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Numero do processo: 11080.734996/2017-81
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Mon May 13 00:00:00 UTC 2024
Data da publicação: Fri Jul 19 00:00:00 UTC 2024
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Data do fato gerador: 31/05/2012
MULTA ISOLADA. COMPENSAÇÃO NÃO HOMOLOGADA. INCONSTITUCIONALIDADE. STF. TEMA 736. REPERCUSSÃO GERAL.
É inconstitucional a multa isolada prevista em lei para incidir diante da mera negativa de homologação de compensação tributária, por não consistir em ato ilícito com aptidão para propiciar automática penalidade pecuniária.
Numero da decisão: 1201-006.587
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário. Este julgamento seguiu a sistemática dos recursos repetitivos, sendo-lhes aplicado o decidido no Acórdão nº 1201-006.344, de 13 de maio de 2024, prolatado no julgamento do processo 11080.728884/2018-71, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Jose Eduardo Genero Serra, Lucas Issa Halah, Rycardo Henrique Magalhaes de Oliveira (suplente convocado(a)), Neudson Cavalcante Albuquerque (Presidente).
Nome do relator: NEUDSON CAVALCANTE ALBUQUERQUE
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Data do fato gerador: 31/05/2012 MULTA ISOLADA. COMPENSAÇÃO NÃO HOMOLOGADA. INCONSTITUCIONALIDADE. STF. TEMA 736. REPERCUSSÃO GERAL. É inconstitucional a multa isolada prevista em lei para incidir diante da mera negativa de homologação de compensação tributária, por não consistir em ato ilícito com aptidão para propiciar automática penalidade pecuniária.
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COMPENSAÇÃO NÃO HOMOLOGADA. INCONSTITUCIONALIDADE. STF. TEMA 736. REPERCUSSÃO GERAL. É inconstitucional a multa isolada prevista em lei para incidir diante da mera negativa de homologação de compensação tributária, por não consistir em ato ilícito com aptidão para propiciar automática penalidade pecuniária. ACÓRDÃO Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário. Este julgamento seguiu a sistemática dos recursos repetitivos, sendo-lhes aplicado o decidido no Acórdão nº 1201-006.344, de 13 de maio de 2024, prolatado no julgamento do processo 11080.728884/2018-71, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. (documento assinado digitalmente) Neudson Cavalcante Albuquerque – Presidente Redator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Jose Eduardo Genero Serra, Lucas Issa Halah, Rycardo Henrique Magalhaes de Oliveira (suplente convocado(a)), Neudson Cavalcante Albuquerque (Presidente). Fl. 95DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1201-006.587 – 1ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 11080.734996/2017-81 2 RELATÓRIO O presente julgamento submete-se à sistemática dos recursos repetitivos prevista nos §§ 1º, 2º e 3º do art. 87 do Regimento Interno do CARF (RICARF), aprovado pela Portaria MF nº 1.634, de 21 de dezembro de 2023. Dessa forma, adota-se neste relatório substancialmente o relatado no acórdão paradigma. Na origem, trata-se de Auto de Infração que veiculou a cobrança de Multa Isolada decorrente da não homologação de declarações de compensação transmitidas pelo contribuinte. O Acórdão Recorrido manteve parte do auto de infração. Em Recurso Voluntário, o Contribuinte defende: 1. Nulidade do lançamento pois somente poderia ter ocorrido após decisão definitiva do processo de crédito; 2. Insubsistência do lançamento por inconstitucionalidade decorrente da violação ao direito de petição; 3. Retroação benigna da Lei nº 13.137/15, a qual revogou o § 15 do art. 74 da Lei nº 9.430/96, que previa a aplicação da multa de 50% em caso de indeferimento do pedido de restituição; 4. Impossibilidade de concomitância da multa de mora com a multa isolada; 5. Necessidade de sobrestamento do feito até o julgamento em definitivo do RE nº 796.939/RS (Tema STF nº 736). É a síntese do necessário. VOTO Tratando-se de julgamento submetido à sistemática de recursos repetitivos na forma do Regimento Interno deste Conselho, reproduz-se o voto consignado no acórdão paradigma como razões de decidir: Admissibilidade Inicialmente, reconheço a competência deste Colegiado para apreciação do Recurso Voluntário, na forma do Regimento Interno do CARF, e verifico que o recurso é tempestivo. No mais, o recurso preenche os demais requisitos de admissibilidade, portanto dele conheço. Fl. 96DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1201-006.587 – 1ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 11080.734996/2017-81 3 Preliminar de nulidade O Recorrente suscita como preliminar a nulidade do lançamento, alegando que somente poderia ter ocorrido após decisão definitiva no processo de crédito nº 10880-911.566/2018-91. Alega que o lançamento em questão é regido pelo art. 116, II do CTN, pois o fato gerador da multa isolada seria situação jurídica que, como tal, só poderia ser reputada ocorrida após a constituição definitiva do crédito tributário. Penso, entretanto, que o fato gerador da multa isolada decorrente da não homologação de compensação é situação de fato, regida pelo inciso I do art. 116 do CTN. Desde a transmissão da declaração de compensação reputada indevida, produzem-se os efeitos a ela inerentes, notadamente a extinção do crédito tributário, embora sob condição resolutória de ulterior homologação, justificando-se a imposição da multa isolada desde então, muito embora sua exigibilidade seja suspensa caso interposta Manifestação de Inconformidade contra o Despacho Decisório proferido no Processo de Crédito (§18, art. 74, Lei nº 9.430/96). Não vislumbro portanto qualquer nulidade. Mérito No mérito, a alegação de inconstitucionalidade passa a ter novos efeitos perante o CARF diante do julgamento definitivo da contenda pelo STF no tema de repercussão geral nº 736 e da e da Ação Direta de Inconstitucionalidade (ADI) 4905, que produz efeitos vinculantes aos membros deste colegiado, nos termos do inciso I, do §1º, do art. 62, RICARF anterior, correspondente ao art. 98, II, “b” do atual RICARF, que agora exige o já verificado trânsito em julgado da matéria. Vejamos a redação anterior: “Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. § 1º O disposto no caput não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: I - que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão definitiva plenária do Supremo Tribunal Federal; (Redação dada pela Portaria MF nº 39, de 2016)” E a redação atual: “Art. 98. Fica vedado aos membros das Turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto. Parágrafo único. O disposto no caput não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou decreto que: I - já tenha sido declarado inconstitucional por decisão plenária transitada em julgado do Supremo Tribunal Federal, em sede de controle concentrado, ou em controle difuso, com execução suspensa por Resolução do Senado Federal; ou Fl. 97DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1201-006.587 – 1ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 11080.734996/2017-81 4 II - fundamente crédito tributário objeto de: a) Súmula Vinculante do Supremo Tribunal Federal, nos termos do art. 103- A da Constituição Federal; b) Decisão transitada em julgado do Supremo Tribunal Federal ou do Superior Tribunal de Justiça, proferida na sistemática da repercussão geral ou dos recursos repetitivos, na forma disciplinada pela Administração Tributária;” (grifo nosso) O Supremo Tribunal Federal (STF), no julgamento do Recurso Extraordinário (RE) 796939, com repercussão geral (Tema 736) e da Ação Direta de Inconstitucionalidade (ADI) 4905, decidiu pela inconstitucionalidade do parágrafo 17 do artigo 74 da Lei 9.430/1996 que prevê a incidência de multa isolada no caso de não homologação de pedido de compensação tributária pela Receita Federal. No voto pelo desprovimento do recurso da União, o ministro Edson Fachin, relator, observou que a simples não homologação de compensação tributária não é ato ilícito capaz de gerar sanção tributária, razão pela qual a aplicação automática da sanção, sem considerações sobre a intenção do contribuinte, tacharia de ilícito o próprio exercício do direito de petição constitucionalmente assegurado. A tese de repercussão geral fixada foi a seguinte: “É inconstitucional a multa isolada prevista em lei para incidir diante da mera negativa de homologação de compensação tributária por não consistir em ato ilícito com aptidão para propiciar automática penalidade pecuniária”. Portanto, tendo o STF decidido pela inconstitucionalidade da multa isolada, ora em discussão, torna-se inafastável o entendimento da Suprema Corte, devendo- se afastar integralmente a penalidade aplicada. Restam assim prejudicados os demais argumentos apresentados pelo Recorrente. Pelo exposto, conheço o Recurso Voluntário para, no mérito, dar-lhe provimento integral. Conclusão Importa registrar que as situações fática e jurídica destes autos se assemelham às verificadas na decisão paradigma, de sorte que as razões de decidir nela consignadas são aqui adotadas, não obstante os dados específicos do processo paradigma eventualmente citados neste voto. Dessa forma, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º, 2º e 3º do art. 87 do RICARF, reproduz-se o decidido no acórdão paradigma, no sentido de dar provimento ao recurso voluntário. (documento assinado digitalmente) Neudson Cavalcante Albuquerque – Presidente Redator Fl. 98DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1201-006.587 – 1ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 11080.734996/2017-81 5 Fl. 99DF CARF MF Original Acórdão Relatório Voto Tratando-se de julgamento submetido à sistemática de recursos repetitivos na forma do Regimento Interno deste Conselho, reproduz-se o voto consignado no acórdão paradigma como razões de decidir: Admissibilidade Preliminar de nulidade Mérito
score : 1.0
Numero do processo: 11080.731431/2017-41
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Mon May 13 00:00:00 UTC 2024
Data da publicação: Fri Jul 19 00:00:00 UTC 2024
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2017
MULTA ISOLADA. COMPENSAÇÃO NÃO HOMOLOGADA. INCONSTITUCIONALIDADE. STF. TEMA 736. REPERCUSSÃO GERAL.
É inconstitucional a multa isolada prevista em lei para incidir diante da mera negativa de homologação de compensação tributária, por não consistir em ato ilícito com aptidão para propiciar automática penalidade pecuniária.
Numero da decisão: 1201-006.495
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário. Este julgamento seguiu a sistemática dos recursos repetitivos, sendo-lhes aplicado o decidido no Acórdão nº 1201-006.344, de 13 de maio de 2024, prolatado no julgamento do processo 11080.728884/2018-71, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Jose Eduardo Genero Serra, Lucas Issa Halah, Rycardo Henrique Magalhaes de Oliveira (suplente convocado(a)), Neudson Cavalcante Albuquerque (Presidente).
Nome do relator: NEUDSON CAVALCANTE ALBUQUERQUE
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RECORRIDA FAZENDA NACIONAL Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Ano-calendário: 2017 MULTA ISOLADA. COMPENSAÇÃO NÃO HOMOLOGADA. INCONSTITUCIONALIDADE. STF. TEMA 736. REPERCUSSÃO GERAL. É inconstitucional a multa isolada prevista em lei para incidir diante da mera negativa de homologação de compensação tributária, por não consistir em ato ilícito com aptidão para propiciar automática penalidade pecuniária. ACÓRDÃO Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário. Este julgamento seguiu a sistemática dos recursos repetitivos, sendo-lhes aplicado o decidido no Acórdão nº 1201-006.344, de 13 de maio de 2024, prolatado no julgamento do processo 11080.728884/2018-71, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. (documento assinado digitalmente) Neudson Cavalcante Albuquerque – Presidente Redator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Jose Eduardo Genero Serra, Lucas Issa Halah, Rycardo Henrique Magalhaes de Oliveira (suplente convocado(a)), Neudson Cavalcante Albuquerque (Presidente). Fl. 342DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1201-006.495 – 1ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 11080.731431/2017-41 2 RELATÓRIO O presente julgamento submete-se à sistemática dos recursos repetitivos prevista nos §§ 1º, 2º e 3º do art. 87 do Regimento Interno do CARF (RICARF), aprovado pela Portaria MF nº 1.634, de 21 de dezembro de 2023. Dessa forma, adota-se neste relatório substancialmente o relatado no acórdão paradigma. Na origem, trata-se de Auto de Infração que veiculou a cobrança de Multa Isolada decorrente da não homologação de declarações de compensação transmitidas pelo contribuinte. O Acórdão Recorrido manteve parte do auto de infração. Em Recurso Voluntário, o Contribuinte defende: 1. Nulidade do lançamento pois somente poderia ter ocorrido após decisão definitiva do processo de crédito; 2. Insubsistência do lançamento por inconstitucionalidade decorrente da violação ao direito de petição; 3. Retroação benigna da Lei nº 13.137/15, a qual revogou o § 15 do art. 74 da Lei nº 9.430/96, que previa a aplicação da multa de 50% em caso de indeferimento do pedido de restituição; 4. Impossibilidade de concomitância da multa de mora com a multa isolada; 5. Necessidade de sobrestamento do feito até o julgamento em definitivo do RE nº 796.939/RS (Tema STF nº 736). É a síntese do necessário. VOTO Tratando-se de julgamento submetido à sistemática de recursos repetitivos na forma do Regimento Interno deste Conselho, reproduz-se o voto consignado no acórdão paradigma como razões de decidir: Admissibilidade Inicialmente, reconheço a competência deste Colegiado para apreciação do Recurso Voluntário, na forma do Regimento Interno do CARF, e verifico que o recurso é tempestivo. No mais, o recurso preenche os demais requisitos de admissibilidade, portanto dele conheço. Fl. 343DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1201-006.495 – 1ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 11080.731431/2017-41 3 Preliminar de nulidade O Recorrente suscita como preliminar a nulidade do lançamento, alegando que somente poderia ter ocorrido após decisão definitiva no processo de crédito nº 10880-911.566/2018-91. Alega que o lançamento em questão é regido pelo art. 116, II do CTN, pois o fato gerador da multa isolada seria situação jurídica que, como tal, só poderia ser reputada ocorrida após a constituição definitiva do crédito tributário. Penso, entretanto, que o fato gerador da multa isolada decorrente da não homologação de compensação é situação de fato, regida pelo inciso I do art. 116 do CTN. Desde a transmissão da declaração de compensação reputada indevida, produzem-se os efeitos a ela inerentes, notadamente a extinção do crédito tributário, embora sob condição resolutória de ulterior homologação, justificando-se a imposição da multa isolada desde então, muito embora sua exigibilidade seja suspensa caso interposta Manifestação de Inconformidade contra o Despacho Decisório proferido no Processo de Crédito (§18, art. 74, Lei nº 9.430/96). Não vislumbro portanto qualquer nulidade. Mérito No mérito, a alegação de inconstitucionalidade passa a ter novos efeitos perante o CARF diante do julgamento definitivo da contenda pelo STF no tema de repercussão geral nº 736 e da e da Ação Direta de Inconstitucionalidade (ADI) 4905, que produz efeitos vinculantes aos membros deste colegiado, nos termos do inciso I, do §1º, do art. 62, RICARF anterior, correspondente ao art. 98, II, “b” do atual RICARF, que agora exige o já verificado trânsito em julgado da matéria. Vejamos a redação anterior: “Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. § 1º O disposto no caput não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: I - que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão definitiva plenária do Supremo Tribunal Federal; (Redação dada pela Portaria MF nº 39, de 2016)” E a redação atual: “Art. 98. Fica vedado aos membros das Turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto. Parágrafo único. O disposto no caput não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou decreto que: I - já tenha sido declarado inconstitucional por decisão plenária transitada em julgado do Supremo Tribunal Federal, em sede de controle concentrado, ou em controle difuso, com execução suspensa por Resolução do Senado Federal; ou Fl. 344DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1201-006.495 – 1ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 11080.731431/2017-41 4 II - fundamente crédito tributário objeto de: a) Súmula Vinculante do Supremo Tribunal Federal, nos termos do art. 103- A da Constituição Federal; b) Decisão transitada em julgado do Supremo Tribunal Federal ou do Superior Tribunal de Justiça, proferida na sistemática da repercussão geral ou dos recursos repetitivos, na forma disciplinada pela Administração Tributária;” (grifo nosso) O Supremo Tribunal Federal (STF), no julgamento do Recurso Extraordinário (RE) 796939, com repercussão geral (Tema 736) e da Ação Direta de Inconstitucionalidade (ADI) 4905, decidiu pela inconstitucionalidade do parágrafo 17 do artigo 74 da Lei 9.430/1996 que prevê a incidência de multa isolada no caso de não homologação de pedido de compensação tributária pela Receita Federal. No voto pelo desprovimento do recurso da União, o ministro Edson Fachin, relator, observou que a simples não homologação de compensação tributária não é ato ilícito capaz de gerar sanção tributária, razão pela qual a aplicação automática da sanção, sem considerações sobre a intenção do contribuinte, tacharia de ilícito o próprio exercício do direito de petição constitucionalmente assegurado. A tese de repercussão geral fixada foi a seguinte: “É inconstitucional a multa isolada prevista em lei para incidir diante da mera negativa de homologação de compensação tributária por não consistir em ato ilícito com aptidão para propiciar automática penalidade pecuniária”. Portanto, tendo o STF decidido pela inconstitucionalidade da multa isolada, ora em discussão, torna-se inafastável o entendimento da Suprema Corte, devendo- se afastar integralmente a penalidade aplicada. Restam assim prejudicados os demais argumentos apresentados pelo Recorrente. Pelo exposto, conheço o Recurso Voluntário para, no mérito, dar-lhe provimento integral. Conclusão Importa registrar que as situações fática e jurídica destes autos se assemelham às verificadas na decisão paradigma, de sorte que as razões de decidir nela consignadas são aqui adotadas, não obstante os dados específicos do processo paradigma eventualmente citados neste voto. Dessa forma, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º, 2º e 3º do art. 87 do RICARF, reproduz-se o decidido no acórdão paradigma, no sentido de dar provimento ao recurso voluntário. (documento assinado digitalmente) Neudson Cavalcante Albuquerque – Presidente Redator Fl. 345DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1201-006.495 – 1ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 11080.731431/2017-41 5 Fl. 346DF CARF MF Original Acórdão Relatório Voto Tratando-se de julgamento submetido à sistemática de recursos repetitivos na forma do Regimento Interno deste Conselho, reproduz-se o voto consignado no acórdão paradigma como razões de decidir: Admissibilidade Preliminar de nulidade Mérito
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Numero do processo: 13953.000112/2001-32
Turma: Quarta Câmara
Seção: Segundo Conselho de Contribuintes
Data da sessão: Tue Feb 21 00:00:00 UTC 2006
Data da publicação: Tue Feb 21 00:00:00 UTC 2006
Ementa: PIS. ISENÇÃO. A isenção concedida para vendas a empresas exportadoras, devidamente registradas no órgão competente, contempla apenas aquelas efetuadas com fins específicos de exportação para o exterior, assim consideradas quando as mercadorias forem diretamente embarcadas para exportação ou depositadas em entreposto, sob regime aduaneiro extraordinário de exportação.
Recurso negado.
Numero da decisão: 204-01.057
Decisão: ACORDAM os Membros da Quarta Câmara do Segundo Conselho de
Contribuintes, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso. Vencido o Conselheiro Flávio de Sá Munhoz.
Matéria: Pasep- proc. que não versem s/exigências cred.tributario
Nome do relator: NAYRA BASTOS MANATTA
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Recorrida : DRJ em Curitiba - PR PIS. ISENÇÃO. A isenção concedida para vendas a empresas exportadoras, devidamente registradas no órgão competente, C -At" ItA, ° e ‘ GINÕ• . contempla apenas aquelas efetuadas com fins específicos de BRASLIA - - - 1 - ---- - 1 exportação para o exterior, assim consideradas quando as - mercadorias forem diretamente embarcadas para exportação ou v.sto depositadas em entreposto, sob regime aduaneiro extraordinário de exportação. Recurso negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos de recurso interposto por INDÚSTRIA MISSIATO DE BEBIDAS LTDA. ACORDAM os Membros da Quarta Câmara do Segundo Conselho de Contribuintes, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso. Vencido o Conselheiro Flávio de Sá Munhoz. Sala das Sessões, em 21 de fevereiro de 2006. <g,Re,,-...yr-./....ceic-- tifique inheiro Torre.'" Presidente Na BastoBasto Ma.t.. Rela ora Participaram, ainda, do presente julgamento os Conselheiros Jorge Freire, Rodrigo Bernardes de Carvalho, Júlio César Alves Ramos, Sandra Barbon Lewis e Adriene Maria de Miranda. 1 . • OA 1-Att.M.:4 - 2 L CC-AIF Ministério da Fazenda P5 e :t Off i ' • ‘ 1. n. .tisn Segundo Conselho de Contribuintes CONFE— BRASLIA ...... Processo ni : ~13912/2001-32 ViSTO Recurso n" : 130.657 Acórdão n2 : 204-01.057 Recorrente : INDÚSTRIA MISSIATO DE BEBIDAS LTDA. RELATÓRIO Trata-se de Auto de Infração objetivando a cobrança do PIS relativo aos períodos de janeiro/98 a julho/2001 em virtude de a contribuinte haver excluído da base de cálculo da contribuição as vendas no mercado interno para empresas exportadoras, sem que restasse comprovada a venda com fins específicos de exportação. Foi efetuado arrolamento de bens no Processo n° 13951000113/2001-87. A contribuinte apresentou impugnação alegando em sua defesa, em síntese: 1. o Auto de Infração foi fundamentado no Decreto-Lei n° 1248/72, revogado pelo art. 73 da MP 1.602/97; 2. não se pode cobrar tributo por analogia e no caso concreto o Fisco utilizou de definição do "fins específico de exportação" contido em normas outras que não aquelas que regem o PIS, como é o caso dos art. 1° do Decreto-Lei n° 1248/72 (revogado) e art. 39 da Lei n°9532/97 (valido para o IPI); 3. no processo de fabricação de bebidas quando são colocados os selos de controle é que resta caracterizada a destinação do produto, se para o mercado interno ou externo; 4. os selos de controle do IPI, em relação às bebidas, são diferentes para os produtos destinados ao mercado interno e externo, e a fiscalização não demonstrou qualquer diferença entre a quantidade dos selos para exportação escriturada em livro próprio e a quantidade de produto saído do estabelecimento industrial; 5. os produtos, uma vez rotulados não podem ser re-selados, o que comprova que o fim específico de exportação está vinculado ao controle dos selos; 6. trás farta prova documental comprovando a efetiva exportação dos produtos pelas empresas adquirentes; 7. muitas vezes os clientes fazem pedido para o mercado interno mas revendem para o exterior, sendo a exportação comprovada pelo RE; 8. discorre sobre a isenção preconizada no art. 7° da Lei Complementar n°70/91, com base no qual foi editado o Decreto n° 1.030/93, que por sua vez, restringiu o campo da isenção concedida pela Lei Complementar n° 70/91, o que é ilegal; 9. tal restrição foi retificada pela Lei Complementar n° 85/96; 10.estes dispositivos foram revogados a partir de 30/06/99 com a edição da MP 1858/99 e o estabelecimento de nova isenção da Cofins e do PIS para as mercadorias vendidas ao exterior; e 11.pede o cancelamento do Auto de Infração. v-33.1 m 2 • A r " 22 CC-MF Ministério da Fazenda Segundo Conselho de Contribuintes t oo;FF.F:1-: W, 1- Processo n'? : 13953.000112/2001-32 Recurso n2 : 130.657 vls-To Acórdão n'? : 204-01.057 • A DRJ em Curitiba - PR julgou procedente em parte o lançamento por considerar que a definição de "fins específicos de exportação" contida nos Decreto-Lei á" 1248/72 e Lei n'' 9532/97 não se aplica ao PIS já que os dispositivos legais citados são específicos para empresas comerciais exportadoras (o primeiro) e para o IPI (o segundo). Mas, a partir dos documentos apresentados pela empresa, considerou indevido o lançamento relativo às vendas cujas exportações restaram comprovadas pelas adquirentes dos produtos e manteve aquelas cuja comprovação de exportação não foi efetivada. Considerou, ainda, que até 31/01/99, somente podiam ser excluídas da base de cálculo do PIS as vendas efetuadas diretamente pelo produtor ou as efetuadas a empresas comerciais exportadoras. A contribuinte interpôs recurso voluntário, tempestivo, alegando em sua defesa as mesmas razões da inicial, acrescendo, ainda, que a decisão recorrida não poderia ter modificado as acusações do auto de infração ao estabelecer novos critérios para aceitação das exclusões efetuadas pela empresa, qual seja, comprovação da efetiva exportação, quando a acusação fiscal foi diversa: vendas não caracterizadas como sendo "com fins específicos de exportação". É o relatório. Vi9 ,f 3 . • s.,4)C:.51CC-MF Ministério da Fazenda - 29 Ce Segundo Conselho de Contribuin 5 op f Fl. ribri• o COhlg5t` Processo n° : 13953.000112/2001-3 ismsuiN — Recurso ri' : 130.657 Acórdão n9 : 204-01.057 VOTO DA CONSELHEIRA-RELATORA NAYRA BASTOS MANATTA Primeiramente vale ressaltar que o recurso interposto está revestido das formalidades legais cabíveis merecendo ser apreciado. Primeiramente é de se observar que assiste razão à recorrente ao afirmar que não poderia a DRJ em Curitiba- PR fundamentar sua decisão em argumentos outros que não aqueles formulados na acusação fiscal. O Auto de Infração é o elemento através do qual a fiscalização formula uma acusação ao contribuinte de haver descumprido determinada norma legal específica, sendo a conseqüência a falta de recolhimento de tributo ou a incidência de multa tipificada, que são constituídos (o crédito tributário e penalidades) por meio da Peça Infracional. É exatamente sobre tal acusação que a contribuinte irá se defender e sobre a qual versará toda a lide. Não pode o órgão julgador, como bem frisou o julgador Jorge Frederico Cardoso de Menezes, no voto vencido, estabelecer inovações na acusação fiscal para manter o lançamento. Todavia este não é motivo de nulidade da decisão recorrida nos termos dos arts. 59 e 60 do Decreto n° 70.235/72, pois não constitui ato proferido por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa, já que a contribuinte dispõe do recurso voluntário para contestar a decisão recorrida, inclusive quanto aos seus fundamentos: Art. 59. São nulos: I - os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; - os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. § I° A nulidade de qualquer ato só prejudica os posteriores que dele diretamente dependam ou sejam conseqüência. § 2° Na declaração de nulidade, a autoridade dirá os atos alcançados, e determinará as providências necessárias ao prosseguimento ou solução do processo. Art. 60. As irregularidades, incorreções e omissões diferentes das referidas no artigo anterior não importarão em nulidade e serão sanadas quando resultarem em prejuízo para o sujeito passivo, salvo se este lhes houver dado causa, ou quando não influírem na solução do litígio. Analisaremos agora a questão tratada nos autos que é a condição de "fins específicos de exportação" para vendas efetuadas no mercado interno para empresas exportadoras. A contribuinte argúi que o Decreto-Lei n° 1248/72, base legal da a ugãto( foi revogado pelo art. 73 da MP 1602/97. 4 . • NuN. ., E - 2g 59.A 29CC-MF e ar: -ar; Ministério da FazendaNia-;•,:ce t• tIC4,--4::'r Segundo Conselho de Contribuintes CON;-E.REt, n. eattSLIA _ • i; Processo n2 : 13953.000112/2001-32 Recurso n2 : 130.657 Acórdão n2 : 204-01.057 Observa-se, entretanto, que a MP 1602/97 foi convertida na Lei n° 9532/97, também citada como fundamento da autuação, que no seu art. 82 não confirmou a revogação contida no art. 73 da referida MP: Art. 82. Ficam revogados: 1- a partir da data de publicação desta Medida Provisória.. a) os seguintes dispositivos da Lei n°4.502, de 1964: I. o inciso IV acrescentado ao art. 4° pelo Decreto-lei n.' 1.199, de 27 de dezembro de 1971, art. 5°, alteração le; 2. os incisos X, XIV e XX do art. 7°: 3. os incisos XI, XIII, XXJ, MI, XXV, XXVII, XXIX, XXX, XXXI, XXXII, XXXIII, XXXIV e XXXV do art. 7°, com as alterações do Decreto-lei n.° 34, de 1966, art. 2°, alteração 3°; 4. o parágrafo único do art. 15, acrescentado pelo art. 2°, alteração sexta, do Decreto-lei n.°34, de 1966; 5. o § 3° do art. 83, acrescentado pelo art. 1°, alteração terceira, do Decreto-lei n." 400, de 1968; 6. o § 2° do art. 84, renumerado pelo art. 2°, alteração vigésima-quarta, do Decreto-lei n°34, de 1966; b) o art. 58 da Lei n.°5.227, de 18 de janeiro de 1967; c) o art. 1° do Decreto-lei n.° 1.276, de I° de junho de 1973; d) o § 1° do art. 18 da Lei n.° 6.099, de 12 de setembro de 1974; e) o art. 7° do Decreto-lei n.° 1.455, de 7 de abril de 1976; j) o Decreto-lei n.° 1.568, de 2 de agosto de 1977; g) os incisos IV e V do art. 4°, o art.5°, o art. 10 e os incisos 11, HL VI e VIII do art. 19, todos do Decreto-lei n.° 1.593, de 21 de dezembro de 1977; h) o Decreto-lei Il.° 1.622, de 18 de abril de 1978; i) o art. 2" da Lei n.° 8.393, de 30 de dezembro de 1991; j) o inciso VII do art 1° da Lei n.°8.402, de 1992; 1)0 art. 4" da Lei n.°8.541, de 23 de dezembro de 1992; m) os arts. 3° e 4" da Lei n.° 8.846, de 21 de janeiro de 1994; n) o art. 39 da Lei n. • 9.430, de 1996. II - a partir de 1° de janeiro de 1998: a) o art. 28 do Decreto-lei n.°5.844, de 23 de setembro de 1943; b) o art. 30 da Lei n.°4.506, de 30 de novembro de 1964; c) o § 1° do art. 260, da Lei n.°8.069, de 13 de julho de 1990; d) os §§ 1°a 4' do art. 40 da Lei n.° 8.672, de 6 de julho de 1993; e) o art. 10 da Lei n.° 9.477, de 1997; »JÇ I 5 . • . 3 n CC-MF Ministério da Fazenda ' {Lm. • p AL Segundo Conselho de Contribuintes CONEEK i."-r(,) -• si; pits 8845iLIA Processo ni : 13953.000112/2001-32 Recurso n2 : 130.657 Acórdão ti9 : 204-01.057 .1) o art 4° da Lei e 7.418, de 16 de dezembro de 1985 (Vale-Transporte). As MPs são dispositivos legais editados pelo Executivo que dependem de confirmação por parte do Legislativo, que, após apreciação, converte a MP em Lei. Ainda que determinado comando legal conste da MP se não for este confirmado pelo Legislativo quando da conversão da MP em Lei, perde sua eficácia e vigência. Certo, entretanto, que os atos praticados na vigência da MP e sob o seu comando têm plena validade e eficácia, tanto assim que, no caso em concreto, o art. 80 da Lei n° 9532/97 determina expressamente que os atos praticados com base na MP 1602197 e os fatos jurídicos dela decorrentes sujeitam-se às disposições nela contidas. Tal ato tem como função garantir a segurança jurídica entre as partes: Art. 80. Aos atos praticados com base na Medida Provisória n° 1.602, de 14 de novembro de 1997, e aos fatos jurídicos dela decorrentes, aplicam-se as disposições nela contidas. Todavia, as disposições contidas na citada MP que não foram confirmadas pelo Legislativo por meio da Lei n° 9532/97 perdem sua eficácia e validade, deixando de surtir efeitos a partir da publicação da Lei. Inclusive aqueles relativos à revogação de determinado diploma legal. Ou seja, ainda que no período de vigência da MP 1602/97, o Decreto-Lei n° 1248/72 estivesse revogado, no período subseqüente, com a Lei n° 9532/97, tal revogação não foi confirmada pelo Legislativo, o que a tomou ineficaz e inexistente. Atente-se, ainda, para o fato de que o art. 32, §2° da MP 1602/97 define o que seja "fins específicos de exportação" nos mesmos termos contidos no Decreto-Lei n° 1248/72, o que prova que tal conceito não sofreu qualquer alteração. An. 32. Poderão sair do estabelecimento industrial, com suspensão do 1PL os produtos destinados à exportação, quando: 1- adquiridos por empresa comercial exportadora, com o fim especifico de exportação; H - remetidos a recintos alfandegados ou a outros locais onde se processe o despacho aduaneiro de exportação. § 12 Fica assegurada a manutenção e utilização do crédito do 1P1 relativo às matérias- primas, aos produtos intermediários e ao material de embalagem utilizados na industrialização dos produtos a que se refere este artigo. § 22 Consideram-se adquiridos com o fim especifico de exportação os produtos remetidos diretamente do estabelecimento industrial para embarque de exportação ou para recintos alfandegados, por conta e ordem da empresa comercial exportadora. (grifo nosso) Tal redação foi confirmada na Lei n° 9532/97, no seu art. 39, §2°: Art. 39. Poderão sair do estabelecimento industrial, com suspensão do IPI. os produtos destinados à exportação, quando: 1- adquiridos por empresa comercial exportadora, com o fim especifico de exportação; 11 - remetidos a recintos alfandegados ou a outros locais onde se processe o despacho aduaneiro de exportação. 6 . • . • " 2 CC• r Z.N ijA 2ICC-MF Ministério da Fazenda etoriiVlIA n.Segundo Conselho de Contribuintes tr, cft ' M '%intrY: 8RAS,;_b Processo nit : 13953.000112/2001-32 Recurso us : 130.657 visTo Acórdão n2 : 204-01.057 § I° Fica assegurada a manutenção e utilização do crédito do !PI relativo às matérias- primas, produtos intermediários e material de embalagem utilizados na industrialização dos produtos a que se refere este artigo. § 2 Consideram-se adquiridos com o fim especifico de exportação os produtos remetidos diretamente do estabelecimento industrial para embarque de exportação ou para recintos alfandegados, por conta e ordem da empresa comercial exportadora. (grifo nosso) Observe-se que a autuação refere-se a período posterior à vigência da Lei n° 9532/97, que não confirmou a revogação do Decreto-Lei n° 1248/72 contida na MP 1602197. Ou seja, o referido DL encontrava-se em pleno vigor quando da ocorrência dos fatos geradores objeto da autuação. Quanto à inaplicabilidade do disposto no Decreto-Lei n° 1248/72 e na Lei n° 9532/97 ao PIS por se tratarem de dispositivos legais que regem matérias diversas da relativa à citada contribuição, quais sejam: empresas comerciais exportadoras e IPI, respectivamente, como deseja a contribuinte e foi acatado pela decisão recorrida é de se atentar que a legislação tributária não pode ser interpretada de forma estanque, mas sim conjuntamente com as normas vigentes. Neste caso, as normas legais que regem o PIS utilizaram-se de conceito específico trazido por outra lei, também de natureza tributária, qual seja, o conceito de fins específicos de exportação. Existindo lei tributaria especifica que trate expressamente deste conceito esta há de ser aplicada conjuntamente com as demais leis que se utilizem de tal conceito para se atingir o comando determinado na norma. Pensar de forma diversa seria querer que o legislador, a cada vez que se utilizasse determinado conceito, já estabelecido em norma tributária específica, tivesse que, novamente, reafirma-lo, o que é inadmissível e contrário a toda e qualquer norma da hermenêutica. Imagine-se, por exemplo, que toda vez que o legislador utilizasse o termo industrial, já definido em legislação especifica do IPI, tivesse que trazer ao novo comando legal o conceito antes tratado na legislação própria? Ressalte-se que aqui não se está a fazer analogia, mas sim a utilizar-se de conceito já tratado em lei tributária específica,vigente , usado em legislação posterior, numa interpretação conjunta da legislação tributária. Assim sendo, o conceito de "fins específicos de exportação" contido no Decreto- Lei n° 1248172, na MP 1602/97 e na Lei n°9532/97 é perfeitamente aplicável ao PIS. A exclusão da base de cálculo do PIS das receitas de exportação de produtos manufaturados foi instituída pela Lei n°7.714/88, no seu art. 5°. Verifique-se que esta lei trata de produtos manufaturados exportados diretamente pelo produtor. An. 5° Para efeito de cálculo da contribuição para o Programa de Formação do Patrimônio do Servidor Público - PASEP e para o Programa de Integração Social - PIS, de que trata o Decreto-Lei n° 2.445, de 29 de junho de 1988, o valor da receita de exportação de produtos manufaturados nacionais poderá ser excluído da receita operacional bruta. (grifo nosso) I( " 7 . - cC f N7-€3413 " CC-MF •Ministério da Fazenda i; Oã Fl. "?'/:;;; 15 Segundo Conselho de Contribuintes k Processo n2 :13953.0001121200132 Recurso n2 : 130.657 Acórdão n9 : 204-01.057 § 1° Serão Consideradas exportadas, para efeito do disposto no capuz deste artigo, as mercadorias vendidas a empresa comercial exportadora, de que trata o art. 1 0 do Decreto-Lei n°1.248, de 29 de novembro de 1972. (Parágrafo incluído pela MP 622, de 22.09.94) Com a edição da MP 622, de 22/09/94, foi introduzido o parágrafo primeiro no citado dispositivo legal, incluindo as vendas feitas a empresas comerciais exportadoras, de que trata o art. 1° do Decreto-Lei n° 1.248/72, como sendo equivalente a exportação para efeito da exclusão da base de cálculo do PIS. O art. 1° do Decreto-Lei n° 1.248/72, assim dispõe: ART. 1 - As operações decorrentes de compra de mercadorias no mercado interno, quando realizadas por empresa comercial exportadora, para o fim especifico de exportação, terão o tratamento tributário previsto neste Decreto-Lei. Parágrafo única Consideram-se destinadas ao fim específico de exportação as mercadorias que forem diretamente remetidas do estabelecimento do produtor-vendedor para: a) embarque de exportação por conta e ordem da empresa comercial exportadora; b) depósito em entreposto, por conta e ordem da empresa comercial exportadora, sob regime • aduaneiro extraordinário de exportação, nas condições estabelecidas em regulamento. Veja-se que o Decreto-Lei n° 1.248/72 prevê tratamento tributário diferenciado para as compras feitas no mercado interno pelas empresas comerciais exportadoras com fins específico de exportação , tendo, inclusive definido o que é considerado para efeitos da lei o "fim específico de exportação".0u seja, este decreto-lei contempla apenas as vendas efetuadas para empresas comerciais exportadoras (chamadas tradding companies) com fins específicos de exportação ou seja, as mercadorias que tenham sido embarcadas diretamente para exportação por conta e ordem da comercial exportadora, ou depositadas em entreposto aduaneiro sob regime extraordinário de exportação, também, por conta e ordem da comercial exportadora. O referido diploma legal estabelecia, ainda, que tais empresas deveriam: estar registradas na Cacex e na SRF, de acordo com as normas aprovadas pelo Ministro da Fazenda; ser constituídas sob forma de sociedade por ações, sendo as nominativas com direito a voto; ter capital mínimo fixado pelo CMN. Por sua vez, o Decreto n° 1.030/93, que regulamenta o art. 70 da Lei Complementar n° 70/91, relativa à Cofins, estendeu tal benefício isencional às "vendas, com fins específicos de expo nação para o exterior, a empresas exportadoras, registradas na Secretaria de Comércio Exterior do Ministério da Indústria, Comércio e Turismo", no seu art. 1°, inciso IV, isenção para. (grifo nosso). De acordo com os dispositivos legais transcritos apenas estariam isentas do PIS as vendas de mercadorias e serviços destinados ao exterior realizadas diretamente pelo exportado; realizadas por intermédio de cooperativas, consórcios ou entidades semelhantes; às efetuadas às empresas comerciais exportadoras, desde que destinadas ao fim específico de exportação . para consumo ou uso de bordo em embarcações ou aeronaves de tráfego internacional quando o autos)pagamento for feito em moeda conversível (o que não é o caso dos empresas 8 CC Ministério da Fazendaf 1519•10 N 22 CC-MF toa. Dm • IJC":".,..'t Segundo Conselho de Contribuintes.1 •- -nc.a,..-%.,• cotff-Rt eacksiLA Processo n9 : 13953.000112/2001-32 f Recurso n2 : 130.657 ns o Acórdão nt : 204-01.057 exportadoras registradas na Secretaria de Comércio Exterior do Ministério da Indústria, Comércio e Turismo com fim especifico de exportação para o exterior. Verifica-se daí que as vendas realizadas para as empresas exportadoras não poderiam ser quaisquer vendas para gozarem do benefício da isenção, mas deveriam sim ter fim especifico de exportação. O conceito de "fins específicos de exportação para o exterior" extraí-se do parágrafo único do art. 1° do Decreto-Lei n° 1.248/72: An. Parágrafo único - Consideram-se destinadas ao fim especifico de exportação as mercadorias que forem diretamente remetidas do estabelecimento do produtor-vendedor para: a) embarque de exportação por conta e ordem da empresa comercial exportadora; b) depósito em entreposto, por conta e ordem da empresa comercial exportadora, sob regime aduaneiro extraordinário de exportação, nas condições estabelecidas em regulamento. O ordenamento jurídico do país é único e suas leis devem ser interpretadas em conjunto. Existindo conceito específico de determinada nomenclatura utilizada no texto das leis em legislação específica, ainda mais tratando da mesma matéria, é claro que tal definição há de ser observada na interpretação das demais leis que utilizam tal nomenclatura e, por conseguinte, o conceito que ela abrange. Assim só é possível interpretar-se corretamente o disposto no Decreto n° 1.030/93 se atentarmos para o conceito de fim específico de exportação contido no Decreto-Lei n° 1.248/72. Além do mais é obvio que se nas empresas comerciais exportadoras que trabalham exclusivamente com exportação é exigido para fruição do benefício isencional que as mercadorias sejam embarcadas diretamente para exportação, ou depositadas em entreposto aduaneiro sob regime extraordinário de exportação, por conta e ordem da comercial exportadora, mais razão teria ainda o legislador para exigir que tais condições fossem também cumpridas pelas empresas exportadoras que podem destinar seus produtos tanto para exportação como para uso no mercado interno. Tal exigência visa exatamente garantir que os produtos adquiridos do produtos sejam exatamente os que são exportados, impedindo, assim, que haja desvio para o consumo interno. A MP 1858/99 estende ao PIS a isenção da Cofins prevista no art. 1°, inciso II! e IV do Decreto n° 1.030/93. Verifica-se, portanto, que até a edição da MP 1858/99, a isenção contida na legislação do PIS albergava apenas as exportações efetuadas diretamente pelo produtor ou as vendas efetuadas às empresas comerciais exportadoras, com fins específicos de exportação. Após a edição da MP 1858/99 é que foi estendida ao PIS a isenção contida no Decreto n° 1030/93, referente à Cofins, relativa às vendas efetuadas às empresas exportadoras, desde que com fins específicos de exportação. Tendo sido as vendas em questão efetuadas para empresas exportadoras deveriam para fruir da isenção concedida pela lei ter fim específico de exportação. A definição de fim específico de exportação foi dada pelo Decreto-Lei n° 1248/72, que como já dito anteriormente, 1 W! 9 , • . Ministério da Fazenda tet,I. DA r - 2 2 2 CC-MF tx‘ Segundo Conselho de Contribuintes ceptFERÜL (): Cifro Fi. et t.S itU " Processo n° : 13953.00011212001-32 Recurso n't : 130.657 VIST Acórdão n9 : 204-01.057 deve ser aplicado por constituir disposição legal expressa definidora de termo específico empregado em legislação posterior. Concluí-se daí que, a venda efetuada pela empresa não pode ser caracterizada como "vendas com fins específicos de exportação para o exterior" uma vez que o produto a ser exportado é encaminhado para as empresas compradoras e não diretamente para embarque ou para depósito em entreposto, conforme preceitua a lei. Desta sorte, não há como eximir a interessada do pagamento da contribuição, visto que, se encontra ao desamparo da isenção concedida pelo Decreto n° 1030/93, por não se enquadrar na situação fática definida no texto isencional. Ressalte-se aqui que, parte do crédito tributário lançado foi exonerado pela decisão recorrida que considerou inaplicável ao PIS o conceito de fins específicos de exportação estabelecido no Decreto-Lei n° 1248/72, MP 1602/97 e Lei n° 9532/97. Não tendo havido recurso de ofício não pode este Colegiado manifestar-se sobre tal exoneração, ainda que a entenda indevida, cabendo-lhe apenas analisar a parte mantida do lançamento, sob os fundamentos sob os quais se deu a autuação. Diante do exposto, voto por negar provimento ao recurso interposto. Sala das Sessões, em 21 de fevereiro de 2006. NAY A BAYTCPCS ---\IMANA A 10 Page 1 _0057500.PDF Page 1 _0057600.PDF Page 1 _0057700.PDF Page 1 _0057800.PDF Page 1 _0057900.PDF Page 1 _0058000.PDF Page 1 _0058100.PDF Page 1 _0058200.PDF Page 1 _0058300.PDF Page 1
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Numero do processo: 18220.726726/2020-07
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Mon May 13 00:00:00 UTC 2024
Data da publicação: Fri Jul 19 00:00:00 UTC 2024
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Data do fato gerador: 20/02/2015
MULTA ISOLADA. COMPENSAÇÃO NÃO HOMOLOGADA. INCONSTITUCIONALIDADE. STF. TEMA 736. REPERCUSSÃO GERAL.
É inconstitucional a multa isolada prevista em lei para incidir diante da mera negativa de homologação de compensação tributária, por não consistir em ato ilícito com aptidão para propiciar automática penalidade pecuniária.
Numero da decisão: 1201-006.731
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário. Este julgamento seguiu a sistemática dos recursos repetitivos, sendo-lhes aplicado o decidido no Acórdão nº 1201-006.344, de 13 de maio de 2024, prolatado no julgamento do processo 11080.728884/2018-71, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Jose Eduardo Genero Serra, Lucas Issa Halah, Rycardo Henrique Magalhaes de Oliveira (suplente convocado(a)), Neudson Cavalcante Albuquerque (Presidente).
Nome do relator: NEUDSON CAVALCANTE ALBUQUERQUE
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COMPENSAÇÃO NÃO HOMOLOGADA. INCONSTITUCIONALIDADE. STF. TEMA 736. REPERCUSSÃO GERAL. É inconstitucional a multa isolada prevista em lei para incidir diante da mera negativa de homologação de compensação tributária, por não consistir em ato ilícito com aptidão para propiciar automática penalidade pecuniária. ACÓRDÃO Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário. Este julgamento seguiu a sistemática dos recursos repetitivos, sendo-lhes aplicado o decidido no Acórdão nº 1201-006.344, de 13 de maio de 2024, prolatado no julgamento do processo 11080.728884/2018-71, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. (documento assinado digitalmente) Neudson Cavalcante Albuquerque – Presidente Redator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Jose Eduardo Genero Serra, Lucas Issa Halah, Rycardo Henrique Magalhaes de Oliveira (suplente convocado(a)), Neudson Cavalcante Albuquerque (Presidente). Fl. 166DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1201-006.731 – 1ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 18220.726726/2020-07 2 RELATÓRIO O presente julgamento submete-se à sistemática dos recursos repetitivos prevista nos §§ 1º, 2º e 3º do art. 87 do Regimento Interno do CARF (RICARF), aprovado pela Portaria MF nº 1.634, de 21 de dezembro de 2023. Dessa forma, adota-se neste relatório substancialmente o relatado no acórdão paradigma. Na origem, trata-se de Auto de Infração que veiculou a cobrança de Multa Isolada decorrente da não homologação de declarações de compensação transmitidas pelo contribuinte. O Acórdão Recorrido manteve o auto de infração alegando que o lançamento seria mera decorrência da não homologação das compensações, razão pela qual deveria seguir a mesma sorte. Em Recurso Voluntário, o Contribuinte defende: 1. Nulidade do lançamento pois somente poderia ter ocorrido após decisão definitiva do processo de crédito; 2. Insubsistência do lançamento por inconstitucionalidade decorrente da violação ao direito de petição; 3. Retroação benigna da Lei nº 13.137/15, a qual revogou o § 15 do art. 74 da Lei nº 9.430/96, que previa a aplicação da multa de 50% em caso de indeferimento do pedido de restituição; 4. Impossibilidade de concomitância da multa de mora com a multa isolada; 5. Necessidade de sobrestamento do feito até o julgamento em definitivo do RE nº 796.939/RS (Tema STF nº 736). É a síntese do necessário. VOTO Tratando-se de julgamento submetido à sistemática de recursos repetitivos na forma do Regimento Interno deste Conselho, reproduz-se o voto consignado no acórdão paradigma como razões de decidir: Admissibilidade Inicialmente, reconheço a competência deste Colegiado para apreciação do Recurso Voluntário, na forma do Regimento Interno do CARF, e verifico que o recurso é tempestivo. No mais, o recurso preenche os demais requisitos de admissibilidade, portanto dele conheço. Fl. 167DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1201-006.731 – 1ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 18220.726726/2020-07 3 Preliminar de nulidade O Recorrente suscita como preliminar a nulidade do lançamento, alegando que somente poderia ter ocorrido após decisão definitiva no processo de crédito nº 10880-911.566/2018-91. Alega que o lançamento em questão é regido pelo art. 116, II do CTN, pois o fato gerador da multa isolada seria situação jurídica que, como tal, só poderia ser reputada ocorrida após a constituição definitiva do crédito tributário. Penso, entretanto, que o fato gerador da multa isolada decorrente da não homologação de compensação é situação de fato, regida pelo inciso I do art. 116 do CTN. Desde a transmissão da declaração de compensação reputada indevida, produzem-se os efeitos a ela inerentes, notadamente a extinção do crédito tributário, embora sob condição resolutória de ulterior homologação, justificando-se a imposição da multa isolada desde então, muito embora sua exigibilidade seja suspensa caso interposta Manifestação de Inconformidade contra o Despacho Decisório proferido no Processo de Crédito (§18, art. 74, Lei nº 9.430/96). Não vislumbro portanto qualquer nulidade. Mérito No mérito, a alegação de inconstitucionalidade passa a ter novos efeitos perante o CARF diante do julgamento definitivo da contenda pelo STF no tema de repercussão geral nº 736 e da e da Ação Direta de Inconstitucionalidade (ADI) 4905, que produz efeitos vinculantes aos membros deste colegiado, nos termos do inciso I, do §1º, do art. 62, RICARF anterior, correspondente ao art. 98, II, “b” do atual RICARF, que agora exige o já verificado trânsito em julgado da matéria. Vejamos a redação anterior: “Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. § 1º O disposto no caput não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: I - que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão definitiva plenária do Supremo Tribunal Federal; (Redação dada pela Portaria MF nº 39, de 2016)” E a redação atual: “Art. 98. Fica vedado aos membros das Turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto. Parágrafo único. O disposto no caput não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou decreto que: I - já tenha sido declarado inconstitucional por decisão plenária transitada em julgado do Supremo Tribunal Federal, em sede de controle concentrado, ou em controle difuso, com execução suspensa por Resolução do Senado Federal; ou Fl. 168DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1201-006.731 – 1ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 18220.726726/2020-07 4 II - fundamente crédito tributário objeto de: a) Súmula Vinculante do Supremo Tribunal Federal, nos termos do art. 103- A da Constituição Federal; b) Decisão transitada em julgado do Supremo Tribunal Federal ou do Superior Tribunal de Justiça, proferida na sistemática da repercussão geral ou dos recursos repetitivos, na forma disciplinada pela Administração Tributária;” (grifo nosso) O Supremo Tribunal Federal (STF), no julgamento do Recurso Extraordinário (RE) 796939, com repercussão geral (Tema 736) e da Ação Direta de Inconstitucionalidade (ADI) 4905, decidiu pela inconstitucionalidade do parágrafo 17 do artigo 74 da Lei 9.430/1996 que prevê a incidência de multa isolada no caso de não homologação de pedido de compensação tributária pela Receita Federal. No voto pelo desprovimento do recurso da União, o ministro Edson Fachin, relator, observou que a simples não homologação de compensação tributária não é ato ilícito capaz de gerar sanção tributária, razão pela qual a aplicação automática da sanção, sem considerações sobre a intenção do contribuinte, tacharia de ilícito o próprio exercício do direito de petição constitucionalmente assegurado. A tese de repercussão geral fixada foi a seguinte: “É inconstitucional a multa isolada prevista em lei para incidir diante da mera negativa de homologação de compensação tributária por não consistir em ato ilícito com aptidão para propiciar automática penalidade pecuniária”. Portanto, tendo o STF decidido pela inconstitucionalidade da multa isolada, ora em discussão, torna-se inafastável o entendimento da Suprema Corte, devendo- se afastar integralmente a penalidade aplicada. Restam assim prejudicados os demais argumentos apresentados pelo Recorrente. Pelo exposto, conheço o Recurso Voluntário para, no mérito, dar-lhe provimento integral. Conclusão Importa registrar que as situações fática e jurídica destes autos se assemelham às verificadas na decisão paradigma, de sorte que as razões de decidir nela consignadas são aqui adotadas, não obstante os dados específicos do processo paradigma eventualmente citados neste voto. Dessa forma, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º, 2º e 3º do art. 87 do RICARF, reproduz-se o decidido no acórdão paradigma, no sentido de dar provimento ao recurso voluntário. (documento assinado digitalmente) Neudson Cavalcante Albuquerque – Presidente Redator Fl. 169DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1201-006.731 – 1ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 18220.726726/2020-07 5 Fl. 170DF CARF MF Original Acórdão Relatório Voto Tratando-se de julgamento submetido à sistemática de recursos repetitivos na forma do Regimento Interno deste Conselho, reproduz-se o voto consignado no acórdão paradigma como razões de decidir: Admissibilidade Preliminar de nulidade Mérito
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Numero do processo: 10480.723316/2010-51
Turma: Segunda Turma Extraordinária da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jun 18 00:00:00 UTC 2024
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2007
NULIDADE. NOTIFICAÇÃO DE LANÇAMENTO. FALTA DE ASSINATURA DA AUTORIDADE LANÇADORA. INEXISTÊNCIA.
Prescinde de assinatura a notificação de lançamento emitida por processo eletrônico. Incluem-se nessa modalidade as notificações de lançamento provenientes das revisões de ofício de declaração de ITR.
NULIDADE. PROCEDIMENTOS SUPERFICIAIS NA AÇÃO FISCAL.
Não há nulidade se a Autoridade Fiscal realizou as diligências suficientes a comprovar a infração descrita no lançamento.
ÁREA DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE. ÁREA DE FLORESTA NATIVA. ATO DECLARATÓRIO AMBIENTAL. DESNECESSIDADE.
É desnecessária a apresentação de ato declaratório ambiental (ADA) para a exclusão, da apuração do ITR, de áreas de preservação permanente.
VALOR DA TERRA NUA. ARBITRAMENTO. SIPT COM APTIDÃO AGRÍCOLA.
Na evidência de subfaturamento, é adequado o arbitramento do valor da terra nua (VTN) com base no Sistema de Preços de Terras (Sipt) cuja informação tenha considerado a aptidão agrícola. O laudo técnico apto a afastar o arbitramento deve observar as normas técnicas pertinentes e possuir grau de fundamentação e precisão adequados.
JUROS SOBRE MULTA DE OFÍCIO.
Incidem juros moratórios, calculados à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC, sobre o valor correspondente à multa de ofício. (Súmula Carf nº 108.).
Numero da decisão: 2002-008.473
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, conhecer parcialmente do recurso voluntário, não conhecendo da matéria estranha a lide, e, na parte conhecida, rejeitar as preliminares e, no mérito, dar provimento parcial ao recurso voluntário para cancelar a glosa de 37,35 ha. de área de preservação permanente.
Nome do relator: JOAO MAURICIO VITAL
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NOTIFICAÇÃO DE LANÇAMENTO. FALTA DE ASSINATURA DA AUTORIDADE LANÇADORA. INEXISTÊNCIA. Prescinde de assinatura a notificação de lançamento emitida por processo eletrônico. Incluem-se nessa modalidade as notificações de lançamento provenientes das revisões de ofício de declaração de ITR. NULIDADE. PROCEDIMENTOS SUPERFICIAIS NA AÇÃO FISCAL. Não há nulidade se a Autoridade Fiscal realizou as diligências suficientes a comprovar a infração descrita no lançamento. ÁREA DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE. ÁREA DE FLORESTA NATIVA. ATO DECLARATÓRIO AMBIENTAL. DESNECESSIDADE. É desnecessária a apresentação de ato declaratório ambiental (ADA) para a exclusão, da apuração do ITR, de áreas de preservação permanente. VALOR DA TERRA NUA. ARBITRAMENTO. SIPT COM APTIDÃO AGRÍCOLA. Na evidência de subfaturamento, é adequado o arbitramento do valor da terra nua (VTN) com base no Sistema de Preços de Terras (Sipt) cuja informação tenha considerado a aptidão agrícola. O laudo técnico apto a afastar o arbitramento deve observar as normas técnicas pertinentes e possuir grau de fundamentação e precisão adequados. JUROS SOBRE MULTA DE OFÍCIO. Incidem juros moratórios, calculados à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC, sobre o valor correspondente à multa de ofício. (Súmula Carf nº 108.) Fl. 691DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2002-008.473 – 2ª SEÇÃO/2ª TURMA EXTRAORDINÁRIA PROCESSO 10480.723316/2010-51 2 ACÓRDÃO Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, conhecer parcialmente do recurso voluntário, não conhecendo da matéria estranha a lide, e, na parte conhecida, rejeitar as preliminares e, no mérito, dar provimento parcial ao recurso voluntário para cancelar a glosa de 37,35 ha. de área de preservação permanente. (documento assinado digitalmente) Marcelo de Sousa Sáteles - Presidente (documento assinado digitalmente) João Maurício Vital - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: André Barros de Moura, Carlos Eduardo Ávila Cabral, Henrique Perlatto Moura, João Maurício Vital, Rodrigo Duarte Firmino (suplente convocado) e Marcelo de Sousa Sáteles (Presidente). RELATÓRIO Trata-se de lançamento do Imposto Territorial Rural – ITR do ano de 2007 (fl. 104), relativo ao imóvel de Nirf nº 7.077.495-1, decorrente da revisão da declaração apresentada pelo contribuinte que resultou: 1) na glosa de 61,7 ha. de área de preservação permanente – APP, e 2) na alteração do valor total do imóvel de R$ 15.000,00 para R$ 95.018,00. Por conseguinte, foram modificadas a base de cálculo do tributo, a alíquota e o tributo devido (fl. 109). O lançamento foi impugnado (fls. 128 a 156) e a impugnação foi considerada improcedente (fls. 511 a 530). Manejou-se recurso voluntário (fls. 565 a 599) em que se arguiu: a) preliminarmente, a nulidade do lançamento pela falta de assinatura da Autoridade Lançadora; b) preliminarmente, a nulidade do lançamento por superficialidade da investigação fiscal (fl. 574); c) a necessidade de se reconhecer a existência de área de preservação permanente e de floresta nativa em face dos princípios da verdade material e do formalismo moderado no processo administrativo; d) que o laudo apresentado cumpre as exigências da NBR 14.653, com grau de fundamentação II, o que excluiria o arbitramento com base no Sistema de Preços de Terras – Sipt; e) que não deveria incidir juros sobre a multa de ofício; Fl. 692DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2002-008.473 – 2ª SEÇÃO/2ª TURMA EXTRAORDINÁRIA PROCESSO 10480.723316/2010-51 3 Posteriormente, apresentou também aditivo ao recurso voluntário (fls. 671 a 674). É o relatório suficiente. VOTO Conselheiro João Maurício Vital, Relator. O recurso é tempestivo e dele conheço em parte, inclusive quanto ao expediente apresentado após o recurso por se tratar de fato superveniente. Não conheço, entretanto, da alegação de dedução da área de floresta nativa porque, além de essa área não ter sido declarada pelo contribuinte, ela não foi objeto do lançamento, não estando, portanto, na lide. 1 PRELIMINARES 1.1 DA NULIDADE POR FALTA DE ASSINATURA DA AUTORIDADE LANÇADORA O recorrente alegou que o lançamento seria nulo porque carece de assinatura da Autoridade Lançadora e que, no caso, não se trata de notificação de lançamento emitida por processo eletrônico. Sem razão, o recorrente. O lançamento decorreu do procedimento de revisão da declaração apresentada pelo contribuinte, como se verifica no Termo de Intimação Fiscal nº 04101/00031/2010 (fl. 3). Popularmente, o procedimento é conhecido como Malha Fiscal, que decorre da seleção eletrônica de declarações sujeitas à revisão pela Autoridade Fiscal para, nos termos do art. 150 do Código Tributário Nacional – CTN, proceder-se à homologação do pagamento do tributo apurado pelo próprio contribuinte. Nesses procedimentos, a Autoridade Fiscal parte da declaração apresentada e limita- se a exigir a comprovação do quanto informado pelo contribuinte e, sendo o caso, faz as alterações pertinentes na declaração e o próprio sistema de malha emite eletronicamente a notificação de lançamento, caso haja crédito tributário a ser constituído. Foi exatamente isso que ocorreu no caso concreto. O contribuinte informou no documento de Informação e Apuração do ITR – Diat (fl. 8) que 100% do seu imóvel corresponderia a área de preservação permanente e que o seu valor, a despeito da área de 61,7 ha., seria de R$ 15.000,00, destoando do que constava do Sistema de Preços de Terras – Sipt que apontava para um valor muito maior. Selecionada eletronicamente em procedimento de malha, a revisão da declaração foi atribuída a um Auditor-Fiscal para que verificasse, junto ao contribuinte, a comprovação do quanto informado. Diante da ausência de Fl. 693DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2002-008.473 – 2ª SEÇÃO/2ª TURMA EXTRAORDINÁRIA PROCESSO 10480.723316/2010-51 4 comprovação hábil, a Autoridade Lançadora promoveu os ajustes na Diat (fl. 109) e o próprio sistema de malha emitiu a notificação de lançamento. Portanto, o procedimento subsume-se ao que consta do parágrafo único do art. 11 do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, prescindindo da assinatura do agente. Ademais, a Autoridade Lançadora está plenamente identificada na notificação de lançamento (fl. 102), bem como dela consta a descrição integral dos fatos, de modo que permitiu o pleno exercício do direito de defesa e a contestação dos elementos constitutivos do lançamento, não havendo o que se falar em nulidade porque não houve prejuízo algum ao contribuinte, com estabelece o princípio pas de nullitè sans grief. Além disso, ainda que se admitisse a necessidade da assinatura, o art. 60 do Decreto nº 70.235, de 1972, determina que eventuais irregularidades que não prejudiquem a defesa, ou que não implicam em ato de autoridade ou pessoa incompetente, só precisam ser sanadas se influírem na solução do litígio, o que não é o caso. Por todas essas razões, afasto a preliminar de nulidade. 1.2 DA NULIDADE DO LANÇAMENTO POR SUPERFICIALIDADE DA INVESTIGAÇÃO FISCAL O recorrente alegou que a Autoridade Fiscal teria agido superficialmente, sem buscar a verdade material para efetuar o lançamento porque teria se limitado a identificar, nos sistemas da Receita Federal, que o contribuinte não possuía o Ato Declaratório Ambiental – ADA (fl. 574): 24. Para efetuar o lançamento tributário em análise, a D. Fiscalização agiu com superficialidade na busca das informações atinentes à matéria • tributável, o que acarreta a nulidade do lançamento ora combatido. Em outras palavras, a superficialidade da investigação e a falta de perseguição, pela Fiscalização, da verdade material dos fatos ensejam verdadeira nulidade no processo administrativo. 25. Isto porque a Fiscalização sequer verificou o sistema da Receita Federal para analisar se a Recorrente possuía ou não o ADA. Comisso, deixou de levar em conta que a Recorrente já detinha o ADA à época da lavratura do auto de infração. A alegação do recorrente não tem qualquer procedência. Ao contrário do que ele afirmou, o procedimento fiscal não se resumiu à constatação da ausência de ADA. Na verdade, esse sequer foi o fundamento do lançamento. O que se verifica no Relatório Fiscal é que o contribuinte foi intimado a comprovar as informações de sua declaração de ITR. A intimação foi atendida e, com base nos documentos apresentados, inclusive os laudos fornecidos pelo próprio contribuinte, a Autoridade Lançadora efetuou a revisão da declaração, modificando o quanto entendeu não haver sido comprovado de forma hábil. Esse procedimento coaduna exatamente com o que estabelece o art. 148 do Código Tributário Nacional – CTN: Fl. 694DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2002-008.473 – 2ª SEÇÃO/2ª TURMA EXTRAORDINÁRIA PROCESSO 10480.723316/2010-51 5 Art. 148. Quando o cálculo do tributo tenha por base, ou tome em consideração, o valor ou o preço de bens, direitos, serviços ou atos jurídicos, a autoridade lançadora, mediante processo regular, arbitrará aquele valor ou preço, sempre que sejam omissos ou não mereçam fé as declarações ou os esclarecimentos prestados, ou os documentos expedidos pelo sujeito passivo ou pelo terceiro legalmente obrigado, ressalvada, em caso de contestação, avaliação contraditória, administrativa ou judicial. Não houve, pois, nulidade alguma em razão do procedimento adotado. 2 MÉRITO 2.1 DAS ÁREAS ISENTAS Tendo em vista o que consta da alínea c do inc. II do art. 98 do Ricarf, e em face do que dispões o Parecer PGFN nº 1329, de 5 de setembro de 2016, afasto o que dispõe o caput e o § 1º do art. 17-O da Lei nº 6.938, de 31 de agosto de 1981, para afastar a exigência de Ato Declaratório Ambiental – ADA para fim de exclusão, da área total tributável, a área de preservação permanente – APP. Afastada a exigência de ADA, remanesce a questão acerca da comprovação da efetiva existência de APP. No presente caso, o recorrente apresentou laudo (fls. 68 a 73), acompanhado de Anotação de Responsabilidade Técnica – ART (fl. 74). Segundo o laudo, a APP equivale a 37,35 ha., cuja exclusão da área tributável deve ser restabelecida. Por fim, registre-se que o laudo apresentado pelo contribuinte indica a existência de 20,1 ha. de vegetação nativa, mas essa área não constou da declaração do contribuinte, não sendo possível a sua retificação porque não integrou o lançamento e, portanto, não compõe a lide. 2.2 DO VALOR DA TERRA NUA - VTN O § 2º do art. 10 da Lei nº 9.393, de 19 de dezembro de 1996, determina que o contribuinte deve declarar, para fins de apuração do ITR, o VTN que corresponda à sua autoavaliação da terra nua a preço de mercado. O art. 14 da mesma lei estabelece que, havendo subavaliação, a Receita Federal deverá arbitrar o valor considerando informações sobre preços de terras, constantes de sistema a ser por ela instituído. Intimado no curso da ação fiscal, o contribuinte apresentou laudo de avaliação que, segundo a Autoridade Lançadora, não seria hábil a afastar o critério de arbitramento porque não teria os graus de fundamentação e de precisão adequados. Então, arbitrou o VTN com base no Sistema de Preços de Terras – Sipt, com aptidão agrícola para a região, por identificar subavaliação do valor declarado. Fl. 695DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2002-008.473 – 2ª SEÇÃO/2ª TURMA EXTRAORDINÁRIA PROCESSO 10480.723316/2010-51 6 O recorrente alegou que o laudo de avaliação apresentado cumpriria as exigências técnicas para afastar o critério de arbitramento do VTN. Consta do laudo (fls. 74 a 87) que a avaliação teve por base os valores de preços de terras publicados em uma revista especializada (fl. 83): Considerando o fato de que a presente avaliação foi feita para os anos de 2005, 2006 e 2007, foi possível obter informações de publicações fidedignas, colhidas junto à publicação especializada, de reconhecida confiabilidade no acompanhamento dos negócios de terras agrícolas. Portanto, esta avaliação pode ser considerada de precisão normal ou ainda nível II. Percebe-se facilmente que o laudo não observou nenhum dos métodos de avaliação previstos na NBR 14653-3:2004, que disciplinava os procedimentos técnicos para avaliação de imóveis rurais. Os métodos previstos no item 8 daquela norma eram: método comparativo direto de dados de mercado, método de capitalização da renda, método involutivo, método evolutivo, método comparativo direto de custo e método da quantificação de custo. Nenhum desses métodos admite a simples utilização de valores publicados em revistas especializadas. O item 9.1.2 da NBR 14653-3 estabelece que, em casos tais, o documento não será classificado quanto à fundamentação e à precisão e será considerado não um laudo, mas um parecer técnico: 9.1.2 No caso de insuficiência de informações que não permitam a utilização dos métodos previstos nesta Norma, conforme 8.1.2 da ABNT NBR 14653-1:2001, o trabalho não será classificado quanto à fundamentação e à precisão e será considerado parecer técnico, como definido em 3.34 da ABNT NBR 14653-1:2001. A distinção funcional entre laudo de avaliação e parecer técnico está na NBR 14653- 1: 3.29 laudo de avaliação: Relatório técnico elaborado por engenheiro de avaliações em conformidade com esta parte da NBR 14653, para avaliar o bem 3.34 parecer técnico: Relatório circunstanciado ou esclarecimento técnico emitido por um profissional capacitado e legalmente habilitado sobre assunto de sua especialidade. Em suma, o documento apresentado, no que se refere ao valor do imóvel, não pode ser considerado sequer um laudo, consoante as normas técnicas aplicáveis. Ainda que assim o fosse, seria um laudo falho por não se basear em elementos amostrais que comprovassem o valor de mercado do imóvel quando do fato gerador. Portanto, não há reparos a fazer no acórdão recorrido quanto à matéria, uma fez que o critério utilizado pela Autoridade Fiscal é absolutamente razoável e o contribuinte não logrou refutá-lo com provas hábeis. Fl. 696DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2002-008.473 – 2ª SEÇÃO/2ª TURMA EXTRAORDINÁRIA PROCESSO 10480.723316/2010-51 7 2.3 DOS JUROS SOBRE A MULTA DE OFÍCIO Neste caso, aplica-se a Súmula Carf nº 108, de observância obrigatória: Incidem juros moratórios, calculados à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC, sobre o valor correspondente à multa de ofício. (Vinculante, conforme Portaria ME nº 129 de 01/04/2019, DOU de 02/04/2019). Conclusão Voto conhecer parcialmente do recurso voluntário, não conhecendo da matéria estranha à lide, e por rejeitar as preliminares e dar-lhe parcial provimento para restabelecer a dedução, da área tributável, de 37,35 ha. de área de preservação permanente. Assinado Digitalmente João Maurício Vital Fl. 697DF CARF MF Original
score : 1.0
Numero do processo: 10611.001773/2009-15
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Jun 27 00:00:00 UTC 2013
Ementa: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO
Data do fato gerador: 02/07/2004, 15/07/2004, 01/09/2004
LANÇAMENTO TRIBUTÁRIO. DOCUMENTOS PÚBLICOS. UTILIZAÇÃO. ELEMENTO DE PROVA. POSSIBILIDADE.
Os documentos produzidos por outros órgãos da administração pública gozam de presunção de veracidade, razão porque são elementos suficientes a embasar o lançamento destinado a formalizar/constituir o crédito tributário, não sendo possível, no âmbito do CARF, discutir supostos vícios existentes
nos procedimentos administrativos que desencadearam a formação daqueles documentos públicos.
ASSUNTO: REGIMES ADUANEIROS
Data do fato gerador: 02/07/2004, 15/07/2004, 01/09/2004
CERTIFICADOS DO PROCESSO KIMBERLEY. IRREGULARIDADE DETECTADA PELO ÓRGÃO COMPETENTE. INFRAÇÃO À LEGISLAÇÃO ADUANEIRA. OCORRÊNCIA.
Constatada a irregularidade dos Certificados do Processo Kimberley que ampararam as operações de exportação de diamantes brutos configura-se a infração à legislação tributária, devidamente tipificada no art. 10, I da Lei nº 10.743/2003, porquanto aludida irregularidade equivale à ausência de
certificado.
Recurso de ofício provido.
Numero da decisão: 3401-002.307
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por maioria, em dar provimento ao
recurso de ofício. Vencidos os Conselheiros Fernando Cleto e Ângela Sartori, que negavam provimento. Designado o Conselheiro Robson Bayerl
Nome do relator: ANGELA SARTORI
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DOCUMENTOS PÚBLICOS. UTILIZAÇÃO. ELEMENTO DE PROVA. POSSIBILIDADE. Os documentos produzidos por outros órgãos da administração pública gozam de presunção de veracidade, razão porque são elementos suficientes a embasar o lançamento destinado a formalizar/constituir o crédito tributário, não sendo possível, no âmbito do CARF, discutir supostos vícios existentes nos procedimentos administrativos que desencadearam a formação daqueles documentos públicos. ASSUNTO: REGIMES ADUANEIROS Data do fato gerador: 02/07/2004, 15/07/2004, 01/09/2004 CERTIFICADOS DO PROCESSO KIMBERLEY. IRREGULARIDADE DETECTADA PELO ÓRGÃO COMPETENTE. INFRAÇÃO À LEGISLAÇÃO ADUANEIRA. OCORRÊNCIA. Constatada a irregularidade dos Certificados do Processo Kimberley que ampararam as operações de exportação de diamantes brutos configurase a infração à legislação tributária, devidamente tipificada no art. 10, I da Lei nº 10.743/2003, porquanto aludida irregularidade equivale à ausência de certificado. Recurso de ofício provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria, em dar provimento ao recurso de ofício. Vencidos os Conselheiros Fernando Cleto e Ângela Sartori, que negavam provimento. Designado o Conselheiro Robson Bayerl. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 61 1. 00 17 73 /2 00 9- 15 Fl. 172DF CARF MF Impresso em 27/07/2016 por EMANOEL WERCELENS PINHEIRO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/12/2013 por ANGELA SARTORI, Assinado digitalmente em 09/12/2013 por A NGELA SARTORI, Assinado digitalmente em 30/01/2014 por JULIO CESAR ALVES RAMOS 2 Julio Cesar Alves Ramos – Presidente. Angela Sartori – Relatora. Robson José Bayerl – Redator Designado Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Julio Cesar Alves Ramos, Emanuel Carlos Dantas de Assisi, Robson José Bayerl, Fernando Marques Cleto Duarte, Ângela Sartori e Jean Cleuter Simões Mendonça. Relatório Trata o presente processo de cobrança da multa no valor de R$ 13.694.415,68, decorrente da aplicação do disposto no art. 10, da Lei n° 10.743, de 09/10/03, que assim estabelece: Art. 10. Aplicase a multa de cem por cento do valor da mercadoria: I ao comercio internacional de diamantes brutos, sem amparo do Certificado do Processo de Kimberley verificado em procedimento de ação fiscal aduaneira de zona secundária, com base em registros assentados em livros fiscais ou comerciais; e II à prática de artificio para a obtenção do Certificado do Processo de Kimberley. A autoridade autuante informa, em sintese,que: o presente procedimento fiscal teve por motivação demanda externa requisitória da Justiça Federal de 10 Grau em Minas Gerais, Oficio 2226/06, encaminhada por meio do Memo DRF/BHE/SEFIS 338/2007; a multa aplicada decorre de Auditoria Especial do Departamento Nacional de Produção Mineral (DNPM), em que restou comprovada a utilização de Certificados do Processo Kimberley emitidos de forma irregular, na exportação de diamantes extraídos de forma ilegal; conforme o Relatório GT Auditoria Especial Certificação do Processo Kimberley Brasil, de 17/04/06, fruto dos trabalhos de comissão de técnicos, criada para aferir a regularidade dos procedimentos desenvolvidos pelo DNPM na emissão de Certificados do Processo Kimberley nos autos administrativos relativos à pesquisa, extração e exportação de Fl. 173DF CARF MF Impresso em 27/07/2016 por EMANOEL WERCELENS PINHEIRO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/12/2013 por ANGELA SARTORI, Assinado digitalmente em 09/12/2013 por A NGELA SARTORI, Assinado digitalmente em 30/01/2014 por JULIO CESAR ALVES RAMOS Processo nº 10611.001773/200915 Acórdão n.º 3401002.307 S3C4T1 Fl. 6 3 diamantes brutos, vários certificados Kimberley foram obtidos e utilizados de forma irregular pela empresa Primeira Gema Comércio, Importação e Exportação Ltda; a investigação do grupo de auditoria especial é fruto e desdobramento da Operação Carbono, deflagrada pela Policia Federal, em 10/02/06, e que versava sobre atividades de contrabando de diamantes brutos; a conclusão do Relatório de Auditoria do DNPM e do Ministério das Minas e Energia é no sentido de que o contribuinte Primeira Gema Comércio, Importação e Exportação Ltda valeuse de certificados Kimberley obtidos mediante falsas informações, e que foram usados para acobertar a exportação de diamantes. A auditoria concluiu pela irregularidade dos certificados Kimberley mencionados no presente auto de infração, obtidos e utilizados pelo contribuinte; comunicada dos fatos, restou A. Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB) formalizar a exigência da multa prevista no art. 10, da Lei n° 10.743/03, de 100% do valor do diamante bruto que for comercializado no mercado internacional sem amparo do Certificado do Processo Kimberley. Recorrente em sua defesa alega em síntese 1 preliminarmente a nulidade do lançamento, alegando, em resumo, que: a Comissão da Auditoria Especial do Ministério das Minas e Energia realizada no DNPM, entendeu por apenas recomendar o inicio de um processo administrativo nos autos do processo de mineração 831.972/2002, a fim de se apurar a suposta prática de atos irregulares; o lançamento de oficio é nulo em razão de ofensa, entre outros, aos princípios do devido processo legal e da ampla defesa previstos no art. 5°, incisos LIV e LV, CF, bem como nos arts. 2° da Lei n° 9.784/99; 10 e 59 do Decreto n° 70.235/72 e art. 142, parágrafo único do CTN; o principio do devido processo legal é considerado o principio fundamental do processo por ser a base sobre a qual os demais princípios que o norteiam se sustentam, pois representa a garantia de que ninguém será julgado na esfera administrativa ou judiciária sem que lhe seja assegurado o contraditório e o amplo direito de defesa com todos os recursos e meios inerentes ao seu exercício; esses princípios que são assegurados a todo cidadão na Carta Magna, não podem faltar em processo algum, especialmente, no processo administrativo fiscal de determinação e exigência do crédito tributário, em que a atividade administrativa do lançamento é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional, na forma determinada no parágrafo único do art. 142, do CTN; a primeira fase do processo administrativo fiscal caracterizase pelo procedimento em que são realizados os atos investigativos inerentes ao poder fiscalizatório da autoridade administrativa visando a verificar o correto cumprimento das obrigações tributárias pelo contribuinte; Fl. 174DF CARF MF Impresso em 27/07/2016 por EMANOEL WERCELENS PINHEIRO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/12/2013 por ANGELA SARTORI, Assinado digitalmente em 09/12/2013 por A NGELA SARTORI, Assinado digitalmente em 30/01/2014 por JULIO CESAR ALVES RAMOS 4 em nenhum dos procedimentos administrativos realizados pelo DNPM, a impugnante foi intimada para defesa junto àquele órgão; os atos realizados no procedimento administrativo de verificação da regularidade da emissão dos Certificados Kimberley, com vistas a constituir o crédito tributário por meio do lançamento de oficio, afrontam, ostensivamente, os princípios da legalidade, do contraditório e da ampla defesa, bem como, entre outros, os princípios da moralidade, da eficiência e o da verdade material principio basilar que norteia o processo administrativo fiscal; o fato descrito pelos autuantes, que teria dado causa à exigência da multa, teria sido a irregularidade no processo minerdrio na esfera administrativa, ocorre que, conforme mencionado anteriormente, não houve o inicio de um processo administrativo por parte do DNPM a fim de apurar a existência de irregularidades junto ao processo minerdrio; Ainda em sede de preliminar a impugnante argui a prescrição do direito de anular o processo minerário le 831.972/2002", aduzindo que: "Nos termos do art. 66, parágrafo. do Código de Mineração e do art. 3 0 do Decreto Minercirio, o ajuizamento de ação postulatória de nulidade do Alvará de pesquisa prescreve no prazo de um ano". Quanto ao mérito, a impugnante afirma que: encontrase totalmente impossibilitada de exercer o seu direito de defesa, devido à inexistência de processo administrativo, a fim de apurar supostas irregularidades em processos minerdrios, referente aos quais teria adquirido diamantes para exportação; tem por atividade "a realização do comércio, importação de pedras preciosas e semipreciosas em bruto e lapidadas", nos termos da cláusula segunda do seu Contrato Social, e sua receita advém, exclusivamente, da exportação direta de diamantes, atividade que é rigorosamente regulamentada pelo DNPM. Caberia, então, ao Fisco, em cumprimento ao principio da verdade material, ter diligenciado junto a esse órgão no sentido de se verificar a regularidade do processo minerdrio, ou que, pelo menos tivesse solicitado cópia de toda a documentação encaminhada Aquele órgão; antes do embarque das mercadorias exportadas é informado no campo especifico do RE, o CNPJ do fornecedor, a quantidade e a discriminação detalhada da mercadoria, a qual é minuciosamente conferida, juntamente com a documentação pertinente, no despacho aduaneiro. Assim, sabendo o Fisco, de antemão que toda a sua receita era originária da exportação direta de diamantes, atividade controlada pelo SISCOMEX, deveria ter buscado todas as informações relativas aos seus fornecedores no referido sistema; requer que "seja determinado o retorno do processo ao serviço de fiscalização da DRF/BH para que se proceda à abertura do processo administrativo minerário junto ao DNPM especificamente em relação ao processo minerário N°831.972/2002, bem como o processo de n° 833.476/03 e 479/03, com vistas a esclarecer as questões aqui suscitadas e buscar a verdade material dos fatos"; "no caso especifico, a exigência da multa regulamentar seria decorrente da regularidade apontada pelo Fisco na exportação de Diamantes pela impugnante, de que, o processo minercirio que deu origem 'as exportações continha irregularidades e que deveriam ser averiguadas em processo administrativo próprio, pelo Órgão responsável DNPM (..), o que efetivamente não ocorreu"; Fl. 175DF CARF MF Impresso em 27/07/2016 por EMANOEL WERCELENS PINHEIRO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/12/2013 por ANGELA SARTORI, Assinado digitalmente em 09/12/2013 por A NGELA SARTORI, Assinado digitalmente em 30/01/2014 por JULIO CESAR ALVES RAMOS Processo nº 10611.001773/200915 Acórdão n.º 3401002.307 S3C4T1 Fl. 7 5 como pode a multa regulamentar ser aplicada em face de uma falha do próprio órgão emissor do certificado, que deveria ser responsabilizado pelo dano causado, já que o produto foi exportado para diversos países, através dos certificados validados por seus servidores, conforme depoimento de técnico do DNPM em audiência de instrução do processo n° 2007.38.00.028069, que afirmou o seguinte: "todos os certificados emitidos pelo órgão foram fotografados, diligenciados local da extração e após minuciosa conferência eram autorizados. E, ainda, utilizaram o seguinte termo: a ordem do governo federal era de que o referido órgão trabalhasse da seguinte forma "TROCAR PNEU DE UM CARRO EM MOVIMENTO". em relação à aplicação da multa, a sua exigência pressupõe, além da materialidade do ato (elemento objetivo), o elemento subjetivo, qual seja o dolo especifico e não há nos autos qualquer comprovação de que a impugnante tenha agido com o evidente intuito de fraude, pelo contrário, o próprio Fisco [sic], em suas recomendações sugere inicio de diligências pelo DNPM, a fim de se apurar supostas irregularidades no processo minerdrio, sem o qual não se pode falar em exportação irregular por parte da impugnante. Por fim, a impugnante requer a realização de perícia técnica nos termos do art. 18, do Decreto n° 70.235/72, apresentando, para esse mister, o nome, endereço e a qualificação profissional do seu perito e os quesitos a serem respondidos. Da diligencia Na primeira tramitação deste processo por esta DRJ/FOR, tendo em vista que a fiscalização afirmava que a base para a autuação tinha sido a comunicação dos fatos que recebera e "as conclusões da auditoria de quais certificados emitidos para a Primeira Gema foram considerados irregulares", sem, no entanto, esclarecer as circunstâncias dessa comunicação ou anexar o documento que teria formalizado tal comunicado, e, por seu lado, a impugnante alegava que nem sequer chegara a ser instaurado processo administrativo por parte do DNPM a fim de apurar a existência de irregularidades junto ao processo minerdrio, foi exarado aqui o Despacho n° 1.909, de 28/04/10 (fls. 82/84), no qual se consignou, principalmente, que: as manifestações constantes na parte IX do Relatório "GT Auditoria Especial — Certificação do Processo Kimberley — Brasil", intitulada "Recomendações" (fl. 55) demonstravam que havia se recomendado a instauração de procedimento administrativo com vistas a apurar as irregularidades constatadas na auditoria; o relatório não indicava se e quais os Certificados Kimberley relacionados aos processos de mineração n° 831.972/2002 e 833.476/2003 haviam sido invalidados; pelo que se fizera constar neste processo até então, não restava esclarecido qual o desenrolar e resultado(s) do(s) procedimento(s) administrativo(s) adotado(s) no âmbito do DNPM, autarquia vinculada ao Ministério das Minas e Energia, após as recomendações exaradas pelo "UT Auditoria Especial — Certificação do Processo Kimberley — Brasil". De modo que, diante dessas constatações e, principalmente, tendo em vista a alegação da impugnante sobre "a inexistência do devido e essencial processo administrativo Fl. 176DF CARF MF Impresso em 27/07/2016 por EMANOEL WERCELENS PINHEIRO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/12/2013 por ANGELA SARTORI, Assinado digitalmente em 09/12/2013 por A NGELA SARTORI, Assinado digitalmente em 30/01/2014 por JULIO CESAR ALVES RAMOS 6 junto ao DNPM", esta DRJ/FOR, por meio do despacho referido, retornou os autos à unidade de origem para adoção das seguintes providências: a) anexar o(s) documento(s) por meio do(s) qual (is) os fatos relacionados a lide foram comunicados a Secretaria da Receita Federal do Brasil; b) diligenciar junto ao Departamento Nacional de Produção Mineral (DNPM) no sentido de: b.1) obter informações sobre a instauração e o desfecho do(s) processo(s) administrativo(s) que apurou (apuraram) as irregularidades apontadas pelo grupo de auditoria especial, relacionados aos processos de titularidade mineral n° 831.972/2002 e 833.476/2003 e os respectivos processos administrativos de emissão dos CPK n° 48, 50, 54, 55, 56, 57 e 64; b.2) anexar cópia das principais peças daquele(s) processo(s) do DNPM de apuração de irregularidades, notadamente o relatório conclusivo e o despacho decisório, de modo que seja esclarecido objetivamente se aqueles Certificados Kimberley foram invalidados (total ou parcialmente) ou se o(s) procedimento(s) administrativo(s) levado(s) à cabo no âmbito daquela autarquia foi (foram) conclusivo(s) no sentido de ter havido a prática de artificio para a obtenção desses certificados por parte da empresa Primeira Gema Comércio Importação e Exportação Ltda. Como resultado da diligência, foram anexados os documentos de fls. 87/97 e a Informação Fiscal de fls. 98/99, que noticiou que nas datas de 22/07/09, 16/11/09, 06/04/10 e 28/07/10 1 foram enviadas correspondências ao DNPM, solicitando reiteradamente as informações requeridas por esta DRJ/FOR. Encerrando aquela informação fiscal, datada de 18/03/11, a Inspetoria da Receita Federal do Brasil em Belo Horizonte registrou que: Até a presente data não obtivemos resposta ao Oficio n° 1229/2010/IRFBHE/Gabin/Sefia. Procedemos a juntada de cópia dos seguintes documentos. > Oficio n° 234/2006NIP/SR/DPF/MG, de 18/04/2006, através do qual o Delegado de Policia Federal da Superintendência Regional da Policia Federal em Minas Gerais Dr. Alexandre Ledo Batista Silva encaminha a Superintendência da Receita Federal da 6" Região Fiscal documentação apreendida no decorrer da chamada "Operação Carbono" na sede da empresa Primeira Gema Comércio Importação e Exportação Ltda e outras, para análise e produção de peça informativa (fls.97). > Oficio n° 2226/4V/06, de 17/07/2006, através do qual a Justiça Federal de Minas Gerais requisita a Secretaria da Receita Federal informações acerca da conclusão da análise dos documentos repassados pela autoridade policial, bem como sobre a aplicação da multa prevista no artigo 10 da Lei n° 10.743/2003 (fls.. 96). Observese que, mesmo antes da edição do Despacho n° 1.909, de 28/04/10, por esta DRJ/FOR, a unidade de origem, em seus oficios endereçados ao DNPM, já fazia referência aos CPK n° 48,50, 54, 55, 56, 57 e 64, objeto este processo. Fl. 177DF CARF MF Impresso em 27/07/2016 por EMANOEL WERCELENS PINHEIRO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/12/2013 por ANGELA SARTORI, Assinado digitalmente em 09/12/2013 por A NGELA SARTORI, Assinado digitalmente em 30/01/2014 por JULIO CESAR ALVES RAMOS Processo nº 10611.001773/200915 Acórdão n.º 3401002.307 S3C4T1 Fl. 8 7 Não anexamos os demais documentos solicitados pela autoridade julgadora tendo em vista a omissão por parte do DNPM no atendimento à demanda dessa Inspetoria. Em 20/04/11, o interessado foi cientificado do resultado da diligência (AR — fl. 101) e, em 25/04/11, apresentou a manifestação de fls. 102/106, por meio da qual assevera que: a Lei n° 10.743/03, em seu art. 6°, prevê expressamente a competência do DNPM para a emissão dos Certificados do Processo Kimberley, neste contexto caberia também àquele órgão manifestarse acerca de qualquer irregularidade na emissão desses documentos, obviamente mediante apuração em processo administrativo em que seja concedido ao contribuinte o seu amplo direito de defesa, amparado constitucionalmente. Tal como já exaustivamente mencionado na impugnação inicial, este procedimento investigatório não ocorreu; a Informação Fiscal emitida pelo fisco quando da realização da diligência confirma as alegações da impugnante: não houve qualquer procedimento destinado à apuração de irregularidades por parte do Orgão competente para a sua execução. Ou seja, a multa aplicada pelo fisco não tem qualquer substrato fatico e tem origem unicamente em solicitações tanto da Policia Federal quanto da Justiça Federal de Minas Gerais para execução de "análise de documentos" (Informação Fiscal); a Lei n° 10.743, de 2003 prevê a aplicação da multa exigida da contribuinte nas hipóteses especificas dos itens I e II do seu art. 10. Não há no processo qualquer comprovação acerca do cometimento de quaisquer das irregularidades apontadas mesmo porque elas não ocorreram de modo que, a multa aplicada não tem amparo na legislação vigente; no documento emitido pelo "GT Auditoria Especial Certificação do Processo Kimberley Brasil", não consta o nome da empresa Primeira Gema entre as que deveriam figurar no oficio a ser encaminhado à RFB. Ou seja, o órgão encarregado de emissão dos certificados sequer mencionou a impugnante no oficio enviado à RFB demonstrando, de forma cabal, a arbitrariedade do fisco na emissão do Auto de Infração em questão; ratificando, não há no processo qualquer documento comprobatório de qualquer irregularidade nos procedimentos executados pela autuada; o fisco lavrou o Auto de Infração combatido embasado em meras suposições, sem qualquer amparo documental. Ainda que desconsiderada a inexistência do procedimento administrativo pelo DNPM, o art. 112 do CTN é favorável ao contribuinte na existência de dúvidas quanto à autoria do ilícito. Por fim, o interessado requer "a procedência da impugnação e a exoneração do crédito tributário constituído pelo Auto de Infração em litígio". A DRJ decidiu em síntese: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 02/07/2004, 15/07/2004, 01/09/2004 NULIDADE POR VÍCIO FORMAL. OCORRÊNCIA Fl. 178DF CARF MF Impresso em 27/07/2016 por EMANOEL WERCELENS PINHEIRO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/12/2013 por ANGELA SARTORI, Assinado digitalmente em 09/12/2013 por A NGELA SARTORI, Assinado digitalmente em 30/01/2014 por JULIO CESAR ALVES RAMOS 8 A falta de demonstração da ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, por meio da averiguação e análise dos fatos levada a efeito em procedimento fiscal próprio desenvolvido no âmbito da Secretaria da Receita Federal do Brasil, aliada a ausência nos autos de elementos de prova suficientes para a comprovação do ilícito apontado, constitui vicio formal que impele a decretação da nulidade do lançamento. Impugnação Procedente em Parte. Crédito Tributário Exonerado. Voto Vencido Conselheira Relatora Angela Sartori O recurso de ofício atendendo os pressupostos de admissibilidade, devendo se dele, portando, tomar conhecimento. Verificase que a contenda instalada e da qual é objeto este processo administrativo fiscal, diz respeito a aplicação de penalidade relativa a multa isolada, prevista no inciso II, do art. 10, da Lei nº 10.743/2003, aplicada pela Autoridade Tributária a partir do recebimento de “Relatório GT Auditoria Especial – Certificação dos Processo Kimberley”, confeccionado internamente pelo DNPM, a partir da “Operação Carbono”, instaurada pela Polícia Federal e Ministério Público Federal, a fim de investigar a extração e subsequente exportação de diamantes brutos, com o uso de Certificados Kimberley obtidos de forma irregular. A acusação fiscal, em apertada síntese, centrouse na suposta utilização de certificados Kimberley obtidos mediante falsas informações, os quais teriam sido utilizados para acobertar a exportação de diamantes, sendo que teriam sido constatadas supostas irregularidades nos certificados Kimberley concedidos, o que teria permitido a circulação de diamantes sem procedência. Sem ignorar a consistência das graves constatações nele contidas, o fato é que o Relatório "GT AUDITORIA ESPECIAL — CERTIFICAÇÃO DO PROCESSO KIMBERLEY — BRASIL", concluído após dois meses da constituição do grupo, tinha quando da sua elaboração, um caráter de documento preambular, que demandava aprofundamento de investigações com vistas à averiguação dos fatos ali narrados e apuração de responsabilidades, conforme denotam, exemplificadamente, os seus trechos abaixo transcritos: Os diamantes clandestinos supostamente extraídos destas Permissões de Lavra Garimpeira foram adquiridos por empresas que emitiram Notas Fiscais de entrada de mercadorias, onde consta o volume e os preços pelos quais eles foram adquiridos, bem como as notas de venda aos exportadores. Esta cadeia de intermediações esta exposta nas tabelas 2 e 3 e pode ajudar os órgãos competentes a apurar o grau de participação e de. responsabilidades de cada um dos envolvidos. [fl. 37] Análise do contexto fálico narrado acima está a evidenciar não só que os diamantes certificados pelos 45 CPK's emitidos pelo 3° Distrito/DNPM constantes da tabela inicial não foram extraídos das áreas indicadas como de origem, mas que os processos de mineração indicados pelos exportadores Fl. 179DF CARF MF Impresso em 27/07/2016 por EMANOEL WERCELENS PINHEIRO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/12/2013 por ANGELA SARTORI, Assinado digitalmente em 09/12/2013 por A NGELA SARTORI, Assinado digitalmente em 30/01/2014 por JULIO CESAR ALVES RAMOS Processo nº 10611.001773/200915 Acórdão n.º 3401002.307 S3C4T1 Fl. 9 9 encerra grande numero de condutas potencialmente ilegais que estão a cobrar a responsabilização dos responsáveis na esfera administrativa, civil e criminal. .[fl. 37] A apuração completa de todos os responsáveis por estes atos delituosos foge competência desta auditoria, todavia procurouse através do cruzamento das notas fiscais representativas da compra dos diamantes e sua venda ao exportador, mostrar a cadeia de relações neste negócio, o que deverá contribuir para que órgãos públicos como o Ministério Público Federal e o Departamento de Policia Federal possam melhor elucidar os fatos .[ fl. 52] Constatada a utilização dos processos de mineração de autos n° 860.122/2003, 860.123/2003, 833.477/2003, 833.478/2003 e 831.972/2002 supostamente para prática irregulares e ilegais, entende a comissão de auditoria que deverá o DNPM adotar as medidas administrativas necessárias a invalidação dos títulos Minerários. Depreendese que referido “Relatório Especial”, por si só, não foi conclusivo e não trouxe elementos de prova contundentes e convergentes no sentido de se poder afirmar, categoricamente, que os certificados Kimberley tivessem sido emitidos de modo irregular. Referido “Relatório GT Auditoria Especial”, ao que tudo assinala, fora enviado pelo Ministério Púbico Federal para a Secretaria da Receita Federal contendo indícios, a partir dos quais se deveriam aprofundar substancialmente as fiscalizações, no sentido de coletar as provas que pudessem confirmar ou não a ocorrência dos fatos que pudessem amparar a imposição da multa referida no art. 10, II, da Lei nº 10.743/2003. A própria DRJ em seu voto deixa claro: “Temse, assim, que o teor daquele documento, por si só, não permite que se conclua se e em que grau a exportadora Primeira Gema teria concorrido para a prática das irregularidades aventadas.” Referida penalidade cuja conduta é descrita no inciso II, do art. 10, citado, exige que tenha havido um ardil na obtenção irregular da Certificação Kimberley, o que, evidentemente, exige que haja a descrição das condutas correspondentes, amparadas em provas que pudessem corroborálas. Nada disso constou do Relatório GT Auditoria Especial. O que se constata, no caso em análise, é que a autuação fiscal partiu de indícios da suposta existência de irregularidades nos processos de concessão dos direitos de exploração de lavras, a partir dos quais se ampararam as obtenções dos Certificados Kimberley descritos nos autos, e que ainda deveriam ser submetidos à processo regular de investigação para revogação, cassação ou anulação, no âmbito do próprio DNPM, para após observadas tais formalidades legais, produzir eventualmente efeitos nos atos concessórios dos Certificados Kimberley. Presumindo tais indícios verdades irrefutáveis, lavrou o lançamento, sem aprofundar a fiscalização quanto as demais provas que pudessem corroborar tais assertivas constantes do Relatório GT Auditoria Especial. No entanto, antes de se deflagrar ou mesmo de finalizar tais procedimentos perante àquele órgão especializado e competente para tal, sem se aprofundar nos indícios que lhe foram ofertados para eventual obtenção de outras provas que lhe pudessem corroborar e darlhes substância, consistência, não era possível ter sido validamente lavrado o auto de infração para imposição da penalidade. Fl. 180DF CARF MF Impresso em 27/07/2016 por EMANOEL WERCELENS PINHEIRO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/12/2013 por ANGELA SARTORI, Assinado digitalmente em 09/12/2013 por A NGELA SARTORI, Assinado digitalmente em 30/01/2014 por JULIO CESAR ALVES RAMOS 10 Fica claro, em análise aos autos, o fato de que não existe prova cabal dos fatos apontados, o que acaba impondo a necessidade de cancelamento do lançamento tributário, nos termos da jurisprudência dominante neste Conselho: “PIS. PRESUNÇÃO. PROVA INDICIÁRIA. A "presunção" consiste nas conseqüências que a lei tira de um fato conhecido para provar um fato oculto. A prova indiciária, admitida pelo Direito, apóiase em um conjunto de indícios veementes, graves, precisos e convergentes, capazes de demonstrar a ocorrência da infração e fundamentar o convencimento do julgador.” (Acórdão 20309180. 2º Conselho de Contribuintes. 3ª Câmara. Dt. 11/09/2003) Nesse sentido temse ainda o acórdão nº 10708.592, de 25.05.2006, unânime, que teve como Relatora a CONSELHEIRA ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA e cuja ementa consigna: “LANÇAMENTO – ILEGITIMIDADE PASSIVA – PROVA INDICIÁRIA. A prova indiciária para referendar a identificação do sujeito passivo deve ser constituída de indícios que sejam veementes, graves, precisos e convergentes, que examinados em conjunto levem ao convencimento do julgador. Recurso provido.” Tenho que a falta de prova do fato constitutivo do direito ao crédito tributário, ou da ocorrência do fato gerador, tem relação direta com o nascimento da própria relação jurídica tributária, e, consequentemente, sua ausência importa em ausência de um de seus elementos essenciais, equivalente a um vício material que inquina o ato de improcedência. Assim sendo, na esteira das considerações acima, voto por negar provimento ao Recurso de Ofício. Relator Angela Sartori Voto Vencedor Conselheiro Robson José Bayerl, Redator designado Com o devido respeito, nada obstante a bem abalizada argumentação, discordo da conclusão alcançada pela eminente relatora e pela decisão de primeira instância submetida a reexame, consoante a qual padeceria o lançamento do vício de nulidade decorrente da ausência de prova do ilícito administrativo. A acusação fiscal imputa ao contribuinte a prática da infração descrita no art. 10, I da Lei nº 10.743/03, consistente na exportação de diamantes brutos sem o amparo do Certificado do Processo de Kimberley, ao passo que o Departamento Nacional de Produção Mineral considerou os documentos emitidos irregulares. Fl. 181DF CARF MF Impresso em 27/07/2016 por EMANOEL WERCELENS PINHEIRO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/12/2013 por ANGELA SARTORI, Assinado digitalmente em 09/12/2013 por A NGELA SARTORI, Assinado digitalmente em 30/01/2014 por JULIO CESAR ALVES RAMOS Processo nº 10611.001773/200915 Acórdão n.º 3401002.307 S3C4T1 Fl. 10 11 No contexto fático da autuação a autoridade administrativa demonstra claramente a vinculação entre o contribuinte e o certificado tido como irregular pelo DNPM, em procedimento próprio, cujo conhecimento à RFB se deu pelos canais regulares. Ora, o elemento probatório, no caso vertente, é justamente o relatório denominado “GT AUDITORIA ESPECIAL – CERTIFICAÇÃO DO PROCESSO KIMBERLEY – BRASIL”, juntado às fls. 10/59, onde está dito expressamente que os certificados referidos no auto de infração são irregulares, conforme descrição de fls. 32/39 (fls. 23/30 do aludido relatório “GT ...”). Não entendo, na linha da opinião divergente, que o lançamento tenha se baseado em presunções ou indícios. Pelo contrário, como adrede afirmado, a autuação se pauta em afirmações feitas pelo grupo de auditoria formado pelo DNPM, cujo trabalho exaustivo e conclusivo alcançou a (re)análise de todos os certificados emitidos pelo órgão e enumerados em tabela específica, do período 2003 a 2006, dentre os quais figuram aqueles arrolados nesta autuação, valendo a transcrição das seguintes passagens do texto: “Portanto, o presente relatório, relacionado apenas à Portaria Conjunta SGMMME/DNPM, apresenta os resultados dos trabalhos da AUDITORIA realizada em todos os certificados do Processo de Kimberley emitidos, cancelados e suspensos pelo Departamento Nacional de Produção Mineral — DNPM, desde o de n° 001, emitido em 05 de novembro de 2003, até o de n° 184 suspenso em fevereiro de 2006. 0 trabalho consistiu na análise dos processos administrativos de certificação, dirigidos ao DNPM por exportadores em seus distritos e sede, na análise dos processos minerários informados como de origem dos diamantes, na realização de vistorias de campo nas áreas dos processos minerários em referência, bem como de análise dos documentos constantes nos processos administrativos destes requerimentos que foram indeferidos. (fl. 12) (...) A auditoria analisou todos os processos relacionados aos 184 (cento e oitenta e quatro) certificados de kimberley emitidos pelo Departamento Nacional de Produção Mineral DNPM, enumerados na Tabela 1 seguinte, sendo que 150 (cento e cinqüenta) deles alcançaram exportação e 34 (trinta e quatro) foram objeto de cancelamento. (fl. 17) (...)Dentre a totalidade dos certificados emitidos 184 (cento e oitenta e quatro), 150 (cento e cinqüenta) culminaram na operação de exportação dos diamantes e foram analisadas por esta auditoria com base nos resultados das vistorias realizadas pela equipe operacional nas áreas indicadas como de origem. A análise restou dividida da seguinte forma: certificados de diamantes de origem regular; certificados de diamantes de origem irregular e certificados de diamantes originados de mais de uma área, sendo ao menos uma delas irregular. Verificase que os certificados emitidos o foram em favor de pessoas jurídicas exportadoras que: ora são titulares do direito minerário; ora adquiriram os diamantes dos titulares do direito minerário ou, ainda, são exportadores que se utilizam de empresas de mineração para intermediar a compra junto aos titulares do direito minerário nos termos expostos a seguir. (fl. 23) (...) 2— CERTIFICADOS DE DIAMANTES DE ORIGEM IRREGULAR Fl. 182DF CARF MF Impresso em 27/07/2016 por EMANOEL WERCELENS PINHEIRO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/12/2013 por ANGELA SARTORI, Assinado digitalmente em 09/12/2013 por A NGELA SARTORI, Assinado digitalmente em 30/01/2014 por JULIO CESAR ALVES RAMOS 12 No âmbito do objeto desta auditoria, 49 (quarenta e nove) certificados do Processo de Kimberley tem como objeto diamantes extraídos de áreas que apresentam alguma forma de irregularidade e encontramse divididos nas unidades descentralizadas do DNPM da seguinte forma: 45 (quarenta e cinco) áreas na região de Diamantina — MG e 04 (quatro) originários em Doverlândia, estado de Goias. (...)” Outrossim, não é possível, no âmbito do processo administrativo fiscal, discutir as possíveis vicissitudes do procedimento que tachou de irregulares os certificados em referência, uma vez que tal atribuição não se encontra elencada como pertencente a este Conselho Administrativo, ou, ainda, tomálo como um documento de caráter precário, sem aptidão para deflagrar os efeitos que lhe seriam próprios. O fato é que existe um documento lavrado por servidores competentes, designados por atos administrativos específicos, lotados em órgão que detêm a atribuição para realizar as tarefas que lhes foram incumbidas, que chegou ao conhecimento das autoridades fiscais pelos meios legais, e que, como todo ato administrativo, goza de presunção de veracidade, descrevendo fatos que configuram infração à legislação tributária. Os supostos defeitos deste documento que embasa o lançamento devem ser reclamados na seara própria, seja diretamente no DNPM ou no Poder Judiciário, não, porém, no Conselho Administrativo de Recursos Fiscais. Nos termos do art. 333 do Código de Processo Civil, cabe ao autor a prova dos fatos constitutivos, o que, nestes autos, se verificou pela apresentação por parte da Administração Tributária de prova suficiente e válida para embasar sua pretensão, cabendo ao sujeito passivo, em contrapartida, demonstrar os fatos impeditivos, modificativos ou extintivos do direito invocado, o que não ocorreu, limitandose o recorrente – na impugnação – a questionar o procedimento do DNPM, sem, no entanto, provar que possuía Certificados do Processo Kimberley válidos a acobertar as operações realizadas. De outra banda, reforço, a motivação deste lançamento (diversamente do que ocorreu no processo 10680.723656/200810) não foi a prática de artifício para obtenção do Certificado do Processo Kimberley, adotada como premissa tanto do voto vencido como da decisão submetida a recurso de ofício, mas sim que houve operação de comércio internacional de diamantes brutos ao desampara da devida certificação, pois, considerando a regularidade dos preditos certificados como algo inerente à sua existência, uma vez demonstrada a sua irregularidade temse, por conseqüência, a sua inexistência. Por outras palavras, a operação, para ser considerada regular, deve estar alicerçada em certificado válido, de modo que, a presença de algum vício no documento acarreta inequivocamente a sua inexistência, eis que quem possui um documento irregular, nestes casos, não possui documento algum. Em síntese, não vislumbro as máculas apontadas no voto vencido e na decisão sob revista, mas sim que o lançamento está em perfeita consonância com os fatos apurados e a legislação infringida, não havendo que se falar em ausência de prova da infração. Por oportuno, como não houve recurso voluntário, as razões deduzidas apenas na impugnação não serão reexaminadas específica e pontualmente nesta oportunidade, mas sim de forma reflexa, ao se externar as razões que levaram à revisão da decisão de primeiro grau. Fl. 183DF CARF MF Impresso em 27/07/2016 por EMANOEL WERCELENS PINHEIRO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/12/2013 por ANGELA SARTORI, Assinado digitalmente em 09/12/2013 por A NGELA SARTORI, Assinado digitalmente em 30/01/2014 por JULIO CESAR ALVES RAMOS Processo nº 10611.001773/200915 Acórdão n.º 3401002.307 S3C4T1 Fl. 11 13 Com estas considerações e diante de tudo o mais que consta dos autos, voto no sentido de dar provimento ao recurso de ofício. Robson José Bayerl Fl. 184DF CARF MF Impresso em 27/07/2016 por EMANOEL WERCELENS PINHEIRO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/12/2013 por ANGELA SARTORI, Assinado digitalmente em 09/12/2013 por A NGELA SARTORI, Assinado digitalmente em 30/01/2014 por JULIO CESAR ALVES RAMOS
score : 1.0
Numero do processo: 10166.724590/2017-87
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Mon May 13 00:00:00 UTC 2024
Data da publicação: Thu Jul 18 00:00:00 UTC 2024
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Data do fato gerador: 30/05/2012
MULTA ISOLADA. COMPENSAÇÃO NÃO HOMOLOGADA. INCONSTITUCIONALIDADE. STF. TEMA 736. REPERCUSSÃO GERAL.
É inconstitucional a multa isolada prevista em lei para incidir diante da mera negativa de homologação de compensação tributária, por não consistir em ato ilícito com aptidão para propiciar automática penalidade pecuniária.
Numero da decisão: 1201-006.345
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário. Este julgamento seguiu a sistemática dos recursos repetitivos, sendo-lhes aplicado o decidido no Acórdão nº 1201-006.344, de 13 de maio de 2024, prolatado no julgamento do processo 11080.728884/2018-71, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Jose Eduardo Genero Serra, Lucas Issa Halah, Rycardo Henrique Magalhaes de Oliveira (suplente convocado(a)), Neudson Cavalcante Albuquerque (Presidente).
Nome do relator: NEUDSON CAVALCANTE ALBUQUERQUE
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COMPENSAÇÃO NÃO HOMOLOGADA. INCONSTITUCIONALIDADE. STF. TEMA 736. REPERCUSSÃO GERAL. É inconstitucional a multa isolada prevista em lei para incidir diante da mera negativa de homologação de compensação tributária, por não consistir em ato ilícito com aptidão para propiciar automática penalidade pecuniária. ACÓRDÃO Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário. Este julgamento seguiu a sistemática dos recursos repetitivos, sendo-lhes aplicado o decidido no Acórdão nº 1201-006.344, de 13 de maio de 2024, prolatado no julgamento do processo 11080.728884/2018-71, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. (documento assinado digitalmente) Neudson Cavalcante Albuquerque – Presidente Redator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Jose Eduardo Genero Serra, Lucas Issa Halah, Rycardo Henrique Magalhaes de Oliveira (suplente convocado(a)), Neudson Cavalcante Albuquerque (Presidente). Fl. 124DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1201-006.345 – 1ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10166.724590/2017-87 2 RELATÓRIO O presente julgamento submete-se à sistemática dos recursos repetitivos prevista nos §§ 1º, 2º e 3º do art. 87 do Regimento Interno do CARF (RICARF), aprovado pela Portaria MF nº 1.634, de 21 de dezembro de 2023. Dessa forma, adota-se neste relatório substancialmente o relatado no acórdão paradigma. Na origem, trata-se de Auto de Infração que veiculou a cobrança de Multa Isolada decorrente da não homologação de declarações de compensação transmitidas pelo contribuinte. O Acórdão Recorrido manteve o auto de infração alegando que o lançamento seria mera decorrência da não homologação das compensações, razão pela qual deveria seguir a mesma sorte. Em Recurso Voluntário, o Contribuinte defende: 1. Nulidade do lançamento pois somente poderia ter ocorrido após decisão definitiva do processo de crédito; 2. Insubsistência do lançamento por inconstitucionalidade decorrente da violação ao direito de petição; 3. Retroação benigna da Lei nº 13.137/15, a qual revogou o § 15 do art. 74 da Lei nº 9.430/96, que previa a aplicação da multa de 50% em caso de indeferimento do pedido de restituição; 4. Impossibilidade de concomitância da multa de mora com a multa isolada; 5. Necessidade de sobrestamento do feito até o julgamento em definitivo do RE nº 796.939/RS (Tema STF nº 736). É a síntese do necessário. VOTO Tratando-se de julgamento submetido à sistemática de recursos repetitivos na forma do Regimento Interno deste Conselho, reproduz-se o voto consignado no acórdão paradigma como razões de decidir: Admissibilidade Inicialmente, reconheço a competência deste Colegiado para apreciação do Recurso Voluntário, na forma do Regimento Interno do CARF, e verifico que o recurso é tempestivo. No mais, o recurso preenche os demais requisitos de admissibilidade, portanto dele conheço. Fl. 125DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1201-006.345 – 1ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10166.724590/2017-87 3 Preliminar de nulidade O Recorrente suscita como preliminar a nulidade do lançamento, alegando que somente poderia ter ocorrido após decisão definitiva no processo de crédito nº 10880-911.566/2018-91. Alega que o lançamento em questão é regido pelo art. 116, II do CTN, pois o fato gerador da multa isolada seria situação jurídica que, como tal, só poderia ser reputada ocorrida após a constituição definitiva do crédito tributário. Penso, entretanto, que o fato gerador da multa isolada decorrente da não homologação de compensação é situação de fato, regida pelo inciso I do art. 116 do CTN. Desde a transmissão da declaração de compensação reputada indevida, produzem-se os efeitos a ela inerentes, notadamente a extinção do crédito tributário, embora sob condição resolutória de ulterior homologação, justificando-se a imposição da multa isolada desde então, muito embora sua exigibilidade seja suspensa caso interposta Manifestação de Inconformidade contra o Despacho Decisório proferido no Processo de Crédito (§18, art. 74, Lei nº 9.430/96). Não vislumbro portanto qualquer nulidade. Mérito No mérito, a alegação de inconstitucionalidade passa a ter novos efeitos perante o CARF diante do julgamento definitivo da contenda pelo STF no tema de repercussão geral nº 736 e da e da Ação Direta de Inconstitucionalidade (ADI) 4905, que produz efeitos vinculantes aos membros deste colegiado, nos termos do inciso I, do §1º, do art. 62, RICARF anterior, correspondente ao art. 98, II, “b” do atual RICARF, que agora exige o já verificado trânsito em julgado da matéria. Vejamos a redação anterior: “Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. § 1º O disposto no caput não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: I - que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão definitiva plenária do Supremo Tribunal Federal; (Redação dada pela Portaria MF nº 39, de 2016)” E a redação atual: “Art. 98. Fica vedado aos membros das Turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto. Parágrafo único. O disposto no caput não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou decreto que: I - já tenha sido declarado inconstitucional por decisão plenária transitada em julgado do Supremo Tribunal Federal, em sede de controle concentrado, ou em controle difuso, com execução suspensa por Resolução do Senado Federal; ou Fl. 126DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1201-006.345 – 1ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10166.724590/2017-87 4 II - fundamente crédito tributário objeto de: a) Súmula Vinculante do Supremo Tribunal Federal, nos termos do art. 103- A da Constituição Federal; b) Decisão transitada em julgado do Supremo Tribunal Federal ou do Superior Tribunal de Justiça, proferida na sistemática da repercussão geral ou dos recursos repetitivos, na forma disciplinada pela Administração Tributária;” (grifo nosso) O Supremo Tribunal Federal (STF), no julgamento do Recurso Extraordinário (RE) 796939, com repercussão geral (Tema 736) e da Ação Direta de Inconstitucionalidade (ADI) 4905, decidiu pela inconstitucionalidade do parágrafo 17 do artigo 74 da Lei 9.430/1996 que prevê a incidência de multa isolada no caso de não homologação de pedido de compensação tributária pela Receita Federal. No voto pelo desprovimento do recurso da União, o ministro Edson Fachin, relator, observou que a simples não homologação de compensação tributária não é ato ilícito capaz de gerar sanção tributária, razão pela qual a aplicação automática da sanção, sem considerações sobre a intenção do contribuinte, tacharia de ilícito o próprio exercício do direito de petição constitucionalmente assegurado. A tese de repercussão geral fixada foi a seguinte: “É inconstitucional a multa isolada prevista em lei para incidir diante da mera negativa de homologação de compensação tributária por não consistir em ato ilícito com aptidão para propiciar automática penalidade pecuniária”. Portanto, tendo o STF decidido pela inconstitucionalidade da multa isolada, ora em discussão, torna-se inafastável o entendimento da Suprema Corte, devendo- se afastar integralmente a penalidade aplicada. Restam assim prejudicados os demais argumentos apresentados pelo Recorrente. Pelo exposto, conheço o Recurso Voluntário para, no mérito, dar-lhe provimento integral. Conclusão Importa registrar que as situações fática e jurídica destes autos se assemelham às verificadas na decisão paradigma, de sorte que as razões de decidir nela consignadas são aqui adotadas, não obstante os dados específicos do processo paradigma eventualmente citados neste voto. Dessa forma, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º, 2º e 3º do art. 87 do RICARF, reproduz-se o decidido no acórdão paradigma, no sentido de dar provimento ao recurso voluntário. (documento assinado digitalmente) Neudson Cavalcante Albuquerque – Presidente Redator Fl. 127DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1201-006.345 – 1ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10166.724590/2017-87 5 Fl. 128DF CARF MF Original Acórdão Relatório Voto Tratando-se de julgamento submetido à sistemática de recursos repetitivos na forma do Regimento Interno deste Conselho, reproduz-se o voto consignado no acórdão paradigma como razões de decidir: Admissibilidade Preliminar de nulidade Mérito
score : 1.0
Numero do processo: 11080.730138/2016-86
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Mon May 13 00:00:00 UTC 2024
Data da publicação: Fri Jul 19 00:00:00 UTC 2024
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Data do fato gerador: 25/07/2012
MULTA ISOLADA. COMPENSAÇÃO NÃO HOMOLOGADA. INCONSTITUCIONALIDADE. STF. TEMA 736. REPERCUSSÃO GERAL.
É inconstitucional a multa isolada prevista em lei para incidir diante da mera negativa de homologação de compensação tributária, por não consistir em ato ilícito com aptidão para propiciar automática penalidade pecuniária.
Numero da decisão: 1201-006.433
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário. Este julgamento seguiu a sistemática dos recursos repetitivos, sendo-lhes aplicado o decidido no Acórdão nº 1201-006.344, de 13 de maio de 2024, prolatado no julgamento do processo 11080.728884/2018-71, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Jose Eduardo Genero Serra, Lucas Issa Halah, Rycardo Henrique Magalhaes de Oliveira (suplente convocado(a)), Neudson Cavalcante Albuquerque (Presidente).
Nome do relator: NEUDSON CAVALCANTE ALBUQUERQUE
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RECORRIDA FAZENDA NACIONAL Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Data do fato gerador: 25/07/2012 MULTA ISOLADA. COMPENSAÇÃO NÃO HOMOLOGADA. INCONSTITUCIONALIDADE. STF. TEMA 736. REPERCUSSÃO GERAL. É inconstitucional a multa isolada prevista em lei para incidir diante da mera negativa de homologação de compensação tributária, por não consistir em ato ilícito com aptidão para propiciar automática penalidade pecuniária. ACÓRDÃO Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário. Este julgamento seguiu a sistemática dos recursos repetitivos, sendo-lhes aplicado o decidido no Acórdão nº 1201-006.344, de 13 de maio de 2024, prolatado no julgamento do processo 11080.728884/2018-71, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. (documento assinado digitalmente) Neudson Cavalcante Albuquerque – Presidente Redator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Jose Eduardo Genero Serra, Lucas Issa Halah, Rycardo Henrique Magalhaes de Oliveira (suplente convocado(a)), Neudson Cavalcante Albuquerque (Presidente). Fl. 1526DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1201-006.433 – 1ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 11080.730138/2016-86 2 RELATÓRIO O presente julgamento submete-se à sistemática dos recursos repetitivos prevista nos §§ 1º, 2º e 3º do art. 87 do Regimento Interno do CARF (RICARF), aprovado pela Portaria MF nº 1.634, de 21 de dezembro de 2023. Dessa forma, adota-se neste relatório substancialmente o relatado no acórdão paradigma. Na origem, trata-se de Auto de Infração que veiculou a cobrança de Multa Isolada decorrente da não homologação de declarações de compensação transmitidas pelo contribuinte. O Acórdão Recorrido manteve o auto de infração alegando que o lançamento seria mera decorrência da não homologação das compensações, razão pela qual deveria seguir a mesma sorte. Em Recurso Voluntário, o Contribuinte defende: 1. Nulidade do lançamento pois somente poderia ter ocorrido após decisão definitiva do processo de crédito; 2. Insubsistência do lançamento por inconstitucionalidade decorrente da violação ao direito de petição; 3. Retroação benigna da Lei nº 13.137/15, a qual revogou o § 15 do art. 74 da Lei nº 9.430/96, que previa a aplicação da multa de 50% em caso de indeferimento do pedido de restituição; 4. Impossibilidade de concomitância da multa de mora com a multa isolada; 5. Necessidade de sobrestamento do feito até o julgamento em definitivo do RE nº 796.939/RS (Tema STF nº 736). É a síntese do necessário. VOTO Tratando-se de julgamento submetido à sistemática de recursos repetitivos na forma do Regimento Interno deste Conselho, reproduz-se o voto consignado no acórdão paradigma como razões de decidir: Admissibilidade Inicialmente, reconheço a competência deste Colegiado para apreciação do Recurso Voluntário, na forma do Regimento Interno do CARF, e verifico que o recurso é tempestivo. No mais, o recurso preenche os demais requisitos de admissibilidade, portanto dele conheço. Fl. 1527DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1201-006.433 – 1ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 11080.730138/2016-86 3 Preliminar de nulidade O Recorrente suscita como preliminar a nulidade do lançamento, alegando que somente poderia ter ocorrido após decisão definitiva no processo de crédito nº 10880-911.566/2018-91. Alega que o lançamento em questão é regido pelo art. 116, II do CTN, pois o fato gerador da multa isolada seria situação jurídica que, como tal, só poderia ser reputada ocorrida após a constituição definitiva do crédito tributário. Penso, entretanto, que o fato gerador da multa isolada decorrente da não homologação de compensação é situação de fato, regida pelo inciso I do art. 116 do CTN. Desde a transmissão da declaração de compensação reputada indevida, produzem-se os efeitos a ela inerentes, notadamente a extinção do crédito tributário, embora sob condição resolutória de ulterior homologação, justificando-se a imposição da multa isolada desde então, muito embora sua exigibilidade seja suspensa caso interposta Manifestação de Inconformidade contra o Despacho Decisório proferido no Processo de Crédito (§18, art. 74, Le i nº 9.430/96). Não vislumbro portanto qualquer nulidade. Mérito No mérito, a alegação de inconstitucionalidade passa a ter novos efeitos perante o CARF diante do julgamento definitivo da contenda pelo STF no tema de repercussão geral nº 736 e da e da Ação Direta de Inconstitucionalidade (ADI) 4905, que produz efeitos vinculantes aos membros deste colegiado, nos termos do inciso I, do §1º, do art. 62, RICARF anterior, correspondente ao art. 98, II, “b” do atual RICARF, que agora exige o já verificado trânsito em julgado da matéria. Vejamos a redação anterior: “Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. § 1º O disposto no caput não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: I - que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão definitiva plenária do Supremo Tribunal Federal; (Redação dada pela Portaria MF nº 39, de 201 6)” E a redação atual: “Art. 98. Fica vedado aos membros das Turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto. Parágrafo único. O disposto no caput não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou decreto que: I - já tenha sido declarado inconstitucional por decisão plenária transitada em julgado do Supremo Tribunal Federal, em sede de controle concentrado, ou em controle difuso, com execução suspensa por Resolução do Sena do Federal; ou Fl. 1528DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1201-006.433 – 1ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 11080.730138/2016-86 4 II - fundamente crédito tributário objeto de: a) Súmula Vinculante do Supremo Tribunal Federal, nos termos do art. 103 - A da Constituição Federal; b) Decisão transitada em julgado do Supremo Tribunal Federal ou do Superior Tribunal de Justiça, proferida na sistemática da repercussão geral ou dos recursos repetitivos, na forma disciplinada pela Administração Tributária;” (grifo nosso) O Supremo Tribunal Federal (STF), no julgamento do Recurso Extraordinário (RE) 796939, com repercussão geral (Tema 736) e da Ação Direta de Inconstitucionalidade (ADI) 4905, decidiu pela inconstitucionalidade do parágrafo 17 do artigo 74 da Lei 9.430/1996 que prevê a incidência de multa isolada no caso de não homologação de pedido de compensação tributária pela Receita Federal. No voto pelo desprovimento do recurso da União, o ministro Edson Fachin, relator, observou que a simples não homologação de compensação tributária não é ato ilícito capaz de gerar sanção tributária, razão pela qual a aplicação automática da sanção, sem considerações sobre a intenção do contribuinte, tacharia de ilícito o próprio exercício do direito de petição constitucionalmente assegurado. A tese de repercussão geral fixada foi a seguinte: “É inconstitucional a multa isolada prevista em lei para incidir diante da mera negativa de homologação de compensação tributária por não consistir em ato i l ícito com aptidão para propiciar automática penalidade pecuniária”. Portanto, tendo o STF decidido pela inconstitucionalidade da multa isolada, ora em discussão, torna-se inafastável o entendimento da Suprema Corte, devendo- se afastar integralmente a penalidade aplicada. Restam assim prejudicados os demais argumentos apresentados pelo Recorrente. Pelo exposto, conheço o Recurso Voluntário para, no mérito, dar-lhe provimento integral. Conclusão Importa registrar que as situações fática e jurídica destes autos se assemelham às verificadas na decisão paradigma, de sorte que as razões de decidir nela consignadas são aqui adotadas, não obstante os dados específicos do processo paradigma eventualmente citados neste voto. Dessa forma, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º, 2º e 3º do art. 87 do RICARF, reproduz-se o decidido no acórdão paradigma, no sentido de dar provimento ao recurso voluntário. (documento assinado digitalmente) Neudson Cavalcante Albuquerque – Presidente Redator Fl. 1529DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1201-006.433 – 1ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 11080.730138/2016-86 5 Fl. 1530DF CARF MF Original Acórdão Relatório Voto Tratando-se de julgamento submetido à sistemática de recursos repetitivos na forma do Regimento Interno deste Conselho, reproduz-se o voto consignado no acórdão paradigma como razões de decidir: Admissibilidade Preliminar de nulidade Mérito
score : 1.0
Numero do processo: 16682.721258/2017-16
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Apr 17 00:00:00 UTC 2024
Data da publicação: Tue Jul 16 00:00:00 UTC 2024
Ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS
Período de apuração: 01/08/2012 a 31/12/2013
GRATIFICAÇÃO CONTINGENTE. EXPRESSA VINCULAÇÃO AO SALÁRIO. NÃO EVENTUALIDADE. INCIDÊNCIA.
Incidem contribuições previdenciárias, e as destinadas a outras entidades e fundos, sobre os valores pagos a título de gratificação contingente, expressamente vinculada ao salário, com previsão sistemática de pagamento e condicionada ao exercício das atividades do segurado junto ao sujeito passivo, demonstrando assim, nítida natureza salarial e vinculação à prestação dos serviços.
Numero da decisão: 9202-011.233
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial do Contribuinte, e no mérito, por maioria de votos, negar-lhe provimento. Vencido o conselheiro Leonam Rocha de Medeiros, que dava provimento.
(documento assinado digitalmente)
Régis Xavier Holanda - Presidente
(documento assinado digitalmente)
Mário Hermes Soares Campos - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Mário Hermes Soares Campos (relator), Maurício Nogueira Righetti, Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim, Sheila Aires Cartaxo Gomes, Fernanda Melo Leal, Leonam Rocha de Medeiros, Ludmila Mara Monteiro de Oliveira e Régis Xavier Holanda (Presidente).
Nome do relator: MARIO HERMES SOARES CAMPOS
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial do Contribuinte, e no mérito, por maioria de votos, negar-lhe provimento. Vencido o conselheiro Leonam Rocha de Medeiros, que dava provimento. (documento assinado digitalmente) Régis Xavier Holanda - Presidente (documento assinado digitalmente) Mário Hermes Soares Campos - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Mário Hermes Soares Campos (relator), Maurício Nogueira Righetti, Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim, Sheila Aires Cartaxo Gomes, Fernanda Melo Leal, Leonam Rocha de Medeiros, Ludmila Mara Monteiro de Oliveira e Régis Xavier Holanda (Presidente).
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EXPRESSA VINCULAÇÃO AO SALÁRIO. NÃO EVENTUALIDADE. INCIDÊNCIA. Incidem contribuições previdenciárias, e as destinadas a outras entidades e fundos, sobre os valores pagos a título de gratificação contingente, expressamente vinculada ao salário, com previsão sistemática de pagamento e condicionada ao exercício das atividades do segurado junto ao sujeito passivo, demonstrando assim, nítida natureza salarial e vinculação à prestação dos serviços. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial do Contribuinte, e no mérito, por maioria de votos, negar-lhe provimento. Vencido o conselheiro Leonam Rocha de Medeiros, que dava provimento. (documento assinado digitalmente) Régis Xavier Holanda - Presidente (documento assinado digitalmente) Mário Hermes Soares Campos - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Mário Hermes Soares Campos (relator), Maurício Nogueira Righetti, Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim, Sheila Aires Cartaxo Gomes, Fernanda Melo Leal, Leonam Rocha de Medeiros, Ludmila Mara Monteiro de Oliveira e Régis Xavier Holanda (Presidente). Relatório Trata-se de Recurso Especial interposto pela Contribuinte, contra o Acórdão nº 2301-006.401 (e.fls. 5027/5095), da 1ª Turma Ordinária/ 3ª Câmara desta 2ª Seção de Julgamento, do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF), que negou provimento ao recurso voluntário da autuada, relativo a lançamentos de Contribuições Sociais Previdenciárias a cargo da empresa, referentes ao período de 01/08/2012 a 31/12/2013. AC ÓR Dà O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 68 2. 72 12 58 /2 01 7- 16 Fl. 5435DF CARF MF Original Fl. 2 do Acórdão n.º 9202-011.233 - CSRF/2ª Turma Processo nº 16682.721258/2017-16 Consoante o “Relatório Fiscal”, elaborado pela autoridade fiscal lançadora (e.fls. 2/52), constituem fatos geradores das contribuições lançadas remunerações pagas a segurados, empregados e contribuintes individuais. Consta do presente processo o Auto de Infração (AI) relativo à contribuição previdência patronal (e.fls. 1112/1174) e o AI de e.fls. 1264/1417, que se refere às contribuições devidas a outras entidades e fundos (Terceiros). As irregularidades apuradas foram agrupadas como “INFRAÇÕES CI” (fatos geradores relacionados a segurados contribuintes individuais) e “INFRAÇÕES SE” (fatos geradores relacionados a segurados empregados), conforme abaixo descritas: a) INFRAÇÃO CI-1: Remunerações pagas a contribuintes individuais, beneficiários de pagamentos informados pelo contribuinte na Declaração do Imposto de Renda Retido na Fonte – DIRF, dos anos-calendários de 2012 e 2013, não declaradas nas Guias de Recolhimento do Fundo de Garantia por Tempo de Serviço e de Informações à Previdência Social – GFIP; b) INFRAÇÃO CI-2: Remunerações pagas a contribuintes individuais, beneficiários de pagamentos informados pelo contribuinte nas DIRF 2012 e 2013, em montantes superiores às remunerações declaradas em GFIP; c) INFRAÇÃO CI-3: Remunerações pagas a contribuintes individuais - Diretores não empregados (com e sem FGTS), informadas pelo sujeito passivo nas folhas de pagamento e não declaradas em GFIP; d) INFRAÇÃO CI-4: Remunerações pagas a contribuintes individuais - Diretores não empregados (com e sem FGTS), a título de Participação nos Lucros e Resultados - PLR, beneficiários de pagamentos não reconhecidas pelo contribuinte como base de cálculo para a Previdência Social e não declaradas em GFIP; e) INFRAÇÃO SE-1: Remunerações pagas, devidas ou creditadas a segurados empregados, através da rubrica 1073- ABONO PERMANENCIA SERVICO, não reconhecidas pelo contribuinte como base de cálculo para a Previdência Social e não declaradas em GFIP; f) INFRAÇÃO SE-2: Remunerações pagas, devidas ou creditadas a segurados empregados, através da rubrica 1114- GRATIFICACAO CONTINGENTE, não reconhecidas pelo contribuinte como base de cálculo para a Previdência Social e não declaradas em GFIP; g) INFRAÇÃO SE-3: Remunerações pagas, devidas ou creditadas a segurados empregados, através da rubrica 1303- PREM INCENT FIDELIDADE BR, não reconhecidas pelo contribuinte como base de cálculo para a Previdência Social e não declaradas em GFIP; h) INFRAÇÃO SE-4: Remunerações pagas, devidas ou creditadas a segurados empregados, através da rubrica 1304- BONUS DESEMPENHO, não reconhecidas pelo contribuinte como base de cálculo para a Previdência Social e não declaradas em GFIP. A contribuinte apresentou a impugnação de e.fls. 2063/2173, anexando documentos; sendo tal impugnação julgada procedente em parte pela 3ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Campo Grande/MS (DRJ/CGE), conforme decisão de e.fls. 4798/4875. Após o julgamento efetivado pela DRJ/CGE restaram ainda em litígio, na presente autuação, os valores de lançamentos relativos às seguintes infrações, conforme: a) infrações CI-1 (item 1) e CI-2-1 – plano de saúde AMS, contratante pessoa jurídica; b) infração CI-1 (item 3) – estagiários; c) infrações CI-3 e CI-4 - remunerações pagas a contribuintes individuais - diretores não empregados (com e sem FGTS) e pagamento a título de PLR a diretor não empregado; d) Fl. 5436DF CARF MF Original Fl. 3 do Acórdão n.º 9202-011.233 - CSRF/2ª Turma Processo nº 16682.721258/2017-16 infração SE-1 abono de permanência em serviço; e) infração SE-2 gratificação contingente; f) infrações SE-3, SE-4 e CI-3 e prêmio incentivo fidelidade; bônus desempenho; bônus de desempenho (diretor não empregado) Inconformada com a decisão da DRJ/CGE, na parte em que vencida, a autuada apresentou o recurso voluntário de e.fls. 4916/5003, onde sustenta a inocorrência de fatos geradores de contribuição previdenciária em relação às rubricas ainda em litígio. Submetido a julgamento neste Conselho, decidiu a 1ª Turma Ordinária / 3ª Câmara/ desta 2ª Seção de Julgamento, pelo não provimento ao recurso voluntário da contribuinte; sendo mantido na integralidade o crédito remanescente após a decisão da DRJ/CGE. O acórdão 2301-006,401, de 10 de setembro de 2019, (e.fls. 5027/5095), apresenta a seguinte ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/08/2012 a 31/12/2013 CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. CONTRATAÇÃO DE ESTAGIÁRIOS EM DESCONFORMIDADE COM O QUE PRECEITUA A LEGISLAÇÃO. Não tendo o contribuinte se desincumbido a contento do ônus de demonstrar o cumprimento dos requisitos estabelecidos na Lei n.° 6.494, de 1977, o valor pago a estagiários passa a integrar o salário de contribuição, nos termos do artigo 28, parágrafo 9°, alínea "i", da Lei n.° 8.212, de 1991. PLR. PAGAMENTO DE PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS A SEGURADOS SEM VÍNCULO DE EMPREGO. FALTA DE PREVISÃO DA SUA EXCLUSÃO DA BASE DE CÁLCULO DAS CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. INAPLICABILIDADE DA LEI 10.101/2000 E DA LEI 6.404/76 DESCUMPRIMENTO DO ART. 28, § 9º, "J" DA LEI 8212/91. Os valores pagos aos administradores (diretores não empregados) à título de participação nos lucros sujeitam-se a incidência de contribuições previdenciárias, por não haver norma específica que, disciplinando art. 28, § 9º, "j" da lei 8212/91, preveja a sua exclusão do salário-de-contribuição. A lei 10.101/2000 não serve como subsídio para fundamentar a exclusão do conceito de salário de contribuição previsto no art. 28 da lei 8212/91, face em seu próprio art. 2º, restringir a sua aplicabilidade aos empregados. A verba paga aos diretores/administradores não empregados possui natureza remuneratória. A Lei nº 6.404/1976 não regula a participação nos lucros e resultados, nem tampouco a exclusão do conceito de salário de contribuição. PAGAMENTOS COM RUBRICAS DIFERENTES. DENOMINAÇÕES DIVERSAS PARA NÃO INCIDÊNCIA. NÃO IDENTIFICAÇÃO DO PRÊMIOS BÔNUS E DEMAIS ENCARGOS. SALÁRIO INDIRETO. INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. Os pagamentos efetuados com habitualidade e com denominações diversas, bem como não observados a legislação previdenciária, mesmo que à título de prêmios ou abono incide a respectiva contribuição previdenciária, uma vez que caracteriza salário indireto de verbas que não estão contempladas pela Lei, em razão das características que possuem. PLANO DE SAÚDE AMS. CONTRATANTE PESSOA JURÍDICA. REMUNERAÇÃO. CONTA E ORDEM DO CONTRATANTE. FATO GERADOR. INCIDÊNCIA. Constatada a prestação de serviços por profissionais da saúde, contribuintes individuais, à pessoa jurídica contratante, em benefício de seus empregados, por conta e ordem do empregador, concretiza-se a hipótese prevista no artigo 22, III da Lei 8.212/91. Fl. 5437DF CARF MF Original Fl. 4 do Acórdão n.º 9202-011.233 - CSRF/2ª Turma Processo nº 16682.721258/2017-16 GRATIFICAÇÃO DE CONTINGENTE. INCIDÊNCIA. Integra a remuneração, bem como o salário-de-contribuição do segurado empregado, a parcela devida a título de Gratificação Contingente, cuja previsão de pagamento repete- se de maneira sistemática nos acordos coletivos de trabalho. Não é eventual o pagamento efetuado pela empresa quando caracterizada a habitualidade, pela recorrência da situação ao longo do tempo sem interrupção. A parcela que corresponde a um percentual aplicado sobre a remuneração normal do trabalhador não caracteriza desvinculação do respectivo salário. PRÊMIO INCENTIVO. SALÁRIO INDIRETO. Os prêmios são considerados parcelas salariais suplementares, pagas em função do exercício de atividades se atingidas determinadas condições. Neste sentido, adquirem caráter estritamente contra prestativo e integram o salário de contribuição por possuírem natureza remuneratória. CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PARA SESC/SENAC. SEBRAE. CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS. CONSTITUCIONALIDADE. (NÃO VI NO SEU VOTO TRATAR DESSE ASSUNTO) A contribuição social destinada ao SEBRAE tem natureza jurídica de contribuição de intervenção no domínio econômico, prescindindo de lei complementar para a sua criação, revelando-se constitucional, portanto, a sua instituição pelo §3º do art. 8º da Lei 8.029/90, com a redação dada pelas Leis 8.154/90 e 10.668/2003. ÔNUS DA PROVA PELO INTERESSADO. INDEFERIMENTO DE DILIGÊNCIA. Se o ônus da prova, por presunção legal, é do contribuinte, cabe a ele a prova da alegação de seu direito. Caberia ao recorrente ter providenciado as provas necessárias das razões do seu direito em instância de primeiro grau, ou em seu recurso, a depender das circunstância e aceitação do órgão julgador. Assim, a indicação do que foi pago de forma indevida deve vir acompanhada de discriminação mínima de valores não considerados no lançamento, para aí sim ao menos poder levantar suspeita de algum tipo de erro na base de cálculo, o que não foi o caso. A decisão foi assim registrada: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer parcialmente do recurso, não conhecendo das matérias que não foram objeto de lançamento, e em negar-lhe provimento nos seguintes termos: 1) por voto de qualidade, quanto ao pagamento de PLR, vencidos o relator e os conselheiros Marcelo Freitas de Souza Costa, que acompanhou o relator pelas conclusões, Virgílio Cansino Gil e Wilderson Botto; 2) por maioria de votos, quanto à Assistência Médica Suplementar e à Gratificação Contingente, vencidos relator e os conselheiros Marcelo Freitas de Souza Costa e Wilderson Botto; 3) por maioria de votos, quanto ao Prêmio Incentivo Fidelidade, vencido o relator, e 4) por unanimidade de votos nas demais matérias. Designada para redigir o voto vencedor a conselheira Sheila Aires Cartaxo Gomes Ciente da decisão que negou provimento a seu recurso voluntário, a contribuinte apresentou o Recurso Especial de e.fls. 5122/5154, onde sustenta a existência de divergência jurisprudencial neste CARF e volta a defender a não incidência das contribuições lançadas sobre os pagamentos efetuados a título de: Bônus de Desempenho; Gratificação Contingente; PLR a Paga a Diretores Não Empregados; e Prêmio Incentivo Fidelidade, sob argumentos de tratar-se de ganho eventual, desvinculação do salário e ausência de habitualidade. Também refutado o lançamento relativo aos pagamentos aos credenciados pelo plano de saúde gerido pela contribuinte (Assistência Médica Suplementar – AMS). Em despacho datado de 15/04/2020 (e.fls. 5190/5203) o então Presidente da 3ª Câmara desta 2ª Seção de Julgamento deu seguimento parcial ao Recurso Especial interposto pela Contribuinte, admitindo a rediscussão somente da matéria relativa ao item: “incidência das Fl. 5438DF CARF MF Original Fl. 5 do Acórdão n.º 9202-011.233 - CSRF/2ª Turma Processo nº 16682.721258/2017-16 contribuições previdenciárias sobre a verba Gratificação de Contingente"; e acatado como paradigma o Acórdãos 2401-005.284, que apresenta a seguinte ementa: Acórdão 2401-005.284: ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Data do fato gerador: 29/08/2007 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. Na existência de obscuridade, omissão ou contradição no acórdão proferido os embargos devem ser acolhidos. GRATIFICAÇÃO CONTINGENTE. NORMA COLETIVA. NATUREZA INDENIZATÓRIA. Nos termos do art. 7º, XXVI, da Constituição da República, deve ser prestigiado o pactuado em norma coletiva, invocando-se o princípio da autonomia da vontade coletiva, desde que não haja o desrespeito a norma de ordem pública ou má-fé. Logo, a gratificação contingente, prevista em norma coletiva e paga em parcela única, é devida apenas aos empregados em atividade e têm natureza jurídica indenizatória, sendo descabida a extensão das referidas parcelas aos inativos e a sua integração aos proventos de complementação de aposentadoria. Incide a Orientação Jurisprudencial Transitória nº 64 da SBDI-1 do TST. ERRO MATERIAL. CORREÇÃO. Verificada a ocorrência de erro material, o acórdão deve ser retificado para suprimir as inexatidões constantes da decisão embargada. Cientificada do seguimento parcial de seu Recurso Especial, a contribuinte apresentou agravo ao Despacho de Admissibilidade, conforme o documento de e.fls. 5229/5245. Por meio do “Despacho em Agravo” datado de 05/06/2020 (e.fls. 5332/5337), decidiu a então presidente da Câmara Superior de Recursos Fiscais (CSRF) pela rejeição do agravo, sendo confirmado o seguimento parcial do Recurso Especial, nos termos do despacho de admissibilidade acima referenciado. A Fazenda Nacional apresentou as contrarrazões de e.fls.5406/5415, onde afirma que o pagamento da Gratificação de Contingente seria prática usual na empresa, já que o pagamento desse montante, ainda que em parcela única no ano, vem sendo realizado ao longo de 9 anos consecutivos. Acrescenta que também não haveria como se negar as parcelas recebidas estariam desvinculadas do salário, pois, conforme leitura dos Acordos Coletivos do Trabalho (ACT’s), estas são calculadas pela aplicação de percentual incidente sobre a própria remuneração do trabalhador. Requer assim, a negativa de provimento ao recurso, para que seja mantido o acórdão recorrido. Em petição datada de 08/04/2021 (e.fls. 5420/5421), a contribuinte juntou aos autos o PARECER SEI Nº 152/2018/CRJ/PGACET/PGFN-MF, expedido pela Procuradoria- Geral Adjunta de Consultoria e Estratégia da Representação Judicial e Administrativa e aprovado pelo Sr. Procurador-Geral da Fazenda Nacional, conforme DESPACHO Nº 345/2020/PGFN-ME (e.fls. 5422/5432), sendo solicitada a aplicação ao presente recurso dos termos de referido parecer. É o relatório. Voto Fl. 5439DF CARF MF Original Fl. 6 do Acórdão n.º 9202-011.233 - CSRF/2ª Turma Processo nº 16682.721258/2017-16 Conselheiro Mário Hermes Soares Campos, Relator. Admissibilidade Com relação à matéria “incidência de contribuições sobre a verba Gratificação Contingente”, verifica-se que o paradigma (acórdão 2401-005.284), refere-se a pessoa jurídica do grupo econômico ao qual a ora autuada pertencia à época dos fatos (Petróleo Brasileiro SA – Petrobrás), versando sobre pagamentos da mesma “Gratificação Contingente” e também em decorrência de cláusula prevista em Acordo Coletivo de Trabalho. Decidiu-se no paradigma, por meio de embargos com efeitos infringentes, pelo provimento do Recurso Voluntário da contribuinte, sendo afastadas as contribuições sobre as parcelas relativas à referida gratificação. A seu turno, na decisão recorrida, relativa verba “Gratificação Contingente” com os mesmo contornos, entendeu-se pelo não provimento do recurso de pessoa jurídica do mesmo grupo econômico, ficando evidente a similitude das situações e com decisões opostas, que habilitam o conhecimento do recurso especial quanto a tal matéria. Portanto, sendo o recurso tempestivo e preenchendo os demais pressupostos de admissibilidade, deve ser conhecido. Mérito – matéria: “incidência de contribuições sobre a verba Gratificação Contingente” Advoga a recorrente que os pagamentos a título de “Gratificação Contingente” foram efetuados em caráter excepcional, o que demonstraria consonância com a jurisprudência atual, a qual, segundo a contribuinte: “...preconiza que a gratificação para integrar o salário deve ser habitual, ou seja, deve estar presente o requisito objetivo, ou, ainda, no caso de constar no instrumento que a instituiu que a mesma terá tal caráter (requisito subjetivo).” Conclui assim que, desse modo, no presente caso, não haveria que se falar em integração de tal parcela ao salário e ao contrato de trabalho, vez que, tanto pelo critério subjetivo, quanto pelo objetivo, ficaria afastada sua incorporação, observada a ausência de habitualidade (única parcela), A rubrica denominada “Gratificação Contingente”, paga pela autuada (à época Petrobrás Distribuidora S/A) já foi objeto de apreciação por este Conselho e, inclusive, por esta CSRF em sede de Recurso Especial, conforme Acórdão 9202-008.605, relativamente a pagamentos efetuados no anos de 2009 a 2011, ou seja, nos três anos imediatamente anteriores ao período de apuração do presente lançamento. Pela clareza dos fundamentos, oportuna a reprodução da ementa e excertos do voto proferido no Acórdão 9202-008.605, de relatoria da i.conselheira Maria Helena Cotta Cardozo, repita-se, relativo à mesma contribuinte e também versando sobre a “Gratificação Contingente” paga em decorrência de ACT”s: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS PERÍODO DE APURAÇÃO: 01/01/2009 a 31/12/2011 GRATIFICAÇÃO CONTINGENTE. VINCULAÇÃO AO SALÁRIO. NÃO EVENTUALIDADE. ACORDO COLETIVO DE TRABALHO. NATUREZA SALARIAL. A importância paga ao segurado empregado a título de abono, com habitualidade e não desvinculada do salário, integra a base de cálculo da Contribuição Previdenciária para Fl. 5440DF CARF MF Original Fl. 7 do Acórdão n.º 9202-011.233 - CSRF/2ª Turma Processo nº 16682.721258/2017-16 todos os fins e efeitos, não se subsumindo às hipóteses de exclusão contidas na Lei nº 8.212, de 1991, e no Ato Declaratório PGFN nº 16, de 2011. (...) Das cláusulas transcritas acima, não resta dúvida no sentido de que os pagamentos dos abonos denominados Gratificação Contingente, além de estarem longe de caracterizar eventualidade, visto que efetuados de modo recorrente pela empresa em anos consecutivos, ainda eram diretamente vinculados aos salários dos trabalhadores, pois correspondiam a um percentual sobre a remuneração normal do empregado. O tema não é novo neste Colegiado e já foi objeto do Acórdão nº 9202-007.725, de 28/03/2019, da lavra do Ilustre Conselheiro Pedro Paulo Pereira Barbosa, tendo esta Relatora acompanhado o seu posicionamento, no sentido de que a importância paga, devida ou creditada ao segurado empregado, a título de abono, somente pode ser excluída do salário de contribuição, conforme definido no § 9º, do art. 28, da Lei nº 8.212, de 1991, se presentes as condições referidas no Ato Declaratório PGFN nº 16, de 2011, quais sejam: previsão em Convenção Coletiva de Trabalho, desvinculação do salário e pagamento sem habitualidade. Confira-se trecho do citado voto do Acórdão nº 9202-007.725, relativo a empresa do mesmo grupo econômico da Contribuinte, cujos fundamentos ora são adotados e agregados ao presente voto: Pois bem, a matéria está disciplinada no art. 28, I e § 9º, alínea “e”, item 7, da Lei nº 8.212, de 1991. Confira-se: (...) Conflitos sobre a interpretação do dispositivo foram solucionadas pelo Superior Tribunal de Justiça que, em decisões reiteradas, consagrou o entendimento de que abonos pagos por força de Convenção Coletiva, quando expressamente desvinculadas do salário e com eventualidade não integram a base de cálculo da Contribuição Social. Essas decisões levaram a Procuradoria-Geral da Fazenda Nacional a editar o Parecer PGFN/CRJ nº 2114/2011 e, com base neste, o Ato Declaratório nº 16/2011 pelos quais autoriza “a dispensa de apresentação de contestação e de interposição de recursos, bem como a desistência dos já interpostos, desde que inexista outro fundamento relevante” sobre os referidos abonos, observadas as condições acima referidas. Diante desse quadro, para a solução da lide não há outro caminho que não o de verificar se o abono em questão satisfaz essas condições, quais sejam, terem sido pagas por força de convenção coletiva, serem pagas com eventualidade e serem desvinculadas do salário. No presente caso, conforme informação prestada pela própria empresa, a “gratificação de contingência foi negociada nos ACT de 2007/2008 (cláusula 96ª), no Termo Aditivo do ACT de 2007 (cláusula 3ª), no ACT de 2009/2010 (cláusula 5ª), no Termo Aditivo do ACT 2009 (cláusula 3ª) e no ACT de 2011/2012 (Cláusula 4ª). Vejamos a cláusula 96ª do ACT de 2007/2008: A companhia pagará de uma só vez a todos os empregados admitidos até 31 de agosto de 2007 e que estejam em efetivo exercício em 31 de agosto de 2007, uma Gratificação Contingente, sem compensação e não incorporada aos respectivos salários, no valor Vejamos também a cláusula 5ª do ACT de 2009/2010: A companhia pagará de uma só vez a todos os empregados admitidos até 31 de agosto de 2009 e que estejam em efetivo exercício em 31 de agosto de 2009, uma Gratificação Contingente, sem compensação e não incorporada aos respectivos salários, no valor correspondente a 100% (cem por cento) de sua remuneração nominal, excluídas as parcelas de caráter eventual ou médias. Fl. 5441DF CARF MF Original Fl. 8 do Acórdão n.º 9202-011.233 - CSRF/2ª Turma Processo nº 16682.721258/2017-16 E a cláusula 3ª do ACT de 2011/2012: A companhia pagará de uma só vez a todos os empregados admitidos até 31 de agosto de 2011 e que estejam em efetivo exercício em 31 de agosto de 2011, uma Gratificação Contingente, sem compensação e não incorporada aos respectivos salários, no valor correspondente a 100% (cem por cento) de sua remuneração nominal, excluídas as parcelas de caráter eventual ou médias, ou R$ 6.000,00 (seis mil reais), o que for menor. Como se vê, a referida verba foi paga, pelos menos, nos anos de 2007, 2008, 2009, 2010, 2011 e 2012, o que, a meu juízo, lhe retira o caráter de eventualidade, embora os ACT afirmeM o contrário. Convenhamos que o pagamento, em SEIS anos consecutivos (pelo menos) de uma vantagem aos empregados não pode ser tida como algo eventual! Finalmente, sobre a desvinculação do salário, verifica-se que o referido abono é fixado como um percentual deste, e, portanto, proporcional ao salário recebido pelos empregados, o que indica sua vinculação ao salário do empregado. Ao se fixar o abono como percentual do salário, tendo este, portanto, como base de cálculo, o acordo o vincula definitivamente um ao outro. O que se percebe é que o abono, da forma como concedido, representa, efetivamente uma parcela do salário. O presente caso, portanto, não se enquadra na hipótese de exclusão da incidência da contribuição sobre o abono prevista no inciso art. 28, § 9º, alínea “e”, item 7, da Lei nº 8.212, tampouco na situação referida na PGFN/CRJ nº 2114/2011 e no Ato Declaratório nº 16/2011. Assim, tal como no julgado acima reproduzido, no presente caso a vinculação ao salário, por se tratar de um percentual deste, bem como o caráter habitual do pagamento, em anos sucessivos, de plano já inviabilizariam a exclusão da verba do salário de contribuição. Ademais, observa-se que o Ato Declaratório PGFN nº 16, de 2011, não seria aplicável ao presente caso também porque abrange apenas o abono único previsto em Convenção Coletiva de Trabalho, o que não é o caso da verba ora tratada, que foi paga com base em Acordo Coletivo. Nesse sentido, esclareça-se que o fato de a verba ora tratada estar prevista em Acordo Coletivo de Trabalho ou em Convenção Coletiva de Trabalho constitui diferença significativa na decisão do empregador, no sentido de conceder benefícios indiretos aos empregados. Com efeito, a Convenção Coletiva de Trabalho, que tem caráter normativo, representa a avença por meio da qual dois ou mais sindicatos representativos de categorias econômicas e profissionais estipulam condições de trabalho aplicáveis, no âmbito das respectivas representações, às relações individuais de trabalho (art. 611, do Decreto nº 5.452, de 1943). Já o Acordo Coletivo se dá entre empresa e sindicato de categoria profissional, ou seja, na Convenção Coletiva existe uma imposição às empresas para o pagamento do abono, obrigação essa que não pode ser descumprida. Já no caso do Acordo Coletivo, o que vale é o ato volitivo do empregador, que ao fim e ao cabo é quem decide acerca da concessão do benefício indireto ao empregado. Destarte, a Gratificação Contingente deve compor o salário de contribuição e ser submetida à incidência das Contribuições Previdenciárias. (...) As conclusões exaradas no acórdão acima parcialmente reproduzido ecoam em outros julgados desta 2ª Câmara Superior, assim como de diversas Turmas Ordinárias desta 2ª Seção de Julgamento do CARF. Cito, a título exemplificativo, os seguintes acórdãos desta 2ª Câmara, onde figuravam como recorrentes a empresa controladora e outra do mesmo grupo econômico da ora autuada, à época dos fatos, e que também versavam sobre pagamentos de “Gratificação Contingente”: Acórdãos 9202-003.708, 9202-008.344 e 9202-010.136 (recorrente Fl. 5442DF CARF MF Original Fl. 9 do Acórdão n.º 9202-011.233 - CSRF/2ª Turma Processo nº 16682.721258/2017-16 Petrobras Distribuidora S/A; Acórdãos 9202-007.725 e 9202-008.604 (recorrente Petrobras Transporte S/A – Transpetro). A “Gratificação Contingente” objeto da presente autuação guarda as mesmas características dos pagamentos realizados em exercícios anteriores e que ensejaram as autuações analisadas nos acórdãos acima mencionados. Destaco a vinculação ao salário, por se tratar de um percentual deste, assim como o caráter habitual do pagamento, vez que paga em anos sucessivos, situação que mais uma vez afasta a aplicação do Parecer PGFN/CRJ nº 2114/2011 e do Ato Declaratório nº 16/2011. Confira-se a conclusão do referido Parecer: 20.Assim, presentes os pressupostos estabelecidos pelo art. 19, inciso II, da Lei nº 10.522, de 2002, c/c o art. 5º do Decreto nº 2.346, de 1997, recomenda-se sejam autorizadas pela Senhora Procuradora-Geral da Fazenda Nacional a não apresentação de contestação, a não interposição de recursos e a desistência dos já interpostos, desde que inexista outro fundamento relevante, nas ações judiciais que visem obter a declaração de que sobre o abono único, previsto em Convenção Coletiva de Trabalho, desvinculado do salário e pago sem habitualidade, não há incidência de contribuição previdenciária. Conforme se verifica, o parecer trata de abono único, previsto em Convenção Coletiva de Trabalho, desvinculado do salário e pago sem habitualidade, características não verificadas no pagamento da “Gratificação Contingente”. De mais, resta devidamente comprovado que a notificada vinha reiteradamente efetuando pagamentos sob tal rubrica. Caracterizada assim, a habitualidade de tais pagamentos, não há que se cogitar da aplicação dos ditames do Ato Declaratório nº 16, de 2011, da Procuradoria Geral da Fazenda Nacional. Comungando com a interpretação e adotando os fundamentos acima reproduzidos do Acórdão 9202-008.605, entendo que a Gratificação Contingente está sujeita à contribuição previdenciária. Verifica-se portanto, que o lançamento foi efetuado com total observância do disposto na legislação tributária, sendo descritas com clareza a irregularidade apurada e o enquadramento legal da infração. Sendo a atividade administrativa do lançamento vinculada e obrigatória, uma vez detectada a ocorrência da situação descrita na lei como necessária e suficiente para ensejar o fato gerador da obrigação tributária, cabe à autoridade tributária proceder ao lançamento, com os devidos acréscimos legais, conforme previsão normativa, uma vez presente a hipótese caracterizadora de sua cobrança, não havendo que ser falar em nulidade do procedimento. Finalmente, à vista do não seguimento da parte recurso da contribuinte relativamente à matéria “incidência da contribuição previdenciária sobre pagamentos efetuados aos profissionais credenciados pela Assistência Médica Suplementar – AMS”, cumpre esclarecer que não cabe a este Conselho a execução de eventuais efeitos ou aplicação do disposto no Parecer SEI Nº 152/2018/CRJ/PGACET/PGFN-MF, aprovado pelo Sr. Procurador- Geral da Fazenda Nacional, devendo a interessada se reportar à unidade competente da Secretaria Especial da Receita Federal do Brasil, para apreciação quanto à aplicabilidade de referido parecer à presente autuação. Ante todo o exposto, voto por conhecer do Recurso Especial da contribuinte e, no mérito, negar-lhe provimento. (documento assinado digitalmente) Mário Hermes Soares Campos Fl. 5443DF CARF MF Original Fl. 10 do Acórdão n.º 9202-011.233 - CSRF/2ª Turma Processo nº 16682.721258/2017-16 Fl. 5444DF CARF MF Original
score : 1.0
Numero do processo: 13052.000265/2002-14
Turma: Quarta Câmara
Seção: Segundo Conselho de Contribuintes
Data da sessão: Tue Feb 21 00:00:00 UTC 2006
Data da publicação: Tue Feb 21 00:00:00 UTC 2006
Ementa: PIS.
DECRETOS-LEIS Nºs 2.445/88 E 2.449/88. DECLARAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE. APLICAÇÃO DA SISTEMÁTICA INSTITUÍDA PELA LEI COMPLEMENTAR Nº 07/70. A declaração inconstitucionalidade dos Decretos-Leis nº 2.445/88 e 2.449/88, pelo STF, objeto de Resolução do Senado nº 49/95, implica na aplicação da sistemática prevista na Lei Complementar nº 07/70.
SEMESTRALIDADE. BASE DE CÁLCULO. A jurisprudência da Câmara Superior de Recursos Fiscais e do STJ é uniforme no sentido de que o art. 6º, parágrafo único, da Lei Complementar nº 7/70, não se refere ao prazo para recolhimento do PIS, mas sim à sua base de cálculo (CSRF/02-01.814).
COMPENSAÇÃO. TRIBUTOS DA MESMA ESPÉCIE. AÇÃO JUDICIAL TRANSITADA EM JULGADO. POSSIBILIDADE. Os créditos decorrentes de pagamentos indevidos de PIS podem ser compensados com débitos do mesmo tributo mediante declaração em DCTF, mormente quando a ação judicial em que se discute o direito à restituição e compensação dos valores já tenha transitado em julgado.
Numero da decisão: 204-01.080
Decisão: ACORDAM os Membros da Quarta Câmara do Segundo Conselho de
Contribuintes, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, para reconhecer a semestralidade.
Matéria: DCTF_PIS - Auto eletronico (AE) lancamento de tributos e multa isolada (PIS)
Nome do relator: FLAVIO DE SÁ MUNHOZ
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Segundo Conselho de Contribuintes MF-Segundo Conselho de Conbibuintes Publicado no Diário Oficiei da União Processo n9 : 13052.000265/2002-14 Recurso n2 : 130.928 494 AcórdãoAcórdão n2 : 204-01.080 Recorrente : J A SPOHR S/A VEÍCULOS Recorrida : DRJ em SantaMaria - RS PIS. DECRETOS-LEIS Ncss 2.445/88 E 2.449/88. DECLARAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE. APLICAÇÃO DA SISTEMÁTICA INSTITUÍDA PELA LEI COMPLEMENTAR MIN. DA FAZENDA - 2° CC N° 07/70. A declaração inconstitucionalidade dos Decretos-Leis CONFERE COM O ORIGINAL n° 2.445/88 e 2.449/88, pelo STF, objeto de Resolução do BRASILIA j-j _jati Senado n° 49/95, implica na aplicação da sistemática prevista na Lei Complementar n° 07/70. SEMESTRALIDADE. BASE DE CÁLCULO. A jurisprudência da Câmara Superior de Recursos Fiscais e do STJ é uniforme no sentido de que o art. 6°, parágrafo único, da Lei Complementar n° 7/70, não se refere ao prazo para recolhimento do PIS, mas sim à sua base de cálculo (CSRF/02-01.814). COMPENSAÇÃO. TRIBUTOS DA MESMA ESPÉCIE. AÇÃO JUDICIAL TRANSITADA EM JULGADO. POSSIBILIDADE. Os créditos decorrentes de pagamentos indevidos de PIS podem ser compensados com débitos do mesmo tributo mediante declaração em DCTF, mormente quando a ação judicial em que se discute o direito à restituição e compensação dos valores já tenha transitado em julgado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos de recurso interposto por 1 A SPOHR S.A VEÍCULOS. ACORDAM os Membros da Quarta Câmara do Segundo Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, para reconhecer a semestralidade. Sala das Sessões, em 21 de fevereiro de 2006. " :"."1"4 ia 4-0 **0 enrique Pinheiro To s Presidente Flávio de á Munhoz Relator Participaram, ainda, do presente julgamento os Conselheiros Jorge Freire, Nayra Bastos Manatta, Rodrigo Bemardes de Carvalho, Júlio César Alves Ramos, Sandra Barbon Lewis e Adriene Maria de Miranda. 1 • CC-MF Munste'no da Fazenda ti-r•Or Segundo Conselho de Contribuintes MIN 04 tz, F4ZEI‘2° CC CONFERE C9M O ORIMNAL Processo na : 13052.00026512002-14 BRASÍLIA _Lti Recurso 32 130.928 Acórdão n2 : 204-01.080 Recorrente : .1 A SPOHR S/A VEÍCULOS RELATÓRIO Tratam os presentes autos de lançamento de ofício decorrente de conferência eletrônica das informações constantes em DCTF referente a compensações supostamente não comprovadas. Tais compensações foram controladas por meio do Processo Administrativo n° 11080.000505/96-54, que originou o Processo n° 13005.000281/2004-34, objeto do Recurso Voluntário n° 130.921, julgado nesta mesma sessão de julgamento. Referido processo foi formalizado de ofício pelas autoridades administrativas com o objetivo de acompanhar a Ação Ordinária n° 95.0023781-4. Analisando a decisão judicial transitada em julgado, a Receita Federal constatou que houve compensação indevida de PIS em relação aos períodos de apuração compreendidos entre 12/95 e 03/2000 e procedeu à formalização de processos para a cobrança dos valores que entendia haviam sido indevidamente compensados. Como forma de bem relatar os fatos, transcrevo parte do Parecer DRF/SCS/Sacat n° 033/2004, constante às fls. 437 a 446 dos autos do o processo 13005.000281/2004-34, objeto do Recurso Voluntário n° 130.921, julgado nesta mesma sessão de julgamento: 2. Por intermédio da ação ordinária n° 95.0023781-4 a empresa J A SPOHR S/A VEÍCULOS procurou demonstrar a inconstitucionalidade das alterações do PIS introduzidas pelos Decretos-leis n°5 2.445/88 e 2.449/88, requerendo, ainda, a compensação dos valores que entende ter recolhido indevidamente a esse titulo com importâncias devidas sob a mesma rubrica. 3. Em 03.07.96, foi proferida sentença (fls. 56/62), com o seguinte dispositivo: "DISPOSITIVO ISSO POSTO, julgo procedente a pretensão manifestada na inicial, RECONHECENDO A INEXIGIBILIDADE da cobrança da contribuição ao PIS sob a égide dos Decretos- Leis n's 2.445 e 2449/88 e DECLARANDO O DIREITO À COMPENSAÇÃO do montante pago a esse titulo, consideradas as guias DARFs acostadas à inicial, corrigido monetariamente desde. quando efetuado cada pagamento (0T7V/B7N/INPC/UFIR, considerando, ainda, os expurgos de janeiro/89, março, abril e maio/90 e fevereiro)91) e acrescido de juros na forma do §4° do artigo 39 da Lei n°9.250/95, com valores devidos sob a rubrica da própria contribuição ao PIS, tal como prevista na Lei Complementar n° 7/70. Condeno a União no ressarcimento das custas e no pagamento de honorários advocaticios de R$ 300,00 (trezentos reais) à autora P.R.I. Sentença sujeita ao reexame necessário. Porto Alegre, 03 de julho de 1996. Leandro Paulsen JUIZ FEDERAL DA 12° VARA" 4. Consta Ementa e Acórdão relativos à Apelação Mel n° 97.04.06328-8-RS (fl. 68). "EMENTA 2 , . • , 4, i.:', Ministério da Fazenda tcaN. DA FAZENDA - 2° CC ‘' 2" CC-MFth•L",---•,..47. Segundo Conselho de Contribuintes CONFERE COM O ORIGIN4. Fl. BRASILIA 14-/ ..ar /0 Processo n" : 13052.000265/2002-14 ---We-----Recurso n2 : 130.928 _______________ Acórdão n2 : 204-01.080 CONSTITUCIONAL TRIBUTÁRIO. PIS. DECRETOS-LEIS 2.445/88 E 2.449/88. I. Declarada a inconstitucionalidade da exação nos termos dos DL's 2.445 e 2.449/88, correta a sentença que autorizou o pagamento ao PIS — Programa de Integração Social com a alíquota instituída pela LC. 0700 e suas alterações leRais. bem como a_ compensação dos valores pagos a maior — porque recolhidos nos 'termos dos decretos- leis atacados -, após o trânsito em julgado da ação, com valores atualizados e com contribuições devidas ao próprio PIS. 2. A partir de 1°.01.96, por força da Lei 9.250/95, §4°, art. 39, a correção dos indébitos é feita com base na Tara SELIC, excluídos juros de mora. ACÓRDÃO Vistos e relatados estes autos em que são panes as acima indicadas, decide a egrégia Primeira Turma do Tribunal Regional Federal da 4° Região, por unanimidade, dar parcial provimento à apelação e à remessa oficial, na forma do relatório e votos constantes destes autos e que ficam fazendo pane integrante do presente julgado. Juiz VOLKMER DE CASTILHO, Relator". (Grifei) 5. O acórdão relativo à Apelação Cível n° 97.04.06328-8-RS transitou em julgado em 27.06.97, conforme extrato de fl. 74 6. Da leitura das decisões judiciais, conclui-se que os Decretos-lei es 2.445 e 2.449, ambos de 1988, foram declarados inconstitucionais, tendo sido reconhecido o direito do impetrante em recolher o PIS confomze disposições da Lei Complementar n° 700 e suas alterações legais, assim como compensar eventuais valores recolhidos indevidamente a título de PIS pela sistemática dos referidos decretos-leis. Tal compensação se dará especificamente com débitos do próprio PIS, com correção monetária expurgos e SELIC. 7.Diante do exposto, o contribuinte foi solicitado, em 31.05.2000, a apresentar cópia dos DARFs que deram origem ao crédito e também a relacionar os períodos e valores compensados. Em 23.06.2000, foi emitida nova solicitação para que o contribuinte informasse a base de cálculo do PIS relativa ao ano-base de 1990 (fls. 82 e 84). 8.A ciência de tais solicitações ocorreu em 05.06.2000 e 28.062000, respectivamente, de acordo com os avisos de recebimento — ARs de fls. 83 e 86. 9. Em resposta à solicitação, o contribuinte apresentou os documentos de fls. 87/133, informando que entende possuir crédito de 352.506,65 UFIIRs e que tal crédito fora utilizado em compensações com débitos de PIS relativos aos períodos de apuração compreendidos entre 09/95 e 06/2000 ((ls. 90/105). 10.Ressalte-se que não consta na DCTF relativa ao 2° trimestre de 2000 qualquer compensação ((is. 391/394), pois os valores devidos a título de PIS relativos aos períodos de apuração de 04/2000, 05/2000 e 06/2000 foram extintos por pagamento (R$ 4035,26, R$ 6.559,51 e R$ 7.133,17, respectivamente), conforme confirmam os extratos de fls. 397/399. 11.De posse dos dados apresentados pelo contribuinte, a Receita federal em Santa Cruz do Sul efetuou seus cálculos de acordo com o direito reconhecido judicialmente na ação ordinária n° 95.0023781-4 e apresentou a planilha de fls. 137/140, concluindo que o crédito de PIS era insuficiente para liquidar os débitos de PIS relativos aos períodos de apuração compreendidos entre 09/95 e 03/2000, dando origem à cana cobrança de fls. 203/205, que englobou saldos devedores remanescentes após compensação para as competências 12/95 a 03/2000. izi1/2( 3 , . • d CC-MF ;,:rer Ministério da Fazenda MIN. DA FAZENDA - 2" De at Fl. 144/ :Cx. Segundo Conselho de Contribuintes CONFERE Cri 000711NAÓ1 BRASILIA Processo n't : 13052.000265/2002-14 Recurso nt : 130.928 n Acórdão ri' : 204-01.080 12.A ciência do contribuinte em relação à planilha supracitada ocorreu em 07.12.2000, conforme AR de fl. 142. 13. A ciência do contribuinte em relação à carta cobrança em tela ocorreu em 25.04.2001, conforme AR de fl. 206. 14. Nota-se que, na análise da planilha apresentada pelo contribuinte (fls. 88/89), um entendiménto equivocado, pois a contribuição considerada como devida com base na Lei Complementar n° 7/70 e suas alterações legais, foi calculada considerando-se a indexação no sexto mês subseqüente ao fato gerador, isto é, o PIS devido em um determinado mês foi calculado com base no faturamerao do sexto mês anterior. Isto contraria o disposto nas Leis n's 7.691/88, 7.799/89, 8.019/90, 8.218/91, 8.850/94, 8.981/95, 9.069/95 e na Medida Provisória n°2.158-35/2001, conforme esclarecimentos adicionais no item 16 abaixo. 25. Irresignado com a carta de cobrança citada nos itens II e 13, que engloba os débitos constantes na tabela do item 24, o interessado apresentou, em 24.05.2001, a impugnação de fls. 207/227, cujo prosseguimento foi negado pelo Sr. Chefe da Agência da Receita Federal em Lajeado, conforme despacho de fl.253, com ciência do contribuinte em 22.05.2001 (AR de fl.254). 26. Com isso, o contribuinte apresentou o recurso voluntário de fls.255/259, cujo seguimento foi negado pelo Sr. Delegado da Receita Federal em Santa Cruz, determinando o prosseguimento da cobrança dos saldos devedores remanescentes de PIS, conforme despacho de fl. 262, com ciência do contribuinte em 01.08.2001 (AR de ji.269). 27. Não tendo havido manifestação do contribuinte quanto à cana de cobrança de fls. 263/265, foi emitido demonstrativo de débitos e encaminhado o processo administrativo n° 11080.000505/96-54 à Procuradoria da Fazenda Nacional — PFN para cobrança executiva ((is. 270/272). 28. Os saldos devedores de PIS relativos aos períodos de apuração compreendidos entre 12/95 e 03/2000 foram inscritos em dívida ativa da União (fls. 274/310), dando origem à inscrição n° 00 7 01 000894-03. 29. Diante da referida inscrição em dívida ativa da União, o contribuinte impetrou o mandado de segurança n° 2001.71.11.001927-9, objetivando, em sede de provimento jurisdicional liminar, a obtenção de medida que determinasse a suspensão do crédito tributário inscrito sob o n° 7 01 000864-03, com a abstenção da tomada de qualquer medida no sentido de cobrar o supracitado crédito tributário. 30. A petição inicial relativa ao mandado de segurança n° 2001.71.11.001927-9 foi anexada às fls. 319/339. 31. A liminar foi deferida para que as autoridades impetradas (Delegado da Receita Federal em Santa Cruz do Sul e Procurador Seccional da Fazenda Nacional em Santa Cruz do Sul) suspendessem a exigibilidade do crédito tributário, abstendo-se de promover qualquer medida no sentido de cobrá-lo (fls. 312/313). 32. A sentença proferida no mandado de segurança n° 2001.71.11.001927-9 (fl5.343/346) garante à impetrante o direito de ter por examinado o recurso voluntário protocolado em 04.05/2001 no processo administrativo n° 11080.000505/96-54, cancelando-se por decorrência, a inscrição em dívida ativa, ou seja, cancelando-se a cobrança dos créditos tributários relativos ao PIS dos períodos de apuração 12/95 a 03/2000. "Afif 4 • , 4r. 22 CC-MF Ministério da Fazenda MIN. DA FAZENOA - 2 9 CC 1 -.<," Segundo Conselho de Contribuintes ";n%195,;"> CONFERE COM O ORIGINAÇ BRASILIA Processo n" : 13052.000265/2002-14 Recurso it : 130.928 Acórdão iit 204-01.080 33. Ressalte-se a fimdamentação e o dispositivo contidos na sentença em questão ((Is. 345/346): "FUNDAMENTAÇÃO Pretende a impetrante compelir as autoridades impetradas a apreciarem o Recurso Voluntário interposto da decisão que aceitou a compensação parcial dos débitos ou, altemativcunente, a concessão de medida que determine às autoridades impetradas afastarem a ilegalidade que permeou os critérios de determinação dos valores passíveis de compensação. Merece acolhida a pretensão da impetrante no que tange a apreciação do Recurso Voluntário. Em se tratando de hipótese de compensação realizada por meio de DCI'F e com fulcro em sentença judiciai o Fisco, em não concordando com a compensação, antes de fazer a inscrição em dívida ativa, deve instaurar processo administrativo, propiciando à parte o direito de defesas e de recurso. Destarte, como no presente caso não foram tomudas as supracitadas providências, eis que o Fisco, não concordando com a compensação, simplesmente negou a apreciação do recurso, é evidente que restou prejudicado o direito da impetrante. Ademais, a compensação, ainda mais quando fundamentada em sentença, é um direito do contribuinte, incumbindo, então, à Fazenda a comprovação de que está sendo feita regularmente, constatação esta que somente pode dar-se mediante procedimento administrativo. Assim, é imperioso o julgamento de procedência da presente demanda. DISPOSITIVO ANTE O EXPOSTO, CONCEDO A SEGURANÇA para o fim de garantir à impetrante o direito de ter por examinado o recurso voluntário dirigido ao Conselho de Contribuintes, cancelando-se, por decorrência, a inscrição do crédito em dívida ativa. ..." (Grifei) 34. Concluo que não houve, na sentença supra, manifestação quanto aos critérios de determinação dos valores passiveis de compensação. A sentença determina que deve ser aceito e encaminhado o recurso voluntário protocolado no processo administrativo n• 11080.000505/96-54, até porque o pedido da inicial foi alternativo (ou determina-se o prosseguimento do arecurso voluntário ou afasta-se a ilegalidade que permeou os critérios de determinação dos valores passíveis de compensação). O mandado de segurança n° 2001.71.11.001927-9 ainda não transitou em julgado, conforme fls. 414/420. 35. A inscrição em dívida ativa da União e 00 7 01 000894-03 objeto do processo administrativo e 11080.000505/96-54 foi cancelada ((is. 347/348). 36. Os créditos tributários relacionados na carta de cobrança supracitada foram transferidos para o processo administrativo n° 13005000787/2002-81, conforme f item 08. 37. O processo administrativo n• 11080.000505/96-54 foi encaminhado à DRJ/Santa Maria, que emitiu o Acórdão DRJ/STM n° 1.376/2003 (fls. 362/372) deferindo a solicitação do contribuinte, reconhecendo o direito à compensação e reservando Fazenda Pública o direito de lançar por intermédio de auto de infração eventual compensação indevida feita. 5 • . . . -. ....41.: Ministério da Fazenda MIN. DA FAZENDA - 29 CC ‘ 22 CC-MF •••-•--4/ --"'1n :'-'::t" Segundo Conselho de Contribuintes CONFERE CT O ORIGINA L E. BRASÍLIA 4 . .,....Gr- , .. Processo n9 : 13052.000265/2002-14 Recurso n't : 130.928 vir- I Acórdão n2 : 204-01.080 38.O contribuinte foi cientificado do Acórdão DRJ/STM n° 1.376/2003 em 07.05.2003, de acordo com AR de fl. 373. 39.Saliente-se que não consta no Acórdão DRJ/STM n°1.376/2003 manifestação acerca da validade ou não dos cálculos da DRF/Santa Cruz do Sul ,gue culminaram no- demonstrativo de débitos de fls. 270/272. 40. Conio decorrência do Acórdão DRJ/STM e 1.376/2003, os processos administrativos n° 11080.000505/96-54 e 13005000787/2002-81 (citado o item 36) foram baixados do sistema de controle e cobrança da Receita Federal (PROFISC), conforme documentos de fis. 384/385. 4!. Conforme item VII, fl. 10 do Acórdão DRJ/STM n°1.376/2003, temos: "VII. Tendo em vista a decisão judicial cuja cópia está anexada às fis. 54/60, observada conjuntamente à decisão cuja cópia está anemda às fls. 62/64, observando-se especialmente as disposições de 17.63, o Poder Judiciário reconheceu o direito da contribuinte de compensar valores recolhidos indevidamente a título de PIS com débitos vincendos do próprio PIS. Então, reconhecido expressamente pelo judiciário o direito da contribuinte de repetir o seu indébito através de compensação — créditos de PIS com débitos de PIS — não cabe ao órgão administrativo da SRF reconhecer (novamente) tal direito, nem processar qualquer compensação ainda que relativamente a outros tributos e contribuições que não aquele determinado pelo poder provocado, mesmo que o poder executivo tenha editado legislação acerca da matéria, visto que a autoridade fiscal deve observar integralmente as determinações provindas o Poder Judiciário, eis que essa esfera é superior e autônoma em relação à esfera administrativa Cabe, pois, à contribuinte, efetuar a compensação conforme o determinado pelo Poder Judiciário, podendo a repartição fiscal, a qualquer momento, dentro do período decadencial, verificar a correção da compensação realizada exigindo de oficio, se for o caso, os valores porventura compensados indevidamente". 42.No Acórdão DRI/STM n° 1.376/2003, consta necessidade de procedimento de ofício para cobrar os débitos de PIS tidos como indevidamente compensados. Ocorre que tal Acórdão foi emitido sob a égide do art. 90 da Medida Provisória n° 2.158-35/2001. Atualmente, vigora o art. 18 da Lei n° 10.833/2003. Assim, entendo que não cabe _ lançamento de ofício para cobrar débitos confessados e tidos como indevidamente !compensados, bastando a cobrança dos mesmos nos moldes do art. 74 da Lei n° 9.430/96, com redação dada pelo art. 49 da Lei n°10.637/2002 e pelo art. 17 da Lei n° 10.833/2003. 43.Assim, para os créditos tributários relacionados na tabela do item 24, temos a ...±........seguinte situação: ., 1 6 . . -. . 21 CC-MF -",=-4:: Ministério da Fazenda 1/4,l" 1 Fl. Segundo Conselho de Contribuintes MIN. DA FAZENDA - 2 Q CC ; CONFERE COM O ORIGINAI_ Processo n2 : 13052.000265/2002-14 BRASILIA __R. ! 12 r Jeté__ Recurso u° : 130.928 Acórdão n9 : 204-01.080 vIst— Períodos de apuração Situação Os créditos tributários tidos como indevidamente _ compensados pelo contribuinte (fls4 91/94) não foram 12/95 g 12/96 confessados em DCITs (fls.421/436). Assim, estão sendo cobrados por intermédio do auto de infração objeto do processo administrativo n° 13005000271/2004-07. Estão sendo cobrados por intermédio do auto de 01/97 a 03/97 infração objeto do processo administrativo n° 13005.001351/2001-29, já impugnado pelo contribuinte. Estão sendo cobrados por intermédio do auto de 04/97 a 06/97 infração objeto do processo administrativo n° 13005.000265/2002-14, já impugnado pelo contribuinte. Estão sendo cobrados por intermédio do auto de 07/97 a 12/97 infração objeto do processo administrativo n° 13005.000527/200241, já impugnado pelo contribuinte. Estão sendo cobrados por intermédio do auto de 01198 a 12/98 infração objeto do processo administrativo n° 13005.000367/2003-11, já impugnado pelo contribuinte. Os créditos tributários tidos como indevidamente compensados pelo contribuinte (fls. 100/104) foram confessados em DCTFs (fls. 174/188 e 391/396). Assim, 01/99 a 03/2000 são passiveis de serem cobrados por intermédio do presente processo administrativo, nos moldes do art. 74 da Lei n° 9.430/96. e e • 44. Diante do exposto, e considerando que a decisão judicial relativa à ação ordinária n° 95.00237814 determina a cobrança do PIS nos moldes da Lei Complementar n° mo e suas alterações legais, adoto os cálculos feitos pela DRF/Santa Cruz do Sul (planilhas de fis. 139/140), que culminaram com a cana de cobrança de fis. 203/205, cancelada pelo Acórdão DRJ/STM n°1.376/2003, e na inscrição em dívida ativa da União (fls. 274/310), cancelada pela sentença relativa ao Mandado de Segurança n° 2001.71.11.001927-9." A DRJ em Santa Maria – RS manteve o lançamento tributário sob o fundamento de que a Recorrente efetuou recolhimento a menor da Contribuição ao PIS, adotando o entendimento de que a base de cálculo do referido tributo era o faturamento do próprio mês e não do sexto mês anterior ao do pagamento, que corresponde a prazo de recolhimento, o qual teria 7.sido alterado posteriormente pela legislaç»ão. 1 7 $SI-À;;',5 22 CC-MF• Ministério da Fazenda MIN. DA FAZENDA - 2" Ce FI. tr,:20t" Segundo Conselho de Contribuintes CONFERE C M O ORIGINAI BRASILIA ..1 _ar e— Processo n2 : 13052.000265/2002-14 Recurso n2 : 130.928 Acórdão n2 : 204-01.080 Contra a referida decisão, a contribuinte interpôs Recurso Voluntário tempestivo, devidamente acompanhado de arrolamento de bens, nos termos do disposto na Instrução Normativa SRF n° 264/2002. - É o relatório. • 1.( 8 . . hra, Ministério da Fazenda MIN. DA FAZENDA - 2° CC 22 CC-MF • n. t‘tf-t,t;;14' Segundo Conselho de Contribuintes CONFERE C71 O ORIGINAt. BRAS ILJA _1 . _Ler _lit. Processo n2 : 13052.000265/2002-14 - Recurso in9 : 130.928 vis Acórdão n2 : 204-01.080 VOTO DO CONSELHEIRO-RELATOR FLÁVIO DE SÁ MUNHOZ Tratam os presentes autos de auto de infração para a exigência de PIS supostamente recolhido a menor, nos períodos de apuração de abril de 1997 a.junho de 1997. A recorrente alega que o crédito tributário constituído foi extinto por compensação declarada à Receita Federal por meio da DCTF, com crédito decorrente de recolhimentos a maior de PIS, com base nos Decretos-Leis n°s 2.445/88 e 2.449/88. A compensação alegado pela Recorrente não foi homologada pela Receita Federal, que entendeu que o valor a ser restituído à Recorrente em razão dos recolhimentos efetuados com base nos Decretos-Leis nt's 2.445/88 e 2.449/88 não era suficiente para a compensação dos débitos vinculados. Em sua defesa, a Recorrente sustentou que as compensações não foram homologadas em decorrência da aplicação incorreta do disposto no art. 6° da Lei Complementar n° 7170, e da desconsideração da chamada "semestralidade" do PIS. A sistemática de apuração do PIS foi alterada pelos Decretos-leis n° 2.445/88 e 2.449/88. Os decretos-leis acima mencionados foram declarados inconstitucionais pelo Supremo Tribunal Federal no julgamento do Recurso Extraordinário n. 148.754. Posteriormente, foi publicada, em 10/10/95, a Resolução do Senado n° 49/95, suspendendo sua execução, ex tunc, dos referidos textos legais. Deste modo, a contribuição ao PIS era devida pela sistemática de apuração e critério de cálculo definido pela Lei Complementar n° 7/70, inclusive com a defasagem na base de cálculo a que se denominou "semestralidade", de acordo com o disposto no seu art. 6°, parágrafo único. A C. Segunda Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais já assentou o entendimento de que a semestralidade do PIS diz respeito à base de cálculo e não a prazo de vencimento, não havendo qualquer dúvida a este respeito, como pode-se observar da ementa do acórdão abaixo transcrita: PIS — SEMESTRALIDADE - BASE DE CÁLCULO — CORREÇÃO MONETÁRIA. É uníssona a jurisprudência do egrégio STJ, assim como desta colenda Cone, no sentido o art. 6°, parágrafo único, da Lei Complementar n. 7/70, não se refere ao prazo para recolhimento do PIS, mas sim à sua base de cálculo, sem correção monetária. Recurso negado (CSRF/02-01.814, Relator Francisco Maurício R. de Albuquerque Silva, Sessão de 24/01/2005). Assim, o valor a ser restituído/compensado é aquele decorrente da diferença apurada entre o valor recolhido com base nos Decretos-Leis ri% 2.445/88 e 2.449/88 e o valor devido com base na Lei Complementar n° 7/70, calculado sobre o faturamento do sexto mês anterior, sem correção monetária. A compensação de créditos tributários pressupõe a existência de crédito líquido quanto ao montante e certo quanto à existência do direito, nos termos do disposto no art. 170 do Código Tributário Nacional, que assim estabelece: Art. 170. A lei pode, nas condições e sob as garantias que estipular, ou cuja estipulação em cada caso atribuir à autoridade administrativa, autorizar a compensação de créditos •dfr../1 9 , 47.5"1!::%•?, 211CC-MF 'ti: Ministério da Fazenda Fl. Segundo Conselho de Contribuintes MIN. DA FAZENDA 29 CC CONFERE COM O ORIGINAL Processo n' : 13052.000265/2002-14 BRASIjiA Recurso n2 130.928 Acórdão n2 : 204-01.080 tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda Pública Portanto, a compensação efetuada pela Recorrente, decorrente de decisão judicial transitada em julgado, cumpriu os requisitos estabelecidos pelo art 170. Considerando que se tratam (créditos e débitos) de contribuições de mesma espécie e destinação constitucional (PIS com PIS), aplicável à espécie o disposto no art. 14 da IN SRF n° 21/1997, que assim dispensa a formulação de pedido de compensação dirigido à administração: Art. 14. Os créditos decorrentes de pagamento indevido, ou a maior que o devido, de tributos e contribuições da mesma espécie e destinação constitucional, inclusive quando resultantes de reforma anulação, revogação ou rescisão de decisão condenatória, poderão ser utilizados, mediante compensação, para pagamento de débitos da própria pessoa jurídica, correspondentes a períodos subseqüentes, desde que não apurados em procedimento de ofício, independentemente de requerimento. As indicações das compensações foram diligentemente informadas pela contribuinte nas DCTFs nos períodos das compensações, possibilitando o devido processamento nos controles da administração. Com estas considerações, dou parcial provimento ao recurso para declarar que a base de cálculo do PIS durante os períodos de apuração objeto da autuação é o faturamento do sexto mês anterior, sem correção monetária, nos termos do disposto no art. 6° da Lei Complementar n° 7/70, acatando as compensações procedidas pela Recorrente, autorizadas por decisão judicial transitada em julgado, nos termos desta decisão, inclusive quanto à correção monetária autorizada pelo poder judiciário, ressalvando o direito da administração de exigir eventual saldo remanescente, comparando-se o valor recolhido com o valor devido, calculado à alíquota de 0,75% sobre o faturamento do sexto mês anterior. É como voto. Sala das Sessões, em 21 de fevereiro de 2006. FLAVIO D SA MUNHOZ 10 Page 1 _0069200.PDF Page 1 _0069300.PDF Page 1 _0069400.PDF Page 1 _0069500.PDF Page 1 _0069600.PDF Page 1 _0069700.PDF Page 1 _0069800.PDF Page 1 _0069900.PDF Page 1 _0070000.PDF Page 1
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