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Numero do processo: 13805.002754/96-60
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jun 19 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Aug 22 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 30/07/1991 a 30/03/1992
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. ADMISSIBILIDADE.
São admissíveis os embargos de declaração para sanar vícios de obscuridade, omissão ou contradição entre a decisão e os seus fundamentos, ou ainda, for omitido ponto sobre o qual a turma deveria se pronunciar.
CONCOMITÂNCIA ENTRE PROCESSO ADMINISTRATIVO E JUDICIAL. AÇÃO JUDICIAL.
De acordo com a Súmula CARF nº 1 importa em renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo Contribuinte de ação judicial.
Embargos de Declaração acolhidos com efeitos infringentes
Numero da decisão: 3301-004.745
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, acolher os embargos com efeitos infringentes para não conhecer do recurso voluntário devido a existência de concomitância entre as instâncias administrativa e judicial.
(assinado digitalmente)
Winderley Morais Pereira - Presidente.
(assinado digitalmente)
Valcir Gassen - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Winderley Morais Pereira, Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Salvador Cândido Brandão Junior, Ari Vendramini, Semíramis de Oliveira Duro e Valcir Gassen.
Nome do relator: VALCIR GASSEN
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ADMISSIBILIDADE. São admissíveis os embargos de declaração para sanar vícios de obscuridade, omissão ou contradição entre a decisão e os seus fundamentos, ou ainda, for omitido ponto sobre o qual a turma deveria se pronunciar. CONCOMITÂNCIA ENTRE PROCESSO ADMINISTRATIVO E JUDICIAL. AÇÃO JUDICIAL. De acordo com a Súmula CARF nº 1 importa em renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo Contribuinte de ação judicial. Embargos de Declaração acolhidos com efeitos infringentes Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, acolher os embargos com efeitos infringentes para não conhecer do recurso voluntário devido a existência de concomitância entre as instâncias administrativa e judicial. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Presidente. (assinado digitalmente) Valcir Gassen Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 80 5. 00 27 54 /9 6- 60 Fl. 306DF CARF MF Processo nº 13805.002754/9660 Acórdão n.º 3301004.745 S3C3T1 Fl. 299 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Winderley Morais Pereira, Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Salvador Cândido Brandão Junior, Ari Vendramini, Semíramis de Oliveira Duro e Valcir Gassen. Relatório Tratase de Embargos de Declaração (fls. 276 e 277) interpostos pela Procuradoria Geral da Fazenda Nacional, em 17 de julho de 2017, contra decisão consubstanciada no Acórdão nº 3301003.855 (fls. 270 a 274), de 27 de junho de 2017, proferido pela 1ª Turma Ordinária da 3ª Câmara da Terceira Seção de Julgamento do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – CARF – que, por unanimidade de votos, deu provimento ao Recurso Voluntário apresentado pelo Contribuinte. Adoto e cito o relatório do Acórdão ora embargado com o intuito de elucidar a matéria e também por economia processual: Tratase de Recurso Voluntário (fls. 191 a 199) interposto pelo Contribuinte, em 16 de abril de 2004, contra decisão consubstanciada no Acórdão nº 04.467 (fls. 173 a 178), de 18 de dezembro de 2003, proferido pela 3ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Salvador (BA) – DRJ/SDR – que julgou, por unanimidade de votos, procedente em parte o lançamento. Visando a elucidação do caso e a economia processual adoto e cito o relatório do referido Acórdão: Neste processo a contribuinte impugna o Auto de Infração (AI) lavrado para exigência do crédito tributário de 36.027,84 UFTR, relativo A. Contribuição para o FINSOCIAL do período de 30/07/1991 a 30/03/1992 (fls. 107 a 114). 2. A base legal utilizada foi o art. 1º, § 1º, do DecretoLei n° 1.940, de 1982, arts. 16, 80 e 83 do Regulamento do FINSOCIAL, aprovado pelo Decreto n° 92.698, de 1986, e art. 28 da Lei n° 7.738, de 1989. O autuante aplicou a alíquota de 2,0% (dois por cento) e multa de oficio de 100%. 3. Consta na descrição dos fatos, anexo ao AI, que a contribuinte foi autuada por falta de recolhimento da Contribuição para o FINSOCIAL sobre o faturamento, relativamente ao período de jul/1991 a mar/1992. Noticia o Termo de fl. 115 que o crédito tributário encontrase suspenso, por força da Medida Cautelar n° 91.06822738, com correspondente Ação Ordinária n° 91.07287879. 4. Ciente do feito em 19/03/1996, a autuada interpôs impugnação em 18/04/1996 (fls. 116/120), requerendo o cancelamento do AI, porque seria incabível a sua lavratura pela existência de pendência judicial, com exigibilidade suspensa; e que a autuação pretende a cobrança A. alíquota de 2%, quando a determinação judicial valida se somente feita a 0,5%. Questiona a incidência da TRD, de juros e multa de 100%. Fl. 307DF CARF MF Processo nº 13805.002754/9660 Acórdão n.º 3301004.745 S3C3T1 Fl. 300 3 5. Em face da transferência de competência para julgamento, prevista no anexo único da Portaria SRF n° 1.033, de 27/08/2002, o presente processo foi encaminhado a esta Delegacia de Julgamento. Tendo em vista a negativa parcial do Acórdão da 3ª Turma da DRJ/SDR, que, por unanimidade de votos, julgou procedente em parte o lançamento, o Contribuinte ingressou com Recurso Voluntário, em 16 de abril de 2004, visando reformar a referida decisão. A Primeira Câmara do Terceiro Conselho de Contribuintes, por meio da Resolução nº 3011.904 (fls. 232 a 243), de 18 de outubro de 2007, resolveu converter o julgamento em diligência para verificar se a conversão de depósitos da recorrente em renda da União foi suficiente para liquidação dos débitos remanescentes. Em 25 de março de 2009, a Delegacia da Receita Federal do Brasil em Belo Horizonte, por intermédio do Serviço de Controle e Acompanhamento Tributário, Equipe de Cálculo e Revisão de Crédito Sub Júdice prestou as informações requeridas (fls. 250). Os embargos ora analisados visam sanar alegadas contradições presentes no Acórdão nº 3301003.855 que foi assim ementado: ASSUNTO: OUTROS TRIBUTOS OU CONTRIBUIÇÕES Período de apuração: 30/07/1991 a 30/03/1992 CONCOMITÂNCIA ENTRE PROCESSO ADMINISTRATIVO E JUDICIAL. DEPÓSITO. CONVERSÃO EM RENDA. Confirmado em decisão judicial transitada em julgado a conversão de depósitos em renda da União e sendo suficiente para a liquidação dos débitos remanescentes, não há que subsistir o auto de infração concernente. Recurso Voluntário provido. Em relação a esta decisão a Procuradoria Geral da Fazenda Nacional interpôs Embargos de Declaração visando sanar alegada contradição no referido acórdão. É o relatório. Voto Conselheiro Valcir Gassen Relator Tratase de Embargos de Declaração interpostos pela Procuradoria da Fazenda Nacional em face ao Acórdão nº 3301003.855 de forma tempestiva e com o atendimento dos requisitos legais. O art. 65 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 256 de 22 de junho de 2009, repetidos pelo art. 65 do RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 9 de junho de 2015, prevê a possibilidade de interposição de Embargos de Declaração nos seguintes termos: Fl. 308DF CARF MF Processo nº 13805.002754/9660 Acórdão n.º 3301004.745 S3C3T1 Fl. 301 4 Art. 65. Cabem embargos de declaração quando o acórdão contiver obscuridade, omissão ou contradição entre a decisão e os seus fundamentos, ou for omitido ponto sobre o qual deveria pronunciarse a turma. §1º Os embargos de declaração poderão ser interpostos, mediante petição fundamentada dirigida ao presidente da Turma, no prazo de 5 (cinco) dias contado da ciência do acórdão. A Procuradoria da Fazenda Nacional alega em seus embargos que a Turma de Julgamento não se pronunciou sobre o afastamento da Súmula CARF nº 1 e assim expõe (fls. 276 e 277): A e. Turma não se pronunciou sobre o afastamento da Súmula CARF no 1, que assim dispõe: “Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial”. O Ato Declaratório Normativo Cosit – ADN no 03, de 14 de fevereiro de 1996 (DOU 15/02/1996) é cristalino ao dispor que, litteris: “(...) a) a propositura pelo contribuinte, contra a Fazenda, de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou posteriormente à autuação, com o mesmo objeto, importa a renúncia às instâncias administrativas, ou desistência de eventual recurso interposto;” (Grifos nossos). O ato normativo acima citado veio consolidar, administrativamente, uma interpretação já consagrada na jurisprudência do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, cujo conteúdo básico ora se extrai do voto do Ilmo. Relator, Vilson Biadola, no acórdão 10318.617, verbis: “(...) Desta forma, não sendo nulo o lançamento, mas apenas passível de exclusão de valores indevidos nele constantes, resta examinar o fato do sujeito passivo estar discutindo a mesma matéria na esfera judicial. Neste aspecto, é importante tecer alguns comentários sobre os julgamentos administrativos. Estes se revestem como um autocontrole da legalidade dos atos administrativos, que gozam de uma presunção relativa de legalidade e, em princípio, se reputam válidos. Assim, esta presunção de legalidade admite prova em contrário e, a administrativa jurisdicional, exercendo o controle da legalidade de seus atos ao decidir se a pretensão do Fisco está ou não de acordo com a lei. No entanto, tal autocontrole não impede o controle do Poder Judiciário, quando este for impulsionado pelo sujeito passivo à apreciação do ato administrativo. Mas o controle do judiciário se sobrepõe ao controle administrativo, ou autocontrole, porquanto não se pode excluir do Poder Judiciário ameaça ou lesão a direito individual, conforme previsto no artigo 5o, XXXV, da Constituição Federal. Desta forma, sujeitandose os atos administrativos às discrições do Poder Judiciário, por princípio, se o contribuinte ingressar na via judicial, estará renunciando às instâncias administrativas, uma vez que qualquer decisão administrativa que for prolatada não terá eficácia frente à decisão judicial, que a ela se sobrepõe. Destarte, tornase ilógico continuar os procedimentos administrativos judicantes, quando judicialmente se discute idêntica matéria e com a mesma finalidade. Existindo controvérsia já estabelecida previamente no judiciário, sobre uma determinada hipótese jurídica – (...) – não é possível admitirse uma discussão Fl. 309DF CARF MF Processo nº 13805.002754/9660 Acórdão n.º 3301004.745 S3C3T1 Fl. 302 5 sobre a mesma questão através de ato administrativo de revisão, pois a solução desta jamais poderá sobreporse àquela.” (Grifos nossos) A leitura acima citada não deixa qualquer dúvida no sentido de que propositura – por qualquer que seja a modalidade processual – de ação judicial contra a Fazenda Nacional, antes ou posteriormente à autuação, com o mesmo objeto, importa, por parte do interessado, renúncia tácita às instâncias administrativas e desistência de eventual recurso interposto. Ora, se a pessoa jurídica está amparada por decisão judicial, então não há discussão administrativa a ser travada. Tratase de simples cumprimento da decisão pelos órgãos de execução. Na via administrativa, não há o que ser debatido ou decidido. Este Conselho não pode “ordenar” os órgãos de execução a cumprirem uma decisão judicial. Esta competência é do próprio Poder Judiciário. Dessa forma, requer a União (Fazenda Nacional) o conhecimento e o provimento do presente recurso para sanar a contradição exposta, pois se a Turma reconheceu a concomitância entre as esferas, administrativa e judicial, a consequência seria o não conhecimento do recurso voluntário, e não, o seu provimento. Diante do alegado verificase que a admissibilidade dos embargos se deu por intermédio do Despacho em Embargos nº 3301S/Nº em 14 de setembro de 2017 pelo il. Conselheiro Luiz Augusto do Couto Chagas. A seguir trechos para bem contextualizar o entendimento acerca da admissibilidade (fls. 289): (...) Relendo o relatório e o voto condutor, constatase que a contribuinte alegava já em 2004 a existência de decisão judicial que a isentava do pagamento de alíquota majorada sobre o Finsocial. Mais adiante, em 2007, efetuou a juntada de documentos que levaram a converter o julgamento em diligência, com o propósito de aferir se a transformação dos depósitos judiciais em renda da União teria sido bastante para liquidar os débitos remanescentes, com base na alíquota confirmada pelo Tribunal Regional Federal da 3a Região, cuja decisão já teria transitado em julgado no dia 08/05/1997 (fls. 272 e 273). Em resposta à demanda do Conselho, a DRF Belo Horizonte informou em 2009 a suficiência dos depósitos em causa, o que deu ensejo ao voto pelo provimento do Recurso Voluntário, com vistas a anular o auto de infração. Com a leitura desse contexto, argumenta a Fazenda Nacional que, ao discernir a coexistência entre os processos administrativo e judicial, a e. Turma não deveria conhecer o recurso. Por outro lado, ao se decidir pelo provimento, o Colegiado deveria então pronunciar se sobre o afastamento da Súmula CARF no 1, que assim dispõe: Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. Em acréscimo, a embargante comenta que, se a pessoa jurídica está amparada por determinação judicial, não há discussão administrativa a ser travada, tratandose de simples cumprimento da sentença pelos órgãos de execução. Em outras palavras, o Fl. 310DF CARF MF Processo nº 13805.002754/9660 Acórdão n.º 3301004.745 S3C3T1 Fl. 303 6 Conselho “[...] não pode ‘ordenar’ os órgãos de execução a cumprirem uma decisão judicial [...]”, posto que essa competência seria do próprio Poder Judiciário. De fato, objetivamente, os argumentos trazidos pela PGFN são consistentes e merecem atenção, mormente porque outros julgados recentes do CARF, via de regra, vêm aplicando sistematicamente a Súmula no 1 (e.g., acórdãos nos 1201 001.863, 2401004.994, 3302004.719 e 3201003.131). Com efeito, a descrição do vício está lastreada em argumentação específica e suficiente para a admissibilidade dos embargos, cujo mérito, no entanto, deve ser oportunamente apreciado pela Turma Julgadora. Convém notar que o presente despacho não determina se, efetivamente, ocorreu a contradição alegada. Nesse sentido, o exame de admissibilidade não se confunde com a apreciação do mérito dos embargos, que é tarefa a ser empreendida subsequentemente pelo Colegiado. (...) De fato, a contradição alegada pela Fazenda Nacional procede, visto que se no voto, por um lado, se constata a existência da concomitância, por outro lado, votase em conhecer e dar provimento ao recurso do Contribuinte. Assim o relator se expressou em alguns trechos do voto (fls. 272): (...) O Contribuinte, por meio do Recurso Voluntário apresentado, alega que há, na esfera judicial, decisão que isenta o mesmo do pagamento da alíquota majorada em 2% anterior, inclusive, ao ora analisado Auto de Infração. Nesse mesmo sentido, aduz que a exigibilidade do crédito tributário está suspensa, uma vez que houve o depósito judicial e isso impossibilita, também, a cobrança dos juros moratórios exigidos no Auto de Infração. Tendo isso em vista, requer o Contribuinte, em seu Recurso Voluntário, que seja anulado o referido Auto de Infração. O Contribuinte, por meio de Requerimento (fls. 225 e 226), em 6 de setembro de 2007, efetuou a juntada de documentos que visam comprovar sua versão dos fatos. (...) Isto posto, diante da decisão de converter o julgamento em diligência para se apurar a conversão de depósitos em renda da União, e, da comprovação pela Equipe de Cálculo e Revisão de Crédito Sub Júdice quanto a suficiência dos depósitos judiciais efetuados na ação no. 91.06822738, constatase que os débitos estão devidamente lastreados pelos depósitos judiciais. Diante dos autos do processo, da legislação aplicável e, principalmente, da resposta ao pedido de diligência supra citada, voto por dar provimento ao Recurso Voluntário apresentado pelo Contribuinte, anulando o referido auto de infração. Percebese que na decisão ora embargada há a contradição por se entender pela concomitância entre as instâncias administrativa e judicial e, ao mesmo tempo, fazer o julgamento na esfera administrativa em que se dá provimento ao Recurso Voluntário. O correto neste caso, devido a concomitância existente, é decidir pelo não conhecimento do recurso. A Súmula CARF nº 1 assim estabelece quanto a concomitância: Súmula CARF nº 1: Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou Fl. 311DF CARF MF Processo nº 13805.002754/9660 Acórdão n.º 3301004.745 S3C3T1 Fl. 304 7 depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. Com isso considerado, em específico a Súmula CARF nº 1, voto por acolher os Embargos de Declaração da Fazenda Nacional com efeitos infringentes, com o não conhecimento do recurso voluntário devido a existência de concomitância entre as instâncias administrativa e judicial. (assinado digitalmente) Valcir Gassen Fl. 312DF CARF MF
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Numero do processo: 10660.722223/2015-04
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Mon Jun 11 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Jul 19 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Simples Nacional
Ano-calendário: 2010, 2011
DILIGÊNCIA/PERÍCIA.
A realização de diligência/perícia não se presta à produção de provas que o sujeito passivo tinha o dever de trazer à colação junto com a peça impugnatória.
PRESUNÇÃO LEGAL - OMISSÃO DE RECEITAS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS SEM COMPROVAÇÃO DA ORIGEM.
Caracterizam-se como omissão de receita ou de rendimento, por presunção legal - juris tantum - os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações.
ÔNUS DA PROVA. Cabe ao contribuinte desfazer a presunção legal com documentação própria e individualizada que justifique os ingressos ocorridos em suas contas correntes de modo a garantir que os créditos/depósitos bancários não constituem fato gerador do tributo devido, haja vista que pela mencionada presunção, a sua existência (créditos/depósitos bancários), desacompanhada da prova da operação que lhe deu origem, espelha omissão de receitas, justificando-se sua tributação a esse título.
LANÇAMENTO REFLEXO. OMISSÃO DE RECEITAS - CSLL, PIS, Cofins, CPP e ISS
O decidido em relação ao IRPJ aplica-se às exigências reflexas em virtude da relação de causa e efeitos entre eles existentes.
Numero da decisão: 1201-002.234
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da relatora.
(assinado digitalmente)
Ester Marques Lins de Sousa - Presidente e Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, José Carlos de Assis Guimarães, Eva Maria Los, Luis Fabiano Alves Penteado, Paulo Cezar Fernandes de Aguiar, Gisele Barra Bossa, Bárbara Santos Guedes (suplente convocada em substituição à ausência do conselheiro Rafael Gasparello Lima) e Luis Henrique Marotti Toselli. Ausente justificadamente o conselheiro Rafael Gasparello Lima.
Nome do relator: ESTER MARQUES LINS DE SOUSA
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A realização de diligência/perícia não se presta à produção de provas que o sujeito passivo tinha o dever de trazer à colação junto com a peça impugnatória. PRESUNÇÃO LEGAL OMISSÃO DE RECEITAS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS SEM COMPROVAÇÃO DA ORIGEM. Caracterizamse como omissão de receita ou de rendimento, por presunção legal juris tantum os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. ÔNUS DA PROVA. Cabe ao contribuinte desfazer a presunção legal com documentação própria e individualizada que justifique os ingressos ocorridos em suas contas correntes de modo a garantir que os créditos/depósitos bancários não constituem fato gerador do tributo devido, haja vista que pela mencionada presunção, a sua existência (créditos/depósitos bancários), desacompanhada da prova da operação que lhe deu origem, espelha omissão de receitas, justificandose sua tributação a esse título. LANÇAMENTO REFLEXO. OMISSÃO DE RECEITAS CSLL, PIS, Cofins, CPP e ISS O decidido em relação ao IRPJ aplicase às exigências reflexas em virtude da relação de causa e efeitos entre eles existentes. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 66 0. 72 22 23 /2 01 5- 04 Fl. 1519DF CARF MF 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da relatora. (assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa Presidente e Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, José Carlos de Assis Guimarães, Eva Maria Los, Luis Fabiano Alves Penteado, Paulo Cezar Fernandes de Aguiar, Gisele Barra Bossa, Bárbara Santos Guedes (suplente convocada em substituição à ausência do conselheiro Rafael Gasparello Lima) e Luis Henrique Marotti Toselli. Ausente justificadamente o conselheiro Rafael Gasparello Lima. Relatório Por economia processual e considerar pertinente adoto o Relatório da decisão recorrida (efls.1473/1490) que transcrevo a seguir: Contra a empresa acima qualificada foram lavrados os autos de infração, às fls. 03/110, para exigência de crédito tributário decorrente do SIMPLES NACIONAL, relativo aos anos calendário 2010 e 2011, nos seguintes montantes, aí incluídos os juros moratórios e a multa de ofício calculados até 11/2015: IRPJ de R$ 16.531,62, PIS/PASEP de R$ 11.841,49, CSLL de R$ 16.137,64, COFINS de R$ 47.062,45, CPP de R$ 137.422,09 e ISS de R$ 117.016,87. Conforme descrito no Termo de Verificação Fiscal (fls. 118/125), que é parte integrante do Auto de Infração, a contribuinte foi autuada por omissão de receitas apurada com base no art. 42 da Lei nº 9.430/96, aplicável às pessoas jurídicas optantes do Simples Nacional (conforme art. 34 da LC nº 123/2006), em razão de não ter comprovado a origem de créditos bancários em contas de sua titularidade, após regular intimação. A fiscalização informa que a seleção da contribuinte foi oriunda da investigação deflagrada pela Polícia Federal, Ministério Público e Receita Federal do Brasil, junto a prefeituras da região, tendo sido, inclusive, aberto por decisão judicial o sigilo fiscal e bancário, que resultou na prisão, busca e apreensão em diversas residências, empresas e prefeituras, entre outros locais, culminando em vários processos de investigação por envolvimento em práticas delituosas, inclusive crime de sonegação fiscal (“Operação Metástase”). Destaca o autuante que a descrição dos fatos no Termo de Verificação e em toda documentação apresentada durante os procedimentos fiscais, bem como as planilhas demonstrativas de apuração dos tributos devidos reportamse aos anoscalendário 2010 a 2012. Entretanto para atender o disposto na legislação de apuração do crédito tributário, o auto de infração e processo da ação referida Fl. 1520DF CARF MF Processo nº 10660.722223/201504 Acórdão n.º 1201002.234 S1C2T1 Fl. 1.520 3 reportamse somente às informações prestadas na Declaração Anual do Simples Nacional – DASN dos anos de 2010 e 2011, sendo que o auto de infração e processo relativos às informações prestadas no PGDASD do anocalendário 2012 estão consolidados sob a ação fiscal nº 01706106000000000010942/201528. Tal procedimento visa atender a regulamentação do Manual do Simples Nacional ocorrida somente a partir de agosto de 2015 devido às restrições na emissão de autos incluindo esses períodos até a data do lançamento. A ação fiscal teve início com a ciência da contribuinte do Termo de Início da Ação Fiscal em 19/02/2014, às fls. 158/162, por meio do qual a empresa foi intimada a apresentar Livros Diário e Razão, arquivos digitais da contabilidade, notas fiscais de entradas e saídas e ainda o Livro Caixa, se optou pela escrituração simplificada, entre outros esclarecimentos, relativos aos anoscalendário de 2010 a 2012, tendo a contribuinte apresentado arquivos em meio magnético e notas fiscais em 11/03/2014. Posteriormente foi intimada a apresentar cópias dos extratos bancários do período fiscalizado e a apresentar demonstrativo de apuração do Simples Nacional, discriminando a composição das receitas mensais, por nota fiscal, data, CNPJ do cliente, nome do cliente e valor, o que foi atendido, e após análise dos extratos bancários, foi intimada a comprovar de forma individual a origem dos recursos ingressados em suas contas bancárias, acompanhada de documentação hábil e idônea (planilha anexa ao Termo de Intimação nº 03, às fls. 574/593). A fiscalização fez diversas exclusões amparadas na legislação sobre a matéria, tais como devolução de pagamento, estornos, operações de crédito, resgates etc., cientificando a interessada no citado Termo de Intimação nº 03, tendo a contribuinte apresentado esclarecimentos em 23/12/2014, que após análise fiscal, resultaram no Termo de Intimação e Constatação Fiscal nº 4, cientificando a contribuinte dos créditos remanescentes a comprovar a origem. A contribuinte apresentou em 09/06/2015 resposta ao Termo de Constatação e Intimação 4 retificado (28/04/2015, fls.668/672), às fls. 675/806, tendo sido verificado pela fiscalização que as notas fiscais apresentadas já haviam sido relacionadas nas respostas de 11/03/2014 e discriminadas nas planilhas apresentadas em 21/10/2014 e os valores indicados nas planilhas de apuração do Simples Nacional e informados nas DASN dos anos de 2010 e 2011 e nos PGDASD de 2012, e que as notas nº 123, 124 e 125 se referem ao ano de 2013, que não é objeto da fiscalização, deixando de apresentar documentação ou prestar informações em relação aos créditos a comprovar que estava sendo intimada. Fl. 1521DF CARF MF 4 No Termo de Verificação Fiscal, às fls. 118/125, a auditoria esclarece sobre os demonstrativos de apuração elaborados, nos seguintes termos: a) planilha 1 – da apuração dos créditos e receitas apuradas nos anoscalendário 2010 a 2012 que resultou do cotejamento das receitas escrituradas e declaradas em confronto com os créditos recebidos e registrados na movimentação financeira da empresa, discriminados mensalmente, originados ainda do confronto dos esclarecimentos apresentados pela interessada (fls. 126/128) b) a apuração dos créditos não comprovados e receitas apuradas é resultado do levantamento extraído da documentação, das planilhas das receitas em CD, arquivos fiscais e contábeis e esclarecimentos dos créditos movimentados em suas contas bancárias, especialmente as respostas de 23/12/2014 e 02/02/2015, por meio das planilhas esclarecimentos e origens dos créditos, apresentadas pela empresa e em anexo aos trabalhos. c) a coluna 2 da planilha 1 da apuração dos créditos e receitas apuradas discrimina diversos créditos que a empresa apenas indicou ser oriundos de recebimentos de outros serviços prestados, como exemplo: “patrocínio”, “patrocínio e venda de ingressos”, “locação rodeio”, “venda de ingressos”, “recebimento referente a praça de alimentação”, entre outros, mas que na realidade a mesma não apresentou nenhum documento que justifica a origem dos créditos e, portanto, não foram comprovados . Estão discriminados individualizadamente na planilha 2, dos créditos indicados nos esclarecimentos e não comprovados (fls. 129/134) d) na coluna 3 da mesma planilha 1 estão discriminados os créditos mensais sem nenhuma indicação e comprovação por parte da interessada, também extraídos da mesma planilha resposta referida acima. Estão discriminados individualizadamente na planilha 3, dos créditos não comprovados sem nenhum esclarecimento (fls. 135/142). e) ainda na planilha 1, coluna 5, estão discriminadas mensalmente as escrituradas e receitas informadas nas DASN e DEFIS dos anoscalendário de 2010 a 2012. Estão discriminadas também na planilha 4, dos créditos comprovados de receitas escrituradas declaradas e informadas pela interessada (fls. 143/157). f) todos os créditos recebidos oriundos de notas fiscais das receitas escrituradas, informadas na DASN e DEFISC relativos aos períodos 01/2010 a 12/2012 e indicados na planilha resposta de 23/12/2014 pela interessada, foram comprovados e excluídos dos trabalhos. Ainda foram excluídos dos trabalhos os créditos relativos a liberação desconto, adiantamento operações de desconto, liberação operação, cessão de crédito, entre outros. O levantamento referido, basicamente, teve por base o cotejamento dos créditos registrados nas contas bancárias e os esclarecimentos apresentados pela mesma e dos registros das notas fiscais dos serviços prestados discriminadas nas planilhas, Fl. 1522DF CARF MF Processo nº 10660.722223/201504 Acórdão n.º 1201002.234 S1C2T1 Fl. 1.521 5 confrontando mensalmente com os valores informados nas declarações com objetivo de verificar valores devidos a título de SIMPLES NACIONAL. g) as diferenças mensais serão transferidas para o auto de infração do Simples Nacional e a devida apuração dos valores devidos e acréscimos legais conforme disposto na legislação em destaque no próprio auto de infração. h) diligência efetuada junto à Prefeitura Municipal de Três Corações certificamos que as notas fiscais emitidas por serviços prestados pela fiscalizada foram declaradas e recebidas. i) no procedimento em questão, após análise de movimentação financeira expressiva da empresa e muito divergente dos valores das receitas informadas pela mesma nas declarações do Simples Nacional, aprofundamos nos serviços prestados e identificamos em todos períodos fiscalizados vários créditos que a fiscalizada intimada a esclarecer a origem com documentos hábeis e idôneos, a maior parte nenhum esclarecimento e comprovação foi apresentada. j) nos trabalhos ficou claro que a empresa informou receita mensal em todos os períodos dos anoscalendário de 2010 a 2012, após as vinculações dos créditos e valores declarados nas DASN e DEFISC ou PGDASD, apuramos receitas oriundas de créditos não comprovados, no valor total de R$1.607.638,69, conforme demonstramos nas planilhas 1 das diferenças apuradas e planilhas 2 e 3 dos créditos não comprovados. l) essa atitude e forma praticada pela fiscalizada caracteriza a intenção clara de não apurar e não informar e não pagar valores devidos aos cofres públicos, e ainda de forma sistemática e reiterada em todos os períodos fiscalizados. Cientificada do lançamento em 17/11/2015, conforme AR, às fls. 954, a empresa apresentou impugnação ao lançamento em 15/12/2015, às fls. 959/968, acompanhada dos documentos, às fls. 969/1462, alegando, em síntese: a autuação foi feita, segundo o agente fiscalizador, baseada em dados de conta corrente do autuado, onde teriam sido detectadas receitas ou faturamentos não declarados nas DASN (Declaração Anual do Simples Nacional) feita pelo empreendedor. com base nos supostos rendimentos conseguidos através da conta corrente exigiu o agente autuador demonstração de todas as origens de débitos e créditos formalmente, constantes da conta corrente, entretanto como a empresa não teria conseguido demonstrar documentalmente as receitas e despesas foi presumido pelo agente público que houve sonegação de receita nas declarações DASN. diante de sua presunção, o agente autuou a empresa tendo por base os depósitos efetuados em sua conta corrente, excluídos os Fl. 1523DF CARF MF 6 empréstimos bancários e operações de desconto depositados em sua conta corrente. com base em suas presunções, autuou a empresa em valores astronômicos para sua capacidade de pagamento e seus rendimentos, conforme todas as declarações feitas nas DASN e no imposto de renda da pessoa jurídica e mesmo física, conforme pode ser comprovado, restando como única alternativa para trazer de volta o agente autuador à realidade, o sucesso no presente recurso, sob pena de absoluta falência e insolvência. a empresa autuada sempre cumpriu com suas obrigações tributárias fez suas declarações nos exatos termos de seu faturamento na forma prevista para o micro empreendedor, no caso, nos anos anteriores a 2012, dispensado de contabilidade e, portanto, sem precisar escriturar nenhum livro, conforme legislação própria. a partir de 2012 a empresa passou a fazer a contribuição através do DEFIS Declaração de Informações Socioeconômicas e Fiscais, também dentro da exclusiva realidade de faturamento da empresa. ocorre que nos anos de 2012 e 2013 alguns municípios foram fiscalizados em razão de superfaturamento de festas, shows e eventos de exposições agropecuárias e a empresa autuada, por ter tido contratos com alguns Municípios também foi fiscalizada. a empresa abriu suas contas para demonstrar que jamais havia participado de quaisquer eventos de forma desonesta ou com superfaturamento, o que de fato restou demonstrado, contudo, veio a tona um defeito da empresa que foi a informalidade da movimentação de sua conta corrente. como a legislação aplicada à empresa autuada não exigia maiores formalidades, senão as declarações anuais, a empresa não cuidou de movimentar as contas nos exatos termos das declarações, permitindo e recebendo valores em sua conta corrente pertencentes a terceiros com débitos e créditos que não eram de fato faturamento na movimentação das mesmas, ou seja, recebeu valores de barraqueiros de exposição, de donos de bares também das exposições, patrocinadores de cantores, repasses para pagamentos de Prefeituras, entre outros. desta forma a conta corrente da empresa autuada jamais espelhou a realidade de seu faturamento, mas sim as declarações anuais, conforme previa a legislação aplicada e por óbvio não poderia servir de base para demonstrar faturamento, porque de fato não era a realidade da empresa. a única forma de demonstrar que a conta corrente da empresa não refletia a realidade de seu faturamento era o rastreamento de todos os pagamentos feitos e depósitos recebidos, o que não foi feito pela fiscalização, que ao contrário simplesmente presumiu que todos os depósitos da empresa eram faturamento, o que não é verdade. assim, com as devidas vênias, o procedimento restou incompleto não traduziu a realidade dos fatos e foi concluído Fl. 1524DF CARF MF Processo nº 10660.722223/201504 Acórdão n.º 1201002.234 S1C2T1 Fl. 1.522 7 com uma situação mais que catastrófica para a empresa, por ser totalmente descabido. o simples bom senso demonstra o absurdo da conclusão do procedimento, basta analisar a evolução do patrimônio da empresa e dos sócios, que estavam e estão à disposição de informações do Fisco para se conscientizar que seria totalmente impossível tal faturamento e muito mais os lucros presumidos. se periciados todos os documentos já apresentados e os depósitos feitos na conta corrente da empresa, com origem das contas e os depósitos feitos da empresa para outras contas, certamente todos serão identificados e todos deverão prestar contas de seus rendimentos, não somente a empresa autuada, conforme ocorreu e que não traduziu a realidade. na análise das declarações apresentadas facilmente se verifica que não houve lucro da forma apresentada pelo Fisco, tornando indevidos o arbitramenteo e as multas aplicadas. também se equivocou o fiscal ao relatar que não identificou qualquer valor no sistema nas DASN no ano de 2012, enquanto que a partir daquele período já se apresentava a DEFIS. na verdade, descaracterizado, como de fato deve ser, o lançamento por presunção, todos os lançamentos ficaram comprometidos, uma vez que não traduziram a realidade, para piorar ainda mais a situação, o agente público aplicou a multa de 150% sobre o suposto valor devido por caracterizar má fé na suposta supressão da receita. desde que foi instaurado o procedimento relativo ao superfaturamento de shows e eventos promocionais que o impugnante abriu suas contas espontaneamente aos fiscais da receita, mesmo porque precisa terminantemente demonstrar que jamais obteve qualquer rendimento ilícito, contudo foi imensamente prejudicado pela movimentação existente em sua conta corrente que efetivamente não foi sua receita ou arrecadação. não tem como a empresa alegar que não houve o movimento e que foi um erro, contudo tem como provar através de prova pericial de onde vieram os valores e para onde foram, cabendo à Receita, cobrar dos reais proprietários a movimentação de suas contas e se está de acordo com os rendimentos físico e jurídico de quem movimentou e descobrir de quem eram os valores, situação impossível para o autuado, uma vez que de fato não teve comprovante da movimentação. a partir do anocalendário 2012, as informações socioeconômicas e fiscais, que antes eram prestadas na DASN, passam a ser declaradas, anualmente, por meio da Declaração de Informações Socioeconômicas e Fiscais DEFIS e todas foram entregues com os respectivos faturamentos, porém não consideradas. Fl. 1525DF CARF MF 8 em hipótese alguma, o impugnante aceita a movimentação bancária como receita bruta, ou faturamento, uma vez que possui documentos suficientes a demonstrar que a empresa não obteve lucro nos anos calendários 2010 até 2013, conforme ocorreu com a maioria das empresas mundiais, que, entretanto, o fiscal da receita não aceitou, ou não deu a devida importância. requer seja determinada e feita análise pericial contábil dos documentos acostados e dos extratos bancários da empresa no ano de 2010/2013, que desde já coloca à disposição do Fisco para levantamento do faturamento real da empresa, com base no art. 16 do Decreto nº 70.235/72. alega o caráter confiscatório da multa aplicada de 150% e juros e atualização que totalizam mais de 250% sobre o total dos impostos supostamente devidos, situação caracterizadora de confisco, vedada pelo direito brasileiro, posições doutrinárias e jurisprudenciais, requerendo que se mantida a autuação seja reduzido o valor da multa por não haver comprovação de má fé na movimentação de valores de terceiros em conta própria. requer a improcedência da autuação ou sua adequação à forma de aplicação da multa e correções. A Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Belém (2ª Turma da DRJ/BEL) julgou parcialmente procedente a Impugnação para acolher a decadência em relação aos impostos e contribuições reflexos, apurados na sistemática do Simples Nacional, nos meses de janeiro a outubro de 2010, mantendo os tributos apenas em relação aos meses de novembro e dezembro/2010 e todo o anocalendário 2011, e, para afastar a multa qualificada, reduzindo seu percentual de 150% para 75%, em decisão proferida no Acórdão nº 0133.005, de 06 de junho de 2016, assim ementado: ASSUNTO: SIMPLES NACIONAL Anocalendário: 2010, 2011 LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. DECADÊNCIA. O prazo decadencial dos tributos sujeitos ao regime de lançamento por homologação observa o disposto pelo artigo 150, § 4º, do Código Tributário Nacional, isto é, o prazo para esse efeito será de cinco anos a contar da ocorrência do fato gerador. A incidência da regra supõe, evidentemente, hipótese típica de lançamento por homologação, aquele em que ocorre pagamento antecipado do tributo. DILIGÊNCIA/PERÍCIA. A realização de diligência/perícia não se presta à produção de provas que o sujeito passivo tinha o dever de trazer à colação junto com a peça impugnatória. OMISSÃO DE RECEITAS. LEGISLAÇÃO APLICÁVEL AO REGIME ESPECIAL. Aplicamse à microempresa e à empresa de pequeno porte optantes pelo Simples Nacional todas as presunções de omissão de receita existentes nas legislações de regência dos Fl. 1526DF CARF MF Processo nº 10660.722223/201504 Acórdão n.º 1201002.234 S1C2T1 Fl. 1.523 9 impostos e contribuições incluídos no Simples Nacional, nos termos do art. 34 da Lei Complementar nº 123/2006. PRESUNÇÃO JURIS TANTUM. INVERSÃO DO ÔNUS DA PROVA.. FATO INDICIÁRIO. FATO JURÍDICO TRIBUTÁRIO. A presunção legal juris tantum inverte o ônus da prova. Neste caso, a autoridade lançadora fica dispensada de provar que o depósito bancário não comprovado (fato indiciário) corresponde, efetivamente, ao auferimento de rendimentos (fato jurídico tributário), nos termos do art. 334, IV, do Código de Processo Civil. Cabe ao contribuinte provar que o fato presumido não existiu na situação concreta. LANÇAMENTO COM BASE EM DEPÓSITOS BANCÁRIOS. FATOS GERADORES A PARTIR DE 01/01/1997. A Lei nº 9.430/1996, vigente a partir de 01/01/1997, estabeleceu, em seu art. 42, uma presunção legal de omissão de rendimentos que autoriza o lançamento do imposto correspondente quando o titular da conta bancária não comprovar, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos valores depositados em sua conta de depósito. MULTA QUALIFICADA. APLICAÇÃO. É cabível a multa qualificada quando a autoridade fiscal comprova de modo inconteste, por meio de documentação acostada aos autos, o dolo por parte do contribuinte, condição imposta pela lei. O contribuinte tomou ciência da referida decisão, conforme o Aviso de Recebimento, efls.1498, em 13/07/2016 e, interpôs Recurso Voluntário ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF), efls.1500/1510, em 08/08/2016 A Recorrente no Recurso Voluntário repisa, no essencial, os mesmos argumentos despendidos na impugnação, exceto no que se refere à multa de ofício, o que torna desnecessário repetilos. Finalmente requer: A improcedência de todos os lançamentos anteriores à 2012 quando a empresa fazia declarações dispensada de contabilidade e, portanto, sem precisar escriturar nenhum livro, conforme legislação própria; Caso persistam na existência de lucros, que seja determinada a perícia contábil nos períodos autuados através dos documentos acostados e conta corrente bancária do recorrente para que sejam apurados a origem e destino de todos os valores depositados e sacados e os beneficiários; Que ao final sejam da declarados indevidos todos os valores cobrados, até o momento considerado válido pelo julgado da segunda turma da DRJ/BEL, que originou o acórdão 01 33.005. Fl. 1527DF CARF MF 10 É o relatório Voto Conselheira Ester Marques Lins de Sousa Relatora O recurso voluntário é tempestivo, e preenche os requisitos de admissibilidade previstos no Decreto nº 70.235/72. Dele conheço. Importa lembrar que a decisão proferida no predito Acórdão nº 0133.005, de 06 de junho de 2016, da qual não cabe recurso de ofício, foi no sentido de: acolher a decadência em relação aos impostos e contribuições reflexos, apurados na sistemática do Simples Nacional, nos meses de janeiro a outubro de 2010, mantendo os tributos apenas em relação aos meses de novembro e dezembro/2010 e todo o anocalendário 2011, e, afastar a multa qualificada, reduzindo seu percentual de 150% para 75%. Assim, a lide cingese à omissão de receita caracterizada pelos depósitos bancários de origem não comprovada e insuficiência de recolhimento, em relação aos impostos e contribuições reflexos, apurados na sistemática do Simples Nacional, nos meses de novembro e dezembro/2010 e todo o anocalendário 2011. O Recorrente alega que "nos anos anteriores a 2012, estaria dispensado de contabilidade e, portanto, sem precisar escriturar nenhum livro, conforme legislação própria, razão da informalidade dos dados de sua conta corrente". Sobre a documentação exigida pela autoridade fiscal, as alegações feitas pela Recorrente não possuem qualquer consistência, haja vista que a determinação legal é no sentido de que a movimentação financeira e bancária, das empresas optantes pelo Simples Nacional, esteja escriturada no Livro Caixa, portanto, documento este que o contribuinte está obrigado a manter e apresentar à autoridade fiscal, a teor do disposto na LC nº 123/06, vejamos: Art. 26. As microempresas e empresas de pequeno porte optantes pelo Simples Nacional ficam obrigadas a: I emitir documento fiscal de venda ou prestação de serviço, de acordo com instruções expedidas pelo Comitê Gestor; II manter em boa ordem e guarda os documentos que fundamentaram a apuração dos impostos e contribuições devidos e o cumprimento das obrigações acessórias a que se refere o art. 25 desta Lei Complementar enquanto não decorrido o prazo decadencial e não prescritas eventuais ações que lhes sejam pertinentes. [...] § 2º As demais microempresas e as empresas de pequeno porte, além do disposto nos incisos I e II do caput deste artigo, deverão, ainda, manter o livrocaixa em que será escriturada sua movimentação financeira e bancária. Fl. 1528DF CARF MF Processo nº 10660.722223/201504 Acórdão n.º 1201002.234 S1C2T1 Fl. 1.524 11 Quanto a omissão de receita caracterizada pelos depósitos bancários de origem não comprovada, a Recorrente insiste nos mesmos argumentos aduzidos na impugnação em sede de 1ª instância, argüindo, em síntese, que: A única forma de demonstrar que a conta corrente da empresa não refletia a realidade de seu faturamento era o rastreamento de todos os pagamentos feitos e depósitos recebidos, o que não foi feito pela fiscalização, que ao contrário simplesmente presumiu que todos os depósitos da empresa eram faturamento, o que não é verdade; Em razão desses fatos solicitou perícia e identificação de todos os lançamentos, uma vez que o simples bom senso demonstrava o absurdo da conclusão do procedimento, bastando analisar a evolução do patrimônio da empresa e dos sócios, que estavam, e estão à disposição de informações do fisco para se conscientizar que seria totalmente impossível tal faturamento e muito mais os lucros presumidos, de fato uma lástima, já que não houve a mínima razoabilidade nos atos praticados pelo agente autuador; Se periciados todos os documentos já apresentados e os depósitos feitos na conta corrente da empresa, com origem das contas e os depósitos feitos da empresa para outras contas, certamente todos serão identificados e todos deverão prestar contas de seus rendimentos, não somente a empresa autuada, conforme ocorreu e que não traduziu a realidade. Através da declaração anual da empresa, feita rigorosamente dentro da legislação aplicada, se conheceria, como de fato aconteceu o real faturamento da empresa, todas as retenções feitas, inclusive de impostos e despesas que com certeza praticamente demonstrariam a inexistência do suposto lucro arbitrado, que com simples análise dos pagamentos feitos confirmariam a situação, que infelizmente o fiscal não quis ver ou apurar, optando por um lançamento, com as devidas vénias, absurdo de um faturamento e de um lucro que a empresa não teve por toda a sua existência; Em hipótese alguma, o recorrente aceita a movimentação bancária como receita bruta, ou faturamento, uma vez que possui documentos suficientes a demonstrar que a empresa não obteve lucro nos anos calendários 2010 até 2013, conforme ocorreu com a maioria das empresas mundiais, que, entretanto, o fiscal da receita não aceitou, ou não deu a devida importância. O requerimento do Recorrente para realização de perícia contábil nos períodos autuados através dos documentos acostados e conta corrente bancária do recorrente para que sejam apurados a origem e destino de todos os valores depositados e sacados e os beneficiários pressupõe a transferência para o Julgador do seu ônus de produção da prova exigida por lei, o que não pode ser admitido. Ademais, o pedido de perícia não veio acompanhado de indicação de perito e de quesitos, requisito previsto no art. 16, IV, do Decreto 70.235/1972. Rejeito, portanto, o requerimento para realização de diligência/perícia. Fl. 1529DF CARF MF 12 A análise dos argumentos trazidos pela Recorrente encontrase bem explicitada na decisão recorrida, inclusive sobre a perícia requerida, e mostra fundamentos com os quais concordo, pelo que transcrevo seus termos (fls.1487/1489) conforme faculta o art.50, § 1º, da Lei nº 9.784/99, e, os adoto como razão de decidir: No presente caso, a impugnante fundamentou sua defesa na alegação de que seria necessário o Fisco buscar provas periciais para constatar a verdade material, visto que reconhece que sua movimentação financeira não retrata a realidade dos fatos, por terem transitado recursos que não são de sua titularidade e somente com a prova pericial se apuraria o verdadeiro detentor das receitas. Prossegue alegando que não existe obrigatoriedade das empresas optantes do Simples Nacional possuírem escrituração, razão pela qual somente os dados constantes de suas declarações poderiam confirmar o valor dos rendimentos auferidos nos anos examinados. Sobre tais argumentos, embora exista a possibilidade aventada pela requerente de que nem todos os depósitos/créditos em suas contas representem fontes de receitas, caberia somente à contribuinte fazer a comprovação da origem desses ingressos em suas contas, a fim de afastar a presunção legal de que depósitos sem origem comprovada caracterizam omissão de receitas. Cabia à impugnante demonstrar por meio de seu Livro Caixa, conciliados com os documentos comprobatórios da origem dos recursos, que todos os créditos bancários em suas contas bancárias eram oriundos de vendas declaradas, que estavam devidamente escrituradas e que já foram tributadas pela empresa ou trazer elementos de convencimento, indicando cada recurso por data e valor que apenas transitou por sua conta, entretanto eram receitas de terceiros (créditos planilha fls. 129/133 e 135/142). Vale lembrar que as empresas optantes do regime especial são obrigadas a escriturar o Livro Caixa, onde deve constar toda sua movimentação financeira, emitir documento fiscal de venda ou prestação de serviços e manter em boa ordem e guarda todos os documentos que fundamentaram a apuração do imposto e que serviram de base para a escrituração do Livro Caixa (art. 26, I e II e § 2º da Lei Complementar 123/2006). Deste modo, os valores creditados em favor da empresa Mario Henrique Benassi Lázaro Eireli ME deveriam ter sido contabilizados em seu Livro Caixa, bem como os depósitos relativos à movimentação comercial e financeira dos anos de 2010 a 2012, o que serviria para identificar a relação entre os depósitos e as vendas do período ou decorrentes de operações de empréstimo, cobrança, ou qualquer outro crédito de natureza não tributável ou já tributado pela empresa. Não tendo o contribuinte logrado êxito em comprovar a origem de todos os recursos creditados em suas contas, de forma individualizada, a fiscalização procedeu ao lançamento com base no artigo 42 da Lei nº 9.430/96, que trata da presunção legal de omissão de receitas caracterizada por depósitos de Fl. 1530DF CARF MF Processo nº 10660.722223/201504 Acórdão n.º 1201002.234 S1C2T1 Fl. 1.525 13 origem não comprovada, aplicável também às empresas optantes do Simples Nacional, nos termos regulados pelo art. 34 da Lei Complementar nº 123/2006, conforme demonstrativo de apuração, às fls. 126/128. A fiscalização analisou os documentos apresentados pelo contribuinte em resposta às intimações fiscais, excluindo todos os créditos recebidos oriundos de notas fiscais das receitas escrituradas, informadas na DASN e DEFISC relativos aos períodos 01/2010 a 12/2012 e indicados na planilha resposta de 23/12/2014 pela interessada. Também foram excluídos dos trabalhos os créditos relativos a liberação desconto, adiantamento operações de desconto, liberação operação, cessão de crédito, entre outros. Após as sucessivas intimações sem que a contribuinte trouxesse elementos comprobatórios da origem de seus créditos bancários, foi encerrada a fiscalização com a lavratura dos autos de infração, às fls. 129/142, considerandose omissão de receitas os depósitos de origem não comprovada, caracterizado por valores creditados em contas mantidas em seu nome, em relação aos quais o contribuinte foi regularmente intimado, e não apresentou esclarecimentos ou indicou origem sem amparo em documentação hábil e idônea, fato que ensejou o lançamento conforme disposto no art. 42 da Lei nº 9.430/96. Ressaltese que deve o contribuinte manter a documentação necessária e coincidente em data e valor para comprovar a origem dos recursos ingressados em suas contas, nos termos do § 3° do art. 42, que expressamente determina, para efeito de determinação dos rendimentos omitidos, que os créditos devem ser “analisados individualizadamente”, ou seja, cada um deve ter sua origem comprovada de forma individual, com apresentação de documentos que a demonstrem, com indicação de datas e valores coincidentes. Verificada a ocorrência de depósitos bancários cuja origem não foi devidamente comprovada pelo contribuinte, é certa também a ocorrência de omissão de receitas à tributação, cabendo ao contribuinte o ônus de provar a irrealidade das imputações feitas. Ausentes esses elementos de prova, resulta procedente o feito fiscal. Como se vê, não é lícito obrigar a Fazenda a substituir a ora impugnante no fornecimento de prova que a este competia em decorrência da apuração de omissão de receita por presunção legal, pois, como já exposto anteriormente, esta presunção tem o poder de inverter o ônus da prova. Dessa forma, como cabia exclusivamente ao contribuinte demonstrar a exata correlação entre cada valor depositado em sua conta bancária e a correspondente origem dos recursos e não tendo logrado êxito em cumprir o que manda a Lei, correto foi o procedimento fiscal para lavratura do auto de infração com base no artigo 42 da Lei nº 9.430/96. IV Do pedido de perícia Fl. 1531DF CARF MF 14 Quanto ao pedido para produção de provas e juntada de documentos, cabe registrar que à impugnante foi dada ampla oportunidade de produção de provas e de defesa ainda na fase de fiscalização. Além disso, quanto à juntada de documentação comprobatória, sabese que o momento oportuno para sua apresentação é por ocasião da impugnação, sob pena dos argumentos de defesa se tornarem meras alegações e da ocorrência da preclusão deste direito a posteriori, conforme dispõe o art. 15, do Decreto n° 70.235, de 1972, in verbis: Art. 15. A impugnação, formalizada por escrito, instruída com os documentos em que se fundamenta, será apresentada ao órgão preparador no prazo de trinta dias, contados da data em que for feita a intimação da exigência.(g.n). Vale trazer à colação, também, o enunciado no art. 16, § 4°, do mesmo diploma legal, segundo o qual a prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; b) refirase a fato ou a direito superveniente; c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos. Extraise dos artigos supra citados, que a prova documental deve ser apresentada sempre na impugnação, admitidas exceções somente nos casos expressamente previstos. É de salientar que cabia à contribuinte o ônus da comprovação de incidir em algumas destas hipóteses, não logrando êxito em demonstrar a ocorrência de quaisquer destes fatos previstos no Decreto 70.235/72. Assim, tendo em vista que a realização de diligências/perícia não se presta à produção de provas que o sujeito passivo tinha o dever de trazer à colação junto com a peça impugnatória, sendo necessária somente quando o fato a ser provado requer esclarecimento de fatos considerados obscuros no processo, indeferese o pedido, em conformidade com o artigo 18, caput, do Decreto nº 70.235, de 1972, por considerálas prescindíveis no julgamento da presente lide. No caso em exame, a interessada foi intimada a comprovar a origem dos recursos depositados em suas contas em instituições financeiras, após análise procedida pela autoridade fiscal segundo os critérios legais e regulamentares apontados. Ordinariamente, a justificativa de origem farseia com a indicação de correspondência entre os valores e a atividade da empresa, por exemplo, o recebimento por vendas ou prestação de serviços devidamente escrituradas e declaradas ao Fisco. Nesse caso, como o depósito corresponde a uma transação submetida à incidência tributária, nada mais haveria a se exigir de seu titular. No caso concreto, que inexiste uma justificativa para os depósitos em que não comprovada a origem, ocorre subsunção à hipótese legal do artigo 42 da Lei 9.430/96, e a conseqüente tributação deve ser mantida, já que com a impugnação não foram apresentados documentos e/ou esclarecimentos hábeis para afastar a presunção legal. Fl. 1532DF CARF MF Processo nº 10660.722223/201504 Acórdão n.º 1201002.234 S1C2T1 Fl. 1.526 15 Com efeito, as justificativas trazidas pela defendente não devem prevalecer sobre a presunção de omissão de receita a partir dos depósitos bancários. Sobre a matéria, a Lei 9.430/96 (art.42 e §§) disciplina o tratamento tributário conferido à movimentação bancária dos contribuintes de imposto de renda, verbis: Art. 42. Caracterizamse também omissão de receita ou de rendimento os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. § 1º O valor das receitas ou dos rendimentos omitido será considerado auferido ou recebido no mês do crédito efetuado pela instituição financeira. § 2º Os valores cuja origem houver sido comprovada, que não houverem sido computados na base de cálculo dos impostos e contribuições a que estiverem sujeitos, submeterseão às normas de tributação específicas, previstas na legislação vigente à época em que auferidos ou recebidos. § 3º Para efeito de determinação da receita omitida, os créditos serão analisados individualizadamente, observado que não serão considerados: I os decorrentes de transferências de outras contas da própria pessoa física ou jurídica; ... Como se vê, caracterizamse como omissão de receita ou de rendimento, por presunção legal juris tantum os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. Cabe ao contribuinte desfazer a presunção legal com documentação própria e individualizada que justifique os ingressos ocorridos em suas contas correntes de modo a garantir que os créditos/depósitos bancários não constituem fato gerador do tributo devido, haja vista que pela mencionada presunção, a sua existência (créditos/depósitos bancários), desacompanhada da prova da operação que lhe deu origem, espelha omissão de receitas, justificandose sua tributação a esse título. O dispositivo legal, inverteu o ônus da prova ao atribuir ao contribuinte o ônus de provar que valores creditados não se referem a receitas omitidas. A presunção criada a favor do fisco não afasta a tese de que, em princípio, depósitos bancários não representam, por si só, disponibilidade econômica de rendimentos. Faz mister, porém, os devidos esclarecimentos com provas por parte do contribuinte. Como ressaltado na decisão recorrida, no Termo de Verificação Fiscal, às fls. 118/125, a auditoria esclarece sobre os demonstrativos de apuração elaborados, e deixa claro que analisou os documentos apresentados pelo contribuinte em resposta às intimações fiscais, excluindo todos os créditos recebidos oriundos de notas fiscais das receitas escrituradas, Fl. 1533DF CARF MF 16 informadas na DASN e DEFISC relativos aos períodos 01/2010 a 12/2012 e indicados na planilha resposta de 23/12/2014 pela interessada. E que, foram excluídos dos trabalhos os créditos relativos a liberação desconto, adiantamento operações de desconto, liberação operação, cessão de crédito, entre outros. E finalmente, após as sucessivas intimações sem que a contribuinte trouxesse elementos comprobatórios da origem de seus créditos bancários, foi encerrada a fiscalização com a lavratura dos autos de infração, às fls. 129/142, considerandose omissão de receitas os depósitos de origem não comprovada, caracterizado por valores creditados em contas mantidas em seu nome, em relação aos quais o contribuinte foi regularmente intimado, e não apresentou esclarecimentos ou indicou origem sem amparo em documentação hábil e idônea, fato que ensejou o lançamento conforme disposto no art. 42 da Lei nº 9.430/96. Enfim, considerando serem insuficientes os argumentos da Recorrente para afastar com segurança a autuação, haja vista que não apresentou documentos, no caso, da origem dos recursos, oportunizado, mais uma vez, ao contribuinte trazer aos autos a prova a ele incumbida por força do art.42 e §§ da predita Lei nº 9.430/96, não cabe a autoridade julgadora suprir o dever do contribuinte. Não tendo a autuada comprovado a origem dos recursos utilizados nos depósitos, é de se manter a autuação ao concluir que os depósitos tiveram origem em recursos mantidos à margem da escrituração, portanto, considerados como omissão de receitas. Quanto à insuficiência de recolhimento, apesar de o Recorrente não se pronunciar topicamente sobre o assunto, ressaltase que, a insuficiência de recolhimento apurada pela fiscalização decorreu do incremento das alíquotas do Simples Nacional pela inclusão na base de cálculo das receitas omitidas apuradas na auditoria fiscal. Como explicitado no tópico anterior, a autuação restou mantida em virtude da caracterizada omissão de receitas por não haver a autuada comprovado a origem dos recursos utilizados nos depósitos bancários. Desse modo, razão não há para ser afastada a autuação por insuficiência de recolhimento. Diante do exposto, voto no sentido de negar provimento ao recurso de voluntário, mantendose a decisão recorrida. (assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa Fl. 1534DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 15983.720334/2011-15
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu May 24 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Jul 31 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2006
MULTA ISOLADA DO CARNÊLEÃO. MULTA DE OFÍCIO. CONCOMITÂNCIA.
É devida a multa isolada pela falta de recolhimento do carnêleão, aplicada concomitantemente com a multa de ofício pela falta de recolhimento ou recolhimento a menor de imposto, apurado no ajuste anual, eis que o dispositivo legal cabível tipifica duas condutas distintas, para fatos geradores posteriores a 2006, face a alteração legislativa ter sido operacionalizada tão somente em 22.01.2007 com a MP 351/2007
Numero da decisão: 9202-006.906
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em dar-lhe provimento, vencida a conselheira Ana Cecília Lustosa da Cruz, que lhe negou provimento.
(Assinado digitalmente)
Maria Helena Cotta Cardozo Presidente em exercício
(Assinado digitalmente)
Ana Paula Fernandes Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Patrícia da Silva, Heitor de Souza Lima Junior, Ana Paula Fernandes, Pedro Paulo Pereira Barbosa, Ana Cecília Lustosa da Cruz, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente em Exercício).
Nome do relator: ANA PAULA FERNANDES
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MULTA DE OFÍCIO. CONCOMITÂNCIA. É devida a multa isolada pela falta de recolhimento do carnêleão, aplicada concomitantemente com a multa de ofício pela falta de recolhimento ou recolhimento a menor de imposto, apurado no ajuste anual, eis que o dispositivo legal cabível tipifica duas condutas distintas, para fatos geradores posteriores a 2006, face a alteração legislativa ter sido operacionalizada tão somente em 22.01.2007 com a MP 351/2007 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em darlhe provimento, vencida a conselheira Ana Cecília Lustosa da Cruz, que lhe negou provimento. (Assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo – Presidente em exercício (Assinado digitalmente) Ana Paula Fernandes – Relatora AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 98 3. 72 03 34 /2 01 1- 15 Fl. 1264DF CARF MF 2 Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Patrícia da Silva, Heitor de Souza Lima Junior, Ana Paula Fernandes, Pedro Paulo Pereira Barbosa, Ana Cecília Lustosa da Cruz, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente em Exercício). Relatório O presente Recurso Especial trata de pedido de análise de divergência motivado pela Fazenda Nacional face ao acórdão 2401004.052, proferido pela 1ª Turma Ordinária / 4ª Câmara / 2ª Seção de Julgamento. Tratase o presente processo de Auto de Infração referente ao imposto sobre a renda da pessoa física – IRPF, anocalendário 2007, decorrente da omissão de rendimentos do trabalho sem vínculo empregatício recebido de pessoas jurídicas; da omissão de rendimentos do trabalho sem vínculo empregatício recebido de pessoas físicas (sujeitos a carnêleão); da omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários com origem não comprovada; e da falta de recolhimento do IRPF devido a título de carnêleão, apurando um crédito tributário no valor de R$ 1.398.938,68, sendo R$ 593.485,95 referentes ao imposto, R$ 531.186,74 à multa proporcional, R$ 68.504,42 à multa exigida isoladamente e R$ 205.761,57 aos juros de mora (calculados até 31/08/2011). O Contribuinte apresentou a impugnação, de fls. 920 e ss. A DRJ, às fls 1127 e ss., julgou parcialmente procedente a impugnação apresentada pelo Contribuinte, mantendo o imposto apurado de R$ 593.485,95, a multa isolada de R$ 68.504,42 e reduzindo o valor da multa proporcional de R$ 531.186,74 para R$ 445.114,46. O Contribuinte apresentou Recurso Voluntário. A 1ª Turma Ordinária da 4ª Câmara da 2ª Seção de Julgamento DEU PARCIAL PROVIMENTO ao Recurso Ordinário, para exonerar dos rendimentos tributáveis lançados o valor de R$ 427.424,47 por se referir a valores repassados a beneficiários da ação trabalhista 663/87, e também a multa isolada em decorrência do não pagamento do carnê leão. A Decisão restou assim ementada: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2007 DEPÓSITOS BANCÁRIOS. Exonerase do lançamento tributário baseado em depósitos bancários, os valores para os quais o contribuinte apresentou documentação hábil e idônea comprobatória de que seriam de terceiros em decorrência de ação trabalhista. Fl. 1265DF CARF MF Processo nº 15983.720334/201115 Acórdão n.º 9202006.906 CSRFT2 Fl. 10 3 MULTA ISOLADA. São incompatíveis o lançamento de multa de ofício concomitante com o de multa isolada, pois ambas as penalidades referemse ao mesmo fato gerador e são calculados sobre a mesma base de cálculo. SIGILO BANCÁRIO. Com base no art. 6o. da LC 105/2001, a autoridade fiscal pode requisitar, justificadamente, informações de movimentação bancária de contribuinte sob procedimento fiscal. Recurso Voluntário Provido em Parte. Às fls. 1214/1232, a Fazenda Nacional interpôs Recurso Especial, arguindo divergência jurisprudencial acerca da seguinte matéria: multa isolada do carnêleão, aplicada concomitantemente com a multa de ofício. Enquanto o acórdão recorrido entendeu que, incidindo a multa de ofício de 75% prevista no art. 44, inciso I da Lei nº 9.430/96, incabível é a aplicação da denominada multa de ofício isolada, nos acórdãos paradigmas mantiveram a exigência da multa isolada aplicada pelo não recolhimento do carnêleão em relação ao ano calendário 2007, em face da mudança legislativa promovida pela Medida Provisória nº 351/2007 (convertida na Lei nº 11.488/2007) na redação do art. 44 da Lei nº 9.430/96. Ao realizar o Exame de Admissibilidade do Recurso Especial, às fls. 1235/1239, a 4ª Câmara da 2ª Seção de Julgamento, DEU SEGUIMENTO ao recurso, concluindo restar demonstrada a divergência de interpretação em relação à seguinte matéria: multa isolada do carnêleão, aplicada concomitantemente com a multa de ofício. Cientificado, conforme fls. 1246, o Contribuinte apresentou Contrarrazões às fls. 1248/1256, reforçando argumentos anteriores e os adotados pelo acordão recorrido. É o relatório. Voto Conselheira Ana Paula Fernandes Relatora O Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional é tempestivo e atende aos demais pressupostos de admissibilidade, portanto, merece ser conhecido. Tratase o presente processo de Auto de Infração referente ao imposto sobre a renda da pessoa física – IRPF, anocalendário 2007, decorrente da omissão de rendimentos do trabalho sem vínculo empregatício recebido de pessoas jurídicas; da omissão de rendimentos do trabalho sem vínculo empregatício recebido de pessoas físicas (sujeitos a carnêleão); da omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários com origem não comprovada; e da falta de recolhimento do IRPF devido a título de carnêleão, apurando um crédito tributário no valor de R$ 1.398.938,68, sendo R$ 593.485,95 referentes ao imposto, R$ 531.186,74 à multa proporcional, R$ 68.504,42 à multa exigida isoladamente e R$ 205.761,57 aos juros de mora (calculados até 31/08/2011). O Acórdão recorrido deu parcial provimento ao recurso ordinário. Fl. 1266DF CARF MF 4 O Recurso Especial apresentado pela Fazenda Nacional trouxe para análise a divergência jurisprudencial no tocante à multa isolada do carnêleão, aplicada concomitantemente com a multa de ofício. A discussão da cumulação das multas ofício e isolada possuem diferentes conseqüências no mundo jurídico, as quais variam de acordo com a data do fato gerador. Isso por que a norma anterior a 22.01. 2007 não trazia previsão legal para esta exigência cumulativa, mas este cenário sofreu drástica aliterarão na nova redação, ocorrida por meio da MP 351, na data anteriormente citada. Deste modo, observase que há um alinhamento neste Tribunal sobre o encaminhamento dado a estas questões, cito aqui voto elucidativo da Conselheira Maria Helena Cotta Cardozo, no acórdão N. 9202004.022– 2ª Turma: Tratase de divergência interpretativa suscitada em face da nova redação dada ao art. 44, da Lei nº 9.430, de 1996, pela Medida Provisória nº 351, de 22/01/2007, convertida na Lei nº 11.488, de 15/06/2007. No caso do acórdão recorrido, que trata de fatos geradores ocorridos à luz da nova redação do dispositivo ora tratado, a multa isolada do carnêleão foi exonerada, sob o fundamento de impossibilidade de concomitância com a multa de ofício. Confirase a respectiva ementa, na parte em que trata da matéria: "ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2007 MULTA DE OFÍCIO E MULTA ISOLADA. CUMULAÇÃO. CARNÊLEÃO. DEDUÇÕES INDEVIDAS. A cumulação da multa de ofício com a multa isolada, sobre a mesma base de cálculo, acarreta bis in idem e é incompatível com o regime estabelecido pelo art. 112, do CTN. Jurisprudência consolidada deste conselho. Recurso Voluntário Provido" De plano, constatase que tal fundamento era o mesmo aplicado no julgamento de casos cujo fato gerador ocorrera à luz da antiga redação do art. 44 da Lei nº 9.430, de 1996. A Fazenda Nacional, por sua vez, alega divergência interpretativa, no que tange à possibilidade de exigência concomitante de duas multas, o que estaria consignado no art. 44, incisos I e II, da Lei nº 9.430, de 1996, com a redação da Medida Provisória nº 351, de 22/01/2007, convertida na Lei nº 11.488, de 15/06/2007. Nesse passo, indica como paradigmas os Acórdãos nºs 1401000.761 e 2201001.994. Quanto ao primeiro deles, a Fazenda Nacional registra que o fato de dito julgado tratar de Imposto de Renda de Pessoa Jurídica, e o acórdão recorrido abordar o Imposto de Renda de Pessoa Física, não constituiria óbice à demonstração do dissídio jurisprudencial. Assim, instaurandose a divergência quanto à possibilidade de cobrança concomitante de duas multas, sendo uma de ofício genérica, no percentual de 75% sobre o rendimento omitido no Fl. 1267DF CARF MF Processo nº 15983.720334/201115 Acórdão n.º 9202006.906 CSRFT2 Fl. 11 5 ajuste (inciso I do art. 44), e outra no percentual de 50% sobre o valor da antecipação mensal (inciso II do art. 44), sem que se verifique qualquer diferenciação em razão da incidência específica de carnêleão ou estimativa, constatase efetivamente a inexistência de óbice à aceitação do paradigma como apto a demonstrar eventual divergência. Esclareçase desde logo que tal situação paradigmática nunca foi aceita à luz da antiga redação do art. 44 da Lei nº 9.430, de 1996, eis que eram tipificadas três multas diferentes, em três incisos independentes (de ofício pela omissão em geral, por falta de recolhimento de carnêleão e por falta de recolhimento de estimativa), sem qualquer liame entre as duas últimas, o que foi feito na nova redação do dispositivo, que agora tipifica claramente duas penalidades, uma pela omissão do rendimento no ajuste e outra pela falta de recolhimento da antecipação, igualando assim as situações de IRPF e IRPJ em um mesmo inciso, já que o sistema de antecipação é uma característica do Imposto de Renda, em geral. No caso dos autos tratase de anocalendário anterior a mudança legislativa, mais especificamente 2007. Assim, a interpretação da recente jurisprudência da 2ª Turma da Câmara Superior deste CARF (Acórdão 9202004.022 – CSRF 2ª Turma) conduz ao entendimento que somente para fatos geradores ocorridos a partir da vigência da Medida Provisória nº 351, de 22 de janeiro de 2007 (convertida na Lei nº 11.488/2007), é devida a multa isolada pela falta de recolhimento do carnê leão, aplicada concomitante com a multa de ofício pela falta de recolhimento ou recolhimento a menor de imposto, apurado no ajuste anual, conforme Acórdão nº 2201 002.718, de 09/12/2015, uma vez que a redação anterior do artigo 44 da Lei nº 9.430, de 1996, “efetivamente deixava dúvidas acerca da obrigatoriedade de imposição das duas multas simultaneamente”. Pelo exposto, voto no sentido de conhecer e dar provimento ao Recurso Especial da Fazenda Nacional. É como voto. (assinado digitalmente) Ana Paula Fernandes Fl. 1268DF CARF MF 6 Fl. 1269DF CARF MF
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Numero do processo: 10880.679903/2009-50
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Jun 13 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Aug 14 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Data do fato gerador: 10/11/2005
PEDIDO DE COMPENSAÇÃO. CERTEZA E LIQUIDEZ DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO. ÔNUS DA PROVA.
A apresentação de DCTF retificadora anteriormente à prolação do Despacho Decisório não é condição para a homologação das compensações. Contudo, a referida declaração não tem o condão de, por si só, comprová-lo. É do contribuinte o ônus de comprovar a certeza e a liquidez do crédito pleiteado através de documentos contábeis e fiscais revestidos das formalidades legais.
Numero da decisão: 9303-006.943
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em negar-lhe provimento.
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em Exercício e Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas, Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello.
Nome do relator: RODRIGO DA COSTA POSSAS
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ÔNUS DA PROVA. Recorrente TIM CELULAR S.A. Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 10/11/2005 PEDIDO DE COMPENSAÇÃO. CERTEZA E LIQUIDEZ DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO. ÔNUS DA PROVA. A apresentação de DCTF retificadora anteriormente à prolação do Despacho Decisório não é condição para a homologação das compensações. Contudo, a referida declaração não tem o condão de, por si só, comproválo. É do contribuinte o ônus de comprovar a certeza e a liquidez do crédito pleiteado através de documentos contábeis e fiscais revestidos das formalidades legais. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em negarlhe provimento. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em Exercício e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas, Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 67 99 03 /2 00 9- 50 Fl. 215DF CARF MF Processo nº 10880.679903/200950 Acórdão n.º 9303006.943 CSRFT3 Fl. 3 2 Relatório Tratase de Recurso Especial de Divergência interposto pelo Contribuinte contra o acórdão nº 3803004.424, proferido pela Terceira Turma Especial da Terceira Seção de Julgamento deste CARF, decisão que negou provimento ao recurso voluntário. O Contribuinte interpôs Recurso Especial suscitando divergência quanto ao entendimento da decisão recorrida de que a comprovação do erro, com a respectiva juntada de documentação comprobatória, após o despacho decisório que indeferiu a compensação, deve ser feita no momento da manifestação de inconformidade/impugnação. Visando comprovar o dissenso apresentou o acórdão de número 330201.406. O Recurso Especial do Contribuinte foi admitido, conforme despacho do Presidente da Terceira Câmara da Terceira Seção do CARF. A Fazenda Nacional apresentou contrarrazões defendendo o não provimento do recurso especial do contribuinte. É o relatório, em síntese. Fl. 216DF CARF MF Processo nº 10880.679903/200950 Acórdão n.º 9303006.943 CSRFT3 Fl. 4 3 Voto Conselheiro Rodrigo da Costa Pôssas, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 9303006.937, de 13/06/2018, proferido no julgamento do processo 10880.679890/200919, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 9303006.937): "Da Admissibilidade O Recurso Especial do Contribuinte é tempestivo e, depreendendose da análise de seu cabimento, entendo pela admissibilidade integral do recurso conforme despacho fls. 273 a 275. Do Mérito A questão trazida a debate em Recurso Especial versa sobre o entendimento se a DCTF retificadora, após o despacho decisório comprova o direito creditório. Ou seja, a questão de mérito se restringe à certeza e liquidez do crédito. Segundo o despacho decisório eletrônico, cientificado pela contribuinte em 5/11/2009, a repartição de origem não homologou a compensação, pelo fato de que o pagamento declarado no PER/DCOMP já havia sido integralmente utilizado na quitação de débitos da contribuinte. Segundo o consta nos autos, a contribuinte limitase alegar a existência de erro de preenchimento, erro nos cálculos de apuração de tributo, erro no pagamento em DARF. Verificase também que a contribuinte apenas trouxe aos autos cópias de documentos societários, do despacho decisório, do PER/DCOMP, do comprovante de arrecadação e da DCTF retificadora transmitida em 2 de dezembro de 2009, após a ciência do despacho decisório, documentos esses insuficientes à plena comprovação do indébito reclamado, dado que desacompanhados de elementos da escrituração contábilfiscal e da documentação que a lastreia, estes, sim, consistentes em prova hábil e idônea. No caso dos autos, embora tenha sido apresentada a DCTF retificadora, a principal fundamentação do acórdão recorrido depreendese pela ausência de comprovação da certeza e liquidez dos créditos tributários, pela falta de apresentação de outros documentos fiscais e contábeis da empresa, que comprovaria seu direito creditório, conforme abaixo: (....) Conforme se verifica do relatório supra, a compensação declarada por meio de PER/DCOMP não foi homologada pela repartição de origem pelo fato de que o crédito pleiteado já se encontrava vinculado a outro débito da titularidade do Fl. 217DF CARF MF Processo nº 10880.679903/200950 Acórdão n.º 9303006.943 CSRFT3 Fl. 5 4 contribuinte, decisão essa mantida pela DRJ São Paulo I/SP, em razão da falta de comprovação do alegado erro ocorrido no preenchido da DCTF. Para se apreciarem pleitos da espécie, não basta que se alegue, em tese, o direito assegurado pela ordem jurídica, havendo necessidade de que os argumentos fáticos trazidos aos autos sejam demonstrados e comprovados, sob pena de total inviabilidade da apreciação do pedido No que tange ao material probatório do seu direito, o contribuinte trouxe aos autos apenas cópias de documentos societários, do despacho decisório, do PER/DCOMP, do comprovante de arrecadação e da DCTF retificadora transmitida em 2 de dezembro de 2009, após a ciência do despacho decisório, documentos esses insuficientes à plena comprovação do indébito reclamado, dado que desacompanhados de elementos da escrituração contábil fiscal e da documentação que a lastreia, estes, sim, consistentes em prova hábil e idônea. Nenhum documento, por mais precário que fosse, foi trazido aos autos para se comprovarem as remessas ao exterior de royalties pela cessão de direitos de uso de programas de computador, bem como pela contraprestação de serviços técnicos e administrativos. Nada há nos autos que demonstre esses fatos alegados pelo Recorrente. Mesmo considerando o princípio da verdade material, em que a apuração da verdade dos fatos pelo julgador administrativo vai além das provas trazidas aos autos pelo interessado, nos casos da espécie ao ora analisado, a prova encontrasse em poder do próprio sujeito passivo, e uma vez que foi dele a iniciativa de instauração do presente processo, pois que relativo a um direito que ele alega ser detentor, não se vislumbra razão à alegada violação do princípio. Quanto a esse tema, compartilho do entendimento exposto no voto trazido pela ilustre Conselheira Vanessa Marini Cecconello, no Acordão n.º 9303005.469, a qual peço licença para transcrever e, por se tratar de fatos similares, adoto seus fundamentos como minhas razões de decidir no presente processo: (...) a. Possibilidade de apreciação e deferimento do pedido de compensação independentemente da apresentação de DCTF retificadora A compensação de créditos decorrentes do pagamento indevido ou a maior é prevista no art. 74 da Lei nº 9.430, e regulamentada por meio da IN RFB nº 1.300/2012. Indispensável à homologação do pedido de compensação é a existência de crédito líquido e certo do Contribuinte, bem como esteja devidamente demonstrado nos autos do processo administrativo. No recurso especial, a Contribuinte insurgese face à não homologação de seu pedido de compensação, alegando ser dispensável a apresentação de DCTF retificadora para tanto. De fato, o crédito tributário da Contribuinte e seu direito à restituição/compensação não nasce com a apresentação da DCTF retificadora, mas sim com o pagamento indevido ou a maior. Portanto, a apresentação da DCTF retificadora não é requisito indispensável à homologação da compensação, mas a certeza e liquidez do indébito tributário deve restar comprovada por outros meios nos autos do processo administrativo. Nesse sentido, é o Parecer Cosit nº 02/2015, de 28 de agosto de 2015, cuja ementa se deu nos seguintes termos: Fl. 218DF CARF MF Processo nº 10880.679903/200950 Acórdão n.º 9303006.943 CSRFT3 Fl. 6 5 “NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. RETIFICAÇÃO DA DCTF DEPOIS DA TRANSMISSÃO DO PER/DCOMP E CIÊNCIA DO DESPACHO DECISÓRIO. POSSIBILIDADE. IMPRESCINDIBILIDADE DA RETIFICAÇÃO DA DCTF PARA COMPROVAÇÃO DO PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. As informações declaradas em DCTF – original ou retificadora – que confirmam disponibilidade de direito creditório utilizado em PER/DCOMP, podem tornar o crédito apto a ser objeto de PER/DCOMP desde que não sejam diferentes das informações prestadas à RFB em outras declarações, tais como DIPJ e Dacon, por força do disposto no§ 6º do art. 9º da IN RFB nº 1.110, de 2010, sem prejuízo, no caso concreto, da competência da autoridade fiscal para analisar outras questões ou documentos com o fim de decidir sobre o indébito tributário. Não há impedimento para que a DCTF seja retificada depois de apresentado o PER/DCOMP que utiliza como crédito pagamento inteiramente alocado na DCTF original, ainda que a retificação se dê depois do indeferimento do pedido ou da não homologação da compensação, respeitadas as restrições impostas pela IN RFB nº 1.110, de 2010. Retificada a DCTF depois do despacho decisório, e apresentada manifestação de inconformidade tempestiva contra o indeferimento do PER ou contra a não homologação da DCOMP, a DRJ poderá baixar em diligência à DRF. Caso se refira apenas a erro de fato, e a revisão do despacho decisório implique o deferimento integral daquele crédito (ou homologação integral da DCOMP), cabe à DRF assim proceder. Caso haja questão de direito a ser decidida ou a revisão seja parcial, compete ao órgão julgador administrativo decidir a lide, sem prejuízo de renúncia à instância administrativa por parte do sujeito passivo. O procedimento de retificação de DCTF suspenso para análise por parte da RFB, conforme art. 9ºA da IN RFB nº 1.110, de 2010, e que tenha sido objeto de PER/DCOMP, deve ser considerado no julgamento referente ao indeferimento/não homologação do PER/DCOMP. Caso o procedimento de retificação de DCTF se encerre com a sua homologação, o julgamento referente ao direito creditório cuja lide tenha o mesmo objeto fica prejudicado, devendo o processo ser baixado para a revisão do despacho decisório. Caso o procedimento de retificação de DCTF se encerre com a não homologação de sua retificação, o processo do recurso contra tal ato administrativo deve, por continência, ser apensado ao processo administrativo fiscal referente ao direito creditório, cabendo à DRJ analisar toda a lide. Não ocorrendo recurso contra a não homologação da retificação da DCTF, a autoridade administrativa deve comunicar o resultado de sua análise à DRJ para que essa informação seja considerada na análise da manifestação de inconformidade contra o indeferimento/nãohomologação do PER/DCOMP. A não retificação da DCTF pelo sujeito passivo impedido de fazêla em decorrência de alguma restrição contida na IN RFB nº 1.110, de 2010, não impede que o crédito informado em PER/DCOMP, e ainda não decaído, seja comprovado por outros meios. O valor objeto de PER/DCOMP indeferido/não homologado, que venha a se tornar disponível depois de retificada a DCTF, não poderá ser objeto de nova compensação, por força da vedação contida no inciso VI do § 3º do art. 74 da Lei nº 9.430, de 1996. Retificada a DCTF e sendo intempestiva a manifestação de inconformidade, a análise do pedido de revisão de ofício do PER/DCOMP compete à autoridade administrativa de jurisdição do sujeito passivo, observadas as restrições do Parecer Normativo nº 8, de 3 de setembro de 2014, itens 46 a 53. Fl. 219DF CARF MF Processo nº 10880.679903/200950 Acórdão n.º 9303006.943 CSRFT3 Fl. 7 6 Dispositivos Legais. arts. 147, 150, 165 170 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 (CTN); arts. 348 e 353 da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973 – Código de Processo Civil (CPC); art. 5º do Decretolei nº 2.124, de 13 de junho de 1984; art. 18 da MP nº 2.18949, de 23 de agosto de 2001; arts. 73 e 74 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996; Instrução Normativa RFB nº 1.110, de 24 de dezembro de 2010; Instrução Normativa RFB nº 1.300, de 20 de novembro de 2012; Parecer Normativo RFB nº 8, de 3 de setembro de 2014. eprocesso 11170.720001/201442. No caso dos autos, da fundamentação do acórdão recorrido depreendese ser este o entendimento explicitado naquela ocasião pelo Colegiado a quo, não tendo sido homologada a compensação, embora também não apresentada a DCTF retificadora, mas sim e principalmente pela ausência de comprovação da certeza e liquidez dos créditos tributários, por meio de outros documentos fiscais e contábeis da empresa. Por estas razões, não pode ser acolhido o pleito da Recorrente de serem homologadas as compensações. b. Ônus da prova para comprovação da certeza e liquidez do crédito Pelo princípio da verdade material, norteador do processo administrativo, o julgador tem o poderdever de buscar o esclarecimento dos fatos, adotando providências no sentido de conduzir o processo à busca da verdade real dos fatos. No entanto, o ônus de comprovar a certeza e liquidez do crédito pretendido compensar é do contribuinte. O papel do julgador é, verificando estar minimamente comprovado nos autos o pleito do Sujeito Passivo, solicitar documentos complementares que possam formar a sua convicção, mas isso, repitase, de forma subsidiária à atividade probatória já desempenhada pelo contribuinte. Dentro do princípio da cooperação no processo, mudança significativa introduzida pelo Novo Código de Processo Civil, as partes envolvidas na lide podem solicitar provas e buscálas, sendo concebido o processo para todos os envolvidos, inclusive o juiz da causa. No entanto, não se pode interpretar referida diretriz como total transferência do ônus probatório. No caso em exame, com a manifestação de inconformidade e no recurso voluntário, limitouse a contribuinte a juntar a DCTF e DACON, não trazendo quaisquer outros elementos de prova que comprovem a certeza e liquidez do crédito tributário. Portanto, nesse caso, não cabe se falar em ônus do julgador em solicitar providências complementares, pois sequer foram juntados documentos fiscais e contábeis, de sua posse, para início dessa comprovação. Diante do exposto, negase provimento ao recurso especial do Sujeito Passivo. Vale ressaltar ainda, que aqui não estamos tratando de compensação não homologada pela falta da retificação da DCTF. Nestes casos, entendo que, quando esta é suprida pelo Contribuinte na apresentação da manifestação de inconformidade, constituindose em primeiro indício de prova da certeza e liquidez do crédito tributário, devendo então ensejar nova análise do pedido de compensação pela Autoridade Fiscal. Assim, nestes caso, mediante a apresentação da DCTF retificadora, que substitui a original, quando da apresentação da manifestação de inconformidade, cabível oportunizar ao Contribuinte a apresentação de provas quanto à certeza e liquidez do crédito tributário, por meio de documentos contábeis e fiscais. Ou seja, entendo que não há óbice, portanto, à apresentação da DCTF retificadora e sua aceitação após a prolação do despacho decisório. Fl. 220DF CARF MF Processo nº 10880.679903/200950 Acórdão n.º 9303006.943 CSRFT3 Fl. 8 7 No entanto, apresentação de DCTF retificadora, por si só, não tem o condão de reverter a não homologação da compensação. No caso em exame, o Contribuinte limitouse a trazer aos autos apenas cópias de documentos societários, do despacho decisório, do PER/DCOMP, do comprovante de arrecadação e da DCTF retificadora transmitida em 2 de dezembro de 2009, após a ciência do despacho decisório, documentos esses insuficientes à plena comprovação do indébito reclamado, dado que desacompanhados de elementos da escrituração contábilfiscal e da documentação que a lastreia, estes, sim, consistentes em prova hábil e idônea. Nenhum documento, por mais precário que fosse, foi trazido aos autos para se comprovarem as remessas ao exterior de royalties pela cessão de direitos de uso de programas de computador, bem como pela contraprestação de serviços técnicos e administrativos. Diante do exposto, negase provimento ao Recurso Especial do Contribuinte." Ressaltese que, da mesma forma que ocorreu no caso do paradigma, no presente processo o contribuinte também não juntou aos autos nenhum documento hábil a comprovar o direito creditório alegado. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, o recurso especial do contribuinte foi conhecido e, no mérito, o colegiado negoulhe provimento. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Fl. 221DF CARF MF
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Numero do processo: 10675.720692/2009-73
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed May 16 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Aug 14 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 01/01/2004 a 31/03/2004
CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. AQUISIÇÕES DE PESSOAS FÍSICAS. REGIME ALTERNATIVO DA LEI Nº 10.276/2001. ADMISSÃO, POR IDENTIDADE DE EXIGÊNCIA CONTIDA NA LEI Nº 9.363/96 E APLICAÇÃO ANÁLOGA, EM TESE, DE DECISÃO VINCULANTE DO STJ.
Havendo decisão definitiva do STJ (REsp nº 993.164/MG), proferida na sistemática do art 543-C do antigo CPC (Recursos Repetitivos), no sentido da inclusão na base de cálculo do Crédito Presumido de IPI na exportação (Lei nº 9.363/96, originalmente regulada pela IN/SRF nº 23/97) das aquisições de não contribuintes PIS/Cofins, como os produtores rurais pessoas físicas, ela deverá ser reproduzida pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF, por força regimental (art. 62, § 2º, do RICARF). Mesmo que, a rigor, não haja a mesma vinculação quando a apuração se dá no regime da Lei nº 10.276/2001, originalmente regulada pela IN/SRF nº 69/2001, considerando que nela há a mesma exigência da incidência das contribuições na aquisição do produtor rural pelo produtor-exportador, e que a interpretação vinculante do STJ de que as contribuições estão embutidas em etapas anteriores da cadeia produtiva está consignada em tese, admite-se também o creditamento no regime alternativo.
Numero da decisão: 9303-006.802
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em negar-lhe provimento.
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em exercício e Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas.
Nome do relator: RODRIGO DA COSTA POSSAS
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ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/01/2004 a 31/03/2004 CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. AQUISIÇÕES DE PESSOAS FÍSICAS. REGIME ALTERNATIVO DA LEI Nº 10.276/2001. ADMISSÃO, POR IDENTIDADE DE EXIGÊNCIA CONTIDA NA LEI Nº 9.363/96 E APLICAÇÃO ANÁLOGA, EM TESE, DE DECISÃO VINCULANTE DO STJ. Havendo decisão definitiva do STJ (REsp nº 993.164/MG), proferida na sistemática do art 543C do antigo CPC (Recursos Repetitivos), no sentido da inclusão na base de cálculo do Crédito Presumido de IPI na exportação (Lei nº 9.363/96, originalmente regulada pela IN/SRF nº 23/97) das aquisições de não contribuintes PIS/Cofins, como os produtores rurais pessoas físicas, ela deverá ser reproduzida pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF, por força regimental (art. 62, § 2º, do RICARF). 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(assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em exercício e Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 67 5. 72 06 92 /2 00 9- 73 Fl. 261DF CARF MF Processo nº 10675.720692/200973 Acórdão n.º 9303006.802 CSRFT3 Fl. 262 2 Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas. Relatório Tratase de Recurso Especial de Divergência (fls. 224 a 233), interposto pela ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional, contra o acórdão 3402002.738, proferido pela 2ª Turma Ordinária da 4ª Câmara da 3ª Sejul do CARF (fls. 207 a 221), sob a seguinte Ementa (à época o Nome Empresarial era FRIGORÍFICO MATABOI S.A.): ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/01/2004 a 31/01/2004 (Correto 01/01/2004 a 31/03/2004) CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. AQUISIÇÃO DE PESSOAS FÍSICAS. REGIME ALTERNATIVO. LEI 10.276/2001. RECURSO REPETITIVO DO STJ. SÚMULA 494/STJ. ANALOGIA. POSSIBILIDADE. No regime alternativo previsto na Lei nº 10.276/2001 geram direito ao crédito presumido de IPI as aquisições de pessoas físicas, por analogia ao entendimento exarado no Recurso Especial nº 993.164/MG, sob a sistemática dos recursos repetitivos do STJ, aplicável ao crédito presumido de IPI apurado em conformidade com a Lei nº 9.363/96. CRÉDITO PRESUMIDO. MATÉRIASPRIMAS E PRODUTOS INTERMEDIÁRIOS. CONCEITO DA LEGISLAÇÃO DO IPI. TELECOMUNICAÇÕES. INCLUSÃO. IMPOSSIBILIDADE. Incluemse na base de cálculo do crédito presumido somente as matériasprimas e produtos intermediários que integrarem o produto fabricado ou que forem consumidos no processo de industrialização em face do contato físico direto com o produto em fabricação, desde que não estejam compreendidos entre bens do ativo permanente. Os gastos com telecomunicações não se enquadram no conceito de matériaprima ou produto intermediário. Em seu Recurso Especial, ao qual foi dado seguimento (fls. 235 a 237), a PGFN alega que“... no que toca à explicitação da forma de cálculo do crédito presumido de IPI, há uma diferença substancial entre a regra insculpida na Lei nº 9.363/96 e aquela prevista na Lei nº 10.276/2001. Com efeito, na Lei nº 9.393/96 não há regra expressa no sentido de que apenas geram direito ao crédito as aquisições de MP, PI e ME que tenham sofrido a incidência de PIS/COFINS. Diversamente, na Lei nº 10.276/2001 o comando legal é cristalino no sentido de que só dão direito ao crédito presumido de IPI os custos de aquisição de insumos sobre os quais incidiram as contribuições para o PIS/COFINS. Ora, tendo a disposição legal prevista no art. 1º, § 1º da Lei nº 10.276/2001 como parâmetro, não há dúvida de que as aquisições de Fl. 262DF CARF MF Processo nº 10675.720692/200973 Acórdão n.º 9303006.802 CSRFT3 Fl. 263 3 pessoas físicas e de cooperativas não geram direito ao crédito presumido de IPI, eis que não sofrem em suas operações comerciais a incidência de PIS/COFINS”. O Contribuinte apresentou Contrarrazões (fls. 243 a 254), pedindo, preliminarmente, que o Recurso não seja conhecido, pois apenas teriam sido transcritas as ementas dos Acórdão paradigmas, sem o devido cotejo analítico. É o Relatório. Voto Conselheiro Rodrigo da Costa Pôssas, Relator A PGFN não se limita a transcrever as Ementas dos Acórdãos paradigmas, mas também excertos dos Votos condutores (com as devidas ponderações, ao final), sendo que o primeiro faz referência expressa ao REsp nº 993.164/MG, entendendo que não se aplica ao caso. Assim, tendo sido cumpridos os requisitos e respeitadas as formalidades previstas no RICARF para se admitir o Recurso Especial, dele conheço. No mérito, a inclusão, das aquisições de nãocontribuintes PIS/Cofins, como as pessoas físicas e cooperativas, na base de cálculo do Crédito Presumido apurado no regime da Lei nº 9.363/96, não é mais passível do discussão no CARF, pois há decisão do STJ admitindo estes créditos, em Acórdão submetido ao regime do art 543C do Antigo CPC (Recursos Repetitivos), no REsp nº 993.164/MG, de Relatoria do Ministro Luiz Fux, publicado em 17/12/2010. Transcrevo excerto da ementa do referido acórdão, no que interessa à discussão: PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. IPI. CRÉDITO PRESUMIDO PARA RESSARCIMENTO DO VALOR DO PIS/PASEP E DA COFINS. EMPRESAS PRODUTORAS E EXPORTADORAS DE MERCADORIAS NACIONAIS. LEI 9.363/96. INSTRUÇÃO NORMATIVA SRF 23/97. CONDICIONAMENTO DO INCENTIVO FISCAL AOS INSUMOS ADQUIRIDOS DE FORNECEDORES SUJEITOS À TRIBUTAÇÃO PELO PIS E PELA COFINS. EXORBITÂNCIA DOS LIMITES IMPOSTOS PELA LEI ORDINÁRIA. Por força regimental – Portaria MF nº 343/2015, art. 62, § 2º, a decisão deve ser reproduzida por este relator: Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. (...) Fl. 263DF CARF MF Processo nº 10675.720692/200973 Acórdão n.º 9303006.802 CSRFT3 Fl. 264 4 § 2º As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática dos arts. 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 1973, ou dos arts. 1.036 a 1.041 da Lei nº 13.105, de 2015 – Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. (Redação dada pela Portaria MF nº 152, de 2016) Registrese ainda que: 1) Existe inclusive Súmula do STJ a respeito, publicada em 13/08/2012: Súmula 494: O benefício fiscal do ressarcimento do crédito presumido do IPI relativo às exportações incide mesmo quando as matériasprimas ou os insumos sejam adquiridos de pessoa física ou jurídica não contribuinte do PIS/PASEP. 2) Antes disto, já havia sido editado o Ato Declaratório nº 14/2011 da PGFN, nos seguintes termos: A PROCURADORIAGERAL DA FAZENDA NACIONAL, no uso da competência legal que lhe foi conferida ..., DECLARA que fica autorizada a dispensa de apresentação de contestação, de interposição de recursos e a desistência dos já interpostos, desde que inexista outro fundamento relevante: “nas ações e decisões judiciais que fixem o entendimento no sentido da ilegalidade da IN/SRF 23/1997, que, ao excluir da base de cálculo do benefício do crédito presumido do IPI as aquisições relativamente aos produtos da atividade rural, de matériaprima e de insumos de pessoas físicas, extrapolou os limites do art. 1º da Lei n. 9.363/1996”. JURISPRUDÊNCIA: AGREsp 913433/ES, REsp 627.941/CE, REsp 840.056/CE REsp 995285/PE, REsp 1008021/CE, REsp 921397/CE, REsp 840056/CE, REsp 767617/CE, todas do STJ. 3) Na forma da Lei nº 10.522/2002, art. 19, § 5º, com a redação dada pelo art. 21 da Lei nº 12.844/2013, também estão vinculadas a este entendimento as Delegacias de Julgamento e as Unidades de Origem da RFB, mas em razão da manifestação da PGFN na Nota transcrita parcialmente a seguir: NOTA /PGFN/CRJ/Nº 1.155/2012 (...) Em complementação à Nota PGFN/CRJ nº 1114/2012, que delimitou a matéria decidida nos julgamentos submetidos à sistemática dos artigos 543B e 543C, do Código de Processo Civil, ... encaminhase a presente nota na qual se acrescenta o item 84 da lista do art. 1º, V, da Portaria PGFN nº 294/2010, correspondente ao Recurso Especial nº 993.164/MG, acrescentado a esta lista na sua última atualização realizada no dia 10 de agosto de 2012. Fl. 264DF CARF MF Processo nº 10675.720692/200973 Acórdão n.º 9303006.802 CSRFT3 Fl. 265 5 2. Em razão de o referido julgado ter repercussão na esfera administrativa e requerer atuação efetiva da RFB, e em observância do que foi definido na Nota PGFN/CRJ nº 1114/2012, que cumpre o disposto no Parecer PGFN/CDA nº 2025/2011, encaminhase o item relativo à delimitação do tema para fins de complementação do anexo da Nota PGFN/CRJ nº 1114/2012, com a seguinte redação: 84 – REsp 993.164/MG Relator: Min. Luiz Fux (...) Resumo: o tribunal julgou ilegal a IN RFB Nº 23/97, por ter ela extrapolado os limites da Lei 9.363/96, ao excluir da base de cálculo do benefício do crédito presumido do IPI as aquisições (relativamente aos produtos oriundos de atividade rural) de matériaprima e de insumos de fornecedores não sujeitos à tributação pelo PIS/PASEP e pela COFINS. Ocorre que, neste caso, o Crédito Presumido foi apurado com base no regime da Lei nº 10.276/2001, abrindose aí a discussão – que é efetivamente o cerne da lide aqui posta – se a jurisprudência vinculante do STJ, que faz somente referência à Lei nº 9.363/96 e às normas infralegais que a regulam, também seria aplicável ao regime alternativo. A PGFN, como já visto, alega que só a Lei nº 10.276/2001 traz referência expressa à exigência de que tenha havido a incidência das contribuições nas aquisições passiveis de inclusão na base de cálculo. Vejamos o que rezam os dois diplomas legais, na parte que interessa à discussão: Lei nº 9.363/96 Art. 1º A empresa produtora e exportadora de mercadorias nacionais fará jus a crédito presumido do Imposto sobre Produtos Industrializados, como ressarcimento das contribuições de que tratam as Leis Complementares nos 7, de 7 de setembro de 1970, 8, de 3 de dezembro de 1970, e 70, de 30 de dezembro de 1991, incidentes sobre as respectivas aquisições, no mercado interno, de matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem, para utilização no processo produtivo. Lei nº 10.276/2001 Art. 1º Alternativamente ao disposto na Lei nº 9.363, de 13 de dezembro de 1996, a pessoa jurídica produtora e exportadora de mercadorias nacionais para o exterior poderá determinar o valor do crédito presumido do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI), como ressarcimento relativo às contribuições para os Programas de Integração Social e de Formação do Patrimônio do Servidor Público (PIS/PASEP) e para a Seguridade Social (COFINS), de conformidade com o disposto em regulamento. Fl. 265DF CARF MF Processo nº 10675.720692/200973 Acórdão n.º 9303006.802 CSRFT3 Fl. 266 6 § 1º A base de cálculo do crédito presumido será o somatório dos seguintes custos, sobre os quais incidiram as contribuições referidas no caput: I de aquisição de insumos, correspondentes a matériasprimas, a produtos intermediários e a materiais de embalagem, bem assim de energia elétrica e combustíveis, adquiridos no mercado interno e utilizados no processo produtivo; II correspondentes ao valor da prestação de serviços decorrente de industrialização por encomenda, na hipótese em que o encomendante seja o contribuinte do IPI, na forma da legislação deste imposto. A redação é distinta ? Sim, mas, na visão deste Relator, ambas as leis trazem a mesma exigência, qual seja, que haja incidência sobre os custos de produção admitidos na base de cálculo do Crédito Presumido de IPI. A Lei nº 10.276/2001, ao contrário do que alguns pensam, não criou um novo benefício, mas tãosomente: 1) Passou a admitir a inclusão na base de cálculo, além dos insumos para industrialização, no conceito da legislação do IPI (MP, PI e ME), gastos com energia elétrica, combustíveis e serviços de industrialização por encomenda; 2) Alterou a forma de cálculo. Em nada estas mudanças afetaram a “essência” do benefício, cujo objetivo é desonerar as exportações dos tributos incidentes na cadeia produtiva (no caso, PIS/Cofins), ainda que de forma presumida (pois cada produto exportado tem uma cadeia distinta, na qual incidem as contribuições com menor ou maior reflexo no custo), para aumentar a competitividade dos produtos nacionais no mercado globalizado – ou, ao menos, buscar uma maior equiparação (diminuindo o chamado “Custo Brasil”). O que se discutiu no STJ foi a exigência da incidência na última etapa da cadeia produtiva, ou seja, na venda do fornecedor para o produtorexportador. No caso concreto, estamos tratando de gado bovino adquirido de pecuaristas pessoas físicas, para abate e processamento das carnes destinadas à exportação. Nestas aquisições não há incidência das contribuições; se, de pessoas jurídicas – como são uma pequena parte das realizadas pelo frigorífico – estão sujeitas à incidência de PIS/Cofins (se foi de forma presumida, das agroindústrias, ou de outra forma, pouco importa; a discussão aqui é em tese – importa é que tenha havido a incidência). Se dermos às leis interpretação literal (aplicável àquelas que concedem benefícios fiscais, não podendo, portanto, ser diversa a regulamentação dada pelas instruções normativas da Receita Federal), sem dúvida não haveria o direito ao crédito se não há a incidência, mas o STJ a elasteceu, vislumbrando que há efetivamente incidência também em etapas anteriores, neste caso, na fase agrícola, como nas aquisições de ração e outros insumos utilizados na criação dos animais até estarem prontos para o abate (não empreendi também aqui pesquisa para se saber efetivamente quais são estes insumos, qual é a alíquota aplicável ... o que se pretende transmitir é conceitual). Fl. 266DF CARF MF Processo nº 10675.720692/200973 Acórdão n.º 9303006.802 CSRFT3 Fl. 267 7 Na decisão que nos vincula, o STJ considerou que a IN/SRF nº 23/97, que regulou a Lei nº 9.363/96, estaria a “exorbitar os limites” impostos pela lei ordinária, na parte em que restringe o crédito, nas aquisições de produtos oriundos da atividade rural, àquelas de pessoas jurídicas: Art. 2º Fará jus ao crédito presumido a que se refere o artigo anterior a empresa produtora e exportadora de mercadorias nacionais. .................... § 2º O crédito presumido relativo a produtos oriundos da atividade rural, conforme definida no art. 2º da Lei nº 8.023, de 12 de abril de 1990, utilizados como matériaprima, produto intermediário ou embalagem, na produção bens exportados, será calculado, exclusivamente, em relação às aquisições, efetuadas de pessoas jurídicas, sujeitas às contribuições PIS/PASEP e COFINS. E a interpretação mais “elástica” dada pelo STJ, a que me refiro – ainda específica para os produtores rurais – está mais que clara nos trechos da Ementa do Acórdão no REsp nº 993.164/MG que transcrevo a seguir: 8. Conseqüentemente, sobressai a "ilegalidade" da instrução normativa que extrapolou os limites impostos pela Lei 9.363/96, ao excluir, da base de cálculo do benefício do crédito presumido do IPI, as aquisições (relativamente aos produtos oriundos de atividade rural) de matériaprima e de insumos de fornecedores não sujeito à tributação pelo PIS/PASEP e pela COFINS (Precedentes ...) 9. É que: (i) "a COFINS e o PIS oneram em cascata o produto rural e, por isso, estão embutidos no valor do produto final adquirido pelo produtorexportador, mesmo não havendo incidência na sua última aquisição"; ... É bem verdade que a Súmula nº 497 é genérica, não especificando a norma atingida, mas, a rigor, não estamos vinculados quando o crédito é calculado pelo regime alternativo da Lei nº 10.276/2001, regulado, originalmente, pela IN/SRF nº 69/2001, ainda que traga dispositivo idêntico: Art. 5º Fará jus ao crédito presumido a que se refere o art. 1º a empresa produtora e exportadora de produtos industrializados nacionais. .................... § 2º O crédito presumido relativo a produtos oriundos da atividade rural, conforme definida no art. 2º da Lei Nº 8.023, de 12 de abril de 1990, utilizados como matériaprima, produto intermediário ou material de embalagem, na industrialização de produtos exportados, será calculado, exclusivamente, em relação às aquisições, efetuadas de pessoas jurídicas, sujeitas à contribuição para o PIS/Pasep e à Cofins. Entretanto, como já visto, apesar de haver uma “sensível alteração de texto” – como disse o ilustre Relator Rosaldo Trevisan no Acórdão 3403003.173, trazido no Voto Condutor Fl. 267DF CARF MF Processo nº 10675.720692/200973 Acórdão n.º 9303006.802 CSRFT3 Fl. 268 8 do Acórdão recorrido, havendo que se reconhecer que a norma insculpida na Lei nº 10.276/2001 é mais “explícita” (muito provavelmente pelo fato de que esta questão já vinha sendo aventada no interregno entre as duas leis – notadamente pelas Usinas, no que se refere à aquisições de canade acúcar de fornecedores pessoas físicas), entende este relator que as normas legais dizem o mesmo – o que vejo ainda com mais propriedade sendo idênticas, no que tange à produção rural, as redações das instruções normativas que regulam a apuração nos dois regimes. E a interpretação dada pelo STJ de que as contribuições estariam “embutidas” nas etapas anteriores da cadeia da produção rural é dada em tese, sendo aplicável, portanto, a qualquer forma de cálculo que seja adotada para o benefício, não alterada a sua essência. É com estas visões: (i) as duas leis exigem a incidência das contribuições nos mesmos casos e versam sobre o mesmo incentivo e (ii) a interpretação vinculante do STJ, vendo a cadeia produtiva como um todo, é conceitual, que admito a “analogia”, para fins de aplicação do decidido pelo STJ no julgamento REsp nº 993.464/MG, também quando o cálculo do valor do direito creditório é feito na forma alternativa da Lei nº 10.276/2001. Não o é (para que fique o registro, já que a conclusão a que se chega é a mesma): * Pelo fato de somente a Lei nº 10.276/2001 trazer a exigência expressa de que haja a incidência, como defende a PGFN; * Por comungar com a análise que faz o Acórdão recorrido, ao dizer a Relatora que “...até por uma até por uma questão de razoabilidade e isonomia, que o mesmo entendimento do STJ exarado no Recurso Especial nº 993.164/MG deva ser aqui adotado, vez que não há, no texto de nenhuma das duas leis, a limitação expressa de não inclusão no cálculo do crédito presumido das aquisições de pessoas físicas”; E a jurisprudência, inclusive a recente, do CARF, vai no mesmo sentido, conforme podemos ver nos excertos das Ementas de dois Acórdãos que trago a seguir: Acórdão nº 3401004.459, de 22/03/2018. CRÉDITO PRESUMIDO DO IPI. LEI Nº 9.363/1996. AQUISIÇÕES DE PESSOAS FÍSICAS. REGIME ALTERNATIVO. LEI Nº 10.276/2001. CABIMENTO. ENTENDIMENTO STJ. VINCULANTE. Consoante interpretação do Superior Tribunal de Justiça em julgamento de recurso repetitivo, a ser reproduzida no CARF, conforme Regimento Interno deste Tribunal Administrativo, matériasprimas, produtos intermediários e materiais de embalagem adquiridos de pessoas físicas dão direito ao Crédito Presumido instituído pela Lei nº 9.363/1996, o mesmo ocorrendo, logicamente, em relação ao regime alternativo instituído pela Lei nº 10.276/2001. Acórdão nº 3402004.372 , de 30/08/2017. IPI. CRÉDITO PRESUMIDO. INSUMOS ADQUIRIDOS DE PESSOAS FÍSICAS E COOPERATIVAS. POSSIBILIDADE DE Fl. 268DF CARF MF Processo nº 10675.720692/200973 Acórdão n.º 9303006.802 CSRFT3 Fl. 269 9 CREDITAMENTO. MATÉRIA RESOLVIDA PELO STJ EM RECURSO REPETITIVO. REGIME ALTERNATIVO DA LEI Nº 10.276/01. APLICAÇÃO. O benefício fiscal do ressarcimento do crédito presumido do IPI relativo às exportações incide mesmo quando as matérias primas ou os insumos sejam adquiridos de pessoa física ou jurídica não contribuinte do PIS/PASEP, conforme decisão definitiva do Superior Tribunal de Justiça (STJ), proferida na sistemática dos recursos repetitivos e que deve ser reproduzida pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF por força do artigo 62A do RICARF. A referida decisão do STJ também se aplica ao crédito presumido apurado pelo regime alternativo da Lei nº 10.276/01. À vista do exposto, voto por negar provimento ao Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Fl. 269DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 16682.721118/2012-25
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jun 19 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Jul 18 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 2008, 2009
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OMISSÃO.
Existindo a suscitada omissão, pela correta interpretação do acórdão embargado, os embargos devem ser providos.
Numero da decisão: 3201-003.762
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em acolher os Embargos de Declaração, sem efeitos infringentes.
(assinatura digital)
Charles Mayer de Castro Souza - Presidente.
(assinatura digital)
Pedro Rinaldi de Oliveira Lima - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisario, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade, Laercio Cruz Uliana Junior e Charles Mayer de Castro Souza (Presidente).
Nome do relator: Pedro Rinaldi de Oliveira Lima
1.0 = *:*
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OMISSÃO. Existindo a suscitada omissão, pela correta interpretação do acórdão embargado, os embargos devem ser providos. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em acolher os Embargos de Declaração, sem efeitos infringentes. (assinatura digital) Charles Mayer de Castro Souza Presidente. (assinatura digital) Pedro Rinaldi de Oliveira Lima Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisario, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade, Laercio Cruz Uliana Junior e Charles Mayer de Castro Souza (Presidente). Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 68 2. 72 11 18 /2 01 2- 25 Fl. 2750DF CARF MF 2 Tratamse de Embargos de Declaração opostos por Conselheiro em fls. 2745 em face do Acórdão deste Conselho de fls. 2739, em razão de omissão. O Presidente desta Turma de julgamento admitiu os Embargos de Declaração conforme Despacho de admissibilidade fls. 2747, transcrito a seguir: "O Conselheiro Marcelo Giovani Vieira, na condição de redator designado para elaboração do voto vencedor do acórdão embargado, interpôs Embargos de Declaração em face do Acórdão de Embargos nº 3201003.273 de 29 de janeiro de 2018. O acórdão embargado possui a seguinte ementa: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2008, 2009 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. CONTRADIÇÃO. Inexistindo a suscitada contradição, pela correta interpretação do acórdão embargado, os embargos devem ser rejeitados. Embargos Rejeitados O Acórdão de Recurso Voluntário 3201 002.387 teve a seguinte ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Anocalendário: 2008, 2009 BONIFICAÇÕES/PRÊMIOS. RECEITAS FINANCEIRAS. DESCARACTERIZAÇÃO . Não se considera receita financeira o montante recebido de fornecedores a título de bonificação pelo cumprimento de metas e ações. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Anocalendário: 2008, 2009 BONIFICAÇÕES/PRÊMIOS. RECEITAS FINANCEIRAS. DESCARACTERIZAÇÃO Não se considera receita financeira o montante recebido de fornecedores a título de bonificação pelo cumprimento de metas e ações. O presente recurso é tempestivo: os embargos foram assinados em 06/03/2018, mesma data de assinatura do acórdão embargado, conforme páginas de autenticação do Acórdão recorrido e dos Embargos opostos. Destacase que, no caso de Embargos de Declaração opostos pelo Conselheiro Relator ou Redator designado, o prazo é de cinco dias a partir da formalização do voto vencedor, o que se caracteriza pela aposição de sua assinatura no acórdão, no eProcesso. O Embargante alega a ocorrência de omissão no julgado. Transcrevo excerto de seu recurso com a descrição do vício suscitado: Fl. 2751DF CARF MF Processo nº 16682.721118/201225 Acórdão n.º 3201003.762 S3C2T1 Fl. 2.750 3 "O contribuinte apresentou Embargos de Declaração, apontando duas omissões: 1 – Incidência de alíquota zero em suas receitas operacionais; 2 –Exigência de multa de ofício e dos juros de mora, conforme Despacho de Admissibilidade à fl. . O relator do Acórdão de Embargos 3201003.273 votou por conhecer dos embargos e dar provimento, quanto à suscitada omissão 1, enquanto, por decorrência, julgava prejudicada a omissão 2. No entanto, o relator foi vencido quanto à omissão 1, e o redator designado fez constar o voto vencedor, no acórdão de embargos, sobre a omissão 1. Todavia, a turma não cuidou de julgar a omissão 2, que, por força da rejeição dos embargos em relação à omissão 1, se tornou merecedora de apreciação. Desse modo, há omissão no Acórdão de Embargos 3201 003.273, porque não apreciou a suscitada omissão 2 – Exigência da multa de ofício e dos juros de mora, dos embargos do contribuinte." Analisando a alegação do Embargante constatase a omissão suscitada quanto à apreciação da questão acerca da exigência da multa de ofício e dos juros de mora. Com base nos argumentos acima e considerando a determinação contida no art. 65, § 7º do Regimento Interno do CARF, dou seguimento aos embargos de declaração. Encaminhese ao relator, Conselheiro Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, a fim de que indique o processo para pauta com proposta de saneamento do vício apontado." Após, os autos foram distribuídos e pautados nos moldes do regimento interno deste Conselho. Relatório proferido. Voto Conselheiro Pedro Rinaldi de Oliveira Lima Relator. Conforme o Direito Tributário, a legislação, os fatos, as provas, documentos e petições apresentados aos autos deste procedimento administrativo e, no exercício dos trabalhos e atribuições profissionais concedidas aos Conselheiros, conforme portaria de condução e Regimento Interno deste Conselho, apresentase este voto. Por conter matéria preventa desta 3.ª Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais e presentes os requisitos de admissibilidade, os tempestivos Embargos de Declaração devem ser conhecidos. Fl. 2752DF CARF MF 4 Considerando o resultado do julgamento do Acórdão embargado, que rejeitou o anterior Embargos de Declaração opostos pelo contribuinte e, conseqüentemente, manteve o restabelecimento do lançamento de Pis e Cofins, por meio do provimento ao Recurso de Ofício, não podem restar prejudicadas as alegações as respeito da multa e dos juros, porque devem, em conjunto com o restabelecimento do lançamento, serem analisadas. Sobre este tema, segue o trecho do primeiro Embargos de Declaração que solicitou a apreciação da matéria quando restabelecido o lançamento neste Conselho: Já na análise da matéria, verificase que que tanto os juros quanto a multa são cabíveis no lançamento, conforme disposto nas Súmulas Carf n.º 2 e 4, transcritas a seguir: "Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Súmula CARFnº 4: A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais." Ou seja, a Selic está expressamente prevista e tem aplicação obrigatória dentro deste Conselho, assim como a Multa de Ofício tem previsão legal e não pode deixar de ser aplicada diante de questões constitucionais, que não podem ser objeto de apreciação por este conselho. Fl. 2753DF CARF MF Processo nº 16682.721118/201225 Acórdão n.º 3201003.762 S3C2T1 Fl. 2.751 5 Diante de todo o exposto, votase para ACOLHER os Embargos de Declaração, sem efeitos infringentes. Voto proferido. (assinatura digital) Pedro Rinaldi de Oliveira Lima. Fl. 2754DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10530.720014/2008-74
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jun 06 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Aug 06 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural - ITR
Exercício: 2004
EMBARGOS INOMINADOS. INEXATIDÃO MATERIAL. LAPSO MANIFESTO.
Acolhem-se os embargos como inominados para corrigir a inexatidão material devida a lapso manifesto na parte dispositiva do acórdão embargado, a qual deixou de fazer alusão à necessidade de observar, por ocasião da execução do julgado, a determinação para a suspensão do pagamento do imposto.
Numero da decisão: 2401-005.564
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer dos embargos, na parte em que foram admitidos, e acolhê-los, sem efeitos infringentes, para corrigir a inexatidão material no Acórdão nº 2101-002.392, de 19/02/2014, através de acréscimo na parte dispositiva do acórdão embargado.
(assinado digitalmente)
Miriam Denise Xavier - Presidente
(assinado digitalmente)
Cleberson Alex Friess - Relator
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Miriam Denise Xavier, Cleberson Alex Friess, Luciana Matos Pereira Barbosa, Rayd Santana Ferreira, Francisco Ricardo Gouveia Coutinho, Andréa Viana Arrais Egypto, José Luís Hentsch Benjamin Pinheiro e Matheus Soares Leite.
Nome do relator: CLEBERSON ALEX FRIESS
1.0 = *:*
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural - ITR Exercício: 2004 EMBARGOS INOMINADOS. INEXATIDÃO MATERIAL. LAPSO MANIFESTO. Acolhem-se os embargos como inominados para corrigir a inexatidão material devida a lapso manifesto na parte dispositiva do acórdão embargado, a qual deixou de fazer alusão à necessidade de observar, por ocasião da execução do julgado, a determinação para a suspensão do pagamento do imposto.
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INEXATIDÃO MATERIAL. LAPSO MANIFESTO. Acolhemse os embargos como inominados para corrigir a inexatidão material devida a lapso manifesto na parte dispositiva do acórdão embargado, a qual deixou de fazer alusão à necessidade de observar, por ocasião da execução do julgado, a determinação para a suspensão do pagamento do imposto. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer dos embargos, na parte em que foram admitidos, e acolhêlos, sem efeitos infringentes, para corrigir a inexatidão material no Acórdão nº 2101002.392, de 19/02/2014, através de acréscimo na parte dispositiva do acórdão embargado. (assinado digitalmente) Miriam Denise Xavier Presidente (assinado digitalmente) Cleberson Alex Friess Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 53 0. 72 00 14 /2 00 8- 74 Fl. 433DF CARF MF Processo nº 10530.720014/200874 Acórdão n.º 2401005.564 S2C4T1 Fl. 434 2 Participaram do presente julgamento os conselheiros: Miriam Denise Xavier, Cleberson Alex Friess, Luciana Matos Pereira Barbosa, Rayd Santana Ferreira, Francisco Ricardo Gouveia Coutinho, Andréa Viana Arrais Egypto, José Luís Hentsch Benjamin Pinheiro e Matheus Soares Leite. Relatório Cuidase de embargos de declaração opostos pelo contribuinte, conforme fls. 346/350, contra o Acórdão nº 2101002.392, de 19/02/2014, proferido pela 1ª Turma Ordinária da 1ª Câmara da Segunda Seção deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, o qual está juntado às fls. 269/287. 2. Alega o embargante que o acórdão contém os seguintes vícios: (i) inexatidão material, por falta de menção, no resultado do julgamento, ao acolhimento pelo colegiado da determinação para a suspensão do pagamento do imposto, de acordo com o Processo Administrativo nº 0009207 57.2013.8.05.0000, com tramitação perante o Tribunal de Justiça do Estado da Bahia; (ii) erro de fato, porque a decisão no Processo Administrativo nº 000920757.2013.8.05.0000 transitou em julgado antes da sessão de julgamento em que proferido o acórdão embargado; e (iii) erro de fato, porquanto o acórdão embargado deixou de reconhecer como pertinente para tomada de decisão os efeitos do reconhecimento no Processo Administrativo nº 000920757.2013.8.05.0000 da inexistência da matrícula nº 5817, originária das matrículas nº 1879 e 1927. 3. O contribuinte tomou ciência do acórdão recorrido em 11/11/2014, com interposição dos embargos de declaração em 14/11/2014 (fls. 314 e 346). 4. Tendo em conta que os embargos foram opostos contra decisão de Turma extinta, assim como o redator originário não mais integra o Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, a sua admissibilidade foi analisada pelo Presidente da 2ª Seção, a qual o referido colegiado estava subordinado. 5. Os aclaratórios foram parcialmente admitidos por despacho do Presidente da 2ª Seção de Julgamento, tão somente quanto à ocorrência de inexatidão material, com determinação para a sua inclusão em pauta de julgamento, após novo sorteio de relatoria, para a devida apreciação no que tange ao saneamento da inexatidão material apontada pelo contribuinte (fls. 427/432). É o relatório Fl. 434DF CARF MF Processo nº 10530.720014/200874 Acórdão n.º 2401005.564 S2C4T1 Fl. 435 3 Voto Conselheiro Cleberson Alex Friess Relator 6. Cingese a análise dos embargos opostos pelo contribuinte à alegação de existência de erro material no acórdão embargado, na medida em que os demais vícios apontados no recurso pelo embargante foram rejeitados, em caráter definitivo, pelo Presidente da 2ª Seção de Julgamento (fls. 427/432). 7. Na parte devolvida a exame do colegiado, uma vez preenchidos os requisitos de admissibilidade dos embargos, passo à avaliação de mérito (art. 65, § 1º, e art. 66, do Anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (RICARF), aprovado pela Portaria MF nº 343, de 9 de junho de 2015). 8. Pois bem. Ao final do seu voto, a relatora do acórdão embargado, conselheira Célia Maria de Souza Murphy, manifestouse a respeito da decisão proferida nos autos do Processo Administrativo nº 000920757.2013.8.05.0000, conforme reproduzido a seguir (fls. 287): (...) Salientamos, por fim, que a decisão proferida nos autos do processo administrativo nº 000920757.2013.8.05.0000 determinou a suspensão do pagamento do Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural – ITR correspondente aos imóveis cujas matrículas foram bloqueadas, decisão esta que deve ser cumprida pela repartição de origem, nos termos em que foi exarada. Conclusão Ante todo o exposto, voto por afastar as preliminares de nulidade do lançamento e, no mérito, dar provimento em parte ao recurso voluntário, para restabelecer o valor da terra nua declarado. 9. Em meu ponto de vista, o parágrafo copiado da fundamentação do voto condutor do acórdão embargado diz respeito tão somente a uma observação para chamar a atenção da unidade da RFB responsável pela liquidação e execução do acórdão sobre a existência de decisão proferida pelo Conselho da Magistratura do Tribunal de Justiça do Estado da Bahia, com caráter de obrigatoriedade, não atraindo, por outro lado, a necessidade de deliberação do colegiado. Fl. 435DF CARF MF Processo nº 10530.720014/200874 Acórdão n.º 2401005.564 S2C4T1 Fl. 436 4 9.1 Com efeito, consistindo em decisão de cumprimento obrigatório, como dá a entender o voto condutor do acórdão, caberia à unidade da RFB observála quando da execução do julgado, independentemente de qualquer comando em sede do contencioso administrativo. 10. Por tais razões, a falta de alusão na parte dispositiva do acórdão não é resultado de lapso material, tampouco representa algum vício no julgado passível de correção via embargos. 11. Entretanto, na sessão do dia 4 abril de 2018, esta Turma examinou questão idêntica, relativamente ao mesmo contribuinte, no Processo nº 10530.720016/200863, referente ao exercício de 2005. 12. Na ocasião, restei vencido, haja vista que prevaleceu o entendimento entre os conselheiros pelo acolhimento dos embargos, sem efeitos modificativos, para sanar a inexatidão material e alterar a parte dispositiva do acórdão embargado, dada a existência de uma questão a ser decidida no âmbito do Conselho da Magistratura do Tribunal de Justiça da Bahia, nos autos do Processo Administrativo nº 000920757.2013.8.05.0000. 13. Em respeito ao colegiado e a própria eficiência da atuação da administração pública, evitandose a elaboração de voto vencedor, acompanho a decisão proferida naquela oportunidade, para o fim de alterar a parte do dispositivo do acórdão embargado, mediante inclusão da informação referente à suspensão do pagamento do Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural, nos termos abaixo: Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em afastar a alegação de nulidade do auto de infração, vencida a Conselheira Eivanice Canário da Silva e, no mérito, por maioria de votos, em dar provimento em parte ao recurso voluntário, para restabelecer o valor da terra nua declarado, vencida a Conselheira Eivanice Canário da Silva, que votou por dar provimento ao recurso, devendo a unidade da Secretaria da Receita Federal do Brasil de jurisdição adotar as providencias cabíveis, nos termos da decisão do Tribunal de Justiça da Bahia no Processo Administrativo nº 000920757.2013.8.05.0000, que suspendeu o pagamento do Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural – ITR. (DESTAQUE DA PARTE ACRESCIDA) Fl. 436DF CARF MF Processo nº 10530.720014/200874 Acórdão n.º 2401005.564 S2C4T1 Fl. 437 5 Conclusão Ante o exposto, CONHEÇO parcialmente dos embargos, nos limites admitidos pelo despacho do Presidente da 2ª Seção de Julgamento e, no mérito, ACOLHO os aclaratórios, sem efeitos infringentes, para corrigir a inexatidão material no Acórdão nº 2101 002.392, de 19/02/2014, através de acréscimo na parte dispositiva do acórdão embargado, conforme redação transcrita acima. É como voto. (assinado digitalmente) Cleberson Alex Friess Fl. 437DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10840.905716/2012-17
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jun 14 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Aug 13 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL
Ano-calendário: 2012
PROCESSUAL - ADMINISTRATIVO - NULIDADE RECONHECÍVEL DE OFÍCIO
Falece, à DRJ, competência para considerar "não-declarada" compensação analisada e não homologada pela Delegacia da Receita Federal, impondo-se, neste passo, o reconhecimento de sua nulidade de ofício, nos termos do art. 59, II, do Decreto 70.235/72
Numero da decisão: 1302-002.885
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário, para acolher a preliminar de nulidade do acórdão recorrido, suscitada de ofício pelo Conselheiro Gustavo Guimarães da Fonseca, determinando o retorno dos autos à DRJ para que seja proferida nova decisão, nos termos do relatório e voto do relator.
(assinado digitalmente)
Luiz Tadeu Matosinho Machado - Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Luiz Tadeu Matosinho Machado, Carlos Cesar Candal Moreira Filho, Marcos Antônio Nepomuceno Feitosa, Paulo Henrique Silva Figueiredo, Rogério Aparecido Gil, Maria Lúcia Miceli, Flávio Machado Vilhena Dias e Gustavo Guimarães da Fonseca.
Nome do relator: LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário, para acolher a preliminar de nulidade do acórdão recorrido, suscitada de ofício pelo Conselheiro Gustavo Guimarães da Fonseca, determinando o retorno dos autos à DRJ para que seja proferida nova decisão, nos termos do relatório e voto do relator. (assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado - Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Luiz Tadeu Matosinho Machado, Carlos Cesar Candal Moreira Filho, Marcos Antônio Nepomuceno Feitosa, Paulo Henrique Silva Figueiredo, Rogério Aparecido Gil, Maria Lúcia Miceli, Flávio Machado Vilhena Dias e Gustavo Guimarães da Fonseca.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Anocalendário: 2012 PROCESSUAL ADMINISTRATIVO NULIDADE RECONHECÍVEL DE OFÍCIO Falece, à DRJ, competência para considerar "nãodeclarada" compensação analisada e não homologada pela Delegacia da Receita Federal, impondose, neste passo, o reconhecimento de sua nulidade de ofício, nos termos do art. 59, II, do Decreto 70.235/72 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário, para acolher a preliminar de nulidade do acórdão recorrido, suscitada de ofício pelo Conselheiro Gustavo Guimarães da Fonseca, determinando o retorno dos autos à DRJ para que seja proferida nova decisão, nos termos do relatório e voto do relator. (assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Luiz Tadeu Matosinho Machado, Carlos Cesar Candal Moreira Filho, Marcos Antônio Nepomuceno Feitosa, Paulo Henrique Silva Figueiredo, Rogério Aparecido Gil, Maria Lúcia Miceli, Flávio Machado Vilhena Dias e Gustavo Guimarães da Fonseca. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 84 0. 90 57 16 /2 01 2- 17 Fl. 83DF CARF MF Processo nº 10840.905716/201217 Acórdão n.º 1302002.885 S1C3T2 Fl. 3 2 Relatório Cuida o feito de pedido de compensação de crédito resultante de pretenso indébito concernente à CSLL trimestral recolhida no ano de 2012, para quitação do mesmo tributo devido no mesmo ano calendário. Este pedido não foi homologado pela Unidade de Origem, cujo despacho decisório consignou a seguinte motivação fática: A partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos, abaixo relacionados, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. O contribuinte opôs a sua manifestação de inconformidade para deduzir alegações de nulidade de praxe, comumente apresentadas em processos como o ora analisado, afirmando ser desmotivado o despacho decisório e, mais, ter ocorrido cerceamento de defesa por não ter sido franqueado, à empresa, a produção de provas concernentes ao crédito cuja compensação se postulava. No mérito, afirmou que o crédito teria origem numa genérica assertiva de que a empresa teria incluído na base de cálculo receitas que, a teor de "algumas teses tributárias já julgadas pelo Suprem Tribunal Federal de favorável aos contribuinte, a exemplo (!?) a ampliação da base de cálculo por alterar o conceito de faturamento, a exclusão da base de cálculo de determinas despesas, etc (?!?). Pediu, ao fim, a produção de prova pericial, sem, inclusive, declinar os quesitos necessários à análise de validade do pedido, a teor dos preceitos do art. 16, IV, do Decreto 70.235/72. Instada a analisar as razões de insurgência do contribuinte, a DRJ de Ribeirão Preto, inovando o despacho decisório, houve por bem considerar não declarada a compensação deixando, consequentemente, de conhecer da aludida manifestação. Cientificado do conteúdo do acórdão em 04/02/2014, a empresa interpôs seu recurso voluntário em 28/02/2014, por meio do qual, a par de uma "preliminar" de tempestividade totalmente estranha ao feito, basicamente reiterou os argumentos deduzidos em sua manifestação de inconformidade. Este é o relatório. Fl. 84DF CARF MF Processo nº 10840.905716/201217 Acórdão n.º 1302002.885 S1C3T2 Fl. 4 3 Voto Conselheiro Luiz Tadeu Matosinho Machado Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º, 2º e 3º, do Anexo II, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão nº 1302002.872, de 14/06/2018, proferido no julgamento do Processo nº 10840.905696/2012 76, paradigma ao qual o presente processo fica vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão nº 1302002.872): Aos meus pares, vale o destaque: este processo é, virtualmente, idêntico ao PA de nº 3851.903041/201222, cujo acórdão de nº 1302002.642 já foi, inclusive, objeto de publicação. Assim, peço vênia, antes mesmo de me pronunciar sobre a tempestividade e os requisitos de cabimento do RV, para reproduzir todas as razões que lá expus, já que integralmente aplicável ao caso em análise: I Da análise do cabimento do RV e de questão de ordem pública prejudicial. Antes mesmo de me pronunciar sobre o cabimento do recurso, é necessário dirimir questão de relevo surgida apenas com o advento da decisão de primeira instância. Tal como descrito no relatório, a DRJRPO não conheceu da manifestação de inconformidade por entender que o crédito, cuja compensação se postulava, decorreria, a seu ver, de discussão judicial, o que, em tese, atrairia, ao caso, a aplicação da regra encartada no artigo 74, § 12, II, “f”, da Lei n.º 9.430, de 1996. Como a decisão primerva considerou como "não declarada" a compensação, entendeu descabida a manifestação de inconformidade já que, nesta hipótese, caberia tão só o recurso hierárquico a que alude o art. 56 da Lei 9.784/96 (por força da determinação constante do art. 39, § 2º, da IN 900/08, vigente à época da transmissão da declaração de compensação). O grande problema, todavia, é que, a teor do art. 74, § 10, da citada Lei 9.430, só caberia recurso a este Conselho para o caso de improcedência da manifestação inconformidade: § 10. Da decisão que julgar improcedente a manifestação de inconformidade caberá recurso ao Conselho de Contribuintes. Fl. 85DF CARF MF Processo nº 10840.905716/201217 Acórdão n.º 1302002.885 S1C3T2 Fl. 5 4 Demais disso, reprisese, que, uma vez considerada como "nãodeclarada" a compensação, como já dito, descabe manifestação de inconformidade e, por conseguinte, recurso voluntário; o rito que se segue, neste passo, é, e apenas, aquele descrito na anteriormente citada Lei 9.784. Ou seja, em tese, não nos seria cabível conhecer do recurso voluntário. Todavia, entendo, particularmente, que a DRJ incorreu, no caso, em dois erros, data venia... Primeiramente, o crédito postulado pelo contribuinte não advinha de decisão judicial ou de alegação de inconstitucionalidade, já que, da DECOMP de nº (...), que efetivamente descreve o crédito, a sua origem e natureza, informa, explicitamente, que a pretensão deduzida pelo recorrente não estava fundada em discussão judicial. Insistase, a alegação, por demais genérica, de que haveria ocorrido um indébito em decorrência de eventual discussão judicial ou alegação de inconstitucionalidade de norma adveio, apenas, na manifestação de inconformidade. Por isso, inclusive, que a Unidade de Origem apenas deixou de homologar o pedido da empresa. Como não o fez, à DRJ competia, tão só, se pronunciar sobre a existência ou não do crédito, pena de, inclusive, incorrer em reformatio in pejus (como de fato o fez, já que ao considerar como nãodeclarada a compensação, o órgão Colegiado a quo tornou muito mais gravosa a situação do contribuinte). Vejam bem, a DRF não reconheceu o direito creditório pleiteado porque o contribuinte não cuidou de informálo! Não há, nos autos, notícias de que o recorrente tenha retificado eventuais declarações (DCTF) a fim de permitir à Unidade de Origem inferir a existência de um indébito restituível; tivesse a parte tomado tal providência a DRF cuidaria de intimálo para explicar tal retificação e, apresentadas as considerações constantes da manifestação de inconformidade, aí sim, considerar a aplicação dos preceitos do art. 74, § 12, da Lei 9.430/96. Como tais procedimentos não foram adotados, a DRF, corretamente, deixou de homologar a compensação pela razão já apontada no relatório acima: A partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos, abaixo relacionados, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. Fl. 86DF CARF MF Processo nº 10840.905716/201217 Acórdão n.º 1302002.885 S1C3T2 Fl. 6 5 Este o limite da atuação da DRJ; este o limite do objeto da manifestação de inconformidade que deveria ter sido observado pela instância a quo. Uma vez que não homologado o pedido de compensação, o cabimento da citada manifestação de inconformidade é decorrência estrita e lógica da Lei 9.430 (art. 74, § 7º,) e cabia à DRJ dela conhecer para, se assim entendesse cabível, julgála improcedente. No entanto, vale o destaque, o recurso voluntário não atacou o fundamento específico da DRJ; o contribuinte, digase, não se insurgiu, por seu apelo, contra o não conhecimento da sua manifestação de inconformidade nem tampouco questionou as razões que levaram ao colegiado de primeira instância a considerar não declarada a sua compensação. O recorrente, pois, não devolveu à este Conselho a matéria (que, na minha concepção, não encerra, neste ponto, o conhecimento de ofício), tendo, pois, se operado a preclusão neste particular (inteligência do art. 33 do Decreto 70.235/72). Resta a análise do segundo equívoco incorrido pela DRJ. E aqui, a discussão ganha um realce bastante diferente. Ainda que não disponha de artigo específico para determinar a competência para a análise das Declarações de Compensação transmitidas à DRF, a Lei 9.430 a todo momento deixa, quando menos, implícita tal competência (vejase, por exemplo, os preceitos do § 4º do art. 74). Nada obstante, a IN 1.300 (que revogou a IN 900, vigente à época da transmissão da DECOMP objeto deste feito), é suficientemente clara ao dispor, em seu art. 46, caput¸ "a autoridade competente da RFB considerará não declarada a compensação nas hipóteses previstas no § 3º do art. 41". O § 8º, deste mesmo preceito, põe um pedra de toque sobre o assunto: O lançamento de ofício da multa isolada de que tratam os §§ 6º e 7º será efetuado por Auditor Fiscal da Receita Federal do Brasil (AFRFB) da unidade da RFB que considerou não declarada a compensação. A competência, portanto, para considerar não declarada eventual compensação é exclusiva da DRF, cabendo ao Auditor Fiscal o mister de efetuar o lançamento da multa isolada preconizada pelos §§ 6º e 7º. Em linhas gerais, a DRJ não detém competência para considerar não declarada eventual compensação por ventura transmitida pelo contribuinte (até mesmo pelos motivos já suscitados anteriormente, já que as situações descritas no § 12 do art. 74 devem ser apuradas pela Auditoria Fiscal no curso da análise das DECOMP). Fl. 87DF CARF MF Processo nº 10840.905716/201217 Acórdão n.º 1302002.885 S1C3T2 Fl. 7 6 Atentem, agora, para os preceitos do art. 59, II, do Decreto 70.235/72: Art. 59. São nulos: (...) II os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. A luz de tais premissas, temse no caso, hipótese clara e inegável de nulidade do acórdão da DRJ que, inadvertidamente, proferiu decisão sobre matéria que não lhe competia analisar. E a nulidade descrita no art. 59, supra, é, esta sim, matéria de ordem pública conhecível em qualquer grau ou instância, conforme art. 64, §1º, do CPC, aplicável subsidiariamente ao processo administrativo por força dos preceitos do art. 15 do mesmo digesto processual civil. Dito isto, a anulação do acórdão ora recorrido é medida que se impõe. II Conclusão. Diante disto, voto por conhecer do recurso voluntário (porque tempestivo) e declarar a nulidade da decisão de primeiro grau pelas razões expostas anteriormente, determinandose o retorno dos autos à DRJRPO a fim de que proceda à análise do mérito do pedido de compensação objeto desta demanda." Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º, 2º e 3º do art. 47, do Anexo II, do RICARF, voto no sentido de dar provimento ao recurso voluntário, para acolher a preliminar de nulidade do acórdão recorrido, suscitada de ofício pelo Conselheiro Gustavo Guimarães da Fonseca, determinando o retorno dos autos à DRJ para que seja proferida nova decisão, nos termos do relatório e voto acima transcrito. (assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado Fl. 88DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10384.900869/2012-94
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Jun 21 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Jul 18 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 01/10/2009 a 31/12/2009
CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. EXPORTAÇÃO.
Não tem direito ao crédito presumido de IPI, de que trata a Lei nº 9.363/96, o produtor/exportador de produto que não tenha sido submetido a qualquer operação que lhe modifique a natureza ou finalidade, ou o aperfeiçoe para o consumo (art. 46 do CTN). Ausência de Provas.
CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. RESSARCIMENTO/COMPENSAÇÃO. TAXA SELIC. NÃO APLICÁVEL.
Nos pedidos de ressarcimento acompanhado de declaração de compensação, de forma diferente do que ocorre com pedidos de ressarcimento em espécie, não há que se falar em aplicação da taxa SELIC.
Numero da decisão: 3401-005.121
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso, vencidos os conselheiros Lázaro Antonio Souza Soares e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco, que votavam pelo provimento.
(assinado digitalmente)
Rosaldo Trevisan - Presidente.
(assinado digitalmente)
Cássio Schappo - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Mara Cristina Sifuentes, Tiago Guerra Machado, Marcos Roberto da Silva, André Henrique Lemos, Lazaro Antonio Souza Soares, Cássio Schappo, Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (Vice-Presidente) e Rosaldo Trevisan (Presidente).
Nome do relator: CASSIO SCHAPPO
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI Período de apuração: 01/10/2009 a 31/12/2009 CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. EXPORTAÇÃO. Não tem direito ao crédito presumido de IPI, de que trata a Lei nº 9.363/96, o produtor/exportador de produto que não tenha sido submetido a qualquer operação que lhe modifique a natureza ou finalidade, ou o aperfeiçoe para o consumo (art. 46 do CTN). Ausência de Provas. CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. RESSARCIMENTO/COMPENSAÇÃO. TAXA SELIC. NÃO APLICÁVEL. Nos pedidos de ressarcimento acompanhado de declaração de compensação, de forma diferente do que ocorre com pedidos de ressarcimento em espécie, não há que se falar em aplicação da taxa SELIC.
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EXPORTAÇÃO. Não tem direito ao crédito presumido de IPI, de que trata a Lei nº 9.363/96, o produtor/exportador de produto que não tenha sido submetido a qualquer operação que lhe modifique a natureza ou finalidade, ou o aperfeiçoe para o consumo (art. 46 do CTN). Ausência de Provas. CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. RESSARCIMENTO/COMPENSAÇÃO. TAXA SELIC. NÃO APLICÁVEL. Nos pedidos de ressarcimento acompanhado de declaração de compensação, de forma diferente do que ocorre com pedidos de ressarcimento em espécie, não há que se falar em aplicação da taxa SELIC. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso, vencidos os conselheiros Lázaro Antonio Souza Soares e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco, que votavam pelo provimento. (assinado digitalmente) Rosaldo Trevisan Presidente. (assinado digitalmente) Cássio Schappo Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 38 4. 90 08 69 /2 01 2- 94 Fl. 97DF CARF MF Processo nº 10384.900869/201294 Acórdão n.º 3401005.121 S3C4T1 Fl. 3 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Mara Cristina Sifuentes, Tiago Guerra Machado, Marcos Roberto da Silva, André Henrique Lemos, Lazaro Antonio Souza Soares, Cássio Schappo, Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (Vice Presidente) e Rosaldo Trevisan (Presidente). Relatório Tratam os autos de recurso voluntário apresentado contra decisão proferida pela 3ª Turma da DRJ/BEL, que não reconheceu o direito creditório, considerando improcedente a Manifestação de Inconformidade. Dos Fatos A Contribuinte buscou via PER/DCOMP o ressarcimento de crédito presumido de IPI apurado nos meses de outubro, novembro e dezembro de 2009 (4º trimestre), no valor de R$ 13.228,99. Em ato contínuo declarou, também, via PER/DCOMP a compensação desse crédito com débitos de IRPJ e CSLL do 3º Trimestre de 2009. Do Despacho Decisório A DRF de Teresina em apreciação ao pleito da contribuinte proferiu Despacho Decisório pela não homologação da compensação declarada, pela inexistência de crédito a ser utilizado (rastreamento nº 031029605 de 04/09/2012) e procedeu com a intimação da contribuinte para efetuar o pagamento do débito indevidamente compensado. O Despacho vem fundamentado nos seguintes termos: "Ocorrência de glosa de crédito presumido considerado indevido, em procedimento fiscal. Informações complementares da análise do crédito estão disponíveis na página internet da Receita Federal, e integram este despacho". Da Manifestação de Inconformidade Inconformada com a resposta a ela endereçada, a interessada apresentou Manifestação de Inconformidade da qual se destaca os seguintes pontos: (i) que tem direito ao montante do crédito presumido de IPI requerido, pois a Lei nº 9.363/96 não faz restrição ao fato de o produto exportado ser ou não tributado pelo IPI, além da jurisprudência de nossos tribunais ser uníssona nesse sentido e transcreve diversos julgados; (ii) contesta a redução da base de cálculo do crédito presumido com a glosa das aquisições de pessoa física, cooperativa e transferência entre matriz e filial, porque o benefício tem como escopo principal desonerar os produtos finais para exportação, compensandose as contribuições do PIS/Pasep e da COFINS embutidos nos preços das matériasprimas e insumos usados no processo de fabricação, inclusive os recebidos de outro estabelecimento da mesma empresa, acrescidos do material de embalagem. Transcreve vasta jurisprudência a seu favor sobre a matéria. (iii) requer, ainda, o reconhecimento da correção monetária de seu crédito pela SELIC, desde a data do pedido de ressarcimento. Do Julgamento de Primeiro Grau Encaminhado os autos à 3ª Turma da DRJ/BEL, esta julgou improcedente a manifestação de inconformidade, cujos fundamentos encontramse sintetizados na ementa assim elaborada: Fl. 98DF CARF MF Processo nº 10384.900869/201294 Acórdão n.º 3401005.121 S3C4T1 Fl. 4 3 ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/10/2009 a 31/12/2009 CRÉDITO PRESUMIDO. EXPORTAÇÃO DE PRODUTOS “NT”. O direito ao crédito presumido do IPI, instituído pela Lei n.º 9.363, de 1996, é condicionado a que os produtos estejam dentro do campo de incidência do imposto, ficando fora desse rol os produtos NT. Manifestação de Inconformidade Improcedente. Direito Creditório não Reconhecido. Cabe destacar do voto, com relação as demais matérias relacionadas a aquisições de cooperativa, de pessoas físicas e de transferências entre estabelecimentos da mesma empresa, que a decisão de piso atevese ao motivo para o indeferimento, citando a seguinte parte: “Não obstante as considerações anteriores, nos deparamos com impedimento legal para a concessão do Crédito Presumido do IPI requerido nas Per/Dcomps acima discriminadas, tendo em vista que toda a receita de exportação da empresa, no período 01/2009 a 09/2011 seja proveniente do produto quartzito mourisca, classificado sob o código 2506.20.00, da Tabela de Incidência do IPI, classificado NT, que, nos termos do art. 21 § 1º da Instrução Normativa SRF nº 420/2004, não dá direito ao Crédito Presumido do IPI” Do Recurso Voluntário O sujeito passivo ingressou tempestivamente com recurso voluntário contra a decisão de primeiro grau, com o intuito de ver seu pedido atendido. Repisa os fatos e argumentos da manifestação de inconformidade, em sua literalidade e pugna por seu acolhimento, julgandose ao final improcedente a glosa realizada. Dandose prosseguimento ao feito o presente processo foi objeto de sorteio e distribuição à minha relatoria. É o relatório. Voto Conselheiro Relator Cássio Schappo O recurso voluntário atende aos requisitos de admissibilidade, portanto, dele tomo conhecimento. Fl. 99DF CARF MF Processo nº 10384.900869/201294 Acórdão n.º 3401005.121 S3C4T1 Fl. 5 4 A peça recursal limitase a reproduzir aquilo que foi dito na Manifestação de Inconformidade, sem contestar nenhum ponto das razões que fundamentaram a decisão recorrida. A contribuinte, com base em seus registros fiscais, ingressou com pedido de ressarcimento de crédito presumido de IPI, nos termos conferidos pela Lei nº 9.363 de 13 de dezembro de 1996, instituído para compensar valores de PIS e COFINS incidentes sobre as aquisições, no mercado interno, de Matéria Prima, Produto Intermediário e Material de Embalagem utilizados no processo produtivo de produtos destinados ao mercado externo. Estabelece a Lei nº 9.363/96: Art. 1º A empresa produtora e exportadora de mercadorias nacionais fará jus a crédito presumido do Imposto sobre Produtos Industrializados, como ressarcimento das contribuições de que tratam as Leis Complementares nos 7, de 7 de setembro de 1970, 8, de 3 de dezembro de 1970, e 70, de 30 de dezembro de 1991, incidentes sobre as respectivas aquisições, no mercado interno, de matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem, para utilização no processo produtivo. (...) Art. 2º A base de cálculo do crédito presumido será determinada mediante a aplicação, sobre o valor total das aquisições de matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem referidos no artigo anterior, do percentual correspondente à relação entre a receita de exportação e a receita operacional bruta do produtor exportador. § 1o O crédito fiscal será o resultado da aplicação do percentual de 5,37% sobre a base de cálculo definida neste artigo. (Vide Lei nº 10.637, de 2002) Vimos, portanto, que a mencionada lei contempla um incentivo fiscal e assim deverá ser tratada, respeitando a literalidade de seus termos, a fim de se evitar eventual prejuízo as partes por falha de interpretação, mesmo que se adote suporte conceitual de outros dispositivos legais. Partindo do texto da Lei nº 9.363/96, art. 1º, temos que quem faz jus ao crédito presumido de IPI é o produtor e exportador de mercadorias nacionais, tendo por finalidade a compensação do PIS e COFINS incidentes nas operações de aquisições, no mercado interno, de MP, PI e ME, para utilização no processo produtivo. Já a forma de se calcular o crédito presumido de IPI, art. 2º da Lei nº 9.363/96, dividese em três partes: a 1ª é estabelecer o percentual correspondente a receita de exportação e a receita operacional bruta do produtor/exportador; a 2ª é fazer incidir o percentual encontrado na 1ª etapa sobre o valor total das aquisições de MP, PI e ME adquiridas no mercado interno, cujo resultado podemos chamar de base de cálculo; e a 3ª é aplicar o percentual previsto no § 1º (5,37%) sobre a base de cálculo encontrada na 2ª etapa. Fl. 100DF CARF MF Processo nº 10384.900869/201294 Acórdão n.º 3401005.121 S3C4T1 Fl. 6 5 Quanto a verificação fiscal realizada, embora sendo por amostragem, sobre os documentos fiscais de compra de insumos no período e sua correta escrituração, efetuando glosas referente aquisições de pessoas físicas, de cooperativa e também, de produtos objeto de transferência entre estabelecimentos da mesma empresa, a interessada preferiu defender simplesmente a tese de que o crédito é presumido e todos os custos de produção atinentes a matériaprima, produtos intermediários e material de embalagem, devem ser, irrestritamente, considerados. A lide, portanto, restringese a discussão sobre o enquadramento do produto exportado denominado “quartzitos”, classificado sob o código 2506.20.00 da tabela TIPI, considerada como produto NT, tido como único produto exportados no período, afastando, dessa forma, a totalidade do crédito pretendido. Os argumentos colocados no voto da decisão de piso tem por definição que estabelecimento produtor é todo aquele que industrializar produtos sujeitos ao imposto (IPI), excluídos aqueles a que correspondem a notação “NT” (nãotributado). Esse, inclusive, foi o entendimento externado pela CSRF 3º Turma, contido no voto vencedor do acórdão nº 9303 004.890 (23/03/2017), que ao analisar os art. 2º e 8º do RIPI/2002, fez a seguinte colocação: Do conjunto dessa leitura, concluise que os produtos "NT" (NÃO TRIBUTADOS) estão fora do conceito de produtos industrializados estabelecidos pela legislação do IPI. Assim, quem os produz, não são considerados estabelecimentos industriais para fins dessa legislação. Com relação a recorrente não há dúvida que a mesma seja estabelecimento industrial, pois o próprio fisco atesta que outros produtos são industrializados por ela e assim foram reconhecidos. A incidência do IPI não se dá pela classificação do estabelecimento, mas sim, se o produto foi ou não industrializado, se passou por alguma etapa do processo de industrialização. O conceito de produto industrializado está definido no art. 3º do Decreto 7.212/2010: “Produto industrializado é o resultante de qualquer operação definida no RIPI como industrialização, mesmo incompleta, parcial ou intermediária”. O que caracteriza industrialização, está definido no art. 4º do mesmo Decreto: Caracteriza industrialização qualquer operação que modifique a natureza, o funcionamento, o acabamento, a apresentação ou a finalidade do produto, ou o aperfeiçoe para consumo, tal como: I – a que, exercida sobre matériaprima ou produto intermediário, importe na obtenção de espécie nova (transformação); II – a que importe em modificar, aperfeiçoar ou, de qualquer forma, alterar o funcionamento, a utilização, o acabamento ou a aparência do produto (beneficiamento); III – a que consista na reunião de produtos, peças ou partes e de que resulte um novo produto ou unidade autônoma, ainda que sob a mesma classificação fiscal (montagem); Fl. 101DF CARF MF Processo nº 10384.900869/201294 Acórdão n.º 3401005.121 S3C4T1 Fl. 7 6 IV – a que importe em alterar a apresentação do produto, pela colocação da embalagem, ainda que em substituição da original, salvo quando a embalagem colocada se destine apenas ao transporte da mercadoria (acondicionamento ou reacondicionamento); V – a que, exercida sobre produto usado ou parte remanescente de produto deteriorado ou inutilizado, renove ou restaure o produto para utilização (renovação ou recondicionamento). Mais adiante, no art. 5º do Decreto 7.212/2010, está relacionado tudo que “Não se considera industrialização” e nenhum de seus itens relaciona o produto de classificação 2506.20.00, ou dos produtos classificados na TIPI como “NT”. Vem contribuir para a presente discussão o julgado a seguir transcrito: O IPI incide sobre o produto, não sobre a produção. Incide sobre o produto industrializado, não sobre a industrialização. Ou, como salientou o Ministro José Delgado, "não é o ato de industrialização que gera a incidência do IPI, posto que este recai no produto objeto da industrialização" (STJ, REsp 216.217/SP, 1ª Turma, DJ de 29/11/1999, p. 130) Em suma, a Constituição não estabelece a tributação da industrialização, mas prevê a incidência do imposto sobre a operação que tem produto industrializado como objeto. Não há, pois, óbice de natureza constitucional de que o contribuinte do IPI seja pessoa diversa daquela que realizou o processo de industrialização. A limitação contida no art. 153, IV, da Constituição diz respeito apenas ao alcance das expressões "produto" e "industrializado". Produto é aquilo que é criado, gerado, elaborado. É o bem com expressão econômica, destinado ao comércio ou consumo. E para estar sujeito à incidência do tributo, o produto deve ser industrializado, o que significa nos termos do art. 46 do CTN, ter sido submetido a qualquer operação que lhe modifique a natureza ou a finalidade, ou o aperfeiçoe para o consumo. (TRF4 501375927.2011.4.04.7108, PRIMEIRA TURMA, Relator JORGE ANTONIO MAURIQUE, juntado aos autos em 08/08/2013). Até aqui poderíamos atribuir razão a recorrente, caso o fato restringisse apenas ao enquadramento do produto objeto da glosa, na classificação em código da TIPI na condição de NT – nãotributado. Mas o que afasta a pretensão da recorrente, do direito de se apropriar de crédito presumido de IPI nas exportações de “quartzitos”, classificação NCM 2506.20.00, é a completa ausência de provas de que o produto passou por algum processo ou submetido a qualquer operação que lhe modificasse sua natureza. Nada foi trazido aos autos em matéria de prova da submissão do produto “quartzitos” ao processo de industrialização. Diante da ausência de qualquer material informativo sobre o produto exportado, objeto de glosa de crédito presumido de IPI, levome a concluir que efetivamente realizouse a exportação de “quartzito” embalado em seu estado natural, na forma como Fl. 102DF CARF MF Processo nº 10384.900869/201294 Acórdão n.º 3401005.121 S3C4T1 Fl. 8 7 extraído da mina, sem ser submetido a nenhuma operação que o modificasse, impedindo seu enquadramento como produto industrializado. Com relação a incidência de atualização monetária pela taxa Selic sobre o crédito requerido, a partir do seu pedido, não assiste razão à recorrente. O pedido de ressarcimento veio acompanhado de declaração de compensação, que independentemente do resultado da análise fiscal e do resultado desse julgamento, não restará crédito a ser restituído. Totalmente despiciendo esse pedido. Ante o exposto, voto por negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Cássio Schappo Fl. 103DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10882.720931/2016-79
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jun 14 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Jul 11 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2012
ARBITRAMENTO DO LUCRO. NÃO CABIMENTO.
Incabível o arbitramento do lucro quando a fiscalização possuir meios hábeis de apuração direta do Lucro Real.
Numero da decisão: 1201-002.262
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator. Vencido o conselheiro José Carlos de Assis Guimarães que negava provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
Ester Marques Lins de Sousa - Presidente.
(assinado digitalmente)
Luis Henrique Marotti Toselli - Relator.
EDITADO EM: 29/06/2018
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Eva Maria Los, Luis Fabiano Alves Penteado, José Carlos de Assis Guimarães, Luis Henrique Marotti Toselli, Gisele Barra Bossa, Paulo Cezar Fernandes de Aguiar, Bárbara Santos Guedes (suplente convocada em substituição à ausência do conselheiro Rafael Gasparello Lima) e Ester Marques Lins de Sousa (Presidente). Ausente, justificadamente, o conselheiro Rafael Gasparello Lima.
Nome do relator: LUIS HENRIQUE MAROTTI TOSELLI
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2012 ARBITRAMENTO DO LUCRO. NÃO CABIMENTO. Incabível o arbitramento do lucro quando a fiscalização possuir meios hábeis de apuração direta do Lucro Real.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator. Vencido o conselheiro José Carlos de Assis Guimarães que negava provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa - Presidente. (assinado digitalmente) Luis Henrique Marotti Toselli - Relator. EDITADO EM: 29/06/2018 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Eva Maria Los, Luis Fabiano Alves Penteado, José Carlos de Assis Guimarães, Luis Henrique Marotti Toselli, Gisele Barra Bossa, Paulo Cezar Fernandes de Aguiar, Bárbara Santos Guedes (suplente convocada em substituição à ausência do conselheiro Rafael Gasparello Lima) e Ester Marques Lins de Sousa (Presidente). Ausente, justificadamente, o conselheiro Rafael Gasparello Lima.
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NÃO CABIMENTO. Incabível o arbitramento do lucro quando a fiscalização possuir meios hábeis de apuração direta do Lucro Real. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator. Vencido o conselheiro José Carlos de Assis Guimarães que negava provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa Presidente. (assinado digitalmente) Luis Henrique Marotti Toselli Relator. EDITADO EM: 29/06/2018 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Eva Maria Los, Luis Fabiano Alves Penteado, José Carlos de Assis Guimarães, Luis Henrique Marotti Toselli, Gisele Barra Bossa, Paulo Cezar Fernandes de Aguiar, Bárbara Santos Guedes (suplente convocada em substituição à ausência do conselheiro Rafael Gasparello Lima) e Ester Marques Lins de Sousa (Presidente). Ausente, justificadamente, o conselheiro Rafael Gasparello Lima. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 2. 72 09 31 /2 01 6- 79 Fl. 470DF CARF MF 2 Relatório Tratase de processo administrativo decorrente de Autos de Infração de IRPJ e CSLL referentes ao anocalendário de 2012. De acordo com o Termo de Verificação Fiscal (TVF fls. 218/228): 1. Em procedimento de verificação do cumprimento das obrigações tributárias pelo sujeito passivo supracitado, efetuamos o presente lançamento de ofício, nos termos dos arts. 904, 910, 911, 913, 915, 926, 927 e 928 do Decreto n° 3.000/1999 (Regulamento do Imposto de Renda RIR/99), em face da apuração das infrações aos dispositivos legais mencionados nesta peça fiscal. 2. A Fiscalizada é sociedade empresária limitada, presta serviços de logística, CNAE 4930/201 Transporte rodoviário de carga, exceto produtos perigososo e mudanças, municipal; CNAE 4930/202 Transporte rodoviário de carga, exceto produtos perigosos e mudanças, intermunicipal, interestadual e internacional; 4930/203 Transporte rodoviário de produtos perigosos; 5211/799 Depósitos de mercadorias para terceiros, exceto armazéns gerais e guardamóveis; 5212/500 Carga e descarga; e 5250/804 Organização logística do transporte de carga. 3. Com a finalidade de dar início ao procedimento fiscal, expedimos o Termo de Início do Procedimento Fiscal via postal, cuja ciência se deu em 27/03/2015, por meio do qual intimamos a Fiscalizada a atender nos prazos respectivos, dentre outros, os seguintes itens: 1. Livro de Apuração do Lucro Real (LALUR), relativo ao ano calendário de 2012; 2. Recibo de transmissão da Escrituração Contábil Digital ECD; 3. Detalhar mês a mês em planilha nos formatos ".pdf e ".xls" a rubrica "outras despesas operacionais", no valor de R$ 25.063.004,37, conforme linha 34, Ficha 05A, da DIPJ AC 2012 e indicar os registros contábeis correspondentes; 4. No dia 07/04/2015, a Fiscalizada protocola pedido de prorrogação de prazos para o atendimento da intimação para o dia 04/05/2015. Como nada do que foi intimado foi apresentado no prazo solicitado, expedimos Termo de Intimação Fiscal N° 1, com ciência em 20/05/2015, por meio do qual reintimamos a apresentar, dentre outros, os seguintes itens: 1. Detalhar mês a mês em planilha nos formatos ".pdf" e ".xls" a rubrica "outras despesas operacionais", no valor de R$ 25.063.004,37, conforme linha 34, Ficha 05A, da DIPJ AC 2012 e indicar os registros contábeis correspondentes 5. A Fiscalizada apresentou planilha detalhando mês a mês a rubrica "outras despesas operacionais", contudo em nenhum dos Fl. 471DF CARF MF Processo nº 10882.720931/201679 Acórdão n.º 1201002.262 S1C2T1 Fl. 3 3 trimestres os valores constantes da planilha conferem com os valores informados em sua DIPJ. Destarte, expedimos o Termo de Intimação Fiscal N° 2, ciência em 08/07/2015, demonstrando as diferenças encontradas, para que a Fiscalizada esclareça as divergências encontradas na distribuição dessas despesas nos respectivos trimestres. Outrossim, intimamos a apresentar em planilha no formato ".pdf" e ".xls" detalhando mês a mês as demais despesas operacionais no valor de R$ 46.783.906,82 constante da sua DIPJ AC 2012. Por fim, intimamos a apresentar documentação hábil e idônea de suporte a comprovar as despesas de várias contas contábeis. 6. Em sua resposta, apresentada no dia 03/08/2015, a Fiscalizada confessa que na resposta ao Termo de Intimação N° 1 continha arquivos com nomenclatura e classificação errônea na conta e solicitando que as referidas informações sejam invalidadas e solicita autorização para substituição da DIPJ 2012 e prorrogação de prazo para a apresentação da documentação solicitada. Apresentou a planilha "Memória DIPJ 2012 JOSE MARCOS FERRAREZI.xlsx" cujos valores de "outras despesas operacionais" nos trimestres não conferem com os da DIPJ nem com os valores das planilhas apresentadas anteriormente. 7. Em cotejo das informações contábilfiscais apuradas na escrituração contábil digital SPED Contábil e as correspondentes declaradas na DIPJ e na planilha apresentada foram identificadas diversas diferenças (embora o resultado líquido dos 3 primeiros trimestres estejam iguais), razão pela qual expedimos o Termo de Intimação Fiscal N° 3 para que a Fiscalizada justificasse a diferença. 8. Em resposta a esse Termo, a Fiscalizada apenas esclarece que o SPED Contábil entregue originariamente estava com dados do quarto trimestre zerados e que, portanto, fez novo envio. Nesta ocasião, entrega vários CDs contendo cópia de documentos sem nenhuma organização aparente, os quais foram juntados ao processo. 9. Em análise mais detida sobre a última Escrituração Contábil Digital ECD transmitida, constatamos inúmeros vícios e erros patentes que a tornam imprestável para, por exemplo, identificar a efetiva movimentação bancária. Assim expedimos o Termo de Intimação Fiscal N° 4, ciência em 20/10/2015, para que a Fiscalizada possa de alguma forma justificar e esclarecer vários pontos que pesam sobre sua ECD, que a tornam imprestável, dentre outros, os seguintes itens: [...] 10. Em resposta a este Termo, apresentada em 10/11/2016, a Fiscalizada não afasta a imprestabilidade de sua escrituração contábil por ferirem frontalmente normas e princípios contábeis basilares, notadamente o Princípio da oportunidade e o Princípio da competência descritos nos arts. 6° e 9° da Resolução CFC n° 750/93, porque reconhecem a receita somente no fim de cada mês, além de outros erros mencionados que, de Fl. 472DF CARF MF 4 forma alguma, podem ser aceitos como justificativas satisfatórias para a validação da ECD. Tendo isso em vista, reunimonos com os representantes da empresa e foi acordado o refazimento de toda a escrituração contábil no prazo de um mês, expirado no fim de dezembro de 2015. 11. Enquanto aguardávamos a entrega da nova ECD, expedimos o Termo de Intimação Nº 5, com intuito de identificar o total de sua receita bruta, para que a Fiscalizada apresente os seguintes itens a cumprir: [...] 13. Em 16/11/2015, a Fiscalizada formaliza pedido para entrega da nova Contabilidade. 14. Como não identificamos ainda a receita bruta efetiva da Fiscalizada, expedimos o Termo de Intimação Fiscal N° 6 por meio do qual o reintimamos a apresentar: 1. Apresentar os livros ORIGINAIS abaixo relacionados, relativos ao anocalendário 2012: 1.1 LIVRO DE REGISTROS DE APURAÇÃO DO ISS COM DADOS DA MATRIZ E DE TODAS AS FILIAIS; 2. Cópia em PDF do Livro Registro de Apuração do ISS relativo ao anocalendário de 2012, DA MATRIZ E DE TODAS AS FILIAIS; 3. Arquivos digitais das notas fiscais de serviço emitidas pela pessoa jurídica, DA MATRIZ E DE TODAS AS FILIAIS, em meio magnético, conforme item 4.3 (subitem 4.3.5) do Anexo Único do Ato Declaratório Executivo (ADE) COFIS N° 25/2010, em extensão .txt, relativos ao ano calendário 2012. 4. FICA INTIMADO a apresentar planilha com totais de receita bruta anual da matriz e filiais para o anocalendário de 2012. 15. Em 11/02/2016, a Fiscalizada apresenta: (i) relação de notas fiscais de serviços da Prefeitura do Município de Itapevi, juntamente com planilhas de totalização mensal dessas notas fiscais e as do Município de São Paulo; (ii) vários arquivos ".txt" que pelo conteúdo são Livros de Registro de Saídas Modelo 2 A relativos a diversos estabelecimentos; (iii) planilha com totalização mensal de receita por filial, totalização trimestral geral de receita "fiscal" e totalização trimestral geral de receita "Razão"; (iv) reapresenta as duas páginas que seriam do LALUR, parte A e B, e recibo de entrega de nova escrituração contábil digital com data de 05/02/2016. 16. Do resultado da análise de tudo o que fora apresentado em resposta ao último Termo de Intimação expedido, vimos a necessidade de expedição de Termo de Constatação e Intimação Fiscal n° 07. [...]: 1. Apresentar os livros ORIGINAIS abaixo relacionados, relativos ao anocalendário 2012: 1.1. LIVRO DE REGISTROS DE NOTAS FISCAIS DE SERVIÇOS (MATRIZ E DE TODAS AS FILIAIS); Fl. 473DF CARF MF Processo nº 10882.720931/201679 Acórdão n.º 1201002.262 S1C2T1 Fl. 4 5 1.2. Cópia em PDF do LIVRO DE REGISTROS DE NOTAS FISCAIS DE SERVIÇOS relativo ao anocalendário de 2012, DA MATRIZ E DE TODAS AS FILIAIS; 2. Tendo em vista que na planilha apresentada em resposta ao Termo de Intimação anterior constam três valores para a receita bruta (líquida, fiscal e razão), apresentar nova planilha com totais de receita bruta mensalmente, assim considerada a que compreende o total do valor dos serviços prestados conforme redação original do art. 12 do DecretoLei 1.598/77, da matriz e filiais para o anocalendário de 2012, segregadas por tipo de atividade. Outrossim, observase que não constam dados da receita bruta relativa à filial sediada no Município de Pouso Alegre MG, CNPJ 01.125.797/000540, em operação desde 27/10/2001. Explicar e justificar esse fato. 3. Informar dados dos lançamentos contábeis (número do lançamento, data, códigos das contas etc) correspondentes às notas fiscais de serviços emitidas abaixo relacionadas: Para: CREMER S/A, CNPJ 82.641.325/004539, NF 878, Data emissão: 11/06/2012; Valor R$ 42.632,00; Para: CREMER S/A, CNPJ 82.641.325/004539, NF 900, Data emissão: 04/07/2012; Valor R$ 55.305,02; Para: CREMER S/A, CNPJ 82.641.325/004539, NF 903, Data emissão: 18/07/2012; Valor R$ 286.254,72; Para: CREMER S/A, CNPJ 82.641.325/004539, NF 910, Data emissão: 06/08/2012; Valor R$ 44.991,39; Para: GRB DISTRIBUIDORA FARMACEUTICA, CNPJ: 85.295.250/000392, Data emissão: 04/10/2012; Valor R$ 60.666,63; (Dados obtidos junto à Prefeitura de Itapevi). 17. Os itens 1 e 2 dessa intimação visam a confirmar a receita bruta, bem como verificar se a Fiscalizada possui os livros contábeis e fiscais exigidos por lei. Já o item 3, visa a identificar se a escrituração contábil permite conhecer lançamentos individualizados relativos à geração de receita, ou seja, lançamentos de emissão de notas fiscais de serviços. 18. Em 16/03/2016, a Fiscalizada responde a intimação, apresenta o LALUR 2012, contendo praticamente nenhuma informação a respeito de adições e exclusões, somente dado sobre prejuízo no período. Justifica os lançamentos efetuados em conta bancária da CEF, cuja titular é uma filial e não a matriz. E como esperado não atende ao item 3 da intimação fiscal, relativo aos dados sobre lançamentos de emissão de notas fiscais de serviços, simplesmente porque não há esses lançamentos em sua ECD. Da imprestabilidade da Escrituração Contábil Digital ECD 19. Como visto anteriormente, existem várias contas contábeis devedoras do Ativo com saldo credor. No entanto, as causas desses fatos são por nós conhecidas. Primeiramente, porque a Fiscalizada não respeita princípios contábeis basilares em sua ECD tais como os Princípios da oportunidade e da competência porque não reconhece os fatos contábeis quando ocorrem, mas Fl. 474DF CARF MF 6 quando há recebimento de valores ou quando há pagamentos de despesas; ou porque faz uso de lançamentos agregados semanalmente, como admitido pela Fiscalizada, ou mensais como sugerem os históricos de alguns lançamentos que identificamos: "Serviços prestados CTRCS mm/aa". 20. Essa situação não é controversa, é admitida pela Fiscalizada conforme podemos observar em sua resposta apresentada em 16/03/2016. Vejamos. Sobre saldos credores em contas devedoras do Ativo assim justifica em sua resposta: "... alguns lançamentos contábeis devido à importação acabaram gerando num determinado em contas com saldo invertidos no ativo circulante que em seguida, após lançamentos, volta a ter natureza devedora no decorrer do mês e no fechamento trimestral...". Continua a Fiscalizada em sua tentativa de justificar os saldos credores do Ativo: "... o lançamento entrou em momento diferente do desencaixe no caso da conta caixa e em seguida voltou a ter natureza devedora." 21. Num certo modo, a Fiscalizada, em sua resposta, detalha a situação de sua ECD por nós mencionada, como pode ser observado nos trechos aqui reproduzidos, "5 O regime de competência de acordo com a Resolução do CFC 750/93, não esta acima da lei e não tem força de Lei, portanto, o reconhecimento da receita pode ser diário a cada lançamento, semanal ou mensal, desde que o contribuinte tenha razão auxiliar". Ocorre que intimidado para identificar lançamentos de emissão de notas fiscais em sua ECD, a Fiscalizada não o fez, porque não existem essas informações, tanto para lançamentos relativos a receitas quanto para despesas, não sendo possível, portanto, a confrontação concreta de receitas e despesas de forma individualizada. 22. Noutro ponto mais esclarecedor, a Fiscalizada confessa, ipsis litteris, "Desta forma solicitamos a essa fiscalização que leve em consideração os lançamentos semanais versus os recebimentos diários, pois em contrário teríamos saldo credor até o fechamento do mês o que não faria sentido." 23. Em outro ponto conclusivo acerca da imprestabilidade da escrituração contábil para determinar o lucro real, a Fiscalizada assim descreve: "Temos razão auxiliar desta conta que é o próprio livro fiscal desmembrado (sic).."... Fica claro então que somente pela escrituração contábil, pela confrontação concreta individualizada de lançamentos contábeis de receitas e despesas, não é possível determinar o lucro real. [...] Do arbitramento do Lucro e da Apuração do Crédito Tributário do IRPJ e reflexos 25. Assim, ante todo o exposto, restanos o arbitramento do lucro com fundamento no art. 47, inciso II, b, da Lei n° 8.981, de 20 de janeiro de 1995, a seguir transcrito, e o consequente cálculo do imposto sobre a renda e das contribuições sociais reflexas com base nos critérios legalmente estabelecidos. Art. 47. O lucro da pessoa jurídica será arbitrado quando: Fl. 475DF CARF MF Processo nº 10882.720931/201679 Acórdão n.º 1201002.262 S1C2T1 Fl. 5 7 II a escrituração a que estiver obrigado o contribuinte revelar evidentes indícios de fraude ou contiver vícios, erros ou deficiências que a tornem imprestável para: b) determinar o lucro real. 26. O lucro arbitrado, como dispõe o art. 1° da Lei 9.430/96, será apurado trimestralmente. A Fiscalizada tem por objeto social, no período ora fiscalizado, a prestação de serviço de transportes de cargas. O lucro arbitrado será determinado mediante a aplicação do percentual de oito por cento, acrescido de vinte por cento, sobre o valor da receita bruta auferida, conforme disposto nos artigos 15 e 16 da Lei n° 9.249/95: Art. 15. A base de cálculo do imposto, em cada mês, será determinada mediante a aplicação do percentual de oito por cento sobre a receita bruta auferida mensalmente, observado o disposto nos arts. 30 a 35 da Lei n° 8.981, de 20 de janeiro de 1995. § 1° Nas seguintes atividades, o percentual de que trata este artigo será de: II dezesseis por cento: a) para a atividade de prestação de serviços de transporte, exceto o de carga, para o qual se aplicará o percentual previsto no caput deste artigo; Art. 16. O lucro arbitrado das pessoas jurídicas será determinado mediante a aplicação, sobre a receita bruta, quando conhecida, dos percentuais fixados no art. 15, acrescidos de vinte por cento. 27. De acordo com as informações prestadas pela Fiscalizada em resposta ao Termo de Intimação Fiscal n° 7, sua receita bruta está assim totalizada mensalmente. Mês CRTC NF Total jan/12 6.244.258,54 440.452,76 6.684.711,30 fev/12 7.100.354,62 312.032,50 7.412.387,12 mar/12 9.314.267,38 367.056,64 9.681.324,02 abr/12 8.304.312,79 312.210,43 8.616.523,22 mai/12 8.395.711,16 317.465,37 8.713.176,53 jun/12 7.788.511,41 263.314,05 8.051.825,46 jul/12 8.497.874,79 293.070,11 8.790.944,90 ago/12 9.290.437,99 348.030,84 9.638.468,83 set/12 8.661.425,52 592.903,44 9.254.328,96 out/12 9.527.030,60 383.750,91 9.910.781,51 nov/12 9.217.300,72 590.112,92 9.807.413,64 dez/12 8.715.636,80 396.592,14 9.112.228,94 Total 101.057.122,32 4.616.992,11 105.674.114,43 28. Calculado o IRPJ devido, cumpre deduzir para fins de apuração dos valores a serem exigidos, as quantias do imposto sobre a renda retido na fonte pelas empresas contratantes, relativos aos rendimentos informados em DIRF, que, no caso, há Fl. 476DF CARF MF 8 apenas o valor de R$ 15,17 relativo ao mês de outubro de 2012. Registrese que não há valores pagos em 2012 a título de IRPJ. 29. Como consequência da apuração do IRPJ pelo Lucro Arbitrado, devemos exigir ainda os valores devidos a título de Contribuição Social sobre o Lucro Líquido, com supedâneo nos arts. 55 da Lei 8.981/95 e 20 da Lei 9.249/95, e da contribuição para o PIS/Pasep e da COFINS, pelo regime cumulativo, conforme reza o art. 8°, inciso II, da Lei 10.637/2002 e art. 10, inciso II, da Lei 10.833/2003 respectivamente. [...] Após cientificada a contribuinte apresentou impugnação (fls. 277/328). Alega, em síntese, que o arbitramento é medida excepcional, não podendo ter sido aplicado nessa situação particular. A empresa apresentou inúmeros livros e documentos contábeis e fiscais e atendeu todos os termos de intimação prévios ao lançamento, razão pela qual a adoção do critério eleito constituiria ato ilegal. Aduz que pretendeu retificar a DIPJ no curso da ação fiscal, mas que houve ilegal negativa por parte da autoridade fiscal responsável; que as informações prestadas ao fisco municipal de Itapevi/SP possibilitariam a realização plena de auditoria da base de cálculo dos tributos; que sempre atendeu as intimações fiscais; que a causa da autuação suposta divergência entre a movimentação bancária e a fiscal não prospera; e que o CARF possui o entendimento no sentido de não cabimento do arbitramento do lucro quando constatados meros erros ou equívocos pontuais na contabilidade apresentada. Em Sessão de 26 de janeiro de 2017, a 3a Turma da DRJ/RPO julgou a impugnação improcedente por meio de Acórdão fls. 347/380, que possui a seguinte ementa: ARBITRAMENTO DO LUCRO. ESCRITURAÇÃO DEFICIENTE. APLICABILIDADE. Impõese o arbitramento do lucro quando a escrituração contábil e fiscal do contribuinte (inclusive o LALUR) contiver vícios, erros ou deficiências que a tornem imprestável à determinação o lucro real. LANÇAMENTOS DECORRENTES. TRIBUTAÇÃO REFLEXA. Sempre que o fato se enquadrar ao mesmo tempo na hipótese de incidência de mais de um tributo ou contribuição, as conclusões quanto a ele aplicarseão igualmente no julgamento de todas as exações. O contribuinte foi intimado da decisão de primeiro grau em 16/02/2017 (fl. 385) e interpôs recurso voluntário (fls. 388/466) no dia 09/03/2017, por meio do qual reitera as alegações de defesa. É o relatório. Voto Fl. 477DF CARF MF Processo nº 10882.720931/201679 Acórdão n.º 1201002.262 S1C2T1 Fl. 6 9 Conselheiro Luis Henrique Marotti Toselli Relator O recurso voluntário é tempestivo e preenche os demais requisitos de admissibilidade. Dele, portanto, conheço. A Contribuinte optou, em relação ao ano calendário de 2012, à sistemática do lucro real trimestral, tendo apurado prejuízo fiscal e base negativa. Entretanto, o fisco procedeu ao arbitramento dos lucros para fins de cobrança de IRPJ e CSLL, sob a alegação de que a ECD (Escrituração Contábil Digital) restaria imprestável à apuração do Lucro Real, assim concluindo: 24. Esta Fiscalização reconhece que esgotou todos os meios para a apuração do lucro real dando oportunidade a Fiscalizada de transmitir nova ECD. Ao longo desta Ação Fiscal nos deparamos com diversas divergências entre as informações fornecidas pela Fiscalizada em suas respostas e os dados obtidos de sua ECD; entre as informações constante de sua DIPJ e a obtidas em sua ECD; além das falhas contábeis apontadas. Outrossim, a Fiscalizada intimada e reintimada não apresentou os arquivos digitais das notas fiscais de serviço emitidas conforme Ato Declaratório Executivo COFIS N° 25/2010. Tudo isso somado evidencia a falta de controle contábil da Fiscalizada de modo a assegurar com segurança a determinação do lucro real. No presente caso, cumpre ressaltar que a ECD apresentada no inicio da ação fiscal foi considerada deficiente e substituída a pedido da contribuinte. Outra ECD foi transmitida no curso da ação fiscal, ECD esta que, embora tenha sido recepcionada, também foi considerada imprestável. Ao final do trabalho fiscal após 12 meses de auditoria , a fiscalização manteve o entendimento de que a escrita contábil da contribuinte não reuniria condições para determinação do lucro real. Na impugnação, o contribuinte sustenta que a contabilidade apresentada e os esclarecimentos oportunamente realizados são suficientes para apuração do lucro real, ainda que sujeita a ajustes de oficio em face de erros ou equívocos pontuais. Em seguida o contribuinte buscou infirmar uma a uma as constatações fiscais. Após confrontar as razões de ambas as partes, a DRJ assim concluiu: [...] as razões do arbitramento são muito mais amplas do que a motivação apontada pela Impugnante acima destacada. Aliás, conforme já exposto no relatório e inicio do voto deste Acórdão. Tais razões encontramse objetivamente abordadas no TVF, dentre elas: i) a falta de Livro Razão contendo a escrituração individualizada de todas as despesas (com observância da legislação comercial), Fl. 478DF CARF MF 10 ii) a não comprovação e inviabilidade para verificar a maior parte das despesas deduzidas; iii) a falta de confiabilidade da escrituração das receitas, na qual não se observou o principio da competência; aliás, a omissão de receitas na DIPJ, reconhecida pela própria Contribuinte ao atender a Fiscalização foi de R$ 3.996.311,96 (R$ 105.245.625,23 apontado na auditoria, contra R$ 101.249.313,27 declarada na DIPJ), somente essa diferença é maior que todo o prejuízo declarado; iv) a imprestabilidade do LALUR apresentado, o qual não contem uma adição sequer. Pois bem. Observando tudo que consta dos autos, não tenho como concordar com a decisão de piso, uma vez que o arbitramento é método excepcional que só deve ser utilizado quando restar demonstrada a imprestabilidade ou inexistência de escrituração, o que não ocorreu. O lucro da pessoa jurídica deverá ser arbitrado quando o contribuinte, obrigado à tributação com base no lucro real, não mantiver escrituração na forma das leis regulamentares, ou deixar de apresentar à autoridade fiscal os livros e documentos obrigatórios da escrituração comercial e fiscal. O arbitramento é uma das formas de determinação do lucro previstas no artigo 44 do CTN1, cabível apenas quando restar comprovada que a escrituração não permite a apuração do Lucro Real. A jurisprudência deste Colegiado, aliás, já se consolidou no sentido de que a aplicação do método de arbitramento constitui medida extrema que só deve ser utilizada como último recurso, ou seja, na ausência absoluta de outro meio de apuração direta da base tributável. Nesse caso concreto, todavia, entendo que um exame acurado de como a fiscalização se desenvolveu até culminar com a lavratura do Auto de Infração em análise demonstra a impropriedade de adoção do método de arbitramento. Isso porque, em relação à comprovação dos custos e despesas, a fiscalização emitiu apenas dois termos iniciais, termos estes que foram respondidos pela contribuinte dentro do prazo que lhe foi concedido e em momento anterior à retificação da ECD. Especialmente em relação ao segundo termo, o fisco questiona determinadas diferenças, mas a própria Recorrente esclareceu que entregaria nova ECD de fato entregue , mas depois disso nunca mais foi chamada a esclarecer seus custos ou despesas. Em outras palavras, a fiscalização nunca solicitou, mesmo que por amostragem (como no início da ação fiscal), informações sobre a natureza e comprovação dos dispêndios escriturados a fim de conferir se os "problemas diagnosticados" se repetiriam com a nova transmissão da ECD. 1 "Artigo 44 A base de cálculo do imposto é o montante, real, arbitrado ou presumido, da renda ou dos proventos tributáveis." Fl. 479DF CARF MF Processo nº 10882.720931/201679 Acórdão n.º 1201002.262 S1C2T1 Fl. 7 11 O argumento de ausência de comprovação de despesas para legitimar o arbitramento em tela, a bem da verdade, acabou sendo levantado exclusivamente na decisão de primeiro grau, mas nunca foi argüido na peça acusatória. Essa inclusão de motivo até então nunca argüido pela DRJ, além de caracterizar indevida inovação no Auto de Infração, parte ainda de uma falsa premissa, qual seja, a de que não teria havido entrega de nova ECD pela contribuinte. Veja a seguinte passagem do decisium: Ocorre que apresentar uma DIPJ retificadora durante a auditoria é procedimento inócuo,[...] O adequado teria sido a Contribuinte apresentar uma nova ECD, tal qual solicitado pela Fiscalização, dessa feita observando os princípios contábeis e apurando corretamente o lucro líquido e o lucro real, viabilizando a auditoria desse resultado. Mas isso não foi feito. Portanto, não merece prosperar a alegação da Impugnante no sentido de que foi prejudicada por não ter sido aceita a apresentação de DIPJ retificadora, sendo que o mais importante, que seria apresentar nova ECD, conforme devidamente intimada e aceito (TVF , fl.4, item 10 ), a contribuinte não cumpriu [...] A decisão de piso, com a devida vênia, labuta em evidente equívoco quando aduz que a Escrituração Contábil Digital/ECD apresentada pela Recorrente não poderia ser considerada apta a permitir a determinação do Lucro Real, uma vez que restou demonstrado que houve entrega de "versão final", transmitida durante o procedimento fiscalizatório após comum acordo entre fisco e contribuinte, mas que acabou sendo indevidamente desconsiderada. Ora, no momento em que o contribuinte apresentou "nova" escrituração contábil, e buscou esclarecer as divergências com a DIPJ, deveria a fiscalização auditar esta nova documentação, apresentando motivação específica sobre sua natureza, conteúdo e validade, o que nunca ocorreu em relação aos custos e despesas. Já com relação às receitas estas sim objeto efetivo de fiscalização , o foco da autoridade fiscal responsável sempre foi o de buscar confrontar a movimentação bancária com a DIPJ e respectiva escrituração contábil, tanto antes como depois da apresentação da "versão final" da ECD. A DRJ, inclusive, rechaçou a existência de divergências entre a movimentação financeira e a escrituração do contribuinte, conforme atesta o seguinte trecho do Acórdão recorrido: De fato, a Fiscalização, ao expedir o Termo de Intimação nº. 4, não observou que havia conta bancária aberta com o CNPJ de filial da empresa (...) Observase pois que todas as questões relativas à movimentação bancária estão narradas até o item 18 do TVF, sendo que a Fl. 480DF CARF MF 12 Fiscalização acatou os esclarecimentos e até reconhece tacitamente que conseguiu superar as dúvidas quanto a conciliação bancária Além disso, o próprio TVF, conforme item 7 abaixo, indica expressamente que não houve apuração de diferenças no resultado líquido dos primeiros três trimestres do ano fiscalizado, constatação esta que, segundo eu penso, é mais um fator contrário ao critério de arbitramento empregado. 7 Em cotejo das informações contábilfiscais apuradas na escrituração contábil digital SPED Contábil e as correspondentes declaradas na DIPJ e na planilha apresentada foram identificadas diversas diferenças (embora o resultado líquido dos 3 primeiros trimestres estejam iguais), razão pela qual expedimos o Termo de Intimação Fiscal N° 3 para que a Fiscalizada justificasse a diferença. Nesse ponto, cumpre ressaltar, ainda, que a receita tomada como parâmetro pela fiscalização de R$ 105.674.114,43 realmente supera ao que havia sido declarado originariamente em DIPJ (R$ 101.249.313,27). Ocorre que a diferença apurada receita omitida de R$ 4.424.801,16 representa apenas 4,37% do que foi declarado, fato este que também evidencia que não há contabilidade imprestável, mas potenciais erros e ajustes que não maculariam uma apuração direta do lucro. O que se verifica nos autos, pois, é que a fiscalização teve acesso a documentação apta a apurar a base tributável efetiva (ainda que disponibilizada após ajustes e retificações, mas sem qualquer embaraço causado) e comparar com a DIPJ, mas mesmo assim optou por proceder com o arbitramento do lucro. Nessa hipótese, entendo que deveria o auditor fiscal responsável pelo lançamento glosar os custos e despesas que não tivessem lastro documental e daí apurar o lucro real pelo caminho ordinário. E, mais ainda, poderia caracterizar a hipótese como de omissão de receitas por presunção legal em face dos saldos credores que identificou. É certo que a Recorrente deixou de cumprir com todas as formalidades na entrega de seus arquivos digitais e LALUR, bem como deixou de comprovar alguns lançamentos credores pontuais, mas daí a afirmar com segurança que a contabilidade seria imprestável entendo existir uma enorme distância. Feitas essas considerações, forçoso concluir que revelase incabível o arbitramento do lucro no caso em tela, razão pela qual JULGO PROCEDENTE o RECURSO VOLUNTÁRIO. É como voto. (assinado digitalmente) Fl. 481DF CARF MF Processo nº 10882.720931/201679 Acórdão n.º 1201002.262 S1C2T1 Fl. 8 13 Luis Henrique Marotti Toselli Fl. 482DF CARF MF
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