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Numero do processo: 12268.000061/2007-08
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Dec 13 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Mon Jan 30 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/04/2002 a 31/05/2007
CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. DECADÊNCIA. DECISÃO DEFINITIVA DO STJ SOBRE A MATÉRIA. AUSÊNCIA DE PAGAMENTO. DECADÊNCIA ART. 173, I DO CTN.
O Superior Tribunal de Justiça em decisão vinculante - Resp nº 973.733/SC, firmou entendimento de que a homologação do art. 150, §4º do CTN refere-se ao pagamento antecipado realizado pelo contribuinte.
Hipótese em que, não havendo nos autos comprovação do pagamento do tributo, ainda que parcial, deve-se aplicar a decadência segundo a norma do art. 173, I do CTN.
APLICAÇÃO DE PENALIDADE. PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENIGNA. LEI Nº 8.212/1991, COM A REDAÇÃO DADA PELA MP 449/2008, CONVERTIDA NA LEI Nº 11.941/2009.
Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre dispositivos, percentuais e limites. É necessário, antes de tudo, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto que sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta.
Havendo lançamento apenas da obrigação principal, a retroatividade benigna será aplicada se, na liquidação do acórdão, a penalidade anterior à vigência da MP 449, de 2008, ultrapassar a multa do art. 35-A da Lei n° 8.212/91, correspondente aos 75% previstos no art. 44 da Lei n° 9.430/96.
Recurso Especial da Fazenda Provido
Numero da decisão: 9202-005.105
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, por maioria de votos, em dar-lhe provimento, vencida a conselheira Patrícia da Silva, que lhe deu provimento parcial.
(assinado digitalmente)
Luiz Eduardo de Oliveira Santos - Presidente em exercício
(assinado digitalmente)
Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri - Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, Gerson Macedo Guerra e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri.
Nome do relator: RITA ELIZA REIS DA COSTA BACCHIERI
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DECADÊNCIA. RETROATIVIDADE BENIGNA. FATO GERADOR ANTERIOR A MP 449/2008, CONVERTIDA NA LEI 11.941/2009 Recorrente FAZENDA NACIONAL Interessado SIAL CONSTRUÇÕES CIVIS LTDA ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/04/2002 a 31/05/2007 CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. DECADÊNCIA. DECISÃO DEFINITIVA DO STJ SOBRE A MATÉRIA. AUSÊNCIA DE PAGAMENTO. DECADÊNCIA ART. 173, I DO CTN. O Superior Tribunal de Justiça em decisão vinculante Resp nº 973.733/SC, firmou entendimento de que a homologação do art. 150, §4º do CTN refere se ao pagamento antecipado realizado pelo contribuinte. Hipótese em que, não havendo nos autos comprovação do pagamento do tributo, ainda que parcial, devese aplicar a decadência segundo a norma do art. 173, I do CTN. APLICAÇÃO DE PENALIDADE. PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENIGNA. LEI Nº 8.212/1991, COM A REDAÇÃO DADA PELA MP 449/2008, CONVERTIDA NA LEI Nº 11.941/2009. Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre dispositivos, percentuais e limites. É necessário, antes de tudo, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto que sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. Havendo lançamento apenas da obrigação principal, a retroatividade benigna será aplicada se, na liquidação do acórdão, a penalidade anterior à vigência da MP 449, de 2008, ultrapassar a multa do art. 35A da Lei n° 8.212/91, correspondente aos 75% previstos no art. 44 da Lei n° 9.430/96. Recurso Especial da Fazenda Provido AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 12 26 8. 00 00 61 /2 00 7- 08 Fl. 498DF CARF MF 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, por maioria de votos, em darlhe provimento, vencida a conselheira Patrícia da Silva, que lhe deu provimento parcial. (assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos Presidente em exercício (assinado digitalmente) Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, Gerson Macedo Guerra e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri. Relatório Contra o Contribuinte lavrouse Notificação Fiscal de Lançamento de Débito por meio da qual foi apurado e constituído crédito para a Secretaria da Receita Federal do Brasil, relativo à retenção de 11% (onze por cento) de Contribuição Previdenciária, incidente sobre notas fiscais/faturas de prestação de serviços emitidas por empresas prestadoras de serviço, contra a autuada, no período de 04/2002 a 05/2007. Relatório fiscal de fls. 74/79. Esclareceu a Autoridade Fiscal que todos os valores lançados na NFLD não foram reconhecidos pela empresa notificada, como passíveis de sofrer a retenção de 11% (onze por cento). Entretanto, esta deixou de apresentar os contratos celebrados com as prestadoras de serviço, impossibilitando a conclusão sobre o tipo de serviço prestado. O Contribuinte foi intimado pessoalmente em 12/11/2007 e apresentou impugnação (fls. 222/280) a qual julgada improcedente pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Curitiba. Contra a decisão foi interposto Recurso Voluntário de fls. 307/375 reiterando todos os pontos levados na impugnação, acrescentando que a multa de mora prevista no art.35 da Lei n 8.212/91 seria inconstitucional. Por meio do acórdão nº 2403000.768 a 4ª Câmara / 3ª Turma Ordinária da 2ª Seção de Julgamento deste Conselho decidiu, nas preliminares, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, reconhecendo a decadência das competências 04/2002 a 10/2002 com base no art.150, §4° do CTN; e no mérito, por maioria de votos em dar provimento parcial ao recurso, de modo que a cobrança seja mantida com o recálculo da multa Fl. 499DF CARF MF Processo nº 12268.000061/200708 Acórdão n.º 9202005.105 CSRFT2 Fl. 499 3 de mora previsto no art.35, caput, da Lei n 8.212/91, com base na redação dada pela Lei n 11.941/2009, prevalecendo a mais benéfica ao contribuinte. O acórdão recebeu a seguinte ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/04/2002 a 31/05/2007 PRELIMINARMENTE. DECADÊNCIA PARCIAL. QUINQUENAL. SÚMULA VINCULANTE N 8. CONTRIBUIÇÃO SOCIAL PREVIDENCIÁRIA. TRIBUTO SUJEITO AO LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. APLICAÇÃO. ART.150, § 4º. CÓDIGO TRIBUTÁRIO NACIONAL. O STF, em julgamento proferido em 12 de junho de 2008, declarou a inconstitucionalidade do art. 45 da Lei n º 8.212/1991. Após, editou a Súmula Vinculante n º 8, publicada em 20.06.2008, nos seguintes termos:“São inconstitucionais os parágrafo único do artigo 5º do Decretolei 1569/77 e os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário”. Nos termos do art. 103A da Constituição Federal, as Súmulas Vinculantes aprovadas pelo Supremo Tribunal Federal, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terão efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal. Tratandose de contribuição social previdenciária, tributo sujeito ao lançamento por homologação, aplicase a decadência do art. 150, § 4º do Código Tributário Nacional. REGIMENTO INTERNO DO CARF. ART.62A. VINCULAÇÃO À DECISÃO DO SUPERIOR TRIBUNAL DE JUSTIÇA. RESP N 973.733/SC. TRIBUTO SUJEITO AO LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. OBRIGATORIEDADE DE RECOLHIMENTO. INEXISTÊNCIA. APLICAÇÃO DO ART.173, I , CTN. Considerando a exigência prevista no Regimento Interno do CARF no art.62A, esse Conselho deve reproduzir as decisões do Superior Tribunal de Justiça proferidas em conformidade com o art.543C do Código de Processo Civil. No caso de decadência de tributo sujeito ao lançamento por homologação, o RESP n 973.733/SC decidiu que o art.150,§ 4º do Código Tributário Nacional só será aplicado quando for constada a ocorrência de recolhimento antecipado, caso contrário, será aplicado o art.173, I, do Código Tributário Nacional. MPF. PRORROGAÇÃO. IRREGULARIDADE. NÃO CONSTATADA. Fl. 500DF CARF MF 4 Tratandose o Mandado de Procedimento Fiscal de uma ferramenta interna utilizada pela fiscalização, sua prorrogação pode ocorrer quantas vezes for necessária para que seja verificada a ocorrência do fato gerador da obrigação tributaria fiscalizada, não havendo necessidade do sujeito passivo ser notificado deste ato, que não produz nenhuma irregularidade. CORRESPONSÁVEIS. SÓCIOS. NOTIFICAÇÃO FISCAL. SIMPLES INDICAÇÃO. AUSÊNCIA DE VÍCIO. A indicação de sócios na Notificação Fiscal não pode ser interpretada como conduta prejudicial ao sujeito passivo, tendo em vista que tal ato constitui em simples relação dos sócios da empresa à época da autuação, não havendo qualquer tipo de consequência para esses sóciosgerentes, o que só ocorrerá em sede de execução fiscal, após serem preenchidos os requisitos legais autorizadores. CESSÃO DE MÃODEOBRA. DEFINIÇÃO LEGAL. LEI 8.212/91. CONSTATAÇÃO.RETENÇÃO 11% SOBRE O VALOR BRUTO DA NOTA FISCAL OU FATURA DE SERVIÇOS. LEGALIDADE E CONSTITUCIONALIDADE A cessão de mãodeobra é conceituada segundo a Lei n 8.212/91, e que, uma vez constatada, obriga o contratante de serviços, executados mediante cessão de mãodeobra, a reter 11% (onze por cento) do valor bruto da nota fiscal ou fatura de serviços, nos termos do art. 31 da Lei 8.212/91, na redação da Lei n.º 9.711/98, sistemática interpretada como legal e constitucional pelos Tribunais Superiores. Recurso Voluntário Provido em Parte. A Fazenda Nacional interpôs recurso especial questionando duas matérias: 1) Decadência: diante da inexistência de pagamento antecipado das contribuições previdenciárias referentes às rubricas lançadas, individualmente consideradas, o prazo para constituição do respectivo crédito tributário regese pelo contido no art. 173, I do CTN. 2) Multa: o critério adotado na aplicação do princípio da retroatividade benigna previsto no artigo 106, inciso II, alínea “c”, do CTN, em face das penalidades aplicadas às contribuições previdenciárias, previstas na Lei nº 8.212/1991, com as alterações promovidas pela MP 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009. Requer seja dado total provimento ao recurso a fim de que prevaleça o entendimento de que deve ser verificada qual a norma mais benéfica ao contribuinte: se a multa anterior (art. 35, II, da norma revogada) ou o art. 35A da MP nº 449/2008, atualmente convertida na Lei nº 11.941/2009. O Contribuinte apresentou contrarrazões e Recurso Especial ao qual foi negado seguimento nos termos do despacho de admissibilidade. É o relatório. Fl. 501DF CARF MF Processo nº 12268.000061/200708 Acórdão n.º 9202005.105 CSRFT2 Fl. 500 5 Voto Conselheira Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri Relatora O Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional é tempestivo e atende aos demais pressupostos de admissibilidade, portanto deve ser conhecido. Vejamos cada uma das matérias devolvidas a esse Colegiado. Da decadência: No que tange ao reconhecimento da decadência, lembramos que a autuação referese a NFLD por meio da qual foi apurado e constituído crédito para a Secretaria da Receita Federal do Brasil, relativo à retenção de 11% (onze por cento) de Contribuição Previdenciária incidente sobre notas fiscais/faturas de prestação de serviços emitidas por empresas prestadoras de serviço, contra a autuada, no período de 04/2002 a 05/2007. Contribuinte foi intimado em 12/11/2007 (fls. 01). Discutese por meio do presente recurso se haveria nos autos comprovação de pagamento, ainda que parcial, do tributo cobrado. Tal discussão é relevante na medida em que, após exaustivo debate, a jurisprudência se posicionou no sentido de que para aqueles tributos classificados na modalidade de lançamento por homologação o prazo decadencial aplicável é o do art. 150, §4º do CTN, salvo nas hipóteses em que o contribuinte tenha agido com dolo, fraude ou simulação, ou se restar comprovado que não ocorreu a antecipação de pagamento. O Superior Tribunal de Justiça em decisão vinculante Resp nº 973.733/SC, firmou entendimento de que a homologação do art. 150, §4º do CTN referese ao pagamento antecipado realizado pelo contribuinte, nas palavras do Ministro Luiz Fux: "Assim é que o prazo decadencial qüinqüenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito". Referido julgado recebeu a seguinte ementa: PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. DECADÊNCIA DO DIREITO DE O FISCO CONSTITUIR O CRÉDITO TRIBUTÁRIO. TERMO INICIAL. ARTIGO 173, I, Fl. 502DF CARF MF 6 DO CTN. APLICAÇÃO CUMULATIVA DOS PRAZOS PREVISTOS NOS ARTIGOS 150, § 4º, e 173, do CTN. IMPOSSIBILIDADE. 1. O prazo decadencial qüinqüenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito (Precedentes da Primeira Seção: REsp 766.050/PR, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 28.11.2007, DJ 25.02.2008; AgRg nos EREsp 216.758/SP, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.03.2006, DJ 10.04.2006; e EREsp 276.142/SP, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 13.12.2004, DJ 28.02.2005). 2. É que a decadência ou caducidade, no âmbito do Direito Tributário, importa no perecimento do direito potestativo de o Fisco constituir o crédito tributário pelo lançamento, e, consoante doutrina abalizada, encontrase regulada por cinco regras jurídicas gerais e abstratas, entre as quais figura a regra da decadência do direito de lançar nos casos de tributos sujeitos ao lançamento de ofício, ou nos casos dos tributos sujeitos ao lançamento por homologação em que o contribuinte não efetua o pagamento antecipado (Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 163/210). 3. O dies a quo do prazo qüinqüenal da aludida regra decadencial regese pelo disposto no artigo 173, I, do CTN, sendo certo que o "primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado" corresponde, iniludivelmente, ao primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível, ainda que se trate de tributos sujeitos a lançamento por homologação, revelandose inadmissível a aplicação cumulativa/concorrente dos prazos previstos nos artigos 150, § 4º, e 173, do Codex Tributário, ante a configuração de desarrazoado prazo decadencial decenal (Alberto Xavier, "Do Lançamento no Direito Tributário Brasileiro", 3ª ed., Ed. Forense, Rio de Janeiro, 2005, págs. 91/104; Luciano Amaro, "Direito Tributário Brasileiro", 10ª ed., Ed. Saraiva, 2004, págs. 396/400; e Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 183/199). (...) 7. Recurso especial desprovido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008. (destaques do original) A doutrina se manifestava neste mesmo sentido, valendo citar o posicionamento da Doutora Christiane Mendonça, no artigo intitulado "Decadência e Prescrição em Matéria Tributária", publicado livro Curso de Especialização em Direito Tributário: estudos analíticos em homenagem a Paulo de Barros Carvalho, editora Forense: Fl. 503DF CARF MF Processo nº 12268.000061/200708 Acórdão n.º 9202005.105 CSRFT2 Fl. 501 7 Nos lançamentos por homologação o prazo de cinco anos é contado da data da ocorrência do fato gerador, art. 150, §4º. Ocorre que quando o contribuinte não cumpre o seu dever de produzir a norma individual e concreta e de pagar tributo, compete à autoridade administrativa, segundo art. 149, IV do CTN efetuar o lançamento de ofício. Dessa forma, consideramos apressada a afirmação genérica que sempre que for lançamento por homologação o prazo será contado a partir da ocorrência do fato gerador, pois não é sempre, dependerá se houve ou não pagamento antecipado. Caso não haja o pagamento antecipado, não há o que se homologar e, portanto, caberá ao Fisco promover o lançamento de ofício, submetendose ao prazo do art. 173, I do CTN. Nesse sentido, explica Sacha Colmon Navarro Coelho: "A solução do dia primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado aplicase ainda aos impostos sujeitos a homologação do pagamento na hipótese de não ter ocorrido pagamento antecipado... Se tal não houve, não há o que se homologar." Também a jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça é firme no mesmo sentido de que na hipótese de ausência de pagamento de tributo sujeito a lançamento por homologação, o prazo decadencial para constituição do crédito tributário segue a regra do art. 173, I do CTN, contandose os cinco a anos a partir do primeiro dia do exercício seguinte àquele em o lançamento poderia ter sido efetuado. Destacase que tendo o REsp nº 973.733/SC sido julgado sob a sistemática do Recurso Repetitivo deve este Conselho, por força do art. 62, §2º do seu Regimento Interno, reproduzir tal entendimento em seus julgados. Ocorre que, embora não haja mais dúvidas de que para se considerar a data do fato gerador como termo inicial da decadência é necessário verificar acerca da ocorrência de antecipação do pagamento do tributo, permanece sob debate qual seria a abrangência do termo 'pagamento' adotado por aquele Tribunal Superior. Em outras palavras, quais pagamentos realizados pelo contribuinte devem ser considerados para fins de aplicação do art. 150, §4º do CTN? No que tange as contribuições previdenciárias entendo que a resposta já foi construída por este Conselho quando da edição da Súmula CARF nº 99, que dispõe: Súmula CARF nº 99: Para fins de aplicação da regra decadencial prevista no art. 150, § 4°, do CTN, para as contribuições previdenciárias, caracteriza pagamento antecipado o recolhimento, ainda que parcial, do valor considerado como devido pelo contribuinte na competência do fato gerador a que se referir a autuação, mesmo que não tenha sido incluída, na base de cálculo deste recolhimento, parcela relativa a rubrica especificamente exigida no auto de infração. Embora a referida Súmula não seja aplicada ao caso pois a mesma contempla lançamento cujo objeto é cobrança da Contribuição Social incidente sobre Fl. 504DF CARF MF 8 pagamentos de salários tidos como indiretos o entendimento ali exposto é compatível com o caso em questão. Assim, a verificação da ocorrência de pagamento para fins de atração da regra o art. 150, §4º do CTN deve se dar pela análise de ter o contribuinte recolhido ao longo do período autuado contribuição previdenciária decorrente do mesmo fato gerador objeto do lançamento, ainda que os respectivos recolhimentos não se refiram propriamente aos fatos cujas hipóteses de incidência tenham sido questionadas pela fiscalização. Devese entender por 'mesmo fato gerador' as hipóteses de incidência que possuem identidade entre os critérios que compõem a respectiva regra matriz de incidência, ou seja, tributo previsto no mesmo dispositivo legal com coincidência de sujeito passivo e base de cálculo, ainda que esta última não tenha sido quantificada corretamente. Ora a contribuição previdenciária devida em razão da contratação de serviços mediante cessão de mão de obra é tributo recolhido na condição de substituto tributário (pagamento em favor de terceiros) e portanto possuiu fato gerador distinto da contribuição eventualmente devida e recolhida pelo Contribuinte em relação aos seus segurados com ou sem vínculo de emprego. Assim eventual adimplemento dessa última se quer seria suficiente para atrair a regra decadencial prevista pelo art. 150, §4º do CTN. Destacamos que também não há nos autos provas de que os valores cobrados foram efetivamente ou parcialmente recolhidos pelas empresas prestadoras dos serviços, fato ao meu ver seria relevante e justificaria a aplicação do art. 150, §4º do CTN. Assim, diante da total ausência de provas quanto ao recolhimento do tributo lançado, o início da contagem do prazo decadencial deverá ser postergado para o primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o referido lançamento poderia ser efetuado, nos termos do art. 173, I do CTN. No presente caso considerando que o lançamento compreende o período de 01/04/2002 a 31/05/2007 e que o Contribuinte foi intimado em 12/112007, não há que se falar em decadência. Da multa: Afastada a decadência, nos resta a discussão acerca do critério adotado pelo Colegiado a quo em relação a retroatividade das penalidades aplicadas às contribuições previdenciárias, previstas na Lei nº 8.212/1991, com as alterações promovidas pela MP nº 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009, quando mais benéfica ao sujeito passivo. Cingese a controvérsia às penalidades aplicadas às contribuições previdenciárias, previstas na Lei nº 8.212/1991, com as alterações promovidas pela MP nº 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009, quando mais benéfica ao sujeito passivo. A solução do litígio decorre do disposto no artigo 106, inciso II, alínea “a” do CTN, a seguir transcrito: Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: I em qualquer caso, quando seja expressamente interpretativa, excluída a aplicação de penalidade à infração dos dispositivos interpretados; Fl. 505DF CARF MF Processo nº 12268.000061/200708 Acórdão n.º 9202005.105 CSRFT2 Fl. 502 9 II tratandose de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de definilo como infração; b) quando deixe de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. (grifos acrescidos) Apesar de não ter sido o entendimento inicial desta relatora, após exaustivos debates sobre o tema, a Câmara Superior de Recursos Fiscais (CSRF) pacificou o entendimento de que na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre dispositivos, percentuais e limites. É necessário, basicamente, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. Assim, a multa de mora prevista no art. 61 da Lei nº 9.430, de 1996, não é aplicável quando realizado o lançamento de ofício, conforme consta do Acórdão nº 9202004.262 (Sessão de 23 de junho de 2016), cuja ementa transcrevese: AUTO DE INFRAÇÃO OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA MULTA APLICAÇÃO NOS LIMITES DA LEI 8.212/91 C/C LEI 11.941/08 APLICAÇÃO DA MULTA MAIS FAVORÁVEL RETROATIVIDADE BENIGNA NATUREZA DA MULTA APLICADA. A multa nos casos em que há lançamento de obrigação principal lavrados após a MP 449/2008, convertida na lei 11.941/2009, mesmo que referente a fatos geradores anteriores a publicação da referida lei, é de ofício. AUTO DE INFRAÇÃO DE OBRIGAÇÃO PRINCIPAL E ACESSÓRIA COMPARATIVO DE MULTAS APLICAÇÃO DE PENALIDADE. RETROATIVIDADE BENIGNA. Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre percentuais e limites. É necessário, basicamente, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. Se as multas por descumprimento de obrigações acessória e principal foram exigidas em procedimentos de ofício, ainda que em separado, incabível a aplicação retroativa do art. 32A, da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009, eis que esta última estabeleceu, em seu art. 35 A, penalidade única combinando as duas condutas. Assim, é entendimento pacífico deste Colegiado que na hipótese de lançamento apenas de obrigação principal, a retroatividade benigna será aplicada se, na liquidação do acórdão, a penalidade anterior à vigência da MP 449, de 2008, ultrapassar a multa do art. 35A da Lei n° 8.212/91, correspondente aos 75% previstos no art. 44 da Lei n° 9.430/96. Fl. 506DF CARF MF 10 Para ilustrar o entendimento cito, os fundamentos do voto proferido pela Ilustre Conselheira Maria Helena Cotta Cardozo, no acórdão nº 9202003.909, os quais adoto como razões de decidir: No presente caso, os fatos geradores ocorreram à luz de legislação posteriormente alterada, de sorte que a aferição acerca de eventual retroatividade benigna deve ser levada a cabo mediante comparação da redação da Lei nº 8.212, de 1991, à época dos fatos geradores, com a sua nova redação, conferida pela Medida Provisória nº 449, de 2008, convertida na Lei nº 11.941, de 2009: Redação da Lei nº 8.212, de 1991, à época dos fatos geradores “Art. 35. Sobre as contribuições sociais em atraso, arrecadadas pelo INSS, incidirá multa de mora, que não poderá ser relevada, nos seguintes termos: (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). I para pagamento, após o vencimento de obrigação não incluída em notificação fiscal de lançamento: a) oito por cento, dentro do mês de vencimento da obrigação; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). b) quatorze por cento, no mês seguinte; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). c) vinte por cento, a partir do segundo mês seguinte ao do vencimento da obrigação; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). II para pagamento de créditos incluídos em notificação fiscal de lançamento: a) vinte e quatro por cento, em até quinze dias do recebimento da notificação; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). b) trinta por cento, após o décimo quinto dia do recebimento da notificação; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). c) quarenta por cento, após apresentação de recurso desde que antecedido de defesa, sendo ambos tempestivos, até quinze dias da ciência da decisão do Conselho de Recursos da Previdência Social CRPS; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). d) cinqüenta por cento, após o décimo quinto dia da ciência da decisão do Conselho de Recursos da Previdência Social CRPS, enquanto não inscrito em Dívida Ativa; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). III para pagamento do crédito inscrito em Dívida Ativa: a) sessenta por cento, quando não tenha sido objeto de parcelamento; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). Fl. 507DF CARF MF Processo nº 12268.000061/200708 Acórdão n.º 9202005.105 CSRFT2 Fl. 503 11 b) setenta por cento, se houve parcelamento; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). c) oitenta por cento, após o ajuizamento da execução fiscal, mesmo que o devedor ainda não tenha sido citado, se o crédito não foi objeto de parcelamento; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). d) cem por cento, após o ajuizamento da execução fiscal, mesmo que o devedor ainda não tenha sido citado, se o crédito foi objeto de parcelamento. (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). § 1º Na hipótese de parcelamento ou reparcelamento, incidirá um acréscimo de vinte por cento sobre a multa de mora a que se refere o caput e seus incisos. (Revogado pela Medida Provisória nº 449, de 2008) (Revogado pela Lei nº 11.941, de 2009) § 2º Se houver pagamento antecipado à vista, no todo ou em parte, do saldo devedor, o acréscimo previsto no parágrafo anterior não incidirá sobre a multa correspondente à parte do pagamento que se efetuar.(Revogado pela Medida Provisória nº 449, de 2008) (Revogado pela Lei nº 11.941, de 2009) § 3º O valor do pagamento parcial, antecipado, do saldo devedor de parcelamento ou do reparcelamento somente poderá ser utilizado para quitação de parcelas na ordem inversa do vencimento, sem prejuízo da que for devida no mês de competência em curso e sobre a qual incidirá sempre o acréscimo a que se refere o § 1º deste artigo.(Revogado pela Medida Provisória nº 449, de 2008) (Revogado pela Lei nº11.941, de 2009) § 4o Na hipótese de as contribuições terem sido declaradas no documento a que se refere o inciso IV do art. 32, ou quando se tratar de empregador doméstico ou de empresa ou segurado dispensados de apresentar o citado documento, a multa de mora a que se refere o caput e seus incisos será reduzida em cinqüenta por cento.” (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). Lei nº 8.212, de 1991, com as alterações da Medida Provisória nº 449, de 2008, convertida na Lei nº 11.941, de 2009: “Art. 35. Os débitos com a União decorrentes das contribuições sociais previstas nas alíneas a, b e c do parágrafo único do art. 11 desta Lei, das contribuições instituídas a título de substituição e das contribuições devidas a terceiros, assim entendidas outras entidades e fundos, não pagos nos prazos previstos em legislação, serão acrescidos de multa de mora e juros de mora, nos termos do art. 61 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996. (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009). Fl. 508DF CARF MF 12 (...) Art. 35A. Nos casos de lançamento de ofício relativos às contribuições referidas no art. 35 desta Lei, aplicase o disposto no art. 44 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996.” Esclareçase que, independentemente da denominação que se dê à penalidade, há que se perquirir acerca do seu caráter material, e nesse sentido não há dúvida de que, mesmo na antiga redação do art. 35, da Lei nº 8.212, de 1991, estavam ali descritas multas de mora e multas de ofício. As primeiras, cobradas com o tributo recolhido após o vencimento, porém espontaneamente. As últimas, cobradas quando do pagamento por força de ação fiscal, tal como ocorria com os demais tributos federais, nos lançamentos de ofício. Além disso, tanto os demais tributos como as contribuições previdenciárias têm seu regramento básico estabelecido pelo Código Tributário Nacional, que não só determina que a exigência tributária tem de ser formalizada por meio de lançamento, como também especifica as respectivas modalidades: lançamento por homologação, lançamento por declaração e lançamento de ofício. Cada uma dessas modalidades está ligada ao grau de colaboração verificado por parte do sujeito passivo. No caso dos tributos e contribuições federais, foi adotado de forma genérica o lançamento por homologação, que atribui ao sujeito passivo o dever de calcular o valor devido e efetuar o seu recolhimento, independentemente de prévia ação por parte da Autoridade Administrativa. Por outro lado, se o sujeito passivo deixa de cumprir com essas obrigações, o Fisco pode exigir o tributo por meio de lançamento de ofício. Nesta sistemática, qualquer que seja o tributo ou contribuição, e independentemente da denominação atribuída ao lançamento, claramente são visualizadas duas formas de recolhimento fora do prazo estabelecido: aquele efetuado espontaneamente, passível de aplicação de multa de mora; e aquele efetuado por força de ação fiscal, aplicável aí a multa de ofício, mais onerosa. Assim, embora a antiga redação do artigo 35, da Lei nº 8.212, de 1991, tenha utilizado apenas a expressão “multa de mora” para as contribuições previdenciárias, não há dúvida de que os incisos componentes do dispositivo legal já continham a descrição das duas condutas tipificadas nos dispositivos legais que regulavam os demais tributos federais: pagamento espontâneo e pagamento efetuado por força de ação fiscal, conforme os ditames do CTN. Nesse sentido, para aplicação da retroatividade benigna com base no art. 106 do CTN, quando da execução do julgado deverá a autoridade preparadora comparar a multa do art. 35, II da Lei nº 8.212/91 (com a redação dada pela Lei nº 9.876/99) e a 'nova' multa prevista no art. 35A a qual nos remete ao art. 44 da Lei nº 9.430/96. Diante de todo o exposto dou provimento ao Recurso da Fazenda para afastar a decadência e determinar a aplicação, se for mais benéfico ao contribuinte, da multa prevista no art. 34A da Lei nº 8.212/91. Fl. 509DF CARF MF Processo nº 12268.000061/200708 Acórdão n.º 9202005.105 CSRFT2 Fl. 504 13 (assinado digitalmente) Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri Fl. 510DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13971.722505/2011-54
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Dec 14 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Mon Jan 02 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Importação - II
Data do fato gerador: 21/06/2006
DECADÊNCIA. INFRAÇÕES ADUANEIRAS. NORMA ESPECIAL.
Em se tratando de infrações aduaneiras, a decadência segue o regramento especial previsto no art. 139 do Decreto-lei nº 37/66, que dispõe que o prazo de decadência para impor penalidades é de 5 anos a contar da data da ocorrência da infração.
MULTA REGULAMENTAR DO IPI. CONSUMO. INTRODUÇÃO REGULAR. CONFLITO APARENTE DE NORMAS.
A multa regulamentar pela introdução irregular ou clandestina de mercadorias estrangeiras no País, prevista no art. 87, I, da Lei nº 4.502/64, tem caráter residual, somente sendo aplicável na hipótese de não haver tipificação mais específica. No caso, tendo ocorrido hipótese de subfaturamento, revela-se mais específica a infração punível com a multa administrativa pela diferença entre o preço declarado e o preço praticado.
DANO AO ERÁRIO. OCULTAÇÃO DO RESPONSÁVEL PELA OPERAÇÃO. DESNECESSIDADE DE COMPROVAÇÃO DO EFETIVO PREJUÍZO AO ERÁRIO.
O dano ao Erário é presumido quando se configura as infrações tipificadas no art. 23, V, do Decreto-lei nº 1.455/76, não havendo necessidade de se comprovar o efetivo prejuízo ao Erário. Tendo ocorrido o cometimento da infração de ocultação do sujeito passivo, do real vendedor, comprador ou de responsável pela operação, mediante fraude ou simulação, inclusive a interposição fraudulenta de terceiros na importação, veiculada pelo art. 23, V, do Decreto-lei nº 1.455, de 1976, está caracterizado o dano ao Erário.
SUJEIÇÃO PASSIVA SOLIDÁRIA. EFEITOS.
Responde pela infração, conjunta ou isoladamente, quem quer que, de qualquer forma, concorra para sua prática ou dela se beneficie, bem como o adquirente de mercadoria de procedência estrangeira, por intermédio de pessoa jurídica importadora.
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 3402-003.674
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, não tomar conhecimento do recurso voluntário interposto pelos responsáveis solidários Érica Debossan Reinert e Caio Marcelo Debossan em conjunto com a D&A, em virtude de sua intempestividade. Vencidos os Conselheiros Diego Diniz Ribeiro, Thais de Laurentiis Galkowicz e Carlos Augusto Daniel Neto, que votaram no sentido de conhecer desse recurso e dar provimento integral. Quanto aos recursos voluntários tempestivos, pelo voto de qualidade, deu-se provimento parcial da seguinte forma: (i) para exonerar a multa pelo consumo de mercadorias estrangeiras introduzidas fraudulentamente no país, prevista no art. 83, I, da Lei nº 4.502/64; (ii) em face da decadência, exonerar, parcialmente, a "multa administrativa decorrente do subfaturamento" e à "multa equivalente ao perdimento em face da interposição fraudulenta", exonerando-se a parcela relativa à importação registrada até 23/11/2006 (no caso a DI nº 06/0897931-1, 2052, registrada em 01/ago/06, no valor de R$ 3.546,05; e (iii) manter como responsáveis solidários a empresa R.S.I. TEXTIL LTDA e o Sr. CAIO MARCELO DEBOSSAN, CPF nº 936.292.659-87 e Sra. ÉRICA DEBOSSAN Reinert, CPF nº 919.869.829-04. Vencidos os Conselheiros Diego Diniz Ribeiro, Thais de Laurentiis Galkowicz, Maysa de Sá Pittondo Deligne e Carlos Augusto Daniel Neto que votaram no sentido de dar provimento integral. O Conselheiro Carlos Augusto Daniel Neto apresentou declaração de voto.
(assinado digitalmente)
Antonio Carlos Atulim - Presidente
(assinado digitalmente)
Waldir Navarro Bezerra - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Antonio Carlos Atulim, Jorge Olmiro Lock Freire, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Maria Aparecida Martins de Paula, Thais De Laurentiis Galkowicz, Waldir Navarro Bezerra, Diego Diniz Ribeiro e Carlos Augusto Daniel Neto.
Proferiu sustentação oral pela Recorrente o Dr. Nelson Antonio Reis Simas Júnior, OAB/SC nº 22.332.
Nome do relator: WALDIR NAVARRO BEZERRA
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 41; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2168; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C4T2 Fl. 1.076 1 1.075 S3C4T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 13971.722505/201154 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3402003.674 – 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 14 de dezembro de 2016 Matéria INFRAÇÃO ADUANEIRA Recorrente D&A COMERCIO E SERVICOS IMP. E EXP. LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A IMPORTAÇÃO II Data do fato gerador: 21/06/2006 DECADÊNCIA. INFRAÇÕES ADUANEIRAS. NORMA ESPECIAL. Em se tratando de infrações aduaneiras, a decadência segue o regramento especial previsto no art. 139 do Decretolei nº 37/66, que dispõe que o prazo de decadência para impor penalidades é de 5 anos a contar da data da ocorrência da infração. MULTA REGULAMENTAR DO IPI. CONSUMO. INTRODUÇÃO REGULAR. CONFLITO APARENTE DE NORMAS. A multa regulamentar pela introdução irregular ou clandestina de mercadorias estrangeiras no País, prevista no art. 87, I, da Lei nº 4.502/64, tem caráter residual, somente sendo aplicável na hipótese de não haver tipificação mais específica. No caso, tendo ocorrido hipótese de subfaturamento, revelase mais específica a infração punível com a multa administrativa pela diferença entre o preço declarado e o preço praticado. DANO AO ERÁRIO. OCULTAÇÃO DO RESPONSÁVEL PELA OPERAÇÃO. DESNECESSIDADE DE COMPROVAÇÃO DO EFETIVO PREJUÍZO AO ERÁRIO. O dano ao Erário é presumido quando se configura as infrações tipificadas no art. 23, V, do Decretolei nº 1.455/76, não havendo necessidade de se comprovar o efetivo prejuízo ao Erário. Tendo ocorrido o cometimento da infração de ocultação do sujeito passivo, do real vendedor, comprador ou de responsável pela operação, mediante fraude ou simulação, inclusive a interposição fraudulenta de terceiros na importação, veiculada pelo art. 23, V, do Decretolei nº 1.455, de 1976, está caracterizado o dano ao Erário. SUJEIÇÃO PASSIVA SOLIDÁRIA. EFEITOS. Responde pela infração, conjunta ou isoladamente, quem quer que, de qualquer forma, concorra para sua prática ou dela se beneficie, bem como o AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 97 1. 72 25 05 /2 01 1- 54 Fl. 1076DF CARF MF 2 adquirente de mercadoria de procedência estrangeira, por intermédio de pessoa jurídica importadora. Recurso Voluntário Provido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, não tomar conhecimento do recurso voluntário interposto pelos responsáveis solidários Érica Debossan Reinert e Caio Marcelo Debossan em conjunto com a D&A, em virtude de sua intempestividade. Vencidos os Conselheiros Diego Diniz Ribeiro, Thais de Laurentiis Galkowicz e Carlos Augusto Daniel Neto, que votaram no sentido de conhecer desse recurso e dar provimento integral. Quanto aos recursos voluntários tempestivos, pelo voto de qualidade, deuse provimento parcial da seguinte forma: (i) para exonerar a multa pelo consumo de mercadorias estrangeiras introduzidas fraudulentamente no país, prevista no art. 83, I, da Lei nº 4.502/64; (ii) em face da decadência, exonerar, parcialmente, a "multa administrativa decorrente do subfaturamento" e à "multa equivalente ao perdimento em face da interposição fraudulenta", exonerandose a parcela relativa à importação registrada até 23/11/2006 (no caso a DI nº 06/08979311, 2052, registrada em 01/ago/06, no valor de R$ 3.546,05; e (iii) manter como responsáveis solidários a empresa R.S.I. TEXTIL LTDA e o Sr. CAIO MARCELO DEBOSSAN, CPF nº 936.292.65987 e Sra. ÉRICA DEBOSSAN Reinert, CPF nº 919.869.82904. Vencidos os Conselheiros Diego Diniz Ribeiro, Thais de Laurentiis Galkowicz, Maysa de Sá Pittondo Deligne e Carlos Augusto Daniel Neto que votaram no sentido de dar provimento integral. O Conselheiro Carlos Augusto Daniel Neto apresentou declaração de voto. (assinado digitalmente) Antonio Carlos Atulim Presidente (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Antonio Carlos Atulim, Jorge Olmiro Lock Freire, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Maria Aparecida Martins de Paula, Thais De Laurentiis Galkowicz, Waldir Navarro Bezerra, Diego Diniz Ribeiro e Carlos Augusto Daniel Neto. Proferiu sustentação oral pela Recorrente o Dr. Nelson Antonio Reis Simas Júnior, OAB/SC nº 22.332. Relatório Tratase os presentes autos, de recurso voluntário interposto contra decisão da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em São Paulo I (DRJ/SP1), que julgou improcedente a impugnação da D&A COMERCIO E SERVIÇOS IMP. E EXP. LTDA (doravante denominada de D & A) e do responsável solidário R.S.I. TEXTIL LTDA e como responsáveis Solidários Pessoais (Sócios de Fato/Administradores da D&A), o Sr. CAIO MARCELO DEBOSSAN, CPF nº 936.292.65987 e Sra. ÉRICA DEBOSSAN REINERT, CPF nº 919.869.82904. Fl. 1077DF CARF MF Processo nº 13971.722505/201154 Acórdão n.º 3402003.674 S3C4T2 Fl. 1.077 3 O presente processo trata de auto de infração, lavrado em nome da Recorrente em 18/11/2011, sendo formalizado a exigência de multa do controle administrativo, multa proporcional ao valor aduaneiro, IPI e Contribuições para o PIS e Cofins, acrescidos de multa proporcional e juros de mora, além da multa regulamentar do IPI no valor de R$ 72.704,16, em virtude dos fatos a seguir descritos: (...) A fiscalização apurou que a empresa em epígrafe não é a real adquirente das mercadorias importadas através da Declarações de Importação nº 06/08979311, de 21/jul/06, 06/14437983 de 15/nov/06 e 07/04905242, de 30/mar/07, registradas em nome da empresa D&A COMERCIO E SERVICOS IMP E EXP LTDA. A empresa operava como interposta pessoa em comércio exterior para a empresa R.S.I. TEXTIL LTDA, praticando assim infração de ocultação do sujeito passivo, com previsão de pena de perdimento às mercadorias transacionadas. Face ao que determina o art. 23, c/c o §3º, do Decreto Lei n° 1.455, de 07 de abril de 1976, foi lavrado o presente Auto de Infração para a aplicação de multa equivalente ao valor aduaneiro das mercadorias importadas pela impossibilidade de apreensão de tais mercadorias. Como responsável solidário: R.S.I. TEXTIL LTDA. Como Responsáveis Solidários Pessoais (Sócios de Fato/Administradores da D&A): CAIO MARCELO DEBOSSAN, CPF 936.292.65987; e ÉRICA DEBOSSAN REINERT, CPF 919.869.82904. Cientificado do auto de infração, via Aviso de Recebimento, em 28/11/2011 (fls. 400, do processo digital), o contribuinte R.S.I. TEXTIL LTDA apresentou impugnação, de folhas 476 a 481, instaurando assim a fase litigiosa do procedimento. Alegou que: PRELIMINARMENTE. DA PROVA EMPRESTADA Como se verifica no auto de infração emitida investigação que deu origem ao processo administrativo supra citado tomou emprestadas provas r aduzidas no processo n° 2006.72.00.0105049 que tramita perante à Vara Federal Criminal de Florianópolis (SC), sendo que a prova em questão foi a interceptação de ligações telefônicas. Junta textos da doutrina de Guilherme de Souza Nucci a respeito do assunto. A impugnante não é parte na ação judicial em que foi deferida a produção da prova emprestada à Secretaria da Receita Federal do Brasil e utilizada pelos Auditores Fiscais quando de sua investigação sobre os fatos que deram origem ao auto de infração lavrado. Utilizar provas produzidas à revelia da impugnante significa ignorar a existência dos princípios do contraditório e da ampla defesa e também do devido processo legal. Fl. 1078DF CARF MF 4 Destarte, a autuação realizada não produz nenhum tipo de efeito perante a impugnante, não se podendo atribuir a ela qualquer tipo de atividade que contrarie o ordenamento jurídico vigente se as únicas provas relativas aos supostos ilícitos cometidos são documentos existentes em poder de terceiro. Assim sendo, nula é autuação feita contra a impugnante. Diante do exposto, requerse: . A anulação da autuação realizada com a conseqüente extinção do crédito tributário arbitrado no ato viciado; . A suspensão da exigibilidade do crédito tributário, com fundamento no art. 151, inciso III do Código Tributário Nacional; . Que todas as intimações sejam dirigidas aos advogados que esta subscrevem, sob pena de nulidade; . Provar o alegado por todos os meios de prova em direito admitidas, especialmente a pericial, documental (inclusive novos documentos que se fizerem necessários) e testemunhal, se for o caso. Cientificado do auto de infração, pessoalmente, em 24/11/2011 (fls. 467 do processo digital), os contribuintes D&A COMERCIO E SERVIÇOS IMP. E EXP. LTDA, CAIO MARCELO DEBOSSAN e ÉRICA DEBOSSAN REINERT protocolizaram impugnação conjunta, tempestivamente em 21/12/2011, na forma do artigo 56 do Decreto nº 7.574, de 2011, de fls. 485 à 551. Alegouse que: PRELIMINARMENTE. ILICITUDE E IMPRESTABILIDADE DAS PROVAS EMPRESTADAS AUSÊNCIA DE PROVAS NULIDADE DO AUTO DE INFRAÇÃO Os documentos e HDs apreendidos no Mandado de Busca e Apreensão jamais poderiam ter sido utilizados como provas para o presente procedimento fiscal, eis que: O compartilhamento dos documentos apreendidos (que jamais foram submetidos ao contraditório e ampla defesa), somente poderia ter sido realizado ao término do Inquérito Policial, o que até hoje não ocorreu; A grande maioria dos documentos apreendidos eram da empresa Debossan Despachos Aduaneiros e não da D&A Comércio Exterior, e; As Infrações apuradas no presente auto de infração não guardam qualquer relação com os crimes apurados no inquérito policial, razão pela qual se tornam imprestáveis para tanto. COMPARTILHAMENTO DE PROVAS INOBSERVÂNCIA DO CONTRADITÓRIO E DA AMPLA DEFESA INOBSERVÂNCIA DE CONDIÇÃO PARA O COMPARTILHAMENTO NULIDADE DO PROCEDIMENTO FISCAL Para fins de aplicação da pena de perdimento e da e das supostas infrações apontadas no Auto de Infração, a Autoridade Fiscal se valeu EXCLUSIVAMENTE de provas (invasão domiciliar para apreensão de documentos e quebra de sigilo Fl. 1079DF CARF MF Processo nº 13971.722505/201154 Acórdão n.º 3402003.674 S3C4T2 Fl. 1.078 5 bancário e telemático) que não merecem respaldo jurídico, vez que ilícitas. Qualquer prova obtida com violação a essas ou outras garantias ndi duais, constitucionalmente asseguradas, não podem ser admitidas. Junta textos da Jurisprudência Judicial a respeito do assunto: STF, Voto do Rel. Min. Ilmar Galvão na AP 3073DF, DJU 13/10/95. No caso concreto, as provas utilizadas foram "emprestadas" dos autos do INQUÉRITO POLICIAL N° 2006.72.00.081320 (2005.72.00.0134793)que tramita na Justiça Federal da Comarca de Florianópolis/SC. A D&A não faz parte daquele processo! Nunca teve acesso àqueles autos! Sequer lhe foi dado o direito ao contraditório e à ampla defesa sobre as provas colhidas naquele inquérito. Não merece qualquer respaldo jurídico a prova que não é submetida ao contraditório e à ampla defesa, devendo ser rechaçada, pois ilícita! Junta textos da Jurisprudência Administrativa a respeito da a validade da "Prova Emprestada". Tais provas, ainda que pudessem ser admitidas para o presente processo fiscal, somente poderiam ter sido utilizadas "após o sucesso das investigações policiais", ou seja, após o trânsito em julgado daquele processo, pois, sem isso, não se pode verificar o "sucesso" das investigações Outra irregularidade nas provas emprestadas. Conquanto o sigilo tenha sido quebrado "pelos últimos 5 anos" daquele despacho (digase, de 08/Ago/2000 a 08/Ago/2005). Verificase que as TODAS as provas juntadas ao presente processo fiscalizatório possuem datas POSTERIORES ao ano de 2005! Aliás, o próprio MPFF menciona que o período das apurações é de 2006 a 2008. ‘Logo, resta cristalino que a autoridade fiscal excedeu os poderes que lhe foram conferidos para a quebra dos sigilos daquelas empresas relacionadas no despacho judicial, evidenciando ainda mais a ilicitude da prova, imprestável, portanto, ao fim que se destina. Por essas razões, IMPUGNAMSE, desde já, TODAS as provas juntadas no presente procedimento que tiveram origem do Mandado de Busca e Apreensão em questão. APREENSÃO DE DOCUMENTOS EMPRESA DIVERSA DA INVESTIGADA AUSÊNCIA DE MANDADO JUDICIAL ESPECÍFICO ILICITUDE DAS PROVAS NULIDADE Não obstante as ilegalidades apontadas no item anterior, outro ponto ainda mais abjeto quanto às provas utilizadas no presente Fl. 1080DF CARF MF 6 procedimento fiscal é que muitas delas foram colhidas na empresa Debossan Despachos Aduaneiros Ltda., empresa para a qual as autoridades fiscais e policiais não detinham Mandado Judicial para realizar as apreensões. Todos os documentos referentes à etapa 'pré importação', tais como planilhas de custo de importação, licenciamentos de importação, certificados de conformidade de produtos, laudos, bem como aqueles referentes ao despacho aduaneiro além de CPU's (dentre os itens 1 a 12 do Auto de Apreensão) estavam na posse e propriedade da empresa Debossan Despachos Aduaneiros e não da D&A Comércio Exterior. Embora a empresa Debossan Despachos Aduaneiros prestasse serviços de desembaraço de mercadorias para a empresa D&A Comércio Exterior (dentre outras empresas), certo é que na época dos fatos, a Debossan Despachos Aduaneiros funcionava em endereço contíguo ao endereço da D&A Comércio Exterior Ltda, ambas no Edifício Tóquio, um ré comercial situado na Rua General Osório, n° 880 com diversas salas comercia. ;. Enquanto a D&A estava localizada na Rua General Osório, n° 880, sala L, Dbossan Despachos Aduaneiros funcionava na sala ao lado, ou seja, no endereço Rua General Osório, n° 880, s. 05. Vejase que a autorização judicial não especificou em qual sala do Edifício Tóquio, na Rua General Osório, 880, funcionava a empresa D&A, mas apenas fez referência que seria no andar térreo. Ocorre que o Mandado de Busca e Apreensão, expedido única e exclusivamente para diligências na empresa D&A Comércio Exterior, foi levado a cabo também nas dependências da empresa Debossan Despachos Aduaneiros. Tal fato ocorreu, provavelmente porque o endereço constante do Mandado não especificava a sala, mas apenas que a empresa funcionava no andar 'térreo'. Ao invés de certificarse de que no andar térreo funcionavam duas empresas distintas, o que fez a autoridade policial foi utilizarse daquela 'ambiguidade' constante da autorização judicial para fazer uma devassa não somente nos computadores da D&A Comércio Exterior, como também da empresa Debossan Despachos Aduaneiros. (...) APREENSÃO DE DOCUMENTOS INVESTIGAÇÃO CRIMINAL INEXISTÊNCIA DE CORRELAÇÃO ENTRE OS CRIMES INVESTIGADOS E AS INFRAÇÕES APURADAS ILICITUDE DAS PROVAS NULIDADE Para se conseguir que aquela investigação alcançasse a empresa Impugnante, alegouse que a D&A estaria envolvida com o Grupo Roger Tur, efetuando remessas cambiais às margens oficiais com o fim de subfaturamento de mercadorias. Contudo, em que pese toda a devassa realizada contra a Impugnante, com a quebra do seu sigilo fiscal, bancário, invasão Fl. 1081DF CARF MF Processo nº 13971.722505/201154 Acórdão n.º 3402003.674 S3C4T2 Fl. 1.079 7 domiciliar através da busca e apreensão de documentos sem mandado de procedimento fiscal, quebra de sigilo de dados, dentre outros, nenhuma prova ou qualquer indício de prova foi encontrado que pudesse ligar a D&A Comércio Exterior com o Grupo Roger Tur originalmente investigado. Por outro lado, de posse de todos aqueles dados, a autoridade fiscal lavrou o presente Auto de Lançamento apurando supostas infrações administrativas no controle aduaneiro, como a multa por prestação de informações incorretas no comércio exterior, suposta ocultação do real adquirente de mercadorias ou, em alguns casos, multas por embarques de mercadorias sem o licenciamento de importação prévio. Ocorre que, de todas as infrações apuradas pela autoridade fiscal ao longo desses anos de fiscalização, nenhuma possui correlação com os crimes investigados no 'processo mãe' do grupo Roger Tur. As penalidades aplicadas contra a Impugnante fogem à finalidade para a qual o Mandado de Busca e Apreensão fora concedido: apurar a evasão de divisas ou prática cambial às margens oficiais! Por esse motivo, não se pode aceitar como lícita a prova utilizada no presente processo pois não se presta ao fim a que se destinava. (...). AUSÊNCIA DE MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL DE FISCALIZAÇÃO (MPFF) FISCALIZAÇÃO IRREGULAR NULIDADE DO PROCEDIMENTO FISCAL E DO AUTO DE INFRAÇÃO O procedimento fiscal em comento foi instaurado sem o prévio e necessário Mandado de Procedimento Fiscal de Fiscalização MPFF, o que causa evidente e manifesta ilegalidade, por inobservância dos arts. 2o e 3o da Portaria RFB nº 3.014/2011. À época em que a Autoridade Fiscal deu início ao Procedimento de Fiscalização, dispunha apenas e tão somente de um Mandado de Procedimento Fiscal de Diligência, que, de acordo com a própria legislação que trata da matéria, não se presta para a realização de procedimento fiscal. Aliás, o próprio relatório do Auto de Infração ora impugnado demonstra claramente que somente em 16 junho de 2011 houve a conversão do Mandado de Procedimento Fiscal de Diligência em Mandado de Procedimento Fiscal de Fiscalização (Doc. 53 e fls. 18/19 do Auto de Infração). Ou seja, todos os atos de fiscalização praticados pelas Autoridades entre 21/10/2010 e 16/06/2011 são manifestamente nulos, por ausência de MPFF. Fl. 1082DF CARF MF 8 EXCESSO DE PRAZO NA CONCLUSÃO PROCEDIMENTAL AUSÊNCIA DE NOTIFICAÇÃO SOBRE AS PRORROGAÇÕES DO MPFF NULIDADE DO AUTO DE INFRAÇÃO. O lançamento tributário é um ato administrativo de ofício, e como tal, somente poderá se aperfeiçoar se forem seguidos todos os seus requisitos essenciais, procedimentos imprescindíveis à sua perfectibilidade. Da mesma forma, o sujeito contra o qual foi procedido o conjunto de atos, deve tomar a devida e regular ciência dos mesmos. No caso concreto, além do vício formal por falta de MPF Fiscalização para realizar o Procedimento Fiscal em questão, a autoridade fiscalizadora também extrapolou os prazos legais para a realização da fiscalização instaurada, além de não ter intimado regularmente os Impugnantes acerca das prorrogações dos prazos do MPF. (...). DOIS SUJEITOS PASSIVOS NO MESMO AUTO DE INFRAÇÃO AUSÊNCIA DE INDIVIDUALIZAÇÃO DO LANÇAMENTO NULIDADE DO AUTO DE INFRAÇÃO O lançamento não está individualizado. O Auto de Infração aplicou pena de perdimento às mercadorias importadas sob o argumento de que a empresa RSI seria a real adquirente das mercadorias, apesar de oculta. A conversão do perdimento cm multa equivalente ao valor aduaneiro das mercadorias ocorreu porque os produtos já "teriam sido" consumidos. Como se sabe, o perdimento caracterizase pela pessoalidade e intransmissibilidade da pena e, por isso mesmo, só pode ser aplicado em face do proprietário da mercadoria, até porque, logicamente, ninguém pode ser condenado a "perder", ou melhor, ter subtraído do seu patrimônio, bem ou direito que nunca o compôs. Transcreve o artigo 100 do Decreto Lei nº 37/66. Junta textos da Jurisprudência Administrativa e Judicial a respeito do assunto. (...) ILEGITIMIDADE DE CAIO MARCELO DEBOSSAN E ERICA DEBOSSAN REINERT PARA FIGURAREM SOLIDARIAMENTE NO PÓLO PASSIVO DO AUTO DE INFRAÇÃO Aspectos Fáticos Relevantes da Empresa D&A (Impugnante). O impugnante faz um relato sobre a constituição da empresa D&A Comércio Exterior Ltda. Ao se consultar o histórico de importações da empresa D&A, poderseá constatar que as importações em seu nome iniciaram efetivamente a partir de Junho de 2005, justamente por conta do benefício fiscal que lhe fora concedido naquele mês. Das Motivações da Autoridade Fiscal para Inclusão de Caio Marcelo Debossan e Erica Debossan Reinert como Reponsáveis Solidários. Fl. 1083DF CARF MF Processo nº 13971.722505/201154 Acórdão n.º 3402003.674 S3C4T2 Fl. 1.080 9 Pelo que se depreende do Relatório do Auto de Infração, conjuntamente do que a autoridade fiscal denominou "Anexo Probante da Sociedade de Fato Caio Érica", a razão que levou à inclusão dos Despachantes Aduaneiros e sócios da Debossan Despachos Aduaneiros (Sr. Caio Debossan e Erica Debossan) a figurarem como responsáveis solidários dc p _„ente Auto, foi que a AFRFB entendeu serem eles "sócios ocultos" da empresa D&A. Acontece que a Autoridade Fiscal, data venia, parte de uma premissa totalmente equivocada para chegar a tal conclusão. (...). ILEGITIMIDADE PASSIVA DA D&A PARA APLICAÇÃO DA PENA DE PERDIMENTO E MULTA DE CONVERSÃO Ainda que se admitisse como correta a aplicação da pena de perdimento e a multa de conversão dela decorrente, mesmo nessa hipótese o Auto de Infração deve ser anulado, diante da manifesta ilegitimidade passiva da D&A. É que a pena de perdimento da mercadoria importada, quando constatada a ocultação do real importador, mediante fraude ou interposição fraudulenta, é sanção que visa punir o real encomendante/adquirente da mercadoria, e não o importador ostensivo, pois este deve ser punido apenas com multa de 10% pela cessão de nome. (...) AUSÊNCIA DE PROVA DO CONSUMO DAS MERCADORIAS MERA PRESUNÇÃO CERCEAMENTO DE DEFESA IMPOSSIBILIDADE DE CONVERSÃO DA PENA DE PERDIMENTO EM MULTA. É de fácil percepção, portanto, que a conversão da pena de perdimento em multa equivalente ao valor aduaneiro pressupõe a prova da impossibilidade de localização das mercadorias ou de que foram consumidas. Acontece que, no caso concreto, a Autoridade Fiscalizadora aplicou a multa em questão por mera presunção pessoal, pois, pelo que consta nos autos, não foram realizadas diligências nem constatações suficientes, conclusivas, que apontassem claramente que as mercadorias não foram encontradas, ou que já foram consumidas. (...) INEXISTÊNCIA DE SONEGAÇÃO, FRAUDE E CONLUIO. A pena de perdimento das mercadorias é sanção aplicável aos casos de comprovada fraude na operação de importação ou de exportação. O próprio art. 23, V do DL 1.455/1976, no qual a Autoridade Fiscal embasa sua autuação, pressupõe a existência de fraude para que reste caracterizado o dano ao Erário. Fl. 1084DF CARF MF 10 (...) INEXISTÊNCIA DA QUEBRA DA CADEIA DO IPI Com efeito, a Autoridade Fiscal aduz, em síntese, que a D&A e a ARD Teriam deliberadamente ocultado o real encomendante das mercadorias em questão, ao pretexto de deixar de recolher IPI, mesmo que proporcionalmente. (...), EXTINÇÃO DO DIREITO DE REALIZAR A REVISÃO ADUANEIRA TRANSCURSO DO PRAZO DE 5 ANOS DECADÊNCIA O caso em tela é emblemático e não deixa dúvidas. A decadência operouse após a inércia da Administração Pública ao longo de 5 anos, não havendo como aquelas importações (digase ainda: de terceira empresa) ressoarem na esfera jurídica da Impugnante agora, depois de ultrapassado o prazo decadencial previsto no Regulamento Aduaneiro e no Decreto Lei n° 37/66. (...) INOCORRÊNCIA DE OCULTAÇÃO OU DE SIMULAÇÃO INEXISTÊNCIA DE BURLA AOS CONTROLES ADUANEIROS IMPORTAÇÃO DIRETA PARA REVENDA REGULARMENTE CARACTERIZADA Junta textos da doutrina de Hugo de Brito Machado e Heleno Taveira Tôrres a respeito do assunto. No presente caso, verificase que a Autoridade Fiscal fundamenta a aplicação da penalidade de perdimento das mercadorias ao argumento de que se estaria diante de uma interposição fraudulenta. E esta, por sua vez, seria realizada ao propósito de burlar os controles aduaneiros e quebrar a cadeia de incidência de IPI. (...). INAPLICABILIDADE DA MULTA POR CONSUMO DE MERCADORIAS ESTRANGEIRAS "INTRODUZIDAS FRAUDULENTAMENTE NO PAÍS" ENQUADRAMENTO LEGAL INCORRETO VÍCIO MATERIAL ANULAÇÃO DO AUTO DE INFRAÇÃO A Autoridade Fiscal, presumindo que a mercadoria objeto do auto de infração anexo havia sido "consumida", autuou a Impugnante duplamente com multa ”de 100% do valor da mercadoria". Assim o fez com base nos arts. 631 e no Art. 618, XXII c/c seu §1°, ambos do Antigo Regulamento Aduaneiro, vigente à época dos fatos (Dec. 4.543/02). Contudo, ainda que fosse o caso de aplicação da pena de perdimento da mercadoria (o que se admite apenas para efeitos de argumentação), jamais poderiam ter sido aplicadas ambas as multas conjuntamente.(...). NÃO INCIDÊNCIA DE TRIBUTOS SOBRE MERCADORIAS OBJETO DE PENA DE PERDIMENTO O IPI, a PIS e a COFINS incidentes nas operações de comércio exterior têm em comum normas de estrutura que modificam a regramatriz de incidência desses tributos, suprimindo do critério material da hipótese de incidência nos casos em que a mercadoria importada tiver sido objeto de pena de perdimento. Fl. 1085DF CARF MF Processo nº 13971.722505/201154 Acórdão n.º 3402003.674 S3C4T2 Fl. 1.081 11 Assim, toda vez que uma mercadoria estrangeira for apenada com o perdimento, tal importação se subsumirá à regra isentiva, impedindo a incidência tributária. Transcreve o artigo 1º, §4°, III, do Decreto Lei 37/66, com redação dada pelo art. 77 da Lei 10.833 de 2003. (...). AUSÊNCIA DO ELEMENTO DANOSO RELEVAÇÃO DA PENA DE PERDIMENTO As importações sob análise, ainda que se entendesse irregulares, não foram realizadas dessa forma com o intuito de fraude. Pelo contrário, o contribuinte agiu de boa fé, entendendo ser correta sua conduta, baseada na interpretação da legislação aduaneira em vigor. Vejase que o legislador tratou de relevar a pena de perdimento, nos casos em que o infrator, voluntariamente, comunique eventual erro ou equívoco ocorrido nos seus procedimentos, pois são casos nos quais não há o elemento danoso, nem intenção do agente em cometer a infração. (...). NECESSIDADE DE APLICAÇÃO DA PENALIDADE MAIS FAVORÁVEL Caso se entenda que houve irregularidades na importação, imperioso se reconhecer que estas foram de ordem meramente formal o que ensejaria a aplicação da multa comumente conhecida como "multa por erro", do art. 711 do R.A., ao invés da pena de perdimento. Aliás, insta frisar a existência de conflito entre a pena de perdimento por "ocultação do real comprador", fundamentada no art. 23, V do Decreto Lei 1.455/76, com a pena de multa por "omissão do adquirente comprador" fundamentada no art. 711, inciso III, §1°, do Regulamento Aduaneiro. DOS PEDIDOS: (...). É o relatório A referida ação fiscal originouse da análise do material apreendido quando da realização da operação denominada “Ouro Verde”, desencadeada em 30/03/2007, em diversos pontos do território nacional, inclusive na sede da empresa D&A COMÉRCIO SERVIÇOS IMPORTAÇÃO E EXPORTAÇÃO LTDA., em Blumenau/SC, em cumprimento ao Mandado de Busca e Apreensão expedido pela Vara Federal Criminal de Florianópolis/SC, nos autos do processo nº 2006.72.00.0105049 (IPL n.º 285/2006/DPF/JVE/SC), aberto para investigação da empresa D&A, onde também é determinado o compartilhamento dos objetos apreendidos que contenham informações úteis na apuração de ilícitos fiscais com a RFB. Em síntese, a investigação policial constatou que o grupo bancário clandestino (Grupo Roger) oferecia dentre outros serviços de remessa de divisas ao exterior à margem do controle oficial por parte do Banco Central, tendo várias empresas como clientes, entre elas a D&A, que por seu turno, prestava serviços de comércio exterior a outros clientes, Fl. 1086DF CARF MF 12 servindo tais remessas ao pagamento de fornecedores no exterior, de forma a enviar a diferença de valores em importações subfaturadas. No decorrer da "Operação Ouro Verde” foram apreendidos vários documentos e objetos, dentre eles, um Conjunto de Carimbos de fornecedores estrangeiros encontrados em uma caixa, na empresa D&A, rotulados no momento da apreensão como "item 15", inclusive o da "Câmara de Comércio de Taiwan”, responsável pela emissão de certificados de origem daquele país (fls. 278/282 do Termo de Continuação Anexo ao Auto de Infração). Consta dos autos que foram apuradas irregularidades (infrações) em operações de comércio exterior, como as especificado às fls. 270/361, abaixo relacionadas: 001. IPI, Cofins e PIS/Pasep incidentes na importação, todos acompanhados de juros de mora e multa proporcional (150%) DIs 2052 e 2293 (de valor tributável calculado em função das mercadorias nãoentregues, cfe. coluna “M” da Planilha I, i.e., para a DI 2052, o valor de R$ 3.546,05, para a DI 2293, o valor de R$ 17.183,46); 002. Multa Administrativa (100% da diferença apurada entre o preço declarado e o preço efetivamente praticado), prevista no art. 169, II, e § 6º do DecretoLei n.º 37/66, com a redação dada pelo art. 2º da Lei n.º 6.562/197834, regulamentados à época dos fatos pelo art. 633, I, do Decreto n.º 4.543/200235 – DIs 2052 e 2293 (calculados em função das mercadorias nãoentregues, cfe. coluna “N” da Planilha I, i.e., para a DI 2052, o valor de R$ 1.757,63, para a DI 2293, o valor de R$ 8.492,51); 003. Multa pelo consumo de mercadorias estrangeiras introduzidas fraudulentamente no país (valor da mercadoria), prevista no art. 83, I, da Lei 4.502/64 DIs 2052 e 2293. Logo, com base no quadro exposto no item 5, para a DI 2052, temos um valor de R$ 3.546,05; para a DI 2293, temos um valor de R$ 17.183,46 (i.e., R$ 19.423,38 – R$ 2.239,93 de mercadorias entregues); 004. Multa pela conversão da pena de perdimento das mercadorias importadas através da Interposição Fraudulenta de pessoas (Art. 23, § 3º, do DecretoLei 1.455/76, com a redação dada pelo art. 59 da MP 66/2002 convertida na Lei 10.637/2002, regulamentado pelo art. 618, XXII e § 1.º do Decreto n.º 4.543/02, posteriormente sucedido pelo art. 689, XXII e § 1º, do Decreto n.º 6.759/2009 Regulamento Aduaneiro). Assim, com base no quadro exposto no item 5 (fl. 293), a partir de um total de R$ 45.067,06, subtraímos o valor total das mercadorias entregues, de R$ 9.213,34, e chegamos ao valor de R$ 35.853,72. Foram as seguintes as DIs analisadas e objeto deste Auto de Infração: 06/08979311 2052 01/ago/06 3.546,05 06/14437983 2293 28/nov/06 19.423,38 07/04905242 2693 17/abr/07 22.097,63 Como já relatado, foram arrolados como responsáveis solidários a empresa R.S.I. TEXTIL LTDA (doravante R.S.I) e como Responsáveis Solidários Pessoais (Sócios de Fato/Administradores da D&A), o Sr. CAIO MARCELO DEBOSSAN, CPF nº 936.292.659 87 e Sra. ÉRICA DEBOSSAN Reinert, CPF nº 919.869.82904. A empresa responsável solidária R.S.I, apresentou sua impugnação, sob os seguintes argumentos: da impossibilidade de ser autuada em razão do uso de prova emprestada Fl. 1087DF CARF MF Processo nº 13971.722505/201154 Acórdão n.º 3402003.674 S3C4T2 Fl. 1.082 13 para instrução do procedimento fiscal; que ao utilizar provas produzidas à revelia da impugnante, significa ignorar a existência dos princípios do contraditório e da ampla defesa e também do devido processo legal; que a autuação realizada não produz nenhum tipo de efeito perante a impugnante, não se podendo atribuir a ela qualquer tipo de atividade que contrarie o ordenamento jurídico vigente se as únicas provas relativas aos supostos ilícitos cometidos são documentos existentes em poder de terceiro. Assim é nula a autuação contra a impugnante. A Recorrente D&A e os responsáveis CAIO MARCELO DEBOSSAN e ÉRICA DEBOSSAN REINERT, protocolizaram impugnação conjunta, alegando, em síntese: 1. a existência de ilicitude das provas emprestadas; 2. ocorrência de cerceamento de defesa; 3. nulidade por ausência de Mandado de Procedimento Fiscal de Fiscalização; 4. nulidade por excesso de prazo e ausência das prorrogações do MPFF; 5. nulidade por ausência de individualização do lançamento fiscal; 6. ilegitimidade passiva tributária de Caio e Erica; 7. ilegitimidade passiva da D&A na aplicação da pena de perdimento convertida em multa; 8. impossibilidade de presunção de consumo das mercadorias e a consequente impossibilidade de aplicação da pena de perdimento convertida em multa; 9. inocorrência de fraude, sonegação ou conluio; 10. inexistência de quebra da cadeia do IPI; 11. inocorrência de interposição fraudulenta; 12. enquadramento incorreto e inaplicabilidade da multa por consumo das mercadorias introduzidas fraudulentamente no país; 13. ausência de elemento danoso; e 14. necessidade de aplicação da penalidade mais favorável ao contribuinte. Mediante o Acórdão nº 1650.674, da 23ª Turma da DRJ/SP1, de 25/09/2013, as impugnações foram julgadas improcedentes, conforme ementa abaixo (fls. 719/827): ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A IMPORTAÇÃO II Data do fato gerador: 21/06/2006 Dano ao Erário por infração de ocultação do verdadeiro interessado nas importações, mediante o uso de interposta pessoa. Pena de perdimento das mercadorias, comutada em multa equivalente ao valor aduaneiro da mercadoria. A atuação da empresa interposta em importação tem regramento próprio, devendo observar os ditames da legislação sob o risco Fl. 1088DF CARF MF 14 de configuração de prática efetiva da interposição fraudulenta de terceiros. A aplicação da pena de perdimento não deriva da sonegação de tributos, muito embora tal fato possa se constatar como efeito subsidiário, mas da burla aos controles aduaneiros, já que é o objetivo traçado pela Receita Federal do Brasil possuir controle absoluto sobre o destino de todos os bens importados por empresas nacionais. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Já a responsável solidária R.S.I. TEXTIL LTDA, apresentou seu recurso voluntário, em 19/11/2013 (fls. 1.061/1.068), alegando em síntese: (a) que a utilização isolada de provas emprestadas para atribuir conduta antijurídica à Recorrente, fere o direito de defesa desta, pois não participou da produção de tais meios de prova; (b) requer a declaração de nulidade da decisão proferida por não ter enfrentando os argumentos expedidos pela ora Recorrente em sua impugnação, com a conseqüente devolução dos autos ao órgão recorrido para proferir nova decisão, enfrentando tais argumentos; (c) alternativamente, a reforma da decisão proferida pela DRJ, com a anulação da autuação realizada e a conseqüente extinção do crédito tributário arbitrado no ato viciado; (d) a suspensão da exigibilidade do crédito tributário, com fundamento no art. 151, inciso III, do Código Tributário Nacional; (e)que todas as intimações sejam dirigidas aos advogados que esta subscrevem, sob pena de nulidade, e (f) provar o alegado por todos os meios de prova em direito admitidas, especialmente a pericial, documental (inclusive novos documentos que se fizerem necessários) e testemunhais, se for o caso. Os recorrentes D&A, e os responsáveis solidários CAIO MARCELO DEBOSSAN e ÉRICA DEBOSSAN REINERT, protocolizaram recurso voluntário conjunto, em 18/11/2013, alegando, em síntese (fls. 972/1.055): 2.1. ILICITUDE E IMPRESTABILIDADE DAS PROVAS EMPRESTADAS – AUSÊNCIA DE PROVAS –NULIDADE DO AUTO DE INFRAÇÃO; 2.2. AUSÊNCIA DE MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL DE FISCALIZAÇÃO (MPFF) FISCALIZAÇÃO IRREGULAR – NULIDADE DO PROCEDIMENTO FISCAL E DO AUTO DE INFRAÇÃO; 2.3. EXCESSO DE PRAZO NA CONCLUSÃO PROCEDIMENTAL – AUSÊNCIA DE NOTIFICAÇÃO SOBRE AS PRORROGAÇÕES DO MPFF – NULIDADE DO AUTO DE INFRAÇÃO; 2.4. DOIS SUJEITOS PASSIVOS NO MESMO AUTO DE INFRAÇÃO AUSÊNCIA DE INDIVIDUALIZAÇÃO DO LANÇAMENTO – NULIDADE DO AUTO DE INFRAÇÃO; [não há o item 2.5 no recurso voluntário]. 2.6. ILEGITIMIDADE DE CAIO MARCELO DEBOSSAN E ERICA DEBOSSAN REINERT PARA FIGURAREM SOLIDARIAMENTE NO PÓLO PASSIVO DO AUTO DE INFRAÇÃO; 2.7. ILEGITIMIDADE PASSIVA DA D&A PARA APLICAÇÃO DA PENA DE PERDIMENTO E MULTA DE CONVERSÃO; Fl. 1089DF CARF MF Processo nº 13971.722505/201154 Acórdão n.º 3402003.674 S3C4T2 Fl. 1.083 15 2.8. AUSÊNCIA DE PROVA DO CONSUMO DAS MERCADORIAS – MERA PRESUNÇÃO –CERCEAMENTO DE DEFESA IMPOSSIBILIDADE DE CONVERSÃO DA PENA DE PERDIMENTO EM MULTA; 2.9. INEXISTÊNCIA DE SONEGAÇÃO, FRAUDE, CONLUIO; 2.10. INEXISTÊNCIA DE QUEBRA DA CADEIA DO IPI; 2.11. EXTINÇÃO DO DIREITO DE REALIZAR A REVISÃO ADUANEIRA – TRANSCURSO DO PRAZO DE 5 ANOS – DECADÊNCIA; 2.12. INOCORRÊNCIA DE INTERPOSIÇÃO FRAUDULENTA; 2.13. NÃO INCIDÊNCIA DE TRIBUTOS SOBRE MERCADORIAS OBJETO DE PENA DE PERDIMENTO; 2.14. INOCORRÊNCIA DE OCULTAÇÃO OU DE SIMULAÇÃO INEXISTÊNCIA DE BURLA AOS CONTROLES ADUANEIROS –IMPORTAÇÃO DIRETA PARA REVENDA REGULARMENTE CARACTERIZADA; 2.15. AUSÊNCIA DO ELEMENTO DANOSO – RELEVAÇÃO DA PENA DE PERDIMENTO; e 2.16. NECESSIDADE DE APLICAÇÃO DA PENALIDADE MAIS FAVORÁVEL. Os autos, então, foram encaminhados a este CARF para julgamento. É o relatório. Voto Conselheiro Waldir Navarro Bezerra Relator Da Admissibilidade dos Recursos Conforme os esclarecimentos efetuados pelo SACAT da a DRF em Blumenau (SC) em seu Desacho à fl. 1.074, os recursos da D&A e RSI, são tempestivos. Confirase: (...) Analisando o contido nos presentes autos, constatamos a tempestividade do recurso voluntário apresentado pelo sujeito passivo D&A Comércio, Serviços de Importação e Exportação Ltda (CNPJ nº 05.630.873/000100), tendo em vista que a ciência do Acórdão nº 1650.674, proferido pela 23ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em São Paulo I, ocorreu em 21/10/2013 (fls. 830/946 e 966), e o protocolo do questionamento, em 20/11/2013 (fls. 972/1.058) (...). Por sua vez, o sujeito passivo solidário RSI Têxtil Ltda (CNPJ nº 00.566.534/000180) apresentou tempestivamente o recurso voluntário contra a decisão supracitada, tendo em vista que a ciência de referida decisão ocorreu em 22/10/2013 (fls. 959/964 Fl. 1090DF CARF MF 16 e 967) e o protocolo de seu recurso, em 19/11/2013 (fls. 1.061/1.069). Os documentos comprobatórios de regular representação nestes autos foram oportunamente apresentados pelos contribuintes supracitados, de acordo com o contido no despacho de fls. 685/686. (...). Atendidos aos requisitos de admissibilidade, tomase conhecimento dos recursos voluntários da D&A Comércio, Serviços de Importação e Exportação Ltda e do o sujeito passivo solidário RSI Têxtil Ltda. Da Intempestividade verificada Verificase nos autos que os sujeitos passivos solidários Érica Debossan Reinert (CPF nº 919.869.82904) e Caio Marcelo Debossan (CPF nº 936.292.65987) interpuseram recurso voluntário em conjunto com a Recorrente D&A, porém, fora do prazo legal de 30 dias, uma vez que a ciência do Acórdão recorrido ocorreu, para ambos, em 19/10/2013 (fls. 947/952, 953/958, 965 e 968), e o protocolo do Recurso em conjunto com a D&A, ocorreu em 20/11/2013 (fls. 972/1.058). Confirase o Despacho do SACAT da a DRF em Blumenau (SC) à fl. 1.074: "(...) Informamos, outrossim, que os sujeitos passivos solidários Érica Debossan Reinert (CPF nº 919.869.82904) e Caio Marcelo Debossan (CPF nº 936.292.65987) interpuseram recurso voluntário em conjunto com o contribuinte supracitado, porém, fora do prazo legal, uma vez que a ciência de mencionado Acórdão ocorreu, para ambos, em 19/10/2013 (fls. 947/952, 953/958, 965 e 968), e o protocolo do questionamento, em 20/11/2013 (fls. 972/1.058)". Pois bem. O Decreto nº 70.235/72, que regula o processo administrativo fiscal, estabelece que o prazo para a propositura de Recurso Voluntário é de 30 (trinta) dias: Art. 33. Da decisão caberá recurso voluntário, total ou parcial, com efeito suspensivo, dentro dos trinta dias seguintes à ciência da decisão. Considerando que de acordo com o artigo 35, do Decreto nº 70.235/1972, cabe ao órgão de segunda instância julgar a perempção de recursos interpostos, e tendo os contribuintes apresentado Recurso Voluntário fora do trintídio legal, não há dúvidas que o presente Recurso é intempestivo, razão pela qual voto no sentido de não conhecêlos. DAS PRELIMINARES Primeiramente, ressaltese que a análise e julgamento dos argumentos apresentados nos Recursos Voluntários (da D&A e da R.S.I), foram reunidas e agrupadas por temas semelhantes, de forma lógica e sistematizada, com o fito de, a uma, elencar todos os pontos impugnados; a duas, evitar duplicidades ou redundâncias temáticas e, a três, permitir a congruência dos diversos argumentos articulados. Do alegado conflito aparente de normas (bis in idem) Fl. 1091DF CARF MF Processo nº 13971.722505/201154 Acórdão n.º 3402003.674 S3C4T2 Fl. 1.084 17 Aduz a Recorrente em seu recurso que "(...) Da simples leitura das tipificações legais apresentadas acima, de plano já se percebe que a autoridade fiscal incorreu em erro em seu lançamento, vez que impôs duas vezes a multa de 100% do Valor Aduaneiro da mercadoria importada (itens 3 e 4), o que não é lógico nem mesmo legalmente cabível, embora o acórdão de 1º grau não tenha assim reconhecido" (fl. 977). E prossegue "(...) A Autoridade Fiscal, presumindo que a mercadoria objeto do auto de infração anexo havia sido “consumida”, autuou a Impugnante duplamente com multa “de 100% do valor da mercadoria”. Assim o fez com base nos arts. 631 e no Art. 618, XXII c/c seu §1º, ambos do Antigo Regulamento Aduaneiro, vigente à época dos fatos (Dec. 4.543/02). Contudo, ainda que fosse o caso de aplicação da pena de perdimento da mercadoria (o que se admite apenas para efeitos de argumentação), jamais poderiam ter sido aplicadas ambas as multas conjuntamente" (fl. 1043). Pois bem. Esta matéria já foi muito bem enfrentada por este Colegiado em outros autos, na relatoria da Conselheira Maria Aparecida Martins de Paula, quando do julgamento do processo nº 13971.722502/201111, dessa mesma empresa (D&A), a qual subscrevo as considerações tecidas no Acórdão, adotandoas como razão de decidir, com forte no § 1º do art. 50 da Lei nº 9.784/99, procedendose algumas adaptações ao caso sob análise. Embora a vedação ao bis in idem não esteja expressamente prevista na Constituição Federal, o princípio do non bis in idem é reconhecido pela doutrina como decorrência direta dos princípios constitucionais da legalidade, da tipicidade, do devido processo legal e da proporcionalidade. Da mesma forma que “ninguém pode ser condenado ou processado duas ou mais vezes por um mesmo fato” no direito penal, não pode a Administração impor uma segunda sanção administrativa a quem já sofreu uma outra sanção em face da mesma conduta1. Quando há uma única conduta para a qual parece haver a possibilidade de aplicação de duas normas tipificadoras, para que não haja bis in idem, é imprescindível que se verifique qual delas deve ser aplicada ao caso concreto, o que pode ser resolvido com o instituto do "conflito aparente de normas" do direito penal. O reconhecimento de um "conflito aparente de normas" no Direito Penal se dá pelos seguintes elementos: unidade de fato, pluralidade de normas, aparente aplicação de todas as normas e efetiva aplicação de somente uma delas. O conflito de normas é apenas “aparente”, vez que deve existir regras gerais no próprio ordenamento jurídico para determinação de qual deve ser a única norma tipificadora aplicável àquela conduta. Conforme esclarece Julio Fabbrini Mirabete2, a doutrina tem se utilizado para solucionar o conflito aparente de normas penais dos seguintes princípios: especialidade, subsidiariedade, consunção (ou absorção) e alternatividade. No presente caso, observase que a conduta que caracterizou o subfaturamento foi duplamente penalizada: (i) pela multa administrativa de 100% da diferença entre o preço declarado e o preço praticado e (ii) pela multa pelo consumo de mercadorias introduzidas fraudulentamente no país. 1 MELLO, Rafael Munhoz de. Princípios Constitucionais de Direito Administrativo Sancionador. São Paulo: Malheiros, 2007, p. 210/211. 2 Manual de Direito Penal – Parte Geral, 19ª ed., São Paulo: Atlas, 2003, p. 120/121. Fl. 1092DF CARF MF 18 Por certo, o que se penaliza com a segunda multa, prevista na legislação do IPI, é a introdução clandestina da mercadoria no País e não o seu posterior consumo, o qual seria perfeitamente lícito não fosse a importação irregular da mercadoria. Conforme se vê abaixo, a multa administrativa, prevista no art. 88, parágrafo único da Medida Provisória nº 2.15835, que diz respeito à diferença entre o preço declarado e o praticado, é muito mais específica para designar a prática de subfaturamento do que a segunda multa, que pune qualquer tipo de introdução fraudulenta ou clandestina de mercadorias no País. Vejase: Art. 88. No caso de fraude, sonegação ou conluio, em que não seja possível a apuração do preço efetivamente praticado na importação, a base de cálculo dos tributos e demais direitos incidentes será determinada mediante arbitramento do preço da mercadoria, em conformidade com um dos seguintes critérios, observada a ordem seqüencial: (...) Parágrafo único. Aplicase a multa administrativa de cem por cento sobre a diferença entre o preço declarado e o preço efetivamente praticado na importação ou entre o preço declarado e o preço arbitrado, sem prejuízo da exigência dos impostos, da multa de ofício prevista no art. 44 da Lei no 9.430, de 1996, e dos acréscimos legais cabíveis. Nesse sentido, releva mencionar o art. 704, parágrafo único, do Regulamento Aduaneiro de 2009, embora não vigente à época dos fatos, que orienta no sentido de que a referida multa, proveniente da legislação do IPI, tem caráter residual, sendo aplicável somente quando não haja outra infração mais específica para a introdução irregular da mercadoria estrangeira no País: "Art. 704. Sem prejuízo de outras sanções administrativas ou penais cabíveis, incorrerão na multa igual ao valor comercial da mercadoria os que entregarem a consumo, ou consumirem mercadoria de procedência estrangeira introduzida clandestinamente no País ou importada irregular ou fraudulentamente ou que tenha entrado no estabelecimento, dele saído ou nele permanecido sem que tenha havido registro da declaração da importação, ou desacompanhada de Guia de Licitação ou nota fiscal, conforme o caso (Lei nº 4.502, de 1964, art. 83, inciso I; e DecretoLei no 400, de 30 de dezembro de 1968, art. 1o, alteração 2ª). Parágrafo único. A pena a que se refere o caput não se aplica quando houver tipificação mais específica neste Decreto". Assim, entendo que deve ser exonerada "a multa pelo consumo de mercadorias estrangeiras introduzidas fraudulentamente no país (valor da mercadoria) 003", prevista no art. 83, I, da Lei 4.502/64, constante da infração (003) abaixo descrita: 003. Multa pelo consumo de mercadorias estrangeiras introduzidas fraudulentamente no país (valor da mercadoria), prevista no art. 83, I, da Lei 4.502/64 e art. 1.º, alteração 2ª, do DecretoLei n.º 400/68 por Subfaturamento DIs 2052 e 2293. Logo, com base no quadro exposto no item 5 (fl. 293), para a DI 2052, temos um valor de R$ 3.546,05; para a DI 2293, temos um valor de R$ 17.183,46 (R$ 19.423,38 R$ 2.239,93 de mercadorias entregues). Fl. 1093DF CARF MF Processo nº 13971.722505/201154 Acórdão n.º 3402003.674 S3C4T2 Fl. 1.085 19 Da Decadência Alega a Recorrente em seu recurso que, "(...) Vêse, portanto, que "a apuração da exatidão das informações prestadas" também não foi concluída no prazo legal de 5 anos a contar da data do registro das DIs, pois a ciência da Recorrente, nos termos do art. 638, §3º do RA, se deu apenas dia 25/nov/2011. Desta feita, é certo que, ultrapassados 5 anos do momento do pagamento dos tributos e da ocorrência da suposta infração, extinguiu se o direito da Administração aplicar a pena de perdimento e, por conseguinte, de cobrar os tributos ou multas supostamente recolhidos a menor na data do registro da DI" (fl. 1.043). Desta feita, analisemos agora a questão da decadência dos tributos e multas no presente auto de infração, para a qual a fiscalização utilizouse do prazo previsto no art. 173, I do CTN, tendo em vista a caracterização de fraude (fls. 331/336): (...) Apesar do manso e pacífico entendimento judicial e administrativo de que em casos de dolo, fraude ou simulação, a contagem do prazo decadencial segue a regra geral estabelecida pelo artigo 173, inciso I, do Código Tributário Nacional, ou seja, iniciase no primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, o fato é que há casos em que as partes autuadas buscam guerrear em sentido contrário, muitas vezes por ausência de qualquer outro apoio a se agarrar. Observando esta possibilidade de pugna, ainda que remota, consideramos relevante lavrar o presente tópico acerca do tema, conquanto notoriamente exaurido. (...) No caso concreto, não restam dúvidas acerca das práticas fraudulentas perpetradas, conforme visto à exaustão. Portanto, a partir das DIs registradas no ano de 2006, temos a contagem do prazo decadencial iniciandose em 01/01/2007 e terminando em 31/12/2011. Desta forma, haja vista que o lançamento ocorreu dentro do prazo estabelecido em lei para ser considerado válido, fica desde já espancada qualquer eventual alegação de decadência (...). No entanto, com relação especificamente às multa aduaneiras, o prazo de decadência para impor penalidades é de 5 anos a contar da data da infração, nos termos do art. 139 do Decretolei nº 37/66, regulamentado pelo art. 669 do Regulamento Aduaneiro/2002, vigente à época dos fatos: Art.139 No mesmo prazo do artigo anterior se extingue o direito de impor penalidade, a contar da data da infração. Art. 669. O direito de impor penalidade extinguese em cinco anos, a contar da data da infração (Decretolei no 37, de 1966, art. 139). Assim, deve ser regido por esse prazo especial de decadência a aplicação das multas aduaneiras, quais sejam, a "multa administrativa pela diferença entre os preços declarado e praticado" (002) e a "multa equivalente ao perdimento em face da interposição fraudulenta" (004). No caso dos autos, no que concerne à "multa administrativa pela diferença entre os preços declarado e praticado" (002) e a "multa equivalente ao perdimento em face da Fl. 1094DF CARF MF 20 interposição fraudulenta" (004), deve ser exonerada a parcela relativa às importações registradas até 23/11/2006, eis que a Recorrente foi notificada do Auto de Infração em 24/11/2011, remanescendo, portanto, na autuação para essas infrações aduaneiras, somente as importações (DIs) abaixo, registradas após essa data: 06/14437983 2293 Reg. em 28/nov/06 19.423,38 (fl. 194) 07/04905242 2693 Reg. em 17/abr/07 22.097,63 (fl. 218) Assim, há que ser exonerada parcialmente a multa equivalente ao perdimento em face da interposição fraudulenta (004) e a multa administrativa pela diferença entre os preços declarado e o praticado (002), uma vez que a Declaração de Importações nº 06/08979311 (2052), data do registro: 01/ago/2006, autuada nesta parte, está atingida pela decadência das multas aduaneiras. 002. Multa Administrativa (100% da diferença apurada entre o preço declarado e o preço efetivamente praticado), prevista no art. 169, II, e § 6º do DecretoLei n.º 37/66, com a redação dada pelo art. 2º da Lei n.º 6.562/197834, regulamentados à época dos fatos pelo art. 633, I, do Decreto n.º 4.543/2002 DIs 2052 e 2293 (calculados em função das mercadorias nãoentregues, cfe. coluna “N” da Planilha I, para a DI 2052, o valor de R$ 1.757,63, para a DI 2293, o valor de R$ 8.492,51); 004. Multa pela conversão da pena de perdimento das mercadorias importadas através da Interposição Fraudulenta de pessoas (Art. 23, § 3º, do DecretoLei 1.455/76, com a redação dada pelo art. 59 da MP 66/2002 convertida na Lei 10.637/2002, regulamentado pelo art. 618, XXII e § 1.º do Decreto n.º 4.543/02, posteriormente sucedido pelo art. 68937, XXII e § 1º, do Decreto n.º 6.759/2009 Regulamento Aduaneiro). Assim, com base no quadro exposto no item 5 (fl. 293), a partir de um total de R$ 45.067,06, subtraímos o valor total das mercadorias entregues, de R$ 9.213,34, e chegamos ao valor de R$ 35.853,72. Outras preliminares suscitas pelos recorrentes D&A Tais questões preliminares a seguir aduzidas, da mesma forma também foram muito bem enfrentadas por este Colegiado, na relatoria da Conselheira Maria Aparecida Martins de Paula, quando do julgamento do processo nº 13971.722502/201111 (mesma empresa D&A), a qual subscrevo as considerações tecidas no Acórdão, adotandoas como razão de decidir, com forte no § 1º do art. 50 da Lei no 9.784, de 1999, procedendose as adaptações necessárias ao caso sob análise. Ressaltase que a empresa D&A é uma empresa prestadora de serviços no ramo do comércio exterior, tais como o de importação e exportação de mercadorias, contratação de seguro, frete, pesquisa de mercado internacional, etc. 2.1. ILICITUDE E IMPRESTABILIDADE DAS PROVAS EMPRESTADAS – AUSÊNCIA DE PROVAS –NULIDADE DO AUTO DE INFRAÇÃO Nos recursos, as Recorrentes alegam demonstrar a imprestabilidade das provas que abalizaram as alegações da autoridade fiscal e o próprio Auto de Infração. Aduz que "(...) Demonstrouse, em síntese, que os documentos e HDs apreendidos no Mandado de Busca e Apreensão jamais poderiam ter sido utilizados como provas para o presente procedimento fiscal (...)". "(...) Não obstante as ilegalidades apontadas no item anterior, outro ponto ainda mais abjeto quanto às provas utilizadas no presente procedimento fiscal é que muitas Fl. 1095DF CARF MF Processo nº 13971.722505/201154 Acórdão n.º 3402003.674 S3C4T2 Fl. 1.086 21 delas foram colhidas na empresa Debossan Despachos Aduaneiros Ltda" , empresa para a qual as autoridades fiscais e policiais não detinham Mandado Judicial para realizar as apreensões" (...). Sobre a preliminar de licitude das provas acostadas aos autos (subitens 2.1.1, 2.1.2, 2.1.3, do recurso da D&A), ratifico os fundamentos da decisão recorrida para acrescentar que o conjunto probatório destes autos não foi colhido para instruir única e exclusivamente o presente processo. Ao contrário, as provas foram colhidas para instruir diversos lançamentos fiscais efetuados contra a empresa D&A, nas importações diretas, e contra a D&A e os verdadeiros importadoras, nas operações de importação por conta e ordem registradas pela D&A como importação direta. Conforme já esclarecido pelo Fisco, nos autos do processo n.º 2006.72.00.0105049 (IPL n.º 285/2006/DPF/JVE/SC), da Vara Federal Criminal de Florianópolis/SC, nos autos do processo n.º 2006.72.00.0105049 (IPL n.º 285/2006/DPF/JVE/SC), ficou determinado o compartilhamento da interceptação telefônica, bem como "das provas obtidas a partir da busca e apreensão" já deferida nesses autos. Vejase trecho abaixo reproduzido: (...) No caso de uso desta prova [interceptação telefônica] pela Receita Federal para fins de instauração de procedimento administrativofiscal, entendo, na linha do que tem sido feito até agora, que este procedimento não viola a Constituição Federal.(...). Por fim, está se deferindo nesta decisão, porque este é o objeto do pedido da autoridade policial, o compartilhamento das provas obtidas a partir da busca e apreensão deferida nestes autos, bem como a participação deste órgão no procedimento de execução da busca. b) decreto a quebra do sigilo telemático e de informática, (...). Assim, as provas coletadas no referido inquérito policial, que foram compartilhadas com a RFB por expressa ordem do Poder Judiciário, podem e devem ser usadas para instruir as exigências de tributos e multas em face da empresa D&A e solidárias. A legitimidade do uso dessas provas não pode ser questionada administrativamente enquanto vigente a referida ordem judicial de compartilhamento de provas, o que, obviamente, não impede a recorrente de eventualmente contestar o conteúdo dessa decisão judicial no âmbito do próprio Poder Judiciário. Além dessas provas, foram colhidas outras no âmbito da própria RFB seja por intermédio de intimações ou de consultas aos sistemas internos, em procedimento fiscal regular, em conformidade com o disposto nos arts. 194 a 198 do CTN. Por certo, não há necessidade de se aguardar a conclusão do inquérito policial quando os elementos já coletados são suficientes à comprovação do fato gerador do tributo e do cometimento de infração administrativa, incumbindo à autoridade administrativa efetuar imediatamente o correspondente lançamento tributário, nos termos do art. 142 do CTN. Sobre a alegada ausência de contraditório e de ampla defesa, esses são garantidos com a impugnação do lançamento, mediante a qual o contribuinte tem a Fl. 1096DF CARF MF 22 oportunidade de contestar todos os fatos a ele atribuídos e apresentar todas as provas que julgue necessárias. O procedimento preparatório do lançamento, e o próprio lançamento, é ato inquisitório, não havendo que se falar em violação ao princípio do contraditório e da ampla defesa nessa fase pela não manifestação do contribuinte sobre as provas colhidas nessa fase do procedimento fiscal. Nesse sentido é a Súmula CARF nº 46, abaixo reproduzida: Súmula CARF nº 46: O lançamento de ofício pode ser realizado sem prévia intimação ao sujeito passivo, nos casos em que o Fisco dispuser de elementos suficientes à constituição do crédito tributário. 2.2. AUSÊNCIA DE MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL DE FISCALIZAÇÃO (MPFF) FISCALIZAÇÃO IRREGULAR NULIDADE DO PROCEDIMENTO FISCAL E DO AUTO DE INFRAÇÃO Alegam as recorrentes irregularidades na conversão do Mandado de Procedimento Fiscal de Diligência MPFD em Mandado de Procedimento Fiscal de Fiscalização MPF, o que não faz qualquer sentido. Aduz em seu recurso que, "(...) pois se a própria legislação citada no Julgamento determina expressamente a necessidade do aludido Mandado, este não pode ser simplesmente ignorado. Além do mais, não se pode concordar com o entendimento, na medida em que, para se realizar procedimento fiscal ou de fiscalização, a Autoridade Fiscal necessita de um Mandado de Procedimento Fiscal de Fiscalização (MPFF), ao passo que, para realizar meras diligências, esta mesma Autoridade Fiscal necessitará apenas de um Mandado de Procedimento Fiscal de Diligência (MPFD). É a leitura nua e crua do art. 2º, parágrafo único da então vigente Portaria RFB 11.371/2007" (...). Quanto aos argumentos relacionadas ao MPFF, preliminarmente, registrese que a competência para o agente fiscal efetuar o lançamento decorre da lei e não de ato do dirigente da repartição fiscal (art. 7º da Lei nº 2.354/54 e art. 143 do CTN), existindo farta jurisprudência no CARF no sentido de que irregularidade na emissão, alteração ou prorrogação do Mandado de Procedimento Fiscal não acarreta a nulidade do lançamento. É o caso dos Acórdãos nº 1802001.864, de 09/10/2013; 2403002.571, de 15/04/2014; 3102001.669, de 27/11/2012; e 3401002.564, de 23/04/2014. Se o procedimento de diligência destinase justamente a as ações destinadas a coletar informações ou outros elementos de interesse da administração tributária, inclusive para atender exigência de instrução processual, nada há de mais regular que, verificando a fiscalização a necessidade de apuração mais detalhada, instaure depois o procedimento de fiscalização, obviamente com o aproveitamento das provas já coletadas. No caso vertente, o MPFF, foi emitido antes da lavratura do auto de infração e suas prorrogações foram regularmente publicadas no site da RFB, conforme sempre observado nos Termos de Intimações e comunicações elaboradas à empresa. O MPFF é de junho/2011 e o Auto de Infração é de novembro/2011. Não há nenhuma irregularidade procedimental por parte da administração da RFB. Inclusive, verificase no Termo de Ciência e Constatação de fl. 146, a informação de conversão do MPF (D) para o MPF (F). 2.3. EXCESSO DE PRAZO NA CONCLUSÃO PROCEDIMENTAL – AUSÊNCIA DE NOTIFICAÇÃO SOBRE AS PRORROGAÇÕES DO MPFF – NULIDADE DO AUTO DE INFRAÇÃO Fl. 1097DF CARF MF Processo nº 13971.722505/201154 Acórdão n.º 3402003.674 S3C4T2 Fl. 1.087 23 Aduz a Recorrente que, "(...) A respeito do tema envolvendo a nulidade do MPFF, também é importante repisar este tema, envolvendo a ausência de notificação do contribuinte acerca das constantes prorrogações do MPFF". Como se vê, reclamam também os Recorrentes que a contribuinte não foi intimada das prorrogações do MPF e que teve ciência do despacho decisório. No entanto, como já bem esclareceu a fiscalização, não há previsão na legislação para tal. Conforme determinado pelos artigos abaixo da Portaria RFB nº 11.371, de12 de dezembro de 2007, vigente à época, as informações sobre o procedimento fiscal e suas prorrogações são disponibilizadas à contribuinte por intermédio de código de acesso na Internet: Art. 4º O MPF será emitido exclusivamente em forma eletrônica e assinado pela autoridade outorgante, mediante a utilização de certificado digital válido, conforme modelos constantes dos Anexos de I a III desta Portaria. Parágrafo único. A ciência pelo sujeito passivo do MPF, nos termos do art. 23 do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, com redação dada pelo art. 67 da Lei nº 9.532, de 10 de novembro de 1997, darseá por intermédio da Internet, no endereço eletrônico www.receita.fazenda.gov.br, com a utilização de código de acesso consignado no termo que formalizar o início do procedimento fiscal. Art. 9º As alterações no MPF, decorrentes de prorrogação de prazo, inclusão, exclusão ou substituição de AFRFB responsável pela sua execução ou supervisão, bem como as relativas a tributos ou contribuições a serem examinados e período de apuração, serão procedidas mediante registro eletrônico efetuado pela respectiva autoridade outorgante, conforme modelo aprovado por esta Portaria. Parágrafo único. Na hipótese de que trata o caput, o AFRFB responsável pelo procedimento fiscal cientificará o sujeito passivo das alterações efetuadas, quando do primeiro ato de ofício praticado após cada alteração. Art. 18. Os MPF emitidos e suas alterações permanecerão disponíveis para consulta na Internet, mediante a utilização do código de acesso de que trata o art. 4º, parágrafo único, mesmo após a conclusão do procedimento fiscal correspondente. Nessa esteira é que a ação fiscal objeto o MPFF nº 0920400201100211, teve suas prorrogações disponibilizadas à contribuinte pela Internet, como pode ser verificado na informação constante no documento de fl. 146, conforme trecho abaixo reproduzido: "Salientamos que as informações acerca do MPF em tela, bem como eventuais prorrogações, podem ser observadas com uso de senha de acesso xxxxxxx, diretamente no sítio da RFB, ...(...). Ademais, a competência para a autoridade fiscal efetuar o lançamento decorre da lei. Nessa linha, a jurisprudência no CARF caminha no sentido de que eventual irregularidade na emissão, alteração ou prorrogação do Mandado de Procedimento Fiscal não Fl. 1098DF CARF MF 24 acarretaria a nulidade do lançamento (vide Acórdãos nºs 1802001.864, de 09/10/2013; 2403 002.571, de 15/04/2014; e 3401002.564, de 23/04/2014). 2.4. DOIS SUJEITOS PASSIVOS NO MESMO AUTO DE INFRAÇÃO – AUSÊNCIA DE INDIVIDUALIZAÇÃO DO LANÇAMENTO – NULIDADE DO AUTO DE INFRAÇÃO Alega a Recorrente que "(...) O tema em epígrafe, já invocado pelas Recorrentes em sede de impugnação, é deveras importante, eis que as Recorrentes entendem ser manifestamente nulo o Auto de Infração que não individualiza as condutas, bem como porque, no seu entender, não é admissível a lavratura de um mesmo Auto de Infração para duas pessoas jurídicas distintas. Vejam, Nobres Julgadores, muito embora a D&A e a empresa RSI TÊXTIL sejam pessoas jurídicas distintas, com quadros societários distintos, a Autoridade Fiscal decidiu lavrar um único Auto de Infração, constante de um único processo administrativo, contra as duas empresas". Quanto à alegação de falta de individualização do lançamento não assiste razão às recorrentes, vez que os lançamentos objeto do presente processo foram legitimamente efetuados, nos termos do art. 142 do CTN, apontando como sujeito passivo a referida contribuinte e os responsáveis solidários pelos tributos e pelas infrações, em conformidade com o disposto no CTN e com o art. 95 do Decretolei nº 37/66. Vejase: Art.95 Respondem pela infração: I conjunta ou isoladamente, quem quer que, de qualquer forma, concorra para sua prática, ou dela se beneficie; II (...) V conjunta ou isoladamente, o adquirente de mercadoria de procedência estrangeira, no caso da importação realizada por sua conta e ordem, por intermédio de pessoa jurídica importadora.(Incluído pela Medida Provisória nº 2.15835, de 2001) VI conjunta ou isoladamente, o encomendante predeterminado que adquire mercadoria de procedência estrangeira de pessoa jurídica importadora.(Incluído pela Lei nº 11.281, de 2006) Não se vislumbra a possibilidade de se lavrar um auto de infração para cada integrante do polo passivo, vez que significaria exigir o mesmo montante, de forma independente, várias vezes, da contribuinte e dos responsáveis. As exigências tributárias são únicas, mas, em virtude do que dispõe a lei, são efetuadas em face de vários sujeitos passivos, com a reunião das provas necessárias para a caracterização dos responsáveis para a satisfação do crédito tributário, sendo que o pagamento efetuado por um dos autuados aproveita aos demais e o pedido de parcelamento deferido a um dos autuados suspende a exigibilidade do crédito tributário em relação aos demais. Pelas provas dos autos, correto o procedimento da autoridade lançadora de nomear as duas empresas para responder pelo crédito tributário lançado. 2.6. ILEGITIMIDADE DE CAIO MARCELO DEBOSSAN E ERICA DEBOSSAN REINERT PARA FIGURAREM SOLIDARIAMENTE NO PÓLO PASSIVO DO AUTO DE INFRAÇÃO Fl. 1099DF CARF MF Processo nº 13971.722505/201154 Acórdão n.º 3402003.674 S3C4T2 Fl. 1.088 25 Em seu recurso, alega que "(...) O presente Auto de Infração lançado contra a empresa Importadora das mercadorias, a D&A Comércio Serviços de Importação e Exportação Ltda., visa atingir também as pessoas físicas de Caio Marcelo Debossan e Erica Debossan Reinert, sob a presunção de que ambos seriam ‘sócios ocultos’ da Recorrente". Alegam que, afora a relação familiar entre os seus sócios, as empresas D&A e Debossan Despachos Aduaneiros Ltda., possuem objetos sociais distintos e específicos, cada uma com seu motivo negocial claro e aparente, sendo administradas cada qual pelo seu sócio administrador, não havendo o que se falar em ‘sóciooculto’ por qualquer razão que seja. No caso dos autos, está sobejamente provado a prática, pela empresa Recorrente e pela R.S.I, com a participação efetiva dos nomeados responsáveis (Caio e Érica), de interposição fraudulenta na importação, sendo inequívoca a imposição da penalidade objeto deste processo e a legitimidade passiva de ambas, conforme disposto no art. 95, inciso V, do DL nº 37/66. No entanto, essa tese não pode prosperar, conforme já decidido no Acórdão nº Acórdão nº 3302002.874– 3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária, de 19 de março de 2015, Relator Walber José da Silva, em processo que trata de situação semelhante da contribuinte: "(...) Quanto a alegação de ilegitimidade do Sr. Caio Marcelo Debossan e Érica Debossan Reinert para figurar no pólo passivo do auto de infração, conforme demonstrado na Descrição dos Fatos que levaram à autuação, devidamente comprovado no "Anexo Probante da Sociedade de Fato CaioÉrica", os irmãos e Despachantes Aduaneiros, Sra. Érica e Sr. Caio efetivamente dirigiam a empresa D&A, praticando atos típicos de gerência da empresa, que vai desde a negociação com clientes à ascendência sobre os empregados, passando por propaganda onde eles se apresentam como executivos e sócios da D&A, inclusive no site da própria D&A (www.deacomex.com.br), conforme acima se disse. Eventuais negociações com empresas e órgãos intervenientes no comércio, que poderiam ser terceirizadas e que foram efetuadas pelos referidos Despachantes Aduaneiros, não são suficientes para desconstituir os demais atos de efetiva gestão consignados no Auto de Infração, ainda mais quando desacompanhado de contrato específico de prestação desses serviços especializados e da respectiva nota fiscal relativo ao preço do serviço contratado. Por outro lado, a farta documentação probatória juntada aos autos reflete, indubitavelmente, uma intensa atividade de gestão dos negócios da D&A pelos sócios e gestores de fato, Sra. Érica e Sr. Caio. Portanto, está sobejamente provado nos autos que os ditos responsáveis solidários conduziam tanto os negócios da empresa D&A como da empresa Debossan Despachos Aduaneiros e, externamente, as duas empresas se apresentavam como sendo do "Grupo D&A", sendo que as ações de ambas eram sobrepostas, como bem ficou provado na Descrição dos Fatos e no "Anexo Probante da Sociedade de Fato CaioÉrica". Fl. 1100DF CARF MF 26 Formalmente, na qualidade de sócios da empresa Debossan Despachos Aduaneiros, os dois atuavam pessoalmente também como despachante aduaneiro nas importações realizadas pela empresa D&A e não foi diferente com as DI objeto da autuação. Portanto, sem reforma a decisão recorrida que manteve a Sra. Érica e o Sr. Caio como responsáveis solidários do crédito tributário lançado. (...) A título de ilustração dos vários atos de gestão dessas pessoas físicas na empresa D&A que convergem no sentido de que detinham de fato poder de gerência nesta empresa, cabe transcrever alguns trechos do "Anexo Probante da Sociedade de Fato Caio Érica" com informações extraídas de arquivos digitais apreendidos e de outros documentos: (...) Érica busca fornecedores chineses para um cliente da D&A: “Bem como vc sabe trabalho com comércio exterior e além de desembaraço aduaneiro, emissão de doctos em exportação e importação. Recentemente nossa empresa vem prestando tb um tipo de assessoria em exportar e importar produtos para alguns clientes na região. Mas por que existem muitos clientes que não cadastraram ainda no RADAR e não querem perder o negócio. Gostamos da brincadeira e estamos levando a sério, não somos trading apenas fazendo uns negócinhos... Então, estou tentando localizar na China fabricantes (...) Mas aproveitando a oportunidade, meu irmão (que é meu sócio) está perguntando (...)”. (...) Érica faz as tratativas junto à empresa de aviação ABSA, para credenciamento da D&A como agente de carga. (...) Érica determina hierárquica e minuciosamente às funcionárias da D&A como devem ser operacionalizados determinados procedimentos dentro da empresa. (...). Érica faz tratativas para confecção de xícaras e canecas com o logotipo da D&A; aduz ao desenvolvedor que em sua ausência o Sr. Caio poderá resolver. (...) Caio repreende a funcionária Andressa, após erro desta junto a um cliente: “Caramba Andressa, esse erro é muito bobo. Please ATENÇÃO no que vc faz”. (...) Caio informa hierárquica e gerencialmente a todos da D&A que dá por terminado todo e qualquer trabalho com a empresa Yellow; o sócio desta, responde a Caio: “apostei bastante na sua empresa”. Fl. 1101DF CARF MF Processo nº 13971.722505/201154 Acórdão n.º 3402003.674 S3C4T2 Fl. 1.089 27 (...) O informe comercial veiculado no jornal, sobre a D&A, não deixa dúvidas (g.n.): “A empresa evoluiu de uma pequena sala de 25 metros quadrados onde atuavam os empresários Caio Marcelo Debossan e Erica Debossan Reinert, para uma sede de 400 metros quadrados, onde atuam 35 pessoas.”. (...) Os sócios da empresa, Caio Debossan e Erica Debossan Reinert, afirmam que os números são resultados de uma receita entre profissionais competentes, clientes em crescimento e a aposta em um estilo diferenciado de se trabalhar com comércio exterior. “Oferecemos um serviço com duas características primordiais: completo, já que temos desde desembaraço aduaneiro até assessoria em legislação aduaneira, e personalizado”, explica Erica. Caio completa que em 2010 a D&A diversificou mercados e cresceu em 26% o número de clientes. (...) No site de relacionamentos Facebook, o Sr. Caio Debossan informa que é sóciodiretor da empresa D&A, desde maio de 2003 até agora (11/11/2011). (...). Ademais, não prospera à alegação de que não teria sido atendido ao disposto no art. 135 do CTN, vez que, conforme demonstrado na autuação (vide trechos abaixo), Caio e Érica Debossan agiram com infração à lei (fls. 289/292): (...) No caso em comento, a participação consciente dos sócios ocultos, Sr. Caio Debossan e Sra. Érica Debossan Reinert, com poderes de fato sobre a gestão da D&A à época dos fatos geradores é de clareza solar, conforme demonstrará a documentação acostada. Como agravante, é de se considerar a réproba conduta no uso de seus respectivos cônjuges, a figurar no quadrosocietário de direito como meros “prestanomes”, ou “laranjas”, respectivamente, Sra. Josiane Debossan e Sr. Ivan Luiz Reinert. Tal arranjo ou conluio objetivava manter ocultos os sócios de fato, Caio/Érica, do impedimento legal de serem sócios administradores da importadoraexportadora D&A, por serem despachantes aduaneiros, na forma do art. 10, I, do Decreto 646/923, vigente à época c/c art. 76 da Lei 10.833/034 (o que é somente permitido a sócios de empresas comissárias de despacho, como o são da empresa Debossan Despachos Aduaneiros, CNPJ n.º 07.081.778/000111). (...) Fl. 1102DF CARF MF 28 Do exposto, concluise, em apertada síntese, que os ocultos sóciosadministradores de fato Caio e Érica Debossan também são responsáveis solidários pelo crédito tributário constituído na presente auditoria, nos termos dos arts. 124 e 135, da Lei nº 5.172/66 (Código Tributário Nacional). (...) Nesse passo, considerando que o cerne restante da questão desta responsabilização tributária é a prova da administração oculta da sociedade pela dupla citada, acostamos ao presente processo todo um cabedal de provas neste sentido, que é parte integrante deste(s) Auto(s) de Infração: v. Anexo Probante da Sociedade de Fato CaioÉrica. Nesse tirocínio, o fato é que os dois sóciosadministradores ocultos emergem como principais responsáveis pessoais pelas fraudes perpetradas, carregando desta forma toda uma carteira de clientes, como é comum em uma trading deste teor. Do quadro probante, constatase o nível de minudência administrativogerencial a que descem os citados sócios de fato. Desta forma, não é crível que não soubessem ou não participassem diretamente das práticas fraudulentas. Em sentido contrário, a participação salta aos olhos, haja vista – somente para citar alguns fatos – a referência ao Sr. Caio na documentação obtida judicialmente pela Polícia Federal junto ao grupo doleiro e a farta quantidade de carimbos de fornecedores encontrada nas dependências da D&A, a servir, por óbvio, à forja documental. (...) Ao meu sentir, ficou provado nos autos que os ditos responsáveis solidários conduziam tanto os negócios da empresa D&A como da empresa Debossan Despachos Aduaneiros e, externamente, as duas empresas se apresentavam como sendo do "Grupo D&A", sendo que as ações de ambas eram sobrepostas, como bem ficou provado na Descrição dos Fatos e no "Anexo Probante da Sociedade de Fato Caio Érica". Formalmente, na qualidade de sócios da empresa Debossan Despachos Aduaneiros, os dois atuavam pessoalmente também como despachante aduaneiro nas importações realizadas pela empresa D&A e, no caso das DI objeto desta autuação, como administradores de fato da D&A, participaram das tratativas e da concretização da fraude para ocultar o real importador. Portanto, a farta documentação probatória juntada aos autos reflete, indubitavelmente, uma intensa atividade de gestão dos negócios da D&A pelos sócios e gestores de fato, Sra. Érica e Sr. Caio. Portanto, sem reforma a decisão recorrida que manteve a Sra. Érica e o Sr. Caio como responsáveis solidários do crédito tributário lançado. 2.7. ILEGITIMIDADE PASSIVA DA D&A PARA APLICAÇÃO DA PENA DE PERDIMENTO E MULTA DE CONVERSÃO Quanto a este tema alega a Recorrente que "(...) A Turma de Julgamento de 1ª Instância pretendeu responsabilizar as Recorrentes D&A, Caio e Erica, pelas supostas irregularidades promovidas pela empresa RSI TÊXTIL. Assim, aquelas acabaram sendo responsabilizadas solidariamente pela aplicação da pena de perdimento convertida em multa, fato que também é manifestamente inadmissível. Fl. 1103DF CARF MF Processo nº 13971.722505/201154 Acórdão n.º 3402003.674 S3C4T2 Fl. 1.090 29 "(...)É que a pena de perdimento da mercadoria importada, quando constatada a ocultação do real importador, mediante fraude ou interposição fraudulenta, é sanção que visa punir o real encomendante/adquirente da mercadoria, e não o importador ostensivo, pois este deve ser punido apenas com multa de 10% pela cessão de nome". Alegam os recorrentes, portanto, que contra a D&A somente poderia ter sido aplicada a multa prevista no art. 33 da Lei nº 11.488/2007, mas jamais a multa equivalente ao perdimento, em face de bis in idem. No entanto, tendo em vista que a conduta de ocultação fraudulenta da real adquirente nas importações foi praticada pela D&A, na condição de importadora ostensiva, não há como isentála da infração caracterizada pela "ocultação do sujeito passivo, do real vendedor, comprador ou de responsável pela operação, mediante fraude ou simulação, inclusive a interposição fraudulenta de terceiros" na importação. Quem primeiro responde por uma infração é o seu próprio agente, no caso, a importadora D&A, assim considerado, nos termos do art. 94 do Decretolei nº 37/66, a pessoa física ou jurídica que incorre na omissão ou ação, voluntária ou involuntária, que importe inobservância de norma legal estabelecida. De outra parte, a responsabilização da R.S.I., por essa infração deuse com fundamento no art. 95, I, V e VI do Decretolei 37/66. Quanto à alegação de bis in idem, também não prospera. Tratandose de infrações distintas a infração que ora se julga e aquela prevista no art. 33 da Lei 11.488/2007, que tutelam bens jurídicos diversos, não seria o caso de bis in idem. A multa prevista no art. 33 da Lei 11.488/2007 foi inserida no ordenamento jurídico com intuito de penalizar também a conduta irregular do importador ostensivo (que cedeu seu nome a outrem), a qual antes restava sem qualquer punição na hipótese de perdimento da mercadoria, penalidade esta que era suportada exclusivamente pelo importador oculto (real adquirente da mercadoria). Nesse sentido, no Acórdão n° 310100.431 1ª Camara / 1ª Turma Ordinária, de 25 de maio de 2010, Redator designadoTarásio Campelo Borges, foi decidido que "O dano ao erário nas infrações enumeradas no caput do artigo 23 do Decretolei 1.455, de 1976, com as modificações introduzidas pela Lei 10.637, de 2002, não é fato típico para a exigência da multa cominada no artigo 33 da Lei 11.488, de 2007". Também este Colegiado decidiu recentemente, por unanimidade, no Acórdão nº 3402003.008– 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária, de 26 de abril de 2016, Relator: Antonio Carlos Atulim, no sentido de que a multa por cessão de nome não prejudica a aplicação da pena de perdimento ou a multa equivalente substitutiva ao perdimento. 2.8. AUSÊNCIA DE PROVA DO CONSUMO DAS MERCADORIAS MERA PRESUNÇÃO CERCEAMENTO DE DEFESA IMPOSSIBILIDADE DE CONVERSÃO DA PENA DE PERDIMENTO EM MULTA Aduz que "(...) Em sua defesa apresentada em 1ª instância, as Recorrentes também demonstraram que a conversão da pena de perdimento em multa foi operada de maneira ilegal, vez que jamais restou comprovado o efetivo consumo das mercadorias objeto do perdimento, ou seja, o “consumo” se deu através de mera presunção da Autoridade Fiscal". Fl. 1104DF CARF MF 30 Conforme previsto no art. 23, §3º do Decretolei nº 1.455/76, a multa equivalente ao valor da mercadoria, em substituição à aplicação da pena de perdimento, é cabível quando a mercadoria não seja localizada ou tenha sido consumida. Como se vê, sobre a ausência de prova do consumo, para aplicação da penalidade dos autos, a lei não exige que a mercadoria seja, obrigatoriamente, consumida: basta que ela não seja localizada para haver a conversão em multa a que se refere o § 1º, do art. 689 do RA, de 2009. Do extenso relatório do Auto de Infração se extrai apenas e tão somente a seguinte passagem: [...] Em 11/10/11, a empresa autuada RSI TÊXTIL, destinatária das mercadorias, foi intimada a apresentar as mercadorias constantes das DIs sob análise, para fins de aplicação da penalidade de perdimento às mesmas (Intimação n.º 0135/11/DRF/BLU/SAANA) – v. Doc. 0133. Em resposta, em 26/10/11, através de seu procurador – o mesmo da D&A –, a RSI TÊXTIL informou em síntese, não poder apresentar as mercadorias por impossibilidade material” De forma que foi correto o procedimento adotado pela fiscalização de aplicar a multa substitutiva do perdimento em relação às importações com interposição fraudulenta, tendo em vista a não apresentação de todas as mercadorias pela R.S.I, em resposta à intimação para que o fizesse. Há que ressaltar, que tanto é fato que a empresa foi notificada para apresentação, no prazo de 10 dias, das mercadorias objetos das 03 DI autuadas (vejase a Intimação SAANA nº 0132/2011, à fl. 229), que consta dos autos que parte das mercadorias foram devolvidas pela R.S.I, conforme pode ser verificado no Termo de Recebimentos de Mercadorias (Agulhas HKS), constante documentos fl. 232 e 233, os quais em 26/10/2011, foram retidas pela fiscalização e seus valores subtraídas da autuação. Portanto, não há que se falar em presunção ou qualquer ilegalidade. 2.9. INEXISTÊNCIA DE SONEGAÇÃO, FRAUDE, CONLUIO E SUBFATURAMENTO Alega a Recorrente que "(...) Este ponto é de crucial importância. De fato, a detida análise de toda a situação envolta neste processo permite concluir com segurança que jamais houve sonegação fiscal, vez que todos os tributos incidentes na operação foram devidamente recolhidos; jamais houve a prática de fraude ou conluio, tampouco uma conduta dolosa que visasse a prática de alguma evasão fiscal, ou qualquer outro prejuízo ao Erário. Não houve nenhum dano ao Erário. Isso é um fato incontroverso". Não procede a alegação dos Recorrentes de inocorrência de sonegação, fraude, conluio, e subfaturamento e de que ocorreu importação direta para revenda, devidamente caracterizada. As provas dos autos são no sentido oposto, conforme já dito neste voto que a importação não foi direta, lastreado em vasta prova. Não desconstituiu a D&A as provas relativas aos carimbos encontrados em seu estabelecimento, às remessas de divisas feitas por meio da Roger Tur, as tratativas do Sr. Caio e da Sra. Érica da importação das mercadorias para diversos clientes dela D&A e, no caso específico, a movimentação financeiras entre ela D&A e a R.S.I. Fl. 1105DF CARF MF Processo nº 13971.722505/201154 Acórdão n.º 3402003.674 S3C4T2 Fl. 1.091 31 Não obstante a empresa D&A informasse nas Declarações de Importação que seria ela própria a adquirente das mercadorias importadas, mediante prova cabal, apurou a fiscalização que tais importações seriam por conta e ordem da R.S.I, que seria a real adquirente das mercadorias, tendo ocorrido a interposição fraudulenta na importação, além de subfaturamento. As infrações restaram comprovadas, conforme consta do minucioso Relatório de "continuação do Auto de Infração" de fls. 270/466, como mensagens trocadas entre funcionários dessas empresas com detalhes acerca das importações a serem efetivadas pela D&A, bem como acerca de valores cheios e subfaturados em 25%; arquivos com prestação de contas típicas de operação por conta e ordem repassadas da D&A para a R.S.I; depósitos na contacorrente da D&A para suprir o câmbio das importações e os custos do despacho aduaneiro; faturas proformas; confirmação de depósitos bancários na escrituração contábil da D&A; mensagens eletrônicas da D&A para a R.S.I, na qual encaminha planilha com os custos da importação e solicita o depósito do valor; solicitação de numerário pela D&A a R.S.I; solicitação da R.S.I a D&A para confirmação do fechamento do câmbio para informar ao exportador no exterior; lançamento contábeis da D&A relativos aos adiantamentos para a importação por conta e ordem sem identificar o supridor dos recursos e em data posterior a sua transferência (data posterior ao registro da DI). Em face do adiantamento de recursos para a R.S.I para a D&A, as importações são consideradas por conta e ordem, nos termos do art. 27, da Lei nº 10.637/2002. Tendo em vista as informações nos autos acerca de subfaturamento, com mensagens expressas de "valores cheios" e valores subfaturados em 25%; ocultação fraudulenta do real adquirente das mercadorias; exercício de gestão de fato na empresa D&A por despachantes aduaneiros; carimbos de vários fornecedores localizados na empresa D&A, não há que se falar em ausência de fraude. Também não é verdade que todos os tributos incidentes na operação foram regularmente recolhidos, como alegam os recorrentes, vez que do novo valor aduaneiro apurado pela fiscalização, resultou em exigência de tributos no presente auto de infração. As questões atinentes a eventual lesão das multas a princípios constitucionais, que acaso procedentes, conduziriam a inconstitucionalidade da lei que as veicula, não podem ser conhecidas na esfera administrativa, vez que o agente administrativo está vinculado à lei. Quanto à alegação de que não seria subfaturamento, mas descontos concedidos pelos exportador, além de os recorrentes não comprovarem o alegado, as provas dos autos conduzem no sentido contrário, de expresso subfaturamento. 2.10. DA QUEBRA DA CADEIA DO IPI Informa a Recorrente que "(...) Aliás, insta esclarecer, que, ao contrário do alegado pela Autoridade Fiscal em seu relatório de Auto de Infração, nem de longe há que se cogitar a fantasiosa “quebra da cadeia do IPI”. Com efeito, a Autoridade Fiscal aduz, em síntese, que a D&A e a RSI TÊXTIL teriam deliberadamente ocultado o real adquirente das mercadorias em questão, ao pretexto de deixar de recolher IPI, mesmo que proporcionalmente". Fl. 1106DF CARF MF 32 Nesse aspecto, há de se esclarecer que a fiscalização quando menciona a "quebra da cadeia do IPI" discorre, em ordem genérica, sobre alguns dos fins pretendidos pelo legislador ordinário para coibir a interposição fraudulenta nas operações de comércio exterior, entretanto, a existência de quebra do cadeia do IPI, in concreto, não integra o tipo infracional. No entanto, há que se esclarecer que, no comércio exterior e de acordo com as disposições do art. 689 do RA/2009, a interposição fraudulenta caracteriza dano ao erário, que independe de haver ou não insuficiência de recolhimento de tributos, porque o dano ao erário envolve outras variáveis, a exemplo da evasão de divisas e da concorrência desleal. Portanto, a ocorrência ou não da quebra da cadeia do IPI é irrelevante para a caracterização de ocorrência do delito fiscal "dano ao erário". Dessa forma, mesmo que, no presente caso, não ocorra a quebra da cadeia do IPI, esse fato, por si só, não socorrem os recorrentes no que concerne ao afastamento da infração cometida em conformidade com o disposto no art. 23, V do Decretolei nº 1.455/76. 2.11. EXTINÇÃO DO DIREITO DE REALIZAR A REVISÃO ADUANEIRA TRANSCURSO DO PRAZO DE 5 ANOS DECADÊNCIA A análise de decadência foi tratada no início deste Voto, em tópico específico, no que assiste razão em parte aos recorrentes. 2.12. INAPLICABILIDADE DA MULTA POR CONSUMO DE MERCADORIAS ESTRANGEIRAS “INTRODUZIDAS FRAUDULENTAMENTE NO PAÍS” ENQUADRAMENTO LEGAL INCORRETO VÍCIO MATERIAL ANULAÇÃO DO AUTO DE INFRAÇÃO A Recorrente argumenta que "(...) A Autoridade Fiscal, presumindo que a mercadoria objeto do auto de infração anexo havia sido “consumida”, autuou a Impugnante duplamente com multa “de 100% do valor da mercadoria”. Assim o fez com base nos arts. 631 e no Art. 618, XXII c/c seu §1º, ambos do Antigo Regulamento Aduaneiro, vigente à época dos fatos (Dec. 4.543/02). Contudo, ainda que fosse o caso de aplicação da pena de perdimento da mercadoria (o que se admite apenas para efeitos de argumentação), jamais poderiam ter sido aplicadas ambas as multas conjuntamente" O pleito dos recorrentes, já foi atendido em tópico específico no início deste Voto, tendo sido exonerada a parcela da autuação decorrente da multa regulamentar do IPI. 2.13. NÃO INCIDÊNCIA DE TRIBUTOS SOBRE MERCADORIAS OBJETO DE PENA DE PERDIMENTO A Recorrente alega em seu recurso que "(...) O IPI, a PIS e a COFINS incidentes nas operações de comércio exterior têm em comum normas de estrutura que modificam a regramatriz de incidência desses tributos, suprimindo do critério material da hipótese de incidência nos casos em que a mercadoria importada tiver sido objeto de pena de perdimento. Assim, toda vez que uma mercadoria estrangeira for apenada com o perdimento, tal importação se subsumirá à regra isentiva, impedindo a incidência tributária". Ao contrário do que pregam os recorrentes, conforme ressalvam os dispositivos abaixo transcritos, o Imposto sobre a Importação e as contribuições para o PIS e Cofins na importação incidem na situação em que é aplicada a multa substitutiva do perdimento da mercadoria em face da sua não localização, consumo ou revenda: Fl. 1107DF CARF MF Processo nº 13971.722505/201154 Acórdão n.º 3402003.674 S3C4T2 Fl. 1.092 33 Vejase o disposto no Decretolei nº 37/66: Art.1º O Imposto sobre a Importação incide sobre mercadoria estrangeira e tem como fato gerador sua entrada no Território Nacional. (Redação dada pelo DecretoLei nº 2.472, de 01/09/1988) (...) § 4o O imposto não incide sobre mercadoria estrangeira: (Incluído pela Lei nº 10.833, de 29.12.2003) (...) III que tenha sido objeto de pena de perdimento, exceto na hipótese em que não seja localizada, tenha sido consumida ou revendida. (Incluído pela Lei nº 10.833, de 29.12.2003) E, também na Lei nº 10.865/2004: Art. 1o Ficam instituídas a Contribuição para os Programas de Integração Social e de Formação do Patrimônio do Servidor Público incidente na Importação de Produtos Estrangeiros ou Serviços PIS/PASEPImportação e a Contribuição Social para o Financiamento da Seguridade Social devida pelo Importador de Bens Estrangeiros ou Serviços do Exterior COFINS Importação, com base nosarts. 149, § 2o, inciso II, e 195, inciso IV, da Constituição Federal,observado o disposto no seu art. 195, § 6o. Art. 2o As contribuições instituídas no art. 1o desta Lei não incidem sobre: (...) III bens estrangeiros que tenham sido objeto de pena de perdimento, exceto nas hipóteses em que não sejam localizados, tenham sido consumidos ou revendidos; 2.14. INOCORRÊNCIA DE OCULTAÇÃO OU SIMULAÇÃO INEXISTÊNCIA DE BURLA AOS CONTROLES ADUANEIROS IMPORTAÇÃO DIRETA PARA REVENDA REGULARMENTE CARACTERIZADA Alega os Recorrentes que "(...) Assim, a aplicação da pena de perdimento de mercadoria é medida de imposição excepcionalíssima, não compatível com o caso concreto". "(...) Não obstante, não basta a existência de meros erros de forma, erros procedimentais para a aplicação da pena de perdimento. A conduta adotada pelo infrator deve ser grave em sua substância e de caráter evidentemente lesivo". "(...) A empresa Importadora (D&A) cuidou de cumprir todos os aspectos jurídicos, tributários e formais para deixar “às claras” o negócio realizado, não havendo o que se cogitar em “simulação”, como quer fazer crer a autoridade fiscalizadora em seu relatório". Apurouse que a recorrente D&A informou, em suas declarações de importação, que se trataria de importação própria, quando, em verdade, apurouse que tais Fl. 1108DF CARF MF 34 operações ocorreram por conta e ordem de terceiro, no caso, a R.S.I, tendo incorrido a contribuinte em interposição fraudulenta, por ter ocultado fraudulentamente a real adquirente. O procedimento correto que deveria ter seguido pela importadora é aquele previsto nos artigos 2º e 3º da Instrução Normativa SRF nº 225/2002, apresentando previamente à fiscalização o contrato de prestação de serviços com a outra recorrente para a sua habilitação para atuar por conta e ordem de terceiro no comércio exterior, bem como informando, em campo próprio das declarações de importação a identificação da verdadeira interessada nas mercadorias importadas, em consonância com a fatura comercial na qual também seria necessária identificála. A alegação de que não teria havido o efetivo prejuízo ao Erário ou burla aos controles aduaneiros para o cabimento da pena de perdimento não prospera. As hipóteses de "dano ao Erário", definidas pelo legislador ordinário no art. 23 do Decretolei n° 1.455/76, tratamse de autênticas presunções legais de dano ao Erário, não se fazendo necessária qualquer comprovação adicional de efetivo prejuízo financeiro ao Erário ou à atividade fiscalizatória. Quando ocorrem, no mundo concreto, as infrações tipificadas nos incisos desse dispositivo legal, está presumido o dano ao Erário. Tendo, no caso sob análise, ocorrido o cometimento da infração de "ocultação do sujeito passivo, do real vendedor, comprador ou de responsável pela operação, mediante fraude ou simulação, inclusive a interposição fraudulenta de terceiros" na importação, veiculada pelo art. 23, V do Decretolei nº 1.455/76, está caracterizado o "dano ao Erário". 2.15. DO ELEMENTO DANOSO RELEVAÇÃO DA PENA DE PERDIMENTO Aduz que "(...) As importações sob análise, ainda que se entendesse irregulares, não foram realizadas dessa forma com o intuito de fraude. Pelo contrário, o contribuinte agiu de boa fé, entendendo ser correta sua conduta, baseada na interpretação da legislação aduaneira em vigor. Vejase que o legislador tratou de relevar a pena de perdimento, nos casos em que o infrator, voluntariamente, comunique eventual erro ou equívoco ocorrido nos seus procedimentos, pois são casos nos quais não há o elemento danoso, nem intenção do agente em cometer a infração". Quanto ao pedido de relevação da pena de perdimento por ausência do elemento danoso, fundada no art. 737 do RA/2009, impende registrar que o CARF não tem competência para relevar penalidades, cabendo tal competência ao Ministro de Estado da Fazenda, nos termos do art. 736 do mesmo RA/2009, abaixo reproduzido. A competência para sua apreciação, atribuída originariamente ao Ministro da Fazenda através do art. 4º do DecretoLei nº 1.042/1969, foi delegada ao Secretário da Receita Federal mediante a Portaria MF nº 214/79. 2.16. DA APLICAÇÃO DA PENALIDADE MAIS FAVORÁVEL Alega em seu recurso que "(...) Caso se entenda que houve irregularidades na importação no que tange a alegada interposição fraudulenta, imperioso se reconhecer que estas foram de ordem meramente formal, o que ensejaria somente a aplicação da multa comumente conhecida como “multa por erro”, do art. 711 do R.A., ao invés da pena de perdimento". Tal alegação que devese aplicar a penalidade mais favorável porque houve mero erro formal na DI, entendo estar equivocado os Recorrentes, porque o conjunto probatório dos autos leva à conclusão que eles (D&A, Caio e Érica) conheciam toda a operação de importação e que a mesma era por conta e ordem e, mesmo assim, os Despachante Fl. 1109DF CARF MF Processo nº 13971.722505/201154 Acórdão n.º 3402003.674 S3C4T2 Fl. 1.093 35 Aduaneiros, registrou a DI como importação direta e as mercadorias foram transferidas para a R.S.I a título de venda. Portanto, não ocorreu mero "erro formal" no preenchimento da DI que enseje a aplicação da multa do art. 711 do RA/2009. Portanto, tendo sido perfeitamente configuradas as infrações objeto de autuação e não sendo o caso de mera omissão ou prestação de informação inexata ou incompleta, não há que se falar em aplicação de multa prevista no art. 711 do Regulamento Aduaneiro de 2009. DAS ALEGAÇÕES RECURSAIS DA R.S.I Por fim, quanto à alegação da Recorrente, R.S.I, em seu recurso (item 3, à fl. 1.064), aduz que "se aterá a analisar e rebater os tópicos relativos ao uso da prova emprestada e ao fato de que a fiscalização ter sido realizada em estabelecimento mantido por pessoa jurídica diversa da ora Recorrente, uma vez que os demais tópicos foram ventilados pelas demais pessoas autuadas". Afirma que deve ser anulada a decisão proferida, devolvendose os autos para que a DRJ profira nova decisão, explanando acerca dos argumento articulados pela Recorrente em sua Impugnação. Além disso, (a) que a utilização isolada de provas emprestadas para atribuir conduta antijurídica à Recorrente, fere o direito de defesa desta, pois não participou da produção de tais meios de prova; (b) a reforma da decisão proferida pela DRJ, com a anulação da autuação realizada e a conseqüente extinção do crédito tributário; (c) a suspensão da exigibilidade do crédito tributário, e (d) que as intimações sejam dirigidas aos advogados que esta subscrevem, sob pena de nulidade. Como já exposto, a análise e julgamento dos argumentos apresentados nos Recursos Voluntários (da D&A e da R.SI.), foram reunidas e agrupadas por temas semelhantes, de forma lógica e sistematizada, com o fito de, a uma, elencar todos os pontos impugnados; a duas, evitar duplicidades ou redundâncias temáticas e, a três, permitir a congruência dos diversos argumentos articulados. Desta forma, quanto a matéria relativo ao uso da prova emprestada, tais questões já foram abordadas e debatidas em tópico específico deste Voto, em mesma matéria requerida pela Recorrente D&A. Quanto ao pedido de nulidade do Auto de Infração, verificase que o enquadramento legal descrito na peça vestibular que se fundamenta a autuação, há que se destacar que o Relatório Fiscal (continuidade do Auto de Infração) que é parte integrante do auto de infração, consistindolhe em parte anexa (fls. 270/466). Assim, o auto de infração distingue, objetivamente, todas as infrações que teriam sido praticadas nas operações apuradas.Desta forma, no Relatório Fiscal que é parte integrante do auto de infração, observase tópico exclusivo quanto ao "Enquadramento Legal" da conduta autuada, onde se observa a precisa indicação do tipo infracional, restando infundada a alegação da recorrente. E mais. O ato de lançamento, entendido como procedimento administrativo voltado à constituição do crédito tributário, deve obedecer a imperativos de forma que garantam a sua conformação jurídica, o que ocorre perfeitamente no caso dos autos. Fl. 1110DF CARF MF 36 O auto de infração teve origem em auditoria realizada pela Fiscalização da Receita Federal, fartamente detalhada em relatório fiscal, onde consta a motivação para o lançamento e as provas que conduziram a autoridade fazendária a lavratura do auto de infração (fls. 270/466). A Recorrente foi cientificada da exigência fiscal e apresentou impugnação que foi apreciada em julgamento realizado na primeira instância. Irresignada com o resultado do julgamento da autoridade a quo, protocolou recurso voluntário, rebatendo as posições adotadas no acórdão recorrido, combatendo as razões de decidir daquela autoridade, portanto, as motivações para o lançamento, bem como, as do julgamento na primeira instância foram claramente identificadas. Com todo este histórico de discussão administrativa, não se pode falar em cerceamento de direito de defesa ou quaisquer outros vícios no lançamento ou no julgamento da primeira instância, todo o procedimento previsto no Decreto 70.235/72 foi observado, tanto o lançamento tributário, bem como, o devido processo administrativo fiscal. Pela leitura dos autos, constatase que o Auditor Fiscal não só descreveu de forma suficientemente objetiva e cristalina os fatos o enquadramento legal e normativos, como teceu importantes lições sobre o próprio controle aduaneiro e ainda sobre o comércio internacional e as partes eventualmente envolvidas, o que contribuiu, decisivamente, para a exata compreensão da autuação. Ou seja, não verifico uma dúvida sequer relativa aos fatos narrados pela fiscalização, e tampouco sobre o enquadramento legal e/ou normativo adotado. Apenas para um melhor esclarecimento sobre o assunto, transcrevese o dispositivo que rege a matéria no processo administrativo fiscal. Prescreve o art. 59 do Decreto nº 70.235/72, com a nova redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993: Art. 59. São nulos: I os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. § 1º (...). Art. 60. As irregularidades, incorreções e omissões diferentes das referidas no artigo anterior não importarão em nulidade e serão sanadas quando resultarem em prejuízo para o sujeito passivo, salvo se este lhes houver dado causa, ou quando não influírem na solução do litígio. O auto de Infração devese ter como premissa indelével a necessidade de atendimento aos requisitos mínimos de formação válida do ato administrativo fiscal, requisitos estes expressamente determinados pelo artigo 142 do Código Tributário Nacional, e artigos 9º, 10 e 11 do Decreto nº 70.235/72. Deste modo, não merece guarida a alegação de nulidade, uma vez que foram cumpridos tais requisitos legais, não se enquadrando, portanto, em nenhum dos requisitos do citado art. 59 do Decreto nº 70.235/72. Por isso, rejeito a preliminar de nulidade. Também deve ser indeferido o pedido para que as intimações sejam efetuadas em nome do patrono da causa administrativa, pois, o Decreto n° 70.235, de 6 de março de 1972, art. 23, II, com a redação que lhe foi dada pela Lei nº 9.532, de 10 de dezembro de 1997, art. 67, determina que elas sejam feitas por via postal, ou qualquer outra via com prova de recebimento, e endereçadas ao domicílio tributário eleito pelo sujeito passivo. Fl. 1111DF CARF MF Processo nº 13971.722505/201154 Acórdão n.º 3402003.674 S3C4T2 Fl. 1.094 37 Quanto ao pedido de efeito suspensivo do crédito, não procede, uma vez que é efeito automático do Recurso Voluntário a suspensão da exigibilidade do crédito lançado, por força do art. 151, inciso III, do CTN, descabe qualquer providência do Órgão Julgador quanto ao pedido levado a efeito pela R.S.I nesse sentido. Por fim, e para que não se alegue omissão no julgado, ratifico e, supletivamente, adoto todos os fundamentos da decisão recorrida, que tenho por boa e conforme a lei (forte no art. 50, § 1º, da Lei no 9.784, de 1991). CONCLUSÃO Assim, por todo o exposto, voto no seguinte sentido: 1) não conhecer do recurso do sujeitos passivos solidários Érica Debossan Reinert e Caio Marcelo Debossan, que interpuseram recurso voluntário em conjunto com a Recorrente D&A, porém, fora do prazo legal de 30 dias; 2) dos recursos conhecidos, dar provimento parcial, para: i) exonerar a multa pelo consumo de mercadorias estrangeiras introduzidas fraudulentamente no país, prevista no art. 83, I, da Lei nº 4.502/64; ii) em face da decadência, exonerar, parcialmente, a "multa administrativa decorrente do subfaturamento" e à "multa equivalente ao perdimento em face da interposição fraudulenta", exonerandose a parcela relativa à importação registrada até 23/11/2006 (no caso a DI nº 06/08979311, 2052, registrada em 01/ago/06, no valor de R$ 3.546,05; e (iii) manter como os responsáveis solidários a empresa R.S.I. TEXTIL LTDA e o Sr. CAIO MARCELO DEBOSSAN, CPF nº 936.292.65987 e Sra. ÉRICA DEBOSSAN Reinert, CPF nº 919.869.82904. É como voto. (Assinatura Digital) Waldir Navarro Bezerra Relator Fl. 1112DF CARF MF 38 Declaração de Voto Conselheiro Carlos Augusto Daniel Neto Primeiramente, saúdo o Ilustre Relator pelo minucioso voto para, segundamente, pedir vênia para discordar sobre alguns pontos de seu arrazoado, pelas razões que serão expostas abaixo. Da tempestividade dos recursos voluntários dos responsáveis solidários. Afirma o Relator em seu voto que: Verificase nos autos que os sujeitos passivos solidários Érica Debossan Reinert (CPF nº 919.869.82904) e Caio Marcelo Debossan (CPF nº 936.292.65987) interpuseram recurso voluntário em conjunto com a Recorrente D&A, porém, fora do prazo legal de 30 dias, uma vez que a ciência do Acórdão recorrido ocorreu, para ambos, em 19/10/2013 (fls. 947/952, 953/958, 965 e 968), e o protocolo do Recurso em conjunto com a D&A, ocorreu em 20/11/2013 (fls. 972/1.058) Devese frisar, de pronto, que o processo administrativo tributário fiscal possui uma regra própria sobre a contagem de prazos no seu âmbito, presente no art. 5º do Decreto 70.235/72, verbis: Art. 5º Os prazos serão contínuos, excluindose na sua contagem o dia do início e incluindose o do vencimento. Parágrafo único. Os prazos só se iniciam ou vencem no dia de expediente normal no órgão em que corra o processo ou deva ser praticado o ato. Tal regime de contagem de prazos replica exatamente aquele veiculado pela Lei 5.869/73 (CPC), vigente à época dos fatos, pois neste constavam regras expressas sobre o dies a quo desse prazo, senão vejamos: Art. 184. Salvo disposição em contrário, computarseão os prazos, excluindo o dia do começo e incluindo o do vencimento. (...) §2o Os prazos somente começam a correr do primeiro dia útil após a intimação (art. 240 e parágrafo único). Art. 240. Salvo disposição em contrário, os prazos para as partes, para a Fazenda Pública e para o Ministério Público contarseão da intimação. Parágrafo único. As intimações consideramse realizadas no primeiro dia útil seguinte, se tiverem ocorrido em dia em que não tenha havido expediente forense. O primeiro passo é definir em que data se considera realizada a intimação: via de regra, ela se dá na data da ocorrência efetiva da intimação, todavia, quando a intimação se der em dia que "não tenha havido expediente forense" (é dizer, em dia nãoútil), determinase que ela será considerada realizada no primeiro dia útil seguinte. Por exemplo, se a Fl. 1113DF CARF MF Processo nº 13971.722505/201154 Acórdão n.º 3402003.674 S3C4T2 Fl. 1.095 39 intimação for realizada no domingo, ela será considerada como realizada apenas na segunda feira. Pois bem, definida a regra de ocorrência da intimação, é preciso determinar a forma da contagem do prazo, e sobre isso a lei é clara: iniciase a contagem no primeiro dia útil após a intimação. Logo, retomando o exemplo dado acima, se a intimação foi feita no sábado, a intimação será considerada feita na segundafeira, e o dies a quo do prazo será na terçafeira. Os prazos no processo administrativo são contados de forma idêntica, vide a similitude entre as disposições das legislações supracitadas. Retomando o caso concreto, verificase que o AR informa a data de entrega da intimação em 19/10/2013 (sábado), dia em que não há expediente normal do órgão da Receita Federal. Desse modo, a intimação considerase realizada apenas no dia 21/10/2013 (segundafeira), e iniciandose a contagem do prazo no dia útil seguinte à intimação, 22/10/2013 (terçafeira). Contados os 30 dias de prazo para recorrer, o dies ad quem será exatamente no dia 20/11/2013, data em que os Recursos Voluntários foram protocolizados. Desse modo, por se tratar de uma questão eminentemente de aplicação de regras sobre contagem de prazos, reconheço a tempestividade dos Recursos Voluntários dos sujeitos passivos solidários Érica Debossan Reinert e Caio Marcelo Debossan, devendo os mesmos serem conhecidos por este Colegiado. Quanto ao mérito, verificase nos autos que a autuação fiscal foi instruída com as provas obtidas através da operação "Ouro Verde", conforme relatório deste acórdão: A referida ação fiscal originouse da análise do material apreendido quando da realização da operação denominada “Ouro Verde”, desencadeada em 30/03/2007, em diversos pontos do território nacional, inclusive na sede da empresa D&A COMÉRCIO SERVIÇOS IMPORTAÇÃO E EXPORTAÇÃO LTDA., em Blumenau/SC, em cumprimento ao Mandado de Busca e Apreensão expedido pela Vara Federal Criminal de Florianópolis/SC, nos autos do processo nº 2006.72.00.0105049 (IPL n.º 285/2006/DPF/JVE/SC), aberto para investigação da empresa D&A, onde também é determinado o compartilhamento dos objetos apreendidos que contenham informações úteis na apuração de ilícitos fiscais com a RFB. Em síntese, a investigação policial constatou que o grupo bancário clandestino (Grupo Roger) oferecia dentre outros serviços de remessa de divisas ao exterior à margem do controle oficial por parte do Banco Central, tendo várias empresas como clientes, entre elas a D&A, que por seu turno, prestava serviços de comércio exterior a outros clientes, servindo tais remessas ao pagamento de fornecedores no exterior, de forma a enviar a diferença de valores em importações subfaturadas. No decorrer da "Operação Ouro Verde” foram apreendidos vários documentos e objetos, dentre eles, um Conjunto de Carimbos de fornecedores estrangeiros encontrados em uma caixa, na empresa D&A, rotulados no momento da apreensão como "item 15", inclusive o da "Câmara de Comércio de Fl. 1114DF CARF MF 40 Taiwan”, responsável pela emissão de certificados de origem daquele país (fls. 278/282 do Termo de Continuação Anexo ao Auto de Infração). Todavia, devese observar que a referida operação cujo inquérito foi utilizado como prova emprestada na apuração dos ilícitos tributários discutidos neste processo visava identificar os responsáveis por crimes contra o sistema financeiro nacional, especialmente os tipificados nos arts. 16 e 22 da Lei 7492/86, como se verifica no site da Justiça Federal do Rio Grande do Sul, https://www2.jfrs.jus.br/operacaoouroverde7avarafederaldeportoalegrecondena17porcrimescon traosistemafinanceiro/ , verbis: Art. 16. Fazer operar, sem a devida autorização, ou com autorização obtida mediante declaração (Vetado) falsa, instituição financeira, inclusive de distribuição de valores mobiliários ou de câmbio: Pena Reclusão, de 1 (um) a 4 (quatro) anos, e multa. Art. 22. Efetuar operação de câmbio não autorizada, com o fim de promover evasão de divisas do País: Pena Reclusão, de 2 (dois) a 6 (seis) anos, e multa. No âmbito dos procedimentos judiciais e administrativos a liberdade probatória não é plena, mas deve obedecer a regras específicas, especialmente em se tratando de prova emprestada, produzida em outro contexto investigatório. Nesse sentido, o Supremo Tribunal Federal, por meio de seu Órgão Pleno, já se manifestou, por unanimidade, no sentido de ser vedado o compartilhamento de informações do Inquérito Policial com a Receita Federal, salvo os casos em que o delito investigado seja da mesma natureza daquele apurado pelo Fisco. A ementa do Inq. 2593 AgR é bastante elucidativa a esse respeito: EMENTA: PENAL E PROCESSUAL PENAL. INQUÉRITO. QUEBRA DE SIGILO BANCÁRIO. COMPARTILHAMENTO DAS INFORMAÇÕES COM A RECEITA FEDERAL. IMPOSSIBILIDADE. AGRAVO IMPROVIDO. I Não é cabível, em sede de inquérito, encaminhar à Receita Federal informações bancárias obtidas por meio de requisição judicial quando o delito investigado for de natureza diversa daquele apurado pelo fisco. II Ademais, a autoridade fiscal, em sede de procedimento administrativo, pode utilizarse da faculdade insculpida no art. 6º da LC 105/2001, do que resulta desnecessário o compartilhamento in casu. III Agravo regimental desprovido.(Inq 2593 AgR, Relator(a): Min. RICARDO LEWANDOWSKI, Tribunal Pleno, julgado em 09/12/2010) Desse modo, diante do objeto da investigação policial ser de natureza diversa daquele investigado pela fiscalização tributária, devese reconhecer a nulidade das provas que instruíram a autuação. A referida nulidade tem o condão de afastar a motivação do ato administrativo, tornandoo nulo, diante da ausência de outras provas que sustentem a autuação fiscal. Fl. 1115DF CARF MF Processo nº 13971.722505/201154 Acórdão n.º 3402003.674 S3C4T2 Fl. 1.096 41 Desse modo, dou provimento ao Recurso Voluntário, reconhecendo a nulidade do auto de infração. É como voto. Fl. 1116DF CARF MF
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Numero do processo: 19515.002450/2004-05
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Sep 14 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Mon Jan 02 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Normas de Administração Tributária
Período de apuração: 01/08/1998 a 31/08/1998, 01/12/1998 a 31/12/1998
01/01/1999 a 30/06/2004
DECADÊNCIA. INCONSTITUCIONALIDADE. STF. SÚMULA VINCULANTE Nº 08.
De acordo com a Súmula Vinculante n° 08, do Supremo Tribunal Federal, os artigos 45 e 46 da Lei n° 8.212/1991 são inconstitucionais, devendo prevalecer, no que tange à decadência, o prazo de 5 (cinco) anos nos termos do que dispõem o § 4º do art. 150 ou art. 173 e incisos do Código Tributário Nacional.
LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. PAGAMENTO. DECLARAÇÃO. PRAZO DE CINCO ANOS CONTADOS DA DATA DO FATO GERADOR.
Configurado o lançamento por homologação e o pagamento antecipado do tributo e/ou a declaração do Contribuinte, o prazo de decadência do direito do Fisco efetuar o lançamento de ofício rege-se pela regra do art. 150, §4º do CTN, operando-se em cinco anos, contados da data do fato gerador.
Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/08/1998 a 31/10/1999
BASE DE CÁLCULO. EXCLUSÃO DE VENDAS PARA ZONA FRANCA DE MANAUS A PARTIR DE DEZEMBRO DE 2000.
Por força do disposto no art. 14 da Medida Provisória n. 2.037-24, somente os fatos geradores ocorridos a partir de dezembro de 2000 devem ser excluídos da base de cálculo da Cofins.
Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/08/1998 a 31/10/1999
BASE DE CÁLCULO. EXCLUSÃO DE VENDAS PARA ZONA FRANCA DE MANAUS. A PARTIR DE DEZEMBRO DE 2000.
Por força do disposto no art. 14 da Medida Provisória nº 2.037-24, somente os fatos geradores ocorridos a partir de dezembro de 2000 devem ser excluídos da base de cálculo do PIS.
Recurso Especial do Procurador Negado e Recurso Especial do Contribuinte Negado.
Numero da decisão: 9303-004.250
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, em negar-lhe provimento. Acordam, ainda, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial do Contribuinte e, no mérito, por voto de qualidade, em negar-lhe provimento. Vencidos os Conselheiros Vanessa Marini Cecconello (Relatora), Tatiana Midori Migiyama, Demes Brito e Érika Costa Camargos Autran, que lhe deram provimento. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Charles Mayer de Castro Souza.
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em Exercício
(assinado digitalmente)
Vanessa Marini Cecconello - Relatora
(assinado digitalmente)
Charles Mayer de Castro Souza - Redator Designado
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Júlio César Alves Ramos, Tatiana Midori Migiyama, Andrada Márcio Canuto Natal, Demes Brito, Charles Mayer de Castro Souza (Suplente convocado), Erika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas.
Nome do relator: VANESSA MARINI CECCONELLO
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FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Período de apuração: 01/08/1998 a 31/08/1998, 01/12/1998 a 31/12/1998 01/01/1999 a 30/06/2004 DECADÊNCIA. INCONSTITUCIONALIDADE. STF. SÚMULA VINCULANTE Nº 08. De acordo com a Súmula Vinculante n° 08, do Supremo Tribunal Federal, os artigos 45 e 46 da Lei n° 8.212/1991 são inconstitucionais, devendo prevalecer, no que tange à decadência, o prazo de 5 (cinco) anos nos termos do que dispõem o § 4º do art. 150 ou art. 173 e incisos do Código Tributário Nacional. LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. PAGAMENTO. DECLARAÇÃO. PRAZO DE CINCO ANOS CONTADOS DA DATA DO FATO GERADOR. Configurado o lançamento por homologação e o pagamento antecipado do tributo e/ou a declaração do Contribuinte, o prazo de decadência do direito do Fisco efetuar o lançamento de ofício regese pela regra do art. 150, §4º do CTN, operandose em cinco anos, contados da data do fato gerador. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/08/1998 a 31/10/1999 BASE DE CÁLCULO. EXCLUSÃO DE VENDAS PARA ZONA FRANCA DE MANAUS A PARTIR DE DEZEMBRO DE 2000. Por força do disposto no art. 14 da Medida Provisória n. 2.03724, somente os fatos geradores ocorridos a partir de dezembro de 2000 devem ser excluídos da base de cálculo da Cofins. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/08/1998 a 31/10/1999 AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 00 24 50 /2 00 4- 05 Fl. 606DF CARF MF Processo nº 19515.002450/200405 Acórdão n.º 9303004.250 CSRFT3 Fl. 607 2 BASE DE CÁLCULO. EXCLUSÃO DE VENDAS PARA ZONA FRANCA DE MANAUS. A PARTIR DE DEZEMBRO DE 2000. Por força do disposto no art. 14 da Medida Provisória nº 2.03724, somente os fatos geradores ocorridos a partir de dezembro de 2000 devem ser excluídos da base de cálculo do PIS. Recurso Especial do Procurador Negado e Recurso Especial do Contribuinte Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, em negarlhe provimento. Acordam, ainda, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial do Contribuinte e, no mérito, por voto de qualidade, em negarlhe provimento. Vencidos os Conselheiros Vanessa Marini Cecconello (Relatora), Tatiana Midori Migiyama, Demes Brito e Érika Costa Camargos Autran, que lhe deram provimento. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Charles Mayer de Castro Souza. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em Exercício (assinado digitalmente) Vanessa Marini Cecconello Relatora (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza Redator Designado Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Júlio César Alves Ramos, Tatiana Midori Migiyama, Andrada Márcio Canuto Natal, Demes Brito, Charles Mayer de Castro Souza (Suplente convocado), Erika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas. Relatório Tratase de recursos especiais de divergência interpostos pela Contribuinte (fls. 2.327 a 2.348) e pela Fazenda Nacional, com fulcro nos artigos 67 e seguintes do Anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 256/09, buscando a reforma do Acórdão nº 340300.375 (fls. 406 a 412) proferido pela 3ª Turma Ordinária da 4ª Câmara da Terceira Seção de julgamento, em 27 de maio de 2010, no sentido de dar parcial provimento ao recurso voluntário, com ementa nos seguintes termos: ASSUNTO: COFINS e PIS Período de apuração: 01/08/1998 a 31/08/1998, 01/12/1998 a 31/12/1998, 01/01/1999 a 30/06/2004 DECADÊNCIA. Fl. 607DF CARF MF Processo nº 19515.002450/200405 Acórdão n.º 9303004.250 CSRFT3 Fl. 608 3 A fazenda dispõe de cinco anos para constituir o crédito tributário, decorrido este lapso temporal impõese a perda do direito de constituição do crédito tributário, conforme dispõe o parágrafo 4° do art. 150 do CTN. INCONSTITUCIONALIDADE. ILEGALIDADE. À autoridade administrativa não compete rejeitar a aplicação de lei sob a alegação de inconstitucionalidade da mesma, por se tratar de matéria de competência do Poder Judiciário, com atribuição determinada pelo art. 101, II, "a" e III, "b", da Constituição Federal. (Súmula n2 2, do 22 Conselho de Contribuintes). BASE CÁLCULO. EXCLUSÃO DE VENDAS PARA ZONA FRANCA DE MANAUS. Os fatos geradores a partir de dezembro de 2000 devem ser excluídos da base de cálculo por força da norma contida no art. 14 da Medida Provisória n. 2.03725. Recurso provido em parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso para excluir do lançamento os fatos ocorridos ocorridos (sic) até outubro de 1999 em razão da decadência e para excluir os fatos geradores ocorridos a partir de dezembro de 2000, inclusive, em razão da isenção prevista no art. 14, II, § 2°, I, da MP n° 2.15834, de 2001. [...] A discussão dos presentes autos tem origem em lançamento de ofício para constituição do crédito tributário relativo ao PIS e COFINS, dos períodos de apuração de 01/08/1998 a 31/08/1998; 01/12/1998 a 31/12/1998 e 01/01/1999 a 30/06/2004, por ter apurado a Fiscalização que a empresa excluiu da base de cálculo das contribuições as receitas oriundas das vendas de mercadorias efetuadas à empresas sediadas na Zona Franca de Manaus ZFM, além de terem sido apurados erros de cálculo na apuração dos tributos. Nessa oportunidade, insurgemse a Contribuinte e a Fazenda Nacional em face da decisão de provimento parcial do recurso voluntário. A Fazenda Nacional suscita, em seu recurso especial (fls. 415 a 422), divergência jurisprudencial quanto à aplicação do art. 150, § 4º, do Código Tributário Nacional CTN para reconhecer a decadência do direito de lançamento dos fatos geradores ocorridos até outubro de 1999. Colaciona como paradigma o acórdão nº 910100.460, proferido pela 1ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais do CARF. Nas razões recursais, defende a aplicação do art. 173, inciso I do CTN por suposta ausência de recolhimentos das contribuições por parte da contribuinte. Foi admitido o recurso especial da Fazenda Nacional por meio do Despacho nº 340000.267, de 28 de maio de 2013 (fl. 428), proferido pelo ilustre Presidente Fl. 608DF CARF MF Processo nº 19515.002450/200405 Acórdão n.º 9303004.250 CSRFT3 Fl. 609 4 da Quarta Câmara da Terceira Seção de Julgamento em exercício à época, por entender comprovada a divergência jurisprudencial. A contribuinte apresentou contrarrazões (fls. 453 a 464) postulando a negativa de provimento ao apelo especial Fazendário. Na mesma oportunidade, o Sujeito Passivo interpôs recurso especial (fls. 482 a 508) insurgindose em face do reconhecimento da exclusão da base de cálculo do PIS e da COFINS das receitas das vendas para a Zona Franca de Manaus somente a partir de dezembro de 2000. Para comprovação da divergência jurisprudencial traz o acórdão nº 3801 002026, segundo o qual jamais houve a revogação da isenção do PIS e da COFINS sobre as receitas oriundas das vendas para a ZFM. Sustenta ter o art. 40 do Ato das Disposições Constitucionais Transitórias ADCT recepcionado o DecretoLei nº 288/67. O apelo especial da Contribuinte foi admitido por meio do despacho nº 3400000.385, de 05 de dezembro de 2014 (fls. 556 a 557), proferido pelo ilustre Presidente da Terceira Seção de Julgamento em exercício à época, pois existente a divergência de interpretação entre os acórdãos recorrido e paradigma. A Fazenda Nacional apresentou contrarrazões (fls. 559 a 562) postulando pela manutenção do acórdão recorrido. O presente processo foi distribuído a esta Relatora por meio de sorteio regularmente realizado, estando apto o feito a ser relatado e submetido à análise desta Colenda 3ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais 3ª Seção de Julgamento do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF. É o relatório. Voto Vencido Conselheira Vanessa Marini Cecconello, Relatora De início, necessário referir que o presente voto restou vencido quanto ao recurso especial da Contribuinte, tão somente, tendo sido vencedor no exame do recurso especial da Fazenda Nacional. Os recursos especiais de divergência interpostos pela Fazenda Nacional e pela Contribuinte atendem os pressupostos de admissibilidade constantes no art. 67 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 09 de junho de 2015, devendo, portanto, ser conhecidos. Superada a admissibilidade dos recursos, o exame do mérito darseá de forma individualizada para melhor compreensão das matérias que são objeto de insurgência pelas partes. Do recurso especial da Fazenda Nacional Fl. 609DF CARF MF Processo nº 19515.002450/200405 Acórdão n.º 9303004.250 CSRFT3 Fl. 610 5 A divergência a ser apreciada referese à correta aplicação do prazo decadencial, se do art. 45 da Lei 8.212/91 (dez anos) ou do § 4º do art. 150 do Código Tributário Nacional (5 anos). Em razão da declaração de inconstitucionalidade do art. 45 da Lei 8.212/91 pelo Supremo Tribunal Federal, ao julgar os recursos extraordinários nºs 556664, 559882 e 560626, oportunidade em que aprovou a Súmula Vinculante STF nº 08, indubitável estarse diante de hipótese de aplicação do prazo decadencial de 5 (cinco) do Código Tributário Nacional: Súmula Vinculante STF nº 08 São inconstitucionais o parágrafo único do artigo 5º do Decreto Lei nº 1.569/1977 e os artigos 45 e 46 da Lei nº 8.212/1991, que tratam da prescrição e decadência do crédito tributário. Esclareçase que, após a edição da Súmula Vinculante nº 08, a controvérsia a respeito do prazo decadencial para as contribuições previdenciárias cingese à aplicação dos artigos 150, §4º ou 173, inciso I, ambos do Código Tributário Nacional. Nos termos do art. 62A do RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 256, de 22 de junho de 2009, e reproduzido em sua íntegra no art. 62, §2º do RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 09 de junho de 2015, no que tange à contagem do prazo decadencial de tributos e contribuições deve ser observado o posicionamento do Superior Tribunal de Justiça firmado no julgamento do recurso especial nº 973.733, pela sistemática dos recursos repetitivos, restando superada a tese da irrelevância de ter ocorrido ou não pagamento, in verbis: PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO.DECADÊNCIA DO DIREITO DE O FISCO CONSTITUIR O CRÉDITO TRIBUTÁRIO. TERMO INICIAL. ARTIGO 173, I, DO CTN. APLICAÇÃO CUMULATIVA DOS PRAZOS PREVISTOS NOS ARTIGOS 150, § 4º, e 173, do CTN.IMPOSSIBILIDADE. 1. O prazo decadencial qüinqüenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito (Precedentes da Primeira Seção: REsp 766.050/PR, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 28.11.2007, DJ 25.02.2008; AgRg nos EREsp 216.758/SP, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.03.2006, DJ 10.04.2006; e EREsp 276.142/SP, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 13.12.2004, DJ 28.02.2005) [...] Fl. 610DF CARF MF Processo nº 19515.002450/200405 Acórdão n.º 9303004.250 CSRFT3 Fl. 611 6 Para os tributos sujeitos ao lançamento por homologação, na inteligência do acórdão do STJ cuja ementa transcreveuse acima: (i) a partir do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado (art. 173, inciso I, do CTN) em caso de dolo, fraude ou simulação; quando não houver pagamento antecipado ou inexistir declaração prévia do débito; ou (ii) a partir do fato gerador (art. 150, § 4º, do CTN) nas hipóteses de pagamento parcial ou integral do débito ou existência de declaração prévia do mesmo (pagamento às folhas 478 a 479 do processo digital). Nos presentes autos, tendo ocorrido a ciência do auto de infração em 25/11/2004, verificase que os fatos geradores ocorridos no período de 01/08/1998 a 30/08/1998, dezembro de 1998 a 31/10/1999, encontramse extintos pela decadência, nos termos do art. 150, § 4º, do CTN. Por essas razões, há de ser negado provimento ao recurso especial da Fazenda Nacional, mantendose o acórdão recorrido quanto ao ponto. Do recurso especial da Componel Indústria e Comércio Ltda. Com relação ao recurso especial da contribuinte, delimitase a controvérsia suscitada pela contribuinte à possibilidade de incidência do PIS sobre as receitas decorrentes de vendas efetuadas para empresas domiciliadas na Zona Franca de Manaus no período anterior à dezembro de 2000. A Zona Franca de Manaus foi criada pela Lei nº 3.173/1957, funcionando, inicialmente, como área "[...] para armazenamento ou depósito, guarda, conservação beneficiamento e retirada de mercadorias, artigos e produtos de qualquer natureza, provenientes do estrangeiro e destinados ao consumo interno da Amazônia, como dos países interessados, limítrofes do Brasil ou que sejam banhados por águas tributárias do rio Amazonas" (art. 1º). Da mesma forma, nos termos do art. 5º da Lei nº 3.173/57, havia a previsão de incentivos fiscais em relação às operações efetuadas na área da Zona Franca de Manaus, ao estabelecer o não pagamento de direitos alfandegários ou quaisquer outros impostos federais, estaduais ou municipais para as mercadorias de procedência estrangeira diretamente desembarcadas naquela área. Em 26 de fevereiro de 1967, foi editado o DecretoLei nº 288 para regulamentar a Zona Franca de Manaus, estabelecendo os objetivos da política governamental para a área, os incentivos fiscais para as atividades econômicas e a criação de um órgão responsável por administrar a implementação da área de livre comércio. Posteriormente, a zona de concessão de benefício da Zona Franca de Manaus foi ampliada para a Amazônia Ocidental, abrangendo os Estados do Amazonas, Acre, Rondônia e Roraima, nos termos do DecretoLei nº 356/68. A criação e a implementação da Zona Franca de Manaus teve três pilares determinantes: (a) a necessidade de ocupar e proteger a Amazônia frente à nascente política de internacionalização; (b) a meta governamental de substituição das importações e (c) a busca pela redução das desigualdades regionais. O objetivo da sua idealização pelo Governo Federal foi de criar "no interior da Amazônia um centro industrial, comercial e agropecuário dotado de condições econômicas que permitam seu desenvolvimento, em face dos fatores locais e da Fl. 611DF CARF MF Processo nº 19515.002450/200405 Acórdão n.º 9303004.250 CSRFT3 Fl. 612 7 grande distância em que se encontram os centros consumidores de seus produtos" (art. 1º do DL nº 288/67). Com o intuito de atrair investidores e promover o crescimento econômico da região, foram criados inúmeros incentivos fiscais, dentre os quais está o art. 4º do DecretoLei nº 288/67 equiparando às exportações as vendas de produtos para a Zona Franca de Manaus, in verbis: Art 4º A exportação de mercadorias de origem nacional para consumo ou industrialização na Zona Franca de Manaus, ou reexportação para o estrangeiro, será para todos os efeitos fiscais, constantes da legislação em vigor, equivalente a uma exportação brasileira para o estrangeiro. A Constituição Federal de 1988, ao estabelecer um novo ordenamento jurídico, expressamente prorrogou os benefícios fiscais concedidos à Zona Franca de Manaus pelo prazo de 25 (vinte e cinco) anos a partir da sua promulgação, nos termos do art. 40 do Ato das Disposições Constitucionais Transitórias (ADCT): Art. 40. É mantida a Zona Franca de Manaus, com suas características de área livre de comércio, de exportação e importação, e de incentivos fiscais, pelo prazo de vinte e cinco anos, a partir da promulgação da Constituição. Parágrafo único. Somente por lei federal podem ser modificados os critérios que disciplinaram ou venham a disciplinar a aprovação dos projetos na Zona Franca de Manaus. Além de preservar a Zona Franca de Manaus como área de livre comércio, a norma transcrita acima recepcionou o DecretoLei nº 288/67, o qual equipara às exportações as vendas efetuadas àquela região. Importa mencionar ter a Emenda Constitucional nº 42/2003 prorrogado por mais 10 (dez) anos o prazo fixado no art. 40 do ADCT. Com a Emenda Constitucional nº 83/2013 referido prazo estendeuse por mais 50 (cinquenta) anos, até 2073, demonstrando o legislador constitucional que o projeto da Zona Franca de Manaus tem desempenhado seu papel para além do desenvolvimento regional, contribuindo para a preservação e fortalecimento da soberania nacional. Ainda, a receita de exportações de produtos nacionais para o estrangeiro é desonerada do PIS e da COFINS, nos termos do art. 149, § 2º, inciso I, da Constituição Federal de 1988: Art. 149. Compete exclusivamente à União instituir contribuições sociais, de intervenção no domínio econômico e de interesse das categorias profissionais ou econômicas, como instrumento de sua atuação nas respectivas áreas, observado o disposto nos arts. 146, III, e 150, I e III, e sem prejuízo do previsto no art. 195, § 6º, relativamente às contribuições a que alude o dispositivo. § 2º As contribuições sociais e de intervenção no domínio econômico de que trata o caput deste artigo: Fl. 612DF CARF MF Processo nº 19515.002450/200405 Acórdão n.º 9303004.250 CSRFT3 Fl. 613 8 I não incidirão sobre as receitas decorrentes de exportação; [...] A norma constitucional que desonerou as exportações foi observada pela legislação infraconstitucional do PIS e da COFINS, conforme disposto no art. 7º da Lei Complementar nº 70/91 (COFINS) e do art. 5º da Lei nº 7.714/88, com redação dada pela Lei nº 9.004/95, reproduzido no art. 5º da Lei nº 10.637/02 (PIS). Portanto, os valores resultantes das exportações foram excluídos da base de cálculo do PIS e da COFINS e, por força do disposto no DecretoLei nº 288/67 e nos arts. 40 e 92 do ADCT, da CF/88, o benefício foi estendido às operações destinadas à Zona Franca de Manaus, uma vez equiparadas às exportações de mercadorias para o estrangeiro. No ano de 1999, com a edição da Medida Provisória nº 1.8586, objeto de sucessivas reedições, foi suprimida a isenção das exportações destinadas à Zona Franca de Manaus, nos termos do seu art. 14, §2º, inciso I, redação que constou do dispositivo até a Medida Provisória nº 2.03724/2000: Art. 14. Em relação aos fatos geradores ocorridos a partir de 1o de fevereiro de 1999, são isentas da COFINS as receitas: I dos recursos recebidos a título de repasse, oriundos do Orçamento Geral da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, pelas empresas públicas e sociedades de economia mista; II da exportação de mercadorias para o exterior; III dos serviços prestados a pessoa física ou jurídica residente ou domiciliada no exterior, cujo pagamento represente ingresso de divisas; IV do fornecimento de mercadorias ou serviços para uso ou consumo de bordo em embarcações e aeronaves em tráfego internacional, quando o pagamento for efetuado em moeda conversível; V do transporte internacional de cargas ou passageiros; VI auferidas pelos estaleiros navais brasileiros nas atividades de construção, conservação modernização, conversão e reparo de embarcações préregistradas ou registradas no Registro Especial Brasileiro REB, instituído pela Lei no 9.432, de 8 de janeiro de 1997; VII de frete de mercadorias transportadas entre o País e o exterior pelas embarcações registradas no REB, de que trata o art. 11 da Lei nº 9.432, de 1997; VIII de vendas realizadas pelo produtorvendedor às empresas comerciais exportadoras nos termos do DecretoLei no 1.248, de 29 de novembro de 1972, e alterações posteriores, desde que destinadas ao fim específico de exportação para o exterior; Fl. 613DF CARF MF Processo nº 19515.002450/200405 Acórdão n.º 9303004.250 CSRFT3 Fl. 614 9 IX de vendas, com fim específico de exportação para o exterior, a empresas exportadoras registradas na Secretaria de Comércio Exterior do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio; X relativas às atividades próprias das entidades a que se refere o art. 13. § 1º São isentas da contribuição para o PIS/PASEP as receitas referidas nos incisos I a IX do caput. § 2º As isenções previstas no caput e no parágrafo anterior não alcançam as receitas de vendas efetuadas: I a empresa estabelecida na Zona Franca de Manaus, na Amazônia Ocidental ou em área de livre comércio; II a empresa estabelecida em zona de processamento de exportação; III a estabelecimento industrial, para industrialização de produtos destinados a exportação, ao amparo do art. 3o da Lei no 8.402, de 8 de janeiro de 1992. (grifouse) Por meio de decisão liminar proferida na ADIMC nº 2348/DF, o Supremo Tribunal Federal suspendeu a eficácia da expressão "na Zona Franca de Manaus", constante do dispositivo acima transcrito: ZONA FRANCA DE MANAUS PRESERVAÇÃO CONSTITUCIONAL. Configuramse a relevância e o risco de manterse com plena eficácia o diploma atacado se este, por via direta ou indireta, implica a mitigação da norma inserta no art. 40 do Ato das Disposições Constitucionais Transitórias da Carta de 1988: Art. 40. É mantida a Zona Franca de Manaus, com suas características de área de livre comércio, de exportação e importação, e de incentivos fiscais, pelo prazo de vinte e cinco anos, a partir da promulgação da Constituição. Parágrafo único. Somente por lei federal podem ser modificados os critérios que disciplinaram ou venham a disciplinar a aprovação dos projetos na Zona Franca de Manaus. Suspensão de dispositivos da Medida Provisória nº 2.03724, de novembro de 2000. Após reedições, a Medida Provisória nº 2.03724/2000 tornouse a Medida Provisória nº 2.15835/2001, na qual foi suprimida do art. 14, § 2º, inciso I, a expressão "na Zona Franca de Manaus", restabelecendose, portanto, em definitivo, a isenção de PIS e COFINS sobre as receitas decorrentes das vendas à Zona Franca de Manaus. Quanto ao período compreendido entre 01/02/1999 a 17/12/2000, para o qual vigia a redação original do inciso I do § 2º do art. 14 da MP nº 1.8586/99 excluindo as receitas de vendas à Zona Franca de Manaus da previsão legal da isenção, entendese que, frente às disposições do art. 40 do ADCT, que recepcionou o DecretoLei nº 288/67, há de ser considerado que permanecia a isenção, nesse ponto, reformando a Relatora entendimento anteriormente proferido em outros julgados. Fl. 614DF CARF MF Processo nº 19515.002450/200405 Acórdão n.º 9303004.250 CSRFT3 Fl. 615 10 Prevalece, pois, o entendimento de que os valores resultantes de exportações devem ser excluídos da base de cálculo do PIS e da COFINS e, por extensão, em razão do disposto DecretoLei nº 288/67 e nos arts. 40 e 92 do ADCT da CF/88, às operações destinadas à Zona Franca de Manaus. Nesse sentido, é a jurisprudência do Superior Tribuna de Justiça: PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. TRIBUTOS SUJEITOS A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. PRESCRIÇÃO. ART. 3º DA LEI COMPLEMENTAR 118/2005. PRECLUSÃO. AUSÊNCIA DE PREQUESTIONAMENTO. SÚMULA 282/STF. MERCADORIAS DESTINADAS À ZONA FRANCA DE MANAUS. PIS E COFINS. NÃOINCIDÊNCIA. HONORÁRIOS ADVOCATÍCIOS. REVISÃO. SÚMULA 7/STJ. 1. A questão do prazo prescricional das Ações de Repetição de Indébito Tributário, à luz do art. 3º da Lei Complementar 118/2005, não foi atacada no Recurso Especial. A discussão do tema em Agravo Regimental encontrase vedada, diante da preclusão. 2. Não se conhece de Recurso Especial quanto a matéria não especificamente enfrentada pelo Tribunal de origem, dada a ausência de prequestionamento. Incidência, por analogia, da Súmula 282/STF. 3. As operações com mercadorias destinadas à Zona Franca de Manaus são equiparadas à exportação para efeitos fiscais, conforme disposições do DecretoLei 288/1967. Não incidem sobre elas as contribuições ao PIS e à Cofins. Precedentes do STJ. 4. A revisão da verba honorária implica, como regra, reexame da matéria fáticoprobatória, o que é vedado em Recurso Especial (Súmula 7/STJ). Excepcionamse apenas as hipóteses de valor irrisório ou exorbitante, o que não ocorreu no caso dos autos. 5. Agravo Regimental parcialmente conhecido e, nessa parte, não provido. (AgRg no Ag 1.295.452/DF, Rel. Min. Herman Benjamin, Segunda Turma, DJe 01.07.10) (grifouse) TRIBUTÁRIO. AGRAVO REGIMENTAL NO RECURSO ESPECIAL. REPETIÇÃO DE INDÉBITO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. PRESCRIÇÃO. TESE DOS "CINCO MAIS CINCO". RESP 1.002.932/SP. PIS. COFINS. VERBAS PROVENIENTES DE VENDAS REALIZADAS À ZONA FRANCA DE MANAUS. NÃO INCIDÊNCIA. AGRAVO NÃO PROVIDO. 1. O prazo prescricional para o contribuinte pleitear a restituição do indébito, nos casos de tributos sujeitos a lançamento por homologação, referente a pagamento indevido efetuado antes da entrada em vigor da LC 118/05, continua observando a "tese dos cinco mais cinco" (REsp 1.002.932/SP, Rel Min. LUIZ FUX, Primeira Seção, DJ 18/12/09). Fl. 615DF CARF MF Processo nº 19515.002450/200405 Acórdão n.º 9303004.250 CSRFT3 Fl. 616 11 2. A Corte Especial do Superior Tribunal de Justiça declarou a inconstitucionalidade da segunda parte do art. 4º da LC 118/05, que estabelece aplicação retroativa de seu art. 3º, por ofensa dos princípios da autonomia, da independência dos poderes, da garantia do direito adquirido, do ato jurídico perfeito e da coisa julgada (AI nos EREsp 644.736/PE, Rel. Min. TEORI ALBINO ZAVASCKI, Corte Especial, DJ 27/8/07). 3. Este Superior Tribunal possui entendimento assente no sentido de que as operações envolvendo mercadorias destinadas à Zona Franca de Manaus são equiparadas à exportação, para efeitos fiscais, conforme disposições do DecretoLei 288/67 (REsp 802.474/RS, Rel. Min. MAURO CAMPBELL MARQUES, Segunda Turma, DJe 13/11/09). 4. Agravo regimental não provido. (AgRg no REsp 1.141.285/RS, Rel. Min. Arnaldo Esteves Lima, Primeira Turma, DJe 26.05.11) (grifouse) AGRAVO REGIMENTAL NO AGRAVO DE INSTRUMENTO. TRIBUTÁRIO. ISENÇÃO DO PIS E DA COFINS SOBRE OPERAÇÕES ORIGINADAS DE VENDAS DE PRODUTOS PARA EMPRESAS SITUADAS NA ZONA FRANCA DE MANAUS (ART. 4o. DO DL 288/67). PRECEDENTES DESTA CORTE SUPERIOR. INCIDÊNCIA DA SÚMULA 83/STJ. AGRAVO REGIMENTAL DA FAZENDA NACIONAL DESPROVIDO. 1. A jurisprudência deste Superior Tribunal de Justiça firmou entendimento de que a venda de mercadorias para empresas situadas na Zona Franca de Manaus equivale à exportação de produto brasileiro para o estrangeiro, em termos de efeitos fiscais, segundo exegese do DecretoLei 288/67, não incidindo a contribuição social do PIS nem a COFINS sobre tais receitas. 2. Agravo Regimental da Fazenda Nacional desprovido. (AgRg no Ag 1420880/PE, Rel. Ministro NAPOLEÃO NUNES MAIA FILHO, PRIMEIRA TURMA, julgado em 04/06/2013, DJe 12/06/2013) (grifouse) Diante do exposto, negase provimento ao recurso especial da Fazenda Nacional dáse provimento ao recurso especial da Contribuinte. É o voto. (assinado digitalmente) Vanessa Marini Cecconello Voto Vencedor Conselheiro Charles Mayer de Castro Souza, Redator Designado Com a devida vênia, divirjo, em parte, da il. Relatora. Fl. 616DF CARF MF Processo nº 19515.002450/200405 Acórdão n.º 9303004.250 CSRFT3 Fl. 617 12 É que, conforme ela própria reconhece, quando apreciou o recurso especial apresentado pela contribuinte, no período de 01/02/1999 a 17/12/2000, vigia a redação original do inciso I do § 2º do art. 14 da MP nº 1.8586/99, que excluía, da previsão legal da isenção, as receitas de vendas à Zona Franca de Manaus. Nesse contexto, devese compreender o dispositivo em comento como regra legal específica, que, como se sabe, em conformidade com o disposto no art. 2º do DecretoLei nº 4.657, de 1942 (a hoje denominada Lei de Introdução às normas do Direito Brasileiro), não revoga nem modifica a regra geral – o DecretoLei nº 288, de 1967. Assim sendo, para o período acima referido, as vendas à ZFM não estavam abrangidas pela isenção do PIS/Cofins, que, contudo, abarca o período posterior à dezembro de 2000, por força do disposto no art. 14 da Medida Provisória n. 2.03724. Ante o exposto, conheço e NEGO PROVIMENTO ao recurso especial da contribuinte. É como voto. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza Fl. 617DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 19515.721208/2012-36
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Sep 29 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Thu Oct 06 00:00:00 UTC 2016
Numero da decisão: 3402-000.829
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros da 4ª Câmara da 2ª Turma Ordinária da Terceira Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência. Sustentou pela recorrente o Dr. Guilherme Manier C. Monteiro, OAB/RJ nº 150.788.
Antonio Carlos Atulim - Presidente
Diego Diniz Ribeiro - Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Antonio Carlos Atulim, Jorge Freire, Diego Diniz Ribeiro, Waldir Navarro Bezerra, Thais De Laurentiis Galkowicz, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne e Carlos Augusto Daniel Neto.
Nome do relator: DIEGO DINIZ RIBEIRO
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ACORDAM os membros da 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária da Terceira Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência. Sustentou pela recorrente o Dr. Guilherme Manier C. Monteiro, OAB/RJ nº 150.788. Antonio Carlos Atulim Presidente Diego Diniz Ribeiro Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Antonio Carlos Atulim, Jorge Freire, Diego Diniz Ribeiro, Waldir Navarro Bezerra, Thais De Laurentiis Galkowicz, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne e Carlos Augusto Daniel Neto. Relatório 1. Por bem retratar os fatos narrados nos autos, utilizo como meu parte do relatório desenvolvido pela DRJ de Belém quando da lavratura do acórdão n. 0131.468 (fls. 531/538), o que passo a fazer nos seguintes termos: Contra a interessada acima qualificada foi lavrado Auto de Infração (fls. 259/267), relativo ao Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI), no montante de R$ 9.659.663,77, incluídos imposto, multa proporcional e juros de mora, estes calculados até abril de 2012. Consigna a autoridade fazendária no termo de verificação fiscal (fls. 245/253) que a autuada, estabelecimento atacadista equiparado a industrial por força da transferência de créditos a título de IPI provenientes de estabelecimento industrial da mesma firma, teria, no RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 95 15 .7 21 20 8/ 20 12 -3 6 Fl. 584DF CARF MF Impresso em 06/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/10/2016 por DIEGO DINIZ RIBEIRO, Assinado digitalmente em 05/10/2016 por DIEGO DINIZ RIBEIRO, Assinado digitalmente em 05/10/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM Processo nº 19515.721208/201236 Resolução nº 3402000.829 S3C4T2 Fl. 3 2 que respeita aos três decêndios de junho de 2007 e ao terceiro decêndio de outubro do mesmo ano, utilizadose de créditos indevidos, na medida em que supostamente transferidos por intermédio de: (...) notasfiscais emitidas pelo estabelecimento industrial de Jundiaí (CNPJ: 61.186.888/006558) com valores errados, divergentes dos créditos transferidos e assentados no Livro de Apuração do IPI e, inclusivamente, com referência a períodos de apuração também equivocados e que, portanto, não se prestavam a imputar valor a qualquer tipo de benefício fiscal, já que esta mercê está pautada e depende, indelevelmente, de rigorosos cumprimentos fiscais. Realmente, qualquer benécia legal que isente ou diminua o ônus fiscal do contribuinte tem de estar compreendido entre as lindes do Princípio da Literalidade. Ou seja, a outorga do "favorecimento" depende do cumprimento de formalidades ínsitas nos ditames legais concessivos, sem irregularidades formais, portanto. E a legislação de regência (citadas no parágrafo anterior), no caso vertente, exige a emissão de notafiscal para assunção do direito creditício. Sobre essa questão o Código Tributário Nacional (Lei nº 5.172 de 25 de outubro de 1966) é preciso em seu artigo 111: (...) Intimada a elucidar tais fatos, a fiscalizada teria apresentado cópia das notas fiscais solicitadas e respectivas cartas de correção, através das quais não teria sido possível comprovar a precisão temporal da mencionada retificação. Inconformada, em 28 de junho de 2012, apresenta a interessada impugnação (fls. 273/294), por meio da qual, em síntese, após relato dos fatos que reputa ocorridos e registro da condição de tempestiva da referida peça, ainda preliminarmente, pugna pela nulidade do auto de infração, tendo em vista equívoco quando do enquadramento legal utilizado para aplicação da multa, o qual descreveria condutas que não teriam sido por ela praticadas. (...). 2. Devidamente processada, a Impugnação apresentada pela Recorrente foi julgada improcedente nos seguintes termos: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/06/2007 a 10/06/2007, 11/06/2007 a 20/06/2007, 21/06/2007 a 30/06/2007, 21/10/2007 a 31/10/2007 IPI. CRÉDITOS. TRANSFERÊNCIA ENTRE ESTABELECIMENTOS. Consoante art. 395 do Decreto n. 7.212, de 2010 RIPI/2010, é permitida a utilização de carta de correção para regularização de erro ocorrido na emissão de documento fiscal, desde que o erro não esteja relacionado, entre outros, com o valor da operação ou da prestação, e a data de emissão ou de saída. Outrossim, conforme disposto no art. 327, §1o, do RIPI/2010, verificada qualquer irregularidade pelos fabricantes, comerciantes e depositários que receberem ou adquirirem Fl. 585DF CARF MF Impresso em 06/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/10/2016 por DIEGO DINIZ RIBEIRO, Assinado digitalmente em 05/10/2016 por DIEGO DINIZ RIBEIRO, Assinado digitalmente em 05/10/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM Processo nº 19515.721208/201236 Resolução nº 3402000.829 S3C4T2 Fl. 4 3 para industrialização, comércio ou depósito, ou para emprego ou utilização nos respectivos estabelecimentos, produtos tributados ou isentos, referidos interessados comunicarão por escrito o fato ao remetente da mercadoria, dentro de oito dias, contados do seu recebimento, ou antes do início do seu consumo, ou venda, se o início se verificar em prazo menor, conservando em seu arquivo cópia do documento com prova de seu recebimento. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/06/2007 a 10/06/2007, 11/06/2007 a 20/06/2007, 21/06/2007 a 30/06/2007, 21/10/2007 a 31/10/2007 MULTA DE 75%. RECOLHIMENTO. FALTA. Uma vez procedente a glosa de créditos a título de IPI indevidamente utilizados, porquanto transferidos, ao arrepio da forma preconizada pela legislação, de estabelecimento industrial para estabelecimento atacadista equiparado a industrial da mesma firma, incorreu o autuado, ao se valer de créditos indevidos, na falta de recolhimento do imposto lançado, sujeitandose, por conseguinte, nos estritos termos do caput do art. 80 da Lei n. 4.502, de 1964, à multa de 75% do valor do imposto que deixou de ser recolhido. ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Período de apuração: 01/06/2007 a 10/06/2007, 11/06/2007 a 20/06/2007, 21/06/2007 a 30/06/2007, 21/10/2007 a 31/10/2007. PERÍCIA. CONHECIMENTOS ESPECIALIZADOS. PRESCINDIBILIDADE. A perícia constitui meio próprio à elucidação de aspectos que exijam conhecimentos especializados. Não se afigurando o caso versado nos autos, vez que presentes elementos suficientes ao deslinde da controvérsia, revelase prescindível a medida, a teor do art. 18 do Decreto n. 70.235, de 1972. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido. 3. Um vez intimada, a Recorrente interpôs o Recurso Voluntário de fls. 546/567, oportunidade em que repisou as alegações desenvolvidas em Impugnação. 4. É o relatório. Resolução 5. Conforme exposto no relatório alhures, a discussão em apreço diz respeito a correição ou não quanto à glosa de créditos de IPI perpetrada pela fiscalização, créditos esses que decorreram da transferência promovida entre estabelecimento industrial da Recorrente e sua filial atacadista. Fl. 586DF CARF MF Impresso em 06/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/10/2016 por DIEGO DINIZ RIBEIRO, Assinado digitalmente em 05/10/2016 por DIEGO DINIZ RIBEIRO, Assinado digitalmente em 05/10/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM Processo nº 19515.721208/201236 Resolução nº 3402000.829 S3C4T2 Fl. 5 4 6. Segundo a Recorrente, referida transferência encontra guarida no disposto na Instrução Normativa n. 87/89 e, no caso em concreto, todas as exigências estabelecidas em referida IN teriam sido rigorosamente cumpridas. 7. No sentido de demonstrar a correção da transferência creditória promovida, a Recorrente apresenta, juntamente com sua Impugnação, cópias (fls. 374/527) dos seguintes documentos: Estabelecimento industrial (i) nota planilha "mapa de transferência de crédito de IPI", na qual se verifica o total de créditos transferidos no decêndio pelo estabelecimento industrial e, desse total, o quanto foi transferido especificamente para a Recorrente; (ii) termo de abertura do livro registro de apuração do IPI; (iii) resumo da apuração do IPI, no qual se verifica o estorno dos créditos transferidos na linha 012 ("Outros débitos Instrução Normativa 87 de 21/08/1989"); e, ainda (iv) termo de encerramento do livro registro de apuração do IPI. Impugnante filial atacadista (i) termo de abertura do livro registro de apuração do IPI; (ii) resumo da apuração do IPI, no qual se verifica o montante dos créditos recebidos em transferência na linha 005 ("Outros créditos Instrução Normativa 87 de 21/08/1989"); e, por fim (iii) termo de encerramento do livro registro de apuração do IPI. 8. Em tese, tais documentos são hábeis para, sob um perspectiva substancial, demonstrar a adequação ou não da correição quanto à transferência dos créditos aqui tratados. Ocorre que tais documentos foram ignorados pela DRJ ao fundamento estritamente formal, digase de passagem de que as cartas de correção referentes às correlatas notas fiscais fomentadoras do crédito não seriam o mecanismo apto a instrumentalizar tais correções, o que, por conseguinte, impediria o conhecimento do crédito em apreço e, reflexamente, macularia a sua qualidade (substância). 9. Ocorre que, não é demais lembrar que no âmbito dd processo administrativo vige o princípio da verdade material, valor normativo esse que não é aqui empregado como uma ferramenta mágica, semelhante a uma "varinha de condão" dotada de aptidão para "validar" preclusões e atecnias e transformar tais defeitos em um processo administrativo "regular". Com a devida vênia, este tipo de interpretação a respeito do princípio da verdade material só se presta a apequenar e, até mesmo, achincalhar esta importante norma. 10. Assim, quando se fala em verdade material o que se quer aqui exprimir é a possibilidade de reconstruir fatos sociais no universo jurídico por intermédio de uma metodologia jurídica mais flexível, ou seja, menos apegada à forma, o que se dá, preponderantemente, em razão da relevância do valor jurídico extraído do fato que se pretende provar juridicamente. Em outros termos, "verdade material" é sinônimo de uma maior Fl. 587DF CARF MF Impresso em 06/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/10/2016 por DIEGO DINIZ RIBEIRO, Assinado digitalmente em 05/10/2016 por DIEGO DINIZ RIBEIRO, Assinado digitalmente em 05/10/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM Processo nº 19515.721208/201236 Resolução nº 3402000.829 S3C4T2 Fl. 6 5 flexibilização probante em sede de processos administrativos, o que, se for usado com a devida prudência à luz do caso decidendo, só tem a contribuir para a qualidade da prestação jurisdicional atipicamente prestada em tais processos. 11. Assim, em respeito ao aludido princípio da verdade material, tenho para mim que o presente caso não está pronto para julgamento, devendo ser convertido em diligência para que, com base nos documentos de fls. 374/527, a unidade preparadora esclareça os seguintes fatos: 12. Uma vez ofertada as respostas aos questionamentos acima, deverá o Recorrente ser intimado para, facultativamente, manifestarse em 30 (trinta) dias a seu respeito, nos termos do que prevê o art. 35 do Decreto nº 7.574/2011. 13. É a resolução. Diego Diniz Ribeiro Relator. Fl. 588DF CARF MF Impresso em 06/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/10/2016 por DIEGO DINIZ RIBEIRO, Assinado digitalmente em 05/10/2016 por DIEGO DINIZ RIBEIRO, Assinado digitalmente em 05/10/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM
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Numero do processo: 16561.720099/2014-58
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Oct 05 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Mon Oct 17 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Exercício: 2010, 2011
EXCESSO DE DEDUÇÃO DE ROYALTIES. INDÚSTRIA DE PRODUTOS ALIMENTARES. LANÇAMENTO PROCEDENTE.
O limite de dedução dos royalties aplicável à indústria de produtos alimentares é de 4% da receita líquida de vendas do produto fabricado ou vendido. A interessada não opera como simples coletor de royalties que seriam devidos pelos subfranqueados nacionais ao detentor internacional do nome comercial e da marca explorados. A relação jurídica que obriga o franqueador master nacional (a interessada) ao pagamento dos royalties ao detentor estrangeiro do direito é travada de forma direta. O pagamento dos royalties devidos pelo primeiro ao segundo independe do recebimento, pelo primeiro, dos royalties a ele devidos pelos subfranqueados nacionais (terceiros). A recorrente, ao pagar os royalties, paga em nome próprio. O limite para dedutibilidade é calculado sobre as receitas próprias de vendas, descabendo a pretensão de calcular um limite incluindo-se as receitas de terceiros subfranqueados.
ÁGIO. ETAPA INTERNACIONAL. PROVA. ETAPA NACIONAL. ÁGIO INTERNO. INDEDUTIBILIDADE. LANÇAMENTO PROCEDENTE.
Na etapa internacional das operações, em que a aquisição das participações societárias de empresas brasileiras se deu entre partes independentes, os documentos acostados aos autos são insuficientes para permitir a convicção acerca do valor efetivamente pago correspondente a cada uma delas, bem assim da formação de um eventual ágio ou deságio. Em decorrência, na posterior etapa nacional não se há de cogitar da transferência de um ágio anteriormente formado em condições de livre mercado. Sendo essa segunda etapa realizada exclusivamente entre sociedades sob controle societário único, sem qualquer desembolso, a mais valia assim formada, conhecida como ágio interno, se revela sem qualquer fundamento econômico.
Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Exercício: 2010, 2011
JUROS MORATÓRIOS. TAXA SELIC. PROCEDÊNCIA.
A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC para títulos federais.
JUROS MORATÓRIOS INCIDENTES SOBRE A MULTA DE OFÍCIO. TAXA SELIC. PROCEDÊNCIA.
A obrigação tributária principal surge com a ocorrência do fato gerador e tem por objeto tanto o pagamento do tributo como a penalidade pecuniária decorrente do seu não pagamento, incluindo a multa de oficio proporcional. O crédito tributário corresponde a toda a obrigação tributária principal, incluindo a multa de oficio proporcional, sobre o qual, assim, devem incidir os juros de mora à taxa Selic.
MULTA DE OFÍCIO. ALEGAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE. INCOMPETÊNCIA DO CARF.
O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.
Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL
Exercício: 2010, 2011
CSLL. LANÇAMENTO REFLEXO. AUSÊNCIA DE ARGUMENTO ESPECÍFICO.
Na inexistência de argumento específico, aplica-se ao lançamento reflexo o quanto decidido para o lançamento principal.
Numero da decisão: 1301-002.154
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do Colegiado, por maioria de votos, em NEGAR provimento ao recurso voluntário, vencidos os Conselheiros José Eduardo Dornelas Souza e Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro que davam provimento parcial, o primeiro para afastar a incidência de juros sobre a multa de ofício, o segundo para, além disso, também afastar a infração referente a royalties.
(assinado digitalmente)
Waldir Veiga Rocha - Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Flávio Franco Corrêa, José Eduardo Dornelas Souza, Roberto Silva Júnior, Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro, Milene de Araújo Macedo e Waldir Veiga Rocha.
Nome do relator: WALDIR VEIGA ROCHA
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Exercício: 2010, 2011 EXCESSO DE DEDUÇÃO DE ROYALTIES. INDÚSTRIA DE PRODUTOS ALIMENTARES. LANÇAMENTO PROCEDENTE. O limite de dedução dos royalties aplicável à indústria de produtos alimentares é de 4% da receita líquida de vendas do produto fabricado ou vendido. A interessada não opera como simples coletor de royalties que seriam devidos pelos subfranqueados nacionais ao detentor internacional do nome comercial e da marca explorados. A relação jurídica que obriga o franqueador master nacional (a interessada) ao pagamento dos royalties ao detentor estrangeiro do direito é travada de forma direta. O pagamento dos royalties devidos pelo primeiro ao segundo independe do recebimento, pelo primeiro, dos royalties a ele devidos pelos subfranqueados nacionais (terceiros). A recorrente, ao pagar os royalties, paga em nome próprio. O limite para dedutibilidade é calculado sobre as receitas próprias de vendas, descabendo a pretensão de calcular um limite incluindose as receitas de terceiros subfranqueados. ÁGIO. ETAPA INTERNACIONAL. PROVA. ETAPA NACIONAL. ÁGIO INTERNO. INDEDUTIBILIDADE. LANÇAMENTO PROCEDENTE. Na etapa internacional das operações, em que a aquisição das participações societárias de empresas brasileiras se deu entre partes independentes, os documentos acostados aos autos são insuficientes para permitir a convicção acerca do valor efetivamente pago correspondente a cada uma delas, bem assim da formação de um eventual ágio ou deságio. Em decorrência, na posterior etapa nacional não se há de cogitar da “transferência” de um ágio anteriormente formado em condições de livre mercado. Sendo essa segunda etapa realizada exclusivamente entre sociedades sob controle societário único, sem qualquer desembolso, a mais valia assim formada, conhecida como “ágio interno”, se revela sem qualquer fundamento econômico. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 56 1. 72 00 99 /2 01 4- 58 Fl. 11883DF CARF MF Impresso em 17/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/10/2016 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 07/10/2016 p or WALDIR VEIGA ROCHA Processo nº 16561.720099/201458 Acórdão n.º 1301002.154 S1C3T1 Fl. 11.884 2 ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Exercício: 2010, 2011 JUROS MORATÓRIOS. TAXA SELIC. PROCEDÊNCIA. A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. JUROS MORATÓRIOS INCIDENTES SOBRE A MULTA DE OFÍCIO. TAXA SELIC. PROCEDÊNCIA. A obrigação tributária principal surge com a ocorrência do fato gerador e tem por objeto tanto o pagamento do tributo como a penalidade pecuniária decorrente do seu não pagamento, incluindo a multa de oficio proporcional. O crédito tributário corresponde a toda a obrigação tributária principal, incluindo a multa de oficio proporcional, sobre o qual, assim, devem incidir os juros de mora à taxa Selic. MULTA DE OFÍCIO. ALEGAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE. INCOMPETÊNCIA DO CARF. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Exercício: 2010, 2011 CSLL. LANÇAMENTO REFLEXO. AUSÊNCIA DE ARGUMENTO ESPECÍFICO. Na inexistência de argumento específico, aplicase ao lançamento reflexo o quanto decidido para o lançamento principal. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por maioria de votos, em NEGAR provimento ao recurso voluntário, vencidos os Conselheiros José Eduardo Dornelas Souza e Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro que davam provimento parcial, o primeiro para afastar a incidência de juros sobre a multa de ofício, o segundo para, além disso, também afastar a infração referente a royalties. (assinado digitalmente) Waldir Veiga Rocha Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Flávio Franco Corrêa, José Eduardo Dornelas Souza, Roberto Silva Júnior, Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro, Milene de Araújo Macedo e Waldir Veiga Rocha. Fl. 11884DF CARF MF Impresso em 17/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/10/2016 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 07/10/2016 p or WALDIR VEIGA ROCHA Processo nº 16561.720099/201458 Acórdão n.º 1301002.154 S1C3T1 Fl. 11.885 3 Relatório ARCOS DOURADOS COMÉRCIO DE ALIMENTOS LTDA., já qualificada nestes autos, inconformada com o Acórdão n° 1055.416, de 26/06/2015, da 1ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Porto Alegre/RS, recorre voluntariamente a este Colegiado, objetivando a reforma do referido julgado. Por bem descrever o ocorrido, valhome do relatório elaborado por ocasião do julgamento do processo em primeira instância, a seguir transcrito: O presente processo tem por foco a exigência do recolhimento do Imposto de Renda da Pessoa Jurídica IRPJ e da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido – CSLL em função (1) da dedução excessiva de despesas com royalties e (2) da amortização irregular de ágio fundamentado na rentabilidade futura de investimento adquirido. Iniciarei pelo relato do primeiro caso. A autoridade lançadora, após esmiuçar a legislação a respeito da dedutibilidade dos royalties, identificou dedução excessiva por parte do contribuinte. Em resumo, a legislação aplicável à matéria tem sua matriz no art. 12 da Lei nº 4.131, de 3 de setembro de 1962, e no art. 6º do Decretolei nº 1.730, de 17 de dezembro de 1979. Segundo essas normas, o limite máximo para a dedução dos royalties é de até 5% da receita líquida das vendas do produto fabricado ou vendido. Cabe ao Ministro da Fazenda estabelecer os percentuais admissíveis de dedução em função do tipo de produção ou da atividade (§ 1º do art. 12 da Lei nº 4.131, de 1962). O limite aplicável à indústria de produtos alimentares é de 4%, consoante disposto na Portaria MF nº 436, de 30 de dezembro de 1958. A dedutibilidade dos royalties pagos pelo franqueado ao franqueador observa as normas acima referidas, consoante disposto no Ato Declaratório Interpretativo SRF nº 2, de 22 de fevereiro de 2002. Quanto aos fatos que deram azo ao lançamento, a Fiscalização identificou o montante da receita líquida de vendas dos produtos alimentares apontado pelo interessado em suas declarações de rendimentos atinentes aos anoscalendário 2009 (fl. 9 c/c fl. 9.317) e 2010 (fl. 76 c/c fl. 9.319). Diante da receita líquida, a autoridade fiscal calculou o limite máximo de dedução (4%). Apurado o limite, foi efetuado o cotejo desse elemento com a dedução empreendida pelo contribuinte (fls. 8 e 74). Dessa comparação, restou identificado o excesso da dedução dos royalties nos dois anoscalendário. Confirase o resumo do cálculo (fls. 9.317 a 9.319): Anocalendário 2009 Fl. 11885DF CARF MF Impresso em 17/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/10/2016 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 07/10/2016 p or WALDIR VEIGA ROCHA Processo nº 16561.720099/201458 Acórdão n.º 1301002.154 S1C3T1 Fl. 11.886 4 Anocalendário 2010 Quanto à amortização irregular de ágio fundamentado na rentabilidade futura de investimento adquirido, importante reprisar as operações comerciais e societárias que redundaram no ágio contestado pela fiscalização. Em julho de 2007, o McDonald’s Corporation (McDonald’s), uma sociedade norteamericana, vendeu, através de controladas, seus negócios no Brasil e em diversos países da América Latina e do Caribe para Arcos Dorados Limited, sociedade das Ilhas Virgens Britânicas, e Arcos Dorados B.V., sociedade do Reino dos Países Baixos (Arcos Dorados). O negócio em questão foi documentado através de contrato de compra e venda firmado em 28 de março de 2007 (fls. 9.548 a 9.618). Em 31 de julho de 2007, o referido contrato foi emendado, dando contornos finais à operação (fls. 8.662 a 8.670). O valor base do negócio, sujeito a ajustes, foi pactuado em US$ 690.500.000,00 (fls. 8.664 e 8.665), consoante emenda ao contato. As principais participações societárias objeto do negócio foram as detidas perante as sociedades LatAm, LLC, e McDonald’s Comércio de Alimentos Ltda. (fls. 9.552, 8.664 e 8.665). Paralelamente, o vendedor e o comprador firmaram contrato principal de franquia (“Master Franchise Agreement”), passando o comprador a exercer a posição de franqueador da cadeia de lanchonetes McDonald’s nas regiões da América do Sul e do Caribe (fl. 9.552). O adquirente arcou com a obrigação de pagar royalties ao detentor da marca McDonald’s, calculados sobre as vendas brutas dos restaurantes localizados nos mercados latinoamericano e caribenho, entre outras obrigações. Essa operação representou uma inovação para o McDonald’s, porquanto foi adotada uma nova sistemática exploração dos negócios. Para as regiões objeto do negócio foi abandonada a prática habitual da exploração direta das lanchonetes ou a Fl. 11886DF CARF MF Impresso em 17/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/10/2016 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 07/10/2016 p or WALDIR VEIGA ROCHA Processo nº 16561.720099/201458 Acórdão n.º 1301002.154 S1C3T1 Fl. 11.887 5 contratação com franqueados para a exploração indireta, remunerada principalmente por via de royalties e aluguéis. Nesse novo modelo, o adquirente Arcos Dorados assumiu a posição de franqueador máster para a América Latina e o Caribe pelo período de 20 anos. Importante registrar, nesse passo, que essa operação internacional importou no registro de uma perda por parte do vendedor (McDonald’s). Essa perda, inclusive, deu ensejo ao registro de um benefício fiscal por parte do vendedor. Essa informação pode ser colhida da demonstração financeira do vendedor atinente ao período encerrado em junho de 2007 (fls. 10.209 e 10.218), elemento juntado aos autos pelo impugnante. No Brasil, existiam duas sociedades controladas pelo McDonald’s: a McDonald’s Comércio de Alimentos Ltda. e a Arras Comércio de Alimentos Ltda.. Essas duas sociedades tiveram o controle transferido para o comprador dos negócios transacionados. Passo a tratar das operações através das quais foi transferido o controle das referidas sociedades. A McDonald’s Comércio de Alimentos Ltda. (antiga denominação do impugnante), sociedade sediada na cidade de Barueri, SP, na Alameda Amazonas nº 253, passou a ser controlada pela Arcos Dorados B.V.. O ato societário das folhas 8.390 a 8.393 documenta a referida troca de controle. Confirase trecho do documento lavrado em 3 de agosto de 2007 (fl. 8.391): A Arras Comércio de Alimentos Ltda., sediada na cidade de Barueri, SP, na Alameda Amazonas nº 113, passou por alteração no seu quadro societário em 3 de maio de 2007 (fls. 8.292/3), como ato preparatório ao negócio internacional acima noticiado. As sociedades McDonald’s Corporation (99,99% do capital social) e McDonald’s International Holdings, LLC (0,01% do capital social), foram substituídas pelas sociedades LatAm, LLC (99,99% do capital social), e McDonald’s Caribean Development Corporation (0,01% do capital social). As duas últimas sociedades foram objeto do negócio de compra e venda finalizado em julho de 2007 (fls. 9.567, 9.552 e 8.664 – item 2.1). Efetivado o negócio, em julho de 2007, a sociedade Arras Comércio de Alimentos Ltda. passou a ser controlada pelo grupo Arcos Dorados. Em 29 de agosto de 2008, as sociedades estrangeiras Arcos Dorados B.V., Arcos Dorados Caribbean Development Corporation e LatAm, LLC, constituíram a sociedade brasileira denominada Arcos Dourados Participações Ltda. (fls. 11.513 a 11.522). A referida sociedade restou sediada na cidade de Barueri, SP, na Alameda Amazonas nº 253, 1º andar. Confirase o objeto social da nova sociedade (fl. 11.514): Fl. 11887DF CARF MF Impresso em 17/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/10/2016 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 07/10/2016 p or WALDIR VEIGA ROCHA Processo nº 16561.720099/201458 Acórdão n.º 1301002.154 S1C3T1 Fl. 11.888 6 Segundo indica o impugnante, a nova sociedade teve por meta viabilizar “a consolidação das atividades brasileiras da rede McDonald’s sob o controle e a administração do grupo Arcos Dorados” (fl. 9.399). O capital social da referida sociedade foi inicialmente fixado em R$ 10.000,00 (fl. 11.514). Em 29 de dezembro de 2008, os detentores do capital social da sociedade Arcos Dourados Comércio de Alimentos Ltda. (Arcos Dorados B.V. e Arcos Dorados Caribbean Development Corp.) transferiram, a título oneroso, o referido capital para a sociedade Arcos Dourados Participações Ltda.. Em função dessa transferência, houve um aumento do capital social da Arcos Dourados Participações Ltda. no valor de R$ 1.605.866.529,00 (fl. 11.525), ou seja, o preciso valor do capital social Arcos Dourados Comércio de Alimentos Ltda. excetuada a participação mínima de R$ 1,00 do sócio Arcos Dorados Caribbean Development Corp. (fls. 8.414/5 e 9.325). Na mesma data (29/12/2008), os detentores do capital social da sociedade Arras Comércio de Alimentos Ltda. (LatAm, LLC, e Arcos Dorados Caribbean Development Corp.) transferiram, a título oneroso, o referido capital para a sociedade Arcos Dourados Participações Ltda. (fl. 8.174). O capital social da Arras Comércio de Alimentos Ltda. transferido para a Arcos Dourados Participações Ltda. foi de R$ 124.095.865,00 (fl. 8.176). A sociedade Arcos Dorados Caribbean Development Corp. permaneceu com a participação mínima de R$ 1,00 (fl. 8.176). Em 30 de novembro de 2010, a sociedade Arcos Dourados Comércio de Alimentos Ltda. incorporou as sociedades Arras Comércio de Alimentos Ltda. e Arcos Dourados Participações Ltda. (fls. 11.544 a 11.561). Em razão dessas incorporações, o capital social da sociedade incorporadora restou dividido entre os sócios Arcos Dorados B.V., LatAm, LLC, e Arcos Dorados Caribbean Development Corp. (fl. 11.546). As operações societárias acima descritas foram aquelas em torno das quais teria sido gerado o ágio que deu azo à dedução, pelo contribuinte, de R$ 9.055.009,15 na apuração do lucro líquido no anocalendário 2010 (fl. 78 – Declaração de Informações EconômicoFiscais da Pessoa Jurídica DIPJ, Ficha 7A, linha 50). A Fiscalização solicitou a comprovação do cabimento da dedução. Repriso trecho do relatório (fls. 9.328 a 9.330): “Questionado a respeito da origem do ágio declarado, o contribuinte informou: (fls. 3416 e 3417) "Os valores registrados pela intimada a título de ágio decorrem de operação realizada entre partes independentes, na qual o Fl. 11888DF CARF MF Impresso em 17/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/10/2016 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 07/10/2016 p or WALDIR VEIGA ROCHA Processo nº 16561.720099/201458 Acórdão n.º 1301002.154 S1C3T1 Fl. 11.889 7 GRUPO ARCOS DORADOS adquire, com efetivo pagamento, a sociedade brasileira MC DONALD'S COMÉRCIO DE ALIMENTOS LTDA. e demais subsidiárias brasileiras, até então detidas pelo grupo MC DONALD'S. Após adquirir participação nas sociedades brasileiras até então detidas pelo grupo MC DONALD'S, o GRUPO ARCOS DORADOS contribui esse investimento para subscrever aumento de capital da sociedade brasileira ARCOS DOURADOS PARTICIPAÇÕES LTDA. Nesse momento, tendo adquirido investimento relevante avaliado pelo método de equivalência patrimonial, a ARCOS DOURADOS PARTICIPAÇÕES LTDA passa a desdobrar o custo da participação adquirida em: (i) patrimônio líquido das sociedades investidas; e (ii) ágio. O fundamento econômico dos valores apurados a tal título se justifica na expectativa de rentabilidade futura das sociedades brasileiras adquiridas pelo grupo ARCOS DOURADOS, tratando portanto, da hipótese prevista pelo art. 385, § 2°, inc. II, do RIR/99. A intimada esclarece que as informações acima, bem como a própria operação, já foram analisadas por essa divisão de fiscalização, no MPF n° 08.1.85.0020120003011, o qual foi encerrado, em 23.08.2012, sem questionamentos (DOC 06)." Com relação ao questionamento sobre o fato de ter havido ou não pagamento pelo referido ágio, o contribuinte respondeu: "Como mencionado em resposta apresentada em 15.06.2012 no MPF n° 08.1.85.002012000301 (DOC 10), o preço atribuível às operações brasileiras que posteriormente originaram o ágio registrado no Brasil foi aproximadamente 42% do total de US$ 698.823.683,00 que havia sido efetivamente pago pelo GRUPO ARCOS DOURADOS ao GRUPO MC DONALD'S (DOCS 07 E 08), ou seja, US$ 293.505.946,86 equivalentes a R$ 551.086.765,82 em 03/08/2007 , conforme evidenciado e confirmado pelos laudos de avaliação, apresentados em resposta ao item 7, acima. Tendo efetivamente incorrido nesse custo de aquisição de investimento, ele foi adotado pelo GRUPO ARCOS DORADOS, conforme expressamente autorizado pela legislação fiscal e societária brasileira, para subscrever o aumento de capital da ARCOS DOURADOS PARTICIPAÇÕES LTDA., com a consequente emissão de novas quotas dessa sociedade brasileira." Como documentação comprobatória, o contribuinte apresentou cópias dos seguintes documentos: • Termo de Encerramento da ação fiscal determinada pelo MPF de Diligência n° 08.1.85.002012000301(fl. 7240). • Relatório de avaliação econômicofinanceira do grupo Arcos Dorados na América Latina elaborado pela empresa Fl. 11889DF CARF MF Impresso em 17/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/10/2016 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 07/10/2016 p or WALDIR VEIGA ROCHA Processo nº 16561.720099/201458 Acórdão n.º 1301002.154 S1C3T1 Fl. 11.890 8 Forrestal Capital, e entregue para a empresa Arcos Dorados Argentina em julho de 2007 (fls. 7241 a 7360). • Laudo de avaliação econômica combinada das empresas Arcos Dourados Comércio de Alimentos Ltda. e ARRAS Comércio de Alimentos Ltda., elaborado pela Macso Legate Consultores Ltda. apresentado à empresa Arcos Dourados Comércio de Alimentos em 28/10/2008 (fls. 7361 a 7707). • Cópia da 67ª alteração contratual da sociedade Arcos Dourados Comércio de Alimentos Ltda., registrada na JUCESP em 13/12/2010 (fls. 7708 a 7725). • Cópia da resposta à Intimação n° 03 feita no curso da diligência determinada pelo MPF n° 08.1.85.002012000301 (fls. 7726 e 7727). Dado que ainda não estava claro o cálculo do valor do suposto ágio e também que não havia documentação suficiente para a análise do caso em questão, foi enviada nova intimação (fls. 8036 a 8038). Citamos a seguir os questionamentos feitos e as respectivas respostas. 1. Referente ao valor declarado na Linha 27 da ficha 36E da DIPJ 2011 AC 2010 Ágios em investimentos: R$ 515.377.834,00 solicitamos demonstrar exatamente como foi calculado esse valor: A intimada informou que (fls. 8042 a 8050): "...a aquisição da operação latinoamericana do Mc Donald's Corporation Inc pela empresa Arcos Dorados BV se deu mediante o pagamento de US$ 698.823.683,00. Desse valor, aproximadamente 42% ou seja, US$ 293.505.946,86 equivaliam às operações no Brasil, conforme laudos de avaliação elaborados pelas empresas Forrestal Capital e Macso Legate Consultores Ltda., já apresentados pela intimada nas respostas aos Termos de Intimação acima mencionadas. As operações no Brasil eram desenvolvidas pelas empresas Arcos Dourados Comércio de Alimentos Ltda. ("ADC") e Arras Comércio de Alimentos Ltda. ("ARRAS"). Em setembro de 2008, as controladoras estrangeiras constituíram a Arcos Dourados Participações Ltda. ("ADP") para a centralização da gestão estratégica das empresas adquiridas. Neste, contexto, em dezembro de 2008, as sócias de ADP integralizaram e aumentaram seu capital social, em R$ 585.804.629,00 (equivalente a US$ 293.505.946,86), mediante a conferência das quotas de ADC e ARRAS. Com isso, houve o registro do ágio de R$ 515.377.834,00 na ADP, por expectativa de rentabilidade futura, referente à diferença entre o valor integralizado com quotas de ADC e ARRAS e seus respectivos Patrimônios Líquidos, constantes de Fl. 11890DF CARF MF Impresso em 17/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/10/2016 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 07/10/2016 p or WALDIR VEIGA ROCHA Processo nº 16561.720099/201458 Acórdão n.º 1301002.154 S1C3T1 Fl. 11.891 9 seus balancetes de verificação do período de apuração mensal imediatamente anterior à data do evento.” Na mesma intimação, solicitamos também o envio dos balanços patrimoniais. 2. Enviar cópia dos Balanços Patrimoniais (já solicitados no item 07 da Intimação n° 08), devidamente assinados pelos responsáveis, das empresas envolvidas no processo de aquisição: McDonalds Comércio de Alimentos / Arcos Dourados Comércio de Alimentos e ARRAS Comércio de Alimentos na data em que o ágio foi gerado. Como resposta, obtivemos: "A intimada encaminha cópia dos balancetes de verificação do período de apuração mensal imediatamente anterior à data do evento (novembro), bem como os recibos de entrega da Escrituração Contábil Digital do período de escrituração (DOC 01), assinados digitalmente pelos responsáveis." Também voltamos a indagar sobre a questão do pagamento: 3. Informar se houve efetivo pagamento / desembolso na aquisição efetuada pela Arcos Dorados BV e, em caso positivo, enviar cópia da documentação comprobatória do desembolso (já solicitado no item 08 da intimação n° 08). O contribuinte assim respondeu: "A intimada informa que houve pagamento na aquisição das operações latinoamericanas do grupo McDonalds, efetuado pela Arcos Dorados BV no exterior. Nesse sentido, a intimada destaca que tal operação teve, à época (2007), enorme repercussão nacional e internacional, tratando se de informação pública, conforme se denota, inclusive, do "Form 10K" da McDonald's Corporation, no ano fiscal de 2008, registrado na Securitie Exchange Comission ("SEC") dos Estados Unidos da América (disponível na internet). De tal documento se extrai que a venda da chamada operação "LATAM" foi efetivamente realizada com o pagamento de valor aproximado ao ora informado." Por fim a Intimada ressalta que o contrato de compra e venda da operação em referência e respectiva tradução juramentada foram apresentados a essa I. Fiscalização quando da resposta ao primeiro Termo de Intimação (MPF n° 08.1.85.00201200030 1), em 08/03/2012. Ainda, quando da resposta ao Termo de Intimação n° 02, 24/04/2012 (MPF n° 08.1.85.002012000301),a Intimada esclareceu, na resposta ao item 2.1 que o preço final pago pela operação latinoamericana foi de US$ 698.823.683,00." Fl. 11891DF CARF MF Impresso em 17/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/10/2016 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 07/10/2016 p or WALDIR VEIGA ROCHA Processo nº 16561.720099/201458 Acórdão n.º 1301002.154 S1C3T1 Fl. 11.892 10 Conforme verificado, não foi enviado nenhum comprovante de pagamento. Visando comprovar a operação e o pagamento, a intimada copiou trechos extraídos de artigos publicados em veículos de comunicação, e trecho do "Form 10K" da McDonald's Corporation, no ano fiscal de 2008, registrado na Securitie Exchange Comission ("SEC") dos Estados Unidos da América (fls. 8043 e 8044).” A autoridade administrativa responsável pelo lançamento destacou, ainda, que a emenda ao contrato de compra e venda pactuado entre McDonald’s e Arcos Dorados, efetivada em 31 de julho de 2007, deixou patente o valor pago pelas unidades de capital da McDonald’s Comércio de Alimentos Ltda. (antiga denominação do impugnante). O valor dessa aquisição foi de US$ 500,00 pagos à MCD Properties Inc. e US$ 13.698,00 pagos à McDonald’s International Spanish Holding S.L. (fl. 8.664). As duas beneficiárias do referido pagamento eram as únicas sócias do impugnante (fl. 8.390), motivo pelo qual forçoso concluir que o valor de US$ 14.198,00 foi o montante pago pela aquisição da referida sociedade. A tradução do laudo de avaliação do grupo Arcos Dorados na América Latina, efetuado em julho de 2007, consta das folhas 9.834/5. A data base da avaliação foi o dia 30 de junho de 2007. Esse laudo teria dado lastro à negociação internacional concluída em julho de 2007. A metodologia utilizada foi a do fluxo de caixa descontado. O documento indica que o valor de mercado total do grupo Arcos Dorados na América Latina era de US$ 776 milhões. Desse total, 42% diz respeito aos negócios no Brasil, o que significa US$ 325 milhões. Consta dos autos, também, laudo de avaliação combinada das sociedades Arcos Dourados Comércio de Alimentos Ltda., Arras Comércio de Alimentos Ltda. e Arcos Dourados Participações Ltda. (fls. 11.166 a 11.230). A data base da avaliação foi o dia 31 de agosto de 2008 (fls. 11.177, 11.226 a 11.228). A metodologia utilizada foi a do fluxo de caixa descontado (fl. 11.169). O laudo conclui pela existência de uma valor de mercado das sociedades no montante de R$ 1.696.349.812,00, em contraposição a um valor de patrimônio contábil de R$ 190.269.493,00. Assim, sob o ângulo econômico, as sociedades seriam R$ 1.506.080.319,00 mais valiosas do que montante contábil do patrimônio (fl. 11.228). A Fiscalização apresenta diversos argumentos para refutar a dedução do ágio. Contesta, inicialmente, a existência do ágio, uma vez que não comprovado o custo da aquisição efetuada internacionalmente ou a relação desse custo com as sociedades brasileiras adquiridas. Caso existente o ágio, não teria sido comprovada a sua fundamentação, tendo em vista que não houve atualização dos bens do ativo. Na hipótese de que o ágio fosse existente e devidamente comprovado, esse ágio diria respeito a sociedade residente no exterior, não sendo aplicável a ela a regra insculpida no art. 385 do Decreto nº 3.000, de 26 de março de 1999, o Regulamento do Imposto de Renda (RIR/99), uma vez que não é contribuinte. A sociedade estrangeira não poderia deduzir o ágio. Não haveria a possibilidade legal da transferência do ágio. Caso comprovado e existente o ágio de titularidade da sociedade nacional, não teria sido respeitado o limite de dedução de um sessenta avos. Passo a tratar de cada uma das acusações. Quanto ao custo de aquisição, a autoridade administrativa aponta incerteza quanto ao valor pago na operação internacional: US$ 690.500.000,00 (fl. 8.662), US$ 675.000.000,00 (fls. 8.044/5) e US$ 698.823.683,00 (fl. 9.328). 42% do valor pago internacionalmente diria respeito aos ativos brasileiros (fls. 9.834/5). Adotandose o valor de US$ 698.823.683,00 e a taxa do dólar americano em 31 de Fl. 11892DF CARF MF Impresso em 17/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/10/2016 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 07/10/2016 p or WALDIR VEIGA ROCHA Processo nº 16561.720099/201458 Acórdão n.º 1301002.154 S1C3T1 Fl. 11.893 11 julho de 2007, equivalente a R$ 1,8776, teríamos o valor do negócio de R$ 1.312.111.347,20. 42% desse valor seria R$ 551.086.765,82. Ocorre, entretanto, que o adendo ao contrato que selou o negócio internacional aponta o pagamento de US$ 14.198,00 pela principal sociedade brasileira, a McDonald’s Comércio de Alimentos Ltda. (antiga denominação do impugnante). Considerando a mesma taxa antes referida, isso importaria em R$ 26.658,16. Conclui, então, pela incerteza em torno do valor da operação. Tendo em vista que o eventual ágio decorre da diferença positiva entre o valor pago pelo investimento e o valor de patrimônio líquido desse investimento, a Fiscalização solicitou a indicação do valor do patrimônio líquido das sociedades brasileiras em agosto de 2007. O contribuinte informou que havia entregue cópia dos balancetes mensais anteriores ao evento referindose ao mês de novembro de 2008 (fls. 8.069 a 8.121), ou seja, da conferência das participações societárias da Arcos Dourados Comércio de Alimentos Ltda. e da Arras Comércio de Alimentos Ltda. em aumento do capital social da Arcos Dourados Participações Ltda.. Seguem os valores indicados no balancetes e nas declarações de rendimentos (fl. 9.337): Valor do PL AD Com. de Alim. Ltda. Arras Com. de Alim. Ltda. Total 30/11/2008 99.848.780,77 11.090.418,35 88.758.362,42 31/12/2008 166.788.984,05 82.717.734,65 249.506.718,70 Assim, caso considerada a operação de compra internacional como o momento de geração do ágio, não seria possível a identificação do valor do ágio em função do desconhecimento do valor contábil do investimento. Seguindo a hipótese de geração do ágio quando da conferência das participações societárias da Arcos Dourados Comércio de Alimentos Ltda. e da Arras Comércio de Alimentos Ltda. em aumento do capital social da Arcos Dourados Participações Ltda., cotejado esse elemento com o valor econômico fixado no laudo das fls. 11.166 a 11.230, teríamos os seguintes valores: Valor de PL (Contábil) Valor Econômico (fl. 11.228) Diferença (Ágio) 30/11/2008 88.758.362,42 1.696.349.812,00 1.607.591.449,58 31/12/2008 249.506.718,70 1.696.349.812,00 1.446.843.093,30 O valor registrado na escrita é distinto: R$ 515.377.834,00 (Declaração de Informações EconômicoFiscais da Pessoa Jurídica – DIPJ – do anocalendário 2010, Ficha 36E, linha 27, fl. 98). Questionado a respeito (fl. 8.036), o contribuinte apresentou a seguinte resposta (fls. 8.042/3): Fl. 11893DF CARF MF Impresso em 17/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/10/2016 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 07/10/2016 p or WALDIR VEIGA ROCHA Processo nº 16561.720099/201458 Acórdão n.º 1301002.154 S1C3T1 Fl. 11.894 12 Frente a isso, a Fiscalização concluiu ser inviável calcular o ágio, uma vez que não se conhece o custo de aquisição e o valor contábil do investimento pretensamente adquirido com ágio por ocasião da aquisição (fl. 9.338). A autoridade administrativa responsável pelo lançamento contestou, também, a fundamentação do ágio. Ao analisar os laudos apresentados, concluiu que nenhum deles teria por finalidade sustentar o registro do ágio com fundamento em rentabilidade futura. O primeiro, adotado em 2007, se prestou para assistir a aquisição dos negócios do McDonald’s na América Latina. Esse trabalho não comparou o de mercado dos negócios com o respectivo valor contábil. O segundo, adotado em 2008, posterior ao pretenso pagamento do ágio, não teria determinado o fundamento econômico do ágio, não tendo qualquer serventia. A Fiscalização contestou, também, o excesso de dedução do ágio, uma vez que o valor deduzido no mês de dezembro de 2010 (R$ 9.055.009,15) supera um sessenta avos do total do ágio gerado (R$ 515.377.834,00), consoante previsto no art. 386, III, do RIR/99. Enaltece, também, que Arcos Dorados B.V., o adquirente dos negócios do McDonald’s na América do Sul e no Caribe em 2007, não é contribuinte (art. 146 do RIR/99), uma vez que não residente no Brasil. Por esse motivo, a ele não seria Fl. 11894DF CARF MF Impresso em 17/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/10/2016 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 07/10/2016 p or WALDIR VEIGA ROCHA Processo nº 16561.720099/201458 Acórdão n.º 1301002.154 S1C3T1 Fl. 11.895 13 aplicável o art. 385 do RIR/99. Dessa forma, inviável a desejada aplicação do art. 386 do RIR/99. A transferência pretenso do ágio, uma vez que não provado, de sociedade estrangeira para sociedade nacional, por via de terceira sociedade extinta após o processo (“veículo”), não seria possível frente à legislação e à jurisprudência do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (Carf), que cita (fls. 9.345/6). Ademais, a operação de transferência das participações societárias ocorrida ao final de 2008 se deu dentro do mesmo grupo societário. Diz a autoridade fiscal (fl. 9.346): “Inexistiu negociação, já que se tratava de operações dos sócios com eles mesmos.” Diante disso, evoca normas contábeis que refutam o reconhecimento do ágio interno na escrita comercial, mais especificamente o item 47 do Pronunciamento Técnico nº 4 Comitê de Pronunciamentos Contábeis e a Resolução nº 1.110, de 2007, do Conselho Federal de Contabilidade. Na mesma linha, reproduz (fl. 9.347) trecho do OfícioCircular/CVM/SNC/SEP nº 1, de 14 de fevereiro de 2007, emitido pela Comissão de Valores Mobiliários, que refuta a geração de ágio em operações consigo mesmo. Como o lucro real é a resultante de apuração que parte do lucro líquido (art. 247 do RIR/99), elemento comercial, o primeiro não seria afetado pela amortização de ágio interno refutado pela legislação comercial. Não bastasse isso, a referida amortização não se enquadraria no conceito de despesa necessária, fixado no art. 299 do RIR/99. Destaca que o ágio dos autos sequer é despesa, na medida em que “não implica o sacrifício de qualquer ativo” (fl. 9.349). Nesses termos, exige o pagamento do IRPJ e da CSLL (forte no art. 57 da Lei nº 8.981, de 20 de janeiro de 1995) incidentes sobre o valor da amortização deduzida no mês de dezembro de 2010 (R$ 9.055.009,15 – fl. 9.351). A cientificação do lançamento ocorreu no dia 2 de dezembro de 2014 (fl. 9.378). Em 29 de dezembro de 2014, o contribuinte apresentou sua impugnação (fl. 9.384). No que diz respeito à dedução dos royalties, o interessado argumenta que os royalties pagos não se referem apenas às receitas de vendas próprias. Segundo alega, parte dos royalties são recebidos dos subfranqueados e repassados para a McDonald’s Latin America LLC (cessionária da McDonald’s Corporation). Confira se trecho da impugnação (fl. 9.386): “Essas receitas de subfranquia, ressaltese, encontramse devidamente informadas nas DIPJs e foram integralmente oferecidas à tributação pela Requerente, de modo que o efeito da dedução dessa parcela pela Requerente, além de não exceder a limitação prevista na Portaria 436/58, acabou sendo absolutamente neutra e não ensejou qualquer tipo de dano ao Erário;” Mais adiante, o impugnante alega que a exploração da marca McDonald’s na América Latina e no Caribe foi objeto de negócio celebrado em 2007. Esse negócio, válido por vinte anos, posicionou o impugnante na qualidade de franqueador Fl. 11895DF CARF MF Impresso em 17/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/10/2016 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 07/10/2016 p or WALDIR VEIGA ROCHA Processo nº 16561.720099/201458 Acórdão n.º 1301002.154 S1C3T1 Fl. 11.896 14 principal, com capacidade para subfranquear os direitos de exploração da rede de restaurantes McDonald’s no Brasil. Nesse contexto, royalties pagos pelos subfranqueados brasileiros seriam repassados ao titular da marca. Confirase (fls. 9.396/7): “34. De acordo com esse modelo de negócios, quando há a contratação de uma subfranquia, os subfranqueados também devem pagar royalties equivalentes aos franqueados principais (no Brasil, por exemplo, seria a Requerente) que, por seu turno, repassam esses mesmos valores ao grupo McDonald’s, em adição aos seus próprios royalties, conforme expressamente determina a Cláusula 5.2.1 tanto do “Master Franchise Agreement” quanto do “Amended and Restated Master Francise Agreement”. Ou seja, quando há o subfranqueamento por um dos franqueados principais, a responsabilidade pela coleta e repasse dos recursos devidos a título de royalties ao grupo McDonald’s pelos subfranqueados é da franqueadora principal. Todos esses contratos, vale notar, encontramse devidamente averbados perante o Instituto Nacional de Propriedade Intelectual (“INPI”) (docs. nº 36 a 38). 35. No caso específico da Requerente, que também possui diversos contratos de subfranquia no País, é cobrado mensalmente a título de royalties dos subfranqueadores o valor de 5% sobre o valor bruto das vendas. A requerente pede vênia para colacionar alguns dos contratos de subfranquia (docs. nº 39 a 42), assim como as páginas referentes à remuneração de outros contratos (doc. nº 43), para que fique claro que o valor recebido dos subfranqueadores é exatamente o mesmo que, de acordo com o “Máster Franchise Agreement” e com o “Amended and Restated Máster Francise Agreement”, a Requerente deve pagar ao grupo McDonald’s. 36. Em síntese, o fluxo de recursos relacionados aos royalties a serem pagos pela Requerente é o seguinte: (a) na condição de franqueada principal do grupo McDonald’s no Brasil , a Requerente celebra contratos de subfranquia, com terceiros, nas mais diversas localidades do Brasil; (b) subfranqueados pagam royalties equivalentes a 5% de suas receitas brutas para a Requerente; (c) a Requerente oferece à tributação os valores recebidos a título de royalties dos subfranqueados, como informado nas Fichas 01 e 42 de suas DIPJ (docs. nº 44 a 45); além de pagar seus próprios royalties ao grupo McDonald’s, a Requerente deve repassar os valores de royalties recebidos dos subfranqueados, também no valor de 5% das receitas brutas de vendas por eles realizadas; (e) por ter oferecido à tributação as receitas de royalties dos subfranqueados, a Requerente deduz os pagamentos realizados como mero repasse de receitas ao Grupo McDonald’s para que tais valores não estejam sujeitos a dupla tributação; já que (f) quando do repasse dos royalties próprios e de subfranqueados ao grupo McDonald’s, a Requerente efetua o recolhimento do Imposto de Renda Retido na Fonte (“IRF”) (doc. nº 46). O diagrama abaixo ilustra esses pontos:” Fl. 11896DF CARF MF Impresso em 17/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/10/2016 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 07/10/2016 p or WALDIR VEIGA ROCHA Processo nº 16561.720099/201458 Acórdão n.º 1301002.154 S1C3T1 Fl. 11.897 15 Importante destacar, nesse passo, que o contrato referido pelo impugnante (“Master Franchise Agreement”) consta das 10.551 a 10.594. A cláusula 5.2.1 consta da 10.554. Segundo defende o impugnante, ele age como mero agente coletor de royalties devidos pelos subfranqueados ao grupo McDonald’s. Por esse motivo, não teria cabimento querer computar os royalties repassados no cálculo do limite de pagamentos dos royalties. O limite deve considerar apenas os royalties próprios, não os de terceiros (subfranqueados), que encontram limites em receitas alheias. Apresenta, então, a seguinte assertiva (fls. 9.396/7): “Ou seja, quando há o subfranqueamento por um dos franqueados principais, a responsabilidade pela coleta dos recursos devidos a título de royalties ao grupo McDonald’s pelos subfranqueados é da franqueada principal.” Diante disso, entende que a “Fiscalização se equivocou ao simplesmente considerar as receitas de vendas da Requerente e sobre esse montante aplicar a alíquota de 4%, já que na parcela deduzida constam ainda royalties repassados de subfranqueados, que se baseiam em suas respectivas vendas” (fl. 9.398). Solicita, por fim, a realização de diligência para a confirmação das informações que presta. No que diz respeito à amortização irregular de ágio, o impugnante resume suas alegações. Inicia por contestar a interpretação dada à obra de Marco Aurélio Greco pela Fiscalização. Segundo o impugnante, a autoridade lançadora não analisou o caso no seu conjunto “como um filme e não como uma fotografia” (fl. 9.387). A conduta da análise integral seria aquela adotada pelo Carf. A substância do ágio deveria ser considerada a partir da aquisição internacional das operações do McDonald’s na América Latina e no Caribe, ocorrida em 2007. Assim agindo, o Fisco não teria concluído “que o presente caso não apresentaria razões empresariais verdadeiras ou que a Requerente teria supostamente objetivado unicamente economia tributária” (fl. 9.387). Como o negócio foi verdadeiro, o grupo faria jus ao benefício da dedutibilidade do ágio relativamente às aquisições brasileiras (fl. 9.387). Alega que não ocorreu a transferência do ágio, uma vez que a Arcos Dorados B.V. adquiriu as sociedades brasileiras e, dois anos depois, conferiu esse bem em aumento de capital da sociedade Arcos Dourados Participações Ltda., tudo em linha com o art. 26, § 3º, da Instrução Normativa nº 209, de 27 de setembro de 2002, e o art. 23 da Instrução Normativa nº 1.455, de 6 de março de 2014. Mesmo que assim não fosse, a transferência não seria inválida. A legislação não vedaria a utilização do custo de aquisição de sociedades nacionais por sociedade estrangeira para fins de aumento de capital de sociedade nacional. Refere farta jurisprudência emanada do Carf. (fl. 9.388). Mesmo que interpretada a Arcos Dourados Participações Ltda. como “empresa veículo”, isso não redundaria na indedutibilidade do ágio, ainda mais levando em conta a reprovação, pelo Congresso Nacional, da limitação do registro do ágio em aquisições efetuadas com troca de participações societárias, fato Fl. 11897DF CARF MF Impresso em 17/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/10/2016 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 07/10/2016 p or WALDIR VEIGA ROCHA Processo nº 16561.720099/201458 Acórdão n.º 1301002.154 S1C3T1 Fl. 11.898 16 ocorrido quando da apreciação da Medida Provisória nº 627, de 11 de novembro 2013. Por fim, o custo incorrido pela Arcos Dorados B.V. para adquirir as sociedades brasileiras estaria devidamente suportado pelos laudos de avaliação preparados por duas empresas independentes e especializadas nesse assunto, não existindo a obrigação desses laudos estarem fundamentados nas três hipóteses elencadas no § 2º do art. 20 do Decretolei nº 1.598, de 26 de dezembro de 1977. Não caberia ao Fisco lançar dúvida sobre o teor dos laudos. Quanto à comprovação do pagamento do ágio, o impugnante apresentou cópia do contrato firmado entre Arcos Dorados B.V. e instituições financeiras com a finalidade de obter recursos (empréstimo) para viabilizar a compra das operações do McDonald’s na América Latina e no Caribe. Essa operação foi realizada no dia 2 de agosto de 2007 e contemplou crédito no montante de US$ 350.000.000,00 (fls. 9.960 a 10.063, com destaque para a fl. 9.961). Apresentou, também, documento indicativo de crédito bancário realizado no dia 3 de agosto de 2007 em favor do McDonald’s Corporation no valor de US$ 349.810.088,00 (fl. 10.132). Deseja, com isso, comprovar o pagamento da compra das operações do McDonald’s na América Latina e no Caribe. Adicionalmente, apresentou cópias das demonstrações financeiras do McDonald’s Corporation apresentadas à Securities and Exchange Commission (Sec), organização norteamericana equivalente à Comissão de Valores Mobiliários no Brasil, dando conta da venda das operações do McDonald’s na América Latina e no Caribe pelo valor aproximado de US$ 690.000.000,00. Apresentou, também, prospecto de oferecimento de ações da Arcos Dorados Holding Inc., também à Sec, que aponta a aquisição das operações do McDonald’s na América Latina e no Caribe pelo valor aproximado de US$ 698.000.000,00. Essa seria a documentação exigida por meio do art. 26, § 3°, da Instrução Normativa nº 208, de 17 de setembro de 2002, e do art. 23 § 1º, da Instrução Normativa nº 1.455, de 6 de março de 2014. Não bastasse tudo isso, o impugnante informa ter submetido a operação de compra das operações do McDonald’s no Brasil ao crivo do Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade). Juntou, também, notícias colhidas perante a imprensa na época da operação. Conclui, diante disso, que comprovado o pagamento da operação de compra das operações do McDonald’s na América Latina e no Caribe e que o negócio não tinha finalidade unicamente fiscal, uma vez que o negócio envolveu partes independentes, deu ensejo a efetivo desembolso de numerário e tinha por fundamento propósito negocial. Após essa aquisição, “seria natural que o grupo Arcos Dorados pretendesse simplificar sua estrutura societária” (fl. 9.399) local. O adquirente Arcos Dorados B.V. desejou alocar a cada jurisdição o custo respectivo. Por esse motivo houve a contratação da “empresa Macso Legate Consultores Ltda.” (fl. 9.399), que gerou um laudo de avaliação dos negócios brasileiros. Para que fosse viabilizada a consolidação dos negócios, foi constituída a Arcos Dourados Participações Ltda., que seria a responsável pelo gerenciamento das atividades locais. A holding local teria sido a responsável pela estruturação de comitê de deliberação de diretrizes locais e definição de campanhas de marketing. Essas despesas foram assumidas por ela. Posteriormente, a Arcos Dorados B.V. “transferiu para a AD Participações, pelo mesmo custo proporcionalmente incorrido na aquisição desses investimentos em 3.8.2007 (aproximadamente 42% do preço pago ao grupo McDonald’s), a participação detida na Arras e na requerente” (fl. 9.400). Segundo o impugnante, somente nesse momento ocorreu o surgimento do ágio, uma vez que desdobrado o custo de aquisição transferido em valor de patrimônio líquido (equivalência patrimonial) e ágio. Transferir custo seria figura distinta da transferência do ágio. Por fim, o impugnante incorporou a Arcos Dourados Participações Ltda. e a Arras Comércio de Alimentos Ltda., fato ocorrido em 13 de dezembro de 2010, mais de dois anos após a constituição da Arcos Dourados Participações Ltda.. Assim, Fl. 11898DF CARF MF Impresso em 17/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/10/2016 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 07/10/2016 p or WALDIR VEIGA ROCHA Processo nº 16561.720099/201458 Acórdão n.º 1301002.154 S1C3T1 Fl. 11.899 17 sustenta que não houve transferência de ágio, mas de custo. Mesmo que tivesse havido a transferência do ágio, não haveria ilicitude nesse procedimento. Defende, ainda, a isonomia tributária das sociedades controladas por holandeses presentes no Brasil em relação às demais sociedades brasileira na mesma localidade (Tratado BrasilHolanda). Quanto à aquisição do investimento, o impugnante alega que o aumento de capital de uma sociedade mediante a conferência de bens constitui modalidade de aquisição, consoante Solução de Consulta nº 288, de 22 de novembro de 2006, e diversas decisões do Carf que refere. Aqui estaria o equívoco interpretativo da autoridade lançadora, uma vez que considerou ter ocorrido a aquisição quando da operação internacional realizada em 2007. Quanto à comprovação do valor do ágio, o impugnante afirma estar comprovado o valor em função do patrimônio líquido das sociedades brasileiras e do montante do custo de aquisição dessas sociedades (fl. 9.407). Não aponta, entretanto, o cálculo. Quanto à fundamentação do laudo de avaliação, o impugnante defende a inexistência (1) de ordem de preferência nas hipóteses do § 2º do art. 20 do Decreto lei nº 1.598, de 1977, ou (2) necessidade de alocação do ágio a mais de uma fundamentação econômica. Cabe ao contribuinte “decidir qual parcela deverá ser indicada como resultante de cada um dos fundamentos” (fl. 9.409). Somente com o advento da Lei nº 12.973, de 13 de maio de 2014, foi instituída a obrigatoriedade da análise do ágio quando do seu registro. Segundo o art. 65 da referida lei, a disposição atinente ao ágio somente se tornaria aplicável a partir de 2015. Inviável, assim, a contestação do laudo preparado por Macso Legate ou a justificativa econômica adotada. O impugnante apontou jurisprudência administrativa em seu favor. Destacou, por fim, que a avaliação não levou em conta apenas o valor das sociedades negociadas, mas a perspectiva de rentabilidade futura das mesmas. Após, o contribuinte sustentou a inexistência de vedação à transferência do ágio, bem como a improcedência da acusação de utilização de sociedade veículo. A operação envolveu partes independentes, houve desembolso efetivo de caixa e razões negociais verdadeiras. A Arcos Dourados Participações Ltda. teve razão negocial para existir, não tendo se prestado apenas de canal de passagem. Durou por mais de dois anos, estruturou comitê de diretrizes e definiu campanhas de publicidade. Mesmo que assim não fosse, a legislação admite a existência de sociedade exclusivamente com a finalidade de participar de outras sociedades. Referiu farta jurisprudência do Carf em seu favor (fls. 9.414 a 9.419). Ademais, mesmo que esses argumentos não fossem válidos, a vedação à transferência do ágio veio à lume por meio do art. 21, § 1º, da Medida Provisória nº 627, de 11 de novembro de 2013, seis anos depois dos fatos. Ou seja, quando verificados os fatos, não havia vedação. No que diz respeito ao propósito da operação, o impugnante busca alicerce no negócio internacional empreendido, que teve reflexos no Brasil. Não cabe à Administração questionar decisões gerenciais dos contribuintes. Lembrou, ainda, a inexistência de regulamentação da Lei Complementar nº 104, de 10 de janeiro de 2001, que tratou da “teoria da substância econômica”. Quanto ao ágio gerado dentro do grupo econômico e as regras contábeis respectivas, alega que a Fiscalização não entendeu o contexto em que gerado o ágio, que teve efetivo custo, envolvendo partes nãorelacionadas. Dessa forma, a legislação contábil referida pelo trabalho fiscal não seria aplicável ao caso dos autos. Salientou que o ágio gerado internamente é aquele decorrente de reavaliação Fl. 11899DF CARF MF Impresso em 17/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/10/2016 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 07/10/2016 p or WALDIR VEIGA ROCHA Processo nº 16561.720099/201458 Acórdão n.º 1301002.154 S1C3T1 Fl. 11.900 18 espontânea de controlada, distinto do caso vertente. Mais uma vez referiu jurisprudência administrativa e a Lei nº 12.973, de 2014. Quanto ao limite de dedutibilidade do ágio (1/60), o impugnante defendeu o respeito à lei, uma vez que a Fiscalização teria dividido o ágio por sessenta e comparado o resultado com a dedução empreendida. Informa que a parcela tida por excedente referese a “outras parcelas registradas a título de ágio” (fl. 9.427), que não indica. Por fim, o contribuinte sustentou o descabimento (1) da multa de ofício e (2) da incidência dos juros de mora calculados sobre a referida multa. A multa só deve ser aplicada quando cabível (art. 142 do CTN). Como o impugnante teria agido de acordo com a legislação societária e fiscal, não seria cabível a multa. Não bastasse isso, a multa de 75% não é razoável frente ao princípio constitucional que veda o confisco. Referiu jurisprudência emanada do Supremo Tribunal Federal. Incabível, também, a exigência de juros de mora sobre a multa de ofício, tendo em vista manifestação da Câmara Superior de Recursos Fiscais na apreciação do Recurso de Divergência nº 202131.351. A proposta de súmula para admitir a incidência dos juros sobre a multa de ofício foi rejeitada pelo Carf. Frente a essas razões, o impugnante requer o acolhimento da sua impugnação e o cancelamento do auto de infração. A 1ª Turma da DRJ em Porto Alegre/RS analisou a impugnação apresentada pela contribuinte e, por via do Acórdão nº 1055.416, de 26/06/2015 (fls. 11678/11705), considerou procedente o lançamento com a seguinte ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Anocalendário: 2009, 2010 EXCESSO DE DEDUÇÃO DE ROYALTIES. INDÚSTRIA DE PRODUTOS ALIMENTARES. O limite de dedução dos royalties aplicável à indústria de produtos alimentares é de 4% da receita líquida de vendas do produto fabricado ou vendido. O impugnante não opera como simples coletor de royalties que seriam devidos pelos subfranqueados nacionais ao detentor internacional do nome comercial e da marca explorados. A relação jurídica que obriga o franqueador máster nacional ao pagamento dos royalties ao detentor estrangeiro do direito é travada de forma direta. O pagamento dos royalties devidos pelo primeiro ao segundo independe do recebimento, pelo primeiro, dos royalties a ele devidos pelos subfranqueados nacionais (terceiros). O impugnante, ao pagar os royalties, paga em nome próprio. Embora não tenha constado da ementa, esclareço que a infração relacionada à glosa de amortização de ágio foi tratada em primeira instância e mantida a autuação, sob o principal fundamento de que "não houve ágio no negócio internacional, o valor pago pela principal sociedade brasileira foi de US$ 14.198,00, o ágio gerado no Brasil envolveu operação societária interna e não houve comprovação do alegado ágio, seja no plano jurídico, seja no plano calculatório" (fl. 11703). Recurso Voluntário Fl. 11900DF CARF MF Impresso em 17/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/10/2016 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 07/10/2016 p or WALDIR VEIGA ROCHA Processo nº 16561.720099/201458 Acórdão n.º 1301002.154 S1C3T1 Fl. 11.901 19 Ciente da decisão de primeira instância em 14/07/2015, conforme termo à fl. 11712, a contribuinte apresentou recurso voluntário em 12/08/2015 conforme carimbo de recepção à folha 11714. No recurso interposto (fls. 11714/11758), após expor os fatos, sob sua ótica, e detalhar o funcionamento do modelo de franquias e subfranquias adotado pelo grupo McDonald’s em todo o mundo e também particularmente no Brasil, a recorrente passa a abordar aspectos atinentes à infração de glosa de excesso de royalties. A interessada reforça que “os royalties pagos pela Recorrente ao grupo McDonald's em razão do 'Master Franchise Agreement' e do 'Amended and Restated Master Franchise Agreement' não são compostos apenas pelas receitas próprias de vendas da Recorrente; contêm parcelas de repasse de royalties devidos pelos subfranqueados, que, por sua vez, são calculadas com base nas receitas de vendas realizadas por subfranqueados”. E ainda que “a dedutibilidade dos royalties pagos pelos subfranqueados é também confirmada pelas disposições contidas no ADI 2/02 e pelos Acórdãos 10195.602 e 10195.609, de 22.6.2006, que envolviam o próprio grupo McDonald's”. A partir do entendimento firmado em primeira instância de que haveria duas relações jurídicas distintas (a primeira, entre o grupo McDonald’s e a franqueadora master, ora recorrente; a segunda entre a franqueadora master e os subfranqueados), a recorrente aduz: [...] 61. De fato, assumindo numa primeira hipótese que os valores recebidos dos subfranqueados devam receber o tratamento fiscal de meros repasses realizados pela Recorrente na condição de agente coletora, essas parcelas seriam plenamente dedutíveis sem qualquer necessidade de observância aos limites previstos na Portaria 436/58, por preencherem com os requisitos gerais de dedutibilidade previstos no artigo 299 do RIR/99 (necessidade, normalidade e usualidade). Ademais, sob a perspectiva da própria Recorrente esses "repasses" não poderiam ser considerados como "royalties" já que fruto de sublicença a terceiros que não dizem respeito diretamente a McDonald's Corporation. 62. Ainda se adotada essa premissa de que os valores transferidos pela Recorrente para o grupo McDonald's corresponderiam a meros repasses, a dedutibilidade seria ainda defensável pelo fato de esses mesmos valores terem sido tributados no nível da Recorrente. Com efeito, ao receber esses valores, ainda que seja possível defender se tratarem de meras transferências de recursos de terceiros (sem que estejam presentes os requisitos de definitividade e de incondicionalidade) e que, portanto não seriam por ela tributáveis, como já definido na doutrina e na jurisprudência, a Recorrente efetivamente ofereceu a totalidade esses valores à tributação (does. nos 44 e 45 da Impugnação). Por outro lado, destacase que a dedutibilidade desses valores também se limitou a 4%, o que significa dizer que 1% dos valores repassados foi tributado pela Reccr.ente e não deduzido. Manter a glosa dessas despesas no nível da Recorrente, portanto, levaria a uma indevida dupla tributação adicional sobre a parcela de 4%, sem qualquer base legal para tanto. 63. Por outro lado, assumindo a mesma premissa adotada pela D. Fiscalização e pela r. decisão recorrida de que esses valores assumiriam a natureza de "royalties", o resultado não seria diferente e a dedutibilidade dos valores pagos pela Recorrente ao grupo McDonald's continuaria sendo válida e legítima exatamente como feito pela Recorrente, sem qualquer violação aos limites previstos na Portaria Fl. 11901DF CARF MF Impresso em 17/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/10/2016 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 07/10/2016 p or WALDIR VEIGA ROCHA Processo nº 16561.720099/201458 Acórdão n.º 1301002.154 S1C3T1 Fl. 11.902 20 436/58. Com efeito, nesse cenário haveria duas possíveis hipóteses para se aplicar os limites previstos na Portaria 436/58: (i) se adotadas as mesmas premissas da r. decisão recorrida (isto é, relações jurídicas distintas e independentes), os limites da Portaria 436/58 deveriam ser calculados nos termos do ADI 2/02, ou seja, de forma individualizada em relação às receitas de vendas próprias da Recorrente e em relação às receitas de vendas dos subfranqueados, não podendo ser consideradas para fins dos limites de dedutibilidade em ambos os casos apenas as receitas de vendas da Recorrente; e (ii) considerando haver apenas uma relação jurídica (Recorrente e subfranqueados de um lado, e McDonald's Corporation de outro), o valor de receita de vendas que deve ser tomado para fins do cálculo dos limites da Portaria 436/58 deve abranger o somatório tanto das vendas próprias da Recorrente, como também das vendas realizadas pelos subfranqueados, o que já chegou a ser expressamente decidido pelo antigo Conselho de Contribuintes em casos envolvendo o próprio McDonald's (MCD, denominação da Recorrente anteriormente à sua aquisição pelo grupo Arcos Dorados). Desses precedentes (Acórdãos 10195.602 e 10195.609, de 22.6.2006), aliás, vale destacar os seguintes trechos: [...] No que toca à segunda infração apontada pelo Fisco, a glosa de despesas de amortização de ágio, a recorrente também historia, em detalhes, as operações que deram origem ao ágio questionado na autuação. Por sua ótica, a decisão recorrida teria mantido o lançamento com base nas seguintes alegações: (b.1) a Recorrente não teria comprovado o valor do ágio registrado pela AD Participações; (b.2) o grupo Arcos Dorados teria "transferido" de forma indevida do exterior o ágio ora discutido por meio de uma sociedadeveículo (a AD Participações); (b.3) essa "transferência" faria com que o ágio registrado pela AD Participações fosse considerado um "ágio Interno"; e (b.4) o limite máximo de dedutibilidade do ágio de 1/60 mensais não teria sido respeitado no mês de dezembro de 2010. A recorrente passa, então, a combater cada uma dessas afirmações, com argumentos que podem ser sintetizados como segue: (b.1) Todos os requisitos formais que permitem a dedutibilidade do ágio registrado pela AD Participações foram verificados no caso em exame. A aquisição do investimento se deu no momento em que a AD participações recebeu da ADBV as quotas da recorrente e da Arras sob forma de integralização de quotas subscritas em aumento de capital. Adquirido o investimento pela AD Participações, seria obrigatório o desdobramento em subcontas de patrimônio líquido e ágio. No momento em que a recorrente incorporou a AD Participações e a Arras, passou a fazer jus à amortização fiscal do ágio. A recorrente menciona diversas decisões administrativas em situações que entende semelhantes. Fl. 11902DF CARF MF Impresso em 17/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/10/2016 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 07/10/2016 p or WALDIR VEIGA ROCHA Processo nº 16561.720099/201458 Acórdão n.º 1301002.154 S1C3T1 Fl. 11.903 21 (b.2) A nãovedação à alocação do custo legitimamente incorrido pelo grupo Arcos Dorados e a improcedência das alegações quanto à sociedadeveículo. A recorrente combate a qualificação da AD Participações como “empresa veículo”. Diz que o ágio foi legitimamente formado entre partes independentes em 2007, com efetivo pagamento, e que não haveria óbice legal à sua transferência, como no presente caso. Não se trataria de ágio interno. Menciona jurisprudência administrativa em favor de sua tese. (b.3) Os propósitos negociais da operação. A recorrente relembra, sob sua ótica, os motivos econômicos para a reorganização societária empreendida (“a aquisição de mais de 30 sociedades em 18 jurisdições diferentes junto a um grupo independente e nãorelacionado, com a posterior reorganização societária para alocação do custo originalmente incorrido para cada jurisdição envolvida no processo”). Ainda que assim não fosse, isso não seria motivo para a desconsideração da operação unicamente por conta de suas motivações econômicas. (b.4) O valor deduzido pela Recorrente em Dezembro/2010. Acerca do suposto excesso do valor deduzido em dezembro/2010, em relação ao limite de 1/60 mensais, a recorrente reafirma que a parcela supostamente excedente diz respeito a outras parcelas registradas a título de ágio, que não estão compreendidas nos fatos ora tratados e tampouco foram objeto de questionamento pela Fiscalização nos autos de infração. Caso assim não se admita, requer a conversão do julgamento em diligência para que se possa demonstrar a inexistência de dedução a maior em dezembro/2010. A recorrente passa, então, a combater a multa de 75% aplicada ao lançamento. Sustenta que teria agido em conformidade com a legislação fiscal em vigor, de forma que a penalidade de 75% sobre o suposto crédito tributário ultrapassaria os limites da razoabilidade e proporcionalidade, devendo ser reduzida. Colaciona decisões do STF e do STJ, nas quais teria sido reconhecida ofensa aos princípios do nãoconfisco, proporcionalidade e razoabilidade. A seguir, a recorrente afirma a impossibilidade de incidência de juros de mora sobre a multa de ofício. Finalmente, a recorrente sustenta a impossibilidade de incidência de juros SELIC sobre os valores lançados de ofício. Contrarrazões da Fazenda Nacional A União (Fazenda Nacional), por seu Procurador, apresentou contrarrazões (fls. 11833/11871) ao recurso voluntário, com base no art. 48, § 2º, do Anexo II do Regimento Interno do CARF. No que toca à infração de royalties pagos acima do limite legal, a Fazenda Nacional reforça os argumentos desenvolvidos pela decisão de primeira instância, no sentido de que a relação jurídica que justifica o pagamento de royalties pelo contribuinte não se confunde com aquela outra que permite o recebimento de royalties dos subfranqueados. Tratar Fl. 11903DF CARF MF Impresso em 17/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/10/2016 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 07/10/2016 p or WALDIR VEIGA ROCHA Processo nº 16561.720099/201458 Acórdão n.º 1301002.154 S1C3T1 Fl. 11.904 22 seia de duas relações jurídicas distintas e autônomas, pelo que entende correta a decisão de primeira instância. Quanto à glosa de despesas com amortização de ágio, a Fazenda Nacional argumenta, inicialmente, que inexistiria custo de aquisição no exterior no valor de R$ 585 milhões. Em suas palavras (grifos no original): Tal como destacado pelo lançamento, e ratificado pela decisão recorrida, embora o grupo Arcos tenha entregue mais de US$ 600 milhões ao grupo McDonalds pela aquisição dos negócios da América Latina, apenas US$ 14.198,00 corresponderam à aquisição da MCD LTDA, a qual era a empresa que detinha a grande maioria dos negócios no Brasil (fato este também atestado pelo laudo da M/Legate). [...] Desta feita, no que interessa no presente tópico, demonstrase que, não tendo o grupo Arcos suportado o custo de aquisição no exterior no valor de R$ 585 milhões, como alega o recorrente, não há que se falar na legitimação do ágio registrado no Brasil na operação promovida no exterior. Como o grupo Arcos pagou somente US$ 14 mil pelos negócios no Brasil, a transferência das empresas brasileiras para a ADP por R$ 585 milhões não refletiu essa operação, mas sim propiciou o surgimento de um ágio interno. E, sendo um ágio interno, não há que se falar em sua dedução fiscal. Ainda que assim não se entenda, a Fazenda Nacional entende pela impossibilidade de transferência de ágio pago no exterior. É que a adquirente original (ADBV) é pessoa jurídica sediada no exterior, e também o evento societário lá ocorreu. Assim, seria impossível aplicar a legislação brasileira em tal situação. Não haveria como autorizar a dedução no Brasil de uma despesa que foi realizada no exterior. Subsidiariamente a esse argumento, a Fazenda Nacional sustenta que não teria sido cumprido o requisito à dedutibilidade do ágio previsto na Lei nº 9.532/1997, a saber, a confusão patrimonial entre investidora e investida. O ágio teria sido efetivamente pago pela real investidora, a ADBV, sendo investidas as sociedades MCD Ltda. e Arras. Inexistente a confusão patrimonial, o ágio seria indedutível para fins fiscais. Colaciona jurisprudência administrativa em favor de sua tese. A Fazenda Nacional discorre sobre a figura do ágio e chega ao conceito de “ágio de si mesmo”, aquele formado entre partes dependentes, sem a aquisição de um fluxo futuro que antes não possuía, consistindo apenas na reavaliação espontânea de um de seus ativos. Conclui: Destarte, no caso em apreço, tendo sido demonstrada a inexistência de custo de aquisição suportado pelo grupo Arcos no exterior correspondente ao custo registrado no Brasil, e a impossibilidade de transferência de ágio pago no exterior (caso se considere que o custo existiu), temse, então, que o ágio registrado pela ADP quando do recebimento das quotas do contribuinte (MCD LTDA) e da ARRAS se traduz em um inequívoco ágio interno. Ágio interno porque foi registrado sem corresponder a uma efetiva aquisição participação societária pela ADP no valor de R$ 585 milhões, mas sim de uma mera sequência de operações internas que promoveu a reavaliação das empresas a valor de mercado com a dedução do correspondente custo de reavaliação. Fl. 11904DF CARF MF Impresso em 17/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/10/2016 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 07/10/2016 p or WALDIR VEIGA ROCHA Processo nº 16561.720099/201458 Acórdão n.º 1301002.154 S1C3T1 Fl. 11.905 23 Com efeito, partindo dos fatos demonstrados nos tópicos anteriores, temse que o grupo Arcos, após adquirir as empresas brasileiras MCD LTDA e ARRAS por US$ 14 mil, e sanar o patrimônio dessas empresas por meio da absorção dos prejuízos existentes em mais de um bilhão de reais (por meio de reduções de capital), adotou a estratégia de reavaliar tais participações a valor de mercado, com base em suas rentabilidades futuras, e aproveitar fiscalmente o custo dessa reavaliação como despesa de amortização de ágio. E, para tanto, o grupo criou e lançou mão da empresa ADP. Nesse sentido, após a aquisição das referidas empresas brasileiras, o grupo Arcos promoveu o aumento de capital da ADP com as suas quotas pelo valor de R$ 585 milhões pautado em laudo de rentabilidade futura. Em face da divergência entre o valor do aumento de capital e do PL das empresas, a ADP registrou um ágio no valor de R$ 515 milhões. Após dois anos desse aumento, o contribuinte incorporou a ADP e a ARRAS e, assim, passou a amortizar fiscalmente o ágio. Caso se entenda que o ágio amortizado existe e é dedutível, a Fazenda Nacional lembra a existência de um excesso em dezembro/2010. Remete ao Lalur, no qual não consta qualquer registro de amortização de ágio, e aponta que essa amortização somente foi feita na DIPJ. À falta de informações contábeis, e pela identificação de um único ágio passível de dedução fiscal, a conclusão somente poderia ser de que a amortização deduzida diz respeito a esse ágio. Haveria, pois, um excesso, tal como apontado pelo Fisco. Finalmente, a Fazenda Nacional colaciona razões em favor da incidência de juros moratórios sobre a multa de ofício. É o Relatório. Voto Conselheiro Waldir Veiga Rocha, Relator O recurso é tempestivo e dele conheço. Na ausência de preliminares, passo ao mérito. A primeira infração diz respeito à glosa de despesas com pagamento de royalties pelo franqueado ao franqueador. Segundo o Fisco, houve excesso em relação aos limites estabelecidos pelo art. 12 da Lei nº 4.131, de 3 de setembro de 1962, e art. 6º do Decretolei nº 1.730, de 17 de dezembro de 1979. Eis os dispositivos em comento: Lei nº 4.131/1962: Art. 12. As somas das quantias devidas a título de "royalties" pela exploração de patentes de invenção, ou uso da marcas de indústria e de comércio e por assistência técnica, científica, administrativa ou semelhante, poderão ser deduzidas, nas declarações de renda, para o efeito do art. 37 do Decreto nº 47.373 de 07/12/1959, até o limite máximo de cinco por cento (5%) da receita bruta do produto fabricado ou vendido. Fl. 11905DF CARF MF Impresso em 17/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/10/2016 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 07/10/2016 p or WALDIR VEIGA ROCHA Processo nº 16561.720099/201458 Acórdão n.º 1301002.154 S1C3T1 Fl. 11.906 24 § 1º Serão estabelecidos e revistos periodicamente, mediante ato do Ministro da Fazenda, os coeficientes percentuais admitidos para as deduções a que se refere este artigo, considerados os tipos de produção ou atividades reunidos em grupos, segundo o grau de essencialidade. § 2º As deduções de que este artigo trata, serão admitidas quando comprovadas as despesas de assistência técnica, científica, administrativa ou semelhantes, desde que efetivamente prestados tais serviços, bem como mediante o contrato de cessão ou licença de uso de marcas e de patentes de invenção, regularmente registrado no País, de acordo com as prescrições do Código de Propriedade Industrial. § 3º As despesas de assistência técnica, científica, administrativa e semelhantes, somente poderão ser deduzidas nos cinco primeiros anos do funcionamento da empresa ou da introdução de processo especial de produção, quando demonstrada sua necessidade, podendo este prazo ser prorrogado até mais cinco anos, por autorização do Conselho da Superintendência do Conselho da Superintendência da Moeda e do Crédito. DecretoLei nº 1.730/1979: Art 6º O limite máximo das deduções, estabelecido no artigo 12 da Lei nº 4.131, de 3 de setembro de 1962, será calculado sobre a receita líquida das vendas do produto fabricado ou vendido. O limite máximo de dedutibilidade dos royalties foi estabelecido em 4% para a indústria de produtos alimentares pela Portaria MF nº 436/1958. Desde a fase impugnatória, a interessada sustenta que não haveria qualquer excesso. Em suas palavras: “os royalties pagos pela Recorrente ao grupo McDonald's em razão do 'Master Franchise Agreement' e do 'Amended and Restated Master Franchise Agreement' não são compostos apenas pelas receitas próprias de vendas da Recorrente; contêm parcelas de repasse de royalties devidos pelos subfranqueados, que, por sua vez, são calculadas com base nas receitas de vendas realizadas por subfranqueados”. O litígio se estabeleceu, então, diante de peculiaridades do sistema de franquias e subfranquias adotado pelo grupo McDonald’s. Importa, então, verificar o conteúdo dos contratos firmados não apenas entre o McDonald’s no exterior e a franqueadora master (a interessada) no Brasil, mas também os contratos de subfranquias firmados entre a interessada e os subfranqueados no Brasil. Essa comparação foi feita em detalhe pela decisão de primeira instância, conforme excertos que seguem: Consta dos autos “Contrato de Franquia Principal Alterado e Consolidado” (fls. 10.551 a 10.579). Esse documento trata dos direitos adquiridos pela “Franqueada Principal Brasileira” e das respectivas obrigações frente ao cedente dos direitos, tendo em vista os negócios efetuados internacionalmente em 2007, acima noticiados. Confirase trecho do referido contrato no que diz respeito aos direitos adquiridos (fls. 10.552/3): “3. Concessão de Direitos Fl. 11906DF CARF MF Impresso em 17/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/10/2016 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 07/10/2016 p or WALDIR VEIGA ROCHA Processo nº 16561.720099/201458 Acórdão n.º 1301002.154 S1C3T1 Fl. 11.907 25 3.1 Direitos da Franqueada Principal Brasileira. Observados os termos e as condições do presente Contrato, inclusive todos os direitos reservados McDonald’s segundo este instrumento, a McDonald’s concede à Franqueada Principal Brasileira os seguintes direitos (conjuntamente, os “Direitos da Franqueada Principal Brasileira”: 3.1.1 O direito de possuir e operar, direta e indiretamente, Lanchonetes Franqueadas no Brasil; 3.1.2 O direito e a licença para conceder subfranquias relativas a Lanchonetes Franqueadas a Subfranqueados no Brasil, em conformidade com o processo de aprovação de subfranqueada e o Contrato de Subfranquia aplicável, ficando entendido e acordado que qualquer Subfranqueada poderá constituir e operar uma Lanchonete Franqueada por cada Contrato de Subfranquia; 3.1.3 O direito de adotar e usar e de conceder o direito e licença a Subfranqueadas para adotar e usar o Sistema nas Lanchonetes Franqueadas no Brasil; e 3.1.4 O direito de anunciar ao público que é uma franqueada da McDonald’s.” Quanto à remuneração da cessão de direitos, fundamental a leitura conjunta dos itens 5.2, 5.2.1, 14.2 e 14.2.1 do contrato. Repriso: “5.2 Taxas de Franquia Contínua 5.2.1 Exceto conforme de outro modo previsto neste Contrato, a Franqueada Principal Brasileira pagará à McDonald’s Taxas de Franquia Contínua totais (“Taxas de Franquia Contínua”) com relação a cada mês civil (ou parcela proporcional do mesmo, inclusive no caso de qualquer Lanchonete Franqueada sujeita a um Fechamento Aprovado durante esse mês civil) durante o Prazo aplicável em um valor igual a 7% do equivalente em Dólares NorteAmericanos às Vendas Brutas de cada uma das Lanchonetes Franqueadas no Brasil no referido mês civil (ou a referida parcela proporcional do mesmo), menos conforme aplicável o Ajuste de Criação de Marca (o “Royalty Mínimo”);” “14.2 Pagamentos 14.2.1 A obrigação da Franqueada Principal Brasileira de pagar qualquer taxa ou de efetuar qualquer pagamento à McDonald’s em todos os momentos e em qualquer maneira exigida segundo o presente Contrato em nenhuma hipótese estará condicionada ao recebimento pela Franqueada Principal Brasileira de qualquer valor de qualquer Subfranqueada.” Os contratos pactuados entre o impugnante (franqueadora) e terceiros franqueados, pessoas que não integram o grupo Arcos Dorados, trazidos aos autos pelo impugnante, contêm cláusulas que confirmam as informações retromencionadas. Confirase a redação do item 3.1, em especial a letra “c” (fl. Fl. 11907DF CARF MF Impresso em 17/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/10/2016 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 07/10/2016 p or WALDIR VEIGA ROCHA Processo nº 16561.720099/201458 Acórdão n.º 1301002.154 S1C3T1 Fl. 11.908 26 10.677), do contrato firmado pelo impugnante com Márcio Alves de Almeida Moreira em 16 de julho de 2010 (fl. 10.749): 3.1. – Neste ato, como fiel e legítima demonstração de sua real intenção, e como condição essencial à validade, vigência e eficácia do presente acordo, as partes, de boa fé, prestam as declarações e assumem os compromissos abaixo relacionados, a saber: (A) A McDONALD’S e suas AFILIADAS, desenvolvem uma modalidade de restaurantes (os RESTAURANTES McDONALD’S), a cuja operação se dedicam , obedecendo aos princípios que constituem o SISTEMA McDONALD’S. O SISTEMA McDONALD’S abrange direitos de propriedade com respeito a valiosos nomes comerciais, marcas de serviço e marcas registradas, incluindose, dentre outros, os nomes comerciais McDonald’s e McDonald’s Hamburgers, projetos e combinações de cores para prédios, letreiros e disposição de equipamentos (layout) para RESTAURANTES McDONALD’S, fórmulas e especificações para determinados alimentos, métodos de controle de inventário, de operação, escrituração e contabilidade, manuais acerca de práticas e políticas comercias, etc. Os RESTAURANTES McDONALD’S são operados largamente nos Estados Unidos da América e em muitos outros países; (B) A McDONALD’S e suas AFILIADAS detêm, direta e indiretamente, todos os devidos direitos para autorizar a adoção e o uso do SISTEMA McDONALD’S. A base do SISTEMA McDONALD’S é o estrito cumprimento dos PADRÕES por todas as suas franqueadas, incluindo a FRANQUEADORA e seus subfranqueados – inclusive, mas não se limitando, o FRANQUEADO , e a observância do ora disposto fornece a base para o SISTEMA McDONALD’S e seu intangível e significativo valor, assim como o estabelecimento e a manutenção, pelo FRANQUEADO, de uma relação estreita de trabalho com a FRANQUEADORA na operação do RESTAURANTE, constituem, juntos, a essência do presente contrato; (C) A McDONALD’S autorizou sua AFILIADA McD LATIN AMERICA a celebrar o MFA com a FRANQUEADORA, regularmente celebrado e averbado perante o INPI, pelo qual McD LATIN AMERICA concedeu à FRANQUEADORA os direitos de franquia máster para operar, e conceder a subfranqueados o direito de operar RESTAURANTES McDONALD’S no TERRITÓRIO;” Esse mesmo contrato trata do pagamento dos royalties em favor da franqueadora, ou seja, em favor do impugnante. Tais valores constituem um direito do franqueador e um dever do franqueado. Confirase (fl. 10.693): “10.1. – O FRANQUEADO obrigase a pagar a FRANQUEADORA, sob pena de caracterização de infração de natureza grave, conforme 23.1 abaixo, e impreterivelmente no 5º (quinto) dia útil do mês imediatamente subseqüente ao vencido, Fl. 11908DF CARF MF Impresso em 17/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/10/2016 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 07/10/2016 p or WALDIR VEIGA ROCHA Processo nº 16561.720099/201458 Acórdão n.º 1301002.154 S1C3T1 Fl. 11.909 27 ROYALTIES mensalmente devidos no montante de 5% (cinco por cento) calculado sobre as VENDAS BRUTAS. 10.2. – O pagamento dos ROYALTIES e quaisquer outros valores devidos à FRANQUEADORA serão realizados no local e na forma que vierem a indicados pela FRANQUEADORA.” Dessas disposições, considero correta a conclusão a que chegou o julgador a quo. De fato, constatase que as relações jurídicas estabelecidas entre a interessada e o grupo McDonald’s, por um lado, e entre a interessada e os subfranqueados no Brasil, por outro, são autônomas, não se podendo falar em repasses, como pretende a recorrente. Os valores pagos pelos subfranqueados são devidos diretamente à interessada (franqueadora principal no Brasil), por disposição contratual expressa, e constituem despesas para aqueles que pagam e receitas tributáveis para a interessada. Já os valores pagos pela interessada ao grupo McDonald’s, também por disposição contratual, decorrem de relação jurídica firmada entre essas duas partes. Muito embora sejam, em parte, calculados sobre as receitas de vendas de terceiros (as subfranqueadas), independem de qualquer recebimento desses terceiros, o que reafirma seu caráter autônomo e, ademais, que não se trata de “repasses”. Não se questiona que tais pagamentos constituam despesas da interessada. Mas sua dedutibilidade não se restringe ao exame dos requisitos gerais de necessidade, habitualidade e usualidade. Aqui, por se tratar de royalties, as disposições específicas da legislação supramencionada impõem um limite de 4%, calculado sobre a “receita líquida das vendas do produto fabricado ou vendido”. Nesse sentido, não faço qualquer reparo ao quanto decidido em primeira instância. A recorrente busca desenvolver um raciocínio segundo o qual, ainda que se entenda (como é o caso) que as relações jurídicas são distintas e independentes, o correto seria calcular o limite “nos termos do ADI 2/02, ou seja, de forma individualizada em relação às receitas de vendas próprias da Recorrente e em relação às receitas de vendas dos subfranqueados, não podendo ser consideradas para fins dos limites de dedutibilidade em ambos os casos apenas as receitas de vendas da Recorrente”. O Ato Declaratório Interpretativo SRF nº 2/2002 dispõe: Artigo único. A remuneração paga pelo franqueado ao franqueador é dedutível da base de cálculo do imposto de renda das pessoas jurídicas, aplicandose, cumulativamente, os limites percentuais previstos nas Portarias específicas do Ministro da Fazenda, para cada tipo de royalty contratado, classificandoos segundo as subdivisões daqueles atos administrativos. Parágrafo único. À dedutibilidade prevista no caput aplicase o limite máximo de cinco por cento previsto no art. 12 da Lei nº 4.131, de 3 de setembro de 1962, e no art. 6º do Decretolei nº 1.730, de 17 de dezembro de 1979. A pretensão da recorrente é de que existissem, no caso concreto, dois tipos de royalties contratados entre ela e o Grupo McDonald’s, um calculado sobre receitas próprias e outro calculado sobre receitas de terceiros. Não é como penso. As portarias específicas do Ministro da Fazenda (particularmente, a Portaria MF nº 436/1958, aplicável ao presente caso) apenas consideram os tipos de produção ou atividade, segundo o grau de essencialidade. Por Fl. 11909DF CARF MF Impresso em 17/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/10/2016 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 07/10/2016 p or WALDIR VEIGA ROCHA Processo nº 16561.720099/201458 Acórdão n.º 1301002.154 S1C3T1 Fl. 11.910 28 exemplo, industria de base ou indústria de transformação. Não se faz qualquer menção a um eventual subfranqueamento. Diante do exposto, nego provimento ao recurso voluntário, quanto a esta primeira infração. Passo a analisar a segunda infração, de glosa de despesas com amortização de ágio. As operações societárias nas quais se formou e transferiu o ágio que veio, afinal, a ser amortizado pela recorrente e glosado pelo Fisco tiveram início em 2007. O primeiro grupo de operações teve como escopo a venda, por empresas do grupo McDonald’s no exterior, de diversas subsidiárias na América Latina e Caribe, entre elas a Arras Comércio de Alimentos Ltda. (Arras) e a McDonald´s Comércio de Alimentos Ltda. (MCD). A própria recorrente afirma que essa aquisição correspondia a “mais de 30 sociedades em 18 jurisdições diferentes” (fl. 11723). O adquirente, grupo Arcos Dorados, centralizou as operações na empresa Arcos Dorados B.V. (ADBV), domiciliada na Holanda. Relevante observar que a MCD pertencia diretamente a duas das empresas do grupo, a McDonald’s International Spanish Holdings (MISH, domiciliada na Espanha) e a MCD Properties Inc., sediada nos Estados Unidos. A Arras pertencia à LatAm juntamente com diversas outras subsidiárias em variado número de outros países. Por sua vez, a LatAm pertencia à McDonald’s Latin América (MLA, sediada nos Estados Unidos) A decisão de primeira instância firmou a convicção de que, já nessa etapa, não teria havido pagamento de ágio, antes teria sido apurado prejuízo pela alienante e, consequentemente, as indicações são de que teria havido deságio na operação. A recorrente combate tal assertiva, afirmando que o total pago em dinheiro montaria a US$ 698 milhões, suportado em laudo de avaliação de julho/2007, e que o valor das sociedades brasileiras (Arras e MCD) equivaleria a aproximadamente 42% do total pago. O instrumento contratual se encontra, por tradução juramentada, às fls. 8662/8721. Tratase da Emenda nº 1 de Contrato de Compra, de 31/07/2007, sendo o Contrato de Compra original datado de 28/03/2007. No que toca ao preço, à fl. 8664, a seção 2.1 estipula que o preço base de compra (correspondente ao total das sociedades objeto da compra e venda) era de US$ 690.500.000 (e não os US$ 698 milhões afirmados pela recorrente). A mesma seção contratual especifica a parcela desse valor correspondente à MCD, a ser paga pela adquirente (ADBV) às alienantes (MISH e MCD Properties Inc.): US$ 13.698 à primeira e US$ 500 à segunda, totalizando US$ 14.198. Também é estipulado o valor correspondente à aquisição da LatAm, a ser pago pela adquirente (ADBV) à alienante (MLA): US$ 678.499.500. Particularmente no que se refere à MCD, o valor da transação (comparado aos demais valores envolvidos) leva de imediato à conclusão de que não haveria qualquer ágio a ser apropriado pelo adquirente. Acerca da Arras, o referido contrato não especifica qual seria o valor a ela correspondente, mas somente o valor a ser pago pela aquisição da LatAm, a qual, lembrese, era dona não apenas da Arras mas de um grande número de subsidiárias em diversos países. Assim, apenas pelo contrato não é possível identificar o valor pago pela Arras. Os Fl. 11910DF CARF MF Impresso em 17/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/10/2016 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 07/10/2016 p or WALDIR VEIGA ROCHA Processo nº 16561.720099/201458 Acórdão n.º 1301002.154 S1C3T1 Fl. 11.911 29 demonstrativos acostados aos autos não são claros quanto ao valor que corresponderia, na avaliação econômica, a uma e outra empresas. Registrese, ainda, que o laudo da Forrestal Capital (fls. 9834/9835) faz uma avaliação econômicofinanceira do Grupo Arcos Dorados na América Latina (US$ 776 milhões) afirmando que o Brasil corresponde a 42% ou US$ 325 milhões. No entanto, essa discriminação é por país, não se encontrando segregação por sociedade dentro do país (Arras e MCD). Ademais, o valor global afinal contratado foi substancialmente menor do que essa avaliação (US$ 690 milhões, contra US$ 776 milhões), não sendo possível, a meu ver, fazer uma aplicação meramente proporcional, principalmente diante do valor irrisório (US$ 14 mil), comparativamente, atribuído à MCD no contrato de compra afinal firmado. Foi nesse contexto que a Turma Julgadora a quo firmou seu entendimento de que não teria havido ágio, mas sim deságio. Sua análise se fez não apenas da análise dos documentos acima mencionados, mas de outros documentos constantes dos autos. Confirase (grifos no original): Quanto à existência de ágio na operação internacional, não constam elementos nos autos que comprovem esse fato. Pelo contrário, existem elementos que indicam tenha havido deságio na operação. As demonstrações financeiras (Form 10K) do McDonald’s (McDonald’s Corporation) atinentes ao anocalendário 2007, obtidas junto à Sec, elemento juntado aos autos pelo impugnante (fls. 10.198 a 10.261), indicam a existência de deságio na operação (fl. 10.237). O documento antes referido aponta que o McDonald’s registrou uma perda de aproximadamente US$ 830.000.000,00 decorrente da diferença entre o valor do investimento registrado nos livros e o valor de alienação do referido investimento, no valor aproximado de US$ 700.000.000,00. Essa perda, indica o documento, decorreu de dificuldades econômicas históricas e da volatilidade experimentada nos mercado latino americano e caribenho. Decorrência dessa perda foi o registro, pelo McDonald’s, de benefício fiscal no montante de US$ 12.800.000,00. Não bastasse isso, as sociedades brasileiras objeto do negócio internacional passaram por redução do capital social em função do acúmulo de prejuízos (fls. 8.375 e 8.461). Essa redução de capital se deu quando a Arcos Dourados Participações Ltda. já era a controladora das sociedade brasileiras. Observese que o capital social do impugnante passou de R$ 1.605.866.530,00 para R$ 164.054.032,00, enquanto o capital social da Arras Comércio de Alimentos Ltda. passou de R$ 124.095.866,00 para R$ 82.717.804,00. Esse fato corrobora a fundamentação que McDonald’s Corporation adotou ao apontar a perda com a alienação dos negócios explorados na América Latina e no Caribe. Assim, sem sentido querer alegar que tenha havido a transferência do ágio pago em operação internacional, tendo em vista que não houve ágio no negócio, mas deságio. Diante de todo o exposto, penso não haver provas suficientes acerca do valor da aquisição em 2007, pelo grupo Arcos Dorados, das operações brasileiras do McDonald’s. Especialmente por se tratar de operação totalmente conduzida no exterior, entre empresas sediadas em países diversos, haveria a necessidade de que os valores ficassem rigorosamente demonstrados e registrados, sem qualquer sombra de dúvida, para que se pudesse concluir que foi pago ágio na operação e, posteriormente, se pudesse cogitar da “transferência” desse ágio para o Brasil. Na segunda parte do negócio, diversas operações societárias foram levadas a efeito, agora em território nacional. Em síntese: foi criada a pessoa jurídica Arcos Dourados Participações (ADP); o capital social da ADP foi aumentado e integralizado com as Fl. 11911DF CARF MF Impresso em 17/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/10/2016 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 07/10/2016 p or WALDIR VEIGA ROCHA Processo nº 16561.720099/201458 Acórdão n.º 1301002.154 S1C3T1 Fl. 11.912 30 participações da MCD (agora denominada Arcos Dourados Comércio de Alimentos – ADC, a recorrente) e da Arras; nessa operação, a ADP passou a registrar ágio nessas participações; A ACD incorporou sua controladora ADP e também a Arras, passando a amortizar o ágio para fins fiscais. Observese que, nessa segunda parte do negócio, todas as operações se deram dentro de um mesmo grupo econômico, o grupo Arcos Dorados. Todas as empresas estavam sob o controle comum da Arcos Dorados B.V., sediada na Holanda. A sustentação para a transferência do ágio, conforme levado a efeito, dependeria do preço pago e da formação inicial do ágio na etapa internacional, anteriormente analisada. E, pelas razões já declinadas, penso haver insuficiência de provas acerca desses dois relevantes pontos. Com isso, perdem relevância os extensos argumentos desenvolvidos pela recorrente sobre o cumprimento de requisitos formais, propósito negocial das operações e sociedadeveículo. Quanto aos requisitos formais, registrese que a etapa internacional das operações era aquela em que figuravam partes independentes nos polos da compra e venda de participações societárias. Dada a obscuridade e a falta de registro e documentação individualizada para as participações negociadas de empresas brasileiras, o valor pago e o suposto ágio carecem de prova e de fundamentação. Em decorrência, resta a etapa doméstica, levada a efeito a partir de 2008, quando passam a estar envolvidas tão somente empresas do grupo Arcos Dorados e não há qualquer pagamento. Eventual ágio assim formado é caracterizado como “interno”, sem a participação de uma parte independente a validar, em condições de livre mercado, as operações e valores. No entender deste relator, o laudo de fls. 11166 e segs. (M/Legate) é insuficiente, visto que sua validação decorreria da existência de partes independentes e com interesses antagônicos, uma disposta a alienar o ativo pelo valor avaliado, outra disposta a pagar o valor de avaliação para sua aquisição. Mas não houve pagamento nem outra espécie de desembolso, ocorreu tão somente integralização de capital subscrito entre empresas submetidas a um mesmo comando societário. O que de fato ocorreu, ao final, foi a reavaliação das empresas a valor de mercado e a tentativa de dedução do correspondente custo de reavaliação. Ágio interno, na acepção da expressão. Sobre o tema, transcrevo, abaixo, excerto de meu voto no Acórdão nº 1301 001.982, de 06/04/2016, que entendo aplicáveis ao caso sob exame: Em tais circunstâncias, tenho que o cerne da questão não é a possibilidade, ou não de aproveitamento do ágio, autorizado pelos arts. 7º e 8º da Lei nº 9.532/1997, mas sim a própria formação dessa maisvalia, desvinculada de qualquer fundamento econômico e originada de atos meramente aparentes, sem substância ou existência real, ainda que formalmente regulares. Já me manifestei, em outras oportunidades, acerca da unicidade das legislações tributária e societária no que toca às definições pertinentes ao ágio. O art. 20 do DecretoLei nº 1.598/77 define o ágio (ou deságio) como a diferença entre o custo de aquisição do investimento e o valor do patrimônio líquido na época da aquisição. A controvérsia surge quanto ao que seria o custo de aquisição aqui referido, em especial quando se cuida de operações societárias realizadas internamente a um grupo econômico. Fl. 11912DF CARF MF Impresso em 17/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/10/2016 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 07/10/2016 p or WALDIR VEIGA ROCHA Processo nº 16561.720099/201458 Acórdão n.º 1301002.154 S1C3T1 Fl. 11.913 31 O Conselho Federal de Contabilidade, por meio da resolução 750/931, que dispõe sobre os princípios fundamentais da contabilidade, ao tratar do registro dos componentes patrimoniais assim estabelecia no seu art 7º (grifos não constam do original): Art. 7º Os componentes do patrimônio devem ser registrados pelos valores originais das transações com o mundo exterior, expressos a valor presente na moeda do País, que serão mantidos na avaliação das variações patrimoniais posteriores, inclusive quando configurarem agregações ou decomposições no interior da ENTIDADE. Parágrafo único – Do Princípio do REGISTRO PELO VALOR ORIGINAL resulta: I – a avaliação dos componentes patrimoniais deve ser feita com base nos valores de entrada, considerandose como tais os resultantes do consenso com os agentes externos ou da imposição destes; [...] Com base nesses princípios a Comissão de Valores Mobiliários, por meio do Ofício Circular CVM/SNC/SEP no 01/2007 condenou o reconhecimento do chamado ágio interno, ou seja, gerado dentro do mesmo grupo de empresas sob controle comum, in verbis: "20.1.7 "Ágio" gerado em operações internas A CVM tem observado que determinadas operações de reestruturação societária de grupos econômicos (incorporação de empresas ou incorporação de ações) resultam na geração artificial de "ágio". Uma das formas que essas operações vêm sendo realizadas, iniciase com a avaliação econômica dos investimentos em controladas ou coligadas e, ato continuo, utilizarse do resultado constante do laudo oriundo desse processo como referência para subscrever o capital numa nova empresa. Essas operações podem, ainda, serem seguidas de uma incorporação. Outra forma observada de realizar tal operação é a incorporação de ações a valor de mercado de empresa pertencente ao mesmo grupo econômico. Em nosso entendimento ainda que essas operações atendam integralmente os requisitos societários do ponto de vista econômicocontábil é preciso esclarecer que o ágio surge única e exclusivamente, quando o preço (custo) pago pela aquisição ou subscrição de um investimento a ser avaliado pelo método da equivalência patrimonial supera o valor patrimonial desse investimento. E mais preço ou custo de aquisição somente surge quando há o dispêndio para se obter algo de terceiros. Assim não há do ponto de vista econômico geração de riqueza 1 Essa redação foi alterada pela Resolução CFC nº 1282/2010, por conta do processo de convergência às normas internacionais de contabilidade introduzidas pela Lei nº 11.941/2009. Fl. 11913DF CARF MF Impresso em 17/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/10/2016 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 07/10/2016 p or WALDIR VEIGA ROCHA Processo nº 16561.720099/201458 Acórdão n.º 1301002.154 S1C3T1 Fl. 11.914 32 decorrente de transação consigo mesmo. Qualquer argumento que não se fundamente nessas assertivas econômicas configura sofisma formal e, portanto, inadmissível. Não é concebível, econômica e contabilmente o reconhecimento de acréscimo de riqueza em decorrência de uma transação dos acionistas com eles próprios. Ainda que, do ponto de vista formal, os atos societários tenham atendido à legislação aplicável (não se questiona aqui esse aspecto), do ponto de vista econômico, o registro de ágio, em transações como essas, somente seria concebível se realizada entre partes independentes, conhecedoras do negócio, livres de pressões ou outros interesses que não a essência da transação, condições essas denominadas na literatura internacional como "arm's length". Portanto é nosso entendimento que essas transações não se revestem de substancia econômica e da indispensável independência entre as partes para que seja passível de registro. mensuração e evidenciação pela contabilidade." (Os grifos constam do original). A legislação tributária se integra e busca conceitos, portanto, na ciência contábil, pelo que não se pode aceitar que haja conceitos e efeitos distintos de ágio e de custo de aquisição para a contabilidade e para fins tributários. O custo de aquisição deve ser aquele resultante de efetivo desembolso (sacrifício patrimonial), em operação de mercado, em negócio realizado entre partes independentes. [...] O “ágio” assim criado, registrado e amortizado é artificial, não corresponde a uma maisvalia surgida em operações de mercado entre partes livres e independentes e confirmada mediante seu pagamento. Tratase, de fato, de uma reavaliação espontânea de participação societária, à qual não se pode atribuir o condão de reduzir o resultado tributável. Não se trata do ágio apurado nos termos do art. 20 do Decretolei nº 1.598/1977, que por sua vez deve ser reconhecido contabilmente conforme com as normas da escrituração comercial estabelecidas pela Lei nº 6.404, de 1976. Em conclusão, tenho por correta a glosa efetuada pelo Fisco, tornandose desnecessária a apreciação acerca do excesso de dedução em dezembro de 2010. No lançamento foi aplicada a multa proporcional de 75%. Contra ela se insurge a recorrente e sustenta que teria agido em conformidade com a legislação fiscal em vigor, de forma que a penalidade de 75% sobre o suposto crédito tributário ultrapassaria os limites da razoabilidade e proporcionalidade, devendo ser reduzida. Invoca, ainda, o princípio constitucional do nãoconfisco. Já se demonstrou que a conduta da recorrente não foi conforme a legislação, tanto assim que neste voto me manifestei no sentido de rejeitar os argumentos de mérito, mantendo a exigência principal. A multa de 75% decorre de previsão expressa do art. 44 da Lei nº 9.430/1996, verbis: Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: Fl. 11914DF CARF MF Impresso em 17/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/10/2016 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 07/10/2016 p or WALDIR VEIGA ROCHA Processo nº 16561.720099/201458 Acórdão n.º 1301002.154 S1C3T1 Fl. 11.915 33 I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) Constatada, como o foi, a infração à legislação e a consequente insuficiência no recolhimento de tributos, a aplicação da multa de ofício de 75% é imposição da lei. Os princípios da razoabilidade e proporcionalidade são dirigidos ao legislador, que certamente os levou em conta ao redigir o texto legal. Não podem ser aplicados pela autoridade administrativa em situação para a qual a lei não dá margem à discricionariedade. Os precedentes do Poder Judiciário são aplicáveis tão somente às partes dos processos em que prolatadas as respectivas decisões. Desde que a recorrente não se inclui entre elas, e que não se trata de julgados com efeitos mais amplos, descabe sua aplicação ao presente caso. Quanto ao princípio constitucional do nãoconfisco, basta trazer à colação o teor da Súmula CARF nº 2, abaixo, de aplicação obrigatória aos membros deste Colegiado administrativo. Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Na sequência, cumpre apreciar a irresignação da recorrente quanto à incidência de juros moratórios sobre a multa de ofício. A matéria tem sido objeto de discussões ao longo do tempo, comportando decisões por vezes divergentes. A incidência de juros sobre a multa proporcional, aplicada no lançamento de ofício, conforme procedimento das Autoridades Administrativas, encontra seu fundamento no artigo 61 da Lei nº 9.430/1996 e, ainda, no art. 161 c/c art. 139, ambos da Lei nº 5.172/1966 (Código Tributário Nacional – CTN), os quais transcrevo para maior clareza: Lei nº 9.430/1996: Art. 61. Os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, cujos fatos geradores ocorrerem a partir de 1º de janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos na legislação específica, serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso. (Vide Decreto nº 7.212, de 2010) §1º A multa de que trata este artigo será calculada a partir do primeiro dia subseqüente ao do vencimento do prazo previsto para o pagamento do tributo ou da contribuição até o dia em que ocorrer o seu pagamento. §2º O percentual de multa a ser aplicado fica limitado a vinte por cento. §3º Sobre os débitos a que se refere este artigo incidirão juros de mora calculados à taxa a que se refere o § 3º do art. 5º, a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento. (Vide Lei nº 9.716, de 1998) Lei nº 5.172/1966 (CTN): Fl. 11915DF CARF MF Impresso em 17/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/10/2016 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 07/10/2016 p or WALDIR VEIGA ROCHA Processo nº 16561.720099/201458 Acórdão n.º 1301002.154 S1C3T1 Fl. 11.916 34 Art. 139. O crédito tributário decorre da obrigação principal e tem a mesma natureza desta. Art. 161. O crédito não integralmente pago no vencimento é acrescido de juros de mora, seja qual for o motivo determinante da falta, sem prejuízo da imposição das penalidades cabíveis e da aplicação de quaisquer medidas de garantia previstas nesta Lei ou em lei tributária. § 1º Se a lei não dispuser de modo diverso, os juros de mora são calculados à taxa de um por cento ao mês. A polêmica gira em torno da abrangência que se há de atribuir à expressão “débitos para com a União, decorrentes de tributos”, presente no caput do art. 61 da Lei nº 9.430/1996. Tenho que os débitos decorrentes de tributos não podem se restringir ao principal, mas igualmente devem abranger os débitos pelo descumprimento do dever de pagar, ou seja, as multas proporcionais aplicadas de ofício ao lançamento. Nesse sentido, a abrangência dos débitos para com a União deve ser a mesma atribuída ao crédito tributário de que trata o CTN. O débito do contribuinte para com a União, visto pela ótica do sujeito passivo da obrigação tributária, é o crédito tributário em favor da União, visto pela ótica do sujeito ativo da mesma obrigação. Essa discussão já foi travada na Câmara Superior de Recursos Fiscais. Peço vênia para transcrever, por sua clareza e por espelhar com exatidão meu pensamento sobre o assunto, excerto do voto condutor do acórdão CSRF/0400.651, de 18/09/2007, da lavra do ilustre Conselheiro Alexandre Andrade Lima da Fonte Filho. Desde já, adoto seus fundamentos também aqui como razões de decidir (grifo consta do original). Consoante relatado, a matéria ora posta à apreciação deste Colegiado se circunscreve à questão atinente a incidência de juros de mora, à taxa SELIC, sobre a multa de oficio proporcional aplicada. O art. 139 do CTN determina que o crédito tributário decorre da obrigação principal e tem a mesma natureza desta. O art. 113 do CTN, por sua vez, determina, em seu parágrafo primeiro, que a obrigação tributária principal surge com a ocorrência do fato gerador e tem por objeto tanto o pagamento do tributo como da penalidade pecuniária dela decorrente. Entendo, assim, que a obrigação tributária principal compreende tanto os próprios tributos e contribuições, como, em razão de seu descumprimento, e por isso igualmente dela decorrente, a multa de oficio proporcional, que é exigível juntamente com o tributo ou contribuição não paga. Observese que tanto o tributo quanto a multa de oficio proporcional serão devidos com a consumação do fato gerador. A multa de oficio proporcional, embora seja um acréscimo ao tributo, não se trata de obrigação acessória, que se caracteriza pelo objeto não pecuniário, classificandose como uma obrigação de fazer. A obrigação tributária principal consiste, assim, em todo e qualquer pagamento devido, incluindose o tributo, a multa ou penalidade pecuniária. Em decorrência, o crédito tributário, a que se reporta o art. 161 do CTN, corresponde a toda a obrigação tributária principal, incluindo seus acréscimos legais, notadamente a multa de oficio proporcional. O art. 61, parágrafo terceiro, da Lei n. 9.430/97, fundamento legal da multa aplicada no caso concreto, prevê a aplicação de juros de mora sobre os débitos Fl. 11916DF CARF MF Impresso em 17/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/10/2016 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 07/10/2016 p or WALDIR VEIGA ROCHA Processo nº 16561.720099/201458 Acórdão n.º 1301002.154 S1C3T1 Fl. 11.917 35 decorrentes de tributos e contribuições cujos fatos geradores ocorreram a partir de 01 de janeiro de 1997. Dentre os débitos decorrentes dos tributos e contribuições, entendo, pelas razões indicadas acima, incluemse as multas de oficio proporcionais, aplicadas em função do descumprimento da obrigação principal, e não apenas os débitos correspondentes aos tributos e contribuições em si. Frisese, por oportuno, que dito parágrafo terceiro determina a aplicação dos juros sobre o valor dos débitos indicados no caput do artigo, e não sobre seu valor acrescido da multa de mora prevista no mesmo caput. Por outro lado, se o caput do art. 61 da Lei n° 9.430/96 admite a aplicação da multa de mora sobre valor que, a depender das circunstancia do lançamento, pode (considerando, por exemplo, a espontaneidade ou não do pagamento e o beneficio da denuncia espontânea), estar acrescido da multa de oficio proporcional, cabe ao aplicador da norma afastar a respectiva concomitância, cuja eventual aplicação, contudo, não tem o condão de modificar a legislação sobre a matéria, afastando a inclusão da multa de oficio proporcional na obrigação principal. Não é correta a afirmação de que toda penalidade pecuniária que se converte em obrigação principal é decorrente da observância de obrigação acessória. Não pagar tributo é o descumprimento de uma obrigação principal, constituindo parte desta. O fato de o dispositivo legal atribuir, à penalidade por descumprimento de obrigação acessória, a natureza de obrigação principal, não significa que toda e qualquer penalidade pecuniária é, em sua origem, uma obrigação acessória. Ou seja: a multa de oficio proporcional não é resultante do descumprimento de obrigação acessória, mas de obrigação principal. É obrigação principal em sua natureza, independentemente de conversão. Ressaltese, com relação aos juros de mora, que o art. 161 do CTN determina que o crédito não integralmente pago no vencimento será acrescido de juros de mora à taxa de 1% ao mês, caso a lei não disponha de modo diverso, e a Lei n. 9430/96 determina a aplicação da taxa Selic aos casos em questão. Como dito crédito, deve ser entender, pelas razões expostas, a obrigação tributária principal como um todo, incluindo a multa de oficio proporcional. Adicionalmente, especificamente quanto ao art. 43 da Lei n° 9.430/96, invocado pelo Contribuinte em sua defesa, destaquese que esse dispõe sobre a hipótese de "Auto de Infração Sem Tributo", razão pela qual não disciplina a aplicação da juros sobre a multa de oficio proporcional, que somente é exigida com o tributo. Ao final, por maioria de votos, a Câmara Superior decidiu conforme ementa abaixo: JUROS DE MORA — MULTA DE OFICIO — OBRIGAÇÃO PRINCIPAL— A obrigação tributária principal surge com a ocorrência do fato gerador e tem por objeto tanto o pagamento do tributo como a penalidade pecuniária decorrente do seu não pagamento, incluindo a multa de oficio proporcional. O crédito tributário corresponde a toda a obrigação tributária principal, incluindo a multa de oficio proporcional, sobre o qual, assim, devem incidir os juros de mora à taxa Selic. (Ac. CSRF/04 00.651, de 18/09/2007, proc. 16327.002231/200285, Rel. Cons. Alexandre Andrade Lima da Fonte Filho) Fl. 11917DF CARF MF Impresso em 17/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/10/2016 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 07/10/2016 p or WALDIR VEIGA ROCHA Processo nº 16561.720099/201458 Acórdão n.º 1301002.154 S1C3T1 Fl. 11.918 36 A matéria retornou à discussão na Câmara Superior em março de 2010, sendo prolatado o acórdão assim ementado, confirmando o entendimento aqui exposto: JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO. A obrigação tributária principal compreende tributo e multa de oficio proporcional. Sobre o crédito tributário constituído, incluindo a multa de oficio, incidem juros de mora, devidos à taxa Selic. (Ac. 910100.539, de 11/03/2010, proc. 16327.002243/9971, Rel. Cons. Valmir Sandri, Redatora Designada Cons. Viviane Vidal Wagner) Pelas mesmas razões, nego provimento, também quanto a esta matéria, ao recurso voluntário interposto. Ainda quanto a esta matéria, ressalto que o fato de não ter sido aprovada proposta de súmula nesse sentido por este CARF tão somente indica que a matéria ainda não está suficientemente pacificada e que cada Conselheiro está livre para proferir seu voto de acordo com sua livre convicção motivada acerca do assunto, o que aqui se faz. Finalmente, resta apreciar a irresignação da recorrente com a utilização da taxa SELIC para cálculo dos juros de mora que lhe são exigidos. A matéria já foi inúmeras vezes discutida por este Colegiado, bem assim pelo extinto Primeiro Conselho de Contribuintes, e se encontra pacificada, a ponto de resultar na súmula CARF nº 4, a seguir reproduzida: Súmula CARF nº 4: A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. Não acolho, pois, o pedido de desconsideração dos valores decorrentes da aplicação da taxa SELIC. Em conclusão, por todo o exposto, voto por negar provimento ao recurso voluntário, frisando que o decidido se aplica, de igual modo, ao lançamento reflexo de CSLL, por ausência de argumentos específicos para essa contribuição. (assinado digitalmente) Waldir Veiga Rocha Fl. 11918DF CARF MF Impresso em 17/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/10/2016 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 07/10/2016 p or WALDIR VEIGA ROCHA Processo nº 16561.720099/201458 Acórdão n.º 1301002.154 S1C3T1 Fl. 11.919 37 Fl. 11919DF CARF MF Impresso em 17/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/10/2016 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 07/10/2016 p or WALDIR VEIGA ROCHA
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Numero do processo: 11444.001486/2008-66
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jun 15 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Tue Aug 16 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/09/2003 a 31/12/2006
INCONSTITUCIONALIDADE. AFASTAMENTO DE NORMAS LEGAIS. VEDAÇÃO. SÚMULA CARF Nº 2.
O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.
COOPERATIVAS DE TRABALHO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. INCONSTITUCIONALIDADE RECONHECIDA PELO SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL (STF).
O Supremo Tribunal Federal, com repercussão geral reconhecida no RE nº 595.838 (Acórdão publicado em 08/10/2014), declarou inconstitucional o dispositivo da nº Lei 8.212/1991 (artigo 22, inciso IV) que previa a incidência da contribuição previdenciária de 15% sobre o valor de serviços prestados por meio de cooperativas de trabalho.
SELIC. SÚMULA CARF N° 4.
A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC para títulos federais.
Numero da decisão: 2201-003.228
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar as preliminares e, no mérito, dar provimento ao recurso. Acompanhou o julgamento a Dra. Tatiane Thome OAB/SP 223.575.
Assinado Digitalmente
Eduardo Tadeu Farah - Presidente e Relator.
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Eduardo Tadeu Farah (Presidente), Carlos Henrique de Oliveira, Jose Alfredo Duarte Filho (Suplente Convocado), Marcio de Lacerda Martins (Suplente Convocado), Maria Anselma Coscrato dos Santos (Suplente Convocada), Carlos Alberto Mees Stringari, Carlos Cesar Quadros Pierre e Ana Cecilia Lustosa da Cruz.
Nome do relator: EDUARDO TADEU FARAH
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AFASTAMENTO DE NORMAS LEGAIS. VEDAÇÃO. SÚMULA CARF Nº 2. “O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária”. COOPERATIVAS DE TRABALHO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. INCONSTITUCIONALIDADE RECONHECIDA PELO SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL (STF). O Supremo Tribunal Federal, com repercussão geral reconhecida no RE nº 595.838 (Acórdão publicado em 08/10/2014), declarou inconstitucional o dispositivo da nº Lei 8.212/1991 (artigo 22, inciso IV) que previa a incidência da contribuição previdenciária de 15% sobre o valor de serviços prestados por meio de cooperativas de trabalho. SELIC. SÚMULA CARF N° 4. “A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais”. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 44 4. 00 14 86 /2 00 8- 66 Fl. 207DF CARF MF Impresso em 16/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/07/2016 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 12/07/2016 por EDUARDO TADEU FARAH 2 Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar as preliminares e, no mérito, dar provimento ao recurso. Acompanhou o julgamento a Dra. Tatiane Thome OAB/SP 223.575. Assinado Digitalmente Eduardo Tadeu Farah Presidente e Relator. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Eduardo Tadeu Farah (Presidente), Carlos Henrique de Oliveira, Jose Alfredo Duarte Filho (Suplente Convocado), Marcio de Lacerda Martins (Suplente Convocado), Maria Anselma Coscrato dos Santos (Suplente Convocada), Carlos Alberto Mees Stringari, Carlos Cesar Quadros Pierre e Ana Cecilia Lustosa da Cruz. Relatório Tratase auto de infração lavrado em decorrência do descumprimento da obrigação tributária principal relativa às contribuições devidas pelo sujeito passivo referentes a serviços prestados por cooperados por intermédio de cooperativas de trabalho (Lei 8.212/91, artigo 22, IV), DEBCAD 37.138.1649, no montante de R$ 224.178,75. De acordo com a fiscalização a autuação decorre da expedição do ato cancelatório de isenção das Contribuições Sociais – Ato Declaratório Executivo DRF/MRA 51, de 28/12/2007, com efeitos a partir de 01/08/2003. Relatou, ainda, a autoridade julgadora a quo: Integram o presente AI o levantamento UNA – Unimed associação pais – referente a serviços prestados pela Unimed Marília à Associação de Pais dos Funcionários da Fundação de Ensino Eurípedes Soares da Rocha e o levantamento UNF – Unimed Fundação de Ensino – referente a serviços prestados pela Unimed Marília à Fundação de Ensino Eurípedes Soares da Rocha. A fiscalização procedeu a análise dos contratos de prestação de serviços médicos e hospitalares e das notas fiscais/faturas emitidas, prestando acerca de tais elementos os seguintes esclarecimentos no Relatório Fiscal: A Fundação de Ensino Eurípedes Soares da Rocha contratou o Plano Empresa – Pré Pagamento a partir de 01/10/1995. A Associação de Pais dos Funcionários da Fundação de Ensino Eurípedes Soares da Rocha – Agregados Fundação, que não possui personalidade jurídica nem CNPJ próprio, contratou plano contendo as mesmas cláusulas a partir da mesma data (01/10/1995). As respectivas faturas foram emitidas em nome e no CNPJ da autuada e contabilizadas nos livros diário da mesma. Em procedimento fiscal realizado junto à cooperativa médica, a fiscalização procedeu à relação de notas emitidas pela Unimed Fl. 208DF CARF MF Impresso em 16/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/07/2016 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 12/07/2016 por EDUARDO TADEU FARAH Processo nº 11444.001486/200866 Acórdão n.º 2201003.228 S2C2T1 Fl. 991 3 de Marília por serviços prestados à autuada, elaborando anexo que integra o AI e notas emitidas por serviços prestados à Associação dos Pais dos Funcionários da Fundação relacionadas no Subsídio Fiscal – SF 230 com cópia anexa. Cientificada do lançamento, a autuada apresenta impugnação alegando, conforme se extrai do relatório de primeira instância, verbis: O lançamento ocorrido, mesmo com a suspensão da exigibilidade, representa ofensa à imunidade da entidade, visto as conseqüências geradas não só na esfera tributária, mas também nos campos contábil/fiscal, financeiro, comercial e trabalhista. Discorre acerca das características da imunidade. É inconstitucional a contribuição instituída pela Lei 9.876/99 incidente sobre pagamentos efetuados a cooperativas médicas. Tendo sido o lançamento efetuado com a suspensão da exigibilidade do crédito tributário, não cabe acréscimos a título de juros e multa. É confiscatória a multa aplicada. É inconstitucional a taxa SELIC. Ao final, requer o acolhimento de seus argumentos e a produção das provas admitidas, tais como documentais, testemunhais e outras que se mostrem necessárias. A 9ª Turma da DRJ em Ribeirão Preto/SP julgou improcedente a impugnação apresentada, conforme ementas transcritas: SUSPENSÃO DA EXIGIBILIDADE. ACRÉSCIMOS LEGAIS. A suspensão da exigibilidade do crédito tributário não obsta o ato de lançamento, inclusive com a aplicação de multa e juros moratórios, exceto nos casos em que a legislação exclua a incidência dos acréscimos legais. INCONSTITUCIONALIDADE. ILEGALIDADE. ARGÜIÇÃO. AFASTAMENTO DA LEGISLAÇÃO VIGENTE. INSTÂNCIA ADMINISTRATIVA. INCOMPETÊNCIA. A instância administrativa é incompetente para afastar a aplicação da legislação vigente em decorrência da argüição de sua inconstitucionalidade ou ilegalidade. CONTRIBUIÇÃO DA EMPRESA INCIDENTE SOBRE O VALOR BRUTO DA NOTA FISCAL OU FATURA DE PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS PRESTADOS POR COOPERADOS POR INTERMÉDIO DE COOPERATIVA DE TRABALHO. É devida a contribuição a cargo da empresa de quinze por cento sobre o valor da nota fiscal ou fatura de prestação de serviços, relativamente a serviços que lhe são prestados por cooperados por intermédio de cooperativas de trabalho. Fl. 209DF CARF MF Impresso em 16/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/07/2016 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 12/07/2016 por EDUARDO TADEU FARAH 4 DILAÇÃO PROBATÓRIA. A dilação probatória fica condicionada à sua necessidade à formação da convicção da autoridade julgadora e ao atendimento, por parte de seu requerente, dos requisitos previstos na legislação. Lançamento Procedente A contribuinte foi cientificada da decisão de primeira instância em 14/07/2009, fl. 169, e apresentou recurso voluntário em 12/08/2009 (fl. 170/201), sustentando, essencialmente, os mesmos argumentos postos em sua impugnação. É o Relatório. Voto Conselheiro Eduardo Tadeu Farah, Relator O recurso atende os requisitos de admissibilidade. Como visto do relatório, tratase de lançamento relativo ao descumprimento da obrigação tributária principal das contribuições previdenciárias, devidas pelo sujeito passivo referentes a serviços prestados por cooperados por intermédio de cooperativas de trabalho no período de 09/2003 a 12/2006, conforme inciso IV do art. 22 da Lei nº 8.212/1991. Pois bem, relativamente à alegação de impossibilidade de lavratura do auto de infração em razão da imunidade, entendo que a afirmação é estéril e não merece prosperar. Na verdade, a imunidade tributária não dispensa o dever da entidade protegida de obedecer as obrigações instrumentais estabelecidas em lei. Sem o cumprimento desses deveres, a autoridade fiscal deve lavrar a exigência, já que a imunidade não é ampla nem absoluta. Portanto, constatado o descumprimento pela contribuinte dos requisitos necessários à imunidade, deverá a Receita Federal do Brasil lavrar o competente auto de infração relativo ao período correspondente, nos termos do artigo 142, parágrafo único, do Código Tributário Nacional, mormente porque o lançamento ficará dependente do desfecho do processo da isenção/imunidade. Quanto à alegação de consequências geradas pelo lançamento realizado nessas circunstâncias, além das explicações e conceituação atinentes à imunidade, esposadas na peça recursal, penso que devem ser rejeitadas. A lavratura do auto de infração está amparada pelo princípio da legalidade, fundamentalmente porque o lançamento é uma atividade vinculada e obrigatória, consoante determina o Código Tributário Nacional (CTN) no seu art. 142, parágrafo único. Ademais, conforme abordado anteriormente, a imunidade não é ampla nem absoluta. Constatado o descumprimento dos requisitos necessários à imunidade, deverá a Receita Federal do Brasil efetuar o lançamento. No que toca à alegação de que o crédito tributário deveria ser lavrado sem a incidência dos juros e da multa, cumpre esclarecer que a obrigação tributária principal compreende tributo e multa de oficio (acrescidos dos juros correspondentes). Nesse caso, como o crédito tributário encontrase dependente do desfecho do processo de isenção/imunidade, como bem pontuou a própria recorrente em seu apelo, não será objeto de cobrança enquanto Fl. 210DF CARF MF Impresso em 16/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/07/2016 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 12/07/2016 por EDUARDO TADEU FARAH Processo nº 11444.001486/200866 Acórdão n.º 2201003.228 S2C2T1 Fl. 992 5 perdurar essa suspensão. Ademais, o art. 151, III, do CTN não prevê a exclusão da multa e dos juros quando da interposição do recurso administrativo. Sobre a alegação de que a autoridade administrativa devese manifestar sobre a constitucionalidade de leis, impende esclarecer que não cabe ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF) afastar a aplicação da legislação tributária em vigor, nos termos do art. 62 do seu Regimento Interno (Portaria MF nº 343/2015), a saber: Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. É nesse sentido a Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Não é outro o balizado pronunciamento do professor Hugo de Brito Machado (Temas de Direito Tributário, Vol. I, Editora Revista dos Tribunais: São Paulo, 1994, p. 134) sobre a matéria: (...) Não pode a autoridade administrativa deixar de aplicar uma lei ante o argumento de ser ela inconstitucional. Se não cumprila sujeitase à pena de responsabilidade, artigo 142, parágrafo único, do CTN. Há o inconformado de provocar o Judiciário, ou pedir a repetição do indébito, tratandose de inconstitucionalidade já declarada. Rejeitamse, assim, as suscitadas preliminares. Relativamente às contribuições previdenciárias devidas pelo sujeito passivo referentes a serviços prestados por cooperados por intermédio de cooperativas de trabalho, conforme inciso IV do art. 22 da Lei nº 8.212/1991, verificase que o Supremo Tribunal Federal, em sede de julgamento do RE 595.838, com repercussão geral reconhecida (Acórdão publicado em 08/10/2014), declarou inconstitucional o dispositivo da Lei 8.212/1991 (artigo 22, inciso IV) que previa a incidência da contribuição previdenciária de 15% sobre o valor de serviços prestados por meio de cooperativas de trabalho: Recurso extraordinário. Tributário. Contribuição Previdenciária. Artigo 22, inciso IV, da Lei nº 8.212/91, com a redação dada pela Lei nº 9.876/99. Sujeição passiva. Empresas tomadoras de serviços. Prestação de serviços de cooperados por meio de cooperativas de Trabalho. Base de cálculo. Valor Bruto da nota fiscal ou fatura. Tributação do faturamento. Bis in idem. Nova fonte de custeio. Artigo 195, § 4º, CF. 1. O fato gerador que origina a obrigação de recolher a contribuição previdenciária, na forma do art. 22, inciso IV da Lei nº 8.212/91, na redação da Lei 9.876/99, não se origina nas remunerações pagas ou creditadas ao cooperado, mas na relação contratual estabelecida entre a pessoa jurídica da cooperativa e a do contratante de seus serviços. Fl. 211DF CARF MF Impresso em 16/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/07/2016 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 12/07/2016 por EDUARDO TADEU FARAH 6 2. A empresa tomadora dos serviços não opera como fonte somente para fins de retenção. A empresa ou entidade a ela equiparada é o próprio sujeito passivo da relação tributária, logo, típico “contribuinte” da contribuição. 3. Os pagamentos efetuados por terceiros às cooperativas de trabalho, em face de serviços prestados por seus cooperados, não se confundem com os valores efetivamente pagos ou creditados aos cooperados. 4. O art. 22, IV da Lei nº 8.212/91, com a redação da Lei nº 9.876/99, ao instituir contribuição previdenciária incidente sobre o valor bruto da nota fiscal ou fatura, extrapolou a norma do art. 195, inciso I, a, da Constituição, descaracterizando a contribuição hipoteticamente incidente sobre os rendimentos do trabalho dos cooperados, tributando o faturamento da cooperativa, com evidente bis in idem. Representa, assim, nova fonte de custeio, a qual somente poderia ser instituída por lei complementar, com base no art. 195, § 4º com a remissão feita ao art. 154, I, da Constituição. 5. Recurso extraordinário provido para declarar a inconstitucionalidade do inciso IV do art. 22 da Lei nº 8.212/91, com a redação dada pela Lei nº 9.876/99. Assim, devese observar as disposições do art. 62 do RICARF: Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. § 1º O disposto no caput não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: I que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão definitiva do Supremo Tribunal Federal; II que fundamente crédito tributário objeto de: a) Súmula Vinculante do Supremo Tribunal Federal, nos termos do art. 103A da Constituição Federal; b) Decisão do Supremo Tribunal Federal ou do Superior Tribunal de Justiça, em sede de julgamento realizado nos termos do art. 543B ou 543C da Lei nº 5.869, de 1973 Código de Processo Civil (CPC), na forma disciplinada pela Administração Tributária; Portanto, como o Supremo Tribunal Federal, em sede de julgamento realizado nos termos do art. 543B da Lei nº 5.869, de 1973 Código de Processo Civil (CPC) reconheceu a inconstitucionalidade do inciso IV do art. 22 da Lei nº 8.212/1991, devese cancelar o lançamento. Sobre o caráter confiscatório da multa aplicada, deve ser esclarecido que não compete a este Conselho Administrativo declarar a ilegitimidade da norma legalmente constituída. A legalidade de dispositivos aplicados ao lançamento deve ser questionada, exclusivamente, perante o Poder Judiciário. O exame da obediência das leis tributárias aos Fl. 212DF CARF MF Impresso em 16/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/07/2016 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 12/07/2016 por EDUARDO TADEU FARAH Processo nº 11444.001486/200866 Acórdão n.º 2201003.228 S2C2T1 Fl. 993 7 princípios constitucionais é matéria que não deve ser abordada na esfera administrativa, conforme se infere da Súmula CARF nº 2, supracitada. Por fim, a partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais, consoante determina a Súmula nº 4 do CARF: A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. Ante ao exposto, voto por rejeitar as preliminares e, no mérito, dar provimento ao recurso voluntário. Assinado digitalmente Eduardo Tadeu Farah Fl. 213DF CARF MF Impresso em 16/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/07/2016 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 12/07/2016 por EDUARDO TADEU FARAH
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Numero do processo: 10580.725876/2009-89
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Jun 21 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Fri Aug 26 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2005, 2006, 2007
RENDIMENTOS RECEBIDOS ACUMULADAMENTE. DIFERENÇAS DE URV. MINISTÉRIO PÚBLICO DA BAHIA. NATUREZA TRIBUTÁVEL
Sujeitam-se à incidência do Imposto de Renda, conforme o regime de competência, as verbas recebidas acumuladamente pelos membros do Ministério Público do Estado da Bahia, denominadas "diferenças de URV", inclusive os juros remuneratórios sobre elas incidentes, por absoluta falta de previsão legal para que sejam excluídas da tributação.
Recurso Especial do Contribuinte conhecido e provido parcialmente.
Numero da decisão: 9202-004.161
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado por unanimidade de votos, em conhecer o Recurso Especial do Contribuinte e, no mérito, por voto de qualidade, em dar-lhe provimento parcial para determinar o cálculo do tributo sobre a verba recebida, inclusive juros, de acordo com o regime de competência, vencidos os conselheiros Gerson Macedo Guerra, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Patrícia da Silva, Ana Paula Fernandes e Maria Teresa Martínez López, que lhe deram provimento integral.
(Assinado digitalmente)
Carlos Alberto Freitas Barreto Presidente e Relator
EDITADO EM: 18/08/2016
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente), Maria Teresa Martinez Lopez (Vice-Presidente), Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior e Gerson Macedo Guerra.
Nome do relator: CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO
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DIFERENÇAS DE URV. MINISTÉRIO PÚBLICO DA BAHIA. NATUREZA TRIBUTÁVEL Sujeitamse à incidência do Imposto de Renda, conforme o regime de competência, as verbas recebidas acumuladamente pelos membros do Ministério Público do Estado da Bahia, denominadas "diferenças de URV", inclusive os juros remuneratórios sobre elas incidentes, por absoluta falta de previsão legal para que sejam excluídas da tributação. Recurso Especial do Contribuinte conhecido e provido parcialmente. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado por unanimidade de votos, em conhecer o Recurso Especial do Contribuinte e, no mérito, por voto de qualidade, em darlhe provimento parcial para determinar o cálculo do tributo sobre a verba recebida, inclusive juros, de acordo com o regime de competência, vencidos os conselheiros Gerson Macedo Guerra, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Patrícia da Silva, Ana Paula Fernandes e Maria Teresa Martínez López, que lhe deram provimento integral. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 58 0. 72 58 76 /2 00 9- 89 Fl. 470DF CARF MF Impresso em 26/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/08/2016 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 25/08/2 016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO 2 (Assinado digitalmente) Carlos Alberto Freitas Barreto – Presidente e Relator EDITADO EM: 18/08/2016 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente), Maria Teresa Martinez Lopez (VicePresidente), Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior e Gerson Macedo Guerra. Relatório O presente recurso foi objeto de julgamento na sistemática prevista no art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, adoto o relatório objeto do processo paradigma deste julgamento, n° 10580.720843/200942. Transcrevese, como solução deste litígio nos termos regimentais, o inteiro teor do voto vencedor proferido naquela decisão (Acórdão 9202004.124): Tratase de Auto de infração lavrado contra o contribuinte em epígrafe para cobrança de IRPF sobre rendimentos auferidos do Ministério Público da Bahia, a título de valores indenizatórios de URV. Tais rendimentos decorreram de diferenças de remuneração ocorridas quando da conversão de Cruzeiro Real para Unidade Real de Valor (URV) em 1994, reconhecidas e pagas em 36 parcelas iguais no período de janeiro de 2004 a dezembro de 2006, com base na Lei Complementar nº 20/2003, do Estado da Bahia. Importante destacar, ainda que referida Lei dispôs serem de natureza indenizatória as verbas em questão. No entendimento da autoridade fiscal, as diferenças recebidas pelo contribuinte têm natureza salarial, pois decorreram de diferenças de remuneração ocorridas quando da conversão de Cruzeiro Real para URV em 1994 e, portanto, são tributáveis pelo IRPF, sendo irrelevante a denominação dada pela Lei do Estado da Bahia. Para a apuração do imposto devido foi considerado os valores das diferenças salariais, incluindo atualização e juros. Inconformado, o contribuinte apresentou impugnação, que fora julgada procedente em parte, para excluir da base de cálculo do imposto valores recebidos a título de URV sobre férias indenizadas e 13º salário. Ato seguinte, tempestivamente foi apresentado Recurso Voluntário, onde, por unanimidade de votos, foi dado provimento parcial ao recurso para excluir da exigência a multa de ofício. Fl. 471DF CARF MF Impresso em 26/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/08/2016 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 25/08/2 016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10580.725876/200989 Acórdão n.º 9202004.161 CSRFT2 Fl. 416 3 Inconformado com essa decisão o contribuinte, tempestivamente, apresentou Recurso Especial de divergência, alegando, em resumo: a) Os rendimentos previstos na Lei Complementar 20/2003 tem a mesma natureza daqueles mencionados pela Lei Federal nº 10.477/2002, que trata do pagamento de diferenças de URV a membros do Ministério Público Federal; b) É nítida a natureza remuneratória das diferenças de URV, na medida em que representam ressarcimento pelo erro de cálculo da remuneração; c) É aplicável ao caso a mesma interpretação dada pelo STF através da Resolução 245/2002, que reconheceu a natureza indenizatória das diferenças de URV pagas aos membros da magistratura federal; d) Quebra da isonomia quando se dispensa tratamento tributário diverso em relação às diferenças de URV pagas aos membros da magistratura Federal e aos membros do MPF em relação aos membros do Ministério Público Estadual; e) Vicio material na formação da base de cálculo do IRPF, na medida em que não foi observado o regime de competência em relação aos rendimentos recebidos acumuladamente; f) Não incidência do IRPF sobre juros moratórios Na análise de admissibilidade, foi dado parcial seguimento ao Recurso Especial interposto pelo Contribuinte para que fosse reapreciada a questão da não incidência do Imposto de Renda sobre diferenças de URV, que teriam natureza indenizatória e para que fosse rediscutida a não incidência de Imposto de Renda sobre rendimentos correspondentes a juros de mora. Regularmente intimada o a Fazenda Nacional apresentou contrarrazões. É o relatório. Fl. 472DF CARF MF Impresso em 26/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/08/2016 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 25/08/2 016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO 4 Voto Conselheiro Carlos Alberto Freitas Barreto Relator Este processo foi julgado na sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 9202004.124, de 21/06/2016, proferido no julgamento do processo 10580.720843/200942, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. O Recurso Especial interposto pelo Contribuinte é tempestivo e visa rediscutir as seguintes matérias: não incidência do Imposto de Renda sobre diferenças de URV, que teriam natureza indenizatória e, caso assim não se entenda, não incidência de Imposto de Renda sobre a rubrica correspondente a juros de mora. A matéria não é nova neste Colegiado. Tratase de Auto de Infração relativo ao Imposto de Renda Pessoa Física dos anoscalendário de 2004, 2005 e 2006, acrescido de multa de ofício no percentual de 75% e juros de mora, tendo em vista a reclassificação, como tributáveis, de rendimentos declarados como isentos, recebidos do Ministério Público do Estado da Bahia a título de “Valores Indenizatórios de URV”, em trinta e seis parcelas, no período de janeiro de 2004 a dezembro de 2006, em decorrência da Lei Complementar do Estado da Bahia nº 20, de 08/09/2003, editada em virtude do objeto da Ação Ordinária de nº 140.975921531, julgada pelo Tribunal de Justiça do Estado da Bahia, e em consonância com os precedentes do Supremo Tribunal Federal, especialmente nas Ações Ordinárias nºs 613 e 614. As verbas ora analisadas constituem diferenças salariais verificadas na conversão da remuneração do servidor público, quando da implantação do Plano Real, portanto tais valores referemse a salários (vencimentos) não recebidos ao longo dos anos. Nesse passo, o objetivo da ação judicial e/ou da lei do estado da Bahia foi simplesmente pagar à Contribuinte aquilo que antes deixou de ser pago, que nada mais é que salário, portanto de natureza tributável. Assim, o recebimento da verba ora tratada configura acréscimo patrimonial e, consequentemente, sujeitase à incidência do Imposto de Renda, consoante dispõe o art. 43 do CTN: Art. 43. O imposto, de competência da União, sobre a renda e proventos de qualquer natureza tem como fato gerador a aquisição da disponibilidade econômica ou jurídica: Fl. 473DF CARF MF Impresso em 26/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/08/2016 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 25/08/2 016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10580.725876/200989 Acórdão n.º 9202004.161 CSRFT2 Fl. 417 5 I de renda, assim entendido o produto do capital, do trabalho ou da combinação de ambos; II de proventos de qualquer natureza, assim entendidos os acréscimos patrimoniais não compreendidos no inciso anterior. § 1º A incidência do imposto independe da denominação da receita ou do rendimento, da localização, condição jurídica ou nacionalidade da fonte, da origem e da forma de percepção. O dispositivo legal acima não deixa dúvidas acerca da abrangência da tributação do Imposto de Renda, abarcando qualquer evento que se traduza em aumento patrimonial, independentemente da denominação que seja dada ao ganho. Seguindo esta linha, a Lei nº 7.713, de 1988, assim dispõe: Art. 1º Os rendimentos e ganhos de capital percebidos a partir de 1º de janeiro de 1989, por pessoas físicas residentes ou domiciliados no Brasil, serão tributados pelo imposto de renda na forma da legislação vigente, com as modificações introduzidas por esta Lei. Art. 2º O imposto de renda das pessoas físicas será devido, mensalmente, à medida em que os rendimentos e ganhos de capital forem percebidos. (...) § 1º Constituem rendimento bruto todo o produto do capital, do trabalho ou da combinação de ambos, os alimentos e pensões percebidos em dinheiro, e ainda os proventos de qualquer natureza, assim também entendidos os acréscimos patrimoniais não correspondentes aos rendimentos declarados. (...) § 4º A tributação independe da denominação dos rendimentos, títulos ou direitos, da localização, condição jurídica ou nacionalidade da fonte, da origem dos bens produtores da renda, e da forma de percepção das rendas ou proventos, bastando, para a incidência do imposto, o benefício do contribuinte por qualquer forma e a qualquer título. (...)” (grifei) Quanto à alegação de violação ao princípio da isonomia, a Contribuinte traz à baila o fato de que o Supremo Tribunal Federal, em sessão administrativa, atribuiu natureza indenizatória ao Abono Variável concedido aos membros da Magistratura da União pela Lei nº 10.474, de 2002. Ademais, a ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional, por meio do Parecer PGFN nº 529, de 2003, manifestou entendimento no sentido de que a verba em tela não estaria sujeita à tributação. Fl. 474DF CARF MF Impresso em 26/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/08/2016 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 25/08/2 016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO 6 Entretanto, a Resolução nº 245, do STF, bem como o Parecer da PGFN, se referem especificamente ao abono concedido aos Magistrados da União pela Lei nº 10.474, de 2002; e o que se discute no presente processo é se tal entendimento deve ser aplicado à verba recebida pelos membros da Ministério Público do Estado da Bahia. Primeiramente, verificase que a posição do Supremo Tribunal Federal – STF sobre a natureza do Abono Variável atribuído aos Magistrados da União foi definida em sessão administrativa e expedida por meio de Resolução, e não em sessão de julgamento daquela Corte e, assim, não se trata de uma decisão judicial, cujos efeitos são bem distintos dos de uma resolução administrativa. Destarte, obviamente que a Resolução do STF nunca vinculou a Administração Tributária da União. Com o advento do Parecer PGFN/Nº 529, de 2003, da ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional, aprovado pelo Ministro da Fazenda, portanto com força vinculante em relação aos Órgãos da Administração Tributária, concluiuse que o Abono Variável de que trata o art. 2º da Lei nº 10.474, de 2002, teria natureza indenizatória. Entretanto, dito parecer é claro quanto aos limites desse entendimento, conforme será demonstrado na seqüência. O parecer destaca que o Superior Tribunal de Justiça – STJ consolidou entendimento no sentido de que abonos recebidos em substituição a aumentos salariais sofrem a incidência do Imposto de Renda. Após, faz a ressalva de que, segundo entendimento dessa mesma Corte, nos casos de abono concedido como reparação pela supressão ou perda de direito, ele tem natureza indenizatória. Ainda segundo o parecer da PGFN, seria este o entendimento do STF, manifestado por meio da Resolução nº 245, de 2002, relativamente ao abono variável e provisório previsto no art. 6º da Lei nº 9.655, de 1998, com a alteração estabelecida no art. 2º da Lei nº 10.474, de 2002. Assim, claro está que o Parecer da PGFN somente reconheceu a natureza indenizatória do Abono Variável, previsto nas Leis nºs 9.655, de 1998, e 10.474, de 2002, acolhendo entendimento do STF, no sentido de que tal verba destinarseia a reparar direito. Destarte, a Resolução nº 245, do STF, não possui efeitos de decisão judicial, e o Parecer PGFN/Nº 529, de 2003, apenas reconhece a natureza indenizatória do abono concedido aos Magistrados da União, acatando interpretação do STF quanto à natureza reparatória, especificamente para esse abono. Portanto, ambos os atos alcançam apenas o abono previsto no art. 6º da Lei nº 9.655, de 1998, com a alteração estabelecida no art. 2º da Lei nº 10.474, de 2002. Ademais, a Resolução nº 245, do STF, excluiu do abono a verba referente à diferença de URV, o que evidencia que esta não tem natureza indenizatória, mas sim de recomposição salarial. Confirase a manifestação Superior Tribunal de Justiça, por meio de voto da Ministra Eliana Calmon, reconhecendo a falta e identidade entre o abono salarial tratado na Resolução e as diferenças de URV: Fl. 475DF CARF MF Impresso em 26/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/08/2016 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 25/08/2 016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10580.725876/200989 Acórdão n.º 9202004.161 CSRFT2 Fl. 418 7 “Na jurisprudência desta Casa, colho os seguintes precedentes, que sempre distinguiram as hipóteses de percepção das diferenças remuneratórias da URV do abono identificado na Resolução 245/STF: (...)” (STJ, Recurso Especial n.º 1.187.109/MA, Segunda Turma, Ministra Relatora Eliana Calmon, julgado em 17/08/2010) E também o Ministro Dias Toffoli, do Supremo Tribunal Federal, em decisão no Recurso Extraordinário n.º 471.115: “Os valores assim recebidos pelo recorrido decorrem de compensação pela falta de oportuna correção no valor nominal do salário, quando da implantação da URV e, assim, constituem parte integrante de seus vencimentos. As parcelas representativas do montante que deixou de ser pago, no momento oportuno, são dotadas dessa mesma natureza jurídica e, assim, incide imposto de renda quando de seu recebimento. No que concerne à Resolução no. 245/02, deste Supremo Tribunal Federal, utilizada na fundamentação do acórdão recorrido, temse que suas normas a tanto não se aplicam, para o fim pretendido pelo recorrido (...)” (STF, Recurso Extraordinário n.º 471.115, Ministro Relator Dias Toffoli, julgado em 03/02/2010) Assim, não há como estenderse o alcance dos atos legais acima referidos para verbas distintas, concedidas para outro grupo de servidores, por meio de ato específico, diverso daqueles referidos na Resolução do STF e no Parecer da PGFN. Com efeito, a norma que concede isenção deve ser interpretada sempre literalmente, conforme inciso II, do art. 111, do CTN. Ademais, o mesmo código veda o emprego da analogia ou de interpretações extensivas para alcançar sujeitos passivos em situação supostamente semelhante, o que implicaria concessão de isenção sem lei federal própria, o que ofenderia o § 6º, do art. 150, da Constituição Federal, e o art. 176, do CTN. Destarte, a verba em exame deve ser efetivamente tributada. Quanto à alegada inexigibilidade de Imposto de Renda incidente sobre a verba recebida pela contribuinte a título de juros de mora, a decisão do STJ, no julgamento do REsp 1.227.133/RS, sob o rito do art. 543C, do CPC, é no sentido de que estaria restrita aos casos de pagamento a destempo de verbas trabalhistas de natureza indenizatória, oriundas de condenação judicial, por força da norma isentiva prevista no inciso V, do art. 6º, da Lei nº 7.713, de 1988. Confirase: TRIBUTÁRIO. IMPOSTO DE RENDA. INCIDÊNCIA. JUROS DE MORA. CARÁTER REMUNERATÓRIO. TEMA JULGADO PELO STJ SOB A SISTEMÁTICA DO ART. 543 C DO CPC. Fl. 476DF CARF MF Impresso em 26/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/08/2016 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 25/08/2 016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO 8 1. Por ocasião do julgamento do REsp 1.227.133/RS, pelo regime do art. 543C do CPC (recursos repetitivos), consolidouse o entendimento no sentido de que 'não incide imposto de renda sobre os juros moratórios legais em decorrência de sua natureza e função indenizatória ampla.' Todavia, após o julgamento dos embargos de declaração da Fazenda Nacional, esse entendimento sofreu profunda alteração, e passou a prevalecer entendimento menos abrangente. Concluiuse neste julgamento que 'os juros de mora pagos em virtude de decisão judicial proferida em ação de natureza trabalhista, devidos no contexto de rescisão de contrato de trabalho, por se tratar de verba indenizatória paga na forma da lei, são isentos do imposto de renda, por força do art. 6º, V, da Lei 7.713/88, até o limite da lei'. 2. Na hipótese, não sendo as verbas trabalhistas decorrentes de despedida ou rescisão contratual de trabalho, assim como por terem referidas verbas (horas extras) natureza remuneratória, deve incidir o imposto de renda sobre os juros de mora. Agravo regimental improvido.(AgRg no REsp 1235772 RS – julgado em 26/06/2012) PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. AGRAVO REGIMENTAL NOS EMBARGOS DE DIVERGÊNCIA EM RECURSO ESPECIAL. IMPOSTO DE RENDA. JUROS DE MORA DECORRENTES DO PAGAMENTO EM ATRASO DE VERBAS TRABALHISTAS. NÃO INCIDÊNCIA. MATÉRIA JÁ PACIFICADA PELA PRIMEIRA SEÇÃO. RECURSO ESPECIAL REPETITIVO 1.227.133/RS. 1. A Primeira Seção, por ocasião do julgamento do REsp 1.227.133/RS, sob o rito do art. 543C do CPC, fixou orientação no sentido de que é inexigível o imposto de renda sobre os juros de mora decorrentes do pagamento a destempo de verbas trabalhistas de natureza indenizatória, oriundas de condenação judicial. 2. Agravo regimental não provido.” (AgRg nos REsp 1163490 SC – julgado em 14/03/2012) Da análise do julgamento do Recurso Repetitivo 1.227.133/RS, verificase que são isentos do imposto de renda os juros de mora decorrentes do pagamento a destempo de verbas trabalhistas de natureza indenizatória, oriundas de condenação judicial, conforme a regra do “accessorium sequitur suum principale”. Assim, não sendo as verbas trabalhistas de natureza indenizatória, o imposto de renda deve incidir também sobre os juros de mora. Ressaltese que as verbas ora analisadas já foram objeto de julgamento pela Câmara Superior de Recursos Fiscais, oportunidade em que se deu provimento ao Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional, por meio do Acórdão nº 9202003.585, de 03/03/2015, assim ementado: Fl. 477DF CARF MF Impresso em 26/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/08/2016 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 25/08/2 016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10580.725876/200989 Acórdão n.º 9202004.161 CSRFT2 Fl. 419 9 ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2005, 2006, 2007 IRPF. VALORES INDENIZATÓRIOS DE URV, CLASSIFICADOS A PARTIR DE INFORMAÇÕES PRESTADAS PELA FONTE PAGADORA. INCIDÊNCIA. Incide o IRPF sobre os valores indenizatórios de URV, em virtude de sua natureza remuneratória. Precedentes do STF e do STJ. Recurso especial provido." A decisão foi assim registrada: "Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso especial da Fazenda, determinando o retorno dos autos à turma a quo, para analisar as demais questões trazidas no recurso voluntário do contribuinte. Vencido o Conselheiro Marcelo Oliveira, que votou por negar provimento ao recurso. Fez sustentação oral o Dr. Marcio Pinto Teixeira, OAB/BA nº 23.911, patrono da recorrida. Defendeu a Fazenda Nacional a Procuradora Dra. Patrícia de Amorim Gomes Macedo." Assentada a natureza tributável dos rendimentos objeto da autuação, resta esclarecer que o tributo devido deve ser calculado de acordo com as tabelas vigentes à época em que os rendimentos deveriam ter sido pagos ao Contribuinte. Saliente se que a questão já foi decidida pelo STF, no RE 614.406/RS, com trânsito em julgado em 11/12/2014, e repercussão geral previamente reconhecida, em 20/10/2010, na sistemática do art. 543B, do Código de Processo Civil. Destarte, os Conselheiros do CARF devem reproduzir o entendimento do citado julgado, prolatado pelo STF em 23/10/2014, conforme determina o art. 62, § 2º, do Anexo II, do RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 2015. Nesse passo, a decisão vinculante é no sentido de aplicarse o regime de competência, vedada a aplicação do regime de caixa. Diante do exposto, conheço do Recurso Especial interposto pelo Contribuinte e, no mérito, doulhe provimento parcial, para que o cálculo do Imposto de Renda seja efetuado com base no regime de competência. Em face do acima exposto, voto no sentido de conhecer o Recurso Especial do Contribuinte para, no mérito, darlhe provimento parcial, para determinar o cálculo do tributo sobre a verba recebida, inclusive juros, de acordo com o regime de competência. (Assinado digitalmente) Carlos Alberto Freitas Barreto Fl. 478DF CARF MF Impresso em 26/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/08/2016 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 25/08/2 016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO 10 Fl. 479DF CARF MF Impresso em 26/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/08/2016 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 25/08/2 016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO
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Numero do processo: 19515.722831/2012-14
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jul 13 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Mon Aug 15 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2008
ACRÉSCIMO PATRIMONIAL A DESCOBERTO.
Somente são tributáveis os valores correspondentes ao acréscimo do patrimônio da pessoa física, quando esse acréscimo não for justificado por rendimentos oferecidos à tributação, rendimentos isentos ou tributados exclusivamente na fonte.
COMPROVAÇÃO DA ORIGEM PARA OS EFEITOS DA NÃO CARACTERIZAÇÃO DA INFRAÇÃO DE OMISSÃO DE RENDIMENTOS.
A comprovação da origem dar-se-á relativamente a cada depósito bancário, individualizadamente correlação entre o depósito bancário e o fato pelo qual se deu o depósito bancário, através de documento que demonstre, indubitavelmente, a. No caso de rendimento, há de se demonstrar, também, a natureza dele. Demonstrado o fato e a natureza do rendimento, tudo devidamente correlacionado ao depósito bancário, dar-se-á por comprovada a origem do depósito bancário.
ACRÉSCIMO PATRIMONIAL A DESCOBERTO. PRODUTOR RURAL. ANALOGIA.
Somente são tributáveis os valores correspondentes ao acréscimo do patrimônio do produtor rural, quando esse acréscimo não for justificado por rendimentos oferecidos à tributação, rendimentos isentos ou tributados exclusivamente na fonte; inclusive os rendimentos não tributados do produtor rural optante do resultado presumido.
Não se aplica a analogia quando não há lacunas na legislação de regência. Em homenagem ao princípio da legalidade dos tributos, cabe excluir a aplicação analógica da lei, toda vez que dela resulte a criação de um débito tributário.
PROVAS OBTIDAS POR MEIOS ILÍCITOS - INADMISSIBILIDADE - DOUTRINA DO FRUIT OF THE POISONOUS TREE -APLICABILIDADE.
O art. 30 da Lei nº 9.784/99 determina que são inadmissíveis, no processo administrativo, as provas obtidas por meios ilícitos. A ilicitude da prova decore de decisão judicial, conforme entendimento adotado pelo TRF3. A doutrina do fruit of the poisonous tree estabelece que as provas obtidas por meios ilícitos contaminam aquelas que exclusivamente derivam delas. Tanto as conclusões decorrentes dos dados bancários obtidos em desacordo com determinação judicial, quanto os outros elementos probatórios que deles originam-se, são frutos da prova contaminada. Qualquer prova que tenha sido produzida à margem do critério definido pelo poder judiciário revela-se estéril ao nascimento válido da obrigação tributária.
Recurso de Ofício Negado
Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 2201-003.268
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso de ofício e dar provimento ao recurso voluntário.
Assinado digitalmente
Carlos Henrique de Oliveira - Presidente.
Assinado digitalmente
Carlos César Quadros Pierre - Relator.
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Carlos Henrique de Oliveira (Presidente), Carlos Alberto do Amaral Azeredo, Jose Alfredo Duarte Filho (Suplente Convocado), Maria Anselma Coscrato dos Santos (Suplente Convocada), Denny Medeiros da Silveira (Suplente Convocado), Daniel Melo Mendes Bezerra, Carlos César Quadros Pierre e Ana Cecília Lustosa da Cruz.
Nome do relator: CARLOS CESAR QUADROS PIERRE
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Somente são tributáveis os valores correspondentes ao acréscimo do patrimônio da pessoa física, quando esse acréscimo não for justificado por rendimentos oferecidos à tributação, rendimentos isentos ou tributados exclusivamente na fonte. COMPROVAÇÃO DA ORIGEM PARA OS EFEITOS DA NÃO CARACTERIZAÇÃO DA INFRAÇÃO DE OMISSÃO DE RENDIMENTOS. A comprovação da origem darseá relativamente a cada depósito bancário, individualizadamente correlação entre o depósito bancário e o fato pelo qual se deu o depósito bancário, através de documento que demonstre, indubitavelmente, a. No caso de rendimento, há de se demonstrar, também, a natureza dele. Demonstrado o fato e a natureza do rendimento, tudo devidamente correlacionado ao depósito bancário, darseá por comprovada a origem do depósito bancário. ACRÉSCIMO PATRIMONIAL A DESCOBERTO. PRODUTOR RURAL. ANALOGIA. Somente são tributáveis os valores correspondentes ao acréscimo do patrimônio do produtor rural, quando esse acréscimo não for justificado por rendimentos oferecidos à tributação, rendimentos isentos ou tributados exclusivamente na fonte; inclusive os rendimentos não tributados do produtor rural optante do resultado presumido. Não se aplica a analogia quando não há lacunas na legislação de regência. Em homenagem ao princípio da legalidade dos tributos, cabe excluir a aplicação analógica da lei, toda vez que dela resulte a criação de um débito tributário. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 72 28 31 /2 01 2- 14 Fl. 4779DF CARF MF Impresso em 15/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/08/2016 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 05/ 08/2016 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 12/08/2016 por CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA Processo nº 19515.722831/201214 Acórdão n.º 2201003.268 S2C2T1 Fl. 4.743 2 PROVAS OBTIDAS POR MEIOS ILÍCITOS INADMISSIBILIDADE DOUTRINA DO FRUIT OF THE POISONOUS TREE APLICABILIDADE. O art. 30 da Lei nº 9.784/99 determina que são inadmissíveis, no processo administrativo, as provas obtidas por meios ilícitos. A ilicitude da prova decore de decisão judicial, conforme entendimento adotado pelo TRF3. A doutrina do “fruit of the poisonous tree” estabelece que as provas obtidas por meios ilícitos contaminam aquelas que exclusivamente derivam delas. Tanto as conclusões decorrentes dos dados bancários obtidos em desacordo com determinação judicial, quanto os outros elementos probatórios que deles originamse, são frutos da prova contaminada. Qualquer prova que tenha sido produzida à margem do critério definido pelo poder judiciário revelase estéril ao nascimento válido da obrigação tributária. Recurso de Ofício Negado Recurso Voluntário Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso de ofício e dar provimento ao recurso voluntário. Assinado digitalmente Carlos Henrique de Oliveira Presidente. Assinado digitalmente Carlos César Quadros Pierre Relator. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Carlos Henrique de Oliveira (Presidente), Carlos Alberto do Amaral Azeredo, Jose Alfredo Duarte Filho (Suplente Convocado), Maria Anselma Coscrato dos Santos (Suplente Convocada), Denny Medeiros da Silveira (Suplente Convocado), Daniel Melo Mendes Bezerra, Carlos César Quadros Pierre e Ana Cecília Lustosa da Cruz. Relatório Adoto como relatório aquele utilizado pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento, 1ª Turma da DRJ/FOR(Fls. 4620), na decisão recorrida, que transcrevo abaixo: Contra o contribuinte, devidamente identificado nos autos, foi lavrado Auto de Infração de Imposto de Renda Pessoa Física (IRPF), fls. 4442/4446, para cobrança do Imposto de Renda, apurado no valor R$ 7.087.958,14. Sobre o Imposto de Renda apurado foi lançada Multa de Ofício, no percentual de 75%, no Fl. 4780DF CARF MF Impresso em 15/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/08/2016 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 05/ 08/2016 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 12/08/2016 por CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA Processo nº 19515.722831/201214 Acórdão n.º 2201003.268 S2C2T1 Fl. 4.744 3 valor de R$ 5.315.968,60. O crédito tributário totalizou, em 30/11/2012, o valor de R$ 15.655.881,93, compreendendo: Imposto de Renda, Multa de Ofício e Juros de Mora, estes apurados com base na Taxa Selic. De acordo com o quadro de Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal do Auto de Infração, fls. 4444/4446, e com o Termo de Verificação Fiscal, fls. 4431/4435 e 4436/4439, o crédito tributário é relativo à Declaração de Ajuste Anual do exercício financeiro de 2008, anocalendário 2007, e decorreu de infração de omissão de rendimentos, caracterizada por: 1) variação patrimonial a descoberto, relativamente ao mês de dezembro do anocalendário de 2007, no valor de R$ 5.383.636,63; 2) depósito bancário de origem não comprovada, relativamente aos meses de janeiro a dezembro do anocalendário de 2007, no valor total de R$ 20.390.756,60. Depósitos bancários relacionados às seguintes contas correntes: 2.1) mantidas no Banco Itaú S/A: conta corrente nº 600554, no valor total de R$ 800.000,00; 2.2) mantidas no Banco Itaú S/A: conta corrente nº 143037, no valor total de R$ 7.739.890,82; 2.3) mantidas no Banco Santander S/A: conta corrente nº 10038113, no valor total de R$ 124.602,98, em conjunto com José Cinel, CPF nº 401.574.58849 (50% do valor do depósito bancário); 2.4) mantidas no Banco Santander S/A: conta corrente nº 10103905, no valor total de R$ 90.000,00; 2.5) mantidas no Banco Bradesco S/A: conta corrente nº 51100 5, no valor total de R$ 718.647,83, e 2.6) mantidas no Banco HSBC: conta corrente nº 2144458, no valor total de R$ 9.987.928,79. Conforme o Termo de Verificação Fiscal n° 01, fls. 4431/4435, a variação patrimonial a descoberto, no valor de R$ 5.383.636,63, foi apurada, tomandose por base a Declaração de Bens, situação em 31/12/2006 e situação em 31/12/2007, relativamente ao mês de dezembro do anocalendário de 2007, pelos seguintes fatos: 1) na Declaração de Ajuste Anual, apresentada tempestivamente, verificouse VARIAÇÃO PATRIMONIAL no valor de R$ 17.648.329,84, aparentemente, justificada por RECURSOS, compreendendo: rendimentos tributáveis, rendimentos isentos ou não tributáveis, rendimentos com tributação exclusiva na fonte, ou com tributação definitiva, empréstimos contraídos, no valor total de R$ 19.336.012,43; Fl. 4781DF CARF MF Impresso em 15/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/08/2016 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 05/ 08/2016 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 12/08/2016 por CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA Processo nº 19515.722831/201214 Acórdão n.º 2201003.268 S2C2T1 Fl. 4.745 4 2) no procedimento de revisão da Declaração de Ajuste Anual, apurouse VARIAÇÃO PATRIMONIAL A DESCOBERTO, no valor de R$ 5.383.636,63, correspondente à diferença entre: 2.1) APLICAÇÕES: variação patrimonial anual, conforme a Declaração de Bens e Direitos, no valor total de R$ 17.125.423,15; 2.2) AJUSTES NA VARIAÇÃO PATRIMONIAL: reduções de bens e direitos sem comprovação, no valor total de R$ 552.000,00; 2.3) APLICAÇÕES: pagamento de impostos, despesas com previdência oficial, despesas com previdência privada, despesas com instrução, despesas com dependentes, despesas médicas, no valor total de R$ 522.906,69; 2.4) RECURSOS, compreendendo: rendimentos tributáveis, rendimentos isentos ou não tributáveis, rendimentos com tributação exclusiva na fonte, ou com tributação definitiva, empréstimos contraídos, no valor total de R$ 12.816.693,21. 2.5) relativamente à Declaração de Ajuste Anual, o autor do procedimento de fiscalização não considerou a título de RECURSOS os rendimentos isentos da atividade rural, no valor total anual de R$ 6.519.319,22; 2.6) relativamente à Declaração de Ajuste Anual, o autor do procedimento de fiscalização não considerou recursos recebidos a título de devoluções de empréstimos e não considerou recursos recebidos a titulo de redução de quotas de capital. Esses recursos, no valor total de R$ 552.000,00, foram incorporados à evolução patrimonial. Conforme, ainda, o Termo de Verificação Fiscal nº 02, fls. 4436/4439, a infração de omissão de rendimentos caracterizada por depósito bancário de origem não comprovada, no valor total de R$ 20.390.756,60, relacionase à seis contas correntes, conforme demonstrativo, abaixo: Fl. 4782DF CARF MF Impresso em 15/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/08/2016 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 05/ 08/2016 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 12/08/2016 por CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA Processo nº 19515.722831/201214 Acórdão n.º 2201003.268 S2C2T1 Fl. 4.746 5 Relativamente à cada conta corrente bancária foi elaborado um demonstrativo no qual se discriminam os depósitos bancários (data e valor), o somatório mensal e o somatório anual, assim como: 1) Às fls 4420 encontrase o demonstrativo da conta corrente nº 60554, mantida no BANCO ITAÚ S/A, no qual se discrimina um depósito no valor de R$ 800.000,00, feito em 14/11/2007, via TED; 2) Às fls.4421/4423 encontrase o demonstrativo da conta corrente nº 143037, mantida no BANCO ITAÚ S/A, no qual se discriminam vários depósitos bancários, totalizando um valor anual de R$ 7.739.890,82; 3) Às fls. 4424 encontrase o demonstrativo da conta corrente nº 10038113, mantida no SANTANDER S/A, no qual se discriminam vários depósitos bancários, totalizando um valor anual de R$ 249.205,93. Para essa conta corrente, mantida em conjunto, para o senhor contribuinte foi imputado 50%, correspondente a um somatório anual de R$ 124.602,98; 4) Às fls. 4425, encontrase o demonstrativo da conta corrente nº 10103905, mantida no SANTANDER S/A, no qual se discrimina um depósito bancário no valor de R$ 90.000,00, feito em 24/10/1007, depósito em caixa; 5) Às fls.4426 encontrase o demonstrativo da conta corrente nº 511005, mantida no BRADESCO S/A, no qual se discrimina vários depósitos bancários, totalizando um valor anual de R$ 718.647,83; 6) Às fls. 4427/4430, encontrase o demonstrativo da conta corrente nº 2144458, mantida no HSBC, no qual se discriminam vários depósitos bancários, totalizando um valor anual de R$ 9.987.928,79. Para uma melhor compreensão dos fatos, abaixo, se transcrevem trechos do Termo de Verificação Fiscal nº 01, no qual se descreve a infração de omissão de rendimentos por variação patrimonial a descoberto. Esta ação fiscal esteve concentrada no exame das variações patrimoniais informadas pelo contribuinte na Declaração de Ajuste Anual do Imposto de Renda Pessoa Física – DIRPF e, das movimentações financeiras, referente ao anocalendário de 2007. Este Termo de Verificação Fiscal 1 trata das irregularidades perpetradas pelo fiscalizado, referentes ao Acréscimo Patrimonial a Descoberto; e, o Termo de Verificação 2, à Movimentação Financeira de Origem NãoJustificada. Dos fatos Visto que as informações registradas na DIRPF/2008 – Declaração de Ajuste Anual do Imposto de Renda Pessoa Física, referente ao anocalendário de 2007, importaram em Variação Fl. 4783DF CARF MF Impresso em 15/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/08/2016 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 05/ 08/2016 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 12/08/2016 por CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA Processo nº 19515.722831/201214 Acórdão n.º 2201003.268 S2C2T1 Fl. 4.747 6 Patrimonial (Variação de Bens e Direito menos Variação de Dívidas e Ônus Reais) por intermédio do Termo de Início de Ação Fiscal de 15/04/2010, Termo de Intimação Fiscal de18/08/2010, Termo de Embaraço e Intimação de 02/02/2011, e Termo de Intimação Fiscal de 09/05/2011 o fiscalizado foi intimado a prestar os esclarecimentos necessários acerca das Origens e das Aplicações dos recursos, conforme autorizado pelo art. 51, §1°, da Lei n° 4.069/1962 (art. 806 do RIR/99). Apesar da apresentação pelo contribuinte fiscalizado de diversos documentários, ao Auditor Fiscal inicialmente responsável pela ação fiscal, a análise dessas informações prestadas mostra que o contribuinte não auferiu bastantes Rendimentos Tributáveis, Rendimentos NãoTributáveis, Rendimentos Sujeitos à Tributação Definitiva ou já Tributados Exclusivamente na Fonte que possam justificar a totalidade do acréscimo patrimonial, sujeitandoo à tributação prevista no art. 807 do RIR/1999. Os documentários apresentados pelo fiscalizado, e resumidos adiante no Quadro de Apuração do Acréscimo Patrimonial, mostram que as Origens de Recursos que podem ser utilizadas no aumento patrimonial são constituídas pelos Rendimentos Tributáveis de R$ 2.169.979,17, Rendimentos Isentos e Não Tributáveis excetuados a referente à Atividade Rural de R$ 6.938.721,86, e Rendimentos Sujeitos à Trib. Exclusiva/Definitiva de R$ 1.416.948,45, e Dívidas e Ônus Reais (aumento) de R$ 2.291.043,73, perfazendo o montante de R$ 12.816.693,21. E, em contrapartida, denota que as Aplicações de Recursos são compostas de Deduções, pagamentos, doações, impostos de R$ 522.906,69, e Aumento de Bens e Direitos de R$ 17.677.423,15, totalizando R$ 18.200.329,84. No tocante a questão de direito, impende assinalar que o valor de R$ 6.519.319,22 informado na DIRPF/2008, no quadro Rendimentos Isentos e NãoTributáveis, no item "Parcela isenta correspondente à atividade rural" – não se presta para justificar o Acréscimo Patrimonial, visto que se trata de parte da Receita Bruta da Atividade Rural considerada consumida (IRPF 2008 Perguntas e Respostas — Sumário;http://www.receita.fazenda.gov.br/PessoaFisica/irpf/20 08/Perguntas/default.htm). E, no que tange a questão de fato, cabe registrar que as reduções de Bens e Direitos informadas na DIRPF/2008 devem ser comprovadas, por representarem fatores que ocasionam a redução do Patrimônio (Bens e Direitos menos Dívidas e Ônus Reais). Nesse aspecto, pela falta apresentação de argumento de prova, devem ser glosadas as reduções de Bens e Direitos de R$ 552.000,00, correspondente à diminuição de crédito: (i) com as pessoas físicas Valéria Cristina C. V. da Cunha, Luiz Alberto B. Lusardo Filho, Carlos Alberto Goes Vieira, João Batista Lusardo Neto, e Daniela Fernanda Cinel; (ii) a diminuição de Bens e Direitos relacionada ao Posto de Fl. 4784DF CARF MF Impresso em 15/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/08/2016 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 05/ 08/2016 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 12/08/2016 por CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA Processo nº 19515.722831/201214 Acórdão n.º 2201003.268 S2C2T1 Fl. 4.748 7 Combustíveis WUC de São Manuel Ltda, caso em que o fiscalizado limitouse apresentar alteração contratual (16 – Posto de Combustíveis WUC de São Manuel Ltda), não se manifestando sobre as diminuição de R$ 2.000,00 e R$ 107.000,00; (iü) as diminuições relacionadas aos filhos, nos valores de R$ R$ 4.500,00 para R$ 0 (em nome da filha), e redução de R$ 48.000,00 (em nome do filho). Enfim, as Origens de Recursos de R$ 12.816.693,21 sendo insuficientes para cobrir as Aplicações de Recursos de R$ 18.200.329,84, a diferença de R$ 5.383.636,63 por caracterizar Acréscimo Patrimonial a Descoberto deve ser tributada de ofício, em conformidade com o previsto no art.807 do RIR/1999. Do direito O art. 25 da Lei n° 9.250/95 (RIR/99, art. 798), preceitua que o contribuinte deve apresentar como parte integrante da declaração de rendimentos, relação pormenorizada dos bens imóveis e móveis e, direitos que constituam o seu patrimônio em 31 de dezembro do anocalendário. E, consoante art. 806 do RIR/99, o fisco pode intimar o contribuinte a apresentar as provas bastantes para demonstrar a origem dos recursos e, do destino dos dispêndios ou aplicações, sempre que as alterações declaradas importarem em aumento ou diminuição do patrimônio. Demais disso, a legislação tributária estabelece que resulta em obrigação principal (pagamento de imposto e acréscimos legais), quando for provado que os bens declarados não têm correspondência com os rendimentos informados na declaração. Está explicitado no art. 807 do RIR/99: (...) Particularmente, no caso em tela, o contribuinte comprovou as Origens de Recursos no montante de R$ 12.816.693,21, insuficientes para cobrir as Aplicações de Recursos de R$ 18.200.329,84. A diferença de RS 5.383.636,63 (R$ 18.200.329,84 R$ 12.816.693,21) por caracterizar Acréscimo Patrimonial a Descoberto deve ser tributada de ofício, em conformidade com o previsto no art.807 do RIR/1999. A respeito da atividade rural interessa assinalar que o contribuinte optou por apurar por presunção o resultado a ser oferecido à tributação, adotando como Resultado da Atividade Rural a fração de R$ 2.113.750,40, correspondente a 20% da receita bruta de R$ 10.568.752,00 (Lei n° 8.023/1990, art. 5o). Ipso facto, temse que a fração de R$ 8.455.001,60 (80% da receita bruta) se refere a valor não submetido à tributação (em parte abrangendo o custeio/investimento real de R$ 1.935.682,38). Fl. 4785DF CARF MF Impresso em 15/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/08/2016 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 05/ 08/2016 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 12/08/2016 por CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA Processo nº 19515.722831/201214 Acórdão n.º 2201003.268 S2C2T1 Fl. 4.749 8 Assim, a “Parcela isenta correspondente à atividade rural” de R$ 6.519.319,22 obtida pela diferença entre a fração de R$ 8.455.001,60 (80% da receita bruta) e o custeio/investimento real de R$ 1.935.682,38 (apurado no livro Caixa) — tratase valor não tributado. E, por representar também a diferença entre o custeio/investimento presumido de R$ 8.455.001,60 e o custeio/investimento real de R$ 1.935.682,38 é redução da base de cálculo realizada sem comprovação por presunção legal, portanto, sem condão para justificar o Acréscimo Patrimonial, analogamente ao desconto simplificado, dependentes, 60% do rendimento bruto do transporte de carga, 90% dos rendimentos de garimpagem etc (RIR/99, arts. 47, § 3 o , e 48, § 3 o ; Lei n° 9.250, de 26 de dezembro de 1995, art. 10, § 2o). E, no que tange as reduções de Bens e Direitos informadas na DIRPF/2008, reputase que as justificações aduzidas por conta do Termo de Início de Ação Fiscal de 15/04/2010, Termo de Intimação Fiscal de 18/08/2010, Termo de Embaraço e Intimação de 02/02/2011, e Termo de Intimação Fiscal de 09/05/2011 carecem de argumentos de prova, versando sobre os elementos de fato, pelos quais se possam tirar conclusões sobre a veracidade das reduções apontadas acima em questões de fato. Os documentos apresentados pelo contribuinte sem o articulado em que se aleguem os fatos correspondentes não faz prova dos fundamentos da defesa. Conclusão Não obstante regularmente intimado, o contribuinte não logrando apresentar elementos bastantes para comprovar que o acréscimo patrimonial apurado no curso da fiscalização resultou de rendimentos regularmente declarados e tributados na DIRPF (Rendimentos Tributáveis) ou, que ele resultou de utilização de rendimentos não sujeitos à tributação na DIRPF (Ganhos de Capital, Rendimentos Isentos e Nãotributáveis, Tributados Exclusivamente na Fonte, ou com Tributação Definitiva), reputa se que o contribuinte fica incurso do lançamento de ofício previsto no DecretoLei n° 5.844, de 1943, art. 77, Lei n° 2.862, de 1956, art. 28, Lei n° 5.172, de 1966, art. 149, Lei n° 8.541, de 1992, art. 40, Lei n° 9.249, de 1995, art. 24, Lei n° 9.317, de 1996, art. 18, e Lei n° 9.430, de 1996, art. 42 (RIR/99, art. 841). Ou por outra, temse que a quantia de R$ 5.383.636,63 apurado no Quadro de Apuração do Acréscimo Patrimonial abaixo, relativa ao “Acréscimo Patrimonial a Descoberto” apurada na DIRPF/2008 (anocalendário 2007), por caracterizar rendimento omitido consoante legislação tributária, deve ser objeto de lançamento de ofício. Base tributável Verificada a ocorrência do fato gerador da obrigação, a quantia relativa ao “Acréscimo Patrimonial a Descoberto” apurada na DIRPF/2008 (anocalendário 2007), de R$ 5.383.636,63, deve ser submetida à tributação pela aplicação das alíquotas Fl. 4786DF CARF MF Impresso em 15/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/08/2016 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 05/ 08/2016 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 12/08/2016 por CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA Processo nº 19515.722831/201214 Acórdão n.º 2201003.268 S2C2T1 Fl. 4.750 9 constantes da Tabela Progressiva de que trata o art. 86 do RIR/99, com as alterações posteriores. Depreendese que, do exame dos documentos relativos ao procedimento de fiscalização, notadamente os Termos de Intimações Fiscais, e da leitura do Termo de Verificação Fiscal, a variação patrimonial a descoberto está relacionada aos seguintes fatos consignados na Declaração de Bens: 1) VILLA SUL IMÓVEIS EMPREENDIMENTOS LTDA – diminuição de quotas de capital, no valor total de R$ 363.000,00; 2) QUALITY BUILDING EMPR. PART. LTDA – aumento de capital no valor total de R$ 10.550.371,88; 3) POSTO DE COMBUSTÍVEIS WUC SÃO MIGUEL – venda de quotas de capital, no valor total de R$ 125.000,00; 4) WJ CONVENIÊNCIA LTDA – ME venda de quotas de capital, no valor total de R$ 52.500,00; 5) VILLA TABATINGA AGROPECUÁRIA LTDA – aumento de quotas de capital no valor total de R$ 3.218.567,36; 6) WHATA SDM E PART. LTDA – aquisição de quotas de capital no valor total de R$ R$ 4.078.300,00; 7) ELAH AGROBUSINES AGROPECUÁRIA LTDA – aquisição de quotas de capital no valor total de R$ 8.423.691,10 e; 8) GOOD NEWS HOLDING – aumento de quotas de capital, no valor total de R$ 4.695.900,00. Para uma melhor compreensão dos fatos quanto à infração de omissão de rendimentos em virtude de depósito bancário de origem não comprovada, abaixo, se transcrevem trechos do Termo de Verificação Fiscal nº 02: Visto que as informações registradas na DIRPF/2008 – Declaração de Ajuste Anual do Imposto de Renda Pessoa Física, referente ao anocalendário de 2007, importaram em Variação Patrimonial (bens e direitos menos dívidas e ônus Reais); por intermédio do Termo de Início de Ação Fiscal de 15/04/2010 e do Termo de Intimação Fiscal de 18/08/2010, o contribuinte fiscalizado foi intimado a apresentar os documentos referentes à variação patrimonial informada no anocalendário de 2007. Em virtude do atendimento parcial do contribuinte ao Termo de Intimação Fiscal, foi lavrado o Termo de Embaraço e Intimação em 03/02/2011 (32 – Termo de Embaraço), consoante autorizado no art. 33, I, da Lei 9.430/96 (RIR/99, artigo 922, I). Nesse termo o contribuinte também foi intimado a apresentar os extratos das contas; bem como a comprovar, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos creditados Fl. 4787DF CARF MF Impresso em 15/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/08/2016 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 05/ 08/2016 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 12/08/2016 por CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA Processo nº 19515.722831/201214 Acórdão n.º 2201003.268 S2C2T1 Fl. 4.751 10 nestas contas, inaugurando o procedimento fiscal relativo à Movimentação Financeira de Origem Não Justificada. O exame do documentário solicitado sendo indispensável para o prosseguimento da ação fiscal, vencido o prazo para apresentação, os extratos das contas bancárias foram obtidos nas instituições financeiras a seguir discriminadas, conforme autorizado pelo art. 6o da Lei Complementar n° 105 e, regulamentado pelo art. 3o , inciso VII, do Decreto n° 3.724/2001: (...) Resumindose a justificação do contribuinte (50 – Justificação à Intimação) ao Termo de Embaraço e Intimação na alegação que "vem apresentar ...os documentos ali relacionados", não precisando qual a pertinência com a movimentação bancária, a ação fiscal teve prosseguimento com nova intimação. Nesta nova Intimação lavrada em 09/05/2011 (60 — Intimação Mov. Financeira) foi requestado explicitamente: com relação à movimentação financeira efetuada no anocalendário de 2007, comprovação, mediante apresentação de documentação hábil e idônea, coincidente em datas e valores; as fontes de recursos que deram origem aos depósitos efetuados em conta bancária conforme relação anexa" As justificações e as manifestações ex abundantia encaminhadas posteriormente pelo fiscalizado não se referindo às movimentações financeiras indicadas no Termo de Embaraço e Intimação e, precipuamente, às movimentações financeiras discriminadas na relação anexa à última Intimação, temse que resta apurar o crédito tributário consoante disposto na Lei n° 9.430/1996, art. 42, com as exclusões do §2°, e §3°, I. Do direito O art. 42 da Lei n° 9.430/1996 (RIR/99, art. 849) preceitua acerca de valores mantidos junto à instituição financeira: (...) os valores creditados nas contas de depósitos e argüidos no Termo de Embaraço e Intimação e, no Termo de Intimação Fiscal, em relação aos quais o fiscalizado não logrou comprovar a origem e a tributação seja pela falta de apresentação de prova pertinente, seja pela simples falta de manifestação caracterizam se como omissão de rendimentos, devendo esta omissão ser submetida à exigência de Imposto sobre a Renda de Pessoa Física IRPF. De mais a mais, no lançamento ofício realizado em função desses valores creditados nas contas de depósitos cabe observar o determinado no artigo 42, §1°, da Lei n° 9.430/1996: (...) Fl. 4788DF CARF MF Impresso em 15/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/08/2016 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 05/ 08/2016 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 12/08/2016 por CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA Processo nº 19515.722831/201214 Acórdão n.º 2201003.268 S2C2T1 Fl. 4.752 11 Como prova dessa infração, o autor do procedimento fiscal juntou cópia dos extratos bancários, demonstrativo dos depósitos bancários para os quais o senhor contribuinte foi intimado a comprovar a origem, e respostas do senhor contribuinte. DO AUTO DE INFRAÇÃO Em decorrência da infração de omissão de rendimentos, caracterizada por variação patrimonial a descoberto e por depósito bancário de origem não comprovada, apurouse, relativamente à Declaração de Ajuste Anual do exercício financeiro de 2008, anocalendário 2007, Imposto de Renda Pessoa Física Suplementar, no valor de R$ 7.087.958,14, conforme demonstrativo, abaixo: Os dispositivos legais infringidos e a penalidade aplicável encontramse detalhados na Descrição dos Fatos e Enquadramentos Legais. Inconformado com a exigência, da qual tomou ciência, em 08/12/2012, por via postal, conforme Aviso de Recebimento (AR), fls. 4452, o contribuinte apresentou, em 08/01/2013, impugnação, documento anexado às fls. 4460/4489, através de procuração, instrumento anexado às fls.4490 /4491 . O senhor contribuinte argumentou, em síntese, que: 1) relativamente à parcela isenta da atividade rural, no valor de R$ 6.519.319,22, inexiste respaldo legal para o entendimento dado pelo auditor fiscal de que essa parcela deve ser considerada como renda presumivelmente consumida não podendo ser utilizada para justificar variação patrimonial; Fl. 4789DF CARF MF Impresso em 15/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/08/2016 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 05/ 08/2016 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 12/08/2016 por CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA Processo nº 19515.722831/201214 Acórdão n.º 2201003.268 S2C2T1 Fl. 4.753 12 2) relativamente à parcela isenta da atividade rural, não se pode lançar mão da analogia, tendo em vista as disposições inerentes à parcela isenta dos rendimentos de transporte de carga, de transporte de passageiro, rendimentos de garimpeiros, e do desconto simplificado, nos termos do artigo 108 do CTN; 3) relativamente à parcela isenta da atividade rural, o CARF tem decidido que não se pode lançar mão da analogia, haja vista as disposições legais relacionadas à parcela isenta dos rendimentos de transporte de carga, de transporte de passageiros e de garimpeiros; 4) o autor do procedimento de fiscalização não desconsiderou o Livro Caixa da Atividade Rural. O Livro Caixa da Atividade Rural foi apresentado, sendo, portanto, conhecida toda despesa de custeio e o investimento; 5) na Declaração de Ajuste Anual foi informada receita bruta da atividade rural em montante anual de R$ 10.568.751,00 e despesas de custeio e de investimentos no valor de R$ 1.935.682,00. Houve opção pela tributação no percentual de 20% (arbitramento), apesar da escrituração do Livro Caixa e da existência dos documentos fiscais relacionados às despesas de custeio e de investimento; 6) as Leis nº 8.023/90 e 9.250/95 facultam a tributação sob arbitramento de 20% e não vedaram o acréscimo patrimonial relativamente aos 80%; 7) admitir a limitação para o aproveitamento dos 80% do resultado agrícola não consumido por analogia de casos distintos ( § 1º do artigo 108 do CTN) é o mesmo que violar expressamente o principio constitucional da estrita legalidade. 8) o autor do procedimento de fiscalização não poderia ter deixado de considerar o recurso obtido através de redução de 45 quotas de capital da empresa W.J. Conveniência Ltda (CNPJ nº 08.402.777/000194), no valor de R$ 4.500,00, em nome da filha menor Jéssica Luciano Cinel (CPF nº 214.763.04890), foi apresentado o contrato de fls. 2270/2275 onde as partes declaram claramente terem percebido o valor de R$ 4.500,00 pela venda das quotas; 9) o autor do procedimento de fiscalização não poderia ter deixado de considerar o recurso obtido através de devolução de empréstimos, da empresa W.J. Conveniência Ltda, CNPJ nº 08.402.777/000194, foi apresentado o Livro Razão Analítico da empresa onde se vê a transação; 10) o autor do procedimento de fiscalização não poderia ter deixado de considerar o recurso obtido através de devolução de empréstimos das seguintes pessoas físicas e jurídicas, valores recebidos em dinheiro: 10.1) Cristina Cruz Vieira da Cunha, no valor de R$ 26.000,00; Fl. 4790DF CARF MF Impresso em 15/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/08/2016 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 05/ 08/2016 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 12/08/2016 por CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA Processo nº 19515.722831/201214 Acórdão n.º 2201003.268 S2C2T1 Fl. 4.754 13 10.2) Luiz Alberto Baptista Luzardo Filho, no valor de R$ 50.000,00; 10.3) Carlos Alberto Góes Vieira, no valor de R$ 50.000,00; 10.4) João Batista Luzardo neto, no valor de R$ 100.000,00; 10.5) Daniela Fernanda Cinel, no valor de R$ 160.000,00; 10.6) Posto de Combustíveis W.U.C. de São Manuel Ltda, no valor de R$ 107.000,00. 11) os depósitos bancários para os quais o autor do procedimento de fiscalização imputou a falta de comprovação da origem estão todos identificados nos respectivos extratos de onde se pode identificar a origem: rendimentos de distribuição de lucros, rendimentos da atividade rural, rendimentos por serviços prestados, devolução de empréstimos, transferências de dinheiro entre contas do senhor contribuinte, rendimentos de aluguel. Relativamente aos depósitos bancários, na impugnação, o senhor contribuinte elaborou um demonstrativo, relativamente a cada deposito bancário, cuja origem foi tido por não comprovada, mencionando a operação que deu causa à operação de depósito, e indicando o documento que quer fazer corresponder à operação, fls. 4471/4489. Os documentos relacionados aos depósitos bancários foram anexados ao processo às fls. 4492/4610. Para um melhor entendimentos, abaixo, se transcrevem trechos da impugnação: A autoridade fiscal lançou o presente auto de infração alegando que no anocalendário de 2007 o impugnante teve um acréscimo patrimonial de R$ 5.383.636,63 acima das suas rendas. Igualmente afirma que transitou pelas contas do impugnante o importe de R$ 20.390.756,60 de recursos, financeiros não justificados. Nestas razões, o Fiscal constituiu contra o impugnante R$ 7.087.958,14 de imposto de renda, que foi acrescido de multa de R$ 5.315.968,60 de multa (75%) e juros moratórios de R$ 3.251.955,19. Entretanto, a presente formalização tributária não condiz nem com os fatos, tampouco com o direito aplicável a espécie. E o que se verá. O auto de infração afirma que desconsiderou os rendimentos isentos correspondentes à atividade rural do impugnante no valor de R$ 6.519.318,98, tendo glosado ainda a redução de 45 quotas do capital social da empresa W.J. Conveniência Ltda (CNPJ 08.402.777/000194), no valor de R$ 4.500,00, em nome da sua filha menor Jéssica Luciano Cinel (CPF 214.763.048¬90) e as devoluções dos seguintes empréstimos: (...) Fl. 4791DF CARF MF Impresso em 15/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/08/2016 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 05/ 08/2016 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 12/08/2016 por CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA Processo nº 19515.722831/201214 Acórdão n.º 2201003.268 S2C2T1 Fl. 4.755 14 Quanto ao rendimento isento do impugnante, proveniente da sua atividade rural, no valor de R$ 6.519.318,98, o auto de infração entende que o contribuinte deveria ter considerado como consumida esta parcela, já que “por analogia”, os resultados presumidos nas atividades de transporte de carga e de passageiros (caminhoneiro e taxista) e de garimpagem não podem ser utilizados para justificar o acréscimo patrimonial. Confirase: (...) Entretanto, a analogia não pode ser usada para resultar em exigência tributária, como categoricamente prevê o § 1º do artigo 108 do Código Tributário Nacional: (...) O Conselho Administrativo de Recursos Fiscais perfilha deste mesmo entendimento, já tendo decido: (...) Ademais, as atividades de transporte e garimpagem são completamente distintas do trabalho rural, merecendo, assim, legislações diferenciadas, até porque a função agrária é estratégica em qualquer nação que se pretenda ser independente. Até se entende que na garimpagem ou no transporte de carga ou pessoas (caminhoneiro e taxista) não se permita a realização de acréscimo patrimonial com rendas presumivelmente consumidas, já que estas funções são imperiosamente regidas pela informalidade. Contudo, não é esta a realidade dos ruralistas, que necessitam manter uma contabilidade em ordem, como no caso dos autos (Livro Caixa de fls 204/256 e 2406/2460), que em momento algum foi desqualificada pelo auditor fiscal. O fato é que as Leis 8.023/90 e 9.250/95 (que disciplinam o imposto de renda para atividades rurais) não vedaram o acréscimo patrimonial com o resultado da função agrária. Ao contrário, em verdade o artigo 5º da Lei 8.023/90 limitou a composição da base de cálculo do imposto de renda para atividade rural em 20% sobre a receita bruta auferida no ano base. “In verbis”: (...) Seria um verdadeiro contrassenso se o legislador limitasse a base de cálculo da atividade rural em 20% e a obrigasse a manter contabilidade para depois proibila de acrescer o seu patrimônio com os 80% restantes não consumidos, até porque, mesmo que o ruralista não queira (caso de arbitramento Fl. 4792DF CARF MF Impresso em 15/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/08/2016 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 05/ 08/2016 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 12/08/2016 por CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA Processo nº 19515.722831/201214 Acórdão n.º 2201003.268 S2C2T1 Fl. 4.756 15 parágrafo único do artigo 5º da Lei 8.023/90), sempre a base de cálculo será de 20% da receita bruta. Não há nenhuma lógica em obrigar o produtor rural a manter toda uma escrita fiscal e limitar a base de cálculo do seu imposto em 20% da receita se ele não pode usar os outros 80%. Fosse esta a intenção do legislador, bastaria determinar que a tributação fosse feita sobre 100% do resultado agrário. E se fosse para usar a analogia, por que não equiparar o ruralista a empresa tributada pelo lucro presumido, já que ambos mantém uma contabilidade em ordem e pagam o imposto por presunção? Seja como for, ao contrário da atividade de transporte e garimpo (onde não se exige contabilidade), o fato é que não há nenhuma proibição legal para o aproveitamento do resultado do emprego rural, sendo vedado ao agente fiscal criar esta proibição por analogia. Não é por outro motivo que a proibição para o acréscimo patrimonial com a renda presumivelmente consumida dos taxistas e caminhoneiros e garimpeiros foi inserida na Seção II (§ 3º do artigo 47 e § 3º do artigo 48 do Decreto ) e atividade rural sem qualquer proibição para utilização da receita auferida foi posta na Seção VII (do artigo 57 ao 71 do Decreto 3000/99), ambas do Capítulo III Rendimentos Tributáveis; do Título IV Rendimento Bruto; do Livro I Tributação das Pessoas Físicas. Admitir a limitação para o aproveitamento dos 80% do resultado agrícola não consumido por analogia de casos distintos (§ 1º do artigo 108 do Código Tributário Nacional) é o mesmo que violar expressamente o princípio constitucional da estrita legalidade: (...) Com relação a redução das quotas sociais da empresa W.J. Conveniência Ltda (CNPJ 08.402.777/000194), no valor de R$ 4.500,00, em nome da sua filha menor Jéssica Luciano Cinel (CPF 214.763.04890) e as devoluções dos empréstimos, impõe se dizer que o impugnante demonstrou categoricamente a realização de cada uma destas operações. Para tanto, basta ver o contrato de fls 2270/2275 onde as partes declaram claramente terem percebido R$ 4.500,00 – pela venda das quotas. Confirase: O mesmo se diga com relação a devolução dos R$ 48.000,00 emprestados para W.J. Conveniência Ltda (CNPJ 08.402.777/0001¬94), que inclusive foi lançado no livro Razão Analítico da empresa como se vê do doc 02. Quanto aos empréstimos feitos a Cristina Cruz Vieira da Cunha (CPF 083.239.06823 R$ 26.000,00), Luiz Alberto Baptista Luzardo Filho (CPF 564.149.36800 R$ 50.000,00), Carlos Alberto Goes Vieira (CPF 117.259.82668 R$ 50.000,00), João Fl. 4793DF CARF MF Impresso em 15/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/08/2016 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 05/ 08/2016 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 12/08/2016 por CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA Processo nº 19515.722831/201214 Acórdão n.º 2201003.268 S2C2T1 Fl. 4.757 16 Batista Lusardo Neto (CPF 564.154.357¬87 R$ 100.000,00), Daniela Fernanda Cinel (CPF 256.475.43847 R$ 160.000,00), e ao Posto de Combustíveis W.U.C, de São Manuel Ltda (CNPJ 08.062.202/000170 R$ 107.000,00), todos eles foram devolvidos em dinheiro, como foi informado na declaração de renda do impugnante e pode ser visto dos extratos de fls 4108 a 4335, 4338 a 4338 e 4352 a 4362. Se o Fiscal não acredita na declaração de renda do impugnante, cabia a ele provar que os empréstimos não foram devolvidos, fato inexistente neste auto de infração, especialmente porque o impugnante/foi intimado a produzir esta prova Por fim, impõese dizer que referidas operações estão estribadas em documentos com sinais públicos (fl. 2275), cuja fé não pode ser negada por qualquer funcionário público, como prevê o inciso III do artigo 117 da Lei 8.112/90: (...) Desta feita, esta parte do auto de infração deve ser anulada, vez que regularmente demonstrada a legalidade da evolução patrimonial do impugnante, bem como o recebimento dos créditos glosados pela autoridade fiscal. A alegada movimentação financeira sem origem justificada. O Sr. Fiscal afirma que o impugnante não justificou a sua movimentação financeira referente as contas correntes 60055 e 143037 do Banco Itaú, 10038113 e 10103905 do Banco Santander, 511005 do Banco Bradesco e 2144458 do Banco HSBC. No entanto, basta ver os próprios extratos fornecidos pelos bancos para se saber exatamente qual é a origem de cada depósito, pois eles são autoexplicativos. Vejase, por exemplo, o extrato fornecido pelo Banco Itaú, de fls 4338/4342. Há alguma dúvida de que “resgate Ararate” referese a baixa da aplicação financeira nominado “Ararate” do impugnante? E sabedor que o impugnante é sócio da W/Realty, o que mais pode ser os TEDs da W/Realty senão a distribuição dos seus lucros, legalmente declarados no imposto de renda? Entretanto, como o auto de infração lançou dúvidas sobre alguns recebimentos do impugnante, eles serão novamente aclarados para tranqüilidade do agente público. O relatório fiscal aponta as seguintes operações como suspeitas, e que são aqui esclarecidas: (...) Isto posto, requer a desconstituição do presente auto de infração contra o impugnante, vez que o seu o acréscimo patrimonial é condizente com as suas atividades econômicas, tendo ele, ainda, demonstrado pontualmente a regularidade de cada uma das operações tidas como suspeitas pelo auditor fiscal. Fl. 4794DF CARF MF Impresso em 15/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/08/2016 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 05/ 08/2016 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 12/08/2016 por CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA Processo nº 19515.722831/201214 Acórdão n.º 2201003.268 S2C2T1 Fl. 4.758 17 Passo adiante, a 1ª Turma da DRJ/FOR entendeu por bem julgar a impugnação procedente em parte, em decisão que restou assim ementada: OMISSÃO DE RENDIMENTOS. ACRÉSCIMO PATRIMONIAL A DESCOBERTO. ATIVIDADE RURAL. RECEITA BRUTA NÃO SUJEITA À TRIBUTAÇÃO. No caso de resultado presumido da atividade rural, quando se tributa apenas 20% da receita bruta, será considerado, para efeito de justificar acréscimo patrimonial, somente o valor correspondente à parcela sobre a qual houver incidido o imposto. A receita bruta não sujeita à tributação, correspondente a 80%, será excluída do rol dos recursos para efeito de justificar a variação patrimonial. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. DEPÓSITO BANCÁRIO DE ORIGEM NÃO COMPROVADA. Para os fatos geradores ocorridos a partir de 1º de janeiro de 1997, o art. 42 da Lei nº 9.430, de 1996, autoriza a presunção legal de omissão de rendimentos com base em depósitos bancários de origem não comprovada pelo sujeito passivo. DEPÓSITO BANCÁRIO DE ORIGEM NÃO COMPROVADA .OMISSÃO DE RENDIMENTOS. ÔNUS DA PROVA. Se o ônus da prova, por presunção legal, é do contribuinte, cabe a ele a prova da origem dos recursos utilizados para acobertar seus depósitos bancários. COMPROVAÇÃO DA ORIGEM PARA OS EFEITOS DA NÃO CARACTERIZAÇÃO DA INFRAÇÃO DE OMISSÃO DE RENDIMENTOS. A comprovação da origem darseá relativamente a cada depósito bancário, individualizadamente, através de documento que demonstre, indubitavelmente, a correlação entre o depósito bancário e o fato pelo qual se deu o depósito bancário. No caso de rendimento, há de se demonstrar, também, a natureza dele. Demonstrado o fato e a natureza do rendimento, tudo devidamente correlacionado ao depósito bancário, darseá por comprovada a origem do depósito bancário. Farseá o lançamento de ofício, através de Auto de Infração, se, e somente se, tratarse de rendimento tributável e esse não tiver sido informado na Declaração de Ajuste Anual, conforme a espécie de rendimento. Não demonstrado o fato, terseá infração de omissão de rendimentos por deposito bancário de origem não comprovada. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2007 DECISÕES ADMINISTRATIVAS. EFEITOS. Fl. 4795DF CARF MF Impresso em 15/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/08/2016 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 05/ 08/2016 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 12/08/2016 por CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA Processo nº 19515.722831/201214 Acórdão n.º 2201003.268 S2C2T1 Fl. 4.759 18 As decisões administrativas não se constituem em normas gerais, razão pela qual seus julgados não se aproveitam em relação a qualquer outra ocorrência, senão àquela objeto da decisão. No caso de súmula vinculante do CARF, há de prevalecer no julgamento o entendimento da súmula, se, e somente se, o fato objeto da infração fiscal enquadrase nos casos dos acórdãos paradigmas que serviram de base para o enunciado da súmula. Em 26/11/2013, a DRJ recorreu de ofício ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF), por força do art. 34 do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, com as alterações posteriores, c/c a Portaria MF nº 3, de 3 de janeiro de 2008. Cientificado em 17/03/2014 (Fls. 4664), o Recorrente interpôs Recurso Voluntário em 16/04/2014 (fls. 4676 a 4690), argumentando em síntese: (...) 10. Ora, Excelências, se realmente o Sr. Fiscal tivesse cumprido o parágrafo primeiro do artigo 108 do Código Tributário Nacional ele não iria empregar a analogia, mas, sim, a própria Lei que trata o tema. 11. Como não o fez, não há possibilidade de aplicar o entendimento de que o contribuinte deveria ter considerado como consumida esta parcela, já que "por analogia", os resultados presumidos nas atividades de transporte de carga e de passageiros (caminhoneiro e taxista) e de garimpagem não podem ser utilizados para justificar o acréscimo patrimonial (fl. 4433). 12. E mais, o Relator não pode, nesse momento, modificar a fundamentação legal do auto de infração, sob pena de nulidade, pois estaria "pulando" as fases processuais, e, assim, consequentemente, infringindo ao princípio do devido processo legal (contraditório e ampla defesa), emanado no inciso LV da Constituição Federal. 13. Além disso, diferentemente do que faz crer o acórdão impugnado, a analogia não pode ser usada para resultar em exigência tributária, como categoricamente prevê o § Io do artigo 108 do Código Tributário Nacional (...) 15. Ademais, as atividades de transporte e garimpagem são completamente distintas do trabalho rural, merecendo, assim, legislações diferencia as té porque a função agrária é estratégica em qualquer nação que se pr ten ia ser independente. 16. Até se entende que na garimpagem ou no transporte de carga ou pessoas (caminhoneiro e taxista) não se permita a realização de acréscimo patrimonial com rendas presumivelmente consumidas, já que estas funções são imperiosamente regidas pela informalidade. Fl. 4796DF CARF MF Impresso em 15/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/08/2016 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 05/ 08/2016 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 12/08/2016 por CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA Processo nº 19515.722831/201214 Acórdão n.º 2201003.268 S2C2T1 Fl. 4.760 19 17. Contudo, não é esta a realidade dos ruralistas, que necessitam manter uma contabilidade em ordem, como no caso dos autos (Livro Caixa de fls. 204/256 e 2406/2460), que em momento algum foi desqualificada pelo auditor fiscal. 18. E diferentemente do que apontado no voto (fl. 4640), fato é que as Leis 8.023/90 e 9.250/95 (que disciplinam o imposto de renda para atividades rurais) não vedaram o acréscimo patrimonial com o resultado da função agrária. Ao contrário, em verdade o artigo 5o da Lei 8.023/90 limitou a composição da base de cálculo do imposto de renda para atividade rural em 20% sobre a receita bruta auferida no anobase. (...) 25. Já com relação às devoluções dos empréstimos, impõese dizer que o recorrente demonstrou categoricamente a realização de cada uma destas operações 26. Os empréstimos feitos a Cristina Cruz Vieira da Cunha (CPF 083.239.06823 R$ 26.000,00), Luiz Alberto Baptista Luzardo Filho (CPF 564.149.36800 R$ 50.000,00), Carlos Alberto Goes Vieira (CPF 117.259.82668 R$ 50.000,00), João Batista Lusardo Neto (CPF 564.154.35787 R$ 100.000,00), Daniela Fernanda Cinel (CPF 256.475.43847 R$ 160.000,00), e ao Posto de Combustíveis W.U.C. de São Manuel Ltda (CNPJ 08.062.202/000170 R$ 107.000,00), todos eles foram devolvidos em dinheiro, como foi informado na declaração de renda do recorrente e pode ser visto dos extratos de fls. 4108 a 4335, 4338 a 4338 e 4352 a 4362. 27.Ora, se o Fiscal não acredita na declaração de renda do recorrente, cabia a ele provar que os empréstimos não foram devolvidos, fato inexistente neste auto de infração, especialmente porque o recorrente foi intimado a produzir esta prova. (...) 30. Em relação à segunda parte do auto de infração, denominada de "Termo de Verificação Fiscal 2 Movimentação Financeira de Origem Não Justificada", o Sr. Fiscal violou o sigilo bancário do recorrente ao solicitar, junto às instituições bancários e sem prévia autorização judicial, os seus extratos bancários. 31. Por tal razão, o recorrente impetrou o mandado de segurança n° 000578415.2013.4.03.6100 (doc. 01) objetivando fosse declarada a ilicitude dos extratos bancários colhidos sem qualquer autorização judicial, bem como para que fosse desentranhada todas as provas obtidas por meio ilícito neste feito. 32. Como era de se esperar, o Juízo de 1o Grau concedeu a ordem (doc. 02) para que fossem desentranhados todos os extratos bancários deste feito, por entender que são provas Fl. 4797DF CARF MF Impresso em 15/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/08/2016 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 05/ 08/2016 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 12/08/2016 por CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA Processo nº 19515.722831/201214 Acórdão n.º 2201003.268 S2C2T1 Fl. 4.761 20 obtidas por meio ilícito e não podem servir de base para lavrar o auto de infração. 33. Porém, até o momento e mesmo ciente (intimado) da sentença do Juízo Federal, a recorrida ainda não desentranhou as provas ilícitas deste procedimento fiscalizatório, descumprindo ordem judicial. 34. Assim sendo, os extratos bancários (provas ilícitas) devem ser desentranhados, conforme sentença nos autos do mandado de segurança n° 000578415.2013.4.03.6100, além de que não podem servir como base para o auto de infração, sendo imprestáveis para o procedimento fiscal, como disciplinam o inciso LVI do artigo 5o da Constituição Federal, o artigo 30 da Lei n° 9.784/99 e o artigo 157 do Código de Processo Penal: (...) (...) 35. Portanto, a segunda parte do auto de infração é nula, pois lavrada com base em provas ilícitas, conforme determinado pelo Poder Judiciário. Isto posto, requer o julgamento de procedência do presente recurso, para o fim de anular por completo este auto de infração, vez que a recorrente provou que o seu o acréscimo patrimonial é condizente com as suas atividades econômicas, bem como a segunda parte do auto de infração, baseada em provas ilícitas, é nula. (...) É o Relatório. Voto Conselheiro Carlos César Quadros Pierre, Relator. Conheço dos recursos, posto que tempestivos e com condições de admissibilidade. Trata o presente litígio de omissão de rendimentos decorrentes de acréscimo patrimonial a descoberto, e de depósito bancário de origem não comprovada, onde resta devido parte do lançamento, relativamente à Declaração de Ajuste Anual do Exercício Financeiro de 2008, anocalendário 2007. Quanto ao Recurso de Ofício. Entendeu a DRJ por julgar procedente em parte a impugnação, para considerar devido o Imposto de Renda Pessoa Física Suplementar, no valor de R$3.440.830,94, exonerando o valor de R$ 3.647.127,20. Fl. 4798DF CARF MF Impresso em 15/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/08/2016 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 05/ 08/2016 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 12/08/2016 por CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA Processo nº 19515.722831/201214 Acórdão n.º 2201003.268 S2C2T1 Fl. 4.762 21 Em relação ao Acréscimo Patrimonial a Descoberto, a DRJ estabeleceu que: (...) Tratase de recebimento de recursos por redução de bens e direitos, redução de quotas de capital e de redução de direitos de créditos, por devolução de empréstimos que foram concedidos a empresas e a pessoas físicas. O senhor contribuinte apresentou documento relacionado à redução de quotas de capital no valor de R$ 4.500,00, relativamente à empresa W.J. CONVENIÊNCIA LTDA, em nome da sua filha Jéssica Luciano Cinel, como se pode verificar às fls. 2270/2275. Portanto deve ser excluído do ajuste da evolução patrimonial, o valor de R$ 4.500,00. O documento apresentado pelo senhor contribuinte para fazer prova do recurso no valor de R$ 52.500,00, relacionado à devolução de empréstimo da empresa W.J. CONVENIÊNCIA LTDA, anexado às fls. 4492/4493 (RAZÃO ANALÍTICO da empresa W.J. CONVENIÊNCIA LTDA), demonstra que o senhor contribuinte recebeu o recurso a titulo de devolução de empréstimos. Portanto deve ser excluído do ajuste da evolução patrimonial. (...) Nestes pontos não há reparos na decisão da DRJ. Como se verifica nos autos, a fiscalização ajustou a evolução patrimonial do contribuinte, acrescentando um montante de R$ 552.000,00, correspondente, dentre outros, a: 1) recurso tido como recebido por redução de quota de capital, no valor de R$ 4.500,00. Por falta de comprovação da operação; 2) devolução de empréstimo da empresa W. J. Conveniência Ltda, no valor de R$ 52.500,00. Por falta de comprovação da operação; Deste modo, comprovadas as operações, restam supridos os vícios apontados pela fiscalização; sendo dever manter a decisão da DRJ. Em relação ao depósitos bancários de origem não comprovada, a DRJ estabeleceu o seguinte raciocínio: A comprovação da origem dos depósitos bancários nos termos do artigo 42 da Lei nº 9.340, de 1996, é determinada mediante apresentação de documento que demonstre a atividade ou operação que deu causa ao depósito bancário. Demonstrada a atividade ou a operação, buscase, se for o caso, a tributação do corresponde rendimento, conforme as informações da Declaração de Ajuste Anual. Fl. 4799DF CARF MF Impresso em 15/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/08/2016 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 05/ 08/2016 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 12/08/2016 por CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA Processo nº 19515.722831/201214 Acórdão n.º 2201003.268 S2C2T1 Fl. 4.763 22 Na hipótese de o rendimento não ter sido tributado na Declaração de Ajuste Anual, esse rendimento há de ser tributado por Auto de Infração, conforme a tributação da espécie de rendimento: rendimento do trabalho assalariado, rendimento do trabalho sem vinculo empregatício, rendimento da atividade rural, rendimento de aluguel, rendimento de ganho de capital, comissão na intermediação de negócios, etc. Não demonstrada a atividade ou a operação, temse por não comprovada a origem do depósito bancário, mesmo que se demonstre a origem. Como se observa, entendeu a DRJ que a origem dos depósitos deve ser comprovada ainda durante a fiscalização, para que a mesma possa lançar a omissão correspondente, se houver; também entendeu que não basta apenas comprovar a origem, mas também comprovar que a operação ou atividade que deu causa ao depósito já foi tributada, ou não pode ser objeto de lançamento por omissão, seja em razão de isenção ou não incidência. Dentro desta linha de pensamento, a DRJ emitiu o seguinte julgamento: Pelo exame da documentação juntada aos autos, na impugnação, fls.4492/4610, que respalda o demonstrativo dos depósitos bancários na impugnação, discriminando a origem de cada depósito bancário, pelo exame dos extratos das contas correntes bancárias, fls. 4108/4168, 4169/4197, 4198/4271, 4272/4314, 4315/4335, com os demonstrativos dos depósitos bancários, cuja origem deixou de ser comprovada, elaborados pelo autor do procedimento de fiscalização, fls. 4420; 4421/4423; 4424;4425; 4426 e 4427/4430, podese concluir pela comprovação de alguns depósitos bancários. Assim, temos: DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM COMPROVADA Temos a comprovação da origem dos depósitos bancários relacionados às seguintes operações: 1) receita bruta da atividade rural – venda de arroz à Camil Alimentos S/A. Pelo demonstrativo dos depósitos bancários, anexo à intimação para comprovação da origem dos depósitos bancários, verificase a mensagem: “TED CAMIL ALIMENTOS”, verificamse, ainda, Nota Fiscal de Produtor, emitida pelo Senhor Contribuinte e Nota Fiscal de Entrada, emitida pela empresa Camil Alimentos S/A, doc 03, doc. 20, devidamente registrada no Livro Caixa da Atividade Rural, fls. 204/256. Assim, para todos os depósitos bancários para os quais o senhor contribuinte correlacionou à receita bruta da atividade rural, venda de arroz, temse origem comprovada; 2) distribuição de lucros da W/Realty – Registro no Livro Diário Geral da empresa W/REALTY ASSESSORIA E SERVIÇOS EMPRESARIAIS LTDA e comprovante de TED, transferência da Fl. 4800DF CARF MF Impresso em 15/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/08/2016 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 05/ 08/2016 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 12/08/2016 por CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA Processo nº 19515.722831/201214 Acórdão n.º 2201003.268 S2C2T1 Fl. 4.764 23 conta corrente da empresa para a conta corrente do senhor contribuinte, doc.04, fls. 4501/4503; 3) transferência de dinheiro entre contas do impugnante, documentos anexados às fls. 4.248, 4.504, 4.262, 4.251, 4553, 4565 (transferências por TEDs, exames conforme os extratos das contas correntes envolvidas); 4) depósito de aluguel devido por WFB – Comercio, importação, exportação e representação Ltda; 5) devolução de despesas médicas; 6) atividade rural – venda de gado, Livro Caixa, fls. 204/256, doc 10, doc. 11, doc. 12, doc. 16, doc. 18, doc. 21, doc. 22, doc. 23, doc. 25, doc. 28, doc. 42, doc. 43, doc. 47, doc. 48, doc. 50, fls.4492 /4610; 7) atividade rural – venda de cana de açúcar, Livro Caixa, fls. 204/256, doc. 24, doc. 46, fls. 4492/4610; 8) distribuição de lucros da Brangus Brasil Agropecuária, doc.29, fls. 4492/4610; 9) devolução de empréstimos relacionadas às empresas: Maná Imóveis, e Villa Sul Imóveis. (...) Por fim, do montante de R$ 19.461.069,73 correspondente a depósitos bancários, cuja origem deuse por não comprovada no Auto de Infração, restou um montante de R$ 7.185.475,89. O senhor contribuinte, em sua impugnação, logrou justificar a origem de depósitos bancários que totalizaram um montante de R$ 12.275.593,84. Conseqüentemente, apurase infração de omissão de rendimentos, no valor de R$ 7.185.475,89, nos termos do artigo 42 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996. Há de se esclarecer que houve um erro no Auto de Infração relativamente ao montante dos depósitos bancários de origem não comprovada. Por erro de soma constou uma montante de R$ 20.390.746,00, ao invés do valor de R$ 19. 461.069,73. (...) Entendo como correto o julgamento da DRJ. É que, devidamente intimado, o Contribuinte tratou de informar que as origens e a natureza dos depósitos relacionados. Nesse sentido, é de suma importância ressaltar o conceito de provas no âmbito do processo administrativo tributário. Com efeito, entendese como prova todos os meios de demonstrar a existência (ou inexistência) de um fato jurídico ou, ainda, de fornecer ao julgador o conhecimento da verdade dos fatos. Fl. 4801DF CARF MF Impresso em 15/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/08/2016 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 05/ 08/2016 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 12/08/2016 por CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA Processo nº 19515.722831/201214 Acórdão n.º 2201003.268 S2C2T1 Fl. 4.765 24 Não há, no processo administrativo tributário, disposições específicas quanto aos meios de prova admitidos, sendo de rigor, portanto, o uso subsidiário do Código de Processo Civil, que dispõe: "Art. 332. Todos os meios legais, bem como os moralmente legítimos, ainda que não especificados neste Código, são hábeis para provar a verdade dos fatos, em que se funda a ação ou defesa." Da mera leitura deste dispositivo legal, depreendese que no curso de um processo todas as provas legais devem ser consideradas pelo julgador como elemento de formação de seu convencimento, visando à solução legal e justa da divergência entre as partes. No presente caso, a documentação apresentada pelo contribuinte explica, no meu entendimento, a natureza e a origem dos depósitos realizados. Razão pela qual não há que se falar, em relação a estes depósitos, em omissão de rendimentos a que alude o caput do art. 42 da Lei nº 9.430, de 1996. Quanto ao Recurso voluntário do contribuinte. Acréscimo Patrimonial a Descoberto. Alega o Recorrente ter comprovado a devolução, em espécie, dos empréstimos de pessoas físicas, no valor de R$383.000,00, e do empréstimo da empresa Posto do Combustíveis W.U.C de São Manuel Ltda, no valor de R$109.000,00. Diz ainda o Recorrente que não há APD, posto que declarou recursos no montante de R$6.519.319,22, correspondente à receita bruta da atividade rural não sujeita à tributação (80% da receita bruta), no valor de R$ 8.455.000,80, diminuído do montante das despesas de custeio e de investimentos, no valor de R$ 1.935.682,00. No que diz respeito às devoluções dos empréstimos, que a fiscalização considerou não comprovadas, o Recorrente afirma que os documentos de Folhas 4108 a 4335, 4338 a 4338 e 4352 a 4362 comprovam as devoluções em espécie. Da leitura da vasta documentação acostada pelo recorrente, constato que a mesma se refere a extratos bancários. Ocorre que não há indicação, nos extratos bancários, das operações de devoluções dos empréstimos. Deste modo, não há como afirmar que realmente o contribuinte recebeu as devoluções dos empréstimos. Ressalto que o simples fato das devoluções constarem na DIRPF do contribuinte não afasta o dever da comprovação dos fatos. Desta forma, ante a ausência de provas, penso que o Recorrente não logrou êxito na tentativa de comprovação das devoluções dos empréstimo. Fl. 4802DF CARF MF Impresso em 15/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/08/2016 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 05/ 08/2016 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 12/08/2016 por CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA Processo nº 19515.722831/201214 Acórdão n.º 2201003.268 S2C2T1 Fl. 4.766 25 Mas, afirma o Recorrente que, independente da comprovação da devolução dos empréstimos, não há APD, posto que declarou recursos no montante de R$6.519.319,22, correspondente à receita bruta da atividade rural não sujeita à tributação (80% da receita bruta), no valor de R$ 8.455.000,80, diminuído do montante das despesas de custeio e de investimentos, no valor de R$ 1.935.682,00. Tais recursos não foram considerados pela fiscalização, apesar de declarados e de constarem no livro caixa apresentado durante o procedimento de fiscalização. Neste ponto, como afirmado pela DRJ, verifico que "pelo Termo de Verificação Fiscal nº 01, o autor do procedimento formou o entendimento com base nas disposições legais relacionadas aos rendimentos de transportes de carga, transportes de passageiros e da atividade de garimpo. (art. 47º, § 3; art. 48, § 3º, ambos do Decreto nº 3.000, de 1999)". A legislação aplicável à atividade de transporte de passageiros, de transporte de carga e de garimpo determina a tributação dos rendimentos respectivamente, nos percentuais de 40%, 60% e 10%, existindo observação de que somente o rendimento tributável pode justificar a variação patrimonial (§ 3º do art. 47 e § 3º do art. 48, ambos do Decreto nº 3.000, de 1999). Já a legislação aplicável à atividade rural ao tratar da tributação da receita bruta traz a opção pelo resultado presumido determinando que a receita bruta seja tributada pelo percentual de 20% (art. 71 do Decreto nº 3.000, de 1999). No dispositivo legal, art. 5º da Lei nº 8.023, de 1990, art. 71 do Decreto nº 3.000, de 1999; inexistindo, contudo, a observação quanto à justificação de acréscimo patrimonial. Como o contribuinte optou pelo resultado presumido, entendeu a fiscalização, com base na analogia, que apenas os 20% tributados poderiam justificar a variação patrimonial. Ressalto que a fiscalização não desconsiderou, nem apontou qualquer vício, no livro caixa apresentado pelo recorrente; muito ao contrário, como dito pela DRJ "o autor do procedimento fiscal manteve a opção pela tributação presumida adotada na Declaração de Ajuste Anual, considerando, inclusive, o Livro Caixa da Atividade Rural e toda documentação de prova relativamente à receita, às despesas de custeio e aos investimentos." Sem dúvida, sempre que se apura de forma inequívoca um acréscimo patrimonial a descoberto, na acepção do termo, é lícito à presunção de que tal acréscimo foi construído com recursos não indicados na declaração de rendimentos do contribuinte. A situação patrimonial do contribuinte é medida em dois momentos distintos. No início do período considerado e no seu final, pela apropriação dos valores constantes de sua declaração de bens. O eventual acréscimo na situação patrimonial constatado na posição do final do período em comparação da mesma situação no seu início é considerado como acréscimo patrimonial. Para haver equilíbrio fiscal deve corresponder, tal acréscimo (que leva em consideração os bens, direitos e obrigações do contribuinte) deve estar respaldado em receitas auferidas (tributadas, não tributadas ou tributadas exclusivamente na fonte). Deste modo, salvo disposição legal expressa em contrário, as receitas não tributadas devém constar como origens de recursos. Fl. 4803DF CARF MF Impresso em 15/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/08/2016 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 05/ 08/2016 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 12/08/2016 por CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA Processo nº 19515.722831/201214 Acórdão n.º 2201003.268 S2C2T1 Fl. 4.767 26 Ora, o contribuinte declarou e provou, desde a fiscalização, através do livro caixa e demais documentos, que possuía recursos advindos da atividade rural que não foram tributados nem consumidos na atividade. Razão pela tais recursos devem ser computados na tabela do acréscimo patrimonial. Ademais, não há, no meu entendimento, como se aplicar a analogia com o disposto na legislação da renda de garimpagem ou transporte, posto que não vejo lacuna na legislação relativa a apuração da renda do produtor rural, e por que se tratam de atividades totalmente distintas quanto a aferição de receitas. Concordo com o recorrente na afirmação de que, até se entende que na garimpagem ou no transporte de carga ou pessoas (caminhoneiro e taxista) não se permita a realização de acréscimo patrimonial com rendas presumivelmente consumidas, já que estas funções são imperiosamente regidas pela informalidade. Contudo, não é esta a realidade dos ruralistas, que necessitam manter uma contabilidade em ordem, como no caso dos autos (Livro Caixa de fls. 204/256 e 2406/2460), que em momento algum foi desqualificada pelo auditor fiscal. Acerca da aplicação da analogia no direito tributário, cabe transcrever as palavras do Professor Leandro Paulsen: Analogia e interpretação extensiva: Não se pode confundir a analogia com a chamada interpretação extensiva. Na analogia, há a integração da legislação tributária mediante aplicação da lei a situação de fato nela não prevista [...] em homenagem ao princípio da legalidade dos tributos, cabe excluir a aplicação analógica da lei, toda vez que dela resulte a criação de um débito tributário. (PAULSEN, Leandro. Direito Tributário Constituição e Código Tributária à luz da doutrina e da jurisprudência, 13ª edição, 2011, p. 911/912) Desse modo, não poderia o Fisco utilizarse da analogia para criar um impedimento que resulte em um débito tributário, como ocorreu no presente caso. Razões pelas quais entendo que o valor declarado de R$6.519.319,22, correspondente à parte da receita bruta da atividade rural não sujeita à tributação (80% da receita bruta), deve ser incluída como recurso declarado que justifica o acréscimo patrimonial. Depósito Bancário de Origem Não Comprovada. Quanto ao que resta em litígio em decorrência da omissão de rendimentos em razão da ausência da comprovação das origens dos depósitos, o Recorrente alega apenas que as provas apresentadas pelo fisco são ilícitas; posto que existe determinação judicial no sentido de impedir a RMF e mandando excluir dos os extratos bancários do Recorrente. Realmente, após pesquisa no sistema de consultas da Justiça Federal, pude constatar que foi expedida sentença que concedeu a ordem para determinar que a "autoridade impetrada se abstenha de violar o sigilo bancário do impetrante Washington Umberto Cinel, bem como de fazer uso das informações bancárias obtidas a tal título, devendo, ainda, a Fl. 4804DF CARF MF Impresso em 15/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/08/2016 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 05/ 08/2016 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 12/08/2016 por CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA Processo nº 19515.722831/201214 Acórdão n.º 2201003.268 S2C2T1 Fl. 4.768 27 impetrada proceder ao desentranhamento de todas as provas obtidas por meio ilícito nos autos do procedimento administrativo n.º 19515.722.831/201214". (processo judicial n 00057841520134036100 6 Vr SÃO PAULO/SP) Tal sentença foi objeto de recurso der apelação, com efeitos suspensivo e devolutivo, para o Tribunal Regional Federal da 3 Região. Posteriormente o TRF3 proferiu julgamento negando seguimento ao apelo e remessa oficial da União: APELAÇÃO/REEXAME NECESSÁRIO Nº 0005784 15.2013.4.03.6100/SP 2013.61.00.0057844/SP RELATOR : Desembargador Federal NELTON DOS SANTOS APELANTE : Uniao Federal (FAZENDA NACIONAL) ADVOGADO : SP000003 JULIO CÉSAR CASARI E CLAUDIA AKEMI OWADA APELADO(A) : WASHINGTON UMBERTO CINEL ADVOGADO : SP156299A MARCIO SOCORRO POLLET e outro(a) REMETENTE : JUIZO FEDERAL DA 6 VARA SAO PAULO Sec Jud SP VARA ANTERIOR : JUIZO FEDERAL DA 16 VARA SAO PAULO Sec Jud SP No. ORIG. : 00057841520134036100 6 Vr SAO PAULO/SP DECISÃO Tratase de remessa oficial e de recurso de apelação interposto pela União em face de sentença que concedeu a ordem para determinar que a "autoridade impetrada se abstenha de violar o sigilo bancário do impetrante Washington Umberto Cinel, bem como de fazer uso das informações bancárias obtidas a tal título, devendo, ainda, a impetrada proceder ao desentranhamento de todas as provas obtidas por meio ilícito nos autos do procedimento administrativo n.º 19515.722.831/201214"(f. 151 151v). A União alega que o sigilo bancário não é direito absoluto, devendo ceder ao interesse público. Com contrarrazões vieram os autos a esta Corte. O Ministério Público Federal, no parecer de lavra do e. Procurador Regional da República Márcio Domene Cabrini opinou pelo provimento do recurso. É o sucinto relatório. Decido. Fl. 4805DF CARF MF Impresso em 15/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/08/2016 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 05/ 08/2016 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 12/08/2016 por CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA Processo nº 19515.722831/201214 Acórdão n.º 2201003.268 S2C2T1 Fl. 4.769 28 A questão relativa à impossibilidade de afastamento do sigilo bancário de pessoa natural ou de pessoa jurídica pela Receita Federal, sem autorização judicial, restou apreciada pelo Plenário do Egrégio Supremo Tribunal Federal em que foi dada interpretação conforme a Constituição da República à Lei n.º 9.311/96, à Lei Complementar n. 105/2001 e ao Decreto n. 3.724/01. Verbis: "SIGILO DE DADOS AFASTAMENTO. Conforme disposto no inciso XII do artigo 5º da Constituição Federal, a regra é a privacidade quanto à correspondência, às comunicações telegráficas, aos dados e às comunicações, ficando a exceção a quebra do sigilo submetida ao crivo de órgão equidistante o Judiciário e, mesmo assim, para efeito de investigação criminal ou instrução processual penal. SIGILO DE DADOS BANCÁRIOS RECEITA FEDERAL. Conflita com a Carta da República norma legal atribuindo à Receita Federal parte na relação jurídicotributária o afastamento do sigilo de dados relativos ao contribuinte". (STF, Plenário, RE n.º 389.808/PR, rel. Min. Marco Aurélio, j. em 15.12.2010, DJe de 10.5.2011). Neste sentido vem se posicionando esta Corte Regional, vejamse os seguintes julgados: "DIREITO PROCESSUAL CIVIL. TRIBUTÁRIO. AGRAVO INOMINADO. MANDADO DE SEGURANÇA. QUEBRA DE SIGILO BANCÁRIO POR REQUISIÇÃO ADMINISTRATIVA. LC 105/01. NECESSIDADE DE AUTORIZAÇÃO JUDICIAL. EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OMISSÃO INEXISTENTE. 1. São manifestamente improcedentes os presentes embargos de declaração, pois não se verifica qualquer omissão no julgamento impugnado, mas mera contrariedade da embargante com a solução dada pela Turma que, à luz da legislação aplicável, com respaldo em farta jurisprudência, decidiu expressamente que "reconhecese a nulidade da quebra do sigilo bancário perpetrada, sem autorização judicial, sem embargo, no entanto, da validade da fiscalização e do lançamento fiscal no tocante a fatos, dados e a eventuais infrações apuradas de forma independente e autônoma em relação ao ato viciado". 2. Concluiuse que "não cabe cogitar de nulidades processuais, nem a título de prequestionamento, porquanto lançada fundamentação bastante e exauriente, não havendo, no caso, violação ou negativa de vigência de qualquer preceito legal ou constitucional". 3. Por fim, manifestamente improcedente a alegação de irregularidade na ementa, pois o acórdão embargado está devidamente relatado e fundamentado, conforme documentos juntados. 4. Não houve qualquer omissão no julgamento impugnado, revelando, na realidade, a articulação de verdadeira imputação de erro no julgamento, e contrariedade da embargante com a solução dada pela Turma, o que, por certo e evidente, não é compatível com a via dos embargos de declaração. Assim, se o acórdão violou os artigos Fl. 4806DF CARF MF Impresso em 15/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/08/2016 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 05/ 08/2016 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 12/08/2016 por CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA Processo nº 19515.722831/201214 Acórdão n.º 2201003.268 S2C2T1 Fl. 4.770 29 2º, 128, 165, 219, 458, I, II, II, 460, parágrafo único, 462, 535, I, II, 58, I, II, II e 563 do CPC; 5º, LIV e 93, IX da CF, como mencionado, caso seria de discutir a matéria em via própria e não em embargos declaratórios. 5. Para corrigir suposto error in judicando, o remédio cabível não é, por evidente, o dos embargos de declaração, cuja impropriedade é manifesta, de forma que a sua utilização para mero reexame do feito, motivado por inconformismo com a interpretação e solução adotadas, revelase imprópria à configuração de vício sanável na via eleita. 6. Embargos de declaração rejeitados. (AMS 00072742520114036106, DESEMBARGADOR FEDERAL CARLOS MUTA, TRF3 TERCEIRA TURMA, eDJF3 Judicial 1 DATA:01/10/2015 ..FONTE_REPUBLICAÇÃO:.) AGRAVO DE INSTRUMENTO. AÇÃO DECLARATÓRIA DE NULIDADE DE ATO ADMINISTRATIVO. SIGILO BANCÁRIO. QUEBRA. LC N.º 105/01. NECESSIDADE DE DECISÃO JUDICIAL FUNDAMENTADA. PRESCRIÇÃO. ART. 1º DO DECRETO N.º 20.910/32. AGRAVO DESPROVIDO. O Supremo Tribunal Federal decidiu que a norma legal autorizadora do afastamento do sigilo bancário pela Receita Federal conflita com a Constituição Federal de 1988. A documentação acostada demonstra que foi iniciado termo de procedimento fiscal pela Receita Federal do Brasil contra a agravante (auto de infração n.º 10805.000700/200343), em que houve a requisição de seus extratos bancários pela Receita Federal e que culminou com a inscrição em dívida ativa da União, cobrada por meio de executivo fiscal (LC n.º 105/01). No voto do Recurso Extraordinário nº 389808/PR restou esclarecido que não houve a declaração de inconstitucionalidade da Lei Complementar n.º 105/01, mas, sim, sua interpretação conforme à Constituição Federal, a fim de que a quebra do sigilo bancário do contribuinte somente possa ocorrer mediante decisão judicial fundamentada. De acordo com o precedente da corte suprema, para a exibição desses documentos era necessária prévia ordem judicial motivada. O STJ, no julgamento do REsp n.º 947.206, no regime dos recursos repetitivos (artigo 543C do CPC e Resolução STJ n.º 8/08) firmou o entendimento de que é qüinqüenal o prazo para a apresentação de ação declaratória de nulidade de lançamentos tributários, nos termos do artigo 1º do Decreto n.º 20.910/32. Quanto ao termo inicial da contagem do prazo prescricional, adotase a data da notificação do ato administrativo de lançamento. No caso concreto, o ora agravante foi intimado para recolher ou impugnar o débito formalizado no processo n.º 10805.000700/200343 por edital, na data de 14/04/2003 (fl. 170), e a ação declaratória de nulidade originária foi apresentada somente em 14/04/2014 (fl. 31). Nesse contexto, nos termos da legislação de regência da matéria e dos precedentes mencionados, é de se reconhecer a ocorrência da prescrição do prazo para a propositura da ação em comento e, desse modo, não há como se acolher o pleito de suspensão da exigibilidade do crédito objeto do auto de infração debatido (n.º Fl. 4807DF CARF MF Impresso em 15/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/08/2016 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 05/ 08/2016 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 12/08/2016 por CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA Processo nº 19515.722831/201214 Acórdão n.º 2201003.268 S2C2T1 Fl. 4.771 30 10805.000700/200343). Agravo de instrumento a que se nega provimento. (AI 00124315620144030000, DESEMBARGADOR FEDERAL ANDRE NABARRETE, TRF3 QUARTA TURMA, eDJF3 Judicial 1 DATA:29/04/2015 ..FONTE_REPUBLICACAO:.) "AGRAVO LEGAL. DECISÃO MONOCRÁTICA. ART. 557, CAPUT, DO CÓDIGO DE PROCESSO CIVIL. MANDADO DE SEGURANÇA. FISCALIZAÇÃO TRIBUTÁRIA. QUEBRA DE SIGILO BANCÁRIO SEM PRÉVIA AUTORIZAÇÃO JUDICIAL. IMPOSSIBILIDADE. PRECEDENTE DO STF. I Nos termos do caput e §1°A, do art. 557, do Código de Processo Civil e da Súmula 253/STJ, o Relator está autorizado, por meio de decisão monocrática, a negar seguimento ou a dar provimento ao recurso e ao reexame necessário, nas hipóteses de pedido inadmissível, improcedente, prejudicado ou em confronto com a jurisprudência dominante da respectiva Corte ou de Tribunal Superior. II O Supremo Tribunal Federal, conferindo interpretação conforme a Constituição da República à Lei n. 9.311/96, à Lei Complementar n. 105/2001, bem como ao Decreto n. 3.724/01, decidiu pela impossibilidade de a Receita Federal quebrar o sigilo bancário do contribuinte sem prévia autorização judicial (cf.: RE 389808/PR, Tribunal Pleno, Rel. Min. Marco Aurélio, j. em 15.12.10). III Entendimento incontrastável que se adota para determinar a abstenção do fornecimento da movimentação financeira relativa ao Mandado de Procedimento Fiscal constante dos autos, sem a devida autorização judicial. IV Agravo legal improvido" (TRF/3ª Região, 6ª Turma, MAS n.º 000345859.2002.403.6103, rel. Des. Fed. Regina Costa,, eDJF3 Judicial 1 de 20.9.2012). Nem se diga, por oportuno, que há infringência ao art. 97 da Constituição Federal, que dispõe sobre a reserva de Plenário. Com efeito, in casu, afastouse o uso de dados tidos como sigilosos, sem a prévia autorização judicial, com fulcro no RE 389808PR, julgado que, digase, ademais, firmou jurisprudência pacífica quanto ao assunto, de acordo com os precedentes acima colacionados. Nesse sentido: "DIREITO PROCESSUAL CIVIL. DIREITO TRIBUTÁRIO. AGRAVO INOMINADO. ARTIGO 557, CPC. QUEBRA DE SIGILO BANCÁRIO SEM AUTORIZAÇÃO JUDICIAL. INCONSTITUCIONALIDADE. PRECEDENTE DO PLENO DO STF. RECURSO DESPROVIDO. 1. O artigo 557 do Código de Processo Civil é aplicável quando existente jurisprudência dominante acerca da matéria discutida e, assim igualmente, quando se revele manifestamente procedente ou improcedente, Fl. 4808DF CARF MF Impresso em 15/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/08/2016 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 05/ 08/2016 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 12/08/2016 por CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA Processo nº 19515.722831/201214 Acórdão n.º 2201003.268 S2C2T1 Fl. 4.772 31 prejudicado ou inadmissível o recurso, tendo havido, na espécie, o específico enquadramento do caso no permissivo legal, como expressamente constou da respectiva fundamentação. 2. O Excelso Pretório assentou o entendimento de que a quebra do sigilo bancário para fins de fiscalização de obrigações tributárias é inconstitucional, posto que conflita com a Constituição Federal. 3. Assim, nos termos da jurisprudência, reconhecese a nulidade da quebra do sigilo bancário perpetrada, sem autorização judicial, no procedimento fiscal 19311.000113/200976, sem embargo da validade da fiscalização e do lançamento fiscal no tocante a fatos, dados e a eventuais infrações apuradas de forma independente e autônoma em relação ao ato viciado, a teor do que já vem decidindo esta Turma 4. Não cabe cogitar de nulidades processuais, nem a título de prequestionamento, porquanto lançada fundamentação bastante e exauriente, não havendo, no caso, violação ou negativa de vigência de qualquer preceito legal ou constitucional. 5. Não houve declaração de inconstitucionalidade da norma da lei ordinária, sendo, por isto mesmo, impertinente, na espécie, alegar a violação do princípio da reserva de Plenário (artigo 97, CF, e Súmula Vinculante 10/STF), conforme tem sido decidido no âmbito, inclusive, do Superior Tribunal de Justiça (AGRESP 1.055.182, Rel. Min. DENISE ARRUDA, DJE 01/10/2008). 6. Agravo inominado desprovido. (AMS 00170117820144036128, DESEMBARGADOR FEDERAL CARLOS MUTA, TRF3 TERCEIRA TURMA, eDJF3 Judicial 1 DATA:16/10/2015 ..FONTE_REPUBLICACAO:.) destaquei PROCESSUAL CIVIL. AGRAVO LEGAL. ARTIGO 557, § 1º, DO CÓDIGO DE PROCESSO CIVIL. DECISÃO MONOCRÁTICA QUE DEU PROVIMENTO À APELAÇÃO. QUEBRA DO SIGILO BANCÁRIO POR ORDEM ADMINISTRATIVA. INCONSTITUCIONALIDADE DECLARADA PELO PLENÁRIO DO SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL. INEXISTÊNCIA DE VIOLAÇÃO À RESERVA DE PLENÁRIO. AGRAVO LEGAL IMPROVIDO. 1. Como a sentença estava em manifesto confronto com a jurisprudência do Plenário do Supremo Tribunal Federal, cabia julgamento por decisão monocrática do Relator, nos termos do art. 557, § 1ºA, do Código de Processo Civil. 2. O Plenário do Supremo Tribunal Federal, no julgamento do RE nº 389.808/PR, declarou a inconstitucionalidade da quebra do sigilo fiscal pela autoridade fazendária, conferindo interpretação conforme a Constituição da República à Lei nº 9.311/96, à Lei Complementar n.º 105/2001, e ao Decreto n.º 3.724/01, para impedir o afastamento do sigilo bancário de pessoa natural ou jurídica sem autorização judicial. 3. Assim, deve ser declarada a nulidade dos atos que foram praticados pela autoridade coatora com base nas informações protegidas por sigilo bancário no bojo do processo administrativo fiscal. 4. Não há violação à cláusula de reserva de plenário (art. 97 da Constituição Federal) na hipótese dos autos, pois existe declaração de inconstitucionalidade pelo Plenário do Supremo Tribunal Federal, o que afasta a Fl. 4809DF CARF MF Impresso em 15/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/08/2016 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 05/ 08/2016 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 12/08/2016 por CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA Processo nº 19515.722831/201214 Acórdão n.º 2201003.268 S2C2T1 Fl. 4.773 32 necessidade do exame da inconstitucionalidade pelo Órgão Especial desta Corte (art. 481, parágrafo único, CPC). 5. Ademais, os vícios de que a agravante inquina o acórdão proferido pelo Plenário do STF no julgamento do RE nº 389.808 devem ser analisados pelo Pretório Excelso, sendo certo que a pendência de julgamento de embargos de declaração não impede a sua aplicação aos casos pendentes. Precedentes do STF. 6. Agravo legal improvido. (AMS 00080669420114036100, DESEMBARGADOR FEDERAL JOHONSOM DI SALVO, TRF3 SEXTA TURMA, eDJF3 Judicial 1 DATA:05/12/2014 ..FONTE_REPUBLICACAO:.) "PROCESSUAL CIVIL. AGRAVO LEGAL. CPC, ART. 557, §1º. ......................................................................................................... VI Impertinência da alegação de violação à cláusula de reserva de plenário estabelecida no artigo 97 da Constituição Federal, cingindose a decisão agravada a seguir orientação firmada no Superior Tribunal de Justiça, que uniformizou sua jurisprudência no sentido de que as disposições do CTN não se aplicam às contribuições para o FGTS (Súmula nº 353). VII Agravo legal desprovido" (TRF/3ª Região, 2ª Turma, AI n.º 001001756.2012.403.0000, rel. Des. Fed. Peixoto Junior,eDJF3 Judicial 1 de 20.9.2012) Cumpre ressaltar, ainda, ser desnecessário, para que se adote o posicionamento da Suprema Corte, que o Recurso Extraordinário em questão seja representativo de controvérsia e que tenha repercussão geral. Digase, ainda, que, conquanto o precedente utilizado (RE 389.808) esteja pendente de julgamento, é cediço que os embargos de declaração, opostos em face do acórdão, não têm o condão de alterar o posicionamento firmado, mesmo porque tal recurso não possui efeito suspensivo, tampouco modificativo, este último, digase, de caráter excepcionalíssimo. Por fim, alega a União que o impetrante fornecera parte das informações (f. 83), não havendo que se declarar a nulidade da quebra. No entanto, extraise do Termo de verificação Fiscal 2 de f. 94 e seguintes que, solicitados extratos bancários ao impetrante, o mesmo quedouse inerte, havendo, em seqüência, a requisição administrativa às instituições financeiras nos termos do art. 6º da Lei Complementar n.º 105/2001 e Decreto n.º 3.724/2001, ou seja, sem autorização judicial o que, como se disse acima, não encontra esteio na Constituição Federal. Assim, diante da ausência da devida autorização judicial para a quebra do sigilo bancário, o caso é de decretarse sua ilegalidade e o desentranhamento das informações e provas Fl. 4810DF CARF MF Impresso em 15/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/08/2016 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 05/ 08/2016 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 12/08/2016 por CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA Processo nº 19515.722831/201214 Acórdão n.º 2201003.268 S2C2T1 Fl. 4.774 33 obtidas ilicitamente, não merecendo, destarte, reforma a sentença. Ante o exposto, com fulcro no artigo 557 do Código de Processo Civil, NEGO SEGUIMENTO ao apelo e à remessa oficial, nos termos da fundamentação supra. Intimemse. Decorridos os prazos recursais, remetamse os autos à origem dandose baixa na distribuição. São Paulo, 29 de outubro de 2015. NELTON DOS SANTOS Tal decisão foi agravada, tendo a Turma do TRF3 mantido a decisão: EMENTA PROCESSUAL CIVIL. TRIBUTÁRIO. AGRAVO. ARTIGO 557, §1º DO CÓDIGO DE PROCESSO CIVIL. QUEBRA DE SIGILO BANCÁRIO POR REQUISIÇÃO ADMINISTRATIVA. IMPOSSIBILIDADE. NECESSIDADE DE AUTORIZAÇÃO JUDICIAL. AGRAVO NÃO PROVIDO. 1. A sistemática prevista no artigo 557 do Código de Processo Civil autoriza o Relator a negar seguimento a recurso que esteja em confronto com jurisprudência dominante do Supremo Tribunal Federal. 2. O Plenário do Egrégio Supremo Tribunal Federal deu interpretação conforme a Constituição da República à Lei n.º 9.311/96, à Lei Complementar n.º 105/2001 e ao Decreto n.º 3.724/01, com relação à impossibilidade de afastamento do sigilo bancário de pessoa natural ou de pessoa jurídica pela Receita Federal, sem autorização judicial. 3. De acordo com o voto do e. Ministro Marco Aurélio, proferido no julgamento RE n.º 389.808 "Conforme disposto no inciso XII do artigo 5º da Constituição Federal, a regra é a privacidade quanto à correspondência, às comunicações telegráficas, aos dados e às comunicações, ficando a exceção a quebra do sigilo submetida ao crivo de órgão equidistante o Judiciário e, mesmo assim, para efeito de investigação criminal ou instrução processual penal. SIGILO DE DADOS BANCÁRIOS RECEITA FEDERAL. Conflita com a Carta da República norma legal atribuindo à Receita Federal parte na relação jurídico tributária o afastamento do sigilo de dados relativos ao contribuinte".(STF, Plenário, RE n.º 389.808/PR, rel. Min. Marco Aurélio, j. em 15.12.2010, DJe de 10.5.2011). 4. Não há que se falar em infringência ao artigo 97 da Constituição Federal, que dispõe sobre a reserva de Plenário, visto que houve declaração de inconstitucionalidade pelo Supremo Tribunal Federal. Fl. 4811DF CARF MF Impresso em 15/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/08/2016 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 05/ 08/2016 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 12/08/2016 por CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA Processo nº 19515.722831/201214 Acórdão n.º 2201003.268 S2C2T1 Fl. 4.775 34 5. Cumpre ressaltar, ainda, ser desnecessário, para que se adote o posicionamento da Suprema Corte, que o Recurso Extraordinário em questão seja representativo de controvérsia e que tenha repercussão geral. Digase, ainda, que, conquanto o precedente utilizado (RE 389.808) esteja pendente de julgamento, é cediço que os embargos de declaração, opostos em face do acórdão, não têm o condão de alterar o posicionamento firmado, mesmo porque tal recurso não possui efeito suspensivo, tampouco modificativo, este último, digase, de caráter excepcionalíssimo. 6. No caso em tela, conforme verificação dos documentos acostados aos autos extraise que solicitados extratos bancários ao impetrante, o mesmo quedouse inerte, havendo, em sequência, a requisição administrativa às instituições financeiras nos termos do art. 6º da Lei Complementar n.º 105/2001 e Decreto n.º 3.724/2001, ou seja, sem autorização judicial o que, como se disse acima, não encontra esteio na Constituição Federal. 6. Portanto, diante da ausência da devida autorização judicial para a quebra do sigilo bancário, o caso é de decretarse sua ilegalidade e o desentranhamento das informações e provas obtidas ilicitamente. 7. Não há no agravo elementos novos capazes de alterar o entendimento externado na decisão monocrática. 8. Agravo não provido. ACÓRDÃO Vistos e relatados estes autos em que são partes as acima indicadas, decide a Egrégia Terceira Turma do Tribunal Regional Federal da 3ª Região, por unanimidade, negar provimento ao agravo, nos termos do relatório e voto que ficam fazendo parte integrante do presente julgado. São Paulo, 28 de janeiro de 2016. ELIANA MARCELO Juíza Federal Convocada A decisão final do TRF3 foi objeto, em maio do corrente ano, de Recurso Extraordinário. Observo que, conforme consulta abaixo, o Recurso da União não foi ainda apreciado, e que não há, no caso, modificação no entendimento judicial; estando em vigor apenas a decisão do TRF3 que determina que a "autoridade impetrada se abstenha de violar o sigilo bancário do impetrante Washington Umberto Cinel, bem como de fazer uso das informações bancárias obtidas a tal título, devendo, ainda, a impetrada proceder ao desentranhamento de todas as provas obtidas por meio ilícito nos autos do procedimento administrativo n.º 19515.722.831/201214." Momento da consulta: sextafeira, 8 de julho de 2016 às 14:17 Fl. 4812DF CARF MF Impresso em 15/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/08/2016 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 05/ 08/2016 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 12/08/2016 por CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA Processo nº 19515.722831/201214 Acórdão n.º 2201003.268 S2C2T1 Fl. 4.776 35 07/07/2016 CONCLUSOS AO DES.FED.VICE PRESIDENTE DO TRF GUIA NR.: 2016142772 DESTINO: ASSESSORIA JUDICIARIA DA VICEPRESIDENCIA 07/07/2016 JUNTADA DE PETIÇÃO DE CONTRAMINUTA Petição Número 2016142099 01/07/2016 RECEBIDO(A) DA FAZ. NACIONAL. 17/06/2016 REMESSA GUIA NR.: 2016125790 DESTINO: UNIÃO FEDERAL (Fazenda Nacional) 15/06/2016 JUNTADA DE AGRAVO LEGAL / REGIMENTAL Petição Número 2016131835 14/06/2016 DEVOLVIDO PELO ADVOGADO/PROCURADOR GUIA NR. : 2016106066 ORIGEM : RENATA CRISTINA MIRANDOLA (OAB:SP337476) 23/05/2016 RETIRADO PELO ADVOGADO/PROCURADOR GUIA NR.: 2016106066 DESTINO: RENATA CRISTINA MIRANDOLA (OAB:SP337476) 23/05/2016 LEVANTAMENTO DE SUSPENSÃO/SOBRESTAMENTO 19/05/2016 DISPONIBILIZADO NO DIÁRIO ELETRÔNICO DECISÃO/DESPACHO no dia 2016519 . 8:35 (Expediente Processual (Despacho/Decisão) 43782/2016) Visualizar 13/05/2016 RECEBIDO PROCESSO SOBRESTADO GUIA NR. : 2016095181 ORIGEM : ASSESSORIA JUDICIARIA DA VICEPRESIDENCIA 10/05/2016 DECISÃO REX SOBRESTADO 06/05/2016 CONCLUSOS AO DES.FED.VICE PRESIDENTE DO TRF P/DEC.ADMIS. RECURSO GUIA NR.: 2016092539 DESTINO: ASSESSORIA JUDICIARIA DA VICEPRESIDENCIA 04/05/2016 JUNTADA DE PETIÇÃO DE CONTRARAZOES Petição Número 2016093379 25/04/2016 DEVOLVIDO PELO ADVOGADO/PROCURADOR GUIA NR. : 2016066179 ORIGEM : DOUGLAS BOSCO CARDOSO DA COSTA (OAB:SP331779) 01/04/2016 RETIRADO PELO ADVOGADO/PROCURADOR GUIA NR.: 2016066179 DESTINO: DOUGLAS BOSCO CARDOSO DA COSTA (OAB:SP331779) 31/03/2016 DISPONIBILIZADO NO DIÁRIO ELETRÔNICO VISTA PARA CONTRA RAZOES no dia 2016331 . 8:52 (Expediente 2046/2016) 16/03/2016 RECEBIDO PARA PROCESSAMENTO DE RECURSO(S) EXCEPCIONAL(IS) GUIA NR. : 2016055545 ORIGEM : SUBSECRETARIA DA TERCEIRA TURMA 16/03/2016 REMESSA GUIA NR.: 2016055545 DESTINO: SUBS. DE FEITOS DA VICE PRESIDENCIA 14/03/2016 RECEBIDO(A) ORIGEM MINISTERIO PUBLICO FEDERAL 08/03/2016 REMESSA GR.2016047730 Destino: MINISTERIO PUBLICO FEDERAL 07/03/2016 JUNTADA DE PETIÇÃO DE RE Petição Número 2016047338 07/03/2016 RECEBIDO(A) ORIGEM UNIÃO FEDERAL (FAZENDA NACIONAL) 01/03/2016 REMESSA GUIA NR.: 2016040253 DESTINO: UNIÃO FEDERAL (Fazenda Nacional) 12/02/2016 DEVOLVIDO PELO ADVOGADO/PROCURADOR OAB: SP337476 12/02/2016 RETIRADO PELO ADVOGADO/PROCURADOR GUIA NR.: 2016026047 DESTINO: RENATA CRISTINA MIRANDOLA (OAB:SP337476) 12/02/2016 JUNTADA DE SUBSTABELECIMENTO SEM PROTOCOLO 05/02/2016 DISPONIBILIZADO NO DIÁRIO ELETRÔNICO ACORDÃO no dia 201625 . 8:31 (Boletim de Acordão 15427/2016) Visualizar 28/01/2016 Agravo Legal/Regimental conhecido e nãoprovido 28/01/2016 JULGADO AGRAVO PREVISTO ART. 557 CPC (DECISÃO: "A TERCEIRA TURMA, POR UNANIMIDADE, DECIDIU NEGAR PROVIMENTO AO AGRAVO.¶") (EM 28/01/2016) Feito o histórico da decisão do poder judiciário, destaco que o Recurso Extraordinário é recebido apenas no seu efeito devolutivo, não gozando de efeito suspensivo (artigo 542, §2º, CPC). Assim, temos que o entendimento do poder judiciário deve ser acatado pela administração pública. A decisão da ação judicial é soberana devendo ser cumprida pela administração nos seus exatos termos, sob pena de afronta ao princípio da legalidade e da hierarquia das normas, bem como ofensa à moralidade administrativa. É imperativo que a administração pública acate as ordens judiciais e cumpra a norma individual e concreta emanada do Poder Judiciário; pois a este poder foi outorgada a competência para interpretar a lei e dirimir as lides instauradas. Impende salientar que toda decisão judicial sem efeito suspensivo é norma individual e concreta de caráter compulsório para a administração pública. Aliás, pela sistemática constitucional, todo ato jurídico, inclusive o administrativo, está sujeito ao controle do Poder Judiciário, sendo este, em relação à esfera administrativa, instância superior e autônoma. Superior, porque tem competência para revisar, cassar, anular ou confirmar o ato administrativo; e autônoma, porque o contribuinte não está obrigado a recorrer, antes, às instâncias administrativas, para ingressar em juízo. Assim, a decisão do TRF3 é norma individual e concreta de caráter compulsório para a administração pública. Assim, é dever julgar o recurso nos termos em que se encontram os autos; sob a perspectiva da impossibilidade da consideração dos extratos como prova da omissão de rendimentos. Fl. 4813DF CARF MF Impresso em 15/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/08/2016 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 05/ 08/2016 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 12/08/2016 por CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA Processo nº 19515.722831/201214 Acórdão n.º 2201003.268 S2C2T1 Fl. 4.777 36 Conforme nos ensinou o Conselheiro Rafael Pandolfo, reforçando uma diretiva óbvia e inerente ao devido processo legal, o art. 30, da Lei nº 9.784/99, determina que são inadmissíveis, no processo administrativo, as provas obtidas por meios ilícitos. O dispositivo busca retirar os incentivos para que os agentes públicos desviemse dos procedimentos regulares, através da inutilização de seu trabalho quando realizado de forma que contrarie o direito. A ilicitude da prova, no caso, é corolário lógico da incompatibilidade da sua obtenção com os ditames fixados pelo TRF3. A constituição válida do crédito tributário exige prova da materialidade revelada através de procedimento válido perante o ordenamento jurídico pátrio. Malgrado essa hipótese, não há obrigação tributária pela ausência de prova que, validamente, ratifique o conceito de fato previsto na hipótese normativa tributária. Ressalto a importância do tema em questão, dentro de um estado democrático de direito. A regra positivada em nosso ordenamento tem origem na doutrina e jurisprudência americanas (exclusionary rules, caso Elkins v. United States), que consolidaram o entendimento segundo o qual o Estado, enquanto defensor dos direitos fundamentais, terá como Pírrica toda vitória obtida com base na violação desses Direitos, pois, com o pretexto de vencer uma batalha contra um ilícito isolado, leva à bancarrota o próprio Estado Democrático de Direito que almeja proteger1. Ocorre que não só as provas obtidas ilicitamente são vedadas, como também aquelas que delas se derivam. A doutrina do “fruit of the poisonous tree”, ou simplesmente “fruit doctrine” – “fruto da árvore envenenada”, aplicada primeiramente na jurisprudência americana (caso Silverthine Lumber Co. v. United States), estabelece que as provas obtidas por meios ilícitos contaminam aquelas delas decorrentes. Assim, tanto as conclusões decorrentes dos dados bancários obtidos através da quebra ilegal do sigilo, quanto os outros elementos probatórios que deles originamse, são fruto da prova que restou contaminada. Como visto, a finalidade do art. 30, da Lei nº 9.784/99 é coibir os abusos estatais através da inutilização dos efeitos dos atos ilícitos cometidos por seus agentes. Dessa forma, qualquer prova que tenha sido produzida à margem do critério definido peloTRF3 revelase estéril ao nascimento válido da obrigação tributária. Na hipótese, somente foi possível a constituição do crédito tributário com base no art. 42 da Lei nº 9.430/95, através das provas obtidas junto às instituições financeiras, em sentido contrário a determinação judicial para o caso. Ou seja, se a fiscalização não houvesse expedido a RMF, não teria concluído pela omissão de rendimentos, e não teria lavrado o auto de infração sob esse argumento. Sendo assim, entendo que a infração omissão de rendimentos caracterizada por valores creditados em suas contas correntes, mantidas em instituições financeira, em relação aos quais, quando regularmente intimado, não comprovou, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações, deve ser excluída, pois foi fundamentada em provas entendidas como ilícitas pelo TRF3.. Ante tudo acima exposto e o que mais constam nos autos, voto por negar provimento ao recurso de ofício, e por dar provimento ao recurso voluntário. 1 COSTA ANDRADE, Manuel da. Sobre as proibições de prova em processo penal. Coimbra: Coimbra Editora, 1992. p. 73. Fl. 4814DF CARF MF Impresso em 15/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/08/2016 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 05/ 08/2016 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 12/08/2016 por CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA Processo nº 19515.722831/201214 Acórdão n.º 2201003.268 S2C2T1 Fl. 4.778 37 Assinado digitalmente Carlos César Quadros Pierre Fl. 4815DF CARF MF Impresso em 15/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/08/2016 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 05/ 08/2016 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 12/08/2016 por CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA
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Numero do processo: 13868.000007/2003-24
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Nov 29 00:00:00 UTC 2016
Ementa: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS - IPI
Período de apuração: 01/01/1999 a 31/12/2002
RESSARCIMENTO IPI. INSUMOS. CRÉDITO EXTEMPORÂNEO.
Conforme comprovado na Diligência Fiscal realizada, o crédito pleiteado se
refere aos créditos extemporâneos de insumos (matérias primas, produtos
intermediários e materiais de embalagens) utilizados e consumidos no
processo de produção, todos tendo origem comprovada dentro do período de
01/01/1999 a 31/12/2002. Ressarcimento garantido em conformidade com o
art. 11, da Lei n.º 9.779/1999.
Recurso Voluntário Provido.
Direito Creditório Reconhecido.
Numero da decisão: 3402-003.483
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, por dar provimento ao Recurso Voluntário, nos termos do voto da Relatora.
Nome do relator: MAYSA DE SA PITTONDO DELIGNE
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INSUMOS. CRÉDITO EXTEMPORÂNEO. Conforme comprovado na Diligência Fiscal realizada, o crédito pleiteado se refere aos créditos extemporâneos de insumos (matérias primas, produtos intermediários e materiais de embalagens) utilizados e consumidos no processo de produção, todos tendo origem comprovada dentro do período de 01/01/1999 a 31/12/2002. Ressarcimento garantido em conformidade com o art. 11, da Lei n.º 9.779/1999. Recurso Voluntário Provido. Direito Creditório Reconhecido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, por dar provimento ao Recurso Voluntário, nos termos do voto da Relatora. (Assinado com certificado digital) Antonio Carlos Atulim - Presidente. (Assinado com certificado digital) Maysa de Sá Pittondo Deligne - Relatora. Fl. 504DF CARF MF 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antonio Carlos Atulim, Jorge Freire, Diego Diniz Ribeiro, Waldir Navarro Bezerra, Thais De Laurentiis Galkowicz, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne e Carlos Augusto Daniel Neto. Relatório Por trazer uma síntese do processo até a apresentação do Recurso Voluntário, peço vênia para transcrever o relatório da Resolução n.º 3402-000.657, que converteu o presente processo em diligência: "Trata-se de pedido de ressarcimento de Imposto sobre Produtos Industrializados IPI, incidente nas aquisições de insumos realizadas no período de 01/1999 a 12/2002, no montante de R$ 38.040,41, pedido este fundado no art. 11, da Lei nº 9.779/99. Por intermédio do Despacho Decisório de fls. 57/59 – (numeração eletrônica – n.e.), a autoridade administrativa indeferiu o direito creditório e não homologou as DCOMPs vinculadas o pedido, alegando que dentre os diversos pedidos eletrônicos de ressarcimento/compensação localizados em nome da contribuinte, nenhum deles informa-se como origem do crédito o pedido de ressarcimento em discussão. MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE Cientificado do despacho em 01/11/2006, a contribuinte apresentou manifestação de inconformidade em 01/12/2006, argumentando, em síntese já elaborada pela DRJ e a qual transcrevo: a) não foi considerada na hipótese a escrituração extemporânea do saldo credor de IPI nos termos do art. 11, da Lei 9.779/1999; b) a interpretação excessivamente formalista da fiscalização entendeu que, pelo fato de não constar da escrituração da época o saldo credor (apurado posteriormente), não teria a Manifestante o direito ao crédito legalmente previsto; c) a legislação pátria jamais negou ao contribuinte o direito de apurar créditos extemporâneos de tributos que, por qualquer motivo não tenha sido contratado na época própria; d) não merece prosperar o entendimento da fiscalização fazendária no sentido de que não há saldos credores de IPI na escrituração fiscal e contábil da Manifestante que pudessem ser utilizados para ressarcimento. Ao contrário: os créditos de IPI existem e estão comprovados, houve o registro dos mesmos, mas escriturados posteriormente. Os créditos foram contabilizados em 2003, conforme a própria decisão reconhece. Ao final, requer a reforma do Despacho Decisório e o consequente reconhecimento do direito creditório, bem como a homologação das compensações declaradas. DO JULGAMENTO DE 1ª INSTÂNCIA Em análise e atenção aos pontos suscitados pela interessada na manifestação de conformidade apresentada, a Terceira Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Juiz de Fora (DRJ/JFA), proferiu o Acórdão de nº. 0948.660, julgando improcedente a manifestação de inconformidade e não reconhecendo o direito creditório, nos seguintes termos: “ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/10/2002 a 31/12/2002 IPI CONTABILIZADO COMO CUSTO. RESSARCIMENTO. IMPOSSIBILIDADE. A inclusão do imposto pago na aquisição de matérias-primas, produtos intermediários e materiais de embalagem no custo de aquisição dos produtos com eles industrializados, implica considerar o imposto como não recuperável Fl. 505DF CARF MF Processo nº 13868.000007/2003-24 Acórdão n.º 3402-003.483 S3-C4T2 Fl. 505 3 e impede que esses valores sejam utilizados no sistema de débito e crédito do IPI com vista à realização da nãocumulatividade. Manifestação de Inconformidade Improcedente. Direito Creditório não Reconhecido.” Em apertada síntese a DRJ/JFA competente para o julgamento destaca que a motivação para o indeferimento do direito creditório pleiteado pela contribuinte foi o fato desta ter contabilizado o IPI como custo e não ter desfeito tal lançamento por ocasião da escrituração extemporânea de IPI e sua conseqüente escrituração como imposto a recuperar; diferente do alegado pela contribuinte, que se insurgiu contra um suposto indeferimento em virtude de escrituração extemporânea. Sobre a referida contabilização do IPI como custo, este refletirá diretamente no resultado do exercício, implicando na diminuição do lucro bruto e, consequentemente, reduzindo a base de cálculo do IRPJ e CSLL, sendo assim, não haveria possibilidade de ressarcimento sob os ditames do art. 11 da Lei 9.779/99. Destaca, ainda, que o desfazimento parcial da contabilização do IPI como custo de produção, procedimento este realizado pela contribuinte, refletiria tão somente no âmbito do IRPJ e CSLL. Em suma, entende que uma vez escriturado como custo, o IPI não gera direito a ressarcimento do montante pleiteado e, consequentemente, o não reconhecimento do direito creditório implica na não homologação das compensações vinculadas. DO RECURSO Cientificado do Acórdão supracitado em 09/01/2014, conforme AR de fl. 160 – n.e., o contribuinte apresentou Recurso Voluntário (fls. 286/300) em 10/02/2014, alegando, em síntese que, diferente do proposto relatório fiscal impugnado, que tratava de contabilização extemporânea de créditos de IPI, o acórdão ora recorrido acata “de forma sutil” a escrituração extemporânea destes créditos, porém passa a desenvolver nova tese de acusação, que estaria baseada em presunções, qual seja a de que para o contribuinte se valer de seu direito, teria que recompor seu lucro dos períodos de 1999 a 2002, rejeitando a suposta dedução que teria sido aplicada na apuração de IRPJ e CSLL. Sustenta que não há como chegar a estas conclusões com base nos autos, uma vez que não existem, nestes, demonstrativos de apuração de IRPJ e CSLL, o que inviabilizaria o conhecimento da existência de lucros ou prejuízos. Com base nisto, destaca que um ato decisório não pode se valer de mera presunção, pois que exige prova efetiva, nunca realizada. Em breve resumo, alega: “(i) não ter sido comprovada a inserção do IPI como custo de produção no período de 1999 a 2002, segundo aquisição de insumos na época; (ii) não ter sido verificado o direito ao crédito amparado pelas notas fiscais de compras de MP, PI e ME utilizados na produção, ainda isentos ou com alíquota zero; e (iii) não ter sido considerada a receita que anulou a inserção do IPI como custo”. Ao fim, requer que seja cancelado o lançamento e declarado correta a compensação glosada de ressarcimento do IPI do 4º trimestre de 2002, homologando as compensações, reiterando, ainda, as razões da impugnação. DA DISTRIBUIÇÃO Tendo o processo sido distribuído a esse relator por sorteio regularmente realizado, vieram os autos para relatoria, por meio de processo eletrônico, em 01 (um) Volume, numerado até a folha 183 (cento e oitenta e três), estando apto para análise desta Colenda 2ª Turma Ordinária, da 4ª Câmara, da 3ª Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF." (fls. 186/188 - grifei) Reconhecida a tempestividade do Recurso Voluntário, o processo foi convertido em diligência pela referida resolução, nos seguintes termos: Fl. 506DF CARF MF 4 "Assim sendo, entendo que o processo não se encontra suficientemente instruído e as provas existentes não foram ainda totalmente exauridas e analisadas sob o pálio do contraditório, não se encontrando, consequentemente, em condições de receber um julgamento justo, razão pela qual voto por converter o julgamento em diligência, para que a Autoridade Preparadora adote as seguintes providências: a) Verifique, a partir dos documentos trazidos aos autos pela Recorrente na manifestação de inconformidade ou no Recurso Voluntário e de seu cotejo com outros documentos a serem solicitados ou verificados na sede do contribuinte, os pressupostos dos créditos pleiteados, tais como a origem, os períodos, a quantidade e legitimidade destes; b) Verifique, se nos períodos de apuração dos créditos decorrentes das aquisições de insumos efetivados pelo contribuinte, o mesmo gerou IPI a pagar, se foram efetivamente quitados, e se os créditos escriturados extemporaneamente sobejariam nas apurações dos períodos respectivos; c) Verificar se os créditos decorrem das aquisições de insumos, assim entendidos como as matérias-primas, produtos intermediários e materiais de embalagem, e se as operações de venda do contribuinte ocorreram dentro das hipóteses legais autorizadoras da manutenção e ressarcimento dos créditos; d) Em caso afirmativo, quantificar eventuais créditos em comparação com os objeto dos pedidos de ressarcimento e respectivas declarações de compensação, manifestando-se sobre sua legitimidade, existência e suficiência; e) Ao final, confeccionar “Relatório Conclusivo” da diligência, envolvendo os quesitos acima, após o que seja intimando o contribuinte para que se manifeste sobre o “Relatório Conclusivo”, querendo, em prazo não inferior a 30 (trinta) dias; f) Após, com ou sem manifestação, sejam os autos remetidos a este Conselho para reinclusão em pauta para prosseguimento no julgamento." (fls. 189/190 - grifei) Em cumprimento desta diligência, foi proferida informação fiscal às fls. 492/495 reconhecendo que os créditos objeto do ressarcimento são créditos extemporâneos de insumos válidos, devidamente registrados na contabilidade da Recorrente, informando ao final: "15.1) Informar que foram verificados os pressupostos de origem, períodos, quantidades e legitimidade dos créditos pleiteados; 15.2) Informar que, no período de 01/01/1999 a 31/12/2002, a empresa fabricava e comercializava apenas produtos isentos ou sujeitos à alíquota zero de IPI, não tendo gerado quaisquer valores de IPI a pagar (débitos) nesse período; 15.3) Informar que os créditos decorrem das aquisições de insumos (matérias primas, produtos intermediários e materiais de embalagem) e as operações de venda da interessada ocorreram dentro das hipóteses legais autorizadoras da manutenção e ressarcimento dos créditos; 15.4) Informar que os créditos de IPI pleiteados pela interessada, relativos ao período de 01/01/1999 a 31/12/2002 são existentes, legítimos e suficientes e totalizam R$ 38.040,31, e refere-se a insumos (matérias primas, produtos intermediários e materiais de embalagens) utilizados e consumidos no processo de produção, todos tendo origem comprovada dentro do período em questão." (fls. 495 - grifei) Após a manifestação da Recorrente no sentido de que a Informação Fiscal proferida confirmou suas razões recursais (fl. 499), o processo retornou para este CARF para julgamento. É o relatório. Fl. 507DF CARF MF Processo nº 13868.000007/2003-24 Acórdão n.º 3402-003.483 S3-C4T2 Fl. 506 5 Voto Conselheira Relatora Maysa de Sá Pittondo Deligne Reconhecida a tempestividade do Recurso e afastada pela Informação Fiscal proferida na Diligência qualquer relação dos créditos com a apuração do IRPJ e da CSLL, por confirmar que o presente processo trata apenas de crédito extemporâneo de IPI, reconhece-se a competência desta turma para o julgamento, passando-se às suas razões. Como mencionado pela Recorrente em sua manifestação na diligência (fl. 499), a Informação Fiscal confirmou todas suas razões recursais, entendendo pela validade integral do crédito pleiteado, referente aos créditos extemporâneos de insumos (matérias primas, produtos intermediários e materiais de embalagens) utilizados e consumidos no processo de produção, todos com origem comprovada dentro do período de 01/01/1999 a 31/12/2002. Vejamos os exatos termos desta Informação Fiscal: "5) Conferimos todos os originais das Notas Fiscais de Entradas, cópias fls. 200/347, que deram origem ao crédito pleiteado e constatamos que estes são legítimos e se referem a insumos (matérias primas, produtos intermediários e materiais de embalagens) utilizados e consumidos no processo de produção, todos tendo origem comprovada dentro do período em questão. 6) No dia 10/02/2015 procedemos uma visita à unidade de produção da interessada, situada na Rodovia Vitório Prandi S/N – KM 01 – Zona Rural de Jales-SP, na qual percorremos toda a linha de produção desde o recebimento das matérias primas e insumos, observação de sua aplicação em todo o processo de produção até a colocação das embalagens e dos pallets de transporte, tendo constatado que os produtos citados no item anterior realmente são empregados e consumidos no processo produtivo em quantidades compatíveis com as notas fiscais de entradas apresentadas. 7) Verificamos que no período a que o crédito de IPI se refere, ou seja, 01/01/1999 a 31/12/2002, a empresa fabricava e comercializava apenas produtos isentos ou sujeitos à alíquota zero de IPI, não tendo gerado quaisquer valores de IPI a pagar (débitos) nesse período. 8) Essa constatação foi feita a partir da análise dos Livros Registro de IPI apresentados (1999 a 2002, todos com valor zero de IPI a pagar), Livros de Registro de Entradas e Saídas, análise da contabilidade da interessada (Livros Diários e Razão Contábeis), bem como da conferência das Notas Fiscais de Saídas, fls. 385/442 (amostragem do período em questão). 9) Juntamos, às fls. 351/384, cópias dos Termos de Abertura e Encerramento, bem como páginas escolhidas por amostragem, dos Livros citados no item anterior, que comprovam a constatação de que, no período em questão, não houve geração de débitos de IPI, ou seja, não houve IPI a pagar. 10) Como já exposto, verificamos que os créditos pleiteados decorrem integralmente das aquisições de insumos (matérias primas, produtos intermediários e materiais de embalagem) e as operações de vendas da interessada ocorreram dentro das hipóteses legais que autorizam a manutenção e ressarcimento desses créditos. Fl. 508DF CARF MF 6 11) Tendo em vista que todas as Notas Fiscais de Entradas apresentadas, fls. 200/347, são legítimas, pertinentes e referem-se ao período pleiteado, não houve quaisquer glosas de valores. 12) As notas fiscais de entrada, estão relacionadas na planilha de cálculo de fls. 471/491, intitulada “ANEXO I – Demonstrativo do Crédito Básico do IPI – Período de Jan/1999 a Dez/2002”, o qual demonstra que o total de crédito de IPI apurado foi de R$ 38.040,31. 13) Tendo verificado a contabilidade da interessada, constatamos que o valor do crédito extemporâneo do IPI de R$ 38.040,31 foi lançado no dia 14/01/2003, na página 15 do Livro Diário de Jan/2003, cópia fls. 381, debitando a conta 1.1.4.02.0001 (IPI a Recuperar/Mat Ins) e creditando a conta 5.1.6.03.006 (valores recuperados), conforme pg. 18 e 72 do Livro Razão de 2003, cópias fls. 383/384 deste processo. 14) Constatamos, então, que a interessada registrou o fato em sua contabilidade, tendo assim oferecido como receita à tributação o crédito de IPI objeto desta análise." (fls. 493/494 - grifei) Diante da confirmação da validade do crédito objeto deste processo pela própria fiscalização, com fulcro na documentação acostada aos presentes autos e após visita à fábrica da Recorrente, não nos cabe aqui fazer maiores digressões, a não ser reconhecer o crédito pleiteado em conformidade com o art. 11 da Lei n.º 9.779/1999 1 . Nesse sentido, voto por dar provimento ao Recurso Voluntário. É como voto. Maysa de Sá Pittondo Deligne - Relatora 1 "Art. 11. O saldo credor do Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI, acumulado em cada trimestre- calendário, decorrente de aquisição de matéria-prima, produto intermediário e material de embalagem, aplicados na industrialização, inclusive de produto isento ou tributado à alíquota zero, que o contribuinte não puder compensar com o IPI devido na saída de outros produtos, poderá ser utilizado de conformidade com o disposto nos arts. 73 e 74 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996, observadas normas expedidas pela Secretaria da Receita Federal do Ministério da Fazenda." Fl. 509DF CARF MF
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Numero do processo: 13873.000148/2005-30
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Aug 24 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Thu Oct 06 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 01/01/1995 a 31/03/2005
IPI. RESSARCIMENTO. ÔNUS DA PROVA.
Nos pedidos de ressarcimento de tributos é do contribuinte o ônus de comprovar a liquidez e certeza de seu direito creditório, conforme determina o caput do art.170 do CTN, devendo demonstrar de maneira inequívoca a sua existência, e, por conseguinte, o erro em que fundamentou a não homologação do pedido.
Numero da decisão: 3201-002.305
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da Relatora.
(assinado digitalmente)
Winderley Morais Pereira Presidente
(assinado digitalmente)
Ana Clarissa Masuko dos Santos Araujo- Relatora
Participaram da sessão de julgamento, os Conselheiros: Winderley Morais Pereira (Presidente), José Luiz Feistauer de Oliveira, Paulo Roberto Duarte Moreira, Mercia Helena Trajano Damorim, Cassio Schappo, Ana Clarissa Masuko dos Santos Araujo, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Tatiana Josefovicz Belisario.
Nome do relator: ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/01/1995 a 31/03/2005 IPI. RESSARCIMENTO. ÔNUS DA PROVA. Nos pedidos de ressarcimento de tributos é do contribuinte o ônus de comprovar a liquidez e certeza de seu direito creditório, conforme determina o caput do art.170 do CTN, devendo demonstrar de maneira inequívoca a sua existência, e, por conseguinte, o erro em que fundamentou a não homologação do pedido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da Relatora. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira – Presidente (assinado digitalmente) Ana Clarissa Masuko dos Santos Araujo Relatora Participaram da sessão de julgamento, os Conselheiros: Winderley Morais Pereira (Presidente), José Luiz Feistauer de Oliveira, Paulo Roberto Duarte Moreira, Mercia Helena Trajano Damorim, Cassio Schappo, Ana Clarissa Masuko dos Santos Araujo, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Tatiana Josefovicz Belisario. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 87 3. 00 01 48 /2 00 5- 30 Fl. 401DF CARF MF Impresso em 06/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/09/2016 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO, Assinado digitalme nte em 30/09/2016 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO, Assinado digitalmente em 04/10/2016 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA 2 Relatório Tratam os autos de Pedido de Ressarcimento de IPI, cumulado. Por bem relatar os fatos, adotase o relatório da Delegacia de Julgamento: Trata o presente processo de pedido de ressarcimento do Imposto sobre Produtos Industrializados IPI, relativo aos anos de 1995 a 2005, nos seguintes termos: "Ocorre que o IPI é cobrado na sua integralidade, mesmo nas aquisições com desconto incondicional nas Notas Fiscais. Resulta daÍ que o contribuinte recolhe o IPI a maior, emergindo o direito à compensação/restituição dos créditos apurados nos últimos 10 anos, a teor dos artigos 173 e 174 do CTN". Intimada (fl. 14) a apresentar formulário de pedido de restituição conforme IN SRF n° 460/2004 e cópia do livro de apuração do IPI, a empresa não atendeu. Através do Despacho Decisório de fls. 21/26 a Delegacia da Receita Federal do Brasil em Bauru/SP indeferiu totalmente o pedido de ressarcimento. Da fundamentação extraímos os excertos abaixo: “Embora intimada a apresentar copia do Livro Registro de Apuração do IPI, indispensável à análise do pleito, conforme intimação de fls. 13, a requerente deixou de fazêlo, solicitando prolação de prazo, sob a alegação da quantidade dos documentos a serem juntados, situação não condizente com a mera apresentação do livro de apuração do IPI, o que vem reforçar sua não inclusão no conceito legal de estabelecimento industrial ou equiparado a industrial, não lhe cabendo, pois, o direito ao ressarcimento; Por conseguinte, sua pretensão revelase descabida, o que é finalmente comprovado pela ausência de escrituração do Livro de Apuração do IPI, obrigatório para as empresas industriais e equiparadas a industriais, conf. previsto no inciso II do § 4° do art. 16 da IN SRF n° 460/0;. Conforme dispõe o artigo 24, inciso III do RIPI/02 ( Decreto n° 4.544/02), os estabelecimentos equiparados a industriais passam a ser contribuinte do IPI com relação as operações que os equipararam, sujeitandose ao cumprimento das obrigações tributárias principal e acessória a que estão obrigados todos os estabelecimentos industriais, isto 6, além do pagamento do imposto estão obrigados a manter a escrituração fiscal pertinente; Descartada, portanto, a possibilidade de se qualificar como estabelecimento industrial ou equiparado a industrial, já que a requerente não apresentou cópia das notas fiscais das alegadas compras de matériaprima, produtos intermediários e material de embalagem, bem como não escritura o livro Registro de Apuração do IPI, obrigação a que estaria sujeita se fosse considerada industrial ou equiparada a industrial, conf. disposto Fl. 402DF CARF MF Impresso em 06/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/09/2016 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO, Assinado digitalme nte em 30/09/2016 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO, Assinado digitalmente em 04/10/2016 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA Processo nº 13873.000148/200530 Acórdão n.º 3201002.305 S3C2T1 Fl. 94 3 no § 7°, inciso VIII, do art. 369 do RIPI/02 (Decreto n° 4.544/02), acima citado; De qualquer modo, diverso do pretendido, se a empresa requerente, não sendo industrial, fosse equiparada a estabelecimento industrial, além de não ter direito ao ressarcimento, ainda estaria sujeita ao pagamento do IPI pelas “saídas" de seus produtos finais; Por outro lado, ato Declaratório SRF n.° 096, de 26/11/99, com base na Lei 5.172 de 25/10/66 Código Tributário Nacional arts. 165, 1, e 168, I, declara que o prazo para que o contribuinte possa pleitear a restituição de pagamento de tributo indevido ou pago a maior extinguese após o transcurso do prazo de 5 (cinco) anos, contado da data da extinção do crédito tributário,tornando incabível portanto a pretensão de ressarcimento de IPI dos últimos 10 (dez) anos como solicita o interessado; Uma das formas de extinção do crédito tributário prevista no artigo 156 do CTN é o pagamento. No caso especifico, o presente processo foi protocolizado em 09/06/2005, ficando claro, portanto, que a analise do presente processo não alcança os recolhimentos efetuados anteriormente a 09/06/2000 pela decadência do direito de se pleitear a restituição, pois decorreram mais de cinco anos entre as datas de pagamento e a data do pedido. O prazo de cinco anos a partir do pagamento é um prazo de decadência, que fulmina o direito de pleitear o retorno. Manifestada a inércia do administrado durante aquele período, acontece o fato jurídico da decadência ou caducidade, extintivo do seu direito.” Cientificada em 04/11/2009 (AR fl. 29), a interessada apresentou, tempestivamente, em 23/11/2005, manifestação de inconformidade (fls. 105/127) na qual, em síntese, alega que: Da Prescrição Mesmo que se admita pudesse o Sr. AFTN, de oficio, conhecer da prescrição ou decadência, já que CTN coloca os dois institutos no mesmo plano, as mesmas ainda não ocorreram para nenhum dos fatos geradores que geraram o direito ora invocado. Sob o primado da igualdade jurídica, em vista de a União, latu sensu, pode cobrar o contribuinte em até l1 anos, não pode ser o mesmo tolhido na cobrança do que lhe deve a União, em apenas 5 anos, ferindo, de forma frontal, a isonomia na questão de créditos e débitos, entre Fisco e Contribuintes. Sendo a escrituração e recolhimento do tributo feito por iniciativa exclusiva do Contribuinte, que apura e faz o autolançamento, e no caso concreto, não tendo havido qualquer homologação expressa, poderia o Fisco, em até 11 anos, rever o lançamento definitivamente homologado, após 5 anos de seu Fl. 403DF CARF MF Impresso em 06/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/09/2016 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO, Assinado digitalme nte em 30/09/2016 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO, Assinado digitalmente em 04/10/2016 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA 4 autolançamento, e cobrar eventual diferença, no primeiro dia útil seguinte à data da homologação tácita, que pode chegar, portanto, a 10 anos, 11 meses e 29 dias, para aqueles fatos geradores que ocorrem no primeiro dia útil do exercício financeiro. Sob qualquer ângulo do prisma em análise, verificase a inocorrência, tanto da decadência, como da prescrição, uma vez que não ocorreu nenhuma dos dies ad quem que possibilitem, se fosse admissível, o decreto de prescrição de parcelas a serem repetidas, ou de decadência do direito de recuperálas, seja esponte sua, seja administra, seja judicialmente. Do Mérito É uma empresa que atua no ramo de distribuição de bebidas (cervejas, refrigerantes, etc.), produtos que sujeitamse à incidência do IPI. Por razões promocionais e mercadológicas, referidos produtos são adquiridos com descontos incondicionais, lançados na respectiva nota fiscal. Sendo incondicional, relativamente à própria operação de saída do estabelecimento industrial, o valor do desconto deve ser excluído da base de cálculo do IPI, já que esta deve corresponder ao valor da operação, que tem por objetos mercadorias vendidas e bonificadas. Na Nota Fiscal emitida, no que se refere a esta operação, deve ser incluída a mercadoria que foi dada saída como bonificação, deduzindose o seu valor do preço total, como desconto ou abatimento. Sobre o valor apurado, é devido o imposto. O mandamento legal que determina a inclusão dos descontos incondicionais na base de cálculo do imposto contraria o art. 47 do Código Tributário Nacional, que tem, na ordem jurídica brasileira, o status de lei complementar. De fato, o caput do art. 47 do CTN enuncia, claramente, que a base de calculo possível do IPI é "o valor de que decorrer a saída da mercadoria." No que tange ao IPI, inobstante o contido no artigo 118 do RIPI, Decreto 2.637/98, cumprenos salientar que in casu prevalece o artigo 47, inciso II, letra "a", do Código Tributário Nacional, tido pela doutrina e jurisprudência como Lei Complementar à Constituição, que determina que a base de cálculo do IPI é o valor que decorrer a saída da mercadoria. Assim, de se concluir que a incidência do IPI sem se considerar a redução do preço em função dos descontos incondicionais afronta o diploma tributário nacional que dispõe em seu artigo 47, II, "a", que a base de cálculo do imposto é o valor da operação de que decorrer a saída da mercadoria. A manifestação de inconformidade foi julgada improcedente, com a seguinte ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Fl. 404DF CARF MF Impresso em 06/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/09/2016 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO, Assinado digitalme nte em 30/09/2016 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO, Assinado digitalmente em 04/10/2016 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA Processo nº 13873.000148/200530 Acórdão n.º 3201002.305 S3C2T1 Fl. 95 5 Período de apuração: 01/04/2000 a 31/03/2005 Ementa: RESSARCIMENTO. FALTA DE DOCUMENTAÇÃO COMPROBATÓRIA. Diferentemente da hipótese de lançamento de ofício, em que o Fisco deve comprovar a infração cometida, no caso de pedido de restituição ou ressarcimento cabe à parte interessada, que pleiteia o crédito, provar que possui o direito invocado. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/01/1995 a 31/03/2000 CRÉDITO DE IPI. PEDIDO DE RESSARCIMENTO. PRAZO PRESCRICIONAL. CINCO ANOS. O direito que o interessado tem para pleitear o ressarcimento do crédito de IPI, mediante apresentação do “pedido de ressarcimento” à SRF, prescreve no prazo de cinco anos, a contar da data do fato do qual se origine. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Em sede de recurso voluntário, a Recorrente reiterou as razões de manifestação de inconformidade. É o relatório. Voto Conselheira Ana Clarissa Masuko dos Santos Araujo, Relatora O presente recurso preenche as condições de admissibilidade, pelo que dele tomo conhecimento. Dos autos, verificase , inicialmente, que a discussão acerca da prescrição de parte dos créditos pleiteados, uma vez que a Recorrente defende aplicável à hipótese do prazo dos "cinco mais cinco", na forma definida pelo Superior Tribunal de Justiça. Destarte, verificase que em 08/06/2005, ingressou com seu pedido de ressarcimento de créditos de IPI, supostamente pagos indevidamente, em virtude de descontos incondicionais sobre as bebidas comercializadas pela Recorrente. Por conseguinte, definido pelo Superior Tribunal de Justiça que o prazo de cinco anos do art.168, I, do CTN, alterado pelo art. 3º da Lei Complementar nº 118 /2005, para pleitear a repetição de valores recolhidos indevidamente como tributo, aplicase às demandas ajuizadas a partir de 09/06/2005, sujeitar seia a Recorrente à regra anterior, de dez anos. Fl. 405DF CARF MF Impresso em 06/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/09/2016 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO, Assinado digitalme nte em 30/09/2016 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO, Assinado digitalmente em 04/10/2016 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA 6 Contudo, a análise dessa questão, especialmente se o pedido administrativo de ressarcimento à revelia das formalidade exigidas, cumpriria esse efeito, fica prejudicada pela questão das provas do direito pleiteado. Verificouse, contudo, que a Recorrente, intimada e reintimada, por diversas vezes, a apresentar o Livro de Apuração do IPI e formulário de pedido de restituição, nos moldes da INSRF n. 460/2004, e apresentar outros esclarecimentos pleiteados, quedouse omissa. Apenas após a emissão do despacho decisório, apresentou, tãosomente, planilha em que levanta valores de IPI, que supostamente teria pago a maior Entretanto, a compensação é constituída normativamente por declaração produzida pelo próprio contribuinte, que constitui a relação de indébito do Fisco e promove atos para a extinção da obrigação tributária, nos termos do art. 156, II do CTN, ficando sujeita a posterior homologação, i.e., submetese ao poderdever da Administração de verificação de sua regularidade. Por essa razão, é ônus do contribuinte comprovar a liquidez e certeza de seu direito creditório, conforme determina o caput do art.170 do CTN, devendo demonstrar de maneira inequívoca a sua existência. Assim sendo, por todos os motivos expostos, nego provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Ana Clarissa Masuko dos Santos Araujo Fl. 406DF CARF MF Impresso em 06/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/09/2016 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO, Assinado digitalme nte em 30/09/2016 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO, Assinado digitalmente em 04/10/2016 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA
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