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Numero do processo: 15374.001431/2001-10
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jan 29 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Mar 20 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/11/1998 a 31/12/2000
EMBARGOS DECLARATÓRIOS. OMISSÃO. INEXISTÊNCIA.
Constatado existência do ponto apontado como omisso, impõe em acolher os embargos e sanar a omissão. Esclarecendo que o motivo pelo qual se deixou de adotar o resultado da diligência decorre do fato de que os cálculos elaborados pela fiscalização deixaram de obedecer à sistemática da semestralidade, acolhendo os embargos declaratórios sem efeito modificativo.
Embargos Acolhido sem Efeitos Modificativo.
Numero da decisão: 3403-002.735
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, os embargos de declaração foram acolhidos sem efeito modificativo para sanar os vícios apontados pela Procuradoria da Fazenda Nacional.
Antonio Carlos Atulim - Presidente.
Domingos de Sá Filho - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antonio Carlos Atulim, Domingos de Sá Filho, Alexandre Kern, Rosaldo Trevisan, Ivan Allegretti e Marcos Tranchesi Ortiz.
Nome do relator: DOMINGOS DE SA FILHO
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/11/1998 a 31/12/2000 EMBARGOS DECLARATÓRIOS. OMISSÃO. INEXISTÊNCIA. Constatado existência do ponto apontado como omisso, impõe em acolher os embargos e sanar a omissão. Esclarecendo que o motivo pelo qual se deixou de adotar o resultado da diligência decorre do fato de que os cálculos elaborados pela fiscalização deixaram de obedecer à sistemática da semestralidade, acolhendo os embargos declaratórios sem efeito modificativo. Embargos Acolhido sem Efeitos Modificativo.
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ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/11/1998 a 31/12/2000 EMBARGOS DECLARATÓRIOS. OMISSÃO. INEXISTÊNCIA. Constatado existência do ponto apontado como omisso, impõe em acolher os embargos e sanar a omissão. Esclarecendo que o motivo pelo qual se deixou de adotar o resultado da diligência decorre do fato de que os cálculos elaborados pela fiscalização deixaram de obedecer à sistemática da semestralidade, acolhendo os embargos declaratórios sem efeito modificativo. Embargos Acolhido sem Efeitos Modificativo. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, os embargos de declaração foram acolhidos sem efeito modificativo para sanar os vícios apontados pela Procuradoria da Fazenda Nacional. Antonio Carlos Atulim Presidente. Domingos de Sá Filho Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 37 4. 00 14 31 /2 00 1- 10 Fl. 375DF CARF MF Impresso em 20/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/03/2014 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 06/03/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 05/03/2014 por DOMINGOS DE SA FILHO 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antonio Carlos Atulim, Domingos de Sá Filho, Alexandre Kern, Rosaldo Trevisan, Ivan Allegretti e Marcos Tranchesi Ortiz. Relatório Tratase de Embargos Declaratórios interposto pela Fazenda Nacional sustentando omissão no Acordo de nº 204.00.542 em razão de que não houve manifestação do voto condutor em relação ao Termo de Conclusão da diligência realizada como o objetivo de apurar existência de crédito. Diz a Embargante que o relator considerou apenas os demonstrativos de cálculo anexados pela fiscalização em diligência, contudo, deixando de se manifestar sobre a conclusão, pois essa informa que o crédito apurado em favor do contribuinte teria sido insuficiente para extinguir os débitos. De acordo com o entendimento trazido pela Fazenda Nacional esse é o ponto omisso, cujo entendimento da Embargante é de que se deixou de considerar o resultado da diligência. O resultado do julgamento foi de que: “Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial para cancelar os débitos apontados no auto de infração até o limite dos indébitos, se existentes, observado o critério da semestralidade da base de cálculo, nos termos da Súmula CARF nº 15, com os débitos do período de apuração de 01.11.1998 a 31.12.2000”. É o relatório. Voto Conselheiro Relator, Domingos de Sá Filho. Tratase de recurso tempestivo e atende os demais pressupostos de admissibilidade, motivo pelo qual deve ser conhecido. Alegação trazida no bojo do recurso é de que o voto condutor só utilizou os cálculos elaborados pela diligência fiscal, deixando de considerar a conclusão. A diligência determinada pela Resolução nº 204.00.542, fls. 256/258, decorreu em razão dos cálculos apresentados pelo contribuinte elaborado em conformidade com a Lei Complementar nº 7/70, cujo art. 6º estabelecia a semestralidade, onde verifica que diferença é oriunda da correção monetária dos pagamentos antecipados. Quanto os cálculos confeccionados pela fiscalização continuaram apurando o crédito tributário com base no faturamento do mês anterior. Fl. 376DF CARF MF Impresso em 20/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/03/2014 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 06/03/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 05/03/2014 por DOMINGOS DE SA FILHO Processo nº 15374.001431/200110 Acórdão n.º 3403002.735 S3C4T3 Fl. 5 3 Assim, restou determinado que: “Assim sendo, diante dos fatos, e com esteio no artigo 29 do Decreto n° 70.235/72, somos pela conversão do julgamento do recurso em diligência, para que sejam tomadas as seguintes providências: Verificar se os pagamentos efetuados nos moldes dos Decretos Leis n°s 2.445 e 2.449 de 1995 foram suficientes para compensar com os períodos lançados considerando a base de cálculo como sendo o faturamento do sexto mês anterior, conforme a interpretação e aplicação do artigo 6o, parágrafo único, da LC 7/70” Cumprida a diligência, o resultado pode ser visto à fl. 329 “Termo de Conclusão de Diligencia Fiscal” e do exame das planilhas anexadas. O demonstrativo trazido à colação pelo Agente Fiscal informa de onde foram extraídos os dados a compor a base de cálculo. Embora diga que apuração deu em consonância com Lei Complementar nº 7/70. No entanto, não é o que se extraí dos demonstrativos, em que pese trazer os valores do faturamento transformados em uma moeda distinta da época, mas o período indicado da apuração configura fato de que a semestralidade não foi respeitada. Pela anotação do “Período de Apuração” (PA) denota de pronto que não obedeceu à sistemática da semestralidade. A exemplificar tomase como referência à base de cálculo do mês de julho de 1993 extraído da planilha do contribuinte colecionado pela diligência. A planilha demonstra que faturamento a compor a base de cálculo de julho/93 é o faturamento de janeiro de 1993, no caso, 8.899.719.821 x 0,75% = 66.747.898. O contribuinte recolheu pela sistemática determinada pelos Decretos Leis consideradas inconstitucionais referente ao período de apuração de julho/93 o valor de R$ 238.251.348, quando o faturamento alcançou o montante de 49.795.131.575. Desse modo, recolheu a maior o montante de 171.503.448 (238.251.348 – 66.747.898) fl.298 do eprocesso. Considerando que a planilha da fiscalização demonstra que o período de apuração é o próprio mês do faturamento distancia da verdade, quando o demonstrativo da contribuinte indica com precisão o faturamento do sexto mês a compor a base, apurando o valor devido pela sistemática da Lei complementar nº 7/70, onde os saldos são todos positivos a favor da Recorrente ao contrário dos cálculos elaborados pela diligência. A título de exemplo extraído dos demonstrativos elaborados pela fiscalização constatase: PA 07/93 Vencimento 20.08.93; PA 08/93 – vencimento 20.09.93 e PA 09/93 vencimento 20.10.93 e sucessivamente. Os cálculos da contribuinte demonstram que a base de cálculo de janeiro de 1994 é o faturamento do mês de julho de 1993. Deixouse de acatar o resultado da diligência pelo fato de que o mesmo não obedeceu à sistemática da semestralidade e apurou a contribuição com base no faturamento mensal. A decisão encontra consubstanciada no cotejo dos cálculos demonstrados no parecer trazido pela fiscalização em sede de diligência e os demonstrativos do contribuinte, Fl. 377DF CARF MF Impresso em 20/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/03/2014 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 06/03/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 05/03/2014 por DOMINGOS DE SA FILHO 4 tendo o Colegiado concluído que o mesmo não revelava certo. Com essa consideração, voto no sentido de conhecer do recurso e esclarecer o motivo pelo qual deixou de adotar os cálculos apresentados em diligência fiscal. Ante o exposto, conheço do recurso e esclarecer o motivo pelo qual se deixou de adotar o resultado apresentado em diligência fiscal, e, assim sendo, voto no sentido de manter intacto o resultado proferido no voluntário. É como voto. Domingos de Sá Filho Fl. 378DF CARF MF Impresso em 20/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/03/2014 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 06/03/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 05/03/2014 por DOMINGOS DE SA FILHO
score : 1.0
Numero do processo: 10920.722305/2012-90
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Aug 20 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Thu Apr 03 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 01/10/2008 a 31/07/2009
BENEFÍCIO FISCAL. PRAZO CERTO E CONDIÇÃO ONEROSA.
Com efeito, o benefício por prazo certo e condicional incorpora-se ao patrimônio de seu destinatário, que passa a ter direito adquirido de continuar desfrutando do benefício, até a expiração do prazo fixado no ato normativo. O patrimônio da pessoa beneficiada por esta modalidade de isenção não pode ser prejudicado, sob pena de burla ao Art. 5º, XXXVI, CF.
Recurso Voluntário Provido
Crédito Tributário Exonerado
Numero da decisão: 3401-002.353
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado: Por unanimidade, deu-se provimento ao recurso do contribuinte. Os Conselheiros Robson José Bayerl (Substituto) e Fenelon Moscoso de Almeira (Suplente) votaram pelas conclusões.
(assinado digitalmente)
JÚLIO CÉSAR ALVES RAMOS - Presidente.
(assinado digitalmente)
FERNANDO MARQUES CLETO DUARTE- Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Júlio César Alves Ramos, Robson José Bayerl, Jean Cleuter Simões Mendonça, Fenelon Moscoso de Almeida, Fernando Marques Cleto Duarte, Angela Sartori.
Nome do relator: FERNANDO MARQUES CLETO DUARTE
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI Período de apuração: 01/10/2008 a 31/07/2009 BENEFÍCIO FISCAL. PRAZO CERTO E CONDIÇÃO ONEROSA. Com efeito, o benefício por prazo certo e condicional incorpora-se ao patrimônio de seu destinatário, que passa a ter direito adquirido de continuar desfrutando do benefício, até a expiração do prazo fixado no ato normativo. O patrimônio da pessoa beneficiada por esta modalidade de isenção não pode ser prejudicado, sob pena de burla ao Art. 5º, XXXVI, CF. Recurso Voluntário Provido Crédito Tributário Exonerado
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PRAZO CERTO E CONDIÇÃO ONEROSA. Com efeito, o benefício por prazo certo e condicional incorporase ao patrimônio de seu destinatário, que passa a ter direito adquirido de continuar desfrutando do benefício, até a expiração do prazo fixado no ato normativo. O patrimônio da pessoa beneficiada por esta modalidade de isenção não pode ser prejudicado, sob pena de burla ao Art. 5º, XXXVI, CF. Recurso Voluntário Provido Crédito Tributário Exonerado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado: Por unanimidade, deuse provimento ao recurso do contribuinte. Os Conselheiros Robson José Bayerl (Substituto) e Fenelon Moscoso de Almeira (Suplente) votaram pelas conclusões. (assinado digitalmente) JÚLIO CÉSAR ALVES RAMOS Presidente. (assinado digitalmente) FERNANDO MARQUES CLETO DUARTE Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 92 0. 72 23 05 /2 01 2- 90 Fl. 1822DF CARF MF Impresso em 03/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/03/2014 por FERNANDO MARQUES CLETO DUARTE, Assinado digitalmente em 2 1/03/2014 por FERNANDO MARQUES CLETO DUARTE, Assinado digitalmente em 31/03/2014 por JULIO CESAR ALV ES RAMOS 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Júlio César Alves Ramos, Robson José Bayerl, Jean Cleuter Simões Mendonça, Fenelon Moscoso de Almeida, Fernando Marques Cleto Duarte, Angela Sartori. Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto pelo contribuinte WEG EQUIPAMENTOS ELÉTRICOS S/A em face de acórdão proferido pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Ribeirão Preto Fortaleza (SP) que, por unanimidade de votos, julgou improcedente a impugnação apresentada, bem como manteve o crédito tributário lançado. A matéria em discussão é relativa à incidência do Imposto sobre Produtos Industrializados IPI sobre a saída de alguns produtos sobre os quais se aplicaria a alíquota reduzida em 80% em razão das Portarias Interministeriais n°s. 358/2002, 465/2005 e 445/2009 dos Ministérios da Ciência e Tecnologia, do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior e da Fazendo e do benefício instituído pelo art. 4° da Lei n° 8.248/1991, regulamentado pelo Decreto n° 5.906/2006. Sobrevieram os Decretos n°s. 6.405/2008 e 7.010/2009, dando nova redação, a partir de 20.03.2008, ao Anexo I da normatização anterior, o que fez a auditoria fiscal entender que houve a restrição dos produtos que se beneficiariam da alíquota reduzida, de modo que, foi constituído o crédito tributário referente ao período de outubro de 2008 a julho de 2009, tendo como objeto os produtos não classificados com o código 8504.40.40. Devidamente intimado, em 04.06.2012, da constituição do crédito tributário, o contribuinte apresentou Impugnação (fls. 1715/1720), sobre a qual a Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Ribeirão Preto (SP) proferiu acórdão que restou assim ementado: “ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS – IPI Período de apuração: 01/10/2008 a 31/07/2009 FALTA DE LANÇAMENTO. REDUÇÃO DE ALÍQUOTA PARA BENS DE INFORMÁTICA E AUTOMAÇÃO. PORTARIAS INTERMINISTERIAIS E PROCESSOS DE HABILITAÇÃO NO MCT. Cobrase o imposto não recolhido nos prazos legais de vencimento, além dos acréscimos legais, se a Portaria Interministerial concessiva do benefício não mais corresponder aos modelos de produtos especificamente identificados na legislação. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido” Fl. 1823DF CARF MF Impresso em 03/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/03/2014 por FERNANDO MARQUES CLETO DUARTE, Assinado digitalmente em 2 1/03/2014 por FERNANDO MARQUES CLETO DUARTE, Assinado digitalmente em 31/03/2014 por JULIO CESAR ALV ES RAMOS Processo nº 10920.722305/201290 Acórdão n.º 3401002.353 S3C4T1 Fl. 1.823 3 Cientificado da decisão, em 05.10.2012, conforme faz prova o Aviso de Recebimento de fls. 1809, o Recorrente interpôs o Recurso Voluntário de fls. 1810/1816, desacompanhado de documentos. Em suas razões recursais, a Recorrente argumenta que o benefício fiscal a si concedido foi outorgado sob condição onerosa e prazo certo, tendo sido instituído por meio das Portarias nºs. 358 e 465, expedidas, respectivamente, em 29.05.2002 e 13.07.2005. Indica que a alteração ulterior da normatização acerca dos produtos sobre os quais se incidiria o benefício fiscal não lhe pode afetar, porquanto este foi outorgado em razão de uma condição onerosa que cumpre devidamente (investimento em atividades de pesquisa e desenvolvimento em tecnologia da informação) e de um prazo certo (até 31.12.2009). Em seguida, tece considerações acerca da necessidade de haver ato de ofício da autoridade competente para cancelar, revogar ou alterar as portarias que concederam o benefício fiscal, ao argumento de que, por serem atos normativos próprios, autônomos e que regem a relação entre o contribuinte e o Fisco, apenas outro ato de ofício e individualizado pode alterar a validade jurídica de tais portarias. Ao final, requer seja acolhido o presente recurso e, no mérito, determinado o cancelamento integral da exigência fiscal contida no auto de infração discutido. Não tendo havido contrarrazões por parte da Fazenda Nacional, os autos foram remetidos a este Colegiado para apreciação do Recurso Voluntário. É o relatório. Voto Conselheiro Fernando Marques Cleto Duarte DA ADMISSIBILIDADE O recurso é tempestivo e presentes se encontram as demais condições para a sua admissibilidade, razão pela qual do recurso eu conheço. DO BENEFÍCIO FISCAL POR PRAZO CERTO E CONDIÇÃO ONEROSA Os benefícios fiscais transitórios ou com prazo certo, como o próprio nome sugere, têm o termo final fixado previamente na lei que as instituiu; as permanentes ou com prazo indeterminado, pelo contrário, permanecem em vigor indefinidamente. Sendo permanente o benefício tributário, a pessoa política que a concedeu pode revogála, total ou parcialmente, a qualquer tempo, a seu talante, desde que o faça pelo Fl. 1824DF CARF MF Impresso em 03/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/03/2014 por FERNANDO MARQUES CLETO DUARTE, Assinado digitalmente em 2 1/03/2014 por FERNANDO MARQUES CLETO DUARTE, Assinado digitalmente em 31/03/2014 por JULIO CESAR ALV ES RAMOS 4 meio apropriado – em regra, através de lei – respeitado, quando for o caso o princípio da anterioridade. Tal revogação, como reforça o professor, Roque Antonio Carrazza , pode ser expressa ou tácita. A primeira quando o ente político declara de modo claro que tal benefício deixou de existir; e a segunda quando esta pessoa cria ou recria o tributo objeto da isenção. O renomado professor Roque Antonio Carrazza (Curso de Direito Constitucional Tributário, Malheiros, p. 968) , ao analisar o tema, com a competência que lhe é peculiar, ensina: “A revogação de isenção com prazo indeterminado, ainda que onerosa (condicional), não gera, para o contribuinte, nem o direito de ser indenizado, nem, muito menos, o de continuar fruindo, pura e simplesmente, do benefício. O contribuinte tem, apenas, o direito de ver respeitado o princípio da anterioridade (em relação, obviamente, aos tributos sobre os quais ele incide).” No mesmo sentido, as isenções com prazo certo, desde que incondicionadas, podem ser revogadas ou modificadas a qualquer tempo, ou seja, mesmo antes de expirado seu termo. Isso porque a lei não pode vincular o legislador futuro de modo a tolhêlo de sua capacidade de editar leis, sob pena do sério comprometimento de sua função legislativa. Nestes termos, “a lei irrevogável padece de inconstitucionalidade” . Colocando uma “pá de cal” na discussão, o mestre Roque Antonio Carrazza (Op. cit. p. 969) arremata: “Aí está: não podendo o Estado ser impedido de legislar, a lei que concede uma isenção com prazo certo é passível de revogação antes de fluído o prazo nela apontado. A lei revocatória, no entanto, só produzirá efeitos no exercício seguinte (a menos, é claro, que estejamos diante de um daqueles poucos tributos que a Constituição colocou a salvo das exigências do princípio da anterioridade). Temos para nós que a revogação prematura de isenção com prazo certo, desde que esta seja gratuita (incondicional), além de inindenizável, não faz nascer, para o contribuinte, qualquer direito adquirido de continuar gozando da vantagem que a lei isentiva lhe dava. Em rigor, o contribuinte tinha, apenas, uma expectativa de direito – afinal frustrada pelo legislador – de ser beneficiado pela isenção durante um certo lapso de tempo.” Todavia, precisase ter em mente o Verbete da Súmula 544 do STF que preconiza que as isenções tributárias concedidas, sob condição onerosa, não podem ser livremente suprimidas. Insta salientar, outrossim, que as isenções tributárias concedidas por prazo certo e sob condição onerosa não podem ser revogadas a qualquer tempo, em razão de ofensa à segurança das relações jurídicas. Com efeito, o benefício por prazo certo condicional incorporase ao patrimônio de seu destinatário, que passa a ter direito adquirido de continuar desfrutando do benefício, até a expiração do prazo fixado no ato normativo. O patrimônio da pessoa beneficiada por esta modalidade de isenção não pode ser prejudicado, sob pena de burla ao Art. 5º, XXXVI, CF. Fl. 1825DF CARF MF Impresso em 03/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/03/2014 por FERNANDO MARQUES CLETO DUARTE, Assinado digitalmente em 2 1/03/2014 por FERNANDO MARQUES CLETO DUARTE, Assinado digitalmente em 31/03/2014 por JULIO CESAR ALV ES RAMOS Processo nº 10920.722305/201290 Acórdão n.º 3401002.353 S3C4T1 Fl. 1.824 5 CONCLUSÃO Por todo o exposto, voto no sentido de conhecer do recurso, para, no mérito, darlhe provimento, nos termos supra alinhavados. (assinado digitalmente) Fernando Marques Cleto Duarte Relator Fl. 1826DF CARF MF Impresso em 03/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/03/2014 por FERNANDO MARQUES CLETO DUARTE, Assinado digitalmente em 2 1/03/2014 por FERNANDO MARQUES CLETO DUARTE, Assinado digitalmente em 31/03/2014 por JULIO CESAR ALV ES RAMOS
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Numero do processo: 11020.720385/2007-98
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Jan 30 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Mar 13 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/01/2006 a 30/06/2006
PIS - RESSARCIMENTO - CRÉDITOS EXPORTAÇÃO - GLOSA REFERENTE A TRIBUTO NÃO CONSTITUÍDO - IMPOSSIBILIDADE.
Na análise de Pedido de Ressarcimento cabe a autoridade fiscal verificar a existência e adequação do crédito pleiteado pelo contribuinte para, em momento posterior, quando for o caso, promover a compensação de ofício, com débitos que estejam eventualmente constituídos e em aberto. Se constatado que determinado valor não foi submetido à tributação pelo contribuinte, cabe ao Fisco, primeiramente, promover o lançamento, para que então esteja autorizado a promover sua cobrança. Imprescindível a constituição do crédito tributário (débito) para que possa ser promovida sua cobrança. Descabida a glosa de créditos cujo ressarcimento foi pleiteado, com base em débito inexistente, posto que não constituído, seja pelo contribuinte, seja pelo Fisco. Impossível, ainda, a compensação de ofício de débito não constituído.
PIS - BASE DE CÁLCULO - CRÉDITO DE ICMS - NÃO INCIDÊNCIA.
A transferência de créditos de ICMS para terceiros está prevista na legislação estadual específica, e representa mera mutação patrimonial. Na hipótese não há que obtenção de novas receitas.
Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 3302-002.430
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da relatora. Os conselheiros Paulo Guilherme Déroulède e Maria da Conceição Arnaldo Jacó acompanharam a relatora pelas conclusões.
(assinado digitalmente)
WALBER JOSÉ DA SILVA - Presidente.
(assinado digitalmente)
FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS - Relatora.
EDITADO EM: 27/02/2014
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Walber José da Silva (Presidente), Fabiola Cassiano Keramidas, Gileno Gurjão Barreto, Paulo Guilherme Deroulede, Alexandre Gomes, Maria da Conceição Arnaldo Jacó.
Nome do relator: FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS
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Na análise de Pedido de Ressarcimento cabe a autoridade fiscal verificar a existência e adequação do crédito pleiteado pelo contribuinte para, em momento posterior, quando for o caso, promover a compensação de ofício, com débitos que estejam eventualmente constituídos e em aberto. Se constatado que determinado valor não foi submetido à tributação pelo contribuinte, cabe ao Fisco, primeiramente, promover o lançamento, para que então esteja autorizado a promover sua cobrança. Imprescindível a constituição do crédito tributário (débito) para que possa ser promovida sua cobrança. Descabida a glosa de créditos cujo ressarcimento foi pleiteado, com base em “débito” inexistente, posto que não constituído, seja pelo contribuinte, seja pelo Fisco. Impossível, ainda, a compensação de ofício de débito não constituído. PIS BASE DE CÁLCULO CRÉDITO DE ICMS NÃO INCIDÊNCIA. A transferência de créditos de ICMS para terceiros está prevista na legislação estadual específica, e representa mera mutação patrimonial. Na hipótese não há que obtenção de novas receitas. Recurso Voluntário Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da relatora. Os conselheiros Paulo Guilherme Déroulède e Maria da Conceição Arnaldo Jacó acompanharam a relatora pelas conclusões. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 02 0. 72 03 85 /2 00 7- 98 Fl. 94DF CARF MF Impresso em 13/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/02/2014 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Assinado digitalmente em 01/0 3/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 28/02/2014 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS 2 (assinado digitalmente) WALBER JOSÉ DA SILVA Presidente. (assinado digitalmente) FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS Relatora. EDITADO EM: 27/02/2014 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Walber José da Silva (Presidente), Fabiola Cassiano Keramidas, Gileno Gurjão Barreto, Paulo Guilherme Deroulede, Alexandre Gomes, Maria da Conceição Arnaldo Jacó. Relatório Tratase de pedido de ressarcimento de PIS recolhido pelo regime da não cumulatividade. Por retratar a realidade dos fatos, adoto o relatório da decisão de primeira instância administrativa, verbis: “O contribuinte supracitado solicitou ressarcimento de contribuição nãocumulativa (PIS nãocumulativo), bem como compensação destes valores com débitos, conforme pedido constante nos autos. O pedido foi deferido parcialmente, visto que o contribuinte não considerou na base de cálculo do tributo devido o valor das cessões de créditos de ICMS, sendo utilizado para compensação até o limite do crédito concedido e exigido o valor dos débitos não compensados por falta de crédito por carta cobrança. O interessado apresentou, tempestivamente, manifestação de inconformidade, endereçada a esta Delegacia de Julgamento, onde discorda da glosa efetuada. Alega que haveria uma alteração qualitativa da classificação contábil, que não implicaria em receita tributável, e, por isso, não existe previsão legal para a tributação. Admite, para fins de argumentação, que se de receita se tratasse, ela seria qualificada como receita de exportação e estaria isenta e imune à incidência das contribuições ao PIS e COFINS, pois a exportação é a causa imediata da manutenção dos créditos e de sua transferência para terceiros. Fl. 95DF CARF MF Impresso em 13/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/02/2014 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Assinado digitalmente em 01/0 3/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 28/02/2014 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS Processo nº 11020.720385/200798 Acórdão n.º 3302002.430 S3C3T2 Fl. 11 3 Traz doutrina e jurisprudência para fundamentar seus raciocínios de defesa.” Após analisar as alegações trazidas pela Recorrente, a Segunda Turma da DRJ de Porto Alegre lavrou o acórdão nº 1018.291, por meio do qual manteve a glosa realizada pela autoridade administrativa com base na seguinte ementa, a saber: “ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/01/2006 a 31/03/2006 CESSÃO DE ICMS INCIDÊNCIA DE PIS/PASEP E COFINS A cessão de direitos de ICMS compõe a receita do contribuinte, sendo base de cálculo para o PIS/PASEP e a COFINS até a edição dos arts.7°, 8° e 9° da Medida Provisória 451, de 15 de dezembro de 2008. Rest/Ress. Indeferido Comp. não homologada” Irresignada, a Recorrente interpôs recurso voluntário por meio do qual reiterou as razões trazidas em sua impugnação. É o relatório. Voto Conselheira FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS O recurso atende aos pressupostos de admissibilidade, razão pela qual dele conheço. Tratase de pedido de ressarcimento de crédito de PIS, decorrente do resultado positivo (saldo credor) do período apurado (1) com base nos insumos utilizados pela contribuinte em sua atividade, os quais foram devidamente quantificados e apresentados à fiscalização (valor positivo) e (2) na indicação do valor devido a título de PIS, regularmente declarado em DCTF (valor negativo). Conforme se verifica dos termos do relatório da Fiscalização (fls. 24/25), in casu, a glosa dos créditos ocorreu em razão de a fiscalização entender que o contribuinte não calculou seu débito de PIS do período (item 2 acima citado) da forma correta, a saber: “No período contemplado pelo presente processo, o contribuinte efetuou operações de transferências de créditos de ICMS para terceiros, mas não reconheceu as receitas decorrentes dessas alienações de direitos a terceiros. Não obstante, o art. 10 da lei 10.637/02 determina que a base de cálculo do PIS abrange todas as receitas auferidas pela pessoa Fl. 96DF CARF MF Impresso em 13/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/02/2014 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Assinado digitalmente em 01/0 3/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 28/02/2014 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS 4 jurídica, independentemente de sua classificação contábil ou denominação e, por outro lado, não cita essas receitas dentre as exclusões da base de cálculo enumeradas em seu §3°: Lei 10.637, de 30/12/2002. Art. 1° A contribuição para o PIS/Pasep tem como fato gerador o faturamento mensal, assim entendido o total das receitas auferidas pela pessoa jurídica, independentemente de sua denominação ou classificação contábil. § 1° Para efeito do disposto neste artigo, o total das receitas compreende a receita bruta da venda de bens e serviços nas operações em conta própria ou alheia e todas as demais receitas auferidas pela pessoa jurídica. § 2° A base de cálculo da contribuição para o PIS/Pasep é o valor do faturamento, conforme definido no caput. § 3° Não integram a base de cálculo a que se refere este artigo, as receitas: I decorrentes de saídas isentas da contribuição ou sujeitas à alíquota zero; II (VETADO) III auferidas pela pessoa jurídica revendedora, na revenda de mercadorias em relação às quais a contribuição seja exigida da empresa vendedora, na condição de substituta tributária; IV de venda de álcool para fins carburantes; (NR da lei 10.865/04). V referentes a: a) vendas canceladas e aos descontos incondicionais concedidos; b) reversões de provisões e recuperações de créditos baixados como perda, que não representem ingresso de novas receitas, o resultado positivo da avaliação de investimentos pelo valor do patrimônio líquido e os lucros e dividendos derivados de investimentos avaliados pelo custo de aquisição, que tenham sido computados como receita. VI — não operacionais, decorrentes da venda de ativo imobilizado. (Incluído pela Lei n° 10.684, de 30.5.2003).” A alienação a terceiros de bens e direitos do seu ativo — seja do circulante, realizável a longo prazo ou permanente , importa no auferimento de receitas. É o que dita a Resolução n° 774, de 16/12/1994, do Conselho Federal de Contabilidade, que aprovou o apêndice à Resolução sobre os Princípios Fundamentais de Contabilidade: Resolução N° 774, de 16/12/94, do CFC: 2.6.3 ALGUNS DETALHES SOBRE AS RECEITAS E SEU RECONHECIMENTO A receita é considerada realizada no Fl. 97DF CARF MF Impresso em 13/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/02/2014 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Assinado digitalmente em 01/0 3/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 28/02/2014 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS Processo nº 11020.720385/200798 Acórdão n.º 3302002.430 S3C3T2 Fl. 12 5 momento em que há a venda de bens e direitos da Entidade entendida a palavra "bem" em sentido amplo, incluindo toda sorte de mercadorias, produtos, serviços, inclusive equipamentos e imóveis , com a transferência da sua propriedade para terceiros, efetuando estes o pagamento em dinheiro ou assumindo compromisso firme de fazêlo num prazo qualquer.” Isto é, o crédito em questão não foi glosado pela insuficiência/irregularidade de insumos, mas pelo entendimento de que a Recorrente, ao calcular o PIS devido no período, deixou de considerar na base de cálculo do tributo o valor relativo ao Crédito de ICMS não cumulativo, o que gerou a conclusão de recolhimento a menor do tributo. O problema, portanto, da equação apresentada, é no quantum que representa o débito, não no valor crédito. Neste sentido, tendo o Fisco constatado que a Recorrente não apurou (não lançou e não pagou) tais débitos, ao manifestarse sobre o direito ao ressarcimento de créditos que a Recorrente apurou (objeto do Pedido de Ressarcimento ora sob análise), houve por bem glosar parte dos créditos pleiteados. Ou seja, na análise da procedência ou não dos créditos apurados pela Recorrente, cujo ressarcimento pleiteou, o Fisco lhe negou o direito a parte de tais créditos, porque “descontou”, do total de créditos pleiteados, o débito de PIS que não foi anteriormente apurado pela Recorrente (sobre o crédito de ICMS, acima referido). Pareceme, evidente, que o Agente Fiscal incorreu em grave erro. Afinal, confundiu a análise do crédito de PIS – cujo pedido de ressarcimento pleiteado é objeto dos autos – com um débito de PIS que deixou de ser apurado e lançado pela contribuinte. Promoveu verdadeira compensação de ofício sem que, contudo, o valor do débito tivesse sido antes constituído. Realizou, portanto, cobrança de tributo sem o respectivo lançamento. Ora, o Agente Fiscal concluiu através de suas verificações, que a Recorrente deixou de incluir determinado valor na base de cálculo do PIS (correspondente ao crédito de ICMS). E tal conclusão se deu porque a Recorrente não declarou este valor em sua DCTF e, consequentemente, deixou de constituir este tributo. Neste momento, portanto, a fiscalização localizou valor não lançado que em seu entender seria devido pela Recorrente. Deveria, então, promover, em primeiro lugar, o lançamento de tal valore, para que fosse possível estabelecer sua cobrança (ou compensação de ofício). Afinal, é cediço que para que seja possível cobrar quaisquer valores, a título de tributo, estes devem estar definitivamente constituídos – seja através de lançamento por homologação (Art. 150,§4º do CTN), seja através de lançamento de oficio (Art. 142 do CTN). Entretanto, no presente caso, considerando que a Recorrente não ofereceu tais valores à tributação – daí, inclusive que surgiu o questionamento fiscal – e que nestes autos não foi efetuado nenhum lançamento de ofício, os valores em questão jamais foram constituídos definitivamente. Assim, faltalhes requisito essencial para a pretensa cobrança, por parte da Autoridade Fiscal. Esta razão já seria suficiente para a improcedência da glosa em comento. Fl. 98DF CARF MF Impresso em 13/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/02/2014 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Assinado digitalmente em 01/0 3/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 28/02/2014 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS 6 Vale destacar, que com isso não entendo que a fiscalização deve ressarcir os contribuintes de valores aos quais eles não têm direito. Na hipótese de o mencionado débito ter sido adequadamente constituído, o procedimento correto que o Fisco deveria ter adotado seria o de (i) verificar a procedência (e deferimento) do crédito pleiteado e, posteriormente, (ii) avaliar se existiam débitos do contribuinte em aberto, (iii) para então promover a compensação de ofício (que deveria seguir o rito estabelecido pela IN nº 900/08). Ou seja, a administração, da mesma forma, não procederia à mencionada restituição. De toda forma, equivocado o procedimento que foi adotado no presente caso, de glosar o “crédito” a que o contribuinte tem direito, em razão de ter sido constatada a apuração e manutenção em aberto de “débitos” da contribuição. Afinal, na análise da procedência do direito ao “crédito” o Fisco deveria ter deferido integralmente o direito do contribuinte e, em momento posterior, se fosse o caso (ou seja, se houvesse crédito constituído e aberto), promover a quitação de eventual “débito” (constituído e em aberto) com o “crédito” reconhecido, efetuando, nestes termos, a compensação de oficio e a restituição do valor (crédito) remanescente. Assim, também sob esse prisma está inadequado o procedimento adotado pela Autoridade Fiscal. De todo modo, considerando que o débito em questão não foi sequer constituído, não haveria também condições de se promover a compensação de ofício nos moldes referidos. Tendo em vista que o julgamento é realizado por um órgão colegiado, em vista da possibilidade de meus pares não concordarem com minhas conclusões preliminares, por si só suficientes para cancelar a exigência desta exação, passo a analisar o mérito da glosa. Vejamos. De acordo com os autos, a autoridade administrativa entende que deve ser incluído na base de cálculo do PIS e Cofins o produto da venda de créditos acumulados de ICMS, uma vez que a regra matriz deste tributo determina sua incidência sobre a totalidade de receitas. É o que se depreende do caput do artigo 1º, da Lei nº 10.637/02, a saber: “Lei 10.637, de 30/12/2002. Art. 1° A contribuição para o PIS/Pasep tem como fato gerador o faturamento mensal, assim entendido o total das receitas auferidas pela pessoa jurídica, independentemente de sua denominação ou classificação contábil.” (destaquei) Ao analisar todo o texto da norma legal, concluo que a questão em discussão depende exatamente de conceituar o valor que se pretende tributar como receita, pois é este o critério que define a tributação, tanto que o legislador pretendeu buscar a receita onde quer que se encontrasse, mesmo que estivesse registrada em classificação contábil diversa. Em meu entender, exatamente neste ponto que o legislador deixou de se preocupar com a forma, definindose pela essência, quando acenou que a tributação independe de o valor estar registrado como receita, sendo necessário que seja efetivamente uma receita. Neste aspecto, o valor recebido como pagamento pelo crédito acumulado de ICMS não está adequado ao conceito de receita que o legislador originário pretendeu alcançar. Fl. 99DF CARF MF Impresso em 13/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/02/2014 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Assinado digitalmente em 01/0 3/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 28/02/2014 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS Processo nº 11020.720385/200798 Acórdão n.º 3302002.430 S3C3T2 Fl. 13 7 Inicialmente, é necessário esclarecer que o saldo credor de ICMS, no demonstrativo contábil da apuração do resultado do exercício, será sempre o valor do "débito" do ICMS, pois é o resultado negativo da conjunção dos créditos referentes aos valores de ICMS pago pela Recorrente nas aquisições (registrados na conta de passivo exigível) com os débitos deste mesmo ICMS recebidos pela Recorrente nas operações de venda. Em razão do princípio da não cumulatividade, nas operações de venda de mercadorias, a nota fiscal é emitida com o destaque do ICMS devido, que é pago pelo contribuinte final e deduzido dos créditos de ICMS até então pagos pela contribuinte, somente quando o valor dos créditos, no mês, supera o de débitos, a contribuinte apura saldo de ICMS a recuperar. Conforme lecionado pelo ilustre Conselheiro Gileno Gurjão Barreto1, “Os créditos acumulados já foram "débitos", de outra pessoa jurídica, cuja receita fora tributada pelo PIS e está no preço da mercadoria pago por esta contribuinte. Os créditos serão ativo próprio, a ser deduzido do passivo, em contas patrimoniais. Afirmar que a cessão de créditos seria receita seria o mesmo que tentar tributar os créditos de ICMS como se receitas fossem; o que seria absolutamente incoerente do ponto de vista contábil e, consequentemerite, jurídico.” A transferência de créditos de ICMS para terceiros está prevista na legislação estadual específica, e representa mera mutação patrimonial, em valores idênticos, sem obtenção de receitas. Neste sentido, em sentido oposto ao entendimento da DRF, entendo que somente haveria que se falar em tributação se houvesse algum ágio na operação em comento, momento em que poderia ser imaginado um aumento patrimonial. Desta forma, com razão a Recorrente em não incluir na base de cálculo do PIS o valor referente à venda de crédito acumulado de ICMS. Ante o exposto, DOU PROVIMENTO ao Recurso Voluntário, para garantir o direito à restituição integral do crédito de PIS, objeto deste processo. (assinado digitalmente) FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS Relatora 1 Julgamento do processo administrativo nº 11065.005554/200316, Recurso nº 130.416; Acórdão nº 20179.964. Fl. 100DF CARF MF Impresso em 13/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/02/2014 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Assinado digitalmente em 01/0 3/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 28/02/2014 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS 8 Fl. 101DF CARF MF Impresso em 13/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/02/2014 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Assinado digitalmente em 01/0 3/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 28/02/2014 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS
score : 1.0
Numero do processo: 13558.000605/2006-40
Turma: Primeira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Apr 23 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu May 15 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 31/01/2002 a 31/12/2002
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. PROVA.
Cabe ao contribuinte o ônus de comprovar as alegações que oponha ao ato administrativo. Inadmissível a mera alegação da existência de um direito.
IPI E ICMS NÃO RECUPERÁVEIS.
O IPI não recuperável e o ICMS integram o valor das aquisições de bens e serviço para efeito de cálculo do crédito do PIS/Pasep e da Cofins.
Recurso provido em parte.
Numero da decisão: 3801-003.237
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso voluntário para que seja ajustada a base de cálculo das contribuições nos termos apurados pela fiscalização na diligência fiscal
(assinado digitalmente)
Flávio de Castro Pontes - Presidente.
(assinado digitalmente)
Sidney Eduardo Stahl - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Sérgio Celani, Sidney Eduardo Stahl, Marcos Antonio Borges, Paulo Antonio Caliendo Velloso da Silveira, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel e Flávio de Castro Pontes (Presidente).
Nome do relator: SIDNEY EDUARDO STAHL
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 31/01/2002 a 31/12/2002 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. PROVA. Cabe ao contribuinte o ônus de comprovar as alegações que oponha ao ato administrativo. Inadmissível a mera alegação da existência de um direito. IPI E ICMS NÃO RECUPERÁVEIS. O IPI não recuperável e o ICMS integram o valor das aquisições de bens e serviço para efeito de cálculo do crédito do PIS/Pasep e da Cofins. Recurso provido em parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso voluntário para que seja ajustada a base de cálculo das contribuições nos termos apurados pela fiscalização na diligência fiscal (assinado digitalmente) Flávio de Castro Pontes Presidente. (assinado digitalmente) Sidney Eduardo Stahl Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Sérgio Celani, Sidney Eduardo Stahl, Marcos Antonio Borges, Paulo Antonio Caliendo Velloso da Silveira, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel e Flávio de Castro Pontes (Presidente). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 55 8. 00 06 05 /2 00 6- 40 Fl. 581DF CARF MF Impresso em 15/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/05/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 06/05/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 14/05/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 13558.000605/200640 Acórdão n.º 3801003.237 S3TE01 Fl. 582 2 Relatório Por bem descrever os fatos adoto o relatório da DRJ de Salvador/BA. Trata o presente processo de Autos de Infração lavrados contra a contribuinte acima identificada, que pretendem a cobrança da Contribuição para o Programa de Integração Social — PIS (fls. 154/160) e da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social — Cofins (fls. 162/168) relativas aos períodos de apuração de janeiro a dezembro de 2002. No Relatório Fiscal — PIS/Cofins (fls. 170/171), o autuante informa que, intimada (fls. 07/10) a esclarecer as diferenças existentes entre os valores constantes do Demonstrativo de Apuração do ICMS — DMA (fls. 36/63) e a DIPJ (fls. 64/95), a contribuinte informou que, por erro de lançamento, valores do IPI e ICMS substituto e vendas canceladas teriam sido lançados em duplicidade, entregando planilhas com os valores em questão (fls.146/147). Assim, segundo o autuante, da análise dos livros fiscais e contábeis da empresa, foram constatadas divergências entre as contribuições devidas — cujas bases de cálculo (fl. 172) foram apuradas a partir do Livro de Registro de Saídas (fls. 125/138), Livro Razão (fls. 96/110) e Livro de Apuração do ICMS (fls. 111/124) — e os valores declarados em DCTF e/ou pagos, conforme demonstrativos as folhas 173 e 175 (Cofins) e 174 e 176 (PIS). Ao presente processo foram ainda anexados os seguintes documentos: Mandado de Procedimento Fiscal (fl. 01); Termo de Inicio de Fiscalização (fls. 04/06); outros termos lavrados durante a fiscalização (fls. 11/13 e 148/153); Contrato Social e alterações (fls. 14/35); Cientificada dos lançamentos em 27/07/2006, a contribuinte apresenta em 21/08/2006 a impugnação de folhas 180/181, alegando em sua defesa, em síntese: • Houve erro na planilha encaminhada ao auditor pelo sócio da contribuinte (fl. 232), em virtude de o sistema contábil utilizado não permitir filtrar as informações por fornecedor e por classificação fiscal, tendo que ser elaborada mediante importação de planilhas com arquivos de texto; • Após contato com a empresa criadora do software, foi desenvolvido livro de entrada com os filtros solicitados (fls. 182/231), estando os valores corrigidos demonstrados na planilha A. folha 233, remanescendo, assim, os valores informados A. folha 181. Fl. 582DF CARF MF Impresso em 15/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/05/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 06/05/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 14/05/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 13558.000605/200640 Acórdão n.º 3801003.237 S3TE01 Fl. 583 3 A Recorrente apresentou impugnação parcial ao auto de infração reconhecendo a falta de recolhimento da Cofins no montante de R$66.650,13 (sessenta e seis mil, seiscentos e cinqüenta reais e treze centavos), e da contribuição para o PIS no montante de R$14.442,42 (quatorze mil, quatrocentos e quarenta e dois reais e quarenta e dois centavos), além dos respectivos acréscimos legais (multa de oficio, no percentual de 75%, e juros de mora). A DRJ refez os demonstrativos de apuração e julgou pela procedência quanto as parcelas impugnadas dos lançamentos. A Recorrente apresentou Recurso Voluntário. Essa turma determinou a conversão do processo em diligência para: 1. Apurar se os valores considerados no lançamento, relativos às exclusões de IPI e ICMS substituição tributária, devem ser alterados, analisandose a documentação juntada pelo contribuinte à impugnação Livro Registro de Entradas de ICMS (fls. 182 a 231), bem como os demais documentos contábeis e fiscais da empresa; 2. Juntar aos autos cópia da documentação que demonstre a origem dos valores mensais das exclusões acima mencionadas; 3. Considerando a impugnação parcial, informar se houve pagamento ou parcelamento do crédito não questionado pelo contribuinte; 4. Intimar a empresa a se manifestar acerca da diligência realizada, se assim desejar, no prazo de trinta dias de sua ciência; 5. Retornar os presentes autos ao CARF para julgamento. Realizados os atos supra determinados retornou com a informação de que solicitada a documentação a empresa informou que não poderia apresentar as notas fiscais porque as mesmas se danificaram na mudança que fez e que com relação ao ICMSST e IPI apresentou a seguinte planilha de apuração: 2002 ICMS SUBSTITUTO IPI Jan 1.239,20 33.341,42 Fev 41.123,32 35.649,28 Mar 29.848,58 25.618,52 Abr 42.148,17 36.922,88 Mai 30.855,01 26.756,00 Jun 33655,17 27.172,44 Jul 38.776,75 32.830,08 Ago 38.560,92 32.547,72 Set 34.999,35 29.257,20 Out 38.349,61 31.187,04 Nov 55.612,50 44.434,44 Dez 88.053,59 76.189,82 Fl. 583DF CARF MF Impresso em 15/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/05/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 06/05/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 14/05/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 13558.000605/200640 Acórdão n.º 3801003.237 S3TE01 Fl. 584 4 A Recorrente foi intimada do resultado da diligência tendo se manifestado com a apresentação de planilha de apuração e livro de registro de entrada, apontando divergências. É o que importa relatar. Fl. 584DF CARF MF Impresso em 15/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/05/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 06/05/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 14/05/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 13558.000605/200640 Acórdão n.º 3801003.237 S3TE01 Fl. 585 5 Voto Conselheiro Sidney Eduardo Stahl, Tratase de retorno de diligência. Na resolução que determinou a diligência a Turma entendeu que constavam diferenças lançadas que teriam origem nos valores de IPI e ICMS substituição a serem excluídos. Como se sabe, o custo das mercadorias vendidas e das matériasprimas utilizadas será determinado com base em registro permanente de estoques ou no valor dos estoques existentes, de acordo com o Livro de Inventário, no fim do período de apuração nos termos do DecretoLei n.º 1.598, de 1977, art. 14 (os destaques são nossos): §1º O custo de aquisição de mercadorias destinadas à revenda compreenderá os de transporte e seguro até o estabelecimento do contribuinte e os tributos devidos na aquisição ou importação (DecretoLei nº 1.598, de 1977, art. 13). §2º Os gastos com desembaraço aduaneiro integram o custo de aquisição. §3º Não se incluem no custo os impostos recuperáveis através de créditos na escrita fiscal. Por outro lado, nos termos do artigo 8º, § 3º da Instrução Normativa 404/2004 (os destaques são nossos): § 3º Para efeitos do disposto no inciso I, deve ser observado que: I o Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) incidente na aquisição, quando recuperável, não integra o valor do custo dos bens; e II o Imposto sobre Operações Relativas à Circulação de Mercadorias e sobre Prestação de Serviços de Transporte Interestadual e Intermunicipal e de Comunicação (ICMS) integra o valor do custo de aquisição de bens e serviços. Desse modo, o IPI, quando não recuperável, que é o caso da apuração feita pela diligência, integra o custo de aquisição, portanto é aproveitado no crédito do PIS e da COFINS. No mesmo sentido, o ICMS substituição tributária, não é recuperável, fazendo parte do custo de aquisição, conforme §3º, do art. 289, Decreto 3.000/1999. Bem como, a própria IN 404/2004, diz literalmente que o ICMS integra a base de cálculo. Concluindo, ao nosso ver, pelos dispositivos legais citados e ausência de disposição em contrário nas Leis instituidoras do PIS e da COFINS, pode haver o creditamento Fl. 585DF CARF MF Impresso em 15/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/05/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 06/05/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 14/05/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 13558.000605/200640 Acórdão n.º 3801003.237 S3TE01 Fl. 586 6 do PIS e da COFINS, sobre o IPI não recuperável, bem como sobre o ICMS substituição tributária. Feita a devida apuração esses valores, portanto, devem ser excluídos da base de cálculo das contribuições lançadas. Tomo como correta a apuração realizada pela fiscalização na diligência, porquanto, a manifestação da Recorrente não trouxe qualquer elemento que pudesse desconstituir os valores nela alcançados. No processo administrativo fiscal, temse como regra que cabe àquele que pleiteia o direito, provar os fatos, prevalecendo o princípio de que o ônus da prova cabe a quem dela se aproveita. Portanto, no caso em apreço, competiria ao sujeito passivo, a ora Recorrente, a comprovação do alegado. A Delegacia, por outro lado, utilizouse de informação prestada pela contribuinte e cumpriu a diligência requerida apontando os valores constantes do relatório de diligência. Assim, tenho que a base de cálculo deve ser ajustada com a exclusão do IPI e ICMS substituição apurados pela fiscalização. Desse modo, voto por julgar parcialmente procedente o presente recurso voluntário para que seja ajustada a base de cálculo das contribuições nos termos apurados pela fiscalização na diligência fiscal. (assinado digitalmente) Sidney Eduardo Stahl Relator Fl. 586DF CARF MF Impresso em 15/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/05/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 06/05/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 14/05/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES
score : 1.0
Numero do processo: 10875.903612/2009-67
Turma: Terceira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Apr 23 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Mon May 26 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/12/2003 a 31/12/2003
INOVAÇÃO DOS ARGUMENTOS DE DEFESA. PRECLUSÃO.
Considera-se não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante na primeira instância administrativa.
Numero da decisão: 3803-005.986
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em não conhecer do recurso voluntário.
Corintho Oliveira Machado - Presidente e Relator.
EDITADO EM: 21/05/2014
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Demes Brito, Hélcio Lafetá Reis, João Alfredo Eduão Ferreira, Belchior Melo de Sousa, Jorge Victor Rodrigues e Corintho Oliveira Machado.
Nome do relator: CORINTHO OLIVEIRA MACHADO
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PRECLUSÃO. Considerase não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante na primeira instância administrativa. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em não conhecer do recurso voluntário. Corintho Oliveira Machado Presidente e Relator. EDITADO EM: 21/05/2014 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Demes Brito, Hélcio Lafetá Reis, João Alfredo Eduão Ferreira, Belchior Melo de Sousa, Jorge Victor Rodrigues e Corintho Oliveira Machado. Relatório Por bem descrever os fatos relativos ao contencioso, adoto o relato do órgão julgador de primeira instância até aquela fase: AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 87 5. 90 36 12 /2 00 9- 67 Fl. 104DF CARF MF Impresso em 26/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/05/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 21/05 /2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO 2 Tratase de Declaração de Compensação (DCOMP) com aproveitamento de suposto pagamento a maior. A Delegacia da Receita Federal de origem emitiu Despacho Decisório Eletrônico de não homologação da compensação, tendo em vista que o pagamento apontado como origem do direito creditório estaria integralmente utilizado na quitação de débito do contribuinte. Cientificada do despacho decisório, a contribuinte apresentou manifestação de inconformidade, na qual, em síntese, alega: O fundamento, decisão e enquadramento legal são apenas fática, sob a alegação de que o darf embora localizado registra um ou mais pagamentos, tendo sido integralmente utilizado para quitação de débitos do contribuinte, não consignando crédito disponível. Do pagamento indevido ou a maior Do Darf localizado... foi detectado um pagamento indevido ou a maior... que corrigido pela taxa Selic acumulada ...importou em ... 0 referido crédito, foi compensado com o débitos de COFINS... Desta forma, do DARF identificado pela Inconformada e localizado pela RFB, foi destacado o pagamento indevido ou a maior..., que após corrigido ficou apto a compensar o débito de COFINS na forma como realizado. 0 procedimento da Inconformada portanto, foi realizado dentro da mais estrita legalidade. Do pedido Assim, o DARF então identificado tendo registrado pagamento indevido ou a maior de tributo, resta legitimada a compensação realizada pela Inconformada, devendo ser homologada na forma da legislação de regência. A DRJ em Campinas/SP julgou improcedente a manifestação de inconformidade ficando a decisão assim ementada: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/12/2003 a 31/12/2003 DCOMP. CRÉDITO INTEGRALMENTE ALOCADO. PROVA. Correto o despacho decisório que não homologou a compensação declarada pelo contribuinte por inexistência de direito creditório, quando o recolhimento alegado como origem do crédito estiver integralmente alocado na quitação de débitos confessados. O reconhecimento do direito creditório aproveitado em DCOMP não homologada requer a prova de sua existência e montante. Faltando ao conjunto probatório carreado aos autos elementos que permitam a verificação da existência de pagamento indevido Fl. 105DF CARF MF Impresso em 26/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/05/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 21/05 /2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 10875.903612/200967 Acórdão n.º 3803005.986 S3TE03 Fl. 3 3 ou a maior frente legislação tributária, o direito creditório não pode ser admitido. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Credit6rio Não Reconhecido Discordando da decisão de primeira instância, a interessada apresentou recurso voluntário, onde invoca novos argumentos para identificar a origem do seu crédito: i) o alargamento indevido da base de cálculo do(a) PIS/Cofins, por extravasamento do conceito de faturamento e consequente declaração de inconstitucionalidade, pelo STF, do disposto no § 1º do art. 3º da Lei 9.718/98; ii) exclusão da base de cálculo do PIS/Cofins em decorrência do regime de substituição tributária e incidência monofásica aplicáveis sobre operações com combustíveis (art. 4º, LC 70/91; art. 6º, Lei 9.715/98; art. 4º e parágrafo único, Lei 9.718/98); e iii) exclusão da incidência do PIS/Cofins das parcelas de ICMS e ISS, minuciosamente detalhadas. Ao final requer a insubsistência e improcedência da decisão recorrida, bem como o reconhecimento do direito creditório. A Repartição de origem encaminhou os presentes autos para este Conselho, Administrativo de Recursos Fiscais. Relatado. Passase ao Voto. Voto Conselheiro Corintho Oliveira Machado, Relator Apreciação não significa conhecimento, porquanto para se conhecer do recurso fazse necessária a satisfação dos requisitos extrínsecos recursais, tais como a tempestividade, garantia de instância, etc., mas também, e fundamentalmente, a manutenção dos motivos de fato e direito que sustentam o pedido de reforma do decidido, sob pena de preclusão do recurso manejado por inovação dos argumentos de defesa. O caso destes autos reflete situação análoga, da mesma recorrente, bastante discutida em reunião deste Colegiado, em agosto do ano passado, que teve por relatoria o eminente conselheiro Belchior Melo de Sousa, processo nº 10875.903590/200935, em que por unanimidade de votos foi reconhecida a inovação dos argumentos de defesa do recurso Fl. 106DF CARF MF Impresso em 26/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/05/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 21/05 /2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO 4 voluntário. Vale destacar trecho do relator daquele acórdão que merece aplicação neste momento: (...) Na manifestação de inconformidade a Defesa nada referiu acerca das razões de direito que respaldariam a formação do crédito decorrente de pagamento indevido, nem tampouco juntou elementos de prova material com a finalidade de demonstrar a existência de saldo credor no montante correspondente aos débitos já informados à Receita Federal do Brasil, sendo esta a razão da não homologação da compensação declarada. As questões atinentes ao alargamento da base de cálculo do(a) PIS/Cofins, da exclusão de valores da base de cálculo do PIS/Cofins em decorrência do regime de substituição tributária e incidência monofásica aplicáveis sobre operações com combustíveis, bem assim da exclusão da incidência do(a) PIS/Cofins das parcelas de ICMS e ISS, que se constituíram nas razões de defesa, somente vieram a lume por ocasião do recurso voluntário, não tendo sido apreciadas pelo juízo da instância a quo. Tais matérias não podem ser objeto de pronunciamento por este colegiado, por estranhas ao que fora decidido pela Delegacia de Julgamento. Não bastasse a inovação inaugurada no recurso, a Recorrente não carreou aos autos nenhum elemento de prova para sustentar suas razões de defesa, deixando de demonstrar a liquidez e certeza do crédito alegado. Não logrou, também, demonstrar a ilegalidade da decisão recorrida, ante o que se deve assentar que a mesma não merece reparo. (...) Ante o exposto, voto pelo DESCONHECIMENTO do recurso voluntário. CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Fl. 107DF CARF MF Impresso em 26/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/05/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 21/05 /2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO
score : 1.0
Numero do processo: 13603.724006/2012-71
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Mar 13 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Tue Apr 29 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Exercício: 2009, 2010
LUCRO ARBITRADO
O imposto, devido trimestralmente, no decorrer do ano-calendário, será determinado com base nos critérios do lucro arbitrado, quando I - o contribuinte, obrigado à tributação com base no lucro real, não mantiver escrituração na forma das leis comerciais e fiscais, ou deixar de elaborar as demonstrações financeiras exigidas pela legislação fiscal;
Colhe-se dos fatos apurados, para os fins de determinação da viabilidade do arbitramento, que após análise dos elementos franqueados pela recorrente, apurou-se divergência entre o total de saldos devedores e credores da conta Caixa no Diário e no Razão e o mencionado livro auxiliar, tendo sido intimada a contribuinte, limitando-se, todavia, a retificar o registro auxiliar, para adequar seu conteúdo aos referidos livros obrigatórios, impondo, em outro tanto, dúvida quanto a confiabilidade dos registros auxiliares apresentados pela empresa, ante a clara manipulação de datas e valores.
Multa
Na hipótese de arbitramento do lucro sobre a receita bruta declarada pelo sujeito passivo à RFB, a multa de ofício deve ser exigida no percentual de 75%.
Numero da decisão: 1301-001.448
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros da 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Primeira Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário. Ausente, momentaneamente o Conselheiro Valmar Fonsêca de Menezes, presente o Conselheiro Luiz Tadeu Matosinho Machado (Suplente Convocado), o Conselheiro Wilson Fernandes Guimarães presidiu o julgamento.
(assinado digitalmente)
Wilson Fernandes Guimarães
Presidente em Exercício
(assinado digitalmente)
Edwal Casoni de Paula Fernandes Junior
Relator
Participaram do julgamento os Conselheiros: Wilson Fernandes Guimarães, Paulo Jakson da Silva Lucas, Luiz Tadeu Matosinho Machado (Suplente Convocado), Valmir Sandri, Edwal Casoni de Paula Fernandes Junior e Carlos Augusto de Andrade Jenier.
Nome do relator: EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Exercício: 2009, 2010 LUCRO ARBITRADO O imposto, devido trimestralmente, no decorrer do ano-calendário, será determinado com base nos critérios do lucro arbitrado, quando I - o contribuinte, obrigado à tributação com base no lucro real, não mantiver escrituração na forma das leis comerciais e fiscais, ou deixar de elaborar as demonstrações financeiras exigidas pela legislação fiscal; Colhe-se dos fatos apurados, para os fins de determinação da viabilidade do arbitramento, que após análise dos elementos franqueados pela recorrente, apurou-se divergência entre o total de saldos devedores e credores da conta Caixa no Diário e no Razão e o mencionado livro auxiliar, tendo sido intimada a contribuinte, limitando-se, todavia, a retificar o registro auxiliar, para adequar seu conteúdo aos referidos livros obrigatórios, impondo, em outro tanto, dúvida quanto a confiabilidade dos registros auxiliares apresentados pela empresa, ante a clara manipulação de datas e valores. Multa Na hipótese de arbitramento do lucro sobre a receita bruta declarada pelo sujeito passivo à RFB, a multa de ofício deve ser exigida no percentual de 75%.
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ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Exercício: 2009, 2010 LUCRO ARBITRADO O imposto, devido trimestralmente, no decorrer do anocalendário, será determinado com base nos critérios do lucro arbitrado, quando I o contribuinte, obrigado à tributação com base no lucro real, não mantiver escrituração na forma das leis comerciais e fiscais, ou deixar de elaborar as demonstrações financeiras exigidas pela legislação fiscal; Colhese dos fatos apurados, para os fins de determinação da viabilidade do arbitramento, que após análise dos elementos franqueados pela recorrente, apurouse divergência entre o total de saldos devedores e credores da conta “Caixa” no Diário e no Razão e o mencionado livro auxiliar, tendo sido intimada a contribuinte, limitandose, todavia, a retificar o registro auxiliar, para adequar seu conteúdo aos referidos livros obrigatórios, impondo, em outro tanto, dúvida quanto a confiabilidade dos registros auxiliares apresentados pela empresa, ante a clara manipulação de datas e valores”. Multa Na hipótese de arbitramento do lucro sobre a receita bruta declarada pelo sujeito passivo à RFB, a multa de ofício deve ser exigida no percentual de 75%. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Primeira Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário. Ausente, momentaneamente o Conselheiro Valmar Fonsêca de Menezes, presente o Conselheiro Luiz Tadeu Matosinho Machado (Suplente Convocado), o Conselheiro Wilson Fernandes Guimarães presidiu o julgamento. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 60 3. 72 40 06 /2 01 2- 71 Fl. 9436DF CARF MF Impresso em 29/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/04/2014 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalm ente em 18/04/2014 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalmente em 24/04/2014 p or WILSON FERNANDES GUIMARAES 2 (assinado digitalmente) Wilson Fernandes Guimarães Presidente em Exercício (assinado digitalmente) Edwal Casoni de Paula Fernandes Junior Relator Participaram do julgamento os Conselheiros: Wilson Fernandes Guimarães, Paulo Jakson da Silva Lucas, Luiz Tadeu Matosinho Machado (Suplente Convocado), Valmir Sandri, Edwal Casoni de Paula Fernandes Junior e Carlos Augusto de Andrade Jenier. Relatório Cuidase de Recurso Voluntário interposto pela contribuinte acima identificada, contra decisão proferida pela 4ª Turma da DRJ em Belo Horizonte/MG. Extraise da análise do presente processo administrativo que em desfavor da ora recorrente foram lavrados autos de infração (fls. 2 a 78) para formalização e exigência de crédito tributário relativo IRPJ, CSLL, COFINS. O lançamento decorre do arbitramento do lucro da interessada nos exercícios de 2009 e 2010, com base em sua receita conhecida, pelos motivos explanados no Termo de Verificação Fiscal de fls. 79 a 112, no qual se consignou que a interessada apresentou extratos bancários de suas contas nos bancos DO BRASIL S/A E HSBC BANK BRASIL S/A para os anoscalendário 2008 e 2009, assinalando que existe um único registro na conta “11202 – Banco do Brasil S/A”, o qual não corresponde ao extrato fornecido pelo mesmo Banco e que, para tais anoscalendário, não há escrituração de movimentação bancária. Ainda de acordo com a Fiscalização, embora o contribuinte tenha apresentado considerável movimentação bancária nas duas instituições financeiras acima identificadas (Banco do Brasil e HSBC), o que pode ser verificado nos extratos bancários apresentados pela própria recorrente, não localizouse na escrituração contábil menção a quaisquer valores movimentados nas referidas contas bancárias, tratandose de valores movimentados à margem da contabilidade, constando ainda, que a recorrente, nos anos de 2008 e 2009, ao ser tributada pelo regime do Lucro Real, apuração trimestral, deveria, para apresentação dos resultados do período, manter escrituração contábil em boas condições, respeitando as técnicas e normas contábeis, apurando o lucro líquido do exercício, demonstrando seu efetivo resultado levantado a cada trimestre, adotando as condutas impostas pela legislação comercial e fiscal. Atestou a Fiscalização, que ao não escriturar a movimentação bancária na contabilidade, a empresa cometeu falha que instaurou insegurança quanto à fidelidade da escrita, infringindo o art. 251 e seu parágrafo único do RIR/99 e, inquestionavelmente, a não escrituração da movimentação bancária maculou de forma irremediável toda a contabilidade e a apuração do lucro líquido e, por via de consequência, o lucro real da empresa, restando ao fisco federal suprimir do sujeito passivo a opção exercida e, "ex offício", adotar o regime do Fl. 9437DF CARF MF Impresso em 29/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/04/2014 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalm ente em 18/04/2014 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalmente em 24/04/2014 p or WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 13603.724006/201271 Acórdão n.º 1301001.448 S1C3T1 Fl. 3 3 arbitramento, mencionando que a escrituração de uma única conta intitulada de Caixa que englobe toda a movimentação de recursos financeiros da empresa (caixa, banco, aplicações financeiras) só é admissível na hipótese da empresa ser optante do lucro presumido ou enquadrar no regime do SIMPLES, o que não se conforma com o caso em análise, uma vez que a empresa é optante do regime do Lucro real trimestral. Esclareceuse também que a interessada atendeu em parte a intimação parra apresentar o registro auxiliar da conta “Caixa” referente ao período de janeiro de 2008 a dezembro de 2009, exibindo apenas o registro correspondente aos meses de novembro e dezembro de 2008. Após análise, verificouse divergência entre o total de saldos devedores e credores da conta “Caixa” no Diário e no Razão e o mencionado livro auxiliar. Intimouse então a interessada a esclarecer tal divergência, mas a contribuinte limitouse a retificar o registro auxiliar, para adequar seu conteúdo aos referidos livros obrigatórios. A este respeito, a Autora do feito assinala que “o fato em análise coloca em dúvida a confiabilidade dos registros auxiliares apresentados pela empresa, revelando manipulação de datas e valores”. Alude à “prática adota pelo contribuinte de manutenção no passivo exigível da empresa de valores já liquidados anteriormente”, observando que o Livro Razão de 2008 e 2009, no dia 30/07/2009, a estampa que a fiscalizada registrou o pagamento via caixa, de compras realizadas anteriormente ao ano de 2009, fugindo à normalidade e de fato os mencionados pagamentos não ocorreram na data registrada na conta caixa, tal atitude coloca em dúvida a confiabilidade dos registros constantes da conta caixa, mais uma vez fica confirmada a prática adotada pelo contribuinte de manutenção no passivo exigível de valores já pagos anteriormente. A FISCALIZADA ao seu livre arbítrio manipula as datas de registro dos pagamentos, inviabilizando assim a reconstituição do fluxo financeiro da empresa. À fl. 91, apresentase tabela que relaciona diversos pagamentos, feitos em 30 de julho de 2009, de compras realizadas em 2008, com remissão às folhas do livro “Razão”. A este respeito, a Autora observa que o histórico utilizado na escrituração contábil nem mesmo identifica o documento que estaria sendo liquidado, fazendo referência apenas ao ano de emissão do documento (pagamento NF 2008). Seguiu a Fiscalização pontuando, relativamente, a um fornecedor em particular, destacase que se trata de compra efetuada anteriormente a 2008, que o dito pagamento fugiria à normalidade de mercado, sendo difícil imaginar que os fornecedores da empresa fiquem sem receber por período superior a um ano, concluindo que tal valor foi liquidado anteriormente, assinalando ainda, que embora haja registro de compra de inúmeras aquisições no decorrer do ano de 2008, não há registro do respectivo pagamento no decorrer do mesmo ano. No mais, assentouse que analisando o extrato bancário do Banco Brasil , Ag. 28185, c/c 11.4901, identificouse uma série de títulos que foram pagos via conta bancária cujos valores coincidem com os pagamentos escriturados como liquidações realizadas via conta CAIXA (lançamentos a crédito da conta CAIXA), além do que, as datas em que de fato ocorreram os pagamentos conforme extrato bancário divergem das datas registradas na conta CAIXA conforme demonstrado no quadro abaixo. O fato em análise inviabilizaria a reconstituição do fluxo financeiro da empresa, elaborando a Fiscalização extensa tabela que correlaciona valores constantes de extratos do Banco do Brasil S/A referentes a pagamentos de títulos, mas que foram registrados na conta “Caixa”, para concluirse que baseado nas NF's a que se teve acesso, constatouse que o contribuinte via de regra utilizava a data de emissão das notas fiscais para registro das compras "D compra à vista / C CAIXA", inclusive nos casos Fl. 9438DF CARF MF Impresso em 29/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/04/2014 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalm ente em 18/04/2014 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalmente em 24/04/2014 p or WILSON FERNANDES GUIMARAES 4 em que as compras foram realizadas a prazo, como podemos observar no QUADRO I anexo ao Termo de Verificação Fiscal, diante da metodologia de escrituração adotada pela empresa, constatouse que o fluxo financeiro da empresa baseado na escrituração contábil apresentada não retrata a realidade dos fatos, sendo impossível promover a reconstituição do real fluxo financeiro da empresa. No quadro I (anexo ao Termo de Verificação Fiscal), destacouse algumas situações em que, embora tenha sido concedido desconto no valor da NF quando do efetivo pagamento, no registro contábil creditouse equivocadamente a conta CAIXA pelo valor integral da nota fiscal, não sendo registrado o valor do desconto, tal fato revelaria a falta de credibilidade das informações registradas no CAIXA da empresa gerando distorção no fluxo financeiro da conta caixa, bem como o custo apropriado pela empresa está maior que o real, uma vez que não foi levado em consideração o desconto concedido prejudicando a apuração do lucro real. Assentouse ainda, que de conformidade com o disposto no quadro I" anexo ao Termo de Verificação Fiscal, verificavase situações em que os pagamentos embora tenham sido realizados via conta bancária (BANCO DO BRASIL S/A) foram registrados indevidamente como desembolsos de recursos realizados via conta CAIXA, além do que a data de pagamento utilizada para registro na conta caixa diverge da data em que efetivamente ocorreu o desembolso via conta bancária, o modelo de escrituração adotado pela recorrente distorce a realidade dos fatos sendo impossível identificar o real fluxo financeiro da empresa. Às folhas 95 a 99, apresentamse diversas tabelas, abrangendo os anos calendário fiscalizados, arrazoando a Fiscalização que em procedimento de circularização junto a alguns fornecedores conforme demonstrado abaixo, detectamos que inúmeras compras foram realizadas a prazo, entretanto, a contribuinte escriturou como aquisição à vista, tendo se utilizado da data de emissão das NF's para efetuar o seguinte registro contábil "D Compra à vista / C Caixa", tal atitude não retrataria a realidade dos fatos, uma vez que o efetivo desembolso não ocorreu na data utilizada no registro contábil, sendo assim observase que a metodologia de escrituração contábil adota pela empresa não retrata a realidade dos fatos, o que demonstra a falta de credibilidade da contabilidade, bem como impede a visualização do real fluxo financeiro da empresa. Sustentou a Fiscalização que a não escrituração das contas bancárias, a prática reiterada de manutenção no passivo exigível de valores já liquidados anteriormente, omissão de compras e outros fatos mencionados, evidenciam a imprestabilidade da escrita contábil para determinação do lucro líquido do exercício e, por consequência, inviabiliza a apuração do Lucro Real, restando como única forma de tributação o arbitramento do lucro tributável. Consta ainda do TVF que foi constatado que a empresa fiscalizada mantém no passivo da instituição exigibilidade já efetivamente liquidada, embora os valores já tenham sido liquidados conforme informação prestada pelos fornecedores, os referidos valores permanecem em aberto no passivo exigível quando do encerramento do anocalendário de 2009, embora já tenham sido liquidados anteriormente, revelando a prática de passivo fictício. Ilustrando esta situação, apresentamse duas tabelas à folha 103, com informações prestadas pelos fornecedores BELA VISTA DISTRIBUIDORA DE CARNES LTDA., CNPJ nº 08.600.282/000170, e UNIFRIGO INDÚSTRIA COMÉRCIO IMPORTAÇÃO E EXPORTAÇÃO LTDA., CNPJ nº 42.947.465/000102, que relacionam vendas feitas à interessada e que foram pagas – a maioria à vista – e, apesar disso, permaneceram registradas em seu passivo. Fl. 9439DF CARF MF Impresso em 29/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/04/2014 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalm ente em 18/04/2014 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalmente em 24/04/2014 p or WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 13603.724006/201271 Acórdão n.º 1301001.448 S1C3T1 Fl. 4 5 Devidamente cientificada, a contribuinte apresentou Impugnação (fls. 6.302 6.326), alegando em síntese que se constituiu em empresa séria e responsável, tendo como forma de conduta a regularidade de pagamento de tributos e contribuições, alegando ainda, que procurou sempre colaborar com a D. Auditora Fiscal, apresentando os documentos e informações por ela solicitados, aduzindo que jamais omitiu qualquer informação e que até a presente autuação nunca teve qualquer outra, situação que demonstraria sua idoneidade fiscal e tributária. Aduziu que o arbitramento só tem cabimento quando impossível ao Fisco verificar a documentação fiscal da Fiscalizada e apenas quando esta for imprestável, mencionando ter apresentado livros e documentos, que constituíam em provas suficientes para demonstrar a regularidade da sua escrita e lançamentos contábeis, bem como, a regularidade e exatidão dos recolhimentos relativos aos exercícios fiscalizados. Considera “arbitrária, a utilização do arbitramento, no caso dos autos, pois, a Fiscalização ignorou a cooperação e esforços da Impugnante”. Acrescenta que equivocouse a Fiscalização ao afirmar que a Impugnante não escriturou a movimentação bancária na contabilidade, eis esta movimentação se acha devidamente lançada no Livro Diário, na conta "CAIXA". E, de forma descritiva e detalhada nos Livros Razão. Tal prática é perfeitamente cabível e legal, conforme admitido pela Fiscalização, defendendo que o principal argumento adotado para a desconsideração da contabilidade da Impugnante e adoção pelo regime de tributação pelo arbitramento de lucro foi a ausência da escrituração da conta "banco", sendo que o argumento não procede, uma vez que todas as transações efetuadas pela Impugnante, se acham escrituradas em sua contabilidade, através dos livros pertinentes, não havendo omissão de receita. Seguiu mencionando que o simples fato de não ter discriminado no Diário a conta "banco e aplicações financeiras", não seria motivo para a Fiscalização descaracterizar a contabilidade e arbitrar o lucro para fins de tributação. Isso porque, toda movimentação financeira se acha escriturada nos Livros Diário, de todo o período fiscalizado, ou seja, de Janeiro a Dezembro de 2008 e de Janeiro a Dezembro de 2009. Estes livros foram entregues à Fiscalização, conforme comprovante de recebimento e que se poderia notar que houve foi um preciosismo e rigor excessivo da Fiscalização, caracterizado pela recusa em analisar e considerar os Livros Razão Auxiliar e outros documentos apresentados pela Impugnante, levando a descaracterização da escrituração contábil, e, consequentemente, no arbitramento indevido, bem como a exigência do pagamento do IRPJ, CSLL, COFINS e PIS, em valores exorbitantes. Aduz que “o arbitramento de lucro consubstanciase numa presunção relativa”, negando a ocorrência de passivo fictício, dizendo que não há nada de estranho o fato de constar dos lançamentos contábeis referente ao ano de 2009, pagamento de compras em anos anteriores. Aliás, a Fiscalização desconsiderou os lançamentos em questão, em meras e frágeis informações, que segundo, ela, obteve de fornecedores, no sentido de que as compras teriam sido realizadas à vista, reputando que tais informações não foram acompanhadas de prova cabal do recebimento pelo fornecedor em data anterior ao lançamento do pagamento pela Impugnante, ou seja, através do competente boleto bancário quitado; entrada do valor no caixa do fornecedor; lançamento nos livros contábeis do fornecedor, etc. Como se vê, a imputação de passivo fictício não passa de mera presunção da Fiscalização. Demais disso, mencionou que ainda que se admitisse que o pagamento das referidas compras tivesse ocorrido em data anterior àquelas lançadas, tal fato não teria trazido nenhum prejuízo ao Fisco, e, não poderia ser objeto de arbitramento e tributação. É que seja em Fl. 9440DF CARF MF Impresso em 29/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/04/2014 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalm ente em 18/04/2014 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalmente em 24/04/2014 p or WILSON FERNANDES GUIMARAES 6 qual época que tenha se dado o efetivo pagamento das compras, o fato é que gerou receita para as suas quitações e esta receita, por via de consequência, já foi tributada, isto é, integrou a base de cálculo para a apuração e recolhimento do IRPJ, CSLL, COFINS e PIS. Assim, o arbitramento de lucro implicaria em "bis in idem". Mais adiante, mencionou que a Fiscalização houve por bem proceder ao arbitramento de lucro sob alegação de "compras omitidas", também, baseandose em meras informações obtidas de supostos fornecedores, tratandose tal expediente de meras presunções, destituídas de qualquer indício de prova. A prova em qualquer esfera, seja judiciária, seja administrativa, cabe a quem alega. E, para concluir pela omissão de receita, baseada em "omissão de compra", e aplicar o arbitramento, a Fiscalização teria que comprovar tais omissões, exigindo dos supostos fornecedores os comprovantes de entregas das mercadorias das supostas vendas para a Impugnante; o recebimento dos valores das supostas vendas, a contabilização das respectivas Notas Fiscais pelos fornecedores, etc. Pois, se houve compras por parte da Impugnante e o Fisco está tributando a pretexto de a Impugnante não têlas escriturado em seus livros, deveria exigir de quem supostamente efetuou as vendas, provas consistentes e robustas destas transações comerciais e não basear em meras e informações de supostos fornecedores. Até porque, é impossível a Impugnante produzir prova negativa. A interessada também alega que os valores apurados relativos à tributação reflexa de PIS e COFINS, hão de ser recalculados e reduzidos, tendo em vista que tais contribuições não são devidas, nas vendas por atacado de carnes bovinas e para fins de ilustração e amostragem, anexou cópias de algumas Notas Fiscais de cada mês do período fiscalizado, contendo venda por atacado de carne bovina. A 4ª Turma da DRJ em Belo Horizonte/MG, nos termos do acórdão e voto de folhas 9.373 em diante, julgou o lançamento parcialmente procedente, ficando o aresto assim ementado: [...] ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA – IRPJ Exercício: 2009, 2010 DEVER DE ESCRITURAR A escrituração do Diário será completa, em idioma e moeda corrente nacionais, em forma mercantil, com individuação, clareza e caracterização do documento respectivo, por ordem cronológica de dia, mês e ano, sem intervalos em branco, nem entrelinhas, borraduras, rasuras, emendas e transportes para as margens, todas as operações relativas ao exercício da empresa. LIVROS OBRIGATÓRIOS A pessoa jurídica, além dos livros de contabilidade previstos em leis e regulamentos, deverá possuir o Livro para Registro de Inventário. LUCRO ARBITRADO Fl. 9441DF CARF MF Impresso em 29/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/04/2014 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalm ente em 18/04/2014 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalmente em 24/04/2014 p or WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 13603.724006/201271 Acórdão n.º 1301001.448 S1C3T1 Fl. 5 7 O imposto, devido trimestralmente, no decorrer do ano calendário, será determinado com base nos critérios do lucro arbitrado, quando I o contribuinte, obrigado à tributação com base no lucro real, não mantiver escrituração na forma das leis comerciais e fiscais, ou deixar de elaborar as demonstrações financeiras exigidas pela legislação fiscal; II a escrituração a que estiver obrigado o contribuinte revelar evidentes indícios de fraudes ou contiver vícios, erros ou deficiências que a tornem imprestável para: a) identificar a efetiva movimentação financeira, inclusive bancária; ou b) determinar o lucro real; III o contribuinte deixar de apresentar à autoridade tributária os livros e documentos da escrituração comercial e fiscal. DEVER DE LANÇAR A atividade administrativa de lançamento é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional. PERÍCIA A autoridade julgadora de primeira instância determinará, de ofício ou a requerimento do impugnante, a realização de diligências ou perícias, quando entendêlas necessárias, indeferindo as que considerar prescindíveis ou impraticáveis. Decorrência Mantido o lançamento de IRPJ, igual sorte deverá caber aos lançamentos dele decorrentes, tendo em vista que todos se assentam sobre o mesmo fundamento fático. Multa Na hipótese de arbitramento do lucro sobre a receita bruta declarada pelo sujeito passivo à RFB, a multa de ofício deve ser exigida no percentual de 75%. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte [...] Devidamente cientificada, a contribuinte interpôs Recurso Voluntário, reiterando os argumentos já relatados e pugnando por provimento. É o relatório. Fl. 9442DF CARF MF Impresso em 29/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/04/2014 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalm ente em 18/04/2014 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalmente em 24/04/2014 p or WILSON FERNANDES GUIMARAES 8 Voto Conselheiro Edwal Casoni de Paula Fernandes Jr., Relator. O recurso é tempestivo e dotado dos pressupostos genéricos de recorribilidade. Admitoo para julgamento. Tal como descrito no relatório acima minudenciado, a contribuinte foi autuada por omissão de receitas, considerada mediante arbitramento do lucro promovido pela Fiscalização ante a falta de confiabilidade da escrituração da contribuinte. Segundo apurou a Fiscalização a contribuinte, à época dos fatos, sujeitouse à tributação mediante o método de apuração do lucro real, de sorte que submetiase ao disposto no artigo 251 do RIR/1999, segundo o qual, ela contribuinte, deveria manter escrituração com observância das leis comerciais e fiscais, a qual deverá abranger todas as operações do contribuinte, os resultados apurados em suas atividades no território nacional, bem como os lucros, rendimentos e ganhos de capital auferidos no exterior. Diante deste quadro de sujeição, a prevalência da decisão recorrida, ao meu sentir, decorrer dos próprios eventos descritos pela Fiscalização no Termo de Verificação Fiscal de folhas 79 a 112, que não haver escrituração de movimentação bancária nos anos calendário em questão, embora a recorrente tenha apresentado substanciosa movimentação bancária tanto no Banco do Brasil quanto no HSBC. A par destes inegáveis fatos, é irretorquível a conclusão de que ao não escriturar a movimentação bancária na contabilidade, a recorrente tornou insegurança sua escrituração, infringindo o art. 251 e seu parágrafo único do RIR/99 e, inquestionavelmente, maculou a apuração do lucro líquido e, por via de consequência, o lucro real da empresa. Mas tais fatos não foram sozinhos considerados para implementação do arbitramento ora comentado, a Fiscalização ainda apurou que a escrituração de uma única conta intitulada de Caixa que englobe toda a movimentação de recursos financeiros da empresa (caixa, banco, aplicações financeiras), como procedido pela contribuinte, somente se admite no lucro presumido ou no regime do SIMPLES, o que não se conforma com o caso em análise, uma vez que a empresa é optante do regime do Lucro real trimestral. Colhese dos fatos apurados, para os fins de determinação da viabilidade do arbitramento, que após análise dos elementos franqueados pela recorrente, apurouse divergência entre o total de saldos devedores e credores da conta “Caixa” no Diário e no Razão e o mencionado livro auxiliar, tendo sido intimada a contribuinte, limitandose, todavia, a retificar o registro auxiliar, para adequar seu conteúdo aos referidos livros obrigatórios, impondo, em outro tanto, dúvida quanto a confiabilidade dos registros auxiliares apresentados pela empresa, ante a clara manipulação de datas e valores”. Ainda na sequência da verificação dos fatos apurados, novamente para os fins de aferir a viabilidade do arbitramento, apurouse que a contribuinte mantinha no passivo exigível da empresa valores já liquidados, sendo que o Livro Razão de 2008 e 2009, no dia 30/07/2009, demonstram que a fiscalizada registrou o pagamento via caixa, de compras realizadas anteriormente ao ano de 2009, fugindo à normalidade e de fato os mencionados pagamentos não ocorreram na data registrada na conta caixa, tal atitude coloca em dúvida a Fl. 9443DF CARF MF Impresso em 29/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/04/2014 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalm ente em 18/04/2014 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalmente em 24/04/2014 p or WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 13603.724006/201271 Acórdão n.º 1301001.448 S1C3T1 Fl. 6 9 confiabilidade dos registros constantes da conta caixa, mais uma vez fica confirmada a prática adotada pelo contribuinte de manutenção no passivo exigível de valores já pagos anteriormente, sendo que a Fiscalização apresentou precisa relação (fl. 91), de diversos pagamentos feitos em 30 de julho de 2009, de compras realizadas em 2008, com remissão às folhas do livro “Razão”, sendo que o histórico utilizado na escrituração contábil nem mesmo identifica o documento que estaria sendo liquidado, fazendo referência apenas ao ano de emissão do documento (pagamento NF 2008). Não bastasse isso, a decisão recorrida bem lembrou que o arbitramento, ao contrário do que afirma a contribuinte, não é uma presunção, mas uma forma de tributação prevista na legislação de regência nos casos que especifica, e in casu, foi imposto mediante fatos sólidos e apurações que não foram afastadas. Sendo assim, encaminho meu voto no sentido de negar provimento ao Recurso Voluntário. Sala das Sessões, em 13 de março de 2014. (assinado digitalmente) Edwal Casoni de Paula Fernandes Junior. Fl. 9444DF CARF MF Impresso em 29/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/04/2014 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalm ente em 18/04/2014 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalmente em 24/04/2014 p or WILSON FERNANDES GUIMARAES
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Numero do processo: 10680.001652/2007-98
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu May 16 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Wed Feb 26 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2004
MULTA ISOLADA. CRÉDITOS DE NATUREZA NÃO TRIBUTÁRIA. COMPENSAÇÃO CONSIDERADA NÃO DECLARADA. LEI N° 11.051, DE 2004. EXIGÊNCIA DE SONEGAÇÃO, FRAUDE OU CONLUIO. APLICAÇÃO DA RETROATIVIDADE BENIGNA
A Lei n° 11.051/04 previa a aplicação de multa isolada unicamente aos casos de compensação considerada não declarada pela autoridade fiscal, na qual houvesse a prática de evidente intuito de fraude. Tal situação vigorou até a publicação da Lei n° 11.196/05. Aplicável a retroatividade benigna prevista no artigo 106 do Código Tributário Nacional.
Numero da decisão: 9101-001.676
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros da 1ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, por unanimidade de votos, em NEGAR PROVIMENTO ao recurso.
(ASSINADO DIGITALMENTE)
Henrique Pinheiro Torres - Presidente
(ASSINADO DIGITALMENTE)
Karem Jureidini Dias - Relatora
Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres (Presidente Substituto), Francisco de Sales Ribeiro de Queiroz, Paulo Roberto Cortez (Suplente Convocado), Jorge Celso Freire da Silva, Karem Jureidini Dias, Valmir Sandri, Viviane Vidal Wagner (Suplente Convocada), José Ricardo da Silva, Plínio Rodrigues de Lima e João Carlos de Lima Júnior.
Nome do relator: KAREM JUREIDINI DIAS
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2004 MULTA ISOLADA. CRÉDITOS DE NATUREZA NÃO TRIBUTÁRIA. COMPENSAÇÃO CONSIDERADA NÃO DECLARADA. LEI N° 11.051, DE 2004. EXIGÊNCIA DE SONEGAÇÃO, FRAUDE OU CONLUIO. APLICAÇÃO DA RETROATIVIDADE BENIGNA A Lei n° 11.051/04 previa a aplicação de multa isolada unicamente aos casos de compensação considerada não declarada pela autoridade fiscal, na qual houvesse a prática de evidente intuito de fraude. Tal situação vigorou até a publicação da Lei n° 11.196/05. Aplicável a retroatividade benigna prevista no artigo 106 do Código Tributário Nacional.
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ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2004 MULTA ISOLADA. CRÉDITOS DE NATUREZA NÃO TRIBUTÁRIA. COMPENSAÇÃO CONSIDERADA NÃO DECLARADA. LEI N° 11.051, DE 2004. EXIGÊNCIA DE SONEGAÇÃO, FRAUDE OU CONLUIO. APLICAÇÃO DA RETROATIVIDADE BENIGNA A Lei n° 11.051/04 previa a aplicação de multa isolada unicamente aos casos de compensação considerada não declarada pela autoridade fiscal, na qual houvesse a prática de evidente intuito de fraude. Tal situação vigorou até a publicação da Lei n° 11.196/05. Aplicável a retroatividade benigna prevista no artigo 106 do Código Tributário Nacional. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 1ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, por unanimidade de votos, em NEGAR PROVIMENTO ao recurso. (ASSINADO DIGITALMENTE) Henrique Pinheiro Torres Presidente (ASSINADO DIGITALMENTE) Karem Jureidini Dias Relatora AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 68 0. 00 16 52 /2 00 7- 98 Fl. 493DF CARF MF Impresso em 26/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/01/2014 por KAREM JUREIDINI DIAS, Assinado digitalmente em 06/02/2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 07/01/2014 por KAREM JUREIDINI DIAS Processo nº 10680.001652/200798 Acórdão n.º 9101001.676 CSRFT1 Fl. 9 2 Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres (Presidente Substituto), Francisco de Sales Ribeiro de Queiroz, Paulo Roberto Cortez (Suplente Convocado), Jorge Celso Freire da Silva, Karem Jureidini Dias, Valmir Sandri, Viviane Vidal Wagner (Suplente Convocada), José Ricardo da Silva, Plínio Rodrigues de Lima e João Carlos de Lima Júnior. Relatório Tratase de Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional em face do acórdão de n° 140100.490, proferido pela 4ª Câmara da Primeira Turma Ordinária do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, em sessão de 30 de março de 2011. Cuidase de auto de infração que consubstancia a exigência de multa isolada no montante de R$ 895.141,63, relativa ao anocalendário de 2004. A matéria discutida diz respeito à aplicação de multa isolada em razão da realização de compensação considerada não declarada pela Receita Federal. Foi constatado que o contribuinte utilizou em sua compensação créditos provenientes de escritura pública declaratória de cessão de direitos, cuja origem seria ação judicial que tem como partes o Estado do Paraná e a Sociedade Pastoril Agrícola Ferreira. O pedido do contribuinte foi indeferido, sob o argumento de que os créditos alegados não representavam tributos, mas sim créditos de terceiros, razão pela qual sua compensação foi considerada não declarada. O contribuinte apresentou tempestiva impugnação (fls. 128/159), alegando quanto ao mérito que a compensação pleiteada encontrava respaldo na legislação vigente à época dos fatos, qual seja, a Emenda Constitucional n° 30, de 13 de setembro de 2000, que acrescentou no ADCT o artigo 78, tendo este, por sua vez, alterado o artigo 100 da Constituição Federal. Tratase das alterações legislativas referentes à Federalização da Dívida dos Estados. Diante de tal fato, entendeu o contribuinte que o título executivo judicial que detinha contra o Estado de Santa Catarina poderia ser utilizado para a compensação de tributos federais, sendo descabida a imposição da multa regulamentar aplicada, bem como a desconsideração de sua compensação, que foi classificada como “não declarada”. Por fim, aduziu a necessidade da aplicação da retroatividade benigna prevista no artigo 106 do Código Tributário Nacional no tocante à penalidade que lhe foi aplicada. Sobreveio Acórdão da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Belo Horizonte (MG), que considerou procedente o lançamento, em decisão que restou assim ementada: Assunto: Normas de Administração Tributária Anocalendário: 2004 MULTA ISOLADA – COMPENSAÇÃO COM CRÉDITOS EXPRESSAMENTE VEDADOS. A apresentação de declaração de compensação com pretensos créditos cuja compensação é vedada não produzirá efeitos válidos e tornará o contribuinte sujeito à multa isolada incidente sobre os valores que intentar indevidamente compensar. Fl. 494DF CARF MF Impresso em 26/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/01/2014 por KAREM JUREIDINI DIAS, Assinado digitalmente em 06/02/2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 07/01/2014 por KAREM JUREIDINI DIAS Processo nº 10680.001652/200798 Acórdão n.º 9101001.676 CSRFT1 Fl. 10 3 Lançamento procedente Irresignado, o contribuinte apresentou Recurso Voluntário (fls. 301/343), no qual reafirmou as razões de sua impugnação quanto à procedência da compensação pleiteada bem como quanto ao descabimento da penalidade aplicada. Sobreveio o acórdão de n° 140100.490, da 4ª Câmara/ 1ª Turma Ordinária da Primeira Seção de Julgamento do CARF que, por unanimidade de votos, rejeitou as preliminares de nulidade bem como o pedido de perícia e, no mérito, deu provimento ao recurso do contribuinte. Assim, a despeito de considerar a compensação realizada pelo contribuinte como hipótese de compensação não declarada, a decisão do colegiado foi pelo afastamento da penalidade aplicada, sob o argumento de que inexistia previsão legal para a aplicação da multa isolada no percentual de 75% à época dos fatos. A decisão restou assim ementada: MULTA ISOLADA. CRÉDITOS DE NATUREZA NÃO TRIBUTÁRIA. COMPENSAÇÃO CONSIDERADA NÃO DECLARADA. LEI N° 11.051, DE 2004. EXIGÊNCIA DE SONEGAÇÃO, FRAUDE OU CONLUIO. A Lei n° 11.051/04, previa a aplicação de multa isolada unicamente aos casos de compensação considerada não declarada pela autoridade fiscal em que houvesse a prática de evidente intuito de fraude. Tal situação vigorou até a publicação da Lei n° 11.196/05. O entendimento esposado pelo Acórdão foi de que posteriormente ao advento da Lei n° 11.051/2004 somente prevaleceu no ordenamento jurídico a multa isolada de 150% para os casos em que ficasse caracterizada a prática das infrações previstas nos artigo 71, 72 e 73 da Lei n° 4.502/64. Além disso, apenas com a promulgação da Lei n° 11.196/05 é que se previu, novamente, a aplicação da multa isolada não qualificada. Logo, não haveria que se falar em aplicação da referida multa após a promulgação da Lei n° 11.051/04, tampouco para fatos ocorridos antes de sua vigência, consoante o disposto no artigo 106 do Código Tributário Nacional. Regularmente cientificada da decisão, a Fazenda Nacional apresentou Recurso Especial aduzindo dissonância jurisprudencial quanto ao tema. Alegou que a interpretação dada pelo Acórdão recorrido estaria negando vigência ao § 4° do Artigo 18 da Lei 10.833/03, na medida em que o intérprete considerou que somente haveria a aplicação da multa isolada se os requisitos presentes no § 4° fossem somados ao caput do referido artigo. Contudo, a correta interpretação a ser dada, de acordo com o entendimento da Fazenda, ao artigo 18 da Lei 10.833/03, com a redação dada pela Lei 11.051/2004, é que subsiste a multa isolada para duas situações distintas, quais sejam: (i) para os casos de evidente intuito de fraude, conluio e sonegação ou; (ii) para as hipóteses do inciso II do § 12 do art. 74 da Lei n° 9.430/96, com as alíquotas correspondentes do artigo 44 da Lei n° 9.430/96. Ressaltase que dentre as hipóteses do inciso II, §12 do artigo 74 da Lei n° 9.430/96 consta créditos de terceiros. Com base em tal interpretação, sustenta a Fazenda Nacional que não teria havido a exoneração da multa isolada de 75% e, portanto, não há que se falar em retroatividade benigna, tampouco não incidência para o presente caso. Fl. 495DF CARF MF Impresso em 26/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/01/2014 por KAREM JUREIDINI DIAS, Assinado digitalmente em 06/02/2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 07/01/2014 por KAREM JUREIDINI DIAS Processo nº 10680.001652/200798 Acórdão n.º 9101001.676 CSRFT1 Fl. 11 4 Às fls. 408/409, pelo Despacho de n° 140000.482, foi realizado o Exame de Admissibilidade do Recurso Especial da Fazendo Nacional, com a apresentação de acórdão paradigma, pelo que concluiuse pela presença de todos os requisitos de admissibilidade. Foi dado ciência ao contribuinte, que apresentou contrarrazões às fls. 458/472. É o relatório. Voto Conselheira Karem Jureidini Dias, Relatora O Recurso é tempestivo e atende aos pressupostos para sua admissibilidade, comprovada a existência de divergência jurisprudencial quanto ao assunto. Delimitando a lide, cumpre averiguarmos se, considerada a compensação como não declarada, haveria a possibilidade de aplicação da multa isolada de 75%, conforme sustenta a Fazenda Nacional em seu recurso, ou se correto o entendimento do acórdão recorrido, no sentido de que não havia previsão para a aplicação da referida multa após a publicação da Lei 11.051/04. Contudo, para melhor compreensão da questão, entendo salutar apresentar breve histórico legislativo sobre a compensação e a imposição de multa antes de adentrarmos às discussões específicas do caso. A compensação no direito tributário tem fundamento nos artigos 156, inciso II, 170 e 170A, sendo prevista como modalidade de extinção do crédito tributário, nas condições e sob as garantias que estipular a lei. Sob a égide da Constituição Federal de 1988, foi editada para as compensações federais a Lei nº 8.383/91, que, em seu artigo 66, possibilitava a compensação por parte do contribuinte. Referido dispositivo foi posteriormente alterado pela Lei nº 9.069/95, que autorizou a compensação entre tributos e contribuições da mesma espécie ou o pedido de restituição. Ao final do ano de 1996, foi promulgada a Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, que, dentre inúmeras matérias, tratou da sistemática de compensação no âmbito da então Secretaria da Receita Federal, mais especificamente em seus artigos 73 e 74, sendo, no primeiro caso, para a compensação de ofício e, no segundo caso, para a compensação a requerimento do contribuinte. A mencionada Lei veiculou norma que possibilitou a compensação entre quaisquer débitos e créditos, vencidos ou vincendos, desde que administrados pela Secretaria da Receita Federal – SRF, atualmente denominada Secretaria da Receita Federal do Brasil – RFB. De acordo com as normas vigentes à época, a compensação só se concluía após a apresentação de prévio requerimento pelo contribuinte e posterior aceitação pela autoridade fazendária. O Decreto nº 2.138/97 e a Instrução Normativa SRF nº 21/97, alterada pela Instrução Normativa SRF nº 73/97 e Instrução Normativa SRF nº 41/00, regulamentaram as disposições da Lei nº 9.430/96. Com as alterações, ficou vedada a utilização de créditos de terceiros para fins de compensação. Vigia à época a Medida Provisória nº 2.158, de 24.8.2001, que em seu artigo 90 estabelecia a obrigatoriedade do lançamento de ofício sobre as diferenças Fl. 496DF CARF MF Impresso em 26/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/01/2014 por KAREM JUREIDINI DIAS, Assinado digitalmente em 06/02/2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 07/01/2014 por KAREM JUREIDINI DIAS Processo nº 10680.001652/200798 Acórdão n.º 9101001.676 CSRFT1 Fl. 12 5 apuradas em declaração prestada pelo sujeito passivo, decorrentes de compensação indevida ou não comprovada1. A legislação relativa à compensação sofreu novamente alterações, dentre elas, aquelas veiculadas pelas Leis nºs 10.637/02, 10.833/03 e 11.051/04. A Lei nº 10.637/02 alterou o caput do artigo 74 da Lei nº 9.430/96 e alguns dos seus parágrafos, modificando a sistemática da compensação até então existente. Para regulamentar as compensações efetuadas à luz das alterações trazidas pela Lei nº 10.637/02, foi editada a Instrução Normativa n° 210/02, por meio da qual as compensações deveriam ser efetuadas mediante a entrega de declaração de compensação, e não mais por meio da apresentação de pedidos de compensação, seja nos casos de compensação com créditos de mesma espécie, seja nos casos de compensação com créditos de diferentes espécies. O artigo 74 da Lei nº 9.430/96 também foi objeto de alteração pela Lei nº 10.833/03. Com a inserção do §5º, restou expresso que a Administração possui cinco anos para apreciar a compensação efetuada pelo contribuinte. Lembramos, também, que o artigo 74 da Lei nº 9.430/96, com a alteração introduzida pela Lei nº. 10.833/03, veicula norma que transforma a declaração de compensação em confissão de dívida, tornando referida declaração instrumento hábil e suficiente para a exigência dos débitos indevidamente compensados. Por outro lado, no caso de compensação não homologada, o mesmo texto legal faz menção à obrigatoriedade de observância do rito normal do processo administrativo fiscal, inclusive com a suspensão da exigibilidade do débito objeto da compensação, em razão da discussão na via administrativa, nos termos do disposto nos seus parágrafos 7º a 11. A Lei nº 10.833/03 também inovou ao aumentar o rol das hipóteses em que não é permitida a compensação. Em razão dessas alterações, o artigo 90 da Medida Provisória nº 2.158 35/2001 também foi alterado, passando a prever que o lançamento de ofício, nos casos de compensação, deveria se limitar à imposição de multa isolada sobre as diferenças apuradas decorrentes de compensação indevida e aplicarseia unicamente nas hipóteses (i) de o crédito ou o débito não ser passível de compensação por expressa disposição legal, (ii) de o crédito ser de natureza não tributária; ou, (iii) em que ficar caracterizada a prática de sonegação, fraude ou conluio. Com o advento da Lei nº 11.051, de 29 de dezembro de 2004, que também alterou o artigo 74 da Lei nº 9.430/96, criouse uma nova hipótese, qual seja, da compensação ser considerada não declarada. A compensação é considerada não declarada, dentre outras hipóteses, quando o crédito utilizado pelo contribuinte for de terceiro ou for decorrente de decisão judicial não transitada em julgado. Em virtude da edição da Lei nº 11.051/04, o artigo 90 da Medida Provisória nº 2.15835/01 foi novamente alterado, limitando a imposição da multa isolada a, apenas, duas hipóteses: (i) compensação não homologada com a caracterização da prática de sonegação, fraude ou conluio; ou ainda, (ii) para os casos de compensação considerada não declarada nas hipóteses do inciso II do § 12 do artigo 74 da Lei 9.430/96. 1 Art. 90. Serão objeto de lançamento de ofício as diferenças apuradas, em declaração prestada pelo sujeito passivo, decorrentes de pagamento, parcelamento, compensação ou suspensão de exigibilidade, indevidos ou não comprovados, relativamente aos tributos e às contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal. Fl. 497DF CARF MF Impresso em 26/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/01/2014 por KAREM JUREIDINI DIAS, Assinado digitalmente em 06/02/2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 07/01/2014 por KAREM JUREIDINI DIAS Processo nº 10680.001652/200798 Acórdão n.º 9101001.676 CSRFT1 Fl. 13 6 Novamente alterado, agora pela Lei nº 11.488/07, o artigo 90 da Medida Provisória nº 2.15835/01 passou a limitar o lançamento de ofício à imposição de multa isolada nas hipóteses de (i) não homologação da compensação, desde que comprovada a falsidade da declaração (neste caso, a previsão da multa isolada era apenas no percentual de cento e cinqüenta por cento, podendo, se for o caso, ser agravada); e (ii) quando a compensação fosse considerada não declarada, mas tão somente se pelos fundamentos descritos no inciso II do §12 do artigo 74 da Lei 9.430/96 (a multa prevista correspondia a setenta e cinco por cento do valor do débito indevidamente compensado, podendo ser qualificada ou agravada, quando fosse o caso). Posteriormente, sobrevieram a Lei nº 11.941/09, que aumentou o rol das hipóteses de compensação não declarada e a Lei nº 12.249/10, cujas disposições estão regulamentadas pela Instrução Normativa nº 900/08 (com alterações das IN`s 973/09, 981/09 e 1.067/10), e que trazem a seguinte previsão para as multas, atualmente vigente: Crédito do Fisco Crédito do Contribuinte Não Homologado: percentual duplicado em caso de falsidade Multa de 50% ou 100% (falsidade no pedido, no caso de ressarcimento). Não Declarado (§ 12, II, artigo 74 da Lei nº 9.430/96): percentual de 75% ou duplicado (falsidade). 50% do crédito objeto de Declaração de Compensação não homologada, se não imputada multa sobre o crédito do fisco. Dado o panorama legislativo, temos que no presente caso as compensações foram pleiteadas em 26/11/2004, ou seja, como se depreende, a compensação foi pleiteada no período anterior, a despeito da multa estar prevista também durante a vigência da Lei 11.051/2004. Assim sendo, deve ser primeiramente considerada a redação do Artigo 18 da Lei 10.833/03 anteriormente à alteração dada pela Lei 11.051/04, para a determinação do direito aplicável ao presente caso. O artigo 18, caput, da Lei 10.833/2003, em sua redação original assim dispunha: Art. 18. O lançamento de ofício de que trata o artigo 90 da Medida Provisória n° 2.15835, de 24 de agosto de 2001, limitarseá à imposição de multa isolada sobre as diferenças apuradas decorrentes de compensação indevida e aplicarseá unicamente nas hipóteses de o crédito ou o débito não ser passível de compensação por expressa disposição legal, de o crédito ser de natureza não tributária, ou em que ficar Fl. 498DF CARF MF Impresso em 26/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/01/2014 por KAREM JUREIDINI DIAS, Assinado digitalmente em 06/02/2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 07/01/2014 por KAREM JUREIDINI DIAS Processo nº 10680.001652/200798 Acórdão n.º 9101001.676 CSRFT1 Fl. 14 7 caracterizada a prática das infrações previstas nos arts. 71 a 73 da Lei n° 4.502/64. Conforme dispunha a IN SRF n° 041 de 07 de abril de 2000, vigente à época da compensação pretendida pelo contribuinte, a utilização de créditos de terceiros para a compensação de débitos do sujeito passivo, relativos a impostos ou contribuições administrados pela Secretaria da Receita Feral, era expressamente vedada. O problema surgiu com a alteração introduzida pela Lei 11.051/04 que alterou a redação do artigo 18 da Lei 10.833/03 conforme segue: Art. 18. O lançamento de ofício de que trata o art. 90 da Medida Provisória no 2.15835, de 24 de agosto de 2001, limitarseá à imposição de multa isolada em razão da nãohomologação de compensação declarada pelo sujeito passivo nas hipóteses em que ficar caracterizada a prática das infrações previstas nos arts. 71 a 73 da Lei no 4.502, de 30 de novembro de 1964. (Redação dada pela Lei nº 11.051, de 2004) § 4o A multa prevista no caput deste artigo também será aplicada quando a compensação for considerada não declarada nas hipóteses do inciso II do § 12 do art. 74 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996. (Incluído pela Lei nº 11.051, de 2004) A divergência no tocante a esta alteração legislativa está na utilização da expressão “multa prevista no caput”. Isto porque, apesar de ter previsão para a imputação de multa na compensação considerada não declarada quando com fundamento no inciso II do § 12 do artigo 74 da Lei 9430/96, tal multa é apenas aquela a que se refere o caput, vale dizer, a multa qualificada pela prática de fraude, dolo ou simulação, nos termos do artigo 71 a 73 da Lei 4.502/64. É por essa razão que me curvei ao entendimento já adotado por esta colenda Câmara, no sentido de que referida multa deixou de existir no patamar de 75%, aplicandose à hipótese a retroatividade benigna. Ante o exposto, voto por NEGAR PROVIMENTO ao Recurso Especial da Fazenda Nacional. Sala das Sessões, em 16 de maio de 2013 (ASSINADO DIGITALMENTE) Karem Jureidini Dias Fl. 499DF CARF MF Impresso em 26/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/01/2014 por KAREM JUREIDINI DIAS, Assinado digitalmente em 06/02/2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 07/01/2014 por KAREM JUREIDINI DIAS Processo nº 10680.001652/200798 Acórdão n.º 9101001.676 CSRFT1 Fl. 15 8 Fl. 500DF CARF MF Impresso em 26/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/01/2014 por KAREM JUREIDINI DIAS, Assinado digitalmente em 06/02/2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 07/01/2014 por KAREM JUREIDINI DIAS
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Numero do processo: 10768.100225/2002-17
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Apr 08 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu May 15 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL
Período de apuração: 01/01/1997 a 31/12/1997
NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. NULIDADE.
PROCESSO TRIBUTÁRIO. CONCOMITÂNCIA. MANDADO DE SEGURANÇA COLETIVO. INOCORRÊNCIA.
A impetração de mandado de segurança coletivo por associação de classe não impede que o contribuinte associado pleiteie individualmente tutela de objeto semelhante ao da demanda coletiva, já que aquele (mandado de segurança) não induz litispendência e não produz coisa julgada em desfavor do contribuinte nos termos da lei. A renúncia à instância administrativa de que trata o art. 38 da Lei n. 6.830/80 pressupõe ato de vontade do contribuinte expressado mediante litisconsórcio com a associação na ação coletiva ou propositura de ação individual de objeto análogo ao processo administrativo, o que não se verifica na hipótese.
CERCEAMENTO DO DIREITO À AMPLA DEFESA. NÃO ENFRENTAMENTO DE TODOS OS ARGUMENTOS DE DEFESA. NULIDADE DA DECISÃO RECORRIDA. DUPLO GRAU DEJURISDIÇÃO.
Afastadas a concomitância e a renúncia à discussão administrativa, é de se reconhecer a nulidade da decisão de primeira instância que deixou de apreciar todos os argumentos de impugnação. Nova decisão deve ser proferida, em atenção ao duplo grau de jurisdição previsto nas regras de regência do processo administrativo fiscal.
Numero da decisão: 1402-001.629
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, afastar a concomitância entre as esferas administrativa e judicial e anular a decisão de primeira instância, para que outra seja proferida na boa e devida forma com apreciação das razões de mérito da impugnação, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. Ausente, justificadamente, o Conselheiro Frederico Augusto Gomes de Alencar. Participou do julgamento o Conselheiro Carlos Mozart Barreto Vianna.
(assinado digitalmente)
LEONARDO DE ANDRADE COUTO - Presidente
(assinado digitalmente)
FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Carlos Mozart Barreto Vianna, Carlos Pelá, Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Moisés Giacomelli Nunes da Silva, Leonardo de Andrade Couto e Paulo Roberto Cortez.
Nome do relator: FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO
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ementa_s : Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL Período de apuração: 01/01/1997 a 31/12/1997 NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. NULIDADE. PROCESSO TRIBUTÁRIO. CONCOMITÂNCIA. MANDADO DE SEGURANÇA COLETIVO. INOCORRÊNCIA. A impetração de mandado de segurança coletivo por associação de classe não impede que o contribuinte associado pleiteie individualmente tutela de objeto semelhante ao da demanda coletiva, já que aquele (mandado de segurança) não induz litispendência e não produz coisa julgada em desfavor do contribuinte nos termos da lei. A renúncia à instância administrativa de que trata o art. 38 da Lei n. 6.830/80 pressupõe ato de vontade do contribuinte expressado mediante litisconsórcio com a associação na ação coletiva ou propositura de ação individual de objeto análogo ao processo administrativo, o que não se verifica na hipótese. CERCEAMENTO DO DIREITO À AMPLA DEFESA. NÃO ENFRENTAMENTO DE TODOS OS ARGUMENTOS DE DEFESA. NULIDADE DA DECISÃO RECORRIDA. DUPLO GRAU DEJURISDIÇÃO. Afastadas a concomitância e a renúncia à discussão administrativa, é de se reconhecer a nulidade da decisão de primeira instância que deixou de apreciar todos os argumentos de impugnação. Nova decisão deve ser proferida, em atenção ao duplo grau de jurisdição previsto nas regras de regência do processo administrativo fiscal.
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NULIDADE. PROCESSO TRIBUTÁRIO. CONCOMITÂNCIA. MANDADO DE SEGURANÇA COLETIVO. INOCORRÊNCIA. A impetração de mandado de segurança coletivo por associação de classe não impede que o contribuinte associado pleiteie individualmente tutela de objeto semelhante ao da demanda coletiva, já que aquele (mandado de segurança) não induz litispendência e não produz coisa julgada em desfavor do contribuinte nos termos da lei. A renúncia à instância administrativa de que trata o art. 38 da Lei n. 6.830/80 pressupõe ato de vontade do contribuinte expressado mediante litisconsórcio com a associação na ação coletiva ou propositura de ação individual de objeto análogo ao processo administrativo, o que não se verifica na hipótese. CERCEAMENTO DO DIREITO À AMPLA DEFESA. NÃO ENFRENTAMENTO DE TODOS OS ARGUMENTOS DE DEFESA. NULIDADE DA DECISÃO RECORRIDA. DUPLO GRAU DEJURISDIÇÃO. Afastadas a concomitância e a renúncia à discussão administrativa, é de se reconhecer a nulidade da decisão de primeira instância que deixou de apreciar todos os argumentos de impugnação. Nova decisão deve ser proferida, em atenção ao duplo grau de jurisdição previsto nas regras de regência do processo administrativo fiscal. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, afastar a concomitância entre as esferas administrativa e judicial e anular a decisão de primeira AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 76 8. 10 02 25 /2 00 2- 17 Fl. 2934DF CARF MF Impresso em 15/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/05/2014 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 09/05/2014 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 14/05/2014 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 10768.100225/200217 Acórdão n.º 1402001.629 S1C4T2 Fl. 2.935 2 instância, para que outra seja proferida na boa e devida forma com apreciação das razões de mérito da impugnação, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. Ausente, justificadamente, o Conselheiro Frederico Augusto Gomes de Alencar. Participou do julgamento o Conselheiro Carlos Mozart Barreto Vianna. (assinado digitalmente) LEONARDO DE ANDRADE COUTO Presidente (assinado digitalmente) FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO – Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Carlos Mozart Barreto Vianna, Carlos Pelá, Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Moisés Giacomelli Nunes da Silva, Leonardo de Andrade Couto e Paulo Roberto Cortez. Fl. 2935DF CARF MF Impresso em 15/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/05/2014 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 09/05/2014 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 14/05/2014 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 10768.100225/200217 Acórdão n.º 1402001.629 S1C4T2 Fl. 2.936 3 Relatório Trata o presente processo de auto de infração para constituição de crédito tributário da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido por fatos geradores ocorridos no ano calendário 1997, ao fundamento principal de que a entidade fechada de previdência privada, situação da interessada, é obrigada ao recolhimento da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido até 31/12/2001, visto que a concessão de isenção se deu somente a partir de 01/01/2002, instituída pela Lei n° 10.426, de 2001. O interessado apresentou impugnação de fls. 231240 alegando, em síntese, que: preliminarmente, o lançamento deve ser cancelado, em face do Mandado de Segurança nº 2001.51.01.024.8010; as entidades fechadas de previdência privada não auferem lucro, e a CSLL incide sobre o lucro (o superávit apurado pelas entidades fechadas de previdência privada não pode ser considerado lucro); o resultado obtido não foi suficiente nem para a cobertura da reserva matemática, muito menos para a constituição da reserva de contingência, pois teve déficit técnico; transcreve jurisprudência do Conselho de Contribuintes. Ao final, requereu a anulação do lançamento. A impugnação foi julgada improcedente pela autoridade de primeira instância, tendo o julgado recebido a seguinte ementa: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. NULIDADE. Não está inquinado de nulidade o Auto de Infração lavrado por autoridade competente e em consonância com o que preceituam os artigos 142, do CTN, e 10 e 59, do PAF. ENTIDADES DE PREVIDÊNCIA PRIVADA. SUJEIÇÃO PASSIVA. AÇÃO JUDICIAL CONCOMITANTE. A existência de ação judicial importa renúncia às instâncias administrativas, consoante ADN COSIT nº 3/1996 e Port. MF nº 258/2001. BASE DE CÁLCULO. A base de cálculo da CSLL das entidades de previdência privada é o resultado positivo (superávit) apurado no encerramento do período de apuração. As provisões a serem deduzidas do saldo disponível para constituições, no programa previdencial, são apenas as reservas matemáticas e a reserva de contingências. Fl. 2936DF CARF MF Impresso em 15/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/05/2014 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 09/05/2014 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 14/05/2014 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 10768.100225/200217 Acórdão n.º 1402001.629 S1C4T2 Fl. 2.937 4 O contribuinte apresentou recurso voluntário, tendo o acórdão 10709478 proferido pela 7ª Câmara do 1º Conselho de Contribuintes dado provimento ao recurso em razão de acolher a preliminar de decadência arguida pela Recorrente. A Procuradoria da Fazenda Nacional apresentou interpôs Recurso Especial e a Primeira Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais deu provimento ao recurso, revertendo a decisão recorrida e determinando o retorno dos autos à Câmara de origem para que o mérito do litígio fosse julgado. Com a extinção do antigo Conselhos de Contribuintes e instituição do CARF, os autos foram distribuídos a esta turma para relato. Em resumo, eis os pontos abordados no recurso voluntário (fls. 25112531): sustenta não existir concomitância a entre a demanda judicial citada pela autoridade julgadora e a presente exigência apta a configurar renúncia à esfera administrativa, uma vez tratarse de mandado de segurança coletivo, não inibindo seu direito de discutir a mesma matéria, de forma individualizada, na esfera administrativa. Colaciona jurisprudência que corroboraria seus argumentos. as entidades fechadas de previdência complementar não auferem lucro e, portanto, não são contribuintes da CSLL (o superávit apurado não pode ser considerado lucro); o resultado obtido sequer foi suficiente para a cobertura das reservas temáticas, não havendo constituição da reserva de contingência, pois houve déficit técnico. Nos memoriais apresentados, requer, na hipótese de manutenção da CSLL lançada, a exclusão da multa de ofício aplicada. Alega que não caberia sua cominação em razão de que, na data de lavratura do auto de infração (23/12/2002) a exigibilidade do crédito estaria suspensa, uma vez que ainda não teria sido publicada a sentença denegando a segurança, e, consequentemente, sustando os efeitos da exigibilidade do crédito anteriormente concedida. Aduz que embora a sentença tenha sido prolatada em 19/12/2002 somente foi publicada em 26/12/2002, ou seja, após a data da lavratura do auto de infração. Nesse cenário, incidiria o § 2º do art. 63 da Lei nº 9.430/96, uma vez que na data da lavratura do auto de infração o crédito tributário estaria suspenso. É o relatório. Fl. 2937DF CARF MF Impresso em 15/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/05/2014 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 09/05/2014 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 14/05/2014 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 10768.100225/200217 Acórdão n.º 1402001.629 S1C4T2 Fl. 2.938 5 Voto Conselheiro FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Relator. O recurso já foi alvo de conhecimento quando da prolação do acórdão nº 107 09478, posteriormente reformado pelo acórdão nº 910101.435. Superada a questão da decadência, cumpre o exame quanto à ocorrência, ou não, de concomitância entre a matéria aqui discutida e aquela submetida à apreciação do Poder Judiciário nos autos do Mandado de Segurança Coletivo n° 2001.51.01.024.8010, impetrado pela Associação Brasileira das Entidades Fechadas de Previdência Complementar (ABRAPP). Questão idêntica foi discutida nos autos do processo n° 10580.006024/2005 65. A extinta Primeira Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes proferiu o acórdão n° 10196.674, de 17/04/2008, no qual, por maioria de votos, decidiuse pela inocorrência de concomitância na situação em comento e pela devolução dos autos à Delegacia da Receita Federal de Julgamento, para que fossem apreciados todos os argumentos de defesa da interessada naquele processo. A seguir, excerto do voto condutor do acórdão, da lavra do eminente Conselheiro João Carlos de Lima Júnior: Sem adentrar no mérito quanto a não incidência da CSLL no caso de Entidade Fechada de Previdência Social, passamos a analisar a preliminar de renúncia da via administrativa em razão de mandado de segurança coletivo impetrado por associação (ABRAPP) ao qual o contribuinte pertence. Em 09 de janeiro de 2002, a Associação Brasileira das Entidades Fechadas de Previdência Complementar (ABRAPP), impetrou perante a Vara da Justiça Federal de Salvador, Mandado de Segurança Coletivo n°2002.33.00.001.0080. Discutese no mandado de segurança a legalidade para a exigência da cobrança da CSLL das Entidades Fechadas de Previdência Complementar. O artigo 117 do Código de Defesa do Consumidor determina que na defesa dos interesses difusos, coletivos ou individuais, aplicase os dispositivos do Titulo III, cuja primeira parte prescreve que as ações coletivas previstas nos incisos I e II do parágrafo único do art. 81 não induzem litispendência para as ações individuais. Embora tal dispositivo mencione apenas as ações cujo objetivo seja a tutela dos interesses ou direitos difusos (CDC, artigo 81, parágrafo único, inciso I) ou coletivos CDC, artigo 81, parágrafo único, inciso II), entendese que o artigo 104 do Código de Defesa do Consumidor também se aplica aos casos de tutela jurisdicional dos interesses individuais homogêneos (CDC, artigo 81, parágrafo único, inciso III), como é o caso do Direito Tributário. Fl. 2938DF CARF MF Impresso em 15/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/05/2014 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 09/05/2014 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 14/05/2014 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 10768.100225/200217 Acórdão n.º 1402001.629 S1C4T2 Fl. 2.939 6 Por se tratar de direitos individuais homogêneos tratados coletivamente, a decisão só fará coisa julgada erga omnes no caso de procedência do pedido (artigo 103, III, CDC). No caso de improcedência do pedido, os interessados que não intervieram no processo como litisconsortes, estão aptos a pleitear os seus direitos a titulo individual (artigo 103,§2°, CDC), podendo assim exercer individualmente, a plenitude de seu direito de defesa, já que a renúncia prevista no artigo 38 da Lei n° 6.830/80 jamais poderá ser presumida, na medida que individualmente ainda não ingressou com sua própria ação. Assim, o fato da existência de mandado de segurança coletivo impetrado por entidade associativa, visando proteger os interesses das entidades, da qual faz parte o contribuinte, e não diretamente por ele, não acarretou a renúncia ao direito de se defender na esfera administrativa. Outrossim, o intuito da legislação e jurisprudência pátria em não permitir a concomitância entre as discussões judiciais e administrativas é garantir que não haja decisões conflitantes, respeitando sempre o direito de defesa do contribuinte. Ora, se o contribuinte tiver decisão judicial desfavorável no Mandado de Segurança Coletivo, ainda lhe restará o direito de discutir seu direito individual, vez que o mandado de segurança coletivo, trata apenas de direito difuso, fazendo apenas coisa julgada em caso de decisão favorável ao mesmo. Assim, razão assiste o contribuinte em buscar decisão favorável já na esfera administrativa, vez que a decisão judicial no mandado de segurança coletivo nunca será conflitante com uma eventual procedência de seu recurso neste órgão, vez que se for improcedente o pleito judicial coletivo ainda existiria o direito individual do contribuinte. [...] Nestas condições, deixo de aplicar o artigo 38 da Lei 6.830/80, para não reconhecer a renúncia à esfera administrativa, bem como afasto a declaração de concomitância com o processo judicial e determino retomo do presente feito à DRJ de origem, para a devida apreciação de todo o mérito. Ao final, a decisão restou assim ementada: CONCOMITÂNCIA — MANDADO DE SEGURANÇA COLETIVO — INOCORRÊNCIA. O Mandado de Segurança Coletivo impetrado por associação não configura renúncia ao direito subjetivo do contribuinte de pleitear individualmente a mesma prestação jurisdicional requerida pela associação, vez que a decisão do Mandado de Segurança Coletivo só fará coisa julgada se for favorável ao contribuinte. Assim não há que se falar em concomitância entre as esferas judicial e administrativa. DUPLO GRAU DE JURISDIÇÃO. Afastada a concomitância cabe o enfrentamento do mérito em primeira instância, em obediência ao Decreto 70.235/72. A Fazenda Nacional recorreu daquela decisão à Câmara Superior de Recursos Fiscais, do que resultou o acórdão n° 9101001.216, de 18/10/2011. Aquele Colegiado, por unanimidade de votos, negou provimento ao recurso da Fazenda Nacional, Fl. 2939DF CARF MF Impresso em 15/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/05/2014 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 09/05/2014 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 14/05/2014 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 10768.100225/200217 Acórdão n.º 1402001.629 S1C4T2 Fl. 2.940 7 confirmando o entendimento da instância a quo sobre a inocorrência, no caso concreto, de concomitância entre o Mandado de Segurança Coletivo e a discussão administrativa. Assim fundamentou seu voto o ilustre relator do acórdão, Conselheiro Antônio Carlos Guidoni Filho: No mérito, cingese a controvérsia em saber se a impetração de mandado de segurança coletivo por associação de classe da qual pertença o contribuinte implica renúncia deste (contribuinte) à instância administrativa por alegada configuração de concomitância entre os processos administrativo e judicial decorrente da identidade dos respectivos objetos. Em outros termos, discutese no caso a aplicação (ou não) do art. 38 da Lei n. 6.830/80 e do art. 1°, §2° do Decreto lei n. 1.737/79 às hipóteses de mandado de segurança coletivo impetrado por associação de classe cuja sentença judicial possa eventualmente beneficiar o contribuinte que discute a (mesma) exigência fiscal em seara administrativa. [... ] Conforme se depreende do trecho acima transcrito, o recurso da Fazenda Nacional está embasado em duas premissas fundamentais, quais sejam: (i) a propositura de demanda judicial por entidade de classe equiparase à propositura de demanda pelo próprio contribuinte, nas hipóteses em que este pertencer aos quadros associativos daquela; (ii) a coexistência potencial de duas decisões na hipótese violaria o principio da unicidade de jurisdição, já que não caberia mais à Administração manifestarse sobre tema levado à apreciação (pelo Contribuinte) ao Poder Judiciário. Entendo que a insurgência da Fazenda Nacional não procede. Primeiramente, não é correta a reiterada afirmação da Fazenda Nacional de que a impetração de mandado de segurança coletivo por associação de classe corresponde propositura da ação pelo contribuinte associado. Embora a ação coletiva possa potencialmente beneficiar o contribuinte a depender do resultado da ação, é absolutamente certo na lei (v.g., LACP, Lei do Mandado de Segurança e CDC, especialmente), na doutrina e na jurisprudência que as demandas coletiva e individual não se confundem. Basta dizer que a impetração de mandado de segurança coletivo por associação de classe não impede que o contribuinte associado pleiteie individualmente tutela de objeto semelhante ao da demanda coletiva. A ação coletiva não induz litispendência entre ela e demandas individuais dos respectivos associados (tal como seria de rigor se se estivesse tratando de ações de mesmas partes, objeto e pedido) e não produz coisa julgada em desfavor do contribuinte. As assertivas acima não decorrem tão somente dos expressos textos de lei neste sentido (LACP, art. ), (LACP, arts , CDC, art. , Lei do Mandado de Segurança (Lei n. 12.016/ ), mas principalmente da garantia constitucional do direito de ação, segundo o qual é defeso subtrair da pessoa o direito de defender seus interesses (em seara administrativa ou judicial) por força da existência de lide pretérita na qual não lhe tenha sido dado o direito de atuar direta e pessoalmente, "com os ônus, riscos e responsabilidades que somente assim se aceita sejam realmente contraídos". Vejase, nesse sentido, lição de Lúcia Valle Figueiredo, verbis: Fl. 2940DF CARF MF Impresso em 15/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/05/2014 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 09/05/2014 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 14/05/2014 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 10768.100225/200217 Acórdão n.º 1402001.629 S1C4T2 Fl. 2.941 8 "Se o impetrante for sindicato, como lhe incumbe a tutela dos direitos de seus associados e da categoria (art. 513 da CLT) concluímos que a sentença atinge toda categoria. Todavia, se estivermos diante de associações, a questão colocarseá de forma diversa. As associações cabe tutelar os interesses e direitos de seus associados. Até porque há, ou pode haver, diversas associações de classe (vejamse por exemplo, o Instituto dos Advogados e a Associação dos Advogados). Se assim é, não nos parece pudesse se cogitar de a sentença transcender a esfera dos associados. Seria mesmo intromissão indevida. Problema cruciante é o da coisa julgada. Entendemos devase procurar a solução secundum eventum litis. É dizer: se favorável fará coisa julgada. Entretanto, se desfavorável poderá ser interposto novo mandado de segurança individual" No mesmo sentido, explica Ferraz: "Sendo o writ ajuizado por sindicato, não só os seus associados mas toda a categoria econômica ou operária por ele tutelada são atingidos pelos efeitos da coisa julgada. Assim é por força da extensão da representação sindical, expressamente assentada, p. ex., no ar. 513 da CLT (esse, é também, o pensamento de Lúcia Valle Figueiredo, Perfil do Mandado de Segurança Coletivo, Ed RT: p.36). Por isso, a decisão concessiva da segurança, aqui terá cunho declaratório amplo, normativo mesmo, e beneficiará toda a gama de componentes do universo que o sindicato, por força legal, tutela, e não apenas seus efetivos associados. ... desfavorável a sentença ao impetrante, independentemente da extensão de sua representatividade poderá ser formulado novo mandado de segurança individual (plúrimo ou não): efetivamente, é inadmissível que a ampla garantia constitucional do direito de ação (CF; art. 50, XXXV e LXIX) possa ser extraída de alguém por forca de uma lide na qual não lhe foi dado atuar direta e pessoalmente, com os ônus, riscos e responsabilidades que somente assim se aceita sejam realmente contraídos " (negritos nossos) (FIGUEREIDO, Lúcia Valle. Perfil do mandado de segurança coletivo. São Paulo: Revista dos Tribunais, 1989). Não é outro o entendimento jurisprudencial sobre o tema. Veja se, a título ilustrativo, ementas de v. acórdãos proferidos pelo E. SUPERIOR TRIBUNAL DE JUSTIÇA, verbis: "TRIBUTÁRIO E PROCESSUAL CIVIL. ART. 535 DO CPC. FALTA DE PREQUESTIONAMENTO. HONORÁRIOS ADVOCATICIOS. SUCUMBÊNCIA MÍNIMA. INEXISTÊNCIA DE DISSÍDIO JURISPRUDENCIAL. MANDADOS DE SEGURANÇA COLETIVO E INDIVIDUAL. LITISPENDÊNCIA INEXISTENTE. REPETIÇÃO DE INDÉBITO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. PRESCRIÇÃO. ART. 3°DA LCN° 118/05. (...) 5. "A impetração de mandado de segurança coletivo por entidade de classe e de writ individual não induz litispendência, tendo em vista que aquele não retira o direito de agir de seus associados" (AgRg no REsp 675.992/AC, Rel. Min. Laurita Voz, DJUde 07.04.08). Fl. 2941DF CARF MF Impresso em 15/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/05/2014 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 09/05/2014 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 14/05/2014 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 10768.100225/200217 Acórdão n.º 1402001.629 S1C4T2 Fl. 2.942 9 (...) (REsp 1091597 / DF (2008/02125509), STJ, 2a Turma, Relator Ministro CASTRO MEIRA, j. 18/11/2008, DJe 15/12/2008, RDDT vol. 162 p. 183). No mesmo sentido: "AGRAVO REGIMENTAL. MANDADO DE SEGURANÇA INDIVIDUAL. ART 18 DA LEI N. 1.533/81. AUSÊNCIA DE PREQUESTIONAMENTO. MANDADO DE SEGURANÇA COLETIVO. INEXISTÊNCIA DE LITISPENDÊNCIA. DIREITO LÍQUIDO E CERTO. APLICAÇÃO DAS SÚMULAS N. 280 E 283 DO STF. (...) 2. A impetração de mandado de segurança coletivo por entidade de classe não impede o exercício do direito subjetivo de postular, mediante a proposição de ação mandamental individual, o resguardo de direito liquido e certo, não incidindo, nessa hipótese, os efeitos da litispendência. Precedentes. (...) (AgRg no Ag 549988/RJ (2003/01706896), STJ, 2" Turma, Relator Ministro JOÃO OTÁVIO DE NORONHA, j. 20/04/2004, DJ 21/06/2004 p. 201). Em respeito ao direito constitucional de ação e de petição, é até intuitiva a assertiva de que a renúncia à instância administrativa de que trata o art. 38 da Lei n. 6.830/80 pressupõe ato de vontade do próprio contribuinte. Não há como admitir renúncia a direito por ato praticado exclusivamente por terceiro (no caso, a associação), ainda que tal ato possa circunstancialmente influenciar na esfera jurídica de interesses da pessoa (no caso, o associado). O titular do direito (no caso, de instauração de lide administrativa) apenas pode renunciar a este por ato próprio, tal como se daria, por exemplo, se tivesse tido aceito eventual pedido de litisconsórcio com a associação na ação coletiva ou se tivesse proposto ação individual de objeto análogo ao processo administrativo em referência. É imprópria a alegação da Fazenda Nacional de que o não acolhimento da concomitância afrontaria ao principio da unicidade de jurisdição. Como é de conhecimento geral, o principio da unicidade de jurisdição prescreve que caberá ao Poder Judiciário estabelecer, em última análise e instância, a interpretação e aplicação da legislação ao caso concreto. Assim, submetido o caso à apreciação do Poder Judiciário, não há sentido na manutenção (concomitante) da discussão do (mesmo) tema em seara administrativa, já que é do Poder Judiciário a atribuição de exercer a jurisdição. Evitase o risco de contradição (prática) entre decisões proferidas em processos instaurados pelo contribuinte nas diferentes instâncias (administrativa e judicial). Eis a razão da renúncia à instância administrativa e a preponderância da instância judicial. No caso, a par da inexistência de demanda judicial proposta pelo contribuinte, o que por si só seria suficiente para afastar a alegação de concomitância, digase que não há risco de contradição (prática) entre as decisões proferidas neste processo administrativo e naquele processo judicial. Fl. 2942DF CARF MF Impresso em 15/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/05/2014 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 09/05/2014 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 14/05/2014 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 10768.100225/200217 Acórdão n.º 1402001.629 S1C4T2 Fl. 2.943 10 O sistema jurídico brasileiro prevê expressamente a co existência e convivência pacifica entre duas decisões (uma de natureza coletiva e outra individual). Como se disse, o jurisdicionado pode insurgirse pessoalmente contra o ato lesivo independentemente (e nada obstante) a existência de demanda (contra este mesmo ato) já movimentada por ente coletivo. Não há desrespeito ao principio da unicidade de jurisdição pois o comando proferido em demanda de natureza coletivo não é "único e definitivo" ao contribuinte por definição legal, já que o sistema jurídico admite que o contribuinte pessoalmente busque (e obtenha) um comando novo e distinto daquele proferido na demanda coletiva. Nesses casos, via de regra, apenas a decisão proferida em seara individual é eficaz para o contribuinte (seja ela favorável ou contrária aos seus interesses), independentemente do resultado da demanda coletiva. Esta Corte Administrativa já possui inúmeros precedentes no sentido de que a impetração de mandado de segurança coletivo por associação de classe não configura renúncia à instância administrativa pelo contribuinte associado. Vejase, nesse sentido, precedente da Segunda Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, verbis: "PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. MANDADO DE SEGURANÇA COLETIVO. CONCOMITÂNCIA. INEXISTÊNCIA. A impetração de mandado de segurança coletivo, por substituto processual, não se configura hipótese em que se deva declarar a renúncia à esfera administrativa. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso." (Acórdão n. 920200.278, de 22.9.2009, da 2ª Turma da CSRF). No mesmo sentido: PRELIMINAR CONCOMITÂNCIA Não há que se falar em concomitância entre a discussão judicial travada em Mandado de Segurança Coletivo impetrado por associação de classe, e a discussão travada em sede de processo administrativo fiscal, no qual se discute lançamento efetuado em face de unia de suas associadas. (Acórdão n. 106 17.185, de 16.12.2008, da 6° Câmara do 1° Conselho de Contribuintes). No mesmo sentido: CSLL — MANDADO DE SEGURANÇA COLETIVO COISA JULGADA — A decisão meritória de improcedência do pedido, ao final do processo, em mandado de segurança coletivo impetrado por entidade de classe, não faz coisa julgada contra seus associados, salvo em caso de procedência. (Acórdão n. 10196.687, de 17.4.2008, da 1° Camara do P Conselho de Contribuintes). No mesmo sentido: PAF — NORMAS PROCESSUAIS — PROCESSO ADMINISTRATIVO E JUDICIAL — MANDADO DE SEGURANÇA COLETIVO — CONCOMITÂNCIA INEXISTÊNCIA — Pelas regras emergentes da Constituição Federal e da legislação processual em vigor, a propositura, por entidade que defende interesses coletivos de determinada coletividade, de mandado de segurança Fl. 2943DF CARF MF Impresso em 15/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/05/2014 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 09/05/2014 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 14/05/2014 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 10768.100225/200217 Acórdão n.º 1402001.629 S1C4T2 Fl. 2.944 11 coletivo, não impede que seus associados, individualmente, postulem em Juízo ou fora dele seus direitos, mormente quando presente no lançamento de oficio questões que desbordam o direito litigado pela entidade em face do Poder Judiciário. (Acórdão n. 10708.985, de 25.4.2007, da 7ª Câmara do 1° Conselho de Contribuintes). No mesmo sentido: RENÚNCIA AO PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL POR CONCOMITÂNCIA COM MEDIDA JUDICIAL. INOCORRÊNCIA. A existência de Medida Judicial Coletiva interposta por entidade sindical não tem o condão de caracterizar renúncia à esfera administrativa por concomitância, pois, ainda que haja alcance dos efeitos jurídicos da decisão para os representados da entidade sindical, não se materializa a identidade entre os sujeitos dos processos, ou seja, autor da medida judicial e recorrente no âmbito administrativo, diante da qual é possível aferir a manifestação de vontade (critério subjetivo) que exige a renúncia. (Acórdão n. 30134.861, de 13.11.2008, da 1a Câmara do 3° Conselho de Contribuintes). Por tais fundamentos, voto no sentido de conhecer do recurso especial interposto pela Fazenda Nacional para, no mérito, negarlhe provimento. Eis, ao final, a ementa do mencionado acórdão n° 9101001.216, de 18/10/2011: PROCESSO TRIBUTÁRIO. CONCOMITÂNCIA. MANDADO DE SEGURANÇA COLETIVO. INOCORRÊNCIA. A impetração de mandado de segurança coletivo por associação de classe não impede que o contribuinte associado pleiteie individualmente tutela de objeto semelhante ao da demanda coletiva, já que aquele (mandado de segurança) não induz litispendência e não produz coisa julgada em desfavor do contribuinte nos termos da lei. É impróprio falarse em afronta ao principio da unicidade de jurisdição neste caso, pois o sistema jurídico admite a coexistência e convivência pacifica entre duas decisões (uma de natureza coletiva e outra individual), sendo que, via de regra, aplicarseá ao contribuinte aquela proferida no processo individual. A renúncia à instância administrativa de que trata o art. 38 da Lei n. 6.830/80 pressupõe ato de vontade do contribuinte expressado mediante litisconsórcio com a associação na ação coletiva ou propositura de ação individual de objeto análogo ao processo administrativo, o que não se verifica na hipótese. Como se observa, está consolidada a jurisprudência, tanto na esfera judicial quanto no âmbito deste órgão administrativo, no sentido de que a propositura de mandado de segurança coletivo, impetrado por associação à qual a interessada é filiada não permite que se conclua pela concomitância com discussão administrativa travada individualmente em processo administrativo fiscal. Desta forma, adoto os fundamentos acima transcritos para, neste processo, concluir de igual forma pela inocorrência de concomitância entre a discussão judicial, travada em sede de mandado de segurança coletivo, e a discussão administrativa, travada nestes autos. Como consequência, impõese o reconhecimento de que a decisão de primeira instância cerceou o direito de defesa da interessada, ao não apreciar em sua integralidade os argumentos de impugnação. Fl. 2944DF CARF MF Impresso em 15/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/05/2014 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 09/05/2014 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 14/05/2014 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 10768.100225/200217 Acórdão n.º 1402001.629 S1C4T2 Fl. 2.945 12 Em conclusão, voto por afastar a declaração de concomitância com o processo judicial, não reconhecer a renúncia à esfera administrativa e anular a decisão de primeira instância, determinando que nova decisão seja proferida, com a apreciação de todos os argumentos de defesa da interessada. (assinado digitalmente) FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO – Relator Fl. 2945DF CARF MF Impresso em 15/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/05/2014 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 09/05/2014 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 14/05/2014 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO
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Numero do processo: 10925.903985/2012-09
Turma: Terceira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 25 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu May 08 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/04/2002 a 30/04/2002
INDÉBITO. RESTITUIÇÃO. COMPENSAÇÃO. ÔNUS DA PROVA.
O ônus da prova recai sobre a pessoa que alega o direito ou o fato que o modifica, extingue ou que lhe serve de impedimento, devendo prevalecer a decisão administrativa devidamente fundamentada, não infirmada com documentação hábil e idônea.
Numero da decisão: 3803-005.736
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. Os Conselheiros João Alfredo Eduão Ferreira, Jorge Victor Rodrigues e Juliano Eduardo Lirani votaram pelas conclusões.
(assinado digitalmente)
Corintho Oliveira Machado - Presidente
(assinado digitalmente)
Belchior Melo de Sousa - Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Corintho Oliveira Machado, Belchior Melo de Sousa, Hélcio Lafetá Reis, João Alfredo Eduão Ferreira, Juliano Eduardo Lirani e Jorge Victor Rodrigues.
Nome do relator: BELCHIOR MELO DE SOUSA
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ICMS. INCLUSÃO. O valor do ICMS compõe a estrutura de preço da mercadoria ou produto, que corresponde ao faturamento, não podendo ser excluído na apuração da base de cálculo do PIS/Pasep e da Cofins sem expressa disposição legal. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/04/2002 a 30/04/2002 APRECIAÇÃO DE ALEGAÇÕES DE INCONSTITUCIONALIDADE NA ESFERA ADMINISTRATIVA. A discussão sobre a constitucionalidade ou inconstitucionalidade de lei não cabe na esfera administrativa, ressalvadas as exceções à regra. (Súmula CARF nº 2). ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/04/2002 a 30/04/2002 INDÉBITO. RESTITUIÇÃO. COMPENSAÇÃO. ÔNUS DA PROVA. O ônus da prova recai sobre a pessoa que alega o direito ou o fato que o modifica, extingue ou que lhe serve de impedimento, devendo prevalecer a decisão administrativa devidamente fundamentada, não infirmada com documentação hábil e idônea. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. Os Conselheiros João Alfredo Eduão Ferreira, Jorge Victor Rodrigues e Juliano Eduardo Lirani votaram pelas conclusões. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 92 5. 90 39 85 /2 01 2- 09 Fl. 65DF CARF MF Impresso em 08/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/04/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 08/04/20 14 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 09/04/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO 2 (assinado digitalmente) Corintho Oliveira Machado Presidente (assinado digitalmente) Belchior Melo de Sousa Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Corintho Oliveira Machado, Belchior Melo de Sousa, Hélcio Lafetá Reis, João Alfredo Eduão Ferreira, Juliano Eduardo Lirani e Jorge Victor Rodrigues. Relatório Esta Contribuinte transmitiu Declaração de Compensação (DComp) de PIS apurado no regime cumulativo, no valor de R$ 733,93, relativo a pagamento indevido ou maior que o devido efetuado em 15/05/2002. Despacho Decisório do DRF/Joaçaba indeferiu a DComp, tendo em vista que a partir das características do DARF discriminado, foram localizados um ou mais pagamentos abaixo relacionados, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para restituição. Em manifestação de inconformidade apresentada, a Contribuinte alegou que a) a DComp referese a crédito decorrente de pagamento a maior da Cofins, em razão da inclusão do ICMS nas bases de cálculos da Cofins e do PIS; b) os arts. 2º e 3º, da Lei nº 9.718/98, e o art. 195, I, “b”, da Constituição Federal, apenas admitem como base de cálculo de supraditas contribuições a receita ou o faturamento, não autorizando a inclusão do ICMS em citada base de cálculo, pois o valor deste imposto constitui ônus fiscal – e não faturamento; c) o valor do ICMS está embutido no preço das mercadorias por força da legislação deste imposto1, a qual determina que sua base de cálculo seja composta do próprio tributo, constituindo o destaque mera indicação para fins de controle; d) o faturamento “é decorrente, em essência, de um negócio jurídico, de uma operação, importando, por isso mesmo, o que é recebido por aquele que a realiza, considerada a venda de mercadoria ou mesmo a prestação de serviço” e que “a base de cálculo não pode extravasar, desse modo, sob o ângulo do faturamento, o valor do negócio, ou seja, a parcela recebida com a operação mercantil ou similar”; Pugnou, ainda, que se atentasse “para o princípio da razoabilidade, pressupondose que o texto constitucional se mostre fiel, no emprego dos institutos, de Expressões e vocábulos, ao sentido próprio que eles possuem, não merecendo outras interpretações” e transcreve o art. 110, do CTN. Em julgamento da lide a DRJ/Belo Horizonte fez menção à regramatriz da base de cálculo das contribuições, disposta na norma dos arts. 2º e 3º da Lei nº 9.718/98 e de outras disposições legais e concluiu não haver previsão para a exclusão do ICMS do faturamento. Buscou reforço em decisões do CARF e do STJ. Fl. 66DF CARF MF Impresso em 08/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/04/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 08/04/20 14 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 09/04/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 10925.903985/201209 Acórdão n.º 3803005.736 S3TE03 Fl. 66 3 A decisão foi ementada como segue: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Anocalendário: 2002 PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. CRÉDITO NÃO COMPROVADO. Não se admite a restituição de crédito que não se comprova existente. Manifestação de Inconformidade Improcedente Cientificada da decisão em 23 de outubro de 2013, irresignada, apresentou recurso voluntário em 4 de novembro de 2013, em que reiterou os termos da manifestação de inconformidade, acrescentando o pedido de sobrestamento do julgamento, por aplicação do art. 62A do Regimento Interno do CARF, em razão de a matéria se encontrar em apreciação pelo Supremo Tribunal Federal. É o relatório. Voto Conselheiro Belchior Melo de Sousa Relator O recurso é tempestivo e atende os demais requisitos para sua admissibilidade, portanto dele conheço. A presente controvérsia cingese à inclusão dos valores de ICMS no faturamento como base de cálculo da Cofins e do PIS/Pasep. Destaco, inicialmente, que não se pode perder de vista que a carga valorativa a se aplicar na interpretação da legislação tributária relativa a tributos administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil no exercício da competência que cabe ao CARF , deve ser dosada no âmbito do controle de legalidade a que se limitam as decisões administrativas. Com efeito, o Supremo Tribunal Federal, em apreciação da matéria aqui sob exame, sobresteve o julgamento do RE 240.785/MG, em 13/08/2008, em face da superveniência e da precedência da ADC nº 18/DF[1]. A propositura desta ação é do Presidente da República e o seu objeto é obter a declaração de legitimidade da inclusão na base de cálculo da Cofins e do PIS/Pasep dos valores pagos título de ICMS e repassados aos consumidores no preço dos produtos ou serviços, pressuposta no art. 3º, § 2º, I, da Lei 9.718, de 27 de novembro de 1998[2]. 1 Decisão: O Tribunal sobrestou o julgamento do recurso, tendo em vista a decisão proferida na ADC 185/DF. Ausente, justificadamente, neste julgamento, o Senhor Ministro Joaquim Barbosa. Presidência do Senhor Ministro Gilmar Mendes. Plenário, 13.08.2008. 2 § 2º Para fins de determinação da base de cálculo das contribuições a que se refere o art. 2º, excluemse da receita bruta: Fl. 67DF CARF MF Impresso em 08/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/04/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 08/04/20 14 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 09/04/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO 4 Com a perda da eficácia da Medida Cautelar na dita ADC, em 21/9/2010, nada obsta o julgamento da matéria pelo CARF, razão porque não pode ser atendido o pedido de sobrestamento do presente processo. A instituição da Cofins pela LC 70/91[3] inaugurou a delimitação da palavra faturamento afirmando que o IPI não o integra, quando destacado em separado no documento fiscal. A alteração do PIS/Pasep pela MP nº 1.212/96, convertida na Lei nº 9.715/98[4], também o fez estabelecendo que nele não se incluem o IPI e o ICMS retido pelo vendedor dos bens ou prestador dos serviços na condição de substituto tributário. A Lei nº 9.718/98[5] unificou a base de cálculo das contribuições e o fez destacando as grandezas que devem ser excluídas da receita bruta, a teor do seu o parágrafo segundo, entre estas o IPI e o ICMS retido pelo vendedor dos bens ou prestador dos serviços na condição de substituto tributário. Sabese que o ICMS é imposto que via de regra incide na entrega de mercadorias e serviços e compõe a sua estrutura de preços. Ao definirem faturamento, a LC 70/91 informa que não o integra o IPI; a Lei nº 9.715/98 informa que não o integra o IPI e o ICMS do substituto tributário; a Lei nº 9.718/98 informa que se excluem da receita bruta o IPI e o ICMS do substituto tributário. Ora, se o ICMS normal está fora desse rol de não integração/exclusão da base de cálculo, o faturamento, não há como não se considerar que ficou definido implícitamente que ele (o ICMS) integra o faturamento. Aditese que o seu histórico cálculo “por dentro”, segundo o ditame do DecretoLei nº 406/686 reiterado pela LC Nº 87/96[7][8].endossam esta conclusão. I as vendas canceladas, os descontos incondicionais concedidos, o Imposto sobre Produtos Industrializados IPI e o Imposto sobre Operações relativas à Circulação de Mercadorias e sobre Prestações de Serviços de Transporte Interestadual e Intermunicipal e de Comunicação ICMS, quando cobrado pelo vendedor dos bens ou prestador dos serviços na condição de substituto tributário; 3 Art. 2° A contribuição de que trata o artigo anterior será de dois por cento e incidirá sobre o faturamento mensal, assim considerado a receita bruta das vendas de mercadorias, de mercadorias e serviços e de serviço de qualquer natureza. Parágrafo único. Não integra a receita de que trata este artigo, para efeito de determinação da base de cálculo da contribuição, o valor: a) do imposto sobre produtos industrializados, quando destacado em separado no documento fiscal; b) das vendas canceladas, das devolvidas e dos descontos a qualquer título concedidos incondicionalmente. 4 Art. 3o Para os efeitos do inciso I do artigo anterior considerase faturamento a receita bruta, como definida pela legislação do imposto de renda, proveniente da venda de bens nas operações de conta própria, do preço dos serviços prestados e do resultado auferido nas operações de conta alheia. Parágrafo único. Na receita bruta não se incluem as vendas de bens e serviços canceladas, os descontos incondicionais concedidos, o Imposto sobre Produtos Industrializados IPI, e o imposto sobre operações relativas à circulação de mercadorias ICMS, retido pelo vendedor dos bens ou prestador dos serviços na condição de substituto tributário. 5 § 2º Para fins de determinação da base de cálculo das contribuições a que se refere o art. 2º, excluemse da receita bruta: I as vendas canceladas, os descontos incondicionais concedidos, o Imposto sobre Produtos Industrializados IPI e o Imposto sobre Operações relativas à Circulação de Mercadorias e sobre Prestações de Serviços de Transporte Interestadual e Intermunicipal e de Comunicação ICMS, quando cobrado pelo vendedor dos bens ou prestador dos serviços na condição de substituto tributário; 6 Art 2º A base de cálculo do impôsto é: § 7º O montante do impôsto de circulação de mercadorias integra a base de cálculo a que se refere êste artigo, constituindo o respectivo destaque mera indicação para fins de contrôle. 7 Art. 13. A base de cálculo do imposto é: Fl. 68DF CARF MF Impresso em 08/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/04/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 08/04/20 14 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 09/04/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 10925.903985/201209 Acórdão n.º 3803005.736 S3TE03 Fl. 67 5 Exemplificando: · ICMS por dentro Tenhase, por hipótese o valor de: Mercadorias em estoque = R$ 830,00 Alíquota do ICMS = 17% Cálculo do preço de venda cujo montante final resultará no faturamento = R$ 830,00/83 % (100% 17%) = R$ 1.000,00 Valor do ICMS incluso no faturamento = 170,00 · Se o cálculo do ICMS fosse por fora O preço de venda seria o valor da mercadoria em estoque, que corresponderia ao faturamento Valor do ICMS: 830,00 x 17% = R$ 141,10; Na conformidade da formulação legal acima demonstrada o ICMS faz parte do preço da mercadoria como custo. E este é o desenho constitucional deste imposto após a declaração da constitucionalidade da LC 87/96 na decisão no RE nº 212.209/RJ, ementada na forma do transcrito abaixo: TRIBUTÁRIO. ICMS. BASE DE CÁLCULO. INCLUSÃO DO VALOR DO IMPOSTO COMO ELEMENTO INTEGRATIVO DA BASE DE CÁLCULO. POSSIBILIDADE JURÍDICA. A base de cálculo dos tributos e a metodologia de sua determinação, porque constituem elementos de conhecimento indispensáveis para a definição do quantum debeatur, necessariamente, devem ser estabelecidas por lei, em obediência ao princípio da legalidade (CF, arts. 146, III, “a”, 150, I, e CTN, art. 97, IV). Inexiste inconstitucionalidade ou ilegalidade, se a própria lei complementar e a lei local permitem que entre os elementos componentes e formativos da base de cálculo do ICMS se inclua o valor do próprio imposto. § 1o Integra a base de cálculo do imposto, inclusive na hipótese do inciso V do caput deste artigo: (Redação dada pela Lcp 114, de 16.12.2002) I o montante do próprio imposto, constituindo o respectivo destaque mera indicação para fins de controle; § 2º Não integra a base de cálculo do imposto o montante do Imposto sobre Produtos Industrializados, quando a operação, realizada entre contribuintes e relativa a produto destinado à industrialização ou à comercialização, configurar fato gerador de ambos os impostos. 8 A LC nº 87/96, distintamente da LC nº 406/67, dispõe que integra a base de cálculo do ICMS além do próprio imposto o montante do IPI, exceto quando a operação, realizado entre contribuintes e relativa a produto destinado à industrialização ou comercialização, configurar fato gerador de ambos os impostos. Fl. 69DF CARF MF Impresso em 08/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/04/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 08/04/20 14 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 09/04/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO 6 É demais sabido que a ampliação do conceito de faturamento pelo § 1º, do art. 3º, da Lei nº 9.718/98 foi foco da disputa que resultou na declaração da sua inconstitucionalidade pelo STF, prevalecendo a definição abrangente apenas das receitas provenientes das vendas de mercadorias e serviços pertinentes ao objeto social da atividade da pessoa jurídica. Em vista de subsistir uma definição legal de faturamento que permite considerar nele contido o ICMS normal segundo os dispositivos acima destrinçados , o Supremo Tribunal Federal ao fixar o seu conteúdo com a declaração de inconstitucionalidade do § 1º, do art. 3º, da Lei nº 9.718/98, poderia ter declarado a inconstitucionalidade, sem redução de texto, do § 2º do mesmo artigo, por deixar de inserir no rol das exclusões da receita bruta o ICMS normal. Se aquela Corte tinha a prerrogativa de fazêlo e não o fez, para tornar livres de mais questionamentos os seus contornos, o juízo que proferiu, tendo como alvo apenas o art. 3º, § 1º, da Lei nº 9.718/98, ao contrário de se reputálo omisso, endossa o entendimento de inclusão do ICMS no faturamento. Entender diferente está a depender de novo posicionamento daquele Tribunal. A idéia sobre a qual se funda o grito pela exclusão do ICMS do faturamento é a de que o imposto é ‘cobrado’ do comprador pelo vendedor, e, assim, representa um ônus tributário que é repassado ao Estado; logo, por não configurar circulação de riqueza, não ingressa no patrimônio do alienante, não podendo ser considerado receita do vendedor. Esta é a suma da tese que sustenta o voto do Min. Marco Aurélio no RE nº 240.785/MG. A tese já foi contraposta com sólido argumento por Hugo de Brito Machado[9], ao qual me filio. Defende ele que o entendimento segundo o qual o valor do ICMS componente do preço é receita do Estado é um equívoco conceitual relacionado à sujeição passiva do ICMS. O vendedor é o contribuinte de direito, não atua como um intermediário entre o comprador e o Estado, e os custos com o pagamento do imposto são custos seus e não do adquirente. O ônus correspondente ao valor do imposto é suportado pelo adquirente somente por meio do pagamento do preço, que é a contrapartida do fornecimento de mercadorias e serviços. Resultante dessa continência, tal valor ingressa no patrimônio do alienante e compõe o seu faturamento[10]. Apesar de ser voto minoritário no julgamento do RE 240.785/MG o Ministro Eros Grau manifestouse nesse mesmo sentido, verbis: O Min. Eros Grau, em divergência, negou provimento ao recurso por considerar que o montante do ICMS integra a base de cálculo da COFINS, porque está incluído no faturamento, haja vista que é imposto indireto que se agrega ao preço da mercadoria. Ser o ICMS custo que se adere à estrutura do preço do produto ou de certos serviços e, via de consequência, integra o faturamento, e não um ônus tributário do adquirente 9 Citado por Anselmo Henrique Cordeiro Lopes, in A inclusão do ICMS na Base de Cálculo da COFINS, disponível em http://jus.com.br/artigos/9674/ainclusaodoicmsnabasedecalculodacofins/2; data de acesso: 22.12.2013. 10 No ICMSST o empresário que promove a saída do produto é o contribuinte de direito. No entanto, a Lei de Normas Gerais do ICMS, LC 87/96, ao manter na relação jurídica tributária o adquirente, por legitimálo para repetir indébito ou pagamento a maior do imposto recolhido pelo substituto, subverte a lógica própria desse regime e faz com que o vendedor atue como intermediário entre o comprador e o Estado e torna de terceiro os custos com o pagamento do imposto e de natureza tributária o ônus correspondente ao valor do imposto suportado pelo adquirente. Penso que daí a sua legitimação para não integrar o faturamento o ICMS retido pelo vendedor. Fl. 70DF CARF MF Impresso em 08/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/04/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 08/04/20 14 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 09/04/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 10925.903985/201209 Acórdão n.º 3803005.736 S3TE03 Fl. 68 7 do qual se desincumbe perante o Estado por intermédio do repasse a este feito pelo vendedor, é demonstrado por implicações de ordem sancionatória, segundo as hipóteses abaixo: a) a falta de inclusão do ICMS no valor da operação, com a subsequente falta de destaque do imposto e de posterior recolhimento, não afeta a relação jurídica de sujeição passiva tributária, havendo de ser exigido do vendedor o imposto e seus consectários; b) a inclusão do ICMS no valor da operação e a subsequente falta de emissão da nota fiscal não configura o crime de apropriação indébita, mas o de sonegação fiscal, previsto art. 1º, V, da Lei nº 8.137/90 e no art. 71, I, da Lei nº 4.502/65, cujo procedimento fiscal terá como sujeito passivo o vendedor. Ademais, nesta segunda fase recursal, a Recorrente nenhum elemento anexa referente às provas. Pelo exposto, voto por negar provimento ao recurso. Sala das sessões, 25 de março de 2014 (assinado digitalmente) Belchior Melo de Sousa Fl. 71DF CARF MF Impresso em 08/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/04/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 08/04/20 14 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 09/04/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO
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Numero do processo: 10680.901614/2010-32
Turma: Primeira Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Apr 08 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Mon Apr 28 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2003
Composição do Saldo Negativo. IRRF. Prova.
Provada a retenção do IRRF indicado em PERDCOMP, deve ser reconhecida a parcela comprovada do direito creditório e homologadas as compensações até o limite do crédito reconhecido.
Numero da decisão: 1801-001.938
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam, os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário, nos termos do voto da Relatora.
(assinado digitalmente)
Maria de Lourdes Ramirez Presidente em exercício e Relatora
Participaram do presente julgamento, os Conselheiros: Roberto Massao Chinen, Alexandre Fernandes Limiro, Neudson Cavalcante Albuquerque, Leonardo Mendonça Marques, Henrique Heiji Erbano e Maria de Lourdes Ramirez (presidente em exercício).
Nome do relator: MARIA DE LOURDES RAMIREZ
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IRRF. PROVA. Provada a retenção do IRRF indicado em PERDCOMP, deve ser reconhecida a parcela comprovada do direito creditório e homologadas as compensações até o limite do crédito reconhecido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam, os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário, nos termos do voto da Relatora. (assinado digitalmente) Maria de Lourdes Ramirez – Presidente em exercício e Relatora Participaram do presente julgamento, os Conselheiros: Roberto Massao Chinen, Alexandre Fernandes Limiro, Neudson Cavalcante Albuquerque, Leonardo Mendonça Marques, Henrique Heiji Erbano e Maria de Lourdes Ramirez (presidente em exercício). Relatório Em respeito à economia processual transcrevo relatório dos fatos constante da Resolução n º 1801000.203, de 10/04/2013, desta 1a. TE/3a.CAM/1a.SEÇÃO do CARF: Relatório A empresa recorre do Acórdão nº. 0237.963/12 exarado pela 3a. Turma de Julgamento da DRJ em Belo Horizonte/MG, que julgou improcedente a manifestação de AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 68 0. 90 16 14 /2 01 0- 32 Fl. 295DF CARF MF Impresso em 28/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/04/2014 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 23/04/ 2014 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ 2 inconformidade apresentada contra despacho decisório que reconheceu em parte direito creditório relativo a saldo negativo de IRPJ do anocalendário 2003 e homologou em parte as compensações declaradas em PERDCOMP. Aproveito trechos do relatório e voto do aresto vergastado para historiar os fatos: Tratase de Declaração de Compensação (DCOMP), mediante utilização de parte do pretenso “Saldo Negativo de IRPJ” apurado no AC de 2003 no valor de R$ 156.294,89. ... A análise dos documentos protocolizados pelo contribuinte foi efetuada pela DRF através do Despacho Decisório nº. 863079030, anexado à fl. 36 do processo, exarado aos 19/05/2010, de onde se extrai: 3.1 A parcela das antecipações do IR indicada pelo contribuinte na PER/DCOMP e na DIPJ importou em R$ 156.294,89, e advém unicamente do IRRF. A DRF confirmou somente a parcela correspondente a R$ 146.547,51. 3.2 Tendo em vista as antecipações do IR confirmadas pela DRF, foi reconhecido como válido o Saldo Negativo de IRPJ no valor de R$ 146.547,51, uma vez que o IR apurado no período foi igual a zero (R$ 0,00). O crédito reconhecido foi utilizado na extinção dos débitos declarados pelo contribuinte na DCOMP, resultando na HOMOLOGAÇÃO PARCIAL das compensações declaradas. O contribuinte foi cientificado do procedimento aos 31/05/2010, conforme documento à fl. 70. Irresignado, o contribuinte apresenta em 23/06/2010 a manifestação de inconformidade anexada à fls. 02 a 04, onde, em síntese, argumenta: 4.1 Que o Despacho Decisório não descreve as razões pelas quais o crédito não fora homologado in totun, apenas indicando que foi confirmado um crédito na ordem de R$ 146.547,51 e não o montante de R$ 156.294,89 pleiteados. 4.2 Que anexa ao processo os comprovantes de retenção do IRRF indicados na DIPJ e nas PER/DCOMP’s no intuito de validar o crédito utilizado. Argumenta ainda que não pode ser penalizado pela omissão das fontes pagadoras e que, comprovada a retenção, cabe à RFB notificar as fontes pagadoras a efetuar o recolhimento necessário com as cominações legais. 4.3 Por fim, propugna pela homologação integral das compensações declaradas, colocandose à disposição para apresentar outros documentos que se fizerem necessários. Os valores das retenções realizadas pelas fontes pagadoras foram informados à ora requerente, consoante se tem dos respectivos avisos de pagamentos e retenções realizados e extratos de movimentação de investimentos. Anexa ao processo os documentos constantes às fls. 33 a 42. Fl. 296DF CARF MF Impresso em 28/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/04/2014 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 23/04/ 2014 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ Processo nº 10680.901614/201032 Acórdão n.º 1801001.938 S1TE01 Fl. 3 3 A Turma Julgadora de 1a. instância observou que o valor da diferença de IRRF não comprovada nos autos é assim composta: CNPJ da Fonte Pagadora Código de Receita Valor PERDCOMP Vlr Confirmado Vlr Não Confirmado Após análise Documentos DRJ 00.000.000/000191 6813 9.461,22 0,00 9.461,22 Retenção na fonte não comprovada 27.626.290/000130 8045 286,16 0,00 286,16 Rendimentos e IRF ref. A/C 2001 – fl. 47 Total 9.747,38 0,00 9.747,38 Observou que a interessada apresentou documentos no intuito de comprovar as retenções acima mas que, no caso da fonte pagadora Banco do Brasil – CNPJ 00.000.000/000191 – o documento apresentado não atenderia às especificações previstas na legislação tributária e que o informe de rendimentos apresentado para comprovar a retenção da fonte Pars Prod. de Proc. de Dados Ltda. – CNPJ 27.626.290/000130, se referiria ao ano calendário 2001, que não é objeto do pleito. Diante dos valores de IRRF não comprovados o pleito foi indeferido. Notificada da decisão, em 21/03/2012, como demonstra a cópia do AR à fl. 177, apresentou a interessada em 18/04/2012, recurso voluntário. Nas razões de defesa informa que em 11/2003 recebeu rendimentos de ações que possuía da Telemar Norte Leste S/ARJ – CNPJ 33.000.118/000179, através do Banco do Brasil, ocasião em que essa instituição lhe creditou a importância líquida de IRRF e CPMF de R$ 51.931,65. Afirma que o único documento fornecido pela instituição dando conta dos rendimentos e valores retidos foi enviado a destempo e é aquele apresentado que consta dos autos e que explicitaria de forma clara os valores recebidos e retidos. Também as cópias das folhas 108 e 112 do Livro Diário demonstrariam a contabilização efetuada. Alega que se o documento fornecido pela instituição é irregular não poderia ela, recorrente, ser penalizada por obrigação de fazer de terceiro. Ao final pugna pelo acolhimento do recurso. Em sessão realizada em 10/04/2013 esta 1a.TE/3a.CAM/1a. SEÇÃO do CARF converteu o julgamento na realização de diligência. Como resultado, foram anexados novos documentos aos autos e as conclusões do trabalho foram deduzidas no “Relatório Fiscal” juntado às fls. 289/290 do processo digital, do qual foi cientificada a recorrente em 17/10/2013 (AR. Fl. 293 do p.d.). Concluída a diligência, retornam os autos para julgamento. É o relatório. Fl. 297DF CARF MF Impresso em 28/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/04/2014 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 23/04/ 2014 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ 4 Voto Conselheira Maria de Lourdes Ramirez, Relatora. O recurso é tempestivo. Dele tomo conhecimento. Como se verifica dos autos tratase de PERDCOMP pelo qual pretende, a interessada, o reconhecimento de direito creditório relativo a saldo negativo de IRPJ do ano calendário 2003, no valor de R$ 156.294,89, que seria oriundo unicamente do IRRF. A DRF de origem confirmou somente a parcela de R$ 146.547,51, reconheceu essa parcela como direito creditório e homologou, parcialmente, as compensações, até o limite do crédito reconhecido. Irresignada a interessada apresentou documentos a fim de comprovar a retenção da parcela não reconhecida, de R$ 9.747,38, composta pelas retenções efetuadas pelo Banco do Brasil CNPJ 00.000.000/000191, no valor de R$ 9.461,22 e pela Pars Prod. De Proc. De Dados Ltda. – CNPJ 27.626.290/000130, no valor de R$ 286,16. A DRJ em Belo Horizonte analisou os documentos e verificou que a retenção do valor de R$ 286,16 feita pela Proc. de Dados Ltda. – CNPJ 27.626.290/000130, se refere ao anocalendário 2001, razão pela qual não pode ser aproveitada na composição do saldo negativo de IRPJ do anocalendário 2003. Os documentos apresentados para comprovar os rendimentos e retenções feitos pelo Banco do Brasil não foram aceitos, pois não são comprovantes de rendimentos, nos termos da legislação de regência, tratandose de mais propriamente de um extrato. Em razão do princípio de prova produzido pela defesa este colegiado converteu o julgamento na realização de diligência, a fim de que, o órgão de origem: (i) intimasse a instituição Banco do Brasil CNPJ 00.000.000/000191 a demonstrar, com documentos hábeis e idôneos, os valores de rendimentos pagos à recorrente, no anocalendário 2003, comprovando as retenções efetuadas; (ii) verificasse, junto à contabilidade da recorrente, se os rendimentos demonstrados como pagos pelo Banco do Brasil CNPJ 00.000.000/000191, foram oferecidos à tributação no respectivo anocalendário. Feita a diligência, a autoridade fiscal elaborou o “Relatório Fiscal” e concluiu: Fl. 298DF CARF MF Impresso em 28/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/04/2014 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 23/04/ 2014 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ Processo nº 10680.901614/201032 Acórdão n.º 1801001.938 S1TE01 Fl. 4 5 O CARF converteu em diligência o julgamento constante do presente processo. Feita a diligência solicitada à esta DRF, apurouse o seguinte resultado: (i) Da intimação feita ao Banco do Brasil resultou a confirmação da retenção sofrida pela Construtel, no código 6813, no valor total de R$ 9.461,22, pela Telemar Norte Leste S A . O rendimento correspondente foi de R$ 51.945,11 (ver fls. 247 a 266, e, em especial, as fls. 250 e 260); (ii) Da intimação feita à Contrutel, para que comprovasse o oferecimento à tributação dos rendimentos acima recebidos, a empresa afirmou que o rendimento bruto, na realidade, é de R$ 61.605,97 (valor confirmado à folha 260, onde consta resposta do Banco do Brasil à 2ª Intimação). Quanto a este rendimento, a empresa comprovou seu oferecimento à tributação, demonstrando no quadro de fl. 288 como foi formado o prejuízo fiscal apurado no exercício, estando cada conta registrada no Balanço Patrimonial, conforme a seguir: Descrição dos Grupos Valor Folha Eprocesso 1) Total Geral das Receitas 32.838.156,95 283 2) Total Geral das Despesas 18.903.012,71 281 3) Dividendos 61.605,97 270 4) Correção Monetária Depreciação 1,08 284 5) Total dos Ajustes 2.492.559,69 285 6) Total Geral dos Custos 23.671.835,77 286 = Prejuízo Fiscal 7.182.526,95 287 Verificase, assim, que a retenção da questionada parcela de IRRF relativa ao pelo Banco do Brasil, no valor de R$ 9.461,22, referente à Telemar Norte Leste S/A, foi confirmada pela diligência, assim como restou comprovado o oferecimento à tributação, pela recorrente, das receitas que deram origem à tal retenção. Quanto a outra parcela em litígio, correspondente ao IRRF no valor de R$ 286,16, da empresa Pars Prod. de Proc. de Dados Ltda. – CNPJ 27.626.290/000130, tratando se de retenção sofrida no anocalendário 2001, não pode integrar a composição do saldo negativo apurado no anocalendário 2003. A vista do exposto encaminho meu voto no sentido de dar provimento parcial ao recurso voluntário para reconhecer a favor da recorrente a parcela do direito creditório em Fl. 299DF CARF MF Impresso em 28/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/04/2014 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 23/04/ 2014 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ 6 litígio, no valor de R$ 9.461,22, e homologar as compensações declaradas até o limite do crédito ora reconhecido. (assinado digitalmente) Maria de Lourdes Ramirez – Relatora Fl. 300DF CARF MF Impresso em 28/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/04/2014 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 23/04/ 2014 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ
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