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Numero do processo: 11075.720958/2012-13
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Jul 26 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Aug 14 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 05/01/2009 a 20/10/2011
NULIDADE. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. DESQUALIFICAÇÃO DE CERTIFICADOS DE ORIGEM DA MERCADORIA. AUSÊNCIA DE MOTIVAÇÃO.
A utilização, como fundamento do auto de infração, de ato declaratório executivo expedido ao cabo do processo de investigação de origem no qual a Administração Tributária não especifica os fatos e as razões que conduziram à desqualificação dos certificados de origem eiva o auto de infração de nulidade insanável, rendendo ensejo à decretação de sua nulidade por cerceamento do direito de defesa.
Numero da decisão: 3402-005.541
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso voluntário para declarar a nulidade do auto de infração. Vencidos os Conselheiros Rodrigo Mineiro Fernandes, Waldir Navarro Bezerra e Pedro Sousa Bispo que negavam provimento ao recurso por considerarem que o lançamento foi corretamente motivado no Relatório Fiscal.
(assinado digitalmente)
Waldir Navarro Bezerra - Presidente
(assinado digitalmente)
Thais De Laurentiis Galkowicz - Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Maria Aparecida Martins de Paula, Diego Diniz Ribeiro, Pedro Sousa Bispo, Thais De Laurentiis Galkowicz, Rodrigo Mineiro Fernandes, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Rodolfo Tsuboi (Suplente Convocado) e Waldir Navarro Bezerra.
Nome do relator: THAIS DE LAURENTIIS GALKOWICZ
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 05/01/2009 a 20/10/2011 NULIDADE. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. DESQUALIFICAÇÃO DE CERTIFICADOS DE ORIGEM DA MERCADORIA. AUSÊNCIA DE MOTIVAÇÃO. A utilização, como fundamento do auto de infração, de ato declaratório executivo expedido ao cabo do processo de investigação de origem no qual a Administração Tributária não especifica os fatos e as razões que conduziram à desqualificação dos certificados de origem eiva o auto de infração de nulidade insanável, rendendo ensejo à decretação de sua nulidade por cerceamento do direito de defesa. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso voluntário para declarar a nulidade do auto de infração. Vencidos os Conselheiros Rodrigo Mineiro Fernandes, Waldir Navarro Bezerra e Pedro Sousa Bispo que negavam provimento ao recurso por considerarem que o lançamento foi corretamente motivado no Relatório Fiscal. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra Presidente (assinado digitalmente) Thais De Laurentiis Galkowicz Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros Maria Aparecida Martins de Paula, Diego Diniz Ribeiro, Pedro Sousa Bispo, Thais De Laurentiis Galkowicz, AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 07 5. 72 09 58 /2 01 2- 13 Fl. 813DF CARF MF 2 Rodrigo Mineiro Fernandes, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Rodolfo Tsuboi (Suplente Convocado) e Waldir Navarro Bezerra. Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto em face de decisão proferida pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento ("DRJ") de São Paulo/SP (fls 680 e seguintes), que julgou improcedente a impugnação apresentada pela Contribuinte. Por bem consolidar os fatos ocorridos até a decisão da DRJ, colaciono o relatório do Acórdão recorrido in verbis: O Auto de Infração Tratase de auto de infração lavrado na Inspetoria da Receita Federal do Rio de Janeiro, contra a empresa ATAR DO BRASIL DEFENSIVOS AGRÍCOLAS LTDA, CNPJ 07.062.344/000174, doravante denominada impugnante, referente a cobrança do Imposto de Importação e juros de mora, no valor de R$ 3.854.141,71 (Três milhões, oitocentos e cinquenta e quatro mil e setenta e um centavos) devido ao não reconhecimento da redução tarifária solicitada pelo importador no despacho de importação, redução esta no âmbito do Acordo de Complementação Econômica no 18 (ACE 18) do MERCOSUL. O auto de infração foi lavrado em procedimento de revisão aduaneira, e o não reconhecimento da redução tarifária solicitada pelo importador, quando do despacho aduaneiro, deveuse ao Processo Aduaneiro de Investigação da Origem da Mercadoria, de acordo com o estabelecido no Decreto no 5455/2005 e na IN SRF 149/2002, que concluiu que os certificados de origem apresentados pela impugnante nos despachos de importação referentes às declarações de importação englobadas neste PAF, não atendiam aos requisitos estabelecidos nas citadas normas, conforme declarado pelo Ato Declaratório Executivo Coana no 22 de 2011. Dos Fatos Consta do Termo de Encerramento que instrui o auto de Infração: 3. DA QUALIFICAÇÃO DO AUTUADO E DAS OPERAÇÕES DE IMPORTAÇÃO que a impugnante é controlada diretamente pela sociedade empresária limitada Atanor do Brasil Ltda, inscrita no CNPJ sob o número 01.789.121/000127, e vinculada à empresa domiciliada no exterior Atanor S.C.A., inscrita no CNPJ sob o número 05.737.149/000171. Fl. 814DF CARF MF Processo nº 11075.720958/201213 Acórdão n.º 3402005.541 S3C4T2 Fl. 157 3 no período de 2009 a 2011, o interessado efetuou inúmeras operações de importação da mercadoria "herbicida à base de glifosato", classificada no código tarifário da Nomenclatura Comum do Mercosul (NCM) 3808.93.24, produzida pela empresa Atanor S.C.A., da Argentina. para que a referida mercadoria fosse importada com a aplicação do tratamento tributário preferencial para mercadorias originárias dos Estados Partes do Mercosul, essa deveria satisfazer o requisito de origem estabelecido no XLIV Protocolo Adicional ao ACE 18, Anexo I, qual seja, mudança de posição tarifária e 60% de valor agregado regional diante disso, nas operações de importação do período analisado, para a comprovação da origem das mercadorias, foram apresentados pelo interessado Certificados de Origem emitidos pela Câmara de Exportadores de la Republica Argentina, indicando em seu campo 13 (Normas de Origem) o cumprimento do requisito específico de origem nos seguintes molde: (........) Dessa forma, em razão da apresentação dos Certificados de Origem do Mercosul, as mercadorias foram contempladas com o correspondente tratamento tarifário preferencial, e desembaraçadas com redução integral do Imposto de Importação (I.I.). O Anexo I a este relatório elenca as DI(s) objetos da presente fiscalização, contendo as descrições das mercadorias importadas e os respectivos Certificados de Origem do Mercosul vinculados aos despachos de importação. 3.1 DA INVESTIGAÇÃO DE ORIGEM DA MERCADORIA "HERBICIDA À BASE DE GLIFOSATO" Por meio do Ato Declaratório Executivo Coana nº 02/2011, de 23 de março de 2011, publicado no DOU de 28 de março de 2011, foi aberto processo aduaneiro de investigação de origem em relação à mercadoria "herbicida à base de glifosato" produzida pela empresa Atanor S.C.A., da Argentina, O prazo para a conclusão da investigação foi prorrogado pelo Ato Declaratório Executivo Coana nº 14/2011, de 22 de setembro de 2011, publicado no DOU de 23 de setembro de 2011. Concluída a investigação, o processo foi encerrado pelo Ato Declaratório Executivo Coana nº 22/2011, de 21 de dezembro de 2011, publicado no DOU de 26 de dezembro de 2011, nos seguintes termos: Fl. 815DF CARF MF 4 Ato Declaratório Executivo Coana nº 22, de 21 de dezembro de 2011 DOU de 26.12.2011 Dispõe sobre o encerramento do Processo Aduaneiro de Investigação de Origem aberto pelo ADE Coana nº 2/2011. O COORDENADORGERAL DE ADMINISTRAÇÃO ADUANEIRA, no uso da atribuição que lhe confere o art. 129, inciso IV, da Portaria MF no 587, de 21 de dezembro de 2010, e tendo em vista o disposto nos artigos 27 e 32, Anexo, do Quadragésimo Quarto Protocolo Adicional ao Acordo de Complementação Econômica no 18 – ACE 18, internalizado por meio do Decreto no 5.455, de 02 de junho de 2005, e nos artigos 19 e 20, inciso I, da Instrução Normativa SRF nº 149, de 27 de março de 2002, declara: Art. 1º Concluída, com base no Relatório Fiscal Coana/Cotac/Dinom no 2011/2, o Processo Aduaneiro de Investigação de Origem da mercadoria "herbicida à base de glifosato", classificada no código tarifário da Nomenclatura Comum do Mercosul 3808.93.24, produzida pela empresa Atanor S.C.A., na Argentina, aberto por meio do ADE Coana no 2, de 23 de março de 2011, e prorrogado pelo ADE Coana no 14, de 22 de setembro de 2011. Art. 2º Desqualificados os Certificados de Origem, abaixo relacionados, com consequente exclusão do tratamento tarifário preferencial, por ter sido comprovado que a mercadoria por eles amparada não cumpriu com o requisito específico estabelecido no XLIV Protocolo Adicional ao ACE 18 – Anexo I: MANDADO DE SEGURANÇA Nº 000419443.2012.4.01.3400 O Ato Declaratório Executivo (ADE) Coana nº 22 de 21 de dezembro de 2011 encerrou o processo de investigação de origem aberto pelo ADE Coana nº 2, prorrogado pelo ADE Coana nº 14, findo o qual foram desqualificados os Certificados de Origem nele relacionados e negado o tratamento preferencial para o desembaraço aduaneiro de novas importações referentes a (i) herbicidas à base de glifosato classificados no código NCM 3808.93.24 e (ii) produzido pela empresa ATANOR S.C.A. A empresa exportadora, ATANOR S.C.A insurgiuse contra o ato e impetrou Mandado de Segurança nº 0004194 43.2012.4.01.3400 com pedido de liminar pedindo a nulidade dos Atos Declaratórios Executivos Coana nº 2, 14 e 22/2011, e também do processo que investigou a origem da mercadoria. Em 13 de abril de 2012, liminar deferiu suspensão dos efeitos do ADE Coana nº 22/2011. SUSPENSÃO DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO Considerando que o Crédito Tributário deste Auto de Infração foi lançado em decorrência da desqualificação dos Certificados de Origem fundamentada no processo de Investigação de Origem, que é o objeto do Mandado de Segurança nº 000419443.2012.4.01.3400, por força do artigo Fl. 816DF CARF MF Processo nº 11075.720958/201213 Acórdão n.º 3402005.541 S3C4T2 Fl. 158 5 151 da Lei 5.172 de 25 de outubro de 1966, o mesmo foi constituído porém encontrase suspenso. Diante de todo o exposto temos que o presente auto de infração foi lavrado para prevenir a decadência de crédito suspenso por decisão judicial nos termos do artigo 86 do Decreto no 7574 de 2011. Do auto de infração a impugnante tomou ciência em 23/07/2012 (fl. 526) e apresentou impugnação tempestiva em 22/08/2012. A Impugnação A impugnante inicia sua defesa com o item III.1 onde cita que: entrou com Mandado de Segurança n° 0004194 43.2012.4.01.3400 junto à 13ª Vara da Justiça Federal de Brasília/DF, buscando que seja decretada a nulidade dos Atos Declaratórios Executivos 02, 14 e 22 de 2011, e ainda, de todo o processo administrativo de investigação de origem; não há que se falar em concomitância entre o Mandado de Segurança e este PAF de modo a impedir o julgamento da impugnação, por outro lado, a concessão da segurança, reconhecendo a nulidade do Ato Declaratório, torna insubsistente o auto de infração. Afinal este possui como único fundamento a desqualificação dos Certificados de Origem por meio do ADE n° 22/11; A impugnação continua no item III.2, é feita uma abordagem sobre motivação e fundamentação do auto de infração, com transcrição da legislação vigente e de decisões do CARF e de tribunais. Estas transcrições em síntese mencionam que: deve constar no auto de infração motivação ou fundamentação claras e suficientes, devendo o mesmo de abranger as circunstâncias de fato e de direito necessárias à correta compreensão, pela impugnante, das razões que levaram a autoridade fiscal a promover o lançamento, bem como quais são exatamente as infrações que lhe estão sendo imputadas. cumpre à autoridade obediência aos preceitos legais exigidos para o lançamento, previstos no artigo 142 do CTN e no artigo 10 do Decreto 70235/1972, isso porque a existência de omissões ou ausência de descrição dos elementos essenciais que constituem a hipótese de incidência, macula o lançamento como um todo, pois inviabiliza a completa compreensão da acusação fiscal, e por conseguinte restringe o direito à ampla defesa. conforme acórdão no 30127.640 do CARF, vêse na autuação em análise, um caso concreto de ausência da Fl. 817DF CARF MF 6 hipótese legal supostamente não atendida pela impugnante (requisitos específicos de origem) quanto da documentação que teria deixado de ser apresentada, e especificamente da comprovação de vício do certificado de origem. Segue sobre o tema com considerações sobre o certificado de origem. No item III.3 de sua defesa, a impugnante fala da Ausência de Motivação e Fundamentação do Auto de Infração e sua Consequente Nulidade. Sobre o tema, alega que: do que consta no auto de infração, a suposta infração imputada à impugnante seria decorrente de duas situações, quais sejam i) deixar de cumprir os requisitos específicos estabelecidos no XLIV Protocolo Adicional ao ACE Anexo i e ii) não terem sido fornecidas as informações necessárias para determinar a veracidade dos dados neles contidos, contudo não é especificado no auto de infração qual das situações ensejou a lavratura do auto de infração. em realidade valsese a autuação essencialmente do Ato Declaratório Executivo COANA no 22/11, que tampouco especifica exatamente qual das duas situações teriam sido desatendidas, limitandose a dispor que a investigada (exportadora) não cumpriu com o requisito específico estabelecido no XLIV Protocolo Adicional ao ACE – Anexo I. Na continuidade de sua defesa a impugnante faz alegações referentes a desqualificação do certificado de origem, que constam os subitens 3.3.14, 3.3.15 (fl. 540), não abordados no auto de infração, e observa que desta forma o fiscal autuante considerou que somente a desqualificação dos certificados de origem seria suficiente para a lavratura do auto de infração, sendo desnecessário para a lavratura do auto especificar qual a infração que teria sido cometida pela impugnante. Sobre a necessidade de saber qual infração cometeu alega que: além de fazer necessária a demonstração da infração nestes autos de maneira independente, de forma a permitir o contraditório e a ampla defesa da autuada, sequer o Ato Declaratório traz por si só comprovação do suposto desatendimento, pela impugnante às regras tributárias. Nos itens 3.3.18, 3.3.19, 3.3.20. fala sobre a nulidade do ADE no 22. Sobre o referido ADE, ainda menciona que “ se a fiscalização pretende lavrar o Auto de Infração sob o fundamento de que os requisitos não foram atendidos, o ônus de provar a ausência de atendimento a esses requisitos é da própria fiscalização, e não pode ser transferido para a impugnante, ainda que se oportunize a realização desta prova.’ Nas alegações que se seguem a impugnante ressalta que não foi tratado no auto de infração quais os motivos referentes à desclassificação do certificado de origem e ressalta que tal fato impede a realização de sua defesa, Fl. 818DF CARF MF Processo nº 11075.720958/201213 Acórdão n.º 3402005.541 S3C4T2 Fl. 159 7 mesmo porque a impugnante não teve acesso nem mesmo ao relatório conclusivo do citado procedimento. Cita o artigo 29 do referido XLIV Protocolo do Adicional ao ACE 18, que dispõe: Artigo 29 – A autoridade competente do Estado Parte Importador comunicará ao Importador e à autoridade competente do Estado Parte Exportador o encerramento da investigação e a medida adotada em relação à investigação de origem da mercadoria, expondo os motivos que determinaram a decisão. De todo o exposto sobre motivação, em síntese a impugnante alega que devido às deficiências em sua motivação/fundamentação, o auto de infração está eivado de nulidade em virtude da preterição ao direito de defesa do contribuinte. A disposição do parágrafo único do artigo 10 da Instrução Normativa SRF n° 149/02 não autoriza que a autuação seja desprovida de seus requisitos essenciais de validade. O fato de haver Ato Declaratório Executivo desqualificando os Certificados de Origem não permite à Fiscalização que se valha tão somente deste para instruir e fundamentar o auto de infração No item III.4 – que trata da Nulidade do Auto de Infração em Virtude do Vício de Prazo na Investigação, a impugnante alega que: o procedimento de investigação de origem, que tem prazo máximo previsto na legislação de 180 (cento e oitenta) dias foi concluído 270 (duzentos e setenta) dias após o seu início. No item III. 5 – Da impossibilidade de Aplicação de Penalidade, Cobrança de Juros de Mora e Atualização da Base de Cálculo dos Tributos – Incidência do parágrafo único do artigo 100 do Código Tributário Nacional, a impugnante alega que: Com base no disposto no artigo 100, Inciso III, impõese a exclusão de todas as penalidades aplicadas, bem como os juros de mora cobrados no auto de infração e, ainda a base de cálculo do tributo. Sobre o tema a impugnante menciona: “Vejase, portanto, que, com o desembaraço aduaneiro dos produtos importados pela impugnante, tevese a confirmação e, assim, a homologação expressa das informações prestadas e dos atos praticados pela impugnante, e aí incluída a redução tarifária decorrente da importação de mercadorias beneficiadas pelo ACE 18, bem como a homologação expressa do lançamento por ela realizado em relação aos tributos incidentes na importação, com a redução tributária prevista no referido Acordo de Complementação Econômica.” Fl. 819DF CARF MF 8 O julgamento da impugnação resultou no Acórdão da DRJ de São Paulo/SP, cuja ementa segue colacionada abaixo: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A IMPORTAÇÃO II Período de apuração: 05/01/2009 a 20/10/2011 CONSTITUIÇÃO DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO. MEDIDA JUDICIAL SUSPENSIVA. Para que tenha sentido a suspensão da exigibilidade do crédito tributário, mencionada no art. 62 do Decreto 70.235/72, fazse necessária sua prévia constituição. Assim, o provimento judicial suspensivo da exigibilidade do crédito tributário não obsta o lançamento. DESPACHO ADUANEIRO – HOMOLOGAÇÃO O despacho aduaneiro não constitui homologação das informações da declaração de importação, uma vez que se trata de procedimento com etapas distintas, definidas por legislação própria que visa somente o desembaraço das mercadorias no procedimento de importação. REVISÃO ADUANEIRA O procedimento de revisão aduaneira não se trata de uma revisão de lançamento, pois seu objeto é uma declaração do agente contribuinte(importador/exportador) e o sistema jurídico tributário brasileiro não aceita lançamento feito por particular. Este lançamento só ocorre de fato, quando da homologação expressa ou tácita da declaração do sujeito passivo. HOMOLOGAÇÃO DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO EXIGIDO NO DESPACHO DE IMPORTAÇÃO Incorreto o entendimento de que a homologação do crédito tributário devido na importação ocorre na fase de despacho aduaneiro, uma vez que a análise da exatidão dos valores dos impostos devidos na importação, por previsão legal expressa do Decreto Lei 37/66 artigo 54 realizase no procedimento de revisão aduaneira, que deve ser entendida a fase de homologação dos créditos tributários na importação, e não como a revisão de lançamento. Irresignada, a Contribuinte recorre a este Conselho, reiterando as razões anteriormente expostas em sua impugnação. É o relatório necessário. Voto Conselheira Thais De Laurentiis Galkowicz, Relatora Fl. 820DF CARF MF Processo nº 11075.720958/201213 Acórdão n.º 3402005.541 S3C4T2 Fl. 160 9 O Recurso Voluntário é tempestivo, conforme despacho de fls 751, e o patrono encontrase regularmente constituído nos autos, conforme procuração juntada em fls. 784 e 785 – ratificando aquela de fls. 751 e 752 , de modo que dele tomo conhecimento. Ao analisar as razões que deram origem ao presente lançamento tributário (fls 455 e fls 494 a 513), bem como as razões de defesa aduzidas tanto em sede de impugnação como de recurso voluntário, constato que se trata de caso rigorosamente igual aquele julgado por este Colegiado por meio do Acórdão 3402003.700, em 15/12/2016, envolvendo empresa do mesmo grupo da Recorrente. Naquela oportunidade, o Conselheiro Relator Antonio Carlos Atulim apresentou minucioso voto sobre as questões envolvidas no processo, reconhecendo a nulidade do lançamento tributário por ausência de motivação. Transcrevo a seguir as suas palavras: Conforme deflui do relatório, realmente não existe concomitância entre o Mandado de Segurança 419443.2012.4.01.3400/DF e este processo administrativo, em razão dos seguintes motivos: a) no Mandado de Segurança a impetrante é a ATANOR SCA da Argentina (exportador), enquanto que neste processo o sujeito passivo é a ATANOR DO BRASIL S/A (importador) [aqui leiase ATAR DO BRASIL DEFENSIVOS AGRÍCOLAS LTDA]; e b) o objeto do writ é a concessão de segurança para anular o processo administrativo de investigação da origem e os atos declaratórios da COANA, ao passo que o objeto deste processo administrativo é a exigência do imposto de importação, com fundamento na desqualificação dos certificados de origem. Tratandose de processos nos quais as partes e os objetos são distintos, não há que se cogitar de uma relação de concomitância entre eles, pois essa relação pressupõe a existência de identidade entre as partes e os objetos dos processos judicial e administrativo. O que existe entre o Mandado de Segurança e este processo administrativo é uma relação de prejudicialidade, pois se ao final do processo judicial a segurança for concedida nos moldes em que fora pleiteada pelo exportador, o ADE COANA nº 22/2011 será declarado nulo, fato que tornará insubsistente o auto de infração albergado neste processo. Por outro lado, se a segurança for denegada com julgamento de mérito, a higidez do ADE COANA nº 22/2011 estará declarada com a eficácia da coisa julgada, fato que por si não implica a manutenção automática do auto de infração em julgamento, pois nos recursos administrativos existem outros argumentos voltados exclusivamente ao ataque da autuação. Nos recursos apresentados neste processo a defesa bateu firme no auto de infração e no processo administrativo de investigação de origem. Mas os argumentos voltados ao ataque do processo de investigação de origem e do ADE COANA nº 22/2011 não podem ser apreciados no processo administrativo de determinação e exigência de créditos tributários. Nesse sentido, com razão a turma de julgamento da DRJ na parte em que Fl. 821DF CARF MF 10 deixou de conhecer dos argumentos relativos ao processo de investigação de origem e dos Atos Declaratórios expedidos pela CONA, pois aquele processo não está sujeito ao rito do Decreto nº 70.235/72. Se o contribuinte não tem direito de participar daquele processo e nem de impugnar o ADE que desqualificou os certificados de origem, não há sentido em que a DRJ ou o CARF tomem conhecimento de tais argumentos, pois nenhum desses órgãos possui competência legal para alterar a decisão contida no ADE COANA nº 22/2011. A competência dos órgãos administrativos de julgamento (DRJ e CARF) limitase à aferição da legalidade do auto de infração albergado neste processo, com base no litígio que foi instaurado pelo contribuinte ao impugnálo (art. 15 do Decreto nº 70.235/72). Nesse sentido, cabe apenas a análise dos argumentos voltados diretamente ao ataque do auto de infração, quais sejam: a) nulidade por cerceamento de defesa; b) suspensão deste processo com base na liminar deferida no Mandado de Segurança até o desfecho da ação judicial; e c) exclusão dos acessórios por aplicação do art. 100, III, do CTN. No que se refere à nulidade por cerceamento de defesa, o art. 5º, LV, da Constituição estabelece que a garantia do contraditório e da ampla defesa se aplica tanto aos processos judiciais quanto aos administrativos. Concretizando essa garantia, o art. 10, III, do Decreto nº 70.235/72 e o art. 50, § 1º, da Lei nº 9.784/99 determinam a indicação dos fatos e fundamentos que lastreiam a expedição de atos administrativos, bem como que a motivação seja clara, explícita e congruente. No caso concreto, a fiscalização motivou o lançamento de ofício do imposto de importação em outro ato administrativo (o ADE COANA nº 22/2011), por meio do qual a Administração Tributária desqualificou os certificados de origem apresentados pelo contribuinte em razão de dois fatos a saber: a) ter sido comprovado que a mercadoria amparada por parte dos certificados de origem não cumpriu com o requisito específico estabelecido no XLIV Protocolo Adicional ao ACE 18 Anexo I (art. 2º); e b) por não terem sido fornecidas as informações necessárias para determinar a veracidade dos dados contidos em outra parcela dos certificados de origem (art. 3º). Observem senhores conselheiros que o art. 2º do ADE COANA nº 02/2011 não especifica qual foi o requisito estabelecido no XLIV Protocolo Adicional ao ACE 18 que deixou de ser cumprido pelo exportador. Segundo a transcrição abaixo, a fiscalização apenas indicou quais são os requisitos estabelecidos no XLIV do Protocolo Adicional ao ACE 18, mas não declinou qual deles não teria sido cumprido pelo exportador e nem as razões pelas quais a Administração considerou que o requisito não teria sido cumprido (fl. 158) [no presente processo, leiase fls 502]: (...) Fl. 822DF CARF MF Processo nº 11075.720958/201213 Acórdão n.º 3402005.541 S3C4T2 Fl. 161 11 Relativamente aos certificados desqualificados pelo art. 3º do ADE COANA nº 02/2011, verificase que nem o seu texto e nem o texto do Relatório de Fiscalização declinaram quais teriam sido as informações necessárias que não foram prestadas e nem quem teria deixado de prestálas. Portanto, este relator entende que o ato administrativo de lançamento tributário foi efetuado sem motivação, fato que não permitiu ao contribuinte exercer plenamente seu direito ao contraditório e à ampla defesa, uma vez que é impossível contestar fatos desconhecidos que não foram mencionados explicitamente no lançamento. É flagrante a violação frontal do art. 10, III, do PAF e do art. 50, II, § 1º da Lei nº 9.784/99, caracterizando nítido cerceamento do direito ao contraditório e à ampla defesa (art. 5º, LV, da CF/88 e art. 59, II, do PAF). Não se pode concordar com o acórdão recorrido na parte em que consignou que o lançamento de oficio estaria motivado na desqualificação dos certificados promovida pelo ADE COANA nº 02/2011, porquanto, conforme a informação prestada pela própria COANA, o processo de investigação da origem é sigiloso e o contribuinte ora autuado dele não participou. Tivesse o contribuinte participado e exercido o direito de defesa no processo de investigação de origem, ai sim estaria correto o entendimento da DRJ, mas como aquele processo é confidencial, o direito de defesa só pode ser exercido pelo contribuinte neste processo de auto de infração. Por tal motivo é que se torna imprescindível que os fatos e as razões que levaram a Administração Tributária a desqualificar os certificados de origem sejam declinados de forma explícita, clara e congruente na motivação deste lançamento. O cerne da violação do direito ao contraditório e à ampla defesa neste processo de auto de infração reside na omissão dos fatos e dos motivos que levaram à desqualificação daqueles certificados, pois tal omissão impediu o contribuinte de opor defesa de mérito contra a questão de fundo que sustenta o lançamento. O raciocínio engendrado pelo Acórdão da DRJ pressupõe a infalibilidade da Administração, pois toma como verdade absoluta o conteúdo do ADE COANA nº 02/2011. O problema é que além de a experiência demonstrar que Administração é falível, no processo administrativo de determinação e exigência de créditos tributários o contribuinte não está obrigado a aceitar nenhuma afirmação do fisco com caráter de verdade absoluta, a teor do art. 5º, LV, da CF e dos arts. 16 e 33 do PAF. Fl. 823DF CARF MF 12 (...) No caso de auto de infração, tratase de um ato administrativo que se enquadra na categoria dos atos vinculados, e, assim, a existência de motivação é requisito necessário para que se possa efetuar o controle de legalidade e para que o contribuinte possa se defender. Se a motivação é inexistente ou insuficiente, o ato deve ser considerado nulo, não sendo passível de convalidação por meio de diligência solicitada em segunda instância de julgamento. Por tais motivos é que a juntada tardia do Relatório Fiscal Coana/Cotac/Dinon nº 2011/2, que se encontra anexado ao processo de acesso sigiloso apensado a estes autos, não supre a falta de motivação do lançamento, sendo de rigor a declaração de nulidade do auto de infração em debate. O entendimento apresentado pelo Conselheiro é irretocável razão pela qual o acompanhei na integralidade naquela oportunidade, e mantenhome firme na mesma posição , de modo que o adoto como razão de decidir no presente processo, conforme permite o artigo 50, §2º da Lei n. 9.784/99. Por tudo quanto exposto, voto no sentido de dar provimento ao recurso voluntário por declarar a nulidade do auto de infração por cerceamento do direito de defesa, decorrente de vício na motivação do lançamento tributário. (assinado digitalmente) Thais De Laurentiis Galkowicz Fl. 824DF CARF MF
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Numero do processo: 15504.729794/2014-05
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue May 22 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Jul 23 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/01/2011 a 31/12/2011
NULIDADE DO ACÓRDÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA. CERCEAMENTO AO DIREITO DE DEFESA.
É nulo o acórdão de primeira instância que considerou não impugnada parcela do crédito em relação ao qual a Recorrente questionou o fundamento de forma geral.
Numero da decisão: 3301-004.652
Decisão: Recurso Voluntário Provido em Parte
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar parcial provimento ao recurso voluntário para anular a decisão de primeira instância e realização de um novo julgamento.
(assinado digitalmente)
Winderley Morais Pereira - Presidente
(assinado digitalmente)
Liziane Angelotti Meira- Relatora
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques D Oliveira, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Rodolfo Tsuboi (Suplente convocado), Ari Vendramini, Semiramis de Oliveira Duro, Valcir Gassen e Winderley Morais Pereira.
Nome do relator: LIZIANE ANGELOTTI MEIRA
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MONTREAL INFORMATICA S.A Recorrida Fazenda Nacional ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/01/2011 a 31/12/2011 NULIDADE DO ACÓRDÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA. CERCEAMENTO AO DIREITO DE DEFESA. É nulo o acórdão de primeira instância que considerou não impugnada parcela do crédito em relação ao qual a Recorrente questionou o fundamento de forma geral. Recurso Voluntário Provido em Parte Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar parcial provimento ao recurso voluntário para anular a decisão de primeira instância e realização de um novo julgamento. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Presidente (assinado digitalmente) Liziane Angelotti Meira Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques D Oliveira, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Rodolfo Tsuboi (Suplente convocado), Ari Vendramini, Semiramis de Oliveira Duro, Valcir Gassen e Winderley Morais Pereira. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 50 4. 72 97 94 /2 01 4- 05 Fl. 1622DF CARF MF Processo nº 15504.729794/201405 Acórdão n.º 3301004.652 S3C3T1 Fl. 1.623 2 Relatório Conselheira Liziane Angelotti Meira. Visando à elucidação do caso e a economia processual adoto e cito o relatório do constante da decisão embargada (fls 1460/1482): Tratase de autos de infração lavrados contra a contribuinte em epígrafe, relativos à falta/insuficiência de recolhimento da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social – Cofins (fls. 3/33), no montante total de R$ 10.498.217,87, e da contribuição para o PIS/Pasep (fls. 35/67), no montante total de R$ 2.098.889,70, ambos relativos aos períodos de apuração janeiro/2011 a dezembro/2011. No Termo de Verificação Fiscal (fls. 69/88), o autuante assim fundamenta o lançamento de ofício: · intimada, a contribuinte apresentou demonstrativos mensais com indicação da base de cálculo e relatório de retenções das respectivas bases. Os valores apresentados conferem com os valores declarados nos Dacons. Entretanto, tais valores apurados pela própria empresa não foram recolhidos em sua maior parte, bem como não foram objeto de declaração em DCTF, com exceção do PIS/Pasep referente a dezembro de 2011. Os valores apurados e não pagos ou não declarados serão objeto de lançamento de ofício; · pela análise das invoices e dos contratos apresentados, os lançamentos relativos ao fornecedor Dermalog referentes a Pagamento Consultoria se caracterizam como serviços prestados e não como pagamentos de royalties, devendo pois incidir as contribuições para o PIS/Pasep e Cofins – Importação; · a partir da análise do contrato com a empresa Kofax, verificouse que os pagamentos realizados a essa empresa referentes a Treinamentos e Patrocínio Evento não correspondem a pagamentos de royalties, mas a serviços conexos; · de igual modo, a partir da análise do contrato celebrado com a empresa Intalio, verificouse que o pagamento referente a Gold Subscription não corresponde a pagamento de royalties, mas a serviços previstos naquele contrato, especificamente a Taxas de Suporte Anuais: $USD 15,000.00; Fl. 1623DF CARF MF Processo nº 15504.729794/201405 Acórdão n.º 3301004.652 S3C3T1 Fl. 1.624 3 · não foram apresentados os instrumentos de contrato, originais e traduzidos, celebrados com as empresas Alfresco e Xiring. Portanto, não houve como identificar os serviços conexos, devendo incidir o PIS/Pasep e a Cofins – Importação sobre o valor total, em conformidade com o entendimento estabelecido pela Solução de Divergência Cosit nº 11, de 28/04/2011; · dos valores constantes dos balancetes confrontados com a contabilidade e principalmente com o Dacon, verificase que para a conta de receita “3.1.2.01 – Identificação Biométrica” não foram consideradas na sistemática não cumulativa as receitas de fevereiro a junho de 2011, devendo ser objeto de lançamento de ofício pela diferença em relação às alíquotas de 3% para 7,6% (Cofins) e 0,65% para 1,65% (PIS/Pasep); · a fiscalizada foi intimada a apresentar demonstrativo de faturamento relativo à revenda de licenciamento ou cessão de direito de uso dos softwares objetos de pagamento de royalties e a apresentar as cópias das respectivas notas fiscais e faturas emitidas. Da análise dos documentos entregues constatouse que foram apresentadas notas fiscais de saída de nos 043, 046, 050 e 052 destinadas ao Detran RJ de venda de Licença de uso de software AFIS – Dermalog. Entretanto na planilha apresentada de importação de software constava que além do DetranRJ haveria outros destinatários tais como Dermalog AFIS Roraima, AFIS Acre e AFIS Alagoas. Quanto às aquisições das empresas Kofax, Intalio e Alfresco, foram apresentadas algumas notas fiscais de serviço, não sendo detalhado o valor referente às revendas de licenciamento ou cessão de direito de uso dos softwares. Apenas para a NF de Serviço nº 2011/620 foi apresentado em anexo um detalhamento da fatura em que consta o valor relativo às licenças. Intimada a apresentar um demonstrativo segregando a receita de revenda de software importado das demais receitas ou apresentar os respectivos detalhamentos das faturas a fiscalizada informou o seguinte: Para que não pairem dúvidas acerca da natureza das atividades desenvolvidas pela Companhia, é importante esclarecer que os softwares por ela importados correspondem, via de regra, a meros insumos para a prestação de serviços a seus clientes. Na ampla maioria dos casos, a Companhia celebra contratos que têm por escopo o desenvolvimento de soluções complexas, que demandam a realização de um conjunto específico de serviços, sendo esse o interesse específico de seus clientes. A título de exemplo, a Companhia é em diversas ocasiões contratada por órgãos públicos para a prestação de serviços de identificação pessoal e fornecimento de soluções para essa finalidade, tal Fl. 1624DF CARF MF Processo nº 15504.729794/201405 Acórdão n.º 3301004.652 S3C3T1 Fl. 1.625 4 como ocorreu em 2011, sendo essa afirmação corroborada pelos editais de licitação de que participa e pelos contratos celebrados. Isso posto, em referência ao item 3 do Termo de Intimação Fiscal, a Companhia informa que não dispõe de detalhamento dos valores de todas as suas faturas de serviços, nos moldes do que foi feito para a Nota Fiscal de Serviços 2011/620. De fato, o cálculo do preço de seus serviços, assim como ocorre com empresas dos mais variados segmentos de atuação, é influenciado por uma série de fatores, sendo o custo incorrido na prestação apenas um deles. Particularmente em relação à Nota Fiscal de Serviços nº 2011/620, foi feito um relatório de cunho meramente gerencial que indica a composição do preço, compreendendo, inclusive, software, mas que não descaracteriza a natureza de prestação de serviços da operação realizada. A empresa fornece junto com seus serviços as licenças de uso de software que os clientes precisam para a execução das digitalizações e demais trabalhos. As licenças compradas são destinadas aos clientes e estão embutidas no preço total. No entanto, a empresa deveria segregar tais saídas para que ficasse evidente o que seria tributado pela sistemática da nãocumulatividade e pela da cumulatividade do PIS/Pasep e da Cofins. Não havendo a possibilidade de segregação, devese tributar as saídas mistas no regime geral da nãocumulatividade. Das notas fiscais apresentadas apenas algumas estavam segregadas, incidindo em parte a não cumulatividade. Para as demais deve incidir a alíquota de 7,6% e 1,65% sobre o valor da saída integral. A diferença de alíquota será objeto de lançamento de ofício. Salientase que algumas das notas fiscais que continham as licenças aqui tratadas já compuseram a base tributável dos itens anteriores e houve o cuidado de excluílas deste levantamento específico; · as atividades da empresa sobre cuja receita incidem o PIS/Pasep e a Cofins na sistemática não cumulativa são as relativas à impressão de boletos de contas e correlatos. Os serviços prestados pelas consultorias e subcontratações não se enquadram no conceito de bens e serviços utilizados como insumo na prestação de serviços, razão pela qual foram glosados os respectivos créditos; · na conta de custos “Materiais de Site” estão incluídos muitos insumos e entre os documentos selecionados por amostragem para análise a maioria se verificou com direito a crédito, tais como impressos e envelopes. Contudo, constatouse entre eles documentos emitidos pela Comercial Multi Obras Elétrica & Lógica Ltda., que, Fl. 1625DF CARF MF Processo nº 15504.729794/201405 Acórdão n.º 3301004.652 S3C3T1 Fl. 1.626 5 embora ilegíveis, permitem constatar que se trata de empresa de reforma e construção civil. Assim, o crédito referente a essa nota fiscal não está condizente com o especificado na legislação, razão pela qual deve ser glosado; · não há previsão para créditos relativos a água e esgoto, a não ser que fossem insumo, o que não é o caso. Por isso, devem ser glosados os créditos referentes às notas fiscais relativas à Copasa e à Cedae; · quanto às contas “Cursos, Palestras e Seminários”, “Despesas Bancárias”, “Feiras e Eventos”, “Juros e Descontos Pagos”, “Limpeza, Conservação e Vigilância”, “Por Cooperativas” e “Telefonia”, verificase que a própria denominação delas já traz a justifica para glosa, por não ser suscetível de direito creditório nos termos da legislação vigente; · pelo histórico da conta “Custos Diversos” inferese se tratar de despesas com reformas, manutenção em geral e materiais de consumo, inclusive multas de trânsito. Por essa razão, o respectivo crédito também deve ser glosado; · fazendo o confronto das receitas submetidas à sistemática cumulativa entre o total de receitas informado no Dacon e o total de receitas na contabilidade, apurouse para o período de apuração dezembro/2011 uma diferença sem justificativa no montante de R$ 19.749.969,91. Dessa forma, devem ser lançados o PIS/Pasep e a Cofins pagos a menor em decorrência dessa diferença. Como houve também um valor em desfavor do contribuinte no mês de junho no montante de R$ 1.044.000,00, referente a um estorno de venda na contabilidade, este será compensado, lançandose pelo valor líquido em dezembro e submetido à alíquota de 3%, por inferência dos itens acima que dizem respeito às receitas submetidas à não cumulatividade. Cientificada dos autos de infração em 27/11/2014 (fl. 1228), a contribuinte apresentou, em 29/12/2014 (fl. 1238), impugnação (fl. 1239/1265), na qual, após dizer da tempestividade de sua defesa, alega que: DO LANÇAMENTO DE OFÍCIO BASEADO NO CONFRONTO ENTRE DCTF E DACON · realizou corretamente o recolhimento do PIS/Pasep e da Cofins incidente sobre as receitas auferidas nos referidos períodos de apuração. Não existe nenhuma obrigatoriedade de recolhimento do PIS/Pasep e da Cofins por parte da autuada em virtude das supostas divergências apontadas Fl. 1626DF CARF MF Processo nº 15504.729794/201405 Acórdão n.º 3301004.652 S3C3T1 Fl. 1.627 6 pela fiscalização entre as informações transmitidas por meio dos Dacons e das DCTFs referentes aos períodos de apuração mensais dessas contribuições. O Dacon possui caráter meramente informativo, de modo que as informações nele inseridas não representam confissão de dívida e, consequentemente, não constituem formalmente créditos tributários. A DCTF é o instrumento hábil para a constituição do crédito tributário, sendo certo que, em caso de divergência em relação aos valores informados por meio do Dacon, devem prevalecer as informações constantes na DCTF. Por conseguinte, não pode o auditor fiscal apontar suposta diferença a maior entre os valores informados no Dacon e os informados na DCTF como único fundamento para efetuar os lançamentos de ofício, carecendo estes de amparo legal. Esse entendimento é o mesmo das jurisprudências das Delegacias de Julgamento da Receita Federal do Brasil e do Carf. O mero apontamento de diferença a maior entre os valores informados como devidos no Dacon e os declarados em DCTF, sem nenhum tipo de análise, investigação ou inquirição quanto ao seu motivo por parte da fiscalização, não é fundamento que autorize o lançamento de ofício. Notese que não se identifica no Termo de Verificação Fiscal que integra o auto de infração ou em quaisquer dos Termos de Intimação Fiscal recebidos pela contribuinte nenhum tipo de questionamento em relação às supostas divergências entre os valores informados no Dacon e confessados na DCTF, bem como não se identifica nenhuma demonstração da materialidade do PIS/Pasep e da Cofins, isto é, da ocorrência de seus fatos geradores; DO LANÇAMENTO DE OFÍCIO BASEADO NA ESCRITURAÇÃO CONTÁBIL · há flagrante equívoco no cotejo realizado pela autoridade fiscal entre o Dacon e a contabilidade da impugnante no que diz respeito a dezembro/2011. No demonstrativo constante no Termo de Verificação Fiscal, o autuante apontou que as “Receitas de Vendas de Bens e Serviços” referentes a dezembro/2011 informadas no Dacon como submetidas à incidência cumulativa de PIS/Pasep e Cofins totalizam R$ 4.366.843,45, montante este que seria idêntico àquele informado no mesmo Dacon como submetido à incidência não cumulativa dessas contribuições; · conforme o Dacon transmitido pela contribuinte, verifica se que a base de cálculo do PIS/Pasep e da Cofins na sistemática cumulativa informada para dezembro/2011 foi na realidade R$ 17.495.506,84. Além disso, a fiscalização ignorou por completo o fato de que parte dos valores Fl. 1627DF CARF MF Processo nº 15504.729794/201405 Acórdão n.º 3301004.652 S3C3T1 Fl. 1.628 7 escriturados na contabilidade para esse mês sequer representaram receitas sujeitas à tributação do PIS/Pasep e da Cofins. É o caso da parcela de R$ 1.500.000,00 referente a “Direitos a Faturar”, originada de contrato celebrado com o Ministério das Minas e Energia. Como se pode aferir pelo balancete juntado aos autos, tratase de montante registrado no mês de dezembro/2011 no ativo circulante realizável a curto prazo, ainda não realizado e, portanto, não tributável, nos termos do art. 7º da Lei nº 9.718, de 27 de novembro de 1998; · desse modo, considerando ainda o disposto no art. 112 do Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966, Código Tributário Nacional, a evidente incorreção no cálculo realizado pelo autuante, o que põe em xeque a própria existência (ou, no mínimo, a quantificação) do crédito tributário que se pretende exigir, é motivo suficiente para ensejar o cancelamento dos lançamentos de ofício. Nesse mesmo sentido, vale lembrar que, segundo o art. 9º do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, o auto de infração deve estar instruído com todos os termos, depoimentos, laudos e demais elementos de prova indispensáveis à comprovação do ilícito, sendo certo que a falha no cumprimento dessa obrigação, tal como se verifica no presente caso, resulta na improcedência do lançamento de ofício; DA CORREÇÃO DOS REGIMES DE APURAÇÃO ADOTADOS · a autuada tem entre suas principais atividades a prestação de serviços de suporte técnico em informática, mormente em relação a programas de computador (software), contemplando a sua instalação, configuração, manutenção e atualização, além de consultoria e assessoria a eles relacionadas. Todas essas atividades se enquadram no rol previsto no inciso XXV do art. 10 da Lei nº 10.833, de 29 de dezembro de 2003, de forma que as receitas delas decorrentes estão sujeitas à tributação pelo PIS/Pasep e pela Cofins segundo a sistemática cumulativa. Diante do fato de a impugnante também possuir em seu objeto social as atividades de licenciamento e de revenda de softwares importados e, por conseguinte submeter as respectivas receitas à tributação do PIS/Pasep e da Cofins segundo a sistemática não cumulativa (por força do § 2º do art. 10 da Lei nº 10.833, de 2003), pretende o auditor fiscal desconsiderar a natureza jurídica dos referidos serviços para tributar também as receitas deles provenientes pela sistemática não cumulativa. Para tanto, argumenta que a contribuinte necessariamente fornece junto com seus serviços as licenças de uso de softwares, tendo falhado em Fl. 1628DF CARF MF Processo nº 15504.729794/201405 Acórdão n.º 3301004.652 S3C3T1 Fl. 1.629 8 “segregar” suas “saídas”. Ora, nas hipóteses em que procedeu ao faturamento exclusivamente de serviços, essa foi a única atividade desempenhada em favor de seus clientes; · no regular desenvolvimento de suas atividades, a impugnante importa softwares mediante a aquisição do direito temporário de uso (licença) ou mediante a aquisição de cópias múltiplas (softwares de prateleira), os quais, via de regra, servem como insumos para prestação de serviços a seus clientes, atividade essa que representou no ano de 2011 a maior parte de seu faturamento. Na ampla maioria dos casos, celebra contratos que têm por escopo o desenvolvimento de soluções complexas, traduzidas na prestação de um conjunto específico de serviços enquadrados no rol do inciso XXV do art. 10 da Lei nº 10.833, de 2003, sendo esse o interesse específico de seus clientes. Não poderia ser diferente, já que, como regra, não está autorizada pelas empresas estrangeiras a sublicenciar ou revender os softwares adquiridos, podendo somente utilizálos para a realização de suas atividades no Brasil; · a fiscalização não leva em consideração nenhum dos fatores acima e sustenta que seria dever da autuada segregar suas receitas, de forma a discriminar, em relação a todas as contrapartidas financeiras recebidas pela prestação de serviços, as parcelas que decorreriam propriamente da prestação de serviços e aquela que supostamente decorreriam do licenciamento ou revenda de software; · deixando novamente de cumprir o seu dever legal de instruir o auto de infração com os elementos de prova indispensáveis à comprovação do ilícito, a fiscalização se limita a acostar ao Termo de Verificação Fiscal o relatório denominado “Notas Fiscais de Revenda de Software Importado”, por meio do qual relaciona as notas fiscais de serviço em relação às quais a impugnante supostamente teria o dever de realizar a aludida segregação, baseandose nos respectivos valores para realização dos lançamentos de ofício mediante a aplicação das alíquotas do regime não cumulativo; · não há nos autos de infração nenhuma explicação ou argumentação no sentido de que as atividades desenvolvidas pela autuada não se revestiriam da natureza jurídica de prestação de serviços, inexistindo referência expressa ao teor dos contratos por ela celebrados, muito menos ao objeto deles ou à materialidade das atividades desenvolvidas ao seu amparo; Fl. 1629DF CARF MF Processo nº 15504.729794/201405 Acórdão n.º 3301004.652 S3C3T1 Fl. 1.630 9 · é evidente que a autoridade lançadora olvidou seu dever de buscar a verdade material dos fatos, tendo fundamentado os lançamentos de ofício exclusivamente na presunção de que a contribuinte estaria apta a segregar, em relação a todas as notas fiscais de serviços que emite, a parcela da remuneração que supostamente seria referente ao licenciamento ou comercialização de software. A simples menção a determinado documento de cunho gerencial, que não possui nenhum valor fiscal, e o relatório que lista algumas dezenas de notas fiscais de prestação de serviço não são provas suficientes para afastar a presunção de veracidade dos fatos registrados na escrituração contábil, mais especificamente do registro das receitas em questão como receitas da prestação de serviços e não do licenciamento ou comercialização de softwares. É importante lembrar que o art. 9º, §§ 1º e 2º, do DecretoLei nº 1.598, de 1977, dispõe que a escrituração mantida com observância das disposições legais faz prova a favor do contribuinte dos fatos nela registrados e comprovados por documentos hábeis, segundo sua natureza, ou assim definidos em preceitos legais. Não há dúvida de que o registro das receitas provenientes da prestação de serviços tem sua veracidade comprovada pelas notas fiscais de serviço emitidas e pelos contratos celebrados, documentos que, por sua própria natureza e também por definição legal, classificamse como documentos hábeis, diferentemente do referido documento de cunho gerencial, relacionado unicamente à precificação dos serviços; · sempre que realizou a licença ou a comercialização de softwares a seus clientes, submeteu as receitas decorrentes à tributação do PIS/Pasep e da Cofins segundo a sistemática da não cumulatividade. E o raciocínio do autuante é equivocado, porque parte do pressuposto de que essa sistemática é mais gravosa do que a cumulativa. Mesmo que estivesse sujeita ao recolhimento das contribuições sobre a parcela das receitas de prestação de serviços apontada pela fiscalização sob a sistemática não cumulativa, não necessariamente estaria sujeita a carga tributária superior, na medida em que teria direito a se creditar em relação aos custos, despesas e encargos autorizados pela legislação. Ocorre que isso sequer foi considerado pelo auditor fiscal. Nesse sentido, nunca é demais recordar que o art. 142 do CTN impõe à autoridade fiscal o dever de provar a ocorrência do fato gerador, sendo certo que inexiste dispositivo legal que autorize a tributação por presunção; DA CORREÇÃO DA APURAÇÃO DE CRÉDITOS DE PIS/PASEP E COFINS Fl. 1630DF CARF MF Processo nº 15504.729794/201405 Acórdão n.º 3301004.652 S3C3T1 Fl. 1.631 10 · a fiscalização procedeu à glosa de parte dos créditos utilizados pela contribuinte no cálculo do PIS/Pasep e da Cofins não cumulativos, limitandose a argumentar que não foram apurados em conformidade com a legislação. Porém, tratase de dispêndios essenciais ao desenvolvimento das atividades da autuada que dão origem a receitas tributadas pela sistemática da não cumulatividade, de modo que não pode prosperar o entendimento restritivo manifestado pelo autuante. Notese que o Carf tem adotado um posicionamento de que se deve considerar como insumo aquilo que é indispensável para a prestação de serviço ou produção de bens, utilizado direta ou indiretamente no desenvolvimento dessas atividades e relacionado ao objeto social da pessoa jurídica. Esse posicionamento também encontra eco no Poder Judiciário. Dessa forma, como os dispêndios realizados pela impugnante se referiram à aquisição de bens e serviços direta ou indiretamente utilizados em suas próprias atividadesfim, sendo indispensáveis à consecução destas, deve ser cancelada a glosa realizada pela fiscalização e restabelecidos os créditos calculados pela autuada; DA INCIDÊNCIA DO PIS/PASEP E DA COFINS – IMPORTAÇÃO SOBRE AS REMUNERAÇÕES PAGAS A EMPRESAS ESTRANGEIRAS · com relação às remessas efetuadas pela impugnante para a Dermalog, o lançamento de ofício de PIS/Pasep e Cofins – Importação é baseado nas simples alegações de que determinada planilha apresentada pela autuada no decorrer do processo de fiscalização (intitulada “Operações de Câmbio”) faz menção à realização de pagamentos a essa empresa estrangeira a título de “consultoria”, e de que tanto o contrato celebrado entre as partes quanto as invoices emitidas pela Dermalog mencionam expressamente a prestação de serviços de manutenção por parte dos engenheiros dessa empresa à impugnante. Segundo o autuante, esses documentos estariam correlacionados e evidenciariam que a real natureza das operações realizadas entre as partes foi de prestação de serviços. Porém, no ano de 2011 a contribuinte não realizou nenhuma remessa de valores à Dermalog em contrapartida à prestação de serviços, na medida em que os negócios realizados com Fl. 1631DF CARF MF Processo nº 15504.729794/201405 Acórdão n.º 3301004.652 S3C3T1 Fl. 1.632 11 essa empresa tiveram como único escopo o licenciamento de software; · o único contrato a que alude a autoridade lançadora no Termo de Verificação Fiscal sequer se encontrava em vigor no ano de 2011, sendo certo que a impugnante apresentou no decorrer do procedimento de fiscalização, mais precisamente em resposta ao Termo de Intimação Fiscal de nº 02, datado de 24/01/2014, o contrato que efetivamente vigorava entre as partes no referido ano, acompanhado de sua tradução juramentada. Esse contrato, que passou a vigorar em 2009 e perdurou assim durante todo o ano de 2011, completamente ignorado pelo auditor fiscal, dispõe claramente ter como objeto principal o fornecimento de um programa de computador. Esse contrato versa sobre a licença de software à contribuinte, porque, conforme se evidencia em sua Cláusula 2, item 5, a “compra” em questão não lhe assegura a aquisição da titularidade dos respectivos direitos de propriedade intelectual ou industrial sobre o software; · conforme preceitua a Lei nº 9.609, de 1998 (Lei do Software), o uso de programa de computador no país será objeto de contrato de licença. Ademais, tendo em vista que no Brasil é conferido ao software o regime de proteção aos direitos autorais, também se aplicam as disposições a respeito da transmissão de direitos de autor contidas nos arts. 49 a 52 da Lei nº 9.610, de 1998 (Lei do Direito Autoral), de modo que a sua comercialização poderá ocorrer mediante licenciamento, concessão, cessão ou por outros meios admitidos em Direito. Assim, a transmissão dos direitos de autor relativos ao software poderá ser parcial (licença) ou total (cessão), sendo certo que, nesta última hipótese, serão transferidos todos os direitos patrimoniais, salvo os de natureza moral e os expressamente excluídos por lei; · o contrato celebrado entre a impugnante e a Dermalog, vigente no ano de 2011, teve como objeto principal a licença do software AFIS e não a prestação de serviços de consultoria ou manutenção. E, sendo assim, a remuneração dele decorrente se reveste da natureza de royalties, por força do disposto no art. 22 da Lei nº 4.506, de 1964; · no que concerne às invoices emitidas pela Dermalog no ano de 2011, não há nenhuma razão para acreditar que tais documentos atestem a existência de prestação de serviços, como alegado pelo autuante. A respeito do trecho destacado no item 3.2 do Termo de Verificação Fiscal, cabe salientar que a redação empregada pela Dermalog em suas faturas foi incorreta, na medida em que foi feita menção a contrato Fl. 1632DF CARF MF Processo nº 15504.729794/201405 Acórdão n.º 3301004.652 S3C3T1 Fl. 1.633 12 celebrado com a autuada que já não se encontrava mais em vigor no ano de 2011. Isso fica evidente quando se verifica que esse documento se refere expressamente à cobrança por “atualizações de licenças” (Licenses Updates), pois, naquele momento, já vigorava o contrato de licença do software AFIS celebrado em 2009, de maneira que não haveria nenhum sentido fazer menção nas invoices ao contrato celebrado em 2000; · quanto à alegação de que a redação das invoices denotaria que esses documentos acobertaram remunerações pela prestação de serviços, baseado na menção ao “trabalho efetivo feito para o projeto DetranRJ por engenheiros da Dermalog”, dispensase maiores considerações. A simples leitura do teor da invoice nº 902668, colacionada no Termo de Verificação Fiscal a título de exemplo, indica que a cobrança é relativa unicamente à atualização de licença, ou seja, a royalties pela licença dos direitos autorais relativos ao software atualizado. A menção ao trabalho dos engenheiros é mera praxe, uma vez que é com base nos relatórios elaborados pelos clientes brasileiros e pela impugnante que a Dermalog atualiza os softwares que fornece. Ou seja, a atividade dos engenheiros na Alemanha é mera atividademeio para a licença de software, de modo que não é objeto de faturamento/cobrança e, por conseguinte, não é tributável pelo PIS/PasepImportação e pela CofinsImportação; · não há que se falar que a planilha intitulada “Operações de Câmbio” apresentada pela contribuinte configura prova de que remunerou a Dermalog pela prestação de serviços, tratandose de mero demonstrativo dos valores remetidos ao exterior em benefício dessa empresa, carecendo de cunho fiscal. O que se percebe é a total falta de respaldo nos fatos e na legislação para o lançamento de ofício realizado. A fiscalização não apresentou nenhum elemento concreto que ateste a veracidade de suas alegações, ao passo que a fiscalizada entregou toda a documentação que comprova que todas as remessas efetuadas à Dermalog no ano de 2011 configuraram royalties pela licença de direitos relativos ao software AFIS; · além de o contrato celebrado entre a contribuinte e a Dermalog ser suficientemente claro quanto ao tipo e ao montante da remuneração paga (royalties), o auditor fiscal sequer logrou êxito em demonstrar a existência concreta de prestação de serviços, limitandose a conjecturála. Por isso a Solução de Divergência por ele citada apenas reforça o argumento de que a impugnante não estava obrigada ao recolhimento do PIS/Pasep e da Cofins – Importação; Fl. 1633DF CARF MF Processo nº 15504.729794/201405 Acórdão n.º 3301004.652 S3C3T1 Fl. 1.634 13 · a utilização de uma tradução livre do termo Maintenance Contract apenas para se conjeturar a existência de contrato de manutenção tampouco pode ser utilizada como presunção de existência de serviços de manutenção, uma vez que a expressão indica tão somente a existência de cláusulas para a manutenção do contrato, no sentido de sua persistência ou continuidade, como bem ilustra o Black's Law Dictionary Abridged, em sua sexta edição, fls. 687/688; · o mesmo raciocínio acima referente à Dermalog se estende às remessas efetuadas às empresas Kofax, Intalio, Alfresco e Xiring, sendo certo que em relação a nenhum desses contratos houve remessa de dinheiro para fins de pagamento de serviços. Analisada a manifestação de inconformidade, a Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento julgou parcialmente procedente, com a seguinte ementa (fl. 1460/1461): ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/01/2011 a 31/12/2011 LANÇAMENTO DE OFÍCIO. DIFERENÇA ENTRE O VALOR CONFESSADO E O APURADO NO DACON. Constatada diferença entre o valor apurado no Dacon e o valor informado ao Fisco em instrumento de confissão de dívida (DCTF), deve ser formalizado de ofício o correspondente crédito tributário. ERRO. APURAÇÃO DE DIFERENÇAS. VALOR LANÇADO A MAIOR. Constatado erro na apuração de diferenças, o crédito tributário deve ser ajustado, excluindo os valores lançados indevidamente a maior. SOFTWARE. LICENÇAS. IMPORTAÇÃO. REVENDA INTERNA. As licenças de uso de software importadas não sofrem incidência de CofinsImportação, mas na posterior revenda interna dessas licenças há incidência da Cofins segundo a sistemática da não cumulatividade. INSUMO. CONCEITO. Insumo é a matériaprima, produto intermediário, material de embalagem e qualquer outro bem adquirido de terceiros, não contabilizado no ativo imobilizado, que sofra alteração em função da ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação, ou então seja aplicado ou consumido na prestação de serviços. Consideramse insumo também os serviços prestados por terceiros aplicados na produção do produto ou prestação de serviço. ALEGAÇÃO. COMPROVAÇÃO. As alegações desacompanhadas de documentos comprobatórios, quando esse for o meio pelo qual sejam provados os fatos alegados, não têm valor. Fl. 1634DF CARF MF Processo nº 15504.729794/201405 Acórdão n.º 3301004.652 S3C3T1 Fl. 1.635 14 ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/01/2011 a 31/12/2011 LANÇAMENTO DE OFÍCIO. DIFERENÇA ENTRE O VALOR CONFESSADO E O APURADO NO DACON. Constatada diferença entre o valor apurado no Dacon e o valor informado ao Fisco em instrumento de confissão de dívida (DCTF), deve ser formalizado de ofício o correspondente crédito tributário. ERRO. APURAÇÃO DE DIFERENÇAS. VALOR LANÇADO A MAIOR. Constatado erro na apuração de diferenças, o crédito tributário deve ser ajustado, excluindo os valores lançados indevidamente a maior. SOFTWARE. LICENÇAS. IMPORTAÇÃO. REVENDA INTERNA. As licenças de uso de software importadas não sofrem incidência de PIS/PasepImportação, mas na posterior revenda interna dessas licenças há incidência do PIS/Pasep segundo a sistemática da não cumulatividade. INSUMO. CONCEITO. Insumo é a matériaprima, produto intermediário, material de embalagem e qualquer outro bem adquirido de terceiros, não contabilizado no ativo imobilizado, que sofra alteração em função da ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação, ou então seja aplicado ou consumido na prestação de serviços. Consideramse insumo também os serviços prestados por terceiros aplicados na produção do produto ou prestação de serviço. ALEGAÇÃO. COMPROVAÇÃO. As alegações desacompanhadas de documentos comprobatórios, quando esse for o meio pelo qual sejam provados os fatos alegados, não têm valor. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte Foi apresentado Recurso Voluntário (fls. 1506/1535), no qual a Recorrente apresenta suas razões organizadas nos seguintes tópicos: II. PRELIMINAR: O CRÉDITO TRIBUTÁRIO CONSTITUÍDO DE OFÍCIO FOI ESPECÍFICA E INTEGRALMENTE IMPUGNADO NULIDADE DA DECISÃO QUE CONSIDEROU PARTE DA MATÉRIA NÃO IMPUGNADA IV.1. A CORRETA APURAÇÃO DO PIS/COFINS INCIDENTE SOBRE AS RECEITAS IV.1.1. A IMPROCEDÊNCIA DO LANÇAMENTO DE OFÍCIO BASEADO NO CONFRONTO ENTRE DCTF E DACON IV.1.2. A IMPROCEDÊNCIA DO LANÇAMENTO DE OFÍCIO BASEADO NA ESCRITURAÇÃO CONTÁBIL Fl. 1635DF CARF MF Processo nº 15504.729794/201405 Acórdão n.º 3301004.652 S3C3T1 Fl. 1.636 15 IV.2. A CORREÇÃO DOS REGIMES DE APURAÇÃO ADOTADOS IV.3. A CORREÇÃO DA APURAÇÃO DE CRÉDITOS DE PIS/COFINS IV.4. A NÃO INCIDÊNCIA DO PIS/COFINSIMPORTAÇÃO SOBRE AS REMUNERAÇÕES PAGAS A EMPRESAS ESTRANGEIRAS É o relatório. Voto O recurso voluntário é tempestivo e atende aos demais pressupostos legais de admissibilidade e deve ser conhecido. II. PRELIMINAR: O CRÉDITO TRIBUTÁRIO CONSTITUÍDO DE OFÍCIO FOI ESPECÍFICA E INTEGRALMENTE IMPUGNADO NULIDADE DA DECISÃO QUE CONSIDEROU PARTE DA MATÉRIA NÃO IMPUGNADA Entendese, na decisão recorrida, que a Recorrente não teria contestado os lançamentos de ofício relativo "ao fato de que para a conta de receita '3.1.2.01 – Identificação Biométrica' não foram consideradas na sistemática não cumulativa as receitas de fevereiro a junho de 2011, tendo sido objeto de lançamento de ofício a diferença em relação às alíquotas de 3% para 7,6% (Cofins) e 0,65% para 1,65% (PIS/Pasep). Por isso, sobre esse ponto não há litígio." Insurgese a Recorrente, afirmando que o Termo de Verificação Fiscal que acompanha o auto de infração foi objeto de impugnação por parte da Recorrente; assevera que contestou todos os lançamentos efetuados com base na alteração da sistemática de incidência do PIS e da COFINS e, consequentemente, a imposição das alíquotas de 1,65% e 7,6% (regime não cumulativo) em substituição às alíquotas de 0,65% e 3% (regime cumulativo), incluindo aquele relativo à conta de receita 3.1.2.01 “Identificação Biométrica”; ressalta a desnecessidade de a Recorrente fazer menção individualizada, em sua Impugnação, para cada uma das contas de receita que foram objeto dos lançamentos, sendo suficiente impugnar, como um todo, esse ponto do auto de infração. Colaciona trechos de sua impugnação com o objetivo de corroborar seu entendimento: “45. Em resumo, sustenta a autoridade lançadora que a Impugnante deixou de recolher o PIS/COFINS sob a sistemática não cumulativa sobre determinada parcela de suas receitas que, em sua concepção, não decorreu da prestação de serviços relacionados no inciso XXV do artigo 10 da Lei nº 10.833/03, mas sim da licença ou revenda de softwares importados. Para tanto, argumenta que a Impugnante necessariamente ‘fornece Fl. 1636DF CARF MF Processo nº 15504.729794/201405 Acórdão n.º 3301004.652 S3C3T1 Fl. 1.637 16 junto com seus serviços as licenças de uso de softwares’, tendo falhado em ‘segregar’ suas ‘saídas’. 46. Todavia, tal entendimento não merece prosperar.” (grifouse) (...) “52. Com efeito, não há no auto de infração qualquer explicação ou argumentação no sentido de que as atividades desenvolvidas pela Impugnante não se revestiram da natureza jurídica de prestação de serviços, inexistindo qualquer referência expressa ao teor dos contratos por ela celebrados, muito menos ao objeto dos mesmos ou à materialidade das atividades desenvolvidas ao seu amparo. 53. É evidente, portanto, que a autoridade lançadora olvidou o seu dever de buscar a verdade material dos fatos, tendo fundamentado o lançamento de ofício exclusivamente na presunção de que a Impugnante está apta a segregar, em relação a todas as Notas Fiscais de Serviços que emite, a parcela da remuneração que supostamente seria referente ao licenciamento ou comercialização de software. 54. A simples menção a determinado documento de cunho gerencial, que não possui qualquer valor fiscal, e o relatório que lista algumas dezenas de Notas Fiscais de Prestação de Serviços não são provas suficiente para afastar a presunção de veracidade dos fatos registrados na escrituração contábil da Impugnante, mais especificamente do registro das receitas em questão como receitas da prestação de serviços e não do licenciamento ou comercialização de softwares. (...) 56. Registrese que sempre que a Impugnante realizou a licença ou a comercialização de softwares a seus clientes, reconheceu as respectivas receitas como derivadas dessas atividades e as submeteu à tributação pelas contribuições sociais segundo a sistemática da não cumulatividade, não possuindo qualquer interesse em lesar o Fisco. O racional que orienta a autuação é equivocado, pois parte do pressuposto de que o regime não cumulativo de apuração e recolhimento do PIS/COFINS é mais gravoso ao contribuinte, de forma que lhe seria interessante se escusar a obedecêlo.” (grifouse) Portanto, defende a Recorrente que, em todo o capítulo de sua Impugnação em que discorre sobre a imposição do regime não cumulativo por parte da Fiscalização, ela aborda todas as contas de receita em relação às quais foram realizados os lançamentos baseados nas diferenças de alíquota, sem excluir, a qualquer momento, a conta de nº 3.1.2.01 “Identificação Biométrica”. Argumenta que, a todo momento, a discussão acerca da conta contábil de nº 3.1.2.01 girou em torno apenas do regime de apuração do PIS/COFINS aplicável sobre as receitas ali escrituradas (e não sobre eventual divergência com o DACON), matéria essa que, como visto, foi objeto do capítulo; caso o entendimento fosse diverso, segundo a Recorrente, a Fl. 1637DF CARF MF Processo nº 15504.729794/201405 Acórdão n.º 3301004.652 S3C3T1 Fl. 1.638 17 autoridade fiscal não teria feito o lançamento mediante aplicação apenas das diferenças de alíquota, mas sim pelas alíquotas cheias das contribuições. Nessa preliminar, entendo assistir razão à Recorrente. Portanto, deve ser atendido seu pleito de que seja declarada a nulidade da decisão que considerou parte da matéria não impugnada, com o cancelamento da transferência do respectivo crédito tributário para o processo de nº 15504.724907/201630; bem como, determinase que seja baixado o presente processo em retorno à delegacia de julgamento para que esta julgue a Impugnação da Recorrente com relação à referida parcela do crédito tributário, no valor histórico de R$ 51.385,97 (cinquenta e um mil, trezentos e oitenta e cinco reais e noventa e sete centavos). Diante do exposto, voto por dar provimento parcial ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Liziane Angelotti Meira Fl. 1638DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 19515.005018/2008-91
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Dec 05 00:00:00 UTC 2012
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ
Ano calendário:2003
PROVISÕES INDEDUTÍVEIS. ADIÇÕES AO LUCRO LÍQUIDO NO CÁLCULO DO LUCRO REAL. Verificada a correta adição ao lucro líquido, para efeito de apuração do lucro real, das provisões indedutíveis apropriadas como despesas operacionais, cancela-se o lançamento de oficio.
Recurso Voluntário Provido
Numero da decisão: 1402-001.295
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que passa a integrar o presente julgado. Ausentes, momentaneamente, os conselheiros Carlos Pelá e Frederico Augusto Gomes de Alencar.
Nome do relator: Leonardo Henrique Magalhães de Oliveira
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2003 PROVISÕES INDEDUTÍVEIS. ADIÇÕES AO LUCRO LÍQUIDO NO CÁLCULO DO LUCRO REAL. Verificada a correta adição ao lucro líquido, para efeito de apuração do lucro real, das provisões indedutíveis apropriadas como despesas operacionais, cancelase o lançamento de oficio. Recurso Voluntário Provido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que passa a integrar o presente julgado. Ausentes, momentaneamente, os conselheiros Carlos Pelá e Frederico Augusto Gomes de Alencar. (assinado digitalmente) Leonardo Henrique Magalhães de Oliveira Relator (assinado digitalmente) Leonardo de Andrade Couto Presidente Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antônio José Praga de Souza, Carlos Pelá, Frederico Augusto Gomes de Alencar, Moises Giacomelli Nunes da Silva, Leonardo Henrique Magalhães de Oliveira e Leonardo de Andrade Couto. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 00 50 18 /2 00 8- 91 Fl. 268DF CARF MF Impresso em 17/01/2013 por MARISTELA DE SOUSA RODRIGUES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/12/2012 por LEONARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA, Assinado digital mente em 26/12/2012 por LEONARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 15/01/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 19515.005018/200891 Acórdão n.º 1402001.295 S1C4T2 Fl. 3 2 Relatório CINEMARK BRASIL S.A. recorre a este Conselho contra a decisão proferida pela DRJ em primeira instância, que julgou procedente a exigência, pleiteando sua reforma, com fulcro no artigo 33 do Decreto nº 70.235 de 1972 (PAF). Adoto o relatório da decisão recorrida (verbis): Trata o processo em questão de Autos de Infração referentes ao anocalendário de 2003, de Imposto de Renda Pessoa Jurídica – IRPJ, às fls. 134 a 137, no valor de R$628.225,05 (seiscentos e vinte e oito mil, duzentos e vinte e cinco reais e cinco centavos), e de Contribuição Social sobre o Lucro Líquido – CSLL, às fls. 138 a 141, no valor de R$226.161,01 (duzentos e vinte e seis mil, cento e sessenta e um reais e um centavo), acrescidos da multa de ofício e de juros de mora. O Auto de Infração de IRPJ foi proveniente da existência de adições ao lucro líquido não computadas na apuração do lucro real do anocalendário de 2003, conforme Termo de Verificação Fiscal em anexo. O enquadramento legal aponta infração ao artigo 249 do RIR/1999. O Auto de Infração relativo à CSLL decorreu da mesma matéria tratada do Auto de Infração de IRPJ, resultando em redução indevida do lucro líquido e falta de pagamento dessa contribuição. O enquadramento legal aponta infração ao artigo 2º e §§ da Lei nº 7.689, de 1988; artigo 28 da Lei nº 9.430, de 1996; artigo 37 da Lei nº 10.637, de 2002; e artigo 273 do RIR/1999. No Termo de Verificação Fiscal, às fls. 130 a 133, o Autuante declara, em síntese, que: – por conta de fiscalização do IRPJ, referente ao anocalendário de 2001, a empresa havia sido intimada, em 03/02/2006, a apresentar os comprovantes de pagamentos efetuados, conforme escriturado na conta do Passivo “22101004 – Cinemark Inti Consultoria Corporativa”, no valor total de R$1.822.342,76, e debitados como despesa operacional, nos meses de novembro e dezembro de 2001, a título de “menagement fees”. À época, a Contribuinte declarou, conforme documento anexo datado de 11/05/2006, que o valor provisionado como “Consultoria corporativa a pagar”, no valor total de R$24.186.179,23, equivalente a US$8.200.372,70, em 30/11/2003, constituído desde o início das operações da empresa, em junho de 1997, foi totalmente revertido em 30/09/2004, sem que nada tenha sido remetido para a empresa controladora, sediada nos Estados Unidos; – no livro Razão Contábil do anocalendário de 2003, a referida conta do Passivo consta como tendo um saldo final, em 31/12/2003, no montante de R$24.186.179,22, provisionado como “Consultoria corporativa a pagar” (amortização de pagamento Service Agreement). Intimada novamente, em 27/02/2008 e 07/07/2008, a justificar os valores provisionados, uma vez que se verificaram adições e exclusões no LALUR, a empresa declarou que: “Em resposta ao Termo de Reintimação de 07/07/2008 temos a informar que o valor provisionado como ‘Consultoria corporativa a pagar’, no valor total de R$24.186.179,22 Fl. 269DF CARF MF Impresso em 17/01/2013 por MARISTELA DE SOUSA RODRIGUES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/12/2012 por LEONARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA, Assinado digital mente em 26/12/2012 por LEONARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 15/01/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 19515.005018/200891 Acórdão n.º 1402001.295 S1C4T2 Fl. 4 3 equivalente a US$8.200.372,70 em 30/11/2003, constituído desde o início das operações da empresa em junho de 1997, foi totalmente revertido em 30/09/2004 sem que nada tenha sido remetido para a empresa controladora, sediada na cidade de Plano, Estado do Texas, Estados Unidos da América”, conforme documento anexo; – entretanto, no livro Razão, esses valores foram escriturados conforme se demonstra em tabela anexa. Apresenta demonstrativo contendo os lançamentos no LALUR, desde o início das contabilizações até a data do estorno, isto é, de 1997 a 2003. Verificase que o contribuinte adicionou ao lucro líquido, para determinação do lucro real, parte dos valores referentes às despesas com a constituição da provisão de consultoria a pagar, ou seja, R$22.186.179,22, bem como excluiu o valor de R$1.314.057,00, restando um saldo a ser adicionado de R$3.473.615,99. Desse montante, já foi lançado o valor de R$960.715,77, conforme auto de infração de IRPJ e CSLL do anocalendário de 2001, devendo ser adicionada a diferença de R$2.512.900,22, configurando infração ao artigo 335 do RIR/1999. Às fls. 146 a 151, a pessoa jurídica apresentou impugnação, alegando, em resumo, que: dado o seu vínculo com a Cinemark USA Inc., estabelecida na cidade de Dallas (Texas – EUA), a Impugnante, desde o primeiro ano de atividade no país (1997), manteve a obrigação de pagar à matriz norteamericana consultoria corporativa. De modo a retratar fielmente sua situação patrimonial e financeira, provisionou os valores que deveria pagar a esse título. Em 30/09/2004, procedeu à reversão das provisões, adicionando os valores ao lucro líquido, mas, para sua surpresa, recebeu intimação dos presentes Autos de Infração (IRPJ e CSLL), ambos do anocalendário de 2003, segundo os quais a empresa teria deixado de adicionar ao lucro real o montante de R$2.512.900,22, referente à reversão das provisões. Contudo, o lançamento está fundado em premissa equivocada, comprometendo sua conclusão; primeiramente, ressalta que os créditos lançados são referentes aos anos calendário de 1997 a 2003. Sendo assim, o objeto dos Autos de Infração não é o imposto e a contribuição do anobase de 2003, eis que os fatos geradores ocorreram nos anos anteriores. De acordo com o art. 150, § 4º, do CTN, em se tratando de tributos sujeitos ao lançamento por homologação, como o IRPJ e a CSLL, o prazo para constituir o crédito tributário é de cinco anos contados da data do fato gerador. Como a intimação do lançamento ocorreu em 17/09/2008, o fato gerador mais antigo não atingido pela decadência seria o do mês de setembro de 2003 e, assim, apenas o período de setembro a dezembro poderia, em tese, ser objeto de lançamento fiscal, tendo se operado a decadência quanto aos períodos anteriores; houve equívoco quanto à data a se considerar para a conversão dos valores provisionados de dólares para reais. A Auditorafiscal, quando de seus cálculos, em relação aos valores contidos no Livro Razão e no LALUR, considerou a cotação do dólar vigente em 30/11/2003 (R$2,9494), para converter em reais os valores provisionados em todos os anos, desde 1997. Ocorre que, como é intuitivo, a Impugnante fez o lançamento das provisões, em tais livros, pela cotação da época em que elas foram realizadas, até porque não se tinha conhecimento da cotação futura do dólar, especificamente a de novembro de 2003; é incorreta a afirmação constante do Termo de Verificação Fiscal de que a Impugnante lançou no Livro Razão os valores em reais lá relacionados, pois que aqueles correspondem aos valores em dólares convertidos pela cotação de 11/2003. Junta folhas do Livro Razão relativas à conta 33204004 (consultoria corporativa – Cinemark Intl), para demonstrar os valores contabilizados, bem como resumos anuais dos valores lançados nessa conta, com as conversões em dólar pelas taxas de Fl. 270DF CARF MF Impresso em 17/01/2013 por MARISTELA DE SOUSA RODRIGUES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/12/2012 por LEONARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA, Assinado digital mente em 26/12/2012 por LEONARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 15/01/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 19515.005018/200891 Acórdão n.º 1402001.295 S1C4T2 Fl. 5 4 câmbio mensais. Apesar dos esforços, ainda não conseguiu localizar o Livro Razão e o LALUR do ano de 1997, período do qual já se passaram mais de dez anos, mas, continuará diligenciando nesse sentido e, assim que obtiver tais documentos, os juntará a este processo. Observa, porém, que a falta desses documentos não interfere na caracterização do equívoco cometido pela fiscalização; esclarece que, na declaração prestada em resposta à reintimação recebida em 07/07/2008, fez referência ao valor em reais (R$24.186.179,23) e em dólares americanos (US$8.200.372,70), na data de 30/11/2003. Esse valor em dólares não corresponde àqueles contabilizados nas épocas próprias, em reais, pois é tão somente, uma conversão do total provisionado pela cotação do dólar em 30/11/2003. Em suma, o que importa é que os valores da conta 22101004, em reais, são os mesmos nos anos em que foram contabilizados e em 31/11/2003, assim como os valores em dólar. O que variou foi apenas a cotação da taxa de câmbio. Como se pode ver, a agente fiscal apurou incorretamente as provisões nos anos de 1997 a 2003, sob a descrição “management fees”, para futura quitação de consultoria corporativa; a Impugnante adicionou ao seu lucro líquido as importâncias contabilizadas no Livro Razão, não havendo a alegada discrepância com os valores do LALUR, pois as supostas diferenças decorrem da indevida aplicação da taxa de câmbio de 30/11/2003 para os anos de 1997 a 2003, em que foram efetivadas as provisões. Dessa forma, é incontestável que a Impugnante cumpriu os artigos 335 a 340 do RIR/1999, vez que adicionou ao lucro líquido os valores corretos, anulando o efeito da provisão sobre o lucro real, de forma a respeitar sua indedutibilidade. Ressaltese que, se adotadas as taxas de câmbio mensais dos anos em que foram realizadas as provisões, a “diferença” desaparecerá; a Impugnante examinou minuciosamente sua contabilidade e apurou a provável razão do equívoco cometido. A última provisão realizada foi em novembro de 2003, no valor de R$484.381,96, quando a taxa de câmbio era de US$ 1,00 = R$2,9494. Assim, a obrigação de US$8.200.372,70 correspondia, nessa data, a R$24.186.179,24. Eis a origem do erro cometido pela agente fiscal, que considerou a taxa de câmbio de novembro de 2003, época da interrupção das provisões, para exigir que os valores correspondentes em reais, resultantes de sua multiplicação pela obrigação em dólares, fossem adicionados ao lucro real nos anos anteriores. Ora, por serem indedutíveis, competia adicionar as provisões ao lucro líquido, medida tomada pela Impugnante em todos os anoscalendário em questão. Patente, portanto, a improcedência dos presentes Autos de Infração; para reforçar a demonstração do equívoco praticado pela fiscalização, requer a produção de prova pericial, formulando alguns quesitos e indicando um assistente técnico; isto posto, requer seja acolhida esta impugnação, cancelandose os Autos de Infração de IRPJ e CSLL, com o consequente arquivamento do processo administrativo. Protesta provar as alegações por todos os meios em direito admitidos, especialmente a juntada de outros documentos, notadamente os livros contábeis de 1997, e, caso entenda necessário a Autoridade Julgadora, a realização de perícia, de acordo com os motivos e quesitos formulados, nos termos do art. 16, IV, do Decreto nº 70.235/72. Juntamente com a impugnação, a Interessada trouxe aos autos os documentos de fls. 152 a 189. Fl. 271DF CARF MF Impresso em 17/01/2013 por MARISTELA DE SOUSA RODRIGUES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/12/2012 por LEONARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA, Assinado digital mente em 26/12/2012 por LEONARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 15/01/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 19515.005018/200891 Acórdão n.º 1402001.295 S1C4T2 Fl. 6 5 A decisão recorrida está assim ementada: PEDIDO DE PERÍCIA. Devem ser negadas as solicitações de perícia consideradas desnecessárias à solução do litígio. ALEGAÇÃO DE DECADÊNCIA. LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. Ainda que tenha havido pagamento antecipado, hipótese em que o direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário relativo a tributo sujeito ao lançamento por homologação decairia com o transcurso do prazo de cinco anos, contados da data da ocorrência do fato gerador, a alegada decadência não se operou no presente caso. INOBSERVÂNCIA DO REGIME DE COMPETÊNCIA. Verificandose que foram atribuídos ao períodobase efetivamente fiscalizado valores tributáveis pertinentes a períodos anteriores, resta configurada a inobservância do regime de competência dos exercícios. DESPESAS OPERACIONAIS. PROVISÕES INDEDUTÍVEIS. ADIÇÕES AO LUCRO LÍQUIDO NO CÁLCULO DO LUCRO REAL. A insuficiência de adição ao lucro líquido, para efeito de apuração do lucro real, das provisões indedutíveis apropriadas como despesas operacionais enseja o lançamento de ofício dos valores não oferecidos à tributação. CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO – CSLL Confirmada, quando da apreciação do lançamento do IRPJ, a ocorrência dos fatos geradores que deram causa também ao lançamento da CSLL, há que ser dado a este igual entendimento. Impugnação Improcedente Cientificada da aludida decisão, a contribuinte apresentou recurso voluntário, no qual reforça as alegações da peça impugnatória e contesta os fundamentos da decisão da DRJ, ao final, requer o provimento, nos seguintes termos: “Isto posto, demonstrou a Recorrente ser indevido o lançamento fiscal. Por conseguinte, requer sejam acolhidas as razões deste Recurso Administrativo, dandoselhe provimento, para reformar o v. acórdão recorrido, cancelandose os Autos de Infração de IRPJ e CSLL, seja pela nulidade da r. decisão recorrida por violação ao princípio da legalidade, seja pela decadência, seja pela nulidade dos lançamentos originais e, por fim, seja pela não ocorrência da infração imputada à Recorrente, com o conseqüente arquivamento do processo administrativo.” É o relatório. Fl. 272DF CARF MF Impresso em 17/01/2013 por MARISTELA DE SOUSA RODRIGUES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/12/2012 por LEONARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA, Assinado digital mente em 26/12/2012 por LEONARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 15/01/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 19515.005018/200891 Acórdão n.º 1402001.295 S1C4T2 Fl. 7 6 Voto Conselheiro Leonardo Henrique Magalhães de Oliveira, Relator. O recurso é tempestivo e preenche os requisitos de admissibilidade. O lançamento do IRPJ decorreu da verificação de que provisões para pagamento de consultoria corporativa à sua controladora localizada nos Estados Unidos da América, constituídas de 1997 a 2003 e consideradas indedutíveis, que não teriam sido integralmente adicionadas ao lucro líquido, para efeito de determinação do lucro real, como constatado a partir do confronto entre os valores contabilizados no Livro Razão e aqueles registrados no LALUR. Pois bem, conforme esclareceu a Recorrente, na autuação comparouse lançamentos nas contas do Livro Razão n°s 22101004, que registra a evolução das provisões (créditos e débitos), e 33204004, relativa apenas aos valores a serem provisionados em cada mês, sem a consideração de eventuais estornos. Tendo ela verificado uma divergência, considerou a conta referente às despesas (33204004) e não a de passivo (22101004). Em verdade, a divergência entre as duas contas é explicada pela variação cambial dos valores provisionados, que foi considerada na conta de passivo (22101004), e não o foi na conta de despesas (33204004). As provisões eram realizadas em dólares americanos e convertidas para Reais pela taxa de câmbio de cada mês respectivo. Uma vez que a provisão não foi realizada, haja vista que não houve o pagamento da consultoria corporativa à matriz do Cinemark), a variação cambial tem que ser desconsiderada para efeito de adição ao lucro líquido. Essa variação cambial somente seria levada em conta se os valores provisionados tivessem sido utilizados para o fim a que se destinavam, isto é, para pagar a consultoria corporativa. Ambos os valores correspondem ao mesmo montante em dólares americanos, no importe de US$ 8.200.372,70. Todavia, no auto de infração considerouse a cotação do dólar vigente em 30 de novembro de 2003 (R$ 2,9494), para a conversão em reais dos valores provisionados em 1997, 1998, 1999, 2000, 2002 e durante todo o ano de 2003, chegandose ao valor total de R$ 24.186.179,23 (Vide termo de verificação fiscal, fl.131). Não há previsão legal para esse procedimento No LALUR da contribuinte, constou adição de R$ 22.026.620,23 em face da utilização da taxa de câmbio do respectivo mês da provisão, que é o correto, pois foram exatamente esses valores deduzidos da tributação em cada período base. Portanto, inexiste diferença a tributar. Fl. 273DF CARF MF Impresso em 17/01/2013 por MARISTELA DE SOUSA RODRIGUES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/12/2012 por LEONARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA, Assinado digital mente em 26/12/2012 por LEONARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 15/01/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 19515.005018/200891 Acórdão n.º 1402001.295 S1C4T2 Fl. 8 7 Deixo de apreciar as demais alegações recursais em face da inocorrência da irregularidade que ensejou a tributação. Conclusão Diante do exposto, voto no sentido de dar provimento ao recurso voluntário e cancelar as exigências. (assinado digitalmente) Leonardo Henrique Magalhães de Oliveira Fl. 274DF CARF MF Impresso em 17/01/2013 por MARISTELA DE SOUSA RODRIGUES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/12/2012 por LEONARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA, Assinado digital mente em 26/12/2012 por LEONARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 15/01/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO
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Numero do processo: 15940.000001/2011-72
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Jun 19 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Jul 31 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2006 a 01/01/2010
COOPERATIVA DE TRABALHO. REPERCUSSÃO GERAL. SUSPENSÃO DO JULGAMENTO ADMINISTRATIVO ATÉ DECISÃO JUDICIAL DEFINITIVA QUE DEVE SER APLICADA AO LANÇAMENTO FISCAL.
O Supremo Tribunal Federal STF, no julgamento do Recurso Extraordinário RE 595.838/SP declarou inconstitucional a contribuição social a cargo da empresa no montante de 15% (quinze por cento) sobre o valor bruto da nota fiscal ou fatura de prestação de serviços, relativamente a serviços que lhe são prestados por cooperados por intermédio de cooperativas de trabalho, prevista no artigo 22, IV, da Lei 8.212/91 na redação da Lei9.876/99.
As decisões definitivas de mérito proferidas pelo STF e STJ em matéria infraconstitucional, na sistemática de repercussão geral (artigos 543B e 543C do Código de Processo Civil, Lei 5.869/73) deverão ser reproduzidas pelos Conselheiros do CARF na forma do art. 62, § 1º, II, b, do Regimento Interno, aprovado pela portaria MF Nº 343/2015.
APLICAÇÃO DE PENALIDADE. PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENIGNA. LEI Nº 8.212/1991, COM A REDAÇÃO DADA PELA MP 449/2008. VINCULAÇÃO COM O RESULTADO DA OBRIGAÇÃO PRINCIPAL. PERDA DO OBJETO
Não há como conhecer de Recurso Especial da Fazenda Nacional para recálculo da multa aplicada, quando, no mérito, é declarada a improcedência do Auto de Infração de Obrigação Principal o que enseja a perda do objeto do recurso.
Numero da decisão: 9202-006.949
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer parcialmente do Recurso Especial do Contribuinte e, no mérito, na parte conhecida, em dar-lhe provimento. Acordam, ainda, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional, por restar prejudicado.
(assinado digitalmente)
Maria Helena Cotta Cardozo Presidente em Exercício
(assinado digitalmente)
Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira Relatora
Participaram da presente sessão de julgamento os conselheiros Maria Helena Cotta Cardozo, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Patricia da Silva, Pedro Paulo Pereira Barbosa, Ana Paula Fernandes, Mário Pereira de Pinho Filho (suplente convocado), Ana Cecília Lustosa da Cruz e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri.
Nome do relator: ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2006 a 01/01/2010 COOPERATIVA DE TRABALHO. REPERCUSSÃO GERAL. SUSPENSÃO DO JULGAMENTO ADMINISTRATIVO ATÉ DECISÃO JUDICIAL DEFINITIVA QUE DEVE SER APLICADA AO LANÇAMENTO FISCAL. O Supremo Tribunal Federal STF, no julgamento do Recurso Extraordinário RE 595.838/SP declarou inconstitucional a contribuição social a cargo da empresa no montante de 15% (quinze por cento) sobre o valor bruto da nota fiscal ou fatura de prestação de serviços, relativamente a serviços que lhe são prestados por cooperados por intermédio de cooperativas de trabalho, prevista no artigo 22, IV, da Lei 8.212/91 na redação da Lei9.876/99. As decisões definitivas de mérito proferidas pelo STF e STJ em matéria infraconstitucional, na sistemática de repercussão geral (artigos 543B e 543C do Código de Processo Civil, Lei 5.869/73) deverão ser reproduzidas pelos Conselheiros do CARF na forma do art. 62, § 1º, II, b, do Regimento Interno, aprovado pela portaria MF Nº 343/2015. APLICAÇÃO DE PENALIDADE. PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENIGNA. LEI Nº 8.212/1991, COM A REDAÇÃO DADA PELA MP 449/2008. VINCULAÇÃO COM O RESULTADO DA OBRIGAÇÃO PRINCIPAL. PERDA DO OBJETO Não há como conhecer de Recurso Especial da Fazenda Nacional para recálculo da multa aplicada, quando, no mérito, é declarada a improcedência do Auto de Infração de Obrigação Principal o que enseja a perda do objeto do recurso.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer parcialmente do Recurso Especial do Contribuinte e, no mérito, na parte conhecida, em dar-lhe provimento. Acordam, ainda, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional, por restar prejudicado. (assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo Presidente em Exercício (assinado digitalmente) Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira Relatora Participaram da presente sessão de julgamento os conselheiros Maria Helena Cotta Cardozo, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Patricia da Silva, Pedro Paulo Pereira Barbosa, Ana Paula Fernandes, Mário Pereira de Pinho Filho (suplente convocado), Ana Cecília Lustosa da Cruz e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri.
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REPERCUSSÃO GERAL. SUSPENSÃO DO JULGAMENTO ADMINISTRATIVO ATÉ DECISÃO JUDICIAL DEFINITIVA QUE DEVE SER APLICADA AO LANÇAMENTO FISCAL. O Supremo Tribunal Federal STF, no julgamento do Recurso Extraordinário RE 595.838/SP declarou inconstitucional a contribuição social a cargo da empresa no montante de 15% (quinze por cento) sobre o valor bruto da nota fiscal ou fatura de prestação de serviços, relativamente a serviços que lhe são prestados por cooperados por intermédio de cooperativas de trabalho, prevista no artigo 22, IV, da Lei 8.212/91 na redação da Lei9.876/99. As decisões definitivas de mérito proferidas pelo STF e STJ em matéria infraconstitucional, na sistemática de repercussão geral (artigos 543B e 543C do Código de Processo Civil, Lei 5.869/73) deverão ser reproduzidas pelos Conselheiros do CARF na forma do art. 62, § 1º, II, “b”, do Regimento Interno, aprovado pela portaria MF Nº 343/2015. APLICAÇÃO DE PENALIDADE. PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENIGNA. LEI Nº 8.212/1991, COM A REDAÇÃO DADA PELA MP 449/2008. VINCULAÇÃO COM O RESULTADO DA OBRIGAÇÃO PRINCIPAL. PERDA DO OBJETO Não há como conhecer de Recurso Especial da Fazenda Nacional para recálculo da multa aplicada, quando, no mérito, é declarada a improcedência do Auto de Infração de Obrigação Principal o que enseja a perda do objeto do recurso. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 94 0. 00 00 01 /2 01 1- 72 Fl. 987DF CARF MF 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer parcialmente do Recurso Especial do Contribuinte e, no mérito, na parte conhecida, em darlhe provimento. Acordam, ainda, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional, por restar prejudicado. (assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo – Presidente em Exercício (assinado digitalmente) Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira – Relatora Participaram da presente sessão de julgamento os conselheiros Maria Helena Cotta Cardozo, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Patricia da Silva, Pedro Paulo Pereira Barbosa, Ana Paula Fernandes, Mário Pereira de Pinho Filho (suplente convocado), Ana Cecília Lustosa da Cruz e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri. Relatório Tratase dos seguintes autos de infração, referentes ao período de 01/2006 a 12/2009: · DEBCAD 37.068.2947 – (valor original de R$ 238.972,74) contribuições devidas à Seguridade Social, correspondentes à parte patronal, incidente sobre o valor de serviços prestados por cooperados por intermédio de cooperativa de trabalho; · DEBCAD 37.068.2920 – (valor original de R$ 46.533,20) AI 68, penalidade pelo descumprimento de obrigação acessória, infração ao artigo 32, IV e § 5º, da Lei nº 8.212/1991, combinado com o artigo 225, IV, § 4º, do Regulamento da Previdência Social – RPS, aprovado pelo Decreto nº 3.048, de 06/05/1999; e · DEBCAD 37.068.2939 – (valor original de R$ 14.317,78) AI 38, penalidade pelo descumprimento de obrigação acessória, infração ao artigo 33, § 2º, da Lei nº 8.212/1991, combinado com o artigo 232, do Regulamento da Previdência Social – RPS, aprovado pelo Decreto nº 3.048, de 06/05/1999. A autuada apresentou impugnação, tendo a Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento no Rio de Janeiro I/RJ julgado a impugnação procedente em parte, mantendo o crédito tributário em parte. Apresentado Recurso Voluntário pela autuada, os autos foram encaminhados ao CARF para julgamento do mesmo. Em sessão plenária de 19/09/2013, foi dado provimento parcial ao Recurso Voluntário, prolatandose o Acórdão nº 2803002.736 (fls. 749/760), com o seguinte resultado: “ACORDAM os membros do Colegiado, por maioria de votos, em dar Fl. 988DF CARF MF Processo nº 15940.000001/201172 Acórdão n.º 9202006.949 CSRFT2 Fl. 3 3 provimento parcial ao recurso, nos termos do voto do relator, visando o recálculo da multa do AI 37.068.2920, tendo em vista a nova determinação do artigo 32 A, I, da Lei 8.212/91 introduzido pela Lei 11.941/2009. Vencido o Conselheiro Amilcar Barca Teixeira Junior quanto aos 15% das notas fiscais da cooperativa”. O acórdão encontrase assim ementado: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2006 a 01/01/2010 INCONSTITUCIONALIDADE. INEXISTÊNCIA. MULTA DE OFÍCIO E MORATÓRIA. CONFISCATÓRIA. INOCORRÊNCIA. POSSIBILIDADE DE AFASTAMENTO DE LEI INCONSTITUCIONAL PELA “JURISDIÇÃO” ADMINISTRATIVA. OS ÓRGÃOS JULGADORES DO PAF CARECEM DE COMPETÊNCIA PARA RECONHECEREM INCONSTITUCIONALIDADE NA SEARA ADMINISTRATIVA. MULTA DE OFÍCIO E MORATÓRIA, ESTABELECIDA POR LEI E DENTRO DO PATAMAR LEGAL E JUDICIALMENTE RECONHECIDO VÁLIDO. CONSTITUCIONALIDADE E LEGALIDADE DA EXIGÊNCIA. RECONHECIMENTO. ASSOCIAÇÃO EQUIPARAÇÃO À EMPRESA PARA FINS DE CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIA. LANÇAMENTO ATIVIDADE PLENAMENTE VINCULADA. AUSÊNCIA DE DISCRICIONARIEDADE. OPORTUNIDADE E CONVENIÊNCIA. O processo foi encaminhado à PGFN em 18/10/2013 (Despacho de Encaminhamento de fls. 761), para ciência do acórdão em até trinta dias, de acordo com o disposto no art. 7º, §§ 3º e 5º, da Portaria MF nº 527, de 2010. A intimação presumida da Fazenda Nacional ocorreria em 17/11/2013. Em 20/11/2013, tempestivamente, portanto, a Fazenda Nacional interpôs o Recurso Especial de fls. 762/801 (Despacho de Encaminhamento de fls. 802). Ao Recurso Especial foi dado seguimento, conforme o Despacho s/nº, da 3ª Câmara, de 06/05/2016 (fls. 812/815), considerado o acórdão paradigma nº 9202002.193. O recorrente, em suas alegações, requer seja dado total provimento ao presente recurso, para reformar o acórdão recorrido e determinar que a análise da norma mais benéfica aplicável ao caso leve em conta a soma das multas previstas pelo descumprimento das obrigações principais e acessórias, aplicáveis na sistemática anterior à Medida Provisória nº 449/2008, em comparação com a multa de ofício prevista no art. 44, I, da Lei nº 9.430/96, que é única, aplicável ao caso por força do art. 35A da Lei nº 8.212/91. Cientificado do Acórdão nº 2803002.736, do Recurso Especial da Fazenda Nacional e do Despacho de Admissibilidade admitindo o Resp da PGFN em 07/07/2016 (cópia do Aviso de Recebimento – AR – fl. 818), o contribuinte apresentou contrarrazões (fls. 820/862) e Recurso Especial (fls. 865/972), ambos em 22/07/2016, portanto, tempestivos. Ao Recurso Especial do contribuinte, foi dado seguimento, conforme o Despacho s/nº, da 3ª Câmara, de 30/04/2017 (fls. 978/982), considerados os acórdãos paradigmas nº 2402004.974, nº 2401004.193 para as obrigações principais e nº 2402 004.944 e nº 2402004.945 para os AIOA. Fl. 989DF CARF MF 4 O recorrente, em suas alegações, requer seja conhecido e provido o presente recurso, para que seja reformado o acórdão recorrido em relação à matéria: Pagamentos efetuados a cooperativas em face do RE 595.838/SP. Em suas contrarrazões, o contribuinte, em síntese, defende o acórdão recorrido no que tange a multa, asseverando que está consoante à retroatividade da lei para beneficiar em matéria de penalidade por infração à legislação tributária, além de estar a seu ver melhor aplicada por ser regra mais específica à situação. Vejamos trecho: · Busca a reforma da decisão, sob o argumento de quer na situação em julgamento, a multa aplicável seria a prevista no artigo 35A da Lei 8.221/91, que remete ao artigo 44, I, da Lei 9.430/96, e não o artigo 32A da mesma lei 8212/91, conforme entendeu o órgão colegiado, sob o argumento de que, este último dispositivo se aplicaria quando houvesse tão somente o descumprimento da obrigação acessória relacionada à GFIP e no caso concreto, houve o lançamento de contribuições previdenciárias, devendo então ser aplicado o artigo 35 A da Lei 8212/91. · Mesmo considerando que as penalidades exigidas neste Auto de Infração, ao final serão canceladas pelo próprio fisco federal, eis que, decorrem de falta de apresentação de documentos e informações relativas a contribuições previdenciárias previstas no artigo 22, IV, da lei 8212/91, dispositivo que foi julgado inconstitucional pelo E. STF (RE 595.828), na sistemática do artigo 543B do CPC/1973 (atual 1045 do CPC/2015), vinculando a Secretaria da Receita Federal), cumpre contradizer as razões da d. Procuradoria, devendo a decisão recorrida deve ser mantida, eis que é a que melhor se amolda às previsões da legislação e a que se coaduna com a verdadeira justiça fiscal. · Destaca, ainda, que o tipo penal descrito no artigo 32A, inciso I, da lei 8.212/91, melhor se amolda a infração do sujeito passivo ao artigo 32, IV do mesmo diploma legal, sendo o mais adequado àquele previsto no artigo 44, I, da lei 9.430/96, pois é uma regra mais específica a situação, do que aquela em que a d. Procuradoria quer que seja aplicada na reforma da decisão que pleiteia em seu Recurso especial. · Aduz que não há nenhuma ressalva nas disposições do inciso I, do artigo 32A da lei 8212/91, restringindo a aplicação da penalidade ali descrita para as situações de descumprimento da mera obrigação acessória prevista no artigo 32, IV, da mesma norma legal, sem descumprimento da obrigação principal. Cientificada do Despacho de Admissibilidade admitindo o Resp do contribuinte em 16/05/2017 (Despacho de Encaminhamento – fl. 983), a PGFN não apresentou contrarrazões (Ciência – Outros – ciência PFN – fl. 984). É o relatório. Fl. 990DF CARF MF Processo nº 15940.000001/201172 Acórdão n.º 9202006.949 CSRFT2 Fl. 4 5 Voto Conselheira Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira Relatora. Pressupostos de Admissibilidade O Recurso Especial interpostos pelo Contribuinte e pela Fazenda Nacional são tempestivos e atendem aos demais pressupostos de admissibilidade, conforme despachos de Admissibilidade, fls. 978 e 812, respectivamente. Assim, não havendo qualquer questionamento acerca do conhecimento e concordando com os termos dos despachos proferidos, passo a apreciar o mérito da questão. Das Preliminares ao Mérito Cingese a controvérsia em relação ao Resp da Fazenda Nacional às penalidades aplicadas às contribuições previdenciárias, previstas na Lei nº 8.212/1991, com as alterações promovidas pela MP nº 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009, quando mais benéfica ao sujeito passivo. Por outro lado, o ponto crucial a ser apreciado no Recurso do Contribuinte, diz respeito ao alcance da declaração de inconstitucionalidade das contribuições sobre a contratação de cooperativas de trabalho. Contudo, o conhecimento do recurso especial restringese ao AIOP e AIOA, relacionados a obrigação principal, no entendimento que, sendo improcedente no mérito a autuação, igual resultado deve ser aplicado a obrigação acessória configurada na ausência de informação em GFIP desses fatos geradores (AIv68). Por outro lado, o auto de infração por descumprimento de obrigação acessória de nº 37.068.2939 AI 38, foi lavrado por ter o contribuinte deixado de apresentar as notas fiscais/faturas de serviços contratuais junto à UNIMED de Dracena, apesar de devidamente intimada para tanto, conforme Termos de Início de Procedimento Fiscal – TIPF, de 19/04/2010 e de Intimações Fiscais, TIF’s nº 2, 3 e 4, de 12/08/2010, 07/10/2010 e 13/12/2010, respectivamente. Contudo, tal obrigação não tem vinculação direta com a improcedência da contribuição sobre a contratação de cooperativas, pois o objeto da autuação é deixar de apresentar documentos, o que, à época poderia ser exigido pela fiscalização, pois em vigor a legislação. Ademais, o contribuinte não apresentou paradigmas que respaldassem o recurso especial nessa matéria. Dessa forma, CONHEÇO EM PARTE do Recurso Especial do Contribuinte. Recurso Especial do Contribuinte Busca o sujeito passivo seja dado total provimento ao presente recurso, para que seja reformado o acórdão recorrido em relação à matéria: Pagamentos efetuados a cooperativas em face do RE 595.838/SP, o que entendo, assiste razão ao recorrente como exposto a seguir. Fl. 991DF CARF MF 6 Da Contribuição Previdenciária incidente sobre a contratação de cooperativas de trabalho. Quanto ao mérito, cumprenos apreciar não apenas os dispositivos legais que abarcam a matéria, mas também as decisões emanadas pelo STF a respeito da matéria, considerando o recurso apresentado pelo recorrente. Depreendese da previsão legislativa, intenção de transferir a sujeição passiva da obrigação tributária contribuição previdenciária a empresas que contratam a prestação de serviços de cooperados por meio de cooperativas de trabalho, confrontando, assim, a Constituição Federal em seu art. 195, I, “a”, dado que o serviço contratado pelas empresas junto às cooperativas é, na verdade, prestado por pessoas físicas, os cooperados. A cooperativa é bem mais que intermediária nas relações entre cooperados e tomadores de serviço, tratase, pois, de entidade criada para integrar seus associados e lhes fortalecer a solidariedade, pois que o sócio usuário não exerce, por conta própria, a atividade profissional, mas sim participa sob regime de cooperação. Os terceiros, quando se interessam pelos serviços, os creditam à cooperativa, que se ocupa de repassar aos usuários seu quantum respectivo. Desta forma, a Lei 9.876/99, desconsidera a personalidade jurídica das sociedades cooperativas, corrompendo os significados de pessoa física e jurídica. O que faz a supracitada lei é incidir a contribuição previdenciária não sobre as remunerações pagas ou creditadas ao cooperado, mas à relação contratual estabelecida entre pessoa jurídica cooperativa e pessoa jurídica tomadora do serviço. Contudo, o Supremo Tribunal Federal – STF, no julgamento do Recurso Extraordinário – RE 595.838/SP, tema com repercussão geral reconhecida, declarou inconstitucional a contribuição social em análise, conforme se vê: RECURSO EXTRAORDINÁRIO. TRIBUTÁRIO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA.ARTIGO 22, INCISO IV, DA LEI Nº 8.212/91, COM A REDAÇÃO DADA PELA LEI Nº 9.876/99.SUJEIÇÃO PASSIVA. EMPRESAS TOMADORAS DE SERVIÇOS. PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS DE COOPERADOS POR MEIO DE COOPERATIVAS DE TRABALHO. BASE DE CÁLCULO. VALOR BRUTO DA NOTA FISCAL OU FATURA. TRIBUTAÇÃO DO FATURAMENTO. BIS IN IDEM. NOVA FONTE DE CUSTEIO. ARTIGO 195, § 4º, CF. O fato gerador que origina a obrigação de recolher a contribuição previdenciária, na forma do art. 22, inciso IV da Lei nº 8.212/91, na redação da Lei 9.876/99, não se origina nas remunerações pagas ou creditadas ao cooperado, mas na relação contratual estabelecida entre a pessoa jurídica da cooperativa e a do contratante de seus serviços. A empresa tomadora dos serviços não opera como fonte somente para fins de retenção. A empresa ou entidade a ela equiparada é o próprio sujeito passivo da relação tributária, logo, típico “contribuinte” da contribuição. Os pagamentos efetuados por terceiros às cooperativas de trabalho, em face de serviços prestados por seus cooperados, Fl. 992DF CARF MF Processo nº 15940.000001/201172 Acórdão n.º 9202006.949 CSRFT2 Fl. 5 7 não se confundem com os valores efetivamente pagos ou creditados aos cooperados. O art. 22, IV da Lei nº 8.212/91, com a redação da Lei nº 9.876/99 ao instituir contribuição previdenciária incidente sobre o valor bruto da nota fiscal ou fatura, extrapolou a norma do art. 195, inciso I, a, da Constituição, descaracterizando a contribuição hipoteticamente incidente sobre os rendimentos do trabalho dos cooperados, tributando o faturamento da cooperativa, com evidente bis in idem. Representa, assim, nova fonte de custeio, a qual somente poderia ser instituída por lei complementar, com base no art. 195, § 4º com a remissão feita ao art. 154, I, da Constituição. Recurso extraordinário provido para declarar a inconstitucionalidade do inciso IV do art. 22 da Lei nº 8.212/91, com a redação dada pela Lei nº 9.876/99. Da análise do referido acórdão do STF, extraise entendimento que, no caso da contribuição previdenciária objeto deste recurso, cujo critério material pretende ser o da prestação do serviço, a base de cálculo não poderia ser outra que não o valor da remuneração da mão de obra desse serviço. Dito de outra forma, a base de cálculo há de ser representada pela medida do serviço prestado pelo cooperado, havendo manifesta violação do texto constitucional na hipótese de se calcular a contribuição com base em valores pagos a qualquer outro título, como o faz o legislador quando a estipula sobre o valor bruto da nota fiscal. Desta forma, avença o STF que houve extrapolação da base econômica delineada no art. 195, I, “a”, da CF/88, ou seja, da norma sobre a competência para se instituir contribuição sobre a folha ou sobre outros rendimentos do trabalho. Houve, ainda,profanação do princípio da capacidade contributiva, estampado no art. 145, § 1º, da CF/88, pois os pagamentos efetuados por terceiros às cooperativas de trabalho, em face de serviços prestados por seus associados, não se confundem com os valores efetivamente pagos ou creditados aos cooperados. A Procuradoria da Fazenda Nacional – PFN apresentou Embargos de Declaração ao RE 595.838/SP, postulando pela modulação dos efeitos da decisão de inconstitucionalidade, bem como, a manifestação sobre a repristinação da Lei Complementar 84/96, alegando forte impacto ao orçamento da Seguridade Social e nas políticas públicas de saúde, previdência social e assistência social. Deste recurso decidiu o STF, em sessão plenária de 18/12/2014: EMBARGOS DE DECLARAÇÃO NO RECURSO EXTRAORDINÁRIO. TRIBUTÁRIO.PEDIDO DE MODULAÇÃO DE EFEITOS DA DECISÃO COM QUE SE DECLAROU A INCONSTITUCIONALIDADE DO INCISO IV DO ART. 22 DA LEI Nº 8.212/91, COM A REDAÇÃO DADA PELA LEI Nº 9.876/99. DECLARAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE.AUSÊNCIA DE EXCEPCIONALIDADE. LEI APLICÁVEL EM RAZÃO DE EFEITO REPRISTINATÓRIO.INFRACONSTITUCIONAL. 1. A modulação dos efeitos da declaração de inconstitucionalidade é medida extrema, a qual somente se justifica se estiver indicado e comprovado gravíssimo risco Fl. 993DF CARF MF 8 irreversível à ordem social. As razões recursais não contêm indicação concreta, nem específica, desse risco. 2. Modular os efeitos no caso dos autos importaria em negar ao contribuinte o próprio direito de repetir o indébito de valores que eventualmente tenham sido recolhidos. 3. A segurança jurídica está na proclamação do resultado dos julgamentos tal como formalizada, dandose primazia à Constituição Federal. 4. É de índole infraconstitucional a controvérsia a respeito da legislação aplicável resultante do efeito repristinatório da declaração de inconstitucionalidade do inciso IV do art. 22 da Lei nº 8.212/91, com a redação dada pela Lei nº 9.876/99. 5. Embargos de declaração rejeitados. Como a decisão de inconstitucionalidade do art. 22, IV, da Lei 8212/91 na redação da Lei 9.876/99, não transitou em julgado e a ADI 2594, sob relatoria do Min. Teori Zavascki, encontrase liberada pelo relator para julgamento do Plenário do STF desde setembro de 2014, a decisão judicial definitiva do RE 595.838/SP deve ser aplicada ao lançamento fiscal. As decisões definitivas de mérito proferidas pelo STF e STJ em matéria infraconstitucional, na sistemática de repercussão geral (artigos 543B e 543C do CPC/1973) deverão ser reproduzidas pelos Conselheiros do CARF, na forma do art. 62, § 1º, II, “b” do Regimento Interno, aprovado pela Portaria MF343/2015. Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. § 1º O disposto no caput não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: II – que fundamente crédito tributário objeto de: b) Decisão do Supremo Tribunal Federal ou do Superior Tribunal de Justiça, em sede de julgamento realizado nos termos do art. 543B ou 43C da Lei nº 5.869, de 1973 – Código de Processo Civil (CPC), na forma disciplinada pela Administração Tributária; Destarte não há como subsistir o lançamento fiscal. Face ao exposto, entendo que não há como subsistir o lançamento, razão pela qual, voto por DAR PROVIMENTO AO RESP DO CONTRIBUINTE. Recurso Especial da Fazenda Nacional Aplicação da multa retroatividade benigna Embora, em relação ao cálculo da multa atribuída no acórdão recorrido, possa se atribuir razão ao Resp da Fazenda Nacional, conforme ampla jurisprudência dessa 2ª Turma da CSRF, não há como apreciar a questão, face a perda do objeto. Fl. 994DF CARF MF Processo nº 15940.000001/201172 Acórdão n.º 9202006.949 CSRFT2 Fl. 6 9 A declaração de improcedência do AIOP pela declaração de inconstitucionalidade da contribuição ali lançada, enseja mesmo destino a obrigação acessória conexa, razão pela qual não subsiste multa a ser apreciada. Conclusão Face o exposto, voto por CONHECER EM PARTE do Recurso Especial do Contribuinte, para, no mérito, na parte conhecida, DARLHE PROVIMENTO. Já em relação ao Recurso Especial da Fazenda Nacional, voto por NÃO CONHECÊLO, em razão da perda de objeto face o provimento do Recurso Especial do Contribuinte. É como voto. (assinado digitalmente) Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira. Fl. 995DF CARF MF
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Numero do processo: 17546.000206/2007-50
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Apr 19 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Jul 23 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/03/2000 a 01/01/2006
APLICAÇÃO DE PENALIDADE. PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENIGNA. LEI Nº 8.212/1991, COM A REDAÇÃO DADA PELA MP 449/2008, CONVERTIDA NA LEI Nº 11.941/2009. PORTARIA PGFN/RFB Nº 14 DE 04 DE DEZEMBRO DE 2009.
Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre dispositivos, percentuais e limites. É necessário, antes de tudo, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto que sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta.
O cálculo da penalidade deve ser efetuado em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009, se mais benéfico para o sujeito passivo.
Numero da decisão: 9202-006.800
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito em dar-lhe provimento, para que a retroatividade benigna seja aplicada em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14, de 2009. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplica-se o decidido no julgamento do processo 11242.000598/2009-57, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado.
(assinado digitalmente)
Maria Helena Cotta Cardozo - Presidente em exercício e Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Patrícia da Silva, Heitor de Souza Lima Junior, Ana Paula Fernandes, Mário Pereira de Pinho Filho (suplente convocado), Ana Cecília Lustosa da Cruz, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri e Maria Helena Cotta Cardozo.
Nome do relator: MARIA HELENA COTTA CARDOZO
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ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/03/2000 a 01/01/2006 APLICAÇÃO DE PENALIDADE. PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENIGNA. LEI Nº 8.212/1991, COM A REDAÇÃO DADA PELA MP 449/2008, CONVERTIDA NA LEI Nº 11.941/2009. PORTARIA PGFN/RFB Nº 14 DE 04 DE DEZEMBRO DE 2009. Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre dispositivos, percentuais e limites. É necessário, antes de tudo, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto que sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. O cálculo da penalidade deve ser efetuado em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009, se mais benéfico para o sujeito passivo. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito em darlhe provimento, para que a retroatividade benigna seja aplicada em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14, de 2009. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplicase o decidido no julgamento do processo 11242.000598/200957, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. (assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo Presidente em exercício e Relatora AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 17 54 6. 00 02 06 /2 00 7- 50 Fl. 362DF CARF MF Processo nº 17546.000206/200750 Acórdão n.º 9202006.800 CSRFT2 Fl. 3 2 Participaram do presente julgamento os Conselheiros Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Patrícia da Silva, Heitor de Souza Lima Junior, Ana Paula Fernandes, Mário Pereira de Pinho Filho (suplente convocado), Ana Cecília Lustosa da Cruz, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri e Maria Helena Cotta Cardozo. Relatório Contra o contribuinte foi lavrado o presente auto de infração para cobrança de contribuições previdenciárias destinadas à Seguridade Social. Após o trâmite processual, a turma a quo deu provimento parcial ao recurso voluntário do Contribuinte para determinar o recálculo da multa aplicada haja vista alterações promovidas na redação da Lei nº 8.212/1991. Inconformada com o resultado do julgamento, a Fazenda Nacional interpôs Recurso Especial cujo objeto é a discussão acerca da aplicação do princípio da retroatividade benigna previsto no artigo 106, inciso II, alínea “c”, do CTN, em face das penalidades aplicadas às contribuições previdenciárias, previstas na Lei nº 8.212/1991, com as alterações promovidas pela MP 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009. Cientificado, o sujeito passivo não apresentou contrarrazões. É o relatório. Voto Conselheira Maria Helena Cotta Cardozo Relatora Este processo foi julgado na sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 9202006.733, de 19/04/2018, proferido no julgamento do processo 11242.000598/200957, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese como solução deste litígio, nos termos regimentais, o inteiro teor do voto proferido naquela decisão (Acórdão 9202006.733): "O recurso preenche os pressuposto de admissibilidade razão pela qual deve ser conhecido. A controvérsia levantada pela Fazenda Nacional é relativa às penalidades aplicadas às contribuições previdenciárias, previstas na Lei nº 8.212/1991, com as alterações promovidas pela MP nº 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009, quando mais benéfica ao sujeito passivo. A solução do litígio decorre do disposto no artigo 106, inciso II, alínea “a” do CTN, a seguir transcrito: Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: Fl. 363DF CARF MF Processo nº 17546.000206/200750 Acórdão n.º 9202006.800 CSRFT2 Fl. 4 3 I em qualquer caso, quando seja expressamente interpretativa, excluída a aplicação de penalidade à infração dos dispositivos interpretados; II tratandose de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de definilo como infração; b) quando deixe de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. (grifos acrescidos) De inicio, cumpre registrar que a Câmara Superior de Recursos Fiscais (CSRF), de forma unânime pacificou o entendimento de que na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre dispositivos, percentuais e limites. É necessário, basicamente, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. Assim, a multa de mora prevista no art. 61 da Lei nº 9.430, de 1996, não é aplicável quando realizado o lançamento de ofício, conforme consta do Acórdão n. 9202004.262 (Sessão de 23 de junho de 2016), cuja ementa transcrevese: AUTO DE INFRAÇÃO OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA MULTA APLICAÇÃO NOS LIMITES DA LEI 8.212/91 C/C LEI 11.941/08 APLICAÇÃO DA MULTA MAIS FAVORÁVEL RETROATIVIDADE BENIGNA NATUREZA DA MULTA APLICADA. A multa nos casos em que há lançamento de obrigação principal lavrados após a MP 449/2008, convertida na lei 11.941/2009, mesmo que referente a fatos geradores anteriores a publicação da referida lei, é de ofício. AUTO DE INFRAÇÃO DE OBRIGAÇÃO PRINCIPAL E ACESSÓRIA COMPARATIVO DE MULTAS APLICAÇÃO DE PENALIDADE. RETROATIVIDADE BENIGNA. Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre percentuais e limites. É necessário, basicamente, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. Se as multas por descumprimento de obrigações acessória e principal foram exigidas em procedimentos de ofício, ainda que em separado, incabível a aplicação retroativa do art. 32A, da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009, eis que esta última estabeleceu, em seu art. 35 A, penalidade única combinando as duas condutas. A legislação vigente anteriormente à Medida Provisória n° 449, de 2008, determinava, para a situação em que ocorresse (a) recolhimento insuficiente do tributo e (b) falta de declaração da verba tributável em GFIP, a constituição do crédito tributário de ofício, acrescido das multas previstas nos arts. 35, II, e 32, § 5o, ambos da Lei n° 8.212, de 1991, respectivamente. Posteriormente, foi determinada, para essa mesma situação (falta de pagamento Fl. 364DF CARF MF Processo nº 17546.000206/200750 Acórdão n.º 9202006.800 CSRFT2 Fl. 5 4 e de declaração), apenas a aplicação do art. 35A da Lei n° 8.212, de 1991, que faz remissão ao art. 44 da Lei n° 9.430, de 1996. Portanto, para aplicação da retroatividade benigna, resta necessário comparar (a) o somatório das multas previstas nos arts. 35, II, e 32, § 5o, ambos da Lei n° 8.212, de 1991, e (b) a multa prevista no art. 35A da Lei n° 8.212, de 1991. A comparação de que trata o item anterior tem por fim a aplicação da retroatividade benigna prevista no art. 106 do CTN e, caso necessário, a retificação dos valores no sistema de cobrança, a fim de que, em cada competência, o valor da multa aplicada no AIOA somado com a multa aplicada na NFLD/AIOP não exceda o percentual de 75%. Prosseguindo na análise do tema, também é entendimento pacífico deste Colegiado que na hipótese de lançamento apenas de obrigação principal, a retroatividade benigna será aplicada se, na liquidação do acórdão, a penalidade anterior à vigência da MP 449, de 2008, ultrapassar a multa do art. 35A da Lei n° 8.212/91, correspondente aos 75% previstos no art. 44 da Lei n° 9.430/96. Caso as multas previstas nos §§ 4º e 5º do art. 32 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela MP 449 (convertida na Lei 11.941, de 2009), tenham sido aplicadas isoladamente descumprimento de obrigação acessória sem a imposição de penalidade pecuniária pelo descumprimento de obrigação principal deverão ser comparadas com as penalidades previstas no art. 32A da Lei nº 8.212, de 1991, bem assim no caso de competências em que o lançamento da obrigação principal tenha sido atingida pela decadência. Neste sentido, transcrevese excerto do voto unânime proferido no Acórdão nº 9202004.499: Até a edição da MP 449/2008, quando realizado um procedimento fiscal, em que se constatava a existência de débitos previdenciários, lavravase em relação ao montante da contribuição devida, notificação fiscal de lançamento de débito NFLD. Caso constatado que, além do montante devido, descumprira o contribuinte obrigação acessória, ou seja, obrigação de fazer, como no caso de omissão em GFIP (que tem correlação direta com o fato gerador), a empresa era autuada também por descumprimento de obrigação acessória. Nessa época os dispositivos legais aplicáveis eram multa art. 35 para a NFLD (24%, que sofria acréscimos dependendo da fase processual do débito) e art. 32 (100% da contribuição devida em caso de omissões de fatos geradores em GFIP) para o Auto de infração de obrigação acessória. Contudo, a MP 449/2008, convertida na lei 11.941/2009, inseriu o art. 32A, o qual dispõe o seguinte: “Art. 32A. O contribuinte que deixar de apresentar a declaração de que trata o inciso IV do caput do art. 32 desta Lei no prazo fixado ou que a apresentar com incorreções ou omissões será intimado a apresentála ou a prestar esclarecimentos e sujeitarseá às seguintes multas: I – de R$ 20,00 (vinte reais) para cada grupo de 10 (dez) informações incorretas ou omitidas; e II – de 2% (dois por cento) ao mêscalendário ou fração, incidentes sobre o montante das contribuições informadas, ainda que integralmente pagas, no caso de falta de entrega da Fl. 365DF CARF MF Processo nº 17546.000206/200750 Acórdão n.º 9202006.800 CSRFT2 Fl. 6 5 declaração ou entrega após o prazo, limitada a 20% (vinte por cento), observado o disposto no § 3o deste artigo. § 1o Para efeito de aplicação da multa prevista no inciso II do caput deste artigo, será considerado como termo inicial o dia seguinte ao término do prazo fixado para entrega da declaração e como termo final a data da efetiva entrega ou, no caso de não apresentação, a data da lavratura do auto de infração ou da notificação de lançamento. § 2o Observado o disposto no § 3o deste artigo, as multas serão reduzidas: I – à metade, quando a declaração for apresentada após o prazo, mas antes de qualquer procedimento de ofício; ou II – a 75% (setenta e cinco por cento), se houver apresentação da declaração no prazo fixado em intimação. § 3o A multa mínima a ser aplicada será de: I – R$ 200,00 (duzentos reais), tratandose de omissão de declaração sem ocorrência de fatos geradores de contribuição previdenciária; e II – R$ 500,00 (quinhentos reais), nos demais casos.” Entretanto, a MP 449, Lei 11.941/2009, também acrescentou o art. 35A que dispõe o seguinte, “Art. 35A. Nos casos de lançamento de ofício relativos às contribuições referidas no art. 35 desta Lei, aplicase o disposto no art. 44 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996.” O inciso I do art. 44 da Lei 9.430/96, por sua vez, dispõe o seguinte: “Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata “ Com a alteração acima, em caso de atraso, cujo recolhimento não ocorrer de forma espontânea pelo contribuinte, levando ao lançamento de ofício, a multa a ser aplicada passa a ser a estabelecida no dispositivo acima citado, ou seja, em havendo lançamento da obrigação principal (a antiga NFLD), aplicase multa de ofício no patamar de 75%. Essa conclusão levanos ao raciocínio que a natureza da multa, sempre que existe lançamento, referese a multa de ofício e não a multa de mora referida no antigo art. 35 da lei 8212/91. Contudo, mesmo que consideremos que a natureza da multa é de "multa de ofício" não podemos isoladamente aplicar 75% para Fl. 366DF CARF MF Processo nº 17546.000206/200750 Acórdão n.º 9202006.800 CSRFT2 Fl. 7 6 as Notificações Fiscais NFLD ou Autos de Infração de Obrigação Principal AIOP, pois estaríamos na verdade retroagindo para agravar a penalidade aplicada. Por outro lado, com base nas alterações legislativas não mais caberia, nos patamares anteriormente existentes, aplicação de NFLD + AIOA (Auto de Infração de Obrigação Acessória) cumulativamente, pois em existindo lançamento de ofício a multa passa a ser exclusivamente de 75%. Tendo identificado que a natureza da multa, sempre que há lançamento, é de multa de ofício, considerando o princípio da retroatividade benigna previsto no art. 106. inciso II, alínea “c”, do Código Tributário Nacional, há que se verificar a situação mais favorável ao sujeito passivo, face às alterações trazidas. No presente caso, foi lavrado AIOA julgada, e alvo do presente recurso especial, prevaleceu o valor de multa aplicado nos moldes do art. 32A. No caso da ausência de informação em GFIP, conforme descrito no relatório a multa aplicada ocorreu nos termos do art. 32, inciso IV, § 5º, da Lei nº 8.212/1991 também revogado, o qual previa uma multa no valor de 100% (cem por cento) da contribuição não declarada, limitada aos limites previstos no § 4º do mesmo artigo. Face essas considerações para efeitos da apuração da situação mais favorável, entendo que há que se observar qual das seguintes situações resulta mais favorável ao contribuinte: · Norma anterior, pela soma da multa aplicada nos moldes do art. 35, inciso II com a multa prevista no art. 32, inciso IV, § 5º, observada a limitação imposta pelo § 4º do mesmo artigo, ou · Norma atual, pela aplicação da multa de setenta e cinco por cento sobre os valores não declarados, sem qualquer limitação, excluído o valor de multa mantido na notificação. Levando em consideração a legislação mais benéfica ao contribuinte, conforme dispõe o art. 106 do Código Tributário Nacional (CTN), o órgão responsável pela execução do acórdão deve, quando do trânsito em julgado administrativo, efetuar o cálculo da multa, em cada competência, somando o valor da multa aplicada no AI de obrigação acessória com a multa aplicada na NFLD/AIOP, que não pode exceder o percentual de 75%, previsto no art. 44, I da Lei n° 9.430/1996. Da mesma forma, no lançamento apenas de obrigação principal o valor das multa de ofício não pode exceder 75%. No AI de obrigação acessória, isoladamente, o percentual não pode exceder as penalidades previstas no art. 32A da Lei nº 8.212, de 1991. Observese que, no caso de competências em que a obrigação principal tenha sido atingida pela decadência (pela antecipação do pagamento nos termos do art. 150, § 4º, do CTN), subsiste a obrigação acessória, isoladamente, relativa às mesmas Fl. 367DF CARF MF Processo nº 17546.000206/200750 Acórdão n.º 9202006.800 CSRFT2 Fl. 8 7 competências, não atingidas pela decadência posto que regidas pelo art. 173, I, do CTN, e que, portanto, deve ter sua penalidade limitada ao valor previsto no artigo 32A da Lei nº 8.212, de 1991. Cumpre ressaltar que o entendimento acima está em consonância com o que dispõe a Instrução Normativa RFB nº 971, de 13 de novembro de 2009, alterada pela Instrução Normativa RFB nº 1.027 em 22/04/2010, e no mesmo diapasão do que estabelece a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009, que contempla tanto os lançamentos de obrigação principal quanto de obrigação acessória, em conjunto ou isoladamente. Neste passo, para os fatos geradores ocorridos até 03/12/2008, a autoridade responsável pela execução do acórdão, quando do trânsito em julgado administrativo, deverá observar a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009 que se reporta à aplicação do princípio da retroatividade benigna previsto no artigo 106, inciso II, alínea “c”, do CTN, em face das penalidades aplicadas às contribuições previdenciárias nos lançamentos de obrigação principal e de obrigação acessória, em conjunto ou isoladamente, previstas na Lei nº 8.212/1991, com as alterações promovidas pela MP 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009. De fato, as disposições da referida Portaria, a seguir transcritas, estão em consonância com a jurisprudência unânime desta 2ª Turma da CSRF sobre o tema: Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009 Art. 1º A aplicação do disposto nos arts. 35 e 35A da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 27 de maio de 2009, às prestações de parcelamento e aos demais débitos não pagos até 3 de dezembro de 2008, inscritos ou não em Dívida Ativa, cobrados por meio de processo ainda não definitivamente julgado, observará o disposto nesta Portaria. Art. 2º No momento do pagamento ou do parcelamento do débito pelo contribuinte, o valor das multas aplicadas será analisado e os lançamentos, se necessário, serão retificados, para fins de aplicação da penalidade mais benéfica, nos termos da alínea "c" do inciso II do art. 106 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 Código Tributário Nacional (CTN). § 1º Caso não haja pagamento ou parcelamento do débito, a análise do valor das multas referidas no caput será realizada no momento do ajuizamento da execução fiscal pela Procuradoria Geral da Fazenda Nacional (PGFN). § 2º A análise a que se refere o caput darseá por competência. § 3º A aplicação da penalidade mais benéfica na forma deste artigo darseá: I mediante requerimento do sujeito passivo, dirigido à autoridade administrativa competente, informando e comprovando que se subsume à mencionada hipótese; ou Fl. 368DF CARF MF Processo nº 17546.000206/200750 Acórdão n.º 9202006.800 CSRFT2 Fl. 9 8 II de ofício, quando verificada pela autoridade administrativa a possibilidade de aplicação. § 4º Se o processo encontrarse em trâmite no contencioso administrativo de primeira instância, a autoridade julgadora fará constar de sua decisão que a análise do valor das multas para verificação e aplicação daquela que for mais benéfica, se cabível, será realizada no momento do pagamento ou do parcelamento. Art. 3º A análise da penalidade mais benéfica, a que se refere esta Portaria, será realizada pela comparação entre a soma dos valores das multas aplicadas nos lançamentos por descumprimento de obrigação principal, conforme o art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, e de obrigações acessórias, conforme §§ 4º e 5º do art. 32 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, e da multa de ofício calculada na forma do art. 35A da Lei nº 8.212, de 1991, acrescido pela Lei nº 11.941, de 2009. § 1º Caso as multas previstas nos §§ 4º e 5º do art. 32 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, tenham sido aplicadas isoladamente, sem a imposição de penalidade pecuniária pelo descumprimento de obrigação principal, deverão ser comparadas com as penalidades previstas no art. 32A da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009. § 2º A comparação na forma do caput deverá ser efetuada em relação aos processos conexos, devendo ser considerados, inclusive, os débitos pagos, os parcelados, os nãoimpugnados, os inscritos em Dívida Ativa da União e os ajuizados após a publicação da Medida Provisória nº 449, de 3 de dezembro de 2008. Art. 4º O valor das multas aplicadas, na forma do art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, sobre as contribuições devidas a terceiros, assim entendidas outras entidades e fundos, deverá ser comparado com o valor das multa de ofício previsto no art. 35A daquela Lei, acrescido pela Lei nº 11.941, de 2009, e, caso resulte mais benéfico ao sujeito passivo, será reduzido àquele patamar. Art. 5º Na hipótese de ter havido lançamento de ofício relativo a contribuições declaradas na Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social (GFIP), a multa aplicada limitarseá àquela prevista no art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009. Diante do exposto, voto por dar provimento ao recurso da Fazenda Nacional para determinar que a multa seja aplicada nos termos em que fixado pela Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009." Fl. 369DF CARF MF Processo nº 17546.000206/200750 Acórdão n.º 9202006.800 CSRFT2 Fl. 10 9 Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, nos termos dos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, voto em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em dar lhe provimento, para que a retroatividade benigna seja aplicada em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14, de 2009. (assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo Fl. 370DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10880.660296/2012-50
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Mon May 21 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Jul 17 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Data do fato gerador: 30/06/2012
DESPACHO DECISÓRIO ELETRÔNICO. NULIDADE.
Estando demonstrados os cálculos e a apuração efetuada e possuindo o despacho decisório todos os requisitos necessários à sua formalização, sendo proferido por autoridade competente, contra o qual o contribuinte pode exercer o contraditório e a ampla defesa e onde constam os requisitos exigidos nas normas pertinentes ao processo administrativo fiscal, não há que se falar em nulidade.
DESPACHO DECISÓRIO ELETRÔNICO. FUNDAMENTAÇÃO. CERCEAMENTO DE DEFESA.
Na medida em que o despacho decisório que indeferiu a restituição requerida teve como fundamento fático a verificação dos valores objeto de declarações do próprio sujeito passivo, não há que se falar em cerceamento de defesa.
COMPENSAÇÃO. CRÉDITO INTEGRALMENTE ALOCADO. Correto o despacho decisório que não homologou a compensação declarada pelo contribuinte por inexistência de direito creditório, quando o recolhimento alegado como origem do crédito estiver integralmente alocado na quitação de débitos confessados.
Numero da decisão: 3401-004.700
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
Rosaldo Trevisan - Presidente e Relator
(assinado digitalmente)
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rosaldo Trevisan (presidente), Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (vice-presidente), Robson José Bayerl, Cássio Schappo, Mara Cristina Sifuentes, André Henrique Lemos, Lázaro Antônio Souza Soares, Tiago Guerra Machado.
Nome do relator: ROSALDO TREVISAN
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NULIDADE. Estando demonstrados os cálculos e a apuração efetuada e possuindo o despacho decisório todos os requisitos necessários à sua formalização, sendo proferido por autoridade competente, contra o qual o contribuinte pode exercer o contraditório e a ampla defesa e onde constam os requisitos exigidos nas normas pertinentes ao processo administrativo fiscal, não há que se falar em nulidade. DESPACHO DECISÓRIO ELETRÔNICO. FUNDAMENTAÇÃO. CERCEAMENTO DE DEFESA. Na medida em que o despacho decisório que indeferiu a restituição requerida teve como fundamento fático a verificação dos valores objeto de declarações do próprio sujeito passivo, não há que se falar em cerceamento de defesa. COMPENSAÇÃO. CRÉDITO INTEGRALMENTE ALOCADO. Correto o despacho decisório que não homologou a compensação declarada pelo contribuinte por inexistência de direito creditório, quando o recolhimento alegado como origem do crédito estiver integralmente alocado na quitação de débitos confessados. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. Rosaldo Trevisan Presidente e Relator (assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 66 02 96 /2 01 2- 50 Fl. 75DF CARF MF Processo nº 10880.660296/201250 Acórdão n.º 3401004.700 S3C4T1 Fl. 3 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rosaldo Trevisan (presidente), Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (vicepresidente), Robson José Bayerl, Cássio Schappo, Mara Cristina Sifuentes, André Henrique Lemos, Lázaro Antônio Souza Soares, Tiago Guerra Machado. Relatório Trata o presente processo de manifestação de inconformidade contra não homologação de compensação declarada por meio eletrônico (PER/DCOMP), relativamente a um crédito de Cofins, que teria sido recolhido a maior no período de apuração. O Despacho Decisório da DERAT/SÃO PAULO, não homologou o pedido de compensação, sob o fundamento de que, embora localizado o pagamento que deu origem ao suposto crédito original de pagamento indevido ou a maior, o mesmo estava à época do encontro de contas integralmente utilizado para quitação de débitos do contribuinte não restando crédito disponível para a compensação dos débitos informados. Notificada da decisão a contribuinte apresentou manifestação de inconformidade. A DRJ Ribeirão Preto julgou improcedente a impugnação por unanimidade de votos, mantendo o crédito tributário devido. A empresa apresentou recurso voluntário onde somente alega que apesar de ter protestado em sede de impugnação pela falta de motivação do indeferimento no despacho decisório, o acórdão recorrido não demonstrou a motivação, que os atos administrativos devem ser motivados para não ter cerceado seu direito de defesa, não apresentando provas do seu direito. É o relatório. Fl. 76DF CARF MF Processo nº 10880.660296/201250 Acórdão n.º 3401004.700 S3C4T1 Fl. 4 3 Voto Conselheiro Rosaldo Trevisan, Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3401004.681, de 21 de maio de 2018, proferido no julgamento do processo 10880.660277/201223, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3401004.681): "O recurso voluntário é tempestivo e preenche as demais condições de admissibilidade, por isso dele tomo conhecimento. A recorrente protesta pela falta de motivação do despacho decisório que indeferiu o seu pedido de compensação. Entendo que o despacho decisório cumpre os requisitos legais e possui todo o escopo necessário ao exercício do contraditório e da ampla defesa pelo contribuinte. Nele está inscrito o enquadramento legal da autuação: Enquadramento legal: Arts. 165 e 170, da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 (CTN). Art. 74 da Lei 9.430, de 27 de dezembro de 1996. Também nele encontrase a fundamentação da decisão, ficando claro que o crédito indicado foi localizado, mas já havia sido utilizado para quitação de outros débitos do contribuinte: A análise do direito creditório está limitada ao valor do "crédito original na data de transmissão" informado no PER/DCOMP, correspondendo a 4.812,66. A partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos, abaixo relacionados, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. Entendo que o prejuízo, se havido, foi provocado pelo próprio contribuinte que deixou de apresentar provas que indicassem que era portador do crédito alegado. Ademais, como bem demonstrado no acórdão recorrido, o crédito já havia sido utilizado e alocado, e apesar de ser o único DARF pago pela empresa no ano de 2012, o mesmo foi utilizado em 193 pedidos de compensação. Esse procedimento utilizado pelo contribuinte, de alocar o mesmo crédito a várias Dcomps enseja a cominação de prestação de informação falsa à RFB já que há um campo na PER/DCOMP onde é perguntado se aquele Fl. 77DF CARF MF Processo nº 10880.660296/201250 Acórdão n.º 3401004.700 S3C4T1 Fl. 5 4 crédito já foi informado em outro PER/DCOMP e o contribuinte respondeu “NÃO” em todas as declarações. Por ser extremamente didático, reproduzo o acórdão recorrido, em sua íntegra, para que não haja dúvidas quanto as suas conclusões que acompanho: Em preliminar, não merece acolhida a alegação de nulidade do Despacho Decisório, vez que o mesmo apresenta de forma clara e precisa o motivo da não homologação da compensação, qual seja, a inexistência de crédito disponível para a compensação dos débitos informados na DCOMP. O Despacho Decisório preenche todos os requisitos formais e materiais para sua validade, contendo todos os elementos necessários ao exercício do direito de defesa do contribuinte, trazendo em seu bojo, ainda que de forma sintética, a fundamentação legal, a identificação da declaração de compensação enviada pela empresa, a data da transmissão, o tipo de crédito, as características do DARF apontado pela empresa na DCOMP, bem como o período de apuração a que se refere. Por outro lado, os motivos da nãohomologação residem nas próprias declarações e documentos produzidos pela contribuinte. Estas são, portanto, a prova e o motivo do ato administrativo, não podendo a interessada alegar que os desconhecia. Importante fixar que a DCOMP se presta a formalizar o encontro de contas entre o contribuinte e a Fazenda Pública, por iniciativa do primeiro, a quem cabe, portanto, a responsabilidade pelas informações sobre os créditos e os débitos, cabendo à autoridade tributária a sua necessária verificação e validação. Encontradas conforme, sobrevém a homologação confirmando a extinção. Não confirmadas as informações prestadas pelo declarante, o inverso se verifica. No caso, a contribuinte declarou um débito e apontou um documento de arrecadação como origem do crédito. Em se tratando de declaração eletrônica, a verificação dos dados informados pela contribuinte foi realizada também de forma eletrônica, tendo resultado no Despacho Decisório em discussão. O ato combatido aponta como causa da não homologação o fato de que, nos sistemas da Receita Federal, embora localizado o DARF do pagamento apontado na DCOMP como origem do crédito, o valor correspondente foi totalmente utilizado e alocado aos débitos informados em DCTF, não restando dele o saldo apontado na DCOMP como crédito. Assim, não padece de nulidade o despacho decisório proferido por autoridade competente, contra o qual o contribuinte pôde exercer o contraditório e a ampla defesa e Fl. 78DF CARF MF Processo nº 10880.660296/201250 Acórdão n.º 3401004.700 S3C4T1 Fl. 6 5 onde constam os requisitos exigidos nas normas pertinentes ao processo administrativo fiscal. O débito declarado e pago encontrase em conformidade com a correspondente DCTF, a qual tem seus efeitos determinados pelo § 1º do artigo 5º do Decreto lei nº 2.124, de 13 de junho de 1984, entre eles o da confissão da dívida e o condão de constituir o crédito tributário, dispensada qualquer outra providência por parte do Fisco. Quando da transmissão e da análise do PER/DCOMP em tela, o crédito efetivamente não existia, pois o pagamento efetuado estava integralmente alocado ao débito declarado pela própria contribuinte em sua DCTF. Assim sendo, na data da transmissão do PER/ DCOMP a interessada não era detentora de crédito líquido e certo, condição sem a qual não há direito à restituição ou compensação. E não tendo o interessado trazido elementos hábeis a desconstituir a confissão do débito que fez na DCTF, inexiste razão para se reconhecer o pleiteado direito creditório relativo a pagamento pretensamente maior do que o devido, referente ao período de apuração. O extrato abaixo é a DCTF retificadora ativa da contribuinte, referente ao tributo e período em análise. Repare que a contribuinte declara um débito de COFINS em junho de 2012 no valor de R$ 29.148,73 e vincula ao débito um pagamento de R$4.985,20. No quadro abaixo, podemos verificar que o referido pagamento vem de um DARF de R$5.083,90, composto de um valor principal (R$4.985,20) mais multa por atraso (R$98,70). Fl. 79DF CARF MF Processo nº 10880.660296/201250 Acórdão n.º 3401004.700 S3C4T1 Fl. 7 6 Por sinal, esse foi o único DARF de Cofins pago em 2012 pela empresa, conforme demonstra o extrato abaixo. Impende salientar que, sobre esse alegado crédito de R$ 5.083,90, a contribuinte solicita a homologação de nada menos que 193 pedidos de compensação, todos do mesmo período (2º trimestre de 2012), com mesmo vencimento em 31/07/2012 que, somados, resultam em um valor de R$ 948.369,76, conforme relação abaixo dos processos de PER/DCOMP para o mesmo DARF. .... Agrava o fato de tentar utilizar mais de uma vez o mesmo crédito a prestação de informação falsa, pois no PER/DCOMP há um campo onde é perguntado se aquele crédito proveniente de pagamento indevido ou a maior já foi informado em outro PER/DCOMP, ao que o contribuinte respondeu “Não” em todos os PER/DCOMP, em infração ao inciso II do § 1º do art. 45 da IN/SRF 1.300, de 20 de novembro de 2012. Pelo exposto, voto por conhecer do recurso voluntário e no mérito por negarlhe provimento. Importa registrar que nos autos ora em apreço, a situação fática e jurídica encontra correspondência com a verificada no paradigma, de tal sorte que o entendimento lá esposado pode ser perfeitamente aqui aplicado Fl. 80DF CARF MF Processo nº 10880.660296/201250 Acórdão n.º 3401004.700 S3C4T1 Fl. 8 7 Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado negou provimento ao recurso voluntário. (Assinado com certificado digital) Rosaldo Trevisan Fl. 81DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10680.907197/2008-17
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Mon Jun 11 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Aug 27 00:00:00 UTC 2018
Numero da decisão: 1201-000.490
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto da relatora.
(assinado digitalmente)
Ester Marques Lins de Sousa - Presidente e Relatora
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Eva Maria Los, Luis Fabiano Alves Penteado, José Carlos de Assis Guimarães, Luis Henrique Marotti Toselli, Gisele Barra Bossa, Paulo Cezar Fernandes de Aguiar, Bárbara Santos Guedes (suplente convocada em substituição à ausência do conselheiro Rafael Gasparello Lima) e Ester Marques Lins de Sousa (Presidente). Ausente, justificadamente, o conselheiro Rafael Gasparello Lima.
Relatório
1. Por economia processual e por bem descrever os fatos, adoto como parte deste, o relatório constante da decisão de primeira instância:
O presente processo trata de Manifestação de Inconformidade contra Despacho Decisório [...] referente ao PER/DCOMP n° 08774.65483.130804.1.3.04-8967[...].
A Declaração de Compensação foi gerada pelo programa PER/DCOMP transmitida com o objetivo de ter reconhecido o direito creditório, correspondente a Pagamento Indevido ou a Maior de CSLL, recolhido em 29/08/2003 [...] e de compensar os débitos discriminados no referido PER/DCOMP [...].
Das análises processadas foi constatado que a partir das características do DARF descrito no PER/DCOMP acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. Assim, diante da inexistência de crédito, a compensação declarada NÃO FOI HOMOLOGADA.
Como enquadramento legal citou-se: arts. 165 e 170, da Lei n° 5.172 de 25 de outubro de 1966 (Código Tributário Nacional - CTN), art. 74 da Lei n° 9.430, de 27 de dezembro de 1996.
DA MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE
Cientificado do Despacho Decisório [...], o interessado apresenta manifestação de inconformidade [...], argumentando que:
- detectou erro quanto à especificação do tipo de crédito tributário na DCOMP.
- o crédito tributário se refere a saldo negativo de Contribuição Social sobre o Lucro Líquido e não pagamento indevido ou maior.
- de fato o DARF estava comprometido com a CSLL Estimativa devida na competência de julho de 2003, vinculação na Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais - DCTF do débito.
- quando da apuração da Contribuição Social Anual em dezembro de 2003, os valores recolhidos a título de estimativa foram superiores ao devido no período de apuração, restando saldo negativo da Contribuição Social.
- no ano de 2003 recolheu a título de estimativa de CSLL o valor de R$ 148.477,84 [...], apurou uma contribuição social igual a R$ 32.558,34 [...], resultando em recolhimento a maior no valor de R$ 115.919,50.
- a Lei n° 9.430, de 1996 em seu art. 6°, §1°, item II, estabelece que o saldo do imposto a ser pago recolhido por estimativa será compensado com o imposto a ser pago a partir do mês de abril do ano subsequente, se negativo, assegurada a alternativa de requerer, após a entrega da declaração de rendimentos a restituição do montante pago a maior.
- o erro no preenchimento da declaração PER/DCOMP não elimina a existência do crédito tributário.
A vista do exposto, demonstrada a insubsistência e improcedência da ação fiscal, espera e requer que seja acolhida a presente Manifestação de inconformidade para o fim de assim ser decidido, homologando a compensação declarada.
2. Em sessão de 19 de janeiro de 2010, a 2ª Turma da DRJ/BHE, por unanimidade de votos, considerou improcedente a Manifestação de Inconformidade para não reconhecer o direito creditório, nos termos do voto relator, Acórdão nº 02-25.170, cuja ementa recebeu o seguinte descritivo:
ASSUNTO: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL
Exercício: 2004
Retificação da Declaração de Compensação.
A retificação da DCOMP somente é possível na hipótese de inexatidões materiais cometidas no seu preenchimento, da forma prescrita na legislação tributária vigente e somente para as declarações ainda pendentes de decisão administrativa na data da sua apresentação.
Manifestação de inconformidade improcedente.
Direito creditório não reconhecido.
3. A DRJ/BHE não acatou os argumentos da Recorrente, em síntese, sob os seguintes fundamentos:
3.1. Apesar de constar nos documentos juntados que a Recorrente recolheu CSLL por estimativa, não há que se falar em saldo negativo de CSLL em razão da Interessada não ter optado por exercer a faculdade de deduzir a CSLL paga por estimativa, prevista no artigo 2º, §4º, inciso IV, da Lei nº 9.430/96, visto que a linha 41 da Ficha 17 da DIPJ 2004 está zerada. Portanto, não há saldo negativo de CSLL oriundo de pagamento por estimativa.
3.2. A opção pela dedução da CSLL paga por estimativa deve ser exercida na DIPJ dentro do prazo legal, não devendo ser reconhecida a dedução efetuada extemporaneamente. No mais, a retificação de ofício da declaração de rendimentos para modificar a dedução de CSLL é incabível, visto que o não exercício dessa opção não se caracteriza como erro de fato.
3.3. Quanto ao pedido de compensação, a própria Recorrente afirma que errou no preenchimento da DCOMP quanto à especificação do tipo de crédito tributário, pois o crédito se refere a saldo negativo de CSLL apurado no ano-calendário de 2003 e não pagamento indevido ou a maior de CSLL. Sustenta que o contribuinte tem a obrigação de indicar corretamente qual a origem do crédito para exercer o direito à restituição e que o referido erro é insanável.
4. Cientificada da decisão (AR de 28/05/2010), a Recorrente interpôs Recurso Voluntário em 14/06/2010, reiterando as razões já expostas em sede de Manifestação de Inconformidade e reforçando que: (i) a Recorrente comprovou que efetuou recolhimentos de CSLL por estimativa ao longo do ano de 2003 e ao final do exercício apurou prejuízo fiscal, resultando em saldo negativo de CSLL; (ii) o crédito existia, fato este que não foi negado pelo acórdão da DRJ/BHE; e (iii) o impedimento do exercício do direito à restituição se deu sob alegação de descumprimento de mera formalidade no preenchimento de formulário e ignora a realidade fática.
5. Ao final, requer seja acolhido o Recurso Voluntário para o fim de reconhecer a existência do seu crédito e para homologar as declarações de compensação apresentadas.
É o relatório.
Nome do relator: ESTER MARQUES LINS DE SOUSA
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto da relatora. (assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa - Presidente e Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Eva Maria Los, Luis Fabiano Alves Penteado, José Carlos de Assis Guimarães, Luis Henrique Marotti Toselli, Gisele Barra Bossa, Paulo Cezar Fernandes de Aguiar, Bárbara Santos Guedes (suplente convocada em substituição à ausência do conselheiro Rafael Gasparello Lima) e Ester Marques Lins de Sousa (Presidente). Ausente, justificadamente, o conselheiro Rafael Gasparello Lima. Relatório 1. Por economia processual e por bem descrever os fatos, adoto como parte deste, o relatório constante da decisão de primeira instância: O presente processo trata de Manifestação de Inconformidade contra Despacho Decisório [...] referente ao PER/DCOMP n° 08774.65483.130804.1.3.04-8967[...]. A Declaração de Compensação foi gerada pelo programa PER/DCOMP transmitida com o objetivo de ter reconhecido o direito creditório, correspondente a Pagamento Indevido ou a Maior de CSLL, recolhido em 29/08/2003 [...] e de compensar os débitos discriminados no referido PER/DCOMP [...]. Das análises processadas foi constatado que a partir das características do DARF descrito no PER/DCOMP acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. Assim, diante da inexistência de crédito, a compensação declarada NÃO FOI HOMOLOGADA. Como enquadramento legal citou-se: arts. 165 e 170, da Lei n° 5.172 de 25 de outubro de 1966 (Código Tributário Nacional - CTN), art. 74 da Lei n° 9.430, de 27 de dezembro de 1996. DA MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE Cientificado do Despacho Decisório [...], o interessado apresenta manifestação de inconformidade [...], argumentando que: - detectou erro quanto à especificação do tipo de crédito tributário na DCOMP. - o crédito tributário se refere a saldo negativo de Contribuição Social sobre o Lucro Líquido e não pagamento indevido ou maior. - de fato o DARF estava comprometido com a CSLL Estimativa devida na competência de julho de 2003, vinculação na Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais - DCTF do débito. - quando da apuração da Contribuição Social Anual em dezembro de 2003, os valores recolhidos a título de estimativa foram superiores ao devido no período de apuração, restando saldo negativo da Contribuição Social. - no ano de 2003 recolheu a título de estimativa de CSLL o valor de R$ 148.477,84 [...], apurou uma contribuição social igual a R$ 32.558,34 [...], resultando em recolhimento a maior no valor de R$ 115.919,50. - a Lei n° 9.430, de 1996 em seu art. 6°, §1°, item II, estabelece que o saldo do imposto a ser pago recolhido por estimativa será compensado com o imposto a ser pago a partir do mês de abril do ano subsequente, se negativo, assegurada a alternativa de requerer, após a entrega da declaração de rendimentos a restituição do montante pago a maior. - o erro no preenchimento da declaração PER/DCOMP não elimina a existência do crédito tributário. A vista do exposto, demonstrada a insubsistência e improcedência da ação fiscal, espera e requer que seja acolhida a presente Manifestação de inconformidade para o fim de assim ser decidido, homologando a compensação declarada. 2. Em sessão de 19 de janeiro de 2010, a 2ª Turma da DRJ/BHE, por unanimidade de votos, considerou improcedente a Manifestação de Inconformidade para não reconhecer o direito creditório, nos termos do voto relator, Acórdão nº 02-25.170, cuja ementa recebeu o seguinte descritivo: ASSUNTO: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL Exercício: 2004 Retificação da Declaração de Compensação. A retificação da DCOMP somente é possível na hipótese de inexatidões materiais cometidas no seu preenchimento, da forma prescrita na legislação tributária vigente e somente para as declarações ainda pendentes de decisão administrativa na data da sua apresentação. Manifestação de inconformidade improcedente. Direito creditório não reconhecido. 3. A DRJ/BHE não acatou os argumentos da Recorrente, em síntese, sob os seguintes fundamentos: 3.1. Apesar de constar nos documentos juntados que a Recorrente recolheu CSLL por estimativa, não há que se falar em saldo negativo de CSLL em razão da Interessada não ter optado por exercer a faculdade de deduzir a CSLL paga por estimativa, prevista no artigo 2º, §4º, inciso IV, da Lei nº 9.430/96, visto que a linha 41 da Ficha 17 da DIPJ 2004 está zerada. Portanto, não há saldo negativo de CSLL oriundo de pagamento por estimativa. 3.2. A opção pela dedução da CSLL paga por estimativa deve ser exercida na DIPJ dentro do prazo legal, não devendo ser reconhecida a dedução efetuada extemporaneamente. No mais, a retificação de ofício da declaração de rendimentos para modificar a dedução de CSLL é incabível, visto que o não exercício dessa opção não se caracteriza como erro de fato. 3.3. Quanto ao pedido de compensação, a própria Recorrente afirma que errou no preenchimento da DCOMP quanto à especificação do tipo de crédito tributário, pois o crédito se refere a saldo negativo de CSLL apurado no ano-calendário de 2003 e não pagamento indevido ou a maior de CSLL. Sustenta que o contribuinte tem a obrigação de indicar corretamente qual a origem do crédito para exercer o direito à restituição e que o referido erro é insanável. 4. Cientificada da decisão (AR de 28/05/2010), a Recorrente interpôs Recurso Voluntário em 14/06/2010, reiterando as razões já expostas em sede de Manifestação de Inconformidade e reforçando que: (i) a Recorrente comprovou que efetuou recolhimentos de CSLL por estimativa ao longo do ano de 2003 e ao final do exercício apurou prejuízo fiscal, resultando em saldo negativo de CSLL; (ii) o crédito existia, fato este que não foi negado pelo acórdão da DRJ/BHE; e (iii) o impedimento do exercício do direito à restituição se deu sob alegação de descumprimento de mera formalidade no preenchimento de formulário e ignora a realidade fática. 5. Ao final, requer seja acolhido o Recurso Voluntário para o fim de reconhecer a existência do seu crédito e para homologar as declarações de compensação apresentadas. É o relatório.
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Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto da relatora. (assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa Presidente e Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Eva Maria Los, Luis Fabiano Alves Penteado, José Carlos de Assis Guimarães, Luis Henrique Marotti Toselli, Gisele Barra Bossa, Paulo Cezar Fernandes de Aguiar, Bárbara Santos Guedes (suplente convocada em substituição à ausência do conselheiro Rafael Gasparello Lima) e Ester Marques Lins de Sousa (Presidente). Ausente, justificadamente, o conselheiro Rafael Gasparello Lima. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 06 80 .9 07 19 7/ 20 08 -1 7 Fl. 54DF CARF MF Processo nº 10680.907197/200817 Resolução nº 1201000.490 S1C2T1 Fl. 3 2 Relatório 1. Por economia processual e por bem descrever os fatos, adoto como parte deste, o relatório constante da decisão de primeira instância: “O presente processo trata de Manifestação de Inconformidade contra Despacho Decisório [...] referente ao PER/DCOMP n° 08774.65483.130804.1.3.048967[...]. A Declaração de Compensação foi gerada pelo programa PER/DCOMP transmitida com o objetivo de ter reconhecido o direito creditório, correspondente a Pagamento Indevido ou a Maior de CSLL, recolhido em 29/08/2003 [...] e de compensar os débitos discriminados no referido PER/DCOMP [...]. Das análises processadas foi constatado que a partir das características do DARF descrito no PER/DCOMP acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. Assim, diante da inexistência de crédito, a compensação declarada NÃO FOI HOMOLOGADA. Como enquadramento legal citouse: arts. 165 e 170, da Lei n° 5.172 de 25 de outubro de 1966 (Código Tributário Nacional CTN), art. 74 da Lei n° 9.430, de 27 de dezembro de 1996. DA MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE Cientificado do Despacho Decisório [...], o interessado apresenta manifestação de inconformidade [...], argumentando que: detectou erro quanto à especificação do tipo de crédito tributário na DCOMP. o crédito tributário se refere a saldo negativo de Contribuição Social sobre o Lucro Líquido e não pagamento indevido ou maior. de fato o DARF estava comprometido com a CSLL Estimativa devida na competência de julho de 2003, vinculação na Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais DCTF do débito. quando da apuração da Contribuição Social Anual em dezembro de 2003, os valores recolhidos a título de estimativa foram superiores ao devido no período de apuração, restando saldo negativo da Contribuição Social. no ano de 2003 recolheu a título de estimativa de CSLL o valor de R$ 148.477,84 [...], apurou uma contribuição social igual a R$ 32.558,34 [...], resultando em recolhimento a maior no valor de R$ 115.919,50. a Lei n° 9.430, de 1996 em seu art. 6°, §1°, item II, estabelece que o saldo do imposto a ser pago recolhido por estimativa será compensado com o imposto a ser pago a partir do mês de abril do ano subsequente, se negativo, assegurada a alternativa de requerer, após a entrega da declaração de rendimentos a restituição do montante pago a maior. Fl. 55DF CARF MF Processo nº 10680.907197/200817 Resolução nº 1201000.490 S1C2T1 Fl. 4 3 o erro no preenchimento da declaração PER/DCOMP não elimina a existência do crédito tributário. A vista do exposto, demonstrada a insubsistência e improcedência da ação fiscal, espera e requer que seja acolhida a presente Manifestação de inconformidade para o fim de assim ser decidido, homologando a compensação declarada.” 2. Em sessão de 19 de janeiro de 2010, a 2ª Turma da DRJ/BHE, por unanimidade de votos, considerou improcedente a Manifestação de Inconformidade para não reconhecer o direito creditório, nos termos do voto relator, Acórdão nº 0225.170, cuja ementa recebeu o seguinte descritivo: “ASSUNTO: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido CSLL Exercício: 2004 Retificação da Declaração de Compensação. A retificação da DCOMP somente é possível na hipótese de inexatidões materiais cometidas no seu preenchimento, da forma prescrita na legislação tributária vigente e somente para as declarações ainda pendentes de decisão administrativa na data da sua apresentação. Manifestação de inconformidade improcedente. Direito creditório não reconhecido”. 3. A DRJ/BHE não acatou os argumentos da Recorrente, em síntese, sob os seguintes fundamentos: 3.1. Apesar de constar nos documentos juntados que a Recorrente recolheu CSLL por estimativa, não há que se falar em saldo negativo de CSLL em razão da Interessada não ter optado por exercer a faculdade de deduzir a CSLL paga por estimativa, prevista no artigo 2º, §4º, inciso IV, da Lei nº 9.430/96, visto que a linha 41 da Ficha 17 da DIPJ 2004 está zerada. Portanto, não há saldo negativo de CSLL oriundo de pagamento por estimativa. 3.2. A opção pela dedução da CSLL paga por estimativa deve ser exercida na DIPJ dentro do prazo legal, não devendo ser reconhecida a dedução efetuada extemporaneamente. No mais, a retificação de ofício da declaração de rendimentos para modificar a dedução de CSLL é incabível, visto que o não exercício dessa opção não se caracteriza como erro de fato. 3.3. Quanto ao pedido de compensação, a própria Recorrente afirma que errou no preenchimento da DCOMP quanto à especificação do tipo de crédito tributário, pois o crédito se refere a saldo negativo de CSLL apurado no anocalendário de 2003 e não pagamento indevido ou a maior de CSLL. Sustenta que o contribuinte tem a obrigação de indicar corretamente qual a origem do crédito para exercer o direito à restituição e que o referido erro é insanável. 4. Cientificada da decisão (AR de 28/05/2010), a Recorrente interpôs Recurso Voluntário em 14/06/2010, reiterando as razões já expostas em sede de Manifestação de Inconformidade e reforçando que: (i) a Recorrente comprovou que efetuou recolhimentos de CSLL por estimativa ao longo do ano de 2003 e ao final do exercício apurou prejuízo fiscal, Fl. 56DF CARF MF Processo nº 10680.907197/200817 Resolução nº 1201000.490 S1C2T1 Fl. 5 4 resultando em saldo negativo de CSLL; (ii) o crédito existia, fato este que não foi negado pelo acórdão da DRJ/BHE; e (iii) o impedimento do exercício do direito à restituição se deu sob alegação de descumprimento de mera formalidade no preenchimento de formulário e ignora a realidade fática. 5. Ao final, requer seja acolhido o Recurso Voluntário para o fim de reconhecer a existência do seu crédito e para homologar as declarações de compensação apresentadas. É o relatório. Voto Conselheira Ester Marques Lins de Sousa, Relatora O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º, 2º e 3º, do Anexo II, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido na Resolução nº 1201000.483, de 11/06/2018, proferida no julgamento do Processo nº 10680.903455/200896, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. No processo paradigma o contribuinte solicitou a compensação de débitos com crédito relativo a pagamento indevido ou a maior de IRPJ, recolhido em 30/05/2003 e, nos presentes autos, o contribuinte solicita a compensação de débitos com crédito oriundo de pagamento indevido ou a maior que o devido de CSLL recolhida em 29/08/2003. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Resolução nº 1201000.483): "6. O recurso é tempestivo e cumpre os demais requisitos legais de admissibilidade, razão pela qual dele tomo conhecimento e passo a apreciar. 7. Alinhome ao entendimento de que a Administração não pode ficar restrita ao que as partes demonstram no curso do processo, mas deve buscar a verdade material. 8. In casu, a douta DRJ poderia, ao invés de julgar improcedente a Manifestação de Inconformidade, ter baixado os autos em diligência para esclarecimentos dos fatos e análise de provas. Tal iniciativa cooperativa, inclusive, traria maior celeridade e eficiência processual, bem como teria otimizado o custo deste processo para o Estado1. 1 Em consonância com os seguintes dispositivos: Lei nº 13.105/2015 "Art. 5º Aquele que de qualquer forma participa do processo deve comportarse de acordo com a boafé. Art. 6º Todos os sujeitos do processo devem cooperar entre si para que se obtenha, em tempo razoável, decisão de mérito justa e efetiva. Fl. 57DF CARF MF Processo nº 10680.907197/200817 Resolução nº 1201000.490 S1C2T1 Fl. 6 5 9. No mais, em homenagem ao princípio da verdade material, considero que assiste razão a contribuinte quando sustenta que meros erros no preenchimento de declarações não são suficientes para motivar o não reconhecimento do seu direito creditório. 10. Contudo, em linha com a jurisprudência deste E. Conselho, é imprescindível que tais erros sejam claramente demonstrados por meio de documentação hábil e idônea, em especial com base na análise de registros contábeis e fiscais e da documentação que lhe serve de suporte, a qual necessariamente deve ser mantida pelo contribuinte enquanto se pretender obter os efeitos fiscais correspondentes, nos termos do artigo 195, parágrafo único, do Código Tributário Nacional CTN e dos artigos 264 e 923 do RIR/99. 11. Reforçando essas diretrizes, transcrevo a seguinte ementa: "ERRO DE FATO NO PREENCHIMENTO DCTF. DECLARAÇÕES RETIFICADORAS. COMPROVAÇÃO. CRÉDITO RECONHECIDO. Comprovado que o débito confessado em estava equivocado mediante apresentação de declaração retificadora, DIPJ e elementos da escrituração contábil que corroboram o valor declarado/confessado nessa declaração retificadora, reconhecese o direito de crédito homologandose as compensações pleiteadas até esse limite." (Processo nº 13971.901692/201131, Acórdão nº 1402002.379, 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária / 1ª Seção, Sessão de 26.01.2017, Relator: Fernando Brasil de Oliveira Pinto) (grifos nossos). 12. O direito creditório do contribuinte só pode ser obstado diante de três hipóteses (i) se reconhecida decadência do direito pleiteado; (ii) se os valores já tiverem sido compensados; e (iii) quando a documentação suporte é insuficiente para demonstrar a origem do crédito e/ou não esclarece de forma assertiva e sem contradições a composição dos valores discutidos. 13. Logo, somente diante da comprovação pela autoridade fiscal de uma dessas três hipóteses é que o direito creditório não deve ser reconhecido. 14. Considero que não há, no presente caso, controvérsia acerca do preenchimento do requisito (i) constante do item 12, mas do (ii) e (iii). Art. 7º É assegurada às partes paridade de tratamento em relação ao exercício de direitos e faculdades processuais, aos meios de defesa, aos ônus, aos deveres e à aplicação de sanções processuais, competindo ao juiz zelar pelo efetivo contraditório. Art. 8º Ao aplicar o ordenamento jurídico, o juiz atenderá aos fins sociais e às exigências do bem comum, resguardando e promovendo a dignidade da pessoa humana e observando a proporcionalidade, a razoabilidade, a legalidade, a publicidade e a eficiência." Lei nº 9.784/1999 "Art. 2º A Administração Pública obedecerá, dentre outros, aos princípios da legalidade, finalidade, motivação, razoabilidade, proporcionalidade, moralidade, ampla defesa, contraditório, segurança jurídica, interesse público e eficiência." "Art. 29. As atividades de instrução destinadas a averiguar e comprovar os dados necessários à tomada de decisão realizamse de ofício ou mediante impulsão do órgão responsável pelo processo, sem prejuízo do direito dos interessados de propor atuações probatórias. § 1º O órgão competente para a instrução fará constar dos autos os dados necessários à decisão do processo." Fl. 58DF CARF MF Processo nº 10680.907197/200817 Resolução nº 1201000.490 S1C2T1 Fl. 7 6 15. No mais, é incontroverso que entre maio de 2003 e novembro de 2003 a Recorrente recolheu o IRPJ por Estimativa relativo às competências de abril a outubro de 2003 no total de R$277.538,27, conforme demonstrado nas guias de fls. 18/20. 16. Em dezembro de 2003, apurouse prejuízo fiscal e constatouse que não era devido IRPJ para o ano de 2003, daí a origem do direito creditório em exame, pagamento a maior de IRPJ no anocalendário de 2003. 17. Ocorre que, a DRJ (fls. 29/32) considerou que o despacho decisório (fl. 4) não merece reformas porque o erro cometido pelo contribuinte é material e, portanto, tratase de vício insanável. 18. Por outro lado, a Recorrente, tanto em sede de Manifestação de Inconformidade quanto em seu Recurso Voluntário, afirma que, apesar de ter errado no preenchimento do formulário de compensação sobre a origem do crédito ao preencher como “pagamento indevido ou a maior” ao invés de “saldo negativo de IRPJ” o crédito decorrente do recolhimento de IRPJ estimativa não deixou de existir. 19. Para comprovar suas alegações, a Recorrente apresenta documentação probatória hábil, tais como: (i) seis DARFs de recolhimento de IRPJ referente ao segundo e terceiro trimestres de 2003 (fls.18/20); (ii) fichas 09A e 17 do ano calendário de 2003 da DIPJ original (fls.13/14); e (iii) a totalização por tributo e contribuição no segundo, terceiro e quarto trimestre de 2003 da DCTF. 20. A priori, a documentação trazida pela Recorrente cumpre o disposto no artigo 923 do RIR2 e é capaz de viabilizar o reconhecimento do direito creditório do contribuinte. 21. Contudo, deve ser verificada, à luz da documentação contábil, fiscal e demais provas suporte, a liquidez e certeza dos créditos constantes dos pedidos de compensação nos períodos em análise. 22. Em face do exposto, voto pela conversão do presente julgamento em diligência, para que a unidade preparadora da Receita Federal da circunscrição da contribuinte: (i) providencie a juntada aos autos cópia integral da DIPJ 2004, ano calendário de 2003; (iii) verifique as DCTFs apresentadas, efetuando a apuração do crédito relativo a cada um dos meses para fins de verificação de recolhimentos a maior de estimativa mensal, observandose, no que couber, as disposições da IN RFB nº 1.110/2010; (iii) faça o cotejamento desses créditos com as Dcomps relativas ao saldo negativo de IRPJ no anocalendário 2003, procedendo à valoração para fins de verificação de suficiência destes, considerando se, inclusive, alguma Dcomp porventura já homologada. 2 "Art. 923. A escrituração mantida com observância das disposições legais faz prova a favor do contribuinte dos fatos nela registrados e comprovados por documentos hábeis, segundo sua natureza, ou assim definidos em preceitos legais." Fl. 59DF CARF MF Processo nº 10680.907197/200817 Resolução nº 1201000.490 S1C2T1 Fl. 8 7 23. Para fins dessa verificação, a contribuinte poderá ser intimada a apresentar livros e documentos. 24. Após a conclusão da diligência, a autoridade fiscal responsável deverá elaborar Relatório Conclusivo, com posterior ciência à Recorrente, para que, se assim desejar, se manifeste no prazo de 30 (trinta) dias e na seqüência retornem os autos ao E. CARF para julgamento. É como voto." Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º, 2º e 3º do art. 47, do Anexo II, do RICARF, converto o julgamento em diligência, nos termos do voto acima transcrito. (assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa Fl. 60DF CARF MF
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Numero do processo: 10880.660420/2012-87
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Mon May 21 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Jul 17 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Data do fato gerador: 30/06/2012
DESPACHO DECISÓRIO ELETRÔNICO. NULIDADE.
Estando demonstrados os cálculos e a apuração efetuada e possuindo o despacho decisório todos os requisitos necessários à sua formalização, sendo proferido por autoridade competente, contra o qual o contribuinte pode exercer o contraditório e a ampla defesa e onde constam os requisitos exigidos nas normas pertinentes ao processo administrativo fiscal, não há que se falar em nulidade.
DESPACHO DECISÓRIO ELETRÔNICO. FUNDAMENTAÇÃO. CERCEAMENTO DE DEFESA.
Na medida em que o despacho decisório que indeferiu a restituição requerida teve como fundamento fático a verificação dos valores objeto de declarações do próprio sujeito passivo, não há que se falar em cerceamento de defesa.
COMPENSAÇÃO. CRÉDITO INTEGRALMENTE ALOCADO. Correto o despacho decisório que não homologou a compensação declarada pelo contribuinte por inexistência de direito creditório, quando o recolhimento alegado como origem do crédito estiver integralmente alocado na quitação de débitos confessados.
Numero da decisão: 3401-004.821
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
Rosaldo Trevisan - Presidente e Relator
(assinado digitalmente)
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rosaldo Trevisan (presidente), Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (vice-presidente), Robson José Bayerl, Cássio Schappo, Mara Cristina Sifuentes, André Henrique Lemos, Lázaro Antônio Souza Soares, Tiago Guerra Machado.
Nome do relator: ROSALDO TREVISAN
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Data do fato gerador: 30/06/2012 DESPACHO DECISÓRIO ELETRÔNICO. NULIDADE. Estando demonstrados os cálculos e a apuração efetuada e possuindo o despacho decisório todos os requisitos necessários à sua formalização, sendo proferido por autoridade competente, contra o qual o contribuinte pode exercer o contraditório e a ampla defesa e onde constam os requisitos exigidos nas normas pertinentes ao processo administrativo fiscal, não há que se falar em nulidade. DESPACHO DECISÓRIO ELETRÔNICO. FUNDAMENTAÇÃO. CERCEAMENTO DE DEFESA. Na medida em que o despacho decisório que indeferiu a restituição requerida teve como fundamento fático a verificação dos valores objeto de declarações do próprio sujeito passivo, não há que se falar em cerceamento de defesa. COMPENSAÇÃO. CRÉDITO INTEGRALMENTE ALOCADO. Correto o despacho decisório que não homologou a compensação declarada pelo contribuinte por inexistência de direito creditório, quando o recolhimento alegado como origem do crédito estiver integralmente alocado na quitação de débitos confessados.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 7; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1745; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C4T1 Fl. 2 1 1 S3C4T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10880.660420/201287 Recurso nº 1 Voluntário Acórdão nº 3401004.821 – 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 21 de maio de 2018 Matéria COMPENSAÇÃO COFINS Recorrente ALL NET TECNOLOGIA DA INFORMACAO LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Data do fato gerador: 30/06/2012 DESPACHO DECISÓRIO ELETRÔNICO. NULIDADE. Estando demonstrados os cálculos e a apuração efetuada e possuindo o despacho decisório todos os requisitos necessários à sua formalização, sendo proferido por autoridade competente, contra o qual o contribuinte pode exercer o contraditório e a ampla defesa e onde constam os requisitos exigidos nas normas pertinentes ao processo administrativo fiscal, não há que se falar em nulidade. DESPACHO DECISÓRIO ELETRÔNICO. FUNDAMENTAÇÃO. CERCEAMENTO DE DEFESA. Na medida em que o despacho decisório que indeferiu a restituição requerida teve como fundamento fático a verificação dos valores objeto de declarações do próprio sujeito passivo, não há que se falar em cerceamento de defesa. COMPENSAÇÃO. CRÉDITO INTEGRALMENTE ALOCADO. Correto o despacho decisório que não homologou a compensação declarada pelo contribuinte por inexistência de direito creditório, quando o recolhimento alegado como origem do crédito estiver integralmente alocado na quitação de débitos confessados. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. Rosaldo Trevisan Presidente e Relator (assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 66 04 20 /2 01 2- 87 Fl. 76DF CARF MF Processo nº 10880.660420/201287 Acórdão n.º 3401004.821 S3C4T1 Fl. 3 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rosaldo Trevisan (presidente), Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (vicepresidente), Robson José Bayerl, Cássio Schappo, Mara Cristina Sifuentes, André Henrique Lemos, Lázaro Antônio Souza Soares, Tiago Guerra Machado. Relatório Trata o presente processo de manifestação de inconformidade contra não homologação de compensação declarada por meio eletrônico (PER/DCOMP), relativamente a um crédito de Cofins, que teria sido recolhido a maior no período de apuração. O Despacho Decisório da DERAT/SÃO PAULO, não homologou o pedido de compensação, sob o fundamento de que, embora localizado o pagamento que deu origem ao suposto crédito original de pagamento indevido ou a maior, o mesmo estava à época do encontro de contas integralmente utilizado para quitação de débitos do contribuinte não restando crédito disponível para a compensação dos débitos informados. Notificada da decisão a contribuinte apresentou manifestação de inconformidade. A DRJ Ribeirão Preto julgou improcedente a impugnação por unanimidade de votos, mantendo o crédito tributário devido. A empresa apresentou recurso voluntário onde somente alega que apesar de ter protestado em sede de impugnação pela falta de motivação do indeferimento no despacho decisório, o acórdão recorrido não demonstrou a motivação, que os atos administrativos devem ser motivados para não ter cerceado seu direito de defesa, não apresentando provas do seu direito. É o relatório. Fl. 77DF CARF MF Processo nº 10880.660420/201287 Acórdão n.º 3401004.821 S3C4T1 Fl. 4 3 Voto Conselheiro Rosaldo Trevisan, Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3401004.681, de 21 de maio de 2018, proferido no julgamento do processo 10880.660277/201223, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3401004.681): "O recurso voluntário é tempestivo e preenche as demais condições de admissibilidade, por isso dele tomo conhecimento. A recorrente protesta pela falta de motivação do despacho decisório que indeferiu o seu pedido de compensação. Entendo que o despacho decisório cumpre os requisitos legais e possui todo o escopo necessário ao exercício do contraditório e da ampla defesa pelo contribuinte. Nele está inscrito o enquadramento legal da autuação: Enquadramento legal: Arts. 165 e 170, da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 (CTN). Art. 74 da Lei 9.430, de 27 de dezembro de 1996. Também nele encontrase a fundamentação da decisão, ficando claro que o crédito indicado foi localizado, mas já havia sido utilizado para quitação de outros débitos do contribuinte: A análise do direito creditório está limitada ao valor do "crédito original na data de transmissão" informado no PER/DCOMP, correspondendo a 4.812,66. A partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos, abaixo relacionados, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. Entendo que o prejuízo, se havido, foi provocado pelo próprio contribuinte que deixou de apresentar provas que indicassem que era portador do crédito alegado. Ademais, como bem demonstrado no acórdão recorrido, o crédito já havia sido utilizado e alocado, e apesar de ser o único DARF pago pela empresa no ano de 2012, o mesmo foi utilizado em 193 pedidos de compensação. Esse procedimento utilizado pelo contribuinte, de alocar o mesmo crédito a várias Dcomps enseja a cominação de prestação de informação falsa à RFB já Fl. 78DF CARF MF Processo nº 10880.660420/201287 Acórdão n.º 3401004.821 S3C4T1 Fl. 5 4 que há um campo na PER/DCOMP onde é perguntado se aquele crédito já foi informado em outro PER/DCOMP e o contribuinte respondeu “NÃO” em todas as declarações. Por ser extremamente didático, reproduzo o acórdão recorrido, em sua íntegra, para que não haja dúvidas quanto as suas conclusões que acompanho: Em preliminar, não merece acolhida a alegação de nulidade do Despacho Decisório, vez que o mesmo apresenta de forma clara e precisa o motivo da não homologação da compensação, qual seja, a inexistência de crédito disponível para a compensação dos débitos informados na DCOMP. O Despacho Decisório preenche todos os requisitos formais e materiais para sua validade, contendo todos os elementos necessários ao exercício do direito de defesa do contribuinte, trazendo em seu bojo, ainda que de forma sintética, a fundamentação legal, a identificação da declaração de compensação enviada pela empresa, a data da transmissão, o tipo de crédito, as características do DARF apontado pela empresa na DCOMP, bem como o período de apuração a que se refere. Por outro lado, os motivos da nãohomologação residem nas próprias declarações e documentos produzidos pela contribuinte. Estas são, portanto, a prova e o motivo do ato administrativo, não podendo a interessada alegar que os desconhecia. Importante fixar que a DCOMP se presta a formalizar o encontro de contas entre o contribuinte e a Fazenda Pública, por iniciativa do primeiro, a quem cabe, portanto, a responsabilidade pelas informações sobre os créditos e os débitos, cabendo à autoridade tributária a sua necessária verificação e validação. Encontradas conforme, sobrevém a homologação confirmando a extinção. Não confirmadas as informações prestadas pelo declarante, o inverso se verifica. No caso, a contribuinte declarou um débito e apontou um documento de arrecadação como origem do crédito. Em se tratando de declaração eletrônica, a verificação dos dados informados pela contribuinte foi realizada também de forma eletrônica, tendo resultado no Despacho Decisório em discussão. O ato combatido aponta como causa da não homologação o fato de que, nos sistemas da Receita Federal, embora localizado o DARF do pagamento apontado na DCOMP como origem do crédito, o valor correspondente foi totalmente utilizado e alocado aos débitos informados em DCTF, não restando dele o saldo apontado na DCOMP como crédito. Assim, não padece de nulidade o despacho decisório proferido por autoridade competente, contra o qual o Fl. 79DF CARF MF Processo nº 10880.660420/201287 Acórdão n.º 3401004.821 S3C4T1 Fl. 6 5 contribuinte pôde exercer o contraditório e a ampla defesa e onde constam os requisitos exigidos nas normas pertinentes ao processo administrativo fiscal. O débito declarado e pago encontrase em conformidade com a correspondente DCTF, a qual tem seus efeitos determinados pelo § 1º do artigo 5º do Decreto lei nº 2.124, de 13 de junho de 1984, entre eles o da confissão da dívida e o condão de constituir o crédito tributário, dispensada qualquer outra providência por parte do Fisco. Quando da transmissão e da análise do PER/DCOMP em tela, o crédito efetivamente não existia, pois o pagamento efetuado estava integralmente alocado ao débito declarado pela própria contribuinte em sua DCTF. Assim sendo, na data da transmissão do PER/ DCOMP a interessada não era detentora de crédito líquido e certo, condição sem a qual não há direito à restituição ou compensação. E não tendo o interessado trazido elementos hábeis a desconstituir a confissão do débito que fez na DCTF, inexiste razão para se reconhecer o pleiteado direito creditório relativo a pagamento pretensamente maior do que o devido, referente ao período de apuração. O extrato abaixo é a DCTF retificadora ativa da contribuinte, referente ao tributo e período em análise. Repare que a contribuinte declara um débito de COFINS em junho de 2012 no valor de R$ 29.148,73 e vincula ao débito um pagamento de R$4.985,20. No quadro abaixo, podemos verificar que o referido pagamento vem de um DARF de R$5.083,90, composto de um valor principal (R$4.985,20) mais multa por atraso (R$98,70). Fl. 80DF CARF MF Processo nº 10880.660420/201287 Acórdão n.º 3401004.821 S3C4T1 Fl. 7 6 Por sinal, esse foi o único DARF de Cofins pago em 2012 pela empresa, conforme demonstra o extrato abaixo. Impende salientar que, sobre esse alegado crédito de R$ 5.083,90, a contribuinte solicita a homologação de nada menos que 193 pedidos de compensação, todos do mesmo período (2º trimestre de 2012), com mesmo vencimento em 31/07/2012 que, somados, resultam em um valor de R$ 948.369,76, conforme relação abaixo dos processos de PER/DCOMP para o mesmo DARF. .... Agrava o fato de tentar utilizar mais de uma vez o mesmo crédito a prestação de informação falsa, pois no PER/DCOMP há um campo onde é perguntado se aquele crédito proveniente de pagamento indevido ou a maior já foi informado em outro PER/DCOMP, ao que o contribuinte respondeu “Não” em todos os PER/DCOMP, em infração ao inciso II do § 1º do art. 45 da IN/SRF 1.300, de 20 de novembro de 2012. Pelo exposto, voto por conhecer do recurso voluntário e no mérito por negarlhe provimento. Importa registrar que nos autos ora em apreço, a situação fática e jurídica encontra correspondência com a verificada no paradigma, de tal sorte que o entendimento lá esposado pode ser perfeitamente aqui aplicado Fl. 81DF CARF MF Processo nº 10880.660420/201287 Acórdão n.º 3401004.821 S3C4T1 Fl. 8 7 Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado negou provimento ao recurso voluntário. (Assinado com certificado digital) Rosaldo Trevisan Fl. 82DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10830.004451/2010-87
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue May 22 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Jul 30 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2007
RECURSO ESPECIAL. ART. 5º C/C ART. 67, §12 DO RICARF APROVADO PELA PORTARIA 343/2015. DECISÃO VINCULANTE DOS TRIBUNAIS SUPERIORES. NÃO CONHECIMENTO.
Não servirá como paradigma o acórdão que, na data da análise da admissibilidade do recurso especial, contrariar decisão vinculante proferida pelo Supremo Tribunal Federal em sede de repercussão geral.
Numero da decisão: 9202-006.847
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Especial.
(assinado digitalmente)
Maria Helena Cotta Cardozo - Presidente em exercício
(assinado digitalmente)
Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri - Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Patrícia da Silva, Heitor de Souza Lima Junior, Ana Paula Fernandes, Pedro Paulo Pereira Barbosa, Ana Cecília Lustosa da Cruz, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo.
Nome do relator: RITA ELIZA REIS DA COSTA BACCHIERI
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ART. 5º C/C ART. 67, §12 DO RICARF APROVADO PELA PORTARIA 343/2015. DECISÃO VINCULANTE DOS TRIBUNAIS SUPERIORES. NÃO CONHECIMENTO. Não servirá como paradigma o acórdão que, na data da análise da admissibilidade do recurso especial, contrariar decisão vinculante proferida pelo Supremo Tribunal Federal em sede de repercussão geral. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Especial. (assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo Presidente em exercício (assinado digitalmente) Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Patrícia da Silva, Heitor de Souza Lima Junior, Ana Paula Fernandes, Pedro Paulo Pereira Barbosa, Ana Cecília Lustosa da Cruz, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 83 0. 00 44 51 /2 01 0- 87 Fl. 192DF CARF MF 2 Relatório Tratase de Recurso Especial de Divergência interposto pela Fazenda Nacional contra acórdão que deu provimento ao recurso voluntário do contribuinte para determinar o cancelamento do lançamento por meio do qual exigese IRPF sobre rendimentos recebidos acumuladamente em razão de decisão proferida em ação judicial. Referido recurso foi interposto com base no art. 67 do RICARF, então aprovado pela Portaria nº 256/2009. O acórdão recorrido recebeu a seguinte ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2007 IRPF. RENDIMENTO RECEBIDO ACUMULADAMENTE. REVISÃO DE BENEFÍCIOS PREVIDENCIÁRIOS. APLICAÇÃO DO REGIME DE COMPETÊNCIA. Conforme entendimento fixado pelo STJ, em sede de recursos repetitivos, o imposto de renda incidente sobre rendimentos pagos acumuladamente, decorrentes de revisão de benefícios previdenciários, deve ser calculado pelo regime de competência, tendo em vista que o art. 12 da Lei nº 7.713/1988 disciplina o momento da incidência, e não a forma de calcular o imposto. Recurso Voluntário Provido. A decisão foi assim registrada: Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, dar provimento ao recurso para cancelar a exigência fiscal relativa à omissão de rendimentos recebidos acumuladamente, nos termos do voto da Relatora. Vencido o Conselheiro Marcelo Vasconcelos de Almeida que dava provimento parcial ao recurso, determinando o retorno dos autos à unidade de origem para que o cálculo do imposto de renda incidente sobre os benefícios previdenciários pagos acumuladamente fosse apurado mensalmente, em correlação aos parâmetros fixados na tabela progressiva do imposto de renda vigente à época dos respectivos fatos geradores. Intimada da decisão, a Fazenda Nacional apresentou o presente recurso. Indicando como paradigmas os acórdãos 2102002.806 e 380400.031 a recorrente defende a manutenção do lançamento cuja fundamentação legal era o art. 12 da Lei nº 7.713/88, oportunamente foi requerido ainda o sobrestamento do processo até o julgamento dos Recursos Extraordinários nº 614.406 e 614.232, recebidos pelo Supremo Tribunal Federal sob a sistemática da repercussão geral. O contribuinte apresentou contrarrazões pugnando pelo não conhecimento do recurso por afronta ao §12, II do art. 67 do RICARF, aprovado pela Portaria nº 343/2015. No mérito requer a manutenção do acórdão por seus próprios fundamentos. Fl. 193DF CARF MF Processo nº 10830.004451/201087 Acórdão n.º 9202006.847 CSRFT2 Fl. 193 3 É o relatório. Voto Conselheira Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri Relatora Do Conhecimento: Antes de analisarmos o mérito do recurso, e considerando a manifestação do contribuinte na peça de contrarrazões, pertinente tecer alguns comentários sobre o juízo de admissibilidade. Conforme exposto no relatório, por meio do Recurso Especial a Fazenda Nacional devolve a este Colegiado a discussão acerca do critério utilizado para o cálculo do IRPF incidente sobre rendimento recebidos acumuladamente. A Recorrente assim descreve a divergência: A divergência ocorre em relação à solução jurídica. Os acórdãos paradigmas aplicam integralmente o art. 12 da Lei n. 7.713/88, segundo o qual, no caso de rendimentos recebidos acumuladamente, o imposto de renda incidirá, no mês do recebimento ou crédito, sobre o total dos rendimentos. Com efeito, de acordo com os Colegiados prolatores dos paradigmas, a incidência do IRPF deve ocorrer de uma só vez e sobre a totalidade dos rendimentos. Por sua vez, o acórdão recorrido afirma que, no caso de rendimentos recebidos acumuladamente, o IRPF deve ser recolhido de acordo com o regime de competência, considerandose os meses a que se referirem os rendimentos. Ou seja, para fins de aplicação da alíquota, devem ser considerados os valores mensais, e não o montante global auferido. Cabe observar, inclusive, que o paradigma nº 2102002.806 foi proferido em 2014 e não aplicou o entendimento sedimentado pelo STJ no julgamento do Resp nº 1.118.429/SP. Em termos mais claros, o paradigma não se valeu do disposto no artigo 62 A do RICARF para decidir a questão, nada obstante ter sido proferido em data recente. Comprovada, portanto, a divergência jurisprudencial quanto à aplicação do art. 12 da Lei n. 7.713/88. Considerando que o acórdão recorrido aplicou, por força do art. 62A do então regimento interno decisão proferida pelo Superior Tribunal de Justiça sob a sistemática dos recursos repetitivos, o despacho de admissibilidade recebeu o recurso apenas com base no acórdão paradigma de nº 2102002.806, desprezando o segundo que havia sido proferido em contexto fático distinto. Fl. 194DF CARF MF 4 Assim temos a seguinte situação: 1) decisão que entendendo que os rendimentos recebidos acumuladamente devem ser tributados pelo regime de competência obedecidas as alíquotas e tabelas vigentes à época do correto recebimento deu provimento ao recurso voluntário e cancelou o lançamento; e 2) recurso especial baseado em paradigma cuja fundamentação afasta a tese do recorrido e defende a incidência do imposto de renda pelo regime de caixa, com alíquota e tabela do mês do recebimento ou crédito e sobre o total dos rendimentos. Quando da interposição do recurso ainda não tínhamos decisão definitiva sobre a matéria no âmbito do Supremo Tribunal Federal. Assim, considerando que o acórdão paradigma afastou expressamente a aplicação ao caso do Resp 1.118.429, a Fazenda Nacional apresentou, em 03.09.2014, recurso defendendo a constitucionalidade do art. 12 da Lei nº 7.713/88. Entretanto, quando da análise da admissibilidade o cenário era outro. Em 09.12.2014, transitou em julgado a decisão do STF no Recurso Extraordinário nº 614.406, decisão proferida sob a sistemática da repercussão geral e a qual declarou a inconstitucionalidade do art. 12 da Lei nº 7.713/88. O Tribunal Superior definiu, de forma definitiva, que o "Imposto de Renda incidente sobre verbas recebidas acumuladamente deve observar o regime de competência, aplicável a alíquota correspondente ao valor recebido mês a mês, e não a relativa ao total satisfeito de uma única vez". Embora o recurso tenha sido interposto na vigência do antigo regimento interno, o respectivo exame de admissibilidade ocorreu em 30.06.2015, data em que já se encontrava vigente o RICARF aprovado pela Portaria nº 343/2015 publicado em 10.06.2015, razão pela qual, por força do respectivo art. 5º, deveria ter observado a nova regra do §12 do art. 67. Vejamos os dispositivos com a redação válida na época: Art. 5º Os despachos de exame e reexame de admissibilidade dos recursos especiais exarados depois da data de publicação desta Portaria observarão, no que couber, o nela disposto. .. Art. 67. Compete à CSRF, por suas turmas, julgar recurso especial interposto contra decisão que der à legislação tributária interpretação divergente da que lhe tenha dado outra câmara, turma de câmara, turma especial ou a própria CSRF. ... § 12. Não servirá como paradigma o acórdão que, na data da análise da admissibilidade do recurso especial, contrariar: I Súmula Vinculante do Supremo Tribunal Federal, nos termos do art. 103A da Constituição Federal; II decisão judicial transitada em julgado, nos termos dos arts. 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 1973 Código de Processo Civil (CPC); e III Súmula ou Resolução do Pleno do CARF. Fl. 195DF CARF MF Processo nº 10830.004451/201087 Acórdão n.º 9202006.847 CSRFT2 Fl. 194 5 Assim, aplicando os art. 5º c/c art. 67, §12 do Regimento Interno aprovado pela Portaria 343/2015, entendo que o acórdão paradigma considerado pelo exame de admissibilidade também não é apto para fundamentar a divergência perseguida pela Recorrente, haja vista que seu entendimento foi superado por decisão vinculante proferida pelo Supremo Tribunal Federal. Diante do exposto, deixo de conhecer do recurso especial interposto. (assinado digitalmente) Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri Fl. 196DF CARF MF
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Numero do processo: 15504.012253/2010-11
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jul 04 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Aug 08 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/1996 a 31/12/1996
CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS MEDIANTE CESSÃO DE MÃO-DE-OBRA. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA DO CONTRATANTE. NECESSIDADE DE COMPROVAÇÃO DE QUE PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS OCORREU MEDIANTE CESSÃO DE MÃO-DE-OBRA
É dever do Fisco, sob pena de ocorrência de vício material, a comprovação de que houve a prestação de serviço mediante cessão de mão de obra, para que haja responsabilidade solidária entre o contratante e o prestador de serviços pelas obrigações decorrentes da Lei de Custeio da Seguridade Social, não se aplicando, em qualquer hipótese, o benefício de ordem. Art. 31 da Lei n° 8.212/91, na redação dada pela Lei n° 9.032/95.
Numero da decisão: 2201-004.598
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Carlos Alberto do Amaral Azeredo - Presidente.
(assinado digitalmente)
Marcelo Milton da Silva Risso - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Dione Jesabel Wasilewski, Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim, Douglas Kakazu Kushiyama, Daniel Melo Mendes Bezerra, Marcelo Milton da Silva Risso, Carlos Alberto do Amaral Azeredo (Presidente).
Nome do relator: MARCELO MILTON DA SILVA RISSO
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/1996 a 31/12/1996 CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS MEDIANTE CESSÃO DE MÃO-DE-OBRA. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA DO CONTRATANTE. NECESSIDADE DE COMPROVAÇÃO DE QUE PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS OCORREU MEDIANTE CESSÃO DE MÃO-DE-OBRA É dever do Fisco, sob pena de ocorrência de vício material, a comprovação de que houve a prestação de serviço mediante cessão de mão de obra, para que haja responsabilidade solidária entre o contratante e o prestador de serviços pelas obrigações decorrentes da Lei de Custeio da Seguridade Social, não se aplicando, em qualquer hipótese, o benefício de ordem. Art. 31 da Lei n° 8.212/91, na redação dada pela Lei n° 9.032/95.
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PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS MEDIANTE CESSÃO DE MÃODEOBRA. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA DO CONTRATANTE. NECESSIDADE DE COMPROVAÇÃO DE QUE PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS OCORREU MEDIANTE CESSÃO DE MÃODEOBRA É dever do Fisco, sob pena de ocorrência de vício material, a comprovação de que houve a prestação de serviço mediante cessão de mão de obra, para que haja responsabilidade solidária entre o contratante e o prestador de serviços pelas obrigações decorrentes da Lei de Custeio da Seguridade Social, não se aplicando, em qualquer hipótese, o benefício de ordem. Art. 31 da Lei n° 8.212/91, na redação dada pela Lei n° 9.032/95. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Carlos Alberto do Amaral Azeredo Presidente. (assinado digitalmente) Marcelo Milton da Silva Risso Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Dione Jesabel Wasilewski, Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim, Douglas Kakazu Kushiyama, Daniel Melo AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 50 4. 01 22 53 /2 01 0- 11 Fl. 330DF CARF MF 2 Mendes Bezerra, Marcelo Milton da Silva Risso, Carlos Alberto do Amaral Azeredo (Presidente). Relatório 1 Adoto como relatório o da decisão de admissibilidade dos embargos de declaração do contribuinte às fls. 263/267, por bem relatar os fatos ora questionados. "Tratase de crédito lançado contra o contribuinte acima identificado, na condição de responsável solidário e a empresa prestadora de serviços Serv Cat Locações de Serviços SC Ltda, no valor de R$ 40.499,27, consolidado em 20/12/02, relativo a contribuições incidentes sobre a remuneração paga à mãode obra incluída em notas fiscais de serviços prestados mediante cessão de mãodeobra, no período de janeiro a dezembro de 1996. Cientificado do lançamento, o contribuinte autuado apresentou impugnação tempestiva onde alegou, entre outros pontos, a ausência de vínculo entre a recorrente e os fatos geradores da contribuição previdenciária pretendida e ausência de previsão legal para lavratura de Notificação Fiscal de Lançamento de Débito automaticamente junto à tomadora de serviço. Em 19/05/2003 o lançamento foi julgado procedente através da Decisão Notificação n° ll.401.4/0405/2003, da qual o contribuinte foi cientificado, conforme atestam os documentos de fls. 178/179. Inconformado com a Decisão Notificação prolatáda, o contribuinte apresentou recurso à Câmara de Julgamento do Conselho de Recursos da 'Previdência SocialCRPS , onde reiterou suas razões apresentadas anteriormente na impugnação e acrescentou a alegação de ocorrência de bi tributação. Através do Acórdão n° 0214, de 24/02/2005, a Segunda Câmara de Julgamento do CRPS decidiu por maioria (com o voto vencido do Relator Geraldo Magela Melo Representante do Govemo) anular a Decisão Notificação recorrida (1l.401.4/0405/2003), determinando a realização de procedimentos de auditoria fiscal na empresa prestadora de serviços com o objetivo de certificarse do não adimplemento das contribuições previdenciárias por parte do cedente de mão deobra. Em prosseguimento, o processo foi encaminhado para cumprimento do Acórdão supracitado, através do despacho de fls. 238. O Auditor Fiscal que cumpriu a diligência juntou os documentos de fls. 240/250 e pronunciouse às fls. 251/252, onde informou em síntese que : Fl. 331DF CARF MF Processo nº 15504.012253/201011 Acórdão n.º 2201004.598 S2C2T1 Fl. 331 3 não houve qualquer procedimento fiscal no sujeito passivo (Serv Cat Locações de Serviços SC Ltda, CNPJ. 00.701.091/000192). a empresa não foi localizada através de várias pesquisas, conforme descrito nos itens 2 a 7 do referido despacho. constatou através de consulta ao contacorrente da empresa a existência de recolhimentos nas competências 01/1996 a 10/1996 e 12/1996, entretanto, informa que não existe vinculação destes recolhimentos com as obrigações decorrentes dos fatos geradores que deram origem à NFLD 35.535.8867. Em seguida, foi encaminhada cópia do resultado da diligência ao contribuinte autuado e ao representante legal da prestadora Sr. Jaime Luiz Girio de Almeida Filho, conforme indicado no despacho de fls. 254, com prazo de dez dias para aditamento à defesa. O contribuinte autuado Usinas Siderúrgicas de Minas Gerais S/A Usiminas apresentou defesa às fls. 261/263, onde alega em síntese: Tendo em vista que a empresa contratada/prestadora de serviços não foi localizada restaram frustrados os procedimentos necessários à apuração e ao efetivo cumprimento do Acórdão da 2” Câmara de Julgamento do CRPS. O efetivo cumprimento do Acórdão proferido é de suma importância para a continuação do processo administrativo, evitando assim que a empresa tomadora seja penalizada por um débito eventualmente pago pela empresa prestadora/contratada. Ao INSS cabe o ônus de provar o inadimplemento da contribuição por parte da prestadora, para, a partir dai, declarar a Usiminas como responsável solidária. Não pode se presumir. Cumprelhe fazer prova positiva. Porém, os indícios constatados pelo INSS são em sentido contrário, pois o mesmo informa em consulta à contacorrente da prestadora Serv Cat Locações de Serviços Sociedade Comercial Ltda verificou recolhimentos nas competências objeto da presente NFLD, sendo incabível à fiscalização presumir que tais recolhimentos não foram vinculados com as obrigações decorrentes dos fatos geradores da referida Notificação Fiscal. Portanto, aguardase da fiscalização as medidas cabíveis no sentido de comprovar o não recolhimento das contribuições em questão por parte da empresa prestadora, acionando se necessário, sob as penas da lei , o sócio Jaime Luiz Gírio de Almeida Filho, para prestar os devidos esclarecimentos.” 2 – A DRJ julgou procedente em parte o lançamento em decisão assim ementada: Fl. 332DF CARF MF 4 ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/1996 a 31/12/1996 CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. RESPONSÁVEL SOLIDÁRIO. NAO ELISAO. SOLIDARIEDADE PASSIVA. COBRANÇA DIRIGIDA A TODOS Os COOERIOADOS. O contratante de serviços executados mediante cessão de mão deobra, responde solidariamente com o executor pelas obrigações previdenciárias, conforme artigo 31, da Lei 8.212 de 1991, na redação dada pela Lei 9.528 de 1997. 3 – O Contribuinte recorreu às fls. 273/285 repisando os mesmos argumentos de defesa pedindo o provimento do recurso voluntário. É o relatório do necessário. Voto Conselheiro Marcelo Milton da Silva Risso Relator 4 O recurso é tempestivo e preenche os demais requisitos de admissibilidade. Portanto, dele conheço. 5 – Essa matéria não é nova nessa C. Turma sendo que nos AC. 2201.004.075, 2201.004.078, 2201.004.083, 2201.004.076, 2201.004.077, 2201.004.081, 2201.004.079, 2201.004.080, e 2201.004.0082 todos de minha relatoria e do AC. 2201003.412 voto vencedor da relatoria do I. Conselheiro Carlos Henrique de Oliveira, em que tratamos de casos similares a esses. 6 Deixo de me manifestar em relação às preliminares indicadas no recurso em vista do seu provimento quanto ao mérito aplicando o princípio da primazia da resolução de mérito de acordo com § 2º do art. 282 do CPC de 2015 e art. 59 § 3º do Decretolei 70.235/72 que se pode afirmar que, "quando puder decidir do mérito a favor do sujeito passivo a quem aproveitaria a declaração de nulidade, a autoridade julgadora não a pronunciará nem mandará repetir o ato ou suprirlhe a falta". Fl. 333DF CARF MF Processo nº 15504.012253/201011 Acórdão n.º 2201004.598 S2C2T1 Fl. 332 5 7 – No mérito entendo que o recurso merece provimento. Conforme dito alhures tomando como base os julgados acima indicados por esse Relator, esse lançamento iniciouse na época da antiga Secretaria da Receita Previdenciária. 8 – Tomandose por base os fundamentos utilizados na decisão notificação Nº 36378.002257/200316 de fls. 218/227 do CRPS reproduzidos pelo contribuinte em recurso, verificamos que consoante o que ocorreu nos julgados citados anteriormente, nesse caso houve o mesmo diagnóstico por parte do antigo Conselho de Recursos da Previdência Social que diz: EMENTA PREVIDENCIÁRIO CUSTEIO SOLIDARIEDADE DO ART. 31, DA LEI 8.212/91. Ocorrendo uma das hipóteses previstas de suspensão da exigibilidade do crédito tributário, por parte do responsável pelo tributo, não poderá o INSS cobrar, ou continuar cobrando, a obrigação do outro sujeito passivo PARECER/ CJ/MPS nº 2.376/2000. Deve ser apurado o crédito tributário junto ao prestador. Certificandose da procedência ge sua imputação ao responsável solidário. Grifos do original ANULAR A DECISAO NOTIFICAÇAO A análise do processo em apreço e nos demais incluídos na mesma ação fiscal contra a USIMINAS demonstra que a Autarquia não teve o cuidado demonstrado no Parecer/CJ/MPS n° 2.376/2000, de se evitar a cobrança em duplicidade, pois não ficou evidenciada nenhuma ação tendente a verificar se a cedente de mãodeobra adimpliu suas obrigações previdenciárias. Assim sendo, determino que seja anulada a Decisão Notificação, para que sejam cumpridas as seguintes exigências: Verificar se a prestadora teve fiscalização total no período abrangido pela NFLD ou se aderiu ao REFIS, em período concomitante com o lançamento fiscal da NFLD em apreço. A existência de uma das situações, fiscalização total, ou da adesão ao REFIS por si só já leva à constatação da improcedência da NFLD, pela ocorrência do “bis in idem". No entanto, caso não se verifique nenhuma destas duas situações, deve ser analisada a contabilidade da prestadora dos serviços, para comprovar a regularidade de suas contribuições perante a Previdência Social, no período abrangido por esta Fl. 334DF CARF MF 6 NFLD, assegurando a existência do crédito imputado à Recorrente por solidariedade. Atentar para a verificação do prazo de vigência do contrato de prestação do serviço, e não somente do lançamento fiscal. CONCLUSÃO Face ao exposto, VOTO POR ANULAR A DECISÃO NOTIFICAÇAO, para que sejam realizados procedimentos mínimos de auditoria fiscal, objetivando certificarse do não adimplemento das contribuições previdenciárias, por parte do cedente de mãodeobra, certificandose da procedência de sua imputação ao responsável solidário. Sem grifos no original 9 – Em que pese a total falta de técnica jurídica dos membros do Conselho de Recursos da Previdência Social posto que não houve nenhum vício na decisão recorrida, ao dizer “VOTO POR ANULAR A DECISÃO NOTIFICAÇÃO” e sim no lançamento tributário como sobejamente demonstrado pelos Conselheiros que se manifestaram restando claro que o comando do Colegiado foi no sentido da elaboração de novo relatório fiscal do qual constasse se houve fiscalização total no prestador do serviço no período abrangido pela NFLD; se houve parcelamento por parte do prestador de serviço em relação às contribuições objeto da NFLD no solidário e em caso de negativa que providenciasse elementos mínimos de auditoria no prestador, no caso a análise de sua contabilidade, para levantar elementos que permitissem a constituição do crédito por responsabilidade solidária do contratante. 10 Forçoso reconhecer que tal decisão expressa, inequivocamente, a constatação de que o lançamento tributário padecia de vício em sua constituição. Qualquer outra inferência invalidaria o comando expresso, constante do decisum, do retorno do procedimento tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária ao passo inicial, ou seja, a busca pelo Fisco dos elementos comprobatórios e por isso constitutivos, da obrigação tributária decorrente da prática, pelo sujeito passivo, dos fatos eleitos pelo legislador como fato imponíveis. 11 Patente a inovação dos argumentos do Fisco na informação fiscal de fls. 246/247. Tal inovação significa na prática a realização de novo lançamento tributário, posto que a comprovação da ocorrência do fato gerador ensejador da obrigação tributária no caso em tela, dependeria da análise de elementos mínimos de auditoria na contabilidade da prestadora de serviço na contribuinte SERV CAT LOCAÇOES DE SERVIÇOS SC LTDA. que não foi Fl. 335DF CARF MF Processo nº 15504.012253/201011 Acórdão n.º 2201004.598 S2C2T1 Fl. 333 7 encontrada no endereço em que consta na Receita Federal, e concluindo a autoridade fiscal da seguinte forma: 12 – A meu ver a autoridade lançadora tinha outros métodos legais para providenciar o lançamento para a constituição do crédito no sujeito passivo principal que é o prestador de serviço, contudo, não os utilizou. 13 – Além disso, verifico que às fls. 245 existe tela de recolhimentos por parte da prestadora de serviço de época correspondente ao ora lançado de 01/01/1996 a 31/12/1996, no caso os valores cuja fiscalização entende que há recolhimento contudo não consegue identificar se há correlação com os ora lançados em face da recorrente: 14 – Ora a manifestação da fiscalização às fls. 247 reconhece a falta de possibilidade de se apurar qualquer tributo por falta de documentos para apuração. Portanto, resta inegável o vício esculpido no lançamento original, sendo que a decisão da antiga CRPS Fl. 336DF CARF MF 8 na realidade anulou o lançamento por vício material, sendo que na época havia necessidade de produção de novo procedimento administrativo para a constituição do crédito tributário. 15 De fato, a decisão do CRPS, atecnica como visto, embora propugnasse pela nulidade da DN, motivouse pela nulidade do lançamento tributário por ausência de motivação, ou seja, falta de comprovação da ocorrência do fato gerador, da verificação da ocorrência deste, fato que posteriormente foi validado pela fiscalização ao reconhecer a impossibilidade de constituição do crédito tributário por falta de documentos do prestador de serviço. 16 – Nesse ponto, também adoto como razões de decidir parte do voto do I. Conselheiro Carlos Henrique de Oliveira no Ac. 2201003.412 j. 17/01/17, verbis: O Fisco não cumpriu seu dever, ou seja, deixou de comprovar suas alegações, se absteve de demonstrar a exatidão do lançamento realizado. Mister recordar que o Decreto nº 70.235/72 é claro ao exigir em seu artigo 9º: "Art. 9o A exigência do crédito tributário e a aplicação de penalidade isolada serão formalizados em autos de infração ou notificações de lançamento, distintos para cada tributo ou penalidade, os quais deverão estar instruídos com todos os termos, depoimentos, laudos e demais elementos de prova indispensáveis à comprovação do ilícito" (destaques nossos) Forçoso reconhecer o vício no procedimento do lançamento tributário. Como ato administrativo que é, o auto de infração não pode ser irregular. Celso A Bandeira de Melo (Curso de Direito Administrativo, 29ª ed., p.478), assim comenta sobre a irregularidade dos atos administrativos: ATOS IRREGULARES SÃO AQUELES PADECENTES DE VÍCIOS MATERIAIS IRRELEVANTES, RECONHECÍVEIS DE PLANO, OU INCURSOS EM FORMALIZAÇÃO DEFEITUOSA CONSISTENTE EM TRANSGRESSÃO DE NORMAS CUJO REAL ALCANCE É MERAMENTE O DE IMPOR A PADRONIZAÇÃO INTERNA DOS INSTRUMENTOS PELOS QUAIS SE VEICULAM OS ATOS ADMINISTRATIVOS Verificando a irregularidade do ato administrativo, deve a Administração de ofício regularizálo, em face do princípio da Fl. 337DF CARF MF Processo nº 15504.012253/201011 Acórdão n.º 2201004.598 S2C2T1 Fl. 334 9 autotutela. Nesse sentido, a Lei 9.784, de 1999, é clara ao determinar que: "Art. 53. A Administração deve anular seus próprios atos, quando eivados de vício de legalidade, e pode revogálos por motivo de conveniência ou oportunidade, respeitados os direitos adquiridos. (...) Art. 55. Em decisão na qual se evidencie não acarretarem lesão ao interesse público nem prejuízo a terceiros, os atos que apresentarem defeitos sanáveis poderão ser convalidados pela própria Administração." (grifos nossos) Observase que a Lei que regula o processo administrativo federal cinde as irregularidades do ato segundo a gravidade do mesmo. Atos portadores de defeitos sanáveis, meras irregularidades, poderão ser convalidados. Já os atos produzidos com ofensa a legalidade devem ser anulados. Sobre o tema, a Professora Maria Sylvia Zanella Di Pietro (Direito Administrativo, 14ª ed, p. 234), titular da inesquecível Faculdade de Direito do Largo São Francisco, leciona que convalidação ou saneamento "o ato administrativo pelo qual qual é suprido o vício existente em um ato ilegal, com efeitos retroativos à data em que este foi praticado". Além disso, a doutrinadora explicita que nem sempre é possível a convalidação, pois depende do tipo de vício que atinge o ato. Os defeitos atinentes à incompetência quanto à matéria, quanto ao motivo e finalidade, e ainda quanto ao objeto e conteúdo não são passíveis de convalidação. Especificamente quanto a impossibilidade de convalidação, esclarece a Professora: "O objeto ou conteúdo ilegal não pode ser objeto de convalidação." O remédio que deve ser tomado pela Administração é o previsto no artigo 53 da Lei nº 9.784/99, acima transcrito,: a anulação. Novamente, recordemos os ensinamentos de Maria Sylvia: "Quando o vício seja sanável ou convalidável, caracterizase hipótese de nulidade relativa; caso contrário, a nulidade é absoluta." Sobre o tema, devemos lembrar que as nulidades, absoluta ou relativa, produzem efeitos distintos para a Administração Tributária em razão do tempo que a lei determina para a correção do lançamento tributário viciado. Se este for convalidável, por eivado de vício formal, o saneamento deve ser realizado em 5 anos após o trânsito em julgado da decisão que Fl. 338DF CARF MF 10 anular o ato administrativo. Já o lançamento maculado por nulidade absoluta, deve ser refeito no prazo decadencial previsto no CTN, seja o do parágrafo 4º do artigo 150, seja o do inciso I do artigo 173. Tal distinção nos obriga a perquirir qual o vício existente no caso concreto. Para nós a distinção é simples e fundada no texto legal. Como ensina Maria Sylvia Zanela Di Pietro, lançamentos que contenham conteúdo ilegal não são passíveis de convalidação, pois a nulidade que ostentam é absoluta. Nesse sentido, qualquer ofensa às determinações do artigo 142 do CTN acima reproduzido, explicitados por meio do artigo 9ª do Decreto nº 70.235/72, viciam o conteúdo do ato, pois são requisitos do lançamento, atributos intrínsecos ao procedimento de constituição do crédito tributário. A lição de Paulo de Barros Carvalho corrobora a afirmação. Assevera o Professor Emérito (Curso de Direito Tributário, 14ª ed., p. 415): "O ato administrativo de lançamento será declarado nulo de pleno direito, se o motivo nele inscrito a ocorrência do fato jurídico tributário, por exemplo inexistiu. Nulo será, também, na hipótese de ser indicado sujeito passivo diferente daquele que deve integrar a obrigação tributária. Igualmente é nulo o lançamento de IR (pessoa física), lavrado antes do termo final do prazo legalmente estabelecido para que o contribuinte apresente sua declaração de rendimentos e bens. Para a nulidade se requer vício profundo, que comprometa viceralmente o ato administrativo. Seus efeitos, em decorrência, são 'ex tunc', retroagindo, linguisticamente, à data do correspondente evento. A anulação por outro lado, pressupõe invalidade iminente, que necessita de comprovação, a qual se objetiva em procedimento contraditório. Seus efeitos são 'ex nunc', começando a contar do ato que declara a nulidade" Continua o doutrinador: "(...) não importa que o ato administrativo haja sido celebrado e que nele conjuguem os elementos tidos como substanciais. Insta que seus requisitos estejam conformados às prescrições da lei" 17 Nesse sentido, forçoso reconhecer que a informação fiscal de fls, 246/247 nada mais é que um novo relatório fiscal para constituição do crédito no prestador de serviço para fins de tentar corrigir o lançamento original que fora anulado por vício material pelo CRPS uma vez que inova no lançamento, ou seja, pelo fato de realizar novo lançamento, posto que veio ao mundo jurídico para reparar vício material, ou seja, vício insanável, deve Fl. 339DF CARF MF Processo nº 15504.012253/201011 Acórdão n.º 2201004.598 S2C2T1 Fl. 335 11 respeitar os prazos previstos em lei complementar para que o Estado possa constituir seu direito de crédito. 18 – Portanto, o lançamento representado pela NFLD constante de fls. 2/15, consubstanciada pelo Relatório Fiscal de fls 30/34, foi tacitamente reconhecido como nulo pelo CRPS que ao determinar a nulidade da DN e a elaboração na prática de novo lançamento que explicitasse novo relatório fiscal do qual constasse se houve fiscalização total no prestador do serviço no período abrangido pela NFLD; se houve parcelamento por parte do prestador de serviço em relação às contribuições objeto da NFLD no solidário e em caso de negativa, que providenciasse elementos mínimos de auditoria no prestador, no caso a análise de sua contabilidade, para levantar elementos que permitissem a constituição do crédito por responsabilidade solidária do contratante. 19 Ocorre que tal lançamento, repito consubstanciado no relatório fiscal de fls. 246/247 relativo às competências 01/01/1996 a 31/12/1996 se aperfeiçoou com a ciência do recorrente em 02/03/2007 às fls. 249/250, fora, portanto até do lustro permitido pelo artigo 173, inciso I do CTN. 20 O Fisco não cumpriu seu dever, ou seja, deixou de comprovar suas alegações, se absteve de demonstrar a exatidão do lançamento realizado e a conclusão exarada é no sentido da nulidade material do lançamento em razão da autoridade lançadora não ter verificado adequadamente o descumprimento da obrigação tributária principal pelo prestador de serviço e é nulo em razão da inovação consubstanciada no Relatório Fiscal que, ressaltese, corrobora o entendimento de que não houve, por ocasião do lançamento originário, a devida apuração do inadimplemento da obrigação principal pelo prestador de serviço. Conclusão Fl. 340DF CARF MF 12 21 Diante do exposto, voto no sentido de conhecer do recurso e no mérito DAR PROVIMENTO para anular o lançamento em decorrência do vício material, na forma da fundamentação acima. assinado digitalmente Marcelo Milton da Silva Risso Fl. 341DF CARF MF
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