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Numero do processo: 10280.905315/2011-61
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Nov 27 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Feb 12 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Data do fato gerador: 30/09/2000
CONEXÃO. PERÍODO DE APURAÇÃO DIVERSO. IMPOSSIBILIDADE.
Processos com a mesma matéria e períodos de apuração diversos não obrigam a reunião por conexão prevista pelo artigo 6º, §1º, I, Anexo II do RICARF.
FALTA DE RETIFICAÇÃO NA DCTF. PRINCÍPIO DA VERDADE MATERIAL. APURAÇÃO EM DILIGÊNCIA.
A falta de retificação da DCTF não impede a aplicação do Princípio da Verdade Material, tornando oportuna a averiguação da existência do crédito através de diligência.
INCONSTITUCIONALIDADE. ART. 3º, §1º DA LEI Nº 9.718 DE 1998. DECISÃO PLENÁRIA DEFINITIVA DO STF.
O alargamento da base de cálculo do PIS e da COFINS, previsto pelo § 1º do art. 3° da Lei n° 9.718/1998 foi declarado inconstitucional pelo Supremo Tribunal Federal em julgamento ao Recurso Extraordinário nº 585.235/ MG, sob repercussão geral. Incidência do artigo 62, § 2º do RICARF.
FATURAMENTO. CONCEITO. RECEITAS OPERACIONAIS.
O faturamento, para fins de incidência dessas contribuições, corresponde à totalidade das receitas da pessoa jurídica, fruto de todas suas atividades operacionais, principais ou não.
Recurso Voluntário Provido em Parte
Numero da decisão: 3402-005.860
Decisão:
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar parcial provimento ao Recurso Voluntário para reconhecer o direito creditório no limite da diligência fiscal. Os Conselheiros Diego Diniz Ribeiro e Maysa de Sá Pittondo Deligne acompanharam a relatora pelas conclusões.
(assinado digitalmente)
Waldir Navarro Bezerra - Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Waldir Navarro Bezerra (Presidente), Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Cynthia Elena de Campos, Pedro Sousa Bispo, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Rodrigo Mineiro Fernandes e Renato Vieira de Ávila (Suplente convocado). Ausente, justificadamente, a Conselheira Thais De Laurentiis Galkowicz.
Nome do relator: WALDIR NAVARRO BEZERRA
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Data do fato gerador: 30/09/2000 CONEXÃO. PERÍODO DE APURAÇÃO DIVERSO. IMPOSSIBILIDADE. Processos com a mesma matéria e períodos de apuração diversos não obrigam a reunião por conexão prevista pelo artigo 6º, §1º, I, Anexo II do RICARF. FALTA DE RETIFICAÇÃO NA DCTF. PRINCÍPIO DA VERDADE MATERIAL. APURAÇÃO EM DILIGÊNCIA. A falta de retificação da DCTF não impede a aplicação do Princípio da Verdade Material, tornando oportuna a averiguação da existência do crédito através de diligência. INCONSTITUCIONALIDADE. ART. 3º, §1º DA LEI Nº 9.718 DE 1998. DECISÃO PLENÁRIA DEFINITIVA DO STF. O alargamento da base de cálculo do PIS e da COFINS, previsto pelo § 1º do art. 3° da Lei n° 9.718/1998 foi declarado inconstitucional pelo Supremo Tribunal Federal em julgamento ao Recurso Extraordinário nº 585.235/ MG, sob repercussão geral. Incidência do artigo 62, § 2º do RICARF. FATURAMENTO. CONCEITO. RECEITAS OPERACIONAIS. O faturamento, para fins de incidência dessas contribuições, corresponde à totalidade das receitas da pessoa jurídica, fruto de todas suas atividades operacionais, principais ou não. Recurso Voluntário Provido em Parte
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(SUCESSORA DE BELÉM DIESEL S.A.) Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Data do fato gerador: 30/09/2000 CONEXÃO. PERÍODO DE APURAÇÃO DIVERSO. IMPOSSIBILIDADE. Processos com a mesma matéria e períodos de apuração diversos não obrigam a reunião por conexão prevista pelo artigo 6º, §1º, I, Anexo II do RICARF. FALTA DE RETIFICAÇÃO NA DCTF. PRINCÍPIO DA VERDADE MATERIAL. APURAÇÃO EM DILIGÊNCIA. A falta de retificação da DCTF não impede a aplicação do Princípio da Verdade Material, tornando oportuna a averiguação da existência do crédito através de diligência. INCONSTITUCIONALIDADE. ART. 3º, §1º DA LEI Nº 9.718 DE 1998. DECISÃO PLENÁRIA DEFINITIVA DO STF. O alargamento da base de cálculo do PIS e da COFINS, previsto pelo § 1º do art. 3° da Lei n° 9.718/1998 foi declarado inconstitucional pelo Supremo Tribunal Federal em julgamento ao Recurso Extraordinário nº 585.235/ MG, sob repercussão geral. Incidência do artigo 62, § 2º do RICARF. FATURAMENTO. CONCEITO. RECEITAS OPERACIONAIS. O faturamento, para fins de incidência dessas contribuições, corresponde à totalidade das receitas da pessoa jurídica, fruto de todas suas atividades operacionais, principais ou não. Recurso Voluntário Provido em Parte AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 28 0. 90 53 15 /2 01 1- 61 Fl. 315DF CARF MF Processo nº 10280.905315/201161 Acórdão n.º 3402005.860 S3C4T2 Fl. 0 2 Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar parcial provimento ao Recurso Voluntário para reconhecer o direito creditório no limite da diligência fiscal. Os Conselheiros Diego Diniz Ribeiro e Maysa de Sá Pittondo Deligne acompanharam a relatora pelas conclusões. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Waldir Navarro Bezerra (Presidente), Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Cynthia Elena de Campos, Pedro Sousa Bispo, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Rodrigo Mineiro Fernandes e Renato Vieira de Ávila (Suplente convocado). Ausente, justificadamente, a Conselheira Thais De Laurentiis Galkowicz. Relatório Versa o processo sobre pedido de restituição de crédito de contribuição não cumulativa, o qual foi indeferido pela DRF de origem, em razão de o recolhimento indicado ter sido integralmente utilizado para quitação de débito confessado pela contribuinte em outro PER/DCOMP. A interessada apresentou a manifestação de inconformidade, sustentando seu direito creditório na inconstitucionalidade do art. 3º, § 1º da Lei nº 9.718/1998 (RE nº 390.840/MG e RE nº 585.235, com repercussão geral). O julgador de primeira instância não acolheu as razões de defesa da interessada, consoante argumentos plasmados no Acórdão nº 14041.283. Inconformada com esta decisão, a contribuinte apresentou Recurso Voluntário no qual defende o direito ao crédito pleiteado. Na apreciação deste recurso, o Colegiado decidiu converter o julgamento em diligência, nos termos da Resolução nº 3402001.070, para que a Unidade de Origem realizasse o seguinte levantamento: i) Apurar a composição da base de cálculo adotada pela contribuinte ao recolher a Contribuição, levando em conta as notas fiscais emitidas, as escritas contábil e fiscal e outros documentos que considerar pertinentes; ii) Elaborando Relatório Conclusivo com a discriminação dos montantes totais tributados e, em separado, os valores de outras receitas tributadas com base no alargamento promovido pelo § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98, de modo a se apurar os valores devidos, com e sem o alargamento, e confrontá los com o recolhido; Fl. 316DF CARF MF Processo nº 10280.905315/201161 Acórdão n.º 3402005.860 S3C4T2 Fl. 0 3 iii) Apurar, se for o caso, o eventual montante de recolhimento a maior em face do referido alargamento da base de cálculo das contribuições. Em cumprimento à Resolução foi apresentada a Informação Fiscal que concluiu pela inexistência de recolhimento a maior, não sendo possível o reconhecimento do crédito para a compensação requerida. Intimada a se manifestar sobre o resultado da diligência, a Recorrente argumentou que o raciocínio adotado pela fiscalização sobre a natureza dos valores escriturados em algumas das contas contábeis não merece prevalecer, fundamentando acerca da natureza das verbas recebidas a título de bonificações e recuperação de despesas com garantia, bem como pela impossibilidade da incidência da contribuição ao PIS e da COFINS sobre recuperação de custos e despesas e, com isso, reiterando o pedido de provimento do recurso voluntário interposto e reconhecimento integral do direito ao crédito postulado. É o relatório. Voto Conselheiro Waldir Navarro Bezerra, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3402005.856, de 27 de novembro de 2018, proferido no julgamento do processo 10280.900095/201260, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevemse, como solução deste litígio, nos termos regimentais, os entendimentos que prevaleceram naquela decisão (Acórdão 3402005.856): "Pressupostos legais de admissibilidade Como já observado pela Resolução nº 3402001.051, o Recurso Voluntário de fls. 73 a 90 é tempestivo, uma vez que a intimação do Acórdão nº 1441253 ocorreu via postal na data de 10/06/2013 (fls. 71), com interposição da defesa em data de 08/07/2013 (Termo de Solicitação de Juntada de fls. 72). Por atender aos pressupostos legais de admissibilidade, deve o recurso ser conhecido por este Colegiado. Do pedido preliminar para reunião dos processos Preliminarmente a Recorrente argumenta que os seguintes processos têm o mesmo objeto do caso em análise, referente ao questionamento sobre a restituição de crédito decorrente do recolhimento indevido da COFINS, pautado na inconstitucionalidade do artigo 3º, parágrafo 1º da Lei nº 9.718/98: Fl. 317DF CARF MF Processo nº 10280.905315/201161 Acórdão n.º 3402005.860 S3C4T2 Fl. 0 4 Considerando que não há fatos jurídicos tributários idênticos, uma vez que os processos têm períodos de apuração diversos, não há vinculação que torne obrigatória a aplicação do artigo 6º do RICARF. Ademais, o presente recurso foi distribuído como paradigma, seguindo a sistemática dos recursos repetitivos, conforme regulamentação do artigo 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Conforme informado em Termo de Intimação Fiscal nº 01 SAORT/DRFSJR de fls. 241 a 242, a diligência foi realizada em cumprimento às Resoluções de nºs 3402001.050 a 3402 001.067, proferidas por este Colegiado, resultando na análise do crédito pleiteado nos seguintes processos: 10280.900096/201212, 10280.900095/201260, 10280.900097/201259, 10280.900106/201210, 10280.904424/201161, 10280.904437/201130, 10280.904438/201184, 10280.904439/201129, 10280.904440/201153, 10280.904441/201106, 10280.904442/201142, 10280.904443/201197, 10280.904444/201131, 10280.904445/201186, 10280.904446/201121, 10280.904447/201175, 10280.904971/201146, 10280.904972/201191, 10280.904973/201135, 10280.904974/201180, 10280.905315/201161, 10280.905316/2011 13,10280.905317/201150, 10280.905318/201102, 10280.905319/201149, 10280.905320/201173, 10280.905321/201118, 10280.905322/201162, 10280.905323/201115, 10280.905325/201104, 10280.905326/201141, 10280.905328/201130, 10280.905329/201184, 10280.905330/201117, 10280.905331/201153, 10280.905332/201106, 10280.905333/201142, 10280.905334/201197, 10280.905781/201146, 10280.905782/201191, 10280.905784/201180, 10280.905785/201124, Fl. 318DF CARF MF Processo nº 10280.905315/201161 Acórdão n.º 3402005.860 S3C4T2 Fl. 0 5 10280.905786/201179, 10280.905787/201113, 10280.905790/201137, 10280.905803/201178 e 10280.905804/201112. Portanto, resta prejudicada a preliminar invocada no Recurso Voluntário em análise. Do mérito Pede a Recorrente pelo reconhecimento do direito à restituição da COFINS calculada sobre receitas estranhas ao conceito de faturamento, explanando sobre a inconstitucionalidade do artigo 3º, § 1º, da Lei nº 9.718/98 e necessária incidência do artigo 62. § 1º, inciso II e Alínea "b" do Regimento Interno deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF nº 343/2015. Para tanto, pugna pela aplicação da Verdade Material, uma vez que a DCTF não é o único meio de prova da existência de crédito passível de restituição, configurando a decisão recorrida em formalismo exagerado. Pede, ainda, pela complementação da produção probatória necessária para lastrear a existência de seu crédito. Com já relatado, tanto o reconhecimento da inconstitucionalidade do artigo 3º, § 1º, da Lei nº 9.718/98 e aplicação do artigo 62, § 1º, inciso II e Alínea "b" do RICARF, quanto o pedido de produção de prova complementar, restaram superados através da Resolução nº 3402001.051 (fls. 234238), pela qual este Colegiado converteu o julgamento do recurso em diligência com a seguinte determinação: Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência para que a Unidade de Origem verifique a composição da base de cálculo adotada pela contribuinte ao recolher a Contribuição, levando em conta as notas fiscais emitidas, as escritas contábil e fiscal e outros documentos que considerar pertinentes, elaborando, ao final, Relatório Conclusivo com a discriminação dos montantes totais tributados e, em separado, os valores de outras receitas tributadas com base no alargamento promovido pelo §1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98, de modo a se apurar os valores devidos, com e sem o alargamento, e confrontálos com o recolhido, apurandose, se for o caso, o eventual montante de recolhimento a maior em face do referido alargamento da base de cálculo das contribuições. Por sua vez, a matéria suscitada sobre declaração de inconstitucionalidade do § 1º do artigo 3º da Lei nº 9.718/1998 é questão decidida em repercussão geral pelo Supremo Tribunal Federal através do RE 585.235/MG, resultando na aplicação do artigo 62, § 2 do RICARF. Fl. 319DF CARF MF Processo nº 10280.905315/201161 Acórdão n.º 3402005.860 S3C4T2 Fl. 0 6 Portanto, neste ponto dou provimento ao recurso, com a produção de prova já realizada através da diligência acima mencionada. Do resultado da diligência Em sequência, dando cumprimento ao artigo 35 do Decreto nº 7.574/2011, a Recorrente manifestouse sobre o resultado da diligência às fls. 338351, sustentando sobre a natureza das verbas recebidas a título de bonificações e recuperação de despesas com garantia, bem como pela impossibilidade da incidência da contribuição ao PIS e da COFINS sobre recuperação de custos e despesas. Em síntese, alega a Recorrente que "....as bonificações não são receitas da recorrente, mas apenas recuperação do custo de aquisição dos bens adquiridos por e para revenda. Como a recuperação de custos realmente aumenta o lucro bruto da recorrente, eis que diminuem o custo da mercadoria vendida, mas, por outro lado, não interferem nas receitas da recorrente, eis que o valor das vendas não é alterado, não havendo qualquer interferência desses valores na receita da recorrente, passível de tributação pela contribuição ao PIS e pela COFINS." A questão atinente às verbas recebidas a título de bonificações e recuperação de despesas foi objeto de análise por esta Turma Ordinária no PAF nº 10280.900096/201212, de relatoria da Eminente Conselheira Maria Aparecida Martins de Paula e cujo julgamento ocorreu em data de 25 de setembro de 2018. Com isso, como solução deste litígio, adoto o entendimento que prevaleceu no Acórdão nº 3402005.569, pelo qual foi aplicado o inciso III do art. 44 da Lei nº 4.506/19641, bem como as Soluções de Consulta Cosit nºs 291/20172 e 34/20133. 1 Art. 44. Integram a receita bruta operacional: I O produto da venda dos bens e serviços nas transações ou operações de conta própria; II O resultado auferido nas operações de conta alheia; III As recuperações ou devoluções de custos, deduções ou provisões; IV As subvenções correntes, para custeio ou operação, recebidas de pessoas jurídicas de direito público ou privado, ou de pessoas naturais. 2 Solução de Consulta nº 291 Cosit Data 13 de junho de 2017 ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP NÃO CUMULATIVIDADE. BONIFICAÇÕES EM MERCADORIAS. DOAÇÃO. VENDA. INCIDÊNCIA. Bonificações em mercadorias entregues gratuitamente, a título de mera liberalidade, sem vinculação a operação de venda, são consideradas receita de doação para a pessoa jurídica recebedora dos produtos (donatária), incidindo a Contribuição para o PIS/Pasep sobre o valor de mercado desses bens. A receita de vendas oriunda de bens recebidos a título de doação deve sofrer a incidência da Contribuição para o PIS/Pasep, na forma da legislação geral das referidas contribuições. Dispositivos Legais: Lei nº 10.406, de 2002 (Código Civil), art. 538; Lei nº 10.637, de 2002, art. 1º e art. 3º, §2º, II; Parecer Normativo CST nº 113, de 1978. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS NÃO CUMULATIVIDADE. BONIFICAÇÕES EM MERCADORIAS. DOAÇÃO. VENDA. INCIDÊNCIA. Fl. 320DF CARF MF Processo nº 10280.905315/201161 Acórdão n.º 3402005.860 S3C4T2 Fl. 0 7 Para tanto, transcrevo a fundamentação que embasa a decisão em referência, a qual cita trechos extraídos da respectiva Informação Fiscal, reproduzindo os mesmos termos constantes do resultado da diligência realizada neste processo, motivo pelo qual deve ser considerada como embasamento do presente voto: "Quanto ao mérito, valem aqui as considerações já expedidas na Resolução que determinou a conversão do julgamento em diligência, a seguir transcritas: Como se sabe, é obrigatória aos membros deste CARF a reprodução do conteúdo de decisão definitiva de mérito proferida pelo STF e pelo STJ na sistemática dos arts. 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 1973, ou dos arts. 1.036 a 1.041 da Lei nº 13.105, de 2015 Código de Processo Civil. Também não se desconhece que foi declarada a inconstitucionalidade do § 1º do art. 3º da Lei 9.718/98 pelo Supremo Tribunal Federal, tendo sido reconhecida a repercussão geral, para reafirmar a jurisprudência do Tribunal nesse sentido. Em consequência, para as empresas que se dedicam à venda de mercadorias comerciais e industriais e/ou à prestação de serviços, é ao total das receitas oriundas dessas atividades que corresponde a base de cálculo das contribuições do PIS e da Cofins enquanto aplicável aquele ato legal. Assim, em face da declaração de inconstitucionalidade do art. 3º, § 1º da Lei nº 9.718/98, relativamente ao alargamento da base de cálculo do PIS/Pasep e da Cofins, deve ser aplicado neste julgamento o entendimento do Supremo Tribunal Federal proferido em regime de repercussão geral no Recurso Extraordinário nº 585.235/MG. Como bem esclareceu a fiscalização na diligência, devem ser excluídos do conceito de faturamento os aportes (...) Dispositivos Legais: Lei nº 10.406, de 2002 (Código Civil), art. 538; Lei nº 10.833, de 2003, art. 1º e art. 3º, §2º, II; Parecer Normativo CST nº 113, de 1978. 3 Solução de Consulta nº 34 Cosit Data 21 de novembro de 2013 ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ BASE DE CÁLCULO. DESCONTOS CONDICIONAIS E INCONDICIONAIS. Os descontos incondicionais consideramse parcelas redutoras do preço de vendas, quando constarem da nota fiscal de venda dos bens ou da fatura de serviços e não dependerem de evento posterior à emissão desses documentos; esses descontos não se incluem na receita bruta da pessoa jurídica vendedora e, do ponto de vista da pessoa jurídica adquirente dos bens ou serviços, constituem redutor do custo de aquisição, não configurando receita. Os descontos condicionais são aqueles que dependem de evento posterior à emissão da nota fiscal, usualmente, do pagamento da compra dentro de certo prazo, e configuram despesa financeira para o vendedor e receita financeira para o comprador. Dispositivos Legais: Lei nº 8.981, de 1995, art. 31; Decreto nº 3.000, de 1999 (Regulamento do Imposto de Renda RIR/1999), arts. 373 e 374; Instrução Normativa SRF nº 51, de 1978, item 4.2. Fl. 321DF CARF MF Processo nº 10280.905315/201161 Acórdão n.º 3402005.860 S3C4T2 Fl. 0 8 financeiros estranhos à atividade desenvolvida pela empresa: 7. No anexo da Nota PGFN/CRJ nº 1.114, de 30/08/2012, está delimitado o julgado pelo STF no RE n° 585.235, nos seguintes termos: “DELIMITAÇÃO DA MATÉRIA DECIDIDA: O PIS/COFINS deve incidir somente sobre as receitas operacionais das empresas, escapando da incidência do PIS/COFINS as receitas não operacionais. (...)” 8. A delimitação da matéria decidida é também fruto dos julgados do STF, que entendem que o conceito de faturamento abrange a receita bruta das vendas de mercadorias e da prestação de serviços das empresas, e todas as receitas oriundas do exercício das atividades empresariais. Esta é a interpretação dada pelo RE n. 371.258 AgR (Segunda Turma, Rel. Min. Cezar Peluzo, julgado em 03.10,2006), pelo RE n. 400.4798/RJ ( Segunda Turma, Rel. Min. Cezar Peluzo, julgado em 10.10,2006) e pelo RE n 527.602/SP (Tribunal Pleno, Rel Min Eros Grau, Rel. p/ acórdão Min. Marco Aurélio, julgado em 05.08.2009), sendo que neste último ficou estabelecido que somente são excluídos do conceito de faturamento “os aportes financeiros estranhos à atividade desenvolvida pela empresa”. Assim, o faturamento corresponde à totalidade das receitas da pessoa jurídica, fruto de todas suas atividades operacionais, principais ou não. Com efeito, adotando tal entendimento, a fiscalização excluiu do faturamento, para fins de incidência das contribuições, as receitas que não se enquadravam como operacionais, resultando num recolhimento a maior, passível de reconhecimento de crédito para compensação no valor mencionado no relatório acima. Não obstante tenha sido devidamente intimada, a recorrente não se manifestou em face do resultado da diligência, pelo que se pressupõe que com ele concordou. Ademais, na diligência foram acolhidos, em grande parte, os demonstrativos/memórias de cálculo elaborados pela própria contribuinte em resposta à intimação da fiscalização, ressalvadas poucas divergências, quanto às receitas originadas das bonificações recebidas e das recuperações de despesas, como se vê nos seguintes trechos da Informação fiscal: 9. Concorda o contribuinte, conforme seus demonstrativos, que devem ser incluídas na base de cálculo da Cofins as seguintes receitas operacionais (líquidas das devoluções/deduções): vendas de veículos novos (de fev/03 e mar/03), vendas de veículos usados, instalação e vendas de peças e acessórios, instalação e vendas de Kits de conversão Gás, prestação de serviços da oficina, vendas de outras mercadorias e outras prestações de serviços (outras atividades). 10. Também devem ser incluídas na base de cálculo da Cofins as bonificações recebidas das montadoras, mesmo que em Fl. 322DF CARF MF Processo nº 10280.905315/201161 Acórdão n.º 3402005.860 S3C4T2 Fl. 0 9 mercadoria (contas 37201.00001 Bonificação MBB Veículos, 37201.00002 Bonificação MBB Sprinter e 37202.00001 Bonificação MBB Peças e Motores) e a recuperação de despesas com veículos e peças em garantias (contas 37202.00009 Recup. Desp. c/ Garantia e 37204.00009 Recup. Desp. c/ Garantia), pelo que segue. Nada há a reparar no entendimento da fiscalização no sentido de que as "recuperações de despesas também constituem receitas operacionais, conforme determina o inciso III do art. 44 da Lei nº 4.5061, de 30 de novembro de 1964, base legal do inciso II do art. 392 do Decreto nº 3.000, de 26 de março de 1999 (Regulamento do Imposto de Renda RIR/1999)", sobre as quais há a incidência do PIS/Pasep e da Cofins. Quanto às bonificações, embora em algumas situações específicas elas possam configurar descontos incondicionais, o que, se fosse o caso, poderia ensejar a exclusão de tais receitas do conceito de faturamento, nos termos das Soluções de Consulta Cosit nºs 291/2017 e 34/20132, não há qualquer argumentação da recorrente nesse sentido, no recurso voluntário ou na diligência do presente processo, razão pela qual deve ser mantido o resultado do direito creditório apurado na diligência com base na declaração de inconstitucionalidade do art. 3º, § 1º da Lei nº 9.718/98, que é o mérito do recurso voluntário e do pedido de restituição da interessada. Assim, pelo exposto, voto no sentido de dar provimento parcial ao recurso voluntário para reconhecer o direito creditório no montante certificado na diligência, determinando a homologação das compensações vinculadas na medida correspondente." Portanto, deve imperar o resultado da diligência que corretamente refez a apuração da COFINS do período em análise, com base no demonstrativo e registros contábeis apresentados pela Contribuinte. Dispositivo Ante o exposto, conheço o Recurso Voluntário e julgo parcialmente provido em razão da incidência do artigo 62, § 2 do Regimento Interno deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF nº 343/2015, considerando a declaração da inconstitucionalidade do artigo 3º, § 1º, da Lei nº 9.718/98 pelo Supremo Tribunal Federal, devendo ser reconhecido o direito creditório no limite da diligência fiscal realizada nos autos." Importa registrar que nos autos ora em apreço, a situação fática e jurídica encontra correspondência com a verificada no paradigma, de tal sorte que o entendimento lá esposado pode ser perfeitamente aqui aplicado. Fl. 323DF CARF MF Processo nº 10280.905315/201161 Acórdão n.º 3402005.860 S3C4T2 Fl. 0 10 Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado conheceu o Recurso Voluntário e julgouo parcialmente provido em razão da incidência do artigo 62, §2º do Regimento Interno deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF nº 343/2015, considerando a declaração da inconstitucionalidade do artigo 3º, § 1º, da Lei nº 9.718/98 pelo Supremo Tribunal Federal, devendo ser reconhecido o direito creditório no limite da diligência fiscal realizada nos autos. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra Fl. 324DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10840.002465/2005-80
Turma: Segunda Turma Extraordinária da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Dec 11 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Jan 10 00:00:00 UTC 2019
Numero da decisão: 2002-000.050
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do Recurso em diligência à Unidade de origem para que esta junte ao presente processo o Auto de Infração completo lavrado contra o recorrente e a Declaração de Ajuste Anual do exercício 2002 objeto do lançamento.
(assinado digitalmente)
Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez - Presidente
(assinado digitalmente)
Mônica Renata Mello Fereira Stoll - Relatora
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez, Mônica Renata Mello Fereira Stoll, Thiago Duca Amoni e Virgílio Cansino Gil.
Nome do relator: MONICA RENATA MELLO FERREIRA STOLL
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Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do Recurso em diligência à Unidade de origem para que esta junte ao presente processo o Auto de Infração completo lavrado contra o recorrente e a Declaração de Ajuste Anual do exercício 2002 objeto do lançamento. (assinado digitalmente) Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez Presidente (assinado digitalmente) Mônica Renata Mello Fereira Stoll Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez, Mônica Renata Mello Fereira Stoll, Thiago Duca Amoni e Virgílio Cansino Gil. Relatório Tratase de Auto de Infração (efls. 78/79) lavrado em nome do sujeito passivo acima identificado, decorrente de procedimento de revisão de sua Declaração de Ajuste Anual do exercício 2002. O contribuinte apresentou impugnação (efls. 02/08), cujas alegações foram sintetizadas no relatório do acórdão recorrido (efls. 90): RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 08 40 .0 02 46 5/ 20 05 -8 0 Fl. 122DF CARF MF Processo nº 10840.002465/200580 Resolução nº 2002000.050 S2C0T2 Fl. 123 2 Relata a impugnante que o lançamento apurou omissão de rendimentos das seguintes fontes pagadoras: Biomedical, no valor de R$ 33.675,93, com omissão apenas parcial; e Risa Comércio, Tasa Comércio e RW Comércio, cada uma tendo pago rendimento no valor de R$ 14.005,20. Prossegue afirmando que houve glosa da dedução de pensão alimentícia no valor de R$ 7.595,57 e a imposição de multa pela insuficiência de recolhimento do imposto mensal obrigatório (carnê leão). Quanto à pensão alimentícia, alegou a impugnante não ter sido intimada pela Fiscalização para comprovar os respectivos pagamentos. Afirmou que ficara acertado, quando da conversão da separação litigiosa em consensual, que lhe caberia o pagamento de R$ 1.500,00 a título de pensão alimentícia a seu filho Cristiano Mazzoni Ristum, além de arcar com o complemento das despesas relativas ao filho Carlos Eduardo Mazzoni Ristum. Assim, pagou cinqüenta por cento do plano de saúde de Carlos Eduardo e a anuidade da London Guidhall University para Cristiano, para quem, além disso, foram feitas remessas para o exterior de R$ 3.826,00 e R$ 3.143,16. Concluiu afirmando ter efetuado gastos com pensão alimentícia em montantes superiores ao pleiteado na declaração de ajuste. Restabelecidas tais deduções, deixa de existir, afirmou a impugnante, a obrigação de fazer recolhimentos mensais. No que tange à omissão de rendimentos, sustentou que as informações contidas nas DIRFs não condizem com a verdade, uma vez que, em abril de 2001, fez acordo para rescindir os contratos de locação com Risa, Tasa e RW, que estavam inadimplentes com os respectivos aluguéis. Já a Biomedical não teria fornecido o comprovante de rendimentos do i ano base de 2001. Regularmente cientificado do lançamento em 09/05/2005 (f1s.05), o contribuinte autuado apresentou, em 02/06/2005, impugnação (fls.0l), acompanhada de documentos (fls.02/04), que vêm a ser cópia parcial do lançamento e de páginas da carteira profissional do contribuinte autuado, com os quais busca embasar suas razões de defesa, alegando, em síntese, o que adiante se relata. Afirma, ainda, ter anexado um disquete contendo a impugnação. O lançamento foi julgado procedente pela 2ª Turma da DRJ/CGE em decisão assim ementada (efls. 86/92): ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2001 RENDIMENTOS DECLARADOS EM DIRF. PRESUNÇÃO DE VERACIDADE. Presumemse corretos os valores informados na DIRF quando o beneficiário dos rendimentos admite a existência de vínculo contratual com a fonte pagadora, bem como o recebimento de valores, ainda que divergentes daqueles declarados. PENSÃO ALIMENTÍCIA. DECISÃO JUDICIAL OU ACORDO HOMOLOGADO JUDICIALMENTE. PROVA DE PAGAMENTO. REQUISITOS. Fl. 123DF CARF MF Processo nº 10840.002465/200580 Resolução nº 2002000.050 S2C0T2 Fl. 124 3 São requisitos para dedução de pensão alimentícia o estabelecimento da obrigação por decisão judicial ou acordo homologado judicialmente e a prova do efetivo pagamento. Cientificado do acórdão de primeira instância em 14/11/2008 (efls. 97), o interessado ingressou com recurso voluntário em 09/12/2009 (efls. 100/112) com os argumentos a seguir sintetizados. Relaciona as alegações apresentadas na impugnação. Quanto ao recebimento de aluguéis, expõe que, se as locatárias não estavam quitando nem a conta de água, de energia elétrica e o IPTU, fácil concluir que a primeira coisa que elas deixaram de pagar foi exatamente os aluguéis dos imóveis locados. Defende que o simples fato de tais valores terem constado de DIRF não é prova conclusiva de que foram recebidos pela locadora. Vencidas as obrigações das empresas, as importâncias correspondentes são provisionadas, mas isto não significa que foram ou serão efetivamente pagas. Sustenta que a suposta insuficiência de elementos probatórios não poderia ser invocada como fundamento para se rejeitar as alegações da contribuinte, visto que, na busca da verdade material, competia à administração determinar, de ofício, as diligências tendentes a verificar e comprovar a real ocorrência do fato gerador do imposto exigido. No que se refere à glosa da dedução, entende que a DRJ proferiu sua decisão à vista de outro termo de audiência de tentativa de conciliação, pois na que foi realizada perante o Juízo da 10ª Vara Cível de Ribeirão Preto ficou acertado que a recorrente pagaria uma pensão alimentícia no valor de R$ 1.500,00 ao filho Cristiano, bem como complementaria o sustento do filho Carlos Eduardo. Voto Conselheira Mônica Renata Mello Ferreira Stoll Relatora O recurso é tempestivo e reúne os requisitos de admissibilidade, portanto, dele tomo conhecimento. Extraise do relatório da decisão recorrida que, de acordo com a impugnação apresentada, a autoridade lançadora teria apurado a omissão de rendimentos referente às fontes pagadoras Biomedical, Risa Comércio, Tasa Comércio e RW Comércio, efetuado a glosa da dedução de pensão alimentícia e aplicado a multa pela insuficiência de recolhimento do imposto mensal obrigatório (carnêleão). Em seu recurso voluntário o contribuinte discorre sobre os mesmos temas. Não obstante, verificase que o Auto de Infração juntado ao processo está incompleto (efls. 78/79), não sendo possível identificar que infrações foram de fato apuradas no lançamento e quais as motivações apontadas pela fiscalização. Fl. 124DF CARF MF Processo nº 10840.002465/200580 Resolução nº 2002000.050 S2C0T2 Fl. 125 4 Diante do exposto, voto por converter o julgamento em diligência para que a Unidade de origem junte ao presente processo: 1 O Auto de Infração completo lavrado contra o recorrente. 2 A Declaração de Ajuste Anual do exercício 2002 objeto do lançamento. Após, os autos devem retornar ao CARF, para prosseguimento. (assinado digitalmente) Mônica Renata Mello Fereira Stoll Fl. 125DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 11128.720871/2014-37
Turma: Segunda Turma Extraordinária da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Dec 11 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Jan 15 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 2009
NULIDADE DA DECISÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA. OCORRÊNCIA.
Encontra-se eivado de vício insanável o Acórdão que se fundamenta em situação diversa da realidade fática dos autos.
Numero da decisão: 3002-000.499
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em acatar a preliminar suscitada, vencido o conselheiro Carlos Alberto da Silva Esteves, que a rejeitou, e em dar provimento parcial ao Recurso Voluntário para reconhecer a nulidade da decisão da DRJ, determinando o retorno dos autos para novo julgamento, vencido o conselheiro Carlos Alberto da Silva Esteves, que lhe negou provimento.
(assinado digitalmente).
Larissa Nunes Girard - Presidente.
(assinado digitalmente).
Alan Tavora Nem - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Larissa Nunes Girard (Presidente), Maria Eduarda Alencar Câmara Simões e Carlos Alberto da Silva Esteves e Alan Tavora Nem (Relator).
Nome do relator: ALAN TAVORA NEM
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 4; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1433; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C0T2 Fl. 2 1 1 S3C0T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 11128.720871/201437 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3002000.499 – Turma Extraordinária / 2ª Turma Sessão de 11 de dezembro de 2018 Matéria AI ADUANA Recorrente COMISSARIA PIBERNAT LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2009 NULIDADE DA DECISÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA. OCORRÊNCIA. Encontrase eivado de vício insanável o Acórdão que se fundamenta em situação diversa da realidade fática dos autos. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em acatar a preliminar suscitada, vencido o conselheiro Carlos Alberto da Silva Esteves, que a rejeitou, e em dar provimento parcial ao Recurso Voluntário para reconhecer a nulidade da decisão da DRJ, determinando o retorno dos autos para novo julgamento, vencido o conselheiro Carlos Alberto da Silva Esteves, que lhe negou provimento. (assinado digitalmente). Larissa Nunes Girard Presidente. (assinado digitalmente). Alan Tavora Nem Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Larissa Nunes Girard (Presidente), Maria Eduarda Alencar Câmara Simões e Carlos Alberto da Silva Esteves e Alan Tavora Nem (Relator). Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 12 8. 72 08 71 /2 01 4- 37 Fl. 98DF CARF MF Processo nº 11128.720871/201437 Acórdão n.º 3002000.499 S3C0T2 Fl. 3 2 Tratase de Recurso Voluntário contra o Acórdão nº 12095.057 da DRJ/RJO, que manteve integralmente o Crédito Tributário lançado pelo Auto de Infração, que exige do contribuinte a multa pelo atraso na prestação de informações sobre carga transportada, penalidade prevista no art. 107, inciso IV, alínea "e", do DecretoLei nº 37, de 1966, cuja redação foi dada pelo art. 77 da Lei nº 10.833, de 2003, conforme relatório da 4ª Turma da DRJ/RJO (fls. 73/76), exarado nos seguintes termos: "Versa o processo sobre a controvérsia instaurada em razão da lavratura pelo fisco de auto de infração para exigência de penalidade prevista no artigo 107, inciso IV, alínea “e” do Decretolei nº 37/1966, com a redação dada pela Lei nº 10.833/2003. Os fundamentos para esse tipo de autuação nesse conjunto de processos administrativos fiscais são os seguintes: As empresas responsáveis pela desconsolidação da carga lançaram a destempo o conhecimento eletrônico, pois segundo a IN SRF nº 800/2007 (artigo 22), o prazo mínimo para a prestação de informação acerca da conclusão da desconsolidação é de 48 horas antes da chegada da embarcação no porto de destino do conhecimento genérico. Caso não se concluindo nesse prazo é aplicável a multa. Devidamente cientificada, a interessada traz como alegações, além das preliminares de praxe, acerca de infringência a princípios constitucionais, prática de denúncia espontânea, ilegitimidade passiva, ausência de motivação, tipicidade, e que tragam ao auto de infração a ineficiência e a desconstrução do verdadeiro cerne da autuação que foi o descumprimento dos prazos estabelecidos em legislação norteadora acerca do controle das importações, a argumentação de que de fato as informações constam do sistema, mesmo que inseridas, independente da motivação, após o momento estabelecido no diploma legal pautado pela autoridade aduaneira.". Analisando os argumentos do contribuinte, a DRJ/RJO julgou improcedente a Impugnação (fls. 48/55), deixando de "acolher as preliminares trazidas pela interessada, eis que as argüições de inconstitucionalidade ou ilegalidade não estão afetas ao julgador administrativo" no mérito refutou o argumento da denúncia espontânea, bem como, da ausência de tipicidade, da ilegitimidade passiva e da "relevação da penalidade" concluindo que "o lançamento extemporâneo do conhecimento eletrônico, fora do prazo estabelecido na IN SRF nº 800/2007, por causar transtornos ao controle aduaneiro, deve ser mantido", por Acórdão dispensado de ementa, de acordo com a Portaria RFB nº 2.724/2017. O contribuinte cientificado da decisão, ingressou com Recurso Voluntário (fls. 86/93) requerendo a reforma do Acórdão recorrido, tendo em vista: a) nulidade da decisão prejuízo ao direito de defesa, b) o Princípio da Verdade Material e, por fim, c) os Princípios da Razoabilidade, da Proporcionalidade e da Vedação ao Confisco, É o relatório. Fl. 99DF CARF MF Processo nº 11128.720871/201437 Acórdão n.º 3002000.499 S3C0T2 Fl. 4 3 Voto Conselheiro Alan Tavora Nem Relator O Recurso Voluntário é tempestivo, preenche os requisitos formais de admissibilidade, inclusive quanto à competência das Turmas Extraordinárias e, portanto, dele tomo conhecimento. A discussão em análise consiste em saber se o contribuinte poderia sofrer a penalidade aplicada pela fiscalização em razão de deixar de prestar informação sobre veículo ou carga nele transportada, ou sobre as operações que execute de acordo com o art. 107, inciso IV, alínea "e", do DecretoLei nº 37, de 1966. Preliminar Nulidade Alega o contribuinte que a "referida nulidade, esta também se verifica no enquadramento legal da exigência fiscal que não enquadra a recorrente e também não permite que se determine com segurança a infração, se é que houve alguma infração" e continua "a IN RFB 889/2008, norma infralegal e posterior ao fato, que ainda estabelece que os prazos de antecedência somente serão obrigatórios a partir de 1º de abril de 2009". No meu entender, portanto, a decisão recorrida revestese de vício intransponível de motivação, apta a configurar a preterição do direito de defesa do contribuinte, nos moldes do art. 59 do Decreto nº 70.235/1972, in verbis: Art. 59. São nulos: I os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. § 1º A nulidade de qualquer ato só prejudica os posteriores que dele diretamente dependam ou sejam conseqüência. § 2º Na declaração de nulidade, a autoridade dirá os atos alcançados, e determinará as providências necessárias ao prosseguimento ou solução do processo. § 3º Quando puder decidir do mérito a favor do sujeito passivo a quem aproveitaria a declaração de nulidade, a autoridade julgadora não a pronunciará nem mandará repetir o ato ou suprirlhe a falta. (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993)". (grifado). Conforme se percebe, da confrontação do teor da manifestação de inconformidade com o voto condutor do Acórdão recorrido, constatase que a DRJ deixou de atacar o argumento trazido pelo contribuinte, ou seja, "os prazos de antecedência somente serão obrigatórios a partir de 1° de abril de 2009. Cabe recordar que o fato ocorreu em 23/0312009!". Sendo assim, não restam dúvidas que o acórdão recorrido trouxe em seus Fl. 100DF CARF MF Processo nº 11128.720871/201437 Acórdão n.º 3002000.499 S3C0T2 Fl. 5 4 fundamentos razões que não estão relacionadas à presente contenda e se assim não o fizer estará caracterizado o cerceamento de defesa Sendo assim, ao meu ver, assiste razão o contribuinte em sua alegação, pois o Acórdão recorrido, de fato não a enfrentou. Dessa forma, acato a preliminar apresentada pelo contribuinte. Diante do exposto, voto no sentido de dar parcial provimento ao Recurso Voluntário, para reconhecer a nulidade do Acórdão recorrido, determinando a devolução do processo à instância a quo para que profira novo julgamento. É como voto. (assinado digitalmente). Alan Tavora Nem Fl. 101DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10880.915177/2012-40
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Dec 12 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Jan 28 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL
Ano-calendário: 2005
SALDO NEGATIVO. ESTIMATIVAS COMPENSADAS. CÔMPUTO NO AJUSTE.
Integram o saldo negativo de CSLL do ano-calendário as estimativas compensadas.
BASE DE CÁLCULO. LUCROS NO EXTERIOR. DECISÃO JUDICIAL TRANSITADA EM JULGADO.
Deve ser afastado o valor da CSLL devido relativo a lucro no exterior objeto de decisão judicial transitada em julgado.
Numero da decisão: 1302-003.303
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto do relator.
(assinado digitalmente)
Luiz Tadeu Matosinho Machado - Presidente.
(assinado digitalmente)
Carlos Cesar Candal Moreira Filho - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Carlos Cesar Candal Moreira Filho, Marcos Antônio Nepomuceno Feitosa, Paulo Henrique Silva Figueiredo, Rogério Aparecido Gil, Maria Lúcia Miceli, Gustavo Guimarães da Fonseca, Flávio Machado Vilhena Dias e Luiz Tadeu Matosinho Machado (Presidente).
Nome do relator: CARLOS CESAR CANDAL MOREIRA FILHO
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto do relator. (assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado - Presidente. (assinado digitalmente) Carlos Cesar Candal Moreira Filho - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Carlos Cesar Candal Moreira Filho, Marcos Antônio Nepomuceno Feitosa, Paulo Henrique Silva Figueiredo, Rogério Aparecido Gil, Maria Lúcia Miceli, Gustavo Guimarães da Fonseca, Flávio Machado Vilhena Dias e Luiz Tadeu Matosinho Machado (Presidente).
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ESTIMATIVAS COMPENSADAS. CÔMPUTO NO AJUSTE. Integram o saldo negativo de CSLL do anocalendário as estimativas compensadas. BASE DE CÁLCULO. LUCROS NO EXTERIOR. DECISÃO JUDICIAL TRANSITADA EM JULGADO. Deve ser afastado o valor da CSLL devido relativo a lucro no exterior objeto de decisão judicial transitada em julgado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto do relator. (assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado Presidente. (assinado digitalmente) Carlos Cesar Candal Moreira Filho Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Carlos Cesar Candal Moreira Filho, Marcos Antônio Nepomuceno Feitosa, Paulo Henrique Silva Figueiredo, Rogério Aparecido Gil, Maria Lúcia Miceli, Gustavo Guimarães da Fonseca, Flávio Machado Vilhena Dias e Luiz Tadeu Matosinho Machado (Presidente). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 91 51 77 /2 01 2- 40 Fl. 611DF CARF MF 2 Relatório A Recorrente apresentou Declaração de Compensação em 12/12/2008, fls. 2/10, utilizandose do crédito relativo ao saldo negativo de Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL) no valor de R$13.909.265,91 do anocalendário de 2005 para extinguir sob condição resolutória débitos de estimativa de IRPJ (código 236209) relativa a abril de 2006 e estimativa de CSLL (código 248408), também relativa a abril de 2006. Despacho Decisório eletrônico à folha 11 reconheceu a parcela de R$49.058.066,37 de um total de R$57.374.539,96 informado na composição do crédito da DComp, não sendo confirmadas as seguintes parcelas: Considerando a CSLL devida de R$23.024.475,23, foi reconhecido um direito creditório no valor de R$26.033.591,14, com a homologação parcial da DComp 27512.38351.121208.1.7.033910 e a nãohomologação das DComp 29535.69551.121208.1.7.038263, 04156.24513.230710.1.7.036282, 33532.75260.121208.1.7.038573, 17005.95068.121208.1.7.031098, 17794.88898.220509.1.3.030662, 37609.82639.250509.1.3.035006 e 07618.19179.150509.1.7.036206. A Empresa apresentou manifestação de inconformidade, alegando que parte do valor da CSLL devida se refere a valor com exigibilidade suspensa, conforme quadro que apresenta, sendo que o saldo negativo real alcança o valor de R$35.320.860,41, e não R$34.350.064,73 como conta da DIPJ, dentre outros fundamentos. A DRJ baixou o processo em diligência, decidindo, posteriormente, pela confirmação (i) do imposto de renda pago no exterior, no valor de R$363.848,50 e (ii) das estimativas compensadas integralmente em relação à janeiro de 2005 (R$6.407.312,84) e parcialmente em relação à fevereiro de 2005, restando um saldo de R$240.493,82. Finalmente aquela DRJ não confirmou o crédito relativo à estimativa compensada de março de 2005, no valor de R$222.833,59. Assim, permaneceram em litígio apenas parte da estimativa compensada de fevereiro de 2005 e a totalidade de março de 2005, perfazendo um total de R$463.327,41, além do valor relativo à suspensão de exigibilidade que não constou na DIPJ por falta de linha específica. Em recurso voluntário, a Contribuinte repete os argumentos da manifestação da inconformidade em relação a parte que permaneceu em discussão. Fl. 612DF CARF MF Processo nº 10880.915177/201240 Acórdão n.º 1302003.303 S1C3T2 Fl. 490 3 É o relatório. Voto Conselheiro Carlos Cesar Candal Moreira Filho Relator O Contribuinte foi cientificado do acórdão em 22 de novembro de 2016 (fl. 337), tendo apresentado o recurso em 20 de dezembro de 2016, portanto, tempestivamente. A representação é regular, conforme instrumento de folha 201/203. Conheço do recurso voluntário. ESTIMATIVAS COMPENSADAS Meus pares já conhecem a minha posição em relação à utilização no ajuste anual das estimativas compensadas. Assim, resumo meu fundamento à manifestação já apresentado em outros votos: No mérito, estamos tratando de uma sistemática de compensação e cobrança que vinha sendo entabulada normalmente nos procedimentos da RFB: a compensação das estimativas mensais e seu aproveitamento na composição da base negativa independentemente do resultado da DComp, uma vez que a cobrança seria realizada no processo de compensação. Ocorre que a natureza jurídica das estimativas não é de tributo, mas de antecipação deste, o que motivou a Procuradoria Geral da Fazenda Nacional (PGFN) a emitir Pareceres que impediam a inscrição em dívida ativa dos débitos dessa natureza. Assim, todo o sistema que estava acertado deixou de ser saudável, na medida em que quebrouse a possibilidade de cobrança dos valores compensados a título de estimativa. Prevalecendo este entendimento só seria aceitável a utilização das estimativas compensadas na composição da base negativa após a homologação da compensação. Registrese, contudo, que no anocalendário de 2010 a polêmica ainda não tinha sido estabelecida, pois foi com a edição do Pareceres PGFN/CAT nº 1.658/2011 que a inscrição em dívida ativa dos débitos declarados em DComp relativos às estimativas foi vedada. Naquele ano ainda vigorava o aproveitamento, na formação do saldo negativo de CSLL , das estimativas compensadas, cobráveis que eram no próprio processo de compensação. Em 2014 foi emitido o Parecer PGFN/CAT nº 88 que assim concluiu sobre a possibilidade de cobrança dos valores de estimativas compensadas: Em síntese, os questionamentos levantados na consulta oriunda da Secretaria da Receita Federal do Brasil devem ser respondidos nos seguintes termos: a) Entendese pela possibilidade de cobrança dos valores decorrentes de compensação não homologada, cuja origem foi para extinção de débitos relativos a estimativa, desde que já tenha se realizado o fato que enseja a incidência do imposto de renda e a estimativa extinta na compensação tenha sido computada no ajuste; b) Propõese que sejam ajustados os sistemas e procedimentos para que fique claro que a cobrança não se trata de estimativa, mas de tributo, cujo fato gerador Fl. 613DF CARF MF 4 ocorreu ao tempo adequado e em relação ao qual foram contabilizados valores da compensação não homologada, a fim de garantir maior segurança no processo de cobrança. Desta forma, a cobrança das estimativas compensadas foi viabilizada no Parecer, já que, nas circunstância nele descritas, os créditos tributário inadimplidos seriam inscritos em dívida ativa. A 1ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais (CSRF) já se manifestou a respeito em julgado posterior ao referido Parecer 18, Acórdão 9101002.493 de 23 de novembro de 2016, da relatoria do I. Conselheiro Marcos Aurélio Pereira Valadão, nos seguintes termos: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2006 COMPENSAÇÃO. GLOSA DE ESTIMATIVAS COBRADAS EM PER/DCOMP.DESCABIMENTO. Na hipótese de compensação não homologada, os débitos serão cobrados com base em Pedido de Ressarcimento ou Restituição/Declaração de Compensação (Per/DComp), e, por conseguinte, não cabe a glosa dessas estimativas na apuração do imposto a pagar ou do saldo negativo apurado na Declaração de Informações Econômicofiscais da Pessoa Jurídica (DIPJ). Importa salientar que das soluções possíveis, portanto, para as declarações de compensação cujos débitos de estimativa integram o saldo negativo, não há, em nenhuma delas, prejuízo para o Erário, pois: (i) se homologada a compensação o crédito relativo à estimativa é extinto; (ii) se não for homologada a compensação os valores serão cobrados no próprio processo de compensação. Por outro lado, na ótica do contribuinte, o mesmo não ocorre, haja vista que na eventual exclusão da estimativa compensada do saldo negativo ele poderá ser alvo de dupla cobrança: no processo de compensação da estimativa (não homologada) e no processo de compensação do saldo negativo que a incluía. Assim dou provimento ao recurso quanto às estimativas compensadas. CSLL SOBRE LUCROS NO EXTERIOR A questão diz respeito ao valor devido de CSLL: na DIPJ consta R$ 23.024.475,23, enquanto a Recorrente requer seja reconhecido como indevido o montante de R$1.334.644,05, relativo à CSLL sobre lucro do exterior, do que resulta um valor devido de R$21.689.831,05. A Recorrente informa, contudo, que no cálculo do valor reduzido da CSLL devida já incluiu o imposto pago no exterior no valor de R$363.848,50, tendo feito o depósito judicial de R$974.395,68. À folha 474 consta certidão da Justiça Federal em São Paulo, que informa, dentre outras coisas, que: i) às folhas 820/823 decisão no sentido de afastar a incidência do artigo 7º da IN 213/2002; ii) que a decisão transitou em julgado em 04/10/2012; Fl. 614DF CARF MF Processo nº 10880.915177/201240 Acórdão n.º 1302003.303 S1C3T2 Fl. 491 5 A IN 213/2002 dispõe sobre a tributação de lucros, rendimentos e ganhos de capital auferidos no exterior pelas pessoas jurídicas domiciliadas no País e seu artigo 7º assim dispõe: EQUIVALÊNCIA PATRIMONIAL Art. 7º A contrapartida do ajuste do valor do investimento no exterior em filial, sucursal, controlada ou coligada, avaliado pelo método da equivalência patrimonial, conforme estabelece a legislação comercial e fiscal brasileira, deverá ser registrada para apuração do lucro contábil da pessoa jurídica no Brasil. § 1º Os valores relativos ao resultado positivo da equivalência patrimonial, não tributados no transcorrer do anocalendário, deverão ser considerados no balanço levantado em 31 de dezembro do anocalendário para fins de determinação do lucro real e da base de cálculo da CSLL. § 2º Os resultados negativos decorrentes da aplicação do método da equivalência patrimonial deverão ser adicionados para fins de determinação do lucro real trimestral ou anual e da base de cálculo da CSLL, inclusive no levantamento dos balanços de suspensão e/ou redução do imposto de renda e da CSLL. § 3º Observado o disposto no § 1º deste artigo, a pessoa jurídica: I que estiver no regime de apuração trimestral, poderá excluir o valor correspondente ao resultado positivo da equivalência patrimonial no 1º, 2º e 3º trimestres para fins de determinação do lucro real e da base de cálculo da CSLL; II que optar pelo regime de tributação anual não deverá considerar o resultado positivo da equivalência patrimonial para fins de determinação do imposto de renda e da CSLL apurados sobre a base de cálculo estimada; III optante pelo regime de tributação anual que levantar balanço e/ou balancete de suspensão e/ou redução poderá excluir o resultado positivo da equivalência patrimonial para fins de determinação do imposto de renda e da CSLL. A decisão liminar e o depósito no código 7485 CSLL DEPÓSITO JUDICIAL no valor de R$974.395,68 estão comprovados às folhas 417/419. Ora, se a Empresa obteve êxito em MS que afasta a tributação pela CSLL dos lucros auferidos no exterior, o valor correspondente deve ser considerado indevido, sob pena de desobediência ao judiciário. A conclusão apresentada no Parecer juntado não traz muita novidade: a apuração de saldo negativo é feita na relação entre o valor devido (que não inclui os valores cuja exigibilidade está suspensa, que, por óbvio, não são devidos) e o valor pago, compensado, recolhido, relativo ao tributo. Entendo que o valor com exigibilidade suspensa deveria ser tratado lateralmente, sem computar o lucro no exterior na base de cálculo, pois a Empresa faria o depósito judicial e da discussão resultaria a conversão do depósito em renda ou o levantamento do depósito. Fl. 615DF CARF MF 6 Todavia, ao que se vê, o valor apurado em DIPJ parte de valor tributável que inclui o lucro auferido no exterior, do que se conclui que o valor devido de CSLL é composto por parcela indevida e que foi afastada por decisão judicial já transitada em julgado. Não se trata de suspensão de exigibilidade, que não foi concedida pelo juízo da causa, mas de cancelamento de cobrança indevida. Assim, tem razão a Recorrente quando pleiteia o reconhecimento de um valor devido de R$21.689.831,05 e não o apontado no DD, constante da DIPJ, de R$ 23.024.475,23. Com relação ao valor depositado a próprio Contribuinte reconhece o depósito a maior de R$3.600,00 motivo que leva este Relator a reconhecer o montante de R$970.795,68. Feitas essas considerações, dou provimento ao Recurso Voluntário, reconhecendo o direito creditório relativo às estimativas compensadas de fevereiro de 2005, no valor de R$ R$240.493,82 e março de 2005, no valor de R$222.833,59 e à CSLL sobre lucros no exterior, no valor de R$970.795,68, que deverão ser somados aos valores já reconhecidos no Despacho Decisório e no Acórdão da DRJ, homologando as compensações até o limite do crédito reconhecido. É como voto. (assinado digitalmente) Carlos Cesar Candal Moreira Filho Relator Fl. 616DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13808.000374/00-09
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Nov 28 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Jan 10 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 1995, 1996, 1997
DECADÊNCIA. TERMO INICIAL. DATA DE OCORRÊNCIA DO FATO GERADOR. TRIBUTO SUJEITO AO AJUSTE ANUAL. ACRÉSCIMO PATRIMONIAL A DESCOBERTO.
Em se tratando de tributo sujeito a lançamento por homologação, havendo antecipação de pagamento e não se imputando ao contribuinte a prática de conduta com dolo, fraude ou simulação, a contagem do prazo decadencial tem início na data da ocorrência do fato gerador.
Numero da decisão: 9202-007.367
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em negar-lhe provimento.
(assinado digitalmente)
Maria Helena Cotta Cardozo - Presidente em Exercício.
(assinado digitalmente)
Ana Cecília Lustosa da Cruz - Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Patrícia da Silva, Pedro Paulo Pereira Barbosa, Ana Paula Fernandes, Mário Pereira de Pinho Filho, Ana Cecília Lustosa da Cruz, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri e Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente em Exercício).
Nome do relator: ANA CECILIA LUSTOSA DA CRUZ
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 1995, 1996, 1997 DECADÊNCIA. TERMO INICIAL. DATA DE OCORRÊNCIA DO FATO GERADOR. TRIBUTO SUJEITO AO AJUSTE ANUAL. ACRÉSCIMO PATRIMONIAL A DESCOBERTO. Em se tratando de tributo sujeito a lançamento por homologação, havendo antecipação de pagamento e não se imputando ao contribuinte a prática de conduta com dolo, fraude ou simulação, a contagem do prazo decadencial tem início na data da ocorrência do fato gerador.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em negar-lhe provimento. (assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo - Presidente em Exercício. (assinado digitalmente) Ana Cecília Lustosa da Cruz - Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Patrícia da Silva, Pedro Paulo Pereira Barbosa, Ana Paula Fernandes, Mário Pereira de Pinho Filho, Ana Cecília Lustosa da Cruz, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri e Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente em Exercício).
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TERMO INICIAL. DATA DE OCORRÊNCIA DO FATO GERADOR. TRIBUTO SUJEITO AO AJUSTE ANUAL. ACRÉSCIMO PATRIMONIAL A DESCOBERTO. Em se tratando de tributo sujeito a lançamento por homologação, havendo antecipação de pagamento e não se imputando ao contribuinte a prática de conduta com dolo, fraude ou simulação, a contagem do prazo decadencial tem início na data da ocorrência do fato gerador. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em negarlhe provimento. (assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo Presidente em Exercício. (assinado digitalmente) Ana Cecília Lustosa da Cruz Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Patrícia da Silva, Pedro Paulo Pereira Barbosa, Ana Paula Fernandes, Mário Pereira de Pinho Filho, Ana Cecília Lustosa da Cruz, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri e Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente em Exercício). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 80 8. 00 03 74 /0 0- 09 Fl. 511DF CARF MF 2 Relatório Tratase de Recurso Especial interposto pela Procuradoria da Fazenda Nacional contra o Acórdão n.º 10246.596 proferido pelo Primeiro Conselho de Contribuintes da Segunda Câmara da 2ª Seção de Julgamento do CARF, em 26 de janeiro de 2005, no qual restou consignada a seguinte ementa, fls. 347: DECADÊNCIA A Fazenda Nacional decai do direito de proceder ao lançamento após os cinco anos contados da data da entrega da declaração. OMISSÃO DE RENDIMENTOS ACRÉSCIMO PATRIMONIAL A DESCOBERTO Decorrência da tributação ocorrer à medida que a renda for sendo percebida e da determinação normativa para pagamento do tributo sobre os fatos ocorridos em cada mês, a presunção legal que dá suporte ao levantamento de eventuais infrações caracterizadas por omissões.de rendimentos com base na evolução positiva do patrimônio, somente pode ser estruturada em períodos mensais. NULIDADE CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA lnexiste obstrução à defesa se o procedimento fiscal foi desenvolvido com observação dos princípios inerentes à atividade, enquanto o lançamento, formalizado em acordo com a norma de fundo e acompanhado de esclarecimentos adicionais postos em Termo de Verificação Fiscal. Recurso parcialmente provido. Foram opostos Embargos de declaração pela Procuradoria da Fazenda Nacional, que, conforme Acórdão de fls. 124, restaram acolhidos sob os seguintes fundamentos: As alegações do interessado se limitaram portanto, ao documento mencionado no parágrafo acima e As preliminares de nulidade e de cerceamento do direito de defesa. Com efeito, os lançamentos relativos aos anos calendários de 1994 estão decadentes. Na forma do parágrafo 4° do artigo 150 do CTN., o prazo para constituição do crédito tributário é de 5 anos a contar da data da ocorrência do fato gerador. "In casu", o termo inicial portanto, é 31.12.1994. O termo final é 31.12.1999. Em conseqüência, a cobrança mediante o auto de infração lavrado em 12.05.2000 foi posterior ao encerramento do qüinqüênio e não pode prosperar. 0 mesmo não se da com relação ao ano calendário de 1995 e 1996. Em todos os casos (1994,1995 e 1996) a multa aplicada foi de 75% o que afasta a aplicação do artigo 173, I do CTN como tem sido o entendimento predominante desta E. 2'. Câmara. Entendo por fim que, a exclusão do montante de R$ 9.000,00 em dezembro de 1996 esta correta e deve ser ratificada. Fl. 512DF CARF MF Processo nº 13808.000374/0009 Acórdão n.º 9202007.367 CSRFT2 Fl. 3 3 Assim sendo, VOTO por ACOLHER os EMBARGOS DE DECLARAÇÃO, DANDOLHES integral provimento para rerratificar a decisão anteriormente proferida (i) afastando por decadência o lançamento do ano calendário de 1994 e (ii) excluindo o montante de R$ 9.000,00 do APD de dezembro de 1.996. Da mencionada decisão, foi interposto Recurso Especial pela Procuradoria da Fazenda Nacional, fls. 426 a 433, houve sua admissão, por meio do Despacho de fls. 434 a 435, para rediscutir a decisão recorrida no tocante à Decadência. Em seu recurso, aduz a Fazenda, em síntese, que: a) o entendimento jurisprudencial em que fundamenta o presente recurso, e que foi recentemente firmado pelo S11, é no sentido de que, não havendo recolhimento antecipado do tributo sujeito a lançamento por homologação, o prazo decadencial para a constituição do respectivo crédito tributário regerseá pelo disposto no art. 173, I, do CTN, e não pelo art. 150, § 4 0, do mesmo diploma legal; b) com efeito, em casos como o dos autos, em que o contribuinte não antecipa o pagamento dos tributos recolhidos mediante "lançamento por homologação", a jurisprudência entende que hão haveria atividade do contribuinte a homologar; c) a simples Declaração de Imposto de Renda não pode ser considerada como atividade do contribuinte passível de homologação, como bem pretendeu a Câmara a quo. d) no caso em análise, o auto de infração foi lavrado dentro do prazo disposto no art. 173, I do CTN, não ocorrendo, portanto, a decadência do direito de lançar; e) termo inicial da 'contagem do prazo decadencial é, no presente caso,1º de janeiro de 1996, a teor do que dispõe o art. 173, inciso I, do CTN, portanto, teria o Fisco até 31 de dezembro de 2000 para efetuar o lançamento referente ao imposto de renda do anocalendário 1994/exercício 1995. Tendo sido o contribuinte notificado em 15 de maio de 2000, não há se falar em decadência. Intimado, o Contribuinte apresentou Contrarrazões, fls. 458 e seguintes, nas quais sustenta que: a) não obstante o recurso interposto insurja contra acórdão não unânime, não se verifica presente o segundo requisito necessário ao seu conhecimento, qual seja, que a decisão recorrida seja contraria a lei; b) acórdão exarado pela DD. 2a Câmara foi consubstanciado no entendimento já pacificado nesta Corte de que aos tributos sujeitos a lançamento por homologação aplicase o prazo decadencial previsto no art. 150, §4 0 do Código Tributário Nacional, salvo caso de dolo, fraude ou dissimulação; Fl. 513DF CARF MF 4 c) não se verifica no teor do acórdão recorrido qualquer hipótese de contrariedade ou inobservância de dispositivo legal, uma vez que se trata de entendimento já consolidado e que foram observados os estritos termos do disposto que regula o prazo decadencial dos tributos sujeitos a lançamento por homologação; d) nos presentes autos em momento algum restou evidenciado qualquer hipótese dentre estas mencionadas acima, tanto que o Ilmo. Auditor Fiscal aplicou multa de 75% (setenta e cinco por cento) na lavratura do Auto de Infração, ou seja, reconhecendo tão somente a ausência do recolhimento, qualquer dos ilícitos previsto na exceção do art. 150, §4°; e) como cediço, a teor o disposto no art. 44, inciso II da Lei 9.430/96, a multa a ser aplicada nos casos de constatação do intuído fraudulento seria a de 150%, o que não ocorreu, neste caso; f) não há razão que justifique, no presente caso, a aplicação do art. 173,! do Código Tributário Nacional; g) o art. 173 somente regula a decadência na modalidade de lançamento de oficio estabelecida pela legislação tributária aplicável a cada tributo; h) não se pode admitir que a mera ausência de antecipação do pagamento dê margem para a aplicação do prazo decadencial previsto no art. 173, I do Código Tributário Nacional. É o relatório. Voto Conselheira Ana Cecília Lustosa da Cruz Relatora. 1. Do conhecimento. Sustenta a Recorrida que o Recurso Especial interposto pela Procuradoria da Fazenda Nacional não deve ser conhecido, considerando a inexistência de contrariedade à lei, requisito necessário ao seu conhecimento. Não obstante as razões do Contribuinte, entendo que há violação à lei no que se refere à interpretação dada ao art. 150, § 4º, do Código Tributário Nacional. Consoante se observa do acórdão recorrido, restou consignado que não aplicada a multa qualificada, diante da inexistência de dolo, fraude ou simulação, afastariase, por si, a aplicação do art. 173, inciso I, do Código Tributário Nacional. Por outro lado, a interpretação abordada pela Procuradoria indica que a homologação do pagamento, com aptidão para atrair a regra do art. 150, § 4º, do CTN, não ocorreu no presente caso, devido a ausência de antecipação do pagamento do tributo. Assim, por consectário lógico, não seria possível homologar o inexistente. Fl. 514DF CARF MF Processo nº 13808.000374/0009 Acórdão n.º 9202007.367 CSRFT2 Fl. 4 5 Nesse contexto, conheço do Recurso Especial, tendo em vista a contrariedade à lei, em razão da interpretação atribuída ao art. 150, §4, do Código Tributário Nacional, consoante os termos do Despacho de Admissibilidade. 2. Da decadência. No que diz respeito à decadência dos tributos lançados por homologação, o Superior Tribunal de Justiça – STJ julgou o Recurso Especial nº 973.733/SC (2007/01769940), em 12 de agosto de 2009, com acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do antigo CPC e da Resolução STJ 08/2008 (regime dos recursos repetitivos), da relatoria do Ministro Luiz Fux, assim ementado: “PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543¬C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. DECADÊNCIA DO DIREITO DE O FISCO CONSTITUIR O CRÉDITO TRIBUTÁRIO. TERMO INICIAL .ARTIGO 173, I, DO CTN. APLICAÇÃO CUMULATIVA DOS PRAZOS PREVISTOS NOS ARTIGOS 150, § 4º, e 173, do CTN. IMPOSSIBILIDADE. 1. O prazo decadencial qüinqüenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) conta¬se do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito (Precedentes da Primeira Seção: REsp 766.050/PR, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 28.11.2007, DJ 25.02.2008; AgRg nos EREsp 216.758/SP, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.03.2006, DJ 10.04.2006; e EREsp 276.142/SP, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 13.12.2004, DJ 28.02.2005). 2. É que a decadência ou caducidade, no âmbito do Direito Tributário, importa no perecimento do direito potestativo de o Fisco constituir o crédito tributário pelo lançamento, e, consoante doutrina abalizada, encontrase regulada por cinco regras jurídicas gerais e abstratas, entre as quais figura a regra da decadência do direito de lançar nos casos de tributos sujeitos ao lançamento de ofício, ou nos casos dos tributos sujeitos ao lançamento por homologação em que o contribuinte não efetua o pagamento antecipado (Eurico Marcos Diniz de Santi,"Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 163/210). 3. O dies a quo do prazo qüinqüenal da aludida regra decadencial rege¬se pelo disposto no artigo 173, I, do CTN, sendo certo que o "primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado" corresponde, iniludivelmente, ao primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível, ainda que se trate de tributos Fl. 515DF CARF MF 6 sujeitos a lançamento por homologação, revelando¬se inadmissível a aplicação cumulativa/concorrente dos prazos previstos nos artigos 150, § 4º, e 173, do Codex Tributário, ante a configuração de desarrazoado prazo decadencial decenal (Alberto Xavier, "Do Lançamento no Direito Tributário Brasileiro", 3ª ed., Ed. Forense, Rio de Janeiro, 2005, págs. 91/104; Luciano Amaro, "Direito Tributário Brasileiro", 10ª ed., Ed. Saraiva, 2004, págs. 396/400; e Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 183/199). 5. In casu, consoante assente na origem: (i) cuida¬se de tributo sujeito a lançamento por homologação; (ii) a obrigação ex lege de pagamento antecipado das contribuições previdenciárias não restou adimplida pelo contribuinte, no que concerne aos fatos imponíveis ocorridos no período de janeiro de 1991 a dezembro de 1994; e (iii) a constituição dos créditos tributários respectivos deu¬se em 26.03.2001. 6. Destarte, revelam¬se caducos os créditos tributários executados, tendo em vista o decurso do prazo decadencial qüinqüenal para que o Fisco efetuasse o lançamento de ofício substitutivo. 7. Recurso especial desprovido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543¬C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008.” Assim, sempre que o contribuinte efetue o pagamento antecipado, o prazo decadencial se encerra depois de transcorridos 5 (cinco) anos do fato gerador, conforme regra do art. 150, § 4º, CTN. Na ausência de pagamento antecipado ou nas hipóteses de dolo, fraude ou simulação, o lustro decadencial para constituir o crédito tributário é contado do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos termos do art. 173, I, do Código tributário Nacional. No caso ora analisado, o Termo de Verificação Fiscal, fls. 252 a 257, evidencia o pagamento de imposto de renda no período fiscalizado, uma vez que aponta a existência de retenção na fonte, conforme se extrai do trecho abaixo: Rendimentos Não Tributáveis e Tributados Exclusivamente na Fonte foram considerados os valores lançados pelo contribuinte. Quanto a distribuição mensal, consideramos os dados constantes no sistema IRF/CONS, e os rendimentos das poupanças foram lançados no mês de janeiro. (...). Procedida à Análise da Evolução Patrimonial conforme demonstrativo de fls. , apuramos Acréscimo Patrimonial a Descoberto, não justificado ou comprovado por Rendimentos Tributáveis, Isentos e Não Tributáveis e Tributados Exclusivamente na Fonte, nos meses de janeiro a abril, julho a dezembro/94, sujeitos a tributação. Consta também dos autos planilha elaborada pela fiscalização na qual dispõe sobre as retenções, fls. 261 (volume I). Fl. 516DF CARF MF Processo nº 13808.000374/0009 Acórdão n.º 9202007.367 CSRFT2 Fl. 5 7 Diante desse contexto, mostrase imperiosa a aplicação do enunciado de súmula CARF abaixo transcrito: Súmula CARF nº 123: Imposto de renda retido na fonte relativo a rendimentos sujeitos a ajuste anual caracteriza pagamento apto a atrair a aplicação da regra decadencial prevista no artigo 150, §4º, do Código Tributário Nacional. Sendo assim, houve o pagamento antecipado do tributo, o que atrai a regra do art. 150, §4º, do CTN para a contagem do prazo decadencial. Ou seja, o prazo decadencial é contado da ocorrência do fato gerador do tributo: “Art. 150. O lançamento por homologação, que ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, operase pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa. § 4º Se a lei não fixar prazo a homologação, será ele de cinco anos, a contar da ocorrência do fato gerador; expirado esse prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considerase homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação.” Dessa forma, ocorrido o fato gerador em 31/12/1994, o termo final do lapso decadencial foi 31/12/1999, portanto restou decadente o lançamento para o período sob análise, tendo em vista que a ciência do lançamento ao contribuinte aconteceu em 12/05/2000. Diante do exposto, voto por conhecer do recurso e, no mérito, negarlhe provimento. (assinado digitalmente) Ana Cecília Lustosa da Cruz. Fl. 517DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 11128.720895/2014-96
Turma: Segunda Turma Extraordinária da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Dec 11 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Jan 15 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 2009
NULIDADE DA DECISÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA. OCORRÊNCIA.
Encontra-se eivado de vício insanável o Acórdão que se fundamenta em situação diversa da realidade fática dos autos.
Numero da decisão: 3002-000.501
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em acatar a preliminar suscitada, vencido o conselheiro Carlos Alberto da Silva Esteves, que a rejeitou, e em dar provimento parcial ao Recurso Voluntário para reconhecer a nulidade da decisão da DRJ, determinando o retorno dos autos para novo julgamento. Vencido o conselheiro Carlos Alberto da Silva Esteves, que lhe negou provimento.
(assinado digitalmente).
Larissa Nunes Girard - Presidente.
(assinado digitalmente).
Alan Tavora Nem - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Larissa Nunes Girard (Presidente), Maria Eduarda Alencar Câmara Simões e Carlos Alberto da Silva Esteves e Alan Tavora Nem (Relator).
Nome do relator: ALAN TAVORA NEM
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Ano-calendário: 2009 NULIDADE DA DECISÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA. OCORRÊNCIA. Encontra-se eivado de vício insanável o Acórdão que se fundamenta em situação diversa da realidade fática dos autos.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em acatar a preliminar suscitada, vencido o conselheiro Carlos Alberto da Silva Esteves, que a rejeitou, e em dar provimento parcial ao Recurso Voluntário para reconhecer a nulidade da decisão da DRJ, determinando o retorno dos autos para novo julgamento. Vencido o conselheiro Carlos Alberto da Silva Esteves, que lhe negou provimento. (assinado digitalmente). Larissa Nunes Girard - Presidente. (assinado digitalmente). Alan Tavora Nem - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Larissa Nunes Girard (Presidente), Maria Eduarda Alencar Câmara Simões e Carlos Alberto da Silva Esteves e Alan Tavora Nem (Relator).
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 4; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1467; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C0T2 Fl. 2 1 1 S3C0T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 11128.720895/201496 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3002000.501 – Turma Extraordinária / 2ª Turma Sessão de 11 de dezembro de 2018 Matéria AI ADUANA Recorrente COMISSARIA PIBERNAT LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2009 NULIDADE DA DECISÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA. OCORRÊNCIA. Encontrase eivado de vício insanável o Acórdão que se fundamenta em situação diversa da realidade fática dos autos. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em acatar a preliminar suscitada, vencido o conselheiro Carlos Alberto da Silva Esteves, que a rejeitou, e em dar provimento parcial ao Recurso Voluntário para reconhecer a nulidade da decisão da DRJ, determinando o retorno dos autos para novo julgamento. Vencido o conselheiro Carlos Alberto da Silva Esteves, que lhe negou provimento. (assinado digitalmente). Larissa Nunes Girard Presidente. (assinado digitalmente). Alan Tavora Nem Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Larissa Nunes Girard (Presidente), Maria Eduarda Alencar Câmara Simões e Carlos Alberto da Silva Esteves e Alan Tavora Nem (Relator). Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 12 8. 72 08 95 /2 01 4- 96 Fl. 111DF CARF MF Processo nº 11128.720895/201496 Acórdão n.º 3002000.501 S3C0T2 Fl. 3 2 Tratase de Recurso Voluntário contra o Acórdão nº 12095.071 da DRJ/RJO, que manteve integralmente o Crédito Tributário lançado pelo Auto de Infração, que exige do contribuinte a multa pelo atraso na prestação de informações sobre carga transportada, penalidade prevista no art. 107, inciso IV, alínea "e", do DecretoLei nº 37, de 1966, cuja redação foi dada pelo art. 77 da Lei nº 10.833, de 2003, conforme relatório da 4ª Turma da DRJ/RJO (fls. 89/92), exarado nos seguintes termos: "Versa o processo sobre a controvérsia instaurada em razão da lavratura pelo fisco de auto de infração para exigência de penalidade prevista no artigo 107, inciso IV, alínea “e” do Decretolei nº 37/1966, com a redação dada pela Lei nº 10.833/2003. Os fundamentos para esse tipo de autuação nesse conjunto de processos administrativos fiscais são os seguintes: As empresas responsáveis pela desconsolidação da carga lançaram a destempo o conhecimento eletrônico, pois segundo a IN SRF nº 800/2007 (artigo 22), o prazo mínimo para a prestação de informação acerca da conclusão da desconsolidação é de 48 horas antes da chegada da embarcação no porto de destino do conhecimento genérico. Caso não se concluindo nesse prazo é aplicável a multa. Devidamente cientificada, a interessada traz como alegações, além das preliminares de praxe, acerca de infringência a princípios constitucionais, prática de denúncia espontânea, ilegitimidade passiva, ausência de motivação, tipicidade, e que tragam ao auto de infração a ineficiência e a desconstrução do verdadeiro cerne da autuação que foi o descumprimento dos prazos estabelecidos em legislação norteadora acerca do controle das importações, a argumentação de que de fato as informações constam do sistema, mesmo que inseridas, independente da motivação, após o momento estabelecido no diploma legal pautado pela autoridade aduaneira.". Analisando os argumentos do contribuinte, a DRJ/RJO julgou improcedente a Impugnação (fls. 48/55), deixando de "acolher as preliminares trazidas pela interessada, eis que as argüições de inconstitucionalidade ou ilegalidade não estão afetas ao julgador administrativo" no mérito refutou o argumento da denúncia espontânea, bem como, da ausência de tipicidade, da ilegitimidade passiva e da "relevação da penalidade" concluindo que "o lançamento extemporâneo do conhecimento eletrônico, fora do prazo estabelecido na IN SRF nº 800/2007, por causar transtornos ao controle aduaneiro, deve ser mantido", por Acórdão dispensado de ementa, de acordo com a Portaria RFB nº 2.724/2017. O contribuinte cientificado da decisão, ingressou com Recurso Voluntário (fls. 101/108) requerendo a reforma do Acórdão recorrido, tendo em vista: a) nulidade da decisão prejuízo ao direito de defesa, b) o Princípio da Verdade Material e, por fim, c) os Princípios da Razoabilidade, da Proporcionalidade e da Vedação ao Confisco, É o relatório. Fl. 112DF CARF MF Processo nº 11128.720895/201496 Acórdão n.º 3002000.501 S3C0T2 Fl. 4 3 Voto Conselheiro Alan Tavora Nem Relator O Recurso Voluntário é tempestivo, preenche os requisitos formais de admissibilidade, inclusive quanto à competência das Turmas Extraordinárias e, portanto, dele tomo conhecimento. A discussão em análise consiste em saber se o contribuinte poderia sofrer a penalidade aplicada pela fiscalização em razão de deixar de prestar informação sobre veículo ou carga nele transportada, ou sobre as operações que execute de acordo com o art. 107, inciso IV, alínea "e", do DecretoLei nº 37, de 1966. Preliminar Nulidade Alega o contribuinte que a "referida nulidade, esta também se verifica no enquadramento legal da exigência fiscal que não enquadra a recorrente e também não permite que se determine com segurança a infração, se é que houve alguma infração" e continua "a IN RFB 889/2008, norma infralegal e posterior ao fato, que ainda estabelece que os prazos de antecedência somente serão obrigatórios a partir de 1º de abril de 2009". No meu entender, portanto, a decisão recorrida revestese de vício intransponível de motivação, apta a configurar a preterição do direito de defesa do contribuinte, nos moldes do art. 59 do Decreto nº 70.235/1972, in verbis: Art. 59. São nulos: I os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. § 1º A nulidade de qualquer ato só prejudica os posteriores que dele diretamente dependam ou sejam conseqüência. § 2º Na declaração de nulidade, a autoridade dirá os atos alcançados, e determinará as providências necessárias ao prosseguimento ou solução do processo. § 3º Quando puder decidir do mérito a favor do sujeito passivo a quem aproveitaria a declaração de nulidade, a autoridade julgadora não a pronunciará nem mandará repetir o ato ou suprirlhe a falta. (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993). (grifado). Conforme se percebe, da confrontação do teor da manifestação de inconformidade com o voto condutor do Acórdão recorrido, constatase que a DRJ deixou de atacar o argumento trazido pelo contribuinte, ou seja, "os prazos de antecedência somente serão obrigatórios a partir de 1° de abril de 2009. Cabe recordar que o fato ocorreu em 23/0312009!". Sendo assim, não restam dúvidas que o acórdão recorrido trouxe em seus Fl. 113DF CARF MF Processo nº 11128.720895/201496 Acórdão n.º 3002000.501 S3C0T2 Fl. 5 4 fundamentos razões que não estão relacionadas à presente contenda e se assim não o fizer estará caracterizado o cerceamento de defesa Sendo assim, ao meu ver, assiste razão o contribuinte em sua alegação, pois o Acórdão recorrido, de fato não a enfrentou. Dessa forma, acato a preliminar apresentada pelo contribuinte. Diante do exposto, voto no sentido de dar parcial provimento ao Recurso Voluntário, para reconhecer a nulidade do Acórdão recorrido, determinando a devolução do processo à instância a quo para que profira novo julgamento. É como voto. (assinado digitalmente). Alan Tavora Nem Fl. 114DF CARF MF
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Numero do processo: 10940.000025/00-20
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Dec 13 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Jan 29 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 01/01/1998 a 31/12/1998
RESSARCIMENTO DO IPI. COMPROVAÇÃO. RESULTADO DA DILIGÊNCIA.
Uma vez que a diligência confirmou a existência de saldo suficiente para o suporta pleito do contribuinte, é de se reforma o despacho decisório que negou o ressarcimento.
Numero da decisão: 3401-005.763
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento integral ao recurso, acolhendo o resultado da diligência.
(assinado digitalmente)
Rosaldo Trevisan - Presidente
(assinado digitalmente)
Tiago Guerra Machado - Relator
Participaram do presente julgamento os conselheiros Tiago Guerra Machado, Lázaro Antonio Souza Soares, Carlos Henrique Seixas Pantarolli, Cássio Schappo, Leonardo Ogassawara de Araújo Branco e Rosaldo Trevisan (Presidente). Ausente justificadamente a conselheira Mara Cristina Sifuentes.
Nome do relator: TIAGO GUERRA MACHADO
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/01/1998 a 31/12/1998 RESSARCIMENTO DO IPI. COMPROVAÇÃO. RESULTADO DA DILIGÊNCIA. Uma vez que a diligência confirmou a existência de saldo suficiente para o suporta pleito do contribuinte, é de se reforma o despacho decisório que negou o ressarcimento. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento integral ao recurso, acolhendo o resultado da diligência. (assinado digitalmente) Rosaldo Trevisan Presidente (assinado digitalmente) Tiago Guerra Machado Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros Tiago Guerra Machado, Lázaro Antonio Souza Soares, Carlos Henrique Seixas Pantarolli, Cássio Schappo, Leonardo Ogassawara de Araújo Branco e Rosaldo Trevisan (Presidente). Ausente justificadamente a conselheira Mara Cristina Sifuentes. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 94 0. 00 00 25 /0 0- 20 Fl. 655DF CARF MF Processo nº 10940.000025/0020 Acórdão n.º 3401005.763 S3C4T1 Fl. 656 2 Relatório Cuidase de Recurso Voluntário (fls. 169 e seguintes) contra decisão da 2ª Turma, DRJ/POR, que considerou parcialmente procedentes as razões da Recorrente sobre a nulidade de Despacho Decisório, proferido pela DRF/Ponta Grossa (fls 133 e seguintes), homologando as declarações de compensação, mas mantendo o indeferimento em parte do pedido de ressarcimento relativo ao crédito presumido de IPI, referente ao período de janeiro a dezembro de 1998. Tratandose de retorno de diligência para essa Turma, guardome o direito de reproduzir, na íntegra, o relatório trazido pelo exconselheiro Eloy Eros da Silva Nogueira, quando da Resolução 3401000.873, de 11.12.2014, por bem resumir a lide: Trata o presente de pedido de ressarcimento de IPI invocando o disposto na Lei n° 9.363/96 e na Portaria MF n° 38/97, relativo ao crédito presumido do ano de 1998, com valor total de R$ 83.032,58, que a contribuinte cumula com pedidos de compensação às fls. 108, 109 e 111. A autoridade competente, na unidade de jurisdição indeferiu o pedido, sem análise do mérito, pelo fato da contribuinte não ter apresentado os documentos solicitados pela fiscalização, para comprovar a certeza e liquidez do direito creditório requerido. Ela, ainda, decidiu que os pedidos de compensação não se converteram em declarações de compensação, pois não respeitaram os requisitos da legislação, conforme teor do Parecer da PGFN/CDA/CAT n° 1499/2005. A Respeitável 2a Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Ribeirão Preto DRJ/RPO considerou procedente em parte a contestação de inconformidade, para manter a não apreciação do mérito pelas razões da decisão da autoridade administrativa, mas para considerar tacitamente homologados os pedidos de compensação pelo decurso do prazo de cinco anos. O Acórdão n.º 1418.239, de 25 de janeiro de 2008, ficou assim ementado: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/01/1998 a 31/12/1998 RESSARCIMENTO DO IPI. COMPROVAÇÃO. Quando dados ou documentos solicitados ao interessado forem necessários à apreciação de pedido formulado, o não atendimento no prazo fixado pela Administração para a respectiva apresentação implicará o indeferimento do pleito. RESSARCIMENTO. ÔNUS DA PROVA. E ônus processual da interessada fazer a prova dos fatos constitutivos de seu direito. PEDIDO DE COMPENSAÇÃO.CONVERSÃO. Os pedidos de compensação pendentes de apreciação pela autoridade administrativa, até 30/09/2002, serão considerados declaração de compensação, desde o seu protocolo. Fl. 656DF CARF MF Processo nº 10940.000025/0020 Acórdão n.º 3401005.763 S3C4T1 Fl. 657 3 DCOMP. HOMOLOGAÇÃO TÁCITA.. O prazo para homologação da compensação declarada pelo sujeito passivo será de 5 (cinco) anos, contado da data da entrega da declaração de compensação. Solicitação Deferida em Parte A contribuinte ingressou com recurso voluntário por meio do qual repisou seus argumentos apresentados anteriormente e pediu reconhecimento do direito creditório pleiteado. O processo administrativo subiu ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais e foi submetido a apreciação da 2ª Turma Ordinária da 4ª Câmara da 3ª Seção em 27 de julho de 2010, quando o julgamento foi convertido em diligência pela Resolução n.º 3402000.089. Pela objetividade e clareza de suas considerações, reproduzo excerto dessa Resolução: A empresa acima qualificada ingressou em 11 de janeiro de 2000 (fl. 01) com pedido de ressarcimento do crédito presumido de IPI de que trata a Lei 9.363 no montante de R$ 83.032,58. Segundo a informação contida no formulário, esse valor diria respeito a todo o ano de 1998. Em 18 de setembro de 2001, formalizou pedidos de compensação, também nos formulários instituídos pela IN 21/1997 (fls. 107, 108 e 109). Importa frisar que nos pedidos de compensação de fls. 108 e 109 indicou como origem de créditos outros processos (13931.000264/200193, 10940.000024/0067, 13931.000063/0071, 13931.000012/9924 e 13931.000265/200138) além deste. Há, ainda, um pedido (fl 107) que só relaciona direito creditório postulado no último processo acima (13931.000265/200138) e não se sabe porque foi juntado nestes autos. Por fim, a empresa postulou a retificação (fl. 110) de valores de débitos informados em outros pedidos de compensação (fls. 112 e 113) formalizados ambos em 31 de janeiro de 2000, por meio de novo pedido (fl. 111). Tanto no pedido original como na retificação, um dos débitos está vinculado ao direito creditório discutido no processo 10940.000024/0067 e apenas o outro vinculase a este. Da análise desses pedidos se percebe que a empresa somente pretendeu compensar com o direito creditório postulado neste processo crédito presumido do "ano de 1998 um montante de R$ 41.194,79. Depreenderseia daí que pretendesse receber a diferença em dinheiro. Essa conclusão, no entanto se vê complicada pela existência de outros processos versando direito creditório e comunicando compensações, como se verá. E como o contribuinte não conseguiu apresentar todos os documentos solicitados, em especial os livros fiscais escriturados eletronicamente para o ano de 1998, este seu pedido foi indeferido, sem efetivo exame pela DRF Ponta Grossa"por ausência de prova do direito" em despacho decisório de fls. 130 a 135. Esse despacho foi contestado junto à DRJ Ribeirão Preto, que considerou correto o indeferimento do crédito, embora reconhecendo que os pedidos de compensação formalizados em 18 de setembro de 2001, haviam sido convertidos em Declarações de Compensação na forma prevista na Lei 10.637, art. 49. Entendeu, ainda, que para tais situações tem aplicação o prazo para homologação tácita previsto na Lei 10.833, motivo pelo que considerou homologados os pedidos formalizados. Nisso, divergiu do despacho decisório que havia considerado que os pedidos de compensação de fls. 108, 109 e 111 não se haviam convertido em Dcomp porque Fl. 657DF CARF MF Processo nº 10940.000025/0020 Acórdão n.º 3401005.763 S3C4T1 Fl. 658 4 não haviam sido formalizados corretamente. O erro seria exatamente a indicação de diversas origens de crédito (processos diferentes) no mesmo formulário. A DRJ porém não considerou suficiente esse fato, e declarou homologadas as compensações formalizadas nos pedidos de fls. 108, 109 e 111. Nenhuma palavra se diz acerca do pedido de fl. 107 nem se esclarece se a homologação alcança todos os débitos listados nos outros três pedidos mesmo aqueles vinculados a outros processos. O recurso se insurge contra o indeferimento do direito creditório, que o contribuinte defende submeterse também a prazo homologatório. Postula, por isso, preliminarmente, que seja reconhecida a homologação tácita em relação também a ele. No mérito, aduz que não pode ter o benefício negado apenas porque não conseguiu atender no prazo à intimação expedida pela DRF em cumprimento da determinação judicial. Aponta ter sido exíguo o prazo concedido cinco dias úteis diante da complexidade e quantidade das informações requeridas, reiterando especialmente não estar obrigado à escrituração de forma eletrônica nos anos de 1998 e 1999. Requer, ao final, o deferimento da "parcela" não concedida. É o relatório. Voto Conselheiro Júlio César Alves Ramos, Relator Desse relato, avulta a necessidade de esclarecimento inicial acerca do alcance os pedidos cuja apreciação foi objeto de determinação judicial e das decisões DRJ que sobre ele versaram. É especialmente crucial retirar qualquer dúvida acerca da existência de resíduo do crédito postulado neste processo que já não tenha sido absorvido por compensações deferidas, seja neste ou em outro qualquer dos processos examinados. E isso porque, do mesmo modo que neste processo constam pedidos de compensação com direito creditório postulado em outros processos administrativos, pode haver pedidos de compensação nesses outros processos que digam respeito ao direito creditório aqui postulado. E, se existentes, eles devem ter sido objeto de apreciação inicialmente pela DRF em obediência à determinação judicial e provavelmente objeto de manifestação de inconformidade. Dado esse caráter absolutamente confuso dos pedidos de compensação formalizados pelo contribuinte, mas aceitos pela DRJ, entendo essencial que a unidade preparadora inicialmente esclareça: · qual foi o montante de débitos que o contribuinte postulou, em todos os processos administrativos examinados em obediência à determinação judicial, fosse compensado com o direito creditório aqui argüido; · do montante acima, especificar qual o total de compensações já deferidas pela DRJ nos diversos processos examinados; Se o valor indicado no item b) for inferior ao total dos créditos aqui postulado, e somente nesse caso, que a DRF analise o pedido formalizado neste processo cujo crédito não pode ser negado por mera ausência de provas. Isso porque nos autos constam todas as informações necessárias ao seu cálculo, bastando cotejálas com os dados registrados na escrituração fiscal do contribuinte, que não precisa ser realizada de modo eletrônico no ano em questão. Fl. 658DF CARF MF Processo nº 10940.000025/0020 Acórdão n.º 3401005.763 S3C4T1 Fl. 659 5 Definam então as autoridades administrativas o montante que admitem como crédito presumido para o período em questão. Caso o montante reconhecido seja inferior ao postulado pela empresa que se lhe dê novo prazo de trinta dias para eventual contestação. (...) Com relação aos pedidos de compensação, a autoridade da jurisdição, em atendimento ao item 'a' da Resolução acima citada, assim informou: "....identificouse que os débitos PARA os quais o contribuinte POSTULOU compensação com os créditos deste processo são aqueles indicados nos Pedidos de Compensação às fls. 108, 109 e 111:" Verificouse, ademais, conforme Acórdão n° 1418.239, expedido pela 2a Turma da DRJ/RPO (fls. 150 a 154), que tais Pedidos de Compensação foram convertidos em Declaração de Compensação, sendo tacitamente homologados pelo decurso do prazo previsto no § 5o do art. 74 da Lei n° 9.430, de 27 de dezembro de 1996. Tendo em vista que o crédito utilizado para a homologação das compensações na data de seus respectivos pedidos é inferior ao crédito pleiteado nestes autos e considerando a determinação à fl. 170 de que a DRF/PTG proceda à análise do mérito no processo, encaminhese o presente processo à Seção de Fiscalização desta Delegacia SAFIS/DRF/PTG para análise do Pedido de Ressarcimento destes autos. (grifos nossos) A fiscalização da Delegacia da jurisdição analisou o pedido de ressarcimento e concluiu: por excluir da base "COMPRAS" para apuração do crédito presumido os valores referentes: (a) às aquisições de pessoas físicas, e (b) os valores referentes às transferências entre estabelecimentos; · por excluir das Receitas usadas como base para cálculo do crédito presumido (i) a parcela resultante à diferença entre os valores de exportação direta, ao cotejar as notas fiscais de venda com os Registros de Exportação (RE) e as Declarações de Exportação (DDE); e (ii) as exportações embarcadas em 1999. · que o valor apurado de crédito presumido foi de R$ 33.851, 34, ao invés de R$ 83.032,58 pretendido pela contribuinte. A contribuinte apresenta manifestação de inconformidade, por meio da qual: · pede nulidade do despacho decisório recorrido por falha na utilização do banco de dados e conseqüente cerceamento do direito de defesa, uma vez que a autoridade não demonstrou os parâmetros usados para a pesquisa e para o relatório que diminuíram o crédito pretendido; Fl. 659DF CARF MF Processo nº 10940.000025/0020 Acórdão n.º 3401005.763 S3C4T1 Fl. 660 6 · a incorreção da apuração por não ter considerado o valor do estoque inicial e ter excluído duplamente o estoque final. E também não ter considerado as exportações efetivamente realizadas (junta cópias de documentos que pretende comprovariam o alegado); por se ter excluídas as exportações com nota fiscal emitida em 1998 e embarcadas em 1999; por não ter excluído das receitas operacionais as correspondentes receitas de exportação. · que há decisão proferida com efeito de repercussão geral pelo STJ que validam as aquisições de pessoas físicas no caso em tela. O processo segue direto ao CARF e é incluído em pauta. É o relatório. Nas deliberações da época, restou consignado no voto do ilustre relator que: 1. A Lei Federal 9.363/1996, não estabeleceu essa vedação. O entendimento firmado pelo STJ, que, em sede de recurso repetitivo, assim julgou a matéria, por intermédio do REsp 993.164/MG, e que sendo aplicado pelos Conselheiros nos julgamentos tendo em vista o que dispõe o art. 62A, do RICARF. Assim, não devem ser excluídas as aquisições das pessoas físicas para fins de cálculo do crédito presumido de IPI. 2. A data de embarque é secundária com relação à data da emissão da nota fiscal de venda combinada com a data do registro da Declaração de Exportação (DDE) e sua submissão a despacho de exportação. E na determinação da receita de exportação para apurar o crédito presumido na hipótese da Lei Federal 9363/1996, é a data da emissão da Nota fiscal de venda c/c a data da submissão a despacho de exportação válido que deve definir o período de apuração em que ela deve ser computada. 3. Entendo que o valor das exportações deve se pautar pelos valores em Reais constantes das notas fiscais, e as diferenças decorrentes das oscilações da taxa de câmbio devem atentar para o que dispõe o artigo 9º da Lei n. 9.363, de 1996. A variação monetária ocorrida entre a data da emissão da nota fiscal de venda e a data do embarque da mercadoria para o exterior deve receber o tratamento de receitas/despesas financeiras, e não deve ser incluída no cálculo do percentual que definirá o valor da base de cálculo do crédito presumido do IPI. Porém, o relator ressaltou a necessidade de novos esclarecimentos, nos termos de sua proposta de diligência: Fl. 660DF CARF MF Processo nº 10940.000025/0020 Acórdão n.º 3401005.763 S3C4T1 Fl. 661 7 (...) A meu juízo, há carência de informações para que se possa formar convicção da matéria em discussão. Pareceme que há divergências quanto ao modo de definir a base de cálculo do crédito presumido e necessidade de se determinar os valores que compõem essa definição, justificando as inclusões e as exclusões. Proponho a este Colegiado que este processo seja encaminhado à unidade de jurisdição para que ela providencie: > Demonstrativo de Crédito Presumido para determinar o valor do crédito presumido em questão, considerando o entendimento exposto nesta Resolução e Voto; que o demonstrativo discrimine as receitas de exportação direta e as indireta, os valores de estoque inicial e de estoque final e se eles incluem ou não os bens em estágio de produção e não vendidos, e outros fatores de exclusão ou inclusão de valores. > Ao fazêlo, apresente também quadro demonstrativo com as diferenças com relação ao Demonstrativo de Crédito Presumido (DCP) apresentado pelo contribuinte neste processo, justificando as diferenças e divergências. Às fls. 637642, seguem as conclusões da diligência efetuada pela unidade de origem que veio a reconhecer o valor originalmente pleiteado pela Recorrente: Desta forma, concluindose a diligência, utilizandose os parâmetros estabelecidos na Resolução nº 3401000.873, reconhecese o montante originalmente pleiteado pelo contribuinte no valor de R$83.032,58 (oitenta mil, trinta e dois reais e quinta e oito centavos), devendo ser deduzidos as compensações no montante de 41.194,79, restando um saldo de R$41.837,79(quarenta e um mil, oitocentos e trinta e sete reais e setenta e nove centavos). Após a manifestação da Recorrente concordando com o resultado da diligência, os autos foram reencaminhados para o CARF e a mim sorteados. É o relatório. Voto Conselheiro Tiago Guerra Machado Relator Da Admissibilidade Fl. 661DF CARF MF Processo nº 10940.000025/0020 Acórdão n.º 3401005.763 S3C4T1 Fl. 662 8 O Recurso é tempestivo, uma vez que a ciência do Acordão ocorreu em 03.03.2008 (fl 163) e o Recurso Voluntário foi protocolado em 02.04.2008 (fl 169), e reúne os demais requisitos de admissibilidade constantes na legislação; pelo que é de conhecêlo. Do Mérito Analisando os termos das diligências anteriores, não vejo razão para discordar das conclusões exaradas pelos colegas de tribunal nas Resoluções mencionadas no relatório. Portanto, é o caso de tãosomente acolher o resultado da diligência proposta, que, às fls. 637642, veio a reconhecer o valor originalmente pleiteado pela Recorrente: Desta forma, concluindose a diligência, utilizandose os parâmetros estabelecidos na Resolução nº 3401000.873, reconhecese o montante originalmente pleiteado pelo contribuinte no valor de R$83.032,58 (oitenta mil, trinta e dois reais e quinta e oito centavos), devendo ser deduzidos as compensações no montante de 41.194,79, restando um saldo de R$41.837,79 (quarenta e um mil, oitocentos e trinta e sete reais e setenta e nove centavos). Diante do exposto, conheço do Recurso e doulhe provimento. (assinado digitalmente) Tiago Guerra Machado Fl. 662DF CARF MF Processo nº 10940.000025/0020 Acórdão n.º 3401005.763 S3C4T1 Fl. 663 9 Fl. 663DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10183.004741/2006-16
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 12 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Tue Feb 26 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural - ITR
Exercício: 2002
IMPUGNAÇÃO. TEMPESTIVIDADE. RETORNO À PRIMEIRA INSTÂNCIA. ANÁLISE DO MÉRITO. SUPRESSÃO DE INSTÂNCIA.
Uma vez reconhecida, em sede de recurso voluntário, a tempestividade da impugnação, o processo deve ser devolvido à primeira instância de julgamento para que esta proceda à análise do mérito com o fim de se evitar supressão de instância.
INTIMAÇÃO. VIA POSTAL. DOMICÍLIO ELEITO. CONTRIBUINTE.
A intimação por via postal será considerada efetiva quando for comprovada a entrega da notificação encaminhada para o endereço eleito como domicílio tributário do contribuinte.
Numero da decisão: 2202-004.949
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso para reconhecer a tempestividade da impugnação e determinar o retorno dos autos à DRJ/CGE, para julgar o mérito da impugnação, caso inexistam outras circunstância impeditivas para análise.
(assinado digitalmente)
Ronnie Soares Anderson - Presidente
(assinado digitalmente)
Rorildo Barbosa Correia - Relator
Participaram do presente julgamento os conselheiros Marcelo de Sousa Sáteles, Martin da Silva Gesto, Ricardo Chiavegatto de Lima, Ludmila Mara Monteiro de Oliveira, Rorildo Barbosa Correia, Virgílio Cansino Gil (suplente convocado), Leonam Rocha de Medeiros e Ronnie Soares Anderson. Ausente a conselheira Andréa de Moraes Chieregatto.
Nome do relator: RORILDO BARBOSA CORREIA
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural - ITR Exercício: 2002 IMPUGNAÇÃO. TEMPESTIVIDADE. RETORNO À PRIMEIRA INSTÂNCIA. ANÁLISE DO MÉRITO. SUPRESSÃO DE INSTÂNCIA. Uma vez reconhecida, em sede de recurso voluntário, a tempestividade da impugnação, o processo deve ser devolvido à primeira instância de julgamento para que esta proceda à análise do mérito com o fim de se evitar supressão de instância. INTIMAÇÃO. VIA POSTAL. DOMICÍLIO ELEITO. CONTRIBUINTE. A intimação por via postal será considerada efetiva quando for comprovada a entrega da notificação encaminhada para o endereço eleito como domicílio tributário do contribuinte.
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TEMPESTIVIDADE. RETORNO À PRIMEIRA INSTÂNCIA. ANÁLISE DO MÉRITO. SUPRESSÃO DE INSTÂNCIA. Uma vez reconhecida, em sede de recurso voluntário, a tempestividade da impugnação, o processo deve ser devolvido à primeira instância de julgamento para que esta proceda à análise do mérito com o fim de se evitar supressão de instância. INTIMAÇÃO. VIA POSTAL. DOMICÍLIO ELEITO. CONTRIBUINTE. A intimação por via postal será considerada efetiva quando for comprovada a entrega da notificação encaminhada para o endereço eleito como domicílio tributário do contribuinte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso para reconhecer a tempestividade da impugnação e determinar o retorno dos autos à DRJ/CGE, para julgar o mérito da impugnação, caso inexistam outras circunstância impeditivas para análise. (assinado digitalmente) Ronnie Soares Anderson Presidente (assinado digitalmente) Rorildo Barbosa Correia Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 18 3. 00 47 41 /2 00 6- 16 Fl. 264DF CARF MF 2 Participaram do presente julgamento os conselheiros Marcelo de Sousa Sáteles, Martin da Silva Gesto, Ricardo Chiavegatto de Lima, Ludmila Mara Monteiro de Oliveira, Rorildo Barbosa Correia, Virgílio Cansino Gil (suplente convocado), Leonam Rocha de Medeiros e Ronnie Soares Anderson. Ausente a conselheira Andréa de Moraes Chieregatto. Relatório Tratase de recurso voluntário interposto contra acórdão nº 0416.123 proferido pela 1ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Campo Grande/MS DRJ/CGE, a qual, por intempestividade, não tomou conhecimento da impugnação referente ao imóvel rural denominado Lote 05 Santa Clara, com NIRF n° 6.413.6086, localizado no Município de Vila Rica MT (fls. 237/240 e 246/259). Do Lançamento Tributário No que diz respeito ao lançamento tributário, o relatório que acompanha a decisão da DRJ/CGE (fl. 238) mencionou o seguinte: Foi lavrado contra o contribuinte acima identificado, auto de infração de imposto territorial rural do exercício de 2002, no valor total de R$ 722.959,89 (setecentos e vinte e dois mil, novecentos e cinqüenta e nove reais e oitenta e nove centavos) relativo ao imóvel denominado Lote 05 Santa Clara localizado no Município de Vila Rica MT n° de inscrição na Receita Federal 6.413.6086, conforme descrição dos fatos e enquadramento legal de fls. 01 a 10. A autoridade fiscal efetuou o lançamento de ofício, reduzindo a zero as áreas de utilização limitada que o contribuinte alega serem áreas de preservação permanente, por falta de especificação e localização dessas áreas de preservação permanente no laudo técnico apresentado, além da falta do requerimento do ADA ao IBAMA. A autoridade fiscal verificou também a inexistência de averbação das áreas de reserva legal, e, desconsiderou a avaliação da terra nua apresentada por lhe faltar as condições mínimas para que o laudo técnico pudesse ser aceito. Quanto à área de produtos vegetais que o contribuinte alega serem áreas de pastagens também não foi aceita nessa forma, pois, a ficha de vacinação referese a outro imóvel e não ao imóvel objeto do presente lançamento. Com as alterações efetuadas, houve redução do grau de utilização, aumento da alíquota do imposto, aumento do imposto territorial rural e aumento do VTNT. Da Ciência ao Contribuinte Para efeito de notificação do lançamento do ITR/2002, consignado no auto de infração que consta no presente processo, foram encaminhadas ao contribuinte quatro correspondências, sendo três para o endereço do contribuinte e uma para o endereço do procurador, conforme avisos de recebimentos AR (fls. 131/134). Com o mesmo objetivo, em 14 de dezembro de 2006, houve a publicação do edital intimado o contribuinte para tomar ciência do referido auto de infração (fl. 135). Fl. 265DF CARF MF Processo nº 10183.004741/200616 Acórdão n.º 2202004.949 S2C2T2 Fl. 265 3 Das correspondências encaminhadas contendo o auto de infração, constam os registros do efetivo recebimento do documento em dois avisos de recebimento. No AR referente ao documento que foi encaminhado para o endereço do procurador, consta a assinatura, mas não consta data do recebimento (fl. 132), em outro AR consta a assinatura e a data de 02 de janeiro de 2007 confirmando o recebimento do auto de infração (fl. 134). Em outros dois AR, não constam a assinatura e nem a data de recebimento das correspondências (fls. 131/133). Da Impugnação O contribuinte apresentou a impugnação em primeiro de fevereiro de 2007, conforme documento anexado às folhas 145/160 e 234. A Seção de Controle e Acompanhamento Tributário da DRF em Cuiabá/MT encaminhou o processo para julgamento na DRJ/CGE, atestando a tempestividade da impugnação reconhecendo a data de ciência ao contribuinte em 02/01/2017, nos termos: "O contribuinte tomou ciência do AI em 02/01/2007, AR de fls. 119, impugnando tempestivamente a exigência em data de 01/02/2007, fls. 130." conforme termo de encaminhamento (fl. 234). Da Análise da Tempestividade pela DRJ/CGE A DRJ/CGE, quando analisou a tempestividade da impugnação, considerou como ciência a data de entrega do auto de infração no endereço do procurador e desconsiderou a data da entrega do auto de infração no endereço do contribuinte, nos seguinte termos (fl. 239): A impugnação foi apresentada intempestivamente, pois, a ciência do contribuinte do lançamento ocorreu em 22.12.2006, conforme AR de fls. 117, juntado nessa data, feita ao procurador devidamente constituído, fls. 50, que recebera a intimação preliminar e apresentou as alegações iniciais, conforme fls. 30 a 32 em 08.11.2005 e a impugnação somente foi apresentada em 01.02.2007, quarenta dias após a regular ciência ao procurador. Da Decisão da Delegacia da Receita Federal de Julgamento Ao apreciar o caso em questão, a Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Campo Grande (MS), por intempestividade, não tomou conhecimento da impugnação, conforme transcrição da ementa a seguir (fl. 237): ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL ITR Exercício: 2002 IMPUGNAÇAO INTEMPESTIVA. A impugnação apresentada após trinta dias da ciência do lançamento ao contribuinte não cumpre um dos requisitos essenciais para ser conhecida, de conformidade com as normas de regência. Impugnação não Conhecida Fl. 266DF CARF MF 4 Do Recurso Voluntário O Recorrente, devidamente intimado da decisão da DRJ/CGE, em 24/12/2008, conforme Aviso de Recebimento AR (fls. 245), apresentou, em 23/01/2009, recurso voluntário (fls. 246/259). Em sede de recurso voluntário, o recorrente se insurgiu contra a decisão da DRJ/CGE contestando o não conhecimento da impugnação por intempestividade, afirmando que apresentou tempestivamente a sua defesa dentro do prazo legal, requerendo a reforma da decisão proferida DRJ/CGE e que seja declarada a tempestividade da sua impugnação (fl. 249): A decisão da DRJ/CGE deve ser reformada e declarada a tempestividade da impugnação, retornando os autos àquela Corte Administrativa para julgamento, pois contrária ao direito, à Constituição Federal, à norma legal que disciplina O procedimento administrativo fiscal e à jurisprudência dos Conselhos e da Câmara Superior de Recursos Fiscais. No caso da ciência do auto de infração, o requerente questionou que a notificação de lançamento foi encaminhada por via postal pela fiscalização para diversos endereços, apresentando as seguintes alegações: "Porém, contrariando a legislação fiscal, postou, ao mesmo tempo, ou seja, aos 07.12.2006, correspondências via AR para o antigo endereço da DITR/2002, duas vezes para o domicílio correto do sujeito passivo e para o endereço da procuração de fls. 50." Antes do retorno dos Avisos de Recebimentos AR referentes aos documentos postados nos Correios com destino a endereço localizados em outros Estados da Federação (Bahia, São Paulo e Goiás), a Fiscalização publicou edital de intimação. Que a intimação do contribuinte deve ser realizada nos termos do artigo 23 do Decreto n° 70.235/72,vigente à época da ação fiscal. "De plano, verificase que a legislação não traz previsão legal de intimação postal no endereço do procurador do sujeito passivo, sendo que as únicas hipóteses de validade da intimação do procurador são no caso do inciso I do caput (intimação pessoal) ou no caso de recebimento via postal no domicílio tributário eleito pelo sujeito passivo (inciso II)." "Só por este fato já se vê que não é correta a alegação da decisão recorrida, de validade da intimação do procurador em seu escritório em GoiâniaGO. Por outro lado, há que se considerar que a referida procuração tinha, à época da intimação, mais de ano de vigência, já tendo perdido seus poderes." "D'outra feita, se a Autoridade Fiscal postou todos os AR na mesma data, é óbvio que deve ser dado maior valor ao que corresponde ao do sujeito passivo e de seu domicílio eleito, pois é o que garante maior eficácia ao comando constitucional que estabelece o princípio da ampla defesa e do contraditório (art. 5°, LV, da CF/88)." "Do exposto, deve ser reconhecida a tempestividade da impugnação apresentada, uma vez que o processo administrativo deve, sempre que possível, atender aos fins de interesse público e interpretação dos fatos e da norma legal segundo padrões de boa fé visando atender aos direitos dos cidadãos, conforme disposto na Lei n° 9.784/ 99." Fl. 267DF CARF MF Processo nº 10183.004741/200616 Acórdão n.º 2202004.949 S2C2T2 Fl. 266 5 "No caso em tela, evidente que a intimação mais correta é aquela feita no domicílio fiscal eleito pelo sujeito passivo e recebida formalmente por sua esposa, devendo ser afastadas as demais intimações feitas por atropelo da autoridade fiscal, assim como reconhecendo a tempestividade da impugnação apresentada." O Recorrente, com o objetivo de corroborar seus argumentos, ainda apresentou, ao longo das folhas 254/256, acórdãos de decisões proferido pelo CARF. Do Pedido Ao final, o Recorrente requer que (fls. 258/259): "Anulação da decisão recorrida, com o reconhecimento da tempestividade da impugnação apresentada, nos termos dos fundamentos acima; Acolhido o pedido, declaração de extinção do crédito tributário constituído pelo auto de infração em tela, em razão da constatação da ocorrência da decadência do direito de constituir o mesmo, por se tratar o ITR de tributo sujeito à homologação e, portanto, regido pelo art. 150, § 4°, do CTN; Alternativamente, caso assim não entenda a Câmara, remessa dos autos à DRJ/CGE para apreciação da impugnação apresentada tempestivamente pelo sujeito passivo." É o relatório. Voto Conselheiro Rorildo Barbosa Correia Relator O recurso é tempestivo, atende aos demais requisitos de admissibilidade, portanto, dele tomo conhecimento. De acordo com os autos, o ponto central da lide consiste em saber qual o momento que houve a ciência do contribuinte em relação ao lançamento consignado no auto de infração. A DRJ/CGE considerou como ciência, 22/12/2006, data da entrega do auto de infração no endereço do procurador. Por outro lado, o recorrente contestou afirmando que a ciência ao auto de infração ocorreu em 02/01/2007, data em que ele recebeu os documentos em seu domicílio, que não existe previsão legal para encaminhar o auto de infração para o endereço do procurador, citando o artigo 23 do Decreto n° 70.235 de 06 de março de 1972, e que o edital somente deveria ser publicado quando fosse constatado a impossibilidade de intimálo pessoalmente ou por via postal. Assim, após analisar o que consta nos autos e observar as alegações apresentadas pelo recorrente, entendo que a data da intimação, para efeito de tomar ciência da notificação do lançamento, deve ser considerada 02/01/2007. Isto porque, essa é a data que consta no aviso de recebimento referente à correspondência com o auto de infração encaminhada para o endereço eleito como domicílio tributário do contribuinte, conforme disciplina o inciso II, do art. 23 do Decreto n° 70.235/72. Fl. 268DF CARF MF 6 Art. 23. Farseá a intimação: I (...) II por via postal, telegráfica ou por qualquer outro meio ou via, com prova de recebimento no domicílio tributário eleito pelo sujeito passivo;(Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997) III (...) (grifo não faz parte do original). No mesmo sentido, cabe registrar ainda que a Seção de Controle e Acompanhamento Tributário da DRF em Cuiabá/MT, quando do encaminhamento dos autos para julgamento na DRJ/CGE, considerou 02/01/2007, como a data da ciência do contribuinte, de forma a verificar e atestar a tempestividade da impugnação (fl. 234). Além do mais, entendo que no presente caso não caberia a publicação do edital intimando o contribuinte a tomar ciência do auto de infração do ITR, uma vez que a intimação por via postal foi realizada de maneira profícua, conforme consta nos autos (fl. 134). Isto posto, entendo também que assiste razão ao recorrente no tocante à alegação de que apresentou tempestivamente a impugnação e por este motivo, o presente processo deve retornar à DRJ/CGE para que seja apreciado o mérito da impugnação apresentada pelo contribuinte, na qual contesta o lançamento, caso inexistam outras circunstâncias impeditivas para tal análise. Em relação as alegações de mérito apresentadas pelo recorrente, entendo que a análise neste CARF fica prejudicada tendo em vista que tal análise acarretaria supressão de instância. Á vista disso, de acordo com a apreciação realizada neste voto, rejeito o pedido de anulação da decisão e da extinção do crédito tributário, porém acato o pedido de reconhecimento da tempestividade da impugnação apresentada. Decisão Diante do exposto, voto por dar provimento parcial ao recurso para reconhecer a tempestividade da impugnação e determinar o retorno dos autos à DRJ/CGE, para julgar o mérito da impugnação, caso inexistam outras circunstância impeditivas para análise. (assinado digitalmente) Rorildo Barbosa Correia Fl. 269DF CARF MF Processo nº 10183.004741/200616 Acórdão n.º 2202004.949 S2C2T2 Fl. 267 7 Fl. 270DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 11065.003144/00-35
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Dec 06 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Feb 05 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda Retido na Fonte - IRRF
Exercício: 1995
LUCRO PRESUMIDO. OMISSÃO DE RECEITAS. IRRF. TRIBUTAÇÃO REFLEXA. LEI Nº 8.541/1992.
Em relação aos fatos geradores ocorridos ao tempo de vigência do artigo 62 da Lei nº 8.981/1995, o Fisco deve constituir de ofício o crédito tributário de imposto de renda exclusivo na fonte, à alíquota de 35 %, como reflexo do lançamento de ofício de IRPJ, efetuado em razão da verificação da receita omitida pelo contribuinte, na apuração do IRPJ espontaneamente apurado com base no lucro presumido.
Numero da decisão: 9101-003.960
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em dar-lhe provimento, vencidos os conselheiros Cristiane Silva Costa (relatora) e Caio Cesar Nader Quintella (suplente convocado), que lhe negaram provimento. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Flávio Franco Corrêa.
(assinado digitalmente)
Rafael Vidal de Araújo - Presidente em Exercício
(assinado digitalmente)
Cristiane Silva Costa - Relatora
(assinado digitalmente)
Flávio Franco Corrêa - Redator Designado
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: André Mendes de Moura, Cristiane Silva Costa, Flávio Franco Corrêa, Demetrius Nichele Macei, Viviane Vidal Wagner, Lívia De Carli Germano (suplente convocada), Caio Cesar Nader Quintella (suplente convocado) e Rafael Vidal de Araújo (Presidente em Exercício). Ausente, justificadamente, o conselheiro Luis Fabiano Alves Penteado. Ausente o conselheiro Luis Flávio Neto, substituído pela conselheira Lívia De Carli Germano.
Nome do relator: CRISTIANE SILVA COSTA
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda Retido na Fonte - IRRF Exercício: 1995 LUCRO PRESUMIDO. OMISSÃO DE RECEITAS. IRRF. TRIBUTAÇÃO REFLEXA. LEI Nº 8.541/1992. Em relação aos fatos geradores ocorridos ao tempo de vigência do artigo 62 da Lei nº 8.981/1995, o Fisco deve constituir de ofício o crédito tributário de imposto de renda exclusivo na fonte, à alíquota de 35 %, como reflexo do lançamento de ofício de IRPJ, efetuado em razão da verificação da receita omitida pelo contribuinte, na apuração do IRPJ espontaneamente apurado com base no lucro presumido.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em dar-lhe provimento, vencidos os conselheiros Cristiane Silva Costa (relatora) e Caio Cesar Nader Quintella (suplente convocado), que lhe negaram provimento. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Flávio Franco Corrêa. (assinado digitalmente) Rafael Vidal de Araújo - Presidente em Exercício (assinado digitalmente) Cristiane Silva Costa - Relatora (assinado digitalmente) Flávio Franco Corrêa - Redator Designado Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: André Mendes de Moura, Cristiane Silva Costa, Flávio Franco Corrêa, Demetrius Nichele Macei, Viviane Vidal Wagner, Lívia De Carli Germano (suplente convocada), Caio Cesar Nader Quintella (suplente convocado) e Rafael Vidal de Araújo (Presidente em Exercício). Ausente, justificadamente, o conselheiro Luis Fabiano Alves Penteado. Ausente o conselheiro Luis Flávio Neto, substituído pela conselheira Lívia De Carli Germano.
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conteudo_txt : Metadados => date: 2019-01-04T18:40:44Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.5; xmp:CreatorTool: pdfsam-console (Ver. 2.4.3e); access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; dcterms:created: 2019-01-04T18:39:11Z; Last-Modified: 2019-01-04T18:40:44Z; dcterms:modified: 2019-01-04T18:40:44Z; dc:format: application/pdf; version=1.5; xmpMM:DocumentID: uuid:5f59760b-4394-4180-aa8c-e44837a875b9; Last-Save-Date: 2019-01-04T18:40:44Z; pdf:docinfo:creator_tool: pdfsam-console (Ver. 2.4.3e); access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:modified: 2019-01-04T18:40:44Z; meta:save-date: 2019-01-04T18:40:44Z; pdf:encrypted: true; modified: 2019-01-04T18:40:44Z; Content-Type: application/pdf; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; meta:creation-date: 2019-01-04T18:39:11Z; created: 2019-01-04T18:39:11Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 12; Creation-Date: 2019-01-04T18:39:11Z; pdf:charsPerPage: 1628; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; pdf:docinfo:created: 2019-01-04T18:39:11Z | Conteúdo => CSRFT1 Fl. 818 1 817 CSRFT1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS Processo nº 11065.003144/0035 Recurso nº Especial do Procurador Acórdão nº 9101003.960 – 1ª Turma Sessão de 06 de dezembro de 2018 Matéria IRRF LUCRO PRESUMIDO Recorrente FAZENDA NACIONAL Interessado MCF COMERCIAL DE FRUTAS LTDA ME ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE IRRF Exercício: 1995 LUCRO PRESUMIDO. OMISSÃO DE RECEITAS. IRRF. TRIBUTAÇÃO REFLEXA. LEI Nº 8.541/1992. Em relação aos fatos geradores ocorridos ao tempo de vigência do artigo 62 da Lei nº 8.981/1995, o Fisco deve constituir de ofício o crédito tributário de imposto de renda exclusivo na fonte, à alíquota de 35 %, como reflexo do lançamento de ofício de IRPJ, efetuado em razão da verificação da receita omitida pelo contribuinte, na apuração do IRPJ espontaneamente apurado com base no lucro presumido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em darlhe provimento, vencidos os conselheiros Cristiane Silva Costa (relatora) e Caio Cesar Nader Quintella (suplente convocado), que lhe negaram provimento. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Flávio Franco Corrêa. (assinado digitalmente) Rafael Vidal de Araújo Presidente em Exercício (assinado digitalmente) Cristiane Silva Costa Relatora (assinado digitalmente) Flávio Franco Corrêa Redator Designado AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 06 5. 00 31 44 /0 0- 35 Fl. 818DF CARF MF Processo nº 11065.003144/0035 Acórdão n.º 9101003.960 CSRFT1 Fl. 819 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: André Mendes de Moura, Cristiane Silva Costa, Flávio Franco Corrêa, Demetrius Nichele Macei, Viviane Vidal Wagner, Lívia De Carli Germano (suplente convocada), Caio Cesar Nader Quintella (suplente convocado) e Rafael Vidal de Araújo (Presidente em Exercício). Ausente, justificadamente, o conselheiro Luis Fabiano Alves Penteado. Ausente o conselheiro Luis Flávio Neto, substituído pela conselheira Lívia De Carli Germano. Relatório Tratase de processo originado por Auto de Infração de IRPJ, CSLL, PIS, COFINS e IRFONTE, quanto aos anos de 1995 a 1999, com imposição de multa de 75% (Auto de Infração de IRFONTE às fls. 425, pdf. 110, volume 2). Consta do Auto de Infração como fundamento da exigência de IRF matéria ainda em debate neste processo, tratando apenas de fatos geradores em 1995: Art. 739 do RIR/94 Art. 44 da Lei nº 8.541/92 com a redação dada pelo art. 3º da Medida Provisória nº 492/94, convalidada pela Lei nº 9.064/95. Art. 62 da Lei nº 8.981/95; Art. 44 da Lei nº 8.541/92 com redação dada pelo artigo 3º da Lei nº 9.064/95 O Relatório Fiscal justifica a exigência de IRFONTE da forma seguinte (volume 2, pdf 90): Nos períodos fiscalizados, 1995 a 1999, o contribuinte, conforme declarações de rendimentos apresentadas (doc. 310 a 384), tributou seus resultados com base no Lucro Presumido. (...) Igualmente, estamos efetuando o lançamento de ofício do IRRF Imposto de Renda Retido na fonte incidetne sobre as infrações apuradas no anocalendário de 1995, as quais são caracterizadas como omissão de receitas, conforme já mencionado anteriormente. (pdf. 99, volume 2) Após a apresentação de Impugnação Administrativa (fls. 447, pdf. 131, volume 2), decidindo a Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Porto Alegre por manteve o lançamento em parte, conforme acórdão às fls. 510 (volume 2). O lançamento de IRFonte foi integralmente mantido pela DRJ. O contribuinte apresentou recurso voluntário (fls. 554, volume 3, pdf 2), ao qual a 1ª Turma Ordinária da 2ª Câmara deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais deu parcial provimento (acórdão 1201000.904, fls. 754). O acórdão restou assim ementado: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 1995 DECADÊNCIA. LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. Fl. 819DF CARF MF Processo nº 11065.003144/0035 Acórdão n.º 9101003.960 CSRFT1 Fl. 820 3 No caso de tributos sujeitos a lançamento por homologação e com regime de apuração mensal, aplicase, quando houver pagamento, o prazo decadencial de cinco anos, contados a partir da data do fato gerador, nos termos do artigo 150, § 4o, do CTN. ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Anocalendário: 1995 MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL. O Mandado de Procedimento Fiscal (MPF) consiste em mero instrumento de controle interno, criado para a seleção e o planejamento das atividades de fiscalização da Receita Federal. Não macula o lançamento efetuado a extensão dos efeitos previstos no Mandado de Procedimento Fiscal porque a relação jurídica instaurada entre a autoridade e o contribuinte não se inaugura com a expedição do MPF, mas com a ciência do início dos procedimentos, nos termos do artigo 196 do Código Tributário Nacional, esta sim providência essencial e inarredável para a validade dos atos praticados durante a fiscalização. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 1995 IRPJ. LUCRO PRESUMIDO. SALDO CREDOR DE CAIXA. As presunções legais associadas à ocorrência de saldo credor de caixa e suprimento de numerário não se restringem à sistemática de apuração do lucro real, mas se aplicam, também, ao lucro presumido. IRPJ. OMISSÃO DE RECEITAS. SUPRIMENTO DE NUMERÁRIO. SALDO CREDOR DE CAIXA. É cabível a aplicação concomitante das presunções legais de que tratam os artigos 228 e 229 do RIR/94, se a conta caixa persiste com saldo credor, apesar dos suprimentos de numerário registrados. IMPOSTO DE RENDA NA FONTE Indevida a aplicação da regra contida no art. 739 do RIR/94 para fins de cobrança de IRFonte, na hipótese e que a Pessoa Jurídica apurou seu IRPJ pelo regime de tributação do Lucro Presumido Em síntese, a Turma rejeitou preliminares, reconheceu a decadência quanto aos fatos ocorridos entre junho e setembro de 1995, relativos ao suprimento de caixa. No mérito, excluiu a incidência do IRFonte. Os autos foram remetidos à Procuradoria em 23/09/2015 (fls. 780), que interpôs recurso especial em 28/10/2015 (fls. 781). Neste recurso, alega divergência na interpretação da lei tributária quanto à exigência de IRFonte sobre omissão de receitas de empresas submetidas ao lucro presumido, apontando como paradigma os acórdão nº 107 Fl. 820DF CARF MF Processo nº 11065.003144/0035 Acórdão n.º 9101003.960 CSRFT1 Fl. 821 4 08.141 (processo administrativo nº 10860.001963/0073) e 10708.756 (processo administrativo nº 15374.001879/9940). O recurso especial da Procuradoria foi admitido pelo Presidente da 2ª Câmara da Primeira Seção deste Conselho (Conselheiro Rafael Vidal de Araújo), destacandose trecho desta decisão (fls. 796): Do cotejo entre as ementas e os votos condutores dos arestos, recorrido e paradigmas, verificase que o tratamento foi diferenciado vez que, no recorrido concluiuse pela não incidência do IRRF sobre omissão de receitas de empresas submetidas à apuração do tributo pelo lucro presumido, mas apenas sobre aquelas submetidas à apuração pelo lucro real. A decisão recorrida afirma que apesar da ocorrência da omissão de receita evidenciada nos autos, é incabível a cobrança da exigência lançada com fundamento no art. 739 do RIR/94. Quanto aos paradigmas nº 10708.141 e 10708.756, entenderam que há incidência de IRRF, nos termos do art. 44 da Lei nº 8.541/1992, sobre a omissão de receitas mesmo em relação às empresas submetidas à apuração pelo lucro presumido. (...) Assim sendo, com fundamento nos artigos 68 e 69, do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 09/06/2015, e em cumprimento ao disposto no inciso III do art. 18, DOU SEGUIMENTO ao recurso especial, interposto pela Fazenda Nacional, para que seja reapreciada a matéria em discussão. Com a publicação de edital, o contribuinte foi intimado quanto ao acórdão recorrido, recurso especial e decisão que admitiu este recurso (fls. 803), sem que tenha se manifestado nos autos. A unidade de origem, assim, transferiu débitos definitivos para o processo administrativo nº 11065721.135/201640 (fls. 807). É o relatório. Voto Vencido Conselheira Cristiane Silva Costa, Relatora Adoto a decisão do Presidente de Câmara para conhecimento do recurso especial da Procuradoria. Passo à análise do mérito, lembrando que a única matéria devolvida é a exigência de IRFOnte de pessoa jurídica submetida à apuração do IRPJ sob a sistemática do lucro presumido. Lembro os dispositivos legais que fundametaram o auto de infração de IRFonte: Fl. 821DF CARF MF Processo nº 11065.003144/0035 Acórdão n.º 9101003.960 CSRFT1 Fl. 822 5 Art. 739 do RIR/94 Art. 44 da Lei nº 8.541/92 com a redação dada pelo art. 3º da Medida Provisória nº 492/94, convalidada pela Lei nº 9.064/95. Art. 62 da Lei nº 8.981/95; Reproduzo a íntegra do artigo 739, do RIR/1994 (Decreto 1.041/1994): Rendimentos Diversos SEÇÃO I Omissão de Receita Art 739. Está sujeita à incidência do imposto, exclusivamente na fonte, à alíquota de 25%, a receita omitida ou a diferença verificada na determinação dos resultados da pessoa jurídica por qualquer procedimento que implique redução indevida do lucro líquido, a qual será considerada automaticamente recebida pelos sócios, acionistas ou titular da empresa individual, sem prejuízo da incidência do imposto da pessoa jurídica (Lei n° 8.541/92, art. 44). § 1° Para efeito da incidência de que trata este artigo, considerase ocorrido o fato gerador no mês da omissão ou da redução indevida, não se aplicando o reajustamento previsto no art. 796 (Lei n° 8.541/92, art. 44, 1°). § 2° O disposto neste artigo não se aplica a deduções indevidas que, por sua natureza, não autorizem presunção de transferência de recursos do patrimônio da pessoa jurídica para o dos seus sócios (Lei n° 8.541/92, art. 44, § 2°). O artigo 44, da Lei nº 8.541/1995, também referido pelo Auto de Infração, é o fundamento legal do artigo 739 e tinha a seguinte redação: Art. 44. A receita omitida ou a diferença verificada na determinação dos resultados das pessoas jurídicas por qualquer procedimento que implique redução indevida do lucro líquido será considerada automaticamente recebida pelos sócios, acionistas ou titular da empresa individual e tributada exclusivamente na fonte à alíquota de 25%, sem prejuízo da incidência do imposto sobre a renda da pessoa jurídica. § 1º O fato gerador do imposto de renda na fonte considerase ocorrido no dia da omissão ou da redução indevida. (Redação dada pela Lei nº 9.064, de 1995) (Revogado pela Lei nº 9.249, de 1995) § 2° O disposto neste artigo não se aplica a deduções indevidas que, por sua natureza, não autorizem presunção de transferência de recursos do patrimônio da pessoa jurídica para o dos seus sócios. (grifamos( Fl. 822DF CARF MF Processo nº 11065.003144/0035 Acórdão n.º 9101003.960 CSRFT1 Fl. 823 6 A Lei nº 9.249, de 26 de dezembro de 1995 revogou o artigo 44, conforme expressa previsão de seu artigo 36, IV: Art. 36. Ficam revogadas as disposições em contrário, especialmente: (...) IV os arts. 43 e 44 da Lei nº 8.541, de 23 de dezembro de 1992; A Lei nº 9.249/1995 teve efeitos a partir de 1º de janeiro de 1995, como expressamente menciona seu artigo 35: Art. 35. Esta Lei entra em vigor na data de sua publicação, produzindo efeitos a partir de 1º de janeiro de 1996. Assim, no momento dos fatos nos presentes autos, vigia o artigo 44, acima reproduzido, com redação conferida pela MP 492/1994, convertida na Lei nº 9.065. Finalmente, o artigo 62 da Lei nº 8.981/1995 último dispositivo legal mencionado no auto de infração, apenas especifica alíquota do IRFOnte: Art. 62. A partir de 1º de janeiro de 1995, a alíquota do Imposto de Renda na fonte de que trata o art. 44 da Lei nº 8.541, de 1992, será de 35%. O acórdão recorrido afastou a aplicação do artigo 739, do RIR/1994, por entender aplicável às pessoas jurídicas que apurassem o lucro pelo regime real, conforme voto vencedor elaborado pelo Conselheiro Luis Fabiano Alves Penteado: Ouso aqui discordar do brilhante voto do Conselheiro Relator em relação à incidência do IRFOnte em relação à incidência do IRFOnte e trago abaixo minhas razões de discordância. Isso porque, da leitura do art. 739 do RIR/94, concluo restar claro que o objetivo do legislador é inequívoco ao direcionar seu conteúdo apenas àqueles tributados pelo regime de apuração do lucro real, vez que, ao determinar a tributação pelo regime de apuração do lucro real, vez que, ao determinar a tributação na na fonte, menciona que a incidência ocorre por ocasião da identificação de receita omitida ou diferença verificada na determinação dos resultados da pessoa jurídica por qualquer procedimento que implique redução indevida do lucro líquido. Considerando que somente as pessoas jurídicas tributadas com base no lucro real estão obrigadas a apurar o lucro líquido, resta claro que tal dispositivo não alcança aqueles que apuram o IRPJ a pagar através da sistemática do lucro presumido. Dessa forma, não obstante a ocorrência da omissão de receita tenha sido devidamente evidenciada nos autos, é incabível a cobrança da exigência lançada com fundamento no art. 739 do RIR/1994. Com efeito, a expressão "redução indevida do lucro líquido" revela que o alcance do citado artigo 44, da Lei nº 8.541/1992, reproduzido no artigo 739 do RIR/1994, é apenas quanto às pessoas jurídicas submetidas à tributação pelo lucro real. Fl. 823DF CARF MF Processo nº 11065.003144/0035 Acórdão n.º 9101003.960 CSRFT1 Fl. 824 7 Assim, o acórdão recorrido não merece reparos. Ressalto que a Lei nº 9.065/1995 alterou o artigo 43, da mesma Lei nº 8.541/1992, para estabelecer que a omissão de receita tratada por tal dispositivo também se aplicaria às pessoas jurídicas tributadas pelo lucro presumido. Com efeito, o §2º do artigo 43, da Lei nº 8.541/1992 previa antes da Lei nº 9.065/1995: Art. 43. Verificada omissão de receita, a autoridade tributária lançará o Imposto de Renda, à alíquota de 25%, de ofício, com os acréscimos e as penalidades de lei, considerando como base de cálculo o valor da receita omitida. § 2º O valor da receita omitida não comporá a determinação do lucro real e o imposto incidente sobre a omissão será definitivo.http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/LEIS/L9249.htm art36 Com a alteração pela Lei nº 9.065, o citado artigo 43 passou a dispor expressamente sobre a possibilidade da receita omitida compor a determinação também do lucro presumido ou arbitrado: Art. 43. Verificada omissão de receita, a autoridade tributária lançará o Imposto de Renda, à alíquota de 25%, de ofício, com os acréscimos e as penalidades de lei, considerando como base de cálculo o valor da receita omitida. § 2º O valor da receita omitida não comporá a determinação do lucro real, presumido ou arbitrado, nem a base de cálculo da contribuição social sobre o lucro, e o imposto e a contribuição incidentes sobre a omissão serão definitivos. A mesma ressalva não foi expressa pela Lei nº 9.065/1995 quando alterou o artigo 44, que trata do IRFonte. Tal fato reforça a impossibilidade de cobrança do IRFonte, o que corrobora o acerto do acórdão recorrido. Diante de tais razões, voto por negar provimento ao recurso especial da Procuradoria. Conclusões Por tais razões, voto por conhecer e negar provimento ao recurso especial da Procuradoria. (assinado digitalmente) Cristiane Silva Costa Voto Vencedor Conselheiro Flávio Franco Corrêa, Redator Designado Fl. 824DF CARF MF Processo nº 11065.003144/0035 Acórdão n.º 9101003.960 CSRFT1 Fl. 825 8 Com a devida vênia, ouso discordar da ilustre Relatora. De início, reproduzse, abaixo, o quadro com as infrações verificadas na auditoria contábilfiscal, com a indicação dos dispositivos legais que embasaram o lançamento do imposto de renda exclusivo na fonte: Portanto, a Fiscalização apontou duas ocorrências distintas, que caracterizam, cada uma delas, prática de omissão de receitas à tributação do imposto de renda da pessoa jurídica (IRPJ), determinado com base nas regras do lucro presumido, para o anocalendário de 1995. Como consequência do lançamento do IRPJ fundado em fatos geradores decorrentes das receitas omitidas, lavrouse o auto de infração de imposto de renda exclusivo na fonte (IRRF), exigência reflexa ao lançamento de IRPJ, com supedâneo no artigo 739 do Regulamento do Imposto de Renda, aprovado pelo Decreto nº 1.041/1994 (RIR/94), verbis: "Art 739. Está sujeita à incidência do imposto, exclusivamente na fonte, à alíquota de 25%, a receita omitida ou a diferença verificada na determinação dos resultados da pessoa jurídica por qualquer procedimento que implique redução indevida do lucro líquido, a qual será considerada automaticamente recebida pelos sócios, acionistas ou titular da empresa individual, sem prejuízo da incidência do imposto da pessoa jurídica (Lei n° 8.541/92, art. 44). § 1° Para efeito da incidência de que trata este artigo, considerase ocorrido o fato gerador no mês da omissão ou da redução indevida, não se aplicando o reajustamento previsto no art. 796 (Lei n° 8.541/92, art. 44, 1°). § 2° O disposto neste artigo não se aplica a deduções indevidas que, por sua natureza, não autorizem presunção de transferência de recursos do patrimônio da pessoa jurídica para o dos seus sócios (Lei n° 8.541/92, art. 44, § 2°)." Como se pode observar, o artigo 44 e §§ da Lei nº 8.541/1992 é a matriz legal do artigo 739 do RIR/94. Segundo a ilustre relatora, "a expressão "redução indevida do lucro líquido" revela que o alcance do citado artigo 44, da Lei nº 8.541/1992, reproduzido no artigo 739 do Fl. 825DF CARF MF Processo nº 11065.003144/0035 Acórdão n.º 9101003.960 CSRFT1 Fl. 826 9 RIR/1994, é apenas quanto às pessoas jurídicas submetidas à tributação pelo lucro real". Isso a conduziu ao entendimento de que o preceito insculpido no artigo 739 do RIR/94 não deveria incidir sobre contribuintes que regularmente optaram pelo regime de tributação do IRPJ com base no lucro presumido. Contudo, é importante destacar a conjunção "ou" que interliga as seguintes alternativas fáticas, cuja concretização é necessária para a aplicação do artigo 739 do RIR/94: a) "receita omitida"; ou b) "qualquer procedimento que implique redução indevida do lucro líquido". Ora, toda receita omitida, tratandose de tributação com base no lucro real, pode ser compreendida no domínio do significado da expressão "qualquer procedimento que implique redução indevida do lucro líquido". Vale dizer que, nos termos do voto vencido, o texto normativo teria um trecho inútil, porque redundante, na parte em que se refere à "receita omitida", porquanto a situação por ela abrangida ["receita omitida"], para o contribuinte sujeito à tributação do IRPJ com supedâneo no lucro real, já está compreendida na abrangência de uma situação mais ampla, referida no mesmo dispositivo da legislação tributária ["qualquer procedimento que implique redução indevida do lucro líquido"]. Essa inutilidade de parte da redação do dispositivo legal já sinaliza para o equívoco da interpretação. Logicamente, a situação fática a que alude a expressão "receita omitida" deve corresponder a eventos distintos daqueles que podem ser abarcados pelo significado da expressão "qualquer procedimento que implique redução indevida do lucro líquido". De imediato, vislumbrase que as possibilidades concretas ajustáveis, por adequação típica, à expressão "receita omitida" sejam outras que não repercutam na redução indevida do lucro líquido. Se o lucro real, no que tange às modalidades de determinação do IRPJ, é a única que depende de prévia apuração do lucro líquido, obviamente a expressão "receita omitida" deve ser aplicada às demais modalidades de apuração do IRPJ, ou seja, aos contribuintes que apurem esse imposto com base no lucro presumido ou arbitrado. Entretanto, a descoberta do âmbito material da norma que determina a exigência reflexa do imposto de renda na fonte, fixada no caput do artigo 739 do RIR/94, impõe que se considere a expressão "qualquer procedimento que implique redução indevida do lucro líquido", em conjunto com prescrição do § 2º do artigo 739 do RIR/94 (§ 2º do artigo 44 da Lei nº 8.541/1992), de acordo com a qual "o disposto neste artigo não se aplica a deduções indevidas que, por sua natureza, não autorizem presunção de transferência de recursos do patrimônio da pessoa jurídica para o dos seus sócios". Em outras palavras, a tributação do imposto de renda exclusivo na fonte, na forma do artigo 44 da Lei nº 8.541/1992, deve recair (i) sobre as omissões de receita, bem como (ii) sobre as reduções indevidas do lucro líquido mediante artificialismos com a contabilização de despesa ou custo fictícios, desde que, nessa última hipótese, caiba a presunção, pela natureza da dedução, de transferência, da pessoa jurídica para seus sócios, do valor ficticiamente contabilizado. Mas, deixando de lado as situações relacionadas à redução indevida do lucro líquido em decorrência da contabilização de despesa ou custos fictício, é inegável que a Lei nº 8.541/1992 instituiu, em seus artigos 43 e 44, uma disciplina específica de tributação do IRPJ e do imposto de renda exclusivo na fonte sobre as omissões de receitas, a incidir sobre a pessoa jurídica omitente, independentemente de apurar o IRPJ com base no lucro real, presumido ou arbitrado. Reparese: Fl. 826DF CARF MF Processo nº 11065.003144/0035 Acórdão n.º 9101003.960 CSRFT1 Fl. 827 10 "Art. 43. Verificada omissão de receita, a autoridade tributária lançará o Imposto de Renda, à alíquota de 25%, de ofício, com os acréscimos e as penalidades de lei, considerando como base de cálculo o valor da receita omitida. (Revogado pela Lei nº 9.249, de 1995) § 1° O valor apurado nos termos deste artigo constituirá base de cálculo para lançamento, quando for o caso, das contribuições para a seguridade social. (Revogado pela Lei nº 9.249, de 1995) § 2º O valor da receita omitida não comporá a determinação do lucro real e o imposto incidente sobre a omissão será definitivo. § 2º O valor da receita omitida não comporá a determinação do lucro real, presumido ou arbitrado, bem como a base de cálculo da contribuição social sobre o lucro, e o imposto e a contribuição incidentes sobre a omissão serão definitivos. (Redação dada pela Medida Provisória nº 1.003, de 1995) § 3º A base de cálculo de que trata este artigo será convertida em quantidade de Unidade Fiscal de Referência (Ufir) pelo valor desta do mês da omissão. (Incluído pela Medida Provisória nº 1.003, de 1995) § 4º Considerase vencido o imposto e as contribuições para a seguridade social na data da omissão. (Incluído pela Medida Provisória nº 1.003, de 1995) § 2º O valor da receita omitida não comporá a determinação do lucro real, presumido ou arbitrado, nem a base de cálculo da contribuição social sobre o lucro, e o imposto e a contribuição incidentes sobre a omissão serão definitivos. (Redação dada pela Lei nº 9.064, de 1995) (Revogado pela Lei nº 9.249, de 1995) § 3º A base de cálculo de que trata este artigo será convertida em quantidade de Unidade Fiscal de Referência UFIR pelo valor desta fixado para o mês da omissão. (Incluído pela Lei nº 9.064, de 1995) (Revogado pela Lei nº 9.249, de 1995) § 4º Consideramse vencidos o imposto e as contribuições para a seguridade social na data da omissão. (Incluído pela Lei nº 9.064, de 1995) (Revogado pela Lei nº 9.249, de 1995) Art. 44. A receita omitida ou a diferença verificada na determinação dos resultados das pessoas jurídicas por qualquer procedimento que implique redução indevida do lucro líquido será considerada automaticamente recebida pelos sócios, acionistas ou titular da empresa individual e tributada exclusivamente na fonte à alíquota de 25%, sem prejuízo da incidência do imposto sobre a renda da pessoa jurídica. (Revogado pela Lei nº 9.249, de 1995) § 1° O fato gerador do imposto de renda na fonte considerase ocorrido no mês da omissão ou da redução indevida. § 1º O fato gerador do Imposto de Renda na fonte considerase ocorrido no dia da omissão ou da redução indevida. (Redação dada pela Medida Provisória nº 1.003, de 1995) § 1º O fato gerador do imposto de renda na fonte considerase ocorrido no dia da omissão ou da redução indevida. (Redação dada pela Lei nº 9.064, de 1995) (Revogado pela Lei nº 9.249, de 1995) Fl. 827DF CARF MF Processo nº 11065.003144/0035 Acórdão n.º 9101003.960 CSRFT1 Fl. 828 11 § 2° O disposto neste artigo não se aplica a deduções indevidas que, por sua natureza, não autorizem presunção de transferência de recursos do patrimônio da pessoa jurídica para o dos seus sócios.(Revogado pela Lei nº 9.249, de 1995) (grifei) Diante dos textos dos artigos 43 e 44 da Lei nº 8.541/1992, o voto vencido proclamou que a tributação do imposto de renda exclusivo na fonte não pode recair sobre a omissão de receita, verificada no curso de auditoria instaurada para examinar a regularidade tributária de contribuinte optante pelo lucro presumido, apoiandose na alteração legislativa iniciada pela Medida Provisória nº 492/1994, finalmente incorporada ao então vigente § 2º do artigo 43 da Lei nº 8.541/1992 por força da Lei nº 9.064/1995, aliandose ao fato de que não houve semelhante mudança na redação do artigo 44. Observese o voto vencido, nesse ponto: "Com efeito, o §2º do artigo 43, da Lei nº 8.541/1992 previa antes da Lei nº 9.065/1995 [rectius, Lei nº 9.064/1995]: Art. 43. Verificada omissão de receita, a autoridade tributária lançará o Imposto de Renda, à alíquota de 25%, de ofício, com os acréscimos e as penalidades de lei, considerando como base de cálculo o valor da receita omitida. § 2º O valor da receita omitida não comporá a determinação do lucro real e o imposto incidente sobre a omissão será definitivo.http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/LEIS/L9249.htm art36 Com a alteração pela Lei nº 9.065 [rectius, Lei nº 9.064/1995], o citado artigo 43 passou a dispor expressamente sobre a possibilidade da receita omitida compor a determinação também do lucro presumido ou arbitrado: Art. 43. Verificada omissão de receita, a autoridade tributária lançará o Imposto de Renda, à alíquota de 25%, de ofício, com os acréscimos e as penalidades de lei, considerando como base de cálculo o valor da receita omitida. § 2º O valor da receita omitida não comporá a determinação do lucro real, presumido ou arbitrado, nem a base de cálculo da contribuição social sobre o lucro, e o imposto e a contribuição incidentes sobre a omissão serão definitivos. A mesma ressalva não foi expressa pela Lei nº 9.065/1995 [rectius, Lei nº 9.064/1995] quando alterou o artigo 44, que trata do IRFonte. Tal fato reforça a impossibilidade de cobrança do IRFonte, o que corrobora o acerto do acórdão recorrido." (grifei) Certo que o § 2º do artigo 44 da Lei nº 8.541/1992, com a redação dada pela Lei nº 9.064/1995 (cuja origem remonta à MP nº 492/1994), prescrevia que o valor da receita omitida não podia compor "a determinação do lucro real, presumido ou arbitrado, nem a base de cálculo da contribuição social sobre o lucro, e o imposto e a contribuição incidentes sobre a omissão serão definitivos". Isso não significa que o imposto de renda exclusivo na fonte não deveria incidir sobre a omissão de receita praticada por contribuinte optante pela tributação do IRPJ com fulcro no lucro presumido. O § 2º do artigo 43 em conjunto com o caput desse artigo traduz, isso sim, um regime de tributação definitivo e separado do próprio IRPJ incidente sobre a receita omitida, à aliquota de 25%. De acordo com tal regramento, a receita omitida não deveria ser adicionada à base de cálculo do IRPJ (lucro real, presumido ou arbitrado) anteriormente apurada pelo contribuinte, para fins de recálculo do IRPJ e cobrança de eventual diferença. Fl. 828DF CARF MF Processo nº 11065.003144/0035 Acórdão n.º 9101003.960 CSRFT1 Fl. 829 12 Por outro lado, e confirmando o que se salientou adrede, o artigo 523, § 3º, do RIR/94, remetia o aplicador diretamente ao artigo 739 do mesmo Regulamento, uma vez constatada a omissão de receita do contribuinte optante pela tributação do IRPJ pelo lucro presumido: "Art. 523. A base de cálculo do imposto será determinada mediante a aplicação do percentual de 3,5% sobre a receita bruta mensal auferida na atividade, expressa em cruzeiros reais (Lei n° 8.541/92, art. 14). § 1° Nas seguintes atividades, o percentual de que trata este artigo será de (Lei n° 8.541/92, art. 14, § 1°): a) três por cento sobre a receita bruta mensal auferida na revenda de combustível; b) oito por cento sobre a receita bruta mensal auferida sobre a prestação de serviços em geral, inclusive sobre os serviços de transporte, exceto o de cargas; c) vinte por cento sobre a receita bruta mensal auferida com as atividades de: 1. prestação de serviços, cuja receita remunere essencialmente o exercício pessoal, por parte dos sócios, de profissões que dependam de habilitação profissional legalmente exigida; e 2. intermediação de negócios, da administração de imóveis, locação ou administração de bens móveis; d) 3,5% sobre a receita bruta mensal auferida na prestação de serviços hospitalares. § 2° No caso de atividades diversificadas, será aplicado o percentual correspondente a cada atividade (Lei n° 8.541/92, art. 14, § 2°). § 3° Verificada omissão de receitas, os valores serão tributados na forma dos arts. 739 e 892 (Lei n° 8.541/92, arts. 43 e 44). (grifei) Por fim, não se pode perder de vista que o artigo 62 da Lei nº 8.981/1995, originário da Medida Provisória nº 612/1994, alterou a alíquota do imposto de renda exclusivo na fonte, estabelecida pelo artigo 44 da Lei nº 8.541/1992, para 35%, a partir de 01/01/1995: "Art. 62. A partir de 1° de janeiro de 1995, a alíquota do imposto de renda na fonte de que trata o art. 44 da Lei n° 8.541, de 1992, será de 35%." Em face do exposto, conheço do apelo fazendário para, no mérito, darlhe provimento. É como voto. (assinado digitalmente) Flávio Franco Corrêa Fl. 829DF CARF MF
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Numero do processo: 13851.902719/2016-83
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Nov 28 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Jan 28 00:00:00 UTC 2019
Numero da decisão: 3402-001.577
Decisão: RESOLVEM os Membros da Segunda Turma da Quarta Câmara-Terceira Seção do CARF, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência, nos termos do voto do Relator.
(assinado digitalmente)
Waldir Navarro Bezerra-Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Waldir Navarro Bezerra (presidente da turma), Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Diego Diniz Ribeiro, Cynthia Elena de Campos, Renato Vieira de Ávila (suplente convocado), Pedro Sousa Bispo e Rodrigo Mineiro Fernandes. Ausente, justificadamente, a Conselheira Thais de Laurentiis Galkowicz.
Nome do relator: WALDIR NAVARRO BEZERRA
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(assinado digitalmente) Waldir Navarro BezerraPresidente e Relator Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Waldir Navarro Bezerra (presidente da turma), Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Diego Diniz Ribeiro, Cynthia Elena de Campos, Renato Vieira de Ávila (suplente convocado), Pedro Sousa Bispo e Rodrigo Mineiro Fernandes. Ausente, justificadamente, a Conselheira Thais de Laurentiis Galkowicz. RELATÓRIO Trata o presente processo de Pedido de Restituição (PER) indeferido em decorrência do crédito alegado não estar disponível, por se encontrar o valor do DARF recolhido vinculado a um débito declarado. Cientificada, a contribuinte interpôs manifestação de inconformidade solicitando a revisão do despacho decisório, tendo em vista que retificou a DCTF do respectivo período de apuração. Alega que diversos pagamentos de PIS/Pasep e de Cofins “foram recolhidos indevidamente, de acordo com a Lei n° 10.925, de 2004, artigo 1o, inciso XVIII – Solução de Consulta Cosit de 29/06/2016, na qual determina a redução para zero das alíquotas incidentes”. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 38 51 .9 02 71 9/ 20 16 -8 3 Fl. 241DF CARF MF Processo nº 13851.902719/201683 Resolução nº 3402001.577 S3C4T2 Fl. 3 2 Ato contínuo, a DRJCURITIBA (PR) julgou a manifestação de inconformidade improcedente, face a ausência de provas capazes de comprovar a ocorrência do pagamento indevido ou a maior. Em seguida, devidamente notificada, a Recorrente interpôs o presente recurso voluntário pleiteando a reforma do acórdão. Neste Recurso, a Empresa repisou os mesmos argumentos apresentados na sua Impugnação e juntou aos autos as notas fiscais eletrônicas de vendas. É o relatório. .VOTO Conselheiro Waldir Navarro Bezerra O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido n Resolução 3402001.553 de 28 de novembro de 2018, proferido no julgamento do processo 13851.902626/201659, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevemse, como solução deste litígio, nos termos regimentais, os entendimentos que prevaleceram naquela decisão (Resolução 3402001.553): "O Recurso Voluntário é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, razão pela qual dele se deve conhecer. Conforme se infere do Relatório, o caso trata de pedido de compensação de indeferido pela Autoridade Tributária porque a empresa não apresentou provas suficientes para demonstrar a existência do seu direito creditório. Na Impugnação, embora a empresa tenha trazido aos autos cópias da DCTF e DACON retificadores demonstrando que nenhum valor de COFINS era devida no período, a Autoridade Julgadora entendeu que para poder se aceitar o valor indicado na DCTF e no Dacon retificadores, o Contribuinte deveria provar a correção das informações retificadas com base em documentação hábil e idônea. Informa ainda que as provas adequadas a comprovar a correção da retificação efetuada devem ser feitas com base na escrituração contábil e fiscal da empresa. No Recurso Voluntário, a Recorrente informa que atua no comércio de produtos alimentícios em embalagens fechadas, comercializando massas preparadas para pizzas, não recheadas, denominadas “Crock Pizza" ou "Wrap Crock”. Ainda informa que tais produtos, classificados na posição NCM 1902, estão sujeitos a alíquota zero para a contribuição à COFINS, conforme determina o art., 1°, inciso XVIII, Lei n° 10.925, de 23 de julho de 2004. Além disso, juntou aos autos várias notas fiscais eletrônicas de venda das mercadorias citadas (fls.33 a 134). Fl. 242DF CARF MF Processo nº 13851.902719/201683 Resolução nº 3402001.577 S3C4T2 Fl. 4 3 Como se sabe, no caso de processos de compensação, restituição ou ressarcimento, cabe ao Contribuinte provar o direito creditório que alega. Ele deve trazer aos autos os elementos probatórios correspondentes que demonstrem a liquidez e certeza do crédito. Isso é o que se conclui do art. 373, inciso I, do Código de Processo Civil – CPC, aplicado subsidiariamente ao processo administrativo fiscal Decreto nº 70.235/72 (PAF): Art. 373. O ônus da prova incumbe: I ao autor, quanto ao fato constitutivo do seu direito; [...]No entanto, apesar da legislação atribuir a recorrente a prova do seu direito, no caso ora analisado, constatase que o problema identificado nas notas fiscais de entrada da empresa pode ter se dado não por culpa sua, mas de um terceiro, no caso o seu fornecedor, que inclusive admitiu o equívoco cometido. Dessa forma, não seria justificável a empresa arcar com as consequências de um possível equívoco que não teve culpa. No presente caso, com a juntada das notas fiscais de vendas, há indícios fortes de que as receitas de vendas da empresa estão sujeitas à alíquota zero, entretanto as provas juntadas ainda não são suficientemente hábeis para se atestar que todas as receitas da empresa se sujeitam a esse benefício fiscal, necessitando, por isso, uma verificação adicional a fim de conferir se a empresa não possui outras receitas de natureza diferente daquelas constantes nas notas fiscais apresentadas. Assim, em homenagem ao princípio da busca da verdade material, converto o presente julgamento em diligência, de acordo com os quesitos abaixo: a) juntar a escrituração contábil da empresa que demonstre o total das receitas auferidas no período analisado; b) informar se no período a empresa realizou outras vendas de produtos sujeitos à incidência da COFINS; c) elaborar planilha de apuração da COFINS devida no período; d) realizar qualquer outra verificação que julgar necessária para atingir os objetivos da diligência; e) intimar a Recorrente no prazo de trinta dias para se pronunciar sobre os resultados obtidos, nos termos do parágrafo único do artigo 35 do Decreto nº 7.574/2011. Concluída a diligência, os autos deverão retornar a este Colegiado para que se dê prosseguimento ao julgamento." Importa registrar que nos autos ora em apreço, a situação fática e jurídica encontra correspondência com a verificada no paradigma, de tal sorte que o entendimento lá esposado pode ser perfeitamente aqui aplicado. Fl. 243DF CARF MF Processo nº 13851.902719/201683 Resolução nº 3402001.577 S3C4T2 Fl. 5 4 Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado decidiu converter o presente processo em diligência de acordo com os quesitos abaixo: a) juntar a escrituração contábil da empresa que demonstre o total das receitas auferidas no período analisado; b) informar se no período a empresa realizou outras vendas de produtos sujeitos à incidência da COFINS; c) elaborar planilha de apuração da COFINS devida no período; d) realizar qualquer outra verificação que julgar necessária para atingir os objetivos da diligência; e) intimar a Recorrente no prazo de trinta dias para se pronunciar sobre os resultados obtidos, nos termos do parágrafo único do artigo 35 do Decreto nº 7.574/2011. Concluída a diligência, os autos deverão retornar a este Colegiado para que se dê prosseguimento ao julgamento." (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra Fl. 244DF CARF MF
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