processo nº 15563.000125/200988 Acórdão n.º 1301001.796 S1C3T1 Fl. 6 9 valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove mediante documentação hábil e idônea a origem dos recursos utilizados nessas operações. Na espécie, a fiscalização intimou a recorrente a comprovar a origem dos recursos depositados em suas contascorrentes, remanescendo ao fim não comprovada a origem e a necessária tributação dos valores. Temse, portanto, perfeita subsunção das circunstâncias fáticas à abstrata previsão de presunção legal de omissão de receitas, de sorte que o fato relevante para autuação não foi a simples existência dos depósitos, como sugere a recorrente, o critério legal se dá com a ausência de comprovação, por documentação hábil e idônea, da origem da indigitada movimentação financeira, esta sim, a ensejar por disposição legal a presunção de que se omitiu receita. Para infirmar os trabalhos fiscalizatórios, portanto, cumpria à Recorrente afastar o motivo pelo qual se implementou a presunção, que como visto no parágrafo precedente, não era a existência dos depósitos ou sua natureza jurídica incompatível com a definição de receita, consistindo sim, na prova documental das origens de tais depósitos e a consequente demonstração de não se constituírem em parcela tributável. Ausente qualquer justificativa quanto à origem dos depósitos considerados pela Fiscalização, está incidir na espécie a presunção legal versada no artigo 42 da Lei nº 9.430/96 e consoante pacífico entendimento desse Conselho Administrativo Fiscal, observado, por exemplo, no verbete da Súmula CARF nº 26 abaixo reproduzida, o Fisco está dispensado até mesmo de comprovar o consumo da renda representada pelos aludidos depósitos, confira se: Súmula CARF nº 26: A presunção estabelecida no art. 42 da Lei nº 9.430/96 dispensa o Fisco de comprovar o consumo da renda representada pelos depósitos bancários sem origem comprovada. SÚMULAS VINCULANTES Acórdão nº CSRF/04 00.157, de 13/12/2005. Por essas razões, consideramse hígidas e suficientes as imputações realizadas pela Fiscalização, amparadas em presunção disposta na legislação de regência, considerandose suficientemente demonstrada a materialidade tributável apontada e reconhecida pela decisão recorrida. Quanto à alegada abusividade da multa, aplicada no patamar de 75%, impende considerar que consoante a Súmula CARF nº 02, falece competência à esfera administrativa para se pronunciar acerca da constitucionalidade de lei, de sorte que subsiste a multa aplicada, porquanto lançada em patamar mínimo e com fundamento legal válido. Em vista de todo o exposto, voto no sentido de rejeitar as preliminares e Negar provimento ao Recurso Voluntário. Sala das Sessões, em 04 de março de 2015. (assinado digitalmente) Fl. 891DF CARF MF Impresso em 18/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/03/2015 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalm ente em 16/03/2015 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalmente em 17/03/2015 p or ADRIANA GOMES REGO 10 Edwal Casoni de Paula Fernandes Junior. Fl. 892DF CARF MF Impresso em 18/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/03/2015 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalm ente em 16/03/2015 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalmente em 17/03/2015 p or ADRIANA GOMES REGO
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Numero do processo: 10830.907784/2012-21
Turma: Primeira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Fri Dec 12 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Fri Feb 20 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Data do fato gerador: 20/06/2007
NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. DIREITO DE CRÉDITO. LIQUIDEZ E CERTEZA.
Não é líquido e certo crédito decorrente de pagamento informado como indevido ou a maior, se o pagamento consta nos sistemas informatizados da Secretaria da Receita Federal do Brasil como utilizado integralmente para quitar débito informado em DCTF e a contribuinte não prova com documentos e livros fiscais e contábeis o direito ao crédito.
NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. NÃO HOMOLOGAÇÃO.
Declaração de compensação fundada em direito de crédito decorrente de pagamento indevido ou a maior não pode ser homologada se a contribuinte não comprovou a existência do crédito.
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. DIREITO DE CRÉDITO. ÔNUS DA PROVA.
O ônus da prova incumbe ao autor, quanto ao fato constitutivo de seu direito.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3801-004.781
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Flávio de Castro Pontes - Presidente.
(assinado digitalmente)
Paulo Sérgio Celani - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flávio de Castro Pontes, Marcos Antônio Borges, Paulo Sérgio Celani, Demes Brito e Cássio Schappo.
Nome do relator: PAULO SERGIO CELANI
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DIREITO DE CRÉDITO. LIQUIDEZ E CERTEZA. Não é líquido e certo crédito decorrente de pagamento informado como indevido ou a maior, se o pagamento consta nos sistemas informatizados da Secretaria da Receita Federal do Brasil como utilizado integralmente para quitar débito informado em DCTF e a contribuinte não prova com documentos e livros fiscais e contábeis o direito ao crédito. NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. NÃO HOMOLOGAÇÃO. Declaração de compensação fundada em direito de crédito decorrente de pagamento indevido ou a maior não pode ser homologada se a contribuinte não comprovou a existência do crédito. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. DIREITO DE CRÉDITO. ÔNUS DA PROVA. O ônus da prova incumbe ao autor, quanto ao fato constitutivo de seu direito. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 83 0. 90 77 84 /2 01 2- 21 Fl. 78DF CARF MF Impresso em 20/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 18/02/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 19/02/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10830.907784/201221 Acórdão n.º 3801004.781 S3TE01 Fl. 3 2 (assinado digitalmente) Flávio de Castro Pontes Presidente. (assinado digitalmente) Paulo Sérgio Celani Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flávio de Castro Pontes, Marcos Antônio Borges, Paulo Sérgio Celani, Demes Brito e Cássio Schappo. Relatório Inicialmente, esclarecese que estão em julgamento nesta 1ª Turma Especial da 3ª Seção de Julgamento do CARF trinta e três processos da mesma contribuinte, em que o cerne da discussão é o mesmo: a certeza e liquidez de crédito pleiteado, decorrente de pagamento indevido ou a maior de cofins ou contribuição para o PIS/Pasep, e o ônus da prova deste direito. Em alguns processos, foi indeferida totalmente a declaração de compensação de débitos da contribuinte com o crédito pleiteado, por falta de comprovação da liquidez e certeza de todo o crédito, em outros, foi homologada parcialmente a declaração de compensação, porque foi comprovada a certeza e liquidez de parte do crédito pleiteado. Esta diferença não exige mudanças nos acórdãos dos julgamentos, pois o que está sob julgamento é justamente o crédito não reconhecido e a parte não homologada das declarações de compensação. O crédito reconhecido e a parte homologada não estão em discussão. Feitas estas observações, passase ao relato propriamente dito. Tratase de recurso voluntário apresentado contra decisão da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Belo HorizonteDRJ/BHE que julgou improcedente manifestação de inconformidade apresentada contra despacho decisório da Delegacia da Receita Federal do Brasil de origem. O processo se iniciou com PER/DCOMP, por meio do qual a contribuinte pleiteou o reconhecimento de direito de crédito decorrente de pagamento indevido ou a maior de contribuição social e a compensação de débitos tributários com o crédito pleiteado. De acordo com o Despacho Decisório, a partir das características do DARF informado no PER/DCOMP, foram localizados um ou mais pagamentos, utilizados para quitação de débitos da contribuinte, não restando crédito disponível suficiente para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. Fl. 79DF CARF MF Impresso em 20/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 18/02/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 19/02/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10830.907784/201221 Acórdão n.º 3801004.781 S3TE01 Fl. 4 3 Assim, diante da inexistência/insuficiência de crédito, a compensação declarada não foi homologada ou foi homologada apenas parcialmente. Como enquadramento legal foram citados os arts. 165 e 170, da Lei nº 5.172 de 25/10/1966 (Código Tributário Nacional CTN), e o art. 74 da Lei nº 9.430, de 27/12/1996, conforme quadro “3 – FUNDAMENTAÇÃO, DECISÃO E ENQUADRAMENTO LEGAL” do despacho decisório “ Extraio do relatório da decisão recorrida resumo das alegações apresentadas pela contribuinte contra o despacho decisório, em expediente que foi recebido como manifestação de inconformidade: “Cientificado do Despacho Decisório, o interessado apresentou a manifestação de inconformidade em 10/08/2012, alegando que a Receita Federal mantém os controles de apropriação e pagamento dos impostos federais, assim como uma conta corrente de cada contribuinte, na qual podem ser visualizados os pagamentos efetuados de forma correta, os pagamentos a maior e os pagamentos a menor. Assevera que o despacho decisório não pode progredir, porque a RFB cobra o mesmo valor pago pelo contribuinte, quando, na verdade, foi preenchido um PER/DCOMP que demonstra de forma clara que aquele pagamento foi efetuado a maior e dele se extraí os valores devidos a título de impostos. Apresenta um demonstrativo da composição do PER/DCOMP nº 27613.24430.280909.1.3.047698, identificando o valor devido de COFINS, o valor da guia de recolhimento, o saldo do pagamento a maior e as compensações efetuadas. Alega ainda que houve a retificação da DIPJ do anobase de 2005, na qual a receita foi apropriada de forma errada e, por isto, originou também a retificação de todos os cálculos dos impostos federais. Ressalta que havendo necessidade de retificação do PER/DCOMP, solicita autorização para o ajuste, porém, o valor original disponível desde a data especificada, corrigido monetariamente, possibilitou a compensação declarada. A ementa do acórdão da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Belo HorizonteDRJ/BHE que julgou improcedente a manifestação de inconformidade contém o seguinte teor: “Assunto: ... Data do fato gerador: ... DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. CRÉDITO NÃO COMPROVADO. Não se admite a compensação se o contribuinte não comprovar a existência e suficiência do crédito postulado.” No recurso voluntário a recorrente alega o seguinte: Fl. 80DF CARF MF Impresso em 20/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 18/02/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 19/02/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10830.907784/201221 Acórdão n.º 3801004.781 S3TE01 Fl. 5 4 i) O ICMS que faz parte do valor total de conhecimentos de transporte não compõe o valor tributado pela cofins e pela contribuição para o PIS/Pasep. ii) Juntou cópia da DIPJ 2006/2005, retificada, que demonstra que estas contribuições foram reduzidas em seus valores anteriormente apresentados. iii) No próprio PER/DCOMP apresentado, verificase que houve pagamento a maior. iv) Não apresentou retificação da DCTF e do DACON, primeiro, por problemas com o contador; depois, porque teria ocorrido prescrição para a retificação. v) Calculou a cofins e a contribuição para o PIS/Pasep sobre um valor que incluía o ICMS e, após, corrigiu o faturamento, excluindo este imposto da base de cálculo, logo, tem direito ao crédito pleiteado. É o relatório. Fl. 81DF CARF MF Impresso em 20/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 18/02/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 19/02/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10830.907784/201221 Acórdão n.º 3801004.781 S3TE01 Fl. 6 5 Voto Conselheiro Paulo Sergio Celani, Relator. Admissibilidade do recurso voluntário. O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos para julgamento nesta turma especial. Certeza e liquidez do crédito pleiteado. O processo se iniciou com PER/DCOMP da contribuinte, no qual informou ter realizado pagamento indevido ou a maior de contribuição social. Foi constatado pela RFB que o pagamento informado como indevido ou a maior fora integralmente utilizado para quitar tributo informado em DCTF, logo, tributo considerado devido. Isto está claro no quadro “3 – FUNDAMENTAÇÃO, DECISÃO E ENQUADRAMENTO LEGAL” do despacho decisório. Esta constatação baseouse em dados constantes do sistemas informatizados da RFB, alimentados por informações prestadas pelo próprio contribuinte, por meio de declarações fiscais próprias. Uma vez que o pagamento informado como indevido ou a maior estava totalmente vinculado a tributo declarado em DCTF como devido, o DARF a ele relativo não prova a existência de crédito algum A DRJ/BHE, tendo em vista que a contribuinte não apresentou documentação fiscal e contábil hábil e suficiente para comprovação da certeza e liquidez do crédito pleiteado, manteve o despacho decisório. As decisões da DRF e da DRJ estão amparadas no fato de a legislação tributária dispor que a DCTF é instrumento de confissão de dívida e constituição definitiva do crédito tributário (art. 5º do DecretoLei nº 2.124, de 1984) e que a compensação de débitos tributários somente pode ser efetuada mediante existência de créditos líquidos e certos do interessado perante a Fazenda Pública (art. 170 do Código Tributário NacionalCTN), e de a lei que trata do processo administrativo tributário federal estabelecer que a prova documental deve ser apresentada na impugnação (art. 16, §4º, do Decreto nº 70.235, de 1972). Apesar de a decisão de primeira instância ter sido fundamentada de modo a dar a conhecer à contribuinte as razões de fato e de direito que levaram ao indeferimento de sua manifestação de inconformidade, nenhum documento ou livro fiscal ou contábil foi apresentado com o recurso voluntário. Fl. 82DF CARF MF Impresso em 20/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 18/02/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 19/02/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10830.907784/201221 Acórdão n.º 3801004.781 S3TE01 Fl. 7 6 A recorrente afirma que juntou cópia da DIPJ 2006/2005 retificada, a qual demonstraria redução dos valores das contribuições anteriormente apresentados, e apresenta justificativas para não ter retificado a DCTF e o DACON. Não encontrei nos autos nenhuma DIPJ, original ou retificada. Logo, inócua a alegação. Quanto à falta de retificação da DCTF e do DACON, esta não é determinante para o julgamento, uma vez que o CARF tem reconhecido o direito ao crédito decorrente de pagamento indevido ou a maior, independentemente de retificação da DCTF e do DACON, desde que o direito seja comprovado por documentos e livros fiscais e contábeis hábeis. Tratandose de despacho eletrônico, admitese a apresentação destes documentos e livros após a decisão da DRJ, pois alguns Conselheiros entendem que o princípio da verdade material assim autoriza, outros entendem que se está diante de caso em que a prova se destina a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos, hipótese prevista no art. 16, §4º, letra “c” do Decreto nº 70.235, de 1972. De qualquer modo, o importante é que a contribuinte, até o presente, não apresentou nenhum documento ou livro, fiscal ou contábil, que pudesse comprovar seu direito. Logo, não comprovou a certeza e liquidez do crédito pleiteado. Não é só isso. A recorrente sequer argumentou sobre os fatos ou direito que ensejariam o crédito pleiteado. Há menção de que seria decorrente da inclusão do ICMS integrante de conhecimento de transporte na base de cálculo da cofins e da contribuição para o PIS/Pasep, porém, não é tecido nenhum argumento sobre esta matéria. Por estas razões, com fundamento no art. 170 do CTN e no art. 333 do CPC, aplicável subsidiariamente ao caso, que determina que o ônus da prova incumbe ao autor quanto ao fato constitutivo de seu direito, não cabe o reconhecimento do crédito pleiteado. Declaração de compensação errada e competência do CARF No recurso, ao contrário da manifestação de inconformidade, nada foi dito sobre erro na Declaração de Compensação ou sobre a necessidade de sua retificação. Apenas se afirmou que, no PER/DCOMP apresentado, verificase que houve pagamento a maior. Porém, tendo em vista que possível erro na DCOMP é questão que permeia os autos e que a decisão da DRJ tratou desta matéria; que a Administração deve atender aos princípios da legalidade, da moralidade, do interesse público e da eficiência; e que o princípio da verdade material é especialmente levado em consideração nos julgamentos neste Conselho; teço algumas considerações que me levam a concluir pela manutenção da decisão recorrida na íntegra. O processo administrativo de determinação e exigência dos créditos tributários da União e o de consulta sobre a aplicação da legislação tributária federal é regido pelo Decreto nº 70.235, de 6/3/1972. Fl. 83DF CARF MF Impresso em 20/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 18/02/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 19/02/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10830.907784/201221 Acórdão n.º 3801004.781 S3TE01 Fl. 8 7 O rito processual estabelecido no Decreto nº 70.235, de 1972, não se aplica, em princípio, aos processos administrativos de pedidos de compensação, pois não são processos de determinação e exigência de créditos tributários, tampouco de consulta sobre aplicação da legislação tributária federal.. Porém, por força do art. 74, §§ 9º e 10, da Lei nº 9.430, de 27/12/1996, não homologada a compensação, o sujeito passivo poderá apresentar manifestação de inconformidade contra a decisão administrativa de não homologação e recurso contra decisão que julgue improcedente a manifestação de inconformidade. Ambos, manifestação de inconformidade e recurso, seguirão o rito processual estabelecido no Decreto nº 70.235, de 1972, conforme parágrafo 11 do art. 74 da Lei nº 9.430, de 1996. Assim, o Conselho Administrativo de Recursos Fiscais_CARF, que, conforme art. 37 do Decreto nº 70.235, de 1972, com redação dada pela Lei nº 11.941, de 27/5/2009, é competente para julgar, em segunda instância, processos que seguem o rito deste decreto, possui competência para julgar recursos contra decisões da DRJ que julgaram improcedentes manifestações de inconformidade contra não homologação de declarações de compensação. Quanto à retificação de declarações de compensação, a situação é diferente. Cito o art. 74 da Lei nº 9.430, de 1996: “Art. 74. O sujeito passivo que apurar crédito, inclusive os judiciais com trânsito em julgado, relativo a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados por aquele Órgão.(Redação dada pela Lei nº 10.637, de 2002) § 1º A compensação de que trata o caput será efetuada mediante a entrega, pelo sujeito passivo, de declaração na qual constarão informações relativas aos créditos utilizados e aos respectivos débitos compensados.(Incluído pela Lei nº 10.637, de 2002) § 2º A compensação declarada à Secretaria da Receita Federal extingue o crédito tributário, sob condição resolutória de sua ulterior homologação.(Incluído pela Lei nº 10.637, de 2002) (...) § 6º A declaração de compensação constitui confissão de dívida e instrumento hábil e suficiente para a exigência dos débitos indevidamente compensados. (Incluído pela Lei nº 10.833, de 2003) § 7º Não homologada a compensação, a autoridade administrativa deverá cientificar o sujeito passivo e intimálo a efetuar, no prazo de 30 (trinta) dias, contado da ciência do ato que não a homologou, o pagamento dos débitos indevidamente compensados.(Incluído pela Lei nº 10.833, de 2003) Fl. 84DF CARF MF Impresso em 20/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 18/02/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 19/02/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10830.907784/201221 Acórdão n.º 3801004.781 S3TE01 Fl. 9 8 § 8º Não efetuado o pagamento no prazo previsto no § 7º, o débito será encaminhado à ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional para inscrição em Dívida Ativa da União, ressalvado o disposto no § 9º. (Incluído pela Lei nº 10.833, de 2003) § 9º É facultado ao sujeito passivo, no prazo referido no § 7º, apresentar manifestação de inconformidade contra a não homologação da compensação. (Incluído pela Lei nº 10.833, de 2003) § 10. Da decisão que julgar improcedente a manifestação de inconformidade caberá recurso ao Conselho de Contribuintes.(Incluído pela Lei nº 10.833, de 2003) § 11. A manifestação de inconformidade e o recurso de que tratam os §§ 9º e 10 obedecerão ao rito processual do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, e enquadramse no disposto no inciso III do art. 151 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 Código Tributário Nacional, relativamente ao débito objeto da compensação. (Incluído pela Lei nº 10.833, de 2003) (...)” Vejase que os §§ 6º a 8º acima dispõem que a declaração de compensação constitui confissão de dívida e instrumento hábil e suficiente para a exigência dos débitos indevidamente compensados e que, não homologada a compensação e não efetuado o pagamento no prazo previsto no §7º, o débito será encaminhado à ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional para inscrição em Dívida Ativa da União A exigência do pagamento destes débitos não deve ser submetida a julgamento administrativo; e, ainda que a declaração de compensação contenha erro, não cabe nesta instância sua correção, o que deve realizarse pela entrega de declaração retificadora, tal como estabelecido nos arts. 6º a 8º das Instruções Normativas SRF nº 360. de 24/02/2003, e nº 376, de 23/12/2003; nos arts. 55 a 58 da IN SRF nº 460, de 18/10/2004, e IN SRF nº 600, de 28/12/2005; nos arts. 76 a 79 da IN SRF nº 900, de 30/12/2008; e nos arts. 88 a 90 da IN RFB nº 1.300, de 20/11/2012. Conforme assentado no acórdão recorrido, a retificação de declaração de compensação deveria ser requerida por meio de documento retificador gerado a partir do programa PER/DCOMP. Não há nos autos nenhum documento retificador gerado nesta condição. Assim, não pode o CARF determinar a homologação da DCOMP tal como formalizada, ainda que errada, pois esta extingue o crédito tributário, sob condição resolutória, e constitui confissão de dívida e instrumento hábil e suficiente para a exigência dos débitos indevidamente compensados. Fl. 85DF CARF MF Impresso em 20/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 18/02/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 19/02/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10830.907784/201221 Acórdão n.º 3801004.781 S3TE01 Fl. 10 9 Conclusão Pelo exposto, em especial pela não comprovação da existência de direito de crédito líquido e certo, voto por negar provimento ao recurso voluntário, mantendose a decisão recorrida. (assinado digitalmente) Paulo Sergio Celani. Fl. 86DF CARF MF Impresso em 20/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 18/02/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 19/02/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES
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Numero do processo: 13603.906091/2009-98
Turma: Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 03 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Mon Mar 23 00:00:00 UTC 2015
Numero da decisão: 1101-000.150
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em CONVERTER o julgamento em diligência, nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
MARCOS AURÉLIO PEREIRA VALADÃO - Presidente
(assinado digitalmente)
BENEDICTO CELSO BENÍCIO JÚNIOR - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Marcos Aurélio Pereira Valadão (Presidente), Benedicto Celso Benício Júnior (Relator), Edeli Pereira Bessa, Paulo Mateus Ciccone, Antônio Lisboa Cardoso e Paulo Reynaldo Becari.
Nome do relator: BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em CONVERTER o julgamento em diligência, nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) MARCOS AURÉLIO PEREIRA VALADÃO - Presidente (assinado digitalmente) BENEDICTO CELSO BENÍCIO JÚNIOR - Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Marcos Aurélio Pereira Valadão (Presidente), Benedicto Celso Benício Júnior (Relator), Edeli Pereira Bessa, Paulo Mateus Ciccone, Antônio Lisboa Cardoso e Paulo Reynaldo Becari.
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Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em CONVERTER o julgamento em diligência, nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) MARCOS AURÉLIO PEREIRA VALADÃO Presidente (assinado digitalmente) BENEDICTO CELSO BENÍCIO JÚNIOR Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Marcos Aurélio Pereira Valadão (Presidente), Benedicto Celso Benício Júnior (Relator), Edeli Pereira Bessa, Paulo Mateus Ciccone, Antônio Lisboa Cardoso e Paulo Reynaldo Becari. Relatório Na origem, cuidase de Declarações de Compensação – DCOMPs transmitidas pelo sujeito passivo com vistas ao reconhecimento de crédito decorrente de Saldo Negativo de RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 36 03 .9 06 09 1/ 20 09 -9 8 Fl. 220DF CARF MF Impresso em 23/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/03/2015 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 17/03/2015 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 20/03/2015 por MARCOS AURELI O PEREIRA VALADAO Processo nº 13603.906091/200998 Resolução nº 1101000.150 S1C1T1 Fl. 3 2 IRPJ do anocalendário 2001 no valor de R$1.009.446,29 e à compensação com débitos próprios diversos. No despacho decisório emitido em 21/09/2009, a DRF/Contagem concluiu pelo reconhecimento parcial do crédito relativo ao saldo negativo pleiteado. Com efeito, a r. autoridade fiscal entendeu que certas parcelas de que o sujeito passivo lançou mão para a formação do seu direito creditório não restaram confirmadas, sendo que essas frações não reconhecidas pelo Fisco podem ser verificadas a partir do exame do seguinte demonstrativo (fl. 29): Parc. Crédito Retenções Fonte Estim. Comp. SNPA Soma Parc. Cred. PER/DCOMP 2.490.299,23 313.058,18 2.803.357,41 Confirmadas 2.490.299,23 46.538,67 2.536.837,90 Nessa senda, ante a não confirmação da parcela de R$ 266.519,51, a r. autoridade fiscal entendeu que o Saldo Negativo vindicado pelo sujeito passivo deveria ser reduzido justamente desse montante, o que levou à confirmação do valor de R$ 742.926,78, com a homologação das DCOMPs apresentadas até esse limite. A discussão que remanesce nos autos, portanto, referese ao montante de R$266.519,51. De acordo com a apuração levada a efeito pela r. autoridade fiscal, essa cifra – atinente a estimativas que o sujeito passivo afirmou ter compensado com Saldo Negativo de Períodos Anteriores – poderia ser assim segregada: (a) Fevereiro/2001 R$0,01 não confirmado; (b) Maio/2001 R$0,01 não confirmado; (c) Dezembro/2001 R$266.519,49 (vide fl. 28). O sujeito passivo apresentou tempestiva manifestação de inconformidade (fls. 34/39), na qual – após abdicar de discutir os R$0,02 correspondentes a fevereiro e maio/2001 – afirmou que a fração controvertida consubstancia: “parcela que, embora tenha sido indicado pela Sucedida como integrante do total de estimativa compensado no período, referese a tributo que se encontrava com sua exigibilidade [suspensa] por força de decisões judiciais proferidas nas Ações n.°s 97.00.086216 e 98.00.165614, nas quais se discutia a possibilidade de deduções na base de cálculo do imposto. / Ou seja, a Sucedida considerou no valor total do IRPJ devido a título de estimativa também parcela do imposto que se encontrava com sua exigibilidade suspensa e que, portanto, não seria objeto de pagamento. E, justamente em face da condição dessa parcela, aumentou como contrapartida e em igual valor o montante do imposto liquidado por estimativa, anulando os efeitos daquela inclusão na base” (fl. 37). Após, reforçou sua argumentação afirmando que, “em outras palavras, se a Fiscalização considerar que não houve pagamento de estimativa no montante de R$266.519,49, deve também deduzir esse montante do IRPJ Lucro Real devido no exercício de 2002. Tudo em função da exigibilidade dessa parcela. Desse modo, o valor devido corresponderia a R$1.527.391,63, o valor retido na fonte continuaria sendo de R$2.490.299,23, e o valor Fl. 221DF CARF MF Impresso em 23/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/03/2015 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 17/03/2015 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 20/03/2015 por MARCOS AURELI O PEREIRA VALADAO Processo nº 13603.906091/200998 Resolução nº 1101000.150 S1C1T1 Fl. 4 3 liquidado em face das estimativas, como confirmado pelo sistema da Receita, seria de R$46.538,67. A soma dessas parcelas resultaria justamente em R$1.009.446,27, conforme pretendido pela Requerente” (fl. 38). Em sessão de julgamento realizada em 28/02/2012, a d. 3ª Turma da DRJ/BHE julgou improcedente o inconformismo do contribuinte, em acórdão assim ementado: “ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2001 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO Na Declaração de Compensação somente podem ser utilizados os créditos comprovadamente existentes, respeitadas as demais regras determinadas pela legislação vigente para a sua utilização. COMPENSAÇÃO CRÉDITO CONTESTADO JUDICIALMENTE É vedada a compensação mediante o aproveitamento de crédito, objeto de contestação judicial pelo sujeito passivo, antes do trânsito em julgado da respectiva decisão judicial. Manifestação de Inconformidade Improcedente. Crédito Tributário Mantido” (fls. 103/110) Na ocasião, acordaram os julgadores da instância de piso que “inexiste previsão legal para dedução de valores destinados à estimativa mensal com menção à ‘exigibilidade suspensa’” (fl. 108), sendo que, a partir da previsão do art. 170A do CTN, “constatase então que qualquer aproveitamento de tributo antes do transito em julgado da ação está expressamente vedado pela legislação vigente” (fl. 108). Além disso, consignouse que “o CTN prevê a suspensão da exigibilidade para casos específicos; o manifestante não trouxe ao processo qualquer comprovação acerca do enquadramento do quantum invocado em uma destas hipóteses” (fl. 109). Por fim, a Egrégia Turma recorrida assentou que, “independentemente da comprovação e a motivação da suspensão da exigibilidade invocada pelo manifestante, qualquer importância ainda não definitivamente extinta não pode[ria] dar origem a Saldo Negativo de IRPJ passível de restituição/compensação” (fl. 109). À fl. 111, foi lavrado ‘Termo de Abertura de Documento’, apontando que “o contribuinte tomou conhecimento do teor dos documentos relacionados abaixo [dentre os quais o acórdão da colenda instância a qua], na data 25/06/2012 10:50h, pela abertura dos arquivos”. No fólio seguinte, há um ‘Termo de Ciência por Decurso de Prazo’, em que “foi dada ciência, ao Contribuinte, dos documentos relacionados abaixo, por decurso de prazo de 15 dias a contar da disponibilização destes documentos através da Caixa Postal (...) / Data da ciência por decurso de prazo: 07/07/2012”. Em 07 de agosto de 2012, o contribuinte interpôs recurso voluntário (fls. 114/135), oportunidade em que sustentou, em síntese, que: (i) “o procedimento adotado pela Recorrente ao incluir no saldo de declaração as estimativas no valor total de R$266.519,49, que se encontravam com a sua exigibilidade suspensa por força de ações judiciais, teve como objetivo anular os efeitos da inclusão indevida dos valores de CSLL e dos tributos com a exigibilidade suspensa na base de cálculo do IRPJ, aumentando, Fl. 222DF CARF MF Impresso em 23/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/03/2015 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 17/03/2015 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 20/03/2015 por MARCOS AURELI O PEREIRA VALADAO Processo nº 13603.906091/200998 Resolução nº 1101000.150 S1C1T1 Fl. 5 4 como contrapartida e em igual valor, o montante do imposto pago por estimativa, para fins de apuração do imposto de renda devido ao final do exercício” (fl. 117); (ii) e “a recorrente faz jus ao reconhecimento do crédito decorrente do saldo negativo de IRPJ apurado no anocalendário de 2001, pois parte das estimativas de IRPJ que deixaram de ser reconhecidas, pela Fiscalização se encontra extinta pelo pagamento, e o saldo restante se encontra com a sua exigibilidade suspensa, nos termos do art. 151, I, do CTN, haja vista a realização de depósito judicial” (fl. 117). Em seguida, e “tendo em vista a apresentação tempestiva de recurso voluntário” (fl. 219), os autos foram encaminhados a este Col. CARF e foram a mim distribuídos. É o relatório. Voto A meu sentir, o recurso voluntário preenche os requisitos de admissibilidade. De fato, há dúvida razoável quanto à tempestividade, na medida em que existem dois termos de ciência dando conta de que o contribuinte teve notícia do r. acórdão recorrido em datas diversas. Nesse cenário, penso ser o caso de dar azo à certidão de fl. 112 (Termo de Ciência por Decurso de Prazo), porquanto assenta não ter havido ciência anterior à data de 07 de julho de 2012, um sábado – afastando, pois, informação anterior em sentido diverso. Por assim ser, mostrase tempestivo o recurso voluntário interposto em 07 de agosto de 2012 conforme informação da Seção de Controle e Acompanhamento Tributário da DRF em Contagem (fl. 219) , razão pela qual dele conheço. Superada essa questão relacionada ao conhecimento do Recurso Voluntário, passase ao exame do meritum causae. Em conformidade com o relatório acima, temos que a questão controvertida nos autos resumese a saber se a ora Recorrente possuiria Saldo Negativo de IRPJ apurado no ano calendário de 2001 no valor de R$1.009.446,29, que seria suficiente para quitar os débitos apontados nas DCOMPs que compõem o presente processo administrativo, tendo em vista que a Fiscalização entendeu que o valor do crédito decorrente do saldo negativo de IRPJ corresponderia ao valor de R$742.926,78, ante a não confirmação do montante de R$266.519,51. Aduz o contribuinte que o valor de R$266.519,49 – reiterese, não há controvérsia quanto ao valor de R$ 0,02 – é composto pelas estimativas de IRPJ discriminadas da seguinte forma (fl. 119): Fl. 223DF CARF MF Impresso em 23/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/03/2015 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 17/03/2015 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 20/03/2015 por MARCOS AURELI O PEREIRA VALADAO Processo nº 13603.906091/200998 Resolução nº 1101000.150 S1C1T1 Fl. 6 5 Período de Apuração Código de Receita Estimativa declarada em DCTF Suspensão Jul/01 2362 128.780,25 Ago/01 2362 30.838,58 Set/01 2362 25.745,70 Out/01 2362 27.582,64 Nov/01 2362 26.621,26 Dez/01 2362 26.951,06 Total = R$266.519,49 Deveras, o contribuinte afirma (i) que “a parcela do saldo credor de R$266.519,49, que deixou de ser reconhecida pela Fiscalização, se refere a estimativa de IRPJ relativas aos períodos de junho a dezembro de 2001 que se encontravam com a sua exigibilidade suspensa por força de decisões judiciais proferidas nas Ações n°s 97.00.086216 e 98.00.165614, que permitiam, à empresa sucedida, deduzir o valor da CSLL da apuração do Lucro Real, e não adicionar à base de cálculo do IRPJ tributos com a exigibilidade suspensa” (fl. 119); e (ii) que, “mesmo estando amparada pelas decisões acima mencionadas, a empresa sucedida incluiu, na apuração da base de cálculo do IRPJ do anocalendário de 2001, os valores relativos aos tributos que se encontravam com a exigibilidade suspensa, declarandoos em sua DIPJ: PIS e COFINS no montante de R$457.836,76, e a CSLL, no montante de R$608.241,18, os quais foram informados nas linhas 04 e 21 da ficha 9ª da DIPJ/2002” (fl. 119). Para demonstrar essa situação, a ora Recorrente traz quadro ilustrativo da situação, nos seguintes termos (fl. 120): Adições indevidas Valor Alíquota do IR 25% Tributos com exigibilidade suspensa R$457.836,74 R$114.459,19 CSLL com exigibilidade suspensa R$608.241,18 R$152.060,30 IR com exigibilidade suspensa R$266.519,49 Um ponto, porém, merece atenção antes da análise meritória do caso: observase no despacho decisório de fls. 26/28 que a estimativa de dezembro/2001 havia sido vinculada a compensação com saldo negativo de IRPJ do anocalendário 1999. Em recurso, a contribuinte assevera que promoveu pagamento de R$ 114.459,19 (fl. 190), e este valor poderia confirmar parcialmente a antecipação que integraria o direito creditório aqui em litígio. Todavia, o demonstrativo de fl. 199 detalha que o referido pagamento se reporta a estimativas não recolhidas de julho/2001 a dezembro/2001. Em tais condições, para apurar se este pagamento poderia ser considerado na liquidação parcial da estimativa de dezembro/2001 informada na DCOMP, necessário se faz Fl. 224DF CARF MF Impresso em 23/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/03/2015 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 17/03/2015 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 20/03/2015 por MARCOS AURELI O PEREIRA VALADAO Processo nº 13603.906091/200998 Resolução nº 1101000.150 S1C1T1 Fl. 7 6 aferir se esse pagamento não foi utilizado para liquidação de estimativas vinculadas ao IRPJ devido no anocalendário 2001, no valor de R$ 1.793.931,12, como indicado no despacho decisório à fl. 26, o que desde já se determina seja feito pela Autoridade Preparadora. Por tal razão, o julgamento deve ser CONVERTIDO em diligência, para se determinar a baixa dos autos para a origem, de modo a possibilitar que a Autoridade Preparadora esclareça se o pagamento acima mencionado foi (ou não) utilizado para liquidação de estimativas vinculadas ao IRPJ devido no anocalendário 2001, no valor de R$ 1.793.931,12, como indicado no despacho decisório à fl. 26. É como voto. (assinado digitalmente) BENEDICTO CELSO BENÍCIO JÚNIOR – Relator Fl. 225DF CARF MF Impresso em 23/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/03/2015 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 17/03/2015 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 20/03/2015 por MARCOS AURELI O PEREIRA VALADAO
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Numero do processo: 15563.000408/2010-63
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 18 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Fri Mar 06 00:00:00 UTC 2015
Numero da decisão: 2403-000.240
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência.
Carlos Alberto Mees Stringari
Relator/Presidente
Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Carlos Alberto Mees Stringari (presidente), Carlos Alberto Nascimento e Silva Pinto, Maria Anselma Coscrato dos Santos, Marcelo Magalhães Peixoto, Paulo Mauricio Pinheiro Monteiro e Carolina Wanderley Landim.
Nome do relator: CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência. Carlos Alberto Mees Stringari Relator/Presidente Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Carlos Alberto Mees Stringari (presidente), Carlos Alberto Nascimento e Silva Pinto, Maria Anselma Coscrato dos Santos, Marcelo Magalhães Peixoto, Paulo Mauricio Pinheiro Monteiro e Carolina Wanderley Landim.
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Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência. Carlos Alberto Mees Stringari Relator/Presidente Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Carlos Alberto Mees Stringari (presidente), Carlos Alberto Nascimento e Silva Pinto, Maria Anselma Coscrato dos Santos, Marcelo Magalhães Peixoto, Paulo Mauricio Pinheiro Monteiro e Carolina Wanderley Landim. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 55 63 .0 00 40 8/ 20 10 -6 3 Fl. 217DF CARF MF Impresso em 06/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/02/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 2 4/02/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 15563.000408/201063 Erro! A origem da referência não foi encontrada. n.º 2403000.240 S2C4T3 Fl. 3 2 Relatório Tratase de recurso voluntário apresentado contra Decisão da Delegacia da Secretaria da Receita Federal do Brasil de Julgamento no Rio de Janeiro I, Acórdão 1255.079 da 10ª Turma, que julgou a impugnação improcedente, conforme ementa abaixo transcrita. QUITAÇÃO PARCIAL. INALTERABILIDADE DO LANÇAMENTO. Os recolhimentos efetuados após o início da ação fiscal não ensejam a revisão do lançamento, ante a perda da espontaneidade do pagamento. AJUSTES DE RECOLHIMENTOS APÓS O INÍCIO DA AÇÃO FISCAL. EFEITOS. A não consideração dos ajustes de GPS efetuados durante a ação fiscal, sem anuência da autoridade fiscalizadora, não implica erro no lançamento. O lançamento e a impugnação foram assim relatadas no julgamento de primeira instância: Tratase de crédito lançado pela fiscalização (AI DEBCAD 37.280.9448, consolidado em 07/11/2010), no valor de R$ 1.818.359,17; acrescidos de juros e multa de mora, contra a empresa acima identificada que, de acordo com o Relatório Fiscal (fls. 132/137), referese às contribuições devidas à Seguridade Social, correspondente à parte descontada das remunerações pagas a segurados empregados e contribuintes individuais nas competências 01/2007 a 13/2007 constantes em folha de pagamento e não declaradas em GFIP, tendo sido considerados os recolhimentos em GPS constantes do contacorrente do contribuinte no ano de 2007. 2. Em observância ao art. 106, II, “c”, do CTN, foi feita a comparação de multas e verificouse que a multa mais benéfica para o contribuinte é com base na legislação vigente na época do fato gerador, cumulada com a multa por descumprimento da obrigação acessória contida no art 32, inciso IV e §§ 3º e 5º, da lei n 8212/91 (Código de Fundamentação Legal CFL 68), o que gerou a lavratura do auto de infração DEBCAD 37.280.9375. DA IMPUGNAÇÃO 3. Inconformada com o lançamento, a interessada manifestouse às fls. 154/158, alegando em síntese que: 3.1. a tempestividade da impugnação protocolada em 26/07/2011, em face da suspensão dos prazos processuais até 31/07/2011, determinada pelo art. 2º, da Portaria do Ministro da Fazenda nº 23/2011; 3.2. que a maior parte das contribuições lançadas foi paga pelo contribuinte, sendo certo que o impugnante providenciou o pagamento Fl. 218DF CARF MF Impresso em 06/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/02/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 2 4/02/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 15563.000408/201063 Erro! A origem da referência não foi encontrada. n.º 2403000.240 S2C4T3 Fl. 4 3 das contribuições em aberto, conforme atestam as anexas GPS (anexo 2); 3.3. que as contribuições listadas no item 6 da impugnação foram recolhidas pelo contribuinte e que a apuração dos supostos débitos teve origem na não localização pela autoridade lançadora de pagamentos efetuados e não localização de recolhimentos pelo sistema, por conta do código de receita e/ou CNPJ utilizados pelo impugnante; 3.4. que tendo verificado o erro cometido, apresentou Pedidos de Ajuste de Guia –GPS, para alterar o código de receita para 2305 e alterar o CNPJ para o estabelecimento filial (0003); 3.5. que requer seja julgado parcialmente improcedente o lançamento, conforme GPS anexas. A impugnação foi parcial, tendo a recorrente afirmado que efetuaria o recolhimento das diferenças reconhecidas. Inconformada com a decisão, a recorrente apresentou recurso voluntário onde alega/questiona, em síntese: · Todos os pagamentos acorreram em 2007, antes da ação fiscal. · A não localização dos recolhimentos deuse, muito provavelmente, por conta do código de receita e/ou CNPJ utilizado pela recorrente. · Apresentou pedido de ajuste de guias. · Discute pontualmente, por competência, alguns recolhimentos. É o relatório. Fl. 219DF CARF MF Impresso em 06/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/02/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 2 4/02/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 15563.000408/201063 Erro! A origem da referência não foi encontrada. n.º 2403000.240 S2C4T3 Fl. 5 4 VOTO Conselheiro Carlos Alberto Mees Stringari, Relator Analisando o processo, cheguei à conclusão que o cerne desta autuação está na apropriação parcial dos recolhimentos efetuados pela recorrente. A ação fiscal foi iniciada em 30/07/2008 e a notificação ocorreu em 27/12/2010 Em 30/06/2009, a recorrente apresentou “Pedido de Ajuste de Guia – GPS” para as competências 01, 02, 3, 10, 11, 12 e 13/2007. Entendo necessário esclarecer se os ajustes de guia solicitados pela recorrentes foram efetuados ou não. Se não, por que? Entendo também necessário motivar as não apropriações dos valores recolhidos. Caso entenda adequado, apresentar proposta de ajuste do lançamento. CONCLUSÃO Voto por baixar o processo em diligência para esclarecer as questões sobre os ajustes das guias e das apropriações. Carlos Alberto Mees Stringari Fl. 220DF CARF MF Impresso em 06/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/02/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 2 4/02/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI
score : 1.0
Numero do processo: 15586.001313/2010-07
Turma: Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Dec 03 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Fri Feb 20 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte - Simples
Ano-calendário: 2006
Ementa:
OMISSÃO DE RECEITAS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. ORIGEM NÃO COMPROVADA. A Lei nº 9.430, de 1996, em seu art. 42, autoriza a presunção de omissão de rendimentos com base nos valores depositados em conta bancária para os quais o contribuinte titular, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações.
INFORMAÇÕES OBTIDAS JUNTO ÀS FONTES PAGADORAS. FALTA DE APRESENTAÇÃO DA ESCRITURAÇÃO CONTÁBIL E FISCAL. SUBSISTÊNCIA DA ACUSAÇÃO COM BASE EM PRESUNÇÃO. Para afastar a presunção legal de omissão de receitas fundada em depósitos bancários de origem não comprovada, é indispensável que o sujeito passivo demonstre não só a origem, mas também a regular tributação dos valores revelados, ou a sua submissão a hipótese de não tributação ou isenção.
Numero da decisão: 1101-001.229
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria votos, em NEGAR PROVIMENTO ao recurso, vencido o Relator Conselheiro Benedicto Celso Benício Júnior, acompanhado pelo Conselheiro Antônio Lisboa Cardoso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. Foi designada para redigir o voto vencedor a Conselheira Edeli Pereira Bessa.
(documento assinado digitalmente)
MARCOS AURÉLIO PEREIRA VALADÃO - Presidente.
documento assinado digitalmente)
BENEDICTO CELSO BENÍCIO JÚNIOR - Relator
(documento assinado digitalmente)
EDELI PEREIRA BESSA Redatora designada
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Aurélio Pereira Valadão (presidente da turma), Benedicto Celso Benício Júnior (vice-presidente), Edeli Pereira Bessa, Paulo Mateus Ciccone, Paulo Reynaldo Becari e Antônio Lisboa Cardoso.
Nome do relator: BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR
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ementa_s : Assunto: Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte - Simples Ano-calendário: 2006 Ementa: OMISSÃO DE RECEITAS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. ORIGEM NÃO COMPROVADA. A Lei nº 9.430, de 1996, em seu art. 42, autoriza a presunção de omissão de rendimentos com base nos valores depositados em conta bancária para os quais o contribuinte titular, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. INFORMAÇÕES OBTIDAS JUNTO ÀS FONTES PAGADORAS. FALTA DE APRESENTAÇÃO DA ESCRITURAÇÃO CONTÁBIL E FISCAL. SUBSISTÊNCIA DA ACUSAÇÃO COM BASE EM PRESUNÇÃO. Para afastar a presunção legal de omissão de receitas fundada em depósitos bancários de origem não comprovada, é indispensável que o sujeito passivo demonstre não só a origem, mas também a regular tributação dos valores revelados, ou a sua submissão a hipótese de não tributação ou isenção.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria votos, em NEGAR PROVIMENTO ao recurso, vencido o Relator Conselheiro Benedicto Celso Benício Júnior, acompanhado pelo Conselheiro Antônio Lisboa Cardoso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. Foi designada para redigir o voto vencedor a Conselheira Edeli Pereira Bessa. (documento assinado digitalmente) MARCOS AURÉLIO PEREIRA VALADÃO - Presidente. documento assinado digitalmente) BENEDICTO CELSO BENÍCIO JÚNIOR - Relator (documento assinado digitalmente) EDELI PEREIRA BESSA Redatora designada Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Aurélio Pereira Valadão (presidente da turma), Benedicto Celso Benício Júnior (vice-presidente), Edeli Pereira Bessa, Paulo Mateus Ciccone, Paulo Reynaldo Becari e Antônio Lisboa Cardoso.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE SIMPLES Anocalendário: 2006 Ementa: OMISSÃO DE RECEITAS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. ORIGEM NÃO COMPROVADA. A Lei nº 9.430, de 1996, em seu art. 42, autoriza a presunção de omissão de rendimentos com base nos valores depositados em conta bancária para os quais o contribuinte titular, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. INFORMAÇÕES OBTIDAS JUNTO ÀS FONTES PAGADORAS. FALTA DE APRESENTAÇÃO DA ESCRITURAÇÃO CONTÁBIL E FISCAL. SUBSISTÊNCIA DA ACUSAÇÃO COM BASE EM PRESUNÇÃO. Para afastar a presunção legal de omissão de receitas fundada em depósitos bancários de origem não comprovada, é indispensável que o sujeito passivo demonstre não só a origem, mas também a regular tributação dos valores revelados, ou a sua submissão a hipótese de não tributação ou isenção. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria votos, em NEGAR PROVIMENTO ao recurso, vencido o Relator Conselheiro Benedicto Celso Benício Júnior, acompanhado pelo Conselheiro Antônio Lisboa Cardoso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. Foi designada para redigir o voto vencedor a Conselheira Edeli Pereira Bessa. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 58 6. 00 13 13 /2 01 0- 07 Fl. 762DF CARF MF Impresso em 20/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2015 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 03/02/2015 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 04/02/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 18/02/2015 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 15586.001313/201007 Acórdão n.º 1101001.229 S1C1T1 Fl. 763 2 (documento assinado digitalmente) MARCOS AURÉLIO PEREIRA VALADÃO Presidente. documento assinado digitalmente) BENEDICTO CELSO BENÍCIO JÚNIOR Relator (documento assinado digitalmente) EDELI PEREIRA BESSA – Redatora designada Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Aurélio Pereira Valadão (presidente da turma), Benedicto Celso Benício Júnior (vicepresidente), Edeli Pereira Bessa, Paulo Mateus Ciccone, Paulo Reynaldo Becari e Antônio Lisboa Cardoso. Relatório Os autos encerram Ato Declaratório de Exclusão do SIMPLES da ora Recorrente além de lançamentos de ofício que constituíram créditos de Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ, SIMPLES e tributos reflexos, assim como de multa regulamentar, sendo que as exigências constantes das autuações em apreço são as seguintes: Tributo Código Principal Juros de Mora (*) Multa* Total AI fls. IRPJ 7104 67.579,59 28.894,97 100.449,30 196.923,86 540/549 PIS/PASEP 7200 49.389,18 21.117,42 73.411,40 143.918,00 550/559 CSLL 7307 68.720,07 29.468,56 102.136,69 200.325,32 560/571 COFINS 7403 202.138,01 86.716,05 300.434,36 589.288,42 572/583 INSS 7500 581.740,13 249.286,01 864.647,79 1.695.683,93 584/595 Multa regulamentar SIMPLES 13.770,76 596/599 TOTAL 969.566,98 415.493,01 1.441.079,54 2.839.910,29 (*) Juros de Mora calculados até 30.09.2010. * Multa de ofício de 75% incidente sobre insuficiência de recolhimento e multa agravada de 150% sobre a omissão de receita. Os seguintes trechos do referido Termo de Verificação Fiscal bem descrevem as infrações vislumbradas pela r. autoridade fiscal, verbis: “(...) 1.6 Foi então lavrado novo Termo de Constatação e Intimação Fiscal, recebido pela empresa F&C em 08/06/2010, solicitando que comprovasse com documentação hábil e idônea a origem dos valores creditados/depositados nas contas correntes citadas acima uma vez que a empresa apresentou apenas planilhas sem nenhuma documentação que comprovasse os lançamentos efetuados em suas contas. 1.7 No entanto, a F&C COMÉRCIO DE APARELHOS TELEFÔNICOS LTDA ME não apresentou nenhuma Fl. 763DF CARF MF Impresso em 20/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2015 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 03/02/2015 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 04/02/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 18/02/2015 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 15586.001313/201007 Acórdão n.º 1101001.229 S1C1T1 Fl. 764 3 documentação que comprovasse a origem dos valores creditados/depositados nas contas correntes de sua titularidade. (...) 2 DA CONSTATAÇÃO DOS FATOS 2.1 Como no decorrer dos trabalhos de fiscalização não houve apresentação da documentação solicitada e diante dos fatos acima mencionados ficou a conduta do contribuinte configurada como negativa de fornecimento de informações sobre movimentação financeira, nos termos definidos pelo artigo 33, I, da Lei 9.430 de 27/12/1996, in verbis: (...) 2.1.1. Demonstrouse, assim, a ocorrência fática de hipótese de indispensabilidade de acesso às informações bancárias do contribuinte, prevista no inciso VII e XI do art. 3° do Decreto n° 3.724, de 2001. 2.2 Foi solicitada a autorização para emissão da Requisição de Informação sobre Movimentação Financeira (RMF), tendo em vista a sua indispensabilidade para a continuidade da ação fiscal, que foi atendida através dos números 07.2.01.002009 001980 para o Banco HSBC BANK BRASIL S/A BANCO MÚLTIPLO, 07.02.01.002009001964 para o Banco do Estado do Espírito Santo S/A e 07.2.01.002009001972 para o Banco Itaú S/A, 2.2.1. Em atendimento ao solicitado: 2.2.1.1. O Banco HSBC BRASIL S/A BANCO MÚLTIPLO remeteu ficha cadastral, extrato de movimentação financeira, cópia do cartão de assinaturas, extrato de fundos de investimento. 2.2.1.2. O Banco do Estado do Espírito Santo S/A remeteu cópia de cartão de assinaturas, ficha cadastral, detalhamento de cheques depositados, carta GEAFI n° 023/2009 e GEFIN/COCOF n° 069/2009 sobre aplicações financeiras, extrato de conta corrente. 2.2.1.3 O Banco Itaú S/A remeteu consulta a dados pessoais do titular da pessoa jurídica, consulta a dados de endereçamento, extrato de conta corrente, ficha de identificação de Representante Legal/Procurador Conta PJ, codificação adotada para especificar a natureza dos lançamentos, extrato da aplicação financeira. 2.3 Dando continuidade à Auditoria Fiscal, foram intimadas as instituições BV Financeira S/A Crédito Financiamento e Investimento (...) e Banco Pine S/A (...). 2.3.1. Em atendimento ao solicitado, a BV Financeira S/A Crédito Financiamento e Investimento encaminhou planilha eletrônica discriminando os pagamentos efetuados à F&C, Fl. 764DF CARF MF Impresso em 20/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2015 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 03/02/2015 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 04/02/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 18/02/2015 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 15586.001313/201007 Acórdão n.º 1101001.229 S1C1T1 Fl. 765 4 Cédula de Crédito Bancário, Contrato de Prestação de Serviços entre a BV e F&C COMÉRCIO DE APARELHOS TELEFÔNICOS LTDA. ME contendo a assinatura dos dois sócios da Fiscalizada, dois contratos de financiamento intermediados pela F&C. 2.3.1.1. O contrato de prestação de serviços citado acima tem por objeto ‘a prestação de serviços pela F&C para o desempenho das funções de correspondente na captação e encaminhamento de pedidos de empréstimos pessoais consignados em folha de pagamento, de pretendentes tomadores de crédito, de levantamento e cadastramento de dados relativos aos mesmos, pessoas físicas, dentre estas também os servidores civis, militares, federais, estaduais e municipais em todo o país, regendose o presente contrato pelas normas editadas pela Resolução BACEN n° 3.110, 31/07/2003 e pela Circular 2978, de 19.04.2000 e demais disposições legais aplicáveis.’ 2.3.1.2 Consta do contrato de prestação de serviços que a BV Financeira efetuaria os pagamentos através da conta corrente 20.574, agência 0426 do Banco HSB, devendo a F&C emitir nota fiscal até o último dia útil de cada mês. 2.3.2 Quanto ao Banco Pine remeteu Contrato de Prestação de Serviços de Correspondente Bancário e aditivo, assinado pelos dois sócios da F&C Comércio de Aparelhos Telefônicos Ltda. ME. tendo como serviços objeto do contrato: ‘1 Promoção e intermediação de negócios no Município da sede da contratada que visem a concessão de empréstimos aos servidores do Setor Público, empregados do Setor Privado em geral, aposentados ou pensionistas, com a interveniência ou não de Associações ou Empregadores, visando sempre a consignação do valor das parcelas de amortização da dívida resultante do empréstimo concedido em Folha de Pagamento; 2... 3...’ 2.3.2.1. Enviou também planilha onde demonstra as transferências bancárias em favor da F&C, as Notas Fiscais de Serviço emitidas pela F&C Comércio de Aparelhos Telefônicos Ltda. ME referente a ‘prestação de serviços de comissão’ e ‘prestação de serviços conforme contrato’, os comprovantes de transferência do Banco Pine para a F&C e declarações da F&C atestando estar regularmente inscrita no SIMPLES Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte informando que: (...) 2.4. Da análise dos extratos bancários apresentados, conforme mencionado no item 2.2. e subitens, verificouse que a Empresa Fl. 765DF CARF MF Impresso em 20/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2015 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 03/02/2015 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 04/02/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 18/02/2015 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 15586.001313/201007 Acórdão n.º 1101001.229 S1C1T1 Fl. 766 5 manteve, no exercício de 2006, uma Movimentação Financeira muito superior aos valores da Receita Bruta declarada em sua Declaração Anual Simplificada. No quadro abaixo, demonstramos os valores dos Créditos Apurados pelos extratos bancários, já deduzidos os créditos relativos aos estornos de débitos, devolução de cheques, transferências de contas de mesma titularidade, bem como os valores creditados e posteriormente estornados. Competência Banco Itaú Banestes HSBC Total por competência VLR declaração anual simplificada Jan/06 128.194,77 0 5.128,72 133.323,49 21.632,00 Fev/06 394.503,11 0 172.778,77 567.281,88 12.927,06 Mar/06 444.750,02 0 1.664,72 446.414,74 17.854,09 Abr/06 494.680,57 50.212,76 2.371,43 547.264,76 14.561,75 Mai/06 787.558,04 14.258,80 801.816,84 40.442,00 Jun/06 472.902,63 600,00 473.502,63 15.213,78 Jul/06 974.247,20 37.451,45 1.011.698,65 10.606,10 Ago/06 643.746,59 127.488,84 771.235,43 47.324,80 Set/06 472.757,77 40.700,00 513.457,77 24.135,15 Out/06 524.032,03 104.800,00 628.832,03 49.132,65 Nov/06 516.946,74 144.754,00 661.700,74 34.515,30 Dez/06 604.164,62 306.600,40 910.765,02 23.481,00 Total 7.467.293,98 311.825,68 3 DAS IRREGULARIDADES 3.1. Conforme relatado acima, a empresa não se pronunciou para a apresentação da documentação da comprovação dos depósitos/créditos existentes em suas contas correntes, através de documentação hábil e idônea, no que ficou caracterizada a Omissão de Receita decorrente de depósitos bancários não comprovados. Tendo sido verificado por esta fiscalização que os valores declarados na Declaração Simplificada Pessoa Jurídica SIMPLES da empresa, do Ano Calendário 2006, foram muito inferiores à real movimentação financeira da empresa, procedeuse o levantamento de ofício da diferença encontrada. (...) 3.4. Compõem também o lançamento do presente Auto de Infração – SIMPLES, no período de jan a dez/06, as insuficiências de recolhimentos apuradas sobre a Receita Bruta constante na Declaração Simplificada da Pessoa Jurídica – SIMPLES. Para o cálculo foram consideradas as alíquotas correspondentes às faixas relativas ao correto enquadramento da empresa, em decorrência do total de sua Receita Bruta Acumulada, ora apurada através dos extratos bancários fornecidos pelas instituições financeiras aplicandoas sobre a Receita Declarada mensalmente e deduzindo deste resultado, os valores já recolhidos pela Empresa. 3.5 A pessoa jurídica fiscalizada deixou de efetuar a comunicação obrigatória de exclusão do SIMPLES, prevista no artigo 13, inciso II, alínea ‘a’, da Lei 9.317/96, tendo sido Fl. 766DF CARF MF Impresso em 20/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2015 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 03/02/2015 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 04/02/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 18/02/2015 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 15586.001313/201007 Acórdão n.º 1101001.229 S1C1T1 Fl. 767 6 excluída ‘de ofício’ do referido Sistema através do Ato Declaratório Executivo DRF/VIT n° 149/2010, sendo que os efeitos da exclusão retroagem a 01/01/2007, conforme relatado no item 6, abaixo. 3.5.1. Desta forma, foi aplicada a multa de 10% sobre o total de impostos e contribuições devidos no mês que antecedeu o início dos efeitos da exclusão, ou seja, dezembro/2006, conforme determina o artigo 21 da Lei 9.317/96, resultando no valor de R$13.770,76 (treze mil, setecentos e setenta reais e setenta e seis centavos) que também compõem o lançamento constante da presente autuação. ” (fls. 513/518) A multa de ofício foi qualificada com base na seguinte fundamentação: “4.4 Fato é que o contribuinte omitiu, livre e conscientemente, com intenção fraudulenta, as suas receitas na PJSI 2007 Declaração Simplificada da Pessoa Jurídica SIMPLES apresentada, obtendo, com isso, êxito no NÃO PAGAMENTO das contribuições e tributos devidos ao fisco. 4.5 Resta evidenciado que o sujeito passivo agiu de forma dolosa, omitindo fatos geradores de obrigações tributárias, ao apresentar PJSI 2007 ano calendário 2006, declarando uma receita bruta muito inferior à Receita efetivamente auferida, identificada por sua movimentação financeira apurada através de contas bancárias de sua titularidade. 4.6 A atitude dolosa ficou evidenciada, apesar de intimado, pela negativa não justificada de exibição de livros e documentos, na tentativa de evitar que o fisco chegasse ao conhecimento das operações realizadas. ” É preciso salientar que, em decorrência da constatação da omissão delineada acima, a Delegacia da Receita Federal de origem (Vitória/ES) verificou que o sujeito passivo extrapolara o teto de receita bruta do SIMPLES, razão pela qual prolatou o Ato Declaratório Executivo (ADE) n. 149/2010 (fl. 509), nos seguintes termos: “A Delegacia da Receita Federal do Brasil em Vitória/ES (...) DECLARA a pessoa jurídica F&C COMÉRCIO DE APARELHOS TELEFÔNICOS LTDA ME, CNPJ: 07.181.796/000175, EXCLUÍDA do Sistema Integrado de Pagamentos de Impostos e Contribuições das Microempresas e empresas de pequeno porte (artigo 9°, incisos I e II da Lei 9.317/96, na redação da Lei 11.307/2006), e deixado de efetuar a comunicação obrigatória de exclusão do SIMPLES (artigo 13, inciso II, “a” da Lei 9.317/96), conforme demonstrado no processo administrativo n° 15586.001313/201007. Os efeitos da exclusão retroagem a 01/01/2007 obedecendo ao disposto no inciso IV do art. 15 da Lei 9.317/96. ” Fl. 767DF CARF MF Impresso em 20/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2015 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 03/02/2015 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 04/02/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 18/02/2015 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 15586.001313/201007 Acórdão n.º 1101001.229 S1C1T1 Fl. 768 7 Salientese que o sujeito passivo foi intimado tanto das exigências de crédito tributário quanto do Ato Declaratório que determinou a sua exclusão do SIMPLES no mesmo dia, qual seja, 20/10/2010. Tempestivamente, a empresa apresentou impugnação (fls. 607/625) em 19/11/2004, na qual afirmou, em breve síntese, litteris: (i) “A atividade da empresa defendente constitui efetivamente em intermediação de empréstimos consignados, para o que faz captação de clientes que desejam empréstimos, que pela prestação dos serviços pela autuada junto a instituições financeiras in casu, BV Financeira S/A Crédito Financiamento e Investimento e do Banco Pine S/A, contratos já apresentados; (...) e, como resultante do valor deste empréstimo, a empresa autuada recebe um percentual variável sobre o serviço prestado (comissão), que é a sua efetiva remuneração, havendo de se destacar ainda, que por vezes a captação do cliente não seja feita diretamente pela autuada, mas por corretores autônomos, que são remunerados em percentuais variáveis incidentes sobre a remuneração que a empresa percebe do agente financeiro” (fl. 611); (ii) Existe, no entanto, outra modalidade dessa prestação de serviço, “e esta se consubstancia da seguinte forma, a saber: a empresa autuada ou o seu corretor autônomo capta o cliente, pessoa física, já tomador e portanto devedor de um outro empréstimo junto a terceiros (outras instituições financeiras), que pretenda renegociar a dívida (...) / Daí, a empresa autuada (...) o indica ao agente financeiro a que representa in casu, BV e PINE, para que, querendo, compre a dívida do cliente pretendente (...) / Para a efetivação desse desiderato em particular, o agente financeiro representado pela empresa autuada deposita o valor do empréstimo com os acréscimos da comissão na conta da autuada, para que esta repasse o valor ao cliente captador dos recursos sob a égide do empréstimo” (fl. 612); (iii) Por assim ser, defende que “a alta movimentação de valores em suas contas correntes jamais caracterizou receita sua, mas sim mera movimentação do banco concedente para o cliente tomador do empréstimo refinanciado e intermediado pela empresa defendente” (fl. 612), de modo que teria se precipitado a I. Auditora Fiscal ao presumir “os depósitos oriundos de intermediação de compras de dívidas como receita omitida quando, a bem da verdade, tais depósitos não são e nunca foram documentos suficientes a comprovar ou fundamentar omissão de receita”(fl. 614); (iv) Ademais, afirma que “usar da presunção como técnica para a comprovação indireta da ocorrência do fato jurídico tributário afeta frontalmente o princípio da capacidade contributiva, demonstrada no fato não provado, devido a circunstâncias especiais, e que fora previsto na regramatriz de incidência do tributo” (fl. 616); (v) Entende ser imprescindível a realização de prova pericial “para que se possa indicar a origem e o destino dos depósitos realizados pelas instituições financeiras nas contas correntes da autuada, inclusive a fim de comparar os montantes depositados com os montantes dos empréstimos intermediados pela autuada, como também as respectivas notas fiscais emitidas aos bancos, que comprovam os demais depósitos realizados e constituem efetivamente a renda sobre a qual deve incidir a tributação perquirida pelo FISCO” (fl. 619). Em sessão de julgamento realizada em 30/03/2011, a 7ª Turma da DRJ/RJ1 julgou ser improcedente a impugnação apresentada, conforme acórdão n. 1236.372 (fls. 647/663) assim ementado: Fl. 768DF CARF MF Impresso em 20/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2015 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 03/02/2015 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 04/02/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 18/02/2015 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 15586.001313/201007 Acórdão n.º 1101001.229 S1C1T1 Fl. 769 8 “ASSUNTO: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE SIMPLES Exercício: 2006 OMISSÃO DE RECEITAS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS A Lei 9.430/96 estabeleceu uma presunção legal de omissão de rendimentos que autoriza lançar o imposto correspondente sempre que o titular da conta bancária, regularmente intimado, não comprovar, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos creditados em sua conta de depósito ou de investimento. LANÇAMENTO COM BASE EM PRESUNÇÃO LEGAL ÔNUS DA PROVA DO CONTRIBUINTE. O lançamento com base em presunção legal transfere o ônus da prova ao contribuinte em relação aos argumentos que tentem descaracterizar a movimentação bancária detectada como receita omitida. TRIBUTAÇÃO REFLEXA. PIS. CSLL. COFINS E INSS. Aplica se ao lançamento reflexo o mesmo tratamento dispensado ao lançamento matriz, em razão da relação de causa e de efeito que os vincula. MATÉRIA NÃO IMPUGNADA MULTA QUALIFICADA, INSUFICIÊNCIA DE RECOLHIMENTO, MULTA REGULAMENTAR SIMPLES, ATO DECLARATÓRIO EXECUTIVO DRF/VIT/149/2010. Considerase não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada, consolidandose administrativamente os respectivos créditos tributários na esfera administrativa. PERÍCIA. INDEFERIMENTO. Indeferese o pedido de perícia quando esta se mostra prescindível. JUNTADA POSTERIOR DE DOCUMENTOS. A juntada de documentos em momento posterior à apresentação da impugnação requer a comprovação de uma das condições previstas no artigo 16 do Decreto n° 70.235/72, o que não ocorreu nos autos. Impugnação Improcedente. Crédito Tributário Mantido. ” (fls. 647/648) Cientificada do r. decisum em 01°/07/2011, sextafeira (fl. 678), a contribuinte apresentou tempestivo recurso voluntário em 02/08/2011 (fls. 679/704), no qual apresenta argumentos similares àqueles ventilados na impugnação, no sentido de que “não pode prosperar a conclusão do órgão julgador de primeira instância, a uma porque a documentação apresentada pela ora recorrente sequer foi considerada pelo FISCO, sob alegação de que não se reveste de idoneidade; a duas, porque a perícia contábil revelase, in casu, absolutamente necessária para o deslinde da controvérsia, já que, como comprovado, a recorrente não possui em seu poder diversos documentos bancários capazes de provar a Fl. 769DF CARF MF Impresso em 20/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2015 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 03/02/2015 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 04/02/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 18/02/2015 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 15586.001313/201007 Acórdão n.º 1101001.229 S1C1T1 Fl. 770 9 origem e o destino dos depósitos bancários que o FISCO presumiu indevidamente como receita omitida” (fl. 681). Em 07 de agosto de 2012, este Relator trouxe para julgamento desta Col. Turma o presente processo, ocasião em que acordaram os membros, “1) em preliminar: 1.1) por maioria de votos, afastar a hipótese de sobrestamento com base no art. 62A do Anexo II do RICARF, divergindo as Conselheiras Edeli Pereira Bessa e Nara Cristina Takeda Taga; 1.2) por maioria de votos, rejeitar a arguição de nulidade do lançamento, vencido o Conselheiro Benedicto Celso Benício Júnior (Relator), acompanhado pelo Conselheiro José Ricardo da Silva; e 2) na apreciação do mérito, por maioria de votos, converter o julgamento em diligência, vencido o Conselheiro Benedicto Celso Benício Júnior (Relator), acompanhado pelo Conselheiro José Ricardo da Silva. Designada para redigir o voto vencedor a Conselheira Edeli Pereira Bessa” (fl. 721/739). Na ocasião, concluí que a questão deveria ser solucionada conforme o seguinte dispositivo, litteris: “Isto posto, preliminarmente, declaro a NULIDADE dos lançamentos, em virtude da violação fazendária ao sigilo de dados do contribuinte, operada mediante emissão de RMF’s a instituições financeiras, para fins de solicitação dos extratos bancários que informaram todo o labor fiscal. Acaso vencido, no mérito, DOU PROVIMENTO PARCIAL ao recurso, para: i) minorar as multas de ofício cominadas, até o importe de 75% (setenta e cinco por cento) dos principais lançados; e ii) expurgar dos lançamentos os montantes de depósitos bancários arrolados, pelo Banco Pine S.A e pela BV Financeira, como remunerações ou comissões por sérvios prestados pela autuada, constantes das planilhas apresentadas por estas instituições, dada a descaracterização da presunção omissiva do artigo 42 da Lei n° 9.430/96.” (fls. 736) No entanto, coube à I. Conselheira Edeli Pereira Bessa a redação de voto vencedor no sentido de (i) rejeitar a arguição de nulidade do lançamento (por conta de obtenção de dados bancários do contribuinte por meio de RMFs) e (ii) converter o julgamento em diligência, por entender que, “no que tange às informações prestadas pela BV Financeira, os elementos presentes nos autos não permitem uma conclusão segura” (fl. 739). Em relação à conversão do julgamento em diligência, afirmou a I. Conselheira que, “para decidir acerca da legitimidade da presunção construída pela Fiscalização, é imperioso saber quais elementos estavam à sua disposição, em razão das informações prestadas, sob intimação, pela BV Financeira” (fl. 739). Intimada em 01°/10/2009 (fls. 743/744 e 748), a BV Financeira S.A. Crédito informou que “não mais dispõe do relatório de pagamentos realizados no ano de 2006, devido ao período ser superior a 5 anos. Para sanar acerca dos valores pagos, no entanto, a BV Financeira encaminha cópia da segunda via do informe de rendimento da empresa F&C COMÉRCIO DE APARELHOS TELEFÔNICOS LTDA ME, inscrita no CNPJ sob o n° 07.181.796/000175” (fls. 749/753). Fl. 770DF CARF MF Impresso em 20/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2015 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 03/02/2015 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 04/02/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 18/02/2015 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 15586.001313/201007 Acórdão n.º 1101001.229 S1C1T1 Fl. 771 10 Diante dessas informações, o contribuinte foi intimado a se manifestar (fls. 755/759) primeiro por meio de carta com AR e, restando tal tentativa frustrada, a intimação foi feita por meio de edital , mas se manteve silente. É o breve relatório. Voto Vencido Conselheiro BENEDICTO CELSO BENÍCIO JÚNIOR Conforme se depreende do relatório, o processo teve seu julgamento iniciado em 07/08/2012 e, na oportunidade, esta d. Turma Julgadora (i) superou a preliminar de sobrestamento dos autos e (ii) superou a preliminar de nulidade do lançamento por estar ele embasado em dados obtidos por meio de RMF. No mérito, (iii) entendeuse, por maioria, ser o caso de converter o julgamento em diligência, nos termos do voto vencedor da Cons. Edeli Pereira Bessa. Por entender que não é possível cingir o julgamento em duas partes, entendo que devo, uma vez mais, externar meu posicionamento de maneira integral acerca do caso, conforme passo a expor. Relembro que o recurso é tempestivo e atende aos pressupostos legais para seu seguimento, razão por que dele conheço. Nada obstante, é preciso proceder à escorreita delimitação do litígio, sendo certo que a r. instância a qua expressamente asseverou que certos temas não foram objeto da Impugnação do sujeito passivo, do que decorreria – em sendo acertada a assertiva de que se cuida – a conclusão da definitividade dos lançamentos nesses pontos. Realmente, o exame da Impugnação apresentada pelo sujeito passivo revela que não há uma linha sequer a combater (i) seja a multa qualificada, (ii) seja a multa regulamentar aplicada, de modo que efetivamente se cuida de questões preclusas, não submetidas ao crivo deste Colegiado. Contudo, o mesmo não pode ser dito em relação às questões atinentes à Exclusão do SIMPLES e à insuficiência de recolhimentos. Com efeito, a leitura do Ato Declaratório em destaque revela que a única razão pela qual a exclusão do sujeito passivo foi determinada reside na extrapolação do teto de Receita Bruta do regime simplificado. Nesse quadro, por mais que o sujeito passivo não tenha trazido quaisquer elementos com vistas a impugnar especificamente o seu afastamento desse regime, percebese que a Exclusão não poderia ser mantida na hipótese de serem acatados os argumentos tecidos pelo contribuinte com vistas a ilidir a omissão de receitas – do que resultaria a correição da apuração que levara a efeito. Tratase, pois, de questões imbricadas, visceralmente ligadas, uma vez que o ADE em análise não teria sido proferido se não fosse a prévia constatação de omissão de receitas por parte da autoridade fiscal. Fl. 771DF CARF MF Impresso em 20/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2015 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 03/02/2015 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 04/02/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 18/02/2015 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 15586.001313/201007 Acórdão n.º 1101001.229 S1C1T1 Fl. 772 11 Igual sorte deve ser atribuída à questão da insuficiência de recolhimentos. Realmente, a r. autoridade fiscal apenas vislumbrou a insuficiência aqui controvertida pelo fato de que, em função das omissões verificadas, a alíquota aplicável sobre a integralidade da receita bruta – leiase, tanto sobre a receita omitida quanto sobre a receita declarada – é maior do que aquela que seria de rigor levandose em conta apenas os valores informados na Declaração Simplificada. Ou seja, a majoração da alíquota aplicável – a partir do que se vislumbrou a insuficiência – também é intimamente ligada à constatação da omissão de receitas, sendo que esse tema foi impugnado nas postulações do contribuinte. Destarte, como essas duas questões consubstanciam meros corolários da omissão de receitas verificadas, temse que não há que se falar que se trata se matérias não impugnadas, inexistindo, pois, definitividade das autuações quanto aos temas. Passase, assim, ao exame da irresignação submetida ao crivo deste Conselho. Da impossibilidade de manutenção de lançamentos escorados em dados de movimentação bancária obtidos por meio de emissão de RMFs Como visto, os lançamentos feitos pelo Fisco escoramse em extratos bancários obtidos mediante emissão de RMFs e a partir da verificação de valores de depósitos/créditos bancários injustificados e não embasados documentalmente (nem declarados) pelo contribuinte, conforme descrito no Termo de Verificação Fiscal, in verbis: “2.1.1. Demonstrouse, assim, a ocorrência fática de hipótese de indispensabilidade de acesso às informações bancárias do contribuinte, prevista no inciso VII e XI do art. 3° do Decreto n° 3.724, de 2001. 2.2. Foi solicitada a autorização para emissão da Requisição de Informação sobre Movimentação Financeira (RMF), tendo em vista a sua indispensabilidade para a continuidade da ação fiscal, que foi atendida através dos números 07.2.01.002009 001980 para o Banco HSBC BANK BRASIL S/A BANCO MÚLTIPLO, 07.2.01.002009001964 para o Banco do Estado do Espírito Santo S/A e 07.2.01.002009001972 para o Banco Itaú S/A” (fl. 514) Assim, é absolutamente estreme de dúvidas que o caso em vergaste envolve – dentre outros temas – lançamentos de ofício lastreado em presunção legal de omissão de receitas por depósitos bancários (art. 42 da Lei n. 9.430/96), tendo esses dados sido obtidos pelo Fisco sem amparo em qualquer decisão judicial, sendo inequívoca a expedição de bastantes Requisições de Movimentação Financeira – RMFs. Acontece que – nos termos de meu posicionamento já externado noutras ocasiões neste colegiado –, entendo que, para obter dados por meio de RMFs, deve o Fisco ter fundamento em ordem judicial, sob pena de quebra de sigilo bancário, conforme preconiza o art. 1º, caput e §1º, da LC n. 105/2001. Fl. 772DF CARF MF Impresso em 20/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2015 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 03/02/2015 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 04/02/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 18/02/2015 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 15586.001313/201007 Acórdão n.º 1101001.229 S1C1T1 Fl. 773 12 Esse entendimento, a propósito, já foi externado pelo Plenário do Eg. Supremo Tribunal Federal por ocasião do julgamento do RE 389.808/PR, em acórdão assim ementado: “SIGILO DE DADOS – AFASTAMENTO. Conforme disposto no inciso XII do artigo 5º da Constituição Federal, a regra é a privacidade quanto à correspondência, às comunicações telegráficas, aos dados e às comunicações, ficando a exceção – a quebra do sigilo – submetida ao crivo de órgão equidistante – o Judiciário – e, mesmo assim, para efeito de investigação criminal ou instrução processual penal. SIGILO DE DADOS BANCÁRIOS – RECEITA FEDERAL. Conflita com a Carta da República norma legal atribuindo à Receita Federal parte na relação jurídicotributária – o afastamento do sigilo de dados relativos ao contribuinte.” (RE 389808/PR, Rel. Min. Marco Aurélio, Tribunal Pleno, Julgado em 15/12/2010, Publicado em 10/05/2011) A par disso, penso ser o caso de afastar a aplicação da sistemática estruturada pela conjugação da LC n. 105/2001, da Lei n. 10.174/2001 e pelo Decreto n. 3.724/2001 com base no art. 26A, § 6º, inc. I, do Decreto nº 70.235/72 e art. 62A, par. único, inc. I, do RICARF, os quais preveem, respectivamente, o seguinte, in verbis: “Art. 26A. No âmbito do processo administrativo fiscal, fica vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. (...) § 6º O disposto no caput deste artigo não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: I – que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão definitiva plenária do Supremo Tribunal Federal; (...)” “Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. Parágrafo único. O disposto no caput não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: I que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão plenária definitiva do Supremo Tribunal Federal;” Pelo exposto, encaminho (uma vez mais) meu voto no sentido de DAR PROVIMENTO ao recurso voluntário para declarar a nulidade dos Autos de Infração fundados em RMFs expedidos sem amparo em qualquer decisão judicial, em conformidade com julgamento definitivo promovido no seio do plenário do Eg. STF. Fl. 773DF CARF MF Impresso em 20/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2015 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 03/02/2015 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 04/02/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 18/02/2015 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 15586.001313/201007 Acórdão n.º 1101001.229 S1C1T1 Fl. 774 13 Contudo, caso meu posicionamento seja vencido nesta Col. 1ª Turma, passo a análise dos demais fundamentos a partir da premissa de validade dos RMFs. Da possibilidade de lançamentos amparados em constatação de depósitos bancários não escriturados e injustificados: presunção de omissão inserta no artigo 42 da Lei n. 9.430/96 Na hipótese de ser considerado legal o procedimento de obtenção de dados de movimentação bancária por meio de emissão de RMFs sem amparo em decisão judicial, entendo que o Recurso da contribuinte deve ser provido para cancelar integralmente o auto de infração. Explicome: Conforme se descreveu anteriormente, os lançamentos em debate foram formalizados a partir da apuração de depósitos bancários não escriturados em montantes muito superiores à receita bruta declarada para o período. O sujeito passivo defende a suposta impossibilidade de o Fisco arrimar exigência de ofício em averiguações desta espécie, sem prévia segregação daquilo que representa, efetivamente, acréscimo patrimonial da Autuada. Pois bem. A partir da leitura do Termo de Verificação Fiscal SIMPLES, notase que a análise da movimentação bancária do sujeito passivo feita a partir dos extratos bancários fornecidos pelas correlatas instituições financeiras conduziu à apuração, no anocalendário de 2006, de creditamentos equivalentes a R$7.467.293,98 (sete milhões, quatrocentos e sessenta e sete mil, duzentos e noventa e três reais e noventa e oito centavos), dos quais se expurgou o quantum declarado, correspondente a R$311.825,68 (trezentos e onze mil, oitocentos e vinte e cinco reais e sessenta e oito centavos). Intimada a comprovar a origem dos ativos não declarados, a ora Recorrente quedouse inerte, de modo que se aperfeiçoou, assim, a hipótese de aplicação da presunção de omissão de receita insculpida no art. 42, caput, da Lei n. 9.430/96, litteris: “Art. 42. Caracterizamse também omissão de receita ou de rendimento os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. ” O comando normativo em referência é claro: a constatação de creditamentos em contas bancárias do contribuinte, mormente quando não escriturados, denota omissão de receitas caso o sujeito passivo, devidamente intimado, não logre demonstrar a origem dos valores com documentação hábil e idônea. Cuidase, pois, de presunção iuris tantum, que somente pode ser ilidida na hipótese de o contribuinte elucidar as origens dos recursos. Fl. 774DF CARF MF Impresso em 20/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2015 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 03/02/2015 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 04/02/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 18/02/2015 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 15586.001313/201007 Acórdão n.º 1101001.229 S1C1T1 Fl. 775 14 O mecanismo previsto no citado permissivo opera, em favor do Fisco, a possibilidade de inversão do ônus da prova da sonegação. É dizer, para que a omissão se verifique, incumbe à Fazenda tão somente demonstrar terem ocorrido recebimentos de valores de origem documentalmente não comprovada, ficando a cargo do contribuinte o ônus de provar que os ingressos em questão não consubstanciam rendimentos tributáveis. In casu, a Autoridade Fiscal conseguiu indicar, com precisão, a omissão de rendimentos, de modo que caberia à Recorrente impugnar a tributação dos importes bancários constatados. À míngua de cabal demonstração, por meio de documentos, das origens desses valores, deverão eles serem lidos como receitas, cuja presunção de existência é respaldada legalmente. Desse modo, os valores depositados (e não declarados) teriam sido corretamente reputados como sonegados acaso a fiscalização tivesse terminado nesse ponto, eis que o sujeito passivo fora incapaz de comprovar o contrário. Isso porque, após o recebimento das informações bancários por meio de RMFs, a Autoridade Autuante exarou ofícios à BV Financeira S.A. e ao Banco Pine S.A., os quais responderam com dados suficientes para que a fiscalização tivesse notícia da origem dos valores até então tidos por omitidos por meio da presunção existente no art. 42 da Lei n. 9.430/96. Essa, a propósito, é a questão nodal para a correta solução do presente caso, que determina, inclusive, meu entendimento no sentido de que deve o auto de infração ser cancelado integralmente por sua iliquidez e incerteza. Notese que, conforme se lê dos autos, na primeira assentada, externei entendimento no sentido da improcedência dos lançamentos apenas quanto aos depósitos que inquestionavelmente foram levados a efeito pela BV Financeira S.A. e pelo Banco Pine S.A., que apresentaram à autoridade fiscal planilhas e outros documentos que hialinamente demonstraram a origem de parte dos valores depositados. Contudo, após reanalisar o caso em seu retorno de diligência, evoluí meu pensamento no sentido de verificar que os equívocos cometidos pela fiscalização determinam a nulidade do lançamento de forma integral. Por uma questão organizacional do voto, explico detidamente as questões fáticas deixando evidente a impossibilidade de manutenção da presunção omissiva em relação aos valores confirmados pelas instituições financeiras mencionadas acima para, em seguida, externar os motivos pelos quais entendo que o lançamento deva ser cancelado. Da impossibilidade de manutenção da presunção omissiva em relação aos valores confirmados pelas instituições financeiras creditantes: BV Financeira S.A e Banco Pine S.A Conforme se lê do Termo de Verificação Fiscal SIMPLES, a BV Financeira S.A., regularmente intimada, encaminhou ao Fisco planilha eletrônica discriminativa dos pagamentos efetuados à Recorrente (creditados na conta mantida junto ao HSBC Bank), bem como Cédulas de Crédito Bancário, Contrato de Prestação de Serviços de intermediação financeira celebrado entre ambas e cópias de dois contratos de financiamento intermediados pela interessada. Fl. 775DF CARF MF Impresso em 20/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2015 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 03/02/2015 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 04/02/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 18/02/2015 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 15586.001313/201007 Acórdão n.º 1101001.229 S1C1T1 Fl. 776 15 O Banco Pine S.A., por sua vez, em condições similares, remeteu cópia do Contrato de Prestação de Serviços de Correspondente bancário firmado com a Autuada e planilha indicativa das transferências bancárias feitas em favor desta, a título de pagamento de comissões, juntamente com os respectivos comprovantes e as notas fiscais de prestação de serviços correlatas. A despeito disso, o trabalho fiscal entendeu que os recursos em questão, recebidos pela autuada junto a essas duas instituições financeiras, remanesceram sem origem justificada. Dessa forma, não foram tais cifras expurgadas do total de creditamentos reputados como injustificados, presumidos como omitidos. No julgamento promovido pela instância a qua, o lançamento foi mantido integralmente no ponto, com base na seguinte fundamentação, litteris: “25. No procedimento de Auditoria, além de intimar a Impugnante, nos moldes exigidos pelo §3° do artigo 42 da Lei 9430/96, a Auditora também intimou as instituições financeiras com as quais a Impugnante opera; sendo que apenas o Banco Pine S/A apresentou cópia dos documentos que comprovam as operações efetuadas, ou seja, cópias das notas fiscais de prestação de serviços e cópia dos documentos de transferência de recursos para a Impugnante, conforme documentos de fls. 323/377. Importante destacar que tais documentos não comprovam a totalidade dos créditos constantes da conta corrente como sendo créditos realizados pelo Banco Pine. 25.1. Estes documentos que demonstram a operação não podem ser incluídos como presunção de omissão de receita, mas sim, como omissão direta. Apesar de tais valores constarem da lista dos valores que deram origem ao lançamento, os mesmos foram excluídos do mesmo, haja vista que são inferiores a receita declarada pela Impugnante, conforme se constata da tabela de fls. 333 apresentada pelo Banco Pine S/A, receita esta que foi abatida do lançamento, conforme se verifica no demonstrativo elaborado pela Auditora e que consta do Termo de Verificação Fiscal, fls 497. 26. A empresa BV Financeira S/A crédito Financ e Investimento, além de alguns contratos de financiamento escolhidos aleatoriamente, apresenta contrato de prestação de serviço firmado entre a BV e a F&C e planilha, conforme declarado nos documentos de fls. 384 e 406 e no Termo de Verificação Fiscal, fls. 490 e 491. No entanto, não apresentou cópias dos documentos que comprovam as operações realizadas entre as empresas para efetivamente demonstrar as origens dos recursos que deram origem ao lançamento. 27. Deste modo, não foram apresentados à Auditora ‘outros elementos probantes capazes de elidir a pretensão do Fiscal, sobre as quais, inclusive, a Fiscal não se pronunciou, embora tenha citado que os tivesse requisitado, a exemplo das notas fiscais e comprovantes de depósitos em poder da BV e Banco Pine’, visto que os documentos apresentados por estas instituições não foram suficientes para comprovar que o total de Fl. 776DF CARF MF Impresso em 20/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2015 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 03/02/2015 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 04/02/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 18/02/2015 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 15586.001313/201007 Acórdão n.º 1101001.229 S1C1T1 Fl. 777 16 valores que deram base ao lançamento não se tratam de omissão de receita. ” (fls. 659/660) A meu ver, esta interpretação dá ao artigo 42 da Lei n. 9.430/96 alcance maior do que o devido, na medida em que opõe obstáculos ilegítimos à desconstituição da presunção omissiva ali prescrita. Ressaltese que a presunção de omissão de receitas bancárias tem natureza iuris tantum, que significa que a vigência deste mecanismo só se perfaz enquanto o contribuinte detentor do ônus da prova não apresentar, nos autos, elementos comprovatórios capazes de defenestrar a conclusão presumida. Especificamente em relação à sistemática de presunção de omissão de receita ora em análise, certo é que ela só perdurará se o contribuinte não comprovar, “mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações”. Noutros termos, a preservação de lançamentos calcados no art. 42 da Lei n. 9.430/96 não pode ter lugar se o sujeito passivo, por meio de elementos documentais suficientes, demonstrar a genealogia dos valores creditados. Notese que a evidenciação da origem dos recursos depositados não pressupõe, por exemplo, a explanação da causa econômica das operações atreladas ao recebimento dessas importâncias. Para fins de afastamento da presunção omissiva, basta que o contribuinte mostre a fonte dos creditamentos, explanando, superficialmente, o liame existente entre o creditante e o creditado. Acaso o Fisco entenda pela existência de infrações tributárias outras, o ônus da prova novamente se inverterá, retornando para a autoridade lançadora. Ou seja: evidenciada a origem dos recursos, não há se falar mais em presunção, na medida em que o amparo das exigências deverá, então, ser direto e robusto; inexistente esta instrução, nulo é o auto de infração no ponto. Exatamente nesse sentido, há precedentes deste Col. CARF, v.g.: “(...) COMPROVAÇÃO DA ORIGEM DOS DEPÓSITOS BANCÁRIOS TRAZIDA NA FASE DA AUTUAÇÃO A PARTUR DO ELENCO DO ROL DEOS DEPOSITANTES. DOCUMENTAÇÃO ACOSTADA AOS AUTOS QUE DENUNCIA O DESEMPENHO DE ATIVIDADE ECONÔMICA DO FISCALIZADO EM PROL DOS DEPOSITANTES. AUSÊNCIA DE INVESTIGAÇÃO DOS DEPOSITANTES PELA FISCALIZAÇÃO. NÃO APERFEIÇOAMENTO DA PRESUNÇÃO DO ART. 42 DA LEI N° 9.430/96. Comprovada a origem dos depósitos bancários, a partir da indicação dos depositantes e de documentação que vincula o fiscalizado aos primeiros, caberá à fiscalização aprofundar a investigação da causa dos rendimentos, para submetêlos, se for o caso, às normas de tributação específicas, previstas na legislação vigente à época em que auferidos os recebidos, na forma do art. 42, §2°, da Lei n° 9.430/96. Conhecendo a origem dos depósitos, quedandose inerte a fiscalização, inviável a manutenção da presunção de rendimentos com fulcro no art. 42 da Lei n° 9.430/96. ” (Processo n. 10283.005822/200443 Fl. 777DF CARF MF Impresso em 20/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2015 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 03/02/2015 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 04/02/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 18/02/2015 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 15586.001313/201007 Acórdão n.º 1101001.229 S1C1T1 Fl. 778 17 Acórdão 210201.135 Cons. Relator Giovanni Christian Nunes Campos Sessão da 2ª Turma Ordinária da 1ª Câmara da 2ª Seção do CARF de 12/09/2013) Acórdão posteriormente confirmado pela Col. Câmara Superior de Recursos Fiscais, litteris: “Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física IRPF Ano calendário: 1998, 1999 IRPF. OMISSÃO DE RECEITA. DEPÓSITO OU INVESTIMENTO. PRESUNÇÃO. AUSÊNCIA DE INVESTIGAÇÃO DOS DEPOSITANTES PELA FISCALIZAÇÃO. NÃO APERFEIÇOAMENTO DA PRESUNÇÃO DO ART. 42 DA LEI Nº 9.430/96. Caracterizam se também omissão de receita ou de rendimento os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. No caso, o sujeito passivo indicou quem realizou os depósitos em sua conta bancária, cabendo ao Fisco, para uso da presunção, ampliar a investigação sobre as informações prestadas. No presente lançamento, o próprio Fisco atesta a plausibilidade das informações prestadas pelo contribuinte. ” (Processo n. 10283.005822/200443 Acórdão 9202002.896 Cons. Relator Marcelo Oliveira Sessão da CSRF de 12/09/2013) Diante disso, pareceme que as planilhas e os contratos apresentados pela BV Financeira e pelo Banco Pine S.A. são suficientes para elucidar a origem (procedência) dos creditamentos ali tratados ainda que não sejam bastantes para explicar o tratamento fiscal atribuído a esses rendimentos ou a natureza efetiva da relação comercial existente. Isso, contudo, já é suficientes para impedir que o lançamento seja feito com esteio no art. 42 da Lei n° 9.430/96. Em tempo, manifesto meu posicionamento contrário àquele externado pela Nobre Cons. Edeli Pereira Bessa às fls. 738/739 ao presumir que os valores recebidos pelo ora Recorrente do Banco Pine S/A estariam “dentro” daqueles informados pela DIPJ. A meu sentir, a despeito de, no mês de julho/2006, a DIPJ apontar como receita o valor de R$10.606,10 e o Banco Pine S/A ter informado que pagou o montante de R$10.606,03 no mesmo mês, não me parece adequado inferir (nas palavras da I. Conselheira) que todos os valores recebidos do referido banco estariam na DIPJ. Percebase, no ponto, que o único mês em que existe similitude entre os valores recebidos do Pine S/A e aquele informado na DIPJ é exatamente o do citado mês de Julho/2006, sendo certo que nos demais os valores não são em nada semelhantes (e.g.: Agosto/2006 DIPJ = R$47.324,80 Banco Pine S/A = R$11.215,36; Setembro/2006 DIPJ = R$24.135,15 Banco Pine S/A = R$14.582,62). Outrossim, a partir dos dados obtidos com a diligência na qual apenas se consolidou e se demonstrou, de forma mais clara, aquelas informações já noticiadas ao longo da fiscalização pela BV Financeira , verificase a completa impossibilidade de afirmar que o Fl. 778DF CARF MF Impresso em 20/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2015 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 03/02/2015 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 04/02/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 18/02/2015 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 15586.001313/201007 Acórdão n.º 1101001.229 S1C1T1 Fl. 779 18 quanto recebido dessa fonte pagadora estaria inserto dentre aqueles valores declarados em DIPJ, na medida em que são montantes muitíssimos superiores. Desse modo, ainda que se afastasse, pelo argumento acima mencionado, os valores recebidos pela ora Recorrente do Banco Pine S/A, o mesmo argumento não se prestaria a fazêlo em relação à BV Financeira S/A crédito Financ e Investimento. Por assim ser, como já externado linhas acima, pareceme inquestionável que deveriam ser expurgados dos lançamentos os montantes de depósitos bancários arrolados pelo Banco Pine S.A. e pela BV Financeira S/A crédito Financ e Investimento como remunerações ou comissões por serviços prestados pela autuada. O Fisco, para cogitar de qualquer infração fiscal, deveria ter se aprofundado no trabalho instrutório, dado o afastamento do mecanismo de presunção, em virtude da elucidação liminar e (minimamente) satisfatória das fontes de procedência das cifras creditadas. No entanto, a meu sentir, essa insatisfatória atuação fiscal deve conduzir, no presente caso, ao cancelamento integral do auto de infração ora analisado, senão vejamos. Do cancelamento integral do auto de infração em exame Conforme exposto acima, há uma inegável falha na autuação fiscal decorrente de lançamento com base em presunção omissão de receita (art. 42 da Lei n. 9.430/96) em face de depósitos bancários cuja origem a autoridade fiscalizadora teve pleno conhecimento. Lembrese, no ponto, de que cabe à autoridade administrativa, caso verifique irregularidades, constituir crédito tributário por meio de lançamento, devendo, na ocasião determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo, tudo nos termos do art. 142, litteris: Art. 142. Compete privativamente à autoridade administrativa constituir o crédito tributário pelo lançamento, assim entendido o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo caso, propor a aplicação da penalidade cabível. Ou seja, a atividade do lançamento tem uma finalidade: apurar o an e o quantum debeatur (se é devido e quanto é devido). Nesse sentido, o lançamento deve declarar/constituir, na conformidade da lei material e preexistente, se há um débito tributário, qual o montante devido e quem é o devedor, devendo operar, assim, a liquidação do débito ao remover os obstáculos da incerteza e iliquidez, sem o que a Fazenda Pública não poderia exigir administrativamente seu eventual direito creditório. A partir do cenário fático anteriormente narrado e tendo em vista os dispositivos normativos que regem o lançamento tributário (notadamente o supratranscrito art. 142 do CTN), entendo que, in casu, a fiscalização deixou de promover todas as atitudes que Fl. 779DF CARF MF Impresso em 20/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2015 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 03/02/2015 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 04/02/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 18/02/2015 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 15586.001313/201007 Acórdão n.º 1101001.229 S1C1T1 Fl. 780 19 poderia para promover um lançamento hígido, líquido e certo, o que deve conduzir ao cancelamento integral da autuação. Ou seja, após receber diversas informações de instituições financeiras acerca do sujeito passivo, a Autoridade Autuante, de forma desautorizada, deixou de proceder a regular investigação que deveria conduzir. Veja que, na assentada de 07/08/2012, a Cons. Edeli Pereira Bessa, ao se deparar com as questões atinentes aos depósitos que tem por origem o Banco Pine S.A., se viu obrigada a externar seu posicionamento com base em inferências, na medida em que, mesmo diante das informações presentes nos autos, não é possível averiguar se os valores mencionados nas notas fiscais estão (ou não) dentre aqueles apontados em DIPJ pelo contribuinte. A confusão das informações existentes em relação aos valores oriundos da BV Financeira é ainda maior, o que culminou com a necessidade de uma diligência que, alegadamente, deveria sanear as dúvidas que remanesceram por conta de um trabalho fiscal frágil, que não foi conduzido de modo a analisar questões absolutamente relevantes para que se pudesse promover a lavratura de um auto de infração que trouxesse inarredável certeza e liquidez aos valores que poderiam compor eventual crédito tributário. É exatamente por não ter a fiscalização se desincumbido de seu dever de remover os obstáculos da incerteza e iliquidez por ocasião da liquidação do débito que, a meu sentir, deve ser cancelado integralmente o auto de infração ora analisado. Conclusão Tendo em vista que não foram devolvidas a esse Colegiado a questão das multas, acaso vencido na preliminar de nulidade dos lançamentos em virtude da ilegitimidade do emprego de RMFs, voto por DAR PROVIMENTO ao recurso voluntário, para declarar a nulidade do lançamento efetuado em razão de sua iliquidez. Caso esse entendimento não seja acolhido por esta Eg. Turma Julgadora, entendo que, ao menos, deverá ser DADO PARCIAL PROVIMENTO ao recurso voluntário, para expurgar dos lançamentos os montantes de depósitos bancários arrolados pelo Banco Pine S.A e pela BV Financeira, nos termos das razões acima declinadas. Nesse último caso, uma vez que se terá afastado parte das omissões de receita verificadas pela r. autoridade fiscal, deverá a alíquota aplicável à receita bruta ser mensurada nos termos da Lei – tanto sobre a receita cuja omissão foi verificada pela autoridade fiscal e aqui mantida quanto sobre a receita bruta que o sujeito passivo declarara em sua Declaração simplificada –, restando mantida a exclusão do SIMPLES, tendo em vista que a omissão de receitas ainda fará com que o sujeito passivo tenha extrapolado o teto do regime simplificado. É como voto. (documento assinado digitalmente) BENEDICTO CELSO BENÍCIO JÚNIOR – Relator Fl. 780DF CARF MF Impresso em 20/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2015 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 03/02/2015 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 04/02/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 18/02/2015 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 15586.001313/201007 Acórdão n.º 1101001.229 S1C1T1 Fl. 781 20 Voto Vencedor Conselheira EDELI PEREIRA BESSA Na sessão de 07 de agosto de 2012, o julgamento deste recurso voluntário foi convertido em diligência nos termos do voto vencedor de minha lavra, integrado à Resolução nº 1101000.055: E, no que tange ao mérito, discordo de algumas premissas adotadas pelo I. Relator para concluir pela impossibilidade de manutenção da presunção omissiva, em referência aos importes confirmados pelas instituições financeiras creditantes. Entendo que para afastar a presunção iuris tantum de omissão de receitas fundada em depósitos bancários de origem não comprovada, não basta que o contribuinte comprove “mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações”. Se, regularmente intimado durante o procedimento fiscal, o sujeito passivo deixa de fornecer ao Fisco as informações de que dispõe acerca da natureza das operações por ele realizadas, e somente as revela no curso do procedimento fiscal, o cancelamento da exigência tributária correspondente só é possível se o sujeito passivo demonstrar não só a origem, mas também a regular tributação dos valores revelados, ou a sua submissão a hipótese de não tributação ou isenção. Exemplificando: se o sujeito passivo demonstra, no curso do contencioso fiscal, que o depósito bancário que se prestou como base à presunção de omissão de receitas, correspondente ao creditamento de um empréstimo contratado junto a uma instituição financeira, ou um outro particular, evidencia que aquele valor não pode ser caracterizado como receita e tributado, devendo ser a exigência exonerada. Já se o sujeito passivo demonstra que o crédito corresponde ao recebimento de uma venda com emissão de nota fiscal, que deixou de ser apresentada à Fiscalização, é necessário que também evidencie o seu oferecimento à tributação como faturamento e lucro, ou a submissão daquela receita a uma norma isentiva, sob pena de o contencioso administrativo se converter em uma ferramenta protelatória, para revelação da verdade apenas após o transcurso do prazo decadencial para o Fisco exigir os tributos incidentes sobre aqueles valores sob outro enquadramento legal. No presente caso, observo que o Banco Pine S/A, em atendimento a intimação fiscal, apresentou demonstrativo correlacionando os créditos bancários efetuados em favor da autuada com as notas fiscais por ela emitidas, bem como remeteu à autoridade lançadora as correspondentes notas fiscais (fls. 333/377). Em tais condições, a Fiscalização disporia de elementos suficientes para formalizar a exigência com Fl. 781DF CARF MF Impresso em 20/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2015 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 03/02/2015 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 04/02/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 18/02/2015 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 15586.001313/201007 Acórdão n.º 1101001.229 S1C1T1 Fl. 782 21 fundamento em omissão de receita demonstrada por prova direta, caso estes valores não tivessem sido oferecidos espontaneamente à tributação pela contribuinte. Contudo, ao determinar a receita tributável, a autoridade lançadora excluiu, dos depósitos bancários de origem não comprovada pela contribuinte, as receitas informadas em DIPJ, as quais equivaliam ou superavam as receitas informadas pelo Banco Pine S/A, conforme abaixo demonstrado: Deste modo, é possível inferir que estes valores não integram a base tributável do presente lançamento, motivo pelo qual discordo da conclusão do I. Relator quanto à necessidade de sua exclusão. Já no que tange às informações prestadas pela BV Financeira, os elementos presentes nos autos não permitem uma conclusão segura. Em atendimento às intimações de fls. 378/382, a referida empresa teriam apresentado planilha (em mídia eletrônica – doc 03), discriminando os pagamentos efetuados à fiscalizada em 2006 a título de omissão pela intermediação de financiamentos de bens formalizados por essa instituição, mas tal planilha não foi impressa e juntada aos autos. Às fls. 406/427 constam documentos apresentados em resposta complementar, consistentes em Contrato de Prestação de Serviço firmado entre a BV Financeira e a autuada (doc. 02) e, também, dois contratos de financiamento escolhidos aleatoriamente (julho e dez/2006), intermediados pela autuada. De outro lado, a fiscalizada pretendeu vincular a operações com a BV Financeira, e com o Banco Votorantim, vários créditos apontados nas planilhas de fls. 430/465 apresentadas à Fiscalização, informando que eles decorreriam não só de Notas Fiscais DIPJ Nº Data Valor Total Mês Mês Receita 19 05/07/2006 5.549,88 21 25/07/2006 5.056,15 10.606,03 07/2006 10.606,10 22 02/08/2006 4.502,72 24 09/08/2006 5.535,62 25 15/08/2006 1.177,02 11.215,36 08/2006 47.324,80 28 01/09/2006 4.280,18 29 12/09/2006 2.365,30 31 19/09/2006 5.778,14 32 26/09/2006 2.159,00 14.582,62 09/2006 24.135,15 34 02/10/2006 1.823,71 35 19/10/2006 8.973,18 36 30/10/2006 9.383,45 20.180,34 10/2006 49.132,65 38 13/11/2006 2.426,00 2.426,00 11/2006 34.515,30 40 11/12/2006 6.071,17 43 11/12/2006 7.137,44 13.208,61 12/2006 23.481,00 Total 72.218,96 Fl. 782DF CARF MF Impresso em 20/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2015 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 03/02/2015 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 04/02/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 18/02/2015 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 15586.001313/201007 Acórdão n.º 1101001.229 S1C1T1 Fl. 783 22 prestação de serviços de intermediação bancária, como também de compra de dívida de diversas pessoas físicas, embora não tenha juntado qualquer documentação de suporte a estas alegações, consoante observa a autoridade lançadora. Assim, para decidir acerca da legitimidade da presunção construída pela Fiscalização, é imperioso saber quais elementos estavam à sua disposição, em razão das informações prestadas, sob intimação, pela BV Financeira. Por tais razões, também discordo do I. Relator neste ponto, e entendo não ser possível afastar a exigência sobre os valores creditados pela BV Financeira. Este também o entendimento majoritário da Turma, que concluiu pela CONVERSÃO DO JULGAMENTO EM DILIGÊNCIA para que a autoridade lançadora junte aos autos os elementos fornecidos por aquela instituição, disto cientificando a interessada para complementação de suas razões de defesa, em 30 (trinta) dias, com posterior devolução dos autos a este Conselho. Todavia, os elementos fornecidos por BV Financeira S/A Crédito, Financiamento e Investimento não foram localizados na unidade de origem, retornando os autos com a informação de que a autoridade lançadora encontrase aposentada. A fonte pagadora BV Financeira S/A Crédito, Financiamento e Investimento foi intimada a fornecer os relatórios em referência, contudo informou que não mais dispunha dos documentos, porque já transcorridos mais de 5 (cinco) anos desde as ocorrências de 2006. Encaminhou apenas segunda via do informe de rendimentos pagos à empresa autuada. Em análise mais aprofundada do procedimento fiscal, observo que a contribuinte, intimada, forneceu extratos bancários juntados às fls. 10/102, mas precisou ser reintimada para apresentar à Fiscalização seus livros contábeis e fiscais, bem como as notas fiscais de venda de mercadorias do anocalendário 2006. Posteriormente, a autoridade fiscal consignou que os extratos corresponderiam apenas à movimentação financeira junto ao Banco Itaú S/A, e ainda assim estariam incompletos. Observando que a contribuinte também mantivera contas bancárias junto ao HSBC Bank Brasil S/A e ao Banco do Estado do Espírito Santo S/A, firmouse a hipótese do art. 33, I da Lei nº 9.430/96, requerendose diretamente às instituições financeiras as informações bancárias da contribuinte. A partir destes elementos, a autoridade fiscal elaborou as planilhas de fls. 126/155, indicando os créditos bancários cujas origens deveriam ser comprovadas. A contribuinte requereu prorrogação de prazo para atendimento a esta exigência, bem como solicitou cópia de extratos bancários dos quais não dispunha. Às fls. 428/465 consta planilha elaborada pela fiscalizada, correlacionando depósitos bancários com justificativas para seu recebimento, apresentada à Fiscalização em 06/04/2010. Em 08/06/2010 foi lavrado o Termo de Constatação de Intimação Fiscal consignando que, embora apresentando referidas planilhas, a contribuinte não comprovou com documentação hábil e idônea os valores creditados nas contas bancárias indicadas pela Fiscalização (fls. 158/160). A contribuinte não respondeu à intimação que novamente exigiu estes elementos. Fl. 783DF CARF MF Impresso em 20/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2015 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 03/02/2015 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 04/02/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 18/02/2015 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 15586.001313/201007 Acórdão n.º 1101001.229 S1C1T1 Fl. 784 23 Em paralelo, a autoridade fiscal dirigiu intimação ao Banco Pine S/A, para apresentação dos contratos firmados com a autuada, bem como arquivos demonstrando analiticamente as transferências bancárias realizadas em favor da F&C, relacionando a transferência com o respectivo pagamento do serviço prestado, além de identificar a motivação de todos os pagamentos efetuados à F&C (fl. 320). À fl. 325 consta a resposta apresentada pelo intimado, indicando a entrega de todos os elementos requeridos. Está juntado aos autos a cópia do contrato referido, bem como planilha correlacionando as notas fiscais emitidas pela contribuinte aos pagamentos promovidos (fls. 326/377). Idêntico procedimento foi desenvolvido em face de BV Financeira S/A Crédito, Financiamento e Investimento (fl. 378), mas a resposta juntada à fl. 384 menciona apenas a apresentação de planilha em mídia eletrônica discriminando os pagamentos efetuados à autuada a título de comissão pela intermediação de financiamentos de bens formalizados por essa instituição. Referida planilha não foi impressa para juntada aos autos, e para além disso somente consta a apresentação posterior, pela intimada, de contratos firmados entre ela e a fiscalizada (fls. 406/427). Consta dos autos, também, a DIPJ simplificada apresentada pela contribuinte, e a representação fiscal para sua exclusão do Simples Federal a partir do anocalendário 2007, em razão da falta de comprovação da origem de depósitos bancários no montante de R$ 7.467.293,98, e conseqüente omissão de receitas. Às fls. 485/486 consta o Ato Declaratório Executivo DRF/Vitória nº 149/2010 cientificado à contribuinte à 20/10/2010, para efetivação daquela exclusão. A autoridade lançadora também lavrou o Termo de Verificação Fiscal de fls. 488/499 no qual consignou que a contribuinte não lhe apresentou nenhum livro fiscal, livro contábil, notas fiscais, bem como nenhum outro documento bancário, para além dos extratos parciais de movimentação junto ao Banco Itaú S/A, e também observou que a planilha entregue pela fiscalizada, com a descrição de pagamentos recebidos em algumas contas bancárias, não foi acompanhada de documentação hábil e idônea conforme solicitado pela Fiscalização, e embora intimada acerca da necessidade destes documentos, a contribuinte nada apresentou. Quanto às informações prestadas por BV Financeira S/A Crédito Financiamento e Investimento, disse que a planilha eletrônica discriminava os pagamentos efetuados à F&C, discorreu sobre a contratação entre as empresas e observou que a prestação de serviços pela fiscalizada seria remunerada mediante emissão de nota fiscal até o último dia útil de cada mês. Reportouse também às informações prestadas por Banco Pine S/A, e arrematou que: 2.4. Da análise dos extratos bancários apresentados, conforme mencionado no item 2.2. e subitens, verificouse que a Empresa manteve, no exercício de 2006, uma Movimentação Financeira muito superior aos valores da Receita Bruta declarada em sua Declaração Anual Simplificada. No quadro abaixo, demonstramos os valores dos Créditos apurados pelos extratos bancários, já deduzidos os créditos relativos aos estornos de débitos, devolução de cheques, transferências de contas de mesma titularidade, bem como os valores creditados e posteriormente estornados. [...] Fl. 784DF CARF MF Impresso em 20/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2015 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 03/02/2015 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 04/02/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 18/02/2015 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 15586.001313/201007 Acórdão n.º 1101001.229 S1C1T1 Fl. 785 24 O quadro mencionado totaliza em R$ 7.467.293,98 o total de créditos bancários, montante idêntico àquele apontado como receitas auferidas para fins de exclusão da contribuinte do SIMPLES a partir do anocalendário de 2007. Na seqüência, referido valor é classificado como “Receita Bruta Movimentação Financeira” e confrontado com as receitas informadas na declaração simplificada, no total de R$ 311.825,68, determinandose as omissões de receitas mensais, que representaram, no anocalendário 2006, R$ 7.129.816,65. Com base nesta apuração, a autoridade lançadora consignou houve insuficiência de recolhimento resultante da aplicação das alíquotas correspondentes às faixas relativas ao correto enquadramento da empresa, em decorrência do total de sua Receita Bruta Acumulada, ora apurada através dos extratos bancários fornecidos pelas instituições financeiras, demonstrando as exigências daí resultantes. Tais parcelas foram acrescidas de multa de ofício no percentual de 75%. Finalizou indicando a aplicação da multa prevista no art. 21 da Lei nº 9.317/96 por falta de comunicação obrigatória de exclusão do SIMPLES, apresentando suas justificativas para qualificação da penalidade, reportandose às representações fiscais para fins penais e para exclusão do SIMPLES, e também ao termo de arrolamento de bens. Na seqüência, observo nos autos de infração que as omissões de receitas indicadas mensalmente não guardam exata correspondência com a apuração detalhada à fl. 493, mas isto porque na descrição dos fatos que complementa o auto de infração são relacionadas apenas as bases de cálculo que se sujeitam à incidência dos tributos lançados, e no âmbito do IRPJ e da Contribuição ao PIS referida incidência só se verifica quando alcançada a alíquota mensal de 8,6% (no caso, a partir de fevereiro/2006). Além disso, está também descrita a segunda infração de insuficiência de recolhimento, em razão da receita bruta declarada, consoante explicitado no Termo de Verificação. Assim, a demonstração das receitas tributadas é melhor evidenciada à fl. 500, quando detalhada a evolução da receita bruta acumulada para fins de determinação do coeficiente a ser aplicado sobre a receita bruta mensal. Concluo, do exposto, que a presunção de omissão de receitas recai sobre a totalidade dos depósitos bancários verificados nas contas correntes mantidas pela contribuinte durante o anocalendário fiscalizado, sendo que as receitas declaradas somente foram destacadas daquele montante para cálculo da insuficiência de recolhimento resultante da recomposição dos coeficientes aplicáveis mensalmente em razão da nova receita bruta acumulada, infração à qual foi aplicada multa de ofício sem qualificação (75%). Considerando que a contribuinte, embora intimada, não apresentou à Fiscalização seus livros fiscais ou contábeis, bem como as notas fiscais emitidas no período, limitandose a fornecerlhe planilha dissociada de qualquer documento comprobatório, o procedimento fiscal não merece reparos, porque classifica como receita bruta do período todos os depósitos bancários cuja origem não foi documentalmente provada pela contribuinte. Por tais razões, mantenho a divergência manifestada na primeira análise do presente litígio, não só por ser possível que as notas fiscais apresentadas por Banco Pine S/A estejam computadas na receita bruta declarada, mas também porque a contribuinte não apresentou qualquer elemento de sua escrituração que permitisse à Fiscalização confirmar esta correspondência. Da mesma forma, as informações prestadas por BV Financeira S/A Crédito Financiamento e Investimento em nada afetariam a conclusão fiscal, pois mesmo se apresentassem conteúdo semelhante àquele fornecido pela outra fonte pagadora, não poderiam ser correlacionadas com a escrituração da contribuinte e assim permitir a tributação dos valores sob outro fundamento, que não o art. 42 da Lei nº 9.430/96. Friso: a contribuinte não Fl. 785DF CARF MF Impresso em 20/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2015 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 03/02/2015 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 04/02/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 18/02/2015 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 15586.001313/201007 Acórdão n.º 1101001.229 S1C1T1 Fl. 786 25 apresentou à Fiscalização sequer as notas fiscais emitidas no período, quanto menos sua escrituração contábil e fiscal identificando o regime de reconhecimento daqueles valores auferidos. E, como antes consignei, entendo que para afastar a presunção iuris tantum de omissão de receitas fundada em depósitos bancários de origem não comprovada, não basta que a contribuinte comprove “mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações”. Se, regularmente intimado durante o procedimento fiscal, o sujeito passivo deixa de fornecer ao Fisco as informações de que dispõe acerca da natureza das operações por ele realizadas, e somente as revela no curso do procedimento fiscal, o cancelamento da exigência tributária correspondente só é possível se o sujeito passivo demonstrar não só a origem, mas também a regular tributação dos valores revelados, ou a sua submissão a hipótese de não tributação ou isenção. Por tais razões, NEGO PROVIMENTO ao recurso voluntário e mantenho todas as exigências principais calculadas a partir dos depósitos bancários de origem não comprovadas, e decorrentes das mencionadas insuficiências de recolhimento. Em conseqüência, subsiste a exclusão da contribuinte do SIMPLES a partir do anocalendário 2007, porque excedido o limite de receita bruta para sua permanência no regime simplificado de recolhimentos. (documento assinado digitalmente) EDELI PEREIRA BESSA – Redatora designada Fl. 786DF CARF MF Impresso em 20/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2015 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 03/02/2015 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 04/02/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 18/02/2015 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO
score : 1.0
Numero do processo: 13962.000257/2001-24
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Nov 12 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Fri Mar 13 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 01/01/2001 a 31/03/2001
IPI. PEDIDO DE COMPENSAÇÃO. INDUSTRIALIZAÇÃO. NÃO-COMPROVAÇÃO. EXISTÊNCIA DE PRECEDENTE INVOCADO PELAS PARTES EM OUTRO PROCESSO QUE REFUTOU A PRETENSÃO DA RECORRENTE.
- Controvérsia em torno da natureza das atividades da recorrente e a comprovação de que realiza operações de industrialização. Ofertada ampla defesa e contraditório, a parte não fez prova de suas atividades, repetindo no Recurso Voluntário, os mesmos argumentos lançados na manifestação de inconformidade.
- Matéria idêntica, envolvendo o direito de crédito da recorrente, já foi objeto de apreciação pela 2ª TO/4ª Câmara/3ª SEJUL/CARF/MF no Processo 13962.000122/99-38, acórdão nº3402-002.050, julgado em sessão de 23/04/2013, o qual negou provimento ao Recurso Voluntário da Recorrente, merecendo o presente recurso o mesmo destino.
- Recurso Voluntário improvido.
Numero da decisão: 3102-002.320
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao Recurso Voluntário.
RICARDO PAULO ROSA - Presidente.
MIRIAM DE FÁTIMA LAVOCAT DE QUEIROZ - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: José Fernandes do Nascimento, Andréa Medrado Darzé, José Paulo Puiatti, Mirian de Fátima Lavocat de Queiroz, Nanci Gama e Ricardo Paulo Rosa.
Nome do relator: MIRIAM DE FATIMA LAVOCAT DE QUEIROZ
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI Período de apuração: 01/01/2001 a 31/03/2001 IPI. PEDIDO DE COMPENSAÇÃO. INDUSTRIALIZAÇÃO. NÃO-COMPROVAÇÃO. EXISTÊNCIA DE PRECEDENTE INVOCADO PELAS PARTES EM OUTRO PROCESSO QUE REFUTOU A PRETENSÃO DA RECORRENTE. - Controvérsia em torno da natureza das atividades da recorrente e a comprovação de que realiza operações de industrialização. Ofertada ampla defesa e contraditório, a parte não fez prova de suas atividades, repetindo no Recurso Voluntário, os mesmos argumentos lançados na manifestação de inconformidade. - Matéria idêntica, envolvendo o direito de crédito da recorrente, já foi objeto de apreciação pela 2ª TO/4ª Câmara/3ª SEJUL/CARF/MF no Processo 13962.000122/99-38, acórdão nº3402-002.050, julgado em sessão de 23/04/2013, o qual negou provimento ao Recurso Voluntário da Recorrente, merecendo o presente recurso o mesmo destino. - Recurso Voluntário improvido.
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PEDIDO DE COMPENSAÇÃO. INDUSTRIALIZAÇÃO. NÃO COMPROVAÇÃO. EXISTÊNCIA DE PRECEDENTE INVOCADO PELAS PARTES EM OUTRO PROCESSO QUE REFUTOU A PRETENSÃO DA RECORRENTE. Controvérsia em torno da natureza das atividades da recorrente e a comprovação de que realiza operações de industrialização. Ofertada ampla defesa e contraditório, a parte não fez prova de suas atividades, repetindo no Recurso Voluntário, os mesmos argumentos lançados na manifestação de inconformidade. Matéria idêntica, envolvendo o direito de crédito da recorrente, já foi objeto de apreciação pela 2ª TO/4ª Câmara/3ª SEJUL/CARF/MF no Processo 13962.000122/9938, acórdão nº3402002.050, julgado em sessão de 23/04/2013, o qual negou provimento ao Recurso Voluntário da Recorrente, merecendo o presente recurso o mesmo destino. Recurso Voluntário improvido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao Recurso Voluntário. RICARDO PAULO ROSA Presidente. MIRIAM DE FÁTIMA LAVOCAT DE QUEIROZ Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 96 2. 00 02 57 /2 00 1- 24 Fl. 701DF CARF MF Impresso em 13/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/03/2015 por MIRIAM DE FATIMA LAVOCAT DE QUEIROZ, Assinado digitalment e em 06/03/2015 por MIRIAM DE FATIMA LAVOCAT DE QUEIROZ, Assinado digitalmente em 12/03/2015 por RIC ARDO PAULO ROSA Processo nº 13962.000257/200124 Acórdão n.º 3102002.320 S3C1T2 Fl. 702 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: José Fernandes do Nascimento, Andréa Medrado Darzé, José Paulo Puiatti, Mirian de Fátima Lavocat de Queiroz, Nanci Gama e Ricardo Paulo Rosa. Relatório Tratase de Recurso Voluntário contra decisão proferida no Acórdão 14 32.377 8 a Turma da DRJ/RPO, que na Sessão de 01 de fevereiro de 2011 julgou parcialmente procedente a manifestação de inconformidade relativa ao Processo 13962.000257/200124, em que figura como interessado REMY AUTOMOTIVE BRASIL LTDA., CNPJ/CPF 02.684.729/000150, assim ementada: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS – IPI Período de apuração: 01/01/2001 a 31/03/2001 IPI. RESSARCIMENTO. COMPROVAÇÃO. O ressarcimento autorizado pela legislação corresponde ao saldo credor trimestral apurado em consequência do confronto dos créditos e dos débitos do imposto em cada período de apuração. Mas o direito à utilização de créditos está subordinado ao cumprimento das condições estabelecidas para cada caso e das exigências previstas para a sua escrituração, sendo ônus processual da interessada fazer a prova dos fatos constitutivos de seu direito. COMPENSAÇÃO. REQUISITO PARA HOMOLOGAÇÃO. A homologação da compensação declarada pelo contribuinte depende da comprovação da liquidez e certeza dos créditos contra a Fazenda Nacional, de acordo com o devido procedimento estabelecido pela legislação. Manifestação de Inconformidade Procedente em Parte. Direito Creditório Reconhecido em Parte Reproduzse o relatório do julgamento de 1º grau: “Trata o presente de pedido de ressarcimento de créditos básicos de IPI, no montante de R$ 121.167.27, referente ao Io trimestre de 2001, conforme pedido de ressarcimento de fl. 01. Cumulativamente, apresentou os pedidos de compensação de fls. 02 e 120/127. De acordo com o Despacho Decisório das fls 457/461, foi decido pelo indeferimento do pedido da requerente, pois não teria direito ao ressarcimento porque os créditos se refeririam à aquisição de produtos destinados à revenda, sem passarem por qualquer etapa de industrialização no estabelecimento da Fl. 702DF CARF MF Impresso em 13/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/03/2015 por MIRIAM DE FATIMA LAVOCAT DE QUEIROZ, Assinado digitalment e em 06/03/2015 por MIRIAM DE FATIMA LAVOCAT DE QUEIROZ, Assinado digitalmente em 12/03/2015 por RIC ARDO PAULO ROSA Processo nº 13962.000257/200124 Acórdão n.º 3102002.320 S3C1T2 Fl. 703 3 requerente. O aproveitamento do crédito está diretamente vinculado ao emprego dos insumos (matériaprima, produto intermediário e material de embalagem) no processo de industrialização. Não havendo industrialização não há que se pleitear crédito algum. Regularmente cientificada, a postulante apresentou manifestação de inconformidade de fls. 470/476, instruída com os documentos de fls. 477/502, em que alega, entre outras coisas, que o fundamento para o indeferimento não se aplicaria ao seu caso concreto, uma vez que, no seu entender, realiza operações de montagem (inciso III do artigo 4º do RIPI/98) e de acondicionamento e reacondicionamento (inciso IV do artigo 4º do RIPI/98), além das industrializações efetuadas com terceiros. Além desse fato, considerase equiparado a industrial, por dar saída de produtos de sua importação direta (inciso I do artigo 9º do RIPI/98). Esta Delegacia da Recita Federal do Brasil de Julgamento, mediante o despacho de fls. 505/506, baixou o presente processo em diligência, para que o órgão de origem verificase junto ao contribuinte se, efetivamente, realizou no período objeto deste pedido de ressarcimento operação cuja industrialização haja sido realizada por outro estabelecimento, mediante a remessa, por ele efetuada, de matériasprimas, produtos intermediários, embalagens, recipientes, moldes, matrizes ou modelos. A autoridade administrativa em Blumenau, da análise dos documentos apresentados pelo contribuinte, elaborou a Informação Fiscal de fls. 597/600, com a conclusão "que da entrada no estabelecimento da requerente dos insumos utilizados nas operações de industrialização por encomenda assiste à interessada um direito creditório equivalente a R$ 3.089,74". Cientificada da Informação Fiscal, a interessada protocolou a manifestação de fls. 608/613, instruída com os documentos de fls. 614/638, alegando, em síntese, argumentos semelhantes aos apresentados na primeira manifestação de inconformidade, ou seja: 1 . O processo industrial da empresa consiste na montagem de "motor de partida", na qual exige a junção de diversas partes e peças que resultam no produto final, o que se enquadra no conceito estabelecido pelo inciso III, do art. 4 ° do RIPI/1998; 2. A industrialização por encomenda é apenas uma parte do processo industrial que consiste no envio de rolamentos para montagem em conjunto com as carcaças; 3. Além das compras dos rolamentos, a empresa efetuou compras de diversas matériasprimas que também foram relacionadas na planilha (arquivo Excel) apresentada na resposta à Intimação Fiscal n° 4 (fls.555/556), pelo que, não há que se falar em quantificação dos valores passíveis de ressarcimento sem que tais aquisições sejam consideradas no cálculo; Fl. 703DF CARF MF Impresso em 13/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/03/2015 por MIRIAM DE FATIMA LAVOCAT DE QUEIROZ, Assinado digitalment e em 06/03/2015 por MIRIAM DE FATIMA LAVOCAT DE QUEIROZ, Assinado digitalmente em 12/03/2015 por RIC ARDO PAULO ROSA Processo nº 13962.000257/200124 Acórdão n.º 3102002.320 S3C1T2 Fl. 704 4 4. Diante da legislação vigente, a empresa tem direito ao ressarcimento/compensação do saldo credor de IPI remanescente ao final do trimestre, oriundos de aquisições de matériaprima, produto intermediário e material de embalagem. Em sede de recurso voluntário, a empresa repisa os argumentos de sua manifestação, afirmando realizar operações de industrialização passíveis de lhe garantir o direito creditório. É o relatório Voto Conselheira Miriam de Fátima Lavocat de Queiroz Relatora O recurso voluntário é tempestivo e preenche os requisitos de admissibilidade, razão pelo qual dele conheço. A pretensão da Recorrente não merece prosperar. Vejamos. A controvérsia posta diz respeito à natureza das atividades da recorrente e a comprovação de que realiza operações de industrialização. A matéria envolvendo o direito de crédito da recorrente já foi objeto de apreciação pela 2ª TO/4ª Câmara/3ª SEJUL/CARF/MF no Processo 13962.000122/9938, acórdão nº 3402002.050, julgado em sessão de 23/04/2013. Tanto a autoridade fiscal da Delegacia da Receita Federal em Blumenau quanto a empresa fazem referência ao processo em questão em suas manifestações, tendo o recorrente, inclusive, anexado cópia da manifestação de inconformidade lá colacionada por ocasião de sua defesa neste processo. No julgado mencionado, a 2ª TO/4ª Câmara/3ª SEJUL/CARF/MF entendeu indevida a pretensão da Recorrente ao argumento de que ela não comprovou que realiza operações de industrialização, assim manifestandose: “Alega a contribuinte em sua impugnação que realiza operações de acondicionamento e reacondicionamento (inciso IV do artigo 4º da RIPI/98), apresentando como prova com os documentos de fls. 463/467. Tais documentos, emitidos pela empresa Irmãos Zen S.A., empresa da qual a contribuinte adquire seus produtos, são apenas cópias das fichas do produto, fazendo menção expressa à conferência do plano de embalagem "DELCO" inclusive com marcação nas peças da marca "AC DELCO " e números de série. Não há como concordar com a impugnante, pois não comprova documentalmente a aquisição de matériaprima, produto intermediário e material de embalagem para a realização das operações de acondicionamentos e reacondicionamentos. Fl. 704DF CARF MF Impresso em 13/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/03/2015 por MIRIAM DE FATIMA LAVOCAT DE QUEIROZ, Assinado digitalment e em 06/03/2015 por MIRIAM DE FATIMA LAVOCAT DE QUEIROZ, Assinado digitalmente em 12/03/2015 por RIC ARDO PAULO ROSA Processo nº 13962.000257/200124 Acórdão n.º 3102002.320 S3C1T2 Fl. 705 5 Assim como, não há provas que o processo de industrialização tenha sido realizado "por encomenda" em outros estabelecimentos industriais, conforme definido no art. 9º, inciso IV, e arts. 415 a 419 do Decreto n° 4.544/02 (Regulamento do Imposto sobre Produtos Industrializados RIPI/ 2002). Correto a impugnante ao afirmar que os estabelecimentos importadores produtos de procedência estrangeira que promoverem a saída desses produtos são equiparados a industrial (RIPI/2002, art. 9º). Isso obriga ao destaque do imposto nas saídas (RIPI/art.24). Porém, no caso concreto, não há operação de industrialização no âmbito estabelecimento importador, que apenas dá saída aos insumos importados. O concernente ao desembaraço aduaneiro das matériasprimas pode até existir e ser compensado na escrita fiscal com débitos do próprio imposto em outras operações, contudo, este não ser usufruído sob a forma de ressarcimento e compensação com outros débitos administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil, de que trata a Lei n° 9.779, de 1999, art. 11. Quanto ao ressarcimento do crédito de insumos utilizados na fabricação produtos exportados, Decretolei n° 491/69, art. 5º e Lei n° 8.402/92, art. 1º, inciso II, conforme citado acima, a contribuinte não comprovou em momento algum as aquisição de matérias primas, produtos intermediários e material de embalagem efetivamente utilizados industrialização dos produtos exportados. Não havendo processo de industrialização, não que se pleitear crédito algum. Não se justifica, assim a reforma da r. decisão recorrida que deve ser mantida por seus próprios e jurídicos fundamentos, considerandose ainda que ao longo de toda a marcha processual, a ora Recorrente não apresentou nenhuma evidencia concreta e suficiente para descaracterizar a motivação invocada pela d. Fiscalização, para o indeferimento do ressarcimento e conseqüente compensação dos créditos de IPI.. Compulsando os autos, não identifico elementos de prova capazes de agasalhar a pretensão da recorrente. Ao seu revés, verifico que nas oportunidades em que lhe foram franqueadas a sua ampla defesa e contraditório, a empresa não apresentou provas em sentido contrário, repetindo sempre mesmo os argumentos anteriormente lançados na manifestação de inconformidade e neste recurso. Por todo o exposto, nego provimento ao recurso. Fl. 705DF CARF MF Impresso em 13/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/03/2015 por MIRIAM DE FATIMA LAVOCAT DE QUEIROZ, Assinado digitalment e em 06/03/2015 por MIRIAM DE FATIMA LAVOCAT DE QUEIROZ, Assinado digitalmente em 12/03/2015 por RIC ARDO PAULO ROSA Processo nº 13962.000257/200124 Acórdão n.º 3102002.320 S3C1T2 Fl. 706 6 Mirian de Fátima Lavocat de Queiroz Fl. 706DF CARF MF Impresso em 13/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/03/2015 por MIRIAM DE FATIMA LAVOCAT DE QUEIROZ, Assinado digitalment e em 06/03/2015 por MIRIAM DE FATIMA LAVOCAT DE QUEIROZ, Assinado digitalmente em 12/03/2015 por RIC ARDO PAULO ROSA
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Numero do processo: 14041.000055/2009-94
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 10 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Tue Mar 31 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2004 a 30/11/2004
REMUNERAÇÃO. CARTÃO PREMIAÇÃO. INCENTIVO. PARCELA SUJEITA À INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS.
A verba paga pela empresa aos segurados por intermédio de cartão premiação em programa de incentivo integra o salário-de-contribuição, por não haver previsão legal de não incidência.
ABONO SALARIAL. VINCULAÇÃO AO SALÁRIO. INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÕES.
Incidem contribuições sociais sobre os abonos não desvinculados do salário.
JUROS SELIC. INCIDÊNCIA SOBRE OS DÉBITOS TRIBUTÁRIOS ADMINISTRADOS PELA RFB.
A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC para títulos federais.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 2401-003.919
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso.
Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira Presidente em Exercício
Kleber Ferreira de Araújo - Relator
Participaram do presente julgamento o(a)s Conselheiro(a)s Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Kleber Ferreira de Araújo, Igor Araújo Soares, Carolina Wanderley Landim, Carlos Henrique de Oliveira e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira.
Nome do relator: KLEBER FERREIRA DE ARAUJO
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2004 a 30/11/2004 REMUNERAÇÃO. CARTÃO PREMIAÇÃO. INCENTIVO. PARCELA SUJEITA À INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS. A verba paga pela empresa aos segurados por intermédio de cartão premiação em programa de incentivo integra o salário-de-contribuição, por não haver previsão legal de não incidência. ABONO SALARIAL. VINCULAÇÃO AO SALÁRIO. INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÕES. Incidem contribuições sociais sobre os abonos não desvinculados do salário. JUROS SELIC. INCIDÊNCIA SOBRE OS DÉBITOS TRIBUTÁRIOS ADMINISTRADOS PELA RFB. A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC para títulos federais. Recurso Voluntário Negado.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 12; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1768; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C4T1 Fl. 184 1 183 S2C4T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 14041.000055/200994 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2401003.919 – 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 10 de março de 2015 Matéria CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS Recorrente ORCA VEÍCULOS LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2004 a 30/11/2004 REMUNERAÇÃO. CARTÃO PREMIAÇÃO. INCENTIVO. PARCELA SUJEITA À INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS. A verba paga pela empresa aos segurados por intermédio de cartão premiação em programa de incentivo integra o saláriodecontribuição, por não haver previsão legal de não incidência. ABONO SALARIAL. VINCULAÇÃO AO SALÁRIO. INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÕES. Incidem contribuições sociais sobre os abonos não desvinculados do salário. JUROS SELIC. INCIDÊNCIA SOBRE OS DÉBITOS TRIBUTÁRIOS ADMINISTRADOS PELA RFB. A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 14 04 1. 00 00 55 /2 00 9- 94 Fl. 184DF CARF MF Impresso em 31/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2015 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 18/03 /2015 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 25/03/2015 por ELAINE CRISTINA MONTEIR O E SILVA VIEIRA 2 ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso. Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira – Presidente em Exercício Kleber Ferreira de Araújo Relator Participaram do presente julgamento o(a)s Conselheiro(a)s Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Kleber Ferreira de Araújo, Igor Araújo Soares, Carolina Wanderley Landim, Carlos Henrique de Oliveira e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira. Fl. 185DF CARF MF Impresso em 31/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2015 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 18/03 /2015 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 25/03/2015 por ELAINE CRISTINA MONTEIR O E SILVA VIEIRA Processo nº 14041.000055/200994 Acórdão n.º 2401003.919 S2C4T1 Fl. 185 3 Relatório Tratase de recurso interposto pelo sujeito passivo contra o Acórdão n.º 03 33.741 de lavra da 7.ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento – DRJ em Brasília (DF) (fls. 133/144), que julgou improcedente a impugnação apresentada para desconstituir o Auto de Infração n.º 37.202.8012. A lavratura em questão referese a exigência de contribuições da empresa para a Seguridade Social, inclusive RAT. De acordo com o Relatório Fiscal, fls. 27/33, os fatos geradores contemplados no lançamento foram constatados mediante análise da contabilidade e das folhas de pagamento apresentadas pelo sujeito passivo e dizem respeito ao pagamento das parcelas denominadas "Abono Salarial" e "Prêmio de Incentivo à Produtividade", as quais são consideradas remuneração nos termos da legislação aplicável. Cientificada em 23/01/2009, a autuada contestou o lançamento, por meio do instrumento de fls. 112/123. Não tendo as razões defensórias sido acolhidas pela DRJ, o sujeito passivo interpôs recurso voluntário de fls. 147/159, no qual, inicialmente argumentou que o recurso foi apresentado no prazo legal. Depois, passou a mencionar os principais fatos do processo e a tratar dos pontos abaixo. Prêmio de Incentivo à Produtividade Em consonância com o mercado em que atua, criou em parceria com a empresa Freecard Marketing de Incentivo programas de motivação e incentivos, para aumento de produtividade, além de programa de fidelidade, utilizandose de sistemas de premiação, baseado num processo contínuo de relacionamento empresaclientes. O programa de incentivo à produtividade é dirigido aos seus funcionários, com vistas a maximizar resultados e recompensar os empregados com base em critérios de desempenho e produtividade. Os contemplados pelo plano recebem cartão magnético, que opera com sistemas de créditos, os quais são aceitos em sistemas de compras e serviços no comércio em geral. Os prêmios somente são concedidos a quem obtiver a performance estabelecida no programa, que é previamente conhecida por todos os participantes. Por outro lado, o sistema sob enfoque não guarda qualquer relação com rendimentos salariais ou utilidades, tampouco possui caráter ordinário, tratandose de premiação conferida a titulo gracioso e de júbilo, com a finalidade de incentivo pela performance profissional. Fl. 186DF CARF MF Impresso em 31/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2015 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 18/03 /2015 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 25/03/2015 por ELAINE CRISTINA MONTEIR O E SILVA VIEIRA 4 Em que pese a amplitude do conceito de remuneração constante no ordenamento pátrio o programa Freecard Marketing de Incentivo não representa comissão, percentagem, gratificação ou abono, mas prêmio concedido em função do esforço produtivo, não assumindo assim feição salarial, dado o seu caráter de extraordinariedade. Os prêmios, concedidos mediante crédito em cartões, não representa contraprestação pela utilização de mãodeobra, tendo função meramente incentivacional. Por isso não existe qualquer previsão legal de sua inclusão no conceito de remuneração. Não se subsumem estes prêmios às utilidades previstas no art. 458 da CLT, tampouco figuram no conceito de saláriodecontribuição previdenciário. Ainda que se admitisse, ad absurdo, a possibilidade de inclusão dos valores destinados à premiação mediante o valeprêmios, dentro do âmbito do saláriodecontribuição, a simples constatação de sua natureza nãosalarial é razão suficiente a afastar a incidência de contribuições sobre a verba, nos termos do item 7 da alínea "e" do § 9.º do art. 28 da Lei n.º 8.212/1991. Apresenta precedentes judiciais que atestam a feição eventual desses prêmios e afasta o seu tratamento como salário. Para a empresa, devese ter em conta que o § 1.º do art. 108 do CTN veda a aplicação da analogia para se exigir tributo não previsto em lei. Assim, a apuração fiscal sobre essa verba fere o princípio da estrita legalidade. Abono Salarial Não há que se falar em descumprimento de incidência de contribuições sociais sobre abono salarial referente ao mês de maio/2004, porque feito de acordo com a Convenção Coletiva de Trabalho firmado entre o Sindicado dos Empregados no Comércio do Distrito Federal e o Sindicato dos Concessionários e Distribuidores de Veículos do Distrito Federal SINCODIVE. Ao final, requereu que: a) o AI seja declarado improcedente; b) ou caso assim não se entenda, que os juros sejam reduzidos ao percentual permitido em lei. É o relatório. Fl. 187DF CARF MF Impresso em 31/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2015 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 18/03 /2015 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 25/03/2015 por ELAINE CRISTINA MONTEIR O E SILVA VIEIRA Processo nº 14041.000055/200994 Acórdão n.º 2401003.919 S2C4T1 Fl. 186 5 Voto Conselheiro Kleber Ferreira de Araújo, Relator Admissibilidade O recurso merece conhecimento, posto que preenche os requisitos de tempestividade e legitimidade. Prêmio de Incentivo à Produtividade Sobre a questão da incidência de contribuições previdenciárias sobre os valores repassados aos empregados da recorrente mediante cartão de premiação, iniciamos a fundamentação lançando comentários sobre a legislação que regula a cobrança de contribuições para financiamento da Seguridade Social. As contribuições incidentes sobre as remunerações pagas às pessoas físicas com e sem vínculo empregatício encontram fundamento máximo de validade no art. 195, alínea “a” do inciso I da Constituição Federal de 1988 (redação dada pela EC n.º 20/1998): Art.195. A seguridade social será financiada por toda a sociedade, de forma direta e indireta, nos termos da lei, mediante recursos provenientes dos orçamentos da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, e das seguintes contribuições sociais: I do empregador, da empresa e da entidade a ela equiparada na forma da lei, incidentes sobre: a) a folha de salários e demais rendimentos do trabalho pagos ou creditados, a qualquer título, à pessoa física que lhe preste serviço, mesmo sem vínculo empregatício; (...) Observese que a Lei Maior, a princípio permite a exação para a Seguridade Social sobre pagamentos efetuados pelo empregador a qualquer título a pessoa que lhe preste serviço, sendo irrelevante o fato da quantia ter sido paga ou creditada ao obreiro. A Lei n.º 8.212/1991 confere eficácia à citada determinação constitucional, tratando da contribuição patronal sobre as remunerações disponibilizadas aos empregados nos seguintes termos: Art. 22. A contribuição a cargo da empresa, destinada à Seguridade Social, além do disposto no art. 23, é de: I vinte por cento sobre o total das remunerações pagas, devidas ou creditadas a qualquer título, durante o mês, aos segurados empregados e trabalhadores avulsos que lhe prestem serviços, destinadas a retribuir o trabalho, qualquer que seja a sua forma, Fl. 188DF CARF MF Impresso em 31/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2015 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 18/03 /2015 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 25/03/2015 por ELAINE CRISTINA MONTEIR O E SILVA VIEIRA 6 inclusive as gorjetas, os ganhos habituais sob a forma de utilidades e os adiantamentos decorrentes de reajuste salarial, quer pelos serviços efetivamente prestados, quer pelo tempo à disposição do empregador ou tomador de serviços, nos termos da lei ou do contrato ou, ainda, de convenção ou acordo coletivo de trabalho ou sentença normativa. (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 26/11/1999). (...) Temos que o conceito previdenciário de remuneração, o chamado saláriode contribuição, é bastante amplo, o qual também é cuidado no inciso I do art. 28 da Lei n.º 8.121/1991, nestes termos: Art. 28. Entendese por saláriodecontribuição: I para o empregado e trabalhador avulso: a remuneração auferida em uma ou mais empresas, assim entendida a totalidade dos rendimentos pagos, devidos ou creditados a qualquer título, durante o mês, destinados a retribuir o trabalho, qualquer que seja a sua forma, inclusive as gorjetas, os ganhos habituais sob a forma de utilidades e os adiantamentos decorrentes de reajuste salarial, quer pelos serviços efetivamente prestados, quer pelo tempo à disposição do empregador ou tomador de serviços nos termos da lei ou do contrato ou, ainda, de convenção ou acordo coletivo de trabalho ou sentença normativa; (Redação dada pela Lei nº 9.528, de 10/12/1997). Como se pode observar, a princípio, qualquer rendimento pago em retribuição ao trabalho, qualquer que seja a forma de pagamento, enquadrase como base de cálculo das contribuições previdenciárias. Todavia, tendose em conta a abrangência do conceito de saláriode contribuição, o legislador achou por bem excluir determinadas parcelas da incidência previdenciária, enumerando em lista exaustiva as verbas que estariam fora deste campo de tributação. Essa relação encontrase presente no § 9.º do artigo acima citado. A tese da recorrente é de que esses ganhos seriam eventuais e por isso estariam livres da tributação em razão da norma inserta no item 7 da alínea “e” do § 9. do art. 28 da Lei n. 8.212/1991. A meu ver esse entendimento não se coaduna com a melhor exegese da legislação. Eis a norma citada: § 9º Não integram o saláriodecontribuição para os fins desta Lei, exclusivamente: (...) e) as importâncias: (...) 7.recebidas a título de ganhos eventuais e os abonos expressamente desvinculados do salário; (...) A interpretação do dispositivo acima não pode ser dissociada daquele inserto no “caput” do mesmo artigo, acima transcrito, mas que não custa apresentar mais uma vez: Fl. 189DF CARF MF Impresso em 31/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2015 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 18/03 /2015 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 25/03/2015 por ELAINE CRISTINA MONTEIR O E SILVA VIEIRA Processo nº 14041.000055/200994 Acórdão n.º 2401003.919 S2C4T1 Fl. 187 7 Art. 28. Entendese por saláriodecontribuição: I para o empregado e trabalhador avulso: a remuneração auferida em uma ou mais empresas, assim entendida a totalidade dos rendimentos pagos, devidos ou creditados a qualquer título, durante o mês, destinados a retribuir o trabalho, qualquer que seja a sua forma, inclusive as gorjetas, os ganhos habituais sob a forma de utilidades e os adiantamentos decorrentes de reajuste salarial, quer pelos serviços efetivamente prestados, quer pelo tempo à disposição do empregador ou tomador de serviços nos termos da lei ou do contrato ou, ainda, de convenção ou acordo coletivo de trabalho ou sentença normativa; (...) Em primeiro lugar esse benefício não diz respeito a um ganho eventual, antes se refere a uma parcela repassada aos empregados como forma de aumentar a produtividade destes e aumentar a satisfação da clientela. Eventual é o que depende de evento incerto e futuro. O pagamento dessa verba, ao contrário, surge da existência do vínculo de emprego. O dito benefício não foi pago por um infortúnio (uma eventualidade), por exemplo, uma doação no caso de força maior, mas é na verdade uma concessão negociada, uma retribuição, um agrado, ou qualquer outro nome que se queira dar, que nasce de um pacto laboral, representando um ganho pelo trabalho efetuado com maior produtividade. Não há dúvida de que, no caso concreto sob cuidado, as premiações efetuadas mediante créditos em cartões eram disponibilizadas em razão do vínculo contratual estabelecido entre empresa e os trabalhadores. Na verdade, esses pagamentos, malgrado sejam concedidos em razão do alcance de determinadas metas fixadas pelo empregador, como demonstrado pela documentação colacionada, não podem ser considerados eventuais, uma vez que o segurado, sabe a priori que, uma vez obtido o resultado fixado no regulamento, fará jus ao bônus. Independe, para fins de tributação, que a verba seja paga diretamente pelo empregador, ou se esse repassa a verba ao empregado mediante o crédito em cartões feitos por uma terceira empresa. Os autos revelam que os valores passaram ao patrimônio dos segurados em razão do contrato de trabalho que têm com a recorrente, a qual incontestavelmente fez o repasse dos valores correspondentes, ainda que os mesmos tenham se dado via empresa prestadora de serviços de marketing promocional. Portanto, afasto a alegada natureza de ganhos eventuais da verba sob comento, até porque a mesma foi disponibilizada aos empregados da recorrente em razão de incremento na sua produtividade, conforme programa de incentivo previamente divulgado. Abono Salarial Apreciando a legislação previdenciária, mais precisamente o art. 28 da Lei n.º 8.212/1991, observase que os abonos, de maneira geral, compõe a base de incidência das contribuições, como se pode ver do dispositivo: Art. 28. Entendese por saláriodecontribuição: Fl. 190DF CARF MF Impresso em 31/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2015 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 18/03 /2015 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 25/03/2015 por ELAINE CRISTINA MONTEIR O E SILVA VIEIRA 8 I para o empregado e trabalhador avulso: a remuneração auferida em uma ou mais empresas, assim entendida a totalidade dos rendimentos pagos, devidos ou creditados a qualquer título, durante o mês, destinados a retribuir o trabalho, qualquer que seja a sua forma, inclusive as gorjetas, os ganhos habituais sob a forma de utilidades e os adiantamentos decorrentes de reajuste salarial, quer pelos serviços efetivamente prestados, quer pelo tempo à disposição do empregador ou tomador de serviços nos termos da lei ou do contrato ou, ainda, de convenção ou acordo coletivo de trabalho ou sentença normativa; (...) Do texto legal é possível se inferir que qualquer vantagem paga ao empregado para lhe retribuir o trabalho prestado, independente da sua denominação, compõe o saláriodecontribuição. Vejamos, então, a cláusula do Convenção Coletiva de Trabalho CCT que propiciou o pagamento dessa parcela: CLÁUSULA PRIMEIRA REAJUSTE SALARIAL (...) PARÁGRAFO PRIMEIRO — Todos os empregados não comissionistas receberão no mês de maio de 2004 abono no percentual de 70% (setenta por cento), sobre o salário base do empregado em vigor no mês de novembro de 2003, ficando o abono limitado ao teto máximo de R$ 1.600,00 (hum mil e seiscentos reais). PARÁGRAFO SEGUNDO — Aos Vendedores, comissionistas puros ou mistos e demais empregados que recebam remuneração variável, será pago no mês de maio de 2004, abono no valor fixo de R$ 320,00 (trezentos e vinte reais). Chama atenção o fato de que o abono para parte dos empregados, conforme o Parágrafo Primeiro acima citado, variava na proporção do salário do trabalhador, portanto, não se pode dizer que a verba era isenta de caráter salarial ou não estaria vinculada à remuneração. Por outro lado, para que os abonos sejam excluídos do saláriode contribuição, nos termos do Regulamento da Previdência Social RPS, aprovado pelo Decreto n.º 3.048/1999, fazse necessário que seja expressamente desvinculado do salário por força de lei, como se observa do dispositivo abaixo: Art.214.(...) §9º Não integram o saláriodecontribuição, exclusivamente: (...) j)ganhos eventuais e abonos expressamente desvinculados do salário por força de lei; (...) É de se ter em conta que na Lei n.º 8.212/1991 o abono não integrará o conceito de remuneração se, como visto, estiver expressamente desvinculado do salário, sem se referir à lei. Mas o que seria “expressamente desvinculado do salário”? Entendo que a desvinculação somente pode decorrer de lei, pois, do contrário, poderiam as próprias partes Fl. 191DF CARF MF Impresso em 31/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2015 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 18/03 /2015 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 25/03/2015 por ELAINE CRISTINA MONTEIR O E SILVA VIEIRA Processo nº 14041.000055/200994 Acórdão n.º 2401003.919 S2C4T1 Fl. 188 9 estabelecer a natureza dos abonos, o que afronta o princípio da estrita legalidade e, portanto toda a lógica vigente no custeio previdenciário. Para mim, mesmo a lei não tendo distinguido entre desvinculação pela lei ou pelas partes, aqui cabe ao intérprete distinguir com base na interpretação sistemática, pois o ordenamento oferece adequada solução ao intérprete, toda calcada na reserva de lei, mormente para o estabelecimento de isenção (art. 176 do CTN), nunca permitindo às próprias partes convencionarem tal benesse. Não esquecendo que, como bem asseverou a DRJ, o fato da disponibilização da verba estar previsto em norma coletiva de trabalho não altera sua natureza frente às normas tributárias. É certo que as Convenções e Acordos Coletivas de Trabalho são de observância obrigatória para as partes, todavia, não estão acima da legislação de custeio da Seguridade Social. Em razão do princípio da estrita legalidade tributária, nosso ordenamento não admite que acordos entre patrões e empregados venham afastar a incidência tributária sobre determinado fato gerador. Para finalizar este tópico, irei tratar da aplicabilidade ao presente caso das disposições do Ato Declaratório PFN n. 16/2011, o qual transcrevo: ATO DECLARATÓRIO Nº 16 /2011 A PROCURADORAGERAL DA FAZENDA NACIONAL, no uso da competência legal que lhe foi conferida, nos termos do inciso II do art. 19 da Lei nº 10.522, de 19 de julho de 2002, e do art. 5º do Decreto nº 2.346, de 10 de outubro de 1997, tendo em vista a aprovação do Parecer PGFN/CRJ/Nº 2114 /2011, desta ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional, pelo Senhor Ministro de Estado da Fazenda, conforme despacho publicado no DOU de 09/12/2011 , DECLARA que fica autorizada a dispensa de apresentação de contestação e de interposição de recursos, bem como a desistência dos já interpostos, desde que inexista outro fundamento relevante: “nas ações judiciais que visem obter a declaração de que sobre o abono único, previsto em Convenção Coletiva de Trabalho, desvinculado do salário e pago sem habitualidade, não há incidência de contribuição previdenciária”. JURISPRUDÊNCIA: REsp nº 434.471/MG (DJ 14/2/2005), REsp nº 1.125.381/SP (DJe 29/4/2010), REsp nº 840.328/MG (DJ 25/9/2009) e REsp nº 819.552/BA (DJe 18/5/2009). Brasília, 20 de dezembro de 2011. Como se percebe do texto acima a Fazenda, curvandose a jurisprudência dominante do Egrégio STJ, abriu mão de insistir na cobrança de contribuições incidentes sobre abonos, que guardem, além da previsão em Convenção Coletiva de Trabalho, as seguintes características: a) seja único; Fl. 192DF CARF MF Impresso em 31/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2015 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 18/03 /2015 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 25/03/2015 por ELAINE CRISTINA MONTEIR O E SILVA VIEIRA 10 b) não tenha vinculação com o salário; e c) não seja habitual. Assim, para que a verba seja excluída do saláriodecontribuição por força do referido Ato Declaratório, há de se encontrar na norma coletiva de trabalho as três condições acima mencionadas. O termo “único” aí utilizado pode ser entendido no sentido de exclusividade, ou seja, que cada CCT somente poderia conter um abono desta natureza, ou no sentido de quantidade de pagamentos, hipótese em que o desembolso teria que ser feito em parcela única. Para mim, a melhor interpretação é de que esse abono, para se compatibilizar com o Ato Declaratório, deve ser pago em parcela única, posto que no sentido contrário as partes, para fugir da tributação, poderiam substituir parte do salário por um abono pago em, por exemplo, doze parcelas, situação que não pode ser admitida. Quanto à vinculação com o salário, o sentido desse termo pode ser extraído da jurisprudência citada no Parecer PGFN/CRJ n. 2.114/2011, o qual originou o Ato Declaratório em questão. Vejamos: 2. Acompanho o relator apenas quanto à inexistência de violação ao artigo 535 do CPC. Divirjo, todavia, em relação à questão da incidência ou não da contribuição previdenciária e do FGTS sobre os valores pagos a título de "abono único" decorrentes de convenção coletiva de trabalho. (...) Ora, considerando a disposição contida no art. 28, § 9. , 'e', item 7, da Lei 8.212/91, é possível concluir que o referido abono não integra a base de cálculo do salário de contribuição, já que o seu pagamento não é habitual observese que, na hipótese, a previsão de pagamento é única, o que revela a eventualidade da verba, e não tem vinculado ao salário notese que, no caso, o benefício tem valor fixo para todos os empregados e não representa contraprestação por serviços, tendo em vista a possibilidade dos empregados afastados do trabalho também receberem a importância. Nesse contexto, é indevida a incidência da contribuição previdenciária sobre as importâncias recebidas a título de "abono único" previstas na cláusula acima referida. (...) (grifou se) (STJ, REsp 819.552/BA, 1. Turma, Rel. Min. Luiz Fux, Rel. p/ ac Teori Albino Zavascki, DJe 18/5/2009) Percebese então que pelo julgado acima um dos elementos a serem analisados para não inclusão do abono no saláriodecontribuição é que o valor a ser pago seja o mesmo para todos os empregados e que seja recebido por todos, o que lhe retiraria o caráter contraprestacional. No caso sob apreciação, observase que apesar da parcela ser paga apenas uma vez, não havia isonomia para todos os trabalhadores, sendo certo que parte deles recebiam Fl. 193DF CARF MF Impresso em 31/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2015 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 18/03 /2015 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 25/03/2015 por ELAINE CRISTINA MONTEIR O E SILVA VIEIRA Processo nº 14041.000055/200994 Acórdão n.º 2401003.919 S2C4T1 Fl. 189 11 a verba em proporção ao seu salário. Assim, é de se concluir que o "Abono Salarial" deve ser tratado como verba contraprestativa, posto que vinculado ao salário. Vêse, portanto, que o Ato Declaratório PFN n. 16/2011 não é aplicável a situação sob análise, haja vista que o abono era um adiantamento salarial com vinculação ao patamar remuneratório, pelo menos para parte dos empregados. Juros SELIC Quanto ao pedido para redução dos juros, não pode ser atendido. A aplicação da taxa Selic é matéria que já se encontra sumulada nesse Tribunal Administrativo, nos termos da Súmula CARF n. 04: Súmula CARF nº 4: A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. Nesse sentido, sendo a Súmula de observância obrigatória pelos membros do CARF, nos temos do “caput” do art. 72 do Regimento Interno do CARF1., não pode esse colegiado afastar a utilização da taxa de juros aplicada às contribuições lançadas no presente lançamento. Por outro lado, o Superior Tribunal de Justiça – STJ, decidiu com base na sistemática dos recursos repetitivos (art. 543C do CPC) que é legítima a aplicação da taxa SELIC aos débitos tributários, o que faz com que essa discussão tornese, até certo ponto, desnecessária. Eis a ementa do julgado: PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. RECURSO ESPECIAL SUBMETIDO À SISTEMÁTICA PREVISTA NO ART. 543C DO CPC. VIOLAÇÃO DO ART. 535 DO CPC. NÃOOCORRÊNCIA. REPETIÇÃO DE INDÉBITO. JUROS DE MORA PELA TAXA SELIC. ART. 39, § 4º, DA LEI 9.250/95. PRECEDENTES DESTA CORTE. 1. Não viola o art. 535 do CPC, tampouco nega a prestação jurisdicional, o acórdão que adota fundamentação suficiente para decidir de modo integral a controvérsia. 2. Aplicase a taxa SELIC, a partir de 1º.1.1996, na atualização monetária do indébito tributário, não podendo ser cumulada, porém, com qualquer outro índice, seja de juros ou atualização monetária. 3. Se os pagamentos foram efetuados após 1º.1.1996, o termo inicial para a incidência do acréscimo será o do pagamento indevido; no entanto, havendo pagamentos indevidos anteriores à data de vigência da Lei 9.250/95, a incidência da taxa SELIC 1 Art. 72. As decisões reiteradas e uniformes do CARF serão consubstanciadas em súmula de observância obrigatória pelos membros do CARF. (...) Fl. 194DF CARF MF Impresso em 31/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2015 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 18/03 /2015 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 25/03/2015 por ELAINE CRISTINA MONTEIR O E SILVA VIEIRA 12 terá como termo a quo a data de vigência do diploma legal em tela, ou seja, janeiro de 1996. Esse entendimento prevaleceu na Primeira Seção desta Corte por ocasião do julgamento dos EREsps 291.257/SC, 399.497/SC e 425.709/SC. 4. Recurso especial parcialmente provido. Acórdão sujeito à sistemática prevista no art. 543C do CPC, c/c a Resolução 8/2008 Presidência/STJ. (REsp 1111175 / SP, Relatora Ministra Denise Arruda, DJe. 01/07/2009) Não devemos acolher, portanto, o requerimento para redução dos juros incidentes sobre as contribuições devidas. Conclusão Voto por negar provimento ao recurso. Kleber Ferreira de Araújo. Fl. 195DF CARF MF Impresso em 31/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2015 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 18/03 /2015 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 25/03/2015 por ELAINE CRISTINA MONTEIR O E SILVA VIEIRA
score : 1.0
Numero do processo: 13971.004353/2009-90
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 11 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Fri Apr 10 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/02/2007 a 30/11/2008
Autos de Infração sob N° 37.227.221-5
Consolidados em 03/11/2009
CONCOMITÂNCIA.
Havendo nos autos prova inequívoco de que o Recurso Voluntário trata de mesma matéria que se discute no Judiciário através de mandado de segurança, há de se reconhecer a concomitância, sendo matéria sumulada por esta Corte.
No caso em tela a Recorrente procurou a Justiça Federal de Santa Catarina para que a Instituição se abstenha de cobrar os valores lançados no auto de infração lançado neste processo.
Recurso Voluntário Não Conhecido
Numero da decisão: 2301-004.319
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do Colegiado: I) Por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
MARCELO OLIVEIRA Presidente
(assinado digitalmente)
WILSON ANTONIO DE SOUZA CORRÊA Relator
(assinado digitalmente)
Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Marcelo Oliveira (Presidente), Daniel Melo Mendes Bezerra, Cleberson Alex Friess, Natanael Vieira dos Santos, Manoel Coelho Arruda Junior e Wilson Antonio de Souza Corrêa.
Nome do relator: WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/02/2007 a 30/11/2008 Autos de Infração sob N° 37.227.221-5 Consolidados em 03/11/2009 CONCOMITÂNCIA. Havendo nos autos prova inequívoco de que o Recurso Voluntário trata de mesma matéria que se discute no Judiciário através de mandado de segurança, há de se reconhecer a concomitância, sendo matéria sumulada por esta Corte. No caso em tela a Recorrente procurou a Justiça Federal de Santa Catarina para que a Instituição se abstenha de cobrar os valores lançados no auto de infração lançado neste processo. Recurso Voluntário Não Conhecido
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Havendo nos autos prova inequívoco de que o Recurso Voluntário trata de mesma matéria que se discute no Judiciário através de mandado de segurança, há de se reconhecer a concomitância, sendo matéria sumulada por esta Corte. No caso em tela a Recorrente procurou a Justiça Federal de Santa Catarina para que a Instituição se abstenha de cobrar os valores lançados no auto de infração lançado neste processo. Recurso Voluntário Não Conhecido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado: I) Por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. MARCELO OLIVEIRA – Presidente (assinado digitalmente) WILSON ANTONIO DE SOUZA CORRÊA – Relator (assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 97 1. 00 43 53 /2 00 9- 90 Fl. 177DF CARF MF Impresso em 10/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/03/2015 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA, Assinado digitalmente em 09/04/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 30/03/2015 por WILSON ANTONIO DE SOUZA COR REA 2 Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Marcelo Oliveira (Presidente), Daniel Melo Mendes Bezerra, Cleberson Alex Friess, Natanael Vieira dos Santos, Manoel Coelho Arruda Junior e Wilson Antonio de Souza Corrêa. Fl. 178DF CARF MF Impresso em 10/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/03/2015 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA, Assinado digitalmente em 09/04/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 30/03/2015 por WILSON ANTONIO DE SOUZA COR REA Processo nº 13971.004353/200990 Acórdão n.º 2301004.319 S2C3T1 Fl. 3 3 Relatório Tratase de Auto de Infração (AI) DEBCAD n° 37.227.2215, referente às contribuições devidas à Seguridade Social, que tiveram como fatos geradores as remunerações pagas aos segurados empregados e a contribuintes individuais, declaradas em Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social (GFIP), conforme Relatório Fiscal de fl. 27, nas competências 01/2006 a 12/2007. Os lançamentos compreendem a parte da empresa e ao financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa (SAT/RAT), conforme descrito no Demonstrativo Analítico de Débito (DAD) de fls. 512 e Relatório Fiscal. Segundo o Relatório Fiscal a Recorrente declarou as contribuições no código FPAS 639 sem ter requerido a isenção de contribuições previdenciárias junto a Receita Federal do Brasil. Aduz que a mesma possui o CEBAS, mas não tem o Ato Declaratório de Isenção, e por isso deveria ter enviado as GFIP com o código FPAS 515 e constituído as contribuições da cota patronal e de outras entidades e fundos. Devidamente noticiada do lançamento, apressouse em impugnar, com suas razões, cujas quais não foram suficientes para modificarem o lançamento. Em 14 de abril de 2010 tomou ciência da decisão de piso e no dia 10 de maio do mesmo ano aviou o presente remédio recursivo alegando: (i) que foi instituída pela Lei Municipal de Blumenau, n° 2.056, de 10 de dezembro de 1974. (ii) que possui título de utilidade pública estadual (Lei Estadual de Santa Catarina, n° 6345, de 11 de junho de 1984 e federal (Decreto n° 94.364, de 22 de maio de 1987), (iii) que preenche todos os requisitos (art. 14, do CTN) exigidos, (iv) que recebeu o Certificado de Entidade de Fins Filantrópicos do Conselho Nacional de Assistência Social CNAS, através da Resolução n° 160, de 25 de junho de 1999, válido entre os anos de 1999 a 2002. Para o período de 2002 a 2005, a impugnante protocolou pedido em 2002, tendo sido deferido em 17 de novembro de 2005, Resolução n° 196. Também foi requerido para o período de 2005 a 2008 e para 2008 a 2011. Todos os pedidos foram deferidos com base na Medida Provisória n° 446, de 07 de novembro de 2008, (v) que cumpre todos os requisitos previstos no art. 55 da Lei n° 8.212/91 e (vi) requer o reconhecimento da imunidade prevista no art. 195, § 7o, da CF, para determinar a anulação e o arquivamento do presente auto de infração. É a síntese do necessário. Fl. 179DF CARF MF Impresso em 10/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/03/2015 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA, Assinado digitalmente em 09/04/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 30/03/2015 por WILSON ANTONIO DE SOUZA COR REA 4 Voto Conselheiro WILSON ANTONIO DE SOUZA CORRÊA – Relator O presente Recurso Voluntário não acode os pressupostos de admissibilidade, eis que concomitante é o mesmo com ação judicial, havendo renuncia do processo administrativo, razão pela qual, desde já, dele NÃO conheço. Passo para análise da razão. DO DIREITO A IMUNIDADE CONCOMITÂNCIA DISCUSSÃO JUDICIAL No que tange à incidência da contribuição previdenciária, entendeu a Fiscalização que constituem fatos geradores as remunerações pagas e/ou creditadas aos segurados empregados e contribuintes, discriminadas em folha de pagamento, declaradas, em guia de recolhimento do Fundo de Garantia por Tempo de Serviço e Informações a Previdência Social no código FPAS 639 sem ter requerido a isenção de contribuições previdenciárias junto a Recita Federal do Brasil. E em contra partida alega a Recorrente de que seria entidade beneficente de assistência social e cumpriu todos os requisitos legais devendo ser reconhecida a sua imunidade prevista no art. 195, § 7o, da CF. A discussão a propósito cinge se no fato de terem ou não terem sido cumpridos os requisitos legais que autorizam a imunidade prevista no art. 195, § 7o, da CF, que é exatamente a matéria objeto da Ação Ordinária de n° 500093218.2010.404.7205, perante o Juízo Federal de Santa Catarina, com pedido de antecipação de tutela para 'determinar a suspensão da exigibilidade dos Autos de Infração representados pelos números DEBECAD n°37.227.2185 e DEBECAD n°37.227.2207 e determinado ao requerido que abstenha de impor qualquer sanções referente a estas Notificações, onde se pleiteia que seja reconhecida o status de entidade filantrópica beneficente de assistência social, por isto, deve gozar da imunidade constitucional do art. 195, § 7o da CRFB/88, cujos requisitos estão apregoados no art. 14 do CTN, bem como, pela previsão à época do art. 55 da Lei 8.212/91, motivo pelo qual devem ser anuladas ambos os Autos de Infração. Na esteira desse entendimento, torna se defeso a este Colegiado se manifestar a propósito das razões de fato e de direito suscitadas pela contribuinte opondo se a exigência de aludida contribuição, uma vez que tais questões encontram se sob a tutela do Poder Judiciário em processo judicial próprio/específico. Aliás, o Regimento Interno do Conselho Administrativo Fiscal – CARF, aprovado pela Portaria MF nº 256/2009, em seu artigo 78, § 2º, prescreve que a propositura de ação judicial contemplando a mesma matéria submetida a análise deste Colendo Tribunal, representa desistência do recurso administrativo, determinante, portanto, ao não conhecimento da peça recursal, senão vejamos: “Art. 78. Em qualquer fase processual o recorrente poderá desistir do recurso em tramitação. § 1º A desistência será manifestada em petição ou a termo nos autos do processo. § 2º O pedido de parcelamento, a confissão irretratável de dívida, a extinção sem ressalva do débito, por qualquer de suas modalidades, ou a propositura pelo contribuinte, contra a Fazenda Nacional, de ação judicial com o mesmo objeto, importa a desistência do recurso.” CONCLUSÃO Diante do exposto, não conheço das alegações do Recurso Voluntário, haja vista que há concomitância do presente recurso com ação judicial. Fl. 180DF CARF MF Impresso em 10/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/03/2015 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA, Assinado digitalmente em 09/04/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 30/03/2015 por WILSON ANTONIO DE SOUZA COR REA Processo nº 13971.004353/200990 Acórdão n.º 2301004.319 S2C3T1 Fl. 4 5 É como eu voto. WILSON ANTONIO DE SOUZA CORRÊA Relator (assinado digitalmente) Fl. 181DF CARF MF Impresso em 10/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/03/2015 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA, Assinado digitalmente em 09/04/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 30/03/2015 por WILSON ANTONIO DE SOUZA COR REA
score : 1.0
Numero do processo: 10875.000934/00-80
Turma: PLENO DA CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: Pleno
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Dec 09 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Mon Mar 09 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Outros Tributos ou Contribuições
Período de apuração: 01/08/1991 a 30/06/1992
Data do pedido: 15/03/2000
CONTRIBUIÇÃO PARA O FUNDO DE INVESTIMENTO SOCIAL. FINSOCIAL. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. RESTITUIÇÃO/COMPENSAÇÃO. DIES A QUO E PRAZO PARA EXERCÍCIO DO DIREITO. ARTIGO 62-A, DO REGIMENTO INTERNO DO CARF.
O CARF está vinculado às decisões definitivas de mérito proferidas pelo STF e STJ, na sistemática prevista nos artigos 543-B e 543-C, do CPC (art. 62-A do RICARF). Assim, conforme entendimento firmado pelo STF no RE nº 566.621, bem como aquele esposado pelo STJ no REsp nº 1.002.932, para os pedidos de restituição/compensação de tributos sujeitos a lançamento por homologação, como no caso em tela, formalizados antes da vigência da Lei Complementar nº 118, de 2005, ou seja, antes de 09/06/2005, o prazo para o contribuinte pleitear restituição/compensação é de cinco anos, conforme o artigo 150, § 4º, do CTN, somado ao prazo de cinco anos, previsto no artigo 168, I, desse mesmo código.
SÚMULA CARF Nº 91: Ao pedido de restituição pleiteado administrativamente antes de 9 de junho de 2005, no caso de tributo sujeito a lançamento por homologação, aplica-se o prazo prescricional de 10 (dez) anos, contado do fato gerador.
Recurso Extraordinário Negado
Numero da decisão: 9900-000.913
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto da Relatora.
(assinado digitalmente)
OTACÍLIO DANTAS CARTAXO - Presidente.
(assinado digitalmente)
MARIA HELENA COTTA CARDOZO - Relatora.
EDITADO EM: 29/12/2014
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Otacílio Dantas Cartaxo, Marcos Aurélio Pereira Valadão, Antônio Carlos Guidoni Filho, Rafael Vidal de Araújo, João Carlos de Lima Júnior, Valmar Fonseca de Menezes, Valmir Sandri, Jorge Celso Freire da Silva, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Alexandre Naoki Nishioka, Maria Helena Cotta Cardozo, Gustavo Lian Haddad, Marcelo Oliveira, Manoel Coelho Arruda Júnior, Elias Sampaio Freire, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira, Henrique Pinheiro Torres, Nanci Gama, Joel Miyasaki, Rodrigo Cardozo Miranda, Rodrigo da Costa Pôssas, Maria Teresa Martínez López, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva, Antônio Lisboa Cardoso (convocado em substituição à Conselheira Susy Gomes Hoffman), Paulo Cortez (convocado em substituição à conselheira Karem Jureidini Dias) e Júlio César Alves Ramos (convocado para ocupar o lugar do Presidente da 4ª Câmara da 3ª Seção do CARF).
Nome do relator: MARIA HELENA COTTA CARDOZO
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ementa_s : Assunto: Outros Tributos ou Contribuições Período de apuração: 01/08/1991 a 30/06/1992 Data do pedido: 15/03/2000 CONTRIBUIÇÃO PARA O FUNDO DE INVESTIMENTO SOCIAL. FINSOCIAL. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. RESTITUIÇÃO/COMPENSAÇÃO. DIES A QUO E PRAZO PARA EXERCÍCIO DO DIREITO. ARTIGO 62-A, DO REGIMENTO INTERNO DO CARF. O CARF está vinculado às decisões definitivas de mérito proferidas pelo STF e STJ, na sistemática prevista nos artigos 543-B e 543-C, do CPC (art. 62-A do RICARF). Assim, conforme entendimento firmado pelo STF no RE nº 566.621, bem como aquele esposado pelo STJ no REsp nº 1.002.932, para os pedidos de restituição/compensação de tributos sujeitos a lançamento por homologação, como no caso em tela, formalizados antes da vigência da Lei Complementar nº 118, de 2005, ou seja, antes de 09/06/2005, o prazo para o contribuinte pleitear restituição/compensação é de cinco anos, conforme o artigo 150, § 4º, do CTN, somado ao prazo de cinco anos, previsto no artigo 168, I, desse mesmo código. SÚMULA CARF Nº 91: Ao pedido de restituição pleiteado administrativamente antes de 9 de junho de 2005, no caso de tributo sujeito a lançamento por homologação, aplica-se o prazo prescricional de 10 (dez) anos, contado do fato gerador. Recurso Extraordinário Negado
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto da Relatora. (assinado digitalmente) OTACÍLIO DANTAS CARTAXO - Presidente. (assinado digitalmente) MARIA HELENA COTTA CARDOZO - Relatora. EDITADO EM: 29/12/2014 Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Otacílio Dantas Cartaxo, Marcos Aurélio Pereira Valadão, Antônio Carlos Guidoni Filho, Rafael Vidal de Araújo, João Carlos de Lima Júnior, Valmar Fonseca de Menezes, Valmir Sandri, Jorge Celso Freire da Silva, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Alexandre Naoki Nishioka, Maria Helena Cotta Cardozo, Gustavo Lian Haddad, Marcelo Oliveira, Manoel Coelho Arruda Júnior, Elias Sampaio Freire, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira, Henrique Pinheiro Torres, Nanci Gama, Joel Miyasaki, Rodrigo Cardozo Miranda, Rodrigo da Costa Pôssas, Maria Teresa Martínez López, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva, Antônio Lisboa Cardoso (convocado em substituição à Conselheira Susy Gomes Hoffman), Paulo Cortez (convocado em substituição à conselheira Karem Jureidini Dias) e Júlio César Alves Ramos (convocado para ocupar o lugar do Presidente da 4ª Câmara da 3ª Seção do CARF).
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 6; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2262; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => CSRFPL Fl. 316 1 315 CSRFPL MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS Processo nº 10875.000934/0080 Recurso nº Extraordinário Acórdão nº 9900000.913 – Pleno Sessão de 09 de dezembro de 2014 Matéria Restituição/Compensação Finsocial Recorrente FAZENDA NACIONAL Recorrida SUPERMERCADO RIO VERDE LTDA ASSUNTO: OUTROS TRIBUTOS OU CONTRIBUIÇÕES Período de apuração: 01/08/1991 a 30/06/1992 Data do pedido: 15/03/2000 CONTRIBUIÇÃO PARA O FUNDO DE INVESTIMENTO SOCIAL. FINSOCIAL. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. RESTITUIÇÃO/COMPENSAÇÃO. DIES A QUO E PRAZO PARA EXERCÍCIO DO DIREITO. ARTIGO 62A, DO REGIMENTO INTERNO DO CARF. O CARF está vinculado às decisões definitivas de mérito proferidas pelo STF e STJ, na sistemática prevista nos artigos 543B e 543C, do CPC (art. 62A do RICARF). Assim, conforme entendimento firmado pelo STF no RE nº 566.621, bem como aquele esposado pelo STJ no REsp nº 1.002.932, para os pedidos de restituição/compensação de tributos sujeitos a lançamento por homologação, como no caso em tela, formalizados antes da vigência da Lei Complementar nº 118, de 2005, ou seja, antes de 09/06/2005, o prazo para o contribuinte pleitear restituição/compensação é de cinco anos, conforme o artigo 150, § 4º, do CTN, somado ao prazo de cinco anos, previsto no artigo 168, I, desse mesmo código. SÚMULA CARF Nº 91: Ao pedido de restituição pleiteado administrativamente antes de 9 de junho de 2005, no caso de tributo sujeito a lançamento por homologação, aplicase o prazo prescricional de 10 (dez) anos, contado do fato gerador. Recurso Extraordinário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto da Relatora. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 87 5. 00 09 34 /0 0- 80 Fl. 316DF CARF MF Impresso em 09/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/12/2014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 29/1 2/2014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 19/01/2015 por OTACILIO DANTAS CARTA XO 2 (assinado digitalmente) OTACÍLIO DANTAS CARTAXO Presidente. (assinado digitalmente) MARIA HELENA COTTA CARDOZO Relatora. EDITADO EM: 29/12/2014 Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Otacílio Dantas Cartaxo, Marcos Aurélio Pereira Valadão, Antônio Carlos Guidoni Filho, Rafael Vidal de Araújo, João Carlos de Lima Júnior, Valmar Fonseca de Menezes, Valmir Sandri, Jorge Celso Freire da Silva, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Alexandre Naoki Nishioka, Maria Helena Cotta Cardozo, Gustavo Lian Haddad, Marcelo Oliveira, Manoel Coelho Arruda Júnior, Elias Sampaio Freire, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira, Henrique Pinheiro Torres, Nanci Gama, Joel Miyasaki, Rodrigo Cardozo Miranda, Rodrigo da Costa Pôssas, Maria Teresa Martínez López, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva, Antônio Lisboa Cardoso (convocado em substituição à Conselheira Susy Gomes Hoffman), Paulo Cortez (convocado em substituição à conselheira Karem Jureidini Dias) e Júlio César Alves Ramos (convocado para ocupar o lugar do Presidente da 4ª Câmara da 3ª Seção do CARF). Relatório Tratase de Pedido de Restituição/Compensação de Contribuições para o Fundo de Investimento Social – Finsocial, relativas aos períodos de apuração de 01/08/1991 a 30/06/1992, tendo em vista a declaração de inconstitucionalidade da majoração da alíquota prevista na Lei nº 7.689, de 1988. O pedido foi formalizado em 15/03/2000. Em sessão plenária de 17/06/2008, a Câmara Superior de Recursos Fiscais julgou o Recurso Especial nº 303131.198, interposto pela Fazenda Nacional, proferindose a decisão consubstanciada no Acórdão nº 0305.834 (fls. 232 a 237), assim ementado: “ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/08/1991 a 30/06/1992 Pedido de Restituição: 15/03/00 FINSOCIAL. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO/COMPENSAÇÃO O direito de se pleitear o reconhecimento de crédito com o conseqüente pedido de restituição/compensação, perante a autoridade administrativa, de tributo pago em virtude de lei que tenha sido declarada inconstitucional, somente surge com a declaração de inconstitucionalidade pelo STF, em ação direta, ou com a suspensão, pelo Senado Federal, da lei declarada inconstitucional, na via indireta.Por esta via, o termo a quo para o pedido de restituição começa a contar da data da publicação Fl. 317DF CARF MF Impresso em 09/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/12/2014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 29/1 2/2014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 19/01/2015 por OTACILIO DANTAS CARTA XO Processo nº 10875.000934/0080 Acórdão n.º 9900000.913 CSRFPL Fl. 317 3 da MP n°. 1.110 em 31/08/95 p. 013397, posto que foi o primeiro ato emanado do Poder Executivo a reconhecer o caráter indevido do recolhimento do Finsocial à alíquota superior a 0,5%. PRECEDENTES: AC. CSRF/0304.227, 301 31.406, 30131404 e 30131.321. Recurso especial negado.” Cientificada do acórdão em 28/08/2009 (fls. 239), a Fazenda Nacional interpôs, na mesma data, o Recurso Extraordinário de fls. 241 a 263, visando a revisão do julgado pelo Pleno. O recurso está fundamentado no artigo 9º, c/c art. 43, do Regimento Interno da Câmara Superior de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF nº 147, de 2007, c/c o art. 4º, do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 256, de 2009. Como paradigma, foi indicado o acórdão CSRF 0400.810, colacionandose os seguintes trechos: “PEDIDO DE RESTITUIÇÃO – ILL – O direito de pleitear a restituição de tributo indevido, pago espontaneamente, perece com o decurso do prazo de cinco anos, contados da data de extinção do crédito tributário, sendo irrelevante que o indébito tenha por fundamento inconstitucionalidade ou simples erro (art. 165, incisos I e II , e 168, inciso I, do CTN, e entendimento do Superior Tribunal de Justiça). Recurso Especial do Procurador Provido” “Tal tese não deixa de constituir argumentação coerente, tanto assim que chegou a encontrar abrigo no próprio Superior Tribunal de Justiça. Não obstante, analisandose mais detidamente a matéria, chegase à conclusão de que a argumentação é desprovida de fundamento legal, de sorte que abraçála equivaleria à criação de nova hipótese de dias a quo para a decadência, totalmente à revelia do CTN e, conseqüentemente, da Constituição Federal. Ademais, a interpretação outrora abraçada pelo STJ conduz à seguinte ponderação: uma vez que a ADIn — Ação Direta de Inconstitucionalidade pode ser ajuizada a qualquer tempo, e tendo em vista a discricionariedade do Senado Federal para editar Resoluções, o STJ teria inaugurado hipótese de imprescritibilidade no Direito Tributário, o que não está previsto nem mesmo na Constituição Federal, salvo no âmbito do Direito Penal, relativamente à pretensão punitiva do Estado quanto à prática de racismo e à ação de grupos armados, civis ou militares, contra a ordem constitucional e o Estado Democrático (art. 5°, inciso XLII e XLIV). Por esse motivo, o entendimento do STJ já foi revisto, no sentido de prestigiar o dies a quo assinalado no CTN, conectado não à declaração de inconstitucionalidade do STF ou à Resolução do Senado Federal, mas sim à data de extinção do crédito tributário objeto do pedido de restituição." Fl. 318DF CARF MF Impresso em 09/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/12/2014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 29/1 2/2014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 19/01/2015 por OTACILIO DANTAS CARTA XO 4 Ao Recurso Extraordinário foi dado seguimento, conforme o Despacho nº 910000.081, de 14/01/2011 (fls. 275). Em seu Recurso Extraordinário, a Fazenda Nacional requer, em síntese, a declaração de decadência do direito à restituição do Finsocial, uma vez que o pedido foi formalizado quando já havia expirado o prazo de cinco anos, contados da data de cada pagamento indevido eventualmente comprovado. Cientificado do Recurso Extraordinário da Fazenda Nacional em 06/04/2011 (fls. 284/285), o Contribuinte ofereceu, em 20/04/2011, as Contrarrazões de fls. 286 a 297, tecendo argumentos acerca da decadência e da sistemática de apuração do PIS. Voto Conselheira Maria Helena Cotta Cardozo Inicialmente, registrese que o Recurso Extraordinário não está previsto no atual Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 256, de 2009. Entretanto, como no presente caso o acórdão recorrido foi prolatado antes de 30/06/2009, o Recurso Extraordinário deve ser processado de acordo com o rito previsto no antigo Regimento Interno da Câmara Superior de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF nº 147, de 2007, nos termos do artigo 4º, do RICARF. O Recurso Extraordinário é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, portanto dele conheço. As Contrarrazões abordam a sistemática de apuração do PIS, matéria estranha ao presente processo e, quanto à decadência, reiteram os argumentos do acórdão recorrido. Tratase de Pedido de Restituição/Compensação de Contribuições para o Fundo de Investimento Social – Finsocial, relativas aos períodos de apuração de 01/08/1991 a 30/06/1992, tendo em vista a declaração de inconstitucionalidade da majoração da alíquota prevista na Lei nº 7.689, de 1988. O pedido foi formalizado em 15/03/2000. A divergência entre os acórdãos recorrido e paradigma cingese, basicamente, à fixação da data inicial para a contagem do prazo para o Contribuinte pleitear restituição/compensação. No acórdão recorrido, aplicase o prazo de cinco anos, contados de 31/08/1995, data da publicação da Medida Provisória 1.110, de 30/08/1995. A Fazenda Nacional, por sua vez, pede que seja aplicado o prazo de cinco anos, contados da data dos pagamentos indevidos. Conforme o artigo 62A, do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 256, de 2009, esta Corte Administrativa deve reproduzir as decisões definitivas de mérito proferidas pelo STF e STJ, na sistemática prevista nos artigos 543B e 543C, do CPC. No que tange ao objeto do presente recurso, houve pronunciamento do STF no julgamento do RE nº 566.621, bem como do STJ no julgamento do REsp nº 1.002.932, com efeito repetitivo, ao qual o CARF deve se curvar, conforme expressa disposição regimental. Fl. 319DF CARF MF Impresso em 09/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/12/2014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 29/1 2/2014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 19/01/2015 por OTACILIO DANTAS CARTA XO Processo nº 10875.000934/0080 Acórdão n.º 9900000.913 CSRFPL Fl. 318 5 O entendimento exarado pelas Cortes Superiores é no sentido de que o prazo para o contribuinte pleitear restituição/compensação de tributos sujeitos a lançamento por homologação, como no caso, para os pedidos protocolados antes da vigência da Lei Complementar 118, de 2005, ou seja, antes de 09/06/2005, é de cinco anos, conforme o artigo 150, § 4º, do CTN, somado ao prazo de cinco anos, previsto no artigo 168, I, desse mesmo código. O acórdão do Supremo Tribunal Federal restou assim ementado: “DIREITO TRIBUTÁRIO – LEI INTERPRETATIVA – APLICAÇÃO RETROATIVA DA LEI COMPLEMENTAR Nº 118/2005 – DESCABIMENTO –VIOLAÇÃO À SEGURANÇA JURÍDICA – NECESSIDADE DE OBSERVÂNCIA DA VACACIO LEGIS – APLICAÇÃO DO PRAZO REDUZIDO PARA REPETIÇÃO OU COMPENSAÇÃO DE INDÉBITOS AOS PROCESSOS AJUIZADOS A PARTIR DE 9 DE JUNHO DE 2005. Quando do advento da LC 118/05, estava consolidada a orientação da Primeira Seção do STJ no sentido de que, para os tributos sujeitos a lançamento por homologação, o prazo para repetição ou compensação de indébito era de 10 anos contados do seu fato gerador, tendo em conta a aplicação combinada dos arts. 150, § 4º, 156, VII, e 168, I, do CTN. A LC 118/05, embora tenha se autoproclamado interpretativa, implicou inovação normativa, tendo reduzido o prazo de 10 anos contados do fato gerador para 5 anos contados do pagamento indevido. Lei supostamente interpretativa que, em verdade, inova no mundo jurídico deve ser considerada como lei nova. Inocorrência de violação à autonomia e independência dos Poderes, porquanto a lei expressamente interpretativa também se submete, como qualquer outra, ao controle judicial quanto à sua natureza, validade e aplicação. A aplicação retroativa de novo e reduzido prazo para a repetição ou compensação de indébito tributário estipulado por lei nova, fulminando, de imediato, pretensões deduzidas tempestivamente à luz do prazo então aplicável, bem como a aplicação imediata às pretensões pendentes de ajuizamento quando da publicação da lei, sem resguardo de nenhuma regra de transição, implicam ofensa ao princípio da segurança jurídica em seus conteúdos de proteção da confiança e de garantia do acesso à Justiça. Afastando se as aplicações inconstitucionais e resguardando se, no mais, a eficácia da norma, permite se a aplicação do prazo reduzido relativamente às ações ajuizadas após a vacatio legis, conforme entendimento consolidado por esta Corte no enunciado 445 da Súmula do Tribunal. O prazo de vacatio legis de 120 dias permitiu aos contribuintes não apenas que tomassem ciência do novo prazo, mas também que ajuizassem as ações necessárias à tutela dos seus direitos. Fl. 320DF CARF MF Impresso em 09/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/12/2014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 29/1 2/2014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 19/01/2015 por OTACILIO DANTAS CARTA XO 6 Inaplicabilidade do art. 2.028 do Código Civil, pois, não havendo lacuna na LC 118/05, que pretendeu a aplicação do novo prazo na maior extensão possível, descabida sua aplicação por analogia. Além disso, não se trata de lei geral, tampouco impede iniciativa legislativa em contrário. Reconhecida a inconstitucionalidade do art. 4º, segunda parte, da LC 118/05, considerando se válida a aplicação do novo prazo de 5 anos tão somente às ações ajuizadas após o decurso da vacatio legis de 120 dias, ou seja, a partir de 9 de junho de 2005. Aplicação do art. 543B, §3º, do CPC aos recursos sobrestados. Recurso extraordinário desprovido.” O entendimento acima foi inclusive sumulado, conforme a seguir: Súmula CARF nº 91: Ao pedido de restituição pleiteado administrativamente antes de 9 de junho de 2005, no caso de tributo sujeito a lançamento por homologação, aplicase o prazo prescricional de 10 (dez) anos, contado do fato gerador. Em síntese, os contribuintes teriam o prazo de dez anos, a contar do fato gerador, para pleitear a restituição/compensação. Assim, no caso em apreço, como o Contribuinte protocolou seu pedido em 15/03/2000, e os pagamentos objeto do pedido se referem a fatos geradores ocorridos de 01/08/1991 a 30/06/1992, concluise que todos os valores são passíveis de restituição/compensação. Diante do exposto, NEGO provimento ao Recurso Extraordinário, interposto pela Fazenda Nacional, determinando o retorno dos autos à Autoridade Administrativa, para exame das demais questões objeto do pedido. (assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo Relatora Fl. 321DF CARF MF Impresso em 09/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/12/2014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 29/1 2/2014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 19/01/2015 por OTACILIO DANTAS CARTA XO
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Numero do processo: 11065.722843/2012-74
Turma: Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jan 27 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Mon Mar 09 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 01/01/2007 a 31/12/2011
FRAUDE/SONEGAÇÃO/CONLUIO. MULTA QUALIFICADA. CABIMENTO.
É cabível a aplicação da multa de ofício de cento e cinquenta por cento sobre os tributos a recolher, apurados quando a falta for decorrente de fraude/sonegação/conluio devidamente demonstrada.
VALORAÇÃO ADUANEIRA. FRAUDE.. ARBITRAMENTO. CRITÉRIOS RAZOÁVEIS. INOBSERVÂNCIA.
Nos casos de fraude, sonegação e conluio, quando o preço real praticado não puder ser identificado, a Autoridade Aduaneira deverá arbitrar o preço da mercadoria importada, seguindo os critérios apontados nos incisos I e II do artigo 88 da Medida Provisória n° 2.158-35, com observância ao princípio da razoabilidade. A inobservância de critérios razoáveis, como a utilização de percentual médio de subfaturamento praticado em outras importações, não autoriza o arbitramento do preço da mercadoria importada.
Numero da decisão: 3101-001.795
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário para excluir a exação referente às Declarações de Importação enumeradas na parte dispositiva do acórdão.. Fez sustentação oral o Dr. Carlos Alberto de Souza Junior OAB/SC nº 12.294, advogado do sujeito passivo.
Henrique Pinheiro Torres - Presidente
Rodrigo Mineiro Fernandes Relator.
EDITADO EM: 21/02/2015
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rodrigo Mineiro Fernandes, Valdete Aparecida Marinheiro, José Henrique Mauri, Demes Brito, José Mauricio Carvalho Abreu e Henrique Pinheiro Torres.
Nome do relator: RODRIGO MINEIRO FERNANDES
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Período de apuração: 01/01/2007 a 31/12/2011 FRAUDE/SONEGAÇÃO/CONLUIO. MULTA QUALIFICADA. CABIMENTO. É cabível a aplicação da multa de ofício de cento e cinquenta por cento sobre os tributos a recolher, apurados quando a falta for decorrente de fraude/sonegação/conluio devidamente demonstrada. VALORAÇÃO ADUANEIRA. FRAUDE.. ARBITRAMENTO. CRITÉRIOS RAZOÁVEIS. INOBSERVÂNCIA. Nos casos de fraude, sonegação e conluio, quando o preço real praticado não puder ser identificado, a Autoridade Aduaneira deverá arbitrar o preço da mercadoria importada, seguindo os critérios apontados nos incisos I e II do artigo 88 da Medida Provisória n° 2.158-35, com observância ao princípio da razoabilidade. A inobservância de critérios razoáveis, como a utilização de percentual médio de subfaturamento praticado em outras importações, não autoriza o arbitramento do preço da mercadoria importada.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário para excluir a exação referente às Declarações de Importação enumeradas na parte dispositiva do acórdão.. Fez sustentação oral o Dr. Carlos Alberto de Souza Junior OAB/SC nº 12.294, advogado do sujeito passivo. Henrique Pinheiro Torres - Presidente Rodrigo Mineiro Fernandes Relator. EDITADO EM: 21/02/2015 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rodrigo Mineiro Fernandes, Valdete Aparecida Marinheiro, José Henrique Mauri, Demes Brito, José Mauricio Carvalho Abreu e Henrique Pinheiro Torres.
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E COM. DE PEÇAS PARA MÁQUINAS DE COSTURA LTDA E OUTROS Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/01/2007 a 31/12/2011 PRELIMINAR DE NULIDADE. CERCEAMENTO DO DIREITO AO CONTRADITÓRIO E À AMPLA DEFESA. INOCORRÊNCIA. Rejeitase a preliminar de nulidade do lançamento invocada com base em cerceamento do direito de defesa, porquanto ao sujeito passivo foi lhe dado tomar conhecimento do inteiro teor das infrações que lhe são imputadas, possibilitando o pleno exercício do contraditório e da ampla defesa. Concedida ao sujeito passivo a ampla oportunidade de apresentar suas alegações e esclarecimentos, tanto no decurso do procedimento fiscal como na fase impugnatória, não há que se falar em cerceamento da direito defesa. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A IMPORTAÇÃO II Período de apuração: 01/01/2007 a 31/12/2011 VALORAÇÃO ADUANEIRA. DESCONSIDERAÇÃO DO VALOR DECLARADO Nos casos de fraude, sonegação e conluio, a Autoridade Aduaneira, para identificar a base de cálculo dos tributos incidentes na importação, deverá desconsiderar o valor declarado e apurar o preço efetivamente praticado na operação comercial. VALORAÇÃO ADUANEIRA. FRAUDE.. ARBITRAMENTO. CRITÉRIOS RAZOÁVEIS. INOBSERVÂNCIA. Nos casos de fraude, sonegação e conluio, quando o preço real praticado não puder ser identificado, a Autoridade Aduaneira deverá arbitrar o preço da mercadoria importada, seguindo os critérios apontados nos incisos I e II do artigo 88 da Medida Provisória n° 2.15835, com observância ao princípio da razoabilidade. A inobservância de critérios razoáveis, como a utilização de AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 06 5. 72 28 43 /2 01 2- 74 Fl. 1045DF CARF MF Impresso em 09/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/02/2015 por RODRIGO MINEIRO FERNANDES, Assinado digitalmente em 21/02 /2015 por RODRIGO MINEIRO FERNANDES, Assinado digitalmente em 02/03/2015 por HENRIQUE PINHEIRO TORRE S 2 percentual médio de subfaturamento praticado em outras importações, não autoriza o arbitramento do preço da mercadoria importada. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/01/2007 a 31/12/2011 FRAUDE/SONEGAÇÃO/CONLUIO. MULTA QUALIFICADA. CABIMENTO. É cabível a aplicação da multa de ofício de cento e cinquenta por cento sobre os tributos a recolher, apurados quando a falta for decorrente de fraude/sonegação/conluio devidamente demonstrada. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário para excluir a exação referente às Declarações de Importação enumeradas na parte dispositiva do acórdão.. Fez sustentação oral o Dr. Carlos Alberto de Souza Junior OAB/SC nº 12.294, advogado do sujeito passivo. Henrique Pinheiro Torres Presidente Rodrigo Mineiro Fernandes – Relator. EDITADO EM: 21/02/2015 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rodrigo Mineiro Fernandes, Valdete Aparecida Marinheiro, José Henrique Mauri, Demes Brito, José Mauricio Carvalho Abreu e Henrique Pinheiro Torres. Relatório Trata o presente processo de lançamento de diferença de imposto de importação, IPI, PIS/Importação e COFINS/Importação, acrescidos de multa de ofício de 150% e juros moratórios, e multa administrativa de 100% da diferença entre o valor apurado ou arbitrado e o valor declarado. Conforme exposto no Relatório Fiscal (fls. 412 a 485), o procedimento fiscal, dentro da denominada Operação Heráclidas, foi instaurado com o objetivo de apurar a veracidade das informações prestadas pelo contribuinte quando do registro de suas Declarações de Importação (DI’s), especificamente no que diz respeito ao valor aduaneiro declarado. Foram efetuadas diligências amparadas em mandados judiciais, no endereço da LAUTHER e na empresa COTRI LOGÍSTICA E COMÉRCIO EXTERIOR LTDA, também identificada como participante em esquema de subfaturamento, atuando como intermediária das operações de Fl. 1046DF CARF MF Impresso em 09/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/02/2015 por RODRIGO MINEIRO FERNANDES, Assinado digitalmente em 21/02 /2015 por RODRIGO MINEIRO FERNANDES, Assinado digitalmente em 02/03/2015 por HENRIQUE PINHEIRO TORRE S Processo nº 11065.722843/201274 Acórdão n.º 3101001.795 S3C1T1 Fl. 4 3 importação da LAUTHER. Nos dois endereços foram retidos documentos e copiados arquivos magnéticos. Após a análise dos elementos disponíveis, a autoridade fiscal verificou que a empresa LAUTHER utilizavase da prática do subfaturamento quando do registro de suas declarações de importação, utilizandose de faturas ideologicamente falsas. Foram arrolados como responsáveis solidários pelo crédito tributário lançado, em virtude da caracterização das situações fáticas previstas no CTN, artigos 124, inciso I, e 135, inciso III, as seguintes pessoas físcas: ALTAIR LAUTHART, CPF 745.736.08087, sócioadministrador; MARILENE LAUTHART, CPF 660.336.32087, sócia; e LUIS EVANIR LAUTHART, CPF 453.893.73049, gerente de fato. Regulamente cientificado da lavratura dos autos de infração, a empresa LAUTHER apresentou impugnação com as seguintes alegações, em síntese: (i) nulidade do auto de infração por desrespeito ao Princípio Constitucional do direito ao contraditório e à ampla defesa; (ii) inexistência do rito processual a ser seguido para descaracterização do valor aduaneiro; (iii) inexistência de prova do alegado subfaturamento; (iv) ocorrência de “bis in idem”. Requereu, de forma subsidiária, que seja aplicada a penalidade fixada na diferença de tributos apurados, acrescidos da multa administrativa de 100% sobre tal valor, excluindo, assim, a abusiva multa de ofício fixada em 150%. Os responsáveis solidários apresentaram impugnação alegando que a imputação de responsabilidade seria matéria de execução fiscal, privativa da PGFN, com sua legalidade apurada no Poder Judiciário e não por órgão administrativo. A 5ª turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Fortaleza proferiu o Acórdão nº 0828.579, referente a sessão de julgamento ocorrida em 07 de fevereiro de 2014, na qual julgou, por maioria de votos, improcedentes as impugnações. O referido acórdão recebeu a seguinte ementa: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/01/2007 a 31/12/2011 SUSTENTAÇÃO ORAL. AUSÊNCIA DE PREVISÃO LEGAL. DESCABIMENTO. É descabido o pedido de sustentação oral no âmbito das Delegacias de Julgamento da RFB por ausência de previsão legal, sendo esse procedimento admitido apenas nas instâncias seguintes do julgamento administrativo. REQUERIMENTO GENÉRICO PELA POSTERIOR PRODUÇÃO DE PROVAS. INDEFERIMENTO. A prova documental deve ser apresentada na impugnação, precluindo o direito de trazêla noutro momento processual, salvo nas hipóteses excepcionais previstas na legislação regente. Em se tratando de processo em que haja crédito tributário sendo questionado o suporte legal a ser considerado é o Decreto nº 70.235/72 que dispõe sobre o processo administrativo fiscal, devendo a Lei nº 9.784 de 29 de janeiro de 1999 ser aplicada apenas subsidiariamente. Fl. 1047DF CARF MF Impresso em 09/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/02/2015 por RODRIGO MINEIRO FERNANDES, Assinado digitalmente em 21/02 /2015 por RODRIGO MINEIRO FERNANDES, Assinado digitalmente em 02/03/2015 por HENRIQUE PINHEIRO TORRE S 4 PRELIMINAR DE NULIDADE. CERCEAMENTO DO DIREITO AO CONTRADITÓRIO E À AMPLA DEFESA. INOCORRÊNCIA. Rejeitase a preliminar de nulidade do lançamento invocada com base em cerceamento do direito de defesa, porquanto ao sujeito passivo foi lhe dado tomar conhecimento do inteiro teor das infrações que lhe são imputadas, possibilitando o pleno exercício do contraditório e da ampla defesa. Concedida ao sujeito passivo a ampla oportunidade de apresentar suas alegações e esclarecimentos, tanto no decurso do procedimento fiscal como na fase impugnatória, não há que se falar em cerceamento da direito defesa. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/01/2007 a 31/12/2011 FRAUDE/SONEGAÇÃO/CONLUIO. MULTA QUALIFICADA. CABIMENTO. É cabível a aplicação da multa de ofício de cento e cinquenta por cento sobre os tributos a recolher, apurados quando a falta for decorrente de fraude/sonegação/conluio devidamente demonstrada. SOLIDARIEDADE PASSIVA. INTERESSE COMUM. OCORRÊNCIA. São solidariamente obrigadas as pessoas que, por suas condutas, demonstrem ter concorrido para a infração ou tenham interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal. ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Período de apuração: 01/01/2007 a 31/12/2011 FRAUDE/CONLUIO/SONEGAÇÃO. ARBITRAMENTO. CRITÉRIOS RAZOÁVEIS. Caracterizada a ocorrência de fraude, conluio ou sonegação a autoridade aduaneira pode se valer do arbitramento, para determinação do valor aduaneiro, desde que, amparada em critérios razoáveis. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Regularmente cientificadas do Acórdão da DRJ Fortaleza, as interessadas LAUTHER e MARILENE LAUTHART, interpuseram seus Recurso Voluntário, onde repisam os argumentos trazidos em suas impugnações. O processo foi encaminhado a esta Seção de Julgamento e posteriormente distribuído a este Conselheiro. É o relatório. Voto Fl. 1048DF CARF MF Impresso em 09/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/02/2015 por RODRIGO MINEIRO FERNANDES, Assinado digitalmente em 21/02 /2015 por RODRIGO MINEIRO FERNANDES, Assinado digitalmente em 02/03/2015 por HENRIQUE PINHEIRO TORRE S Processo nº 11065.722843/201274 Acórdão n.º 3101001.795 S3C1T1 Fl. 5 5 Conselheiro Rodrigo Mineiro Fernandes, Relator Os recursos voluntários são tempestivos e, considerando o preenchimento dos requisitos de sua admissibilidade, merecem ser apreciados. O lançamento diz respeito à diferença de imposto de importação, IPI, PIS/Importação e COFINS/Importação, acrescidos de multa de ofício de 150%, pela caracterização de fraude, juros moratórios. Também foi lançada, pela alegada ocorrência de subfaturamento, da penalidade prevista no parágrafo único do artigo 88 da MP 2.15835/01, de 100% (cem por cento) sobre a diferença entre o preço declarado e o preço efetivamente praticado na importação ou entre o preço declarado e o preço arbitrado. Procedemos à análise das alegações da recorrente. Da Nulidade por cerceamento do direito de defesa Alega a recorrente que houve cerceamento do seu direito de defesa quando a fiscalização não proporcionou os meios e prazos adequados para a produção de sua defesa, utilizandose de simples indícios e de raciocínio intuitivo para concluir pelo subfaturamento. Não assiste razão à recorrente. Constam dos presentes autos que a recorrente foi devidamente cientificada da lavratura dos autos de infração, com toda a descrição fática apurada pela autoridade fiscal, os elementos de provas colhidos, o direito aplicável, com a descrição minuciosa da infração e das penalidades aplicadas. Não procede a alegação da recorrente de que teve seu direito de defesa cerceado. A própria peça impugnatória e o posterior recurso voluntário é prova disso. Tratam se de peças bem escritas, onde o subscritor apresenta total conhecimento dos fatos a ela imputados, os elementos de prova carreado aos autos e o direito aplicado. Também foi posto à disposição da recorrente o pleno acesso a todos os elementos dos autos, não cabendo aqui a alegação de cerceamento de seu direito de defesa. Quanto ao cerceamento de defesa na fase inquisitória, a jurisprudência deste Conselho rejeita os argumentos da então impugnante. Entendemos que, no âmbito do processo administrativo tributário, a auditoriafiscal seria a fase inquisitorial, antecedente à fase contenciosa do procedimento, e não é regida pelo princípio do contraditório e da ampla defesa. Tratase de uma fase destinada à investigação, à colheita de informações e de elementos de prova para a formação da convicção da autoridade fiscal a respeito da ocorrência, ou não, do fato gerador do tributo e de infrações porventura existentes. O encerramento desta fase com a lavratura do auto de infração, propicia, com a ciência do contribuinte, a fase contenciosa, esta sim plenamente regida pelo princípio do contraditório e da ampla defesa, ou de modo mais amplo, do devido processo legal. Fl. 1049DF CARF MF Impresso em 09/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/02/2015 por RODRIGO MINEIRO FERNANDES, Assinado digitalmente em 21/02 /2015 por RODRIGO MINEIRO FERNANDES, Assinado digitalmente em 02/03/2015 por HENRIQUE PINHEIRO TORRE S 6 A própria súmula CARF nº 46 aponta nessa direção, ao afirmar que o lançamento de ofício pode ser realizado sem prévia intimação ao sujeito passivo, nos casos em que o Fisco dispuser de elementos suficientes à constituição do crédito tributário. No presente caso, a fiscalização detinha todos os elementos necessários à caracterização da fraude e do subfaturamento do preço, obtidos em mandado de busca e apreensão na "Operação Heráclidas", cujas provas foram regularmente utilizadas neste processo. Acrescentese que todo o direito de defesa foi concedido à recorrente, tanto na fase impugnatória, quanto na fase recursal. Se fosse de seu interesse e houvesse condição para tanto, a recorrente poderia ter trazido aos autos contraprova acerca dos fatos relatados, provas colhidas e depoimentos prestados, o que não ocorreu. Dessa forma, rejeito a preliminar de nulidade do lançamento por cerceamento do direito de defesa. Do mérito A questão meritória dos presentes autos é a ocorrência de subfaturamento na importação e suas conseqüências tributárias e aduaneiras. A recorrente contesta a descaracterização dos preços praticados em suas importações e a valoração das mercadorias feita pela fiscalização. Passo a verificar o tipo infracional “subfaturamento” a partir do instituto da Valoração Aduaneira. Da Valoração Aduaneira O procedimento de valoração aduaneira é o método utilizado para quantificar a base de cálculo do imposto de importação, não apenas no procedimento fiscal de ofício efetuado pela fiscalização aduaneira, mas também pelo importador quando prepara e registra a sua declaração de importação. O artigo 2º do DecretoLei nº 37/66, com a redação dada pelo artigo 1º do DecretoLei no 2.472/88, determinou que a base de cálculo do Imposto de Importação, sendo advalorem a alíquota, é o Valor Aduaneiro definido no Artigo VII do Acordo Geral sobre Tarifas Aduaneiras e Comércio (GATT). Portanto, submeterse a um procedimento de valoração aduaneira é a regra para todas as operações de importação, para identificar o valor aduaneiro, quantificar a base de cálculo do Imposto de Importação (e como consequência dos demais tributos incidentes nas operações de importação) e calcular o montante devido do imposto. Para isso, devem ser conhecidos o Acordo de Valoração Aduaneira, seus princípios e regras de aplicação, e as situações de fato que tornam sua aplicação obrigatória ou dispensada. Dos Métodos de Valoração Aduaneira do AVAGATT O Acordo de Valoração Aduaneira expressamente determina os seis métodos de valoração, de aplicação sucessiva, sendo que os métodos substitutivos (segundo ao sexto método) somente são aplicados quando o método anterior revelarse inaplicável. O Artigo 1 do AVAGATT, que trata do Primeiro Método, determina que “o valor aduaneiro de mercadorias importadas será o valor de transação, isto é, o preço Fl. 1050DF CARF MF Impresso em 09/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/02/2015 por RODRIGO MINEIRO FERNANDES, Assinado digitalmente em 21/02 /2015 por RODRIGO MINEIRO FERNANDES, Assinado digitalmente em 02/03/2015 por HENRIQUE PINHEIRO TORRE S Processo nº 11065.722843/201274 Acórdão n.º 3101001.795 S3C1T1 Fl. 6 7 efetivamente pago ou a pagar pelas mercadorias, em uma venda para exportação para o país de importação, ajustado”. Sendo impossível a aplicação do 1° método, outros métodos deverão ser tentados, na ordem seqüencial obrigatória, a saber: 2º Método método do valor de transação de mercadorias idênticas; 3º Método método do valor de transação de mercadorias similares; 4º Método método do valor da revenda (ou do valor dedutivo); 5º Método método do custo de produção (ou do valor computado); 6º Método – método do último recurso (ou método pelo critério da razoabilidade). O sexto método, também conhecido como método dos critérios razoáveis ou do último recurso, merece sua transcrição integral. O Artigo 7 do AVAGATT dispõe que “se o valor aduaneiro das mercadorias importadas não puder ser determinado com base no disposto nos Artigos 1 a 6, inclusive, tal valor será determinado usandose critérios razoáveis, condizentes com os princípios e disposições gerais deste Acordo e com o Artigo VII do GATT 1994, e com base em dados disponíveis no país de importação.” Da Apuração do Valor Aduaneiro em Caso de Duvidas da Veracidade ou Exatidão do Valor Declarado Utilizandose da base de dados de valoração ou mesmo de outros instrumentos de análise de risco aduaneiro, a administração aduaneira constantemente vêse diante de situações nas quais tem dúvida da veracidade ou exatidão do valor declarado pelo importador, ou mesmo fortes indícios de fraude na operação de importação, como por exemplo na interposição fraudulenta, a qual também pode resultar em adulteração do valor aduaneiro. O AVAGATT, de acordo com seu Artigo 17, prevê que a fiscalização aduaneira necessita de meios para o combate à fraude de valor, assim dispondo: Artigo 17 Nenhuma disposição deste Acordo poderá ser interpretada como restrição ou questionamento dos direitos que têm as administrações aduaneiras de se assegurarem da veracidade ou exatidão de qualquer afirmação, documento ou declaração apresentada para fins de valoração aduaneira. O Comitê de Valoração Aduaneira, da Organização Mundial de Comércio (OMC), reconhecendo o poder da Administração Aduaneira em tratar de casos em que tenha motivo para duvidar da veracidade ou exatidão das informações ou dos documentos apresentados para justificar o valor declarado, considerando o disposto no Artigo 17 do AVA GATT, aprovou a Decisão 6.11 em sua reunião de 12 de maio de 1995, que assim dispõe: Quando tiver sido apresentada uma declaração e a Administração Aduaneira tiver motivo para duvidar da veracidade ou exatidão das informações ou dos documentos apresentados para justificar essa declaração, a Administração Aduaneira poderá solicitar ao importador o fornecimento de uma explicação adicional, bem assim documentos ou outras provas, de que o valor declarado representa o montante efetivamente pago ou a pagar pelas mercadorias importadas, ajustado em conformidade com as disposições do Artigo 8. Se, após o recebimento de informação adicional, ou na falta de resposta, a 1 Publicados no anexo à IN SRF nº 318/2003 Fl. 1051DF CARF MF Impresso em 09/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/02/2015 por RODRIGO MINEIRO FERNANDES, Assinado digitalmente em 21/02 /2015 por RODRIGO MINEIRO FERNANDES, Assinado digitalmente em 02/03/2015 por HENRIQUE PINHEIRO TORRE S 8 Administração Aduaneira ainda tiver dúvidas razoáveis sobre a veracidade ou exatidão do valor declarado, poderá decidir, tendo em conta as disposições do Artigo 11, que o valor aduaneiro das mercadorias importadas não pode ser determinado com base nas disposições do Artigo 1. Antes de tomar uma decisão definitiva, a Administração Aduaneira comunicará ao importador, por escrito, quando solicitado, suas razões para duvidar da veracidade ou exatidão das informações ou dos documentos apresentados e lhe dará oportunidade razoável para responder. Quando for tomada uma decisão definitiva, a Administração Aduaneira comunicará ao importador, por escrito, os motivos que a embasaram. Na questão de dúvida da veracidade ou exatidão do valor declarado, a constatação da fraude (inclusive a fraude de valor) e seu combate tornase mais relevante para as Administrações Aduaneiras. MARCELO PIMENTEL DE CARVALHO assim tratou do tema da aplicação do AVAGATT na hipótese de fraude: Ademais, o AVA não se presta ao controle de operações fraudulentas, bem como pressupõe um agir lícito do importador, de sorte que devem os Estados desenvolver a legislação interna e preparar as autoridades aduaneiras para o combate à fraude em matéria aduaneira e, em especial, para o combate à fraude de valor. (CARVALHO, 2007, p.209) HELENO TORRES assim considerou, destacando que o Acordo de Valoração Aduaneira aplicase às operações lícitas: Apesar de pouco conhecida dos estudos doutrinários, a valoração aduaneira é instrumento dos mais sofisticados e aprimorados da técnica fiscal para os efeitos de controle da composição da base de cálculo dos tributos aduaneiros. Pressupõe ausência de agir ilícito do contribuinte (...). (TORRES, 2005, p.229) RAFAEL TIAGO JUK BENKE considera a possibilidade de atuação do poder público no estabelecimento de mecanismos de controles do valor aduaneiro nos casos de fraude: (...) a segunda (hipótese possível de problemas na valoração aduaneira), quando os preços são declarados mediante a prática de fraude, como exemplo, o caso do subfaturamento, no qual o importador de fato paga um determinado preço pelas mercadorias, mas somente declara à administração aduaneira parte dele, o que gera por um lado prejuízo ao Fisco, e por outro, um menor custo de importação ao importador, já que a base de cálculo é menor e assim será o valor do tributo a ser pago. O fato, porém, da determinação de prioridade da consideração do valor de transação não deve em nenhuma hipótese ser entendido como um impedimento para que a autoridade nacional estabeleça mecanismos de controle (...). (BENKE, 2003) CARVALHO assim complementa: Destarte, o AVA não coloca nenhum óbice a que os países regulem os procedimentos fiscais e respectivas penalidades aplicáveis em face da fraude quanto ao valor aduaneiro (emprego de documentos fraudulentos e prestação de declaração falsa quanto ao valor). (CARVALHO, 2007) Fl. 1052DF CARF MF Impresso em 09/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/02/2015 por RODRIGO MINEIRO FERNANDES, Assinado digitalmente em 21/02 /2015 por RODRIGO MINEIRO FERNANDES, Assinado digitalmente em 02/03/2015 por HENRIQUE PINHEIRO TORRE S Processo nº 11065.722843/201274 Acórdão n.º 3101001.795 S3C1T1 Fl. 7 9 Quanto à aceitação pela Administração Aduaneira dos valores declarados em operações fraudulentas, foram publicadas as seguintes Opiniões Consultivas do Comitê Técnico de Valoração da Organização Mundial de Aduanas, publicadas pela IN SRF n° 318/2003: OPINIÃO CONSULTIVA 10.1 TRATAMENTO APLICÁVEL AOS DOCUMENTOS FRAUDULENTOS 1. O Acordo obriga que as administrações aduaneiras levem em conta documentos fraudulentos? 2. O Comitê Técnico de Valoração Aduaneira emitiu a seguinte opinião: Segundo o Acordo, as mercadorias importadas devem ser valoradas com base nos elementos de fato reais. Portanto, qualquer documentação que proporcione informações inexatas sobre esses elementos estaria em contradição com as intenções do Acordo. Cabe observar, a este respeito, que o Artigo 17 do Acordo e o parágrafo 6 do Anexo III enfatizam o direito das administrações aduaneiras de comprovar a veracidade ou exatidão de qualquer informação, documento ou declaração apresentados para fins de valoração aduaneira. Conseqüentemente, não se pode exigir que uma administração leve em conta uma documentação fraudulenta. Ademais, quando uma documentação for comprovada fraudulenta, após a determinação do valor aduaneiro, a invalidação desse valor dependerá da legislação nacional. OPINIÃO CONSULTIVA 19.1 APLICAÇÃO DO ARTIGO 17 DO ACORDO E DO PARÁGRAFO 6 DO ANEXO III 1. A questão foi formulada objetivando esclarecer se o Artigo 17, lido conjuntamente com o parágrafo 6 do Anexo III, outorga poderes suficientes às Administrações Aduaneiras para detectar e comprovar as infrações relativas à valoração, incluída a fraude, e se incumbe ao importador o ônus da prova no curso da determinação do valor aduaneiro. 2. O Comitê Técnico de Valoração Aduaneira chegou à conclusão de que, ao examinar esta questão, cabe observar que o Artigo 17 estabelece que o Acordo não restringe, nem põe em dúvida os direitos da administração aduaneira. O parágrafo 6 do Anexo III enumera esses direitos, destacando concretamente o direito das administrações nacionais de contar com a plena cooperação dos importadores nas investigações sobre a veracidade ou exatidão de qualquer informação, documento ou declaração. Esta conclusão é reafirmada na Opinião Consultiva 10.1. Fl. 1053DF CARF MF Impresso em 09/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/02/2015 por RODRIGO MINEIRO FERNANDES, Assinado digitalmente em 21/02 /2015 por RODRIGO MINEIRO FERNANDES, Assinado digitalmente em 02/03/2015 por HENRIQUE PINHEIRO TORRE S 10 Seria incorreto deduzir que ficam implicitamente excluídos quaisquer outros direitos das administrações aduaneiras que não estejam mencionados no Artigo 17 ou no parágrafo 6 do Anexo III. Os direitos que não estejam mencionados expressamente no Acordo, assim como os direitos e as obrigações dos importadores e das Aduanas na determinação do valor aduaneiro, dependerão das leis e regulamentos nacionais. A Opinião Consultiva 10.1 do Comitê Técnico de Valoração Aduaneira, interpretando o disposto no Artigo 17 e demais princípios do AVAGATT, afirma que as Administrações Aduaneiras não são obrigadas pelo Acordo a levar em conta os documentos fraudulentos. Para o Comitê, o Acordo de Valoração Aduaneira baseiase nos elementos de fato reais, não fraudulentos, e “qualquer documentação que proporcione informações inexatas sobre esses elementos estaria em contradição com as intenções do Acordo.” Nas operações fraudulentas, quando um ou mais elementos da operação real de importação estiverem em desacordo com os elementos reproduzidos na Declaração de Importação e nos documentos instrutivos da importação, como por exemplo o real exportador, o importador, o adquirente de fato, a quantidade de mercadoria importada, além obviamente do valor aduaneiro, aplicação do Acordo de Valoração Aduaneira ficará prejudicada. Do Subfaturamento Saindo do campo da licitude, no qual as regras e princípios do Acordo de Valoração Aduaneira são de compulsória observação nas operações de importação, analisase, dentre as operações fraudulentas no comércio exterior, o subfaturamento. O subfaturamento é uma das operações fraudulentas com maior grau de ilicitude, por afrontar tanto a arrecadação tributária na incidência dos impostos e contribuições sobre o comércio exterior, quanto o principal bem jurídico tutelado pelas normas aduaneiras: o controle aduaneiro. Além, é claro, da afronta aos Princípios Constitucionais da Isonomia e da Livre Concorrência. Não é apenas os cofres públicos que são lesados com o subfaturamento, mas também a livre concorrência: em setores muito competitivos, qualquer redução de algum elemento de custo (no caso, os impostos e contribuições incidentes na importação) altera, de forma incisiva, o mercado, prejudicando as empresas que atuam de forma lícita. Também o controle cambial é afetado com a evasão de divisas, visto que a remessa da diferença entre os valores pactuados e os valores declarados na operação subfaturada darseá de forma ilícita, à margem do controle regular. A Administração Aduaneira tem o dever constitucional (art.237) de efetuar o controle aduaneiro, tanto para resguardar os interesses fazendários, quanto para defender a livre concorrência e outros direitos econômicos e sociais. É importante, mais uma vez, separar as operações lícitas das operações ilícitas para conceituarmos o subfaturamento, diferenciandoo de outra prática aparentemente similar: a subvaloração. Esta, uma irregularidade dentro do campo da licitude. Aquela, através da prática de um ato ilícito. O subfaturamento é realizado mediante o registro da Declaração de Importação com declaração de preço inferior ao efetivamente praticado, com base numa fatura comercial falsa (ideológica ou material). MARCELO PIMENTEL DE CARVALHO, em estudo sobre o Valor Aduaneiro, seus princípios, métodos e fraude, assim diferencia a subvaloração do subfaturamento: Entendese por subvaloração a declaração de valor aduaneiro inferior ao apurado em face de divergências quanto à interpretação do AVA e à subsunção dos fatos jurídicos a este. Por outro lado, subfaturamento é Fl. 1054DF CARF MF Impresso em 09/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/02/2015 por RODRIGO MINEIRO FERNANDES, Assinado digitalmente em 21/02 /2015 por RODRIGO MINEIRO FERNANDES, Assinado digitalmente em 02/03/2015 por HENRIQUE PINHEIRO TORRE S Processo nº 11065.722843/201274 Acórdão n.º 3101001.795 S3C1T1 Fl. 8 11 entendido como a declaração de preço inferior ao realmente pago ou a pagar pelos produtos importados. (CARVALHO, 2007, p.208) ANTENORI TREVISAN NETO, em estudo sobre a aplicação do AVA GATT no Brasil, assim tratou da diferença entre os conceitos: (...) a subvaloração não resulta da prática de um ato ilícito, mas sim da imperfeita aplicação das regras do AVA(...). Já o subfaturamento requer a prática de ato ilícito vinculado à fatura comercial (...), que pode se revestir na inexatidão fraudulenta de informações constantes do referido documento ou na sua própria falsidade. (TREVISAN NETO, 2009, p.287) Esclarecido o conceito de subfaturamento, tornase importante caracterizar de que forma esse ato ilícito é praticado. Como no subfaturamento a prática ilícita é vinculada à fatura comercial, devese identificar quais tipos de ilicitude documental poderão ser praticadas. Na falsidade documental material, a ilicitude consiste na adulteração da forma do documento, no seu aspecto externo. Ocorre essa prática fraudulenta quando, por exemplo, o importador ou seu representante substitui a fatura enviada pelo exportador por outra fatura. Esse documento fraudulento foi produzido pelo importador, seu representante, ou por sua conta e ordem, para adulterar os elementos principais da fatura comercial (nome do importador ou real adquirente, nos casos de interposição fraudulenta e ocultação; preço, no caso de subfaturamento). Esse procedimento é muito frequente nas fraudes apuradas pela Administração Aduaneira brasileira, com a conjugação de subfaturamento e interposição fraudulenta de terceiros, com a fraude documental abrangendo tanto o importador, quanto o preço praticado. Já na falsidade documental ideológica, a ilicitude consiste na alteração de conteúdo do documento, ou seja, seu conteúdo apresenta declarações falsas, sem correspondência com a realidade do fatos. A falsidade ideológica sempre está presente no subfaturamento, que pode ser acompanhado também da falsidade material. Em ambos os casos (falsidade material e falsidade ideológica) a fatura comercial foi fraudada, caracterizando a ilicitude. O elemento de prova principal para caracterizar a falsidade documental é a identificação pela Autoridade Aduaneira das duas faturas (a fatura verdadeira, oculta e a fatura falsa, apresentada à fiscalização aduaneira), mas também poderão ser identificados e apresentados outros elementos que comprovam de forma clara e inequívoca a falsidade documental. A operação comercial efetivamente praticada poderá ser comprovada através de outros documentos como, por exemplo, as ordens de compra e as fatura próforma, cotações de preço, conjugados ou não com documentos financeiros. Para tratar dos casos fraudulentos envolvendo o preço praticado na importação, a legislação brasileira estabeleceu a possibilidade de arbitramento do preço para efeito de determinação da base de cálculo, nos casos de fraude, sonegação e conluio. A Medida Provisória n° 2.15835, de 24 de agosto de 2001, dispôs em seu Artigo 88 que a base de cálculo dos tributos será determinada mediante arbitramento do preço da mercadoria, nos casos em que haja fraude, sonegação ou conluio e que não seja possível a Fl. 1055DF CARF MF Impresso em 09/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/02/2015 por RODRIGO MINEIRO FERNANDES, Assinado digitalmente em 21/02 /2015 por RODRIGO MINEIRO FERNANDES, Assinado digitalmente em 02/03/2015 por HENRIQUE PINHEIRO TORRE S 12 apuração do preço efetivamente praticado na importação, estabelecendo os critérios para arbitramento: Art. 88. No caso de fraude, sonegação ou conluio, em que não seja possível a apuração do preço efetivamente praticado na importação, a base de cálculo dos tributos e demais direitos incidentes será determinada mediante arbitramento do preço da mercadoria, em conformidade com um dos seguintes critérios, observada a ordem seqüencial: I preço de exportação para o País, de mercadoria idêntica ou similar; II preço no mercado internacional, apurado: a) em cotação de bolsa de mercadoria ou em publicação especializada; b) de acordo com o método previsto no Artigo 7 do Acordo para Implementação do Artigo VII do GATT/1994, aprovado pelo Decreto Legislativo no 30, de 15 de dezembro de 1994, e promulgado pelo Decreto no 1.355, de 30 de dezembro de 1994, observados os dados disponíveis e o princípio da razoabilidade; ou c) mediante laudo expedido por entidade ou técnico especializado. O dispositivo legal acima referido encontrase lastreado também no artigo 148 do Código Tributário Nacional, que dispõe que a Autoridade Fiscal deverá arbitrar a base de cálculo do tributo “sempre que sejam omissos ou não mereçam fé as declarações ou os esclarecimentos prestados, ou os documentos expedidos pelo sujeito passivo ou pelo terceiro legalmente obrigado”. O arbitramento previsto no artigo 88 da Medida Provisória n° 2.15835 caracterizase como uma exceção à apuração da base de cálculo do imposto de importação (e consequentemente dos demais tributos incidentes na importação): nos casos regulares, a base de cálculo do imposto de importação, de acordo com o artigo 2º do DecretoLei nº 37/66, com a redação dada pelo artigo 1º do DecretoLei no 2.472/88, é o Valor Aduaneiro definido no Artigo VII do Acordo Geral sobre Tarifas Aduaneiras e Comércio (GATT); já nos casos de fraude, sonegação ou conluio, em que não seja possível a apuração do preço efetivamente praticado na importação, a base de cálculo será determinada mediante arbitramento do preço da mercadoria. Nos casos de fraude, sonegação e conluio, a Autoridade Aduaneira, para identificar a base de cálculo dos tributos incidentes na importação, inicialmente deverá apurar o preço efetivamente praticado na operação comercial. Não se trata de seguir de forma obrigatória Acordo de Valoração Aduaneira, mas de identificar o valor real da operação de importação. Apenas quando o preço real praticado não puder ser identificado é que a Autoridade Aduaneira deverá arbitrar o preço da mercadoria importada, seguindo os critérios apontados nos incisos I e II do artigo 88 da Medida Provisória n° 2.15835. Destacase também que o referido artigo, na alínea b do inciso II, expressamente condiciona o arbitramento à observância ao princípio da razoabilidade. Dos fatos apurados Durante o procedimento foram encontradas várias invoices nos dois estabelecimentos, LAUTHER e COTRY, onde foram realizadas as diligências, que Fl. 1056DF CARF MF Impresso em 09/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/02/2015 por RODRIGO MINEIRO FERNANDES, Assinado digitalmente em 21/02 /2015 por RODRIGO MINEIRO FERNANDES, Assinado digitalmente em 02/03/2015 por HENRIQUE PINHEIRO TORRE S Processo nº 11065.722843/201274 Acórdão n.º 3101001.795 S3C1T1 Fl. 9 13 comprovaram o valor de transação, e alguns email trocados relativos a pagamentos efetuados, que também demonstrariam o subfaturamento praticado. Com base nesses elementos, entendo que a autoridade fiscal conseguiu apurou o valor tributável com base nos valores efetivamente pagos pelas mercadorias, em atendimento ao princípio da primazia do valor de transação, para as seguintes declarações de importação: 1. DI 08/10035639 (fls. 486 a 495), Invoice nº HS080502 (fls. 496 e 497). 2. DI 08/12336679 (fls. 498 a 504), Invoice nº HS080702 (fl. 505). 3. DI 08/14501138 (fls. 506 a 511), Invoice nº HS080611 (fls. 512 e 514). 4. DI 09/00375072 (fls. 515 a 526), Invoice nº HS080811 (fl. 527). 5. DI 09/01258851 (fls. 529 a 530), Invoice nº 09ST01001EX (fl. 531). 6. DI 09/03287263 (fls. 532 a 535), Invoice nº QX081113 (fl. 536). 7. DI 09/05206805 (fls. 537 a 542), Invoice nº 20090203P001 (fls. 543 e 544). 8. DI 09/07248718 (fls. 545 a 550), Invoice nº 09PD01464 (fl. 551). 9. DI 09/09357883 (fls. 552 a 559), Invoice nº HS090408B (fl. 560). 10. DI 09/09436015 (fls. 561 a 568), Invoice nº HS090221 (fl. 569). 11. DI 09/17255717 (fls. 570 a 583), Invoice nº HS091016 (fls. 584 e 585). 12. DI 09/17751960 (fls. 586 a 590), Invoice nº QX091113 (fl. 591). 13. DI 10/04359448 (fls. 592 a 600), Invoice nº HS100107 (fl. 601). 14. DI 10/05943178 (fls. 602 a 608), Invoice nº 1002156 (fl. 609). 15. DI 10/06296656 (fls. 610 a 624), Invoice nº HS100301 (fl. 625). 16. DI 10/07219086 (fls. 626 a 633), Invoice nº HS100303 (fl. 634). 17. DI 10/08907563 (fls. 635 a 640), Invoice nº ET09002SG (fl. 641). 18. DI 10/10953356 (fls. 642 a 653), Invoice nº HS100505 (fl. 654). 19. DI 10/12547800 (fls. 655 a 661), Invoice nº HS100527 (fl. 662). 20. DI 10/15895184 (fls. 663 a 671), Invoice nº WZ201007B (fls. 672 a 675). 21. DI 10/18688821 (fls. 676 a 684), Invoice nº HS100908 (fl. 685). 22. DI 10/19570450 (fls. 686 a 688), email (fl. 689). Fl. 1057DF CARF MF Impresso em 09/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/02/2015 por RODRIGO MINEIRO FERNANDES, Assinado digitalmente em 21/02 /2015 por RODRIGO MINEIRO FERNANDES, Assinado digitalmente em 02/03/2015 por HENRIQUE PINHEIRO TORRE S 14 23. DI 10/21794378 (fls. 690 a 696), Invoice nº HS101012 (fl. 697). 24. DI 11/06632771 (fls. 698 a 713), Invoice nº HS1101120 (fl. 714). 25. DI 11/10448726 (fls. 715 a 732), Invoice nº HS110129 (fls. 733 e 735). 26. DI 08/14500581 (fls. 736 a 740), Invoice nº 2008HY0808 (fl. 741). 27. DI 10/12534121 (fls. 742 a 754), Invoice nº HS100401 (fls. 755 e 756). 28. DI 08/15908622 (fls. 757 a 766), Invoice nº HS080528DH (fl. 767). 29. DI 08/06307735 (fls. 768 a 772), Invoice nº 08PD01348 (fl. 773). 30. DI 08/18289044 (fls. 774 a 777), Invoice nº 08PD01409 (fls. 778 e 779). 31. DI 08/11454112 (fls. 780 a 784), Invoice nº 20080609P002 (fls. 785 e 786). Considerando os elementos de prova acima relacionados, entendo como correto o procedimento adotado pela autoridade fiscal para as referidas Declarações de Importação e o lançamento efetuado relativo à diferença dos tributos. A autoridade fiscal utilizouse também do 2º método de valoração, pela impossibilidade de determinação do valor aduaneiro das mercadorias pelo primeiro método de valoração. Foi utilizado o valor transação de mercadoria alegadamente idêntica, vendida para exportação para o mesmo país de importação e exportadas ao mesmo tempo (ou tempo aproximado) que as mercadorias objeto de valoração. A fiscalização assim justificou a equiparação entre os equipamentos importados: “A Lauther importou dois centros de usinagem de furação e rosqueamento, através das DIs 10/19570450 e 11/09941589. Conforme descrição dos equipamentos reproduzida abaixo, podese verificar que se tratam de equipamentos idênticos. Há somente duas diferenças entre eles, a máquina adquirida em 2011 tem um comando numérico computadorizado (CNC) diferente e o curso do eixo Z também é 100mm maior. Nesses dois casos isso acarretaria aumento no valor do equipamento, pois para fabricar um equipamento com um curso maior, há necessidade de guias, réguas de aferição do posicionamento, eixo também maiores. E para garantir a precisão do posicionamento em cursos maiores o fabricante deve aumentar” Fl. 1058DF CARF MF Impresso em 09/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/02/2015 por RODRIGO MINEIRO FERNANDES, Assinado digitalmente em 21/02 /2015 por RODRIGO MINEIRO FERNANDES, Assinado digitalmente em 02/03/2015 por HENRIQUE PINHEIRO TORRE S Processo nº 11065.722843/201274 Acórdão n.º 3101001.795 S3C1T1 Fl. 10 15 A fiscalização apontou que, apesar da DI 10/19570450 constar o valor de US$27.410,00, foi apurado que o valor efetivamente praticado naquela negociação era de US$52.800,00 dólares, valor este utilizado para a DI 11/09941589. Entretanto, apesar das considerações apresentadas pela autoridade fiscal, entendo que as diferenças entre os equipamentos objeto das referidas DI’s não permitem considerálos como sendo idênticos para fins de arbitramento do valor, sem proceder a ajustes. Considero que faltou um parecer técnico entre as semelhanças dos equipamentos, e uma prova do valor dos itens diferentes, para identificar o valor a ser utilizado. Para as DI’s abaixo relacionadas, a fiscalização arbitrou o preço considerando o percentual de 60% de subfaturamento, com base nas outras DI’s cujo valor de transação apurado indicou esse percentual médio de subfaturamento. 1. DI 07/08080132 2. DI 07/08589884 3. DI 07/09741604 4. DI 07/14112377 5. DI 07/14830091 6. DI 07/16782990 7. DI 07/16999743 8. DI 07/17280947 9. DI 08/01568573 10. DI 08/01956832 11. DI 08/02235888 12. DI 08/03340952 13. DI 08/05482622 14. DI 08/06079309 15. DI 08/06307735 16. DI 08/06655458 17. DI 08/06738990 18. DI 08/07978714 19. DI 08/08090407 20. DI 09/13101529 21. DI 10/03839390 Fl. 1059DF CARF MF Impresso em 09/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/02/2015 por RODRIGO MINEIRO FERNANDES, Assinado digitalmente em 21/02 /2015 por RODRIGO MINEIRO FERNANDES, Assinado digitalmente em 02/03/2015 por HENRIQUE PINHEIRO TORRE S 16 22. DI 10/08015441 23. DI 10/10113722 24. DI 10/15020927 25. DI 10/16915030 26. DI 11/01105102 27. DI 11/01631742 28. DI 11/03447566 29. DI 11/09536137 30. DI 11/13332354 31. DI 11/15422431 32. DI 11/15811888 33. DI 11/18437359 34. DI 11/20177334 Já para as 34 DI’s acima relacionadas, cujo arbitramento considerou um percentual médio de subfaturamento, entendo que tal procedimento carece de previsão legal, mesmo considerando a previsão da alínea b do inciso II do artigo 88 da Medida Provisória n° 2.15835. Tal previsão de arbitramento, de acordo com o método previsto no Artigo 7 do AVAGATT, deve considerar os dados disponíveis e o princípio da razoabilidade. Para as referidas DI’s, não foram encontrado dados suficientes para o arbitramento, e a metodologia utilizada pela fiscalização de considerar um percentual médio de subfaturamento com base nas outras Declarações de Importação, não pode ser considerado como razoável. Entendo que o arbitramento deve partir de elementos sólidos, relativos a mesma mercadoria ou equivalente. Portanto, considerando a ausência de prova do subfaturamento praticado, e pela ausência dos requisitos legais para o arbitramento dos valores, dou provimento ao recurso voluntário para excluir as infrações relativas às Declarações de Importação 11/09941589, 07/08080132, 07/08589884, 07/09741604, 07/14112377, 07/14830091, 07/16782990, 07/16999743, 07/17280947, 08/01568573, 08/01956832, 08/02235888, 08/03340952, 08/05482622, 08/06079309, 08/06307735, 08/06655458, 08/06738990, 08/07978714, 08/08090407, 09/13101529, 10/03839390, 10/08015441, 10/10113722, 10/15020927, 10/16915030, 11/01105102, 11/01631742, 11/03447566, 11/09536137, 11/13332354, 11/15422431, 11/15811888, 11/18437359 e 11/20177334. Das penalidades aplicadas Insurgese, ainda, a recorrente contra as multas aplicadas e sugere que seja aplicada apenas a penalidade fixada na diferença de tributos apurados, acrescidos da multa administrativa de 100% sobre tal valor, excluindo a multa de ofício fixada em 150%. A recorrente não contesta a aplicação da multa de subfaturamento, mas a multa majorada de 150% e alega desproporcionalidade. As provas trazidas aos autos demonstram de forma inequívoca a prática reiterada de atos fraudulentos e simulatórios, com o intuito de reduzir a base de cálculo dos tributos aduaneiros. Dessa forma, tornase indispensável a aplicação da multa qualificada de 150% sobre a diferença de tributo devida, prevista no art. 44, §1º, da Lei nº 9.430/1996, pela caracterização de sonegação fiscal, fraude e também o conluio. Relativo ao argumento de desproporcionalidade da multa aplicada, não cabe a esse órgão julgador sua apreciação, visto que estando a penalidade prevista em lei, sua Fl. 1060DF CARF MF Impresso em 09/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/02/2015 por RODRIGO MINEIRO FERNANDES, Assinado digitalmente em 21/02 /2015 por RODRIGO MINEIRO FERNANDES, Assinado digitalmente em 02/03/2015 por HENRIQUE PINHEIRO TORRE S Processo nº 11065.722843/201274 Acórdão n.º 3101001.795 S3C1T1 Fl. 11 17 aplicação no julgamento do processo administrativo fiscal é mandamento, mesmo sob o fundamento de inconstitucionalidade, conforme expressamente determina o artigo 62 do Regimento Interno do CARF e a Súmula CARF nº 2. Assim, não merece reparo o acórdão recorrido quanto à aplicação da multa qualificada questionada. Das conclusões Diante do exposto, voto por dar provimento parcial ao Recurso Voluntário, para excluir a exação referente as Declarações de Importação 11/09941589, 07/08080132, 07/08589884, 07/09741604, 07/14112377, 07/14830091, 07/16782990, 07/16999743, 07/17280947, 08/01568573, 08/01956832, 08/02235888, 08/03340952, 08/05482622, 08/06079309, 08/06307735, 08/06655458, 08/06738990, 08/07978714, 08/08090407, 09/13101529, 10/03839390, 10/08015441, 10/10113722, 10/15020927, 10/16915030, 11/01105102, 11/01631742, 11/03447566, 11/09536137, 11/13332354, 11/15422431, 11/15811888, 11/18437359 e 11/20177334. Sala das sessões, em 27 de janeiro de 2015. [assinado digitalmente] Rodrigo Mineiro Fernandes – Relator Fl. 1061DF CARF MF Impresso em 09/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/02/2015 por RODRIGO MINEIRO FERNANDES, Assinado digitalmente em 21/02 /2015 por RODRIGO MINEIRO FERNANDES, Assinado digitalmente em 02/03/2015 por HENRIQUE PINHEIRO TORRE S
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