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Numero do processo: 11516.720289/2015-88
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Dec 11 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Jan 30 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2012
UNIFICAÇÃO DE PROCESSOS ADMINISTRATIVOS. AUTOS DE IRPJ E CSLL. NECESSIDADE DE ARGUIÇÃO DESDE A IMPUGNAÇÃO. ALEGAÇÃO SOMENTE EM RECURSO VOLUNTÁRIO INTEMPESTIVO
Serão objeto de um único processo administrativo as exigências de crédito tributário do mesmo sujeito passivo, formalizadas com base nos mesmos elementos de prova, referentes ao Imposto sobre a Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ) e à Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL) (Portaria RFB nº 1668, de 29/11/2016, art. 2º, inc. I, alínea "a"). Todavia, a falta dessa arguição em Impugnação e a alegação somente em sede de Recurso Voluntário intempestivo, impossibilita o acolhimento do pedido.
Numero da decisão: 1302-003.280
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer dos embargos e acolhê-los, sem efeitos infringentes, nos termos do relatório e voto do relator.
(assinado digitalmente)
Luiz Tadeu Matosinho Machado - Presidente
(assinado digitalmente)
Rogério Aparecido Gil - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Cesar Candal Moreira Filho, Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa, Paulo Henrique Silva Figueiredo, Rogério Aparecido Gil, Maria Lucia Miceli, Gustavo Guimarães da Fonseca, Flávio Machado Vilhena Dias, Luiz Tadeu Matosinho Machado (Presidente).
Nome do relator: ROGERIO APARECIDO GIL
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Ano-calendário: 2012 UNIFICAÇÃO DE PROCESSOS ADMINISTRATIVOS. AUTOS DE IRPJ E CSLL. NECESSIDADE DE ARGUIÇÃO DESDE A IMPUGNAÇÃO. ALEGAÇÃO SOMENTE EM RECURSO VOLUNTÁRIO INTEMPESTIVO Serão objeto de um único processo administrativo as exigências de crédito tributário do mesmo sujeito passivo, formalizadas com base nos mesmos elementos de prova, referentes ao Imposto sobre a Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ) e à Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL) (Portaria RFB nº 1668, de 29/11/2016, art. 2º, inc. I, alínea "a"). Todavia, a falta dessa arguição em Impugnação e a alegação somente em sede de Recurso Voluntário intempestivo, impossibilita o acolhimento do pedido.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer dos embargos e acolhê-los, sem efeitos infringentes, nos termos do relatório e voto do relator. (assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado - Presidente (assinado digitalmente) Rogério Aparecido Gil - Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Cesar Candal Moreira Filho, Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa, Paulo Henrique Silva Figueiredo, Rogério Aparecido Gil, Maria Lucia Miceli, Gustavo Guimarães da Fonseca, Flávio Machado Vilhena Dias, Luiz Tadeu Matosinho Machado (Presidente).
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UNIFICAÇÃO DE PROCESSOS. INTEMPESTIVIDADE DO RECURSO VOLUNTÁRIO. NÃO CONHECIMENNTO. OMISSÃO DO ACÓRDÃO Embargante BRF S/A Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2012 UNIFICAÇÃO DE PROCESSOS ADMINISTRATIVOS. AUTOS DE IRPJ E CSLL. NECESSIDADE DE ARGUIÇÃO DESDE A IMPUGNAÇÃO. ALEGAÇÃO SOMENTE EM RECURSO VOLUNTÁRIO INTEMPESTIVO Serão objeto de um único processo administrativo as exigências de crédito tributário do mesmo sujeito passivo, formalizadas com base nos mesmos elementos de prova, referentes ao Imposto sobre a Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ) e à Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL) (Portaria RFB nº 1668, de 29/11/2016, art. 2º, inc. I, alínea "a"). Todavia, a falta dessa arguição em Impugnação e a alegação somente em sede de Recurso Voluntário intempestivo, impossibilita o acolhimento do pedido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer dos embargos e acolhêlos, sem efeitos infringentes, nos termos do relatório e voto do relator. (assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado Presidente (assinado digitalmente) Rogério Aparecido Gil Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 51 6. 72 02 89 /2 01 5- 88 Fl. 1253DF CARF MF Processo nº 11516.720289/201588 Acórdão n.º 1302003.280 S1C3T2 Fl. 3 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Cesar Candal Moreira Filho, Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa, Paulo Henrique Silva Figueiredo, Rogério Aparecido Gil, Maria Lucia Miceli, Gustavo Guimarães da Fonseca, Flávio Machado Vilhena Dias, Luiz Tadeu Matosinho Machado (Presidente). Relatório Tratase de Embargos de Declaração da Contribuinte opostos face ao Acórdão nº 1302002.614 por meio do qual o Colegiado não conheceu do recurso voluntário, recebendo a seguinte ementa: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Ano calendário: 2002 RECURSO VOLUNTÁRIO. IMPOSSIBILIDADE DE CONHECIMENTO. INTEMPESTIVIDADE A falta de interposição de recurso voluntário no prazo regulamentar de 30 dias (Decreto n° 70.235/1972, art. 33) implica o não conhecimento do recurso voluntário. O resultado de julgamento foi assim registrado: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar as preliminares de nulidade suscitadas e em não conhecer do recurso voluntário, nos termos do relatório e voto do relator. Declarouse impedido o conselheiro Jose Roberto Adelino da Silva. O Despacho de Admissibilidade destacou os seguintes pontos dos Embargos: Em síntese, a embargante alega que houve omissões, contradições, abaixo resumidas: 1 Da contradição entre a ementa e os fatos ocorridos: erro na Indicação do AnoCalendário; 2 Da Omissão constante da Ementa; 3 Da Contradição entre o Acórdão e o Resultado do Julgamento; 4 Omissão Quanto à Análise do Tópico do Recurso Voluntário; 5 Lei 13.655/2018: Fato novo necessidade de aplicação imediata ao caso concreto; 6 Lei 13.655/2018: Fato novo necessidade de aplicação imediata ao caso. Em conclusão, apenas um tópico dos Embargos foi admitido, nos seguintes termos: Tendo em vista todo o exposto, e nos termos do art. 65, §§ 1° e 3°, do Anexo II do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF n° 343/2015, ADMITO Fl. 1254DF CARF MF Processo nº 11516.720289/201588 Acórdão n.º 1302003.280 S1C3T2 Fl. 4 3 PARCIALMENTE os presentes embargos opostos pelos sujeitos passivos, a fim de que sejam submetidas à apreciação da Turma apenas o vício apontado no tópico 5 (Omissão Quanto à Análise do Tópico II.2 do Recurso Voluntário) e REJEITO, em caráter definitivo, os demais vícios apontados (Tópicos 1 a 4 e Tópico 6). Analisando essa conclusão do Despacho de Admissibilidade, identifiquei que, em realidade o tópico admitido diz respeito ao item 4 Omissão Quanto à Análise do Tópico II.1 do Recurso Voluntário. O item 5 foi rejeitado. Assim, o tópico admitido foi tratado no Despacho de Admissibilidade, nos seguintes termos: 4 Omissão Quanto à Análise do Tópico II.1 do Recurso Voluntário A embargante assim procura demonstrar esta omissão: 4 Omissão Quanto à Análise do Tópico II.1 do Recurso Voluntário Igualmente, quando da análise das demais razões expostas no voto do eminente relator, verificase clara omissão no tocante à ausência de análise de tópico preliminar do Recurso Voluntário, a saber: "II. 1 Da Nulidade do Termo de Perempção Apresentação Tempestiva do Recurso Voluntário". Este tópico do recurso voluntário, assim como o tratado acima, é autônomo e capaz de, ao menos, anular a decisão da DRJ, já que, se acolhido, tornará nulo o procedimento adotado desde a fiscalização. Nessa linha, este tópico merece constar expressamente do voto do acórdão, já que os argumentos aduzidos no Recurso Voluntário acerca da aplicação dos termos da Portaria RFB n° 666/2008 levam a conclusão de que os autos de infração de IRPJ e de CSLL devem ser objetos de um único processo administrativo. De fato, mencionese, inclusive, que os autos de infração foram objeto de um mesmo Mandado de Procedimento Fiscal. Vejase: (...) Todavia, muito embora toda a argumentação desenvolvida pela Embargante neste tópico preliminar do Recurso Voluntário que ora se ratifica , o voto do acórdão embargado não o enfrentou, devendo ser complementado pelo colegiado. Inclusive, ressaltese, caso essa matéria preliminar fosse devidamente apreciada e julgada, não seria o caso de se cogitar sobre a intempestividade do Recurso Voluntário protocolado, uma vez que se trata de tema regulado por norma expedida pela própria Secretaria da Receita Federal (Portaria n° 666/2008), que não foi observada no presente lançamento. Dessa forma, resta clara a omissão na qual incorreu o acórdão embargado, sendo a matéria mais que apta a alterar a conclusão adotada pelo órgão julgador. De fato, a embargante tem razão. Tratase de matéria que diz respeito a própria intempestividade, constante do Recurso voluntário e como tal deveria ter sido enfrentada pela Turma. O voto restringiuse a declarar a intempestividade do recurso, nos seguintes termos: Fl. 1255DF CARF MF Processo nº 11516.720289/201588 Acórdão n.º 1302003.280 S1C3T2 Fl. 5 4 Voto Em cumprimento às referidas normas que estabelecem prazo de 30 dias da intimação para a interposição de recurso voluntário e à vista do não cumprimento, em específico, voto pelo não conhecimento do recurso voluntário, com base nas demonstrações retro, as quais indicam que é intempestiva a sua interposição. (... ) [A seguir o voto passa a tratar de outra preliminar de ordem pública levantada pela defesa] É verdade que conforme jurisprudência pacífica, o órgão julgador não está obrigado a se manifestar sobre todos os pedidos e argumentos suscitados pelas partes quando já tenha encontrado motivo suficiente para sustentar sua decisão. Mas este não é o caso, pois tratase de defesa quanto ao próprio cerne da tempestividade, que em tese poderia mudar o destino do julgamento. E sendo assim, sobre essa temática a Turma deveria ter se pronunciado, conferindo completude ao provimento jurisdicional em todos os seus aspectos relevantes. Pelo exposto, em juízo prelibatório, não há como dizer que a omissão apontada é manifestamente improcedente ou que não foi objetivamente apontada. Portanto, ACOLHO este item dos embargos para que seja submetido à Turma julgadora. É o relatório. Voto Conselheiro Rogério Aparecido Gil Relator Nos termos do Despacho de Admissibilidade, os Embargos de Declaração da Contribuinte são tempestivos e foram parcialmente admitidos. Na forma relatada, admitiramse somente as alegações de omissão no que diz respeito aos fundamentos da conclusão quanto à intempestividade do Recurso Voluntário e em relação à aplicação, ao caso, da Portaria RFB nº 666/2008, revogada pela Portaria RFB nº 354/2016 e revogada pela Portaria RFB nº 1668, de 29 de novembro de 2016 que, dispõe sobre a formalização de processos, por meio das quais a Embargante sustenta que a fiscalização não poderia ter constituído dois processos administrativos, mas deveria ter incluído os autos de infração (IRPJ e CSLL) em um único PAF. Sobre esses pontos específicos, vejase o que consignou o relatório do Acórdão embargado: (...) Todavia, há neste processo (IRPJ) questão particular que deve ser tratada, já de início, que diz respeito à intempestividade da interposição do recurso voluntário desse caso, como segue. Fl. 1256DF CARF MF Processo nº 11516.720289/201588 Acórdão n.º 1302003.280 S1C3T2 Fl. 6 5 Conforme Termo de Abertura de Mensagem (fl. 1049), registrada na Caixa Postal da Recorrente (eCAC, Domicílio Tributário Eletrônico – DTE), em 08/07/2016, a Recorrente acessou a Intimação para Ciência do Acórdão e Intimação para interpor recurso voluntário. Todavia, não houve a interposição de recurso voluntário no prazo regulamentar de 30 dias (Decreto nº 70.235/1972, art. 33). Lavrouse, assim, Termo de Perempção (fl. 1050), juntado aos autos, em 24/08/2016. Somente, em 26/08/2016 (fls. 105 a 1107), a Recorrente protocolou neste processo, recurso voluntário. No entanto, alegou preliminarmente que seria nulo o Termo de Perempção, pelo fato de que, em realidade, teria interposto recurso voluntário em 04/08/2016, só que nos autos do referido PAF nº 11516.720291/201557 (CSLL). A Recorrente fundamentou tal procedimento nas normas estabelecidas pela Portaria RFB nº 666/2008, revogada pela Portaria RFB nº 354/2016 e revogada pela Portaria RFB nº 1668, de 29 de novembro de 2016 que, dispõe sobre a formalização de processos relativos a tributos administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB), cujo teor foi a seguir transcrito foi mantido pela nova e vigente portaria, em seu art. 2º, inciso I, alínea ‘a’. Portaria RFB nº 1668, de 29 de novembro de 2016 Art. 2º Serão objeto de um único processo administrativo: I as exigências de crédito tributário do mesmo sujeito passivo, formalizadas com base nos mesmos elementos de prova, referentes: a) ao Imposto sobre a Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ) e à Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL); Não obstante tais orientações para a formalização de processos administrativos unificados, verificase que, no caso, cadastraramse dois processos, um para cada tributo: IRPJ e CSLL. Em cada processo houve intimação individualizada para ciência e apresentação de recurso. Em momento algum a Recorrente insurgiu quanto à necessidade de se unificar os processos em cumprimento às referidas Portarias. Somente, diante do protocolo do Recurso Voluntário, após o prazo legal de 30 dias da intimação do acórdão recorrido, recorreuse a tais orientações das Portarias. Verificase, portanto, que o trecho retro transcrito do voto em questão, não contemplou todos esses fundamentos, unicamente para não ser repetitivo. Pois, logo acima, o relatório havia consignado toda a fundamentação com base na qual concluiuse por não conhecer do Recurso Voluntário por ser intempestivo. De qualquer forma, para sanar a alegada omissão, integro os fundamentos acima transcritos ao voto do Acórdão embargado, de modo que a arguição, somente em sede de Recurso Voluntário, quanto á necessidade de unificação dos processos administrativos fiscais, ainda que o Recurso Voluntário fosse tempestivo, estaria preclusa pelo fato de não ter sido sustentada na Impugnação. Com base em tais fundamentos, voto por acolher os Embargos para sanar a referida omissão. Porém, sem efeitos infringentes. Fl. 1257DF CARF MF Processo nº 11516.720289/201588 Acórdão n.º 1302003.280 S1C3T2 Fl. 7 6 (assinado digitalmente) Rogério Aparecido Gil Fl. 1258DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10855.003696/2007-11
Turma: Terceira Turma Extraordinária da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Dec 06 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Jan 09 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Ano-calendário: 2006
MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DA DCTF. DENÚNCIA ESPONTÂNEA.
Mantêm-se a aplicação da multa por atraso na entrega da Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais quando inexistirem razões previstas em lei ou normas que, diante das razões apresentadas pela Recorrente, justifiquem e permitam o afastamento da mesma.
Ademais, trata-se de questão objeto da Súmula CARF nº 49: "A denúncia espontânea (art. 138 do Código Tributário Nacional) não alcança a penalidade decorrente do atraso na entrega de declaração".
Numero da decisão: 1003-000.337
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
CARMEN FERREIRA SARAIVA - Presidente.
(assinado digitalmente)
Mauritânia Elvira de Sousa Mendonça - Relatora
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Carmen Ferreira Saraiva (Presidente), Bárbara Santos Guedes, Sérgio Abelson e Mauritânia Elvira de Sousa Mendonça.
Nome do relator: MAURITANIA ELVIRA DE SOUSA MENDONCA
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ementa_s : Assunto: Obrigações Acessórias Ano-calendário: 2006 MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DA DCTF. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. Mantêm-se a aplicação da multa por atraso na entrega da Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais quando inexistirem razões previstas em lei ou normas que, diante das razões apresentadas pela Recorrente, justifiquem e permitam o afastamento da mesma. Ademais, trata-se de questão objeto da Súmula CARF nº 49: "A denúncia espontânea (art. 138 do Código Tributário Nacional) não alcança a penalidade decorrente do atraso na entrega de declaração".
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) CARMEN FERREIRA SARAIVA - Presidente. (assinado digitalmente) Mauritânia Elvira de Sousa Mendonça - Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Carmen Ferreira Saraiva (Presidente), Bárbara Santos Guedes, Sérgio Abelson e Mauritânia Elvira de Sousa Mendonça.
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DENÚNCIA ESPONTÂNEA. Mantêmse a aplicação da multa por atraso na entrega da Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais quando inexistirem razões previstas em lei ou normas que, diante das razões apresentadas pela Recorrente, justifiquem e permitam o afastamento da mesma. Ademais, tratase de questão objeto da Súmula CARF nº 49: "A denúncia espontânea (art. 138 do Código Tributário Nacional) não alcança a penalidade decorrente do atraso na entrega de declaração". Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) CARMEN FERREIRA SARAIVA Presidente. (assinado digitalmente) Mauritânia Elvira de Sousa Mendonça Relatora AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 85 5. 00 36 96 /2 00 7- 11 Fl. 52DF CARF MF 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Carmen Ferreira Saraiva (Presidente), Bárbara Santos Guedes, Sérgio Abelson e Mauritânia Elvira de Sousa Mendonça. Relatório Tratase de recurso voluntário interposto pela Recorrente por discordar do acórdão de nº 1423.284, de 22 de abril de 2009, proferido pela 1ª Turma da DRJ/RPO, às fls. 2022, julgando procedente o lançamento a título de multa por atraso na entrega da Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais DCTF referente ao anocalendário 2006, nos moldes da ementa abaixo transcrita: Assunto: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Anocalendário: 2006 . ENTREGA FORA DO PRAZO DCTF DENÚNCIA ESPONTÂNEA INOCORRÊNCIA. Não há denúncia espontânea quando o contribuinte apresenta, com atraso, a DCTF. O art. 138 do CTN não se aplica às penalidades pelo descumprimento de obrigações acessórias. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. Tratandose de ato puramente formal e de obrigação acessória sem relação direta com a ocorrência de fato gerador, o atraso na entrega da DCTF não encontra guarida no instituto da exclusão de responsabilidade pela denúncia espontânea. Lançamento Procedente Inconformada com a decisão, a Recorrente apresentou recurso voluntário, fls. 2832, requerendo sua reforma, e, para tanto, argumentou, em síntese, a insubsistência do lançamento por ter ficada caracterizada a ocorrência de denúncia espontânea, vez que , in casu, tal instituto pode ser reconhecido nem a necessidade de pagamento de tributo, porque não haveria valor a recolher em decorrência da infração cometida, conjugando a interpretação dos arts. 138 e 113 do Código Tributário Nacional. É o relatório. Voto Conselheira Mauritânia Elvira de Sousa Mendonça, Relatora. O recurso voluntário apresentado pela Recorrente atende aos requisitos de admissibilidade previstos nas normas de regência, em especial no Decreto nº 70.235/72. Assim, dele tomo conhecimento ante sua tempestividade. Em suas razões recursais, a Recorrente, basicamente, trouxe os mesmos argumentos apresentados em sua impugnação, buscando socorrerse nos artigos 138 e 113 do Código Tributário Nacional. Ocorre que, o procedimento fiscal foi efetuado nos estritos termos legais, ao qual agente público está plenamente vinculado, nos termos do art. 3° e parágrafo único do art. Fl. 53DF CARF MF Processo nº 10855.003696/200711 Acórdão n.º 1003000.337 S1C0T3 Fl. 53 3 142 do Código Tributário Nacional e art. 37 da Constituição Federal, logo, a decisão recorrida não merece reforma. Isso porque o afastamento das penalidades em função da denúncia espontânea não ocorre quando a causa da penalidade é o descumprimento de uma conduta meramente formal, como nos casos de entrega, com atraso, da Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais DCTF . E, nos autos está comprovado que a Recorrente, de fato, descumpriu a obrigação de entregar a DCTF no prazo regulamentar, tanto que ela nem questiona isso. Sendo assim, como não existe na lei dispensa do pagamento de multa por atraso na entrega da referida declaração, restou evidenciado que a sanção foi aplicada de acordo com o determinado na legislação tributária pertinente e que fundamentou o lançamento. Ademais, a Recorrente afirma que o instituto da denúncia espontânea alcança a penalidade decorrente do atraso na entrega da declaração: O Código Tributário Nacional (CTN) prevê: Art. 138. A responsabilidade é excluída pela denúncia espontânea da infração, acompanhada, se for o caso, do pagamento do tributo devido e dos juros de mora, ou do depósito da importância arbitrada pela autoridade administrativa, quando o montante do tributo dependa de apuração. Parágrafo único. Não se considera espontânea a denúncia apresentada após o início de qualquer procedimento administrativo ou medida de fiscalização, relacionados com a infração. Todavia, a Recorrente a questão é objeto da Súmula CARF nº 49, abaixo transcrita, com entendimento vinculante na administração tributária federal determinado pela Portaria MF nº 277, de 7 de junho de 2018: Súmula CARF nº 49: A denúncia espontânea (art. 138 do Código Tributário Nacional) não alcança a penalidade decorrente do atraso na entrega de declaração. Pelo exposto, voto no sentido de negar provimento ao recurso e manter o crédito tributário lançado. (assinado digitalmente) Mauritânia Elvira de Sousa Mendonça Fl. 54DF CARF MF 4 Fl. 55DF CARF MF
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Numero do processo: 16327.909846/2011-25
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Nov 27 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Jan 14 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Data do fato gerador: 31/12/2000
COFINS. BASE DE CÁLCULO.
No regime cumulativo, a base de cálculo do PIS e da Cofins é o faturamento do contribuinte, entendido como a receita bruta da venda de mercadorias e da prestação de serviços, originária da atividade típica da empresa, em consonância com o seu objeto social.
Numero da decisão: 3201-004.438
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, pelo voto de qualidade: a) indeferir a realização de diligência suscitada pela conselheira Tatiana Josefovicz Belisario, que foi acompanhada dos conselheiros Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laercio Cruz Uliana Junior; b) rejeitar a preliminar de nulidade e, no mérito, negar provimento ao Recurso Voluntário, vencida a conselheira Tatiana Josefovicz Belisario, que entendeu que se deveria afastar a incidência das receitas não operacionais, conforme definição do Plano de Contas Cosif, e os conselheiros Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laercio Cruz Uliana Junior, que lhe deram provimento parcial em maior extensão, para também excluir da base de cálculo as receitas decorrentes da aplicação de recursos próprios.
(assinatura digital)
Charles Mayer de Castro Souza - Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza (Presidente), Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisario, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade, Laercio Cruz Uliana Junior e Orlando Rutigliani Berri (suplente convocado para substituir o conselheiro Leonardo Correia Lima Macedo).
Nome do relator: CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA
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ALARGAMENTO DA BASE DE CÁLCULO. INSTITUIÇÕES FINANCEIRAS. Recorrente BANCO BRADESCO BBI S.A. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Data do fato gerador: 31/12/2000 COFINS. BASE DE CÁLCULO. No regime cumulativo, a base de cálculo do PIS e da Cofins é o faturamento do contribuinte, entendido como a receita bruta da venda de mercadorias e da prestação de serviços, originária da atividade típica da empresa, em consonância com o seu objeto social. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, pelo voto de qualidade: a) indeferir a realização de diligência suscitada pela conselheira Tatiana Josefovicz Belisario, que foi acompanhada dos conselheiros Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laercio Cruz Uliana Junior; b) rejeitar a preliminar de nulidade e, no mérito, negar provimento ao Recurso Voluntário, vencida a conselheira Tatiana Josefovicz Belisario, que entendeu que se deveria afastar a incidência das receitas não operacionais, conforme definição do Plano de Contas Cosif, e os conselheiros Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laercio Cruz Uliana Junior, que lhe deram provimento parcial em maior extensão, para também excluir da base de cálculo as receitas decorrentes da aplicação de recursos próprios. (assinatura digital) Charles Mayer de Castro Souza Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza (Presidente), Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisario, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Vinicius Toledo de AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 32 7. 90 98 46 /2 01 1- 25 Fl. 143DF CARF MF Processo nº 16327.909846/201125 Acórdão n.º 3201004.438 S3C2T1 Fl. 3 2 Andrade, Laercio Cruz Uliana Junior e Orlando Rutigliani Berri (suplente convocado para substituir o conselheiro Leonardo Correia Lima Macedo). Relatório Trata o presente processo de Pedido de Restituição de crédito de COFINS, com lastro em pagamento efetuado indevidamente ou a maior que o devido, segundo informado no PER/Dcomp. A Deinf São Paulo indeferiu o pedido por meio de despacho decisório eletrônico, já que o pagamento indicado no PER/Dcomp teria sido integralmente utilizado para quitar débito declarado pelo contribuinte. Cientificado do despacho decisório, o contribuinte apresentou manifestação de inconformidade alegando que antes do pleito ser indeferido deveria ter sido intimado a prestar esclarecimentos, pois o Pedido de Restituição seria referente à parcela do alargamento da base de cálculo das Contribuições para o PIS/Pasep e Cofins, implementada pela Lei nº 9.718/98 e julgada inconstitucional pelo STF. Afirmou que o STF já teria declarado a inconstitucionalidade da ampliação da base de cálculo do PIS e da Cofins nos Recursos Extraordinários nº 346.084, 357.390, 358.273 e 390.840. Defendeu que o conceito de faturamento não seria alterado em função do objeto social da empresa e que o STF teria reconhecido que o PIS e a Cofins só poderiam incidir sobre o faturamento, entendido como a receita bruta das vendas de mercadorias e de serviços. Argumentou que não haveria qualquer identidade entre tal conceito de faturamento e sua atividade principal. Ressaltou que qualquer empresa auferiria receitas financeiras em função do fluxo de caixa. Afirmou que a questão estaria sendo apreciada pelo STF, nos autos do Recurso Extraordinário nº 609.096 e que por tal motivo, o presente processo também deveria ser sobrestado, conforme os arts. 62A, §§ 1º e 2º do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais. Alternativamente, caso as receitas financeiras de instituições financeiras fossem entendidas como receita de prestação de serviços, pleiteou o deferimento parcial do pleito, argumentando que as receitas financeiras decorrentes da aplicação de seus recursos Fl. 144DF CARF MF Processo nº 16327.909846/201125 Acórdão n.º 3201004.438 S3C2T1 Fl. 4 3 próprios ou de terceiros não deveriam compor a base de cálculo do PIS e da Cofins, quando não houvesse intermediação financeira. O interessado alegou que além de auferir receitas decorrentes da prestação de serviços bancários, praticaria operações de interesse próprio, como aplicação de seu capital de giro e do capital de terceiros, remuneração de depósitos compulsórios realizados junto ao Banco Central e aplicações próprias. Tais operações não estariam incluídas no conceito de faturamento e não integrariam a base de cálculo do PIS e da Cofins. Concluiu requerendo a procedência da manifestação de inconformidade e a reforma do despacho decisório, com o conseqüente deferimento do Pedido de Restituição. A 5ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Ribeirão Preto julgou improcedente a manifestação de inconformidade, proferindo o Acórdão DRJ/RPO n.º 14063.165, de 30/09/2016, assim ementado: ASSUNTO: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins Data do fato gerador: 31/12/2000 PIS E COFINS. BASE DE CÁLCULO. INSTITUIÇÕES FINANCEIRAS. A declaração de inconstitucionalidade do § 1º do art. 3º da Lei 9.718/1998 não alcança as receitas típicas das instituições financeiras. As receitas oriundas da atividade operacional (receitas financeiras) compõem o faturamento das instituições financeiras e há incidência das contribuições ao PIS e Cofins sobre este tipo de receita, pois elas são decorrentes do exercício de suas atividades empresariais típicas. JUROS SOBRE CAPITAL PRÓPRIO. EXCLUSÃO. IMPOSSIBILIDADE. Os juros sobre o capital próprio auferidos pela sociedade empresarial decorrentes da participação no patrimônio liquido de outras sociedades constituem receita de natureza financeira, própria da entidade, distinguindose do interesse do seus sócios. DEPÓSITO COMPULSÓRIO. RECEITA OPERACIONAL. O depósito compulsório rentável é uma fonte permanente de receita da instituição financeira e, como tal, é tratase de receita operacional, tanto quanto as operações de crédito, não fazendo sentido isentar a instituição financeira do ganho obtido com a remuneração destes depósitos que, ademais, envolve recursos de clientes depositados no banco. DESPACHO DECISÓRIO ELETRÔNICO. FUNDAMENTAÇÃO. CERCEAMENTO DE DEFESA. Na medida em que o despacho decisório que indeferiu a restituição requerida teve como fundamento fático a verificação Fl. 145DF CARF MF Processo nº 16327.909846/201125 Acórdão n.º 3201004.438 S3C2T1 Fl. 5 4 dos valores objeto de declarações do próprio sujeito passivo, não há que se falar em cerceamento de defesa. DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA. Incumbe ao sujeito passivo a demonstração, acompanhada das provas hábeis, da composição e a existência do crédito que alega possuir junto à Fazenda Nacional para que sejam aferidas sua liquidez e certeza pela autoridade administrativa. RESTITUIÇÃO. AUSÊNCIA DE SALDO A RESTITUIR. Verificado que o crédito pleiteado foi totalmente utilizado em momento anterior para quitação de débitos declarados em DCTF, resta impossibilitada a restituição por ausência de saldo. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 31/12/2000 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. SOBRESTAMENTO. IMPOSSIBILIDADE. Inexiste a figura do sobrestamento de processo administrativo. O princípio da oficialidade obriga a administração a impulsionar o processo até sua decisão final. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Irresignada, a contribuinte apresentou, no prazo legal, recurso voluntário por meio do qual repete as mesmas alegações de defesa já declinadas em sua manifestação de inconformidade. É o relatório. Voto Conselheiro Charles Mayer de Castro Souza, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3201004.423, de 28/11/2018, proferido no julgamento do processo 16327.909418/201101, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3201004.423): Fl. 146DF CARF MF Processo nº 16327.909846/201125 Acórdão n.º 3201004.438 S3C2T1 Fl. 6 5 "Presentes os demais requisitos de admissibilidade, entendemos que o recurso deve ser conhecido. A Recorrente apresentou e teve indeferido pedido eletrônico de restituição de crédito decorrente de pagamento a maior da Cofins, apurada em maio de 2000, ao fundamento de que, a partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP, localizouse pagamento integralmente utilizado para quitação de débitos do contribuinte, não restando saldo disponível para a restituição requerida. Em sua primeira peça de defesa, alega que devia ter sido intimada a apresentar esclarecimentos e documentos a respeito do crédito a ser restituído (cita atos normativos da RFB e a Lei nº 9.784, de 1999), e que a não retificação de DCTF não fulmina o seu direito. Com efeito, sabese que a só falta de retificação da DCTF, notadamente quando feita após a prolação do Despacho Decisório, não obsta o reconhecimento crédito, desde que venha acompanhada de informações e/ou documentos necessários à comprovação do valor reclamado. Não há, todavia, a necessidade da intimação prévia, quando a repartição fiscal já detém as informações necessárias à apreciação do pedido. Aplicável aqui, por analogia, a Súmula CARF nº 46, segundo a qual "O lançamento de ofício pode ser realizado sem prévia intimação ao sujeito passivo, nos casos em que o Fisco dispuser de elementos suficientes à constituição do crédito tributário". (Vinculante, conforme Portaria MF nº 277, de 07/06/2018, DOU de 08/06/2018). A matéria sobre se as receitas das instituições financeiras – as originadas da realização de sua atividade principal – se enquadram no conceito de receitas financeiras (não de faturamento), é objeto do Recurso Extraordinário – RE n.º 609.096/RS (ainda não decido), no qual o Supremo Tribunal Federal STF reconheceu a existência de repercussão geral. Todavia, quando o STF considerou incompatível com o então Texto Constitucional a ampliação da base de cálculo do PIS/Cofins (§ 1º do art. 3º da Lei n.º 9.718, de 1998), pacificou o entendimento de que o faturamento de fato correspondia apenas à receita bruta das vendas de mercadorias e da prestação de serviços (Rel. p/ Acórdão Min. Marco Aurélio Mello, RE 346.084, DJ de 1/09/2006). Mas alguns votos dos ministros que participaram do julgamento indicaram o verdadeiro sentido que a esta expressão deve ser conferido. Segundo o Min. Cezar Peluso, acompanhado pelo Min. Sepúlveda Pertence: Faturamento nesse sentido, isto é, entendido como resultado econômico das operações empresariais típicas, constitui a base de cálculo da contribuição, enquanto representação quantitativa do fato econômico tributado. Noutras palavras, o fato gerador constitucional da COFINS são as operações econômicas que se exteriorizam no faturamento (sua base de cálculo), porque não poderia nunca corresponder ao ato de emitir faturas, coisa que, como alternativa semântica possível, seria de todo absurda, pois bastaria à empresa não emitir faturas para se furtar à tributação. (g.n.). E, concluindo, asseverou: Por todo o exposto, julgo inconstitucional o § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98, por ampliar o conceito de receita bruta para “toda e qualquer receita”, cujo sentido afronta a noção de faturamento pressuposta no art. 195, I, da Constituição da República, e, ainda, o art. 195, § 4º, se considerado para efeito de nova fonte de custeio da Fl. 147DF CARF MF Processo nº 16327.909846/201125 Acórdão n.º 3201004.438 S3C2T1 Fl. 7 6 seguridade social. Quanto ao caput do art. 3º, julgoo constitucional, para lhe da r interpretação conforme à Constituição, nos termos do julgamento proferido no RE nº 150.755/PE, que tomou a locução receita bruta como sinônimo de faturamento, ou seja, no significado de “receita bruta de venda de mercadoria e de prestação de serviços”, adotado pela legislação anterior, e que, a meu juízo, se traduz na soma das receitas oriundas do exercício das atividades empresariais. (g.n.). Ainda mais preciso, o Min. Ayres Britto, a partir da redação original do art. 195 da Constituição Federal (anterior à promulgação da Emenda Constitucional – EC n.º 20, de 1998), identificou o conceito de faturamento com o de receita operacional: A Constituição de 88, pelo seu art.195, I, redação originária, usou do substantivo “faturamento”, sem a conjunção disjuntiva “ou” receita”. Em que sentido separou as coisas? No sentido de que faturamento é receita operacional, e não receita total da empresa. Receita operacional consiste naquilo que já estava definido pelo Decretolei 2397, de 1987, art.22, § 1º, “a”, assim redigido – parece que o Ministro Velloso acabou de fazer também essa remissão à lei: Art.22 [...] § 1º [...] a) a receita bruta das vendas de mercadorias e de mercadorias e serviços, de qualquer natureza, das empresas públicas ou privadas definidas como pessoa jurídica ou a elas equiparadas pela legislação do Imposto de Renda;” Por isso, estou insistindo na sinonímia “faturamento” e “receita operacional”, exclusivamente, correspondente àqueles ingressos que decorrem da razão social da empresa, da sua finalidade institucional, do seu ramo de negócio, enfim. Logo, receita operacional é receita bruta de tais vendas ou negócios, mas não incorpora outras modalidades de ingresso financeiro: royalties, aluguéis, rendimentos de aplicações financeiras, indenizações etc. (g.n.). E isso porque o inciso I do art. 195 da Constitucional, na redação anterior à EC n.º 20, de receita não falava, mas apenas de faturamento e lucro, como que a abraçar todas as dimensões de riqueza geradas pela pessoa jurídica a partir da realização de seu objeto social – a receita operacional. Acresçase o fato de que o próprio Supremo já consolidou o entendimento de que, às instituições financeiras, aplicase o Código de Defesa do Consumidor, pois considerou constitucional o § 2º do art. 3º do CDC (“Serviço é qualquer atividade fornecida no mercado de consumo, mediante remuneração, inclusive as de natureza bancária, financeira, de crédito e securitária, salvo as decorrentes das relações de caráter trabalhista.”), deixando claro que a atividade bancária se enquadra no conceito amplo de prestação de serviços, entre os quais se inclui a intermediação financeira (ADI n.º 2591, DJ de 29/9/2006). Mesmo que se entenda que o conceito vale apenas para a proteção que o Estado deve conferir ao consumidor – de ordinário hipossuficiente nas relações de consumo –, a verdade é que isso demonstra que a interpretação que se pretende conferir ao termo “faturamento”, em ordem a excluir, desse conceito, as receitas auferidas pelas instituições financeiras em face da Fl. 148DF CARF MF Processo nº 16327.909846/201125 Acórdão n.º 3201004.438 S3C2T1 Fl. 8 7 intermediação financeira que realizam, não é compatível com o entendimento que a própria Suprema Corte já entremostrou quando apreciou assuntos correlatos. Como último argumento em reforço à tese aqui exposta, ainda há o fato de que o legislador, ao instituir a Cofins apurada no regime cumulativo, excluiu o seu pagamento sobre o faturamento das entidades elencadas no § 1º do art. 23 da Lei n.º 8.212, de 1991, o que demonstra que se o conceito desta expressão de riqueza fosse o pretendido pela Recorrente, absolutamente desnecessário seria todo o parágrafo único do art. 11 da Lei Complementar n.º 70, de 1991, uma vez que não se exclui algo que incluído não estava. Vejamos: Art. 1° Sem prejuízo da cobrança das contribuições para o Programa de Integração Social (PIS) e para o Programa de Formação do Patrimônio do Servidor Público (Pasep), fica instituída contribuição social para financiamento da Seguridade Social, nos termos do inciso I do art. 195 da Constituição Federal, devida pelas pessoas jurídicas inclusive as a elas equiparadas pela legislação do imposto de renda, destinadas exclusivamente às despesas com atividadesfins das áreas de saúde, previdência e assistência social. (...) Art. 11. Fica elevada em oito pontos percentuais a alíquota referida no § 1° do art. 23 da Lei n° 8.212, de 24 de julho de 1991, relativa à contribuição social sobre o lucro das instituições a que se refere o § 1° do art. 22 da mesma lei, mantidas as demais normas da Lei n° 7.689, de 15 de dezembro de 1988, com as alterações posteriormente introduzidas. Parágrafo único. As pessoas jurídicas sujeitas ao disposto neste artigo ficam excluídas do pagamento da contribuição social sobre o faturamento, instituída pelo art. 1° desta lei complementar. (g.n.) Esse entendimento – o de que o conceito de faturamento corresponde, na verdade, à receita operacional da pessoa jurídica – também vem sendo reproduzindo noutros tribunais do Poder Judiciário: TRIBUTÁRIO. PIS/COFINS. PRESCRIÇÃO. BASE DE CÁLCULO. FATURAMENTO. INSTITUIÇÃO FINANCEIRA. INAPLICABILIDADE DAS LEIS 10.637/2002 E 10.833/2003. ART. 3º,§ 1º DA Lei 9.718/1998. INCONSTITUCIONALIDADE DECLARADA PELO STF. COMPENSAÇÃO. CORREÇÃO MONETÁRIA. 1. A segunda parte do art. 4º da LC 118/2005 foi declarada inconstitucional, e considerouse válida a aplicação do novo prazo de cinco anos apenas às ações ajuizadas a partir de 9/6/2005 após o decurso da vacatio legis de 120 dias (STF, RE 566621/RS, rel. ministra Ellen Gracie, Tribunal Pleno, DJe de 11/10/2011). 2. O Supremo Tribunal Federal firmou entendimento pela inconstitucionalidade da ampliação do conceito de faturamento, previsto no art. 3º, caput, § 1º, da Lei 9.718/1998 (repercussão geral, RE 585.235 QORG/MG). 3. As instituições financeiras estão obrigadas ao recolhimento do PIS e da COFINS de acordo com a base de cálculo estabelecida nas Leis Complementares 7/1970 e 70/1991. Apenas a eventual incidência dessas contribuições sobre receitas não operacionais é que será indevida. 4. Não se aplica a tais instituições às disposições das Leis 10.637/2002 e 10.833/2003, consoante disposto no inciso I dos arts. 8º e 10, respectivamente. 5. Apelação da Fazenda Nacional e remessa oficial, tida por interposta, a Fl. 149DF CARF MF Processo nº 16327.909846/201125 Acórdão n.º 3201004.438 S3C2T1 Fl. 9 8 que se nega provimento. 6. Apelação da parte autora a que se dá parcial provimento. (TRF1, DESEMBARGADORA FEDERAL MARIA DO CARMO CARDOSO, AC n.º 200638000070234, eDJF1 DATA:06/09/2013 ).(g.n.). PROCESSO CIVIL. TRIBUTÁRIO. PIS E COFINS. ALTERAÇÃO DA BASE DE CÁLCULO. INCONSTITUCIONALIDADE DO ARTIGO 3º, § 1º, DA LEI N. 9.718/98. RECURSO PROVIDO I O Supremo Tribunal Federal, concluindo o julgamento do RE 346.084 (rel. Min. Ilmar Galvão, DJU 9.11.2005), em que se questionava a constitucionalidade das alterações promovidas pela Lei n.º 9.718/98, que ampliou a base de cálculo da COFINS e do PIS, declarou, por maioria, a inconstitucionalidade do §1º do art. 3º da Lei n.º 9.718/98. II A Corte Constitucional entendeu que esse dispositivo, ao ampliar o conceito de receita bruta para toda e qualquer receita, violou a noção de faturamento prevista no art. 195, I, “b”, da Constituição Federal, na sua redação original, que equivaleria ao de receita bruta das vendas de mercadorias, de mercadorias e serviços e de serviços de qualquer natureza. III Em que pese ter sido declarada a inconstitucionalidade do § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98, as instituições financeiras e as demais equiparadas a elas, devem ter sua incidência de PIS e COFINS nos termos do art. 3º, caput e §§ 5º e 6º da Lei 9.718/98 sobre o faturamento da empresa, incluindose todas as receitas financeiras apuradas. IV Apelação e remessa providas. (TRF2, Desembargadora Federal LANA REGUEIRA, AMS n.º 200651010226515, EDJF2R Data: 12/07/2013). (g.n.). TRIBUTÁRIO. PEDIDO DE DESISTÊNCIA PARCIAL HOMOLOGADO. INCIDÊNCIA DE PIS, COFINS E IOF. EMPRESAS DE FOMENTO MERCANTIL. FACTORING. DIREITOS CREDITÓRIOS. 1. Cabível a homologação de pedido de desistência parcial da presente ação (fls. 370/371), relativamente ao ponto de incidência de PIS e COFINS,formulado pela Empresa ECX CARD ADMINISTRADORA E PROCESSADORA DE CARTÕES, em razão de exigência da desistência das ações judiciais e à renúncia do direito sobre o qual estas se fundam como condição para a adesão a programa de parcelamento. A empresa em comento, filiada ao sindicato impetrante, figura como substituída na presente ação mandamental, o que lhe confere legitimidade para deduzir referido pedido. 2. "Não há nenhum dispositivo na Constituição da República que atribua ao IOF natureza extrafiscal, não bastando para tal desiderato a exclusão deste tributo do campo de incidência dos princípios da legalidade e da anterioridade. Deve ser reforçado, ainda, que não há tributo com feição exclusivamente extrafiscal, como quer fazer crer a impetrante, podendo a exação ser utilizada como meio de obtenção de receita. Por outro lado, mister que se espanque qualquer alegação de inconstitucionalidade do artigo 13 da Lei nº 9.799/99, que submeteu as operações de crédito referentes a mútuos de recursos financeiros entre pessoas jurídicas ou entre pessoa jurídica e pessoa física à incidência do IOF, de acordo com as normas aplicáveis às operações de financiamento e empréstimos feitas pelas instituições financeiras, não obstante a finalidade de tal norma seja fiscal. O STF, na ADIMC 1763/DF, Rel. Min. Sepúlveda Pertence, Julgamento 20/08/1998, Tribunal Pleno,DJ 26/09/2003, decidiu que: "IOF: incidência sobre operações de factoring (L. 9.532/97, art. 58): aparente constitucionalidade que desautoriza a medida cautelar. O âmbito constitucional de incidência possível do IOF sobre operações de crédito não se restringe às praticadas por instituições financeiras, de tal modo que, à primeira vista, a lei questionada poderia estendêla às operações de factoring, quando impliquem financiamento (factoring com direito de regresso ou com adiantamento do valor do crédito vincendo conventional factoring); quando, Fl. 150DF CARF MF Processo nº 16327.909846/201125 Acórdão n.º 3201004.438 S3C2T1 Fl. 10 9 ao contrário, não contenha operação de crédito, o factoring, de qualquer modo, parece substantivar negócio relativo a títulos e valores mobiliários, igualmente susceptível de ser submetido por lei à incidência tributária questionada." (grifo nosso)" (AMS 200001000252943, Relator JUIZ FEDERAL RAFAEL PAULO SOARES PINTO, DJ DATA:30/11/2007 PAGINA:187). 3. O c. STJ, no julgamento do REsp 776705/RJ, enfrentando a mesma matéria de fundo da presente ação mandamental, na qual se questiona a higidez do disposto no Itens I, alínea "c", e II, do Ato Declaratório (Normativo) COSIT 31/97, que determinam que a base de cálculo da COFINS, devida pelas empresas de fomento comercial (factoring), é o valor do faturamento mensal, compreendida, entre outras, a receita bruta advinda da prestação cumulativa e contínua de "serviços" de aquisição de direitos creditórios resultantes das vendas mercantis a prazo ou de prestação de serviços, computandose como receita o valor da diferença entre o valor de aquisição e o valor de face do título ou direito adquirido, entendeu que " A Contribuição para Financiamento da Seguridade Social COFINS, ainda que sob a égide da definição de faturamento mensal/receita bruta dada pela Lei Complementar 70/91, incide sobre a soma das receitas oriundas do exercício da atividade empresarial de factoring, o que abrange a receita bruta advinda da prestação cumulativa e contínua de "serviços" de aquisição de direitos creditórios resultantes das vendas mercantis a prazo ou de prestação de serviços. A Lei 9.249/95 (que revogou, entre outros, o artigo 28, da Lei 8.981/95), ao tratar da apuração da base de cálculo do imposto de renda das pessoas jurídicas, definiu a atividade de factoring como a prestação cumulativa e contínua de serviços de assessoria creditícia, mercadológica, gestão de crédito, seleção de riscos, administração de contas a pagar e a receber, compra de direitos creditórios resultantes de vendas mercantis a prazo ou de prestação de serviços (artigo 15, § 1º,III, "d"). Deveras, a empresa de fomento mercantil ou de factoring realiza atividade comercial mista atípica, que compreende o oferecimento de uma plêiade de serviços, nos quais se insere a aquisição de direitos creditórios, auferindo vantagens financeiras resultantes das operações realizadas, não se revelando coerente a dissociação das aludidas atividades empresariais para efeito de determinação da receita bruta tributável. Conseqüentemente, os Itens I, alínea "c", e II, do Ato Declaratório (Normativo) COSIT 31/97, coadunamse com a concepção de faturamento mensal/receita bruta dada pela Lei Complementar 70/91 (o que decorra das vendas de mercadorias ou da prestação de serviços de qualquer natureza, vale dizer a soma das receitas oriundas das atividades empresariais, não se considerando receita bruta de natureza diversa, definição que se perpetuou com a declaração de inconstitucionalidade do § 1º, do artigo 3º, da Lei 9.718/98)." (AgRg na DESIS no REsp 776705 / RJ, Relator Ministro LUIZ FUX, Data da Publicação/Fonte DJe 05/10/2010). 4. Referido entendimento consagrado no âmbito do STJ ao apreciar a alegação quanto à COFINS, também se aplica ao PIS, pela similitude entre as duas contribuições sociais. 5. Remessa oficial e apelação providas. (TRF1, JUIZ FEDERAL NÁIBER PONTES DE ALMEIDA, eDJF1 DATA:08/05/2013). (g.n.) TRIBUTÁRIO. MANDADO DE SEGURANÇA. COFINS. LC 70/91. INSTITUIÇÕES FINANCEIRAS. LEI Nº 9.718/98. INCIDÊNCIA DA CONTRIBUIÇÃO SOBRE VERBAS OPERACIONAIS. NÃO VIOLAÇÃO AO PRINCÍPIO DA HIERARQUIA DAS NORMAS. ADVENTO DA LEI Nº 10./833/03. PRESCRIÇÃO. CORREÇÃO MONETÁRIA. 1 O excelso Supremo Tribunal Federal, por ocasião do julgamento do RE nº 566.621/RS, de relatoria da Ministra Ellen Gracie, de 04.08.11, publicado em 11.10.11, declarou a inconstitucionalidade do art. 4º, segunda parte, da Lei Complementar nº 118/2005, e fixou o entendimento de que é válida a aplicação do prazo prescricional quinquenal para as ações ajuizadas após o decurso da vacatio legis de 120 dias da referida lei, ou seja, a partir de 09/06/2005. Vejamos o diz a ementa do referido julgamento: 2 O art. 195, § 4º, CR, ao Fl. 151DF CARF MF Processo nº 16327.909846/201125 Acórdão n.º 3201004.438 S3C2T1 Fl. 11 10 determinar obediência ao artigo 154, I, o faz tãosomente em relação a “outras fontes destinadas a garantir a manutenção ou expansão da seguridade social”; não no tocante às contribuições que ela própria, Constituição, prevê. Desse modo, referese, por óbvio ao comando do art. 154, I, CR, porém, somente é aplicável às hipóteses “novas” de contribuições, isto é, que não estão previstas no texto constitucional vigente, tal como ocorre com a COFINS, que se encontra, de forma prévia e expressa, prevista pelo Supremo Texto Legal. 3 A base de cálculo do PIS e da COFINS é o faturamento do contribuinte (no caso, a instituição financeira), entendido como a receita bruta da venda de mercadorias e da prestação de serviços, originária da atividade típica da empresa, em consonância com o seu objeto social. As receitas financeiras de natureza nãooperacional estão fora do faturamento das empresas comerciais ou prestadoras de serviços, não podendo, por isso, serem tributadas pelas contribuições em comento. 4 Com a posterior promulgação das Leis nºs 10.637/02 e 10.833/03, posterior à EC 20/98, pôsse fim às divergências sobre a base de cálculo do PIS e COFINS, alargadas pela Lei nº 9.718/98, positivando no ordenamento jurídico brasileiro o entendimento de que essa base de cálculo deve corresponder à receita bruta da venda de bens e serviços nas operações em conta própria ou alheia e todas as demais receitas auferidas pela pessoa jurídica, conforme disposto no art. 1º, §1º daquele diploma legal. Não obstante, no caso em tela essa conclusão não se aplica, em princípio, dado que, segundo expressas disposições das leis em comento, as empresas financeiras encontramse excluídas de sua sistemática, estando submetidas às disposições da Lei nº 9.718/98. 5 Quanto à compensação, insta mencionar que poderá ser realizada, com correção unicamente pelo índice de correção da taxa SELIC, com os tributos administrados pela Secretaria da Receita Federal, pela exegese do art. 74 da Lei nº 9.430/96, com redação alterada pela Lei nº 10.637/02, haja vista ter sido ajuizada a demanda após o advento deste diploma legal, ressaltandose, todavia, que caberá à administração fiscalizar a existência de recolhimento referente à COFINS incidente sobre as receitas ditas nãooperacionais. 6 Remessa necessária e recurso de apelação parcialmente providos. (TRF2, Desembargador Federal LUIZ ANTONIO SOARES, APELRE 200951010106419, EDJF2R Data:11/09/2012) (g.n.) TRIBUTÁRIO. COFINS. INSTITUIÇÕES FINANCEIRAS E EQUIPARADAS. LEI 9.718/98. CONCEITO DE "RENDA BRUTA OPERACIONAL". INSUFICIÊNCIA DA LEGISLAÇÃO ORDINÁRIA. MISSÃO INTEGRATIVA DO PODER JUDICIÁRIO. INOVAÇÕES DO MERCADO FINANCEIRO MUNDIAL. NOVAS PERSPECTIVAS DE NEGÓCIOS. APLICAÇÕESFINANCEIRAS QUE SE AFIGURAM NOVAS OPÇÕES COMERCIAIS DOS BANCOS E SIMILARES. INSERÇÃO EM SUA ATIVIDADEFIM. RECEITAS FINANCEIRAS. INCLUSÃO NA RENDA BRUTA OPERACIONAL. 1. Controvérsia sobre o conceito de faturamento para o recolhimento do PISe da COFINS pelas instituições financeiras e entidades equiparadas. 2. A legislação pátria não contribui satisfatoriamente para esclarecer se as receitas financeiras integram ou não a receita bruta operacional dasinstituições financeiras e entidades equiparadas. 3. O que se percebe é que nenhum diploma legal esclarece perfeitamente o alcance da receita bruta operacional das instituições financeiras, pois servem quase exclusivamente à definição de faturamento das empresas que têm como objeto social o oferecimento de bens ou serviços convencionais, como se depreende do art. 44 da Lei 4.506/64, do art. 12 do Decretolei 1.598/77 e do art. 44 do Decreto 1.041/94 (RIR). 4. O mesmo ocorre com as Leis 9.701/98 e 9.718/98, as quais, em momento algum, excluem as receitas financeiras do faturamento ou receita operacional dos bancos e similares. 5. A missão de resolver esta controvérsia fica entregue ao Poder Judiciário, com o indispensável suporte da doutrina. 6. As instituições financeiras, por exigência do mercado, estão se despregando do modelo clássico de captação e intermediação de crédito pelos Fl. 152DF CARF MF Processo nº 16327.909846/201125 Acórdão n.º 3201004.438 S3C2T1 Fl. 12 11 bancos comerciais e estão abrindo frente a novas operações, como os títulos interbancários, a securitização, o mercado de derivativos etc, que por vezes se apresentam mais lucrativas do que as tradicionais operações de intermediação entre depositantes e tomadores de empréstimos. 7. Há que se mencionar, ainda, as operações de aquisição pelasinstituições financeiras de títulos da dívida pública, remunerados no Brasil por atraentes juros, dentre os maiores do mundo, como parte da política monetária, acentuadamente a partir do advento do Plano Real, em 1994. 8. Para as instituições financeiras, aplicar seus recursos em títulos públicos, no mercado de derivativos e em outras formas de investimento passou a ser parte de uma estratégia comercial, como forma de adaptação ao mercado financeiro mundial. 9. Enquanto para as empresas comuns as aplicações financeiras são uma garantia contra a desvalorização da moeda ou forma de angariar recursos adicionais, para as instituições financeiras elas consistem numa opção mercadológica de obter maiores lucros com os recursos disponíveis. 10. Estando inseridas na atividadefim dos bancos, não há como ignorar que as receitas financeiras também integram o seu faturamento e, nesta condição, devem ser incluídas na base de cálculo do PIS. 11. Não se vislumbra inconstitucionalidade da Lei 9.718/98 na parte em que cuida da matéria referente ao faturamento ou receita bruta das instituições financeiras e entidades equiparadas. 12. Cumpre observar que, nos termos da fundamentação acima, não se aplica às instituições financeiras o § 1º do artigo 3º da Lei nº 9.718/98, pois é válido apenas para as empresas que operam com bens ou serviços, de modo que não pode subsistir a douta sentença. 13. Não conheço do agravo retido, nego provimento à apelação da impetrante e dou provimento à apelação da União e à remessa oficial, para denegar a segurança. (TRF3, JUIZ CONVOCADO RUBENS CALIXTO, AMS n.º 00350202220074036100, eDJF3 Judicial 1 DATA:14/02/2014). (g.n.). No caso em exame, a Recorrente é um banco – uma instituição financeira cujo objeto social é a prática de operações ativas, passivas e acessórias inerentes às respectivas carteiras autorizadas (comercial, de investimento, de crédito, financiamento e investimento, e crédito imobiliário), inclusive câmbio de administração de valores mobiliários, de acordo com as disposições legais e regulamentares em vigor (Estatuto às fls. 17 e ss.). Assim, todas as receitas originárias da atividade típica da empresa, em consonância com o seu objeto social, compõem a base de cálculo do PIS, não importando se derivem da aplicação de recursos próprios (como aplicação de seu capital de giro) ou de terceiros. Nesse contexto, não podem ser excluídas das bases de cálculo do PIS/Cofins, de forma a viabilizar a restituição pretendida, as receitas a que se refere a Recorrente, o que inclui os juros sobre o capital próprio decorrentes da participação no patrimônio líquido em outras sociedades e a remuneração dos depósitos compulsórios, porquanto auferidas no exercício de suas atividades empresariais. Por fim, ainda há de se registrar que, por tudo que dissemos anteriormente, e conforme consignado na Solução de Consulta Cosit nº 84, de 08/06/2016, a alteração promovida no art. 12 do Decretolei nº 1.598, de 1977, pela Medida Provisória MP nº 627, de 2013, convertida na Lei nº 12.973, de 2014, apenas veio para expressar o entendimento, já pacificado, acerca da abrangência das receitas decorrentes da atividade empresarial. De conseguinte, não há como admitilo válido apenas a partir do início da vigência da referida MP. Ante o exposto, rejeito a preliminar de nulidade e, no mérito, NEGO PROVIMENTO ao recurso voluntário." Fl. 153DF CARF MF Processo nº 16327.909846/201125 Acórdão n.º 3201004.438 S3C2T1 Fl. 13 12 (...)1 Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, o colegiado rejeitou a preliminar de nulidade e, no mérito, NEGOU PROVIMENTO ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza 1 Deixouse de transcrever a declaração de voto apresentada no acórdão do processo paradigma por manifestar entendimento que restou vencido, não se aplicando, portanto, na solução do litígio do presente processo. Todavia, sua íntegra consta do Acórdão 3201004.423 (processo 16327.909418/201101). Fl. 154DF CARF MF
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Numero do processo: 11516.004091/2007-43
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Fri Jan 18 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Fri Feb 08 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2003
Ementa:
ADICIONAL POR TEMPO DE SERVIÇO. TRIBUTAÇÃO. SÚMULA CARF Nº 68
Súmula CARF nº 68:
A Lei nº 8.852, de 1994, não outorga isenção nem enumera hipóteses de não incidência de Imposto sobre a Renda da Pessoa Física.
O adicional por tempo de serviço é rendimento tributável, conforme determina a legislação tributária.
ALEGADA PRESCRIÇÃO. NÃO CONSTATADA.
A prescrição diz respeito ao ato de cobrança do tributo pelo FISCO. O prazo para o FISCO cobrar o pagamento do tributo é de 5 anos contados da constituição definitiva do tributo, ou seja, do lançamento definitivo. Processo administrativo ainda discute a legalidade do lançamento, portanto, enquanto se discute a validade do lançamento, não se inicia o prazo prescricional para a cobrança de seu pagamento.
PRAZO DECADENCIAL DE CONSTITUIÇÃO DO CRÉDITO. REGRAS, ANTECIPAÇÃO DE PAGAMENTO.
O termo inicial será: (a) Primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, se não houve antecipação do pagamento (CTN, ART. 173, I); (b) Fato Gerador, caso tenha ocorrido recolhimento, ainda que parcial (CTN, ART. 150, § 4º). Havendo a exigência de IRPF suplementar, resta claro que houve o recolhimento parcial.
IRPF. DECADÊNCIA. FATO GERADOR QUE SOMENTE SE APERFEIÇOA NO DIA 31 DE DEZEMBRO DE CADA ANO. DECADÊNCIA NÃO RECONHECIDA. SÚMULA 38 DO CARF
Súmula CARF nº 38
O fato gerador do Imposto sobre a Renda da Pessoa Física, relativo à omissão de rendimentos apurada a partir de depósitos bancários de origem não comprovada, ocorre no dia 31 de dezembro do ano-calendário.
O fato gerador do IRPF é complexivo, aperfeiçoando-se no dia 31/12 de cada ano-calendário. Assim, como não houve o transcurso do prazo de 5 (cinco) anos entre a ocorrência do fato gerador e a intimação do contribuinte da lavratura do auto de infração, deve-se afastar a alegação de decadência do crédito tributário.
Numero da decisão: 2301-005.820
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em NEGAR PROVIMENTO ao recurso.
João Maurício Vital - Presidente.
(assinado digitalmente)
Juliana Marteli Fais Feriato - Relatora.
(assinado digitalmente)
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antônio Sávio Nastureles, Alexandre Evaristo Pinto, Reginaldo Paixão Emos, Wesley Rocha, Jorge Henrique Backes (Suplente Convocado), Marcelo Freitas de Souza Costa, Juliana Marteli Fais Feriato, João Maurício Vital (Presidente).
Nome do relator: JULIANA MARTELI FAIS FERIATO
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2003 Ementa: ADICIONAL POR TEMPO DE SERVIÇO. TRIBUTAÇÃO. SÚMULA CARF Nº 68 Súmula CARF nº 68: A Lei nº 8.852, de 1994, não outorga isenção nem enumera hipóteses de não incidência de Imposto sobre a Renda da Pessoa Física. O adicional por tempo de serviço é rendimento tributável, conforme determina a legislação tributária. ALEGADA PRESCRIÇÃO. NÃO CONSTATADA. A prescrição diz respeito ao ato de cobrança do tributo pelo FISCO. O prazo para o FISCO cobrar o pagamento do tributo é de 5 anos contados da constituição definitiva do tributo, ou seja, do lançamento definitivo. Processo administrativo ainda discute a legalidade do lançamento, portanto, enquanto se discute a validade do lançamento, não se inicia o prazo prescricional para a cobrança de seu pagamento. PRAZO DECADENCIAL DE CONSTITUIÇÃO DO CRÉDITO. REGRAS, ANTECIPAÇÃO DE PAGAMENTO. O termo inicial será: (a) Primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, se não houve antecipação do pagamento (CTN, ART. 173, I); (b) Fato Gerador, caso tenha ocorrido recolhimento, ainda que parcial (CTN, ART. 150, § 4º). Havendo a exigência de IRPF suplementar, resta claro que houve o recolhimento parcial. IRPF. DECADÊNCIA. FATO GERADOR QUE SOMENTE SE APERFEIÇOA NO DIA 31 DE DEZEMBRO DE CADA ANO. DECADÊNCIA NÃO RECONHECIDA. SÚMULA 38 DO CARF Súmula CARF nº 38 O fato gerador do Imposto sobre a Renda da Pessoa Física, relativo à omissão de rendimentos apurada a partir de depósitos bancários de origem não comprovada, ocorre no dia 31 de dezembro do ano-calendário. O fato gerador do IRPF é complexivo, aperfeiçoando-se no dia 31/12 de cada ano-calendário. Assim, como não houve o transcurso do prazo de 5 (cinco) anos entre a ocorrência do fato gerador e a intimação do contribuinte da lavratura do auto de infração, deve-se afastar a alegação de decadência do crédito tributário.
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TRIBUTAÇÃO. SÚMULA CARF Nº 68 Súmula CARF nº 68: A Lei nº 8.852, de 1994, não outorga isenção nem enumera hipóteses de não incidência de Imposto sobre a Renda da Pessoa Física. O adicional por tempo de serviço é rendimento tributável, conforme determina a legislação tributária. ALEGADA PRESCRIÇÃO. NÃO CONSTATADA. A prescrição diz respeito ao ato de cobrança do tributo pelo FISCO. O prazo para o FISCO cobrar o pagamento do tributo é de 5 anos contados da constituição definitiva do tributo, ou seja, do lançamento definitivo. Processo administrativo ainda discute a legalidade do lançamento, portanto, enquanto se discute a validade do lançamento, não se inicia o prazo prescricional para a cobrança de seu pagamento. PRAZO DECADENCIAL DE CONSTITUIÇÃO DO CRÉDITO. REGRAS, ANTECIPAÇÃO DE PAGAMENTO. O termo inicial será: (a) Primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, se não houve antecipação do pagamento (CTN, ART. 173, I); (b) Fato Gerador, caso tenha ocorrido recolhimento, ainda que parcial (CTN, ART. 150, § 4º). Havendo a exigência de IRPF suplementar, resta claro que houve o recolhimento parcial. IRPF. DECADÊNCIA. FATO GERADOR QUE SOMENTE SE APERFEIÇOA NO DIA 31 DE DEZEMBRO DE CADA ANO. DECADÊNCIA NÃO RECONHECIDA. SÚMULA 38 DO CARF AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 51 6. 00 40 91 /2 00 7- 43 Fl. 56DF CARF MF 2 Súmula CARF nº 38 O fato gerador do Imposto sobre a Renda da Pessoa Física, relativo à omissão de rendimentos apurada a partir de depósitos bancários de origem não comprovada, ocorre no dia 31 de dezembro do anocalendário. O fato gerador do IRPF é complexivo, aperfeiçoandose no dia 31/12 de cada anocalendário. Assim, como não houve o transcurso do prazo de 5 (cinco) anos entre a ocorrência do fato gerador e a intimação do contribuinte da lavratura do auto de infração, devese afastar a alegação de decadência do crédito tributário. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em NEGAR PROVIMENTO ao recurso. João Maurício Vital Presidente. (assinado digitalmente) Juliana Marteli Fais Feriato Relatora. (assinado digitalmente) Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antônio Sávio Nastureles, Alexandre Evaristo Pinto, Reginaldo Paixão Emos, Wesley Rocha, Jorge Henrique Backes (Suplente Convocado), Marcelo Freitas de Souza Costa, Juliana Marteli Fais Feriato, João Maurício Vital (Presidente). Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto nas fls. 45/ 51, em face da decisão da DRJ (fls. 38/41) proferida pela Acórdão 074ª Turma da DRJ/FNS, 16.478 de 05 de junho de 2009, que julgou procedente o lançamento. Conforme se depreende do Auto de Infração (fls. 17/22) lançado contra o Contribuinte, tratase de uma revisão de oficio de sua declaração de ajuste anual referente ao exercício de 2003 anocalendário 2002 – na qual a contribuinte declarou que recebeu R$47.812,35 de rendimentos de pessoa jurídica com vínculo, enquanto que efetivamente recebeu R$63.325,47, conforme DIRF expedida pelo Comando do Exército. Desta forma, alterouse o saldo de imposto a restituir, de R$5.923,31 para R$1.657,20. Fl. 57DF CARF MF Processo nº 11516.004091/200743 Acórdão n.º 2301005.820 S2C3T1 Fl. 57 3 Alega o Contribuinte em sua impugnação (fls. 2/7), que o valor apurado como omitido corresponde ao adicional por tempo de serviço e que não há incidência de IRPF sobre o mesmo. Afirma que o adicional por tempo de serviço, no caso dos funcionários públicos, não se constitui em acréscimo patrimonial, conforme o art. 43 do Código Tributário Nacional (CTN), mas sim em indenização paga pelo Estado em virtude das vedações impostas ao servidor pela Lei n°. 11.094/2005 e Lei n°. 8.112/90, as quais dispõem sobre o Regime Jurídico de Servidor Público. Na DRJ (fls. 38/41) observa que o lançamento foi julgado procedente, visto que: · A Lei n°. 8.852/94, referenciada pelo Contribuinte foi editada como forma de regulamentar os incisos XI e XII dos artigos 37 e 39 da Constituição e que restou claro que a sua natureza não é tributária, não podendo se contrapor à Lei 7.713/88; · Para a tributação do IRPF, importa o total dos rendimentos auferidos, sendo que o art. 38 do RIR/99 não deixa margem para dúvidas quanto ao fato de que, independente da denominação que seja dada aos rendimentos ou a forma de percepção da renda ou proventos, para a incidência do imposto sobre a renda ou proventos, basta o benefício do contribuinte por qualquer forma e a qualquer título. · Para que um rendimento, embora no campo da incidência, não seja tributado, se faz necessária uma norma explícita que o isente, sendo que não há sua exclusão no art. 39 do RIR/99; No Recurso Voluntário interposto nas fls. 45/ 51, a Contribuinte pugna pela: · Traz conceitos de rendimentos e vantagens, sendo o primeiro proveniente do trabalho assalariado e o segundo, verbas recebidas que complementam o salário, compreendem em gratificações, prêmios, plano de saúde, entre outros. · A Lei 8.852/94 é explicita ao considerar no seu artigo 1°, inciso III, letra “n”, que o adicional por tempo de serviço está excluído da remuneração; · Artigo 43 do RIR/99 determina que apenas remuneração por trabalho assalariado incide IRPF, não se reportando que adicional por tempo de serviço estaria sujeito a incidência, sendo certo a sua exclusão; · Adicional por Tempo de Serviço” pago pelo ente Público tem natureza indenizatória em razão das restrições a que o servidor público está sujeito; já o adicional por tempo de serviço pago pelo setor privado é uma remuneração destinada a estimular a fidelidade e a produção, junto ao empregador. · Diferencia proventos de indenizações, sendo o primeiro, quantitativos em dinheiro que o militar percebe na inatividade, quer na reserva remunerada ou reformado (Art. 68 da Lei 279/79), logo o militar ativo Fl. 58DF CARF MF 4 recebe vencimentos e o militar inativo recebe proventos; e o segundo, o quantitativo em dinheiro, isento de qualquer tributação, devido ao militar para ressarcimento de despesas impostas pelo exercício de suas funções; · Ao adicional por tempo de serviço é indenização paga pelo Estado ao servidor em virtude das vedações impostas e, portanto, não há hipótese de incidência sobre o Adicional por tempo de serviço, uma vez que as parcelas tributadas não são componentes da remuneração do Autor. Este é o relatório. Voto Conselheira Relatora Juliana Marteli Fais Feriato Admissibilidade Conforme consta das fls. 44, a Contribuinte foi intimada em 10/10/2009, sendo que apresentou seu Recurso Voluntário (fl. 45) em 04/11/2009, portanto tempestivo. Conheço do recurso, passo à análise de seu mérito. Mérito Tratase de IRPF lançado sobre o adicional por tempo de serviço, no qual o Contribuinte entende que a verba é indenizatória e, portanto, não incide IRPF. Em suas razoes recursais, o Contribuinte afirma que a Lei 8.852/94 é explicita ao considerar no seu artigo 1°, inciso III, letra “n”, que o adicional por tempo de serviço está excluído da remuneração. De pronto, cumpre esclarecer que a Lei nº 8.852, de 1994, que dispõe sobre a aplicação dos arts. 37, incisos XI e XII, e 39, § 1º, da Constituição Federal, cuida da definição de vencimento, vencimento básico e remuneração. Contudo, não traz em seu bojo hipóteses de isenção ou nãoincidência de imposto de renda sobre valores recebidos por servidores públicos. Já o no artigo 6º da Lei nº 7.713, de 22 de dezembro de 1988, que relaciona os rendimentos percebidos por pessoas físicas isentos do imposto de renda, o adicional por tempo de serviço não está contemplado. Portanto, são tributáveis os rendimentos recebidos mediante tal rubrica. Sobre a alegação, este Conselho tem o entendimento sumulado que: Súmula CARF nº 68: Fl. 59DF CARF MF Processo nº 11516.004091/200743 Acórdão n.º 2301005.820 S2C3T1 Fl. 58 5 A Lei nº 8.852, de 1994, não outorga isenção nem enumera hipóteses de não incidência de Imposto sobre a Renda da Pessoa Física. (Vinculante, conforme Portaria MF nº 277, de 07/06/2018, DOU de 08/06/2018). Portanto, a Lei nº 8.852, de 1994, não outorga isenção nem enumera hipóteses de não incidência de Imposto sobre a Renda da Pessoa Física, por não ser legislação específica do Direito Tributário. O RIR/99 é claro ao determinar em seu Art. 39 os rendimentos isentos e não tributáveis. Nele não há a inserção do adicional por tempo de serviço. Apenas uma lei pode conferir isenção ou exclusão de incidência de IRPF. Não havendo norma que permita a exclusão do rendimento da base de cálculo do IRPF, não há que se falar em não incidência do tributo. Ademais, o adicional por tempo de serviço não se caracteriza verba indenizatória. É verba salarial conferida ao funcionário público. Ao final o contribuinte afirma em suposta prescrição do crédito tributário, ao afirmar que: “Ademais, o Termo de Auto de Infração, haja vista o período de apuração, no qual a incidência do fato gerador do termo de auto de infração anocalendário 2002 exercício 2003, está prescrito em 31/12/2007, como determina o CTN”. A prescrição é uma das formas de extinção dos créditos tributários. No direito tributário pode ser definida como a extinção do direito ao crédito tributário ocorrida pela inércia do fisco ao deixar de promover as medidas necessárias para a garantia do direito. A prescrição é regida pelo art. 174 do CTN que determina: Art. 174. A ação para a cobrança do crédito tributário prescreve em cinco anos, contados da data da sua constituição definitiva. Parágrafo único. A prescrição se interrompe: I – pelo despacho do juiz que ordenar a citação em execução fiscal; II pelo protesto judicial; III por qualquer ato judicial que constitua em mora o devedor; IV por qualquer ato inequívoco ainda que extrajudicial, que importe em reconhecimento do débito pelo devedor. Este instituto serve como base de defesa, para a contribuinte, quando se propõem a demanda executiva perante o judiciário. A presente fase se discute a constituição do crédito. Tratase do processo administrativo, no qual se verifica a validade do lançamento, ou seja, da constituição do crédito tributário. Findo o processo administrativo, Fl. 60DF CARF MF 6 temse a constituição definitiva do crédito tributário, iniciandose, a partir de então, a contagem do prazo prescricional. Portanto, não resta caracterizada a ocorrência da prescrição arguida pela Contribuinte. Também não é o caso de decadência. Conforme consta dos autos, tratase de IRPF suplementar lançado, proveniente do ano calendário de 2002, exercício de 2003, cuja intimação do Auto de Infração pela contribuinte se deu em 23/08/2007. Tratandose de IRPF com pagamento parcial pelo Contribuinte, o prazo decadencial é regido pelo §4º do art. 150 do CTN, ou seja, prazo de 05 anos contados do Fato Gerador, conforme Jurisprudência consolidada deste Conselho: PRAZO DECADENCIAL DE CONSTITUIÇÃO DO CRÉDITO. REGRAS, ANTECIPAÇÃO DE PAGAMENTO. O termo inicial será: (a) Primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, se não houve antecipação do pagamento (CTN, ART. 173, I); (b) Fato Gerador, caso tenha ocorrido recolhimento, ainda que parcial (CTN, ART. 150, § 4º). No caso dos autos, verificase que não houve antecipação de pagamento. Destarte, há de se aplicar a regra expressa no I, Art. 173 do CTN, ou seja, contase o prazo decadencial a partir do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. (Acórdão nº 9202002.548 Sessão de 5 de março de 2013) Houve pagamento parcial no presente caso, pois conforme o próprio Auto de Infração determina, tratase de exigência de crédito tributário proveniente de IRPF Suplementar. O Fato Gerador do IRPF se dá no dia 31 de dezembro de cada ano calendário, por ser imposto do tipo complexivo, conforme o entendimento já formalizado por este Conselho: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física IRPF Anocalendário: 2005,2006 IRPF. DECADÊNCIA. FATO GERADOR QUE SOMENTE SE APERFEIÇOA NO DIA 31 DE DEZEMBRO DE CADA ANO. O fato gerador do IRPF é complexivo, aperfeiçoandose no dia 31/12 de cada anocalendário. Assim, como não houve o transcurso do prazo de 5 (cinco) anos entre a ocorrência do fato gerador e a intimação do contribuinte da lavratura do auto de infração, devese afastar a alegação de decadência do crédito tributário. INTIMAÇÃO DE OUTRAS PESSOAS FÍSICAS. DESNECESSIDADE. Considerandose que o autuado era quem efetivamente movimentava a conta corrente bancária de pessoa jurídica já extinta, da qual os sócios atestaram não participar da Fl. 61DF CARF MF Processo nº 11516.004091/200743 Acórdão n.º 2301005.820 S2C3T1 Fl. 59 7 movimentação financeira no período autuado, não há necessidade na espécie de intimação de outras pessoas que supostamente eram procuradores da pessoa jurídica para se aperfeiçoar o lançamento. LEGITIMIDADE PASSIVA O recorrente se enquadra dentro do conceito de contribuinte, haja vista que, tendo movimentado isoladamente a conta bancária objeto da apuração, praticou a conduta definida como fato gerador do imposto de renda. UTILIZAÇÃO DA TABELA ANUAL Os rendimentos apurados a partir de depósitos bancários estão sujeitos ao ajuste na declaração anual. MULTA QUALIFICADA. PROCEDÊNCIA. A utilização de conta corrente bancária de pessoa jurídica extinta, por dois anoscalendário consecutivos representa conduta dolosa que atrai a aplicação da multa qualificada. Assunto: Processo Administrativo Fiscal Anocalendário: 2005,2006 CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA. Inexistiu cerceamento ao direito de defesa do autuado, posto que o fisco procedeu a mais de uma intimação para apresentação de documentos que aquele detinha poderes para apresentálos. Recurso Voluntário Negado. CARF. Acórdão 2402005.594. Sessão 19/01/2017 Tratase, inclusive, o entendimento da Súmula CARF de n. 38: Súmula CARF nº 38 O fato gerador do Imposto sobre a Renda da Pessoa Física, relativo à omissão de rendimentos apurada a partir de depósitos bancários de origem não comprovada, ocorre no dia 31 de dezembro do anocalendário. Desta forma, se o Fato Gerador do IRPF é complexivo e se aperfeiçoa no dia 31/12 de cada anocalendário e, considerando que o presente lançamento diz respeito ao Ano Calendário de 2002, o fato gerador se deu em 31/12/2002, ocorrendo a decadência apenas em 31/12/2007. Conforme consta das fls. 34, o conhecimento da contribuinte se deu em 23/08/2007, e, desta forma, não se constata a decadência no presente caso. Fl. 62DF CARF MF 8 Ademais, tratase de direito creditório em favor da Contribuinte, sendo que a constatação da decadência e da prescrição, neste caso, seria apenas prejudicial ao pedido da mesma, razão pela qual não se entende do pedido formulado em seu Recurso Voluntário. Diante do exposto, voto por negar provimento aos pedidos da Contribuinte. CONCLUSÃO Ante o exposto, voto por conhecer e NEGAR PROVIMENTO do Recurso Voluntário. É como voto. Juliana Marteli Fais Feriato – Relatora. (assinado digitalmente) Fl. 63DF CARF MF
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Numero do processo: 10580.002358/2006-41
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Jan 31 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Fri Feb 08 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/01/2001 a 31/01/2004
COFINS. BASE DE CÁLCULO. INCONSTITUCIONALIDADE.
A base de cálculo da contribuição para a COFINS é o faturamento, assim compreendido como a receita bruta da venda de mercadorias, de serviços e mercadorias e serviços, afastado o disposto no § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98, por sentença proferida no RE nº 585.235/MG pelo plenário do Supremo Tribunal Federal (STF) em 09/11/2005, transitada em julgado em 29/09/2006 (repercussão geral).
RESTITUIÇÃO. EXTENSÃO ADMINISTRATIVA DE DECISÕES JUDICIAIS.
Nos termos do art. 62, §2º do RICARF, deve ser estendido aos casos concretos a interpretação vertida no RE nº 357.950/RS, por força do que restou decidido no RE nº 585.235/MG.
COMPENSAÇÃO. DESPACHO DECISÓRIO. DESCONSTITUIÇÃO DA CAUSA ORIGINAL. NÃO HOMOLOGAÇÃO. EFEITOS.
No caso de julgamento do CARF decidindo pela existência, em tese, do direito ao crédito, ocorre a desconstituição da causa original do Despacho Decisório, cabendo à autoridade fiscal apurar, por meio de novo Despacho devidamente fundamentado, a liquidez e certeza do crédito pleiteado pelo sujeito passivo.
Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/01/2001 a 31/01/2004
PIS. RESTITUIÇÃO. DECORRENTE DA MESMA MATÉRIA FÁTICA.
Aplica-se ao pedido da Contribuição para o PIS/Pasep o decidido em relação à COFINS discutido a partir da mesma matéria fática.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3402-006.108
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar parcial provimento ao Recurso Voluntário para: (i) afastar o fundamento original do Despacho Decisório com base no RE nº 585.235-1/MG e, (ii) determinar que a autoridade fiscal de origem apure, por meio de novo Despacho Decisório, a liquidez e certeza do crédito pleiteado pelo sujeito passivo.
(assinado digitalmente)
Waldir Navarro Bezerra - Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Waldir Navarro Bezerra, Rodrigo Mineiro Fernandes, Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Pedro Sousa Bispo, Cynthia Elena de Campos e Thais De Laurentiis Galkowicz.
Nome do relator: WALDIR NAVARRO BEZERRA
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Período de apuração: 01/01/2001 a 31/01/2004 COFINS. BASE DE CÁLCULO. INCONSTITUCIONALIDADE. A base de cálculo da contribuição para a COFINS é o faturamento, assim compreendido como a receita bruta da venda de mercadorias, de serviços e mercadorias e serviços, afastado o disposto no § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98, por sentença proferida no RE nº 585.235/MG pelo plenário do Supremo Tribunal Federal (STF) em 09/11/2005, transitada em julgado em 29/09/2006 (repercussão geral). RESTITUIÇÃO. EXTENSÃO ADMINISTRATIVA DE DECISÕES JUDICIAIS. Nos termos do art. 62, §2º do RICARF, deve ser estendido aos casos concretos a interpretação vertida no RE nº 357.950/RS, por força do que restou decidido no RE nº 585.235/MG. COMPENSAÇÃO. DESPACHO DECISÓRIO. DESCONSTITUIÇÃO DA CAUSA ORIGINAL. NÃO HOMOLOGAÇÃO. EFEITOS. No caso de julgamento do CARF decidindo pela existência, em tese, do direito ao crédito, ocorre a desconstituição da causa original do Despacho Decisório, cabendo à autoridade fiscal apurar, por meio de novo Despacho devidamente fundamentado, a liquidez e certeza do crédito pleiteado pelo sujeito passivo. Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/01/2001 a 31/01/2004 PIS. RESTITUIÇÃO. DECORRENTE DA MESMA MATÉRIA FÁTICA. Aplica-se ao pedido da Contribuição para o PIS/Pasep o decidido em relação à COFINS discutido a partir da mesma matéria fática. Recurso Voluntário Negado.
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BASE DE CÁLCULO. INCONSTITUCIONALIDADE. A base de cálculo da contribuição para a COFINS é o faturamento, assim compreendido como a receita bruta da venda de mercadorias, de serviços e mercadorias e serviços, afastado o disposto no § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98, por sentença proferida no RE nº 585.235/MG pelo plenário do Supremo Tribunal Federal (STF) em 09/11/2005, transitada em julgado em 29/09/2006 (repercussão geral). RESTITUIÇÃO. EXTENSÃO ADMINISTRATIVA DE DECISÕES JUDICIAIS. Nos termos do art. 62, §2º do RICARF, deve ser estendido aos casos concretos a interpretação vertida no RE nº 357.950/RS, por força do que restou decidido no RE nº 585.235/MG. COMPENSAÇÃO. DESPACHO DECISÓRIO. DESCONSTITUIÇÃO DA CAUSA ORIGINAL. NÃO HOMOLOGAÇÃO. EFEITOS. No caso de julgamento do CARF decidindo pela existência, em tese, do direito ao crédito, ocorre a desconstituição da causa original do Despacho Decisório, cabendo à autoridade fiscal apurar, por meio de novo Despacho devidamente fundamentado, a liquidez e certeza do crédito pleiteado pelo sujeito passivo. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/01/2001 a 31/01/2004 PIS. RESTITUIÇÃO. DECORRENTE DA MESMA MATÉRIA FÁTICA. Aplicase ao pedido da Contribuição para o PIS/Pasep o decidido em relação à COFINS discutido a partir da mesma matéria fática. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 58 0. 00 23 58 /2 00 6- 41 Fl. 219DF CARF MF 2 Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar parcial provimento ao Recurso Voluntário para: (i) afastar o fundamento original do Despacho Decisório com base no RE nº 585.2351/MG e, (ii) determinar que a autoridade fiscal de origem apure, por meio de novo Despacho Decisório, a liquidez e certeza do crédito pleiteado pelo sujeito passivo. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Waldir Navarro Bezerra, Rodrigo Mineiro Fernandes, Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Pedro Sousa Bispo, Cynthia Elena de Campos e Thais De Laurentiis Galkowicz. Relatório Tratase de Pedido de Restituição (fls. 2/9), protocolado em 14/03/2006, relativo ao alegado pagamento indevido do PIS e da COFINS sobre as “Receitas Financeiras” e outras especificadas, com base na decisão do Supremo Tribunal Federal (STF) que declarou a inconstitucionalidade do art. 3º, § 1º, da Lei nº 9.718/98. Alega a Recorrente que o Pedido de Restituição se refere a pagamentos indevidos de PIS e CCOFINS realizados entre janeiro de 2001 a janeiro de 2004, sobre Receitas financeiras (e outras), que segundo o citado dispositivo legal, integrariam a base de cálculo das contribuições. A empresa apresentou sua defesa contra o Despacho Decisório nº 2.789, de 29 de outubro de 2007 (fls. 134/137), proferido pela DRF de Feira de Santana (BA), que indeferiu o direito creditório da contribuinte, no valor original de RS 786.472,31. Na fundamentação do Despacho Decisório, o Fisco ressalta que "(...) a Lei n° 9.718. de 1998, se encontra plenamente válida no ordenamento jurídico pátrio, sendo vedado à Secretaria da Receita Federal, a decisão acerca da inconstitucionalidade da norma legal questionada". Cientificada do despacho decisório em 12/11/2007, a Recorrente apresentou a Manifestação de Inconformidade em 11/12/2007, sendo esses os pontos de sua irresignação, em síntese: a) inconstitucionalidade decisão do STF: não se trata de decidir sobre a inconstitucionalidade de norma legal, mas de aplicar o entendimento pacifico do Supremo Tribunal Federal, no sentido da inconsistência da alteração da base de cálculo do PIS e da COFINS promovida pela Lei n° 9.718, de 1998, conforme julgamentos dos Recursos Extraordinários n° 346.084, 357.950, 358.273 e 390.840; b) ilegalidade: o alargamento pretendido pela Lei n° 9.718, de 1998, também violou o art. 110 do Código Tributário Nacional, padecendo, assim, de vício de ilegalidade; Fl. 220DF CARF MF Processo nº 10580.002358/200641 Acórdão n.º 3402006.108 S3C4T2 Fl. 220 3 c) Taxa Selic: os valores a serem restituídos devem ser atualizados pela taxa Selic, desde a data do recolhimento indevido até a data da efetiva restituição, em atendimento ao que dispõe a Lei n° 9.250, de 1995, e a Instrução Normativa SRF n°600, de 2005; e d) impossibilidade de apresentação de PER/DCOMP: o pedido de restituição se deu em razão de pagamento indevido ou a maior de PIS e Cofins; Ocorre que esse tipo de requisição somente pode ser efetuado através do programa PER/DCOMP quando a quitação do tributo tiver ocorrido por meio de pagamento de DARF; Entretanto, no presente caso , as contribuições não foram pagas mediante DARF, eis que a quitação ocorreu mediante compensação; Dada a impossibilidade de utilização do PER/DCOMP, o pedido foi preenchido em formulário, nos termos dos §§ 2' e 3° do art. 76 da IN SRF n° 600. de 2005. Por meio do Acórdão nº 1520.408, de 20 de agosto de 2009, a 4ª Turma da DRJ Salvador/BA, indeferiu a Manifestação de Inconformidade, sob o principal argumento de que a decisão sobre a inconstitucionalidade do art. 3º, § 1º da Lei nº 9.718/98, não atende aos requisitos do Decreto nº 2.346/97, e, portanto, não pode ser aplicada aos demais contribuintes. Regularmente notificado do acórdão de primeira instância, o contribuinte recorreu em tempo hábil a este Conselho, alegando, em síntese, que o art. 3º, § 1º, da Lei nº 9.718/98 é inconstitucional e que o plenário do Supremo Tribunal Federal já declarou essa inconstitucionalidade em caráter definitivo. Existindo decisão definitiva do STF, ainda que proferida no controle difuso, os arts. 1º e 4º do Decreto nº 2.346/97 autorizam a autoridade administrativa a decidir de acordo com o que preceitua o STF. Disse que recolheu indevidamente as Contribuições por ter incluído em sua base de cálculo, além das Receitas Financeiras, as seguintes contas da contabilidade: 44.101 1 Abatimentos obtidos (ORO); 44.101.5 Brindes e Amostras; 44.1012 Outras Rendas (ORO) 44.2000 Recuperação Créditos Fiscais; 44.2012 Ressarcimento Créd Presumido IPI s/ Pis Cofins; 44.2020 Recuperação Crédito Fiscal; 44.2021 Crédito Presumido do ICMS 90% vendas MI e 44.2022 Recuperação Créd Fiscal Crédito Presumido ICMS 90% Vendas MI Crédito ICMS Extemp. Comunic/Combustível, receitas essas distintas do faturamento, as quais, segundo a decisão do STF, não poderiam ter sofrido a incidência tributária. Anexa planilha demonstrativa. Da impossibilidade de apresentação de PER/DCOMP: alega que tinha direito ao beneficio do crédito presumido de IPI, instituído pelas Leis nºs 9.363/96 e 10.276/2001. Além disso, a Recorrente possuía outros créditos passíveis de compensação. Esses créditos foram utilizados para quitar os débitos relativos às contribuições ao PIS e COFINS, nos termos do disposto na Lei n. 9.718/98. Requer a reforma da decisão recorrida e o deferimento da Restituição pleiteada. É o relatório. Voto Conselheiro Waldir Navarro Bezerra, Relator. Fl. 221DF CARF MF 4 O recurso voluntário preenche os requisitos formais de admissibilidade e, portanto, dele tomo conhecimento. Como relatado, tratase de Pedido de Ressarcimento de PIS e da COFINS incidente sobre recolhimentos, cuja base de cálculo não seja, exclusivamente, o valor das vendas de bens e serviços no mercado interno. Em seu recurso requer que sejam excluídas da base de cálculo as Receitas Financeiras, assim como os abatimentos obtidos, outras rendas, recuperação de créditos fiscais, dentre outras rubricas, apurada entre 01/2001 e 01/2004, conforme Lei nº 9.718, de 27 de novembro de 1998. A solicitação foi formalizada através do formulário Pedido de Ressarcimento, aprovado pela Instrução Normativa SRF n° 600, de 2005, em virtude da impossibilidade de ter seu pleito requerido eletronicamente mediante a utilização do Programa PER/DCOMP. O fundamento do indébito é a declaração de inconstitucionalidade, em sede de controle difuso, do dispositivo legal que serviu de base aos recolhimentos, qual seja: o art. 3º, § 1º da Lei nº 9.718/98. No entanto, a Delegacia de Julgamento em Salvador/BA, entendeu à época, que tal decisão se aplica unicamente ao caso concreto julgado pelo STF, não sendo passível de ser estendida a outros contribuintes. a) Da Prescrição Preliminarmente, cabeme apreciar de ofício a questão da prescrição (ou da decadência como entendem alguns) do direito à restituição do indébito. No caso concreto estamos diante do Pedido de Restituição de tributo sujeito ao lançamento por homologação. Ao julgar o RE nº 566.621, o Supremo Tribunal Federal, em julgamento com caráter de repercussão geral, considerou que para Ações de repetição do indébito propostas até 08 de junho de 2005 deve prevalecer o prazo de 10 (dez) anos, nos termos da jurisprudência do STJ, e o prazo de 5 (cinco) anos para ações propostas a partir de 09 de junho de 2005, a teor do art. 3º, combinado com o art. 4º da Lei Complementar nº 118, de 09 de fevereiro de 2005. No caso, o Pedido de Restituição foi protocolado (em formulário papel) em 14/03/2006 (doc. fl. 2). Tendo a Recorrente manejado o Pedido de Restituição em 14 de março de 2006, aplicase ao caso concreto o prazo de prescrição de 05 (cinco) anos, contados da data do pagamento indevido, a teor dos arts. 3º e 4º da Lei nº 118, de 09/02/2005, combinado com o art. 168, I, do CTN. Aplicandose tal critério, verificase que no caso sob análise não existe nenhum pagamento prescrito, pois os débitos informados referente aos fatos geradores ocorridos entre 01/2001 e 01/2004, foram consideradas extintas por meio de compensação. O débito referente ao mês de Janeiro/2001, foi extintas por compensação em 10/04/2001, conforme data de protocolo da declaração de compensação (fl. 35). O de fevereiro/2001, compensado em 04/05/2001 (fl. 36). E os débitos dos períodos de março a dezembro de 2001 foram extintas por compensações efetuadas ao longo de 2004 (fls. 37 e ss.). Assim, não havendo prescrição, passase ao exame da questão de fundo. b) Do Direito alegado pela Recorrente É consabido que o Supremo Tribunal Federal ao julgar o Recurso Extraordinário nº 357.950/RS, em 09/11/2005 (Diário da Justiça da União de 15/08/2006), declarou a inconstitucionalidade do art. 3º, § 1º da Lei nº 9.718/98 e a constitucionalidade do art. 8º da referida lei. Fl. 222DF CARF MF Processo nº 10580.002358/200641 Acórdão n.º 3402006.108 S3C4T2 Fl. 221 5 A análise do inteiro teor daquela decisão revela que somente as receitas provenientes da venda de mercadorias e da prestação de serviços podem sofrer a incidência do PIS e da COFINS, uma vez que o Tribunal considerou que o art. 3º, § 1º da Lei nº 9.718/98 era incompatível com o art. 195, I, “b” da Constituição, em sua redação original, e que a mácula do dispositivo legal não desapareceu com a superveniência da EC nº 20/98. Como é cediço, existindo decisão definitiva do STF, proferida em sede de controle difuso, a questão que se coloca é a possibilidade de a Administração Pública estendê la aos demais contribuintes. Mais adiante, ao julgar o RE nº 585.2351/MG, o Supremo Tribunal Federal reconheceu a repercussão geral da questão constitucional versada nos RE nº 346.084/PR, 357.950/RS, 358.273/RS e 390.840/MG, em acórdão que recebeu a seguinte ementa: "RECURSO. Extraordinário. Tributo. Contribuição social. PIS. COFINS. Alargamento da base de cálculo. Art. 3º, § 1º, da Lei nº 9.784/98. Inconstitucionalidade. Precedentes do Plenário (RE nº 346.084/PR, Rel. org. Min. ILMAR GALVÃO, DJ de 1º.9.2006; REs nº 357.950/RS, 358.273/RS e 390.840/MG, Rel. Min. MARCO AURÉLIO, DJ de 15.8.2006) Repercussão Geral do tema. Reconhecimento pelo Plenário. Recurso improvido. E inconstitucional a ampliação da base de cálculo do PIS e da COFINS prevista no art. 3º, § 1º, da Lei nº 9.718/98." Verificase que o §2º do art. 62, do Regimento Interno do CARF vincula os Conselheiros às decisões proferidas pelo STF e pelo STJ nos seguintes termos: Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. (...). § 2º As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática dos arts. 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 1973, ou dos arts. 1.036 a 1.041 da Lei nº 13.105, de 2015 Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. (Redação dada pela Portaria MF nº 152, de 2016) Posto isto, considerando que o indébito ora pleiteado decorre da alegada inclusão na base de cálculo da Contribuição do PIS e da COFINS sobre as Receitas Financeiras, bem como dos abatimentos obtidos, outras rendas, recuperação de créditos fiscais, dentre outros, apurada entre 01/2001 e 01/2004, que, em preincípio, não se identificam com o conceito de faturamento estabelecido pelo STF, voto no sentido de reconhecer, em tese, a existência do direito da Recorrente à repetição do indébito com base no RE nº 585.2351/MG. c) Da Liquidez e Certeza do crédito Ultrapassado a questão de direito, tornase fundamental apreciar a matéria de prova, de modo a se averiguar a liquidez e certeza do crédito alegado. Como relatado, o presente processo se refere ao Pedido de Restituição de contribuições do PIS e da COFINS recolhidos (fls. 2/9), cuja base de cálculo não seja, Fl. 223DF CARF MF 6 exclusivamente, o valor das vendas de bens e serviços no mercado interno. Em suma, a Recorrente requer que sejam excluídas da base de cálculo as Receitas financeiras, assim como os abatimentos obtidos, outras rendas, recuperação de créditos fiscais, dentre outros. Pois bem. Como visto, o pedido foi negado, por entender a fiscalização no seu Despacho Decisório nº 2.789/2007, proferido pela DRF/Feira de Santana (BA), que (fls. 134/137): "(...) A Constituição Federal em seu art. 2° estabelece o principio da separação e independência dos Poderes, sendo, portanto, interditado ao Executivo avocar matéria de competência privativa do Poder Judiciário como é a de decidir acerca da inconstitucionalidade de norma legal. A Secretaria da Receita Federal, como órgão da Administração Direta da Unido, não é competente para decidir acerca da inconstitucionalidade de norma legal, cabendolhe, mediante ação administrativa, aplicar a lei tributária ao caso concreto. O foro competente para apreciar argüição de descumprimento de preceito constitucional é o Supremo Tribunal Federal, consoante dispõe art. 102, parágrafo único da Constituição Federal. Uma vez positivada a norma, é dever da autoridade fiscal aplicála, sem perquirir acerca da justiça ou injustiça dos efeitos que gerou. O texto legal é bastante claro ao determinar que as contribuições para o PIS/Pasep e a Cofins serão calculadas com base no seu faturamento, que corresponde à receita bruta da pessoa jurídica, entendendose por receita bruta a totalidade das receitas auferidas pela pessoa jurídica, sendo irrelevantes o tipo de atividade por ela exercida e a classificação contábil adotada para as receitas, admitindose a exclusão apenas das parcelas elencadas pela lei, pois a lista é exaustiva, de modo que não cabem novas exclusões além daquelas ali discriminadas.(...)" Este mesmo entendimento também foi referendado pela decisão de primeira instância administrativa, conforme se verifica no Acórdão às fls. 159/165. No entanto, no caso, vislumbrase a necessidade de reforma do Despacho Decisório e da decisão de primeira instância, vez que o fundamento jurídico por elas concedidos (Recursos Extraordinários n° 357.950, 390.840, 358.273 e 346.084 o Plenário do Supremo Tribunal Federal (STF) que decidiu pela inconstitucionalidade do parágrafo 1º do artigo 3° da Lei nº 9.718, de 1998, excluindo as receitas estranhas ao faturamento da base de cálculo do PIS c da Cofins), foi no sentido que, "tais ações julgadas tem efeitos apenas para as partes, não se estendendo a terceiros com efeitos erga omines, como requereu a Recorrente". Por outro lado, como vimos no tópico "b" acima (do direito), ao julgar o RE nº 585.2351/MG, o Supremo Tribunal Federal reconheceu a repercussão geral da questão constitucional versada nos RE nº 357.950/RS, 358.273/RS e 390.840/MG, conforme definido no RE nº 585.2351/MG, em sede de repercussão geral. Assim, diante destas circunstâncias, afastado o único fundamento jurídico apresentado para a negativa à restituição do crédito, necessário que seja realizado um novo trabalho fiscal para a confirmação da validade e liquidez do crédito, e não simplesmente realização de uma diligência para a verificação de sua validade nesta segunda instância administrativa. Isto porque no caso em tela, a análise da prova restou prejudicada, pois a DRF, em seu Despacho Decisório de fls. 134/137, não apreciou esse aspecto. Assim, e Fl. 224DF CARF MF Processo nº 10580.002358/200641 Acórdão n.º 3402006.108 S3C4T2 Fl. 222 7 considerando que a supressão de instância somente pode ser realizada se esta for favorável ao sujeito passivo, forte no art. 59, § 3º, do Decreto 70.235/72, bem como já entendido em outras oportunidades por este Conselho, como por exemplo: "Processo administrativo fiscal. Nulidade. Supressão de instância. Cerceamento do direito de defesa. As normas que regem o processo administrativo fiscal concedem ao contribuinte o direito de ver apreciada toda a matéria litigiosa em duas instâncias. Supressão de instância é fato caracterizador do cerceamento do direito de defesa. Nulo é o ato administrativo maculado com vício dessa natureza. Processo que se declara nulo a partir do despacho decisório viciado, inclusive." (Grifei) (PAF nº 16327.002874/9971 Data da Sessão 05/12/2006 Relator Tarásio Campelo Borges Nº Acórdão 30333.805). Desta forma, devem os autos retornar para a Unidade preparadora de origem (DRF/Feira de Santana/BA), para apreciar quanto à matéria de prova, de modo a se averiguar a liquidez e certeza do crédito alegado no pedido. d) Dispositivo Diante do acima exposto, deve ser dado parcial provimento ao Recurso Voluntário para que seja reformado o Despacho Decisório de fls. 134/137, afastando sua fundamentação e, que seja analisada pela autoridade fiscal a liquidez e certeza do crédito pleiteado no Pedido de Restituição relativo a Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social COFINS e a Contribuição para o Programa de Integração Social PIS, referentes aos períodos de apuração de janeiro de 2001 a janeiro de 2004 (fls. 2/9). É como voto. Waldir Navarro Bezerra (assinado digitalmente) Fl. 225DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 11070.002350/2009-40
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Nov 20 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Jan 23 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/06/2005 a 31/12/2005
REGIME NÃO-CUMULATIVO. APURAÇÃO DE CRÉDITOS. RATEIO PROPORCIONAL.
A pessoa jurídica sujeita à cobrança não-cumulativa da COFINS que aufira receitas submetidas a diversas fontes (vinculadas a operações de mercado interno; mercado interno não tributadas - isenção, alíquota zero e não incidência - e exportação), no caso de custos, despesas e encargos vinculados a todas as espécies de receitas, calculará os créditos correspondentes a cada espécie de receita pelo método de apropriação direta ou de rateio proporcional, a seu critério. No método de rateio proporcional, aplica-se aos custos, despesas e encargos comuns a relação percentual existente entre a receita bruta de cada espécie de receita e a receita bruta total, auferidas em cada mês, considerados todos os estabelecimentos da pessoa jurídica.
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Numero da decisão: 9303-007.635
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em dar-lhe provimento, vencidas as conselheiras Tatiana Midori Migiyama, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello, que lhe negaram provimento.
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em exercício e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente em exercício).
Nome do relator: RODRIGO DA COSTA POSSAS
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CRÉDITOS. RATEIO PROPORCIONAL. Recorrente FAZENDA NACIONAL Interessado COOPERATIVA TRITÍCOLA REGIONAL SANTO ÂNGELO LTDA EM LIQUIDAÇÃO ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/06/2005 a 31/12/2005 REGIME NÃOCUMULATIVO. APURAÇÃO DE CRÉDITOS. RATEIO PROPORCIONAL. A pessoa jurídica sujeita à cobrança nãocumulativa da COFINS que aufira receitas submetidas a diversas fontes (vinculadas a operações de mercado interno; mercado interno não tributadas isenção, alíquota zero e não incidência e exportação), no caso de custos, despesas e encargos vinculados a todas as espécies de receitas, calculará os créditos correspondentes a cada espécie de receita pelo método de apropriação direta ou de rateio proporcional, a seu critério. No método de rateio proporcional, aplicase aos custos, despesas e encargos comuns a relação percentual existente entre a receita bruta de cada espécie de receita e a receita bruta total, auferidas em cada mês, considerados todos os estabelecimentos da pessoa jurídica. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em darlhe provimento, vencidas as conselheiras Tatiana Midori Migiyama, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello, que lhe negaram provimento. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em exercício e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente em exercício). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 07 0. 00 23 50 /2 00 9- 40 Fl. 573DF CARF MF Processo nº 11070.002350/200940 Acórdão n.º 9303007.635 CSRFT3 Fl. 3 2 Relatório Trata o presente processo de ressarcimento de créditos da COFINS oriundos da incidência não cumulativa em operações do mercado interno não tributada (isenção alíquota zero e não incidência). Despacho Decisório do SEORT/DRF/CPS reconheceu parcialmente o direito creditório pleiteado. Intimada do despacho, a contribuinte apresentou manifestação de inconformidade. Em resumo, apresentou os seguintes argumentos: · o método de rateio para a apropriação dos créditos está legalmente previsto, enquanto a metodologia híbrida adotada agente fiscal neste processo foi realizada sem embasamento legal. · não tendo resultado base de cálculo tributável, o crédito apurado não pode ser rateado com a receita do mercado interno tributada, devendo, portanto, ser mantido o rateio dos créditos de acordo com a proporcionalidade apurada pela cooperativa. · o art. 9º da Lei nº 10.925/2004 possibilitou, a partir de 1º/08/2004, que as vendas de produtos relacionados no art. 8º daquela Lei fossem realizadas com suspensão do PIS e da Cofins. Posteriormente foram editadas as Leis nºs 11.033/2004 e 11.116/2005, onde ficou autorizado expressamente o ressarcimento/compensação dos créditos acumulados; · a cooperativa tem direito ao crédito presumido, eis que: desempenha atividades agroindustriais na produção das mercadorias classificadas nos capítulos 8 a 12 da NCM; adquire de pessoas físicas e jurídicas que desempenham atividade rural, insumos utilizados no processo produtivo, em conformidade com o inciso II do art. 3º das Leis nºs 10.637/2002 e 10.833/2003, e art. 7º da IN SRF 660; bem como realiza o beneficiamento das mercadorias (grãos) através de procedimentos próprios e necessários para obtenção do Padrão Oficial; · o estoque de abertura é formado pelo custo de aquisição nos bens relacionados no art. 3º daquelas Leis, cuja possibilidade de ressarcimento do crédito apurado é reconhecida pela própria RFB, conforme disciplinado nos arts. 27 e 29 da IN SRF nº 900/2008, razão pela qual a cooperativa requer o ressarcimento integral do crédito presumido sobre o estoque de abertura na proporção das receitas de exportação, suspensão, isenção, alíquota zero ou não incidência. · devem ser consideradas as exclusões da base de cálculo referente aos valores repassados aos associados, às vendas Fl. 574DF CARF MF Processo nº 11070.002350/200940 Acórdão n.º 9303007.635 CSRFT3 Fl. 4 3 efetuadas a associados, à receita da industrialização da produção do associado e ao custo agregado ao produto agropecuário do associado; · a autoridade fiscal violou o art. 2º da Lei nº 9.784/1999, não observando os princípios que devem nortear a administração pública; · os créditos da cooperativa devem ser corrigidos pela Selic, nos termos do § 4º do art. 39 da Lei nº 9.250/1995 a partir do fato gerador, correspondendo, no presente caso, a partir de cada período de apuração, ou seja, a partir do momento que o crédito poderia ter sido aproveitado. A DRJ julgou procedente em parte a manifestação de inconformidade, reconhecendo mais uma parcela do direito creditório. Intimada do acórdão de piso, a contribuinte interpôs recurso voluntário, onde retomou os argumentos da manifestação de inconformidade e acrescentou outros, sob os seguintes tópicos: 1) Do critério de rateio para apropriação dos créditos apurados proporcionais às receitas de exportações, receitas no mercado interno tributadas e não tributadas; 2) Das vendas com suspensão do PIS e Cofins Ilegítima restrição ao aproveitamento de créditos; 3) Crédito presumido Atividade agroindustrial Produção das mercadorias de origem vegetal classificadas nos capítulos 8 a 12 da NCM; 4) Da apuração da base tributável do PIS e Cofins Exclusões permitidas às sociedades cooperativas; e 5) Previsão legal para incidência da Selic O recurso voluntário foi apreciado pela 2ª Turma Ordinária da 4ª Câmara da Terceira Seção de Julgamento em 29/03/2017, resultando no acórdão nº 3402003.977, que, na parte de interesse ao presente julgamento, tem a seguinte ementa: RATEIO PROPORCIONAL. CRÉDITO VINCULADOS AO MERCADO INTERNO. INCLUSÃO NO CÁLCULO. Todos os créditos normais do contribuinte devem integrar a base de cálculo do rateio proporcional para fins de ressarcimento das exportações, independente de ser ou não o mesmo vinculado ao mercado externo. Intimada para ciência do acórdão a Procuradoria da Fazenda Nacional interpôs recurso especial de divergência. O acórdão paradigma nº 330201.184 afirma que somente os custos, despesas e encargos comuns às receitas de exportação e às receitas do mercado interno podem compor o método do rateio proporcional utilizado para o cálculo dos créditos previstos no art. 6º, § 3, da Lei nº 10.833/2003. O acórdão a quo, por sua vez, autoriza que custos, despesas e encargos vinculados exclusivamente ao mercado interno componham o cálculo dos créditos previstos no art. 6º, § 3º da mesma lei. Fl. 575DF CARF MF Processo nº 11070.002350/200940 Acórdão n.º 9303007.635 CSRFT3 Fl. 5 4 O Presidente da 4ª Câmara da Terceira Seção de Julgamento do CARF, apreciou o recurso especial de divergência do Procurador, com base nos arts. 67 e 68 do Anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais RICARF, aprovado pela Portaria n° 343 de 09/06/2015, dandolhe seguimento. Intimada do acórdão recorrido, do recurso especial de divergência da Procuradoria da Fazenda Nacional e do despacho de admissibilidade deste recurso, a contribuinte não apresentou contrarrazões no prazo regimental. É o relatório. Voto Conselheiro Rodrigo da Costa Pôssas, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 9303007.631, de 20/11/2018, proferido no julgamento do processo 11070.002343/200948, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 9303007.631): "O recurso especial de divergência da Fazenda é tempestivo, cumpre os requisitos regimentais e por isso dele conheço. Restou o litígio apenas em relação ao critério de rateio para apropriação dos créditos apurados proporcionais às receitas de exportações, receitas do mercado interno tributadas e receitas do mercado interno não tributadas (alíquota zero, isenção ou não incidência). Interessante salientar que tanto o acórdão recorrido, quanto a decisão da DRJ que manteve o critério de rateio utilizado pela fiscalização se estribaram na mesma legislação e instruções da RFB para a chegar a conclusões opostas. O acórdão a quo afirma que se deveria adotar exclusivamente o método de rateio proporcional, independentemente de haverem custos identificáveis como vinculados tanto às receitas de exportação (por não incidir a Cofins sobre elas) como às do mercado interno. Entendeu que haveria uma distinção pela fiscalização que a lei não autorizaria. A situação discutida no recorrido se vincula às receitas do mercado interno não tributadas (alíquota zero, isenção ou não incidência), que geravam direito a crédito, tendo estas o rateio pelo mesmo tratamento das receitas de exportação. Por outro lado, o acórdão paradigma é expresso em restringir o rateio aos custos comuns, não havendo falar em rateio de custos específicos. Esse tema foi recentemente enfrentado pela Solução de Consulta Cosit n° 293, de 2017, que é expressa em seu item 2.1, restringindo o rateio aos custos comuns, nos seguintes termos: Fl. 576DF CARF MF Processo nº 11070.002350/200940 Acórdão n.º 9303007.635 CSRFT3 Fl. 6 5 21. Como já mencionado, a interessada opta pelo método de rateio proporcional para calcular seus créditos da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins vinculados à exportação. 21.1. O método de rateio proporcional, na literalidade do inciso II do § 8º do art. 3º da Lei nº 10.833, de 2003, deve ser aplicado naquelas hipóteses em que existam custos, despesas e encargos que sejam vinculados de forma comum a receitas brutas sujeitas a incidência cumulativa e não cumulativa dessas contribuições. 21.2. E sobre o valor daqueles custos, despesas e encargos comuns, a pessoa jurídica sujeita à incidência parcial da não cumulatividade das contribuições em epígrafe, deve aplicar o seguinte percentual para obter os montantes dos créditos de tais contribuições relativos àqueles dispêndios: Receita Bruta Sujeita à Não Cumulatividade Receita Bruta Total (grifos na transcrição) Para exemplificar numericamente a linha de raciocínio aqui traçada, peço vênia para apresentar didaticamente uma situação muito simples, de: receitas de exportação, no mercado internas tributadas e no mercado interno não tributadas, cada uma delas no valor de R$ 1.000,00 e custos totais de R$ 1.400,00, distribuídos conforme tabela abaixo: Custos Valor Vinculados à Exportação 200,00 Vinculados a operações no mercado interno tributadas 800,00 Vinculados a operações no mercado interno não tributadas 200,00 Comuns 200,00 Total 1.400,00 A memória de Cálculo a seguir ilustra a diferença entre o rateio dos custos comuns e do total de custos. Receitas Custos Valor % Valor Rateio ‐ Total Rateio ‐ Custos Comuns Exportação 1.000,00 0,33 200,00 466,67 266,67 Internas tributadas 1.000,00 0,33 800,00 466,67 866,67 Internas não tributadas 1.000,00 0,33 200,00 466,67 266,67 Custos comuns n/a n/a 200,00 n/a n/a Total 3.000,00 1.400,00 Repare que, em se considerando o rateio do total de custos, os custos atribuídos à exportação passariam a ser de R$ 466,00, ou seja, superiores ao somatório dos custos próprios e dos custos comuns (R$ 200,00 + R$ 200,00), que somente alcançariam o valor de R$ 400,00. Em outras palavras, créditos inequivocamente relativos a operações internas tributadas seriam tratados como vinculados à exportação. Penso que esse seja o ponto que remanesce sob questão no aresto ora contestado e entendo que a lógica da apuração da decisão de primeira instância esteja escorreita. Fl. 577DF CARF MF Processo nº 11070.002350/200940 Acórdão n.º 9303007.635 CSRFT3 Fl. 7 6 Dessarte, deve ser provido o recurso especial de divergência da Procuradoria da Fazenda Nacional. CONCLUSÃO Em face do exposto, voto por conhecer do recurso especial de divergência da Procuradoria da Fazenda Nacional, para darlhe provimento." Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, o recurso especial da Fazenda Nacional foi conhecido e, no mérito, o colegiado deulhe provimento. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Fl. 578DF CARF MF
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Numero do processo: 16366.000938/2007-03
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jan 29 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Mon Feb 25 00:00:00 UTC 2019
Numero da decisão: 3201-001.577
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento do Recurso em diligência.
(assinado digitalmente)
Charles Mayer de Castro Souza - Presidente
(assinado digitalmente)
Paulo Roberto Duarte Moreira - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza, Marcelo Giovani Vieira, Tatiana Josefovicz Belisario, Paulo Roberto Duarte Moreira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laercio Cruz Uliana Junior.
Relatório
Nome do relator: PAULO ROBERTO DUARTE MOREIRA
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Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento do Recurso em diligência. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza Presidente (assinado digitalmente) Paulo Roberto Duarte Moreira Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza, Marcelo Giovani Vieira, Tatiana Josefovicz Belisario, Paulo Roberto Duarte Moreira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laercio Cruz Uliana Junior. Relatório O interessado acima identificado recorre a este Conselho, de decisão proferida pela Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Curitiba/PR. Para bem relatar os fatos, transcrevese o relatório da decisão proferida pela autoridade a quo: Trata o processo de pedido de ressarcimento de R$ 1.412,18 de crédito de PIS/Pasep não cumulativo (fls. 02/05) relativo ao 4° trimestre de RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 63 66 .0 00 93 8/ 20 07 -0 3 Fl. 253DF CARF MF Processo nº 16366.000938/200703 Resolução nº 3201001.577 S3C2T1 Fl. 254 2 2006, proveniente de operações no mercado interno (Per/Dcomp nº 04308.16245.050407.1.1.101340), apresentado em 05/04/2007. Às fls. 06/47, juntouse cópia do Dacon Demonstrativo de Apuração das Contribuições Sociais relativo aos meses de outubro a dezembro de 2006. Às fls. 48/137, intimações fiscais (Intimação Saort n° 799/2007; Intimação Saort n° 838/2007; Intimação Saort nº 856/2.007; Intimação Saort n° 948/2007, Intimação Saort n° 1.029/2007, Intimação Saort nº 1.149/2007), comprovantes de entrega, cópia de MPF e cópias de documentos apresentados pela contribuinte (planilhas, notas fiscais, balancetes, etc). O Termo de Informação Fiscal de fls. 138/144, da Seção de Orientação e Análise Tributária da DRF em Londrina, analisa o pleito e propõe o reconhecimento parcial (R$ 15,57) do direito creditório. Com base no Termo de Informação Fiscal de fls. 138/144, a Saort da DRF em Londrina emitiu, em 31/12/2007, o Parecer Saort/DRF/Lon n° 595/2007, que opina pelo deferimento parcial (R$ 15,57) do pedido de ressarcimento. Acolhido o Parecer, na mesma data foi emitido o despacho decisório de fl. 148. Cientificada (fls. 149/150) em 07/01/2008, a contribuinte, em 06/02/2008, apresentou a manifestação de inconformidade de fls. 151/168, cujo teor será a seguir sintetizado. Primeiramente, discorre sobre a sua atividade, salienta que é tributada pelo lucro real, e informa que a “semente de algodão está tributada pelo PIS e Cofins à alíquota zero.” A seguir, fala sobre o pedido apresentado e pede a reforma do despacho decisório. Acrescenta, na sequência, que dada a nãocumulatividade regida pelas Leis n°s 10.637, de 2002 e 10.833, de 2003. 'realiza' créditos por entradas e débitos por saídas. Afirma que apurou débitos e créditos autorizados pelas leis mencionadas de acordo com o art. 17 da Lei n° 11.033, de 2004 e art. 16 da Lei nº 11.116, de 2005. Reclama da glosa relativa a alguns insumos e serviços e diz que “os insumos que supostamente não geram créditos guardam relação direta com a atividade principal da empresa e são imprescindíveis no processo de industrialização dos produtos da Reclamante. Ainda, tais insumos vem onerados pelo PIS e Cofins na cadeia produtiva." Afirma que o julgador incorreu em erro ao interpretar a definição de insumos fixada pela IN SRF n° 247, de 2002, na redação da IN SRF 358, de 2003, já que a norma “não deixa dúvidas que todo e qualquer bem, mercadoria, matériaprima, etc... e serviços, aplicado ou consumido do processo de fabricação é insumo e como tal deve ser considerado na base de créditos.” Nesse contexto, entende incorreta a exclusão, por exemplo, dos serviços de desratização, aquisição de ferragens e correias utilizadas nas máquinas, aquisição de combustíveis, etc. Tanto é assim, afirma, Fl. 254DF CARF MF Processo nº 16366.000938/200703 Resolução nº 3201001.577 S3C2T1 Fl. 255 3 que o legislador preocupouse em esclarecer e definir o que da direito a credito no § 3° do art. 3° das Leis nº 10.637, de 2002 e 10.833, de 2003. Solicita a reinclusão dos valores glosados e o consequente ajuste da apuração dos saldos de créditos e débitos. Noutro tópico, diz que tem direito ao ressarcimento e que o pedido foi feito na forma da lei. Aduz que as operações com cooperados estão fora da incidência do PIS e da Cofins por determinação constitucional. Esclarece que por operar com cooperado e nãocooperado acumulou créditos em razão da nãoincidência, passíveis de ressarcimento. Questiona a interpretação fiscal de não enquadrar as operações com cooperados em qualquer uma das formas tributárias vigentes e conclui que “se uma receita é excluída da base de cálculo, sem qualquer ressalva quanto a sua tributação, notadamente está no campo da não incidência tributária." Insiste que as operações com cooperados geram direito à manutenção de créditos. A seguir, diz que os ajustes efetuados pelo agente fiscal nas proporções de créditos devem ser anulados, promovendose a reinclusão das notas fiscais excluídas na base de créditos. . Quanto aos débitos que estão sendo exigidos no processo n° 16366.003415/200715, diz que devem ter sua exigibilidade suspensa, posto que as glosas são indevidas. Transcreve o art. 48 da IN SRF nº 600, de 2005 e chama a atenção para o disposto no inc. I do seu § 3º. Ao final, requer a reforma da decisão e o deferimento de seu pedido de ressarcimento. Pede, também, que se reconheça e determine a condição de receita sujeita a nãoincidência em relação operações realizadas com cooperados, e, ainda, que a manifestação seja vinculada ao auto de infração objeto do processo n° 16366003415/200719, dada a relação existente. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Curitiba/PR por intermédio da 3ª Turma, no Acórdão nº 0626.204, sessão de 19/04/2010, julgou improcedente a manifestação de inconformidade do contribuinte e não reconheceu o direito creditório. A decisão foi assim ementada Assunto: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/10/2006 a 31/12/2006 PEDRAS, AÇO/FERRO, TÁBUAS. CRÉDITO. DESCONTO D0 PIS/PASEP. As pedras, o aço ou ferro e as tábuas, para que possam ser considerados como insumos, permitindo o desconto do crédito correspondente da contribuição devida ao PIS/Pasep, devem ser consumidos em decorrência de ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação/beneficiamento. SERVIÇOS DIVERSOS. CRÉDITO. DESCONTO DO PIS/PASEP. Fl. 255DF CARF MF Processo nº 16366.000938/200703 Resolução nº 3201001.577 S3C2T1 Fl. 256 4 Os serviços prestados por pessoas jurídicas, para que possam ser assim considerados, e permitir o desconto do credito correspondente da contribuição devida ao PIS/Pasep, devem ser aplicados diretamente sobre o produto em fabricação/beneficiamento. AQUISIÇÃO DE INSUMOS DE COOPERADOS. REMESSAS PARA COOPERADOS. ATO COOPERATIVO. MANUTENÇÃO DOS CRÉDITOS DE PIS NA COOPERATIVA. FALTA DE PREVISÃO LEGAL. As aquisições de insumos de cooperados e as remessas para cooperados configuram ato cooperativo, e atos dessa natureza não implicam operação de mercado, nem contrato de compra e venda de produto ou mercadoria, não havendo, pois, previsão legal para a manutenção dos respectivos créditos de PIS pela Cooperativa de produção agropecuária. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Inconformada a contribuinte, apresentou recurso voluntário no qual repisa os argumentos para o deferimento do pedido de ressarcimento. É o relatório. Voto Conselheiro Paulo Roberto Duarte Moreira, Relator O Recurso Voluntário atende aos requisitos de admissibilidade, razão pela qual dele tomo conhecimento. Consta dos autos que o litígio versa sobre o inconformismo do contribuinte em face do despacho decisório, mantido hígido na decisão a quo, que não concedeu o ressarcimento do saldo credor da Contribuição nãocumulativa, de que trata o art. 17 da Lei nº 11.033/2004, em razão de glosa de créditos com bens e serviços não considerados insumos e a impossibilidade de manutenção de créditos por cooperativa, vinculados às receitas de vendas tributadas à alíquota zero e à operações com cooperados (atos cooperativos). A recorrente é uma cooperativa central de produção agropecuária (congrega outras cooperativas associadas) que se dedica, nos termos de seu contrato social, à (i) prestação de serviços de beneficiamento de algodão em caroço às cooperativas filiadas, pelo qual cobra taxa de prestação de serviço; e (ii) comercialização de produtos adquiridos de associados e beneficiados. Dessa forma, consoante às Leis que instituíram a sistemática de apuração não cumulativa para o PIS/Pasep e para a Cofins é permitida à cooperativa de produção agropecuária a tomada de créditos nas aquisições de mercadoria para revenda, de bens e serviços considerados insumos na produção e prestação de serviços, e de despesas específicas, a teor do art. 3º das Leis nº 10.637/02 e 10.833/03 e art. 21 da Lei 10.865/2004. Fl. 256DF CARF MF Processo nº 16366.000938/200703 Resolução nº 3201001.577 S3C2T1 Fl. 257 5 Enfrento primeiramente a matéria das glosas do crédito com bens e serviços não considerados insumos da atividade desenvolvida pela Coceal. Conceito de insumos para créditos de PIS e Cofins Este Conselho, incluindo esta Turma, entende que o conceito de insumo é mais elástico que o adotado pela fiscalização e julgadores da DRJ nas suas Instruções Normativas n°s. 247/2002 e 404/2004, mas não alcança a amplitude de dedutibilidade utilizado pela legislação do Imposto de Renda, como requer a recorrente. Isto posto, há de se fixar os contornos jurídicos para delimitar os dispêndios (gastos) que são considerados insumos com direito ao crédito das contribuições sociais, quer no processo produtivo ou na prestação de serviço. Ressalto que este Relator vinha acolhendo e adotando o conceito estabelecido pelo Ministro do STJ Mauro Campbell Marques no voto condutor do REsp nº 1.246.317MG, no qual se firmara o entendimento no tripé de que (i) o bem ou serviço tenha sido adquirido para ser utilizado na prestação do serviço ou na produção, ou para viabilizálos em síntese, tenha pertinência ao processo produtivo; (ii) a produção ou prestação do serviço dependa daquela aquisição a essencialidade ao processo produtivo; e (iii) não se faz necessário o consumo do bem ou a prestação do serviço em contato direto com o produto que exprime a possibilidade de emprego indireto no processo produtivo. Recentemente os Ministros do STJ reviram seu posicionamento mantendose a decisão intermediária para concessão do crédito considerandose a essencialidade ou relevância do bem ou serviço no processo produtivo, conforme o REsp nº 1.221.170/PR, julgamento de 22/02/2018, Relatoria do Ministro Napoleão Nunes Maia Filho, com a ementa: TRIBUTÁRIO. PIS E COFINS. CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS. NÃO CUMULATIVIDADE. CREDITAMENTO. CONCEITO DE INSUMOS. DEFINIÇÃO ADMINISTRATIVA PELAS INSTRUÇÕES NORMATIVAS 247/2002 E 404/2004, DA SRF, QUE TRADUZ PROPÓSITO RESTRITIVO E DESVIRTUADOR DO SEU ALCANCE LEGAL. DESCABIMENTO. DEFINIÇÃO DO CONCEITO DE INSUMOS À LUZ DOS CRITÉRIOS DA ESSENCIALIDADE OU RELEVÂNCIA. RECURSO ESPECIAL DA CONTRIBUINTE PARCIALMENTE CONHECIDO, E, NESTA EXTENSÃO, PARCIALMENTE PROVIDO, SOB O RITO DO ART. 543C DO CPC/1973 (ARTS. 1.036 E SEGUINTES DO CPC/2015). 1. Para efeito do creditamento relativo às contribuições denominadas PIS e COFINS, a definição restritiva da compreensão de insumo, proposta na IN 247/2002 e na IN 404/2004, ambas da SRF, efetivamente desrespeita o comando contido no art. 3o., II, da Lei 10.637/2002 e da Lei 10.833/2003, que contém rol exemplificativo. 2. O conceito de insumo deve ser aferido à luz dos critérios da essencialidade ou relevância, vale dizer, considerandose a imprescindibilidade ou a importância de determinado item – bem ou serviço – para o desenvolvimento da atividade econômica desempenhada pelo contribuinte. Fl. 257DF CARF MF Processo nº 16366.000938/200703 Resolução nº 3201001.577 S3C2T1 Fl. 258 6 3. Recurso Especial representativo da controvérsia parcialmente conhecido e, nesta extensão, parcialmente provido, para determinar o retorno dos autos à instância de origem, a fim de que se aprecie, em cotejo com o objeto social da empresa, a possibilidade de dedução dos créditos [sic] realtivos a custo e despesas com: água, combustíveis e lubrificantes, materiais e exames laboratoriais, materiais de limpeza e equipamentos de proteção individualEPI. 4. Sob o rito do art. 543C do CPC/1973 (arts. 1.036 e seguintes do CPC/2015), assentamse as seguintes teses: (a) é ilegal a disciplina de creditamento prevista nas Instruções Normativas da SRF ns. 247/2002 e 404/2004, porquanto compromete a eficácia do sistema de não cumulatividade da contribuição ao PIS e da COFINS, tal como definido nas Leis 10.637/2002 e 10.833/2003; e (b) o conceito de insumo deve ser aferido à luz dos critérios de essencialidade ou relevância, ou seja, considerandose a imprescindibilidade ou a importância de terminado item bem ou serviço para o desenvolvimento da atividade econômica desempenhada pelo Contribuinte. Este novo entendimento, que na verdade não conduz à divergência em relação à decisão no REsp indigitado, insere outros fundamentos para a delimitação dos elementos que geram crédito assentado na essencialidade ou relevância a ser aferida no cotejo (desses elementos) com o processo produtivo ou a atividade desenvolvida pela empresa. A seguir os excertos do voto vista proferido pela Ministra Regina Helena Costa que acabou por pautar o entendimento exarado no voto condutor do Ministro Relator que considero relevantes para demonstrar o entendimento daquele Tribunal e adotálos neste voto: [...] Nesse cenário, penso seja possível extrair das leis disciplinadoras dessas contribuições o conceito de insumo segundo os critérios da essencialidade ou relevância, vale dizer, considerandose a importância de determinado item – bem ou serviço – para o desenvolvimento da atividade econômica desempenhada pelo contribuinte, tal como já expressei, no TRF da 3ª Região, no julgamento das Apelações Cíveis em Mandado de Segurança ns. 001235252.2010.4.03.6100/SP e 000546926.2009.4.03.6100/SP, respectivamente em 15.12.2011 e 31.05.2012. [...] Marco Aurélio Greco, ao dissertar sobre a questão, pondera: De fato, serão as circunstâncias de cada atividade, de cada empreendimento e, mais, até mesmo de cada produto a ser vendido que determinarão a dimensão temporal dentro da qual reconhecer os bens e serviços utilizados como respectivos insumos [...] O critério a ser aplicado, portanto, apóiase na inerência do bem ou serviço à atividade econômica desenvolvida pelo contribuinte (por decisão sua e/ou por delineamento legal) e o grau de relevância que Fl. 258DF CARF MF Processo nº 16366.000938/200703 Resolução nº 3201001.577 S3C2T1 Fl. 259 7 apresenta para ela. Se o bem adquirido integra o desempenho da atividade, ainda que em fase anterior à obtenção do produto final a ser vendido, e assume a importância de algo necessário à sua existência ou útil para que possua determinada qualidade, então o bem estará sendo utilizado como insumo daquela atividade (de produção, fabricação), pois desde o momento de sua aquisição já se encontra em andamento a atividade econômica que – vista global e unitariamente –desembocará num produto final a ser vendido. (Conceito de insumo à luz da legislação de PIS/COFINS , in Revista Fórum de Direito Tributário RFDT, Belo Horizonte, n. 34, jul./ago. 2008, p. 6) [...] Demarcadas tais premissas, temse que o critério da essencialidade diz com o item do qual dependa, intrínseca e fundamentalmente, o produto ou o serviço, constituindo elemento estrutural e inseparável do processo produtivo ou da execução do serviço, ou, quando menos, a sua falta lhes prive de qualidade, quantidade e/ou suficiência. Por sua vez, a relevância, considerada como critério definidor de insumo, é identificável no item cuja finalidade, embora não indispensável à elaboração do próprio produto ou à prestação do serviço, integre o processo de produção, seja pelas singularidades de cada cadeia produtiva (v.g., o papel da água na fabricação de fogos de artifício difere daquele desempenhado na agroindústria), seja por imposição legal (v.g., equipamento de proteção individual EPI), distanciandose, nessa medida, da acepção de pertinência, caracterizada, nos termos propostos, pelo emprego da aquisição na produção ou na execução do serviço.Desse modo, sob essa perspectiva, o critério da relevância revelase mais abrangente do que o da pertinência. [...] Como visto, consoante os critérios da essencialidade e relevância, acolhidos pela jurisprudência desta Corte e adotados pelo CARF, há que se analisar, casuisticamente, se o que se pretende seja considerado insumo é essencial ou de relevância para o processo produtivo ou à atividade desenvolvida pela empresa. Observandose essas premissas, penso que as despesas referentes ao pagamento de despesas com água, combustíveis e lubrificantes, materiais e exames laboratoriais, materiais de limpeza e equipamentos de proteção individual EPI, em princípio, inseremse no conceito de insumo para efeito de creditamento, assim compreendido num sistema de nãocumulatividade cuja técnica há de ser a de "base sobre base". Todavia, a aferição da essencialidade ou da relevância daqueles elementos na cadeia produtiva impõe análise casuística, porquanto sensivelmente dependente de instrução probatória, providência essa, como sabido, incompatível com a via especial. Logo, mostrase necessário o retorno dos autos à origem, a fim de que a Corte a quo, observadas as balizas dogmáticas aqui delineadas, aprecie, em cotejo com o objeto social da empresa, a possibilidade de dedução dos créditos relativos a custos e despesas com:água, Fl. 259DF CARF MF Processo nº 16366.000938/200703 Resolução nº 3201001.577 S3C2T1 Fl. 260 8 combustíveis e lubrificantes, materiais e exames laboratoriais, materiais de limpeza e equipamentos de proteção individual EPI. [...] Firmado nos fundamentos assentados, quanto ao alcance do conceito de insumo, segundo o regime da nãocumulatividade do PIS Pasep e da COFINS, entendo que a acepção correta é aquela em que o os bens e serviços cumulativamente atenda aos requisitos de: 1. essencialidade ou relevância, considerandose a imprescindibilidade ou a importância de determinado item – bem ou serviço – para o desenvolvimento da atividade econômica desempenhada pelo contribuinte; 2. aferição casuística da essencialidade ou relevância, por meio do cotejo entre os elementos (bens e serviços) e o processo produtivo ou a atividade desenvolvida pela empresa; Assim, há de se verificar se o recorrente comprova a utilização dos insumos no contexto da atividade fabricação, produção ou prestação de serviço de forma a demonstrar que o gasto incorrido guarda relação de essencialidade ou relevância com o processo produtivo/prestação de serviço, mediante seu emprego, ainda que indireto, de forma que sua subtração implique ao menos redução da qualidade. Neste ponto, essencial que se conheça as etapas da atividade desenvolvida pela pessoa jurídica (processo produtivo ou prestação de serviços) e quais são os produtos finais elaborados ou o serviço prestado com os insumos, conforme identificados ou descritos nos documentos apresentados. Análise das glosas Na matéria, a fiscalização glosou os créditos apropriados em relação aos bens e serviços listados por entender que não são aplicados ou consumidos diretamente na produção/fabricação dos produtos da Cooperativa, conforme definição do inciso II, do art. 3º da Lei nº 10.833/03, nem se enquadram em nenhuma outra hipótese legal geradora de crédito. Às folhas 125/126 estão sintetizados, por empresa fornecedora/prestadora, os bens e serviços glosados: Fl. 260DF CARF MF Processo nº 16366.000938/200703 Resolução nº 3201001.577 S3C2T1 Fl. 261 9 A recorrente contesta a justificativa da autoridade fiscal com argumentos de que os bens e serviços que tomou crédito são aplicados na processo produtivo e se encontram perfeitamente enquadrados no conceito de insumos e de custos e despesas autorizados pela legislação do Imposto de Renda. Os julgadores da primeira instância decidiram negar os créditos com os bens e serviços listados fundados no argumento de que suas descrições indicam não se tratarem de insumos empregados no processo produtivo, pois não atendem a exigência de aplicação direita ou consumo na fabricação dos bens destinados à venda. A posição intermediária adotada pela Turma para considerar despesas geradoras do direito creditório como aquelas em que o bem/serviço (insumos) participa do processo produtivo de forma essencial e necessária exige a identificação desses insumos e sua participação no processo produtivo ou prestação do serviço. Pois bem, a posição adotada pelo Fisco e DRJ não encontram respaldo nas decisões deste Conselho. Não se exige o consumo ou desgaste do insumo quando diretamente em contato com o produto fabricado ou o serviço prestado. Ainda na fase do procedimento de análise do pedido de ressarcimento, em dois momentos a Coceal apontou que suas atividades são voltadas para atender demanda de cooperados e beneficiamento de insumos para vendas à terceiros. Fl. 261DF CARF MF Processo nº 16366.000938/200703 Resolução nº 3201001.577 S3C2T1 Fl. 262 10 Na folha 95 há descrição sucinta da prestação de serviço para as cooperativas filiadas, em que beneficia o caroço de algodão e da venda de derivados do algodão para terceiros, que também passa pelas mesmas etapas quando do serviço prestado a cooperados. Na folha 106, a recorrente discorre acerca do beneficiamento do algodão, a produção de sementes, de caroços e de plumas. Evidenciase que desde o beneficiamento até o produto acabado há menção a etapas de análise laboratorial, testes agronômicos, tratamento químico, germinação, plantio, banho agrotóxico. Nos itens glosados há serviços agronômicos e de controle de praga. No confronto entre determinados serviços tomados cujo créditos são glosados e a descrição das atividades econômicas da Cooperativa constatase certa correlação que pode apontar para a essencialidade ou relevância com o produto final vendido a terceiros não cooperados. Diante do exposto, em homenagem ao princípio da verdade material que norteia o processo administrativo fiscal, entendo a melhor solução para lide a conversão do presente julgamento em diligência para que: a) A unidade de origem proceda à intimação da contribuinte para que, no prazo de 30 (trinta) dias, prorrogável por igual período, apresente: a1) Laudo técnico elaborado por engenheiro agrônomo, ou outro regularmente qualificado, que descreva minuciosamente as etapas de obtenção do produto vendido a terceiros não cooperados, apontando para o bem ou serviço utilizado; a2) Os contratos de prestação de serviço, especialmente relacionados à análise laboratorial, testes agronômicos e tratamento químico; b) A unidade de origem manifestese sobre conteúdo do Laudo e documentos apresentados pela Contribuinte, se houver interesse e caso entenda necessário, com a elaboração de relatório, podendo, inclusive, solicitar novos documentos ou realizar diligências. c) Cientifique a recorrente sobre o resultado do relatório da fiscalização, para que, se assim desejar, apresente no prazo legal de 30 (trinta) dias, improrrogável, manifestação. Cumpridas as providências indicadas, deve o processo retornar ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF para prosseguimento do julgamento. (assinado digitalmente) Paulo Roberto Duarte Moreira Fl. 262DF CARF MF
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Numero do processo: 13851.902704/2016-15
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Nov 28 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Jan 28 00:00:00 UTC 2019
Numero da decisão: 3402-001.562
Decisão: RESOLVEM os Membros da Segunda Turma da Quarta Câmara-Terceira Seção do CARF, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência, nos termos do voto do Relator.
(assinado digitalmente)
Waldir Navarro Bezerra-Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Waldir Navarro Bezerra (presidente da turma), Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Diego Diniz Ribeiro, Cynthia Elena de Campos, Renato Vieira de Ávila (suplente convocado), Pedro Sousa Bispo e Rodrigo Mineiro Fernandes. Ausente, justificadamente, a Conselheira Thais de Laurentiis Galkowicz.
Nome do relator: WALDIR NAVARRO BEZERRA
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(assinado digitalmente) Waldir Navarro BezerraPresidente e Relator Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Waldir Navarro Bezerra (presidente da turma), Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Diego Diniz Ribeiro, Cynthia Elena de Campos, Renato Vieira de Ávila (suplente convocado), Pedro Sousa Bispo e Rodrigo Mineiro Fernandes. Ausente, justificadamente, a Conselheira Thais de Laurentiis Galkowicz. RELATÓRIO Trata o presente processo de Pedido de Restituição (PER) indeferido em decorrência do crédito alegado não estar disponível, por se encontrar o valor do DARF recolhido vinculado a um débito declarado. Cientificada, a contribuinte interpôs manifestação de inconformidade solicitando a revisão do despacho decisório, tendo em vista que retificou a DCTF do respectivo período de apuração. Alega que diversos pagamentos de PIS/Pasep e de Cofins “foram recolhidos indevidamente, de acordo com a Lei n° 10.925, de 2004, artigo 1o, inciso XVIII – Solução de Consulta Cosit de 29/06/2016, na qual determina a redução para zero das alíquotas incidentes”. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 38 51 .9 02 70 4/ 20 16 -1 5 Fl. 132DF CARF MF Processo nº 13851.902704/201615 Resolução nº 3402001.562 S3C4T2 Fl. 3 2 Ato contínuo, a DRJCURITIBA (PR) julgou a manifestação de inconformidade improcedente, face a ausência de provas capazes de comprovar a ocorrência do pagamento indevido ou a maior. Em seguida, devidamente notificada, a Recorrente interpôs o presente recurso voluntário pleiteando a reforma do acórdão. Neste Recurso, a Empresa repisou os mesmos argumentos apresentados na sua Impugnação e juntou aos autos as notas fiscais eletrônicas de vendas. É o relatório. .VOTO Conselheiro Waldir Navarro Bezerra O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido n Resolução 3402001.553 de 28 de novembro de 2018, proferido no julgamento do processo 13851.902626/201659, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevemse, como solução deste litígio, nos termos regimentais, os entendimentos que prevaleceram naquela decisão (Resolução 3402001.553): "O Recurso Voluntário é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, razão pela qual dele se deve conhecer. Conforme se infere do Relatório, o caso trata de pedido de compensação de indeferido pela Autoridade Tributária porque a empresa não apresentou provas suficientes para demonstrar a existência do seu direito creditório. Na Impugnação, embora a empresa tenha trazido aos autos cópias da DCTF e DACON retificadores demonstrando que nenhum valor de COFINS era devida no período, a Autoridade Julgadora entendeu que para poder se aceitar o valor indicado na DCTF e no Dacon retificadores, o Contribuinte deveria provar a correção das informações retificadas com base em documentação hábil e idônea. Informa ainda que as provas adequadas a comprovar a correção da retificação efetuada devem ser feitas com base na escrituração contábil e fiscal da empresa. No Recurso Voluntário, a Recorrente informa que atua no comércio de produtos alimentícios em embalagens fechadas, comercializando massas preparadas para pizzas, não recheadas, denominadas “Crock Pizza" ou "Wrap Crock”. Ainda informa que tais produtos, classificados na posição NCM 1902, estão sujeitos a alíquota zero para a contribuição à COFINS, conforme determina o art., 1°, inciso XVIII, Lei n° 10.925, de 23 de julho de 2004. Além disso, juntou aos autos várias notas fiscais eletrônicas de venda das mercadorias citadas (fls.33 a 134). Fl. 133DF CARF MF Processo nº 13851.902704/201615 Resolução nº 3402001.562 S3C4T2 Fl. 4 3 Como se sabe, no caso de processos de compensação, restituição ou ressarcimento, cabe ao Contribuinte provar o direito creditório que alega. Ele deve trazer aos autos os elementos probatórios correspondentes que demonstrem a liquidez e certeza do crédito. Isso é o que se conclui do art. 373, inciso I, do Código de Processo Civil – CPC, aplicado subsidiariamente ao processo administrativo fiscal Decreto nº 70.235/72 (PAF): Art. 373. O ônus da prova incumbe: I ao autor, quanto ao fato constitutivo do seu direito; [...]No entanto, apesar da legislação atribuir a recorrente a prova do seu direito, no caso ora analisado, constatase que o problema identificado nas notas fiscais de entrada da empresa pode ter se dado não por culpa sua, mas de um terceiro, no caso o seu fornecedor, que inclusive admitiu o equívoco cometido. Dessa forma, não seria justificável a empresa arcar com as consequências de um possível equívoco que não teve culpa. No presente caso, com a juntada das notas fiscais de vendas, há indícios fortes de que as receitas de vendas da empresa estão sujeitas à alíquota zero, entretanto as provas juntadas ainda não são suficientemente hábeis para se atestar que todas as receitas da empresa se sujeitam a esse benefício fiscal, necessitando, por isso, uma verificação adicional a fim de conferir se a empresa não possui outras receitas de natureza diferente daquelas constantes nas notas fiscais apresentadas. Assim, em homenagem ao princípio da busca da verdade material, converto o presente julgamento em diligência, de acordo com os quesitos abaixo: a) juntar a escrituração contábil da empresa que demonstre o total das receitas auferidas no período analisado; b) informar se no período a empresa realizou outras vendas de produtos sujeitos à incidência da COFINS; c) elaborar planilha de apuração da COFINS devida no período; d) realizar qualquer outra verificação que julgar necessária para atingir os objetivos da diligência; e) intimar a Recorrente no prazo de trinta dias para se pronunciar sobre os resultados obtidos, nos termos do parágrafo único do artigo 35 do Decreto nº 7.574/2011. Concluída a diligência, os autos deverão retornar a este Colegiado para que se dê prosseguimento ao julgamento." Importa registrar que nos autos ora em apreço, a situação fática e jurídica encontra correspondência com a verificada no paradigma, de tal sorte que o entendimento lá esposado pode ser perfeitamente aqui aplicado. Fl. 134DF CARF MF Processo nº 13851.902704/201615 Resolução nº 3402001.562 S3C4T2 Fl. 5 4 Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado decidiu converter o presente processo em diligência de acordo com os quesitos abaixo: a) juntar a escrituração contábil da empresa que demonstre o total das receitas auferidas no período analisado; b) informar se no período a empresa realizou outras vendas de produtos sujeitos à incidência da COFINS; c) elaborar planilha de apuração da COFINS devida no período; d) realizar qualquer outra verificação que julgar necessária para atingir os objetivos da diligência; e) intimar a Recorrente no prazo de trinta dias para se pronunciar sobre os resultados obtidos, nos termos do parágrafo único do artigo 35 do Decreto nº 7.574/2011. Concluída a diligência, os autos deverão retornar a este Colegiado para que se dê prosseguimento ao julgamento." (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra Fl. 135DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 16004.720176/2016-57
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Dec 12 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Jan 10 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2010, 2011, 2012
NULIDADE. MOTIVAÇÃO DEFICIENTE DE LANÇAMENTO TRIBUTÁRIO.
Não há que se falar em nulidade de auto de infração quando o lançamento cumpriu com os requisitos dos incisos III e IV, do art. 10, do Decreto n° 70.235, de 1972.
INFORMAÇÕES EM PROCESSO PENAL. CARÁTER SIGILOSO.
Inexiste nulidade quando as informações foram fornecidas pela Poder Judiciário e, ainda, quando estas serviram apenas de indício para início das investigações. Toda a produção de provas que embasou o auto foi produzida pela própria fiscalização no curso do procedimento.
PROVA EMPRESTADA SEM O DEVIDO PROCESSO LEGAL.
Não há que se falar em ilicitude de uso de prova usada pelo impugnante na fase de fiscalização nem de ausência do devido processo legal, uma vez que o contraditório no processo administrativo fiscal inicia-se com a impugnação.
TERMO DE DISTRIBUIÇÃO DE PROCEDIMENTO FISCAL. REQUISITOS DE VALIDADE.
Inexiste nulidade no auto de infração, uma vez que o Termo de Distribuição de Procedimento Fiscal cumpriu todos os requisitos dispostos na Portaria RFB n° 1.687, de 2014.
IRRF. PRAZO DECADENCIAL. INÍCIO DA CONTAGEM.
O Imposto de Renda incidente na fonte sobre pagamento a beneficiário não identificado, ou sem comprovação da operação ou da causa, submete-se ao prazo decadencial previsto no art. 173, I, do CTN. Súmula 114 do CARF.
IRPJ. AUSÊNCIA DE DEMONSTRAÇÃO DA EXISTÊNCIA DE DESPESA PELO SUJEITO PASSIVO. GLOSA DOS VALORES PELO FISCO.
Um vez que o sujeito passivo não comprova a existência de despesa para dedução da base de cálculo do IRPJ, compete à Autoridade Fiscal proceder à glosa dos respectivos valores. A simples apresentação da nota fiscal dos serviços e o respectivo pagamento não são suficientes a comprovar a efetivação dos serviços quando existem inúmeros outros indícios em sentido contrário, decorrendo a necessidade da comprovação da materialidade dos serviços prestados.
IRRF E GLOSA DE DESPESAS. AUSÊNCIA DE BIS IN IDEM.
Não se configura bis in idem a cobrança simultânea de IRRF e de IRPJ, uma vez que se trata de fatos geradores distintos e não há vedação legal à simultaneidade entre as respectivas cobranças.
IRRF. PRESSUPOSTOS DO ART. 61 DA LEI N° 8.981/95 PARA COBRANÇA.
Comprovado pelo Fisco o pagamento sem causa, sobre este incide a norma prevista no art. 61 da Lei n° 8.981, de 1995, para cobrança do IRRF.
IRRF E MULTA DE OFÍCIO. NATUREZAS JURÍDICAS DISTINTAS. AUSÊNCIA DE CUMULAÇÃO DE COBRANÇA.
Em se tratando de naturezas jurídicas distintas, não há que se falar em cumulação entre o Imposto sobre a renda retido na Fonte, tributo cobrado do substituto tributário, e a multa de ofício.
IRRF. DEDUÇÃO DE VALORES RETIDOS A TÍTULO DE IRRF, CSLL, PIS e COFINS.
A base de cálculo do IRRF, antes do seu reajustamento determinado pelo § 3º do art. 61 da Lei nº 8.981, de 1985, é o valor do pagamento considerado sem causa, deduzidas as retenções legais.
IRRF. BASE DE CÁLCULO. VALOR BRUTO DO PAGAMENTO. AJUSTE DETERMINADO POR LEI.
O ajuste do valor bruto ocorre por expressa determinação legal, sem vinculação com o fato de o sujeito passivo assumir ou não o ônus do IRRF.
EXISTÊNCIA DE SALDOS NEGATIVOS NÃO UTILIZADOS PARA DEDUÇÃO DO IRPJ E CSLL LANÇADOS. POSSIBILIDADE.
Comprovando-se a existência de saldos negativos de IRPJ e CSLL não utilizados pela empresa em declarações de compensação, autoriza-se a utilização dos valores já reconhecidos e ainda disponíveis para a dedução dos valores lançados.
Não podem ser considerados neste procedimento valores que a empresa entende serem novos créditos, posto que estes tem de ser reconhecidos no processo específico de restituição e não neste procedimento.
ESTIMATIVAS RECOLHIDAS A MENOR. MULTA ISOLADA. CONSUNÇÃO. PROCEDÊNCIA PARCIAL.
Nos casos de lançamento com aplicação de multa de ofício, cumulado com lançamento de multa isolada por não recolhimento das estimativas, cabível a aplicação do princípio da consunção em razão de, decorrendo da aplicação do princípio, a multa aplicada em razão da infração maior (de ofício) absorver a multa relativa à menor infração (isolada) até o limite do valor da multa de ofício lançada.
MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA. CABIMENTO.
Cabível a imposição da multa qualificada de 150%, prevista no artigo 44, parágrafo 1º, da Lei nº 9.430/96, quando restar demonstrado que o procedimento adotado pelo sujeito passivo enquadra-se, em tese, nas hipóteses tipificadas no art. 71, 72 ou 73 da Lei nº 4.502/64.
JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO. INCIDÊNCIA.
A multa de ofício, como obrigação tributária principal, é débito para com a União decorrente de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, portanto, configura-se regular a incidência dos juros de mora sobre a multa de ofício a partir de seu vencimento.
JUROS DE MORA. APLICAÇÃO DA LEI N° 11.457, DE 2007. CABIMENTO.
Descabe a aplicação do art. 24, da Lei n° 11.457, de 2007, para excluir os juros de mora sobre os tributos devidos em face da inexistência de previsão legal.
LANÇAMENTO DECORRENTE.
Por se tratar de lançamento reflexo realizado com base nos mesmos fatos, a decisão de mérito prolatada quanto ao lançamento do imposto de renda pessoa jurídica constitui prejulgado na decisão do lançamento decorrente relativo à CSLL.
RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA DE MEMBRO DE CONSELHO DE ADMINISTRAÇÃO. INFRAÇÃO À LEI EM FUNÇÃO DE DIREÇÃO. PROVA.
Não há que se falar na responsabilidade tributária prevista no art. 135, inciso III, do CTN, se inexiste prova de que um membro do Conselho de Administração atuava em atividade de direção, gerência ou representação da Sociedade.
RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA DE ADMINISTRADORES. INFRAÇÃO À LEI. PROVA.
A responsabilidade tributária solidária prevista no art. 135, inciso III, do CTN aplica-se aos administradores que participavam da gestão dos negócios da empresa visto terem domínio sobre a realização dos atos implicaram em infração à lei.
RECURSO DE OFÍCIO. PROCEDÊNCIA PARCIAL.
Dá-se provimento parcial ao recurso de ofício tão somente para a correção de pequeno erro de cálculo oriundo da decisão de Piso.
Numero da decisão: 1401-003.046
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, dar provimento parcial ao recurso voluntário, i) por unanimidade de votos para: i.i) que sejam aproveitados pelo lançamento os saldos negativos de IRPJ relativos aos anos calendários de 2012, no valor de R$2.118.043,07 e 2013, no importe de R$1.265.748,94; i.ii) afastar a responsabilidade solidária do Sr. Jean Alberto Luscher Castro a partir da data de 09/09/2011, e ii) por maioria de votos, em relação às multas isoladas por falta/insuficência de estimativas, determinar a exoneração dos valores que não excederem a multa de ofício exigida (aplicação do princípio da consunção). Em primeira rodada, contra a tese que mantinha integralmente as multas isoladas, ficaram vencidos os Conselheiros Luciana Yoshihara Arcângelo Zanin e Daniel Ribeiro Silva, que cancelavam-na integralmente. Em segunda rodada, onde todos participaram, a tese ganhadora na primeira rodada foi superada pela tese de que as multas isoladas deveriam ser absorvidas apenas na exata medida das bases de cálculo das multas de ofício, ficando vencidos os Conselheiros Cláudio de Andrade Camerano, Carlos André Soares Nogueira e Luiz Augusto de Souza Gonçalves, que votaram pela tese de negar provimento para manter a multa isolada na sua integralidade. Em relação ao recurso de ofício, acordam, por unanimidade de votos, dar provimento parcial, tão somente para retificar o valor do IRPJ devido a ser mantido do ano-calendário 2013, para o montante de R$ 58.902,39.
(assinado digitalmente)
Luiz Augusto de Souza Gonçalves - Presidente.
(assinado digitalmente)
Abel Nunes de Oliveira Neto - Relator.
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Abel Nunes de Oliveira Neto, Livia de Carli Germano, Claudio de Andrade Camerano, Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Carlos André Soares Nogueira, Daniel Ribeiro Silva, Letícia Domingues Costa Braga, Luiz Augusto de Souza Gonçalves (Presidente).
Nome do relator: ABEL NUNES DE OLIVEIRA NETO
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2010, 2011, 2012 NULIDADE. MOTIVAÇÃO DEFICIENTE DE LANÇAMENTO TRIBUTÁRIO. Não há que se falar em nulidade de auto de infração quando o lançamento cumpriu com os requisitos dos incisos III e IV, do art. 10, do Decreto n° 70.235, de 1972. INFORMAÇÕES EM PROCESSO PENAL. CARÁTER SIGILOSO. Inexiste nulidade quando as informações foram fornecidas pela Poder Judiciário e, ainda, quando estas serviram apenas de indício para início das investigações. Toda a produção de provas que embasou o auto foi produzida pela própria fiscalização no curso do procedimento. PROVA EMPRESTADA SEM O DEVIDO PROCESSO LEGAL. Não há que se falar em ilicitude de uso de prova usada pelo impugnante na fase de fiscalização nem de ausência do devido processo legal, uma vez que o contraditório no processo administrativo fiscal inicia-se com a impugnação. TERMO DE DISTRIBUIÇÃO DE PROCEDIMENTO FISCAL. REQUISITOS DE VALIDADE. Inexiste nulidade no auto de infração, uma vez que o Termo de Distribuição de Procedimento Fiscal cumpriu todos os requisitos dispostos na Portaria RFB n° 1.687, de 2014. IRRF. PRAZO DECADENCIAL. INÍCIO DA CONTAGEM. O Imposto de Renda incidente na fonte sobre pagamento a beneficiário não identificado, ou sem comprovação da operação ou da causa, submete-se ao prazo decadencial previsto no art. 173, I, do CTN. Súmula 114 do CARF. IRPJ. AUSÊNCIA DE DEMONSTRAÇÃO DA EXISTÊNCIA DE DESPESA PELO SUJEITO PASSIVO. GLOSA DOS VALORES PELO FISCO. Um vez que o sujeito passivo não comprova a existência de despesa para dedução da base de cálculo do IRPJ, compete à Autoridade Fiscal proceder à glosa dos respectivos valores. A simples apresentação da nota fiscal dos serviços e o respectivo pagamento não são suficientes a comprovar a efetivação dos serviços quando existem inúmeros outros indícios em sentido contrário, decorrendo a necessidade da comprovação da materialidade dos serviços prestados. IRRF E GLOSA DE DESPESAS. AUSÊNCIA DE BIS IN IDEM. Não se configura bis in idem a cobrança simultânea de IRRF e de IRPJ, uma vez que se trata de fatos geradores distintos e não há vedação legal à simultaneidade entre as respectivas cobranças. IRRF. PRESSUPOSTOS DO ART. 61 DA LEI N° 8.981/95 PARA COBRANÇA. Comprovado pelo Fisco o pagamento sem causa, sobre este incide a norma prevista no art. 61 da Lei n° 8.981, de 1995, para cobrança do IRRF. IRRF E MULTA DE OFÍCIO. NATUREZAS JURÍDICAS DISTINTAS. AUSÊNCIA DE CUMULAÇÃO DE COBRANÇA. Em se tratando de naturezas jurídicas distintas, não há que se falar em cumulação entre o Imposto sobre a renda retido na Fonte, tributo cobrado do substituto tributário, e a multa de ofício. IRRF. DEDUÇÃO DE VALORES RETIDOS A TÍTULO DE IRRF, CSLL, PIS e COFINS. A base de cálculo do IRRF, antes do seu reajustamento determinado pelo § 3º do art. 61 da Lei nº 8.981, de 1985, é o valor do pagamento considerado sem causa, deduzidas as retenções legais. IRRF. BASE DE CÁLCULO. VALOR BRUTO DO PAGAMENTO. AJUSTE DETERMINADO POR LEI. O ajuste do valor bruto ocorre por expressa determinação legal, sem vinculação com o fato de o sujeito passivo assumir ou não o ônus do IRRF. EXISTÊNCIA DE SALDOS NEGATIVOS NÃO UTILIZADOS PARA DEDUÇÃO DO IRPJ E CSLL LANÇADOS. POSSIBILIDADE. Comprovando-se a existência de saldos negativos de IRPJ e CSLL não utilizados pela empresa em declarações de compensação, autoriza-se a utilização dos valores já reconhecidos e ainda disponíveis para a dedução dos valores lançados. Não podem ser considerados neste procedimento valores que a empresa entende serem novos créditos, posto que estes tem de ser reconhecidos no processo específico de restituição e não neste procedimento. ESTIMATIVAS RECOLHIDAS A MENOR. MULTA ISOLADA. CONSUNÇÃO. PROCEDÊNCIA PARCIAL. Nos casos de lançamento com aplicação de multa de ofício, cumulado com lançamento de multa isolada por não recolhimento das estimativas, cabível a aplicação do princípio da consunção em razão de, decorrendo da aplicação do princípio, a multa aplicada em razão da infração maior (de ofício) absorver a multa relativa à menor infração (isolada) até o limite do valor da multa de ofício lançada. MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA. CABIMENTO. Cabível a imposição da multa qualificada de 150%, prevista no artigo 44, parágrafo 1º, da Lei nº 9.430/96, quando restar demonstrado que o procedimento adotado pelo sujeito passivo enquadra-se, em tese, nas hipóteses tipificadas no art. 71, 72 ou 73 da Lei nº 4.502/64. JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO. INCIDÊNCIA. A multa de ofício, como obrigação tributária principal, é débito para com a União decorrente de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, portanto, configura-se regular a incidência dos juros de mora sobre a multa de ofício a partir de seu vencimento. JUROS DE MORA. APLICAÇÃO DA LEI N° 11.457, DE 2007. CABIMENTO. Descabe a aplicação do art. 24, da Lei n° 11.457, de 2007, para excluir os juros de mora sobre os tributos devidos em face da inexistência de previsão legal. LANÇAMENTO DECORRENTE. Por se tratar de lançamento reflexo realizado com base nos mesmos fatos, a decisão de mérito prolatada quanto ao lançamento do imposto de renda pessoa jurídica constitui prejulgado na decisão do lançamento decorrente relativo à CSLL. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA DE MEMBRO DE CONSELHO DE ADMINISTRAÇÃO. INFRAÇÃO À LEI EM FUNÇÃO DE DIREÇÃO. PROVA. Não há que se falar na responsabilidade tributária prevista no art. 135, inciso III, do CTN, se inexiste prova de que um membro do Conselho de Administração atuava em atividade de direção, gerência ou representação da Sociedade. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA DE ADMINISTRADORES. INFRAÇÃO À LEI. PROVA. A responsabilidade tributária solidária prevista no art. 135, inciso III, do CTN aplica-se aos administradores que participavam da gestão dos negócios da empresa visto terem domínio sobre a realização dos atos implicaram em infração à lei. RECURSO DE OFÍCIO. PROCEDÊNCIA PARCIAL. Dá-se provimento parcial ao recurso de ofício tão somente para a correção de pequeno erro de cálculo oriundo da decisão de Piso.
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MOTIVAÇÃO DEFICIENTE DE LANÇAMENTO TRIBUTÁRIO. Não há que se falar em nulidade de auto de infração quando o lançamento cumpriu com os requisitos dos incisos III e IV, do art. 10, do Decreto n° 70.235, de 1972. INFORMAÇÕES EM PROCESSO PENAL. CARÁTER SIGILOSO. Inexiste nulidade quando as informações foram fornecidas pela Poder Judiciário e, ainda, quando estas serviram apenas de indício para início das investigações. Toda a produção de provas que embasou o auto foi produzida pela própria fiscalização no curso do procedimento. PROVA EMPRESTADA SEM O DEVIDO PROCESSO LEGAL. Não há que se falar em ilicitude de uso de prova usada pelo impugnante na fase de fiscalização nem de ausência do devido processo legal, uma vez que o contraditório no processo administrativo fiscal iniciase com a impugnação. TERMO DE DISTRIBUIÇÃO DE PROCEDIMENTO FISCAL. REQUISITOS DE VALIDADE. Inexiste nulidade no auto de infração, uma vez que o Termo de Distribuição de Procedimento Fiscal cumpriu todos os requisitos dispostos na Portaria RFB n° 1.687, de 2014. IRRF. PRAZO DECADENCIAL. INÍCIO DA CONTAGEM. O Imposto de Renda incidente na fonte sobre pagamento a beneficiário não identificado, ou sem comprovação da operação ou da causa, submetese ao prazo decadencial previsto no art. 173, I, do CTN. Súmula 114 do CARF. IRPJ. AUSÊNCIA DE DEMONSTRAÇÃO DA EXISTÊNCIA DE DESPESA PELO SUJEITO PASSIVO. GLOSA DOS VALORES PELO FISCO. Um vez que o sujeito passivo não comprova a existência de despesa para dedução da base de cálculo do IRPJ, compete à Autoridade Fiscal proceder à glosa dos respectivos valores. A simples apresentação da nota fiscal dos AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 00 4. 72 01 76 /2 01 6- 57 Fl. 11229DF CARF MF Processo nº 16004.720176/201657 Acórdão n.º 1401003.046 S1C4T1 Fl. 11.230 2 serviços e o respectivo pagamento não são suficientes a comprovar a efetivação dos serviços quando existem inúmeros outros indícios em sentido contrário, decorrendo a necessidade da comprovação da materialidade dos serviços prestados. IRRF E GLOSA DE DESPESAS. AUSÊNCIA DE BIS IN IDEM. Não se configura bis in idem a cobrança simultânea de IRRF e de IRPJ, uma vez que se trata de fatos geradores distintos e não há vedação legal à simultaneidade entre as respectivas cobranças. IRRF. PRESSUPOSTOS DO ART. 61 DA LEI N° 8.981/95 PARA COBRANÇA. Comprovado pelo Fisco o pagamento sem causa, sobre este incide a norma prevista no art. 61 da Lei n° 8.981, de 1995, para cobrança do IRRF. IRRF E MULTA DE OFÍCIO. NATUREZAS JURÍDICAS DISTINTAS. AUSÊNCIA DE CUMULAÇÃO DE COBRANÇA. Em se tratando de naturezas jurídicas distintas, não há que se falar em cumulação entre o Imposto sobre a renda retido na Fonte, tributo cobrado do substituto tributário, e a multa de ofício. IRRF. DEDUÇÃO DE VALORES RETIDOS A TÍTULO DE IRRF, CSLL, PIS e COFINS. A base de cálculo do IRRF, antes do seu reajustamento determinado pelo § 3º do art. 61 da Lei nº 8.981, de 1985, é o valor do pagamento considerado sem causa, deduzidas as retenções legais. IRRF. BASE DE CÁLCULO. VALOR BRUTO DO PAGAMENTO. AJUSTE DETERMINADO POR LEI. O ajuste do valor bruto ocorre por expressa determinação legal, sem vinculação com o fato de o sujeito passivo assumir ou não o ônus do IRRF. EXISTÊNCIA DE SALDOS NEGATIVOS NÃO UTILIZADOS PARA DEDUÇÃO DO IRPJ E CSLL LANÇADOS. POSSIBILIDADE. Comprovandose a existência de saldos negativos de IRPJ e CSLL não utilizados pela empresa em declarações de compensação, autorizase a utilização dos valores já reconhecidos e ainda disponíveis para a dedução dos valores lançados. Não podem ser considerados neste procedimento valores que a empresa entende serem novos créditos, posto que estes tem de ser reconhecidos no processo específico de restituição e não neste procedimento. ESTIMATIVAS RECOLHIDAS A MENOR. MULTA ISOLADA. CONSUNÇÃO. PROCEDÊNCIA PARCIAL. Nos casos de lançamento com aplicação de multa de ofício, cumulado com lançamento de multa isolada por não recolhimento das estimativas, cabível a aplicação do princípio da consunção em razão de, decorrendo da aplicação do princípio, a multa aplicada em razão da infração maior (de ofício) absorver a multa relativa à menor infração (isolada) até o limite do valor da multa de ofício lançada. MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA. CABIMENTO. Cabível a imposição da multa qualificada de 150%, prevista no artigo 44, parágrafo 1º, da Lei nº 9.430/96, quando restar demonstrado que o procedimento adotado pelo sujeito passivo enquadrase, em tese, nas hipóteses tipificadas no art. 71, 72 ou 73 da Lei nº 4.502/64. JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO. INCIDÊNCIA. Fl. 11230DF CARF MF Processo nº 16004.720176/201657 Acórdão n.º 1401003.046 S1C4T1 Fl. 11.231 3 A multa de ofício, como obrigação tributária principal, é débito para com a União decorrente de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, portanto, configurase regular a incidência dos juros de mora sobre a multa de ofício a partir de seu vencimento. JUROS DE MORA. APLICAÇÃO DA LEI N° 11.457, DE 2007. CABIMENTO. Descabe a aplicação do art. 24, da Lei n° 11.457, de 2007, para excluir os juros de mora sobre os tributos devidos em face da inexistência de previsão legal. LANÇAMENTO DECORRENTE. Por se tratar de lançamento reflexo realizado com base nos mesmos fatos, a decisão de mérito prolatada quanto ao lançamento do imposto de renda pessoa jurídica constitui prejulgado na decisão do lançamento decorrente relativo à CSLL. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA DE MEMBRO DE CONSELHO DE ADMINISTRAÇÃO. INFRAÇÃO À LEI EM FUNÇÃO DE DIREÇÃO. PROVA. Não há que se falar na responsabilidade tributária prevista no art. 135, inciso III, do CTN, se inexiste prova de que um membro do Conselho de Administração atuava em atividade de direção, gerência ou representação da Sociedade. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA DE ADMINISTRADORES. INFRAÇÃO À LEI. PROVA. A responsabilidade tributária solidária prevista no art. 135, inciso III, do CTN aplicase aos administradores que participavam da gestão dos negócios da empresa visto terem domínio sobre a realização dos atos implicaram em infração à lei. RECURSO DE OFÍCIO. PROCEDÊNCIA PARCIAL. Dáse provimento parcial ao recurso de ofício tão somente para a correção de pequeno erro de cálculo oriundo da decisão de Piso. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, dar provimento parcial ao recurso voluntário, i) por unanimidade de votos para: i.i) que sejam aproveitados pelo lançamento os saldos negativos de IRPJ relativos aos anos calendários de 2012, no valor de R$2.118.043,07 e 2013, no importe de R$1.265.748,94; i.ii) afastar a responsabilidade solidária do Sr. Jean Alberto Luscher Castro a partir da data de 09/09/2011, e ii) por maioria de votos, em relação às multas isoladas por falta/insuficência de estimativas, determinar a exoneração dos valores que não excederem a multa de ofício exigida (aplicação do princípio da consunção). Em primeira rodada, contra a tese que mantinha integralmente as multas isoladas, ficaram vencidos os Conselheiros Luciana Yoshihara Arcângelo Zanin e Daniel Ribeiro Silva, que cancelavamna integralmente. Em segunda rodada, onde todos participaram, a tese ganhadora na primeira rodada foi superada pela tese de que as multas isoladas deveriam ser absorvidas apenas na exata medida das bases de cálculo das multas de ofício, ficando vencidos os Conselheiros Cláudio de Andrade Camerano, Carlos André Soares Nogueira e Luiz Augusto de Souza Gonçalves, que votaram pela tese de negar provimento para manter a multa isolada na sua integralidade. Em relação ao recurso de ofício, acordam, por unanimidade de votos, dar Fl. 11231DF CARF MF Processo nº 16004.720176/201657 Acórdão n.º 1401003.046 S1C4T1 Fl. 11.232 4 provimento parcial, tão somente para retificar o valor do IRPJ devido a ser mantido do ano calendário 2013, para o montante de R$ 58.902,39. (assinado digitalmente) Luiz Augusto de Souza Gonçalves Presidente. (assinado digitalmente) Abel Nunes de Oliveira Neto Relator. Participaram do presente julgamento os Conselheiros Abel Nunes de Oliveira Neto, Livia de Carli Germano, Claudio de Andrade Camerano, Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Carlos André Soares Nogueira, Daniel Ribeiro Silva, Letícia Domingues Costa Braga, Luiz Augusto de Souza Gonçalves (Presidente). Relatório Iniciemos com a transcrição do relatório da Decisão de Piso Contra o contribuinte em epígrafe e os responsáveis solidários DÁRIO DE QUEIROZ GALVÃO FILHO (CPF 190.175.45372), JEAN ALBERTO LUSCHER CASTRO (CPF 140.252.48620) e ERTON MEDEIROS FONSECA (CPF 065.579.31865) foram lavrados autos de infração no valor de R$ 11.609.320,82, para exigência de IRPJ, de R$ 3.528.548,77, para exigência de CSLL, e de R$ 41.445.126,17, para exigência do IRRF, incluídos multa isolada de R$ 2.607.196,84, multa de 150% e os juros de mora calculados até 08/2016, relativos aos anoscalendário de 2011, 2012 e 2013. Segundo a Autoridade Fiscal, em relação à apuração do IRPJ, para os anos calendários de 2011, 2012 e 2013, Galvão Engenharia apurou saldo de prejuízo fiscal, mas compensouo por meio dos Perdcomps n° 05317.48661.201212.1.3.023003, n° 12000.04956.060215.1.7.025990 e n° 04564.36692.060215.1.7.026842, respectivamente. Em relação à apuração da CSLL, para o ano calendário de 2011, Galvão Engenharia apurou saldo negativo da base de cálculo, mas o utilizou totalmente na compensação de tributos, por meio do Perdcomp n° 16857.34468.191212.1.7.037243. A Autoridade Fiscal identificou, ainda, para o anocalendário de 2012, saldo negativo na base de cálculo da CSLL, deduziua da respectiva CSLL apurada de ofício e verificou não restar valores de CSLL a serem lançados de ofício neste período. Fl. 11232DF CARF MF Processo nº 16004.720176/201657 Acórdão n.º 1401003.046 S1C4T1 Fl. 11.233 5 Em relação à apuração da CSLL, para o ano calendário de 2013, Galvão Engenharia apurou saldo negativo da base de cálculo, mas o utilizou totalmente na compensação de tributos, por meio do Perdcomp n° 17770.73054.060215.1.7.030109. A contribuinte é uma sociedade anônima por ações, de capital fechado, tributada pelo Lucro Real anual, que possui como atividade econômica “Construção de Rodovias e Ferrovias” (CNAE 42.111/01) – conforme informação em DIPJ. I. DO PROCEDIMENTO FISCAL DAS PROVAS DOS FATOS GERADORES A presente ação fiscal foi motivada pelo fato de a Galvão Engenharia estar envolvida na operação denominada “Lava Jato”, deflagrada pelo Ministério Público Federal, Polícia Federal e Secretaria da Receita Federal do Brasil para investigação de um esquema de corrupção e lavagem de dinheiro, em que grandes empreiteiras, organizadas em cartel, pagavam “propina” para que altos executivos da Petrobrás e outros agentes públicos permitissem fraudes à licitação em contratos com a estatal. A referida ação fiscal iniciouse em 06/05/2015, por meio de Termo de Início de Ação Fiscal, informando à contribuinte os períodos sob fiscalização, a análise da escrituração entregue ao Sistema Público de Escrituração Digital (Sped) e intimandoa a (verbis): 1 Informar o nome e telefone da pessoa, representante da empresa, que irá atender as demandas desta fiscalização; 2 Procuração dando poderes ao representante da empresa para atendimento da fiscalização em todas as fases deste procedimento; 3 No contexto da operação denominada “Lava Jato” constatamos, na escrituração fiscal do contribuinte acima identificado, lançamentos de despesas e custos para as empresas abaixo relacionadas: LFSN CONSULTORIA ENGENHARIA S/S LTDA, CNPJ 11.418.207/000105; M.O. CONSULTORIA COMERCIAL E LAUDOS E. LTDA, CNPJ 06.964.032/000193; JD ASSESSORIA E CONSULTORIA LTDA, CNPJ 03.008.230/000195; (...) 3.1 Apresentar relação com todos os pagamentos realizados durante os anos calendários de ..., 2011, 2012 e 2013 para essas empresas. A informação deverá ser apresentada em meio digital, arquivo excel, contendo as seguintes informações: valor bruto da despesa/custo; valor líquido do pagamento; data do pagamento; número da nota fiscal; descrição do serviço; nome do fornecedor. Ou seja, o demonstrativo deverá conter informações suficientes para que sejam identificados, individualmente, todos os pagamentos realizados para as empresas elencadas acima. Fl. 11233DF CARF MF Processo nº 16004.720176/201657 Acórdão n.º 1401003.046 S1C4T1 Fl. 11.234 6 3.2 Apresentar Notas Fiscais, faturas e recibos referentes aos pagamentos efetuados às empresas relacionadas acima. Caso os pagamentos tenham sido efetuados sem emissão de nota fiscal, apresentar declaração informando este fato e detalhando a natureza dos pagamentos efetuados. Cabe ressaltar que devem ser considerados os pagamentos efetuados pelo CONTRIBUINTE e pelos consórcios dos quais participou no período de 01/01/2010 a 31/12/2013; 3.3 Comprovar, com documentação idônea, coincidente em datas e valores, o pagamento das referidas despesas/custos, apresentando os comprovantes bancários dos pagamentos efetuados (cópias de cheques, ordens de pagamentos, doc, ted, transferências bancárias, etc.). No caso de lançamento que englobe diversos pagamentos, cópia do borderô que detalhe e identifique o pagamento de forma individualizada. Caso o pagamento tenha sido feito de formas alternativas à via bancária, apresentar declaração e documentos que comprovem e detalhem a forma utilizada. 3.4 Apresentar cópia dos contratos relacionados às referidas despesas/custos. Caso se tratem de serviços de consultoria/assessoria/auditoria, apresentar cópias dos relatórios técnicos, estudos, memoriais, planilhas, pareceres, atas de reunião, relatórios de viagens, comprovantes de viagens efetuadas pelos prestadores e demais documentos que se prestem a comprovar de forma cabal a efetiva prestação dos serviços. Se não houver contrato de prestação de serviços apresentar declaração esclarecendo a falta do documento e detalhando quais foram os serviços prestados; 3.5 (...) 3.6 (...) 3.8 Esclarecer a causa (necessidade) da contratação dos referidos serviços junto às empresas identificadas no item 3; 3.9 Apresentar demonstrativo, extraído das escriturações contábeis do CONTRIBUINTE e dos consórcios, contendo a totalidade dos lançamentos contábeis relacionados à prestação desses serviços, incluindo, dentre outros, a contabilização das despesas, das contas a pagar e dos pagamentos efetuados, com a plena identificação de datas, valores e contas contábeis; 3.10 Declaração informando em quais linhas, das fichas 04A – Custo dos Bens e Serviços Vendidos ou das fichas 05A – Despesas Operacionais, das DIPJ dos anos calendário 2010 a 2013, foram incluídos os custos e despesas referentes às notas fiscais, faturas e recibos relativos aos serviços prestados pelas empresas relacionadas na tabela. 3.11 Em complemento ao item anterior, informar se tais custos e despesas, referentes às notas fiscais, faturas e recibos relativos aos serviços prestados pelas empresas relacionadas na tabela, foram considerados como parcelas dedutíveis ou não dedutíveis na apuração do lucro real. Caso tenham sido considerados como indedutíveis, comprovar de forma inconteste a sua exclusão na apuração do lucro real do período. 4 Apresentar tabela informando a razão social e o número do CNPJ de todos os consórcios nos quais o CONTRIBUINTE participou no período de 01/01/2010 a 31/12/2013, contendo a indicação do consorciado líder, do consorciado responsável pela confecção da escrituração contábil do consórcio, e do consorciado responsável pela guarda dos livros e documentos comprobatórios das operações do consórcio; Fl. 11234DF CARF MF Processo nº 16004.720176/201657 Acórdão n.º 1401003.046 S1C4T1 Fl. 11.235 7 5 Apresentar cópias dos contratos de constituição, bem como de todas as alterações até a presente data, de todos os consórcios nos quais o CONTRIBUINTE era participante no período de 01/01/2010 a 31/12/2013; Em 12/06/2015, a contribuinte, em resposta à intimação do Fisco, apresentou cópias de PERDCOMP (Fls.799 a 1.054), como documento comprobatório dos tributos recolhidos espontaneamente referentes a pagamentos efetuados às empresas supracitadas. Em resposta à intimação do Fisco, em relação à empresa JD Assessoria e Consultoria Ltda, a contribuinte apresentou cópia da sua reposta ao juízo da 13ª Vara Federal de Curitiba nos autos do inquérito policial n° 5045022 08.2014.404.7000 (Fls. 21 a 29). Da análise da documentação apresentada pela Galvão Engenharia (anexos docs. 1 a 11), a autoridade tributária concluiu que em nenhum momento foi possível concluir qual foi a atuação desempenhada pela empresa JD Assessoria e Consultoria Ltda. Intimada por meio de diligência fiscal a apresentar documentação comprobatória da efetiva prestação dos serviços contratados com a contribuinte, JD Assessoria e Consultoria Ltda esclareceu, em síntese, que a atividade de consultoria desenvolvida para a contribuinte davase, essencialmente, de forma oral e presencial, com a participação em reuniões de aconselhamento destes em viagens internacionais de negócios (Fls. 3.613 a 3.614). Segundo a Autoridade Fiscal, os documentos apresentados pela contribuinte não comprovaram a efetiva prestação dos serviços contratados junto à empresa JD Assessoria e Consultoria Ltda. Com base nos registros da conta "51110010002 – CONSULTORIA, a Autoridade Fiscal elaborou o quadro a seguir, demonstrativo das despesas da contribuinte glosadas em decorrência da ausência de comprovação de serviços prestados por JD Assessoria e Consultoria Ltda à contribuinte, referentes ao anocalendário de 2011: Fl. 11235DF CARF MF Processo nº 16004.720176/201657 Acórdão n.º 1401003.046 S1C4T1 Fl. 11.236 8 Não houve lançamento do IRRF, uma vez que será objeto de outro procedimento fiscal, segundo a autoridade tributária. Em relação à empresa Lfsn Consultoria, a autoridade tributária concluiu que a contribuinte reconhecera a ausência de efetiva prestação de serviços, pois, recolheu o IRPJ e a CSLL devidos. Porém, no anoscalendário de 2011, 2012 e 2013, não encontrou a comprovação de recolhimento do IRRF. Com base nos registros da conta “11102020015 – ITAÚ 6166” e 11102010007 – ITAÚ 6166, a Autoridade Fiscal elaborou o quadro a seguir, demonstrativo dos pagamentos efetuados pela contribuinte à Lfsn Consultoria, sem comprovação da sua causa, e o respectivo valor do IRRF cobrado. Fl. 11236DF CARF MF Processo nº 16004.720176/201657 Acórdão n.º 1401003.046 S1C4T1 Fl. 11.237 9 Em relação à empresa M.O. Consultoria, a autoridade tributária concluiu que a contribuinte reconhecera a ausência de efetiva prestação de serviços, pois, recolheu o IRPJ e a CSLL devidos. Porém, no anocalendário de 2011 não encontrou a comprovação de recolhimento do IRRF. Com base nos registros da conta “11102020015 – ITAÚ 6166”, a Autoridade Fiscal elaborou o quadro a seguir, demonstrativo dos pagamentos efetuados pela contribuinte à M.O. Consultoria, sem comprovação da sua causa, e o respectivo valor do IRRF cobrado. No curso do procedimento fiscal, a contribuinte ainda foi intimada a comprovar os serviços prestados pelas seguintes empresas: AKYZO ASSESSORIA & NEGOCIOS LTDA, CNPJ 05.332.111/000119; HEFESTO CONSULTORIA E PROJETOS LTDA, CNPJ 04.067.717/0001 01; PROFICENTER PLANEJAMENTO DE OBRAS LTDAEPP, CNPJ n° 00.508.959/0001/32; GRIFFE COMUNICAÇÃO E MARKETING LTDAME, CNPJ nº 09.638.422/000161; e CIGMA PROJETOS E ENGENHARIA E CONSTRUÇÕES LTDA, CNPJ nº 58.471.780/000138. Fl. 11237DF CARF MF Processo nº 16004.720176/201657 Acórdão n.º 1401003.046 S1C4T1 Fl. 11.238 10 Segundo a Autoridade Fiscal, a contribuinte declarou em DIRF o pagamento de R$ 29,2 milhões à empresa AKYZO ASSESSORIA & NEGÓCIOS LTDA. O Fisco constatou que a empresa AKYZO declarou em GFIP 3 (três) empregados, no período entre 2011 e 2013, os quais não possuem qualificação técnica para a prestação de serviços a que se referem a contribuinte e a empresa AKYZO. O Fisco verificou, ainda, que, no mesmo período, não constou da DIRF da AKYZO nenhum prestador de serviços. Segundo a Autoridade Fiscal, nem a contribuinte nem a empresa AKYZO conseguiram demonstrar a efetiva prestação de serviços. Ainda assim, a contribuinte contabilizou como despesas operacionais os pagamentos realizados à AKYZO em 2011, 2012 e 2013. Com base nos registros da conta "41220030002 CONSULTORIA” e "51102010002CONSULTORIA”, a Autoridade Fiscal elaborou o quadro seguinte, demonstrativo despesas da contribuinte glosadas em decorrência da ausência de comprovação de serviços prestados por AKYZO à contribuinte, referentes aos anoscalendário de 2011, 2012 e 2013: Com base nos registros da conta “11102020015 – ITAÚ 6166” e “11102010007 – ITAÚ 6166”, a Autoridade Fiscal elaborou o quadro seguinte, demonstrativo dos pagamentos efetuados pela contribuinte à AKYZO, sem comprovação da sua causa, e o respectivo valor do IRRF cobrado. Fl. 11238DF CARF MF Processo nº 16004.720176/201657 Acórdão n.º 1401003.046 S1C4T1 Fl. 11.239 11 Em relação à empresa Hefesto, segundo o Fisco, os documentos apresentados pela contribuinte não demonstraram que os serviços contratados foram efetivamente prestados. O Fisco constatou que a empresa Hefesto declarou em GFIP 3 (três) empregados, no período entre 2011 e 2013, os quais não possuem qualificação técnica para a prestação de serviços a que se referem a contribuinte e a empresa Hefesto. Intimada e reintimada pelo Fisco, a empresa Hefesto não apresentou documentos comprobatórios da efetiva prestação de serviços à contribuinte. Segundo a Autoridade Fiscal, nem a contribuinte nem a empresa Hefesto conseguiram demonstrar a efetiva prestação de serviços. Ainda assim, a Fl. 11239DF CARF MF Processo nº 16004.720176/201657 Acórdão n.º 1401003.046 S1C4T1 Fl. 11.240 12 contribuinte contabilizou como despesas operacionais os pagamentos realizados à Hefesto em 2011, 2012 e 2013. Com base nos registros da conta "41220030002 CONSULTORIA”, a Autoridade Fiscal elaborou o quadro seguinte, demonstrativo despesas da contribuinte glosadas em decorrência da ausência de comprovação de serviços prestados por Hefesto à contribuinte, referentes ao anocalendário de 2011: Com base nos registros da conta “11102020015 – ITAÚ 6166”, a Autoridade Fiscal elaborou o quadro seguinte, demonstrativo dos pagamentos efetuados pela contribuinte à Hefesto, sem comprovação da sua causa, e o respectivo valor do IRRF cobrado. Em relação à empresa PROFICENTER, segundo o Fisco, os documentos apresentados por esta e pela contribuinte não demonstraram que os serviços contratados foram efetivamente prestados. O Fisco constatou que a contribuinte efetuou pagamentos à PROFICENTER e os contabilizou como despesas operacionais nas DIPJ dos anoscalendário de 2011, 2012 e 2013. Com base nos registros da conta “51110010002 – CONSULTORIA e 51110010012 SERVS PESSOA JURIDICA”, a Autoridade Fiscal elaborou o quadro seguinte, demonstrativo despesas da contribuinte glosadas em decorrência da ausência de comprovação de serviços prestados por Fl. 11240DF CARF MF Processo nº 16004.720176/201657 Acórdão n.º 1401003.046 S1C4T1 Fl. 11.241 13 PROFICENTER à contribuinte, referentes aos anoscalendário de 2011, 2012 e 2013: Com base nos registros da conta “11102020015 ITAU 6166 e 11102050025 – ITAU CUBATAO 788988”, a Autoridade Fiscal elaborou o quadro seguinte, demonstrativo dos pagamentos efetuados pela contribuinte à PROFICENTER, sem comprovação da sua causa, e o respectivo valor do IRRF cobrado. Fl. 11241DF CARF MF Processo nº 16004.720176/201657 Acórdão n.º 1401003.046 S1C4T1 Fl. 11.242 14 Em relação aos pagamentos efetuados à empresa GRIFFE COMUNICAÇÃO E MARKETING LTDAME, segundo o Fisco, a contribuinte informou que se referem à ação de marketing, envolvendo a produção de livros de arte para divulgação de novo logotipo da contribuinte. O Fisco constatou que a empresa GRIFFE encontrase com o CNPJ BAIXADO nos sistemas informatizados da RFB desde 06/02/2015 e desde jul/2012 não possuiu mais empregados. O Fisco constatou que a contribuinte contabilizou como despesas operacionais, nas DIPJ dos anoscalendário de 2012 e 2013, os referidos pagamentos efetuados à GRIFFE, porém, os documentos apresentados por esta e pela contribuinte não demonstraram que os serviços contratados foram efetivamente prestados. Com base nos registros da conta “51110010002 – CONSULTORIA, 51110010012 – SERVS PESSOA JURIDICA e 51102010011 SERVICOS GRAFICOS”, a Autoridade Fiscal elaborou o quadro seguinte, demonstrativo despesas da contribuinte glosadas em decorrência da ausência de comprovação de serviços prestados por GRIFFE à contribuinte, referentes aos anoscalendário de 2012 e 2013: Fl. 11242DF CARF MF Processo nº 16004.720176/201657 Acórdão n.º 1401003.046 S1C4T1 Fl. 11.243 15 Com base nos registros da conta “11102020015 ITAU 6166”, a Autoridade Fiscal elaborou o quadro seguinte, demonstrativo dos pagamentos efetuados pela contribuinte à GRIFFE, sem comprovação da sua causa, e o respectivo valor do IRRF cobrado. Em relação aos pagamentos efetuados à empresa CIGMA PROJETOS E ENGENHARIA E CONSTRUÇÕES LTDA, segundo o Fisco, a contribuinte informou que se referem à locação de equipamentos e apresentou comprovantes bancários de pagamentos, porém, não localizou as respectivas notas fiscais. Por meio de diligência, a autoridade fiscal constatou que a empresa CIGMA, no período em análise, não possuía instalações e empregados, evidenciando a falta de capacidade operacional para realização de seu objeto social, prestação de serviços de engenharia em geral, perícias, topografia, aerofotogrametria, terraplanagem, paisagismo, urbanismo, locação de seus equipamentos a terceiros com ou sem fornecimento de materiais, intermediação de negócios. O Fisco constatou que a contribuinte contabilizou como despesas operacionais, nas DIPJ do anocalendário de 2011, os referidos pagamentos efetuados à CIGMA, porém, os documentos apresentados por esta e pela contribuinte não demonstraram que os serviços contratados foram efetivamente prestados. Com base nos registros da conta “41101300004 – LOCACAO DE VEICULOS OBRA”, a Autoridade Fiscal elaborou o quadro seguinte, demonstrativo despesas da contribuinte glosadas em decorrência da ausência de comprovação Fl. 11243DF CARF MF Processo nº 16004.720176/201657 Acórdão n.º 1401003.046 S1C4T1 Fl. 11.244 16 de serviços prestados por CIGMA à contribuinte, referentes ao anocalendário de 2011. Com base nos registros da conta “11102020015 ITAU 6166”, a Autoridade Fiscal elaborou o quadro seguinte, demonstrativo dos pagamentos efetuados pela contribuinte à CIGMA, sem comprovação da sua causa, e o respectivo valor do IRRF cobrado. DOS LANÇAMENTOS DE OFÍCIO DOS TRIBUTOS Em relação ao IRPJ, a partir dos fatos anteriormente descritos, o Fisco enquadrou a contribuinte na seguinte legislação: Fatos geradores ocorridos entre 01/01/2011 e 31/12/2013: art. 3° da Lei n° 9.249/95; arts. 247, 248, 249, inciso I, 251, 277, 278, 299 e 300 do RIR/99. Em relação à CSLL, a partir dos fatos anteriormente descritos, o Fisco enquadrou a contribuinte na seguinte legislação: Fatos geradores ocorridos entre 01/01/2011 e 31/12/2011: art. 2° da Lei n° 7.689/88 e alterações; art. 57 da Lei n° 8.981/95 e alterações; art. 2° da Lei n° 9.249/95; art. 1° da Lei n° 9.316/96; art. 28 da Lei n° 9.430/96; e art. 3° da Lei n° 7.689/88, com redação dada pelo art. 17 da Lei nº 11.727/08. Fatos geradores ocorridos entre 01/01/2012 e 31/12/2012: Art. 2º da Lei nº 7.689/88 com as alterações introduzidas pelo art. 2º da Lei nº 8.034/90; Art. 57 da Lei nº 8.981/95, com as alterações do art. 1º da Lei nº 9.065/95; Art. 2º da Lei nº 9.249/95; Art. 1º da Lei nº 9.316/96; Art. 28 da Lei nº 9.430/96; Art. 3º da Lei nº 7.689/88, com redação dada pelo art. 17 da Lei nº 11.727/08; Fl. 11244DF CARF MF Processo nº 16004.720176/201657 Acórdão n.º 1401003.046 S1C4T1 Fl. 11.245 17 Art. 28 da Lei nº 9.430/96, com redação dada pelo art. 49 da Lei nº 12.715/12. Fatos geradores ocorridos entre 01/01/2013 e 31/12/2013: Art. 2º da Lei nº 7.689/88 com as alterações introduzidas pelo art. 2º da Lei nº 8.034/90; Art. 57 da Lei nº 8.981/95, com as alterações do art. 1º da Lei nº 9.065/95; Art. 2º da Lei nº 9.249/95; Art. 1º da Lei nº 9.316/96; art. 28 da Lei nº 9.430/96; Art. 3º da Lei nº 7.689/88, com redação dada pelo art. 17 da Lei nº 11.727/08; Art. 28 da Lei nº 9.430/96, com redação dada pelo art. 49 da Lei nº 12.715/12. 47. Em relação ao IRRF, a partir dos fatos anteriormente descritos, o Fisco enquadrou a contribuinte na seguinte legislação: arts. 674 e 675 do RIR/99. DA MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA EM 150% A autoridade Fiscal duplicou a multa de 75% do lançamento de ofício, nos termos do § 1°, do art. 44, da Lei n° 9.430, de 1996, por entender que as condutas intencionais e planejadas da contribuinte enquadramse na definição legal de fraude a que se referem os arts. 71, inciso I, e 72, da Lei n° 4.502, de 1964. Segundo o Fisco, a contribuinte procurou modificar as características essenciais do fato gerador, tentando caracterizar os pagamentos efetuados como legítimos e necessários, com causa e em face de operações comprovadas, o que justificaria a contabilização das despesas e custos decorrentes como dedutíveis na apuração do IRPJ e da CSLL a pagar, reduzindo em conseqüência o correspondente montante devido desses tributos. Ainda segundo o Fisco, os contratos referiamse a serviços fictícios e as referidas condutas foram praticadas com uma diversidade de contrapartes, envolveram valores expressivos e foram reiteradas. Pelos mesmos fundamentos, a autoridade tributária duplicou a multa de 75% em relação ao IRRF. DA MULTA ISOLADA A Autoridade Fiscal lançou a multa isolada de 50% prevista no art. 44, inciso II, ‘b’, da Lei n° 9.430, de 1996, por ausência de recolhimento de estimativas de IRPJ e CSLL, nos anoscalendário de 2011, 2012 e 2013, uma vez que a glosa de despesas consideradas indedutíveis aumentou a base de cálculo do IRPJ e da CSLL. DA RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA A Autoridade Fiscal incluiu no pólo passivo da relação tributária os sócios DÁRIO DE QUEIROZ GALVÃO FILHO (CPF 190.175.45372), JEAN ALBERTO LUSCHER CASTRO (CPF 140.252.48620) e ERTON MEDEIROS FONSECA (CPF 065.579.31865), nos termos do art. 135, III, do CTN, em Fl. 11245DF CARF MF Processo nº 16004.720176/201657 Acórdão n.º 1401003.046 S1C4T1 Fl. 11.246 18 razão da solidariedade nas condutas da contribuinte, consideradas ilícitas pelo Fisco. Segundo a Autoridade Fiscal, os sócios tinham pleno conhecimento da conduta da contribuinte. Além do mais, as pessoas jurídicas realizam seus negócios, seus empreendimentos, por meio de atos de vontade praticados por pessoas naturais, seus sócios, que as utilizam para a composição de seus interesses. No caso, ficou caracterizada a infração ao art. 135, III, do CTN, pois, os sócios conduziram os negócios da Galvão Engenharia com o intuito de fraudar a Administração Tributária. II. DA IMPUGNAÇÃO DA CONTRIBUINTE Cientificada dos autos de infração em 10/08/2016 (quartafeira), e irresignada, a contribuinte GALVÃO ENGENHARIA S/A apresentou a impugnação de fls. 4.567 a 9.864, em 08/09/2016 (quintafeira), por meio da qual oferece, em síntese, as seguintes razões de defesa. II.1. DAS PRELIMINARES DE NULIDADE II.1.1. Da motivação deficiente do lançamento tributário e da ausência de descrição precisa da acusação fiscal II.1.1.1. Em relação ao IRRF Sustenta a impugnante que a Autoridade Fiscal, quanto à infração supostamente cometida por estes, sempre se referiu à ausência de comprovação da operação e de sua causa, situações excludentes na exigência do IRRF. Aduz que há pagamento sem causa quando a fiscalização constata a saída do numerário do caixa da empresa para determinado beneficiário sem qualquer motivo ou razão que os justifiquem. Por outro lado, quando o pagamento é realizado em virtude de determinado contrato ou negócio jurídico, por exemplo, não há mais que se falar na ausência de causa. Nesse caso, poderseá questionar a existência da operação, mas não a sua causa. Destaca que a menção genérica às situações excludentes do §1°, do art. 61, da Lei n° 8.981, de 1995, torna a motivação incongruente. Cita passagens do Termo de Descrição dos Fatos (TDF) em que, segundo a impugnante, o Fisco não descreveu com a precisão e detalhamento exigidos os fundamentos jurídicos e fáticos do lançamento (a não comprovação da operação ou a causa do pagamento). Traz jurisprudência administrativa que reconhece a nulidade do lançamento por motivação deficiente. Pugna pela nulidade do auto de infração, pois, o TDF não justifica o porquê da cobrança de IRRF (se em razão de pagamentos sem causa ou pela não comprovação da operação), prejudicando o exercício do direito de defesa da impugnante. Fl. 11246DF CARF MF Processo nº 16004.720176/201657 Acórdão n.º 1401003.046 S1C4T1 Fl. 11.247 19 II.1.1.2. Em relação ao IRPJ e à CSLL Em síntese, sustenta a impugnante que a Autoridade Fiscal não expôs os motivos pelos quais os documentos apresentados pela contribuinte seriam insuficientes para comprovar a efetiva prestação dos serviços e sequer desenvolve argumentos jurídicos que justificassem a glosa. Aduz que o Fisco baseouse na presunção de simulação e ausência da efetiva prestação dos serviços, embora tenham sido apresentados pela contribuinte todos os documentos que possui em sede de fiscalização, o que enseja a nulidade do presente auto de infração por vício material. II.1.2. Das provas colhidas da operação Lava Jato indevidamente transladadas em razão de seu caráter sigiloso Sustenta a impugnante que é ilícito o compartilhamento das denúncias apresentadas pelo MPF, sem autorização judicial, o que caracteriza notória ilicitude das provas que embasaram a acusação fiscal. Razão pela qual, pugnam pela nulidade do presente auto de infração. II.1.3. Da ilicitude da utilização da prova emprestada sem o devido contraditório e ampla defesa Sustenta a impugnante que a Autoridade Fiscal, durante o procedimento fiscal, relacionou provas constantes de um processo criminal sobre fatos envolvendo outras Construtoras e empresas diversas das que foram objeto da autuação, sem admitir o exercício do contraditório e da ampla defesa pela impugnante, pelo que se impõe a declaração de nulidade do auto de infração. II.1.4. Do descumprimento dos requisitos de validade do Termo de Distribuição de Procedimento Fiscal Segundo a impugnante, o procedimento de fiscalização é integralmente nulo, pois o Termo de Distribuição de Procedimento Fiscal (TDPF) violou os seguintes dispositivos da Portaria RFB n° 1.687, de 2014: o inciso IV, do art. 5°, por deixar a Autoridade Fiscal de expor no TDPF o prazo para a realização do procedimento fiscal; o inciso I, do art.11, por ultrapassar a Autoridade Fiscal o prazo para a conclusão da fiscalização na contribuinte sem justificativas; o § 1°, do art. 5°, por recair o TDPF em período de apuração diverso (anocalendário de 2011) do efetivamente fiscalizado (anocalendário de 2010); e o art. 7°, por incompetência da Autoridade Fiscal para expedir o TDPF. II.2. DA DECADÊNCIA PARCIAL DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO DE IRRF. Argumenta a impugnante que o IRRF é tributo sujeito ao lançamento por homologação e que as retenções devidamente comprovadas por meio das DIRFs devem ser consideradas como pagamentos antecipados do tributo (doc. 02 da impugnação). Com base nessas premissas é que se deve concluir que ao IRRF se aplica a sistemática do art.150, §4°, do CTN, para contagem do prazo decadencial, e não aquela prescrita pelo inciso I, do art. 173, do CTN, por ausência de quaisquer atos fraudulentos que justificassem a sua aplicação. Fl. 11247DF CARF MF Processo nº 16004.720176/201657 Acórdão n.º 1401003.046 S1C4T1 Fl. 11.248 20 Trouxe jurisprudência administrativa no mesmo sentido, segundo o entendimento da impugnante. Pugna, portanto, pela decadência parcial do IRRF sobre os pagamentos realizados no período de janeiro de 2011 a agosto de 2011. II.3. DO MÉRITO II.3.1. DA IMPOSSIBILIDADE DE SE EXIGIR O IRRF SIMULTANEAMENTE COM A GLOSA DE DESPESAS: CONFIGURAÇÃO DO BIS IN IDEM. Sustenta a impugnante que, apesar de a Galvão Engenhria ter efetuado diversos pagamentos às empresas JD, LFSN, M.O., AKYZO, HEFESTO, PROFICENTER, CIGMA e GRIFFE a título de serviços de assessoria e consultoria, bem como locação de equipamentos, entendeu a Autoridade Fiscal que tais despesas não estariam suportadas por documentação hábil e idônea, ensejando a adição desses valores ao lucro líquido e a aplicação das normas do IRPJ e da CSLL. Argumenta que a exigência concomitante do IRPJ e da CSLL em razão da glosa de despesas e do IRRF em razão de supostos pagamentos sem causa é incompatível. Isso porque agasalhar tal pretensão significaria admitir a tributação do mesmo fato duas vezes. Em outras palavras, os pagamentos realizados pela Galvão seriam tributados em um primeiro momento pelo IRPJ e pela CSLL e, em um segundo momento, seriam novamente tributados a título de IRRF. Aduz que o convívio das duas exigências mostrase incoerente. Isso porque, ao glosar as despesas utilizadas para reduzir o lucro líquido, a Autoridade Fiscal concluiu pela inexistência dos serviços e dos pagamentos realizados. Afinal, a suposta falta de uma prestação de serviço ou a inidoneidade dos documentos apresentados impõe, ao menos em tese, a glosa com a conseqüente adição dos valores ao lucro líquido. Contudo, uma vez fixada essa premissa, não podem os pagamentos tidos por inexistentes ou carentes de materialidade serem alvo de tributação pelo IRRF em razão da suposta ausência de causa ou comprovação da operação. De fato, os pagamentos não podem ser considerados inexistentes para fins de IRPJ e CSLL e existentes para fins de IRRF. Trouxe jurisprudência administrativa nesse mesmo sentido, segundo a impugnante. Pugna pelo cancelamento do presente auto de infração por restar incompatível a cobrança simultânea de IRRF e IRPJ/CSLL. II.3.2. Da Ausência dos pressupostos do artigo 61, caput e §1° da Lei n° 8.981/95 Argumenta a impugnante ser manifestamente improcedente o lançamento tributário, por não estarem configurados os pressupostos de aplicação da norma jurídica do §1°, do art. 61 da Lei n° 8.981/95. Informa que a aplicação dessa norma deve ser excepcional, vale dizer, quando: (i) o Fisco não sabe quem é o beneficiário dos rendimentos pagos, o que Fl. 11248DF CARF MF Processo nº 16004.720176/201657 Acórdão n.º 1401003.046 S1C4T1 Fl. 11.249 21 impossibilita a exigência do IRPJ e da CSLL dele, (ii) a operação que motiva o pagamento não é comprovada (sendo considerada inexistente) (iii) ou quando o próprio pagamento é feito sem causa ou motivo que o justifique, isto é, sem a indicação de uma operação, o que torna duvidosa, em ambos os casos, a natureza do rendimento auferido pelo terceiro e, consequentemente, a aplicação da norma de tributação. Aduz que não há dúvidas quanto aos beneficiários dos pagamentos. Afinal, a própria D. Autoridade Fiscal os menciona no TDF (LFSN, M.O., AKYZO, HEFESTO, PROFICENTER, CIGMA e GRIFFE). A questão é saber, portanto, se a suposta não comprovação da operação ou a suposta ausência de causa para a realização dos pagamentos impede o Fisco de tributar os beneficiários, justificando, então, a exigência do IRRF. Sustenta ser insuficiente a mera alegação de não comprovação da operação que originou o pagamento ou a falta de causa para tal ato. É necessário que o Fisco não tenha meios de tributar normalmente o beneficiário do rendimento, aplicando as normas de apuração do IRPJ e da CSLL, sob pena de se impor à fonte pagadora uma sanção desproporcional, bem como ônus financeiro que, na prática, equivale a 53,84% dos valores pagos em razão do reajuste da base de cálculo exigido pelo §3°, do artigo 61, da Lei n°. 8.981/95. Argumenta que a Galvão, na qualidade de fonte pagadora dos rendimentos auferidos pelos prestadores de serviços, efetuou a retenção de todos os tributos devidos em razão da operação realizada. Isso fica claro pela análise das notas fiscais de prestação de serviço apresentadas durante a fiscalização e pelas DIRFs (doc. 02), que atestam tais retenções. Destaca que o próprio TDF deixa claro, por diversas vezes, que os prestadores de serviços declararam as receitas auferidas no anocalendário em questão. Apenas a título de exemplo, a D. Autoridade Fiscal menciona as receitas auferidas no anoscalendários de 2011 a 2013 pela AKYZO (página 67 do TDF), PROFICENTER (página 82 do TDF) e HEFESTO (página 77 do TDF). Sustenta que todos os pagamentos realizados foram feitos a partir das operações contratadas com as referidas empresas, o que também denota a sua causa. Ademais, os valores não saíram do caixa da Galvão sem uma justificativa ou sem documentos que os suportassem. Pelo contrário, há indicação das notas fiscais de prestação de serviço e a correta contabilização de todos esses eventos em seus livros e documentos fiscais. Entende, também, que, mesmo indevidos os referidos pagamentos realizados por Galvão Engenharia, a causa residiria no repasse de vantagens indevidas para agentes públicos, não havendo espaço, portanto, para se exigir o IRRF. II. 3.3. Da Indevida cumulação do IRRF com a multa de ofício Sustenta a impugnante que, a despeito de o legislador ter criado a obrigação de retenção exclusiva na fonte do imposto sobre a renda à alíquota de 35% (o equivalente a 53,84% com o reajuste da base de cálculo) nas hipóteses prescritas pelo artigo 61 da Lei 8.981/95, um exame mais cuidadoso da exação revela Fl. 11249DF CARF MF Processo nº 16004.720176/201657 Acórdão n.º 1401003.046 S1C4T1 Fl. 11.250 22 tratarse de verdadeira multa punitiva em virtude do cometimento de ato ilícito pela pessoa jurídica que efetua os pagamentos. Argumenta, em síntese, que se deve interpretar o artigo 61, da Lei n°. 8.981/95, em conformidade com o artigo 3°, do CTN. Ou seja: se é verdade que o fato gerador da exação é justamente um ato ilícito, então é possível concluir que a consequência da norma constitui, justamente, a sanção correspondente, resultando na impossibilidade de se cumular com a multa de ofício. Trouxe jurisprudência administrativa no mesmo sentido, segundo o seu entendimento. Pugna, portanto, pelo afastamento da multa de 150% aplicada sobre o montante exigido a título de IRRF, dada a sua natureza de multa isolada. II.3.4. Do necessário reconhecimento dos valores retidos e pagos pela Galvão a título de IRRF, CSLL, PIS e COFINS Sustenta a impugnante que deve ser considerada a retenção de 6,15% efetuada pela Galvão em relação aos pagamentos efetuados, nos termos do disposto no artigo 647 do RIR/99. Trouxe jurisprudência administrativa no mesmo sentido, segundo o seu entendimento. Apresenta cópia de comprovantes de recolhimento do IRRF e as DIRF que consignam o valor dos rendimentos pagos e do imposto retido (doc. 02). Requer, portanto, caso mantida a autuação do IRRF, a dedução da parcela já recolhida do tributo. II.3.5. Do indevido reajustamento da base de cálculo do IRRF Sustenta a impugnante que o Fisco deve adotar como base de cálculo para o IRRF o valor dos pagamentos efetuados sem o reajustamento, uma vez que a contribuinte efetuou a retenção legal. Argumentam que o art. 61, da Lei n°. 8.981/95, estabeleceu uma presunção relativa de que os pagamentos realizados pela fonte são líquidos do imposto sobre a renda. No presente caso, os valores entregues aos beneficiários configuram a exata expressão do montante tributável. Requer a revisão do crédito tributário de IRRF, a fim de que se adote como base de cálculo o valor dos pagamentos efetuados. II.3.6. Da insubsistência da acusação fiscal de exigência de IRPJ e CSLL: o conflito entre o direito à dedutibilidade das despesas e o ônus da prova do Fisco Sustenta a impugnante que a Autoridade Fiscal não apreciou os documentos apresentados por Galvão Engenharia, os quais descrevem a prestação dos serviços contratados. Com efeito, teriam sido sumariamente descartados, optando a Autoridade Fiscal pela utilização de presunções baseadas em indícios Fl. 11250DF CARF MF Processo nº 16004.720176/201657 Acórdão n.º 1401003.046 S1C4T1 Fl. 11.251 23 frágeis, que não convergem ou permitem concluir pela ocorrência da infração tributária. Argumenta que, durante o procedimento de fiscalização, a Galvão apresentou conjunto probatório composto, em geral, por: todas as notas fiscais de prestação de serviços emitidas pelas empresas, acompanhada do recolhimento dos tributos retidos; os comprovantes de pagamento às empresas prestadoras de serviço; e as planilhas de medição dos serviços de consultoria, assessoria e locação, em conformidade com os pagamentos. Informa que a Autoridade Fiscal não fez questionamentos acerca da escrituração ou da regularidade da emissão das notas. Isso significa, portanto, que a apresentação de sua escrituração e dos documentos que amparam os fatos nela registrados fariam prova a seu favor. Aduz que a Autoridade Fiscal fundamenta a glosa das despesas na suposta ausência de comprovação da efetividade dos serviços sem provar, contudo, as suas alegações. Destaca que à exceção da empresa M.O. CONSULTORIA, CIGMA e GRIFFE, todas as demais estão atualmente ativas e aptas (isto é, com o CNPJ ativo perante a Receita Federal) a exercer as atividades descritas nos respectivos objetos sociais. Trouxe jurisprudência administrativa segundo a qual situações que não dizem respeito ao contratante, no caso Galvão Engenharia, não podem prejudicála. Em outras palavras, não se pode presumir a inexistência da prestação dos serviços apenas com base em indícios que apontam para o cometimento de irregularidades do prestador que, ademais, não possuem qualquer vinculação com as operações autuadas. Ressalta o seguinte em relação a cada uma das empresas que mantinham contratos de prestação de serviços com a contribuinte: JD ASSESSORIA E CONSULTORIA LTDA Sustenta que a contratação da JD pela GALVÃO tinha um motivo muito claro: a intenção de expandir as suas atividades no mercado internacional. Para isso, era preciso contratar empresa de consultoria e assessoria que possuísse a expertise no assunto e que pudesse auxiliar adequadamente a GALVÃO. Argumenta que a JD não apenas presta tais serviços, como o seu sócio, o Sr. JOSÉ DIRCEU, possui amplo conhecimento do cenário político e econômico da América Latina. Daí a escolha da referida empresa para o assessoramento na prospecção de seus negócios no exterior, o que envolvia a divulgação de seu nome e o estabelecimento de contato com possíveis clientes. Destaca que os serviços prestados pela JD não demandavam a elaboração dos documentos exigidos pelo Fisco, já que os serviços contratados eram prestados corriqueiramente por meio de contatos telefônicos ou reuniões presenciais. Ademais, a assessoria na prospecção para o mercado externo não dependia da elaboração de relatórios ou pareceres, mas, sim, de contatos feitos pelo Sr. JOSÉ DIRCEU com possíveis clientes internacionais. Fl. 11251DF CARF MF Processo nº 16004.720176/201657 Acórdão n.º 1401003.046 S1C4T1 Fl. 11.252 24 Informa que a ausência de tais documentos não torna inexistente a prestação dos serviços, razão pela qual os elementos relacionados à JD não justificam a glosa das despesas realizadas pelo Fisco. AKYZO — ASSESSORIA & NEGÓCIOS LTDA Sustenta que a Autoridade Fiscal questiona as operações autuadas apenas pelo fato de o seu sócio majoritário deter participação societária na empresa LIDERROL, que, por sua vez, é fornecedora da Petrobrás e de outras empreiteiras que lhe prestam serviços, suspeitas de serem “noteiras” (sic). Informa que a movimentação financeira da AKYZO ou o número de funcionários contratados também não se presta a comprovar a infração tributária supostamente cometida pela GALVÃO. Destaca que os serviços descritos em seu objeto social não exigem um vasto número de funcionários ou grandes estruturas, pois o que se contrata, em tais casos, é o intelecto de seus sócios. HEFESTO CONSULTORIA E PROJETOS LTDA A impugnante aduz que o fato de o sócio majoritário da empresa ser ex funcionário da Petrobrás e apresentar vultosos montantes declarados na ficha de bens e direitos de sua DIRPF tornase irrelevante para o presente caso, pois, não permitem concluir que as operações autuadas não foram comprovadas ou não existiram. Destaca que a suposta incompatibilidade entre as receitas auferidas pela HEFESTO e sua capacidade operacional não é suficiente para considerála inoperante. Argumenta que os pagamentos realizados pela HEFESTO às empresas que supostamente atuariam como “noteiras” configuram, no máximo, irregularidades praticadas por aquela (sic). PROFICENTER PLANEJAMENTOS DE OBRAS LTDA Aduz que problemas relacionados ao descumprimento de obrigações tributárias pela PROFICENTER são a ela imputáveis, não podendo ser utilizados em desfavor da impugnante. Sustenta que as alegações do Fisco não provam nada em relação às operações autuadas. CIGMA PROJETOS ENGENHARIA E CONSTRUÇÕES LTDA Informa que a suposta inexistência de fato da empresa CIGMA não tem o condão de desnaturar as notas fiscais emitidas por essa empresa, pois as operações datam de 2011, quando a CIGMA encontravase em situação de perfeita regularidade. Fl. 11252DF CARF MF Processo nº 16004.720176/201657 Acórdão n.º 1401003.046 S1C4T1 Fl. 11.253 25 Aduz que os fatos alegados pela fiscalização demonstram, quando muito, a suposta inexistência da CIGMA no ano de 2015 (quando realizado o procedimento de apuração de tal fato), e não no período autuado (2011 a 2013). Argumenta que problemas relacionados ao descumprimento de obrigações acessórias (apresentação de GFIP ou DIRF) são a ela exclusivamente imputáveis, assim como o fato de não constarem empregados declarados pela CIGMA ao Fisco pode significar a preferência pela terceirização ou locação de mão de obra, por exemplo. Razão pela qual em nada justificam a glosa das despesas. GRIFFE COMUNICAÇÃO E MARKETING LTDAME Esclarece que a baixa do CNPJ da GRIFFE, ocorrida em 06/02/2015, não justifica sua menção no presente auto de infração. Informa que a suposta incompatibilidade financeira dos exsócios da GRIFFE, as supostas inconsistências verificadas nas Declarações apresentadas pela GRIFFE e a ausência de recolhimentos de tributos em relação aos rendimentos por esta auferidos não vinculam a contribuinte nem demonstram que os serviços contratados foram prestados. Razão pela qual a autuação deve ser cancelada. Concluem que devem ser restabelecidas as despesas glosadas, cancelandose as exigências de IRPJ e CSLL, e restabelecida a parcela da base de cálculo negativa da CSLL do anocalendário de 2012 compensada com a diferença apurada no presente auto de infração pela autoridade fiscal. II.3.7. Da Impossibilidade da concomitância entre a multa de ofício e a multa isolada Segundo a impugnante, em decorrência da glosa de despesas e do lançamento do IRPJ, a Autoridade Fiscal aplicou a multa isolada por falta de recolhimento de estimativas com fundamento no art. 44, §1°, da Lei n° 9.430, de 1996. Aduz que não pode o Fisco exigir multa pelo não recolhimento dos tributos apurados ao final do anocalendário e, ao mesmo tempo, multa sobre o não recolhimento das estimativas, que são apenas a antecipação daqueles. Nesse caso, a penalidade exigida em razão da ausência de pagamento do IRPJ deve absorver aquela aplicável ao não recolhimento das respectivas antecipações. Cita jurisprudência administrativa, corroborando o entendimento da impugnante de que, existindo multa de ofício por falta de pagamento de tributo, a multa isolada por estimativa não deve ser exigida, em razão do princípio emprestado do direito penal denominado de consunção. Traz nesse sentido o enunciado n° 105 da súmula de jurisprudência do CARF, segundo o qual a multa isolada por falta de recolhimento de estimativas, lançada com fundamento no art. 44 § 10, inciso IV da Lei n° 9.430, de 1996, não pode ser exigida ao mesmo tempo da multa de ofício por falta de pagamento de IRPJ apurado no ajuste anual, devendo subsistir a multa de ofício. Fl. 11253DF CARF MF Processo nº 16004.720176/201657 Acórdão n.º 1401003.046 S1C4T1 Fl. 11.254 26 Conclui que, em atenção ao princípio da consunção ou da absorção, a multa isolada (menos grave) deve ser absorvida pela multa de oficio, sob pena de restar admitido o "bis in idem". II.3.8. Do Afastamento da qualificadora da multa de ofício Em síntese, argumenta a impugnante que, em momento algum, o Fisco atribuiu de forma clara, inequívoca e precisa uma das condutas descritas pelos artigos 71, 72 e 73 da Lei n°. 4.502/64 à Impugnante, sendo esta condição indispensável para a qualificação da multa de ofício. Aduz que a fiscalização não pode se basear na suposta prática de ilícitos penais para concluir pela existência de ilícitos tributários e que a denúncia do MPF envolvendo os Responsáveis Tributários não possui qualquer vínculo com as operações questionadas na autuação, à exceção da M.O. Consultoria. Destaca que, em relação à qualificação da multa de ofício no lançamento do IRRF, não cabe a qualificadora por sonegação, uma vez que todos os pagamentos realizados foram devidamente contabilizados, escriturados no LALUR e declarados em DIPJ, e, tratandose de exigência decorrente da responsabilidade exclusiva de retenção na fonte, não há que se falar em sonegação de tributo cuja ocorrência do fato gerador deva ser informada e declarada pelo beneficiário do rendimento. Ainda em relação ao IRRF, não há que se falar em fraude, pois o referido imposto foi recolhido pela contribuinte em todos os pagamentos efetuados e a contribuinte não obteve nenhuma vantagem tributária em razão da realização dos referidos pagamentos. Sustenta a impugnante que não restou configurada sonegação ou fraude e que, nos termos do enunciado n° 14 da súmula do CARF, não restou demonstrado pela Autoridade Fiscal o dolo específico da impugnante que caracterizasse o evidente intuito de fraude da contribuinte em relação ao IRRF (pagamentos realizados dolosamente, visando obter alguma vantagem tributária). Em relação ao IRPJ e à CSLL, não houve sonegação ou fraude, pois a impugnante contabilizou o pagamento das despesas nas contas contábeis pertinentes, lançouo no LALUR, declarouo na DIPJ e recolheu os tributos devidos. Destaca que, no limite, a conduta da impugnante traduziu mero equívoco no pagamento a menor de tributos, sem comprovação, pelo Fisco, do evidente intuito de fraude de produzir resultado lesivo ao Fisco. Trouxe jurisprudência administrativa sobre os requisitos para qualificação da multa de ofício e conclui pela exclusão da referida qualificação em relação ao IRPJ e à CSLL. II.3.9. Da aplicação do artigo 112 do CTN em caso de voto de desempate Argumenta a impugnante que, em caso de empate no presente julgamento, o voto de qualidade deve aplicar o art. 112, do CTN, garantindose a interpretação mais Fl. 11254DF CARF MF Processo nº 16004.720176/201657 Acórdão n.º 1401003.046 S1C4T1 Fl. 11.255 27 favorável da legislação tributária ao contribuinte. Em outras palavras, o segundo voto do Presidente (voto de qualidade) deve sempre acompanhar a posição mais favorável ao contribuinte quanto à aplicação das penalidades. Pugna, portanto, pelo cancelamento das multas veiculadas no presente auto de infração em caso de empate no presente julgamento para conciliar o instituto do voto de qualidade com o princípio constitucional da presunção de inocência, bem como com o art. 112, do CTN. II.3.10. Da não incidência de juros sobre as multas de ofício e isolada Argumenta a impugnante que a cobrança de juros de mora sobre as multas de ofício e isolada carece de fundamento legal, uma vez que o § 3°, do artigo 61, da Lei n° 9.430/96, em consonância com o artigo 161 do, CTN, é claro ao restringir a incidência dos juros de mora sobre o valor do principal lançado. Traz jurisprudência administrativa nesse sentido e pugna pela exclusão dos juros de mora sobre as multas de ofício e isolada em caso de manutenção do presente auto de infração. II.3.11. Da cessação da fluência dos juros de mora após o transcurso do prazo de 360 dias Segundo a impugnante, uma vez transcorrido o prazo de 360 dias previsto no artigo 24 da Lei n° 11.457/07, não há mais que se falar em mora do contribuinte, mas sim da Fazenda Pública, que não pode se beneficiar de sua própria inércia. Do contrário, estimularseia o Fisco a não julgar com rapidez os processos administrativos de sua competência, a fim de que o valor dos juros aumente mês a mês. Portanto, requer a impugnante, para que se prestigie o dever de duração razoável do processo e o princípio da eficiência da Administração Pública, que o cálculo dos juros de mora seja limitado ao prazo de 360 dias, caso a decisão em primeira instância venha a superar este prazo legal. II.3.12. Do Erro na apuração do IRPJ e da CSLL nos anoscalendários de 2011, 2012 e 2013 Requer a impugnante, se os argumentos expostos nos itens anteriores não forem acolhidos, a revisão da apuração do IRPJ e da CSLL, em razão de a autoridade fiscal não ter abatido parcela remanescente do saldo de prejuízos fiscais e do saldo negativo da base de cálculo da CSLL apurados pela impugnante nos anos calendários de 2011 a 2013, sem utilização na compensação de outros débitos federais. Em relação ao IRPJ do anocalendário de 2011, informou a impugnante que no momento do lançamento, o saldo negativo informado na DIPJ era de R$ 688.415,29 (doc. 03 da impugnação). Esse valor foi ajustado em DIPJ retificadora posterior à data da lavratura do auto de infração (sem cópia nos presentes autos), visto que a GALVÃO identificou retenção de IR realizada pela PETROBRÁS (doc. 07 da impugnação) que não havia sido computada originalmente, gerando um saldo de prejuízo fiscal de R$ 2.854.420,28. O Fl. 11255DF CARF MF Processo nº 16004.720176/201657 Acórdão n.º 1401003.046 S1C4T1 Fl. 11.256 28 mesmo ocorre com a CSLL, cujo saldo negativo inicial da base de cálculo de R$ 4.145.211,11 deverá ser corrigido para R$ 5.950.215,26. Em relação ao IRPJ do anocalendário de 2012, traz cópias de Declarações de Compensação (doc. 04 da impugnação) para demonstrar a existência de saldo de prejuízo fiscal remanescente de R$ 3.996.431,12, a partir do qual resultará no cancelamento integral o IRPJ devido. Em relação ao IRPJ do anocalendário de 2013, traz cópias de Declarações de Compensação (doc. 05 da impugnação) para demonstrar a existência de saldo de prejuízo fiscal remanescente de R$ 1.996.932,46, a partir do qual resultará no cancelamento integral o IRPJ devido. Em relação ao CSLL do anocalendário de 2013, traz cópias de Declarações de Compensação (doc. 06 da impugnação) para demonstrar a existência de saldo negativo remanescente da base de cálculo de R$ 462.204,07, a partir do qual resultará no cancelamento parcial da CSLL devida. Em síntese, requer a impugnante que seja julgada procedente a sua impugnação para acolher as preliminares suscitadas, cancelandose integral ou parcialmente o auto de infração lavrado. Acaso superadas essas preliminares, requer a improcedência da acusação fiscal em conformidade com as razões de mérito. Na hipótese de manutenção das autuações relativas ao IRRF, IRPJ e CSLL, requer, finalmente, que sejam acolhidos, ao menos, os argumentos subsidiários, reduzindose, por conseguinte, o crédito tributário exigido. III. DA IMPUGNAÇÃO DOS RESPONSÁVEIS TRIBUTÁRIOS Cientificados dos autos de infração em 10/08/2016 (quartafeira), e irresignados, OS SÓCIOS DÁRIO DE QUEIROZ GALVÃO FILHO (CPF 190.175.453 72), JEAN ALBERTO LUSCHER CASTRO (CPF 140.252.48620) e ERTON MEDEIROS FONSECA (CPF 065.579.31865) apresentaram a impugnação de fls. 10.207 a 10.302, em 08/09/2016 (quintafeira), por meio da qual oferecem, em síntese, as seguintes razões de defesa. Da Ilegitimidade passiva dos responsáveis tributários III.1. O Sr. Dario jamais exerceu a função de diretor, gerente ou representante da empresa à época dos fatos geradores. O Sr. Jean, por sua vez, só exerceu a função de direção até 08.09.2011 Argumentam os impugnantes que se afigura ilegal a responsabilização pessoal do Sr. Dario de Queiroz Galvão Filho, com base no artigo 135, inciso III, do CTN. Isso porque, à época dos fatos geradores da autuação, ele não desempenhava as funções de diretor, gerente ou representante da empresa, conforme se depreende de documentos retirados do site da JUCESP e disponíveis para consulta. Desde 29/01/2010, exerceu apenas a função de membro do Conselho de Administração da Contribuinte. Aduzem que nos termos do artigo 17 do Estatuto Social da Galvão arquivado na JUCESP no dia 29.01.2010, vigente à época dos fatos geradores debatidos, os membros do Conselho de Administração e os diretores possuem atribuições Fl. 11256DF CARF MF Processo nº 16004.720176/201657 Acórdão n.º 1401003.046 S1C4T1 Fl. 11.257 29 distintas, cabendo apenas aos membros da diretoria as funções relacionadas à gestão dos negócios sociais, administração e representação da Galvão. Em relação ao Sr. Jean, só exerceu o cargo de direção da Galvão até o dia 08.09.2011, data em que foi destituído do cargo de diretor e permaneceu apenas como Conselheiro Administrativo até o fim do período autuado, conforme se verifica da Ata de Reunião do Conselho de Administração realizada em 08.09.2011 e arquivada na JUCESP em 14.09.2011. Razão pela qual deve ser limitada a sua responsabilidade pelo crédito tributário exigido nestes autos, de plano, aos fatos geradores supostamente ocorridos no período de 01.01.2011 a 08.09.2011. III.2. Da inaplicabilidade do inciso III, do artigo 135, do CTN em relação ao IRPJ e à CSLL Argumentam os impugnantes que não procede a sua responsabilização pessoal, eis que ausentes os requisitos que autorizam a aplicação da norma contida no art. 135, III, do CTN. Informam que nas três páginas do Termo de Descrição dos Fatos (TDF) dedicadas ao assunto, a Autoridade Fiscal não descreve precisa e especificamente, em relação a cada uma das pessoas físicas responsabilizadas, qual teria sido o ato doloso praticado com excesso de poderes ou infração à lei, ao contrato social ou ao estatuto capaz de gerar as obrigações tributárias consignadas neste auto de infração. Inclusive, o TDF, em suas 140 páginas, não faz menção a qualquer documento assinado pelas pessoas físicas responsabilizadas, ou ato que pudesse configurar a hipótese do inciso III, do artigo 135, do CTN. Argumentam que caberia ao Fisco demonstrar que a infração à lei se deu em virtude de atos ilícitos praticados pelos Responsáveis Tributários, o que não se verificou nos autos. Aduzem que o Fisco não estabeleceu o nexo entre o ato ilícito e o surgimento da obrigação tributária. Destacam que a dedução das despesas foi efetuada pela Galvão Engenharia sem que exista prova de que foi determinada especificamente pelas pessoas físicas consideradas responsáveis tributárias no auto de infração. Ainda que elas sejam consideradas indevidas, as consequências dessa infração são exclusivamente imputadas à Galvão Engenharia. Trazem jurisprudência administrativa no mesmo sentido, segundo os impugnantes. Pontuam que o inciso III, do art. 135, do CTN, exige que o ato ilícito seja cronologicamente anterior ao surgimento da obrigação tributária, diferentemente do entendimento da Autoridade Fiscal. Argumentam que o fato de as pessoas físicas consideradas responsáveis tributárias no auto de infração terem sido condenadas penalmente em 1ª instância pelos crimes de corrupção ativa, lavagem de dinheiro e associação criminosa, Fl. 11257DF CARF MF Processo nº 16004.720176/201657 Acórdão n.º 1401003.046 S1C4T1 Fl. 11.258 30 não permite concluir pela sua atuação dolosa com infração à lei tributária, muito menos pelo cometimento de sonegação ou fraude. Pugnam, portanto, pela exclusão dos responsáveis tributários do pólo passivo da presente autuação, em relação às exigências de IRPJ e da CSLL, por insuficiência de fundamentação legal e por ausência de provas de dolo na prática de sonegação. III.3. Subsidiariamente: da incompatibilidade da exigência do IRRF com a norma do artigo 135, inciso III, do CTN Os impugnantes trazem jurisprudência administrativa com o entendimento de que não há fundamento legal para aplicação simultânea da regra de responsabilização do art. 61, da Lei n° 8.981, de 1995, e, da regra de responsabilidade pessoal do art. 135, III, do CTN. Pugnam, portanto, pela exclusão dos responsáveis tributários do pólo passivo da presente autuação quanto à exigência de IRRF. Do mérito da impugnação dos responsáveis tributários III.4. Das razões de defesa expostas pela GALVÃO em sua impugnação Os impugnantes reiteram e ratificam todos os argumentos, documentos anexos, conclusões e pedidos da impugnação da contribuinte. Em síntese, os Impugnantes pedem para que seja julgada procedente a presente impugnação, para afastar destes a legitimidade passiva, cancelandose integralmente o respectivo auto de infração em relação. Acaso superadas os argumentos iniciais, pedem pela improcedência total ou parcial da acusação fiscal em conformidade com os argumentos de defesa expostos na peça impugnatória da contribuinte, cuja aplicação deve ser estendida aos Impugnantes. Fim da transcrição do relatório da Decisão de Piso. Analisando a impugnação a Delegacia de Julgamento julgou procedente em parte a Delegacia de Julgamento considerou procedente em parte a impugnação, reduzindo o valor lançado e excluindo a responsabilidade solidária nos seguintes termos: ......para (1) afastar a responsabilidade solidária do Sr. Dário de Queiroz Galvão Filho; (2) manter a responsabilidade solidária do Sr. Erton Medeiros Fonseca; e (3) manter em parte a responsabilidade solidária do Sr. Jean Alberto Luscher Castro..... Cientificada do lançamento a empresa e os responsáveis solidários apresentaram recurso voluntário no qual foram apresentados os seguintes argumentos: Do contribuinte/recorrente: NULIDADES: Fl. 11258DF CARF MF Processo nº 16004.720176/201657 Acórdão n.º 1401003.046 S1C4T1 Fl. 11.259 31 Motivação deficiente do lançamento tributário e a ausência de descrição precisa da acusação fiscal em relação ao IRRF e ao IRPJ; Provas colhidas da Operação Lava Jato não foram devidamente transladadas em razão de seu caráter sigiloso; Ilicitude da utilização de prova emprestada sem o devido contraditório e ampla defesa; Termo de Distribuição de Procedimento Fiscal de Fiscalização descumpriu os requisitos de validade; Decadência parcial do crédito tributário de IRRF; MÉRITO Irretroatividade das Declarações de Inaptidão das Pessoas Jurídicas; IRRF Considerações iniciais sobre a norma do artigo 61 da Lei nº. 8.981/95. impossibilidade de se exigir o IRRF simultaneamente com o IRPJ e a CSLL decorrentes da glosa de despesas: configuração do bis in idem. Ausência dos pressupostos do artigo 61, caput e § 1º da Lei nº. 8.981/95; Argumentos subsidiários aplicáveis exclusivamente ao IRRF. Realização de diligência, a fim de que a RFB verifique se os beneficiários já foram autuados ou estão sendo fiscalizados. A indevida cumulação do IRRF com a multa de ofício; O necessário reconhecimento dos valores retidos e pagos pela Recorrente a título de IRRF, CSLL, PIS e COFINS; O indevido reajustamento da base de cálculo do IRRF. IRPJ e CSLL A insubsistência da acusação fiscal: o conflito entre o direito à dedutibilidade das despesas e o ônus da prova do Fisco. A fragilidade dos indícios que embasam a acusação fiscal. IV.7.1. JD ASSESSORIA E CONSULTORIA LTDA IV.7.2. AKYZO – ASSESSORIA & NEGÓCIOS LTDA IV.7.3. HEFESTO CONSULTORIA E PROJETOS LTDA. IV.7.4. PROFICENTER PLANEJAMENTOS DE OBRAS LTDA IV.7.5. CIGMA PROJETOS ENGENHARIA E CONSTRUÇÕES LTDA IV.7.6. GRIFFE COMUNICAÇÃO E MARKETING LTDA ME Argumentos subsidiários aplicáveis exclusivamente ao IRPJ e à CSLL. Erro na apuração do IRPJ e da CSL: a D. Autoridade Fiscal desconsiderou o saldo negativo e a base de cálculo negativa apurados nos anoscalendários de 2011, 2012 e 2013; Fl. 11259DF CARF MF Processo nº 16004.720176/201657 Acórdão n.º 1401003.046 S1C4T1 Fl. 11.260 32 Impossibilidade da concomitância entre a multa de ofício e a multa isolada por falta de estimativa; Argumentos subsidiários aplicáveis ao IRRF, ao IRPJ e à CSLL Afastamento da qualificadora da multa de ofício. A incoerência da acusação fiscal. Aplicação do artigo 112 do CTN em caso de voto de desempate. Não incidência de juros sobre as multas de ofício e isolada. Cessação da fluência dos juros de mora após o transcurso do prazo de 360 dias RECURSO VOLUNTÁRIO DOS RESPONSÁVEIS SOLIDÁRIOS Ilegitimidade Passiva dos Responsáveis: A responsabilidade solidária atribuída foi lançada em função da norma do art. 135 do CTF, conforme fls. 4344 do processo. Não preenchimento dos requisitos de solidarização. Equívocos cometidos pela DRJ. Falta de ingerência dos recorrentes na parte tributária e financeira da empresa. SR ERTON MEDEIROS FONSECA (fls. 10951 em diante) Atuação limitada à parte operacional de òleo e gás. Sr. JEAN ALBERTO LUSCHER(fls. 10951 em diante) Não praticou ato com infração à lei. Sr. DÁRIO DE QUEIROZ GALVÃO FILHO (fls. 10951 em diante) Não era administrador de direito na época dos fatos, apenas membro do conselho de administração Subsidiariamente Incompatibilidade de exigência do IRRF com a norma do art. 135, III, do CTN Do Mérito da autuação. Razões de defesa da Galvão engenharia em seu recurso. A Procuradoria da Fazenda Nacional, cientificada do Recurso, apresentou contrarrazões às fls. 11.145 em diante, pleiteando, com base nos argumentos aduzidos, pela manutenção da decisão atacada. Fl. 11260DF CARF MF Processo nº 16004.720176/201657 Acórdão n.º 1401003.046 S1C4T1 Fl. 11.261 33 Voto Conselheiro Abel Nunes de Oliveira Neto Os recursos são tempestivos e preenchem os requisitos legais, assim deles tomo conhecimento. Inicialmente, verificando a sustentação oral do recorrente, este sustenta que a realização da autuação a quem paga, quem recebe e terceiros destinatários finais dos valores indevidos pagos resultaria num benefício indevido ao fisco haja vista que estaria tributando em mais de 400% os valores que foram movimentados. Aparentemente faz sentido o raciocínio apresentados se não fossem alguns senões: 1) Em primeiro lugar a tributação nestes casos não resulta simplesmente do auferimento de renda, mas sim, pelo menos no caso do IRRF, à penalização pelo descumprimento da legislação, assim cada sujeito passivo é tributado na medida de seu status na situação; 2) Em segundo lugar a se estabelecer esse tipo de benefício para o fisco numa conta simplista a defesa deixa de considerar que as glosas se referiram apenas aos pagamentos realizados a estas sete empresas. E se existirem mais pagamentos a outras empresas que não foram identificadas. Pior e se o fisco também deixou de conhecer os outros anos em que a mesma situação ocorreu e não foi identificada. 3) Por fim, acaso houvesse a possibilidade de utilizarse este tipo de benefício, o único jeito viável de realizarse este tipo de entendimento seria isentar aqueles que receberam os recurso e acaso tiveram lançamentos relativos aos mesmos valores, assim, mesmo nesta hipótese, não haveria proveito ao responsável pelos pagamentos irregulares. Assim temos que, nos anos em que os autuados sofrem com a ação do fisco exigese uma relevação das penalidades pelo excesso de tributação enquanto que nos demais anos, onde não sofreu nenhum infortúnio, não se faz o balanceamento entre o enorme montante de valores que deixaram de ser pagos. Assim, sendo os sujeitos passivos distintos, não se trata de um valor que se reporta várias vezes a outras pessoas, mas sim recursos que, em relação a cada sujeito passivo tem enquadramentos legais diversos e, assim, devem sofrer as repercussões a eles relativas. Deixo essas considerações apenas por terem surgido no momento da sustentação oral. Passemos à análise do recurso. Fl. 11261DF CARF MF Processo nº 16004.720176/201657 Acórdão n.º 1401003.046 S1C4T1 Fl. 11.262 34 Tendo em vista a extensa argumentação apresentada pela recorrente e pelos responsáveis solidários imputados, utilizaremos, para fins de método de decisão e para facilitar o entendimento, dos pontos de divergência apresentados pelos recorrentes em seus recursos. NULIDADES: Motivação deficiente do lançamento tributário e a ausência de descrição precisa da acusação fiscal em relação ao IRRF e ao IRPJ; O recorrente, neste ponto, apresenta argumentos semelhantes aos apresentados na impugnação no que se refere à nulidade do auto de infração por ausência de descrição precisa da autuação. Em verdade, em seus argumentos, o recorrente tenta apresentar uma pretensa incongruência da fiscalização, notadamente no lançamento relativo ao IRRF, quando sugere que a fiscalização não consegue se firmar se o lançamento foi realizado em razão de a empresa não ter comprovado a realização das despesas ou se o beneficiário não foi identificado. No entanto, a Decisão de Piso já prontamente espancou esta pretensa argumentação. Vejamos o que apresentou a referida decisão: Conforme relatado, a impugnante requer a nulidade dos presentes autos, uma vez que a Autoridade Fiscal teria motivado a cobrança de IRRF de forma incongruente, ao não considerar apenas uma das hipóteses previstas no §1°, do art. 61, da Lei n° 8.981, de 1995 (pagamento sem causa ou ausência de comprovação da operação), no seu entendimento excludentes. Segundo o §1°, do art. 61, da Lei n° 8.981, de 1995: Art. 61. Fica sujeito à incidência do Imposto de Renda exclusivamente na fonte, à alíquota de trinta e cinco por cento, todo pagamento efetuado pelas pessoas jurídicas a beneficiário não identificado, ressalvado o disposto em normas especiais. § 1º A incidência prevista no caput aplicase, também, aos pagamentos efetuados ou aos recursos entregues a terceiros ou sócios, acionistas ou titular, contabilizados ou não, quando não for comprovada a operação ou a sua causa...(sem destaque no original) Equivocase a impugnante ao adotar a premissa de que o Fisco deveria eleger uma das hipóteses legais destacadas para não tornar a motivação incongruente, uma vez que se trata de incumbência da Lei. À Autoridade Fiscal cabe, primeiramente, a apuração dos fatos para, em seguida, fazer incidir sobre estes a respectiva norma. No caso, durante o procedimento fiscal, a impugnante foi intimada a apresentar documentos que a desincumbisse da incidência da Lei em relação a todas as hipóteses. Senão, observese mais uma vez o conteúdo das intimações transcritas neste relatório: (...) Fl. 11262DF CARF MF Processo nº 16004.720176/201657 Acórdão n.º 1401003.046 S1C4T1 Fl. 11.263 35 Comprovar, com documentação idônea, coincidente em datas e valores, o pagamento das referidas despesas/custos, apresentando os comprovantes bancários dos pagamentos efetuados (cópias de cheques, ordens de pagamentos, doc, ted, transferências bancárias, etc.). No caso de lançamento que englobe diversos pagamentos, cópia do borderô que detalhe e identifique o pagamento de forma individualizada. Caso o pagamento tenha sido feito de formas alternativas à via bancária, apresentar declaração e documentos que comprovem e detalhem a forma utilizada. Apresentar cópia dos contratos relacionados às referidas despesas/custos. Caso se tratem de serviços de consultoria/assessoria/auditoria, apresentar cópias dos relatórios técnicos, estudos, memoriais, planilhas, pareceres, atas de reunião, relatórios de viagens, comprovantes de viagens efetuadas pelos prestadores e demais documentos que se prestem a comprovar de forma cabal a efetiva prestação dos serviços. Se não houver contrato de prestação de serviços apresentar declaração esclarecendo a falta do documento e detalhando quais foram os serviços prestados; Esclarecer a causa (necessidade) da contratação dos referidos serviços junto às empresas identificadas no item 3 (..) Destarte, o Fisco oportunizou à contribuinte, durante o procedimento fiscal, o esclarecimento das despesas por esta incorridas, as quais tiveram em contrapartida pagamentos efetuados a terceiros identificados, independente de saberse previamente qual a hipótese da Lei vislumbrada pelo Fisco. O conjunto probatório obtido a partir das intimações à contribuinte e das diligências fiscais descrito no TDF é que determinará se sobre a impugnante incidirá a norma prevista no §1°, do art. 61, da Lei n° 8.981, de 1995, e em qual (is) hipótese(s). Portanto, entendo que a Autoridade Fiscal cumpriu com o disposto nos incisos III e IV, do art. 10, do Decreto n° 70.235, de 1972. Em face do exposto, rejeito a preliminar de deficiência no lançamento tributário suscitada. Acrescentando o que já foi apresentado pela decisão de Piso e do qual este relator concorda e incluir como fundamentos de decidir, temos que, analisando o teor das respostas apresentadas pela empresa juntamente com a documentação. Se houve vagueza em algum momento o foi por parte da empresa que, respondendo à intimação bastante precisa que lhe foi entregue. Não bastaria à empresa apresentar simples cópias de notas fiscais e assim entender que a intimação estava cumprida. A fiscalização solicito que acaso se tratassem de serviços de consultoria que fossem apresentados "..... relatórios técnicos, estudos, memoriais, planilhas, pareceres, atas de reunião, relatórios de viagens, comprovantes de viagens efetuadas pelos prestadores e demais documentos que se prestem a comprovar de forma cabal a efetiva prestação dos serviços. Se não houver contrato de prestação de serviços apresentar declaração esclarecendo a falta do documento e detalhando quais foram os serviços prestados;" Fl. 11263DF CARF MF Processo nº 16004.720176/201657 Acórdão n.º 1401003.046 S1C4T1 Fl. 11.264 36 Ora a empresa em nenhum momento se desincumbiu de seu ônus. Para que fosse impossibilitado o lançamento deveria comprovar o efetivo beneficiário dos recursos, o que foi feito em alguns momentos e a efetiva comprovação da causa que motivou os pagamentos. Assim, a pretensa dúvida apresentada pela empresa como causa motivadora de uma nulidade em função da fiscalização não ter identificado se a autuação baseouse no fato de o beneficiário não ter sido identificado ou a causa do pagamento não ter sido comprovada não se sustenta, A fiscalização não precisa identificar com precisão se o que faltou foi uma comprovação ou outra, até mesmo porque isso a ela não é imputado. Cabelhe apresentar a lista de despesas que devem ser comprovadas pelo contribuinte e dele solicitar a identificação do beneficiário e a causa do pagamento. Faltando qualquer dos elementos ou os dois o lançamento pode ser realizado, sem a obrigatória especificação, até mesmo porque a demonstração da causa é causa de matéria comprobatória, no entanto o beneficiário pode muitas vezes não ser a empresa que emitiu as notas fiscais, podendo ser terceiro interessado e disto a fiscalização simplesmente não tem como fazer prova, mas apenas solicitar a prova da empresa e analisar se a documentação apresentada comprova ou não a efetiva prestação de serviços e o beneficiário dos valores. Dito isto, entendo que não houve a nulidade apontada em face do IRRF, razão pela qual rejeito a preliminar. IRPJ e CSLL Em relação a uma possível nulidade nos lançamentos de IRPJ e CSLL, em verdade a recorrente busca desconstituir a autuação ao informar que apresentou a documentação comprobatória das despesas e que a autoridade fiscal não aceitou as comprovações apresentadas sem tecer maiores considerações acerca deste fato. Em verdade as alegações apresentadas neste ponto se referem, não a uma nulidade da autuação, mas sim a uma análise acerca da procedência ou não do lançamento, posto que a comprovação da realização das despesas decorro de análise probatória do processo que, inexistindo ou sendo deficiente, provoca a improcedência da autuação e não sua nulidade. Assim, não havendo nulidade específica a ser apontada neste item, haja vista que entendemos que esta análise deve se prender ao mérito da autuação, entendo por rejeitar a preliminar levantada em relação ao IRPJ e CSLL. Provas colhidas da Operação Lava Jato não foram devidamente transladadas em razão de seu caráter sigiloso; Sustenta o recorrente que as provas colhidas junto à operação lavajato são ilícitas e não podem ser aproveitadas no presente processo em razão de seu caráter sigiloso e que a fiscalização não demonstrou a autorização judicial para a utilização das provas. Fl. 11264DF CARF MF Processo nº 16004.720176/201657 Acórdão n.º 1401003.046 S1C4T1 Fl. 11.265 37 A decisão de Piso já se manifestou no sentido de que não haveria ilicitude das provas, obtidas de processos judiciais que são públicos por natureza ou com a devida autorização do Poder Judiciário. Da leitura do TDF verificase que, em verdade, as provas que foram colhidas junto a delações premiadas e processos no âmbito da operação lavajato serviram apenas para a demonstração do esquema ilícito de desvio de recursos oriundos do pagamento de obras públicas e para indicação de empresas que poderiam ou não estar participando do esquema. Evidentemente que apenas parte das operações realizadas pelo recorrente poderiam ser incluídas no procedimento de fiscalização, posto que nem tudo o que é realizado pela empresa é feito sobre as sombras da operação lavajato e, mais ainda, que muitos serviços devem ter sido efetivamente prestados. Assim, é que a fiscalização, de posse de informações coletadas em razão da referida operação, delas se utilizou como início de investigação acerca das despesas e pagamentos realizados pela empresa. Há de se acrescentar que nenhuma das acusações apresentadas pela fiscalização baseiase em qualquer prova obtida junto à operação lavajato. Pelo contrário, a autuação baseiase, de modo inverso, na falta de apresentação de prova pelo recorrente acerca das despesas registradas em sua apuração do resultado. Por todo o exposto, e mais ainda, pelo preâmbulo apresentado pela fiscalização às fls. 4394/4407, que deixo de transcrever pela sua extensão, demonstrase que as informações colhidas junto aos processos da operação lavajato não foram ilegalmente obtidas como alega o recorrente e, mais ainda, não constituem provas dos lançamentos tributários realizados, razão pela qual não se comprova a pretensa nulidade apontada pelo recorrente. Assim, rejeito a preliminar deste ponto. Ilicitude da utilização de prova emprestada sem o devido contraditório e ampla defesa. Novamente neste ponto a recorrente se opõe à colheita de elementos por meio da operação lavajato. Alega que naquela operação não foi admitido o contraditório e que, assim, estaria sendo cerceado o seu direito de defesa. Apresenta elementos da doutrina a robustecer seu entendimento. Ocorre, no entanto, que nem na investigação policial, nem no procedimento administrativo tributário o procedimento investigatório exige a realização do contraditório, simplesmente porque durante o procedimento estão sendo coletadas as provas para a formação da convicção do investigador. Vejase o que determina nossa Constituição Federal acerca do contraditório e do direito de defesa, na lição do art. 5º da Magna Carta LV aos litigantes, em processo judicial ou administrativo, e aos acusados em geral são assegurados o contraditório e ampla defesa, com os meios e recursos a ela inerentes; Fl. 11265DF CARF MF Processo nº 16004.720176/201657 Acórdão n.º 1401003.046 S1C4T1 Fl. 11.266 38 Ora, o contraditório e a ampla defesa são assegurados a quem é acusado do cometimento de alguma infração, até mesmo infrações simples como as de trânsito. Não faz sentido se falar em contraditório e ampla defesa quando não se está diante de uma acusação realizada contra o indivíduo ou, no caso, a empresa. Durante o procedimento de investigação a empresa não está sendo acusada de nada e apenas é intimada para a apresentação de documentos que a fiscalização entende serem essenciais à investigação. Após a formação da convicção da autoridade fiscalizadora e realizado o lançamento surge a acusação contra a qual a empresa pode, aí sim, estabelecer todo o contraditório e apresentar as provas de direito que entende serem suficientes para infirmar as acusações da fiscalização. Por estes motivos, em razão de inexistir norma a determinação a realização do contraditório antes da concretização de qualquer acusação, quer no procedimento criminal, quer no procedimento tributário e em face das normas de nossa Constituição que estabelecem o pleno direito de defesa a ser exercido após a formalização de acusação, entendo não assistir razão ao recorrente no presente ponto. Assim, também neste item, rejeito a preliminar aventada. Termo de Distribuição de Procedimento Fiscal de Fiscalização descumpriu os requisitos de validade; Quanto a este ponto as nulidades apresentadas pelo recorrente são as mesmas apresentadas quando da impugnação, assim, entendo que foi precisa a Decisão de Piso em sua análise, demonstrando a improcedência das alegações do impugnante agora recorrente. Por isso, transcrevo o trecho da Decisão de Piso neste ponto e o utilizo como fundamento de decidir o recurso neste ponto. Sustenta a impugnante que o Termo de Distribuição de Procedimento Fiscal (TDPF) violou os seguintes dispositivos da Portaria RFB n° 1.687, de 2014: o inciso IV, do art. 5°, por deixar a Autoridade Fiscal de expor no TDPF o prazo para a realização do procedimento fiscal; o inciso I, do art.11, por ultrapassar a Autoridade Fiscal o prazo para a conclusão da fiscalização na contribuinte sem justificativas; o § 1°, do art. 5°, por não haver pedido motivado de prorrogação do prazo de fiscalização; e o art. 7°, por incompetência da Autoridade Fiscal para expedir o TDPF. Não lhe assiste razão. Em relação ao período de apuração, embora não tenha constado no Termo de Início de Ação Fiscal, constou do TDPF (Fls. 3.024). Em relação ao prazo de duração do procedimento fiscal, a sua ausência nos termos lavrados pela Autoridade Fiscal não prejudicou a contribuinte, uma vez que o Fisco concedera no mínimo o prazo legal para repostas às suas Fl. 11266DF CARF MF Processo nº 16004.720176/201657 Acórdão n.º 1401003.046 S1C4T1 Fl. 11.267 39 intimações. Ademais, nos termos do art. 12, da Portaria RFB n° 1.687, de 2014, o procedimento fiscal só se extingue pela sua conclusão, registrado em termo próprio, com a ciência do sujeito passivo (Fls. 4.533 a 4.535 ). Em relação à competência da Autoridade Fiscal, equivocase a impugnante ao confundir o TDPF (Fls. 3.024) com o Termo de Início de Ação Fiscal (Fls. 2 a 3), o qual foi instaurado e executado por Auditores Fiscais da Receita Federal do Brasil, conforme determina o art. 2°, da Portaria RFB n° 1.687, de 2014. Destarte, o procedimento fiscal e os termos dele decorrentes seguiram as disposições legais e os atos normativos da Secretaria da Receita Federal do Brasil. Em face do exposto, rejeito a preliminar de nulidade por descumprimento de requisitos de validade do TDPF. Acrescentese, ainda, que as irregularidades acaso verificadas no MPF não implicam em nulidade por serem normas de controle interno da atividade administrativa e, desta forma, não implicam nulidade do procedimento a que se referem. Essa interpretação é reiterada por inúmeros acórdãos do CARF, como abaixo representados. MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL (MPF). VALIDADE. O MPF é instrumento interno de planejamento e controle das atividades e procedimentos fiscais, configurandose objeto meramente informativo para os contribuintes, não implicando nulidade do lançamento eventuais falhas ou omissões relacionadas à sua emissão e trâmite. Acórdão nº 1401000.285, de 09/07/2010. NULIDADE DO PROCEDIMENTO FISCAL DO PRAZO DE CUMPRIMENTO DO MPF E DA DATA DO ENCERRAMENTO DA FISCALIZAÇÃO. A ciência do lançamento após ter expirado o prazo do MPF não invalida o ato, eis que a intimação não se confunde com ele, sendo somente um requisito da eficácia desse. Acórdão nº 2301005.631, de 13/09/2018 NULIDADE MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL MPF O Mandado de Procedimento Fiscal (MPF) constitui mero instrumento de controle criado pela Administração Tributária, sendo assim, irregularidades em sua emissão ou prorrogação não são motivos suficientes para anular o lançamento. Acórdão nº 2401005.652, de 03/07/2018. Neste sentido e comungando com a Decisão de Piso que não vislumbrou a existência de nulidade do lançamento, rejeito a preliminar levantada. Decadência parcial do crédito tributário de IRRF; Fl. 11267DF CARF MF Processo nº 16004.720176/201657 Acórdão n.º 1401003.046 S1C4T1 Fl. 11.268 40 Em relação à alegação de decadência parcial do lançamento de IRRF temos que essa alegação não foi apresentada na peça impugnatória o que, em princípio acarretaria a preclusão de sua apresentação e a não formação de litígio neste ponto. No entanto, em se tratando de matéria de ordem pública entendemos que deve ser apresentada em sede de recurso voluntário. Neste sentido a recorrente baseia os eu pedido de decadência em razão de alegar ter realizado a devida retenção do IRRF, CSLL, PIS e COFINS na forma da legislação que determina as retenções na fonte. Assim, deveria ser aplicada a norma do art. 150, § 4º e não a do art. 173, I, como entendeu a Delegacia de Julgamento. A Delegacia de Julgamento, neste aspecto, havia negado provimento à impugnação por considerar que neste caso deverseia incidir a norma do art. 173, I, do CTN. No início de setembro deste ano foi aprovada Súmula CARF nº 114 que trata do assunto, na qual foi estabelecido o seguinte texto: Súmula CARF nº 114 O Imposto de Renda incidente na fonte sobre pagamento a beneficiário não identificado, ou sem comprovação da operação ou da causa, submetese ao prazo decadencial previsto no art. 173, I, do CTN. Acórdãos Precedentes: 110100.622, de 23/11/2011; 140200.320, de 11/11/2010; 220201.975, de 15/08/2012; 910100.773, de 14/12/2010; 1103000.904, de 06/08/2013; 1301001.544, de 03/06/2014; 1302001.857, de 04/05/2016; 2202002.561, de 18/02/2014; 2202002.804, de 10/09/2014; 2301004.531, de 08/03/2016. Assim, em verdade não mais há o que se discutir acerca deste ponto. Conforme a Súmula em questão, agora em vigor, a contagem do prazo decadencial nos casos de lançamento de IRRF sobre pagamentos a beneficiários não identificados ou sem comprovação da causa devem se submeter às normas do art. 171, I, do CTN, razão pela qual correto foi o lançamento e a Decisão de Piso quando adotaram este entendimento. Por tais razões, neste ponto rejeito esta outra preliminar. MÉRITO Irretroatividade das Declarações de Inaptidão das Pessoas Jurídicas; Neste ponto as alegações da empresa prendemse ao fato de as empresas M.O. Consultoria e CIGMA terem tido suas declarações de inaptidão publicadas após os fatos Fl. 11268DF CARF MF Processo nº 16004.720176/201657 Acórdão n.º 1401003.046 S1C4T1 Fl. 11.269 41 geradores incluídos na autuação. A recorrente invoca precedentes do STJ e deste CARF no sentido que não podem retroagir os efeitos da inaptidão. Ocorre, entretanto, que esta análise não se prende apenas a uma verificação da data do ato de declaração da inaptidão. O que acontece no caso é que em razão das fundadas suspeitas da inexistência de fato das empresa foi o contribuinte intimado a comprovar a efetiva realização dos serviços. Para tanto os próprios precedentes trazidos pelo recorrente militam contra ele no seguinte sentido. Vejamos o trecho do recurso: Considerando que, nos moldes do artigo 62, §2º do Anexo II do novo Regimento Interno do CARF, os julgados do STJ proferidos sob a sistemática de recursos repetitivos são de observância obrigatória aos seus conselheiros, o E. CARF tem acolhido o entendimento do C. STJ: “INIDONEIDADE DE DOCUMENTOS EMITIDOS POR PESSOA JURÍDICA DECLARADA INAPTA. INÍCIO DA FALTA DE EFEITOS TRIBUTÁRIOS DOS MESMOS EM FAVOR DE TERCEIROS. Descabe a glosa de documentos de empresas que a fiscalização considerou inaptas, quando inexiste Ato Declaratório Executivo de situação de inscrição inapta ou quando o efeito do mesmo se inicie em períodobase posterior ao autuado, devendo ser mantida a glosa dos documentos cuja inaptidão da Pessoa Jurídica emitente tenha sido declarada, mesmo após os períodosbase autuados, mas com efeitos retroativos aos mesmos, apenas quando a beneficiária do documento não comprovar o pagamento do preço e o recebimento do fornecedor, nos termos do Recurso Especial Representativo de Controvérsia n° 1148444/MG.”19 (destacado) Como se pode observar da parte final do texto da decisão em recursos repetitivos emanada pelo STJ, a glosa pode ser mantida quando a beneficiária, no caso a recorrente, não comprovar o pagamento do preço e o recebimento do fornecedor, nos termos do Recurso Especial Representativo de Controvérsia n° 1148444/MG. Ora, é apenas isto que se discute em relação a estas duas empresas. Há dúvidas acerca da existência e operação efetiva destas empresas? Sim, com base nos indícios obtidos das informações em processos envolvidos na lavajato existem estes indícios. Por isso a fiscalização intima a empresa a comprovar a realização dos serviços e o efetivo pagamento do preço. O cumprimento deste ônus por parte do contribuinte implicaria no cancelamento das glosas sem qualquer outra consideração, posto que a matéria a ser analisada é eminentemente de fato, ou seja, se há a comprovação da prestação dos serviços e do pagamento do preço. Por isso, apesar da discussão trazida pelo recorrente no sentido de se apurar a validade da retroação do ato de declaração de inaptidão, esta data não é essencial à análise dos Fl. 11269DF CARF MF Processo nº 16004.720176/201657 Acórdão n.º 1401003.046 S1C4T1 Fl. 11.270 42 fatos. O que importa, em verdade, é a análise da documentação comprobatória posto que, não comprovada a realização de fato dos serviços ou o pagamento do preço, há de se manter a glosa realizada. Assim, neste ponto, igualmente nego provimento ao recurso e indico que a análise do mérito probatório em relação à comprovação da efetivação dos serviços será realizada mais adiante neste voto, de maneira individualizada à cada empresa envolvida. IRRF Considerações iniciais sobre a norma do artigo 61 da Lei nº. 8.981/95. impossibilidade de se exigir o IRRF simultaneamente com o IRPJ e a CSLL decorrentes da glosa de despesas: configuração do bis in idem. Ausência dos pressupostos do artigo 61, caput e § 1º da Lei nº. 8.981/95; Alega o contribuinte e apresenta inclusive precedentes deste CARF no sentido de que havendo o lançamento da glosa dos pagamentos a título de IRPJ e CSLL, não seria possível o lançamento do IRRF sobre a empresa na qualidade de responsável tributário. Traz inclusive considerações sobre o histórico da evolução normativa, inclusive em período anterior aos dos fatos geradores envolvidos. Vejamos a leitura do dispositivo que trata da aplicação do lançamento do IRRF, à alíquota de 35%: Art. 61. Fica sujeito à incidência do Imposto de Renda exclusivamente na fonte, à alíquota de trinta e cinco por cento, todo pagamento efetuado pelas pessoas jurídicas a beneficiário não identificado, ressalvado o disposto em normas especiais. § 1º A incidência prevista no caput aplicase, também, aos pagamentos efetuados ou aos recursos entregues a terceiros ou sócios, acionistas ou titular, contabilizados ou não, quando não for comprovada a operação ou a sua causa, bem como à hipótese de que trata o § 2º, do art. 74 da Lei nº 8.383, de 1991. Verificase a partir das normas transcritas, que o IRRF é aplicação sobre o contribuinte responsável pelo recolhimento da fonte do imposto em razão da existência de pagamentos realizados pela empresa quando: 1) O beneficiário não for identificado 2) A operação não for comprovada 3) A causa da operação não for comprovada Ora a materialidade objeto da tributação neste ponto não é a simples existência ou inexistência do pagamento realizado. A materialidade que se tributa neste Fl. 11270DF CARF MF Processo nº 16004.720176/201657 Acórdão n.º 1401003.046 S1C4T1 Fl. 11.271 43 dispositivo é a realização de operações pela empresa que impossibilitam a identificação do beneficiário efetivo ou que simplesmente não existiram, impossibilitando mais ainda a identificação do destinatário dos recursos. Não se trata de tributar novamente os pagamentos realizados pela empresa com alíquota diferenciada. Se trata de uma incidência direta sobre valores que escaparam totalmente ao controle do fisco por culpa da empresa. Vejase bem, a tributação do imposto de renda incide sobre a renda obtida pelas empresas e pessoas físicas, quando uma empresa realizando atividades lícitas ou não impede o fisco de identificar os destinos onde os recursos são aplicados a empresa tem de responder por isso. Vejase a distinção. Temos uma empresa que realiza um gasto que a fiscalização entende que não era necessário. Então realizase a glosa deste gasto, majorando o valor devido do IRPJ e CSLL. Neste caso os recursos que foram pagos por estas despesas tem o destinatário tranquilamente identificado e, sobre estes recursos, irão incidir os valores usuais devidos dos impostos e contribuições incidentes. Seria justo, pela atuação da empresa, que o fisco ficasse impedido de verificar a tributação de parte dos recursos por ela dispendidos em operações inexistentes ou para beneficiários que não pudessem ser identificados e, assim, sofresse prejuízos em sua arrecadação. Entendo que não e, neste sentido, não estou aqui falando de justiça nos termos da legislação, mas sim de justiça em seu mais puro teor do direito o de se aplicar os pesos corretos às ações dos indivíduos. Por isso é que a norma do art. 61, da Lei nº 8.981/95 não é simples norma de tributação, mas sim norma de imposição de responsabilidade às empresas. Se estas desejam realizar operações à margem das relações comerciais normais, tudo bem, só que são penalizadas por isso com as glosas destas despesas. Se, mais ainda, querem realizar estas operações e, com essas, impedir a fiscalização de acompanhar o destino e tributação dos recursos a imputação obrigatoriamente teria de ser maior. Simples assim. É justamente para desigualar os desiguais que foi instituída esta forma de tributação, a cargo do responsável pelo pagamento dos recursos, quando o fisco ficar impossibilitado de acompanhar o destino e aplicação dos recursos utilizados. Por isso, acompanho os precedentes apresentados pela decisão de Piso e abaixo listados, que militam no sentido de não haver incompatibilidade entre a realização do lançamento de IRPJ e CSLL pela glosa das despesas de operações não comprovadas e o lançamento de IRRF sobre a empresa na qualidade de responsável pela identificação dos beneficiários e das operações que deram causa aos pagamentos. Vejamos os precedentes. PAGAMENTO A BENEFICIÁRIO NÃO IDENTIFICADO OU PAGAMENTO EFETUADO SEM COMPROVAÇÃO DA OPERAÇÃO OU CAUSA. LEI nº. 8.981, DE 1995, ART. 61. CARACTERIZAÇÃO. Fl. 11271DF CARF MF Processo nº 16004.720176/201657 Acórdão n.º 1401003.046 S1C4T1 Fl. 11.272 44 A pessoa jurídica que efetuar pagamento a beneficiário não identificado ou não comprovar a operação ou a causa do pagamento efetuado ou recurso entregue a terceiros ou sócios, acionistas ou titular, contabilizados ou não, bem como não comprovar o pagamento do preço respectivo e o recebimento dos bens, direitos ou mercadorias ou a utilização dos serviços referida em documentos emitidos por pessoa jurídica considerada ou declarada inapta, sujeitarseá à incidência do imposto, exclusivamente na fonte, à alíquota de 35%, a título de pagamento a beneficiário não identificado e/ou pagamento a beneficiário sem causa. O ato de realizar o pagamento é pressuposto material para a ocorrência da incidência do imposto de renda exclusivamente na fonte, conforme o disposto no artigo 61, da Lei nº. 8.981, de 1995. (1º Conselho de Contribuintes ACÓRDÃO 10422.944, em 22.01.2008. Publicado no DOU em 28.01.2009) BENEFICIÁRIO NÃO IDENTIFICADO. FALTA DE RECOLHIMENTO DO IMPOSTO DE RENDA NA FONTE SOBRE PAGAMENTOS A BENEFICIÁRIO NÃO IDENTIFICADO OU QUANDO REFERIRSE À OPERAÇÃO OU CAUSA NÃO FOR COMPROVADA. Se sujeita à incidência do imposto de renda exclusivamente na fonte, à alíquota de trinta e cinco por cento, todo pagamento efetuado pelas pessoas jurídicas a beneficiário não identificado, assim como pagamentos efetuados ou recursos entregues o terceiro ou sócios, contabilizados ou não, quando não for comprovada a operação ou a sua causa. (Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – ACÓRDÃO 130100.438, em 11.11.2010. Publicado em 29.07.2011) PAGAMENTO SEM CAUSA. Fica sujeito à incidência do imposto de renda exclusivamente na fonte, à alíquota de 35%, todo pagamento efetuado pela pessoa jurídica ou o recurso entregue a terceiros, contabilizados ou não, quando não for comprovada a operação ou a sua causa, ainda que esse pagamento resultar em redução do lucro líquido da empresa (negritei). Nos termos do § 3º do Art. 61 da Lei nº 8.981/1995, o valor pago será considerado líquido, cabendo o reajustamento do respectivo rendimento bruto sobre o qual recairá o imposto. (1º Conselho de Contribuintes ACÓRDÃO 10248.693, em 08.08.2007. Publicado no DOU em 12.06.2008) Acrescento, ainda, estes outros precedentes novos precedentes oriundos da Câmara Superior de Recursos Fiscais. GLOSA DE DESPESAS E COBRANÇA DE IRRF. POSSIBILIDADE. RECURSO DO CONTRIBUINTE NÃO PROVIDO. Este Tribunal não pode afastar a aplicação de Lei com base em ilegalidade e/ou inconstitucionalidade. Há no ordenamento normas que admitem a glosa de despesas e a cobrança do IRRF a pagamentos sem causa ou a beneficiários não identificados. Portanto, legítima a cobrança do imposto Fl. 11272DF CARF MF Processo nº 16004.720176/201657 Acórdão n.º 1401003.046 S1C4T1 Fl. 11.273 45 pela glosa de despesas e do IRRF. TRIBUTAÇÃO REFLEXA CSLL. (Acórdão nº 9101003.584, de 09/05/2018). IRRF. PAGAMENTOS SEM CAUSA OU A BENEFICIÁRIOS NÃO IDENTIFICADOS. EXIGÊNCIA CUMULADA COM IRPJ E CSSL APURADOS EM FACE DA GLOSA DE CUSTOS E DESPESAS CONSIDERADAS INIDÔNEAS. CABIMENTO. O art. 61 da Lei nº 8.981/1995, alcança todos os pagamentos efetuados a beneficiários não identificados ou cuja operação ou causa não é comprovada, independente de quem seja o real beneficiário dele (sócios/acionistas ou terceiros, contabilizados ou não), elegendo a pessoa jurídica responsável pelo pagamento efetivamente comprovado com responsável pelo recolhimento do imposto de renda devido pelo beneficiário, presumindose que assumiu o ônus pelo referido pagamento. (Acórdão nº 1302002.788, de 15/05/2018). Assunto: Imposto sobre a Renda Retido na Fonte IRRF Anocalendário: 2001, 2002, 2003, 2004 IRRF. PAGAMENTOS SEM CAUSA OU BENEFICIÁRIO NÃO IDENTIFICADO. COEXISTÊNCIA COM GLOSA DE DESPESAS DO IRPJ. I Operação comercial revestida de normalidade pressupõe a efetiva prestação do serviço ou aquisição de mercadoria. Uma vez efetuado o pagamento, consumase cenário no qual (1) o tomador de serviços, com base na nota fiscal escriturada, pode deduzir da base de cálculo do imposto o valor pago pelo serviço, e (2) o prestador de serviços oferece à tributação os rendimentos auferidos pelo serviço prestado. II Desvirtuamento nas operações entre tomador e prestador de serviços, com utilização de notas fiscais frias para lastrear eventos inexistentes e mascarar a verdadeira causa de saída de recursos da empresa, fazem com que a empresa reduza a base de cálculo por meio da contabilização de despesa, e por outro lado, o beneficiário dos ingressos não os ofereça à tributação, por ser desconhecido. III Por isso, autuação fiscal recai sobre (1) a glosa da despesa do serviço prestado por parte do tomador de serviços e (2) o não oferecimento à tributação dos rendimentos decorrentes do serviço pelo prestador de serviços. IV Por determinação legal, o pólo passivo nas duas pontas da relação jurídica é preenchido pelo tomador de serviços. Na glosa de despesas, responde o tomador na condição de contribuinte, sujeito passivo direto, cabendo o lançamento de ofício de IRPJ. Quanto aos rendimentos não oferecidos à tributação, a sujeição passiva é deslocada do prestador de serviços (beneficiário que não pode ser identificado) para o tomador de Fl. 11273DF CARF MF Processo nº 16004.720176/201657 Acórdão n.º 1401003.046 S1C4T1 Fl. 11.274 46 serviços. Responde o tomador de serviços como sujeito passivo indireto pela tributação do IRRF. (Acórdão nº 9101003.341, de 17/01/2018) Por todo o exposto, neste ponto, entendo não assistir razão ao recorrente quanto à impossibilidade de incidência do IRRF e da glosa de IRPJ e CSLL em relação aos pagamentos realizados a beneficiários não identificados ou sem a comprovação de causa, razão pela qual nego provimento neste ponto. Argumentos subsidiários aplicáveis exclusivamente ao IRRF. Realização de diligência, a fim de que a RFB verifique se os beneficiários já foram autuados ou estão sendo fiscalizados. Neste ponto o recorrente apresenta pedido de realização de diligência a fim de se verificar se os beneficiários já foram autuados ou estão sendo fiscalizados acerca dos valores relativos aos pagamentos sem causa ou a beneficiários não identificados. Consultando os termos do que foi apresentado em impugnação observamos que este pedido de diligência não foi objeto de apresentação na impugnação e, por esta razão, não foi apreciado pela Delegacia de Julgamento. Em função disso não se formou o litígio em relação à pretensão da defesa razão pela qual não se pode analisálo em sede de recurso voluntário. Interessante notar que o contribuinte, em seu recurso voluntário alega que a decisão de Piso foi omissa neste ponto mas, sinceramente, relendo a impugnação e inclusive realizado busca pela palavra diligência, constatei não haver nenhum pedido neste sentido na peça impugnatória. Entretanto, mesmo não havendo a formação do litígio em relação a este ponto, mesmo que houvesse não haveriam frutos conforme o entendimento deste relator. Ora, o lançamento do IRRF sobre a empresa que realizou os pagamentos sem causa ou a beneficiário não identificado é imputação decorrente na ação irregular da empresa. Se acaso o beneficiário realmente não é identificado, então nem haveria condição de realizar diligência. Se o beneficiário for conhecido mas não houver causa do pagamento ou comprovação da operação, a fiscalização pode agir e fiscalizar o beneficiário mas, neste caso, a autuação lavrada conta aquela que recebeu os recursos não poderia influir no lançamento do contribuinte responsável que, nesta qualidade foi imputado. Assim, mesmo que pudesse ser conhecido este ponto, ainda assim entenderia este relator pela sua não procedência. No mais, como não houve a apresentação da pretensão na peça impugnatória, restou não formado o litígio, razão pela qual não conheço o recurso neste ponto. A indevida cumulação do IRRF com a multa de ofício; Fl. 11274DF CARF MF Processo nº 16004.720176/201657 Acórdão n.º 1401003.046 S1C4T1 Fl. 11.275 47 Com relação a este ponto o recorrente entende que a natureza do lançamento baseado na forma do art. 61, da Lei nº 8.981/95, é o de uma multa pelo descumprimento da obrigação de que era responsável. Por isso entende que a cumulação do lançamento com a multa de ofício seria indevida. A Delegacia de Julgamento na análise da impugnação assim apresentou seus argumentos: Conforme relatado, sustenta a impugnante que (i) não há base legal para se exigir multa de oficio sobre “outra multa”, até mesmo porque isso configuraria “odioso bis in idem”; e (ii) a multa de ofício de 75%, prevista no inciso I do artigo 44 da Lei n°. 9.430/96, só pode incidir sobre "a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição". Como a exigência prescrita pelo artigo 61 da Lei n°. 8.981/95 veicula, na realidade, “uma multa”, descabe a aplicação do referido dispositivo por não se subsumir o fato à norma. Equivocase a impugnante porque o Fisco cobrou destes o IRRF na qualidade de sujeito passivo responsável e não como sanção de ato ilícito, como quer fazer crer a impugnante. A base de cálculo do IRRF, tributo, nos termos do art. 61 da Lei n°. 8.981/95, são os pagamentos efetuados aos beneficiários sem comprovação da sua causa. A multa de ofício de 75% é devida em razão de auto de infração de qualquer tributo e a sua qualificação, em razão da verificação de dolo na ausência de comprovação da causa dos pagamentos efetuados. Destarte, tratandose de naturezas jurídicas distintas, não há que se falar em cumulação entre o Imposto sobre a renda retido na Fonte, tributo cobrado do sujeito passivo responsável, e a multa de ofício. Em face do exposto, julgo improcedente a impugnação por indevida cumulação do IRRF com a multa de ofício. Entendo correto o entendimento da Delegacia de Julgamento. Em verdade, na qualidade de responsável pela retenção do tributo e não tendo cumprido alguns dos requisitos para identificação do beneficiário do pagamento, o responsável assume o ônus do tributo que deixou de ser recolhido, por isso, nessa qualidade não está sendo autuado por uma penalidade, mas sim pelo pagamento do próprio tributo que não tem como ser recolhido. Desta forma correta a interpretação apresentada pela Decisão de Piso quando entende que não existe cumulação entre penalidades. Além disso há de se acrescentar os seguintes precedentes da Câmara Superior de Recursos Fiscais sobre o assunto: IRRF. PAGAMENTOS SEM CAUSA OU A BENEFICIÁRIOS NÃO IDENTIFICADOS. NATUREZA DE PENALIDADE. NÃO CONFIGURAÇÃO. PRINCÍPIO DA PRATICABILIDADE TRIBUTÁRIA. O IRRF cobrado em face da não identificação do beneficiário ou da não comprovação da operação ou sua causa decorre da presunção legal de que a Fl. 11275DF CARF MF Processo nº 16004.720176/201657 Acórdão n.º 1401003.046 S1C4T1 Fl. 11.276 48 fonte pagadora assumiu o ônus pelo pagamento do imposto que deixou de reter e recolher em face de pagamentos comprovadamente efetuados a terceiros, sendo erigido pela lei, nestes casos, à condição de responsável pelo seu pagamento. Esta previsão legal não tem a natureza de sanção por ato ilícito e se coaduna com o princípio da praticabilidade tributária. IRRF. PAGAMENTOS SEM CAUSA OU A BENEFICIÁRIOS NÃO IDENTIFICADOS. MULTA DE OFÍCIO. CABIMENTO. Não tendo o tributo exigido a natureza de sanção por ato ilícito, nos termos do art. 3ª do CTN é cabível a exigência de penalidade quando este vem a ser exigido de oficio, nos termos do art. 44 da Lei nº 9.430/1996. Sendo o exposto, e seguindo concordando com o raciocínio apresentado pela Decisão de Piso, entendo que não existe impedimento entre o lançamento de ofício do IRRF e a multa de ofício cumulados, haja vista que não se trata de lançamento de penalidade, conforme demonstra, no mesmo sentido, o precedente da CSRF acima colacionado. Assim, nego provimento ao recurso neste ponto. O necessário reconhecimento dos valores retidos e pagos pela Recorrente a título de IRRF, CSLL, PIS e COFINS; Solicita, neste ponto, que caso seja reconhecido que o IRRF seria um tributo e não uma penalidade em razão do anterior pedido, que sejam abatidos os valores relativos às retenções na fonte para abatimento dos valores devidos. A Delegacia de Julgamento a este respeito pronunciouse pelo seu não cabimento em razão de a base de cálculo ser apurada a partir do pagamento realizado que foi reajustada, assim não seria cabível a dedução. 2.4. Do alegado reconhecimento necessário dos valores retidos e pagos por Galvão Engenharia a título de IRRF, CSLL, PIS e COFINS Conforme relatado, sustenta a impugnante que deve ser considerada a retenção de 6,15% efetuada por Galvão Engenharia em relação aos pagamentos efetuados, nos termos do disposto no artigo 647 do RIR/99. Não procede essa alegação. Com efeito, a base de cálculo do IRRF, antes do seu reajustamento determinado pelo § 3º do art. 61 da Lei nº 8.981, de 1985, é o valor do pagamento considerado sem causa, assim entendido o valor líquido da operação, ou seja, já deduzidas as retenções legais. Em face do exposto, julgo improcedente a impugnação pela ausência de dedução de valores retidos pela Galvão Engenharia. Fl. 11276DF CARF MF Processo nº 16004.720176/201657 Acórdão n.º 1401003.046 S1C4T1 Fl. 11.277 49 A formação deste entendimento é cabível para justificar a manutenção do lançamento, mas acrescento ainda outros pormenores. O valor relativo aos tributos retidos na fonte incidentes sobre os pagamentos da empresa não pertencem a esta. Os pagamentos existiram, o problema é a inexistência de causa, justificativa ou identificação do beneficiário. Assim, a estes pertencem os valores retidos na fonte e não à empresa que se paga os rendimentos. Assim, por um ou por outro motivo, descabe a pretensão do recorrente neste ponto. O indevido reajustamento da base de cálculo do IRRF. Neste ponto o recorrente pede que não haja o reajustamento da base de cálculo do IRRF tendo em vista que a empresa realizou as retenções na fonte dos tributos e, assim, os pagamentos seriam líquidos, razão pela qual não é necessário o reajustamento da base de cálculo. Entende, neste caso, que o reajustamento trata de uma presunção relativa que pode ser ilidida com base na prova realizada pela empresa de que os pagamentos são pelo valor líquido após as retenções. A Delegacia de Julgamento afastou este pedido em razão da atenção ao princípio da legalidade, de onde, restando expressamente determinado pela lei que a base de cálculo deve ser reajustada em 35%, não há como se modificar o valor determinado em lei. Voltando ao raciocínio apresentado nos itens anteriores, e demonstrando a clara demonstração do caráter de penalidade desta exação, temos que não cabe aqui o tratamento do caso como se lançamento de tributo fosse, permitindo revisões das bases de cálculo e deduções. Possuindo o caráter de penalidade, até mesmo porque não é tributo devido pela empresa, não há de se considerar pretensões relativas à modificações ou deduções das bases tributáveis. Sendo penalidade a base tributável é eleita pelo legislador e apenas a estes é possibilitada a sua revisão, não podendo o julgador administrativo modificar os conteúdos de aplicação na norma penal quando seus limites estão expressamente delimitados na norma impositiva. Assim, pelo exposto, nego provimento ao recurso neste ponto. IRPJ e CSLL A insubsistência da acusação fiscal: o conflito entre o direito à dedutibilidade das despesas e o ônus da prova do Fisco. A fragilidade dos indícios que embasam a acusação fiscal. Alega a recorrente neste item que as provas produzidas pela fiscalização e citadas pela Delegacia de Julgamento como bases para a autuação são frágeis. Entende que os Fl. 11277DF CARF MF Processo nº 16004.720176/201657 Acórdão n.º 1401003.046 S1C4T1 Fl. 11.278 50 elementos probatórios apresentados pela empresa de forma a demonstrar a realização dos serviços não foi objeto de análise nem pela fiscalização, nem pela DRJ. Entende que foram apresentadas inúmeras provas da realização das operações e que a fiscalização não as considerou com base nos indícios colhidos das informações da operação lavajato. Mais ainda, que se as empresa não possuíam funcionários ou condições de operar, tal fato não pode ser imputado ao recorrente e aos responsáveis solidários. Alega que precedentes do CARF informam que as provas da existência das operações não podem ser desconsideradas por simples indícios, sem uma investigação aprofundada. Passa então a relatar, em relação a cada empresa cujas glosas foram realizadas, o que entende ser as fragilidades da acusação fiscal. Temos que neste ponto a discussão se trava no sentido da suficiência das provas apresentadas pela recorrente serem bastantes para a comprovação da efetividade dos serviços realizados de modo a impedir a realização das glosas e o lançamento dos tributos. Assim, demonstrase que o caráter da análise a ser empreendida é estritamente de consideração dos elementos trazidos aos autos. Para tanto, seguindo a sequência apresentada pelo recorrente, iremos analisar cada conjunto probatório discriminado por empresa. IV.7.1. JD ASSESSORIA E CONSULTORIA LTDA Em relação a esta empresa, a recorrente alega que os trabalhos realizados seriam de consultoria na prospecção de serviços em toda a américa latina. Que apresentou contrato, pagamentos, informação prestada à Justiça Federal acerca do contrato e que nada foi considerado. Literalmente aduz: Não obstante, todos os relatórios encaminhados pela SC à sucursal do Peru, apresentados durante a fiscalização, demonstram a relação entre as duas empresas. Sem prejuízo, a Recorrente ainda apresentou o contrato assinado com a SC e as faturas emitidas, bem como projeto de saneamento contratado junto à estatal peruana SEDAPAL, que contou com a participação da SC CONSULTORIA. Também foi apresentado estudo técnico feito pela empresa ENGECORPS. Todos esses documentos foram elaborados pelas empresas parceiras da JD, indicadas para apoiar localmente a Recorrente em solo peruano, o que consistia justamente no objeto do contrato firmado entre as duas empresas. A despeito de todo o conjunto fáticoprobatório apresentado, apegase a D. Autoridade Fiscal ao fato de a Recorrente não ter apresentado relatórios técnicos, estudos, memoriais, levantamento de dados e análises, projetos, planos de ação, cronogramas, planilhas, pareceres, resultados, atas de reunião, relatórios de viagens, comprovantes de viagens efetuadas etc., elaborados especificamente pela JD. Para bem demonstrar o raciocínio seguido pela fiscalização, remeto ao TVF, às fls.4441/4450. Fl. 11278DF CARF MF Processo nº 16004.720176/201657 Acórdão n.º 1401003.046 S1C4T1 Fl. 11.279 51 Interessante o raciocínio do recorrente, ele apresenta pagamentos que foram oriundos dos serviços prestados pela empresa JD CONSULTORIA, mas nenhuma prova do que a empresa realizou. Consultando o contrato de prestação de serviços (fls. 31/35) temos o seguinte objeto e os deveres do contratado: Interessante o que pretende a recorrente utilizar como forma de provar a prestação de serviços. Seria a realização de serviços que teriam sido obtidos em função da intervenção da JD ASSESSORIA e que a simples existência dos serviços que indica seria suficiente para comprovar a prestação de serviços. Peço a devida venia aos patronos da recorrente, mas cabem aqui diversas considerações a respeito do assunto e, nenhuma delas, se refere às informações públicas e notórias que se conhece a respeito da operação lavajato, apenas quanto à celebração de contratos, sua execução e sua prova. Fl. 11279DF CARF MF Processo nº 16004.720176/201657 Acórdão n.º 1401003.046 S1C4T1 Fl. 11.280 52 Obviamente não é impossível que uma empresa formalize contratos com prestadores de serviço para que estes trabalhem no sentido de obter contratos para a empresa. Tais contratos são normalmente firmados e envolvem normalmente, além de uma remuneração mensal, um pagamento pelo sucesso dos empreendimentos. Ocorre, no entanto, que este não era o objeto do contrato em questão. Pelo que se demonstra de seu objeto o contratado deveria atuar como uma espécie de assessor de relações da empresa com o mundo empresarial. No contrato estão especificadas tarefas genéricas como análises sociológicas e políticas e divulgação do nome da empresa. Também possuía cláusulas bem concretas como a organização de seminários, participação em reuniões e divulgação internacional. No entanto, firmado o contrato em 2009, e sendo as glosas das despesas relacionadas aos anos de 2011, 2012 e 2013, a contratante não recebeu, em nenhum desses anos nenhum relatório de divulgações realizadas pela empresa. O contratado nunca organizou nenhum seminário, não participou de nenhuma reunião a pedido da empresa. É difícil, senão impossível crer que, para a recorrente não fosse possível produzir prova da atuação da prestadora de serviços. Apresentamos, como contraponto, contratos que as empresas deste porte normalmente realizam com escritórios de advocacia ou empresas de consultoria. Em tudo que é feito se exige relatório de atividades. São apresentados relatórios mensais para viabilizar o pagamento das faturas, são enviados emails de parte a parte solicitando documentos. Reuniões realizadas são devidamente registradas em ata. Existem comprovantes de passagens, estadias e despesas diversas pagas pela contratante ao contratado. Ora, um sem número de atos que permitem o registro e que poderiam ser facilmente apresentados pela contratante. Por que, em relação a esta relação contratual a recorrente não formaliza nenhum ato, não se pode afirmar, mas quando se é imputado de uma acusação de inexistência de comprovação dos serviços prestados a única forma de se infirmar a acusação é demonstrando a efetiva prestação de serviços e não apenas um resultado concreto do que teriam sido estes serviços. Se os serviços eram tão secretos e quais eram os motivos que impediam a formalizam de registros são assuntos inerentes à atividade empresarial da recorrente que, ao fim e ao cabo, serão objeto de análise no âmbito do Poder Judiciário. Mas esse é um problema da empresa que ao contratar determinados serviços, não pode estabelecer conexões por escrito. No entanto, se não consegue demonstrar, nem ao menos apresentar um indício de prova da prestação dos serviços, não há como se acatar suas alegações. Com base nas informações oriundas da operação lavajato a fiscalização solicitou a comprovação da prestação dos serviços por haver indícios de que não haviam serviços efetivamente vinculados aos pagamentos. Assim, se a empresa não consegue comprovar a efetivação de fato de nenhum tipo dos serviços contratados, não lhe assiste razão. Por óbvio que da leitura do TVF e das inúmeras informação acerca do caminhos percorridos pelos recursos e das informações obtidas no âmbito da operação lava jato, ratificase, aqui, que não se está utilizando de presunções para autuar, nem utilizando os indícios da operação lavajato para tanto. A questão que demanda análise aqui é apenas de prova da realização dos serviços, prova esta que a recorrente não se desincumbiu de produzir, conforme se demonstra da análise acima e da relação dos documentos apresentados pelo recorrente (fls. 4443/4444) que demonstram apenas a formalização do contrato, mas não a prestação de serviços entre as partes. Fl. 11280DF CARF MF Processo nº 16004.720176/201657 Acórdão n.º 1401003.046 S1C4T1 Fl. 11.281 53 Notese que, no presente caso, o serviço a ser prestado não era o de um objetivo final, qual seja, a obtenção de algum contrato do qual a empresa fosse remunerada pelo sucesso, eram serviços bem genéricos, cuja consecussão determinaria, e seria possível de comprovação com facilidade a participação de fato de membros da empresa, na prestação do seu objeto. Assim, pelo exposto, considerando que não resta demonstrado pelo recorrente a existência da efetiva prestação dos serviços que foram contratados junto a JD ASSESSORIA, voto por negar provimento ao recurso neste ponto, mantendo a glosa destas despesas. IV.7.2. AKYZO – ASSESSORIA & NEGÓCIOS LTDA Em relação a esta empresa, a recorrente alega que as glosas se baseiam em possíveis relações com a empresa LIDERROLL que teria como sócio um dos sócios desta empresa e que realizou pagamentos a diversas outras empresas que são prestadoras de serviços da Petrobrás e da BR distribuidora e que possuem funcionários destas empresas em seus quadros. Alega em seu benefício, além de considerar que a análise da fiscalização é superficial, que a fato de se considerar o número de funcionários da empresa e a movimentação financeira da empresa não se prestam a infirmar a prestação de serviços para manter a glosa. Consultando o TVF acerca dos elementos apresentados pelo recorrente em relação a esta e outras empresas: Foram apresentados diversos documentos, ao todo somam mais de mil folhas, cujo o conteúdo diz respeito a: 1 Apresentação de proposta comercial com estudos e projetos destinados à Concessão de Construção, Operação e Manutenção do Sistema de Transporte de Passageiros sobre Trilhos na Região Metropolitana de Fortaleza – Metrô de Fortaleza – Linha Leste, e Operação e manutenção das Linhas Oeste, Sul e VLT – Parangaba – Mucuripe, em Regime de Parceria Público Privaod – PPP; 2 Metodologia de Execução relativa a Obra do Dersa, contendo a descrição do empreendimento e do plano de trabalho; 3 Planilha de Serviços e Preços, obra TPS (Florianópolis); 4 Projeto relacionado ao Aeroporto de Brasília e Guarulhos, contendo resumo das obras, orçamentos e relatório do TCU. Ou seja, os documentos realmente representam “relatórios técnicos”, contudo não vinculam, tampouco demonstram que foram elaborados pelas empresas relacionadas pela fiscalização (AKYZO, BRATEC, BUZZANI E FANTINI, GASBOL, HEFESTO e PROFICENTER). Neles, não há qualquer identificação dessas empresas.(grifo nosso) Portanto, com relação ao atendimento do item 1.4 do Termo, não foram apresentadas cópias dos contratos relacionados às referidas despesas/custos, nem cópias de outros documentos que pudessem comprovar a efetiva prestação de serviço por parte das empresas relacionadas pela fiscalização. Fl. 11281DF CARF MF Processo nº 16004.720176/201657 Acórdão n.º 1401003.046 S1C4T1 Fl. 11.282 54 A recorrente foi então novamente intimada a demonstrar a efetiva prestação de serviços. Segue informando a fiscalização: Em resposta ao Termo de Intimação nº 007/01329/2015, em 04/11/2015, a fiscalizada apresentou apenas relação e comprovantes de pagamentos e notas fiscais referentes às operações realizadas com as empresas Akyzo e Hefesto. Nenhum documento que comprovasse a efetiva prestação de serviços pelas empresas foi apresentado. Informou ainda que as despesas tinham sido utilizadas como dedutíveis na apuração do lucro real. Na ocasião, pediu prorrogação de mais 60 dias de prazo para atendimento do Termo de Intimação. Após a análise dos documentos disponíveis assim se posicionou a fiscalização a respeito: Apesar da vultosa receita apurada, a Akyzo – Assessoria apresentou GFIPs declarando apenas 3 (três) funcionários neste período: Verificase, acima, que não bastasse a quantidade irrisória de mãodeobra, os funcionários declarados não possuem qualificação técnica que justifique as prestações de serviços contabilizadas pela Akyzo e os vultosos valores recebidos (mais de R$56 milhões de reais). Também constatamos, por meio das DIRFs apresentadas pela Akyzo, que não consta nenhum prestador de serviços, pessoas físicas ou jurídicas. Ou seja, com apenas 3 (três) funcionários, não qualificados, a Akyzo conseguiu obter (e supostamente executar) contratos que somam mais de R$56 MILHÕES DE REAIS, no período de 2010 a 2013 ........ Diante dos indícios de que a Akyzo não teria prestado os serviços para os contribuintes relacionados no tópico anterior (dentre eles a Galvão Engenharia), foi aberto procedimento fiscal de diligência na empresa (TDPFD nº 08.0.01.002015000390), tendo sido intimada a apresentar a relação de todos os tomadores de serviços relativos aos anoscalendário de 2010 a 2013, e a comprovar a efetividade da operação com documentação hábil e idônea. Por meio de petições datadas de 11/08/2015 e 26/08/2015, a Akyzo apresentou apenas o Livro Registro de Funcionários e o Contrato Social. Se limitou em tecer considerações sobre o procedimento administrativo e Fl. 11282DF CARF MF Processo nº 16004.720176/201657 Acórdão n.º 1401003.046 S1C4T1 Fl. 11.283 55 solicitou dilações de prazo para o atendimento ao Termo de Início de Ação Fiscal. No dia 27/08/2015 outra petição foi entregue pela Akyzo, agora solicitando cópia de suas DIPJ relativas ao período auditado (2010 a 2013). ...... Contudo, os documentos apresentados não comprovam a efetiva prestação de serviço. Dessa forma, tornase necessário glosar os custos e despesas da Galvão Engenharia com a empresa Akyzo Assessoria, bem como efetuar o lançamento do IRRF sobre os pagamentos realizados, haja vista a ausência de sua causa e a identificação do beneficiário. Novamente neste item, diante das inúmeras intimações realizadas à recorrente e, inclusive à empresa AKYZO, não se apresentou comprovação de que a empresa tenha realizado os serviços para os quais, teoricamente foram contratados. O fato de a empresa AKYZO possuir apenas três funcionários e sem qualificação serviu como argumento de acréscimo a demonstrar que a empresa não tinha condições técnicas de realizar os serviços, acrescido do fato de a empresa não apresentar em suas DIRF nenhum pagamento a prestadores de serviço com qualificação para prestação dos serviços. Todo este conjunto probatório levou a fiscalização à conclusão da inexistência de comprovação dos serviços prestados por esta empresa. Por isso talvez o recorrente, em sua peça, sequer tenha perpassado acerca dos elementos apresentados pela fiscalização, limitando seu recurso a tentar desqualificar dois argumentos utilizados pela fiscalização para a efetivação das glosas. Por todo o exposto, e concluindo que não foi apresentada prova da efetiva prestação dos serviços por parte da empresa, nego provimento ao recurso neste ponto. IV.7.3. HEFESTO CONSULTORIA E PROJETOS LTDA. Nas alegações relativas a esta glosa o próprio recorrente entende que o caso é muito semelhante ao da empresa AKYZO e que a glosa teria se baseado em suposições e ilações indevidas. Novamente neste item não menciona documentos que poderiam ter comprovado a realização dos serviços. Assim, no mesmo roteiro acima traçado, apresento as alegações da fiscalização para a realização da glosa. Inicia apresentado o faturamento da empresa nos últimos quatro anos. Apesar da vultosa receita apurada, a Hefesto apresentou as GFIPs declarando apenas 3 (três)funcionários neste período: Fl. 11283DF CARF MF Processo nº 16004.720176/201657 Acórdão n.º 1401003.046 S1C4T1 Fl. 11.284 56 Verificase, acima, que não bastasse a quantidade irrisória de mãodeobra para uma empresa de Engenharia, os funcionários declarados não possuem qualificação técnica que justifique as prestações de serviços contabilizados pela Hefesto e os vultosos valores recebidos. Também apuramos, por meio das DIRFs apresentadas pela Hefesto, que foram contratados poucos prestadores de serviços, pessoas físicas ou jurídicas: Ou seja, com apenas 3 (três) funcionários e contratando apenas 2 (dois) prestadores de serviços (em alguns meses apenas), a Hefesto conseguiu obter (e supostamente executar) contratos que somam mais de R$20 MILHÕES DE REAIS, no período de 2010 a 2013. A fiscalização intimou a Hefesto e a Recorrente a comprovar a prestação dos serviços. Eis as respostas obtidas. Hefesto: Em resposta à intimação, a Hefesto apresentou relação com os serviços prestados e os respectivos contratos. Através do Termo de Constatação e Intimação Fiscal 3 21 15 e 4 21 15, a Hefesto foi reintimada a apresentar a documentação comprobatória da efetiva prestação de serviços. Até o momento não foram apresentados quaisquer documentos que pudessem comprovar as prestações de serviço.(grifo nosso) Galvão Engenharia: Fl. 11284DF CARF MF Processo nº 16004.720176/201657 Acórdão n.º 1401003.046 S1C4T1 Fl. 11.285 57 Em 09/12/2015, a Galvão Engenharia, em atendimento ao Termo de Intimação Fiscal nº 009/01329/2015, apresentou notas fiscais, boletins de medição e comprovantes de pagamentos relacionados à Hefesto. Contudo, os documentos apresentados não comprovam a efetiva prestação de serviço. Dessa forma, tornase necessário glosar os custos e despesas da Galvão Engenharia com a empresa Hefesto, bem como efetuar o lançamento do IRRF sobre os pagamentos realizados, haja vista a ausência de sua causa e a identificação do beneficiário. Assim demonstrase que os poucos documentos apresentados além das notas fiscais e comprovantes de pagamentos não conseguem relacionar a prestação de serviços da empresa aos pagamentos, mais ainda, quando se demonstra que a empresa não possuía capacidade funcionários nem prestadores de serviços em quantitativo suficiente para a realização de serviços do vulto que representam os pagamentos Mais ainda, sequer a Hefesto tentou demonstrar a realização de qualquer espécie de serviço. Por isso, em seu recurso, o recorrente limitase a desqualificar as alegações do contribuinte e contestar a parte da acusação que entende não comprovar a glosa. Não apresentar comprovação dos serviços realizados pela empresa, nem apresenta indícios de prova a tal título. Por estas razões, considero que não restou comprovada a realização dos serviços prestados que deram causa aos pagamentos realizados pela recorrente, razão pela qual entendo por negar provimento ao recurso neste ponto. IV.7.4. PROFICENTER PLANEJAMENTOS DE OBRAS LTDA Tendo em vista que neste caso a defesa do recorrente milita no mesmo sentido dois casos anteriores, apenas remeto ao já mencionado nos itens anteriores. Com relação a esta empresa a fiscalização realiza uma análise demonstrando que os sócios de empresa de faturamento expressivo não parecem receber recursos destas mesmas empresa. Um deles sequer recebe nada. Mais ainda, apresenta fotos do imóvel em que se localiza, que parece uma simples casa onde também está registrada outra empresa com os mesmos sócios. Por fim apresenta as informações das intimações encaminhadas e das respostas recebidas. Das intimações para a Galvão Engenharia. Através do Termo de Intimação Fiscal nº 005/01329/2015, recebido pela Galvão Engenharia em 21/08/2015, a fiscalizada foi intimada a apresentar relação com todos os pagamentos realizados durante os anoscalendários de 2010, 2011, 2012 e 2013, bem como a comprovar a efetiva prestação de Fl. 11285DF CARF MF Processo nº 16004.720176/201657 Acórdão n.º 1401003.046 S1C4T1 Fl. 11.286 58 serviços, relativos aos contribuintes relacionados no termo, dentre eles a Proficenter Planejamento. Em resposta, a Galvão Engenharia pediu 30 dias de prorrogação de prazo, passando o prazo de entrega para o dia 11/10/2015. Em 09/10/2015 solicitou nova prorrogação de prazo por mais 70 dias. Através do Termo de Constatação e Intimação Fiscal nº 007/01329/2015, prorrogamos o prazo por mais 20 dias, vencido em 08/11/2015. Com relação à empresa Proficenter Planejamento, apresentou a relação de pagamentos. Informou que os mesmos haviam sido contabilizados como despesas operacionais na DIPJ e considerados como despesas dedutíveis na apuração do lucro real. Após 97 dias da ciência do Termo de Intimação Fiscal nº 005/01329/2015, a Galvão Engenharia foi intimada novamente, através do Termo de Intimação Fiscal nº 009/01329/2015, a apresentar, no prazo de 05 (cinco) dias, contado da data de ciência do termo, os elementos solicitados no Termo de Intimação Fiscal nº 005/01329/2015, sob pena de as despesas/custos contabilizados serem considerados como despesas/custos não necessários à atividade da empresa e os pagamentos realizados, serem considerados como sem causa (falta da comprovação da natureza da operação que deu azo aos pagamentos), sujeitos à incidência do imposto, exclusivamente na fonte, à alíquota de 35%. Em 02/12/2015, a fiscalizada solicitou prorrogação de prazo para atendimento, que foi indeferida pelo fisco e comunicada à fiscalizada através do Termo de Indeferimento de Prorrogação de Prazo nº 010/01329/2015, conforme já demonstrado no item 4.3.5 desse Termo de Descrição dos Fatos. Dessa forma, diante da ausência de comprovação dos serviços prestados pela Proficenter Planejamento, bem como de tudo o quanto relatado até aqui, tornase necessário glosar os custos e despesas da Galvão Engenharia com a empresa Proficenter Planejamento, bem como efetuar o lançamento do IRRF sobre os pagamentos realizados, haja vista a ausência de sua causa e a identificação do beneficiário. Assim, neste caso, a ausência de apresentação de qualquer comprovação acerca da efetiva realização dos serviços, comprovada pelas inúmeras intimações sem a apresentação de qualquer documentação comprobatória além das notas fiscais e comprovantes de pagamento, corroboram o entendimento da fiscalização de que não houve efetiva prestação de serviços, razão pela qual realizou as glosas. Ante a falta de qualquer elemento probatório a corroborar as alegações que houve prestação de serviços, nego provimento ao recurso neste item. Fl. 11286DF CARF MF Processo nº 16004.720176/201657 Acórdão n.º 1401003.046 S1C4T1 Fl. 11.287 59 IV.7.5. CIGMA PROJETOS ENGENHARIA E CONSTRUÇÕES LTDA Cansativo reafirmar, neste ponto e o recurso apresentado não apresenta nenhuma linha a demonstrar a realização dos serviços. Limitase apenas a contestar as informações da fiscalização, indicar que a declaração de inaptidão da empresa é posterior aos períodos lançados e que as provas apresentadas da inexistência de fato da empresa não podem conduzir à inexistência da prestação dos serviços. Apresentou as informações apresentadas pela fiscalização para conduzir suas acusações. A Cigma Projetos e seus sócios não foram localizados ou não atenderam à intimação para regularização do endereço cadastral e a empresa não possui instalações e trabalhadores, evidenciando a falta de capacidade operacional para realização de seu objeto social, caracterizando a inexistência de fato da pessoa jurídica com base no art. 29, Inciso II, alíneas ‘a’ e ‘b’, itens 1 e 2, da IN RFB 1.634/2016, conforme detalhado na sequência. Segue demonstrando as diversas alterações societárias da empresa ......... O extrato das GFIP apresentadas pela Cigma Projetos, mostrado na tabela da sequência, relativo aos períodos a partir de 13/06/2003, data em que transferiu sua sede para o município de SANTANA DE PARNAÍBA, mostra que a empresa não declarou trabalhadores de 06/2003 a 01/2006, declarou apenas um trabalhador de 02/2006 a 02/2008, recebendo cerca de R$1.800 mensais, nenhum trabalhador de 03/2008 a 06/2010, dois trabalhadores de 07/2010 a 02/2011, recebendo R$700,00 e R$2.400,00, e nenhum trabalhador de 05/2011 até a presente data. Cabe observar que a inexpressiva quantidade e a baixa qualificação dos trabalhadores empregados pela Cigma Projetos em 2010 e 2011 não é compatível com a capacidade operacional necessária para a realização dos expressivos serviços prestados para as empreiteiras. Apresenta então a relação de pagamentos com valor inexpressivos. Passa a relatar os atos desenvolvidos para localizar a empresa e seus sócios, restando todos por infrutíferos. Conclui demonstrando que foi declarada a inaptidão da empresa desde a sua criação. Intimou então o recorrente a comprovar a efetiva prestação dos serviços, do que resultou: Com relação aos pagamentos efetuados para a empresa Cigma Projetos, informou que se referem a locação de equipamentos. Apresentou: demonstrativo de pagamentos efetuados para a empresa Cigma Projetos; cópias dos comprovantes bancários de pagamentos. Informou que as respectivas Notas Fiscais não haviam sido localizadas e que as enviariam à fiscalização tão logo as mesmas fossem encontradas. Informou, ainda, que as despesas foram contabilizadas como operacionais e os valores foram considerados dedutíveis na apuração do lucro real. Fl. 11287DF CARF MF Processo nº 16004.720176/201657 Acórdão n.º 1401003.046 S1C4T1 Fl. 11.288 60 Ou seja, a Galvão Engenharia não apresentou quaisquer documentos que pudessem comprovar que os serviços realmente foram prestados pela Cigma Projetos. (grifo nosso) Dessa forma, diante da ausência de comprovação dos serviços prestados pela Cigma Projetos, bem como por tudo o quanto relatado até aqui, torna se necessário glosar os custos e despesas da Galvão Engenharia com a empresa Cigma Projetos, bem como efetuar o lançamento do IRRF sobre os pagamentos realizados, haja vista a ausência de sua causa e a identificação do beneficiário. Desnecessário maiores considerações com relação a este caso, se a recorrente, maior interessada em infirmar as glosas, não apresenta nenhum elemento a comprovar o aluguel dos equipamentos que a ela foram enviados, há de se manter a glosa por falta de comprovação da operação que deu causa aos pagamentos. Desta forma, também neste item nego provimento ao recurso. IV.7.6. GRIFFE COMUNICAÇÃO E MARKETING LTDA ME Novamente o recurso neste ponto tentar contestar os elementos trazidos pela fiscalização no sentido de demonstrar a inviabilidade da prestação de serviços por parte da empresa. Igualmente não apresentou nenhuma prova a comprovar os serviços prestados, que seriam de comunicação e marketing. Assim, passarei diretamente ao resultado da intimação que foi enviada pela fiscalização ao recorrente para comprovar a efetiva prestação de serviços pela empresa. No dia 01/07/2016 a fiscaliza apresentou resposta ao termo. Com relação aos pagamentos efetuados para a empresa Griffe Comunicação, informou que se referem a ação de marketing, envolvendo a produção de livros de arte para divulgação do novo logotipo da empresa. Para comprovar esses gastos, apresentou: demonstrativo de pagamentos efetuados para a empresa Griffe Comunicação; cópia das notas fiscais; cópias dos comprovantes bancários de pagamentos. Informou que as notas fiscais foram contabilizadas como despesas operacionais e os valores foram considerados dedutíveis na apuração do lucro real. Portanto, a Galvão Engenharia não apresentou documentos hábeis a comprovar que a empresa Griffe Comunicação tenha efetivamente prestado quaisquer serviços a ela.(grifo nosso) Dessa forma, diante da ausência de comprovação dos serviços prestados pela Griffe Comunicação, bem como por tudo o quanto relatado até aqui, tornase necessário glosar os custos e despesas da Galvão Engenharia com Fl. 11288DF CARF MF Processo nº 16004.720176/201657 Acórdão n.º 1401003.046 S1C4T1 Fl. 11.289 61 a empresa Griffe Comunicação, bem como efetuar o lançamento do IRRF sobre os pagamentos realizados, haja vista a ausência de sua causa e a identificação do beneficiário. Não há necessidade de maiores considerações, nem quando da fiscalização, nem à época da impugnação ou agora no recurso voluntário a recorrente não apresenta nenhum comprovação da realização dos serviços que foram pagos pela mesma à empresa CIGMA. Remeto às considerações já bastante apresentadas nos itens precedentes para indicar que, não restando comprovada a efetividade da prestação dos serviços a glosa das despesas é possível e deve ser mantida. Por estas razões, voto no sentido de negar provimento ao recurso neste ponto. Argumentos subsidiários aplicáveis exclusivamente ao IRPJ e à CSLL. Erro na apuração do IRPJ e da CSL: a D. Autoridade Fiscal desconsiderou o saldo negativo e a base de cálculo negativa apurados nos anoscalendários de 2011, 2012 e 2013; Neste tópico a recorrente se insurge quanto à não utilização, pela fiscalização dos valores relativos aos saldos negativos de IRPJ e CSLL dos anoscalendário 2011, 2012 e 2013. Alega que a Delegacia de Julgamento corrigiu parte dos equívocos mas, que restam valores a serem considerados em favor da empresa. Em relação a alguns destes períodos a recorrente alega que os saldos de créditos deveriam ser maiores haja vista que houve retenções na fonte que não foram informadas pela empresa nos PER/DCOMP. Solicita o reconhecimento adicional destes valores. Em relação a esta análise discordo das alegações do recorrente. Na medida em que a empresa, detentora de saldo de negativo de IRPJ e CSLL apresentou pedidos de restituição destes créditos e passou a compensálos com outros débitos, a análise acerca do reconhecimento do valor integral dos créditos passa a ser exclusiva no processo em que os créditos estão controlados, conforme indicado nos itens abaixo. Não cabe, no exame deste processo, analisar a existência de possíveis créditos adicionais em benefício do contribuinte posto que este juízo de valor deve ser realizado no processo de análise dos pedidos de restituição. Assim, enquanto não forem reconhecidos créditos adicionais, além dos reconhecidos até o momento nos processos de restituição, nossa análise prenderseá apenas aos créditos já analisados e reconhecidos que ainda possuam saldo remanescente passível de utilização na dedução dos valores lançados neste processo. Temos que em dois processos dos lançamentos abaixo analisados ainda existe pendência de julgamento dos recursos relativos às compensações. Nestes casos, repisamos o que foi informado acima, nossa análise somente irá referirse aos créditos já reconhecidos até o momento em que realizamos a consulta aos sistemas de controle das compensações, conforme documentos acostados ao processo. Nestas telas de sistema constam os valores de restituição requeridos pelo contribuinte, os valores já reconhecidos e os que se encontram em discussão e os valores já Fl. 11289DF CARF MF Processo nº 16004.720176/201657 Acórdão n.º 1401003.046 S1C4T1 Fl. 11.290 62 utilizados em PER/DCOMP pela empresa. Assim, a apuração dos saldos passíveis de utilização foi feita mediante o confronto entre o valor do crédito reconhecido e o valor já utilizado. No caso de existir saldo de crédito nestes processos, estes poderão ser utilizados para abater os valores lançados. Vejamos cada um dos períodos alegados: Destaquese que foram justados ao processo telas do sistema de controle das compensações onde estão apresentados o valores solicitados pelo contribuinte, já utilizados, os saldos de créditos que ainda podem ser utilizados pela empresa e os valores que ainda se encontram m discussão. ANOCALENDÁRIO 2011 Processo 10880.925556/201752 IRPJ+ADICIONAL APURADOS: R$ 2.049.382,01 Saldo Negativo de IRPJ solicitado em DCOMP: R$ 688.415,29 Valor do Saldo utilizado em PER/DCOMP: R$ 688.415,29 Remanescente de SN a ser abatido do lançamento: R$ 0,00 Resultado: Não existe valor de saldo negativo remanescente a ser utilizado na dedução dos valores lançados no anocalendário 2011. Assim, não assiste razão ao contribuinte neste ponto. ANOCALENDÁRIO 2012 Processo: 10880.925406/201631 IRPJ+ADICIONAL APURADOS: R$ 625.708,30 Saldo Negativo de IRPJ solicitado em DCOMP: R$ 27.418.410,53 Valor do SN deferido pela DRF: R$ 25.540.022,47 Valor do Saldo utilizado em PER/DCOMP: R$ 23.421.979,40 Remanescente de SN a ser abatido do lançamento: R$ 2.118.043,07 Resultado: Existe saldo de créditos remanescente que pode ser utilizado para excluir integralmente o valor lançado do IRPJ. Assim, há de ser dar provimento neste ponto e determinar a utilização de parte do saldo negativo remanescente do processo acima indicado para dedução integral do débito lançado, excluindose integralmente o lançamento do IRPJ do anocalendário 2012. ANOCALENDÁRIO 2013 Processo: 10880.976697/201652 IRPJ+ADICIONAL APURADOS: R$ 1.324.651,33 Saldo Negativo de IRPJ solicitado em DCOMP: R$ 49.078.323,02 Valor do SN deferido pela DRF: R$ 48.347.169,61 Fl. 11290DF CARF MF Processo nº 16004.720176/201657 Acórdão n.º 1401003.046 S1C4T1 Fl. 11.291 63 Valor do Saldo utilizado em PER/DCOMP: R$ 47.081.420,67 Remanescente de SN a ser abatido do lançamento: R$ 1.265.748,94 Resultado: Existe saldo de créditos remanescente que pode ser utilizado para excluir parcialmente o valor lançado do IRPJ. Assim, há de ser dar parcial provimento neste ponto e determinar a utilização de parte do saldo negativo remanescente do processo acima indicado para dedução de parte do débito lançado até o limite de R$ 1.265.748,94, remanescendo o valor de IRPJ lançado no montante de R$ 58.902,39. ANOCALENDÁRIO 2011 Processo: 10880.948994/201365 CSLL APURADA: R$ 737.777,52 Saldo Negativo de CSLL solicitado em DCOMP: R$ 4.145.211,11 Valor do SN deferido pela DRF: R$ 4.127.308,08 Valor do Saldo utilizado em PER/DCOMP: R$ 4.127.308,08 Valor em discussão da DRJ: R$ 17.903,33 Remanescente de SN a ser abatido do lançamento: R$ 0,00 Resultado: Não existe valor de saldo negativo remanescente a ser utilizado na dedução dos valores lançados no anocalendário 2011. Assim, não assiste razão ao contribuinte neste ponto. ANOCALENDÁRIO 2013 Processo: 10880.976698/201605 CSLL APURADA: R$ 476.874,48 Saldo Negativo de CSLL solicitado em DCOMP: R$ 27.137.437,67 Valor do SN deferido pela DRF: R$ 25.255.293,30 Valor do Saldo utilizado em PER/DCOMP: R$ 25.255.293,30 Valor e discussão na DRJ: R$ 1.882.144,37 Remanescente de SN a ser abatido do lançamento: R$ 0,00 No presente caso, todo o saldo negativo que foi deferido já foi utilizado pelo contribuinte em compensações de outros débitos. Não existe saldo negativo a ser utilizado na dedução da CSLL devida. Com relação ao valor de R$ 1.882.144,37 que não foi deferido e que se encontra em discussão na DRJ, este não pode ser utilizado na dedução posto que não se trata de crédito líquido e certo. Assim, de forma semelhante à que ocorre quando da análise de possibilidade de utilização de prejuízos fiscais glosados e em discussão, não se pode deferir a dedução pretendida enquanto não restaurado o direito de crédito ao contribuinte. Fl. 11291DF CARF MF Processo nº 16004.720176/201657 Acórdão n.º 1401003.046 S1C4T1 Fl. 11.292 64 Por essa razão não assiste razão ao contribuinte quanto a este ponto. Impossibilidade da concomitância entre a multa de ofício e a multa isolada por falta de estimativa; Com relação ao auto de infração relativo a aplicação de multa isolada pela falta de recolhimento por estimativa, por diversas vezes este tema foi objeto de discussão nesta Câmara, existindo três diferentes vertentes de opinião: 1) A primeira segue no sentido de que a aplicação de multa de ofício relativo ao período de apuração anual do imposto impede a aplicação da multa isolada pela falta de recolhimento por estimativa em função de tratarse, em essência do mesmo tributo exigido no exercício e, assim, o contribuinte estaria sendo penalizado em duplicidade. 2) A segunda corrente advoga no sentido de que as multas de ofício e isolada punem condutas distintas e assim, podem subsistir concomitantemente sem qualquer empecilho, visto que os fatos geradores são distintos e também distintas as bases de cálculo. 3) A terceira posição interpretativa segue no sentido de que os fatos geradores sendo complementares as sanções, visto que uma pune a falta de antecipação durante o exercício e a outra pune a falta do pagamento no ajuste anual, a maior penalidade deve prevalecer até o montante em que consuma integralmente a punição pela falta de antecipação, somente subsistindo esta se comportar montante maior do que a multa de ofício. Pessoalmente sou adepto da terceira corrente e da adoção do princípio da consunção. Por isso, transcrevo os valiosos fundamentos do Conselheiro Guilherme Adolfo Mendes no Acórdão 1201000.235: As regras sancionatórias são em múltiplos aspectos totalmente diferentes das normas de imposição tributária, a começar pela circunstância essencial de que o antecedente das primeiras é composto por uma conduta antijurídica, ao passo que das segundas se trata de conduta lícita. Dessarte, em múltiplas facetas o regime das sanções pelo descumprimento de obrigações tributárias mais se aproxima do penal que do tributário. Pois bem, a Doutrina do Direito Penal afirma que, dentre as funções da pena, há a PREVENÇÃO GERAL e a PREVENÇÃO ESPECIAL. A primeira é dirigida à sociedade como um todo. Diante da prescrição da norma punitiva, inibese o comportamento da coletividade de cometer o ato infracional. Já a segunda é dirigida especificamente ao infrator para que ele não mais cometa o delito. Fl. 11292DF CARF MF Processo nº 16004.720176/201657 Acórdão n.º 1401003.046 S1C4T1 Fl. 11.293 65 É, por isso, que a revogação de penas implica a sua retroatividade, ao contrário do que ocorre com tributos. Uma vez que uma conduta não mais é tipificada como delitiva, não faz mais sentido aplicar pena se ela deixa de cumprir as funções preventivas. Essa discussão se torna mais complexa no caso de descumprimento de deveres provisórios ou excepcionais. Hector Villegas, (em Direito Penal Tributário. São Paulo, Resenha Tributária, EDUC, 1994), por exemplo, nos noticia o intenso debate da Doutrina Argentina acerca da aplicação da retroatividade benigna às leis temporárias e excepcionais. No direito brasileiro, porém, essa discussão passa ao largo há muitas décadas, em razão de expressa disposição em nosso Código Penal, no caso, o art. 3°: Art. 3" A lei excepcional ou temporária, embora decorrido o período de sua duração ou cessadas as circunstâncias que a determinaram, aplicase ao fato praticado durante sua vigência. O legislador penal impediu expressamente a retroatividade benigna nesses casos, pois, do contrário, estariam comprometidas as funções de prevenção. Explico e exemplifico. Como é previsível a cessação da vigência de leis extraordinárias e certo, em relação às temporárias, a exclusão da punição implicaria a perda de eficácia de suas determinações, uma vez que todos teriam a garantia prévia de, em breve, deixarem de ser punidos. É o caso de uma lei que impõe a punição pelo descumprimento de tabelamento temporário de preços. Se após o período de tabelamento, aqueles que o descumpriram não fossem punidos e eles tivessem a garantia prévia disso, por que então cumprir a lei no período em que estava vigente? Ora, essa situação já regrada pela nossa codificação penal é absolutamente análoga à questão ora sob exame, pois, apesar de a regra que estabelece o dever de antecipar não ser temporária, cada dever individualmente considerado é provisório e diverso do dever de recolhimento definitivo que se caracterizará no ano seguinte. Nada obstante, também entendo que as duas sanções (a decorrente do descumprimento do dever de antecipar e a do dever de pagar em definitivo) não devam ser aplicadas conjuntamente pelas mesmas razões de me valer, por terem a mesma função, dos institutos do Direito Penal. Nesta seara mais desenvolvida da Dogmática Jurídica, aplicase o Princípio da Consunção. Na lição de Oscar Stevenson, "pelo princípio da consunção ou absorção, a norma definidora de um crime, cuja execução atravessa fases em si representativas desta, bem como de outras Fl. 11293DF CARF MF Processo nº 16004.720176/201657 Acórdão n.º 1401003.046 S1C4T1 Fl. 11.294 66 que incriminem fatos anteriores e posteriores do agente, efetuados pelo mesmo fim prático". Para Delmanto, "a norma incriminadora de fato que é meio necessário, fase normal de preparação ou execução, ou conduta anterior ou posterior de outro crime, é excluída pela norma deste". Como exemplo, os crimes de dano, absorvem os de perigo. De igual sorte, o crime de estelionato absorve o de falso. Nada obstante, se o crime de estelionato não chega a ser executado, punese o falso. É o que ocorre em relação às sanções decorrentes do descumprimento de antecipação e de pagamento definitivo. Uma omissão de receita, que enseja o descumprimento de pagar definitivamente, também acarreta a violação do dever de antecipar. Assim, punese com multa proporcional. Todavia, se há uma mera omissão do dever de antecipar, mas não do de pagar, punese a não antecipação com multa isolada. No presente caso, entretanto, mesmo em se aplicando o principio da consunção, não haverá exclusão dos valores das multas isoladas. Conforme informado no recurso às fls. 10571, a recorrente apurou saldo negativo de IRPJ e de CSLL nos anos de 2011, 2012 e 2013 e pediu que os referidos valores ainda não utilizados em compensações servissem para abater o valor do IRPJ e CSLL apurados. Conforme item acima, assistiu parcial razão ao contribuinte em relação à existência de valores de saldo negativo de IRPJ a serem utilizados, por isso, a absorção da multa isolada pela multa de ofício só permanece em relação aos valores de lançamento remanescentes com as respectivas multas de ofício, posto que, em relação aos valores que foram exonerados pelos saldos negativos deixou de existir multa de ofício e, em consequência, deve permanecer íntegra a multa isolada. Vejamos abaixo os valores que foram exonerados e mantidos. IRPJ Anocalendário Multa Isolada Lançada Multa de Ofício lançada Multa de ofício Mantida Multa isolada mantida 2011 1.024.691,01 3.074.073,01 3.074.073,01 0,00 2012 312.854,16 938.562,45 0,00 312.854,16 2013 662.325,67 1.986.976,99 88.353,58 573.972,09 CSLL Anocalendário Multa Isolada Lançada Multa de Ofício lançada Multa de ofício Mantida Multa isolada mantida 2011 368.888,76 1.106.666,28 1.106.666,28 0,00 2013 238.437,24 715.311,72 715.311,72 0,00 Fl. 11294DF CARF MF Processo nº 16004.720176/201657 Acórdão n.º 1401003.046 S1C4T1 Fl. 11.295 67 Conforme tabelas acima e em se considerando que assistiu parcial razão ao contribuinte quanto à exoneração de parte dos valores lançados a título de IRPJ e CSLL, a repercussão destas exonerações é a redução e/ou exclusão da multa de ofício lançada. Por esta razão a consunção somente se aplica aos valores remanescentes da multa de ofício lançada e mantida após os ajustes realizados em razão do provimento parcial do item precedente. Desta forma, neste ponto, dou parcial provimento ao recurso para, em razão do princípio da consunção, exonerar parcialmente os valores das multas isoladas lançadas, permanecendo em cobrança os valores indicados na tabela acima. Argumentos subsidiários aplicáveis ao IRRF, ao IRPJ e à CSLL Afastamento da qualificadora da multa de ofício. A incoerência da acusação fiscal. A recorrente alega que a fiscalização não conseguiu demonstrar a realização de atos que determinassem o enquadramento nas normas dos art.s 71, 72 e 73, da Lei nº 4.502/64. Apresenta passagens do TVF e demonstração da doutrina quanto ao assunto de modo a desconstituir a referida qualificação. Vejamos excertos do TVF em relação à qualificadora. Como está expresso, a multa mais gravosa de 150% de que trata o parágrafo 1º do art. 44 da Lei nº 9.430, de 1996 (redação dada pelo art. 14 da Lei nº 11.488, de 2007), tem aplicação sempre que em ação fiscal constatase a ocorrência de sonegação, fraude ou conluio. Vêse que, para enquadrar determinado ilícito fiscal nos dispositivos dessa lei, há necessidadeque esteja caracterizado o dolo. No presente caso, a multa de ofício foi qualificada para o percentual de 150% porque a empresa fiscalizada agiu, dolosamente, de modo a impedir o conhecimento por parte da autoridade fazendária da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, se enquadrando nas hipóteses (sonegação e fraude) previstas nos arts. 71, inciso I e 72, da Lei nº 4.502, de 30 de novembro de 1964. ....... A evasão tributária perpetrada pela fiscalizada ao deixar de recolher os tributos descritos acima foi idealizada através da utilização de notas fiscais de prestação de serviços inidôneas, pois os serviços não foram prestados. Isto porque, conforme suso demonstrado, os pagamentos foram feitos por razão outra. Serviram para o acobertamento contábil e financeiro do pagamento de propinas. Fl. 11295DF CARF MF Processo nº 16004.720176/201657 Acórdão n.º 1401003.046 S1C4T1 Fl. 11.296 68 Estes fatos minudentemente relatados caracterizam a figura da sonegação fiscal. A Galvão Engenharia tinha conhecimento da inidoneidade dos pagamentos realizados e da consequência tributária na apuração dos tributos devidos na apuração do imposto de renda, contribuição social e imposto de renda retido na fonte, mas preferiu agir de maneira evasiva, registrar os pagamentos com histórico contábil falso, utilizandose de documentação inidônea. Desta forma, praticou atos que deliberada e sistematicamente demonstram a presença do DOLO, no sentido de ter a consciência e querer a conduta de sonegação e agir em conluio com outra empresa, descritas nos art. 71 e 72 da Lei nº 4.502/64, justificando a aplicação da multa qualificada de 150%. A fiscalizada procurou modificar as características essenciais dos fatos geradores, tentando caracterizar os pagamentos efetuados como legítimos e necessários, com causa e em face de operações comprovadas, o que justificaria a contabilização das despesas e custos decorrentes como dedutíveis na apuração do IRPJ e da CSLL a pagar, reduzindo em consequência o montante devido desses impostos. Todavia, como demonstramos, as operações, causas e beneficiários não foram comprovados e os documentos de suporte apresentados são ideologicamente falsos. Os contratos se referiam a serviços fictícios. As condutas relatadas foram praticadas extensivamente, com uma diversidade de contrapartes, envolveram valores de grande monta e foram reiteradas. Assim, face o descrito aplicase ao contribuinte a multa qualificada prevista no art. 44, inciso I e § 1º, da Lei nº 9.430/96, com redação dada pela Lei 11.488, de 15 de junho de 2007. Não entendo assistir razão à recorrente. O que seria mais necessário apresentar de modo a demonstrar a necessidade de qualificação das multas? O TVF é repleto de imagens, documentos, tabelas e demonstrações de que ou as empresa inexistiam de fato ou os pagamentos realizados não se referiam aos serviços referidos nas notas fiscais. O que se pode dizer, em sede de análise de matéria tributária de uma empresa que realiza despesas, que declara como dedutíveis para fins de apuração do IRPJ e da CSLL que sabe claramente ser inexistentes. Se tem conhecimento da inexistência das empresa age com dolo, pois sabe que estas despesas não seriam dedutíveis e assim, arca com o ônus de suas ações. Se, eventualmente, a empresa não conhece da inexistência das empresas, age, no mínimo, com dolo eventual ao tratar de negócios com terceiros que não conhece, não sabe histórico e assume, com isso, os riscos de seu próprio descuido no trato de negócios com terceiros. Ressalvese, contudo, que esta hipótese é remotíssima, posto, já tendo este relator trabalhado em empresas de grande porte, é sabedor de que pagamentos do vulto dos realizados nos autos não são efetivados sem o conhecimento de altos dirigentes da empresa. Fl. 11296DF CARF MF Processo nº 16004.720176/201657 Acórdão n.º 1401003.046 S1C4T1 Fl. 11.297 69 Por isso, tendo agido com dolo direto ou dolo eventual, importa destacar que não há como se fugir da qualificação da multa de ofício em relação aos lançamentos de IRPJ e CSLL incidentes neste procedimento. Pelo exposto, voto por negar provimento neste item. Multa Qualificada em Relação ao IRRF. Neste ponto, como no voto acima já nos pronunciamos acerca da impossibilidade de exigência da multa de ofício sobre o IRRF lançado na qualidade de responsável tributário, não há mais objeto a ser analisado neste tópico. Aplicação do artigo 112 do CTN em caso de voto de desempate. Como, neste ponto, os argumentos aduzidos pelo recorrente, relativos à aplicação do art. 112, do CTN, no caso de empate na votação do julgamento, entendo que apesar de ser sucinta, a Decisão de Piso esgota o assunto neste ponto. Assim, passo a transcrevêla, adotando seus fundamentos como os fundamentos de decidir este ponto. Conforme consta deste relatório, pugna a impugnante pelo cancelamento das multas veiculadas no presente auto de infração em caso de empate no presente julgamento para conciliar o instituto do voto de qualidade com o princípio constitucional da presunção de inocência, bem como com o art. 112, do CTN. Não lhe assiste razão. Cabe transcrever a seguir o art. 112 do CTN. Art. 112. A lei tributária que define infrações, ou lhe comina penalidades, interpretase da maneira mais favorável ao acusado, em caso de dúvida quanto: I à capitulação legal do fato; II à natureza ou às circunstâncias materiais do fato, ou à natureza ou extensão dos seus efeitos; III à autoria, imputabilidade, ou punibilidade; IV à natureza da penalidade aplicável, ou à sua graduação." (destacamos) No processo administrativo fiscal, a aplicação do referido artigo, norma material, dáse de acordo com a interpretação de cada julgador e não como critério processual de desempate como quer faze crer a impugnante. Se assim não fosse, restaria sem eficácia o disposto no art. 13 da Portaria do MF n° 341, de 12 de julho de 2011, publicada no DOU de 14 de julho de 2011, sobre o voto de qualidade nas Delegacias de Julgamento da RFB, segundo o qual cabe ao Presidente da Turma, além do voto ordinário, o de qualidade. Fl. 11297DF CARF MF Processo nº 16004.720176/201657 Acórdão n.º 1401003.046 S1C4T1 Fl. 11.298 70 Destarte, o disposto contido no referido artigo do CTN, norma material, em nada se confunde com o disposto em norma processual sobre o voto de qualidade. Não cabe à instância administrativa pronunciarse sobre decisão do STF em rito procedimental na Ação Penal Originária trazida aos autos. Rejeito, portanto, os argumentos da impugnante nesse item. Acrescento, ainda, em complemento ao acima referido, que o voto de qualidade é instituto que visa, única e exclusivamente, à proteção do erário. Vejase, se não houvesse voto de qualidade, ou se este fosse em benefício do contribuinte a Fazenda Nacional, mesmo diante de flagrantes problemas em qualquer processo, não poderia se socorrer do Poder Judiciário a fim de reverter o julgamento. Ao contrário da Fazenda Nacional, o contribuinte, mesmo após concluído o julgamento na esfera administrativa, não concordando com o julgamento, pode apear ao Poder Judiciário em razão de suas garantias constitucionais. Por estas razões é que não há como se acatar o pleito do contribuinte de se aplicar em seu favor o entendimento quando houver empate na votação do julgamento, pelo que nego provimento ao recurso neste ponto. Não incidência de juros sobre as multas de ofício e isolada. Com relação à alegação de impossibilidade de incidência de juros calculados pela SELIC sobre a multa de ofício, entendo por bastante elucidativa a argumentação apresentada em voto proferido pela DRJ/Florianópolis no acórdão nº 0738.069 3ª Turma da DRJ/FNS relativo ao assunto. Por isso transcrevo a parte do mesmo o adoto como suficiente para justificar a não aceitação das alegações do recorrente quanto a este ponto. Fl. 11298DF CARF MF Processo nº 16004.720176/201657 Acórdão n.º 1401003.046 S1C4T1 Fl. 11.299 71 Fl. 11299DF CARF MF Processo nº 16004.720176/201657 Acórdão n.º 1401003.046 S1C4T1 Fl. 11.300 72 Corroboram este entendimento os seguintes precedentes do CARF: JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO. INCIDÊNCIA. A multa de ofício, penalidade pecuniária, compõe a obrigação tributária principal, e, por conseguinte, integra o crédito tributário, que se encontra submetido à incidência de juros moratórios, após o seu vencimento, em consonância com os artigos 113, 139 e 161, do CTN, e 61, § 3º, da Lei 9.430/96. (Acórdão 9101003.009, de 08 de agosto de 2017) JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO. A obrigação tributária principal compreende tributo e multa de ofício proporcional. Sobre o crédito tributário constituído, incluindo a multa de ofício, incidem juros de mora, devidos à taxa Selic. (Acórdão 9101002.957, de 03 de julho de 2017) JUROS DE MORA. INCLUSÃO NA BASE DE CÁLCULO DA MULTA DE OFÍCIO. CÁLCULO INDIRETO. POSSIBILIDADE. A multa de oficio incide sobre o valor do crédito tributário devido e não pago, acrescido dos juros moratórios, calculados com Fl. 11300DF CARF MF Processo nº 16004.720176/201657 Acórdão n.º 1401003.046 S1C4T1 Fl. 11.301 73 base na variação da taxa Selic, logo, se os juros moratórios integram a base de cálculo da referida multa, necessariamente, eles comporão o valor da multa de ofício devida. (Acórdão 3302004.496, de 25 de julho de 2017) JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO. De acordo com art. 161 do CTN, sobre o crédito tributário incidem juros de mora. Como a multa de ofício integra o crédito tributário, também sobre ela devem incidir juros de mora. (Acórdão 1401 001.903, de 20 de junho de 2017) Além disso, há de se acrescentar que recentemente foi aprovada Súmula Vinculante deste CARF pela qual restou formado o entendimento de que é cabível a aplicação de juros sobre a multa de ofício. Súmula CARF nº 108 Incidem juros moratórios, calculados à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC, sobre o valor correspondente à multa de ofício. Acórdãos Precedentes: CSRF/0400.651, de 18/09/2007; 10322.290, de 23/02/2006; 10323.290, de 05/12/2007; 10515.211, de 07/07/2005; 10616.949, de 25/06/2008; 303 35.361, de 21/05/2018; 140100.323, de 01/09/2010; 910100.539, de 11/03/2010; 910101.191, de 17/10/2011; 920201.806, de 24/10/2011; 9202 01.991, de 16/02/2012; 1402002.816, de 24/01/2018; 2202003.644, de 09/02/2017; 2301005.109, de 09/08/2017; 3302001.840, de 23/08/2012; 3401004.403, de 28/02/2018; 3402004.899, de 01/02/2018; 9101001.350, de 15/05/2012; 9101001.474, de 14/08/2012; 9101001.863, de 30/01/2014; 9101002.209, de 03/02/2016; 9101003.009, de 08/08/2017; 9101003.053, de 10/08/2017; 9101003.137 de 04/10/2017; 9101003.199 de 07/11/2017; 9101003.371, de 19/01/2018; 9101003.374, de 19/01/2018; 9101003.376, de 05/02/2018; 9202003.150, de 27/03/2014; 9202004.250, de 23/06/2016; 9202004.345, de 24/08/2016; 9202005.470, de 24/05/2017; 9202005.577, de 28/06/2017; 9202006.473, de 30/01/2018; 9303002.400, de 15/08/2013; 9303003.385, de 25/01/2016; 9303005.293, de 22/06/2017; 9303005.435, de 25/07/2017; 9303005.436, de 25/07/2017; 9303005.843, de 17/10/2017. Pelo apresentado acima, entendo estar correta a decisão de Piso na parte em manteve a exigência da aplicação da taxa SELIC sobre o crédito tributário relativo à multa de ofício. Assim, voto por negar provimento ao recurso quanto a este ponto. Cessação da fluência dos juros de mora após o transcurso do prazo de 360 dias. Pretende o recorrente, com base na norma da Lei nº 12.457/2007 que estabelecem o prazo de 360 dias para o julgamento de processos administrativos, a cessão da fluência dos juros. Fl. 11301DF CARF MF Processo nº 16004.720176/201657 Acórdão n.º 1401003.046 S1C4T1 Fl. 11.302 74 Quanto às alegações do recorrente acerca da impossibilidade de aplicação de juros moratórios em face do art. 24, da Lei nº 11.457/2007, que fixou um prazo de 360 dias para que sejam proferidas as decisões administrativas, cabe informar que a aplicação deste dispositivo não tem como resultado a exclusão do crédito tributário, ou dos juros e multa a ele relativos. Ademais a possibilidade de exclusão de multa ou juros sobre o crédito tributário cujo julgamento ultrapassasse o prazo legal, somente poderia ser adotada mediante edição de Lei Complementar, haja vista a previsão do art. 146, inciso III, “b”, da Constituição Federal de 1988, conforme abaixo. Art. 146. Cabe à lei complementar: I dispor sobre conflitos de competência, em matéria tributária, entre a União, os Estados, o Distrito Federal e os Municípios; II regular as limitações constitucionais ao poder de tributar; III estabelecer normas gerais em matéria de legislação tributária, especialmente sobre: a) definição de tributos e de suas espécies, bem como, em relação aos impostos discriminados nesta Constituição, a dos respectivos fatos geradores, bases de cálculo e contribuintes; b) obrigação, lançamento, crédito, prescrição e decadência tributários; c) adequado tratamento tributário ao ato cooperativo praticado pelas sociedades cooperativas. Mais ainda, conforme dispõe as normas do Direito Processual, o prazo estabelecido pelo art. 24, da Lei nº 11.457/2007 consiste, em verdade, em prazo denominado impróprio, porque a lei que o instituiu não estabeleceu nenhum tipo de sanção quando do seu descumprimento. Sabemos que é dever da administração tributária zelar pela celeridade da solução de litígios, no entanto, no intuito de se estabelecer esta celeridade e atender ao princípio da eficiência, não pode a administração criar normas punitivas dela própria pela desobediência a um prazo estabelecido. Aí sim estaria agindo contra legem ao realizar a exclusão de crédito tributário, dos juros ou multas a ele relativos sem dispositivo legal que assim estabeleça, seria a aplicação de arbítrio contra o crédito tributário regularmente constituído o que, por si só, implicaria em flagrante desobediência ao princípio da Legalidade. Observese, em complemento à falta de sanção quanto ao descumprimento do prazo impróprio estabelecido pela norma do art. 24, da Lei nº 11.457/2007, que mesmo nos casos em que o contribuinte se socorre do Poder Judiciário para fins de fazer valer o cumprimento deste prazo, as decisões operam no sentido de determinar a realização da análise imediata do processo, nunca no sentido de realizar qualquer exclusão de parte dos créditos tributários exigidos. Fl. 11302DF CARF MF Processo nº 16004.720176/201657 Acórdão n.º 1401003.046 S1C4T1 Fl. 11.303 75 Pelo exposto, ante a ausência de norma sancionatória decorrente da inobservância do prazo alegado, voto no sentido de negar provimento ao recurso neste ponto. RECURSO VOLUNTÁRIO DOS RESPONSÁVEIS SOLIDÁRIOS Inicio este trecho do voto com excerto do voto de meu colega de Turma Daniel Ribeiro Silva, em caso semelhante, relatado dois meses atrás do contribuinte DA VINCI CONFECÇÕES LTDA, no acórdão nº 1401002.881, de 18 de setembro de 2018, acerca da responsabilização solidária. No trecho a seguir a análise prendese à responsabilidade tributária baseada nos arts. 124 e 135, III do CTN. Por óbvio que nossa análise só utilizará os termos do art. 135, III, no entanto entendo salutar transcrever todo o trecho antes de iniciar a análise individualizada das responsabilidades atribuídas aos dirigentes da empresa. Da atribuição de responsabilidade tributária com fundamento nos artigos 124, I e 135 do CTN. Necessário tecer alguns argumentos a respeito do instituto da responsabilidade tributária aplicável ao caso concreto. Nos termos do art. 121 do CTN, responsável é aquele que, embora não tendo relação direta e pessoal com o fato jurídico tributário é eleito pela lei para satisfazer a obrigação tributária. Assim, ele possui alguma espécie de vínculo indireto relativamente ao fato jurídico tributário ou ao contribuinte. A causa para a criação de normas de responsabilidade tributária tem natureza de arrecadação, em que, por motivos de conveniência e necessidade, a lei elege um terceiro para ser o responsável pelo pagamento do tributo, em caráter pessoal, subsidiário ou solidário. O art. 124 do CTN, por sua vez, trata da responsabilidade solidária das pessoas expressamente designadas por lei e das que tiverem interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal, sendo ele aqui apontado como supedâneo legal nos termos de responsabilização por crédito tributário. Frisese que o objetivo do legislador ao instituir a responsabilidade tributária, foi assegurar à Fazenda Pública o efetivo recebimento dos créditos devidos, em situações que o contribuinte se tornar pouco acessível a cobrança, ou o tributo não puder ser normalmente pago. É fato que, como regra, o tributo deve ser cobrado da pessoa que pratica o fato gerador. Nessas condições, surge o sujeito passivo direto (contribuinte). Em certos casos, no entanto, o Estado pode ter necessidade de cobrar o tributo de uma terceira pessoa, que não o contribuinte, que será o sujeito passivo indireto (“responsável tributário”). Não se discute aqui que a DA VINCI é a contribuinte e sujeito passivo direta da relação obrigacional tributária, relação essa gerada após a ocorrência de Fl. 11303DF CARF MF Processo nº 16004.720176/201657 Acórdão n.º 1401003.046 S1C4T1 Fl. 11.304 76 um fato gerador presumido por lei, mas confirmado diante da inexistência de questionamento ou desfazimento da presunção legal (relativa). Entretanto, o CTN (Lei Complementar), atribui hipóteses em que, tendo o objetivo de assegurar o recebimento do crédito, terceiros podem se tornar responsáveis. Exatamente o que ocorreu no caso concreto. Em análise da jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça, é possível verificar que a corte, de forma pacífica, entende que a aplicação do artigo 124, inciso I, do CTN só pode ocorrer quando o interesse comum na realização do fato gerador seja o interesse jurídico, que pressupõe a prática conjunta do fato, o que afasta a responsabilidade pela simples circunstância de uma sociedade pertencer ao mesmo grupo econômico de outra. Por outro lado, é interessante notar que os casos analisados pelo STJ, que levaram a formação deste entendimento, são bem antigos e não enfrentam o redirecionamento aos grupos econômicos de fato envolvidos em suspeita de fraude, simulações ou abuso de personalidade jurídica. O que se verifica é que a análise de casos mais complexos que envolvem grupos econômicos de fato, por vezes envolvidos em fraude, tem sido obstada pela aplicação cada vez mais alargada da Súmula 07, que impede o STJ de averiguar matéria de fato em Recurso Especial. Assim, independente da fundamentação das instâncias inferiores, a corte tem mantido as decisões sem adentrar no mérito. Como bem pontua o Ex Conselheiro Marcos Neder1: Importante ressaltar que o simples fato de pertencer a um grupo de sociedades não pode, por si só, levar a uma tributação solidária das empresas. A atribuição de responsabilidade tributária solidária a uma sociedade por fatos geradores praticados por outras empresas do grupo é excepcional e regulada restritivamente na lei tributária. Apenas quando uma sociedade tem comprovadamente interesse comum na situação que constitua o fato gerador será possível a imposição da responsabilidade solidária com base no art. 124 do Código Tributário Nacional (CTN). Vigora em nosso ordenamento a diretriz geral de preservação da autonomia jurídica dos integrantes do grupo de sociedades (personalidade própria) e da impossibilidade de a responsabilidade tributária transbordar da sociedade que realizou o fato gerador. (...) O fato jurídico suficiente à constituição da solidariedade não pode ser o mero interesse de fato, mas sim o interesse jurídico 1 https://www.jota.info/opiniaoeanalise/artigos/ocarfeasolidariedadetributarianogrupoeconomico 06052015 Fl. 11304DF CARF MF Processo nº 16004.720176/201657 Acórdão n.º 1401003.046 S1C4T1 Fl. 11.305 77 que surge a partir de direitos e deveres comuns entre pessoas numa mesma relação jurídica privada que constitui o fato gerador. Para isso, é indispensável o órgão aplicador comprovar o interesse comum na relação jurídica subjacente que serve como suporte para o surgimento do fato gerador do tributo. De fato, a análise do alcance e do conceito da terminologia "interesse comum" é absolutamente tormentosa, e não poderia ser mais vago. Alguns interpretes ao analisar de forma estrita o texto legal2 entendem que ao se referir ao interesse comum na situação que constitua o fato gerador, o CTN delimitou tal responsabilidade ao chamado interesse ou vínculo jurídico. E parece que foi essa linha que seguiu o STJ, ressaltando, é claro, que a referida corte firmou tal entendimento em situações menos complexas, e não tem adentrado ao mérito em novas análises. É difícil, para não dizer impossível, separar algumas situações em que o interesse econômico não dependa, necessariamente, do interesse jurídico na relação que constitua o fato gerador. Ou ainda, que tal interesse ou vínculo jurídico, também não resulte, necessariamente de um interesse no resultado econômico. De fato, a interpretação de tal dispositivo não pode ser tão alargada ao ponto de, aceitando a subjetividade do termo legal adotado, se atribuir de forma indiscriminada responsabilidade solidária a qualquer contribuinte que de alguma forma tenha obtido algum resultado econômico. Afinal, como se dizer que um fornecedor legítimo da autuada, não tenha interesse no sucesso da sua atuação (mesmo que indiretamente resultante de sonegação), para poder fornecer maiores volumes de mercadorias. Claro que este não é o objeto do legislador, e nem o meu entendimento. Entretanto, não vejo como restringir absolutamente a aplicação do dispositivo legal, a situações em que o responsável solidário tenha participado diretamente do fato ou situação que gerou o fato gerador. Quem participa diretamente de tal situação, é sempre o contribuinte de fato. 2 CTN Lei nº 5.172 de 25 de Outubro de 1966 Dispõe sobre o Sistema Tributário Nacional e institui normas gerais de direito tributário aplicáveis à União, Estados e Municípios. Art. 124. São solidariamente obrigadas: I as pessoas que tenham interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal; II as pessoas expressamente designadas por lei. Parágrafo único. A solidariedade referida neste artigo não comporta benefício de ordem. Fl. 11305DF CARF MF Processo nº 16004.720176/201657 Acórdão n.º 1401003.046 S1C4T1 Fl. 11.306 78 A participação do responsável é, e sempre será, indireta. Entretanto, necessário que exista nexo entre a conduta da devedora solidária e a suposta infração, não necessariamente a realização do próprio fato gerador. Exatamente por isso é necessário aferir caso a caso, a existência desse nexo, razão pela qual não se pode adotar de maneira indiscriminada a posição majoritariamente manifestada pelo STF. E nesse sentido, diante da grande incerteza quanto ao alcance de tal definição, como não poderia deixar de ser diferente, são várias as posições manifestadas em julgamentos deste CARF, não havendo um entendimento uníssono, até pela necessidade de avaliação dos fatos verificados e provas produzidas em cada caso. O CARF tem diversas decisões mantendo a responsabilidade solidária por interesse comum em situações em que exista fraude ou abuso de personalidade jurídica, confusão patrimonial, grupo econômico ou a demonstração de um nexo entre a atuação do solidário e a ocorrência da infração. Ressaltese, tal linha argumentativa não adota o entendimento restrito do mero interesse econômico, afinal de contas, como já me manifestei, entendo que toda e qualquer pessoa que tenha qualquer tipo de relação econômica com o contribuinte tem, de certa forma, interesse econômico. Entretanto, na análise de caso a caso outros fatos e provas confirmam o nexo, mesmo que indireto, do responsável solidário. É o caso do entendimento manifestado nos Acórdãos 1102001.102 (julgado em 06/05/2014) e 1102001.032 (julgado em 11/03/2014), do Conselheiro Ricardo Marozzi, no qual verificou que as pessoas físicas eram titulares de fato e beneficiárias dos recursos fornecidos pelo contribuinte, tendo interesse imediato na situação que constitui o fato gerador. Nessa linha, em havendo a confusão patrimonial, elas se beneficiaram diretamente e tinham interesse no fato que constitui o fato gerador. Também nesse sentido é o Acórdão 1102001.301 (julgado em 03/03/2015) do Conselheiro Ricardo Marozzi: RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA. SOLIDARIEDADE. INTERESSE COMUM. CONFUSÃO PATRIMONIAL.Caracteriza a confusão patrimonial de esferas pessoais típica do interesse comum previsto no artigo 124, I, do CTN, com a conseqüente responsabilização solidária, beneficiarse pela utilização da estrutura legal e da conta bancária de titularidade da empresa contribuinte. Fl. 11306DF CARF MF Processo nº 16004.720176/201657 Acórdão n.º 1401003.046 S1C4T1 Fl. 11.307 79 Seguindo a mesma linha da confusão patrimonial, o Conselheiro Marcos Takata no Acórdão 110300.188 (julgado em 18/05/2010), em que detectou confusão patrimonial nas atividades desenvolvidas por duas pessoas jurídicas. Outras situações também são ventiladas para fins de manutenção da responsabilidade solidária por interesse comum (fraude, abuso de direito, desconsideração de personalidade jurídica, etc), mas me limito à posição trazida por ser base do fundamento trazido pela acusação no seu TVF. Nesse sentido é que se faz necessário, verificar o nexo e a confusão patrimonial identificada pela autoridade fiscal. A comprovação do “interesse comum” a que se referem os Recorrentes não está restrito a uma simples prestação de declarações, como pretendem, mas sim a todo um comportamento e procedimentos fraudulentos que caracterizam plenamente o objetivo deliberado de descumprir com as obrigações tributárias formalmente em nome da empresa DA VINCI. Ora, se uma empresa não é localizada em seu endereço, fornecido à Administração Tributária ou à Junta Comercial, não responde às intimações, depreendese que seus sócios, deliberadamente, adotaram providências de forma que ela não possa mais responder por suas obrigações tributárias e fiscais, dificultando em muito a atividade da fiscalização. A prática de atos com excesso de poderes ou infração à lei, contrato social ou estatutos, torna pessoalmente e solidariamente responsável o agente pelos créditos tributários decorrentes. Vejamos o disposto no art. 135 do CTN, lembrando também, que incluemse neste rol, as pessoas enumeradas no art. 134 do CTN. Art. 135 São pessoalmente responsáveis pelos créditos correspondentes a obrigações tributárias resultantes de atos praticados com excesso de poderes ou infração de lei, contrato social ou estatutos: I as pessoas referidas no artigo anterior; II os mandatários, prepostos e empregados; III os diretores, gerentes ou representantes de pessoas jurídicas de direito privado. A conduta ilícita, excesso de poderes ou infração de lei, contrato social ou estatuto, deve ser reveladora de infração que exija a comprovação do dolo. O art. 135 contempla não somente os sócios (em virtude da remissão do seu inciso I às pessoas referidas no artigo anterior), mas também os mandatários, prepostos e empregados (inciso II) e os diretores, gerentes ou representantes Fl. 11307DF CARF MF Processo nº 16004.720176/201657 Acórdão n.º 1401003.046 S1C4T1 Fl. 11.308 80 de pessoas jurídicas de direito privado (inciso III), inclusive, a figura do administrador não sócio. A propósito da matéria, a Secretaria da Receita Federal e a Procuradoria Geral da Fazenda Nacional esclareceram através da mencionada Nota GT Responsabilidade Tributária nº1, de 17 de dezembro de 2010 o que segue: "................................................................ DAS HIPÓTESES DE RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA I Art. 124 do CTN 7. Neste dispositivo podem ser vislumbrados dois tipos de responsabilidade solidária: a de fato, capitulada no art. 124, inciso I, do CTN, quando há interesse comum, e a de direito, disposta no art. 124, inciso II, do CTN, que não exige a presença do interesse comum, mas precisa estar prevista em lei específica. 8. Abordarseá apenas a situação de que trata o inciso I (interesse comum), pois as hipóteses do inciso II estão expressamente previstas em lei, sendo de fácil identificação. Assim, visualizase interesse comum, por exemplo: Nos Grupos Econômicos – a jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça possui interpretação restritiva do art. 124, inciso I, pois entende que o interesse comum só ocorre se as empresas realizam a mesma atividade (REsp 834.044). Em razão disso, para caracterizar o interesse comum, a Fiscalização deve demonstrar a existência de um liame inequívoco entre as atividades desempenhadas pelos integrantes do grupo econômico, fazendo constar que as empresas têm apenas aparência de unidades autônomas, quando, na verdade, a atuação das empresas é complementar; ou, no caso em que ficar caracterizada confusão patrimonial, vinculação gerencial, coincidência de sócios e administradores, enfim, em todos os casos em que há abuso da forma entre as empresas integrantes do agrupamento. Enquadramse nessa hipótese as pessoas jurídicas que são sócias, de fato, de sociedade formalmente constituída, porquanto configuram um grupo econômico de fato. (...) VII Art. 135 do CTN 51. A Fiscalização deve incluir no lançamento de ofício todos os responsáveis, nos termos do art. 135 do CTN, de que tiver condições de comprovar o vínculo, pois o Parecer PGFN CRJ/CAT nº 55/2009 não refuta esse entendimento, tendo em Fl. 11308DF CARF MF Processo nº 16004.720176/201657 Acórdão n.º 1401003.046 S1C4T1 Fl. 11.309 81 vista que corresponde a uma orientação adotada pela PGFN no sentido da tese utilizada nos Tribunais. 52. Quanto à natureza dessa responsabilidade, nos termos do Parecer acima citado e da jurisprudência do STJ, não há dúvida tratarse de responsabilidade solidária. 53. No que diz respeito ao elemento subjetivo, o item 59 do Parecer afirma que a jurisprudência maciça do STJ caminha no sentido de que é o dolo gênero, e não dolo espécie. Logo, envolve dolo ou culpa. Os precedentes que ensejaram a Súmula 435 do STJ afirmam que compete ao sóciogerente demonstrar que não agiu com dolo, culpa, fraude ou excesso de poderes. Em razão desses argumentos, a Fiscalização pode enquadrar os sujeitos passivos nas hipóteses tratadas pelo artigo ainda que não consiga demonstrar o dolo. 54. Quanto ao fato gerador, este pode ser anterior à infração à lei. A Súmula 435 corrobora este entendimento. 55. Em relação ao excesso de poder, infração à lei, ao contrato social ou estatuto, é oportuno destacar: a) Infração ao contrato social ou estatuto – deve ser uma infração a texto expresso do contrato ou estatuto. Ex.: Desenvolver atividade expressamente proibida nos atos constitutivos e alterações. b) Excesso de poder –não precisa haver vedação. Basta não ter previsão no contrato. Ex. Sócio age como gerente, sem ser (a hipótese do art. 135 abrange inclusive o sócio de fato). c) Infração à lei – não precisa ser uma lei tributária, porém, deve ter conseqüências tributárias. 56. Observase que, se há multa qualificada, há responsabilidade pelo art. 135 do CTN, trazendo à responsabilidade os sócios do tempo do fato gerador.” 57. Se a pessoa jurídica foi constituída por interpostas pessoas, o lançamento das infrações apuradas deve ser com multa qualificada, pois foram alteradas características do fato gerador (sujeito passivo). Nesse caso, os reais administradores também respondem solidariamente com a pessoa jurídica. 58. Também configura hipótese de que trata o art. 135, a dissolução irregular. A Súmula 435 do STJ pacificou o entendimento no tocante à pessoa jurídica não localizada caracterizar dissolução irregular: "Presumese dissolvida irregularmente a empresa que deixar de funcionar no seu domicílio fiscal, sem comunicação aos órgãos competentes, legitimando o redirecionamento da execução fiscal para o sóciogerente". ................................................................................................. Fl. 11309DF CARF MF Processo nº 16004.720176/201657 Acórdão n.º 1401003.046 S1C4T1 Fl. 11.310 82 CONCLUSÕES 161. Em síntese, concluise: ............................................................ b) O art. 124 do CTN comporta dois tipos de responsabilidade solidária: a de fato (art. 124, I), que exige interesse comum, e a de direito (art. 124, II). Visualizase interesse comum, por exemplo: nos grupos econômicos, se constatadas situações de confusão patrimonial, vinculação gerencial, coincidência de sócios e administradores; .... .... k) O art. 135 trata de uma responsabilidade solidária. O elemento subjetivo é o dolo gênero, logo, envolve dolo ou culpa. Em relação ao fato gerador, este pode ser anterior à infração à lei. Se o lançamento de ofício é feito com multa qualificada, ocorre a responsabilidade solidária de que trata o art. 135, em relação aos sócios administradores à época do fato gerador. Se a pessoa jurídica foi constituída por meio de interpostas pessoas, o lançamento deve ser com multa qualificada e os reais administradores respondem solidariamente com a pessoa jurídica. A dissolução irregular também configura hipótese de que trata o art. 135. Configurase dissolução irregular a baixa nos órgãos de registro, quando são apurados débitos posteriormente, pois houve infração à lei societária. ............." Fixadas tais premissas, passo a analisar as arguições específicas a respeito da aplicação da responsabilidade tributária para cada um dos recorrentes. Ilegitimidade Passiva dos Responsáveis: Em relação à imputação de responsabilidade solidária aos administradores da empresa em razão da hipótese do art. 135, III, do CTN, os responsáveis solidários, além de repisarem parte dos argumentos apresentados pela autuada, apresentam motivo específicos em relação à impossibilidade de solidarização. Passemos à análise da responsabilização. Os recursos iniciam pretendendo fazer com se desconsidere os fatos da operação lavajato apresentados pela fiscalização para basear a decisão. Informa que a empresa somente foi objeto de uma ação penal e, assim, as considerações acerca da operação não poderiam ser levadas em consideração na análise da turma. Efetivamente assiste razão aos responsáveis neste ponto. Na verdade o tratamento penal dado aos fatos que resultaram na presente autuação não tem o condão de refletir na análise das imposições tributárias nem a responsabilidade sobre estas. Na verdade, Fl. 11310DF CARF MF Processo nº 16004.720176/201657 Acórdão n.º 1401003.046 S1C4T1 Fl. 11.311 83 nesta Turma julgadora processos relativos à operação Lavajato já foram apresentados e objeto de análise, na qual consideramos não os fatos mais do que narrados nos noticiários, mas sim as provas e elementos trazidos à colação. Por isso, considero estas alegações como lembrete a esta turma, da qual informo, desde já, que a análise dos recursos apresentados, ocorrerá apenas levando em consideração as provas colacionadas aos autos. Assim, passemos à análise dos recursos dos responsáveis. Não preenchimento dos requisitos de solidarização. Equívocos cometidos pela DRJ. Falta de ingerência dos recorrentes na parte tributária e financeira da empresa. Alega que o TDF não apresenta fatos específicos em relação a cada um dos responsáveis apontados e não apresenta nenhum documento assinado pelos mesmos capaz de autorizar a aplicação da responsabilização solidária. Alega que o TDF utiliza expressões genéricas para imputar a responsabilidade solidária. Entende que para se imputar a responsabilidade solidária deveriam ocorrer os seguintes fatos: Alega que caberia à fiscalização provar o dolo, o fato praticado e o nexo de causalidade entre o fato e o ilícito. Alega que a simples dedução indevida de despesas não resulta na obrigação tributária mas apenas reduz o montante a pagar. Alega que a sonegação fiscal é absolutamente incompatível com a aplicação do instituto do art. 135, posto que o ato deve ser praticado cronologicamente antes do surgimento da obrigação. De início cabe destacar que não concordo com a argumentação dos recorrentes neste ponto. Não se trata de simples sonegação fiscal como quer fazer crer a defesa. Na verdade se trata de dedução de despesas fictícias, de negócios inexistentes que foram indevidamente utilizadas na dedução das bases de cálculo do IRPJ e da CSLL, que, ao final, acarretaram na sonegação fiscal. Ou seja não se trata de sonegação pura e simples como a do contribuinte que realiza venda sem nota. Tratase de um conjunto de atos dolosos para encobrir negócios que não podem ser feitos à vista de todos e que, ainda mais, são utilizados na redução dos tributos devidos. Ou seja, não é a simples sonegação fiscal que está sendo utilizada como base para a responsabilização dos indivíduos. É o conjunto dos atos dolosos e ilegais que acabam por resultar em sonegação de tributos. Por isso, de início não entendo plausíveis esses argumentos de defesa que tentam reduzir a uma mera sonegação todo o conjunto de atos apresentados pela fiscalização. Fl. 11311DF CARF MF Processo nº 16004.720176/201657 Acórdão n.º 1401003.046 S1C4T1 Fl. 11.312 84 Passemos, agora, a verificar a individualização da responsabilidade de cada imputado. De início cabe indicar que todos os responsáveis foram imputados em razão de deterem posição de administradores da empresa e, assim, sua responsabilidade foi atribuída em razão da norma do art. 135, III, do CTN. Genericamente os recorrentes alegam que a empresa realizou pagamentos a mais de 3200 fornecedores nos anos da autuação e, assim, seria impraticável que auditasse cada um deles a fim de verificar a regularidade. Repete s mesmas alegações já utilizadas quando da contestação da autuação do IRPJ/CSLL e do IRRF. Entende que é ilegítima a imputação de responsabilidade solidária porque o TVF não indicou individualizadamente os atos praticados pelos imputados, nem documentos assinados que demonstrem a realização de atos praticados com infração à lei capazes de desencadear as consequências do art. 135, III, do CTN. Alega que a jurisprudência do CARF é pacífica no sentido de que tem de haver a descrição individualizada dos fatos imputados a cada administrador. Entretanto apresenta apenas um precedente neste sentido e não uma jurisprudência pacificada. Alega que o texto legal determina que a responsabilidade tributária só decorra de "atos praticados" o que exige a demonstração de algum ato específico, o que não ocorre no caso. Decorre daí que entende que devem ocorrer duas caracterizações para poder viabilizar a imputação da responsabilidade: 1) a comprovação de que foi praticado um ato ilícito; 2) a demonstração do nexo de causalidade entre o ato ilícito e o surgimento da obrigação tributária. Alega que os responsáveis apontadas não tinham ingerência na parte tributária, contábil e financeira da empresa. Mesmo que a glosa de despesas seja mantida são atos imputados exclusivamente à empresa e não aos administradores. Entende que mesmo em relação ao IRRF a realização dos pagamentos é que pode ser considerado o ato ilícito, mas que não há vinculação destes pagamentos com a atuação dos responsáveis. Alega que a imputação da responsabilidade para três administradores enquanto a empresa tem muitos outros mais indica a falta de critério da fiscalização ou que apenas indicou os responsáveis em face da condenação dos três em ação penal. Entende, desta maneira, que não pode a fiscalização simplesmente trasladar o que foi decidido na esfera criminal para a esfera tributária em razão de que as duas instâncias são independentes e, além disso, os fatos que geraram a decisão criminal são distintos dos fatos constatados na seara tributária. Alega, ainda, que as razões da DRJ para manter a imputação são inconsistentes vez que apenas um único contrato assinado pelos recorrentes consta do processo e este se refere a contrato com empresa que não é uma das relacionadas às irregularidades de pagamentos. Fl. 11312DF CARF MF Processo nº 16004.720176/201657 Acórdão n.º 1401003.046 S1C4T1 Fl. 11.313 85 Alega que a simples assinatura de contratos e o pagamento de despesas não são suficientes para a caracterização da responsabilidade vez que dizem respeito à esfera criminal e não à tributária para fins de responsabilização, haja vista que não são atos infracionais de per si. As alegações, acima apresentadas merecem alguns comentários a saber: 1. Imputação impossível. Se, como pretende a defesa dos recorrentes, for necessário que exista algum ato por escrito, assinatura de contrato, ordem expressa, etc a demonstrar a atuação dos indivíduos de modo a fazer incidir a norma do art. 135, III, do CTN, tornariase praticamente impossível a imputação de responsabilidade solidária a qualquer administrador, gerente ou preposto da empresa. Ora, sejamos sensatos, este relator já trabalhou em empresas multinacionais, com estrutura inclusive maior do que a apresentada pela defesa em relação ao autuado. Nessas empresas as determinações e orientações de proceder partem, sem sombra de dúvida da diretoria da empresa. A pensar da forma como tratada pela defesa os recorrentes, na função de diretores da empresa, não tinham qualquer participação na orientação e direção do desenvolvimento da empresa. O simples fato de se dizer que eles não tinham participação na decisão sobre a parte contábil, financeira e tributária não lhes exonera o ônus de participar dos processos decisórios da empresa, mais ainda nos casos em que estamos tratando. Toda a autuação levada a efeito neste processo, quer a relativa à realização de pagamentos a beneficiários não identificados, sem comprovação ou sem causa, ou em relação à dedução indevida destas despesas na apuração do IRPJ e CSLL devidos decorre de atos simulados, com fraude à lei na tentativa de ocultar o pagamento de valores a beneficiários de esquemas de venda de serviços que, de forma clara e transparente não poderia ser realizados, posto que relativos a atos de corrupção. Neste sentido a ação da empresa era a de realizar acordos com autoridades, dirigentes de estatais e intermediários de modo a simular a realização de prestação de serviços com vistas a habilitar o pagamento a empresas constituídas apenas para intermediar o envio destes recursos. Assim, as notas fiscais sem fundamente na realidade eram emitidas e pagas regularmente pela empresa, sabendo esta que aqueles serviços não existiam e que os valores pagos se destinavam a terceiros que não podiam ser identificados. Como se exigir que exista qualquer ato assinado pelos imputados para justificar a responsabilização solidária? Somente num mundo imaginário pretendido pela defesa os diretores iriam apor assinaturas em contratos ou ordenar pagamentos por escrito em relação a estes gastos sabendo, de antemão, que se tratava de um ficção criada para acobertar ilícitos penais que redundavam em ilícitos tributários. É o mesmo que ocorre nos casos daqueles que recebem dinheiro oriundo de corrupção. Sabendo que o dinheiro ou bens não são lícitos, procura os deixar em nome de terceiros ou transformálos em bens que não deixam registro a fim de não serem imputados Fl. 11313DF CARF MF Processo nº 16004.720176/201657 Acórdão n.º 1401003.046 S1C4T1 Fl. 11.314 86 pelo recebimento de vantagens ilícitas. Se também nestes casos fosse exigido que houvessem bens em nome do imputado jamais nenhum cidadão brasileiro seria condenado por corrupção, posto que não havendo bens em seu nome, como se poderia condenarlhes. Não aceito esta lógica, até mesmo por conhecimento próprio de como funcionam as ações deste tipo em empresas de grande porte. Trabalhei em multinacional que atuava em mercado de concorrência bastante restrita. Nesta empresa, mensalmente dois diretores participavam de reunião com, pasmem, representantes de outros dois grupos concorrentes. O objetivo desta reunião? demarcar mercados e estabelecer preços de venda. Infelizmente não posso divulgar a empresa pois não tenho como provar o alegado, mas com certeza estes atos acontecem até hoje em dia. Alguém em são consciência acha que existe algum registro por escrito destas reuniões? Existiria alguma ata ou ordem da diretoria determinando que conforme acerto o preço dos produtos será XXX ou que o mercado a ser atingido se restringe a apenas tal área? Evidentemente que não. Este tipo de acordo não é feito à luz do dia. Este tipo de acordo, assim como os que originaram os atos praticados que desembocaram neste processo, não deixa registro algum, nem assinatura, nem ata, nem ordem. Tudo é feito para burlar a concorrência com vistas a obter mais e maiores contratos é feito às escondidas, longe da luz do sol. Exigirse que a fiscalização apresente provas por escrito do envolvimento dos imputados nestes processos é exigir prova impossível. É carimbar a inimputabilidade dos dirigentes de empresas privadas. Estes poderiam acertar todo o tipo de conduta ilegal com a única condição de não serem acusados. NÃO DEIXAR VESTÍGIOS POR ESCRITO. Inobstante os robustos argumentos apresentados na peça de defesa, esta construção lógica não pode se sustentar diante da realidade dos fatos, do que foi apresentado ao público no âmbito da operação lavajato e, mais do que tudo, diante das provas coligidas neste processo em relação ao montante de recursos que foram pagos irregularmente a empresas ou serviços inexistentes. 2. Da Imputação apenas sobre a Diretoria Corporativa Devemos ainda ressaltar que a defesa muito fala que a atuação de um ou de outro imputado ou se restringia à diretoria de Óleo e Gás, ou era diretorpresidente, mas que apenas seguia as ordens do Conselho de Administração ou que, sendo membro do Conselho de Administração, não participava da direção da empresa. Contudo, pisa e repisa que os imputados não tinham ingerência sobre a diretoria corporativa que era a diretoria responsabilidade pela parte contábil, tributária e fiscal da empresa. Ou seja, à seguirmos a orientação do pensamento recursal, apenas os diretores do segmento corporativo poderiam ser responsabilizados pela realização de pagamentos irregulares e consequente dedução destes das bases de cálculo do IRPJ e CSLL. Todos os demais dirigentes da empresa jamais poderiam ser imputados. Quanto a isso temos também outro argumento apresentado pela empresa de que a prova de que a imputação de responsabilidade está equivocada reside no fato de que só foram imputados três dirigentes, enquanto que a empresa possuía muitos outros. Pela leitura do Fl. 11314DF CARF MF Processo nº 16004.720176/201657 Acórdão n.º 1401003.046 S1C4T1 Fl. 11.315 87 argumento da defesa, para que se sustentasse a acusação deveriam ser imputados todos os diretores da empresa. Neste ponto até que poderia ter razão o argumento da defesa, se não fosse insuficiente para desqualificar a imputação. Ora, se podiam ser imputados como responsáveis todos os dirigentes da empresa, então nenhuma irregularidade há em se imputar apenas os três indicados pela fiscalização. Afinal, se quem pode o mais (imputar todos) pode o menos (imputar apenas alguns) não havia irregularidade no fato da fiscalização ter imputado apenas alguns dirigentes, desde que motivado o ato. A motivação foi feita a partir da indicação das atas de assembleias da empresa que elegeram os imputados como diretores, assim, o ato de responsabilização não seria, de antemão, irregular. No que tange ao argumento de que os referidos diretores não participavam das decisões da diretoria corporativa e, assim, estes não poderiam ser imputados de forma alguma, não entendo ser cabível este argumento. A ação de uma diretoria responsável pela administração financeira e contábil da empresa não tem qualquer ingerência sobre a formação de contratos e pagamentos irregulares. Ora vejamos como funciona a contratação de fornecedores e o pagamento de recursos numa empresa grande. a) A diretoria operacional, que pode ser inclusive a de Óleo e Gás, identifica a necessidade de serviços e busca um fornecedor para a sua realização; b) É realizada a análise da capacidade operacional e/ou financeira do fornecedor ou prestador de serviços antes da formalização do contrato; c) Após a escolha do fornecedor é assinado o contrato com o mesmo. O contrato pode ser assinado por supervisores, gerentes ou diretores, conforme seja o valor contratado; d) O serviço é realizado sob a fiscalização da diretoria que foi responsável pela requisição dos serviços. Após a realização dos serviços a nota fiscal e o comprovante da prestação com o ateste do responsável pela fiscalização do serviço são enviados para autorização de pagamento; e) Apenas depois desta autorização é que a nota fiscal é encaminhada à contabilidade para a realização do pagamento, contabilização, etc. Ou seja, não é possível se atribuir toda a responsabilidade pelas infrações tributárias apenas à diretoria corporativa. Afinal esta não tem qualquer ingerência na contratação e fiscalização dos serviços. Temos assim, que dado este fluxograma de atividades que, com algumas variações, é o normal no tipo de empresa de grande porte como é a deste processo, fica claro que a responsabilidade pela contratação de serviços inexistentes e o pagamento destes serviços àqueles que foram, em última medida, responsáveis apenas pelo repasse dos recursos, é sempre daqueles que tem ingerência sobre as operações praticadas pela empresa e não apenas a diretoria responsável pela parte financeira e tributária. Fl. 11315DF CARF MF Processo nº 16004.720176/201657 Acórdão n.º 1401003.046 S1C4T1 Fl. 11.316 88 Assim, é perfeitamente possível a imputação da responsabilidade a qualquer dos dirigentes da empresa que participavam das decisões sobre a atividade operacional da empresa. 3. Mesmo que houvesse assinaturas, não poderia haver imputação Como último ponto que merece destaque vamos nos quedar na análise dos argumentos no que tangem a informar que, mesmo que houvesse a assinatura dos imputados em contratos de serviço, estes, por não se relacionarem à esfera tributária, por serem meras autorizações para pagamentos, não poderiam por si próprios constituir infração tributária para fins de responsabilização na forma do at. 135, III, do CTN Nestes argumentos a defesa entende, com letras bem mais adequadas ao seu interesse, que a existência de contratos com fornecedores inexistentes, por serviços inexistentes e com objetivos claramente ilegais, somente pode provocar repercussão na esfera criminal, mas não na esfera tributária, vez que a ilegalidade criminal não repercute automaticamente na esfera tributária pois estes atos não seriam infrações tributárias. Me desculpem os nobres patronos dos responsáveis, mas não consigo entender este raciocínio. Vejam atentamente. A tributação da empresa relativa ao IRPJ e à CSLL incide sobre os ganhos tributáveis da empresa, apurados com base no resultado do exercício. O que é o resultado tributável do exercício? É o confronto entre as receitas auferidas pela empresa e todos os demais rendimentos, com os custos da operação e todas as demais despesas dedutíveis. Assim, a base tributável é obtida após a dedução das despesas realizadas. No momento em que entre as despesas realizadas pela empresa encontramse despesas realizadas com serviços inexistentes, ou fornecedores inexistentes ou com destinos sabidamente ilegais toda a apuração do resultado da empresa encontrase contaminada. A contabilidade tem de refletir a realidade patrimonial da empresa e não acobertar os atos que ilicitamente pratica no desenvolvimento de suas atividades. Acaso aceitássemos estes argumentos de que os possíveis ilícitos criminais não trazem repercussão tributária, estaríamos aceitando que poderiam ser deduzidos como despesas da empresa todos os pagamentos ilegais, ou seja, suborno, propina, seriam contabilmente aceitos posto que a irregularidade destes somente teria repercussões na esfera criminal. Por óbvio que este pensamento não pode se sustentar. Vivemos em um Estado Democrático de Direito e a todos os cidadãos e empresas é obrigatório seguir as normas legais e constitucionais. Estabelece nossa constituição os seguintes princípios da atividade econômica. TÍTULO VII DA ORDEM ECONÔMICA E FINANCEIRA Fl. 11316DF CARF MF Processo nº 16004.720176/201657 Acórdão n.º 1401003.046 S1C4T1 Fl. 11.317 89 CAPÍTULO I DOS PRINCÍPIOS GERAIS DA ATIVIDADE ECONÔMICA Art. 170. A ordem econômica, fundada na valorização do trabalho humano e na livre iniciativa, tem por fim assegurar a todos existência digna, conforme os ditames da justiça social, observados os seguintes princípios: I soberania nacional; II propriedade privada; III função social da propriedade; IV livre concorrência; V defesa do consumidor; VI defesa do meio ambiente, inclusive mediante tratamento diferenciado conforme o impacto ambiental dos produtos e serviços e de seus processos de elaboração e prestação; (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 42, de 19.12.2003) VII redução das desigualdades regionais e sociais; VIII busca do pleno emprego; IX tratamento favorecido para as empresas de pequeno porte constituídas sob as leis brasileiras e que tenham sua sede e administração no País. (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 6, de 1995) Parágrafo único. É assegurado a todos o livre exercício de qualquer atividade econômica, independentemente de autorização de órgãos públicos, salvo nos casos previstos em lei. Assim, de pronto vislumbrase que os atos praticados pela empresa com vistas a dividir mercados e ilidir a concorrência constituem infrações que direta ou indiretamente ofendem aos princípios da livre concorrência e à defesa do consumidor. Seguindose os princípios constitucionais, temos as leis que defendem a livre concorrência e o consumidor que estabelecem limites à atuação empresarial, quando esta provoca danos à concorrência e ao consumidor. Ora, estes atos que a defesa entendem que são simples irregularidades que só podem ter repercussão na esfera criminal são atos que ofendem princípios constitucionais e diversas normas legais. Se a realização destes atos se demonstra na realização de pagamentos irregulares, que encobrem a existência de ilegalidades cometidas pela empresa contra o Poder Público, a concorrência e os consumidores, estes pagamentos são ilegais, deduzem ilegalmente a apuração do resultado do exercício e das bases tributáveis do IRPJ e CSLL e, desta forma, repercutem sim na esfera tributária. Não posso entender essa separação que quer fazer a defesa em relação à não extensão para a esfera tributária das irregularidades constatadas na esfera criminal. Por óbvio Fl. 11317DF CARF MF Processo nº 16004.720176/201657 Acórdão n.º 1401003.046 S1C4T1 Fl. 11.318 90 não existe uma extensão automática, mas também por óbvio, não há de se negar que as irregularidades nas despesas repercutiam (no passado) na esfera tributária ao reduzir indevidamente o resultado do exercício, quer seja reduzindo o lucro, quer seja aumentando o prejuízo, ou seja, a repercussão tributária ocorreu e, assim, é plenamente cabível a responsabilização imputada aos diretores da empresa. Por isso, não concordo com os argumentos genéricos apresentados pela defesa que tentam infirmar a possibilidade de responsabilização solidária dos dirigentes. Vejamos os recursos individualizados. Alega que o Sr. Dário no período de 2011 a 2013 era apenas membro do Conselho de Administração da companhia e não diretor, daí inexistir possibilidade de reponsabilização ao mesmo por não exercer cargo gerencial ou administrativo. Em relação ao Sr. Jean alega que entre 09/09/2011 e 31/12/2013 este exercia apenas função de membro do Conselho de Administração. SR. ERTON MEDEIROS FONSECA art. 135, do CTN Atuação limitada à parte operacional de òleo e gás. Alega a defesa que a atuação do Sr. ERTON atuava apenas na diretoria de Óleo e Gás na execução de projetos e que não tinha nenhum ingerência na área tributária, contábil ou financeira da empresa. Entende, assim, que sendo independentes as diretorias, este não poderia ter nenhuma ingerência sobre as atividades tributárias, contábil ou financeira, tarefa que era de exclusiva responsabilidade da diretoria corporativa. Alega que o Sr. ERTON jamais constou como responsável legal da empresa perante a Receita Federal. Por isso conclui que o fato de este ter sido responsabilizado decorre unicamente do fato de ter sido condenado na ação penal, conforme já anteriormente apresentado. Dados os argumentos acima e diante da nossa exposição anterior temos que, em relação ao fato de o Sr. ERTON ser diretor de Óleo e Gás e que, assim não teria ingerência sobre a diretoria corporativa não impede a sua responsabilização. Conforme já apresentado acima, a responsabilidade pela contratação das empresas, sua fiscalização e o pagamento dos valores é das diretorias operacionais da empresa, aí incluída a diretoria de Óleo e Gás, à qual o Sr. ERTON era o diretor. Nesse sentido, não nos parece crer que a existência de serviços simplesmente inexistentes ou empresas igualmente inexistentes, recebendo recursos que sabidamente seriam desviados para outras finalidades e que foram destinadas quantias que chegaram à casa dos milhões de reais pudesse ser realizado sem a anuência da diretoria de Óleo e Gás. O vulto destas operações impediria que os contratos pudessem ser celebrados e as empresas escolhidas sem o conhecimento da diretoria da empresa, mais ainda quando estes atos visavam a objetivos maiores da empresa. Fl. 11318DF CARF MF Processo nº 16004.720176/201657 Acórdão n.º 1401003.046 S1C4T1 Fl. 11.319 91 Conforme já extensamente apresentamos neste voto. Não se pode exigir algum documento escrito para que se possa realizar a imputação da responsabilidade solidária com base no art. 135, III, do CTN. Os ilícitos praticados são do tipo que as pessoas simplesmente tomam todos os cuidados para não deixar possibilidade de rastreamento. Por isso é impraticável se exigir a apresentação de atos formais para responsabilizar os administradores da empresa. O conhecimento deste tipo de ato é inerente à direção da empresa posto que são atos que atendem a interesses maiores de atuação da empresa como um todo. Vejase, nenhum supervisor ou gerente de menor escalão da empresa poderia contratar e autorizar pagamentos vultosos sem o conhecimento da diretoria, isso simplesmente porque é incondizente com a realidade de controles que existem em grandes empresas que, por ter estrutura avantajada, detém processos de decisão e controles de modo a minorar as falhas, os desperdícios e evitar danos patrimoniais. Por isso, querer fazer crer que a diretoria da empresa não tinha nenhum, repito, NENHUM, conhecimento sobre as irregularidades praticadas parece ser um entendimento ingênuo demais para que se possa acreditar. Sendo assim, em razão da norma do art. 135, III, que determina a responsabilização solidária entendo que agiu bem a decisão de piso no que manteve a responsabilidade solidária do Sr. ERTON, razão pela qual nego provimento ao recurso neste ponto. Sr. JEAN ALBERTO LUSCHER CASTRO art. 135 do CTN Não praticou ato com infração à lei. Além de iniciar informando que o Sr. JEAN. não praticou nenhum ato com infração á lei, alega que apenas exerceu cargos na diretoria da empresa até 09/09/2011, quando passou a exercer cargo de membro do Conselho de Administração, não mais exercendo função de diretoria. Alega ainda que mesmo neste período, o Sr. JEAN exerceu o cargo de diretor presidente da divisão Brasil da Galvão Engenharia. Por esta razão apenas geria indiretamente as unidades de negócio da empresa. Alega que responsabilizálo por qualquer irregularidade praticada pela empresa apenas em razão do seu cargo não é admissível, muito menos sem a indicação de qualquer ato por ele cometido. Alega que o imputado não era responsável pela gestão tributária, financeira e contábil da empresa. Que também nunca foi representante legal da empresa perante a Receita Federal. Desnecessário repisar todos os itens já acima apresentados com relação ao SR. Erton. No que tange ao Sr. JEAN a única razão que foi admitida pela Delegacia de Julgamento para excluir parcialmente a responsabilidade solidária para os períodos posteriores Fl. 11319DF CARF MF Processo nº 16004.720176/201657 Acórdão n.º 1401003.046 S1C4T1 Fl. 11.320 92 a 09/09/2011, decorreu do fato de a partir desta data o responsável ter assumido cargo no Conselho de Administração da companhia. Estabelece a Lei nº 6.404/76 as seguintes competências para o Conselho de Administração: Art. 142. Compete ao conselho de administração: I fixar a orientação geral dos negócios da companhia; II eleger e destituir os diretores da companhia e fixarlhes as atribuições, observado o que a respeito dispuser o estatuto; III fiscalizar a gestão dos diretores, examinar, a qualquer tempo, os livros e papéis da companhia, solicitar informações sobre contratos celebrados ou em via de celebração, e quaisquer outros atos; IV convocar a assembléiageral quando julgar conveniente, ou no caso do artigo 132; V manifestarse sobre o relatório da administração e as contas da diretoria; VI manifestarse previamente sobre atos ou contratos, quando o estatuto assim o exigir; VII deliberar, quando autorizado pelo estatuto, sobre a emissão de ações ou de bônus de subscrição; (Vide Lei nº 12.838, de 2013) VIII autorizar, se o estatuto não dispuser em contrário, a alienação de bens do ativo permanente, a constituição de ônus reais e a prestação de garantias a obrigações de terceiros; VIII autorizar, se o estatuto não dispuser em contrário, a alienação de bens do ativo nãocirculante, a constituição de ônus reais e a prestação de garantias a obrigações de terceiros; (Redação dada pela Medida Provisória nº 449, de 2008) VIII – autorizar, se o estatuto não dispuser em contrário, a alienação de bens do ativo não circulante, a constituição de ônus reais e a prestação de garantias a obrigações de terceiros; (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009) IX escolher e destituir os auditores independentes, se houver. Efetivamente, ao se desincumbir do cargo de direção da empresa e ser eleito para cargo no Conselho de Administração o responsável deixou de participar da administração da empresa e, assim, deixa de ser possível a sua responsabilização para o período em que compunha o referido Conselho. Quanto ao período anterior, no qual o mesmo exercia cargo na diretoria da divisão Brasil da Galvão Engenharia aplicamos a mesma lógica já apresentada para a análise da Fl. 11320DF CARF MF Processo nº 16004.720176/201657 Acórdão n.º 1401003.046 S1C4T1 Fl. 11.321 93 responsabilidade do Sr. JEAN. Desta forma, entendemos que deve ser mantida a responsabilidade solidária do mesmo em relação ao período anterior a 09/09/2011. Sr. DÁRIO DE QUEIROZ GALVÃO FILHO art. 135 do CTN Não era diretor na época dos fatos, apenas membro do conselho de administração Repisa apenas a argumentação apresentada e aceita pela DRJ de que o Sr. DÁRIO não exercia, à época dos fatos geradores da autuação, nenhum cargo de gerência, administração ou de representação da empresa. Ratifica que desde 01/01/2010 passou a exercer cargo de membro do Conselho de Administração da Companhia, não mais desempenhando nenhuma função de diretoria. Salientese que, tecnicamente, não haveria necessidade de apresentação do recurso voluntário por parte do Sr. Dário, haja vista que sua responsabilidade foi totalmente excluída pela Decisão de Piso, no entanto, como também devemos realizar a análise do recurso de ofício apresentado pela Decisão de Piso, vamos nos ater ao presente como contrarazões ao recurso de ofício. Vejamos o que a DRJ alegou para a exclusão da responsabilidade solidária. 1. Da alegada Ilegitimidade passiva do Sr. Dário de Queiroz Galvão Filho, membro do Conselho de Administração à época dos fatos geradores e do Sr. Jean Alberto Luscher Castro, o qual exerceu a função de diretor até 08/09/2011. Conforme relatado, os impugnantes consideram impossível a responsabilização pessoal do Sr. Dario de Queiroz Galvão Filho, com base no artigo 135, inciso III, do CTN. Isso porque, à época do fato gerador da autuação, ele não desempenhava as funções de diretor, gerente ou representante de Galvão Engenharia. Nesse ponto assiste razão aos impugnantes. A partir de 04/01/2010, conforme documento anexo à presente impugnação (doc. 02), não há provas de que o Sr. Dário desempenhava atividades de direção, gerência ou representação da Galvão Engenharia, o que o leva à exclusão da responsabilidade solidária prevista no art. 135, inciso III, do CTN. Em relação ao Sr. Jean Alberto Luscher Castro (doc. 03), após 08/09/2011, segundo os impugnantes, permaneceu na Galvão Engenharia como membro do Conselho de Administração. Fl. 11321DF CARF MF Processo nº 16004.720176/201657 Acórdão n.º 1401003.046 S1C4T1 Fl. 11.322 94 Nesse ponto também assiste razão aos impugnantes. Como membro do Conselho de Administração não pode sobre este incidir a responsabilidade do art. 135, inciso III, do CTN, aplicável a quem desempenhar atividades de direção, gerência ou representação. Nesse sentido, é pacífica a jurisprudência do Egrégio STJ, com síntese na a ementa a seguir transcrita. PROCESSUAL TRIBUTÁRIO. MEDIDA CAUTELAR FISCAL. INDISPONIBILIDADE DOS BENS DOS SÓCIOS INTEGRANTES DO CONSELHO DE ADMINISTRAÇÃO. LEI 8.397/92. RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO DE EXCESSO DE MANDATO, INFRAÇÃO À LEI OU AO REGULAMENTO.(sem destaque no original) 1. É assente na Corte que o redirecionamento da execução fiscal, e seus consectários legais, para o sóciogerente da empresa, somente é cabível quando reste demonstrado que este agiu com excesso de poderes, infração à lei ou contra o estatuto, ou na hipótese de dissolução irregular da empresa (Precedentes: REsp n.º 513.912/MG, Rel. Min. Peçanha Martins, DJ de 01/08/2005; REsp n.º 704.502/RS, Rel. Min. José Delgado, DJ de 02/05/2005; EREsp n.º 422.732/RS, Rel. Min. João Otávio de Noronha, DJ de 09/05/2005; e AgRg nos EREsp n.º 471.107/MG, deste relator, DJ de 25/10/2004). (...) 7. Em se tratando de responsabilidade subjetiva, é mister que lhe seja imputada a autoria do ato ilegal, o que se mostra inviável quando o sócio sequer era administrador da sociedade à época da ocorrência do fato gerador do débito tributário pendente de pagamento.(...)" (REsp 197278/AL, Relator Ministro Franciulli Netto, Segunda Turma, DJ de 24.06.2002) 7. In casu, verificase que a decretação da indisponibilidade dos bens dos sócios baseouse, tãosomente, no fato de integrarem o Conselho de Administração da Olvepar S.A. Indústria e Comércio, "com competência para fiscalizar a gestão dos diretores, através de exame de livros e documentos da sociedade, bem como, para solicitar informações sobre contratos celebrados, incluindo se o presente Contrato de Benefício Fiscal concedido à referida empresa por intermédio do PRODEI (Programa de Desenvolvimento Industrial do Estado)", o que configura ofensa ao artigo 135, do CTN (REsp 722.998/MT, Rel. Ministro LUIZ FUX, PRIMEIRA TURMA, julgado em 11/04/2006, DJ 28/04/2006, p. 272). Portanto, neste item, voto por : (1) excluir do pólo passivo o Sr. Dario de Queiroz Galvão Filho; e (2) excluir o Sr. Jean Alberto Luscher Castro em relação aos fatos geradores ocorridos entre 09 de setembro de 2011 e 31 de dezembro de 2013. Transcrevi aqui todo o trecho do voto da Delegacia de Julgamento porque entendi suficientes para formar o meu convencimento neste ponto, além do que já tratei acima Fl. 11322DF CARF MF Processo nº 16004.720176/201657 Acórdão n.º 1401003.046 S1C4T1 Fl. 11.323 95 neste voto em relação à impossibilidade de responsabilização solidária para membros do Conselho de Administração, haja vista que estes não possuem poder de direção na empresa. Assim, nego provimento ao recurso de ofício em relação à exclusão da responsabilidade do Sr. DÁRIO. Subsidiariamente Incompatibilidade de exigência do IRRF com a norma do art. 135, III, do CTN Em relação à imputação de responsabilidade solidária relativa ao IRRF, entende ser incompatível com a norma do art. 135, III, em razão de à fonte pagadora ser atribuída responsabilidade exclusiva pelo recolhimento do tributo, assim, esta responsabilidade não poderia ser imputada a outros responsáveis. No que tange à essa pretensa incompatibilidade que a defesa apresenta relativa ao fato de a norma determinar que a responsabilidade é exclusiva da fonte pagadora em relação ao recolhimento do tributo, entendo que também não assiste razão aos recorrentes. A Delegacia de julgamento bem explorou a referida alegação em sede de análise da impugnação demonstrando que o fato de a norma determinar que a responsabilidade é exclusiva sobre a fonte pagadora não implica dizer que não pode haver a imputação de responsabilidade solidária aos administradores. Transcrevo, abaixo, trechos do voto da Decisão de Piso que bem demonstram este entendimento. Examinando o alcance da norma supra, a ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional, no Parecer PGFN/CRJ/CAT nº 55/2009, ressaltou que, em que pese o caput desse artigo mencionar "pessoalmente responsáveis", trata este artigo de responsabilidade solidária. O entendimento manifestado pela douta Procuradoria no citado parecer toma por base a jurisprudência do STJ e externa as seguintes conclusões: “(...) c) Para efeito de aplicação do art. 135, III, do CTN, responde também a pessoa que, de fato, administra a pessoa jurídica, ainda que não constem seus poderes expressamente do estatuto ou contrato social; d) A responsabilidade dos administradores, de acordo com a jurisprudência do STJ, não pode ser entendida como exclusiva (responsabilidade substitutiva), porquanto se admite na Corte Superior que a ação de execução fiscal seja ajuizada, ao mesmo tempo, contra a pessoa jurídica e o administrador; e) A tese da responsabilidade substitutiva também deve ser excluída pela inexistência de norma legal de desoneração da pessoa jurídica em razão da prática de ato ilícito por parte do administrador; f) A tese da responsabilidade subsidiária, em sentido próprio, dos administradores é incompatível com a adoção da tese da responsabilidade subjetiva, acolhida pelo STJ, visto que não se pode conceber que o terceiro, sendo sancionado pela prática de ato ilícito, condicione sua responsabilidade à inexistência de bens da pessoa jurídica, suficientes para a satisfação do crédito; Fl. 11323DF CARF MF Processo nº 16004.720176/201657 Acórdão n.º 1401003.046 S1C4T1 Fl. 11.324 96 g) A tese da responsabilidade subsidiária, em sentido próprio, dos administradores também deve ser afastada em razão da jurisprudência do STJ que admite que a execução fiscal seja ajuizada, desde logo, contra sociedade e administrador; não se trata de mera questão de legitimidade, como seria no processo de conhecimento, pois que, no processo de execução, não se admite o processamento da ação sem que se tenha presente, desde o início, a exigibilidade da pretensão em face do executado; h) Os acórdãos do STJ que fazem referência à “responsabilidade subsidiária” somente podem ser entendidos no sentido impróprio da expressão, que exige, além da existência de poderes de gerência e da prática de ilicitude pelo administrador, a ausência de pagamento pontual da obrigação tributária, e não a insolvabilidade da pessoa jurídica, o que se aproxima, na prática, da responsabilidade solidária decorrente de ato ilícito; (...)” Já no que diz respeito ao elemento subjetivo, concluiu o item 59 do mencionado parecer que se exige apenas o dolo gênero e não o dolo espécie, com base nos seguintes fundamentos, litteris: “ 59. A respeito da necessidade da presença de ato doloso por parte do administrador ou da suficiência da presença de culpa, devese observar que, ao contrário do que defende parte da doutrina, a jurisprudência maciça do STJ exige tãosó a presença de “infração de lei” (=ato ilícito), a qual, pela teoria geral do Direito, pode ser tanto decorrente de ato culposo como de ato doloso (não obstante alguns poucos acórdãos referirem expressamente à necessidade de prova do dolo, em contraposição à imensa maioria que exige somente a culpa). Logo, se a lei e a jurisprudência não separam as hipóteses de culpa em sentido estrito e dolo, tanto um quanto outro elemento subjetivo satisfaz a hipótese do art. 135 do CTN. Em verdade, o Direito Tributário preocupase com a externalização de atos e fatos, não possuindo espaço para a persecução do dolo; basta a culpa.” Por outro lado, é certo que, para que a Fiscalização possa promover a responsabilização solidária dos administradores da pessoa jurídica, nos termos do art. 135, inciso III, do CTN, necessária se faz a prova cabal de que os mesmos agiram com excesso de poderes ou infração de lei, contrato social ou estatutos, consoante entendimento externado pelo STJ, nos seguintes precedentes: “TRIBUTÁRIO E PROCESSUAL CIVIL. AGRAVO REGIMENTAL. EXECUÇÃO FISCAL. RESPONSABILIDADE DE SÓCIOGERENTE. LIMITES. ART. 135, III, DO CTN. PRECEDENTES, VERIFICAÇÃO DA CONDIÇÃO DO SÓCIO NÃO CONSTANTE DOS AUTOS. SÚMULA Nº 07/STJ. (...) 6. O simples inadimplemento não caracteriza infração legal. Inexistindo prova de que se tenha agido com excesso de poderes, ou infração de contrato social ou estatutos, não há falarse em responsabilidade tributária do exsócio a esse título ou a título de infração legal. (negritei) Inexistência de responsabilidade do ex sócio. (...) (STJ, 1ª Turma, REsp 327462/MG, de 04/10/2001, DJ de 18/02/2002, Rel. Min. José Delgado)” Fl. 11324DF CARF MF Processo nº 16004.720176/201657 Acórdão n.º 1401003.046 S1C4T1 Fl. 11.325 97 “TRIBUTÁRIO. EXECUÇÃO FISCAL. SOCIEDADE ANÔNIMA. RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA. ART. 135, III. CTN. DIRETOR. AUSÊNCIA DE PROVA DE INFRAÇÃO À LEI OU ESTATUTO. (...) 2. A responsabilidade tributária imposta por sóciogerente, administrador, diretor ou equivalente só se caracteriza quando há dissolução irregular da sociedade ou se comprova infração à lei praticada pelo dirigente. (negritei) (...) (STJ, 1ª Seção, ERESP 100739/SP, DJ de 28/02/2000, Rel. Min. José Delgado)” Entendo não merecer reparo o entendimento da turma a quo. Não há que se utilizar a exclusividade atribuída à lei para que o responsável pela retenção seja indicado para o pagamento do tributo que deixou de ser pago com a possibilidade de os dirigentes desta mesma empresa, responderem em grau de solidariedade com a infração que é atribuída à empresa. Adoto os fundamentos de decidir apresentados pela Delegacia de Julgamento para, neste ponto, negar provimento ao recurso. Do Mérito da autuação. Razões de defesa da Galvão engenharia em seu recurso. Neste item apenas apresenta as razões apresentadas pela Galvão Engenharia em seu recurso no que se refere à busca da nulidade ou exclusão da autuação. Deixaremos aqui de apresentar as alegações deste trecho do recurso dos responsáveis, vez que as razões apresentadas pelo recorrente já foram apresentadas em toda esta peça nos tópicos antes tratados. DO RECURSO DE OFÍCIO A DRJ exonerou parcialmente a autuação em razão da existência de saldos negativos de IRPJ existentes quando da autuação e, além disso, exonerou a responsabilidade solidária do Sr. Dário de Queiroz Galvão Filho e, parcialmente, do Sr. Jean Alberto Luscher Castro, em relação aos fatos ocorridos posteriormente a 09/09/2011. Passemos a analisar os dois pontos exonerados pela DRJ. 1. Exoneração parcial do lançamento do IRPJ em razão do saldo negativo Em relação a este ponto do recurso de ofício a Delegacia de Julgamento exonerou, em razão da existência de saldos negativos remanescentes do contribuinte, parte do lançamento do IRPJ conforme trecho abaixo do acórdão recorrido. Fl. 11325DF CARF MF Processo nº 16004.720176/201657 Acórdão n.º 1401003.046 S1C4T1 Fl. 11.326 98 I REJEITAR as questões preliminares suscitadas pela contribuinte GALVÃO ENGENHARIA S/A e, no mérito, julgar PARCIALMENTE PROCEDENTE a impugnação apresentada pela contribuinte, mantendo em parte o crédito tributário lançado, a fim de, tão somente, reduzir os valores devidos a título de IRPJ (já incluído o adicional), que passam a ser os seguintes: Em relação ao recurso de ofício e conforme já analisado no item específico deste voto: ANOCALENDÁRIO 2011 Processo 10880.925556/201752 fls. IRPJ+ADICIONAL APURADOS: R$ 2.049.382,01 Saldo Negativo de IRPJ solicitado em DCOMP: R$ 688.415,29 Valor do Saldo utilizado em PER/DCOMP: R$ 688.415,29 Remanescente de SN a ser abatido do lançamento: R$ 0,00 Resultado: Não existe valor de saldo negativo remanescente a ser utilizado na dedução dos valores lançados no anocalendário 2011. Assim, não assiste razão ao contribuinte neste ponto. ANOCALENDÁRIO 2012 Processo: 10880.925406/201631 fls. IRPJ+ADICIONAL APURADOS: R$ 625.708,30 Saldo Negativo de IRPJ solicitado em DCOMP: R$ 27.418.410,53 Valor do SN deferido pela DRF: R$ 25.540.022,47 Valor do Saldo utilizado em PER/DCOMP: R$ 23.421.979,40 Remanescente de SN a ser abatido do lançamento: R$ 2.118.043,07 Resultado: Existe saldo de créditos remanescente que pode ser utilizado para excluir integralmente o valor lançado do IRPJ. Assim, há de ser dar provimento neste ponto e determinar a utilização de parte do saldo negativo remanescente do processo acima indicado para dedução integral do débito lançado, excluindose integralmente o lançamento do IRPJ do anocalendário 2012. Fl. 11326DF CARF MF Processo nº 16004.720176/201657 Acórdão n.º 1401003.046 S1C4T1 Fl. 11.327 99 ANOCALENDÁRIO 2013 Processo: 10880.976697/201652 fls. IRPJ+ADICIONAL APURADOS: R$ 1.324.651,33 Saldo Negativo de IRPJ solicitado em DCOMP: R$ 49.078.323,02 Valor do SN deferido pela DRF: R$ 48.347.169,61 Valor do Saldo utilizado em PER/DCOMP: R$ 47.081.420,67 Remanescente de SN a ser abatido do lançamento: R$ 1.265.748,94 Resultado: Existe saldo de créditos remanescente que pode ser utilizado para excluir parcialmente o valor lançado do IRPJ. Assim, há de ser dar parcial provimento neste ponto e determinar a utilização de parte do saldo negativo remanescente do processo acima indicado para dedução de parte do débito lançado até o limite de R$ 1.265.748,94, remanescendo o valor de IRPJ lançado no montante de R$ 58.902,39. Decorre da análise, que há de se dar parcial provimento ao recurso de ofício, em razão dos cálculos acima apresentados, apenas para se corrigir o valor do IRPJ a ser mantido relativo ao anocalendário 2013, que passará de R$ 58.721,08, conforme reconhecido pela DRJ, para R$ 58.902,39, conforme nossos cálculos baseados no valor remanescente dos créditos. Assim, neste ponto dou parcial provimento ao recurso de ofício apenas para retificar o valor do IRPJ devido a ser mantido do anocalendário 2013 para o montante de R$ 58.902,39. 2. Exoneração da responsabilidade do Sr. DÁRIO e parcial do Sr. JEAN. Em relação à exoneração da responsabilidade solidárias destes imputados entendo assistir razão à decisão de Piso. Conforme já acima apresentado a exclusão da responsabilidade decorreu da constatação de que os mesmos atuavam em todo o período ou em parte dele como membros do Conselho de Administração da companhia e, assim, não realizavam atos de administração da empresa, razão pela qual não podem ser responsabilizados neste período. Pelo exposto, neste ponto voto por negar provimento ao recurso de ofício. Em conclusão a todo o apresentado, resumimos o nossos voto nos seguintes termos: 1) Rejeitar as preliminares suscitadas Fl. 11327DF CARF MF Processo nº 16004.720176/201657 Acórdão n.º 1401003.046 S1C4T1 Fl. 11.328 100 No mérito dar parcial provimento ao recurso de voluntário para: a) rever o valor do IRPJ e CSLL devidos b) exonerar parte das multas isoladas lançadas em razão do princípio da consunção, conforme demonstrado na tabela abaixo: IRPJ Anocalendário Multa Isolada Lançada Multa de Ofício lançada Multa de ofício Mantida Multa isolada mantida 2011 1.024.691,01 3.074.073,01 3.074.073,01 0,00 2012 312.854,16 938.562,45 0,00 312.854,16 2013 662.325,67 1.986.976,99 88.353,58 573.972,09 CSLL Anocalendário Multa Isolada Lançada Multa de Ofício lançada Multa de ofício Mantida Multa isolada mantida 2011 368.888,76 1.106.666,28 1.106.666,28 0,00 2013 238.437,24 715.311,72 715.311,72 0,00 3) Em relação ao recurso de ofício dar parcial provimento ao recurso apenas para retificar o valor do IRPJ devido a ser mantido do anocalendário 2013 para o montante de R$ 58.902,39. (assinado digitalmente) Abel Nunes de Oliveira Neto Relator Fl. 11328DF CARF MF Processo nº 16004.720176/201657 Acórdão n.º 1401003.046 S1C4T1 Fl. 11.329 101 Fl. 11329DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10980.913472/2012-33
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Nov 29 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Feb 04 00:00:00 UTC 2019
Numero da decisão: 3402-001.607
Decisão:
Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência, nos termos do voto do relator.
(assinado digitalmente)
Waldir Navarro Bezerra - Presidente. e Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Waldir Navarro Bezerra (Presidente), Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Cynthia Elena de Campos, Pedro Sousa Bispo, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Rodrigo Mineiro Fernandes e Renato Vieira de Ávila (Suplente convocado). Ausente, justificadamente, a Conselheira Thais De Laurentiis Galkowicz.
Nome do relator: WALDIR NAVARRO BEZERRA
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(assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra Presidente. e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Waldir Navarro Bezerra (Presidente), Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Cynthia Elena de Campos, Pedro Sousa Bispo, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Rodrigo Mineiro Fernandes e Renato Vieira de Ávila (Suplente convocado). Ausente, justificadamente, a Conselheira Thais De Laurentiis Galkowicz. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 09 80 .9 13 47 2/ 20 12 -3 3 Fl. 173DF CARF MF Processo nº 10980.913472/201233 Resolução nº 3402001.607 S3C4T2 Fl. 188 2 Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto contra o Acórdão da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Belo Horizonte/MG, que julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade interposta contra o Despacho Decisório, que indeferiu o pedido de compensação da Contribuinte por concluir que não restou saldo disponível. No Recurso Voluntário ora em apreço, alega a Recorrente que: Transmitiu eletronicamente o Per/Dcomp para compensação de débitos diversos com crédito decorrente de pagamento indevido ou a maior de COFINS não cumulativa; A compensação não foi homologada face a erro de preenchimento da DCTF e da Dacon correspondente ao período do crédito submetido no Perd/Comp; Quando tomou ciência do indeferimento do pedido de compensação, imediatamente transmitiu as declarações retificadoras, a fim de que constasse o valor correto; Ressaltase que tais retificações foram efetuadas dentro do prazo legal de cinco anos, não tendo precluído o direito da Reclamante de fazêlo. Com isso, invocando o Princípio da Verdade Material, pede pela análise dos documentos anexados com o recurso para o fim de que seja possível confirmar a existência do crédito e a legitimidade da compensação efetuada, com a consequente homologação da compensação pleiteada e extinção do débito vinculado a referida declaração. É o Relatório. Voto Conselheiro Waldir Navarro Bezerra, Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido n Resolução 3402001.601 29 de novembro de 2018, proferido no julgamento do processo 10980.913460/201217, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevemse, como solução deste litígio, nos termos regimentais, os entendimentos que prevaleceram naquela decisão (Resolução 3402001.601) "Pressupostos legais de admissibilidade Nos termos do relatório, verificase a tempestividade do recurso, bem como o preenchimento dos demais requisitos de admissibilidade, resultando em seu conhecimento. Fl. 174DF CARF MF Processo nº 10980.913472/201233 Resolução nº 3402001.607 S3C4T2 Fl. 189 3 Da necessidade de diligência para julgamento do litígio Constatase às fls. 6 a 10 dos autos que a Recorrente apresentou em data de 29/10/2010 o PERD/COMP nº 30906.57244.291010.1.3.04 4640, pelo qual prestou as seguintes informações: Por sua vez, a retificação foi transmitida em 07/12/2012, sendo que a documentação mencionada pela defesa de fato foi anexada nestes autos por ocasião da interposição do Recurso Voluntário. Para julgamento deste processo, fazse necessário buscar a Verdade Material sobre o objeto do litígio, apurando a legitimidade do crédito discriminado em PER/DCOMP, bem como a documentação apresentada, analisando a suficiência de crédito disponível para compensação com os débitos igualmente informados. Por tais motivos, proponho a conversão do julgamento em diligência, com a baixa dos autos para que a Unidade de Origem proceda à análise dos documentos fiscais acostados às fls. 57 a 184, bem como outros que se fizerem necessários solicitar à Contribuinte, apurando eventual saldo credor passível de compensar com os débitos informados no PERD/COMP nº 30906.57244.291010.1.3.044640 e respectiva retificação. Após a diligência, deverá a autoridade fiscal lavrar as conclusões em Relatório de Diligência e proceder às intimações da Contribuinte e da Fazenda Nacional para, querendo, apresentar manifestação sobre o resultado no prazo de 30 (trinta) dias, nos termos do artigo 35, parágrafo único do Decreto n. 7.574/2011. Cumpridas a providência acima, com ou sem resposta das partes, retornem os autos a este Colegiado para julgamento." Importante frisar que os documentos juntados pela contribuinte no processo paradigma, como prova do direito creditório, encontram correspondência nos autos ora em análise. Desta forma, os elementos que justificaram a conversão do julgamento em diligência no caso do paradigma também a justificam no presente caso. Fl. 175DF CARF MF Processo nº 10980.913472/201233 Resolução nº 3402001.607 S3C4T2 Fl. 190 4 Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado decidiu converter o presente processo em diligência, com a baixa dos autos para que a Unidade de Origem proceda à análise dos documentos fiscais trazidos quando da apresentação do Recurso Voluntário, bem como outros que se fizerem necessários solicitar à Contribuinte, apurando eventual saldo credor passível de compensar com os débitos informados no PERD/COMP em tela e respectiva retificação. Após a diligência, deverá a autoridade fiscal lavrar as conclusões em Relatório de Diligência e proceder às intimações da Contribuinte e da Fazenda Nacional para, querendo, apresentar manifestação sobre o resultado no prazo de 30 (trinta) dias, nos termos do artigo 35, parágrafo único do Decreto n. 7.574/2011. Cumpridas a providência acima, com ou sem resposta das partes, retornem os autos a este Colegiado para julgamento. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra Fl. 176DF CARF MF
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