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Numero do processo: 10845.001015/2002-87
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jan 29 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed May 07 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 22/12/1987 a 28/12/1989
PAF - RECURSO - ARGÜIÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI - LIMITES - PRECEDENTES DO CARF, STF E STJ.
É assente na jurisprudência administrativa a autoridade administrativa não é competente para decidir sobre a constitucionalidade dos atos baixados pelo Poder Legislativo, salvo se a respeito dela já houver pronunciamento do STF, cuja orientação tem efeito vinculante e eficácia subordinante para os demais tribunais, eis que a desobediência à autoridade decisória dos julgados proferidos pelo STF importa na invalidação do ato que a houver praticado.
RESTITUIÇÃO - TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO - PRAZO - PRECEDENTES DO STF E STJ.
A Jurisprudência Judicial pacificou-se no sentido de que o prazo para a repetição de tributo sujeito a lançamento por homologação, relativamente aos pagamentos efetuados a partir da vigência da LC n. 118/2005 é de cinco anos a contar da data do pagamento indevido; e, relativamente aos pagamentos anteriores, a prescrição obedece ao regime previsto no sistema anterior (tese dos "5 + 5"). Ao pressupor a existência de créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos do sujeito passivo contra a Fazenda Pública (art. 170 do CTN; Lei nº 9.430, de 1996, art. 74, § 1º, e Medida Provisória nº 66, de 2002, art. 49; RIPI/02 Decreto nº 4.544/02 - DOU 27/12/2002, art. 208), a lei somente autoriza a homologação de compensação, em pedidos que tenham por objeto créditos contra a Fazenda, cujo direito à restituição ainda não se ache extinto, o que inocorre no caso.
Numero da decisão: 3402-002.293
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, negou-se provimento ao recurso voluntário.
GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO
Presidente
FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D'EÇA
Relator
Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros Gilson Macedo Rosenburg Filho (Presidente Substituto), Fernando Luiz da Gama Lobo d'Eça (Relator), Luiz Carlos Shimoyana (Suplente), Silvia de Brito Oliveira, Raquel Motta Brandão Minatel (Substituta) e João Carlos Cassuli Júnior. Ausente, justificadamente Francisco Maurício R de Albuquerque Silva e Nayra Bastos Manatta..
Nome do relator: FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA
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A declaração de inconstitucionalidade pelo STF da Cota de Contribuição nas exportações de café devida ao IBC, instituída pelo DecretoLei nºs 2.295/86, suspenso por Resolução do Senado nº 25/05, autoriza a restituição do tributo recolhido de acordo com a base de cálculo declarada inconstitucional (arts. 165 a 168 do CTN) desde que requerida dentro do prazo legal. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 22/12/1987 a 28/12/1989 PAF RECURSO ARGÜIÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI LIMITES PRECEDENTES DO CARF, STF E STJ. É assente na jurisprudência administrativa a autoridade administrativa não é competente para decidir sobre a constitucionalidade dos atos baixados pelo Poder Legislativo, salvo se a respeito dela já houver pronunciamento do STF, cuja orientação tem efeito vinculante e eficácia subordinante para os demais tribunais, eis que a desobediência à autoridade decisória dos julgados proferidos pelo STF importa na invalidação do ato que a houver praticado. RESTITUIÇÃO TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO PRAZO PRECEDENTES DO STF E STJ. A Jurisprudência Judicial pacificouse no sentido de que o prazo para a repetição de tributo sujeito a lançamento por homologação, relativamente aos pagamentos efetuados a partir da vigência da LC n. 118/2005 é de cinco anos a contar da data do pagamento indevido; e, relativamente aos pagamentos AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 84 5. 00 10 15 /2 00 2- 87 Fl. 798DF CARF MF Impresso em 07/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/02/2014 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente e m 05/02/2014 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente em 19/02/2014 por GILSON MA CEDO ROSENBURG FILHO 2 anteriores, a prescrição obedece ao regime previsto no sistema anterior (tese dos "5 + 5"). Ao pressupor a existência de créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos do sujeito passivo contra a Fazenda Pública (art. 170 do CTN; Lei nº 9.430, de 1996, art. 74, § 1º, e Medida Provisória nº 66, de 2002, art. 49; RIPI/02 Decreto nº 4.544/02 DOU 27/12/2002, art. 208), a lei somente autoriza a homologação de compensação, em pedidos que tenham por objeto créditos contra a Fazenda, cujo direito à restituição ainda não se ache extinto, o que inocorre no caso. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, negouse provimento ao recurso voluntário. GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO Presidente FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D'EÇA Relator Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros Gilson Macedo Rosenburg Filho (Presidente Substituto), Fernando Luiz da Gama Lobo d'Eça (Relator), Luiz Carlos Shimoyana (Suplente), Silvia de Brito Oliveira, Raquel Motta Brandão Minatel (Substituta) e João Carlos Cassuli Júnior. Ausente, justificadamente Francisco Maurício R de Albuquerque Silva e Nayra Bastos Manatta.. Relatório Tratase de Recurso Voluntário (fls. 361/371) contra o Acórdão DRJ/SPOII nº 1725.560 de 05/06/08 constante de fls. 338/356 exarado pela da 1ª Turma da DRJ de São Paulo SP que, por unanimidade de votos, houve por bem “não homologar a compensação” indeferindo a manifestação de inconformidade de fls. 410/414, mantendo o r. Despacho decisório nº 673/03 (fls. 173/179) da DRF de Santos – SP, que indeferiu o Pedido de Restituição da cota de contribuição nas exportações de café devida ao IBC (fls. 01) no valor de R$ 317.511,67, protocolado em 19/03/02, e relativo a recolhimentos supostamente indevidos da referida contribuição efetuados, no período de dezembro de 1987 a dezembro de 1989 com base no DecretoLei nºs 2.295/86 julgado inconstitucional pelo Pleno do STF (RE n° 191.0445/SP e 198.554/SP), e deixou de homologar a compensação relatada nos Pedidos de Compensação (fls. 50, 92, 97, 105, 112, 119, 126, 130, 137, 138, 139, 142, 149, 154, 165, 166 e 170) de tributos administrados pela SRF. Fl. 799DF CARF MF Impresso em 07/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/02/2014 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente e m 05/02/2014 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente em 19/02/2014 por GILSON MA CEDO ROSENBURG FILHO Processo nº 10845.001015/200287 Acórdão n.º 3402002.293 S3C4T2 Fl. 3 3 O r. Despacho decisório nº 673/03 (fls. 173/179) da DRF de Santos SP indeferiu os Pedidos de Restituição e Compensação, aos fundamentos explicitados nos seguintes termos: “Segundo informa, o fundamento de sua presunção creditória foi a decisão proferida pelo STF, quando do julgamento do recurso extraordinário nº 191.0445 em que declarou que a contribuição para o IBC não fora recepcionada pela CF de 1988 e, portanto, sua cobrança seria indevida após sua promulgação. Tal acórdão, salientese, foi exarado no controle difuso da constitucionalidade em ação da qual a interessada não participou e que gerou efeitos entre as partes. Além do mais, do exame dos documentos acostados ao autos, não se tem notícia de que a empresa esteja ao abrigo de tutela jurisdicional que a isentasse do recolhimento da taxa com a consequente repetição do indébito. Como foi a sua decisão de vir socorrerse na via administrativa, a contribuinte deve subordinarse às regras da Administração atinentes á restituição de tributos, á luz das quais, também nãos e vislumbra o direito creditório pleiteado. A menção ao acórdão 303/2000 emanado do 3º Conselho de Contribuintes não sustenta eventual acolhimento desse suposto direito, posto que a decisão em causa não vincula os agentes da Secretaria da Receita Federal, submetidos que são ao princípio da legalidade, consubstanciado no procedimento de somente poder agir nos limites estritos das normas que lhe são impostas. Mesmo o Decreto 2346/97, cujo artigo 1º transcrevemos, que autoriza a extensão dos efeitos das decisões proferidas pelo STF no controle da constitucionalidade das leis, não se aplica em tela, pois há que se ter autorização legal para tanto, o que não existe. Artigo 1º As decisões do Supremo Tribunal Federal que fixem, de maneira, inequívoca e definitiva, interpretação do texto constitucional deverão ser uniformemente observadas pela Administração Pública Federal Direta e indireta, obedecidos os procedimentos estabelecidos neste decreto. Paragrafo 1°: Transitada em julgado decisão do STF que declare a inconstitucionalidade de lei ou ato normativo, em ação direta, dotada de eficácia ex tunc, produzirá efeitos desde a entrada em vigor da norma declarada inconstitucional, salvo se o ato praticado com base na lei ou ato normativo inconstitucional não mais for suscetível e revisão administrativa ou judicial. Parágrafo 2°: 0 disposto no parágrafo anterior aplicase, igualmente, lei ou ato normativo que tenha sua inconstitucionalidade proferida incidentalmente pelo STF, após a sua suspensão pelo Senado Federal." Fl. 800DF CARF MF Impresso em 07/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/02/2014 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente e m 05/02/2014 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente em 19/02/2014 por GILSON MA CEDO ROSENBURG FILHO 4 Além do mais se direito houvera, este teria sido sepultado pelo tempo pois, a restituição das taxas para o IBC, relativas aos períodos de apuração de e 1987 a 1989, foi requerida em 19 de março de 2002, ensejando também seu indeferimento com base no instituto da decadência, em razão do lapso temporal acima de cinco anos, o que contraria os termos do artigo 168 da Lei nº 5.172/66, Código Tributário nacional. Art. 168. 0 direito de pleitear a restituição extinguese com o decurso do prazo de 5 (cinco) anos, contados: I nas hipótese dos incisos I e II do artigo 165, da data da extinção do crédito tributário; II na hipótese do inciso III do artigo 165, da data em que se tornar definitiva a decisão administrativa ou passar em julgado a decisão judicial que tenha reformado, anulado, revogado ou rescindido a decisão condenatória. Ainda, por oportuno, deve ser mencionado o Ato Declaratório SRF N° 096, de 26 de novembro de 1999, que pôs fim as controvérsias no âmbito administrativo, quanto ao prazo para a repetição de indébito de contribuição ou tributo pago com base em lei posteriormente declarada inconstitucional pelo STF no exercício dos controles difuso e concentrado. I o prazo para que o contribuinte possa pleitear a restituição e tributo ou contribuição pago indevidamente ou em valor maior que o devido, inclusive na hipótese de o pagamento ter sido efetuado com base em lei posteriormente declarada inconstitucional pelo Supremo Tribunal Federal em ação declaratória ou em recurso extraordinário, extinguese após o transcurso do prazo de cinco anos, contado da data da extinção do crédito tributário — artigos 165, I, e 168, II, da Lei nº 5.172 de 25 de outubro de 1966 (Código Tributário Nacional). Portanto, com base no acima exposto e com fundamento nos artigos 165 combinado com o 168 do CTN, proponho o não reconhecimento do direito creditório da contribuinte relativo aos pagamentos feitos sob o código de receita 2719, nos períodos de apuração de dezembro de 1987 a dezembro de 1989, da taxa de contribuição sobre exportação de café, bem como o INDEFERIMENTO de seu pedido de restituição, no valor de R$367.511,27, formulado á fl. 01. Em decorrência, proponho ainda o indeferimento da compensação dos tributos listados na planilha de fls. 01/02 do presente Termo, os quais devem ter sua suspensão da exigibilidade anulada, promovendose as suas cobranças, em conformidade com a legislação vigente. .... Em 29/12/2003 .... Considerando os fundamentos de fato e de direito expostos acima, bem como tudo o mais que do processo, INDEFIRO o Fl. 801DF CARF MF Impresso em 07/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/02/2014 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente e m 05/02/2014 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente em 19/02/2014 por GILSON MA CEDO ROSENBURG FILHO Processo nº 10845.001015/200287 Acórdão n.º 3402002.293 S3C4T2 Fl. 4 5 pedido de restituição apesentado pela interessada, no valor de R$367.511,27, conforme requerimento de fl. 01, relativo às taxas para o IBC recolhidas nos períodos de apuração de 1988 a 1989, conforme Darf´s de fls. 13/29, sob o código 2719. Em decorrência, os créditos tributários em aberto, cujas exigibilidades estão suspensas nos sistemas eletrônicos da SRF, em função da compensação requerida, deverão ser restaurados, promovendose as suas cobranças em conformidade com a legislação vigente. Dêse ciência desta decisão à interessada, ressalvandolhe o direito de, no caso de discordância, apresentar impugnação contra a decisão que indeferiu a restituição requerida, dirigida ao Sr. Delegado da Receita Federal de Julgamento em São Paulo, no prazo máximo de 30 (trinta dias) contados da ciência desta.” Por seu turno a decisão de fls. 338/356 da 1ª Turma da DRJ de São Paulo SP, houve por bem “não homologar a compensação” indeferindo a manifestação de inconformidade de fls. 410/414 e mantendo o r. Despacho decisório nº 673/03 (fls. 173/179) da DRF de Santos SP, aos fundamentos sintetizados em sua ementa exarada nos seguintes termos: “ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 22/12/1987 a 28/12/1989 Restituição do Indébito de Contribuição para o IBC nas exportações de café. Extensão de declaração de inconstitucionalidade proferida Pelo STF, nos casos de controle difuso. Prazo decadencial. INCONSTITUCIONALIDADE: Os órgãos administrativos de julgamento podem estender os efeitos de declaração de inconstitucionalidade proferida pelo STF, nos casos de controle difuso se houver inequívoca manifestação do Supremo Tribunal Federal. Quando a decisão do STF não se trata especificamente do mesmo assunto, a extensão não pode ser adotada. ( Lei 9430/96; art. 77), do Decreto 2346/97 e Parecer PGFN 948/98). DECADÊNCIA: Em observância ao princípio da segurança das relações jurídicas, o direito não pode retroagir no tempo indefinidamente. A declaração de inconstitucionalidade produz efeito ex tunc, salvo se o ato praticado com base na lei ou ato normativo inconstitucional não mais for suscetível de revisão administrativa ou judicial ( Decreto 2346/97). O prazo decadencial contase a partir do pagamento indevido, por analogia do disposto no artigo 168, do CTN (Parecer PGFN 1538/99 e ADNSRF 96/99). COMPENSAÇÃO DE DÉBITOS VINCULADA AO RECONHECIMENTO DE DIREITO CREDITÓRIO Conforme art. 170 da Lei n 5.172, de 25 de outubro de 1966 (Código Tributário Nacional), a Lei pode, nas condições e sob as Fl. 802DF CARF MF Impresso em 07/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/02/2014 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente e m 05/02/2014 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente em 19/02/2014 por GILSON MA CEDO ROSENBURG FILHO 6 garantias 'que estipular, ou cuja estipulação em cada caso atribuir à autoridade administrativa, autorizar a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda Pública. Não reconhecido o direito creditório pleiteado, e descaracterizado como crédito líquido certo do sujeito passivo contra a Fazenda Pública não cabe homologação das compensações a ele vinculadas. Compensação não Homologada” Nas razões de Recurso Voluntário (fls. 361/371) oportunamente apresentadas, a ora Recorrente sustenta que a reforma da r. decisão recorrida e a legitimidade do crédito compensando, tendo em vista: a) ser incontroversa a declaração de inconstitucionalidade pelo Pleno do STF (RE n° 191.0445/SP e 198.554/SP) da cota de contribuição nas exportações de café devida ao IBC instituída pelo DecretoLei nºs 2.295/86, suspenso por Resolução do Senado nº 25/05, com base no qual foram feitos os recolhimentos indevidos, sendo que a decisão do STF é definitiva, sendo inequívoca a demonstração do crédito das Guias DARFs (fls. 22/29) em nome da Recorrente; b) que não teria havido a decadência ou prescrição de seu direito à restituição, eis que a Recorrente obteve a declaração de inconstitucionalidade da exigência do pagamento do IBC, através de Ação Declaratória nº 89.00257196, que tramitou na 10ª Vara Federal do Rio de Janeiro, no TRF da 2ª Região (AC nº 96.02.083662), com certidão de trânsito em julgada de 27/05/02, conforme demonstrado pelos documentos anexados aos autos, notadamente, a Certidão de Objeto e Pé do referido processo (fls. 278 do processo original e fls. 484 do processo digitalizado), conforme documentos juntados às fls. 469/485 do processo digitalizado. É o Relatório. Voto Conselheiro FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D'EÇA, Relator O Recurso Voluntário reúne as condições de admissibilidade e, no mérito, não merece ser provido. Inicialmente anoto ser assente na jurisprudência deste Conselho que “a autoridade administrativa não é competente para decidir sobre a constitucionalidade dos atos baixados pelos Poderes Legislativo”, salvo se a respeito dela já houver pronunciamento do STF, cuja orientação tem efeito vinculante e eficácia subordinante, eis que a desobediência à autoridade decisória dos julgados proferidos pelo STF importa na invalidação do ato que a houver praticado (cf. Ac. do STFPleno na Reclamação nº 1.770RN, rel. Min. Celso de Mello, publ. in RTJ 187/468; cf. Ac. do STFPleno na Reclamação nº 952, rel. Min. Celso de Mello publ. in RTJ 183/486). E isto porque, como também esclareceu o E. STJ, “a inconstitucionalidade é vício que acarreta a nulidade ex tunc do ato normativo, que, por isso mesmo, já não pode ser considerado para qualquer efeito” e, “embora tomada em controle difuso, a decisão do STF tem natural vocação expansiva, com eficácia imediatamente vinculante para os demais tribunais, inclusive para o STJ (CPC, art. 481, § único), e com a força de inibir a execução de sentenças judiciais contrárias (CPC, art. 741, § único; art. 475L, § 1º, redação da Lei 11.232/05)” (cf. Ac. da 1ª Turma do STJ no RESP nº 828.106SP, Reg. nº Fl. 803DF CARF MF Impresso em 07/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/02/2014 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente e m 05/02/2014 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente em 19/02/2014 por GILSON MA CEDO ROSENBURG FILHO Processo nº 10845.001015/200287 Acórdão n.º 3402002.293 S3C4T2 Fl. 5 7 200600690920, em sessão de 02/05/06, Rel. Min. TEORI ALBINO ZAVASCKI, publ. in DJU de 15/05/06, pág. 186). No caso é inequívoco que o Plenário da Suprema Corte declarou a inconstitucionalidade da cota de contribuição nas exportações de café devida ao IBC instituída pelo DecretoLei nºs 2.295/86, suspenso por Resolução do Senado nº 25/05, como se pode ver da seguinte e elucidativa ementa: “EMENTA: CONSTITUCIONAL. CONTRIBUIÇÃO. I.B.C. CAFÉ: EXPORTAÇÃO: COTA DE CONTRIBUIÇÃO: D.L. 2295, de 21.11.86, artigos 3º e 4º. C.F., 1967, art. 21, § 2º, I; C.F., 1988, art. 149. I. Não recepção, pela CF/88, da cota de contribuição nas exportações de café, dado que a CF/88 sujeitou as contribuições de intervenção à lei complementar do art. 146, III, aos princípios da legalidade (C.F., art. 150, I), da irretroatividade (art. 150, III, a) e da anterioridade (art. 150, III, b). No caso, interessa afirmar que a delegação inscrita no art. 4º do D.L. 2295/86 não é admitida pela CF/88, art. 150, I, ex vi do disposto no art. 146. Aplicabilidade, de outro lado, do disposto nos artigos 25, I, e 34, § 5º, do ADCT/88. II. RE não conhecido.” (cf. Ac. do STF – Pleno no RE nº 191044SP, em sessão de 18/09/97, Rel. Min. CARLOS VELLOSO, publ. in DJU de 31/10/97, pág. 55563 EMENT VOL 0188905 PP00817) Assim, é evidente que a declaração de inconstitucionalidade da cota de contribuição nas exportações de café devida ao IBC instituída pelo DecretoLei nºs 2.295/86, suspenso por Resolução do Senado nº 25/05, autoriza a restituição do tributo recolhido de acordo com a base de cálculo declarada inconstitucional. Como também é elementarmente sabido, o direito à repetição do indébito tributário, seja em razão de erro de fato ou de direito, decorre diretamente da própria Constituição e encontra seu fundamento jurídico nos princípios da legalidade da Tributação e da Administração constitucionalmente assegurados (arts. 37 e 150, inc. I da CF/88) que, como ensina Brandão Machado, consubstanciam, não só o “fio diretor do comportamento da administração pública”, mas também a “fonte” do direito público subjetivo do indi víduo de não ser tributado senão exatamente como prescreve a lei (cf. in “Estudos em homenagem ao Prof. Ruy Barbosa Nogueira”, Ed. Saraiva, 1984, pág. 86), cuja inobservância enseja violação do direito de quem paga o tributo, que por sua vez adquire, no exato momento em que cumpre a obrigação tributária indevida, os direitos ao crédito e à pretensão contra a Fazenda Pública, da restituição do indébito. Cumprindo sua vocação especifica de estabelecer normas gerais em matéria de legislação tributária especialmente sobre decadência (art. 146, inc. III, alínea “b da CF/88), a Lei Complementar recepcionada pela Constituição (ex. vi do § 5º do art. 34 do ADCT/CF), posteriormente veio estabelecer que o direito de pleitear a restituição do indébito tributário, seja qual for a modalidade do pagamento indevido, extinguese em 5 anos, contados a partir da data de efetivação do recolhimento indevido (arts. 165 e 168 do CTN), tal como reconhecido pelos PGFN/CAT 678/99 e PGFN/CAT 1538/99. Fl. 804DF CARF MF Impresso em 07/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/02/2014 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente e m 05/02/2014 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente em 19/02/2014 por GILSON MA CEDO ROSENBURG FILHO 8 Entretanto, com a ressalva de minha posição pessoal, verificase que a Jurisprudência do STF e da 1ª Seção do E. STJ se pacificou no sentido de que “o prazo prescricional para a repetição de tributo sujeito a lançamento por homologação”, “relativamente aos pagamentos efetuados a partir da vigência da LC n. 118/2005” (que ocorreu em 09.06.05), o prazo para a repetição do indébito é de cinco anos a contar da data do pagamento indevido; e, relativamente aos pagamentos anteriores à vigência da referida lei, a prescrição obedece ao regime previsto no sistema anterior (tese dos "5 + 5"), como se pode ver das seguinte e elucidativas ementas: “DIREITO TRIBUTÁRIO – LEI INTERPRETATIVA – APLICAÇÃO RETROATIVA DA LEI COMPLEMENTAR Nº 118/2005 – DESCABIMENTO – VIOLAÇÃO À SEGURANÇA JURÍDICA – NECESSIDADE DE OBSERVÂNCIA DA VACACIO LEGIS – APLICAÇÃO DO PRAZO REDUZIDO PARA REPETIÇÃO OU COMPENSAÇÃO DE INDÉBITOS AOS PROCESSOS AJUIZADOS A PARTIR DE 9 DE JUNHO DE 2005. Quando do advento da LC 118/05, estava consolidada a orientação da Primeira Seção do STJ no sentido de que, para os tributos sujeitos a lançamento por homologação, o prazo para repetição ou compensação de indébito era de 10 anos contados do seu fato gerador, tendo em conta a aplicação combinada dos arts. 150, § 4º, 156, VII, e 168, I, do CTN. A LC 118/05, embora tenha se autoproclamado interpretativa, implicou inovação normativa, tendo reduzido o prazo de 10 anos contados do fato gerador para 5 anos contados do pagamento indevido. Lei supostamente interpretativa que, em verdade, inova no mundo jurídico deve ser considerada como lei nova. Inocorrência de violação à autonomia e independência dos Poderes, porquanto a lei expressamente interpretativa também se submete, como qualquer outra, ao controle judicial quanto à sua natureza, validade e aplicação. A aplicação retroativa de novo e reduzido prazo para a repetição ou compensação de indébito tributário estipulado por lei nova, fulminando, de imediato, pretensões deduzidas tempestivamente à luz do prazo então aplicável, bem como a aplicação imediata às pretensões pendentes de ajuizamento quando da publicação da lei, sem resguardo de nenhuma regra de transição, implicam ofensa ao princípio da segurança jurídica em seus conteúdos de proteção da confiança e de garantia do acesso à Justiça. Afastandose as aplicações inconstitucionais e resguardandose, no mais, a eficácia da norma, permitese a aplicação do prazo reduzido relativamente às ações ajuizadas após a vacatio legis, conforme entendimento consolidado por esta Corte no enunciado 445 da Súmula do Tribunal. O prazo de vacatio legis de 120 dias permitiu aos contribuintes não apenas que tomassem ciência do novo prazo, mas também que ajuizassem as ações necessárias à tutela dos seus direitos. Inaplicabilidade do art. 2.028 do Código Civil, pois, não havendo lacuna na LC 118/08, que pretendeu a aplicação do novo prazo na maior extensão possível, descabida sua aplicação por analogia. Além disso, não se trata de lei geral, tampouco impede iniciativa legislativa em contrário. Reconhecida a inconstitucionalidade art. 4º, segunda parte, da LC 118/05, considerandose válida a aplicação do novo prazo de 5 anos tãosomente às ações ajuizadas após o decurso da vacatio legis de 120 dias, ou seja, a partir de 9 de junho de 2005. Aplicação do art. 543B, § 3º, do CPC aos recursos sobrestados. Recurso extraordinário desprovido.” (cf. Acórdão Fl. 805DF CARF MF Impresso em 07/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/02/2014 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente e m 05/02/2014 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente em 19/02/2014 por GILSON MA CEDO ROSENBURG FILHO Processo nº 10845.001015/200287 Acórdão n.º 3402002.293 S3C4T2 Fl. 6 9 do STF – Pleno no RE 566621, em sessão de 04/08/11, Rel. Min. ELLEN GRACIE, REPERCUSSÃO GERAL – MÉRITO, publ. in DJUe195 DIVULG 10102011 PUBLIC 11102011 EMENT VOL0260502 PP00273) “E M E N T A: RECURSO EXTRAORDINÁRIO TRIBUTÁRIO (...) PRAZO PARA REPETIÇÃO OU COMPENSAÇÃO DE INDÉBITO TRIBUTÁRIO IMPOSSIBILIDADE DE APLICAÇÃO RETROATIVA DAS NORMAS INSCRITAS NOS ARTS. 3º E 4º DA LC Nº 118/2005, NOTADAMENTE DAQUELA QUE SE REVESTIRIA DO CARÁTER DE INTERPRETAÇÃO AUTÊNTICA (LC Nº 118/2005, ART. 3º) DESCARACTERIZAÇÃO DA NATUREZA INTERPRETATIVA DE REFERIDO PRECEITO LEGAL, QUE INTRODUZIU, NO TEMA, EVIDENTE INOVAÇÃO MATERIAL DE ÍNDOLE NORMATIVA PERFIL DAS LEIS INTERPRETATIVAS NO SISTEMA DE DIREITO POSITIVO BRASILEIRO INTEIRA SUBMISSÃO DE SEUS ASPECTOS FORMAIS E DE SEU CONTEÚDO MATERIAL AO PERMANENTE CONTROLE DE CONSTITUCIONALIDADE DO PODER JUDICIÁRIO (ADI 605MC/DF, REL. MIN. CELSO DE MELLO) INCOLUMIDADE DE SITUAÇÕES JURÍDICAS DEFINITIVAMENTE CONSOLIDADAS, TAIS COMO PREVISTAS NO INCISO XXXVI DO ART. 5º DA LEI FUNDAMENTAL, COMO EXPRESSÃO CONCRETIZADORA DO PRINCÍPIO CONSTITUCIONAL DA SEGURANÇA JURÍDICA PRECEDENTE EMANADO DO PLENÁRIO DO SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL, FIRMADO EM JULGAMENTO DE RECURSO EXTRAORDINÁRIO (RE 566.621/RS), EM CUJO ÂMBITO TAMBÉM SE RECONHECEU A EXISTÊNCIA DE REPERCUSSÃO GERAL AGRAVO IMPROVIDO.” (cf. Acórdão da 2ª Turma do STF no RE 596673 AgR, em sessão de07/02/12, Rel. Min. CELSO DE MELLO, ACÓRDÃO ELETRÔNICO DJUe037 DIVULG 22022012 PUBLIC 23022012) “AGRAVO REGIMENTAL EM RECURSO ESPECIAL. TRIBUTÁRIO. PAGAMENTO INDEVIDO DE IMPOSTO DE RENDA. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. TERMO INICIAL DO PRAZO PRESCRICIONAL DA AÇÃO DE REPETIÇÃO DE INDÉBITO. IRRETROATIVIDADE DO ART. 3º. DA LC 118/05. INCONSTITUCIONALIDADE DA PARTE FINAL DO ART. 4o. DA LC 118/05. QUESTÃO DECIDIDA PELA CORTE ESPECIAL (AI NO EREsp. 644.736/PE). RECURSO REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA: REsp. 1.002.932/SP. AGRAVO REGIMENTAL DESPROVIDO. 1. A Corte Especial reconheceu a inconstitucionalidade do art. 4º. da LC 118/05, na parte que determina a aplicação retroativa do disposto no art. 3o. da mesma lei (AI nos EREsp 644.736/PE, Rel. Min. TEORI ALBINO ZAVASCKI, DJ 27/08/2007). 2. No julgamento do REsp. 1.002.932/SP, representativo de controvérsia, realizado em 25/11/2009, de relatoria do ilustre Ministro LUIZ FUX, a Primeira Seção deste Superior Tribunal Fl. 806DF CARF MF Impresso em 07/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/02/2014 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente e m 05/02/2014 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente em 19/02/2014 por GILSON MA CEDO ROSENBURG FILHO 10 de Justiça firmou o entendimento de que: (a) relativamente aos pagamentos efetuados a partir da vigência da LC 118/05 (que ocorreu em 09.06.05), o prazo para a repetição do indébito é de cinco a contar da data do pagamento; e (b) quanto aos pagamentos anteriores, a prescrição obedece ao regime previsto no sistema anterior, limitada, porém, ao prazo máximo de cinco anos a contar da vigência da lei nova. 3. No caso, os tributos foram indevidamente recolhidos a título de IRPF em 2001 (fl. 152), ou seja, antes da entrada em vigor da LC 118/2005, tendo sido a ação ajuizada em 03.06.2002, que revela inequívoca a inocorrência da prescrição dos tributos recolhidos indevidamente no decênio anterior ao ajuizamento da demanda, por isso que a tese aplicável é a que considera os 5 anos de decadência da homologação para a constituição do crédito tributário acrescidos de mais 5 anos referentes à prescrição da ação. 4. Agravo Regimental desprovido.” (cf. AC. da 1ª Truma do STJ no AgRg no REsp 1124331/DF, Rel. Ministro NAPOLEÃO NUNES MAIA FILHO, em sessão de 01/09/2011, publ. in DJU de 15/09/2011) “PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. VIOLAÇÃO AO ART. 535 DO CPC. ALEGAÇÕES GENÉRICAS. INCIDÊNCIA DA SÚMULA N. 284 DO STF, POR ANALOGIA. PRESCRIÇÃO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. FATO GERADOR ANTERIOR À VIGÊNCIA DA LC N. 118/05. SISTEMÁTICA DO "5 + 5". PRECEDENTE REGIDO PELO RITO DO ART. 543C, DO CPC. CONTRIBUIÇÃO. FUNRURAL. PRODUTOR RURAL PESSOA FÍSICA. COMERCIALIZAÇÃO DA PRODUÇÃO. LEI N. 8.213/91. EXTINÇÃO. NOVA EXAÇÃO. TRIBUTO EXIGÍVEL A PARTIR DA LEI N. 8.870/94. 1. Não se pode conhecer do recurso especial em relação à apontada violação ao art. 535 do CPC, pois as alegações que fundamentaram a pretensa ofensa são genéricas, sem discriminação dos pontos efetivamente omissos, contraditórios ou obscuros ou sobre os quais tenha ocorrido erro material. Incide, no caso, a Súmula n. 284 do Supremo Tribunal Federal, por analogia. 2. A orientação desta Corte, no que tange ao prazo prescricional para a repetição de tributo sujeito a lançamento por homologação, é no sentido de que: relativamente aos pagamentos efetuados a partir da vigência da LC n. 118/2005 (que ocorreu em 09.06.05), o prazo para a repetição do indébito é de cinco anos a contar da data do pagamento indevido; e, relativamente aos pagamentos anteriores, a prescrição obedece ao regime previsto no sistema anterior (tese dos "5 + 5"). (REsp n. 1.002.932/SP, de relatoria do Ministro Luiz Fux, pela sistemática do art. 543C, do CPC). 3. A partir do julgamento da Arguição de Inconstitucionalidade no EREsp n. 644.736/PE, de relatoria do Ministro Teori Albino Zavascki, a Corte Especial do Superior Tribunal de Justiça adotou o entendimento no sentido de que o artigo 4º, segunda parte, da LC 118/05 (que determina a aplicação retroativa do seu art. 3º, para alcançar inclusive fatos passados) ofende o princípio constitucional da autonomia e independência dos poderes (CF, art. 2º) e o da garantia do direito adquirido, do ato jurídico perfeito e da coisa julgada (CF, art. 5º, XXXVI). Fl. 807DF CARF MF Impresso em 07/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/02/2014 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente e m 05/02/2014 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente em 19/02/2014 por GILSON MA CEDO ROSENBURG FILHO Processo nº 10845.001015/200287 Acórdão n.º 3402002.293 S3C4T2 Fl. 7 11 4. Conforme pacificado nesta instância, a contribuição ao Funrural incidente sobre o valor comercial dos produtos rurais foi extinta a partir da vigência da Lei n. 8.213/91. Nada obstante, em seguida foi instituída outra contribuição, devida a partir de 23.3.1993 pela pessoa física empregadora rural sobre o valor da comercialização de sua produção, por meio da Lei n. 8.540/92. Desta feita, a contribuição incidente sobre a comercialização de produtos rurais a cargo da pessoa física empregadora rural somente não poderá ser cobrada no período compreendido entre as Leis n. 8.212/91 e 8.540/92. Precedentes: AgRg no REsp 1226313/RS, rel. Ministro Herman Benjamin, Segunda Turma, DJe 19/04/2011; REsp 1205599 / SC, Rel. Ministro Castro Meira, Segunda Turma, DJe 25/03/2011. 5. Recurso especial parcialmente conhecido, e, nesta parte, parcialmente provido para que a prescrição na hipótese se oriente pela sistemática do "5 + 5".”(cf. Ac. da 2ª Turma do STJ no REsp 1218759/RS, Rel. Ministro MAURO CAMPBELL MARQUES, SEGUNDA TURMA, em sessão de04/08/2011, publ. in DJU de 15/08/2011) “TRIBUTÁRIO. AGRAVO REGIMENTAL NO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. CONTRIBUIÇÃO SOCIAL. AGROINDÚSTRIA. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. PRESCRIÇÃO. TERMO INICIAL. PAGAMENTO INDEVIDO. ARTIGO 4º DA LC 118/2005. DETERMINAÇÃO DE APLICAÇÃO RETROATIVA. DECLARAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE. CONTROLE DIFUSO. CORTE ESPECIAL. RESERVA DE PLENÁRIO. DIREITO INTERTEMPORAL. FATOS GERADORES ANTERIORES À LC 118/2005. APLICAÇÃO DA TESE DOS "CINCO MAIS CINCO". RECURSO ESPECIAL REPETITIVO RESP N. 1.002.932SP. APLICAÇÃO DO ARTIGO 543C DO CPC. 1. Cuidase de agravo regimental interposto contra decisão que versou sobre a contagem do prazo prescricional aplicável ao presente caso, consoante metodologia legal preconizada pela Lei 11.672/2008, que acrescentou o artigo 543C ao CPC. 2. O recurso especial n. 1.002.932SP, por ser representativo da matéria em discussão, cujo entendimento encontrase pacificado nesta Corte, foi considerado recurso repetitivo e submetido ao regime de julgamento previsto pelo artigo 543C do Código de Processo Civil, regulamentado pela Resolução n. 8 do dia 7 de agosto de 2008, do STJ. 3. O mencionado recurso, da relatoria do eminente Ministro Luiz Fux, foi submetido a julgamento pela Primeira Seção na data de 25/11/2009, no qual o STJ ratificou orientação no sentido de que o princípio da irretroatividade impõe a aplicação da LC n. 118/05 aos pagamentos indevidos realizados após a sua vigência e não às ações propostas posteriormente ao referido diploma legal, porquanto é norma referente à extinção da obrigação e não ao aspecto processual da ação respectiva. 4. Agravo regimental não provido. (cf. Ac. da 1ª Turma do STJ no AgRg no AREsp 8.122/RS, Rel. Ministro BENEDITO GONÇALVES, em sessão de 04/08/2011, publ. in DJU de 10/08/2011) Fl. 808DF CARF MF Impresso em 07/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/02/2014 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente e m 05/02/2014 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente em 19/02/2014 por GILSON MA CEDO ROSENBURG FILHO 12 Aplicando os preceitos expostos ao caso concreto, verificase que tratandose de pedido de restituição protocolado em 19/03/02, portanto anterior à vigência da LC nº 118/05 (que ocorreu em 09/06/05), parece evidente que referido pedido não poderia abranger recolhimentos efetuados além dos 10 anos anteriores ao pedido (19/03/92), como é o caso da cota de contribuição nas exportações de café devida ao IBC recolhida no período de dezembro de 1987 a dezembro de 1989. Da mesma forma ao pressupor a existência de créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos do sujeito passivo contra a Fazenda Pública (art. 170 do CTN; Lei nº 9.430, de 1996, art. 74, § 1º, e Medida Provisória nº 66, de 2002, art. 49; RIPI/02 Decreto nº 4.544/02 DOU 27/12/2002, art. 208), a lei somente autoriza a homologação de compensação, em pedidos que tenham por objeto créditos contra a Fazenda, cujo direito à restituição ainda não se ache extinto, o que inocorre no caso. Finalmente, ressaltese que a serôdia alegação no sentido de que haveria a r. sentença exarada na Ação Declaratória nº 89.00257196 (fls. 469/485 do processo digitalizado), que tramitou perante a Justiça Federal no Rio de Janeiro (10ª Vara Federal RJ, e TRF da 2ª Região AC nº 96.02.083662), transitada em julgada de 27/05/02 (cf. Certidão de fls. 278 do processo original e fls. 484 do processo digitalizado) , não argüida por ocasião da manifestação de inconformidade sequer poderia ser conhecida, por se achar preclusa, nos expressos termos do artigo 17 do Decreto nº 70.235/72 (P.A.F., com redação determinada pela Lei nº 9.532, de 10 de dezembro de 1997) e da Jurisprudência deste E. Conselho que reiteradamente entende ser inadmissível a apreciação, em grau de recurso de matéria que não foi suscitada na instância a quo (cf. Ac. nº 20215690 da 2ª Câm. do 2º CC no Rec. nº 122963, Proc. nº 13051.000127/9924, Rel. Cons. Henrique Pinheiro Torres, em sessão de 07/07/04). Não se justifica, assim a reforma da r. decisão recorrida que deve ser mantida por seus próprios e jurídicos fundamentos, considerandose ainda que tanto na fase instrutória, como na fase recursal, a ora a Recorrente não apresentou nenhuma evidencia concreta e suficiente para descaracterizar a motivação invocada pela d. Fiscalização, para o indeferimento da restituição. Considerando a inexistência de créditos líquidos e certos contra a Fazenda Pública, os débitos eventual e indevidamente compensados, devem ser cobrados através do procedimento previsto nos §§ 7º e 8º do art. 74 da Lei nº 9.430/96 (redação da Lei nº 10.833, de 2003). Isto posto, voto no sentido de NEGAR PROVIMENTO ao Recurso Voluntário para manter a r. decisão recorrida da DRJ. É como voto. Sala das Sessões, em 29 de janeiro de 2014 FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D'EÇA Fl. 809DF CARF MF Impresso em 07/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/02/2014 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente e m 05/02/2014 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente em 19/02/2014 por GILSON MA CEDO ROSENBURG FILHO Processo nº 10845.001015/200287 Acórdão n.º 3402002.293 S3C4T2 Fl. 8 13 Fl. 810DF CARF MF Impresso em 07/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/02/2014 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente e m 05/02/2014 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente em 19/02/2014 por GILSON MA CEDO ROSENBURG FILHO
score : 1.0
Numero do processo: 10320.003353/2007-87
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Nov 26 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Fri Apr 04 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Exercício: 2002, 2003
AUSÊNCIA. APONTAMENTO DOS FUNDAMENTOS DA DECISÃO ATACADA.
As razões recursais que deixa de afrontar a decisão apontando os ponto de irresignação, mas que simplesmente só repete os argumentos sustentados ainda em sede de impugnação, sem atacar os fundamento da decisão, mesmo que no decorrer utilize-se de outros argumentos em relação ao julgado, dificulta e impede que o Julgador ad quem conheça exatamente de que se está reclamando, como se sabe o que deve ser atacado pelo recurso são os fundamentos da decisão que se deseja rebater.
Ementa:JUROS MORA INCIDENTE SOBRE MULTA DE OFÍCIO. ILEGALIDADE.
Não incide juros mora sobre a multa de ofício, essa exigência se revela ilegal mediante a inexistência de previsão legal a autorizar a Administração fazer incidir os juros de mora, como é de conhecimento geral o ato administrativo deve encontrar revestido de legalidade, no caso inexiste norma a conferir autorização à cobrança.
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 3403-002.612
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso para excluir a incidência de juros de mora sobre a multa de ofício. Vencido o Conselheiro Alexandre Kern.
Antonio Carlos Atulim - Presidente.
Domingos de Sá Filho - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Antonio Carlos Atulim, Alexandre Kern, Domingos de Sá Filho, Rosaldo Trevisan, Ivan Allegretti e Marcos Tranchesi Ortiz.
Nome do relator: DOMINGOS DE SA FILHO
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Exercício: 2002, 2003 AUSÊNCIA. APONTAMENTO DOS FUNDAMENTOS DA DECISÃO ATACADA. As razões recursais que deixa de afrontar a decisão apontando os ponto de irresignação, mas que simplesmente só repete os argumentos sustentados ainda em sede de impugnação, sem atacar os fundamento da decisão, mesmo que no decorrer utilizese de outros argumentos em relação ao julgado, dificulta e impede que o Julgador “ad quem” conheça exatamente de que se está reclamando, como se sabe o que deve ser atacado pelo recurso são os fundamentos da decisão que se deseja rebater. Ementa:JUROS MORA INCIDENTE SOBRE MULTA DE OFÍCIO. ILEGALIDADE. Não incide juros mora sobre a multa de ofício, essa exigência se revela ilegal mediante a inexistência de previsão legal a autorizar a Administração fazer incidir os juros de mora, como é de conhecimento geral o ato administrativo deve encontrar revestido de legalidade, no caso inexiste norma a conferir autorização à cobrança. Recurso Voluntário Provido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso para excluir a incidência de juros de mora sobre a multa de ofício. Vencido o Conselheiro Alexandre Kern. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 32 0. 00 33 53 /2 00 7- 87 Fl. 917DF CARF MF Impresso em 04/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/02/2014 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 03/04/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 10/02/2014 por DOMINGOS DE SA FILHO 2 Antonio Carlos Atulim Presidente. Domingos de Sá Filho Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Antonio Carlos Atulim, Alexandre Kern, Domingos de Sá Filho, Rosaldo Trevisan, Ivan Allegretti e Marcos Tranchesi Ortiz. Relatório Cuidase de Recurso Voluntário visando modificar a decisão de piso que acolheu parcialmente o pleito relativo ao período de apuração de janeiro de 2002 a dezembro de 2003 referentes à COFINS. A Contribuinte tomou conhecimento do lançamento em 27 de setembro de 2007 e apresentou resistência a constituição do crédito tributário em 26 de outubro de 2007, ao argumento de que: “1. Em primeiro plano, suscitou a nulidade do lançamento, pela não apresentação do Mandado de Procedimento Fiscal Complementar e do Demonstrativo de Emissão e Prorrogação do MPF, que se constituiriam em documentos essenciais, em razão do que estaria prejudicado o exercício da ampla defesa, pelo que não mereceriam prosperar os autos de infração questionados. 09. Na sequência, postulou a decretação da decadência do direito de lançar, visto que a ciência se operou em 27/09/2007, ao passo que o lançamento se reportou a fatos geradores ocorridos nos anos calendário 2002 e 2003. Conforme discorrido, Sobreleva notar que o PIS, COFINS, CSLL e IRPJ são daquelas exações sujeitas ao lançamento por homologação (art. 150, § 4º do CTN), motivo pelo qual em setembro de 2007, decaiu o direito do fisco de efetuar qualquer lançamento referente a tributo cujo fato gerador ocorreu nos cinco anos anteriores à data do lançamento. (...) Vale ainda esclarecer que no caso dos autos deve ser aplicada a regra contida no artigo 150, § 4º do CTN, mormente porque houve pagamento antecipado, apesar de não integral, por parte do contribuinte, (...). 10. Em reforço à posição defendida, apresentou as ementas de diversos julgados: RESP nº 278727/DF, RESP nº 101404/SP, Acórdãos nºs 10806957 e 10193843 do 1º Conselho de Contribuintes e Acórdão CSRF nº 0202.555, dentre outros. 11. Foi também atacada à consistência da base de cálculo eleita pela autoridade lançadora. De acordo com o entendimento da impugnante, o trabalho fiscal não apresentou todos os elementos essenciais, necessários à sua validade jurídica, o que implicaria na sua nulidade. Segundo a impugnante, nos demonstrativos elaborados pelo autuante não estariam presentes os indispensáveis atributos da clareza e da precisão, o que estaria dificultando a identificação da base de cálculo considerada na autuação, prejudicando a defesa da impugnante. Ainda em Fl. 918DF CARF MF Impresso em 04/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/02/2014 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 03/04/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 10/02/2014 por DOMINGOS DE SA FILHO Processo nº 10320.003353/200787 Acórdão n.º 3403002.612 S3C4T3 Fl. 6 3 relação à base de cálculo, foi afirmado que Ressaltese ainda que não foram consideradas para efeito de cobrança do PIS, todas as despesas necessárias à prestação de serviços, como os gastos com insumos diretamente ligados às atividades da empresa, tais como, vale transporte, vale alimentação, fardamentos, seguro, cesta básica, combustíveis e lubrificantes, despesa com informática, veículos, exames médicos, locação de equipamentos, manutenção, material de expediente, correios e malotes, consultorias, treinamentos, material de segurança (conforme planilha elaborada pelo contador da empresa), o que contraria o princípio da legalidade, na medida em que a Lei n° 10.833/03, não criou qualquer restrição aos bens e serviços que poderiam ser utilizados como insumos. 12. Argumentou também que teria havido a indevida inclusão do ISS na base de cálculo do PIS/PASEP e da COFINS. De acordo com a litigante, Da leitura das normas atinentes às contribuições ao PIS (Lei n° 10.637/02) e a COFINS (Lei n° 10.833/03), verifica se de forma clara que as mesmas atribuem como base de calculo das contribuições em tela, o valor do faturamento, este entendido como todas as receitas auferidas pela pessoa jurídica. Desta forma, não há como incluir na base de cálculo das citadas contribuições, o valor concernente ao ISS, na medida em que este não é considerado como faturamento para efeito de incidência das referidas contribuições. 13. Por fim, considerou que os juros de mora cobrados nos lançamentos contestados teriam incidido sobre as multas de ofício, procedimento não amparado pela legislação de regência. 14. Ao final de suas considerações postulou a decretação da nulidade/improcedência total dos lançamentos, com sua exoneração dos créditos tributários em discussão. Protestou ainda pela apresentação de todos os meios de prova admitidas em direito, especialmente perícia, juntada posterior de novos documentos, e tudo mais que se fizer necessário para elidir prova em contrário”. Da impugnação restou acolhida alegação de decadência quanto ao período de janeiro de 2002 a agosto de 2002. Constase do Relatório Fiscal que o Contribuinte apurou o PIS e a COFINS com base no faturamento, regime cumulativo, embora estivesse obrigado, a partir de dezembro de 2002 apurar as contribuições, por força da Lei nº 10.637, 30 de dezembro de 2002 por estar submetida à sistemática de apuração do lucro real. Motivo pelo qual teria sido apurada a diferença de alíquota, além de ter deduzido da base de cálculo todo custo e despesas operacionais, segundo informação prestada à fiscalização com base nas Medidas Provisórias nºs 1.85810/99 e 2.15835/2001, que permitiam às instituições financeiras deduzirem da base de cálculo das contribuições exigidas, tratamento que faz jus em razão dos princípios assegurados nos arts. 3º e 150 da Constituição Federal. Fl. 919DF CARF MF Impresso em 04/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/02/2014 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 03/04/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 10/02/2014 por DOMINGOS DE SA FILHO 4 Em razões recursais reitera os fundamentos contidos na impugnação, inclusive, decadência. É o relatório. Voto Conselheiro Domingos de Sá Filho, Relator. O recurso preenche os pressupostos de admissibilidade, motivo pelo qual o conheço. A matéria trazida nessa discussão se refere ausência de apresentação do mando de procedimento fiscal complementar, demonstração de emissão e prorrogação que seria causa de nulidade. Decadência, essa já reconhecida no Acordo ora hostilizado. Discutese, também, indicação de base de cálculo, segundo a Interessada estaria em desconformidade com a base real sobre a qual deveria incidir o tributo, portanto, em desconformidade com o dispositivo do art. 142 do CTN. Controverte também no sentido de ver excluído da base de cálculo à inclusão do valor pago a título de Imposto sobre Serviço – ISS e diz da ilegalidade quanto à exigência de juros de mora sobre a multa de ofício. Inexiste questão preliminar a ser examinada, haja vista que, essa matéria encontra decidida pelo Acórdão e a Recorrente não afronta a decisão nesse ponto, simplesmente repete os argumentos sustentados ainda em sede de impugnação. Como se sabe o que deve ser atacado pelo recurso, especificamente, os fundamento da decisão que se deseja rebater, mesmo que no decorrer utilize argumentos contidos em outras peças, fato que não obsta o conhecimento do recurso. Em sendo assim, as razões do recurso são deduzidas a partir da decisão, deixando de especificar o inconformismo em relação ao julgado, dificulta e impede que o julgador Ad quem conheça exatamente de que se está reclamando. Base de Cálculo Segundo consta das razões recursais, que o lançamento estaria em desconformidade com a norma do art. 142 do CTN. Impõe de esse modo saber exatamente o que contraria o dispositivo do ordenamento jurídico tributário. Da leitura do conteúdo do item III da peça recursal pouco se extraí de concreto, apenas se repete o que está redigido no dispositivo. A fiscalização examinou os livros contábeis e fiscais, e, extraíram deles os valores contabilizados e lançados a título de receitas, valores não contestados pelo contribuinte. Portanto, constatado está quanto ao fato gerador da obrigação, bem como, determinou a matéria tributável, restou calcular o montante devido, pois o sujeito passivo encontrava identificado desde o início da ação fiscal. Constatado conduta contraria a legislação, cabia sim constituição do crédito tributário através do lançamento, visto que, as declarações prestadas e os pagamentos não condiziam com os fatos geradores da obrigação. A elaboração de planilha teve o intuito de simplificar e demonstrar os números nos quais se calculou o tributo devido e, o fez de modo simples, apontando o Fl. 920DF CARF MF Impresso em 04/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/02/2014 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 03/04/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 10/02/2014 por DOMINGOS DE SA FILHO Processo nº 10320.003353/200787 Acórdão n.º 3403002.612 S3C4T3 Fl. 7 5 faturamento e outras receitas a integrarem à base de cálculo de apuração do PIS e a COFINS mês a mês, dados extraídos dos livros fiscais da Interessada. Em síntese o que se fez foi afastar as deduções não permitidas pelas leis de regência, haja vista, ausência de permissivo legal a acobertar exclusão dos custos e despesas operacionais da base de cálculo. Embora a Recorrente não mencione especificamente em que consistiam os custos e as despesas operacionais, mas esses podem ser visto por meio das planilhas elaboradas pela fiscalização fls. 69. Acontece que essa matéria não foi controvertida em razões recursais, e, o que se conhece em sede aquém é o conflito entre o julgado e o apontado em desconformidade pela Interessada, o que neste caso concreto deixou de ser efetivamente indicado. Assim, vislumbro que o lançamento deuse em conformidade com o rigor do art. 142 do CTN, e, andou muito bem o julgador de piso em manter o lançamento. Exclusão da base de cálculo do valor Imposto sobre Serviço – ISS. Está equivocado a Recorrente, o valor incluído à base de cálculo é o valor do faturamento e outras receitas. Além do que, o destaque do ISS se refere a mero controle contábil e fiscal. De modo que, encontra vedado a exclusão da base de cálculo de quaisquer valores estranho à permissão legal estipulada pela Lei nº 10.637/2002. Assim, deixo acolher a irresignação trazida no recurso voluntário. Ilegalidade da exigência de juros de mora sobre a multa de ofício. Em pese a confusão traçada nas peças de impugnação e recursal em relação à multa de mora e multa de ofício, no entanto, apreciase o assunto mesmo diante dessa confusão o que é uma e o que é a outra, mas pelo fato de se está a exigir os juros sobre multa de ofício. O que se vê, mormente é exigência por meio de carta de cobrança de juros sobre a multa de ofício. Essa exigência se revela ilegal mediante a inexistência de previsão legal a autorizar a Administração fazer incidir os juros de mora. Como é de conhecimento geral o ato administrativo deve encontrar revestido de legalidade, no caso inexistindo norma a conferir a exigência se revela ilegal. Assim, cabe acolher o argumento da ilegalidade da exigência de juros sobre a multa de ofício e afastar. Diante do exposto, conheço do recurso e dou provimento parcial para afastar a exigência de juros de mora sobre multa de ofício. É como voto. Domingos de Sá Filho Fl. 921DF CARF MF Impresso em 04/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/02/2014 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 03/04/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 10/02/2014 por DOMINGOS DE SA FILHO 6 Fl. 922DF CARF MF Impresso em 04/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/02/2014 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 03/04/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 10/02/2014 por DOMINGOS DE SA FILHO
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Numero do processo: 18471.001786/2005-14
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Mon Mar 14 00:00:00 UTC 2011
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF
Exercício: 2000
RECURSO DE OFÍCIO. LIMITE DE ALÇADA.
Não se conhece de recurso de ofício quando o crédito tributário exonerado for inferior a R$ 1.000.000,00 (um milhão de reais), nos termos do art. 1º, da Portaria MF nº 3, de 03 de Janeiro de 2008.
Recurso de ofício não conhecido.
IRPF. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. DECADÊNCIA DO DIREITO DE O FISCO CONSTITUIR O CRÉDITO TRIBUTÁRIO. TERMO INICIAL. ARTIGO 173, I, DO CTN.
Tratando-se o IRPF de tributo sujeito ao lançamento por homologação, cujo fato gerador é da modalidade complexiva, que se consuma em 31.12 de cada ano calendário, tem-se que na hipótese de inexistência de antecipação de pagamento do tributo, a contagem do prazo decadencial obedece a regra do art. 173, I, do Código Tributário Nacional, cujo dies a quo é o primeiro dia do
exercício seguinte à ocorrência do fato imponível, iniciando sua contagem em 01.01 após o fato gerador, de modo que para fatos geradores ocorridos no ano calendário de 1999, tem o início da contagem em 01.01.2000, estando colhidos pela decadência lançamentos tributários posteriores a 01.01.2005.
Recurso voluntário provido.
Numero da decisão: 2202-001.020
Decisão: ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, não conhecer do Recurso de Ofício, tendo em vista o limite de alçada. Quanto ao Recurso Voluntário, por unanimidade de votos, acolher a arguição de decadência suscitada pelo Recorrente, para declarar extinto o direito de a Fazenda Nacional constituir o crédito tributário lançado.
Nome do relator: João Carlos Cassuli Junior
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ementa_s : IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2000 RECURSO DE OFÍCIO. LIMITE DE ALÇADA. Não se conhece de recurso de ofício quando o crédito tributário exonerado for inferior a R$ 1.000.000,00 (um milhão de reais), nos termos do art. 1º, da Portaria MF nº 3, de 03 de Janeiro de 2008. Recurso de ofício não conhecido. IRPF. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. DECADÊNCIA DO DIREITO DE O FISCO CONSTITUIR O CRÉDITO TRIBUTÁRIO. TERMO INICIAL. ARTIGO 173, I, DO CTN. Tratando-se o IRPF de tributo sujeito ao lançamento por homologação, cujo fato gerador é da modalidade complexiva, que se consuma em 31.12 de cada ano calendário, tem-se que na hipótese de inexistência de antecipação de pagamento do tributo, a contagem do prazo decadencial obedece a regra do art. 173, I, do Código Tributário Nacional, cujo dies a quo é o primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível, iniciando sua contagem em 01.01 após o fato gerador, de modo que para fatos geradores ocorridos no ano calendário de 1999, tem o início da contagem em 01.01.2000, estando colhidos pela decadência lançamentos tributários posteriores a 01.01.2005. Recurso voluntário provido.
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conteudo_txt : Metadados => date: 2014-04-23T11:24:51Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; dcterms:created: 2014-04-23T11:24:51Z; Last-Modified: 2014-04-23T11:24:51Z; dcterms:modified: 2014-04-23T11:24:51Z; dc:format: application/pdf; version=1.4; xmpMM:DocumentID: uuid:50e709ec-a916-42c7-9b7f-3d84140c94dd; Last-Save-Date: 2014-04-23T11:24:51Z; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:modified: 2014-04-23T11:24:51Z; meta:save-date: 2014-04-23T11:24:51Z; pdf:encrypted: true; modified: 2014-04-23T11:24:51Z; Content-Type: application/pdf; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; meta:creation-date: 2014-04-23T11:24:51Z; created: 2014-04-23T11:24:51Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 12; Creation-Date: 2014-04-23T11:24:51Z; pdf:charsPerPage: 2115; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:created: 2014-04-23T11:24:51Z | Conteúdo => S2C2T2 Fl. 11 1 10 S2C2T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 18471.001786/200514 Recurso nº De Ofício e Voluntário Acórdão nº 220201.020 – 2ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 14 de março de 2011 Matéria IRPF Recorrentes NORBERTO RODRIGUES DUARTE FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2000 RECURSO DE OFÍCIO. LIMITE DE ALÇADA. Não se conhece de recurso de ofício quando o crédito tributário exonerado for inferior a R$ 1.000.000,00 (um milhão de reais), nos termos do art. 1o, da Portaria MF nº 3, de 03 de Janeiro de 2008. Recurso de ofício não conhecido. IRPF. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. DECADÊNCIA DO DIREITO DE O FISCO CONSTITUIR O CRÉDITO TRIBUTÁRIO. TERMO INICIAL. ARTIGO 173, I, DO CTN. Tratandose o IRPF de tributo sujeito ao lançamento por homologação, cujo fato gerador é da modalidade complexiva, que se consuma em 31.12 de cada ano calendário, temse que na hipótese de inexistência de antecipação de pagamento do tributo, a contagem do prazo decadencial obedece a regra do art. 173, I, do Código Tributário Nacional, cujo dies a quo é o primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível, iniciando sua contagem em 01.01 após o fato gerador, de modo que para fatos geradores ocorridos no ano calendário de 1999, tem o início da contagem em 01.01.2000, estando colhidos pela decadência lançamentos tributários posteriores a 01.01.2005. Recurso voluntário provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, não conhecer do Recurso de Ofício, tendo em vista o limite de alçada. Quanto ao Recurso Voluntário, por unanimidade de votos, acolher a arguição de decadência suscitada pelo Fl. 1DF CARF MF Emitido em 19/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 29/04/2011 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR Assinado digitalmente em 29/04/2011 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, 29/04/2011 por NELSON MALLMANN 2 Recorrente, para declarar extinto o direito de a Fazenda Nacional constituir o crédito tributário lançado. (assinado digitalmente) Nelson Mallmann Presidente (assinado digitalmente) João Carlos Cassuli Junior Relator Participaram do julgamento os Conselheiros: Antonio Lopo Martinez, Pedro Anan Júnior, Maria Lúcia Moniz de Aragão Calomino Astorga, João Carlos Cassuli Junior, Ewan Teles Aguiar e Nelson Mallmann. Ausente, justificadamente, o Conselheiro Helenilson Cunha Pontes. Fl. 2DF CARF MF Emitido em 19/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 29/04/2011 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR Assinado digitalmente em 29/04/2011 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, 29/04/2011 por NELSON MALLMANN Processo nº 18471.001786/200514 Acórdão n.º 220201.020 S2C2T2 Fl. 12 3 Relatório Tratam os presentes autos de Auto de Infração (fl. 167) relativo à Imposto de Renda Pessoa Física, lavrado em desfavor do ora Recorrente, no montante total de R$ 1.259.063,19 (um milhão, duzentos e cinqüenta e nove mil, sessenta e três reais e dezenove centavos), referente aos anoscalendário de 1999 e 2000 (exercícios 2000 e 2001, respectivamente). No curso da ação fiscal levada a efeito pela Autoridade Administrativa em desfavor de Norberto Rodrigues Duarte, ficou caracterizada movimentação financeira incompatível com os rendimentos declarados pelo referido contribuinte, relativos aos anos calendário de 1999 e 2000. Cumpre mencionar que, relativo à base de 1999 o contribuinte omitiuse de efetuar a declaração pertinente, valendose ainda, relativamente à base de 2000, de declaração online, autorizada para os contribuintes com rendimento tributáveis até o limite de R$8.000,00. Instado em 16/06/2005 (AR fl. 08) a apresentar os extratos bancários relativos às contas mantidas nas instituições financeiras HSBC e Bradesco o contribuinte apresentou em 29/06/2005 simples declaração (fl. 09) afirmando que não mais residia no país e que em vista disso seria impossível a apresentação dos extratos no prazo estipulado. Informou ainda o contribuinte que já havia providenciado a solicitação dos documentos pendentes à referida instituição financeira, requerendo dilação temporal para o cumprimento de tal exigência. Juntou ao documento apresentado os extratos relativos à instituição financeira HSBC (a qual a movimentação financeira era, segundo termo de constatação fiscal às fls. 153, módica em relação ao outro banco), não comprovando, todavia, sua condição de residente no exterior. Inerte, em 08/08/2005 (AR de fl. 15) o contribuinte foi reintimado a apresentar os extratos bancários relativos à instituição financeira Bradesco, bem como informado de que sem a comprovação de que era nãoresidente no país, para efeitos fiscais, à ele se aplicaria a legislação como se residente fosse. Em atenção à referida intimação o contribuinte, por seu procurador constituído, conforme instrumento de mandato à fl. 17, apresentou à fiscalização (fls. 16 a 38) cópia do passaporte, do cartão de residência permanente (Green Card), bem como da correspondência dirigida ao Banco Bradesco S.A, onde reitera a solicitação dos extratos de suas contas para entrega a fiscalização. Diante de seguidas postergações por parte da fiscalização, para entrega dos extratos, foi expedida diretamente à Instituição Financeira mencionada, Requisição de Movimentações Financeiras (RMF) (fl. 39), a qual, encontrase anexada às fls. 41 a 107. Diante da análise dos referidos extratos, foi novamente intimado o contribuinte à comprovar a origem dos depósitos bancários existentes nas mencionadas contas correntes, bem como deveria o mesmo identificar os respectivos cotitulares das mesmas. Ficando ainda intimado a apresentar a Declaração de Saída Definitiva do País, tendo em vista que não se caracterizava a condição de nãoresidente do mesmo. Fl. 3DF CARF MF Emitido em 19/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 29/04/2011 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR Assinado digitalmente em 29/04/2011 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, 29/04/2011 por NELSON MALLMANN 4 Em 14/11/2005 (fl. 111) o contribuinte informou oficialmente que não apresentou Declaração de Saída do País, bem como de que não havia conseguido reunir a documentação comprobatória da origem dos depósitos, informando ainda que solicitara junto ao banco, a informação acerca dos cotitulares das contascorrentes. Em 23/11/2005 (fl. 135) e 02/12/2005 (fl. 136) o contribuinte foi reintimado a apontar qual das contas analisadas era conjunta com terceiros, bem como a identificação dos mesmos, não obtendo resposta conclusiva acerca dos fatos. Assim, em 13/12/2005 foi lavrada a autuação anteriormente mencionada, sob a alegação de que o lançamento decorreu da apuração de omissão de rendimentos, caracterizada por depósitos bancários de origem não comprovada (vide descrição dos fatos, fls. 168 a 169), aplicandolhe multa de 75%. DA IMPUGNAÇÃO Ato contínuo, em 13/12/2005 (fls. 167), ficou o contribuinte ciente da lavratura do Auto de Infração, ao qual, tempestivamente foi apresentada Impugnação Administrativa (fls. 192 a 201), que restou, resumidamente, assim consignada: É decadente autuação em relação ao anocalendário de 1999 (exercício 2000), tendo em vista que a ausência de declaração é irrelevante para a contagem do prazo decadencial nos termos do art. 150, §4º do CTN, forte a jurisprudência dominante do Primeiro Conselho de Contribuintes; É decadente o lançamento à luz do art. 42 da Lei 9.430/96, em relação ao anocalendário de 2000, uma vez que os fatos que deram origem à pretensão fiscal (depósitos bancários) foram efetuados mês a mês e somados ao final do referido anocalendário, sendo que a interpretação deste dispositivo da legislação (específico para depósitos bancários) elegeu a tributação mensal e definitiva de IRPF; É nula de pleno direito a autuação fiscal combatida face ao fato de que a contacorrente fiscalizada é conjunta, e, portanto, imprescindível a intimação do cotitular; O requerente é domiciliado no exterior, de modo que ostenta condição de nãoresidente para efeitos tributários. Ao final, requer o cancelamento total da exigência contra si lavrada, seja pelo acolhimento das preliminares, seja pelas questões de mérito expostas. DO JULGAMENTO DE 1ª INSTÂNCIA A 1ª Turma da DRJ/RJOII, decidiu pela manutenção parcial do lançamento, proferindo Acórdão n° 1317.417 (fls. 232 a 243), de 10 de outubro de 2007, que consignouse assim ementado: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2000, 2001 DECADÊNCIA. O direito de a Fazenda Pública constituir crédito tributário extinguese após cinco anos, contados do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado (CTN, art. 173,I) Fl. 4DF CARF MF Emitido em 19/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 29/04/2011 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR Assinado digitalmente em 29/04/2011 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, 29/04/2011 por NELSON MALLMANN Processo nº 18471.001786/200514 Acórdão n.º 220201.020 S2C2T2 Fl. 13 5 PESSOA FÍSICA. CONDIÇÃO DE NÃORESIDENTE NO PAÍS. Não tendo havido apresentação de declaração de saída definitiva do país, cabe ao contribuinte comprovar a ausência, por mais de doze meses consecutivos, para aquisição da condição de nãoresidente. LANÇAMENTO COM BASE EM DEPÓSITOS BANCÁRIOS. CONTAS CONJUNTAS. No caso de contas bancárias em conjunto é indispensável a regular e prévia intimação de todos os titulares para comprovar a origem dos recursos depositados e a infração de omissão de rendimentos deverá, necessariamente, ser imputada, em proporções iguais, entre os titulares, salvo quando estes apresentarem declaração em conjunto. Lançamento Procedente em Parte. A 1ª Turma da DRJRJOII(RJ), entendeu resumidamente que a decadência alegada pelo contribuinte não merece procedência em face da aplicação, ao caso, do art. 173, I do CTN, bem como que o mesmo não comprovou cabalmente que não reside nos país, merecendose sua tratativa fiscal ser aplicada como se residente fosse, e, ainda, afastou a presunção de omissão de rendimentos quanto aos depósitos bancários de origem não comprovada relativos à contacorrente conjunta nº. 1.850/3 (agência 2.757/0), em face da ausência de intimação do cotitular da referida conta. DO RECURSO De ofício: Em atenção ao regulamentado pela Portaria nº. 3, de 03 de janeiro de 2008, em seu artigo 1º, combinada com as precisões do Decreto 70.235/72, o Presidente da 1ª Turma da DRJ/RJOII, recorreu de ofício da decisão prolatada, nos seguintes termos: “Quanto ao crédito tributário exonerado neste acórdão, submetase à apreciação do Egrégio 1° Conselho de Contribuintes, de acordo com o art. 34 do Decreto n° 70.235, de 1972 e alterações introduzidas pela Lei n° 8.748, de 1993 e Portaria MF 375, de 2001, por força de recurso necessário. A exoneração só será definitiva após o julgamento em segunda instância.” Voluntário: Cientificado do Acórdão de Primeira Instância, em 09/04/2008 (AR de fl. 248), o contribuinte apresentou tempestivamente, em 08/05/2008, o recurso de fls. 248 a 253, repisando, em síntese, seus argumentos quanto à decadência da autuação no que tange ao ano calendário de 1999 (exercício 2000) em face da aplicação direta do art. 150, §4º do CTN, bem como frisando ser residente no exterior, mais precisamente nos Estados Unidos da América, acostando aos autos novos documentos que afirma comprovar sua condição de nãoresidente, quais sejam: Fl. 5DF CARF MF Emitido em 19/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 29/04/2011 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR Assinado digitalmente em 29/04/2011 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, 29/04/2011 por NELSON MALLMANN 6 Declaração emitida em nome de “Celebration School” dando conta de que: Érika Santos Duarte, Leonardo Santos Duarte e Vinícius Santos Duarte freqüentaram tal escola no período de AGO/1998 a MAI/2000 (fl.255); Cópia de Seguro Social Norte Americano do período de 1997 a 2000, emitido em nome de Norberto Rodrigues Duarte (fls. 256 – 258); Comprovante de residência, contrato de leasing de imóvel em nome de Norbeto Rodrigues Duarte do período de 1996 e 1997 (fls. 259 – 267); Ao fim, pugna pelo provimento de seu recurso, requerendo seja negado provimento ao recurso de ofício, cancelandose integralmente a exigência também em relação ao anocalendário de 1999. DA DISTRIBUIÇÃO Tendo o processo sido distribuído a esse relator por sorteio regularmente realizado, vieram os autos para relatoria, por meio de processo eletrônico, em 02 (dois) Volumes, totalizando 271 (duzentas e setenta e uma) folhas, estando apto para análise desta Colenda 2ª Turma Ordinária da Segunda Seção do CARF. É o relatório. Fl. 6DF CARF MF Emitido em 19/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 29/04/2011 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR Assinado digitalmente em 29/04/2011 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, 29/04/2011 por NELSON MALLMANN Processo nº 18471.001786/200514 Acórdão n.º 220201.020 S2C2T2 Fl. 14 7 Voto Conselheiro João Carlos Cassuli Junior, Relator. Recurso de Ofício: O Recurso de Ofício é dever da Autoridade Julgadora de 1ª Instância nos casos previstos no artigo 34 do Decreto 70.235/72, que assim dispõe: Art. 34. A autoridade de primeira instância recorrerá de ofício sempre que a decisão: I exonerar o sujeito passivo do pagamento de tributo e encargos de multa de valor total (lançamento principal e decorrentes) a ser fixado em ato do Ministro de Estado da Fazenda. II deixar de aplicar pena de perda de mercadorias ou outros bens cominada à infração denunciada na formalização da exigência. Por sua vez, a fixação do valor mencionado no artigo retro transcrito foi efetuada pelo Ministério da Fazenda, em 03 de Janeiro de 2008, mais especificamente no artigo 1º da Portaria nº. 3, que assim estabelece: Art. 1º O Presidente de Turma de Julgamento da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento (DRJ) recorrerá de ofício sempre que a decisão exonerar o sujeito passivo do pagamento de tributo e encargos de multa, em valor total superior a R$ 1.000.000,00 (um milhão de reais). Nesta senda, para que possa ser corretamente verificada a admissibilidade do recurso de ofício ora apresentando, é imperioso que se efetuem os cálculos do valor exonerado na decisão proferida pela DRJ, aplicandose com propriedade a legislação. Inicialmente cumpre pautar o valor original da autuação, que conforme relatório acima é de R$ 1.259.063,19 (um milhão, duzentos e cinqüenta e nove mil, sessenta e três reais e dezenove centavos), entre principal, multa e juros. De acordo com o que se obtém do voto do Relator do Acórdão nº. 1317.417, proferido pela DRJ ora Recorrente, o valor mantido na autuação referese aos depósitos de origem não comprovada relativos à Conta Corrente nº. 207985, a qual, pela análise e fundamentos expostos, não possuía cotitulares, exatamente nos seguintes termos: (...) mantendose o imposto de renda suplementar de R$ 168.655,00, relativo ao anocalendário 1999, exercício 2000, acrescido de multa de oficio de 75%, no valor de R$ 126.491,25, e dos juros de mora, de acordo com a legislação aplicável (...) Do que se pode observar acima, a DRJ manteve a autuação nos valores expressos a título de imposto de renda suplementar (R$165.655,00) e multa de 75% (R$ Fl. 7DF CARF MF Emitido em 19/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 29/04/2011 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR Assinado digitalmente em 29/04/2011 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, 29/04/2011 por NELSON MALLMANN 8 126.491,25), e, somente a soma dos valores mencionados perfaz uma quantia de R$ 295.146,25 (duzentos e noventa e cinco mil, cento e quarenta e seis reais e vinte e cinco centavos), o que evidencia que o valor exonerado da autuação é menor do que 1.000.000,00, não atendendo assim a exigência contida nos dispositivos legais retro. Neste sentido, voto por não conhecer do Recurso de Ofício, por não observadas as disposições legais pertinentes a alçada. Recurso Voluntário: Cumpre inicialmente observar que a DRJ manteve o lançamento apenas quanto aos rendimentos percebidos na conta que não possuía cotitular, qual seja a de nº. 20.7985, de modo que mantevese, à ótica da DRJ de 1ª Instância, a validade do lançamento neste tocante. Por sua vez, a referida conta remanescente manteve movimentações financeiras relativa, apenas, ao anocalendário de 1999, de modo que pauta a análise do Recurso Voluntário ora apresentando, apenas quanto à questão prejudicial, relativa à decadência. A análise dos autos demonstra que a atuação é referente ao anocalendário de 1999 (exercício 2000), sendo que o auto de infração foi lavrado em 13 de dezembro de 2005, e cientificado ao contribuinte nesta mesma data. A decisão recorrida entendeu que o lançamento do imposto de renda pessoa física, por ser complexivo, seria por declaração, e que a autoridade fiscal somente teria condições de efetuar o lançamento após a apresentação, por parte do contribuinte, de sua declaração de ajuste anual, o que apenas se deu no exercício de 2000. Diante disso, o direito ao crédito tributário nasceria neste momento, dispondo a Fazenda Pública do prazo de 05 anos, contados a partir do 1º dia do exercício seguinte ao que o lançamento poderia ter sido efetuado, no caso, em 01 de janeiro de 2001, expirandose, conseqüentemente, em 01 de janeiro de 2006, estando o lançamento fora do prazo decadencial. Considerando que o auto de infração foi lavrado em 13 de dezembro de 2005 e cientificado ao contribuinte nesta mesma data, está patente a caducidade do lançamento, pela ocorrência da decadência. No caso, um dos balizadores da decadência, é o §4°, do artigo 150 do CTN: Art. 150. O lançamento por homologação, que ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, operase pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa. § 1º O pagamento antecipado pelo obrigado nos termos deste artigo extingue o crédito, sob condição resolutória da ulterior homologação ao lançamento. § 2º Não influem sobre a obrigação tributária quaisquer atos anteriores à homologação, praticados pelo sujeito passivo ou por terceiro, visando à extinção total ou parcial do crédito. § 3º Os atos a que se refere o parágrafo anterior serão, porém, considerados na apuração do saldo porventura devido e, sendo o caso, na imposição de penalidade, ou sua graduação. § 4º Se a lei não fixar prazo a homologação, será ele de cinco anos, a contar da ocorrência do fato gerador; expirado esse Fl. 8DF CARF MF Emitido em 19/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 29/04/2011 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR Assinado digitalmente em 29/04/2011 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, 29/04/2011 por NELSON MALLMANN Processo nº 18471.001786/200514 Acórdão n.º 220201.020 S2C2T2 Fl. 15 9 prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considerase homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação. Neste sentido temos o entendimento deste Tribunal administrativo: IRPF DECADÊNCIA – TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO A regra de incidência de cada tributo é que define a sistemática de seu lançamento. O pagamento do tributo é irrelevante para a caracterização da natureza do lançamento tributário. O imposto de renda pessoa física é tributo que se amolda à sistemática prevista no art. 150 do CTN, chamado lançamento por homologação, de forma que o prazo decadencial é o previsto no parágrafo 4º do referido dispositivo. Recorrente : FAZENDA NACIONAL. Recorrida : 4ª CÂMARA DO 1º CONSELHO DE CONTRIBUINTES. Sessão de : 22 de setembro de 2005. Acórdão nº : CSRF/0400.125. DECADÊNCIA – LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO – Os tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa amoldamse à sistemática de lançamento por homologação, prevista no art. 150 do CTN, hipótese em que o prazo decadencial tem como termo inicial à data da ocorrência do fato gerador. A ausência de recolhimento não desnatura o lançamento, pois o que se homologa é a atividade exercida pelo sujeito passivo, da qual pode resultar ou não o recolhimento de tributo. Preliminar de decadência acolhida. Recurso especial da Fazenda Nacional conhecido e não provido.Sessão de: 11 de agosto de 2003. Acórdão nº CSRF/0104.603. Todavia, cabe ainda avaliar se no caso concreto não houvera antecipação de pagamento de imposto ao longo do ano calendário de 1999, já que, para a mais novel corrente jurisprudencial emanada do STJ, no caso a contagem do prazo decadencial observaria o disposto no art. 173, I, do Código Tributário Nacional, assim redigido: “Art. 173. O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados: I do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado;” Analisando as provas que dos autos constam, inclusive pela própria decorrência dos argumentos do recorrente (que seria “não residente”), não se identifica antecipação de imposto ao longo do ano calendário de 1999, de modo que, aplicando o posicionamento mais recente em termos de interpretação judicial acerca da contagem dos prazos decadenciais, aplicase efetivamente, o art. 173, inciao I, acima transcrito. Fl. 9DF CARF MF Emitido em 19/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 29/04/2011 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR Assinado digitalmente em 29/04/2011 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, 29/04/2011 por NELSON MALLMANN 10 Nesse sentido, cabe transcrever a Ementa do voto do Ministro Luiz Fux, no autos do Agravo Regimental em Recurso Especial nº 1.203.986/MG, o qual se reporta ao Recurso Especial Representativo de Controvérsia nº 973.733/SC, e que veio a ser o julgado balizador desse novel entendimento da Corte Superior. Referido julgado assim se posiciona: PROCESSUAL CIVIL. TRIBUTÁRIO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. DECADÊNCIA DO DIREITO DE O FISCO CONSTITUIR O CRÉDITOTRIBUTÁRIO. TERMO INICIAL. ARTIGO 173, I, DO CTN. MATÉRIA DECIDIDA NO RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA N° 973.733/SC. ARTIGO 543C, DO CPC. PRESCRIÇÃO DO DIREITO DE COBRANÇA JUDICIAL PELO FISCO. PRAZO QÜINQÜENAL. TRIBUTO SUJEITO À LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. OCORRÊNCIA. 1. O Código Tributário Nacional, ao dispor sobre a decadência, causa extintiva do crédito tributário, assim estabelece em seu artigo 173: ‘Art. 173. O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados: I do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado; II da data em que se tornar definitiva a decisão que houver anulado, por vício formal, o lançamento anteriormente efetuado. Parágrafo único. O direito a que se refere este artigo extinguese definitivamente com o decurso do prazo nele previsto, contado da data em que tenha sido iniciada a constituição do crédito tributário pela notificação, ao sujeito passivo, de qualquer medida preparatória indispensável ao lançamento.’ 2. A decadência ou caducidade, no âmbito do Direito Tributário, importa no perecimento do direito potestativo de o Fisco constituir o crédito tributário pelo lançamento, e, consoante doutrina abalizada, encontrase regulada por cinco regras jurídicas gerais e abstratas, quais sejam: (i) regra da decadência do direito de lançar nos casos de tributos sujeitos ao lançamento de ofício, ou nos casos dos tributos sujeitos ao lançamento por homologação em que o contribuinte não efetua o pagamento antecipado; (ii) regra da decadência do direito de lançar nos casos em que notificado o contribuinte de medida preparatória do lançamento, em se tratando de tributos sujeitos a lançamento de ofício ou de tributos sujeitos a lançamento por homologação em que inocorre o pagamento antecipado; (iii) regra da decadência do direito de lançar nos casos dos tributos sujeitos a lançamento por homologação em que há parcial pagamento da exação devida; (iv) regra da decadência do direito de lançar em que o pagamento antecipado se dá com fraude, dolo ou simulação, ocorrendo notificação do contribuinte acerca de medida preparatória; e (v) regra da decadência do direito de lançar perante anulação do lançamento anterior (In: Decadência e Prescrição no Direito Tributário, Eurico Marcos Diniz de Santi, 3ª Ed., Max Limonad, págs. 163/210). Fl. 10DF CARF MF Emitido em 19/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 29/04/2011 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR Assinado digitalmente em 29/04/2011 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, 29/04/2011 por NELSON MALLMANN Processo nº 18471.001786/200514 Acórdão n.º 220201.020 S2C2T2 Fl. 16 11 3. A Primeira Seção, quando do julgamento do REsp 973.733/SC, sujeito ao regime dos recursos repetitivos, reafirmou o entendimento de que ‘o dies a quo do prazo qüinqüenal da aludida regra decadencial regese pelo disposto no artigo 173, I, do CTN, sendo certo que o ‘primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado’ corresponde, iniludivelmente, ao primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível, ainda que se trate de tributos sujeitos a lançamento por homologação, revelandose inadmissível a aplicação cumulativa/concorrente dos prazos previstos nos artigos 150, § 4º, e 173, do Codex Tributário, ante a configuração de desarrazoado prazo decadencial decenal (Alberto Xavier, ‘Do Lançamento no Direito Tributário Brasileiro’, 3ª ed., Ed. Forense, Rio de Janeiro, 2005, págs. 91/104; Luciano Amaro, ‘Direito Tributário Brasileiro’, 10ª ed., Ed. Saraiva, 2004, págs. 396/400; e Eurico Marcos Diniz de Santi, ‘Decadência e Prescrição no Direito Tributário’, 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 183/199). (Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em FALTA O JULGAMENTO AGUARDAR) 4. À luz da novel metodologia legal, publicado o acórdão do julgamento do recurso especial, submetido ao regime previsto no artigo 534C, do CPC, os demais recursos já distribuídos, fundados em idêntica controvérsia, deverão ser julgados pelo relator, nos termos do atrtigo 557, CPC (artigo 5º, I, da Res. STJ 8/2008). 5. In casu: (a) cuidase de tributo sujeito a lançamento por homologação; (b) a obrigação ex lege de pagamento antecipado de contribuição social foi omitida pelo contribuinte concernente ao fato gerador compreendido a partir de 1995, consoante consignado pelo Tribunal a quo; (c) o prazo do fisco para lançar iniciou a partir de 01.01.1996 com término em 01.01.2001; (d) a constituição do crédito tributário pertinente ocorreu em 15.07.2004, data da Notificação Fiscal de Lançamento de Débito que formalizou os créditos tributários em questão, sendo a execução ajuizada tão somente em 21.03.2005. 6. Destarte, revelamse caducos os créditos tributários executados, tendo em vista o decurso do prazo decadencial qüinqüenal para que o Fisco efetuasse o lançamento de ofício substitutivo. 7. Agravo regimental desprovido.” Transportando esse entendimento ao caso concreto, temos que o fato gerador do imposto de renda pessoa física relativo ao ano calendário de 1999 se perfectibilizou em 31.12.1999, sendo que o início da contagem do prazo decadencial, para essa hipótese de falta de antecipação de imposto, dáse em 01.01.2000, de modo que o direito da fazenda pública constituir o crédito tributário pelo lançamento decaiu em 01.01.2005. Diante disso, e considerando que o fato gerador do tributo ocorreu em 31 de dezembro de 1999, e o auto de infração só foi cientificado em 13 de dezembro de 2005, Fl. 11DF CARF MF Emitido em 19/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 29/04/2011 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR Assinado digitalmente em 29/04/2011 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, 29/04/2011 por NELSON MALLMANN 12 entendo que operouse a decadência em constituir o crédito tributário no presente caso, prejudicando a análise de quaisquer outros fundamentos no processo. Finalmente, a aplicação deste entendimento e a transcrição da decisão proferida pelo STJ, no âmbito do procedimento de julgamentos repetitivos, visa, também, atender ao disposto no art. 62A, do Regimento Interno do CARF, na redação dada pela Portaria nº 586, de 21 de dezembro de 2010 (DOU 22/12/2010). Em face do exposto, voto no sentido de dar provimento ao Recurso Voluntário para acolher a preliminar de decadência, declarando extinto o direito de a Fazenda Nacional constituir o crédito tributário lançado. (assinado digitalmente) João Carlos Cassuli Junior Fl. 12DF CARF MF Emitido em 19/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 29/04/2011 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR Assinado digitalmente em 29/04/2011 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, 29/04/2011 por NELSON MALLMANN
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Numero do processo: 10880.727249/2011-12
Turma: Terceira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Apr 16 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Mon May 05 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/03/1998 a 31/01/1999
PREVIDENCIÁRIO. CUSTEIO. AUTO DE INFRAÇÃO DE OBRIGAÇÃO PRINCIPAL. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA ENTRE PRESTADOR E TOMADOR DE SERVIÇOS. ART. 31 DA LEI N. 8.212/91 (REDAÇÃO ORIGINAL). CONSTITUIÇÃO DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO. VERIFICAÇÃO PRÉVIA DO PRESTADOR DE SERVIÇO. PRECEDENTES. SÚMULA 83/STJ.
1. A jurisprudência do STJ reconhece, nos termos do art. 31 da Lei n. 8.212/91, com a redação vigente até 1º.2.1999, a inviabilidade de lançamento por aferição indireta, com base tão somente nas contas do tomador do serviço, pois, para a devida constituição do crédito tributário, faz-se necessário observar se a empresa cedente recolheu ou não as contribuições devidas, o que, de certo modo, implica a precedência de fiscalização perante a empresa prestadora, ou, ao menos, a concomitância. Incidência da Súmula 83/STJ.
2. O entendimento sufragado não afasta a responsabilidade solidária do tomador de serviço, até porque a solidariedade está objetivamente delineada na legislação infraconstitucional. Reprime-se apenas a forma de constituição do crédito tributário perpetrada pela Administração Tributária, que arbitra indevidamente o lançamento sem que se tenha fiscalizado a contabilidade da empresa prestadora dos serviços de mão de obra.
Recurso Voluntário Provido
Numero da decisão: 2803-003.281
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do voto do relator. Os Conselheiros, Eduardo de Oliveira e Helton Carlos Praia de Lima votaram pelas conclusões. Vencido o Conselheiro Paulo Roberto Lara dos Santos.
(Assinado digitalmente)
Helton Carlos Praia de Lima Presidente
(Assinado digitalmente)
Amílcar Barca Teixeira Júnior Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Helton Carlos Praia de Lima (Presidente), Paulo Roberto Lara dos Santos, Eduardo de Oliveira, Amilcar Barca Teixeira Junior, Gustavo Vettorato e Natanael Vieira dos Santos.
Nome do relator: AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR
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CUSTEIO. AUTO DE INFRAÇÃO DE OBRIGAÇÃO PRINCIPAL. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA ENTRE PRESTADOR E TOMADOR DE SERVIÇOS. ART. 31 DA LEI N. 8.212/91 (REDAÇÃO ORIGINAL). CONSTITUIÇÃO DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO. VERIFICAÇÃO PRÉVIA DO PRESTADOR DE SERVIÇO. PRECEDENTES. SÚMULA 83/STJ. 1. A jurisprudência do STJ reconhece, nos termos do art. 31 da Lei n. 8.212/91, com a redação vigente até 1º.2.1999, a inviabilidade de lançamento por aferição indireta, com base tão somente nas contas do tomador do serviço, pois, para a devida constituição do crédito tributário, fazse necessário observar se a empresa cedente recolheu ou não as contribuições devidas, o que, de certo modo, implica a precedência de fiscalização perante a empresa prestadora, ou, ao menos, a concomitância. Incidência da Súmula 83/STJ. 2. O entendimento sufragado não afasta a responsabilidade solidária do tomador de serviço, até porque a solidariedade está objetivamente delineada na legislação infraconstitucional. Reprimese apenas a forma de constituição do crédito tributário perpetrada pela Administração Tributária, que arbitra indevidamente o lançamento sem que se tenha fiscalizado a contabilidade da empresa prestadora dos serviços de mão de obra. Recurso Voluntário Provido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 72 72 49 /2 01 1- 12 Fl. 3291DF CARF MF Impresso em 07/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/04/2014 por AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 3 0/04/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 23/04/2014 por AMILCAR BARCA TEI XEIRA JUNIOR Processo nº 10880.727249/201112 Acórdão n.º 2803003.281 S2TE03 Fl. 3 2 Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do voto do relator. Os Conselheiros, Eduardo de Oliveira e Helton Carlos Praia de Lima votaram pelas conclusões. Vencido o Conselheiro Paulo Roberto Lara dos Santos. (Assinado digitalmente) Helton Carlos Praia de Lima – Presidente (Assinado digitalmente) Amílcar Barca Teixeira Júnior – Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Helton Carlos Praia de Lima (Presidente), Paulo Roberto Lara dos Santos, Eduardo de Oliveira, Amilcar Barca Teixeira Junior, Gustavo Vettorato e Natanael Vieira dos Santos. Fl. 3292DF CARF MF Impresso em 07/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/04/2014 por AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 3 0/04/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 23/04/2014 por AMILCAR BARCA TEI XEIRA JUNIOR Processo nº 10880.727249/201112 Acórdão n.º 2803003.281 S2TE03 Fl. 4 3 Relatório Tratase de Auto de Infração de Obrigação Principal (AIOP) lavrado em desfavor do contribuinte acima identificado. O crédito tributário foi lançado por solidariedade, com fundamento no art. 31 da Lei 8.212/91, e se refere a contribuições sociais previdenciárias patronais e de ônus dos segurados incidentes sobre a remuneração inserida em notas fiscais de serviços contratados mediante cessão de mãodeobra, sob o título: “agente credenciado/distribuidor autorizado”, apurado por aferição indireta, com base no art. 33 da Lei 8.212/91, em razão de a empresa fiscalizada, contratante dos serviços, não ter apresentado os documentos previstos na legislação, necessários à elisão da responsabilidade solidária e à comprovação da regularidade tributária em foco. O Contribuinte devidamente notificado apresentou defesa tempestiva. A impugnação foi julgada em 04 de abril de 2013 e ementada nos seguintes termos: ASSUNTO: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/03/1998 a 31/01/1999 DECADÊNCIA QUINQUENAL DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO EM FACE DA EMPRESA PRESTADORA DE SERVIÇOS. A prestadora de serviços deve ser excluída do polo passivo da exigência fiscal em razão de estar o Fisco impedido de constituir o crédito tributário em nome desta devedora, que somente foi cientificada e intimada do débito após o transcurso do prazo decadencial quinquenal, CESSÃO DE MÃODEOBRA. PRESTAÇÃO DOS SERVIÇOS EM LOCAIS SOB O CONTROLE E FISCALIZAÇÃO DA CONTRATANTE. “DEPENDÊNCIAS” DA CONTRATANTE. O requisito da “cessão de mãodeobra” relativo ao local de prestação de serviços nas “dependências” da contratante restará caracterizado quando esta mantém controle e fiscalização sobre os mesmos, ainda que em imóveis de propriedade da contratada ou por ela locados. SERVIÇO JUNTO AO PÚBLICO OU POR TELEFONE. DEPENDÊNCIAS DE TERCEIROS. A prestação dos serviços feita via telefone ou pessoalmente junto ao público caracteriza serviços prestados nas “dependências de terceiros”, preenchendo, assim, este requisito do conceito legal de “cessão de mãodeobra”. COLOCAÇÃO DE MÃODEOBRA À DISPOSIÇÃO DA CONTRATANTE. COMPROVAÇÃO. A comprovação de que a contratante tem contato direto com os trabalhadores, orientando, acompanhando, supervisionando e fiscalizando a prestação de serviços, Fl. 3293DF CARF MF Impresso em 07/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/04/2014 por AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 3 0/04/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 23/04/2014 por AMILCAR BARCA TEI XEIRA JUNIOR Processo nº 10880.727249/201112 Acórdão n.º 2803003.281 S2TE03 Fl. 5 4 demonstra a “colocação de mãodeobra a disposição da contratante”. FISCALIZAÇÃO DIRETA NA CONTRATANTE DOS SERVIÇOS. NÃO EXIBIÇÃO DE GUIAS E FOLHAS DE PAGAMENTOS ESPECÍFICAS. LANÇAMENTO POR SOLIDARIEDADE. É legitima e legal a fiscalização direta da empresa contratante dos serviços, hipótese em que a não exibição das folhas de pagamentos específicas e das respectivas guias de recolhimento vinculadas é suficiente para determinar os lançamentos fiscais por solidariedade mediante aplicação do método da aferição indireta. DILIGÊNCIA. INDEFERIMENTO. O pedido de diligência desnecessária e/ou que não atenda aos requisitos legais deve ser indeferido. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido Inconformado com resultado do julgamento da primeira instância administrativa, o Contribuinte apresentou recurso tempestivo, onde alega, em síntese, o seguinte: Tratase de Auto de Infração lavrado em face da ora Recorrente, tendo por objeto a exigência das contribuições sociais supostamente devidas em função da contratação da Empresa “Reche & Cia. Ltda.”, inscrita no CNPJ sob o nº 00.429.770/000154, no regime de cessão de mãodeobra, relativamente aos serviços prestados nos períodos de apuração compreendidos entre março/98 e janeiro/99. Cumpre destacar que o lançamento fiscal que se pretende cancelar foi formalizado em substituição à NFLD nº 35.409.5676 (Processo Administrativo nº 37172.001398/200552), anteriormente anulada por este Eg. Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, quando da prolação do acórdão nº 206.01.261/2008, pela existência de vício formal, já que não foi enviada notificação fiscal para todas as empresas cuja prestação de serviço estava por esta abarcadas. Tendo em vista que a anulação foi exclusivamente por vício formal, após o trânsito da citada decisão administrativa, a Delegacia da Receita Federal de Belo Horizonte/MG emitiu novo MPF visando renovar a fiscalização com relação aos fatos geradores autuados no primeiro procedimento. Tão logo encerrada a fiscalização, foi lavrado o auto de Infração que se pretende cancelar. O v. Acórdão merece ser integralmente reformado, com o consequente cancelamento da exigência fiscal perpetrada pela d. Autoridade Fiscalizadora. Inexistiu contratação de mãodeobra pela recorrente. A contribuição previdenciária somente é devida quando há a contratação de serviços cujo objeto é a cessão de mão de obra. Por outro lado, não havendo cessão de mão de Fl. 3294DF CARF MF Impresso em 07/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/04/2014 por AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 3 0/04/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 23/04/2014 por AMILCAR BARCA TEI XEIRA JUNIOR Processo nº 10880.727249/201112 Acórdão n.º 2803003.281 S2TE03 Fl. 6 5 obra, tal como se deu na hipótese dos autos, não há que se atribuir responsabilidade solidária à impugnante pelo recolhimento das contribuições previdenciárias incidentes sobre o valor da nota fiscal ou fatura. A r. decisão recorrida manteve o lançamento fiscal no que respeita aos contratos firmados entre a Recorrente e os Agentes Credenciados / Distribuidores Autorizados, sob o fundamento de que na hipótese dos autos, os documentos carreados aos autos levam à conclusão de que a Recorrente teria, em verdade, feito a contratação de Empresa sob o regime de cessão de mão de obra. Verificase que os Distribuidores Autorizados atuam sempre em estabelecimentos próprios, sejam eles de sua propriedade ou locados. Portanto, não cumprindo o requisito essencial para a caracterização de cessão de mão de obra: alocação dos empregados da contratada nas dependências da contratante ou de terceiros por ela indicados. O contrato firmado entre a Recorrente e a Empresa “Reche & Cia. Ltda.” Não se trata de uma cessão de mão de obra, razão pela qual esta não pode ser responsabilizada solidariamente pelo recolhimento das contribuições previdenciárias exigidas no lançamento fiscal ora combatido, devendo ser provido o presente Recurso Voluntário, com a reforma da r. decisão recorrida e consequente cancelamento da exigência fiscal. Não apresentadas as contrarrazões. É o relatório. Fl. 3295DF CARF MF Impresso em 07/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/04/2014 por AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 3 0/04/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 23/04/2014 por AMILCAR BARCA TEI XEIRA JUNIOR Processo nº 10880.727249/201112 Acórdão n.º 2803003.281 S2TE03 Fl. 7 6 Voto Conselheiro Amílcar Barca Teixeira Júnior, Relator. O recurso voluntário é tempestivo, e considerando o preenchimento dos demais requisitos de sua admissibilidade, merece ser apreciado. O crédito tributário foi lançado por solidariedade, com fundamento no art. 31 da Lei 8.212/91, e se refere a contribuições sociais previdenciárias patronais e de ônus dos segurados, incidentes sobre a remuneração inserida em notas fiscais de serviços contratados mediante cessão de mãodeobra, sob o título: “agente credenciado/distribuidor autorizado”, apurado por aferição indireta, com base no art. 33 da Lei 8.212/91, em razão de a empresa fiscalizada, contratante dos serviços, não ter apresentado os documentos previstos na legislação, necessários à elisão da responsabilidade solidária e à comprovação da regularidade tributária em foco. Em situações como a dos autos, a fiscalização não pode e não deve buscar a solução que entender mais prática para realizar suas atribuições. Com efeito, não vislumbrei a hipótese de ter havido, in casu, cessão de mão de obra, passível de enquadramento no instituto da responsabilidade solidária, como apontado pela autoridade administrativa lançadora. O contrato firmado entre a recorrente e a empresa “Reche & Cia. Ltda”, definitivamente não é um contrato típico de cessão de mão de obra. Tratase, em verdade, de contrato de distribuidor autorizado. Ora, mesmo que fosse o caso do enquadramento tipificado pela fiscalização, a situação não poderia ter descambado para a utilização de modo simplificado do instituto da aferição indireta, sob pena de ocorrer cobrança do tributo em duplicidade. Neste ponto, é importante observar a pacífica jurisprudência do STJ, in verbis: AgRg no REsp 1348395 / RJ AGRAVO REGIMENTAL NO RECURSO ESPECIAL 2012/02105299 Relator(a) Ministro HUMBERTO MARTINS (1130) Órgão Julgador Fl. 3296DF CARF MF Impresso em 07/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/04/2014 por AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 3 0/04/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 23/04/2014 por AMILCAR BARCA TEI XEIRA JUNIOR Processo nº 10880.727249/201112 Acórdão n.º 2803003.281 S2TE03 Fl. 8 7 T2 SEGUNDA TURMA Data do Julgamento 27/11/2012 Data da Publicação/Fonte DJe 04/12/2012 Ementa TRIBUTÁRIO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA ENTRE PRESTADOR E TOMADOR DE SERVIÇOS. ART. 31 DA LEI N. 8.212/91 (REDAÇÃO ORIGINAL). CONSTITUIÇÃO DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO. VERIFICAÇÃO PRÉVIA DO PRESTADOR DE SERVIÇO. PRECEDENTES. SÚMULA 83/STJ. 1. A jurisprudência do STJ reconhece, nos termos do art. 31 da Lei n. 8.212/91, com a redação vigente até 1º.2.1999, a inviabilidade de lançamento por aferição indireta, com base tão somente nas contas do tomador do serviço, pois, para a devida constituição do crédito tributário, fazse necessário observar se a empresa cedente recolheu ou não as contribuições devidas, o que, de certo modo, implica a precedência de fiscalização perante a empresa prestadora, ou, ao menos, a concomitância. Incidência da Súmula 83/STJ. 2. O entendimento sufragado não afasta a responsabilidade solidária do tomador de serviço, até porque a solidariedade está objetivamente delineada na legislação infraconstitucional. Reprimese apenas a forma de constituição do crédito tributário perpetrada pela Administração Tributária, que arbitra indevidamente o lançamento sem que se tenha fiscalizado a contabilidade da empresa prestadora dos serviços de mão de obra. Agravo regimental improvido. Vêse, portanto, que o do lançamento na esfera da empresa contratante, o que não é o caso destes autos, sem que se tenha fiscalizado a contabilidade da empresa prestadora dos serviços de mão de obra, é arbitrário segundo o Superior Tribunal de Justiça – STJ. CONCLUSÃO. Fl. 3297DF CARF MF Impresso em 07/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/04/2014 por AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 3 0/04/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 23/04/2014 por AMILCAR BARCA TEI XEIRA JUNIOR Processo nº 10880.727249/201112 Acórdão n.º 2803003.281 S2TE03 Fl. 9 8 Pelo exposto, voto por CONHECER do recurso para, no mérito, DARLHE PROVIMENTO. É como voto. (Assinado digitalmente) Amílcar Barca Teixeira Júnior – Relator. Fl. 3298DF CARF MF Impresso em 07/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/04/2014 por AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 3 0/04/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 23/04/2014 por AMILCAR BARCA TEI XEIRA JUNIOR
score : 1.0
Numero do processo: 10925.911402/2011-24
Turma: Primeira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 25 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Tue Apr 01 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Data do fato gerador: 30/06/2002
PIS. COFINS. RESTITUIÇÃO. EXCLUSÃO DO VALOR DO ICMS DA BASE DE CÁLCULO. INDEFERIMENTO.
A Contribuição para o PIS/Pasep e a Cofins incidem sobre o faturamento, que corresponde à totalidade das receitas auferidas pela pessoa jurídica, pouco importando qual é a composição destas receitas ou se os impostos indiretos compõem o preço de venda.
INCONSTITUCIONALIDADE. SÚMULA CARF Nº 2.
O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 3801-002.917
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Flávio de Castro Pontes - Presidente.
(assinado digitalmente)
Marcos Antonio Borges - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flávio de Castro Pontes (Presidente), Paulo Sérgio Celani, Sidney Eduardo Stahl, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Marcos Antonio Borges e Paulo Antonio Caliendo Velloso da Silveira.
Nome do relator: MARCOS ANTONIO BORGES
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COFINS. RESTITUIÇÃO. EXCLUSÃO DO VALOR DO ICMS DA BASE DE CÁLCULO. INDEFERIMENTO. A Contribuição para o PIS/Pasep e a Cofins incidem sobre o faturamento, que corresponde à totalidade das receitas auferidas pela pessoa jurídica, pouco importando qual é a composição destas receitas ou se os impostos indiretos compõem o preço de venda. INCONSTITUCIONALIDADE. SÚMULA CARF Nº 2. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Flávio de Castro Pontes Presidente. (assinado digitalmente) Marcos Antonio Borges Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 92 5. 91 14 02 /2 01 1- 24 Fl. 60DF CARF MF Impresso em 01/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/03/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 13/03/201 4 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 01/04/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10925.911402/201124 Acórdão n.º 3801002.917 S3TE01 Fl. 61 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flávio de Castro Pontes (Presidente), Paulo Sérgio Celani, Sidney Eduardo Stahl, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Marcos Antonio Borges e Paulo Antonio Caliendo Velloso da Silveira. Fl. 61DF CARF MF Impresso em 01/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/03/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 13/03/201 4 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 01/04/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10925.911402/201124 Acórdão n.º 3801002.917 S3TE01 Fl. 62 3 Relatório Adoto o relatório da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento, que narra bem os fatos: Trata o presente processo de Pedido de Restituição PER, apresentado pela contribuinte acima qualificada. Em análise do pedido, a Delegacia da Receita Federal do Brasil em Joaçaba/SC decidiu indeferilo (Despacho Decisório à folha 5), em razão de que o valor recolhido via DARF, indicado como fonte do crédito contra a Fazenda Nacional, já havia sido integralmente utilizado para pagamento de débito da contribuinte, não restando crédito disponível para restituição solicitada no PER. Inconformada com o não deferimento de seu Pedido de Restituição, a contribuinte esclarece, em síntese, que os créditos pleiteados referemse a pagamentos a maior da contribuição ao PIS e da Cofins, em razão da inclusão do ICMS nas bases de cálculo destas contribuições. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Florianópolis (SC) julgou improcedente a manifestação de inconformidade, conforme ementa abaixo: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Ano calendário: 2007 PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. COMPROVAÇÃO DA CERTEZA E LIQUIDEZ DO CRÉDITO. REQUISITO. A certeza e liquidez do crédito é requisito essencial para o deferimento da restituição, devendo restar comprovado o efetivo pagamento indevido ou a maior que o devido. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Inconformada, a contribuinte recorre a este Conselho, conforme recurso voluntário apresentado, no qual alega que a exigência da prévia retificação da DCTF como condição para reconhecer o crédito tributário pleiteado pela recorrente não possui qualquer fundamento legal, devendo ser enfrentado os argumentos apresentados na Manifestação de Inconformidade. É o relatório. Fl. 62DF CARF MF Impresso em 01/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/03/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 13/03/201 4 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 01/04/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10925.911402/201124 Acórdão n.º 3801002.917 S3TE01 Fl. 63 4 Voto Conselheiro Relator Marcos Antonio Borges O recurso é tempestivo e atende aos demais pressupostos recursais, portanto dele tomase conhecimento. O direito creditório não existiria, segundo o despacho decisório inicial e o acórdão de primeira instância, porque os pagamentos constantes do pedido estariam integralmente vinculados a débitos em DCTF e não teriam sido demonstradas a liquidez e a certeza dos indébitos. Na análise eletrônica dos PERDCOMPs de pagamento indevido ou a maior o objetivo é confirmar a existência de indébito tributário, confrontando informações das declarações apresentadas com os pagamento realizados. Não se está analisando efetivamente o mérito da questão, o que somente será viável a partir da manifestação de inconformidade apresentada pelo requerente, na qual, esperase, seja descrita a origem do direito creditório pleiteado e sua fundamentação legal. Apesar da alegação da existência de crédito decorrente de pagamento indevido ou a maior não ter sido acompanhada na peça impugnatória da retificação da respectiva DCTF, instrumento de confissão de dívida, que a princípio estaria na esfera de responsabilidade do contribuinte, o entendimento predominante deste Colegiado é no sentido da prevalência da verdade material, sendo que a falta de apresentação de DCTF retificadora, por se tratar de prova indiciária, não excluiria o direito da recorrente à repetição do indébito, nos termos do art. 165 do CTN, in verbis: Art. 165. O sujeito passivo tem direito, independentemente de prévio protesto, à restituição total ou parcial do tributo, seja qual for a modalidade do seu pagamento, ressalvado o disposto no § 4º do artigo 162, nos seguintes casos: I cobrança ou pagamento espontâneo de tributo indevido ou maior que o devido em face da legislação tributária aplicável, ou da natureza ou circunstâncias materiais do fato gerador efetivamente ocorrido; No mérito, a recorrente alega que os créditos pleiteados referemse a pagamentos a maior da contribuição ao PIS e da Cofins, em razão da inclusão do ICMS nas bases de cálculo destas contribuições. A questão da inclusão do ICMS na base de cálculo do PIS e da COFINS é objeto do Recurso Extraordinário (RE) nº 240.7852 MG, que não foi ainda julgada até a presente data. Na Ação Declaratória de Constitucionalidade (ADC) nº 18, que trata da mesma matéria, o STF reconheceu a repercussão geral da demanda e deferiu medida cautelar para determinar que, até o julgamento final da ação pelo Plenário do STF, juízos e tribunais Fl. 63DF CARF MF Impresso em 01/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/03/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 13/03/201 4 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 01/04/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10925.911402/201124 Acórdão n.º 3801002.917 S3TE01 Fl. 64 5 suspendessem o julgamento dos processos em trâmite que envolviam a aplicação do art. 3º, § 2º, inciso I, da Lei no 9.718/98. A suspensão dos julgamentos deferida liminarmente foi sucessivamente prorrogada nas sessões plenárias realizadas em 04/02/2009, em 16/09/2009, e, finalmente, em 25/03/2010, quando o Tribunal, pela última vez, prorrogou por mais 180 dias a eficácia da medida cautelar anteriormente deferida. Quanto ao RE nº 240.7852/MG, o mesmo foi também sustado até o julgamento do ADC no 18, já que o Plenário do STF, ao julgar questão de ordem levantada pelo Ministro Marco Aurélio, decidiu que o julgamento da ADC deveria preceder o julgamento do RE em tela, uma vez que a ADC, por tratarse de controle concentrado de constitucionalidade, repercutiria sobre os demais processos relativos à matéria. Contudo, findo o prazo suspensivo liminarmente concedido pelo STF, tendo em vista não haver nenhuma decisão vigente nesse sentido nos julgamentos que versam sobre a matéria, bem como, com a edição da Portaria MF no 545, de 18 de novembro de 2013, que revogou os parágrafos 1º e 2º do artigo 62A do Anexo II do Regimento Interno deste Conselho, que previam o sobrestamento dos julgamentos dos recursos sempre que o STF também sobrestar o julgamento dos recursos extraordinários da mesma matéria, preliminarmente entendo que não há que se falar em sobrestamento dos autos. Isto posto, no mérito, veremos que não assiste razão à recorrente. Apesar da recorrente argumentar que o ICMS, por não representar riqueza do contribuinte e sim receita do Erário Estadual, é um ônus fiscal e não faturamento. Esse, porém, referese a uma universalidade, um todo composto pelas receitas da empresa, pouco importando qual é a composição destas receitas ou se os impostos indiretos compõem o preço de venda. A Lei nº 9.718/98, em seu art. 3º, § 2º, I autoriza apenas a exclusão do ICMS “quando cobrado pelo vendedor dos bens ou prestador dos serviços na condição de substituto tributário”. Em nenhum momento, porém, autoriza a exclusão do ICMS das próprias vendas. Em relação ao PIS, a Jurisprudência encontravase pacificada, sendo editada a Súmula nº 68 pelo Superior Tribunal de Justiça, abaixo transcrita: Súmula: 68 A PARCELA RELATIVA AO ICM INCLUISE NA BASE DE CALCULO DO PIS. Em relação ao FINSOCIAL, que também tinha por base de cálculo o faturamento, o Superior Tribunal de Justiça editou a Súmula nº 94, que estabelece: Súmula 94. A PARCELA RELATIVA O ICMS INCLUISE NA BASE DE CÁLCULO DO FINSOCIAL. Este também é o entendimento exarado pelo STJ, superada a suspensão liminar dos julgamentos dos processos envolvendo a matéria determinada pelo STF, no âmbito do REsp no 1.127.877SP (transitado em julgado em 20/06/2012), no sentido de que o ICMS integra sim a base de cálculo do PIS e da COFINS, através de decisão monocrática que negou seguimento ao recurso, com base em jurisprudência da citada Corte, conforme excerto abaixo: PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. OMISSÃO NÃO CONFIGURADA. BASE DE CÁLCULO DO PIS E DA COFINS. Fl. 64DF CARF MF Impresso em 01/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/03/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 13/03/201 4 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 01/04/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10925.911402/201124 Acórdão n.º 3801002.917 S3TE01 Fl. 65 6 INCLUSÃO DO ICMS. POSSIBILIDADE. PRECEDENTES. RECURSO ESPECIAL A QUE SE NEGA SEGUIMENTO. A jurisprudência deste Tribunal pacificouse no sentido de que "a parcela relativa ao ICMS deve ser incluída na base de cálculo do PIS e da Cofins, nos termos das Súmulas 68 e 94 do STJ" (AgRg no REsp 1.121.982/RS, 2ª T., Min. Humberto Martins, DJe de 04/02/2011). Nesse sentido, os seguintes julgados: AgRg no Ag 1.069.974/PR, 1ª T., Min. Francisco Falcão, DJe de 02/03/2009; REsp 1.012.877/PR, 2ª T., Min. Mauro Campbell Marques, DJe de 08/02/2011; AgRg no Ag 1.169.099/SP, 2ª T., Min. Herman Benjamin, DJe de 03/02/2011; AgRg no Ag 1.005.267/RS, 1ª T., Min. Benedito Gonçalves, DJe de 02/09/2009. Ocorre ainda que eventuais alegações acerca de inconstitucionalidade da legislação tributária não são oponíveis na esfera administrativa, uma vez que sua apreciação foge à alçada da autoridade administrativa de qualquer instância, não dispondo esta de competência legal para examinar hipóteses de violação às normas legitimamente inseridas no ordenamento jurídico nacional. Com efeito, a apreciação dessas questões achase reservada ao Poder Judiciário, pelo que qualquer discussão quanto aos aspectos de validade das normas jurídicas deve ser submetida àquele Poder. Portanto, é inócuo suscitar tais alegações na esfera administrativa, pois à autoridade administrativa é vedado desrespeitar textos legais em vigor, sob pena de responsabilidade funcional, sendo defeso a apreciação da matéria por esse órgão julgador, nos termos da Súmula n° 2 do CARF, de observância obrigatória por parte de seus membros. No mais, o julgamento do Recurso Especial (REsp) no 1.127.877SP foi submetido ao rito do artigo 543C do CPC, razão pela qual o entendimento ali expresso deverá ser seguido pelos conselheiros no âmbito do CARF, conforme caput do artigo 62A1 do Regimento Interno deste Conselho, aprovado pela Portaria MF n° 256/2009, com alterações introduzidas pela Portaria MF no 545, de 18 de novembro de 2013. Assim, voto por negar provimento ao presente recurso voluntário. 1 Art. 62A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. Fl. 65DF CARF MF Impresso em 01/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/03/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 13/03/201 4 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 01/04/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10925.911402/201124 Acórdão n.º 3801002.917 S3TE01 Fl. 66 7 (assinado digitalmente) Marcos Antônio Borges Fl. 66DF CARF MF Impresso em 01/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/03/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 13/03/201 4 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 01/04/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES
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Numero do processo: 10930.904484/2012-62
Turma: Terceira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Nov 26 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Wed May 28 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Data do fato gerador: 26/10/2010
COMPENSAÇÃO. PAGAMENTO A MAIOR OU INDEVIDO. COMPROVAÇÃO. ÔNUS DA PROVA.
Compete ao contribuinte a apresentação de livros de escrituração comercial e fiscal ou de documentos hábeis e idôneos à comprovação do crédito alegado sob pena de desprovimento do recurso.
PROVAS. PRODUÇÃO. MOMENTO POSTERIOR AO RECURSO VOLUNTÁRIO. IMPOSSIBILIDADE.
O momento de apresentação das provas está determinado nas normas que regem o processo administrativo fiscal, em especial no Decreto 70.235/72. Não há como deferir produção de provas posteriormente ao Recurso Voluntário por absoluta falta de previsão legal.
Numero da decisão: 3803-004.834
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
Corintho Oliveira Machado - Presidente.
(assinado digitalmente)
João Alfredo Eduão Ferreira - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Belchior Melo de Sousa, Corintho Oliveira Machado, Hélcio Lafetá Reis, João Alfredo Eduão Ferreira, Jorge Victor Rodrigues e Juliano Eduardo Lirani.
Nome do relator: JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Data do fato gerador: 26/10/2010 COMPENSAÇÃO. PAGAMENTO A MAIOR OU INDEVIDO. COMPROVAÇÃO. ÔNUS DA PROVA. Compete ao contribuinte a apresentação de livros de escrituração comercial e fiscal ou de documentos hábeis e idôneos à comprovação do crédito alegado sob pena de desprovimento do recurso. PROVAS. PRODUÇÃO. MOMENTO POSTERIOR AO RECURSO VOLUNTÁRIO. IMPOSSIBILIDADE. O momento de apresentação das provas está determinado nas normas que regem o processo administrativo fiscal, em especial no Decreto 70.235/72. Não há como deferir produção de provas posteriormente ao Recurso Voluntário por absoluta falta de previsão legal.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Corintho Oliveira Machado - Presidente. (assinado digitalmente) João Alfredo Eduão Ferreira - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Belchior Melo de Sousa, Corintho Oliveira Machado, Hélcio Lafetá Reis, João Alfredo Eduão Ferreira, Jorge Victor Rodrigues e Juliano Eduardo Lirani.
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GONCALVES & CIA LTDA EPP Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 26/10/2010 COMPENSAÇÃO. HOMOLOGAÇÃO. LIQUIDEZ E CERTEZA DO CRÉDITO. Para a homologação da DCOMP transmitida pelo sujeito passivo, é necessária a demonstração da liquidez e certeza do crédito de tributos administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 26/10/2010 COMPENSAÇÃO. PAGAMENTO A MAIOR OU INDEVIDO. COMPROVAÇÃO. ÔNUS DA PROVA. Compete ao contribuinte a apresentação de livros de escrituração comercial e fiscal ou de documentos hábeis e idôneos à comprovação do crédito alegado sob pena de desprovimento do recurso. PROVAS. PRODUÇÃO. MOMENTO POSTERIOR AO RECURSO VOLUNTÁRIO. IMPOSSIBILIDADE. O momento de apresentação das provas está determinado nas normas que regem o processo administrativo fiscal, em especial no Decreto 70.235/72. Não há como deferir produção de provas posteriormente ao Recurso Voluntário por absoluta falta de previsão legal. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 93 0. 90 44 84 /2 01 2- 62 Fl. 76DF CARF MF Impresso em 28/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/02/2014 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 20/ 02/2014 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 09/03/2014 por CORINTHO OLIVEIRA M ACHADO 2 Corintho Oliveira Machado Presidente. (assinado digitalmente) João Alfredo Eduão Ferreira Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Belchior Melo de Sousa, Corintho Oliveira Machado, Hélcio Lafetá Reis, João Alfredo Eduão Ferreira, Jorge Victor Rodrigues e Juliano Eduardo Lirani. Relatório Trata o presente processo de PER/DCOMP, transmitido pelo contribuinte, em que pretende compensar apontado crédito de natureza tributária para com débito por ele apurado, ambos indicados em PER/DCOMP (efl 2/6), referente aos períodos e valores ali descritos e analisados no bojo deste processo. O pagamento foi identificado, mas constatouse que o mesmo foi integralmente utilizado para quitação de débitos do contribuinte, segundo dados do Despacho Decisório, dessa forma, o direito creditório não foi reconhecido e a compensação declarada resultou não homologada. Intimado a recolher o crédito tributário decorrente da não homologação da compensação, o contribuinte manifestou a sua inconformidade tempestivamente, argumentando o que se segue: a) Afirma seu direito ao recebimento do recurso, bem assim o regular processamento dos autos para julgamento pelo órgão competente; b) Alega que o despacho decisório está eivado de nulidades, pois não houve esclarecimentos quanto à suposta indisponibilidade de crédito e não foi analisada qualquer situação que legitima o crédito postulado; c) Alega não ter meio de se defender por desconhecimento da indisponibilidade e que o despacho decisório não dispõe de qualquer esclarecimento, inclusive em relação ao significado de “disponibilidade de crédito”, o que lhe parece se tratar do encontro de contas realizado pelo sistema da Receita Federal entre o débito recolhido através do Darf e o Crédito declarado em DCTF. Não restando crédito disponível para ser restituído; d) Alega o cerceamento ao seu direito de ampla defesa, pois não foi intimado a fazer os esclarecimentos necessários e a autoridade administrativa não motivou sua decisão, a qual não passou pelo crivo de um Auditor Fiscal para confirmar a suposta indisponibilidade, dessa forma a não homologação desta compensação ocorreu por uma questão de sistema de informática, sendo assim o crédito sequer foi apreciado; e) Afirma, quanto ao mérito, que utilizou de valores que indevidamente integravam a base de cálculo do tributo, conforme teses já julgadas pelo Supremo Tribunal Federal, e que por esta razão postulou a restituição/compensação do valor que pagou a maior; f) Alega que não há como apresentar os documentos comprobatórios do direito alegado, já que nem a autoridade administrativa sabe ao certo o motivo do indeferimento, tampouco a interessada, devendo ser aplicada a regra autorizadora de produção posterior das provas. Fl. 77DF CARF MF Impresso em 28/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/02/2014 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 20/ 02/2014 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 09/03/2014 por CORINTHO OLIVEIRA M ACHADO Processo nº 10930.904484/201262 Acórdão n.º 3803004.834 S3TE03 Fl. 11 3 A 3ª Turma da DRJ/CTA julgou improcedente a manifestação de inconformidade e não reconheceu o direito creditório, ementando sua decisão nos seguintes termos: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO [...] NULIDADE. PRESSUPOSTOS. Ensejam a nulidade apenas os atos e termos lavrados por pessoa incompetente e os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. INTIMAÇÃO PARA ESCLARECIMENTOS. A ausência de pedido de esclarecimentos na fase preparatória do procedimento fiscal não caracteriza cerceamento do direito de defesa, que é assegurado na fase do contraditório, inaugurada com a manifestação de inconformidade. COFINS. BASE DE CÁLCULO. JULGAMENTO PELO STF. Aplicase a disposição do § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718, de 1998, até a sua revogação pela Lei 11.941, de 27 de maio de 2009, uma vez que o julgamento do STF pela inconstitucionalidade da ampliação da base de cálculo contida naquele dispositivo não tem efeito erga omnes, pois a decisão foi em Recurso Extraordinário e não em ADIN, só aproveitando, por isso, às partes envolvidas, não podendo beneficiar ou prejudicar terceiros. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Inconformado, o sujeito passivo protocolou recurso voluntário, por meio do qual repete os argumentos expostos em manifestação de inconformidade, chegando a afirmar tratarse de um acórdão eletrônico, à semelhança do despacho decisório, sem que tenha sido submetido ao crivo de um auditor fiscal/colegiado para analisar essas situações. É o relatório. Voto Conselheiro João Alfredo Eduão Ferreira Relator O recurso é tempestivo e preenche os demais requisitos para sua admissibilidade, portanto dele tomo conhecimento. Dos pedidos de nulidade. Fl. 78DF CARF MF Impresso em 28/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/02/2014 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 20/ 02/2014 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 09/03/2014 por CORINTHO OLIVEIRA M ACHADO 4 O contribuinte defende a nulidade do despacho decisório e do acórdão da DRJ por falta de motivação de seus atos, o que impossibilitou sua defesa. Entendemos que não seja obrigatória, na fundamentação do despacho decisório, a indicação expressa dos dispositivos legais e constitucionais em que se sustenta, desde que haja consonância dos argumentos utilizados com a jurisprudência e com o ordenamento jurídico vigente. Ressaltamos que o despacho decisório é processado de forma eletrônica, realizando o encontro dos valores constantes no sistema da Receita Federal do Brasil RFB. Como confessado pelo próprio contribuinte sua DCTF do período estava erroneamente preenchida, e esta informação estava inserida no sistema da RFB, ou seja, de fato o contribuinte não possuía créditos a serem ressarcidos no confronto dos valores declarados como devidos (DCTF) e daqueles que efetivamente foram recolhidos (DARF). As principais nulidades no processo administrativo fiscal estão disciplinadas nos artigos 59 e 60 do Decreto n.º 70.2351, de 1972, não identificamos nenhuma das hipóteses de nulidade presente no despacho decisório, muito menos ofensa aos princípios do contraditório e da ampla defesa, tanto que o recorrente pode fazer sua defesa de forma ampla e teve a oportunidade de provar seu direito creditório em pelo menos duas oportunidades distintas, uma quando da manifestação de inconformidade e outra quando interpôs recurso voluntário. O Despacho Decisório aponta como enquadramento legal os artigos 165 e 170 do CTN e artigo 74 da Lei 9.430/96. Tanto o artigo 170 do CTN quanto o 74 da Lei 9.430/96, reforçam o direito do contribuinte em compensar os seus débitos com crédito líquidos e certos, fica claro que a liquidez e certeza do crédito tributário é que ficou comprometida ante as informações prestadas pelo contribuinte, em especial no confronto da DCTF com o DARF recolhido, portanto, entendemos que não há que se falar em nulidade do Despacho Decisório por falta de fundamentação. Da mesma sorte, não identificamos qualquer hipótese de nulidade no acórdão proferido pela DRJ. A manifestação de inconformidade foi devidamente submetida ao crivo de um colegiado que fundamentou coerentemente sua decisão com base no Decreto 70.235, de 1972, além de trazer decisão da Câmara Superior de Recursos Fiscais do então Conselho de Contribuintes. Dessa forma a recorrente poderia usufruir do direito ao contraditório e à ampla defesa. Não identificamos qualquer cerceamento à defesa do contribuinte. Mérito e comprovação do crédito. 1 Art. 59. São nulos: I os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. § 1º A nulidade de qualquer ato só prejudica os posteriores que dele diretamente dependam ou sejam conseqüência. § 2º Na declaração de nulidade, a autoridade dirá os atos alcançados, e determinará as providências necessárias ao prosseguimento ou solução do processo. § 3º Quando puder decidir do mérito a favor do sujeito passivo a quem aproveitaria a declaração de nulidade, a autoridade julgadora não a pronunciará nem mandará repetir o ato ou suprirlhe a falta. (Incluído pela Lei nº 8.748, de 1993) Art. 60. As irregularidades, incorreções e omissões diferentes das referidas no artigo anterior não importarão em nulidade e serão sanadas quando resultarem em prejuízo para o sujeito passivo, salvo se este lhes houver dado causa, ou quando não influírem na solução do litígio. Fl. 79DF CARF MF Impresso em 28/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/02/2014 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 20/ 02/2014 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 09/03/2014 por CORINTHO OLIVEIRA M ACHADO Processo nº 10930.904484/201262 Acórdão n.º 3803004.834 S3TE03 Fl. 12 5 As compensações se prestam ao encontro de contas, entre um débito tributário e um crédito líquido e certo da contribuinte contra a Fazenda Pública, conforme determina o artigo 170 do CTN. “Art. 170. A lei pode, nas condições e sob as garantias que estipular, ou cuja estipulação em cada caso atribuir à autoridade administrativa, autorizar a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda pública.” Neste mesmo sentido expressase o artigo 74 da Lei 9.430. Daí concluirse que o reconhecimento de direito creditório contra a Fazenda Nacional exige averiguação da liquidez e certeza do suposto pagamento a maior do tributo, desse modo, a fim de comprovar a existência do crédito alegado, a interessada deve instruir sua defesa, em especial a manifestação de inconformidade, com documentos que respaldem suas afirmações, considerando o disposto nos artigos 15 e 16 do Decreto nº 70.235/1972: “Art. 15. A impugnação, formalizada por escrito e instruída com os documentos em que se fundamentar, será apresentada ao órgão preparador no prazo de trinta dias, contados da data em que for feita a intimação da exigência. Art. 16. A impugnação mencionará: (...) III os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir; (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993)” O recorrente afirma que utilizou de valores que indevidamente integraram a base de cálculo do tributo, conforme teses já julgadas pelo Supremo Tribunal Federal, e que por esta razão postulou a restituição/compensação do valor que pagou a maior. Apesar de se referir a algumas teses de forma genérica, o contribuinte não expôs com exatidão quais delas teria usado para justificar a redução da base de cálculo. Muito menos demonstrou quais os valores que acredita não integrarem a referida base de cálculo, o que de fato impede a análise dos argumentos expostos e não prova a disponibilidade de crédito. Na mesma esteira, admitindose por hipótese, o direito subjetivo do contribuinte, o que não é o caso, mais uma barreira se ergueria em desfavor da requerente, qual seja, a absoluta falta de provas da existência do crédito requerido. O inciso III do artigo 16 do Decreto 70.235/72 determina que as provas que justifiquem as alegações do contribuinte devem ser trazidas na impugnação. Não há nos autos qualquer elemento de prova que ateste o crédito pretendido, não identificamos Notas Fiscais, Escrita Fiscal, Escrita Contábil, Livro de Apuração, Livro Diário, Livro Razão, planilhas demonstrativas, ou qualquer outro documento que possibilite, minimamente que seja, a sua aferição. No processo administrativo fiscal, assim como no processo civil, o ônus de provar a veracidade do que afirma é de quem alega a sua existência, ou seja, do interessado, é assim que dispõe a Lei no 9.784, de 29 de janeiro de 1999 no seu artigo 36: Fl. 80DF CARF MF Impresso em 28/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/02/2014 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 20/ 02/2014 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 09/03/2014 por CORINTHO OLIVEIRA M ACHADO 6 Art. 36. Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado, sem prejuízo do dever atribuído ao órgão competente para a instrução e do disposto no artigo 37 desta Lei. No mesmo sentido os artigos 330 e 396 da Lei no 5.869, de 11 de janeiro de 1973CPC: Art. 333. O ônus da prova incumbe: I ao autor, quanto ao fato constitutivo do seu direito; II ao réu, quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor. Art. 396. Compete à parte instruir a petição inicial (art. 283), ou a resposta (art. 297), com os documentos destinados a provar lhe as alegações. Quem alegou a existência de crédito foi o contribuinte, portanto, cabe a este provar o alegado crédito e não transferir tal ônus para a RFB. Da apresentação das provas. O artigo 16 do Decreto nº 70.235/72 em seu § 4º determina, ainda, o momento processual para a apresentação de provas no processo administrativo fiscal, bem como as exceções albergadas que transcrevemos a seguir: “§ 4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; b) refirase a fato ou a direito superveniente; c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos.” A análise da norma supracitada é clara e direta ao estabelecer o momento correto a serem carreadas as provas a fim de substanciar os argumentos da interessada, qual seja, na manifestação de inconformidade, contudo, esta turma recursal tem firmado entendimento no sentido de admitir, excepcionalmente, a análise de provas trazidas em sede de recurso voluntário, quando estas não dependam de análise técnica aprofundada e sejam complementares às provas trazidas em Manifestação de Inconformidade, entretanto, mesmo neste momento processual, nenhuma prova foi carreada aos autos. Não há como deferir o pedido do contribuinte por produção de provas posteriores a este ato, por absoluta falta de previsão legal. Conclusão. Pelo exposto, rejeito as preliminares de nulidade e no mérito NEGO PROVIMENTO. É como voto. (assinado digitalmente) Fl. 81DF CARF MF Impresso em 28/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/02/2014 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 20/ 02/2014 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 09/03/2014 por CORINTHO OLIVEIRA M ACHADO Processo nº 10930.904484/201262 Acórdão n.º 3803004.834 S3TE03 Fl. 13 7 João Alfredo Eduão Ferreira Relator Fl. 82DF CARF MF Impresso em 28/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/02/2014 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 20/ 02/2014 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 09/03/2014 por CORINTHO OLIVEIRA M ACHADO
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Numero do processo: 10469.720632/2013-72
Turma: Terceira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 18 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Fri Mar 07 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2009 a 01/01/2012
EXCLUSÃO DO SIMPLES NACIONAL. DEVIDAMENTE CIENTIFICADA AO CONTRIBUINTE. COMUNICAÇÃO REMETIDA AO ENDEREÇO TRIBUTÁRIO DE ELEIÇÃO E DEVIDAMENTE RECEPCIONADA. NULIDADE. INOCORRÊNCIA. CERCEAMENTO DE DEFESA E VIOLAÇÃO AO DEVIDO PROCESSO LEGAL, AMPLA DEFESA E CONTRADITÓRIO. INOCORRÊNCIA. JUROS E MULTA DENTRO DAS DETERMINAÇÕES LEGAIS. ANATOCISMO. INOCORRÊNCIA. SELIC. APLICAÇÃO. LEGALIDADE RECONHECIDA PELO STF.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 2803-002.995
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator.
(Assinado digitalmente).
Helton Carlos Praia de Lima. -Presidente
(Assinado digitalmente).
Eduardo de Oliveira. Relator
Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros Helton Carlos Praia de Lima, Eduardo de Oliveira, Natanael Vieira Santos, Oseas Coimbra Júnior, Amílcar Barca Teixeira Júnior, Gustavo Vettorato.
Nome do relator: EDUARDO DE OLIVEIRA
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2009 a 01/01/2012 EXCLUSÃO DO SIMPLES NACIONAL. DEVIDAMENTE CIENTIFICADA AO CONTRIBUINTE. COMUNICAÇÃO REMETIDA AO ENDEREÇO TRIBUTÁRIO DE ELEIÇÃO E DEVIDAMENTE RECEPCIONADA. NULIDADE. INOCORRÊNCIA. CERCEAMENTO DE DEFESA E VIOLAÇÃO AO DEVIDO PROCESSO LEGAL, AMPLA DEFESA E CONTRADITÓRIO. INOCORRÊNCIA. JUROS E MULTA DENTRO DAS DETERMINAÇÕES LEGAIS. ANATOCISMO. INOCORRÊNCIA. SELIC. APLICAÇÃO. LEGALIDADE RECONHECIDA PELO STF. Recurso Voluntário Negado.
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ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2009 a 01/01/2012 EXCLUSÃO DO SIMPLES NACIONAL. DEVIDAMENTE CIENTIFICADA AO CONTRIBUINTE. COMUNICAÇÃO REMETIDA AO ENDEREÇO TRIBUTÁRIO DE ELEIÇÃO E DEVIDAMENTE RECEPCIONADA. NULIDADE. INOCORRÊNCIA. CERCEAMENTO DE DEFESA E VIOLAÇÃO AO DEVIDO PROCESSO LEGAL, AMPLA DEFESA E CONTRADITÓRIO. INOCORRÊNCIA. JUROS E MULTA DENTRO DAS DETERMINAÇÕES LEGAIS. ANATOCISMO. INOCORRÊNCIA. SELIC. APLICAÇÃO. LEGALIDADE RECONHECIDA PELO STF. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator. (Assinado digitalmente). Helton Carlos Praia de Lima. Presidente (Assinado digitalmente). Eduardo de Oliveira. – Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 46 9. 72 06 32 /2 01 3- 72 Fl. 510DF CARF MF Impresso em 07/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/02/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 28/02/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 06/03/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 10469.720632/201372 Acórdão n.º 2803002.995 S2TE03 Fl. 511 2 Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros Helton Carlos Praia de Lima, Eduardo de Oliveira, Natanael Vieira Santos, Oseas Coimbra Júnior, Amílcar Barca Teixeira Júnior, Gustavo Vettorato. Fl. 511DF CARF MF Impresso em 07/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/02/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 28/02/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 06/03/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 10469.720632/201372 Acórdão n.º 2803002.995 S2TE03 Fl. 512 3 Relatório O presente Processo Administrativo Fiscal – PAF encerra o Auto de Infração de Obrigação Principal AIOP DEBCAD 51.037.4980, que objetiva o lançamento das contribuições sociais previdenciárias decorrente da remuneração paga, devida ou creditada aos trabalhadores da empresa da categoria de empregados, relativamente as contribuições devidas a terceiros outras entidades e fundos, conforme Relatório Fiscal do Auto de Infração – REFISC, de fls. 23 a 28, com período de apuração de 01/2009 a 12/2011, conforme Termo e Início de Procedimento Fiscal TIPF, de fls. 37 e 38. O sujeito passivo foi cientificado da autuação, em 14/02/2013, conforme Folha de Rosto do Auto de Infração de Obrigação Principal – AIOP, de fls. 03. O PAF é composto pelos seguintes levantamentos: a) DB – DIF EMPREGADO FOPAG X GFIP e DS – DIF ENQUADRAMENTO SIMPLES. O contribuinte apresentou sua defesa, em 12/03/2013, as fls. 88 a 103, desacompanhada de qualquer documento. A defesa foi considerada tempestiva, fls. 112. O órgão julgador de primeiro grau emitiu o Acórdão Nº 15033.275 6ª, Turma DRJ/SDR, em 29/08/2013, fls. 115 a 123. No qual a impugnação foi considerada improcedente. O contribuinte tomou conhecimento desse decisório, em 10/09/2013, conforme AR, de fls. 131. Irresignado o contribuinte impetrou o Recurso Voluntário, petição de interposição com razões recursais, as fls. 135 a 151, recebido, em 10/10/2013, conforme carimbo de recepção, de fls. 135, acompanhado dos documentos, de fls. 152 a 157; 160 a 255; 258 a 407; 410 a 498. Preliminar. · que a recorrente não recebeu o ADE de exclusão do SIMPLES, tomando conhecimento de sua exclusão apenas quando iniciado o procedimento fiscal; · que o AR juntado, as fls. 114, não prova o alegado pelo fisco, pois não traz a declaração do conteúdo que se pretendeu entregar, bem como a recorrente não sabe quem é a pessoa que assinou tal documento, não sendo ela sócio, preposto, empregada, colaboradora, não tendo nenhum vinculo com a recorrente, conforme provam as RAIS 2007 a 2009; Fl. 512DF CARF MF Impresso em 07/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/02/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 28/02/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 06/03/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 10469.720632/201372 Acórdão n.º 2803002.995 S2TE03 Fl. 513 4 · que as elevadas diferenças que se exige da recorrente decorre do levantamento ter sido realizado pelo lucro presumido e não pelo SIMPLES, do qual a empresa desconhecia sua exclusão, com multas e juros vultosos e indevidos, não sendo a parte devidamente citada ou intimada do ato de exclusão, pois o ADE foi entregue a pessoa alheia a esta, devendo o lançamento ser extinto, conforme jurisprudência citada e transcrita; · que o Conselho em preliminar deve decretar a nulidade e desconstituir os autos de infração; Mérito. · que os fatos trazidos aos autos balizados nas jurisprudências citadas demonstram o não atendimento ao artigo 28, da LC 123 c/c o artigo 3º, II, da Resolução nº 15, do CGSN, o que configura cerceamento de defesa e supressão aos princípios constitucionais do devido processo legal, ampla defesa e contraditório; · que as multas e juros aplicados são confiscatórios, cita Leandro Paulsen, TRF4 e STJ; · que o crédito contém anatocismo, bem como a indevida aplicação da SELIC, a qual serve de correção monetária e juros, cita o STJ; · Por fim a recorrente espera e requer: a) acolhimento do recurso, com a anulação dos autos de infração e cancelamento dos débitos; b) caso não anulados os autos a redução da multa para 20%, revisão das correções monetárias e juros aplicados e do cálculo final. A autoridade preparadora reconheceu a tempestividade do recurso, fls. 508. Os autos subiram ao CARF, fls. 508. É o Relatório. Fl. 513DF CARF MF Impresso em 07/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/02/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 28/02/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 06/03/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 10469.720632/201372 Acórdão n.º 2803002.995 S2TE03 Fl. 514 5 Voto Conselheiro Eduardo de Oliveira. O recurso voluntário é tempestivo e considerando o preenchimento dos demais requisitos de sua admissibilidade ele merece ser apreciado. Não assiste razão a recorrente ao dizer que só tomou conhecimento de sua exclusão do SIMPLES Nacional por ocasião do procedimento fiscal, esta afirmação não condiz com a realidade e com as provas dos autos. Aliás, a DRJ/SDR já havia se debruçado sobre o tema e rebatido a alegação da recorrente, ao demonstrar que esta foi cientificada do ADE 112109/2008, conforme prova o AR, de fls. 114, recebido, em 11/09/2008, pela Srª Josely Rodrigues Antunes, em correspondência remetida ao domicílio tributário da recorrente. A recorrente está equivocada ao dizer que o AR precitado não contém a declaração de conteúdo e que este poderia ter remetido qualquer coisa ao sujeito passivo. Basta uma simples observação do documento para verificar que consta deste a expressão SIVEXSN – LOTE 001, assim sendo fica evidenciado que SIVEXSN é a sigla para Sistema de Vedações e Exclusões do Simples Nacional, bem como que o ADE 112109/2008 faz parte do Lote 001/2008 como consta do próprio ADE, lado direito, parte superior, ao lado da identificação do ato administrativo, mais essa alegação é desprovida de fundamentos e inverídica. É irrelevante para o deslinde do caso o fato da Srª Josely Rodrigues Antunes ser ou não, sócia, preposta, empregada ou colaborada, pois no caso, o que importa e se a correspondência foi remetida ao Domicílio Tributário eleito pelo contribuinte, nos termos do artigo 127, da Lei 5.172/66 c/c o artigo 23, II, do Decreto 70.235/72, aliás, é isso que diz o Superior Tribunal de Justiça – STJ, observese a ementa transcrita. EMEN: PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. NOTIFICAÇÃO POR CARTA COM AVISO DE RECEBIMENTO. ENDEREÇO INCORRETO. NULIDADE. QUESTÕES RELEVANTES NÃO APRECIADAS NAS INSTÂNCIAS DE ORIGEM. OMISSÃO CONFIGURADA. 1. O Tribunal de origem julgou procedente o pedido nos Embargos do Devedor, por constatar que a carta de notificação, com aviso de recebimento, foi enviada para endereço incorreto, infringindo, assim, o comando do art. 23 do Decreto 70.235/1972. 2. Consta no acórdão hostilizado: "(...) no depoimento prestado à Polícia Federal a parte embargante declarou que residiu na Travessa São Damião, nº 377, Juazeiro do Norte/CE (fl. 48 da EF). Enquanto os avisos de recebimento oriundos do PA referido, atestam o envio para Travessa São Damião, nº 103, Juazeiro do Norte/CE (fls. 65 e 69 da EF). Ou seja, os números das casas são bastantes distintos". 3. Chama atenção, desde logo, a constatação feita pelo Tribunal a quo (e não sujeita à revisão do STJ, em razão da Súmula 7/STJ) de que Fl. 514DF CARF MF Impresso em 07/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/02/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 28/02/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 06/03/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 10469.720632/201372 Acórdão n.º 2803002.995 S2TE03 Fl. 515 6 o único suposto erro no envio de carta com aviso de recebimento seja o número da casa. Com efeito, é fato incontroverso que o endereço (Travessa São Damião, no Município de Juazeiro do Norte) é exatamente o mesmo. A única diferença é o número da casa (nº 103, constante no AR, e nº 377, supostamente a unidade em que o recorrido seria residente). 4. Diante do conteúdo do acórdão hostilizado, a Fazenda Nacional opôs Embargos de Declaração apontando omissão relativamente aos seguintes pontos: a) nulidade do julgamento, porque os autos da Execução Fiscal e dos Embargos do Devedor foram desapensados, inviabilizando ao órgão fracionário examinar o conteúdo do processo administrativo fiscal, cuja cópia estava anexada à Execução Fiscal; b) a pessoa que subscreveu o Aviso de Recebimento, Sra. Maria Valdelane Serra, conforme certidão de nascimento juntada aos autos, é a filha do recorrido; c) há Nota Fiscal emitida por concessionária da FIAT na qual o recorrido indicou como seu domicílio exatamente o endereço para onde foi enviada a carta com aviso de recebimento; e d) o endereço para o qual foi encaminhada a correspondência corresponde ao domicílio tributário eleito pelo contribuinte (ora recorrido), segundo informação nos sistemas da Receita Federal do Brasil. 5. A rejeição dos aclaratórios implicou violação do art. 535 do CPC. 6. Com efeito, para compor a lide e, assim, aplicar a lei do caso concreto, a autoridade judiciária não deve se valer apenas de seu conhecimento jurídico, mas também das regras de experiência comum subministradas pela observação do que ordinariamente acontece e ainda da experiência técnica, ressalvado, quanto a esta, o exame pericial (art. 335 do CPC). 7. Ora, ainda que os números das casas sejam "bastantes distintos", indagase: quantas Travessas São Damião existem no Município de Juazeiro do Norte? Se na casa de nº 103 não residia o recorrido, não seria natural supor que o(a) respectivo(a) residente indicasse ao carteiro que o destinatário morava na mesma travessa, no nº 377? 8. Não bastasse isso, é sobremaneira relevante que seja esclarecido se o domicílio tributário eleito pelo contribuinte, na época da intimação, era exatamente aquele para o qual foi enviada a correspondência, pois a jurisprudência do STJ considera válida a notificação em tal hipótese, ainda que o Aviso de Recebimento seja assinado por terceiro. 9. Os precedentes do STJ consagram valores que enobrecem e contribuem para o progresso de uma sociedade pautada nos ideais da justiça e da lealdade, pois impedem que a parte se valha da própria torpeza para burlar o ordenamento jurídico. 10. Recurso Especial parcialmente provido para anular o acórdão proferido nos Embargos de Declaração, com determinação de retorno dos autos ao Tribunal de origem. Prejudicados os demais fundamentos do apelo. ..EMEN: (RESP 201302524573, HERMAN BENJAMIN, STJ SEGUNDA TURMA, DJE DATA:11/10/2013 ..DTPB:.) Desta forma, as RAIS de 2007 a 2009, bem como os registros de empregados anexados aos autos, nada provam ou informam que alterem a situação deste processo. Fl. 515DF CARF MF Impresso em 07/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/02/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 28/02/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 06/03/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 10469.720632/201372 Acórdão n.º 2803002.995 S2TE03 Fl. 516 7 Ficou demonstrado que a empresa tinha pleno conhecimento de sua exclusão do SIMPLES Nacional, bem como nada tem a ver com o presente lançamento ser a empresa do lucro presumido, pois a contribuição social previdenciária não tem como base o lucro, faturamento ou receita, mas sim a folha de pagamento. A realidade é que a empresa do SIMPLES Nacional substitui a contribuição social previdenciária da parte patronal, ou seja, vinte por cento sobre a folha de salários, bem como a contribuição para o SAT e a de terceiros, por uma alíquota reduzida sobre a receita bruta para fins do recolhimento da CPP – Contribuição Patronal Previdenciária. Todavia, como a empresa a partir de janeiro/2009 não mais estava no sistema SIMPLES Nacional ela passa a ter que contribuir sobre a folha de salários, nos termos do artigo 195, I, “a” e II, da CRFB/88 c/c o artigo 11, parágrafo único, “a” e “c”, da Lei 8.212/91, ficando, também, submetida as multas e juros determinadas na lei, uma vez que não promoveu o pagamento da obrigação principal – contribuição social previdenciária, nos termos determinados no ordenamento jurídico. Desta forma, a jurisprudência suscitada pela recorrente não se aplica, tendo em vista que esta foi regularmente cientificada de sua exclusão do sistema SIMPLES Nacional como consta do autos. Assim sendo, não há razões fáticas e jurídicas para esse Conselho decretar a nulidade do lançamento e desconstituir os autos de infração, devendo a preliminar ser rejeitada. Mérito. Pelos esclarecimentos acima fica evidente que não houve cerceamento de defesa e muito menos supressão dos princípios constitucionais, quaisquer que sejam eles. A multa aplicada é a que consta do artigo 35A, da Lei 8.212/92 introduzido pela MP 449/2008, convertida na Lei 11.941/2009 e assim de observação obrigatória pelo agente público. O patamar de multa esta admitida pelos nossos tribunais, observese os excertos dos arestos. EXECUÇÃO FISCAL. EMBARGOS. AGRAVO RETIDO. DECADÊNCIA. READEQUAÇÃO DO LAUDO PERICIAL. CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. PRAZO DECADENCIAL. ARTIGO 173, I, DO CTN. AFERIÇÃO INDIRETA. EXCESSO DE EXECUÇÃO. TAXA SELIC. MULTA. RETROATIVIDADE DA LEI MAIS BENÉFICA. CONFISCO NÃO CARACTERIZADO. HONORÁRIOS ADVOCATÍCIOS E PERICIAIS. 7. Não se realiza a hipótese de confisco quando aplicado o índice de 75%. Precedente do STF no sentido de que multas aplicadas até o limite de 100% não configuram confisco (ADI nº 551 voto do Ministro Marco Aurélio). 10. Honorários advocatícios a carga da União arbitrados em 1% sobre o valor correspondente à parcela da dívida declarada inexigível, em consonância com o artigo 20, § 4º, do CPC. 11. Fl. 516DF CARF MF Impresso em 07/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/02/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 28/02/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 06/03/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 10469.720632/201372 Acórdão n.º 2803002.995 S2TE03 Fl. 517 8 Mantida a condenação da parte embargante ao pagamento dos honorários periciais, à luz do princípio da causalidade. (AC 00039920320044047009, LUCIANE AMARAL CORRÊA MÜNCH, TRF4 SEGUNDA TURMA, 12/05/2010) PROCESSO CIVIL, CONSTITUCIONAL E TRIBUTÁRIO. EMBARGOS À EXECUÇÃO FISCAL. PRETENSÃO INICIAL. LIMITES. FALÊNCIA. SÓCIO. EXCLUSÃO DA MULTA E DE JUROS DE MORA. NÃO APROVEITAMENTO. JUROS DE MORA. TAXA SELIC. CONSTITUCIONALIDADE E LEGALIDADE. CAPITALIZAÇÃO. NÃO CARACTERIZAÇÃO. DUPLA INCIDÊNCIA DE CORREÇÃO MONETÁRIA. INEXISTÊNCIA. MULTA. PERCENTUAL DE 30%. CONSTITUCIONALIDADE. 7. Quanto à multa de 30% incidente sobre o débito tributário do Apelante, o próprio STF (STF, 1.ª Turma, RE n.º 241.074/RS, Relator Ministro Ilmar Galvão, DJ 19.12.2002) já entendeu constitucional multa no percentual de 80%, sendo o percentual da multa ora examinado justificado pela necessidade de esta servir tanto de punição como de fator de dissuasão em relação à prática dos atos caracterizados como infração para fins de sua incidência. 8. Não provimento da apelação. (AC 200182000032880, Desembargador Federal Emiliano Zapata Leitão, TRF5 Primeira Turma, 24/09/2009) O relatório Fundamentos Legais do Débitos – FLD nas rubricas 602 Acréscimos Legais Juros e 701 – Falta de Pagamento, Falta de Declaração ou Declaração Inexata dão a exata dimensão da aplicação dos acréscimos, bem assim demonstra que cada qual deles são aplicados isoladamente de forma simples e não cumulativa, o que afasta a alegação de anatocismo. A utilização da taxa SELIC é absolutamente admitida e normal na esfera tributária. O artigo 34, da Lei 8.212/91, assim o determinava, bem como é admitida pela Súmula 4 do CARF e pelos nossos tribunais superiores – STJ e STF. Aliás, o próprio CARF tem Súmula sobre o assunto. Súmula CARF nº 4: A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. O STJ assim se posiciona, sendo inclusive compatível com o artigo 161, § 1º da Lei 5.172/66 para este tribunal superior. PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. AGRAVO REGIMENTAL. AFERIÇÃO DA NECESSIDADE DE PRODUÇÃO DE PROVA PERICIAL. ANÁLISE DOS REQUISITOS FORMAIS DA CDA. IMPOSSIBILIDADE. Fl. 517DF CARF MF Impresso em 07/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/02/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 28/02/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 06/03/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 10469.720632/201372 Acórdão n.º 2803002.995 S2TE03 Fl. 518 9 SÚMULA N. 7/STJ. PAGAMENTO NÃO EFETUADO. NÃO OCORRÊNCIA DE DENÚNCIA ESPONTÂNEA. TAXA SELIC. LEGALIDADE. PRECEDENTE REGIDO PELA SISTEMÁTICA DO ART. 543C, DO CPC. 1. "Avaliar a necessidade da produção de prova pericial atrai o óbice contido na Súmula 7/STJ, haja vista tal providência demandar o revolvimento do substrato fáticoprobatório permeado nos autos" (AgRg no Ag 989.493/SP, Rel. Min. José Delgado, Primeira Turma, DJ 23/06/2008). 2. A investigação acerca do preenchimento dos requisitos formais da CDA que aparelha a execução fiscal demanda, necessariamente, a revisão do substrato fático probatório contido nos autos, providência que não se coaduna com a via eleita, conforme vedação expressa da Súmula 7/STJ. 3. É inaplicável o benefício do art. 138 do CTN ao tributo confessado e nãopago pelo contribuinte. 4. A Primeira Seção desta Corte, quando do julgamento do REsp. n. 1.111.175/SP, de relatoria da Ministra Denise Arruda, pacificou entendimento, pela sistemática do art. 543C, do CPC, no sentido da legalidade da Taxa Selic, a qual incide sobre o crédito tributário a partir de 1º.1.1996 não podendo ser cumulada, porém, com qualquer outro índice, seja de juros ou atualização monetária tendo em vista que o art. 39, § 4º da Lei n. 9.250/95 preenche o requisito do § 1º do art. 161 do CTN. 5. O presente agravante regimental tratou, também, de questões diversas daquelas pacificadas em sede de recurso repetitivo, pelo que deixo de aplicar a multa prevista no § 2º do art. 557 do CPC. 6. Agravo regimental não provido.(AGA 200900895519, MAURO CAMPBELL MARQUES, STJ SEGUNDA TURMA, 28/09/2010) (grifo meu). A SELIC em recente julgamento do STF no sistema da Repercussão Geral Tema nº 214, no RE 212.209, em 08/06/2011, foi considerada cabível e compatível com a seara tributária, conforme sua página de notícias, assim pensa, também, o STJ, observese os textos. O Plenário do Supremo Tribunal Federal (SFT) ratificou, ontem, quartafeira (18), por maioria de votos, jurisprudência firmada em 1999, no julgamento do Recurso Extraordinário (RE) 212209, no sentido de que é constitucional a inclusão do valor do Imposto sobre Operações relativas à Circulação de Mercadorias e sobre Prestação de Serviços de Transporte Interestadual, Intermunicipal e de Comunicação (ICMS) na sua própria base de cálculo. A decisão foi tomada no julgamento do Recurso Extraordinário (RE) 582461, interposto pela empresa Jaguary Engenharia, Mineração e Comércio Ltda .contra decisão do Tribunal de Justiça do Estado de São Paulo (TJSP), que entendeu que a inclusão do valor do ICMS na própria base de cálculo do tributo – também denominado “cálculo por dentro” – não configura dupla tributação nem afronta o princípio constitucional da não cumulatividade. No caso específico, a empresa contestava a aplicação, pelo governo de São Paulo, do disposto no artigo 33 da Lei paulista Fl. 518DF CARF MF Impresso em 07/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/02/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 28/02/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 06/03/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 10469.720632/201372 Acórdão n.º 2803002.995 S2TE03 Fl. 519 10 nº 6.374/89, segundo o qual o montante do ICMS integra sua própria base de cálculo. Súmula Em 23 de setembro de 2009, o Plenário do STF reconheceu repercussão geral à matéria suscitada no RE. Após a decisão do RE, o presidente da Corte, ministro Cezar Peluso, propôs que fosse editada uma súmula vinculante para orientar as demais cortes nas futuras decisões de matéria análoga. Assim, uma comissão da Corte vai elaborar o texto da súmula para ser posteriormente submetido ao Plenário. O caso A decisão da Justiça paulista afastou a alegação da empresa de que o artigo 13, parágrafo 1º, da Lei Complementar (LC) nº 87/96 (que prevê a inclusão do valor do ICMS na sua própria base de cálculo), bem como o artigo 33 da lei paulista nº 6.374/89, no mesmo sentido, conflitariam com a Constituição Federal (CF) no que diz caber a lei complementar definir os fatos geradores, bases de cálculo e contribuintes dos impostos. Considerou legítima, ainda, a aplicação da taxa Selic e da multa de 20% sobre o valor do imposto corrigido. (grifos meus). Esta casa de justiça vem assim decidindo. EMBARGOS DECLARATÓRIOS – ESCLARECIMENTOS. Em se tratando de situação concreta a reclamar esclarecimentos, impõese prover os declaratórios sem o empréstimo de eficácia modificativa. TAXA SELIC – DÉBITO TRIBUTÁRIO. O Tribunal, na sessão plenária de 18 de maio de 2011, apreciando o Recurso Extraordinário nº 582.461/SP, assentou a legalidade da aplicação da taxa Selic para fins tributários. (AI 760894 AgRED, Relator(a): Min. MARCO AURÉLIO, Primeira Turma, julgado em 03/04/2012, ACÓRDÃO ELETRÔNICO DJe084 DIVULG 30042012 PUBLIC 02052012 RET v. 15, n. 85, 2012, p. 139141) (realce meu) Por fim, o artigo 35, da Lei 8.212/91 determina a aplicação do artigo 61, da Lei 9.430/96 nos lançamentos de contribuição social previdenciária, o que implica em utilização da SELIC. Fl. 519DF CARF MF Impresso em 07/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/02/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 28/02/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 06/03/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 10469.720632/201372 Acórdão n.º 2803002.995 S2TE03 Fl. 520 11 Assim com esses esclarecimentos rejeito todas as alegações de mérito, suscitadas pela recorrente. CONCLUSÃO: Pelo exposto voto por conhecer do recurso, para no mérito negarlhe provimento. (Assinado digitalmente). Eduardo de Oliveira. Fl. 520DF CARF MF Impresso em 07/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/02/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 28/02/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 06/03/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA
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Numero do processo: 10805.722085/2011-30
Turma: Primeira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 19 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Apr 10 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2008, 2009, 2010
RECOLHIMENTOS MEDIANTE DARF. ABATIMENTO.
Os recolhimentos efetuados pelo contribuinte, por intermédio de DARF, devem ser abatidos do imposto suplementar apurado em procedimento de fiscalização.
DESPESAS MÉDICAS. GLOSA. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO.
A falta de comprovação, mediante documentação hábil e idônea, dos valores deduzidos a título de despesas médicas na Declaração de Ajuste Anual implica na manutenção das despesas glosadas.
LIVRO-CAIXA. DESPESAS DE CUSTEIO. DEDUÇÃO.
As despesas de custeio registradas em Livro-Caixa podem ser deduzidas independentemente de as receitas serem oriundas de serviços prestados como autônomo à pessoa física ou jurídica. Para viabilizar a dedução, no entanto, tanto as despesas quanto as receitas devem ser escrituradas no Livro-Caixa.
Recurso Voluntário Provido em Parte
Numero da decisão: 2801-003.466
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso para abater do imposto suplementar relativo aos anos-calendário de 2008 e 2009, respectivamente, o valor do imposto de renda recolhido nos montantes de R$ 1.690,48 e R$ 909,00 (comprovantes de recolhimento às fls. 530/539 deste processo digital), nos termos do voto do Relator.
Assinado digitalmente
Tânia Mara Paschoalin - Presidente.
Assinado digitalmente
Marcelo Vasconcelos de Almeida - Relator.
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Tânia Mara Paschoalin, José Valdemir da Silva, Ewan Teles Aguiar, Carlos César Quadros Pierre, Marcelo Vasconcelos de Almeida e Marcio Henrique Sales Parada.
Nome do relator: MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2008, 2009, 2010 RECOLHIMENTOS MEDIANTE DARF. ABATIMENTO. Os recolhimentos efetuados pelo contribuinte, por intermédio de DARF, devem ser abatidos do imposto suplementar apurado em procedimento de fiscalização. DESPESAS MÉDICAS. GLOSA. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO. A falta de comprovação, mediante documentação hábil e idônea, dos valores deduzidos a título de despesas médicas na Declaração de Ajuste Anual implica na manutenção das despesas glosadas. LIVRO-CAIXA. DESPESAS DE CUSTEIO. DEDUÇÃO. As despesas de custeio registradas em Livro-Caixa podem ser deduzidas independentemente de as receitas serem oriundas de serviços prestados como autônomo à pessoa física ou jurídica. Para viabilizar a dedução, no entanto, tanto as despesas quanto as receitas devem ser escrituradas no Livro-Caixa. Recurso Voluntário Provido em Parte
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ABATIMENTO. Os recolhimentos efetuados pelo contribuinte, por intermédio de DARF, devem ser abatidos do imposto suplementar apurado em procedimento de fiscalização. DESPESAS MÉDICAS. GLOSA. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO. A falta de comprovação, mediante documentação hábil e idônea, dos valores deduzidos a título de despesas médicas na Declaração de Ajuste Anual implica na manutenção das despesas glosadas. LIVROCAIXA. DESPESAS DE CUSTEIO. DEDUÇÃO. As despesas de custeio registradas em LivroCaixa podem ser deduzidas independentemente de as receitas serem oriundas de serviços prestados como autônomo à pessoa física ou jurídica. Para viabilizar a dedução, no entanto, tanto as despesas quanto as receitas devem ser escrituradas no LivroCaixa. Recurso Voluntário Provido em Parte Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso para abater do imposto suplementar relativo aos anoscalendário de 2008 e 2009, respectivamente, o valor do imposto de renda recolhido nos montantes de R$ 1.690,48 e R$ 909,00 (comprovantes de recolhimento às fls. 530/539 deste processo digital), nos termos do voto do Relator. Assinado digitalmente Tânia Mara Paschoalin Presidente. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 80 5. 72 20 85 /2 01 1- 30 Fl. 544DF CARF MF Impresso em 10/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/03/2014 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 25/03/2014 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 30/03/2014 por TANIA MARA PA SCHOALIN Processo nº 10805.722085/201130 Acórdão n.º 2801003.466 S2TE01 Fl. 545 2 Assinado digitalmente Marcelo Vasconcelos de Almeida Relator. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Tânia Mara Paschoalin, José Valdemir da Silva, Ewan Teles Aguiar, Carlos César Quadros Pierre, Marcelo Vasconcelos de Almeida e Marcio Henrique Sales Parada. Relatório Por bem descrever os fatos, adotase o relatório do acórdão de primeira instância (fls. 399/402 deste processo digital), reproduzido a seguir: Tratase de Auto de Infração lavrado em face do contribuinte acima identificado, relativo ao imposto de renda pessoa física dos anoscalendário de 2007, 2008 e 2009, por meio do qual foi exigido crédito tributário apurado no montante de R$ 251.094,29, sendo R$ 92.839,78 referentes ao imposto, R$ 138.880,49 à multa e R$ 19.374,02 aos juros de mora. 2. Através do “Termo de Verificação e Constatação Fiscal” datado de 26/09/2011 (fls. 121/125) a fiscalização informou que, com base nos elementos apresentados pelo contribuinte, constatou que: 2.1 Quanto às deduções relativas à contribuição previdenciária oficial, foram integralmente comprovados os valores relativos aos anoscalendário de 2007 e de 2008. Em relação ao ano calendário de 2009, constatou a fiscalização que o contribuinte fez constar indevidamente valores de imposto de renda retido na fonte, retidos por “SPDM – Associação Paulista para o Desenvolvimento da Medicina” e por “Porto Seguro Vida e Previdência S/A”, respectivamente de R$ 787,71 e de R$ 1.050,69, como sendo de contribuição previdenciária. Desta forma, a fiscalização glosou o valor de R$ 1.838,40, valor este que foi acrescido ao valor do imposto de renda na fonte retido no mesmo anocalendário. 2.2 Da totalidade dos valores pleiteados como despesas médicas nas declarações, foram comprovadas somente as seguintes: AnoCalendário de 2007: • Access Clube de Benefícios – R$ 9.214,89; • Caio Bellinati – R$ 320,00; • Renata M. Magalhães – R$ 320,00; AnoCalendário de 2008: • Access Clube de Benefícios – R$ 4.528,68; Fl. 545DF CARF MF Impresso em 10/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/03/2014 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 25/03/2014 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 30/03/2014 por TANIA MARA PA SCHOALIN Processo nº 10805.722085/201130 Acórdão n.º 2801003.466 S2TE01 Fl. 546 3 AnoCalendário de 2009: Não foi comprovada nenhuma das deduções informadas; 2.2.1 Pelo exposto, foram glosadas as seguintes despesas médicas: AnoCalendário de 2007: • Hospital e Maternidade Talita Ltda e Talita Assistência Médica – valores: R$ 7.850,00; R$ 7.780,00; R$ 7.890,00 e R$ 7.900,00; AnoCalendário de 2008: • Access Clube de Benefícios – R$ 1.892,66; • Associação Paulista de Técnicos Judiciários – R$ 5.068,57; • Medial Saúde – R$ 2.400,00; • Hospital e Maternidade Talita Ltda – R$ 7.450,00 e R$ 7.500,00; • Elisa K. Yamaguti – R$ 7.500,00; e • Sistema Brasileiro de Saúde – R$ 7.500,00; AnoCalendário de 2009: • Sul América Seguros Saúde – R$ 13.858,68; e • Medial Saúde – R$ 1.038,12; 2.3 Deduções com contribuições à Previdência Privada e Fapi – A contribuinte deduziu os valores de R$ 48.521,72; R$ 129.555,49 e R$ 150.904,44, respectivamente nos anos de 2007, 2008 e 2009 a título de contribuições à previdência privada. Em atendimento à intimação, em sua resposta de 12/08/2011, a contribuinte informa não existirem investimentos em previdência privada nos citados anos. 2.3.1 Considerando que as deduções a esse título são limitadas a 12% do valor total dos rendimentos computados na determinação da base de cálculo do imposto devido na declaração de rendimentos, a fim de se valer de altos valores de dedução, a contribuinte fez constar em suas declarações valores de rendimentos recebidos de pessoas físicas inexistentes, conforme confessado na resposta de 12/08/2011, elevando assim a base de cálculo do imposto devido, pôde valerse de altos valores de dedução de contribuições à previdência privada que, por seu turno, igualmente não foram efetuadas. 2.3.2 Por último, e com a finalidade de completar o engodo, objetivando reduzir o imposto devido e ainda obter restituições do imposto, que ao fim e ao cabo resgatou, deduziu valores idênticos àqueles declarados como recebidos de pessoas físicas a título de despesas de livrocaixa, igualmente inexistentes. Pelo exposto, resta evidente o ardil utilizado pela contribuinte, não fazendo jus às deduções pleiteadas a título de contribuições à Fl. 546DF CARF MF Impresso em 10/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/03/2014 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 25/03/2014 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 30/03/2014 por TANIA MARA PA SCHOALIN Processo nº 10805.722085/201130 Acórdão n.º 2801003.466 S2TE01 Fl. 547 4 previdência privada, cabendo a respectiva glosa dos montantes declarados. 2.3.3 Por justiça, ainda que o contribuinte confesse não haver nenhuma dedução a esse título, a fiscalização identificou pequenos valores dessas contribuições, que foram considerados. 2.4 Deduções de LivroCaixa – A contribuinte valeuse, para dedução do imposto, de valores de despesas inexistentes de livro caixa; alega ter efetuado pequena despesa a esse título, comparável ao que originariamente fora declarado no ano calendário de 2007. Intimada a apresentar tal livro, juntamente com seus comprovantes, apresentouos, porém não obteve êxito em comprovar a efetiva realização das despesas, nem tampouco a sua necessidade para obtenção dos rendimentos percebidos. Desta forma, não foi considerada nenhuma despesa a esse título para determinação do imposto devido, assim como não foram tributados os valores ficticiamente declarados de rendimentos recebidos de pessoas físicas. 2.5 Considerando que em todos os anoscalendário examinados a contribuinte inseriu em suas declarações de rendimentos despesas inexistentes com a finalidade de reduzir tributo devido, ficou demonstrada a ocorrência de fatos que, em tese, configuram Crime contra a Ordem Tributária, tipificado nos incisos I e II do artigo 1º da Lei nº 8.137/90. 3. O contribuinte apresentou impugnação tempestiva às fls. 388/392 através da qual alegou, em síntese, que: 3.1 A impugnação é parcial, conforme quadro demonstrativo dos valores a impugnar e a parcelar: AnoBase Imposto Impugnação Parcelamento % Multa a Impugnar 2007 R$ 16.629,39 R$ 14.091,57 R$ 2.537,82 75% 2008 R$ 33.480,92 R$ 11.487,66 R$ 21.993,26 75% 2009 R$ 42.223,91 R$ 20.230,64 R$ 21.993,27 75% 2009 R$ 505,56 R$ 505,56 Total R$ 92.839,78 R$ 45.809,87 R$ 47.029,91 3.2 Foram glosadas despesas e livrocaixa no ano de 2007 sob a alegação de não ter sido comprovada a efetiva realização das despesas e nem tampouco sua necessidade para obtenção dos rendimentos percebidos. No entanto, foram anexados recibos originais, contratos de trabalho com as pessoas, gastos com telefonia, pagamento de anuidade ao CREMESP e outras, todas escrituradas em livrocaixa. O recebimento percebido que permite tais deduções no livrocaixa foram oriundos da cooperativa “Delta Cooperativa do Ramo de Saúde” – CNPJ nº 00.314.441/000168 no montante de R$ 21.474,38 com imposto retido de R$ 2.447,80. Fl. 547DF CARF MF Impresso em 10/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/03/2014 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 25/03/2014 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 30/03/2014 por TANIA MARA PA SCHOALIN Processo nº 10805.722085/201130 Acórdão n.º 2801003.466 S2TE01 Fl. 548 5 3.3 Os profissionais que prestaram serviços, os quais estão escriturados em livrocaixa, não têm vínculos empregatícios, porém, segundo resposta 403 da Receita Federal, “podem também ser deduzidos os pagamentos efetuados a terceiros sem vínculo empregatício”. 3.4 Com relação às despesas médicas deduzidas nos anos de 2007, 2008 e 2009, que deixaram de ser comprovadas, foram solicitadas segundas vias cuja grande maioria já se encontra em poder do impugnante, que agora as está anexando aos autos. 3.5 Quanto às deduções de previdência privada e Fapi, houve um engano no lançamento das mesmas, que não pertenciam à declaração do contribuinte, fato já esclarecido ao auditor fiscal. 3.6 Quanto ao ilícito penal atribuído devido a despesas inexistentes, alega que as mesmas não foram de forma alguma colocadas com a finalidade de reduzir tributo devido e sim por conta de cálculo prévio em cima dos valores de despesas e com educação da impugnante e de seus dependentes. Na época, não conseguiu juntar os comprovantes que não estavam em seu poder. Solicita a revisão da multa imposta no percentual de 150%, mesmo porque foram fiscalizados três anos ao mesmo tempo, contendo os mesmos problemas e sem condições de a impugnante ter visto antes ou ter sido avisada sobre o fato. 3.7 É necessário fazer a revisão do valor do pagamento do Imposto de Renda no ano de 2008, no qual foi arrecadado o valor de R$ 1.889,17, sem ter sido deduzido do imposto suplementar apurado a pagar e de R$ 943,30 de impostos recolhidos para o ano de 2009 sem ter sido deduzido do imposto suplementar apurado a pagar. Pede ainda a revisão do valor do imposto suplementar cobrado no montante de R$ 42.223,91 com relação ao ano de 2009, sendo que na planilha de declaração de ajuste anual 2010, ano base 2009, o mesmo auditor apresenta os cálculos do valor de R$ 40.891,08. 3.8 Anexa os documentos que julga pertinentes e requer o cancelamento do lançamento. A impugnação apresentada foi julgada improcedente por intermédio do acórdão de fls. 398/405 deste processo digital. Cientificado da decisão de primeira instância em 18/02/2012 (fl. 540), a Interessada interpôs, em 15/03/2012, o recurso de fls. 409/412, acompanhado dos documentos de fls. 413/539. Na peça recursal aduz, em síntese, que: Devem ser acolhidos os recolhimentos do imposto de renda referentes aos anosbase 2009 e 2008 que não foram descontados do valor principal do imposto apurado pela fiscalização, não cabendo nem recolhimento do principal e nem a incidência de multa ou juros moratórios sobre tais montantes: em 2010 foram arrecadados R$ 909,00 correspondentes ao ano base de 2009 e R$ 1.690,48 correspondentes ao ano base de 2008. Fl. 548DF CARF MF Impresso em 10/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/03/2014 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 25/03/2014 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 30/03/2014 por TANIA MARA PA SCHOALIN Processo nº 10805.722085/201130 Acórdão n.º 2801003.466 S2TE01 Fl. 549 6 Pela planilha do auto de infração o fiscal apurou para recolhimento um valor de R$ 42.729,47 para o ano de 2009 e R$ 33.480,92 para o ano de 2008. Portanto, antes da multa e dos acréscimos de juros o valor deveria ser deduzido do montante arrecadado na época e no prazo legal, o que não ocorreu e nem foi comentado no despacho decisório o motivo de não ter sido feito esse abatimento. Quanto a glosa da NF de Elsa K. Yamaguti (NF nº 111, no valor de R$ 7.500,00, emitida em 26.11.2008 pelo valor total dos serviços prestados durante o ano), os pagamentos foram efetuados em dinheiro, conforme saques nas seguintes datas: 02.01 RS 600,00; 02/02 R$ 600,00; 31/03 R$ 600,00; 20/04 R$ 600,00; 04/05 R$ 600,00; 10/06 R$ 600,00; 02/07 R$ 600,00; 03/08 R$ 600,00; 16/09 R$ 600,00; 02/10 R$ 600,00; 03/11 R$ 600,00; 01/12 R$ 600,00; 07/12 R$ 300,00. A despesa da empresa Sistema Brasileirinho de Saúde Ltda. (NF nº 108, no valor de R$ 7.500,00) foi paga em dinheiro em 29/10/2008. Quanto ao LivroCaixa, tem rendimento do trabalho não assalariado durante o ano de 2007, recebido de Delta Cooperativa do Ramo de Saúde, no valor de R$ 21.474,38, tendo, portanto, direito a dedução dos gastos com a mão de obra utilizada para receber essa verba, mesmo não sendo esses com vinculo empregatício, conforme resposta da Receita Federal a pergunta 403. Da mesma, quanto ao pagamento efetuado ao CREMESP (anuidade) e a quinta parte dos gastos com telefonia utilizada para marcação de consultas e atendimentos gerais. As despesas com plano de saúde da empresa Sul América foram gastas no anobase de 2009, no valor de R$ 12.738,19, conforme demonstrativo fornecido pela Volpe APATEJ, tendo como beneficiários eu titular e minhas filhas dependentes. Anexa os seguintes documentos como prova dos fatos escritos: recibo de prestação de serviços da senhora Louise Mary G Di Pietro, referente aos trabalhos de envio de planilhas de atendimento a pacientes, conferencia do faturamento, depósitos bancários e pagamentos diversos. São esses recibos de 31.01.2007, valor de R$ 690,00, saque no dia 22/01 efetuado no Banco do Brasil; 28.02.2007, valor de R$ 690,00, saque no Banco do Brasil no dia 22/02; 30.03.2007, valor de R$ 690,00, cheque 085 compensado no Banco Itaú em 16.03.2007; 30.04.2007, valor de R$ 690,00, saque Banco em Itaú em 20/04/2007; 31.05.2007, valor de R$ 690,00, saque no Banco Itaú em 30/05/2007; 29.06.2007, valor de R$ 690,00, cheque 124 do Banco Itaú em 29/06/2007; 31.07.2007, valor de R$ 690,00, saque no Banco Itaú em 26/07/2007; 31.08.2007, valor de R$ 690,00, saque no Banco do Brasil em 20/08/2007; 28.09.2007, valor de R$ 690,00, saque no Banco Itaú em 24.09.2007; 31.10.2007, valor de R$ 690,00, saque no Banco Itaú em 22.10.2007; 30.11.2007, valor de R$ 690,00, saque banco Itaú em 22.11.2007; 21.12.2007, valor de R$ 690,00, saque no Banco Itaú em 05/12. Segue também contrato de prestação de serviços firmado entre as partes; recibos de prestação de serviços do Sr. Luiz Carlos Marins, CPF 042.296.70842, correspondente a serviços de entrega e busca de documentos junto a cooperativa Delta. São eles: R$ 550,00, de 30.01.2007, pagos com cheque 83 do Banco Itaú; R$ 550,00, de 28.02.2007, saque Banco do Brasil em 22.02.2007; R$ 550,00, de 30.03.2007, saque Banco do Brasil em 13/03/2007; R$ 550,00, de 30.04.2007, cheque 123 de 26.04.2007, Banco Itaú; R$ 550,00, de 30.05.2007, cheque 125 Banco Itaú; R$ 550,00, de 29.06.2007, cheque 124 de 29/06/2007; R$ 550,00, de 30.07.2007, saque Banco Itaú em 26/07/2007; R$ 550,00, de 30.08.2007, saque banco Itaú em 22/08/2007; R$ 550,00, 28.09.2007, saque Banco Itaú em Fl. 549DF CARF MF Impresso em 10/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/03/2014 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 25/03/2014 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 30/03/2014 por TANIA MARA PA SCHOALIN Processo nº 10805.722085/201130 Acórdão n.º 2801003.466 S2TE01 Fl. 550 7 24.09.2007; 30/10/2007, R$ 550,00, saque no Banco Itaú em 22/10/2007; 30.11.2007, R$ 550,00, saque no Banco Itaú em 22.11.2007; 20.12.2007, R$ 550,00, saque no Banco Itaú 05/12/2007; R$ 550,00, 28.12.2007, saque no Banco Itaú 17.12. Segue também contrato de Prestação de Serviços entre as partes e recibos de prestação de serviços pela Sra. Rita de Cássia Souza, CPF 147.657.02804, referente serviços de ginástica laboral aos pacientes enviados pela Delta. São eles: R$ 1.000,00, de 15.02.2007, saque Banco do Brasil em 09/02/2007; R$ 1.000,00, de 15.03.2007, cheque nº 107 Banco Itaú em 15.03.2007; R$ 1.000,00, de 16.04.2012, saque Banco Itaú em 05.04.2007; R$ 1.000,00, de 15.05.2007, cheque nº 135 Banco Itaú em 28.05.2007; R$ 1.000,00, de 15.06.2007, saque Banco do Brasil em 25.06.2007; R$ 1.000,00, em 15.08.2007, cheque nº 155 Banco Itaú em 07.08.2007. Anexa, também, LivroCaixa e respectivos documentos comprobatórios das despesas neles escrituradas, DARF com comprovante de pagamento das quotas do imposto de renda do exercício de 2008 e 2009, listagem completa e certidão de quitação das anuidades arrecadadas ao CREMESP e declaração de quitação da empresa Sul América CNPJ 86.878.469/000143 correspondente ao pagamento do plano de saúde da titular e das dependentes, bem como extratos bancários. Ao final, requer o cancelamento do débito fiscal reclamado. Voto Conselheiro Marcelo Vasconcelos de Almeida, Relator Conheço do recurso, porquanto presentes os requisitos de admissibilidade. RECOLHIMENTOS REFERENTES AOS ANOSBASE 2008 E 2009 Alega a Recorrente que devem ser acolhidos os recolhimentos de imposto de renda referentes aos anosbase 2009 e 2008, que não foram descontados do valor principal do imposto apurado pela fiscalização, sendo descabida a cobrança destes valores, bem como a incidência de multa ou juros moratórios sobre tais montantes. Segundo a Interessada foi recolhido, em 2010, R$ 909,00 correspondentes ao anobase de 2009 e R$ 1.690,48 correspondentes ao anobase de 2008. Esta matéria, embora tenha sido suscitada na impugnação (item 3.7 do “Relatório” da decisão recorrida, à fl. 402), não foi objeto de análise pelos julgadores da instância de piso. Os documentos de fls. 530/539 evidenciam que houve o recolhimento, no CPF da Recorrente, de “quotas do imposto apurado na declaração de rendimentos” (código de recolhimento 0211), no montante apontado pela Interessada, nos anoscalendário respectivos. Nesse contexto, entendo que tais valores devem ser decotados do imposto suplementar apurado pela Fiscalização. GLOSA DE DESPESAS MÉDICAS Anocalendário de 2007 Fl. 550DF CARF MF Impresso em 10/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/03/2014 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 25/03/2014 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 30/03/2014 por TANIA MARA PA SCHOALIN Processo nº 10805.722085/201130 Acórdão n.º 2801003.466 S2TE01 Fl. 551 8 A Interessada não se insurgiu, em sede recursal, contra as glosas de despesas médicas referentes ao anocalendário em epígrafe. Anocalendário de 2008 Profissional Elsa K. Yamaguti – Valor: R$ 7.500,00 A Recorrente apresentou, em sede de impugnação, a nota fiscal de número 171 (fl. 156). No recurso, apresenta nota fiscal diversa, de número 111 (fl. 514), e aponta datas de pagamentos efetuados em dinheiro, decorrentes de saques bancários, que não guardam correspondência com os extratos das contas correntes apresentados. Nesse contexto, entendo que deve ser mantida a glosa em referência. Empresa Sistema Brasileirinho de Saúde Ltda. – Valor: R$ 7.500,00 A Recorrente alega que esta despesa foi paga em dinheiro em 29/10/2008, sem, contudo, indicar a conta/instituição bancária em que teria havido o saque desta quantia. Não se evidencia nos extratos apresentados, na referida data ou próxima a ela, saque no valor da suposta despesa médica. Nesse contexto, entendo que deve ser mantida a glosa em referência. Demais despesas médicas glosadas neste anocalendário A Interessada não se insurgiu contra tais glosas em sede recursal. Anocalendário de 2009 Foram glosadas, neste anocalendário, as seguintes despesas médicas: a) Sul América Seguros Saúde, no valor de R$ 13.858,68, e Medial Saúde, no valor de R$ 1.038,12. Em relação a esta última, não houve contestação no recurso. Em relação à primeira, a Interessada alega que anexou ao recurso declaração de quitação da empresa Sul América, CNPJ 86.878.469/000143, correspondente ao pagamento do plano de saúde da titular e das dependentes. Compulsando os documentos anexados ao recurso (fls. 413/539), no entanto, não se encontra a referida declaração. DEDUÇÕES DE LIVROCAIXA No curso do procedimento fiscal a Recorrente apresentou à Autoridade lançadora a “Carta Resposta ao Termo de Reintimação da Ação Fiscal” (fl. 51), com o seguinte teor: Eu, Ana Maria Silva Garcia, brasileira, (...), venho respeitosamente requerer a revisão do ajuste efetuado em minhas declarações ano base 2007, 2008 e 2009, com as seguintes alegações: 1. não existem rendimentos recebidos de pessoa física nos anos calendários de 2007, 2008 e 2009, acrescendo que posso estar fornecendo os extratos bancários para verificação caso haja necessidade. 2. não existem investimentos em previdência privada nos anos de 2007, 2008 e 2009. Fl. 551DF CARF MF Impresso em 10/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/03/2014 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 25/03/2014 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 30/03/2014 por TANIA MARA PA SCHOALIN Processo nº 10805.722085/201130 Acórdão n.º 2801003.466 S2TE01 Fl. 552 9 3. em anexo, segue Livro Caixa do ano de 2007 no valor de R$ 21.430,00 (vinte e um mil e quatrocentos e trinta reais), com os respectivos comprovantes em originais. A Interessada alega que teve rendimentos do trabalho não assalariado durante o ano de 2007, recebidos de Delta Cooperativa do Ramo de Saúde, no valor de R$ 21.474,38, e que teria, por isso, direito à dedução dos gastos com a mão de obra utilizada para receber essa verba, mesmo não sendo mão de obra com vinculo empregatício, conforme resposta da Receita Federal a pergunta 403. Da mesma forma, quanto ao pagamento efetuado ao CREMESP (anuidade) e a quinta parte dos gastos com telefonia utilizada para marcação de consultas e atendimentos gerais. Pleiteia, também, a dedução de valores pagos pela prestação de serviços da senhora Louise Mary G Di Pietro, referente aos trabalhos de envio de planilhas de atendimento a pacientes, conferencia do faturamento, depósitos bancários e pagamentos diversos, bem como a dedução de valores pela prestação de serviços da Sra. Rita de Cássia Souza, referente a serviços de ginástica laboral aos pacientes enviados pela Delta. A dedução de despesas da receita auferida em decorrência de trabalho não assalariado está regulada no artigo 6° da Lei nº 8.134/1990, cuja redação, na parte que interessa, é a seguinte: Art. 6° O contribuinte que perceber rendimentos do trabalho não assalariado, inclusive os titulares dos serviços notariais e de registro, a que se refere o art. 236 da Constituição, e os leiloeiros, poderão deduzir, da receita decorrente do exercício da respectiva atividade: (...) III as despesas de custeio pagas, necessárias à percepção da receita e à manutenção da fonte produtora. A leitura dos trechos em destaque revela que a dedução permitida pelo dispositivo legal referese a despesas de custeio pagas, necessárias à percepção da receita e à manutenção da fonte produtora relativamente à atividade que o contribuinte percebeu rendimentos de trabalho não assalariado. A Instrução Normativa SRF nº 15/2001, por seu turno, estabelece: Art. 51.O contribuinte que receber rendimentos do trabalho não assalariado, inclusive o titular de serviços notariais e de registro e o leiloeiro deve registrar as receitas e as despesas em livro Caixa, podendo deduzir, da receita decorrente do exercício da respectiva atividade, as despesas escrituradas, a saber: (...) III as despesas de custeio pagas, necessárias à percepção da receita e à manutenção da fonte produtora. O artigo transcrito deixa claro que as despesas de custeio escrituradas em LivroCaixa podem ser deduzidas independentemente de as receitas serem oriundas de serviços prestados como autônomo à pessoa física ou jurídica. Para viabilizar a dedução, no entanto, Fl. 552DF CARF MF Impresso em 10/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/03/2014 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 25/03/2014 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 30/03/2014 por TANIA MARA PA SCHOALIN Processo nº 10805.722085/201130 Acórdão n.º 2801003.466 S2TE01 Fl. 553 10 tanto as despesas quanto as receitas devem ser registradas no LivroCaixa. E a razão é óbvia: o valor das despesas dedutíveis está limitado ao valor da receita mensal recebida da pessoa física ou da pessoa jurídica, a teor do que dispõe o § 3º do art. 6º da Lei nº 8.134, de 27 de dezembro de 1990, assim descrito: Art. 6º. (...) § 3° As deduções de que trata este artigo não poderão exceder à receita mensal da respectiva atividade, permitido o cômputo do excesso de deduções nos meses seguintes, até dezembro, mas o excedente de deduções, porventura existente no final do ano base, não será transposto para o ano seguinte. O LivroCaixa apresentado pelo Recorrente registra apenas as despesas de custeio, sem mencionar qualquer receita recebida de trabalho não assalariado, seja de pessoa física, seja de pessoa jurídica. Nesse contexto, ainda que o Interessado tenha recebido rendimentos de pessoa jurídica decorrentes de trabalho não assalariado, descabe a dedução de despesas de custeio, porquanto a receita correlata não está escriturada no LivroCaixa, o que impossibilita a verificação do limite mensal de dedução. CONCLUSÃO Face ao exposto, voto por dar provimento parcial ao recurso para abater do imposto suplementar relativo aos anoscalendário de 2008 e 2009, respectivamente, o valor do imposto de renda recolhido nos montantes de R$ 1.690,48 e R$ 909,00 (comprovantes de recolhimento às fls. 530/539 deste processo digital). Assinado digitalmente Marcelo Vasconcelos de Almeida Fl. 553DF CARF MF Impresso em 10/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/03/2014 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 25/03/2014 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 30/03/2014 por TANIA MARA PA SCHOALIN
score : 1.0
Numero do processo: 11610.011302/2009-98
Turma: Segunda Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 19 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed May 28 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2006
IRPF. DEDUÇÕES. DESPESAS MÉDICAS.COMPROVAÇÃO.
Recibos emitidos por profissionais da área de saúde com observância aos requisitos legais são documentos hábeis para comprovar dedução de despesas médicas, salvo quando comprovada nos autos a existência de indícios veementes de que os serviços consignados nos recibos não foram de fato executados ou o pagamento não foi efetuado.
DESPESAS MÉDICAS -COLETA DOMICILIAR DE EXAMES LABORATORIAIS
Mantem-se a exigência por falta de previsão legal que ampare tal dedução.
Recurso procedente em parte
Numero da decisão: 2802-002.724
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado: por maioria de votos DAR PROVIMENTO PARCIAL ao recurso voluntário para que seja restabelecida dedução de despesas médicas no valor de R$22.833,35, no ano calendário 2005, nos termos do voto da relatora. Vencido o Conselheiro Jaci de Assis Júnior que dava provimento parcial, porém em menor extensão.
(assinado digitalmente)
Jorge Claudio Duarte Cardoso Presidente
(assinado digitalmente)
Dayse Fernandes Leite Relatora
EDITADO EM: 28/04/2014
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Jorge Claudio Duarte Cardoso (Presidente), German Alejandro San Martin Fernandez, Jaci de Assis Junior, Dayse Fernandes Leite, Carlos Andre Ribas de Mello. Ausente Justificadamente a Conselheira Julianna Bandeira Toscano.
Nome do relator: DAYSE FERNANDES LEITE
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DEDUÇÕES. DESPESAS MÉDICAS.COMPROVAÇÃO. Recibos emitidos por profissionais da área de saúde com observância aos requisitos legais são documentos hábeis para comprovar dedução de despesas médicas, salvo quando comprovada nos autos a existência de indícios veementes de que os serviços consignados nos recibos não foram de fato executados ou o pagamento não foi efetuado. DESPESAS MÉDICAS COLETA DOMICILIAR DE EXAMES LABORATORIAIS Mantemse a exigência por falta de previsão legal que ampare tal dedução. Recurso procedente em parte Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado: por maioria de votos DAR PROVIMENTO PARCIAL ao recurso voluntário para que seja restabelecida dedução de despesas médicas no valor de R$22.833,35, no ano calendário 2005, nos termos do voto da relatora. Vencido o Conselheiro Jaci de Assis Júnior que dava provimento parcial, porém em menor extensão. (assinado digitalmente) Jorge Claudio Duarte Cardoso – Presidente (assinado digitalmente) Dayse Fernandes Leite Relatora AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 61 0. 01 13 02 /2 00 9- 98 Fl. 234DF CARF MF Impresso em 28/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/04/2014 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 28/04/201 4 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 29/04/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO 2 EDITADO EM: 28/04/2014 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Jorge Claudio Duarte Cardoso (Presidente), German Alejandro San Martin Fernandez, Jaci de Assis Junior, Dayse Fernandes Leite, Carlos Andre Ribas de Mello. Ausente Justificadamente a Conselheira Julianna Bandeira Toscano. Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto contra acórdão proferido na Primeira instância administrativa, pela Delegacia da Receita Federal de Julgamento em São Paulo II (SP), que considerou procedente em parte, a impugnação apresentada, contra o lançamento por meio do qual exigese do recorrente, IRPF suplementar relativo ao ano calendário, 2005, em virtude glosa de dedução da base tributável para deduções indevidas de despesas médicas, no valor de R$ 32.850,39,. posto que mesmo após regularmente intimada, a contribuinte não apresentou a documentação comprobatória das despesas informadas em sua Declaração de Ajuste. A Oitava Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em São Paulo II (SP), ao examinar o pleito, proferiu o acórdão nº. 1750.037, de 19 de abril de 2011, que se encontra às fls. 130/142, cuja ementa é a seguinte: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2006 ESTATUTO DO IDOSO. 0 estatuto do idoso prioriza o atendimento das pessoas diante dos órgãos públicos a partir de 60 (sessenta) anos de idade. GLOSA DE DEDUÇÕES. DESPESAS MÉDICAS. A dedução de despesas medicas da declaração de rendimentos restringese aos pagamentos efetuados pela contribuinte relativos ao próprio tratamento e ao de seus dependentes declarados. Regra geral, as deduções pleiteadas estão sujeitas a comprovação mediante documentos/recibos que devem ser revestidos dos requisitos legais e discriminar a pessoa beneficiária dos serviços contratados. Nos termos do artigo 73 e §1° do Decreto n° 3000/99, as deduções estão sujeitas a comprovação ou justificação, a juízo da autoridade fiscal. ADITAMENTO DAS ALEGAÇÕES DE DEFESA ADMINISTRATIVA. PRECLUSÃO CONSUMATIVA. Nos termos do artigo 15 do Decreto n.° 70.235/72, a impugnação ao lançamento de debito fiscal deverá ser apresentada ao órgão preparador no prazo de 30 dias, contados da data em que for feita a intimação da exigência. Apresentada a primeira impugnação tempestivamente, a contribuinte exerceu o seu direito de defesa, não podendo voltar a fazêlo devido a ocorrência da preclusão consumativa, ou seja, a consumação do ato processual contestatório Impugnação procedente em parte Crédito Tributário Mantido em Parte Fl. 235DF CARF MF Impresso em 28/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/04/2014 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 28/04/201 4 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 29/04/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO Processo nº 11610.011302/200998 Acórdão n.º 2802002.724 S2TE02 Fl. 3 3 Ao tomar ciência do acórdão de primeira instância, em 23/05/2011 a contribuinte interpôs o recurso de fls. .156 e ss , no qual alega o seguinte: · Em relação aos recibos, fls. 11 Uroclinica Serviços Médicos Ltda,no valor de R$ 380,00, fls. 12 Dr. Arnaldo José Gane, no valor de R$ 2.500,00, fl.15 Serviço Integrado de Radiologia Odontológica. no valor de R$ 110,00, Irmandade Santa Casa de Misericórdia de São Paulo, notas fiscais anexadas As fls. 31 a 33 no valor de RS 233,35 em todos os recibos consta o nome do beneficiário destacado em vermelho. · Em relação aos serviços prestados pelo CDEL Coleta Domiciliar de Exames Laboratoriais ,fl. 21 a 24 , no valor de R$ 180,00 , informa que faz jus à dedução vez que um laboratório ao proceder a um exame relacionado à natureza de suas atividades, obviamente, em seu custo, se encontra embutida a taxa de coleta . · Fundamenta na pergunta 346 do manual perguntas e respostas pessoa física para afirmar que são dedutíveis os gastos com transfusão de sangue, bem como os pagamentos feitos a laboratórios de análises clinicas e radiológicas, correspondentes a serviços prestados ao contribuinte e seus dependentes · Em relação aos serviços prestados pela Fukushima K & F Odontológica S/C Ltda., fls. 25 e 26 no valor de R$ 4.400,00.observase que os cheques encontramse anexados as notas de prestação de serviços. · Em relação ao recibo emitido pelo Serviço Médico Cirúrgico de São Paulo à fl. 19, no importe de R$ 15.700,00, sendo que consta a declaração de prestação de serviços à fl. 18. Transcreve o artigo 80 do Decreto n° 3.000/1999, o art. 8° da Lei na 9.250/1995, Art. 46 da Instrução Normativa SRF nº 15, de 6 de fevereiro de 2001, (DecretoLei nº 352, de 17 junho de 1968, art. 42, para alegar que os recibos juntados aos autos estão nos termos da legislação que rege a matéria. É o relatório. Voto Conselheira Dayse Fernandes Leite, Relatora Recurso tempestivo. Presentes os pressupostos de admissibilidade, conheço do recurso interposto. Pelo que consta da decisão de primeira instância, dos recibos de despesas médicas apresentadas pela contribuinte, não foram aceitos pelos seguintes fundamentos: Fl. 236DF CARF MF Impresso em 28/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/04/2014 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 28/04/201 4 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 29/04/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO 4 · Uroclinica Serviços Médicos Ltda fls. 11 não é documento hábil a comprovar o dispêndio de R$ 380,00 pela titular a titulo de despesas médicas para o exercício de 2006. Não há indicação no comprovante da pessoa beneficiária dos serviços prestados pela pessoa jurídica (art. 80, II, RIR/99). Mantemse a glosa desta despesa médica; · Dr. Arnaldo José Ganc fls. 12 não é documento hábil a comprovar o dispêndio de RS 2.500,00 pela titular a titulo de despesas médicas para o exercício de 2006. Não há indicação no comprovante da pessoa beneficiária dos serviços prestados pelo profissional (art. 80, II, RIR/99). Mantemse a glosa desta despesa médica; · Serviço Integrado de Radiologia Odontológica fls. 15 não é documento hábil a comprovar o dispêndio de RS 110,00 pela titular a titulo de despesas médicas para o exercício de 2006. Não há indicação no comprovante da pessoa beneficiária dos serviços prestados pela pessoa jurídica (art. 80, II, RIR/99). Mantemse a .glosa desta despesa médica. · CDEL Coleta Domiciliar de Exames Laboratoriais fls. 21/24 R$180,00 tratase de despesa indedutível, por ausência de previsão legal, uma vez que não referese a exame laboratorial propriamente dito, mas taxa agregada ao serviço contratado. Mantemse a glosa desta despesa médica; · Irmandade da Santa Casa de Misericórdia de São Paulo fls. 31/33 notas fiscais não são documentos hábeis a comprovar o dispêndio de R$ 233,35 pela titular a titulo de despesas médicas para o exercício de 2006. Não há indicação nos comprovantes da pessoa beneficiária dos serviços prestados pela pessoa jurídica (art. 80, II, RIR/99). Mantem se a glosa desta despesa médica; · Com relação aos serviços contratados pela contribuinte junto a Fukushima K & F Odontologia S/C Ltda e Serviço Médico Cirúrgico de São Paulo Ltda, esta não logrou êxito em comprovar simultaneamente a efetiva prestação dos serviços contratados bem como dos pagamentos realizados. Quanto aos serviços de Fukushima K&F Odontologia S/C Ltda, nenhuma comprovação foi apresentada. · A declaração emitida pelo prestador de serviço médico (Dr. Sérgio Stella Serviço Médico Cirúrgico de São Paulo) anexada as fls. 18 não pode ser acolhida em sua totalidade, posto que além de não comprovar o efetivo pagamento dos serviços contratados, foi elaborada de modo extemporâneo, casuístico, e com o fito único de produzir prova neste processo administrativo fiscal. Atesta, tão somente, que os serviços foram executados na notificada, com parte dos honorários contratados pagos em espécie (R$ 15.700,00) e parte em cheque (R$ 400,00). Não comprova a efetiva transferência de recursos. A decisão de primeira instância restabeleceu, despesas médicas no valor de R$ 9.347,04. Destarte, o litígio é em torno de R$23.503,35. Fl. 237DF CARF MF Impresso em 28/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/04/2014 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 28/04/201 4 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 29/04/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO Processo nº 11610.011302/200998 Acórdão n.º 2802002.724 S2TE02 Fl. 4 5 Vejamos: Em relação às deduções de despesas médicas, assim está expresso na Lei nº 9.250, de 1996: Art. 8º A base de cálculo do imposto devido no ano calendário será a diferença entre as somas: I de todos os rendimentos percebidos durante o ano calendário, exceto os isentos, os não tributáveis, os tributáveis exclusivamente na fonte e os sujeitos à tributação definitiva; II das deduções relativas: a) os pagamentos efetuados, no ano calendário, a médicos, dentistas, psicólogos, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais e hospitais, bem como as despesas com exames laboratoriais, serviços radiológicos, aparelhos ortopédicos e próteses ortopédicas e dentárias; [...] § 2º O disposto na alínea “a” do inciso II: I aplicase, também, aos pagamentos efetuados a empresas domiciliadas no País, destinados à cobertura de despesas com hospitalização, médicas e odontológicas, bem como a entidades que assegurem direito de atendimento ou ressarcimento de despesas da mesma natureza; II restringese aos pagamentos efetuados pelo contribuinte, relativos ao próprio tratamento e ao de seus dependentes; III limitase a pagamentos especificados e comprovados, com indicação do nome, endereço e número de inscrição no Cadastro de Pessoas Físicas – CPF ou no Cadastro Geral de Contribuintes – CGC de quem os recebeu, podendo, na falta de documentação, ser feita indicação do cheque nominativo pelo qual foi efetuado o pagamento; IV não se aplica às despesas ressarcidas por entidade de qualquer espécie ou cobertas por contrato de seguro; V no caso de despesas com aparelhos ortopédicos e próteses ortopédicas e dentárias, exigese a comprovação com receituário médico e nota fiscal em nome do beneficiário. Assim, não há dúvidas que os pagamentos dos serviços médicos são dedutíveis. Entretanto, importa ressaltar que, a decisão sobre a dedutibilidade ou não da despesa médica merece análise caso a caso, consoante os elementos trazidos aos autos, tanto pelo fisco como pelo contribuinte, os quais serão decisivos para a formação da livre convicção Fl. 238DF CARF MF Impresso em 28/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/04/2014 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 28/04/201 4 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 29/04/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO 6 do julgador.Não havendo prova em desfavor dos recibos, ainda que por meio de um conjunto forte de indícios e enquanto não houver disciplina legal mais adequada, atende ao verdadeiro interesse público privilegiar o devido processo legal e as demais garantias ínsitas ao Estado Democrático de Direito, cujos valores superam eventual perda arrecadatória. Em relação às deduções com despesa médicas, de acordo com o art. 8º da Lei nº 9.250, de 1995, são dedutíveis da base de cálculo do imposto devido os pagamentos efetuados, no ano calendário, a médicos, dentistas, psicólogos, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais, hospitais, despesas com exames laboratoriais, serviços radiológicos, aparelhos ortopédicos e próteses ortopédicas e dentárias, bem como os pagamentos efetuados a empresas domiciliadas no País, destinados à cobertura de despesas com hospitalização, médicas e odontológicas, bem como a entidades que assegurem direito de atendimento ou ressarcimento de despesas da mesma natureza.. A dedução restringese aos pagamentos efetuados pelo contribuinte, relativos ao próprio tratamento e ao de seus dependentes, e limitase a pagamentos especificados e comprovados (com indicação do nome, endereço e número de inscrição no CPF ou no CNPJ de quem os recebeu), podendo, na falta de documentação, ser feita indicação do cheque nominativo pelo qual foi efetuado o pagamento. Certo é que para fazer jus a deduções na Declaração de Ajuste Anual, torna se indispensável que o contribuinte observe todos os requisitos legais, sob pena de ter os valores pleiteados glosados. Afinal, todas as deduções, inclusive as despesas médicas, por dizerem respeito à base de cálculo do imposto, estão sob reserva de lei em sentido formal, por força do disposto na Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966, Código Tributário Nacional (CTN), art. 97, inciso IV. Feitas estas considerações passo a analisar a documentação apresentada: · Santa Casa de Misericórdia de São Paulo fls. 31/33 notas fiscais não são documentos hábeis a comprovar o dispêndio de R$ 233,35 entendo que comprovam satisfatoriamente. Tem um carimbo atestando o recebimento da nota. · Entendo que o cheque nº 000479 emitido pela recorrente a favor do Dr.Arnaldo José Ganc. no valor de RS 2.500,00 , comprova o direto a dedução desta despesa, vez que está amparada pelo disposto no inciso III, parágrafo 2º do art. 80, RIR/99). “...ser feita indicação do cheque nominativo pelo qual foi efetuado o pagamento “ · Entendo que as NF fls. 37 e 38 Fukushima K & F Odontologia S/C Ltda,no valo total de R$4.400,00, c/c os cheque de fls. 214 e 216, comprovam o direto a dedução desta despesa, vez que está amparada pelo disposto no inciso III, parágrafo 2º do art. 80, RIR/99). “...ser feita indicação do cheque nominativo pelo qual foi efetuado o pagamento “Além do mais tem um carimbo atestando o recebimento dos valores mencionados nas NFs. · Com relação a despesa relativa ao Dr. Sérgio Stella fls. 22, no valor de R$ 15.700,00, entendo que a declaração de fls. 18 complementa o recibo de fls. 22, portanto preenchem os requisitos legais para utilizar a dedução do referido valor. Fl. 239DF CARF MF Impresso em 28/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/04/2014 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 28/04/201 4 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 29/04/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO Processo nº 11610.011302/200998 Acórdão n.º 2802002.724 S2TE02 Fl. 5 7 Assim, entendo que deve ser restabelecido à recorrente a título de despesas médicas o valor de R$22.833,35. Entretanto, deixo de acatar as despesas com Uroclinica Serviços Médicos Ltda fls. 11, no valor de R$380,00, Serviço Integrado de Radiologia Odontológica. no valor de R$ 110,00 , tendo em vista a recorrente alega que o nome do beneficiário consta do recibo, entretanto não há indicação nos comprovantes da pessoa beneficiária dos serviços prestados pelas pessoas jurídicas: Ademais a recorrente teve a oportunidade de sanear os vícios apontados nos recibos, mas limitouse a apenas alegar, sem, no entanto, apresentar os elemento de prova que pudessem socorrer suas alegações. Quanto a despesa relativa a CDEL Coleta Domiciliar de Exames Laboratoriais fls. 21/24 R$180,00, concordo com a decisão de primeira instância, tendo em vista que ao que tudo indica tratase de uma empresa terceirizada para fazer a coleta de material , portanto não está amparada pela legislação que rege a matéria. O artigo 8º, inciso I letra “b” é bem claro “os pagamentos efetuados, no ano calendário, a médicos, dentistas, psicólogos, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais e hospitais, bem como as despesas com exames laboratoriais, serviços radiológicos, aparelhos ortopédicos e próteses ortopédicas e dentárias; Portanto, devese DAR PROVIMENTO PARCIAL ao recurso voluntário para que seja restabelecida dedução de despesas médicas no valor de R$22.833,35., no ano calendário 2005,. (assinado digitalmente) Dayse Fernandes LeiteRelatora Fl. 240DF CARF MF Impresso em 28/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/04/2014 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 28/04/201 4 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 29/04/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO
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Numero do processo: 13116.902561/2011-51
Turma: Terceira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 25 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Mar 13 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/05/2002 a 31/05/2002
INDÉBITO. RESTITUIÇÃO. COMPENSAÇÃO. ÔNUS DA PROVA.
O ônus da prova recai sobre a pessoa que alega o direito ou o fato que o modifica, extingue ou que lhe serve de impedimento, devendo prevalecer a decisão administrativa baseada em dados declarados pelo sujeito passivo, não infirmada com documentação hábil e idônea.
Numero da decisão: 3803-005.380
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
Corintho Oliveira Machado - Presidente.
(assinado digitalmente)
Hélcio Lafetá Reis - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Corintho Oliveira Machado (Presidente), Hélcio Lafetá Reis (Relator), Belchior Melo de Sousa, João Alfredo Eduão Ferreira, Juliano Eduardo Lirani e Jorge Victor Rodrigues.
Nome do relator: HELCIO LAFETA REIS
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RESTITUIÇÃO. COMPENSAÇÃO. ÔNUS DA PROVA. O ônus da prova recai sobre a pessoa que alega o direito ou o fato que o modifica, extingue ou que lhe serve de impedimento, devendo prevalecer a decisão administrativa baseada em dados declarados pelo sujeito passivo, não infirmada com documentação hábil e idônea. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Corintho Oliveira Machado Presidente. (assinado digitalmente) Hélcio Lafetá Reis Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Corintho Oliveira Machado (Presidente), Hélcio Lafetá Reis (Relator), Belchior Melo de Sousa, João Alfredo Eduão Ferreira, Juliano Eduardo Lirani e Jorge Victor Rodrigues. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 11 6. 90 25 61 /2 01 1- 51 Fl. 80DF CARF MF Impresso em 13/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/03/2014 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 10/03/2014 p or CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 05/03/2014 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 13116.902561/201151 Acórdão n.º 3803005.380 S3TE03 Fl. 81 2 Tratase de Recurso Voluntário interposto pelo contribuinte em contraposição à decisão da DRJ Ribeirão Preto/SP que julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade apresentada em decorrência do indeferimento do Pedido de Restituição. O contribuinte havia transmitido Pedido de Restituição (PER) em 3 de novembro de 2006, referente a crédito decorrente de alegado pagamento a maior da Cofins, no valor de R$ 975,36. Por meio de despacho decisório eletrônico, cientificado pelo contribuinte em 16/01/2012, a repartição de origem indeferiu a restituição pleiteada, pelo fato de que o pagamento declarado no PER já havia sido integralmente utilizado na quitação de outros débitos da titularidade do sujeito passivo. Cientificado da decisão, o contribuinte apresentou Manifestação de Inconformidade e requereu o reconhecimento do direito creditório, alegando que o indébito reclamado decorreria do reconhecimento pelo Supremo Tribunal Federal (STF) da inconstitucionalidade do alargamento da base de cálculo da contribuição promovido pelo art. 3º, § 1º, da Lei nº 9.718, de 1998, inconstitucionalidade essa já reconhecida pela própria Administração tributária. Junto à Manifestação de Inconformidade, o contribuinte trouxe aos autos cópias de documentos societários e de planilha por ele elaborada. A Ribeirão Preto/SP não reconheceu o direito creditório, fundamentando sua decisão (i) na falta de comprovação do indébito, (ii) no fato de que o crédito informado já se encontrava vinculado à quitação de outros débitos da titularidade da pessoa jurídica e (iii) na incompetência da Administração tributária para se manifestar sobre constitucionalidade de leis. Cientificado do acórdão da DRJ Ribeirão Preto/SP em 30 de julho de 2013, o contribuinte apresentou Recurso Voluntário em 29 de agosto do mesmo ano, e reiterou seu pedido de reconhecimento do direito creditório, repisando os mesmos argumentos de defesa. É o relatório. Voto Conselheiro Hélcio Lafetá Reis O recurso é tempestivo, atende as demais condições de admissibilidade e dele tomo conhecimento. Conforme se verifica do relatório supra, o pedido de restituição foi indeferido pela repartição de origem pelo fato de que o pagamento informado já se encontrava vinculado a outro débito da titularidade do contribuinte, decisão essa mantida pela DRJ Ribeirão Preto/SP. De início, registrese que, para se apreciarem pleitos da espécie, não basta que se alegue, em tese, o direito assegurado pela ordem jurídica, havendo necessidade de que os argumentos fáticos trazidos aos autos sejam demonstrados e comprovados, sob pena de total inviabilidade da apreciação do pedido. Fl. 81DF CARF MF Impresso em 13/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/03/2014 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 10/03/2014 p or CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 05/03/2014 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 13116.902561/201151 Acórdão n.º 3803005.380 S3TE03 Fl. 82 3 Não há dúvidas que este Colegiado, por força do contido no art. 62A do Anexo II do Regimento Interno do CARF, encontrase obrigado a reproduzir decisões definitivas do Supremo Tribunal Federal (STF) submetidas à sistemática da repercussão geral (art. 543B do Código de Processo Civil – CPC), mas desde que comprovada, com documentação hábil e idônea, a ocorrência de pagamento indevido relativo à parcela do tributo apurada sobre a base de cálculo prevista em dispositivo legal declarado inconstitucional. No que tange ao material probatório do seu direito, o contribuinte trouxe aos autos apenas cópias de documentos societários e de uma planilha por ele elaborada, documentos esses totalmente insuficientes à comprovação do indébito, dado que desacompanhados de qualquer elemento da escrituração contábilfiscal e da documentação que a lastreia, estes, sim, consistentes em prova hábil e idônea. Para decidir acerca do pedido de reconhecimento do direito creditório decorrente do pagamento da contribuição apurada sobre outras receitas que não o faturamento, em razão da inconstitucionalidade do art. 3º, § 1º, da Lei nº 9.718, de 1988, este Colegiado necessita, além de conhecer os valores envolvidos nas operações mercantis, como o faturamento, o total das outras receitas, a contribuição devida etc., confirmar sua ocorrência na contabilidade da pessoa jurídica. Em processos da espécie ao ora analisado, a falta de um mínimo de instrução do processo por parte da pessoa obrigada não pode ser suprida por meio de diligência à repartição de origem, dada a inexistência de qualquer indício fático do direito pleiteado, ou seja, um início de prova que pudesse convencer o julgador quanto à possibilidade de efetiva existência do direito creditório pleiteado, isso em conformidade com os princípios constitucionais da celeridade processual e da eficiência, princípios esses que regem a atuação da Administração Pública, previstos, respectivamente, no art. 5º, inciso LXXVIII, e no art. 37, caput, da Constituição Federal de 1988. Mesmo considerando o princípio da verdade material, em que a apuração da verdade dos fatos pelo julgador administrativo vai além das provas trazidas aos autos pelo interessado, nos casos da espécie ao ora analisado, a prova encontrase em poder do próprio sujeito passivo, e uma vez que foi dele a iniciativa de instauração do processo, pois que relativo a um direito que ele alega ser detentor, não se vislumbra razão a uma possível inversão do ônus da prova. A não apresentação de provas dos fatos apontados encontrase em total desacordo com a disciplina do art. 16, inciso III, e § 4º, do Decreto nº 70.235, de 1972, que regula o Processo Administrativo Fiscal (PAF), verbis: Art. 16. A impugnação mencionará: (...) III os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir; (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) (...) § 4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) Fl. 82DF CARF MF Impresso em 13/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/03/2014 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 10/03/2014 p or CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 05/03/2014 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 13116.902561/201151 Acórdão n.º 3803005.380 S3TE03 Fl. 83 4 a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior;(Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) b) refirase a fato ou a direito superveniente;(Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos.(Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) Em conformidade com o excerto supra, temse que o ônus da prova recai sobre a pessoa que alega o direito ou o fato que o modifica, extingue ou que lhe serve de impedimento, devendo prevalecer a decisão administrativa que não reconheceu o direito creditório, amparada em informações declaradas pelo próprio sujeito passivo, presentes nos sistemas da Receita Federal, informações essas não infirmadas com documentação hábil e idônea. Nesse contexto, voto por NEGAR PROVIMENTO ao recurso, em razão da ausência de prova hábil e idônea do direito creditório reclamado. É como voto. (assinado digitalmente) Hélcio Lafetá Reis Relator Fl. 83DF CARF MF Impresso em 13/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/03/2014 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 10/03/2014 p or CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 05/03/2014 por HELCIO LAFETA REIS
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