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Numero do processo: 10380.900774/2009-13
Turma: Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Jan 30 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed Apr 02 00:00:00 UTC 2014
Numero da decisão: 3101-000.342
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Por maioria de votos, converteu-se o julgamento do recurso voluntário em diligência, nos termos do voto do Relator.Vencidos os Conselheiros Jacques Maurício Ferreira Veloso de Melo e Leonardo Mussi da Silva.
Henrique Pinheiro Torres - Presidente.
Rodrigo Mineiro Fernandes - Relator.
EDITADO EM: 24/02/2014
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Henrique Pinheiro Torres (presidente), Rodrigo Mineiro Fernandes, Valdete Aparecida Marinheiro, José Henrique Mauri (suplente), Jacques Mauricio Ferreira Veloso de Melo (Suplente) e Leonardo Mussi da Silva (Suplente). Ausentes os Conselheiros Vanessa Albuquerque Valente e Luiz Roberto Domingo. Fez sustentação oral o Dr. Luiz Felipe Krieger Moura Bueno, OAB/RJ nº 117.908, advogado do sujeito passivo.
RELATÓRIO
Nome do relator: RODRIGO MINEIRO FERNANDES
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Por maioria de votos, converteuse o julgamento do recurso voluntário em diligência, nos termos do voto do Relator.Vencidos os Conselheiros Jacques Maurício Ferreira Veloso de Melo e Leonardo Mussi da Silva. Henrique Pinheiro Torres Presidente. Rodrigo Mineiro Fernandes Relator. EDITADO EM: 24/02/2014 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Henrique Pinheiro Torres (presidente), Rodrigo Mineiro Fernandes, Valdete Aparecida Marinheiro, José Henrique Mauri (suplente), Jacques Mauricio Ferreira Veloso de Melo (Suplente) e Leonardo Mussi da Silva (Suplente). Ausentes os Conselheiros Vanessa Albuquerque Valente e Luiz Roberto Domingo. Fez sustentação oral o Dr. Luiz Felipe Krieger Moura Bueno, OAB/RJ nº 117.908, advogado do sujeito passivo. RELATÓRIO Trata o presente processo de declaração de compensação (DCOMP) eletrônica na qual o interessado alega possuir crédito decorrente de pagamento a maior de PIS que pretende utilizar para compensar com débito de IRPJ. A análise do direito creditório concluiu que o pagamento informado como origem do crédito encontravase totalmente utilizado para quitação de débito do contribuinte da própria contribuição, não restando saldo disponível para ser utilizado para a compensação RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 03 80 .9 00 77 4/ 20 09 -1 3 Fl. 285DF CARF MF Impresso em 02/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/02/2014 por RODRIGO MINEIRO FERNANDES, Assinado digitalmente em 01/04 /2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 25/02/2014 por RODRIGO MINEIRO FERNANDE S Processo nº 10380.900774/200913 Resolução nº 3101000.342 S3C1T1 Fl. 4 2 pretendida. Como resultado, o direito creditório não foi reconhecido, com a conseqüente não homologação da compensação, conforme Despacho Decisório e Detalhamento da Compensação. Regularmente cientificada, a interessada apresentou a manifestação de inconformidade, acompanhada de documentos ao seu ver probatórios de seus direitos, alegando, em síntese: que seu crédito decorre de pagamento a maior em virtude de ter calculado a contribuição indevidamente com alíquota de nãocumulatividade; que embora tenha concorrido involuntariamente para a conclusão do Despacho Decisório, seu crédito não pode ser aniquilado por erro de fato cometido no cumprimento de obrigação acessória; que seu objeto societário é a produção, transmissão, distribuição e comercialização de energia elétrica e toda a sua energia fornecida no anocalendário 2005 foi adquirida pela Companhia Energética do Ceará, cujo contrato de compra e venda foi celebrado em 31/08/2001 (aditivos em 10/10/2001 e 22/11/2002), com prazo de 20 anos; que estava obrigada a pagar as contribuições calculadas exclusivamente de forma cumulativa, por força do disposto na alínea “b” do inciso XI do art. 10 da Lei nº 10.833/2003; que indicou indevidamente na DCTF o valor da contribuição devida no período, calculando e recolhendo com a alíquota prevista para a não cumulatividade; que percebendo o erro estornou a parcela da despesa que havia contabilizado a maior e a registrou no ativo; que apresentou o PER/DCOMP em tela declarando a compensação relativa à diferença acima apontada, mas se ouvidou de retificar a DCTF correspondente. Ao fim, pede a reforma do Despacho Decisório para homologar integralmente a compensação declarada. A DRJ em FORTALEZA/CE julgou improcedente a manifestação de inconformidade, mantendo a nãohomologação da compensação do débito fiscal declarado, ementando assim o acórdão: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins Anocalendário: 2005 PIS. PREÇO PREDETERMINADO. REAJUSTE CONTRATUAL. A partir de 31/10/03, para fins de apuração do PIS, o preço predeterminado é descaracterizado após o 1º reajuste, salvo quando demonstrado que o reajuste de preços se dá em percentual não superior ao correspondente ao acréscimo dos custos de produção ou à variação de índice que reflita a variação ponderada dos custos dos insumos utilizados. Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Anocalendário: 2005 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. PAGAMENTO INDEVIDO. Diante da constatação de que não ocorreu recolhimento indevido, não se configura o direito do sujeito passivo ao reconhecimento do crédito pleiteado, com a conseqüente não homologação da compensação declarada. Fl. 286DF CARF MF Impresso em 02/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/02/2014 por RODRIGO MINEIRO FERNANDES, Assinado digitalmente em 01/04 /2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 25/02/2014 por RODRIGO MINEIRO FERNANDE S Processo nº 10380.900774/200913 Resolução nº 3101000.342 S3C1T1 Fl. 5 3 Manifestação de Inconformidade Improcedente. Direito Creditório não Reconhecido. Discordando da decisão de primeira instância, a interessada apresentou recurso voluntário onde basicamente reproduz o alegado em primeira instância, reforçando notadamente a importância do Ofício nº 1.431/2006SFF/ANEEL, que acredita fazer prova a seu favor. Por fim, requereu a reforma do acórdão recorrido e a subsistência total da compensação efetivada. Em sessão de julgamento realizada em 10 de novembro de 2011, essa turma de julgamento, em sua composição anterior, determinou a conversão do julgamento em diligência para que a unidade preparadora jurisdicionante do domicílio tributário da recorrente intimasse a recorrente, para trazer aos autos, laudo de perito competente, com o detalhamento do processo de produção da energia elétrica fornecida no período em que a recorrente alega possuir crédito, indicação dos insumos utilizados, a variação dos preços dos respectivos insumos e a memória dos reajustes do preço da energia elétrica fornecida, bem como a conclusão acerca da questão controversa se os índices utilizados ultrapassaram, ou não, os custos de produção ou a variação ponderada dos custos dos insumos. Após ser regularmente intimada, a recorrente apresentou o Laudo Pericial solicitado, com o detalhamento do processo de produção de energia elétrica, indicação dos insumos utilizados, variação dos preços dos insumos e memória dos reajustes do preço da central geradora termelétrica FORTALEZA – CGTF, assinado pelos engenheiros José Mario Miranda Abdo e Eduardo Henrique Ellery Filho, sócios da empresa Abdo, Ellery & Associado Consultoria Empresarial em Energia e Regulação. Após o atendimento do disposto na Resolução, a unidade de origem encaminhou o os autos a esse órgão julgador de segunda instância para apreciação. É o relatório. VOTO Conselheiro Rodrigo Mineiro Fernandes, Relator O recurso voluntário é tempestivo e, considerando o preenchimento dos requisitos de sua admissibilidade, merece ser apreciado. A questão meritória a ser apreciada por esse colegiado é a sujeição ou não das receitas da recorrente ao PIS e Cofins com incidência cumulativa. A recorrente alega ter apurado de forma equivocada a contribuição com incidência nãocumulativa, quando o correto seria a incidência cumulativa, existindo, segundo seu entendimento, saldo de contribuição recolhida indevidamente e passível de restituição e compensação. Entretanto, não foi esse o entendimento da unidade de origem e da autoridade julgadora de primeira instância, que não reconheceu o direito creditório, com a conseqüente não homologação da compensação, sob o fundamento de que a contribuição seria devida pelo regime nãocumulativo e inexistia o crédito declarado. Fl. 287DF CARF MF Impresso em 02/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/02/2014 por RODRIGO MINEIRO FERNANDES, Assinado digitalmente em 01/04 /2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 25/02/2014 por RODRIGO MINEIRO FERNANDE S Processo nº 10380.900774/200913 Resolução nº 3101000.342 S3C1T1 Fl. 6 4 A incidência nãocumulativa das contribuições de que trata a lei n° 10.637/2002 e a lei nº 10.833/2003, encontra, entre as exceções legalmente previstas, aquela relativa às receitas originadas de contratos firmados anteriormente a 31 de outubro de 2003, com prazo superior a um ano de fornecimento de bens ou serviços a preço predeterminado (art. 10, XI, “b”, da lei 10.833/2003), que estariam sujeitas às contribuições pela sistemática cumulativa. Regulamentando esse diploma legal e definindo preço predeterminado, foi editada a Instrução Normativa SRF n° 468, de 08/11/2004. A lei nº 11.196, de 21 de novembro de 2005, de caráter interpretativa, esclareceu a questão do reajuste de preços para a caracterização ou não de preço predeterminado, para fins de incidência nãocumulativa das contribuições, assim dispondo: Art. 109. Para fins do disposto nas alíneas b e c do inciso XI do caput do art. 10 da Lei no 10.833, de 29 de dezembro de 2003, o reajuste de preços em função do custo de produção ou da variação de índice que reflita a variação ponderada dos custos dos insumos utilizados, nos termos do inciso II do § 1o do art. 27 da Lei no 9.069, de 29 de junho de 1995, não será considerado para fins da descaracterização do preço predeterminado. Parágrafo único. O disposto neste artigo aplicase desde 1o de novembro de 2003. Posteriormente foi editada a Instrução Normativa SRF nº 658, de 4 de julho de 2006, dispondo sobre as contribuições incidente sobre as receitas decorrentes de contratos firmados anteriormente a 31 de outubro de 2003, com produção de efeitos a partir de 1° de fevereiro de 2004, nos seguintes termos: Art. 2° Permanecem tributadas no regime de cumulatividade, ainda que a pessoa jurídica esteja sujeita a incidência nãocumulativa da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins, as receitas relativas a contratos firmados anteriormente a 31 de outubro de 2003: II com prazo superior a 1 (um) ano, de construção por empreitada ou de fornecimento, a preço predeterminado, de bens ou serviços; Art. 3° Para efeito desta Instrução Normativa, preço predeterminado é aquele fixado em moeda nacional como remuneração da totalidade do objeto do contrato. [...]§2° Ressalvado o disposto no §3º, o caráter predeterminado do preço subsiste somente até a implementação, após a data mencionada no art. 2º, da primeira alteração de preços decorrente da aplicação: I de cláusula contratual de reajuste, periódico ou não; ou II de regra de ajuste para manutenção do equilíbrio §3° 0 reajuste de preços, efetivado após 31 de outubro de 2003, em percentual não superior àquele correspondente ao acréscimo dos custos de produção ou em variação de índice que reflita a variação ponderada dos custos dos insumos utilizados, nos termos do inciso II do § 1º do art. 27 da Lei Fl. 288DF CARF MF Impresso em 02/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/02/2014 por RODRIGO MINEIRO FERNANDES, Assinado digitalmente em 01/04 /2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 25/02/2014 por RODRIGO MINEIRO FERNANDE S Processo nº 10380.900774/200913 Resolução nº 3101000.342 S3C1T1 Fl. 7 5 nº 9.069, de 29 de junho de 1995, não descaracteriza o prego predeterminado. Art. 5° Consideramse com prazo superior a 1 (um) ano os contratos com prazo indeterminado cuja vigência tenha se prolongado por mais de 1 (um) ano, contado da data em que foram firmados. Parágrafo único, Aplicase aos contratos mencionados no caput o disposto nos §§ 2°e 3° do art. 3°. Art. 7 Esta Instrução Normativa entra em vigor na data de sua publicação, produzindo efeitos: I a partir de 1° de fevereiro de 2004, em relação às receitas decorrentes dos contratos de que tratam os incisos I a III do art. 2º; Importanos, para a solução da questão em litígio, identificar se o reajuste de preços praticados pela recorrente à época dos fatos foi em função do custo de produção ou da variação de índice que reflita a variação ponderada dos custos dos insumos utilizados. Caso positivo, não será considerado para fins da descaracterização do preço predeterminado, sujeitandose a recorrente à alíquota cumulativa das contribuições, subsistindo indébito tributário passível de repetição e compensação. Portanto, há duas possibilidades para a sujeição ao regime cumulativo de incidência das contribuições: a adoção de um percentual que reflita o custo de produção (específico para cada contratante) ou da variação de índice que reflita a variação ponderada dos custos de insumos utilizados (índice setorial). A recorrente celebrou, em 31 de agosto de 2001, contrato de compra e venda de energia elétrica com a Companhia Energética do Ceará – COELCE, por um prazo de 20 anos, contados a partir da data inicial de fornecimento, que foi devidamente aprovado pela ANEEL através do Ofício nº 243/2002SFF/ANEEL, de 09/04/2002. Conforme informado no Laudo Técnico, a recorrente, Central Geradora Termelétrica Fortaleza (CGTF) produzia energia via ciclo combinado de gás natural e vapor. Foi projetada a partir do Programa Prioritário de Termoeletricidade (PPT) do Governo Federal, com sede na cidade de Caucaia, Ceará, dentro do Complexo Industrial e Portuário do Pecém. Foi concluída em 2003, com capacidade instalada de 326,60 MW e 318,5 MW de energia assegurada, contando com uma linha de transmissão de 1,2 km em altatensão. A defesa da recorrente é toda calcada no esforço para provar que o índice previsto para reajuste do preço predeterminado, constante do contrato de fornecimento de energia elétrica para a Companhia Energética do Ceará – COELCE, não restou descaracterizado quando do primeiro reajuste, porquanto tal índice refletira os acréscimos dos custos de produção de energia elétrica, nos exatos termos condicionados pela legislação aplicável, tendo como conseqüência a tributação de suas receitas pelo PIS e COFINS no sistema cumulativo. Essa turma de julgamento, em sua composição anterior, na Resolução 3101000.169 que determinou a conversão do julgamento em diligência, assim se manifestou Fl. 289DF CARF MF Impresso em 02/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/02/2014 por RODRIGO MINEIRO FERNANDES, Assinado digitalmente em 01/04 /2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 25/02/2014 por RODRIGO MINEIRO FERNANDE S Processo nº 10380.900774/200913 Resolução nº 3101000.342 S3C1T1 Fl. 8 6 sobre o índice utilizado pela recorrente (por maioria de votos, vencido o Conselheiro Leonardo Mussi da Silva): Em que pese o alentado trabalho de convencimento do patrono da recorrente, que acredita firmemente ter trazido prova de que o pronunciamento da ANEEL certifica serem os índices de reajustamento de preços previstos no contrato de fornecimento de energia elétrica da recorrente, reflexo dos custos de produção ou variação ponderada dos custos dos insumos utilizados, penso que não se pode, à luz do aludido Ofício, de fato, dizer que os índices utilizados pela recorrente (k1, k2 e k3, respectivamente fatores de ponderação dos índices IGPM, de combustíveis e de variação cambial) estão no formato previsto na legislação apontada, até porque o Ofício reportase explicitamente apenas ao IGPM, fazendo menção genérica aos “demais índices” no seu último parágrafo. Nesse sentido, concordo com o órgão judicante de primeiro grau, no sentido de que o Ofício da ANEEL trazido aos autos não se afeiçoa a laudo ou parecer para os fins do art. 30 do Decreto nº 70.235/72, que trata de peças técnicas com o escopo de identificar produtos para posterior classificação fiscal, as quais têm caráter específico e não genérico. O Laudo apresentado, em atendimento ao determinado por essa turma de julgamento através da Resolução 3101000.169, foi dividido em duas partes: a primeira fez uma contextualização da CGTF na recente história do setor elétrico brasileiro e no arcabouço legal e regulatório em que está inserida; a segunda parte fez um estudo da questão específica sobre os reajustes de preços da recorrente para a COELCE, e se esse reajuste ultrapassou ou não a variação dos preços dos insumos. Questionados se os reajustes de preços no CGTFCOELCE ultrapassaram ou não a variação ponderada dos insumos, os peritos apresentaram a seguinte resposta: Nesse contexto de forte definição por parte do Estado, os reajustes aplicados desde o início do suprimento CGTFCOELCE não ultrapassaram os custos de produção ou a variação ponderada dos insumos pelas seguintes razões: · As Regras de Reajuste Contratual foram estabelecidas na legislação setorial; · O contrato foi analisado e aprovado pela ANEEL; · As regras de reajuste contratual definidas pela legislação setorial visam a variação ponderada dos custos de produção ou dos insumos, em consonância estrita com o princípio da legalidade, observado com todo o natural zelo pelo Regulador, em especial obedecendo o que dispõe o art. 27 da Lei nº 9.069/1995 no que diz respeito às condições necessárias para a utilização de índice diferente do IPC; e · A variação de preço de venda não foi superior à dos insumos. Fl. 290DF CARF MF Impresso em 02/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/02/2014 por RODRIGO MINEIRO FERNANDES, Assinado digitalmente em 01/04 /2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 25/02/2014 por RODRIGO MINEIRO FERNANDE S Processo nº 10380.900774/200913 Resolução nº 3101000.342 S3C1T1 Fl. 9 7 O Laudo apresentado definiu como insumos da produção de energia os seguintes itens: (i) gás natural e (ii) tarifa do uso do sistema de transmissão (TUST). Apresentou os seguintes preços dos insumos: INSUMO PREÇO DATA REFERÊNCIA BASE NORMATIVA GÁS NATURAL 0,304 R$/m³ junho/2001 Portaria Interministerial MME, MF 176/2001 (2,581 U$/MBTU, câmbio 2,3436 R$/U$) TUST Pecém 0,831 R$/kW Julho/2002 Anexo I, Resolução ANEEL 358/2002 Foram apresentados os seguintes valores corrigidos dos insumos e do preço praticado na venda da CGTF para a COELCE: DATA GÁS (R$/m³) TUST (R$/Kw) CGTFCOELCE (R$/MWh) ago/02 0,30400 0,831 122,36 dez/03 0,40298 3,431 159,82 jan/04 0,40298 3,431 159,82 fev/04 0,40298 3,431 159,82 mar/04 0,40298 3,431 159,82 abr/04 0,40504 3,431 163,96 mai/04 0,40504 3,431 163,96 jun/04 0,40504 3,431 163,96 jul/04 0,40504 3,431 163,96 ago/04 0,40504 2,675 163,96 set/04 0,40504 2,675 163,96 out/04 0,40504 2,675 163,96 nov/04 0,40504 2,675 163,96 dez/04 0,40504 2,869 163,96 jan/05 0,40504 2,869 163,96 fev/05 0,40504 2,869 163,96 mar/05 0,40504 2,869 163,96 abr/05 0,40632 2,869 163,55 mai/05 0,40632 2,869 163,55 jun/05 0,40632 2,869 163,55 jul/05 0,40632 3,385 163,55 ago/05 0,40632 3,385 163,55 set/05 0,40632 3,385 163,55 out/05 0,40632 3,385 163,55 nov/05 0,40632 3,385 163,55 dez/05 0,40632 3,385 163,55 Fl. 291DF CARF MF Impresso em 02/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/02/2014 por RODRIGO MINEIRO FERNANDES, Assinado digitalmente em 01/04 /2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 25/02/2014 por RODRIGO MINEIRO FERNANDE S Processo nº 10380.900774/200913 Resolução nº 3101000.342 S3C1T1 Fl. 10 8 O reajuste de preço relativo ao fornecimento para a COELCE foi efetuado em abril de 2004, no percentual de 34%, em relação à data de referencia contratual de 31/08/2002, considerando uma variação no preço do gás natural de 33,24%, portanto, em percentual maior do que seu principal insumo, mas inferior à variação da tarifa do uso do sistema de transmissão (TUST) de 312,88%. Entretanto, para análise das variações do preço final praticado no contrato de fornecimento para a COELCE em contrapartida com a variação do preço dos insumos, tornase necessário conhecer a composição final do preço com base nesses insumos, ou seja, o fator de ponderação de cada insumo (gás natural e TUST) na composição do preço final da energia vendida. Apenas com base no preço dos insumos ponderados (custo total dos insumos indicados), na mesma base do preço de venda de energia (R$/MWh), é possível confirmar a afirmação dos peritos que “a variação de preço de venda não foi superior à dos insumos”. Diante dos fatos apurados nos presente autos, voto no sentido converter o presente julgamento em diligência, para que a unidade de origem intime novamente a recorrente, para trazer aos autos complemento do laudo pericial com a informação completa da composição final do preço de venda de energia para a COELCE, informando, de forma detalhada, a ponderação dos insumos gás natural e TUST na composição do preço final da energia vendida, com a correspondente relação insumo x produto da energia vendida para a COELCE no ano de 2005. Sala das sessões, em 30 de janeiro de 2014. Rodrigo Mineiro Fernandes – Relator Fl. 292DF CARF MF Impresso em 02/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/02/2014 por RODRIGO MINEIRO FERNANDES, Assinado digitalmente em 01/04 /2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 25/02/2014 por RODRIGO MINEIRO FERNANDE S
score : 1.0
Numero do processo: 10950.002897/2010-19
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Mar 13 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu May 08 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2007
DECADÊNCIA. MULTA ISOLADA POR FALTA DE RECOLHIMENTO DE ESTIMATIVAS.
A multa isolada por falta de recolhimento de estimativas é constituída mediante lançamento de ofício, e por isso obedece à regra de decadência do art. 173, inciso I, do CTN, que inicia a contagem do prazo decadencial no primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado.
Aaaaaaa
aaaaaaaa
ESTIMATIVAS NÃO RECOLHIDAS. MULTA DE OFÍCIO ISOLADA. POSSIBILIDADE.
Incide a multa de ofício de 50% sobre o valor do pagamento mensal de estimativas que deixar de ser efetuado.
Essa penalidade pode ser aplicada em conjunto com a multa de ofício incidente sobre o imposto apurado no final do exercício e não pago, não sendo possível afastá-la com o argumento de utilização da mesma base de cálculo ou com o princípio penal da consunção.
LANÇAMENTO REFLEXO DE CSLL. MESMA MATÉRIA FÁTICA
Aplica-se ao lançamento da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL o decidido em relação ao lançamento do tributo principal, por decorrer da mesma matéria fática.
Preliminares Rejeitadas.
Recurso Voluntário Negado.
Não é nula a decisão que não apreciou a parte da impugnação relativa ao crédito tributário parcelado e que motivou o indeferimento de diligência considerada desnecessária.
NULIDADE. LANÇAMENTO. INEXISTÊNCIA.
Não é nulo o lançamento que descreve corretamente a infração lançada, bem como indica o correto enquadramento legal.
NULIDADE. TERMO DE SUJEIÇÃO PASSIVA SOLIDÁRIA. INEXISTÊNCIA.
O Auditor-Fiscal da Receita Federal do Brasil - AFRB é competente para atribuir responsabilidade solidária a terceiros, por se tratar de identificação do sujeito passivo e assim compor a atividade do lançamento.
Dessa forma, não é nulo Termo de Sujeição Passiva Solidária lavrado por AFRB.
Inexiste cerceamento de defesa pela não cientificação de todos os documentos do processo, quando não se comprova qualquer restrição de acesso aos autos ou dificuldade de compreensão da acusação feita.
ATRIBUIÇÃO DE RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. PRESCRIÇÃO. INEXISTÊNCIA.
Inexiste previsão legal de prescrição para atribuição de responsabilidade solidária a terceiros.
RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. SÓCIO DE FATO.
Comprovado que terceiro era o verdadeiro proprietário da empresa, demonstrado está o interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal, e correta a responsabilização solidária nos termos do art. 124, inciso I, do CTN.
Numero da decisão: 1102-001.044
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em (i) não conhecer do recurso voluntário na parte em que se insurge contra as infrações de diferenças entre os valores declarados e aqueles efetivamente pagos e multas de ofício qualificadas sobre elas aplicadas; (ii) na parte conhecida, rejeitar as preliminares e, no mérito, negar provimento ao recurso; (iii) determinar à autoridade administrativa que extraia cópia da presente decisão e a anexe aos autos dos processos de parcelamento (18208.115299/2011-04 e 18208.115300/2011-92), para que as razões de mérito do responsável tributário relativas ao crédito objeto de parcelamento sejam apreciadas, na hipótese de eventual rescisão dos referidos parcelamentos. Vencido o conselheiro Antonio Carlos Guidoni Filho, que dava parcial provimento ao recurso apenas para reconhecer que a sujeição passiva tributária imposta ao responsável tenha caráter subsidiário, e não solidário, em relação à Contribuinte.
(assinado digitalmente)
___________________________________
João Otávio Oppermann Thomé - Presidente
(assinado digitalmente)
___________________________________
José Evande Carvalho Araujo- Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: João Otávio Oppermann Thomé, José Evande Carvalho Araujo, João Carlos de Figueiredo Neto, Ricardo Marozzi Gregório, Marcelo Baeta Ippolito, e Antonio Carlos Guidoni Filho.
Nome do relator: JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO
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FALTA DE CIÊNCIA DE RESPONSÁVEL. VÍCIO SANADO PELA APRESENTAÇÃO DO RECURSO. Todos os sujeitos passivos devem ser cientificados do acórdão de primeira instância. Contudo, o vício de falta de cientificação do responsável tributário considera se sanado com apresentação de recurso voluntário por ele. RECURSO VOLUNTÁRIO. SUJEITOS PASSIVOS SOLIDÁRIOS. RECURSO APRESENTADO POR UM DOS DEVEDORES. PEREMPÇÃO. INEXISTÊNCIA. O recurso apresentado pelo responsável tributário suspende a exigibilidade do crédito tributário em relação ao contribuinte que deixa de recorrer, quando, além de questionar o vínculo de responsabilidade, enfrenta o mérito da autuação. RECURSO VOLUNTÁRIO. PARCELAMENTO PARCIAL POR UM DOS DEVEDORES. LIMITES DE CONHECIMENTO. Caso um dos sujeitos passivos parcele parte do crédito tributário lançado, não é possível o conhecimento dos recursos voluntários sobre essa matéria de nenhuma das partes. Para aquele que parcelou e, portanto, confessou a dívida, a rescisão do parcelamento não permitirá o prosseguimento do recurso. Para o sujeito passivo solidário que não parcelou a dívida, a quitação definitiva do parcelamento lhe aproveitará. Contudo, caso ocorra a rescisão do benefício fiscal, será possível a retomada do curso do julgamento com relação à parte parcelada. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 95 0. 00 28 97 /2 01 0- 19 Fl. 587DF CARF MF Impresso em 08/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2014 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 22/ 04/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 20/03/2014 por JOSE EVANDE CARVALH O ARAUJO Processo nº 10950.002897/201019 Acórdão n.º 1102001.044 S1C1T2 Fl. 588 2 Hipótese em que apenas se conheceu os argumentos do recurso voluntário que versavam sobre as infrações de multa isolada e sobre o vínculo de responsabilidade do sócio de fato, pois o crédito tributário relativo às demais infrações lançadas havia sido parcelado pelo sujeito passivo principal. NULIDADE. DECISÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA. INEXISTÊNCIA. Não é nula a decisão que não apreciou a parte da impugnação relativa ao crédito tributário parcelado e que motivou o indeferimento de diligência considerada desnecessária. NULIDADE. LANÇAMENTO. INEXISTÊNCIA. Não é nulo o lançamento que descreve corretamente a infração lançada, bem como indica o correto enquadramento legal. NULIDADE. TERMO DE SUJEIÇÃO PASSIVA SOLIDÁRIA. INEXISTÊNCIA. O AuditorFiscal da Receita Federal do Brasil AFRB é competente para atribuir responsabilidade solidária a terceiros, por se tratar de identificação do sujeito passivo e assim compor a atividade do lançamento. Dessa forma, não é nulo Termo de Sujeição Passiva Solidária lavrado por AFRB. Inexiste cerceamento de defesa pela não cientificação de todos os documentos do processo, quando não se comprova qualquer restrição de acesso aos autos ou dificuldade de compreensão da acusação feita. ATRIBUIÇÃO DE RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. PRESCRIÇÃO. INEXISTÊNCIA. Inexiste previsão legal de prescrição para atribuição de responsabilidade solidária a terceiros. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. SÓCIO DE FATO. Comprovado que terceiro era o verdadeiro proprietário da empresa, demonstrado está o interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal, e correta a responsabilização solidária nos termos do art. 124, inciso I, do CTN. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2007 DECADÊNCIA. MULTA ISOLADA POR FALTA DE RECOLHIMENTO DE ESTIMATIVAS. A multa isolada por falta de recolhimento de estimativas é constituída mediante lançamento de ofício, e por isso obedece à regra de decadência do art. 173, inciso I, do CTN, que inicia a contagem do prazo decadencial no primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. Aaaaaaa aaaaaaaa Fl. 588DF CARF MF Impresso em 08/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2014 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 22/ 04/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 20/03/2014 por JOSE EVANDE CARVALH O ARAUJO Processo nº 10950.002897/201019 Acórdão n.º 1102001.044 S1C1T2 Fl. 589 3 ESTIMATIVAS NÃO RECOLHIDAS. MULTA DE OFÍCIO ISOLADA. POSSIBILIDADE. Incide a multa de ofício de 50% sobre o valor do pagamento mensal de estimativas que deixar de ser efetuado. Essa penalidade pode ser aplicada em conjunto com a multa de ofício incidente sobre o imposto apurado no final do exercício e não pago, não sendo possível afastála com o argumento de utilização da mesma base de cálculo ou com o princípio penal da consunção. LANÇAMENTO REFLEXO DE CSLL. MESMA MATÉRIA FÁTICA Aplicase ao lançamento da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido CSLL o decidido em relação ao lançamento do tributo principal, por decorrer da mesma matéria fática. Preliminares Rejeitadas. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em (i) não conhecer do recurso voluntário na parte em que se insurge contra as infrações de diferenças entre os valores declarados e aqueles efetivamente pagos e multas de ofício qualificadas sobre elas aplicadas; (ii) na parte conhecida, rejeitar as preliminares e, no mérito, negar provimento ao recurso; (iii) determinar à autoridade administrativa que extraia cópia da presente decisão e a anexe aos autos dos processos de parcelamento (18208.115299/201104 e 18208.115300/201192), para que as razões de mérito do responsável tributário relativas ao crédito objeto de parcelamento sejam apreciadas, na hipótese de eventual rescisão dos referidos parcelamentos. Vencido o conselheiro Antonio Carlos Guidoni Filho, que dava parcial provimento ao recurso apenas para reconhecer que a sujeição passiva tributária imposta ao responsável tenha caráter subsidiário, e não solidário, em relação à Contribuinte. (assinado digitalmente) ___________________________________ João Otávio Oppermann Thomé Presidente (assinado digitalmente) ___________________________________ José Evande Carvalho Araujo Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: João Otávio Oppermann Thomé, José Evande Carvalho Araujo, João Carlos de Figueiredo Neto, Ricardo Marozzi Gregório, Marcelo Baeta Ippolito, e Antonio Carlos Guidoni Filho. Fl. 589DF CARF MF Impresso em 08/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2014 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 22/ 04/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 20/03/2014 por JOSE EVANDE CARVALH O ARAUJO Processo nº 10950.002897/201019 Acórdão n.º 1102001.044 S1C1T2 Fl. 590 4 Relatório AUTUAÇÃO Contra o contribuinte acima identificado, foram lavrados (i) o Auto de Infração de Imposto de Renda Pessoa Jurídica – IRPJ, que exigiu o imposto suplementar no valor de R$ 176.808,00, acrescido de juros de mora e multa de ofício de 150%, bem como multa isolada no valor de R$ 17.362,64 (fls. 5 a 22); e (ii) o Auto de Infração de Contribuição Social sobre o Lucro Líquido – CSLL, que lançou contribuição no valor de R$ 72.290,88, acrescida de juros de mora e multa de ofício de 150%, bem como multa isolada no valor de R$ 9.997,88 (fls. 114 a 131). Foi atribuída a responsabilidade solidária ao Sr. Paulo Remes, CPF nº 325.305.95968, por ser o considerado o administrador e proprietário de fato desta e de outras duas empresas, nos termos do Relatório Fiscal de Responsabilidade Solidária de fls. 48 a 65 e 157 a 174. A infração principal lançada decorreu de diferenças entre os tributos informados na DIPJ e aqueles efetivamente recolhidos ou declarados em DCTF. As multas isoladas se relacionam às estimativas informadas na DIPJ e não recolhidas. A multa qualificada foi motivada pelo uso de interpostas pessoas. IMPUGNAÇÕES DA EMPRESA Cientificado do lançamento, o contribuinte apresentou as impugnações de fls. 96 a 104 IRPJ e 208 a 215 CSLL, com o mesmo conteúdo, acatadas como tempestivas. O relatório do acórdão de primeira instância resumiu os argumentos dos recursos da seguinte maneira (fl. 483): 8. Advoga a nulidade dos autos, afirmando que a deficiente descrição dos fatos e do enquadramento legal não permite a identificação da efetiva imputação fiscal, se é falta de recolhimento, se é declaração com insuficiência de recolhimento ou de declaração e por isso não há certeza nem segurança sobre qual infração lhe está sendo imputada. 9. Afirma que se trata de tributo declarado o que será comprovado por prova pericial, a qual requer; aduz que há erro brutal na contabilidade do contribuinte, que também não foi apurado pelos fiscais. 10. O erro brutal seria que suas despesas operacionais foram R$272.987,00 e as quebras resultaram em prejuízo de R$126.988,12, o que provará mediante a perícia que requer; que o resultado operacional tributável foi de R$403.256,85, o que torna a autuação improcedente. 11. Reclama de ilegalidade das multas aplicadas. 12. Em relação ao percentual de 150% da multa de ofício, afirma ser ilegal, pois o tributo foi devidamente declarado na DIPJ, cabendo portanto, apenas a multa de mora limitada a 20%; também taxa a multa qualificada de confiscatória, transcrevendo jurisprudência. Fl. 590DF CARF MF Impresso em 08/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2014 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 22/ 04/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 20/03/2014 por JOSE EVANDE CARVALH O ARAUJO Processo nº 10950.002897/201019 Acórdão n.º 1102001.044 S1C1T2 Fl. 591 5 13. Em relação à multa isolada,que afirma ter sido de 10%, reclama de duplicidade porque, sobre a mesma base de incidência se exigem duas multas, caracterizando dupla penalização, o que é vedado pelo ordenamento jurídico; afirma que, havendo dupla incidência da multa, somente é cabível a multa isolada. 14. Requer o cancelamento da multa de ofício, mantendo apenas a multa isolada, se vencidos os pleitos de nulidade e de improcedência das autuações. 15. Às págs. 226 e 231, em 23/11/2011, outros advogados a quem Arquimedes Moreti concedeu procuração em 21/11/2011, págs. 227/228 e 232/233, peticionaram que as notificações e intimações de despachos e decisões sejam endereçadas e enviadas ao escritório deles, cujo endereço fornecem; na mesma data, Arquimedes Moreti revoga a procuração anteriormente concedida a Paulo Morelli, págs. 229 e 234. DETERMINAÇÃO DA DRJ, IMPUGNAÇÃO DO RESPONSÁVEL E PARCELAMENTO PARCIAL A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Curitiba (PR) observou que, no Termo de Verificação Fiscal, constava o Sr. Paulo Remes como responsável solidário e coresponsável pela empresa, e que este havia sido cientificado dos autos de infração. Contudo, notou que não havia sido lavrado Termo de Responsabilidade Solidária e se dado prazo de 30 dias para impugnação do responsável. Dessa forma, retornaramse os autos para a DRF para saneamento (fls 237 e 238). Nesse sentido, lavrouse o Termo de Sujeição Passiva Solidária em nome do Sr. Paulo Remes (fls. 240 a 241), intimandoo a pagar ou impugnar o feito, com ciência por via postal em 14/5/2012 (fl. 242). Em 1o/6/2012, o Sr. Paulo Remes apresentou a impugnação de fls. 245 a 293. Socorrome, mais uma vez, do relatório do acórdão de primeira instância, que assim descreveu esse recurso (fls. 484 a 486): 19. Informa que os débitos objetos dos processos nº 10950.002897/201019 e 10950.002895/201011, em relação aos quais foi cientificado do Termo de Sujeição Passiva Solidária, foram, parcelados no Refis – Lei nº 11.941, de 2009, devendo ser julgada insubsistente e descaracterizada a injusta sujeição passiva. 20. Afirma que prescreveu a imputação de responsabilidade passiva solidária quanto aos lançamentos dos meses de 01 a 04/2007, dado que a notificação foi dada em 04/05/2012, após decorridos mais de 5 (cinco) anos. 21. Advoga que possui legitimidade para apresentar impugnação e contestar tanto o lançamento fiscal, como a imputação de sua sujeição passiva solidária. 22. Argui a nulidade formal do Termo de Sujeição Passiva, argumentando que compete exclusivamente à Procuradoria da Fazenda Nacional PFN, nos casos de responsabilidade prevista nos arts. 124 a 138 do CTN, imputar a responsabilidade Fl. 591DF CARF MF Impresso em 08/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2014 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 22/ 04/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 20/03/2014 por JOSE EVANDE CARVALH O ARAUJO Processo nº 10950.002897/201019 Acórdão n.º 1102001.044 S1C1T2 Fl. 592 6 pelo crédito tributário, a terceiro; portanto, o Termo de que foi objeto foi lavrado por agente incompetente, desobedecendo formalidade legal do Direito Administrativo, incorrendo com isso em vício de forma. 23. Aduz que o art. 135 do CTN só deve ser aplicado depois de esgotadas as possibilidades de recebimento do crédito tributário do sujeito passivo direto, o que se dará na fase de cobrança do crédito tributário, que é de competência da PFN. 24. Reclama de ofensa aos princípios da ampla defesa e do contraditório, ao argumento de que o Termo deveria lhe ter sido notificado, não só acompanhado dos autos de infração e do relatório fiscal, mas de cópia de todos os documentos que compõem o processo, o que não foi feito; aduz que não foi fundamentada e tipificada nitidamente a sujeição passiva solidária e, restringindo o direito de defesa, no momento da constatação da suposta infração, o interessado não pode se defender a contento e não soube quais documentos foram elencados no processo. 25. Acusa que o Termo ofende o princípio da legalidade e afrontaram princípios básicos constitucionais, pois falta base legal e de provas cabais da tipificação adotada, para que o Fisco o responsabilize solidariamente e destaca que a Administração está submetida ao princípio da legalidade; transcreve textos de autores em apoio à sua tese; assevera que não foi comprovada a situação jurídica da sua condição de sócio “de fato” da empresa, com a caracterização do agir doloso e de máfé, ou prática de atos com excesso de poderes (art. 135 do CTN, atos em virtude das quais a pessoa jurídica se torne insolvente) e tampouco foi demonstrado o interesse pessoal na situação que constitui o fato gerador, a teor do art. 124, I do CTN; afirma que os documentos da Junta Comercial possuem força probante e demonstram claramente que o impugnante nunca figurou como sóciogerente e a manutenção da referida responsabilidade fere o art. 135 do CTN; que o mero inadimplemento das obrigações tributárias das pessoas jurídicas não é infração à lei suficiente para imputar a responsabilidade do art. 135, III do CTN. 26. Resume que o Termo de Sujeição Passiva deve ser declarado nulo, porque sequer comprovado que o impugnante seria sócio de fato da empresa autuada. 27. No que tange aos autos de infração, afirma que foram lavrados com base em presunções e supostos indícios, carecendo de provas idôneas a comprovar a suposta infração, cabendo ao fisco provar a ocorrência da constituição do crédito tributário em sua forma de sujeição passiva solidária, isto é, cabelhe o ônus da prova, pois tanto o lançamento de termo de sujeição passiva solidária, assim como do tributo, devem ser com base na lei; mas que, nestes autos, o suposto fato que deu origem à exigência não foi devidamente provado por meio de provas idôneas, e nem poderia, uma vez que não ocorreu, sendo que, quando formalizados, já devem conter todos os elementos de prova coletados na fase de procedimento fiscal; que o fisco se baseou meramente em aparências, infringindo, inclusive o art. 142 do CTN. 28. Também em função dessas deficiências, invoca a ser favor o art. 112, II do CTN, pois em caso de dúvida, como na presente autuação, a regra é a interpretação benigna a favor do réu, em matéria de infrações e de penalidades. 29. Afirma que impugna os argumentos e documentos acostados pelo fisco, no que diz respeito a ser o litigante sócio “de fato” da empresa; para provar que nunca foi sócio, junta o contrato social e alterações, bem como certidão simplificada, todos registrados na Junta Comercial do Paraná – Jucepar; afirma que as constatações do fiscal não são provas; que o litigante é pessoa conhecida e de tradição na região e que, para ocupar seu tempo e utilizar sua experiência no ramo, empregouse na cafeeira, de cujo armazém é proprietário, posto que o arrendou ao Sr. Arquimedes Fl. 592DF CARF MF Impresso em 08/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2014 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 22/ 04/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 20/03/2014 por JOSE EVANDE CARVALH O ARAUJO Processo nº 10950.002897/201019 Acórdão n.º 1102001.044 S1C1T2 Fl. 593 7 Moreti, passando a ajudar este último a angariar clientes e a estreitar laços com os cafeicultores da região; eis que não se pode confundir um empregado e arrendante, com sócio/proprietário, que foi o erro no qual incorreu a fiscalização. 30. Justifica sua presença no endereço da empresa pois, além de arrendar a máquina de beneficiamento, também prestava serviços à empresa no ramo do café; aduz que a sede da empresa, quando do início do procedimento fiscal, era em outro local; e complementa que presta serviços para várias empresas do ramo do café, devido à sua experiência no ramo. 31. Quanto à sua boa situação financeira e social, nada provam pois se trata do trabalho de toda sua vida e de seu pai. 32. Quanto aos depoimentos prestados por Sebastião Rodrigues Gomes, Conceição Gordo Marques Dias (que afirma nunca esteve na sede da empresa, nem conhece o quadro societário), Sérgio Bolonhezi e Pedro Reginaldo da Silva, são subjetivos e desprovidos de validade jurídica como provas, necessitando de contraprovas para esclarecimento. 33. Que, em relação à empresa A. Moretti, firma individual, o responsável é o Sr. Arquimedes Moretti, fato já constatado pelo fiscal e, em relação às constatações sobre a vida particular do Sr. Arquimedes Moretti, entende que cada um tem a liberdade de fazer o que bem entender e ter a ocupação adicional que lhe convier. 34. Quanto à empresa Com de Café e Cereais AMB Ltda, iniciou como sócio em 22/10/2002, até 10/04/2007, quando se retirou, tendo apenas arrendado o imóvel, o que não é ilegal. 35. Pugna pela anulação de ofício do ato, porque eivado de vícios que os tornam ilegais, a teor da Súmula 473 do Supremo Tribunal Federal – STF. 36. Requer que decisão que venha a ser proferida, referente à presente impugnação, seja devidamente fundamentada, a fim de garantir o devido processo legal e a ampla defesa assegurados constitucionalmente. 37. Requer as seguintes diligências, sob pena no cerceamento de defesa, se indeferidas: coleta de novas declarações por Sebastião Rodrigues Gomes, Sérgio Bolonhezi e Pedro Reginaldo da Silva, a fim de que sejam esclarecidos pontos subjetivos e para que confirmem se o impugnante é comerciante de café. 38. Acerca do auto de infração referente ao auto de infração de CSLL, objeto do processo apensado ao presente, e acerca do auto de infração de IRPJ, repete a reclamação de que a defesa restou prejudicada porque não lhe foram cientificados todos os documentos que compuseram os referidos processos e, em seguida, repete as contestações já apresentadas nas impugnações aos mesmos: requer a nulidade destes autos, por falta de clareza e objetividade entre os fatos descritos como contrários à lei e o enquadramento legal e ilegalidade da cumulação de multas e de multa confiscatória, requerendo sucessivamente, caso sejam indeferidos os pedidos anteriores, que seja aplicada somente a multa isolada. 39. Conclui requerendo a apreciação e julgamento da impugnação, que seja resguardado e assegurado o direito à ampla defesa, contraditório e devido processo legal; sejam acatados os pedidos de prescrição parcial dos supostos débitos; seja acatado o pedido de nulidade formal por competência exclusiva da PFN; nulidade por cerceamento de defesa e ofensa ao contraditório, pela falta de ciência de documentos dos processos e ofensa ao princípio da legalidade; nulidade do Termo Fl. 593DF CARF MF Impresso em 08/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2014 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 22/ 04/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 20/03/2014 por JOSE EVANDE CARVALH O ARAUJO Processo nº 10950.002897/201019 Acórdão n.º 1102001.044 S1C1T2 Fl. 594 8 de Sujeição Passiva, por ausência de provas idôneas, nulidade dos autos de infração, ilegalidade da cumulação de multas e de multa confiscatória e, se indeferidos, aplicação somente da multa isolada. E que sejam julgados todos improcedentes, extintos e arquivados. Na petição de fls. 294 a 299, a empresa informa que parcelou os débitos de IRPJ e CSLL no parcelamento da Lei nº 11.941, de 27 de maio de 2009. Posteriormente, verificouse que o parcelamento incluía apenas o lançamento relativo às diferenças entre a DIPJ e os recolhimentos, mas não as multas isoladas por falta de pagamento das estimativas (fls. 465 a 478). ACÓRDÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Curitiba (PR) julgou a impugnação improcedente, em acórdão que possui a seguinte ementa (fls. 479 a 499): ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Data do fato gerador: 31/01/2007, 28/02/2007, 31/03/2007, 30/04/2007, 31/05/2007, 30/06/2007, 31/07/2007, 31/08/2007, 30/09/2007, 31/10/2007, 30/11/2007, 31/12/2007 AUTO DE INFRAÇÃO. NULIDADE. Somente ensejam a nulidade os atos e termos lavrados por pessoa incompetente e os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. IRPJ. CSLL. MULTA QUALIFICADA. PARCELAMENTO CONFISSÃO IRRETRATÁVEL DE DÍVIDA. O pedido de parcelamento constitui confissão irretratável de dívida e configura a concordância do sujeito passivo com o crédito tributário exigido, implicando na extinção do litígio administrativo. DESCRIÇÃO DOS FATOS. CAPITULAÇÃO LEGAL. Descabida a reclamação de que a descrição dos fatos e o enquadramento legal seriam deficientes a ponto de não permitir a identificação da efetiva imputação fiscal, se os fatos estão claramente descritos, apoiados pela documentação anexada aos autos e a capitulação legal está completa. PERÍCIA. PEDIDO NÃO FORMULADO. Considerase não formulado pedido de diligência ou perícia que deixa de atender aos requisitos previstos no inciso IV do art. 16, do Decreto nº 70.235, de 1972, e alterações. DILIGÊNCIA. PRESCINDÍVEL Fl. 594DF CARF MF Impresso em 08/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2014 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 22/ 04/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 20/03/2014 por JOSE EVANDE CARVALH O ARAUJO Processo nº 10950.002897/201019 Acórdão n.º 1102001.044 S1C1T2 Fl. 595 9 Indeferese pedido de diligência considerado indevido e, portanto, prescindível, pois cabe ao litigante obter e apresentar a prova de suas contestações, na impugnação. NULIDADE. TERMO DE SUJEIÇÃO PASSIVA SOLIDÁRIA. COMPETÊNCIA DO AFRFB. A competência privativa do AFRFB de constituir crédito tributário mediante lançamento de ofício se completa com a identificação do sujeito passivo, o que inclui a lavratura de Termo de Sujeição Passiva Solidária de terceiro, quando caracterizada tal situação. NULIDADE. TERMO DE SUJEIÇÃO PASSIVA SOLIDÁRIA. CERCEAMENTO DE DEFESA. Descabe a argüição de nulidade de Termo de Sujeição Passiva Solidária, ao argumento de que foi somente cientificado dos autos de infração e descrições dos fatos e não de toda a documentação do processo se, além de ter sido cientificado do Termo de Início de Fiscalização, poderia ter solicitado cópia ou vistas da documentação do processo, o que é facultado pela legislação, porém não o fez. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 31/01/2007, 28/02/2007, 31/03/2007, 30/04/2007, 31/05/2007, 30/06/2007, 31/07/2007, 31/08/2007, 30/09/2007, 31/10/2007, 30/11/2007, 31/12/2007 INTERPRETAÇÃO MAIS BENIGNA DA LEI TRIBUTÁRIA EM CASO DE DÚVIDAS, ART. 112 DO CTN. Se, diante das provas contidas nos autos, inexistem dúvidas quanto à prática de infração tributária e à penalidade aplicável ao caso, não há que se falar em interpretação mais favorável, pois o lançamento é ato administrativo vinculado. INCLUSÃO DE SÓCIO DE FATO NO PÓLO PASSIVO . Cabe a responsabilização solidária passiva se há provas suficientes de que o sujeito era o sócioadministrador de fato da empresa, com simulação, por se utilizar de interposta pessoa, sem patrimônio compatível para adquirir cotas da mesma, para figurar como responsável meramente formal da pessoa jurídica. SUJEIÇÃO PASSIVA SOLIDÁRIA As pessoas que tenham interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal são solidariamente obrigadas em relação ao crédito tributário, pois os atos da empresa são sempre praticados através da vontade de seus dirigentes formais ou informais, posto que todos ganham com o fato econômico. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. ACESSO A DOCUMENTOS NOS AUTOS. Fl. 595DF CARF MF Impresso em 08/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2014 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 22/ 04/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 20/03/2014 por JOSE EVANDE CARVALH O ARAUJO Processo nº 10950.002897/201019 Acórdão n.º 1102001.044 S1C1T2 Fl. 596 10 Não há cerceamento do direito de defesa se o interessado não exerceu o direito de vistas ou solicitação de cópias de demais documentos do processo, sendo que foi cientificado do Termo de Início da Ação Fiscal e dos Autos de Infração e Termos de Verificação Fiscal que descreveram os fatos, estes junto com a ciência do Termo de Sujeição Passiva Solidária. TERMO DE SUJEIÇÃO PASSIVA SOLIDÁRIA. DECADÊNCIA. A Sujeição Passiva Solidária formalmente cientificada depois de 5 (cinco) anos transcorridos em relação a alguns dos fatos geradores não foi atingida nem mesmo em parte pela decadência, se o interessado já havia sido cientificado, em data anterior ao prazo decadencial, dos autos de infração lavrados nos quais a sua responsabilidade estava caracterizada. DOLO, FRAUDE OU SIMULAÇÃO. LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. DECADÊNCIA. Tendo sido caracterizado dolo, fraude ou simulação do contribuinte, aplicase a regra de decadência do art. 173, I do CTN. RESPONSÁVEL PASSIVO SOLIDÁRIO. LEGITIMIDADE PARA IMPUGNAR AUTUAÇÃO. A pessoa apontada como Sujeito Passivo Solidário tem legitimidade para impugnar a autuação. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Data do fato gerador: 31/01/2007, 28/02/2007, 31/03/2007, 30/04/2007, 31/05/2007, 30/06/2007, 31/07/2007, 31/08/2007, 30/09/2007, 31/10/2007, 30/11/2007, 31/12/2007 MULTA ISOLADA POR FALTA DE RECOLHIMENTO DE ESTIMATIVAS MENSAIS. FUNDAMENTO DIVERSO DAQUELE DETERMINANTE DA MULTA POR FALTA DE DECLARAÇÃO/RECOLHIMENTO. A imposição de multa devido ao não recolhimento de IRPJ e CSLL apurados no ajuste anual tem causa diversa e não se confunde com a imposição de multa pela falta do recolhimento/declaração de estimativas mensais; portanto, nada obsta que ambas sejam aplicadas em relação ao mesmo ano calendário, se ocorrerem as respectivas causas determinantes. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Os fundamentos dessa decisão foram os seguintes: Fl. 596DF CARF MF Impresso em 08/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2014 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 22/ 04/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 20/03/2014 por JOSE EVANDE CARVALH O ARAUJO Processo nº 10950.002897/201019 Acórdão n.º 1102001.044 S1C1T2 Fl. 597 11 a) o parcelamento significou a desistência parcial do recurso relativo à parte parcelada. Assim, considerouse que continuavam em litígio apenas as multas isoladas e a responsabilidade solidária por elas; b) rejeitouse a preliminar de nulidade por deficiência na descrição dos fatos e no enquadramento legal, por não se verificarem as hipóteses dos arts. 59 e 60 do Decreto nº 70.235, de 1972 (PAF); c) não se conheceu do pedido de perícia por não atender aos requisitos mínimos definidos no art. 16, IV e § 1º , do PAF; d) a multa isolada atendeu aos requisitos legais, não havendo problema na aplicação em conjunto com a multa de ofício, por se tratarem de exigências distintas; e) o Termo de Responsabilidade Solidária foi lavrado por autoridade competente; f) não há cerceamento de defesa por se ter dado ciência apenas dos autos de infração e dos Termos de Verificação Fiscal, mas não de todos os documentos do processo, pois o responsável solidário poderia ter acesso aos autos e solicitar cópias; g) as provas dos autos comprovam que o Sr. Paulo Remes é o efetivo e real sóciogerente, tendo se utilizado de interpostas pessoas, sendo sua responsabilidade solidária decorrente dos arts. 124 e 135 do CTN; h) Não ocorreu a prescrição da imputação de responsabilidade do período de janeiro a abril de 2007, pois, apesar de cientificado do Termo de Responsabilidade Solidária em 4/5/2012, o Sr. Paulo Remes já havia sido cientificado dos autos de infração e do Termo de Verificação Fiscal em 24/4/2010. Além disso, caracterizado o dolo, bem como no caso de não recolhimento dos valores do tributo/contribuição, aplicase o prazo decadencial do art. 173, I do CTN. Assim, nenhuma parte do lançamento, cujo fato gerador mais antigo foi em 31/01/2007, e tampouco o Termo de Sujeição Passiva Solidária foi atingida pela decadência, devido à constatação de sonegação e dolo; i) diante das provas contidas nos autos, inexistem dúvidas quanto à prática de infração tributária e à penalidade aplicável ao caso, por conseguinte, não há que se falar em interpretação mais favorável, nos termos do art. 112, II do CTN, pois o lançamento é ato administrativo vinculado; j) indeferiuse o pedido de diligências por se considerar ser do litigante a apresentação de contraprovas; l) esclareceuse que as intimações devem ser dirigidas ao sujeito passivo e não ao seu procurador. Fl. 597DF CARF MF Impresso em 08/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2014 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 22/ 04/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 20/03/2014 por JOSE EVANDE CARVALH O ARAUJO Processo nº 10950.002897/201019 Acórdão n.º 1102001.044 S1C1T2 Fl. 598 12 RECURSO AO CARF Consta dos autos a ciência da decisão de primeira instância apenas do contribuinte, que ocorreu em 17/10/2002 (fls. 500 a 501). Em 13/11/2012, o Sr. Paulo Remes apresentou recurso ao Termo de Sujeição Passiva Solidária (fls. 503 a 583), onde afirma que: a) a decisão recorrida é nula por cerceamento do direito de defesa, na medida em que deixou de apreciar argumentos fundamentais do recurso sob a alegação de que o parcelamento implicou a desistência parcial da impugnação; b) tratase de nulidade insanável, visto que tem o direito de que suas razões e seus argumentos sejam objeto de análise no mérito em virtude da impugnação tempestivamente apresentada. Com a impugnação do Termo de Sujeição Passiva Solidária, estabeleceuse uma lide relativa a elemento intrínseco do lançamento em todos os seus termos, inclusive para apreciar e julgar as razões da impugnação dos valores das exigências tributárias de ofício de IRPJ e CSLL, respectivas multas de ofício de 150% e juros de mora e que deve ser obrigatoriamente conhecida e julgada pelos órgãos da Administração Tributária judicante. Não é razoável cercear seu direito de se defender do Termo de Sujeição Passiva em todos os seus termos, inclusive quanto ao mérito quando relacionado à sua condição de sujeito passivo, inclusive tendo a sua legitimidade já reconhecida para contestar tanto o lançamento quanto a imputação de sua sujeição passiva solidária, devendolhe ser assegurado os princípios do contraditório, da ampla defesa e do devido processo legal; c) não desistiu de forma alguma de sua impugnação, seja parcialmente ou não, visto que apenas informou uma situação fiscal administrativa com a ocorrência de parcelamento efetivada pelo CONTRIBUINTE DEVEDOR PRINCIPAL, requerendo, inclusive que, tendo em vista o parcelamento pela empresa devedora, o procedimento administrativo de sujeição passiva solidária deveria ter sido julgado insubsistente quanto ao próprio impugnante e descaracterizado a injusta sujeição passiva por ser medida da mais lídima justiça; d) a decisão recorrida também é nula por cerceamento do direito de defesa por ter indeferido seu pedido de diligência para nova inquirição das testemunhas; e) repete os argumentos de sua impugnação a respeito do Termo de Sujeição Passiva, em especial a prescrição do período de janeiro a abril de 2007; a incompetência do agente que o lavrou; a violação aos princípios da ampla defesa e contraditório por falta de cientificação de todo o processo; a ofensa ao princípio da legalidade por falta de comprovação da tipicidade do fato, visto que não pode figurar como responsável solidário, pois os documentos da Junta Comercial registrados possuem força probante, havendo violação ao art. 135 do CTN; a ausência de provas de que era o sócioadministrador de fato da pessoa jurídica devedora principal; a inexistência de provas idôneas para comprovar a suposta infração com base em presunções e supostos indícios; e a necessidade de interpretação benigna da lei por falta de provas inequívocas; f) repete os argumentos de sua impugnação a respeito do auto de infração, como a nulidade por falta de clareza e objetividade entre os fatos descritos como contrários à lei e o enquadramento legal dado pelo agente fiscal para caracterizar a infração, a ilegalidade das multas e a impossibilidade de cumulação das multas de ofício e isolada. Fl. 598DF CARF MF Impresso em 08/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2014 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 22/ 04/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 20/03/2014 por JOSE EVANDE CARVALH O ARAUJO Processo nº 10950.002897/201019 Acórdão n.º 1102001.044 S1C1T2 Fl. 599 13 Este processo foi a mim distribuído no sorteio realizado em setembro de 2013, numerado digitalmente até a fl. 586. Esclareçase que todas as indicações de folhas neste voto dizem respeito à numeração digital do eprocesso. O processo foi incluído em pauta pela primeira vez na sessão de 13 de fevereiro de 2014, mas não foi apreciado em função de pedido de vistas. É o relatório. Voto Conselheiro José Evande Carvalho Araujo, Relator 1 CONHECIMENTO DO RECURSO Tratase de lançamento contra a empresa Comércio de Café e Cereais R A Ltda e o Sr. Paulo Remes, responsabilizado solidariamente pelo crédito tributário lançado por ter sido considerado sócio de fato. Assim, ambos os sujeitos passivos deveriam ter sido cientificados do acórdão de primeira instância e intimados a pagar ou a apresentar recurso. Contudo, apenas consta nos autos ciência da decisão a quo para a pessoa jurídica (fls. 500 a 501). Apesar disso, foi apenas o responsável solidário que apresentou recurso voluntário, não tendo havido irresignação expressa da empresa. Diante desse quadro, composto pela ausência de ciência obrigatória de uma das partes e contestação apenas do sujeito passivo não cientificado, entendo que: a) o vício de falta de cientificação do responsável tributário foi sanado pela apresentação de recurso voluntário por ele, que deve ser considerado tempestivo; b) não se deve declarar a perempção com relação ao sujeito passivo que, apesar de intimado, não apresentou recurso voluntário, pois o apelo do devedor solidário lhe aproveita, nos termos do art. 7o da Portaria RFB nº 2.284, de 29 de novembro de 2010. Quanto ao item “b”, há que se acrescentar que o recurso apresentado pelo responsável tributário se insurge tanto contra o vínculo de responsabilidade que lhe foi imputado quanto contra as infrações lançadas, persistindo a suspensão da exigibilidade para todos os sujeitos passivos. Dessa forma, entendo que o recurso é tempestivo e atende às demais condições de admissibilidade, e portanto merece ser conhecido. Fl. 599DF CARF MF Impresso em 08/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2014 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 22/ 04/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 20/03/2014 por JOSE EVANDE CARVALH O ARAUJO Processo nº 10950.002897/201019 Acórdão n.º 1102001.044 S1C1T2 Fl. 600 14 2 – LIMITES DO CONHECIMENTO E ARGUMENTOS DE NULIDADE DA DECISÃO RECORRIDA Como a empresa aderiu ao parcelamento da Lei nº 11.941, de 27 de maio de 2009, e nele incluiu o crédito tributário decorrente das infrações relativas às diferenças entre os valores declarados e os efetivamente recolhidos, a decisão recorrida entendeu que houve desistência parcial do recurso por confissão irretratável de dívida, e somente conheceu as alegações relativas aos valores não parcelados, que se referiam às infrações de multa isolada por falta de pagamento das estimativas de IRPJ e CSLL. Contudo, no voluntário, o responsável tributário pugna pela nulidade da decisão de primeira instância, que teria deixado de apreciar seus argumentos contra todas as infrações. Acrescenta que não desistiu do recurso voluntário, pois quem apresentou o parcelamento foi o contribuinte principal, e não ele. Assim, a discussão que se põe é saber se a confissão de dívida por um dos devedores solidário se impõe aos demais. O art. 125 do Código Tributário Nacional – CTN define quais os efeitos da solidariedade, nos seguintes termos: Art. 125. Salvo disposição de lei em contrário, são os seguintes os efeitos da solidariedade: I o pagamento efetuado por um dos obrigados aproveita aos demais; II a isenção ou remissão de crédito exonera todos os obrigados, salvo se outorgada pessoalmente a um deles, subsistindo, nesse caso, a solidariedade quanto aos demais pelo saldo; III a interrupção da prescrição, em favor ou contra um dos obrigados, favorece ou prejudica aos demais. Assim, caso o parcelamento seja quitado, o pagamento definitivo do crédito lançado pela pessoa jurídica aproveitará ao responsável tributário. Contudo, caso o parcelamento seja rescindido, a confissão de dívida somente pode atingir quem expressamente a fez. No caso, a pessoa jurídica não teria mais direito a recurso, sendolhe imediatamente exigido o crédito tributário não adimplido, mas o mesmo não se aplicaria ao sócio solidário. De qualquer modo, no curso do parcelamento, não é possível se conhecer de qualquer impugnação quanto ao crédito parcelado, que se encontra com a exigibilidade suspensa e, se for regularmente adimplido, resultará na perda do objeto de qualquer apelo contra ele interposto. A Secretaria da Receita Federal do Brasil – RFB disciplinou a matéria no art. 5o da Portaria RFB nº 2.284, de 2010, abaixo transcrito: Fl. 600DF CARF MF Impresso em 08/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2014 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 22/ 04/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 20/03/2014 por JOSE EVANDE CARVALH O ARAUJO Processo nº 10950.002897/201019 Acórdão n.º 1102001.044 S1C1T2 Fl. 601 15 Art. 5 º O pedido de parcelamento deferido a um dos autuados suspende a exigibilidade do crédito tributário em relação aos demais. § 1º O parcelamento impede a apreciação de impugnações ou recursos apresentados pelos demais autuados. § 2º Rescindido o parcelamento, o julgamento das impugnações ou recursos segue o curso normal do processo, aplicandose o disposto no art. 7 º . Desse modo, não se deve conhecer os argumentos dirigidos contra o crédito tributário parcelado. Caso ocorra a rescisão do parcelamento, poderá o responsável tributário prosseguir com a impugnação contra essa parte, direito que não poderá ser estendido à pessoa jurídica, que confessou a dívida e desistiu expressamente do recurso, nos termos da Lei nº 11.941, de 27 de maio de 2009. Por outro lado, a discussão sobre o vínculo de responsabilidade deve atingir todo o crédito lançado. Assim, caso se entenda que o Sr. Paulo Remes não é responsável solidário, ele também deixará de responder pelo crédito parcelado, em caso de rescisão do parcelamento. O recorrente também defende que a decisão recorrida é nula por cerceamento do direito de defesa por ter indeferido seu pedido de diligência para nova inquirição das testemunhas. Contudo, enganase o contribuinte quando pensa que a realização de diligência é direito subjetivo da parte. Ao contrário, o art. 18 do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972 – PAF, prevê que a autoridade julgadora determine a realização de diligências ou perícias, quando entendêlas necessárias, indeferindo as que considerar prescindíveis ou impraticáveis. Assim, não está obrigado o julgador a deferir o pedido de diligência quando entendêlo desnecessário, devendo apenas motivar a decisão. No caso, a autoridade julgadora motivou o indeferimento da diligência para nova inquirição das testemunhas por entendêla prescindível, pois, como o Fisco apresentou os depoimentos como prova de que o Sr. Paulo Remes era o proprietário de fato da empresa, seria ônus do fiscalizado trazer contraprovas em sentido contrário, e não simplesmente exigir novas investigações. Desse modo, entendo que não existe a nulidade apontada, pois a decisão recorrida motivou devidamente a desnecessidade da diligência pugnada. Do mesmo modo, concordo com o motivo do indeferimento, por não ser necessário que o Fisco repita a prova já produzida, quando não foram trazidos quaisquer motivos consistentes para a ela não se dar fé. Diante do exposto, rejeito as preliminares de nulidade da decisão recorrida, que corretamente não apreciou as impugnações relativas ao crédito tributário parcelado e motivou o indeferimento da diligência, e somente conheço os argumentos do recurso Fl. 601DF CARF MF Impresso em 08/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2014 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 22/ 04/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 20/03/2014 por JOSE EVANDE CARVALH O ARAUJO Processo nº 10950.002897/201019 Acórdão n.º 1102001.044 S1C1T2 Fl. 602 16 voluntário que versem sobre as infrações de multa isolada e sobre o vínculo de responsabilidade do Sr. Paulo Remes, desconhecendo os demais. 3 – NULIDADE DO LANÇAMENTO Como acima exposto, as únicas infrações em discussão são aquelas relativas às multas isoladas pela falta de recolhimento de estimativas de IRPJ e CSLL, que foram informadas na DIPJ (fls. 29 a 32 e 34 a 37), mas não pagas. Assim, devese analisar os argumentos de nulidade por falta de clareza e objetividade entre os fatos descritos como contrários à lei e o enquadramento legal dado pelo agente fiscal apenas com relação a essas infrações. Verifico que os autos de infração descreveram corretamente que os lançamentos decorriam da falta de pagamento das estimativas, e indicaram apropriadamente, como enquadramento legal, o art. 44 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, inexistindo a nulidade apontada, pelo que rejeito a preliminar suscitada. 4 – MÉRITO: MULTAS ISOLADAS O recorrente discorda da cobrança das multas isoladas pela falta de recolhimento de estimativas de IRPJ e CSLL, por considerar não ser possível a aplicação concomitante das multas de ofício e isolada, o que resultaria na dupla penalização sobre o mesmo fato. Discordo do argumento. Isso porque a imposição dessas penalidades é consequência direta da lei, que não pode ter sua aplicação afastada pelos membros do CARF, sob pena de se estar, por vias transversas, declarando a inconstitucionalidade do ato legal, afrontando diretamente o conteúdo da Súmula CARF nº 2 e do art. 62 do anexo II do Regimento Interno do CARF. As multas aplicadas estão previstas no art. 44 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, com a redação da Lei nº 11.488, de 15 de junho de 2007: Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; II de 50% (cinqüenta por cento), exigida isoladamente, sobre o valor do pagamento mensal: (...) Fl. 602DF CARF MF Impresso em 08/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2014 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 22/ 04/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 20/03/2014 por JOSE EVANDE CARVALH O ARAUJO Processo nº 10950.002897/201019 Acórdão n.º 1102001.044 S1C1T2 Fl. 603 17 b) na forma do art. 2o desta Lei, que deixar de ser efetuado, ainda que tenha sido apurado prejuízo fiscal ou base de cálculo negativa para a contribuição social sobre o lucro líquido, no anocalendário correspondente, no caso de pessoa jurídica. (...) Isto é, a multa de ofício isolada de 50% incide sobre a estimativa não paga e convive com a penalidade de 75% sobre o tributo não pago, exigida em conjunto com este. O fundamento da defesa é a impossibilidade de cobrança concomitante das multas de ofício e isolada, por incidirem sobre a mesma base de cálculo. Entretanto, se esse argumento possui algum sentido nas fiscalizações das pessoas físicas, onde o mesmo rendimento é usado no cálculo do imposto devido e do carnê leão, ele não se aplica ao imposto de renda das pessoas jurídicas calculado na modalidade do lucro real. Isso porque as bases de cálculo das estimativas mensais e do tributo devido no final do exercício são absolutamente diversas. Enquanto as estimativas mensais são calculadas pela aplicação de um percentual sobre a receita bruta mensal, nos termos do art. 2o da Lei nº 9.430, de 1996, o imposto devido no final do exercício é calculado sobre o lucro real, que consiste no lucro líquido do período de apuração ajustado pelas adições, exclusões ou compensações prescritas ou autorizadas pela legislação tributária, nos termos do art. 6o do DecretoLei nº 1.598, de 26 de dezembro de 1977. Mesmo nos casos em que se tributam receitas omitidas, apesar dos mesmos valores entrarem no cômputo das receitas brutas mensais e do lucro real do exercício, em nenhuma hipótese estarseá tributando a mesma base de cálculo. De qualquer modo, no caso em tela, as estimativas foram calculadas pelo próprio contribuinte antes do início da ação fiscal, não sendo possível se falar em tributação de valores repetidos. Além disso, não encontro no ordenamento qualquer vedação à utilização da mesma base de cálculo para multas diversas. No âmbito do Direito Tributário, existe a vedação constitucional de a União criar, no uso de sua competência residual, impostos com a mesma base de cálculo de outros impostos discriminados na Constituição (art. 154, inciso I), e de as taxas terem base de cálculo própria de impostos (art. 145, §2o). E só. No âmbito do Direito Penal, o princípio do ne bis in idem proíbe que alguém seja punido duas vezes pelo mesmo fato. No caso, como se verá mais abaixo, as condutas apenadas são totalmente diferentes, e por isso merecem reprimendas diversas, que podem ser calculadas sob a mesma base de cálculo (mas que, como já dito, não é a situação que se analisa). Outro argumento que usualmente se utiliza para afastar a imposição concomitante de multas é o da aplicação do princípio penal da consunção, pois o não Fl. 603DF CARF MF Impresso em 08/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2014 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 22/ 04/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 20/03/2014 por JOSE EVANDE CARVALH O ARAUJO Processo nº 10950.002897/201019 Acórdão n.º 1102001.044 S1C1T2 Fl. 604 18 recolhimento da estimativa mensal poderia ser visto como etapa preparatória do ato de reduzir o imposto no final do ano, consistindo em simples meio de execução do resultado final. Entretanto, há que se admitir que a conduta que enseja a aplicação da multa isolada a falta de recolhimento das antecipações mensais com base na receita bruta – é totalmente diversa e independente daquela que resulta na multa de ofício sobre o imposto devido – a falta de recolhimento do imposto calculado a partir do lucro líquido contábil ajustado no final do exercício. Ora, tenho imensa dificuldade em entender como a falta de execução de uma tarefa – o não recolhimento de estimativas – pode ser visto como meio de execução ou ato preparatório de outro ilícito decorrente de inação – o não pagamento do tributo devido. Não é necessário deixar de antecipar o tributo para não recolhêlo na ocasião em que se torna definitivo. Tais atividades são absolutamente independentes, sem qualquer relação de causa e efeito. Na verdade, as duas condutas são exigidas pelo ordenamento, que prevê sanções diversas pelo seu não cumprimento. Não existe a possibilidade de diferenciar a gravidade entre as infrações, conceito ínsito ao princípio da consunção. A não punição pela falta de antecipação do imposto enfraquece todo o ordenamento, transformando a obrigação legal em mera opção do contribuinte. Existem ainda aqueles afirmam não ser a estimativa devida após o encerramento do exercício. Essa interpretação se escorava na antiga redação da lei, que determinava que a multa fosse calculada sobre a totalidade ou diferença de tributo ou contribuição, afirmando que as estimativas não tinham a natureza de tributo, que somente existiria no final do exercício, mas de simples antecipação. Discordo do argumento. O art. 2o da Lei nº 9.430, de 1996, define a estimativa como imposto, que é uma das espécies de tributo, e a ela se aplica, na íntegra, o conceito de tributo do art. 3o do Código Tributário Nacional prestação pecuniária compulsória, em moeda ou cujo valor nela se possa exprimir, que não constitua sanção de ato ilícito, instituída em lei e cobrada mediante atividade administrativa plenamente vinculada. O fato de a legislação facultar a redução ou o não recolhimento das estimativas com base em balanços ou balancetes mensais não desnatura sua natureza de prestação compulsória, trazendo apenas hipótese onde é possível suspender ou reduzir sua incidência. Isto é, comprovado que o valor já recolhido excede o imposto a ser pago no mês, a lei afasta a incidência compulsória da norma, ou reduz o seu alcance até o limite do tributo devido. O raciocínio empregado consiste em verdadeira petição de princípio, utilizandose a conclusão como premissa: a estimativa não é compulsória o que comprova que não possui natureza de tributo, que é compulsório. Ora, tanto as estimativas são compulsórias que existe punição específica pelo seu não recolhimento, mesmo se o principal já tiver sido absorvido pelo imposto devido do exercício. Fl. 604DF CARF MF Impresso em 08/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2014 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 22/ 04/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 20/03/2014 por JOSE EVANDE CARVALH O ARAUJO Processo nº 10950.002897/201019 Acórdão n.º 1102001.044 S1C1T2 Fl. 605 19 Confirmam a natureza tributária das estimativas a sua cobrança por meio de auto de infração no decorrer do exercício, e sua restituição ou compensação como tributo (Súmula CARF no 84). Além disso, esse entendimento violava diretamente o conteúdo da lei, que era explícito em aplicar a penalidade ainda que se tivesse apurado prejuízo fiscal ou base de cálculo negativa para a contribuição social sobre o lucro líquido, no anocalendário correspondente. A explicação de que essa parte da norma somente se aplicaria se a fiscalização se desse no mesmo anocalendário em que se apuram os lucros fere a lógica, pois, tratandose de lucro real anual, o prejuízo e a base de cálculo negativa só são apurados no último dia do ano, em especial porque o contribuinte não elaborou balancetes mensais (pois senão poderia suspender as estimativas). De qualquer modo, com a nova redação do art. 44 da Lei nº 9.430, de 1996, essa interpretação não pode prosperar, pois a base de cálculo da multa por falta de recolhimento da estimativa deixou de ser “a totalidade ou diferença de tributo ou contribuição”, passando a ser “o valor do pagamento mensal”. O que se observa é que as diversas interpretações que afastavam a aplicação da multa isolada sobre estimativas se escoravam na idéia de que seu valor era desproporcional à gravidade da infração, pois a base de cálculo era mal calibrada. Contudo, esse argumento não serve ao intérprete, que não pode escolher deixar de aplicar as leis que lhe desagradam, mas deve nortear o legislador na confecção da norma. Vejase que o legislador teve a oportunidade de alterar a sistemática de penalidades por falta de recolhimento das estimativas, por ocasião da edição da Lei nº 11.488, de 2007, mas manteve, em essência, o mesmo procedimento. As modificações efetuadas se deram como resposta às críticas recebidas, diferenciandose as alíquotas e se alterando a redação para bem distinguir as bases de cálculo. Mas a essência da tributação restou inalterada. Assim, devese respeitar a opção expressa do legislador, afastandose interpretações que, na prática, esvaziam o conteúdo de norma cogente, negando vigência à lei federal. Para auxiliar a decisão dos conselheiros que possuem entendimento diverso sobre a matéria, informo que, na DIPJ 2008, as estimativas mensais de IRPJ apuradas totalizaram R$ 34.725,28 (fls. 29 a 32), enquanto o imposto devido no final do exercício foi de R$ 176.808,00 (R$120.484,80 de principal e R$56.323,20 de adicional – fl. 33), e as estimativas mensais de CSLL apuradas totalizaram R$ 19.995,76 (fls. 34 a 37), enquanto a contribuição devida no final do exercício foi de R$ 72.290,88 (fl. 38). Dessa forma, mantenho o lançamento das multas. Fl. 605DF CARF MF Impresso em 08/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2014 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 22/ 04/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 20/03/2014 por JOSE EVANDE CARVALH O ARAUJO Processo nº 10950.002897/201019 Acórdão n.º 1102001.044 S1C1T2 Fl. 606 20 5 – RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA A Fiscalização atribuiu a responsabilidade solidária ao Sr. Paulo Remes, CPF nº 325.305.95968, por considerálo o administrador e proprietário de fato desta e de outras duas empresas. Inicialmente, a atribuição da responsabilidade se deu pela informação no Termo de Verificação Fiscal (fls. 21 e 130) e pelo detalhamento no Relatório Fiscal de Responsabilidade Solidária de fls. 48 a 65 e 157 a 174, tendo o lançamento sido cientificado tanto ao contribuinte quanto ao responsável solidário em 24/6/2010. Entretanto, a DRJ baixou os autos em diligência recomendando a lavratura de Termo de Responsabilidade Solidária em nome do terceiro responsabilizado, concedendo a ele prazo de 30 dias para impugnação (fls 237 e 238). A autoridade fiscal atendeu a diligência, e lavrou Termo de Sujeição Passiva Solidária em nome do Sr. Paulo Remes (fls. 240 a 241), que foi cientificado por via postal em 14/5/2012. 5.1 Preliminar de Decadência/Prescrição O responsável solidário afirma que, como teve ciência do Termo de Sujeição Passiva Solidária em 14/5/2012, teria ocorrido a prescrição dos período de janeiro a abril de 2007, pela superação do prazo de cinco anos. Entretanto, o ordenamento não prevê a modalidade de prescrição apontada. O que existe é a decadência do direito de lançar o crédito tributário. No caso de multas isoladas, sujeitas ao lançamento de ofício, o prazo decadencial é o do art. 173, inciso I, do CTN, que inicia a contagem do prazo decadencial no primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. Para o ano de 2007, o prazo se iniciou em 1º/1/2008 e se encerrou em 31/12/2012. Assim, independentemente de se considerar a ciência do responsável tributário em 24/6/2010, com a ciência do lançamento, ou em 14/5/2012, com a ciência do Termo de Sujeição Passiva Solidária, permanecia intocável o direito ao lançamento. De qualquer modo, registro minha opinião de que, no caso, a ciência do responsável tributário se deu em 24/6/2010, pois o lançamento imputava sua responsabilidade de forma precisa e clara, e a ele foi dada a devida ciência da autuação. Entendo ter sido prudente o retorno dos autos para a lavratura de termo específico de sujeição passiva, em especial porque o terceiro alçado à condição de sujeito passivo não havia apresentado impugnação, e não havia sido intimado para tanto. Mas tratouse de procedimento para evitar futuras alegações de cerceamento de defesa, que apenas repetiu a ciência que já havia sido dada. Assim, rejeito a preliminar de prescrição/decadência suscitada. Fl. 606DF CARF MF Impresso em 08/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2014 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 22/ 04/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 20/03/2014 por JOSE EVANDE CARVALH O ARAUJO Processo nº 10950.002897/201019 Acórdão n.º 1102001.044 S1C1T2 Fl. 607 21 5.2 Preliminares de Nulidade do Termo de Sujeição Passiva Solidária O recorrente ainda aponta duas nulidades do Termo de Sujeição Passiva Solidária: a incompetência do agente e o cerceamento de defesa por falta de cientificação de todo o processo. Quanto à competência, afirma que somente a ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional PGFN poderia atribuir responsabilidade a terceiros, e somente na fase de cobrança do crédito tributário. Entretanto, corretos os argumentos da decisão recorrida de que a responsabilização solidária faz parte da identificação do sujeito passivo, e compõe a atividade do lançamento prevista no art. 142 do CTN, que é privativa do AuditorFiscal da Receita Federal do Brasil AFRB, nos termos do art. 6o, inciso I, alínea “a” da Lei nº 10.593, de 6 de dezembro de 2002. Assim, o AFRB que lavrou o Termo de Sujeição Passiva Solidária possuía competência para tanto. Já o cerceamento de defesa decorreria de ter recebido apenas cópias dos autos de infração e dos termos de verificação fiscal e sujeição passiva, mas não de todos os documentos do processo. Entretanto, o responsável solidário não explicou como a suposta falta de conhecimento de todos os termos dos autos prejudicou sua defesa. Ao contrário, os conteúdos de sua impugnação e recurso voluntário demonstram uma compreensão total das acusações que lhe foram imputadas e o pleno exercício do direito de defesa. Além disso, como bem indicado pela decisão recorrida, a Administração Tributária garante pleno acesso aos autos, não havendo qualquer indicação de que tal direito lhe foi negado. O recurso traz ainda uma terceira preliminar de nulidade relativa à ofensa ao princípio da legalidade por falta de comprovação da tipicidade do fato, que entendo se confundir com o mérito, e com ele será analisada. Dessa forma, rejeito as preliminares de nulidade suscitadas. 5.3 Inexistência de Provas de Responsabilidade No mérito, o recorrente afirma que não há provas concretas de que era o administrador de fato da empresa, o que tornaria o Termo de Sujeição Passiva Solidária nulo. Acrescenta que, de modo contrário, o contrato social demonstraria que não é, nem nunca foi, sóciogerente da pessoa jurídica. E que, se dúvidas persistem sobre sua participação, devese utilizar a interpretação benigna do art. 112 do CTN. Contudo, após análise da acusação fiscal, entendo que restou devidamente demonstrado que o Sr. Paulo Remes era o proprietário de fato da fiscalizada, pois se comportava como tal, era assim conhecido pelos terceiros que negociavam com a empresa, e os Fl. 607DF CARF MF Impresso em 08/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2014 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 22/ 04/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 20/03/2014 por JOSE EVANDE CARVALH O ARAUJO Processo nº 10950.002897/201019 Acórdão n.º 1102001.044 S1C1T2 Fl. 608 22 fatos apurados indicam que comercializava café com o uso de diversas empresas em nome de terceiros, que estavam instaladas em suas propriedades, muitas no mesmo endereço, e em regra atuando sob a denominação Cafeeira Borrazópolis. Entendo que a decisão recorrida analisou os fatos com profundidade, e aqui os repito, adotandoos como razão de decidir (fls. 493 a 495): 91. O Termo de Sujeição Passiva Solidária foi lavrado com base nos arts. 124 e 135 do CTN, conforme constatações contidas no Relatório Fiscal, Responsabilidade Solidária de págs. 48/65 e 157/174. 92. O autuante descreve que foram emitidos MPFF para três empresas: A Moreti – Café, Comércio de Café e Cereais AR Ltda e Comércio de Café e Cereais AMB Ltda; ao se dirigirem ao domicílio fiscal comum das duas primeiras, págs. 454/460 (Rod. PR 274, km 01, Aviação, Borrazópolis/PR, imóvel de propriedade de Paulo Remes), local de funcionamento da “Cafeeira Borrazópolis”, visando entregar o Termo de Início de Fiscalização, os auditores foram recebidos por Paulo Remes, apontado na recepção como o responsável pela empresa, o que também foi evidenciado pela forma de relacionamento deste com os demais funcionários presentes e visível diferença de status social e econômico entre aquele e estes. 93. Os auditores não obtiveram sua assinatura no Termo de Início, mas o alertaram quanto à denúncia de interposta pessoa; e relatam que, no dia seguinte, em 12/05/2009 foi registrada alteração do contrato social da Comércio de Café e Cereais A. S. Ltda, CNPJ 10.676.118/000198, sita em Lidinópolis (“Cafeeira Lidinópolis”, CNPJ 10.676.118/000198), criando uma filial no endereço da “Cafeeira Borrazópolis” e incluindo Paulo Remes no quadro social como sócioadministrador, pág. 462. 94. Em apoio à constatação de que Paulo Remes é e era o sócioadministrador da autuada, os fiscais obtiveram os depoimentos de págs. 175/178, firmados pelas seguintes testemunhas: o Sr. Sebastião Rodrigues Gomes, CPF 325.291.55968, Presidente do Sindicato dos Trabalhadores Rurais do Município de Borrazópolis/PR que o identificou como administrador e proprietário "de fato" da "Cafeeira Borrazópolis”; Sra. Conceição Gordo Marques Dias, CPF 894.923.23915, produtora rural, que atestou comercializar periodicamente sua produção rural com a "Cafeeira Borrazópolis" (informação esta corroborada por extratos do LivrosRazão de 2005, 2006 e 2007), negociando diretamente com o Sr. Paulo Remes, a quem reconhece como proprietário da cafeeira; Sr. Sérgio Bolonhezi, CPF 174.024.509 10, produtor rural, que atestou comercializar periodicamente sua produção rural com a "Cafeeira Borrazópolis" (informação esta corroborada por extratos do Livros Razão 2006 e 2007), negociando diretamente com o Sr. Paulo Remes, a quem reconhece como proprietário da cafeeira. 95. Destaquese que “Cafeeira Borrazópolis” consta dos registros da RFB como nome fantasia da A MoretiCafé, mas também consta do histórico da autuada, sendo nome fantasia estampado à época dos fatos, na fachada do imóvel onde atuavam as três empresas citadas, pág. 157. 96. Paulo Remes foi registrado: a. de 01/06/2001 a 30/07/2005, como o único empregado na A Moreti – Café, empresa cujo objeto social era beneficiamento, moagem e preparação de produtos de origem vegetal, o que exige trabalhadores para movimentar as mercadorias e operar os equipamentos; Fl. 608DF CARF MF Impresso em 08/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2014 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 22/ 04/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 20/03/2014 por JOSE EVANDE CARVALH O ARAUJO Processo nº 10950.002897/201019 Acórdão n.º 1102001.044 S1C1T2 Fl. 609 23 b. de 01/01/2006 a 31/05/2009, na Comércio de Café e Cereais AR Ltda.. 97. Essas empresas empregadoras não informaram em Declaração de Imposto de Renda Retido na Fonte – DIRF, as remunerações a ele pagas, e os auditores, ao confrontarem os valores das remunerações declarados em GFIP, com as DIPF de Paulo Remes, constataram as omissões detalhadas à pag. 160, item 14. 98. Também constataram que as empresas não recolhiam as contribuições previdenciárias; conforme págs. 299 e 337/365 e 385/398, foram lavrados auto de infração referentes às contribuições previdenciárias devidas, omitidas, que o contribuinte também parcelou no Refis, Lei nº 11.941, de 2009. 99. Da leitura do Relatório Fiscal, Responsabilidade Solidária se evidencia que Paulo Remes atuou nas três empresas: os endereços são em imóveis de sua propriedade, sua irmã o substituiu em 10/04/2007, na Comércio de Café e Cerais AMB Ltda, ele e Arquimedes Moreti eram informados como contribuinte individual até 2009 e empregado até 2005, respectivamente, pela A Moreti – Café, a qual, no entanto, vem declarando como inativa a partir do anocalendário 2004 e não efetuou qualquer recolhimento previdenciário no período; a A MoretiCafé, consta do CNPJ como nome fantasia “Cafeeira Borrazópolis”, no entanto estava “inativa” em 2007 e o sr. Paulo Remes lá atuava no comércio e beneficiamento de café e cereais, operando as demais empresas; por outro lado,tanto a autuada (Com de Café e Cereais R A Ltda) como a Comercio de Café e Cereais A M B Ltda, (que usou o nome fantasia de Cafeeira Borrazopolis até, 29/05/2009 quando o alterou para Cerealista Bonfim, tiveram como sede o mesmo endereço, Rodovia PR 274, km 01, Aviação, Borrazópolis/PR e seus CNAEF são os mesmos, págs. 454/460: a. A Moreti –Café CNAE: 1069400 Moagem e fabricação de produtos de origem vegetal não especificados anteriormente; b. Comercio de Cafe e Cereais A M B Ltda – CNAEF 5121703 Comércio atacadista de café em e 4621400 Comércio atacadista de café em c. Com de Café e Cereais R A Ltda, que é a autuada, CNAEF – 5121703 Comércio atacadista de café em e CNAEF 4621400 Comércio atacadista de café . 100. E ainda, págs. 461/462: a. CNPJ: 10.676.118/000198, Comercio de Cafe e Cereais Manossoler Ltda, nome fantasia Cafeeira Lidianopolis, data de abertura em 06/03/2009 e CNAE: 4621400 Comércio atacadista de café em grã; e da qual Paulo Remes, CPF 325.305.95968 foi sócio administrador desde 25/05/2009 (tendo sido criada filial desta no mesmo imóvel), tendo sido excluído em 13/04/2011; 101. Destaquese que, pesquisando nos sistemas da RFB, localizouse, págs. 463/464: a. CNPJ 13.367.447/000145, P. REMESCAFÉ, nome fantasia Cafeeira Remes, data de abertura em 02/03/2011, CNAE: 4621400 Comércio atacadista de café em grão, cujo domicílio fiscal é aquele mesmo, Rodovia PR 274, km 01, Aviação, Borrazópolis/PR. 102. As conclusões dos autuantes foram resumidas na pág. 169, que se reproduz: Fl. 609DF CARF MF Impresso em 08/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2014 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 22/ 04/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 20/03/2014 por JOSE EVANDE CARVALH O ARAUJO Processo nº 10950.002897/201019 Acórdão n.º 1102001.044 S1C1T2 Fl. 610 24 Pelas informações acima, concluímos que o Sr. Paulo Remes é o legitimo proprietário e único beneficiado pelo empreendimento conhecido como “Cafeeira Borrazópolis", adotando o seguinte procedimento operacional: • Declarase como empregado das próprias empresas, com a finalidade de obter benefícios previdenciários, não declarando a renda declarada em sua declaração anual de imposto de renda; • Substitui o quadro social com interposição de pessoas sem capacidade econômica de forma a proteger o seu patrimônio, seja na abertura das empresas, seja quando as empresas acumulam dividas e são descartadas; • É a única pessoa dentre as relacionadas nos quadros sociais das diversas empresas com capacidade econômica para dar suporte às atividades empresariais/comerciais desenvolvidas, sendo reconhecido na localidade como comerciante e empresário, inclusive com depoimentos em anexo de parceiros comerciais; • As empresas são instaladas nos seus imóveis, sendo que o Sr. Paulo Remes nunca declarou qualquer rendimento de aluguel; • Utiliza o seu próprio patrimônio imobiliário como garantia de empréstimos bancários conforme demonstrado nos casos das empresas Comércio de Café e Cereais R A Ltda, Comércio de Café e Cereais A M B Ltda e Comércio de Café e Cereais A S Ltda, figurando ainda como avalista, juntamente com sua esposa, em tais financiamentos. 103. Do descrito e relatado, evidenciase o dolo ao interpor pessoas como sócios das empresas da quais é o efetivo e real sóciogerente (no caso específico da autuada, Arquimedes Moreti descrito à pág. 162, item21; Rogério Moreti, descrito á pág. 165, item 36. 2; José Aparecido Silva, descrito à pág. 166, item 36. 3; Jair Neres Cardoso, descrito à pág. 164, nenhum deles com poder aquisitivo para comprar cotas da empresa) o interesse pessoal na gerência das empresas e em ser beneficiado com previdência social sem qualquer gasto e formação de patrimônio sem declarar e oferecer à tributação os recursos. 104. À vista do exposto, procedente a responsabilização solidária, cujo Termo não é nulo, tendo sido lavrado por agente competente para tal, e perfeitamente legal, com base na legislação vigente, arts. 124 e 135 do CTN. Diante de tão fortes provas, são inconsistentes os argumentos do responsável tributário de que não era sócio simplesmente porque não constava do contrato social e que negociava em nome da empresa porque era pessoa conhecida na região e tinha facilidade de intermediar negócios. Ora, por evidente, se o esquema revelado visava à administração de empresas em nome de terceiros, o nome do proprietário oculto não constaria do contrato social. E os diversos fatos trazidos aos autos, devidamente analisados no trecho do acórdão de primeira instância acima transcrito, demonstram que a relação com a empresa fiscalizada não era apenas de simples vendedor, mas de verdadeiro proprietário. Fl. 610DF CARF MF Impresso em 08/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2014 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 22/ 04/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 20/03/2014 por JOSE EVANDE CARVALH O ARAUJO Processo nº 10950.002897/201019 Acórdão n.º 1102001.044 S1C1T2 Fl. 611 25 Acrescentese que a própria interposição do recurso voluntário sob análise demonstra a intrínseca relação do Sr. Paulo Remes com a pessoa jurídica autuada: apesar de a intimação para recorrer ter sido dirigida apenas para o endereço da autuado, foi somente o responsável tributário que apresentou recurso. Finalmente, também não procedem os argumentos contra a violação ao art. 135 do CTN, por não ter sido comprovado sua condição de sóciogerente. De fato, o Termo de Sujeição Passiva Solidária atribuiu a responsabilidade tributária com base nos arts. 124 e 135 do CTN, abaixo transcritos: Art. 124. São solidariamente obrigadas: I as pessoas que tenham interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal; II as pessoas expressamente designadas por lei. Parágrafo único. A solidariedade referida neste artigo não comporta benefício de ordem. Art. 135. São pessoalmente responsáveis pelos créditos correspondentes a obrigações tributárias resultantes de atos praticados com excesso de poderes ou infração de lei, contrato social ou estatutos: I as pessoas referidas no artigo anterior; II os mandatários, prepostos e empregados; III os diretores, gerentes ou representantes de pessoas jurídicas de direito privado. No caso, entendo que restaram demonstrados tanto o interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal, quanto a gerência do negócio pelo terceiro responsabilizado, pelo que mantenho o Sr. Paulo Remes como responsável solidário por todo o crédito tributário lançado. Fl. 611DF CARF MF Impresso em 08/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2014 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 22/ 04/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 20/03/2014 por JOSE EVANDE CARVALH O ARAUJO Processo nº 10950.002897/201019 Acórdão n.º 1102001.044 S1C1T2 Fl. 612 26 6 CONCLUSÃO Diante do exposto, voto por (i) não conhecer do recurso voluntário na parte em que se insurge contra as infrações de diferenças entre os valores declarados e aqueles efetivamente pagos e multas de ofício qualificadas sobre elas aplicadas; (ii) na parte conhecida, rejeitar as preliminares e, no mérito, negar provimento ao recurso; (iii) determinar à autoridade administrativa que extraia cópia da presente decisão e a anexe aos autos dos processos de parcelamento (18208.115299/201104 e 18208.115300/201192), para que as razões de mérito do responsável tributário relativas ao crédito objeto de parcelamento sejam apreciadas, na hipótese de eventual rescisão dos referidos parcelamentos. (assinado digitalmente) José Evande Carvalho Araujo Fl. 612DF CARF MF Impresso em 08/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2014 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 22/ 04/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 20/03/2014 por JOSE EVANDE CARVALH O ARAUJO
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Numero do processo: 19515.001982/2010-65
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 19 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed Apr 02 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2006 a 31/12/2007
IMUNIDADE. ENTIDADES BENEFICENTES DE ASSISTÊNCIA SOCIAL. NECESSIDADE CUMPRIMENTO REQUISITOS PREVISTOS EM LEI ORDINÁRIA. DIREITO ADQUIRIDO.
Não há direito adquirido a regime jurídico-fiscal, motivo pelo qual as entidades beneficentes que prestam assistência social, inclusive no campo da educação e da saúde, para gozarem da imunidade constante do § 7º do art. 195 da Constituição Federal, deveriam, à época dos fatos geradores, atender ao rol de exigências determinado pelo art. 55 da Lei nº 8.212/91. Precendentes e Súmula n° 352 do STJ (AgRg no AREsp 357.985/CE, Rel. Ministro HUMBERTO MARTINS, SEGUNDA TURMA, julgado em 10/09/2013, DJe 18/09/2013) e do STF (RMS 27382 ED, Relator(a): Min. DIAS TOFFOLI, Primeira Turma, julgado em 08/10/2013, ACÓRDÃO ELETRÔNICO DJe-220 DIVULG 06-11-2013 PUBLIC 07-11-2013).
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 2302-003.066
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade, em negar provimento ao recurso quanto à multa aplicada, que deve ser mantida como lançada, vencidos os Conselheiros Bianca Delgado Pinheiro, Juliana Campos de Carvalho Cruz e Leonardo Henrique Pires Lopes, por entenderem que a multa aplicada deve ser limitada ao percentual de 20% em decorrência das disposições introduzidas pela MP 449/2008 (art. 35 da Lei n.º 8.212/91, na redação da MP n.º 449/2008 c/c art. 61, da Lei n.º 9.430/96). Ainda, quanto ao mérito, foram vencidas as Conselheiras Bianca Delgado Pinheiro e Juliana Campos de Carvalho Cruz.
(assinado digitalmente)
LIEGE LACROIX THOMASI Presidente
(assinado digitalmente)
ANDRÉ LUÍS MÁRSICO LOMBARDI Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Liége Lacroix Thomasi (Presidente), Leonardo Henrique Pires Lopes (Vice-presidente), Arlindo da Costa e Silva, Juliana Campos de Carvalho Cruz, Bianca Delgado Pinheiro e André Luís Mársico Lombardi.
Nome do relator: ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI
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ENTIDADES BENEFICENTES DE ASSISTÊNCIA SOCIAL. NECESSIDADE CUMPRIMENTO REQUISITOS PREVISTOS EM LEI ORDINÁRIA. DIREITO ADQUIRIDO. Não há direito adquirido a regime jurídicofiscal, motivo pelo qual as entidades beneficentes que prestam assistência social, inclusive no campo da educação e da saúde, para gozarem da imunidade constante do § 7º do art. 195 da Constituição Federal, deveriam, à época dos fatos geradores, atender ao rol de exigências determinado pelo art. 55 da Lei nº 8.212/91. Precendentes e Súmula n° 352 do STJ (AgRg no AREsp 357.985/CE, Rel. Ministro HUMBERTO MARTINS, SEGUNDA TURMA, julgado em 10/09/2013, DJe 18/09/2013) e do STF (RMS 27382 ED, Relator(a): Min. DIAS TOFFOLI, Primeira Turma, julgado em 08/10/2013, ACÓRDÃO ELETRÔNICO DJe220 DIVULG 06112013 PUBLIC 07112013). Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade, em negar provimento ao recurso quanto à multa aplicada, que deve ser mantida como lançada, vencidos os Conselheiros Bianca Delgado Pinheiro, Juliana Campos de Carvalho Cruz e Leonardo Henrique Pires Lopes, por entenderem que a multa aplicada deve ser limitada ao percentual de 20% em decorrência das disposições introduzidas pela MP 449/2008 (art. 35 da Lei n.º 8.212/91, na redação da MP n.º 449/2008 c/c art. 61, da Lei n.º 9.430/96). Ainda, quanto ao mérito, foram vencidas as Conselheiras Bianca Delgado Pinheiro e Juliana Campos de Carvalho Cruz. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 00 19 82 /2 01 0- 65 Fl. 514DF CARF MF Impresso em 02/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/04/2014 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 01/ 04/2014 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 01/04/2014 por LIEGE LACROIX THOMA SI 2 (assinado digitalmente) LIEGE LACROIX THOMASI – Presidente (assinado digitalmente) ANDRÉ LUÍS MÁRSICO LOMBARDI – Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Liége Lacroix Thomasi (Presidente), Leonardo Henrique Pires Lopes (Vicepresidente), Arlindo da Costa e Silva, Juliana Campos de Carvalho Cruz, Bianca Delgado Pinheiro e André Luís Mársico Lombardi. Fl. 515DF CARF MF Impresso em 02/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/04/2014 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 01/ 04/2014 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 01/04/2014 por LIEGE LACROIX THOMA SI Processo nº 19515.001982/201065 Acórdão n.º 2302003.066 S2C3T2 Fl. 511 3 Relatório Tratase de recurso voluntário interposto contra decisão de primeira instância que julgou improcedente a impugnação da recorrente, mantendo o crédito tributário lançado. Adotamos trecho relatório do acórdão do órgão a quo (fls. 438 e seguintes), que bem resume o quanto consta dos autos: 1. Tratase de Auto de Infração (AI) DEBCAD nº 37.261.6062, lavrado pela Fiscalização contra a empresa em epígrafe, relativo a contribuições devidas a Outras Entidades – Terceiros (FNDE, INCRA, SESC, e SEBRAE), incidentes sobre remunerações de segurados empregados, não recolhidas e não declaradas em Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social – GFIP. 1.1 O montante lançado, incluindo juros e multa, é de R$ 888.120,80 (oitocentos e oitenta e oito mil e cento e vinte reais e oitenta centavos), abrangendo, abrangendo o período de 01/2006 a 13/2006, e 01/2007 a 13/2007, consolidado em 19/07/2010. 1.2 O Relatório Fiscal, de fls. 146 a 148, informa que • O Contribuinte entregou GFIP´s utilizando código FPAS 639 correspondente às Entidades Beneficentes de Assistência Social, e recolheu as contribuições previdenciárias incidentes sobre pagamentos efetuados a segurados empregados e contribuintes individuais em Guias de Recolhimento da Previdência Social – GPS sob o código de pagamento 2305, correspondente a Entidades Filantrópicas com Isenção CNPJ/MF; • Este procedimento está em desacordo com a situação do Contribuinte que teve cancelada a isenção concedida anteriormente, conforme Ato Cancelatório de Isenção das Contribuições Sociais nº 001/2001, de 17/12/2001, vigente a partir de 01/01/1995, com base no disposto no artigo 207 do RPS RPS— Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto 3.048/1999, por ter infringido o disposto no inciso II do artigo 55 da Lei 8212/91, combinado com o artigo 407 do Regulamento da Organização e Custeio da Seguridade Social — ROCSS (cópia do Ato Cancelatório no Anexo l); • O Contribuinte obteve o Certificado de Entidade Beneficente de Assistência Social na forma do artigo 37 da MP 446/2008, para o período de 01/01/2004 a 31/12/2006 (processo nº 71010.002865/200397, D.O.U. 04/02/2009), e para o período de 01/01/2007 a 31/12/2009 (processo nº 71010.004007/200623, D.O.U. 26/01/2009), conforme cópia juntada no Anexo II; Fl. 516DF CARF MF Impresso em 02/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/04/2014 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 01/ 04/2014 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 01/04/2014 por LIEGE LACROIX THOMA SI 4 • Entretanto, tal fato não configura condição suficiente para enquadramento como entidade com direito à isenção de contribuições previdenciárias. Para tal, o Contribuinte deveria ter formalizado novo requerimento junto à Secretaria da Receita Federal do Brasil, além de atender, cumulativamente, todos os requisitos legais; • Uma vez que não foi feito novo requerimento, o Contribuinte permaneceu obrigado ao recolhimento das contribuições previdenciárias patronais, previstas nos incisos I, II, e III, do artigo 22 da Lei nº 8212/91, incidentes sobre as remunerações efetuadas a segurados empregados a seu serviço; • O Contribuinte recebeu a Intimação nº 19/2010 da Divisão de Orientação e Análise Tributária, da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Administração Tributária de São Paulo — DERAT/DIORT, onde é orientado a corrigir as GFIP's, bem como a regularizar as respectivas contribuições previdenciárias, tendo sido inclusive alertada quanto ao fato de que o código FPAS 639 é de uso exclusivo das entidades regularmente isentas. A referida Intimação foi recebida em 21/05/2010, conforme Aviso de Recebimento do Correio — AR (cópias da Intimação e do AR no Anexo III); • Os salários de contribuição foram apurados através das massas salariais constantes nas GFIP´s entregues em meio digital pelo Contribuinte, confirmadas nos sistemas corporativos da Receita Federal do Brasil. O conteúdo do arquivo digital foi autenticado no Sistema de Validação e Autenticação de Arquivos SVA (Anexo IV); • O item 4.2 do Relatório Fiscal relaciona os estabelecimentos com movimentação de segurados empregados. As alíquotas aplicadas estão discriminadas nos itens 4.3; • O item 7 relaciona os demais Autos de Infração lavrados na ação fiscal, além da Representação Fiscal para Fins Penais, por ter ocorrido, em tese, crime contra a ordem tributária; • A fiscalização foi atendida pelo Sr. Dailton Rodrigues Vieira, contados, e pela Irmã Luzia Conceição de Oliveira, diretora presidente, a quem foram prestados os esclarecimentos sobre a origem do débito. 1.3 Complementam o Relatório Fiscal, e encontramse anexos ao Auto de Infração de fl. 04: Mandado de Procedimento Fiscal, fl. 02; IPC – Instruções para o Contribuinte, fls. 05 a 06; DD – Discriminativo do Débito, fls. 07 a 40; RDA – Relatório de Documentos Apresentados, fls. 41 a 57; RADA – Relatório de Apropriação de Documentos Apresentados, de fls. 58 a 99; FLD – Fundamentos Legais do Débito, fls. 100 a 101; Relatório de Vínculos, fl. 102; Termos de Início de Procedimento Fiscal e de Intimação Fiscal, fls. 139 a 141; Termo de Encerramento do Procedimento Fiscal – TEPF, fl. 145; ANEXO I – Cópia do Ato Cancelatório de Isenção de Contribuições Sociais nº 001/2001, fls. 149 a 150; ANEXO II –Cópia do Certificado de Entidade Beneficente de Assistência Social, fls. 151 a 154; ANEXO III – Cópia da Intimação nº 19/2010 da DERAT/DIORT e de AR, fls. Fl. 517DF CARF MF Impresso em 02/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/04/2014 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 01/ 04/2014 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 01/04/2014 por LIEGE LACROIX THOMA SI Processo nº 19515.001982/201065 Acórdão n.º 2302003.066 S2C3T2 Fl. 512 5 155/157; ANEXO IV –Recibo de Entrega de Arquivos Digitais, fls. 158/164. 1.4 Também foram juntados, pela Fiscalização: Estatuto e Atas de Assembléia, fls. 105 a 138; Procurações, fls. 142 a 144. (...) Como afirmado, a impugnação apresentada pela recorrente foi julgada improcedente, tendo a recorrente apresentado, tempestivamente, o recurso de fls. 463 e seguintes, no qual alega, em apertada síntese, que: * Aduz que, já na defesa, havia demonstrado e comprovado documentalmente que o único requisito que não preenchia à época dos fatos geradores era o Certificado de Entidade Filantrópica, posteriormente emitido pelo CNAS, com efeitos retroativos; * Aduz que não teve renovada sua Certidão do Conselho Nacional de Assistência Social quanto ao período compreendido entre os anos de 1994 e 1997, sendo que, em o fisco editou o Ato Cancelatório n° 001/2001, referente ao referido período. Acrescenta que, em virtude da morosidade do CNAS, os pedidos de renovação do certificado relativamente a períodos posteriores a 1997 não teriam sido julgados até 2008, quando do avento da MP n° 446, que teria concedido, automaticamente, todos os certificados que estavam pendentes de análise e julgamento. Por tal razão, somente em 2009 teria havido a publicação, com efeitos retroativos, dos certificados de entidade beneficente de assistência social relativos aos períodos de 1998 a 2009. Assim, conforme certidão já anexada à impugnação, a recorrente seria portadora do certificado no período de 1998 a 2009. Como o certificado foi emitido somente em 2009, a recorrente esteve impossibilitada, fática e juridicamente, de requerer à RFB o reconhecimento da imunidade/isenção; * Afirma que continuou a apresentar os Relatórios de Atividade ao fisco comprovaria a sua boafé e a total ausência de motivos para a negativa do benefício; * Aduz que mesmo se tivesse apresentado o pedido após o deferimento dos certificados, ou seja, no ano de 2009, referido pleito somente retroagiria à data do protocolo, o que não influiria em nada nos fatos geradores da autuação, conforme o § 2° do art. 208 do RPS. Acrescenta que apresentou Plano de Ação e Relatório Circunstanciado de suas atividades. * A imunidade estabelecida no § 7° do art. 195 somente poderia estar condicionada a requisitos estabelecidos em lei complementar (artigo 146, II, da CF), no caso, teria incidência apenas as condições estabelecidas no artigo 14 do CTN, que é lei complementar no sentido “material”. É o relatório. Fl. 518DF CARF MF Impresso em 02/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/04/2014 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 01/ 04/2014 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 01/04/2014 por LIEGE LACROIX THOMA SI 6 Voto Conselheiro Relator André Luís Mársico Lombardi Requerimento da Isenção. Art. 55, § 1° da Lei n° 8.212/91. Alega a recorrente que, já na defesa, havia demonstrado e comprovado documentalmente que o único requisito que não preenchia à época dos fatos geradores era o Certificado de Entidade Filantrópica, posteriormente emitido pelo CNAS, com efeitos retroativos. Acrescenta que Aduz que não teve renovada sua Certidão do Conselho Nacional de Assistência Social quanto ao período compreendido entre os anos de 1994 e 1997, sendo que, em o fisco editou o Ato Cancelatório n° 001/2001, referente ao referido período. Acrescenta que, em virtude da morosidade do CNAS, os pedidos de renovação do certificado relativamente a períodos posteriores a 1997 não teriam sido julgados até 2008, quando do avento da MP n° 446, que teria concedido, automaticamente, todos os certificados que estavam pendentes de análise e julgamento. Por tal razão, somente em 2009 teria havido a publicação, com efeitos retroativos, dos certificados de entidade beneficente de assistência social relativos aos períodos de 1998 a 2009. Assim, conforme certidão já anexada à impugnação, a recorrente seria portadora do certificado no período de 1998 a 2009. Como o certificado foi emitido somente em 2009, a recorrente esteve impossibilitada, fática e juridicamente, de requerer à RFB o reconhecimento da imunidade/isenção. Em que pese a afirmação da recorrente de que continuou a apresentar os Relatórios de Atividade ao fisco, o que comprovaria a sua boafé e a total ausência de motivos para a negativa do benefício, é fato que a Lei n° 8.212/91, dispôs sobre a necessidade de requerimento do benefício fiscal ao INSS (art. 55, § 1°). Assim, mesmo ausente o certificado de entidade beneficente, a partir do Ato Cancelatório n° 001/2001, deveria a recorrente ter cumprido o requisito legal a fim de resguardar os seus direitos. Nessa hipótese, mesmo com a negativa do órgão fazendário, restaria assegurada a retroação caso houvesse posterior obtenção ou a renovação do Certificado de Entidade Beneficente de Assistência Social (Cebas), como de fato ocorreu. Com efeito, dispõe a Súmula 352 do STJ que “a obtenção ou a renovação do Certificado de Entidade Beneficente de Assistência Social (Cebas) não exime a entidade do cumprimento dos requisitos legais supervenientes”. O STJ já decidiu caso semelhante: TRIBUTÁRIO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. ENTIDADE FILANTRÓPICA. ISENÇÃO. INTERPRETAÇÃO RESTRITIVA. CONDICIONAMENTO AOS REQUISITOS LEGAIS. RECURSO ESPECIAL. 1. Se o contribuinte não deu cumprimento ao comando do artigo 55, § 1º, da Lei 8.212/91 em relação aos exercícios de 1997/1998 não reveste a qualidade de "isento" devendo, pois, pagar as contribuições sociais inadimplidas. 2. Às entidades cabe o cumprimento cumulativo de todos os requisitos legais para que possam usufruir da isenção pleiteada. Fl. 519DF CARF MF Impresso em 02/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/04/2014 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 01/ 04/2014 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 01/04/2014 por LIEGE LACROIX THOMA SI Processo nº 19515.001982/201065 Acórdão n.º 2302003.066 S2C3T2 Fl. 513 7 É do conhecimento médio de quem trilha a seara do direito tributário que, relativamente às regras de isenção, a interpretação deve ser literal nos termos do artigo 111 do CTN. Salientese, outrossim, a precariedade da "isenção" sob comento, ou seja, a entidade encontrase sujeita à verificação pelo INSS, do cumprimento de todas as condições legais necessárias à outorga ou permanência no gozo da isenção. 3. In casu, a recorrida, no período em que as contribuições lhe foram cobradas, não se encontrava amparada pela isenção em face do nãocumprimento do requisito inserto no artigo 55, § 1º, da Lei 8.212/91. 4. Recurso especial provido. (REsp 463.335/PR, Rel. Ministro LUIZ FUX, Rel. p/ Acórdão Ministro JOSÉ DELGADO, PRIMEIRA TURMA, julgado em 16/12/2003, DJ 17/12/2004, p. 419) (destaques nossos) Imunidade/Isenção. Art. 14 do CTN. A imunidade estabelecida no § 7° do art. 195 somente poderia estar condicionada a requisitos estabelecidos em lei complementar (artigo 146, II, da CF), no caso, teria incidência apenas as condições estabelecidas no artigo 14 do CTN, que é lei complementar no sentido “material”. Quanto a tal argumentação, pedimos vênia para seguir a orientação adotada pelo Conselheiro Elias Sampaio Freire, relator do Recurso Especial 255.559, acórdão 9202 002.420 (processo 13016.000954/200770, Câmara Superior de Recursos Fiscais, julgado em 07 de novembro de 2012). Dispõe o Código Tributário Nacional que: Art. 9º É vedado à União, aos Estados, ao Distrito Federal e aos Municípios: (...) IV cobrar imposto sobre: (...) c) o patrimônio, a renda ou serviços dos partidos políticos, inclusive suas fundações, das entidades sindicais dos trabalhadores, das instituições de educação e de assistência social, sem fins lucrativos, observados os requisitos fixados na Seção II deste Capítulo; (...) Art. 14. O disposto na alínea c do inciso IV do artigo 9º é subordinado à observância dos seguintes requisitos pelas entidades nele referidas: Fl. 520DF CARF MF Impresso em 02/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/04/2014 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 01/ 04/2014 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 01/04/2014 por LIEGE LACROIX THOMA SI 8 I – não distribuírem qualquer parcela de seu patrimônio ou de suas rendas, a qualquer título; II – aplicarem integralmente, no País, os seus recursos na manutenção dos seus objetivos institucionais; III – manterem escrituração de suas receitas e despesas em livros revestidos de formalidades capazes de assegurar sua exatidão. § 1º Na falta de cumprimento do disposto neste artigo, ou no § 1º do artigo 9º, a autoridade competente pode suspender a aplicação do benefício. § 2º Os serviços a que se refere a alínea c do inciso IV do artigo 9º são exclusivamente, os diretamente relacionados com os objetivos institucionais das entidades de que trata este artigo, previstos nos respectivos estatutos ou atos constitutivos. Como se vê, o regramento invocado pela recorrente referese à imunidade de impostos. Para as entidades beneficentes de assistência social, a Constituição concedeu imunidade/isenção das contribuições para a seguridade social desde que atendidas as exigências estabelecidas em lei. Não é verdade que o § 7º do art. 195 da Constituição, por se tratar de uma limitação constitucional ao poder de tributar, deve ser regulamentado por lei complementar (art. 14 do Código Tributário Nacional). Conforme nos ensina Leandro Paulsen, “é rígida a posição do STF do sentido de que, quando a Constituição remete à lei, sem qualificála, cuida se de lei ordinária, pois a lei complementar é sempre requerida expressamente” (Contribuições – Custeio da Seguridade Social. Livraria do Advogado Editora, 2007, p. 145) É verdade que, quanto à matéria, houve o reconhecimento da repercussão geral no Recurso Extraordinário n° 566.622 (tema 32), o que demonstra que não se trata de questão fechada: Recurso REPERCUSSÃO GERAL ENTIDADE BENEFICENTE DE ASSISTÊNCIA SOCIAL IMUNIDADE CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS ARTIGO 195, § 7º, DA CONSTITUIÇÃO FEDERAL. Admissão pelo Colegiado Maior. (RE 566622 RG, Relator(a): Min. MARCO AURÉLIO, julgado em 21/02/2008, DJe074 DIVULG 24042008 PUBLIC 2504 2008 EMENT VOL0231609 PP01919 ) Tema 32 Reserva de lei complementar para instituir requisitos à concessão de imunidade tributária às entidades beneficentes de assistência social. Fl. 521DF CARF MF Impresso em 02/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/04/2014 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 01/ 04/2014 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 01/04/2014 por LIEGE LACROIX THOMA SI Processo nº 19515.001982/201065 Acórdão n.º 2302003.066 S2C3T2 Fl. 514 9 No entanto, alinhase o presente voto com a posição adotada pelo próprio STF por ocasião do julgamento do Ag. Reg. no RE n° 428.8150, no qual decidiuse que os requisitos formais para a constituição e funcionamento das entidades beneficentes de assistência social são matérias que podem ser tratadas por lei ordinária: EMENTA: I. Imunidade tributária: entidade filantrópica: CF, arts. 146, II e 195, § 7º: delimitação dos âmbitos da matéria reservada, no ponto, à intermediação da lei complementar e da lei ordinária (ADIMC 1802, 27.8.1998, Pertence, DJ 13.2.2004;RE 93.770, 17.3.81, Soares Muñoz, RTJ 102/304). A Constituição reduz a reserva de lei complementar da regra constitucional ao que diga respeito "aos lindes da imunidade", à demarcação do objeto material da vedação constitucional de tributar; mas remete à lei ordinária "as normas sobre a constituição e o funcionamento da entidade educacional ou assistencial imune". II. Imunidade tributária: entidade declarada de fins filantrópicos e de utilidade pública: Certificado de Entidade de Fins Filantrópicos: exigência de renovação periódica (L. 8.212, de 1991, art. 55). Sendo o Certificado de Entidade de Fins Filantrópicos mero reconhecimento, pelo Poder Público, do preenchimento das condições de constituição e funcionamento, que devem ser atendidas para que a entidade receba o benefício constitucional, não ofende os arts. 146, II, e 195, § 7º, da Constituição Federal a exigência de emissão e renovação periódica prevista no art. 55, II, da Lei 8.212/91. (RE 428815 AgR, Relator(a): Min. SEPÚLVEDA PERTENCE, Primeira Turma, julgado em 07/06/2005, DJ 24062005 PP 00040 EMENT VOL0219707 PP01247 RDDT n. 120, 2005, p. 150153) Nada impede que a Constituição crie uma regra geral (lei complementar regula as limitações constitucionais ao poder de tributar) e estabeleça exceções (como a regulamentação do art. 195, § 7°, por lei ordinária). Desta forma, impõese às entidades beneficentes de assistência social que cumpram os requisitos estabelecidos no art. 55 da Lei n.º 8.212/91, a fim de que possam ser consideradas isentas/imunes das contribuições para a seguridade social. Portanto, a imunidade tributária prevista no artigo 150, VI, “c” não se confunde com a imunidade prevista no art. 195, § 7º , ambos da Constituição Federal. Esta incide sobre contribuições sociais para a seguridade social e aquela sobre impostos. Além disso, a imunidade prevista no art. 195, § 7º, pode ser regulamentada por lei ordinária, como no caso, pela Lei 8.212/91, não havendo necessidade, nesta hipótese, de regulamentação por meio de lei complementar. Destarte, as entidades beneficentes que prestam assistência social, inclusive no campo da educação e da saúde, para gozarem da imunidade constante do § 7º do art. 195 da Constituição Federal, deveriam – à época dos fatos geradores atender ao rol de exigências determinado pelo art. 55 da Lei nº 8.212/91. Fl. 522DF CARF MF Impresso em 02/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/04/2014 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 01/ 04/2014 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 01/04/2014 por LIEGE LACROIX THOMA SI 10 Pelos motivos expendidos, CONHEÇO do recurso voluntário para, no mérito, NEGARLHE PROVIMENTO. (assinado digitalmente) ANDRÉ LUÍS MÁRSICO LOMBARDI – Relator Fl. 523DF CARF MF Impresso em 02/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/04/2014 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 01/ 04/2014 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 01/04/2014 por LIEGE LACROIX THOMA SI
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Numero do processo: 10073.001621/99-88
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Feb 20 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu May 15 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/01/1995 a 31/12/1998
COFINS. INSTITUIÇÕES DE EDUCAÇÃO. ISENÇÃO DA LEI COMPLEMENTAR 70. INAPLICABILIDADE.
A isenção da COFINS versada no art. 6º, III da Lei Complementar 70/91 não se aplica às instituições de ensino superior que cobram pelos serviços prestados, visto que aí se cuida de entidades beneficentes de assistência social.
Recurso especial provido.
Numero da decisão: 9303-002.886
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado. Vencidos os Conselheiros Rodrigo Cardozo Miranda, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva e as Conselheiras Fabíola Cassiano Keramidas e Nanci Gama, que negavam provimento.
MARCOS AURÉLIO PEREIRA VALADÃO Presidente Substituto.
JÚLIO CÉSAR ALVES RAMOS - Relator.
EDITADO EM: 20/03/2014
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Henrique Pinheiro Torres, Nanci Gama, Júlio César Alves Ramos, Rodrigo Cardozo Miranda, Rodrigo da Costa Pôssas, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva, Joel Miyazaki e Fabíola Cassiano Keramidas (em substituição à Conselheira Maria Teresa Martinez Lopez) e Marcos Aurélio Pereira Valadão (Presidente da Primeira Seção, em substituição ao Presidente Otacílio Cartaxo). Ausentes, justificadamente, o Presidente Otacílio Cartaxo e a Conselheira Susy Gomes Hoffmann.
Nome do relator: JULIO CESAR ALVES RAMOS
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado. Vencidos os Conselheiros Rodrigo Cardozo Miranda, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva e as Conselheiras Fabíola Cassiano Keramidas e Nanci Gama, que negavam provimento. MARCOS AURÉLIO PEREIRA VALADÃO Presidente Substituto. JÚLIO CÉSAR ALVES RAMOS - Relator. EDITADO EM: 20/03/2014 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Henrique Pinheiro Torres, Nanci Gama, Júlio César Alves Ramos, Rodrigo Cardozo Miranda, Rodrigo da Costa Pôssas, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva, Joel Miyazaki e Fabíola Cassiano Keramidas (em substituição à Conselheira Maria Teresa Martinez Lopez) e Marcos Aurélio Pereira Valadão (Presidente da Primeira Seção, em substituição ao Presidente Otacílio Cartaxo). Ausentes, justificadamente, o Presidente Otacílio Cartaxo e a Conselheira Susy Gomes Hoffmann.
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INSTITUIÇÕES DE EDUCAÇÃO Recorrente FAZENDA NACIONAL Interessado SOBEU SOCIEDADE BARRAMANSENSE DE ENSINO ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/01/1995 a 31/12/1998 COFINS. INSTITUIÇÕES DE EDUCAÇÃO. ISENÇÃO DA LEI COMPLEMENTAR 70. INAPLICABILIDADE. A isenção da COFINS versada no art. 6º, III da Lei Complementar 70/91 não se aplica às instituições de ensino superior que cobram pelos serviços prestados, visto que aí se cuida de entidades beneficentes de assistência social. Recurso especial provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado. Vencidos os Conselheiros Rodrigo Cardozo Miranda, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva e as Conselheiras Fabíola Cassiano Keramidas e Nanci Gama, que negavam provimento. MARCOS AURÉLIO PEREIRA VALADÃO – Presidente Substituto. JÚLIO CÉSAR ALVES RAMOS Relator. EDITADO EM: 20/03/2014 AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 07 3. 00 16 21 /9 9- 88 Fl. 581DF CARF MF Impresso em 15/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2014 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 02/04/2 014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 20/03/2014 por JULIO CESAR ALVES RA MOS 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Henrique Pinheiro Torres, Nanci Gama, Júlio César Alves Ramos, Rodrigo Cardozo Miranda, Rodrigo da Costa Pôssas, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva, Joel Miyazaki e Fabíola Cassiano Keramidas (em substituição à Conselheira Maria Teresa Martinez Lopez) e Marcos Aurélio Pereira Valadão (Presidente da Primeira Seção, em substituição ao Presidente Otacílio Cartaxo). Ausentes, justificadamente, o Presidente Otacílio Cartaxo e a Conselheira Susy Gomes Hoffmann. Relatório Tratase de recurso da Fazenda Nacional contra decisão proferida, ainda no ano de 2005, pela Quarta Câmara do Segundo Conselho de Contribuintes. O processo havia sido assim relatado por ocasião do julgamento ora sob recurso: Versam os autos lançamento de ofício de COFINS relativo aos períodos de apuração janeiro de 1995 a dezembro de 1998, com base no entendimento do Fisco (fls. 08/09 e 234) de que o contribuinte deixou de atender requisitos que condicionavam a isenção de COFINS, sendo eles a concessão de vantagens e benefícios a sócios fundadores através de licença sem prejuízo de suas remunerações, o que infringiria o inciso IV do artigo 55 da Lei n° 8.212, e a não destinação de, no mínimo, 60% da receita com mensalidades cobradas, contrariando o previsto no artigo 2º, VI, do Decreto n° 2.306, de 19/08/97. Tendo a 4ª Turma da DRJII no Rio de Janeiro RJ julgado procedente o lançamento (fls. 408/415), contra ela foi interposto o presente recurso voluntário, no qual, em síntese, alega em preliminar que a r. decisão não levou em consideração as manifestações de inconformidade apresentadas contra os atos declaratórios suspensivos de sua imunidade nos processos administrativos 10073.000587/9914 e 13727.000533/9905, ainda não definitivamente julgadas, e que por essa razão estaria a fiscalização impedida de efetuar o lançamento eis que ainda incertos esses atos. No mérito, pugna que as exigências para o reconhecimento da imunidade dada pelo artigo 195 da Constituição Federal encontramse no artigo 14 do CTN, em relação ao qual não houve prova de infringência pelo fiscal autuante. Mesmo se tal não tivesse ocorrido, não foi comprovado pela fiscalização que a instituição não destina sessenta por cento da receita de suas mensalidades com despesas de pessoal docente e técnico administrativo. Isso porque muitos alunos atrasam o pagamento das mensalidades, o que gera uma distorção nos valores verificados pelo agente fiscal, e que deveriam ter sido analisados os valores das mensalidades até a data de seu vencimento. Como se vê, o nobre relator, Conselheiro Jorge Freire, menciona apenas “isenção”, sem enfatizar com clareza a base legal de tal instituto. Fl. 582DF CARF MF Impresso em 15/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2014 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 02/04/2 014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 20/03/2014 por JULIO CESAR ALVES RA MOS Processo nº 10073.001621/9988 Acórdão n.º 9303002.886 CSRFT3 Fl. 9 3 No voto condutor do acórdão, assim se expressou o Relator: Em síntese, a controvérsia gira em torno da aplicação à defendente da imunidade estatuída no artigo 195, § 7°, da Constituição Federal, ou não. E tal norma está assim positivada: São isentas de contribuição para a seguridade social as entidades beneficentes de assistência social que atendam as exigências estabelecidas em lei. Assim, dúvida não há que a lide gira em torno da aplicação de imunidade e, de forma alguma, como incorretamente inserto no texto constitucional, de isenção. E a marcação de tal distinção é fulcral para o deslinde do litígio. A partir daí, o voto examina os requisitos para validade da imunidade de que cuida o art. 195 e conclui que não houve o descumprimento porquanto aplicáveis apenas as disposições do CTN, dado que a regulamentação constitucional requer lei complementar. Ele foi acolhido por maioria, vencidos o Conselheiro Henrique Pinheiro Torres e a Conselheira Nayra Bastos Manatta. Mas o lançamento questiona o cumprimento dos requisitos relativos à isenção versada no art. 6º da Lei Complementar 70, em nenhum momento se referindo a imunidade, nem mesmo sob o “epíteto” de isenção como entendeu o dr. Jorge. O acórdão foi objeto de embargos pela Procuradoria da Fazenda Nacional, rejeitados pelo relator. O especial da Fazenda Nacional foi interposto por “contrariedade à lei”, apontando o representante da Fazenda Nacional ofensa ao art. 77 da Lei 9.430, na medida em que, por via transversa, o acórdão acabou por declarar a inconstitucionalidade do art. 55 da Lei 8.212. Em contrarrazões, a recorrida informa que a “cassação” de sua imunidade para o ano de 1997, objeto de processo julgado pelo Primeiro Conselho de Contribuintes, foi ali revista, o que, entende, afetaria o julgamento deste e reitera a aplicabilidade exclusiva do art. 14 do CTN. É o Relatório. Voto Conselheiro JÚLIO CÉSAR ALVES RAMOS Fl. 583DF CARF MF Impresso em 15/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2014 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 02/04/2 014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 20/03/2014 por JULIO CESAR ALVES RA MOS 4 O recurso foi bem admitido na medida em que aponta com clareza o dispositivo que teria sido, na opinião da Fazenda Nacional, contrariado pelo decisum. Dele conheço. Começo sua análise pelo registro de que foi o primeiro julgamento da matéria de que participei ainda na época dos Conselhos de Contribuintes e acompanhei o n. relator, douto Conselheiro Jorge Freire. De lá para cá, porém, após ter aprofundado o exame da matéria, concluí pela total impropriedade de aplicação da imunidade de que trata o art. 195 às instituições de ensino superior, uma vez que aí, diferentemente do quanto previsto no art. 150, que veicula imunidade a impostos, de instituições de educação não se tratou. Sobre o ponto, comungo, in totum, as considerações expendidas no voto condutor do acórdão na primeira instância, que peço vênia para transcrever aqui: 7. A isenção concedida pelo inciso 1II do art. 6° da Lei Complementar n° 70, de 1991, referese às entidades beneficentes de assistência social. Esse dispositivo dispõe: (...) 8 Primeiramente, temos que a impugnante, ao contrário do que alega, não é uma entidade beneficente de assistência social, como a seguir se demonstrará. 9. A Constituição Federal de 1988, traçando os contornos da assistência social, informa, em seu artigo 203, que será ela prestada "a quem dela necessitar". A assistência social há muito tempo tem o caráter de socorro aos desprotegidos. O professor J. M. de Carvalho Santos, em sua obra Repertório Enciclopédico de Direito Brasileiro, vol. 4, pág. 364, assim a definia: Assistência Social Compreende o conjunto de serviços destinados a socorrer as classes menos favorecidas da sociedade, que, pelo seu estado de pobreza, não contam com recursos para suas necessidades mais essenciais. 10 Nessa mesma acepção a toma De Plácido e Silva, em seu Vocabulário Jurídico, entendendo que assistência social, em linguagem jurídica: É o auxilio facultativo que se presta às pessoas menos favorecidas da fortuna, seja de forma individual ou seja por intermédio de instituições públicas ou particulares. Hodiernamente, referindose à nova Carta Política, o jurista Celso Ribeiro Bastos, em sua obra Curso de Direito Constitucional, 17ª edição, ed. Saraiva, delimita a assistência social como existente para: atender àqueles que nem possuem a condição de ex trabalhadores, isto é, pessoas marginalizadas, sem vinculo empregatício, mas que precisam, de alguma forma, de amparo por parte do Estado. 12. Por sua vez, o acórdão da 3ª Turma do TRF da 3ª R AMS 160.797, relatado pela Juíza Annamaria Pimentel, publicado no Guia IOB sob número 1 — 11328, deixou assentado que: Fl. 584DF CARF MF Impresso em 15/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2014 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 02/04/2 014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 20/03/2014 por JULIO CESAR ALVES RA MOS Processo nº 10073.001621/9988 Acórdão n.º 9303002.886 CSRFT3 Fl. 10 5 CONSTITUCIONAL. TRIBUTÁRIO. ENTIDADE DE: ASSISTÊNCIA SOCIAL, SEM FINS LUCRATIVOS. ART. 150, INCISO VI, ALÍNEA "C ", DA CONSTITUIÇÃO DA REPÚBLICA DE. 1988. IMUNIDADE.. Conforme análise do disposto no artigo 150, inciso VI alínea "c", da Constituição da República de 1988, verificase a atribuição de imunidade quanto aos impostos, às entidades de assistência social, sem fins lucrativos, objetivando, assim, auxiliar e incentivar a realização destas atividades. Não se confunde entidade de previdência social com entidade de assistência social, sem fins lucrativos, visto que a primeira confere benefícios somente a seus associados e a segunda, a todos os necessitadas, independentemente de contraprestação . Exclusão do campo da imunidade, quanto aos impostos, das entidades de previdência social. Apelação improvida. (destaque acrescido) 13. No mesmo sentido, no âmbito administrativo, a relatora do Acórdão 30232.863 da 2ª Câmara do 3º Conselho de Contribuintes, embora não tenha chegado a decidir o mérito, expressa com clareza sua posição sobre a questão, afirmando que: As instituições de assistência social, a meu ver, estão essencialmente ligadas ao principio de solidariedade humana, em função do qual se organizam. Resumidamente, a Assistência Social se propõe a socorrer a todos, desde que não tenham outra proteção. Predomina ali o interesse público, de ordem humanitária, filantrópica ou de solidariedade ao próximo. 14. Dessa forma, somente se pode entender a atividade de assistência social como aquela que visa ao atendimento desinteressado e gratuito da sociedade, ou de parcela dela. A gratuidade é condição essencial para que se considere qualquer entidade como de assistência social, podendo, é bem verdade, as instituições benemerentes delimitarem seu nicho de atuação, verbi gratia: auxílio à infância, drogados, velhice, etc. Contudo, deverá sempre visar aos desamparados. Essa gratuidade, entretanto, não se constitui em camisa de força, toldando a movimentação e o exercício da instituição. Pode essa se remunerar dos serviços prestados aos mais abastados, revertendo o ganho obtido ao encargo assistencial. 15. Entretanto, não é esse o caso da impugnante, pois tem ela o fim de propiciar a educação para um grupo privilegiado que pode bancar as mensalidades, denotandose, então, uma contraprestação por vínculo contratual, sem nenhum caráter assistencial. 16. Ressaltese que a Constituição também distingue os conceitos de instituição de educação e entidade de assistência social ao dar a eles tratamento distinto. Em seu citado artigo 150, inciso VI, alínea "c", ela enumera tais conceitos um após o Fl. 585DF CARF MF Impresso em 15/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2014 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 02/04/2 014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 20/03/2014 por JULIO CESAR ALVES RA MOS 6 outro, deixando claro que não são coincidentes. Além disso, no Título VI, Capítulo H, da Seguridade Social, Seção IV, a Carta Magna dispôs sobre a assistência social, enquanto a educação consta do Título VIII, Capítulo III, Da Educação, Da Cultura e do Desporto, Seção I. 17. Outrossim, não se pode concluir que apenas por não ter fins lucrativos a instituição de educação é entidade de assistência social. Realmente, nada impede que a atividade educacional faça parte da assistência social. No entanto, é uma falácia deduzir dessa possibilidade que toda atividade educacional é assistência social. Nesse sentido, citase o Acórdão do Superior Tribunal de Justiça, no Mandado de Segurança 5.859 — DF, de 25 de novembro de 1998, ministro relator o MM. Juiz Ari Pargendler: PREVIDÊNCIA SOCIAL CERTIFICADO DE FINS FILANTRóPICOS, CENTRO CULTURAL VOLTADO PARA O ENSINO DE LÍNGUA ESTRANGEIRA. Não há como confundir instituição dedicada à educação com entidade de assistência educacional; a ênfase do caráter filantrópico está na assistência, e não na educação. Mandado de segurança denegado. (destaque acrescido) 18. Por outro lado, o simples fato de a contribuinte cumprir as exigências previstas no artigo 14 do CTN, não é suficiente para lhe conceder a imunidade prevista no § 7° do art. I95 da Constituição Federal ou a isenção dada pelo inciso III do art. 6° da Lei Complementar n° 70, de 1991, haja vista estar descumprida a condição essencial para enquadramento nesses dispositivos, ou seja, tratarse de entidade beneficente de assistência social. 19. Com isso, tornarseia desnecessário apreciar as alegações da autuada que dizem respeito aos requisitos exigidos das entidades beneficentes de assistência social para gozo da isenção/imunidade, uma vez que a contribuinte não se enquadra entre elas. Entretanto, ainda, assim o faremos para impossibilitar qualquer alegação de cerceamento do direito de defesa. Em votos posteriores envolvendo instituições de ensino superior, mais de uma vez deixei registrado que, a meu ver, a elas se aplica, com exclusividade, a isenção instituída pela Medida Provisória 2.15835/2001 a partir de fevereiro de 1999. Mas aqui todos os períodos de apuração constantes do lançamento são anteriores, e a acusação fiscal é de descumprimento de requisitos aplicáveis à isenção de que cuida o art. 6º da Lei Complementar 70/91. Em nenhuma passagem da acusação se faz qualquer referência à imunidade prevista no art. 195, motivo pelo qual, aliás, o julgador de primeira instância deixa consignado que apenas examinaria a imunidade para evitar acusação de cerceamento de direito de defesa visto que a impugnação apresentada apenas sobre ela se debruçara. É somente quanto a esse ponto que divirjo do voto original: não haveria cerceamento de defesa algum se a decisão considerasse procedente o lançamento sem enfrentar o argumento aposto, dado que não fora essa a acusação fiscal. Fl. 586DF CARF MF Impresso em 15/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2014 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 02/04/2 014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 20/03/2014 por JULIO CESAR ALVES RA MOS Processo nº 10073.001621/9988 Acórdão n.º 9303002.886 CSRFT3 Fl. 11 7 De todo modo, tendo sido sobre ela que – erradamente – nos pronunciamos no colegiado recorrido, aplico os elementos de convicção transcritos acima para reiterar não se cuidar de imunidade e dou provimento ao recurso da Fazenda Nacional uma vez que, pelo mesmo motivo, também a elas não se direciona a isenção do citado art. 6º da LC 70, que a seguir transcrevo: Art. 6° São isentas da contribuição: I as sociedades cooperativas que observarem ao disposto na legislação específica, quanto aos atos cooperativos próprios de suas finalidades II as sociedades civis de que trata o art. 1° do DecretoLei n° 2.397, de 21 de dezembro de 1987; III as entidades beneficentes de assistência social que atendam às exigências estabelecidas em lei. E três são as razões para essa minha conclusão: a) o dispositivo, igualmente ao que prevê o art. 195 da Constituição, apenas se dirige a instituições de assistência social; b) elas hão de ser beneficentes e c) a regulamentação se fará por lei. Obviamente que, prevista a isenção em lei complementar, sua regulamentação pode, e deve, se dar por meio de Lei. Disso decorre que, mesmo que eventualmente se conclua que o art. 55 não disciplina o art. 195 da CF porque necessária para tanto lei complementar, como entendeu, fundamentadamente, o dr. Jorge, o mesmo não se pode dizer do “disciplinamento” da Lei Complementar 70. E essa conclusão se vê reforçada pelo próprio texto do art. 13 da Medida Provisória 2.15835: Art. 13. A contribuição para o PIS/PASEP será determinada com base na folha de salários, à alíquota de um por cento, pelas seguintes entidades: (...) III instituições de educação e de assistência social a que se refere o art. 12 da Lei no 9.532, de 10 de dezembro de 1997; (...) Como se vê, aí se elencam, lado a lado – como, aliás, já o faz o art. 150 da CF – instituições de assistência social e instituições de educação. Para os que as equiparam, resta responder por que a lei os mencionou separadamente. Com tais considerações, é o meu voto pelo provimento do recurso especial. É como voto. Fl. 587DF CARF MF Impresso em 15/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2014 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 02/04/2 014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 20/03/2014 por JULIO CESAR ALVES RA MOS 8 JÚLIO CÉSAR ALVES RAMOS Relator Fl. 588DF CARF MF Impresso em 15/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2014 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 02/04/2 014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 20/03/2014 por JULIO CESAR ALVES RA MOS
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Numero do processo: 16832.000686/2009-22
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 11 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu May 15 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 2005
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. EXAME DE MATÉRIA DE FATO NÃO CONTESTADA NA IMPUGNAÇÃO. IMPOSSIBILIDADE DE CONHECIMENTO QUANDO DO RECURSO VOLUNTÁRIO. EMBARGOS ADMITIDOS. EFEITOS INFRINGENTES.
Havendo preclusão quanto à impugnação de matéria de fato, tal questão não pode ser levantada em recurso voluntário. Embargos admitidos e acolhidos para excluir da apreciação do acórdão embargado da questão relacionada ao imposto de renda retido na fonte - IRRF, não contestada quando da impugnação.
Embargos Admitidos e Providos.
Numero da decisão: 1402-001.594
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, admitir os Embargos de Declaração para, no mérito, dar-lhes provimento e reformar o Acórdão 1402-001.482, uma vez que abarcou matéria referente ao Imposto de Renda Retido na Fonte que não foi objeto de impugnação, tornando-se preclusa, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Leonardo de Andrade Couto - Presidente
(assinado digitalmente)
Moisés Giacomelli Nunes da Silva - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Frederico Augusto Gomes de Alencar, Carlos Pelá, Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Moisés Giacomelli Nunes da Silva, Paulo Roberto Cortez e Leonardo de Andrade Couto.
Nome do relator: MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Ano-calendário: 2005 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. EXAME DE MATÉRIA DE FATO NÃO CONTESTADA NA IMPUGNAÇÃO. IMPOSSIBILIDADE DE CONHECIMENTO QUANDO DO RECURSO VOLUNTÁRIO. EMBARGOS ADMITIDOS. EFEITOS INFRINGENTES. Havendo preclusão quanto à impugnação de matéria de fato, tal questão não pode ser levantada em recurso voluntário. Embargos admitidos e acolhidos para excluir da apreciação do acórdão embargado da questão relacionada ao imposto de renda retido na fonte - IRRF, não contestada quando da impugnação. Embargos Admitidos e Providos.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 6; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1784; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C4T2 Fl. 6 1 5 S1C4T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 16832.000686/200922 Recurso nº Embargos Acórdão nº 1402001.594 – 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 11 de março de 2014 Matéria Imposto de Renda Pessoa Jurídica Recorrente FAZENDA NACIONAL Recorrida TRAMP OIL BRASIL LTDA ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2005 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. EXAME DE MATÉRIA DE FATO NÃO CONTESTADA NA IMPUGNAÇÃO. IMPOSSIBILIDADE DE CONHECIMENTO QUANDO DO RECURSO VOLUNTÁRIO. EMBARGOS ADMITIDOS. EFEITOS INFRINGENTES. Havendo preclusão quanto à impugnação de matéria de fato, tal questão não pode ser levantada em recurso voluntário. Embargos admitidos e acolhidos para excluir da apreciação do acórdão embargado da questão relacionada ao imposto de renda retido na fonte IRRF, não contestada quando da impugnação. Embargos Admitidos e Providos. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, admitir os Embargos de Declaração para, no mérito, darlhes provimento e reformar o Acórdão 1402001.482, uma vez que abarcou matéria referente ao Imposto de Renda Retido na Fonte que não foi objeto de impugnação, tornandose preclusa, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 83 2. 00 06 86 /2 00 9- 22 Fl. 851DF CARF MF Impresso em 15/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/04/2014 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente e m 22/04/2014 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente em 09/05/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 16832.000686/200922 Acórdão n.º 1402001.594 S1C4T2 Fl. 7 2 (assinado digitalmente) Leonardo de Andrade Couto Presidente (assinado digitalmente) Moisés Giacomelli Nunes da Silva Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Frederico Augusto Gomes de Alencar, Carlos Pelá, Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Moisés Giacomelli Nunes da Silva, Paulo Roberto Cortez e Leonardo de Andrade Couto. Fl. 852DF CARF MF Impresso em 15/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/04/2014 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente e m 22/04/2014 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente em 09/05/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 16832.000686/200922 Acórdão n.º 1402001.594 S1C4T2 Fl. 8 3 Relatório A empresa embargada foi autuada por omissão de receita (passivo não comprovado), glosa de despesas, glosa de prejuízos compensados indevidamente e Imposto de Renda Retido na Fonte sobre pagamento a beneficiários não identificado/sem causa. Cientificada do lançamento, a parte interessada apresentou a impugnação de fls.503/513, acompanhada dos documentos de fls.514/623, alegando, em síntese, que não prevalece a autuação com base no passivo fictício. Juntou documentos relacionados aos fatos correspondente à autuação como pagamento sem causa, sem fazer referência aos mesmos na peça impugnatória. A DRJ, por meio do acórdão de fls. 595 e seguintes, deu parcial provimento para excluir da presunção de omissão de receita o valor de R$ 13.590,00 Nota fiscal nº 881071 (item 33 do acórdão fl. 703). O Acórdão da DRJ possui a seguinte ementa: MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL. ALEGAÇÃO DE VÍCIOS QUANTO AO SEU PROCESSAMENTO. CIRCUNSTÂNCIAS QUE NÃO CARACTERIZAM NULIDADE DA AUTUAÇÃO. O Mandado de Procedimento Fiscal MPF se constitui em instrumento de controle da Administração que tem por objetivo conferir transparência ao Fiscalizado. É por meio do MPF que o contribuinte tem condições de conferir se quem se apresenta em nome da Administração, como auditor fiscal, efetivamente detém tal função e está autorizado a fiscalizálo. Assim, eventuais falhas quanto à prorrogação do MPF, desde que não resultem na obtenção de prova ilícita, não constitui em nulidade do lançamento feito em conformidade com o artigo 142 do CTN. PAGAMENTO SEM CAUSA. EXISTÊNCIA DE DOCUMENTOS COMPROVANDO QUE OS PAGAMENTOS REFERIAMSE AO RATEIO DE DESPESAS ENTRE EMPRESA DO GRUPO. EXIGÊNCIA INSUBSISTENTE Identificada a beneficiária dos pagamentos e estando demonstrado, com os documentos de fls. 102 a 354, que os pagamentos foram feitos a título de rateio das despesas, o fato de conterem imprecisões quanto à especificação detalhada, tais como a demonstração de que os beneficiários do plano de saúde, que gerou parte das as despesas pagas, eram funcionários e ou diretores das empresas do grupo empresarial é causa que enseja a glosa das despesas, mas não caracteriza pagamento sem causa. A causa está comprovada. Recurso Voluntário Provido em Parte. Fl. 853DF CARF MF Impresso em 15/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/04/2014 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente e m 22/04/2014 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente em 09/05/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 16832.000686/200922 Acórdão n.º 1402001.594 S1C4T2 Fl. 9 4 Da decisão recorrida a parte interessada foi intimada em 20/7/2012 (fl. 723 sextafeira) e em 20/8/2012 ingressou com o recurso de fls. 723 e seguintes, suscitando várias questões, inclusive as relacionadas a pagamento sem causa. Examinando o recurso e os documentos existentes nos autos, ao relatar o processo entendi que não podia prevalecer a exigência do pagamento sem causa, no que fui acompanhado pelos demais membros do colegiado. Intimada do acórdão, de forma tempestiva a Procuradoria da Fazenda Nacional apresentou os embargos de fls. 799 e seguintes, alegando omissão na medida em que o colegiado tinha enfrentado a questão relativa ao IRRF, que não tinha sido impugnada. É o relatório. Fl. 854DF CARF MF Impresso em 15/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/04/2014 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente e m 22/04/2014 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente em 09/05/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 16832.000686/200922 Acórdão n.º 1402001.594 S1C4T2 Fl. 10 5 Voto No caso dos autos, não se trata de omissão propriamente dita, mas sim de julgamento extra petita, situação excepcional que admite embargos para correção de erro, qual seja, limitar o julgado ao objeto da matéria em litígio. Esta Turma Julgadora deu parcial provimento ao recurso voluntário, para cancelar a exigência do IRRF sobre pagamento a beneficiário não identificado/sem causa. No entanto, esta matéria não foi objeto de impugnação pelo sujeito passivo, conforme anota a DRJ em sua decisão, aqui transcrita: “38. Do lançamento de IRRF. Do pagamento sem causa. 39. Tratase de matéria não expressamente impugnada, considerada consolidada administrativamente, nos termos do disposto no art. 17 do Decreto nº 70.235/1972, com redação determinada pela Lei nº 9.532/1997.” Com base nisso, deixou o Colegiado de ter o poder de apreciar tal questão, por conta do princípio da adstrição do julgador ao pedido do autor. Portanto, verificase, que houve omissão do acórdão do recurso voluntário, ao não apreciar, ou ao não afastar expressamente, a inexistência de pressupostos a permitirem a apreciação dessa matéria. É que se afigura ausente requisito para que essa questão fosse apreciada por esta Turma, visto que não foi levantada em grau de impugnação, tratandoSe, portanto, de matéria preclusa, a teor do art. 17 do Decreto n.º 70.235/72: “Art. 17. Considerarseá não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante”. Com isso, mostrase aplicável ao caso o disposto no art. 17 do Decreto n.º 70.235/72, o qual impede a apresentação de novas razões de fato, após a apresentação de impugnação. Este comando encontrase refletido no art. 300 c/c art. 302 do Código de Processo Civil, aplicáveis, subsidiariamente, ao processo administrativo fiscal, que cuidam do princípio da eventualidade e do ônus processual, atribuído ao Réu, da impugnação específica das questões de fato e de direito levantadas pelo autor em seu pedido. Art. 300. Compete ao réu alegar, na contestação, toda a matéria de defesa, expondo as razões de fato e de direito, com que impugna o pedido do autor e especificando as provas que pretende produzir. Art. 303. Depois da contestação, só é lícito deduzir novas alegações quando: Fl. 855DF CARF MF Impresso em 15/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/04/2014 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente e m 22/04/2014 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente em 09/05/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 16832.000686/200922 Acórdão n.º 1402001.594 S1C4T2 Fl. 11 6 I relativas a direito superveniente; II competir ao juiz conhecer delas de ofício; III por expressa autorização legal, puderem ser formuladas em qualquer tempo e juízo. ISSO POSTO, voto no sentido de admitir os Embargos de Declaração para, no mérito, darlhes provimento e reformar o Acórdão 1402001.482, uma vez que abarcou matéria referente ao Imposto de Renda Retido na Fonte que não foi objeto de impugnação, tornandose preclusa. assinado digitalmente MOISÉS GIACOMELLI NUNES DA SILVA Relator Fl. 856DF CARF MF Impresso em 15/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/04/2014 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente e m 22/04/2014 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente em 09/05/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO
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Numero do processo: 11610.014892/2002-34
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 26 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed May 14 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/10/1997 a 31/12/1997
AUTO DE INFRAÇÃO ELETRÔNICO. DCTF. MOTIVAÇÃO INCONSISTENTE. CANCELAMENTO.
Deve ser cancelado por falta de amparo fático o auto de infração que toma como pressuposto de fato a inexistência de processo judicial em nome do contribuinte, e o contribuinte demonstra a existência desta ação, bem como que figura no pólo ativo.
Numero da decisão: 3201-001.607
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado.
JOEL MIYAZAKI - Presidente.
CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Joel Miyazaki (presidente), Winderley Morais Pereira, Daniel Mariz Gudino, Carlos Alberto Nascimento e Silva Pinto, Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo e Luciano Lopes de Almeida Moraes.
Nome do relator: CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/10/1997 a 31/12/1997 AUTO DE INFRAÇÃO ELETRÔNICO. DCTF. MOTIVAÇÃO INCONSISTENTE. CANCELAMENTO. Deve ser cancelado por falta de amparo fático o auto de infração que toma como pressuposto de fato a inexistência de processo judicial em nome do contribuinte, e o contribuinte demonstra a existência desta ação, bem como que figura no pólo ativo. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. JOEL MIYAZAKI Presidente. CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Joel Miyazaki (presidente), Winderley Morais Pereira, Daniel Mariz Gudino, Carlos Alberto Nascimento e Silva Pinto, Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo e Luciano Lopes de Almeida Moraes. Relatório Por bem descrever a matéria de que trata este processo, adoto e transcrevo abaixo o relatório que compõe a Decisão Recorrida. Em ação fiscal levada a efeito em face do contribuinte acima identificado foi apurada falta de recolhimento da Contribuição AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 61 0. 01 48 92 /2 00 2- 34 Fl. 141DF CARF MF Impresso em 14/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/05/2014 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digital mente em 07/05/2014 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digitalmente em 13/05/2014 por JOEL MIYAZAKI Processo nº 11610.014892/200234 Acórdão n.º 3201001.607 S3C2T1 Fl. 141 2 para o PIS/Pasep dos fatos geradores ocorridos no período de 10/1997 a 12/1997 não recolhidos e declarados na DCTF, pois foi constatado “Proc jud não comprovado” razão pela qual foi lavrado o Auto de Infração de fls. 33 e 34 integrado pelos termos e documentos nele mencionados, apurandose o crédito tributário composto de contribuição, multa de ofício e juros calculados até 31/05/2002, perfazendo o total de R$5.358,14 (cinco mil e trezentos e cinquenta e oito reais e quatorze centavos), com o seguinte enquadramento legal: Art. 1º e 3º, alínea “b”, da Lei Complementar nº 07/70; art. 83 inc. III, L.8981/95; art 1º, L 9249/95; art. 2º e inc. I, par Un, 3, 5, 6 e 8 inc. I, MP 1495/9611 e reed; art. 2º e inc. I, par Un, 3, 5, 6 e 8 inc. I, MP 1546/96 e reed; art. 2º e inc. I, par Un, 3, 5, 6 e 8 inc. I, MP 1623/9727 e reed. 2. Inconformado com a autuação, da qual foi devidamente cientificado em 11/06/02 (AR à fl. 93), o contribuinte protocolou em 10/07/2002 a impugnação de fl. 2 a 5, acompanhada dos documentos de fls. 673, na qual alega: DO DIREITO Da suspensão do crédito tributário 2.1. O crédito tributário ora exigido está em discussão judicial. Tal afirmação pode ser cabalmente demonstrada através de cópia do agravo de instrumento (doc. 04) e da liminar deferindo o agravo (doc. 05), publicada no Diário da Justiça da União em 05 de junho de 1996, que comprovam a existência do processo judicial n° 96.03.0360929 ora enunciado no presente Auto de Infração como "Proc. judicial não comprovado". 2.1.1. Podemos afirmar com segurança, portanto, que a exigibilidade do débito fiscal está integralmente suspensa, tendo em vista a comprovação do referido processo judicial. 2.1.2. Assim, resta evidente a improcedência do presente Auto de Infração, uma vez que tem por objeto a exigência de valores a título de PIS com exigibilidade suspensa. II. 2 Da ilegalidade da cobrança de multa e juros de mora. 2.2. Conforme demonstrado no tópico anterior, encontrase a ora Impugnante em procedimento judicial, o que impede que se proceda a lavratura de auto de infração, uma vez que não há, em relação à conduta seguida pela Impugnante, infração alguma a ser apurada. 2.2.1. De outra parte, o artigo 62 do Decreto 70.235/72 veda a autuação de contribuinte escorado em decisão judicial, conforme reproduzido. 2.2.2. Confirma a impossibilidade da autuação nos casos de prevenção da decadência, bem como a impossibilidade da cobrança de qualquer multa de ofício o artigo 63, da Lei 9430/96 reproduzido. Fl. 142DF CARF MF Impresso em 14/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/05/2014 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digital mente em 07/05/2014 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digitalmente em 13/05/2014 por JOEL MIYAZAKI Processo nº 11610.014892/200234 Acórdão n.º 3201001.607 S3C2T1 Fl. 142 3 2.2.3. Como conseqüência do total descabimento de cobrança de tributos,bem como de multa, é evidente a impossibilidade da incidência de juros de mora sobre um montante que nem mesmo é devido. 2.2.4. Diante disso concluise que foi efetuado equivocadamente o lançamento tributário. Por esse motivo, não se pode chegar a outra conclusão senão que tal ato administrativo é nulo de pleno direito, razão pela qual deve ser completamente cancelado. DO PEDIDO. 2.3. Diante de todo o exposto, servese a Impugnante da presente para requerer seja cancelado o Auto de Infração em análise em todos os seus efeitos. 2.3.1. Requer, outrossim, que todas as intimações e notificações a serem feitas, relativamente às decisões proferidas neste processo, sejam encaminhadas aos seus procuradores, todos com escritório nesta Capital do Estado de São Paulo, na Rua Padre João Manoel, n° 923, 8 o andar, em atenção ao Dr. RICARDO LACAZ MARTINS, bem como sejam enviadas cópias à Impugnante, no endereço constante destes autos. 2.4. Protesta ainda a Impugnante por todos os tipos de provas admitidas em direito. 3. No Despacho da EQAMJ de 01/12/2011 (fl. 92) consta: “Tratase de AIDCTF de débitos do PIS declarados em DCTF como compensados, vinculados ao Mandado de Segurança n° 96.00099650 / 20ª VF SP. Em análise, verificase que a ação transitou em julgado, em 18/12/2009 (fl. 77), no STF, com Acórdão negando provimento ao Recurso Extraordinário interposto pelo contribuinte em face de decisão do TRF3 que deu parcial provimento à apelação da União Federal e à remessa oficial. Tal recurso de apelação foi interposto contra a sentença que concedeu a segurança para afastar a exigência do PIS na forma instituída pela Medida Provisória n° 1.212/95 e suas sucessivas reedições.”. Sobreveio decisão da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em São Paulo I, que julgou, por unanimidade de votos, procedente em parte a impugnação, mantendo parcialmente o crédito tributário exigido. Os fundamentos do voto condutor do acórdão recorrido encontramse consubstanciados na ementa abaixo transcrita: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/10/1997 a 31/12/1997 PIS – DECISÃO JUDICIAL – APLICASE A MP 1212/1995. Foi decido pelo STF no Mandado de Segurança impetrado pelo Impugnante que o PIS é devido nos termos da MP nº 1.212/1995 e suas reedições convertida em Lei nº 9.715/98, que terão eficácia a partir do período de apuração de março de 1996. Fl. 143DF CARF MF Impresso em 14/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/05/2014 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digital mente em 07/05/2014 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digitalmente em 13/05/2014 por JOEL MIYAZAKI Processo nº 11610.014892/200234 Acórdão n.º 3201001.607 S3C2T1 Fl. 143 4 CONSTITUIÇÃO DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO MEDIDA JUDICIAL SUSPENSIVA COMPATIBILIDADE. Para que tenha sentido a suspensão da exigibilidade do crédito tributário, fazse necessária sua prévia constituição. Assim, o provimento judicial suspensivo da exigibilidade do crédito tributário não obsta o lançamento. PRODUÇÃO DE PROVAS. As provas devem ser apresentadas no prazo de impugnação, não se admitindo a produção posterior de provas nos casos em que não fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior, não se referir a fato ou direito superveniente ou não se destinar a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidos aos autos. MULTA DE OFÍCIO RETROATIVIDADE BENIGNA DO ART. 18 DA LEI Nº 10.833/2003. Com a edição da MP nº 135/2003, convertida na Lei nº 10.833/2003, não cabe mais imposição de multa excetuandose os casos mencionados em seu art. 18. Sendo tal norma aplicável aos lançamentos ocorridos anteriormente à edição da MP nº 135/2003 em face da retroatividade benigna (art. 106, II, “c” do CTN), impõese o cancelamento da multa de ofício lançada. JUROS DE MORA. Os juros de mora independem de formalização através de lançamento e serão devidos mesmo durante o período em que permanecer suspensa a exigibilidade do crédito tributário. JUROS DE MORA – TAXA SELIC. Procede a cobrança de encargos de juros com base na taxa SELIC, porque encontrase amparada por lei, cuja legitimidade não pode ser aferida na esfera administrativa. Inconformada com a decisão, apresentou a recorrente, tempestivamente, o presente recurso voluntário. Na oportunidade, reiterou os argumentos colacionados em sua defesa inaugural. É o relatório. Voto Conselheiro Carlos Alberto Nascimento e Silva Pinto O recurso voluntário atende aos requisitos de admissibilidade, razão pela qual dele tomo conhecimento. Tratase o presente processo de auto de infração eletrônico que promoveu a constituição de crédito tributário da Contribuição ao PIS/Pasep em relação a fatos geradores Fl. 144DF CARF MF Impresso em 14/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/05/2014 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digital mente em 07/05/2014 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digitalmente em 13/05/2014 por JOEL MIYAZAKI Processo nº 11610.014892/200234 Acórdão n.º 3201001.607 S3C2T1 Fl. 144 5 ocorridos entre outubro e dezembro de 1997. A contribuinte informou em DCTF ter procedido com a compensação destes débitos com créditos decorrentes do processo judicial nº 96.03.0360929. O auto de infração informa que os créditos não foram confirmados, indicando, de forma genérica, a ocorrência de “Proc jud não comprovado”. Do exposto, constatase que a autuação tem por única motivação a não comprovação da ação judicial nº 96.03.0360929, informada pela recorrente em sua DCTF. Observase, contudo, que a recorrente trouxe aos autos provas de que, efetivamente, ingressou junto ao Poder Judiciário com a ação judicial nº 96.03.0360929, comprovando, portanto, a existência da ação. Desta forma, mostrase incorreto o pressuposto de fato que dá suporte ao auto de infração. Como consequência, em não tendo sido constatada a situação que fundamenta o presente lançamento, o mesmo deve ser cancelado, exonerando o crédito tributário nele exigido. Neste mesmo sentido, precedentes da Câmara Superior de Recursos Fiscais, como a decisão cuja ementa se transcreve abaixo: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 30/11/1998 a 31/12/1998 LANÇAMENTO ELETRÔNICO. DCTF. MOTIVAÇÃO INCONSISTENTE. CANCELAMENTO DO AUTO DE INFRAÇÃO. Deve ser cancelado o auto de infração quando a motivação do lançamento (“proc jud de outro CNPJ” e “proc inexist no Profisc”) não se mostrou verdadeira, notadamente em face do conteúdo fáticoprobatório trazido aos autos. (Ac. 9303 001.700, 3ª Turma, sessão de 05/10/11, relator Rodrigo Cardozo Miranda) Diante do exposto, voto por dar provimento ao recurso voluntário. Carlos Alberto Nascimento e Silva Pinto Relator Fl. 145DF CARF MF Impresso em 14/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/05/2014 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digital mente em 07/05/2014 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digitalmente em 13/05/2014 por JOEL MIYAZAKI Processo nº 11610.014892/200234 Acórdão n.º 3201001.607 S3C2T1 Fl. 145 6 Fl. 146DF CARF MF Impresso em 14/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/05/2014 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digital mente em 07/05/2014 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digitalmente em 13/05/2014 por JOEL MIYAZAKI
score : 1.0
Numero do processo: 10925.905124/2012-57
Turma: Primeira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 25 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Tue Apr 01 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Data do fato gerador: 31/03/2006
PIS. COFINS. RESTITUIÇÃO. EXCLUSÃO DO VALOR DO ICMS DA BASE DE CÁLCULO. INDEFERIMENTO.
A Contribuição para o PIS/Pasep e a Cofins incidem sobre o faturamento, que corresponde à totalidade das receitas auferidas pela pessoa jurídica, pouco importando qual é a composição destas receitas ou se os impostos indiretos compõem o preço de venda.
INCONSTITUCIONALIDADE. SÚMULA CARF Nº 2.
O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 3801-002.906
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Flávio de Castro Pontes - Presidente.
(assinado digitalmente)
Marcos Antonio Borges - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flávio de Castro Pontes (Presidente), Paulo Sérgio Celani, Sidney Eduardo Stahl, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Marcos Antonio Borges e Paulo Antonio Caliendo Velloso da Silveira.
Nome do relator: MARCOS ANTONIO BORGES
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Data do fato gerador: 31/03/2006 PIS. COFINS. RESTITUIÇÃO. EXCLUSÃO DO VALOR DO ICMS DA BASE DE CÁLCULO. INDEFERIMENTO. A Contribuição para o PIS/Pasep e a Cofins incidem sobre o faturamento, que corresponde à totalidade das receitas auferidas pela pessoa jurídica, pouco importando qual é a composição destas receitas ou se os impostos indiretos compõem o preço de venda. INCONSTITUCIONALIDADE. SÚMULA CARF Nº 2. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Recurso Voluntário Negado
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COFINS. RESTITUIÇÃO. EXCLUSÃO DO VALOR DO ICMS DA BASE DE CÁLCULO. INDEFERIMENTO. A Contribuição para o PIS/Pasep e a Cofins incidem sobre o faturamento, que corresponde à totalidade das receitas auferidas pela pessoa jurídica, pouco importando qual é a composição destas receitas ou se os impostos indiretos compõem o preço de venda. INCONSTITUCIONALIDADE. SÚMULA CARF Nº 2. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Flávio de Castro Pontes Presidente. (assinado digitalmente) Marcos Antonio Borges Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flávio de Castro Pontes (Presidente), Paulo Sérgio Celani, Sidney Eduardo Stahl, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Marcos Antonio Borges e Paulo Antonio Caliendo Velloso da Silveira. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 92 5. 90 51 24 /2 01 2- 57 Fl. 57DF CARF MF Impresso em 01/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/03/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 13/03/201 4 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 01/04/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10925.905124/201257 Acórdão n.º 3801002.906 S3TE01 Fl. 58 2 Fl. 58DF CARF MF Impresso em 01/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/03/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 13/03/201 4 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 01/04/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10925.905124/201257 Acórdão n.º 3801002.906 S3TE01 Fl. 59 3 Relatório Adoto o relatório da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento, que narra bem os fatos: Trata o presente processo de Pedido de Restituição PER, apresentado pela contribuinte acima qualificada. Em análise do pedido, a Delegacia da Receita Federal do Brasil em Joaçaba/SC decidiu indeferilo (Despacho Decisório à folha 5), em razão de que o valor recolhido via DARF, indicado como fonte do crédito contra a Fazenda Nacional, já havia sido integralmente utilizado para pagamento de débito da contribuinte, não restando crédito disponível para restituição solicitada no PER. Inconformada com o não deferimento de seu Pedido de Restituição, a contribuinte esclarece, em síntese, que os créditos pleiteados referemse a pagamentos a maior da contribuição ao PIS e da Cofins, em razão da inclusão do ICMS nas bases de cálculo destas contribuições. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Florianópolis (SC) julgou improcedente a manifestação de inconformidade, conforme ementa abaixo: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Ano calendário: 2007 PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. COMPROVAÇÃO DA CERTEZA E LIQUIDEZ DO CRÉDITO. REQUISITO. A certeza e liquidez do crédito é requisito essencial para o deferimento da restituição, devendo restar comprovado o efetivo pagamento indevido ou a maior que o devido. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Inconformada, a contribuinte recorre a este Conselho, conforme recurso voluntário apresentado, no qual alega que a exigência da prévia retificação da DCTF como condição para reconhecer o crédito tributário pleiteado pela recorrente não possui qualquer fundamento legal, devendo ser enfrentado os argumentos apresentados na Manifestação de Inconformidade. É o relatório. Fl. 59DF CARF MF Impresso em 01/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/03/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 13/03/201 4 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 01/04/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10925.905124/201257 Acórdão n.º 3801002.906 S3TE01 Fl. 60 4 Voto Conselheiro Relator Marcos Antonio Borges O recurso é tempestivo e atende aos demais pressupostos recursais, portanto dele tomase conhecimento. O direito creditório não existiria, segundo o despacho decisório inicial e o acórdão de primeira instância, porque os pagamentos constantes do pedido estariam integralmente vinculados a débitos em DCTF e não teriam sido demonstradas a liquidez e a certeza dos indébitos. Na análise eletrônica dos PERDCOMPs de pagamento indevido ou a maior o objetivo é confirmar a existência de indébito tributário, confrontando informações das declarações apresentadas com os pagamento realizados. Não se está analisando efetivamente o mérito da questão, o que somente será viável a partir da manifestação de inconformidade apresentada pelo requerente, na qual, esperase, seja descrita a origem do direito creditório pleiteado e sua fundamentação legal. Apesar da alegação da existência de crédito decorrente de pagamento indevido ou a maior não ter sido acompanhada na peça impugnatória da retificação da respectiva DCTF, instrumento de confissão de dívida, que a princípio estaria na esfera de responsabilidade do contribuinte, o entendimento predominante deste Colegiado é no sentido da prevalência da verdade material, sendo que a falta de apresentação de DCTF retificadora, por se tratar de prova indiciária, não excluiria o direito da recorrente à repetição do indébito, nos termos do art. 165 do CTN, in verbis: Art. 165. O sujeito passivo tem direito, independentemente de prévio protesto, à restituição total ou parcial do tributo, seja qual for a modalidade do seu pagamento, ressalvado o disposto no § 4º do artigo 162, nos seguintes casos: I cobrança ou pagamento espontâneo de tributo indevido ou maior que o devido em face da legislação tributária aplicável, ou da natureza ou circunstâncias materiais do fato gerador efetivamente ocorrido; No mérito, a recorrente alega que os créditos pleiteados referemse a pagamentos a maior da contribuição ao PIS e da Cofins, em razão da inclusão do ICMS nas bases de cálculo destas contribuições. A questão da inclusão do ICMS na base de cálculo do PIS e da COFINS é objeto do Recurso Extraordinário (RE) nº 240.7852 MG, que não foi ainda julgada até a presente data. Na Ação Declaratória de Constitucionalidade (ADC) nº 18, que trata da mesma matéria, o STF reconheceu a repercussão geral da demanda e deferiu medida cautelar para determinar que, até o julgamento final da ação pelo Plenário do STF, juízos e tribunais Fl. 60DF CARF MF Impresso em 01/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/03/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 13/03/201 4 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 01/04/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10925.905124/201257 Acórdão n.º 3801002.906 S3TE01 Fl. 61 5 suspendessem o julgamento dos processos em trâmite que envolviam a aplicação do art. 3º, § 2º, inciso I, da Lei no 9.718/98. A suspensão dos julgamentos deferida liminarmente foi sucessivamente prorrogada nas sessões plenárias realizadas em 04/02/2009, em 16/09/2009, e, finalmente, em 25/03/2010, quando o Tribunal, pela última vez, prorrogou por mais 180 dias a eficácia da medida cautelar anteriormente deferida. Quanto ao RE nº 240.7852/MG, o mesmo foi também sustado até o julgamento do ADC no 18, já que o Plenário do STF, ao julgar questão de ordem levantada pelo Ministro Marco Aurélio, decidiu que o julgamento da ADC deveria preceder o julgamento do RE em tela, uma vez que a ADC, por tratarse de controle concentrado de constitucionalidade, repercutiria sobre os demais processos relativos à matéria. Contudo, findo o prazo suspensivo liminarmente concedido pelo STF, tendo em vista não haver nenhuma decisão vigente nesse sentido nos julgamentos que versam sobre a matéria, bem como, com a edição da Portaria MF no 545, de 18 de novembro de 2013, que revogou os parágrafos 1º e 2º do artigo 62A do Anexo II do Regimento Interno deste Conselho, que previam o sobrestamento dos julgamentos dos recursos sempre que o STF também sobrestar o julgamento dos recursos extraordinários da mesma matéria, preliminarmente entendo que não há que se falar em sobrestamento dos autos. Isto posto, no mérito, veremos que não assiste razão à recorrente. Apesar da recorrente argumentar que o ICMS, por não representar riqueza do contribuinte e sim receita do Erário Estadual, é um ônus fiscal e não faturamento. Esse, porém, referese a uma universalidade, um todo composto pelas receitas da empresa, pouco importando qual é a composição destas receitas ou se os impostos indiretos compõem o preço de venda. A Lei nº 9.718/98, em seu art. 3º, § 2º, I autoriza apenas a exclusão do ICMS “quando cobrado pelo vendedor dos bens ou prestador dos serviços na condição de substituto tributário”. Em nenhum momento, porém, autoriza a exclusão do ICMS das próprias vendas. Em relação ao PIS, a Jurisprudência encontravase pacificada, sendo editada a Súmula nº 68 pelo Superior Tribunal de Justiça, abaixo transcrita: Súmula: 68 A PARCELA RELATIVA AO ICM INCLUISE NA BASE DE CALCULO DO PIS. Em relação ao FINSOCIAL, que também tinha por base de cálculo o faturamento, o Superior Tribunal de Justiça editou a Súmula nº 94, que estabelece: Súmula 94. A PARCELA RELATIVA O ICMS INCLUISE NA BASE DE CÁLCULO DO FINSOCIAL. Este também é o entendimento exarado pelo STJ, superada a suspensão liminar dos julgamentos dos processos envolvendo a matéria determinada pelo STF, no âmbito do REsp no 1.127.877SP (transitado em julgado em 20/06/2012), no sentido de que o ICMS integra sim a base de cálculo do PIS e da COFINS, através de decisão monocrática que negou seguimento ao recurso, com base em jurisprudência da citada Corte, conforme excerto abaixo: PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. OMISSÃO NÃO CONFIGURADA. BASE DE CÁLCULO DO PIS E DA COFINS. Fl. 61DF CARF MF Impresso em 01/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/03/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 13/03/201 4 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 01/04/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10925.905124/201257 Acórdão n.º 3801002.906 S3TE01 Fl. 62 6 INCLUSÃO DO ICMS. POSSIBILIDADE. PRECEDENTES. RECURSO ESPECIAL A QUE SE NEGA SEGUIMENTO. A jurisprudência deste Tribunal pacificouse no sentido de que "a parcela relativa ao ICMS deve ser incluída na base de cálculo do PIS e da Cofins, nos termos das Súmulas 68 e 94 do STJ" (AgRg no REsp 1.121.982/RS, 2ª T., Min. Humberto Martins, DJe de 04/02/2011). Nesse sentido, os seguintes julgados: AgRg no Ag 1.069.974/PR, 1ª T., Min. Francisco Falcão, DJe de 02/03/2009; REsp 1.012.877/PR, 2ª T., Min. Mauro Campbell Marques, DJe de 08/02/2011; AgRg no Ag 1.169.099/SP, 2ª T., Min. Herman Benjamin, DJe de 03/02/2011; AgRg no Ag 1.005.267/RS, 1ª T., Min. Benedito Gonçalves, DJe de 02/09/2009. Ocorre ainda que eventuais alegações acerca de inconstitucionalidade da legislação tributária não são oponíveis na esfera administrativa, uma vez que sua apreciação foge à alçada da autoridade administrativa de qualquer instância, não dispondo esta de competência legal para examinar hipóteses de violação às normas legitimamente inseridas no ordenamento jurídico nacional. Com efeito, a apreciação dessas questões achase reservada ao Poder Judiciário, pelo que qualquer discussão quanto aos aspectos de validade das normas jurídicas deve ser submetida àquele Poder. Portanto, é inócuo suscitar tais alegações na esfera administrativa, pois à autoridade administrativa é vedado desrespeitar textos legais em vigor, sob pena de responsabilidade funcional, sendo defeso a apreciação da matéria por esse órgão julgador, nos termos da Súmula n° 2 do CARF, de observância obrigatória por parte de seus membros. No mais, o julgamento do Recurso Especial (REsp) no 1.127.877SP foi submetido ao rito do artigo 543C do CPC, razão pela qual o entendimento ali expresso deverá ser seguido pelos conselheiros no âmbito do CARF, conforme caput do artigo 62A1 do Regimento Interno deste Conselho, aprovado pela Portaria MF n° 256/2009, com alterações introduzidas pela Portaria MF no 545, de 18 de novembro de 2013. Assim, voto por negar provimento ao presente recurso voluntário. 1 Art. 62A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. Fl. 62DF CARF MF Impresso em 01/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/03/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 13/03/201 4 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 01/04/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10925.905124/201257 Acórdão n.º 3801002.906 S3TE01 Fl. 63 7 (assinado digitalmente) Marcos Antônio Borges Fl. 63DF CARF MF Impresso em 01/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/03/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 13/03/201 4 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 01/04/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES
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Numero do processo: 10680.918613/2011-16
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 25 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Mon May 12 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Data do fato gerador: 15/04/2005, 15/05/2005, 15/06/2005
DCTF. RETIFICAÇÃO. DÉBITO. DCOMP. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. MULTA DE MORA. INEXIGIBILIDADE.
No julgamento do REsp 1.149.022, sob o regime do art. 543-C do CPC, o Superior Tribunal de Justiça decidiu que o pagamento de débito tributário, declarado em DCTF retificadora, em data anterior e/ ou na mesma data de transmissão da respectiva declaração, configura denúncia espontânea nos termos da legislação tributária e, consequentemente, afasta a incidência da multa moratória.
Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 3301-002.276
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto Relator.
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente
(assinado digitalmente)
José Adão Vitorino de Morais - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rodrigo da Costa Possas, José Adão Vitorino de Morais, Andrada Márcio Canuto Natal e Fábia Regina Freitas. Ausentes justificadamente a conselheira Maria Teresa Martinez Lopez e o conselheiro Antônio Lisboa Cardoso.
Nome do relator: JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Data do fato gerador: 15/04/2005, 15/05/2005, 15/06/2005 DCTF. RETIFICAÇÃO. DÉBITO. DCOMP. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. MULTA DE MORA. INEXIGIBILIDADE. No julgamento do REsp 1.149.022, sob o regime do art. 543-C do CPC, o Superior Tribunal de Justiça decidiu que o pagamento de débito tributário, declarado em DCTF retificadora, em data anterior e/ ou na mesma data de transmissão da respectiva declaração, configura denúncia espontânea nos termos da legislação tributária e, consequentemente, afasta a incidência da multa moratória. Recurso Voluntário Provido.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto Relator. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente (assinado digitalmente) José Adão Vitorino de Morais - Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rodrigo da Costa Possas, José Adão Vitorino de Morais, Andrada Márcio Canuto Natal e Fábia Regina Freitas. Ausentes justificadamente a conselheira Maria Teresa Martinez Lopez e o conselheiro Antônio Lisboa Cardoso.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 15/04/2005, 15/05/2005, 15/06/2005 DCTF. RETIFICAÇÃO. DÉBITO. DCOMP. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. MULTA DE MORA. INEXIGIBILIDADE. No julgamento do REsp 1.149.022, sob o regime do art. 543C do CPC, o Superior Tribunal de Justiça decidiu que o pagamento de débito tributário, declarado em DCTF retificadora, em data anterior e/ ou na mesma data de transmissão da respectiva declaração, configura denúncia espontânea nos termos da legislação tributária e, consequentemente, afasta a incidência da multa moratória. Recurso Voluntário Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto Relator. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente (assinado digitalmente) José Adão Vitorino de Morais Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rodrigo da Costa Possas, José Adão Vitorino de Morais, Andrada Márcio Canuto Natal e Fábia Regina Freitas. Ausentes justificadamente a conselheira Maria Teresa Martinez Lopez e o conselheiro Antônio Lisboa Cardoso. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 68 0. 91 86 13 /2 01 1- 16 Fl. 255DF CARF MF Impresso em 12/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/04/2014 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 01 /04/2014 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 08/05/2014 por RODRIGO DA COSTA POSSAS 2 Relatório Tratase de recurso voluntário contra decisão da DRJ em Belo Horizonte (MG) que julgou improcedente manifestação de inconformidade apresentada contra despacho decisório que homologou, em parte, as compensações dos débitos tributários declarados na Declaração de Compensação (Dcomp) nº 08190.31710.031007.1.7.045790, às fls. 75/80, transmitida na data de 03/10/2007, com crédito financeiro decorrente de pagamento indevido e/ ou a maior da Cofins não cumulativa, efetuado em 15/03/2005. A homologação parcial decorreu da insuficiência do crédito financeiro disponível para a compensação de todos os débitos, acrescidos de multa de mora, conforme Despacho Decisório às fls. 97, datado de 09/09/2011. Intimada daquele despacho, a recorrente interpôs manifestação de inconformidade, insistindo na homologação integral das compensações, alegando razões assim resumidas por aquela DRJ: ... a administração fazendária incorreu em erro ao considerar a compensação pleiteada por meio da PER/Dcomp nº 26246.70269.281105.1.3.044201, uma vez que o crédito não foi utilizado para quitação do débito nela constante, e que a cobrança de multa de mora é indevida, posto que não houve ausências de recolhimento mas tão somente pagamento em modalidade distinta. Acrescenta que, ainda que assim não fosse, houve denúncia espontânea da infração nos termos do art. 138 do CTN, de modo que o débito merece ser cancelado e transcreve doutrina, jurisprudência e julgados administrativos que entende virem ao encontro de seus argumentos. Analisada a manifestação de inconformidade, aquela DRJ julgoua improcedente, conforme Acórdão nº 0237.909, datado de 12/03/2012, às fls. 110/114, sob as seguintes ementas: “PEDIDO DE COMPENSAÇÃO. CANCELAMENTO. A desistência do pedido de compensação poderá ser requerida pelo sujeito passivo mediante pedido de cancelamento gerado a partir do programa PER/Dcomp, o qual somente será deferida caso o pedido de compensação se encontre pendente de decisão administrativa à data da apresentação do pedido de cancelamento. COMPENSAÇÃO E ACRÉSCIMOS LEGAIS. A compensação total ou parcial de tributo administrado pela Receita Federal do Brasil deverá ser acompanhada da compensação, na mesma proporção, dos correspondentes acréscimos legais.” Cientificada dessa decisão, a recorrente interpôs recurso voluntário (120/139), requerendo a sua reforma, a fim de que se homologue integralmente a compensação dos débitos declarados, alegando, em síntese, a improcedência da multa de mora, exigida sobre os débitos cuja compensação foi homologada, sob o argumento de que ocorreu a denúncia espontânea dos créditos tributários declarados e compensados, nos termos do CTN, art. 138, tendo em vista que as DCTF foram retificadas e as diferenças apuradas, compensadas, mediante a transmissão da Dcomp, antes de qualquer procedimento fiscalizatório. Discorreu, Fl. 256DF CARF MF Impresso em 12/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/04/2014 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 01 /04/2014 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 08/05/2014 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 10680.918613/201116 Acórdão n.º 3301002.276 S3C3T1 Fl. 250 3 ainda, sobre a Dcomp nº 26246.70269.281105.1.3.044201, requerendo o seu cancelamento sob o argumento de que o crédito financeiro, nela declarado, não foi utilizado por ela. É o relatório. Voto Conselheiro José Adão Vitorino de Morais O recurso apresentado atende aos requisitos de admissibilidade previstos no Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972. Assim, dele conheço. O presente processo trata exclusivamente da Dcomp nº 08190.31710.031007.1.7.045790, às fls. 75/80. Assim, a apreciação e julgamento do pedido de cancelamento da Dcomp nº 26246.70269.281105.1.3.044201 ficou prejudicado. A homologação parcial da Dcomp, pela autoridade administrativa, teve como fundamento a insuficiência do crédito financeiro declarado para compensar todos os débitos, tendo vista o acréscimo da multa de mora. A recorrente contestou a incidência dessa penalidade, alegando a ocorrência da denúncia espontânea, tendo em vista que retificou e transmitiu as respectivas DCTF retificadoras em 02/10/2008 e as compensações foram efetuadas em 03/10/2007, mediante a transmissão da Dcomp. A multa moratória devida sobre débitos pagos a destempo está prevista na Lei nº 9.430, de 27/12/1996, que assim dispõe: “Art. 61. Os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, cujos fatos geradores ocorrerem a partir de 1º de janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos na legislação específica, serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso. §1º A multa de que trata este artigo será calculada a partir do primeiro dia subseqüente ao do vencimento do prazo previsto para o pagamento do tributo ou da contribuição até o dia em que ocorrer o seu pagamento. §2º O percentual de multa a ser aplicado fica limitado a vinte por cento. [...].” Segundo este dispositivo legal, a multa de mora é devida sempre que o débito tributário for pago depois do prazo do seu vencimento previsto na legislação específica, independentemente de ter sido declarado ou não e de ter sido efetuado antes de quaisquer procedimentos administrativos, visando sua cobrança. Fl. 257DF CARF MF Impresso em 12/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/04/2014 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 01 /04/2014 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 08/05/2014 por RODRIGO DA COSTA POSSAS 4 Já o instituto da denúncia espontânea está previsto no CTN, art. 138, que assim estabelece: “Art. 138. A responsabilidade é excluída pela denúncia espontânea da infração, acompanhada, se for o caso, do pagamento do tributo devido e dos juros de mora, ou do depósito da importância arbitrada pela autoridade administrativa, quando o montante do tributo dependa de apuração. Parágrafo único. Não se considera espontânea a denúncia apresentada após o início de qualquer procedimento administrativo ou medida de fiscalização, relacionados com a infração.” Ora, segundo este dispositivo, a responsabilidade somente é excluída pelo pagamento tempestivo do tributo devido ou do depósito da importância arbitrada pela autoridade administrativa. No meu entendimento, a extinção de débito tributário declarado, mediante a transmissão de Dcomp, sob condição resolutória de sua ulterior homologação, não corresponde a pagamento, para efeito da denúncia espontânea, nos termos do dispositivo legal citado e transcrito acima. No entanto, por meio do REsp nº 1.149.022, de relatoria do Ministro Luiz Fux, julgado em 09/06/2010, o Superior Tribunal de Justiça (STJ) pronunciouse de outro modo, conforme registram as razões de decidir nos seguintes termos: “PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. IRPJ E CSLL. TRIBUTOS SUJEITOS A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. DECLARAÇÃO PARCIAL DE DÉBITO TRIBUTÁRIO ACOMPANHADO DO PAGAMENTO INTEGRAL. POSTERIOR RETIFICAÇÃO DA DIFERENÇA A MAIOR COM A RESPECTIVA QUITAÇÃO. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. EXCLUSÃO DA MULTA MORATÓRIA. CABIMENTO. 1. A denúncia espontânea resta configurada na hipótese em que o contribuinte, após efetuar a declaração parcial do débito tributário (sujeito a lançamento por homologação) acompanhado do respectivo pagamento integral, retificaa (antes de qualquer procedimento da Administração Tributária), noticiando a existência de diferença a maior, cuja quitação se dá concomitantemente. 2. Deveras, a denúncia espontânea não resta caracterizada, com a conseqüente exclusão da multa moratória, nos casos de tributos sujeitos a lançamento por homologação declarados pelo contribuinte e recolhidos fora do prazo de vencimento, à vista ou parceladamente, ainda que anteriormente a qualquer procedimento do Fisco (Súmula 360/STJ) (Precedentes da Primeira Seção submetidos ao rito do artigo 543C, do CPC: REsp 886.462/RS, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.10.2008, DJe 28.10.2008; e REsp 962.379/RS, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.10.2008, DJe 28.10.2008). Fl. 258DF CARF MF Impresso em 12/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/04/2014 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 01 /04/2014 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 08/05/2014 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 10680.918613/201116 Acórdão n.º 3301002.276 S3C3T1 Fl. 251 5 3. É que "a declaração do contribuinte elide a necessidade da constituição formal do crédito, podendo este ser imediatamente inscrito em dívida ativa, tornandose exigível, independentemente de qualquer procedimento administrativo ou de notificação ao contribuinte" (REsp 850.423/SP, Rel. Ministro Castro Meira, Primeira Seção, julgado em 28.11.2007, DJ 07.02.2008). 4. Destarte, quando o contribuinte procede à retificação do valor declarado a menor (integralmente recolhido), elide a necessidade de o Fisco constituir o crédito tributário atinente à parte não declarada (e quitada à época da retificação), razão pela qual aplicável o benefício previsto no artigo 138, do CTN. 5. In casu, consoante consta da decisão que admitiu o recurso especial na origem (fls. 127/138): ‘No caso dos autos, a impetrante em 1996 apurou diferenças de recolhimento do Imposto de Renda Pessoa Jurídica e Contribuição Social sobre o Lucro, anobase 1995 e prontamente recolheu esse montante devido, sendo que agora, pretende ver reconhecida a denúncia espontânea em razão do recolhimento do tributo em atraso, antes da ocorrência de qualquer procedimento fiscalizatório. Assim, não houve a declaração prévia e pagamento em atraso, mas uma verdadeira confissão de dívida e pagamento integral, de forma que resta configurada a denúncia espontânea, nos termos do disposto no artigo 138, do Código Tributário Nacional’" 6. Conseqüentemente, merece reforma o acórdão regional, tendo em vista a configuração da denúncia espontânea na hipótese sub examine . 7. Outrossim, forçoso consignar que a sanção premial contida no instituto da denúncia espontânea exclui as penalidades pecuniárias, ou seja, as multas de caráter eminentemente punitivo, nas quais se incluem as multas moratórias, decorrentes da impontualidade do contribuinte. 8. Recurso especial provido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008.” (grifos constam do original) No presente caso, a Dcomp foi transmitida na data de 3 de outubro de 2007 e as DCTF retificadoras, informando os débitos e as respectivas compensações foram transmitidas em 2 de outubro de 2008. Dessa forma, por força do disposto no art. 62A do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (RICARF), adotase para o presente julgamento, a decisão do STJ, reconhecendose a ocorrência da denúncia espontânea, para afastar a exigência de multa de mora sobre os débitos declarados na Dcomp em discussão. Fl. 259DF CARF MF Impresso em 12/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/04/2014 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 01 /04/2014 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 08/05/2014 por RODRIGO DA COSTA POSSAS 6 Em face do exposto, dou provimento ao recurso voluntário apenas e tão somente para afastar a exigência de multa de mora sobre os débitos cuja compensação foi homologada pela autoridade administrativa. (assinado digitalmente) José Adão Vitorino de Morais Relator Fl. 260DF CARF MF Impresso em 12/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/04/2014 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 01 /04/2014 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 08/05/2014 por RODRIGO DA COSTA POSSAS
score : 1.0
Numero do processo: 10909.720865/2012-68
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jan 28 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Mar 06 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Regimes Aduaneiros
Período de apuração: 01/02/2008 a 28/02/2011
PIS/COFINS-IMPORTAÇÃO. REGIME ADUANEIRO ESPECIAL. EMBALAGEM PARA BEBIDAS. TRIBUTAÇÃO AD REM VARIÁVEL DE ACORDO COM A DESTINAÇÃO. RECOLHIMENTO POR ESTIMATIVA SUJEITO A AJUSTE. ART. 54 DA LEI 11.196/2005. ART. 5º DA INSTRUÇÃO NORMATIVA RFB Nº 604/2006.
Nas operações de importação submetidas à sistemática de recolhimento por estimativa sujeito a ajuste - prevista no art. 54 da Lei nº 11.196/2005 e regulamentada pelo art. 5º da IN RFB 604/2006 -, o lançamento de ofício deve tomar como critério, para a determinação das alíquotas aplicáveis, a destinação efetivamente dada às embalagens. O lançamento de diferenças do valor da estimativa apenas se legitima se as embalagens importadas não receberam destinação, não tendo sido submetidas ao ajuste.
Recurso de ofício negado.
Numero da decisão: 3403-002.665
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso de ofício.
(assinado digitalmente)
Antonio Carlos Atulim - Presidente
(assinado digitalmente)
Ivan Allegretti - Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Antonio Carlos Atulim, Alexandre Kern, Domingos de Sá Filho, Rosaldo Trevisan, Marcos Tranchesi Ortiz e Ivan Allegretti. Sustentou pela recorrente o Dr. Bruno dos Santos Padovan, OAB/DF nº 28.460.
Nome do relator: IVAN ALLEGRETTI
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ementa_s : Assunto: Regimes Aduaneiros Período de apuração: 01/02/2008 a 28/02/2011 PIS/COFINS-IMPORTAÇÃO. REGIME ADUANEIRO ESPECIAL. EMBALAGEM PARA BEBIDAS. TRIBUTAÇÃO AD REM VARIÁVEL DE ACORDO COM A DESTINAÇÃO. RECOLHIMENTO POR ESTIMATIVA SUJEITO A AJUSTE. ART. 54 DA LEI 11.196/2005. ART. 5º DA INSTRUÇÃO NORMATIVA RFB Nº 604/2006. Nas operações de importação submetidas à sistemática de recolhimento por estimativa sujeito a ajuste - prevista no art. 54 da Lei nº 11.196/2005 e regulamentada pelo art. 5º da IN RFB 604/2006 -, o lançamento de ofício deve tomar como critério, para a determinação das alíquotas aplicáveis, a destinação efetivamente dada às embalagens. O lançamento de diferenças do valor da estimativa apenas se legitima se as embalagens importadas não receberam destinação, não tendo sido submetidas ao ajuste. Recurso de ofício negado.
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REGIME ADUANEIRO ESPECIAL. EMBALAGEM PARA BEBIDAS. TRIBUTAÇÃO AD REM VARIÁVEL DE ACORDO COM A DESTINAÇÃO. RECOLHIMENTO POR ESTIMATIVA SUJEITO A AJUSTE. ART. 54 DA LEI 11.196/2005. ART. 5º DA INSTRUÇÃO NORMATIVA RFB Nº 604/2006. Nas operações de importação submetidas à sistemática de recolhimento por estimativa sujeito a ajuste prevista no art. 54 da Lei nº 11.196/2005 e regulamentada pelo art. 5º da IN RFB 604/2006 , o lançamento de ofício deve tomar como critério, para a determinação das alíquotas aplicáveis, a destinação efetivamente dada às embalagens. O lançamento de diferenças do valor da estimativa apenas se legitima se as embalagens importadas não receberam destinação, não tendo sido submetidas ao ajuste. Recurso de ofício negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso de ofício. (assinado digitalmente) Antonio Carlos Atulim Presidente (assinado digitalmente) Ivan Allegretti Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Antonio Carlos Atulim, Alexandre Kern, Domingos de Sá Filho, Rosaldo Trevisan, Marcos Tranchesi Ortiz e AC ÓR Dà O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 90 9. 72 08 65 /2 01 2- 68 Fl. 3864DF CARF MF Impresso em 06/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2014 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 27/02/2014 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 28/02/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM 2 Ivan Allegretti. Sustentou pela recorrente o Dr. Bruno dos Santos Padovan, OAB/DF nº 28.460. Relatório Tratase de Auto de Infração lavrado para a constituição de crédito tributário de PIS/CofinsImportação quanto a fatos geradores ocorridos entre fevereiro de 2008 e fevereiro de 2011 (fls. 2/1044). A motivação do lançamento, detalhada no termo de fls. 1045/1058, reside na divergência da Fiscalização quanto à forma de proceder a apuração por estimativa e o ajuste previstos no art. 5º da Instrução Normativa RFB nº 604/2006, o qual deve ser aplicado na importação de embalagens para a fabricação de bebidas, com fundamento no Regime Aduaneiro Especial de Importação, previsto no art. 51, II, “b” da Lei 10.833/2003 e regulamentado pela Instrução Normativa SRF 604/2006. Neste Regime, o valor devido das contribuições é apurado em valor fixo por unidade, a depender do peso em gramas e da destinação que se dará às embalagens importadas. Mas no caso de importações em que não se saiba ainda qual será a destinação das embalagens, o valor é recolhido por estimativa para, depois, ser submetido a um ajuste, respeitando a destinação efetivamente dada às embalagens. A Fiscalização constatou diferenças entre as quantidades indicadas pela contribuinte na Declaração de Importação e as quantidades que teriam sido efetivamente comercializadas no trimestre calendário imediatamente anterior, o que teria implicado na incorreta aplicação das alíquotas cabíveis e no conseqüente recolhimento a menor das contribuições devidas. A contribuinte apresentou Impugnação (fls. 1572/1617) alegando, em síntese, que: 1) uma das causas das divergências apontadas pelos cálculos da Fiscalização seria a inclusão indevida de embalagens préformas que não foram importadas, mas sim adquiridas no mercado nacional; 2) algumas das embalagens préformas que foram importadas teriam sido equivocadamente consideradas pela autoridade fiscal como destinadas ao envase de água ou refrigerante, ainda que hajam notas fiscais que atestem o contrário; 3) outra explicação para as divergências apontadas pela Fiscalização seria a inclusão de valores de notas fiscais de vendas que foram canceladas; 4) a Fiscalização não respeitou o texto da alteração introduzida pelo art. 19 da Lei 11.774/2008, pois não baseou suas estimativas nos três meses imediatamente Fl. 3865DF CARF MF Impresso em 06/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2014 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 27/02/2014 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 28/02/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM Processo nº 10909.720865/201268 Acórdão n.º 3403002.665 S3C4T3 Fl. 3.859 3 anteriores ao período análise, mas sim no trimestre calendário anterior; 5) ainda que existissem tais diferenças, não seriam devidas considerandose a natureza não cumulativa do PIS/CofinsImportação, cujo regime possibilita a compensação do que é devido em cada operação com o montante cobrado nas anteriores. A Delegacia da Receita Federal de Julgamento de Florianópolis/SC (DRJ), por meio do Acórdão nº 0731.298, de 30 de abril de 2013 (fls. 3844/3853), julgou procedente a impugnação, cancelando integralmente a exigência fiscal, conforme o seguinte entendimento resumido na sua ementa: ASSUNTO: REGIMES ADUANEIROS Período de apuração: 01/02/2008 a 28/02/2011 REGIME ADUANEIRO ESPECIAL. PIS/PASEP IMPORTAÇÃO. COFINSIMPORTAÇÃO. RECOLHIMENTO POR ESTIMATIVA DE VENDAS. PRÉFORMAS PARA ÁGUA E REFRIGERANTES. GRUPOS DE GRAMATURAS. No Regime Aduaneiro Especial previsto no artigo 52 da Lei nº 11.156/2005, relativo às embalagens préformas referidas na alínea “b” do inciso II do artigo 51 da Lei nº 10.833/2003, é permitido o recolhimento por estimativa das contribuições para o PIS/Pasepimportação e para a Cofinsimportação, aplicando se sobre as mercadorias, no momento do registro da Declaração de Importação, o percentual de vendas de embalagens no trimestre ou nos três meses anteriores. A partir do momento em que houve a detecção da diferença de valores recolhidos pelo contribuinte posterior ao momento da venda devido à destinação dada às embalagens após a importação, em ato de verificação fiscal, o cálculo do valor devido deve ser feito com base nas vendas efetivas das mercadorias importadas. Impugnação Procedente Crédito Tributário Exonerado Tendo em vista que o cancelamento do lançamento significou a exoneração de crédito tributário em valor superior ao previsto na Portaria MF nº 3/2008, houve a interposição de Recurso de Ofício. É o relatório. Voto Conselheiro Ivan Allegretti, Relator Fl. 3866DF CARF MF Impresso em 06/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2014 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 27/02/2014 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 28/02/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM 4 O acórdão da DRJ afastou integralmente a exigência fiscal, exonerando o contribuinte de valor superior ao previsto na Portaria MF nº 3/2008, sendo, por isso, correta a interposição de recurso de ofício, na forma do art. 34 do PAF. Por esta razão, conheço do recurso de ofício. A discussão gira em torno da aplicação da sistemática de recolhimento por estimativa, prevista no art. 54 da Lei nº 11.196/2005, com a redação dada pelo art. 19 da Lei nº 11.774/2008, e regulamentada pelo art. 5º da IN RFB nº 604/2006, cujo texto prevê o seguinte: Art. 5º A pessoa jurídica comercial importadora, habilitada ao regime, caso desconheça a destinação das embalagens na data de registro da declaração de importação, recolherá a Contribuição para o PIS/PasepImportação e a Cofins Importação por estimativa, tendo por base os percentuais de vendas das embalagens importadas no último trimestre calendário. (...) § 3º Verificado o recolhimento a menor da Contribuição para o PIS/PasepImportação e da CofinsImportação, em função da destinação dada às embalagens após sua importação, a diferença, no período de apuração em que se verificar, será recolhida com o acréscimo de juros de mora e multa, de mora ou de ofício, calculados desde a data do registro da declaração de importação. Como se percebe, o recolhimento por estimativa não é definitivo, não resolve em si mesmo a obrigação tributária, mas depende de ajuste posterior, de acordo com a efetiva destinação dada à embalagem importada. Entendo, por isso, que não há nenhum reparo a fazer na decisão da DRJ, quando explica que “o momento do cálculo por estimativa é ́o do registro da Declaração de Importação quando não souber a destinação do produto. A partir do momento que houve a detecção da diferença de valores recolhidos pelo contribuinte posterior ao momento da venda devido à destinação dada às embalagens após a importação, em ato de verificação fiscal, o cálculo do valor devido deve ser feito com base nas vendas efetivas das mercadorias importadas, e não em estimativas. Assim determina a Instrução Normativa SRF nº 604/2006 em seu parágrafo 3º” (fl. 3852). Assim, quando já é possível o cálculo do valor efetivamente devido do tributo, não se pode cogitar da sua apuração com base na estimativa. O recolhimento por estimativa toma lugar em um regime transitório, como forma de adiantar o recolhimento do tributo, até que aconteça a destinação da mercadoria e, com isso, se consiga determinar qual a alíquota aplicável e, enfim, o valor definitivo do tributo devido. Por esta razão, entendo que deve ser negado provimento ao recurso de ofício, mantendose o entendimento da DRJ pelo cancelamento do lançamento fiscal. (assinado digitalmente) Ivan Allegretti Fl. 3867DF CARF MF Impresso em 06/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2014 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 27/02/2014 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 28/02/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM Processo nº 10909.720865/201268 Acórdão n.º 3403002.665 S3C4T3 Fl. 3.860 5 Fl. 3868DF CARF MF Impresso em 06/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2014 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 27/02/2014 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 28/02/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM
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Numero do processo: 10935.904581/2012-13
Turma: Primeira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Nov 27 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Mon Mar 10 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Data do fato gerador: 20/07/2007
COMPENSAÇÃO. DIREITO CREDITÓRIO. IMPOSSIBILIDADE DE DECLARAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE EM SEDE ADMINISTRATIVA.
Não existindo, na legislação, norma que autorize a exclusão do valor do ICMS da base de cálculo da contribuição ao PIS e da COFINS, não pode o julgador administrativo declara a inconstitucionalidade da norma, já que esta é uma tarefa exclusiva do Poder Judiciário.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 3801-002.375
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. Os conselheiros Paulo Sérgio Celani e Flávio de Castro Pontes votaram pelas conclusões.
(assinado digitalmente)
Flávio de Castro Pontes - Presidente
(assinado digitalmente)
Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel- Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flávio de Castro Pontes, Sidney Eduardo Stahl, Paulo Sérgio Celani, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Marcos Antônio Borges e Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira.
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Nome do relator: MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL
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DIREITO CREDITÓRIO. IMPOSSIBILIDADE DE DECLARAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE EM SEDE ADMINISTRATIVA. Não existindo, na legislação, norma que autorize a exclusão do valor do ICMS da base de cálculo da contribuição ao PIS e da COFINS, não pode o julgador administrativo declara a inconstitucionalidade da norma, já que esta é uma tarefa exclusiva do Poder Judiciário. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. Os conselheiros Paulo Sérgio Celani e Flávio de Castro Pontes votaram pelas conclusões. (assinado digitalmente) Flávio de Castro Pontes Presidente (assinado digitalmente) Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel Relatora. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 93 5. 90 45 81 /2 01 2- 13 Fl. 68DF CARF MF Impresso em 10/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2014 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 06/03/2014 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado digitalmente em 07/03/2014 por FLAVIO DE CASTR O PONTES Processo nº 10935.904581/201213 Acórdão n.º 3801002.375 S3TE01 Fl. 63 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flávio de Castro Pontes, Sidney Eduardo Stahl, Paulo Sérgio Celani, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Marcos Antônio Borges e Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira. Fl. 69DF CARF MF Impresso em 10/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2014 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 06/03/2014 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado digitalmente em 07/03/2014 por FLAVIO DE CASTR O PONTES Processo nº 10935.904581/201213 Acórdão n.º 3801002.375 S3TE01 Fl. 64 3 . Relatório Tratase de pedido de restituição de crédito tributário pago indevidamente ou a maior formulado pelo ora Recorrente, Anhambi Alimentos Ltda., que não foi reconhecido pela Delegacia da Receita Federal de origem. Não concordando com o indeferimento do seu pleito, o Recorrente apresentou manifestação de inconformidade que foi julgada improcedente pela Delegacia de Julgamento. Restou assim ementado o acórdão: COFINS. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. INEXISTÊNCIA DO DIREITO CREDITÓRIO INFORMADO EM PER/DCOMP. Inexistindo o direito creditório informado em PER/DCOMP, é de se indeferir o pedido de restituição apresentado. EXCLUSÃO DO ICMS DA BASE DE CÁLCULO. Incabível a exclusão do valor devido a título de ICMS da base de cálculo das contribuições ao PIS/Pasep e à Cofins, pois aludido valor é parte integrante do preço das mercadorias e dos serviços prestados, exceto quando for cobrado pelo vendedor dos bens ou pelo prestador dos serviços na condição de substituto tributário. CONTESTAÇÃO DE VALIDADE DE NORMAS VIGENTES. JULGAMENTO ADMINISTRATIVO. COMPETÊNCIA. Compete à autoridade administrativa de julgamento a análise da conformidade da atividade de lançamento com as normas vigentes, às quais não se pode, em âmbito administrativo, negar validade sob o argumento de inconstitucionalidade ou ilegalidade. Manifestação de Inconformidade Improcedente. Inconformado com a decisão proferida e repisando os argumentos apresentados em sua Manifestação de Inconformidade, o Recorrente apresentou Recurso Voluntário, no qual alegou, em síntese, que o seu direito creditório decorre da inconstitucional “cobrança do PIS e COFINS sem a exclusão do ICMS da base de cálculo”. É o relatório. Fl. 70DF CARF MF Impresso em 10/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2014 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 06/03/2014 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado digitalmente em 07/03/2014 por FLAVIO DE CASTR O PONTES Processo nº 10935.904581/201213 Acórdão n.º 3801002.375 S3TE01 Fl. 65 4 Voto Conselheira Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Relatora Presentes os requisitos de admissibilidade do Recurso Voluntário, dele conheço. O Recorrente, Anhambi Alimentos Ltda.., apresentou pedido de restituição de crédito tributário pago indevidamente ou a maior, sob o argumento de que o referido crédito decorre da inconstitucional inclusão, na base de cálculo do PIS e da COFINS, do valor do ICMS devido aos Estadosmembros. Sem trazer nenhum provimento jurisdicional favorável, em suas razões recursais, alega que o ICMS é tributo devido aos Estadosmembros e, por isso, não pode ser considerado como receita ou faturamento dos contribuintes. Coleciona vasta doutrina sobre o tema para embasar suas alegações. Em que pese essa Relatora ter o mesmo entendimento do Recorrente com relação à matéria, ou seja, o ICMS, de fato, não poderia compor a base de cálculo da contribuição do PIS e da COFINS, não pode esse Conselho Administrativo de Recursos Fiscais declarar inconstitucionalidade de norma vigente. Neste sentido, é a súmula nº 02 do CARF: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Assim, como muito bem colocado no acórdão recorrido, “cumpre registrar que não há na legislação de regência previsão para a exclusão do valor do ICMS das bases de cálculo do PIS e da Cofins, já que esse valor, ainda que assim não entenda a interessada, é parte integrante do preço das mercadorias e serviços vendidos, exceção feita para o ICMS recolhido mediante substituição tributária, pelo contribuinte substituto tributário, consoante se depreende da leitura dos arts. 2º e 3º da Lei nº 9.718, de 27 de novembro de 1998”. Inexistindo na legislação em vigor a possibilidade de o contribuinte excluir da base de cálculo das contribuições em comento o valor do ICMS, não há como reconhecer o direito creditório do Recorrente. Ademais, importante ressaltar que os Ministros do Supremo Tribunal Federal, em análise ao Recurso Extraordinário nº. 240.785, que discute a inconstitucionalidade da inclusão do ICMS na base de cálculo do PIS e da COFINS, já haviam proferido seis votos a favor dos contribuintes. Contudo, o julgamento daquele RE teve seu andamento sobrestado por força da propositura, pela União Federal, da Ação Direta de Constitucionalidade nº. 18, ajuizada em 2007 e ainda pendente de julgamento. Assim, não há, até o presente momento, qualquer definição do Poder Judiciário acerca da questão. Fl. 71DF CARF MF Impresso em 10/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2014 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 06/03/2014 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado digitalmente em 07/03/2014 por FLAVIO DE CASTR O PONTES Processo nº 10935.904581/201213 Acórdão n.º 3801002.375 S3TE01 Fl. 66 5 Por todo o exposto, conheço do Recurso Voluntário e a ele nego provimento. (assinado digitalmente) Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel Fl. 72DF CARF MF Impresso em 10/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2014 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 06/03/2014 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado digitalmente em 07/03/2014 por FLAVIO DE CASTR O PONTES
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