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Numero do processo: 18471.001572/2008-91
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Mon Feb 05 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Mar 14 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/05/1995 a 31/12/1998
CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS MEDIANTE CESSÃO DE MÃO-DE-OBRA. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA DO CONTRATANTE. NECESSIDADE DE COMPROVAÇÃO DE QUE PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS OCORREU MEDIANTE CESSÃO DE MÃO-DE- BRA
É dever do Fisco, sob pena de ocorrência de vício material, a comprovação de que houve a prestação de serviço mediante cessão de mão de obra, para que haja responsabilidade solidária entre o contratante e o prestador de serviços pelas obrigações decorrentes da Lei de Custeio da Seguridade Social, não se aplicando, em qualquer hipótese, o benefício de ordem. Art. 31 da Lei n° 8.212/91, na redação dada pela Lei n° 9.032/95.
Numero da decisão: 2201-004.077
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso voluntário. Vencido o Conselheiro Daniel Melo Mendes Bezerra.
(assinado digitalmente)
Carlos Henrique de Oliveira - Presidente.
(assinado digitalmente)
Marcelo Milton da Silva Risso - Relator.
EDITADO EM: 05/03/2018
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Henrique de Oliveira, Carlos Alberto do Amaral Azeredo, Douglas Kakazu Kushiyama, Marcelo Milton da Silva Risso, Daniel Melo Mendes Bezerra e Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim. Ausente justificadamente a Conselheira Dione Jesabel Wasilewski.
Nome do relator: MARCELO MILTON DA SILVA RISSO
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PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS MEDIANTE CESSÃO DE MÃODEOBRA. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA DO CONTRATANTE. NECESSIDADE DE COMPROVAÇÃO DE QUE PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS OCORREU MEDIANTE CESSÃO DE MÃODE BRA É dever do Fisco, sob pena de ocorrência de vício material, a comprovação de que houve a prestação de serviço mediante cessão de mão de obra, para que haja responsabilidade solidária entre o contratante e o prestador de serviços pelas obrigações decorrentes da Lei de Custeio da Seguridade Social, não se aplicando, em qualquer hipótese, o benefício de ordem. Art. 31 da Lei n° 8.212/91, na redação dada pela Lei n° 9.032/95. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso voluntário. Vencido o Conselheiro Daniel Melo Mendes Bezerra. (assinado digitalmente) Carlos Henrique de Oliveira Presidente. (assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 18 47 1. 00 15 72 /2 00 8- 91 Fl. 1208DF CARF MF Processo nº 18471.001572/200891 Acórdão n.º 2201004.077 S2C2T1 Fl. 1.160 2 Marcelo Milton da Silva Risso Relator. EDITADO EM: 05/03/2018 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Henrique de Oliveira, Carlos Alberto do Amaral Azeredo, Douglas Kakazu Kushiyama, Marcelo Milton da Silva Risso, Daniel Melo Mendes Bezerra e Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim. Ausente justificadamente a Conselheira Dione Jesabel Wasilewski. Relatório 1 – Tratase de Recurso Voluntário interposto pela tomadora de serviço contra decisão da DRJ que manteve o lançamento em parte de contribuição previdenciária oriunda da NFLD nº 35.605.8905 (fls. 3/59) no valor de R$ 1.587.034,47 com data de cientificação do recorrente em 29/09/2003 às fls. 3. 2 Adoto inicialmente como complemento ao relatório a narrativa constante do V. Acórdão da DRJ (fls. 1064/1079) por sua clareza e precisão: “LANÇAMENTO Tratase de crédito lançado pela fiscalização (NFLD DEBCAD 35.605.8905 consolidado em 05/09/2003), no valor de R$ 667.863,83 acrescidos de juros e multa, contra a empresa acima identificada que, de acordo com o Relatório Fiscal (fls. 50/53), referese às contribuições devidas à Seguridade Social, correspondentes à parte da empresa, dos segurados, e às destinadas ao financiamento da complementação das prestações por acidente de trabalho SAT (até 06/1997) e dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa dos riscos ambientais do trabalho (a partir de 07/1997), referentes às competências: 05/1995 a 12/1998. Fl. 1209DF CARF MF Processo nº 18471.001572/200891 Acórdão n.º 2201004.077 S2C2T1 Fl. 1.161 3 2. As contribuições foram apuradas com base no instituto da responsabilidade solidária, decorrente de serviços prestados mediante cessão de mão de obra, de acordo com o artigo 31 da Lei no 8.212/1991 (anterior à Lei nº 9.711 de 20/11/1998), com redação vigente à época dos fatos geradores, pela empresa BJ SERVICES DO BRASIL LTDA – CNPJ 15.680.333/000186, em cumprimento ao contrato nº 161.7.755.934. 2.1. A descrição dos serviços prestados, de acordo com o objeto do contrato encontrase no item 5 do Relatório Fiscal. DA IMPUGNAÇÃO DA PETROBRAS 3. A PETROBRAS, notificada do lançamento em 29/09/2003 apresentou impugnação em 14/10/2003, fls. 69, através do instrumento de fls. 70/76, alegando, em síntese: Prejuducial decadência 3.1. que ocorreu a decadência parcial do direito de constituição do crédito em análise, tendo em vista o decurso de prazo maior de cinco anos entre alguns dos pretensos fatos geradores do tributo e a notificação, sendo pacífico o entendimento do STJ de que a decadência em questão é regida pelo Código Tributário Nacional; Da inexistência da “cessão de mão de obra” 3.2. que não houve serviço contínuo e nem os empregados ficaram à disposição da contratante, o contrato foi firmado para fins de realização de serviços determinados, jamais para fornecimento de mão de obra; portanto não ficou caracterizada a cessão de mão de obra; 3.3. o contrato em tela versou somente sobre uma prestação de serviços da empresa contratada para a impugnante, e ressaltese, pelo prazo necessário para a consecução do objeto contratado; 3.4. o escopo da lei é abranger aqueles serviços de trato sucessivo, de prestação permanente, a mando do tomador. A lei quer abarcar os contratos em que o próprio serviço seja o seu objeto, e não meio para obtenção de um resultado Fl. 1210DF CARF MF Processo nº 18471.001572/200891 Acórdão n.º 2201004.077 S2C2T1 Fl. 1.162 4 diverso, os quais contam apenas com a supervisão do tomador de serviços, mas não com seu comando (e é esta a hipótese vertente); 3.5. assim a conclusão a que se chega, é que não pode ser imputada uma responsabilização solidária, levandose em conta que o contrato que celebrou não foi de CESSÃO DE MÃO DE OBRA, de acordo com os termos da Lei; 3.6. mesmo que a autarquia vislumbrasse a existência de cessão de mão de obra, deveria a mesma fazer consignar na notificação o serviço realizado pela empresa contratada, permitindo o exercício da ampla defesa, inclusive para pleitear uma redução do débito; Da solidariedade 3.7. afirma o contribuinte que é inegável a previsão da solidariedade passiva na Lei, contudo, essa solidariedade pressupõe sempre a configuração da dívida ou da obrigação, a fim de que o credor possa imputála a um dos devedores solidários. Para que o devedor solidário seja cobrado, fazse necessário a declaração de existência da obrigação do devedor originário, e a constituição de sua liquidez; 3.8. devese proceder ao lançamento primeiro contra o contribuinte e, somente após, constituído o crédito contra o devedor principal é que, também o devedor solidário poderá ser cobrado; 3.9. inexistindo o lançamento contra a empresa devedora originária, capaz de conferir exigibilidade ao crédito tributário, não pode o INSS cobrar da Recorrente, pelo simples motivo de que a existência da obrigação dos devedores não se configurou; 3.10. certo é que o lançamento declara a obrigação, mas deve declarála em face de todos os devedores reputados solidários; 3.11. a autarquia não apurou e não lançou o tributo contra os devedores principais, mas está louvandose do direito de constituir o crédito apenas contra a impugnante, tomando uma atitude totalmente injurídica; Fl. 1211DF CARF MF Processo nº 18471.001572/200891 Acórdão n.º 2201004.077 S2C2T1 Fl. 1.163 5 3.12. em relação à base de cálculo, cumpre destacar que a autarquia equivocadamente considerou o valor das notas fiscais como base de cálculo da contribuição, quando deveria fazêlo somente sobre o montante dos salários, uma vez que embutidos no valor das notas fiscais ou da faturas, encontramse diversos outros valores, que não se referem à folha de salários da empresa prestadora de serviços; 3.13. invoca a sua qualidade de ente integrante da administração pública indireta para concluir que, na presente exação, o governo postula o recebimento de crédito do próprio governo; 3.14. por fim, requer o cancelamento da notificação e protesta pela juntada de documentação superveniente. DO ADITAMENTO 4. A PETROBRAS, apresentou aditamento, fls. 501, anexando a documentação de fls. 502/808. DA IMPUGNAÇÃO DA PRESTADORA DE SERVIÇOS 5. A BJ SERVICES DO BRASIL LTDA, notificada do lançamento, em 21/10/2003, AR fls. 67, apresentou impugnação em 05/11/2003, fls. 79/106, anexando documentos de fls. 108/491, e argumentando em síntese: 5.1. cumpre esclarecer que o contrato que dispõe acerca dos serviços prestados pela BJ SERVICES DO BRASIL à PETROBRAS, qual seja, o 105.2.040.930 (doc. 03), recebe em cada filial da ora impugnante uma numeração, a fim de diferenciar o local da prestação de serviço, razão pela qual, no presente caso, a fiscalização faz referência ao contrato n° 161.7.755.934 (doc. 04); 5.2. a imperfeição da aplicação do instituto da solidariedade exsurge da própria descrição do fato gerador da contribuição, quando informa da não comprovação pela empresa contratante do cumprimento das obrigações previdenciárias, através de guias e folhas de pagamento específicas dos segurados empregados alocados no serviço; Fl. 1212DF CARF MF Processo nº 18471.001572/200891 Acórdão n.º 2201004.077 S2C2T1 Fl. 1.164 6 5.3. verificase a necessidade de fiscalização no estabelecimento da prestadora de serviços para averiguar o efetivo recolhimento, sob pena de sacrificar o princípio da verdade material; 5.4. o INSS transferiu ao particular suas obrigações, violando o art. 142 do CTN e vários princípios constitucionais e legais; 5.5. a Lei 9129/1995 alargou o conceito de cessão de mão de obra, extrapolando definições fixadas no Direito Civil e do Trabalho, constituindo afronta ao art. 110 do CTN; 5.6. na data da constituição do crédito, setembro/2003, já havia ocorrido a decadência do direito de a autarquia proceder ao lançamento, pois como se trata de tributo sujeito à homologação, aplicase o art. 150, §4° do CTN, com prazo ininterrupto de cinco anos; 5.7. diante da abrangência do conceito de cessão de mãodeobra trazido pela Lei nº 9129/1995, poderíamos concluir que qualquer serviço estaria incluído na definição, exsurgindo a primeira ilegalidade, por afronta ao art. 110 do CTN; 5.8. os serviços foram prestados de forma independente por pessoal especializado através de máquinas e tecnologia específicas desta, inexistindo a cessão de mão de obra; 5.9. além do que os serviços prestados à Petrobras, sem continuidade, relacionam se à sua atividade fim, razão porque não se caracteriza a hipótese prevista no art. 31 da Lei 8212/91, na redação dada pela Lei 9129/1995; 5.10. a Ordem de Serviço 203/1999, em seu item 16, exclui vários serviços que jamais caracterizariam a cessão de mãodeobra; 5.11. o art. 31 da Lei 8212/1991 elegeu como responsável pelo cumprimento da obrigação pessoa totalmente estranha ao fato gerador da obrigação, vulnerando o art. 128 do CTN; 5.12. o real conceito de responsável tributário deve ser alcançado através de interpretação sistemática dos arts. 121, II e 128 do CTN, concluindo que a terceira Fl. 1213DF CARF MF Processo nº 18471.001572/200891 Acórdão n.º 2201004.077 S2C2T1 Fl. 1.165 7 pessoa eleita há de estar vinculada ao fato gerador ou, em outras palavras, ter uma mínima relação material com a hipótese de incidência; 5.13. a relação entre o tomador e o prestador é puramente contratual, caracterizada pela execução de uma obrigação de fazer, não tendo o tomador nenhuma participação na relação laboral; 5.14. não está se alegando o benefício de ordem, mas apenas de se dar a real interpretação ao art. 110 do CTN, devendo ser notificadas ambas, prestadora e tomadora, desde que haja configurada a existência do débito tributário dentro das normas do CTN; 5.15. o fato gerador do tributo é a relação de emprego e o pagamento da remuneração, do qual o único devedor é o empregador, não fazendo o tomador de serviços parte desta relação, sendo responsável solidário na eventual hipótese de descumprimento da obrigação, e para tanto, deve ser verificado o inadimplemento do devedor; 5.16. não pode o INSS estabelecer base de cálculo mediante a aplicação de percentual sobre as notas fiscais de serviços, posto que a contribuição é calculada sobre salários só podendo incidir sobre remuneração a este título; 5.17. a obtenção da base de cálculo mediante elemento subsidiário só pode ocorrer por lei strictu sensu o que não ocorreu. O art. 33, §4°, da Lei 8212/1991 estabeleceu aferição indireta na hipótese de execução de obra de construção civil, o que não é o caso, e nada estabeleceu a respeito de base de cálculo, nem autorizou fosse fixada por decreto ou ato normativo menor; 5.18. o INSS não deveria, utilizando de sua atividade discricionária, autuar a Petrobras, sem se certificar da ausência de pagamento. Não obstante tal fato, a empresa está acostando ao feito cópias autenticadas de guias de recolhimento do estabelecimento de Mossoró, esclarecendo que é inviável a elaboração de folhas de pagamento/guias de recolhimento distintas para cada empresa tomadora; 5.19. chega a constituir máfé a exigência da elaboração dos referidos documentos, devendo o administrador, mesmo na atividade discricionária, utilizá Fl. 1214DF CARF MF Processo nº 18471.001572/200891 Acórdão n.º 2201004.077 S2C2T1 Fl. 1.166 8 la com prudência e proporcionalidade para atender ao disposto no art. 37 caput da Constituição Federal. DA DILIGÊNCIA 6. Diante da documentação apresentada, fls. 108/491 e 502/803, os autos foram encaminhados à Junta Notificante, para apreciação, tendose concluído, em 18/05/2004, fls. 811/812, pela manutenção do débito, tendo em vista que as impugnantes não lograram comprovar "....a distinção das GRPS (itens 2.V e 2.VIII) ao tomador do serviço ou às Notas Fiscais de Prestação dos Serviços oriundas do contrato nº 161.7.755.934". (sic) 7. Em pronunciamento, de fls. 815/817, o Serviço de Análise de Defesas e Recursos retornou o processo à junta fiscal para que esclarecesse se no período de vigência da Lei 9129/1995 (21.11.95 até 29.04.97), os serviços prestados pela BJ SERVICES DO BRASIL LTDA estavam relacionados à atividade fim da empresa contratante. 8. Em resposta, fls. 818/819, a auditoria fiscal esclarece que, ao contrário do que alega a empresa em sua defesa, a natureza da prestação dos serviços enquadrase no conceito de cessão de mãodeobra, uma vez que é prevista a manutenção de trabalhadores à disposição da contratante, em suas dependências, para a realização de serviços de natureza contínua, o que pode ser observado em diversas cláusulas do contrato. Outrossim, deixa claro que no período do débito, e consequentemente no período de vigência da Lei nº 9.129/1995, ou seja de 21/11/1995 a 29/04/1997, os serviços prestados pela empresa BJ SERVICES DO BRASIL LTDA não estavam relacionados à atividade fim da empresa Petrobras Petróleo Brasileiro S.A; tal fato pode ser constatado pelo objeto do contrato, ou seja, "prestação de serviços técnicos especializados de cimentação, restauração, estimulação e demais serviços constantes do Anexo B ..." em confronto com o disposto no Relatório Fiscal, de que a PETROBRAS PETRÓLEO BRASILEIRO S.A, "......é uma sociedade de economia mista, sob o controle da União e vinculada ao Ministério de Minas e Energias, cujo objeto é a pesquisa, a lavra, a refinação, o processamento e o transporte do petróleo e seus derivados". Fl. 1215DF CARF MF Processo nº 18471.001572/200891 Acórdão n.º 2201004.077 S2C2T1 Fl. 1.167 9 DO JULGAMENTO E RECURSO 9. O Lançamento foi julgado PROCEDENTE através da DecisãoNotificação nº 17.401.4/0846/2004, de 19/10/2004, fls. 821/836. Devidamente notificada a PETROBRAS em 26/10/2004 (fls. 837) e a BJ SERVICES DO BRASIL LTDA notificada em 26/10/2004 (fls. 838). 10. A PETROBRAS apresentou Recurso ao Conselho de Recursos da Previdência Social CRPS, em 23/11/2004 (fls. 847/855). A empresa contratada não apresentou recurso. DAS CONTRARAZÕES 11. Após a elaboração das ContraRazões, às fls. 862/866, o processo foi encaminhado ao CRPS. 12. A 2ª Câmara de Julgamento do CRPS, através Acórdão 0000518, de 13/05/2005 (fls. 869/873), decidiu anular a Decisão Notificação – DN, por unanimidade, determinando que fosse verificado se a prestadora de serviços teve fiscalização total no período abrangido pela NFLD ou se aderiu ao REFIS, em período concomitante com o lançamento fiscal da NFLD em apreço, e concluiu que a existência de uma das situações, fiscalização total, ou adesão ao REFIS por si só já levaria à constatação da improcedência da NFLD, pela ocorrência do "bis in idem", e que, caso não se verificasse nenhuma destas duas situações, deveria ser analisada a contabilidade da prestadora dos serviços para comprovar a regularidade de suas contribuições perante a Previdência Social, no período abrangido por esta NFLD, assegurando a existência do crédito imputado à Recorrente por solidariedade. 13. Inconformada com a Decisão, considerando que não houve vício insanável que acarretasse a nulidade da DN, a Secretaria da Receita Previdenciária interpôs Pedido de Revisão do Acórdão (fls. 875/879). 14. As empresas interessadas foram devidamente comunicadas do Acórdão assim como do Pedido de Revisão (fls. 880 e fls. 886), sendo concedido às mesmas, prazo Fl. 1216DF CARF MF Processo nº 18471.001572/200891 Acórdão n.º 2201004.077 S2C2T1 Fl. 1.168 10 para manifestação, o que acarretou o pronunciamento da PETROBRAS em 27/06/2005 (fls. 881/884). 15. O Pedido de Revisão NÃO FOI CONHECIDO pela 2ª Câmara de Julgamento, conforme Acórdão nº 0000049, de 31/01/2006, sob a alegação de que divergência de entendimento não é causa para revisão de julgados do CRPS (fls. 891/893). DO REINÍCIO DO CONTENCIOSO ADMINISTRATIVO 16. Primeiramente cumpre esclarecer que, no interregno do julgamento do pedido de revisão ao reinício do Contencioso Administrativo, o entendimento exarado pelo CRPS, à época, quanto à necessidade de exame da contabilidade do prestador do serviço a fim de constatar a existência ou não do crédito tributário, foi alterado pelo Conselho Pleno do CRPS, o qual exarou o Enunciado nº 30, editado pela Resolução nº 1, de 31/01/2007, publicada no DOU de 05/02/2007, passando a dispensar tal exigência: Em se tratando de responsabilidade solidária o fisco previdenciário tem a prerrogativa de constituir os créditos no tomador de serviços mesmo que não haja apuração prévia no prestador de serviços. 17. De acordo com a Resolução mencionada é necessária apenas a verificação acerca do prestador ter sido alvo de procedimento fiscal com exame da contabilidade no período de interesse. Caso positivo, incabível a lavratura do crédito, caso contrário, permanece a lavratura do mesmo. 18. Em atendimento ao determinado no Acórdão do CRPS nº 0000518, de 13/05/2005 (fls. 869/873), o Auditor Fiscal efetuou pesquisas nos sistemas informatizados da Secretaria da Receita Federal SRFB, fls. 922, sendo analisadas as informações disponíveis relativas à empresa contratada, constatandose que não houve ação fiscal com exame de contabilidade englobando o período referente ao lançamento em pauta, e que a empresa não aderiu ao parcelamento especial da Lei nº 9.964/2000 – REFIS, fls. 923, assim como ao parcelamento especial da lei nº 10684/2003 – PAES, fls. 924. Fl. 1217DF CARF MF Processo nº 18471.001572/200891 Acórdão n.º 2201004.077 S2C2T1 Fl. 1.169 11 19. Assim sendo, a Petrobras e a prestadora de serviços foram notificadas do Resultado da Diligência de 17/01/2008, fls. 925, assim como da reabertura do prazo de 30 (trinta) dias para manifestação, através da INTIMAÇÃO nº 770/2012 (Petrobrás – fls. 929) em 14/06/2012, fls. 931 e, através da INTIMAÇÃO nº 771/2012 (B J Services – fls. 930) em 15/06/2012, fls. 932, entretanto apenas a BJ SERVICES DO BRASIL LTDA se manifestou (processo apensado nº 10010.006923/071293). 3 – A decisão de piso manteve em parte o lançamento conforme ementa abaixo indicada: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/05/1995 a 31/12/1998 DECADÊNCIA PARCIAL. OCORRÊNCIA. O direito de a Seguridade e Social apurar e constituir seus créditos, no lançamento por homologação, extinguese após 5 anos, contados da ocorrência do fato gerador. CESSÃO DE MÃODEOBRA. CARACTERIZAÇÃO. A previsão contratual de colocação, à disposição do contratante, de segurados que realizem serviços de necessidade permanente, ainda que de forma intermitente, é fator essencial à configuração da cessão de mãodeobra. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. CESSÃO DE MÃODEOBRA. CRÉDITO PREVIDENCIÁRIO. A responsabilidade solidária não comporta benefício de ordem, podendo ser exigido o total do crédito constituído da empresa contratante, sem que haja apuração prévia no prestador de serviços artigo 220 do Decreto nº 3.048/99, c/c Fl. 1218DF CARF MF Processo nº 18471.001572/200891 Acórdão n.º 2201004.077 S2C2T1 Fl. 1.170 12 artigo 124, parágrafo único, do Código Tributário Nacional Enunciado 30 do CRPS. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte 4 – A Petrobras apresentou Recurso Voluntário às fls. 1.087/1.105 pugnando pelo cancelamento da autuação. 5 – É o relatório do necessário. Voto Conselheiro Marcelo Milton da Silva Risso Relator 6 O recurso voluntário é tempestivo e preenche os demais requisitos de admissibilidade. Portanto, dele conheço. 7 – Após análise pela DRJ reconhecendo a decadência parcial do crédito tributário com a aplicação da Súmula Vinculante nº 8 do E. STF ficou restando apenas para julgamento as competências 09/1998 e 12/1998 do presente lançamento. 8 – Essa matéria não é nova nessa C. Turma sendo que houve o julgamento no Ac. 2201003.412 j. em 07/02/2017 assim ementado: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/1998 a 31/12/1998 Fl. 1219DF CARF MF Processo nº 18471.001572/200891 Acórdão n.º 2201004.077 S2C2T1 Fl. 1.171 13 CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS MEDIANTE CESSÃO DE MÃODEOBRA. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA DO CONTRATANTE. NECESSIDADE DE COMPROVAÇÃO DE QUE PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS OCORREU MEDIANTE CESSÃO DE MÃODEOBRA É dever do Fisco, sob pena de ocorrência de vício material, a comprovação de que houve a prestação de serviço mediante cessão de mão de obra, para que haja responsabilidade solidária entre o contratante e o prestador de serviços pelas obrigações decorrentes da Lei de Custeio da Seguridade Social, não se aplicando, em qualquer hipótese, o benefício de ordem. Art. 31 da Lei n° 8.212/91, na redação dada pela Lei n° 9.032/95. 9 – No caso vou me ater ao reconhecimento da nulidade do presente lançamento baseado nos fundamentos do Voto no Ac. 2201003.412 ocasião em que votei pelo provimento de tal recurso do mesmo contribuinte em vista de serem casos similares com cessão de mão de obra. 10 – Em suas razões o I. Relator do voto vencedor assim discorre a respeito da matéria objeto do presente recurso no qual suas razões incorporo como fundamento de decidir do presente julgado, verbis: “Aponta o ínclito Relator que, no curso do processo administrativo tributário em que se discute o lançamento, o antigo Conselho de Recursos da Previdência Social, proferiu, em sede de recurso voluntário, a seguinte decisão (fls 156): "PREVIDENCÁRIO CUSTEIO Solidariedade decorrente de cessão de mãodeobra. Da cessão de mãodeobra. É necessário que o INSS aponte, desde o Relatório Fiscal, a forma como evidenciou a existência da cessão de obra. Da Solidariedade. É necessário que o INSS constate a existência do crédito previdenciário junto ao contribuinte (prestador dos serviços). Somente diante da não apresentação ou Fl. 1220DF CARF MF Processo nº 18471.001572/200891 Acórdão n.º 2201004.077 S2C2T1 Fl. 1.172 14 apresentação deficiente (pelo prestador dos serviços) da documentação contábil e trabalhista necessária a comprovar a extinção da obrigação previdenciária, poderia o INSS arbitrar, junto ao responsável solidário, as contribuições que entender devidas. Anular a DN." Perquirindo o voto condutor da decisão unânime, encontramos a seguinte motivação (fls. 158): Em recentes decisões está CaJ vem exigindo que o INSS caracterize a existência da cessão de mãodeobra, mesmo naquelas atividades arroladas na legislação, sendo oportuno verificarmos "parte" de manifestação do Sr. Presidente da 2ª CaJ/CRPS, AFPS Mário Humberto Cabus Moreira: "Todavia, assim como os serviços relacionados nos incisos 1 a IV, do § 41, do art. 31, da Lei n° 8.212191 (na redação atual), aqueles previstos no art. 219 do RPS devem ser demonstrados e caracterizados pelo Fisco como enquadráveis na definição legal, porque somente serão alcançados pela obrigação tributária da retenção, em consonância com a lei, se tais serviços forem realizados mediante cessão. O mesmo darseá em relação ao período em que vigia a obrigação solidária, no que tange ao referido enquadramento. A meu ver, sem ofensa aos princípios constitucionais tributários e, em especial, ao princípio da legalidade (CF/88, art. 5 1, II e art. 150, 1), a norma do RPS deve ser entendida como tendo caráter indicativo, regulação interpretativa tendente à fiel execução da lei, devendo sempre ser confrontada em face do conceito legal de cessão de mãodeobra, pois, exigir o cumprimento de uma obrigação tributária sem passar pelo crivo da definição legal, seria admitir obrigação tributária que não seja ex lege. A propósito, a atividade administrativa de lançamento requer a verificação da ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, como preceitua o CTN, em seu art. 142." (...) O Relatório Fiscal é vago ao se reportar a existência da cessão de mão de obra, descrevendo apenas que o objeto do contrato, sem especificar os motivos que levaram o INSS a constatar a existência da cessão de mãodeobra." Fl. 1221DF CARF MF Processo nº 18471.001572/200891 Acórdão n.º 2201004.077 S2C2T1 Fl. 1.173 15 (destaques não constam da decisão) Observo o mesmo vício no lançamento. Vejamos o teor do lançamento fiscal (fls. 30): "1 Referese o presente relatório ao débito, lançado através da Notificação Fiscal de Lançamento de Débito NFLD DEBCAD n° 35.490.4232, relativo a valores apurados por responsabilidade solidária decorrente de serviços executados mediante cessão de mãodeobra, prestados pela empresa PWR MISSION INDUSTRIA MECÂNICA LTDA, CNPJ: 42.409.2011000000, conforme contrato(s) n °:1110.2.002.979. 5 O débito compõese de: contribuição dos segurados empregados, calculada pela alíquota mínima à época de ocorrência do fato gerador, contribuição a cargo da empresa, destinada à Seguridade Social; contribuição para o financiamento da complementação das prestações por acidente de 40 trabalho — SAT até 00!1997, e para o financiamento dos beneficias concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho, incidentes sobre o total das remunerações pagas ou creditadas, no decorrer do mês, aos segurados empregados e trabalhadores avulsos, a partir de 0711997. (...) 5 — 0 débito referente ao presente contrato fora lançado, a menor, através da NFLD— Notificação Fiscal de Lançamento de Débito DEBCAD n ° 35.371.9145, de 0111112001, quando foi adotado erroneamente o parâmetro de quatorze por cento (14%) quando deveria ter sido aplicado o parâmetro de quarenta por cento ( 40%), conforme justifica o item 14 do presente relatório. Tal equívoco levou a que o débito lançado naquela ocasião, pela NFLD — 35.371.9145, espelhasse somente parte do valor que deveria ter sido lançado razão por que emitese a presente NFLD, retratando a diferença não lançada na época 6 — Assim, por ocasião da emissão da NFID original, de n ° 35.371.9145, fora verificado durante o desenvolvimento da ação fiscal que a empresa contratara com a empresa prestadora, identificada no item 1 deste, a execução de serviços Fl. 1222DF CARF MF Processo nº 18471.001572/200891 Acórdão n.º 2201004.077 S2C2T1 Fl. 1.174 16 mediante cessão de mãodeobra, em cumprimento ao(s) contratos) n °: 110.2.062.979, cujo(s) objeto(s) era(m): EXCUÇÃO DOS SERVIÇOS DE BOMBEAM.ENTO DE FLUIDOS DO INTERIOR DE POÇOS DE PETRÓLEO ATÉ A ESTAÇÃO COLETORA, EM 16 { POÇOS DE PETRÓLEO, UTILIZANDO BOMBEIO ELE! RICO CENTRIFUGO SUBMERSO, INCLUINDO DIMEZ~TSIONAlViENT0, ESPECIFICAÇÃO, FORNECIlir> 0, INSTALAÇÃO E REITRADA DOS CONJUNTOS DE BCS NOS POÇOS DE PETRÓLEO, BEM COMO A RESPONSABILIDADE TÉNCICA PELA. CONTINUIDADEOPERACIONAL DOA EQUIPAMENTOS INSTALADOS. Ocorre que a empresa contratante não comprovou o cumprimento das obrigaçóes da empresa contratada para com a Seguridade Social, ou seja, não houve a devida comprovação, através de guias de recolhimento específicas para o serviço contratado, nem a apresentação de folhas de pagamentos específicas dos segurados empregaáos alocados no serviço." (novamente os destaques não constam do original) Patente a ausência de comprovação da contratação da prestação de serviços, ensejadora da responsabilidade solidária, mediante cessão de mãodeobra. Como consequência da decisão do CRPS foi anulada a DN, decisão de primeiro grau, e recomeçado o processo administrativo com elaboração de novo relatório fiscal. Atentemos para o teor da decisão proferida pelo CRPS (fls. 158): "Assim entendo que o INSS, além de caracterizar a existência da cessão de mão deobra, desde o Relatório Fiscal (complementar), deve apresentar elementos, com base na contabilidade dos contribuintes, que justifique o procedimento adotado. Caso seja disponibilizada pelo contribuinte a documentação contábil referente às contribuições lançadas, deverá ela ser analisada com o intuito de se comprovar a existência do crédito lançado e seu real valor. CONCLUSÃO ` Fl. 1223DF CARF MF Processo nº 18471.001572/200891 Acórdão n.º 2201004.077 S2C2T1 Fl. 1.175 17 Face ao exposto voto no sentido de ANULAR A DECISAO NOTIFICAÇAO N.° 17.401.4/065512003, fls. 77184, determinando que se observe o que foi exposto no voto cima." (destaquei) Em que pese a total falta de técnica jurídica dos membros do Conselho de Recursos da Previdência Social posto que não houve nenhum vício na decisão recorrida e sim no lançamento tributário como sobejamente demonstrado pelos Conselheiros que se manifestaram resta claro que o comando do Colegiado foi no sentido da elaboração de novo relatório fiscal do qual constasse a comprovação da prestação de serviços mediante cessão de mãodeobra além de elementos que permitissem a constituição do crédito por responsabilidade solidária do contratante. Forçoso reconhecer que tal decisão expressa, inequivocamente, a constatação de que o lançamento tributário padecia de vício em sua constituição. Qualquer outra inferência invalidaria o comando expresso, constante do decisum, do retorno do procedimento tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária ao passo inicial, ou seja, a busca pelo Fisco dos elementos comprobatórios e por isso constitutivos, da obrigação tributária decorrente da prática, pelo sujeito passivo, dos fatos eleitos pelo legislador como fato imponíveis. Imperioso ressaltar que embora este Conselheiro discorde totalmente da necessidade de comprovação pelo Fisco da existência de crédito, ou impossibilidade de constituição deste no devedor principal, posto que tal entendimento atingiria mortalmente o instituto da responsabilidade solidária como posta pelo artigo 31 da Lei nº 8.212/91, vigente à época do lançamento a questão do lançamento por responsabilidade solidária, por ser questão relativa ao mérito da discussão, não será por mim aqui enfrentada, vez que entendo que as questões relativas ao lançamento tributário são preliminares e prejudiciais à análise do mérito. Voltando a questão do lançamento, uma vez anulada a DN, foi iniciado novo procedimento fiscal visando a elaboração de relatório fiscal complementar Fl. 1224DF CARF MF Processo nº 18471.001572/200891 Acórdão n.º 2201004.077 S2C2T1 Fl. 1.176 18 consoante se observa do despacho do Serviço do Contencioso Administrativo da Delegacia da Receita Previdenciária RJ Centro, fls. 190 e 195.” 11 – Às fls. 895 encontrase o relatório da diligência da RFB em cumprimento com os termos determinados pela decisão da CRPS: 12 – Prosseguindo com os fundamentos do Ac. 2201003.412: Patente a inovação do argumentos do Fisco no Relatório Fiscal Complementar. Tal inovação significa na prática a realização de novo lançamento tributário, posto que a comprovação da ocorrência do fato gerador ensejador da obrigação Fl. 1225DF CARF MF Processo nº 18471.001572/200891 Acórdão n.º 2201004.077 S2C2T1 Fl. 1.177 19 tributária no caso em tela a contratação de empresa prestadora de serviços mediante cessão de mãodeobra só restou comprovada por meio do mencionado relatório aditivo. Inegável o vício esculpido no lançamento original. Necessária a produção de novo procedimento administrativo para a constituição do crédito tributário. De fato, a decisão do CRPS, átecnica com visto, embora propugnasse pela nulidade da DN, motivouse pela nulidade do lançamento tributário por ausência de motivação, ou seja, falta de comprovação da ocorrência do fato gerador, da verificação da ocorrência deste. Tal conclusão decorre da mera leitura da decisão acostada às folhas 156, acima transcrita e isso, porque, como sabido, cabe ao Fisco, nos termos do artigo 142 do Código Tributário Nacional, por meio de procedimento do lançamento de ofício, constituir o crédito tributário, revisando nos casos de auto lançamento, os procedimentos do sujeito passivo. Para tanto, ele deve, após verificar a ocorrência do fato gerador, identificar o sujeito passivo, determinar a matéria tributável, quantificar o tributo devido e, quando for o caso, aplicar a penalidade cabível. Por ser atividade vinculada e obrigatória, é dever da autoridade fiscal empreender esforços na determinação do critério material da regra matriz de incidência tributária, base de cálculo do tributo e alíquota aplicável, apropriandonos dos ensinamentos de Paulo de Barros Carvalho. A mensuração das grandezas tributárias já deveria ter sido corretamente efetuada quando da lavratura do auto de infração. Podese até compreender a impossibilidade do acerto em razão da ausência de comprovação por parte do contribuinte, o que, como dito, não se verificou no caso concreto. Ao reverso, o que se observa é a total ausência caracterização de que a a prestação de serviços contratada se deu mediante cessão de mãodeobra. Não obstante a omissão do Autoridade Lançadora no tocante a comprovação do fato escolhido pelo legislador para ser ensejador da obrigação tributária, mister ressaltar com tintas fortes que a Administração Tributária foi clara em determinar Fl. 1226DF CARF MF Processo nº 18471.001572/200891 Acórdão n.º 2201004.077 S2C2T1 Fl. 1.178 20 por meio de um ato que integra a legislação tributária como se deve realizar caracterizar a cessão de mãodeobra, posto que tal caracterização se encontram no Regulamento da Previdência Social e nos atos normativos do INSS. Tal rito foi simplesmente ignorado pelo Auditor Fiscal responsável pelo lançamento. O Fisco não cumpriu seu dever, ou seja, deixou de comprovar suas alegações, se absteve de demonstrar a exatidão do lançamento realizado. Mister recordar que o Decreto nº 70.235/72 é claro ao exigir em seu artigo 9º: "Art. 9o A exigência do crédito tributário e a aplicação de penalidade isolada serão formalizados em autos de infração ou notificações de lançamento, distintos para cada tributo ou penalidade, os quais deverão estar instruídos com todos os termos, depoimentos, laudos e demais elementos de prova indispensáveis à comprovação do ilícito" (destaques nossos) Forçoso reconhecer o vício no procedimento do lançamento tributário. Como ato administrativo que é, o auto de infração não pode ser irregular. Celso A Bandeira de Melo (Curso de Direito Administrativo, 29ª ed., p.478), assim comenta sobre a irregularidade dos atos administrativos: ATOS IRREGULARES SÃO AQUELES PADECENTES DE VÍCIOS MATERIAIS IRRELEVANTES, RECONHECÍVEIS DE PLANO, OU INCURSOS EM FORMALIZAÇÃO DEFEITUOSA CONSISTENTE EM TRANSGRESSÃO DE NORMAS CUJO REAL ALCANCE É MERAMENTE O DE IMPOR A PADRONIZAÇÃO INTERNA DOS INSTRUMENTOS PELOS QUAIS SE VEICULAM OS ATOS ADMINISTRATIVOS Verificando a irregularidade do ato administrativo, deve a Administração de ofício regularizálo, em face do princípio da autotutela. Nesse sentido, a Lei 9.784, de 1999, é clara ao determinar que: "Art. 53. A Administração deve anular seus próprios atos, quando eivados de vício de legalidade, e pode revogálos por motivo de conveniência ou oportunidade, respeitados os direitos adquiridos. (...) Fl. 1227DF CARF MF Processo nº 18471.001572/200891 Acórdão n.º 2201004.077 S2C2T1 Fl. 1.179 21 Art. 55. Em decisão na qual se evidencie não acarretarem lesão ao interesse público nem prejuízo a terceiros, os atos que apresentarem defeitos sanáveis poderão ser convalidados pela própria Administração." (grifos nossos) Observase que a Lei que regula o processo administrativo federal cinde as irregularidades do ato segundo a gravidade do mesmo. Atos portadores de defeitos sanáveis, meras irregularidades, poderão ser convalidados. Já os atos produzidos com ofensa a legalidade devem ser anulados. Sobre o tema, a Professora Maria Sylvia Zanella Di Pietro (Direito Administrativo, 14ª ed, p. 234), titular da inesquecível Faculdade de Direito do Largo São Francisco, leciona que convalidação ou saneamento "o ato administrativo pelo qual qual é suprido o vício existente em um ato ilegal, com efeitos retroativos à data em que este foi praticado". Além disso, a doutrinadora explicita que nem sempre é possível a convalidação, pois depende do tipo de vício que atinge o ato. Os defeitos atinentes à incompetência quanto à matéria, quanto ao motivo e finalidade, e ainda quanto ao objeto e conteúdo não são passíveis de convalidação. Especificamente quanto a impossibilidade de convalidação, esclarece a Professora: "O objeto ou conteúdo ilegal não pode ser objeto de convalidação." O remédio que deve ser tomado pela Administração é o previsto no artigo 53 da Lei nº 9.784/99, acima transcrito,: a anulação. Novamente, recordemos os ensinamentos de Maria Sylvia: "Quando o vício seja sanável ou convalidável, caracterizase hipótese de nulidade relativa; caso contrário, a nulidade é absoluta." Sobre o tema, devemos lembrar que as nulidades, absoluta ou relativa, produzem efeitos distintos para a Administração Tributária em razão do tempo que a lei determina para a correção do lançamento tributário viciado. Se este for Fl. 1228DF CARF MF Processo nº 18471.001572/200891 Acórdão n.º 2201004.077 S2C2T1 Fl. 1.180 22 convalidável, por eivado de vício formal, o saneamento deve ser realizado em 5 anos após o trânsito em julgado da decisão que anular o ato administrativo. Já o lançamento maculado por nulidade absoluta, deve ser refeito no prazo decadencial previsto no CTN, seja o do parágrafo 4º do artigo 150, seja o do inciso I do artigo 173. Tal distinção nos obriga a perquirir qual o vício existente no caso concreto. Para nós a distinção é simples e fundada no texto legal. Como ensina Maria Sylvia Zanela Di Pietro, lançamentos que contenham conteúdo ilegal não são passíveis de convalidação, pois a nulidade que ostentam é absoluta. Nesse sentido, qualquer ofensa às determinações do artigo 142 do CTN acima reproduzido, explicitados por meio do artigo 9ª do Decreto nº 70.235/72, viciam o conteúdo do ato, pois são requisitos do lançamento, atributos intrínsecos ao procedimento de constituição do crédito tributário. A lição de Paulo de Barros Carvalho corrobora a afirmação. Assevera o Professor Emérito (Curso de Direito Tributário, 14ª ed., p. 415): "O ato administrativo de lançamento será declarado nulo de pleno direito, se o motivo nele inscrito a ocorrência do fato jurídico tributário, por exemplo inexistiu. Nulo será, também, na hipótese de ser indicado sujeito passivo diferente daquele que deve integrar a obrigação tributária. Igualmente é nulo o lançamento de IR (pessoa física), lavrado antes do termo final do prazo legalmente estabelecido para que o contribuinte apresente sua declaração de rendimentos e bens. Para a nulidade se requer vício profundo, que comprometa viceralmente o ato administrativo. Seus efeitos, em decorrência, são 'ex tunc', retroagindo, linguisticamente, à data do correspondente evento. A anulação por outro lado, pressupõe invalidade iminente, que necessita de comprovação, a qual se objetiva em procedimento contraditório. Seus efeitos são 'ex nunc', começando a contar do ato que declara a nulidade" Continua o doutrinador: Fl. 1229DF CARF MF Processo nº 18471.001572/200891 Acórdão n.º 2201004.077 S2C2T1 Fl. 1.181 23 "(...) não importa que o ato administrativo haja sido celebrado e que nele conjuguem os elementos tidos como substanciais. Insta que seus requisitos estejam conformados às prescrições da lei" (grifamos) No caso em apreço, observamos que não comprovou o Fisco a existência da contratação de serviços prestados mediante cessão de mãodeobra. Como visto é dever do Fisco anexar ao auto de infração o elementos de prova que embasam a constituição do crédito tributário. Tal comprovação não pode ser realizada a posteriori, consoante expressa vedação do parágrafo 3º do artigo 18 do Decreto nº 70.235/72, o que impede de modo absoluto a conversão em diligência nos casos de novação do lançamento, explicitando se tratar de novo lançamento, complementar ao primeiro. Nesse sentido, forçoso reconhecer que o relatório fiscal complementar, por inovar no lançamento, ou seja, por de fato realizar novo lançamento posto que veio ao mundo jurídico para reparar vício material, ou seja, vício insanável, deve respeitar os prazos previstos em lei complementar para que o Estado possa constituir seu direito de crédito. Reafirmo. O lançamento representado pela NFLD constante de fls. 2, consubstancia pelo Relatório Fiscal de folhas 29, foi tacitamente reconhecido como nulo pelo CRPS que ao determinar a nulidade da DN e a elaboração de novo relatório fiscal que explicitasse a ocorrência do fato gerador ensejador da responsabilidade solidária prevista no artigo 31 da Lei nº 8.212/91, vigente à época ordenou que se elaborasse novo lançamento consubstanciado em provas da existência da contratação de serviços mediante cessão de mãodeobra. Ocorre que tal lançamento repito, consubstanciado no relatório fiscal aditivo relativo às competências 09/98 a 12/98 se aperfeiçoou com a ciência do devedor em 28 de junho de 2007, fora portanto do lustro permitido pelo artigo 173, inciso I do CTN. Fl. 1230DF CARF MF Processo nº 18471.001572/200891 Acórdão n.º 2201004.077 S2C2T1 Fl. 1.182 24 Logo, extinto o direito de crédito do Fisco quando do lançamento tributário representado pelo relatório fiscal aditivo. Por via de consequência, voto por dar provimento ao recurso voluntário reconhecendo a nulidade do lançamento tributário arguída, pela ocorrência de vício material, em face da ausência de comprovação da ocorrência do fato gerador ensejador da obrigação tributária.” 13 – Em vista da referida nulidade indicada alhures, entendo desnecessário a análise dos demais termos apresentados em ambos os recursos voluntários. Patente a inovação do argumentos do Fisco no Relatório Fiscal Complementar. Tal inovação significa na prática a realização de novo lançamento tributário, posto que a comprovação da ocorrência do fato gerador ensejador da obrigação tributária no caso em tela a contratação de empresa prestadora de serviços mediante cessão de mãodeobra só restou comprovada por meio do mencionado relatório aditivo. Inegável o vício esculpido no lançamento original. Necessária a produção de novo procedimento administrativo para a constituição do crédito tributário. De fato, a decisão do CRPS, átecnica com visto, embora propugnasse pela nulidade da DN, motivouse pela nulidade do lançamento tributário por ausência de motivação, ou seja, falta de comprovação da ocorrência do fato gerador, da verificação da ocorrência deste. Tal conclusão decorre da mera leitura da decisão acostada às folhas 156, acima transcrita e isso, porque, como sabido, cabe ao Fisco, nos termos do artigo 142 do Código Tributário Nacional, por meio de procedimento do lançamento de ofício, constituir o crédito tributário, revisando nos casos de auto lançamento, os procedimentos do sujeito passivo. Para tanto, ele deve, após verificar a ocorrência do fato gerador, identificar o sujeito passivo, determinar a matéria tributável, quantificar o tributo devido e, quando for o caso, aplicar a penalidade cabível. Fl. 1231DF CARF MF Processo nº 18471.001572/200891 Acórdão n.º 2201004.077 S2C2T1 Fl. 1.183 25 Por ser atividade vinculada e obrigatória, é dever da autoridade fiscal empreender esforços na determinação do critério material da regra matriz de incidência tributária, base de cálculo do tributo e alíquota aplicável, apropriandonos dos ensinamentos de Paulo de Barros Carvalho. A mensuração das grandezas tributárias já deveria ter sido corretamente efetuada quando da lavratura do auto de infração. Podese até compreender a impossibilidade do acerto em razão da ausência de comprovação por parte do contribuinte, o que, como dito, não se verificou no caso concreto. Ao reverso, o que se observa é a total ausência caracterização de que a a prestação de serviços contratada se deu mediante cessão de mãodeobra. Não obstante a omissão do Autoridade Lançadora no tocante a comprovação do fato escolhido pelo legislador para ser ensejador da obrigação tributária, mister ressaltar com tintas fortes que a Administração Tributária foi clara em determinar por meio de um ato que integra a legislação tributária como se deve realizar caracterizar a cessão de mãodeobra, posto que tal caracterização se encontram no Regulamento da Previdência Social e nos atos normativos do INSS. Tal rito foi simplesmente ignorado pelo Auditor Fiscal responsável pelo lançamento. O Fisco não cumpriu seu dever, ou seja, deixou de comprovar suas alegações, se absteve de demonstrar a exatidão do lançamento realizado. Mister recordar que o Decreto nº 70.235/72 é claro ao exigir em seu artigo 9º: "Art. 9o A exigência do crédito tributário e a aplicação de penalidade isolada serão formalizados em autos de infração ou notificações de lançamento, distintos para cada tributo ou penalidade, os quais deverão estar instruídos com todos os termos, depoimentos, laudos e demais elementos de prova indispensáveis à comprovação do ilícito" (destaques nossos) Forçoso reconhecer o vício no procedimento do lançamento tributário. Como ato administrativo que é, o auto de infração não pode ser irregular. Celso A Bandeira de Melo (Curso de Direito Administrativo, 29ª ed., p.478), assim comenta sobre a irregularidade dos atos administrativos: Fl. 1232DF CARF MF Processo nº 18471.001572/200891 Acórdão n.º 2201004.077 S2C2T1 Fl. 1.184 26 ATOS IRREGULARES SÃO AQUELES PADECENTES DE VÍCIOS MATERIAIS IRRELEVANTES, RECONHECÍVEIS DE PLANO, OU INCURSOS EM FORMALIZAÇÃO DEFEITUOSA CONSISTENTE EM TRANSGRESSÃO DE NORMAS CUJO REAL ALCANCE É MERAMENTE O DE IMPOR A PADRONIZAÇÃO INTERNA DOS INSTRUMENTOS PELOS QUAIS SE VEICULAM OS ATOS ADMINISTRATIVOS Verificando a irregularidade do ato administrativo, deve a Administração de ofício regularizálo, em face do princípio da autotutela. Nesse sentido, a Lei 9.784, de 1999, é clara ao determinar que: "Art. 53. A Administração deve anular seus próprios atos, quando eivados de vício de legalidade, e pode revogálos por motivo de conveniência ou oportunidade, respeitados os direitos adquiridos. (...) Art. 55. Em decisão na qual se evidencie não acarretarem lesão ao interesse público nem prejuízo a terceiros, os atos que apresentarem defeitos sanáveis poderão ser convalidados pela própria Administração." (grifos nossos) Observase que a Lei que regula o processo administrativo federal cinde as irregularidades do ato segundo a gravidade do mesmo. Atos portadores de defeitos sanáveis, meras irregularidades, poderão ser convalidados. Já os atos produzidos com ofensa a legalidade devem ser anulados. Sobre o tema, a Professora Maria Sylvia Zanella Di Pietro (Direito Administrativo, 14ª ed, p. 234), titular da inesquecível Faculdade de Direito do Largo São Francisco, leciona que convalidação ou saneamento "o ato administrativo pelo qual qual é suprido o vício existente em um ato ilegal, com efeitos retroativos à data em que este foi praticado". Além disso, a doutrinadora explicita que nem sempre é possível a convalidação, pois depende do tipo de vício que atinge o ato. Fl. 1233DF CARF MF Processo nº 18471.001572/200891 Acórdão n.º 2201004.077 S2C2T1 Fl. 1.185 27 Os defeitos atinentes à incompetência quanto à matéria, quanto ao motivo e finalidade, e ainda quanto ao objeto e conteúdo não são passíveis de convalidação. Especificamente quanto a impossibilidade de convalidação, esclarece a Professora: "O objeto ou conteúdo ilegal não pode ser objeto de convalidação." O remédio que deve ser tomado pela Administração é o previsto no artigo 53 da Lei nº 9.784/99, acima transcrito,: a anulação. Novamente, recordemos os ensinamentos de Maria Sylvia: "Quando o vício seja sanável ou convalidável, caracterizase hipótese de nulidade relativa; caso contrário, a nulidade é absoluta." Sobre o tema, devemos lembrar que as nulidades, absoluta ou relativa, produzem efeitos distintos para a Administração Tributária em razão do tempo que a lei determina para a correção do lançamento tributário viciado. Se este for convalidável, por eivado de vício formal, o saneamento deve ser realizado em 5 anos após o trânsito em julgado da decisão que anular o ato administrativo. Já o lançamento maculado por nulidade absoluta, deve ser refeito no prazo decadencial previsto no CTN, seja o do parágrafo 4º do artigo 150, seja o do inciso I do artigo 173. Tal distinção nos obriga a perquirir qual o vício existente no caso concreto. Para nós a distinção é simples e fundada no texto legal. Como ensina Maria Sylvia Zanela Di Pietro, lançamentos que contenham conteúdo ilegal não são passíveis de convalidação, pois a nulidade que ostentam é absoluta. Nesse sentido, qualquer ofensa às determinações do artigo 142 do CTN acima reproduzido, explicitados por meio do artigo 9ª do Decreto nº 70.235/72, viciam o conteúdo do ato, pois são requisitos do lançamento, atributos intrínsecos ao procedimento de constituição do crédito tributário. A lição de Paulo de Barros Carvalho corrobora a afirmação. Assevera o Professor Emérito (Curso de Direito Tributário, 14ª ed., p. 415): Fl. 1234DF CARF MF Processo nº 18471.001572/200891 Acórdão n.º 2201004.077 S2C2T1 Fl. 1.186 28 "O ato administrativo de lançamento será declarado nulo de pleno direito, se o motivo nele inscrito a ocorrência do fato jurídico tributário, por exemplo inexistiu. Nulo será, também, na hipótese de ser indicado sujeito passivo diferente daquele que deve integrar a obrigação tributária. Igualmente é nulo o lançamento de IR (pessoa física), lavrado antes do termo final do prazo legalmente estabelecido para que o contribuinte apresente sua declaração de rendimentos e bens. Para a nulidade se requer vício profundo, que comprometa viceralmente o ato administrativo. Seus efeitos, em decorrência, são 'ex tunc', retroagindo, linguisticamente, à data do correspondente evento. A anulação por outro lado, pressupõe invalidade iminente, que necessita de comprovação, a qual se objetiva em procedimento contraditório. Seus efeitos são 'ex nunc', começando a contar do ato que declara a nulidade" Continua o doutrinador: "(...) não importa que o ato administrativo haja sido celebrado e que nele conjuguem os elementos tidos como substanciais. Insta que seus requisitos estejam conformados às prescrições da lei" (grifamos) No caso em apreço, observamos que não comprovou o Fisco a existência da contratação de serviços prestados mediante cessão de mãodeobra. Como visto é dever do Fisco anexar ao auto de infração o elementos de prova que embasam a constituição do crédito tributário. Tal comprovação não pode ser realizada a posteriori, consoante expressa vedação do parágrafo 3º do artigo 18 do Decreto nº 70.235/72, o que impede de modo absoluto a conversão em diligência nos casos de novação do lançamento, explicitando se tratar de novo lançamento, complementar ao primeiro. Nesse sentido, forçoso reconhecer que o relatório fiscal complementar, por inovar no lançamento, ou seja, por de fato realizar novo lançamento posto que veio ao mundo jurídico para reparar vício material, ou seja, vício insanável, deve Fl. 1235DF CARF MF Processo nº 18471.001572/200891 Acórdão n.º 2201004.077 S2C2T1 Fl. 1.187 29 respeitar os prazos previstos em lei complementar para que o Estado possa constituir seu direito de crédito. Reafirmo. O lançamento representado pela NFLD constante de fls. 2, consubstancia pelo Relatório Fiscal de folhas 29, foi tacitamente reconhecido como nulo pelo CRPS que ao determinar a nulidade da DN e a elaboração de novo relatório fiscal que explicitasse a ocorrência do fato gerador ensejador da responsabilidade solidária prevista no artigo 31 da Lei nº 8.212/91, vigente à época ordenou que se elaborasse novo lançamento consubstanciado em provas da existência da contratação de serviços mediante cessão de mãodeobra. Ocorre que tal lançamento repito, consubstanciado no relatório fiscal aditivo relativo às competências 09/98 a 12/98 se aperfeiçoou com a ciência do devedor em 28 de junho de 2007, fora portanto do lustro permitido pelo artigo 173, inciso I do CTN. Logo, extinto o direito de crédito do Fisco quando do lançamento tributário representado pelo relatório fiscal aditivo. Por via de consequência, voto por dar provimento ao recurso voluntário reconhecendo a nulidade do lançamento tributário arguída, pela ocorrência de vício material, em face da ausência de comprovação da ocorrência do fato gerador ensejador da obrigação tributária.” Conclusão 14 Diante do exposto, conheço do recurso e no mérito dou provimento para reconhecer a nulidade do lançamento tributário por vício material em face da ausência de comprovação da ocorrência do fato gerador. (assinado digitalmente) Marcelo Milton da Silva Risso Relator Fl. 1236DF CARF MF Processo nº 18471.001572/200891 Acórdão n.º 2201004.077 S2C2T1 Fl. 1.188 30 Fl. 1237DF CARF MF
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Numero do processo: 13888.916070/2011-56
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Dec 13 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Fri Feb 09 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Data do Fato Gerador: 31/03/2002
RECURSO ESPECIAL DE DIVERGÊNCIA. ADMISSIBILIDADE.
A admissibilidade do recurso especial de divergência está condicionada à demonstração de que outro Colegiado do CARF ou dos extintos Conselhos de Contribuintes, julgando matéria similar, tenha interpretado a mesma legislação de maneira diversa da assentada no acórdão recorrido.
Conseqüentemente, não há que se falar divergência jurisprudencial, quando estão em confronto situações diversas, que atraem incidências específicas, cada qual regida por legislação própria.
Da mesma forma, se os acórdãos apontados como paradigma só demonstram divergência com relação a um dos fundamentos assentados no acórdão recorrido e o outro fundamento, por si só, é suficiente para a manutenção do decisum, não há como se considerar demonstrada a necessária divergência de interpretação.
Recurso Especial do Contribuinte não Conhecido.
Numero da decisão: 9303-006.172
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Especial.
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em Exercício e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Charles Mayer de Castro Souza (suplente convocado), Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire (suplente convocado), Valcir Gassen (suplente convocado), Vanessa Marini Cecconello, Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente em exercício).
Nome do relator: RODRIGO DA COSTA POSSAS
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PAGAMENTO INDEVIDO. COMPROVAÇÃO. Recorrente FÊNIX EMPREENDIMENTOS S.A. Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Data do Fato Gerador: 31/03/2002 RECURSO ESPECIAL DE DIVERGÊNCIA. ADMISSIBILIDADE. A admissibilidade do recurso especial de divergência está condicionada à demonstração de que outro Colegiado do CARF ou dos extintos Conselhos de Contribuintes, julgando matéria similar, tenha interpretado a mesma legislação de maneira diversa da assentada no acórdão recorrido. Conseqüentemente, não há que se falar divergência jurisprudencial, quando estão em confronto situações diversas, que atraem incidências específicas, cada qual regida por legislação própria. Da mesma forma, se os acórdãos apontados como paradigma só demonstram divergência com relação a um dos fundamentos assentados no acórdão recorrido e o outro fundamento, por si só, é suficiente para a manutenção do decisum, não há como se considerar demonstrada a necessária divergência de interpretação. Recurso Especial do Contribuinte não Conhecido. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Especial. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em Exercício e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Charles Mayer de Castro Souza (suplente convocado), Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire (suplente convocado), Valcir Gassen (suplente convocado), Vanessa Marini Cecconello, Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente em exercício). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 88 8. 91 60 70 /2 01 1- 56 Fl. 164DF CARF MF Processo nº 13888.916070/201156 Acórdão n.º 9303006.172 CSRFT3 Fl. 3 2 Relatório Tratase de Recurso Especial de divergência interposto pela Contribuinte com fundamento nos artigos 64, inciso II, 67 e seguintes do Anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 256/09, contra ao Acórdão nº 3802002.838, que possui a seguinte ementa: ASSUNTO: Contribuição para o PIS/Pasep Data do Fato Gerador: 31/03/2002 PIS. BASE DE CÁLCULO. INCONSTITUCIONALIDADE DO § 1º DO ARTIGO 3º DA LEI Nº 9.718, DE 1998, QUE AMPLIAVA O CONCEITO DE FATURAMENTO. NÃO INCIDÊNCIA DA CONTRIBUIÇÃO SOBRE RECEITAS NÃO COMPREENDIDAS NO CONCEITO DE FATURAMENTO ESTABELECIDO PELA CONSTITUIÇÃO FEDERAL PREVIAMENTE À PUBLICAÇÃO DA EC Nº 20/98. A base de cálculo do PIS e da COFINS é o faturamento, assim compreendido a receita bruta das vendas de mercadorias, de mercadorias e serviços e de serviços de qualquer natureza. Inadmissível o conceito ampliado de faturamento contido no § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98, uma vez que referido dispositivo foi declarado inconstitucional pelo plenário do Supremo Tribunal Federal. Diante disso, não poderão integrar a base de cálculo da contribuição as receitas não compreendidas no conceito de faturamento previsto no art. 195, I, “b”, na redação originária da Constituição Federal de 1988, previamente à publicação da Emenda Constitucional no 20, de 1998. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do Fato Gerador: 31/03/2002 PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. DIREITO MATERIAL NÃO DEMONSTRADO. RECURSO NÃO PROVIDO. Realidade em que o sujeito passivo, embora abrigado, em tese, pela inconstitucionalidade do § 1o do artigo 3o da Lei no 9.718/98, não demonstrou nos autos o alegado recolhimento indevido, requisito indispensável ao gozo do direito à restituição previsto no inciso I do artigo 165 do Código Tributário Nacional. A não comprovação, portanto, do indébito, impede seja reconhecido o direito à restituição pleiteada. Recurso a que se nega provimento". Não conformada com tal decisão a Contribuinte interpôs o presente recurso. Visando comprovar o dissenso jurisprudencial apontou como paradigmas os Acórdãos nºs 3302002.226 e 330201.748. Mediante despacho de admissibilidade do Presidente da Segunda Câmara da Terceira Seção de Julgamento do CARF foi dado seguimento ao recurso. Fl. 165DF CARF MF Processo nº 13888.916070/201156 Acórdão n.º 9303006.172 CSRFT3 Fl. 4 3 Devidamente cientificada, a Fazenda Nacional apresentou contrarrazões nas quais requer o nãoconhecimento do recurso especial interposto pela Contribuinte. Alternativamente, requer, no mérito, que seja negado provimento ao recurso, mantendose o acórdão proferido pela eg. Turma a quo por seus próprios fundamentos. É o relatório. Voto Conselheiro Rodrigo da Costa Pôssas, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 9303006.142, de 13/12/2017, proferido no julgamento do processo 13888.916042/201139, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 9303006.142): "O Recurso foi apresentado com observância do prazo previsto, restando contudo investigar adequadamente o atendimento aos demais pressupostos de admissibilidade, prerrogativa, em última análise, da composição plenária da Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, a qual tem competência para não conhecer de recurso especiais nos quais não estejam presentes os pressupostos de admissibilidade respectivos. Primeiramente, se faz necessário relembrar e reiterar que a interposição de Recurso Especial junto à Câmara Superior de Recursos Fiscais, ao contrário do Recurso Voluntário, é de cognição restrita, limitada à demonstração de divergência jurisprudencial, além da necessidade de atendimento a diversos outros pressupostos, estabelecidos no artigo 67 do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 09 de junho de 2015. Por isso mesmo, essa modalidade de apelo é chamada de Recurso Especial de Divergência e tem como objetivo a uniformização de eventual dissídio jurisprudencial, verificado entre as diversas Turmas do CARF. Neste passo, ao julgar o Recurso Especial de Divergência, a Câmara Superior de Recursos Fiscais não constitui uma Terceira Instância, mas sim a Instância Especial, responsável pela pacificação dos conflitos interpretativos e, conseqüentemente, pela garantia da segurança jurídica dos conflitos. Após essa breve introdução, passemos, então, ao exame de admissibilidade do Recurso Especial. A divergência suscitada pela Contribuinte em razão do acórdão recorrido ter decidido que o Recorrente não teria demonstrado nos autos o recolhimento indevido, pois apesar de ter acostado documentos, deixou de retificar a DCTF e o DACON, sendo que este último seria imprescindível para se confirmar a alegada inclusão indevida de receitas não tributáveis, na base de cálculo da contribuição em questão. Verificase que o voto condutor da decisão recorrida, o recurso voluntário não mereceu provimento sob o fundamento de que: Fl. 166DF CARF MF Processo nº 13888.916070/201156 Acórdão n.º 9303006.172 CSRFT3 Fl. 5 4 "Agora, além dos documentos acima citados, a suplicante acosta aos autos cópias das folhas do Livro Razão inerentes à contabilização das receitas financeiras do período (ver fls. 80/81). Todavia, permanece sem apresentar a DCTF retificadora, o mesmo podendo ser dito em relação à DIPJ retificadora e ao DACON retificador. Ou seja, mesmo considerando a possibilidade de retificação de ofício da DCTF por parte da autoridade administrativa – acaso demonstrada a legitimidade da correção dos valores declarados – , entendimento que esta Turma tem adotado em muitos de seus julgados, não se pode olvidar da necessidade de apresentação dos documentos comprobatórios do reclamado indébito, dentre os quais o DACON retificador, imprescindível para verificar se, na base de cálculo da contribuição, foram originalmente consideradas as receitas financeiras do sujeito passivo, fonte do direito creditório reclamado. Sem a devida comprovação não há como afirmar que o crédito reclamado é indevido, ainda que admitidas as novas provas acostadas aos autos (Livro Razão) em homenagem ao princípio da efetividade do processo, que tem como norte um processo menos formalista, que deságua na busca pela verdade material. Mas esta há que ser harmonizada com a segurança e a celeridade exigidas nas lides administrativas, não se podendo transferir para o Fisco o ônus de comprovar o direito creditório alegado, que é do sujeito passivo, a teor do disposto no artigo 333, inciso I, do CPC". Como se observa, a decisão recorrida, fundamentou que a Contribuinte não comprovou o direito ao crédito reclamado, se desincumbiu do ônus probatório consistente em demonstrar o seu direito creditório. Isto é, não comprovou que houve erro ou pagamento a maior hábil a gerar o indébito alegado. Por outro lado, o acórdão paradigma nº 330201748, analisou tão somente a questão relativa a necessidade de retificação da DCTF em momento anterior à apresentação da DCOMP. Além disso, naquele caso o Sujeito Passivo providenciou a retificação da DCTF, circunstância que não se verifica no presente caso. Transcrevo parte do aresto: “Como relatado, a empresa Recorrente apurou a existência de pagamento indevido de Cofins e o utilizou para compensação de débito seu, apresentando a competente PER/DCOMP sem, contudo, efetuar a retificação da DCTF anteriormente apresentada. Corretamente, a DRF verificou que o valor do pagamento (Darfs) informado pela Recorrente foi integralmente aproveitado no débito informado na DCTF e, por esta razão, não reconheceu a existência de crédito e não homologou a compensação declarada. Somente após a ciência da decisão que não homologou a compensação declarada é que a Recorrente providenciou a retificação da DCTF e ingressou com manifestação de inconformidade, esta indeferida pela DRJ porque a DCTF fora apresentada após a ciência do Despacho Decisório da DRF e porque a Recorrente não apresentou a prova da existência do crédito alegado. Por seu turno, no recurso voluntário a empresa Recorrente sustente que o crédito efetivamente existe e está devidamente provado nos autos e que efetuou a retificação da DCTF após a ciência do despacho decisório. Concluindo: à mingua de previsão legal, a falta de apresentação de DCTF retificadora, ou a sua apresentação após a emissão do Despacho Decisório, por si só, não se constitui em motivo para o indeferimento do pedido de restituição e, conseqüentemente, para a não homologação da compensação declarada pela Recorrente. Deve, portanto, a autoridade administrativa da RFB apurar a liquidez e a certeza do crédito pleiteado considerando todas as provas trazidas aos autos e outras que julgar imprescindível para apurar a verdade material e formar sua convicção.” Fl. 167DF CARF MF Processo nº 13888.916070/201156 Acórdão n.º 9303006.172 CSRFT3 Fl. 6 5 Neste mesmo sentido, o acórdão paradigma nº 3302002.226, trata de situação na qual foi apresentado o DACON retificador. Vejamos: Por seu turno, no recurso voluntário a empresa Recorrente sustente que o crédito efetivamente existe e está devidamente provado nos autos e que efetuou a retificação da DCTF após a ciência do despacho decisório. Relatório “Por bem retratar a matéria tratada no presente processo, transcrevo o relatório produzido pela DRJ de Brasília: (...) Considerado cientificado dessa decisão em 22/10/2009, bem como da cobrança dos débitos confessados na Dcomp, o sujeito passivo apresentou em 23/11/2009, manifestação de inconformidade à fl. 2 a 6, acrescida de documentação anexa. A contribuinte alega que houve inúmeros erros na consolidação dos dados da apuração da contribuição, o que teria originado o crédito pleiteado. Retificou a Dacon do período para demonstrar o valor que seria realmente devido. Anexa cópias das declarações retificadas. Voto “Em síntese, a Recorrente advoga a existência de pagamentos indevidos e junta ao processo a Dacon retificadora transmitida em data anterior ao despacho decisório exarado pela DRF.” Como se vê, as decisões paragonadas não se identifica semelhança fática, o acórdão recorrido entendeu imprescindível a apresentação dos documentos comprobatórios do indébito, dentre os quais o DACON retificador, para verificar se, na base de cálculo da contribuição, foram originalmente consideradas as receitas financeiras da Contribuinte, fonte do direito creditório guerreado. Por outro lado, Os acórdãos indicados como paradigmas, não apresentam similitude fática, considerada relevante para o resultado do julgamento. No que tange o acórdão nº 330201748, nada fala sobre a questão da apresentação do DACON retificador. Além disso, traz o fundamento com o qual concorda a Turma a quo, relativa à necessidade ou não de retificação da DCTF em momento anterior à emissão do despacho decisório. Se a presente controvérsia girasse apenas em torno dessa matéria, a Turma a quo poderia ter acatado a pretensão da Contribuinte. A decisão recorrida encampou o fundamento de que: “mesmo considerando a possibilidade de retificação de ofício da DCTF por parte da autoridade administrativa – acaso demonstrada a legitimidade da correção dos valores declarados –, entendimento que esta Turma tem adotado em muitos de seus julgados”. Sem embargo, a retificação do DACON, embora, possa parecer irrelevante para o Acórdão n. 3302002.226, o mesmo não ocorre em relação a decisão recorrida. Entretanto, o fato é que essa retificação do DACON ocorreu no caso discutido no acórdão indicado como paradigma (Acórdão nº 3302002.226), ao passo que o mesmo não se verificou no presente caso. Fl. 168DF CARF MF Processo nº 13888.916070/201156 Acórdão n.º 9303006.172 CSRFT3 Fl. 7 6 Com efeito, a situação examinada pelo Acórdão n. 3302002.226, poderia a Turma a quo ter decidido de forma diversa, ou acolhendo a pretensão da contribuinte, ou determinando o retorno dos autos em diligência. O fato é que ocorreu na situação abordada pelo Acórdão n. 3302002.226 circunstância relevante, não presente na decisão recorrida, que poderia ter alterado a convicção ou a fundamentação do colegiado a quo. O contexto fático exposto nas decisões paradigmas e no acórdão recorrido, patente pela leitura das passagens acima transcritas, demanda do mesmo modo, que o recurso especial não seja conhecido em face da ausência de demonstração de que, discutindo casos similares, foi dada interpretação jurídica diversa. Neste sentido, O Manual de Exame de Admissibilidade de Recurso Especial (versão atualizada, pg.30) estabelece que: O RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 2015, assim estabeleceu, em seu art. 67, § 1º, do Anexo II: "§ 1º Não será conhecido o recurso que não demonstrar de forma objetiva qual a legislação que está sendo interpretada de forma divergente." Em 15 de fevereiro de 2016, foi publicada a Portaria MF nº 39, de 12 de fevereiro de 2016, com a seguinte redação: “§ 1º Não será conhecido o recurso que não demonstrar a legislação tributária interpretada de forma divergente.” Neste sentido, não tomo conhecimento do Recurso interposto pela Contribuinte, em razão de não ter sido comprovada divergência, e similitude fática, nos termos do § 1º da Portaria MF nº 39, de 12 de fevereiro de 2016." Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, o recurso especial do contribuinte não foi conhecido. assinado digitalmente Rodrigo da Costa Pôssas Fl. 169DF CARF MF
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Numero do processo: 10880.676160/2009-66
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Oct 24 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Wed Feb 21 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Data do fato gerador: 31/08/2006
DESCUMPRIMENTO DE PRAZO PARA APRECIAÇÃO. CONSEQUÊNCIAS.
A impossibilidade de observância do prazo estabelecido no art. 24 da Lei no 11.457(2007 no julgamento de processos administrativos fiscais não enseja nulidade de autuação/despacho decisório, nem aproveitamento tácito de crédito.
PEDIDOS DE COMPENSAÇÃO. RESSARCIMENTO. ÔNUS PROBATÓRIO.
Nos processos referentes a pedidos de compensação/ressarcimento, a comprovação dos créditos ensejadores incumbe ao postulante, que deve carrear aos autos os elementos probatórios correspondentes.
VERDADE MATERIAL. INVESTIGAÇÃO. COLABORAÇÃO.
A verdade material é ladeada pelo dever de investigação (da Administração tributária, que encontra limitações de ordem constitucional), e pelo dever de colaboração (por parte do contribuinte e de terceiros).
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 3401-004.098
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário apresentado.
(assinado digitalmente)
Rosaldo Trevisan - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Rosaldo Trevisan, Robson José Bayerl, Augusto Fiel Jorge D'Oliveira, Mara Cristina Sifuentes, André Henrique Lemos, Fenelon Moscoso de Almeida, Tiago Guerra Machado e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco.
Nome do relator: ROSALDO TREVISAN
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 31/08/2006 DESCUMPRIMENTO DE PRAZO PARA APRECIAÇÃO. CONSEQUÊNCIAS. A impossibilidade de observância do prazo estabelecido no art. 24 da Lei no 11.457/2007 no julgamento de processos administrativos fiscais não enseja nulidade de autuação/despacho decisório, nem aproveitamento tácito de crédito. PEDIDOS DE COMPENSAÇÃO. RESSARCIMENTO. ÔNUS PROBATÓRIO. Nos processos referentes a pedidos de compensação/ressarcimento, a comprovação dos créditos ensejadores incumbe ao postulante, que deve carrear aos autos os elementos probatórios correspondentes. VERDADE MATERIAL. INVESTIGAÇÃO. COLABORAÇÃO. A verdade material é ladeada pelo dever de investigação (da Administração tributária, que encontra limitações de ordem constitucional), e pelo dever de colaboração (por parte do contribuinte e de terceiros). Recurso Voluntário Negado Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário apresentado. (assinado digitalmente) Rosaldo Trevisan Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Rosaldo Trevisan, Robson José Bayerl, Augusto Fiel Jorge D'Oliveira, Mara Cristina Sifuentes, André Henrique AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 67 61 60 /2 00 9- 66 Fl. 1100DF CARF MF Processo nº 10880.676160/200966 Acórdão n.º 3401004.098 S3C4T1 Fl. 3 2 Lemos, Fenelon Moscoso de Almeida, Tiago Guerra Machado e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco. Relatório Versa o presente sobre PER/DCOMP invocando créditos referentes a pagamento indevido ou maior de PIS. Tendo sido localizado o pagamento nos sistemas da RFB, mas utilizado para saldar débitos outros da empresa, não restando saldo, o crédito foi indeferido e a compensação não homologada, por Despacho Decisório Eletrônico, tendo a empresa apresentado Manifestação de Inconformidade, na qual alegou, basicamente, que em decorrência de equívocos no preenchimento de suas obrigações acessórias DACON e DCTF (todo o valor recebido a título de “receita de prestação de serviços” foi declarado no campo pertinente ao regime nãocumulativo, sem discriminação das receitas que deveriam figurar no regime cumulativo) a empresa acabou por apurar valor a maior a titulo de PIS, promovendo o pagamento indevido de tal exação, gerando crédito passível de utilização na compensação de seus débitos. A empresa promoveu a retificação de DACON, alterando o valor devido, à época, a título de PIS, ainda restando recolhimento a maior, em montante diverso do demandado. A decisão de primeira instância foi, unanimemente, pela improcedência da manifestação de inconformidade, sob os seguintes fundamentos. (a) somente são passíveis de compensação os créditos líquidos e certos; (b) a existência de erro no preenchimento das obrigações acessórias DACON e DCTF, não foi acompanhada de qualquer documento retificador até a data da ciência do Despacho Decisório, e nem de documentos de amparo, posteriormente; e (c) não comprovado o erro cometido no preenchimento da DCTF, com documentação hábil, idônea e suficiente, a alteração dos valores declarados anteriormente não pode ser acatada. Ciente da decisão de piso, a empresa interpôs Recurso Voluntário, argumentando que: (a) foi descumprindo o prazo estabelecido no artigo 24 da Lei no 11.457/2007, havendo perda de direito por parte da Fazenda; (b) houve mero erro de preenchimento de DACON e DCTF, devendo prevalecer a verdade material, e serem os autos baixados em diligência; e (c) o artigo 147 do CTN se refere apenas a lançamento por declaração. Juntou, posteriormente, peça de defesa colacionando cópias de livros que se prestariam a demonstrar o valor declarado no DACON retificador. É o relatório. Fl. 1101DF CARF MF Processo nº 10880.676160/200966 Acórdão n.º 3401004.098 S3C4T1 Fl. 4 3 Voto Conselheiro Rosaldo Trevisan, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3401004.084, de 24 de outubro de 2017, proferido no julgamento do processo 10880.676139/200961, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3401004.084): "O recurso voluntário apresentado preenche os requisitos formais de admissibilidade e, portanto, dele se toma conhecimento. Após a interposição de recurso voluntário, restam contenciosos no presente processo os seguintes temas: (a) descumprimento do prazo estabelecido no artigo 24 da Lei no 11.457/2007; (b) existência de mero erro de preenchimento de DACON e DCTF, em face da verdade material, com demanda por diligência; e (c) aplicação do artigo 147 do CTN. Do prazo estabelecido no art. 24 da Lei no 11.457/2007 Na peça recursal, alega a empresa que a decisão da DRJ foi proferida depois de mais de 360 dias da interposição da manifestação de inconformidade, havendo perda de direito por parte da Fazenda, com fulcro no artigo 24 da Lei no 11.457/2007. O citado artigo 24 (texto transcrito abaixo) se aplica ao processo administrativo tributário, conforme decisão do STJ, na sistemática dos recursos repetitivos (REsp no 1.138.206/RS): “Art. 24. É obrigatório que seja proferida decisão administrativa no prazo máximo de 360 (trezentos e sessenta) dias a contar do protocolo de petições, defesas ou recursos administrativos do contribuinte.” É cediço que o comando legal indicado inserese em um contexto que busca dotar de maior celeridade o processo administrativo, em consonância com os princípios constitucionais que regem a matéria. Contudo, é preciso reconhecer que não atribuiu o legislador consequência (v.g., reconhecimento tácito do crédito, como parece demandar a recorrente) ao processo em desacordo com o comando. E poderia têlo feito, se o desejasse, visto que a mesma Lei no 11.457/2007 promove alterações ao Decreto no 70.235/1972, que disciplina o processo administrativo fiscal. Fl. 1102DF CARF MF Processo nº 10880.676160/200966 Acórdão n.º 3401004.098 S3C4T1 Fl. 5 4 Neste Decreto é que se arrolam, por exemplo, as causas de nulidade (art. 59). Também é sabido que no processo há prazos próprios e impróprios, e que estes não acarretam consequências processuais, embora possam ensejar discussões sobre responsabilização funcional, caso o retardo não seja justificável. Vejase, a título ilustrativo, o art. 226 do novo Código de Processo Civil – CPC (artigo 189 do antigo CPC), que também tem por escopo a celeridade nos julgados: “Art. 226. O juiz proferirá: I os despachos no prazo de 5 (cinco) dias; II as decisões interlocutórias no prazo de 10 (dez) dias; III as sentenças no prazo de 30 (trinta) dias.” Embora se possa entender o objetivo do artigo, afigurase irrazoável dele deduzir que um processo com decisão judicial proferida após trinta dias seria, por exemplo objeto de nulidade, ou subtração de custas ou atualizações, ou ainda reconhecimento de direitos de crédito. No mesmo sentido as observações em relação ao art. 24 da Lei no 11.457/2007. Ademais, o art. 24 da Lei no 11.457/2007 possuía dois parágrafos que foram vetados pelo Poder Executivo (veto mantido). Um deles exatamente porque atribuía efeitos ao processo no caso de descumprimento (o § 2o dispunha que “haverá interrupção do prazo, pelo período máximo de 120 dias, quando necessária à produção de diligências administrativas, que deverá ser realizada no máximo em igual prazo, sob pena de seus resultados serem presumidos favoráveis ao contribuinte”). Na mensagem no 140, de 16/3/2007, são esclarecidas as razões do veto presidencial, proposto pelos Ministérios da Fazenda e da Justiça: “Razões do veto “Como se sabe, vigora no Brasil o princípio da unidade de jurisdição previsto no art. 5o, inciso XXXV, da Constituição Federal. Não obstante, a esfera administrativa tem se constituído em via de solução de conflitos de interesse, desafogando o Poder Judiciário, e nela também são observados os princípios do contraditório e da ampla defesa, razão pela qual a análise do processo requer tempo razoável de duração em virtude do alto grau de complexidade das matérias analisadas, especialmente as de natureza tributária. Ademais, observase que o dispositivo não dispõe somente sobre os processos que se encontram no âmbito do contencioso administrativo, e sim sobre todos os procedimentos administrativos, o que, sem dúvida, comprometerá sua solução por parte da administração, Fl. 1103DF CARF MF Processo nº 10880.676160/200966 Acórdão n.º 3401004.098 S3C4T1 Fl. 6 5 obrigada a justificativas, fundamentações e despachos motivadores da necessidade de dilação de prazo para sua apreciação. Por seu lado, devese lembrar que, no julgamento de processo administrativo, a diligência pode ser solicitada tanto pelo contribuinte como pelo julgador para firmar sua convicção. Assim, a determinação de que os resultados de diligência serão presumidos favoráveis ao contribuinte em não sendo essa realizada no prazo de cento e vinte dias é passível de induzir comportamento não desejável por parte do contribuinte, o que poderá fazer com que o órgão julgador deixe de deferir ou até de solicitar diligência, em razão das consequências de sua não realização. Ao final, o prejudicado poderá ser o próprio contribuinte, pois o julgamento poderá ser levado a efeito sem os esclarecimentos necessários à adequada apreciação da matéria.” Derradeiramente, não devemos confundir a celeridade procedimental com a duração razoável do processo (ambas garantidas pelo Texto Constitucional): “Embora seja difícil conceituar precisamente a noção de razoável duração do processo, percebese que tal conceito não está relacionado única e exclusivamente ao “processo rápido” propriamente dito. O processo deve ser rápido o suficiente para dar a resposta apropriada à lide, porém adequadamente longo para garantir a segurança jurídica da demanda. Por tal motivo, o princípio da razoável duração do processo é dúplice, pois tanto a abreviação indevida como o alongamento excessivo são potencialmente danosos ao indivíduo.” 1 Improcedente, assim, o pleito no sentido de atribuição de efeitos à inobservância do prazo estabelecido no art. 24 da Lei no 11.457/2007. Reparese que nem a norma e nem o julgado na sistemática dos recursos repetitivos (REsp no 1.138.206/RS) objetivam as consequências da inobservância, como deseja a recorrente. Nesse sentido já me manifestei em processos julgados neste tribunal, sempre com acolhida unânime da turma, inclusive recentemente, com sete dos oito conselheiros que atualmente compõem o colegiado: DESCUMPRIMENTO DE PRAZO PARA JULGAMENTO. CONSEQUÊNCIAS. A impossibilidade de observância do prazo estabelecido no art. 24 da Lei n. 11.457/2007 no julgamento de processos administrativos fiscais não enseja nulidade, nem diminuição dos consectários legais do crédito tributário. (Acórdão no 3403 1 MARINS, James. Direito Processual Tributário Brasileiro (Administrativo e Judicial). 8.ed. São Paulo: Dialética, 2015, p.194195. Fl. 1104DF CARF MF Processo nº 10880.676160/200966 Acórdão n.º 3401004.098 S3C4T1 Fl. 7 6 002.782, Rel. Cons. Rosaldo Trevisan, unânime, sessão de 25 fev. 2014) NULIDADE. DESCUMPRIMENTO DE PRAZO PARA JULGAMENTO. A impossibilidade de observância do prazo estabelecido no art. 24 da Lei n. 11.457/2007 no julgamento de processos administrativos fiscais não enseja nulidade. (Acórdão no 3403002.746, Rel. Cons. Rosaldo Trevisan, unânime, sessão de 30 jan. 2014) NULIDADE. DESCUMPRIMENTO DE PRAZO PARA JULGAMENTO. A impossibilidade de observância do prazo estabelecido no art. 24 da Lei n. 11.457/2007 no julgamento de processos administrativos fiscais não enseja nulidade. (Acórdão no 3403002.374, Rel. Cons. Rosaldo Trevisan, unânime, sessão de 24 jul. 2013) DESCUMPRIMENTO DE PRAZO PARA APRECIAÇÃO. CONSEQUÊNCIAS. A impossibilidade de observância do prazo estabelecido no art. 24 da Lei no 11.457/2007 no julgamento de processos administrativos fiscais não enseja nulidade de autuação/despacho decisório, nem aproveitamento tácito de crédito. (Acórdão no 3401003.517, Rel. Cons. Rosaldo Trevisan, unânime, sessão de 25 abr. 2017) Portanto, não merecem prosperar as alegações de defesa no que se refere a prazos para a Administração se manifestar sobre pedidos de restituição/ressarcimento, ensejando consequências pelo descumprimento. Da existência de erro de preenchimento e da verdade material A recorrente alega que em decorrência de equívocos no preenchimento de suas obrigações acessórias DACON e DCTF (todo o valor recebido a título de “receita de prestação de serviços” foi declarado no campo pertinente ao regime não cumulativo, sem discriminação das receitas que deveriam figurar no regime cumulativo) acabou por apurar valor a maior a titulo de COFINS, promovendo o pagamento indevido de tal exação, gerando crédito passível de utilização na compensação de seus débitos, e que promoveu a retificação de DACON, sendo o valor correto devido, à época, a título de COFINS, diverso do pleiteado. Apresentou a empresa, então, indiscutivelmente, demanda de crédito em montante incorreto (a maior do que o que ela mesma reconhece como devido). E como prova de que teria incorrido em erro, não acrescentou nenhuma justificativa pormenorizada, limitandose, inicialmente, a informar que os documentos pertinentes estavam à disposição do fisco, e, posteriormente, após dois anos do decurso de prazo para interposição de recurso voluntário, a juntar cópias de livros e demandar, em adição, diligência, em caso de dúvida, para “apuração dos documentos que lastrearam os créditos”. Fl. 1105DF CARF MF Processo nº 10880.676160/200966 Acórdão n.º 3401004.098 S3C4T1 Fl. 8 7 Recordese que, nos processos, como o presente, que tratam de solicitação de compensação e demanda de crédito, a comprovação do direito aos créditos incumbe ao postulante, e é dever dele carrear aos autos os elementos probatórios correspondentes. Assim vem decidindo unanimemente este CARF, inclusive na atual composição do colegiado (com sete dos oito componentes atuais): “ÔNUS DA PROVA. FATO CONSTITUTIVO DO DIREITO NO QUAL SE FUNDAMENTA A AÇÃO. INCUMBÊNCIA DO INTERESSADO. Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado. DILAÇÃO PROBATÓRIA. DILIGÊNCIAS. A realização de diligências destinase a resolver dúvidas acerca de questão controversa originada da confrontação de elementos de prova trazidos pelas partes, mas não para permitir que seja feito aquilo que a lei já impunha como obrigação, desde a instauração do litígio, às partes componentes da relação jurídica.” (Acórdãos n. 3403 002.106 a 111, Rel. Cons. Alexandre Kern, unânimes, sessão de 23.abr.2013) (grifo nosso) “PEDIDOS DE COMPENSAÇÃO/RESSARCIMENTO. ÔNUS PROBATÓRIO. Nos pedidos de compensação/ressarcimento, incumbe ao postulante a prova de que cumpre os requisitos previstos na legislação para a obtenção do crédito pleiteado.” (grifo nosso) (Acórdão n. 3403003.173, Rel Cons. Rosaldo Trevisan, unânime em relação à matéria, sessão de 21.ago.2014) (No mesmo sentido: Acórdão n. 3403 003.166, Rel Cons. Rosaldo Trevisan, unânime em relação à matéria, sessão de 20.ago.2014; Acórdão 3403002.681, Rel Cons. Rosaldo Trevisan, unânime em relação à matéria, sessão de 28.jan.2014; e Acórdãos n. 3403002.470, 471, 474, 475, 476 e 477, Rel Cons. Rosaldo Trevisan, unânimes em relação à matéria, sessão de 24.set.2013)(grifo nosso) "PEDIDOS DE COMPENSAÇÃO. ÔNUS PROBATÓRIO. Nos processos derivados de pedidos de compensação/ressarcimento, a comprovação dos créditos ensejadores incumbe ao postulante, que deve carrear aos autos os elementos probatórios correspondentes. DILIGÊNCIAS. PERÍCIAS. DEFICIÊNCIA PROBATÓRIA. As diligências e perícias não se prestam a suprir deficiência probatória, seja em favor do fisco ou da recorrente. (Acórdãos n. 3403003.550 e 551, Rel Cons. Rosaldo Trevisan, unânime em relação à matéria, sessão de 24.fev.2015) (grifo nosso) “PEDIDOS DE COMPENSAÇÃO. RESSARCIMENTO. ÔNUS PROBATÓRIO. Nos processos referentes a pedidos de compensação/ressarcimento, a comprovação Fl. 1106DF CARF MF Processo nº 10880.676160/200966 Acórdão n.º 3401004.098 S3C4T1 Fl. 9 8 dos créditos ensejadores incumbe ao postulante, que deve carrear aos autos os elementos probatórios correspondentes.” (Acórdãos n. 3401003.784 a 787, Rel Cons. Rosaldo Trevisan, unanimidade – no que se refere à matéria) (grifo nosso) A diligência, como bem parece ter compreendido a 3ª Turma Ordinária da 4ª Câmara da 3ª Seção do CARF, e também esta 1ª Turma Ordinária, nos julgados com ementa aqui transcrita, não se presta a suprir deficiência probatória, seja da Fazenda ou do contribuinte. Cabe destacar que no último julgado transcrito, seis dos atuais oito conselheiros que compõem a turma expressamente concordaram com tal observação, dela dissentindo, em tese, o Conselheiro Augusto Fiel Jorge D’Oliveira. Temos que, nos processos do gênero, três cenários podem surgir: (a) a documentação apresentada na manifestação de inconformidade comprova o direito de crédito, caso em que se deve reconhecer tal direito, no julgamento; (b) a documentação apresentada na manifestação de inconformidade não comprova o direito de crédito, caso em que se deve negar tal direito, no julgamento; e (c) a documentação apresentada na manifestação de inconformidade gera, no julgador, dúvida em relação ao direito de crédito, dúvida essa que não é de direito, mas de fato, ensejando a realização de diligência ou perícia. Entendemos que a situação em análise melhor se amolda ao segundo cenário (‘b”), visto que nada de substancial se agregou na manifestação de inconformidade, havendo juntada de cópias de documentos – que, digase, sempre estiveram em poder da empresa – apenas dois anos após a interposição da peça recursal, documentos esses que sequer são suficientes para suscitar dúvida neste julgador, visto que não apontam, objetivamente, como se chegou nem aos valores originalmente demandados, nem àqueles que durante o contencioso a empresa sustentou estarem corretos. A ausência de dúvida torna impertinente invocar a verdade material, que não se apresenta como uma salvaguarda de quem não se desincumbe de seu ônus probatório, mas como um mecanismo do processo administrativo que permite sanar dúvidas com elementos adicionais diretamente obtidos, ou demandados às partes. A verdade material, como ensina James MARINS, é ladeada pelo dever de investigação (da Administração tributária, que encontra limitações de ordem constitucional), e pelo dever de colaboração (por parte do contribuinte e de terceiros): “As faculdades fiscalizatórias da Administração tributária devem ser utilizadas para o desvelamento da verdade material e seu resultado deve ser reproduzido fielmente no bojo do procedimento e do Processo Administrativo. O dever de investigação da Administração e o dever de colaboração por parte do particular têm por finalidade Fl. 1107DF CARF MF Processo nº 10880.676160/200966 Acórdão n.º 3401004.098 S3C4T1 Fl. 10 9 propiciar a aproximação da atividade formalizadora com a realidade dos acontecimentos.”2 No caso em análise, pouco contribuiu a recorrente para a identificação objetiva da incorreção que ela mesmo reconhece ter perpetrado, prejudicando a liquidez e a certeza do pedido. Não merece, assim, acolhida o pleito de diligência, nem a argumentação de defesa no sentido de que haveria sido comprovado o erro ou o direito de crédito. Do artigo 147 do CTN Alega a empresa, derradeiramente, em sede recursal, que o artigo 147 do CTN (abaixo transcrito) se refere apenas a lançamento por declaração. “Art. 147. O lançamento é efetuado com base na declaração do sujeito passivo ou de terceiro, quando um ou outro, na forma da legislação tributária, presta à autoridade administrativa informações sobre matéria de fato, indispensáveis à sua efetivação. § 1o A retificação da declaração por iniciativa do próprio declarante, quando vise a reduzir ou a excluir tributo, só é admissível mediante comprovação do erro em que se funde, e antes de notificado o lançamento. § 2o Os erros contidos na declaração e apuráveis pelo seu exame serão retificados de ofício pela autoridade administrativa a que competir a revisão daquela.” (grifo nosso) É preciso esclarecer, inicialmente, que não se está aqui a tratar, propriamente, de lançamento, mas de demanda de crédito, de modo que o comando indicado não fundamenta exigência, mas é usado pela DRJ de modo acessório a seus argumentos pelo indeferimento do direito de crédito. No entanto, não se tem dúvidas da obviedade da parte inicial do comando do § 1o, que abstrai de considerações sobre eventual modalidade de lançamento: por certo que aquele que retifica sua declaração (qualquer que seja) ou as informações que presta ao fisco, deve justificar a retificação, fundandoa em elementos probatórios. Se a empresa deve, como qualquer postulante a crédito, provar a liquidez e a certeza de tais créditos, como aqui exposto, deve, ainda mais, provar eventuais retificações em seu pedido de crédito. Mas, no caso em análise, não prova a contento a empresa nem uma coisa nem outra, pelo que deve ser mantido o indeferimento do direito de crédito. 2 Direito Processual Tributário Brasileiro – Administrativo e Judicial, 8. Ed., São Paulo: Dialética, p. 174. Fl. 1108DF CARF MF Processo nº 10880.676160/200966 Acórdão n.º 3401004.098 S3C4T1 Fl. 11 10 Considerações Finais Diante do exposto, e restando ausentes a certeza e a liquidez do crédito postulado (requisitos essenciais à acolhida de pedidos de compensação), voto por negar provimento ao recurso voluntário apresentado." Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, o colegiado negou provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Rosaldo Trevisan Fl. 1109DF CARF MF
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Numero do processo: 19679.005720/2005-30
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Fri Mar 23 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Apr 10 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 01/07/1988 a 30/11/1989
INDÉBITO TRIBUTÁRIO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO FORMULADO ANTES DE 9/6/2005. PRAZO DECADENCIAL DE 10 (DEZ ANOS) CONTADO DO FATO GERADOR.
Ao pedido de restituição pleiteado administrativamente antes de 9 de junho de 2005, no caso de tributo sujeito a lançamento por homologação, aplica-se o prazo prescricional de 10 (dez) anos, contado do fato gerador (Súmula CARF nº 91).
PEDIDO DE RESTITUIÇÃO FORMULADO APÓS EXPIRADO O PRAZO DECENDIAL. DECADÊNCIA DO DIREITO DE REPETIR O INDÉBITO.
Ainda que formulado antes de 9 de junho de 2005, considera-se alcançado pela decadência o pedido restituição protocolado após o expirado o prazo decendial de decadência fixado na jurisprudência do STF e STJ.
Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/07/1988 a 30/11/1989
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. COMPROVADA A OBSCURIDADE/CONTRADIÇÃO. INTEGRAÇÃO DO JULGADO EMBARGADO. POSSIBILIDADE.
Uma vez demonstrada a existência de vícios de contradição e omissão, acolhe-se os embargos de declaração, para aclarar e integrar o acórdão embargado e, no caso, retificá-lo, com efeitos infringentes, mediante alteração do resultado do julgamento de dar provimento parcial ao recurso voluntário para negar provimento ao recurso voluntário.
Embargos Acolhidos. Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3302-005.337
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em acolher os embargos de declaração para retificar o acórdão embargado e, com efeitos infringentes, alterar o resultado do julgamento de "dar provimento parcial ao recurso voluntário" para negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Paulo Guilherme Déroulède - Presidente.
(assinado digitalmente)
José Fernandes do Nascimento - Relator.
Participaram do julgamento os Conselheiros Paulo Guilherme Déroulède, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Walker Araújo, José Fernandes do Nascimento, Diego Weis Júnior, Jorge Lima Abud, Raphael Madeira Abad e José Renato Pereira de Deus.
Nome do relator: JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO
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(VOTORANTIM CIMENTOS S/A.) ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/07/1988 a 30/11/1989 INDÉBITO TRIBUTÁRIO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO FORMULADO ANTES DE 9/6/2005. PRAZO DECADENCIAL DE 10 (DEZ ANOS) CONTADO DO FATO GERADOR. Ao pedido de restituição pleiteado administrativamente antes de 9 de junho de 2005, no caso de tributo sujeito a lançamento por homologação, aplicase o prazo prescricional de 10 (dez) anos, contado do fato gerador (Súmula CARF nº 91). PEDIDO DE RESTITUIÇÃO FORMULADO APÓS EXPIRADO O PRAZO DECENDIAL. DECADÊNCIA DO DIREITO DE REPETIR O INDÉBITO. Ainda que formulado antes de 9 de junho de 2005, considerase alcançado pela decadência o pedido restituição protocolado após o expirado o prazo decendial de decadência fixado na jurisprudência do STF e STJ. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/07/1988 a 30/11/1989 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. COMPROVADA A OBSCURIDADE/CONTRADIÇÃO. INTEGRAÇÃO DO JULGADO EMBARGADO. POSSIBILIDADE. Uma vez demonstrada a existência de vícios de contradição e omissão, acolhese os embargos de declaração, para aclarar e integrar o acórdão embargado e, no caso, retificálo, com efeitos infringentes, mediante alteração do resultado do julgamento de “dar provimento parcial ao recurso voluntário” para negar provimento ao recurso voluntário. Embargos Acolhidos. Recurso Voluntário Negado. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 67 9. 00 57 20 /2 00 5- 30 Fl. 180DF CARF MF 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em acolher os embargos de declaração para retificar o acórdão embargado e, com efeitos infringentes, alterar o resultado do julgamento de "dar provimento parcial ao recurso voluntário" para negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Presidente. (assinado digitalmente) José Fernandes do Nascimento Relator. Participaram do julgamento os Conselheiros Paulo Guilherme Déroulède, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Walker Araújo, José Fernandes do Nascimento, Diego Weis Júnior, Jorge Lima Abud, Raphael Madeira Abad e José Renato Pereira de Deus. Relatório Tratase de Embargos de Declaração, tempestivamente opostos pela Fazenda Nacional, com o objetivo de suprir supostos vícios de contradição e omissão no acórdão nº 3302003.013, de 26 de janeiro de 2016. A embargante alegou vício de contradição, sob o argumento de que o voto condutor da decisão embargada invocara a Súmula CARF nº 91, que estabelece o prazo de dez anos contado do fato gerador do tributo para a repetição do indébito tributário, mas, ao mesmo tempo, declarara que não estava prescrito pedido de repetição protocolado em 8 de junho de 2005, que buscava ressuscitar o tributo recolhido entre 1988 e 1990. E haveria vício de omissão, porque o referido voto nada dissera sobre a tese do recurso voluntário, que seria a utilização da data da publicação da Resolução do Senado Federal nº 49, de 9 de outubro de 1995, como termo a quo da contagem do prazo prescricional. No despacho de admissibilidade colacionados aos autos, sob o argumento de que estava caracterizados os alegados vícios de contradição e omissão, os embargos foram admitidos, para fim de correção do julgado embargado. É o relatório. Voto Conselheiro José Fernandes do Nascimento, Relator. Uma vez atendido os requisitos de admissibilidade, tomase conhecimento dos presentes embargos de declaração, para análise dos alegados vícios de contradição e omissão. Em relação ao primeiro vício, a recorrente alegou que o condutor do julgado embargado conflitava com sua conclusão, vez que no referido voto citara a Súmula CARF nº Fl. 181DF CARF MF Processo nº 19679.005720/200530 Acórdão n.º 3302005.337 S3C3T2 Fl. 181 3 91, que estabelece o prazo de dez anos, contado do fato gerador, para a repetição do indébito, mas na conclusão do voto declarara que não estava prescrito o pedido de repetição do indébito, protocolado em 8 de junho de 2005. O deslinde da questão exige a leitura dos excertos pertinentes do voto vergastado, que seguem transcritos: Diante desta decisão do STF, extraída da página de jurisprudência do Tribunal e do disposto no art. 62A do RICARF, os Conselheiros estão vinculados à interpretação fixada pela Suprema Corte no sentido de que o prazo prescricional de cinco anos, contados da data do pagamento indevido, aplicase somente a pleitos formalizados a partir de 09 de junho de 2005. Esse assunto encontra pacificado nesse E. Conselho por meio da Súmula CARF 91: “Súmula CARF nº 91: Ao pedido de restituição pleiteado administrativamente antes de 9 de junho de 2005, no caso de tributo sujeito a lançamento por homologação, aplicase o prazo prescricional de 10 (dez) anos, contado do fato gerador” No caso em exame o indébito pleiteado se refere aos fatos mencionados no preâmbulo do relatório, cujo pedido foi protocolado em 08 junho de 2005. De modo que, solicitado a restituição antes de 09 de junho de 2005, implica em afastar à decadência e assegurar o exame da matéria de fundo pela instância a quo. Em face do exposto, voto no sentido de afastar a decadência e determinar o retorno dos autos à origem para o exame da matéria de fundo. A simples leitura dos textos transcritos não deixam qualquer dúvida que a motivação da decisão foi baseada na aplicação da jurisprudência consolidada pelo Supremo Tribunal Federal (STF), no julgamento do Recurso Extraordinário (RE) nº 566.621, sob regime de repercussão geral, e sumulada por este Conselho, por meio da referida Súmula CARF nº 91. Assim, não resta qualquer dúvida que o fundamento da decisão prolatada no acórdão embargado foi a adoção do prazo prescricional de 10 (dez) anos, contado do fato gerador, para os pedidos de restituição de tributo sujeito a lançamento por homologação, protocolados nas unidades da RFB antes de 9 de junho de 2005. No caso, é incontroverso que o pedido de restituição de fls. 2/3 foi protocolado no dia 8 de junho de 2005, portanto, um dia antes do prazo estabelecido nas referenciadas jurisprudências. Assim, retroagindo a contagem do prazo a partir da data do protocolo, verificase que o interstício de 10 (dez) anos teve como termo inicial o dia 9 de junho de 1995. Logo, em conformidade com as citadas jurisprudências, os indébitos com fato gerador ocorridos antes dessa data, inequivocamente, entravamse fulminados pelo decadência. Fl. 182DF CARF MF 4 E no caso em tela, de acordo com as planilhas de fls. 8/10, o fato gerador mais recente referese à Contribuição para o PIS/Pasep do mês de maio de 1989, cujo fato gerador ocorreu no dia 30 de novembro de 1989, o vencimento ocorreu no dia 10 de fevereiro de 1990 e o pagamento foi feito na data de vencimento. E como os fatos geradores de todos os créditos objeto do presente pedido de restituição ocorreram bem antes do termo inicial do prazo decadencial acima mencionado, chegase a inevitável conclusão que, na data em que protocolado o referido pedido, o direito de pleitear a restituição dos mencionados créditos já se encontrava extinto pela decadência. Dessa forma, revelase flagrantemente contraditória a conclusão do voto condutor do julgado recorrido em cotejo com fundamentos nele próprio apresentados, em decorrência, acolhese os presentes embargos para reconhecer e declara a decadência do direito de restituição dos supostos indébitos objeto do presente pedido de restituição. Também resta configurado o alegado vício de omissão, posto que, no referido julgado embargado, não fora feita qualquer menção à alegação suscitada pela embargada no recurso voluntário acerca da utilização da data da publicação da Resolução do Senado Federal nº 49, de 9 de outubro de 1995, como termo a quo da contagem do prazo decadencial em comento. E para suprir o mencionado vício, passase analisar a referida alegação. Para a recorrente, as regras sobre prescrição (decadência, no entendimento deste Relator) do direito de pedir o indébito, previstas nos arts. 168 e 169 do CTN, não se aplicavam aos casos de pagamento indevido por inconstitucionalidade da norma instituidora do tributo declarada pelo STF ou por resolução do Senado Federal, nos casos previstos no art. 52, X, da CF/1988. Nesse sentido, alegou a recorrente que, in verbis: [...] a Resolução nº 49, editada pelo Senado Federal com base no artigo 52, X, da CF/88, tem os mesmos efeitos das declarações de inconstitucionalidade oriundas do controle concentrado exercido pelo Supremo Tribunal Federal, quais sejam, atingem a todos (efeito ergo omnes) e desde o inicio da norma impugnada (efeito ex tunc). Com base nesse entendimento, a recorrente alegou que o prazo prescricional seria contado a partir da data da publicação do acórdão do STF em Ação Direta de Inconstitucionalidade (ADI) ou da Resolução do Senado. Essa alegação, sabidamente conflita com a jurisprudência do STF, consolidada no julgamento do RE nº 566.621, sob regime de repercussão geral, e deste Conselho, objeto da Súmula CARF nº 91, ambas de aplicação obrigatória pelos membros deste Conselho, por expressa determinação do art. 45, VI, e do art. 62, § 2º, ambos do Anexo II do RICARF/2015. Por essas razões, fica demonstrada a improcedência da alegação da recorrente de que o termo do prazo decadencial em comento seria contado a partir da publicação da Resolução do Senado Federal nº 49, de 9 de outubro de 1995. No caso, em consonância com as referidas jurisprudências, de aplicação obrigatória pelos membros deste Conselho, o prazo decadencial decendial em comento conta se a partir da data da ocorrência do fato gerador. Fl. 183DF CARF MF Processo nº 19679.005720/200530 Acórdão n.º 3302005.337 S3C3T2 Fl. 182 5 Por todo exposto, acolhese os presentes embargos, para retificar o acórdão embargado e, com efeitos infringentes, alterar o resultado do julgamento de “dar provimento parcial ao recurso voluntário” para negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) José Fernandes do Nascimento Fl. 184DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 19515.720192/2016-78
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 20 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Apr 02 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2012
RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA. NÃO CARACTERIZAÇÃO.
Quando a análise dos autos permite concluir que não há qualquer conduta imputada à pessoa física que demonstre o auxílio à prática do fato gerador da obrigação tributária ou mesmo a obtenção de qualquer benefício financeiro de tais atos não há que se manter a responsabilização.
RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA. ART. 124, I, DO CTN.
O artigo 124, I, do CTN trata de solidariedade que pode atingir o contribuinte (pessoa que tem relação com o fato gerador) ou o responsável (pessoa assim indicada por lei), a depender da configuração do "interesse comum" (e, no caso do responsável, da pressuposta previsão legal que o indique como tal). Tal interesse comum deve ser jurídico e não meramente econômico. Para que se configure o interesse jurídico comum é necessária a presença de interesse direto, imediato, no fato gerador, que acontece quando as pessoas atuam em conjunto na situação que o constitui, isto é, quando participam em conjunto da prática da hipótese de incidência. Essa participação comum na realização da hipótese de incidência pode ocorrer tanto de forma direta, quando as pessoas efetivamente praticam em conjunto o fato gerador, quanto indireta, em caso de confusão patrimonial e/ou quando dele se beneficiam em razão de sonegação, fraude ou conluio.
RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA. ART. 135, III, DO CTN.
O artigo 135, III, do CTN responsabiliza pessoalmente os diretores, gerentes ou representantes de pessoas jurídicas de direito privado pelos créditos correspondentes a obrigações tributárias resultantes de atos praticados com excesso de poderes ou infração de lei, contrato social ou estatutos. Trata-se de responsabilidade tributária que ocorrerá caso a pessoa que "presenta" a pessoa jurídica (Pontes de Miranda) atue para além de suas atribuições contratuais/estatutárias ou legais.
Numero da decisão: 1401-002.183
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso de ofício, negar provimento aos recursos voluntários apresentados por ANDRÉ LUIZ BISCA, MARCIO APARECIDO BANDEIRA e MB REPRESENTAÇÕES E ASSESSORIA EMPRESARIAL LTDA; dar provimento aos recursos voluntários apresentados por CLÁUDIA MARIA ROSA, BANDEIRA INDÚSTRIA DE ALUMÍNIO LTDA., BANDEIRA 2 COMÉRCIO DE SUCATAS E METAIS LTDA., VITOR BANDEIRA, LUZIA DE FÁTIMA ROSA BANDEIRA e SERGIO JOSÉ BANDEIRA.
(assinado digitalmente)
Luiz Augusto De Souza Gonçalves - Presidente
(assinado digitalmente)
Livia De Carli Germano - Relatora
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Augusto de Souza Gonçalves, Livia De Carli Germano, Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Guilherme Adolfo dos Santos Mendes, Daniel Ribeiro Silva, Abel Nunes de Oliveira Neto, Leticia Domingues Costa Braga, Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa.
Nome do relator: LIVIA DE CARLI GERMANO
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Ano-calendário: 2012 RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA. NÃO CARACTERIZAÇÃO. Quando a análise dos autos permite concluir que não há qualquer conduta imputada à pessoa física que demonstre o auxílio à prática do fato gerador da obrigação tributária ou mesmo a obtenção de qualquer benefício financeiro de tais atos não há que se manter a responsabilização. RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA. ART. 124, I, DO CTN. O artigo 124, I, do CTN trata de solidariedade que pode atingir o contribuinte (pessoa que tem relação com o fato gerador) ou o responsável (pessoa assim indicada por lei), a depender da configuração do "interesse comum" (e, no caso do responsável, da pressuposta previsão legal que o indique como tal). Tal interesse comum deve ser jurídico e não meramente econômico. Para que se configure o interesse jurídico comum é necessária a presença de interesse direto, imediato, no fato gerador, que acontece quando as pessoas atuam em conjunto na situação que o constitui, isto é, quando participam em conjunto da prática da hipótese de incidência. Essa participação comum na realização da hipótese de incidência pode ocorrer tanto de forma direta, quando as pessoas efetivamente praticam em conjunto o fato gerador, quanto indireta, em caso de confusão patrimonial e/ou quando dele se beneficiam em razão de sonegação, fraude ou conluio. RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA. ART. 135, III, DO CTN. O artigo 135, III, do CTN responsabiliza pessoalmente os diretores, gerentes ou representantes de pessoas jurídicas de direito privado pelos créditos correspondentes a obrigações tributárias resultantes de atos praticados com excesso de poderes ou infração de lei, contrato social ou estatutos. Trata-se de responsabilidade tributária que ocorrerá caso a pessoa que "presenta" a pessoa jurídica (Pontes de Miranda) atue para além de suas atribuições contratuais/estatutárias ou legais.
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NÃO CARACTERIZAÇÃO. Quando a análise dos autos permite concluir que não há qualquer conduta imputada à pessoa física que demonstre o auxílio à prática do fato gerador da obrigação tributária ou mesmo a obtenção de qualquer benefício financeiro de tais atos não há que se manter a responsabilização. RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA. ART. 124, I, DO CTN. O artigo 124, I, do CTN trata de solidariedade que pode atingir o contribuinte (pessoa que tem relação com o fato gerador) ou o responsável (pessoa assim indicada por lei), a depender da configuração do "interesse comum" (e, no caso do responsável, da pressuposta previsão legal que o indique como tal). Tal “interesse comum” deve ser jurídico e não meramente econômico. Para que se configure o interesse jurídico comum é necessária a presença de interesse direto, imediato, no fato gerador, que acontece quando as pessoas atuam em conjunto na situação que o constitui, isto é, quando participam em conjunto da prática da hipótese de incidência. Essa participação comum na realização da hipótese de incidência pode ocorrer tanto de forma direta, quando as pessoas efetivamente praticam em conjunto o fato gerador, quanto indireta, em caso de confusão patrimonial e/ou quando dele se beneficiam em razão de sonegação, fraude ou conluio. RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA. ART. 135, III, DO CTN. O artigo 135, III, do CTN responsabiliza pessoalmente os diretores, gerentes ou representantes de pessoas jurídicas de direito privado pelos créditos correspondentes a obrigações tributárias resultantes de atos praticados com excesso de poderes ou infração de lei, contrato social ou estatutos. Tratase de responsabilidade tributária que ocorrerá caso a pessoa que "presenta" a AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 72 01 92 /2 01 6- 78 Fl. 9721DF CARF MF 2 pessoa jurídica (Pontes de Miranda) atue para além de suas atribuições contratuais/estatutárias ou legais. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso de ofício, negar provimento aos recursos voluntários apresentados por ANDRÉ LUIZ BISCA, MARCIO APARECIDO BANDEIRA e MB REPRESENTAÇÕES E ASSESSORIA EMPRESARIAL LTDA; dar provimento aos recursos voluntários apresentados por CLÁUDIA MARIA ROSA, BANDEIRA INDÚSTRIA DE ALUMÍNIO LTDA., BANDEIRA 2 COMÉRCIO DE SUCATAS E METAIS LTDA., VITOR BANDEIRA, LUZIA DE FÁTIMA ROSA BANDEIRA e SERGIO JOSÉ BANDEIRA. (assinado digitalmente) Luiz Augusto De Souza Gonçalves Presidente (assinado digitalmente) Livia De Carli Germano Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Augusto de Souza Gonçalves, Livia De Carli Germano, Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Guilherme Adolfo dos Santos Mendes, Daniel Ribeiro Silva, Abel Nunes de Oliveira Neto, Leticia Domingues Costa Braga, Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa. Fl. 9722DF CARF MF Processo nº 19515.720192/201678 Acórdão n.º 1401002.183 S1C4T1 Fl. 9.722 3 Relatório Tratase de autos de infração de IRPJ (fls. 8080/8091); de CSLL (fls. 8092/8103); de PIS (fls. 8104/8116) e de COFINS (fls. 8117/8129), ano calendário 2012, lavrados em razão da constatação da existência da contabilização de custos que não foram comprovados e da utilização indevida de créditos de PIS e COFINS deles decorrentes. O relatório da decisão recorrida bem retrata os fundamentos da autuação: Conforme o Termo de Verificação Fiscal (fls. 7991/8046), o procedimento fiscal teve origem na Operação LavaRápido, deflagrada pela Polícia Federal em 31/10/2012, conforme IP nº 0028/201211 e autos nº 000574333.2012.403.6181. Conforme despacho proferido no processo de nº 0011928 87.2012.403.6181 pelo Exmo. Juiz Dr. Márcio Ferro Catapani, substituto da 2ª VCF (Vara Criminal Federal) de São Paulo, especializada em lavagem de dinheiro e ocultação de bens e valores, foi autorizado expressamente que todo o material produzido na investigação fosse utilizado pela RFB, tanto no âmbito de inteligência fiscal, como no âmbito de eventuais fiscalizações a serem abertas (fls. 11/27). A empresa Recuperadora Vista Azul Indústria e Comércio de Metais Ltda. foi uma das empresas que se beneficiou do esquema fraudulento montado por Antônio Honorato Bérgamo, comprando notas fiscais frias de empresas do “grupo econômico” controlado por ele para se creditar indevidamente de tributos. A referida empresa, especializada em lingotes e ligas de alumínio reciclado, foi constituída em 07/08/2006 pelos sócios Marco Aurélio Cantizani de Oliveira (70% das quotas) e André Luiz Bisca (30% das quotas). Em 26/03/2009 retirouse da sociedade Marco Aurélio Cantizani de Oliveira transferindo suas quotas para André Luiz Bisca, que passou a deter 100% do capital social. Em 10/08/2009 foi admitida na sociedade a Sra. Maria Gorete da Silva Dantas na qualidade de sócia com 1% das quotas sociais. Em 11/10/2012 foi alterado o capital social da empresa com a integralização fraudulenta de uma propriedade rural no valor de R$ 12.000.000,00 (doze milhões de reais) como sendo de propriedade do Sr. André Luiz Bisca. Conforme resposta à intimação fiscal, o contribuinte confirmou que o imóvel pertencia ao Sr. Sérgio Romano que iria entrar como investidor na empresa. Entretanto, conforme se observou nas averbações do 1° Cartório de Registro de Imóveis Comarca de Botucatu SP, o referido imóvel já estava penhorado desde abril de 2009 para garantia de dívida e em 01/11/2012 o imóvel foi adjudicado a Wilson Castelão. Em 12/08/2013 a Sra. Maria Gorete da Silva Dantas retirouse da sociedade, sendo redistribuída para André Luiz Bisca a totalidade das quotas. Em 01/04/2014 foi admitida na sociedade a Sra. Sandra Marisa Bisca, esposa de André Luiz Bisca, na qualidade de sócia com 0,1% das quotas sociais. Fl. 9723DF CARF MF 4 O Sr. André Luiz Bisca trabalhou na empresa Vista Azul Indústria e Comércio de Metais Ltda. na função de técnico de planejamento e controle da produção no período de set/2005 a fev/2009. Portanto, na ocasião da constituição da Recuperadora Vista Azul Ind. e Com. de Metais Ltda (agosto/2006) André era funcionário da Vista Azul Ind. e Com. de Metais Ltda, que tinha como sócio o Sr. Marco Aurélio Cantizani de Oliveira. Este se retirou da Recuperadora Vista Azul em março/2009, justamente no mês seguinte à saída de André do quadro de funcionários da Vista Azul Indústria e Comércio de Metais Ltda. O Sr. André Luiz Bisca reside em uma casa simples no Ipiranga, em São Paulo SP e sua evolução patrimonial demonstra que não usufrui a riqueza gerada pela Recuperadora Vista Azul. A Sra. Sandra Marisa Bisca trabalhou, no período de julho de 2010 a janeiro de 2014, na empresa Savol Veículos Ltda. na função de “Operador do Comércio emlojas e mercados” (CBO 5211). Em janeiro de 2014, quando saiu da empresa, seu salário era de R$1.586,16. MERCANTIL COMERCIAL ROAL LTDA. Uma das emitente das notas fiscais frias, a Mercantil Comercial Roal Ltda. (CNPJ 08.944.537/000111), é uma empresa de fachada, controlada por ANTÔNIO HONORATO BÉRGAMO, em nome dos laranjas Joilson da Silva Alves e Kleber Aparecido de Souza, faturou centenas de notas para várias empresas do setor metalúrgico para aproveitamento de benefícios fiscais. Além de seus sócios serem laranjas, a ROAL não existe, não possui depósito, não possui loja, funcionários, não recolhe impostos, não entrega declarações à RFB. Conforme planilha enviada por Elvira Donadio Xavier à Antônio Honorato Bérgamo, o valor total de emissão de notas da Roal para a Recuperadora Vista Azul no mês de abril/2012 foi de R$ 2.260.580,30. Elvira era a gerente do escritório de Bérgamo em São Paulo, estava dedicada a gerenciar a operação Roal com a Recuperadora Vista Azul. Em sua oitiva na Polícia Federal, Elvira, a priori, disse desconhecer a empresa Roal e as outras noteiras, mas diante das provas apresentadas, por fim reconheceu que atuou com a emissão de notas da empresa Mercantil Roal para a Recuperadora Vista Azul e informou que tais notas tinham por finalidade gerar créditos de ICMS para a empresa cliente. O anexo I (fls. 8047/8053) do termo de verificação fiscal demonstra a “venda de mercadorias” da Mercantil Comercial Roal para a Recuperadora Vista Azul, no total de R$ 22.128.370,11, mais as NFs relativas as comissões no total de R$ 427.999,22. OUTRAS EMPRESAS Durante o curso da ação fiscal o contribuinte foi intimado a comprovar, em relação às notas fiscais de compras de mercadorias junto aos fornecedores relacionados no Termo de Intimação Fiscal de 11/02/2015, a efetiva entrada dos insumos recebidos na empresa e sua incorporação ao estoque de matériasprimas do estabelecimento. Foi solicitado ainda que comprovasse os transportes dessas mercadorias até seu estabelecimento. Como resposta a essas indagações o contribuinte limitouse a dizer que não tem recibos de transporte/frete devido ao emitente ser o transportador das mercadorias. Fl. 9724DF CARF MF Processo nº 19515.720192/201678 Acórdão n.º 1401002.183 S1C4T1 Fl. 9.723 5 Em 19/03/2015, o contribuinte foi intimado novamente a comprovar a efetiva entrada dos insumos recebidos na empresa e sua incorporação ao estoque de matériasprimas do estabelecimento, bem como esclarecer como eram feitos os controles de estoque e o recebimento das mercadorias. Ressaltase que o contribuinte não apresentou o livro de Registro de Controle da Produção e do Estoque, modelo 3, exigido pelos artigos 444 e 461 do Decreto nº 7.212 de 15/06/2010 (RIPI). Em 11/02/2012, foram lavrados Termo de Intimação Fiscal aos principais fornecedores do contribuinte solicitando aos mesmos que apresentassem cópias das notas fiscais de vendas de mercadorias para a empresa RECUPERADORA VISTA AZUL INDÚSTRIA E COMÉRCIO DE METAIS LTDA. no anocalendário de 2012, cópia dos lançamentos contábeis correspondentes, comprovantes de recebimento dos pagamentos das referidas notas fiscais e conhecimentos de transportes das mercadorias. As seguintes empresas foram intimadas: MAXION WHEEL DO BRASIL LTDA. A empresa Maxion Wheel do Brasil Ltda. apresentou cópias das DANFES referentes às vendas para a Recuperadora Vista Azul no anocalendário de 2012, no valor total de R$ 4.768.876,30; extratos bancários comprovando o recebimento dos montantes referentes às vendas efetuadas; razão contábil e lista de preço de sucatas. Esclareceu ainda que todos os pedidos para vendas de sucatas para a Recuperadora Vista Azul eram tratados com o Sr. Marcio Aparecido Bandeira. Contrariamente ao afirmado pelo contribuinte que o frete era por conta do emitente, a empresa Maxion Wheel do Brasil Ltda. afirmou em resposta à intimação fiscal de 11/02/2015 que todos os fretes relacionados às vendas de sucatas eram por conta do destinatário. BRASIL COMÉRCIO E RECICLAGEM DE ALUMÍNIO LTDA. A empresa Brasil Comércio e Reciclagem de Alumínio Ltda. apresentou notas fiscais eletrônicas de vendas no anocalendário de 2012, no valor total de R$ 2.196.919,50, cópia do razão analítico dos lançamentos contábeis e conhecimentos de transportes das operações. PROLIND INDUSTRIAL LTDA. A empresa Prolind Industrial Ltda. apresentou cópia de todas as notas fiscais eletrônicas de vendas de mercadorias para a Recuperadora Vista Azul no ano calendário de 2012, no valor total de R$ 9.956.753,42; cópia dos lançamentos contábeis correspondentes; comprovantes de recebimento das referidas notas fiscais e conhecimentos de transportes referente aos transportes das mercadorias. Esclareceu que quanto às condições comerciais, mensalmente a Prolind Fl. 9725DF CARF MF 6 determinava o valor mínimo de venda da sucata e seu Gerente de Suprimentos/Compras (Sr. Lucas Negreiros) enviava email para o Sr. Márcio Bandeira, proprietário da empresa Recuperadora Vista Azul Ind. e Com. de Metais Ltda, para informar o preço que a Prolind estaria praticando. A empresa Prolind Industrial Ltda. por sua vez afirmou em resposta à intimação fiscal de 11/02/2015 que não há conhecimentos de transportes, pois a responsabilidade pelo transporte era da própria Recuperadora Vista Azul Ind. e Com. de Metais Ltda., a qual fazia a coleta e transporte com seu próprio caminhão, que deixava uma caçamba vazia e depois fazia a coleta. Tal fato pode ser observado nas próprias notas fiscais. DEMAIS EMPRESAS ACIMA RELACIONADAS As demais empresas não responderam ao termo de intimação fiscal para apresentar cópia dos lançamentos contábeis correspondentes, comprovantes de recebimento dos pagamentos das referidas notas fiscais e conhecimentos de transportes das mercadorias transacionadas com a fiscalizada pelos motivos abaixo discriminados: RAIRA COMÉRCIO DE METAIS LTDA (CNPJ 12.457.295/000109) Conforme o anexo II do termo de verificação fiscal (fls. 8054/8063), a empresa Raira Comércio de Metais Ltda. vendeu mercadorias no anocalendário de 2012 para a fiscalizada no montante de R$ 33.275.913,30. A empresa apenas apresentou DIPJ para os anoscalendário de 2010 (com receita bruta declarada de zero) e 2011 (com receita bruta declarada de R$ 44.781.281,20). Não houve DIPJ para o anocalendário de 2012. A empresa foi intimada, em 11/02/2015, via postal, através de aviso de recebimento nº JG 76.626.8732 BR, a comprovar essas vendas e seu recebimento, bem como esclarecer a relação comercial entre as empresas. O AR retornou com a indicação “mudouse”. Seus sócios são Jacson Pires de Oliveira (CPF 628.453.81891) e Marcelo Breda Rodrigues (CPF 116.512.01862). O primeiro foi intimado em 25/02/2015 via postal, através de aviso de recebimento nº JG 76.627.6685 BR, que retornou com a indicação “desconhecido” gravada no AR. O segundo também foi intimado em 25/02/2015 via postal, através de aviso de recebimento nº JG 76.627.6699 BR, com ciência em 02/03/2015. Nunca atendeu à intimação. Conforme foto do endereço da empresa na RFB, tratase de uma residência. Conforme as declarações de renda dos anoscalendário de 2010; 2011; 2012 e 2014, o patrimônio do Sr. Jacson Pires de Oliveira limitavase ao capital social na Raira Comércio de Metais Ltda., no montante de R$ 100.000,00. A mesma situação ocorre com o Sr. Marcelo Breda Rodrigues, cujo patrimônio também se limitava às quotas de capital social na Raira Comércio de Metais Ltda., no montante de R$ 100.000,00. Fotos das residências dos Srs. Jacson e Marcelo apontam casas humildes e suas evoluções patrimoniais demonstram que não usufruíram a riqueza gerada pela empresa RAIRA. Os mesmos disponibilizaram seus dados pessoais (“laranjas”) para constituição de empresa de fachada, visando acobertar os reais beneficiários que de fato gerenciaram e usufruíram todos os recursos gerados pelas empresas, inclusive em relação aos valores dos tributos sonegados. WEFA COMÉRCIO DE METAIS LTDA. (CNPJ 13.923.312/000119) Fl. 9726DF CARF MF Processo nº 19515.720192/201678 Acórdão n.º 1401002.183 S1C4T1 Fl. 9.724 7 Conforme o anexo III do termo de verificação fiscal (fls. 8064/8067), a empresa Wefa Comércio de Metais Ltda. vendeu mercadorias no anocalendário de 2012 para a fiscalizada, no montante de R$ 13.446.143,12. A empresa apenas apresentou DIPJ para os anocalendário de 2011 (com receita bruta declarada de zero) e 2012 (com receita bruta declarada de zero). A empresa foi intimada, em 11/02/2015, via postal, através de aviso de recebimento nº JG 76.626.8729 BR, a comprovar essas vendas e seu recebimento, bem como esclarecer a relação comercial entre as empresas. O AR retornou com a indicação “ausente” após três tentativas de entrega. Seus sócios são Fabio José Ferrari (CPF 940.104.47834) e Heder Antonio de Souza (CPF 175.853.64890). O primeiro foi intimado em 03/03/2015 via postal, através de aviso de recebimento nº SF 57.075.5007 BR, que retornou com a indicação “não procurado” gravada no AR após três tentativas de entrega. O segundo também foi intimado em 03/03/2015 via postal, através de aviso de recebimento nº SF 57.075.5024 BR, com ciência em 04/03/2015. Nunca atendeu à intimação. Conforme as declarações de rendas do Sr. Fábio José Ferrari dos anos calendário de 2011 e 2012, seu patrimônio limitavase às quotas da empresa, no montante de R$ 50.000,00. Já o Sr. Heder Antonio de Souza possuía no anocalendário de 2011 somente as quotas de capital social da empresa e, no anocalendário de 2012, além das quotas de capital, um veículo no valor de R$ 48.000,00 e dívidas de R$ 34.150,02. Tanto o endereço do Sr. Fabio Ferrari (Av. Vereador José Ferreira, 611 – Extrema – MG) quanto o endereço da empresa (Av. Vereador José Ferreira, 607 – Extrema – MG) não foram possíveis de localizar através do Google Maps. Assim sendo, as evoluções patrimoniais de Fabio e Heder demonstram que eles não usufruíram a riqueza gerada pela empresa WEFA. Os mesmos disponibilizaram seus dados pessoais (“laranjas”) para constituição de empresa de fachada, visando acobertar os reais beneficiários que de fato gerenciaram e usufruíram todos os recursos gerados pela empresa, inclusive em relação aos valores dos tributos sonegados. MAPARIS COMÉRCIO DE METAIS LTDA. (CNPJ 13.498.912/000187) Conforme o anexo IV do termo de verificação fiscal (fls. 8068/8070), a empresa Maparis Comércio de Metais Ltda. vendeu mercadorias no anocalendário de 2012 para a fiscalizada no montante de R$ 5.090.079,00. A empresa nunca apresentou DIPJ. A empresa foi intimada, em 11/02/2015 por via postal, aviso de recebimento nº JG 76.626.8777 BR, a comprovar as vendas e seu recebimento, bem como esclarecer a relação comercial entre as empresas. O AR retornou com a indicação “não existe o número indicado”. Seus sócios são Eduardo Conduta (CPF 339.627.88875) e Adilson Borges Conegundes (CPF 289.435.09880). O primeiro foi intimado em 03/03/2015 via postal, através de aviso de recebimento nº JG 76.627.7425 BR, com ciência em 05/03/2015. Nunca atendeu à intimação. Retirou se da sociedade em fev/2012. O segundo também foi intimado em 03/03/2015 por via postal, através de aviso de recebimento nº JG 76.627.7411 BR, com ciência em 04/03/2015. Sua advogada, Dra. Luciene Cardoso, ligou dizendo que havia recebido orientação do Ministério Público para só atender se fosse reintimado. Fl. 9727DF CARF MF 8 Dessa forma, o mesmo foi reintimado em 10/04/2015 via postal, através de aviso de recebimento nº JG 76.634.3950 BR, com ciência em 15/04/2015. Compareceu em 27/04/2015 a esta Delegacia para prestar esclarecimentos, onde confirmou que emprestou seu nome para constituir a empresa em troca de uma promessa de emprego, conforme Termo de Comparecimento e Declaração de 27/04/2015 anexo a este processo. Em 12/03/2015 a fiscalização compareceu no endereço da empresa e lavrou o Termo de Constatação Fiscal (em anexo ao processo) confirmando que não existe o número 100 na Rua Maparis. Conforme as declarações de rendimentos dos anoscalendário de 2011 e 2012, o Sr. Eduardo Conduta possuía um patrimônio de R$ 7.750,00, sendo R$ 5.000,00 relativos a 10% das quotas da empresa e R$ 2.750,00 em espécie. O Sr. Adilson Borges Conegundes nunca entregou declaração de renda para a Receita Federal. Assim sendo, ficou demonstrado que Adilson e Eduardo que não usufruíram a riqueza gerada pela empresa MAPARIS. Os mesmos disponibilizaram seus dados pessoais (“laranjas”) para constituição de empresa de fachada, visando acobertar os reais beneficiários que de fato gerenciaram e usufruíram todos os recursos gerados pelas empresas, inclusive em relação aos valores dos tributos sonegados. WTK COM. ATACADISTA E VAREJISTA DE METAIS LTDA. (CNPJ 11.192.186/000144) Conforme o anexo V do termo de verificação (fls. 8071/8073), a empresa WTK Comércio Atacadista e Varejista de Metais Ltda. vendeu mercadorias no ano calendário de 2012 para a fiscalizada no montante de R$ 4.770.829,64. A empresa apresentou apenas a DIPJ no anocalendário de 2009 (com receita bruta declarada de zero). A empresa foi intimada em 11/02/2015 por via postal, aviso de recebimento nº JG 76.626.8794 BR, a comprovar essas vendas e seu recebimento, bem como esclarecer a relação comercial entre as empresas. O AR retornou com a indicação “mudouse”. Seus sócios são Francisco Agostinho da Silva (CPF Suspenso nº 605.781.74359), Gabriel Ferreira de Mattos (CPF 127.783.36648) e Marcelo Barros de Lima (CPF 017.989.88763). O primeiro foi intimado em 10/08/2015, por via postal, aviso de recebimento n° JH 64.291.5108 BR. A intimação retornou com a indicação “desconhecido” gravada no envelope. O segundo foi intimado em 10/08/2015 por via postal, aviso de recebimento n° JH 64.291.5099 BR. A intimação retornou com a indicação “não procurado” gravada no envelope. O terceiro foi intimado em 12/03/2015 por via postal, aviso de recebimento nº JG 76.628.0217 BR, ciência em 18/03/2015. Em declaração por escrito o Sr. Marcelo afirmou que trabalhou na empresa por no máximo 2 meses, mas uma vez que não cumpriram o combinado pediu demissão. ANELKA METAIS NÃO FERROSOS LTDA. (CNPJ 16.626.169/000145) Conforme o anexo VI do termo de verificação fiscal (fls. 8074/8076), a empresa WTK Comércio Atacadista e Varejista de Metais Ltda. vendeu, no ano calendário de 2012, mercadorias para a fiscalizada no montante de R$ 4.632.165,95. A empresa nunca apresentou DIPJ à RFB. A empresa foi intimada em 11/02/2015 por via postal, através de aviso de recebimento nº JG 76.626.8803 BR, a comprovar essas vendas e seu recebimento, bem como esclarecer a relação comercial entre as empresas. O AR retornou com a indicação “mudouse”. Fl. 9728DF CARF MF Processo nº 19515.720192/201678 Acórdão n.º 1401002.183 S1C4T1 Fl. 9.725 9 Seus sócios são Ricardo Alexandre Trevor Barreiro (CPF 165.927.06856) e Rosangela Palomo (CPF 089.843.94858). O primeiro foi intimado em 03/03/2015 por via postal, aviso de recebimento nº JG 76.627.7399 BR, com ciência em 06/03/2015. Nunca atendeu à intimação. A segunda foi também intimada em 03/03/2015 via postal, aviso de recebimento nº JG 76.627.7408 BR, com ciência em 06/03/2015. Compareceu em 16/03/2015 a Delegacia para prestar esclarecimentos, onde confirmou que na época foi proposta sociedade da empresa ANELKA e que, logo após a abertura da empresa em 11/07/2012, pediu para retirarse, pois não concordou com o que iriam fazer com a empresa. Retirouse da sociedade em 07/08/2012, conforme cópia da alteração contratual por ela anexada. Observase que o endereço da empresa na RFB (Rua Ernesto Franco, 108 A – Vila Prudente – São Paulo – SP) é esquina com a Rua Maparis, já mencionada anteriormente como endereço da empresa Maparis Comércio de Metais Ltda. Em 12/03/2015, a fiscalização compareceu ao endereço da empresa e lavrou o Termo de Constatação Fiscal confirmando que a mesma nunca existiu naquele endereço (anexo ao processo). O Sr. Ricardo Alexandre Trevor Barreiro nunca entregou declaração à RFB e não foi constatada omissão (isento). A Sra. Rosangela não teve participação nos atos da empresa, haja vista que sua saída foi em 07/08/2012 e a emissão de notas fiscais da empresa foram após essa data. Assim sendo, ficou constatado que Alexandre reside em local humilde e sua evolução patrimonial demonstra que não usufruiu a riqueza gerada pela empresa ANELKA. O mesmo disponibilizou seus dados pessoais (“laranja”) para constituição de empresa de fachada, visando acobertar os reais beneficiários que de fato gerenciaram e usufruíram todos os recursos gerados pelas empresas, inclusive em relação aos valores dos tributos sonegados. CENTRAL RECICLAGEM DE METAIS LTDA. (CNPJ 13.752.336/000152) Conforme o anexo VII do termo de verificação (fls. 8077/8079), a empresa Central Reciclagem de Metais Ltda. vendeu, no anocalendário de 2012, mercadorias para a fiscalizada no montante de R$ 4.217.220,00. A empresa apresentou DIPJ de inativa no anocalendário de 2011 e DIPJ no anocalendário de 2012 com receita bruta declarada de R$ 1.091.250,08. A empresa foi intimada em 11/02/2015 por via postal, aviso de recebimento nº JG 76.626.8785 BR, a comprovar as vendas e seu recebimento, bem como esclarecer a relação comercial entre as empresas. A Intimação retornou com a indicação “mudouse”. Seus sócios são Francisco Manoel de Freitas (CPF 143.361.32801) e Paulo Sergio de Oliveira (CPF 118.118.63663). O primeiro foi intimado em 12/03/2015 por via postal, aviso de recebimento nº JG 76.628.0234 BR, que retornou com a indicação “ausente” gravada no AR após três tentativas de entrega. O segundo foi também intimado em 12/03/2015 por via postal, aviso de recebimento nº JG 76.628.0225 BR, com ciência em 16/03/2015. Não atendeu à intimação. GLOSA DOS CUSTOS Fl. 9729DF CARF MF 10 Em razão dos fatos acima relatados, foram glosadas as compras efetivadas juntos a essas empresas no montante de R$ 82.978.271,13, com reflexos no IRPJ e CSLL e nos créditos de PIS/PASEP e Cofins. MULTA DE OFÍCIO O autuante duplicou a multa de ofício por entender que os fatos enquadram se no conceito de fraude (art. 72 da Lei nº 4.502, de 1964). RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA No curso da fiscalização alguns fatos levaram à conclusão que o Sr. Márcio Aparecido Bandeira (CPF 012.901.59890) e seus familiares são os gestores/administradores do esquema fraudulento envolvendo a RECUPERADORA VISTA AZUL INDÚSTRIA E COMÉRCIO DE METAIS LTDA. e, portanto, reais beneficiários dos valores obtidos por meio desse esquema, sendo: A) Na resposta ao Termo de Intimação Fiscal de 11/02/2015 a empresa PROLIND INDUSTRIAL LTDA, por meio de seu procurador Luiz Aurélio Bitencourt Leite, afirmou: Quanto as condições comerciais, mensalmente a Prolind determinava o valor mínimo de venda de sucata e nosso Gerente de Suprimentos/Compras (Sr. Lucas Negreiros) enviava email para o Sr. Márcio Bandeira (email márcio.bandeira2@uol.com.br), proprietário da empresa Recuperadora Vista Azul Indústria e Comércio de Metais Ltda, para informar o preço que a Prolind estaria praticando. A Recuperadora Vista Azul Indústria e Comércio de Metais Ltda por vezes atrasava o pagamento das notas fiscais e o Sr. Lucas Negreiros também era acionado internamente na Prolind para ajudar na cobrança deste recebível, que sempre era realizada via fone diretamente com o Sr. Márcio Bandeira, celular (11) 983398931 ou fixo (11) 23318038. B) Na resposta ao Termo de Intimação Fiscal de 11/02/2015 a empresa MAXION WHEELS DO BRASIL LTDA, por meio de sua procuradora Jaqueline Barbosa Brito Ferraz, afirmou: ... Todos os pedidos para vendas de sucatas para a Vista Azul Indústria e Comércio de Metais Ltda eram tratados com o Sr. MÁRCIO BANDEIRA PELO TELEFONE:983398031. C) Notificação Extrajudicial de 07/03/2014 do Banco HSBC Bank Brasil S/A – Banco Múltiplo para cobrança de arrendamento mercantil (leasing) de uma máquina extrusora de alumínio (Nota Fiscal nº 15.214 ano 2013) fruto do contrato de arrendamento mercantil registrado sob o número 4550611707. No instrumento de procuração do HSBC Bank Brasil S/A – Banco Múltiplo a favor de RICARDO BERNARDI E OUTROS (Escritório Bernardi e Schnapp Advogados) consta poderes para “substabelecer, com reservas mandato, e desde que para advogados e/ou estagiários integrantes do ESCRITÓRIO BERNARDI & SCHNAPP ADVOGADOS”. No instrumento Particular de Substabelecimento do Sr. Bruno Delgado Chiaradia (OAB/SP nº 177.650) consta “para o fim de providenciar notificações extrajudiciais à empresa RECUPERADORA VISTA AZUL INDÚSTRIA E COMÉRCIO DE METAIS LTDA – EPP e aos garantidores ANDRE LUIZ BISCA e MARCIO APARECIDO BANDEIRA, relativamente ao contrato de arrendamento mercantil de nº 4550611707”. Em 29/07/2015 foi enviado o ofício nº 132/2015 – RFB/DEFIS SPO/DIFIS I/GAB para o HSBC Bank Brasil S.A. – Banco Múltiplo solicitando cópia do contrato de arrendamento mencionado. Em 06/08/2015 o banco enviou cópia do referido contrato de leasing, onde se pode observar o Sr. Marcio Aparecido Fl. 9730DF CARF MF Processo nº 19515.720192/201678 Acórdão n.º 1401002.183 S1C4T1 Fl. 9.726 11 Bandeira assinando como interveniente da operação, juntamente com o Sr. André Luiz Bisca. D) Termo de Audiência de 06/10/2014 da Justiça do Trabalho – 2ª Região – 1ª Vara do Trabalho de Guarulhos (autos nº 100072894.2014.5.02.0311) Nesse termo, constam como litigantes o Sr. Francisco Dantas Rodrigues (reclamante) e Recuperadora Vista Azul Indústria e Comércio de Metais Ltda – EPP (1ª reclamada), Bandeira 2 Comércio de Sucatas e Metais Ltda (2ª reclamada) e Bandeira Indústria de Alumínio Ltda (3ª reclamada), a Dra. Vanessa Anitablian Baltazar, MM Juíza do Trabalho, discorre no item Responsabilidade das 2ª e 3ª reclamadas: O reclamante sustenta que as três reclamadas formam um grupo econômico, sendo administradas e gerenciadas, de fato, pelo Sr. Márcio Aparecido Bandeira, sócio das 2ª e 3ª reclamadas. O Sr. Francisco Dantas Rodrigues (CPF 346.579.73886) foi intimado via postal em 08/04/2015 para prestar esclarecimentos, mas o aviso de recebimento nº JG 76.634.3889 BR retornou com a indicação “desconhecido” gravada. E) Na resposta ao Termo de Intimação Fiscal de 23/06/2015 a empresa FUNDIÇÃO VISTA AZUL INDÚSTRIA E COMÉRCIO DE METAIS LTDA declarou: ... O Sr.Márcio Bandeira indicava a Fundição Vista Azul Indústria e Comércio de Metais Ltda para compra de produtos apenas em 2012, não sabendo sua relação com a empresa Recuperadora Vista Azul Ind. e Com. De Metais Ltda ou outros terceiros. F) Na resposta ao Termo de Intimação Fiscal de 30/07/2014, onde se solicitou a empresa cópia dos emails trocados com o Sr. Marcio Aparecido Bandeira, a empresa PROLIND INDUSTRIAL LTDA, enviou cópia de diversos e mails trocados entre o Sr. Lucas Negreiros (seu gerente de compras) e o Sr. Márcio Aparecido Bandeira. Nesses emails (em anexo ao processo) podese observar que Marcio ditava as regras comerciais na empresa RECUPERADORA VISTA AZUL IND. e COM. de METAIS LTDA. G) Da participação do contador – Marcelo Caldeira Silva O Sr. Marcelo Caldeira da Silva (CPF 132.598.72809), contador da Recuperadora Vista Azul também responde como contador em empresas da família Bandeira. Ele assina como testemunha no contrato social de VISTA AZUL e da MB REPRESENTAÇÕES e ASSESSORIA EMPRESARIAL LTDA (CNPJ 08.197.457/000140), cujos sócios são Márcio Aparecido Bandeira (CPF 012.901.59890) e CLÁUDIA Maria Rosa (CPF 151.492.78882), cunhada de Márcio. Marcelo Caldeira Silva foi também responsável pelo preenchimento da Declaração de Informações EconômicoFiscais da Pessoa Jurídica (DIPJ) das seguintes empresas: a) DE LUNA COMÉRCIO DE SUCATAS DE METAIS LTDA (CNPJ 05.954.829/000147): empresa constituída em 01/10/2003, localizada na Rua Francisco Pedroso de Toledo, 660 – Vila Livieiro – São Paulo – SP, teve seu quadro societário alterado em 25/08/2009 para inclusão de Rodrigo Pelicer Fl. 9731DF CARF MF 12 Bandeira (CPF 326.971.96803) e Vitor Bandeira (CPF 355.691.47861), filho de Márcio Aparecido Bandeira. b) BANDEIRA 2 COMÉRCIO DE SUCATAS E METAIS LTDA (CNPJ 04.261.142/000163): empresa constituída em 01/02/2001, localizada na Rua Francisco Pedroso de Toledo, s/nº – Vila Livieiro – São Paulo – SP, tendo como sócios iniciais Aparecida Maria de Andrade Bandeira (CPF 284.356.39843), mãe de Marcio, Luzia de Fatima Rosa Bandeira (CPF 007.059.43844), esposa de Marcio e o próprio Márcio Aparecido Bandeira. Hoje são sócios da empresa Luiza de Fatima Rosa Bandeira e Sergio Jose Bandeira (CPF 086.678.86843), irmão de Marcio. c) MB REPRESENTAÇÕES E ASSESSORIA EMPRESARIAL LTDA. (CNPJ 08.197.457/000140): empresa constituída em 02/08/2006, localizada na Av. Carlos Liviero, 830 Vila Livieiro – São Paulo – SP, tendo como sócios Marcio Aparecido Bandeira e CLÁUDIA Maria Rosa. Marcelo Caldeira Silva e Pedro Aparecido Souza (CPF 872.247.39804) são sócios da empresa Edmar Assessoria Contábil Ltda – ME (CNPJ 02.201.238/0001 00) e, conforme resultados de consulta às bases do sistema Receitanet Log, transmitiram as declarações não só da Recuperadora Vista Azul, mas das empresas da família Bandeira e de seus sócios. Em consulta a este sistema foi constatado que o Mac – Address (*) de nº 00 261845BBE7 e C4346B63FF40, código que identifica o hardware, a estação de trabalho ou o notebook usado para realizar as transmissões das declarações à RFB, foram usados para transmitir as DIRPF e DCTF relacionadas abaixo: (DCTF MARÇO 2015 – RECUPERADORA VISTA AZUL) (IRPF 2015 ANDRE LUIZ BISCA) (DCTF MARÇO 2015 – BANDEIRA 2) (DCTF MARÇO 2015 – MB REPRESENTAÇÕES) (DCTF MARÇO 2015 – DE LUNA) (IRPF 2015 – CLÁUDIA MARIA ROSA) (IRPF 2015 – LUZIA DE FATIMA ROSA BANDEIRA) (IRPF 2015 – MARCIO APARECIDO BANDEIRA) (IRPF 2015 – RODRIGO PELICER BANDEIRA) (IRPF 2015 – SERGIO BANDEIRA) (IRPF 2015 – SILVIO ROBERTO BANDEIRA) (IRPF 2015 – VITOR BANDEIRA) H) Na DIRPF do anocalendário de 2009 de CLÁUDIA Maria Rosa, cunhada de Marcio Aparecido Bandeira, consta empréstimo de R$ 51.000,00 para Andre Luiz Bisca, sócio da Recuperadora Vista Azul. I) A evolução patrimonial do Sr. Marcio Aparecido Bandeira foi a seguinte: AC 2011 R$ 3.104.791,88; AC 2011 R$ 3.272.729,43; AC 2012 R$ 3.474.882,98; AC 2013 R$0,00 e AC 2014 R$ 1.930.000,00. Fl. 9732DF CARF MF Processo nº 19515.720192/201678 Acórdão n.º 1401002.183 S1C4T1 Fl. 9.727 13 Observase que em 2013 o contribuinte esvaziou seu patrimônio declarado na DIRPF do anocalendário de 2012 (em anexo ao processo) e no anocalendário de 2014 declarou apenas as quotas de participação nas empresas MB Representações e Assessoria Empresarial Ltda (R$ 30.000,00) e Bandeira Indústria De Alumínio (R$ 1.900.000,00). J) Na DIRPF de Silvio Roberto Bandeira (CPF 063.808.37884), irmão de Marcio Aparecido Bandeira, constam rendimentos tributáveis recebidos da Recuperadora Vista Azul Ind. e Com. Metais Ltda nos seguintes valores: AC 2010 R$ 6.287,46; AC 2011 R$ 14.267,87; AC 2012 R$ 14.253,56; AC 2013 R$ 17.905,70; AC 2014 R$ 18.615,23. K) Na resposta ao Termo de Intimação Fiscal de 23/06/2015 a empresa Tradição Factoring Sociedade de Fomento Comercial Ltda, através de seu sócio Sr. Bruno Bello Vicintin afirmou: ... Informase, por fim, que, atualmente, o contato da Tradição Factoring na empresa RECUPERADORA VISTA AZUL INDÚSTRIA E COMÉRCIO DE METAIS LTDA é a Sra. CLÁUDIA Maria Rosa (Gerente Financeira), sendo os dados para contato os seguinte: telefone (11) 23349100, (11) 29150239; email: financeiro@vistaazulmetais.com.br. L) Em resposta à RMF nº 08.1.11.002015002190 o Banco Santander enviou cópia de contrato de leasing no valor de R$ 1.890.000,00 para aquisição de forno câmara para homogeneização junto à empresa Sylconstec Indústria de Máquinas Ltda. Além do contrato de leasing e da NFe da Sylconstec o banco enviou cópia dos emails trocados na operação. Nesses emails (em anexo ao processo) aparece o Sr. Vitor Bandeira, filho de Marcio Aparecido Bandeira, como participante das negociações. M) BANDEIRA INDÚSTRIA DE ALUMÍNIO LTDA. (CNPJ 09.643.536/0001 08). A empresa Bandeira Indústria de Alumínio Ltda, situada na Av. L 1 s/nº Quadra O, Lote 39, Distrito Industrial, Jaguaribe – CE, tem como sócios os irmãos Márcio Aparecido Bandeira e Sérgio José Bandeira. No anocalendário de 2012 a Recuperadora Vista Azul vendeu o montante de R$ 26.830.123,34 para a Bandeira Indústria de Alumínio Ltda., o que representou 20,2% de suas vendas nesse ano calendário. Por outro lado, a Bandeira Indústria de Alumínio Ltda. nesse mesmo ano de 2012 adquiriu mercadorias no valor total de R$ 41.761.832,50; ou seja, mais de 64% de suas compras em 2012 foram adquiridas da Recuperadora Vista Azul. Esses fatos levam a crer que o esquema de notas frias usado pela Recuperadora Vista Azul teve como principal beneficiário a Bandeira Indústria de Alumínio, que comprou grande parte de sua produção. Segundo o sítio na internet da empresa (www.bandeiraindustria.com.br) a Bandeira Indústria de Alumínio Ltda trabalha com reciclagem de alumínio (lingotes, refugos, cavaco de usinagem, etc), fundido essas matériasprimas para transformálas em lingotes e comercializar para vários tipos de indústrias. N) M.B. REPRESENTAÇÕES E ASSESSORIA EMPRESARIAL LTDA. (CNPJ 08.197.457/000140). Empresa constituída em 02/08/2006, localizada na Av. Carlos Liviero, 830 – Vila Liviero – São Paulo – SP, tendo como sócios Marcio Aparecido Bandeira e CLÁUDIA Maria Rosa. Segundo ficha cadastral registrada na JUCESP Fl. 9733DF CARF MF 14 a empresa tem como objeto social atividades de consultoria em gestão empresarial, exceto consultoria técnica específica. No anocalendário de 2012 a Recuperadora Vista Azul Indústria e Comércio de Metais Ltda emitiu pagamentos para a M.B. Representações e Assessoria Empresarial Ltda no valor de R$ 45.108,00. Apesar desse valor representar menos de 12% do faturamento da M.B no anocalendário de 2012 (R$ 400.800,00) não houve emissão de nota fiscal da M.B. Representações para a Recuperadora Vista Azul justificando a prestação de quaisquer serviços. Por tudo que foi descrito nos itens precedentes ficou configurado como reais beneficiários das operações da empresa o Sr. Marcio Aparecido Bandeira, seus familiares e respectivas empresas. Portanto, nos termos do art. 124 (Sujeito Passivo) c/c os arts. 135, inciso III (Responsabilidade de Terceiros) e 137 (Responsabilidade por Infrações) do Código Tributário Nacional (Lei 5.172/66) e art. 210, inciso VI e parágrafos, do Regulamento do Imposto de Renda, aprovado pelo Decreto 3.000/99 (RIR/99), restou caracterizada a sujeição passiva solidária dos contribuintes abaixo qualificados, pessoalmente responsáveis pelas infrações à lei cometidas nas operações em nome da empresa Recuperadora Vista Azul Indústria e Comércio de Metais Ltda – CNPJ 08.504.271000196: a) ANDRÉ LUIZ BISCA – CPF 195.229.89894 Sócio administrador da empresa Recuperadora Vista Azul Indústria e Comércio de Metais Ltda. b) MÁRCIO APARECIDO BANDEIRA – CPF 012.901.59890 Por toda a participação já descrita anteriormente: declarações das empresas Prolind Industrial Ltda e Maxion Wheels do Brasil Ltda; notificação extrajudicial do HSBC; termo de audiência trabalhista, etc. Sócio administrador das empresas Bandeira Indústria de Alumínio Ltda e M.B. Representações e Assessoria Empresarial Ltda. Alienou todos os seus bens no anocalendário de 2014. c) LUZIA DE FATIMA ROSA BANDEIRA – CPF 007.059.43844 Esposa de Marcio Aparecido Bandeira e sócia da empresa Bandeira 2 Comércio de Sucatas e Metais Ltda (CNPJ 04.261.142/000163), onde existem vários imóveis declarados em DOI. d) CLÁUDIA MARIA ROSA – CPF 151.492.78882 Irmã de Luzia de Fatima Rosa Bandeira e sócia da empresa MB Representações e Assessoria Empresarial Ltda (CNPJ 08.197.457/000140). Segundo a empresa Tradição Factoring Sociedade De Fomento Comercial Ltda. é a atual gerente financeira da Recuperadora Vista Azul. Fez empréstimo ao sócio da Recuperadora Vista Azul, André Luiz Bisca, e foi adquirente de imóveis que estavam em nome de Marcio Aparecido Bandeira. e) VITOR BANDEIRA – CPF 355.691.47861 Filho de Márcio Aparecido Bandeira e sócio da empresa De Luna Comércio De Sucatas De Metais Ltda. Aparece nas declarações do Banco Santander como participante das negociações para aquisição de forno câmara para homogeneização junto à empresa Sylconstec Indústria de Máquinas Ltda. Fl. 9734DF CARF MF Processo nº 19515.720192/201678 Acórdão n.º 1401002.183 S1C4T1 Fl. 9.728 15 f) SERGIO JOSÉ BANDEIRA – CPF 088.678.86843 Irmão de Marcio Aparecido Bandeira e sócio administrador das empresas Bandeira Indústria de Alumínio Ltda e Bandeira 2 Comércio de Sucatas e Metais Ltda. g) SILVIO ROBERTO BANDEIRA – CPF 063.808.37884 Irmão de Marcio Aparecido Bandeira e constam rendimentos tributáveis recebidos da Recuperadora Vista Azul Ind. e Com. Metais Ltda. h) BANDEIRA INDÚSTRIA DE ALUMÍNIO LTDA – CNPJ 09.643.536/0001 08 Empresa do ramo de reciclagem de alumínio e cujos sócios são os irmãos Marcio Aparecido Bandeira e Sérgio José Bandeira, adquiriu da Recuperadora Vista Azul no anocalendário de 2012 mercadorias no valor total de R$ 41.761.832,50; ou seja, mais de 64% de suas compras em 2012. i) BANDEIRA 2 COMÉRCIO DE SUCATAS E METAIS LTDA – CNPJ 04.261.142/000163 Empresa do ramo de comércio atacadista de metais ferrosos e não ferrosos e sucatas em geral. Constituída em 23/01/2001 tinha como sócias Aparecida Maria de Andrade Bandeira (mãe de Márcio) e Luzia de Fatima Rosa Bandeira (esposa de Márcio). Em 03/10/2002 retirase da sociedade Aparecida Maria de Andrade Bandeira e é admitido Sérgio José Bandeira. É onde hoje se encontram os principais bens da família Bandeira. j) M.B. REPRESENTAÇÕES E ASSESSORIA EMPRESARIAL LTDA EPP – CNPJ 08.197.457/000140 Empresa constituída em 26/07/2006 no ramo de representação comercial e consultoria em gestão empresarial, tem como sócios Marcio Aparecido Bandeira e CLÁUDIA Maria Rosa. No anocalendário de 2012 a Recuperadora Vista Azul emitiu pagamentos para a M.B. Representações e Assessoria Empresarial Ltda no valor de R$ 45.108,00. Não houve emissão de nota fiscal da M.B. Representações para a Recuperadora Vista Azul justificando a prestação de quaisquer serviços. DAS IMPUGNAÇÕES SILVIO ROBERTO BANDEIRA apresentou, em 17/06/2016, a impugnação de folhas 8222, alegando que foi funcionário da Recuperadora Vista Azul, exercendo o cargo de gerente de compras, percebendo salário e comissões pelas vendas, por isso não poderia lhe recair a responsabilidade sobre os débitos da Recuperadora Vista Azul. Anexa os documentos de folhas 8223 a 8239. ANDRÉ LUIZ BISCA e CLÁUDIA MARIA ROSA apresentaram, em 17/06/2016, a impugnação de folhas 8242 a 8246 (fls. 8283/8287), alegando que, em meados de junho de 2010, o sócio André recebeu proposta de investimento pelo Sr. Sérgio Romano, proprietário do imóvel rural citado na investigação, que integraria o imóvel ao capital social para ulterior transferência. Contudo, a negociação não progrediu, não tendo sido localizado o Sr. Sérgio Romano para desfazimento da proposta. Tanto o é, que o imóvel sequer foi transferido oficialmente para a empresa, conforme se verifica na matrícula anexa (fls. 8294/8307). Fl. 9735DF CARF MF 16 Alegam que é confusa a afirmação da fiscalização, já que reconhece como fraudulenta a integralização, ao mesmo tempo em que utiliza o seu valor para demonstrar a evolução patrimonial do Sr. André. Alegam que as aquisições de sucata de alumínio foram realizadas; no ano de 2012, por isso a administração da empresa não poderia ser responsabilizada pela não localização dos fornecedores. Os documentos comprobatórios da operação encontramse no Posto Fiscal de Guarulhos e os livros com os registros ao encargo do síndico da massa falida da Recuperadora Vista Azul. Alegam que a afirmação da fiscalização, baseada em informações de dois clientes, de que a Sra. Cláudia era gerente financeira no ano de 2012, não é verdadeira, pois, conforme documentos de folhas 8308/8321, o referido cargo era exercido pela Sra. Vanessa Gorricho Madeira, que laborou na empresa entre 02/01/2007 a 08/05/2014, fato imprestável como indício à corresponsabilidade. Alegam que o lançamento foi efetuado com base em presunções, o que é incabível no direito tributário. Alegam que a multa de ofício tem caráter confiscatório, devendo ser reduzida para 20%. Por último, requer que seja acolhida a impugnação para que sejam declarados nulos os autos de infração. MB REPRESENTAÇÕES E ASSESSORIA EMPRESARIAL LTDA; BANDEIRA INDÚSTRIA DE ALUMÍNIO LTDA.; BANDEIRA 2 COMÉRCIO DE SUCATAS E METAIS LTDA.; MÁRCIO APARECIDO BANDEIRA; VITOR BANDEIRA; LUZIA DE FÁTIMA ROSA BANDEIRA; SÉRGIO JOSÉ BANDEIRA, apresentaram a impugnação de folhas 8323/8348 (constam também cópias da impugnação às fls. 8509/8534; 8695/8720; 8881/8906; 9067/9092; 9304/9329), alegando, em síntese, o seguinte: a nulidade dos autos de infração pela falta de indicação no Mandado de Procedimento Fiscal de todos os tributos e contribuições objeto do lançamento e porque nenhuma das notificações no MPF foram encaminhadas aos impugnantes, que não participaram da formação do processo administrativo, incluindoos como corresponsáveis em notório elemento surpresa. a nulidade dos autos de infração em face da finalização da lavratura dos autos de infração fora do prazo legal de validade do MPF. a relação entre a Bandeira Indústria e a Recuperadora Vista Azul foi estritamente comercial em 2012, com compra e venda de produtos. A Bandeira Indústria possui grande quantidade de fornecedores, com volume anual de mais de R$ 50.000.000,00 em 2012, razão pela qual é impertinente afirmar que se beneficia de qualquer ato praticado pela Recuperadora Vista Azul, por isso esse indício deve ser completamente afastado. Aliás, casso tivessem sido intimados pela fiscalização para prestar e comprovar a informação, nenhum suposto indício subsistiria. os impugnantes são parceiros de negócios da Recuperadora Vista Azul, interessados na aquisição de produtos desta, inexistindo os indícios postos pela fiscalização, já que (a) inexistiu qualquer gerência comercial do Sr. Márcio na Recuperadora Vista Azul, como fez crer a fiscalização. Ao revés, o Sr. Márcio é conhecedor e atuante da área de metais, sendo comum manter contato com bons fornecedores. Tanto a PROLIND quanto a MAXION são fornecedores de sucata. Na relação deste com a Recuperadora Vista Azul, o Sr. Márcio tinha a liberdade de comercializar como parceiro de negócios, afinal já era sócio na Bandeira Industria e auxiliava nos negócios em São Paulo, cuja proximidade da Recuperadora Vista Fl. 9736DF CARF MF Processo nº 19515.720192/201678 Acórdão n.º 1401002.183 S1C4T1 Fl. 9.729 17 Azul facilitava o trabalho; (b) diferentemente do que foi afirmado, o Sr. Márcio teve verdadeira involução patrimonial nos anoscalendário de 2010 a 2014; (c) o Sr. Vitor participou da negociação de máquina de forno homogenizador, pois conhecia o Sr. Benedito – Sylcontec e tinha interesse que a RVA adquirisse a máquina, pois esse processo fazia parte dos produtos que eram comprados pela Bandeira Indústria; (d) a M. B. Representações possui as notas do período na relação com a Recuperadora Vista Azul. A Sra. Cláudia não é sócia da M.B. Representações desde 2013 e, no período apurado, todos os bens eram de propriedade do Sr. Márcio, conforme a DIRPF. o fato de todas as empresas possuírem o mesmo contador não é juridicamente relevante, pois o Sr. Marcelo é contador de muitas outras empresas, operando no mercado desde 1996, tendo inclusive cedido parte de seus contratos para Edemar Assessoria Contábil (ver documentos anexados fls. 8353/8508). no termo de verificação fiscal a fiscalização transcreveu parte do relatório da sentença trabalhista e não o dispositivo de sua decisão. Caso houvesse a devida cautela, teria percebido que o resultado da sentença é completamente divergente ao pretendido pela fiscalização, já que foi julgada improcedente a ação em relação a Bandeira 2 e Bandeira Indústria, excluindoas do pólo passivo da ação. Ou seja, não houve o pretendido reconhecimento do grupo econômico. embora tenham sido prestados os esclarecimentos que a movimentação bancária não se refere ao faturamento da empresa, ignorou o agente fiscal tal situação, pretendendo fazer crer que todos os valores constantes do extrato seriam valores relativos ao faturamento, presumindo dessa forma indevidamente a base de cálculo, mesmo diante de diversos esclarecimentos e provas apresentados durante a fiscalização. diante das operações bancárias devidamente comprovadas, resta não observada a regra primordial atinente aos direitos tributário e administrativo, qual seja o princípio da verdade real. alega que a multa de ofício é inconstitucional por conta de seu efeito confiscatório, devendo por conta disso ser reduzida para 20%, cujo percentual se mostra devido e compatível com a Constituição Federal. Por fim, requerem (i) que seja acolhida a impugnação, com a suspensão dos efeitos jurídicos, abstendose a Receita Federal do Brasil de exigir o valor consignado nos autos de infração, ou praticar quaisquer atos tendentes à negativação ou inscrição do débito até o julgamento do mérito; (ii) que seja afastada a solidariedade dos impugnantes; (iii) reconhecida a nulidade dos lançamentos; (iv) seja obstada a realização de qualquer representação fiscal para fins penais, até o julgamento final na esfera administrativa. Também protesta pela produção posterior de provas e pela realização de perícia, indicando o Sr. Marcelo Caldeira Silva como perito. Em 22 de março de 2017 a DRJ em Porto Alegre julgou parcialmente procedente a impugnação para excluir do polo passivo da obrigação tributária o Sr. Silvio Roberto Bandeira, visto que não foi provada qual foi a sua participação na prática das infrações tributárias atribuídas ao autuado. O acórdão foi assim ementado: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Fl. 9737DF CARF MF 18 Anocalendário: 2012 IMPUGNAÇÃO. RESPONSÁVEL SOLIDÁRIO. EFEITOS. A impugnação apresentada tempestivamente pelos responsáveis solidários suspende a exigibilidade do crédito tributário e aproveita aos demais interessados. PRELIMINAR. NULIDADE DOS AUTOS DE INFRAÇÃO. O Mandato de Procedimento Fiscal (MPF) é ato de natureza gerencial, utilizado para controle interno da Secretaria da Receita Federal do Brasil. Eventuais vícios na sua emissão dizem respeito unicamente à Administração Tributária e não contaminam o procedimento fiscal. PEDIDO DE PERÍCIA. Considerase não formulado o pedido de perícia que não expõe os motivos que a justifique e que não formule quesitos referentes ao exame desejado. MULTA DE OFÍCIO. CONFISCO. As Delegacias de Julgamento da Receita Federal do Brasil não são competentes para se pronunciar sobre questões relacionadas constitucionalidade das multas de ofício. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2012 CRÉDITO TRIBUTÁRIO. RESPONSABILIZAÇÃO. Respondem também pelo crédito tributário as pessoas (físicas ou jurídicas) que tenham interesse comum na situação que constitua o fato gerador e os mandatários, prepostos, empregados, diretores, gerentes ou representantes da pessoa jurídica que praticaram os atos e negócios jurídicos com excesso de poderes, infração de lei, contrato social ou estatutos. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido Com base no § 2º do art. 1º da Portaria MF nº 63/2017, recorreuse de ofício dessa decisão, tendo em vista a exclusão do Sr. Silvio Roberto Bandeira do polo passivo da obrigação tributária. O Despacho de fl. 9.593 detalha as intimações e a apresentação de recursos voluntários: Trata o presente processo de autos de infração relativo ao IRPJ, CSLL, COFINS e PIS em que ocorreram os seguintes fatos: 1. O acórdão da DRJ 1058323 (às fls. 9491 a 9518), de 22/03/2017, julgou a impugnação procedente em parte do Sr. Sílvio Roberto Bandeira para exclusão do mesmo (mas há recurso de ofício) e improcedente a impugnação dos demais sujeitos passivos solidários. 2. Em 24/04/2017, por meio eletrônico foi feita a intimação nº 269/2017 para o sujeito passivo acima identificado com prova de recebimento mediante envio ao domicílio tributário eletrônico do mesmo, conforme Termo de Registro à fl. 9555 e de Ciência por decurso de prazo à fl. 9587, e por via postal as intimações de nº 288/2017 e 289/2017, 291/2017 a 293/2017 e 295/2017 a 297/2017 para os sujeitos passivos solidários, com aviso de recebimento em 11/04/2017, 12/04/2017 e 17/04/2017, bem como, em razão dos AR devolvidos (às fls. 9580 a 9581 e às fls. 9584 a 9586), as intimações nº 290/2017 e 294/2017 por edital em 11/05/2017 (às fls. 9588 e 9589). Fl. 9738DF CARF MF Processo nº 19515.720192/201678 Acórdão n.º 1401002.183 S1C4T1 Fl. 9.730 19 3. Em 08/05/2017, foi feita a solicitação de juntada do recurso voluntário dos sujeitos passivos solidários no processo administrativo nº 19515.720191/201623 (que trata de auto de infração relativo ao IRRF) às fls. 9563 a 9702. 4. Dentre os recursos da solicitação de juntada ao processo 19515.720191/201623, constatase que no recurso voluntário de fls. 9563 a 9592 consta referência ao mandado de procedimento fiscal nº 08.1.11.002014008900, aos AIIM 19515.720191/201623 e AIIM19515720192/201678, bem como questionamento em relação ao “mandado de procedimento fiscal, sua conclusão em Termo de Verificação Fiscal e os Autos de Infração sofrerem nulidades insanáveis”, terminando por requerer no pedido que “ante o todo acima exposto e considerando as nulidades que maculam o lançamento, tal como efetuado, requer que seja recebido o recurso administrativo para a abstenção da RFB de lhe exigir o valor consignado nos Autos de Infração, ou mesmo praticar quaisquer atos tendentes à negativação, inscrição, etc, até ulterior julgamento de mérito.”. Diante do exposto acima, proponho que os recursos voluntários juntados ao processo 19515.720191/201623 sejam copiados para o presente processo, bem como, após isso, encaminhado o presente processo atualizado no SIEF – Processos para “Suspenso – Recurso Voluntário” ao Conselho Administrativo de Recurso Fiscais (CARF) com vistas à tomada das providências cabíveis em relação aos recursos. De fato, os recursos voluntários apresentados originalmente indicavam como processo o presente (19515.720192/201678), tendo havido alteração manual indicando a juntada no processo 19515.720192/201623, exemplo (fl. 9.594): Não foram apresentadas contrarrazões ao recurso de oficio. Quanto aos recursos voluntários de ANDRÉ LUIZ BISCA e CLAUDIA MARIA ROSA (fls 9.6249.629), assim como de MB REPRESENTAÇÕES E ASSESSORIA EMPRESARIAL LTDA; BANDEIRA INDÚSTRIA DE ALUMÍNIO LTDA.; BANDEIRA 2 COMÉRCIO DE SUCATAS E METAIS LTDA.; MÁRCIO APARECIDO BANDEIRA; VITOR BANDEIRA; LUZIA DE FÁTIMA ROSA BANDEIRA; SÉRGIO JOSÉ BANDEIRA (fls. 9.6309.659), ambos foram apresentados em 8 de maio de 2017 e basicamente repetem os argumentos expostos na impugnação, acima relatados. Recebi o processo em distribuição realizada em 21 de setembro de 2017. Fl. 9739DF CARF MF 20 Voto Conselheira Livia De Carli Germano Relatora Recurso de Ofício Silvio Roberto Bandeira A Portaria MF nº 63/2017 estabeleceu novo limite para a interposição de recurso de ofício e esclareceu que este é aplicável quando a decisão excluir sujeito passivo da lide, ainda que mantida a totalidade da exigência do crédito tributário. Diante disso, houve recurso de ofício da decisão na parte em que excluiu Silvio Roberto Bandeira do polo passivo da obrigação tributária. A autoridade autuante se baseou nos seguintes fatos para considerar Silvio Roberto Bandeira como responsável pelo crédito tributário cobrado no auto de infração lavrado contra a empresa Recuperadora Vista Azul: (i) Silvio Roberto Bandeira é irmão de Marcio Aparecido Bandeira, este tido como administrador de fato da empresa Recuperadora Vista Azul; (ii) a DIRPF de Silvio Roberto Bandeira foi transmitida do mesmo hardware utilizado para transmitir a DCTF da Recuperadora Vista Azul e de seus sócios; (iii) na DIRPF de Silvio Roberto Bandeira constam rendimentos tributáveis recebidos da Recuperadora Vista Azul (em média R$14 mil por ano, de 2010 a 2014) A base legal indicada foi o artigo 124, I, do CTN (fl. 8.085). Em sua defesa, Silvio Roberto Bandeira alega que foi funcionário da Recuperadora Vista Azul, exercendo o cargo de gerente de compras, percebendo salário e comissões pelas vendas, fato este que não pode lhe acarretar responsabilidade tributária. O acórdão recorrido concordou com este entendimento, nos seguintes termos: "Observase que os fatos utilizados para incluir Silvio Roberto Bandeira no polo passivo da obrigação tributária não demonstram o interesse comum na situação em que constitua o fato gerador, pois não ficou claro qual o seu ganho com as infrações cometidas pela Recuperadora Vista Azul, além do recebimento de salários. Além disso, não há informações a respeito de sua participação societária no grupo de empresas envolvidas na prática das infrações tributárias ou beneficiárias dos resultados obtidos pela Recuperadora Vista Azul Indústria e Comércio de Metais Ltda. Fl. 9740DF CARF MF Processo nº 19515.720192/201678 Acórdão n.º 1401002.183 S1C4T1 Fl. 9.731 21 Por outro lado, mesmo que o Sr. Silvio Roberto Bandeira exercesse o cargo de gerente de compra, não foi provada qual foi a sua participação na prática das infrações tributárias atribuídas ao autuado." De fato, existe um certo consenso de que o “interesse comum” referido no inciso I do artigo 124 do CTN deve ser jurídico e não meramente econômico. O alcance de tal interesse jurídico é que causa maiores discussões. É amplamente aceito que o artigo 124, I, do CTN se aplica a situações em que as pessoas compõem o mesmo pólo da relação jurídica. Assim, Sacha Calmon Navarro Coelho observa: “... o inciso I noticia a solidariedade natural. É o caso de dois irmãos que são coproprietários pro indiviso de um trato de terra. Todos são, naturalmente, codevedores solidários do imposto territorial rural (ITR).” 1. No mesmo sentido, Paulo de Barros Carvalho: "... o interesse comum dos participantes no acontecimento factual não representa um dado satisfatório para a definição do vínculo da solidariedade. Em nenhuma dessas circunstâncias cogitou o legislador desse elo que aproxima os participantes do fato, o que ratifica a precariedade do método preconizado pelo inc. I do art 124 do Código. Vale sim, para situações em que não haja bilateralidade no seio do fato tributado, como, por exemplo, na incidência do IPTU, em que duas ou mais pessoas são proprietárias do mesmo imóvel. Tratandose, porém, de ocorrências em que o fato se consubstancie pela presença de pessoas em posições contrapostas, com objetivos antagônicos, a solidariedade vai instalarse entre sujeitos que estiveram no mesmo pólo da relação, se e somente se for esse o lado escolhido pela lei para receber o impacto jurídico da exação. É o que se dá no imposto de transmissão de imóveis, quando dois ou mais são os compradores; no ICMS, sempre que dois ou mais forem os comerciantes vendedores; no ISS, toda vez que dois ou mais sujeitos prestarem um único serviço ao mesmo tomador." 2. Nesse passo, o STJ tem decidido que tal interesse comum pode ocorrer "no ISS, toda vez que dois ou mais sujeitos prestarem um único serviço ao mesmo tomador"3. Também se reconhece que nem mesmo o fato de pessoas integrarem o mesmo grupo econômico é suficiente para a responsabilização solidária: "1. O entendimento prevalente no âmbito das Turmas que integram a Primeira Seção desta Corte é no sentido de que o fato de haver pessoas jurídicas que pertençam ao mesmo grupo econômico, por si só, não enseja a responsabilidade solidária, na forma prevista no art. 124 do CTN. (...)"4 1 Coelho, Sacha Calmon Navarro. Curso de Direito Tributário Brasileiro, 5a ed., Rio de Janeiro: Forense, 2000. p. 594. 2 Carvalho, Paulo de Barros. Curso de Direito Tributário, 8ª ed., São Paulo: Saraiva, 1996. p. 220 3 AgRg no Ag 1.288.247∕RS, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, Primeira Turma, DJe 03∕11∕2010; AgRg no Ag 1.055.860∕RS, Rel. Ministra Denise Arruda, Primeira Turma, DJe 26∕03∕2009; REsp 884.845∕SC, Rel. Ministro Luiz Fux, Primeira Turma, julgado em 05∕02∕2009, DJe 18∕02∕2009, REsp 1.001.450∕RS, 2ª Turma, Rel. Min. Castro Meira, DJe de 27.3.2008. 4 Superior Tribunal de Justiça, EREsp 834.044∕RS, Rel. Min. Mauro Campbell Marques, Primeira Seção, julgado em 8.9.2010, DJe 29.9.2010 Fl. 9741DF CARF MF 22 É que integrar o grupo pode significar interesse (econômico) meramente indireto na realização do fato gerador (ou seja, intenção de participar dos respectivos resultados), mas não necessariamente interesse direto ou realização conjunta de tal situação. Assim, para que se configure o interesse jurídico comum é necessária a presença de tal interesse direto, imediato, no fato gerador, que acontece quando as pessoas atuam em comum na situação que constitui o fato imponível, ou seja, quando participam em conjunto da conduta descrita na hipótese de incidência, naturalmente cada uma atuando em nome próprio. Esta participação comum na realização da hipótese de incidência ocorre seja de forma direta, quando as pessoas efetivamente praticam em conjunto o fato gerador, seja indireta, em caso de confusão patrimonial e/ou quando dele se beneficiam em razão de sonegação, fraude ou conluio. Nesses termos, Kiyoshi Harada, fazendo referência a trecho de obra de Sampaio Costa: "Ensina Carlos Jorge Sampaio Costa: ... a solidariedade dos membros de um mesmo grupo econômico está condicionada a que fique devidamente comprovado: a) o interesse imediato e comum de seus membros nos resultados decorrentes do fato gerador; e∕ou b) fraude ou conluio entre os componentes do grupo. Há interesse comum imediato em decorrência do resultado do fato gerador quando mais de uma pessoa se beneficiam diretamente com sua ocorrência. Por exemplo, a afixação de cartazes de propaganda de empresa distribuidora de derivados de petróleo em postos de gasolina é, geralmente, um fato gerador de taxa municipal cuja ocorrência interessa não somente à empresa distribuidora, beneficiária direta da propaganda, como também ao posto de gasolina, que é solidário com aquela no pagamento da taxa. (...) Na fraude ou conluio, o interesse comum se evidencia pelo próprio ajuste entre as partes, almejando a sonegação. A solidariedade passiva no pagamento de tributos por aqueles que agiram fraudulentamente é pacífica. (...) (Solidariedade passiva e o interesse comum no fato gerador, Revista de Direito Tributário, Ano II, nº 4. São Paulo: Editora Revista dos Tribunais, 1978, p. 304)" 5 No caso, a análise dos autos permite concluir que não há qualquer conduta imputada a Silvio Roberto Bandeira que demonstre o auxílio à prática do fato gerador da obrigação tributária ora cobrada ou mesmo a obtenção de qualquer benefício financeiro de tais atos. O simples fato de ser da família de outros imputados responsáveis tributários, trabalhar na empresa autuada recebendo rendimentos de salário de cerca de R$14 mil por ano e se utilizar do mesmo contador da empresa autuada para a transmissão de suas declarações de ajuste anual não pode acarretar a responsabilidade por tributos devidos pela empresa. Sem reparos, portanto, à decisão recorrida. 5 Responsabilidade tributária solidária por interesse comum na situação que constitua o fato gerador, Disponível em http://www.investidura.com.br/ufsc/109direitotributario/3454responsabilidadetributariasolidariapor interessecomumnasituacaoqueconstituaofatogerador.html, acesso em 20.10.2016 Fl. 9742DF CARF MF Processo nº 19515.720192/201678 Acórdão n.º 1401002.183 S1C4T1 Fl. 9.732 23 Recursos Voluntários Os recursos voluntários são tempestivos e preenchem os demais requisitos de admissibilidade, portanto deles conheço. Contextualizando os fatos, temos que a empresa contribuinte foi autuada por contabilizar custos com base em documentos tidos por inidôneos e as pessoas físicas e empresas em questão foram indicadas como responsáveis por supostamente terem interesse comum na situação que resultou no fato gerador, sendo a base legal específica indicada no auto de infração para cada um dos responsáveis o artigo 124, I, do CTN (fls. 8.0848.086). Não obstante, o TVF contém também o seguinte trecho: Por tudo que foi descrito nos itens precedentes ficou configurado como reais beneficiários das operações da empresa sob fiscalização o Sr. Marcio Aparecido Bandeira, seus familiares e respectivas empresas. Portanto, nos termos do art. 124 (Sujeito Passivo) c/c os arts. 135, inciso III (Responsabilidade de Terceiros) e 137 (Responsabilidade por Infrações) do Código Tributário Nacional (Lei 5.172/66) e art. 210, inciso VI e parágrafos, do Regulamento do Imposto de Renda, aprovado pelo Decreto 3.000/99 (RIR/99), restou caracterizada a sujeição passiva solidária dos contribuintes abaixo qualificados, pessoalmente responsáveis pelas infrações à lei cometidas nas operações em nome da empresa RECUPERADORA VISTA AZUL INDÚSTRIA E COMÉRCIO DE METAIS LTDA – CNPJ 08.504.271000196: (...) A contribuinte não apresentou impugnação aos autos de infração. Assim, de acordo com o art. 21 do Decreto 70.235/1972, as questões tratadas nos autos devem ser consideradas consolidadas juridicamente em relação a ela. Antes de passarmos à análise da situação de cada um dos imputados responsáveis tributários, ressalto que não procede a alegação feita por alguns deles de nulidade do Mandado de Procedimento Fiscal, seja pela falta de indicação de todos os tributos e contribuições objeto do lançamento, porque a lavratura dos autos de infração ocorreu fora do prazo legal de validade do MPF e/ou porque os responsáveis tributários não foram previamente intimados ou notificados da existência do procedimento fiscal. Neste ponto, sem reparos ao exposto no acórdão recorrido, que adoto como razões de decidir neste voto (até porque tratase de argumentos meramente transcritos da impugnação): O Mandado de Procedimento Fiscal – MPF (instituído pela Portaria SRF Nº 1.265, de 1999) encontrase atualmente revogado e substituído pelo Termo de Fl. 9743DF CARF MF 24 Distribuição de Procedimento Fiscal de Fiscalização (TDPFF) instituído pela Portaria RFB nº 1.687, de 17 de setembro de 2014, que dispôs sobre o planejamento das atividades fiscais e estabeleceu normas para a execução dos procedimentos fiscais relativos ao controle aduaneiro do comércio exterior e aos tributos administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil. O MPF, mero ato de natureza gerencial, era uma ordem administrativa para que as autoridades fiscais executem atividades relacionadas à verificação do cumprimento das obrigações tributárias por parte dos sujeitos passivos e era um instrumento de controle das atividades e procedimentos fiscais relativos aos tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil. Por ter sido criado por ato infralegal, eventual vício na sua emissão não tinha o poder de contaminar o procedimento fiscal ou o lançamento propriamente dito, pois estes últimos estão assentados em diplomas normativos de hierarquia superior, o Decreto nº 70.235, de 1972, e a Lei nº 5.172, de 1966, (CTN) que, em momento algum, conferem àquele a condição de requisito de validade do lançamento. A atividade de lançamento do crédito tributário é vinculada, conforme disposições dos arts. 3º e 142, parágrafo único, do Código Tributário Nacional, transcritos a seguir: Art. 3º. Tributo é toda prestação pecuniária compulsória, em moeda ou cujo valor nela se possa exprimir, que não constitua sanção de ato ilícito, instituída em lei e cobrada mediante atividade administrativa plenamente vinculada. Art. 142. Compete privativamente à autoridade administrativa constituir o crédito tributário pelo lançamento, assim entendido o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo caso, propor a aplicação da penalidade cabível. Parágrafo único. A atividade administrativa de lançamento é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional. (realcei) O AuditorFiscal da Receita Federal do Brasil é a autoridade competente para efetuar o lançamento do crédito tributário administrado pela Receita Federal do Brasil, nos termos do art. 6º, I, a, da Lei nº 10.593, de 2002, com a redação dada pela Lei nº 11.457, de 2007, in verbis: Art. 6º São atribuições dos ocupantes do cargo de AuditorFiscal da Receita Federal do Brasil: I no exercício da competência da Secretaria da Receita Federal do Brasil e em caráter privativo: a) constituir, mediante lançamento, o crédito tributário e de contribuições; O mínimo que o AuditorFiscal da Receita Federal do Brasil devia fazer era o que estava determinado no MPF, em face do dever de obediência previsto no art. 116, inc. IV, da Lei 8.112, de 1990, mas essa ordem não o limitava no exercício da sua competência. De sorte que, ao constatar a existência de infração à legislação tributária o AuditorFiscal ficava, em função da vinculação legal, obrigado a efetuar o lançamento de todo o crédito tributário, mesmo de tributos que não constaram originalmente no MPF, sob pena de ser responsabilizado funcionalmente. Assim, a falta de indicação no MPF de todos os tributos objeto da fiscalização não impedia que o AuditorFiscal efetuasse o lançamento do crédito tributário, pois sua atividade é vinculada. Como se disse, o MPF era um ato de controle interno da administração tributária, de caráter gerencial e utilizado para a determinar a realização do procedimento fiscal relativo aos tributos administrados pela Receita Federal do Brasil. Da mesma forma quanto a extrapolação do prazo Fl. 9744DF CARF MF Processo nº 19515.720192/201678 Acórdão n.º 1401002.183 S1C4T1 Fl. 9.733 25 para a realização do procedimento fiscal, que diz respeito apenas à administração tributária e não tem o poder de contaminar todo o procedimento. A exemplo do MPF, o Termo de Distribuição do Procedimento Fiscal (TDPF), também é um ato de controle interno da administração tributária, de caráter gerencial e utilizado para a determinar a realização do procedimento fiscal relativo aos tributos administrados pela Receita Federal do Brasil. Qualquer irregularidade na sua expedição diz respeito apenas à administração tributária e não tem o poder de contaminar todo o procedimento fiscal, que é regido pelo Código Tributário Nacional e pelo Decreto nº 70.235, de 1972. Para o contribuinte, se apresenta apenas como um instrumento de garantia, na medida em que, permitindo ser confirmada a sua autenticidade pela Internet no site da Secretaria da Receita Federal do Brasil, dá segurança sobre a pessoa que se apresenta como representante do Fisco Nacional. Desse modo, os lançamentos são válidos, mesmo que tenham sido extrapolados os prazos para a realização do procedimento fiscal, que não tenham sido relacionados todos os tributos objeto da fiscalização e que o lançamento abranja períodos de apuração que não tenham constado no Mandado de Procedimento Fiscal. No que se refere ao fato de os responsáveis tributários terem sido incluídos no pólo passivo da obrigação tributária sem terem sido previamente intimados ou notificados da existência do procedimento fiscal, devese registrar que a fase procedimental do processo administrativo fiscal não é marcada pelo contraditório. O lançamento pode ser efetuado simplesmente com as informações disponíveis pelo Fisco. Não há necessidade de que o fisco notifique os investigados da instauração do procedimento fiscal, nem mesmo ouvir ou pedir esclarecimentos e informações sobre os fatos e atos praticados pelo contribuinte, bastando que possua os elementos suficientes para a constituição do crédito tributário. Tratase da fase investigatória cujas informações interessam unicamente ao fisco, por isso que somente são solicitadas informações ou esclarecimentos se estas forem de interesse para a fiscalização. Somente com a manifestação da pretensão estatal, materializada com o lançamento do crédito tributário, é que surge para o contribuinte o direito de exercer sua defesa contra os fatos apontados pela fiscalização. Exercido o direito de defesa, desde que tenha sido efetuado no prazo de 30 dias contados da ciência do lançamento, é que se instaura a fase litigiosa do procedimento, conforme art. 14 e 15 do Decreto nº 70.235, de 1972. No caso dos autos, o direito de defesa foi exercido de acordo com o referido Decreto. Assim, tanto o procedimento fiscal, como os autos de infração e os termos de sujeição passiva, não apresentam nenhuma ilegalidade ou irregularidade capaz de decretar a sua nulidade dos referidos atos. Da mesma forma, não procede a argumentação de que os lançamentos foram baseados em presunções não autorizadas pela legislação. Isso porque a autoridade autuante sequer precisou se utilizar de qualquer hipótese de presunção legal. Conforme exaustivamente relatado, os lançamentos foram baseados em provas concretas da existência de contabilização de custos não comprovados, que reduziram as bases de cálculos do IRPJ e da CSLL e que Fl. 9745DF CARF MF 26 geraram indevidamente créditos de PIS/Pasep e Cofins. Não há reparos a se fazer quanto à instrução processual relacionada à autuação da empresa contribuinte, portanto. Finalmente, noto que não é caso de aplicação do artigo 112 do CTN, seja porque este é aplicável apenas às infrações e penalidades e não ao principal de tributo devido, seja porque, no caso, não há qualquer sombra de dúvida quanto a qualquer circunstância mencionada nos incisos deste artigo. Passamos à análise da situação das pessoas indicadas como responsáveis. ANDRÉ LUIZ BISCA A autoridade autuante se baseou nos seguintes fatos para considerar André Luiz Bisca como responsável pelo crédito tributário cobrado no auto de infração lavrado contra a empresa Recuperadora Vista Azul: (i) a DIRPF de André Luiz Bisca foi transmitida do mesmo hardware utilizado para transmitir as declarações da Recuperadora Vista Azul e de seus sócios; (ii) em 2006, André Luiz Bisca participou da constituição da empresa autuada, detendo inicialmente 30% das quotas, participação aumentada para 99,9% em 2009 quando Marco Aurélio Cantizani de Oliveira se retirou da sociedade. (iii) André Luiz Bisca foi administrador da empresa autuada e constou como devedor solidário e garantidor em contratos de arrendamento mercantil de bens por ela celebrados. (iv) em 2012 André Luiz Bisca pretendeu integralizar ao capital social da empresa uma propriedade rural supostamente sua no valor de R$ 12 milhões. Em respostas a intimações posteriores alegouse que o imóvel pertencia ao Sr. Sérgio Romano que iria entrar como investidor. Entretanto, as averbações do Cartório de Registro de Imóveis indicam que o imóvel estava penhorado para garantia de dívida desde abril de 2009 e em 01/11/2012 o imóvel foi adjudicado a um terceiro. (v) A evolução patrimonial de André Luiz Bisca, conforme quadro abaixo, demonstra que ele não usufrui da riqueza gerada pela empresa autuada isso se se considerar que aumento de capital acima citado foi fraudulento e não houve a variação patrimonial de R$12 milhões . Na ocasião da constituição da empresa autuada, André Luiz Bisca era técnico de planejamento e controle da produção da empresa Vista Azul Ind. e Com. de Metais Ltda, a qual tinha como sócio Marco Aurélio Cantizani de Oliveira. Este se retirou da empresa autuada no mês seguinte à saída de André do quadro de funcionários da Vista Azul Indústria e Comércio de Metais Ltda. Fl. 9746DF CARF MF Processo nº 19515.720192/201678 Acórdão n.º 1401002.183 S1C4T1 Fl. 9.734 27 No caso, os fatos narrados no TVF parecem demonstrar que André Luiz Bisca emprestou seu nome para que outra pessoa efetivamente agisse e usufruísse dos recursos financeiros então resultantes. No entanto, diferentemente de outros casos de utilização de "laranjas" (em que estes não têm efetiva ciência dos atos que são praticados em seu nome), no caso em questão o imputado responsável solidário efetivamente assinou os documentos, o que demonstra que ele estava a par, ou deveria estar, do dia a dia da empresa autuada. Pois bem. Já se discorreu neste voto sobre o conceito jurídico de "interesse comum", na parte relativa ao recurso de ofício. E, no caso, é possível afirmar que André Luiz Bisca participou da conduta descrita na hipótese de incidência. Vale reiterar aqui os fundamentos do acórdão recorrido: Entretanto, o fato relevante para a manutenção do Sr. André Luiz Bisca no polo passivo da obrigação tributária é o fato de ele figurar como detentor de 99% das cotas sociais da Recuperadora Vista Azul e como representante legal da empresa. Nessa condição de sócio, a utilização de notas fiscais cujas operações não foram comprovadas, que geraram custos e créditos de PIS/Pasep e Cofins fictícios, caracteriza o interesse comum na situação em que constitua o fato gerador da obrigação tributária (art. 124, I, do CTN) pelo ganho obtido com essas operações falsas e, também, a prática de ato com infração à lei e ao contrato social (art. 135, do CTN), fraude, definido no art. 72 da lei nº 4.502, de 1964, como toda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, ou a excluir ou modificar as suas características essenciais, de modo a reduzir o montante do imposto devido a evitar ou diferir o seu pagamento. Diferentemente da alegação de que as aquisições de sucata de alumínio foram realizadas, a fiscalização comprovou com vasta documentação (intimações não respondidas, diligências no endereço das empresas, declarações de rendas e situação patrimonial de sócios, depoimentos de pessoas envolvidas, movimentação bancária que demonstra a inexistência de pagamentos relacionados às supostas compras) que as empresas Mercantil Comercial Roal Ltda., Raira Comércio de Metais Ltda., Wefa Comércio de Metais Ltda.; Maparis Comércio de Metais Ltda.; WTK Comércio Atacadista e Varejista de Metais Ltda.; Anelka Metais Não Ferrosos Ltda. e Central Reciclagem de Metais Ltda. não existiram fisicamente (empresas de fachada) e que serviram unicamente para a geração de custos e créditos fictícios, mediante a emissão de notas fiscais “frias”. Além disso, a Recuperadora Vista Azul não apresentou os documentos comprobatórios das operações quando intimada e não apresentou impugnação aos autos de infração. Conclusão: ante o exposto, voto por negar provimento ao recurso voluntário de André Luiz Bisca. CLAUDIA MARIA ROSA Foi responsabilizada com fundamento nos seguintes fatos: (i) sua DIRPF foi transmitida do mesmo hardware utilizado para transmitir as declarações da Recuperadora Vista Azul e de seus sócios; Fl. 9747DF CARF MF 28 (ii) e resposta à intimação datada de junho de 2015, a empresa Tradição Factoring Sociedade de Fomento Comercial Ltda afirmou que Claudia Maria Rosa era seu contato como gerente financeira da empresa autuada; (iii) é irmã de Luzia de Fatima Rosa Bandeira e portanto cunhada de Márcio Aparecido Bandeira, sendo sócia, juntamente com este, da MB Representações e Assessoria Empresarial Ltda. (empresa esta também incluída no polo passivo da obrigação tributária ora discutida, por supostamente ter recebido valores da Recuperadora Vista Azul sem contrapartida de prestação de serviços); (iv) em sua DIRPF do anocalendário de 2009 consta empréstimo de R$ 51.000,00 para Andre Luiz Bisca. O acórdão recorrido manteve sua responsabilização tendo em vista que "Estes fatos justificam a sua manutenção no pólo passivo da obrigação tributária, pois participou efetivamente na prática dos atos fraudulentos, como também foi beneficiária dessa prática, ao receber valores via MB Representações e Assessoria Empresarial Ltda., sem que tenha sido comprovada qualquer contraprestação pelos valores recebidos." Ocorre que, no caso, não vejo como tais fatos possam resultar em responsabilização solidária de Claudia Maria Rosa por tributos devidos pela empresa autuada. Isso porque tratase de fatos isolados que não necessariamente apontam na mesma direção, qual seja, a de provar que a imputada responsável praticou em conjunto o fato gerador e/ou dele se beneficiou. O fato de contratar o mesmo contador da autuada para a transmissão de sua DIRPF nada diz sobre sua ingerência na empresa. Da mesma forma, o fato de uma empresa dizer que ela atuou como gerente financeira em 2015 não significa que se possa entender que Claudia Maria Rosa praticou os atos que geraram os fatos geradores, que são de 2012. Ser da família de pessoas que se beneficiaram de supostas sonegações e fraudes também nada prova. Assim como não aponta necessariamente para a conclusão de que ela participou do esquema de sonegação o fato de constar, em sua DIRPF do anocalendário de 2009, empréstimo de R$ 51.000,00 para Andre Luiz Bisca. O único fato que poderia, em tese, gerar responsabilização é o de ser sócia de empresa que supostamente auxiliou a empresa autuada a sonegar tributos. Neste caso, Claudia Maria Rosa poderia ser responsabilizada pelos tributos devidos pela empresa da qual é sócia, a MB Representações. Mas isso desde que provada a responsabilidade desta empresa e, também, desde que citado o enquadramento legal correto (art. 135 do CTN) e provada a prática, por Cláudia Maria Rosa, de atos contrários à lei ou ao contrato social. Não é o caso, já que não consta do TVF qualquer menção a uma atuação específica de Claudia Maria Rosa em atos que tenham gerado obrigações tributárias (no máximo, como se verá no item a seguir, há atos praticados pela MB Representações, mas não se menciona a atuação de Cláudia Maria Rosa não se sabe se ela era apenas sócia sem conhecimento dos atos de gestão da empresa ou se praticava efetivamente tal gestão). Conclusão: neste sentido, voto por dar provimento ao recurso voluntário de Cláudia Maria Rosa. MB REPRESENTAÇÕES E ASSESSORIA EMPRESARIAL LTDA, BANDEIRA INDÚSTRIA DE ALUMÍNIO LTDA. e BANDEIRA 2 COMÉRCIO DE SUCATAS E METAIS LTDA. Fl. 9748DF CARF MF Processo nº 19515.720192/201678 Acórdão n.º 1401002.183 S1C4T1 Fl. 9.735 29 Tais empresas foram responsabilizadas por supostamente terem recebido valores da Recuperadora Vista Azul sem contrapartida de fornecimento de bens ou serviços e por terem transmitido declarações do mesmo hardware utilizado para transmitir as declarações da Recuperadora Vista Azul e de seus sócios. Especificamente, a MB Representações tem como sócios Marcio Aparecido Bandeira e Claudia Maria Rosa, também indicados como responsáveis no auto de infração em questão. Em 2012 esta empresa recebeu pagamentos da empresa autuada no valor total de R$ 45.108,00 sem contrapartida em notas fiscais tal valor corresponde a menos de 12% de seu faturamento naquele ano, que foi de R$ 400.800,00. Embora alegue que juntou as notas aos autos não menciona fls. nem foi possível localizar tais documentos. Conclusão: neste sentido, voto por negar provimento ao recurso voluntário de MB Representações. Quanto à Bandeira Indústria de Alumínio Ltda., esta tem como sócios os irmãos Márcio Aparecido Bandeira e Sérgio José Bandeira, também indicados como responsáveis no auto de infração em questão. No anocalendário de 2012 a empresa autuada vendeu o montante de R$ 26.830.123,34 para a Bandeira Indústria de Alumínio Ltda. (o que corresponde a 20,2% de suas vendas no anocalendário) e esta adquiriu daquela mercadorias no valor total de R$ 41.761.832,50 (ou seja, mais de 64% de suas compras em 2012 foram adquiridas da empresa autuada). O TVF considerou que "esses fatos levam a crer que o esquema de notas frias usado pela Recuperadora Vista Azul teve como principal beneficiário a Bandeira Indústria de Alumínio, que comprou grande parte de sua produção". Em sua defesa, a empresa alega que sua relação com a autuada era estritamente comercial e que se tivesse sido intimada a tanto poderia ter comprovado isso documentalmente. De fato, as acusações relacionadas à empresa Bandeira Indústria de Alumínio Ltda. constantes do TVF parecem ter sido baseadas unicamente no fato de esta empresa pertencer a integrantes da "família Bandeira". A empresa não está entre as que foram intimadas a comprovar a relação comercial com a autuada, nem consta entre aquelas para as quais não foram comprovadas as operações. Vejase, neste sentido, o pertinente trecho do TVF (fl. 8.026): Fl. 9749DF CARF MF 30 Vale ressaltar que a decisão recorrida aponta como única razão para manter a responsabilidade tributária da Bandeira Indústria de Alumínios Ltda. o fato de ser grande o volume de transações entre ela e a autuada. Confirase: Ficou devidamente comprovado que o gerenciamento da Recuperadora Vista Azul Indústria e Comércio de Metais Ltda. foi efetuado pelo Sr. Marcio Aparecido Bandeira, por seu filho Vitor Bandeira e que grande parte das vendas eram canalizadas para a empresa Bandeira Indústria de Alumínios Ltda., de propriedade Marcio Aparecido Bandeira e Sérgio José Bandeira. (grifamos) Ora, o fato de ser grande o volume de operações entre as empresas, por si só, não leva à responsabilização tributária de ninguém. Seria necessário também alegar e buscar provas de que tais operações não ocorreram. No caso, cabia à autoridade autuante fazer prova dos fatos tidos como fundamento para responsabilizar solidariamente a empresa Bandeira Indústria de Alumínio Ltda., não obstante, não há sequer alegação ou início de prova de que as compras e vendas praticadas com a autuada efetivamente não ocorreram. Conclusão: diante disso, voto dar provimento ao recurso voluntário da empresa Bandeira Indústria de Alumínio Ltda.. Sobre a Bandeira 2 Comércio de Sucatas e Metais Ltda., esta empresa também pertence à "família Bandeira" e o TVF afirma que "é onde hoje se encontram os principais bens da família Bandeira.". Não há qualquer alegação sobre condutas específicas praticadas por esta empresa capazes de consubstanciar "interesse comum" nos atos que geraram os fatos geradores (isto é, no recebimento de valores da Recuperadora Vista Azul sem contrapartida de fornecimento de bens ou serviços). O simples fato de ser detentora de bens de integrantes de uma família que supostamente sonegaram tributos não acarreta a responsabilidade solidária de ninguém. Pretender atingir os bens da "família Bandeira" dessa forma é subverter a legislação sobre desconsideração da personalidade jurídica. Conclusão: diante disso, voto dar provimento ao recurso voluntário da empresa Bandeira 2 Comércio de Sucatas e Metais Ltda. Fl. 9750DF CARF MF Processo nº 19515.720192/201678 Acórdão n.º 1401002.183 S1C4T1 Fl. 9.736 31 MÁRCIO APARECIDO BANDEIRA Foi responsabilizado com fundamento nos seguintes fatos: (i) sua DIRPF foi transmitida do mesmo hardware utilizado para transmitir as declarações da Recuperadora Vista Azul; (ii) é sócio administrador das empresas Bandeira Indústria de Alumínio Ltda. e M.B. Representações e Assessoria Empresarial Ltda. (iii) declarações de terceiros provadas por cópias de emails e indicam que atuava de fato como administrador da empresa autuada Recuperadora Vista Azul, ditando as regras comerciais a serem por ela adotadas. (iv) esvaziou seu patrimônio declarado na DIPRF anocalendário de 2012, e no anocalendário de 2014 declarou apenas as quotas de participação nas empresas M.B. Representações e Assessoria Empresarial Ltda. (R$ 30.000,00) e Bandeira Indústria de Alumínio Ltda. (R$ 1.900.000,00). O TVF concluiu que tais fatos levaram a crer que Márcio Aparecido Bandeira e familiares são os gestores/administradores do esquema fraudulento envolvendo a Recuperadora Vista Azul e, portanto, reais beneficiários dos valores obtidos por meio desse esquema. Lembrando que restou provado quanto a diversas empresas que não se manifestaram nos autos que as compras efetuadas pela Recuperadora Vista Azul não existiram efetivamente, servindo apenas para dar origem, em tese, ao seu estoque de mercadorias de origem não comprovada. Em sua defesa, Marcio Aparecido Bandeira nega a ingerência comercial na empresa autuada e informa que é apenas parceiro de negócios desta, interessado na compra de produtos e conhecedor e atuante da área de metais, sendo comum manter contato com bons fornecedores. Afirma, ainda, ter tido verdadeira involução patrimonial nos anoscalendário de 2010 a 2014. A afirmação sobre a involução patrimonial confirma o esvaziamento patrimonial indicado pela fiscalização como indício de fraude. Além disso, não obstante a fiscalização tenha alegado e trazido provas de que Marcio Aparecido Bandeira atuou como administrador de fato da empresa autuada, sua defesa se limita a contradizer tais afirmações sem fornecer qualquer documento que sirva de contraprova. Conclusão: diante do exposto, voto por negar provimento ao recurso voluntário apresentado por Marcio Aparecido Bandeira. VITOR BANDEIRA Fl. 9751DF CARF MF 32 Foi responsabilizado com fundamento nos seguintes fatos: (i) sua DIRPF foi transmitida do mesmo hardware utilizado para transmitir as declarações da Recuperadora Vista Azul e seus sócios; (ii) é filho de Márcio Aparecido Bandeira e, desde 2009, sócio da De Luna Comércio de Sucatas de Metais Ltda., (iii) participou das negociações para que a empresa autuada adquirisse um forno câmara para homogeneização, conforme cópias e contrato e de emails obtidos pela fiscalização. O acórdão recorrido entendeu que tais provas eram suficientes para caracterizar a gestão, por parte de Vitor Bandeira, da empresa autuada. Todavia, entendo que tal entendimento não prospera. Novamente, tratase de indícios que não necessariamente apontam para uma mesma conclusão, e que portanto nada provam. Já se afirmou que utilizar o mesmo contador não indica qualquer ligação entre as pessoas, já que se trata de um terceiro que presta exatamente esse serviço, de forma, a princípio, lícita. Simplesmente ser parente de alguém que é imputado responsável tributário não torna a pessoa mais "suspeita" de ter se beneficiado de eventuais ocultações patrimoniais desta nem indica qualquer cometimento de ilícito. Ser sócio de empresa do mesmo ramo de atividade da que está sendo investigada também não. Tais fatos até poderiam servir como indício caso houvesse provas mais contundentes da participação de Vitor Bandeira nos negócios da empresa autuada. Ocorre que ter participado pontualmente de uma negociação de aquisição de bem não tem o condão de fazer com que a pessoa possa ser considerada administradora de fato daquela empresa. Conclusão: por tais motivos, voto por dar provimento ao recurso voluntário de Vitor Bandeira. LUZIA DE FÁTIMA ROSA BANDEIRA Foi responsabilizada com fundamento nos seguintes fatos: (i) sua DIRPF foi transmitida do mesmo hardware utilizado para transmitir as declarações da Recuperadora Vista Azul; (ii) é esposa de Marcio Aparecido Bandeira e sócia da empresa Bandeira 2 Comércio de Sucatas e Metais Ltda., onde, segundo a fiscalização, se encontram os principais bens da família Bandeira. Aplicamse aqui os fundamentos expostos acima quanto à irrelevância, para fins da caracterização da responsabilidade tributária, de ter utilizado os serviços do mesmo contador e de simplesmente ser parente de alguém imputado como responsável tributário. O TVF não menciona qualquer conduta específica de Luzia de Fátima Rosa Bandeira nem traz qualquer prova acerca de eventual benefício direto por ela obtido em razão das condutas realizadas por seu marido. Embora o fato de ser esposa de pessoa indicada como responsável tributário possa significar ter se beneficiado dos desvios por ele praticados, isso, por si só, não é fundamento para a indicação da mulher como responsável no auto de infração. Novamente, pecou o TVF em não ter produzido provas mais contundentes do que pretendeu alegar. Conclusão: por tais motivos, voto por dar provimento ao recurso voluntário de Luzia de Fátima Rosa Bandeira. Fl. 9752DF CARF MF Processo nº 19515.720192/201678 Acórdão n.º 1401002.183 S1C4T1 Fl. 9.737 33 SÉRGIO JOSÉ BANDEIRA Foi responsabilizado com fundamento nos seguintes fatos: (i) sua DIRPF foi transmitida do mesmo hardware utilizado para transmitir as declarações da Recuperadora Vista Azul e seus sócios; (ii) é irmão de Márcio Aparecido Bandeira e sócio administrador de Bandeira Indústria de Alumínio Ltda. e de Bandeira 2 Comércio de Sucatas e Metais Ltda., onde, segundo a fiscalização, se encontram os principais bens da família Bandeira. Considero aplicáveis aqui os mesmos motivos da exclusão de responsabilidade tributária já expostos nos trechos relativos a Vitor Bandeira e Luzia de Fátima Rosa Bandeira. Conclusão: voto por dar provimento ao recurso voluntário de Sérgio José Bandeira. Por fim, quanto à alegação de alguns dos responsáveis relativamente à possibilidade de aplicação do princípio do não confisco e limitação do percentual da multa, novamente louvo a argumentação tecida no acórdão recorrido, a qual adoto integralmente como razões de decidir, com fundamento no § 3º do artigo 57 do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 343/2015: O disposto no inc. IV do art. 150 da Constituição Federal, que veda a utilização de tributo com efeito de confisco, é dirigida ao legislador quando da elaboração da lei tributária. A multa aplicável nos casos de lançamento de ofício está prevista na Lei nº 9.430, de 1996 (art. 44). Desse modo, positivada a norma, em face da vinculação estatuída pelo art. 142 do Código Tributário Nacional e do disposto no inc. III do art. 116 da Lei nº 8.112, de 1990, é dever da autoridade fiscal aplicála. Essa disposição legal é reforçada pelo inc. V do art. 7º da Portaria MF nº 341, de 12 de julho de 2011, que disciplina a constituição das turmas e o funcionamento das Delegacias da Receita Federal do Brasil de Julgamento (DRJ). A lei emanada do Poder Legislativo por meio de processo próprio e sancionada pelo chefe do Executivo goza de presunção de constitucionalidade. Uma vez publicada, subentendese válida e eficaz. É obrigatória a sua aplicação. É de extrema importância que assim o seja, principalmente para a segurança jurídica que garante os direitos e deveres do cidadão. Por outro lado, cabe ao Poder Judiciário a competência para declarar ou reconhecer a inconstitucionalidade de lei, conforme arts. 97 e 102 da Constituição Federal. O art. 26A do Decreto nº 70.235, de 1972, veda expressamente aos órgãos de julgamento afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob o fundamento de inconstitucionalidade, a menos que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão definitiva plenária do Supremo Tribunal Federal (§ 6º, inc. I). A questão da apreciação de argumentos sobre a inconstitucionalidade de lei tributária está consolidada na esfera administrativa, tratase de matéria estranha à Fl. 9753DF CARF MF 34 sua competência, inclusive com súmula a respeito, aprovada pelo Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, abaixo: Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Acrescentase que o autuante demonstrou claramente que contribuinte utilizou notas fiscais frias, gerando custos fictícios que reduziram as bases de cálculo do IRPJ e da CSLL e geraram créditos indevidos de PIS/Pasep e Cofins, conduta dolosa adotada com o propósito de impedir ou retardar, total ou parcialmente, a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, ou a excluir ou modificar as suas características essenciais, de modo a reduzir o montante do imposto devido a evitar ou diferir seu pagamento, enquadrandose na hipótese prevista nos art. 72 (fraude) da Lei nº 4.502, de 1964. Para esses casos, o § 1º do art. 44 da Lei nº 9.430, de 1996, determina a duplicação da multa prevista no inc. I do referido artigo. Portanto, a multa de ofício foi aplicada corretamente, conforme previsto na lei, devendo ser mantida no percentual utilizado nos lançamentos. CONCLUSÃO Conforme exposto acima, oriento meu voto no sentido de negar provimento ao recurso de ofício, negar provimento aos recursos voluntários apresentados por André Luiz Bisca, Marcio Aparecido Bandeira e MB Representações e Assessoria Empresarial Ltda. e dar provimento aos recursos voluntários apresentados por Cláudia Maria Rosa, Bandeira Indústria de Alumínio Ltda., Bandeira 2 Comércio de Sucatas e Metais Ltda., Vitor Bandeira, Luzia de Fátima Rosa Bandeira e Sergio José Bandeira. (assinado digitalmente) Livia De Carli Germano Fl. 9754DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10380.001835/2009-50
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 06 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Mar 27 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Outros Tributos ou Contribuições
Período de apuração: 01/02/2004 a 31/12/2006
AFERIÇÃO INDIRETA DA BASE DE CÁLCULO. PROCEDIMENTO EXCEPCIONAL. CABIMENTO APENAS NAS SITUAÇÕES EM QUE FIQUE DEMONSTRADA A IMPOSSIBILIDADE DE APURAÇÃO DO TRIBUTO COM BASE NA DOCUMENTAÇÃO EXIBIDA PELO SUJEITO PASSIVO.
A mera existência de irregularidades na escrita contábil do contribuinte não autoriza, por si só, a aferição indireta das contribuições, quando o Fisco não demonstra que houve sonegação de documentos relativos à base de cálculo investigada ou que os elementos apresentados não refletem a real remuneração paga aos segurados a serviço da empresa.
Numero da decisão: 2201-004.266
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Carlos Henrique de Oliveira - Presidente.
(assinado digitalmente)
Dione Jesabel Wasilewski - Relatora.
EDITADO EM: 22/03/2018
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Henrique de Oliveira, José Alfredo Duarte Filho, Douglas Kakazu Kushiyama, Marcelo Milton da Silva Risso, Dione Jesabel Wasilewski, Carlos Alberto do Amaral Azeredo, Daniel Melo Mendes Bezerra e Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim.
Nome do relator: DIONE JESABEL WASILEWSKI
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ementa_s : Assunto: Outros Tributos ou Contribuições Período de apuração: 01/02/2004 a 31/12/2006 AFERIÇÃO INDIRETA DA BASE DE CÁLCULO. PROCEDIMENTO EXCEPCIONAL. CABIMENTO APENAS NAS SITUAÇÕES EM QUE FIQUE DEMONSTRADA A IMPOSSIBILIDADE DE APURAÇÃO DO TRIBUTO COM BASE NA DOCUMENTAÇÃO EXIBIDA PELO SUJEITO PASSIVO. A mera existência de irregularidades na escrita contábil do contribuinte não autoriza, por si só, a aferição indireta das contribuições, quando o Fisco não demonstra que houve sonegação de documentos relativos à base de cálculo investigada ou que os elementos apresentados não refletem a real remuneração paga aos segurados a serviço da empresa.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Carlos Henrique de Oliveira - Presidente. (assinado digitalmente) Dione Jesabel Wasilewski - Relatora. EDITADO EM: 22/03/2018 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Henrique de Oliveira, José Alfredo Duarte Filho, Douglas Kakazu Kushiyama, Marcelo Milton da Silva Risso, Dione Jesabel Wasilewski, Carlos Alberto do Amaral Azeredo, Daniel Melo Mendes Bezerra e Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim.
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PROCEDIMENTO EXCEPCIONAL. CABIMENTO APENAS NAS SITUAÇÕES EM QUE FIQUE DEMONSTRADA A IMPOSSIBILIDADE DE APURAÇÃO DO TRIBUTO COM BASE NA DOCUMENTAÇÃO EXIBIDA PELO SUJEITO PASSIVO. A mera existência de irregularidades na escrita contábil do contribuinte não autoriza, por si só, a aferição indireta das contribuições, quando o Fisco não demonstra que houve sonegação de documentos relativos à base de cálculo investigada ou que os elementos apresentados não refletem a real remuneração paga aos segurados a serviço da empresa. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Carlos Henrique de Oliveira Presidente. (assinado digitalmente) Dione Jesabel Wasilewski Relatora. EDITADO EM: 22/03/2018 AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 38 0. 00 18 35 /2 00 9- 50 Fl. 4101DF CARF MF 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Henrique de Oliveira, José Alfredo Duarte Filho, Douglas Kakazu Kushiyama, Marcelo Milton da Silva Risso, Dione Jesabel Wasilewski, Carlos Alberto do Amaral Azeredo, Daniel Melo Mendes Bezerra e Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim. Relatório Tratase de recurso voluntário (fls. 4089/4099) apresentado em face do Acórdão nº 0359.452, da 5ª Turma da DRJ/BSB (fls. 4077/4086), que negou provimento à impugnação do sujeito passivo (fls. 55/68) ao auto de infração pelo qual se exige crédito tributário relativo a contribuições destinadas ao Serviço Social do Comércio Sesc, incidente sobre a remuneração dos empregados, aferida com base nos valores dos serviços de vigilância prestados pela empresa fiscalizada (AIOP 37.043.9201 fls. 2/50). Segundo o relatório da fiscalização (fls. 43/50), foi aferida a remuneração dos empregados com base na receita obtida através da prestação de serviços de vigilância, sobre a qual foi aplicado o percentual de 40% (quarenta por cento). Do valor assim apurado, teriam sido deduzidas as remunerações constantes das folhas de pagamento apresentadas pela empresa e sobre a diferença obtida foi aplicada a alíquota correspondente. A aferição indireta realizada teria por base legal o art. 33, § 3º, da Lei nº 8.212, de 1991, e os arts. 600, I, e 603 da Instrução Normativa SRP nº 3, de 2005. O fundamento fático para esse procedimento seria a não apresentação de parte dos livros e dos documentos solicitados pela fiscalização através de termos de intimação, bem como por ter deixado de prestar informações contábeis, financeiras e cadastrais de interesse da Receita Federal do Brasil, condutas que teriam justificado a imposição de penalidade por descumprimento de obrigações acessórias (AIOA nº 37.165.7568 e 37.165.7571). Em benefício da clareza, transcrevo abaixo trecho do relatório fiscal onde são detalhadas as irregularidades apuradas pela fiscalização: • Não foram apresentados os livros Razão referentes aos exercícios de 2005 e de 2006. • Nos livros Diários apresentados, verificouse a existência de lançamentos relativos a despesas com fardamento, combustíveis, manutenção de veículos, material de escritório, material utilizado no serviço, viagens, cestas básicas, sem referência a documento fiscal, conforme cópias xerográficas anexadas ao AIOP DEBCAD 37.209.9602. • A partir de 2005, o histórico das despesas acima citadas passou a referenciar o número do documento fiscal. Por se tratarem de despesas de valor elevado, principalmente no que tange a compra de fardamento, material de escritório e utilizado no serviço, e por terem sido anteriormente escrituradas sem referência A nota fiscal, concluiuse quanto à indispensabilidade do exame de alguns desses comprovantes no sentido de determinar se tais gastos se referiam efetivamente à finalidade consignada nos títulos contábeis. Fl. 4102DF CARF MF Processo nº 10380.001835/200950 Acórdão n.º 2201004.266 S2C2T1 Fl. 4.102 3 • Solicitados os documentos fiscais comprobatórios das despesas escrituradas, apenas parte dos mesmos foi apresentada à fiscalização, tendo os comprovantes sido retidos e posteriormente, apreendidos. • Os documentos fiscais apresentados pela empresa continham indícios de inautenticidade, tais como selo fiscal sem talho doce e numeração de notas apostas com numerador manual. • Tais indícios determinaram a intimação dos fornecedores para apresentação das vias das notas fiscais com a mesma numeração e relativas aos mesmos períodos das apresentadas pela CORPVS. • Examinadas as Notas Fiscais emitidas pelos fornecedores, verificouse que: • as notas com a mesma numeração apresentada pela CORPVS não tinham sido emitidas contra este cliente ou sequer tinham sido emitidas ainda pelo fornecedor; • tanto as datas de emissão das Notas quanta os valores das mesmas eram diferentes das contidas nas apresentadas pela CORPVS; • o layout das Notas apresentadas pelos fornecedores não era compatível com o das vias encontradas na CORPVS. • Solicitadas informações A Secretaria da Fazenda do Estado do Ceará acerca das empresas para quem teriam sido emitidas as Autorizações para Impressão de Documentos Fiscais AIDF, constatouse que as Autorizações constantes das Notas Fiscais apresentadas pela CORPVS como sendo de seus fornecedores foram emitidas pela SEFAZ para outras empresas. • Foi solicitada ainda a Secretaria da Fazenda do Estado do Ceará a identificação dos contribuintes para quem foram emitidas a Autorizações para Impressão dos Selos apostos em Notas Fiscais apresentadas pela CORPVS. Também nesse caso verificouse terem sido as Autorizações emitidas para empresas diferentes daquelas constantes das Notas apresentadas pela CORPVS. • Tais constatações determinaram a conclusão quanto A apresentação deficiente de documentos bem como quanto A tese de crime de falsificação de documento público, conforme previsto no art. 297 do DecretoLei 2.848/40 Código Penal. • No caso dos selos apostos nas Notas Fiscais, deve ser levantada a tese de crime de falsificação de papéis públicos, conforme previsto no art. 293, inciso I, do Código Penal. Pelos fatos acima narrados, foi realizada aferição indireta tendo por base os valores de venda de serviços escriturados na conta identificada no item 3.5 do Relatório Fiscal. Fl. 4103DF CARF MF 4 O lançamento foi impugnado pelo sujeito passivo, o que deu origem ao Acórdão ora atacado, que foi precedido pela realização de duas diligências determinadas pela autoridade julgadora de 1ª instância (fls. 3079/3084 e 3101/3104) para fins de averiguação de irregularidades apontadas pela impugnante nos cálculos realizados pela fiscalização. Realizados os ajustes determinados pela DRJ (fls. 4068/4073), foi proferida decisão consubstanciada em documento que tem a seguinte ementa: ASSUNTO: OUTROS TRIBUTOS OU CONTRIBUIÇÕES Período de apuração: 01/01/2002 a 31/12/2006 CONTENCIOSO ADMINISTRATIVO. ILEGALIDADE E INCONSTITUCIONALIDADE. APRECIAÇÃO. À esfera administrativa não cabe conhecer de arguições de inconstitucionalidade ou ilegalidade de lei ou ato normativo, matéria de competência do Poder Judiciário. PRAZO DECADENCIAL. INÍCIO DA CONTAGEM. DOLO, FRAUDE OU SIMULAÇÃO. As contribuições lançadas sujeitamse ao prazo decadencial de 05 (cinco) anos previsto no Código Tributário Nacional, contados a partir do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, quando houver a ocorrência de dolo, fraude ou simulação. VERDADE MATERIAL. A busca da verdade material pressupõe a observância, pelo sujeito passivo, do seu dever de colaboração para com a Fiscalização, no sentido de lhe proporcionar condições de apurar a verdade dos fatos. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Tendo tomado ciência dessa decisão em 16/06/2014 (fls. 4088), o sujeito passivo apresentou tempestivamente seu recurso voluntário (fls. 4089/4099) em 23/06/2014. Em suas razões recursais, alega, em síntese, que: 1. As deficiências apontadas pela fiscalização limitamse à contabilização de notas fiscais tidas como inidôneas e a falta de apresentação dos Livros Razão de 2005 e 2006. 2. Como foi apresentada toda a documentação relacionada a apuração da contribuição previdenciária, o lançamento por aferição indireta é nulo, por vício formal, uma vez que lhe faltou fundamentação legal. 3. Há também nulidade por vício material, uma vez que restou demonstrado erro na apuração da base de cálculo. Fl. 4104DF CARF MF Processo nº 10380.001835/200950 Acórdão n.º 2201004.266 S2C2T1 Fl. 4.103 5 4. As competências anteriores a abril de 2014 já se encontravam atingidas pela decadência quando o lançamento foi realizado. 5. É inconstitucional e ilegal o arbitramento das contribuições ao Sesc com base no faturamento. 6. A presunção utilizada deve ceder diante da verdade material. A recorrente apresentou documentos capazes de elidir a presunção fustigada demonstrando o montante real da remuneração paga aos seus empregados e contribuintes individuais. 7. A decisão de piso errou ao determinar que fossem deduzidos dos valores apurados por aferição indireta apenas as folhas de pagamento dos empregados diretamente ligados à prestação dos serviços, pois este procedimento não é razoável e nem proporcional. 8. Como o lançamento se reporta a fatos geradores anteriores a dezembro de 2008, entende que a multa deve se limitar à multa de mora prevista no art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991. Pelas razões expostas acima, pede a reforma da decisão de primeira instância para que seja cancelado o lançamento materializado no AIOP nº 37.043.9201. Chegando a este Colegiado, o processo foi distribuído a esta Conselheira em sessão pública. É o que havia para ser relatado. Voto Conselheira Dione Jesabel Wasilewski Relatora O recurso voluntário apresentado preenche os requisitos de admissibilidade e dele conheço. Inicialmente, registro que, com base no art. 59, § 3º do Decreto nº 70.235, de 1972, deixarei de analisar as preliminares (nulidade por vício formal) e prejudiciais de mérito (decadência), pelas razões que serão evidenciadas a seguir. O lançamento em análise foi realizado com base em aferição indireta, invocando como base os seguintes dispositivos: Lei nº 8.212, de 1991 Art. 33. À Secretaria da Receita Federal do Brasil compete planejar, executar, acompanhar e avaliar as atividades relativas à tributação, à fiscalização, à arrecadação, à cobrança e ao recolhimento das contribuições sociais previstas no parágrafo único do art. 11 desta Lei, das contribuições incidentes a título de substituição e das devidas a outras entidades e fundos. (...) Fl. 4105DF CARF MF 6 § 3o Ocorrendo recusa ou sonegação de qualquer documento ou informação, ou sua apresentação deficiente, a Secretaria da Receita Federal do Brasil pode, sem prejuízo da penalidade cabível, lançar de ofício a importância devida. Instrução Normativa SRP nº 3, de 1995 Art. 600. Para fins de aferição, a remuneração da mãodeobra utilizada na prestação de serviços por empresa corresponde ao mínimo de: I quarenta por cento do valor dos serviços constantes da nota fiscal, da fatura ou do recibo de prestação de serviços; II cinqüenta por cento do valor dos serviços constantes da nota fiscal, da fatura ou do recibo, no caso de trabalho temporário. Parágrafo único. Nos serviços de limpeza, de transporte de cargas e de passageiros e nos de construção civil, que envolvam utilização de equipamentos, a remuneração da mãodeobra utilizada na execução dos serviços não poderá ser inferior aos respectivos percentuais previstos nos arts. 602, 603 e 605. (...) Art. 603. Na operação de transporte de cargas ou de passageiros, o valor da remuneração da mãodeobra utilizada na prestação de serviços não poderá ser inferior a vinte por cento do valor bruto da nota fiscal, fatura ou recibo de prestação de serviços, observado, quanto ao transporte de cargas, o disposto no inciso V do art. 176. Compulsandose a IN SRP nº 3, de 2005, vêse que os fatos que autorizavam a utilização desse mecanismo de apuração da base de cálculo estavam descritos no artigo que é abaixo reproduzido: Art. 597. A aferição indireta será utilizada, se: I no exame da escrituração contábil ou de qualquer outro documento do sujeito passivo, a fiscalização constatar que a contabilidade não registra o movimento real da remuneração dos segurados a seu serviço, da receita, ou do faturamento e do lucro; II a empresa, o empregador doméstico, ou o segurado recusar se a apresentar qualquer documento, ou sonegar informação, ou apresentálos deficientemente; III faltar prova regular e formalizada do montante dos salários pagos pela execução de obra de construção civil; IV as informações prestadas ou os documentos expedidos pelo sujeito passivo não merecerem fé em face de outras informações, ou outros documentos de que disponha a fiscalização, como por exemplo: a) omissão de receita ou de faturamento verificada por intermédio de subsídio à fiscalização; Fl. 4106DF CARF MF Processo nº 10380.001835/200950 Acórdão n.º 2201004.266 S2C2T1 Fl. 4.104 7 b) dados coletados na Justiça do Trabalho, Delegacia Regional do Trabalho, Secretaria da Receita Federal ou junto a outros órgãos, em confronto com a escrituração contábil, livro de registro de empregados ou outros elementos em poder do sujeito passivo; c) constatação da impossibilidade de execução do serviço contratado, tendo em vista o número de segurados constantes em GFIP ou folha de pagamento específicas, mediante confronto desses documentos com as respectivas notas fiscais, faturas, recibos ou contratos. § 1º Considerase deficiente o documento apresentado ou a informação prestada que não preencha as formalidades legais, bem como aquele documento que contenha informação diversa da realidade ou, ainda, que omita informação verdadeira. § 2º Para o fim do inciso III do caput, considerase prova regular e formalizada a escrituração contábil em livro Diário e Razão, conforme previsto no § 13 do art. 225 do RPS e no inciso IV do art. 60 desta IN. Pela redação desse dispositivo, vêse que ele estabelece uma modalidade presumida de apuração da base de cálculo dos tributos, que deve ser adotada em circunstâncias bastante peculiares, quando a contabilidade não registra o movimento real da remuneração dos segurados, ou a receita, ou o faturamento ou o lucro; quando há recusa na apresentação de documentos, sonegação de informações ou apresentação insuficiente; ou ainda quando as informações prestadas não merecerem fé. Apenas a constatação de uma das circunstâncias listadas acima autoriza o emprego do expediente excepcional, contudo, mesmo no contexto da identificação de um desses fatos, penso ser necessário haver uma relação de prejudicialidade entre as irregularidades constatadas e a matéria objeto de investigação fiscal e de autuação. Para que se revista de legitimidade, o ato que aplica medidas dessa natureza deve ser adequadamente fundamentado, o que exige que se aponte irregularidades concernentes à grandeza que está sendo auditada e argumentos que evidenciem ser inevitável a via adotada. Com isso se quer dizer que o arbitramento que se faz através de aferição indireta não é uma prerrogativa da fiscalização a ser utilizada conforme juízos de conveniência e oportunidade, mas uma via estreita cujo acesso só é permitido em circunstâncias perfeitamente delimitadas pela legislação e comprovadas dentro do processo através da linguagem adequada, seja através da narrativa empreendida no relatório fiscal, seja através de provas. É elemento necessário dessa fundamentação, a demonstração do nexo causal entre as irregularidades verificadas e a impossibilidade de apuração do tributo pelos meios ordinários estabelecidos na legislação tributária. Nessa esteira, tratandose de tributos que têm por base a folha de pagamentos, a aferição indireta baseada no art. 597, I, da IN SRF nº 3, de 2005, por exemplo, estaria justificada pela demonstração de que a "contabilidade não registra o movimento real da remuneração dos segurados a seu serviço", pois é esta grandeza que se está a quantificar no procedimento de fiscalização. Fl. 4107DF CARF MF 8 Ou então, seria necessário comprovar a recusa na prestação de informações ou documentos relativos à remuneração dos empregados, o que legitimaria a aferição indireta com suporte no art. 597, II. Estabelecida essa premissa, vêse que o auto de infração descreve irregularidades de duas ordens: não apresentação do livro razão 2005 e 2006 e contabilização de despesas suportadas por documentação fiscal inidônea. Quanto às notas inidôneas, a autoridade fiscal apresenta as seguintes informações: 6.1. No curso do procedimento de fiscalização junto ao contribuinte em referência, verificouse a existência de diversas despesas lançadas sem referência a documento fiscal no histórico dos lançamentos, nos anoscalendário 2003, 2004 e 2005. Em face de tal constatação foi solicitada a apresentação das notas fiscais que embasaram os citados lançamentos os quais diziam respeito A aquisição de fardamento, combustíveis, cestas básicas, material de limpeza, material de escritório, manutenção de veículos, conservação e manutenção em geral. 6.2. A partir do segundo semestre de 2005 e em 2006, os lançamentos verificados nas mesmas contas referenciavam os documentos fiscais, mas foram solicitados também tais comprovantes para esclarecer a natureza das despesas efetuadas. Nas contas que registravam despesas referentes a fardamento, em face dos valores elevados nelas escriturados, foram solicitados os comprovantes de despesas mesmo quando os históricos dos lançamentos referenciavam as notas fiscais. 6.3. A empresa sob fiscalização apresentou parte dos documentos fiscais solicitados, conforme Termos de Constatação e de Retenção anexados ao AIOP n° DEBCAD 37.209.960 2, tendo sido detectados indícios de que tais notas poderiam ser falsas. No sentido de determinar a autenticidade dos mesmos, solicitouse à Secretaria da Fazenda do Estado do Ceara a confirmação da emissão de autorizações para impressão tanto das referidas Notas Fiscais quanto dos selos e foram intimados os fornecedores que teriam emitido os documentos fiscais apresentados pela Corpvs. Já em relação à ausência do livro razão, destaco o seguinte trecho do relatório: 6.5. Relativamente aos exercícios de 2005 e 2006, a empresa não apresentou os Livros Razão. Em face de tal omissão todos os valores relativos a serviços prestados a tomadores de serviços, à remuneração paga a empregados e ao sócio, valores pagos a titulo de saláriomaternidade e de saláriofamília, contribuições descontadas e valores recolhidos, tiveram de ser obtidos através do exame dos Livros Diário, dia a dia. 6.6. Tal foi também o procedimento para verificar as despesas constantes das contas acima referenciadas, para as quais, em muitos lançamentos, inexistia referência a documento fiscal. Fl. 4108DF CARF MF Processo nº 10380.001835/200950 Acórdão n.º 2201004.266 S2C2T1 Fl. 4.105 9 A partir desses excertos, entendo correto afirmar que não restou evidenciado como o registro de despesas com "fardamento, combustíveis, cestas básicas, material de limpeza, material de escritório, manutenção de veículos, conservação e manutenção em geral" sem a correspondente documentação fiscal comprometeria a integridade das informações constantes das folhas de pagamento. Embora seja possível a existência de uma vinculação entre essas despesas, ela não foi demonstrada pela narrativa construída pela autoridade fiscal. Da mesma forma, a ausência do livro razão não parece justificar que se negue fé aos documentos e registros que espelham as remunerações pagas, até porque, conforme explicita a própria fiscalização "todos os valores relativos a serviços prestados a tomadores de serviços, à remuneração paga a empregados e ao sócio, valores pagos a titulo de salário maternidade e de saláriofamília, contribuições descontadas e valores recolhidos, tiveram de ser obtidos através do exame dos Livros Diário, dia a dia". Ou seja, parte dos levantamentos foram feitos com base no livro diário. Além disso, como resultado do mesmo procedimento fiscal foram realizados lançamentos a partir das folhas de pagamento da empresa, conforme pode ser verificado no processo nº 10380.001829/200901. Esses fatos revelam uma conduta contraditória da autoridade fiscal, que nega credibilidade aos documentos apresentados pela empresa ao mesmo tempo em que se vale deles. Devese registrar, ainda que o item 3.5 do relatório fiscal estabelece textualmente que "Os valores relativos à remuneração paga a empregados foram aferidos com base nos valores da venda de serviço escriturados na seguinte conta". O que evidencia a utilização da própria contabilidade da empresa. Oportuno destacar que este Conselho registra jurisprudência que evidencia a excepcionalidade das medidas adotadas no lançamento que ora se analisa, bem como a necessidade de que haja adequada fundamentação para elas. Nesse sentido, o Acórdão nº 2401 02.161, de lavra do Conselheiro Kleber Ferreira de Araújo, registra em sua ementa: AFERIÇÃO INDIRETA DA BASE DE CÁLCULO. PROCEDIMENTO EXCEPCIONAL. CABIMENTO APENAS NAS SITUAÇÃO EM QUE FIQUE DEMONSTRADA A IMPOSSIBILIDADE DE APURAÇÃO DO TRIBUTO COM BASE NA DOCUMENTAÇÃO EXIBIDA PELO SUJEITO PASSIVO. A mera existência de irregularidades na escrita contábil do contribuinte não autoriza, por si só, a aferição indireta das contribuições, quando o Fisco não demonstra que houve sonegação de documentos ou que os elementos apresentados não refletem a real remuneração paga aos segurados a serviço da empresa. Da fundamentação desse Acórdão, que adoto como razão de decidir, por sua vez, extraise: Aferição indireta do saláriodecontribuição O arbitramento da base de cálculo de tributos em geral é previsto no Código Tributário Nacional, art. 148, tendo cabimento quando as informações prestadas pelo sujeito passivo Fl. 4109DF CARF MF 10 não mereçam fé. Também a legislação previdenciária tem fundamentação específica para aferição indireta das contribuições, é esta a previsão dos §§ 3.º e 4.º do art. 33 da Lei n.º 8.212/1991, os quais trazem a possibilidade de arbitramento das contribuições, quando haja recusa, sonegação ou apresentação deficiente de informações por parte do sujeito passivo. Nessa análise não se pode perder de vista que o procedimento de aferição indireta é um instituto jurídico de exceção, excepcional, incomum, por isso, a lei condicionou a sua aplicação à presença de anormalidade. Tal procedimento deve se pautar pelos princípios da razoabilidade e da proporcionalidade. Dessa forma, o Fisco precisa apresentar relação lógica entre os fatos e as conclusões e se acautelar, para não se enveredar no excesso de exação fiscal por arbítrio e abuso de discricionariedade. Somente é admissível o citado procedimento quando o Fisco se vê diante de situação instransponível, ou seja, não tenha como se valer de outros meios para recompor o momento da ocorrência do fato gerador e obter os dados necessários ao cálculo do valor correspondente ao crédito tributário. Na situação sob enfoque, verifico que o Relatório Fiscal, por entender que a documentação do contribuinte seria deficiente, lançou mão da aferição indireta da remuneração dos empregados. De acordo com as considerações da Auditoria, o fato da empresa não ter registrado o pagamento de ART, bem como de despesas com deslocamento e hospedagem do sócio gerente do sujeito passivo, desconsiderou toda a documentação apresentada, por entendêla imprestável. Não vi no relato do Fisco qualquer menção à solicitação de documentos necessários à apuração da remuneração dos empregados, como folhas de pagamento, GFIP, RAIS, recibos, etc. O mister da fiscalização é apurar a ocorrência dos fatos geradores e calcular o tributo devido. No caso sob análise, os autos demonstram que foram prestados serviços, conforme notas fiscais apresentadas. Nesse sentido, deveria o Fisco requerer os documentos que guardassem relação com o pagamento de remunerações e, somente havendo a sonegação desses elementos, ou indícios de que os dados contidos nos mesmos não refletiriam a realidade dos valores pagos como contraprestação pelo trabalho dos segurados empregados, é que caberia a adoção do procedimento excepcional da aferição indireta. Para mim, os fatos narrados pela Auditoria para desconsiderar toda a documentação da empresa, por não se relacionarem com a remuneração dos empregados, não justificam o arbitramento da contribuição. Assim, entendo que na espécie somente estariam presentes os requisitos que autorizam a aferição indireta da mãoobra utilizada na prestação dos serviços, se o Fisco cabalmente demonstrasse que a empresa deixou de apresentar os comprovantes de pagamento de remunerações a empregados ou Fl. 4110DF CARF MF Processo nº 10380.001835/200950 Acórdão n.º 2201004.266 S2C2T1 Fl. 4.106 11 que os documentos exibidos denunciassem que a remuneração neles contidos seria irreal. Vejo, então, que a Auditoria Fiscal se desviou das normas que permitem o arbitramento dos tributos lançados, posto que não demonstrou estar diante de uma situação impeditiva de apurar as remunerações com esteio na documentação do sujeito passivo. Nesse sentido, dou razão à recorrente quanto à falta de justificativa para apuração da base de cálculo por aferição indireta. Também no caso sob análise a narrativa apresentada pelo relatório fiscal não evidencia a negativa de prestação de informações/documentos relacionados à remuneração, não restando demonstrada a impossibilidade de apuração dessa grandeza com base na documentação do sujeito passivo. Muito pelo contrário, em diversas oportunidades evidencia se que foi essa documentação utilizada pela fiscalização sem dificuldades maiores que a análise diaadia do livro diário. Merece registro que o Acórdão recorrido faz menção a fatos que tangenciam o objeto da fiscalização tal como defendido neste voto no seguinte trecho: No presente caso, a empresa deixou de apresentar os Livros Razão dos exercícios de 2005 e 2006, bem como os contratos de prestação de serviços firmados com empresas tomadoras de serviços, tendo recebido o Auto de Infração 37.165.7563, cuja impugnação da empresa foi julgada improcedente por esta 5a turma de julgamento, por meio do Acórdão 0343.905, de 05/07/2011.(grifouse) Apesar dessa menção na decisão de piso, que trata de irregularidade no atendimento à fiscalização que poderia reforçar as suas motivações para a medida empregada, não encontro no relatório fiscal e na documentação que foi juntada a esse processo a adequada representação desse fato, ou seja, ele não foi convertido em linguagem apta a fazer prova em favor das pretensões da Fazenda Pública. Com efeito, a autoridade fiscal concentrou seus esforços em demonstrar que a empresa registrou despesas com notas de duvidosa procedência. Contudo, a comprovação de que despesas diferentes da remuneração de empregados foram registradas sem os respectivos documentos fiscais poderia justificar a aferição indireta de tributos que tenham por base o lucro, mas não é motivação idônea para a adoção desse procedimento em relação a tributos que incidem sobre a remuneração de empregados. Quando mais não se produziu um único indício ou prova de que os valores contabilizados a esse título não são merecedores de fé. Em consequência, entendo inadequado o critério jurídico utilizado pela autoridade fiscal para fins de apuração da base de cálculo tributável, razão pela qual o lançamento realizado encontrase maculado por vício de ordem material. Conclusão Fl. 4111DF CARF MF 12 Pelos motivos expostos, voto por conhecer o recurso voluntário apresentado para, no mérito, darlhe integral provimento. Dione Jesabel Wasilewski Relatora Fl. 4112DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13609.000107/2011-11
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Mar 08 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Apr 11 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Período de apuração: 01/01/2006 a 31/12/2008
MULTA. DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA
A obrigação acessória relaciona-se às prestações positivas ou negativas constantes na legislação de regência, de interesse da arrecadação ou da fiscalização tributária.
As alegações de defesa não trazem nenhum fato novo ou argumentos jurídicos que possam afastar o conteúdo da exigência fiscal. Constatada a infringência aos dispositivos da infração com a cominação da multa aplicada.
Numero da decisão: 2401-005.351
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do recurso e, no mérito, negar-lhe provimento.
(Assinado digitalmente)
Miriam Denise Xavier - Presidente.
(Assinado digitalmente)
Andréa Viana Arrais Egypto - Relatora.
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Miriam Denise Xavier, Francisco Ricardo Gouveia Coutinho, Andréa Viana Arrais Egypto, Luciana Matos Pereira Barbosa, Cleberson Alex Friess e Rayd Santana Ferreira.
Nome do relator: ANDREA VIANA ARRAIS EGYPTO
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ementa_s : Assunto: Obrigações Acessórias Período de apuração: 01/01/2006 a 31/12/2008 MULTA. DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA A obrigação acessória relaciona-se às prestações positivas ou negativas constantes na legislação de regência, de interesse da arrecadação ou da fiscalização tributária. As alegações de defesa não trazem nenhum fato novo ou argumentos jurídicos que possam afastar o conteúdo da exigência fiscal. Constatada a infringência aos dispositivos da infração com a cominação da multa aplicada.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do recurso e, no mérito, negar-lhe provimento. (Assinado digitalmente) Miriam Denise Xavier - Presidente. (Assinado digitalmente) Andréa Viana Arrais Egypto - Relatora. Participaram do presente julgamento os Conselheiros Miriam Denise Xavier, Francisco Ricardo Gouveia Coutinho, Andréa Viana Arrais Egypto, Luciana Matos Pereira Barbosa, Cleberson Alex Friess e Rayd Santana Ferreira.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Período de apuração: 01/01/2006 a 31/12/2008 MULTA. DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA A obrigação acessória relacionase às prestações positivas ou negativas constantes na legislação de regência, de interesse da arrecadação ou da fiscalização tributária. As alegações de defesa não trazem nenhum fato novo ou argumentos jurídicos que possam afastar o conteúdo da exigência fiscal. Constatada a infringência aos dispositivos da infração com a cominação da multa aplicada. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 60 9. 00 01 07 /2 01 1- 11 Fl. 243DF CARF MF 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do recurso e, no mérito, negarlhe provimento. (Assinado digitalmente) Miriam Denise Xavier Presidente. (Assinado digitalmente) Andréa Viana Arrais Egypto Relatora. Participaram do presente julgamento os Conselheiros Miriam Denise Xavier, Francisco Ricardo Gouveia Coutinho, Andréa Viana Arrais Egypto, Luciana Matos Pereira Barbosa, Cleberson Alex Friess e Rayd Santana Ferreira. Fl. 244DF CARF MF Processo nº 13609.000107/201111 Acórdão n.º 2401005.351 S2C4T1 Fl. 3 3 Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto em face da decisão da 6ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Belo Horizonte MG (DRJ/BHE), que, por unanimidade de votos, julgou improcedente a impugnação, mantendo o crédito tributário exigido no Auto de Infração n° 37.267.1225, conforme ementa do Acórdão nº 02 43.285 (fls. 213/216): ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Período de apuração: 01/01/2006 a 31/12/2008 INFRAÇÃO A LEGISLAÇÃO. NÃO EXIBIÇÃO DE DOCUMENTOS. Constitui infração à legislação deixar a empresa de exibir à fiscalização os documentos ou livros solicitados, necessários à verificação de sua situação perante a Receita Federal do Brasil. INCONSTITUCIONALIDADE. ILEGALIDADE. ' É vedado ao fisco afastar a aplicação de lei, decreto ou ato normativo por alegação de inconstitucionalidade ou ilegalidade. SUSPENSÃO DA EXIGIBILIDADE As impugnações e os recursos, nos termos das leis reguladoras do processo administrativo tributário, suspendem a exigibilidade do crédito tributário. PRODUÇÃO DE PROVAS A apresentação de provas no contencioso administrativo deve ser feita juntamente com a impugnação, precluindo o direito de fazêlo em outro momento, salvo se fundamentado nas hipóteses expressamente previstas na legislação que rege o Processo Administrativo Fiscal. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido O presente processo trata de Multa Aplicada no valor de R$ 30.471,10 (AI DEBCAD nº 37.267.1225 – fl. 02), lançado pela fiscalização contra o contribuinte relativo de infração ao disposto nos parágrafos 2° e 3°, do artigo 33 da Lei n° 8.212, de 1991, combinado com os artigos 232 e 233, parágrafo único, do Regulamento da Previdência Social RPS, aprovado pelo Decreto n° 3.048, de 1999, por ter a empresa autuada deixado de apresentar à fiscalização contrato de prestação de serviços, contrato de fenecimento celebrado com os beneficiários e relação dos beneficiários relacionados às notas fiscais da Mark Up, documentos esses relativos à remuneração de empregados pagos por meio de cartão de premiação, Fl. 245DF CARF MF 4 solicitados através dos Termos de Intimação Fiscal TIF, lavrados durante o procedimento fiscal, conforme descrito no Relatório Fiscal do Auto de Infração às fls. 146 a 149. De acordo com o Relatório Fiscal da Multa Aplicada (fls. 150/151) a Auditora Fiscal diz que o valor básico da multa é de R$ 15.235,55, mas, pela ocorrência de reincidência genérica, foi elevado 02 (duas) vezes resultando em multa aplicada no valor de R$ 30.471,10. O Contribuinte tomou ciência da lavratura do Auto de Infração, pelo correio, em 25/02/2011 (AR fl. 152) e, em 29/03/2011, tempestivamente, apresentou sua impugnação de fls. 155 a 203. Em sua Impugnação o Contribuinte demonstra sua tempestividade, faz um resumo dos fatos para, em seguida, aduzir que: 1. Não restou caracterizada a recusa da Impugnante no atendimento das intimações ou o seu descaso pelas solicitações da fiscalização; 2. É imprópria a aplicação da multa quando resulta de falta de apresentação de documentos que a Impugnante não dispõe; 3. Foi possível ser feita uma aferição indireta, baseandose nos documentos que dispunha; 4. Apesar da impugnante não ter apresentado os documentos constantes no TIF de n° 06, por não dispor deles, a aferição indireta teve como parâmetro os demais documentos apresentados, tais como notas fiscais, o que confirma a inexistência de prejuízos para a ação fiscal; 5. A Impugnante não está sendo punida pela não exibição de documentos e sim pelo fato de não dispor dos documentos na forma como solicitada pela fiscalização, o que toma o Auto de Infração, manifestamente, nulo; 6. A aplicação da multa fere, também, o princípio constitucional da proporcionalidade e da razoabilidade. Finaliza sua impugnação requerendo: 1. Que seja recebida, conhecida, processada e julgada procedente a impugnação, tornando sem efeito o AI DEBCAD n° 37.267.1225; 2. A suspensão da exigibilidade do crédito tributário nos termos do inciso III, artigo 151, do Código Tributário Nacional; 3. Que seja reconhecido e declarado o direito à apresentação de todos os meios de provas em direito admitidas, bem como outros documentos, necessários ao deslinde da questão, outrossim, reclama pelo direito de produzir outras provas. Diante da impugnação tempestiva, o processo foi encaminhado à DRJ/BHE para julgamento, que, através do Acórdão nº 0243.285, decidiu pela improcedência da impugnação e manutenção do crédito tributário exigido no Auto de Infração, uma vez que este foi lavrado de conformidade com a legislação, não havendo razões de fato ou de direito para decretar sua improcedência ou nulidade. Fl. 246DF CARF MF Processo nº 13609.000107/201111 Acórdão n.º 2401005.351 S2C4T1 Fl. 4 5 Foi dado ciência ao Contribuinte do Acórdão da DRJ/BHE, via correio, em 23/05/2013 (Termo de Juntada de AR fl. 218). Tempestivamente, em 21/06/2013, o Contribuinte interpôs seu RECURSO VOLUNTÁRIO de fls. 219 a 227, onde demonstra sua tempestividade, faz um resumo dos fatos para, em seguida, repetir todos os argumentos aduzidos na peça impugnatória. Finaliza seu recurso Voluntário pedindo que: 1. Seja recebida, conhecida, processada e dado provimento ao seu Recurso Voluntário, tornando sem efeito o AI DEBCAD n° 37.267.1225; 2. Seja suspensa a exigibilidade do crédito tributário nos termos do inciso III, artigo 151, do Código Tributário Nacional; 3. Seja cancelado o lançamento fiscal. É o relatório. Fl. 247DF CARF MF 6 Voto Conselheiro Andréa Viana Arrais Egypto Relatora. Juízo de admissibilidade O recurso voluntário foi apresentado dentro do prazo legal e atende aos requisitos de admissibilidade, portanto, dele tomo conhecimento. Mérito O lançamento se refere à infração contida no art. 33, parágrafos 2º e 3º da Lei nº 8.212/91, e art. 233, parágrafo único do Regulamento da Previdência Social RPS, aprovado pelo Decreto nº 3.048, de 06.05.99, com penalidade prevista no art. 92 e art. 102 da Lei nº 8.212/91 e art. 283, II, “j” e art. 373 do Regulamento da Previdência Social RPS, aprovado pelo Decreto nº 3.048, de 06.05.99. Em alegações recursais a contribuinte reitera que apresentou todos os documentos solicitados que estavam em seu poder e que prestou todas as informações que dispunha. Afirma que a fiscalização não está punindo a Recorrente pela não exibição e sim pelo fato de não dispor dos documentos no momento em que foi intimada a exibilos. Pois bem. Importante destacar, inicialmente, o que dispõem as normas de referência: Lei 8.212/91 Art. 33. À Secretaria da Receita Federal do Brasil compete planejar, executar, acompanhar e avaliar as atividades relativas à tributação, à fiscalização, à arrecadação, à cobrança e ao recolhimento das contribuições sociais previstas no parágrafo único do art. 11 desta Lei, das contribuições incidentes a título de substituição e das devidas a outras entidades e fundos. § 2º A empresa, o segurado da Previdência Social, o serventuário da Justiça, o síndico ou seu representante, o comissário e o liquidante de empresa em liquidação judicial ou extrajudicial são obrigados a exibir todos os documentos e livros relacionados com as contribuições previstas nesta Lei. § 3º Ocorrendo recusa ou sonegação de qualquer documento ou informação, ou sua apresentação deficiente, a Secretaria da Receita Federal do Brasil pode, sem prejuízo da penalidade cabível, lançar de ofício a importância devida. Art. 92. A infração de qualquer dispositivo desta Lei para a qual não haja penalidade expressamente cominada sujeita o responsável, conforme a gravidade da infração, a multa variável Fl. 248DF CARF MF Processo nº 13609.000107/201111 Acórdão n.º 2401005.351 S2C4T1 Fl. 5 7 de Cr$ 100.000,00 (cem mil cruzeiros) a Cr$ 10.000.000,00 (dez milhões de cruzeiros), conforme dispuser o regulamento. 24 Art. 102. Os valores expressos em moeda corrente nesta Lei serão reajustados nas mesmas épocas e com os mesmos índices utilizados para o reajustamento dos benefícios de prestação continuada da Previdência Social. Regulamento RPS aprovado pelo Decreto n. 3.048, de 06.05.99 Art. 232. A empresa, o servidor de órgão público da administração direta e indireta, o segurado da previdência social, o serventuário da Justiça, o síndico ou seu representante legal, o comissário e o liquidante de empresa em liquidação judicial ou extrajudicial são obrigados a exibir todos os documentos e livros relacionados com as contribuições previstas neste Regulamento. Art. 233. Ocorrendo recusa ou sonegação de qualquer documento ou informação, ou sua apresentação deficiente, o Instituto Nacional do Seguro Social e a Secretaria da Receita Federal podem, sem prejuízo da penalidade cabível nas esferas de sua competência, lançar de ofício importância que reputarem devida, cabendo à empresa, ao empregador doméstico ou ao segurado o ônus da prova em contrário. Parágrafo único. Considerase deficiente o documento ou informação apresentada que não preencha as formalidades legais, bem como aquele que contenha informação diversa da realidade, ou, ainda, que omita informação verdadeira. Art. 283. Por infração a qualquer dispositivo das Leis nos 8.212 e 8.213, ambas de 1991, e 10.666, de 8 de maio de 2003, para a qual não haja penalidade expressamente cominada neste Regulamento, fica o responsável sujeito a multa variável de R$ 636,17 (seiscentos e trinta e seis reais e dezessete centavos) a R$ 63.617,35 (sessenta e três mil, seiscentos e dezessete reais e trinta e cinco centavos), conforme a gravidade da infração, aplicandoselhe o disposto nos arts. 290 a 292, e de acordo com os seguintes valores: (Redação dada pelo Decreto nº 4.862, de 2003) II a partir de R$ 6.361,73 (seis mil trezentos e sessenta e um reais e setenta e três centavos) nas seguintes infrações: j) deixar a empresa, o servidor de órgão público da administração direta e indireta, o segurado da previdência social, o serventuário da Justiça ou o titular de serventia extrajudicial, o síndico ou seu representante, o comissário ou o liquidante de empresa em liquidação judicial ou extrajudicial, de exibir os documentos e livros relacionados com as contribuições previstas neste Regulamento ou apresentálos sem atender às formalidades legais exigidas ou contendo informação diversa da realidade ou, ainda, com omissão de informação verdadeira; Fl. 249DF CARF MF 8 Art. 290. Constituem circunstâncias agravantes da infração, das quais dependerá a gradação da multa, ter o infrator: I tentado subornar servidor dos órgãos competentes; II agido com dolo, fraude ou máfé; III desacatado, no ato da ação fiscal, o agente da fiscalização; IV obstado a ação da fiscalização; ou V incorrido em reincidência. Parágrafo único. Caracteriza reincidência a prática de nova infração a dispositivo da legislação por uma mesma pessoa ou por seu sucessor, dentro de cinco anos da data em que se tornar irrecorrível administrativamente a decisão condenatória, da data do pagamento ou da data em que se configurou a revelia, referentes à autuação anterior. (Redação dada pelo Decreto nº 6.032, de 2007) Art. 373. Os valores expressos em moeda corrente referidos neste Regulamento, exceto aqueles referidos no art. 288, são reajustados nas mesmas épocas e com os mesmos índices utilizados para o reajustamento dos benefícios de prestação continuada da previdência social. Pois bem. A obrigação acessória relacionase às prestações positivas ou negativas constantes na legislação de regência, de interesse da arrecadação ou da fiscalização tributária. Cabe a análise se foram cumpridas as intimações quanto à exibição dos documentos solicitados pela fiscalização. In casu, a partir do Termo de Intimação Fiscal – TIF 01 (fls. 13/14), a contribuinte foi intimada para apresentar documentos relativos à remuneração de empregados por meio de cartão de premiação. A empresa apresentou resposta de fls. 15/16 seguida de documentos, sem no entanto cumprir integralmente o Termo de Intimação. Dessa forma, foi emitido o Termo de Intimação Fiscal nº 02 (fl. 19), através do qual foi reiterada a apresentação dos documentos solicitados no TIF 01, relativos à remuneração de empregados por meio de cartão de premiação. Da mesma forma ocorreu no Termo de Intimação Fiscal nº 04 em que foi acrescida a solicitação de apresentação das Notas fiscais ou faturas de serviços emitidas pela empresa Mark Up Participações e Promoções Ltda., (fls. 36/38). A não satisfação dos Termos de Intimação Fiscal fez com que a auditoria fiscal procedesse a emissão do Termo de Intimação Fiscal – TIF 06 (fls. 67/68) prorrogando o prazo para a apresentação das Notas fiscais ou faturas de serviços emitidas pela empresa Mark Up Participações e Promoções Ltda. e solicitando documentos concernentes ao contrato de prestação de serviços com a Mark Up. No Termo de Intimação Fiscal – TIF 09 (fls. 90/92), novamente a fiscalização solicita os documentos relativos à remuneração de empregados por meio de cartão de premiação, o que foi reiterado no Termo de Intimação Fiscal – TIF 10 (fls. 95/98). Fl. 250DF CARF MF Processo nº 13609.000107/201111 Acórdão n.º 2401005.351 S2C4T1 Fl. 6 9 Da análise do processo administrativo, documentos a ele adunados e razões de defesa da contribuinte, verificase que, não obstante a empresa tenha sido intimada para apresentar os documentos relacionados à remuneração de empregados por meio de cartão de premiação, inicialmente informou que no período fiscalizado não foram realizados pagamentos a esse título, no que tange a empresa incentive House, embora a fiscalização não tenha se referido à respectiva empresa, e, posteriormente, de uma forma genérica, afirmou que não dispõe dos documentos requeridos pela auditoria fiscal. No caso sob análise, a contribuinte foi autuada por não ter apresentado à fiscalização os contratos de prestação de serviços, contrato de fenecimento celebrado com os beneficiários e relação dos beneficiários relacionados às notas fiscais da Mark Up, os quais dizem respeito à remuneração de empregados pagos por meio de cartão de premiação, conforme se destaca no item 5 do Relatório Fiscal da Autuação (fl. 148). As alegações de defesa não trazem nenhum fato novo ou argumentos jurídicos que possam ilidir o conteúdo da exigência fiscal em comento. Em nenhum momento a contribuinte alega não ter incorrido na falta imputada, se limitando a fazer alegações genéricas quanto à exigência da exibição dos documentos e a razoabilidade e proporcionalidade da aplicação da multa. Dessa forma, ocorreu a infringência ao disposto nos parágrafos 2° e 3°, do artigo 33 da Lei n° 8.212/1991, combinado com os artigos 232 e 233, parágrafo único, do Regulamento da Previdência Social RPS, da circunstância agravante reincidência genérica, o que enseja à aplicação da penalidade ao presente caso, nos termos da legislação de regência. Assim, não assiste razão à recorrente quanto à insubsistência do levantamento fiscal. Conclusão Ante o exposto, CONHEÇO do recurso voluntário, para, no mérito, NEGAR LHE PROVIMENTO. (Assinado digitalmente) Andréa Viana Arrais Egypto. Fl. 251DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 16327.720241/2017-82
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Mar 06 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Apr 19 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 30/06/2004 a 31/12/2005
PARCELAMENTO. OPÇÃO, CONFISSÃO DA SUJEIÇÃO PASSIVA. DESISTÊNCIA DO RECURSO.
A confissão de quem se assume devedor de um crédito tributário é incompatível com o exercício do direito de questionar a sujeição passiva em relação ao mesmo crédito.
Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 30/06/2004 a 31/12/2005
JUROS SOBRE MULTA DE OFÍCIO.
As multas proporcionais aplicadas em lançamento de ofício, por descumprimento a mandamento legal que estabelece a determinação do valor de tributo administrado pela Receita Federal do Brasil a ser recolhido no prazo legal, estão inseridas na compreensão do § 3º do artigo 61 da Lei nº 9.430/1996, sendo, portanto, suscetíveis à incidência de juros de mora à taxa SELIC.
Numero da decisão: 9101-003.451
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Especial do Responsável Solidário. Acordam, ainda, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial do Contribuinte e, no mérito, por voto de qualidade, em negar-lhe provimento, vencidos os conselheiros Cristiane Silva Costa, Luís Flávio Neto, Daniele Souto Rodrigues Amadio e Gerson Macedo Guerra, que lhe deram provimento.
(assinado digitalmente)
Adriana Gomes Re^go - Presidente.
(assinado digitalmente)
Flávio Franco Corrêa - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros André Mendes de Moura, Cristiane Silva Costa, Rafael Vidal de Araújo, Luis Flávio Neto, Flávio Franco Corrêa, Daniele Souto Rodrigues Amadio, Gerson Macedo Guerra e Adriana Gomes Rêgo (Presidente).
Nome do relator: FLAVIO FRANCO CORREA
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 30/06/2004 a 31/12/2005 PARCELAMENTO. OPÇÃO, CONFISSÃO DA SUJEIÇÃO PASSIVA. DESISTÊNCIA DO RECURSO. A confissão de quem se assume devedor de um crédito tributário é incompatível com o exercício do direito de questionar a sujeição passiva em relação ao mesmo crédito. Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Período de apuração: 30/06/2004 a 31/12/2005 JUROS SOBRE MULTA DE OFÍCIO. As multas proporcionais aplicadas em lançamento de ofício, por descumprimento a mandamento legal que estabelece a determinação do valor de tributo administrado pela Receita Federal do Brasil a ser recolhido no prazo legal, estão inseridas na compreensão do § 3º do artigo 61 da Lei nº 9.430/1996, sendo, portanto, suscetíveis à incidência de juros de mora à taxa SELIC.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Especial do Responsável Solidário. Acordam, ainda, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial do Contribuinte e, no mérito, por voto de qualidade, em negar-lhe provimento, vencidos os conselheiros Cristiane Silva Costa, Luís Flávio Neto, Daniele Souto Rodrigues Amadio e Gerson Macedo Guerra, que lhe deram provimento. (assinado digitalmente) Adriana Gomes Re^go - Presidente. (assinado digitalmente) Flávio Franco Corrêa - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros André Mendes de Moura, Cristiane Silva Costa, Rafael Vidal de Araújo, Luis Flávio Neto, Flávio Franco Corrêa, Daniele Souto Rodrigues Amadio, Gerson Macedo Guerra e Adriana Gomes Rêgo (Presidente).
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OPÇÃO, CONFISSÃO DA SUJEIÇÃO PASSIVA. DESISTÊNCIA DO RECURSO. A confissão de quem se assume devedor de um crédito tributário é incompatível com o exercício do direito de questionar a sujeição passiva em relação ao mesmo crédito. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 30/06/2004 a 31/12/2005 JUROS SOBRE MULTA DE OFÍCIO. As multas proporcionais aplicadas em lançamento de ofício, por descumprimento a mandamento legal que estabelece a determinação do valor de tributo administrado pela Receita Federal do Brasil a ser recolhido no prazo legal, estão inseridas na compreensão do § 3º do artigo 61 da Lei nº 9.430/1996, sendo, portanto, suscetíveis à incidência de juros de mora à taxa SELIC. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Especial do Responsável Solidário. Acordam, ainda, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial do Contribuinte e, no mérito, por voto de qualidade, em negarlhe provimento, vencidos os conselheiros Cristiane Silva Costa, Luís Flávio Neto, Daniele Souto Rodrigues Amadio e Gerson Macedo Guerra, que lhe deram provimento. (assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 32 7. 72 02 41 /2 01 7- 82 Fl. 4140DF CARF MF Processo nº 16327.720241/201782 Acórdão n.º 9101003.451 CSRFT1 Fl. 4.141 2 Adriana Gomes Rêgo Presidente. (assinado digitalmente) Flávio Franco Corrêa Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros André Mendes de Moura, Cristiane Silva Costa, Rafael Vidal de Araújo, Luis Flávio Neto, Flávio Franco Corrêa, Daniele Souto Rodrigues Amadio, Gerson Macedo Guerra e Adriana Gomes Rêgo (Presidente). Relatório Tratase de Recurso Especial interposto por FUNDO DE INVESTIMENTO IMOBILIÁRIO SUPERQUADRA 311 NORTE (contribuinte) e PAULO OCTÁVIO INVESTIMENTOS IMOBILIÁRIOS LTDA (devedor solidário) em face do acórdão nº 1401 001.136, assim ementado: “ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2004, 2005 DECADÊNCIA. INOCORRÊNCIA. O prazo decadencial para os créditos tributários sujeitos ao regime de lançamento por homologação, que não tenham sido objeto de qualquer pagamento antecipado, como também nos casos de fraude, é o estabelecido no artigo 173, inciso I, do CTN, com início no primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA. PRECLUSÃO. Considerase preclusa a matéria relacionada a inclusão do responsável tributário no pólo passivo da obrigação tributária quando este em sede impugnatória não contesta tal matéria, vindo a fazelo apenas em sede recursal. PEDIDO DE DILIGÊNCIA PELO RESPONSÁVEL SOLIDÁRIO. INVIABILIZADO POR RECUSA, DO CONTRIBUINTE, EM PRESTAR INFORMAÇÕES. Pedido de diligência formulado pelo responsável solidário resta inviabilizado, senão por outras razões, pela recusa do contribuinte, a quem compete efetuar os registros contábeis e guardar a documentação relativa às operações, em prestar à autoridade fiscal informações complementares para a apuração dos tributos devidos. MÉRITO. SIMULAÇÃO. TRANSFERÊNCIA APARENTE DE QUOTAS PARA FRAUDAR NORMA DE LEI. OCORRÊNCIA. Constitui típica operação de simulação, a celebração de contrato de mútuo, sem propósito negocial e sem transferência efetiva de numerário, envolvendo Fl. 4141DF CARF MF Processo nº 16327.720241/201782 Acórdão n.º 9101003.451 CSRFT1 Fl. 4.142 3 vultosa soma de dinheiro "emprestada" da empresa quotista a funcionário, com o único fito de fraudar artigo de lei que torna tributáveis as operações de Fundo Imobiliário. ADIÇÃO INDEVIDA DE VENDAS CANCELADAS NA BASE DE CÁLCULO. INOCORRÊNCIA. É da lógica da contabilidade tributária, sob pena de redução indevida de tributos, que valores de "vendas canceladas" somente possam ser lançados a débito em conta de receitas, com redução de bases tributáveis, se tais receitas canceladas tiverem sido tributadas no exercício atual ou em anterior. INEXISTÊNCIA DE SUJEIÇÃO PASSIVA. DESCABIMENTO. O fato de uma entidade não possuir personalidade jurídica não a exime de ser sujeito passivo tributário, sabendose que o artigo 2º da Lei 9.779/99 estipula que o fundo de investimento imobiliário, que, pelo artigo 1º da Lei 8.668/93, não é pessoa jurídica, sujeitase à tributação aplicável as pessoas jurídicas, quando aplica recursos em empreendimento imobiliário que tenha como incorporador ou construtor, quotista detentor de mais de vinte e cinco por cento das quotas do fundo. SIMULAÇÃO. PROVA INDICIÁRIA. A prova indiciária é meio idôneo admitido em Direito, quando a sua formação está apoiada em ma concatenação lógica de fatos, que se constituem em indícios precisos, “econômicos” e convergentes. MULTA QUALIFICADA. ERRO DE IDENTIFICAÇÃO DE SUJEITO PASSIVO PARA O AGRAVAMENTO. INOCORRÊNCIA. Na hipótese de simulação de transferência de quotas realizada por quotista majoritário com o fim de manter isenção tributária de Fundo de Investimento Imobiliário inexiste erro de identificação de sujeito passivo quando a multa agravada é lançada contra o Fundo, porque, nesse caso não se pode negar que o próprio Fundo, através do órgão supremo de deliberação, a Assembléia Geral dos quotistas, onde o fraudador tem assento, teve conhecimento e aprovou a simulação feita. APROVEITAMENTO DO IRRF NO LANÇAMENTO. IMPOSSIBILIDADE. Falece legitimidade ativa ao contribuinte Fundo Imobiliário para pleitear o eventual aproveitamento, contra créditos constituídos no lançamento, de valores de IRRF alegadamente recolhidos por ocasião de pagamentos feitos aos quotistas, em razão do fato de tal direito, se existir, pertencer aos beneficiários dos rendimentos, não à fonte pagadora. PIS. COFINS. REGIME CUMULATIVO. NÃO DEDUÇÃO DOS CRÉDITOS DE CUSTOS NO REGIME NÃO CUMULATIVO. RECUSA PARA PRESTAR INFORMAÇÕES. Inexistindo informações adequadas, por recusa do contribuinte em fornecê las, para eventual aplicação do regime cumulativo, ou para dedução de créditos relativos a custos no regime não cumulativo, deve ser aplicado o regime prevalente de tributação normal das pessoas jurídicas, que, tratandose Fl. 4142DF CARF MF Processo nº 16327.720241/201782 Acórdão n.º 9101003.451 CSRFT1 Fl. 4.143 4 de Fundo Imobiliário, é o não cumulativo, no caso, sem dedução de eventuais créditos de custos. MULTA PUNITIVA NO DIREITO TRIBUTÁRIO. CARÁTER PERSONALÍSSIMO. NÃO APROVEITAMENTO. A multa punitiva no Direito Tributário, segundo o STF, revestese de natureza patrimonial, não lhe aproveitando o aceno à aplicação da norma superior de personalização, consentânea com os princípios do Direito Penal. MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA. SIMULAÇÃO. Uma vez caracterizada a simulação essa situação conduz necessariamente ao preenchimento automático das condições previstas nos arts. 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502, de 1964 suficientes para embasar a qualificação da multa de ofício. JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO. CABIMENTO. É cabível a aplicação de juros de mora sobre multa de ofício, pois a teor do art. 161 do Código Tributário Nacional sobre o crédito tributário não pago correm juros de mora, como a multa de ofício também constitui o crédito tributário sobre ela também necessariamente incide os juros de mora na medida em que também não é paga no vencimento. LANÇAMENTOS DECORRENTES. Pela relação de causa e efeito, aplicase ao lançamento decorrente o mesmo decidido quanto àquele do qual decorre, se não houver elemento de prova novo ou argüição de matéria específica.” Anotese que o devedor solidário não questionou os juros sobre a multa de ofício, quando do apelo à segunda instância (efls. 3.296/3.233). Já o contribuinte levou a questão relacionada aos juros sobre a multa a debate, no âmbito da Turma a quo (efls. 3.018/3.072) No voto condutor do acórdão recorrido, assim restou consignado, no tocante aos juros sobre a multa de ofício: “Insurgese a Recorrente contra a cobrança de juros de mora sobre multa de ofício. Na defesa desse tese, geralmente se utilizam do argumento a contrario sensu. Ou seja, como a única hipótese de incidência de juros sobre multa estaria consignada no parágrafo único do art. 43 da Lei nº 9.430/96, deve, por exclusão, nas demais hipóteses, ser expurgada a aplicação dos juros sobre a multa aplicada, que só passará a incidir nos termos do § 1º do art. 161 do CTN. Ora, como todo argumento a contrario sensu, devese usalo com muita cautela, pois é inseto a ele a chamada “falácia do falso antecedente”. Pois, se uma regra “p” implica “q”. Não se pode concluir com todo o rigor lógico que “não p” implique também em “não q”. Isso porque pode existir outras forma de chegarse a “q”. Por outras palavras, Se “p” (em havendo multa de ofício isolada) > (implica) “q” (implica o cálculo de juros de mora sobre ela). Isso não que dizer que se negarmos “p” (no caso da multa de ofício sobre tributo, pois não se trata de multa isolada) estaremos negando necessariamente a existência de “q” (cálculo de juros de mora sobre essa multa). Pois, obviamente, outros antecedentes podem existir, como de fato existem na legislação, “r”, “s” etc que impliquem também em “q”. Fl. 4143DF CARF MF Processo nº 16327.720241/201782 Acórdão n.º 9101003.451 CSRFT1 Fl. 4.144 5 Como é sabido, a multa de ofício, ex vi art. 44 da Lei nº 9.430/96, deverá incidir sobre o crédito tributário não pago (diferença entre o tributo devido e o recolhido). A partir da leitura do Código Tributário Nacional, concluise que a multa, apesar de não ter a natureza de tributo, faz parte do crédito tributário. É a inteligência dos artigos 3º e 113 do CTN, conjugado com art. 139 que assim dispõe “O crédito tributário decorre da obrigação principal e tem a mesma natureza desta” Ou seja, enquanto o art. 3° exclui as multas da definição de tributo, os dispositivos seguintes (art. 113, §1°, e art. 139) trazemnas para compor o crédito tributário. Por conseguinte, a cobrança das multas lançadas de ofício deve receber o mesmo tratamento dispensado pelo CTN ao crédito tributário. Por sua vez, o art. 161 do Código Tributário Nacional dispõe que os juros de mora passam a integrar o crédito tributário não pago, de forma a que a incidência da multa alcança tanto o crédito tributário principal quanto os juros de mora sobre ele incidentes. Em resumo, é cabível a aplicação de juros de mora sobre multa de ofício, pois a teor do art. 161 do Código Tributário Nacional sobre o crédito tributário não pago correm juros de mora, como a multa de ofício também constitui o crédito tributário sobre ela também necessariamente incide os juros de mora na medida em que também não é paga no vencimento. Assim, não procede o argumento da Recorrente no sentido de afirmar que apenas a partir da existência do parágrafo único do art. 43 da Lei nº 9.430/96 é que poderá incidir juros de mora sobre a multa aplicada. Ora, tal previsão diz respeito à aplicação de multa isolada sem crédito tributário. Assim, a teleologia de tal dispositivo legal vem a reboque de se ratificar a incidência dos juros sobre a multa que não toma como base de incidência valores de crédito tributário sujeitos à incidência ordinária da multa de ofício. O Conselheiro Alkmim foi muito feliz em sua explicação por ocasião do Acórdão 140100.155 no qual a referida matéria também foi enfrentada: (...) Seria o óbvio não conter referida previsão quando a multa é aplicada sobre crédito tributário não pago. Isso porque, ao contrário do que afirma a Recorrente, caso existisse tal previsão – de incidência de juros sobre multa, poderseia imaginar a dupla incidência dos juros, é dizer, uma sobre o crédito tributário e outra sobre a multa depois de formalizada. Em se tratando de tributo não pago, a multa deve incidir sobre a totalidade do crédito tributário que deixou de ser recolhido, incluindose nele a correção monetária e os juros. Assim, na verdade, não é o juros que incide sobre a multa, mas sim a multa que incide sobre o crédito tributário com juros e correção monetária. Diante do exposto, mantenho os juros de mora sobre a multa de ofício.” (grifei) Embargos de Declaração do contribuinte às efls. 3.423/3.429, sem cogitar dos juros incidentes sobre a multa de ofício. Também o devedor solidário não suscitou a questão dos juros sobre a multa de ofício, nos Embargos de Declaração, às efls. 3.4747/3.488. Acórdão dos Embargos de Declaração às efls. 3.513/3.527. Fl. 4144DF CARF MF Processo nº 16327.720241/201782 Acórdão n.º 9101003.451 CSRFT1 Fl. 4.145 6 Contribuinte cientificado do acórdão dos Embargos de Declaração no dia 18/03/2015, à efl. 3.537. Recurso Especial do contribuinte com entrada na repartição de origem no dia 01/04/2015, à efl. 3.539. Devedor solidário cientificado do acórdão dos Embargos de Declaração no dia 20/03/2015, à efl. 3.864. Recurso Especial do devedor solidário com entrada na repartição de origem no dia 07/04/2015, à efl. 3.706. Despacho de Admissibilidade do Recurso Especial interposto pelo contribuinte e do Recurso Especial interposto pelo devedor solidário, às efls. 3.882/3.901. Nessa oportunidade, deuse seguimento parcial, nos seguintes termos: a) quanto ao Recurso Especial do contribuinte, admitiuse apenas em relação à questão “juros sobre a multa”; b) quanto ao Recurso Especial do devedor solidário, admitiuse apenas em relação às questões intituladas "preclusão da possibilidade de se questionar a sujeição passiva" e "juros sobre multa”. Quanto à parte admitida, o contribuinte expôs o acórdão paradigma nº 9101 00.722, segundo o qual os juros de mora não incidem sobre a multa de ofício. Já o devedor solidário ofereceu o paradigma n º 2401003.558, de acordo com o qual a preclusão só pode incidir sobre questões disponíveis às partes, daí excluindose a preclusão sobre a sujeição passiva, pois se trata de matéria de ordem pública. No tocante aos juros sobre a multa de ofício, o devedor solidário trouxe a lume o acórdão paradigma nº 1201000.285, que considerou infundada a aplicação de juros de mora sobre a sanção pecuniária imposta pela Fiscalização. No mesmo sentido, o acórdão paradigma nº 9202002.600. Agravos do contribuinte e do devedor solidário rejeitados, às efls. 4.018/4.028. Ciência presumida da PGFN no dia 24/08/2016, conforme efl. 4.047. Contrarrazões da PGFN às efls 4.030/4.046, apresentadas em 24/08/2016. Em petição às efls. 4.067/4.068, JADORE ADMINISTRAÇÃO DE BENS PRÓPRIOS LTDA (sucessora do FUNDO DE INVESTIMENTO IMOBILIÁRIO SUPERQUADRA 311 NORTE) comunica que o devedor solidário optou por quitar os débitos remanescentes, exigidos no processo nº 16327.000973/200942, aderindo ao Programa Especial de Regularização Tributária (PERT), instituído pela Lei nº 13.496/2017. É o relatório. Voto Conselheiro Flávio Franco Corrêa, Relator. Fl. 4145DF CARF MF Processo nº 16327.720241/201782 Acórdão n.º 9101003.451 CSRFT1 Fl. 4.146 7 Este processo é um desmembramento do processo nº 16327.000973/200942, no qual constam autos de infração de IRPJ, CSLL, PIS/PASEP e COFINS lavrados contra FUNDO DE INVESTIMENTO IMOBILIÁRIO SUPERQUADRA 311 NORTE. Na ocasião desses lançamentos tributários, a Fiscalização atribuiu à pessoa jurídica Paulo Otávio Investimentos Imobiliários Ltda a qualidade de devedora solidária dos créditos tributários então constituídos de ofício. Tanto o contribuinte como o devedor solidário interpuseram Recurso Especial em face do acórdão nº 1401001.136 – 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária. Ocorre que, em sede de juízo de prelibação, deuse seguimento parcial ao Recurso Especial do contribuinte, admitindoo apenas quanto aos juros de mora sobre a multa. Por sua vez, também em sede de juízo de prelibação, admitiuse em parte o Recurso Especial do devedor solidário, dandose seguimento apenas às questões intituladas "juros sobre a multa" e "preclusão da possibilidade de se questionar a sujeição passiva." Em razão do seguimento parcial dos recursos interpostos pelo contribuinte e pelo devedor solidário, a parte do crédito tributário sobre a qual não há controvérsia foi mantida nos autos do processo nº 16327.000973/200942, ao passo que, para o presente processo, foi trazida a parte do crédito tributário remanescente, que é objeto de discussão em sede de Recurso Especial. Todavia, JADORE ADMINISTRAÇÃO DE BENS PRÓPRIOS LTDA, sucessora do FUNDO DE INVESTIMENTO IMOBILIÁRIO SUPERQUADRA 311 NORTE, providenciou a juntada da informação de efls. 4.067/4.068, dando conta de que o devedor solidário aderira ao Programa Especial de Regularização Tributária (PERT), instituído pela Lei nº 13.496/2017, para os débitos constantes do processo nº 16327.000973/200942. É cediço que a adesão em referência implica confissão irrevogável e irretratável dos débitos em nome do sujeito passivo, na condição de contribuinte ou responsável, consoante o disposto no artigo 1º, § 4º, inciso I, da citada Lei nº 13.496/2017. Com efeito, consta à efl. 4.255 do processo nº 16327.000973/200942 um requerimento em formulário padronizado mediante o qual PAULO OCTÁVIO INVESTIMENTOS IMOBILIÁRIOS LTDA solicitou adesão ao parcelamento criado pela Medida Provisória nº 783/2017, regulamentado pela Instrução Normativa RFB nº 1.711/2017. Nesses termos, importa ter em vista que a opção pelo PERT é uma manifestação da vontade de se conformar, por razões de conveniência, com o crédito tributário constituído de ofício, a denotar desistência do direito de recorrer quanto à questão relacionada à "preclusão da possibilidade de se questionar a sujeição passiva”, suscitada pelo devedor solidário no Recurso Especial por ele interposto. Isso porque a confissão de quem se assume devedor de um crédito tributário é incompatível com o exercício do direito de questionar a sujeição passiva em relação ao mesmo crédito. Portanto, não há como ser admitido o Recurso Especial do devedor solidário, no tocante à questão referida. Por outro lado, restaria ao devedor solidário o debate, nesta instância, a respeito dos juros sobre a multa de ofício. No entanto, já se destacou no relatório que o devedor solidário não prequestionou a matéria. Nesse sentido, se a Turma a quo não julgou a questão trazida em sede de Recurso Especial, inexiste decisão sobre a qual seja possível recorrer. Por isso, não se conhece do Recurso Especial do devedor solidário. Em seguida, avançase ao Recurso Especial do contribuinte, que é restrito aos juros sobre a multa de ofício. O ponto crucial da dúvida está na redação do § 3º do artigo 61 da Lei nº 9.430/1996, verbis: “Art. 61. Os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, cujos fatos geradores ocorrerem a Fl. 4146DF CARF MF Processo nº 16327.720241/201782 Acórdão n.º 9101003.451 CSRFT1 Fl. 4.147 8 partir de 1º de janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos na legislação específica, serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso. (Vide Decreto nº 7.212, de 2010) §1º A multa de que trata este artigo será calculada a partir do primeiro dia subseqüente ao do vencimento do prazo previsto para o pagamento do tributo ou da contribuição até o dia em que ocorrer o seu pagamento. §2º O percentual de multa a ser aplicado fica limitado a vinte por cento. §3º Sobre os débitos a que se refere este artigo incidirão juros de mora calculados à taxa a que se refere o § 3º do art. 5º, a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento. (Vide Lei nº 9.716, de 1998) Mais especificamente, objetivase descortinar se, nos débitos a que se refere o § 3º do artigo 61 da Lei nº 9.430/1996, estão incluídos o tributo suprimido ao Erário e a multa proporcional aplicada mediante lançamento de ofício, ou somente o valor do tributo suprimido. De início, devese aludir à disposição normativa de onde emana a vedação à incidência de juros de mora sobre a multa de mora, conforme prevê o parágrafo único do artigo 16 do Decretolei nº 2.323/1987, com a redação dada pelo artigo 6º do Decretolei nº 2.331/1987, verbis: “Art. 6º. Os arts. 15 e 16 do Decretolei nº 2.323, de 26 de fevereiro de 1987, passam a vigorar com a seguinte redação: "Art. 15. Os débitos para com a Fazenda Nacional, de natureza tributária, para com o Fundo de Investimento Social (Finsocial) e para com o Fundo de Participação PISPasep, não pagos no vencimento, serão acrescidos de multa de mora. Parágrafo único. A multa de mora será de vinte por cento sobre o valor monetariamente atualizado do tributo ou contribuição, sendo reduzida a dez por cento se o pagamento for efetuado até o último dia útil do terceiro mês subseqüente àquele em que tiver ocorrido o vencimento do débito. Art. 16. Os débitos de qualquer natureza para com a Fazenda Nacional, para com o Fundo de Participação PISPasep, assim como aqueles decorrentes de empréstimo compulsórios, serão acrescidos, na via administrativa ou judicial, de juros de mora, contados do mês seguinte ao do vencimento, à razão de um por cento ao mês calendário ou fração e calculados sobre o valor monetariamente atualizado na forma deste decretolei. Parágrafo único. Os juros de mora não incidem sobre o valor da multa de mora de que trata o artigo anterior." Percebase que o Decretolei nº 2.323/1987, ao ressalvar a multa de mora, não vedou a incidência dos juros de mora sobre a multa proporcional aplicada mediante lançamento de ofício. Por outro lado, o § 3º do artigo 950 do Decreto nº 3000/1999 (Regulamento do Imposto de Renda – RIR/99) estabelece que a multa de mora não deve aplicada se o tributo suprimido ao Erário já tiver servido de base de cálculo para a multa proporcional decorrente de lançamento de ofício, verbis: Fl. 4147DF CARF MF Processo nº 16327.720241/201782 Acórdão n.º 9101003.451 CSRFT1 Fl. 4.148 9 “Art. 950. Os débitos não pagos nos prazos previstos na legislação específica serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento por dia de atraso (Lei nº 9.430, de 1996, art. 61). § 1º A multa de que trata este artigo será calculada a partir do primeiro dia subseqüente ao do vencimento do prazo previsto para o pagamento do imposto até o dia em que ocorrer o seu pagamento (Lei nº 9.430, de 1996, art. 61, § 1º). § 2º O percentual de multa a ser aplicado fica limitado a vinte por cento (Lei nº 9.430, de 1996, art. 61, § 2º). § 3º A multa de mora prevista neste artigo não será aplicada quando o valor do imposto já tenha servido de base para a aplicação da multa decorrente de lançamento de ofício.” (grifei) Assim, a expressão “os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal”, constante do caput do artigo 61 da Lei nº 9.430/1996, deve ser interpretada no sentido de compreender, para fins de incidência dos precitados juros moratórios, a diferença do tributo não recolhida até a data de seu vencimento, em razão de sua equivocada determinação, e a consequente multa aplicada mediante lançamento de ofício. Para tal empreitada exegética, é preciso considerar os artigos 113, § 1º; 139 e 161, caput e § 1º, do Código Tributário Nacional (CTN), verbis: “Art. 113. A obrigação tributária é principal ou acessória. § 1º A obrigação principal surge com a ocorrência do fato gerador, tem por objeto o pagamento de tributo ou penalidade pecuniária e extinguese juntamente com o crédito dela decorrente.” “Art. 139. O crédito tributário decorre da obrigação principal e tem a mesma natureza desta.” “Art. 161. O crédito não integralmente pago no vencimento é acrescido de juros de mora, seja qual for o motivo determinante da falta, sem prejuízo da imposição das penalidades cabíveis e da aplicação de quaisquer medidas de garantia previstas nesta Lei ou em lei tributária. § 1º Se a lei não dispuser de modo diverso, os juros de mora são calculados à taxa de um por cento ao mês.” A teor dos artigos suprarreferidos: a) o crédito tributário é uma decorrência da obrigação tributária principal (CTN, artigo 139); b) essa obrigação tem por objeto o pagamento do tributo ou da penalidade pecuniária imposta como consequência do descumprimento do dever legal de entregar ao Estadocredor, no prazo legal, o valor integral do tributo, apurado em consonância com as normas legais (CTN, § 1º do artigo 113); c) o crédito não integralmente pago no vencimento, de que trata o caput do artigo 161 do CTN, não se resume ao valor do tributo suprimido ao Erário, porquanto a infração consistente na supressão do tributo é fato gerador da multa proporcional a ser aplicada mediante lançamento de ofício. Portanto, o § 3º do artigo 161 do CTN abarca o valor do tributo suprimido e a multa a ser aplicada de ofício, em decorrência da supressão do tributo. Fl. 4148DF CARF MF Processo nº 16327.720241/201782 Acórdão n.º 9101003.451 CSRFT1 Fl. 4.149 10 Em apoio à interpretação aqui defendida, trazse à colação o REsp nº 1.129.990PR, publicado no Dje no dia 14/09/2009, relator Ministro Castro Meira: “Da sistemática instituída pelo art. 113, caput e parágrafos, do Código Tributário NacionalCTN, extraise que o objetivo do legislador foi estabelecer um regime único de cobrança para as exações e as penalidades pecuniárias, as quais caracterizam e definem a obrigação tributária principal, de cunho essencialmente patrimonialista, que dá origem ao crédito tributário e suas conhecidas prerrogativas, como, a título de exemplo, cobrança por meio de execução distinta fundada em Certidão de Dívida AtivaCDA. A expressão "crédito tributário" é mais ampla do que o conceito de tributo, pois abrange também as penalidades decorrentes do descumprimento das obrigações acessórias. Em sede doutrinária, ensina o Desembargador Federal Luiz Alberto Gurgel de Faria que, "havendo descumprimento da obrigação acessória, ela se converte em principal relativamente à penalidade pecuniária (§ 3º), o que significa dizer que a sanção imposta ao inadimplente é uma multa, que, como tal, constitui uma obrigação principal, sendo exigida e cobrada através dos mesmos mecanismos aplicados aos tributos " (Código Tributário Nacional Comentado: Doutrina e Jurisprudência, Artigo por Artigo. Coord.: Vladimir Passos de Freitas. São Paulo: Editora Revista dos Tribunais, 2ª ed., 2004, p. 546) De maneira simplificada, os juros de mora são devidos para compensar a demora no pagamento. Verificado o inadimplemento do tributo, advém a aplicação da multa punitiva que passa a integrar o crédito fiscal, ou seja, o montante que o contribuinte deve recolher ao Fisco. Se ainda assim há atraso na quitação da dívida, os juros de mora devem incidir sobre a totalidade do débito, inclusive a multa que, neste momento, constitui crédito titularizado pela Fazenda Pública, não se distinguindo da exação em si para efeitos de recompensar o credor pela demora no pagamento. (grifei) Em suma, o crédito tributário compreende a multa pecuniária, o que legitima a incidência de juros moratórios sobre a totalidade da dívida. Rematando, confirase a lição de Bruno Fajerstajn, encampada por Leandro Paulsen (Direito Tributário Constituição e Código Tributário à Luz da Doutrina e da Jurisprudência. Porto Alegre: Livraria do Advogado, 9ª ed., 2007, p. 1.027 1.028): "A partir da redação do dispositivo, fica evidente que os tributos não podem corresponder à aplicação de sanção pela prática de ato ilícito, diferentemente da penalidade, a qual, em sua essência, representa uma sanção decorrente do descumprimento de uma obrigação. A despeito das diferenças existentes entre os dois institutos, ambos são prestações pecuniárias devidas ao Estado. E no caso em estudo, as penalidades decorrem justamente do descumprimento de obrigação de recolher tributos. Diante disso, ainda que inconfundíveis, o tributo e a penalidade dele decorrente são figuras intimamente relacionadas. Ciente disso, o Código Tributário Nacional, ao definir o crédito tributário e a respectiva obrigação, incluiu nesses conceitos tanto os tributos como as penalidades. (grifei) Fl. 4149DF CARF MF Processo nº 16327.720241/201782 Acórdão n.º 9101003.451 CSRFT1 Fl. 4.150 11 Com efeito, o art. 139 do Código Tributário Nacional define crédito tributário nos seguintes termos: 'Art. 139. O crédito tributário decorre da obrigação principal e tem a mesma natureza desta'. Já a obrigação principal é definida no art. 113 e no parágrafo 1º. Vejase: 'Art. 113. A obrigação tributária é principal ou acessória. § 1º A obrigação principal surge com a ocorrência do fato gerador, tem por objeto o pagamento de tributo ou penalidade pecuniária e extinguese juntamente com o crédito dela decorrente'. Como se vê, o crédito e a obrigação tributária são compostos pelo tributo devido e pelas penalidades eventualmente exigíveis. No entanto, essa equiparação, muito útil para fins de arrecadação e administração fiscal, não identifica a natureza jurídica dos institutos. (...) (grifei) O Código Tributário Nacional tratou da incidência de juros de mora em seu art. 161. Confirase: 'Art. 161. O crédito não integralmente pago no vencimento é acrescido de juros de mora, seja qual for o motivo determinante da falta, sem prejuízo da imposição das penalidades cabíveis e da aplicação de quaisquer medidas de garantia previstas nesta Lei ou em lei tributária. § 1º Se a lei não dispuser de modo diverso, os juros de mora são calculados à taxa de um por cento ao mês. § 2º O disposto neste artigo não se aplica na pendência de consulta formulada pelo devedor dentro do prazo legal para pagamento do crédito' A redação deste dispositivo permite concluir que o Código Tributário Nacional autoriza a exigência de juros de mora sobre 'crédito' não integralmente recolhido no vencimento. Ao se referir ao crédito, evidentemente, o dispositivo está tratando do crédito tributário. E conforme demonstrado no item anterior, o crédito tributário decorre da obrigação principal, na qual estão incluídos tanto o valor do tributo devido como a penalidade dele decorrente. (grifos no original) Sendo assim, considerando o disposto no caput do art. 161 acima transcrito, é possível concluir que o Código Tributário Nacional autoriza a exigência de juros de mora sobre as multas" (Exigência de Juros de Mora sobre as Multas de Ofício no Âmbito da Secretaria da Receita Federal. Revista Dialética de Direito Tributário, São Paulo, n. 132, p. 29, setembro de 2006). (grifos no original) Ante o exposto, dou provimento ao recurso especial.”(grifos no original) Essa é a diretriz a ser seguida, para se descortinar o alcance do § 3º do artigo 61 da Lei nº 9.430/1996, fundamento legal da multa aplicada no caso concreto. Do preceito acima invocado, destacase a incidência de juros de mora sobre débitos decorrentes de tributos e contribuições. Facilmente se infere que as multas ora comentadas só nascem porque há tributo devido a ser exigido de ofício. Não houvesse tributo sonegado, não haveria multa proporcional a ser lançada de ofício. Essa deve ser a linha de Fl. 4150DF CARF MF Processo nº 16327.720241/201782 Acórdão n.º 9101003.451 CSRFT1 Fl. 4.151 12 raciocínio para o desvendamento do que se pode entender no âmbito da expressão “débitos decorrentes de tributos e contribuições.” Pelas razões acima referidas, as multas proporcionais aplicadas em lançamento de ofício, por descumprimento a mandamento legal que estabelece a determinação do valor de tributo administrado pela Receita Federal do Brasil a ser recolhido no prazo legal, estão inseridas na compreensão do § 3º do artigo 61 da Lei nº 9.430/1996, sendo, portanto, suscetíveis à incidência de juros de mora à taxa SELIC. Alfim, salientase que a Câmara Superior já decidiu segundo a linha exegética aqui anunciada: “JUROS DE MORA — MULTA DE OFICIO — OBRIGAÇÃO PRINCIPAL— A obrigação tributária principal surge com a ocorrência do fato gerador e tem por objeto tanto o pagamento do tributo como a penalidade pecuniária decorrente do seu não pagamento, incluindo a multa de oficio proporcional. O crédito tributário corresponde a toda a obrigação tributária principal, incluindo a multa de oficio proporcional, sobre o qual, assim, devem incidir os juros de mora à taxa Selic”. (Acórdão CSRF/0400.651, de 18/09/2007, processo nº 16327.002231/200285, Relator Conselheiro Alexandre Andrade Lima da Fonte Filho) “JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO. A obrigação tributária principal compreende tributo e multa de oficio proporcional. Sobre o crédito tributário constituído, incluindo a multa de oficio, incidem juros de mora, devidos à taxa Selic.” (Acórdão nº 910100.539, de 11/03/2010, processo nº 16327.002243/9971, Relator Conselheiro Valmir Sandri, Redatora Designada Conselheira. Viviane Vidal Wagner) À luz dos argumentos expostos, devese negar provimento ao pleito referente ao reconhecimento da ilegalidade da incidência dos juros de mora calculado com base na taxa SELIC sobre a multa aplicada. Conclusão: conheço do Recurso Especial do contribuinte para, no mériro, negar lhe provimento. É como voto. (assinado digitalmente) Flávio Franco Corrêa Fl. 4151DF CARF MF Processo nº 16327.720241/201782 Acórdão n.º 9101003.451 CSRFT1 Fl. 4.152 13 Fl. 4152DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 11080.914074/2009-45
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Mon Jan 29 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Feb 15 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/07/2005 a 31/07/2005
DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. DIREITO CREDITÓRIO. ELEMENTOS DE PROVA.
A prova do direito de crédito do contribuinte, por força de lei, é a sua contabilidade comercial e fiscal, bem assim, os documentos que a suportam, não se prestando a tal desiderato exclusivamente as declarações entregues à RFB, ainda que retificadas, razão porque a ele incumbe a prova documental que respalda o direito de crédito vindicado, ex vi do art. 373 do Código de Processo Civil, não cabendo a invocação do princípio da verdade material, quando apenas o interessado pode produzir os elementos que amparam sua pretensão.
Embargos acolhidos.
Numero da decisão: 3401-004.349
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em acolher os embargos, com efeitos infringentes, para negar provimento ao recurso voluntário.
Rosaldo Trevisan Presidente
Robson José Bayerl Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Rosaldo Trevisan, Robson José Bayerl, Augusto Fiel Jorge D'Oliveira, Mara Cristina Sifuentes, Renato Vieira de Ávila (suplente convocado), Fenelon Moscoso de Almeida, Tiago Guerra Machado e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco. Ausente justificadamente o Cons. André Henrique Lemos.
Nome do relator: ROBSON JOSE BAYERL
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ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/07/2005 a 31/07/2005 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. DIREITO CREDITÓRIO. ELEMENTOS DE PROVA. A prova do direito de crédito do contribuinte, por força de lei, é a sua contabilidade comercial e fiscal, bem assim, os documentos que a suportam, não se prestando a tal desiderato exclusivamente as declarações entregues à RFB, ainda que retificadas, razão porque a ele incumbe a prova documental que respalda o direito de crédito vindicado, ex vi do art. 373 do Código de Processo Civil, não cabendo a invocação do princípio da verdade material, quando apenas o interessado pode produzir os elementos que amparam sua pretensão. Embargos acolhidos. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em acolher os embargos, com efeitos infringentes, para negar provimento ao recurso voluntário. Rosaldo Trevisan – Presidente Robson José Bayerl – Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 08 0. 91 40 74 /2 00 9- 45Fl. 88DF CARF MF 2 Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Rosaldo Trevisan, Robson José Bayerl, Augusto Fiel Jorge D'Oliveira, Mara Cristina Sifuentes, Renato Vieira de Ávila (suplente convocado), Fenelon Moscoso de Almeida, Tiago Guerra Machado e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco. Ausente justificadamente o Cons. André Henrique Lemos. Relatório Cuidase, na espécie, de despacho decisório eletrônico de não homologação de compensação, relativo ao PER/DCOMP 01794.26158.060207.1.7.041064, cujo fundamento é a integral vinculação do crédito indicado em outro(s) débito(s) de titularidade do contribuinte. Em manifestação de inconformidade o contribuinte sustentou a efetiva existência do crédito utilizado, que, devidamente corrigido, seria suficiente à quitação do débito exigido; que promoveu a retificação da DCTF e DACON; e, que houve erro material no preenchimento das declarações. Foram juntados, na ocasião, planilha de atualização do indébito, comprovante de arrecadação, PERDCOMP (original), DACON e DCTF retificados. A DRJ Porto Alegre/RS julgou o recurso improcedente ao argumento que não havia prova concreta nos autos que conferisse liquidez e certeza ao crédito postulado, para tanto não bastando apenas retificações de declarações desacompanhadas de outros elementos. O recurso voluntário apontou violação ao princípio da verdade material e aduziu a ocorrência de erro material, devidamente caracterizado. Citou doutrina e jurisprudência, em seu favor. A 1ª Turma Ordinária/4ª Câmara/3ª SEJUL/CARF/MF, através do Acórdão 3401001.614, de 02/09/2011, não conheceu do recurso, devido à perempção (perda de prazo processual). A unidade preparadora interpôs embargo de declaração, assinalando omissão, de sua parte, na juntada do competente Aviso de Recebimento – AR, de ciência postal, certificando a tempestividade da peça. Às efls. 86/87 consta o exame de admissibilidade recursal exigido pelo art. 65, § 2º do RICARF/15 (Portaria MF 343/15). É o relatório. Voto Conselheiro Robson José Bayerl, Relator Reexaminado o recurso voluntário, à luz do aclaratório interposto, confirmo o preenchimento dos requisitos para sua admissibilidade, visto que proposto dentro do trintídio legal, de modo que deve ser conhecido. Fl. 89DF CARF MF Processo nº 11080.914074/200945 Acórdão n.º 3401004.349 S3C4T1 Fl. 11 3 Nesse diapasão, a questão dessa discussão, a meu ver, diz respeito a prova dos fatos alegados ou, melhor dizendo, à distribuição do ônus probatório correspondente, mais especificamente, a quem caberia a produção dos elementos probatórios do direito de crédito ora altercado. O contribuinte, em sua manifestação recursal, pugnou pela observância do princípio da verdade material, regente do processo administrativo fiscal, contudo, não se pode olvidar que é sua a atribuição de comprovar a existência do indébito alegado, nos termos do art. 373 do Código de Processo Civil (CPC/15), utilizado subsidiariamente. Consoante aludido dispositivo, cabe ao autor o ônus de provar o fato constitutivo de seu direito, o que, nas hipóteses de pedido de restituição e/ou ressarcimento, incumbe ao sujeito passivo, que é seu titular, enquanto nos lançamentos para exigência de crédito tributário este encargo é responsabilidade do sujeito ativo, o Estado, representado pela Fazenda Nacional. Mesmo reconhecendo que o aludido princípio é verdadeiro dogma para o procedimento contencioso administrativo, tenho que encontra limite na própria lógica da produção probatória necessária à demonstração do direito invocado, não me parecendo coerente que a Administração Tributária, no caso, tenha que providenciar os elementos de prova que estão em poder do requerente. Também não me parece suficiente que ao administrado basta a invocação do seu direito, desacompanhado de qualquer documento que o ampare, para que dele possa usufruir e, havendo necessidade de instrução probatória, compita à administração pública providenciála com base no princípio da verdade material, mormente quando a mesma dependa de provas que estão justamente na esfera de disponibilidade do administrado requerente. A prova documental colacionada ao processo se limita às declarações retificadoras, que, a meu ver e por si só, não possuem o condão de deflagrar os efeitos desejados pelo contribuinte – demonstração de recolhimento a maior de tributo –, como acentuou a decisão recorrida. Em hipóteses como esta – divergência entre declarações (retificada x retificadora) –, apenas a contabilidade do contribuinte se sobrepõe às declarações firmadas, porquanto a legislação comercial e civil (e. g. art. 226 do Código Civil, art. 195 do Código Tributário Nacional e arts. 56 e ss da Lei nº 4.502/64) lhe conferem expressamente esta força probante, de modo que caberia sua apresentação, ainda que por amostra, para contraposição às declarações apresentadas, para checagem do que é realmente devido. Neste processo, não há um único elemento distinto das sobreditas declarações retificadoras, não vindo aos autos qualquer documento contábil ou fiscal que permita a aferição de seus dados, documentos estes, repitase, que apenas o contribuinte ora recorrente detém, cabendo acentuar que esta circunstância foi expressamente destacada na decisão recorrida: Fl. 90DF CARF MF 4 (...) Em que pese o alerta feito pelo colegiado a quo, o recurso voluntário não trouxe nenhum outro elemento, mas tãosomente um acórdão do TRF – 4ª Região. Repitase: a incumbência da prova cabe ao contribuinte, que não se desvencilhou de produzila, sendo insuficiente a referência às declarações, justamente porque as informações são díspares e não conduzem à conclusão defendida. De outra banda, vale aqui a inteligência do adágio jurídico consoante o qual alegar o direito e não provar é o mesmo que nada alegar (allegare sine probare et non allegare paria sunt). Quanto ao pretenso erro material, o recorrente menciona genericamente a sua ocorrência, divagando sobre seus efeitos, mas sequer indica onde teria ocorrido o equívoco de preenchimento, o que, por outro lado, seria de nenhuma valia, pois, como dito, desacompanhado dos elementos documentais que respaldariam a revisão pretendida. Em síntese, concluo que a decisão recorrida deve ser integralmente mantida pelos seus próprios e jurídicos fundamentos, não merecendo qualquer censura. Pelo exposto, acolho os embargos de declaração, com efeito infringente, para negar provimento ao recurso. Robson José Bayerl Fl. 91DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10283.905341/2012-40
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Mar 22 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Apr 12 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/01/2009 a 31/01/2009
PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. PERD/COMP. LIQUIDEZ E CERTEZA DO CRÉDITO. ÔNUS DA PROVA DO CONTRIBUINTE. INSUFICIÊNCIA.
As alegações constantes da manifestação de inconformidade devem ser acompanhadas de provas suficientes que confirmem a liquidez e certeza do crédito pleiteado.
Não tendo sido apresentada documentação assaz apta a embasar a existência e suficiência crédito alegado pela Recorrente, não é possível o reconhecimento do direito a acarretar em qualquer imprecisão do trabalho fiscal na não homologação da compensação requerida.
DCTF RETIFICADORA APRESENTADA APÓS CIÊNCIA DO DESPACHODECISÓRIO.EFEITOS.
A DCTF retificadora apresentada após a ciência da contribuinte do despacho decisório que indeferiu o pedido de compensação não é suficiente para a comprovação do crédito tributário pretendido, sendo indispensável à comprovação do erro em que se funde, nos moldes do artigo 147, §1º do Código Tributário Nacional.
Recurso voluntário negado.
Numero da decisão: 3402-005.051
Decisão:
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário.
(Assinado com certificado digital)
Jorge Olmiro Lock Freire - Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Jorge Freire, Diego Diniz Ribeiro, Waldir Navarro Bezerra, Thais De Laurentiis Galkowicz, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Pedro Sousa Bispo e Carlos Augusto Daniel Neto.
Nome do relator: JORGE OLMIRO LOCK FREIRE
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Período de apuração: 01/01/2009 a 31/01/2009 PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. PERD/COMP. LIQUIDEZ E CERTEZA DO CRÉDITO. ÔNUS DA PROVA DO CONTRIBUINTE. INSUFICIÊNCIA. As alegações constantes da manifestação de inconformidade devem ser acompanhadas de provas suficientes que confirmem a liquidez e certeza do crédito pleiteado. Não tendo sido apresentada documentação assaz apta a embasar a existência e suficiência crédito alegado pela Recorrente, não é possível o reconhecimento do direito a acarretar em qualquer imprecisão do trabalho fiscal na não homologação da compensação requerida. DCTF RETIFICADORA APRESENTADA APÓS CIÊNCIA DO DESPACHODECISÓRIO.EFEITOS. A DCTF retificadora apresentada após a ciência da contribuinte do despacho decisório que indeferiu o pedido de compensação não é suficiente para a comprovação do crédito tributário pretendido, sendo indispensável à comprovação do erro em que se funde, nos moldes do artigo 147, §1º do Código Tributário Nacional. Recurso voluntário negado.
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decisao_txt : Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (Assinado com certificado digital) Jorge Olmiro Lock Freire - Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Jorge Freire, Diego Diniz Ribeiro, Waldir Navarro Bezerra, Thais De Laurentiis Galkowicz, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Pedro Sousa Bispo e Carlos Augusto Daniel Neto.
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PERD/COMP. LIQUIDEZ E CERTEZA DO CRÉDITO. ÔNUS DA PROVA DO CONTRIBUINTE. INSUFICIÊNCIA. As alegações constantes da manifestação de inconformidade devem ser acompanhadas de provas suficientes que confirmem a liquidez e certeza do crédito pleiteado. Não tendo sido apresentada documentação assaz apta a embasar a existência e suficiência crédito alegado pela Recorrente, não é possível o reconhecimento do direito a acarretar em qualquer imprecisão do trabalho fiscal na não homologação da compensação requerida. DCTF RETIFICADORA APRESENTADA APÓS CIÊNCIA DO DESPACHODECISÓRIO.EFEITOS. A DCTF retificadora apresentada após a ciência da contribuinte do despacho decisório que indeferiu o pedido de compensação não é suficiente para a comprovação do crédito tributário pretendido, sendo indispensável à comprovação do erro em que se funde, nos moldes do artigo 147, §1º do Código Tributário Nacional. Recurso voluntário negado. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (Assinado com certificado digital) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 28 3. 90 53 41 /2 01 2- 40 Fl. 194DF CARF MF Processo nº 10283.905341/201240 Acórdão n.º 3402005.051 S3C4T2 Fl. 0 2 Jorge Olmiro Lock Freire Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Jorge Freire, Diego Diniz Ribeiro, Waldir Navarro Bezerra, Thais De Laurentiis Galkowicz, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Pedro Sousa Bispo e Carlos Augusto Daniel Neto. Relatório Tratase de recurso voluntário interposto em face da decisão proferida pela Delegacia da Receita Federal de Julgamento (“DRJ”) de Fortaleza, que julgou improcedente a manifestação de inconformidade apresentada pela Contribuinte sobre pedido de restituição de créditos de Contribuição para COFINS. O Despacho Decisório denegatório do direito pleiteado inicialmente, fundamentou a não homologação da compensação sob a justificativa de que o pagamento referente ao DARF indicado no PER/DCOMP foi integralmente utilizado para a quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. Ciente do Despacho Decisório, o contribuinte apresentou Manifestação de Inconformidade tempestiva, na qual alega em síntese que: • A legislação federal referente à restituição/compensação assegura em caso de não homologação da compensação o direito a interposição de manifestação de inconformidade; • O Despacho Decisório de não homologação foi demasiadamente sucinto e não esclareceu o porquê da decisão. • Os princípios constitucionais do contraditório e ampla defesa não foram respeitados pela administração tributária. O Despacho Decisório deve ser considerado nulo uma vez que não expôs os motivos da não homologação prejudicando seu direito de defesa; • É “empresa industrial com projeto aprovado na SUFRAMA e detentora de incentivos fiscais próprios da Zona Franca de Manaus, instituídos pelo DecretoLei nº 288/1967, bem como sujeita ao regime de apuração pela sistemática não cumulativa do PIS e da COFINS, podendo descontar créditos que poderão ser deduzidos do montante devido de tributos administrados pela Receita Federal do Brasil.” • Faz jus aos créditos de PIS e COFINS, com base nos artigos 3º da Lei 10.637/2002 e da Lei nº 10.833/2003, especificamente com relação ao inciso III: “energia elétrica e energia térmica, inclusive sob a forma de vapor, consumidas nos estabelecimentos da pessoa jurídica.” • Levantou os créditos no mês de competência e utilizou parte do crédito oriundo do previsto no inciso III dos artigos 3º da Lei 10.637/2002 e da Lei nº 10.833/2003, para compensar com as Fl. 195DF CARF MF Processo nº 10283.905341/201240 Acórdão n.º 3402005.051 S3C4T2 Fl. 0 3 contribuições vencidas no período, conforme DACONs retificadoras; “A manifestante, inclusive, providenciou a retificação da DCTF correspondente, regularizando qualquer pendência que ainda pudesse haver.” A defesa relaciona os Acórdãos nºs 1246124 de 10 de maio de 2012 da 17ª Turma e 1638673 de 11 de maio de 2012 da 3ª Turma. (...) • Ao final requer que se julgue procedente a Manifestação de Inconformidade, para o efeito de reformar o Despacho Decisório exarado no processo. Sobreveio então o Acórdão 08033.064, da DRJ/FOR, negando provimento à manifestação de inconformidade, por entender que "a eficácia da retificação da DCTF, quando apresentada após a ciência do Despacho Decisório, depende de comprovação, a cargo do contribuinte, do erro em que se funda, mediante escrituração e documentos", comprovação esta que não restou satisfeita. Irresignada, a Contribuinte interpôs Recurso Voluntário a este Conselho, no qual repisa os argumentos trazidos em sua impugnação ao lançamento tributário com relação ao mérito da questão, bem como alegando que a decisão recorrida não analisou a documentação apresentada no seu entender, suficiente para garantir o crédito pleiteado , deixando prevalecer erro material nas declarações inicialmente prestadas pela Contribuinte, mas depois devidamente sanadas. É o relatório. Voto Conselheiro Jorge Olmiro Lock Freire O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão nº 3402005.034, de 22 de março de 2018, proferida no julgamento do processo 10283.904567/201223, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu no Acórdão nº 3402005.034: "Como se depreende do relato acima, a lide resumese à comprovação da existência e suficiência do crédito objeto da compensação. Pois bem. A Lei n. 5.172/66 (Código Tributário Nacional), em seu art. 165, assegura o direito à restituição de tributos por recolhimento ou pagamento indevido ou a maior que o devido e estabelece os casos que configuram tal recolhimento ou Fl. 196DF CARF MF Processo nº 10283.905341/201240 Acórdão n.º 3402005.051 S3C4T2 Fl. 0 4 pagamento, como a Recorrente afirma possuir, nos seguintes termos: Art. 165. O sujeito passivo tem direito, independentemente de prévio protesto, à restituição total ou parcial do tributo, seja qual for a modalidade do seu pagamento, ressalvado o disposto no § 4º do artigo 162, nos seguintes casos I Cobrança ou pagamento espontâneo de tributo indevido ou maior que o devido em face da legislação tributária aplicável, ou da natureza ou circunstâncias materiais do fato gerador efetivamente ocorrido; II erro na edificação do sujeito passivo, na determinação da alíquota aplicável, no cálculo do montante do débito ou na elaboração ou conferência de qualquer documento relativo ao pagamento; III reforma, anulação, revogação ou rescisão de decisão condenatória Por sua vez, o instituto da compensação de créditos tributários está previsto no artigo 170 do Código Tributário Nacional (CTN): Art. 170. A lei pode, nas condições e sob as garantias que estipular, ou cuja estipulação em cada caso atribuir à autoridade administrativa, autorizar a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda pública. (...) Com o advento da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, a compensação passou a ser tratada especificamente em seu artigo 74, tendo a citada Lei disciplinado a compensação de débitos tributários com créditos do sujeito passivo decorrentes de restituição ou ressarcimento de tributos ou contribuições, âmbito da Secretaria da Receita Federal (SRF). Ainda, o §1º do art. 74 da Lei nº 9.430/96 (incluído pelo art. 49 da Lei nº 10.637/02) 1 determina que a compensação será efetuada mediante a entrega, pelo sujeito passivo, de declaração na qual constarão informações relativas aos créditos utilizados e aos respectivos débitos compensados (PER/DCOMP), como pretende a Recorrente in casu. Nesse sentido, a Recorrente processou pedido de compensação, afirmando possuir créditos relativos à Contribuição ao PIS, decorrente de pagamentos indevidos e créditos que teria direito pela sistemática da não cumulatividade da contribuição social (incentivos fiscais próprios da Zona Franca de Manaus, instituídos pelo DecretoLei nº 288/1967 e 1 A referida legislação recebeu ainda algumas alterações promovidas pelas Leis nºs 10.833/2003 e 11.051/2004. Atualmente, os procedimentos respectivos encontramse regidos pela IN RFB nº 1.300/2012 e alterações posteriores Fl. 197DF CARF MF Processo nº 10283.905341/201240 Acórdão n.º 3402005.051 S3C4T2 Fl. 0 5 com base nos artigos 3º da Lei 10.637/2002 e da Lei nº 10.833/2003, respectivamente). Entretanto, a partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP, foram localizados um ou mais pagamentos, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte. Assim, concluiu a Fiscalização que não restava crédito disponível para restituição, e, por conseguinte, a compensação não foi homologada. Muito embora a falta de prova sobre a existência e suficiência do crédito tenha sido o motivo tanto da não homologação da compensação por despacho decisório, como da negativa de provimento à manifestação de inconformidade, a Recorrente permanece sem se desincumbir do seu ônus probatório, insistindo que efetuou a retificação do Dacon e da DCTF, o que demonstraria seu direito ao crédito. Ocorre que o Dacon constitui demonstrativo por meio do qual a empresa apura as contribuições devidas. Com efeito, o Demonstrativo de Apuração de Contribuições Sociais (DACON), instituído pela Instrução Normativa SRF nº 387, de 20 de janeiro de 2004, é uma declaração acessória obrigatória em que as pessoas jurídicas informavam a Receita Federal do Brasil sobre a apuração da Contribuição ao PIS e da COFINS. Em outros termos, sua função é de refletir a situação do recolhimento das contribuições da empresa, sendo os créditos autorizados por lei e com substrato nos documentos contábeis da empresa, basicamente notas fiscais os livros fiscais onde estão registradas as referidas notas, além da própria DCTF. Assim, são esses últimos documentos que possuem aptidão para comprovar o crédito. Ademais, a Instrução Normativa n. 1.015, de 05 de março de 2010, vigente à época dos fatos, estabelece que Art. 10. A alteração das informações prestadas em Dacon, nas hipóteses em que admitida, será efetuada mediante apresentação de demonstrativo retificador, elaborado com observância das mesmas normas estabelecidas para o demonstrativo retificado. § 1º O Dacon retificador terá a mesma natureza do demonstrativo originariamente apresentado, substituindoo integralmente, e servirá para declarar novos débitos, aumentar ou reduzir os valores de débitos já informados ou efetivar alteração nos créditos e retenções na fonte informados. § 2º A retificação não produzirá efeitos quando tiver por objeto: I reduzir débitos da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins: Fl. 198DF CARF MF Processo nº 10283.905341/201240 Acórdão n.º 3402005.051 S3C4T2 Fl. 0 6 a) cujos saldos a pagar já tenham sido enviados à ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional (PGFN) para inscrição em Dívida Ativa da União (DAU), nos casos em que importe alteração desses saldos; b) cujos valores apurados em procedimentos de auditoria interna, relativos às informações indevidas ou não comprovadas prestadas no demonstrativo original, já tenham sido enviados à PGFN para inscrição em DAU; ou c) que tenham sido objeto de exame em procedimento de fiscalização; e II alterar débitos da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins em relação aos quais a pessoa jurídica tenha sido intimada de início de procedimento fiscal. (...) § 5º A pessoa jurídica que entregar Dacon retificador, alterando valores que tenham sido informados na Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais (DCTF), deverá apresentar, também, DCTF retificadora. Quanto à DCTF, cuja retificação foi feita posteriormente à prolação do despacho decisório, tampouco salvaguarda o pleito da Recorrente. Explico. Este Conselho possui pacífica jurisprudência, tanto nas turmas ordinárias (e.g. Acórdãos 3801004.289, 3801004.079, 3803003.964) como na Câmara Superior de Recursos Fiscais (e.g. Acórdão 9303005.519), no sentido de que a retificação posterior ao Despacho Decisório não impediria o deferimento do crédito quando acompanhada de provas documentais comprovando o erro cometido no preenchimento da declaração original. Tal entendimento fundase na letra do artigo 147, § 1º do Código Tributário Nacional, a seguir transcrito: Art. 147. O lançamento é efetuado com base na declaração do sujeito passivo ou de terceiro, quando um ou outro, na for ma da legislação tributária, presta à autoridade administrativa informações sobre matéria de fato, indispensáveis à sua efetivação. § 1º A retificação da declaração por iniciativa do próprio declarante, quando vise a reduzir ou a excluir tributo, só é admissível mediante comprovação do erro em que se funde, e antes de notificado o lançamento. Portanto, a DCTF retificadora apresentada após a ciência do Despacho Decisório não é suficiente para a demonstração do crédito pleiteado em PER/DCOMP, sendo imprescindível que a Contribuinte faça prova do erro em que se fundou a retificação. Fl. 199DF CARF MF Processo nº 10283.905341/201240 Acórdão n.º 3402005.051 S3C4T2 Fl. 0 7 Nesse sentido, destaco a ementa do Acórdão nº 9303005.708, cujo julgamento na CSRF, por unanimidade, ocorreu em 19 de setembro de 2017: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 30/04/2001 DCTF RETIFICADORA APRESENTADA APÓS CIÊNCIA DO DESPACHO DECISÓRIO. EFEITOS. A retificação da DCTF após a ciência do Despacho Decisório que indeferiu o pedido de restituição não é suficiente para a comprovação do crédito, sendo indispensável a comprovação do erro em que se funde. Recurso Especial do Contribuinte negado.) Com relação a prova dos fatos e o ônus da prova, dispõem o artigo 36, caput, da Lei nº 9.784/99 e o artigo 373, inciso I, do Código de Processo Civil, abaixo transcritos, que caberia à Recorrente, autora do presente processo administrativo, o ônus de demonstrar o direito que pleiteia: Art. 36 da Lei nº 9.784/99. Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado, sem prejuízo do dever atribuído ao órgão competente para a instrução e do disposto no art. 37 desta Lei. Art. 373 do Código de Processo Civil. O ônus da prova incumbe: I ao autor, quanto ao fato constitutivo de seu direito; Peço vênia para destacar as palavras do Conselheiro relator Antonio Carlos Atulim, plenamente aplicáveis ao caso sub judice: “É certo que a distribuição do ônus da prova no âmbito do processo administrativo deve ser efetuada levandose em conta a iniciativa do processo. Em processos de repetição de indébito ou de ressarcimento, onde a iniciativa do pedido cabe ao contribuinte, é óbvio que o ônus de provar o direito de crédito oposto à Administração cabe ao contribuinte. Já nos processos que versam sobre a determinação e exigência de créditos tributários (autos de infração), tratandose de processos de iniciativa do fisco, o ônus da prova dos fatos jurígenos da pretensão fazendária cabe à fiscalização (art. 142 do CTN e art. 9º do PAF). Assim, realmente andou mal a turma de julgamento da DRJ, pois o ônus da prova incumbe a quem alega o fato probando. Se a fiscalização não provar os fatos alegados, a consequência jurídica disso será a improcedência do lançamento em relação ao que não tiver sido provado e não a sua nulidade. No caso em análise, a Contribuinte esclarece que teria apurado créditos de PIS, contudo, para comprovar a liquidez e Fl. 200DF CARF MF Processo nº 10283.905341/201240 Acórdão n.º 3402005.051 S3C4T2 Fl. 0 8 certeza do crédito informado nas declarações (DCTF e DACON) é imprescindível que seja demonstrada através da escrituração contábil e fiscal, baseada em documentos hábeis e idôneos, a diminuição do valor do débito correspondente a cada período de apuração. A Contribuinte não juntou aos autos nenhum documento contábil ou fiscal capaz de comprovar a liquidez e certeza do credito apontado. Somente insistiu que as declarações retificadoras seriam suficientes para tanto, mesmo após a decisão da DRJ ter expressamente colocado quais documentos seriam necessários para a efetividade da prova do crédito. Sobre esse ponto, saliento que este Colegiado vem admitindo provas apresentadas em sede de recurso voluntário, haja vista o princípio da verdade material e da informalidade moderada que reinam na esfera do processo administrativo. Todavia, nem em sede recursal a Recorrente se desincumbiu do ônus da prova. Dessarte, não tendo sido comprovada pela Recorrente a liquidez e certeza do crédito pleiteado, de acordo com toda a disciplina jurídica supra mencionada, não há reparos a serem feitos quanto ao Acórdão recorrido. Dispositivo Por essas razões, voto no sentido de negar provimento ao Recurso Voluntário." Da mesma forma que ocorreu no caso do paradigma, no presente processo o contribuinte não logrou comprovar o direito creditório pleiteado. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do anexo II do RICARF, NEGO PROVIMENTO AO RECURSO VOLUNTÁRIO. (Assinado com certificado digital) Jorge Olmiro Lock Freire Fl. 201DF CARF MF
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